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	<title>Alma Carioca - Arte e Cultura</title>
	
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	<description>Manifestações culturais e artísticas</description>
	<lastBuildDate>Thu, 29 Jul 2010 08:20:28 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Enquanto há vida, há poesia – Clarice Linden</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jul 2010 08:18:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Clarice Linden</dc:creator>
				<category><![CDATA[Clarice Linden]]></category>

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		<description><![CDATA[Há poemas que nascem prontinhos outros empurradinhos. Como os que brotam da flor do ócio e os que crescem nas flores dos negócios. Há poemas que são feitos com o que resta e outros com o que explode ao soltar o tampão do tudo. Há poemas que falam muito e dizem nada, e os econômicos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Há poemas que nascem prontinhos<br />
outros empurradinhos.<br />
Como os que brotam da flor do ócio<br />
e os que crescem nas flores dos negócios.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Há poemas que são feitos com o que resta<br />
e outros com o que explode<br />
ao soltar o tampão do tudo.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Há poemas que falam muito e dizem nada,<br />
e os econômicos que dizem tudo.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Há os longos que contam sagas<br />
os curtinhos que parecem anáguas<br />
e os purpura mágua.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Há os que são água da fonte<br />
outros água salobra,<br />
há os de água ardente<br />
os mais salientes,<br />
os indignados,<br />
e os medicinais,<br />
são as declarações de amor<br />
que vingam para o deleite<br />
de quem as aceite.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Existem ainda os melinácios<br />
são os de amor<br />
não retribuido, os mais doídos,<br />
feitos com o mais puro fel<br />
e banhados com mel.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Tudo já foi escrito<br />
e é preciso escrever<br />
novamente, porque<br />
logo será esquecido.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Só as emoções são eternas<br />
por isso há poemas.<br />
Enquando houver vida<br />
haverão poemas.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Os meus eu dedico<br />
ao que fica nas entrelinhas.<br />
E a cada menininha<br />
que perdeu sua mãezinha<br />
e erra sózinha neste mundo<br />
entregue ao seu proprio azar.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Porque há poemas que<br />
um dia virão para salva-la.</p>
</blockquote>
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		<item>
		<title>A Carvoaria – LuDiasBH</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/almacarioca/SCzE/~3/4WGqJBv410o/</link>
		<comments>http://www.almacarioca.net/a-carvoaria-ludiasbh/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 29 Jul 2010 08:16:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>LuDiasBH</dc:creator>
				<category><![CDATA[LuDiasBH]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.almacarioca.net/?p=19837</guid>
		<description><![CDATA[O caminhão levava quarenta humanos, No seu útero fétido e inchado de agonia. Um silêncio, com catinga de desgraça, Era ouvido pelos caminhos da triste via. A carga permanecia muda e carrancuda, Pois o medo e a repulsão não têm nome. Uns, cambaleantes da noite mal dormida, Falavam sozinhos numa loucura insone. Corpos trombavam uns [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">O caminhão levava quarenta humanos,<br />
No seu útero fétido e inchado de agonia.<br />
Um silêncio, com catinga de desgraça,<br />
Era ouvido pelos caminhos da triste via.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">A carga permanecia muda e carrancuda,<br />
Pois o medo e a repulsão não têm nome.<br />
Uns, cambaleantes da noite mal dormida,<br />
Falavam sozinhos numa loucura insone.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Corpos trombavam uns contra os outros,<br />
No ventre do caminhão avariado e vulgar.<br />
Transportavam o medo de não voltar vivos,<br />
Das fornalhas chamejantes do lugar.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Alguns carregavam olhos enlouquecidos,<br />
Outros, olhos de espanto ou de amargura.<br />
Todos alimentados coa poeira da estrada,<br />
Embalados por uma vida sem sentido.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">O caminhão parou pra despejar o fardo.<br />
O lugar era um inferno de brasas apagadas.<br />
Uma massa acinzentada de seres humanos,<br />
Misturava-se ao carvão a ser empilhado.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">A fumaça deixava uma fuligem pegajosa,<br />
Que cobria aqueles corpos enferrujados.<br />
Bebês magriços, em seus berços de hulha,<br />
Aguardavam as mães lassas do trabalho.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Os mais velhos ostentavam ossos visíveis.<br />
Os garotos, faces rubras e bocas salivantes.<br />
Apesar de silenciosos os olhos imploravam,<br />
Que Deus ouvisse suas preces suplicantes.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Minha crença partiu diante daquele inferno.<br />
A ferida brutal na alma nunca se cicatrizou.<br />
Não mais fiz preces aos céus ensurdecidos.<br />
Minha fé no pó da carvoaria se enterrou.</p>
</blockquote>
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		<item>
		<title>“Estar” no outro – Ana Lucia Timotheo da Costa</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/almacarioca/SCzE/~3/xTMTSyT-vkw/</link>
		<comments>http://www.almacarioca.net/estar-no-outro-ana-lucia-timotheo-da-costa/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 23:10:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Lucia Timotheo da Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ana Lucia Timotheo da Costa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.almacarioca.net/?p=19834</guid>
		<description><![CDATA[Sexo sem intimidade Parece ressentimento E vingança. Há que se correr Riscos no envolver-se. Sensação sem emoção Não funciona. Pessoas-objetos Não me fazem a cabeça. O mergulho no sentimento Sempre traz nova paisagem. E renovar-se é Exercitar-se no hoje. sb_id = "3954";]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Sexo sem intimidade<br />
Parece ressentimento<br />
E vingança.<br />
Há que se correr<br />
Riscos no envolver-se.<br />
Sensação sem emoção<br />
Não funciona.<br />
Pessoas-objetos<br />
Não me fazem a cabeça.<br />
O mergulho no sentimento<br />
Sempre traz nova paisagem.<br />
E renovar-se é<br />
Exercitar-se no hoje.</p>
</blockquote>
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		<item>
		<title>Bandidos julgados e condenados – Terezinha Pereira</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/almacarioca/SCzE/~3/aXtwTXVgC1g/</link>
		<comments>http://www.almacarioca.net/bandidos-julgados-e-condenados-terezinha-pereira/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 21:29:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Terezinha Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Terezinha Pereira]]></category>

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		<description><![CDATA[Mistérios em torno dos sumiços da taça Jules Rimet – continuação – 8 _ Beleza, vó? Estou ótima. Estamos&#8230; eu e o Matheus torcemos pela Espanha. Foi tudo! _ Menina, você não havia dito que não queria ver a partida da final? Que preferia curtir a piscina! _ Vó, fica o dito pelo não dito. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Mistérios em torno dos sumiços da taça Jules Rimet – continuação – 8</h3>
<p style="text-align: justify;">_ Beleza, vó? Estou ótima. Estamos&#8230; eu e o Matheus torcemos pela Espanha. Foi tudo!</p>
<p style="text-align: justify;">_ Menina, você não havia dito que não queria ver a partida da final? Que preferia curtir a piscina!</p>
<p style="text-align: justify;">_ Vó, fica o dito pelo não dito. Matheus e Aninha quiseram ver o jogo. E, na piscina só havia crianças!</p>
<p style="text-align: justify;">_ Sei. O Matheus quis ver o jogo. Só crianças na piscina&#8230; Já conheço este seu novo olhar.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Ahhh! Fala não. Foi um jogaço, vó! A Espanha mereceu ganhar o título. Ai, que saudade! Ainda bem que uma semana passa depressa. Sinto falta dos velhos. Hoje, quando falei com papai, ele comentou que, lá na Itália, ninguém mais fala em copa do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">_É assim mesmo. Para os que saem. O melhor da festa é mesmo esperar por ela. Não vê? A copa de 2014 já começou&#8230; Já foi lançado o logotipo.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Horiiiiível! Matheus disse que parece mão segurando cabeça. E ainda escreveram 2014 em vermelho! Vermelho não tem nada a ver com as cores do Brasil, né?</p>
<p style="text-align: justify;">_ Também não gostei. Falta azul e sobra vermelho. É para ser uma figura de mão segurando a taça FIFA. Depois que você falou&#8230; Estou imaginando o logo. Parece cabeça mesmo. Mão na cabeça pensante. He&#8230;he&#8230; Ou alguém que quer pôr a mão na taça, antes mesmo de o jogo começar?</p>
<p style="text-align: justify;">_ Chiiiii! Deixa pra lá. Vó, conta mais. Demorou muito para os bandidos serem apresentados ao povo? Oficialmente, quero dizer.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Deixa-me pensar. Foi lá pro final de janeiro. Já passava de um mês após o furto. Peralta, Barbudo e Bigode foram apresentados à imprensa como os autores e o Hernandez como o receptador. No andar da diligência, aconteceram coisas mais parecidas com trapalhadas do que com investigação policial. Como já comentei com você.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Ah! O Matheus zoou até. Por causa dos nomes dos bandidos. Barbudo, Bigode e Peralta&#8230; Só podia! Serem protagonistas  de coisa assim, tipo sessão comédia&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ He.. He&#8230; He&#8230; Bandido que se preza tem que ter apelido.</p>
<p style="text-align: justify;">_ E o cheque? E as coisas que foram encontradas com o Bigode?</p>
<p style="text-align: justify;">_O tal cheque havia mesmo exalado. Os ladrões disseram que ele estava com a polícia. O delegado que havia começado as investigações, acabou saindo do caso. Indagado, disse haver passado o cheque e as coisas do Bigode a seu substituto. Esse falou que nunca chegou a ver nada. Dessa forma, não foi possível descobrir o nome de quem pagou pelo valioso troféu, inteiro ou derretido. E, como naquele tempo a contabilidade bancária era feita à mão nos livros caixa, ficou por isso mesmo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Ui. Ninguém merece&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Quando a polícia foi procurar a taça lá na Serra Pelada, no negócio do Hernandes e Pugliese, os ourives que haviam sido citados pelos autores, só acharam barras de ouro e jóias. Se a taça esteve lá, já era. Saiu a história do “picadinho”. As lojas foram interditadas e a mercadoria encontrada foi apreendida. Uma verdadeira fortuna em ouro e jóias, segundo foi divulgado. Pugliese se disse inocente. Que Peralta o havia procurado, mas que não aceitara entrar no negócio. Nada provaram contra ele. Segundo afirmaram os dois interceptadores, quando conseguiram a liberação do material apreendido no comércio deles,  entregaram-lhes apenas poucas barrinhas de ouro. O resto era peças de cobre e de latão. Na versão da polícia, todo o material apreendido lhes foi entregue. E que, depois que eles aceitaram e levaram as peças sem contestar, retornaram para dizer que haviam recebido cobre ao invés de ouro. Se for verdade, o Pugliese acabou ficando com o prejuízo. Mas, como seu comércio não era lá muito bento&#8230; Vá lá. Perdeu o que não havia ganhado.</p>
<p style="text-align: justify;">_Que coisa! Cruzes! É muito sumiço nesse caso.</p>
<p style="text-align: justify;">_Que coisa, mesmo, menina! Na época, a imprensa propagou que a polícia havia deixado acontecer, sob suas asas, um roubo de maior valor do que o dos quatro troféus que haviam sido levados da CBD. Falavam de valor econômico, claro. Sobre esse sumiço foi comentado naquele chat de que lhe falei, o que foi realizado após um programa de televisão. Na época da copa de 2006.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Lembro.</p>
<p style="text-align: justify;">_Um promotor que atuou na investigação do caso participou daquele chat. Quando foi questionado por um internauta, ele comentou que o material do comércio dos ourives havia sido apreendido por um delegado, o que saiu do caso e que depois foi entregue aos mesmos pelo delegado substituto. Segundo ele, indevidamente, uma vez que as peças estavam à disposição da polícia. O promotor disse que, provavelmente, os ourives levaram o material e depois voltaram para reclamar que haviam levado gato por lebre. No entanto, ele não poderia afirmar se os interceptadores mentiram, dizendo que haviam recebido ouro falso ou se as peças desapareceram mesmo dentro da polícia. Ele também comenta do sumiço do cheque, do dinheiro e do revólver que encontram com o Bigode: tudo desapareceu! Se ficou na polícia federal, ninguém sabe.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Vó do céu! Como se explica? E os bandidos?</p>
<p style="text-align: justify;">_ Não se explica! É simples. É o tal jogo de empurra. Ninguém sabe, ninguém viu. Ou foi o outro que viu. E o outro diz que nada sabe. Nada, nada mudou, até hoje. O que aconteceu com os bandidos&#8230; Foram julgados e condenados. Isso, cinco anos após o roubo. O Broa, que acabou sendo o herói do caso. Nem pôs a mão na taça e ainda “cantou” os nomes dos autores. Coitado. Morreu de acidente de carro, antes do julgamento. Foi falado em queima de arquivo. Em vingança. Peralta fugiu, morou em Cabo Frio por muito tempo e acabou preso. Na prisão, dizem que fez amizade com um bicheiro poderoso que, como ele, cumpria pena. Suspeita-se que teria sido o bicheiro quem pagou ao advogado para ele sair em liberdade condicional. Morreu de ataque cardíaco em 2003, sem família, sem amigos e sem dinheiro algum. Barbudo foi assassinado dentro de um bar, lá do Santo Cristo, pouco após o julgamento. Nem chegou a ficar preso. Bigode ficou foragido por algum tempo. Depois, entregou-se e cumpriu pena numa cidade do interior do estado.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Será por que o Broa não quis participar do roubo? Se era conhecido como arrombador!</p>
<p style="text-align: justify;">_ Menina! Nem acredita! O Broa afirmou que foi convidado pelo Peralta, mas não quis entrar no rolo. Alegou ele que não aceitara o convite, em honra da memória do irmão Giacomo, que havia morrido do coração. De emoção. O irmão havia morrido justamente na hora em que o Carlos Alberto fez o quarto gol do Brasil, na final da copa de 70. O homem bateu as botas minutos antes de começar a festa do tri. Pode? Por causa disso, ele achava que o troféu era coisa sagrada, que não podia ser roubada.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Voooóóóó! Que viagem! Este caso tem mesmo gancho pra muito filme.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Na verdade, foram alguns acasos que permitiram que o caso do roubo da taça fosse desvendado. Não sei se a CBD foi punida por  não haver resguardado os troféus. Eram patrimônio do povo brasileiro.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Pode que não! Os jornais não dizem, todo dia, que criminosos não são punidos no Brasil? Ainda mais, os poderosos. Fiquei pensando. Se a réplica ou a taça original que a FIFA arrematou foi para o Museu de Futebol da Inglaterra&#8230; Nós ficamos sem nenhum símbolo de tri-campeonato?</p>
<p style="text-align: justify;">_ Menina, aqui aparece mais uma réplica da taça! Pode?</p>
<p style="text-align: justify;">_ Caraca! Mais uma réplica!</p>
<p style="text-align: justify;">_ Sem falar das que foram feitas para filmes, programas de televisão. A que está na CBF é de ouro. Feita com os moldes da peça original. Dizem que os moldes foram localizados. Uma empresa da área da fotografia patrocinou a confecção desta peça que foi, solenemente, entregue à CBF pela FIFA, antes de completar um ano do roubo. Houve muitos contatos antes da apresentação da nova taça. Jogadores das seleções das copas de 58, 62 e 70 apareceram em programas de rádio, de televisão e em jornais para falarem da nova taça. Até o presidente da república, João Figueiredo esteve presente à cerimônia de entrega. Fizeram também cópia dos outros troféus que haviam voado com a Jules Rimet. As taças, novinhas em folha, viajaram por diversas partes do Brasil, antes de irem para a vitrina da CBF.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Fácil, né, vó?  Fazer calar o choro do povo. Fica até parecendo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Parecendo o quê?</p>
<p style="text-align: justify;">_ Preciso nem falar. Ninguém sabe, ninguém viu&#8230; Ah! Falamos tanto do nome Jules Rimet. Quem foi mesmo este cara? Vooooó! Pera aí. Meu celular. É o Matheus. Ele pode vir aqui para vermos um filme? A Aninha também vem. A senhora faz pipoca?</p>
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		<title>Casamento – Daniela e Marlon</title>
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		<comments>http://www.almacarioca.net/casamento-daniela-e-marlon/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 20:40:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Paulo Afonso]]></category>

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		<description><![CDATA[Domingo, dia 25, aconteceu o casamento da minha filha mais velha, na Igreja Adventista do Sétimo Dia, na Barra da Tijuca. Como pai da noiva, com lugar reservado no altar, não me foi permitido filmar a cerimônia, mas tão logo deixamos a Igreja comecei os trabalhos, para desespero da fotógrafa Carolina Cattan. Fiz um pequeno [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Domingo, dia 25, aconteceu o casamento da minha filha mais velha,  na Igreja Adventista do Sétimo Dia, na Barra da Tijuca.</p>
<p style="text-align: justify;">Como pai da noiva, com lugar reservado no altar, não me foi permitido filmar a cerimônia, mas tão logo deixamos a Igreja comecei os trabalhos, para desespero da fotógrafa <a title="Carolina Cattan" href="http://www.carolinacattan.com/" target="_blank">Carolina Cattan</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Fiz um pequeno resumo para publicar no YouTube e apresentar aos amigos.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui está:</p>
<p><object width="640" height="505"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/yAGsrEUgOI4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1?rel=0&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/yAGsrEUgOI4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1?rel=0&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="505"></embed></object></p>
<p>(Mudei a trilha sonora)</p>
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		<title>Cores de uma lembrança – Manoel Rodrigues</title>
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		<comments>http://www.almacarioca.net/cores-de-uma-lembranca-manoel-rodrigues/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 13:58:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manoel Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manoel Rodrigues]]></category>

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		<description><![CDATA[Maria Cristina tinha os cabelos cor do sol e a pele cor de leite. Tinha um sorriso cor de promessas boas e tinha dezoito aninhos, como eu. Tinha uns olhos da cor castanha, ou cor de mel, ou cor de torresmo bem frito, na realidade de seus olhos não me lembro direito, até porque ela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Maria Cristina tinha os cabelos cor do sol e a pele cor de leite. Tinha um sorriso cor de promessas boas e tinha dezoito aninhos, como eu. Tinha uns olhos da cor castanha, ou cor de mel, ou cor de torresmo bem frito, na realidade de seus olhos não me lembro direito, até porque ela sempre os fechava nas horas de falar ou de rir para mim. Talvez fosse míope e eu nem percebesse.</p>
<p style="text-align: justify;">Maria Cristina namorava um camarada que tinha as cores variando entre cor de tempestade com trovões e cor de luvas de boxe já sujas de sangue coagulado de adversários, que nunca permitiu que a ela eu me mostrasse todo avermelhado de paixão juvenil.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora revestida desse impermeabilizante protetor contra as pinceladas de vários matizes que a buscavam, Maria Cristina, suavemente pintada, recém saída da adolescência, já sabia ser sedutora e arisca como são as mulheres feiticeiras: agradava e recuava, sem, no entanto, estabelecer negativas definitivas; incentivava, sem conceder; queria ser presente, sem prometer futuro. E por causa dessas suas vontades, ou caprichos, fez-se modelo permanente de meus poemas escritos com a cor verde da esperança, guardados num caderno de capa azul que iria atravessar a minha longevidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois é, encontrei Maria Cristina ao descobrir esse caderno no meu monte de restos a inventariar, que, afinal, todos possuem. Ao abri-lo, já com seu azul esmaecido, vi-a pendurada onde a deixei, e a esqueci : ao início de cada parágrafo e depois de cada ponto final de meus escritos, como se fossem aspas em negrito.</p>
<p style="text-align: justify;">Por ter sido esquecida, ela nunca me provocou saudades, nem coloriu meu caminho ao longo da vida tocada.  Apenas, ao reaparecer dessa forma, tingiu de depressão a minha história processada, pois se materializou ainda com todo o viço de obra recém-criada, em contraponto à minha figura desbotada  pelo tempo implacavelmente decorrido.</p>
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		<title>Calendário Chinês e Feng Shui – LuDiasBH</title>
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		<comments>http://www.almacarioca.net/calendrio-chins-e-feng-shui-ludiasbh/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 08:35:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>LuDiasBH</dc:creator>
				<category><![CDATA[LuDiasBH]]></category>

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		<description><![CDATA[A astrologia chinesa tem como base o calendário lunar. Um ano é composto por 12 luas novas. E, a cada 12 anos, acrescenta-se uma décima terceira lua nova. Doze anos perfazem um ciclo. O primeiro dia do ano é marcado pela primeira lua, por isso, ao contrário do nosso ano ocidental, o início do ano [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">A astrologia chinesa tem como base o calendário lunar. Um ano é composto por 12 luas novas. E, a cada 12 anos, acrescenta-se uma décima terceira lua nova. Doze anos perfazem um ciclo. O primeiro dia do ano é marcado pela primeira lua, por isso, ao contrário do nosso ano ocidental, o início do ano chinês nunca cai na mesma data, embora se situe entre janeiro e fevereiro. É a maior festa chinesa.</p>
<p align="justify">Os chineses relacionam cada novo ano a um dos doze animais, que teriam atendido ao chamado de Buda para uma reunião com o mundo animal. O homem santo, em agradecimento, acabou por transformá-los nos signos da Astrologia chinesa.</p>
<p align="justify">Os doze animais do Horóscopo chinês a que correspondem os anos chineses são, de acordo com a ordem, que teriam se apresentado a Buda, rato, búfalo, tigre, coelho, dragão, cobra, cavalo, cabra, macaco, galo, cão e o javali. Dessa forma, se 2008 foi o ano do rato, 2009 foi atribuído ao boi, 2010 é o ano do Tigre, 2011 será o do coelho e assim sucessivamente.</p>
<p align="justify">O ano de nascimento de uma pessoa é de grande importância, pois o animal determina sua personalidade e seu destino, segundo os chineses.</p>
<p align="justify"><u>Algumas curiosidades:</u></p>
<p align="justify">- quem nasce no <i>ano do rato</i> deve ter cuidado com as armadilhas da vida;</p>
<p align="justify">- quem nasce no <i>ano do coelho</i> será sempre uma pessoa tímida e temerosa;</p>
<p align="justify">- quem nasce no <i>ano do galo</i> terá sempre que cavoucar a terra para se alimentar;</p>
<p align="justify">- as mulheres nascidas no <i>ano do cavalo</i> são indomáveis e, por isso, tornam-se esposas difíceis;</p>
<p align="justify">- os homens que nascem no <i>ano do dragão</i> serão fortes, inteligentes e afortunados;</p>
<p align="justify">- as mulheres que nascem na combinação do <i>cavalo com o fogo</i> (fato que só ocorre a cada 60 anos) são selvagens, perigosas e é quase impossível que se casem.</p>
<p align="justify">O ano de <i>1966</i> foi um ano de combinação entre <i>cavalo e fogo</i>. Conta-se que na Ásia, várias mulheres, que se engravidaram nesse ano, fizeram aborto, para não colocar no mundo filhas que, com certeza, não encontrariam maridos.</p>
<p align="justify">O ano de <i>1988</i> foi representado pelo <i>dragão</i>, de modo que os casais tentaram ter filhos em tal época. Muitas mulheres submeteram-se ao parto cesariano, antecipando os nascimentos, para que os filhos chegassem no ano promissor.</p>
<p align="justify">A <i>hora exata do nascimento</i> é um elemento importante, para se conhecer o destino de uma pessoa. Só através de tal dado o astrólogo pode traçar seu horóscopo. Mas, conhecer a hora do nascimento do indivíduo é também uma arma, que pode se voltar contra ele. Tal informação poderá ser usada, para lhe trazer desgraças, analisar sua personalidade e para conhecer sua maneira de agir em determinadas situações. Por isso, muitos políticos asiáticos mantém a hora do nascimento guardada a sete chaves, ou declaram um horário falso.</p>
<p align="justify">As decisões políticas, em vários países da Ásia, são tomadas de acordo com a astrologia. Até o serviço secreto de vários países asiáticos empregam astrólogos para descobrirem o que os astrólogos de seus adversários estão tramando. É a contra-espionagem astrológica. </p>
<p align="justify">O <i>Feng Shui</i> embora possa parecer magia para muitos, assim como a acupuntura, trata-se de uma arte milenar, fundada sobre uma aprimorada observação da natureza. Ela nasceu na China, mas, nos dias de hoje, é conhecida e muito popular em várias partes do mundo. Existem decoradores, que levam muito a sério os ensinamentos do <i>Feng Chui</i>, que vão desde a cor das paredes à posição dos móveis, de modo a trazer para os habitantes da casa saúde, sorte e prosperidade. </p>
<p align="justify">Em chinês <i>feng</i> significa vento e <i>shui</i> significa água. Podemos traduzir a expressão <i>Feng Chui</i> como a <i>força da natureza</i>. De modo que o especialista em tal arte deve conhecer os elementos fundamentais que formam o mundo, de modo a compreender a influência de um sobre o outro. Durante séculos a arquitetura chinesa foi determinada pelos princípios do <i>Feng Chui</i>, até mesmo as tumbas imperiais. </p>
<p align="justify">O conceito primordial dessa arte é o restabelecer constante da harmonia da natureza. Tudo deve estar em equilíbrio, pois doenças, desgraças, esterilidade ou má sorte seriam a quebra de uma harmonia. A função de um praticante do Feng Shui é apontar o local, onde se dá tal ruptura.</p>
<p align="justify">Para a grande maioria dos chineses nunca existiu um deus transcendente. Por isso, a natureza é tudo para eles. A natureza e o divino formam um único mundo. E é dela que nasceram seus conhecimentos e crenças. Até mesmo a escrita chinesa é feita de imagens retiradas da natureza. Não se trata de uma convenção abstrata como a nossa.</p>
<p align="justify">Nos dias atuais, pelo andar da carruagem, podemos notar que não mais existe na China essa ligação tão profunda com a natureza, com antes. O que é profundamente lamentável. Apupos para a falsa a modernidade!</p>
<p align="justify"><u>Fonte de pesquisa:</u> Um Advinho me Disse/ Tiziano Terzani</p>
<p align="justify">Wikipédia</p>
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		<title>Play Time – Filme de Jacques Tati</title>
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		<comments>http://www.almacarioca.net/play-time-filme-de-jacques-tati/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 23:11:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[Para os apreciadores de cinema, aqui está a versão completa de Play Time, de Jacques Tati. Bom divertimento! sb_id = "3954";]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para os apreciadores de cinema, aqui está a versão completa de Play Time, de Jacques Tati. </p>
<p>Bom divertimento!</p>
<p><object width="640" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/nTlLR0jd-NI&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1?rel=0&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/nTlLR0jd-NI&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1?rel=0&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"></embed></object></p>
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<p><a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/8EfHIIOeIGIdwzCzphGtpZ22tA4/0/da"><img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/8EfHIIOeIGIdwzCzphGtpZ22tA4/0/di" border="0" ismap="true"></img></a><br/>
<a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/8EfHIIOeIGIdwzCzphGtpZ22tA4/1/da"><img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/8EfHIIOeIGIdwzCzphGtpZ22tA4/1/di" border="0" ismap="true"></img></a></p><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/almacarioca/SCzE/~4/ay4jghobrXk" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Filhos noturnos – Paulo Valença</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/almacarioca/SCzE/~3/uHRlYxK_9Dk/</link>
		<comments>http://www.almacarioca.net/filhos-noturnos-paulo-valenca/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 23:01:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Valença</dc:creator>
				<category><![CDATA[Paulo Valença]]></category>

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		<description><![CDATA[1 O Seu Toinho da barraca tudo sabe do que ocorre aqui no morro “Planeta dos macacos”. Conhece todos os moradores, inclusive, como cada um se conduz perante a própria vida. Sorrindo, se “gaba” disso para o negro Josuel que debruçado no balcão baixo, de madeira, encardido pelo tempo, escuta-o. -É isso aí cara. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">1</p>
<p style="text-align: justify;">O Seu Toinho da barraca tudo sabe do que ocorre aqui no morro “Planeta dos macacos”. Conhece todos os moradores, inclusive, como cada um se conduz perante a própria vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Sorrindo, se “gaba” disso para o negro Josuel que debruçado no balcão baixo, de madeira, encardido pelo tempo, escuta-o.</p>
<p style="text-align: justify;">-É isso aí cara. O que se passa por aqui, eu sei.  Sou observador&#8230; O rapazinho daquela casa ali na esquina, o filho de D. Marietinha, a viúva, é “maconheiro”. Avisa à mãe de que vai pra a escola, mas vai é se drogar nas praças. A coitada de D. Marietinha: viúva, operária da fábrica de papel e com uma cruz dessas!</p>
<p style="text-align: justify;">O outro nada responde. Escuta interessado e toma a bebida de um gole rápido.</p>
<p style="text-align: justify;">O barraqueiro continua falando:</p>
<p style="text-align: justify;">- A morena alta, magrinha, bonita, que mora aqui defronte, na casa azul é outra que tá dando preocupação aos pais, Seu Clóvis e D. Maria, sai com o namorado, o cara do carro cinza, importado, um ricaço e volta de madrugada&#8230; Nesses dias aparece de “barriga” ou o namorado não vem mais buscar ela.</p>
<p style="text-align: justify;">Faz uma pausa e, comercial:</p>
<p style="text-align: justify;">- Vai outra dose, Josuel?</p>
<p style="text-align: justify;">Sem mesmo esperar a resposta do freguês segura a garrafa e despeja o líquido no copo fino sobre o balcão.</p>
<p style="text-align: justify;">Então a mão grande segura o copo e leva-o aos lábios grossos, arroxeados, bebendo a aguardente num só gole.</p>
<p style="text-align: justify;">- Eita gota serena!</p>
<p style="text-align: justify;">O barraqueiro solta a gargalhada:</p>
<p style="text-align: justify;">- Essa é da boa, cara!</p>
<p style="text-align: justify;">Exclama à reclamação do Josuel, que aos poucos vai se tornando assíduo freguês. E retorna a falar:</p>
<p style="text-align: justify;">- O vigia Severino, que mora ali em cima, naquela casa branca e que cuida da Praça no Cordeiro, é outro malandro: finge que trabalha, mas na verdade, fica é de “olho” nas residências dos ricos para depois “passar o serviço” à turma do assalto. Tudo combinado&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Josuel aí sorri e quebra o mutismo, pois ao se embriagar, solta a língua, expondo-se:</p>
<p style="text-align: justify;">- Seu Toinho o senhor é mesmo um “xereteiro” de marca, sabe da vida de todos os moradores daqui.</p>
<p style="text-align: justify;">- Ora, esse menino, é a vida que ensina a gente a ficar assim. Vai outra?</p>
<p style="text-align: justify;">- Possa botar. Bem reforçada.</p>
<p style="text-align: justify;">A garrafa despeja o líquido branco, forte. A mão segura o copo. Os lábios recebem a bebida. E com a flanela, Seu Toinho esfrega o balcão.</p>
<p style="text-align: justify;">- Conheço tudo por aqui. A canalha toda.</p>
<p style="text-align: justify;">O automóvel cinza estaciona defronte à residência azul. E a mocinha apressada deixando o terraço entra nesse, que parte macio, para aonde?</p>
<p style="text-align: justify;">- A putinha saiu com o namorado&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- Eita língua ferina da peste!</p>
<p style="text-align: justify;">O barraqueiro sorri e volta a esfregar o balcão manchado pelo uso de anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Fora, a noite amadurece indiferente, superior a tudo.</p>
<p style="text-align: justify;">2</p>
<p style="text-align: justify;">As motos estacionam na praça.</p>
<p style="text-align: justify;">- A casa é aquela, com o velhote no terraço.</p>
<p style="text-align: justify;">Então o sujeito alto, magro se volta e encarando o outro negro, baixo, forte, ordena:</p>
<p style="text-align: justify;">- Vamos agir, irmão.</p>
<p style="text-align: justify;">Lado a lado encaminham-se ao portão largo ao centro do muro defronte à residência. E o negro pressiona a “cigarra”, chamando.</p>
<p style="text-align: justify;">- Quem é?</p>
<p style="text-align: justify;">Indaga a voz da senhora que acaba de adentrar na varanda, inocente da maldade humana.</p>
<p style="text-align: justify;">- Que é, o que deseja?</p>
<p style="text-align: justify;">Na cadeira, o rosto do enfermo se volta e, como se entendesse o perigo que os ameaça, tenta falar, contudo, não consegue e emite os sons roucos, incompreensíveis.</p>
<p style="text-align: justify;">- Já tou indo.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra vez fala a voz inocente.</p>
<p style="text-align: justify;">Os assaltantes aguardam já impacientes, enquanto afastado, sentado num dos bancos da praça, o vigilante segue a cena. E o adolescente chega para se drogar.</p>
<p style="text-align: justify;">O portão é aberto.</p>
<p style="text-align: justify;">3</p>
<p style="text-align: justify;">Ele está ali, na varanda, na cadeira de balanço.</p>
<p style="text-align: justify;">Magro, a cabeça branca, os braços compridos, as mãos secas, de unhas arroxeadas, a vista na praça defronte. Assemelha-se a imagem da angústia, de uma dor sem tamanho, pois não fala, apenas emite uns sons incompreensíveis, tudo em conseqüência de derrame recente. Em que pensará, assim sem se mover, dentro de uma tristeza que comove?</p>
<p style="text-align: justify;">Na sala vizinha, a mulher idosa, sua esposa, analisa-o, pensativa.  Quem lhe diria que numa hora futura, à tardinha, vertia o Dário desse jeito, um morto &#8211; vivo? Como a vida nos maltrata, como o futuro nos trai&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- Mamãe?</p>
<p style="text-align: justify;">Ela se volta, despertando ao presente e, fitando a moça que se parece com o pai – o rosto comprido, os traços corretos, os cabelos lisos, os gestos  nervosos de quando ele andava, movendo-se – inquire:</p>
<p style="text-align: justify;">-Que é, filha?</p>
<p style="text-align: justify;">A moça ocupa o sofá defronte e sorrindo, desejando mostrar naturalidade:</p>
<p style="text-align: justify;">- A senhora aí quietinha, calada&#8230; Pensando no papai?</p>
<p style="text-align: justify;">A mulher fugindo a atenção à varanda, ao marido que lhe parece, agora cochila, com o rosto caído sobre o peito batido pela magreza, então responde:</p>
<p style="text-align: justify;">- Estava, Ivete. O coitado do seu pai: naquela cadeira, mal se mexendo, sem falar&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Os olhos de repente se nublam e chora baixinho, se libertando.</p>
<p style="text-align: justify;">A filha entende-a e deixa-a chorar. Chorando, desabafa o que sente, liberta a voz do que a sufoca.</p>
<p style="text-align: justify;">Calada, respeita o choro baixinho, do desabafo.</p>
<p style="text-align: justify;">Na praça as luzes dos postes que a contorna, se acendem, no anúncio do nascimento de mais uma noite.</p>
<p style="text-align: justify;">Então se erguendo a moça se avizinha à mãe e lhe afaga a cabeça alva, de cabelos finos, ondulados, num gesto de carinho. E quebra o mutismo:</p>
<p style="text-align: justify;">- Mamãe a gente tem de se conformar. Deus saber o que faz&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">A idosa nada responde e chora.</p>
<p style="text-align: justify;">4</p>
<p style="text-align: justify;">Na praça, o adolescente chega e senta-se no banco próximo ao balanço e, abrindo a bolsa presa ao ombro esquerdo pela correia, retira o cigarro comprido e fechando a bolsa, busca o isqueiro no bolso da calça e acende-o. Fuma. Tragando a erva forte.</p>
<p style="text-align: justify;">Novo trago, que o faz sorrir, embalado na ilusão do bem-estar que se lhe apossa do corpo, vencendo-o.</p>
<p style="text-align: justify;">Sozinho na praça se volta a si mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Na varanda, do primeiro andar, da residência defronte, o velho na cadeira de balanço, tudo segue?</p>
<p style="text-align: justify;">- Que nada! O “coroa” é doente, tá “noutra!”.</p>
<p style="text-align: justify;">Sorri ante o desabafo, que lhe justifica o que faz. Da avenida próxima, chegam os sons dos veículos cruzando-a, mas é como se tudo fosse num outro mundo, num outro mundo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Novo sorriso. Outro trago. E o idoso deixa a cadeira. Devagarzinho, amparado no braço da mulher que se move com cautela, medindo os passos.</p>
<p style="text-align: justify;">- O “coroa” saiu. Deve ir jantar.</p>
<p style="text-align: justify;">O guarda estaciona a bicicleta e&#8230; Vem para cá? Ergue-se e em passos rápidos abandona a praça, temendo um provável aborrecimento.</p>
<p style="text-align: justify;">O guarda com o olhar analítico acompanha a figura magra do adolescente movendo-se com rapidez. E reflete. O “viciado” estava ali, se “drogando”. Deve ter “queimado” a aula, para se entregar ao vício. Mas, cada um com a própria vida&#8230; E foge a atenção à varanda defronte, no primeiro andar da residência murada, de portão ao centro.</p>
<p style="text-align: justify;">O doutor Dário deve estar jantando ou no quarto, o terraço está vazio&#8230; Um homem rico e de repente, com o derrame, se encontra sem falar! Mas&#8230; O casal jovem chega no automóvel cinza, que estaciona à esquerda, no meio-fio da praça.</p>
<p style="text-align: justify;">- Os safadinhos&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Dentro do veículo o casal se entrega às carícias, protegido pelo vidro fumê, dos olhares indiscretos.</p>
<p style="text-align: justify;">Como se nada percebesse, o vigilante se move, contornando a praça, no fingimento de que a protege, enquanto a noite amadurece na marcha de sempre.</p>
<p style="text-align: justify;">Na varanda, a cadeira vazia se assemelha à tristeza de uma aflitiva interrogação.</p>
<blockquote><p>Lu Dias BH disse:<br />
Paulo Valença O escritor dos contos curtos<br />
Você é o escritor de seu tempo.</p></blockquote>
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		<title>Jacques Cousteau</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 22:58:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Afonso</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Amazônia pode ser dividida em duas fases: antes e depois de Jacques Cousteau. O seriado, exibido pela TV Globo, fez grande sucesso e levou aos brasileiros um mundo desconhecido. O boto cor-de-rosa fascinou Cousteau e ganhou grande espaço no filme. Cousteau é o personagem de hoje do Blog do Timoneiro. De quebra, 20 minutos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_19815" class="wp-caption alignright" style="width: 224px"><a href="http://www.almacarioca.net/wp-content/uploads/2010/07/cousteau.jpg"><img class="size-full wp-image-19815" title="Jacques Cousteau" src="http://www.almacarioca.net/wp-content/uploads/2010/07/cousteau.jpg" alt="Jacques Cousteau" width="214" height="213" /></a><p class="wp-caption-text">Jacques Cousteau</p></div>
<p>A Amazônia pode ser dividida em duas fases: antes e depois de <strong>Jacques Cousteau</strong>. O seriado, exibido pela TV Globo, fez grande sucesso e levou aos brasileiros um mundo desconhecido. O boto cor-de-rosa fascinou Cousteau e ganhou grande espaço no filme.</p>
<p>Cousteau é o personagem de hoje do <a title="Blog do Timoneiro" href="http://www.blogdotimoneiro.com.br/jacques-cousteau/" target="_blank">Blog do Timoneiro</a>. De quebra, 20 minutos do seriado &#8220;<strong>A Amazônia de Jacques Cousteu</strong>&#8220;.</p>
<p>Agradeço a Lu Dias pela sugestão, pesquisa e texto.</p>
<p><strong>Leia também:</strong></p>
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