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	<title>3:AM Magazine Brasil</title>
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	<pubDate>Sat, 04 Jul 2009 15:09:32 +0000</pubDate>
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		<title>Paisagem Útil</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Jun 2009 10:35:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Flash Fiction]]></category>

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		<description><![CDATA[<img vspace="5" hspace="5" border="solid black 1px" align="right" alt="fab12.jpg" src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/fab12.thumbnail.jpg" id="image1388" />Apanhou outra garrafa, e deu um gole tão grande que lhe escorreu um pouco no queixo e no peito, onde ficaram alojadas ainda algumas gotas, por causa dos pêlos. Pensou em levantar, mas lhe doíam tanto as coisas por causa de um mau jeito que achou por bem ficar mais um pouco na cama. Afinal o que importava acordar, viver, levantar-se, fazer qualquer coisa. Preferia beber, pois aquilo fazia frente à qualquer metafísica e à monotonia de agruras do dia-a-dia, o tédio de nada de bom acontecer.

Por <strong>Fábio Vanzo</strong>.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fábio Vanzo.</p>
<p>Despertou na cama desarrumada, cheia de cobertas. Embora a cama fosse de casal, e ele dormisse só em sua costumeira metade, não havia nenhuma mulher com ele. Gostava de dormir sem roupas e bem acobertado. Durante todas as noites, sentia frio e calor se alternando, e jamais soubera o porquê. Por vezes suava e tremia os dentes ao mesmo tempo, como se estivesse com febre. Talvez fosse a febre de existir, aquela permanente segunda-feira de manhã que era viver.</p>
<p>Estava só. Esticou-se para apanhar uma cerveja no frigobar ao lado da cama e se recostou novamente no grande e macio travesseiro. Tomou dois longos goles e deixou a garrafa gelada repousar sobre seu peito, depois sobre sua coxa esquerda. Então bocejou, ao que se seguiu um longo suspiro.</p>
<p>A metafísica invadia o quarto silenciosamente, como o vento que entrava pela fresta da porta, vindo de baixo, para apanhá-lo de surpresa. Enquanto isso, sua cabeça doía um pouco e os olhos pesavam por causa dos remédios que tomava para dormir aquele sono pesado, porém perturbado e pouco repousante.</p>
<p>Olhou em volta: o armário, com caixas de sapatos e cartas no alto; o pôster já meio descascado dos Beatles ‘69 num jardim inglês florido; o óleo sobre tela abstrato que uma prima lhe dera de presente num distante aniversário; a prateleira com CDs, livros e DVDs, tudo muito desorganizado; um mural com fotos e bilhetes de alguém que já lhe fora a razão de viver, mas que, naquele momento, era um bom motivo para morrer.</p>
<p>Aquelas imagens e palavras pareciam não existir, não pertencer mais a mundo nenhum, a não ser no insistente zumbido que lhe faziam no coração, uma quase-dor que agia como uma presença de ausência, um tudo-nada de algo que, terminado, parecia nunca ter acontecido realmente.</p>
<p>Por que aquilo ainda ficava ali, e não guardado junto com outras tralhas inúteis no armário, ou na lata de lixo? Não sabia dizer. Talvez fosse apego desnecessário ao passado, talvez comodidade sentimental. Como alguém que dormisse por trinta anos seguidos segurando o telefone celular nas mãos, com medo de perder a ligação reconciliadora da pessoa ida que jamais voltaria.</p>
<p>Ou para lembrar que tinha sido feliz, mesmo que sem saber, naquele momento, olhando o mural, se uma felicidade ilusória realmente compensava, uma alegria que trouxe em uma mão um raio de sol e, na outra, nuvem de tempestade. Ramo de flores e punhal de prata. Talvez ainda tivesse esperança de que ela voltasse.</p>
<p>Tentou telefonar, mas ela nunca atendeu. Mandou e-mails, mas não obteve resposta. Das inúmeras cartas que enviou, não se soube nem se chegaram ao destino. Talvez o destino, das cartas e dele, fosse não chegar a nada nem a ninguém.</p>
<p>Um dia deixou de correr atrás dela, âncora que talvez o impedisse de seguir em frente porque já bastasse o que tinha vivido até então. Mas sentia saudade. Daquelas que rangiam como engrenagem torta. Ruidosa como pés num chão de cascalho. Farfalhava como folhas secas de outono e gotejava como sangue de um pequeno e profundo corte.</p>
<p>O resto era beber aquela cerveja gelada, nu, sem máscaras, sem amarras, sem companhia. Nem de ouvir música gostava mais, aprendera a ouvir o silêncio, aquilo que diziam ser justamente os músicos os mais aptos a reconhecer.</p>
<p>Apanhou outra garrafa, e deu um gole tão grande que lhe escorreu um pouco no queixo e no peito, onde ficaram alojadas ainda algumas gotas, por causa dos pêlos. Pensou em levantar, mas lhe doíam tanto as coisas por causa de um mau jeito que achou por bem ficar mais um pouco na cama. Afinal o que importava acordar, viver, levantar-se, fazer qualquer coisa. Preferia beber, pois aquilo fazia frente à qualquer metafísica e à monotonia de agruras do dia-a-dia, o tédio de nada de bom acontecer.</p>
<p>Procurou um maço de cigarros no chão, com os olhos, mas não encontrou. Era para fazer frente ao vento que já tomara todo o cômodo. Seu corpo estava frio, e era o preço de dormir com aqueles fantasmas todos e suas gélidas recordações.</p>
<p>Seu quarto era nos fundos, no andar de cima. Ainda deitado, olhava da sua cama a janela. Só dava para ver o céu muito azul e as grandes primaveras que se erguiam do quintal do vizinho dos fundos. Pensou: ah, daqui onde estou só vejo azul e verde, um em cada quadrado de vidro. Que bom se o mundo fosse só isso, um pouco dessas duas cores infinitas e imutáveis, e mais ninguém lá fora.</p>
<p><a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/fabio1.jpg" title="fabio1.jpg"><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/fabio1.jpg" alt="fabio1.jpg" /></a></p>
<p><strong>SOBRE O AUTOR</strong><br />
<a href="http://fabiovanzo.blogspot.com/">Fábio Vanzo</a> é jornalista, guitarrista, petista, ateísta e existencialista. Gosta do Corinthians, de cinema americano dos anos 1970 e de cerveja. Não tem paciência para teatro, filme experimental ou almoço depois das 13h.</p>
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		<title>Deslocado</title>
		<link>http://www.3ammagazine.com/brasil/deslocado/</link>
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		<pubDate>Wed, 03 Jun 2009 18:55:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Flash Fiction]]></category>

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		<description><![CDATA[<img vspace="5" hspace="5" border="solid black 1px" align="right" alt="sheyla1.jpg" src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/sheyla1.thumbnail.jpg" id="image1388" />- Nem pensar! Igual àquela vez que tu inventaste de acamparmos em Três Coroas e não tínhamos repelente. Fiquei toda embolotada, bah, alergia é meu segundo nome…

- É verdade, amor, lembrei daquela vez que a gente viajou pra São Paulo e tu quiseste jantar num restaurante indiano, começou a ficar toda vermelha e espirrando sem parar. Lembra? Acho que foi em 2003, foi uma ótima viagem!

Por <strong>Sheyla Amaral</strong>.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Sheyla Amaral.</p>
<p>Noite. Céu estrelado. Numa estrada qualquer.</p>
<p>- Olha essa lua!</p>
<p>- Sim.</p>
<p>- Parece aquela noite em que te pedi em namoro.</p>
<p>- É. E trincou meu dente incisivo, quando pegou meu chiclete. Bem, apesar de caro, o conserto prestou, tenho até hoje.</p>
<p>- Noite muito agradável. Podíamos até acampar aqui, ali próximo àquelas pedras e árvores.</p>
<p>- Nem pensar! Igual àquela vez que tu inventaste de acamparmos em Três Coroas e não tínhamos repelente. Fiquei toda embolotada, bah, alergia é meu segundo nome&#8230;</p>
<p>- É verdade, amor, lembrei daquela vez que a gente viajou pra São Paulo e tu quiseste jantar num restaurante indiano, começou a ficar toda vermelha e espirrando sem parar. Lembra? Acho que foi em 2003, foi uma ótima viagem!</p>
<p>- Lembro. Mas isso foi em 2002. Em 2003, tu estavas ainda no exterior e me deixaste esperando no aeroporto, em pleno Natal, pois mandaste e-mail com data errada.</p>
<p>- Tu ficas muito bonita com essa luz refletindo no teu rosto.</p>
<p>- Que bom que reparaste! É meu ângulo melhor. Lembra daquelas fotos da lua de mel? Pois tu fotografaste todas, sem exceção, o meu pior ângulo.</p>
<p>- Que bobagem, amor, tu és perfeita.</p>
<p>- Não sou não! Tu que és míope! Faça o favor de passar logo esse mapa rodoviário pra cá que eu já estou começando a me pelar de medo dessa estrada escura e deserta. Só tu mesmo pra se perder né, vou te contar&#8230;</p>
<p>Noite. Céu fechado. Numa estrada qualquer e apenas o cricrilar dos grilos.</p>
<p><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/sheyla.jpg" alt="sheyla.jpg" /></p>
<p><strong>SOBRE A AUTORA</strong><br />
<a href="http://soulmusical.blogspot.com/">Sheyla Amaral</a> é porto-alegrense, nascida na primavera de 1975. De lá pra cá, muita coisa na bagagem e algumas histórias pra contar.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>A Musa do Século 21</title>
		<link>http://www.3ammagazine.com/brasil/a-musa-do-seculo-21/</link>
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		<pubDate>Mon, 01 Jun 2009 09:45:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[<img vspace="5" hspace="5" border="solid black 1px" align="right" alt="maria1.jpg" src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/maria1.thumbnail.jpg" id="image1388" />Aberta, relax, super moderninha:

divide o namorado com hippies e patricinhas.

Séria, independente, meio estressadinha:

tem sua própria casa e paga as contas sozinha.

Culta, inteligente, artisticazinha:

Cita filosofia, curte música e um cineminha.

Por <strong>Maria Rezende</strong>.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Maria Rezende.</p>
<p>Gata, gostosa, tesudinha:</p>
<p>dá de quatro, dá de lado e ainda dá a bundinha.</p>
<p>Aberta, relax, super moderninha:</p>
<p>divide o namorado com hippies e patricinhas.</p>
<p>Séria, independente, meio estressadinha:</p>
<p>tem sua própria casa e paga as contas sozinha.</p>
<p>Culta, inteligente, artisticazinha:</p>
<p>Cita filosofia, curte música e um cineminha.</p>
<p>Doce, prendada, jeitosinha:</p>
<p>lava a roupa, arruma a casa e ainda cozinha.</p>
<p>Faz a unha, faz uns bicos, faz café, faz 69,</p>
<p>busca o cara no seu carro e ainda dirige pro motel.</p>
<p>Compra frutas, roupa nova, se depila e lê de tudo,</p>
<p>tem email, tem um blog, tem crédito no celular.</p>
<p>Não pede ajuda, não liga pra bagunça, não chora à toa, não fala demais.</p>
<p>Não é careta nem doidona,</p>
<p>adora esportes na tv e sexo de madrugada,</p>
<p>não fala em filhos nem casamento</p>
<p>e cuida sozinha da anticoncepção.</p>
<p>Por ela suspiram os machos do século 21,</p>
<p>e por causa dela sofrem as fêmeas,</p>
<p>meros projetos de musa,</p>
<p>nós, mulheres reais.</p>
<p><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/maria.jpg" alt="maria.jpg" /></p>
<p><strong>SOBRE A AUTORA</strong><br />
<a href="http://www.mariadapoesia.blogspot.com/">Maria Rezende</a> é poeta e dizedora. Acaba de lançar seu segundo livro, <em>Bendita Palavra</em>, pela Editora 7Letras. Seu primeiro livro, <em>substantivo feminino</em>, foi editado de forma independente em 2003 e está esgotado. Por seu trabalho recebeu elogios de nomes como <em>Manoel de Barros</em>, <em>Martha Medeiros</em> e <em>Ferreira Gullar</em>. Teve poemas publicados na revista <em>Playboy</em>, na revista <em>Poesia Sempre</em>, da <em>Biblioteca Nacional</em>, e na coletânea <em>Imagining Ourselves</em>, do Museu Internacional da Mulher em São Francisco. A mistura entre poesia escrita e falada é a tônica de seu trabalho, por isso seus dois livros são acompanhados por CDs.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>3:AM Brasil Top 5: Babe, Terror</title>
		<link>http://www.3ammagazine.com/brasil/3am-brasil-top-5-babe-terror/</link>
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		<pubDate>Sat, 30 May 2009 09:49:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Buzzwords]]></category>

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		<description><![CDATA[Artista solo de São Paulo Babe, Terror chegou no reino e já esta por toda parte, até no blógue de Alan McGee no The Guardian.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/bt.jpg" title="bt.jpg"><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/bt.jpg" alt="bt.jpg" /></a></p>
<p>Artista solo de São Paulo <a href="http://www.myspace.com/babeterror">Babe, Terror</a> chegou no reino e já esta por toda parte, até no <a href="http://www.guardian.co.uk/music/musicblog/2009/mar/24/tropicalia-brazil-babe-terror">blógue de Alan McGee no The Guardian</a>&#8230; Aqui vai o top 5 albums de 2009 (até agora):</p>
<p>1. <strong>Marissa Nadler</strong> - <em>Little Hells</em><br />
2. <strong>Swan Lake</strong> - <em>Enemy Mine</em><br />
3. <strong>Zeca Viana</strong> - <em>Seres Invisíveis</em><br />
4. <strong>Here We Go Magic</strong> - <em>Here We Go Magic</em><br />
5. <strong>Pública</strong> - <em>Como Num Filme Sem Fim</em></p>
<p>Uma notinha do artista em Inglês:</p>
<p>“<em>I haven’t listened to new animal collective in its entirety, keep waiting for a perfect time when the people stop to talk about it every hour. i want the feeling of having it alone</em>.”</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Do Que Ela é Capaz</title>
		<link>http://www.3ammagazine.com/brasil/do-que-ela-e-capaz/</link>
		<comments>http://www.3ammagazine.com/brasil/do-que-ela-e-capaz/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 29 May 2009 09:48:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Flash Fiction]]></category>

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		<description><![CDATA[<img vspace="5" hspace="5" border="solid black 1px" align="right" alt="douglas1.jpg" src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/douglas1.thumbnail.jpg" id="image1388" />Roleta russa é o que há, lá. É o único jogo do cassino pós-pós-moderno. Desde que os Estados Unidos unificaram as leis do mundo, cada cidadão tem sua própria pistola, e é com sua parabela recém-comprada que Unombre vai ao cassino, neste dia cinza como todos os outros. Ele tem orgulho de sua novíssima arma, porque gosta de belos desenhos, e o desenho dela é arrojado, aerodinâmico, com linhas retas e alguma diagonalidade. Batizou-a Repetição, por motivos óbvios, por seu alto poderio de tiros por segundo: onze.

Por <strong>Douglas Dickel</strong>. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Douglas Dickel.</p>
<p>Unombre vai ao cassino. O cassino é uma das últimas diversões coletivas neste mundo enfadonho e amontoado. O vírus da superpopulação há muito preparou exércitos em seus QGs na Índia e na China e os enviou para contaminar todos os outros países do planeta, até a Islândia e o Canadá, veja só, que outrora incentivara a natalidade e a migração. Nada de espaços naturais, nada de espaço, nada de movimentos dos membros do corpo vivo. Asilo inviolável nunca foi levado tão à risca com respeito às casas, aos lares, local onde hoje tudo se passa e se decorre para a chamada vida humana. Poucos se arriscam, como Unombre, a se espremer entre os prédios e chegar até o cassino, a fim de um pouco de adrenalina e de contribuir infimamente para o combate ao vírus. Contribuição ínfima, sim, mas você deve se lembrar da fábula do beija-flor. Ou talvez ele ganhe um bom prêmio em dinheiro para investir em alguma droga lícita que o faça suportar melhor a existência em frente ao <em>home computer</em>, quando voltar à sua casa, menos inviolável do que a média delas.</p>
<p>Roleta russa é o que há, lá. É o único jogo do cassino pós-pós-moderno. Desde que os Estados Unidos unificaram as leis do mundo, cada cidadão tem sua própria pistola, e é com sua parabela recém-comprada que Unombre vai ao cassino, neste dia cinza como todos os outros. Ele tem orgulho de sua novíssima arma, porque gosta de belos desenhos, e o desenho dela é arrojado, aerodinâmico, com linhas retas e alguma diagonalidade. Batizou-a Repetição, por motivos óbvios, por seu alto poderio de tiros por segundo: onze. Unombre e Repetição, juntos (apesar de a arma usada para testar a sorte ser um revólver especial do próprio cassino), enfrentam as filas de adversários com muita facilidade. Depois de três horas de esperas nas filas e rodadas de jogo, os dois embolsam 1 milhão de dólares mundiais. Pensam em grandes sucessos do Canal Retrô, como Show do Milhão, Big Brother, <em>Slumdog Millionaire</em>, e decidem parar por ali. Três horas, 1 milhão e dezenas de homens mortos são suficientes para seus objetivos.</p>
<p>A dupla se espreme até em casa e lá se separa. Unombre envolve Repetição numa flanela cor-de-laranja e deixa-a na gaveta do criado-mudo ao lado da cama. Ao fechar a gaveta, o puxador cai e fica em sua mão. Na parte frontal do objeto de madeira, enxerga, confuso, uma contagem regressiva a começar pelo 10. Quando a contagem chega ao zero, o sortudo vencedor vê-se de volta à entrada do cassino, sem o milhão. Tudo a partir dali dá-se como antes, as mesmas filas, as mesmas esperas, o mesmo milhão, os mesmos pensamentos. Ao deixar a parabela no criado-mudo, de novo o puxador conta regressivamente, de novo a entrada no cassino. Unombre, angustiado, tenta ao máximo esforçar-se para mudar alguma coisa desse ciclo sem graça, dessa piada de humor negro. Mas é muito difícil e extenuante, torturantemente cansativo. Percebe-se dois: um que segue o fluxo do ciclo que parece sem fim e outro que, dentro da alma e do corpo automáticos, contrai-se como se fosse um indivíduo enterrado vivo, tentando remover as paredes do caixão empurradas pela areia que o cerca. Seu eu número dois começa a pensar que é vítima de um castigo, de uma praga de Deus. Unombre Segundo lembra que sempre acreditou na harmonia do Caos, na infelicidade extrema que pode acompanhar uma felicidade extrema, e com isso vem-lhe a clareza e ele passa a entender a situação. Tem esse pensamento no momento de abrir a porta de casa pela octogésima-oitava vez, e a fagulha mental abre uma brecha no ciclo. A pausa permite que seu segundo eu tome o controle do corpo e da alma que habita. Foi assim, então, que Unombre, antes de guardar mais uma vez sua parabela brilhante na gaveta, aperta-a contra o queixo, apontando para cima, e segura o gatilho para testar em si tudo aquilo de que Repetição é capaz.</p>
<p><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/douglas.jpg" alt="douglas.jpg" /></p>
<p><strong>SOBRE O AUTOR</strong><br />
<a href="http://douglasdickel.blogspot.com/">Douglas Dickel</a> foi lançado em 1977. Publicou em 2004 &#8216;Ambivalência&#8217;, um livro de poemas que lhe rendeu o Prêmio Nacional, O Sul &amp; os Livros de Autor Revelação da 50ª Feira do Livro de Porto Alegre. Agora participa da oficina de Charles Kiefer para mergulhar no conto. Além de escrever, Douglas dedica-se à música e à fotografia.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Timidez</title>
		<link>http://www.3ammagazine.com/brasil/timidez/</link>
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		<pubDate>Wed, 27 May 2009 08:57:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.3ammagazine.com/brasil/timidez/</guid>
		<description><![CDATA[<img vspace="5" hspace="5" border="solid black 1px" align="right" alt="bibi1.jpg" src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/bibi1.thumbnail.jpg" id="image1388" />Que bom que é ficar só, posto de lado…

subir a longa queda até o fim.

E chegar exausto, incompreendido, caluniado.

Desato em soluções sobre mim.

Choro na noite longa e transito como um menino ruim atrás da porta.

Mas comigo me consolo em sentir-me incompreendido.

Por <strong>Bibiana Lubian</strong>.

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Bibiana Lubian.</p>
<p>Entro.</p>
<p>Seja onde for, começo a disfarçar,</p>
<p>a fingir que estou muito à vontade&#8230;</p>
<p>Mas a verdade é que nem mesmo sei como hei de estar;</p>
<p>não sei deixarem ver que esta que é a verdade!</p>
<p>Suspeitando que todos estão possessos.</p>
<p>No olhar de toda gente encontro o mesmo grito:</p>
<p>Fora! Sempre no mesmo tom: correto, sério e frio.</p>
<p>Me despeço amavelmente,</p>
<p>Fingindo não ter sido mandado embora.</p>
<p>Lá fora só o lamento do vento me embala,</p>
<p>embebeda e atormenta.</p>
<p>Sinto-me bem! Que bem?</p>
<p>Todo embrulhado em sofrimento.</p>
<p>O martírio tenta-me!</p>
<p>Que bom que é ficar só, posto de lado&#8230;</p>
<p>subir a longa queda até o fim.</p>
<p>E chegar exausto, incompreendido, caluniado.</p>
<p>Desato em soluções sobre mim.</p>
<p>Choro na noite longa e transito como um menino ruim atrás da porta.</p>
<p>Mas comigo me consolo em sentir-me incompreendido.</p>
<p>Por que aquele menino ruim não merecia tal castigo.</p>
<p>Assim esta paródia do meu mal se junta a minha megalomania,</p>
<p>volto aos clubes e salões,</p>
<p>visto a minha grandeza diante do furor deles e delas.</p>
<p>Sofro superiormente obscenidades e empurrões.</p>
<p>Sento-me triste até a morte olhando para os vidros da janela,</p>
<p>olho no espelho em frente: uma caricatura,</p>
<p>um rosto cego,</p>
<p>mudo e empoeirado.</p>
<p>Garante que sou aquela compostura,</p>
<p>Esse sepulcro caiado.</p>
<p>Por quê? Não retorno à rua?</p>
<p>&#8230;enjoam-me os cristais, as luzes e os decotes.</p>
<p>Como é bom passear lá fora, sob a lua sereníssima.</p>
<p>Porém na rua há bares, bordéis, escuro e fêmeas.</p>
<p>E no vinho há desespero e gosto.</p>
<p>É então que tu vens! Mestre que eu procuro.</p>
<p>Então me encontras e cospe-me no rosto!</p>
<p><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/bibi.jpg" alt="bibi.jpg" /></p>
<p><strong>SOBRE A AUTORA</strong><br />
<em>Bibiana Lubian</em> é uma amante da literatura e das artes em geral. Como jovem e como iniciante, tem as clássicas marcas dessa dupla condição: o tom confessional e a intensa carga afetiva inspirada em sua própria vida; no plano textual, certa prodigalidade no uso de adjetivos e um léxico que reflete o universo das pessoas de sua geração.</p>
<p>Bibiana já possui algumas características definidoras, o que se percebe tanto nas crônicas quanto nos poemas; em primeiro lugar uma inequívoca sensação de estar “<em>gauche</em>“ na vida, uma densa melancolia e uma irreprimível visão oblíqua da existência humana: “<em>Já não quero mais que meu coração seja guiado, encorajado ou estimulado por qualquer impulso e por emoções baratas; ele sozinho já se inflama o bastante</em>&#8220;. De fato, quem isso afirma, é porque ultrapassou alguns estágios vitais que ainda engasgam outros. Sabe-se de si mesmo quando deixa de saber pela mão alheia. Em segundo lugar, destacaria uma espécie de perspectiva existencial, que acredita pelo verbo: <em>As palavras só significam a realidade depois de termos assinado embaixo. É uma outra forma de dizer – mais simples e límpida, talvez – que estamos em definitivo amarrados à nossa situação de seres nominadores</em> ( e, portanto, intrigados e desconfiados).</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Não Editora Não Newsletter!</title>
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		<pubDate>Mon, 25 May 2009 11:13:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Buzzwords]]></category>

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		<description><![CDATA[Isto é uma newsletter!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/newsletter7.jpg" alt="newsletter7.jpg" /><br />
<em>Por <a href="http://www.naoeditora.com.br/">aqui</a> tem mais!</em></p>
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		</item>
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		<title>Natureza Morta</title>
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		<pubDate>Sun, 24 May 2009 14:25:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[<img vspace="5" hspace="5" border="solid black 1px" align="right" alt="fel1.jpg" src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/fel1.thumbnail.jpg" id="image1388" />talheres dispostos
a teu critério

extirpei a rosa d’água
para dilacera-la

o jarro aquietou
a revolta translúcida.

Por <strong>Felipe Fonseca</strong>.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Felipe da Fonseca.</p>
<p>a louça polida<br />
como tuas unhas</p>
<p>talheres dispostos<br />
a teu critério</p>
<p>extirpei a rosa d&#8217;água<br />
para dilacera-la</p>
<p>o jarro aquietou<br />
a revolta translúcida.</p>
<p>pétala a pétala<br />
teu silêncio me dissuadia.</p>
<p><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/fel.jpg" alt="fel.jpg" /></p>
<p><strong>SOBRE O AUTOR</strong><br />
<strong>Felipe da Fonseca</strong> é poeta e professor. Seu primeiro livro de poemas, <em>Ícaro ocaso</em>, é previsto para Junho, pela <a href="http://www.editoramultifoco.com.br/">Editora Multifoco</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Abra as Pernas e que Deus me Abençoe</title>
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		<pubDate>Sat, 23 May 2009 08:46:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Flash Fiction]]></category>

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		<description><![CDATA[<img vspace="5" hspace="5" border="solid black 1px" align="right" alt="fa1.jpg" src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/fa1.thumbnail.jpg" id="image1388" />Enquanto sua grande bunda dura e empinada rebolava em meu quadril e seus gemidos empesteavam meu quarto, eu, um grande colecionador de regras quebradas, olhava orgulhoso para meu reflexo no espelho atrás da porta, calculando a quantos anos de purgatório eu seria condenado. Caso aquela situação tenha sido um teste divino à minha santidade, confesso que fui reprovado com orgulho. Pois não existe nada que aquela “ovelha de Deus” não se submeta a fazer.

Por <strong>Felipe Attie</strong>.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Felipe Attie.</p>
<p>Sempre tive minha religiosidade guiada pelas vaginas que cruzaram minha vida. Minha primeira mulher foi uma macumbeira que, ao abrir as pernas para mim, me apresentou ao universo da Umbanda com todos os seus Santos e Orixás característicos. Em seguida, veio a mocinha católica que, apesar de nunca ter conseguido me levar à missa, fez com que durante alguns curtos e surtados instantes eu sentisse uma migalha de respeito pelo Papa. A insanidade católica terminou, quando terminei meu namoro — por motivos que até hoje desconheço — e encontrei a menina que me colocou a coleira da ditadura evangélica.</p>
<p>Durante os quase dois anos de relacionamento, sofri uma metamorfose que me levou à prática de atitudes ensandecidas como, por exemplo, me batizar “nas águas” em plena praça pública e dar testemunhos para fiéis tão loucos quanto eu. Não estou aqui para cuspir no prato em que comi — muito menos em quem comi —, mas sim, para retratar os caminhos virtuosos que uma paixão te faz percorrer. Afinal, se não fossem essas “meninas”, eu jamais levantaria uma bandeira religiosa. Não vejo motivos que justifiquem eu ser obrigado a formatar minhas crenças de acordo com uma doutrina que sei lá quem criou. Não vejo por que seguir as rédeas de um cara que aponta o dedo na cara do pecado e, por trás da cruz, “come” criancinhas. Prefiro seguir meu caminho torto, regado a álcool e atitudes reprováveis, a me deitar na rede da hipocrisia.</p>
<p>Confesso que parte da minha ojeriza por religião provém do traumático período que passei dentro de uma Igreja Evangélica, convivendo ao lado de fanáticos, numa eterna competição em busca de quem é mais apaixonado pelo nosso Senhor. A cada ida à Igreja, uma situação me embrulhava o estômago e só o que me sustentava lá era olhar para a minha amada e vê-la de olhos cerrados, orando em línguas. Lembro-me que tudo o que eu desejava todos os domingos era ouvir o pastor encerrar o culto, levá-la pra baixo do edredom e mostrar, na prática, como se ama o próximo. Uma atitude esperada, se vinda de alguém como eu, um cara de forte apetite sexual. O que não se espera é a maneira como quebrei algumas regras religiosas, justamente ao lado da filha do pastor, uma mocinha bonita que fazia parte do grupo jovem da Igreja e que dançava de maneira exemplar em cima do palco durante os cultos.</p>
<p>He, He, He&#8230; As pessoas têm o talento nato de surpreender umas as outras. E foi exatamente isso que ela fez comigo, ao cair de quatro na minha cama, chupando meu instrumento da vida e deixando pra trás todos os anos de santidade cristã sob o olhar do papai pastor e seu precioso noivado com o guitarrista solo do Ministério de Louvor. Confesso que, caso ela fosse católica, não haveria hóstia que segurasse sua língua. Havia tempos que eu não recebia uma benção desse tipo. Quando questionada sobre seu comportamento, supostamente incorreto ao olhar de Deus, ela era curta e grossa em sua defesa: “Do que adianta eu seguir as regras impostas e morrer frustrada?” Bem&#8230; se depender do seu desempenho sexual, de frustração com certeza essa menina não vai sofrer.</p>
<p>Enquanto sua grande bunda dura e empinada rebolava em meu quadril e seus gemidos empesteavam meu quarto, eu, um grande colecionador de regras quebradas, olhava orgulhoso para meu reflexo no espelho atrás da porta, calculando a quantos anos de purgatório eu seria condenado. Caso aquela situação tenha sido um teste divino à minha santidade, confesso que fui reprovado com orgulho. Pois não existe nada que aquela “ovelha de Deus” não se submeta a fazer. Com certeza, ela faz do Kama Sutra a sua bíblia, possuindo total criatividade para posições e nenhuma restrição de buracos.</p>
<p>Após o ocorrido, nunca mais nos cruzamos — nem cruzamos — por ai. A última coisa que me lembro dela dizendo foi algo do tipo “seu pau é muito grosso e minha boca é muito pequena”, justificando a manobra que necessitava fazer em busca da chupada perfeita. Enfim, espero do fundo do coração que ela tenha encontrado a felicidade ao lado do guitarrista solo. Ou, pelo menos, esteja buscando-a com o baterista, tecladista, vocal&#8230; ou, até mesmo, com o Pastor, seu querido papai. Afinal, se tratando de religião, eu não duvido de mais nada. Amém.</p>
<p><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/fa.jpg" alt="fa.jpg" /></p>
<p><strong>SOBRE O AUTOR</strong><br />
<a href="http://www.visceralliterario.blogspot.com">Felipe Attie</a> é redator e jornalista na hora de trabalhar. Escritor e cartunista nas horas de lazer. E hipocondríaco quando não tem o que fazer. Leva a vida como pode, apesar de não poder fazer muita coisa. Mas sempre diz que o importante é ser feliz (blerg! Mas que coisa brega!)</p>
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		<title>Esqueça Todo o Resto.</title>
		<link>http://www.3ammagazine.com/brasil/esqueca-todo-o-resto/</link>
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		<pubDate>Sun, 17 May 2009 11:12:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Fiction]]></category>

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		<description><![CDATA[<img vspace="5" hspace="5" border="solid black 1px" align="right" alt="sintia.jpg" src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/sintia.thumbnail.jpg" id="image1388" />Tem mais, pare de repetir este seu discurso chinfrim sobre lealdade e fidelidade.Isso não vai convencer ninguém, ninguém. Como queria que ele tivesse sido leal se nem você mesmo soube ser leal a si própria? A pior de todas as traições foi a sua. Então vingue-se de si. Que tal água quente no ouvido enquanto dorme? E se furar os próprios olhos com faca de cortar carne?

Por <strong>Sintia Lira</strong>.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Sintia Lira.</p>
<p>Vanessa,</p>
<p>Esqueça. Eu não vou fazer parte deste plano absurdo. Não é do meu feitio este tipinho de coisa, e sei que também não é do seu. Quem sabe se você passar um tempo no campo? Contanto com a natureza? Ar fresco? Tudo isso pode fazê-la refletir melhor. E por que não voltar as sessões de Yoga?E eu sei que não quer nem ouvir falar, mas ainda tem a opção de procurar um psiquiatra, um terapeuta, ou alguém te ajude a entender de uma vez por todas que vingança não é a solução.</p>
<p>Odeio quando você se engana assim. Tire esta máscara e saia do papel de vítima. Não há platéia pra esse seu monólogo interminável. Eu te alertei diversas vezes sobre o caráter dele. Você sempre soube que era corna, chifruda e mal amada. Então, por que este espanto agora? E não vem com esse papo de que haviam desconfianças, mas as provas eram insuficiente. Quem precisa de prova concreta, real, absoluta é cientista. Nós não! Nós sempre sentimos exatamente aquilo que precisamos. Ou vai dizer, na minha cara, que não sentiu a faca da traição entrando pelas suas costas e atravesssando-lhe os pulmões? É claro que sentiu, mas fingiu que não! Por pura soberba achou que ignorar os fatos poderia alterá-los. Você achou que a vida, as coisas e as situações fossem curvar-se a sua vontade. Quanta pretensão, idiota!</p>
<p>Tem mais, pare de repetir este seu discurso chinfrim sobre lealdade e fidelidade.Isso não vai convencer ninguém, ninguém. Como queria que ele tivesse sido leal se nem você mesmo soube ser leal a si própria? A pior de todas as traições foi a sua. Então vingue-se de si. Que tal água quente no ouvido enquanto dorme? E se furar os próprios olhos com faca de cortar carne? Não, não, tenho uma idéia melhor! Mate aquele canalha e passe os próximos 30 anos na cadeia. Seria uma vingança genial. Ele morto e enterrado e você vegetando a espera da morte.</p>
<p>E eu te digo, não se torture tentando achar respostas para o que aconteceu. Por mais que tente não irá conseguir. O que precisava saber a respeito de si própria você já sabe. E isso é tudo. De resto cuide-se para não mais se relacionar com pessoas inferiores, elas não te perdoariam por isso. Fique em paz. Esqueça todo o resto.</p>
<p>Sua consciência,</p>
<p>Sintia</p>
<p><a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/sintia.jpg" title="sintia.jpg"><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/sintia.jpg" alt="sintia.jpg" /></a></p>
<p><strong>SOBRE A AUTORA</strong><br />
<a href="http://nomardoamor.blogspot.com/">Sintia Lira</a> é uma virginiana de 23 anos. Apaixonada pela escrita, desde que a infância, escreve poesia, poemas, recados, bilhetes, cartazes ou qualquer outra manifestação escrita. Cursou dois anos da faculdade de jornalismo em Brasília DF, cidade onde nasceu. Abandonou o curso, depois de perceber a diferença entre jornalismo e literatura, optou pela segunda opção. Atualmente dedica-se a contar ao mundo, por meio da escrita, como seu coração capta as emoções da vida.</p>
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