<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="no"?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><rss xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" version="2.0"><channel><title>Abafado - Pedro Tadeu</title><description>Um serviço de ar condicionado</description><managingEditor>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</managingEditor><pubDate>Wed, 6 Nov 2024 02:42:17 GMT</pubDate><generator>Blogger http://www.blogger.com</generator><openSearch:totalResults xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/">387</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/">1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/">25</openSearch:itemsPerPage><link>http://abafado.blogspot.com/</link><language>en-us</language><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:subtitle>Um serviço de ar condicionado</itunes:subtitle><itunes:category text="News &amp; Politics"/><itunes:author>Pedro Tadeu</itunes:author><itunes:owner><itunes:email>noreply@blogger.com</itunes:email><itunes:name>Pedro Tadeu</itunes:name></itunes:owner><item><title>Jornalistas propõem aulas de literacia dos media no ensino público</title><link>http://abafado.blogspot.com/2017/01/jornalistas-propoem-aulas-de-literacia.html</link><category>Comunicação Social</category><category>Congresso dos Jornalistas</category><category>Internet</category><category>Jornalismo</category><category>Redes Sociais</category><pubDate>Mon, 16 Jan 2017 19:57:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-4783559328007390477</guid><description>&lt;i&gt;Apresentei esta proposta ao 4.º Congresso dos Jornalistas - aprovada por larga maioria juntamente com outra parecida apresentada pelo Luís Humberto e pelo professor Manuel Pinto - e cuja ideia essencial foi incluída na resolução final aprovada por unanimidade pelos jornalistas presentes:&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 10px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&lt;b style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&lt;b style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Apelo dos jornalistas portugueses à introdução de uma disciplina de literacia da comunicação de massas no ensino básico&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class="p2"&gt;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;Os jornalistas portugueses, reunidos no 4.º Congresso dos Jornalistas, recomendam à Assembleia da República e ao Governo português a tomada de iniciativas que possibilitem a criação, no sistema de ensino público básico, de uma disciplina de literacia da comunicação de massas que possa dar aos jovens portugueses competências fulcrais para lidarem responsavelmente e conscientemente com os novos sistemas comunicacionais e aumentem as suas capacidades efetivas para o exercício de uma cidadania ativa e responsável. Entre outros objetivos, pretende-se:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;uma disciplina que ensine os jovens a interpretar, a descodificar, a criticar e a valorizar as mensagens da comunicação social, dos jornais, da TV, da rádio, mas também da web, das redes sociais, e do que os poderosos dizem através de todos estes meios;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;uma disciplina que ensine os jovens a identificarem e a defenderem-se dos crimes e agressões sociais perpetrados através da internet (difamação, calúnia, fraude, pedofilia, etc.);&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Uma disciplina que eduque para as boas práticas individuais na utilização dos novos meios de comunicação e interação digital, que explique e difunda os fundamentos de uma verdadeira ética na internet.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;uma disciplina demonstrativa de que o que é difundido por milhões de pessoas como verdadeiro pode, afinal, corresponder à mais pura falsidade e que uma das missões do jornalismo é ajudar a distinguir a verdade da falsidade;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;uma disciplina que ensine os jovens a entender e a interpretar os vários géneros jornalísticos e a distinguir opinião de notícia, reportagem de análise, crónica de relato;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;uma disciplina que analise e revele os mecanismos da manipulação informativa;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;uma disciplina que forme futuros leitores e consumidores de informação jornalística capazes de serem exigentes e qualificados críticos do trabalho dos jornalistas que nos obriguem, a nós jornalistas e às empresas jornalísticas, a sermos corretamente deontológicos, que nos obriguem a sermos transparentes, que nos obriguem a sermos pluralistas, que nos obriguem a termos capacidade de mudarmos metodologias profissionais de forma a respondermos adequadamente às constantes mudanças da sociedade e às novas necessidades dos leitores, ouvintes, espetadores e interlocutores.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="p4"&gt;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p2"&gt;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;Lisboa, 15 de janeiro de 2017&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p2"&gt;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;Pedro Tadeu&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;/style&gt;















&lt;br /&gt;
&lt;div class="p2"&gt;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;Carteira profissional 3121&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>Jornalistas chumbam proposta sobre declaração de interesses na profissão</title><link>http://abafado.blogspot.com/2017/01/jornalistas-chumbam-proposta-sobre.html</link><category>Comunicação Social</category><category>Congresso dos Jornalistas</category><category>Deontologia</category><category>Jornalismo</category><pubDate>Mon, 16 Jan 2017 19:34:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-8868004311884114747</guid><description>&lt;i&gt;Eis a proposta que entreguei no Congresso dos Jornalistas e que foi rejeitada&amp;nbsp;merecendo, apenas, 21 votos favoráveis entre os presentes:&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="p1"&gt;
&lt;b style="font-size: 10px;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Recomendação à Comissão da Carteira Profissional de Jornalista sobre uma declaração de interesses dos jornalistas&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p2"&gt;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;O jornalismo em todo o mundo passa por uma crise de credibilidade que põe em causa o seu futuro. Independentemente de muitos factores externos aos próprios jornalistas estarem a criar essa situação, cabe individualmente a cada um dos jornalistas tudo fazer para tentar inverter, na sua limitada esfera de ação, a degradação da imagem pública da sua profissão e o consequente empobrecimento do seu estatuto. Uma das vias para o conseguir é adotar medidas de transparência profissional que levem os leitores, espectadores, ouvintes e interlocutores do jornalismo a acreditarem na independência e seriedade dos seus profissionais.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p2"&gt;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;O 4.º Congresso dos Jornalistas portugueses recomenda à Comissão da Carteira Profissional de Jornalista que crie no seu sítio da internet um formulário adequado para que todos os jornalistas portugueses possam tornar pública uma declaração de interesses voluntária, não obrigatória, atualizável em qualquer altura, que abranja as influências ou ligações profissionais, contratuais, patronais, políticas, familiares, económicas, desportivas, culturais ou outras que possam, de alguma forma, direta ou indiretamente, influenciar o exercício da sua profissão e que o jornalista considere, livremente, seguindo apenas o seu próprio e exclusivo critério pessoal, ser seu dever, para assegurar a transparência da sua atividade profissional, revelar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p2"&gt;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;Lisboa, 15 de janeiro de 2017&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p2"&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Pedro Tadeu&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;/style&gt;









&lt;br /&gt;
&lt;div class="p2"&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Carteira profissional 3121&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;
&lt;b&gt;&lt;a href="http://abafado.blogspot.pt/2017/01/a-defesa-possivel-no-debate-sobre.html"&gt;Leia aqui a defesa desta proposta que fiz no debate&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>A defesa possível no debate sobre a declaração de interesses</title><link>http://abafado.blogspot.com/2017/01/a-defesa-possivel-no-debate-sobre.html</link><category>Congresso dos Jornalistas</category><category>Deontologia</category><category>Jornalismo</category><pubDate>Mon, 16 Jan 2017 19:34:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-111216217950004013</guid><description>&lt;i&gt;Por falta de tempo, deram-me apenas dois minutos para tentar defender a proposta sobre a existência de uma forma de declaração de interesses para os jornalistas. Eis o que li ao congresso dos jornalistas:&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: &amp;quot;times&amp;quot; , &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif;"&gt;Começo por dizer o que não é esta proposta de declaração de interesses: não é uma declaração de rendimentos, não é uma exposição da vida privada, não é uma ecografia pública das nossas consciências, não é sequer obrigatória. O que que proponho é um meio de defesa dos jornalistas e um instrumento de transparência na relação com os seus leitores que defenda a sua credibilidade, por um lado, e a sua liberdade, por outro lado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: &amp;quot;times&amp;quot; , &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif;"&gt;Esta declaração de interesses não é a solução para os problemas da profissão mas é um pequeno passo – apenas um pequeno passo – que pode ser aplicado de forma imediata e sem dificuldade, no longo e penoso caminho que teremos de percorrer para reconquistar a credibilidade do jornalista junto do público.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: &amp;quot;times&amp;quot; , &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif;"&gt;Eu próprio, recorrentemente, sempre que acho isso relevante, declaro aos leitores a minha filiação partidária. O que ganhei na relação com os leitores é muito mais do que o que perdi e não impediu que sucessivos patrões ou acionistas aceitassem a minha nomeação para cargos de direção.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: &amp;quot;times&amp;quot; , &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif;"&gt;Mas sinto um problema com esta prática pois a dada altura levantou-se-me uma questão: “Que direito tenho eu de contaminar a empresa, a redação, os meus camaradas de trabalho, o Diário de Notícias, onde sou colunista, no seu todo com as minhas opções individuais?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: &amp;quot;times&amp;quot; , &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif;"&gt;É para tentar resolver esse problema que proponho que as declarações de interesses possam ser feitas num local neutro, a Comissão da Carteira, que os leitores possam consultar em qualquer altura, que possam ser modificadas ou atualizadas pelos próprios autores em qualquer altura, evitando que uma informação leal e honesta dada aos leitores e espectadores se transforme num anátema.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: &amp;quot;times&amp;quot; , &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif;"&gt;Aquilo que proponho, portanto, digo-o por experiência feita, não é essencialmente para impedir os jornalistas de escreverem sobre temas em que podem entrar em conflito, pelo contrário, é um caminho de liberdade e não uma nova prisão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: &amp;quot;times&amp;quot; , &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif;"&gt;O que proponho é que cada jornalista decida sozinho o que coloca na declaração de interesses. Isso não acaba por originar uma difusa escolha de critérios? Sim, e isso é bom.&amp;nbsp;Por exemplo, é muito diferente um jornalista em início de carreira ou que tem um posição hierárquica de base na sua redação decidir não fazer uma declaração de interesses – quem o levará a mal, nos dias que correm? – do que um diretor de um jornal diário, um colunista como eu ou um jornalista comentador televisivo, pessoa que influencia diretamente a opinião pública, decidir esconder os seus conflitos de interesses. E isto a opinião pública percebe facilmente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: &amp;quot;times&amp;quot; , &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif;"&gt;E porque é que não começamos pelo básico e colocamos nas nossas declarações de interesses os locais onde trabalhámos, os nomes dos acionistas das empresas onde estamos e a identificação das áreas de especialização jornalística que, circunstancialmente, exercemos? Esta informação que tantos de nós voluntariamente divulgamos dispersamente nas fichas técnicas das publicações, no facebook, no linkedin, nos blogues pessoais ou que alguém colocou na wikipédia, sendo aparentemente neutra, revela por si só potenciais conflitos de interesses e aponta limites éticos que não devem ser violados. Qual é o jornalista que não pode fazer uma declaração deste tipo? E isto não defende a imagem do jornalista junto do público? A mim parece-me que sim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: &amp;quot;times&amp;quot; , &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif;"&gt;A coisa para mim é muito simples e linear: sempre que declaro a minha filiação partidária sinto-me mais livre porque me sinto de consciência tranquila e essa consciência tranquila permite-me escrever em consciência o que me vai na consciência. A minha declaração de interesses acabou com a minha autocensura. É esta liberdade que proponho ao Congresso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: &amp;quot;times&amp;quot; , &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;a href="http://abafado.blogspot.pt/2017/01/jornalistas-chumbam-proposta-sobre.html"&gt;Leia aqui a proposta apresentada&lt;/a&gt;</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>Voltar a acreditar no jornalismo</title><link>http://abafado.blogspot.com/2017/01/voltar-acreditar-no-jornalismo.html</link><category>Comunicação Social</category><category>Congresso dos Jornalistas</category><category>Jornalismo</category><category>Redes Sociais</category><pubDate>Mon, 16 Jan 2017 19:11:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-4682274067189181897</guid><description>&lt;i&gt;A comunicação que li no &lt;a href="http://www.jornalistas.congressodosjornalistas.com/" target="_blank"&gt;4.º Congresso dos Jornalistas Portugueses&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
&lt;b&gt;A mentira&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
O jornalismo tornou-se essencial nas nossas vidas porque conseguiu fazer com que os leitores acreditassem nele. Independentemente dos projetos editoriais, dos interesses económicos, políticos ou culturais que estivessem por detrás desses projetos editoriais, o jornalismo moderno prometeu sempre procurar a verdade, jurou tudo fazer para distinguir o boato da verdadeira notícia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Publicar a verdade é, porém, cada vez mais difícil.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Todos os dias jornais, rádios e televisões mostram-se decididos em ganhar em velocidade a batalha nas redes sociais. A informação é cada vez menos procurada, avaliada, verificada ou explicada; é, cada vez mais, apenas replicada, disparada. Depois, apesar da fragilidade da sua sustentação, essas “notícias” são comentadas por um exército de opinadores (onde eu me tenho incluído), de escassa diversidade e muitas vezes ausente pluralidade ideológica e cultural, que acabam por caucionar e amplificar para a opinião pública uma provável falsa realidade.&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Todos os dias os jornais, em todo o mundo, estão assim a violar o compromisso com a verdade, seja em notícias muito relevantes, seja em relatos pouco importantes, e estão a deixar de ser o local onde os leitores e telespectadores conseguem distinguir o boato, exponencialmente amplificado pelas redes sociais e muitas vezes reproduzido como verdade pela imprensa, daquilo que é a verdadeira e comprovada notícia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Este caminho levará à vitória do facebook e à irrelevância da profissão do jornalista.&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;

&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;O medo&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Para além da relação complexa com as redes sociais, da degradação das condições de trabalho nas redações e da fragilidade financeira nos grupos de comunicação social, matérias que julgo que este congresso dos jornalistas portugueses discutirá profundamente, há outro fator que está a levar os jornais a falharem o seu compromisso com a verdade, muitas vezes não identificado, e que é o medo dos jornalistas:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p4"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;O medo de incomodar as fontes.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;O medo de pensar diferente.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;O medo de não ser aceite pela elite corporativa da classe.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;O medo dos poderes e grupos de pressão económicos, políticos, judiciais, desportivos e culturais.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;O medo do desemprego.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;O medo dos chefes.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;O medo das administrações.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;O medo de ser sensacionalista e, contraditoriamente. o medo de não conseguir fazer vender jornais.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;O medo da inovação.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="p5"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
&lt;b&gt;Carreirismo, servilismo, amiguismo, elitismo e causas&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Para além do medo, outras doenças empurram o jornalista a deixar em segundo plano o seu compromisso com a verdade:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p4"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;O carreirismo - A liberdade de imprensa sofre com o carreirismo dos jornalistas ou com a legítima necessidade de garantir uma sobrevivência financeira digna. Alguns jornalistas estão ocupados a construir caminho para outras carreiras ou, desiludidos com a profissão e enfrentando o espectro do desemprego, ficam conformados em ser assessores de políticos do governo, de autarquias, de partidos ou de empresas dominantes no mercado.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;A este problema alia-se uma tendência cultural para o servilismo para com os poderosos e para o amiguismo, para tornar notícia aquilo que não o é, mas que dá jeito a alguém conhecido que o seja.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Temos ainda a tentação do elitismo. Quase todo o jornalismo de grande difusão vive afastado dos cidadãos e demasiado próximo dos poderosos.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;E a verdade sofre ainda com a utilização perversa do “jornalismo de causas”, ao serviço de batalhas não jornalísticas, com a invenção de campanhas noticiosas ao serviço de grupos de pressão ou de agências de comunicação.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="p5"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
&lt;b&gt;A falsa deontologia&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Temos ainda o sistema político e editorial em que vivemos, que tende a limitar o exercício da liberdade de imprensa para lá do que é razoável:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p6"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Um quadro legal e uma interpretação deontológica dos deveres dos jornalistas que, hipocritamente, servem os interesses informativos dos poderosos – Em muitas redações usa-se o argumento da deontologia, a interpretação abusiva do código deontológico e da lei para impedir a publicação de notícias legítimas.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Um sistema de regulação paroquial, com a ERC no seu topo, que se preocupa com as notícias que afetam os amigos e os queridos inimigos, os influentes, os atores da vida política e económica e ignora os atentados à privacidade e ao bom nome dos cidadãos anónimos, passando também por cima ou quase ignorando as verdadeiras violações à ética jornalística cometidas todos os dias por toda a imprensa, da dita séria à dita cor-de-rosa, da económica à desportiva, mas que não têm impacto visível nos círculos do poder por afetar, sobretudo, cidadãos comuns (vejam-se as notícias de crimes) ou gente que não é querida das elites portuguesas.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;E o problema, repito, começa dentro das redações. Um jornalista pode ter uma carreira construída a servir sociedades secretas em vez de servir leitores. Um jornalista pode esconder a sua preferência partidária e enganar quem o lê. Um jornalista pode omitir qual o clube do seu coração e simular isenção. Pode servir secretamente um candidato a primeiro-ministro e ir parar ao Governo. Pode escrever um milhão de notícias com base em fontes anónimas, não verificadas, destruir reputações e ainda ganhar prémios! Pode recusar corrigir publicamente os erros que comete. Pode deturpar o respeito pelo exercício do direito de resposta dos alvos das suas notícias.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;A liberdade de imprensa em Portugal corre perigo com a incapacidade empresarial de enfrentar a mudança dos tempos, com a fragilidade económica e financeira dos muitos grupos de comunicação social e a tendência para ela passar para a posse de poucos. O aumento dos casos onde acontece o sacrífico do jornalismo em troca do efémero favor comercial é só um dos sintomas que um olhar atento na leitura dos jornais facilmente descobre.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="p5"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
&lt;b&gt;Como corrigir os nossos erros?&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Há muitos fatores externos e internos ao jornalismo que o estão a matar. Como cidadãos poderemos fazer muitas coisas para lutar contra essa tendência, se formos civicamente empenhados. Mas como somos jornalistas temos de começar por reconhecer e identificar os nossos próprios defeitos, os que têm origem, exclusivamente, nas nossas práticas profissionais quotidianas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Muitos destes erros têm, porém, uma correção lógica e imediata aplicável nas nossas redações: a simples e rigorosa adoção, no dia a dia, notícia a notícia, frase a frase, do velhinho código deontológico dos jornalistas, nos seus curtos 10 artigos, sem palavras a mais nem interpretações limitativas adicionais, sem abrir exceções à regra, sem imaginativas interpretações/deturpações jurídicas, permitindo a coexistência de todos os tipos de jornalismo – de referência, tablóide, partidário, empresarial, desportivo, económico, cultural, social, etc. – e promovendo a pluralidade ideológica e cultural.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Voltarmos, portanto, ao básico é capaz de resolver, por si só, muitos destes problemas e iniciaria o longo processo de inversão da tendência de os leitores deixarem de acreditar no jornalismo e nos jornalistas, vistos cada vez mais como meros arautos do poder instituído.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Penso, igualmente, que é essencial serem os próprios jornalistas, individualmente, a tomarem a iniciativa de iniciar um caminho para voltar a credibilizar junto da opinião pública a sua profissão e a sua própria reputação individual.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/b&gt; &lt;b&gt;Declaração de interesses&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Uma das medidas que penso que este congresso dos jornalistas deveria aprovar seria uma recomendação a todos os jornalistas portugueses para que anualmente tornassem pública (talvez no sítio da Carteira Profissional) uma declaração de interesses voluntária, não obrigatória, que abrangesse as influências ou ligações profissionais, contratuais, patronais, políticas, familiares, económicas, desportivas, culturais ou outras que podem, de alguma forma, direta ou indiretamente, influenciar o exercício da sua profissão.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Esta medida simples de transparência pode ajudar decisivamente a que as pessoas voltem a acreditar mais nos jornalistas do que no que leem por aí escrito no facebook – um passo essencial para sobrevivência do jornalismo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/b&gt; &lt;b&gt;Literacia da comunicação&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Por outro lado, podemos tentar que os cidadãos e o Estado, para garantir a saúde da própria democracia, não se conformem com a degradação do jornalismo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Penso, por isso, que este congresso deveria secundar uma proposta de recomendação à Assembleia da República e ao governo no sentido de introduzir no ensino básico, para todos os estudantes, uma disciplina de literacia da comunicação de massas ou equivalente:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p6"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;uma disciplina que ensine os jovens a interpretar, a descodificar, a criticar e a valorizar as mensagens da comunicação social, dos jornais, da TV, da rádio, mas também da Web, das redes sociais, e do que os poderosos dizem através de todos estes meios;&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;uma disciplina que ensine os jovens a defenderem-se dos crimes perpetrados através das redes sociais e da internet (da calúnia, à fraude e à pedofilia), demonstrando que o que é difundido por milhões de pessoas como verdadeiro pode ser a mais pura falsidade e que uma das missões do jornalismo é ajudar a distinguir a verdade da falsidade;&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;uma disciplina que ensine os jovens a entender e a interpretar os vários géneros jornalísticos e a distinguir opinião de notícia, reportagem de análise, crónica de relato;&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;uma disciplina que analise e revele os mecanismos da manipulação informativa;&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;uma disciplina que forme futuros leitores e consumidores de informação jornalística capazes de serem exigentes e qualificados críticos do trabalho dos jornalistas que nos obriguem, a nós jornalistas, a deixar de ter medo, que nos obriguem a sermos corretamente deontológicos, que nos obriguem a sermos transparentes, que nos obriguem a sermos pluralistas, que nos obriguem a termos capacidade de mudarmos metodologias profissionais de forma a respondermos adequadamente às constantes mudanças da sociedade e às novas necessidades dos leitores, ouvintes, espectadores e interlocutores.&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="p5"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Tenho humildemente de reconhecer que, em 32 anos de profissão, a emergência de alguns dos enormes erros que anteriormente listei e que agora estão a matar o jornalismo teve a minha quota de participação ativa. Mas, por mim, estou disposto a tentar, ainda, a emendar a mão.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Mas mais do que tudo o resto, os jornais e os jornalistas precisam de se focar numa coisa: reforçar o seu compromisso com a verdade, ou, aliás, com as várias verdades que uma mesma realidade comporta. Quanto mais próximos dela e delas estiverem os nossos jornais e os nossos jornalistas, mais próximos estaremos da solução para os nossos problemas que se resolverão quando as pessoas voltarem a acreditar no jornalismo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Pedro Tadeu&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
Carteira profissional 3121&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="p3"&gt;
18 de dezembro de 2016&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>Perigos para a liberdade de imprensa em Portugal</title><link>http://abafado.blogspot.com/2015/02/perigos-para-liberdade-de-imprensa-em.html</link><category>Comunicação Social</category><category>Edward Snowden</category><category>ERC</category><category>Imprensa</category><category>Jornalismo</category><category>Liberdade de expressão</category><category>PRISM</category><category>Privacidade</category><category>Segredo de justiça</category><pubDate>Tue, 24 Feb 2015 15:47:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-5842012483492201702</guid><description>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;1 .&lt;/strong&gt; Fui convidado a fazer esta intervenção na sequência, conforme me foi dito, de um texto de opinião que escrevi no Diário de Notícias sobre o atentado em França ao jornal Charlie Hebdo. Permitam-me recordar esse texto:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“Defendem o direito de publicar um &lt;i&gt;cartoon &lt;/i&gt;de Maomé, nu, genitais à mostra, rabo espetado com uma estrela no cu mas convivem com a lei que promete três anos de cadeia a quem injurie o Presidente da República. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“Gritam pela liberdade de imprensa mas só reconhecem o direito de ser jornalista a quem o Estado e a elite da classe aceitem passar um cartão profissional. &lt;/p&gt;  &lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;    &lt;p&gt;“São cúmplices por inação da opacidade informativa do governo, da Comissão Europeia, das autarquias, da justiça, dos bancos, das grandes empresas, dos clubes, dos falsos ricos, de uma hipócrita e ideológica noção de reserva da vida privada utilizada como álibi para não dar notícias. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a name="more"&gt;&lt;/a&gt;“Praticam no jornalismo a autocensura de ética falsa, serventuária do poder, e depois ficam espantados quando o &lt;i&gt;New York Times &lt;/i&gt;recusa publicar os &lt;i&gt;cartoons &lt;/i&gt;de Maomé e põe na primeira página a mesma foto escolhida pelo tabloide &lt;i&gt;Correio da Manhã&lt;/i&gt;: o momento em que um terrorista dispara para matar um polícia caído no chão. E não param para refletir seriamente sobre os seus próprios critérios profissionais, sobre as doenças do jornalismo de causas, sobre a frieza em momentos de frenesim. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“Choram pelos cartoonistas assassinados do &lt;i&gt;Charlie Hebdo&lt;/i&gt;, chamam herói ao diretor assassinado: Stéphane Charbonnier, apoiante do Partido Comunista Francês, antigo colaborador do jornal do PCF, o &lt;i&gt;L’Humanité&lt;/i&gt;. Algumas pessoas que agora o glorificam defendem, em Portugal, que quem escreva no jornal comunista &lt;i&gt;Avante! &lt;/i&gt;não possa ser jornalista. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“Chamaram “republicana” à marcha de Paris e viram, sem pestanejar, na primeira fila de dignitários o primeiro-ministro da monarquia inglesa, o rei da Jordânia, vários líderes que perseguem jornalistas e outros suspeitos de violação de direitos humanos. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“Placidamente noticiam que o cristão Breivik, assassino de 77 jovens noruegueses, na cadeia onde cumpre 21 anos de pena, exige que lhe troquem a PlayStation 2 pela 3.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“Escrevem no Facebook pela liberdade mas tentam impor a censura prévia aos comentários de leitores nos &lt;i&gt;sites &lt;/i&gt;de jornais. Estupidamente não se ralam por esses insultos serem escritos anonimamente. E, já agora, aceitam resignados que José Sócrates seja proibido de dar entrevistas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“O meu coração também sangra pelos mortos do &lt;i&gt;Charlie Hebdo&lt;/i&gt;. Adorava ter estado na manifestação de Paris. O que escrevi aqui não é sobre terrorismo, é sobre as contradições insanáveis do jornalismo no meu país que o belo movimento de solidariedade, tragicamente nascido, agudamente expõe ao confrontar-se com a prática dos dias vulgares. Lamento, mas recuso ser boi de algumas manadas.”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;2 .&lt;/strong&gt; Este texto revela que estou convencido que a imprensa livre está a criar dentro de si o germe da limitação abusiva à liberdade de imprensa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E quais são os maiores constrangimentos à liberdade de imprensa que os jornalistas portugueses enfrentam hoje?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O primeiro é o medo dos jornalistas: o medo de incomodar as fontes, o medo de pensar diferente, o medo de não ser aceite pelo rebanho corporativo da classe, o medo dos poderes e dos grupos de pressão económicos, políticos, judiciais, desportivos e culturais. O medo do desemprego, dos chefes, das administrações. O medo de ser sensacionalista e o medo de não co&lt;i&gt;n&lt;/i&gt;seguir fazer vender jornais. O medo da inovação.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A liberdade de imprensa sofre com o carreirismo dos jornalistas – alguns a construir caminho para outras carreiras como assessores de políticos do governo ou de empresas dominantes no mercado - aliado a uma tendência cultural para o servilismo, para o respeitinho. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A liberdade de imprensa sofre com uma predominante incompetência técnica de muitos jornalistas, que limita a sua capacidade de agendamento autónomo de notícias, alternativo ao das grandes centrais de informação e diferente das tendências noticiosas dominantes. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A liberdade de imprensa é esquecida com a tentação do elitismo, uma atitude redutora das escolhas editorias e criadora de cumplicidades perigosas com objetos e fontes noticiosos. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A liberdade de imprensa recua com a utilização perversa do “jornalismo de causas” ao serviço de causas não jornalísticas, com a invenção de campanhas noticiosas ao serviço de grupos de pressão política, económica, desportiva ou cultural. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A liberdade de imprensa está limitada por um quadro legal e uma interpretação deontológica dos deveres dos jornalistas que, hipocritamente, servem os interesses informativos dos poderosos e promovem a autocensura injustificada. Em muitas redações usa-se o argumento da deontologia e da lei para impedir a publicação de notícias legítimas. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para se ser jornalista é preciso que o Estado e uma elite dos jornalistas, juntos através da Comissão da Carteira Profissional, aceitem a entrada na profissão. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Isto, na minha visão, pode um dia impedir o exercício da profissão a quem pensa de maneira diferente e tenha capacidade para incomodar o status quo. É uma tentação inevitável.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A liberdade de imprensa é vigiada por um sistema de regulação paroquial, que se preocupa com as notícias que afetam os amigos e os queridos inimigos, os influentes, os atores da vida política e económica e ignora os atentados à privacidade e ao bom nome dos cidadãos anónimos, passando também por cima ou quase ignorando as verdadeiras violações à ética jornalística cometidas todos os dias por toda a imprensa, da dita séria à dita cor-de-rosa, da económica à desportiva, mas que não têm impacto visível nos círculos do poder por afetar, sobretudo, cidadãos comuns ou gente que não é querida das elites portuguesas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A liberdade de imprensa em Portugal corre perigo com a incapacidade empresarial de enfrentar a mudança dos tempos, com a fragilidade económica e financeira dos muitos grupos de comunicação social e a tendência para ela passar para a posse de poucos, por vezes estrangeiros. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A sangria económica e financeira dos últimos anos, a crise no país e a crise específica da comunicação social aumentou o desemprego no jornalismo e diminuiu a diversidade de pensamento nas redações. É, também ela, um perigo para a liberdade de imprensa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O aumento dos casos onde acontece o sacrífico do jornalismo em troca do efémero favor comercial é só um dos sintomas que um olhar atento na leitura dos jornais, todos os dias, facilmente descobre.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E o problema, repito, começa dentro das redações. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um jornalista pode ter uma carreira construída a servir sociedades secretas em vez de servir leitores. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um jornalista pode esconder a sua preferência partidária e enganar quem o lê. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um jornalista pode omitir qual o clube do seu coração e simular isenção.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pode servir, secretamente, um candidato a primeiro-ministro e ir parar ao Governo. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pode escrever um milhão de notícias com base em fontes anónimas, não verificadas, destruir reputações e ainda ganhar prémios! &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pode recusar corrigir publicamente os erros que comete. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pode deturpar o respeito pelo exercício do direito de resposta dos alvos das suas notícias. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pode, oh se pode, almoçar grátis com um pelotão de cobradores de almas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um jornalista pode noticiar política sem ter lido a Constituição. Pode ser de cultura e nunca ter lido Os Lusíadas. Pode ser de Justiça sem saber a diferença entre Código Penal e Código do Processo Penal. Pode ser de economia e incapaz de calcular uma taxa de juro. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;3 .&lt;/strong&gt; O jornalismo está afastado dos cidadãos e isso tem tudo a ver com falhas na liberdade de imprensa. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Lembro o caso dos medicamentos inovadores para da Hepatite C.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Noticiámos em Setembro de 2014, citando as autoridades, que cem doentes seriam tratados até ao final desse ano com o novo medicamento, apesar de custar mais de 40 mil euros por cabeça. Não nos escandalizámos quando isso falhou. Ficámos engasgados. Não fiscalizámos. Protegemos fontes. Fomos oficiosos, preocupados em somar os custos para o Estado e quase omissos acerca de custos humanos. Pensámos em acusações de demagogia e populismo, agimos com cobardia.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Foi preciso um doente morrer sem acesso ao Sofosbuvir e outro doente conseguir gritar ao ministro, frente às câmaras de televisão: &amp;quot;Não me deixe morrer!&amp;quot; para, finalmente, o impasse financeiro ser resolvido – e em apenas 24 horas! &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Todos os jornais, todas as televisões falharam. Não publicámos nem emitimos notícias suficientes sobre o tema. Não demos relevância eficaz ao caso. Não impedimos aquela morte. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E todos os jornais falharam no caso BES, como já tinham falhado antes com o BPN e o BPP – sempre que a banca é motivo de notícia, a incapacidade dos jornais de publicarem informação rigorosa que sirva os interesses dos cidadãos é confrangedora. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quando se acusa o Presidente da República, o Banco de Portugal e a CMVM de ter informado mal os pequenos acionistas que investiram poupanças num GES falido, esquecem-se as recomendações, no mesmo sentido, que os jornais e os jornalistas especializados também fizeram. Não são eles também culpados de ter enganado os leitores?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;4.&lt;/strong&gt; Outro perigo para a liberdade de Imprensa tem a ver com a liberdade individual de todos nós. Recordo aqui um texto que escrevi há dois anos:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“O jornalista lida todos os dias com o problema da melhor definição dos limites de vida privada que deve respeitar. Diz a minha experiência que, na maior parte das vezes, a questão é levantada para tentar impedir a divulgação de factos relevantes e pertinentes. Pois este problema do jornalista, que teve o seu exemplo extremo e negro nas escutas do tabloide britânico News of the World, deixou de fazer sentido, parece mesmo assunto ridículo, por o seu objeto de debate já não existir: a vida privada, tal como a entendemos até aqui, acabou.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“O jovem Edward Snowden era um dos quatro milhões (sim, quatro milhões!) funcionários ao serviço de agências dos Estados Unidos da América com acesso a informações secretas. Ele denunciou o abuso da utilização do PRISM, um programa de vigilância eletrónica do governo dos Estados Unidos (que está legalmente autorizado) e que permite à agência NSA ter acesso a correio eletrónico, conversas de voz (por IP, áudio ou vídeo), transferências de arquivos, sons, imagens e, ainda, a notificações de login de quem use programas da Microsoft, Google, Facebook, Yahoo!, Apple, YouTube ou Skype, entre outras firmas. A onda noticiosa saída destas revelações mostrou também que esse tipo de vigilância é feita noutros países, em escala menor. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“O significado mais profundo das informações de Snowden é este: chegámos à era de alguém poder detetar, processar, selecionar e descodificar todas as comunicações do mundo. O que se dizia impensável está a construir-se: os Estados poderão vir a controlar toda a Internet, todos os telefonemas, todas as mensagens do mundo. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“Seguidamente, é inevitável, também as maiores empresas mundiais, as máfias criminosas, os (que tristeza...) grandes conglomerados de comunicação social e os terroristas mais organizados conseguirão fazê-lo, nem que seja pelo &amp;quot;assalto&amp;quot; à vigilância feita pelos Estados. Este processo não é, quase de certeza, reversível. Leis que se limitem a proibi-lo serão caricatamente ineficazes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“O passo a dar é outro: como podemos controlar quem pode &amp;quot;ler&amp;quot; a nossa vida pessoal? Que mecanismos teremos ao nosso alcance para fazê-lo? Como poderemos ter, cada um de nós, acesso a esses dados, para denunciar os abusos, para nos defendermos? Como tornar pública, comum a toda a sociedade, a tecnologia que ditará o fim da vida privada?    &lt;br /&gt;George Orwell achava que um mundo totalitário criaria o Big Brother, eliminaria a vida privada e, com isso, a liberdade individual. Enganou-se: afinal, o mundo da globalização, o da democracia ocidental, seria o mundo que acabaria com a vida privada.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“Por alguma razão, aliás, nenhum país campeão desta hipócrita liberdade - que só protege, afinal, a liberdade de fazer negócios - deu asilo ao jovem Snowden.”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;5.&lt;/strong&gt; Mas há muitos mais perigos para a liberdade de imprensa na sua associação aos ataques à própria liberdade de expressão&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sou capaz de citar uma série de casos onde as autoridades e o poder executivo, judicial e legislativo tentam apertar abusivamente os limites de utilização da liberdade de expressão&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tivemos Miguel Sousa Tavares, a palavra palhaço usada como possível insulto a Cavaco Silva e um processo levantado pelo Ministério Público, depois de um pedido de intervenção feito pelo Presidente da República. Acabou arquivado mas o sinal ficou dado: “Tenham cuidado!...”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tivemos um cidadão em Elvas, totalmente desenquadrado de manifestações autorizadas, que no Dia de Portugal decidiu verberar o Presidente da República. Acabou detido e, em 24 horas, foi levado e condenado em tribunal – a sentença foi anulada, o processo ainda não acabou, o Presidente a República pediu para a queixa ser retirada. Mas o sinal ficou dado: “Tenham cuidado!...”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Há uns tempos onze militantes da JCP foram detidos numa escola do Porto por pintar um mural a criticar o Governo. A PSP, aparentemente, contrariou assim inúmeras decisões judiciais de sentido contrário e até um acórdão do Tribunal Constitucional sobre este tipo de manifestação política. O sinal ficou dado: “Tenham cuidado!...”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) tenta, e está a conseguir, acabar com os comentários livres dos leitores em sites de informação. A desculpa para a censura dos leitores é a defesa da moral e dos bons costumes – e, de facto, muitos comentários são abjetos - mas estas limitações apresentadas com aparentes bons motivos vão servir, certamente, para um exercício de pura censura ideológica dos leitores dos sites de informação, mesmo se feita involuntariamente mas sempre, certamente, pela calada…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;São sinais preocupantes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;6.&lt;/strong&gt; Está na ordem do dia a violação do segredo de justiça. A existência desta limitação na lei não é apenas uma limitação à liberdade de imprensa, serve para manipular a opinião pública através da imprensa. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O artigo 86 do Código do Processo Penal é taxativo: o segredo de justiça só pode ser declarado se um juiz aceitar um pedido razoável de um arguido, de um assistente ou do ofendido. É o parágrafo 2. Também pode existir segredo de justiça na fase de inquérito do processo, quando o Ministério Público entender que, passo a citar, &amp;quot;os interesses da investigação ou os direitos dos sujeitos processuais o justifiquem&amp;quot;. É o parágrafo 3. E como é o primeiro parágrafo, o que determina o &amp;quot;espírito&amp;quot; da lei? Proclama: &amp;quot;O processo penal é, sob pena de nulidade, público, ressalvadas as exceções previstas na lei.&amp;quot;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A lei é hipocritamente aplicada. A maior parte dos processos são públicos mas apenas por não interessarem à imprensa. Nas poucas dezenas que os jornais acompanham a regra é declarar-se o segredo de justiça e, a partir daí, desencadear-se uma batalha, paralela à guerra jurídica, em que as partes envolvidas pingam detalhes a conta-gotas, selecionados e não verificáveis pela leitura das peças processuais. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O tempo do segredo de justiça liberta o boato anónimo, a coberto do sigilo do jornalista. É o tempo para as autoridades e os arguidos, muitas vezes pessoas poderosas que justificam o interesse mediático, manipularem a opinião pública.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O jornal que tentar colocar-se fora dessa luta tem um belo futuro: a morte. Os leitores entenderão a ausência de notícias como incapacidade dos jornalistas desse título ou, pior, alvitram a existência de uma cumplicidade silenciosa com os suspeitos. É um suicídio profissional. Não há outra solução senão participar no jogo sujo, inevitavelmente favorável a quem procura uma acusação. É o segredo de justiça que impõe esta porcaria e, perversamente, limita a liberdade da imprensa, a liberdade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ainda hoje escrevi isto no Diário de Notícias, a propósito das recentes violações de segredo de justiça no caso Sócrates:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“Culpo os jornais por isso? Não. Se me entregassem tais informações teria de as publicar. Culpo a existência do segredo de justiça, pois, como todos os sigilos, dá armas a quem tem informação secreta para manipular a sociedade. A investigação criminal em Portugal fá-lo, desde sempre, sem consequências.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;“O bem que o segredo de justiça tenta proteger tem, há décadas, como se prova diariamente pela simples leitura da imprensa, um valor muito inferior ao mal que a sua existência provoca. Acabe-se com ele, de vez e a sério.”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;7.&lt;/strong&gt; Por fim, encontro perigos para a liberdade de imprensa na turba, na multidão que vocifera na internet. Lembro-me de um caso de milhares de comentários indignados ou insultuosos em múltiplos fóruns contra as opiniões de um cronista da direita católica do Diário de Notícias, César das Neves. Essas críticas não são o problema – quem vai à guerra da opinião também leva, não pode esperar passar sem ser criticado, mesmo se violentamente..&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O problema foi o lançamento de uma página no Facebook chamada &amp;quot;Correr com o César das Neves do DN, TV, Rádio e da Universidade Católica Portuguesa”. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Uma série de protagonistas políticos, numa unanimidade rara entre quadrantes ideológicos antagónicos, criticaram as posições mais polémicas do professor e participaram neste pedido de saneamento que, felizmente, abortou.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como opositor das ideias de César das Neves estou de acordo com a maior parte das críticas, mesmo as mais violentas, que são feitas ao sentido do que ele diz e escreve. Como indivíduo, no entanto, sinto-me obrigado a tomar outra posição: exijo que ele continue a dizer, a escrever e a tornar público o que lhe der na real gana. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Recuso alinhar em carneiradas que investem, cegas, contra a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa. Indignam-me estes abaixo-assinados ou grupos no Facebook, cada vez mais frequentes, que pretendem silenciar A, B ou C. A História já ensinou vezes sem conta que quem ganha com isso não são nem os explorados nem os oprimidos. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Lembrem-se do poema atribuído ao pastor evangélico Martin Niemöller e que foi glosado por Bertold Brecht, tantas vezes repetido mas, parece, a precisar de ser repetido ainda mais vezes:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Primeiro vieram prender os judeus   &lt;br /&gt;E eu não levantei a minha voz    &lt;br /&gt;Porque não era judeu.    &lt;br /&gt;Depois vieram prender os comunistas    &lt;br /&gt;E eu não levantei a minha voz    &lt;br /&gt;Porque não era comunista.     &lt;br /&gt;Depois vieram prender os homossexuais    &lt;br /&gt;E eu não levantei a minha voz    &lt;br /&gt;Porque não era homossexual.    &lt;br /&gt;Depois vieram prender os sindicalistas    &lt;br /&gt;E eu não levantei a minha voz    &lt;br /&gt;Porque não era sindicalista.    &lt;br /&gt;Depois vieram prender-me    &lt;br /&gt;E já não havia mais ninguém     &lt;br /&gt;Que levantasse a voz por mim.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Muito obrigado&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Lisboa, 24 de fevereiro de 2015&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;Intervenção lida na sessão-debate “Liberdade de Expressão – a manipulação da Comunicação Social” promovida na Casa do Alentejo pela Associação Conquistas da Revolução&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  </description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>As mulheres querem é levar tau tau?</title><link>http://abafado.blogspot.com/2015/02/as-mulheres-querem-e-levar-tau-tau.html</link><category>As 50 Sombras de Grey</category><category>Dakota Johsson</category><category>Diário de Notícias</category><category>E. L. James</category><category>Jamie Dornan</category><category>Sexo</category><category>Stephenie Meyer</category><category>Twilight</category><pubDate>Wed, 18 Feb 2015 14:02:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-5560737005231008248</guid><description>&lt;p&gt;A liberdade conduz à submissão? A pergunta assustou a minha cabeça quando televisões e jornais me assaltaram com um arrastão de reportagens sobre o lançamento do filme As Cinquenta Sombras de Grey.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em Londres umas centenas de miúdas com propensão para a obesidade e dentes desalinhados guincharam, na noite fria da estreia, frente ao cinema Odeon Leicester Square, para saudar a passagem dos atores, lindos, Dakota Johsson e Jamie Dornan mais a escritora, feia, do livro replicado em argumento, E.L. James.&lt;/p&gt;  &lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;    &lt;p&gt;A ritualização do êxito, sobretudo junto do público feminino, teve expressão em todas as grandes cidades ocidentais. Em Portugal juram que o filme vendeu quase 50 mil bilhetes antes da estreia. O êxito irritou os críticos de cinema e os intelectuais mais relevantes, a reduzirem, com simplicidade cândida, o fenómeno ao estatuto de lixo porno soft, insulto respondido com a habitual indiferença do povo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um jovem milionário, consumidor refinado e filantropo perfeito, engata uma estudante, virgem, sonhadora. O Príncipe Encantado tem propensão para o sadomasoquismo, usa um &amp;quot;Quarto da Dor&amp;quot; e convence a Gata Borralheira, com gestos românticos temperados por tiradas carnais, a alinhar em sexo com instrumentos de tortura... Se ele fosse pobre, ela corria a fazer queixa por violência doméstica!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Antes desta moda sadomasoquista para pudicos tivemos os livros e filmes da saga Twilight: o êxtase sexual alcançava-se aí com sangue chupado por vampiros de passerelle, coisa suficientemente apelativa para render três mil milhões e meio de dólares e ser descaradamente copiado por derivados deste sucesso redigido por Stephenie Meyer, uma escritora por acaso também gordita, como a E.L. James e as fãs de Grey em Londres.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nascemos com a revolução sexual dos anos 60 do século passado. A pílula, o sexo antes do casamento, a masturbação, a homossexualidade, as fantasias eróticas, o direito ao prazer foram conquistas da liberdade individual e beneficiaram, em proporção maior, as mulheres, aprisionadas pelas grilhetas do machismo hipocritamente ancorado à moral cristã. Fizemos esse percurso para, afinal, concluirmos que o êxtase do hedonismo se alcança com a dor? As mulheres querem é levar tau tau? Os homens querem é humilhar? A liberdade conduz à submissão?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É o problema das revoluções setoriais: arriscam a perversão por a sociedade, no seu todo, não ter acompanhado o movimento de progresso. A contradição é inevitável.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Além disso, neste caso, cometemos o desleixo de entregar a educação sexual de milhões de almas aos consultórios das revistas Maria desta vida... Não foi?&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="2"&gt;in Diário de Notícias, 17 de fevereiro de 2015&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  </description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>Quem foi o burro que deu o canudo aos professores burros?</title><link>http://abafado.blogspot.com/2015/02/quem-foi-o-burro-que-deu-o-canudo-aos.html</link><category>Diário de Notícias</category><category>Educação</category><category>Maria de Lurdes Rodrigues</category><category>Nuno Crato</category><category>Professores</category><pubDate>Wed, 18 Feb 2015 13:58:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-5489557310863632205</guid><description>&lt;p&gt;Se eu acreditar no ministro da Educação (acreditar em Nuno Crato é difícil...) parece que na prova de avaliação de 2.490 professores (0,14% do universo total dos professores do ensino público) houve quem desse &amp;quot;20 erros numa frase&amp;quot;. Vamos admitir a veracidade da informação e a conclusão implícita: há professores burros a dar aulas. Nem vou discutir isso, vou apenas perguntar: &amp;quot;se é assim, quem foi o burro que lhes deu o canudo para serem professores?&amp;quot;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Os examinados tinham todos menos de cinco anos de profissão pelo que a certificação do curso que lhes validou a habilitação para a docência só pode ter acontecido com Maria de Lurdes Rodrigues ou com o próprio Nuno Crato.&lt;/p&gt;  &lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;    &lt;p&gt;É estranhíssimo que o ar de tragédia nacional com que o ministro comentou os resultados de uma prova cujo enunciado, como já foi demonstrado por inúmeros analistas, era um verdadeiro desastre, não tenha sido acompanhado pelo anúncio de uma reforma, um inquérito, uma simples análise ao sistema de formação de professores, a questão que é aqui essencial.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Porque interessa ao ministro fazer provas que &amp;quot;chumbam&amp;quot; professores em vez de, nas Escolas Superiores de Educação, fazer travar o escoamento para a docência dos incapazes?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 2008, quando começou a crise financeira, Portugal tinha, do ensino pré-escolar até ao superior, um total de 211.299 professores. Em 2013, segundo os últimos dados do Pordata, contava 183.839 professores.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 2008 havia 1.762.540 de alunos no ensino público e 422.331 no privado. Em 2013 esses valores baixaram para 1.731.329 no público e 408.648 no privado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A queda no número de professores no ensino público foi, nesse período, de 13,9%. O ensino privado passou a ter menos 7,6% de docentes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Deveu-se isto à falta de alunos? Não: a queda do número de alunos no ensino público foi apenas de 1,8% e no privado foi 3,2%.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Se quisermos afinar os números para o momento da entrada da troika em Portugal, em 2011, teremos uma queda de 13,4% na quantidade de professores do ensino público e de 12,39% no ensino privado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nos estudantes esses valores desceram apenas 6,73% para o ensino público mas, para o ensino privado, atingiram 15,8%. Mesmo assim, as escolas privadas despediram menos professores, em percentagem, do que o Estado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Conclusão: melhorar a formação dos professores de forma a impedir que os &amp;quot;burros&amp;quot; possam ensinar, não interessa. Interessa é deixá-los entrar no sistema para acabar de vez com o prestígio da profissão docente e ganhar os líderes de opinião para o processo, em curso, de destruição do ensino público... Há outra explicação possível para tanta asneira?&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;em&gt;in Diário de Notícias, 3 de fevereiro de 2015&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  </description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>Na Grécia deram um tiro à esquerda moderada</title><link>http://abafado.blogspot.com/2015/02/na-grecia-deram-um-tiro-esquerda.html</link><category>Diário de Notícias</category><category>Europa</category><category>Grécia</category><category>Pasok</category><category>PS</category><category>Syriza</category><category>União Europeia</category><pubDate>Wed, 18 Feb 2015 13:55:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-5196834250468319689</guid><description>&lt;p&gt;A semântica dos mais notáveis colunistas, o texto das agências noticiosas, as análises do Financial Times, do Le Monde, do Diário de Notícias, do El País, da Reuters ou da France-Presse, de repente, mudaram: o Syriza deixou de ser &amp;quot;radical&amp;quot; pois adotou um discurso &amp;quot;moderado&amp;quot; na crítica à &amp;quot;ortodoxia&amp;quot; da engenheira Merkel, senhora que, comentam unânimes, insiste numa austeridade &amp;quot;irrazoável&amp;quot;...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Então os &amp;quot;ortodoxos&amp;quot; não costumavam ser os comunistas empedernidos e os &amp;quot;moderados&amp;quot; os sagrados líderes da zona euro? Os &amp;quot;radicais&amp;quot; e &amp;quot;irrazoáveis&amp;quot; trocaram de lado com as eleições da Grécia? Está tudo louco? Que se passa?&lt;/p&gt;  &lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;    &lt;p&gt;Passa-se, por um lado, haver finalmente no espírito de muitos toxicodependentes do regime coragem para verbalizar o falhanço da reforma da zona euro, liderada pela Alemanha. Eles sabiam que tal caminho era uma droga, mas tinham medo do desmame. Agora o Syriza deu-lhes ânimo para falarem na reabilitação. Durará pouco.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Passa-se, por outro lado, estar já a ser montada a operação que no passado estraçalhou as esperanças do eleitorado europeu votante em partidos socialistas e sociais-democratas, vencedores de campanhas eleitorais cheias de promessas de apoio às classes trabalhadoras contra abusos ou incompetências do capitalismo: a esponja das instituições europeias absorveu o líquido reformista dessa &amp;quot;esquerda moderada&amp;quot;, rapidamente diluída no detergente da real politik.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Os tapetes vermelhos dos palácios do poder, os corredores circulares dos edifícios da União Europeia, os jantares com os banqueiros mais habilidosos serão capazes de fazer o mesmo ao Syriza?...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para já sei que na Grécia foi preciso destruir a &amp;quot;esquerda moderada&amp;quot;, há décadas corrompida e corruptora dos seus princípios básicos, cúmplice e autora de excessos e atentados à economia social do seu país para, de novo, renascer alguma esperança naquele povo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sei também que quando vejo a esquerda moderada em Portugal no PS que, tal como o Pasok grego, tantas vezes traiu o seu eleitorado, me parece ser impossível o socialismo luso curar-se do vício da duplicidade política: defesa dos trabalhadores em campanha eleitoral, defesa dos financeiros no governo. Por isso, António Costa, ótimo político, fará como Hollande fez em França e como antes fizeram, no nosso país, Sócrates, Guterres e Soares...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Talvez haja maneira de dar um tiro à esquerda moderada portuguesa, como no domingo se fez na Grécia, para ver se ela, ferida, delira uma epifania e, milagrosamente curada, muda de natureza... Mas com os &amp;quot;primos&amp;quot; portugueses do Syriza não vamos lá: eles não querem ferir o PS, eles querem ser perfilhados pelo PS. E, por isso, não haverá esperança como na Grécia.&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="2"&gt;in Diário de Notícias, 27 de janeiro de 2015&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  </description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>Combater pela liberdade a dar tiros à liberdade</title><link>http://abafado.blogspot.com/2015/01/combater-pela-liberdade-dar-tiros.html</link><category>Burca</category><category>Charlie Hebdo</category><category>Diário de Notícias</category><category>Fundamentalismo</category><category>Terrorismo</category><pubDate>Wed, 21 Jan 2015 16:13:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-2426902821835420986</guid><description>&lt;p&gt;Infetamos de paixão, de ideologia e de religião o debate sobre a resposta europeia ao terrorismo, a caminho da legitimação de uma deriva securitária que fará de todos nós uns prisioneiros do aparelho policial e militar que, cinicamente, se montará para defender a liberdade europeia. Estamos, portanto, lixados.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O combate ao terrorismo islâmico na Europa, tal como a luta contra qualquer forma de crime organizado, passa por coisas óbvias, corretas: detetar e eliminar a circulação ilegal de armas na Europa; partilhar informações entre polícias; recusar pagar raptos a terroristas; estancar fontes de financiamento destas organizações; restabelecer medidas básicas de segurança civil aplicadas durante décadas de atentados frequentes na Grã-Bretanha, Espanha, Alemanha e Itália quando o IRA, a ETA, o Baader-Meinhof, inúmeros grupos radicais (alguns a soldo de serviços secretos ocidentais) e a máfia abatiam pessoas ou faziam explodir bombas nas ruas.&lt;/p&gt;  &lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;    &lt;p&gt;Há dois meses fui a Londres. Na primeira viagem de metropolitano sentei-me frente a um casal muçulmano. A mulher guardava dois sacos de plástico, enormes. O homem, barba grande e gorro islâmico na cabeça, tomava conta de um menino e de uma menina.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ele brincava com as crianças. O miúdo, talvez com uns seis anos, levava uma pequena bola que o pai fingia tentar roubar das suas mãozitas, ágeis a esconder o brinquedo atrás das costas. A cada insucesso paterno sucedia uma onda de gargalhadas infantis que a menina, quatro ou cinco anos, abafava ao esconder a cara numa saia curta, de tecido escocês, impulsivamente levantada até à cara enquanto fazia trepidar no ar, alegre, as duas pernitas, protegidas por collants com desenhos geométricos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para saírem na estação de destino os filhos, um de cada lado, levantaram-se e deram a mão ao pai. Avançaram para a plataforma, aos risos. Atrás, exatamente dois passos atrás, focada pelo meu olhar de espanto, seguiu a mulher, a carregar os sacos de compras, totalmente coberta por uma burca cujo rendilhado lhe escondia os olhos, a alegria, a tristeza, a humanidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quando vi a mulher de burca em Londres senti-me indignado: aquele vestuário é uma humilhação sexista. Mas para ela, se calhar, sexismo é passear na rua sujeita a olhares concupiscentes ou a piropos machistas. Em Londres, cidade historicamente habituada a lidar com o terrorismo, cheia de policiamento, a burca é permitida.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em Paris a burca é proibida desde 2010. Em França prendem Dieudonné M&amp;quot;Bala M&amp;quot;Bala pelas coisas horríveis que ele diz. Em França, onde bravamente se defende o direito ao insulto do jornal Charlie Hebdo, combate-se o terrorismo islâmico com tiros à liberdade. Não pode dar bom resultado&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="2"&gt;in Diário de Notícias, 20 de janeiro de 2015&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  </description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>Eu também sou Charlie mas não vou com a manada</title><link>http://abafado.blogspot.com/2015/01/eu-tambem-sou-charlie-mas-nao-vou-com.html</link><category>Charlie Hebdo</category><category>França</category><category>Fundamentalismo</category><category>Jornalismo</category><category>Terrorismo</category><pubDate>Tue, 13 Jan 2015 20:29:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-3580894779698940455</guid><description>&lt;p&gt;Defendem o direito de publicar um &lt;i&gt;cartoon &lt;/i&gt;de Maomé, nu, genitais à mostra, rabo espetado com uma estrela no cu mas convivem com a lei que promete três anos de cadeia a quem injurie o Presidente da República. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gritam pela liberdade de imprensa mas só reconhecem o direito de ser jornalista a quem o Estado e a elite da classe aceitem passar um cartão profissional. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;São cúmplices por inação da opacidade informativa do governo, da Comissão Europeia, das autarquias, da justiça, dos bancos, das grandes empresas, dos clubes, dos falsos ricos, de uma hipócrita e ideológica noção de reserva da vida privada utilizada como álibi para não dar notícias. &lt;/p&gt;  &lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p&gt;Praticam no jornalismo a autocensura de ética falsa, serventuária do poder, e depois ficam espantados quando o &lt;i&gt;New York Times &lt;/i&gt;recusa publicar os &lt;i&gt;cartoons &lt;/i&gt;de Maomé e põe na primeira página a mesma foto escolhida pelo tabloide &lt;i&gt;Correio da Manhã&lt;/i&gt;: o momento em que um terrorista dispara para matar um polícia caído no chão. E não param para refletir seriamente sobre os seus próprios critérios profissionais, sobre as doenças do jornalismo de causas, sobre a frieza em momentos de frenesim. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Choram pelos cartoonistas assassinados do &lt;i&gt;Charlie Hebdo&lt;/i&gt;, chamam herói ao diretor assassinado: Stéphane Charbonnier, apoiante do Partido Comunista Francês, antigo colaborador do jornal do PCF, o &lt;i&gt;L’Humanité&lt;/i&gt;. Algumas pessoas que agora o glorificam defendem, em Portugal, que quem escreva no jornal comunista &lt;i&gt;Avante! &lt;/i&gt;não possa ser jornalista. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Chamaram “republicana” à marcha de Paris e viram, sem pestanejar, na primeira fila de dignitários o primeiro-ministro da monarquia inglesa, o rei da Jordânia, vários líderes que perseguem jornalistas e outros suspeitos de violação de direitos humanos. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Placidamente noticiam que o cristão Breivik, assassino de 77 jovens noruegueses, na cadeia onde cumpre 21 anos de pena, exige que lhe troquem a PlayStation 2 pela 3.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Escrevem no Facebook pela liberdade mas tentam impor a censura prévia aos comentários de leitores nos &lt;i&gt;sites &lt;/i&gt;de jornais. Estupidamente não se ralam por esses insultos serem escritos anonimamente. E, já agora, aceitam resignados que José Sócrates seja proibido de dar entrevistas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O meu coração também sangra pelos mortos do &lt;i&gt;Charlie Hebdo&lt;/i&gt;. Adorava ter estado na manifestação de Paris. O que escrevi aqui não é sobre terrorismo, é sobre as contradições insanáveis do jornalismo no meu país que o belo movimento de solidariedade, tragicamente nascido na quarta-feira, agudamente expõe ao confrontar-se com a prática dos dias vulgares. Lamento, mas recuso ser boi de algumas manadas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;em&gt;in Diário de Notícias, 13 de janeiro de 2015&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  </description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>O processo Sócrates é igual ao dos submarinos?</title><link>http://abafado.blogspot.com/2015/01/o-processo-socrates-e-igual-ao-dos.html</link><category>Diário de Notícias</category><category>José Sócrates</category><category>Justiça</category><category>Paulo Portas</category><category>Processo submarinos</category><pubDate>Tue, 6 Jan 2015 19:24:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-9032331861584030829</guid><description>O processo dos submarinos que atingiu a imagem de Paulo Portas tem algum paralelo com o processo que liquidou a reputação de Sócrates? Sim e não. Sim porque as violações de segredo de justiça provenientes da investigação e as interpretações sobre essas informações feitas por atores do palco mediático envenenaram o julgamento da opinião pública quer sobre Portas quer sobre Sócrates, embora com gradações e intensidades diferentes.&lt;br /&gt;
Não, os processos não são paralelos porque Portas nunca foi arguido, sai totalmente ilibado sem contestação relevante enquanto Sócrates, preso preventivo, terá de ser mesmo condenado para salvar a face da Justiça: se, por burrice inultrapassável do Ministério Público, acabar por ser libado, verá metade do país acreditar que os políticos manipularam os tribunais e “cozinharam” uma fraca inocência. &lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Paulo Portas, na mensagem de Ano Novo que elaborou para o CDS, politizou o seu caso – “Para alguns dos nossos adversários nunca foi a Justiça que esteve em causa: combatem o CDS de qualquer forma e de qualquer jeito. Nunca quiseram o CDS no regime, e querem o CDS fora do governo. É isto e não é mais do que isto.” &lt;br /&gt;
Para Sócrates, já se sabia, o caso é político pelas razões que explicou à TVI – “Este processo, pela sua natureza, tem contornos políticos. E digo mais: este processo é, na sua essência, político. No sentido em que tem a ver com o poder, os seus limites e o seu exercício: o poder de deter para interrogar e o poder de prender preventivamente pessoas inocentes.” &lt;br /&gt;
Para Portas a Justiça que o inocentou foi correta, apesar dos dez longos anos de investigação retribuídos, da sua parte, com “sobriedade. “A nós basta-nos o Estado de Direito, o respeito pelas suas regras e a justiça efetiva”, escreve. A queixa vai para os adversários que tentaram manipular o caso contra ele e para os jornais que não deram destaque ao despacho final do Ministério Público.&lt;br /&gt;
Para Sócrates a Justiça que o prendeu atropela a lei, inventa acusações e atua politicamente ao violar o segredo de justiça, ao proibi- -lo de defender-se nos &lt;i&gt;media &lt;/i&gt;e ao usar os jornais para ganhar apoio popular. &lt;br /&gt;
Paulo Portas, anos e anos investigado, acaba ilibado quando está no poder e quando tem à frente da Procuradoria-Geral da República uma magistrada nomeada pelo seu governo. José Sócrates, sucessivamente investigado e não acusado, anos a fio, acaba preso quando já não está no governo e quando não tem Pinto Monteiro, que nomeou, a liderar o Ministério Público. &lt;br /&gt;
Coincidência ou (concordando afinal com a forma como os dois olham para os seus próprios casos) pura política?&lt;br /&gt;
&lt;div align="right"&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;in Diário de Notícias , 6 de janeiro de 2015&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>Porque é que o DN é mais importante que os outros?</title><link>http://abafado.blogspot.com/2015/01/porque-e-que-o-dn-e-mais-importante-que.html</link><category>Diário de Notícias</category><pubDate>Tue, 30 Dec 2014 19:31:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-291438060534632552</guid><description>Alexandre leu no &lt;i&gt;site &lt;/i&gt;do &lt;i&gt;Diário de Notícias &lt;/i&gt;que apenas 67 dos 150 doentes com hepatite C em risco de vida receberam o medicamento inovador que o ministro da Saúde prometera entregar até ao fim do ano. Alexandre foi um dos privilegiados. Tinha, agora, 90% de hipóteses de salvar a vida. Mas estava indignado. Chamou a filha: “Joana, estás a ver aqui isto no DN? Estes tipos continuam a condenar à morte uma data de gente…” e, ao mesmo tempo, lembrou- se do dia em que o pai o chamou, de jornal na mão, a perguntar: “Estás a ver aqui isto?...”&lt;br /&gt;
“Fizeste agora 10 anos, já tens idade para começar a perceber estas coisas.” A notícia anunciava para o domingo seguinte, 6 de outubro de 1974, a mobilização da população para um dia de trabalho gratuito. “No domingo vamos com uns amigos limpar a estátua do Marquês do Pombal”, declarou João Mário, à espera das perguntas do Alexandre, ao mesmo tempo que se lembrava do dia em que a mãe também o chamou, de DN na mão, a perguntar: “Estás a ver aqui isto?...” &lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;“O teu pai vai voltar já para casa.” Em maio de 1958 o marido de Julieta, António, passou uma noite na PIDE por ter arrancado da fachada da sua loja, pintada de fresco, um cartaz de apelo ao voto no candidato a presidente da República do regime, Américo Tomás... Na manhã seguinte Julieta, aflita, lia o que diziam os oposicionistas liderados por Humberto Delgado. Encorajava João Mário, convencida de que algo mudava no país, ao mesmo tempo que se lembrava do dia em que o pai, de DN na mão, lhe perguntava: “Veja aqui isto, princesa...”&lt;br /&gt;
O &lt;i&gt;Diário de Notícias &lt;/i&gt;relatou em dezembro de 1918 o assassinato do presidente da República, Sidónio Pais. O tenente Rodrigo explicava à filha que nessa noite iria fugir de casa, durante uns dias. “Porquê?”, perguntava Julieta, chorosa. Rodrigo, um militante do presidente-rei, adepto da ditatura militar salvífica do país, não sabia como explicar à criança o perigo de vida que ele próprio corria. E lembrou-se do dia em que o pai, DN na mão, perguntou: “Está a ouvir isto, Rodrigo?...” &lt;br /&gt;
“É a decadência de Portugal”, declarava o doutor Pestana, indignado com a notícia da cedência ao ultimato inglês de 1890, que obrigou Portugal a abandonar territórios em África. O médico lia o jornal à família todos os dias. A mulher e os três filhos ouviam-no, por vezes com extrema atenção, por vezes distraídos ou enfadados. Mas o &lt;i&gt;Diário de Notícias &lt;/i&gt;conquistara o lugar de membro da família.&lt;br /&gt;
Ao fim de 150 anos contam-se milhares de famílias cuja história se conta com um &lt;i&gt;Diário de Notícias &lt;/i&gt;no enredo. E amanhã, e depois, e muito depois, haverá, perene, o som de um pai a chamar assim pelo filho: “Olha lá, estás a ver aqui isto no &lt;i&gt;Diário de Notícias&lt;/i&gt;?...”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align="right"&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;in Diário de Notícias, 30 de dezembro de 2014&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>As viagens do Mercedes de Sócrates</title><link>http://abafado.blogspot.com/2015/01/as-viagens-do-mercedes-de-socrates.html</link><category>Diário de Notícias</category><category>José Sócrates</category><category>Justiça</category><pubDate>Tue, 23 Dec 2014 19:35:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-7790304832712444967</guid><description>Uma das decisões mais curiosas que José Sócrates teria supostamente tomado para usar o dinheiro que (dizem os jornalistas com autoproclamado acesso a dados da investigação) o amigo Carlos Santos Silva lhe passava para as mãos era a de obrigar o motorista a transportar umas notas para França, de carro, aconchegadas num envelope. A viagem de ida e volta, garante o guia Michelin, duraria, se o condutor não dormisse, umas 38 horas. Além disso custaria 726 euros em gasolina consumida pelo Mercedes Classe S que João Perna tinha para guiar, mais uns 220 euros em portagens. Totalizaria 946 euros. Está cara a boa vida!... &lt;br /&gt;
Um bilhete de avião custaria uns 280 euros e dava para ir e voltar no mesmo dia. O próprio Sócrates, em vez de escravizar o motorista, poderia aproveitar as suas viagens semanais a Lisboa para comentar a política nos estúdios da RTP e enfiar uns milhares de euros no bolso do casaco. Mesmo que vissem as notas no raio X do aeroporto da Portela, alguém o interrogaria?... &lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Por outro lado, com tanta portagem e tanto pórtico a registar e a fotografar os movimentos e a matrícula do automóvel, ao longo de 3600 quilómetros por dose, como é que estes notáveis e hipotéticos bandidos passaram despercebidos à polícia? Ou não passaram? &lt;br /&gt;
Enfim, o processo seguido nessa viagem pela Península Ibérica até à Cidade das Luzes talvez fosse um plano inteligente... Mas não é isso que me interessa aqui... &lt;br /&gt;
Interessa-me, isso sim, é nenhum jornalista poder, neste momento, confirmar ou desmentir a veracidade dessa ou qualquer outra informação. Qualquer movimento nesse sentido está sob a alçada da violação do segredo de justiça, coisa que só não é problema, pelos vistos, se servir para louvar o Ministério Público. &lt;br /&gt;
E qualquer publicação que se atreva a analisar criticamente as supostas informações da investigação será acusada de frete político ao PS, boicote à justiça e cumplicidade com corruptos, ladrões do povo... &lt;br /&gt;
Interessa-me também que daqui até ao momento longínquo em que aconteça um julgamento, mesmo que este facto do Mercedes em constante vaivém Lisboa-Paris e outros episódios entretanto noticiados acabem por não constar da acusação, na mente dos juízes que decidirão a causa o peso do noticiário que credibilizou eventuais bizarrias não desaparecerá e influenciará, decerto, a sentença. &lt;br /&gt;
É evidente que Sócrates e Santos Silva têm muito que explicar: há por ali, aparentemente, dinheiro a mais a circular e a utilização criminosa do Mercedes nessas viagens a Paris pode ser verdadeira. Mas neste momento o que mais me revolta é a falta de lealdade da Justiça – se é assim com Sócrates, como será com o cidadão anónimo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;in Diário de Notícias, 23 de dezembro de 2014&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>Ninguém quer saber das irmãs que fazem bolos</title><link>http://abafado.blogspot.com/2015/01/ninguem-quer-saber-das-irmas-que-fazem.html</link><category>Amílcar Morais Pires</category><category>Caso BES</category><category>Diário de Notícias</category><category>José Maria Ricciardi</category><category>Parlamento</category><category>Ricardo Salgado</category><category>Sikander Sattar</category><pubDate>Tue, 16 Dec 2014 19:40:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-5370386905751762876</guid><description>No Parlamento perguntaram a Pedro Queiroz Pereira: “Poderá dizer-se que se tivesse chegado a acordo com Ricardo Salgado no conflito sobre o controlo da Semapa não teria feito a denúncia sobre o Grupo Espírito Santo ao Banco de Portugal?” O até então descontraído industrial fechou o rosto, refletiu numa pausa e admitiu: “Poderá dizer-se que não. Não teria feito a denúncia.” Esta é a confissão da amoralidade nas alianças e nos conflitos desse mundo que a comissão de inquérito ao caso BES nos dá a conhecer: quase nenhum inquirido, na realidade, quer saber muito do respeito pela lei, das perdas dos pequenos acionistas, da honra pessoal ofendida ou do destino das pobres irmãs Salgado que fazem bolos à noite, coitaditas... &lt;br /&gt;
Quando Ricardo Salgado aparenta, em dez horas de audiência extenuante, uma mistura de fresca inteligência discursiva com uma, literalmente, inacreditável ignorância sobre a criação do buraco financeiro que acabou por destruir o império familiar que liderou, está a guiar-se por essa amoralidade. &lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Quando José Maria Ricciardi atira à cara de Marcelo Rebelo de Sousa as férias passadas na mansão de Salgado no Brasil para responder a críticas e a “mentiras” ditas pelo comentador, está a guiar-se por essa amoralidade. &lt;br /&gt;
Quando Amílcar Morais Pires, o ex-CFO do BES, assegura que não era o número 2 do banco e que “havia outras pessoas muito importantes a trabalhar no BES” para apontar o dedo a José Maria Ricciardi, está a guiar-se pelo mesmo padrão amoral. &lt;br /&gt;
Quando o presidente da KPMG Portugal, Sikander Sattar, que lidera também a KPMG Angola, recusa falar aos deputados da situação do BES Angola porque este está “sujeito a leis e regulamentos angolanos” mas, logo a seguir, defende-se com a garantia dada pelo Estado angolano para explicar o facto da sua consultora não ter referenciado a ausência de uma provisão cautelar no BES contra a exposição à dívida do BES Angola está, igualmente, a guiar-se pela mesma amoralidade.&lt;br /&gt;
É impressionante ver a naturalidade com que esta gente encara as relações e as atitudes nos negócios mais estranhas, mais inconscientes, mais irresponsáveis, mais pueris, mais falsas, sem sequer se darem conta das lesões que criam na sociedade, em indivíduos, em trabalhadores, no Estado, quando desbaratam, desviam, não declaram, perdem e, talvez, roubem milhões e milhões e milhões de euros. &lt;br /&gt;
É um comportamento amoral. Eles querem saber de si próprios, do seu poder, do seu estatuto, dos seus negócios. Estão-se nas tintas para nós, desprezam-nos, pobretanas, que nem uns míseros dez mil euros por mês conseguimos ganhar... Nenhum deles quer saber das irmãs que fazem bolos.&lt;br /&gt;
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&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;in Diário de Notícias, 16 de dezembro de 2014&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>E se Carlos Alexandre bate à porta de Passos Coelho?</title><link>http://abafado.blogspot.com/2015/01/e-se-carlos-alexandre-bate-porta-de.html</link><category>Carlos Alexandre</category><category>Diário de Notícias</category><category>José Sócrates</category><category>Justiça</category><category>Passos Coelho</category><pubDate>Tue, 9 Dec 2014 19:49:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-4512753043694299985</guid><description>O entusiasmo da fação de opinadores felizes com o trabalho da justiça portuguesa na investigação à corrupção, branqueamento de capitais e fuga ao fisco de José Sócrates (um péssimo primeiro- ministro) seria igual se o juiz que elabora a instrução desse processo fosse bater à porta do atual primeiro- ministro (candidato a ser tão mau quanto o antecessor) com um mandado resultante da ligação de Passos Coelho à empresa Tecnoforma? &lt;br /&gt;
Muitos dos que põem hoje o juiz Carlos Alexandre nos píncaros da moral jurídica passariam rapidamente a diabolizá-lo como justiceiro irresponsável. As fugas de informação, as violações do segredo de justiça, o assassinato reputacional subsequentes seriam violentamente criticados, com razão, e não relativizados como agora acontece no caso de Sócrates. A infeção ideológica, o interesse pessoal ou o empenho partidário nas apreciações que vou lendo são demasiadas vezes óbvios e angustiantemente tristes, sobretudo por não serem claramente assumidos. &lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Passos Coelho, pelo menos três vezes, esteve em cima da linha, sem no entanto a ultrapassar, do limite da prudência politicamente correta, hipocritamente vazia e conscientemente generalizada dos políticos portugueses quando falam da prisão de José Sócrates (com a exceção, claro, de Mário Soares). &lt;br /&gt;
Na primeira manhã após a detenção do ex-primeiro-ministro, a 23 de novembro, Passos deixou escapar um “nem todos os políticos são iguais” referindo-se a outro assunto mas levando a comunicação social a associar a frase aos acontecimentos da noite anterior. &lt;br /&gt;
No dia seguinte o chefe do PSD afirmou várias vezes que o processo criminal a Sócrates não era para comentar politicamente “por agora”, como que a adiar para dia mais oportuno o fim do período de nojo. &lt;br /&gt;
Finalmente, na entrevista à RTP de 27 de novembro, o líder do governo relançou a ideia de legislar sobre a criminalização do enriquecimento ilícito que ninguém pode, nesta altura, deixar de associar à oportunidade política aberta pelos efeitos da prisão preventiva do “animal feroz”, que fontes anónimas da investigação garantem ter 20 ou 25 milhões de euros em contas bancárias. &lt;br /&gt;
Para quem está a ser acossado com o caso Tecnoforma como, antes, Sócrates foi acossado pelo Freeport ou pelo Face Oculta e, já agora, Paulo Portas em torno da questão da compra dos submarinos, a temeridade destas declarações é evidente. Porquê? Simplesmente porque há um problema de recato e lisura de processos no funcionamento da justiça portuguesa que, em vertigem louca, leva tudo à frente. Isto é tão grave para o país quanto é a corrupção na política e nos negócios.&lt;br /&gt;
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&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;in Diário de Notícias, 9 de dezembro de 2014&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>Homenagem ao malandro roubada a Chico Buarque*</title><link>http://abafado.blogspot.com/2014/12/homenagem-ao-malandro-roubada-chico.html</link><category>Carlos Alexandre</category><category>Chico Buarque</category><category>Diário de Notícias</category><category>José Sócrates</category><category>Justiça</category><pubDate>Thu, 4 Dec 2014 15:50:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-5782657390475746248</guid><description>&lt;p&gt;Eu quis fazer um fado em homenagem   &lt;br /&gt;À nata da malandragem    &lt;br /&gt;Que conheço da vida dos jornais.    &lt;br /&gt;Eu fui à Lapa e perdi a viagem:    &lt;br /&gt;Aquela fina malandragem     &lt;br /&gt;Não mora lá mais.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Agora já não é normal    &lt;br /&gt;Malandro ir p’ro Estado governar o maralhal,    &lt;br /&gt;Malandro respeitado com cargo institucional,    &lt;br /&gt;Malandro medalhado como herói profissional,    &lt;br /&gt;Malandro com retrato na revista trivial,    &lt;br /&gt;Malandro com contrato, com banco e capital    &lt;br /&gt;Sem nunca se dar mal!&lt;/p&gt;  &lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;    &lt;p&gt;Pois o malandro está a ver que se espalha:   &lt;br /&gt;Uma escuta que o atrapalha,    &lt;br /&gt;O juiz, a busca, a rede social.    &lt;br /&gt;E na imprensa a turba até o estraçalha:    &lt;br /&gt;“Pena de morte p’ra escumalha&amp;#160; &lt;br /&gt;Da fuga fiscal!”&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Agora o que é normal   &lt;br /&gt;É o malandro ser filmado como corrupto virtual,    &lt;br /&gt;É o malandro humilhado pela inveja nacional,    &lt;br /&gt;É o malandro entalado sem matéria criminal,    &lt;br /&gt;É o malandro ser culpado antes de ir a tribunal,    &lt;br /&gt;É o malandro condenado por motivo emocional.    &lt;br /&gt;É um choque brutal!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pois o malandro vê&amp;#160; que perde a batalha   &lt;br /&gt;Numa escuta que o atrapalha,    &lt;br /&gt;Num processo que anda lento, intemporal.    &lt;br /&gt;E no final sai sentença que o amortalha:    &lt;br /&gt;“Pena máxima p’ra escumalha&amp;#160; &lt;br /&gt;E viva Portugal!” &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;*“Homenagem ao malandro” é uma canção escrita em 1978 pelo brasileiro Chico Buarque. 36 anos depois inspirou-me uma possível versão, cantável com a música original, que dedico, entre muitas outras, a estas pessoas: Ana Valentim, António da Hora, António Figueiredo, António Rodrigues, Armando Vara, Cândida Almeida, Carlos Alexandre, Carlos Costa, Carlos Guerra, Carlos Santos Silva, Carlos Tavares, Carmona Rodrigues, Charles Smith, Christopher de Beck, Dias Loureiro, Duarte Lima, Filipe Pinhal, Filomena Ricciardi, Helena Susano, Isaltino Morais, Jardim Gonçalves, Joana Marques Vidal, João Marques Vidal, João Pedroso, João Rendeiro, José Manuel Espírito Santo, José Oliveira e Costa, José Penedos, José Sócrates, Manuel Palos, Maria Antónia Anes, Maria José Morgado, Maria de Lurdes Rodrigues, Morais Pires, Noronha&amp;#160;&amp;#160; Nascimento, Paulo Penedos, Pinto Monteiro, Ricardo Salgado, Rosário Teixeira, todos os jornalistas&amp;#160; (como eu) e comentadores do país...&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;in Diário de Notícias em 2 de Dezembro de 2014&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  </description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>A prisão de Sócrates é justiça ou vingança?</title><link>http://abafado.blogspot.com/2014/12/a-prisao-de-socrates-e-justica-ou.html</link><category>Diário de Notícias</category><category>José Sócrates</category><category>Justiça</category><category>Rosário Teixeira</category><pubDate>Thu, 27 Nov 2014 16:17:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-2377735017565083084</guid><description>&lt;p&gt;Prender e condenar em tribunal criminosos da política, da banca, das polícias, é bom para o país. Prender mas falhar depoisas condenações desses poderosospor incompetência ou má-fédas investigações é uma enorme tragédia para Portugal. A pergunta que não sai da minha cabeça é esta: a prisão de José Sócrates é um ato de justiça ou é uma vingança?&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O magistrado Rosário Teixeira, o homem que lidera a Operação Marquês, que deteve o antigo primeiro-ministro, é o mesmo que no dia 15 de fevereiro de 2006 dirigiu a equipa que invadiu a redação do jornal 24horas, então dirigido por mim, para fazer buscas a tentar descobrir a origem de notícias publicadas&amp;#160; que, comprovadamente&amp;#160; verdadeiras, desagradaram nessa&amp;#160; época à Procuradoria-Geral da República,&amp;#160; apesar de não violarem o&amp;#160; segredo de justiça.&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;    &lt;p&gt;A elevada qualificação jurídica&amp;#160; de Rosário Teixeira e o seu evidente&amp;#160; prestígio profissional não o impediram,&amp;#160; no entanto, de cometer&amp;#160; uma ilegalidade óbvia, percetível&amp;#160; até para um leigo como eu, posteriormente&amp;#160; sentenciada por todos&amp;#160; os tribunais que se debruçaram sobre&amp;#160; o caso e que deram sempre razão&amp;#160; aos jornalistas, confirmando,&amp;#160; repetidamente, a nulidade dessas&amp;#160; buscas.&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não faltaram, desde 1996, investigações&amp;#160; do Ministério Público que,&amp;#160; de uma forma ou de outra, envolveram&amp;#160; suspeitas sobre José Sócrates:&amp;#160; entre os casos Cova da Beira,&amp;#160; Freeport, Monte Branco, o curso&amp;#160; superior de Engenharia validado&amp;#160; ao domingo, a mobilização de&amp;#160; meios para calar o jornalismo da&amp;#160; TVI, Sócrates foi um espécie de suspeito&amp;#160; permanente do Ministério&amp;#160; Público mas, tal como Leonardo&amp;#160; DiCaprio a fazer de Frank Abagnale&amp;#160; Jr. no filme &lt;em&gt;Apanha-Me Se Puderes&lt;/em&gt;,&amp;#160; escapou sempre à caça.&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Algumas dessas investigações&amp;#160; passaram pelo gabinete de Rosário Teixeira e não sei se o antigo primeiro-ministro fez dele uma espécie&amp;#160; de Carl Hanratty, o polícia interpretado&amp;#160; por Tom Hanks que se viu&amp;#160; obrigado a transformar a captura de Abagnale num projeto de vida.&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Espero que desde 2006 até hoje&amp;#160; o Ministério Público tenha aprendido&amp;#160; com os erros e que ao entregarem&amp;#160; este caso ao juiz Carlos Alexandre&amp;#160; para instrução não o tenham&amp;#160; contaminado com a paixão&amp;#160; da vingança e que este não beba&amp;#160; desse veneno tentador. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Infelizmente, as aparentes fugas&amp;#160; de informação, seletivas, publicadas&amp;#160; pelos jornais desde sexta-feira,&amp;#160; que não podem ter origem na defesa,&amp;#160; fazem-me temer o pior.&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ironicamente, os políticos, sempre&amp;#160; na berlinda, estão neste caso a&amp;#160; dar lições de comportamento responsável.&amp;#160; Espero que se aguentem,&amp;#160; até porque ainda há tempo e espaço&amp;#160; (o processo Sócrates vai durar&amp;#160; anos) para que a justiça se faça de&amp;#160; forma total e limpa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;in Diário de Notícias de 25 de Novembro de 2014&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  </description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>E se a justiça estiver a errar nos vistos gold?</title><link>http://abafado.blogspot.com/2014/11/e-se-justica-estiver-errar-nos-vistos.html</link><category>Justiça</category><category>Vistos gold</category><pubDate>Thu, 20 Nov 2014 16:34:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-7596408180923363953</guid><description>&lt;p&gt;Oiço à minha volta preocupação&amp;#160; generalizada&amp;#160; com a degradação da&amp;#160; imagem das instituições&amp;#160; do Estado por causa das&amp;#160; recentes detenções de funcionários&amp;#160; públicos de topo. Contraditoriamente,&amp;#160; a manifestar afinal grande&amp;#160; fé no mesmo edifício que sustenta&amp;#160; o Estado, leio generalizado&amp;#160; aplauso a esse movimento das autoridades&amp;#160; em combate à corrupção&amp;#160; nos vistos gold. Nesta minha cabeça&amp;#160; tortuosa, no entanto, a pergunta&amp;#160; assalta-me, angustiante: e se a&amp;#160; justiça, que tantas vezes nos enganou&amp;#160; ou desiludiu, está, mais uma&amp;#160; vez, a cometer um erro? Que imagem&amp;#160; do Estado resultará de uma&amp;#160; outra hecatombe dessas?&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Vejo no Diário de Notícias que o&amp;#160; diretor dos Serviços de Estrangeiros&amp;#160; e Fronteiras, Manuel Palos, cuja carreira&amp;#160; está liquidada, esperou vários&amp;#160; dias na cadeia para responder a perguntas&amp;#160; sobre a aceitação de duas&amp;#160; garrafas de vinho (repito, duas garrafas&amp;#160; de vinho) enviadas pelo seu&amp;#160; colega, também preso, diretor do&amp;#160; Instituto de Registos e Notariado,&amp;#160; António Figueiredo... Ai...&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;    &lt;p&gt;Escreve o Correio da Manhã que&amp;#160; a Polícia Judiciária não consegue&amp;#160; avaliar em quanto é que Figueiredo,&amp;#160; o suposto cérebro da operação,&amp;#160; e Maria Antónia Anes, a eventual&amp;#160; cúmplice secretária-geral do Ministério&amp;#160; da Justiça, ganharam com o&amp;#160; possível esquema que montaram...&amp;#160; Isto é que são indícios sólidos?...&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Leio no Expresso que a PJ acusa&amp;#160; um diretor do SIS, Horácio Pinto,&amp;#160; de ter ajudado ilegalmente Figueiredo&amp;#160; a rastrear possíveis escutas telefónicas&amp;#160; que, afinal, a Judiciária&amp;#160; nem estava a fazer... Estas guerrinhas&amp;#160; servem a quem? &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; E vários jornais referem que a notícia&amp;#160; da Sábado de 5 de junho, que&amp;#160; avançou a existência desta investigação,&amp;#160; foi uma fuga de informação&amp;#160; que visava proteger Figueiredo...&amp;#160; A fonte desta declaração é a mesma&amp;#160; que deu a primeira dica à revista?&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Entre febre justicialista, erros&amp;#160; processuais, incompetência rotineira,&amp;#160; avaliações desproporcionadas&amp;#160; dos delitos, traficância com os&amp;#160; jornais, vendetas entre corporações&amp;#160; e um juiz que, coitado, apanha com&amp;#160; todos os casos bombásticos e já&amp;#160; deve querer é prender o país inteiro,&amp;#160; a possibilidade de a montanha&amp;#160; parir um rato e de a justiça portuguesa&amp;#160; sair daqui envergonhada é&amp;#160; bem maior do que parece, agora,&amp;#160; aos contentinhos do regime.&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Entretanto, há um facto: o poder&amp;#160; político parece não estar a interferir&amp;#160; no processo judicial, apesar das declarações&amp;#160; estúpidas da ministra da&amp;#160; Justiça sobre o “fim da impunidade”&amp;#160; que este caso representaria, condenando&amp;#160; implicitamente quem ainda&amp;#160; nem se defendeu. Mas porque está&amp;#160; o poder político tão sossegado? Porque&amp;#160; Miguel Macedo, embrulhado&amp;#160; no caso, portou-se como um tipo&amp;#160; decente. Isso condicionou a classe&amp;#160; política e calou o alarido habitual.&amp;#160; Ainda bem. Mas, receio, é capaz de&amp;#160; não durar muito...&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;in Diário de Notícias, 18 de novembro de 2014&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  </description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>A cooperação que passa a colonização</title><link>http://abafado.blogspot.com/2014/11/a-cooperacao-que-passa-colonizacao.html</link><category>Diário de Notícias</category><category>Justiça</category><category>Timor-Leste</category><pubDate>Thu, 13 Nov 2014 16:28:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-6276810685328907521</guid><description>&lt;p&gt;Se observarmos o movimento&amp;#160; dos astros tendo&amp;#160; como ponto de referência&amp;#160; o planeta que pisamos teremos&amp;#160; toda a legitimidade&amp;#160; para garantir, com certeza científica,&amp;#160; tragicamente errada, que o Sol&amp;#160; roda à volta da Terra. Diremos mesmo&amp;#160; mais: o nosso mundo é o centro&amp;#160; do universo. Se não mudarmos&amp;#160; esse referencial, nada há que possa&amp;#160; comprovar o contrário. Não é estupidez,&amp;#160; é erro de análise.&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Durante séculos, aos poucos&amp;#160; que se atreviam a dizer que a Terra&amp;#160; girava em torno do Sol o disparate&amp;#160; instituído como doutrina podia até&amp;#160; sentenciar penas de morte e excomunhões.&amp;#160; Durante séculos, o erro&amp;#160; de análise foi uma certeza sagrada,&amp;#160; um dogma.&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;    &lt;p&gt;No século XXI, no Portugal tendencialmente&amp;#160; pacóvio, todas as semanas&amp;#160; nasce um dogma novo. Vale-&amp;#160; -nos, apesar de tudo, não estar na&amp;#160; moda o uso da forca ou da fogueira&amp;#160; como solução para heterodoxias.&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Vi inúmeras cabecinhas pensadoras&amp;#160; nos órgãos de comunicação&amp;#160; social conseguirem, na mesma exposição&amp;#160; de ideias, atacar a chanceler&amp;#160; Merkel e o presidente Xanana&amp;#160; Gusmão. Ela por dizer que Portugal&amp;#160; tem licenciados a mais e ensino&amp;#160; profissional a menos. Ele por ter&amp;#160; permitido a expulsão de juízes, procuradores&amp;#160; e polícias portugueses&amp;#160; que tomaram decisões desagradáveis&amp;#160; ao poder político, eleito, que representa&amp;#160; o Estado de Timor-Leste.&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Se achamos que há uma ingerência&amp;#160; (cito) “inaceitável” da senhora&amp;#160; Merkel no direito soberano&amp;#160; dos portugueses em decidir como&amp;#160; devem educar os seus jovens, não&amp;#160; podemos achar (volto a citar) “inaceitável”&amp;#160; que os timorenses estejam&amp;#160; fartos que a justiça do seu país&amp;#160; seja decidida por estrangeiros.&amp;#160; Uma indignação anula a outra, não&amp;#160; são compatíveis.&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Argumenta-se que o que se passa&amp;#160; em Timor é um caso em que a suposta&amp;#160; corrupção do poder político&amp;#160; está na base da expulsão dos nossos&amp;#160; magistrados como se, por um lado,&amp;#160; Portugal e a justiça portuguesa tivessem&amp;#160; condições para dar lições&amp;#160; de moral a outros povos nestas matérias&amp;#160; e como se, por outro lado, o&amp;#160; valor dessas investigações tivesse&amp;#160; alguma vez um estatuto superior ao&amp;#160; valor da autodeterminação de um&amp;#160; povo independente em matérias&amp;#160; como a da aplicação da justiça.&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Se a engenheira Angela Merkel&amp;#160; conseguisse – como anda a tentar –&amp;#160; o negócio da “cooperação” com&amp;#160; Portugal em matéria de ensino profissional&amp;#160; num modelo em que&amp;#160; mandasse para cá, durante 12 anos,&amp;#160; um exército de alemães ensinar os&amp;#160; nossos jovens a brandir um berbequim&amp;#160; da Bosch, em vez de rapidamente&amp;#160; formar professores portugueses&amp;#160; habilitados a dar autonomamente&amp;#160; esse tipo de ensino, não&amp;#160; acharíamos que, em vez de cooperação,&amp;#160; estávamos antes a assistir a&amp;#160; um processo de colonização?&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Haver cooperação na área da&amp;#160; justiça há 12 anos com Timor-Leste&amp;#160; e, ao fim desse tempo, serem ainda&amp;#160; estrangeiros a decidir processos&amp;#160; importantes, com peso de Estado,&amp;#160; não é cooperação, é colonização.&amp;#160; A alegada falta de preparação dos&amp;#160; atuais magistrados timorenses, a&amp;#160; ser verdadeira, é um libelo acusatório&amp;#160; contra essa cooperação.&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não, Portugal não é o geocentro&amp;#160; do universo e se ajuizarmos o mundo&amp;#160; com que nos relacionamos&amp;#160; como se ele girasse à nossa volta&amp;#160; estamos a cometer mais do que&amp;#160; um erro de análise: estamos a ser&amp;#160; ridículos.&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;in Diário de Notícias, 11 de Novembro de 2014&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  </description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>E eles já gritam: “Vêm aí os russos. Viva!”</title><link>http://abafado.blogspot.com/2014/11/e-eles-ja-gritam-vem-ai-os-russos-viva.html</link><category>Caças F-16</category><category>Crise Financeira</category><category>Diário de Notícias</category><category>Eisenhower</category><category>Guerra Fria</category><category>Nato</category><category>Putin</category><category>União Europeia</category><category>União Soviética</category><pubDate>Thu, 6 Nov 2014 00:00:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-2230641565650048972</guid><description>&lt;p&gt;Estranhei a diligência, a pressa e, palpita-me, a alegria com que as autoridades portuguesas divulgaram duas passagens, a 160 quilómetros da costa portuguesa, de bombardeiros russos e o envio, por ordem da NATO, de caças F-16 nacionais para os vigiarem. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Os testes que Putin mandou fazer à velocidade de resposta das forças ocidentais nada intencionam de bom, é claro, mas o espalhafato feito com este e outros incidentes recentes contrasta com o tradicional secretismo que a Aliança Atlântica impõe a estes assuntos. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Conta a história que o presidente norte-americano, Dwight Eisenhower, um republicano crítico dos défices do Estado, atrapalhado com uma economia anémica, gastou dinheiro dos contribuintes em obras públicas como nem o despesista Franklin Roosevelt, em tempo de paz, fez com o seu New Deal. &lt;/p&gt;  &lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p&gt;O truque político de Eisenhower para aprovar investimentos gigantescos foi justificá-los como essenciais à segurança nacional. Em 1956 mandou cobrir o país com uma rede de asfalto chamada “Autoestrada de Defesa Nacional”, apresentada como um meio de transportar abastecimentos caso a União Soviética atacasse a América. E quando os russos, em 1957, mandaram o Sputnik lançar terríveis “bips” do espaço sideral contra indefesos aparelhos de radioamadores ocidentais, a NASA conseguiu a dotação orçamental anual de 18,7 mil milhões de dólares, acrescentados a 20 mil milhões para o Pentágono pagar satélites e foguetões militares. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ter um ambiente de Guerra Fria em tempo de crise económica pode mesmo ser coisa que alguns dirigentes do mundo, secretamente, desejam. Já imagino o nosso Passos Coelho a defender junto da senhora Merkel a flexibilização do défice para comprar um cacho de aviões que possa assustar, a sério, os russos. Ou virar-se para Obama a lembrar a utilidade da base das Lajes. Paulo Portas até pode exigir mais submarinos e António Costa é homem para criticar o governo por não lançar um programa de construção de linhas férreas e aeroportos que reforce a posição estratégica do país no quadro da NATO. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nesta União Europeia aflita nem estranharia que os mais convictos defensores da austeridade aproveitem a ameaça russa e, tal como Eisenhower, decidam subsidiar investimentos “estratégicos” em armas, energia, telecomunicações, palha para burros ou qualquer coisa que faça subir o PIB europeu. Quem sabe até se, nos corredores da Comissão Europeia, já ecoe o grito: “Vêm aí os russos. Viva!”. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Acontece que Eisenhower, arrependido, saiu da presidência norte-americana a discursar contra o perigo que o “complexo militar-industrial” (sic) representava para a democracia e para a liberdade... Pois, ele lá sabia porquê.&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;in Diário de Notícias, 4 de Novembro de 2014&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  </description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>Comissão Europeia prevê défices de 4,9% e 3,3%</title><link>http://abafado.blogspot.com/2014/11/comissao-europeia-preve-defices-de-49-e.html</link><category>Comissão Europeia</category><category>Crise Financeira</category><category>Défice</category><category>Passos Coelho</category><pubDate>Tue, 4 Nov 2014 10:40:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-3090480714196023349</guid><description>&lt;p&gt;Para este ano, diz Bruxelas, o défice do Estado português será de 3,3% em 2015 (o governo prevê 2,7%, mesmo assim acima dos 2,3% prometidos à troika) enquanto este ano será de 4.9%, contra os 4% previstos pelo executivo português.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Antevejo a reação de Passos Coelho: &amp;quot;Chega a ser patético verificar a dificuldade que gente que se diz independente tem de assumir que errou, que foi preguiçosa, que não leu, que não estudou, que não comparou, que não se interessou a não ser em causar uma boa impressão, em dizer (Maria vai com as outras) o que toda a gente diz...&amp;quot;&lt;/p&gt;  </description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>Uma cábula de Passos para jornalistas preguiçosos</title><link>http://abafado.blogspot.com/2014/10/uma-cabula-de-passos-para-jornalistas.html</link><category>Citius</category><category>Diário de Notícias</category><category>Jornalismo</category><category>Nuno Crato</category><category>Passos Coelho</category><pubDate>Tue, 28 Oct 2014 10:48:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-1787318565987020014</guid><description>&lt;p&gt;O primeiro-ministro indignou-se com os jornalistas por, supostamente, dizerem que a despesa pública está igual a 2011: &amp;quot;Chega a ser patético verificar a dificuldade que gente que se diz independente tem de assumir que errou, que foi preguiçosa, que não leu, que não estudou, que não comparou, que não se interessou a não ser em causar uma boa impressão, em dizer (Maria vai com as outras) o que toda a gente diz...&amp;quot;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Espero que a pontuação usada por mim na tentativa de reproduzir a oralidade do tribuno das Jornadas Parlamentares do PSD-CDS seja fiel ao pensamento exarado... Adiante. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Confesso, caro leitor e cara leitora: sou um preguiçoso. Quem preguiça, pensa; logo, eu preguiço. &lt;/p&gt;  &lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;    &lt;p&gt;Vagarosamente, portanto, meditei: &amp;quot;Chega a ser patético verificar a dificuldade que a ministra das Finanças tem em assumir que a carga fiscal vai aumentar em 2015, que não leu, que não estudou, que não comparou, que não se interessou a não ser em causar uma boa impressão, em dizer (Maria vai com as outras) o que o primeiro-ministro quer.&amp;quot;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O ócio recordou-me a paralisia do Citius e a tentativa de culpar uma gigantesca sabotagem ao sistema, conspirada nacionalmente pelas chefias intermédias dos funcionários públicos: &amp;quot;Chega a ser patético verificar a dificuldade que a ministra da Justiça tem em assumir que errou, que foi preguiçosa, que não leu, que não estudou&amp;quot;, etc...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Poupando trabalho, analiso assim o arranque do ano escolar: &amp;quot;Chega a ser patético verificar a dificuldade do ministro da Educação em não errar, em assumir que é preguiçoso, que não lê, que não estuda, que não compara, que não se interessa a não ser em causar uma boa impressão...&amp;quot; Perfeito, não é?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Resolvo também cabular sobre as garantias dadas aos pequenos acionistas para investirem no BES, dias antes do seu colapso: &amp;quot;Chega a ser patético verificar a dificuldade que (escolher entre o governador do Banco de Portugal, o primeiro-ministro ou o Presidente da República) tem em assumir que errou, que foi preguiçoso, que não leu, que não estudou...&amp;quot;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sobre as gaffes permanentes de Rui Machete posso comentar, sem esforço e factual: &amp;quot;Chega a ser patético verificar a dificuldade que o ministro dos Negócios Estrangeiros tem em assumir que errou...&amp;quot; e por aí fora.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quanto a estas críticas de Passos, eu, jornalista mandrião, constato: &amp;quot;Chega a ser patético verificar a dificuldade que o primeiro-ministro tem em assumir que errou, que foi preguiçoso, que não leu, que não estudou, que não comparou, que não se interessou a não ser em causar uma boa impressão.&amp;quot; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Obrigado pela ajuda, ó grande tribuno das Jornadas Parlamentares do PSD-CDS.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;in &lt;a href="http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=4205062&amp;amp;seccao=Pedro%20Tadeu&amp;amp;tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco&amp;amp;page=-1"&gt;Diário de Notícias&lt;/a&gt;, 28 de Outubro de 2014&lt;/p&gt;  </description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>Esta saída limpa deixou muito lixo tóxico</title><link>http://abafado.blogspot.com/2014/05/esta-saida-limpa-deixou-muito-lixo.html</link><category>Diário de Notícias</category><category>Reformados</category><category>Troika</category><pubDate>Tue, 6 May 2014 20:26:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-5264578869302868972</guid><description>&lt;span id="ctl00_ctl00_bcrtop_topcontent_ThisContent"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
A saída limpa da
 troika deixa muitos resíduos tóxicos em Portugal. Um deles é a 
contribuição de sustentabilidade, aquela que substituirá em definitivo a
 anteriormente "provisória" contribuição extraordinária de 
solidariedade. &lt;br /&gt;
Um pensionista com uma reforma bruta de 4000 euros
 passará a receber mais 260 euros mensais em 2015 do que recebe este 
ano. Um reformado com uma pensão de 1050 euros será premiado com, 
apenas, mais 15,75 euros... Repito: mais 260 euros para o reformado que 
ganha mais... só 15,75 euros para o que ganha menos. &lt;br /&gt;
Quem decidiu
 este escalonamento pretende o quê? Que o senhor Presidente da República
 fique satisfeito por ir receber um acréscimo de 650 euros mensais em 
2015 e mais 2200 euros mensais em 2017? Esperam que Cavaco Silva deixe 
de falar, nas suas mensagens institucionais, em "espiral recessiva" e 
passe a colocar no Facebook frases condescendentes sobre "agentes 
políticos, comentadores e analistas, nacionais e estrangeiros" que se 
dediquem a prever a catástrofe nacional? &lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Quem decidiu favorecer 
os reformados mais ricos sobre os pensionistas quase pobres tinha mesmo 
um plano?... Seria para sossegar o espírito da doutora Assunção Esteves,
 para ver se a presidência da Assembleia da República deixa de ser um 
inconseguimento quando a jurista, para o ano, passar a levar para casa, 
todos os meses, mais 450 euros?&lt;br /&gt;
Será que esperam que a doutora 
Manuela Ferreira Leite, a vibrante crítica do Governo, se cale e passe a
 falar na TVI 24 de passarinhos e borboletas? E Bagão Félix, na SIC 
Notícias, iniciar-se-á na arte das canções de embalar? E os dez mil 
reformados mais ricos e mais beneficiados com estas alterações, essa 
elite do mundo pensionista onde figuram nomes de poderosos que ainda 
assustam os passarinhos deste Governo, irão mesmo calar-se após este 
suborno coletivo? E aquela senhora tão simpática e bem-falante da Apre!,
 deixará de frequentar os telejornais tardios? E os venerandos juízes do
 Tribunal Constitucional, passarão a aprovar de cruz tudo o que vier de 
São Bento?... &lt;br /&gt;
Um dos resíduos tóxicos do ecossistema social 
português deixados pela saída limpa do programa de ajustamento da troika
 é, portanto, este: o Estado decide discriminar favoravelmente quem 
menos precisa e prejudica, sem vergonha, os mais pobres, os menos 
remediados, os que, infelizmente, já nem vão votar... &lt;br /&gt;
A 
distribuição das taxas sobre as pensões é um exemplo, mas há mais, há 
mesmo muito mais lixo tóxico deixado pelos senhores da troika que, agora
 um pouco de longe, continuam a vigiar os nossos passos.</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>Ajuda às vítimas da guerra mundial</title><link>http://abafado.blogspot.com/2014/09/ajuda-as-vitimas-da-guerra-mundial.html</link><category>Crise Financeira</category><category>Diário de Notícias</category><category>Economia</category><category>II Guerra Mundial</category><pubDate>Tue, 29 Apr 2014 20:22:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-5780467007329686508</guid><description>&lt;span id="ctl00_ctl00_bcrtop_topcontent_ThisContent"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
Comemorámos os 
40 anos do 25 de Abril. Cada um reescreveu a História como lhe agradou. 
Daqui a 40 anos serão acertadas contas... se o permitir a honestidade 
intelectual da ideologia dominante nessa altura.&lt;br /&gt;
Voltemos ao 
presente. Tratemos de números assustadores: a dívida pública portuguesa 
ronda os 200 mil milhões de euros. Isto equivale a 130% do Produto 
Interno Bruto. São 20 mil euros para cada português. Só o pagamento dos 
juros leva-nos todos os anos 4% da riqueza criada no País. Não é preciso
 ter a sapiência de um génio financeiro para perceber que isto vai 
acabar mal.&lt;br /&gt;
Para o Governo, não. O primeiro-ministro proclama o 
dealbar do fim da crise, agarrado ao argumento de um controlo do défice 
do Estado em níveis aplaudidos pelo poder em exercício na União 
Europeia. Com essa rede por baixo, Passos Coelho exercita-se nas 
pantomimices eleitorais: o aumento do salário mínimo já é negociável e 
os despedimentos ilegais continuarão a ser multados a sério... E até se 
avança com uma medida verdadeiramente socialista: a Galp será obrigada 
pelo Estado a baixar preços ao consumidor devido a lucros não 
previstos... se fosse o PCP a propor uma destas havia logo acusações de 
estalinismo.&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Toda esta euforia é falsa. A realidade económica do 
País é outra: a dívida pública é insuportável. Isso - venham os 
economistas do regime explicar o que quiserem - será, um dia, trágico.&lt;br /&gt;
O
 manifesto dos 74, há coisa de um mês, defendeu a renegociação do 
pagamento da dívida pública portuguesa e comparou a nossa situação com a
 da Alemanha do pós--guerra. Os arautos do poder acharam essa analogia 
imoral, como se a discussão fosse sobre os motivos que levaram a 
Alemanha à miséria e não sobre a análise factual do mecanismo então 
utilizado para salvar o país. &lt;br /&gt;
E como foi? Foi assim: em 27 de 
Fevereiro de 1953 o Acordo de Londres determinou que a dívida externa 
alemã anterior à II Guerra Mundial era perdoada em 46% e a posterior à 
II Guerra em 51,2%. Da parte remanescente da dívida, 17% passou a ser 
paga à taxa de juro de 0% e 38% à taxa de juro de 2,5%. Os juros devidos
 desde 1934 foram perdoados. Foi acordado um período de carência de 
cinco anos e limitadas as prestações anuais ao máximo de 5% das 
exportações. O último pagamento desta dívida foi efetuado depois da 
reunificação alemã, em 1990. O país, entretanto, desenvolvera--se 
espetacularmente.&lt;br /&gt;
É assim tão irracional pensar em algo 
minimamente semelhante para os países vítimas, no início deste século, 
da guerra mundial da especulação financeira?</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item><item><title>Conheço um condenado à morte pelo Estado</title><link>http://abafado.blogspot.com/2014/09/conheco-um-condenado-morte-pelo-estado.html</link><category>Diário de Notícias</category><category>Hepatite C</category><category>Saúde</category><pubDate>Tue, 22 Apr 2014 20:16:00 +0100</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1171829685722510917.post-7004743549317517115</guid><description>&lt;span id="ctl00_ctl00_bcrtop_topcontent_ThisContent"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
Uma pessoa que conheço, que estimo, com quem já trabalhei, recebeu uma pena de morte: uma velha hepatite C degenerou em cirrose.&lt;br /&gt;
Os
 médicos deram-lhe, no entanto, forma de escapar à cruciação: novos 
medicamentos prometem a cura de, pelo menos, 90% dos casos e em apenas 
três meses. &lt;br /&gt;
O Infarmed e o Ministério da Saúde, porém, voltaram a
 confirmar a condenação: o processo burocrático que define as 
comparticipações do Serviço Nacional de Saúde não está concluído. Por 
isso, o Estado não fornece ainda esse medicamento aos doentes.&lt;br /&gt;
"Eu
 pago!", pensou ele, na inocência dos espíritos livres. "São 48 mil 
euros", decretou o mundo real, em que a liberdade só é garantida para os
 ricos... mas até estes, se estivessem na mesma situação, enfrentariam o
 embaraço de todo o sistema, que não saberia como vender um fármaco 
hospitalar com processo de aprovação ainda pendente em Portugal, apesar 
de em novembro a Agência Europeia do Medicamento o ter recomendado para 
toda a União. Mas a questão já nem se põe ao meu antigo camarada de 
trabalho, pois a economia familiar não arranja assim 48 mil euros. O 
pagamento de uma caução que substituisse a pena capital está, em suma, 
fora de questão.&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
O relógio, imparável, está a contar. Para ele e, noticia o &lt;i&gt;Diário de Notícias&lt;/i&gt;
 de quinta-feira passada, para outras 80 pessoas cujas vidas estão nas 
mãos do ministro Paulo Macedo, dos secretários de Estado Leal da Costa e
 Ferreira Teixeira e, ainda, dos dirigentes do Infarmed Eurico Castro 
Alves e Helder Mota Filipe, que superiomente esperam saber a 
confrontação (cito o Infarmed) "entre o valor terapêutico acrescentado e
 o impacto para o Serviço Nacional de Saúde" desses remédios, o que, na 
minha leitura, é dizer que se escolhe entre tentar salvar aquelas 
pessoas e gastar 4,5 milhões de euros - quase o mesmo valor que o Estado
 pagou numa única semana a assessores e consultores de coisas vagas, 
como revelou ontem o jornal &lt;i&gt;i&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;
Não quero um Estado 
manipulado pela indústria farmacêutica. Mas também não quero um Estado 
que ponha na mesma balança uma vida que se esvai em poucos meses e, no 
outro prato, um lento processo burocrático para pesar se 48 mil euros 
valem mais do que uma pessoa. Não é esse o estágio civilizacional que 
atingimos.&lt;br /&gt;
O protagonista desta história está, para já, condenado à
 morte. Pode ser que o sistema ainda o salve, a ele e aos outros 80. 
Mas, imagino, se acontecesse o pior, se eu fosse juiz e se um processo 
por homicídio involuntário contra Macedo, Costa, Teixeira, Alves e 
Filipe, por causa da falta destes remédios, me chegasse à secretária, 
que decidiria eu? Que decidiria qualquer um de nós?</description><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><author>noreply@blogger.com (Pedro Tadeu)</author></item></channel></rss>