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	<description>Agência de jornalismo independente na Amazônia</description>
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		<title>Mulheres indígenas são alvos da violência e omissão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 12:44:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Série histórica analisada pelo Atlas da Violência 2026 revela crescimento de exploração sexual, estupros e feminicídios contra mulheres e meninas indígenas no Brasil, enquanto lideranças da Amazônia Legal denunciam a relação entre crimes de gênero, invasão de territórios, falta de investigações dos casos e ausência do poder público.</p>
<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/mulheres-indigenas-sao-alvos-da-violencia-e-omissao/">Mulheres indígenas são alvos da violência e omissão</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus (AM) &#8211; </strong>Em novembro de 2020, repercutiu no país o assassinato por violência sexual da menina indígena <a href="https://amazoniareal.com.br/morte-de-menina-satare-mawe-expoe-violencia-sexual-dentro-dos-territorios/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ana Beatriz Rayol de Souza, de 5 anos, dentro de seu próprio território</a>, na Terra Indígena Andirá Marau, do povo Sateré-Mawé, localizada nos municípios de Barreirinha e Maués, no Amazonas. A exposição cotidiana de mulheres e meninas indígenas aos casos de estupros, abusos, agressões e feminicídios faz parte de uma realidade que atravessa os territórios em diferentes regiões brasileiras, com atenção alarmante para o Norte: a violência continua crescendo, muitas vezes sob a ótica da omissão. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Naquele mesmo ano, mas em dezembro, Myriwekwde Karajá, do povo Iny Karajá, foi vítima de violência física no estado do Tocantins. Aos 36 anos, ela foi espancada pelo marido, também indígena, sofrendo politraumatismo e hemorragia interna. Após passar por internações em dois hospitais de cidades diferentes, Myriwekwde morreu, em janeiro de 2021, vítima de feminicídio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2023, o assassinato da adolescente Maria Clara Batista, de 15 anos, do povo Karipuna, também repercutiu. Ela <a href="https://amazoniareal.com.br/mulheres-indigenas-denunciam-violencia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">foi vítima fatal de violência sexual </a>por um pescador não-indígena, no município de Oiapoque, município do extremo norte do Amapá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No ano seguinte, veio o alerta: a taxa de homicídios entre indígenas no Brasil foi de 24,6 por 100 mil habitantes, 22% superior à média nacional, segundo dados do<a href="https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2026/05/atlas-violencia-2026-relatorio-completo.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Atlas da Violência 2026</a>. Ao mesmo tempo, os registros de violência sexual contra mulheres e meninas indígenas cresceram de forma expressiva e acelerada na última década, evidênciamdo que os assassinatos delas não são casos isolados.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-55.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-55-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-171687" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-55-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-55-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-55-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-55-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-55.jpg 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Mulheres Indígenas e não indígenas marcham juntas durante o 8 de março em Manaus (Foto: Juliana Pesqueira/ Amazônia Real/2026).</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Entre 2014 e 2024, as notificações desse tipo de violência passaram de 115 para 669 em todo o país, um crescimento de 481% em apenas 11 anos, segundo o levantamento elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a violência física, uma das formas mais recorrentes de agressão contra mulheres indígenas, saltou de 359 casos registrados em 2014 para 1.330 em 2024, um aumento de cerca de 270%.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cleocimara Reis Gomes, ativista do povo Piratapuia e coordenadora geral do <a href="https://foirn.org.br/mulheres/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN)</a>, vinculado à Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), explica que a recorrente vitimização de mulheres indígenas encontra solo fértil na persistência de processos coloniais que as tornam vulneráveis em seus próprios territórios.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Invasões de terras, exploração predatória de recursos naturais e a presença do crime organizado em áreas remotas que carecem de proteção estatal estão entre os fatores que impulsionam o aumento da violência na Amazônia Legal, que inclui os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da violência doméstica, mulheres e meninas indígenas convivem com a entrada de garimpeiros, madeireiros, pescadores e caçadores ilegais nos territórios, o que amplia as violações contra seus corpos e vidas, especialmente em regiões transfronteiriças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É um impacto forte dentro do território para a população indígena e principalmente para as mulheres, que sofrem mais. O garimpo impacta, o narcotráfico impacta com certeza. É preocupante, por causa do assédio e da violência sexual. Também existe a preocupação do uso do mercúrio no garimpo e outras ferramentas que são utilizadas para poluir o meio ambiente”, declarou Cleocimara à <strong>Amazônia Real.</strong></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Realidade brutal</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Marinete Tukano, liderança indígena e atual Coordenadora-Geral da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (UMIAB), a precariedade na educação e na saúde, somada às dificuldades econômicas das comunidades e à falta de fortalecimento da autonomia financeira das mulheres, amplia ainda mais a vulnerabilidade e o avanço da violência nos territórios.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/DSC00896-7.jpg"><img decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/DSC00896-7-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-173728" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/DSC00896-7-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/DSC00896-7-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/DSC00896-7-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/DSC00896-7-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/DSC00896-7-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/DSC00896-7.jpg 1620w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Marinete Tukano participa do Ato Nacional Mulheres Vivas em Manaus, mobilização que marcou o mês de dezembro em todo o país contra o feminicídio (Foto: Juliana Pesqueira/Amazônia Real/2025)</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">“Tem um ponto chave no aumento da violência contra as mulheres indígenas dentro do território, que tem muito a ver com a questão financeira e com a questão da saúde e da educação. Acaba tendo essa fragilidade da educação não qualificada, da saúde também não qualificada [nas comunidades]. E com isso cresce a violência dentro dos territórios indígenas”, avaliou</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há seis anos, as mulheres do movimento indígena já haviam alertado para o aumento das violências contra as indígenas na região amazônica. O <a href="https://amazoniareal.com.br/pesquisa-revela-uma-decada-de-violencia-contra-mulheres-indigenas-em-sao-gabriel-da-cachoeira/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Projeto Mulheres Indígenas, Gênero e Violência no Rio Negro</a>, elaborado em 2020 pelo DMIRN, indicou como no Amazonas a violência avançou nos municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, na região do Alto Rio Negro, no Amazonas. Na área vivem indígenas de 23 povos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um episódio mais recente, em janeiro de 2025, <a href="https://amazoniareal.com.br/violencia-de-genero-entre-indigenas-no-amazonas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o assassinato da indígena Rosimar Santos de Oliveira, do povo Baré, comoveu</a> o município de Barcelos, também no Amazonas, onde está localizado parte da Terra Indígena Yanomami. Rosimar foi vítima fatal de um estupro coletivo cometido por homens indígenas do povo Yanomami. Foi a primeira vez que houve registro de crime de estupro coletivo entre povos indígenas, assim como também foi inédito o registro de violência de gênero por parte de indígenas Yanomami em contexto urbano ou dentro dos territórios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da mudança brusca nos dados de violência sexual, que, segundo os pesquisadores do Atlas da Violência 2026, pode indicar tanto a ampliação dos casos quanto uma melhora na capacidade de registro e denúncia, a pesquisa indica que os mais de 600 casos de estupro registrados em 2024 apontam para um agravamento qualitativo da violência, com maior incidência de formas mais graves e invasivas de agressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A violência sexual contra <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2025/11/26/adolescente-indigena-e-vitima-de-estupro-coletivo-no-interior-do-am.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">contra uma adolescente indígena do povo Kulina, de 12 anos</a>, chocou as mulheres do movimento indígena do Amazonas em novembro de 2025. Ela foi vítima de estupro coletivo na comunidade Mapiranga no município de Juruá, interior do Amazonas. Segundo a Polícia Civil, ao menos oito adolescentes, todos do mesmo povo, já foram identificados como suspeitos de envolvimento no caso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes, em janeiro de 2024, Raimundo Nonato Oliveira, tuxaua do povo Mura da aldeia Muratuba, na região do Lago do Acará, em Autazes, interior do Amazonas, foi preso&nbsp; pelo crime de estupro de vulnerável recorrente contra <a href="https://amazoniareal.com.br/justica-federal-mantem-prisao-de-tuxaua-mura-acusado-de-abuso-sexual/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">quatro mulheres</a> Mura, inclusive uma criança de oito anos. As vítimas pediram proteção, alegando correrem risco de vida na comunidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No mesmo mês daquele ano, a Secretaria Municipal de Segurança Pública de Benjamin Constant, na região da tríplice fronteira – Brasil, Colômbia e Peru no Alto Solimões, no Amazonas, localizou <a href="https://amazoniareal.com.br/crime-brutal-contra-familia-tikuna/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">os corpos de uma mãe, de 28 anos, e do filho, de 4 anos, ambos indígenas do povo Tikuna</a> de nacionalidade colombiana. A mulher tinha marcas de tiros no corpo e a criança teve o pescoço degolado.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Crimes subnotificados</strong></h3>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-72.jpg"><img decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-72-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-171704" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-72-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-72-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-72-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-72-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-72.jpg 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Mulheres Indígenas e não indígenas marcham juntas durante o 8 de março em Manaus (Foto: Juliana Pesqueira/ Amazônia Real/2026).</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Com base em registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, o Atlas da Violência 2026 aponta o crescimento contínuo da violência contra mulheres indígenas ao longo da série histórica, com oscilações entre 2020 e 2021, possivelmente associadas aos impactos da pandemia de Covid-19, à intensificação da vulnerabilidade das vítimas e às dificuldades de notificação dos crimes naquele período. Nos anos seguintes, os registros voltaram a crescer de forma acelerada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, a violência contra as mulheres e meninas indígenas não se limita à dimensão física, porque envolve ainda múltiplas formas de violação, entre elas a negligência e a violência psicológica. Embora os números absolutos de negligência e violência psicológica sejam menores, a pesquisa indicou crescimento dos registros entre 2014 e 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A negligência, causada pela falta ou ausência de cuidados com meninas e mulheres, passou de 21 para 168 casos, enquanto a violência psicológica cresceu de 23 para 155. Esses tipos de violência são historicamente subnotificados, o que sugere que seu aumento pode refletir, além de maior ocorrência, uma expansão das categorias de reconhecimento institucional da violência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Denunciar casos de violência continua sendo uma das principais barreiras enfrentadas por mulheres indígenas na Amazônia brasileira. Distâncias geográficas, acesso limitado aos serviços públicos e a ausência de estruturas preparadas para atender as especificidades dos povos indígenas contribuem para que muitos casos permaneçam invisíveis aos sistemas oficiais de proteção e justiça.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A liderança Marinete Tukano também chama atenção para situações em que a vítima é retirada de sua comunidade para garantir sua segurança, enquanto o autor da violência permanece circulando livremente na aldeia ou no município. Na avaliação da coordenadora da UMIAB, essa dinâmica acaba penalizando as mulheres e se repete não apenas entre indígenas, mas também entre ribeirinhas, quilombolas e mulheres periféricas da Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Tem comunidades e aldeias que não tem nem acesso nem pelo rio e nem por via terrestre, somente por via aérea. Temos também um sistema de segurança pública ainda inapto e falho para os povos indígenas, justamente porque não tem essa sensibilidade cultural e linguística que possa atender essas vítimas das violências”, explicou.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Desprotegidas</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da escalada da violência e da falta de proteção por parte do Estado, as mulheres do Alto Rio Negro se mobilizam para ocupar espaços de incidência política do movimento indígena, participando de eventos centrais como o Acampamento Terra Livre (ATL) e a Marcha das Mulheres Indígenas, organizada pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA). O objetivo é conseguir apoio para que as mulheres rionegrinas tenham condições de acolhimento e proteção em seus territórios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Em 2024 entregamos uma carta aos Ministérios reivindicando a construção de uma casa de acolhimento para a mulher indígena dentro do rio Negro. São sonhos e reivindicações que continuamos defendendo, porque o Departamento de Mulheres recebe mulheres em situação de vulnerabilidade”, explicou Cleocimara Reis.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/CLEOCIMARA-REIS-scaled-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/CLEOCIMARA-REIS-scaled-1-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-173710" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/CLEOCIMARA-REIS-scaled-1-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/CLEOCIMARA-REIS-scaled-1-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/CLEOCIMARA-REIS-scaled-1-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/CLEOCIMARA-REIS-scaled-1-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/CLEOCIMARA-REIS-scaled-1-2048x1366.jpg 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/CLEOCIMARA-REIS-scaled-1-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Cleocimara Reis Gomes(Piratapuia) (Foto: Reprodução/FOIRN).</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a liderança, o departamento busca ajudar as mulheres indígenas vítimas de violência melhor forma possível, mas ainda enfrenta limitações estruturais. “Não temos um lugar próprio, um espaço adequado para receber ou dar assistência a essas mulheres dentro da Foirn. Então, tentamos fazer esse diálogo com CRAS [Centro de Referência de Assistência Social], delegacia e outros órgãos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As lideranças indígenas têm discutido também mecanismos de proteção para garantir a segurança das mulheres indígenas tanto nos territórios demarcados quanto nas áreas urbanas da Amazônia. Uma dessas reivindicações é a criação de delegacias e estruturas especializadas para atender mulheres indígenas vítimas de violência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Não se trata de favoritismo, mas de um atendimento específico que respeite a cultura e a oralidade de cada povo, garantindo sensibilidade desde o momento em que a denúncia é acolhida nas delegacias. Nós precisamos de delegacias nos municípios que sejam qualificadas, com equipes técnicas sensibilizadas para as realidades indígenas, além da contratação de intérpretes indígenas, especialmente mulheres, para auxiliar no atendimento e no registro das denúncias”, complementou Marinete Tukano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para tentar frear o avanço da violência contra as mulheres no Alto Rio Negro, o DMIRN lançou, em novembro de 2024, o livreto <a href="https://acervo.socioambiental.org/acervo/publicacoes-isa/cuidados-e-prevencao-no-enfrentamento-violencia-contra-mulheres-no-rio-negro" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“Cuidados e prevenção no enfrentamento à violência contra mulheres no Rio Negro”</a>, material informativo construído a partir de diálogos e reflexões sobre gênero e violências ocorridas entre as mulheres rionegrinas dos vários povos da região.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A publicação foi organizada pelo DMIRN em parceria com o Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA) e a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), e traz uma caracterização das violências contra as mulheres a nível local, em seus territórios.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Resposta estatal</strong></h3>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-69.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-69-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-171701" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-69-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-69-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-69-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-69-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-69.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Mulheres Indígenas e não indígenas marcham juntas durante o 8 de março em Manaus (Foto: Juliana Pesqueira/ Amazônia Real/2026).</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Para Marinete Tukano, o enfrentamento à violência contra mulheres indígenas passa pela atuação conjunta da sociedade civil e do Estado, com a criação de protocolos de proteção adaptados às realidades de cada povo e território e oficinas de sensibilização de homens. Isso inclui os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs), além de políticas públicas voltadas para as mulheres indígenas que vivem em contextos urbanos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Tem que trabalhar uma segurança pública diferenciada para as mulheres que moram dentro dos territórios demarcados, inclusive com atenção máxima para as mulheres que são de territórios transfronteiriços e territórios que estão sendo invadidos diariamente. Isso tudo para poder combater o narcotráfico, combater o tráfico humano, combater o alcoolismo e diversos fatores que estão prejudicando as crianças, os anciãos, as mulheres e os homens nesse processo todo”, ressaltou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em abril deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) <a href="https://www.gov.br/mulheres/pt-br/central-de-conteudos/noticias/2026/abril/presidente-lula-sanciona-tres-leis-que-ampliam-protecao-a-mulheres-indigenas-e-reforcam-combate-a-violencia-domestica-e-familiar" target="_blank" rel="noreferrer noopener">sancionou três leis</a> que ampliam a proteção às mulheres e reforçam o combate à violência doméstica e familiar, com medidas específicas voltadas às mulheres indígenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O pacote inclui a obrigatoriedade de monitoramento eletrônico de agressores, a tipificação do homicídio vicário como crime hediondo e a criação do <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/04/10/criado-o-dia-nacional-de-protecao-e-combate-a-violencia-contra-as-mulheres-e-meninas-indigenas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra Mulheres e Meninas Indígenas</a>, a partir do Projeto de Lei nº 102/2023, de autoria da deputada federal indígena Célia Xakriabá (PSOL/MG).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora celebrado anualmente em 5 de setembro, data que já marca o Dia Internacional da Mulher Indígena, o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra Mulheres e Meninas Indígenas busca incentivar a criação de políticas públicas específicas, fortalecer mecanismos de proteção e ampliar a visibilidade das pautas indígenas na promoção e garantia de direitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Nós sabemos que as mulheres indígenas sofrem violência desde 1500. Quando mata uma mulher indígena, é mais do que feminicídio, é etnocídio, por conta das nossas identidades. Quem mata mulher indígena, mata a terra”, <a href="https://www.instagram.com/reel/DW6zfILkbZI/?igsh=MW9ta25mcnEycXR5dw==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">afirmou a deputada</a> na ocasião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra iniciativa voltada à proteção estatal das mulheres indígenas são as <a href="https://www.gov.br/mulheres/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/casa-da-mulher-indigena" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Casas da Mulher Indígena (CAMIs),</a> projeto do Ministério das Mulheres, firmado em 2023, para oferecer serviço especializado da rede de atendimento às mulheres em situação de violência, de acordo com as peculiaridades dos territórios indígenas e das diversas formas de violência que as atingem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As novas leis e as CAMIs estão alinhadas ao <a href="https://www.gov.br/mulheres/pt-br/central-de-conteudos/noticias/2026/fevereiro/ministerio-das-mulheres-integra-pacto-com-os-tres-poderes-para-fortalecer-o-enfrentamento-ao-feminicidio" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pacto Brasil contra o Feminicídio</a> (Decreto nº 12.839/2026), que reúne os Três Poderes da República &#8211; Executivo, Legislativo e Judiciário &#8211; para a adoção de ações de enfrentamento do feminicídio e para a garantia da vida de mulheres e meninas brasileiras.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-7.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-7-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-171639" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-7-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-7-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-7-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-7-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-7.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Mulheres Indígenas e não indígenas marcham juntas durante o 8 de março em Manaus (Foto: Juliana Pesqueira/ Amazônia Real/2026).</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Esta reportagem foi produzida com recursos do Prêmio Culturas de Resistência, concedido este ano à agência Amazônia Real por Iara Lee, ativista, cineasta e fundadora/diretora da&nbsp;</em><a href="http://culturesofresistance.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong><em>Rede Culturas de Resistência</em></strong></a>,&nbsp;<em>para apoiar uma série de cinco trabalhos relacionados aos direitos dos povos tradicionais, justiça social, violação de direitos humanos e meio ambiente.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Leia as reportagens desta série</strong>:</h3>



<h3 class="wp-block-heading"><a href="https://amazoniareal.com.br/justica-diagnostico-barcarena-contaminacao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Barcarena espera por reparação</strong></a></h3>



<h3 class="wp-block-heading"><a href="https://amazoniareal.com.br/o-cerco-aos-quilombolas-no-vale-do-guapore/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>O cerco aos quilombolas no Vale do Guaporé</strong></a></h3>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: Os textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência Amazônia Real estão licenciados com uma</em><a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nd/4.0/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional&nbsp;</em></a><em>(CC BY ND 4.0), e podem ser republicados na mídia: jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura; com o crédito do autor e da agência Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença e precisam de autorização dos autores.</em></p>



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<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/mulheres-indigenas-sao-alvos-da-violencia-e-omissao/">Mulheres indígenas são alvos da violência e omissão</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
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		<item>
		<title>Trump enquadra CV e PCC para chantagear por minérios da Amazônia</title>
		<link>https://amazoniareal.com.br/trump-enquadra-cv-e-pcc-para-chantagear-por-minerios-da-amazonia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 21:21:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em entrevista à Amazônia Real, o pesquisador Aiala Couto, especialista em atuação do narcotráfico em territórios indígenas e quilombolas, afirma que o governo norte-americano visa impor estratégia política e econômica por meio de intimidação, além de interferir nas eleições do País.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus (AM)</strong> – O enquadramento do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelo governo norte-americano entrou em vigor na sexta-feira (5). As duas facções sediadas no Brasil passam a fazer parte de uma lista unilateral dos Estados Unidos composta por Hamas, Hezbollah e Al Qaeda, além de cartéis latino-americanos, como Tren de Aragua, da Venezuela, e Sinaloa, do México. A medida, que repete estratégias de sanções econômicas e pressões políticas adotadas <a href="https://amazoniareal.com.br/trump-ataca-a-venezuela-prende-maduro-e-leva-tensao-a-amazonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mais radicalmente na Venezuela</a>, abre caminho para uma potencial interferência nos interesses soberanos do Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Aiala Couto, pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor da Universidade do Estado do Pará (UEPA), a classificação funciona como uma “chantagem geopolítica” de Donald Trump para tentar forçar o Estado brasileiro a aceitar a exploração de recursos naturais estratégicos, com foco especial nas reservas de terras raras localizadas no norte e oeste da Amazônia. A região detém as <a href="https://amazoniareal.com.br/terras-indigenas-da-amazonia-sao-alvos-de-pesquisas-sobre-terras-raras/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">maiores reservas desse minério</a> do País.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Referência em estudos sobre narcotráfico e atuação de facções na Amazônia, Aiala Couto detalha como as estas organizações criminosas servem de pretexto para o avanço dos interesses econômicos de Washington no ano em que o Brasil enfrenta um cenário de disputas eleitorais. Couto é geógrafo, com mestrado em Planejamento do Desenvolvimento pela Universidade Federal do Pará (UFPA), e doutorado em Ciências do Desenvolvimento Socioambiental e pós-doutorado em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Também é diretor do Instituto Mãe Crioula. Ele e sua equipe de autores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública elaboraram a publicação <a href="https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2025/11/cartografias-violencia-amazonia-2025.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“Cartografias da Violência na Amazônia”,</a> cuja edição mais recente é de novembro de 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com dados do estudo do Fórum, CV e PCC &#8211; grupos originários do sudeste -, destacam-se entre 17 facções identificadas na Amazônia brasileira na atualidade. As<a href="https://amazoniareal.com.br/faccoes-na-amazonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> duas facções exploram há mais de uma década</a> as “vulnerabilidades amazônicas” e estão em “crescente interconexão com crimes ambientais, especialmente em terras indígenas”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pesquisadores identificaram que o CV mantém hegemonia nas rotas fluviais, especialmente no eixo do rio Solimões, em articulação com a produção peruana e os cartéis colombianos. O PCC, por sua vez, tem intensificado o uso de rotas aéreas clandestinas, aproveitando pistas de pouso em garimpos ilegais e unidades de conservação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Amazônia, <a href="https://amazoniareal.com.br/especiais/ameaca-do-trafico/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">facções combinam negócios ilícitos com violência, imposição de medo, aliciamento</a>, domínio de territórios e extorsão visando benefícios econômicos e manutenção da atividade clandestina.</p>





<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/02/aiala-colares3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="853" height="568" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/02/aiala-colares3.jpg" alt="" class="wp-image-157943" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/02/aiala-colares3.jpg 853w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/02/aiala-colares3-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/02/aiala-colares3-768x511.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/02/aiala-colares3-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 853px) 100vw, 853px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Pesquisador Aiala Couto (Foto: Felipe Martins/TEDxAmazônia)</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Leia a entrevista concedida na semana passada por Aiala Couto à <strong>Amazônia Real</strong>:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amazônia Real – Como você avalia o enquadramento do CV e do PCC como terroristas pelo governo Trump?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aiala Couto</strong> &#8211; É uma questão geopolítica e histórica. O Brasil, nos últimos anos, antes do governo Bolsonaro, fez uma política de aproximação com a China e de afastamento com os Estados Unidos. Claro que não foi um rompimento total, mas uma perspectiva de se aproximar mais do mercado chinês, aceitar investimento e criar estratégias unificadas de cooperação geopolítica internacional. Eu acho que os Brics [bloco de alianças que tem Brasil, Índia, China, Rússia, entre outros países] são um exemplo disso. Essa perspectiva dos Brics vai criar uma estratégia geopolítica do Brasil enquanto potência regional de unificar mercados na América do Sul e expandir a influência do Brasil sobre os países da América Latina. A China se aproxima da América Latina e começa a se tornar um investidor em potencial, sobretudo em investimento em infraestrutura e energia. Hoje, essa disputa entre Estados Unidos e China coloca o Brasil no centro da discussão. Antes da intervenção na Venezuela, foram anunciados bilhões de investimento da China para triplicar a produção de petróleo venezuelano. Os Estados Unidos invadem antes do investimento. No Brasil existe cada vez mais uma aproximação entre Brasil e China e a China apresenta a maior concentração de terras raras de minérios do planeta e depois o Brasil. São minérios essenciais para energia renovável, da tecnologia espacial, setor bélico, fábrica eletrônica, e que é de interesse também dos Estados Unidos. O Brasil tem a concentração de minério, mas não tem tecnologia suficiente para exploração.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amazônia Real – Pode explicar melhor essa estratégia?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aiala Couto</strong> &#8211; Esse anúncio é uma estratégia geopolítica para afetar essa influência geopolítica chinesa. Quais são os possíveis impactos? Muitas pessoas não entenderam esses impactos. Existe uma questão que envolve bloqueio financeiro, prisões, etc. Bancos privados brasileiros que atuam nos Estados Unidos, se forem acusados de lavar dinheiro do crime organizado, do tráfico de drogas no CV e PCC, vão ser acusados de grupos que favorecem os crimes e sofrerão sanções, assim como o setor do agronegócio que fornece químicos. Se essa empresa for acusada pela inteligência norte-americana porque ela fornece produtos para beneficiar a droga de CV e PCC, também será afetada do ponto de vista econômico e jurídico. Mas ninguém atentou que, para mim, isso pode ser utilizado como uma válvula de escape para criar uma postura protecionista no mercado norte-americano e não apenas uma questão de poder interferir no território brasileiro ou na política de combate ao terrorismo global. E as pessoas bateram palmas, aplaudiram sem entender o real significado do que seria esse reconhecimento por parte do governo norte-americano em relação ao PCC e ao Comando Vermelho como grupos terroristas internacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amazônia Real – Quem vai fazer o trabalho de identificar essas tais ‘irregularidades’?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aiala Couto </strong>&#8211; A inteligência norte americana, a CIA. Foram eles que falaram que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, era chefão do tráfico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amazônia Real &#8211;&nbsp; Quando a decisão do Trump foi anunciada, logo veio o receio de uma interferência na região amazônica, um pretexto para afetar a soberania do País e coisas assim. O que acha?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aiala Couto</strong> &#8211;&nbsp; A maior concentração de terras raras está aqui na região amazônica, na parte norte e oeste do Amazonas. Ele já invadiu a Venezuela sem provas de que o presidente [Nicolas Maduro] era líder da facção do tráfico de drogas. Então, invadir o Brasil não é uma novidade se isso acontecer. Mas são questões diferentes a serem observadas. O Brasil é mais pacífico e democrático. O Brasil tem muitos aliados internacionais. Isso não pegaria positivamente para os Estados Unidos. Então, eu diria que é uma questão de correlação de forças, de intimidação diante do cenário político que se encontra o Brasil hoje, no ano de eleição. É também uma forma de tirar atenção do Flávio Bolsonaro e do caso do Banco Master, que foi pedir apoio do Trump.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amazônia Real &#8211;&nbsp; É possível que o Trump faça uma intervenção no Brasil para extrair os recursos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aiala Couto</strong> &#8211; Eu acho que no Brasil não seria tão fácil assim. O Brasil tem muitos aliados internacionais, como China e União Europeia. Então, diferentemente da Venezuela, o Brasil não pode representar risco para ninguém, nem para os próprios Estados Unidos. Eu vejo muito mais isso como uma cortina de fumaça. Chamo isso de chantagem geopolítica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amazônia Real &#8211; Para obter o quê?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aiala Couto</strong> &#8211; Para obter os interesses que ele tem, que é explorar os recursos, mas de forma democrática, ou seja, dialogando com o Brasil [usando a chantagem]. O que não torna tão democrático assim.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amazônia Real &#8211; Forçando o Brasil a tentar negociar oferecendo algo em troca?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aiala Couto –</strong> É isso. Matou a charada. O que o governo americano quer é que o Brasil aceite que os Estados Unidos têm a tecnologia para explorar os recursos naturais na Amazônia em relação aos minérios raros.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amazônia Real &#8211; Por que não é possível equiparar PCC e do CV a organizações terroristas já conhecidas, como Hamas ou Al Qaeda?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aiala Couto</strong> &#8211; Por excelência, as organizações criminosas têm uma definição que se dá pela questão hierárquica de organização, pela busca do poder financeiro e do poder estratégico de controle territorial. Os grupos terroristas são grupos que têm uma postura política e ideológica. Eles procuram criar um Estado independente e conseguir fragmentar o território; criar uma outra estrutura de poder de controle a partir do que é dentro de uma dimensão que é simbólica. Não é a mesma coisa que acontece com as facções criminosas. O terrorismo é um problema de segurança nacional. Elas são problemas de segurança pública e são coisas diferentes. Então, o problema de segurança pública, o Brasil tem que resolver enquanto Estado nacional e não os Estados Unidos interferindo dizendo que é um grupo terrorista.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amazônia Real – Como facções como PCC e CV operam?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aiala Couto</strong> &#8211; O interesse é na venda de droga, lavagem de dinheiro e no controle territorial específico para manter o mercado local da cocaína.&nbsp; As facções criminosas são uma questão periférica dentro desse cenário porque hoje os grandes estrategistas do mercado de tráfico de drogas estão fora dessa zona de conflito. Eles não moram na favela.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amazônia Real &#8211; Eles estão onde e quem são eles?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aiala Couto –</strong> Estão nos prédios de luxo, nos condomínios fechados. Quem mais ganha com o tráfico são os intermediários, que fazem essa interligação com a droga que sai daqui do Brasil e chega, por exemplo, na Bélgica. Ela entra no Brasil a 22 mil reais e chega a 400 mil reais na França.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amazônia Real – Quem são esses intermediários?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aiala Couto &#8211;</strong> Tem muito empresário que lava dinheiro com criptomoeda, com bitcoin e lava dinheiro com fazenda de soja. Aí constrói uma pista de pouso lá dentro para receber droga. Tu achas que são os caras que estão na periferia de Manaus? Tu achas que é o cara que está no morro do Rio de Janeiro? Essa galera é um outro pessoal. Não tem interesse realmente em questão que associe eles ao terrorismo. Jamais terão. Tu achas que é o cara do Rio de Janeiro que está lá na Europa fazendo tráfico de drogas? O tráfico representa hoje 1% do PIB mundial. Tu achas que esse cara da periferia que faz isso é o cara que está preso, esse cara preto ou indígena periférico que está encarcerado no meio do calor desgraçado no presídio? Esse intermediário é um outro articulador que tem negócios, que tem empresa, que é acima de qualquer suspeita. Consegue movimentar essa rede. E aí esse conflito aqui tira a atenção. Está todo mundo jogando pra cá e tirando atenção de uma estratégia que será muito mais eficaz, que é aprimorar o sistema de inteligência no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amazônia Real – Quais as consequências para este contexto de ano de eleição?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aiala Couto</strong> – Isso vai ter uma influência muito forte na eleição, porque você não sabe o que vai se situar nessa disputa política. O Brasil vai automaticamente criar estratégias de combate ao crime organizado que vão ser muito mais em função dessa pressão do que em função de uma autonomia ou de uma vontade própria. O assunto tem apelo popular. Todo mundo que perdeu um parente para o crime organizado chama de terrorismo. É um senso de justiça, que acha que o Brasil não resolve. Se não resolve, chama alguém para resolver.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amazônia Real – Como as facções e o crime organizado atuam na Amazônia?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aiala Couto &#8211;</strong> A expansão das facções criminosas na Amazônia é resultado de um processo que se dá a partir do sistema prisional, ou seja, a partir do cárcere, onde começa a ocorrer alianças que vão ser estabelecidas entre esses grupos da região Sudeste &#8211; Comando Vermelho, PCC &#8211;&nbsp; com os grupos locais. E essas alianças acabam deslocando esses grupos para atuar em estados da região amazônica. Esses grupos mais locais que atuam na região vão sendo incorporados a esses grupos maiores, com predomínio do Comando Vermelho, que é o que mais se expandiu por toda região amazônica, mas com uma certa resistência de alguns grupos locais, como por exemplo o Terror do Amapá e o Comando Classe A, que atua no Pará, a partir da região de Altamira. No caso do Amazonas, a Família do Norte (FDN) não resistiu. Ela praticamente não existe mais. O Comando Vermelho se tornou hegemônico. De vez em quando o PCC passa a disputar as estratégias de controle das rotas do tráfico de drogas na região. Então a disputa se dá em função da necessidade de controlar essas rotas que passam pelos rios e utilizam rodovias, estradas, passando por cidades e utiliza também pistas de pouso clandestinas até chegar nos principais portos de exportação, tanto para mercados europeus para atender mercado europeu e africano, quanto para atender o mercado local e o mercado brasileiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amazônia Real – As facções possuem algum tipo de apoio ou facilitação das estruturas do poder para operar?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aiala Couto</strong> &#8211; Acho que seria bem radical apontar esse caminho, porque acredito que não é bem dessa forma que funciona, embora eu acredite que o narcotráfico tem relações com instituições públicas e privadas quando ele se infiltra nas estruturas de poder. O poder econômico que o tráfico de drogas movimenta e a sua capacidade financeira de investimento acaba, de certa forma, corrompendo as estruturas do poder. Então corrompe um Judiciário, os agentes de segurança pública, as representatividades políticas em nível de Estado e agentes privados. Isso é algo que a gente não pode negar em função da rentabilidade que o tráfico tem enquanto recurso financeiro. Mas também a gente não pode fechar os olhos para o fato de que, nos últimos anos, com essa presença cada vez maior do crime organizado na região, de facções criminosas, esse mercado latente do consumo de cocaína, naturalmente você tem também o tráfico de drogas e acaba por modificar algumas estruturas, inclusive com influência. Por exemplo, interferindo nas campanhas políticas, como aconteceu nos Estados do Amazonas e do Pará, onde alguns bairros e municípios, determinados candidatos eram proibidos de fazer campanha. E isso acaba, de certa forma, chamando a atenção para até que ponto determinados agentes políticos não tinham interesse nesse tipo de tipo de coerção do tráfico de droga em relação aos candidatos? É uma coisa que tem que ser investigada. Não tenho elementos suficientes para falar sobre isso, mas nós temos algumas evidências.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amazônia Real – Como funciona a relação do narcotráfico e das organizações criminosas com os crimes ambientais na Amazônia?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aiala Couto</strong> &#8211; Até um tempo atrás a gente não falava dessa relação ambiental do crime organizado. Mas aí você tem essa conexão do narcotráfico com o garimpo ilegal, o contrabando de madeira, a grilagem. Você começa a mexer em estruturas de poder econômico mais consolidadas. Pessoas que têm uma rede de influência política que atravessa as nossas interpretações vão muito além daquilo que a gente entende. É por isso que a gente acaba tendo como resultado uma tentativa de apagamento dessa relação, para focar mais aqui no tráfico de drogas, que é uma coisa mais de apelo social, de apelo popular. Talvez o garimpo tenha ganhado um apelo popular em função da questão dos Yanomami e das operações que o governo federal vem fazendo. Mas a gente tem que entender que antes dessa relação já tínhamos uma dinâmica pré-estabelecida e consolidada que envolvia a grilagem, o contrabando de madeira e outras atividades caracterizadas em crimes ambientais. O narcotráfico só se junta a isso tudo. Fica muito mais complexa a relação desses grupos com territórios, comunidades, sobretudo tradicionais. Quando a gente olha pra trás e vê que as pessoas que estavam envolvidas nessa relação de crimes ambientais são atores políticos importantes. Que têm lobby político com deputados federais, com senadores e deputados estaduais, com o prefeito do governador e, portanto, essas pessoas também têm uma certa influência. Determinados governos estaduais na região amazônica tentam fechar os olhos para essa relação de crimes ambientais em que a gente tenta colocar como coisas separadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amazônia Real &#8211;&nbsp; Como jornalistas que cobrem essa pauta, percebemos isso. A gente mostra em reportagens mas parece que não avança, não tem um debate na esfera pública, uma investigação permanente e sólida.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aiala Couto</strong> &#8211; Isso é proposital.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amazônia Real &#8211; Proposital da parte de quem?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aiala Couto</strong> &#8211; Dos Estados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amazônia Real &#8211; Por que é tão difícil combater narcotráfico com escala criminosa? Qual deve ser a resposta do Estado?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aiala Couto &#8211;</strong> Uma vontade política do ponto de vista de se pensar uma coisa relacionada ao pacto federativo. Como resolver isso de forma ostensiva, de forma e de forma estratégica? Modelos alternativos de desenvolvimento que podem evitar com que as comunidades tradicionais, populações vulneráveis, sejam cooptadas por essas redes. E também criar leis mais rígidas que possam punir os criminosos. Fala-se em punição de multa, mas depois a pessoa multada vai recorrer. Tem que ter uma vontade política de resolver. Primeiro pela questão da lei. Leis mais severas em relação aos crimes ambientais. Criar um sistema de inteligência unificado que possa garantir informações qualificadas para prender as pessoas que alimentam essas redes. E, ao mesmo tempo, investir em uma política pública que possa ser direcionada para os territórios vulneráveis, que são foco de atenção dessas redes criminosas que ligam tanto o narcotráfico.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/cv-belem-cop30.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/cv-belem-cop30-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-173666" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/cv-belem-cop30-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/cv-belem-cop30-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/cv-belem-cop30-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/cv-belem-cop30-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/cv-belem-cop30-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/cv-belem-cop30.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Pichação do Comando Vermelho em um dos portões da Aldeia Cabana, em Belém (PA), durante a Marcha Mundial pelo Clima, na COP30 (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real/2025).</sub></em></figcaption></figure>



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		<title>A crise do Cerrado em revisão: – 6. Floresta invertida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 14:40:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Autores alertam em novo artigo da série sobre o Cerrado que restaurações mal planejadas, utilizando espécies não encontradas naturalmente nesses ecossistemas, podem ter as mesmas consequências nocivas que o reflorestamento. Eles dizem que é mais eficaz e economicamente viável conservar o que já funciona do que tentar reconstruir o que foi perdido. Leia o texto na íntegra.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Cássio Cardoso Pereira, Walisson Kenedy-Siqueira, Lara Ribeiro Maia, Vinícius da Fontoura Sperandei, Lucas Arantes-Garcia, Stephannie Fernandes, Gabriela França Carneiro Fernandes, Gislene Carvalho de Castro, Domingos de Jesus Rodrigues, Rodolfo Salm e Philip M. Fearnside</strong></p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">À primeira vista, o Cerrado pode parecer um Ecodomínio aparentemente “esparso” ou “pobre” na maioria de seus ecossistemas, especialmente quando comparado a densas florestas tropicais. No entanto, essa percepção ignora uma de suas características mais notáveis: a maior parte da biomassa do Cerrado encontra-se no subsolo (Fig. 7) [1]. Suas árvores e arbustos possuem raízes que podem atingir profundidades superiores a 15 m, formando uma verdadeira floresta invertida que sustenta a vegetação durante longos períodos de seca e auxilia na recarga dos aquíferos subterrâneos. Essa estrutura subterrânea não é apenas uma adaptação à escassez de água, mas também serve como um dos principais reservatórios de carbono do Ecodomínio, estabilizando o carbono nas camadas mais profundas do solo [1]. A biomassa do Cerrado armazena, em média, aproximadamente 158 toneladas de carbono por hectare, com cerca de 87% localizadas no subsolo e apenas cerca de 13% na superfície, com base em extensas amostragens realizadas em todo o Ecodomínio (Fig. 7) [1]. Esses números revelam que a maior parte do carbono do Cerrado está onde os olhos não conseguem ver e que qualquer intervenção que comprometa o solo ou as raízes pode liberar grandes quantidades de CO₂ naatmosfera, revertendo o papel do Ecodomínio como sumidouro natural de carbono. Preservar essa estrutura subterrânea é, portanto, essencial para manter a estabilidade climática e hídrica da região (Ver Quadro 2).</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Figura-7-artigo-cerrado-6.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="725" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Figura-7-artigo-cerrado-6-1024x725.png" alt="" class="wp-image-173646" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Figura-7-artigo-cerrado-6-1024x725.png 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Figura-7-artigo-cerrado-6-300x213.png 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Figura-7-artigo-cerrado-6-768x544.png 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Figura-7-artigo-cerrado-6-1536x1088.png 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Figura-7-artigo-cerrado-6-2048x1451.png 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Figura-7-artigo-cerrado-6-150x106.png 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Figura 7. Representação esquemática da distribuição dos estoques de carbono no Cerrado, caracterizado como uma &#8220;floresta invertida&#8221; devido à predominância de biomassa e carbono subterrâneo. As estimativas foram obtidas de Terra et al. [1]. Desenho da figura: Walisson Kenedy-Siqueira.</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, o reflorestamento — o plantio de árvores em áreas que historicamente não eram florestadas — torna-se uma ameaça disfarçada de solução (ver <a href="http://philip.inpa.gov.br/publ_livres/Dossie/Outros/Cerrado/Quadro-2.pdf">Quadro 2</a>) [2-4]. Embora promovido como uma estratégia de mitigação climática, quando aplicado a ecossistemas naturalmente abertos como o Cerrado, pode causar mais danos do que benefícios. A substituição da vegetação nativa por plantações exóticas homogêneas, como <em>Pinus </em>spp. L. ou <em>Eucalyptus </em>spp., pode alterar a dinâmica da água, prejudicar a biodiversidade herbácea, aumentar a erosão do solo e acelerar a decomposição da matéria orgânica do solo, transformando ecossistemas que antes atuavam como sumidouros de carbono em fontes de carbono [2-4]. Restaurações mal planejadas, utilizando espécies não encontradas naturalmente nesses ecossistemas, podem ter as mesmas consequências nocivas que o reflorestamento. É mais eficaz e economicamente viável conservar o que já funciona do que tentar reconstruir o que foi perdido [5]. Devemos, acima de tudo, lutar pelo que resta: proteger os fragmentos intactos remanescentes do Cerrado é a maneira mais direta e eficiente de preservar seu papel ecológico e climático.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas conservar o que resta não basta. Após estancar a perda da vegetação original do Cerrado, será necessário restaurar as áreas degradadas, especialmente as regiões ocupadas por lavouras abandonadas e pastagens exauridas, que hoje ocupam vastas porções do território, mas carecem de função ecológica ou produtiva relevante (ver <a href="http://philip.inpa.gov.br/publ_livres/Dossie/Outros/Cerrado/Quadro-2.pdf">Quadro 2</a>) [5]. Nessas paisagens vazias, a restauração representa uma oportunidade concreta para a recuperação ambiental e climática, desde que seja guiada pela diversidade, funcionalidade e contexto ecológico [5]. Embora a regeneração natural seja desejável, ela depende da integridade do banco de sementes do solo, que se mostra severamente comprometido em áreas degradadas do Ecodomínio Cerrado [6]. Estudos demonstram que o aquecimento global e as mudanças no uso da terra favorecem a germinação de sementes de espécies invasoras nesses bancos de sementes [7], como <em>Melinis minutiflora </em>P. Beauv. e <em>Urochloa brizantha </em>(A. Rich.) RD Webster, que inibe a regeneração da flora nativa [8, 9]. Para superar essas barreiras, o uso estratégico de bancos de sementes <em>in situ </em>e <em>ex situ </em>é essencial (Tabela 2), integrado a técnicas como a transposição de biomassa, que podem acelerar a recuperação estrutural e funcional da vegetação nativa [10, 11].</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, os viveiros disponíveis ainda carecem da diversidade necessária para restaurar o Cerrado com fidelidade ecológica [12]. As coleções são dominadas por algumas poucas espécies arbóreas, enquanto as plantas campestres, fundamentais para a estrutura e resiliência do Ecodomínio, permanecem negligenciadas [13]. Além disso, a eficácia da restauração baseada em bancos de sementes depende da presença de espécies com alta viabilidade e capacidade de adaptação a novas condições edafoclimáticas locais [14]. Desafios como a dominância de espécies invasoras em bancos de sementes e a longevidade limitada de algumas sementes exigem monitoramento contínuo e manejo adaptativo [6]. Essa situação força os profissionais de restauração a recorrerem a conjuntos genéricos de espécies, criando paisagens homogêneas, ecologicamente frágeis e desconectadas das realidades locais [15]. No entanto, a integração de bancos de sementes no solo com técnicas complementares, como a transposição de biomassa, oferece uma abordagem promissora para acelerar a recuperação da estrutura e função das comunidades vegetais [10, 11, 16]. Portanto, restaurar o Cerrado exige mais do que plantar; demanda a reconstrução de conexões ecológicas baseadas em ecossistemas de referência [5], com investimento em cadeias de suprimento de sementes, pesquisa aplicada e políticas públicas de longo prazo. Somente por meio de esforços abrangentes como esses poderemos cultivar um futuro verdadeiramente sustentável. [17]</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Notas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">[1] Terra MCNS, Nunes MH, Souza CR, Ferreira GWD, Prado-Junior JAD, Rezende VL, Maciel R, Mantovani V, Rodrigues A, Morais VA, Scolforo JRS, Mello JMD (2023).<a href="https://doi.org/10.1016/j.scitotenv.2022.161320">The inverted forest: Aboveground and notably large belowground carbon stocks and their drivers in Brazilian savannas</a>. <em>The Science of the Total Environment</em> 867: 161320.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[2] Veldman JW, Overbeck GE, Negreiros D, Mahy G, Le Stradic S, Fernandes GW, Durigan G, Buisson E, Putz FE, Bond WJ (2015b). <a href="https://doi.org/10.1093/biosci/biv118">Where tree planting and forest expansion are bad for biodiversity and ecosystem services.</a> <em>BioScience</em> 65: 1011–1018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[3] Veldman JW, Aleman JC, Alvarado ST, Anderson TM, Archibald S, Bond WJ, Boutton TW, Buchmann N, Buisson E, Canadell JG, Dechoum MDS, Diaz-Toribio MH, Durigan G, Ewel JJ, Fernandes GW, Fidelis A, Fleischman F, Good SP, Griffith DM, Hermann J-M, Hoffmann WA, Le Stradic S, Lehmann CER, Mahy G, Nerlekar AN, Nippert JB, Noss RF, Osborne CP, Overbeck GE, Parr CL, Pausas JG, Pennington RT, Perring MP, Putz FE, Ratnam J, Sankaran M, Schmidt IB, Schmitt CB, Silveira FAO, Staver AC, Stevens N, Still CJ, Strömberg CAE, Temperton VM, Varner JM, Zaloumis NP (2019). <a href="https://doi.org/10.1126/science.aay7976">Comment on “The global tree restoration potential”. </a><em>Science</em> 366: eaay7976. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[4] Fernandes GW, Coelho MS, Machado RB, Ferreira ME, Aguiar LM de S, Dirzo R, Scariot A, Lopes CR (2016). <a href="https://doi.org/10.1016/j.ncon.2016.08.002">Afforestation of savannas: An impending ecological disaster.</a> <em>Perspectives in Ecology and Conservation</em> 14: 146–151.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[5] Pereira CC, Kenedy-Siqueira W, Negreiros D, Fernandes S, Barbosa M, Goulart FF, Athayde S, Wolf C, Harrison IJ, Betts MG, Powers JS, Dirzo R, Ripple WJ, Fearnside PM, Fernandes GW (2024b). <a href="https://doi.org/10.1093/biosci/biae035">Scientists’ warning: Six key points where biodiversity can improve climate change mitigation. </a><em>BioScience</em> 74: 315–318. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[6] Dairel M, Fidelis A (2020).<a href="https://doi.org/10.1016/j.jenvman.2020.111291">The presence of invasive grasses affects the soil seed bank composition and dynamics of both invaded and non-invaded areas of open savannas</a>. <em>Journal of Environmental Management</em> 276: 111291. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[7] Kenedy-Siqueira W, Aguilar R, Borghetti F, Moreira B, Fernandes GW (2025). <a href="https://doi.org/10.1007/s11629-023-8519-2">Germination niche of campo rupestre plants: Effects of increased temperature and darkness.</a> <em>Journal of Mountain Science</em> 22: 2541–2554. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[8] Hoffmann WA, Haridasan M (2008). <a href="https://doi.org/10.1111/j.1442-9993.2007.01787.x">The invasive grass, <em>Melinis minutiflora</em>, inhibits tree regeneration in a Neotropical savanna. </a><em>Austral Ecology</em> 33: 29–36.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[9] Damasceno G, Souza L, Pivello VR, Gorgone-Barbosa E, Giroldo PZ, Fidelis A (2018). <a href="https://doi.org/10.1007/s10530-018-1800-6">Impact of invasive grasses on Cerrado under natural regeneration</a><em>. Biological Invasions</em> 20: 3621–3629.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[10] Buisson E, Fidelis A, Overbeck GE, Schmidt IB, Durigan G, Young TP, Alvarado ST, Arruda AJ, Boisson S, Bond W, Coutinho A, Kirkman K, Oliveira RS, Schmitt MH, Siebert F, Siebert SJ, Thompson DI, Silveira FAO (2021). <a href="https://doi.org/10.1111/rec.13292">A research agenda for the restoration of tropical and subtropical grasslands and savannas.</a> <em>Restoration Ecology</em> 29: e13292. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[11] Pilon NAL, Campos BH, Durigan G, Cava MGB, Rowland L, Schmidt I, Sampaio A, Oliveira RS (2023). <a href="https://doi.org/10.1111/1365-2664.14368">Challenges and directions for open ecosystems biodiversity restoration: An overview of the techniques applied for Cerrado</a>. <em>Journal of Applied Ecology</em> 60: 849–858. h</p>



<p class="wp-block-paragraph">[12] Silveira FAO, Teixido AL, Zanetti M, Pádua JG, Andrade ACSD, Costa MLND (2018). <a href="https://doi.org/10.1590/2175-7860201869405"><em>Ex situ </em>conservation of threatened plants in Brazil: A strategic plan to achieve Target 8 of the Global Strategy for Plant Conservation</a>. <em>Rodriguésia</em> 69: 1547–1555. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[13] Schmidt IB, de Urzedo DI, Piña‐Rodrigues FCM, Vieira DLM, de Rezende GM, Sampaio AB, Junqueira RGP (2019). <a href="https://doi.org/10.1111/plb.12842">Community‐based native seed production for restoration in Brazil – the role of science and policy. </a><em>Plant Biology</em> 21: 389–397. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[14] Martins AM, Engel VL (2007). S<a href="https://doi.org/10.1016/j.ecoleng.2007.05.008">oil seed banks in tropical forest fragments with different disturbance histories in southeastern Brazil</a>. <em>Ecological Engineering</em> 31: 165–174.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[15] Toma TSP, Oliveira HFM, Overbeck GE, Grelle CEV, Roque FO, Negreiros D, Rodrigues DJ, Guimaraes AF, Streit H, Dechoum MS, Fonsêca NC, Rocha TC, Pereira CC, Garda AA, Bergallo HG, Domingos FMCB, Fernandes GW (2024). <a href="https://doi.org/10.1126/science.adn3767">Aim for heterogeneous biodiversity restoration.</a><em> Science</em> 383: 376–376.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[16] Pilon NAL, Assis GB, Souza FM, Durigan G (2019). <a href="https://doi.org/10.1111/rec.12902">Native remnants can be sources of plants and topsoil to restore dry and wet cerrado grasslands. </a><em>Restoration Ecology</em> 27: 569–580.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[17] Este texto é traduzido de: Pereira, C.C., W. Kenedy-Siqueira, L.R. Maia, V.F. Sperandei, L. Arantes-Garcia, S. Fernandes, G.F.C. Fernandes, G.C. de Castro, D.J. Rodrigues, R. Salm &amp; P.M. Fearnside. 2026. <a href="https://doi.org/10.3897/natureconservation.61.168273">The Cerrado crisis review: highlighting threats and providing future pathways to save Brazil&#8217;s biodiversity hotspot</a>. <em>Nature Conservation</em> 61: 29–70. <a href="https://doi.org/10.3897/natureconservation.61.168273.suppl1">Supplementary material</a>.</p>





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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cássio Cardoso Pereira é</strong>&nbsp;doutor em Ecologia, Conservação e Manejo de&nbsp;Vida Silvestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestre em Ecologia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), e graduado em Ciências Biológicasiológicas (Ênfase em Conservação da Biodiversidade) pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atua como docente colaborador e orientador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PGE) da UFSJ. Possui reconhecimento da Web of Science em 2025 pela autoria de 25 publicações científicas como primeiro autor, todas alcançadas até o primeiro ano após a obtenção do título de doutor em Ecologia, como cientista em início de carreira. Atualmente, é editor de área das revistas científicas BioScience&nbsp;(IF = 8.4),&nbsp;Biotropical&nbsp;(IF = 1.7),&nbsp;e Nature Conservation&nbsp;(IF = 1.7).&nbsp;Seus&nbsp;principais interesses de pesquisa incluem conservação da&nbsp;biodiversidade, fenologia, fitossociologia, interações entre artrópodes e plantas, e mudanças climáticas. Para mais informações,&nbsp;<a href="https://www.cassiocardosopereira.com/">acesse aqui</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Walisson Kenedy Siqueira </strong>possui graduação e mestrado ciências biológicas pela Universidade Estadual de Montes Claros em doutor em ecologia, manejo e conservação da vida silvestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É integrante do Laboratório de Ecologia, Evolução e Biodiversidade da UFMG e do Knowledge Center for Biodiversity &amp; Departamento de Genética, Ecologia e Evolução. Tem experiência na área ecologia de comunidades, interação inseto-planta e ecologia de sementes. <strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lara Ribeiro Maia </strong>é Técnica em Administração pelo Instituto Federal de Minas Gerais &#8211; Campus Sabará e atualmente é Graduanda em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse na área de ecologia, animais silvestres, educação ambiental, impactos ambientais e micologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Vinícius da Fontoura Sperandei </strong>possui licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de São João Del-Rei, mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de São João Del-Rei e doutorado em Ciências pelo Programa em Ecologia e Recursos Naturais da Universidade Federal de São Carlos. Atualmente é professor da Universidade de Rio Verde. Suas pesquisas são na área de Ecologia, principalmente sobre herpetofauna e ecologia subterrânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lucas Arantes-Garcia </strong>possui gradução em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente está na Escola de Ciências e Meio Ambiente, Memorial University of Newfoundland, Corner Brook, NL, Canadá. Possui interesse em invasões biológicas, serviços ecossistêmicos, valoração ambiental, mudanças globais e interações inseto-planta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Stephannie Fernandes</strong><sup> </sup>é aluna de doutorado na Florida International University, Miami, FL, E.U.A. As suas pesquisas estão na área de ecologia política, visando descobrir como os arranjos institucionais e as diferentes partes interessadas se relacionam com o desenvolvimento e a conservação dos recursos hídricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriela França Carneiro Fernandes </strong>possui licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e atualmente é Mestranda em Ecologia, pela Universidade Federal de São João del-Rei. Ela participa do projeto de pesquisa “Ecossistemas de Referência”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gislene Carvalho de Castro</strong> possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Montes Claros e mestrado e doutorado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras. Atualmente é.Professora titular da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Atua na área de ecologia vegetal e restauração ecológica de ecossistemas, com ênfase em trabalhos relacionados a corredores ecológicos de valo. Coordena o projeto de extensão &#8221;Restaurar&#8221; que objetiva a restauração ecológica de ambientes degradados e atua em projetos relacionados ao Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Domingos de Jesus Rodrigues </strong>possui graduação em Ciências Biológicas e mestrado em Ecologia e Conservação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e tem doutorado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. É professor Titular da Universidade Federal de Mato Grosso em Cuiabá. Suas pesquisas focam a biologia reprodutiva de anuros (sapos). É colaborador do Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso, ICMBio, e a Polícia Federal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Rodolfo Aureliano Salm </strong>formou-se em Biologia pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo e fez doutorado em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Atualmente é Professor Adjunto III da Faculdade de Biologia da Universidade Federal do Pará, campus de Altamira. Pesquisa na área de ecologia de ecossistemas, atuando principalmente no estudo da dinâmica natural e da conservação das florestas tropicais. Tem estudado tanto a ecologia quanto o aproveitamento econômico de palmeiras nativas e exóticas na Terra Indígena Kayapó, sul do Pará.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Philip Martin Fearnside</strong>&nbsp;é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis&nbsp;<a href="http://philip.inpa.gov.br/">aqui</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<item>
		<title>Justiça condena assassinos de jovem grávida em Manaus</title>
		<link>https://amazoniareal.com.br/justica-condena-assassinos-de-debora-alves/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Nunomura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 21:38:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Após cinco dias de julgamento, a Justiça do Amazonas condenou Gil Romero Machado Batista a uma pena de prisão de 63 anos e José Nílson Azevedo da Silva a 17 pelo feminicídio de Débora da Silva Alves, de 18 anos e que estava a um mês de dar à luz a Arthur</p>
<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/justica-condena-assassinos-de-debora-alves/">Justiça condena assassinos de jovem grávida em Manaus</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus (AM) &#8211; </strong>A condenação dos assassinos de Débora da Silva Alves marca o desfecho de mais um episódio cruel de violência contra a mulher no Amazonas. A jovem de 18 anos, grávida de oito meses na época do crime, foi assassinada em julho de 2023, por Gil Romero Machado Batista, de 44 anos, e José Nílson Azevedo da Silva, de 30 anos. Réus confessos, eles foram <a href="https://www.tjam.jus.br/index.php/menu/sala-de-imprensa/17027-justica-condena-reus-acusados-de-assassinar-gravida-em-manaus-em-2023" target="_blank" rel="noreferrer noopener">condenados na madrugada desta segunda-feira (1°) pela 2ª Vara do Tribunal do Júri de Manaus</a>, após cinco dias de julgamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gil Romero foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado, feminicídio, violência doméstica, aborto provocado por terceiro e ocultação de cadáver, com pena estabelecida em 63 anos, 7 meses e 19 dias de prisão em regime fechado. José Silva teve uma pena menor: 17 anos e 8 meses de reclusão pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe, pois o conselho de sentença afastou duas qualificadoras e o feminicídio de sua acusação. Os dois estavam presos preventivamente desde a época do crime.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em entrevista à <strong>Amazônia Real</strong>, Paula Cristina Souza, mãe de Débora, declarou que a sentença trouxe alívio à família após quase três anos de espera por justiça. Cheia de sonhos, Débora havia terminado o ensino médio e se preparava para entrar em uma faculdade, mas acabou sendo vítima de uma emboscada que tirou sua vida e a de seu filho, a quem iria dar o nome de Arthur.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Eu sei que não vai trazer minha filha de volta nem meu neto, mas eu me sinto aliviada, porque eu sei que ele nunca mais vai fazer maldade nenhuma com ninguém. Eu posso dizer que a minha filha vai descansar em paz”, disse a mãe. Ele ressaltou que não considera a sentença motivo de satisfação, e que os cinco dias foram desgastantes física e psicologicamente. “Satisfeita estaria se minha filha e meu neto estivessem aqui em casa comigo”, afirmou.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Paula, a condenação foi a resposta que a família buscava desde o crime,&nbsp; baseada no conjunto de provas reunidas ao longo da investigação e apresentadas durante o julgamento. “Tudo o que eu fiz foi perante a lei. Tudo o que busquei até hoje foi justiça. E, se fosse preciso fazer tudo de novo, eu faria. Foi um julgamento justo, porque foi a verdade do que aconteceu. Sinto que o dever foi cumprido”, disse.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/55303394407_50e8ffd7c0_k.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/55303394407_50e8ffd7c0_k-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-173510" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/55303394407_50e8ffd7c0_k-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/55303394407_50e8ffd7c0_k-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/55303394407_50e8ffd7c0_k-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/55303394407_50e8ffd7c0_k-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/55303394407_50e8ffd7c0_k-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/55303394407_50e8ffd7c0_k.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Familiares de Débora acompanham o julgamento na 2ª Vara do Tribunal do Júri (Foto: Marcus Phillipe/TJAM).</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A condenação atendeu à denúncia <a href="https://www.mpam.mp.br/comunicacao/noticias/caso-debora-apos-cinco-dias-de-julgamento-justica-acolhe-denuncia-do-mpam-e-condena-dois-homens" target="_blank" rel="noreferrer noopener">apresentada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM).</a> Conforme a denúncia do MPAM, Gil Romero mantinha um relacionamento extraconjugal com Débora Alves <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2023/08/04/policia-diz-que-homem-matou-amante-gravida-para-nao-assumir-filho-em-manaus.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">e não aceitava a gravidez.</a> Para a acusação, o crime foi motivado pela tentativa de ocultar a relação e evitar as responsabilidades decorrentes da gestação, já que ele era apontado como pai do bebê.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com as investigações da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Débora Alves foi vista pela última vez em 29 de julho de 2023, quando saiu de casa para encontrar Gil Romero. Ele teria prometido entregar dinheiro para a compra de um berço para o bebê.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A jovem desapareceu e não voltou para casa depois do encontro. Seu corpo só foi encontrado no dia 3 de agosto, em uma área de mata da Usina Termoelétrica Mauá 2, localizada no bairro Mauazinho, zona Leste de Manaus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dupla de assassinos agiu em conjunto, asfixiando Débora com o uso de fios. Em seguida, colocaram o corpo da jovem em um tonel e atearam fogo. O bebê, que estava no oitavo mês de gestação, assim como o útero materno de Débora, foram retirados do corpo com o objetivo de atrapalhar as investigações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gil Romero fugiu logo após o crime, mas foi capturado em 8 de agosto de 2023, em Curuá, no Estado do Pará. Ele confessou ter matado Débora e jogado o<a href="https://www.ssp.am.gov.br/caso-debora-instituto-de-criminalistica-do-amazonas-identifica-ossada-de-bebe/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> corpo do bebê em um rio.</a> Já José Nilson, conhecido como “Nego”, havia sido preso quatro dias antes e alegou ter apenas ajudado a transportar o corpo para ser queimado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o MPAM, os indícios de autoria do crime por parte da dupla foram considerados robustos, amparados por depoimentos de testemunhas, imagens de câmeras de segurança, rastreamento e pela própria confissão dos acusados em sede policial. A materialidade do crime foi comprovada por meio de laudo de exame antropológico, de corpo de delito (perícia indireta), certidão de óbito e relatórios investigativos.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Feministas comemoram</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">O julgamento foi presidido pelo juiz titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Fábio Alfaia, e contou com a atuação dos promotores de Justiça Timóteo Ágabo Pacheco de Almeida e André Epifânio Martins. Os <a href="https://www.tjam.jus.br/index.php/menu/sala-de-imprensa/16958-justica-inicia-na-quarta-feira-27-o-julgamento-de-acusados-de-matar-jovem-gravida-em-2023" target="_blank" rel="noreferrer noopener">trabalhos iniciaram na manhã do último dia 27 de maio, no Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis</a>, em Manaus.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devido à complexidade do caso e ao grande número de testemunhas e depoimentos, a sessão se estendeu por cinco dias. Desde o primeiro dia do julgamento, as feministas do Fórum Permanente das Mulheres do Amazonas e do Levante Feminista Contra o Feminicídio estiveram presentes em frente ao fórum, somando-se à resistência por justiça da família e de amigos de Débora. Para as organizações, a condenação dos réus representa uma resposta do sistema de justiça diante de um crime reconhecido pela extrema crueldade e pela violência feminicida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A oficial de Justiça Marília Freire, uma das coordenadoras do Fórum Permanente das Mulheres do Amazonas, destacou que o julgamento foi marcado por um clima de grande tensão, mas também pela seriedade de todos os envolvidos para que o processo ocorresse dentro dos parâmetros legais. “As condenações de Gil Romero e José Nilson só foram possíveis na madrugada de hoje graças ao trabalho árduo da equipe da DEHS, liderada pela delegada Déborah Barreiros, que não mediu esforços na coleta e preservação da cadeia de custódia das provas que levaram à identificação da autoria desses crimes bárbaros”, afirmou.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Protesto-no-Forum-Enoch-Reis_Julgamento-caso-Debora-Feminicidio-Foto-FPMM-2.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="770" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Protesto-no-Forum-Enoch-Reis_Julgamento-caso-Debora-Feminicidio-Foto-FPMM-2-1024x770.jpeg" alt="" class="wp-image-173459" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Protesto-no-Forum-Enoch-Reis_Julgamento-caso-Debora-Feminicidio-Foto-FPMM-2-1024x770.jpeg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Protesto-no-Forum-Enoch-Reis_Julgamento-caso-Debora-Feminicidio-Foto-FPMM-2-300x226.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Protesto-no-Forum-Enoch-Reis_Julgamento-caso-Debora-Feminicidio-Foto-FPMM-2-768x578.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Protesto-no-Forum-Enoch-Reis_Julgamento-caso-Debora-Feminicidio-Foto-FPMM-2-150x113.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Protesto-no-Forum-Enoch-Reis_Julgamento-caso-Debora-Feminicidio-Foto-FPMM-2.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Em frente ao Fórum Enoch Reis, protesto dos movimentos sociais, amigos e familiares de Débora Alves. Ela e o bebê Arthur foram vítimas de feminicídio (Foto: Fórum Permanente de Mulheres de Manaus).</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Luzanira Varela da Silva, feminista amazonense que atua há mais de 40 anos no enfrentamento à violência contra a mulher, avaliou que a condenação dos réus pode servir de exemplo. “Para nós, que lutamos pelo fim do feminicídio e de todas as formas de violência contra a mulher, esse julgamento serve como exemplo para os próximos que pensam em tirar a vida de uma mulher por ela ser mulher. Vê-lo condenado a mais de 63 anos de prisão é uma conquista de toda a nossa luta, para que todas estejam vivas. Não traz a filha de volta, mas é um conforto que houve justiça”, manifestou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ativista ressaltou o sofrimento enfrentado pelas famílias durante o processo judicial. Segundo Varela, cada etapa do julgamento pode representar uma revitimização para os parentes da vítima. “É muito difícil. A família é vitimizada de novo. Cada depoimento, cada palavra da defesa dos réus, é como se a vítima de feminicídio estivesse sendo morta novamente. Os pais de Débora, a dona Paula e o seu José, não vão ter a felicidade de pegar o pequeno Arthur no colo. Foram cinco dias de muita angústia, aquela família foi guerreira”, disse.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Impunidade é a regra</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-111.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-111-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-171743" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-111-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-111-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-111-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-111-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-111.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Faixa estendida durante ato do 8 de março e Manaus (Foto: Juliana Pesqueira/ Amazônia Real/2026).</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O Amazonas é um dos estados em que mais mulheres são assassinadas pela condição do gênero. Em 2024, foram 103 homicídios registrados pelo <a href="https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2026/05/atlas-violencia-2026-relatorio-completo.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Atlas da Violência 2026</a>, divulgado em maio pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O número representa uma redução de 15,6% em relação a 2023, quando 122 mulheres foram assassinadas no Estado, mas ainda revela a persistência da violência letal contra mulheres amazonenses.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto de altas taxas de violência contra a mulher, a impunidade surge como um dos marcadores do feminicídios no Amazonas, seja pela absolvição de acusados nos tribunais, pela demora no andamento dos processos ou pela aplicação de penas consideradas insuficientes diante da gravidade dos crimes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um exemplo foi a decisão do Conselho Permanente de Justiça Militar do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) em <a href="https://amazoniareal.com.br/pms-absolvidos-assassinato-deusiane-pinheiro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">absolver o réu Elson Santos de Brito pelo assassinato da policial militar Deusiane da Silva Pinheiro.</a> Aos 26 anos, Deusiane foi assassinada dentro da Companhia Fluvial do Batalhão Ambiental, no bairro Tarumã, zona oeste de Manaus, em 1º de abril de 2015. Foram dez anos para que a Justiça chegasse a um veredicto, em setembro de 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outros quatro envolvidos no assassinato de Deusiane, os militares Cosme Moura Sousa, Jairo Oliveira Gomes, Júlio Henrique da Silva Gama e Narcizio Guimarães Neto, que confirmaram a versão do sargento Elson, foram absolvidos por unanimidade do crime de falso testemunho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pelo assassinato a tiro à queima-roupa de Manuela Otto, artista e ativista mulher trans, em 2021, o policial militar Jeremias Costa Silva foi condenado a apenas 10 anos de prisão em regime fechado <a href="https://amazoniareal.com.br/manuella-otto-pm-condenado/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">por homicídio “simples”</a>, em junho de 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O assassinato da artista venezuelana Julieta Hernández é outro caso que mostra a impunidade da violência contra as mulheres. Cicloviajante, Julieta foi assassinada em dezembro de 2023, no município de Presidente Figueiredo. O crime gerou comoção internacional e mobilizou artistas, movimentos feministas e organizações de direitos humanos. Apesar do casal acusado pelo crime ter sido condenado por latrocínio e ocultação de cadáver em outubro de 2025, com penas superiores a 30 anos de prisão, <a href="https://amazoniareal.com.br/feminicidio-de-julieta/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a Justiça não reconheceu o crime de feminicídio contra Julieta</a>.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Violências desiguais</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Em todo o Brasil, 3.642 mulheres foram vítimas de homicídio, o equivalente a uma taxa de 3,4 mortes para cada 100 mil mulheres. Mesmo com a redução de 6,7% em relação aos números de 2023 e uma queda acumulada de 27,7% desde 2014, primeiro ano da série histórica da pesquisa, ainda há subnotificação dos casos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando os chamados “homicídios ocultos”, o Atlas da Violência 2026 aponta que a taxa estimada sobe para 4,4 por 100 mil mulheres em 2024, indicando que a redução real da violência letal pode ser menor do que a apontada pelos registros oficiais. Os níveis mais elevados de violência letal contra mulheres estão concentrados na região Norte do país. Em 2024, Roraima e Rondônia registraram algumas das maiores taxas de homicídios femininos do Brasil, com 5,7 e 12,6 mortes por 100 mil mulheres.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses índices contrastam com os observados em Estados da região Sudeste, como São Paulo, que apresentou a menor taxa do País, com 1,5 homicídio por 100 mil mulheres, uma evidência das desigualdades regionais no enfrentamento à violência de gênero.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando se trata de mulheres negras, a violência letal é ainda mais evidente. Em 2024, as mulheres negras representaram 67,5% das vítimas de homicídio feminino no Brasil, totalizando 2.457 mortes. A taxa de homicídios entre mulheres negras foi de 4,0 por 100 mil habitantes, índice 66,7% superior ao observado entre mulheres não negras, cuja taxa foi de 2,4.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Cultura da misoginia</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Sobrevivendo-26-de-26.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Sobrevivendo-26-de-26-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-71426" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Sobrevivendo-26-de-26-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Sobrevivendo-26-de-26-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Sobrevivendo-26-de-26-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Sobrevivendo-26-de-26-1536x1025.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Sobrevivendo-26-de-26.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>O ensaio fotográfico &#8220;Sobrevivendo&#8221; evidencia no corpo as marcas da violência psicológica sofrida cotidianamente pelas mulheres. (Foto: Juliana Pesqueira/Amazônia Real).</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fatores culturais ajudam a explicar a persistência da violência contra as mulheres, segundo o estudo. Entre eles está o fortalecimento de discursos misóginos e de movimentos ligados à chamada “machosfera”, como a<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/entenda-o-que-sao-redpill-e-outros-termos-de-odio-contra-mulheres" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> ideologia <em>red pill</em></a>, criada com foco em disseminar conteúdos de ódio, desvalorização e controle sobre as mulheres. Essas narrativas têm se disseminado nas redes sociais e ambientes virtuais frequentados por jovens e adolescentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Marília Freire, além da responsabilização dos autores de feminicídio, é fundamental fortalecer as redes de apoio voltadas às mulheres que vivem em situação de violência. “Para que possam vencer o medo, denunciar, ser acolhidas, terem medidas protetivas de urgência da Lei Maria da Penha”, explicou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A oficial de Justiça também defende o fortalecimento de políticas educacionais voltadas à promoção da diversidade, do respeito e da cidadania nas escolas como medidas de prevenção da violência de gênero. Segundo ela, investir na formação de crianças e adolescentes contribui para a construção de uma sociedade em que mulheres e meninas possam viver livres de violência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O feminicídio é a última fronteira, a vítima tem seus sonhos, projetos de vida e trajetória interrompidos de forma definitiva, mas nós que ficamos temos o dever de seguir lutando para que não tenhamos mais ‘Déboras’, ‘Deusianes’, e tantas mais morrendo pelo ódio que homens têm das mulheres. Além disso, julgo importante que haja uma regulamentação e criminalização sobre os fóruns de internet, um covil de fomento à misoginia onde os feminicídios estão sendo comemorados”, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<div class="alignnormal"><div id="metaslider-id-173532" style="width: 100%;" class="ml-slider-3-109-0 metaslider metaslider-flex metaslider-173532 ml-slider has-dots-nav ms-theme-architekt" role="region" aria-label="Julgamento feminicídio" data-height="1000" data-width="1500">
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                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173534 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-02 17:15:55" data-filename="55306999494_75e9cb6b36_k-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/55306999494_75e9cb6b36_k-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-173532 slide-173534 msDefaultImage" title="55306999494_75e9cb6b36_k" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Familiares de Débora Silva Alves, 18 anos, morta quando estava grávida, acompanham o julgamento dos assassinos no Fórum Henoch Reis (Foto: Marcus Phillipe/TJAM/31/05/2026).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173536 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-02 17:15:55" data-filename="55304454158_6fa783ad23_k-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/55304454158_6fa783ad23_k-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-173532 slide-173536 msDefaultImage" title="55304454158_6fa783ad23_k" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Familiares de Débora Silva Alves, 18 anos, morta quando estava grávida, acompanham o julgamento dos assassinos no Fórum Henoch Reis (Foto: Marcus Phillipe/TJAM/29/05/2026).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173537 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-02 17:15:55" data-filename="20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297663210_o-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297663210_o-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-173532 slide-173537 msDefaultImage" title="20260527---2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297663210_o" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Familiares de Débora Silva Alves, 18 anos, morta quando estava grávida, acompanham o julgamento dos assassinos no Fórum Henoch Reis (Foto: Raphael Alves/TJAM/27/05/2026).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173538 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-02 17:15:55" data-filename="20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297663510_o-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297663510_o-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-173532 slide-173538 msDefaultImage" title="20260527---2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297663510_o" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Familiares de Débora Silva Alves, 18 anos, morta quando estava grávida, acompanham o julgamento dos assassinos no Fórum Henoch Reis (Foto: Raphael Alves/TJAM/27/05/2026).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173539 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-02 17:15:55" data-filename="20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297665490_o-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297665490_o-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-173532 slide-173539 msDefaultImage" title="20260527---2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297665490_o" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Familiares de Débora Silva Alves, 18 anos, morta quando estava grávida, acompanham o julgamento dos assassinos no Fórum Henoch Reis (Foto: Raphael Alves/TJAM/27/05/2026).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173540 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-02 17:15:55" data-filename="20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297493349_o-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297493349_o-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-173532 slide-173540 msDefaultImage" title="20260527---2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297493349_o" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Familiares de Débora Silva Alves, 18 anos, morta quando estava grávida, acompanham o julgamento dos assassinos no Fórum Henoch Reis (Foto: Raphael Alves/TJAM/27/05/2026).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173544 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-02 17:15:56" data-filename="20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297397833_o-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297397833_o-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-173532 slide-173544 msDefaultImage" title="20260527---2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297397833_o" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Familiares de Débora Silva Alves, 18 anos, morta quando estava grávida, acompanham o julgamento dos assassinos no Fórum Henoch Reis (Foto: Raphael Alves/TJAM/27/05/2026).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173546 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-02 17:15:56" data-filename="20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297400193_o-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297400193_o-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-173532 slide-173546 msDefaultImage" title="20260527---2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297400193_o" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Familiares de Débora Silva Alves, 18 anos, morta quando estava grávida, acompanham o julgamento dos assassinos no Fórum Henoch Reis (Foto: Raphael Alves/TJAM/27/05/2026).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173547 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-02 17:15:56" data-filename="20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297397498_o-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297397498_o-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-173532 slide-173547 msDefaultImage" title="20260527---2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297397498_o" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Familiares de Débora Silva Alves, 18 anos, morta quando estava grávida, acompanham o julgamento dos assassinos no Fórum Henoch Reis (Foto: Raphael Alves/TJAM/27/05/2026).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173549 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-02 17:15:56" data-filename="20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297251126_o-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297251126_o-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-173532 slide-173549 msDefaultImage" title="20260527---2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297251126_o" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Familiares de Débora Silva Alves, 18 anos, morta quando estava grávida, acompanham o julgamento dos assassinos no Fórum Henoch Reis (Foto: Raphael Alves/TJAM/27/05/2026).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173550 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-02 17:15:56" data-filename="20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297249971_o-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297249971_o-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-173532 slide-173550 msDefaultImage" title="20260527---2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55297249971_o" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>No Fórum Henoch Reis, magistrados durante o julgamento dos assassinos de Débora Silva Alves, 18 anos, morta quando estava grávida do bebê Arthur (Foto: Raphael Alves/TJAM/27/05/2026).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173557 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-02 17:37:49" data-filename="20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55296336782_o-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55296336782_o-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-173532 slide-173557 msDefaultImage" title="20260527---2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55296336782_o" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Familiares de Débora Silva Alves, 18 anos, morta quando estava grávida, acompanham o julgamento dos assassinos no Fórum Henoch Reis (Foto: Raphael Alves/TJAM/27/05/2026).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173558 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-02 17:37:49" data-filename="20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55296340897_o-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/20260527-2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55296340897_o-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-173532 slide-173558 msDefaultImage" title="20260527---2-vara-do-tribunal-do-jri-julga-ao-penal-0565678-1120238040001_55296340897_o" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Familiares de Débora Silva Alves, 18 anos, morta quando estava grávida, acompanham o julgamento dos assassinos no Fórum Henoch Reis (Foto: Raphael Alves/TJAM/27/05/2026).</em></div></div></div></li>
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<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Entre o crime e o abandono</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Hellen Lirtêz]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 20:56:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sem políticas públicas efetivas de proteção e sob o abandono institucional, comunicadores e jornalistas que investigam crimes ambientais e conflitos agrários na Amazônia enfrentam uma escalada da violência que vai da ameaça física ao assédio judicial. O jornalismo independente na [&#8230;]</p>
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<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph"><em>Sem políticas públicas efetivas de proteção e sob o abandono institucional, comunicadores e jornalistas que investigam crimes ambientais e conflitos agrários na Amazônia enfrentam uma escalada da violência que vai da ameaça física ao assédio judicial. O jornalismo independente na região mais perigosa para a imprensa no Brasil vê a busca pela informação se transformar em um risco de morte. E o profissional da imprensa se tornou um alvo a ser silenciado.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><b>Rio Branco (AC) &#8211; </b><span style="font-weight: 400;">Filha de jornalista, criada entre as margens do Rio Madeira, em Rondônia, e pautas sobre ocupação da Amazônia no fim da ditadura militar, a fotógrafa e pesquisadora Ana Mendes moldou seu caminho documentando povos indígenas, conflitos territoriais e violências no campo. A infância em Porto Velho (RO), acompanhando a mãe em reportagens e convivendo com famílias ribeirinhas e indígenas, virou um compromisso afetivo, técnico e político ao lado de comunidades ameaçadas por grilagem, disputas fundiárias e ataques armados.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Ainda estudante de Ciências Sociais, trabalhou como assistente do </span><a href="https://amazoniareal.com.br/especiais/joao-roberto-ripper/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">fotógrafo João Roberto Ripper</span></a><span style="font-weight: 400;">. Percorreu comunidades tradicionais, aprendeu metodologias de fotografia compartilhada e transformou a câmera em ferramenta de escuta e denúncia. Ripper ensinou à jovem comunicadora que era preciso saber contar a história dos lugares para fugir dos estereótipos sobre as populações periféricas e tradicionais, uma lição que carrega até hoje.&nbsp;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">A violência física e psicológica cruzou a trajetória de Ana Mendes em 2017, no Maranhão, durante as retomadas territoriais do povo indígena Akroá-Gamella. Em meio a um severo conflito agrário, indígenas sofreram um ataque de funcionários de fazendas locais. Dois deles tiveram as mãos dilaceradas a golpes de facão. A jovem fotógrafa fazia registros de imagem no território</span><span style="font-weight: 400;">. “Eu estava vivendo aquilo também como testemunha ocular daquela violência enorme”, lembra.</span></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-15.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="358" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-15-1024x358.jpg" alt="" class="wp-image-170825" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-15-1024x358.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-15-300x105.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-15-768x269.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-15-1536x538.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-15-2048x717.jpg 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-15-150x53.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Ana Mendes fotografou e relatou a violência no Maranhão, estado que lidera ameaças e assassinatos de mulheres defensoras da floresta. Foto da pesquisa &#8220;Quem é pra ser já nasce&#8221;, contemplado pela Funarte, no 17 Premio Marc Ferrez de Fotografia.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Era impossível que seu trabalho documental não expusesse a <a href="https://amazoniareal.com.br/foi-um-linchamento-e-a-intencao-era-nos-matar-diz-indigena-gamela-atacado-no-maranhao/" target="_blank" rel="noopener">violência sofrida pelos Akroá-Gamella</a> e por outros povos indígenas em disputa por suas terras originárias a partir de então. Em 2019, após receber um prêmio de fotografia por um ensaio sobre os Akroá-Gamella e o povo Guarani Kaiowá, Ana participou de uma entrevista ao vivo em uma afiliada da Rede Globo no Maranhão. Ela cobrou as autoridades sobre a conclusão do inquérito policial que investigava o ataque sofrido pelos indígenas. A reação do poder local foi imediata.&nbsp;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">“No dia seguinte tinha um carro parado na frente da minha casa”, relembra. “Na hora eu entendi: &#8216;é pra mim&#8217;.” A vigilância ostensiva durou semanas. Os veículos estacionados mudaram constantemente e as placas eram alternadas, mas a sensação de monitoramento permanecia. Um amigo jornalista rastreou e constatou que se tratavam de placas frias, inexistentes nos órgãos oficiais de trânsito.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Atuando como freelancer, sem vínculo empregatício com veículos de comunicação e trabalhando de forma voluntária junto ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Ana Mendes enfrentou o cerco sozinha, sem suporte econômico ou amparo institucional. Ela relata que, naquele período de perseguição, sequer conseguia nomear a violência que sofria. “Eu não sabia se era intimidação, ameaça, perseguição. Eu não sabia nem como explicar aquilo.”&nbsp;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Essa vulnerabilidade é vivida na pele por profissionais da imprensa. </span><span style="font-weight: 400;">A precarização do trabalho e a desregulamentação da profissão têm ampliado os riscos enfrentados por freelancers e jornalistas autônomos. Embora existam garantias legais para a liberdade de imprensa na Constituição, elas falham de forma sistemática em assegurar proteção a quem atua em áreas isoladas ou de conflito. Na Amazônia, o problema é ainda mais grave.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><b>Da ameaça ao silêncio</b></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-4827.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-4827-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-170828" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-4827-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-4827-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-4827-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-4827-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-4827-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-4827-1500x1000.jpg 1500w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-4827-1200x800.jpg 1200w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-4827-620x413.jpg 620w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-4827-400x267.jpg 400w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Ana-Mendes-4827.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Homenagem ao comunicador Leandro Cocalinho, que faleceu em 2025, em Parnarama, Maranhão. Ao lado do túmulo, a fotógrafa Ana Mendes segura uma faixa com os dizeres: &#8220;Homenagem póstuma dos amigos comunicadores&#8221;. (Foto: Ana Mendes – autorretrato).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">A fotógrafa Ana Mendes, na sua vez de buscar amparo nas estruturas do Estado, se deparou com um vácuo institucional. Ela afirma que só compreendeu o funcionamento do </span><a href="https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2023/dezembro/mais-inclusivo-e-democratico-programa-de-protecao-aos-defensores-de-direitos-humanos-comunicadores-e-ambientalistas-e-atualizado" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas</span></a><span style="font-weight: 400;">, o PPDDH, anos após ter sofrido perseguições. O modelo federal, instituído em outubro de 2004 sob o primeiro mandato do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e atualizado após os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Philips, em junho de 2022, não foi estruturado para atender às especificidades da rotina jornalística. “Eu não entendia nem como funcionava o programa de defensores. Hoje já sei como funciona e ele funciona mal”, critica Ana.&nbsp;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Embora continue pesquisando a violência e registrando imagens, Ana decidiu alterar sua forma de atuação. O doutorado em Artes na Universidade Federal do Pará tornou-se um espaço de refúgio acadêmico e de elaboração do trauma vivido. Sua pesquisa investiga os impactos psíquicos das ameaças que incidem sobre mulheres comunicadoras e defensoras de território na Amazônia — e ela própria é uma delas.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A invisibilidade do risco</strong></h4>





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<div class="ar-infografico" role="main">
 
  <h2 class="ar-title">Ameaças à imprensa na Amazônia</h2>
  <p class="ar-subtitle">Casos registrados por tipo de ameaça e por estado</p>
 
  <div class="ar-highlight">
    <div class="ar-stat">
      <div class="ar-num">61</div>
      <div class="ar-stat-label">casos registrados</div>
    </div>
    <div class="ar-sep"></div>
    <div class="ar-stat">
      <div class="ar-num">9</div>
      <div class="ar-stat-label">estados afetados</div>
    </div>
    <p class="ar-note">A ameaça jurídica é a mais frequente, respondendo por mais da metade dos casos. Mato Grosso concentra o maior número de ocorrências.</p>
  </div>
 
  <div class="ar-card">
    <div class="ar-tabs">
      <button class="ar-tab active" onclick="arSwitch('tipo')">Por tipo de ameaça</button>
      <button class="ar-tab" onclick="arSwitch('estado')">Por estado</button>
    </div>
 
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        <canvas id="arChartTipo" role="img" aria-label="Distribuição por tipo: Jurídica 34, Física 11, Outra 6, Digital 4, Verbal 3, Censura 2, Psíquica 1."></canvas>
      </div>
      <div class="ar-legend">
        <div class="ar-legend-item"><span class="ar-dot" style="background:#1a3a2a"></span><span class="ar-legend-name">Jurídica</span><span class="ar-legend-val">34</span></div>
        <div class="ar-legend-item"><span class="ar-dot" style="background:#3d8c6a"></span><span class="ar-legend-name">Física</span><span class="ar-legend-val">11</span></div>
        <div class="ar-legend-item"><span class="ar-dot" style="background:#b84d2e"></span><span class="ar-legend-name">Outra</span><span class="ar-legend-val">6</span></div>
        <div class="ar-legend-item"><span class="ar-dot" style="background:#d4892a"></span><span class="ar-legend-name">Digital</span><span class="ar-legend-val">4</span></div>
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        <div class="ar-legend-item"><span class="ar-dot" style="background:#a07850"></span><span class="ar-legend-name">Censura</span><span class="ar-legend-val">2</span></div>
        <div class="ar-legend-item"><span class="ar-dot" style="background:#c8ddd6"></span><span class="ar-legend-name">Psíquica</span><span class="ar-legend-val">1</span></div>
      </div>
    </div>
 
    <div class="ar-body" id="arPainelEstado" style="display:none;">
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        <div class="ar-chart-bar-wrap">
          <canvas id="arChartEstado" role="img" aria-label="Casos por estado: MT 18, AM 10, RO 9, PA 8, MA 6, AC 3, RR 3, TO 3, DF 1."></canvas>
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      </div>
    </div>
 
    <div class="ar-footer">
      <span>Consolidado de casos de ameaças a comunicadores na região amazônica.</span>
      <span class="ar-fonte">Fonte: Dados do programa de proteção à jornalistas e comunicadores da região amazônica do Instituto Vladimir Herzog</span>
    </div>
  </div>
 
</div>
 
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</script>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">O perigo na Amazônia muitas vezes opera de forma sutil, enraizado nas estruturas sociais e na conivência de agentes locais. É o que relata Irene, nome fictício adotado para preservar a segurança de uma jornalista com mais de 30 anos de experiência profissional na Amazônia, sendo duas décadas dedicadas à cobertura de direitos humanos, conflitos territoriais, ameaças a povos indígenas e crise climática na região. No início dos anos 2000, ela já direcionava seu trabalho para as periferias e </span><span style="font-weight: 400;">o</span><span style="font-weight: 400;">s aldeamentos indígenas urbanos</span><span style="font-weight: 400;">&nbsp; </span><span style="font-weight: 400;">em crescimento nas cidades amazônicas.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">No início de sua trajetória em redações tradicionais, as pautas sobre o avanço da soja, o desmatamento ilegal e os crimes no campo eram destinadas exclusivamente aos repórteres homens, sob o pretexto de que a floresta era perigosa demais para as mulheres. Irene enfrentou essa barreira e passou a ocupar o espaço das coberturas de campo, onde aprendeu que o risco na região é uma percepção tardia.&nbsp;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">&#8220;Teve um político que a gente ia fazer coletiva com ele, e quando ele não gostava de uma pergunta, sobretudo de uma mulher, ele pegava assim no nosso queixo. Tipo: &#8216;Por que você tá fazendo essa pergunta?&#8217;. Mas com ironia. Ele não faria isso com um homem. É uma tentativa de nos desestabilizar emocionalmente, de minar sua confiança. Existem várias formas de intimidação”, relembra.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">O medo mais concreto veio em São Gabriel da Cachoeira, no extremo norte do Amazonas, na fronteira com a Colômbia e a Venezuela, onde ela e um colega investigavam um esquema complexo de aliciamento, abuso e exploração sexual de meninas indígenas por parte de ricos comerciantes brancos locais. Numa cidade onde os principais hotéis pertenciam aos próprios investigados, a equipe optou por se alojar em uma base do Exército e adotou a versão de que eram pesquisadores universitários. Não adiantou.&nbsp;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">&#8220;Durante a apuração, um carro ficou seguindo a gente o tempo todo. Mesmo com todo o cuidado em adotarmos uma circulação mais discreta, fomos identificados de alguma forma&#8230; A cidade é pequena, imagino que estavam nos observando, que havia olheiro. Mas o episódio mais assustador ocorreu quando a gente estava almoçando e, na nossa frente, sentou um dos acusados, que já era réu. Ele ficou me olhando fixamente, me intimidando, acho que me reconheceu por alguma imagem minha no Google. Eu fiquei com medo real naquele dia&#8221;, lembra Irene.&nbsp;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">O protocolo foi fazer um comunicado sobre o episódio de intimidação em uma representação da Polícia Federal localizada em São Gabriel da Cachoeira. &#8220;Era apenas um escritório da PF, não era uma delegacia. Possivelmente não iria dar em nada, ou alguma investigação, mas vimos a necessidade de fazer um registro para o caso de acontecer algo conosco. Pensei: &#8216;Se me matarem, a polícia pelo menos já sabe quem são os suspeitos&#8217;. Foi a maneira emergencial que eu e meu colega pensamos em nos defender naquele momento.&#8221;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">A violência não ficou só no campo. Há dois anos, a casa de Irene foi invadida durante sua ausência: levaram equipamentos eletrônicos, impressora, notebook, entre outros objetivos de valor. Reviraram gavetas e papéis. Ela não sabe até hoje se foi um assalto comum ou alguma retaliação às suas reportagens sobre projetos econômicos que ameaçam a floresta e os povos amazônicos. Isso porque uma investigação pessoal revelou que a logística do crime foi sofisticada e bem executada; isto lhe deixou intrigada.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Irene decidiu se mudar, de maneira emergencial, usando seus próprios recursos pessoais. Ela relatou sobre o episódio apenas a pessoas próximas e alguns amigos. Posteriormente, recebeu apoio de instituições de proteção a jornalistas, entre elas a Rede de Proteção Vladimir Herzog e a Repórteres sem Fronteiras, incluindo suporte financeiro. Irene também conseguiu apoio de um fundo de proteção a defendores ambientais na Amazônia para equipar a nova residência com sistema de vigilância. &#8220;Tenho consciência que vivo e trabalho em um contexto de permanente risco. Mas neste ambiente de risco, não podemos dar chance às ameaças se concretizarem.&#8221;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">A jornalista conta que nunca tomou conhecimento sobre um pretenso programa de proteção a jornalistas na esfera pública federal. E, se existir, realmente, ela diz que é um programa incompatível com a realidade dos profissionais, sobretudo os que atuam em um ambiente de ameaça. &#8220;Ameaças não são apenas físicas, como alguém que quer te agredir ou até te matar durante o processo investigativo de alguma reportagem. As ameaças são de inúmeras naturezas. Assédios judiciais também são ameaças extremamente graves, por exemplo, sobretudo quando a intenção é não apenas nos censurar, mas nos impactar mentalmente e minar nossa capacidade de sustentabilidade&#8221;.</span></p>



<h4 class="wp-block-heading"><b>A proteção estatal e a realidade</b></h4>



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  <h2 class="arv-title">A violência crescente contra jornalistas (2017-26)</h2>
  <p class="arv-subtitle">Número de casos registrados por ano</p>
 
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      <span>Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI), 2026.</span>
      <span class="arv-fonte">Fonte: Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania</span>
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<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">A desconexão entre as ferramentas de proteção estatal e a realidade do jornalismo de campo é reiterada por Beatriz Barbosa, coordenadora de incidência no escritório para a América Latina da organização Repórteres sem Fronteiras. “Hoje, o programa [PPDDH] apresenta uma contradição grave: até mesmo quem está sob proteção continua em situação de risco”, afirma. Segundo ela, muitos profissionais ameaçados sequer entram no programa, porque parte deles não conhece a política de proteção, enquanto outras não confiam que o programa seja capaz de garantir medidas efetivas de segurança. “Em muitos casos, a própria dinâmica do programa não se adapta à rotina de vida e trabalho de jornalistas e comunicadores ameaçados.”</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">O problema é que o programa cria um descompasso entre a urgência das ameaças e a lentidão das respostas institucionais. A execução financeira é descentralizada para os Estados, cujas estruturas de segurança e direitos humanos são precarizadas e desprovidas de recursos para perícias digitais ou escoltas eficazes. A eficácia do Programa de Proteção a Defensores Ambientais e Comunicadores depende do reconhecimento desses profissionais para além de vínculos formais. Em territórios isolados ou sob vigilância, exigir provas documentais das ameaças cria uma barreira desigual, que pode excluir os perfis mais vulneráveis e sem meios de registrar o risco que enfrentam.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Essa carência de uma legislação federal consolidada e específica para a proteção da imprensa contrasta com o histórico de litígios internacionais do Estado brasileiro. Em 2018, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil no caso Vladimir Herzog, apontando a omissão estatal na investigação e punição dos responsáveis pela tortura e morte do jornalista pelo regime militar. A sentença determinou que crimes contra profissionais da imprensa geram um efeito inibidor coletivo sobre toda a sociedade e exigiu a adoção de medidas estruturais de não repetição, diretriz que permanece sem tradução em leis federais eficazes.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Nos últimos anos, o repertório de hostilidade contra a imprensa na Amazônia expandiu-se significativamente, inclusive por parte das estruturas de poder de governos da região, cuja postura política reflete ideologia de direita, com defesa de grandes projetos econômicos na região e de ameaça à floresta, como garimpo, mineração e expansão da flonteira do agronegócio. </span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Às ameaças físicas, somou-se o uso estratégico do aparato do Poder Judiciário como instrumento de censura e desgaste econômico, prática conhecida internacionalmente pelo acrônimo </span><a href="https://transparenciainternacional.org.br/posts/lei-anti-slapp-como-proteger-jornalistas-e-organizacoes-de-assedio-judicial/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">SLAPP </span></a><span style="font-weight: 400;">(ações judiciais estratégicas contra a participação pública). O assédio judicial consiste no acionamento em massa de processos cíveis e criminais por parte de agentes públicos e grandes empresários com o objetivo de estrangular financeiramente jornalistas independentes e veículos de pequeno porte.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em nota, afirma que acompanha a tramitação do Projeto de Lei 5020/2019, que busca impedir o uso abusivo do sistema judicial como mecanismo de censura indireta (SLAPP). Os relatórios anuais da entidade registraram cerca de 1,4 mil casos de violência contra jornalistas entre 2019 e 2022, período de maior radicalização política no País. A federação alerta ainda para uma subnotificação expressiva no interior da Amazônia, onde o medo, o isolamento e a ausência de mecanismos de proteção dificultam denúncias, o que significa que os números conhecidos são, provavelmente, a parte visível de um problema maior. </span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">“Em muitas regiões amazônicas, o jornalismo investigativo passou a confrontar diretamente redes criminosas envolvidas em mineração ilegal, grilagem, exploração madeireira, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros crimes ambientais. Em diversos casos, essas atividades possuem conexões políticas, econômicas e institucionais que ampliam os riscos para profissionais locais”, adiciona a nota.</span></p>



<h4 class="wp-block-heading"><b>A condição de fragilidade dos jornalistas amazônicos</b><figure><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Sem-Titulo-6.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-173361 size-large" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Sem-Titulo-6-1024x576.jpg" alt="" width="1024" height="576" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Sem-Titulo-6-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Sem-Titulo-6-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Sem-Titulo-6-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Sem-Titulo-6-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Sem-Titulo-6-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Sem-Titulo-6.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Jornalista investigativo Adriano Wilkson (Fotos: Arquivo Pessoal e Reprodução do Instagram).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">O jornalista Adriano Wilkson experimentou o impacto desse tipo de perseguição na Amazônia após iniciar uma trajetória profissional autônoma em seu Estado natal, o Pará. Com trajetória em redações de veículos tradicionais por mais de uma década, Wilkson passou a atuar de forma independente, recebendo denúncias socioambientais e contra políticas locais. Publicava os resultados das investigações em uma página no Instagram,onde acumula um público de aproximadamente 97,8 mil pessoas. Em janeiro deste ano, ele recebeu sua primeira notificação judicial, movida pelo prefeito de Belém, após publicar uma reportagem sobre a aprovação a toque de caixa de um pacote de mais de 15 leis pela Câmara Municipal na última sessão legislativa de 2025.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Em decorrência da liminar obtida no processo, a empresa de tecnologia Meta suspendeu o perfil profissional do jornalista no Instagram, sem considerar o contexto de assédio judicial e cerceamento de imprensa. A derrubada da página eliminou o canal diário de trabalho e o histórico de publicações do repórter. Ele relata que a prática é comum no interior do Pará, onde profissionais abandonam a cobertura investigativa por temor de sanções judiciais e financeiras.&nbsp;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">No Brasil, o monitor de assédio judicial registrou que só em 2025, já foram registradas 784 ações na intenção de intimidar e silenciar jornalistas. “Você faz uma matéria que incomoda o político, o empresário, e ele tem o poder de fechar suas portas. De fazer você nunca mais trabalhar em nenhum veículo”, desabafa Wilkson.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Hoje residindo na região Sudeste, o jornalista paraense aponta que seria impossível enfrentar a disputa jurídica de forma isolada. Sua defesa técnica é custeada por uma articulação de organizações da sociedade civil que monitoram violações à liberdade de expressão, incluindo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e o Instituto Vladimir Herzog. O suporte jurídico assegura a continuidade do trabalho, mas Wilkson ainda precisa arcar com taxas e custas processuais para interpor recursos. O financiamento de sua atividade depende de contribuições voluntárias e pontuais do público via transferências bancárias, um modelo instável que está longe de cobrir as despesas de manutenção de longo prazo.</span></p>



<h4 class="wp-block-heading"><b>A interiorização da violência</b></h4>



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  <h2 class="arx-title">As principais fontes de ameaças à imprensa na Amazônia</h2>
  <p class="sub">Por quem e como comunicadores e jornalistas da região são ameaçados</p>
 
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        <span class="arx-card-title tx-terra" style="display:block;margin-bottom:6px;">Ameaças diversas</span>
        <p class="arx-card-body" style="border-top:none;padding-top:0;">Ameaças digitais, morais ou pessoais — difamações, assédio, perseguições e violência psicológica.</p>
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  <div class="arx-footer">
    <span>Dados com base em questionário aplicado a comunicadores da Amazônia.</span>
    <span class="arx-fonte">Fonte: Abraji / RSF / Instituto Vladimir Herzog</span>
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<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Dados consolidados pelo Programa de Proteção Legal para Jornalistas e Comunicadores do Instituto Vladimir Herzog evidenciam uma mudança metodológica na repressão à imprensa na Amazônia Legal. Entre 2017 e 2025, a instituição registrou <a href="https://docs.google.com/spreadsheets/d/1G6AD0sT-IqNPdkpHYYtDuMcJrmkTY2fi/edit?usp=drivesdk&amp;ouid=107462735910268640324&amp;rtpof=true&amp;sd=true" target="_blank" rel="noreferrer noopener">54 casos de violações graves</a> na região. Desse total, 30 episódios correspondem a ações de assédio na esfera judicial, superando as ocorrências de violência física, agressões verbais ou ataques cibernéticos.</span> <span style="font-weight: 400;">O documento do Instituto Vladimir Herzog identifica o caso do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, assassinados em junho de 2022 no Vale do Javari enquanto apuravam redes de pesca e caça ilegal ligadas ao narcotráfico transfronteiriço, como um ponto de virada para expor como o crime organizado e a omissão estatal degradaram a liberdade de imprensa. Entre 2013 e 2023, foram registrados 230 casos de violência, motivados por investigações sobre garimpo ilegal, desmatamento e narcotráfico. A </span><a href="https://amazoniareal.com.br/garimpeiros-ligados-ao-pcc-atacam-aldeia-yanomami/"><span style="font-weight: 400;">expansão do crime organizado</span></a><span style="font-weight: 400;">, fato denunciado pela </span><b>Amazônia Real</b><span style="font-weight: 400;"> pelo menos desde 2021, aprofunda esse risco à medida que redes criminosas ampliam o controle sobre territórios amazônicos. Assim, investigar seus vínculos com o poder econômico e político se torna mais perigoso para quem faz jornalismo na floresta.&nbsp;</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">E a impunidade histórica que impulsiona a violência na região dificulta que a Amazônia dê um passo adiante. Quatro anos após o duplo homicídio de Bruno Pereira e Dom Phillips, o caso permanece sem uma conclusão judicial. Redes da sociedade civil e comissões internacionais ligadas à </span><a href="https://www.oas.org/pt/cidh/?" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Organização dos Estados Americanos</span></a><span style="font-weight: 400;"> mantêm grupos de trabalho permanentes para pressionar o Estado brasileiro pela responsabilização integral dos mandantes e executores.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Giuliano Galli, responsável pelo acompanhamento de comunicadores ameaçados no Instituto Vladimir Herzog, aponta que a maioria das vítimas atua em municípios de pequeno e médio porte, onde o mercado de comunicação é dependente de verbas publicitárias governamentais ou controlado por conglomerados ligados a oligarquias políticas. A vulnerabilidade financeira do repórter autônomo opera, nesse cenário, como um elemento de silenciamento. Diante da falta de garantias, novos profissionais abandonam ou nem tentam o jornalismo investigativo. &#8220;Grande parte dos jornalistas ameaçados no Brasil trabalha de forma autônoma, sem vínculo empregatício e sem acesso a estruturas básicas de proteção&#8221;, afirma.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">A sociedade civil supre emergencialmente o que o Estado não cobre. &#8220;Hoje, muitas vezes, a resposta só aparece depois que a violência já aconteceu&#8221;, diz Galli. Para ele, a segurança da imprensa na Amazônia depende de mecanismos estatais de financiamento público para veículos independentes, garantindo que o exercício da profissão não resulte na exclusão econômica do trabalhador. Ao contrário da magistratura, que opera com garantias e esquemas de segurança regulados por lei, os jornalistas enfrentam territórios de conflito sem qualquer salvaguarda institucional equivalente.</span></p>



<h4 class="wp-block-heading"><b>O Estado que não conta</b></h4>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Homenagem-a-Dom-e-Bruno-rio-Itacoai.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Homenagem-a-Dom-e-Bruno-rio-Itacoai-1024x768.jpeg" alt="" class="wp-image-131879" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Homenagem-a-Dom-e-Bruno-rio-Itacoai-1024x768.jpeg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Homenagem-a-Dom-e-Bruno-rio-Itacoai-300x225.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Homenagem-a-Dom-e-Bruno-rio-Itacoai-768x576.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Homenagem-a-Dom-e-Bruno-rio-Itacoai-1536x1152.jpeg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Homenagem-a-Dom-e-Bruno-rio-Itacoai-150x113.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Homenagem-a-Dom-e-Bruno-rio-Itacoai.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><em>Homenagem a Dom e Bruno no local onde foram assassinados no rio Itacoaí, nas proximidades da TI Vale do Javari , no Amazonas (Foto: Univaja).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">A fragilidade do monitoramento público é confirmada pela ausência de estatísticas oficiais consolidadas. Por meio de pedidos com base na Lei de Acesso à Informação, o Ministério da Justiça e Segurança Pública declarou à reportagem a inexistência de dados consolidados sobre o orçamento específico destinado a políticas públicas, ações institucionais ou programas de proteção voltados para jornalistas e comunicadores na Amazônia entre 2015 e 2025. O órgão classificou a demanda como informação inexistente após consultar suas secretarias internas.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Em outra requisição de dados administrativos sobre o perfil dos atendidos pelo PPDDH, a pasta informou que o programa oficial não utiliza o critério de área de atuação profissional ou militância para categorizar os casos ativos. O ministério informou que, em dez anos, apenas</span><a href="https://drive.google.com/file/d/1Lmey4vCkJTB-Y2nEJVoqcGZ45gBgYA7s/view?usp=drive_link" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;"> 15 pessoas assistidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela política pública declararam exercer a atividade de jornalista ou comunicador. O governo justifica o baixo índice de adesão formal pela natureza transversal da atividade na região, argumentando que muitos profissionais atuam também como lideranças comunitárias, defensores de direitos humanos ou ativistas socioambientais, sendo inscritos no programa sob essas categorias genéricas.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">O Ministério da Justiça argumenta ainda que, após a repercussão dos crimes no Vale do Javari, estruturou uma agenda própria voltada para a categoria. A pasta cita a criação do Observatório da Violência contra Jornalistas, instituído pela Portaria número 306 de 2023, voltado para o monitoramento de ocorrências e recepção de denúncias pela plataforma oficial Fala.Br. Também aponta o lançamento do Protocolo Nacional de Investigação de Crimes contra Jornalistas e Comunicadores, editado em 7 de abril de 2026 por meio da Portaria número 1.202.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">O normativo de 2026 estabelece parâmetros para que as polícias civis e federais considerem a linha de investigação ligada à atividade profissional desde o registro inicial da ocorrência. Contudo, organizações de direitos humanos apontam que o protocolo possui caráter recomendatório e não vinculante. Isso significa que Estados podem não adotar ou adotar as diretrizes.&nbsp;</span></p>



<h4 class="wp-block-heading"><b>A disputa geopolítica pela informação</b></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/09/GP0SU6O28.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/09/GP0SU6O28-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-163577" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/09/GP0SU6O28-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/09/GP0SU6O28-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/09/GP0SU6O28-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/09/GP0SU6O28-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/09/GP0SU6O28-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/09/GP0SU6O28.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Sobrevoo em região amazônica mostram focos de incêndios em fazendas de gado, e novas áreas de desmatamento (Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace/setembro 2025).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Para a advogada Maria Teresa Tranjan, coordenadora do programa de proteção e participação democrática da&nbsp; </span><a href="https://artigo19.org" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Artigo 19</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o Brasil e a América do Sul, o episódio de 2022 na região próxima à Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas, representou o ápice de um processo sistemático de desmonte orçamentário e desestruturação das agências federais de fiscalização ambiental e proteção indígena. O isolamento geográfico dos territórios e a proximidade de setores econômicos vinculados à agropecuária, à extração madeireira e ao garimpo ilegal com agentes públicos municipais e estaduais impedem a circulação que denúncias de interesse público sejam publicadas.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">“O próprio presidente da República (Jair Bolsonaro) da época chegou a fazer falas que criminalizavam e estigmatizavam Dom e Bruno”, lembra Maria Tranjan. </span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Em 2020, o Brasil ocupou a 8ª posição no Índice Global de Impunidade do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), entrando pelo décimo ano consecutivo na lista de países onde assassinatos de jornalistas permanecem sem punição. </span><span style="font-weight: 400;">No ano seguinte, </span><span style="font-weight: 400;">a</span><a href="https://rsf.org/pt-br?utm_source=chatgpt.com" target="_blank" rel="noopener"> <span style="font-weight: 400;">Repórteres sem Fronteiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> contabilizou 331 ataques verbais e institucionais contra a imprensa promovidos pelo chamado “sistema Bolsonaro” apenas em um semestre. No mesmo período, o Brasil caía quatro posições no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa da organização, passando da 107ª para a 111ª colocação entre 180 países analisados e entrando pela primeira vez na chamada “zona vermelha”, considerada uma situação “difícil” para o exercício do jornalismo.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">“Quando a gente olha para a crise climática e para os conflitos socioambientais, a gente está falando de batalhas pelo acesso à informação”, afirma Maria Tranjan. Ela explica que muitos jornalistas, comunicadores populares e defensores de direitos humanos atuam em áreas onde informações de interesse público </span><span style="font-weight: 400;">não </span><span style="font-weight: 400;">conseguem alcançar repercussão nacional, seja pela distância geográfica, seja pelas estruturas locais de poder que dificultam o acesso à informação.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">A violência na Amazônia opera de maneira sistêmica e coletiva, incidindo não apenas sobre indivíduos isolados. “São territórios atravessados por ameaças contínuas e coletivas, muitas vezes são comunidades inteiras, coletivos de comunicação e redes locais de informação”, finaliza Maria Tranjan. O diagnóstico das organizações indica que medidas emergenciais do Estado estão defasadas em relação à complexidade das organizações criminosas e das milícias rurais que disputam o controle da terra e dos recursos naturais.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Para a fotógrafa Ana Mendes, a pergunta já não é sobre proteção institucional. É sobre se ainda faz sentido voltar. Depois de duas décadas documentando povos indígenas, conflitos e violências na Amazônia, ela pesquisa hoje os traumas de outras mulheres comunicadoras, e carrega o seu próprio. &#8220;Talvez eu nunca volte a trabalhar da maneira como trabalhava&#8221;, disse. Enquanto o Estado debate protocolos e portarias, a frase dita por quem sobreviveu resume o custo real do silêncio imposto à imprensa na floresta.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DJI_0670.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DJI_0670-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-152726" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DJI_0670-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DJI_0670-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DJI_0670-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DJI_0670-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DJI_0670.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em><sub>Registro da seca no ano de 2024 que afetou o Lago do Puraquequara um dos principais acessos das populações ribeirinhas próximo a Manaus (Foto: Juliana Pesqueira / Amazônia Real/ 2024)</sub></em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>* Esta reportagem foi produzida com o apoio da Repórteres Sem Fronteiras(RSF), no âmbito do projeto “Defending Voices Brazil”, financiado pelo programa de Desenvolvimento do Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento da Alemanha (BMZ).</strong></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: Os textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência Amazônia Real estão licenciados com uma<a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nd/4.0/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional&nbsp;</a>(CC BY ND 4.0), e podem ser republicados na mídia: jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura; com o crédito do autor e da agência&nbsp;Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença e precisam de autorização dos autores.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>A crise do Cerrado em revisão: – 5. flora e fauna ameaçadas</title>
		<link>https://amazoniareal.com.br/a-crise-do-cerrado-em-revisao-5-flora-e-fauna-ameacadas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 16:15:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em novo artigo da série, autores afirmam que a reprodução e a dispersão das plantas do Cerrado estão profundamente enraizadas nas interações com a fauna. A ruptura dessas ligações ecológicas, impulsionada pela perda de polinizadores e dispersores, compromete a regeneração vegetal e ameaça a persistência das próprias espécies animais, revelando um ciclo de interdependência que sustenta a biodiversidade do Cerrado. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Cássio Cardoso Pereira, Walisson Kenedy-Siqueira, Lara Ribeiro Maia, Vinícius da Fontoura Sperandei, Lucas Arantes-Garcia, Stephannie Fernandes, Gabriela França Carneiro Fernandes, Gislene Carvalho de Castro, Domingos de Jesus Rodrigues, Rodolfo Salm e Philip M. Fearnside</strong></p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">O Cerrado é uma das regiões mais biodiversas e ameaçadas do planeta, reconhecido como um dos 35 <em>hotspots</em> globais de biodiversidade. Ele combina níveis extremamente altos de endemismo com extensa perda de cobertura vegetal nativa [1]. Este Ecodomínio abriga mais de 3.200 espécies de vertebrados, incluindo aproximadamente 2.047 espécies terrestres — das quais 340 são endêmicas [2] — e cerca de 1.200 espécies de peixes de água doce, com vários táxons restritos a bacias como Tocantins-Araguaia, São Francisco e Paraná ([3]. Além disso, abriga uma flora vascular com aproximadamente 13.000 espécies de angiospermas, representando cerca de 27% da flora brasileira, das quais cerca de 4.400 são exclusivas do Ecodomínio [4]. Mais impressionante ainda, a fauna de invertebrados pode ultrapassar 90.000 espécies estimadas, embora ainda apresente grandes lacunas de conhecimento taxonômico e ecológico [5]. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto aves e mamíferos representam a maior proporção de espécies de vertebrados ameaçadas no Cerrado, plantas e invertebrados lideram em números absolutos. Cruzando dados de diversas listas na literatura, estimamos que cerca de 600 angiospermas e entre 400 e 450 invertebrados estejam formalmente classificados como ameaçados no Brasil (ver Tabela 2 e Figura 6 para mais detalhes). Esses números superam o total de todos os vertebrados terrestres ameaçados no Cerrado, revelando um cenário em que organismos que sustentam funções ecológicas essenciais, como polinização, decomposição e fertilidade do solo, estão desaparecendo silenciosamente e, muitas vezes, sem que o público perceba. Essa assimetria entre o impacto ecológico e a atenção institucional compromete a resiliência do Cerrado e destaca a necessidade urgente de estratégias de conservação mais abrangentes.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Captura-de-tela-2026-05-29-124745.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="872" height="592" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Captura-de-tela-2026-05-29-124745.png" alt="" class="wp-image-173314" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Captura-de-tela-2026-05-29-124745.png 872w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Captura-de-tela-2026-05-29-124745-300x204.png 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Captura-de-tela-2026-05-29-124745-768x521.png 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Captura-de-tela-2026-05-29-124745-150x102.png 150w" sizes="auto, (max-width: 872px) 100vw, 872px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figura-6-Philip.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="725" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figura-6-Philip-1024x725.jpg" alt="" class="wp-image-173313" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figura-6-Philip-1024x725.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figura-6-Philip-300x212.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figura-6-Philip-768x544.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figura-6-Philip-1536x1088.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figura-6-Philip-2048x1450.jpg 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figura-6-Philip-150x106.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup><strong>Figura 6.</strong> Distribuição percentual de espécies ameaçadas entre diferentes grupos biológicos no Cerrado. As informações foram adaptadas da Lista Vermelha da IUCN [6], do portal Flora e Funga do Brasil [4]), da lista nacional oficial de espécies ameaçadas do Ministério do Meio Ambiente [7], de dados de vertebrados terrestres de Vieira-Alencar et al. [2], de dados de peixes de água doce de Lima &amp; Ribeiro [3] e de dados de invertebrados da Embrapa [5]. Veja a Tabela 2 para mais detalhes. Desenho da figura: Walisson Kenedy-Siqueira.</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos recentes avanços na descrição e mapeamento de espécies, os dados sobre o estado de conservação dos táxons do Cerrado revelam uma sub-representação ainda crítica. Entre os 340 vertebrados terrestres endêmicos conhecidos, apenas 57 foram oficialmente classificados como globalmente ameaçados pela IUCN. Outras 70 espécies, ou mais de 20% do total, não foram avaliadas ou estão listadas como “dados insuficientes”, o que impede qualquer avaliação confiável sobre seu risco de extinção [2]. Esse padrão revela um viés histórico: mesmo dentro dos vertebrados, grupos como répteis e anfíbios — especialmente anuros com distribuição restrita e hábitos crípticos — permanecem negligenciados nas agendas de pesquisa e conservação. A situação é ainda mais grave para invertebrados e plantas: menos de 1% dos invertebrados conhecidos e apenas uma fração das angiospermas do Cerrado foram formalmente avaliados quanto ao risco de extinção. Além disso, enfatizamos que Ecodomínios como o Cerrado carecem de listas específicas. As listas de espécies ameaçadas geralmente são elaboradas em níveis global, nacional e estadual, e frequentemente não se alinham entre si, dificultando avaliações integradas e coerentes. Muitas espécies amplamente distribuídas no Brasil ou nas Américas, como <em>Puma concolor </em>(Lineu, 1771), podem não estar ameaçadas em escala continental, mas encontram-se criticamente em perigo em regiões específicas como o Cerrado, onde as pressões locais são intensas e contínuas [8]. A ausência de avaliações regionais compromete tudo, desde a criação de áreas protegidas até o desenvolvimento de políticas públicas, planos de ação e instrumentos de financiamento. É nesse vácuo de informação que muitas extinções ocorrem invisivelmente, mesmo antes de a ciência registrar a existência da espécie.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A síntese desses dados destaca um paradoxo estrutural: o Cerrado abriga uma das biodiversidades mais notáveis do planeta, contudo, permanece um dos Ecodomínios menos protegidos e mais subestimados [9]. Muitas das espécies endêmicas, algumas descritas recentemente e outras invisíveis à legislação ambiental, não ocorrem dentro de “unidades de conservação” (áreas protegidas para a biodiversidade no Brasil) [2]. É necessário ampliar os critérios de conservação, incorporando também plantas, invertebrados e microrganismos em inventários, avaliações e ações de manejo. Além disso, é importante reconhecer que inúmeras espécies podem estar desaparecendo antes mesmo de serem descritas pela ciência, uma perda que vai além da taxonomia e erode os próprios processos que sustentam os ecossistemas. Essa diversidade não se limita à contagem de espécies, mas inclui as interações ecológicas que mantêm a vida nos ecossistemas. A reprodução e a dispersão das plantas do Cerrado estão profundamente enraizadas nas interações com a fauna [10], especialmente por meio da polinização por abelhas [12] e da dispersão de sementes por aves e mamíferos [10-12]. A ruptura dessas ligações ecológicas, impulsionada pela perda de polinizadores e dispersores, não só compromete a regeneração vegetal, como também ameaça a persistência das próprias espécies animais, revelando um ciclo de interdependência que sustenta a biodiversidade do Cerrado. A proteção do Cerrado, portanto, requer uma política de conservação mais inclusiva e preventiva, fundamentada na verdadeira diversidade de seus componentes biológicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, dada a velocidade com que o Cerrado está sendo destruído, é urgente a adoção de estratégias de conservação que combinem ações <em>in situ </em>e <em>ex situ </em>(ver <a href="http://philip.inpa.gov.br/publ_livres/Dossie/Outros/Cerrado/Quadro-2.pdf">Quadro 2</a>)[13]. No Cerrado, a conservação <em>in situ </em>envolve o fortalecimento e a expansão de áreas protegidas, corredores ecológicos e territórios indígenas, bem como a implementação de planos de manejo adaptativo em resposta às mudanças climáticas e à pressão humana [9]. A conservação <em>ex situ,</em> por sua vez, deve ser realizada por meio de bancos de sementes, coleções vivas em jardins botânicos e centros de reprodução em cativeiro, desempenhando, assim, um papel estratégico para espécies com populações críticas, distribuição altamente fragmentada ou ameaçadas por eventos extremos, como incêndios de grande escala. No caso das espécies vegetais oficialmente ameaçadas do Brasil, por exemplo, apenas cerca de 21% estão atualmente representadas em coleções <em>ex situ,</em> o que revela um enorme potencial para a expansão dessas iniciativas [14]. A integração dessas abordagens, aliada a políticas públicas robustas e ciência aplicada, é o caminho mais promissor para evitar que a biodiversidade do Cerrado se torne um patrimônio perdido. [15]</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Notas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">[1] Myers N, Mittermeier RA, Mittermeier CG, da Fonseca GAB, Kent J (2000). <a href="https://doi.org/10.1038/35002501">Biodiversity hotspots for conservation priorities.</a> <em>Nature</em> 403: 853–858. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[2] Vieira-Alencar JPS, Carmignotto AP, Sawaya RJ, Silveira LF, Valdujo PH, de Campos Nogueira C (2025). <a href="https://doi.org/10.1016/j.biocon.2025.111087">Hotspot getting hotter: Increased knowledge on tetrapod endemism, habitat loss and the plight of the most threatened savanna in the world</a>. <em>Biological Conservation</em> 305: 111087.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[3] Lima FCT, Ribeiro AC (2011). <a href="https://lerf.eco.br/img/publicacoes/2002_12%20The%20Cerrados%20of%20Brazil.pdf">Continental freshwater fish biodiversity: The Cerrado as a significant ecoregion</a>. In: Oliveira PS, Marquis RJ (Eds) <em>The Cerrado: Ecology and Natural History of a Neotropical Savanna</em>. Columbia University Press, New York, 211–220. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[4] Flora e Funga do Brasil (2024). <a href="https://collectory.sibbr.gov.br/collectory/">Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr): Collectory.</a> </p>



<p class="wp-block-paragraph">[5] Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) (2023). <a href="https://www.embrapa.br/agencia-de-informacao-tecnologica/tematicas/bioma-cerrado/fauna">Biodiversity and Conservation of the Cerrado: Current Status and Challenges</a>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[6] IUCN (International Union for the Conservation of Nature) (2024). <a href="https://www.iucnredlist.org/">Red List</a>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[7] MMA (Ministério do Meio Ambiente) (2022). <a href="https://dados.mma.gov.br/dataset/especies-ameacadas">Espécies Ameaçadas</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[8] ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade) (2018). <a href="https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/biodiversidade/pan/pan-onca-parda/1-ciclo/pan-onca-parda-matriz-planejamento.pdf">Plano de Ação Nacional para a Conservação da Onça-Parda – Ciclo 1: Matriz de Planejamento</a>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[9] Colli GR, Vieira CR, Dianese JC (2020). <a href="https://doi.org/10.1007/s10531-020-01967-x">Biodiversity and conservation of the Cerrado: Recent advances and old challenges</a>. <em>Biodiversity and Conservatio</em>n 29: 1465–1475.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[10] Kuhlmann M, Ribeiro JF (2016a). <a href="https://doi.org/10.1590/0102-33062015abb0331">Evolution of seed dispersal in the Cerrado biome: Ecological and phylogenetic considerations</a>. <em>Acta Botanica Brasílic</em>a 30: 271–282. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[11] Kuhlmann M, Ribeiro JF (2016b). <a href="https://doi.org/10.1590/0102-33062016abb0192">Fruits and frugivores of the Brazilian Cerrado: Ecological and phylogenetic considerations. </a><em>Acta Botanica Brasílica</em> 30: 495–507. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[12] Pereira CC, Arruda DM, Soares FDFS, Fonseca RS (2022c). <a href="https://doi.org/10.3897/neotropical.17.e79247">The importance of pollination and dispersal syndromes for the conservation of Cerrado Rupestre fragments on ironstone outcrops immersed in an agricultural landscape.</a> <em>Neotropical Biology and Conservation</em> 17: 87–102. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[13] Diniz-Filho JAF, de Oliveira Ferraz Barbosa AC, Chaves LJ, da Silva E, Souza K, Dobrovolski R, Rattis L, Terribile LC, Lima-Ribeiro MS, de Oliveira G, Brum FT, Loyola R, de Campos Telles MP (2020). <a href="https://doi.org/10.1007/s10531-018-1667-y">Overcoming the worst of both worlds: Integrating climate change and habitat loss into spatial conservation planning of genetic diversity in the Brazilian Cerrado. </a><em>Biodiversity and Conservation</em> 29: 1555–1570. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[14] Silveira FAO, Teixido AL, Zanetti M, Pádua JG, Andrade ACSD, Costa MLND (2018). <a href="https://doi.org/10.1590/2175-7860201869405"><em>Ex situ </em>conservation of threatened plants in Brazil: A strategic plan to achieve Target 8 of the Global Strategy for Plant Conservation.</a> <em>Rodriguésia</em> 69: 1547–1555. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[15] Este texto é traduzido de: Pereira, C.C., W. Kenedy-Siqueira, L.R. Maia, V.F. Sperandei, L. Arantes-Garcia, S. Fernandes, G.F.C. Fernandes, G.C. de Castro, D.J. Rodrigues, R. Salm &amp; P.M. Fearnside. 2026. <a href="https://doi.org/10.3897/natureconservation.61.168273">The Cerrado crisis review: highlighting threats and providing future pathways to save Brazil&#8217;s biodiversity hotspot.</a> <em>Nature Conservation</em> 61: 29–70. <a href="https://doi.org/10.3897/natureconservation.61.168273.suppl1">Supplementary material</a>.</p>





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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cássio Cardoso Pereira é</strong>&nbsp;doutor em Ecologia, Conservação e Manejo de&nbsp;Vida Silvestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestre em Ecologia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), e graduado em Ciências Biológicasiológicas (Ênfase em Conservação da Biodiversidade) pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atua como docente colaborador e orientador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PGE) da UFSJ. Possui reconhecimento da Web of Science em 2025 pela autoria de 25 publicações científicas como primeiro autor, todas alcançadas até o primeiro ano após a obtenção do título de doutor em Ecologia, como cientista em início de carreira. Atualmente, é editor de área das revistas científicas BioScience&nbsp;(IF = 8.4),&nbsp;Biotropical&nbsp;(IF = 1.7),&nbsp;e Nature Conservation&nbsp;(IF = 1.7).&nbsp;Seus&nbsp;principais interesses de pesquisa incluem conservação da&nbsp;biodiversidade, fenologia, fitossociologia, interações entre artrópodes e plantas, e mudanças climáticas. Para mais informações,&nbsp;<a href="https://www.cassiocardosopereira.com/">acesse aqui</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Walisson Kenedy Siqueira </strong>possui graduação e mestrado ciências biológicas pela Universidade Estadual de Montes Claros em doutor em ecologia, manejo e conservação da vida silvestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É integrante do Laboratório de Ecologia, Evolução e Biodiversidade da UFMG e do Knowledge Center for Biodiversity &amp; Departamento de Genética, Ecologia e Evolução. Tem experiência na área ecologia de comunidades, interação inseto-planta e ecologia de sementes. <strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lara Ribeiro Maia </strong>é Técnica em Administração pelo Instituto Federal de Minas Gerais &#8211; Campus Sabará e atualmente é Graduanda em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse na área de ecologia, animais silvestres, educação ambiental, impactos ambientais e micologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Vinícius da Fontoura Sperandei </strong>possui licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de São João Del-Rei, mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de São João Del-Rei e doutorado em Ciências pelo Programa em Ecologia e Recursos Naturais da Universidade Federal de São Carlos. Atualmente é professor da Universidade de Rio Verde. Suas pesquisas são na área de Ecologia, principalmente sobre herpetofauna e ecologia subterrânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lucas Arantes-Garcia </strong>possui gradução em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente está na Escola de Ciências e Meio Ambiente, Memorial University of Newfoundland, Corner Brook, NL, Canadá. Possui interesse em invasões biológicas, serviços ecossistêmicos, valoração ambiental, mudanças globais e interações inseto-planta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Stephannie Fernandes</strong><sup> </sup>é aluna de doutorado na Florida International University, Miami, FL, E.U.A. As suas pesquisas estão na área de ecologia política, visando descobrir como os arranjos institucionais e as diferentes partes interessadas se relacionam com o desenvolvimento e a conservação dos recursos hídricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriela França Carneiro Fernandes </strong>possui licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e atualmente é Mestranda em Ecologia, pela Universidade Federal de São João del-Rei. Ela participa do projeto de pesquisa “Ecossistemas de Referência”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gislene Carvalho de Castro</strong> possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Montes Claros e mestrado e doutorado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras. Atualmente é.Professora titular da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Atua na área de ecologia vegetal e restauração ecológica de ecossistemas, com ênfase em trabalhos relacionados a corredores ecológicos de valo. Coordena o projeto de extensão &#8221;Restaurar&#8221; que objetiva a restauração ecológica de ambientes degradados e atua em projetos relacionados ao Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Domingos de Jesus Rodrigues </strong>possui graduação em Ciências Biológicas e mestrado em Ecologia e Conservação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e tem doutorado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. É professor Titular da Universidade Federal de Mato Grosso em Cuiabá. Suas pesquisas focam a biologia reprodutiva de anuros (sapos). É colaborador do Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso, ICMBio, e a Polícia Federal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Rodolfo Aureliano Salm </strong>formou-se em Biologia pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo e fez doutorado em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Atualmente é Professor Adjunto III da Faculdade de Biologia da Universidade Federal do Pará, campus de Altamira. Pesquisa na área de ecologia de ecossistemas, atuando principalmente no estudo da dinâmica natural e da conservação das florestas tropicais. Tem estudado tanto a ecologia quanto o aproveitamento econômico de palmeiras nativas e exóticas na Terra Indígena Kayapó, sul do Pará.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Philip Martin Fearnside</strong>&nbsp;é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis&nbsp;<a href="http://philip.inpa.gov.br/">aqui</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Homicídios de indígenas dobram no Amazonas, diz Atlas 2026</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Kátia Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2026 23:55:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O estado, conforme dados do Ipea e FBSP, se destaca na Região Norte com 73 homicídios contra os povos originários no ano de 2024. Os crimes são motivados, na maior parte dos casos, pelo avanço do crime organizado e  sua expansão para o interior da Amazônia. Facções criminosas, entre elas, o PCC, passaram a disputar territórios tradicionais para controlar economias ilegais, como o garimpo e crimes ambientais. Essa realidade é agravada por conflitos fundiários históricos e pela intensa pressão territorial sobre as terras protegidas. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus (AM) &#8211; </strong>Uma violência que não cessa expõe o cenário letal contra os indígenas da região Norte do Brasil. Os dados foram analisados no <a href="https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2026/05/atlas-violencia-2026-relatorio-completo.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Atlas da Violência 2026</a>, divulgado de forma híbrida nesta terça-feira (26), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O estudo aponta que o Estado do Amazonas lidera a estatística, saltando de 36 homicídios, em 2023, para 73 em 2024, duplicando o número de indígenas mortos em apenas um ano.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o Atlas, o aumento dos casos foi de 102,8% na taxa de letalidade da violência contra indígenas, o que coloca o Amazonas entre os epicentros da violência contra povos originários no país.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A taxa de homicídios de indígenas no estado subiu de 21,4 para 47,8 homicídios por 100 mil pessoas, uma variação de 123,4%, que sinaliza para o agravamento da violência contra essas populações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Amazonas, segundo o Censo Demográfico do IBGE, é o estado que possui a maior população indígena do Brasil, com 490.935 pessoas autodeclaradas indígenas. Esse número representa quase um terço (aproximadamente 29%) de toda a população indígena do país.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, a taxa de homicídios de indígenas aumentou 51% entre os anos de 2023 e 2024. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A região Norte, que compreende também os estados do Acre, Amapá, Rondônia, Roraima e Pará &#8211; que estão dentro do bioma Amazônia -, concentra alguns dos cenários mais críticos do país em relação à proteção dos povos, marcados pelo avanço do crime organizado, conflitos territoriais e disputas socioambientais em territórios tradicionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Roraima, a situação não é menos alarmante. O estado registrou taxa de 172,9 homicídios por 100 mil indígenas em 2024, uma das mais altas do Brasil, mesmo após queda em relação ao pico de 246,4 registrado em 2023. O estado registrou 60 homicídios de pessoas indígenas em 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Acre registrou aumento de 50% na taxa de homicídios contra pessoas indígena, saindo de 3 casos em 2023 para 6 casos em 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já o Pará aparece como um contraponto na série histórica: a taxa de homicídios de pessoas indígenas caiu de 71,9 em 2014 para 9,0 em 2024, indicando uma redução significativa ao longo da década. Também se observou queda em números absolutos de homicídios. De 11 casos em 2014, caiu para 5 em 2024, com flutuações intermediárias relevantes, como o aumento para 14 casos em 2020. De acordo com os pesquisadores, esse comportamento sugere que, apesar da tendência de redução, a dinâmica local permaneceu instável e sensível a variações conjunturais.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Infografico-Atlas-da-Violencia-IPEA.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="767" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Infografico-Atlas-da-Violencia-IPEA-1024x767.jpg" alt="" class="wp-image-173273" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Infografico-Atlas-da-Violencia-IPEA-1024x767.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Infografico-Atlas-da-Violencia-IPEA-300x225.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Infografico-Atlas-da-Violencia-IPEA-768x575.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Infografico-Atlas-da-Violencia-IPEA-150x112.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Infografico-Atlas-da-Violencia-IPEA.jpg 1398w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph">“Esses estados concentram padrões crônicos de violência contra indígenas, cada um com uma dinâmica específica. Garimpo em Roraima e escalada recente da violência no Amazonas. A interdisciplinaridade exige respostas também diferenciadas”, destacou o antropólogo Frederico Augusto Barbosa da Silva, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presença de facções criminosas foi detectada na exploração ilegal de ouro em Roraima, em 2021, o que elevou o conflito na Terra Indígena Yanomami, em 2021, como noticiou à <a href="https://amazoniareal.com.br/garimpeiros-ligados-ao-pcc-atacam-aldeia-yanomami/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">agência Amazônia Real. Leia aqui.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 18 de maio,<strong> </strong>o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), assinaram um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para prevenção e o enfrentamento ao crime organizado e às economias ilícitas que afetam os territórios indígenas, combatendo a sobreposição entre o tráfico de drogas e crimes ambientais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ação faz parte do programa &#8220;Território Seguro, Amazônia Soberana&#8221;, que contará com um aporte inicial de R$ 209 milhões. O foco inicial são sete regiões prioritárias distribuídas em 42 municípios de seis estados, entre eles, Acre, Amazonas, Pará, Maranhão e&nbsp; Mato Grosso.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na ocasião, o ministro dos Povos Indígenas, <a href="https://www.gov.br/povosindigenas/pt-br/assuntos/noticias/2026/05/mpi-mjsp-e-funai-assinam-acordo-para-enfrentamento-do-crime-organizado-que-impacta-territorios-indigenas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Eloy Terena</a>, destacou a responsabilidade do Estado e a importância ambiental dos territórios tradicionais. “Terra indígena é bem público federal da União, portanto, pertence ao Estado brasileiro, e nós temos o dever de proteger esses territórios.&#8221;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/tabela-violencia.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="409" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/tabela-violencia-1024x409.jpg" alt="" class="wp-image-173277" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/tabela-violencia-1024x409.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/tabela-violencia-300x120.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/tabela-violencia-768x306.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/tabela-violencia-1536x613.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/tabela-violencia-150x60.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/tabela-violencia.jpg 1887w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Grafico-homicidios.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="540" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Grafico-homicidios-1024x540.jpg" alt="" class="wp-image-173280" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Grafico-homicidios-1024x540.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Grafico-homicidios-300x158.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Grafico-homicidios-768x405.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Grafico-homicidios-1536x810.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Grafico-homicidios-150x79.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Grafico-homicidios.jpg 1854w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Violações de direitos</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Em análise sobre os dados do Atlas 2026, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) alertou para o agravamento da violência contra os povos indígenas nos estados do Amazonas e Roraima, especialmente em regiões afetadas por conflitos fundiários, garimpo ilegal, narcotráfico e atuação de organizações criminosas ligadas a crimes ambientais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a assessoria jurídica da organização, as comunidades indígenas vivem sob um cenário permanente de ameaças, invasões territoriais, perseguições e violações de direitos, impulsionado pela ausência de fiscalização efetiva e pela lentidão nos processos de demarcação das terras indígenas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A situação, de acordo com a Coiab, representa uma violação direta dos direitos garantidos pela Constituição Federal, especialmente dos artigos 231 e 232, além de tratados internacionais como a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a violência brutal contra pessoas indígenas fez vítimas como Tadeo Madija Kulina, do povo Kulina,<a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2024/02/29/indigena-que-acompanhava-mulher-gravida-morre-em-hospital-apos-ser-espancado-em-manaus.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> espancado até a morte em Manaus</a>, em fevereiro de 2024. Ele veio a Manaus para acompanhar o parto de sua esposa, Ccorima, na Maternidade Ana Braga, unidade localizada na zona Leste da cidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vindos do município de Envira, região sudoeste do Amazonas, o casal morava na aldeia Foz do Akurawá, na Terra Indígena do Médio Rio Juruá. Nenhum dos dois conhecia a cidade de Manaus e não falavam nem entendiam português.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O corpo de Tadeo Kulina foi encontrado por seus parentes indígenas no Instituto Médico Legal (IML) de Manaus, dias depois do seu desaparecimento anunciado no dia 14 de fevereiro em um grupo de WhatsApp. Em outubro de 2025, atendendo a um pedido da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM)<a href="https://defensoria.am.def.br/2025/10/16/apos-requerimento-da-defensoria-publica-mpam-reabre-inquerito-sobre-a-morte-do-indigena-tadeo-kulina-e-determina-novas-investigacoes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> desarquivou o inquérito que apurou o assassinato de Tadeo.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para enfrentar a crise, o Coiab aponta a necessidade de aplicação de medidas urgentes, tais como o fortalecimento dos órgãos de fiscalização e proteção territorial, o combate ao garimpo ilegal e às organizações criminosas, a proteção de lideranças ameaçadas e a aceleração das demarcações de terras indígenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A Coiab também ressalta que a proteção dos povos indígenas não pode ocorrer apenas por meio de ações repressivas e pontuais, sendo necessária a implementação de políticas estruturantes voltadas à garantia de direitos territoriais, proteção ambiental, fortalecimento institucional e promoção da autonomia dos povos indígenas da Amazônia brasileira”, disse a Coiab.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Desigualdade persiste</strong></h3>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/mapa-Violencia-Indigenas.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1281" height="939" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/mapa-Violencia-Indigenas.jpg" alt="" class="wp-image-173271" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/mapa-Violencia-Indigenas.jpg 1281w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/mapa-Violencia-Indigenas-300x220.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/mapa-Violencia-Indigenas-1024x751.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/mapa-Violencia-Indigenas-768x563.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/mapa-Violencia-Indigenas-150x110.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1281px) 100vw, 1281px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o antropólogo Frederico Augusto Barbosa da Silva, a queda da violência letal contra pessoas indígenas no período entre 2014 e 2024 foi evidente, mas a desigualdade persiste.&nbsp; Em todo o Brasil, a taxa registrada de homicídios entre indígenas foi de 24,6 por 100 mil habitantes em 2024, um valor 22% superior à taxa nacional de 20,1. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2014, a taxa entre indígenas era de 61,9 por 100 mil. Depois desse período, há um movimento contínuo de redução, especialmente a partir de 2017, após um recrudescimento anterior. Mas, a partir de 2023, o pesquisador explica que os indicadores voltam a piorar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Isso tem uma razão e uma memória histórica. Existe um legado de políticas de desconstrução de direitos indígenas e de enfraquecimento dos aparatos de proteção aos povos indígenas. Essa intencionalidade ainda carrega uma memória de violência que atravessa especialmente o período entre 2022 e 2023 em diante”, explicou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo se baseia em compreender a violência letal contra indígenas em contextos de conflitos territoriais, principalmente dentro de Terras Indígenas (TI), sem dados correspondentes a violência contra indígenas em contexto urbanos. As causas de cada conflito são próprias e específicas, levando em conta as peculiaridades de cada território. “Estamos falando de conflitos fundiários, garimpo ilegal e diferentes tipos de pressão territorial, dinâmicas que muitas vezes independem dos contextos urbanos”, disse o pesquisador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Ainda há muito a ser feito em termos de atuação estratégica sobre os territórios indígenas, mesmo com todos os esforços ainda vemos a situação letal contra os indígenas maior do que contra a população em geral”, analisou o pesquisador e antropólogo Frederico Augusto Barbosa da Silva, durante coletivo de imprensa para apresentação dos resultados do estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>‘Interiorização do crime’</strong></h3>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Operacao_Agata_Amazonia_-_Barcelos.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Operacao_Agata_Amazonia_-_Barcelos-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-173264" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Operacao_Agata_Amazonia_-_Barcelos-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Operacao_Agata_Amazonia_-_Barcelos-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Operacao_Agata_Amazonia_-_Barcelos-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Operacao_Agata_Amazonia_-_Barcelos-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Operacao_Agata_Amazonia_-_Barcelos-2048x1365.jpg 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Operacao_Agata_Amazonia_-_Barcelos-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>O município de Barcelos, no rio Negro (Foto: Marinha do Brasil).</sup></em></figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Grafico-ipea.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="643" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Grafico-ipea-1024x643.jpg" alt="" class="wp-image-173261" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Grafico-ipea-1024x643.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Grafico-ipea-300x188.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Grafico-ipea-768x482.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Grafico-ipea-150x94.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Grafico-ipea.jpg 1170w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Gráfico do Relatório Amazônia e Segurança Pública /Cartografias da Violência na Amazônia, publicado em 2025 para a COP30. </em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O Atlas da Violência 2026 marca uma década da parceria entre o Ipea e o FBSP no monitoramento da letalidade das violências no Brasil. O estudo foi elaborado a partir dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde (MS).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo aponta que a atual dinâmica da violência no Brasil está diretamente ligada à expansão territorial das facções criminosas para cidades do interior do país. Nesse contexto, organizações criminosas passaram a atuar em mercados ligados ao ouro, combustíveis, crimes ambientais e outras economias ilegais na região amazônica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pesquisadores relacionam o avanço da violência à fragilidade estatal em áreas de fronteira, à disputa por territórios indígenas e ao crescimento de conflitos socioambientais na região.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O território bem protegido, com uma boa gestão ambiental, com uma boa gestão equipamento público e autonomia dos povos indígenas, nessas situações o risco é menor. Embora as pressões internas sempre acabem tensionando as condições de vida e as possibilidade de contenção de homicídios e violências contra esses povos. O papel do Estado é fundamental”, explicou Frederico Augusto Barbosa da Silva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A chamada “interiorização do crime” já tem consequências negativas no cenário de violência de pequenas cidades. No ranking de homicídios por cidade no Amazonas, o município de Barcelos aparece em primeiro lugar. Em 2024, o município registrou 32 casos de homicídio. Com uma população de 18.626 habitantes, a cidade alcançou uma taxa alarmante de 171,8 homicídios por 100 mil habitantes, uma das mais altas do estado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Suicídio assola povos indígenas</strong></h3>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/01/DSCF6958.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/01/DSCF6958-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-156467" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/01/DSCF6958-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/01/DSCF6958-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/01/DSCF6958-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/01/DSCF6958-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/01/DSCF6958-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/01/DSCF6958.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Terra Indígena Umariaçu 1, em Tabatinga (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real).</sub></em></figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/grafico-suicidios.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="568" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/grafico-suicidios-1024x568.jpg" alt="" class="wp-image-173275" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/grafico-suicidios-1024x568.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/grafico-suicidios-300x166.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/grafico-suicidios-768x426.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/grafico-suicidios-1536x852.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/grafico-suicidios-150x83.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/grafico-suicidios.jpg 1893w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Na série histórica analisada no Altas, as mortes autoprovocadas de pessoas indígenas revelam “uma forma de violência individual, enraizada em processos sociais, históricos e territoriais que estruturam as condições de vida dos povos indígenas”. Entre 2014 e 2024, as taxas de suicídio entre indígenas permaneceram muito superiores às da população brasileira, indicando maior incidência e exposição diferenciada a fatores de risco socialmente produzidos, segundo o estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2014, a taxa de suicídio entre indígenas era de 38,5 por 100 mil habitante, mais de sete vezes superior à taxa nacional da época (5,1). Entre 2014 e 2019, verificou-se uma tendência de queda nas taxas, que diminuíram para 17,6 casos, representando redução de 54,3%. No entanto, a partir de 2020, se registrou nova elevação, com a taxa de suicídios atingindo 24,3 em 2021, no auge da pandemia do Covid-19.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Proporcionalmente, os povos indígenas continuam registrando um número muito maior de suicídios do que a população brasileira em geral. Em 2024, a taxa foi de 20,9 por 100 mil indígenas, permanecendo muito acima da média nacional, que é de 7,8 por 100 mil habitantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O suicídio indígena no Brasil tem maior intensidade na região Norte, onde se concentraram, de maneira recorrente ao longo da série histórica, tanto os maiores números absolutos de casos quanto as maiores taxas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Amazonas, foram registrados 83 casos de suicídios indígenas em 2024, o maior número da série histórica, o que representou aumento de 9,2% em relação a 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Roraima, houve 26 casos no mesmo período, um aumento de 36,8% em relação ao ano anterior (19 casos). No Tocantins, o aumento dos casos também chama atenção. Em 2024, foram registrados oito casos, um crescimento de 166,7% se comparado a 2023, quando três suicídios haviam sido notificados entre povos indígenas no estado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conflitos territoriais históricos e a pressão sobre modos de vida tradicionais, comuns na região amazônica e frequentemente ligados a confinamento territorial, além da intensificação de disputas fundiárias e precariedade nas condições de reprodução social, atuam como fatores que amplificam o sofrimento psicossocial.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Em geral, a gente imagina que os laços de solidariedade, a vida comunitária bem organizada, garantem uma segurança existencial para os povos indígenas. Quando há desagregação desses recursos e a vida comunitária passa a ser tensionada por violências externas, existe também uma tendência de desagregação dos sentidos existenciais relacionados à própria vida comunitária e à relação com a natureza. Nesse contexto, a gente vê também um aumento dos suicídios em sociedades indígenas”, disse Frederico Augusto.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Frontera-Grafitis-de-Amenazas-Leticia-Barrio-Colombia-4-Foto_-Alex-Rufino_Ojo-Publico-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="723" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Frontera-Grafitis-de-Amenazas-Leticia-Barrio-Colombia-4-Foto_-Alex-Rufino_Ojo-Publico-1024x723.jpg" alt="" class="wp-image-135558" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Frontera-Grafitis-de-Amenazas-Leticia-Barrio-Colombia-4-Foto_-Alex-Rufino_Ojo-Publico-1024x723.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Frontera-Grafitis-de-Amenazas-Leticia-Barrio-Colombia-4-Foto_-Alex-Rufino_Ojo-Publico-300x212.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Frontera-Grafitis-de-Amenazas-Leticia-Barrio-Colombia-4-Foto_-Alex-Rufino_Ojo-Publico-768x542.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Frontera-Grafitis-de-Amenazas-Leticia-Barrio-Colombia-4-Foto_-Alex-Rufino_Ojo-Publico-1536x1084.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Frontera-Grafitis-de-Amenazas-Leticia-Barrio-Colombia-4-Foto_-Alex-Rufino_Ojo-Publico-2048x1446.jpg 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Frontera-Grafitis-de-Amenazas-Leticia-Barrio-Colombia-4-Foto_-Alex-Rufino_Ojo-Publico-150x106.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"> <em><sup>Los Crías, que também se autodenominam Comando da Tríplice Fronteira, são uma quadrilha local de Tabatinga. Informações da polícia na região indicam que eles são aliados do PCC (Foto: OjoPúblico / Álex Rufino).</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Essa reportagem foi atualizada para inclusão de nota da Coiab, em 27/05/2026.</strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: Os textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência Amazônia Real estão licenciados com uma<a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nd/4.0/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional&nbsp;</a>(CC BY ND 4.0), e podem ser republicados na mídia: jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura; com o crédito do autor e da agência&nbsp;Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença e precisam de autorização dos autores.</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>STF mantém redução do Parna do Jamanxim e reacende debate sobre Ferrogrão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 May 2026 17:33:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A decisão da Corte mantém válida a redução de parte do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, e, segundo lideranças indígenas e organizações socioambientais ouvidas pela Amazônia Real, fortalece o avanço da Ferrogrão sobre territórios protegidos do rio Tapajós</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus (AM) &#8211; </strong>A ofensiva para implementação da Ferrogrão (EF-170) ganhou novos contornos nesta quinta-feira (21/05), a partir da decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) <a href="https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-valida-lei-que-reduziu-area-protegida-no-para-para-viabilizar-ferrograo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">em julgar constitucional a Lei 13.452/2017</a>, cuja proposta permitiu a redução de 862 hectares do Parque Nacional (Parna) do Jamanxim, em Itaituba, no Estado do Pará. A medida mantém válida a alteração dos limites da unidade de conservação para viabilizar a construção da linha férrea que ligará por 933 km de trilhos a cidade de Sinop, no norte do Mato Grosso, ao distrito de Miritituba, na margem direita do rio Tapajós, sudoeste do Pará, para escoamento de grãos (soja e milho) produzidos pelo agronegócio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a decisão do STF não autorize diretamente a construção da Ferrogrão, lideranças indígenas e organizações socioambientais avaliam o resultado do julgamento como uma manobra jurídica que valida o avanço do empreendimento, já que o Parna foi reduzido sob a justificativa de que o traçado original da ferrovia cortava sua área. <a href="https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/biodiversidade/unidade-de-conservacao/unidades-de-biomas/amazonia/lista-de-ucs/parna-do-jamanxim" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O Parna do Jamanxim</a>, criado em 2006, possui 862.895,27 hectares, de acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Reunidos em assembleia nesta semana para tratar de saúde, educação e defesa dos rios e florestas, o povo Munduruku do rio Tapajós foi surpreendido pela notícia da aprovação de redução do Parna do Jamanxim.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alessandra Korap Munduruku, uma das principais lideranças do povo Munduruku da região do rio Tapajós, criticou a medida por não respeitar os direitos dos povos indígenas. Segundo ela, o STF leva em consideração apenas os interesses do agronegócio em flexibilizar áreas protegidas na região para a construção de grandes empreendimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Nós temos muitos problemas na bacia do rio Tapajós, com o avanço do garimpo, madeireiros, fazendeiros, sojeiros e muitos portos. Tentaram vender nossos rios e julgam contra os nossos direitos. O agronegócio avança cada vez mais com o Arco Norte e isso nos preocupa, porque não é só uma ferrovia. É um projeto de morte. É um espaço de morte do agronegócio, com veneno aéreo e veneno que mata nossos rios e igarapés”, disse em entrevista à <strong>Amazônia Real.</strong></p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/54454755361_5a12e57dbb_k.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/54454755361_5a12e57dbb_k-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-173224" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/54454755361_5a12e57dbb_k-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/54454755361_5a12e57dbb_k-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/54454755361_5a12e57dbb_k-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/54454755361_5a12e57dbb_k-1536x1025.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/54454755361_5a12e57dbb_k-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/54454755361_5a12e57dbb_k.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Alessandra Korap e indígenas Munduruku foram à Brasília para reunião com o ministro Gilmar Mendes, em abril de 2025 (Foto: Antonio Augusto/STF).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A decisão do STF foi tomada na análise da <a href="https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5997245" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6553</a>, movida pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol) para questionar a legalidade da redução do Parna em razão da construção da faixa de domínio e operação da ferrovia. A Lei 13.452/2017 foi originada da conversão da <a href="https://www.camara.leg.br/noticias/514193-aprovada-mp-que-altera-parque-do-jamanxim-para-permitir-construcao-de-ferrovia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Medida Provisória (MP) 758/2016.&nbsp;</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o relator, ministro Alexandre de Moraes, não houve irregularidade no processo legislativo que resultou na edição da lei nem retrocesso ambiental, já que a construção da ferrovia continua condicionada à obtenção de todas as licenças exigidas pelos órgãos competentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seis&nbsp; ministros seguiram o voto do relator e votaram a favor da constitucionalidade da lei: Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. A ministra Cármen Lúcia não votou por estar ausente da sessão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Plenário do STF também aderiu à proposta que autoriza o Poder Executivo, por decreto, a ampliar em 51,1 mil hectares a área do parque como medida de compensação ambiental pela redução territorial aprovada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O STF deveria olhar com mais respeito à Constituição e não olhar para o agronegócio, não olhar [para as notícias] que acha que nós estamos passando fome, como muitas mídias mostram isso. Querem jogar um desenvolvimento de morte para nós, para a gente ser expulso do nosso território. É isso que o STF está querendo fazer. Eles não respeitam a própria Constituição”, declarou Alessandra Munduruku.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Julgamento controverso</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/55285386580_4ac04ad945_k.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/55285386580_4ac04ad945_k-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-173226" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/55285386580_4ac04ad945_k-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/55285386580_4ac04ad945_k-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/55285386580_4ac04ad945_k-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/55285386580_4ac04ad945_k-1536x1025.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/55285386580_4ac04ad945_k-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/55285386580_4ac04ad945_k.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Votação na Sessão plenária do STF, em dia 21 de maio de 2026 (Foto: Gustavo Moreno/STF).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A<a href="https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/ferrograo-entenda-controversia-sobre-reducao-de-parque-ambiental-para-construcao-de-ferrovia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">  ADI 6553 começou a ser julgada em outubro de 2025</a> e foi retomada por ocasião do voto-vista do ministro Flávio Dino neste ano. Dino divergiu parcialmente do relator, ministro Alexandre de Moraes, ao propor condicionantes voltadas ao reforço das garantias ambientais e à proteção das populações afetadas pela obra. No entanto, as diretrizes de Dino não obtiveram a adesão da maioria no Plenário e o entendimento do ministro Alexandre de Moraes prevaleceu no julgamento da última quinta-feira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O voto do ministro Alexandre de Moraes<a href="https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-tem-dois-votos-pela-alteracao-de-area-de-parque-nacional-para-construcao-da-ferrograo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> havia sido apresentado no ano passado</a>, acompanhado integralmente pelo ministro Luís Roberto Barroso (aposentado).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Bruna Balbi, advogada e assessora jurídica da organização <a href="https://terradedireitos.org.br/noticias/noticias/7-mentiras-do-agronegocio-sobre-a-ferrograo/24314" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Terra de Direitos</a>, a medida que reduz o Parna do Jamanxim pode abrir precedente para novos empreendimentos de infraestrutura que impactam terras indígenas e áreas protegidas na região do rio Tapajós.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Na prática, o julgamento discute se é possível flexibilizar áreas protegidas para viabilizar grandes empreendimentos de infraestrutura. Uma decisão favorável à diminuição da unidade de conservação pode representar a validação de uma estratégia jurídica e política de reconfiguração territorial voltada à implantação de corredores logísticos na Amazônia”, explicou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em março deste ano, o Tribunal de Contas da União (TCU) <a href="https://www.mpf.mp.br/o-mpf/unidades/pr-mt/noticias/ferrograo-tcu-atende-a-pedido-do-mpf-e-mantem-suspensa-a-analise-da-concessao-do-projeto" target="_blank" rel="noreferrer noopener">decidiu manter a suspensão da análise do projeto de concessão Ferrogrão</a>, por meio de uma representação formulada pelo Ministério Público Federal (MPF) em conjunto com organizações da sociedade civil. A representação do MPF alertava para graves irregularidades no processo de desestatização, com destaque para a ausência de Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI) aos povos indígenas afetados pelo empreendimento. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também <a href="http://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/03/ibama-manda-revisar-estudo-ambiental-da-ferrograo.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">determinou a revisão dos estudos ambientais da ferrovia</a>, condicionando a isto a retomada do licenciamento da obra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bruna Balbi chamou atenção para o fato de o julgamento do STF fortalecer o entendimento segundo o qual áreas protegidas podem ser reduzidas quando são consideradas obstáculos para grandes projetos ligados à logística, mineração, energia e agronegócio. O caso do Parna do Jamanxim é visto como especialmente sensível por estar diretamente ligado ao avanço da Ferrogrão, projeto pensado especificamente para o escoamento de commodities agrícolas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Isso tende a ampliar a insegurança jurídica sobre territórios especialmente protegidos e intensificar pressões políticas e econômicas sobre outras unidades de conservação na Amazônia. O precedente pode enfraquecer princípios constitucionais importantes, como a vedação ao retrocesso socioambiental, especialmente em um contexto de agravamento da crise climática e de aumento dos conflitos fundiários na região amazônica”, afirmou a advogada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O julgamento foi acompanhado por representantes de entidades do agronegócio, dos governos estaduais de Mato Grosso e Pará e empresas e grupos de infraestrutura e logística, entre eles a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil). “Após quase 10 anos finalmente temos uma decisão que permitirá o Brasil tirar essa ferrovia estratégica do papel”, <a href="https://aprosojabrasil.com.br/comunicacao/blog/noticias-brasil/2026/05/21/sinal-verde-para-implementacao-da-ferrograo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">comemorou o presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon.&nbsp;</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ferrovia da morte</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/8-Grito-Ancestral-Foto-CITUPI3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="767" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/8-Grito-Ancestral-Foto-CITUPI3-1024x767.jpg" alt="" class="wp-image-171079" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/8-Grito-Ancestral-Foto-CITUPI3-1024x767.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/8-Grito-Ancestral-Foto-CITUPI3-300x225.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/8-Grito-Ancestral-Foto-CITUPI3-768x575.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/8-Grito-Ancestral-Foto-CITUPI3-150x112.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/01/8-Grito-Ancestral-Foto-CITUPI3.jpg 1440w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>8º Grito Ancestral, quando indígenas fizeram manifestação no rio Tapajós contra a hidrovia e a Ferrogrão (Foto Reprodução redes sociais @citupi).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Defendida por setores do agronegócio como um corredor logístico estratégico para o transporte de soja e milho entre Mato Grosso e os portos paraenses,<a href="https://amazoniareal.com.br/especiais/ferrograo/"> a Ferrogrão </a>foi apresentada ao governo federal em 2014, na gestão da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), pelas multinacionais do agronegócio Cargill, Dreyfus, Amaggi e Bunge. A ferrovia é impulsionada também por produtores de soja e milho do Centro-Oeste brasileiro. O objetivo é baratear a exportação dos seus produtos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O projeto ganhou força no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB) e se tornou prioridade no governo de Jair Bolsonaro (PL). Setores do governo Lula (PT) defendem a Ferrogrão e recursos para seus estudos foram assegurados pelo novo <a href="https://www.gov.br/cidades/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/pac" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Programa de Aceleramento do Crescimento (PAC)</a>, publicado em agosto de 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Ferrogrão <a href="https://amazoniareal.com.br/povos-indigenas-sentenciam-o-fim-da-ferrograo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">enfrenta oposição das comunidades tradicionais</a> devido aos possíveis impactos socioambientais sobre unidades de conservação, terras indígenas e territórios tradicionais da bacia do Tapajós. As comunidades alegam não ter sido consultadas a respeito dos efeitos negativos da obra, entre eles o desmatamento de uma área de quase 50 mil km².&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Bruna Balbi, os impactos da redução do Parna do Jamanxim vão além da área diretamente retirada da unidade de conservação, visto que o parque integra um mosaico de áreas protegidas na Amazônia e desempenha papel importante na contenção do desmatamento, da grilagem e da pressão fundiária no sudoeste do Pará. “A redução da unidade de conservação tende a ampliar a pressão sobre a floresta, estimulando desmatamento, especulação fundiária, invasões e conflitos territoriais”, afirmou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso da Ferrogrão, a avaliação é que o projeto tende a estimular mudanças em toda a cadeia logística, como expansão de monoculturas, crescimento de portos e armazéns e aumento da pressão sobre terras indígenas e territórios tradicionais em regiões como Tapajós e Xingu.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante mobilizações em Brasília em abril deste ano, lideranças indígenas que participaram do Acampamento Terra Livre (ATL) reforçaram críticas ao avanço da construção da ferrovia no STF. <a href="https://apiboficial.org/2026/04/02/nosso-futuro-nao-esta-a-venda-ferrograo-nao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em nota</a>, a&nbsp; Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) alertou para retomada do julgamento como forma de beneficiar os principais eixos do corredor logístico do agronegócio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Para beneficiar a Cargill e outras grandes corporações, querem ligar o Mato Grosso ao Pará para exportar ainda mais soja e milho pelo Tapajós, ameaçando a sobrevivência do rio e desrespeitando os direitos dos povos e comunidades que sequer foram consultados”, diz um trecho da nota.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Câmara aprova redução da Flona do Jamanxim</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_2388.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="631" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_2388-1024x631.jpeg" alt="" class="wp-image-173192" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_2388-1024x631.jpeg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_2388-300x185.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_2388-768x474.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_2388-1536x947.jpeg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_2388-150x93.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_2388.jpeg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Deputado Joaquim Passarinho (PL &#8211; PA) e o placar com o resultado da votação no dia 20 de maio, que reduziu a área do Parna do Jamanxim (Foto: Vinicius Loures/ Câmara dos Deputados).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Um dia antes do julgamento no STF, na quarta-feira (20/05), a Câmara dos Deputados aprovou a <a href="https://www.camara.leg.br/noticias/1274521-camara-aprova-projeto-que-retoma-a-reducao-dos-limites-da-floresta-nacional-do-jamanxim-no-para" target="_blank" rel="noreferrer noopener">redução da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim</a>, também no Pará. A decisão no Congresso, somada ao entendimento do Supremo, representou uma ofensiva simultânea do Legislativo e do Judiciário sobre áreas de proteção ambiental do rio Tapajós.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De autoria do deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), o texto foi aprovado junto de outras pautas em comemoração ao <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/agro/camara-tem-dia-do-agro-para-votar-pautas-urgentes-do-setor/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“Dia do Agro”</a>, a partir do substitutivo do relator, deputado José Priante (MB-PA), e agora segue para análise do Senado. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Priante é primo de Helder Barbalho, que deixou o governo do Pará em 2 de abril de para se candidatar ao Senado nas eleições. A vice-governadora Hana Ghassan assumiu o comando do estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aprovação foi comemorada especialmente por parlamentares do Pará, como o próprio ex-governador, que acompanhou a votação no Plenário juntamente com a bancada de deputados do Pará. “Uma mudança importante que garante mais segurança jurídica e desenvolvimento para quem trabalha e vive na região”, <a href="https://www.instagram.com/reels/DYlHzlbRJgN/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">declarou nas redes sociais.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">O projeto desmembra cerca de 486 mil hectares da Flona do Jamanxim – atualmente com aproximadamente 1,3 milhão de hectares – para convertê-los em 814,6 mil hectares de Área de Proteção Ambiental (APA), categoria que possui regras mais flexíveis de uso e ocupação. A Flona do Jamanxim é uma <a href="https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/noticias/ultimas-noticias/icmbio-deflagra-operacao-de-retirada-de-gado-ilegal-na-floresta-nacional-do-jamanxim-pa" target="_blank" rel="noreferrer noopener">área marcada pelo desmatamento, pela grilagem e pela mineração.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">O texto aprovado também permite atividades minerárias dentro da floresta e da APA, desde que previstas em planos de manejo, além de autorizar a realocação de ocupantes da área para outras terras da União ou do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na Amazônia Legal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na visão da liderança indígena Alessandra Munduruku, o avanço acelerado de megaempreendimentos sobre a Amazônia&nbsp; e a flexibilização das leis ambientais representa um choque entre formas distintas de enxergar o território. “O não indígena, tudo o que ele vê é dinheiro, tudo que ele olha, tudo que ele pega, ele destrói. Nós [povos indígenas] queremos vida. Tudo que nós olhamos é vida. Água é vida, rio é vida, floresta é vida, locais sagrado é vida”, manifestou.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Marcha-Mundial-dos-Povos-Indigenas-109.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Marcha-Mundial-dos-Povos-Indigenas-109-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-167930" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Marcha-Mundial-dos-Povos-Indigenas-109-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Marcha-Mundial-dos-Povos-Indigenas-109-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Marcha-Mundial-dos-Povos-Indigenas-109-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Marcha-Mundial-dos-Povos-Indigenas-109-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Marcha-Mundial-dos-Povos-Indigenas-109-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Marcha-Mundial-dos-Povos-Indigenas-109.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Alessandra Korap Munduruku na Marcha Mundial dos Povos Indígenas pelas ruas de Belém, em evento paralelo à COP30 (Foto: Alberto César Araújo/ Amazônia Real/ 2025).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/stf-mantem-reducao-do-parna-do-jamanxim-e-reacende-debate-sobre-ferrograo/">STF mantém redução do Parna do Jamanxim e reacende debate sobre Ferrogrão</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
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		<title>A crise do Cerrado em revisão: – 4: a crise hidrológica oculta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 May 2026 16:42:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[águas subterrâneas]]></category>
		<category><![CDATA[Aquífero Guarani]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
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		<category><![CDATA[Hidrelétricas]]></category>
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		<category><![CDATA[seca]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Reservatórios subterrâneos são essenciais não apenas para sustentar ecossistemas de zonas úmidas como as veredas, mas também para manter o fluxo dos rios durante a estação seca em todo o Cerrado. Mas a extração excessiva de água para irrigação causou declínios significativos nos níveis dos lençóis freáticos, e o uso generalizado de agrotóxicos aumentou os riscos de contaminação. Saiba mais neste artigo.</p>
<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/a-crise-do-cerrado-em-revisao-4-a-crise-hidrologica-oculta/">A crise do Cerrado em revisão: – 4: a crise hidrológica oculta</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Cássio Cardoso Pereira, Walisson Kenedy-Siqueira, Lara Ribeiro Maia, Vinícius da Fontoura Sperandei, Lucas Arantes-Garcia, Stephannie Fernandes, Gabriela França Carneiro Fernandes, Gislene Carvalho de Castro, Domingos de Jesus Rodrigues, Rodolfo Salm e Philip M. Fearnside</strong></p>





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<p class="wp-block-paragraph">Conhecido como o “caixa d’água” do Brasil, o Cerrado é o berço de oito das doze principais bacias hidrográficas do país [1], incluindo as dos rios Paraguai, Paraná, Tocantins-Araguaia e São Francisco e parte do Amazonas. O Cerrado também abriga três imensos aquíferos, Bambuí, Urucuia e Guarani, que armazenam grandes volumes de água. Suas espécies vegetais de raízes profundas não apenas capturam água de forma eficiente durante a estação seca, mas também criam caminhos para a infiltração da água da chuva durante a estação chuvosa, aumentando a recarga dos aquíferos e mantendo a vazão de base dos rios [2]. Esse delicado equilíbrio entre captação e infiltração de água destaca o papel do Cerrado como um sistema autorregulado, que mantém não apenas seus ecossistemas, mas também os meios de subsistência das comunidades ribeirinhas. No entanto, com a crescente demanda por água e a pressão contínua da agricultura, da energia hidrelétrica e da expansão urbana [3, 4], a proteção da integridade hidrológica do Cerrado deixou de ser uma preocupação regional para se tornar uma prioridade nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De particular preocupação é a deterioração dos ecossistemas de água doce, onde as ameaças mais prementes decorrem de práticas insustentáveis de uso da terra, ligadas ao agronegócio e à construção de barragens hidrelétricas ao longo de rios anteriormente de fluxo livre [3]. O efeito combinado da conversão em larga escala e da fragmentação dos rios perturba o ciclo hidrológico do Cerrado, comprometendo sua capacidade de funcionar como um amortecedor hidrológico [5]. Esses sistemas de água doce fornecem serviços ecossistêmicos cruciais, incluindo purificação da água, regulação do fluxo, manutenção de áreas úmidas e suporte à biodiversidade [6]. Sua degradação altera a qualidade da água, os regimes de fluxo e a disponibilidade em toda a região [1]. Aqui reside o paradoxo: os próprios setores mais dependentes da água do Cerrado — agronegócio e energia — estão acelerando seu esgotamento [4]. Em conjunto, a degradação do habitat e a perturbação hidrológica desencadeiam um profundo desequilíbrio ecológico, ameaçando não só a viabilidade a longo prazo do Cerrado, mas também a economia brasileira em geral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A expansão agrícola no Cerrado aumentou drasticamente a pressão sobre seus sistemas hidrológicos [4]. Dependentes da irrigação para sustentar a produção de soja e outras commodities durante todo o ano, os agricultores extraem grandes quantidades de água de rios, reservatórios e, cada vez mais, de aquíferos. Embora isso tenha permitido o cultivo de milhões de hectares de terra, também aumentou a vulnerabilidade do Cerrado à seca e aos padrões irregulares de chuvas [4]. Essa dependência tornou-se particularmente evidente durante a severa seca de 2021, a pior no Brasil em quase um século, quando as quebras de safra e a sobrecarga dos sistemas de irrigação evidenciaram a fragilidade dos recursos hídricos existentes [1, 7]. Além disso, o escoamento superficial da agricultura intensiva contribui para a contaminação de rios e aquíferos, comprometendo ainda mais os esforços para equilibrar a produção de alimentos com a conservação dos ecossistemas de água doce [8]. Assim, a dependência de aquíferos tornou-se particularmente problemática. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses reservatórios subterrâneos são essenciais não apenas para sustentar ecossistemas de zonas úmidas como as veredas<em>,</em> mas também para manter o fluxo dos rios durante a estação seca em todo o Cerrado. No entanto, a extração excessiva de água para irrigação causou declínios significativos nos níveis dos lençóis freáticos, e o uso generalizado de agrotóxicos aumentou os riscos de contaminação [8]. À medida que esses aquíferos diminuem ou se tornam poluídos, as espécies dependentes de zonas úmidas perdem habitats críticos e as comunidades próximas enfrentam crescente insegurança hídrica. Essa reação em cadeia contribui para o colapso da biodiversidade, mina a resiliência ecológica e compromete a capacidade do Cerrado de resistir a futuros estressores climáticos e hidrológicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A infraestrutura hidrelétrica intensificou a crise hídrica [9]. Sob a premissa de expandir a chamada “energia limpa”, grandes barragens hidrelétricas foram construídas nos rios do Cerrado, fragmentando os cursos d&#8217;água e alterando os regimes de fluxo natural (ver Tabela 1 e Figura 5A). Além disso, a proliferação de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) nas bacias hidrográficas do Cerrado contribui ainda mais para a fragmentação do habitat, a alteração dos regimes de fluxo e os impactos ecológicos locais. Embora os benefícios econômicos da geração de energia sejam reconhecidos, estudos mostram que essas barragens também emitem gases de efeito estufa, aumentam o desmatamento nas áreas circundantes e interrompem a migração de peixes, com consequências sociais e ecológicas subnotificadas [9, 10]. Barragens antigas permanecem operacionais apesar de sua ineficiência, continuando a degradar a biodiversidade fluvial e os serviços ecossistêmicos. Ironicamente, as tentativas de garantir a sustentabilidade energética por meio do aproveitamento dos rios do Ecodomínio estão agora contribuindo para sua degradação ecológica. A proteção dos ecossistemas de água doce no Cerrado exigirá políticas com visão de futuro, incluindo a desativação de barragens obsoletas, uma regulamentação mais rigorosa das práticas de irrigação e a restauração urgente de zonas ripárias degradadas.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/tabela1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="586" height="1024" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/tabela1-586x1024.jpg" alt="" class="wp-image-173211" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/tabela1-586x1024.jpg 586w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/tabela1-172x300.jpg 172w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/tabela1-768x1343.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/tabela1-878x1536.jpg 878w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/tabela1-150x262.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/tabela1.jpg 1098w" sizes="auto, (max-width: 586px) 100vw, 586px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_2391.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="790" height="1024" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_2391-790x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-173200" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_2391-790x1024.jpeg 790w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_2391-232x300.jpeg 232w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_2391-768x995.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_2391-150x194.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_2391.jpeg 866w" sizes="auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup><strong>Figura 5.&nbsp;</strong>Localização das principais usinas hidrelétricas (A), áreas prioritárias de conservação (B) e distribuição de terras indígenas no Ecodomínio Cerrado (C). Esses mapas foram elaborados utilizando o shapefile do Cerrado desenvolvido por Cássio Cardoso Pereira e incluem dados adaptados de corpos d&#8217;água fornecidos pela&nbsp;Agência Nacional de Águas&nbsp;[11],&nbsp;áreas prioritárias de conservação definidas pelo Ministério do Meio Ambiente&nbsp;[12]&nbsp;e terras indígenas delimitadas pela FUNAI&nbsp;[13]. Como o Ministério do Meio Ambiente&nbsp;[12]&nbsp;fornece múltiplos conjuntos de dados para áreas prioritárias, muitos dos quais se sobrepõem&nbsp;ou diferem em escala e critérios, a camada utilizada aqui é apresentada como uma adaptação, refletindo a seleção dos polígonos que mais se alinham com a literatura internacional atual e com os objetivos desta narrativa. Design da figura: Cássio Cardoso Pereira.&nbsp;[14]</sup></em></figcaption></figure>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Notas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">[1] Pereira CC, Fernandes GW (2022b). <a href="https://doi.org/10.1126/science.add4719">Cerrado conservation is key to the water crisis</a>.<em> Science</em> 377: 270–270. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[2] Zhou Y, Wigley BJ, Case MF, Coetsee C, Staver AC (2020). R<a href="https://doi.org/10.1111/nph.16613">ooting depth as a key woody functional trait in savannas</a>. <em>The New Phytologist</em> 227: 1350–1361. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[3] Latrubesse EM, Arima E, Ferreira ME, Nogueira SH, Wittmann F, Dias MS, Dagosta FCP, Bayer M (2019) <a href="https://doi.org/10.1111/csp2.77">Fostering water resource governance and conservation in the Brazilian Cerrado biome</a>. <em>Conservation Science and Practice</em> 1: e77. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[4] Rodrigues AA, Macedo MN, Silvério DV, Maracahipes L, Coe MT, Brando PM, Shimbo JZ, Rajão R, Soares‐Filho B, Bustamante MMC (2022). <a href="https://doi.org/10.1111/gcb.16386">Cerrado deforestation threatens regional climate and water availability for agriculture and ecosystems</a>. <em>Global Change Biology</em> 28: 6807–6822. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[5] Fernandes S, Couto TBA, Ferreira M, Pompeu PS, Athayde S, Anderson EP, Fernandes GW (2023a). <a href="https://doi.org/10.1126/science.adg9858">Conserving Brazil’s free-flowing rivers</a>. <em>Science</em> 379: 887–887. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[6] Resende FM, Cimon-Morin J, Poulin M, Meyer L, Joner DC, Loyola R (2021). <a href="https://doi.org/10.1016/j.ecoser.2021.101282">The importance of protected areas and Indigenous lands in securing ecosystem services and biodiversity in the Cerrado</a>. <em>Ecosystem Services</em> 49: 101282. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[7] Althoff D, Rodrigues LN, da Silva DD (2021). <a href="https://doi.org/10.1007/s13201-021-01521-2">Assessment of water availability vulnerability in the Cerrado</a>. <em>Applied Water Science</em> 11: 176. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[8] Cabral JBP, Gentil WB, Ramalho FL, Braga CC, Becegato VA, Paulino AT (2023). <a href="https://doi.org/10.1007/s11270-023-06344-2">Harmful Effects of Potentially Toxic Elements in Soils of Cerrado Biomes</a>. <em>Water, Air, and Soil Pollution</em> 234: 334. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[9] He F, Zarfl C, Tockner K, Olden JD, Campos Z, Muniz F, Svenning J-C, Jähnig SC (2024). <a href="https://doi.org/10.1038/s43017-024-00596-0">Hydropower impacts on riverine biodiversity. </a><em>Nature Reviews. Earth &amp; Environment</em> 5: 755–772. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[10] Fearnside PM, Berenguer E, Armenteras D, Duponchelle F, Guerra FM, Jenkins CN, Bynoe P, García-Villacorta R, Macedo M, Val AL, de Almeida-Val VMF, Nascimento N (2021). <a href="https://doi.org/10.55161/IDMB5770">Drivers and impacts of changes in aquatic ecosystems</a>. Chapter 20 In: C. Nobre, A. Encalada <em>et al.</em> (eds.) <em>Amazon Assessment Report 2021</em>. Science Panel for the Amazon (SPA). United Nations Sustainable Development Solutions Network, New York, EUA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[11] ANA (Agência Nacional de Águas) (2019). <a href="https://metadados.snirh.gov.br/geonetwork/srv/api/records/7d054e5a-8cc9-403c-9f1a-085fd933610c">Massas d&#8217;Água</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[12] MMA (Ministério do Meio Ambiente) (2022). <a href="https://dados.mma.gov.br/dataset/especies-ameacadas">Espécies Ameaçadas</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[13] FUNAI (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) (2020). <a href="https://www.gov.br/funai/pt-br/atuacao/terras-indigenas/geoprocessamento-e-mapas">Terras Indígenas: Dados Geoespaciais e Mapas</a>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[14] Este texto é traduzido de: Pereira, C.C., W. Kenedy-Siqueira, L.R. Maia, V.F. Sperandei, L. Arantes-Garcia, S. Fernandes, G.F.C. Fernandes, G.C. de Castro, D.J. Rodrigues, R. Salm &amp; P.M. Fearnside. 2026. T<a href="https://doi.org/10.3897/natureconservation.61.168273">he Cerrado crisis review: highlighting threats and providing future pathways to save Brazil&#8217;s biodiversity hotspot</a>. <em>Nature Conservation</em> 61: 29–70. https://doi.org/10.3897/natureconservation.61.168273 <a href="https://doi.org/10.3897/natureconservation.61.168273.suppl1">Supplementary material</a>.</p>





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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cássio Cardoso Pereira é</strong> doutor em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestre em Ecologia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), e graduado em Ciências Biológicasiológicas (Ênfase em Conservação da Biodiversidade) pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atua como docente colaborador e orientador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PGE) da UFSJ. Possui reconhecimento da Web of Science em 2025 pela autoria de 25 publicações científicas como primeiro autor, todas alcançadas até o primeiro ano após a obtenção do título de doutor em Ecologia, como cientista em início de carreira. Atualmente, é editor de área das revistas científicas BioScience (IF = 8.4), Biotropical (IF = 1.7), e Nature Conservation (IF = 1.7). Seus principais interesses de pesquisa incluem conservação da biodiversidade, fenologia, fitossociologia, interações entre artrópodes e plantas, e mudanças climáticas. Para mais informações, <a href="https://www.cassiocardosopereira.com/">acesse aqui</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Walisson Kenedy Siqueira </strong>possui graduação e mestrado ciências biológicas pela Universidade Estadual de Montes Claros em doutor em ecologia, manejo e conservação da vida silvestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É integrante do Laboratório de Ecologia, Evolução e Biodiversidade da UFMG e do Knowledge Center for Biodiversity &amp; Departamento de Genética, Ecologia e Evolução. Tem experiência na área ecologia de comunidades, interação inseto-planta e ecologia de sementes. <strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lara Ribeiro Maia </strong>é Técnica em Administração pelo Instituto Federal de Minas Gerais &#8211; Campus Sabará e atualmente é Graduanda em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse na área de ecologia, animais silvestres, educação ambiental, impactos ambientais e micologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Vinícius da Fontoura Sperandei </strong>possui licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de São João Del-Rei, mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de São João Del-Rei e doutorado em Ciências pelo Programa em Ecologia e Recursos Naturais da Universidade Federal de São Carlos. Atualmente é professor da Universidade de Rio Verde. Suas pesquisas são na área de Ecologia, principalmente sobre herpetofauna e ecologia subterrânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lucas Arantes-Garcia </strong>possui gradução em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente está na Escola de Ciências e Meio Ambiente, Memorial University of Newfoundland, Corner Brook, NL, Canadá. Possui interesse em invasões biológicas, serviços ecossistêmicos, valoração ambiental, mudanças globais e interações inseto-planta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Stephannie Fernandes</strong><sup> </sup>é aluna de doutorado na Florida International University, Miami, FL, E.U.A. As suas pesquisas estão na área de ecologia política, visando descobrir como os arranjos institucionais e as diferentes partes interessadas se relacionam com o desenvolvimento e a conservação dos recursos hídricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriela França Carneiro Fernandes </strong>possui licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e atualmente é Mestranda em Ecologia, pela Universidade Federal de São João del-Rei. Ela participa do projeto de pesquisa “Ecossistemas de Referência”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gislene Carvalho de Castro</strong> possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Montes Claros e mestrado e doutorado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras. Atualmente é.Professora titular da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Atua na área de ecologia vegetal e restauração ecológica de ecossistemas, com ênfase em trabalhos relacionados a corredores ecológicos de valo. Coordena o projeto de extensão &#8221;Restaurar&#8221; que objetiva a restauração ecológica de ambientes degradados e atua em projetos relacionados ao Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Domingos de Jesus Rodrigues </strong>possui graduação em Ciências Biológicas e mestrado em Ecologia e Conservação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e tem doutorado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. É professor Titular da Universidade Federal de Mato Grosso em Cuiabá. Suas pesquisas focam a biologia reprodutiva de anuros (sapos). É colaborador do Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso, ICMBio, e a Polícia Federal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Rodolfo Aureliano Salm </strong>formou-se em Biologia pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo e fez doutorado em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Atualmente é Professor Adjunto III da Faculdade de Biologia da Universidade Federal do Pará, campus de Altamira. Pesquisa na área de ecologia de ecossistemas, atuando principalmente no estudo da dinâmica natural e da conservação das florestas tropicais. Tem estudado tanto a ecologia quanto o aproveitamento econômico de palmeiras nativas e exóticas na Terra Indígena Kayapó, sul do Pará.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Philip Martin Fearnside</strong>&nbsp;é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis&nbsp;<a href="http://philip.inpa.gov.br/">aqui</a>.</p>
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		<title>Tiquinhos de Esperançamentos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto César Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 May 2026 20:42:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No dia em que as universidades aprenderem que elas não sabem, no dia em que as universidades toparem aprender as línguas indígenas – em vez de ensinar –, no dia em que as universidades toparem aprender a arquitetura indígena e toparem aprender para que servem as plantas da caatinga, no dia em que eles se dispuserem a aprender conosco como aprendemos um dia com eles, aí teremos uma confluência. Uma confluência entre os saberes. Um processo de equilíbrio entre as civilizações diversas desse lugar. Uma contracolonização. (Nego Bispo)*</p>
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										<content:encoded><![CDATA[


<p class="wp-block-paragraph">Considero os códigos atuais de comunicação um dos sérios obstáculos à efetivação do diálogo entre comandantes do sistema e as bases populares. A linguagem tornou-se tão burocrática que, até mesmo, pessoas letradas e autodidatas, recolhem-se e, conforme o Poeta Manuel Bandeira, em <em>Evocação do Recife,</em> optam pela “Língua errada do povo. Língua certa do povo”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na mesma linha reflexiva, Nego Bispo abre o diálogo e reforça o reconhecimento da linguagem popular, da “<em>confluência entre os saberes. Um processo de equilíbrio entre as civilizações diversas desse lugar. Uma contracolonização”.</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em meus rascunhos literários, com frequência, apoio-me também em Anúncios/Denúncias do Educador Paulo Freire. A propósito, a <em>Pedagogia do Oprimido</em>* foi e continua portal, nutriente diário em meus diálogos libertários a rastros de opressão digitalizados em minha psique. Importante refletir: a ausência de autoconhecimento, autoconsciência, autorresponsabilidade e autoeducação reforça a opressão desapercebida em nós com respingos a Outrxs considerados inferiores cultural e socialmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No pensamento do Educador, “A História é tempo de possibilidades”. Nessa pegada, acreditamos nas teimosias daquelas e daqueles que remam contra a correnteza colonizadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por essa trilha, a teimosia milenar providencialmente chega às Terras Baixas do Amazonas, no dia 11 deste mês de maio, quando o Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia (ICSEZ) praticiza a Utopia Freiriana e acolhe possibilidades para além do academicismo sistêmico: quebra paradigmas verticalistas e oficializa a nova Diretoria do Instituto, na Pessoas da Companheira/Camarada de Lutas e Resistências por Justiça Popular/Ambiental, Pós-Doutora em Educação, Maria Eliane de Oliveira Vasconcelos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há questões significativas, providenciais relacionadas ao fato e à data. É pertinente problematizar o conceito “providência”: do latim <em>providentia</em> (previsão). Aliança do prefixo <em>pro</em> (à frente; antes) com <em>videre</em> (ver). É inegável, a ciência e/ou teorias acadêmicas fundamentam-se em antigas sabedorias, são resultantes de observações milenares e de relações preludiais. Os ancestrais fornecem energia e intuição, porém a materialização e a prática dependem do trabalho, do respeito à Vida em sua completude e das ações concretas no presente. Por esse caminho, sopros de antepassados, guias e/ou mentores chegam intuitivamente às gerações descendentes via conexões e exemplos. As conexões daqueles povos dialogavam com várias divindades e, dessa forma, alcançavam respostas sábias, justas e fraternais às necessidades comunitárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Memórias Conectadas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há centenas de anos, a cosmologia Tupi-Guarani abre o mês de maio com o Festival de Ará-Ymã (Deusa da Escuridão): divindade relacionada ao tempo antigo; um dos grandes ciclos conectados ao calendário e à visão de mundo deste Povo. O tempo de Ará-Ymã corresponde ao outono e inverno, período associado ao frio; é tempo de recolhimento, reflexão, introspecção, auto escuta, auto avaliação em atenção à germinação das sementes de cura, de força, de sabedoria, de justiça e amorosidade. É o tempo de cultuar a Chuva &#8211; a <em>Deusa Amana</em>*. No despertar da espiritualidade daqueles povos, na abertura do Festival, mulheres homenageavam a Deusa com danças livres invocando a fertilidade. Na frequência rítmica da chuva, as mulheres seguravam moringas coletando a água celestial para uso medicinal. O “<em>tatãm</em>” * despertava o coração da Mãe Terra em sintonia com os “<a><em>mbaraká</em></a>”* alinhando corpos adormecidos à cura através da livre dança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conexões à data e fatos vivenciados durante a posse da nova diretoria do ICSEZ trouxeram profundas reflexões com providências ancestrais somadas ao tempo de Ará-Ymã e com as energias da Lua Minguante: tempo de acerto de contas e renascimento; tempo de mergulhar no túnel interior, avaliar sombras bloqueadoras ao despertar da luz, limpeza de canais e de campos ignorados; tempo de trocar a pele, explorar riquezas silenciadas e adubar o canteiro para germinação das sementes acolhidas nas vibrações da Lua Nova já em movimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Nova Diretora do ICSEZ, a Companheira/Camarada Maria Eliane de Oliveira Vasconcelos, traz em sua matriz existencial Sopros Ancestrais indeléveis e providenciais cujos nutrientes originais Lhes permitem limpar canais, calabouços&#8230; trocar peles calejadas, eliminar sombras sistêmicas, semear “Inéditos Viáveis” e permitir o florescer de sementes adormecidas &#8211; o verdadeiro “<em>unus</em> + <em>versus</em>: a coletividade de interesses comuns”. Os Sopros acolhidos das Ancestralidades da Companheira dialogam com a Educação do Campo, Florestas e Águas; com Diversidades Amazônicas e Educomunicação. No comando da CANOA, tece redes de cooperação em ensino, pesquisa e extensão envolvendo alimentação como expressão cultural em fortalecimento à agricultura familiar e à sustentabilidade das comunidades ribeirinhas tradicionais da Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Energéticos Freireanos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nutrientes ímpares! Abençoadas providências chegam à Parintins apontando rumos transformadores manifestados no ritual de posse da nova diretoria acadêmica. Ali experienciou-se a antiga e silenciada Utopia da Comunidade Parintinense: Sentir e Viver o desabrochar do Diálogo, a Problematização da Realidade, a troca de Sabedorias e Conhecimentos, o Acolhimento, a Amorosidade, a Autonomia e finalmente a Construção de Projetos Populares Democráticos de amplo alcance&#8230; A linhagem ancestral de Mestre Paulo Freire, vibrou!&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por um breve instante e sutilmente, a força ancestral/popular ali presente silenciou o modelo piramidal e trouxe voz e vez a rituais de limpeza espiritual, emocional, mental, com ampla participação e interatividade entre diversidades ali presentes: academia, letrados e não-letrados, jovens e adultos, comunidade local, representatividades religiosas e curiosXs.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A decoração do ambiente universitário priorizou simbologias alinhadas a memórias e sabedorias dos antigos rituais à Ará-Ymã: mandala, incenso, chocalho, tambor, moringa, cuias, Terra, Água, bacia de barro com ervas de força para lavagem das mãos: Cacau, Canela, Jurema e Guaraná.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até aqui, nossa Reverência às Providências Ancestrais! Os Diálogos com o Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia (Parintins/Am) rompera protocolos, paradigmas estruturais e abrira brechinhas às Utopias em Movimento Contracolonizante!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/posse-eliane-7sl-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/posse-eliane-7sl-1-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-173186" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/posse-eliane-7sl-1-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/posse-eliane-7sl-1-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/posse-eliane-7sl-1-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/posse-eliane-7sl-1-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/posse-eliane-7sl-1-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/posse-eliane-7sl-1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Força ancestral/popular trouxe voz e vez a rituais, com ampla participação e interatividade entre diversidades. No comando da CANOA nova diretora do ICSEZ tece redes de cooperação (Foto: Ascom/UFAM).</sub></em></figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Falares de Casa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Antônio Bispo dos Santos</em> &#8211; Escritor e liderança quilombola da comunidade Saco do Curtume, município de São João do Piauí. Autor de <em>Colonização, quilombos: modos e significações</em>, publicado em 2015 pelo INCT de Inclusão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Deusa Amana –</em> Cultuada pelos povos Tupi-Guarani: “Água que vem do céu, bênção e prosperidade”. Também chamada de <em>Amanaci</em> ou <em>Amanamanha </em>nas lendas do Alto Rio Negro/Am.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FREIRE. Paulo<em>. Pedagogia do Oprimido. </em>Editora Paz e Terra/SP. 1970</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Mbaraká – </em>Chocalho, maracá, maraca. (Tupi-Guarani)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Tatãm – </em>Tambor (Tupi-Guarani)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Tiquinhos – </em>No popular amazônida: resíduos; fragmentos.</p>
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		<title>A Amazônia arde</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 May 2026 19:22:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[A Amazônia segundo Lúcio Flávio Pinto]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Alberto Setzer]]></category>
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		<category><![CDATA[Desmatamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Artigo apresenta um debate e reflexões sobre as diferentes ferramentas e metodologias de monitoramento de desmatamento e outras ameaças ambientais na Amazônia. O autor republica entrevista que ele fez em 2004, com o pesquisador Alberto Setzer, do Inpe, que faleceu em 2023.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>A constatação de que as primeiras duas décadas do século 21 têm sido tão desastrosas para a floresta amazônica quanto as três últimas décadas do século anterior parece estar impedindo que se aprofunde uma suspeita: a realidade é ainda mais grave do que aparentam os números. Ainda mais quando certos números foram omitidos e – de omissão em omissão acumulada – deixaram de existir na memória histórica.</em><br><em>O texto que reproduzo abaixo é de maio de 2004, publicado no Jornal Pessoal. O JP acabou em 2019. O cientista Alberto Setzer, que deu esta entrevista, morreu em 2023.</em><br><em>&nbsp;</em>_______________________<br><br>O espanto tomou conta dos cientistas da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, quando, no dia 1º de setembro de 1987, eles viram a imagem transmitida pelo satélite NOAA-9, em órbita da Terra, a 833 quilômetros de distância. Ao longo das principais estradas de três dos nove Estados da Amazônia legal (o sul do Pará, o norte e oeste de Mato Grosso e em quase todo o Estado de Rondônia) havia 6.800 focos de fogo, que consumiam naquele momento 306 mil hectares de floresta (o equivalente à área de Brasília a cada dois dias).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde 1976, quando outro satélite americano, o Skylab, “fotografou” um incêndio de 11 mil hectares, formado pela Volkswagen na fazenda (de 139 mil hectares) que a empresa possuía no sul do Pará, os monitoradores dos satélites de recursos naturais da Nasa haviam se acostumado com as queimadas amazônicas. Mas nada comparável ao que ocorreria em 1987.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atividade humana acabaria destruindo, naquele ano, 20,5 milhões de hectares (ou 205 mil quilômetros quadrados) de cobertura vegetal, área quase igual à da vizinha Guiana (ex-inglesa), um dos oito países da América do Sul com área amazônica no continente (60% dela em território brasileiro). Só em Rondônia teriam sido destruídos quase 20% das matas numa única safra de fogo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi algo desproporcional mesmo para o Brasil, o país que, a partir da década de 70, mais destruiu florestas no planeta, embora abrigando, na Amazônia, um terço da cobertura de floresta na faixa tropical da Terra, com registros anuais variando entre 1,2 milhão e 2,5 milhões de hectares até o final do século. Subitamente, só os três Estados amazônicos “fotografados” pelo satélite NOAA-9, entre maio e outubro de 1987, haviam destruído 20,5 milhões de hectares, recorde na história humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O espantoso alcance das queimadas em 1987 foi, por isso, recebido inicialmente com ceticismo, atenuado quando o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) assumiu a paternidade dos dados, que obteve através de interpretação das imagens do NOAA-9. Mesmo confirmando-os, porém, o instituto, vinculado ao Ministério da Ciência e da Tecnologia, procurou atenuá-los: dos 20 milhões de hectares desmatados, 12 milhões seriam áreas de mata fina, cerrados, capoeiras ou mesmo pastos degradados. “Somente” oito milhões de hectares constituiriam florestas densas nativas. Mesmo aceita essa diferenciação, contudo, era impossível minimizar o significado da destruição: ela deveria ter alcançado algo como 800 milhões de metros cúbicos de &nbsp;diferentes tipos de madeira, comerciais ou não.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cientista Phillip Fearnside, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), com sede em Manaus, discordou da avaliação do Inpe. Fearnside chegou à conclusão de que os desmatamentos se estenderam por 3,5 milhões e não 20 milhões de hectares. Segundo ele, os pesquisadores do Inpe foram induzidos a um cálculo exagerado por causa das características técnicas do satélite NOAA-9. Basta ocorrer um fogo intenso, de 10 metros quadrados, para haver interferência sobre todo o campo de abrangência da imagem (conhecido por&nbsp;píxel), que é de 10 mil metros quadrados. Por isso, ficaria difícil definir qual a amplitude real do campo de fogo porque ele passa a ser registrado em todo o&nbsp;píxel.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fearnside mostrou que enquanto o levantamento do Inpe concluiu que quase 18% do Estado de Rondônia foram queimados, somente em 1987, seu próprio estudo constatou que os desmatamentos acumulados até então somavam 17%, “o que já é uma área enorme”. A situação mais dramática era a de Mato Grosso, que já havia perdido mais de 17% das suas florestas em um território bem maior, ou mais de 150 mil quilômetros quadrados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Menos de um ano depois, ao lançar, em abril de 1989, o programa “Nossa Natureza”, que pretendia reverter a tendência de uso predatório da Amazônia, o presidente José Sarney oficializou números discrepantes em relação ao relatório do Inpe. Todo o desmatamento efetivado até então na região somaria 250 mil quilômetros quadrados, apenas um pouco mais do que os 200 mil km2 que instituto havia atribuído exclusivamente a 1987.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo considerando-se somente os 80 mil km<sup>2</sup>&nbsp;de floresta original postos abaixo em 1987, no cômputo do Inpe, significaria que o desmatamento desse único ano equivaleu a tudo que foi posto abaixo na Amazônia ao longo de 350 anos de presença europeia na região, até começar o ciclo da “integração nacional” através de grandes rodovias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O debate sobre o relatório do Inpe voltou a se acender. Todos criticaram a utilização das imagens do NOAA-9 em lugar das do Landsat, apenas por estas serem mais baratas dos que aquelas. Os pesquisadores do Inpe que fizeram o estudo, entretanto, não ignoravam essa deficiência. Foi por esse motivo que eles recorreram a uma gigantesca margem de erro nos seus cálculos, de 30%, com a qual esperavam poder compensar as características desfavoráveis do NOAA-9, cujos sensores ficam saturados por pequenos incêndios e induzem a superestimação da área afetada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse desconto está bem acima dos padrões usuais. Ainda que a margem de erro chegasse a 50%, entretanto, não haveria como compatibilizar seu resultado com a nova estatística que o mesmo Inpe forneceu no ano seguinte ao presidente da república, para servir de subsídio ao “Nossa Natureza”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A contradição gerou desconforto. Dois meses depois do lançamento do programa, o governo criou o Simar (Sistema de Monitoramento Ambiental e dos Recursos Naturais por Satélite), destinado a integrar todos os laboratórios de monitoramento do país. Simultaneamente, o Inpe divulgava novo levantamento das queimadas do ano anterior, que teriam alcançado 12,1 milhões de hectares, pouco mais da metade da previsão do relatório original.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O assunto parece ter sido dado como encerrado e sobre ele colocada a pedra de uma lápide. O relatório dos 200 mil quilômetros quadrados de desmatamento em 1987 deixou de existir, enterrando, com seu desaparecimento, o impacto e as polêmicas que suscitou na época da sua divulgação, mais de 15 anos atrás. As estatísticas passaram a remontar apenas a 1988. Nada antes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como se não tivesse havido registro de desmatamentos antes de 1987, apesar de um satélite haver documentado o incêndio da Volks em 1976. Não interessa reconstituir as séries históricas das derrubadas de árvores ao primeiro ano em que for possível recorrer a imagens de satélite?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tema não foi reaquecido nem mesmo quando os anos começaram a se enfileirar no século XXI e a prosseguir, da administração tucana de Fernando Henrique Cardoso para o modo petista de Luiz Inácio da Silva, com taxas de desmatamento tão elevadas quanto as do ciclo militar da integração compulsória da Amazônia. A opinião pública, nacional como internacional, deu-se conta de que o Brasil continuava a ser o maior desmatador do planeta em números absolutos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os anos o país estava perdendo 0,4% de sua floresta, com um número alto (mesmo para o padrão dos anos 70 a 90), de 2,3 milhões de hectares, o dobro do índice médio mundial ao longo da década, mas bem abaixo dos valores apocalípticos indicados para 1987.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Menos mal, ou será que esses números menos dramáticos são mesmo confiáveis? Será que a opinião pública (e, em particular, o meio acadêmico) está submetendo ao teste de consistência adequado os relatórios anualmente divulgados pelo Inpe?</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/09/alberto-setzer-Vinicius-Loures_Camara-dos-Deputados1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="688" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/09/alberto-setzer-Vinicius-Loures_Camara-dos-Deputados1-1024x688.jpg" alt="" class="wp-image-137015" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/09/alberto-setzer-Vinicius-Loures_Camara-dos-Deputados1-1024x688.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/09/alberto-setzer-Vinicius-Loures_Camara-dos-Deputados1-300x202.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/09/alberto-setzer-Vinicius-Loures_Camara-dos-Deputados1-768x516.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/09/alberto-setzer-Vinicius-Loures_Camara-dos-Deputados1-150x101.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/09/alberto-setzer-Vinicius-Loures_Camara-dos-Deputados1.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Alberto Setzer, pesquisador do INPE e pioneiro no monitoramento de queimadas no Brasil durante audiência pública na Câmara dos Deputados (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados/09/07/2019). </sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A republicação deste artigo poderá reabrir o debate? O leitor que decida, a partir do testemunho de Albert Setzer:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lúcio Flávio Pinto &#8211; Por que foram usadas as imagens do NOAA-9 e não do Landsat?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Alberto Setzer</strong>&nbsp;&#8211; As imagens do Landsat são de resolução muito melhor, da ordem de dezenas de metros. Porém:</p>



<p class="wp-block-paragraph">a) São necessárias centenas para cobrir áreas grandes como a Amazônia.<br>b) Elas demoravam algumas semanas para estarem disponíveis, mesmo para usuários do próprio Inpe.<br>c) Como, nelas, um mesmo local só é imageado a cada 16 dias, e muitas vezes existe cobertura de nuvens, podem ser necessários meses de espera até que se encontre uma imagem adequada para análise.<br>d) O custo e o tempo de processamento são exagerados. Como nos levantamentos feitos hoje em dia pelo Inpe com estas imagens, o montante é de milhões de reais e de meses de trabalho por equipe de umas 20 pessoas. Assim, elas são adequadas para eventos que envolvem medição de área mais precisa, e com relevância temporal de vários meses.<br>As imagens NOAA-9 (e dos NOAAs subsequentes, até o 17 hoje em dia) são de resolução espacial mais limitada, com 1,1 km na melhor dos casos (no centro da imagem), chegando até uns 5 km (nas bordas).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém:<br>a) Eram e são processadas imediatamente após a recepção.<br>b) Elas não têm custo, e o processamento para detecção de focos de queimadas é imediato e automático, feito dentro do próprio Inpe, com pequeno custo.<br>c) Cobrem diariamente áreas de dimensão continental e o Brasil todo, se usadas duas imagens consecutivas (na época usávamos só uma).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lúcio Flávio Pinto &#8211; Quais as consequências metodológicas dessa opção? Em que medida ela prejudicou ou comprometeu o caráter científico da pesquisa?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Setzer</strong>&nbsp;&#8211; As imagens NOAA são mais adequadas para detectar focos de queimadas com fogo ativo e muitíssimo limitadas para estimar áreas queimadas ou desmatadas. As imagens Landsat são mais adequadas para estimar áreas desmatadas e/ou queimadas, e muitíssimo limitadas para identificar&nbsp; as queimadas que estão ocorrendo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na época, não se faziam estimativas de desmatamento na Amazônia. A última, feita pelo Inpe e o antigo IBDF [<em>Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal, substituído pelo Ibama</em>], era de 1978. Ninguém falava em queimadas ou desmatamentos descontrolados, como estavam efetivamente ocorrendo. Sem recursos para um levantamento com o Landsat, como reflexo da falta de interesse do Inpe, do IBDF, do governo de maneira geral, e dos setores públicos e privados, que se beneficiavam ilicitamente dos vultosos incentivos fiscais, não havia como estimar o que estava ocorrendo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cálculo feito a partir das imagens NOAA teve a finalidade de ser um alarme para o descalabro. Não havia na época outra forma de estimar o desmatamento. Fazendo uma comparação, era como abrir a janela e ver um edifício em frente em chamas – o importante estava em divulgar o fato e controlar o fogo; se na hora de avisar os bombeiros não foi possível precisar o número de andares em chamas, no meio da confusão e correria, isso não me parece fundamental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aliás, nunca foi feito o levantamento Landsat de quanto foi desmatado nos anos de 1985, 1986, 1987 e 1988, os que devem ter tido os maiores índices naquela década. Até hoje, fala-se na média de 21 mil quilômetros quadrados para o período 1978-1988.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra coisa, sempre me referi a desmatamento, ao contrário do Inpe e do governo que criaram o termo desflorestamento. O desflorestamento é sempre menor, pois deixa de fora o cerrado da Amazônia. Eu me referia à destruição da vegetação amazônica de maneira geral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1995 tivemos situação semelhante. Pararam os levantamentos Landsat de alta resolução do desmatamento. A postura do governo era de que o desmatamento havia sido controlado. Meus dados de focos indicavam o contrário, e a imprensa divulgou com alarde os novos dados. O governo encomendou ao Inpe novo estudo para mostrar que os dados de queimadas estavam errados e que por trás deles havia um pesquisador maluco buscando autopromoção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bem, o valor de desmatamento anual obtido nas imagens Landsat foi o recorde histórico, de cerca de 30 mil quilômetros quadrados. Mais uma vez os dados de queimadas se mostraram válidos, importantes e úteis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa e o trabalho correlato, que no caso identifico como o desenvolvimento de técnicas com satélites para identificação operacional de focos de queimadas, não foram prejudicados. A pesquisa continuou e continua evoluindo. A partir de 1998, ela recebe cerca de um milhão de reais anualmente por meio de um PPA do Governo. Os resultados, estão em&nbsp;<a href="http://www.cptec.inpe.br/queimadas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">http://www.cptec.inpe.br/queimadas</a>. O trabalho, assim como a cooperação com o Ibama, o Proarco e com inúmeros usuários, que persiste por anos, é citado como exemplar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho que publiquei com&nbsp;Marcos Pereira na revista Ambio, em 1991, com os dados, foi um dos 10 trabalhos brasileiros mais citados na literatura internacional na década 1990-2000, recebendo prêmio da FAPESP [<em>Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo</em>] por esta razão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lúcio &#8211; A margem de erro, de 30%, não inutilizava o levantamento?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Setzer &#8211;</strong>&nbsp;Como expliquei, não havia mais nada que pudesse ser feito. Entre divulgar uma catástrofe nacional com margem de erro grande ou então ficar calado, optei por fazer o que era possível. O mesmo ocorreu em 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda acredito que se um dia fizerem a estimativa Landsat do desmatamento nos anos críticos de 1985-1988, o valor anual subirá muito acima da média 1978-1988, e se aproximará mais da minha estimativa imprecisa que do valor médio.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lúcio &#8211; Como o sr. vê o episódio, da perspectiva de hoje? Pode-se continuar a usar aquele levantamento? Por que o Inpe não mais se refere a ele, como se inexistisse?</strong> <strong>Quais os desdobramentos do anúncio do relatório, em 1988?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Setzer</strong>&#8211; Pelo que acompanhei e documentei com recortes da imprensa e em algumas outras referências, considero os seguintes desdobramentos como mais importantes:</p>



<p class="wp-block-paragraph">a) Estabelecimento da noção de uma destruição ambiental, predatória e corrupta sem precedentes na história nacional e do planeta.<br>b) Institucionalização de mecanismos com intuito de controlar o desmatamento e as queimadas, como a criação do Ibama, do Pacote Nossa Natureza, do Prevfogo, do Proarco, etc…<br>c) Descobrimento e compreensão pelas comunidades científicas – nacional e internacional – de que os nossos desmatamentos e emissões das queimadas estão relacionados a questões de mudanças ambientais regionais, e mesmo climáticas globais.<br>d) Realização de incontáveis trabalhos e experimentos científicos (por terceiros) nos temas queimadas e desmatamento.<br>e) Desenvolvimento e operação no país de um sistema de monitoramento de queimadas por satélites em tempo quase real, ainda não igualado por outros países.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desflorestamento persiste com razoável descontrole. Eu diria, inclusive, ainda com a conivência das autoridades. Os dados de 2001-02, e os novos divulgados para 2002-03 (mais de 23 mil quilômetros quadrados) confirmam esta situação. E isso, considerando apenas o desflorestamento identificável nas imagens Landsat. Se considerarmos o desmatamento, que inclui a remoção do cerrado na Amazônia e o desflorestamento seletivo (que é o mais comum), os números da devastação serão muito mais elevados.</p>
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		<title>O cerco aos quilombolas no Vale do Guaporé</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Kátia Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 21:19:49 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Vale do Guaporé]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para a população da Comunidade Quilombola Forte Príncipe da Beira, em Rondônia, que resistiu ao abandono da Coroa Portuguesa e à pressão do Exército Brasileiro, uma reserva ambiental, criada pelo governo estadual em 2018, representa um obstáculo crítico no caminho para a titulação definitiva, esperada para ser decretada pelo governo Lula ainda neste ano de 2026.</p>
<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/o-cerco-aos-quilombolas-no-vale-do-guapore/">O cerco aos quilombolas no Vale do Guaporé</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus (AM) &#8211; </strong>Nucicleide da Paz Pinheiro sabe com exatidão onde está a fronteira que divide a sua vida em dois. Do lado de dentro, estão as casas, as vilas e o chão que sua família pisa há gerações. Do lado de fora, ainda dentro do território que a Comunidade Quilombola Forte Príncipe da Beira, localizada no Vale do Guaporé (RO),&nbsp; reivindica, ficam os castanhais, as roças e os lagos. Tudo isso agora pertence, no papel, a uma reserva ambiental criada sem que nenhum dos quilombolas fosse consultado &#8211; o que significa uma violação de direitos aos povos tradicionais da Amazônia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A reserva pega todos os castanhais, pega áreas de algumas roças da comunidade. Toma quase a metade do nosso território”, afirma ela, atual presidenta da Associação Quilombola do Forte Príncipe da Beira (Asqforte). “O que sobra para a gente como território, só é o local das casas, das vilas.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Às margens do rio Guaporé, em Costa Marques, no Estado de Rondônia, a Comunidade Quilombola Forte Príncipe da Beira enfrenta um cerco em duas frentes:&nbsp; de uma, <a href="https://amazoniareal.com.br/exercito-e-remanescentes-quilombolas-disputam-area-no-vale-do-guapore-em-rondonia/">o Exército Brasileiro com quem trava um conflito territorial há 94 anos</a>; da outra, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Serra Grande, instituída pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), durante o <a href="https://documentacao.socioambiental.org/ato_normativo/UC/3122_20180327_122306.pdf">governo de Confúcio Aires Moura, em 2018,</a> que sobrepõe 87,22% do território reivindicado pela comunidade. No meio, 68 famílias esperam há 21 anos pela titulação de uma terra que seus ancestrais ocupam há mais de dois séculos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de Nucicleide da Paz Pinheiro,&nbsp; reportagem da <strong>Amazônia Real</strong> entrevistou também Angel Cayaduro Pessoa, irmão do líder quilombola <a href="https://rondoniaovivo.com/coluna/carlosazimpel//2025/04/25/elvis-nao-morreu-homenagem-a-elvis-cayaduro-pessoa-por-carlos-a-zimpel.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Elvis Cayaduro Pessoa</a> (1977-2023), fundador da Associação Quilombola do Forte Príncipe da Beira (Asqforte). Ele afirma que a <a href="https://www.sedam.ro.gov.br/post/cuc-rds-bom-jardim" target="_blank" rel="noreferrer noopener">RDS Serra Grande</a> “não poderia ter sido criada porque a comunidade estava em litígio com o Exército Brasileiro à época”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Eu sou quilombola caboclo, negro com indígena. Estou dentro do meu território, então não deveria estar passando por esse controle dos limites da nossa terra, sendo que nossos ancestrais viviam há mais de 200 anos nesta região”, diz Angel Cayaduro Pessoa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O território da Comunidade Quilombola Forte Príncipe da Beira foi certificado e <a href="https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WBjixnnjJWrDXsA2WvElj65rrZ4nkNM-u5LclRV0lGs/edit?gid=680278480#gid=680278480" target="_blank" rel="noreferrer noopener">reconhecido pela Fundação Cultural Palmares em 2005</a>. Em 2023, o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), fez a identificação e delimitação da área com uma extensão de 19.986 hectares. Esta <a href="https://www.gov.br/incra/pt-br/assuntos/noticias/relatorio-identifica-territorio-quilombola-forte-principe-da-beira-em-rondonia">delimitação consta no Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID)</a>, cujo edital foi publicado no <em>Diário Oficial</em> da União nas edições de 3 e 4 de julho daquele ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Serra Grande, que é Unidade de Conservação (UC), foi <a href="https://www.oas.org/dil/port/1989%20Conven%C3%A7%C3%A3o%20sobre%20Povos%20Ind%C3%ADgenas%20e%20Tribais%20Conven%C3%A7%C3%A3o%20OIT%20n%20%C2%BA%20169.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">criada, sem consulta prévia, livre e informada aos moradores da comunidade</a> do Forte, com&nbsp; 23.180 hectares, no Vale do Guaporé, em Costa Marques. A sobreposição é de 17.432 hectares do território quilombola (de 19.986 hectares), o que corresponde à dimensão do Quilombola Forte Príncipe da Beira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo as lideranças quilombolas, a RDS Serra Grande isolou áreas vitais de castanhais e roças da comunidade, transformando o direito ancestral de extrativismo e caça em uma atividade sujeita a autorizações burocráticas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É ruim para a gente poder fazer o extrativismo e caçar. A gente vive da caça, temos que pedir autorização e avisar quando a gente vai entrar, falar quantas sacas de castanha estamos tirando. A gente sabe que somos donos do território desde sempre e a gente tem que pedir autorização para cuidar, para fazer o extrativismo dentro da comunidade e é bem chato, é bem ruim. Até porque chegamos primeiro do que eles”, critica Nucicleide Pinheiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Angel Cayaduro também criticou o controle imposto sobre o território tradicional por conta da RDS e cobrou reconhecimento do governo federal à permanência histórica das famílias quilombolas na região. “O nosso maior desejo é que o governo respeite nossa comunidade e nossa ancestralidade aqui dentro da região”, diz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reportagem procurou a Sedam para comentar sobre a sobreposição da RDS Serra Grande ao território quilombola, além das restrições relatadas pelos moradores da comunidade quilombola do Forte Príncipe da Beira, mas não obteve retorno.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/MAPA-QUILOMBOLA-FORTE-DO-PRINCIPE-DA-BEIRA_-NOVA-CARTOGRAFIA-SOCIAL-DA-AMAZONIA.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="708" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/MAPA-QUILOMBOLA-FORTE-DO-PRINCIPE-DA-BEIRA_-NOVA-CARTOGRAFIA-SOCIAL-DA-AMAZONIA-1024x708.jpg" alt="" class="wp-image-26579" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/MAPA-QUILOMBOLA-FORTE-DO-PRINCIPE-DA-BEIRA_-NOVA-CARTOGRAFIA-SOCIAL-DA-AMAZONIA-1024x708.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/MAPA-QUILOMBOLA-FORTE-DO-PRINCIPE-DA-BEIRA_-NOVA-CARTOGRAFIA-SOCIAL-DA-AMAZONIA-300x207.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/MAPA-QUILOMBOLA-FORTE-DO-PRINCIPE-DA-BEIRA_-NOVA-CARTOGRAFIA-SOCIAL-DA-AMAZONIA-768x531.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/MAPA-QUILOMBOLA-FORTE-DO-PRINCIPE-DA-BEIRA_-NOVA-CARTOGRAFIA-SOCIAL-DA-AMAZONIA.jpg 1111w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Mapa da Comunidade do Forte Príncipe da Beira (Nova Cartografia Social da Amazônia).</sub></em></figcaption></figure>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>Pressão militar</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O Exército é o responsável pelo Forte Príncipe da Beira, erguido pela Coroa Portuguesa no século 18 com o trabalho forçado de mais de 360 pessoas escravizadas, entre negros africanos e indígenas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com 970 metros de perímetro e muralhas de 10 metros de altura, o Real Forte Príncipe da Beira <a href="https://amazoniareal.com.br/real-forte-sera-revitalizado-e-concorre-ao-titulo-de-patrimonio-mundial-da-unesco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">é uma atração turística na região e tombado pela Unesco. </a>Permaneceu completamente abandonado durante 50 anos, até ser localizado pelo Marechal Cândido Rondon em 1914, responsável pela instalação da linha telegráfica Cuiabá (MT)/Rondônia. Em 1950, o Forte <a href="https://www.gov.br/iphan/pt-br/assuntos/noticias/comunidade-quilombola-forte-principe-da-beira-ro-recebe-oficinas-do-programa-conviver" target="_blank" rel="noreferrer noopener">foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).&nbsp;</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1932, segundo o Exército, o Forte foi reocupado pelo Contingente Especial de Fronteira Real Forte Príncipe da Beira, hoje denominado de 1º Pelotão Especial de Fronteira (PEF). Na área retomada pelo Exército já residiam famílias de descendentes de negros e indígenas que trabalharam, escravizados, na construção da fortaleza. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a instalação dos militares, comunidades que viviam nas proximidades do forte, como a Comunidade Quilombola Forte Príncipe da Beira, <a href="https://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/ro-comunidade-de-remanescentes-de-quilombo-forte-principe-da-beira-ja-reconhecida-e-registrada-pela-fundacao-cultural-palmares-fcp-ainda-aguarda-pela-demarcacao-de-seu-territorio/#contexto_ampliado" target="_blank" rel="noreferrer noopener">passaram a ser pressionadas a deixarem suas terras tradicionalmente ocupadas.</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o litígio judicial com a comunidade quilombola, o Exército reivindicou a posse de parte das terras tradicionais <a href="https://amazoniareal.com.br/exercito-diz-que-pelotao-existe-antes-de-comunidade-e-que-faz-acoes-sociais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">alegando que a área é de segurança nacional e que a população não seria descendente de quilombolas</a>, pois teria sido criada em 1942.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por causa do conflito fundiário e da falta de titulação do território, as famílias quilombolas passaram a denunciar restrições para realizar atividades tradicionais da comunidade como pescar, plantar e realizar o extrativismo vegetal.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conflito entre o Exército e a comunidade quilombola não é desconhecido. Em 2018, a <strong>Amazônia Real</strong> documentou essa história no documentário <a href="https://amazoniareal.com.br/amazonia-real-lanca-documentario-aquarteladas-sobre-voz-das-mulheres-do-quilombo-forte-principe/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“<em>Aquarteladas</em>”</a>, e já naquele ano eram as mulheres que sustentavam a resistência. Oito anos depois, Nucicleide Pinheiro segue na linha de frente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h3 class="wp-block-heading">Aquilombamento do Vale do Guaporé</h3>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte-do-Principe-da-Beira-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="755" data-id="173087" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte-do-Principe-da-Beira-1-1024x755.jpg" alt="" class="wp-image-173087" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte-do-Principe-da-Beira-1-1024x755.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte-do-Principe-da-Beira-1-300x221.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte-do-Principe-da-Beira-1-768x566.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte-do-Principe-da-Beira-1-1536x1132.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte-do-Principe-da-Beira-1-2048x1509.jpg 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte-do-Principe-da-Beira-1-150x111.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte-do-Principe-da-Beira-5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="736" data-id="173092" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte-do-Principe-da-Beira-5-1024x736.jpg" alt="" class="wp-image-173092" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte-do-Principe-da-Beira-5-1024x736.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte-do-Principe-da-Beira-5-300x216.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte-do-Principe-da-Beira-5-768x552.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte-do-Principe-da-Beira-5-1536x1105.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte-do-Principe-da-Beira-5-2048x1473.jpg 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte-do-Principe-da-Beira-5-150x108.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em><sub>Foto 01:</sub></em> <em><sub>Alfredo Clímaco de Carvalho. O Almirante José Carlos de Carvalho, o Dr. Octavio Costa Marques e grupo em visita ao Forte do Príncipe da Beira, 6/07/1913. Costa Marques, Rondônia / Acervo DPHDM</sub></em> <em><sub>e Foto2: Transporte de uma peça de ferro, calibre 24, retirada do Forte do Príncipe da Beira com destino ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro, 6/07/1913. Costa Marques, Rondônia / Acervo DPHDM .</sub></em></p>



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<p class="wp-block-paragraph">A história da Comunidade Quilombola Forte Príncipe da Beira <a href="https://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/ro-comunidade-de-remanescentes-de-quilombo-forte-principe-da-beira-ja-reconhecida-e-registrada-pela-fundacao-cultural-palmares-fcp-ainda-aguarda-pela-demarcacao-de-seu-territorio/#contexto_ampliado" target="_blank" rel="noreferrer noopener">está diretamente ligada ao processo de invasão e ocupação colonial do Vale do Guaporé</a>, região disputada por Espanha e Portugal durante o ciclo do ouro e das pedras preciosas na Amazônia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O arqueólogo Carlos Augusto Zimpel Neto, pesquisador da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), explicou que no século 18,&nbsp; pessoas negras e indígenas escravizadas foram levadas para trabalhar na mineração, na construção de fortificações militares, vilas, missões e em fazendas da região. Entre essas construções estava o Forte Príncipe da Beira.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O pesquisador aponta que o aquilombamento do rio Guaporé ganhou força principalmente a partir do século 19, quando o Estado abandonou gradualmente as fortificações e ocupações militares da região. Os motivos seriam epidemias de malária e outras doenças tropicais, somadas ao esgotamento das minas de ouro e ao abandono econômico da região.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Zimpel, muitos proprietários de terras deixaram o Vale do Guaporé e os antigos espaços ligados à opressão colonial, como o Forte Príncipe da Beira, passaram a ser apropriados pelas populações negras libertas e, posteriormente, por migrantes afrodescendentes atraídos pelo ciclo da borracha.&nbsp; “Essas pessoas escravizadas que tinham sido trazidas aqui, quando foram abandonadas ou conquistaram a sua liberdade, encontraram nesses sítios arqueológicos uma espécie de refúgio.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Comunidade Quilombola Forte Príncipe da Beira foi criada neste contexto de transformação do Forte Príncipe da Beira em símbolo de poder e violência para o de um símbolo de resistência negra. A região tem uma vasta paisagem cultural, incluindo mais de 15 sítios arqueológicos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É um território também de identidade negra na Amazônia, que representa um aspecto que não é lidado ainda dentro da história. ”Essas ruínas [do Forte] forneceram abrigo para essas pessoas que foram abandonadas, além de recursos materiais, como madeira e pedra. A história dessa atuação da comunidade quilombola vai muito além dos muros do Forte Príncipe da Beira, pois ela é guardiã de uma paisagem cultural que é extensa demais, que inclui mais de 15 sítios arqueológicos de uma área muito restrita”, disse Zimpel.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Zimpel destaca que o processo de aquilombamento no Vale do Guaporé não seguiu o padrão clássico de fuga e isolamento frequentemente associado à formação dos quilombos, já que a constituição das comunidades quilombolas ocorreu de forma multifacetada, marcada por resistência, adaptação e ressignificação cultural diante da brutalidade da violência da colonização portuguesa e espanhola.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As trocas culturais com populações indígenas e a organização coletiva baseada na solidariedade ajudaram a consolidar as comunidades quilombolas do Vale do Guaporé, e a população negra passou a ocupar definitivamente as margens do rio e formou comunidades autônomas que permanecem vivas até hoje.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Isso criou base para o desenvolvimento de uma economia de subsistência que a gente vê até hoje, baseada em caça, pesca, planta, pequenas plantações, colheita da castanha, por exemplo. O quilombo tem uma organização baseada na solidariedade e todas as decisões lá são coletivas”, reforçou o pesquisador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diversos territórios quilombolas são reconhecidos como remanescentes quilombolas em Rondônia, como: Santa Cruz e Laranjeiras, em Pimenteiras do Oeste; Rolim de Moura do Guaporé e Tarumã, em Alta Floresta d&#8217; Oeste; Pedras Negras e Santo Antônio, em São Francisco do Guaporé; Quilombo de Jesus, em São Miguel do Guaporé; além dos quilombos de Santa Fé e Forte Príncipe da Beira, em Costa Marques.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os quilombos históricos da região, um dos mais conhecidos foi o Quilombo do Quariterê, também chamado de Quilombo do Piolho, localizado às margens do rio Quariterê, afluente do rio Guaporé. O território ficou marcado <a href="https://www.sps.ce.gov.br/2020/07/28/tereza-de-benguela/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pela liderança da rainha Tereza de Benguela</a>, considerada símbolo da resistência da mulher negra no Brasil colonial.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h3 class="wp-block-heading">A espera da titulação&nbsp;</h3>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/10313921834_8bde0e0a19_c.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="533" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/10313921834_8bde0e0a19_c.jpg" alt="" class="wp-image-172971" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/10313921834_8bde0e0a19_c.jpg 800w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/10313921834_8bde0e0a19_c-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/10313921834_8bde0e0a19_c-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/10313921834_8bde0e0a19_c-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Comunidade Quilombola Forte Príncipe da Beira, na fronteira entre Rondônia e Bolívia (Foto: Avener Prado/ FESTCINEAMAZONIA/2013).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Certificada e reconhecida pela Fundação Cultural Palmares desde 2005, a Comunidade Quilombola Forte Príncipe da Beira ainda aguarda pela regularização fundiária e titulação do território por parte do Incra.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nucicleide Pinheiro explica que o território quilombola vai além da posse da terra. É nele que estão concentradas as relações comunitárias, os saberes tradicionais, a pesca, o cultivo, as práticas culturais e espirituais herdadas de gerações passadas. A principal reivindicação da comunidade é o acesso às políticas públicas para fomentar suas atividades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O título para nós é de suma importância. Nós povos tradicionais precisamos do nosso território titulado, porque sem comunidade não tem território, sem território não existe comunidade. Para a gente ter certeza que o território é nosso, a gente precisa ter o título. O que tem aqui de mata em pé, é porque a gente vive aqui, se a gente não vivesse aqui já não tinha mais nada de mata ao nosso redor”, disse<strong>.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o Incra, o processo de regularização territorial da Comunidade Quilombola Forte Príncipe da Beira foi instaurado em 2008. Dez anos depois, em 2018, <a href="https://amazoniareal.com.br/incra-comeca-estudo-para-regularizar-o-quilombo-do-forte-em-rondonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o Incra iniciou a elaboração do Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID)</a>, que inclui um estudo antropológico para traçar o perfil social e as origens do território. Conforme levantamento da ASQFORTE, atualmente vivem no território 68 famílias que sobrevivem principalmente da agricultura, da pesca, do extrativismo e de pequenas criações, além de pensionistas e funcionários públicos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já o Incra contabiliza 151 famílias cadastradas no processo de regularização fundiária, número que inclui tanto moradores atuais da comunidade quanto famílias que vivem fora do território, mas mantêm vínculo com o quilombo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O procedimento avançou quando foi publicado, em julho de 2023, o RTID no Diário Oficial da União, reconhecendo a área de 19.986 hectares como território quilombola. No entanto, a titulação definitiva ainda depende da resolução de impasses envolvendo áreas de interesse militar dentro do território reivindicado pela comunidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de <a href="https://www.gov.br/incra/pt-br/assuntos/governanca-fundiaria/passo_passo_quilombola_incra.png" target="_blank" rel="noreferrer noopener">regularização de territórios quilombolas passa por várias etapas</a>, incluindo a auto identificação e certidão da Fundação Cultural Palmares, abertura do processo no Incra, elaboração do RTID, publicação, demarcação, desintrusão (se necessário) e a titulação final.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">William Coimbra, coordenador de Regularização de Territórios Quilombolas do Incra em Rondônia, afirmou que o processo de titulação da Comunidade Quilombola Forte Príncipe da Beira encontra-se atualmente na fase de manifestação após a publicação do RTID. O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) apresentou manifestação sobre áreas consideradas de interesse do Exército Brasileiro localizadas dentro do território reivindicado pela comunidade quilombola.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Coimbra declarou que a Diretoria de Territórios Quilombolas e a Presidência do Incra deverão iniciar tratativas junto ao Ministério da Defesa e ao GSI para buscar uma conciliação entre os interesses militares e o processo de regularização do território tradicional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O coordenador também destacou que o Incra está concluindo o georreferenciamento do território em parceria com o IFRO e a Secretaria de Povos Tradicionais e Quilombolas do MDA, para que a comunidade seja titulada até o fim de 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Estamos concluindo o georreferenciamento da área do território quilombola visando a titulação da comunidade até o final deste ano. Além do geo, também iremos entregar para a comunidade o Cadastro Ambiental Rural [CAR] e o diagnóstico de uso da área quilombola”, disse Coimbra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em nota enviada à reportagem, o Incra reforçou que a publicação do RTID formalizou a sobreposição de interesses entre áreas do Exército e o território reivindicado pela comunidade quilombola. Dessa forma, o Incra e a Defesa Nacional devem realizar tratativas para a conciliação dos interesses do Estado. Somente após uma decisão conjunta o Incra poderá proceder à publicação da Portaria de Reconhecimento do território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O órgão informou ainda que a Diretoria de Territórios Quilombolas deve iniciar as negociações junto ao Ministério da Defesa ainda no primeiro semestre de 2026.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Governo de direita desacelerou regularização</strong></h3>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Moradora_QUILOMBO-DO-FORTE-DA-BEIRA_FOTO-MARCELA-BONFIM.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Moradora_QUILOMBO-DO-FORTE-DA-BEIRA_FOTO-MARCELA-BONFIM-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-26597" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Moradora_QUILOMBO-DO-FORTE-DA-BEIRA_FOTO-MARCELA-BONFIM-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Moradora_QUILOMBO-DO-FORTE-DA-BEIRA_FOTO-MARCELA-BONFIM-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Moradora_QUILOMBO-DO-FORTE-DA-BEIRA_FOTO-MARCELA-BONFIM-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Moradora_QUILOMBO-DO-FORTE-DA-BEIRA_FOTO-MARCELA-BONFIM.jpg 1800w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Comunidade Quilombolas do Forte Príncipe da Beira, no Vale do Guaporé, em Costa Marques, em Rondônia. (Foto: Marcela Bonfim/Amazônia Real/2018).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A presidente da Asqforte afirmou que o processo de regularização fundiária da comunidade sofreu desaceleração durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No país, só <a href="https://amazoniareal.com.br/especiais/com-bolsonaro-apenas-19-comunidades-quilombolas-da-amazonia-legal-foram-tituladas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">19 territórios quilombolas foram titulados no governo da extrema direita</a>, que chegou a cortar verbas do Incra para reconhecimento e indenização de quilombos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A gente sabe que é bem demorado esse processo de titulação, ainda mais quando entra um governo contrário aos povos tradicionais, aí acaba parando o andamento do processo dentro do Incra”, relatou Nucicleide Pinheiro.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nos primeiros dois mandatos&nbsp; (2003 a 2007 e 2007 a 2011), titulou 66 territórios quilombolas da Amazônia Legal. No governo Dilma Rousseff (2011-2016), foram 50. Entre 2023 e 2026, <a href="https://www.gov.br/mda/pt-br/noticias/2026/04/governo-do-brasil-assina-mais-dois-decretos-de-titulacao-de-territorios-quilombolas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o governo Lula assinou 72 decretos de titulação para comunidades quilombolas</a> no país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nucicleide acredita que a retomada do governo do presidente Lula possibilitou o avanço de etapas importantes para a regularização do território. Uma delas foi a realização do georreferenciamento da área quilombola, procedimento técnico necessário para a titulação definitiva da terra.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <a href="https://portal.ifro.edu.br/ultimas-noticias/17332-ifro-lanca-projeto-geoquilombola-em-comunidade-quilombola-de-costa-marques" target="_blank" rel="noreferrer noopener">georreferenciamento,</a> chamado de Projeto GeoQuilombola, é uma iniciativa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO) em parceria com o Incra e a Secretaria de Povos Tradicionais e Quilombolas, órgãos do MDA. O lançamento do projeto no quilombo Forte Príncipe da Beira foi em dezembro de 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora, a expectativa da comunidade é pela entrega conjunta do georreferenciamento e do Cadastro Ambiental Rural (CAR), documento que ainda depende de tramitação em Brasília. “Aqui é uma comunidade de agricultores também. A gente precisa disso até para conseguir recursos e mexer na terra”, disse Nucicleide.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rondônia possui apenas duas comunidades quilombolas já tituladas, conforme informações do Incra: Santa Fé, em Costa Marques; e Jesus, localizada em São Miguel do Guaporé/Seringueiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Procurada pela reportagem, a Fundação Cultural Palmares não respondeu aos questionamentos a respeito do processo de reconhecimento da Comunidade Quilombola Forte Príncipe da Beira e sobre como acompanha o andamento da regularização fundiária conduzida pelo Incra.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Memória de luta</strong></h3>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte_Principe_da_Beira-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="767" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte_Principe_da_Beira-1-1024x767.jpg" alt="" class="wp-image-172978" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte_Principe_da_Beira-1-1024x767.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte_Principe_da_Beira-1-300x225.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte_Principe_da_Beira-1-768x576.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte_Principe_da_Beira-1-1536x1151.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte_Principe_da_Beira-1-150x112.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte_Principe_da_Beira-1.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Forte Príncipe da Beira, em Rondônia , ao fundo a comunidade quilombola (Foto: Israel Vale Jr./IPHAN).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A memória de <a href="https://rondoniaovivo.com/coluna/carlosazimpel//2025/04/25/elvis-nao-morreu-homenagem-a-elvis-cayaduro-pessoa-por-carlos-a-zimpel.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Elvis Cayaduro Pessoa</a> segue presente na mobilização da comunidade Forte Príncipe da Beira. Angel Cayaduro, que também atua na continuidade da luta do líder quilombola, diz que é muito importante defender a titulação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Meu irmão mais velho foi um dos primeiros líderes do quilombo Príncipe da Beira. O Elvis lutou muito por isso. A minha família, meus irmãos, minha mãe, meus sobrinhos, a gente está sempre nessa luta para ver se a gente consegue titular nosso território. E viva os nossos povos tradicionais, viva a nossa Amazônia. Viva Elvis Pessoa, em memória!”, manifestou Angel.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A liderança relatou que a ausência da titulação ainda gera insegurança e limitações para os moradores da comunidade. “Temos vários conflitos que estão sendo resolvidos aos poucos. A gente não tem a titulação da área, e por isso não temos um local apropriado para criar nossos animais. Não se pode criar gado muito próximo do perímetro onde as pessoas moram, por causa de doenças como febre aftosa e brucelose. Então a gente não tem uma área para criação de gado, por exemplo”, finalizou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele reitera que a titulação é fundamental para garantir direitos territoriais e acesso a políticas públicas, principalmente para projetos que fortalecem a preservação ambiental feita pela própria comunidade. “A titulação do território para o nosso povo é muito importante porque vai assegurar nossos direitos. E também a gente vai assegurar o nosso território, o nosso cinturão verde, nossa fauna, nossa floresta. A gente vai conseguir conservar, o que a gente tem de mata em pé ainda. Mesmo fazendo nossas rocinhas, nossas áreas de plantio, mas sempre a gente vai respeitar a mãe natureza.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre o quartel que não reconhece sua origem e a reserva que não reconhece sua presença, a Comunidade Quilombola Forte Príncipe da Beira segue dentro do seu território, esperando que o Estado chegue à mesma conclusão.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte_do_Principe_da_Beira_RO_-_Ruinas-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="457" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte_do_Principe_da_Beira_RO_-_Ruinas-1-1024x457.jpg" alt="" class="wp-image-172972" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte_do_Principe_da_Beira_RO_-_Ruinas-1-1024x457.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte_do_Principe_da_Beira_RO_-_Ruinas-1-300x134.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte_do_Principe_da_Beira_RO_-_Ruinas-1-768x343.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte_do_Principe_da_Beira_RO_-_Ruinas-1-1536x686.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte_do_Principe_da_Beira_RO_-_Ruinas-1-150x67.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Forte_do_Principe_da_Beira_RO_-_Ruinas-1.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Forte do Príncipe da Beira, imagem do Fundo Ministério da Guerra, do Arquivo Nacional feita entre 1929 e 1930 (Foto: B. Rondon/ Coleção Arquivo Nacional).</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Leia a primeira reportagem desta série</strong>:</h3>



<h3 class="wp-block-heading"><a href="https://amazoniareal.com.br/justica-diagnostico-barcarena-contaminacao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Barcarena espera por reparação</strong></a></h3>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Esta reportagem foi produzida com recursos do Prêmio Culturas de Resistência, concedido este ano à agência Amazônia Real por Iara Lee, ativista, cineasta e fundadora/diretora da </em><a href="http://culturesofresistance.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong><em>Rede Culturas de Resistência</em></strong></a>, <em>para apoiar uma série de cinco trabalhos relacionados aos direitos dos povos tradicionais, justiça social, violação de direitos humanos e meio ambiente.</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: Os textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência Amazônia Real estão licenciados com uma</em><a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nd/4.0/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional </em></a><em>(CC BY ND 4.0), e podem ser republicados na mídia: jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura; com o crédito do autor e da agência Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença e precisam de autorização dos autores.</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>
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		<title>Campanhas anti-demarcação miram TIs do Alto Rio Negro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 21:10:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Povos Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Alto Rio Negro]]></category>
		<category><![CDATA[Apiam]]></category>
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		<category><![CDATA[TI Aracá-Padauiri]]></category>
		<category><![CDATA[TI Baixo Rio Negro e Rio Caurés]]></category>
		<category><![CDATA[Yanomami]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lideranças indígenas denunciam disseminação de fake news, uso político da identidade indígena e ofensiva articulada por políticos contra a demarcação de territórios em Barcelos, interior do Amazonas.  </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Manaus (AM) &#8211; No último dia 6 de maio, as ruas do município de Barcelos (a 499 KM de Manaus), no interior do Amazonas, foram ocupadas por <a href="https://www.instagram.com/reel/DYBJ2d9RKTD/?igsh=MXRpZHFuNGh1aTFtbQ==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">um protesto</a> contra a demarcação de terras indígenas (TIs). Entre os manifestantes, havia políticos locais, empresários, comerciantes. Também participavam do protesto indígenas que, segundo lideranças ouvidas pela Amazônia Real, não sabiam ao certo do que se tratava o ato e foram persuadidos a participar dele. Desde então, o clima tenso não dá sinais de arrefecimento. Para as organizações indígenas do Alto Rio Negro, o que veio depois do protesto foi ainda pior: ameaças veladas, desinformação nas redes sociais e a sensação de que a ofensiva está só começando.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na mira das manifestações estão a Terra Indígena Baixo Rio Negro e Rio Caurés, em Barcelos, e a Terra Indígena Aracá-Padauiri, que abrange partes de Barcelos e da cidade vizinha de Santa Isabel do Rio Negro. Os dois territórios são habitados por populações de diferentes etnias, tais como Yanomami, Baré, Baniwa, Tariano, entre outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os territórios são históricos na luta por demarcação no Alto Rio Negro e, por esse motivo, há o interesse de grupos contrários disseminar o quanto puderem desinformação sobre os processos demarcatórios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Eles não querem deixar demarcar a terra Yanomami [de Barcelos] porque, futuramente, não querem a vivência deste povo na terra. Querem acabar com a riqueza que os Yanomami estão protegendo a área. Querem tudo para eles [pessoas contrárias à demarcação], não para o povo Yanomami”, declarou à Amazônia Real o líder João da Silva Figueiredo, presidente da Associação Yanomami do Rio Cauaburis e Afluentes (Ayrca). </p>



<p class="wp-block-paragraph">Figueiredo é da <a href="https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/biodiversidade/unidade-de-conservacao/unidades-de-biomas/amazonia/lista-de-ucs/parna-do-pico-da-neblina/arquivos/plano_de_visitacao_parna_pico_da_neblina.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">região de Maturacá,</a> na Terra Indígena Yanomami, entre os municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro, mas a Ayrca abrange povos Yanomami que habitam territórios do lado do Amazonas, nas cidades de São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tuxaua Francisco Xavier Yanomami, liderança indígena geral da região de Maturacá, reiterou que a homologação dos territórios Yanomami é fundamental para impedir a entrada de invasores e proteger os recursos naturais utilizados pelas comunidades indígenas. “Se não houver a demarcação, os invasores vão continuar entrando, principalmente os pescadores. Eles nunca vão pedir [permissão], vão querer entrar por conta própria para levar todos os peixes, a comida do rio dos nossos parentes.”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Uma campanha anti-demarcatória</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/51212943777_00120d0b02_o.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="575" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/51212943777_00120d0b02_o-1024x575.jpg" alt="" class="wp-image-173071" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/51212943777_00120d0b02_o-1024x575.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/51212943777_00120d0b02_o-300x168.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/51212943777_00120d0b02_o-768x431.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/51212943777_00120d0b02_o-1536x862.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/51212943777_00120d0b02_o-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/51212943777_00120d0b02_o.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Terra Indígena Yanomami, indígenas em Maturacá  (Foto: Paulo Desana/Amazônia Real/2021).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A <a href="https://www.instagram.com/p/DYDf6Kpke3q/?img_index=2&amp;igsh=MXViMXJ1ZGVtazljZg%3D%3D" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) denuncia</a> o que classifica como uma&nbsp; “campanha anti-demarcatória”, organizada por setores da população local, empresários e políticos. Segundo a organização, esse grupo quer continuar usando territórios indígenas como propriedade privada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Acabaram manipulando e induzindo os Yanomami que estavam em Barcelos para receber benefícios sociais, sem saber do que se tratava por ser um povo de recente contato em sua maioria. Isso é uma violação, é crime grave fazer isso com os parentes indígenas”, denunciaram lideranças da Foirn em posicionamento oficial enviado à <strong>Amazônia Real</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Apiam) rebateu a narrativa de que as demarcações representam um entrave econômico. Em <a href="https://www.instagram.com/p/DYD5RkjjAQc/?img_index=5&amp;igsh=MWRmeGNldm4yOHZxeA%3D%3D" target="_blank" rel="noreferrer noopener">nota</a> pública, a organização explicou que a legislação brasileira prevê acordos de manejo que permitem a continuidade de pesca esportiva, pesca ornamental e extrativismo de piaçava nos territórios demarcados, mas com a garantia da participação e protagonismo indígena.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A Apiam não aceita que direitos fundamentais sejam negociados por conveniência política ou que fake news substituam fatos documentados em estudos técnicos e legislação vigente”, diz um trecho do documento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Foirn também contestou o uso de imagens de indígenas, incluindo os Yanomami, nos atos contrários à demarcação, classificando a prática como manipulação deliberada de pontos vulneráveis. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Já João da Silva Figueiredo acusa agentes políticos de utilizarem organizações indígenas como instrumento de cooptação e controle das comunidades. Segundo ele, o objetivo seria enfraquecer a autonomia do povo Yanomami sobre seus territórios e modos de vida. </p>



<p class="wp-block-paragraph">“Para começar a acabar com a riqueza, a natureza e os rios da terra. E, ao mesmo tempo, dominar o povo Yanomami para depois não ter sua autonomia dentro das suas terras, das suas florestas e das suas comunidades”, declarou.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Apagamento indígena</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2016/09/Apresentacao-dos-pajes-Yanomami-Comunidade-Demini-TI-Yanomami-AMFoto-Dario-Yawarioma_HAY.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="577" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2016/09/Apresentacao-dos-pajes-Yanomami-Comunidade-Demini-TI-Yanomami-AMFoto-Dario-Yawarioma_HAY-1024x577.jpg" alt="FOTO DESTAQUE" class="wp-image-16887" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2016/09/Apresentacao-dos-pajes-Yanomami-Comunidade-Demini-TI-Yanomami-AMFoto-Dario-Yawarioma_HAY-1024x577.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2016/09/Apresentacao-dos-pajes-Yanomami-Comunidade-Demini-TI-Yanomami-AMFoto-Dario-Yawarioma_HAY-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2016/09/Apresentacao-dos-pajes-Yanomami-Comunidade-Demini-TI-Yanomami-AMFoto-Dario-Yawarioma_HAY.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Apresentação de xamãs na comunidade Demini, no Amazonas (Foto: Dario Yawarioma/HAY).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A Foirn relata que <a href="https://foirn.wordpress.com/2025/07/21/movimento-indigena-em-barcelos-fortalece-articulacao-e-exige-celeridade-na-demarcacao-das-terras-indigenas-do-baixo-rio-negro-e-rio-caures-uma-luta-de-decadas-por-direitos-e-territorio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">sempre houve resistência aos direitos e aos povos indígenas</a> pela população não-indígena da região do Alto Rio Negro, principalmente em Barcelos, onde se dizia até não ter indígenas. Foi para romper essa invisibilidade que, em 2000, os povos indígenas criaram a Associação Indígena de Barcelos (Asiba), filiada à Foirn, para reivindicar políticas públicas e o reconhecimento das terras ocupadas pelos indígenas dos rios Padauiri, Erere, Aracá, Demini, Preto e Negro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a Foirn, os novos conflitos intensificam a urgência da demarcação e proteção dessas terras, que ainda carecem de educação escolar indígena, ordenamento pesqueiro e fomento adequado às atividades produtivas, extrativistas e a produção e escoamento de acordo com as necessidades e políticas adequada para os povos indígenas de Barcelos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Para as comunidades indígenas, a demarcação é vista como avanço e conquista dos que lutam há mais de duas décadas por esse reconhecimento aos seus direitos territoriais pelo Governo Federal, cumprindo a Constituição Federal nos seus artigos 231 e 232”, disseram as lideranças em nota conjunta à Amazônia Real.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As contestações contra demarcações de terras indígenas em Barcelos também não são de agora. Já em 2017, <a href="https://www.acritica.com/amazonia/camara-de-barcelos-e-contra-demarcac-o-de-terras-ind%C3%ADgenas-no-municipio-1.82006" target="_blank" rel="noreferrer noopener">dez vereadores do município chegaram a se posicionar contra a demarcação territorial </a>da TI Aracá-Padauiri, com a justificativa de que a decisão poderia prejudicar economicamente o município. O argumento ressurgiu no ano passado, quando os <a href="https://www.gov.br/povosindigenas/pt-br/assuntos/noticias/2025/11/governo-do-brasil-anuncia-homologacao-de-4-terras-indigenas-e-assinatura-de-10-portarias-declaratorias-durante-a-cop-30" target="_blank" rel="noreferrer noopener">processos demarcatórios avançaram</a> na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) &#8211; e ganhou as ruas em maio deste ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se no passado os povos indígenas do Alto Rio Negro lutavam contra a escravidão de pessoas indígenas piaçabeiros e o avanço de garimpeiros, madeireiros e extrativistas ilegais, hoje o desafio é conter as ameaças da pesca comercial e esportiva desordenada nos territórios. Barcelos, inclusive, é conhecida pelo <a href="https://www.instagram.com/fespob/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Festival do Peixe Ornamental de Barcelos (FESPOB)</a>, realizado anualmente no final de janeiro e início de fevereiro na cidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Apoio político</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/54958172481_f9932ed726_k.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/54958172481_f9932ed726_k-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-173042" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/54958172481_f9932ed726_k-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/54958172481_f9932ed726_k-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/54958172481_f9932ed726_k-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/54958172481_f9932ed726_k-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/54958172481_f9932ed726_k-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/54958172481_f9932ed726_k.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>O deputado João Luiz (Republicanos) convocou audiência pública sobre a demarcação da Terra Indígena Aracá-Padauiri, localizada em área dos municípios de Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro (Foto: Hudson Fonseca/ Aleam/01/12/2025).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O protesto de 6 de maio teve respaldo explícito de parlamentares. Nas redes sociais, a vereadora Raycka Lacerda (União) reforçou o apoio político à manifestação nas ruas. “Nós fomos a primeira capital do Amazonas, somos referência na pesca esportiva, na pesca ornamental. Barcelos está sendo desrespeitada. Não à demarcação!”, afirmou <a href="https://www.instagram.com/p/DYA-mEasqcy/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a vereadora.</a> Procurada pela reportagem por e-mail da Câmara Municipal de Barcelos, Raycka Lacerda não se pronunciou sobre o assunto até o fechamento desta reportagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No mesmo dia, <a href="https://www.aleam.gov.br/joao-luiz-debate-demarcacao-de-terras-indigenas-e-impactos-economicos-em-barcelos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o deputado estadual João Luiz (Republicanos) </a>usou a tribuna da Assembleia Legilativa do Amazonas (Aleam) para debater os supostos impactos econômicos para a cidade em consequência das demarcações das TIs Baixo Rio Negro e Rio Caurés e Aracá-Padauiri.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meses antes, em março, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) <a href="https://amazonasatual.com.br/plinio-valerio-aciona-justica-para-barrar-demarcacao-de-terra-indigena-no-am/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ajuizou uma ação popular</a> na Justiça Federal do Amazonas para tentar barrar o processo de demarcação da TI Aracá-Padauiri. A ação se baseou em documentos enviados pelo prefeito de Barcelos, Radson Rógerton dos Santos Alves, o Radinho (União). Valério alegou que Funai não teria garantido a participação efetiva do município nas etapas do procedimento demarcatório.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Territórios em disputa</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Mapa-da-TI-Baixo-Rio-Negro-e-Rio-Caures.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="827" height="1024" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Mapa-da-TI-Baixo-Rio-Negro-e-Rio-Caures-827x1024.jpg" alt="" class="wp-image-173038" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Mapa-da-TI-Baixo-Rio-Negro-e-Rio-Caures-827x1024.jpg 827w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Mapa-da-TI-Baixo-Rio-Negro-e-Rio-Caures-242x300.jpg 242w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Mapa-da-TI-Baixo-Rio-Negro-e-Rio-Caures-768x951.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Mapa-da-TI-Baixo-Rio-Negro-e-Rio-Caures-150x186.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Mapa-da-TI-Baixo-Rio-Negro-e-Rio-Caures.jpg 913w" sizes="auto, (max-width: 827px) 100vw, 827px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Mapa da TI Baixo Rio Negro e Rio Caurés<br>(Fonte: FOIRN)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A <a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4715" target="_blank" rel="noreferrer noopener">TI Aracá-Padauiri</a>, de 3.388.299 hectares, é habitada pelos povos Yanomami, <a href="http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Baré</a>, <a href="http://pib.socioambiental.org/pt/povo/desana" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Desana</a>, <a href="http://pib.socioambiental.org/pt/povo/makurap">Makurap</a>, <a href="http://pib.socioambiental.org/pt/povo/pira-tapuya" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pira-tapuya</a>, <a href="http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tariana" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tariana</a>, <a href="http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tukano" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tukano</a>, <a href="http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tuyuka" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tuyuka</a> e Baniwa. E tem um histórico demarcatório que se arrasta há anos. O processo ganhou impulso em novembro de 2025 durante a COP30, em Belém (PA), <a href="https://coiab.org.br/coiab-destaca-avancos-na-regularizacao-de-terras-indigenas-na-amazonia-legal-e-cobra-efetividade-nas-medidas-anunciadas-durante-a-cop30/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">quando a Funai anunciou a aprovação do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) do território</a>.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O RCID é a primeira etapa do processo de demarcação de terras indígenas, permitindo a transição <a href="https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2024/abril-indigena-entenda-as-etapas-de-demarcacao-de-terras-indigenas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">para as próximas fases legais, de acordo com a Funai:</a> declaração, demarcação física, homologação e registro na Secretaria do Patrimônio da União e conselhos móveis.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-Caures.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="680" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-Caures-1024x680.jpg" alt="" class="wp-image-173043" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-Caures-1024x680.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-Caures-300x199.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-Caures-768x510.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-Caures-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-Caures.jpg 1204w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Rio Caurés, localizado na TI Baixo Rio Negro e Rio Caurés</sub></em> <em><sub>(Foto: Foirn). </sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A <a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/6251" target="_blank" rel="noreferrer noopener">TI Baixo Rio Negro e Rio Caurés</a>, assim como a TI, tem um longo histórico de reivindicação, que remonta aos anos 1990, mas sua delimitação só <a href="https://coiab.org.br/no-atl-coiab-celebra-avanco-na-demarcacao-de-territorios-indigenas-no-amazonas-e-no-amapa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">foi concluída em abril deste ano, </a>quando a presidenta da Funai, Lúcia Alberta Baré, <a href="https://www.gov.br/funai/pt-br/atuacao/terras-indigenas/demarcacao-de-terras-indigenas/contestacoes-administrativas/DespachoDecisorion692026PresFUNAIDespachoDecisorion692026PresFU.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">assinou RCID</a> do território de aproximadamente 777.120,00 hectares. O território tem uma população de 387 pessoas divididas em cinco comunidades, pertencentes aos povos Baré, Tukano, Baniwa, Arapaso, Pira-tapuya, Macuxi e Tikuna.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Foirn afirma que sempre manteve as portas abertas para o diálogo com empresas, políticos e instituições interessadas em desenvolver atividades no Rrio Negro. A entidade destaca, no entanto, que qualquer iniciativa deve seguir práticas sustentáveis alinhadas aos <a href="https://pgtas.foirn.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs)</a> das terras indígenas, conforme estabelece a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), além de respeitar o protocolo de consulta dos povos e comunidades indígenas do rio Negro e os acordos internos das comunidades.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Procurada pela <strong>Amazônia Real </strong>para informar o andamento do processo demarcatório, a Funai não respondeu até a publicação desta reportagem.&nbsp;</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-Negro-Barcelos.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="577" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-Negro-Barcelos-1024x577.jpg" alt="" class="wp-image-173039" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-Negro-Barcelos-1024x577.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-Negro-Barcelos-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-Negro-Barcelos-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-Negro-Barcelos-1536x865.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-Negro-Barcelos-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-Negro-Barcelos.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Rio Negro na região de Barcelos (Foto: Silvio Cavuscens/Secoya Yanomami/Julho/Agosto de 2021).</sub></em></figcaption></figure>



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		<title>A crise do Cerrado em revisão: 3 &#8211; uma proteção coerente do Ecodomínio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 00:01:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[Cerrado]]></category>
		<category><![CDATA[ecodomínio]]></category>
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		<category><![CDATA[Philip Fearnside]]></category>
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		<category><![CDATA[urbanização]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em novo texto série, pesquisadores afirmam que a percepção afirma que a percepção do Cerrado como um bioma de savana homogêneo, naturalmente resistente ao fogo, é uma das distorções mais graves causadas por essa simplificação perniciosa. Eles dizem que essa visão reducionista ignora a complexidade ecológica do Ecodomínio e torna invisível sua diversidade interna.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Cássio Cardoso Pereira, Walisson Kenedy-Siqueira, Lara Ribeiro Maia, Vinícius da Fontoura Sperandei, Lucas Arantes-Garcia, Stephannie Fernandes, Gabriela França Carneiro Fernandes, Gislene Carvalho de Castro, Domingos de Jesus Rodrigues, Rodolfo Salm e Philip M. Fearnside</strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">O Cerrado, como Ecodomínio, compreende uma das paisagens ecológicas mais complexas e paradoxalmente negligenciadas do planeta. Embora comumente rotulado como uma “savana tropical”, essa classificação é conceitualmente imprecisa e politicamente reducionista, pois ignora a real diversidade estrutural da região [1-3]. O Cerrado abriga diferentes tipos de biomas: campos, savanas e florestas tropicais, que funcionam como ecossistemas distintos em termos de estrutura, processos ecológicos e vulnerabilidade [1 2, 4]. Esses ecossistemas, conhecidos no Brasil como fitofisionomias [4], não são distribuídos continuamente, mas sim em mosaicos altamente dinâmicos e interdependentes, o que impõe desafios adicionais à sua conservação, monitoramento e manejo [4]. As savanas predominam em área e compreendem 70% da vegetação em todo o Ecodomínio [4]. Mesmo assim, essa predominância numérica não justifica generalizações. O uso do termo “bioma Cerrado”, no singular, tem operado como uma simplificação política que torna invisíveis as formações igualmente estruturais de campos e florestas (ver <a href="http://philip.inpa.gov.br/publ_livres/Dossie/Outros/Cerrado/Quadro-1.pdf">Quadro 1</a>). Como propõe Batalha [2], essa definição é incompatível com a literatura ecológica internacional, que reconhece os biomas como unidades fisionômicas e funcionais, e não meramente florísticas. Nessa perspectiva mais refinada, o Cerrado não constitui um único bioma, mas sim um conjunto de biomas organizados em ecossistemas interdependentes, cuja compreensão exige o abandono de categorias simplificadoras e o reconhecimento da heterogeneidade como elemento central.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os ecossistemas de campos— caracterizados por uma camada herbácea-arbustiva dominante e cobertura arbórea inferior a 5% — incluem Campo Limpo, Campo Sujo e Campo Rupestre<em>,</em> e ocorrem preferencialmente em solos mais rasos e bem drenados, com baixa fertilidade (Fig. 4; ver <a href="http://philip.inpa.gov.br/publ_livres/Dossie/Outros/Cerrado/Quadro-2.pdf">Quadro 2</a>) [4]. Os campos do Cerrado estão sendo cada vez mais pressionados pela expansão urbana, fragmentando habitats e comprometendo sua integridade ecológica. Certas variantes enfrentam ameaças ainda maiores devido às suas características geológicas, que as tornam alvos privilegiados para a extração mineral, como Campo Rupestre, que se desenvolve em ambientes extremos de topo de morro com afloramentos rochosos [5]. Esses contextos altitudinais e líticos incluem também o Cerrado Rupestre, um ecossistema de savana único que combina elementos de campo e savana em substratos quartzíticos e ferruginosos, onde o endemismo e a especialização adaptativa atingem níveis extraordinários [6]. Juntos, o Campo Rupestre e o Cerrado Rupestre ocupam cerca de 7% da área total do Cerrado, destacando sua raridade e importância estratégica para a conservação da biodiversidade, especialmente por coexistirem no mesmo ambiente, representarem menos de 2% do território nacional, abrigarem cerca de um terço da flora brasileira e servirem como berço das águas do país [6, 7]. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de sua importância ecológica, essas áreas têm sido particularmente visadas pela mineração, dada a sua proximidade com depósitos de ferro, nióbio, ouro e quartzo [5, 8]. A destruição de afloramentos rochosos, a supressão de vegetação rara e o comprometimento dos microclimas locais geram perdas ecológicas irreversíveis, especialmente devido à falta de reconhecimento legal desses ecossistemas, que muitas vezes sequer são identificados como prioritários em relatórios técnicos [6, 8]. Além disso, o aumento da frequência e da intensidade dos incêndios causados pela invasão de espécies exóticas ameaça espécies sensíveis ao fogo que antes sobreviviam isoladas em afloramentos rochosos, protegidas pela escassez de combustível natural nos cumes [9] (. Esse ciclo de incêndios, facilitado por espécies gramíneas invasoras, acelera a homogeneização da paisagem e coloca em risco definitivo as espécies endêmicas que dependem de microhabitats frágeis (Fig. 4). Finalmente, as espécies invasoras também podem aumentar indiretamente o risco de doenças infecciosas e zoonóticas, criando condições favoráveis à proliferação de vetores, como carrapatos, o que põe em perigo as populações animais, suas interações com as espécies vegetais e, também, representa riscos para a saúde humana [10].</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figura-4-Traducao-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="724" height="1024" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figura-4-Traducao-1-724x1024.jpg" alt="" class="wp-image-173033" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figura-4-Traducao-1-724x1024.jpg 724w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figura-4-Traducao-1-212x300.jpg 212w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figura-4-Traducao-1-768x1086.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figura-4-Traducao-1-150x212.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figura-4-Traducao-1.jpg 827w" sizes="auto, (max-width: 724px) 100vw, 724px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Figura 4. Principais ameaças antropogênicas ao Cerrado resultantes de mudanças no uso da terra, classificadas por impacto em cada tipo de ecossistema (I–III: pastagem, savana e floresta). Os ecossistemas ilustrados são de acordo com Ribeiro &amp; Walter [4]. Para mais detalhes sobre cada ecossistema, veja o Quadro 2. Design da figura: Walisson Kenedy-Siqueira.</sub></em></figcaption></figure>





<p class="wp-block-paragraph">Os ecossistemas de savana — caracterizados por um estrato descontínuo de árvores e arbustos sobre um sub-bosque herbáceo dominante, com cobertura arbórea variando entre 5% e 50% — abrangem uma diversidade de ecossistemas: Cerrado Denso, Cerrado Ralo, Cerrado Rupestre, Cerrado Típico, Palmeiral, Parque de Cerrado e Vereda (Fig. 4; ver <a href="http://philip.inpa.gov.br/publ_livres/Dossie/Outros/Cerrado/Quadro-2.pdf">Quadro 2</a>) [4]. Esses ecossistemas geralmente se desenvolvem em solos profundos e ácidos, com baixa fertilidade, frequentemente moldados por regimes sazonais de chuvas e incêndios [4]. O Cerrado Denso<em>,</em> por sua vez, aproxima-se do limiar florestal, com um dossel quase contínuo e árvores de maior porte, o que desafia classificações simplistas e exige o reconhecimento de sua posição como um ecossistema de transição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora dominem territorialmente o Ecodomínio Cerrado, as savanas têm sido intensamente convertidas em monoculturas agrícolas impulsionadas pela mecanização e pelo uso intensivo de fertilizantes e corretivos químicos, bem como por pastagens exóticas e silvicultura comercial, especialmente de<em>Eucalyptus </em>spp. L&#8217;Hér. [11, 12]. A degradação desses ecossistemas compromete sua integridade funcional: espécies nativas são suprimidas, o regime natural de incêndios é alterado e as áreas remanescentes perdem sua identidade ecológica, dificultando os esforços de restauração e obscurecendo os limites entre formações abertas e secundárias. Nesse contexto, a Vereda, um ecossistema úmido único, está particularmente ameaçada pela expansão agrícola, pelo rebaixamento do lençol freático e pelo uso indevido de nascentes, o que compromete sua função ecológica e a sobrevivência da palmeira-buriti (<em>Mauritia flexuosa </em>Lf) e da palmeira-xiriri (<em>Mauritiella armata </em>(Mart.) Burret; [13] (Fig. 4).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ecossistemas florestais — com cobertura arbórea superior a 50% — incluem <em>o</em> Cerradão, a Mata Ciliar, a Mata de Galeria e a Mata Seca (Fig. 4; ver <a href="http://philip.inpa.gov.br/publ_livres/Dossie/Outros/Cerrado/Quadro-2.pdf">Quadro 2</a>) [4] e têm sido sistematicamente degradados por desmatamento seletivo, agricultura irrigada, pecuária intensiva, exploração madeireira, expansão urbana e mineração [14]. A abertura de novas áreas para plantio e atividades agrícolas causou uma redução significativa no Cerradão, processo que também exerce forte pressão sobre os recursos hídricos. Notavelmente, a crescente demanda por água para irrigação agrícola e dessedentação de animais reduziu consideravelmente a vazão de nascentes e córregos [15], impactando diretamente a Mata Ciliar e a Mata de Galeria. A expansão urbana, por sua vez, avança para áreas ripárias, impulsionada pela valorização imobiliária de terrenos próximos a cursos d&#8217;água. A urbanização intensifica o assoreamento, a impermeabilização do solo e a fragmentação florestal. A Mata Seca, especialmente em áreas calcárias, também é afetada pela extração de calcário, dolomita e fosfato, que destrói o substrato rochoso e impossibilita a regeneração ecológica. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de reconhecimento legal específico para essas formações agrava sua vulnerabilidade, permitindo que sejam tratadas como áreas de “baixo valor ambiental” em processos de licenciamento. A perda dessas florestas compromete a biodiversidade associada, interrompe corredores ecológicos e enfraquece os serviços ecossistêmicos que sustentam a resiliência hidrológica e climática do Ecodomínio (Fig. 4). É importante ressaltar que as principais mudanças no uso da terra observadas nos campos, savanas e florestas do Cerrado são facilitadas pela abertura de novas estradas (Fig. 4). A construção de estradas atua como o principal motor da transformação do ecossistema, uma porta de entrada para ocupação e exploração, permitindo o acesso a áreas anteriormente preservadas, abrindo caminho para desmatamento, incêndios, espécies invasoras, agricultura, pecuária, monoculturas, mineração e urbanização (Fig. 4). Essa sequência de transformações é uma característica comum em todo o Ecodomínio Cerrado, intensificando a fragmentação e a degradação de seus diversos ecossistemas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas estratégias de conservação recentes têm recorrido à reclassificação de ecossistemas do Cerrado como pertencentes a outros Ecodomínios, com o objetivo de garantir maior proteção legal. Um exemplo emblemático é a tentativa de classificar o Campo Rupestre como parte da Mata Atlântica, sob o argumento de que ocorre em áreas de transição ou compartilha certos táxons florísticos [16]. No entanto, essa associação é ecologicamente imprecisa: trata-se de ecossistemas adaptados a solos líticos, climas extremos e altas altitudes, com altíssimo grau de endemismo e especialização, cuja identidade está profundamente enraizada no Ecodomínio Cerrado e na Serra do Espinhaço, cadeia montanhosa no leste do Brasil que se estende por Minas Gerais e Bahia, e não na Mata Atlântica e seus Campos de Altitude[17]. Outro exemplo frequente de reclassificação visando obter proteção legal mais rigorosa sob a legislação da Mata Atlântica é a inclusão de florestas secas (incluindo o ecossistema da Mata Secado Cerrado) como parte desse Ecodomínio [18]. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas tentativas de “translocação biogeográfica” revelam não apenas fragilidades institucionais, mas também uma dependência simbólica das florestas tropicais como paradigma de conservação. O mesmo ocorre com o Código Florestal (Lei nº 12.651, de 25/05/2012, ver [19], que exige a proteção de 35% da vegetação nativa em áreas de Cerrado dentro da Amazônia Legal, mas apenas 20% no restante do Ecodomínio, uma assimetria que ignora a real vulnerabilidade e importância ecológica do território [20]. Em vez de tentar incluir os ecossistemas do Cerrado sob a guarda legal da Mata Atlântica ou da Amazônia, o caminho mais coerente e justo seria reconhecer definitivamente o Cerrado como o <em>hotspot </em>de biodiversidade que ele é. Isso implica proteger todos os seus ecossistemas com instrumentos legais próprios, sensíveis à sua heterogeneidade e à sua centralidade ecológica no território brasileiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nem tudo se regenera: a banalização do fogo e o aumento da degradação do Cerrado</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A percepção do Cerrado como um bioma de savana homogêneo, naturalmente resistente ao fogo, é uma das distorções mais graves causadas por essa simplificação perniciosa. Essa visão reducionista ignora a complexidade ecológica do Ecodomínio e torna invisível sua diversidade interna, apesar de o Cerrado abrigar dezenas de ecossistemas com diferentes estruturas, dinâmicas e graus de resiliência ao fogo [1, 4]. Ao tratar o Cerrado como um ecossistema uniforme, as políticas públicas e o discurso técnico acabam ignorando a degradação causada pelos incêndios. Essa distorção também enfraquece o combate aos incêndios criminosos, apoiando-se em narrativas como “o fogo sempre esteve aqui” e “logo tudo vai crescer de novo”, que funcionam como mecanismos de apagamento: desconsideram a diferença entre incêndios naturais e antropogênicos, negligenciam a vulnerabilidade dos ecossistemas mais sensíveis e eximem o ser humano da responsabilidade pela intensificação e banalização dos incêndios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas espécies do Cerrado, especialmente arbustos lenhosos, evoluíram sob regimes naturais de fogo e desenvolveram adaptações morfofisiológicas que lhes conferem resistência e resiliência a essa perturbação [21-23]. Essas especializações incluem folhas coriáceas e pilosas, um ritidoma espesso que protege os tecidos internos contra o calor e diversas estruturas subterrâneas de armazenamento — como xilopódios, tubérculos, bulbos, cormos e rizomas — além de raízes profundas que favorecem a rebrota após o fogo [21, 24]. Além disso, muitas espécies lenhosas exibem capacidade de rebrota basal ou epicórmica. Em algumas delas, o fogo atua inclusive como um gatilho ecológico: existem sementes cuja germinação depende da passagem do fogo, seja pelo calor, por alterações químicas no solo ou pela remoção da cobertura vegetal [25]. Devido a essas características adaptativas, alguns ecossistemas do Cerrado são classificados como pirobioma, vegetação adaptada a incêndios naturais [1]. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, essa relação não se estende a todas as espécies ou a todos os ecossistemas do Ecodomínio, muitos dos quais são altamente vulneráveis ao fogo [1]. Formações florestais como <em>a </em>Mata de Galeria e a Vereda são particularmente sensíveis, pois suas espécies não possuem adaptações para resistir às chamas e dependem de ambientes úmidos e sombreados para sobreviver (Fig. 4) [26]. O mesmo ocorre em áreas de Campo Rupestre e Cerrado Rupestre<em>,</em> que abrigam um grande número de espécies sensíveis ao fogo que sobrevivem em afloramentos rochosos onde a escassez de combustível natural impede a propagação das chamas (Fig. 4) [6, 9]. A invasão de espécies exóticas, especialmente gramíneas, que acumulam biomassa inflamável, tem aumentado a frequência e a intensidade dos incêndios em cumes de serras, colocando essas espécies em risco [9]. Compreender a distribuição dessas adaptações é, portanto, essencial para diferenciar o fogo ecológico do fogo predatório e para elaborar políticas de manejo que respeitem a diversidade funcional dos ecossistemas do Cerrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo espécies adaptadas ao fogo não estão preparadas para enfrentar o atual regime de incêndios antropogênicos [27]. Incêndios naturais, causados por raios, são raros e pouco frequentes, podendo levar anos ou décadas para que ocorram novamente na mesma área, permitindo a regeneração da vegetação. Incêndios criminosos, provocados pela ação humana, interrompem esse ciclo. Estima-se que 99% dos incêndios no Brasil sejam de origem antropogênica, frequentemente ligados ao desmatamento, à expansão agrícola e à negligência no manejo [28]. Esses incêndios ocorrem com frequência crescente, intensidade descontrolada e fora da sazonalidade natural [27, 29, 30]. De 1985 a 2022, os incêndios impactaram 40% (792.204 km²)do Ecodomínio Cerrado, com 63% dessa área queimada mais de uma vez [27]. Embora o atual governo brasileiro tenha conseguido reduzir o desmatamento no Cerrado em 25,77% em 2024, segundo o programa PRODES do INPE [31], esses dados não captam a degradação causada pelo fogo. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Incêndios recorrentes comprometem a estrutura ecológica dos ecossistemas, mesmo sem a remoção total da vegetação. Em 2024, o Cerrado registrou cerca de 14,6 milhões de hectares de terra queimada, o maior número desde 2012, revelando um colapso no regime ecológico do fogo [32]. É importante ressaltar que os povos indígenas não são responsáveis por esse cenário: ao contrário do que afirmam os negacionistas, eles manejam o fogo de forma controlada e criteriosa, baseada em conhecimentos tradicionais. Suas práticas envolvem queimadas de baixa intensidade, realizadas em épocas específicas do ano, com objetivos definidos e baseadas em indicadores naturais e conhecimento sofisticado que contribuem para a conservação da paisagem [29].</p>



<p class="wp-block-paragraph">Romper com os mitos que sustentam a devastação do Cerrado é mais do que um imperativo ecológico; é um gesto ético. Não se trata apenas de defender a vegetação que irá &#8220;renascer&#8221;, mas de reconhecer o colapso de um equilíbrio complexo que sustenta a biodiversidade, os modos de vida e a estabilidade climática. O fogo pode ser um aliado, mas quando fora de controle e alimentado por interesses econômicos predatórios, torna-se uma força de destruição. Há uma escolha política entre negar a complexidade e preservá-la. Essa escolha precisa ser feita com clareza e coragem. [33]</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Notas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">[1] Coutinho LM (2006). <a href="https://doi.org/10.1590/S0102-33062006000100002">O conceito de bioma</a>. <em>Acta Botanica Brasílica</em> 20: 13–23. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[2] Batalha MA (2011). <a href="https://doi.org/10.1590/S1676-06032011000100001">The Brazilian Cerrado is not a biome.</a> <em>Biota Neotropica</em> 11(1): 21–24. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[3] Silveira FAO (2025). <a href="https://doi.org/10.1007/s13280-025-02155-3">Seven ways to prevent biomism</a>. <em>Ambio</em>54: 1491–1495. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[4] Ribeiro JF, Walter BMT (2008). <a href="https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/570911/cerrado-ecologia-e-flora">As principais fitofisionomias do bioma Cerrado</a>. In: Sano SM, Ameida SP, Ribeiro JF (Eds) <em>Cerrado: Ecologia e Flora.</em> Embrapa-CPAC, Planaltina, DF. p. 151–212. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[5] Silveira FAO, Negreiros D, Barbosa NPU, Buisson E, Carmo FF, Carstensen DW, Conceição AA, Cornelissen TG, Echternacht L, Fernandes GW, Garcia QS, Guerra TJ, Jacobi CM, Lemos-Filho JP, Le Stradic S, Morellato LPC, Neves FS, Oliveira RS, Schaefer CE, Viana PL, Lambers H (2016). <a href="https://doi.org/10.1007/s11104-015-2637-8">Ecology and evolution of plant diversity in the endangered campo rupestre: A neglected conservation priority</a>. <em>Plant and Soil</em>403(1): 129–152. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[6] Pereira CC, Fernandes GW (2022a). <a href="https://doi.org/10.3897/natureconservation.49.89237">Cerrado Rupestre is not Campo Rupestre: The unknown and threatened savannah on rocky outcrops.</a> <em>Nature Conservation</em> 49: 131–136. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[7] Reatto A, Correia JR, Spera ST (1998). <a href="https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/570911/cerrado-ecologia-e-flora">Solos do Bioma do Cerrado: aspectos pedológicos.</a> In: Sano SM, Almeida SP (Eds) <em>Cerrado: Ambiente e Flora</em>. Embrapa/CPAC, Planaltina, DF. p. 47–86. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[8] Fernandes GW, Arantes-Garcia L, Barbosa M, Barbosa NPU, Batista EKL, Beiroz W, Resende FM, Abrahão A, Almada ED, Alves E, Alves NJ, Angrisano P, Arista M, Arroyo J, Arruda AJ, Bahia T de O, Braga L, Brito L, Callisto M, Caminha-Paiva D, Carvalho M, Conceição AA, Costa LN, Cruz A, Cunha-Blum J, Dagevos J, Dias BFS, Pinto VD, Dirzo R, Domingos DQ, Echternacht L, Fernandes S, Figueira JEC, Fiorini CF, Giulietti AM, Gomes A, Gomes VM, Gontijo B, Goulart F, Guerra TJ, Junqueira PA, Lima-Santos D, Marques J, Meira-Neto J, Miola DTB, Morellato LPC, Negreiros D, Neire E, Neves AC, Neves FS, Novais S, Oki Y, Oliveira E, Oliveira RS, Pivari MO, Junior EP, Ranieri BD, Ribas RP, Scariot A, Schaefer CE, Sena L, da Silva PG, Siqueira PR, Soares NC, Soares-Filho B, Solar R, Tabarelli M, Vasconcellos R, Vilela E, Silveira FAO (2020). <a href="https://doi.org/10.1016/j.pecon.2020.10.004">Biodiversity and ecosystem services in the Campo Rupestre: A road map for the sustainability of the hottest Brazilian biodiversity hotspot</a>. <em>Perspectives in Ecology and Conservation</em> 18: 213–222. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[9] Neves SPS, Conceição AA (2010). <a href="https://doi.org/10.1590/S0102-33062010000300013">Campo rupestre recém-queimado na Chapada Diamantina, Bahia, Brasil: Plantas de rebrota e sementes, com espécies endêmicas na rocha</a>. <em>Acta Botanica Brasílica</em> 24(3): 697–707. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[10] Flory SL, Ryan SJ, Taneja YV, Muñoz M, Hiatt D, Lippi CA, Allan BF (2025). <a href="https://doi.org/10.1093/biosci/biaf153">Impacts of plant invasions on tick-borne disease risk</a>. <em>BioScience</em> 75: biaf153. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[11] Klink CA, Machado RB (2005). <a href="https://doi.org/10.1111/j.1523-1739.2005.00702.x">Conservation of the Brazilian Cerrado.</a> <em>Conservation Biology</em> 19: 707–713. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[12] Strassburg BBN, Brooks T, Feltran-Barbieri R, Iribarrem A, Crouzeilles R, Loyola R, Latawiec AE, Oliveira Filho FJB, Scaramuzza CADM, Scarano FR, Soares-Filho B, Balmford A (2017). <a href="https://doi.org/10.1038/s41559-017-0099">Moment of truth for the Cerrado hotspot.</a> <em>Nature Ecology &amp; Evolution</em> 1: 0099. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[13] Nunes YRF, Souza CS, Azevedo IFPD, Oliveira OSD, Frazão LA, Fonseca RS, Santos RMD, Neves WV (2022). <a href="https://doi.org/10.1016/j.fecs.2022.100036">Vegetation structure and edaphic factors in veredas reflect different conservation status in these threatened areas</a>. <em>Forest Ecosystems</em>9: 100036.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[14] Beuchle R, Grecchi RC, Shimabukuro YE, Seliger R, Eva HD, Sano E, Achard F (2015). <a href="https://doi.org/10.1016/j.apgeog.2015.01.017">Land cover changes in the Brazilian Cerrado and Caatinga biomes from 1990 to 2010 based on a systematic remote sensing sampling approach</a>. <em>Applied Geography</em> 58: 116–127. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[15] Latrubesse EM, Arima E, Ferreira ME, Nogueira SH, Wittmann F, Dias MS, Dagosta FCP, Bayer M (2019). <a href="https://doi.org/10.1111/csp2.77">Fostering water resource governance and conservation in the Brazilian Cerrado biome.</a> <em>Conservation Science and Practice</em> 1: e77. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[16] Miola DTB, Marinho AP, Dayrell RLC, Silveira FAO (2019). <a href="https://doi.org/10.1016/j.pecon.2019.04.001">Silent loss: Misapplication of an environmental law compromises conservation in a Brazilian biodiversity hotspot</a>. <em>Perspectives in Ecology and Conservation</em> 17: 84–89. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[17] Vasconcelos MFD (2011). <a href="https://doi.org/10.1590/S0100-84042011000200012">O que são campos rupestres e campos de altitude nos topos de montanha do leste do Brasil? </a>Revista Brasileira de Botânica. <em>Brazilian Journal of Botany</em> 34: 241–246. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[18] Espírito-Santo MM, Fernandes GW, Barbosa RS, Anaya FC (2011). <a href="https://cienciahoje.org.br/edicao/288/#">Mata seca é mata atlântica?</a> <em>Ciência Hoje</em> 288: 74–76.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[19] PR (Presidência da República) (2012). <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm">Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012.</a> </p>



<p class="wp-block-paragraph">[20] Metzger JP, Bustamante MMC, Ferreira J, Fernandes GW, Librán-Embid F, Pillar VD, Prist PR, Rodrigues RR, Vieira ICG, Overbeck GE (2019. <a href="https://doi.org/10.1016/j.pecon.2019.07.002">Why Brazil needs its Legal Reserves. </a><em>Perspectives in Ecology and Conservation</em>17: 91–103.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[21] Coutinho LM (1982). <a href="https://doi.org/10.1007/978- 3-642-68786-0_13">Ecological effects of fire in Brazilian cerrado</a>. In: Huntley BJ, Walker BH (Eds) <em>Ecology of Tropical Savanas</em>. Springer, Berlim, Alemanha. p. 273–291. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[22] Durigan G, Ratter JA (2016). <a href="https://doi.org/10.1111/1365-2664.12559">The need for a consistent fire policy for Cerrado conservation</a>. <em>Journal of Applied Ecology</em> 53: 11–15. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[23] Pivello VR, Martins M, Christianini AV, Carmignotto AP, Gomes BF, Fidelis A (2025). <a href="https://doi.org/10.1007/978-3-031-89372-8_5">Fire in the Cerrado.</a> In: Fidelis A, Pivello VR (Eds), F<em>ire in the South American Ecosystems</em>. Springer Nature, Cham, Suiça. p. 113–155. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[24] Veldman JW, Buisson E, Durigan G, Fernandes GW, Le Stradic S, Mahy G, Negreiros D, Overbeck GE, Veldman RG, Zaloumis NP, Putz FE, Bond WJ (2015a). T<a href="https://doi.org/10.1890/140270">oward an old‐growth concept for grasslands, savannas, and woodlands. </a><em>Frontiers in Ecology and the Environment</em> 13: 154–162. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[25] Zupo T, Daibes LF, Pausas JG, Fidelis A (2021) Post‐fire regeneration strategies in a frequently burned Cerrado community. <em>Journal of Vegetation Science</em> 32: e12968. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[26] Nunes YRF, Souza CS, Azevedo IFPD, Oliveira OSD, Frazão LA, Fonseca RS, Santos RMD, Neves WV (2022). <a href="https://doi.org/10.1016/j.fecs.2022.100036">Vegetation structure and edaphic factors in veredas reflect different conservation status in these threatened areas.</a> <em>Forest Ecosystems</em>9: 100036. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[27] da Silva Arruda VL, Alencar AAC, de Carvalho Júnior OA, de Figueiredo Ribeiro F, de Arruda FV, Conciani DE, da Silva WV, Shimbo JZ (2024). <a href="https://doi.org/10.1186/s42408-024-00298-4">Assessing four decades of fire behavior dynamics in the Cerrado biome (1985 to 2022)</a>. <em>Fire Ecology</em> 20: 64. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[28] Agência Brasil (2024). <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-09/monitoramento-mostra-que-99-dos-incendios-sao-por-acao-humana">Monitoramento mostra que 99% dos incêndios são por ação humana. </a></p>



<p class="wp-block-paragraph">[29] Pivello VR (2011). <a href="https://doi.org/10.4996/fireecology.0701024">The use of fire in the Cerrado and Amazonian rainforests of Brazil: Past and present.</a> <em>Fire Ecology</em> 7: 24–39. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[30] Diele-Viegas LM, Sales LP, Hipólito J, Amorim C, Pereira EJAL, Ferreira P, Folta C, Ferrante L, Fearnside PM, Malhado AC, Rocha CFD, Vale MM (2022). <a href="https://doi.org/10.7717/peerj.14276">We’re building it up to burn it down: Fire occurrence and fire-related climatic patterns in Brazilian biomes</a>. <em>PeerJ</em>10: e14276. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[31] INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) (2025). PRODES: Annual rates and suppression of native vegetation, in the sections, biomes of Brazil and Legal Amazon.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[32] WWF (World Wide Fund for Nature) (2024). <a href="https://www.wwf.org.br/?90521/Year-to-date-wildfires-b">Year-to-date, wildfires break record in Brazilian biomes. </a></p>



<p class="wp-block-paragraph">[33] Este texto é traduzido de: Pereira, C.C., W. Kenedy-Siqueira, L.R. Maia, V.F. Sperandei, L. Arantes-Garcia, S. Fernandes, G.F.C. Fernandes, G.C. de Castro, D.J. Rodrigues, R. Salm &amp; P.M. Fearnside. 2026. T<a href="https://doi.org/10.3897/natureconservation.61.168273">he Cerrado crisis review: highlighting threats and providing future pathways to save Brazil&#8217;s biodiversity hotspot.</a> <em>Nature Conservation</em> 61: 29–70. <a href="https://doi.org/10.3897/natureconservation.61.168273.suppl1">Supplementary material</a>.</p>





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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cássio Cardoso Pereira </strong>é doutorando em ecologia, conservação e manejo da vida silvestre na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É mestre em ecologia pela Universidade Federal de São João del-Rei e graduado em Ciências Biológicas (Ênfase em Conservação da Biodiversidade) pela Universidade Federal de Viçosa. Está ligado ao Knowledge Center for Biodiversity &amp; Departamento de Genética, Ecologia e Evolução, da UFMG. Para mais informações, acesse: https://cassiocardosopereira.com</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Walisson Kenedy Siqueira </strong>possui graduação e mestrado ciências biológicas pela Universidade Estadual de Montes Claros em doutor em ecologia, manejo e conservação da vida silvestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É integrante do Laboratório de Ecologia, Evolução e Biodiversidade da UFMG e do Knowledge Center for Biodiversity &amp; Departamento de Genética, Ecologia e Evolução. Tem experiência na área ecologia de comunidades, interação inseto-planta e ecologia de sementes. <strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lara Ribeiro Maia </strong>é Técnica em Administração pelo Instituto Federal de Minas Gerais &#8211; Campus Sabará e atualmente é Graduanda em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse na área de ecologia, animais silvestres, educação ambiental, impactos ambientais e micologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Vinícius da Fontoura Sperandei </strong>possui licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de São João Del-Rei, mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de São João Del-Rei e doutorado em Ciências pelo Programa em Ecologia e Recursos Naturais da Universidade Federal de São Carlos. Atualmente é professor da Universidade de Rio Verde. Suas pesquisas são na área de Ecologia, principalmente sobre herpetofauna e ecologia subterrânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lucas Arantes-Garcia </strong>possui gradução em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente está na Escola de Ciências e Meio Ambiente, Memorial University of Newfoundland, Corner Brook, NL, Canadá. Possui interesse em invasões biológicas, serviços ecossistêmicos, valoração ambiental, mudanças globais e interações inseto-planta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Stephannie Fernandes</strong><sup> </sup>é aluna de doutorado na Florida International University, Miami, FL, E.U.A. As suas pesquisas estão na área de ecologia política, visando descobrir como os arranjos institucionais e as diferentes partes interessadas se relacionam com o desenvolvimento e a conservação dos recursos hídricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriela França Carneiro Fernandes </strong>possui licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e atualmente é Mestranda em Ecologia, pela Universidade Federal de São João del-Rei. Ela participa do projeto de pesquisa “Ecossistemas de Referência”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gislene Carvalho de Castro</strong> possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Montes Claros e mestrado e doutorado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras. Atualmente é.Professora titular da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Atua na área de ecologia vegetal e restauração ecológica de ecossistemas, com ênfase em trabalhos relacionados a corredores ecológicos de valo. Coordena o projeto de extensão &#8221;Restaurar&#8221; que objetiva a restauração ecológica de ambientes degradados e atua em projetos relacionados ao Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Domingos de Jesus Rodrigues </strong>possui graduação em Ciências Biológicas e mestrado em Ecologia e Conservação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e tem doutorado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. É professor Titular da Universidade Federal de Mato Grosso em Cuiabá. Suas pesquisas focam a biologia reprodutiva de anuros (sapos). É colaborador do Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso, ICMBio, e a Polícia Federal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Rodolfo Aureliano Salm </strong>formou-se em Biologia pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo e fez doutorado em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Atualmente é Professor Adjunto III da Faculdade de Biologia da Universidade Federal do Pará, campus de Altamira. Pesquisa na área de ecologia de ecossistemas, atuando principalmente no estudo da dinâmica natural e da conservação das florestas tropicais. Tem estudado tanto a ecologia quanto o aproveitamento econômico de palmeiras nativas e exóticas na Terra Indígena Kayapó, sul do Pará.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Philip Martin Fearnside</strong>&nbsp;é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis&nbsp;<a href="http://philip.inpa.gov.br/">aqui</a>.</p>
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		<title>Garimpo em Jacareacanga: espaço, minero-dependência e reconfigurações na Amazônia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 18:09:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A desintrusão da Terra Indígena Munduruku representou um momento crucial de reconfiguração territorial, mas a retirada física de garimpeiros não encerrou o conflito. A ação inaugurou novas dinâmicas e pressões, tais como desestruturação de cadeias econômicas informais associadas ao garimpo e aumento de atuação de facções criminosas no território urbano. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O garimpo ilegal em Jacareacanga, no sudoeste do Pará, deve ser compreendido como um fenômeno territorial complexo, que extrapola a dimensão econômica da extração aurífera e se inscreve como elemento estruturante da produção do espaço na Amazônia contemporânea. Inserido no Vale do Tapajós, o município encontra-se em uma zona de fricção permanente entre territórios tradicionalmente ocupados pelo povo Munduruku, unidades de conservação ambiental, interesses empresariais e redes ilícitas articuladas à economia do ouro. Nesse contexto, o território não pode ser reduzido a suporte físico da atividade minerária, mas precisa ser analisado como construção social e política, atravessada por relações de poder, conflitos e processos contínuos de territorialização, desterritorialização e reterritorialização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dinâmica do garimpo em Jacareacanga está profundamente conectada à centralidade logística de Itaituba, cidade que funciona como polo estruturador do circuito espacial do ouro. É ali que se concentram serviços bancários de grande porte, estabelecimentos de compra e refino do metal, comércio especializado em insumos e equipamentos, rede hoteleira e empresas de transporte que viabilizam a manutenção das frentes de lavra. O fluxo constante de caminhões transportando óleo diesel, carretas carregando escavadeiras e caminhonetes com mantimentos revela a existência de um corredor logístico consolidado entre Itaituba e Jacareacanga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal corredor opera com baixa fiscalização estatal, evidenciando fragilidades no controle territorial e permitindo a circulação sistemática de mercadorias essenciais à expansão garimpeira. Assim, o garimpo ilegal não se apresenta como atividade isolada ou marginal, mas como prática integrada a circuitos econômicos regionais e, indiretamente, ao mercado global do ouro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse arranjo territorial consolidou ao longo das últimas décadas um modelo de minero-dependência. A economia urbana de Jacareacanga passou a gravitar em torno da renda proveniente do garimpo, direta ou indiretamente. Comércio, transporte, hospedagem, oficinas mecânicas e serviços diversos tornaram-se funcionalmente dependentes da circulação de recursos gerados pela atividade extrativa. Essa dependência revelou sua face mais frágil com as operações de desintrusão realizadas em terras indígenas e áreas protegidas, que resultaram na destruição de balsas, maquinários e acampamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A retração abrupta da atividade provocou queda significativa na movimentação econômica local, expondo a ausência de alternativas produtivas capazes de sustentar a dinâmica urbana. O que antes era percebido como motor econômico mostrou-se base instável e vulnerável, incapaz de garantir desenvolvimento duradouro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista socioambiental, o garimpo mecanizado constitui uma forma intensiva de produção capitalista do espaço amazônico. A abertura de clareiras, a construção de ramais, a instalação de pistas clandestinas e o uso de maquinário pesado transformam rapidamente a paisagem florestal. A remoção da cobertura vegetal e o revolvimento do solo intensificam processos erosivos, favorecem o assoreamento de rios e igarapés e alteram a dinâmica hidrossedimentar. A turbidez das águas observada em áreas como São José expressa materialmente o despejo contínuo de sedimentos e rejeitos nos corpos d’água. A isso soma-se o uso de mercúrio na separação do ouro, que se converte em metilmercúrio e bioacumula na cadeia alimentar, contaminando peixes e afetando diretamente populações indígenas e ribeirinhas que dependem do pescado como base de subsistência. Trata-se de um quadro evidente de injustiça ambiental, no qual os benefícios econômicos concentram-se em redes empresariais e intermediários, enquanto os custos ecológicos e sanitários recaem sobre populações historicamente vulnerabilizadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A desintrusão da Terra Indígena Munduruku representou um momento crucial de reconfiguração territorial. Contudo, a retirada física de garimpeiros não encerra o conflito, mas inaugura novas dinâmicas. Observou-se deslocamento de parte da população indígena para a sede urbana de Jacareacanga, ampliando a pressão sobre infraestrutura precária e serviços públicos limitados. A desestruturação de cadeias econômicas informais associadas ao garimpo, somada à ausência de políticas estruturantes de apoio à produção sustentável nas aldeias, contribuiu para o aumento da vulnerabilidade social. Paralelamente, o enfraquecimento da economia aurífera abriu espaço para a atuação de facções criminosas no território urbano, evidenciando a convergência entre diferentes mercados ilícitos, como ouro, drogas e armas. O território passa, assim, a ser disputado não apenas entre Estado e garimpeiros, mas também por organizações criminosas que exploram o vácuo institucional e a fragilidade socioeconômica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A possível instalação de empreendimentos minerários empresariais na região introduz nova camada de complexidade. A transição de um garimpo pulverizado e ilegal para uma exploração corporativa formalizada pode alterar a escala e a intensidade da intervenção territorial. Ainda que a formalização seja apresentada como solução para a ilegalidade, ela não elimina automaticamente os impactos socioambientais nem resolve conflitos históricos relacionados à proximidade com terras indígenas e unidades de conservação. A produção corporativa do espaço, se não submetida a rigoroso controle ambiental e a mecanismos efetivos de participação social, pode intensificar a pressão sobre ecossistemas sensíveis e reproduzir desigualdades estruturais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A realidade de Jacareacanga evidencia também os limites da escala municipal para enfrentar problemas dessa magnitude. O município sofre com restrições logísticas severas, altos custos de transporte e baixa capacidade financeira, fatores que dificultam a implementação de projetos de diversificação econômica e recuperação ambiental. A dependência histórica do garimpo bloqueou o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis, como agricultura familiar, extrativismo não madeireiro e iniciativas de bioeconomia. O enfrentamento do garimpo ilegal exige, portanto, abordagem multiescalar que articule governo federal, governo estadual, órgãos ambientais, sistema de justiça, universidades e, sobretudo, povos indígenas e comunidades locais como protagonistas da gestão territorial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caso de Jacareacanga sintetiza tensões centrais da Amazônia contemporânea. De um lado, a lógica de fronteira extrativa, baseada na apropriação intensiva de recursos naturais e na rápida circulação de capitais; de outro, a necessidade de proteger territórios indígenas, conservar ecossistemas estratégicos e construir alternativas de desenvolvimento socialmente justas e ambientalmente sustentáveis. O garimpo ilegal, ao reorganizar fluxos e produzir dependências, revela-se incapaz de promover estabilidade territorial ou bem-estar coletivo duradouro. Ao contrário, aprofunda desigualdades, degrada ecossistemas e fragiliza instituições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Superar esse quadro exige romper com o ciclo recorrente de expansão ilegal, repressão pontual e retorno da atividade. A desintrusão é condição necessária para a proteção territorial, mas não suficiente para reestruturar economias locais e garantir justiça socioambiental. É imprescindível investir em políticas públicas de longo prazo que promovam diversificação produtiva, restauração ambiental, fortalecimento institucional e protagonismo das populações tradicionais na gestão de seus territórios. Somente a partir de uma estratégia integrada será possível transformar Jacareacanga de território marcado pela minero-dependência e pela instabilidade em espaço de construção de alternativas sustentáveis na Amazônia brasileira.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Este artigo foi publicado com exclusividade no site da Amazônia Real.</em> <em>Aiala Couto é um dos autores do relatório </em><a href="https://institutomaecrioula.org/o-circuito-espacial-do-garimpo-ilegal-no-pos-desintrusao-reconfiguracoes-territoriais-e-conflitos-na-terra-indigena-munduruku-pa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>&#8220;O Circuito Espacial do Garimpo Ilegal no Pós-Desintrusão&#8221;</em>.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>O alemão da Volks na Amazônia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 May 2026 23:10:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[A Amazônia segundo Lúcio Flávio Pinto]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[Gado]]></category>
		<category><![CDATA[Lúcio Flávio Pinto]]></category>
		<category><![CDATA[Mato Grosso]]></category>
		<category><![CDATA[Pecuária]]></category>
		<category><![CDATA[Volks]]></category>
		<category><![CDATA[Volkswagen]]></category>
		<category><![CDATA[Wolfgang Sauer]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lúcio Flávio Pinto resgata a história de Wolfgang Sauer (1930-1913), ex-presidente da Volks no Brasil na década de 70. Sua gestão foi marcada por ter se adaptado à conjuntura política e econômica da ditadura militar e da ocupação da Amazônia, com um grande projeto de criação de gado e beneficiamento de carne, que resultou em um empreendimento mal sucedido.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A exploração da mão de obra é uma mácula de milhares de casos registrados na Amazônia. Desde o primeiro momento da chegada do colonizador europeu até hoje, a escravização de nativos por estrangeiros utiliza métodos nefandos de contratação de trabalhadores que, chegados aos locais que deles têm necessidade, tentam se livrar do que consideram um abuso: a reivindicação de direitos sociais e legais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1759, por exemplo, um desses produtores informava à Secretaria da Capitania do Grão-Pará “sobre revolta e fuga de índios das roças”. Em 1766, na vila de Barcelos do rio Negro, o peticionário argumentava que “por falta de quinquilharias, torna-se difícil a atração de índios para ol serviço”. Era preciso recorrer ao intermediário (o “gato” de hoje capaz de promover atração equivalente para atrair trabalhadores. Oferecendo-lhes o que seria normal (como o pagamento dos dias trabalhadores), mas violando a relação impondo-a através da violência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse mesmo acontecimento é relatado em uma longa reportagem escrita por Angélica Santa Cruz na última edição da revista&nbsp;<em>Piauí.</em>&nbsp;<a href="https://piaui.uol.com.br/web/o-passado-brutal-da-volkswagen-na-amazonia/">Vale a pena ler</a>. Acrescento uma matéria que escrevi no ano passado<br><br>________________________________________ &nbsp;</p>





<p class="wp-block-paragraph">Em 1973 Wolfgang Sauer foi chamado para conversar com os executivos alemães da Volkswagen na sede alemã da empresa. Voltou como o chefe da maior fábrica de automóveis em funcionamento do hemisfério sul, instalada em São Paulo. O alemão de Stuttgart estava há 12 anos no Brasil. Chegou no ano traumático de 1961, marcado pela crise de poder desencadeada pela renúncia do presidente Jânio Quadros (o mais votado até então) e a reação militar à posse do vice-presidente, João Goulart.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de 10 anos de peregrinação entre Portugal e a Venezuela, Sauer seria o diretor comercial da multinacional alemã Bosch. O novo posto era um salto: de fabricante de autopeças se tornaria montador de automóveis. A ambição de Sauer, porém, era muito maior: queria ser um dia presidente mundial da Volkswagen.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele divisou a oportunidade ainda em 1973, quando foi a Brasília conversar, a convite do então ministro do interior, Rangel Reis. O ministro lhe disse que o governo federal queria mudar a diretriz da ocupação da Amazônia. Desde o início da construção da Transamazônica, três anos antes, a ênfase era na colonização. Lavradores nordestinos, atingidos pela grande seca de 1970, eram levados para as margens da grande rodovia de penetração e assentados em lotes de 100 hectares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa política, de objetivos sociais, não atendia mais à prioridade definida pelo terceiro governo militar desde o golpe de estado de 1964: tornar a Amazônia uma fonte de divisas para o país. Para isso, seria preciso atrair grandes investidores privados, nacionais e estrangeiros, para acelerar a ocupação territorial e a produção de mercadorias de aceitação e competitividade nacional e internacional. O empresário passaria a ser o parceiro preferencial do governo, não mais os colonos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não passou pela cabeça de Sauer instalar uma filial da Volks na selva amazônica. O que ele concebeu na hora foi um grande projeto de criação de gado e beneficiamento de carne. Com tecnologia de ponta e capital intensivo, o empreendimento podia alcançar escala econômica suficiente para vencer as distâncias dos grandes centros consumidores e superar as desvantagens de uma zona pioneira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conseguiu convencer os dirigentes alemães da Volks a embarcar numa aventura inteiramente nova em seus mais de 40 anos de história de sucesso: ao invés de continuar a lidar com veículos automotores, a Volks iria tratar de boi na&nbsp;jungle&nbsp;selvagem. Se os êxitos se repetissem, Wolfgang Sauer teria credenciais para se apresentar como pretendente ao topo da direção de uma das maiores multinacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo deu errado, como ele admite em seu recente livro de memórias, nada modestamente intitulado&nbsp;&#8220;O homem Volkswagen – 50 anos de Brasil&#8221;&nbsp;(Geração Editorial, São Paulo, 2012, 527 páginas). Mas parecia que tudo daria certo. A Volks comprou uma área de quase 140 mil hectares no sul do Pará, a pouca distância dos limites com Mato Grosso e o atual Tocantins. Laudos de dois institutos alemães atestavam a qualidade do solo e a aptidão para a pecuária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sauer reuniu sócios poderosos na indústria e na atividade financeira, brasileiros e estrangeiros – quase todos céticos sobre a iniciativa, mas confiantes no aval do executivo. Implantou a fazenda e, em seguida, o frigorífico. Colocou 60 mil cabeças de gado nos pastos, com exemplares de Nelore cruzados com outras raças europeias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o caminho já estava aberto e a produção em série, começaram as reações. Primeiro na Alemanha, por parte de ecologistas, com o forte apoio do Partido Verde. Depois em outras paragens do mundo e também no Brasil. A Volks estava destruindo a natureza e eliminando o oxigênio do planeta, impedindo a Amazônia de funcionar como pulmão do mundo. Toda a humanidade seria vítima dessa devastação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando políticos e militantes alemães ameaçaram boicotar os carros da Volks, a direção da empresa se alarmou. Sauer foi chamado e recebeu a ordem de passar em frente o projeto amazônico. Tudo tão às pressas e sem uma checagem nos argumentos dos críticos que o comprador escolhido deu um tombo na poderosa indústria alemã: pagou apenas a primeira parcela da venda, retirou o gado e sumiu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Volks teve que encontrar outro dono. A partir de então a Fazenda Vale do Rio Cristalino se desfez. Por incompreensão ou má fé dos que a combateram. Talvez as duas coisas juntas. Mais um dos grandes projetos de ocupação e modernização da Amazônia, para colocá-la no mercado mundial, fracassou. Como, antes, a plantação de borracha de Henry Ford e de arroz de Daniel Ludwig.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a história não é bem essa, ou não é só essa que Sauer conta. Ele não faz a menor referência à autuação que a fazenda sofreu do IBDF (Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal), antecessor do Ibama, três anos após o início do projeto. A Volks desmatou em 1976 sem pedir licença ao instituto, que só descobriu o fato quando uma imagem feita pelo satélite Skylab identificou uma queimada, a maior até então registrada documentalmente pelo homem. Espantados pela extensão do incêndio, os cientistas da Nasa enviaram a imagem para seus colegas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de São Paulo. A fotografia do satélite engendrou escândalo d e dimensões internacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Volks se defendeu alegando que a Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia), ao aprovar seu projeto agropecuário, autorizara também a execução do que estava previsto, o que exigia o desmatamento. Logo, estava legal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o IBDF sustentou que a empresa precisava de uma autorização específica para fazer a derrubada. Sem essa licença, tinha que ser multada. A multa, incidindo sobre cada árvore queimada ou derrubada, chegava a valor superior ao do próprio empreendimento. Estabeleceu-se intensa celeuma. Ao final, a multa foi mantida, mas não foi aplicada. A Volks já estava saindo da área e retornando apenas ao que sabe fazer: veículos automotores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi mesmo só incompreensão a causa desse final desastroso? Claro que não. A resposta estava na forma de encarar a região na qual a poderosa multinacional pretendia se estabelecer. Ao invés de investir contra a floresta, que dominava a paisagem, como o próprio Sauer admite nas suas memórias, devia se posicionar a favor da floresta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, não teria provocado o desastre ambiental de que foi acusada, com toda razão. É o que hoje faria um empreendedor consciente. Mas não naquela época, em que a palavra de ordem era desenvolvimento e não ecologia, se defende Sauer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é a sua figura de visionário, além e acima do seu tempo, a imagem que o livro projeta, com sua cara made by&nbsp;Hans Donner, o mago do design da TV Globo, e o prefácio de Delfim Netto, o sacerdote tecnocrata do desenvolvimento daqueles idos? Talvez Wolfgang Sauer tenha sido visionário no polo industrial paulista, o maior do continente. Na selva amazônica ele foi um devastador.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/09/trabalho-escravo-VW-slide.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/09/trabalho-escravo-VW-slide-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-162979" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/09/trabalho-escravo-VW-slide-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/09/trabalho-escravo-VW-slide-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/09/trabalho-escravo-VW-slide-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/09/trabalho-escravo-VW-slide-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/09/trabalho-escravo-VW-slide-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/09/trabalho-escravo-VW-slide.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Imagem da visita parlamentar de 1983 mostra um trabalhador fugido da Fazenda Volkswagen dentro da caminhonete, após seri capturado pelo “gato” Abilão (Foto: Arquivo pessoal/Expedito Soares).</sub></em></figcaption></figure>





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		<title>“Gostoso Veneno”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto César Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2026 21:33:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quando eu perder a capacidade de indignar-me ante a hipocrisia e as injustiças deste mundo, enterre-me: por certo que já estou morto. (Augusto Branco – Manauara. Jornalista e Dramaturgo Brasileiro)</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A dinâmica seducionista, maliciosa estratégia de administrações ditas públicas sobre populações desavisadas, faz lembrar a antítese poética de Nei Lopes e Wilson Moreira cantada por Alcione. Em termos figurativos, no caldeirão de datas comemorativas, guloseimas festeiras entorpecem populações dependentes de saborizações politiqueiras cujos resultados viciam paladares, alienam mentes e o desfecho são perdas de autonomia, graves doenças seguidas de óbitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente abordagem traz problematizações pertinentes à situação/condição alimentar física e mental do povo brasileiro a partir de impositivos ideológicos embasados em aliancismos: mercado, gestões administrativas e analfabetismo político-social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lá atrás, correntes e setores comprometidos com uma qualidade de vida saudável insistem na implantação do protocolo “Brasil sem Fome” relacionado à Segurança Alimentar e Nutricional. A estratégia se volta ao “enfrentamento à insegurança alimentar e nutricional e erradicação da fome”. Por esse olhar destaca-se o projeto “Comida de Verdade nas Escolas do Campo e da Cidade”, que propõe a inclusão de produtos da agricultura familiar no Programa Nacional de Alimentação Escolar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sob a lógica do projeto tende-se acreditar que a “comida de verdade” venha dos elementos/elementais gerados no originário Ventre da Mãe Terra: frutos, sementes, verduras e demais nutrientes necessários e fundamentais à saúde – Direito Universal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, há profundas contradições! Os conceitos – comida e alimentação – divergem semanticamente. Segundo Hipócrates, Pai da Medicina, Comida é tudo o que se ingere indiscriminadamente por necessidade ou imposição cultural; Alimento é o que anima, aduba, nutri, evolui e dialoga com a alma. Por essa trilha, o Médico Grego viveu mais de 400 anos com plena saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sob as pegadas de Hipócrates, Mahatma Ghandi declarava: “A sede do paladar não está na língua, mas na razão”. O Líder Indiano viveu em plena saúde até aos 75 anos, quando foi assassinado por defender direitos universais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fatos e testemunhos diários confirmam: a comida fantasiada “de verdade” é pura mentira: é um “gostoso veneno” viciante; droga lícita mascarada de nutrição sob acordos sistêmicos com foco na lucratividade laboratorial a partir de adoecimentos generalizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A sedução estruturante está “discunforme grande”!&#8230; Intenções politicosas envenenam mentes, paladares de populações desvalidas, desatentas: crianças, adolescentes, jovens, idosXs&#8230; A magia é saborizada por refrigerantes, embutidos, processados, ultraprocessados, &nbsp;gorduras hidrogenadas, emulsificantes, fast-food e outras drogas sob disfarces de celebrações até mesmo de caráter religioso, como a páscoa! Por falar em páscoa, o chocolate tem sido a máscara adocicada para camuflar a fome física, intelectual, emocional e até espiritual instalada entre as categorias marginalizadas e vulnerabilizadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quantas crianças são envenenadas com falsos chocolates durante a páscoa!&#8230; Alguém assume a responsabilidade pela saúde dessas crianças?&#8230; Há prestação de contas sobre tais investimentos retirados de recursos públicos?&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O jogo seducionista avança. A meta é a conquista de poder, domínio a partir da proliferação em massa do analfabetismo político social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E no meio de toda a balbúrdia as intenções agora se voltam às mães cuja estratégia seducionista legitima homenagens com panelas, pratos, fogões, ferros de engomar, máquinas de lavar, assadeiras, liquidificadores, batedeiras e outras bugigangas similares ao universo da exploração doméstica sobre as mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ah, sim! Sorteio de carro!</p>



<p class="wp-block-paragraph">E a ingenuidade (padrão singular da mulherada submissa, carente, dependente&#8230;) submete-se ao comando determinista: aglomera os espaços, perde o próprio tempo, atrai adoecimentos sem percepções racionais de que as cartas já estão marcadas!&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antídotos interventivos???&#8230; O Educador Paulo Freire aponta o caminho: “Somente a educação crítica é a futuridade revolucionária&#8230; portadora de esperança”.</p>





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		<title>A crise do Cerrado em revisão: – 2: desmatamento desenfreado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 May 2026 19:57:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Cerrado perdeu aproximadamente 380.000 km² de vegetação nativa, o equivalente a 19% de sua cobertura original nesse período. A devastação concentrou-se especialmente na região do MATOPIBA, a principal área de expansão da fronteira agrícola nacional nos últimos anos. Artigo da série sobre o Cerrado detalha sobre essa situação.</p>
<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/a-crise-do-cerrado-em-revisao-2-desmatamento-desenfreado/">A crise do Cerrado em revisão: – 2: desmatamento desenfreado</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Cássio Cardoso Pereira, Walisson Kenedy-Siqueira, Lara Ribeiro Maia, Vinícius da Fontoura Sperandei, Lucas Arantes-Garcia, Stephannie Fernandes, Gabriela França Carneiro Fernandes, Gislene Carvalho de Castro, Domingos de Jesus Rodrigues, Rodolfo Salm e Philip M. Fearnside</strong></p>





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<p class="wp-block-paragraph">O Cerrado é o segundo maior Ecodomínio da América do Sul, depois da Amazônia, com uma área original de aproximadamente 2 milhões de km² (Fig. 1A, ver <a href="http://philip.inpa.gov.br/publ_livres/Dossie/Outros/Cerrado/Quadro-1.pdf">Quadro 1 </a>e <a href="http://philip.inpa.gov.br/publ_livres/Dossie/Outros/Cerrado/Quadro-2">Quadro 2</a> para definições). A maior parte dessa área está localizada no Brasil, que representa aproximadamente 98% da cobertura total, enquanto pequenas porções se estendem também pela Bolívia e Paraguai. Em território brasileiro, o Cerrado ocupa aproximadamente 23% da superfície nacional [1] (Fig. 1B). Reconhecido como um hotspot global de biodiversidade [2], o Ecodomínio abriga milhares de espécies endêmicas e desempenha um papel crucial na manutenção das principais bacias hidrográficas brasileiras [1]. Apesar de sua enorme importância, o Cerrado vem sofrendo pressões cada vez mais intensas, principalmente devido à expansão urbana e agrícola, incêndios recorrentes, mineração e especulação imobiliária. Estima-se que mais de 55% de sua vegetação nativa já tenha sido destruída, totalizando mais de 1.000.000 km²,convertida em pastagens, monoculturas e áreas urbanas, especialmente nas últimas cinco décadas [3]. Esse processo se intensificou a partir da década de 1980, marcando o início de uma fase acelerada de conversão antrópica. Segundo dados do MapBiomas [4], entre 1985 e 2023, o Cerrado perdeu aproximadamente 380.000 km² de vegetação nativa, o equivalente a 19% de sua cobertura original nesse período (Fig. 2). A devastação concentrou-se especialmente na região do MATOPIBA (que compreende os estados brasileiros do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que se tornou o principal eixo de expansão da fronteira agrícola nacional nos últimos anos, embora outras regiões do Cerrado tenham experimentado taxas de desmatamento mais elevadas em meados da década de 1980 [3].</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-1-copiar.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="724" height="1024" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-1-copiar-724x1024.jpg" alt="" class="wp-image-172919" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-1-copiar-724x1024.jpg 724w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-1-copiar-212x300.jpg 212w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-1-copiar-768x1086.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-1-copiar-1086x1536.jpg 1086w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-1-copiar-1448x2048.jpg 1448w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-1-copiar-150x212.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 724px) 100vw, 724px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup><strong>Figura 1.</strong> Extensão original do Ecodomínio Cerrado, com aproximadamente 2.000.000 km², cobrindo principalmente o Brasil (98% de sua área) e pequenas porções da Bolívia e do Paraguai (A); e o Cerrado brasileiro inserido entre os demais Ecodomínios do país (B). Esses mapas foram elaborados utilizando o shapefile do Cerrado desenvolvido por Cássio Cardoso Pereira, que incorpora limites refinados do Ecodomínio, juntamente com uma adaptação dos shapefiles de ecorregiões de Dinerstein et al. [5]. Design da figura: Cássio Cardoso Pereira.</sup></em></figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="724" height="1024" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-2-724x1024.jpg" alt="" class="wp-image-172920" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-2-724x1024.jpg 724w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-2-212x300.jpg 212w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-2-768x1086.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-2-1086x1536.jpg 1086w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-2-1448x2048.jpg 1448w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-2-150x212.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 724px) 100vw, 724px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup><strong>Figura 2</strong>. Uso e cobertura da terra (UCT) no Ecodomínio Cerrado em 1985 e 2023, revelando mudanças significativas na estrutura espacial do território. Observa-se uma intensificação das atividades humanas, com ênfase na expansão agrícola, que resultou na substituição significativa da vegetação nativa por usos alternativos. Esse processo representa uma transformação acelerada da paisagem nas últimas quatro décadas. Esses mapas foram elaborados utilizando o shapefile do Cerrado desenvolvido por Cássio Cardoso Pereira, com dados de UCT disponíveis em MapBiomas [4]. Desenho da figura: Cássio Cardoso Pereira.</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Com base em dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) [6], a história da devastação no Cerrado revela uma trajetória alarmante de perda de vegetação nativa nas últimas décadas. Desde o início do monitoramento sistemático em 2001, o Cerrado perdeu mais de 326.000 km² decobertura vegetal nativa — uma área equivalente a quase todo o território da Itália (Fig. 3). Entre 2001 e 2012, as taxas anuais de desmatamento variaram de 8.976,17 a 28.766,81 km<sup>².</sup> Os dois primeiros anos registraram 26.933,02 km² de desmatamento, seguidos por picos de 28.766,81 km² em2003 e 2004. A partir de 2005, houve uma tendência de queda sustentada, com uma redução de 41,27% até 2010: de 16.878,78 km² para 9.910,35 km².Nos dois anos seguintes, 2011 e 2012, o desmatamento atingiu o nível mais baixo da década, com 8.976,17 km². No entanto, a partir de 2019, observou-se uma nova escalada: em 2020, foram desmatados 7.905,16 km²;em 2021, 8.531,44 km²;e em 2022, 10.688,73 km<sup>²</sup>. Em 2023, atingiu-se o pico recente de 11.011,69 km².Somente em 2024 observou-se uma redução de 25,77%, com 8.174,17 km² desmatados, ainda uma das maiores taxas da série histórica. Em 2025, o desmatamento caiu para 7.235,27 km²,representando uma redução de 11,49% em comparação com o ano anterior, sinalizando uma possível desaceleração da devastação (Fig. 3). Embora as taxas anuais de desmatamento tenham diminuído recentemente, é importante lembrar que cada nova área desmatada aumenta o total acumulado da perda ambiental. Isso significa que o Cerrado continua a encolher, ainda que em ritmo mais lento. Portanto, o objetivo ideal seria eliminar completamente o desmatamento.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-3-.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="566" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-3--1024x566.png" alt="" class="wp-image-172915" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-3--1024x566.png 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-3--300x166.png 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-3--768x425.png 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-3--1536x849.png 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-3--2048x1132.png 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Figure-3--150x83.png 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup><strong>Figura 3.</strong> Desmatamento anual no Cerrado (2001–2025) segundo o PRODES [6]. As barras representam a área total desmatada a cada ano (km²), com cores variando do laranja escuro (valores mais altos) ao laranja claro (valores mais baixos), indicando a variação relativa na intensidade. As setas indicam a variação percentual em relação ao ano anterior: aumentos (↑, vermelho), diminuições (↓, verde) e estabilidade (→, preto, 0,0%). O PRODES [6] estima o desmatamento anual da vegetação nativa utilizando imagens de satélite Landsat com resolução espacial de 20–30 m e intervalo de revisita de 16 dias, analisando as mudanças entre “anos de referência” consecutivos (agosto–julho). Esses dados não detectam degradação, apenas a remoção completa da vegetação natural. Os ícones utilizados nesta figura são da Wikimedia, licenciados sob CC BY-SA 4.0. Design da figura: Cássio Cardoso Pereira.</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Esses números indicam que o Cerrado perdeu mais vegetação nativa nos últimos anos do que qualquer outro Ecodomínio brasileiro, incluindo a Amazônia, em termos de área convertida anualmente [6]. Embora o sistema PRODES registre apenas o desmatamento, estudos complementares sugerem que a degradação por fogo, a extração seletiva, a invasão de espécies exóticas e o uso intensivo da terra aumentam significativamente os impactos ambientais [7]. O avanço desse processo compromete não apenas a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos do Ecodomínio, mas também a resiliência climática e hídrica de vastas regiões do país. Esse cenário reforça a urgência de políticas públicas específicas para o Cerrado, com foco em conservação, restauração e uso sustentável da terra. [8]</p>





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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Notas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">[1] Klink CA, Machado RB (2005) <a href="https://doi.org/10.1111/j.1523-1739.2005.00702.x">Conservation of the Brazilian Cerrado</a>. <em>Conservation Biology</em> 19: 707–713. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[2] Myers N, Mittermeier RA, Mittermeier CG, da Fonseca GAB, Kent J (2000). <a href="https://doi.org/10.1038/35002501">Biodiversity hotspots for conservation priorities.</a> <em>Nature</em> 403: 853–858. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[3] Machado RB, Aguiar LM, Bustamante MM (2024). <a href="https://doi.org/10.1016/j.pecon.2024.08.003">Why is it so easy to undergo devegetation in the Brazilian Cerrado?</a> <em>Perspectives in Ecology and Conservation</em> 22: 209–212. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[4] MapBiomas (2024). <a href="https://brasil.mapbiomas.org/wp-content/uploads/sites/4/2024/08/Fact_Colecao-9_21.08-OK.pdf">Mapeamento anual de cobertura e uso da terra no Brasil de 1985 a 2023. </a></p>



<p class="wp-block-paragraph">[5] Dinerstein E, Olson D, Joshi A, Vynne C, Burgess ND, Wikramanayake E, Hahn N, Palminteri S, Hedao P, Noss R, Hansen M, Locke H, Ellis EC, Jones B, Barber CV, Hayes R, Kormos C, Martin V, Crist E, Sechrest W, Price L, Baillie JEM, Weeden D, Suckling K, Davis C, Sizer N, Moore R, Thau D, Birch T, Potapov P, Turubanova S, Tyukavina A, De Souza N, Pintea L, Brito JC, Llewellyn OA, Miller AG, Patzelt A, Ghazanfar SA, Timberlake J, Klöser H, Shennan-Farpón Y, Kindt R, Lillesø J-PB, Van Breugel P, Graudal L, Voge M, Al-Shammari KF, Saleem M (2017). <a href="https://doi.org/10.1093/biosci/bix014">An Ecoregion-Based Approach to Protecting Half the Terrestrial Realm. </a><em>Bioscience</em> 67: 534–545. https://doi.org/10.1093/biosci/bix014</p>



<p class="wp-block-paragraph">[6] INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) (2025). <a href="PRODES: Annual rates and suppression of native vegetation, in the sections, biomes of Brazil and Legal Amazon.">PRODES: Annual rates and suppression of native vegetation, in the sections, biomes of Brazil and Legal Amazon.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">[7] da Silva Arruda VL, Alencar AAC, de Carvalho Júnior OA, de Figueiredo Ribeiro F, de Arruda FV, Conciani DE, da Silva WV, Shimbo JZ (2024). <a href="https://doi.org/10.1186/s42408-024-00298-4">Assessing four decades of fire behavior dynamics in the Cerrado biome (1985 to 2022)</a>. <em>Fire Ecology</em> 20: 64. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[8] Este texto é traduzido de: Pereira, C.C., W. Kenedy-Siqueira, L.R. Maia, V.F. Sperandei, L. Arantes-Garcia, S. Fernandes, G.F.C. Fernandes, G.C. de Castro, D.J. Rodrigues, R. Salm &amp; P.M. Fearnside. 2026. <a href="https://doi.org/10.3897/natureconservation.61.168273">The Cerrado crisis review: highlighting threats and providing future pathways to save Brazil&#8217;s biodiversity hotspot</a>. <em>Nature Conservation</em> 61: 29–70.</p>





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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cássio Cardoso Pereira </strong>é doutorando em ecologia, conservação e manejo da vida silvestre na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É mestre em ecologia pela Universidade Federal de São João del-Rei e graduado em Ciências Biológicas (Ênfase em Conservação da Biodiversidade) pela Universidade Federal de Viçosa. Está ligado ao Knowledge Center for Biodiversity &amp; Departamento de Genética, Ecologia e Evolução, da UFMG. Para mais informações, acesse: https://cassiocardosopereira.com</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Walisson Kenedy Siqueira </strong>possui graduação e mestrado ciências biológicas pela Universidade Estadual de Montes Claros em doutor em ecologia, manejo e conservação da vida silvestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É integrante do Laboratório de Ecologia, Evolução e Biodiversidade da UFMG e do Knowledge Center for Biodiversity &amp; Departamento de Genética, Ecologia e Evolução. Tem experiência na área ecologia de comunidades, interação inseto-planta e ecologia de sementes. <strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lara Ribeiro Maia </strong>é Técnica em Administração pelo Instituto Federal de Minas Gerais &#8211; Campus Sabará e atualmente é Graduanda em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse na área de ecologia, animais silvestres, educação ambiental, impactos ambientais e micologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Vinícius da Fontoura Sperandei </strong>possui licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de São João Del-Rei, mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de São João Del-Rei e doutorado em Ciências pelo Programa em Ecologia e Recursos Naturais da Universidade Federal de São Carlos. Atualmente é professor da Universidade de Rio Verde. Suas pesquisas são na área de Ecologia, principalmente sobre herpetofauna e ecologia subterrânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lucas Arantes-Garcia </strong>possui gradução em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente está na Escola de Ciências e Meio Ambiente, Memorial University of Newfoundland, Corner Brook, NL, Canadá. Possui interesse em invasões biológicas, serviços ecossistêmicos, valoração ambiental, mudanças globais e interações inseto-planta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Stephannie Fernandes</strong><sup> </sup>é aluna de doutorado na Florida International University, Miami, FL, E.U.A. As suas pesquisas estão na área de ecologia política, visando descobrir como os arranjos institucionais e as diferentes partes interessadas se relacionam com o desenvolvimento e a conservação dos recursos hídricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriela França Carneiro Fernandes </strong>possui licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e atualmente é Mestranda em Ecologia, pela Universidade Federal de São João del-Rei. Ela participa do projeto de pesquisa “Ecossistemas de Referência”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gislene Carvalho de Castro</strong> possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Montes Claros e mestrado e doutorado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras. Atualmente é.Professora titular da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Atua na área de ecologia vegetal e restauração ecológica de ecossistemas, com ênfase em trabalhos relacionados a corredores ecológicos de valo. Coordena o projeto de extensão &#8221;Restaurar&#8221; que objetiva a restauração ecológica de ambientes degradados e atua em projetos relacionados ao Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Domingos de Jesus Rodrigues </strong>possui graduação em Ciências Biológicas e mestrado em Ecologia e Conservação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e tem doutorado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. É professor Titular da Universidade Federal de Mato Grosso em Cuiabá. Suas pesquisas focam a biologia reprodutiva de anuros (sapos). É colaborador do Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso, ICMBio, e a Polícia Federal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Rodolfo Aureliano Salm </strong>formou-se em Biologia pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo e fez doutorado em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Atualmente é Professor Adjunto III da Faculdade de Biologia da Universidade Federal do Pará, campus de Altamira. Pesquisa na área de ecologia de ecossistemas, atuando principalmente no estudo da dinâmica natural e da conservação das florestas tropicais. Tem estudado tanto a ecologia quanto o aproveitamento econômico de palmeiras nativas e exóticas na Terra Indígena Kayapó, sul do Pará.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Philip Martin Fearnside</strong>&nbsp;é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis&nbsp;<a href="http://philip.inpa.gov.br/">aqui</a>.</p>
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		<title>Massacre no sul do Amazonas: três mortos, mandantes soltos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 23:42:46 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em uma área da região Amacro, pequenos agricultores continuam sendo alvos de violência em meio a conflitos de campo. No último final de semana, Josias Albuquerque, que já havia sido baleado por pistoleiros em 2018, na mesma região, não sobreviveu. Foi vítima de emboscada, na qual mais duas pessoas foram mortas. Os executores foram presos e confessaram os nomes dos mandantes. Os mandantes seguem livres.</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus (AM) &#8211; </strong>Josias Albuquerque de Oliveira, de 45 anos, já havia sobrevivido uma vez. Em 2018, depois de uma discussão com um fazendeiro invasor da Gleba Recreio de Santo Antônio, no estado do Amazonas, ele e outros trabalhadores foram à delegacia prestar depoimento. Na volta, pistoleiros esperavam. Josias foi baleado e ficou sete meses internado. Mesmo assim, não desistiu da terra. No último sábado (25), pistoleiros voltaram a esperá-lo, desta vez numa ponte de madeira. Desta vez, três pessoas foram assassinadas, inclusive ele. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Com Josias, morreram seu sobrinho Arthur Henrique Ferreira Said, de apenas 14 anos, e o trabalhador rural Antônio Renato, de 32 anos. Os três se dirigiam do Projeto de Assentamento (PA) Monte, na zona rural entre os municípios de Lábrea e Boca do Acre, no sul do Amazonas, quando <a href="https://cptnacional.org.br/2026/04/26/massacre-regiao-amacro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">dois pistoleiros abriram fogo</a> com fuzil e pistolas contra a caminhonete em que viajavam. Com os tiros, o motorista perdeu o controle do veículo e despencou num igarapé. Um outro passageiro conseguiu sobreviver ao atentado e correu até uma casa próxima para pedir socorro. Os corpos e o veículo foram encontrados submersos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta é uma história que se repete desde 2018, com diferentes vítimas, na mesma estrada, pelos mesmos motivos. Localizadada nas proximidades da <a href="https://amazoniareal.com.br/pavimentacao-da-br-317-preocupa-liderancas-apurina-do-rio-purus/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">BR-317</a> (uma extensa rodovia que passa por Rondônia, sul do Amazonas e atravessa o Acre até a fronteira), a Gleba Recreio de Santo Antônio é marcada há anos por conflitos agrários, sem solução apresentada pelo poder público.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Essa BR-317 cheira a sangue que é derramado nas encostas da estrada”, denunciou Manuel do Carmo da Silva Campos, membro da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Amazonas. Para ele, o que opera na região não é um violência desorganizada, difusa: “Em Boca do Acre tem uma quadrilha de bandidos comandada e formada por grileiros de terra”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A emboscada</strong></p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/MORTE-NO-AM-2-1024x666-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="666" data-id="172868" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/MORTE-NO-AM-2-1024x666-1.jpg" alt="" class="wp-image-172868" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/MORTE-NO-AM-2-1024x666-1.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/MORTE-NO-AM-2-1024x666-1-300x195.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/MORTE-NO-AM-2-1024x666-1-768x500.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/MORTE-NO-AM-2-1024x666-1-150x98.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/MORTE-NO-AM-1-1024x666-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="666" data-id="172867" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/MORTE-NO-AM-1-1024x666-1.jpg" alt="" class="wp-image-172867" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/MORTE-NO-AM-1-1024x666-1.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/MORTE-NO-AM-1-1024x666-1-300x195.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/MORTE-NO-AM-1-1024x666-1-768x500.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/MORTE-NO-AM-1-1024x666-1-150x98.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em><sup>Munições de fuzis e pistolas de alta potência foram encontrados no local. Massacre ocorreu na região conhecida como Amacro, que concentra muita tensão e crimes ligados à disputa por terra (Foto1) e Igarapé onde os corpos foram encontrados (Foto2) (Reproduções de vídeo).</sup></em></p>





<p class="wp-block-paragraph">Um familiar das vítimas concedeu entrevista à <strong>Amazônia Real,</strong> sob a condição de anonimato, em razão das ameaças e perseguições que pode sofrer. Segundo ele, as vítimas deixavam a propriedade de Josias na linha 15 do PA Monte por volta do meio-dia quando foram atacadas. Antônio Renato e outro trabalhador, cuja identidade também não será revelada por medida de segurança, seguiam de carona no mesmo veículo, com destino ao município de Boca do Acre, divisa com o estado do Acre. Cerca de 20 quilômetros depois, caíram na emboscada armada na cabeceira da ponte da Gleba Pauene.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dois suspeitos <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/04/26/suspeitos-de-duplo-homicidio-sao-presos-com-armas-na-br-317-no-am.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">foram localizados e presos</a> nas proximidades da BR-317, no ramal do quilômetro 26, em menos de duas horas. Com eles, foram apreendidos um fuzil, duas pistolas, munições, celulares e uma motocicleta. Os suspeitos estão presos na Delegacia Geral de Boca do Acre à disposição da Justiça. Seus nomes não foram divulgados pelas autoridades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda de acordo com a fonte, os executores teriam confessado o crime e indicado a existência de mandantes: fazendeiros e empresários ligados à política, oriundos de Minas Gerais, que atuam pressionando e ameaçando pequenos produtores da região.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É uma família de políticos e empresários que vieram para Boca do Acre invadir as terras. Eles expulsam os moradores, agem com grande violência. E, como são poderosos, eles se aproveitam para prejudicar os pequenos agricultores. Eles mandam matar, torturar, várias barbaridades aqui na região e a polícia não faz nada”, disse a fonte. Os trabalhadores rurais querem que a Polícia Federal passe a investigar o caso para responsabilizar também os mandantes. “Os assassinos foram presos e confessaram os nomes dos mandantes. Por que os mandantes não estão presos?”, questiona o familiar.</p>





<p class="wp-block-paragraph"><strong>Falta de titulação</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/PA-Monte.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="720" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/PA-Monte-1024x720.jpg" alt="" class="wp-image-172882" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/PA-Monte-1024x720.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/PA-Monte-300x211.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/PA-Monte-768x540.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/PA-Monte-150x105.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/PA-Monte.jpg 1344w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Mapa do PA Monte, segundo informações do INCRA (2023). O PA Monte foi criado em 20/07/1992, abrangendo uma área de 113.118,80 hectares, tendo um número de 929 famílias assentadas, mas com capacidade para 1.060 famílias. (Fase 5).(Fonte: Gabriel Bentes Alho/Ufam).</sub></em></figcaption></figure>





<p class="wp-block-paragraph">A <a href="https://www.registrorural.com.br/parcelas/e1fd6d7b-3b3c-4d4f-9223-c2568842db80/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gleba Recreio do Santo Antônio</a> é uma área de terras públicas da União que sofre com grilagem e ocupação por grandes fazendas de gado há décadas. Nos anos 1980, o Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (Incra) arrecadou uma parcela da terra e a destinou como assentamento, nascendo assim o PA Monte. As outras parcelas ainda aguardam destinação, e é nelas que se concentra a violência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Dentro dessa gleba tem grandes produtores pleiteando tomar uma fatia maior. Não tem cadastro no Incra desde a década de 1980 e até hoje não foi criado outro assentamento a não ser o PA Monte. Então, eles [fazendeiros que grilaram a área] entram. Os ‘grandes’ entram do jeito que querem. Eles têm condições de botar máquina, de fazer pista de avião, de fazer tudo. Eles tem tudo isso e chegam primeiro. Os extrativistas tradicionais, os seringueiros, são expulsos por eles”, disse Cosme Capistrano, agente pastoral da CPT no Acre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">À <strong>Amazônia Real</strong>, João Pedro Gonçalves, diretor de Governança da Terra do Incra, explicou que a gleba é composta por duas porções: uma com aproximadamente 18 mil hectares, quase totalmente ocupada por parcelas registradas no Sistema de Gestão Fundiária (Sigef); e outra com cerca de 98 mil hectares, que apresenta ocupações, mas tem sobreposição de unidades de conservação e está sobreposta a áreas de interesse do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e da Funai, com estudos em andamento para a possível criação de novas unidades de conservação. No total, o sul do Amazonas concentra cerca de 12,7 milhões de hectares de terras públicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gonçalves reconheceu que a situação fundiária é complexa, marcada por disputas e grilagem (prática considerada crime), e afirmou que a estratégia do órgão para reduzir conflitos passa pela regularização, com concessão de títulos definitivos. &#8220;Nós não abrimos mão de combater a grilagem de terras. E aquilo ali é terra pública, invadir terra pública é crime. Ninguém pode estar em terra pública sem abrir um procedimento no Incra&#8221;, declarou. O Incra já dialoga com 12 prefeituras para tentar regularizar essas terras públicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Procurada, a assessoria de comunicação do Incra informou que não existem títulos emitidos pelo órgão na área da Gleba Recreio de Santo Antônio, mas que “trabalha no processo de regularização das glebas federais na região”. Na semana passada, segundo o Incra, houve um encontro no município de Humaitá, também no sul do Amazonas, para tratar do tema junto a organizações sociais, órgãos governamentais e produtores rurais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Os ocupantes da Gleba pleiteiam a criação de um assentamento da reforma agrária, na modalidade PA. A Divisão de Obtenção de Terras do Incra no Amazonas enviou a demanda à Câmara de Destinação de Terras e mantém conversa prévia com o MMA. Após o período chuvoso na Amazônia, o Incra projeta a entrada na área, sempre reforçando a sua disposição em mediar o diálogo saudável entre os órgãos e a sociedade para soluções em que a coletividade seja contemplada da maneira mais adequada”, afirma em nota.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Incra firmou ainda uma parceria com o MMA por meio do programa <a href="https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/controle-ao-desmatamento-queimadas-e-ordenamento-ambiental-territorial/programa-uniao-com-municipios#:~:text=O%20Programa%20Uni%C3%A3o%20com%20Munic%C3%ADpios%20pela%20Redu%C3%A7%C3%A3o,e%20Controle%20do%20Desmatamento%20na%20Amaz%C3%B4nia%20(PPCDAm).[" target="_blank" rel="noreferrer noopener">União com Municípios</a>, com recursos do Fundo Amazônia, para promover a regularização fundiária e a entrega de títulos em glebas públicas.</p>





<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conflitos fundiários</strong></p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Canutama-sem-terra-desaparecidos-FOTO-POLICIA-CIVIL-AM.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="470" data-id="26491" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Canutama-sem-terra-desaparecidos-FOTO-POLICIA-CIVIL-AM.jpg" alt="" class="wp-image-26491" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Canutama-sem-terra-desaparecidos-FOTO-POLICIA-CIVIL-AM.jpg 800w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Canutama-sem-terra-desaparecidos-FOTO-POLICIA-CIVIL-AM-300x176.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Canutama-sem-terra-desaparecidos-FOTO-POLICIA-CIVIL-AM-768x451.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/DESAPARECIDOS-DE-CANUTAMA3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="640" height="640" data-id="26036" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/DESAPARECIDOS-DE-CANUTAMA3.jpg" alt="" class="wp-image-26036" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/DESAPARECIDOS-DE-CANUTAMA3.jpg 640w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/DESAPARECIDOS-DE-CANUTAMA3-150x150.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2018/01/DESAPARECIDOS-DE-CANUTAMA3-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /></a></figure>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em><sub>Em Canutama, policiais fizeram buscas aos desaparecidos, em 2017 (Foto 1: PC do Amazonas) e Marinalva Silva de Souza, na foto com o marido (Foto 2: Arquivo de Família).</sub></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os registros de conflitos de campo envolvem casos de ameaças, violência e assassinatos. Estão associados à intensificação da grilagem, expansão de fronteiras agrícolas e desmatamento. Em meio a estes conflitos está uma estrutura econômica criminosa, que conta com apoio ou facilitação de estruturas de poder. Em geral, as maiores vítimas são pequenos agricultores que lutam por direito à terra. Os casos de assassinatos são frequentes e muitos deles sequer vêm a público.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2017, três agricultores foram <a href="https://amazoniareal.com.br/sumico-de-trabalhadores-no-sul-do-amazonas-pode-ter-relacao-com-disputa-de-terra-publica-com-empresa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">emboscados e desapareceram</a> na região do município de Canutama. Flávio Lima de Souza, Marinalva Silva de Souza e Jairo Feitoza Pereira desapareceram em dezembro daquele ano sem deixar vestígios. O caso teve repercussão e foi citado no <a href="https://amazoniareal.com.br/mortes-de-trabalhadores-rurais-por-conflito-agrario-continuam-na-impunidade-em-canutama/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">relatório da Global Witness</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2019, <a href="https://amazoniareal.com.br/quatro-agricultores-sao-mortos-em-novo-conflito-agrario-na-amazonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">quatro agricultores foram assassinados</a> na região do município de Lábrea, também em circunstância de conflito agrário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os conflitos fundiários na Gleba Recreio do Santo Antônio são registrados pela CPT no relatório Conflitos no Campo desde 2018. A região faz parte da região conhecida como Amacro, formada por 32 municípios entre o sul do Amazonas, leste do Acre e noroeste de Rondônia. É ali o epicentro da <a href="https://amazoniareal.com.br/agricultores-denunciam-tortura/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">expansão violenta do agronegócio</a> sobre terras públicas e comunitárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O triplo homicídio ocorreu às vésperas do lançamento do novo relatório <a href="https://cptnacional.org.br/caderno/conflitos-no-campo-brasil-2025/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Conflitos no Campo Brasil</a>, com dados de 2025 &#8211; a edição está disponível apenas para a venda. A CPT registrou 1.593 conflitos no campo no Brasil no ano passado, sendo 116 deles registrados em 19 municípios da Amacro. Das 26 mortes violentas registradas no País, 16 aconteceram na Amazônia, sendo 6 delas na Amacro, entre as quais as 3 pessoas sem-terra e 3 posseiros. Os fazendeiros aparecem como os principais agentes envolvidos nos assassinatos registrados em 2025, associados a 20 dos 26 casos, seja como mandantes ou executores. Na Amacro, foram responsáveis por cinco das seis execuções. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as vítimas desses assassinatos na região estava <a href="https://amazoniareal.com.br/conflito-agrario/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">José Jacó Cosotle</a>, de 55 anos, encontrado morto em janeiro de 2025 nos limites da comunidade Marielle Franco e da Fazenda Palotina, em Lábrea (AM), com marcas de tiro no queixo e no abdômen. O local do crime é <a href="https://amazoniareal.com.br/agricultores-denunciam-tortura/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">palco de um violento e intenso conflito agrário no sul do</a> Amazonas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também em janeiro de 2025, <a href="https://www.cptnacional.org.br/publicacoes-2/noticias-2/7029-violencia-amacro-2025" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Francisco do Nascimento de Melo, o Cafu, foi assassinado na área do ramal 37</a>, em Boca do Acre. Em setembro, trabalhadores rurais da Gleba Recreio do Santo Antônio <a href="https://acrenews.com.br/comunidades-bloqueiam-br-317-em-protesto-por-conflitos-fundiarios/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">chegaram a bloquear a BR-317 </a>para cobrar respostas do poder público sobre a violência e a falta de regularização fundiária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Manuel do Carmo, as ações dos grileiros não são isoladas, mas planejadas com o aval da omissão do poder público. &#8220;A Polícia Federal, o Ministério Público Federal e Estadual estão acompanhando, só que eles são lentos. O massacre foi um dos últimos casos, mas eles vêm fazendo isso desde 2018. Tem latifúndio, madeireiras, produção da soja e criação de boi que esses fazendeiros fazem. Eles matam e perseguem trabalhadores rurais e indígenas sucessivamente&#8221;, denunciou.</p>





<p class="wp-block-paragraph"><strong>O que dizem as autoridades</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/armamentos-apreendidos.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1080" height="714" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/armamentos-apreendidos.jpg" alt="" class="wp-image-172873" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/armamentos-apreendidos.jpg 1080w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/armamentos-apreendidos-300x198.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/armamentos-apreendidos-1024x677.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/armamentos-apreendidos-768x508.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/armamentos-apreendidos-150x99.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Três armas de fogo, mais de 70 munições e uma motocicleta foram apreendidas. (Fotos: @pmamazonas)</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>





<p class="wp-block-paragraph">Em nota, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) informou que investiga o caso para esclarecer a motivação do crime, identificar a possível participação de outros envolvidos e verificar eventual existência de mandante. As forças de segurança ressaltaram que, neste momento, não é possível divulgar detalhes adicionais, como identificação dos suspeitos, eventuais vínculos ou confirmação de autoria, a fim de não comprometer o trabalho investigativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com apurações preliminares, o crime teve características de emboscada direcionada a um dos ocupantes do veículo, sem indícios de que as demais vítimas tivessem envolvimento com a motivação do crime. A PC-AM declarou que as instituições mantêm articulação permanente com órgãos competentes e avaliam a adoção de medidas conjuntas, conforme a evolução das investigações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Procurada, a Polícia Federal no Acre não respondeu se está investigando ou acompanhando o caso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A CPT Regional Acre publicou nesta quarta-feira (29) <a href="https://www.instagram.com/p/DXt8kNiltRJ/?img_index=2&amp;igsh=MXJjcGlueDNrMTEwYg==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">uma nota de denúncia pública</a> diante do avanço da violência no sul do Amazonas. Segundo a CPT, o aumento dos crimes no campo está aliado à omissão dos poderes públicos e resulta em mortes, ameaças e violações sistemáticas dos direitos humanos. “A realidade enfrentada pelas populações tradicionais, lideranças comunitárias, trabalhadores e trabalhadoras da terra e defensores do meio ambiente revela um cenário alarmante de insegurança e impunidade. Conflitos por terra, disputas territoriais e interesses econômicos têm sido resolvidos por meio da força, colocando vidas em risco e fragilizando ainda mais comunidades já vulneráveis”, diz&nbsp; a nota.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abaixo veja o cortejo dos funerais de Josias Albuquerque de Oliveira, de 45 anos; Arthur Henrique Ferreira Said, de apenas 14 anos; e do trabalhador rural Antônio Renato, de 32 anos. (Imagens: Reprodução das redes sociais).</p>



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		<title>A crise do Cerrado em revisão: – 1: introdução ao estudo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto César Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 21:18:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[Biomas]]></category>
		<category><![CDATA[Cerrado]]></category>
		<category><![CDATA[Philip Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[pressão territorial]]></category>
		<category><![CDATA[segurança hídrica]]></category>
		<category><![CDATA[terras indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[unidades de conservação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em nova série de artigos, pesquisadores analisam os principais vetores de pressão sobre a área do Cerrado, entre eles o avanço da fronteira agrícola, o uso predatório do fogo, a crise hídrica  e as ameaças aos povos indígenas, </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Cássio Cardoso Pereira, Walisson Kenedy-Siqueira, Lara Ribeiro Maia, Vinícius da Fontoura Sperandei, Lucas Arantes-Garcia, Stephannie Fernandes, Gabriela França Carneiro Fernandes, Gislene Carvalho de Castro, Domingos de Jesus Rodrigues, Rodolfo Salm e Philip M. Fearnside</strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">Publicamos uma revisão sobre a crise do Cerrado na revista <em>Nature Conservation </em>[1], disponível <a href="https://doi.org/10.3897/natureconservation.61.168273" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>. Esta série traz essas informações em língua portuguesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo. </strong>Esta revisão visa aumentar a conscientização sobre o valor do Cerrado para a sociedade e serve como um guia informativo para profissionais da ecologia, formuladores de políticas públicas e todos os interessados na conservação da biodiversidade. Aqui, abordamos de forma abrangente e crítica o processo de degradação em curso no Cerrado, destacando sua complexidade ecológica, diversidade biológica e importância estratégica para a sustentabilidade ambiental e mitigação das mudanças climáticas no Brasil. Examinamos a diversidade de ecossistemas no Cerrado, ressaltando suas vulnerabilidades específicas e a inadequação dos instrumentos legais vigentes para garantir sua proteção. Nossa análise abrange os principais vetores de pressão sobre o território, como o avanço da fronteira agrícola, o uso predatório do fogo, a crise hídrica silenciosa e as ameaças aos povos indígenas, destacando como esses fatores operam de forma interconectada para perturbar os serviços ecossistêmicos da região. As limitações das políticas de conservação atuais e a invisibilidade de espécies e ecossistemas diante dos sistemas jurídico e econômico dominantes também são discutidas. Nossa revisão propõe maneiras de mitigar ou mesmo reverter esse cenário, incluindo o aumento do número de Unidades de Conservação e Terras Indígenas, a valorização de economias regenerativas, a expansão de áreas protegidas e o fortalecimento da governança territorial e climática. A defesa do Cerrado é apresentada aqui não apenas como um imperativo ecológico, mas como uma agenda para a justiça ambiental, a segurança hídrica e a responsabilidade intergeracional. Ao integrar dados, referências, reflexões conceituais e estratégias de ação, esperamos contribuir para reposicionar o Cerrado no centro das discussões sobre conservação, clima e desenvolvimento sustentável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Destruir a floresta tropical para obter lucro é como queimar uma pintura renascentista para cozinhar uma refeição.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">—Edward O. Wilson, 1990</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8221; <em>Além de conviver com alguns dos piores solos do Brasil intertropical, uma vegetação dos cerrados conseguiu uma fachada ecológica de resistir às queimadas, renascendo das próprias cinzas, como uma espécie de fênix dos ecossistemas brasileiros. Não resiste, porém, aos violentos planejamentos tecnológicos inventados pelos homens ditos civilizados. </em>&#8220;</p>



<p class="wp-block-paragraph">—Aziz Ab&#8217;Saber, 2003</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta análise narrativa parte de uma premissa urgente: o avanço contínuo da destruição do Cerrado e a falta de resposta proporcional à gravidade do ocorrido. Algumas vozes já anunciaram, com preocupante antecipação, os efeitos colaterais de uma lógica que insiste em trocar a biodiversidade pela conveniência econômica. O renomado biólogo americano Edward O. Wilson e o famoso geógrafo brasileiro Aziz Ab&#8217;Sáber, embora de territórios e perspectivas diferentes, apontaram para o mesmo erro estrutural: o desrespeito ao valor inestimável da natureza em nome de ganhos imediatos. Esta análise ecoa seus alertas, não como uma homenagem, mas como uma continuação. O que se desenrola nas páginas seguintes é fruto de uma preocupação que surge não apenas da perda acelerada da vegetação nativa, da invisibilidade de espécies ou da ruptura de funções ecológicas, mas também da recusa em aceitar que esse desaparecimento seja natural ou inevitável. Embora Brasília, a capital política do Brasil, esteja localizada no Planalto Central do Cerrado, no Distrito Federal, permanece à margem dos centros decisórios políticos e ambientais, apesar de ser um elemento fundamental para a sustentabilidade dos ecossistemas do país. Neste artigo, examinamos a escala e os efeitos desse processo, articulando dados, análises e referências que revelam as ameaças em múltiplas frentes. A degradação dos ecossistemas, a perda de espécies, o enfraquecimento das áreas protegidas, as lacunas legais, os conflitos territoriais, a marginalização do conhecimento tradicional, a invasão de espécies exóticas e a fragmentação de habitats compõem o retrato de uma crise em curso. Mais do que descrever esse cenário, o artigo apresenta possíveis maneiras de interrompê-lo e revertê-lo, com foco na conservação e restauração, no fortalecimento institucional e na construção de alternativas sustentáveis. Para maior clareza, os Quadros 1 e 2 abaixo fornecem definições e contexto para os principais termos e conceitos utilizados ao longo do texto.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-1-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="703" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-1-1-1024x703.jpg" alt="" class="wp-image-172854" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-1-1-1024x703.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-1-1-300x206.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-1-1-768x527.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-1-1-1536x1055.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-1-1-2048x1406.jpg 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-1-1-150x103.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="873" height="1024" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-1-873x1024.jpg" alt="" class="wp-image-172843" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-1-873x1024.jpg 873w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-1-256x300.jpg 256w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-1-768x901.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-1-1309x1536.jpg 1309w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-1-1745x2048.jpg 1745w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-1-150x176.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 873px) 100vw, 873px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="889" height="1024" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-2-889x1024.jpg" alt="" class="wp-image-172845" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-2-889x1024.jpg 889w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-2-260x300.jpg 260w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-2-768x885.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-2-1333x1536.jpg 1333w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-2-1778x2048.jpg 1778w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-2-150x173.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 889px) 100vw, 889px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="889" height="1024" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-3-889x1024.jpg" alt="" class="wp-image-172850" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-3-889x1024.jpg 889w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-3-260x300.jpg 260w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-3-768x885.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-3-1333x1536.jpg 1333w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-3-1778x2048.jpg 1778w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-3-150x173.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 889px) 100vw, 889px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="889" height="1024" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-4-889x1024.jpg" alt="" class="wp-image-172846" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-4-889x1024.jpg 889w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-4-260x300.jpg 260w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-4-768x885.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-4-1333x1536.jpg 1333w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-4-1778x2048.jpg 1778w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-4-150x173.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 889px) 100vw, 889px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="889" height="1024" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-5-889x1024.jpg" alt="" class="wp-image-172848" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-5-889x1024.jpg 889w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-5-260x300.jpg 260w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-5-768x885.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-5-1333x1536.jpg 1333w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-5-1778x2048.jpg 1778w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-5-150x173.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 889px) 100vw, 889px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-6.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="333" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-6-1024x333.jpg" alt="" class="wp-image-172849" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-6-1024x333.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-6-300x98.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-6-768x250.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-6-1536x500.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-6-2048x667.jpg 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Quadro-2-6-150x49.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Notas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">[1] Pereira CC, Kenedy-Siqueira W, Maia LR, Sperandei VF, Arantes-Garcia L, Fernandes S, Fernandes GFC, de Castro GC, Rodrigues DJ, Salm R, Fearnside PM. (2026) <a href="https://doi.org/10.3897/natureconservation.61.168273.suppl1">The Cerrado crisis review: highlighting threats and providing future pathways to save Brazil&#8217;s biodiversity hotspot</a>. <em>Nature Conservation</em> 61: 29–70. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[2] Olson DM, Dinerstein E, Wikramanayake ED, Burgess ND, Powell GVN, Underwood EC, D’Amico JA, Itoua I, Strand HE, Morrison JC, Loucks CJ, Allnutt TF, Ricketts TH, Kura Y, Lamoreux JF, Wettengel WW, Hedao P, Kassem KR (2001) <a href="https://doi.org/10.1641/0006-3568(2001)051%5B0933:TEOTWA%5D2.0.CO;2">Terrestrial ecoregions of the world: A new map of life on Earth</a>. <em>BioScience</em> 51: 933–938. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[3] Ab’Saber AN (1977)<a href="https://biblio.fflch.usp.br/AbSaber_AN_1348615_OsDominiosMorfoclimaticos.pdf"> Os domínios morfoclimáticos da América do Sul</a>. <em>Geomorfologia</em> 52: 1–22. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[4] Dinerstein E, Olson D, Joshi A, Vynne C, Burgess ND, Wikramanayake E, Hahn N, Palminteri S, Hedao P, Noss R, Hansen M, Locke H, Ellis EC, Jones B, Barber CV, Hayes R, Kormos C, Martin V, Crist E, Sechrest W, Price L, Baillie JEM, Weeden D, Suckling K, Davis C, Sizer N, Moore R, Thau D, Birch T, Potapov P, Turubanova S, Tyukavina A, De Souza N, Pintea L, Brito JC, Llewellyn OA, Miller AG, Patzelt A, Ghazanfar SA, Timberlake J, Klöser H, Shennan-Farpón Y, Kindt R, Lillesø J-PB, Van Breugel P, Graudal L, Voge M, Al-Shammari KF, Saleem M (2017) <a href="https://doi.org/10.1093/biosci/bix014">An Ecoregion-Based Approach to Protecting Half the Terrestrial Realm</a>. <em>Bioscience</em> 67: 534–545. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[5] Coutinho LM (2006) <a href="https://doi.org/10.1590/S0102-33062006000100002">O conceito de bioma</a>. <em>Acta Botanica Brasílica</em> 20: 13–23. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[6] Batalha MA (2011) <a href="https://doi.org/10.1590/S1676-06032011000100001">The Brazilian Cerrado is not a biome</a>. <em>Biota Neotropica</em> 11(1): 21–24. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[7] Este texto é traduzido de: Pereira, C.C., W. Kenedy-Siqueira, L.R. Maia, V.F. Sperandei, L. Arantes-Garcia, S. Fernandes, G.F.C. Fernandes, G.C. de Castro, D.J. Rodrigues, R. Salm &amp; P.M. Fearnside. 2026. The <a href="https://doi.org/10.3897/natureconservation.61.168273">Cerrado crisis review: highlighting threats and providing future pathways to save Brazil&#8217;s biodiversity hotspot</a>. <em>Nature Conservation</em> 61: 29–70.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cássio Cardoso Pereira e Gislene Carvalho de Castro agradecem à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) pelo apoio contínuo. Walisson Kenedy-Siqueira agradece à Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) pelo apoio contínuo. Lara Ribeiro Maia e Gabriela França Carneiro Fernandes agradecem à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pelo apoio contínuo. Vinícius F. Sperandei agradece à Universidade de Rio Verde (UniRV) e à Pró-reitoria de Graduação/UniRV pelo apoio institucional. Gabriela França Carneiro Fernandes agradece à Universidade do Chile pela recepção calorosa e experiência enriquecedora durante o primeiro semestre de 2025. Domingos de Jesus Rodrigues agradece à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) pelo apoio institucional. Os autores agradecem a João Figueiredo e Karin Schmalz pelos valiosos comentários durante a preparação deste artigo. Walisson Kenedy-Siqueira agradece à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig APQ-03263-23) pelo apoio financeiro. Lara Ribeiro Maia agradece à Pró-Reitoria de Extensão da UFMG (PROEX) pelo apoio financeiro. Stephannie Fernandes agradece ao Tinker Field Research Collaborative Grant e ao Women Explorers Award. Domingos de Jesus Rodrigues agradece ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pela bolsa de produtividade (312407/2022-0). Philip M. Fearnside agradece ao CNPq (312450/2021-4, 406941/2022-0), à Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) (01.02.016301.02529/2024-87) e à Rede Brasileira de Pesquisa em Mudanças Climáticas (FINEP/Rede Clima 01.13.0353-00).</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cássio Cardoso Pereira </strong>é doutorando em ecologia, conservação e manejo da vida silvestre na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É mestre em ecologia pela Universidade Federal de São João del-Rei e graduado em Ciências Biológicas (Ênfase em Conservação da Biodiversidade) pela Universidade Federal de Viçosa. Está ligado ao Knowledge Center for Biodiversity &amp; Departamento de Genética, Ecologia e Evolução, da UFMG. Para mais informações, acesse: https://cassiocardosopereira.com</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Walisson Kenedy Siqueira </strong>possui graduação e mestrado ciências biológicas pela Universidade Estadual de Montes Claros em doutor em ecologia, manejo e conservação da vida silvestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É integrante do Laboratório de Ecologia, Evolução e Biodiversidade da UFMG e do Knowledge Center for Biodiversity &amp; Departamento de Genética, Ecologia e Evolução. Tem experiência na área ecologia de comunidades, interação inseto-planta e ecologia de sementes. <strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lara Ribeiro Maia </strong>é Técnica em Administração pelo Instituto Federal de Minas Gerais &#8211; Campus Sabará e atualmente é Graduanda em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse na área de ecologia, animais silvestres, educação ambiental, impactos ambientais e micologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Vinícius da Fontoura Sperandei </strong>possui licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de São João Del-Rei, mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de São João Del-Rei e doutorado em Ciências pelo Programa em Ecologia e Recursos Naturais da Universidade Federal de São Carlos. Atualmente é professor da Universidade de Rio Verde. Suas pesquisas são na área de Ecologia, principalmente sobre herpetofauna e ecologia subterrânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lucas Arantes-Garcia </strong>possui gradução em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente está na Escola de Ciências e Meio Ambiente, Memorial University of Newfoundland, Corner Brook, NL, Canadá. Possui interesse em invasões biológicas, serviços ecossistêmicos, valoração ambiental, mudanças globais e interações inseto-planta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Stephannie Fernandes</strong><sup> </sup>é aluna de doutorado na Florida International University, Miami, FL, E.U.A. As suas pesquisas estão na área de ecologia política, visando descobrir como os arranjos institucionais e as diferentes partes interessadas se relacionam com o desenvolvimento e a conservação dos recursos hídricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriela França Carneiro Fernandes </strong>possui licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e atualmente é Mestranda em Ecologia, pela Universidade Federal de São João del-Rei. Ela participa do projeto de pesquisa “Ecossistemas de Referência”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gislene Carvalho de Castro</strong> possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Montes Claros e mestrado e doutorado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras. Atualmente é.Professora titular da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Atua na área de ecologia vegetal e restauração ecológica de ecossistemas, com ênfase em trabalhos relacionados a corredores ecológicos de valo. Coordena o projeto de extensão &#8221;Restaurar&#8221; que objetiva a restauração ecológica de ambientes degradados e atua em projetos relacionados ao Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Domingos de Jesus Rodrigues </strong>possui graduação em Ciências Biológicas e mestrado em Ecologia e Conservação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e tem doutorado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. É professor Titular da Universidade Federal de Mato Grosso em Cuiabá. Suas pesquisas focam a biologia reprodutiva de anuros (sapos). É colaborador do Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso, ICMBio, e a Polícia Federal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Rodolfo Aureliano Salm </strong>formou-se em Biologia pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo e fez doutorado em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Atualmente é Professor Adjunto III da Faculdade de Biologia da Universidade Federal do Pará, campus de Altamira. Pesquisa na área de ecologia de ecossistemas, atuando principalmente no estudo da dinâmica natural e da conservação das florestas tropicais. Tem estudado tanto a ecologia quanto o aproveitamento econômico de palmeiras nativas e exóticas na Terra Indígena Kayapó, sul do Pará.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Philip Martin Fearnside</strong>&nbsp;é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis&nbsp;<a href="http://philip.inpa.gov.br/">aqui</a>.</p>
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