<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-1232994844103957571</atom:id><lastBuildDate>Fri, 01 Nov 2024 07:53:31 +0000</lastBuildDate><category>Noticias</category><title>CurioFísica</title><description>A Física para não Físicos</description><link>http://curiofisica.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Diego Galeano)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1232994844103957571.post-3862633816013586405</guid><pubDate>Mon, 10 Sep 2007 19:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-11-10T17:32:21.917-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Noticias</category><title>Paradoxo do homem do cassino</title><description>&lt;a href=&quot;http://www.portugalvirtual.pt/images/cascais-estoril/images/casino-001.jpg&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://www.portugalvirtual.pt/images/cascais-estoril/images/casino-001.jpg&quot; style=&quot;float: left; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 200px;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Cedo percebeu que não era o filho preferido da sorte. Se houvesse chance de algo dar errado, daria. E dava, o tempo inteiro, os tombos sem motivos, as coisas jogadas do alto que insistiam em pousar na sua cabeça, a perda de coisas importantes, as calças rasgadas, a comida que derramava em sua camisa,...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O nome era ridículo, motivo de deboche na escola. A aparência, não muito diferente, o deboche, um pouco mais intenso.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Por mais que estudasse não tirava boas notas, por mais que se esforçasse, não sabia jogar como os outros meninos, por mais que tentasse, tanto menos conseguia.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Perdeu a família num acidente de carro, no qual só ele sobreviveu, sem nenhum arranhão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conforme crescia, foi percebendo o cruel jogo que o azar o obrigava a participar. Ele nunca chegaria onde queria, mas não ficaria muito atrás. As tragédias nunca seriam intensas demais, ruins demais. O azar só queria mostrar quem estava no controle. Queria brincar, e como uma criança travessa, sempre ganhar. Não havia como desistir ou mudar as regras. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Casado, foi traído, pelo melhor amigo do filho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O seu melhor amigo, traído, e a desconfiança recaiu sobre ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O filho, morto quando caiu na calçada e bateu a cabeça. Enquanto todos ficaram horrorizados com tal fatalidade, boba e estúpida, ele permaneceu inalterado. Era o azar, rindo dele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os poucos conhecidos não se importavam com as corriqueiras fatalidades que o acometiam. E ele nem fazia questão de torná-las públicas. Seria mal compreendido, seria dar vantagem ao seu maior inimigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já havia quebrado dezesseis ossos. E agora uma bala perdida alojada em seu coração era uma pena de morte, ou não. A bala podia movimentar-se e fazê-lo morrer sofrendo dores terríveis ou podia permanecer, silenciosa e indolor. A angústia era filha do azar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele sempre passava em frente daquele cassino quando voltava do trabalho. Naquele dia, entrou. Sem esperanças e sem justificativas. Ele sabia que seu inimigo não baixaria a guarda. Mas ele queria sentir aquilo, aquela adrenalina que percorre o corpo quando não se sabe se o próximo sentimento é de alegria ou tristeza. Aquela incerteza de não se saber para onde se vai. De não conseguir fingir que se pode ensaiar o futuro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jogou e ganhou. Ganhou! Sua surpresa diante da vitória foi imensa. Como assim? O azar resolvera encerrar o jogo? Era um sinal de que estava livre? Ele estava sonhando? Ele estava mesmo num cassino e ganhara um milhão?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saiu do cassino carregando dinheiro e esperanças. De que agora seria diferente. A sensação da certeza de que para ele não havia certeza em nada, que era o azar que decidia como sua vida caminhava, começava a se esvair, conforme os sonhos de uma nova vida nasciam e se multiplicavam aos montes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma pontada no peito. Quanta coisa poderia comprar! Quantas viagens! Um celular novo, não, dois!Largaria o emprego, iria conhecer os melhores hotéis...Entrou em seu apartamento, sentou-se na mesa da cozinha e continuou planejando como aproveitaria a nova vida. Mais uma pontada no peito, agora mais forte. E mais uma. Colocou a mão no peito e rolou no chão. Lembrou-se da bala. Não era possível! Não podia morrer agora. Não hoje. Lembrou-se do azar, era ele. A fúria e a raiva nunca tinham sido tão grandes. Não podia ser verdade! Porque era obrigado a participar de um jogo tão cruel? Porque isso acontecia com ele? O que ele fizera para merecer ser tão humilhado e esculachado? Porque não conseguia fugir? Ele ganhara um milhão e agora o azar o mataria? Era assim que o jogo terminaria?&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Não. Não mais. Juntou as forças que lhe restavam e rastejou até o quarto. O rosto ruborizado, o suor escorrendo pela pele, os dedos cravavam tão fundo no peito que a pele estava vermelha, as unhas faziam sangrar. Entrou no quarto, caiu, rogou pragas aquele inimigo de tão longo tempo que agora não teria mais poder sobre seu destino, foi até a gaveta. Dessa vez decidiria a própria sorte.A arma disparou. O projétil permanecia silencioso em seu coração.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Raquel Soares Warmling&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Fonte: &lt;b&gt;Texto deixado pela genial cronista prodigia Raquel Soares Warmling.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 78%;&quot;&gt;Imagem: &lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;http://www.portugalvirtual.pt/images/cascais-estoril/images/casino-001.jpg&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 78%;&quot;&gt;http://www.portugalvirtual.pt/images/cascais-estoril/images/casino-001.jpg&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://curiofisica.blogspot.com/2007/09/paradoxo-do-homem-do-cassino.html</link><author>noreply@blogger.com (Diego Galeano)</author><thr:total>0</thr:total></item></channel></rss>