<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773</atom:id><lastBuildDate>Wed, 09 Apr 2025 06:24:03 +0000</lastBuildDate><category>textos avulsos</category><category>medicina</category><category>reflexões</category><category>São Paulo</category><category>blog</category><category>Conrad</category><category>IFMSA</category><category>Saramago</category><category>democracia</category><category>escrita</category><category>lições</category><category>mudança</category><category>política</category><category>saúde mental</category><category>teatro</category><category>AIDS</category><category>Concordia</category><category>Dante</category><category>Machado</category><category>Natal</category><category>ONU</category><category>Twitter</category><category>Vargas Llosa</category><category>amigos</category><category>arte</category><category>cinema</category><category>direito</category><category>dúvida</category><category>família</category><category>férias</category><category>liberdade</category><category>mapa</category><category>mulher</category><category>música</category><category>poema</category><category>saúde pública</category><category>tecnologia</category><category>travesti</category><category>trânsito</category><category>velhice</category><category>viagem</category><title>A vida é uma ópera</title><description>&quot;Uma noite, depois de muito Chianti, repetiu-me a definição do costume, e como eu lhe dissesse que a vida tanto podia ser uma ópera como uma viagem de mar...&quot;</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>55</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-5617349705641827462</guid><pubDate>Mon, 23 Jan 2012 03:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-23T01:37:42.311-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Concordia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Conrad</category><title>Concordia</title><description>Há um tempo, escrevi uma coisa &lt;a href=&quot;http://lflauletta.blogspot.com/2010/07/lord-jim.html&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt; no meio da perplexidade que a leitura de Lord Jim me causou.&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinGPXFvC0PhHXRw7WES2i3OtzCF_qfMzX54SCEdXwjWRYWnBllyZkixtKWTXQr3LgHiYnEqNfyRhNwjh-qnQ8L3SFIW80psC9hH1VieSYqo1BIhjUluzSHelbI2b0We7l11aVaWEs7B8I/s1600/lord+jim.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinGPXFvC0PhHXRw7WES2i3OtzCF_qfMzX54SCEdXwjWRYWnBllyZkixtKWTXQr3LgHiYnEqNfyRhNwjh-qnQ8L3SFIW80psC9hH1VieSYqo1BIhjUluzSHelbI2b0We7l11aVaWEs7B8I/s1600/lord+jim.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://cdn.thingsasian.com/ta2006/3/1/0/2/31025_feat.jpg&quot;&gt;fonte&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div&gt;
É a história de um capitão da marinha mercante que, ao perceber que seu navio lotado de passageiros irá a pique, abandona-o às escondidas, percebendo seu erro assim que pula da embarcação para o bote salva-vidas. O barco acabou por não naufragar tão rapidamente, e a tripulação foi salva por um outro navio. Jim foi renegado por todos, e acabou por se tornar um nômade náutico no sudeste asiático, pondo em perspectiva tudo aquilo que Joseph Conrad, talvez um dos maiores romancistas ocidentais, considerava como ético, justo, marinheiro.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Quando o tal do Costa Concordia apareceu na televisão inclinado em direção ao fundo do Mediterrâneo, na hora me lembrei de Conrad, de Lord Jim e da estranheza que me causou ler aquele livro. Schettino, o maledetto capitão do Concordia, como um Jim contemporâneo, fugiu do barco que ia a pique sem escrúpulos e se comunicando com a capitania em terra. Sua cara apareceu no mundo todo, e a humanidade vê naquele italiano bon-vivant o nosso Belzebu a ser excomungado de modo a lavar os nossos próprios pecados.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Acho que agora entendi melhor o porquê de Lord Jim ter me deixado tão ensimesmado: o livro fala de um mundo em que valores como coragem, discrição e cumprimento de palavra estavam na ordem do dia, o que se afasta tanto da nossa vida exposta, violenta e sem rumo de hoje. No caso desse cruzeiro encalhado, o encaminhamento das notícias e das reações não tratam de valores. Tratam, isso sim, de vingança, de detalhes técnicos, do relato por vídeo do desespero dos outros ao ver seu barco virar.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Schettino não é o vilão do mundo. Ele é apenas um homem contemporâneo.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2012/01/concordia.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinGPXFvC0PhHXRw7WES2i3OtzCF_qfMzX54SCEdXwjWRYWnBllyZkixtKWTXQr3LgHiYnEqNfyRhNwjh-qnQ8L3SFIW80psC9hH1VieSYqo1BIhjUluzSHelbI2b0We7l11aVaWEs7B8I/s72-c/lord+jim.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-3742694500819740139</guid><pubDate>Thu, 19 Jan 2012 03:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-19T01:24:02.647-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">escrita</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">textos avulsos</category><title>Outro trecho</title><description>&quot;(...)&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;Somente duas vezes ele teve de
revirar toda sua rotina e entortar seu
dia-a-dia como hoje são tortos seus óculos: a primeira foi quando conheceu a
moça que o acompanharia sem excessos de intimidade até o dia em que ele
resolveu voltar; a segunda aconteceu há poucos meses, quando ele ligou para o
trabalho e sem nenhum tipo de exaltação explicou a seus chefes e colegas que
não conseguiria mais continuar naquele lugar. Quando viu a mulher pela primeira
vez, ele pensou que a vida numa cidade maior do que a sua natal poderia trazer
belezas como aquela que lhe passava pela frente, graças a uma simples questão
de probabilidade, já que na capital aumentavam as chances de ele encontrar
belas mulheres. Foi uma alegria matemática, nascida de uma certeza probabilística:
viu-a, beijou-a, levou-a para casa. O encontro de um homem e de uma mulher em
uma rua movimentada, o encostar de línguas e de narizes em um café escuro, nada disso merece atenção dos milhões de habitantes desta capital, mas
marcou para ele o germe do choro, da cara feia e dos ansiolíticos que ele
engolia com pena de si mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;


&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; tab-stops: 92.15pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 150%;&quot;&gt;Da segunda vez, o tema foi trágico.
Na manhã chuvosa, ele acordou com a cara ensopada, a barba por fazer, os óculos
estavam jogados no chão, entortados. A mulher estatelada ao seu lado não reagiu
quando ele, ainda grogue, pegou o telefone e discou para o jornal: não vou
trabalhar, não estou doente, minha mãe não morreu e não vou me matar, apenas
não vou continuar me sufocando nessa cidade, o que inclui martirizar-me numa
redação cheia de fumantes, e assim apresento minha demissão (..)&quot;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; tab-stops: 92.15pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; tab-stops: 92.15pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 150%;&quot;&gt;As coisas vão tomando forma, e, para minha surpresa, elas tem unidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; tab-stops: 92.15pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; tab-stops: 92.15pt; text-align: justify;&quot;&gt;
Pessoas que nasceram, como eu, no fim daquela década de 80, já estão por aí ganhando o mundo. Eu, o rei das potencialidades, ainda estou por aqui, atrás dos meus óculos de aros escuros.&lt;/div&gt;</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2012/01/outro-trecho.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-6210582853821732488</guid><pubDate>Mon, 16 Jan 2012 03:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-16T01:05:16.272-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">teatro</category><title>Uma velha história...</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj9QakJRv7E1PRb2uDs6YCPHCSzqrRjqX2ZL2kQC9NFZ9JQlwckFoUMTcnwjs7HNmRs_ifdZgTbE4q3-y9lDAJcdTpl6zYAkmPpfRQUEVa-9g8tzTH6lySea1KSJiDK-NTsMZ-rRAyc5mo/s1600/rj.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;220&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj9QakJRv7E1PRb2uDs6YCPHCSzqrRjqX2ZL2kQC9NFZ9JQlwckFoUMTcnwjs7HNmRs_ifdZgTbE4q3-y9lDAJcdTpl6zYAkmPpfRQUEVa-9g8tzTH6lySea1KSJiDK-NTsMZ-rRAyc5mo/s320/rj.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Comecei 2012 num ótimo espetáculo: R&amp;amp;J de Shakespeare - Juventude Interrompida. Trata-se de uma releitura do velho Romeu e Julieta ambientada numa escola tradicional inglesa, durante uma tarde de estudo de quatro jovens. Só é possível se situar nesse pano de fundo por detalhes sutis de enredo e de cenografia que dão conta de construir à frente do público um ambiente escolar sério, rígido, uma escola para rapazes engravatados e imaginativos. Aos pouco, conforme os personagens perfazem sua rotina estudantil, vemos que os quatro rompem a chatice dos dias escolares com uma encenação daquela que é uma das histórias mais conhecidas do teatro ocidental.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
A história arquiteta-se sem diferenciar bem o que é Shakespeare do que são os escolares encenando, e aí reside a primeira beleza da peça. Nas incertezas da narração, o drama renascentista surge exigindo a imaginação do espectador e a versatilidade dos quatro ótimos atores em cena. Como caixas chinesas, de dentro da escola vem Romeu e Julieta e, de dentro de Romeu e Julieta, tecem-se as relações pessoais entre os meninos. É assim que os personagens múltiplos do começo ganham cada um sua personalidade, construída dificilmente pelos percalços&amp;nbsp;shakespearianos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
O amor de Julieta por Romeu, o beijo dos dois rapazes e seu relacionamento com as famílias rivais não pretendem&amp;nbsp;contar para quem assiste à peça essa mesma história velhíssima. O que está em jogo no palco são as tensões entre aquele grupo de amigos, o amor que sentem uns pelos outros e um erotismo enclausurado por baixo das gravatas vermelhas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Se fosse só isso, a peça já seria fenomenal. Entretanto, soma-se mais um plano de entendimento ao espetáculo: o enredo vai além do esquema &quot;história dentro de outra história&quot; e funde os dois pólos em uma única encenação bivalente, de modo que, com o fim da peça, não se sabe mais se o ator representa um estudante ou o velho Romeu apaixonado. É um novo personagem aquele que morre ao lado da Julieta, e nesse clímax inesperado reside a segunda beleza de um dos melhores espetáculos a que eu assisti nos últimos anos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
A terceira beleza fala por si mesma:&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://joaogabrielvasconcellosbrasil.blogspot.com/&quot;&gt;http://joaogabrielvasconcellosbrasil.blogspot.com/&lt;/a&gt;&amp;nbsp;(o mesmo daquele filme Do começo ao fim, lembram? Escrevi sobre esse filme aqui:&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://www.lflauletta.blogspot.com/2010/05/para-quem-vida-e-facil.html&quot;&gt;http://www.lflauletta.blogspot.com/2010/05/para-quem-vida-e-facil.html&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
O roteiro, genial, é de &lt;a href=&quot;http://www.joecalarco.net/&quot;&gt;Joe Calarco&lt;/a&gt;&amp;nbsp;e a direção de João Fonseca. A peça é encenada no Rio, mas fica em cartaz no&lt;a href=&quot;http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=209517&quot;&gt; SESC Belenzinho&lt;/a&gt; (que merece uma visita mesmo que você não consiga lugar na peça) até o dia 26/02.&lt;/div&gt;</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2012/01/comecei-2012-num-otimo-espetaculo-r-de.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj9QakJRv7E1PRb2uDs6YCPHCSzqrRjqX2ZL2kQC9NFZ9JQlwckFoUMTcnwjs7HNmRs_ifdZgTbE4q3-y9lDAJcdTpl6zYAkmPpfRQUEVa-9g8tzTH6lySea1KSJiDK-NTsMZ-rRAyc5mo/s72-c/rj.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-2667921630338503279</guid><pubDate>Fri, 13 Jan 2012 06:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-13T04:44:06.514-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">textos avulsos</category><title>Um trecho</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEglwQfZYJQBD73zBuXQJKdb3y-euS8p42VfLAZ5CkbWVvxMgHcM-F7ANulc_OY_CEVu7xPyj6lj6-ljeN_Mc_0plAtj0Cw6pMc6UD24p-I_6Zf-MufktOpdozOSGSDA_HF7MkxbyrbGDlo/s1600/paris-3e-arrondissement.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEglwQfZYJQBD73zBuXQJKdb3y-euS8p42VfLAZ5CkbWVvxMgHcM-F7ANulc_OY_CEVu7xPyj6lj6-ljeN_Mc_0plAtj0Cw6pMc6UD24p-I_6Zf-MufktOpdozOSGSDA_HF7MkxbyrbGDlo/s1600/paris-3e-arrondissement.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;(...) Para quem quase
nunca tinha viajado para o exterior, seus conhecimentos de Paris à época eram
bastante avançados. Flanava pelo Quartier Latin como outrora subia e descia os
morros de Perdizes e inspirava os ares da França como um tuberculoso à procura da
cura. Conforme os anos passaram e ele se tornava íntimo da cidade, algo mais
ocorria ao caminhar pelas ruas daquele lugar: ele sentia como se a própria Paris
lhe indicasse os caminhos que percorria na noite e na vida, e em cada esquina
ele tinha uma história para contar aos descentes, quando eles visitassem Paris.
Quando voltou, passou a repetir essas histórias para seus convivas, aumentando
a antipatia com que ele envolvia sua própria figura. Nunca terminava um drink
sem contar para alguém da vez em que se perdera, na madrugada, pelo 3e
arrondissement ou de quando participou da coletiva com tal membro da Légion d&#39;Honneur.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
No Brasil, ele
até tentou estabelecer uma versão tropical de sua vida parisiense. Tentou
arranjar uma padaria que no mínimo emulasse sua boulangerie cotidiana, mas não
conseguiu se satisfazer.&amp;nbsp;Igualmente, não
encontrou em toda a cidade uma única praça que lhe agradasse e fizesse as vezes
do Bois de Bologne. Acima de tudo, tentou mais de uma vez, mas o Obelisco do
Ibirapuera jamais chegaria aos pés da magnânima Torre Eiffel. Como conseqüência,
sua vida cultural esmoreceu, as leituras rarearam e o jornal, que desde antes
pouco lhe pagava, menos ainda passou a dar ao nosso homem.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
O resultado
disso já era esperado: o sujeito ensimesmou-se e se tornou ainda mais do que um chato: virou um ranzinza. (...)&quot;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
Trecho de um rascunho a ser publicado quando o texto - e eu mesmo - estiver pronto.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
As coisas se constroem lentamente, tanto na vida quanto na literatura.&lt;/div&gt;</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2012/01/um-trecho.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEglwQfZYJQBD73zBuXQJKdb3y-euS8p42VfLAZ5CkbWVvxMgHcM-F7ANulc_OY_CEVu7xPyj6lj6-ljeN_Mc_0plAtj0Cw6pMc6UD24p-I_6Zf-MufktOpdozOSGSDA_HF7MkxbyrbGDlo/s72-c/paris-3e-arrondissement.png" height="72" width="72"/><thr:total>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-5977419177994615672</guid><pubDate>Sat, 31 Dec 2011 04:09:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-12-31T02:09:58.246-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">tecnologia</category><title>Até aqui</title><description>Até aqui, cheguei. Foi assim que Saramago rompeu seu romance com Fidel, depois de décadas de abusos até que, num ano perdido da década passada, ele resolveu não mais tratar o ditador como amigo: o cubano tinha acabado de assassinar líderes da oposição. Eu, que nada tenho a ver com isso, uso a mesma frase para vaticinar o fim de uma era: passo, a partir do mês que vem, a fazer parte do mágico mundo dos smartphones. Causa estranhez aos mais chegados saber que, eu, um chato dos maiores, estou prestes a ter um iPhone. Pois é assim: o mundo nos consome mais rápido do que o tempo que temos para conhecê-lo e o sujeito que lhe tenta travar as voltas acaba girando a contragosto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No fundo, isso é mais um estímulo à fuga da zona de conforto, essa região maravilhosa onde tudo que existe é seu ou do seu gosto, onde o vento sempre ameniza o calor e o planeta, ao rodar, toma cuidado para não te machucar. Eu gosto muito de sair dessa zona (que me é bem amena, diga-se) e em todas as minhas escolhas importantes eu sempre me enfiei, de propósito, no árido e pouco recompensador: Alemanha, Medicina, escrita. Não é muito, elencado-se em um blog desimportante, mas já é bastante, considerando que eu pensava, até cinco anos atrás, que passaria a vida de terno e gravata.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se cheguei até aqui, é porque soube me pôr em perspectiva. E sendo eu o objeto daquilo que eu mesmo via, muitas vezes me estranhei e me modifiquei. Isso explica muita coisa, mas a quem tais explicações interessam, a não ser eu mesmo? (Fosse esse blog um diário, e discorreria aqui sobre teorias que não poderiam resistir a meio hora de terapia. Não é o caso, entretanto, já que esta página da internet que me cabe não tem propósito algum, muito menos o de servir de pensata sobre mim mesmo.) E agora, no alvorecer do ano novo, me rendo à novidade e transformo em 2.0.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Encontramo-nos noutro sítio, como disse o mesmo Saramago, e adeus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2011/12/ate-aqui.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-8706321945852452440</guid><pubDate>Sat, 26 Nov 2011 02:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-11-26T00:42:36.573-02:00</atom:updated><title>Um mau uso de termos</title><description>A loucura é insidiosa. Olhando pra trás, ela sempre esteve lá, às vezes vestida de graça, às vezes explodindo em fúrias, no começo um comichão na vida da pessoa, para depois se transformar na sombra-luz que ocupa a mente dos outros. Digo dos outros porque o maior disfarce da loucura é contra o próprio louco, fazendo com que a insanidade mental seja uma das poucas características humanas que se alcunham de alheias sem muita perda de sentido,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O maluco começa como algo entre o excêntrico e o cômico - é a mulher que não abotoa a saia, o estudante que muda de faculdade, a menina que adora intrigas. É uma gente que no geral vive, mas está no limiar da sobrevivência. Mais uma vez, a loucura é mestre em se esconder, de modo que as pessoas acham que não estão sob seu domínio. Hordas de homens e mulheres são assim, e assim continuam até o fim de seus dias, sendo a maioria considerada sadia. Mas para muitos outros, que às vezes até se confundem com o todo mundo no andar cotidiano, as coisas mudam de sentido, acendem-se lâmpadas que escurecem tanta coisa: o parto de um alienado é feito de sofrimento alheio, já que para ele o nascimento é natural.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nascido, o alienado não difere do sadio, já que à mudança de equilíbrio mental não se sobrepõe outras diferenças: no dia em que conseguirmos identificar os novos loucos, veremos neles os nossos próprios rostos. A lentidão é a marca da loucura porque aquele que surta é o mesmo que vem colocando pólvora no canhão da mente há anos, décadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura tem seus engenhos...</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2011/11/um-mau-uso-de-termos.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-1566100046312916925</guid><pubDate>Sun, 16 Oct 2011 14:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-16T12:56:50.652-02:00</atom:updated><title>A canção em mim</title><description>Mais um filme que me desafiou. Trata-se de &lt;i&gt;Das Lied in mir&lt;/i&gt;, que em português e em outras línguas virou&lt;i&gt; O dia em que eu não nasci&lt;/i&gt;. Assisti no Reserva, aproveitando esse meu tempo de indulto, já que hoje mesmo volto para longe, muito longe, de tudo isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu, que há muito deixei de acompanhar as mudanças quase que semanais dos filmes em cartaz em São Paulo, acabo por me achar perdido diante das possibilidades que os roteiros e guias me oferecem. Não sou mais, como era antes, um ávido frequentador das salas de cinema, nem mais monto roteiros, textos, histórias na minha cabeça enquanto vivo a minha vida. Por isso, segui conselhos, li sinopses (antigamente, algo impensável e abominável) e joguei búzios para escolher um filme que me apetecesse. Pois bem, caí numa fita alemã, rodada em Buenos Aires, que mistura três lúnguas: o inglês, o espanhol e, é claro, o alemão. Só por isso, chamou-me a atenção, paguei e fui.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esperava algo mais lento, mais reflexivo, do jeito que gosto ao se tratar de uma história da força que o roteirista do filme se propôs a rodar: uma mulher que descobre ser filha de desaparecidos da ditadura argentina, tendo sido levada para fora da Argentina por novos pais alemães, que a esconderam da verdadeira família. O filme, então, seria facilmente levado para o emocional, o psicanalítico, o subjetivo, ou pelo menos era isso que eu esperava quando a tela nos mostra a mulher nadando, depois viajando de carro, depois de avião e por fim esperando o embarque de uma conexão no aeroporto de Buenos Aires.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a história que poderia ser a da descoberta de uma nova identidade, ou de um passado novo, é iniciada da forma mais abrupta possível, jogando-nos a uma situação absurda que, se continuasse no absurdo, seria sublime: uma canção de ninar em espanhol faz a alemã chorar por todos os poros no meio do aeroporto. Não é preciso ser um ás da psicanálise freudiana para entender do que se trata: o inconsciente da mulher se lembra da canção, cantada pela mãe desaparecida, da qual ela não tinha conhecimento. Pois esse acontecimento é o gatilho para que se descortine o real passado da protagonista, relatado pifiamente pelo pai alemão, que vai ao seu encontro em terras portenhas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O resto é um quase embate, uma quase história, um quase drama. Não vemos nem amor nem sofrimento, apesar de o sexo e as lágrimas estarem presentes. Uma pena, pois a locação, os idiomas e o próprio &lt;i&gt;motto &lt;/i&gt;do filme renderiam algo magistral. Mesmo a direção sendo precisa, a falha no roteiro e na condução dos personagens nos faz lamentar por um filme que poderia ter sido muito melhor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Admito que meus hábitos cinéfilos tenham se arrefecido com o decurso desses últimos três anos. Admito, também, que muitas das minhas convicções e da minha visão de mundo tenha mudado. Não admito, entretanto, que o cinema, a experiência cinematográfica e a delícia de desvendar um filme seja levado ao segundo plano na minha vida, e por isso resisto bravamente aos profetas que me apontam o dedo e dizem: és médico, não és sensível nem inteligente para a &lt;i&gt;silverscreen&lt;/i&gt;. A tal gente, sugiro que assista a&amp;nbsp;&lt;i&gt;Das Lied in mir&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos interessados:&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://www.dasliedinmir.de/&quot;&gt;http://www.dasliedinmir.de/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2011/10/cancao-em-mim.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-3820174650606695791</guid><pubDate>Sun, 17 Jul 2011 05:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-07-17T02:25:35.903-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">medicina</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ONU</category><title>Dos objetivos do milênio</title><description>Às vezes eu esqueço por que faço medicina. Que bom que o ócio de Julho, a Internet e outras coisas mais me fazem lembrar de muita coisa. Reli sobre os &lt;a href=&quot;http://www.un.org/millenniumgoals/&quot;&gt;Objetivos do Milênio&lt;/a&gt;, e desse assunto ressurgiu o verdadeiro motivo da minha motivação para meu curso. Me perguntei: dos oito objetivos do milênio, quantos dizem respeito à saúde? O resultado foi mais do que um post. Foi um clareamento da mente, muito salutar nesses tempos de limbo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se considerarmos saúde num sentido estrito e meramente médico, três dos oitos objetivos são temas relativos à saúde pública: saúde infantil, saúde materna e combate ao HIV/AIDS. Se, no entanto, nos atentarmos para o conceito de saúde como área do conhecimento que ultrapassa os muros do tecnicismo, somos obrigados a reconhecer que todos os objetivos do milênio enunciam, de alguma forma, temas que estão no centro daquilo que é chamado de saúde global.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fim da miséria e da fome, educação universal, igualdade de gêneros, sustentabilidade ambiental e a construção de uma parceria global são bandeiras calcadas nos solos da saúde pública, da democracia, da justiça. Tais terrenos, apesar de diferentes, são feitos da mesma terra, e é impossível tentar cuidar de um sem cuidar de outro, sob a pena de ver todas aquelas bandeiras perderem seu sustento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, pensar em objetivos do milênio significa pensar na saúde pública que pretendemos construir. E, conjuntamente, como queremos moldar a sociedade deste nascente século XXI. Por mais difuso que pareçam, os oito objetivos do milênio constituem uma forma suficientemente abrangente de abordar problemas sociais (sanitários, educacionais, jurídicos, ambientais) cujas raízes profundas impedem uma poda eficaz, mas cuja natureza pode ser revertida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acima de tudo, me anima ver como a medicina é um veículo de mudança presente nos objetivos do milênio. É empolgante saber que sua profissão tem tamanho poder, e que suas possibilidades e responsabilidades são cada vez mais importantes, necessárias e visadas. Ser médico, numa situação de calamidade global como a que vivemos, é ser capaz de agira em diversos níveis, diversas frentes, desde o contato direto com a criança faminta, até o processo político de fazer com que sua família tenha condições de comprar-lhe o alimento.</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2011/07/dos-objetivos-do-milenio.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-6730733836171510868</guid><pubDate>Fri, 15 Jul 2011 15:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-07-15T12:31:29.065-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">reflexões</category><title>As teorias...</title><description>Momento de introspecção: nessas horas eu sempre me volto aos livros. Eles são momentos fundadores da (minha) educação, de volta ao tempo em que eu, da forma mais efêmera possível, vivi no meio das ciências humanas. Às vezes, sinto vontade de me voltar um pouco mais para essa área, que, ao meu ver, se completa tanto com a medicina.Naquela época, eu fingia ser um weberiano que xingava alguns marxistas. Tudo pose, claro, já que nem outrora, nem hoje em dia, sou um conhecedor disso tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi isso que eu escolhi: larguei uma formação superficial, em termos teóricos, por outra um pouco mais profunda, mas mesmo assim tão prática que me prende a certos conhecimentos que, não necessariamente, me agradam. Claro que estou gostando, ninguém aguenta a faculdade de medicina sem gostar do que faz. Mas é que cansa, endurece o pensamento, um senso prático (fundamental, eu sei, eu sei...) que impregna tudo o que fazemos. Por exemplo, consegui incutir em mim mesmo um senso comum que me faz me sentir um estranho ao tentar, nessas férias, recuperar um pouco da teoria - livros, livros - que seguem caminhos recusado por mim, há alguns anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não é uma&amp;nbsp;&lt;i&gt;acrasia&lt;/i&gt;. Não envolve meus valores profundos, nem é um desafio à minha liberdade. É apenas uma manifestação daquilo que sempre faço, e que tanto tempo me consome, cá com meus botões: constantemente passo em revista tudo aquilo que sonho, desdenho, já fiz e estou fazendo. Só espero que com isso eu não viva na inação.</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2011/07/as-teorias.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-7333985625332120375</guid><pubDate>Thu, 14 Jul 2011 02:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-07-13T23:07:59.276-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">liberdade</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">mudança</category><title>Algo de novo no velho front</title><description>Uma nova semana em São Paulo. Teatro Municipal, comida indiana, metrô novo, certas tristezas, outras alegrias. Me lembro daquele poema do Drummond que diz que o amor é uma coisa que hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será. Velhos amigos, novos amigos, a vida que segue, meio mudada, meio igual. Eu que, ao mesmo tempo o de sempre e algo diferente, tenho antigas e recentes conversas, companhias, experiências, lugares à minha volta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como sempre, fui ao cinema, ao teatro, aos cafés, às mesmas ruas por onde flano desde pequeno. O &quot;como sempre&quot; esconde muita coisa: é verdade que a ação externa é a mesma, é verdade que mesmo os novos amigos se parecem com os de antes. Mas a cidade, as pessoas e o mundo todo muda, e o eu que hoje passeia nessas férias vê o mundo com outros olhos, com outra mente e com uma calvície que segue a despeito da Finasterida (os sonhos, esses sim antigos companheiros, mudaram pouco, muito pouco).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E é como se a distância, a medicina e os livros, sempre os livros, pusessem tudo em uma perspectiva alternativa: o tempo, que antes era infinito; o futuro e a profissão, que eram entidades etéreas; eu, que me conhecia tão pouco, apesar de achar que me conhecia tão bem. O relativista franzirá as sobrancelhas: você que mudou, não o seu conhecimento sobre você que se alterou. Não seja ingênuo, relativista... Aquele que mudou continua sendo eu mesmo, e, conhecendo-me melhor, modifico-me mais ainda. A vida não se repete, apesar de, às vezes, andar em círculos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sou uma pessoa livre, &lt;i&gt;a priori&lt;/i&gt;, pelo menos é o que me dizem (não um amigo, mas um filósofo no papel). Que estranho ser assim: o tempo corre mais rápido do que minhas pernas, sou livre mas nem sei o que é isso e no meu nariz ainda persiste o cheiro de quem foi embora.</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2011/07/algo-de-novo-no-velho-front.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-8634820804981634913</guid><pubDate>Sat, 30 Apr 2011 15:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-04-30T12:16:52.989-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">textos avulsos</category><title>pongate!</title><description>-Pongate a escrivir!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O velho de óculos escuros falou comigo em espanhol? Já tinha acontecido tanta coisa estranha naquela sala: a secretária sensualizara comigo roçando seu salto na minha perna debaixo da mesa, uma criança entrara correndo pelo corredor e vomitara na pilha de revistas da semana passada, a mãe dessa criança se materializara do além e deu-lhe uma surra na frente de todos nós, e agora, de repente, um velho que a tudo assistira, como eu, vira-se para mim, aponta-me o dedo e grita comigo em espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lembrei na hora de Vargas Llosa: ponha-se a escrever seus romances. Que conselho de ouro, resume toda a ópera bufa da vida de um escritor. Mas mesmo assim, o velho da sala não era Vargas Llosa, nem sabia ele, acho eu, das minhas aspirações, de modo que aquele berro foi tudo, menos edificante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tenho meu orgulho, e, como todo ser humano, quando ele é ferido torno-me arisco, irônico, não sou uma pessoa fácil. Não fui educado, portanto, e fingi ignorar o velho. Fingi, é claro, porque não se ignora uma pessoa gritando para você. Acho que ele ficou puto, mas gente velha fica puta com tanta facilidade... Mesmo assim ele continuou, pongate, pongate, pongate, mas foi como um eco de si mesmo que nunca recebeu apoio de meus ouvidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu olhava para a parede branca da minha frente e assim permaneci durante o monólogo do outro. Por fim, aquela voz um tanto trêmula e repetitiva virou algo como minha própria consciência externalizada, como que me lembrando de que eu preciso escrever, escrever, escrever. Todo aquele tempo inutilizado numa sala de espera, cada segundo passado um segundo jogado no lixo e um velho me lembrando do dever: ponha-se a escrever!</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2011/04/pongate.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-4089015921473464653</guid><pubDate>Mon, 04 Apr 2011 03:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-04-04T00:44:52.922-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">medicina</category><title>Pra alemão ver</title><description>Copio aqui o texto que escrevi para ser publicado numa revista de estudantes de medicina de Jena, na Alemanha. Pediram-me para que falasse um pouco sobre a faculdade de medicina no Brasil, e aí vai:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A realidade da educação médica no Brasil é certamente diferente da que existe na Alemanha. Primeiramente, o Brasil está muito longe de ser um país em condições de oferecer a todos seus estudantes de medicina uma educação de alta qualidade. A primeira conseqüência disso é que existe um punhado de escolas médica de alta qualidade de um lado e de outro tem-se inúmeras faculdade de medicina que mal preenchem os pré-requisitos para continuarem funcionando. &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Dessa forma, a desigualdade, que no Brasil é uma constante histórica, também se apresenta, dentre outras formas, no meio médico por meio de uma hierarquização de suas faculdades.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Um dado que assusta é o número de faculdade de medicina neste país: são 181 instituições de ensino superior em que é possível estudar medicina. E esse número continua crescendo: a cada ano, o Ministério da Educação aprova a abertura de novos cursos médicos, dos quais muitos podem ter sua qualidade questionada.O argumento é a necessidade de novos médicos país afora, mas aqueles &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;como nós que trabalham na saúde sabem que o simples aumento do número de novos médicos não é a solução.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Para se tornar um estudante de medicina no Brasil, mesmo com tantas faculdades, o caminho é árduo. Aqui, não temos nada parecido com o Abitur. Quando terminamos a escola, só podemos acessar o ensino superior depois de passarmos por uma prova seletiva chamada Vestibular. Cada faculdade tem seu próprio vestibular, assim, devemos prestar muitos vestibulares para termos maiores chances de aprovação (eu, por exemplo, prestei seis vestibulares, o que me deu muito o que estudar depois de saído da escola). Se a pessoa não passa, como eu não passei uma vez, ela deve estudar em algum curso preparatório por mais um ano até que novos vestibulares venham (eu não passei de primeira e lá fui eu estudar arduamente por mais um ano).&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;No meu primeiro ano, tive a chance de conhecer a IFMSA-Brazil. De presença recente no Brasil, a IFMSA representa apenas 40 faculdades, o que é mais um sinal dos problemas que a educação médica no Brasil enfrenta. Ao contrário da BVMD, nossa representação nacional ainda apresenta muitas dificuldades que, tenho certeza, serão superadas com o tempo. Mesmo assim, a ideologia comum que nos une como estudantes de medicina tem a mesma força que em todo o mundo, e isso faz com que lutemos para melhorarmos a educação médica e a saúde da população brasileira.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Quando eu me formar (aqui não temos nada parecido com os Staatsexamen da Alemanha), conseguirei meu diploma de médico, mas não terei garantia de especialização. Caso opte por especializar-me, e virtualmente todos os médicos o fazem, preciso passar por uma prova que versa sobre as matérias do terceiro ao sexto ano médicos, similar ao vestibular nos objetivos, para poder ser um Residente (assim chamamos os especializandos) em algum hospital de ponta. Mais uma vez, como no vestibular, se eu não passar, deverei estudar por mais um ano até que a próxima seleção aconteça.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Morei todo o ano de 2004 na Alemanha, perto de Darmstadt. Aí, eu aprendi a conviver com outras culturas, consegui dominar um pouco da sua língua e, acima de tudo, aprendi a admirar esse belo país. Fico feliz pela oportunidade de escrever para estudantes de medicina alemães, e estou aberto a qualquer pergunta que possa surgir sobre o meu país. Tentei fazer um panorama de como funciona a educação médica no Brasil. Sei que difere muito da realidade alemã, mas tanto aí como aqui, uma coisa é verdade: os estudantes de medicina tem uma grande responsabilidade em relação ao futuro da Medicina, e isso nos faz mais similares do que pode parecer.&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2011/04/pra-alemao-ver.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-4365394208964954532</guid><pubDate>Sun, 27 Mar 2011 03:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-03-27T00:04:03.657-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">teatro</category><title>Uma noite, no teatro</title><description>Na semana, fui ao teatro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tratava-se de uma peça bonita, de São Paulo, encenada num palco simples, porém extremamente poético. Simples porque parco de objetos e de cores extravagantes, mas extremamente complexo em sua composição, e dessa complexidade posso dizer que a encenação era poética: no instante inicial do ato único, a personagem forma, com areia, um grande círculo que ocupa toda a porção central do tablado, iluminado por um holofote que não ofusca nossos olhos e dão uma impressão onírica que se confirma com o andar do espetáculo. Fora desse círculo, que em pouco tempo sabemos representar a memória da personagem condutora da ação, encontram-se uma cadeira e uma mesa cuja utilidade é contrapor-se ao passado como um presente sempre presente, mesmo que nossas atenções se voltem ao que já foi, há tantos anos. Além disso, nada mais. Com tamanho minimalismo, sem ironias nesta expressão, construiu-se o palco para a trama.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgTi8XTG2zx6xuHJuULCRwlkNCqfDIaAa9tyw6ssy0WrDVdMU-fFSfzSi3Z3Q1GVTMPJnYfD6pwlF_3gyOSZ8F8yAEeQNIgVDCfAgKCdEUzkXJI1qJyIPZJu-kSI0SADgD8vZLTiuxskgQ/s1600/cedro+libanes.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgTi8XTG2zx6xuHJuULCRwlkNCqfDIaAa9tyw6ssy0WrDVdMU-fFSfzSi3Z3Q1GVTMPJnYfD6pwlF_3gyOSZ8F8yAEeQNIgVDCfAgKCdEUzkXJI1qJyIPZJu-kSI0SADgD8vZLTiuxskgQ/s200/cedro+libanes.jpg&quot; width=&quot;166&quot; /&gt;&lt;/a&gt;O enredo, aprendemos desde logo, não se passa nem no presente nem no passado dessa família imigrante cuja história vamos conhecendo fragmentadamente. O enredo, na verdade, se passa na cabeça da filha, uma mulher na &quot;meia-idade&quot; que relembra a figura odiada do pai, a pobre mãe jogada à viuvez com o marido vivo há quilômetros, a vida paulistana de uma familia recém-imigrada do Líbano abandonada por aquele que lhe devia prover sustento. Esse pai, um canalha que só no teatro pode existir, deixa a família libanesa de lado para se aventurar na construção da Transamazônica e se apaixona por uma nativa, uma morena de pernas nuas que dá graça a toda a encenação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história vai como desde o começo ela se mostra: o pai larga a família e se degraça ao mesmo tempo em que os militares desgraçam a rodovia e o País. Quanto à mãe, fica sozinha com os filhos para criar, dentre eles a menina mais nova, que pouco conheceu do pai e que, durante todo o espetáculo, comanda a ida e vinda dos personagens de um ponto exterior ao círculo central para dentro daquele centro, que é simplesmente uma interface ente o passado pessoal daquela família, o passado histórico deste país e a própria consciência da mulher, que interage com os personagens como um deus que sabe o futuro de tudo e de todos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o enredo não nos surpreende, surpreende-nos a contrução dos personagens, tema tão banal que só a um diletante como eu pode impressionar. De resto, tem-se algumas impressões positivas sobre a peça, como o retrato de uma família estrangeira em plena São Paulo dos anos 1970, a crença numa loucura militar que consumiu milhares de vidas desacreditadas pelo mesmo governo que as plantou naquele lugar onde pereceram, e a leve sensação de que este país retratado não existe mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Voltei contente para casa. O teatro - a arte - se não eleva, pelo menos consola.</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2011/03/uma-noite-no-teatro.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgTi8XTG2zx6xuHJuULCRwlkNCqfDIaAa9tyw6ssy0WrDVdMU-fFSfzSi3Z3Q1GVTMPJnYfD6pwlF_3gyOSZ8F8yAEeQNIgVDCfAgKCdEUzkXJI1qJyIPZJu-kSI0SADgD8vZLTiuxskgQ/s72-c/cedro+libanes.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-1929723675449840913</guid><pubDate>Fri, 18 Mar 2011 02:09:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-03-17T23:09:44.043-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">IFMSA</category><title>O sentido velho do termo</title><description>Nessa semana apresentei o comitê local da IFMSA aos primeiranistas da minha faculdade. Interessante essa sensação de ensinar algo a alguém. &quot;Digo ensinar&quot; no sentido velho do termo, no sentido desgostado por muitos, inclusive por mim, mas que dessa vez travestiu-se de &quot;fardo do homem branco&quot; e pôs a mim mesmo na frente de uma sala cheia de olhares esperando que eu lhes colocasse na cabeça um pouco do nosso trabalho local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto preconceito num parágrafo só! Não é verdade que os calouros procuraram nossa capacitação em busca de uma transferência bancária de conhecimento, nem é verdade que a malfadada expressão de Kipling seja aplicável às minhas ações. Pelo contrário, nosso trabalho é o de espalhar o entendimento mútuo e a pacificidade nas relações humanas. E, ainda por cima, chamamos a atenção de muita gente interessa da a cooperar conosco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez tenha falado besteiras, à primeira vista. Mas não falei nenhuma besteira de verdade. E o que deveria ter saído um texto sobre minhas expectativas para o resto desse ano virou um mosaico de reflexões à ponta do dedo, sem profundidade maior do que aquela que seus olhos podem ver.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até a vista!</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2011/03/o-sentido-velho-do-termo.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-7539345535191503496</guid><pubDate>Tue, 25 Jan 2011 16:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-01-25T14:54:16.545-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">férias</category><title>Janeiro</title><description>Se existe um lugar no inferno para blogueiro relapsos, certamente já tenho reservada minha cota de chamas eternas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O fato é que, mesmo pondo como meta escrever ao menos um post por semana, essa vida de estudante de medicina me impediu de ao menos cumprir essa mínima quantidade. É verdade que as causas para tal desleixo não são meramente exógenas, se me permitem falar nesses termos, já que a inércia e a falta de disciplina não se explicam pelos outros ou por fatores externos, senão por nós mesmos, nossas fraquezas e nossos vícios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De qualquer forma, as férias chegaram e já estão indo, pouca coisa foi publicada, mas muito foi produzido, o que me fez pensar na utilidade de um blog como este, mas isso não é matéria para um feriado tão agradável! No mais, pouco foi visto ou vivido, e admito que de vez em quando é bom ficar quieto assim. Semana que vem voltam as aulas, essa faculdade vai finalmente deslanchar e, quem sabe, decido alguma coisa desta minha vida tão... livre!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(como soou falasa a última sentença. Ai daqueles que escrevem uma frase como&amp;nbsp;ela e não se pegam a repensá-la mil vezes!)</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2011/01/janeiro.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-6910721002731735823</guid><pubDate>Sat, 25 Dec 2010 23:57:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-12-25T22:16:01.049-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">textos avulsos</category><title>Maria Rosa</title><description>&lt;p&gt;Seu nome é o mais pobre de todos: mistura Maria, que de tanto usado já não tem sentido, e Rosa, que virou sinônimo de flor para nossas cabeças tão urbanizadas. Qual a beleza disso? Além de composto e curto, seu nome é feio. Eu não te amo, Maria Rosa. &lt;p&gt;Rosa, uma cor que, com outro nome, teria o mesmo tom morto como a sua face, vazia de expressão. Olhe só para você mesma: não se move, não respira nem me sussura belas palavras. Seus dedos já não se entrelaçam no meu cabelo, nem massageiam meus ombros depois de um dia inteiro de amor. E pensando bem, seus olhos sempre foram assim meio ocos, meio zombeteiros. Você me via ou via através de mim? Era a mim que jurava amor, ou a outro às minhas costas, em quem você deitava seu olhar inexpressivo enquanto eu te abraçava sem força? Maria Rosa, meu primeiro amor, se antes sua língua tremia com todo o fel que pode haver neste mundo, hoje suas palavras soam como ecos de sabedoria de uma vida passada, de uma existência finda. Não te ouço porque nos distanciamos: eu, um não-amador, fico sem a não-amada. E você, que se dane nessa sua cama solitária.  &lt;p&gt;Tinha aquela toalha de mesa, lembra?, um pano marrom, meio cinza, que escurecia o desjejum como o café que se mistura à claridade leitosa da manhã. Sua cadeira, do outro lado da mesa, ficava sempre vazia, e é por isso que não vai me fazer falta a sua ausência matinal. O pão era repartido, as guarnições fartas e até mesmo o leito era resfriado, tudo contado para dois, tudo miseravelmente resplandecente sobre um borrão de tristeza velho e marrom, como se fosse um objetivo vindo dos seus sonhos envoltos em lençóis brancos. Agora você dorme como sempre dormiu, nos meus momentos de maior solidão: seus olhos sempre fechados, sua boca sempre quieta, sua mãos, imóveis. E seus pés que se enrolavam na roupa de cama a cada espreguiçada agora caem sobre o pano branco que te levará para onde colocarem seu corpo. Maria Rosa, quanto tempo da sua vida você não perdeu na cama, enquanto o sol a pino já acabava com a manhã! &lt;p&gt;Agora é tarde, Maria Rosa, para se levantar. Seus olhos não vão se abrir porque seu sono tem agora outro berço, e a rigidez com que suas mãos pairam sobre seu peito não mais indicam a serenidade de uma noite bem descansada. Acabou, você perdeu a sua chance de se sentar comigo à mesa, de compartir do pão e da manteiga, do café e da prataria.  &lt;p&gt;Eu não te amo, Maria Rosa, mas como eu queria que você tivesse levantado mais cedo pelo menos uma vez!&lt;/p&gt;  </description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2010/12/maria-rosa.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-8181233205299642761</guid><pubDate>Fri, 24 Dec 2010 03:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-12-24T01:30:10.754-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Natal</category><title>Uma outra manjedoura</title><description>São ecos de uma rabugem que cai mal à nossa idade:&amp;nbsp;percebemos as luzes, a decoração que finge inverno,&amp;nbsp;as mesmas melodias cheias de sinos para em seguida fungar em reprovação, balançar a cabeça repressivamente e fazer algum comentário ácido sobre as pessoas que param o trânsito e observam, maravilhados, os enfeites de Natal. Não digo que a maioria seja assim tão avessa às festividades dessa época do ano, mas estou certo de que é considerável a parcela da população desta cidade que despreza tudo isso, diz que odeia a Natividade e não vê a hora de passar para 2011. Eu, na minha modesta opinião de desterrado paulistano, reprovo, caladamente, a arrogância dos rebeltes natalinos, apesar de definitivamente não fazer parte da massa que chora com o &quot;jingle bells&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na verdade, penso que o Natal e todo esse fenômeno que vemos por São Paulo nessa época&amp;nbsp;deve ser vivido e analisado como ele verdadeiramente é: uma bela jogada de propaganda. Vende-se muito, gasta-se e se ganha muito dinheiro por aí, o que, capitalistamente, é o grande milagre de Cristo. Para a cidade, é uma maravilha de verdade: quanta gente não vem visitar e sai daqui com uma boa impressão? Quantos não são os cansados que, radiantes, fogem daqui de supetão como se tivessem poucos dias para atravessar a Galiléia?&amp;nbsp;Na equação dos que saem, dos que ficam e dos vêm, temos uma São Paulo mais atraente aos de fora e mais útil aos daqui.&amp;nbsp;Nisso reside o tal do &quot;espírito natalino&quot;, que as pessoas pensam que existe, mas que é nada menos do que uma simples mudança de atitude motivada por questões puramente materiais: no Natal, paramos de andar olhando para o nada e com a cabeça em milhões de prazos e compromissos para prestar a atenção à cidade, elogiando-a ou a criticando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final das contas, descobri que adoro turistas por aqui! Um amigo, metido a análises,&amp;nbsp;disse que eles fazem bem para o ego. Eu digo apenas que fazem bem à cidade, e isso basta.</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2010/12/uma-outra-manjedoura.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-735979569143935178</guid><pubDate>Fri, 08 Oct 2010 01:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-10-07T22:02:11.676-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">textos avulsos</category><title>Naquela época</title><description>Naquela época, estudava Direito, no Largo São Francisco, resignado a ser um profissional liberal, apesar de, no fundo, já querer ser um escritor. O ônibus todo dia o levava de casa até o centro da cidade, em meio aos mendigos, aos automóveis e à falta de educação. As manhãs eram cinzentas como sempre foram naqueles tempos, os jornais não traziam boas notícias, as pessoas adoeciam e se encolerizavam. Mesmo assim, ele era confiante. Pensava no futuro, o passado ainda não havia, o presente até que tinha suas vantagens, e a paisagem lhe inspirava sofisticados devaneios, mesmo sendo um cemitério de edifícios como aquela São Paulo do começo do século.</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2010/10/naquela-epoca.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-3941009401501956727</guid><pubDate>Thu, 07 Oct 2010 11:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-10-07T08:13:10.510-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Vargas Llosa</category><title>Nobel para Vargas Llosa</title><description>&lt;iframe frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;463&quot; scrolling=&quot;no&quot; src=&quot;http://nobelprize.org/mediaplayer/embed.php?width=610&amp;amp;height=463&quot; style=&quot;border-bottom: 0px; border-left: 0px; border-right: 0px; border-top: 0px;&quot; width=&quot;610&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2010/10/nobel-para-vargas-llosa.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-5205732330654895175</guid><pubDate>Tue, 17 Aug 2010 02:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-08-16T23:56:10.695-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">medicina</category><title>Um erro!</title><description>Hoje eu cometi um erro gravíssimo, contrário a todas as regras de conduta em hospital geral neste país.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Passando pelos internados de uma ala qualquer do hospital, entrei em um quarto no fundo do corredor, no qual se alojavam duas mulheres jovens. Não tinham mais de vinte e cinco, estavam ambas de camisola e tinham as cabeças completamente carecas. O diagnóstico de leucemia foi pregado em suas testas, hoje sem franjas, há um mês, e logo em seguida seguiram as duas para a quimioterapia. Não se conheciam, apesar de viverem na mesma cidade interiorana, de serem da mesma faixa etária e de levarem consigo desde o nascimento os fatores de propensão à doença. O que lhes uniu, entretanto, foi aquele quarto branco do SUS, cujas macas lhes servem de leito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro, eu fui hoje à tarde no quarto delas para acompanhar uma colega fazer a anamnese e o exame clínico. O bom de ser estudante de medicina é que você ainda não incorporou a distância dos médicos e nem tem poder de impor seus conhecimentos sobre os pacientes, o que te faz mais um visitante desconhecido do que exatamente um profissional da saúde. Por isso, a anamnese da minha amiga fluiu em uma conversa paralela entre as meninas, as mães delas, e mim. Contei-lhes que eu participo do grupo de palhaçoterapia da faculdade, e puvi uma reclamação de que elas ouviam a música nos outros quartos, mas nunca tiveram a oportunidade de ter os músicos em seu quarto. Expliquei que não tínhamos tempo de chegar até o fim do corredor, mas que hoje à noite eu falaria para eles entrarem naquele quarto sem falta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLQ8bjNz-fThFg43Vnd1U6twxvne9ZwPqGHc4Y3lGGLilUnCv8DYy8mtrQoVu3G8POitqyWJFW2rNWbl4KiH0dgHGiJMf1XPhvtEHLeDJWM49iEFz1ibk0G-CHjdDz-c14CtZWQ8_LeBQ/s1600/patch.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;222&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLQ8bjNz-fThFg43Vnd1U6twxvne9ZwPqGHc4Y3lGGLilUnCv8DYy8mtrQoVu3G8POitqyWJFW2rNWbl4KiH0dgHGiJMf1XPhvtEHLeDJWM49iEFz1ibk0G-CHjdDz-c14CtZWQ8_LeBQ/s320/patch.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois esse foi meu erro. Descobri, à noite, com um nariz de palhaço e um avental laranja, que &amp;nbsp;pessoas com leucemia não pode receber muita visitas ao mesmo tempo. Vi-me perante um dilema: aceito essa regra ou mantenho minha promessa? A porta do quarto ficou o dia todo aberta, enfermeiras, médicos e estudantes entraram e saíram de lá a seu bel prazer. Janelas escancaradas, corredor movimentado, acompanhantes que entram e saem, tudo isso são carregadores de germes perigosos a quem está com a imunidade deprimida. Por que o meu grupinho de violão era, então proibido? Admito que pequei e enfiei no quarto uma pessoa com um violão e mais três outros cantores e pedi que só tocassem uma música só e que saíssem do quarto assim que acabassem.&amp;nbsp;As meninas ficaram felizes, agradeceram-me com um sorriso que eu só pude perceber graças às rugas que apareceram nos cantos da máscara que lhes cobria a boca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa minha falta foi imperdoável: escolhi tentar aliviar a tristeza do câncer e manter minha promessa a seguir cegamente uma ordem insensata.&lt;/div&gt;</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2010/08/um-erro.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLQ8bjNz-fThFg43Vnd1U6twxvne9ZwPqGHc4Y3lGGLilUnCv8DYy8mtrQoVu3G8POitqyWJFW2rNWbl4KiH0dgHGiJMf1XPhvtEHLeDJWM49iEFz1ibk0G-CHjdDz-c14CtZWQ8_LeBQ/s72-c/patch.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-2461701863463698363</guid><pubDate>Sun, 08 Aug 2010 00:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-08-07T21:14:02.015-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">reflexões</category><title>Inconsciências</title><description>Algumas coisas têm passado pela minha cabeça ultimamente, vou tentar fazer uma listinha delas, incompleta e simplificada, claro, porque ninguém consegue pôr tudo o que pensa num papel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Já disse uma vez para mim mesmo que com a internet as pessoas passaram a escrever - e a pensar - só coisas publicáveis, o que diminui consideravelmente a imaginação de todos nós. Quando vivemos num mundo em que podemos nos comunicar com o mundo inteiro tão rapidamente, a privacidade perde a graça, e não nos damos conta do quão importante ela é para nós mesmos. São poucos os que se dignam a escrever e guardar o escrito, preservando um pouco de intimidade, e eu não estou entre eles.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;A aparência é mais importante do que eu até agora achava que ela era.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;As pessoas tem papeis determinados nas vidas dos outros, e quanto mais completa a presença de alguém na sua vida, mais envolvido você está com ela. Por isso que tem gente que some e não percebemos, enquanto outros, mesmo que efemeramente, marcam a gente para sempre. Isso me leva a outro questionamento, que eu não sei responder, sobre se as pessoas são ou não substituíveis, mas isso é metafísica demais para um sábado à noite.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;&lt;div&gt;Boa noite!&lt;/div&gt;</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2010/08/algumas-coisas-tem-passado-pela-minha.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-5244465189684772427</guid><pubDate>Tue, 20 Jul 2010 05:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-07-20T02:57:14.507-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">família</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">São Paulo</category><title>A gente se comove</title><description>Por que a gente se comove com coisas tão aleatórias?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Imaginem que eu estava voltando pra casa de noite, na Paulista, quando me deparo com um pai jovem, acompanhado de seus filhos. Ele vendia doces caseiros, portava à tiracolo uma bandeja onde apoiava sua mercadoria e com os braços acolhia as duas crianças em seus flancos. O menino abraçava a menina, a menina agradava o pai, e ele equilibrava os quitutes e os carinhos com maestria. Ele me abordou oferecendo os tais doces: três pares de olhos esperavam minha resposta, que foi um corriqueiro não, obrigado. Apenas mais um caso de vendedores ambulantes nesta malfadada cidade, dirá a maioria. Outros, mais sociológicos, dirão que esse é um dos frutos das injusta distribuição e da opressão que os ricos exercem sobre os pobres. Dessa forma, discute-se se os ambulantes devem ou não ser considerados novos hereges ou se devem ter carteira assinada, se podem ser enxotados de volta às suas miseráveis terras ou se poderão tentar conseguir um pouquinho de riqueza nesta capital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O fato é que o homem e as crianças sorriam. Alheios à insensibilidade e ao desprezo de todos, os três estavam unidos numa mesma digna missão de ganhar o pão para o dia seguinte. Os filhos eram capitaneados pelo pai, que ainda não perdeu seu sotaque natal e que andava aquela via enorme de ponta a ponta, oferecendo a bocas desconhecidas aquilo que suas mãos a ele tão familiares produziram em alguma cozinha distante. Não roubavam, não malediziam a outrem nem choravam suas penas ou festejavam suas glórias: estavam felizes em vender aquilo que vendiam, em nisso reside uma sabedoria dificilmente alcançada.Sorriam, e eu andava tão carrancudo.Aquela era uma família unida que estava hoje à noite pela Avenida, e talvez fosse a única.</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2010/07/gente-se-comove.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-3327883864009327633</guid><pubDate>Fri, 16 Jul 2010 20:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-07-16T17:38:48.460-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Dante</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">trânsito</category><title>O círculo dos danados</title><description>Em suas andanças pelos Inferno, Dante mostrou-nos como ele é estruturado, quem ocupa qual nível de danação &amp;nbsp;e quais os castigos eternos imputados aos pecadores. Vivesse ele neste malfadado século XXI, e teria descrito mais um círculo infernal, o mais baixo de todos, na verdade, aquele cujos ocupantes passarão o resto da eternidade sob os pés do Maléfico. Trata-se da infame estirpe dos sem-carta de motorista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses seres execráveis, a cuja corja eu pertenço desde o momento em que fiz meus dezoito anos, são estranhas pessoas que todos os dias se infligem dores e privações, pessoas cuja presença é motivo de escárnio para o justo populacho que o rodeia e cuja fleuma pedestre serve como sinal de heresia imperdoável. Pastores e santos da religião dos automóveis e auto-escolas pregam nos quatro cantos do mundo contra os sem-carta. Mais de uma bula papal já jogou tais ignóbeis às fogueiras e às masmorras, e há mesmo quem diga que a danação dessa gente já estava prescrita nos antigos profetas e no Ato dos Apóstolos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois continuo sem minha carta. Insisto em depender do transporte público, das caronas e das minhas pernas tão andadas por aí. Não vou aqui discorrer das benesses do caminhar, de seu bem para o físico, para o meio-ambiente e para a pacificação urbana. Nem mesmo vou citar a delícia que é flanar pela cidade numa tarde qualquer. Vou, no lugar disso, mostrar a todos que esses neo-protestantes são pessoas preparadas para o que o inferno lhes reserva: existe maior castigo do que ficar horas num ônibus lotado, num trânsito infernal, numa rua esburacada, num metrô dez menor do que deveria ser?</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2010/07/o-circulo-dos-danados.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-642862137715591605</guid><pubDate>Fri, 09 Jul 2010 16:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-07-09T16:34:54.878-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Conrad</category><title>Lord Jim</title><description>&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;...the kind of thing that by devious, unexpected, truly&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;diabolical ways causes me to run up against men with soft spots, with&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;hard spots, with hidden plague spots, by Jove! and loosens their tongues&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;at the sight of me for their infernal confidences; as though, forsooth,&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;I had no confidences to make to myself, as though--God help me!--I&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;didn’t have enough confidential information about myself to harrow my&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;own soul till the end of my appointed time...&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;so you see I am not particularly fit to be a receptacle of&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;confessions&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjoUTWhzakj311lyb0APXHNmN9ykTKYFvGkGzEBXRMZrEre_g4NSJdLpsBgMiWcPFSPtPYCr3MVtF4zqFtuSh8Ie0WbohgesVFxdhoYd-xiGTwBM0R0yl5b86jINVNFfN8cKaab_2aV5zw/s1600/Conrad.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjoUTWhzakj311lyb0APXHNmN9ykTKYFvGkGzEBXRMZrEre_g4NSJdLpsBgMiWcPFSPtPYCr3MVtF4zqFtuSh8Ie0WbohgesVFxdhoYd-xiGTwBM0R0yl5b86jINVNFfN8cKaab_2aV5zw/s640/Conrad.jpg&quot; width=&quot;520&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Of course there&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;are men here and there to whom the whole of life is like an after-dinner&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;hour with a cigar; easy, pleasant, empty, perhaps enlivened by some&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;fable of strife to be forgotten before the end is told--before the end&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;is told--even if there happens to be any end to it.&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
Conrad é o cara no coração das trevas!</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2010/07/lord-jim.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjoUTWhzakj311lyb0APXHNmN9ykTKYFvGkGzEBXRMZrEre_g4NSJdLpsBgMiWcPFSPtPYCr3MVtF4zqFtuSh8Ie0WbohgesVFxdhoYd-xiGTwBM0R0yl5b86jINVNFfN8cKaab_2aV5zw/s72-c/Conrad.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-403880956946286773.post-3089833313088096850</guid><pubDate>Thu, 08 Jul 2010 03:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-07-08T01:02:16.956-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">São Paulo</category><title>Línguas e casarões</title><description>As belas escolas de línguas desta cidade! É claro, em se tratando de uma metrópole, a expressão &quot;escola de línguas&quot; pode estar imbuída de inúmeros sentidos. Refiro-me àquelas cujo ensinamento é o de idiomas estrangeiros, oblíquo leitor deste blog tão incipiente. &lt;i&gt;Língua&lt;/i&gt; neste caso remete ao som que dela sai e&amp;nbsp;que muda de povo para povo, num curioso caso de metáfora desgastada... Espero assim desfazer qualquer mal entendido lingüístico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há o &lt;a href=&quot;http://www.goethe.de/ins/br/sap/ptindex.htm&quot;&gt;Goethe-Institut&lt;/a&gt;, em Pinheiros, num antigo convento de freiras católicas. O pátio interno hoje abriga mesinhas e cadeiras de onde se é servido por um bar bem teutônico, de vasto menu de Wurst e Kraut. Na Frei Caneca, o &lt;a href=&quot;http://www.iicsanpaolo.esteri.it/IIC_Sanpaolo&quot;&gt;Istituto Italiano&lt;/a&gt; espera os ávidos pelo idioma dantesco no alto de um terreno elevadíssimo, no qual se alcança o topo por meio de uma escada tão grande que o Poeta não galgaria nem mesmo se Beatrice estive lá em cima. Por fim, há a elegante e recém-inaugurada sede da &lt;a href=&quot;http://www.aliancafrancesa.com.br/&quot;&gt;Aliança Francesa&lt;/a&gt; perto da Paulista. Lá, num casarão às cercanias dos mármores de outro Dante, o cansado paulistano pode (desde que freqüente algum curso) bebericar um vinho da Borgonha, ou, caso não leve sua própria garrafa, dar um gole num bom e velho café brasileiro.</description><link>http://lflauletta.blogspot.com/2010/07/linguas-e-casaroes.html</link><author>noreply@blogger.com (Luis Felipe Lauletta)</author><thr:total>1</thr:total></item></channel></rss>