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	<description>Agência de jornalismo independente na Amazônia</description>
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		<title>O Massacre pelo olhar de Ripper</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto César Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Apr 2026 15:15:00 +0000</pubDate>
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<p class="has-drop-cap"><em>Em 17 de abril de 1996, o Brasil assistiu ao Massacre de Eldorado dos Carajás: 21 camponeses assassinados e 69 mutilados pela Polícia Militar do Pará, sob o governo de Almir Gabriel (PSDB). Quase três décadas depois, as lentes de João Roberto Ripper, que documentou o horror e as provas do crime, ganham novo fôlego com a digitalização de seu acervo histórico na Fiocruz. Nesta entrevista exclusiva à <strong>Amazônia Real</strong>, o mestre da &#8220;Fotografia do Bem Querer&#8221; relembra os bastidores do massacre, a convivência com Sebastião Salgado no rastro do sangue e a urgência de usar a imagem como ferramenta política contra o esquecimento.</em></p>



<p><strong>Manaus (AM) </strong>&#8211; A data tornou-se um marco divisório para os movimentos sociais ao ser instituída como o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária. A iniciativa partiu da Via Campesina, uma articulação internacional fundada há 33 anos, e se consolidou na Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária. Organizada em todo o País, a jornada reafirma a centralidade da luta pela terra no Brasil e a importância de implantar um projeto de reforma agrária que desenvolva o campo, produza alimentos saudáveis e combata a fome. Em seu início, a mobilização foi estigmatizada pela imprensa hegemônica, que a apelidou de &#8220;Abril Vermelho&#8221;. Contudo o movimento superou a tentativa de criminalização e apropriou-se do termo, ressignificando-o como símbolo de resistência.</p>



<p>O Massacre de Eldorado dos Carajás figura como um dos episódios de maior repercussão midiática da década de 90. Como uma equipe da TV Liberal estava no local, o horror foi integralmente filmado, gerando uma onda de indignação nacional e pressionando autoridades e organizações de direitos humanos por respostas. No dia seguinte ao crime, veículos de comunicação de todo o mundo desembarcaram no sudeste do Pará, especificamente no acampamento da Fazenda Macaxeira e no local do bloqueio feito pelos trabalhadores rurais, onde hoje fica a chamada Curva do S, às margens da então rodovia PA-150 (atual BR-155). O local, que hoje abriga um monumento em memória às vítimas, tornou-se o epicentro do noticiário global na época.</p>



<p>No campo da imagem, a tragédia proporcionou um encontro histórico de grandes mestres do fotojornalismo e da fotografia documental: Ary Souza, Jorge Araújo, Juca Varella, Sebastião Salgado e João Roberto Ripper. Foi com Ripper que a <strong>Amazônia Real</strong> conversou sobre as memórias desse triste episódio. Atualmente, o acervo do fotógrafo está sendo abrigado na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, por meio do projeto Bem Querer o Brasil. A instituição realiza um minucioso trabalho de catalogação, higienização, digitalização e edição das fotos deste profissional que, além de educador e ativista, se consolidou como um dos pilares da &#8220;Pedagogia do Bem Querer&#8221; — uma fotografia dedicada à defesa dos oprimidos.</p>



<p>A primeira parte deste vasto material, fruto de 60 anos de carreira, está sendo compartilhada com parceiros como a <strong>Amazônia Real</strong>. O público terá acesso a registros da cobertura do massacre, incluindo imagens inéditas, que compõem a exposição com abertura marcada para esta sexta-feira (17), no Armazém do Campo (Lapa/RJ). O evento contará ainda com uma palestra do autor, debate e a exibição de um documentário feito pelos alunos da Escola de Cinema do Campo.</p>



<p>Na entrevista a seguir, concedida ao lado da socióloga, fotógrafa e coordenadora do projeto Bem Querer o Brasil, Sara Gehren, Ripper revive o impacto emocional de registrar as vítimas e explica a importância técnica de suas fotos, que serviram como provas do crime. O fotógrafo reflete, ainda, sobre sua relação com Sebastião Salgado, os riscos enfrentados por comunicadores na Amazônia, a persistência da violência no campo e o papel ético da fotografia na proteção dos direitos humanos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/01-rd-jrr-3-002-029_Retocada-21.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="674" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/01-rd-jrr-3-002-029_Retocada-21-1024x674.jpg" alt="Estas fotografias fazem parte do Acervo João Roberto Ripper, um projeto associado ao ICICT/Fiocruz. Termos de uso das fotografias: Essa fotografia só poderá ser usada para fins jornalísticos, informativos, educativos, artísticos e em campanhas humanitárias. Essa imagem está resguardada por direitos autorais e jamais poderá ser usada para finalidades que atentem contra a honra, a dignidade ou de qualquer forma de ofensa à imagem do fotografado e de sua comunidade." class="wp-image-172319" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/01-rd-jrr-3-002-029_Retocada-21-1024x674.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/01-rd-jrr-3-002-029_Retocada-21-300x197.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/01-rd-jrr-3-002-029_Retocada-21-768x505.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/01-rd-jrr-3-002-029_Retocada-21-1536x1011.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/01-rd-jrr-3-002-029_Retocada-21-150x99.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/01-rd-jrr-3-002-029_Retocada-21.jpg 2000w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br></figcaption></figure>



<p><em><sub>Legista identifica uma das vítimas do massacre no pátio do IML de Marabá, Pará. Ao fundo, aparecem outros fotógrafos que fizeram a cobertura, entre eles Ary Souza e Sebastião Salgado, subindo na carroceria (Fotografia de Ripper/ Imagens Humanas).</sub></em></p>



<p><strong>Amazônia Real</strong> <strong>&#8211; Olá Ripper, um prazer lhe entrevistar novamente. Aquela entrevista que a gente fez foi antes da pandemia, em 2019 foi bem completa. A gente parou quando tu estavas começando o projeto do Bem Querer o Brasil. Queria que tu nos contasses sobre o estado da arte do projeto hoje.</strong></p>



<p><strong>João Roberto Ripper &#8211;</strong> Eu vou te falar e Sara me corrige se eu tiver esquecido alguma coisa. Nós estamos na Fiocruz. A ideia é que o material todo possa ser doado para a Fiocruz, mas para ser usado pelas associações de direitos humanos para que elas possam usar esse material. É para organizações como MST, Repórter Brasil, Comissão Pastoral da Terra e todos dos movimentos sociais e que defendam os direitos humanos. São organizações ou associações que a gente possa encarar como um trabalho sério, duradouro e que elas possam ter acesso a esse material.</p>



<p><strong>Amazônia Real &#8211; Tem um levantamento de quantos negativos, cópias de PB, cromo?</strong></p>



<p><strong>Ripper &#8211;</strong> 180.000. Do início dos anos 70, final dos anos 60, acho que de 66 até a atualidade.</p>



<p><strong>Amazônia Real &#8211; </strong>180.000! É, meu amigo. E o financiamento?</p>



<p><strong>Ripper</strong> &#8211; Não tenho mais da Fundação Ford. É da Fiocruz mesmo, através de emenda parlamentar de deputados federais: Tarcísio Motta, Chico Alencar e Henrique Vieira.</p>



<p><strong>Amazônia Real &#8211; Quais os valores destas emendas e o que ela garante para o projeto, até quando ele está garantido?</strong> <strong>(Pergunta feita à assessoria de comunicação do projeto)</strong></p>



<p><strong>Resposta da assessoria de comunicação do projeto</strong>&#8211; Recebemos 3 emendas, dos deputados Chico Alencar, Tarcísio Motta e Henrique Vieira, todos do PSOL-RJ. Somadas, chegam a um milhão e 290 mil reais. Esse valor consegue garantir o projeto apenas até o final desse ano, levando em conta a contratação de profissionais, a compra de todo o material necessário para as diferentes frentes de trabalho, especialmente considerando que parte desse material não é produzido no Brasil e precisa ser importado, além de computadores, <em>scanners </em>de negativos (que também precisaram ser importados), <em>storages</em> para termos espaço de armazenamento e possibilidade de produção de back-ups dos arquivos digitais, etc&#8230; Leva-se em conta também que a estruturação inicial era uma estimativa, uma vez que foi apenas com a chegada do recurso das emendas que tivemos acesso aos materiais necessários para manusear com segurança o acervo analógico e realizar um mapeamento completo de todo o material, do Ripper que chega a quase 180 mil fotogramas. Continuamos buscando recursos e fontes de financiamento para garantir a manutenção desse projeto a longo prazo.</p>



<p><strong>Amazônia Real &#8211; Geralmente grandes fotógrafos fazem doações em modelos diferentes, para o Instituto Moreira Salles, por exemplo. Tu terias alguma restrição com esse tipo de doação para uma fundação ligada ao mercado financeiro, à exploração mineral também?</strong></p>



<p><strong>Ripper &#8211;</strong> A questão é muito mais do que um conflito de interesse, porque eu prefiro que um banco possa fazer o projeto. Quem dera todo banco pudesse fazer o projeto que o Instituto Moreira Salles faz e pudesse expandir mais. Agora, o que acontece é que a gente precisa que esse material seja espalhado pelas organizações, principalmente de direitos humanos, que não têm acesso a isso. Então, é muito mais importante que um fotógrafo receber uma quantia grande &#8211; e isso é legal -, é você ter um acervo que permita que as populações, como as populações tradicionais, que as organizações de direitos humanos possam ter acesso a esse acervo. Isso que eu penso, criar uma opção, porque não tinha essa opção. Então, eu estou trabalhando e criando essa opção para que, por exemplo, você ter uma ideia no futuro, ou fotógrafos populares possam também colocar o seu acervo. A Nair [fotógra Nair Benedicto,. conhecida por seu pioneirismo em coberturas de movimentos sociais] está fazendo algo semelhante, não tenho muitos detalhes do projeto dela, mas ela está partindo para algo parecido com o que eu estou fazendo. A ideia não é parar no meu acervo e esse material poder ser usado em defesa dos direitos humanos, quer dizer, é uma coisa bem política, né? Não é que eu tenha nada contra quem faz, que os bancos fizessem, mas não é a minha proposta.</p>



<p><strong>Amazônia Real &#8211;  Entendo. Aqui na Amazônia temos perdido acervos pela falta de preservação e custo. Tudo muito caro, vejo que isso possa ser um problema até geracional, pois não conheço colegas da minha geração e anterior à minha aqui no Amazonas que tenha o acervo bem conservado, catalogado, etc. No Pará, a Paula Sampaio está conseguindo recuperar boa parte do acervo dela. Mas aqui desconheço alguém que tenha feito isso. E você está apontando um novo caminho.</strong></p>



<p><strong>Ripper &#8211; </strong>Por isso partimos para o apoio parlamentar. Não é um projeto para mim, é um projeto que fica. Temos pessoas trabalhando com bolsas, como a Sara Gehren e o Breno Lima [que foram alunos do Ripper]. A Quita Pedrosa está fazendo entrevistas para ter as histórias das documentações, como o Massacre de Carajás. Há vários outros temas, como a violência no Rio de Janeiro, o cotidiano de populações tradicionais sub representadas pela grande mídia. Queremos mostrar não só as denúncias, mas as belezas dos fazeres dessas populações, por exemplo, e o que a gente quer também é que essas imagens possam ser passadas, colocadas em defesa dos direitos humanos e que possa abrir espaço para que outros fotógrafos façam isso, melhorem esse projeto, enfim, façam outros projetos. A ideia é justamente essa. E por ter essa proposta e estar abrigada na Fiocruz, com recursos públicos, a gente presta conta de tudo. Estamos identificando, arquivando esse material, e está se tentando identificar tudo que se pode e daí tem gente só pra escanear, gente só pra contar as histórias, porque não adianta só as fotos, mas as histórias também e a ideia é que isso tudo sirva os direitos humanos.</p>



<p><strong>Amazônia Real &#8211; Vamos agora falar do contexto do Massacre Eldorado dos Carajás e como você documentou. Como chegaste lá naquele primeiro momento? Como conseguiu apoio financeiro para a viagem até o Pará?</strong></p>



<p><strong>Ripper &#8211;</strong> Eu não estava empregado. Consegui apoio da mãe de uma ex-companheira para a passagem (Ripper mora no Rio de Janeiro) e viajei com R$ 100. Tive apoio do James Cavallaro, da Human Rights Watch, e da Comissão Pastoral da Terra, dormindo onde dava, como sempre fiz os meus trabalhos. E quando conseguia, vendia as matérias. E vivi assim, foi assim que eu sempre vivi. Aí eu cheguei lá e tinha tido uma autópsia que não tinha apurado nada. Então, com a chegada dos representantes do governo da área de direitos humanos&#8230; Eles chamaram o legista Nelson Mancini e foi feita outra autópsia, quando aí sim foram levantados todos os detalhes. Eu fotografei tudo, cada nome, cada pessoa [assassinada]. Além de ter, é claro, fotografado também as pessoas que estavam feridas (69). Mas foram 19 pessoas que morreram primeiramente e depois mais duas; e, no total, foram 21 pessoas assassinadas.</p>



<p><strong>Amazônia Real &#8211; Qual foi teu sentimento fotografando os corpos?</strong></p>



<p><strong>Ripper &#8211;</strong> Uma tristeza profunda. Foi de uma covardia brutal. O Salgado (Sebastião) também estava lá e passou o material dele para o MST. Fomos eu e ele lado a lado em cima de um caminhão acompanhando os corpos até Curionópolis, foram dois caminhões usados. Eu acompanhei todo o processo, desde a autópsia até o transporte dos corpos nestes caminhões. Paramos no Incra, onde houve um protesto e os corpos foram colocados no chão à noite. E continuamos a viagem, mesmo à noite. Foi um processo muito difícil. O legista apontava cada detalhe, cada estilete, cada facada, cada tiro. A maioria foi morta depois de baleada. Tinha gente com a mão decepada, morta com baionetas e machadadas. Foi um massacre. E eu nunca tinha fotografado um antes.</p>



<p><strong>Amazônia Real &#8211; Tu fotografastes esses detalhes como prova, como um fotógrafo pericial também?</strong></p>



<p><strong>Ripper</strong> &#8211; Fiz tudo porque tinha que ter a prova. Nem pude vender o material; tive que doá-lo para quem fazia o levantamento. Fiquei uns 10 dias nessa primeira viagem, pois meu filho Lucas ia nascer. Depois voltei várias vezes para acompanhar os julgamentos e nos outros anos na data do massacre.</p>



<p><strong>Amazônia Real &#8211; As pessoas tentam te colocar como um contraponto ao Salgado, principalmente no que diz respeito ao modo diferente de vocês trabalharem e  financiarem os seus projetos, na questão da práxis, do olhar e do reconhecimento público pela obra. O que tu achas disso?</strong></p>



<p><strong>Ripper</strong> &#8211; Eu acho um absurdo. Porque o Salgado foi uma pessoa que teve uma história importantíssima, fez inúmeros trabalhos que serviram aos direitos humanos, reportagens fantásticas, inclusive a primeira grande reportagem dele, luta por vários direitos, mergulha na questão amazônica e eu não acho correto. Primeiro porque ele fez um trabalho muito bom. Agora, se a gente tem alguma diferença ou teve alguma diferença de opinião, quer dizer, as pessoas não têm que ter a mesma opinião. O trabalho dele é fundamental. Agora eu discordo totalmente de me colocar como contraponto do Sebastião Salgado. Ele fez coisas importantíssimas, maravilhosas, além de ser um fotógrafo incrível.</p>



<p>O que ele teve de reconhecimento foi muito merecido. E eu estou muito feliz com o trabalho que eu faço, que eu continuo fazendo. Em nada, eu acho o trabalho dele que ele fez coisas super importantes. Pode ter ocasiões que fizeram alguma pergunta sobre a Amazônia e a gente respondeu de forma diferente, mas eu acho uma das coisas mais reacionárias que eu conheço é quando se tenta apagar alguém que teve ameaçado de morte, que trabalhou como ele trabalhou, tanto que ele morre como ele morre, em consequência de malárias. E aí as pessoas quererem cancelar ele. Cara, acho que isso é um absurdo&#8230;graças a Deus não é todo mundo que pensa  assim. Mas chegar a ponto de cancelar, às vezes pessoas boas, eu acho que é um absurdo isso, porque Salgado teve uma importância impressionante, brutal. o reconhecimento que ele teve é muito merecido. Eu estou muito feliz com o reconhecimento que eu tenho agora. É claro que ele teve um reconhecimento muito maior. Ele fotografou o mundo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/tri.jpg"><img decoding="async" width="1024" height="557" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/tri-1024x557.jpg" alt="" class="wp-image-172433" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/tri-1024x557.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/tri-300x163.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/tri-768x418.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/tri-1536x835.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/tri-150x82.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/tri.jpg 1986w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p><em><sub>Caixões no pátio do IML de Marabá; velório das vítimas do massacre, em Curionópolis e familiares e militantes carregam os caixões de seus companheiros até o local do enterro em Curionópolis (Fotos: Ripper/ Imagens Humanas).</sub></em></p>



<p><strong>Amazônia Real &#8211; Houve ameaças durante a cobertura de Carajás?</strong> <strong>Você se sentiu inseguro?</strong></p>



<p><strong>Ripper</strong> &#8211; Houve, houve bastante. Inclusive até anos depois, toda vez que saía o aniversário do massacre, eu era ameaçado por advogados, às vezes falando abertamente e gravando, por telefone. Mas eu sempre tive muita sorte, estou aí inteirinho. Eu tenho dificuldade mais física, mas não tem nada a ver com isso, as dificuldades mesmo física de doença que eu tenho hoje.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/valda-nogueira-9862.jpg"><img decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/valda-nogueira-9862-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-172440" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/valda-nogueira-9862-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/valda-nogueira-9862-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/valda-nogueira-9862-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/valda-nogueira-9862-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/valda-nogueira-9862-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/valda-nogueira-9862.jpg 2000w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p><em>João Roberto Ripper durante a documentação das Populações Tradicionais de apanhadores de flores Sempre Vivas situadas na Comunidade Galheiros, na Serra do Espinhaço em Diamantina, Minas Gerais. (Foto: Walda Nogueira).</em></p>



<p><strong>Amazônia Real &#8211; O</strong> <strong>massacre foi em 1996, dez anos depois do fim do período da ditadura militar empresarial. Tu vês um paralelo com o que vivemos recentemente, como no governo Bolsonaro e o cenário atual, com Trump intervendo na Venezuela, ameaçando intervir na Amazônia?</strong></p>



<p><strong>Ripper &#8211;</strong> A ditadura é um marco terrível. As ditaduras, as ditaduras na América Latina, na América do Sul, foram terríveis. A ditadura na Argentina foi terrível, a ditadura no Uruguai foi terrível, no Paraguai foi terrível, no Brasil &#8230; e tiveram todas em comum o apoio e a participação dos Estados Unidos. E hoje você tem o Trump defendendo publicamente crime de guerra e se juntando a outros países, para oferecer publicamente massacres. Massacres de uma dimensão cada vez maior. Então, do mesmo jeito que a gente teve massacres no Brasil, do mesmo jeito que a gente tem a polícia, em vez de se posicionar na maioria das vezes, enquanto defensora da vida, ela se posiciona a favor de massacres ou fechando os olhos para inúmeras violências e mortes e assassinatos, crescem organizações criminosas, como já existia no tempo dos conflitos agrários. Eu me lembro, não me lembro o nome dela, mas que tinha uma&#8230; quero achar no meu acervo&#8230;, uma delegada que era casada com o Abilhão, que era um famoso pistoleiro do sul do Pará. E ela posa para mim com duas armas. Então tinha desde este tipo de crime, aos crimes que vão se organizando porque vão se criando milícias. E a gente tem que trabalhar contra isso, tem que trabalhar denunciando os absurdos e mostrando as coisas boas que as pessoas atingidas por esses males todos fazem. Eu costumo dizer que as populações tradicionais, por exemplo, elas insistem na deliciosa teimosia de ser feliz e elas lutam para manter sua vida, para manter seus direitos, apesar de lutarem contra juízes, algumas vezes generais, algumas vezes policiais militares, delegados. São as mesmas pessoas. Quer dizer, é o mesmo poder que em vez de tentar apurar todas as questões que sufragam os direitos humanos, eles são capazes de bater na tecla, de absolver, de permitir, como a gente viu na questão da terra, mas a gente vê também na questão urbana. Isso mantém o poder, está muito ligado, infelizmente, a maioria, a criminalização, não só de criminalizar a pobreza, como você vê o caso do Padre Júlio Lancelotti. Se você for ver, é só para lembrar, ir no Pará, só para lembrar: Irmã Adelaide Molinae, Padre José Moraes Tavares, Padre Ricardo Rezende, Frei Henri, Irmã Dorothy. Todos ameaçados de morte, se não foram mortos.</p>



<p><strong>Amazônia Real &#8211; Eu estava revendo outro dia o meu material que eu fiz no assassinato da Dorothy Stang, o que me parece comum nestes casos que tu acabastes de mencionar e aí eu incluo o assassinato do Chico Mendes também é que além dessa dor, dessa violência toda, o que une esses casos é uma paisagem humana que parece que não se transforma como a paisagem da Amazônia que até pode mudar e virar pasto, soja, mas a paisagem humana se parece demais em todos esses casos. Pelo menos nestes de grande repercussão midiática, porque aqui no Amazonas recentemente ocorreram massacres e chacinas (Rio Abacaxis e da Bethânia) feitas por agentes públicos que não ficaram assim, digamos no imaginário das pessoas e não tiveram uma grande repercussão nacional ou internacional como no caso do Bruno e Dom Philips, por exemplo.</strong></p>



<p><strong>Ripper &#8211; </strong>A gente tem isso aqui no Rio, a gente tem isso em São Paulo, enfim, tem variações, mudanças, mas tem de uma forma brutal isso (de a grande mídia só mostrar a favela pela ótica da violência). E acho que é insistir, insistir, fazer as denúncias e mostrar tudo que de bom tem essas populações tradicionais, essas populações pobres, não existe como a gente trabalhar se a gente não tiver posicionado. É muito forte isso.</p>



<p><strong>Amazônia Real &#8211; Que mensagem tu deixarias para as novas gerações?</strong></p>



<p><strong>Ripper &#8211;</strong> Eu diria que aprendi com as populações pobres a &#8220;deliciosa teimosia de ser feliz&#8221;. Tenham essa teimosia na defesa dos direitos humanos, enquanto for jornalista, enquanto for um fotógrafo e tentem sempre fazer com que a tua foto sirva para o bem. Este é o melhor caminho que se pode ter.</p>



<p><strong>Amazônia Real &#8211; E tu ainda tens motivação para fotografar?</strong></p>



<p><strong>Ripper &#8211;</strong> Sim. Quero me aprofundar nas populações tradicionais, que são nelas que a gente vê os arroubos de violência e ao mesmo tempo as conquistas enormes pela união delas. Era uma coisa que eu queria. Agora queria também poder continuar a estar documentando os absurdos que eu vejo nas favelas, nas áreas pobres. Eu queria colocar minha fotografia bem mais ainda a serviço dos oprimidos. Para mim eu tenho isso muito claro. Queria que minha fotografia servisse de defesa dos oprimidos.</p>



<p><strong>Amazônia Real</strong> &#8211; Muito obrigado, Ripper. </p>



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                <li style="display: block; width: 100%;" class="slide-172406 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-04-13 14:35:47" data-filename="03-IH004123-2-1971x1314.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/03-IH004123-2-1971x1314.jpg" height="1333" width="2000" alt="Caminhão transporta os corpos das vítimas do massacre do Eldorado dos Carajás - 1998 (Fotografia de Ripper/Imagens Humanas)." class="slider-172345 slide-172406 msDefaultImage" title="MASSACRE DE CARAJÁS 30 ANOS FOTO RIPPER  - IMAGENS HUMANAS" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Transporte dos caixões dos trabalhadores assassinados de Marabá para Curionópolis. (Fotografia de Ripper/Imagens Humanas).

</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-172353 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-04-10 00:39:57" data-filename="05-rd-jrr-3-002-325_Retocada-5-1955x1303.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/05-rd-jrr-3-002-325_Retocada-5-1955x1303.jpg" height="1333" width="2000" alt="Estas fotografias fazem parte do Acervo João Roberto Ripper, um projeto associado ao ICICT/Fiocruz. Termos de uso das fotografias: Essa fotografia só poderá ser usada para fins jornalísticos, informativos, educativos, artísticos e em campanhas humanitárias. Essa imagem está resguardada por direitos autorais e jamais poderá ser usada para finalidades que atentem contra a honra, a dignidade ou de qualquer forma de ofensa à imagem do fotografado e de sua comunidade." class="slider-172345 slide-172353 msDefaultImage" title="MASSACRE DE CARAJÁS 30 ANOS FOTO RIPPER  - IMAGENS HUMANAS_Retocada-5" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Familiares e militantes enfileiram os caixões de seus companheiros em frente ao Incra de Marabá, em protesto contra a violência e pela Reforma Agrária (Fotografia de Ripper/Imagens Humanas).
</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-172346 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-04-10 00:39:56" data-filename="26-rd-jrr-3-002-513-NAO-Retocada-10-1961x1307.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/26-rd-jrr-3-002-513-NAO-Retocada-10-1961x1307.jpg" height="1333" width="2000" alt="Estas fotografias fazem parte do Acervo João Roberto Ripper, um projeto associado ao ICICT/Fiocruz. Termos de uso das fotografias: Essa fotografia só poderá ser usada para fins jornalísticos, informativos, educativos, artísticos e em campanhas humanitárias. Essa imagem está resguardada por direitos autorais e jamais poderá ser usada para finalidades que atentem contra a honra, a dignidade ou de qualquer forma de ofensa à imagem do fotografado e de sua comunidade." class="slider-172345 slide-172346 msDefaultImage" title="MASSACRE DE CARAJÁS 30 ANOS FOTO RIPPER  - IMAGENS HUMANAS- NÃO Retocada-10" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Agentes da Polícia Civil coletam depoimentos de três camponeses que sobreviveram ao massacre (Fotografia de Ripper/Imagens Humanas).
</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-172352 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-04-10 00:39:57" data-filename="11-rd-jrr-3-002-340_Retocada-6-1959x1305.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/11-rd-jrr-3-002-340_Retocada-6-1959x1305.jpg" height="1333" width="2000" alt="Estas fotografias fazem parte do Acervo João Roberto Ripper, um projeto associado ao ICICT/Fiocruz. Termos de uso das fotografias: Essa fotografia só poderá ser usada para fins jornalísticos, informativos, educativos, artísticos e em campanhas humanitárias. Essa imagem está resguardada por direitos autorais e jamais poderá ser usada para finalidades que atentem contra a honra, a dignidade ou de qualquer forma de ofensa à imagem do fotografado e de sua comunidade." class="slider-172345 slide-172352 msDefaultImage" title="MASSACRE DE CARAJÁS 30 ANOS FOTO RIPPER  - IMAGENS HUMANAS_Retocada-6" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Agentes da Polícia Civil colhem depoimentos durante o velório das vítimas do massacre, em Curionópolis (Fotografia de Ripper/Imagens Humanas).
</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-172360 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-04-10 01:20:36" data-filename="17-rd-jrr-3-002-434-NAO-Retocada-8-1937x1291.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/17-rd-jrr-3-002-434-NAO-Retocada-8-1937x1291.jpg" height="1333" width="2000" alt="Estas fotografias fazem parte do Acervo João Roberto Ripper, um projeto associado ao ICICT/Fiocruz. Termos de uso das fotografias: Essa fotografia só poderá ser usada para fins jornalísticos, informativos, educativos, artísticos e em campanhas humanitárias. Essa imagem está resguardada por direitos autorais e jamais poderá ser usada para finalidades que atentem contra a honra, a dignidade ou de qualquer forma de ofensa à imagem do fotografado e de sua comunidade." class="slider-172345 slide-172360 msDefaultImage" title="MASSACRE DE CARAJÁS 30 ANOS FOTO RIPPER  - IMAGENS HUMANAS- NÃO Retocada-8" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Familiares e militantes carregam a bandeira do MST e guirlandas de flores em uma longa caminhada até o local do enterro, em Curionópolis (Fotografia de Ripper/Imagens Humanas).
</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-172350 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-04-10 00:39:56" data-filename="16-rd-jrr-3-002-431_Retocada-7-1945x1296.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/16-rd-jrr-3-002-431_Retocada-7-1945x1296.jpg" height="1333" width="2000" alt="Estas fotografias fazem parte do Acervo João Roberto Ripper, um projeto associado ao ICICT/Fiocruz. Termos de uso das fotografias: Essa fotografia só poderá ser usada para fins jornalísticos, informativos, educativos, artísticos e em campanhas humanitárias. Essa imagem está resguardada por direitos autorais e jamais poderá ser usada para finalidades que atentem contra a honra, a dignidade ou de qualquer forma de ofensa à imagem do fotografado e de sua comunidade." class="slider-172345 slide-172350 msDefaultImage" title="MASSACRE DE CARAJÁS 30 ANOS FOTO RIPPER  - IMAGENS HUMANAS-Retocada-7" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Familiares e militantes carregam a bandeira do MST e guirlandas de flores em uma longa caminhada até o local do enterro, em Curionópolis (Fotografia de Ripper/Imagens Humanas).</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-172349 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-04-10 00:39:56" data-filename="13-rd-jrr-3-002-096_Retocada-15-1947x1298.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/13-rd-jrr-3-002-096_Retocada-15-1947x1298.jpg" height="1333" width="2000" alt="Estas fotografias fazem parte do Acervo João Roberto Ripper, um projeto associado ao ICICT/Fiocruz. Termos de uso das fotografias: Essa fotografia só poderá ser usada para fins jornalísticos, informativos, educativos, artísticos e em campanhas humanitárias. Essa imagem está resguardada por direitos autorais e jamais poderá ser usada para finalidades que atentem contra a honra, a dignidade ou de qualquer forma de ofensa à imagem do fotografado e de sua comunidade." class="slider-172345 slide-172349 msDefaultImage" title="MASSACRE DE CARAJÁS 30 ANOS FOTO RIPPER  - IMAGENS HUMANAS_Retocada-15" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Familiares e militantes carregam os caixões de seus companheiros caídos em uma longa caminhada até o local do enterro em Curionópolis (Fotografia de Ripper/Imagens Humanas).</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-172359 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-04-10 01:19:37" data-filename="12-rd-jrr-3-002-080_Retocada-13-1983x1321.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/12-rd-jrr-3-002-080_Retocada-13-1983x1321.jpg" height="1333" width="2000" alt="Estas fotografias fazem parte do Acervo João Roberto Ripper, um projeto associado ao ICICT/Fiocruz. Termos de uso das fotografias: Essa fotografia só poderá ser usada para fins jornalísticos, informativos, educativos, artísticos e em campanhas humanitárias. Essa imagem está resguardada por direitos autorais e jamais poderá ser usada para finalidades que atentem contra a honra, a dignidade ou de qualquer forma de ofensa à imagem do fotografado e de sua comunidade." class="slider-172345 slide-172359 msDefaultImage" title="MASSACRE DE CARAJÁS 30 ANOS FOTO RIPPER  - IMAGENS HUMANAS_Retocada-13" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Familiares e militantes carregam os caixões de seus companheiros caídos em uma longa caminhada até o local do enterro em Curionópolis (Fotografia de Ripper/Imagens Humanas).</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-172348 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-04-10 00:39:56" data-filename="14-rd-jrr-3-002-085_Retocada-14-1931x1287.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/14-rd-jrr-3-002-085_Retocada-14-1931x1287.jpg" height="1333" width="2000" alt="Estas fotografias fazem parte do Acervo João Roberto Ripper, um projeto associado ao ICICT/Fiocruz. Termos de uso das fotografias: Essa fotografia só poderá ser usada para fins jornalísticos, informativos, educativos, artísticos e em campanhas humanitárias. Essa imagem está resguardada por direitos autorais e jamais poderá ser usada para finalidades que atentem contra a honra, a dignidade ou de qualquer forma de ofensa à imagem do fotografado e de sua comunidade." class="slider-172345 slide-172348 msDefaultImage" title="MASSACRE DE CARAJÁS 30 ANOS FOTO RIPPER  - IMAGENS HUMANAS_Retocada-14" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Familiares e militantes carregam os caixões de seus companheiros caídos em uma longa caminhada até o local do enterro em Curionópolis (Fotografia de Ripper/Imagens Humanas).
</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-172351 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-04-10 00:39:56" data-filename="23-rd-jrr-3-002-482-NAO-Retocada-9-1949x1299.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/23-rd-jrr-3-002-482-NAO-Retocada-9-1949x1299.jpg" height="1333" width="2000" alt="Enterro das vitimas do massacre do Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1998" class="slider-172345 slide-172351 msDefaultImage" title="MASSACRE DE CARAJÁS 30 ANOS FOTO RIPPER  - IMAGENS HUMANAS- NÃO Retocada-9" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Trabalhador rural apoia mão sobre uma antiga lápide durante o sepultamento dos 19 companheiros assassinados no massacre (Fotografia de Ripper/Imagens Humanas).
</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-172347 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-04-10 00:39:56" data-filename="25-rd-jrr-3-002-117-NAO-Retocada-19-1969x1313.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/25-rd-jrr-3-002-117-NAO-Retocada-19-1969x1313.jpg" height="1333" width="2000" alt="Enterro das vitimas do massacre do Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1998" class="slider-172345 slide-172347 msDefaultImage" title="MASSACRE DE CARAJÁS 30 ANOS FOTO RIPPER  - IMAGENS HUMANAS- NÃO Retocada-19" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Familiares e militantes cobrem de terra as covas ao final do enterro (Fotografia de Ripper/Imagens Humanas).
</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-172356 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-04-10 00:42:44" data-filename="20-rd-jrr-3-002-109_Retocada-18-1964x1309.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/20-rd-jrr-3-002-109_Retocada-18-1964x1309.jpg" height="1333" width="2000" alt="Enterro das vitimas do massacre do Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1998" class="slider-172345 slide-172356 msDefaultImage" title="MASSACRE DE CARAJÁS 30 ANOS FOTO RIPPER  - IMAGENS HUMANAS- Retocada-18" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Esposa de um dos trabalhadores assassinados se emociona diante dos caixões enfileirados (Fotografia de Ripper/ Imagens Humanas).</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-172405 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-04-13 14:33:16" data-filename="21-rd-jrr-3-002-105-NAO-Retocada-17-1989x1326.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/21-rd-jrr-3-002-105-NAO-Retocada-17-1989x1326.jpg" height="1333" width="2000" alt="Enterro das vitimas do massacre do Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1998" class="slider-172345 slide-172405 msDefaultImage" title="MASSACRE DE CARAJÁS 30 ANOS FOTO RIPPER  - IMAGENS HUMANAS - NÃO Retocada-17" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Esposa de um dos trabalhadores assassinados se emociona diante dos caixões enfileirados (Fotografia de Ripper/ Imagens Humanas).</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-172357 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-04-10 00:42:44" data-filename="24-IH004917-4-1944x1296.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/24-IH004917-4-1944x1296.jpg" height="1333" width="2000" alt="O chamado massacre de Eldorado dos Carajás ocorreu durante o conflito de 17 de abril de 1996 em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará. Dezenove sem-terra foram assassinados pela Polícia Militar. O confronto ocorreu quando 1.500 sem-terra que estavam acampados na região decidiram fazer uma marcha em protesto contra a demora da desapropriação de terras, principalmente as da Fazenda Macaxeira. A Polícia Militar foi encarregada de tirá-los do local, pois estavam obstruindo a rodovia PA-150, que liga Belém ao Sul do Pará. . .A ordem partiu do Secretário de Segurança do Pará, Paulo Sette Câmara, que declarou, depois do ocorrido, que autorizara &quot;usar a força necessária, inclusive atirar&quot;. De acordo com os sem-terra ouvidos pela imprensa na época, os policiais chegaram jogando bombas de gás lacrimogêneo. Os sem-terra revidaram com paus e pedras. A polícia, então, partiu para uma ação mais violenta e atirou. 19 pessoas morreram na hora, outras duas morreram anos depois, vítimas das seqüelas e outras 67 ficaram feridas e mutiladas para o resto da vida. . .Segundo o legista Nélson Massini, que fez a perícia dos corpos, pelo menos 10 sem-terra foram executados. Sete lavradores foram mortos por instrumentos cortantes, como foices e facões" class="slider-172345 slide-172357 msDefaultImage" title="MASSACRE DE CARAJÁS 30 ANOS FOTO RIPPER  - IMAGENS HUMANAS" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Familiares e militantes erguem os caixões para descê-los nas covas (Fotografia de Ripper/Imagens Humanas).
</div></div></li>
            </ul>
        </div>
        
    </div>
</div></div>





<p><strong>Serviço</strong>:</p>



<p>Exposição: “30 anos Esta Tarde”, fotografias de João Roberto Ripper. </p>



<p>Debate com: Eró Silva (MST); Leonilde Medeiros (UFRRJ); Antônio Herrera (Levante) e Ripper.</p>



<p>Abertura dia 17 de abril,  às 15 horas.</p>



<p>Às 18 horas: Exibição do curta-metragem sobre o Acampamento Oziel Alves Pereira, feito pelos alunos da  Escola de Cinema do Campo.</p>



<p>Às 19 horas: Forró Mulher.</p>



<p>Local: Armazém do Campo, avenida Mem de Sá, 135 &#8211; Lapa, Rio de Janeiro.</p>



<p>O evento faz parte da JURA – Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária, mobilização que ocorre no Brasil inteiro.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong><em>Estas fotografias fazem parte do Acervo João Roberto Ripper, um projeto associado ao ICICT/Fiocruz.<br>Termos de uso das fotografias:<br>Estas fotografias só poderão ser usada para fins jornalísticos, informativos, educativos, artísticos e em campanhas humanitárias. Essa imagem está resguardada por direitos autorais e jamais poderá ser usada para finalidades que atentem contra a honra, a dignidade ou de qualquer forma de ofensa à imagem do fotografado e de sua comunidade.</em></strong></p>



<p></p>
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		<title>A infraestrutura na Amazônia tem riscos para a biossegurança</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Philip Martin Fearnside]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 21:17:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudos recentes de microorganismos do meio ambiente, como o corredor central da BR-319 e a região de exploração de potássio, alertam que áreas da Amazônia ameaçadas por grandes projetos econômicos podem criar condições ecológicas que facilitam a disseminação de patógenos e a recombinação genética com patógenos humanos conhecidos, amplificando os riscos globais de biossegurança.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Lucas Ferrante, Luis Schiesari, Célio Fernando Batista Haddad, Leonor Patrícia Cerdeira Morellato, Eric Williams, Jeremias Leão, Alexandre Celestino Leite Almeida, Letícia Sarturi Pereira, Leticia Souza Reis, Ruth Camargo Vassão, Natália Sátyro, Lizandro Lui, Cristiana Losekann, Eduardo Grin, André Luiz Marenco dos Santos, Unaí Tupinambás, Kei Otsuki, Philip Martin Fearnside, Izeni Farias e Tomas Hrbek</strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>No 09 de abril publicamos uma carta na prestigiosa revista <em>Science</em> sobre o risco de novas pandemias por patógenas liberadas por solos perturbados a partir da rodovia BR-319 e da mineração de potássio em Autazes, disponível aqui [1]. Este texto traz essas informações em língua portuguesa.</p>



<p>O desmatamento das florestas amazônicas apresenta riscos crescentes à biossegurança em escalas local, regional e global [2]. O recente acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia está prestes a exacerbar o desmatamento, acelerando a expansão do agronegócio brasileiro [3] — especialmente a pecuária e a produção de soja — em terras ocupadas ilegalmente no Sul e centro da Amazônia [4]. Essa expansão está sendo ativamente facilitada pelo governo brasileiro por meio da consolidação da rodovia BR-319 [4], que liga Manaus a Porto Velho, no centro do arco de desmatamento amazônico, e por meio de seu apoio político à mineração de potássio [5] em uma área do município de Autazes historicamente ocupada pelo povo indígena mura [6]. Além de afetar o desmatamento, esses projetos irão perturbar florestas, solos e sistemas hidrológicos intactos, forçando um novo contato entre humanos, animais e comunidades microbianas anteriormente isoladas [7].</p>



<p>Análises metagenômicas recentes revelam que o corredor central BR-319 e as áreas propostas para extração de potássio abrigam conjuntos microbianos desconhecidos enriquecidos em genes associados à resistência a antibióticos, alta virulência, toxicidade e transferência horizontal de genes [7]. A perturbação desses reservatórios cria condições ecológicas que facilitam a disseminação de patógenos e a recombinação genética com patógenos humanos conhecidos, amplificando os riscos globais de biossegurança [2, 7].</p>



<p>A limitada capacidade institucional para detectar, conter e responder a patógenos emergentes na Amazônia já produziu consequências internacionais mensuráveis [2]. A variante gama do coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2) surgiu em Manaus e rapidamente cruzou fronteiras internacionais [8]. Se consolidada, a rodovia BR-319 conectaria um dos maiores reservatórios zoonóticos do mundo a aeroportos internacionais, aumentando substancialmente a velocidade e a escala com que novos patógenos poderiam se disseminar globalmente [2, 7]. Mais recentemente, uma nova linhagem do vírus Oropouche, originária do corredor da BR-319, expandiu-se para além do Brasil [9], com circulação confirmada na América Central e na Europa [10, 11]. Esses casos demonstram que o vazamento de patógenos da Amazônia não é um risco hipotético futuro, mas um processo contínuo, com implicações globais para a saúde pública [7].</p>



<p>Essas evidências foram formalmente submetidas ao Ministério do Meio Ambiente do Brasil [7], onde as autoridades são legalmente obrigadas a avaliar toda a documentação técnica. As mesmas obrigações se aplicam à autoridade estadual do Amazonas responsável pela licença para mineração de potássio em Autazes. Nossos resultados indicam que a consolidação da BR-319 e a mineração de potássio não apenas estão ligadas ao desmatamento e à instabilidade climática, mas também criam vias ativas para o surgimento e a disseminação global de patógenos [7]. Em consonância com o princípio de Saúde Única e o princípio da precaução [12], esses projetos justificam uma reavaliação urgente, inclusive por parte dos parceiros comerciais internacionais. [13]</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Notas</strong></p>



<p>[1]Ferrante, L., L. Schiesari, C.F.B. Haddad, L.P.C. Morellato, E. Williams, J. Leão, A. Celestino, L.S. Pereira, L.S. Reis, R.C. Vassão, N. Sátyro, L. Lui, C. Losekann, E. Grin, A.L.M. dos Santos, U. Tupinambás, P.M. Fearnside, I. Farias &amp; T. Hrbek. 2026. <a href="https://doi.org/10.1126/science.aeg1212">Amazon infrastructure poses biosecurity risks</a>. <em>Science</em> 392(6794): 156-157. </p>



<p>[2] Ferrante, L. 2024. <a href="https://doi.org/10.1016/S2542-5196(24)00163-3">A road to the next pandemic: the consequences of Amazon highway BR-319 for planetary health</a>. <em>Lancet Planet Health</em> 8: e524-e525. </p>



<p>[3] MRE (Ministério das Relações Exteriores). 2026. F<a href="https://www.gov.br/mre/pt-br/assuntos/politica-externa-comercial-e-economica/agenda-de-negociacoes-externas/factsheet-acordo-de-parceria-mercosul-uniao-europeia">ACTSHEET Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia.</a> </p>



<p>[4] Ferrante, L., R.R. Marinho &amp; P.M. Fearnside. 2025.<a href="https://doi.org/10.1007/s43621-025-01850-1"> The 2023 Manaus smoke crisis and the role of highway BR-319 in a new Amazon fire cycle</a>. <em>Discover Sustainability </em>6: art. 909. </p>



<p>[5] MDICS (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). 2026. <a href="https://www.gov.br/suframa/pt-br/centrais-de-conteudo/seminarios-e-apresentacoes/2022/fertilizantes">Projeto Amazônia 2040–Fertilizantes.</a> </p>



<p>[6]Tastevin, C. 1923. Indiens Mura de la Région de L&#8217;Autaz (Haut-Amazone). <em>Revue de l&#8217;Anthropologie</em> 33: 509-533.</p>



<p>[7]Ferrante, L., Schiesari, L., Haddad, C.F.B., Morellato, L.P.C., Williams, E., Leão, J., Celestino, A., Pereira, L.S., Reis, L.S., Vassão, R.C., Sátyro, N., Marenco, A., Losekann, C., Lui, L., Grin, E.J., Tupinambás, U., Fearnside, P.M., Farias, I. &amp; Hrbek, T. 2026. <a href="https://qualigov.pro.br/_files/pasta/1/6962464dab29c.pdf"><em>Nota Técnica: Consolidação da BR-319 e mineração de potássio impulsionarão a emergência de novos microrganismos patogênicos na Amazônia Central</em>. </a>Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima), Instituto de Biociências, Universidade do Estado de São Paulo-Unesp, Rio Claro, SP &amp; Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Qualidade de Governo e Políticas para o Desenvolvimento Sustentável (INCT QualiGov), Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRS, Porto Alegre, RS, Brasil. 6 pp. </p>



<p>[8] Naveca, F.G., V. Nascimento, V.C. de Souza, A.L. Corado, F. Nascimento, G. Silva, Á. Costa, D. Duarte, K. Pessoa, M. Mejía, M.J. Brandão, M. Jesus, L. Gonçalves, C. da Costa, V. Sampaio, D. Barros, M. Silva, T. Mattos, G. Pontes, L. Abdalla, J.H. Santos, I. Arantes, F.Z. Dezordi, M.M. Siqueira, G.L. Wallau, P.C. Resende, E. Delatorre, T. Gräf &amp; G. Bello. 2021. <a href="https://doi.org/10.1038/s41591-021-01378-7">COVID-19 in Amazonas, Brazil, was driven by the persistence of endemic lineages and P.1 emergence.</a> <em>Nature Medicine</em> 27: 1230–1238. </p>



<p>[9] Naveca, F.G., T.A.P. de Almeida, V. Souza, V. Nascimento, D. Silva, F. Nascimento, M. Mejía et al. 2024. <a href="https://doi.org/10.1038/s41591-024-03300-3">Human outbreaks of a novel reassortant Oropouche virus in the Brazilian Amazon region</a>. <em>Nature Medicine</em> 30: 3509–3521. </p>



<p>[10] PAHO &amp; WHO (Pan American Health Organization &amp; World Health Organization). 2024. <a href="https://www.paho.org/en/documents/epidemiological-alert-oropouche-region-americas-vertical-transmission-event-under">Epidemiological Alert Oropouche in the Region of the Americas: vertical transmission event under investigation in Brazil.</a> PAHO/WHO, 17 de julho de 2024. </p>



<p>[11] Gov.UK. 2026. <a href="https://www.gov.uk/guidance/oropouche-virus-disease">Oropouche virus disease</a>. UK Health Security Agency, 5 de Janeiro de 2026. </p>



<p>[12] WHO (World Health Organization). 2023. <a href="https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/one-health">One Health</a>. </p>



<p>[13] Este texto é traduzido de: Ferrante, L., L. Schiesari, C.F.B. Haddad, L.P.C. Morellato, E. Williams, J. Leão, A. Celestino, L.S. Pereira, L.S. Reis, R.C. Vassão, N. Sátyro, L. Lui, C. Losekann, E. Grin, A.L.M. dos Santos, U. Tupinambás, P.M. Fearnside, I. Farias &amp; T. Hrbek. 2026. <a href="https://doi.org/10.1126/science.aeg1212">Amazon infrastructure poses biosecurity risks. </a><em>Science</em> 392(6794): 156-157. </p>





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<p><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p><strong>Lucas Ferrante </strong>possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL) e Mestrado e Doutorado em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Atualmente é bolsista de pós-doutorado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador no Departamento de Genética, Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Desenvolve pesquisas sobre a influência das atividades humanas na estrutura, dinâmicas, clima e biodiversidade da Amazônia e Mata Atlântica, além do impacto sobre as populações tradicionais que vivem na floresta. Liderou pesquisas sobre a epidemiologia de COVID-19 e atualmente concentra seus esforços sobre o risco de patógenas oriundas de solos amazônicos.</p>



<p><strong>Luís Schiesari</strong> possui graduação em Biologia e mestrado em Zoologia pela Universidade de São Paulo) e mestrado e doutorado e Ecologia pela Universidade de Michigan, EUA. É Livre-Docente em Ecologia pela Universidade de São Paulo, com experiência pós-doutoral em Ecotoxicologia na Universidade de Medicina Veterinária de Viena, Áustria. Atualmente é Professor Titular de Gestão Ambiental na Universidade de São Paulo. Pesquisa a ecologia teórica e aplicada em sistemas aquáticos, com especial atenção à contaminação por pesticidas, fertilizantes e fármacos, as alterações na estrutura do hábitat, e as mudanças microclimáticas.</p>



<p><strong>Célio Fernando Baptista Haddad&nbsp;</strong>possui graduação em Ciências Biológicas e doutorado em Ecologia pela Universidade Estadual de Campinas. É Livre-Docente pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), Campus de Rio Claro e atualmente Professor Titular de Vertebrados desta instituição. É Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1-A de CNPq. Pesquisa a evolução, comportamento e conservação dos anfíbios anuros.</p>



<p><strong>Leonor Patrícia Cerdeira Morellato</strong>&nbsp;possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo e mestrado e doutorado em Ecologia pela Universidade Estadual de Campinas. Atualmente é Professora Titular no Departamento de Biodiversidade e Centro de Aquicultura, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Rio Claro, SP. Pesquisa a ecologia temporal de vegetações tropicais, investigando efeitos das mudanças climáticas globais nas plantas, a biologia da polinização e dispersão de sementes e a influência de distúrbios antrópicos.</p>



<p><strong>Eric Arruda Williams </strong>possui graduação em Ciências Biológicas pela Centro Universitário UNIFEOB e mestrado em Biodiversidade em Unidades de Conservação pela Escola Nacional de Botânica Tropical, Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Atualmente é consultor ambiental em Ornitologia, Mastozoologia, Entomologia, Ictiologia e Botânica na Biotropica Consultoria de Fauna e Flora,Poços de Caldas, MG.<strong></strong></p>



<p><strong>Jeremias da Silva Leão</strong>&nbsp;possui graduação em Estatística pela Universidade Federal do Ceará, mestrado em Estatística pela Universidade Federal de Pernambuco e doutorado em Estatística pela Universidade Federal de São Carlos/Universidade de São Paulo. Atualmente é Professor Associado do Departamento de Estatística da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Pesquisa na área de probabilidade e estatística, inclusive na modelagem de eventos extremos com modelos de longa duração e modelos de fragilidade.</p>



<p><strong>Alexandre Celestino Leite Almeida</strong> possui Graduação em Matemática Computacional, Mestrado em Matemática e Doutorado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente é Professor Adjunto IV na Universidade Federal de São João Del Rei no campus Alto Paraopeba, Ouro Branco-MG. Trabalha com matemática aplicada, inclusive com epidemiologia.</p>



<p><strong>Letícia Sarturi Pereira</strong> possui Graduação em Farmácia da Universidade Paranaense (UNIPAR), mestrado em Imunologia pela da Universidade de São Paulo (USP) e doutorado em Biociências e Fisiopatologia pela Universidade Estadual de Maringá, (UEM). Atualmente é pós-doutoranda no Centro de Estudos SoU Ciência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Pesquisa nas áreas de imunologia e neurogastroenterologia para a saúde pública.</p>



<p><strong>Letícia Souza Reis</strong> possui Graduação e Mestrado em Psicóloga pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Tem Especialização em Saúde Pública pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e em Saúde Coletiva pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atualmente é ligada ao Instituto de Saúde Coletiva (ISC), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador, BA.</p>



<p><strong>Ruth Camargo Vassão</strong>&nbsp;possui graduação em Ciências Biológicas, mestrado em Imunologia e doutorado em Imunologia pela Universidade de São Paulo. Atualmente é aposentada do Laboratório de Biologia Celular do Instituto Butantan, São Paulo, SP. Tem experiência na área de Imunologia, com ênfase em Imunologia de Tumores, atuando principalmente nos seguintes temas: estudo de células e citocinas envolvidas na resposta imune contra tumores.</p>



<p><strong>Natália Guimarães Duarte Sátyro</strong>&nbsp;possui Graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Mestrado e Doutorado em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (UPERJ). Atualmente é Professora Titular do Departamento de Ciência Política da UFMG. É vice-coordenadora do INCT Qualidade de Governo e Políticas Públicas para o Desenvolvimento Sustentável. Seus interesses de pesquisa incluem Estado de bem-estar, política de assistência social, programas de transferência de renda, políticas de família, e instituições políticas.</p>



<p><strong>Lizandro Lui</strong>&nbsp;possui Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Mestrado e Doutorado em Sociologia pela Universidade do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente é Professor da Escola de Políticas Públicas e Governo da Fundação Getúlio Vargas em Brasília-DF. Desenvolve pesquisas na área das Políticas Públicas e Sociologia Política, Desenho de Políticas Públicas, Governança de dados e relações interfederativas no Brasil.<strong></strong></p>



<p><strong>Cristiana Losekann</strong> possui graduação em Ciências Sociais e mestrado e doutorado em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente é Professora Associada do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito (UFES). Pesquisa sobre processos de ação coletiva nas interações entre ambiente, sociedade e política, as transformações do ambientalismo, processos de participação na política ambiental, a mobilização do direito como repertório de ação coletiva nas questões ambientais e climáticas a climatização do ambientalismo e a litigância climática.</p>



<p><strong>Eduardo José Grin</strong>&nbsp;possui Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de Sinos (UNISINOS), Mestrado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), e Doutorado em Administração Pública e Governo pela Fundação Getúlio Vargas em São Paulo&nbsp;(FGV-SP). Atualmente é Professor na&nbsp;Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da&nbsp;FGV-SP. Pesquisa instituições políticas, federalismo comparado, descentralização, consórcios intermunicipais, gestão municipal, capacidades estatais e políticas públicas.</p>



<p><strong>André Luiz Marenco dos Santos</strong>&nbsp;possui Graduação em Ciências Sociais e Mestrado e Doutorado em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, (UFRGS). Atualmente é Professor Titular do Departamento de Ciência Política e do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da UFRGS. Pesquisa instituições políticas comparadas, reforma política, burocracia e políticas públicas. Ele é Coordenador do INCT Qualidade de Governo e Políticas para o Desenvolvimento Sustentável (QUALIGOV).</p>



<p><strong>Unaí Tupinambás</strong> possui graduação em Medicina e mestrado e doutorado em Infectologia e Medicina Tropical da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente é Professor Associado III do Departamento de Departamento de Medicina Interna da UFMG. É coordenador de projetos de Extensão e Pesquisa na Faculdade de Medicina para enfrentamento da pandemia COVID-19.</p>



<p><strong>Kei Otsuki </strong>tem graduação e mestrado da Universidade de Tokyo, Japão, e doutorado em Sociologia de Desenvolvimento da Universidade de Wageningen, Países Baixos. Departamento de Geografia Humana e Planejamento Espacial, Universidade de Utrecht, Utrecht, Países Baixos. Atualmente, ela é professora de Estudos de Desenvolvimento Internacional na Universidade de Utrecht, Países Baixos. Seus interesses de pesquisa se concentram na equidade social e na justiça para o desenvolvimento sustentável. Ela explora as relações entre a agenda global para as transições de sustentabilidade e o meio ambiente e o bem-estar locais. Ela conduziu pesquisas de campo sobre a relação entre a conservação florestal e os assentamentos humanos espontâneos na Amazônia brasileira.</p>



<p><strong>Philip Martin Fearnside </strong>é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis&nbsp;<a href="http://philip.inpa.gov.br/">aqui</a>.</p>



<p>I<strong>zeni Pires Farias</strong>&nbsp;possui Graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), mestrado em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), e doutorado em Ciências Biológicas (Genética Molecular) pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Atualmente é Professora Titular no Departamento de Genética da UFAM. Pesquisa&nbsp;na área de genética animal, com ênfase em filogenia, filogeografia, genética de populações, genética da conservação, ecologia molecular, microbioma e DNA ambiental, focando principalmente em questões relacionadas aos vertebrados da Amazônia.</p>



<p><strong>Tomas Hrbek</strong> possui graduação em Bioquímica pela Universidade de Binghamton em Binghamton, New York, EUA e doutorado em Ecologia, Evolução e Biologia Populacional pela Universidade Washington em Saint Louis, Missouri, EUA. Atualmente é Professor no Departamento de Genética&nbsp;da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Pesquisa na área de genética e biologia evolutiva, principalmente nos seguintes temas: genética da conservação, genética de populações, genética quantitativa, ecologia molecular e sistemática molecular.</p>
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		<title>A “Lei da Devastação” inicia sua devastação com a BR-319</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Philip Martin Fearnside]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 11:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
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		<category><![CDATA[BR-319]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O governo federal liberou a retomada das obras de pavimentação da BR-319, incluindo o trecho ‘do meio’. A autorização foi facilitada por uma mudança na Licença Ambiental Especial (LAE), aprovada pelo Congresso em 2025 e sancionada pelo presidente Lula. Apesar das ‘comemorações’ de empresários e políticos, especialistas alertam para o início de um novo momento de avanço de desmatamento, grilagem e degradação ambiental. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em 31 de março de 2026, o Ministro dos Transportes abriu a licitação para a reconstrução do “trecho do meio” da Rodovia Manaus-Porto Velho (BR-319). Esse &#8220;último ato&#8221; ocorreu um dia antes de o ministro renunciar ao cargo para se candidatar nas eleições de outubro. Ironicamente, a data também marca o aniversário do golpe de 1964 que deu início à ditadura militar brasileira de 21 anos, cujo legado tem muitas ligações com os eventos atuais relacionados à BR-319 [1].</p>



<p>A abertura da licitação, presumivelmente para permitir o início da construção durante a estação seca de 2026, foi realizada sem a devida licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), com base em uma cláusula da “Lei de Devastação” (Lei 15.190/2025, Artigo 8º, Inciso 7º) que permite a execução de obras de reconstrução de estradas já pavimentadas sem necessidade de licenciamento [2]. Essa cláusula foi incluída na lei por meio de emenda proposta por um senador do Amazonas, especificamente para facilitar o projeto da BR-319.</p>



<p>A lei conhecida como “Lei de Devastação” (oficialmente “Lei Geral de Licenciamento”) entrou em vigor em 4 de fevereiro de 2026, embora ainda estejam pendentes decisões em três processos no Supremo Tribunal Federal que questionam sua constitucionalidade (ADIs 7913, 7916 e 7919). Todas as três Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs), apresentadas em dezembro de 2025, são reforçadas por petições <em>amicus curiae </em>apresentadas em 6 de abril de 2026 [3-5]. O enorme impacto ambiental em todo o país do projeto BR-319 [6, 7] viola o direito constitucional de todos os brasileiros terem um “meio ambiente ecologicamente equilibrado” ([8], Art. 225).</p>



<p>A “lei da devastação” não exime o projeto BR-319 da obrigação de consultar os povos indígenas impactados, conforme estipulado pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho [9] e pela legislação brasileira que a implementa (Lei 10.088/2019<strong>, </strong>anteriormente 5.051/2004; PR, 2004, 2019). Nenhum dos povos indígenas impactados foi consultado (por exemplo, [12-14]). O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) pretendia “consultar” apenas cinco grupos [15], embora a intenção fosse fazê-lo simultaneamente ao projeto de construção, e não antes (como exige a Convenção 169 da OIT) de a consulta ser realizada não apenas antes do início da construção, mas também antes de qualquer decisão sobre a implementação do projeto. A visão da DNIT sobre o que constitui uma “consulta” como sendo a mera apresentação dos planos do projeto está totalmente em desacordo com os requisitos da Convenção, incluindo a necessidade de as populações indígenas afetadas terem voz na decisão sobre a própria existência do projeto (por exemplo, [16]).</p>



<p>O licenciamento feito pelo IBAMA, agora descartado na prática, exige consulta aos povos indígenas num raio de 40 km de uma rodovia, com base na Portaria Interministerial nº 60, de 24 de março de 2015 [17]. Há 14 grupos dentro desse limite (Figura 1). No entanto, a Convenção 169 da OIT e a legislação brasileira que a implementa não especificam nenhum limite de distância para os grupos indígenas que devem ser consultados, determinando, em vez disso, a consulta a todos os grupos afetados. Claramente, uma portaria emitidapor ministros do Poder Executivo não tem autoridade para se sobrepor a uma convenção internacional ratificada ou a uma lei aprovada pelo Congresso Nacional. Existem 68 grupos num raio de 150 km da rodovia que seriam impactados [12], além de grupos mais distantes, como aqueles que seriam impactados pelas rodovias estaduais planejadas para se ramificarem da BR-319 e pela migração do “arco do desmatamento” para áreas já conectadas a Manaus por estrada.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-2-Terras_Indigenas.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="724" height="1024" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-2-Terras_Indigenas-724x1024.jpg" alt="" class="wp-image-172288" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-2-Terras_Indigenas-724x1024.jpg 724w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-2-Terras_Indigenas-212x300.jpg 212w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-2-Terras_Indigenas-768x1086.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-2-Terras_Indigenas-1086x1536.jpg 1086w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-2-Terras_Indigenas-150x212.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-2-Terras_Indigenas.jpg 1241w" sizes="auto, (max-width: 724px) 100vw, 724px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Figura 1. Áreas indígenas impactadas pela BR-319 (Fonte: [12])</em>.</figcaption></figure>



<p></p>



<p>Os impactos ao longo da rodovia federal BR-319, considerados no agora ignorado processo de licenciamento [18], representam apenas uma pequena fração do impacto total da rodovia, visto que a migração de atores do “arco do desmatamento” impulsionará o desmatamento em todas as áreas já conectadas a Manaus por estrada, incluindo Roraima [19], estado localizado no extremo Norte do país, e ao longo dos 1.230 km de estradas do governo do estado do Amazonas que estão planejados para se conectar à BR-319 (Tabela 1), como a AM-366 [20] (Figura 2), abrindo a vasta região Trans-Purus a oeste do rio Purus, que corre paralelamente à BR-319 [21-23]. Isso beneficiaria o proposto projeto de petróleo e gás Área Sedimentar do Solimões, que abrange 740.000 km<sup>²</sup>, ou metade do estado do Amazonas [24-26] (Figura 3). O governo do estado do Amazonas tem um “acordo” para o projeto com a Rosneft, a gigante empresa russa de petróleo e gás [27], aumentando a probabilidade de prioridade para a AM-366 e outras estradas que abrem a região Trans-Purus [28].</p>





<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Tabela-1-Rodovias_estaduais.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="510" height="666" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Tabela-1-Rodovias_estaduais.jpg" alt="" class="wp-image-172289" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Tabela-1-Rodovias_estaduais.jpg 510w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Tabela-1-Rodovias_estaduais-230x300.jpg 230w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Tabela-1-Rodovias_estaduais-150x196.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 510px) 100vw, 510px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Tabela 1: Rodovias estaduais planejadas ligadas à BR-319 (Fonte de dados: [20]).</sub></em></figcaption></figure>





<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-1-Mapa-de-rodovias_estaduais.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="689" height="482" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-1-Mapa-de-rodovias_estaduais.jpg" alt="" class="wp-image-172291" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-1-Mapa-de-rodovias_estaduais.jpg 689w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-1-Mapa-de-rodovias_estaduais-300x210.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-1-Mapa-de-rodovias_estaduais-150x105.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 689px) 100vw, 689px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Figura 2. Rodovias estaduais planejadas pelo governo do Amazonas para se ramificarem da BR-319 (Fonte: [20]).</sub></em></figcaption></figure>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-3-Area_Sedimentar_Solimoes.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="639" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-3-Area_Sedimentar_Solimoes-1024x639.jpg" alt="" class="wp-image-172290" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-3-Area_Sedimentar_Solimoes-1024x639.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-3-Area_Sedimentar_Solimoes-300x187.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-3-Area_Sedimentar_Solimoes-768x479.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-3-Area_Sedimentar_Solimoes-150x94.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Figura-3-Area_Sedimentar_Solimoes.jpg 1408w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Figura 3. Projeto de exploração de petróleo e gás Área Sedimentar Solimões (Fonte: [24]).</sub></em></figcaption></figure>





<p>A região Trans-Purus, que seria aberta à entrada de desmatadores por meio de estradas planejadas que se ramificam da BR-319, contém a maior área de terras públicas não destinadas<em>. </em>(“<em>terras devolutas</em>”), que são as mais atraentes para grileiros, agricultores sem-terra, madeireiros e outros grupos. Grande parte da área já está reivindicada por grandes grileiros por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR) [29]. Empresários do agronegócio no ponto crítico de desmatamento AMACRO (Amazonas-Acre-Rondônia), no extremo sul da BR-319, planejam se mudar para essa área [30] e presumivelmente comprariam dos grileiros as terras que eles reivindicam. O subsequente desmatamento e a degradação florestal na região Trans-Purus não apenas sacrificariam a biodiversidade e impactariam os povos indígenas e tradicionais, como também teriam um efeito devastador sobre o clima.</p>



<p>A floresta nessa área é vulnerável ao colapso devido às mudanças climáticas projetadas [31], e essa vulnerabilidade seria muito aumentada pela fragmentação e degradação da floresta causadas pela exploração madeireira e pelos efeitos de borda, além do risco muito maior de incêndios florestais se alastrarem a partir das áreas desmatadas. A área é crucial para a reciclagem da água transportada pelos ventos conhecidas como “rios voadores”, que sustenta grande parte da agricultura brasileira e abastece as maiores cidades, incluindo São Paulo [6, 32]. A liberação do carbono armazenado na floresta e no solo dessa área seria fundamental para levar as mudanças climáticas globais a um ponto de não retorno, devastando o Brasil com a perda do restante da floresta amazônica, a transformação do Nordeste brasileiro em um deserto, e a provocação de mortalidade em massa devido a ondas de calor com temperaturas muito acima dos limites de tolerância humana [33, 34].</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Notas</strong></p>



<p>[1] Fearnside, P.M. 2024a. <a href="http://philip.inpa.gov.br/publ_livres/2024/Fearnside-2024-BR-319_e_o_fantasma_da_ditadura-Serie_completa.pdf">A BR-319 e o fantasma da ditadura</a>. <em>Amazônia Real,</em> Série completa.</p>



<p>[2] PR (Presidência da República).<strong>2025. </strong><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/lei/L15190.htm">Lei nº 15.190 de 08 de agosto de 2025.</a> PR, Brasília, DF. </p>



<p>[3] STF (<a href="https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=7474918">Supremo Tribunal Federal</a>). 2026a. ADI 7919. </p>



<p>[4] (STF (<a href="https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=7473191">Supremo Tribunal Federal</a>). 2026b. ADI 7916.</p>



<p>[5] STF (<a href="https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=7468448">Supremo Tribunal Federal</a>). 2026c. ADI 7913. </p>



<p>[6] Fearnside, P.M. 2024b. Impactos da rodovia BR-319. <em>Amazônia Real</em>.</p>



<p>[7] Fearnside, P.M. 2025. <a href="https://theconversation.com/pl-da-devastacao-simboliza-perigosa-contradicao-entre-discurso-e-pratica-na-politica-ambiental-brasileira-258878">“PL da devastação” simboliza perigosa contradição entre discurso e prática na política ambiental brasileira</a>. <em>The Conversation – Brasil,</em> 13 de junho de 2025. </p>



<p>[8] PR (Presidência da República). 1988. <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm">Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.</a> PR, Brasília, DF. </p>



<p>[9] ILO (International Labor Organization). 1989. <a href="http://www.ilo.org/dyn/normlex/en/f?p=normlexpub:12100:0::no::p12100_ilo_code:c169">C169 &#8211; Indigenous and Tribal Peoples Convention, 1989 (No. 169).</a> ILO, Genebra, Suiça. </p>



<p>[10] PR (Presidência da República). 2004. <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5051.htm">Decreto No 5.051, de 19 de abril de 2004, PR, Brasília, DF</a>. </p>



<p>[11] PR (Presidência da República).<strong> </strong>2019.<a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Decreto/D10088.htm#art5"> Decreto Nº 10.088, de 5 de novembro de 2019</a>.<strong> </strong>PR, Brasília, DF. </p>



<p>[12] Ferrante, L., M. Gomes &amp; P.M. Fearnside. 2020. <a href="http://bit.ly/3Lf25nW">BR-319 ameaça povos indígenas</a>. <em>Amazônia Real</em>, Série completa.</p>



<p>[13] Ferrante, L., M.B.T. de Andrade, L. Leite, C.A. Silva Junior, M. Lima, M.G. Coelho Junior, E.C. da Silva Neto, D. Campolina, K. Carolino, L.M. Diele-Viegas, E.J.A.L. Pereira &amp; P.M. Fearnside. 2021. <a href="https://amazoniareal.com.br/br-319-o-caminho-para-o-colapso-da-amazonia-e-a-violacao-dos-direitos-indigenas">BR-319: O caminho para o colapso da Amazônia e a violação dos direitos indígenas</a>. <em>Amazônia Real</em>,<strong> </strong>23 de fevereiro de 2021.</p>



<p>[14] Ferrante, L., P.M. Fearnside &amp; M. Piccinini. 2024. <a href="https://amazoniareal.com.br/desastre-ambiental-na-amazonia-e-violacao-de-direitos-indigenas-facilitados-por-projetos-de-governanca-na-br-319/">Desastre ambiental na Amazônia e violação de direitos indígenas facilitados por projetos de governança na BR-319</a>. <em>Amazônia Real,</em> 09 de setembro de 2024. </p>



<p>[15] DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). 2020a. <a href="http://licenciamento.ibama.gov.br/Rodovias/BR%20319%20AM%20segmento%20entre%20os%20km%20250%20e%20km%20655/EIARIMA/EIA%20RIMA%20ANEXOS%202020/ECI_APURINA.pdf">Estudo do Componente Indígena CI Preliminar da Etnia 3 – Apurinã – Rev C</a>. DNIT, Brasília, DF. 173 p. </p>



<p>[16] Esteves, A.M., D. Franks &amp; F. Vanclay. 2012. <a href="https://doi.org/10.1080/14615517.2012.660356">Social impact assessment: The state of the art</a>. <em>Impact Assessment and Project Appraisal </em>30(1): 34-42. </p>



<p>[17] MMA, MJ, MC &amp; MS (Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Justiça, Ministério da Cultura &amp; Ministério da Saúde). 2015. <a href="http://portal.iphan.gov.br/uploads/legislacao/Portaria_Interministerial_60_de_24_de_marco_de_2015.pdf%20Anexos">Portaria Interministerial No – 60, de 24 de março de 2015.</a> MMA, Brasília, DF. </p>



<p>[18] DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). 2020b. <a href="https://philip.inpa.gov.br/publ_livres/Dossie/BR-319/Documentos%20Oficiais/EIA-RIMA-2020/EIA-RIMA-2020.zip"><em>BR-319/AM EIA – Estudo de Impacto Ambiental Segmento do km 250,00 ao km 655,70</em>. </a></p>



<p>[19] Barni, P.E., P.M. Fearnside &amp; P.M.L.A. Graça. 2018. <a href="https://bityl.co/8RyH">Simulando desmatamento e perda de carbono na Amazônia: Impactos no Estado de Roraima devido à reconstrução da BR-319 (Manaus-Porto Velho)</a>. In: Oliveira, S.K.S. &amp; Falcão, M.T. (Eds.). <em>Roraima: Biodiversidade e Diversidades.</em> Editora da Universidade Estadual de Roraima (UERR), Boa Vista, Roraima. p. 154-173. </p>



<p>[20] SeinfraAM (Secretaria de Infraestrutura do Amazonas). 2024. <a href="https://www.seinfra.am.gov.br/wp-content/uploads/2025/07/7-SISTEMA-RODOVIARIO-SREAM-UNIFICADO.pdf">Sistema Rodoviário Estadual Amazonas 2024.</a> SeinfraAM, Manaus, AM. 30 p.</p>



<p>[21] Fearnside, P.M., L. Ferrante, A.M. Yanai &amp; M.A. Isaac Júnior. 2020.<a href="https://bit.ly/3jTtr3X"> Trans-Purus, a última floresta intacta</a>. <em>Amazônia Real.</em> </p>



<p>[22] Santos, J.L., A.M. Yanai, P.M.L.A. Graça, F.W.S. Correia &amp; P.M. Fearnside. 2024. <a href="http://philip.inpa.gov.br/publ_livres/2024/Santos_et_al-2024-Impacto_simulado_da_BR-319-Serie_completa.pdf">Impacto simulado da BR-319.</a> <em>Amazônia Real,</em> Série completa. </p>



<p>[23] Yanai, A.M., M.A. Isaac Júnior, J.N. da Silva, M.A. dos Santos Junior, P.M.L.A. Graça &amp; P.M. Fearnside. 2025. <a href="https://amazoniareal.com.br/desmatamento-na-regiao-trans-purus-simulando-o-impacto-das-rodovias-associadas-a-br-319/">Desmatamento na região Trans-Purus: Simulando o impacto das rodovias associadas à BR-319. </a><em>Amazônia Real,</em> 19 de agosto de 2025. </p>



<p>[24] EPE (Empresa de Pesquisa Energética). 2020. <em><a href="https://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/PublishingImages/Paginas/Forms/Publicaes/EAAS%20Solim%C3%B5es%20-%20vers%C3%A3o%20completa.pdf">Estudo Ambiental de Área Sedimentar na Bacia Terrestre do Solimões: EAAS</a></em>. Consórcio PIATAM/COPPETEC, Manaus, AM &amp; Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Rio de Janeiro, RJ. 552 p. </p>



<p>[25] Fearnside, P.M. 2020. <a href="https://amazoniareal.com.br/os-riscos-do-projeto-de-gas-e-petroleo-na-area-sedimentar-do-solimoes/">Os riscos do projeto de gás e petróleo “Área Sedimentar do Solimões”</a>. <em>Amazônia Real</em>, 12 de março de 2020. </p>



<p>[26] Fearnside, P.M. 2022a. <a href="https://bit.ly/3z3s91g">Por que a rodovia BR-319 é tão prejudicial</a>. <em>Amazônia Real.</em> </p>



<p>[27] Egues, A.L. 2019. <a href="https://brasilenergia.com.br/petroleoegas/governo-do-amazonas-fecha-acordo-com-a-rosneft/">Governo do Amazonas fecha acordo com a Rosneft.</a> <em>Brasil Energia</em>, 18 de junho de 2019. </p>



<p>[28] Fearnside, P.M. 2022b. <a href="https://amazoniareal.com.br/o-interesse-financeiro-de-putin-nas-rodovias-da-amazonia-brasileira/">O interesse financeiro de Putin nas rodovias da Amazônia brasileira</a>. <em>Amazônia Real</em>, 03 de maio de 2022. </p>



<p>[29] Fearnside, P.M. 2025b. <a href="http://philip.inpa.gov.br/publ_livres/2025/Fearnside-2025-Ultima_chance_para_a_floresta_amazonica_brasileira-Serie_completa.pdf">Última chance para a floresta amazônica brasileira?</a> <em>Amazônia Real, </em>Série completa. </p>



<p>[30] Pontes, F. 2024. <a href="https://ovaradouro.com.br/fronteiras-da-devastacao/">Após Amacro, agronegócio mira expansão de suas fronteiras para regiões intocadas da Amazônia</a>. <em>Varadouro</em>, 16 de janeiro de 2024. </p>



<p>[31] Flores, B.M., E. Montoya, B. Sakschewski, N. Nascimento, A. Staal, R.A. Betts, C. Levis, D.M. Lapola, A. Esquível-Muelbert, C. Jakovac, C.A. Nobre, R.S. Oliveira, L.S. Borma, D. Nian, N. Boers, S.B. Hecht, H. ter Steege, J. Arieira, I.L. Lucas, E. Berenguer, J.A. Marengo, L.V. Gatti, C.R.C. Mattos &amp; M. Hirota. 2024. <a href="https://doi.org/10.1038/s41586-023-06970-0">Critical transitions in the Amazon forest system.</a> <em>Nature </em>626: 555–564.</p>



<p>[32] Fearnside, P.M. 2015.<a href="https://bit.ly/3qykIsY"> Rios voadores e a água de São Paulo</a>. <em>Amazônia Real</em> Série completa. </p>



<p>[33] Fearnside, P.M. 2025c. <a href="http://philip.inpa.gov.br/publ_livres/2025/Fearnside-2025-O_Lula_acordara_para_a_crise_climatica-AmazoniaReal-Serie_completa.pdf">O Lula acordará para a crise climática?</a> <em>Amazônia Real. </em></p>



<p>[34] Fearnside, P.M. 2025d. <a href="https://amazoniareal.com.br/estaremos-ja-condenados-a-uma-catastrofe-climatica/">Estaremos já condenados a uma catástrofe climática? </a><em>Amazônia Real,</em> 13 de novembro de 2025. </p>
<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/a-lei-da-devastacao-inicia-sua-devastacao-com-a-br-319/">A “Lei da Devastação” inicia sua devastação com a BR-319</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
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		<title>ATL 2026: luta contra mineração e pelo fortalecimento indígena em cargos políticos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Nicoly Ambrosio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 17:19:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em sua 22ª edição, o Acampamento Terra Livre articula resistência contra a exploração mineral nos territórios indígenas e impulsiona a estratégia de ampliar a presença originária na política brasileira</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Manaus (AM) &#8211;</strong> Em resistência contra grandes projetos econômicos que ameaçam territórios e modos de vida tradicionais, mais de 7 mil indígenas de 200 povos diversos estão reunidos em Brasília (DF) no maior espaço de articulação dos povos indígenas do Brasil, o <a href="https://apiboficial.org/atl-2026/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Acampamento Terra Livre 2026 (ATL 2026).</a> Sob o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”, o evento começou no último dia 5 de abril, domingo, e segue até o dia 11 de abril, próximo sábado, em ocupação no Eixo Cultural Ibero-Americano (antiga Funarte).</p>



<p>Desde 2004, a assembleia é realizada e organizada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Com ocupação anual, o ATL <a href="https://amazoniareal.com.br/jovens-cidadaos/vozes-dos-jovens-no-atl-2026/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">virou expressão da luta unificada dos movimentos de base dos povos indígenas</a> de todos os biomas e regiões brasileiras. Embora a programação deste ano não deixe de evocar pautas históricas dos povos indígenas no Brasil, como a demarcação e proteção de terras indígenas, a mira se volta forte para a luta por direitos territoriais diante dos projetos de exploração de grandes empresas em territórios indígenas.</p>



<p>A instalação de&nbsp; empreendimentos de mineração, ferrovias, hidrovias, hidrelétricas, estradas, linhas de transmissão, entre outros, segundo a Apib, é realizada muitas vezes sem consulta livre, prévia e informada como determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).&nbsp;</p>



<p>Na região do Médio Xingu, no Pará, as mulheres indígenas continuam uma ocupação que completa 42 dias, <a href="https://amazoniareal.com.br/mulheres-do-xingu-protestam-contra-belo-sun-e-cobram-resposta-do-governo-federal/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">contra a retomada do projeto de exploração de ouro da mineradora canadense Belo Sun</a> na região da Volta Grande do Xingu, nas proximidades dos seus territórios. Dos povos Yudjá&nbsp; (Juruna), Xikrin, Xipaya, Arara, Kayapó, Parakanã e Kuruaya, elas denunciam a ameaça a sua soberania e ocupam, desde o dia 23 de fevereiro, a sede da Coordenação Regional da Fundação Nacional dos Povos indígenas (Funai), no município de Altamira, para denunciar que não foram ouvidas durante a elaboração do projeto.</p>



<p>Uma das lideranças à frente da ocupação do <a href="https://www.instagram.com/mulheresindigenasdomedioxingu?igsh=MTBuc2Y4Z2pqYjhldg%3D%3D" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu</a> é Sol Juruna pertence ao povo Juruna da Terra Indígena (TI) Paquiçamba. Ela saiu de Altamira (PA) e foi à Brasília com outras mulheres lideranças, em busca de apoio dos parentes que possam fortalecer a luta contra a mineração na Volta Grande do Xingu.</p>



<p>“A gente trouxe a briga para cá para Brasília. Viemos para o ATL em busca de apoio das bases. A gente foi para a marcha, levamos faixa e falamos lá [sobre a luta contra a Belo Sun]. A gente está levando para o mundo o que está acontecendo no Médio Xingu, sobre a Belo Sun que chegou para terminar de matar o nosso rio Xingu. Estamos atrás de anular essa licença da Belo Sun e a gente vai lutar até conseguir!”, disse a liderança em entrevista à<strong> Amazônia Real</strong>.</p>



<p>No ATL, as mulheres intensificam a luta do Médio Xingu à nível nacional, participando de agendas políticas para pressionar o governo federal a suspender a licença de instalação do projeto da Belo Sun. Lideranças emblemáticas desta luta se encontram em Brasília, como Ngrenhkarati Xikrin, do povo Xikrin, famosa em vídeos e fotos que rodaram as redes sociais, onde <a href="https://www.instagram.com/reel/DWuJsifEa4U/?igsh=NXVxMTZ2ajgwNmFz" target="_blank" rel="noreferrer noopener">empunha seu facão nas ações da ocupação.&nbsp;</a></p>



<p><strong>Lobby do minério</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/94732c37-e897-4283-b939-b0a8dbe8bb72.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/94732c37-e897-4283-b939-b0a8dbe8bb72-1024x682.jpeg" alt="" class="wp-image-172233" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/94732c37-e897-4283-b939-b0a8dbe8bb72-1024x682.jpeg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/94732c37-e897-4283-b939-b0a8dbe8bb72-300x200.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/94732c37-e897-4283-b939-b0a8dbe8bb72-768x512.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/94732c37-e897-4283-b939-b0a8dbe8bb72-1536x1023.jpeg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/94732c37-e897-4283-b939-b0a8dbe8bb72-150x100.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/94732c37-e897-4283-b939-b0a8dbe8bb72.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Povos indígenas do Pará marcaram presença na primeira Marcha do ATL 2026 (Foto Thaigon Arapiun/Cita/ APIB).</sub></em></figcaption></figure>



<p>Nesta quarta-feira (8), durante o ATL 2026, a Apib lançou o relatório “Desmascarando o Lobby Mineral em Terras Indígenas no Brasil”, um levantamento que revela como o setor mineral capturou o debate climático global para justificar a exploração de territórios ancestrais, com intuito de transformar terras indígenas em “zonas de sacrifício”.&nbsp;</p>



<p>As estratégias de greenwashing adotadas por grandes mineradoras como a Vale S.A. e a Norsk Hydro são apontadas na pesquisa da Apib, principalmente no que diz respeito ao papel dos chamados minerais críticos, como lítio, níquel, cobre e cobalto, frequentemente apresentados pelo setor mineral e pelo governo federal como essenciais para a descarbonização e a chamada “industrialização verde”.&nbsp;</p>



<p>Essa narrativa tem sido usada para justificar a expansão da fronteira mineral sobre terras indígenas e áreas de alta biodiversidade, em nome do combate à crise climática. Segundo o documento, trata-se de uma estratégia de greenwashing que mascara a continuidade de padrões coloniais de exploração e expropriação de territórios ancestrais dos povos indígenas.</p>



<p>A influência do lobby mineral, segundo a análise da Apib, ocorre de forma coordenada nos Três Poderes, com o objetivo de garantir segurança jurídica aos investidores e flexibilizar marcos legais. No Judiciário, a atuação se dá por meio da chamada “porta giratória”, uma estratégia em que ex-agentes públicos passam a defender interesses corporativos, como no caso de Luís Inácio Adams, ex-Advogado-Geral da União (AGU) e <a href="https://amazoniareal.com.br/lobby-da-mineracao-de-potassio-chega-ao-stf/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">atualmente advogado da empresa mineradora Potássio do Brasil.</a></p>



<p>O empreendimento de exploração minerária da Potássio do Brasil impacta terras do povo Mura, na cidade de Autazes, no Amazonas, e ameaça diretamente as aldeias Lago do Soares e Urucurituba. <a href="https://amazoniareal.com.br/especiais/projeto-autazes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Lago do Soares é a área mais atingida</a>, pois a mina de potássio fica dentro do território.&nbsp;</p>



<p>No Legislativo, de acordo com a Apib, há financiamento de parlamentares e articulação de frentes que pautam projetos alinhados ao setor, muitas vezes mobilizando conceitos como “autonomia indígena” e “interesse nacional” para justificar a exploração.&nbsp;</p>



<p>Já o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) aparece como um dos principais articuladores entre capital transnacional e política local, promovendo projeções bilionárias de investimento enquanto omite passivos ambientais em eventos internacionais como os da <a href="https://pdac.ca/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação de Prospectores e Desenvolvedores do Canadá</a> (PDAC na sigla em inglês), no Canadá, organização que representa os interesses do setor de exploração e desenvolvimento mineral no país norte-americano.</p>



<p>Três frentes parlamentares se destacam nesse processo, atuando de forma transversal: a Frente Parlamentar da Mineração Sustentável (FPMin), que oferece base técnica e regulatória para flexibilizar o marco jurídico mineral; a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que concentra o capital político e financeiro do bloco agromineral; e a Frente Parlamentar Evangélica (FPE), responsável por conferir legitimação moral e religiosa ao extrativismo, frequentemente associado a discursos de progresso e superação da pobreza associada ao modo de vida tradicional dos povos originários.</p>



<p>No Senado, o Grupo de Trabalho de Mineração em Terras Indígenas é apontado como a institucionalização desse lobby no Legislativo. Entre os nomes citados estão Tereza Cristina (PP/MS), presidente do grupo; Marcos Rogério (PL/RO); Zequinha Marinho (Podemos/PA); Mecias de Jesus (Republicanos/RR); Jaime Bagattoli (PL/RO); Plínio Valério (PSDB/AM; Eduardo Braga (MDB/AM); Rogério Carvalho (PT/SE); Efraim Filho (União/PB); PDT/MA). Cid Gomes (PSB/CE), Rodrigo Pacheco (PSD/MG), todos os políticos indicados como integrantes ou influentes nas discussões do grupo.</p>



<p>Ângela Kaxuyana, liderança da Terra Indígena Kaxuyana-Tunayana e representante da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), afirmou em discurso durante plenária do ATL, <a href="https://www.instagram.com/reel/DW2HouAgZer/?igsh=MWY2ZWYwNTJzNDI0Mw%3D%3D" target="_blank" rel="noreferrer noopener">divulgado nas redes sociais da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP)</a>, que a luta contra a exploração em territórios indígenas na Amazônia também busca impedir a repetição do histórico de genocídios e massacres contra os povos indígenas na região.</p>



<p>O relatório da Apib reafirma a demarcação de territórios tradicionais como a única solução eficaz e comprovada para a preservação ambiental e a segurança climática.</p>



<p>“Nós não vamos permitir que a discussão sobre transição energética na Amazônia seja incluída como uma solução. Nós não vamos pagar pelo preço da ganância de grandes exploradores da Amazônia. A transição energética não será permitida por nós povos indígenas em troca das nossas vidas. A nossa luta é forte e nós não vamos permanecer calados”, manifestou.</p>



<p><strong>Congresso inimigo dos povos</strong></p>



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<p>A marcha <a href="https://www.instagram.com/p/DW1DKBMlYTM/?igsh=MTBvY3BwZzJ1OTVsNA==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“Congresso inimigo dos povos: nosso futuro não está à venda”</a>, nesta terça-feira (07), marcou um dos principais atos do ATL 2026 contra as iniciativas e decisões do Congresso Nacional que ameaçam diretamente os territórios, as culturas e os modos de vida indígenas. Ao longo da Esplanada dos Ministérios, milhares de manifestantes denunciaram as ofensivas legislativas que limitam demarcações e abrem as terras indígenas à exploração econômica da mineração e do agronegócio.</p>



<p>As propostas legislativas que atacam os direitos dos povos e territórios indígenas também são temas permanentes das plenárias do ATL 2026, incluindo o debate sobre projetos nos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo que tem o objetivo de autorizar a exploração de jazidas minerais no subsolo de territórios tradicionais.&nbsp;</p>



<p>De acordo com a Apib, ao menos seis propostas consideradas prejudiciais aos povos indígenas estão em tramitação no Congresso Nacional. Entre elas está a <a href="https://amazoniareal.com.br/pec-da-morte/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/2023</a>, conhecida por organizações indígenas como “PEC da Morte”, que busca inserir na Constituição a tese do marco temporal para a demarcação de terras indígenas.</p>



<p>Também são citados os <a href="https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2025/pdl-que-propoe-suspensao-de-homologacoes-e-demarcacao-de-terras-pela-funai-afronta-a-constituicao-e-viola-direitos-territoriais-dos-povos-indigenas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Projetos de Decreto Legislativo (PDLs) </a>nº 717/2024, 1121/2025, 1126/2025 e 1153/2025, que pretendem anular a demarcação das Terras Indígenas Morro dos Cavalos (SC), Toldo Imbu (SC), Tupinambá de Olivença (BA), Comexatibá (BA) e Ibirama La-Klanô (SC), atualmente sob análise da Presidência da Câmara.</p>



<p>O relatório inclui ainda o grupo de trabalho de mineração em terras indígenas, apontado como espaço de articulação institucional do setor mineral no Legislativo; o <a href="https://www.congressonacional.leg.br/materias/materias-bicamerais/-/ver/pl-6050-2023" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Projeto de Lei (PL) 6050/2023</a>, que trata da exploração econômica dessas terras com possibilidade de abertura para mineração; e o <a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2414921" target="_blank" rel="noreferrer noopener">PL 6093/2023</a>, conhecido como “PL do Agro”, que também incide sobre os direitos territoriais indígenas.</p>



<p>De acordo com a Apib, essas propostas não apenas reforçam a aplicação do marco temporal, já considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como também alteram etapas fundamentais do processo de demarcação. Uma das mudanças apontadas é a substituição do decreto presidencial por medida provisória como etapa final, o que, na prática, condiciona a conclusão das demarcações à aprovação do Congresso Nacional.</p>



<p>O Senado Federal também deu passos na destruição dos direitos originários ao criar o Grupo de Trabalho de Mineração em terras indígenas, presidido pela senadora ruralista Tereza Cristina (PP/MS). Criado após determinação do STF, o GT tem até o dia 30 de maio para apresentar uma proposta para regulamentar a exploração mineral em territórios indígenas.</p>



<p>Na segunda-feira (6), <a href="https://apiboficial.org/2026/04/06/nosso-acampamento-expressao-da-nossa-luta-carta-de-abertura-do-atl-2026/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a Apib divulgou uma carta aos três poderes e à sociedade brasileira</a> para destacar avanços recentes, como demarcações e desinstrusões, mas também cobrou o cumprimento da consulta livre, prévia e informada, além de mais efetividade na participação indígena nas instituições. A carta criticou o Congresso Nacional e reafirmou a importância do Judiciário na garantia dos direitos constitucionais dos povos indígenas.</p>



<p><strong>Demarcações precisam avançar</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55179785029_a79fb2a5ad_k.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55179785029_a79fb2a5ad_k-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-172250" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55179785029_a79fb2a5ad_k-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55179785029_a79fb2a5ad_k-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55179785029_a79fb2a5ad_k-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55179785029_a79fb2a5ad_k-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55179785029_a79fb2a5ad_k-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55179785029_a79fb2a5ad_k.jpg 2047w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>As principais denúncias, no contexto da luta do povo Pataxó pela demarcação de suas terras, apontam violência e perseguição por parte de milícias locais, além da criminalização de lideranças por forças policiais. (Foto: Clara Comandolli/Cimi).</sub></em></figcaption></figure>



<p>Na campanha eleitoral de 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu acelerar as demarcações das terras indígenas que precisam de regularização até dezembro de 2026, quando seu atual mandato termina. No entanto, desde janeiro de 2023 a abril de 2026, o presidente da República homologou <a href="https://amazoniareal.com.br/lula-homologa-4-terras-indigenas-mas-faltam-66-pela-conta-da-apib/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">apenas 20 terras indígenas.</a> As terras homologadas são: Arara do Rio Amônia (AC), Acapuri de Cima (AM), Rio Gregório (AC), Kariri-Xocó (AL), Uneiuxi (AM), Rio dos Índios (RS), Tremembé da Barra do Mundaú (CE), Avá-Canoeiro (GO), Aldeia Velha (BA), Cacique Fontoura (MT), Potiguara de Monte-Mor (PB), Morro dos Cavalos (SC), Toldo Imbu (SC), Pitaguary (CE), Lagoa da Encantada (CE), Tremembé de Queimadas (CE), Kaxuyana-Tunayana (PA-AM), Manoki (MT), Uirapuru (MT) e Estação Parecis (MT).</p>



<p>“Quem dera que nos ATLs que vão acontecer, a gente não venha mais falar da demarcação ainda dos nossos territórios. Vamos sonhar que daqui mais um tempo no ATL, a gente venha para comemorar justamente essa garantia dos nossos territórios. Para que a gente não venha aqui como os parentes Kaiapó que já vieram falar que estão há 20 anos reivindicando o território”, declarou <a href="https://www.instagram.com/reel/DWzvNxckTaT/?igsh=OTI3MngwZjh3Mmc5" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mariazinha Baré</a>, coordenadora da Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Apiam).</p>



<p>Segundo dados de uma lista da Apib, divulgada em outubro de 2025<a href="https://amazoniareal.com.br/por-que-lula-nao-assina-a-homologacao-de-70-terras-indigenas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">, 76 terras indígenas ainda aguardam a homologação </a>no Brasil, última etapa do processo de demarcação. Outras 110 terras indígenas já passaram por etapas decisivas do processo administrativo e estão prontas para avançar na demarcação.</p>



<p><strong>A força da bancada do cocar</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55193839224_2cc423ea2c_k.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55193839224_2cc423ea2c_k-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-172246" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55193839224_2cc423ea2c_k-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55193839224_2cc423ea2c_k-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55193839224_2cc423ea2c_k-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55193839224_2cc423ea2c_k-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55193839224_2cc423ea2c_k-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55193839224_2cc423ea2c_k.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Brasília- DF – 07/04/2026 – Sessão na Câmara dos Deputados em homenagem ao 22º Acampamento Terra Livre. (Foto: Lula Marques/ Agência Brasil).</sub></em></figcaption></figure>



<p>Por meio de palestras, discussões, incidências políticas e marchas, os povos indígenas buscam engajar no ATL 2026 uma das pautas centrais do movimento indígena nacional, que é o fortalecimento político de candidatos indígenas nas eleições de 2026, a chamada “bancada do cocar”.&nbsp;</p>



<p>Em março, <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/politica/audio/2026-03/tse-garante-recursos-para-candidaturas-indigenas-este-ano" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o Tribunal Superior Eleitoral anunciou</a> que nas eleições deste ano as candidaturas indígenas terão direito à distribuição proporcional de recursos e de tempo de propaganda pela primeira vez. Além disso, o movimento indígena&nbsp; defende avançar em uma política de cotas para as candidaturas, como acontece com mulheres e negros na Justiça Eleitoral.</p>



<p>É com essas candidaturas que os indígenas esperam ter a força para avançar direitos fundamentais e garantir o futuro dos territórios indígenas nos espaços oficiais da política brasileira. Nesse sentido, Sonia Guajajara deixou o cargo como ministra dos Povos Indígenas para disputar o pleito de 2026.&nbsp;</p>



<p>O anúncio da transição não foi surpresa, <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/sonia-guajajara-ira-disputar-reeleicao-por-sp-e-deixara-ministerio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">já que Sonia afirmou que tentaria a reeleição como deputada federal </a>de São Paulo pelo PSOL. Sonia foi a primeira mulher indígena a ocupar um ministério. O <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/politica/guajajara-passa-chefia-do-ministerio-dos-povos-indigenas-a-eloy-terena/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cargo foi repassado a Eloy Terena </a>em solenidade na sede do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), no dia 31 de março. Advogado indígena do povo Terena, de Aquidauana, no Mato Grosso do Sul, Eloy foi secretário-executivo no MPI. O ministro chegou a atuar como advogado da Apib em representações no Supremo Tribunal Federal, na Corte Interamericana de Direitos Humanos e no Tribunal Penal Internacional.&nbsp;</p>



<p>No mesmo evento de anúncio do novo ministro dos Povos Indígenas, foi anunciada ainda <a href="https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2026/lucia-alberta-bare-e-anunciada-como-nova-presidenta-da-funai#:~:text=A%20nova%20presidenta%20da%20Funda%C3%A7%C3%A3o,de%20Estado%20dos%20Povos%20Ind%C3%ADgenas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a nova presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), </a>Lucia Alberta Baré. Indígena do povo Baré, nasceu na região do Alto Rio Negro, no Amazonas, e ocupa, desde janeiro de 2023, a Diretoria de Gestão Ambiental e Territorial (Digat) da Funai, área estratégica para a gestão dos territórios e a implementação de políticas socioambientais. Lucia ocupa agora o cargo deixado por Joenia Wapichana, que vai disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por Roraima.&nbsp;</p>



<p>Joenia Wapichana <a href="https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2023/em-55-anos-joenia-wapichana-sera-a-primeira-mulher-indigena-a-assumir-a-presidencia-da-funai" target="_blank" rel="noreferrer noopener">foi a primeira mulher e pessoa indígena a presidir a Funai </a>em 55 anos de história do órgão federal, entre 2023 e 2026. Ela deixou o partido Rede depois de 9 anos de filiação e <a href="https://roraima1.com.br/joenia-wapichana-anuncia-filiacao-ao-pt-para-disputar-camara/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">anunciou sua ida para o Partido dos Trabalhadores (PT)</a> pelas <a href="https://www.instagram.com/p/DWzyjPRjYZb/?igsh=cHQ2dXhmdG52MmFx" target="_blank" rel="noreferrer noopener">redes sociais</a>.</p>



<p>“Anuncio minha chegada ao PT. Reforço o compromisso na defesa da democracia, dos direitos dos povos indígenas e do trabalho para o projeto do bem viver para todas e todos de Roraima”, disse Joenia, que já foi deputada federal por Roraima entre 2019 e 2022.</p>



<p>Célia Xakriabá, (PSOL-MG), e Juliana Cardoso (PT-SP), são algumas das deputadas indígenas que também vão tentar a reeleição.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55193176187_7d85fe70f8_k.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55193176187_7d85fe70f8_k-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-172248" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55193176187_7d85fe70f8_k-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55193176187_7d85fe70f8_k-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55193176187_7d85fe70f8_k-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55193176187_7d85fe70f8_k-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55193176187_7d85fe70f8_k-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/55193176187_7d85fe70f8_k.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Cerca de 7 mil indígenas de mais de 200 povos deram início no dia 6 de abril de 2026 (Foto: Tiago Miotto/Cimi). </sub></em></figcaption></figure>



<p></p>
<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/atl-2026-luta-contra-mineracao-e-pelo-fortalecimento-indigena-em-cargos-politico/">ATL 2026: luta contra mineração e pelo fortalecimento indígena em cargos políticos</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
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		<title>Indígenas Gavião denunciam contaminação de rios em trecho duplicado pela Vale</title>
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					<comments>https://amazoniareal.com.br/indigenas-gaviao-denunciam-contaminacao-de-rios-em-trecho-duplicado-pela-vale/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Nicoly Ambrosio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 21:34:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Segundo as lideranças, trens de minério sem licença circulam em trecho da Estrada de Ferro Carajás na TI Mãe Maria. Em denúncia ao MPF, eles afirmam que não foram consultados pela empresa e também relatam aumento de impacto ambiental, contaminação e aumento de doenças graves. Um laudo do Ibama indica degradação da qualidade da água e presença de metais pesados em peixes.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Manaus (AM) &#8211; </strong>Uma denúncia do povo indígena Gavião, no Pará, ao Ministério Público Federal (MPF) expôs a circulação irregular de trens carregados de minério em uma segunda linha da Estrada de Ferro Carajás (EFC), da mineradora Vale S.A., sem licença e sem consulta prévia aos indígenas. Conforme a denúncia, feita em dezembro de 2025, a obra opera no trecho de 18 quilômetros que corta a <a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3750" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Terra Indígena Mãe Maria</a>, no município de Bom Jesus do Tocantins, sudeste paraense, onde vive uma população de 1,2 mil indígenas. A denúncia foi coletiva, feita pelos três grupos que integram a etnia: Parkatêjê, Kyikatêjê e Akrãtikatêjê.  </p>



<p>O tráfego de cargas na segunda linha férrea foi registrado em fotos e vídeos produzidos pelas próprias lideranças Gavião e entregues ao MPF para instruir a denúncia. Os indígenas também denunciaram o resultado dos impactos ambientais associados à duplicação da via e a um histórico de décadas de existência da estrada, tais como, doenças graves, contaminação das águas e das fontes de alimentos e interferência no modo de vida cultural.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/duplicidade-da-estrada-de-ferro.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="574" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/duplicidade-da-estrada-de-ferro-1024x574.jpg" alt="" class="wp-image-172185" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/duplicidade-da-estrada-de-ferro-1024x574.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/duplicidade-da-estrada-de-ferro-300x168.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/duplicidade-da-estrada-de-ferro-768x431.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/duplicidade-da-estrada-de-ferro-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/duplicidade-da-estrada-de-ferro.jpg 1147w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><sup><em><sub>Foto registrada em fevereiro de 2026 mostra a duplicidade da linha férrea (Foto: reprodução ACP -MPF).</sub></em></sup></figcaption></figure>



<p>A Estrada de Ferro Carajás <a href="https://amazoniareal.com.br/carajas-made-by-china/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">se estende por 892 quilômetros </a>e liga a Serra dos Carajás, em Parauapebas (PA), ao porto de Ponta da Madeira, em São Luís, capital do Maranhão, em um trajeto que atravessa 25 municípios. O empreendimento sempre foi motivo de tensão entre os indígenas e a Vale, e entre os próprios Gavião, com conflitos e divisões internas dentro das comunidades.</p>



<p>A cacica Tuxati Jonkahynti Jakankrati Parkatêjêm, da aldeia Tokurykti JõkrĨkatêjê, disse à Amazônia Real que as lideranças indígenas descobriram que a Vale “estava irregular e trafegando sem licença”. Segundo ela, quando duplicou, a empresa justificou que “era um único empreendimento, sem informar que se tratavam de duas obras”.&nbsp;</p>



<p>“Omitiram muita coisa. Se eles [Vale] tivessem falado, a gente talvez nem aceitasse a duplicação, porque aumenta tudo. O ruído, o pó [do minério], tudo vai aumentar. A gente passou 14 anos para aceitar a duplicação, começou com a licença de instalação. E agora a Vale diz que o que está acontecendo é um ‘teste’”, denunciou a cacica Tuxati.</p>



<p>A partir da denúncia dos indígenas, o MPF no Pará classificou a operação da segunda linha da ferrovia como “clandestina” e, no dia 27 de fevereiro deste ano, <a href="https://www.mpf.mp.br/o-mpf/unidades/pr-pa/noticias/docs/acp-mpf-vale-ibama-ferrovia-carajas-ti-mae-maria-fev-2026.pdf/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ajuizou uma Ação Civil Pública</a> contra a Vale e contra o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) <a href="https://www.mpf.mp.br/o-mpf/unidades/pr-pa/noticias/mpf-pede-a-justica-paralisacao-de-trecho-duplicado-da-ferrovia-carajas-na-ti-mae-maria-pa-por-operacao-ilegal" target="_blank" rel="noreferrer noopener">para paralisar o funcionamento do trecho que atravessa a TI Mãe Maria.&nbsp;</a></p>



<p>A medida, segundo as investigações do MPF, é devido à falta da Licença de Operação (LO) da ferrovia, que deve ser emitida pelo Ibama, e à ausência de realização da Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI), direito assegurado aos povos indígenas por meio da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).&nbsp;</p>



<p>O MPF também apontou a falta de transparência e ausência de registros de reclamações dos indígenas Gavião no Plano Básico Ambiental (PBA), além da inexistência de manifestação favorável da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) sobre o componente indígena do projeto da Vale.&nbsp;</p>



<p>Na ação do MPF, a procuradora da República Gabriela Puggi Aguiar sustenta que a Vale solicitou ao Ibama a inclusão do trecho duplicado na Licença de Operação já existente da ferrovia. Mas o órgão ambiental <a href="https://www.broadcast.com.br/ultimas-noticias/ibama-nega-ter-emitido-licenca-para-operacao-de-trecho-da-efc-da-vale-em-terra-indigena/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">negou o pedido</a> devido a impedimentos no cumprimento de condicionantes necessárias para a concessão da licença.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/mapa-duplicidade-linha-ferrea-acp-mpf.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1197" height="721" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/mapa-duplicidade-linha-ferrea-acp-mpf.jpg" alt="" class="wp-image-172188" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/mapa-duplicidade-linha-ferrea-acp-mpf.jpg 1197w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/mapa-duplicidade-linha-ferrea-acp-mpf-300x181.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/mapa-duplicidade-linha-ferrea-acp-mpf-1024x617.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/mapa-duplicidade-linha-ferrea-acp-mpf-768x463.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/mapa-duplicidade-linha-ferrea-acp-mpf-150x90.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1197px) 100vw, 1197px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Mapa retirado da ACP do MPF mostra a duplicidade da linha férrea (Foto: reprodução ACP-MPF).</figcaption></figure>



<p>Um laudo de novembro de 2025 do Ibama, divulgado pelo MPF e que faz parte de uma nova ação civil pública, apontou problemas como poluição sonora e a contaminação e degradação dos rios e igarapés por metais pesados, com a detecção de bioacumulação de mercúrio em cursos d&#8217;água e espécies de peixes (leia mais nesta reportagem).</p>



<p>A preocupação do povo Gavião se agrava diante desta confirmação de contaminação que ameaça a água, os peixes e a vida no território. No início de março deste ano, <a href="https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2026/03/16/protesto-indigena-bloqueia-estrada-de-ferro-carajas-no-para.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">os indígenas chegaram a interditar a ferrovia</a> por quase uma semana, na altura do município de Bom Jesus do Tocantins, para protestar contra as irregularidades na operação da segunda linha do empreendimento.&nbsp;</p>



<p>“Quando&nbsp; a gente subiu para a ferrovia, a Vale nos notificou dizendo que não tinha como negociar com a gente, que qualquer discussão seria via judicial.&nbsp; Agora que a Vale quer a licença de operação, querem iniciar uma negociação. Mas a gente entende que isso também é porque eles sabem que podem sofrer multa por estarem operando ilegalmente, e terem omitido as informações sobre a contaminação”, disse Tuxati à Amazônia Real.</p>



<p>Segundo as lideranças do povo Gavião, os impactos ambientais são anteriores à duplicação da ferrovia. Elas lembram que, desde a década de 1980, já são registrados problemas como desmatamento, contaminação dos rios, redução da biodiversidade e ameaças à segurança alimentar e territorial.</p>



<p><strong>Metais pesados</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/1-35-convoys-pass-over-Vales-tracks.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/1-35-convoys-pass-over-Vales-tracks-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-172126" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/1-35-convoys-pass-over-Vales-tracks-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/1-35-convoys-pass-over-Vales-tracks-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/1-35-convoys-pass-over-Vales-tracks-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/1-35-convoys-pass-over-Vales-tracks-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/1-35-convoys-pass-over-Vales-tracks.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup><sub>Comboios com minérios passam diariamente pelos trilhos da Vale (Foto: Ingrid Barros/Observatório da Mineração/2023).</sub></sup></em></figcaption></figure>



<p>Um estudo do Ibama de novembro de 2025 identificou ocorrências de graves impactos socioambientais na região onde ficam localizados os territórios indígenas, incluindo a degradação de recursos hídricos, poluição sonora e a contaminação da água por metais pesados, com a detecção de bioacumulação de mercúrio em cursos d&#8217;água e peixes.</p>



<p>O laudo foi divulgado pelo MPF na ação civil pública. A Amazônia Real solicitou do Ibama o laudo na íntegra, mas não teve retorno. Em resposta à reportagem, o MPF enviou um resumo por escrito do parecer técnico do Ibama.</p>



<p>Conforme a resposta, o laudo cobra a necessidade de destinação adequada de resíduos das obras, como dormentes, trilhos e concreto na faixa de domínio da ferrovia. O órgão ambiental considerou o programa de fauna e bioindicadores do projeto de duplicação da ferrovia como “não atendido”,&nbsp;devido aos resultados de mercúrio e à detecção de metais na água e sedimento acima dos limites.&nbsp;</p>



<p>As conclusões do laudo do Ibama indicaram a presença de mercúrio em todos os peixes analisados na TI Mãe Maria, com 18 de 86 amostras acima do limite permitido pela Anvisa (0,5 mg/kg para não predadores e 1,0 mg/kg para predadores). Também foram encontrados casos pontuais de cádmio e chumbo acima dos limites em exemplares da espécie de peixe <em>Leporinus friderici</em> (piau-comum).&nbsp;</p>



<p>Já o níquel, metal usado na produção de aço inoxidável, baterias de veículos elétricos e superligas, apresentou concentrações detectáveis em nove indivíduos de quatro espécies de peixes diferentes nas campanhas de monitoramento ambiental mais recentes. A contaminação apontada no parecer técnico é proveniente de <a href="https://vale.com/pt/mineracao" target="_blank" rel="noreferrer noopener">minerais com os quais a Vale opera</a>.&nbsp;</p>



<p>Apesar disso, o Ibama afirma que não é possível associar diretamente a contaminação ao empreendimento da Vale, pois os valores estão dentro da faixa verificada historicamente para a região amazônica e o mercúrio não foi identificado na água ou no sedimento, podendo ter origem na cadeia alimentar.</p>



<p><strong>Doenças como câncer aumentaram</strong></p>



<p>Os próprios indígenas sentem, por experiência em seu cotidiano, os possíveis efeitos de décadas de de atividade minerária em seu território e habitat. Os Gavião relatam casos de adoecimento e falecimentos nas comunidades, associando-os à degradação ambiental causada pela ferrovia ao longo dos anos. A cacica Tuxati afirmou à Amazônia Real que, nas últimas duas décadas, as doenças passaram a se multiplicar nas aldeias, com aumento dos casos de câncer.&nbsp;</p>



<p>“Mulheres com câncer de útero, câncer no estômago, câncer de mama. Câncer de próstata nos homens. E quando as pessoas descobriram que estavam com câncer, já estavam em estado avançado e foram a óbito. Começamos a ficar com suspeita. Já houve dois casos, raro de se acontecer, em que duas mulheres chegaram a óbito muito rápido com suspeita de cirrose, que é problema no fígado. Essas duas mulheres eram jovens, elas não bebiam. Como que aconteceu? A gente ficou com a orelha em pé, né?”, questionou a liderança.</p>



<p>Na avaliação de Tuxati, a duplicação da ferrovia tem intensificado os impactos ambientais no território, com aumento da poluição sonora e sinais de contaminação nos rios Mãe Maria, Jacundá e São Gregório.</p>



<p>“Eu acredito que com a duplicação a contaminação aumentou muito. O igarapé, os pés de castanha, o açaizal que ficavam à beira da ferrovia, não existem mais.&nbsp; Eles [Vale] plantaram algumas coisas lá, mas nunca nem cresceu”, explicou a liderança.</p>



<p>Ela conta que a contaminação tem afetado até mesmo as festas culturais nas aldeias da TI Mãe Maria, que dependem diretamente da caça, da pesca e de alimentos do território. Segundo a cacica, o impacto vai além do ambiental e atinge dimensões simbólicas e coletivas da vida indígena, ao comprometer práticas tradicionais e gerar medo sobre o consumo de alimentos do território.</p>



<p>“Isso [a contaminação] está afetando a nossa própria festa cultural, porque a gente utiliza muita caça, muita pesca, fruta nativa. E aí está nos impactando. A gente fica triste, porque esse impacto mental impede a gente de comer, de pescar, de se banhar. Isso é uma dor muito grande”, lamentou a cacica.</p>



<p><strong>Cobrança por mais estudos</strong></p>



<p>Tuxati criticou a ausência de esclarecimentos por parte da Vale, da Funai e do Ibama sobre a contaminação na TI Mãe Maria. Sem dados oficiais disponíveis e consolidados, as lideranças cobram que a Vale financie estudos independentes para avaliar possíveis impactos ambientais da ferrovia na saúde das comunidades.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/12-Indigenous-Territory-Mae-Maria.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/12-Indigenous-Territory-Mae-Maria-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-172129" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/12-Indigenous-Territory-Mae-Maria-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/12-Indigenous-Territory-Mae-Maria-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/12-Indigenous-Territory-Mae-Maria-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/12-Indigenous-Territory-Mae-Maria-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/12-Indigenous-Territory-Mae-Maria.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup><sub>A Terra Indígena Mãe Maria é uma área verde de 62 mil hectares cercada por fazendas e pastagens de gado nos arredores de Marabá, no Pará. Foto: Ingrid Barros/Observatório da Mineração/2023).</sub></sup></em></figcaption></figure>



<p>“Durante 40 anos a Vale ficou calada. Eles não nos falaram desse impacto que hoje está causando. É um impacto que nunca vai ser mitigado porque está em nós, está na nossa mente. A gente já até acionou o MPF para que a Vale venha a financiar um estudo específico em nós, fazer a descontaminação do rio e fazer um estudo na fauna e na flora, para a gente poder ter certeza se está contaminado”, afirmou a liderança.</p>



<p>Ao tomarem conhecimento da contaminação, durante encontro realizado no território com o MPF no dia 6 de fevereiro deste ano, os indígenas reagiram com forte abalo emocional diante da gravidade das informações. A notícia alterou de forma drástica os modos de vida das comunidades, que já não pescam e caçam no território.</p>



<p>“Ficamos tristes, paramos de caçar. O território todo já parou de se alimentar de caça e parou de comer peixe dos igarapés. Mudou a nossa vida, é outro cenário. O impacto é grande demais. Quando a gente viu o laudo do Ibama, lido pela procuradora para pra gente, foi um impacto mental tão grande que a gente chegou mesmo a chorar. O nosso território está assim, como se a gente tivesse pegado um laudo de câncer. Não vai ser curado nunca”, relatou Tuxati.</p>



<p>O surgimento de doenças nas aldeias e a falta de transparência sobre laudos técnicos que confirmam a contaminação por metais pesados, como mercúrio, dos cursos d’água e dos peixes, <a href="https://www.mpf.mp.br/o-mpf/unidades/pr-pa/noticias/mpf-exige-que-orgaos-publicos-informem-indigenas-de-forma-culturalmente-adequada-sobre-contaminacao-no-para" target="_blank" rel="noreferrer noopener">levou o MPF a pedir uma requisição urgente</a> ao Ibama e Funai para que adotem medidas imediatas de comunicação com o povo indígena Gavião sobre a contaminação ambiental detectada no território no contexto de licenciamento da Estrada de Ferro Carajás.&nbsp;</p>



<p>A requisição do MPF estabeleceu que as autarquias realizassem a divulgação dos dados de forma culturalmente adequada ao povo indígena. O MPF indicou ainda que fossem apresentadas providências de mitigação e compensação para a contaminação verificada, visando garantir a segurança alimentar e o uso dos recursos hídricos pelos indígenas.</p>



<p><strong>Fontes de água e de alimentação em risco</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2017/04/TREM-CARAJAS-AGENCIA-VALE.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="686" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2017/04/TREM-CARAJAS-AGENCIA-VALE-1024x686.jpg" alt="" class="wp-image-20457" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2017/04/TREM-CARAJAS-AGENCIA-VALE-1024x686.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2017/04/TREM-CARAJAS-AGENCIA-VALE-300x201.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2017/04/TREM-CARAJAS-AGENCIA-VALE-768x514.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2017/04/TREM-CARAJAS-AGENCIA-VALE.jpg 1611w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Trem de minério de Carajás (Foto: Agência Vale) </sup></em></figcaption></figure>



<p>O biólogo Jansen Zuanon, especialista em ecologia e taxonomia de peixes de água doce amazônicos, avalia que os dados apresentados pelo Ibama não configuram um monitoramento ambiental de longo prazo, mas sim uma espécie de “fotografia” pontual da situação. Segundo Zuanon, mesmo que nem todas as conclusões sejam definitivas, como no caso da origem do mercúrio, há indícios relevantes de impacto associados à ferrovia.</p>



<p>A pedido da Amazônia Real, Jansen Zuanon leu o resumo do laudo do Ibama enviado pelo MPF à Amazônia Real, e fez uma análise a partir dessas informações. Zuanon foi pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e tornou-se referência nacional em peixes amazônicos, biotas aquáticas e impactos de grandes obras na bacia amazônica.</p>



<p>Segundo Zuanon, a exemplo do rio Mãe Maria, onde os dados do Ibama indicam que os teores de ferro e alumínio no sedimento a jusante (abaixo da obra) foram muito superiores aos observados a montante (acima da obra).</p>



<p>“A maior contaminação é na jusante, rio abaixo da passagem da linha da ferrovia movimentada pela Vale, em relação ao trecho rio acima. Ou seja, se há uma piora da qualidade logo abaixo da intervenção, tudo indica que isso é resultado da intervenção ou está sendo motivado por ela. Então, esse tipo de situação acho que é muito claro. Se juntar isso com o tipo de contaminação detectado, basicamente ferro, alumínio, níquel e outros metais, tudo indica que isso está ocorrendo em função de contaminação a partir do transporte de minério por essa ferrovia”, analisou o pesquisador.</p>



<p>O monitoramento do Ibama apontou alteração na qualidade da água, com aumento de metais como ferro e alumínio acima dos limites em alguns pontos, além de degradação do Índice de Qualidade da Água (IQA), que passou de “Regular” ou “Boa” para “Ruim” ou até “Péssima” durante as obras. Ao longo da implantação da ferrovia, quase todos os pontos passaram para a categoria &#8220;Ruim&#8221;, e o Rio São Gregório chegou a ser classificado como &#8220;Péssima&#8221; durante uma das campanhas de monitoramento ambiental da obra.&nbsp;</p>



<p>Jansen Zuanon afirmou que os valores de mercúrio detectados na TI Mãe Maria são preocupantes para a saúde dos peixes e dos habitantes do território. “A contaminação por mercúrio, independente da origem, é muito preocupante. O mercúrio se acumula no organismo das pessoas que consomem alimentos contaminados com esse metal pesado, e os reflexos podem aparecer meses ou até anos depois, dependendo da taxa de contaminação”, explicou.</p>



<p>Houve ainda registros elevados de coliformes, que após o início das obras ultrapassaram os limites normativos em todas as amostras. O monitoramento do Ibama também identificou que, em diversos pontos, os níveis de pressão sonora ultrapassaram os limites normativos, influenciados pela passagem de composições ferroviárias e atividades construtivas.&nbsp;</p>



<p>Em relação às incertezas apontadas no laudo, Jansen Zuanon afirma que, independentemente da origem da contaminação, é fundamental que ela seja investigada e que medidas sejam adotadas para garantir que a população indígena tenha acesso a água de qualidade e a alimentos não contaminados.&nbsp;</p>



<p>“Isso é um ponto inegociável, porque a gente sabe que as populações indígenas têm como fonte primária de proteína animal o pescado e a caça”, disse.</p>



<p><strong>O que dizem as autoridades</strong></p>



<p>A Amazônia Real procurou a empresa Vale através de sua assessoria de imprensa, com envio de perguntas a respeito das denúncias dos indígenas e do MPF. A empresa informou que “já se manifestou nos autos e que apresentará sua defesa oportunamente”. A empresa não respondeu às perguntas da Amazônia Real.&nbsp;</p>



<p>Em nota, o Ibama informou que os dados analisados “indicam alterações pontuais na qualidade da água, incluindo a presença de metais como alumínio e ferro acima de limites em determinados pontos, bem como a detecção de mercúrio em amostras de peixes”.</p>



<p>Diante dos resultados, o Ibama solicitou da “empresa responsável” [Vale] a complementação dos estudos e a realização de novas análises para investigar a origem das ocorrências.</p>



<p>Ainda que não tenha comprovação de que os impactos sejam causados exclusivamente pelo empreendimento da Vale, o Ibama afirmou na nota que reconhece a degradação ambiental e aponta incertezas sobre a segurança alimentar das comunidades da TI Mãe Maria, pois os dados atuais são insuficientes para determinar se o consumo de peixes é seguro para os indígenas (<a href="https://drive.google.com/file/d/1Ju89Ehw2rirD3QiwOZYZD_rX7f9G2gGR/view" target="_blank" rel="noreferrer noopener">leia a resposta do Ibama na íntegra</a>).</p>



<p>O Ibama foi incluído como réu na ação civil pública do MPF por suposta omissão na fiscalização da ferrovia. Segundo o MPF, o órgão não tomou medidas inibitórias como autuações, embargos e interdições diante de indícios de irregularidades da obra. O MPF pede que a Justiça determine fiscalização imediata pelo Ibama e a aplicação de sanções à mineradora pela operação sem licença.</p>



<p>A Funai foi formalmente comunicada pelo Ibama no processo de licenciamento e é responsável por acompanhar as ações de comunicação com os povos indígenas. Procurada, a Funai não respondeu os questionamentos até o fechamento desta reportagem.</p>



<p>À Amazônia Real, o MPF informou que pede na Justiça que a Vale paralise, de forma imediata, qualquer atividade de operação na linha férrea duplicada dentro da TI Mãe Maria, deixando de utilizá-la até que a licença de operação seja regularmente expedida.&nbsp;</p>



<p>O MPF também requer a inversão do ônus da prova, exigindo que a empresa forneça as imagens de suas próprias câmeras de segurança instaladas na ferrovia, a partir de dezembro de 2025, para comprovar há quanto tempo a operação ilegal vem ocorrendo e calcular o lucro indevido obtido no período.</p>



<p>No julgamento definitivo da ação, o MPF pede ainda a condenação da Vale ao pagamento de indenização pelos danos morais coletivos causados às comunidades da TI Mãe Maria.</p>



<p>Na ocasião do protesto do povo Gavião, <a href="https://bacananews.com.br/indigenas-desocupam-ferrovia-apos-acordo-de-r-50-milhoes-com-vale-trem-de-passageiros-volta-na-quinta/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">sites da mídia </a>do Pará divulgaram informação de que a Vale teria firmado um acordo com as lideranças indígenas, no valor de R$ 50 milhões, para encerrar a interdição da Estrada de Ferro Carajás.&nbsp;</p>



<p>A informação, no entanto, não foi confirmada pela liderança indígena ouvida pela Amazônia Real. Procurada novamente pela reportagem para esclarecer sobre o suposto pagamento de R$ 50 milhões, a Vale não respondeu. Limitou-se a informar que “não tem comentários adicionais à nota enviada anteriormente”. </p>



<p>O MPF confirmou que participou das reuniões de conciliação entre as lideranças indígenas da etnia Gavião e a mineradora Vale S.A e disse que intermediou a solução extrajudicial para a desocupação da Estrada de Ferro Carajás. O MPF afirmou, porém, que “não interferiu na livre deliberação sobre valores acordados entre os indígenas e a empresa” e disse que “não se manifestará sobre esse ponto, inclusive para preservar os direitos da coletividade indígena”.</p>



<p><strong>Impactos históricos</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/OCUPACAO-POVO-GAVIAO-2025-FOTO-MIDIA-GAVIAO.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/OCUPACAO-POVO-GAVIAO-2025-FOTO-MIDIA-GAVIAO-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-172134" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/OCUPACAO-POVO-GAVIAO-2025-FOTO-MIDIA-GAVIAO-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/OCUPACAO-POVO-GAVIAO-2025-FOTO-MIDIA-GAVIAO-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/OCUPACAO-POVO-GAVIAO-2025-FOTO-MIDIA-GAVIAO-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/OCUPACAO-POVO-GAVIAO-2025-FOTO-MIDIA-GAVIAO-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/OCUPACAO-POVO-GAVIAO-2025-FOTO-MIDIA-GAVIAO-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/OCUPACAO-POVO-GAVIAO-2025-FOTO-MIDIA-GAVIAO.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup><sub>Ocupação do povo Gavião na Estrada de Ferro Carajás (EFC) (Foto: Mídia Gavião/ 2025).</sub></sup></em></figcaption></figure>



<p>Uma <a href="https://brasil.mongabay.com/2023/09/divididos-pela-mineracao-nova-ferrovia-da-vale-provoca-discordia-em-povo-indigena-da-amazonia/">reportagem do site Mongabay, de 2023</a>, mostra o histórico de tensão na relação da Vale com os Gavião, e faz um retrato da divisão e conflito interno entre os indígenas diante do projeto da empresa. Um dos entrevistados, Zeca Gavião, disse que a Vale “viciou tanto o meu povo que demorou muito para entenderem o que estava acontecendo”.</p>



<p>Inaugurada em 1985 pela então estatal Companhia Vale do Rio Doce durante ditadura militar no Brasil (1964-1988), a Estrada de Ferro Carajás foi planejada desde os anos 1970 para escoar a extração das reservas minerais da região, rica em ferro de alto teor, ouro, estanho, bauxita, manganês, níquel e cobre, além de outros minérios raros. Nos anos 1990, a Vale (seu nome atual) foi privatizada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e hoje é uma empresa privada de capital aberto.</p>



<p>O povo Gavião <a href="https://oglobo.globo.com/economia/ibama-autoriza-vale-iniciar-duplicacao-da-ferrovia-de-carajas-2983646">luta contra a duplicação do empreendimento desde 2010</a>, quando o&nbsp; Ibama autorizou a instalação de uma nova linha paralela à existente. Em novembro de 2012, <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/economia/vale-recebe-licenca-do-ibama-para-desenvolver-seu-maior-projeto-3gocgnk9aav1tv74ohwpvbi32/">o Ibama emitiu a Licença de Instalação para o projeto Serra Sul (S11D) da Vale</a>, o maior projeto de minério de ferro da empresa na Serra Sul da Floresta Nacional de Carajás, com investimentos em torno dos US$ 19,5 bilhões.&nbsp;</p>



<p>A licença permitiu a construção de uma usina de processamento e uma mina, com capacidade de produção de 90 milhões de toneladas de minério de ferro de alto teor (66,7% Fe) por ano. Por consequência da expansão dos projetos de mineração da Vale<a href="https://observatoriodamineracao.com.br/na-garganta-do-futuro-no-maranhao-trens-da-vale-prometem-desenvolvimento-e-entregam-um-rastro-de-violacoes-de-direitos/">, foram duplicados 575 quilômetros de estrada de ferro no Pará e no Maranhão, entre 2013 e 2017.&nbsp;</a></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/3-the-railroad.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/3-the-railroad-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-172127" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/3-the-railroad-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/3-the-railroad-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/3-the-railroad-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/3-the-railroad-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/3-the-railroad.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup><sub>Estrada de Ferro Carajás (Foto: Ingrid Barros/Observatório da Mineração/2023).</sub></sup></em></figcaption></figure>
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		<title>Áreas para a conservação do sauim-de-coleira, símbolo de Manaus – 5: implicações para políticas públicas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Philip Martin Fearnside]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 15:06:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[bioma Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
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		<category><![CDATA[Risco de extinção]]></category>
		<category><![CDATA[Sauim-de-Coleira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No último texto desta série, os autores alertam que não é necessário apenas criar novas áreas protegidas para o sauim-de-coleira, mas também melhorar a gestão das existentes, especialmente na zona urbana. Eles dizem que ‘a conservação do sauim-de-coleira depende de uma melhor compreensão da necessidade de aumentar a área destinada à sua proteção e de uma boa gestão dentro e ao redor dessas áreas’.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Por Ana Luisa Albernaz, Marcelo Cordeiro Thalês, Marcelo Gordo, Diogo Lagroteria, Tainara V. Sobroza, William E. Magnusson, Philip M. Fearnside, Leandro Jerusalinsky, Renata Bocorny de Azevedo, Rodrigo Baia Castro, Dayse Campista, Wilson Roberto Spironello e Maurício Noronha</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Discussão</strong></p>



<p>Nossa análise revelou que cerca de um terço da zona urbana é coberta por algum tipo de proteção formal. No entanto, também revelou que quase todas as áreas protegidas se enquadram em categorias de proteção parcial e que algumas dessas categorias sofreram uma perda significativa de vegetação, entre outros impactos. O aeroporto de Manaus, por exemplo, com todo o seu ruído e asfalto, está localizado em uma Área de Proteção Ambiental (APA), o que demonstra o baixo nível de proteção em algumas áreas formalmente protegidas. Embora os sauins-de-coleira possam se comunicar e viver em áreas ruidosas [1, 2], o impacto potencial dessa atividade humana no bem-estar a longo prazo e no sucesso reprodutivo das espécies não é claro. Em algumas situações extremas, como a do aeroporto, seria difícil reverter a situação, mas em outras partes da mesma área protegida (APA Tarumã/Ponta Negra), bem como em outras áreas já protegidas dentro da zona urbana, a recuperação da vegetação deve ser promovida para aumentar o habitat disponível para a fauna e a flora locais, incluindo o sauim-de-coleira. Além disso, é crucial tomar medidas para proteger os 20% de áreas verdes restantes dentro da área urbana que atualmente não estão formalmente protegidas, preferencialmente em categorias de uso mais restritivo.</p>



<p>Inicialmente não realizamos análises formais para promover a conectividade na matriz urbana por dois motivos: a relativa dificuldade de planejar corredores em áreas densamente ocupadas e o fato de a legislação brasileira já estabelecer que a vegetação ripária deve ser protegida. No entanto, essa legislação foi flexibilizada nos últimos anos, e a vegetação ao longo dos corpos d&#8217;água agora pode ser convertida para utilidade pública ou interesse social [3]. Isso tem sido explorado pelo setor imobiliário, que está convertendo e ocupando a maioria das zonas ripárias. Portanto, os participantes do seminário público recomendaram a inclusão de áreas de preservação permanente (APPs) exigidas pelo Código Florestal no mapa urbano para enfatizar a necessidade de proteger esses ambientes, tanto por seu papel na proteção de fontes de água, fornecendo áreas de infiltração, como por manter a conectividade para a biota.</p>



<p>Para áreas rurais, a definição de metas tem sido o principal desafio. Embora haja um corpo substancial de literatura sobre a ecologia do sauim-de-coleira, apenas um número limitado de estudos abordou especificamente seu uso de diferentes habitats em nível populacional [4, 5]. Ambos os estudos foram conduzidos na mesma área (Reserva Ducke), mas com resultados diferentes: enquanto o primeiro [4] revelou que o platô era o habitat mais usado, o segundo [5] encontrou sauins-de-coleira usando áreas com todas as inclinações e nenhuma variação sazonal no uso. A área de uso média de grupos de sauim-de-coleira em florestas contínuas foi estimada em cerca de 100 ha [6], enquanto em áreas urbanas eles têm áreas de uso entre oito e 65 ha, incluindo florestas primárias e secundárias em diferentes estágios sucessionais, bem como campinaranas (florestas de areia branca) e igapós (florestas inundadas) [7, 8]. A maior parte dos estudos concentra-se em áreas urbanas ou na Reserva Ducke, o que dificulta saber se há variações nos parâmetros populacionais ou nos padrões de uso do habitat entre diferentes áreas ou contextos paisagísticos. A falta de dados mais detalhados sobre ecologia espacial dificulta a definição de um alvo que leve em consideração as necessidades específicas da espécie.</p>



<p>Na última atualização do Mapa Brasileiro de Prioridades para Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade para o Bioma Amazônia [9], foi estabelecida uma meta de 100% para todas as espécies de mamíferos com distribuição inferior a 10.000 km<sup>2</sup>, como é o caso do sauim-de-coleira. No entanto, não consideramos viável propor um mapa de prioridades baseado em uma meta superior a 50% para o sauim-de-coleira devido a restrições geográficas e políticas. Atualizações no processo de planejamento sistemático da conservação recomendam a inclusão de novas etapas relacionadas à implementação de ações de conservação e à manutenção e monitoramento de áreas protegidas [10, 11]. Para o sauim-de-coleira, a revisão e o monitoramento serão críticos para determinar se as ações foram bem-sucedidas na conservação da espécie e se ela ainda precisa de maior proteção. Além disso, houve mudanças recentes na distribuição geográfica proposta para a espécie [12], e estudos em andamento podem levar a novas mudanças &#8211; seja uma expansão devido a ocorrências em novas áreas ou uma redução devido à expansão de <em>S. midas.</em></p>



<p>A única outra espécie endêmica incluída em nosso estudo como alvo foi o sapo <em>Atelopus manauensis.</em> A inclusão desta espécie aumentou a biodiversidade representada no mapa final, tornando-o uma ferramenta de política pública mais robusta. Aproximadamente metade da área de distribuição deste sapo se sobrepõe à do sauim-de-coleira; apenas essa parte foi incluída em nosso planejamento. Planos de conservação futuros focados nesta espécie ou que considerem uma área expandida devem levar em conta toda a distribuição do sapo.</p>



<p>A disponibilidade de pontos de ocorrência para <em>Atelopus manauensis </em>nos permitiu refinar as informações espaciais desta espécie, indicando sua proximidade com a água. No entanto, outras informações de habitat em escala mais fina, como pH e conectividade entre poças, que influenciam a ocorrência da espécie [13] não puderam ser mapeadas na escala deste estudo. Apesar da extensão limitada da área de distribuição sobreposta (aproximadamente 300.000 ha) e da área restrita ao redor da água onde a espécie foi observada, definimos uma meta de 50% da área porque a maior parte de seu habitat já está nominalmente protegida pelas áreas de preservação permanente (APPs, veja acima).</p>



<p>As metas restantes foram baseadas na variação ambiental, incluindo combinações de vegetação, topografia e presença ou proximidade de água. Além de melhorar a representação da biodiversidade, sua inclusão contribui para a resiliência no contexto de um futuro incerto. Gradientes ambientais facilitam migrações de curto alcance em resposta à mudança, permitindo que as espécies persistam [14, 15]. A maior parte das metas ambientais foi definida em 30%, em acordo com a Decisão Montreal-Kunming [16]. As exceções foram devido a um grau relativamente maior de ameaça da extração de recursos ou agricultura (planalto), relevância para uso humano tradicional (floresta inundada) ou importância como provedor de recursos para o sauim-de-coleira (floresta secundária jovem) [8. 17].</p>



<p>O desmatamento e as mudanças no uso da terra, como a conversão para agricultura e pastagem, geralmente são precedidos ou acompanhados pela construção de estradas. Essas e outras ameaças que causam impactos ambientais e perda de habitat em nossa área de interesse, como mineração, linhas de transmissão, assentamentos humanos e um distrito agroindustrial, foram incluídos em nossa superfície de custo porque levam à perda de biodiversidade [18] e tornam os esforços de conservação difíceis, caros ou impossíveis. A probabilidade de ocupação por outra espécie é um componente menos comum das superfícies de custo. No entanto, preocupações sobre a expansão da distribuição geográfica de <em>Saguinus midas </em>sobre a de <em>S. bicolor </em>foram levantadas por vários autores (por exemplo, [19, 20] e abordadas em estudos específicos por modelos de nicho [12, 21]. Ao incorporar as duas classes de probabilidade de ocupação derivadas do modelo de Lagroteria et al. [12] e refinar essas informações usando a ocorrência real de uma ou outra espécie, raciocinamos que as melhores áreas para sauins-de-coleira seriam aquelas com menor probabilidade de serem ocupadas por <em>S. midas.</em></p>



<p>A maior parte das áreas já protegidas recebeu o status de &#8220;inicial&#8221; e foi selecionada. Esse resultado reforçou a importância das áreas protegidas existentes (mesmo aquelas em categorias de uso sustentável) para a conservação do sauim-de-coleira e da grande área pertencente ao Exército Brasileiro. A notável exceção foi a maior parte da APA Margem. Esquerda do Rio Negro &#8211; Setor Tarumã-Açu/Tarumã Mirim. Apesar de seu status de proteção, as ações de conservação ali são dificultadas pelas inúmeras ameaças enfrentadas por essa área, uma vez que é cortada por estradas, possui ocupação humana e atividades agrícolas, e, também coincide com a provável área de invasão de <em>Saguinus midas.</em> Em contraste, a área militar contém uma das maiores manchas de vegetação contígua relativamente bem preservada. Sua proteção é crucial, mas incerta, visto que o Exército atualmente não tem obrigação legal de preservar a área, e a instituição tem o direito de usar a terra como preferir.</p>



<p>A maior parte das manchas na zona rural estava isolada pela presença de estradas, o que indica alguma dificuldade em estabelecer conexões entre eles. Embora sua preservação seja de grande importância, como a maioria das estradas atravessa divisores de águas, não é possível conectar as manchas separadas com base nas Áreas de Preservação Permanente (APPs) ao longo dos cursos d&#8217;água (Lei nº 12.651/12), conforme recomendado na matriz urbana. Considerando que atropelamentos são uma ocorrência relativamente comum entre os sauins-de-coleira [22], muitas das conexões identificadas em nossa análise destacam a necessidade de criar corredores de vida selvagem, bem como travessias de animais nessas estradas.</p>



<p>O cenário atual mostra que grande parte do esforço feito para criar áreas protegidas não é tão eficaz quanto deveria ser. Embora quase 30% da área urbana seja protegida de alguma forma e cerca de 20% da área de planejamento sistemático tenha o mesmo status, uma parte significativa dela já está degradada. A grande proporção da área protegida que está em categorias que permitem outros usos dá uma falsa sensação de conquista de conservação e torna a criação de novas áreas ou outras ações de conservação mais difíceis [23]. Os resultados, bem como as discussões ao final do seminário, mostraram que não é necessário apenas criar novas áreas protegidas, mas também melhorar a gestão das existentes, especialmente na zona urbana. Nenhuma das áreas protegidas na zona urbana tem plano de manejo, que é a ferramenta básica para definir seu zoneamento e quais áreas são efetivamente destinadas à conservação. Elas também carecem de conselhos consultivos, que são essenciais para monitorar seu estado de conservação e exigir melhorias.</p>



<p>Os debates no seminário final também deixaram claro que o sucesso dos esforços de conservação rural dependerá do desenvolvimento de incentivos para a mudança das cadeias produtivas atuais para aquelas com menor impacto sobre a biodiversidade. Identificar as atividades econômicas mais compatíveis e envolver a população local nos esforços de conservação continua sendo um desafio. Há um progresso inegável na promoção do uso mais sustentável dos recursos florestais. No entanto, existe também o risco de simplesmente substituir produtos sem alterar o sistema de produção e de continuar a conversão de sistemas naturais e culturais em sistemas mais pobres [24, 25].</p>



<p>A conservação do sauim-de-coleira, assim como de outras espécies ameaçadas, depende de uma melhor compreensão da necessidade de aumentar a área destinada à sua proteção e de uma boa gestão dentro e ao redor dessas áreas. Por exemplo, o aprimoramento do monitoramento e da restauração da vegetação poderia ajudar a aumentar a eficácia das áreas protegidas existentes e ser aplicado a novas áreas. Em um mundo onde as mudanças ambientais estão ocorrendo muito mais rápido do que o previsto e, em alguns casos, com consequências catastróficas, nossa própria existência e qualidade de vida dependem cada vez mais dessa compreensão. [26]</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Notas</strong></p>



<p>[1] Sobroza, T. V., Dunn, J. C., Gordo, M., &amp; Barnett, A. A. (2024).<a href="https://doi.org/10.1080/03949370.2023.2248591"> Do pied tamarins increase scent-marking in response to urban noise?</a> <em>Ethology Ecology &amp; Evolution</em>,<em>36</em>(2), 136-149. </p>



<p>[2] Sobroza, T.V., Gordo, M., Dunn, J.C., Pequeno, P.A.C.L., Naissinger, B.M.&amp; Barnett, A.P.A. 2024. P<a href="https://doi.org/10.1002/ajp.23606">ied tamarins change their vocal behavior in response to noise levels in the largest city in the Amazon. </a><em>American Journal of Primatology</em> 86(5): art. e23606. </p>



<p>[3] Azevedo-Santos, V. M., Daga, V. S., Tonella, L. H., Ruaro, R., Arcifa, M. S., Fearnside, P. M., &amp; Giarrizzo, T. (2023). <a href="https://doi.org/10.1126/science.adl0891">Brazil undermines flood resilience</a>. <em>Science</em>,<em>382</em>, 383.</p>



<p>[4] Kinap, N. M., Nagy-Reis, M., Bobrowiec, P. E. D., Gordo, M., &amp; Spironello, W. R. (2021). <a href="https://doi.org/10.1007/s42991-021-00108-3">Influence of topography gradient and seasonality on primate habitat use in Central Amazonia.</a> <em>Mammalian Biology</em>,<em>101</em>, 251-259. </p>



<p>[5] Vidal, M. D., &amp; Cintra, R. (2006). <a href="https://doi.org/https://doi.org/10.1590/S0044-59672006000200014">Effects of forest structure components on the occurrence, group size and density of groups of bare-face tamarin (<em>Saguinus bicolor</em> – Primates: Callitrichinae) in Central Amazonia. </a><em>Acta Amazonica</em>,<em>36</em>(2), 237 &#8211; 248. </p>



<p>[6] Gordo, M., Rodrigues, F.R., Vidal, M. D., Spironello, W. R., &amp; Ribeiro, F. R. P. (2011). Primatas. In: M. L. Oliveira, F. B. Baccaro, R. Braga-Neto, &amp; W. E. Magnusson (Eds.), <em>Reserva Ducke, A Biodiversidade Amazônica Através de uma Grade. </em><em>Manaus: INPA,</em> (p. 39-49). INPA. 166 p<em>.</em></p>



<p>[7] Egler, S. (1992). <a href="https://doi.org/10.1159/000156644">Feeding ecology of <em>Saguinus bicolor</em> <em>bicolor </em>(Callitrichidae: Primates) in a relict forest in Manaus, Brazilian Amazonia</a>. <em>Folia Primatologica</em>,<em>59</em>(2), 61-76. </p>



<p>[8] Gordo, M., Subirá, R. J., Vidal, M. D., Rohe, F., Spironello, W. R., Valente, L. M., Oliveira, J. B., Pissinatti, A., Wormell, D., &amp; Jerusalinsky, L. (2017). Contextualização do sauim-de-coleira. In L. Jerusalinsky, R. B. Azevedo, &amp; M. Gordo (Eds.), <em>Plano de Ação Nacional para a Conservação do Sauim-de-coleira</em> (p. 25-44). ICMBIO.</p>



<p>[9] MMA. (2023). <em><a href="https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/biodiversidade-e-biomas/biomas-e-ecossistemas/conservacao-1/areas-prioritarias/2a-atualizacao-das-areas-prioritarias-para-conservacao-da-biodiversidade-2018">Áreas prioritárias para a Conservação, Utilização Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade 2ª Atualização</a>. </em>Ministério do Meio Ambiente, Brasília, DF. </p>



<p>[10] Adams, V. M., Mills, M., Weeks, R., Segan, D. B., Pressey, R. L., Gurney, G. G., Groves, C., Davis, F. W., &amp; Álvarez-Romero, J. G. (2019). <a href="https://doi.org/10.1007/s13280-018-1067-2">Implementation strategies for systematic conservation planning</a>. <em>Ambio</em>,<em>48</em>, 139–152. </p>



<p>[11] McIntosh, E. J., Pressey, R. L., Lloyd, S., Smith, R. J., &amp; Grenyer, R. (2017). <a href="https://doi.org/10.1146/annurev-environ-102016-060902">The Impact of Systematic Conservation Planning</a>. <em>Annual Review of Environment and Resources</em>,<em>42</em>, 677–697. </p>



<p>[12] Lagroteria, D., Cavalcante, T., Zuquim, G., Röhe, F., Medeiros, A. S. M., Hrbek, T., &amp; Gordo, M. (2024). <a href="https://doi.org/10.3389/fcosc.2024.1426488">Assessing the invasive potential of <em>Saguinus midas</em> in the extent of occurrence of the critically endangered <em>Saguinus bicolor</em>. </a><em>Frontiers in Conservation Science</em>,<em>5</em>, 16.</p>



<p>[13] Jorge, R. F., Magnusson, W. E., da Silva, D. A., Polo, É. M., &amp; Lima, A. P. (2020).<a href="https://doi.org/10.1111/jzs.12390"> Urban growth threatens the lowland Amazonian Manaus harlequin frog which represents an evolutionarily significant unit within the genus <em>Atelopus </em>(Amphibia: Anura: Bufonidae).</a> <em>Journal of Zoological Systematics and Evolutionary Research</em>,<em>58</em>(4), 1195-1205.</p>



<p>[14] Pressey, R. L., Cowling, R. M., &amp; Rouget, M. (2003). Formulating conservation targets for biodiversity pattern and process in the Cape Floristic Region, South Africa. <em>Biological Conservation</em>,<em>112</em>(1-2), 99-127. </p>



<p>[15] Pressey, R. L., Cowling, R. M., &amp; Rouget, M. (2003). <a href="https://doi.org/10.1016/S0006-3207(02)00424-X">Formulating conservation targets for biodiversity pattern and process in the Cape Floristic Region, South Africa. </a><em>Biological Conservation</em>,<em>112</em>(1-2), 99-127. </p>



<p>[16] CBD. (2022). <a href="https://www.cbd.int/gbf/targets/3"><em>Kunming-Montreal Biodiversity Framework</em> Conference of the Parties to the Convention on Biological Diversity &#8211; Fifteenth meeting – Part II, Montreal, Canada. </a></p>



<p>[17] Egler, S. (1992). <a href="https://doi.org/10.1159/000156644">Feeding ecology of <em>Saguinus bicolor</em> <em>bicolor </em>(Callitrichidae: Primates) in a relict forest in Manaus, Brazilian Amazonia.</a> <em>Folia Primatologica</em>,<em>59</em>(2), 61-76.</p>



<p>[18] Laurance, W., Ana K.M., A., Schroth, G., Fearnside, P. M., Bergen, S., Venticinque, E., &amp; da Costa, C. (2002). <a href="https://doi.org/10.1046/j.1365-2699.2002.00721.x">Predictors of deforestation in the Brazilian Amazon</a>. <em>Journal of Biogeography 29</em>, 737–748. </p>



<p>[19] Ayres, J. M. C., Mittermeier, R. A., &amp; Constable, I. D. (1982). <a href="https://doi.org/10.1017/S0030605300017786">Brazilian tamarins on the way to extinction?</a>. <em>Oryx</em>,<em>16</em>(4), 329- 333. </p>



<p>[20] Subirá, R. J. (1998). <em>Avaliação da situação atual das populações do sauim-de-coleira, Saguinus bicolor bicolor (Spix, 1823). </em>Universidade de Brasília]. Brasília.</p>



<p>[21] Röhe, F. (2006). <em><a href="https://brasil.wcs.org/en-us/WCS-Brazil/Publications/categoryid/606.aspx">Área de contato entre as distribuições geográficas de Saguinus midas e Saguinus bicolor (Callitrichidae-Primates): a importância de interações e fatores ecológicos.</a> </em>UFAM – Universidade Federal do Amazonas / Instituto Nacional de pesquisas da Amazônia (INPA)]. Manaus. </p>



<p>[22] Gordo, M., Calleia, F. O., Vasconcelos, S. A., Leite, J. J. F., &amp; Ferrari, S. F. (Eds.). (2013). <em>T<a href="https://doi.org/10.1007/978-1-4614-8839-2">he challenges of survival in a concrete jungle: Conservation of the pied tamarin (Saguinus bicolor) in the urban landscape of Manaus, Brazil. Primates in fragments: Complexity and resilience</a>. </em>p. 357-370. Springer. </p>



<p>[23] Magris, R. A., &amp; Pressey, R. L. (2018). <a href="https://doi.org/10.1126/science.aat6215">Marine protected areas: Just for show? </a><em>Science</em>,<em>360</em>, 723-724. </p>



<p>[24] Clement, C. R., Pereira, H. d. S., Vieira, I. C. G., &amp; Homma, A. K. O. (2024). <a href="https://doi.org/https://doi.org/10.1016/j.tfp.2024.100583">Challenges for a Brazilian Amazonian bioeconomy based on forest foods</a>. <em>Trees, Forests and People</em>,<em>16</em>. </p>



<p>[25] Vieira, I. C. G., Fernandes, D. A., Araújo, R., Freitas, M. A. B., &amp; Brandão, F. (2024). S<a href="https://doi.org/https://doi.org/10.1016/j.oneear.2024.10.016">caling up sociobioeconomy in the Amazon: Opportunities and risks</a>. <em>One Earth</em>. </p>



<p>[26] Esta série é uma tradução de Albernaz, A.L., M.C. Thalês, M. Gordo, D. Lagroteria, T.V. Sobroza, W.E. Magnusson, P.M. Fearnside, L. Jerusalinsky, R.B. de Azevedo, R.B. Castro, D. Campista, W.R. Spironello &amp; M. Noronha. 2026. <a href="https://doi.org/10.1016/j.jnc.2025.127069">Conservation of an endangered Amazonian primate: Priority areas for the pied tamarin (<em>Saguinus bicolor</em>) in Manaus, Brazil.</a>  <em>Journal for Nature Conservation</em>, 89: art. 127069. </p>



<p>Este estudo foi apoiado pelo RE:WILD (número de subvenção SMA-CCO-G0000000301), proposto e coordenado pelo Instituto Sauim-de-Coleira e com o apoio institucional do Museu Paraense Emílio Goeldi (computadores e softwares para reuniões virtuais e análise de dados). A maior parte dos autores é de instituições locais. Os autores declaram não haver conflito de interesses. Agradecemos os comentários dos três revisores, que contribuíram para o aprimoramento do manuscrito.</p>





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<p><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p><strong>Ana Luisa Albernaz </strong>possui Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, e Mestrado e Doutorado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Atualmente é professora e orientadora no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Evolução (PPGBE) e pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi, onde foi Diretora de 2018 a 2022. Tem experiência na área de Ecologia, com ênfase em Ecologia Aplicada, atuando principalmente nos seguintes temas: várzea, Amazônia, biodiversidade, e planejamento para a conservação.</p>



<p><strong>Marcelo Cordeiro Thalês </strong>Possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal Rural da Amazônia, mestrado em Sensoriamento Remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e doutorado em Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Pará. Atualmente é Tecnologista do Museu Paraense Emílio Goeldi. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Sensoriamento Remoto, atuando principalmente nos seguintes temas: sensoriamento remoto, Amazônia, uso da terra, classificação de imagens e dinâmica da paisagem.</p>



<p><strong>Marcelo Gordo</strong> possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), mestrado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e doutorado em Zoologia pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Atualmente é professor Associado da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Tem experiência na área de Ecologia e taxonomia, atuando principalmente nos seguintes temas: Amazônia, conservação, <em>Saguinus bicolor</em>, herpetofauna e mamíferos.</p>



<p><strong>Diogo Lagroteria</strong> possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Paraná, Especialização em manejo de espécies ameaçadas pela University of Kent, Inglaterra, e Mestrado em Ecologia pelo Instituto de Pesquisas Amazônicas (INPA). Atualmente é analista ambiental do ICMBio/MMA, atuando no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (CEPAM), em Manaus, Amazonas. É coordenador executivo do Plano de Ação Nacional para conservação do Sauim-de-coleira e é membro do Grupo de Especialistas em Primatas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). Atua principalmente em temas como conservação e manejo de fauna silvestre ameaçada de extinção, abordando tópicos relacionados, tais como medicina da conservação, elaboração de planos de ação para a proteção de espécies ameaçadas e iniciativas de educação ambiental.</p>



<p><strong>Tainara V. Sobroza </strong>possui Graduação em Bióloga pela Universidade Federal de Santa Maria, e mestrado e doutorado em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Atualmente é bolsista de pós-doutorado no projeto BioTechQuilombo pela iniciativa Amazônia +10. Tem interesse em Mastozoologia, Primatologia e no uso do som como ferramenta para o estudo de espécies, interações e habitats. Atualmente é colaboradora do programa de conservação &#8220;Projeto Sauim-de-Coleira&#8221; vinculado à Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Também colabora com o Centro de Estudos Integrados da Biodiversidade Amazônica (CENBAM) realizando inventários e monitoramento de primatas e outros grupos de mamíferos. Tem experiência com curadoria de dados acústicos e bancos de dados de projetos de longa duração.</p>



<p><strong>William E. Magnusson </strong>possui graduação e doutorado em Ciências Biológicas pela Universidade de Sydney, Austrália. Atualmente é pesquisador titular III do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e bolsista de produtividade do CNPq nível 1B, tendo publicado &gt;250 artigos sobre uma ampla variedade de grupos taxonômicos. Ele tem interesse especial em desenhos amostrais multidisciplinares.</p>



<p><strong>Philip Martin Fearnside </strong>é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 800 publicações científicas e mais de 800 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis <a href="http://philip.inpa.gov.br">aqui</a>.</p>



<p><strong>Leandro Jerusalinsk</strong> possui Bacharel em Ciências Biológicas, Mestrado em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Doutorado em Ciências Biológicas &#8211; Zoologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPB). Atualmente é Analista Ambiental no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ele é Coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (ICMBio/CPB), e é Presidente Adjunto do Grupo Especialista em Primatas (PSG) da Comissão para a Sobrevivência de Espécies (SSC) da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Suas principais áreas de atuação são Conservação de Primatas, Primatologia, Planejamento Estratégico para a Conservação, Gestão Estratégica e Biologia da Conservação.</p>



<p><strong>Renata Bocorny de Azevedo</strong> possui Graduação em Ciências Biológicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), especialização em Animais Silvestres com ênfase em Conservação na Amazônia, pela Universidade Federal Rural da Amazônia, e mestrado em Zoologia também pela PUC-RS. Atualmente é Analista Ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), lotada no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB). Tem experiência na área de Zoologia, com ênfase em Etologia, Ecologia e Conservação de Primatas e na área de gestão ambiental.</p>



<p><strong>Rodrigo Baia Castro</strong> possui graduação em Licenciatura Plena em Ciências Naturais pela Universidade do Estado do Pará, graduação em Sistemas de Informação pela Universidade Federal do Pará, e bacharelado em Direito pela faculdade Estacio de Castanhal. Possui especialização em Educação Social para a Juventude pela Universidade do Estado do Pará, mestrado em Zoologia pela Universidade Federal do Pará, e doutorado em biodiversidade pelo Museu Emilio Goeldi. Possui experiência em sensoriamento remoto, modelos de distribuição de espécies, as ameaças à biodiversidade e a priorização espacial para a conservação.</p>



<p><strong>Dayse Campista</strong> possua graduação em Bióloga pela Universidade Gama Filho(UGF), mestrado em ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Possui habilidades em educação ambiental, gestão de parques zoológicos, manejo dos recursos naturais e gestão ambiental. Atualmente, Diretora Executiva do Instituto Sauim-de-coleira e coordenadora do Programa de Educação Ambiental &#8220;Sauim na Escola&#8221;.</p>



<p><strong>Wilson Roberto Spironello</strong> possui graduação em Ecologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e doutorado em Biologia pela Universidade de Cambridge, Inglaterra. Desde 2023 é pesquisador no Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA). De 2002-2023 foi pesquisador no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Foi presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia (2014-2015) e do Instituto Sauim-de-coleira (2022-2023). Possui experiência em ecologia de primatas e com a ecologia e monitoramento de mamíferos terrestres de médio e grande porte.</p>



<p><strong>Maurício de Almeida Noronha</strong> possui graduação em Ciências Biológicas e especialização em Manejo de Animais Silvestres pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e Mestrado em Ciências Ambientais e Florestais pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). As suas pesquisas focam em mastofauna do bioma Amazônia, com ênfase em primatas.</p>
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		<title>Resistências de uma Guerreira Sagrada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fátima Guedes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2026 14:49:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Não sentarei em um trono onde se sentaram escravos para governar outros escravos.” (Khalil Gibran)*</p>
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<p>Registros milenares, em maioria transformados em cinzas pela “santa inquisição”, guardam legítimas contribuições à ciência acadêmica moderna pautada pela racionalidade. Comprovadamente a ciência ancestral silenciada, rotulada como mito e/ou lenda no academicismo colonial, é a base teórica estrutural dos primeiros sopros da ciência universal.</p>



<p><a>A abordagem em descrição traz sutil resgate histórico milenar sobre </a><a><em>GuerreirXs do</em></a> <em>Arco-Íris</em><em>: Sonhos Indígenas e Proféticos</em>, constante na Obra de Willoya Brown (1962). Na presente conjuntura,<em> GuerreirXs do</em> <em>Arco-Íris “</em>manifestam-se em criaturas empenhadas, pessoas comprometidas com <a>modos justos, dignos e amorosos de existencialidade</a>”.</p>



<p>A antiga Profecia perdeu-se no tempo. <em>Bagos*</em> raros encontramos após intensas peneiradas&#8230; Na controvérsia, em meio às escuridões sistêmico dogmáticas de Parintins/AM, lá está Irmã Maria José de Souza Belém, <em>Filha da Caridade de São Vicente de Paulo</em>, soprando esperançamentos.</p>



<p>Ir. Maria José chegou a este plano físico aos 28 de outubro de 1959, através da MãeMaria Ivaneide de Souza Belém e do Pai José Belém de Souza: adubadores fundamentais à sustentabilidade da Guerreira em descrição.</p>



<p>Em breves relatos de sua singular trajetória, Ela compartilha testemunhos ímpares de lealdade e coerência à ética espiritual cristã vivenciada&#8230;</p>



<p>“Meus pais, grandes trabalhadores, labutavam diariamente para sustentar nove filhos. Meu pai, conhecido como Belém, foi um dos primeiros carroceiros de Parintins. Sofrera muitas humilhações, quando não conseguia dinheiro suficiente para entregar ao patrão. Minha mãe, uma mulher forte e batalhadora, conhecida como Lili, sempre empenhada nos originais ensinamentos cristãos e nos valores fundamentais para uma vida digna e humana. Não se acomodava e trabalhava para ajudar a família na sustentabilidade. Trabalhava lavando juta, na produção de castanha&#8230; Também trabalhou em escolas como zeladora.&nbsp; Por essa via de luta e resistência, presenteou meu pai com uma carroça e um cavalo, tirando nosso genitor da situação degradante”.</p>



<p>Na infância, a <em>Cunhantã</em>* Parintintin já se manifestara Luz para tempos incógnitos&#8230;</p>



<p>“Sou a primeira filha e bem cedo tomava conta dos meus irmãos. Minha mãe sempre batalhava fora: nas escolas, na igreja e eu era a principal responsável pela curuminzada. De 07 aos 10 anos assumi a função de babá dos filhos de um renomado médico de Parintins. Alimentação era meu único direito. Ele era bondoso, mas não parava em casa. Aos 10 anos de idade retorno pra casa convicta de que minha luta pela vida seria constante. Sempre acreditei em mim: se eu não der crédito aos meus empreendimentos, quem irá dar? Enfim, tornei-me mãe do lar, responsável pela casa, pelas tarefas domésticas junto aos meus irmãos, com determinação e coragem. Minha formação intelectual tem vários estágios: ensinos fundamental e médio fiz em Parintins; Cursei Pedagogia do Ensino Religioso Escolar via CONSEP &#8211; UFPA e Arquidiocese de Belém-PA. Fiz Licenciatura em Filosofia/UEC; Especialização em Administração Escolar/Universidade Estadual Vale do Acaraú em Sobral/CE”.</p>



<p>Na adolescência, o vigor missionário de Maria José avança em desafios surpreendentes: arrisca-Se em semeaduras voltadas ao florescimento do real-concreto da vida religiosa&#8230;</p>



<p><strong>&nbsp;</strong>“Aos 12 anos, com apoio de uma Filha da Caridade, à sombra das castanholeiras, da Praça do Sagrado Coração de Jesus, tornei-me catequista de crianças. Aos 16 anos, busquei emprego: só recebia NÃO! Um dia, no arraial de Nossa Senhora do Carmo, um Barraqueiro* me deixou vender línguas-de-sogra*. Ganhei um dinheirinho. Mais tarde, um Amoroso Padre, acompanhando minha história contada na praça, abriu-me portas na secretaria da Igreja. Aprendi muitas coisas. Posteriormente,trabalhei na Prefeitura, na FENAME*, MOBRAL* e MEB*. Aos 22 anos, acolhi o chamado divino e assumi efetivamente a missão religiosa que abraço até hoje. Os estados do <a>Maranh</a>ão e Ceará me serviram de abrigo e suporte ao postulado e seminário. Minha primeira missão como educadora foi na cidade de Baião/PA. Significativa! Trabalhávamos nas comunidades cristãs sob <a>o método VER &#8211; JULGAR &#8211; AGIR</a> em parceria com Padres Holandeses: profundos em leitura crítica. O propósito era trabalhar autoconhecimento, autoconsciência com foco na autotransformação: massa em povo capaz de se reconhecer, valorizar a própria história e trabalhar por um mundo digno, justo, solidário, cidadão, comprometido com o Projeto de Deus.&nbsp; A formação seguia a ética da Teologia da Libertação sob assessoria de Leonardo Boff, Clodovis Boff, Frei Beto e, na Educação Popular, Paulo Freire”.</p>



<p>A missão como educadora exigira-Lhe agregar teoria e prática. Nesse entrelaçamento, a ética da Guerreira direciona-A a intervir de forma intensa aos impactos ambientais na região do Pará&#8230;</p>



<p>“Em 1983 a construção da Usina Hidroelétrica de Tucuruí/PA forjou o deslocamento de mais de 32 mil pessoas (indígenas, ribeirinhos, agricultores, quilombolas&#8230;) Resultando em severos impactos ambientais e sociais: perda de terras, casas e graves problemas de indenização e reassentamento. Mortes de peixes, de animais silvestres&#8230; Secas nos rios, contaminação pelo Agente Laranja*&#8230; Nosso trabalho missionário foi intenso nos acampamentos, haja vista as fortes perseguições à Igreja que atuava junto aos mais pobres”.</p>



<p>A lealdade da Missionária exigiu envolvimentos decisivos na defesa dos direitos fundamentais: ética universal absorvida nos anúncios do Educador Paulo Freire.<em>..</em></p>



<p><em>&nbsp;</em>“A Igreja me trouxe chamados importantes: em 1955, a primeira Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (RJ); a segunda, em 1968, Medellin (CO); e a terceira, 1959, em Puebla (MX) onde definiram os rumos da Igreja Católica no continente, destacando-se a Opção Preferencial pelos Pobres e a evangelização no contexto de pobreza e desigualdade social. Na década de 80, também interagi nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) &#8211; fundamentais na gênese do Partido dos Trabalhadores&nbsp; (PT): um dos principais embriões organizativos nas periferias, comunidades, vilas, assentamentos, associações, sindicatos, estradas&#8230; A Fé, a União e a Luta Social contra a ditadura e ao alto custo de vida firmaram a identidade do partido. Em todos esses Chamados, a espiritualidade Latino &#8211; Americana, fundamentada no Concílio Vaticano II, década de 1960, no contexto da Guerra Fria e das desigualdades sociais, fizera-se presente através das práxis em atenção à necessidade de uma Igreja efetivamente comprometida com a Justiça Mundial”.</p>



<p>Os compromissos com o Deus da Vida assumidos pela Religiosa, manifestam-se em ações singulares frente a realidades controvérsias à Justiça Social/Popular&#8230;</p>



<p>&nbsp;“Sou filha das Terras Amazônicas. Meu clã resiste e luta diariamente pela preservação das matas, dos rios, das culturas e contra todo tipo de violências. Sou Igreja e, como Tal, cultivo o princípio do Deus da Vida, Libertador. Quem ama, cura, forma e envia em missão. São Vicente de Paulo, fundador da Congregação dos Padres Lazaristas e das Filhas da Caridade, no século XVII, já alertava: ‘Oração x Ação’. Sigo-O por reconhecê-Lo ‘Santo da Caridade’; por contemplar o Cristo no pobre, o pobre no Cristo e a ação em serviço prático; por ser exemplo de Espiritualidade transformada em obras de acolhimento e promoção aos pobres, doentes, idosos e marginalizados. Na mesma frequência, Santa Luiza de Marillac (1660), nossa Fundadora, centrava em profundidade o olhar aos marginalizados – ‘Oh! Que felicidade! Sem ofender a Deus, a Companhia servisse apenas aos estritamente pobres’.&nbsp;</p>





<p><strong>Tenho que Gritar!</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Irmao-Maria-Jose-na-lixeira.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="561" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Irmao-Maria-Jose-na-lixeira-1024x561.jpeg" alt="" class="wp-image-172101" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Irmao-Maria-Jose-na-lixeira-1024x561.jpeg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Irmao-Maria-Jose-na-lixeira-300x164.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Irmao-Maria-Jose-na-lixeira-768x420.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Irmao-Maria-Jose-na-lixeira-150x82.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Irmao-Maria-Jose-na-lixeira.jpeg 1414w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>“É difícil fechar os olhos para a miséria em avanço, onde Políticos, com seus currais eleitorais, ditam e excluem” &#8211; Irmã Maria José (Foto: Willian Belém).</em></figcaption></figure>



<p>O perfil Amoroso, Acolhedor e Dialógico de Maria José &#8211; Filha das Terras Amazônidas-, sintoniza com a essência mística revolucionária do Profeta Isaías (56:10) ‘As sentinelas de Israel estão cegas e não têm conhecimentos. São como cães mudos, incapazes de latir. Deitam-se e sonham; só querem dormir’&#8230;</p>



<p>“Há muitas pessoas sofridas, abandonadas pelo Poder Público&#8230; Ovelhas perdidas sem pastor. É grande o número de adultos, jovens, adolescentes e crianças na LIXEIRA DA CIDADE em busca do básico para aliviar a fome&#8230; Acompanho esse povo! Até às 22h, essas populações subvivem marginalizadas por conta do desrespeito e da desumanidade. Outra questão que não posso calar é a população em Situação de Rua dormindo ao relento, nas praças, calçadas e etc. É difícil fechar os olhos para a miséria em avanço, onde Políticos, com seus currais eleitorais, ditam e excluem. Consequências: desemprego, desigualdades de oportunidades, racismo, desnutrição, abandono de idosos, violência contra mulheres&#8230; Empenho minha Missão contra esse cenário, tentando aliviar e ajudar em algumas situações. Outras questões graves que não me calo: a destruição da Amazônia e de ecossistemas sensíveis; a concentração fundiária nas mãos dos poderosos; a violência no campo e descumprimentos aos direitos fundamentais dos povos indígenas e de comunidades tradicionais”.</p>



<p>Longe do foco das mídias, a Filha da Caridade segue na missão sem se importar com reconhecimento e/ou apoios institucionais&#8230;</p>



<p>&nbsp;“Não tenho preocupação com reconhecimentos ou visibilidade de quem não comunga com a luta em favor dos pobres. Minha conexão com o Divino sempre foi de amor e de liberdade. O Deus da Vida, da Esperança, na pessoa de Jesus Cristo &#8211; o Imortal Revolucionário da história me preenche e me ilumina. Este testemunho é latente em minha missão e na de outras pessoas verdadeiramente comprometidas com ‘modos justos, dignos e amorosos de existencialidade, testemunhos do Cristo Vivo, Libertador entre os pobres. Nossa missão é cuidar da humanidade e do Planeta, no sentido espiritual, material sem oprimir e deixar que o outro, a outra escolham o próprio caminho. Nunca trabalhei buscando legitimação de ninguém. Quando partilho, sinto escuta, reciprocidade&#8230; Tenho recibo apoio e coisas boas das Irmãs. Não posso ser diferente do que sou em natureza. Não sou elite; minha família e o povo com quem convivo lutam diariamente por dias melhores, fomentando sempre a Esperança. Deus nos criou como Ser integral: Espiritual, Mental, Físico, Social. Por essência somos UM TODO EM TUDO. Muitas pessoas são religiosas, mas não espirituais: os próprios pensamentos, palavras e ações estão ligados à Lei que mata, violenta, exclui e seus posicionamentos são úteis para a dominação”.</p>



<p>Na posição de Religiosa, Ir. Maria José é diferencial autêntico&#8230; Por que não usa o hábito padrão da Congregação?</p>



<p>&nbsp;“Questão de opção. No caso de escolha, optamos sempre por um lado. Sou feliz e consciente do que faço. Não me preocupo com avaliações, opiniões de quem está noutra margem. Estou numa idade que já não posso perder tempo. Segui por um caminho que não tem volta. É o que ESCOLHI. Tive muitos convites e oportunidades por onde trabalhei, mas escolhi este. O machismo nas Instituições é claro, objetivo e é legitimado por muitas Religiosas: pra mim, já passou da conta há muito tempo”.</p>



<p>Autoidentificada “Filha das Terras Baixas da Amazônia”, a Guerreira traz anúncios sobre teçumes de Educação Popular e Vigilância em Saúde&#8230;</p>



<p>“Em 2024, Chamados me levaram a diálogos com a filosofia da TEIA*, através dos Círculos Sagrados de Saúde*: fontes de reconexão com sabedorias ancestrais e antigas tradições vivenciadas em medicinas naturais (folhas, raízes, sementes); resgates de herança psíquica familiar e exercícios terapêuticos libertários. Cada encontro é um ato de amor, de acolhimento e aprendizagem. Através de simbologias, aprofundam-se Reflexão/Ação. Vivenciam-se aspectos primordiais da cura e da sobrevivência humana: sabedorias indígenas, espiritualidade Afro-Brasileira centradas na cura coletiva, além do grande respeito à Mãe Terra. Essa mística educativa acontece no Cóio das Utopias*, em cada Lua Cheia. São momentos de troca, de autocura, união, acolhimento e reconexão à essência da Vida. Vozes se unem em celebrações: danças, cantos, meditações e estudos de sabedoria infinita&#8230; Sopros de Libertação, Esperançamentos, Reivindicação, Saúde, Espiritualidade, Confiança chegam como despertares à auto-organização, ao equilíbrio, à resiliência, à unidade na diversidade, ao acolhimento&#8230; Enfim, à paz interior!”</p>



<p>Há muito a ser relatado sobre Irmã Maria José Belém&#8230; Tempo e espaços são limitados ao volume de nutrientes libertários. No entanto, a semeadura segue.</p>



<p>O rasgo de luz trazido nas palavras da Sagrada Guerreira nos alinha aos “sonhos proféticos” de Willoya Brown &#8211; <em>GuerreirXs do</em> <em>Arco-Íris: </em>Missionária Autêntica, Empenhada e Comprometida com “modos justos, dignos e amorosos de existencialidade”. E na mistura das tonalidades militantes, Maria José, em plena sintonia com a Sagrada Espiritualidade, cria arcos luminosos entre o céu e a terra, anunciando o Bem-Viver Universal.</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Falares de casa</strong></p>



<p>Agente Laranja – Herbicida desfolhante químico usado pelos Estados Unidos durante a guerra contra o Vietnã (1961-1970).</p>



<p>Bagos – No popular: resíduos maiores que ficam na peneira durante o processo de filtragem.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Barraqueiro – Pequeno comerciante que atua em barracas durante festas populares.</p>



<p>Círculos Sagrados de Saúde &#8211; Quefazeres comunitários; estratégias dialógicas de construção da Teia da Vida. “Saúde é todo mundo se ajudando a viver bem”.</p>



<p>Cóio das Utopias &#8211; “Refúgio de construção de esperançamentos”. Rua Tucumã, 62, Bairro Tonzinho Saunier, Parintins/AM.</p>



<p>Cunhantã – Do Tupi = (kuñata-i) – menina, criança, garota.</p>



<p>FENAME – Fundação Nacional de Material Escolar</p>



<p>Língua-de-Sogra &#8211; brinquedo de sopro que faz um barulhinho. O nome advém da fama de que sogras são linguarudas e exageram nas falas.</p>



<p>KALIL GIBRAN &#8211; Mensagem de Jesus de Nazaré transmitida por José de Arimateia. In Gibran &#8211; Jesus o Filho do Homem. Editora Martin Claret/SP. 1928</p>



<p>MEB – Movimento Eclesial de Base</p>



<p>MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização</p>



<p>TEIA –Teia de Educação Socioambiental e Interação em Agrofloresta. Célula organizativa da Articulação Parintins Cidadá (Parintins/AM)</p>
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		<title>Território do ‘Índio do Buraco’ vai virar área de proteção integral</title>
		<link>https://amazoniareal.com.br/territorio-do-indio-do-buraco-vai-virar-area-de-protecao-integral/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Nicoly Ambrosio]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 18:10:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Povos Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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		<category><![CDATA[Tanaru]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde a morte do indígena, considerado último de seu povo, a TI Tanaru, localizada em Rondônia, ficou sem destinação, sendo pressionada por fazendeiros, garimpeiros e madeireiros. O ‘Índio do Buraco’, após seu povo sofrer genocício, negou contato durante 26 anos. Ele ficou conhecido por morar em buracos que cavava em vários pontos do território Tanaru.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Manaus (AM) &#8211; </strong>A criação do Parque Nacional dos Povos Indígenas de Tanaru, em Rondônia, consolida uma vitória histórica do movimento indígena diante da resposta do Estado brasileiro, ainda que tardia, ao genocídio de um povo desconhecido. A <a href="https://amazoniareal.com.br/o-ultimo-tanaru-o-indio-do-buraco-e-encontrado-morto-em-rondonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">morte do último sobrevivente que habitava o território </a>definiu os caminhos para a destinação e proteção definitiva da área onde viveu em situação de isolamento voluntário, entre 1996 e 2022, o indígena conhecido como “Índio do Buraco”. Recusando-se a manter qualquer contato com não indígenas, após seu povo ser massacrado, ele recebeu esse nome pela forma como escavava buracos profundos no interior dos tapiris (construções tradicionais) que ergueu em várias partes da <a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4570" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Terra Indígena (TI) Tanaru</a>, chamada assim por ser cortada pelo rio Tanaru, na bacia do rio Madeira.</p>



<p>Desde setembro de 2025, o processo de criação da Unidade de Conservação (UC) tem avançado com a participação de órgãos federais, organizações e lideranças indígenas. A <a href="https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-homologa-plano-de-criacao-do-parque-nacional-tanaru/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">decisão de criar o Parque Nacional, homologada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF)</a>, veio a partir do pedido da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 991 (ADPF 991), protocolada em 2022, após a morte do “Índio do Buraco”. A ADPF 991 pressiona o governo federal a corrigir as graves violações aos direitos de povos indígenas isolados e de recente contato.</p>



<p>O advogado Ricardo Terena, coordenador do Departamento Jurídico da Apib, explicou à <strong>Amazônia Real</strong> que <a href="http://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/criacao-de-unidades-de-conservacao/lista-de-consultas-publicas/Sintese_Parque_Nacional_do_Tanaru.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a criação de um Parque Nacional sobre a TI Tanaru</a> foi motivada, principalmente, pela impossibilidade de demarcação da área, que atualmente não está ocupada por nenhum povo.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/mapa-t.i-tanaru-isa.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="513" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/mapa-t.i-tanaru-isa-1024x513.jpg" alt="" class="wp-image-172065" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/mapa-t.i-tanaru-isa-1024x513.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/mapa-t.i-tanaru-isa-300x150.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/mapa-t.i-tanaru-isa-768x385.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/mapa-t.i-tanaru-isa-1536x770.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/mapa-t.i-tanaru-isa-150x75.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/mapa-t.i-tanaru-isa.jpg 1756w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Mapa da Terra Indígena Tanaru mostrando o avanço da soja e desmatamento (Fonte: terrasindigenas.org /ISA). </sup></em></figcaption></figure>



<p>O território nunca foi homologado e a morte do último habitante de Tanaru intensificou as pressões para abertura da TI a interesses econômicos, sobretudo da soja e da pecuária. Em 2022, apenas dois meses após o falecimento do “Índio do Buraco”, <a href="https://amazoniareal.com.br/ti-tanaru-ameacada/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">oito proprietários rurais chegaram a ingressar com petição junto à Funai requerendo parte da posse da TI Tanaru.</a>&nbsp;</p>



<p>“O primeiro motivo é a impossibilidade da demarcação do território por conta da ausência contemporânea de uma comunidade vivendo no local. Por outro lado, o Parque Nacional trata-se de um tipo de unidade de conservação de proteção integral, de maneira que, mesmo sem a demarcação, será possível realizar a proteção ambiental de toda a terra indígena”, disse Ricardo Terena.</p>



<p>A partir da atuação da Apib, ficou definida a destinação da área como unidade de conservação de proteção integral, modalidade que impede atividades exploratórias como a mineração. Também foi estabelecida a gestão compartilhada entre Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com o objetivo de integrar a proteção ambiental, indígena e arqueológica do local.</p>



<p>Os <a href="https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/unidades-de-conservacao/parna#:~:text=Os%20Parques%20Nacionais%20(PARNA)%20preservam%20ecossistemas%20naturais,ambiental%2C%20recrea%C3%A7%C3%A3o%20na%20natureza%20e%20turismo%20ecol%C3%B3gico" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Parques Nacionais (PARNA)</a> são áreas protegidas sob gestão do ICMBio, e que tem como objetivo a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica. Ao mesmo tempo, essas unidades de conservação permitem a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de recreação em contato com a natureza, de ecoturismo ou turismo ecológico. A pesquisa científica necessita de autorização prévia, sujeita a condições e restrições estabelecidas.&nbsp;</p>



<p>“O que está previsto é a criação de um conselho das organizações indígenas de maneira que se garanta que as comunidades sejam ouvidas nos processos de tomadas de escolha sobre o PARNA [Parque Nacional]”, garantiu o advogado Ricardo Terena à Amazônia Real.</p>



<p>A expectativa do movimento indígena era de que o Parque fosse criado com a assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já no mês de abril, por ocasião do <a href="https://www.gov.br/dnit/pt-br/assuntos/portais-tematicos/br-319-am-ro/noticias/dia-nacional-dos-povos-indigenas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Dia Nacional dos Povos Indígenas</a>, celebrado em 19 de abril.&nbsp;</p>



<p>Mas em nota enviada à Amazônia Real, o ICMBio informou que ainda não há previsão para assinatura do decreto de criação do Parque Nacional dos Povos Indígenas de Tanaru.&nbsp;</p>



<p>O órgão ressaltou que as etapas de sua competência estão sendo concluídas. Após a análise do ICMBio, o processo seguirá para avaliação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com posterior encaminhamento da proposta para a presidência da república.&nbsp;</p>



<p>Conforme as informações do ICMBio, a definição dos limites do Parque terá como parâmetro a TI Tanaru, que abrange mais de 8 mil hectares de florestas preservadas, além de rios, nascentes e rica biodiversidade.</p>



<p>De acordo com o ICMBio, a gestão integrada do Parque, entre o instituto e a Funai, funcionará na prática de forma estruturada a partir de um modelo de governança interinstitucional e participativa, com papéis complementares entre os órgãos federais, respeitando as suas competências e instâncias representativas indígenas.</p>



<p>A ambientalista e indigenista Ivaneide Bandeira, conhecida como Neidinha Suruí, liderança da Associação de Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, avalia que a destinação do território de Tanaru como Parque Nacional vai ajudar a salvar o fragmento de floresta, mas que as ações de proteção devem ser implementadas de forma efetiva. Neidinha fez parte da mobilização em Rondônia de indigenistas e indígenas pela criação da área de conservação.</p>



<p>“A pressão só diminuirá se houver um plano de uso e a implementação de atividades de pesquisa, estudos e turismo.&nbsp; E muita fiscalização. Deixar a floresta ao Deus dará, logo vai ser invadido e destruído”, ressaltou Neidinha em entrevista à Amazônia Real.</p>



<p><strong>Proteção do território</strong></p>



<p>Desde a década de 1990, após anos de massacre aos habitantes de Tanaru, a Funai <a href="https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2025/funai-renova-portaria-de-restricao-de-uso-da-terra-indigena-tanaru-em-rondonia-1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">instituiu regime de Restrição de Uso por meio de sucessivas portarias</a> para proteger o último sobrevivente do genocídio no território. Por meio da Frente de Proteção Etnoambiental Guaporé, que faz a vigilância do local, a Funai assegurou o isolamento voluntário do indígena e a integridade do território, culminando na Portaria nº 1.040, de 2015, que interditou o ingresso, locomoção e permanência de terceiros que não façam parte da equipe da Funai na terra indígena.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tecnico-funai-no-parque-nacional-indigena-tanaru-em-08082018.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tecnico-funai-no-parque-nacional-indigena-tanaru-em-08082018-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-172066" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tecnico-funai-no-parque-nacional-indigena-tanaru-em-08082018-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tecnico-funai-no-parque-nacional-indigena-tanaru-em-08082018-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tecnico-funai-no-parque-nacional-indigena-tanaru-em-08082018-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tecnico-funai-no-parque-nacional-indigena-tanaru-em-08082018-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tecnico-funai-no-parque-nacional-indigena-tanaru-em-08082018-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tecnico-funai-no-parque-nacional-indigena-tanaru-em-08082018.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Funai em visita a um dos Tapiris, habitações, contruídas pelo indígena que vivia na TI Tanaru (Foto: Acervo Funai/ 08-08-2018).</sup></em></figcaption></figure>



<p>Após <a href="https://amazoniareal.com.br/indio-do-tanaru-sera-sepultado-na-terra-onde-sempre-viveu/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o falecimento do último indígena</a> do território, em 2022, <a href="https://www.folhadosulonline.com.br/noticias/detalhe/2024/futuro-area-onde-viveu-indio-do-buraco-no-cone-sul-rondonia-e-alvo-disputa-judicial" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a destinação da área foi alvo de uma disputa judicial.</a> Entre 2023 e 2024, a Funai integrou um acordo interinstitucional que apontou a criação de uma unidade de conservação como alternativa mais adequada para a destinação do local.&nbsp; Esse processo avançou com a decisão do STF para homologação do plano de trabalho prevendo a criação do Parque Nacional, como forma de transformar um território marcado por violência e extermínio em um espaço de memória e proteção da biodiversidade.&nbsp;</p>



<p>Além disso, a decisão do STF prorrogou a restrição de uso no território até que seja concluído o processo de criação do Parque. O projeto é fruto de uma cooperação interinstitucional coordenada pela Casa Civil da Presidência da República, Funai, Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Advocacia-Geral da União (AGU) e Iphan. Além disso, o plano foi referendado por organizações indígenas, como a Apib e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).</p>



<p>Em <a href="https://drive.google.com/file/d/1axIzI5NahxeHzquoCydHlZzI2jNEB-_6/view" target="_blank" rel="noreferrer noopener">nota enviada</a> à <strong>Amazônia Real</strong>, a Funai afirmou que seguirá atuando na área mesmo com a criação do Parque Nacional, por meio da Frente de Proteção Etnoambiental Guaporé,  responsável por ações de monitoramento e levantamento de possíveis ilícitos. Segundo a fundação, as atividades de fiscalização terão continuidade em diálogo permanente com o ICMBio e o Iphan, no contexto de uma proposta de gestão compartilhada da unidade de conservação. </p>



<p>Orientada pelas lideranças indígenas e pelas deliberações construídas ao longo do processo de criação do Parque Nacional, a Funai foi solicitada a avançar na implementação de um Centro de Memória e Formação no interior do Parque. De acordo com o órgão, a iniciativa tem como objetivo preservar a memória do último indígena de Tanaru e promover ações formativas, em articulação com outros órgãos federais, no contexto do diálogo interinstitucional já estabelecido.&nbsp;</p>



<p>A Funai também esclareceu que a criação de uma unidade de conservação não impede, do ponto de vista jurídico, a demarcação do território como terra indígena, desde que haja reivindicação formal e reconhecimento da ocupação tradicional. Além disso, informou que avalia a manutenção e necessidade de instrumentos de proteção, como portarias de restrição de uso, a depender dos efeitos da nova destinação da área protegida.</p>



<p>Conforme a Funai, ações de monitoramento já foram intensificadas no entorno da atual restrição de uso sobre o território de Tanaru, diante das preocupações das lideranças indígenas de Rondônia com a preservação de locais sagrados, como os tapiris (estruturas tradicionais utilizadas pelo indígena Tanaru) e o túmulo existente na área. São mais de 50 tapiris identificados pela Funai, e as lideranças indígenas reforçam a necessidade de restringir o acesso a esses espaços, considerados sagrados, a fim de evitar qualquer forma de aproximação, intervenção ou interação indevida.</p>



<p><strong>Consulta pública</strong></p>



<p>Em fevereiro de 2026, órgãos ambientais, representantes de setores produtivos e da política local <a href="https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2026/funai-participa-de-consulta-publica-para-criacao-do-parque-nacional-dos-povos-indigenas-de-tanaru-em-rondonia" target="_blank" rel="noreferrer noopener">participaram da consulta pública promovida pelo ICMBio</a>, uma das etapas formais necessárias para a criação da unidade de conservação. A consulta contou ainda com a participação da Organização dos Povos Indígenas de Rondônia e Noroeste do Mato Grosso (Opiroma) e da Coiab, além de outras lideranças indígenas locais.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/evandro-icmbio.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/evandro-icmbio-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-172082" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/evandro-icmbio-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/evandro-icmbio-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/evandro-icmbio-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/evandro-icmbio-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/evandro-icmbio-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/evandro-icmbio.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Movimentos indígenas, ICMbio e Funai participam de consulta publica (Foto: Evandro Fortuna/ICMbio).</sup></em></figcaption></figure>



<p>Durante as reuniões, <a href="https://apiboficial.org/2026/03/18/liderancas-indigenas-participam-de-consulta-publica-para-a-criacao-do-parque-nacional-dos-povos-indigenas-de-tanaru/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">os representantes do movimento indígena</a> fizeram as seguintes recomendações para a gestão do futuro Parque: participação das lideranças indígenas na administração da unidade; apoio à criação de um espaço dedicado à formação e à memória dos povos indígenas que viveram no local; monitoramento das áreas de visitação; e controle das pesquisas a serem desenvolvidas.</p>



<p>Após a consulta pública, <a href="https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2026/marco/criacao-do-parque-nacional-dos-povos-indigenas-de-tanaru-avanca-apos-consulta-publica-em-rondonia#:~:text=O%20Parque%20ocupar%C3%A1%20uma%20%C3%A1rea%20de%20oito,defesa%20da%20%C3%A1rea%20e%20do%20povo%20ind%C3%ADgena" target="_blank" rel="noreferrer noopener">que terminou no dia 6 de março</a>, o processo está em análise pelo MMA e pelos demais ministérios envolvidos e seguirá para a decisão final da Presidência da República. Mesmo sem a presença de um povo, a Apib exigiu que o território Tanaru receba duplo regime de proteção, com o tombamento da área pelo Iphan por memória e verdade e o início do processo de demarcação pela Funai, reconhecendo o local como terra indígena tradicionalmente ocupada.&nbsp;</p>



<p>As lideranças indígenas também defenderam restrições rigorosas de acesso. A área do túmulo do indígena de Tanaru deve permanecer totalmente fechada à visitação, com uma zona mínima de 50 metros de proteção no entorno. No campo da gestão e da pesquisa, a Apib reivindicou protagonismo efetivo e deve integrar o Conselho Consultivo do Parque e o Grupo de Trabalho de Implementação, com poder deliberativo efetivo, além de que qualquer pesquisa no território dependerá de autorização prévia indígena, com devolução obrigatória dos resultados às comunidades.&nbsp;</p>



<p>Segundo a Apib, as escavações arqueológicas no entorno do túmulo são rejeitadas, e as lideranças defendem o direito de veto sobre intervenções no território. Também foi proposta pela organização indígena a criação de um centro de formação, além de memoriais físico e virtual acompanhados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, com a inclusão de nomes indígenas na política de memória.</p>



<p>“O movimento indígena nacional defende que a criação do Parque Nacional dos Povos Indígenas de Tanaru é medida de urgência do Estado Brasileiro para garantir a proteção do território frente às diversas impossibilidades de demarcação apresentadas. Entretanto, registra, categoricamente, que sempre se tratará de uma terra indígena, motivo pelo qual reitera o pleito para uma dupla proteção da área, mediante a continuidade dos trâmites para demarcação nos moldes tradicionais pela Funai e o tombamento por memória e verdade por parte do Iphan, tendo em vista a necessidade de manter viva a história do triste massacre ali ocorrido”, declarou a Apib.</p>



<p><strong>Memória e ameaças</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/11/TANARU-REPRODUCAO-VIDEO-NAS-ALDEIAS1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="780" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/11/TANARU-REPRODUCAO-VIDEO-NAS-ALDEIAS1-1024x780.jpg" alt="" class="wp-image-116806" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/11/TANARU-REPRODUCAO-VIDEO-NAS-ALDEIAS1-1024x780.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/11/TANARU-REPRODUCAO-VIDEO-NAS-ALDEIAS1-300x228.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/11/TANARU-REPRODUCAO-VIDEO-NAS-ALDEIAS1-768x585.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/11/TANARU-REPRODUCAO-VIDEO-NAS-ALDEIAS1-150x114.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/11/TANARU-REPRODUCAO-VIDEO-NAS-ALDEIAS1.jpg 1424w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Tanaru em imagem do documentário &#8220;Corumbiara&#8221;, de Vincent Carelli (Reprodução Vídeo nas Aldeias)</sub></em></figcaption></figure>



<p>Não se sabe sobre outras informações fundamentais da história do último habitante de Tanaru. Com sua morte, desapareceram também os possíveis registros sobre a língua que falava, o povo ao qual ele pertencia e as violências que marcaram sua trajetória e de seu povo. O indígena de Tanaru viveu seus últimos anos sob forte pressão na região conhecida como Cone Sul, localizada entre os municípios de Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste, onde há fazendas de produção agropecuária e um histórico de políticas de colonização, no sul de Rondônia.&nbsp;</p>



<p>Por não ser demarcado, o território sofreu sucessivas <a href="https://amazoniareal.com.br/ti-tanaru-ameacada/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">invasões e ataques de ruralistas, grileiros, garimpeiros e madeireiros</a> desde a ditadura militar brasileira (1964-1988), período em que o estado de Rondônia cedeu titulação indevida de assentamentos sobrepostos a terras indígenas por meio do Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (Incra). Foi nesse contexto que aconteceu o massacre e extinção de todo o povo na TI Tanaru, com exceção do “Índio do Buraco”, que permaneceu isolado em seu território.</p>



<p>Os indígenas considerados isolados são os povos que não têm contato com a sociedade nacional, resultado de violentos encontros do passado colonizador e da contínua destruição de seus territórios por grileiros, garimpeiros, madeireiros e outros invasores. Na Amazônia brasileira existem, pelo menos, 100 grupos de indígenas isolados. Em 2009, o cineasta Vicent Carelli contou a história do indígena isolado de Tanaru no documentário “Corumbiara”.</p>



<p>No dia em que o indígena Tanaru foi enterrado, 4 de novembro de 2022, <a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2023/01/fazendeiros-invadiram-tumulo-de-indio-do-buraco-horas-apos-enterro.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">fazendeiros invadiram o território e o tapiri onde seu corpo foi sepultado. </a>Segundo o advogado Ricardo Terena, o território continua sob ameaça.&nbsp;</p>



<p>“Hoje o território ainda sofre com a grilagem de terra, a retirada ilegal de madeira, bem como com o avanço da pecuária dentro de sua região, fomentando o desmatamento e a destruição ambiental”, denunciou.</p>



<p>O advogado reforça que a história do “Índio do Buraco” deve orientar a elaboração das políticas de memória e verdade como um método de relembrar das consequências das violências perpetradas pelo Estado brasileiro. “De maneira que sirva de exemplo para uma mudança efetiva no trato que o Brasil tem pelas comunidades e territórios indígenas”, manifestou Ricardo.</p>



<p>O MPI informou à reportagem que participa ativamente da formulação da proposta de criação do Parque Nacional dos Povos Indígenas do Rio Tanaru, por meio da Secretaria Nacional de Direitos Territoriais Indígenas (SEDAT) e do Departamento de Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (DEPIR), que acompanha a ADPF 991 no STF.&nbsp;</p>



<p>Segundo a pasta, a atuação inclui a elaboração de relatório sobre o território, com diagnóstico da ocupação indígena na região, o histórico do povo indígena Tanaru e propostas possíveis de destinação e regularização fundiária; visitas técnicas com participação dos órgãos públicos e dos povos indígenas; realização de consultas com organizações indígenas e participação na audiência pública no município de Cerejeiras (RO), convocada por meio de publicação no Diário Oficial da União. O Ministério segue acompanhando o processo até a efetiva criação do Parque Nacional por decreto presidencial.</p>



<p>O MPI afirmou que, com a criação do Parque Nacional, será assegurada a participação de povos indígenas no Comitê de Implantação e no Comitê Gestor do Parque, conforme manifestação das organizações e comunidades indígenas envolvidas no processo. Destacou ainda que a unidade de conservação permitirá proteção territorial e ambiental da área, além de preservar a memória do povo indígena Tanaru, incentivar pesquisas sobre a ocupação indígena e promover a conscientização para evitar a repetição de violências&nbsp; e de genocídio contra os povos indígenas.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/acervo-opi.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/acervo-opi-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-172059" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/acervo-opi-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/acervo-opi-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/acervo-opi-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/acervo-opi-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/acervo-opi-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/acervo-opi.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Um dos mais de 50 tapiris construídos pelo &#8220;Índio do Buraco&#8221; (Foto: Acervo OPI). </sup></em></figcaption></figure>
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		<title>Áreas para a conservação do sauim-de-coleira, símbolo de Manaus – 4: resultados do estudo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Philip Martin Fearnside]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 13:46:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[ameaças]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[desmatament]]></category>
		<category><![CDATA[floresta]]></category>
		<category><![CDATA[Manaus]]></category>
		<category><![CDATA[Philip Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[Sauim-de-Coleira]]></category>
		<category><![CDATA[urbanização]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Autores analisam áreas consideradas prioritárias para a conservação do sauim-de-coleira (compostas por áreas e corredores selecionados, Áreas Protegidas (Proteção Integral e Uso Sustentável) e Área do Exército. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Ana Luisa Albernaz, Marcelo Cordeiro Thalês, Marcelo Gordo, Diogo Lagroteria, Tainara V. Sobroza, William E. Magnusson, Philip M. Fearnside, Leandro Jerusalinsky, Renata Bocorny de Azevedo, Rodrigo Baia Castro, Dayse Campista, Wilson Roberto Spironello e Maurício Noronha</strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Área urbana</strong><strong></strong></p>



<p>A área urbana de Manaus abrange 48.612 ha, dos quais 17.550 ha (36%) ainda estão cobertos por vegetação e 14.327,5 ha (29,5%) estão sob algum tipo de proteção. No entanto, quase toda (95,7%) da área com status de proteção está em categorias menos restritivas, enquanto apenas 4,3% são de proteção integral. Como resultado, 48% da vegetação dentro das áreas protegidas já foi perdida, reduzindo a quantidade de habitat disponível para o sauim-de-coleira (Tabela 3).<strong></strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-01.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="992" height="651" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-01.jpg" alt="" class="wp-image-172041" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-01.jpg 992w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-01-300x197.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-01-768x504.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-01-150x98.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 992px) 100vw, 992px" /></a></figure>



<p>A vegetação desprotegida totaliza 9.967 ha. Embora 55% das manchas vegetadas sejam fragmentos de até 5 ha em áreas altamente urbanizadas, há seis manchas com mais de 500 ha de vegetação contínua, especialmente nas porções leste e norte da zona urbana (Fig. 5). As prioridades resultantes dentro da área urbana, compostas por espaços verdes e áreas de preservação permanente, somam 20.365,9 ha, ou 41,8%.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="938" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-5-1024x938.jpg" alt="" class="wp-image-172045" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-5-1024x938.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-5-300x275.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-5-768x704.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-5-150x137.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-5.jpg 1040w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Figura 5. Áreas prioritárias (incluindo áreas verdes e de preservação permanente -APPs) e áreas protegidas na zona urbana de Manaus. Os nomes das áreas protegidas numeradas encontram-se no material suplementar.</em></figcaption></figure>



<p><strong>Área rural</strong><strong></strong></p>



<p>O shapefile das unidades de planejamento para a aplicação do planejamento sistemático tinha uma área total de 838.418 ha. A superfície de custos composta refletiu o peso relativo das principais ameaças, como estradas e desmatamento, bem como as áreas com alta probabilidade de invasão com ocorrência registrada de <em>S. midas.</em> Algumas das unidades de planejamento de menor custo estavam em áreas já protegidas (Figura 6).</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-6.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="512" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-6-1024x512.jpg" alt="" class="wp-image-172044" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-6-1024x512.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-6-300x150.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-6-768x384.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-6-150x75.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-6.jpg 1298w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Figura 6. Área de planejamento sistemático, com superfície de custo baseada nas principais ameaças e contorno das áreas já protegidas.</em></figcaption></figure>



<p>Todas (100%) das metas foram atingidas pela melhor solução (menor pontuação). O conjunto de áreas selecionadas cobriu 55,4% da área total. Mais da metade das unidades de planejamento selecionadas (60,4%) já estavam sob algum grau de proteção ou pertenciam ao Exército Brasileiro. Por outro lado, algumas partes das áreas já protegidas ou terras do Exército não foram incluídas na melhor solução (Tabela 4 e Figura 7).</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-04.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="938" height="392" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-04.jpg" alt="" class="wp-image-172042" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-04.jpg 938w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-04-300x125.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-04-768x321.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-04-150x63.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 938px) 100vw, 938px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-7.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="512" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-7-1024x512.jpg" alt="" class="wp-image-172043" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-7-1024x512.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-7-300x150.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-7-768x384.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-7-150x75.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-4-Figura-7.jpg 1298w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Figura 7. Áreas prioritárias para a conservação do sauim-de-coleira (compostas por áreas e corredores selecionados (Caminhos de Menor Custo), Áreas Protegidas (Proteção Integral e Uso Sustentável) e Área do Exército. Os nomes das áreas protegidas numeradas estão no material suplementar.</em></figcaption></figure>



<p>A melhor solução gerou 18 manchas variando em tamanho de 32 a 199.698 ha (média 25.787, DP 57.513 ha). Todas as manchas maiores continham áreas protegidas. A maioria delas pode ser conectada usando o Linkage Mapper (Fig. 7). Como estamos preocupados com a possível expansão da distribuição geográfica de <em>S. midas,</em> excluímos uma ligação que permitiria a conexão através da área de alto potencial e ocorrência confirmada dessa espécie. Incluindo os corredores finais de 400 m de largura, a área prioritária aumenta para 477.223,7 ha. Juntas, as áreas prioritárias urbanas e rurais cobrem 497.589,6 ha ou 56,1% da área de estudo.</p>



<p><strong>Contribuição e envolvimento das partes interessadas</strong><strong></strong></p>



<p>Setenta pessoas compareceram ao seminário público, incluindo representantes de todos os principais grupos de interesse. A principal sugestão foi incluir as áreas de preservação permanente no mapa de prioridades para a área urbana, conforme detalhado acima.</p>



<p>Outras considerações relevantes também foram levantadas. Os participantes reconheceram o seminário como uma oportunidade para entender melhor as necessidades de conservação e concordaram que ações urgentes são necessárias, dado o crescente impacto das mudanças ambientais na vida humana. No entanto, moradores do recém-criado &#8220;Refúgio de Vida Silvestre Sauim-de-Coleira&#8221; [1] expressaram preocupação com a criação desta área de proteção integral, que foi estabelecida sem uma comunicação clara das atividades econômicas permitidas e sem planejamento ou apoio para uma transição econômica. Eles apontaram que precisam de apoio para a transição de sua principal atividade econômica. Um morador disse que a produção de carvão vegetal era sua principal atividade antes do estabelecimento da área protegida, o que não é permitido em uma área de proteção integral.[2]</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Notas</strong></p>



<p>[1] Lagroteria, D., Azevedo, R. B. d., Gordo, M., Coelho, L. F. M., Röhe, F., Campista, D., Noronha, M., Lima, N. A. S., Spironello, W. R., Costa, E. R., Medeiros, A., Sobroza, T. V., Souza, L. L., Castro, P. H. G., &amp; Jerusalinsky, L. (2025). <a href="https://doi.org/10.1017/S0030605324001133">Pied Tamarin Wildlife Refuge: first federal protected area for the Critically Endangered <em>Saguinus bicolor</em></a>. <em>Oryx</em>. https://doi.org/10.1017/S0030605324001133</p>



<p>[2] Esta série é uma tradução de Albernaz, A.L., M.C. Thalês, M. Gordo, D. Lagroteria, T.V. Sobroza, W.E. Magnusson, P.M. Fearnside, L. Jerusalinsky, R.B. de Azevedo, R.B. Castro, D. Campista, W.R. Spironello &amp; M. Noronha. 2026. <a href="https://doi.org/10.1016/j.jnc.2025.127069">Conservation of an endangered Amazonian primate: Priority areas for the pied tamarin (<em>Saguinus bicolor</em>) in Manaus, Brazil.</a>  <em>Journal for Nature Conservation</em>, 89: art. 127069.  Este estudo foi apoiado pelo RE:WILD (número de subvenção SMA-CCO-G0000000301), proposto e coordenado pelo Instituto Sauim-de-Coleira e com o apoio institucional do Museu Paraense Emílio Goeldi (computadores e softwares para reuniões virtuais e análise de dados). A maior parte dos autores é de instituições locais. Os autores declaram não haver conflito de interesses. Agradecemos os comentários dos três revisores, que contribuíram para o aprimoramento do manuscrito.</p>





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<p><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p><strong>Ana Luisa Albernaz </strong>possui Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, e Mestrado e Doutorado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Atualmente é professora e orientadora no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Evolução (PPGBE) e pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi, onde foi Diretora de 2018 a 2022. Tem experiência na área de Ecologia, com ênfase em Ecologia Aplicada, atuando principalmente nos seguintes temas: várzea, Amazônia, biodiversidade, e planejamento para a conservação.</p>



<p><strong>Marcelo Cordeiro Thalês </strong>Possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal Rural da Amazônia, mestrado em Sensoriamento Remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e doutorado em Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Pará. Atualmente é Tecnologista do Museu Paraense Emílio Goeldi. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Sensoriamento Remoto, atuando principalmente nos seguintes temas: sensoriamento remoto, Amazônia, uso da terra, classificação de imagens e dinâmica da paisagem.</p>



<p><strong>Marcelo Gordo</strong> possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), mestrado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e doutorado em Zoologia pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Atualmente é professor Associado da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Tem experiência na área de Ecologia e taxonomia, atuando principalmente nos seguintes temas: Amazônia, conservação, <em>Saguinus bicolor</em>, herpetofauna e mamíferos.</p>



<p><strong>Diogo Lagroteria</strong> possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Paraná, Especialização em manejo de espécies ameaçadas pela University of Kent, Inglaterra, e Mestrado em Ecologia pelo Instituto de Pesquisas Amazônicas (INPA). Atualmente é analista ambiental do ICMBio/MMA, atuando no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (CEPAM), em Manaus, Amazonas. É coordenador executivo do Plano de Ação Nacional para conservação do Sauim-de-coleira e é membro do Grupo de Especialistas em Primatas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). Atua principalmente em temas como conservação e manejo de fauna silvestre ameaçada de extinção, abordando tópicos relacionados, tais como medicina da conservação, elaboração de planos de ação para a proteção de espécies ameaçadas e iniciativas de educação ambiental.</p>



<p><strong>Tainara V. Sobroza </strong>possui Graduação em Bióloga pela Universidade Federal de Santa Maria, e mestrado e doutorado em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Atualmente é bolsista de pós-doutorado no projeto BioTechQuilombo pela iniciativa Amazônia +10. Tem interesse em Mastozoologia, Primatologia e no uso do som como ferramenta para o estudo de espécies, interações e habitats. Atualmente é colaboradora do programa de conservação &#8220;Projeto Sauim-de-Coleira&#8221; vinculado à Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Também colabora com o Centro de Estudos Integrados da Biodiversidade Amazônica (CENBAM) realizando inventários e monitoramento de primatas e outros grupos de mamíferos. Tem experiência com curadoria de dados acústicos e bancos de dados de projetos de longa duração.</p>



<p><strong>William E. Magnusson </strong>possui graduação e doutorado em Ciências Biológicas pela Universidade de Sydney, Austrália. Atualmente é pesquisador titular III do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e bolsista de produtividade do CNPq nível 1B, tendo publicado &gt;250 artigos sobre uma ampla variedade de grupos taxonômicos. Ele tem interesse especial em desenhos amostrais multidisciplinares.</p>



<p><strong>Philip Martin Fearnside </strong>é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 800 publicações científicas e mais de 800 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis <a href="http://philip.inpa.gov.br">aqui</a>.</p>



<p><strong>Leandro Jerusalinsk</strong> possui Bacharel em Ciências Biológicas, Mestrado em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Doutorado em Ciências Biológicas &#8211; Zoologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPB). Atualmente é Analista Ambiental no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ele é Coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (ICMBio/CPB), e é Presidente Adjunto do Grupo Especialista em Primatas (PSG) da Comissão para a Sobrevivência de Espécies (SSC) da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Suas principais áreas de atuação são Conservação de Primatas, Primatologia, Planejamento Estratégico para a Conservação, Gestão Estratégica e Biologia da Conservação.</p>



<p><strong>Renata Bocorny de Azevedo</strong> possui Graduação em Ciências Biológicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), especialização em Animais Silvestres com ênfase em Conservação na Amazônia, pela Universidade Federal Rural da Amazônia, e mestrado em Zoologia também pela PUC-RS. Atualmente é Analista Ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), lotada no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB). Tem experiência na área de Zoologia, com ênfase em Etologia, Ecologia e Conservação de Primatas e na área de gestão ambiental.</p>



<p><strong>Rodrigo Baia Castro</strong> possui graduação em Licenciatura Plena em Ciências Naturais pela Universidade do Estado do Pará, graduação em Sistemas de Informação pela Universidade Federal do Pará, e bacharelado em Direito pela faculdade Estacio de Castanhal. Possui especialização em Educação Social para a Juventude pela Universidade do Estado do Pará, mestrado em Zoologia pela Universidade Federal do Pará, e doutorado em biodiversidade pelo Museu Emilio Goeldi. Possui experiência em sensoriamento remoto, modelos de distribuição de espécies, as ameaças à biodiversidade e a priorização espacial para a conservação.</p>



<p><strong>Dayse Campista</strong> possua graduação em Bióloga pela Universidade Gama Filho(UGF), mestrado em ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Possui habilidades em educação ambiental, gestão de parques zoológicos, manejo dos recursos naturais e gestão ambiental. Atualmente, Diretora Executiva do Instituto Sauim-de-coleira e coordenadora do Programa de Educação Ambiental &#8220;Sauim na Escola&#8221;.</p>



<p><strong>Wilson Roberto Spironello</strong> possui graduação em Ecologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e doutorado em Biologia pela Universidade de Cambridge, Inglaterra. Desde 2023 é pesquisador no Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA). De 2002-2023 foi pesquisador no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Foi presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia (2014-2015) e do Instituto Sauim-de-coleira (2022-2023). Possui experiência em ecologia de primatas e com a ecologia e monitoramento de mamíferos terrestres de médio e grande porte.</p>



<p><strong>Maurício de Almeida Noronha</strong> possui graduação em Ciências Biológicas e especialização em Manejo de Animais Silvestres pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e Mestrado em Ciências Ambientais e Florestais pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). As suas pesquisas focam em mastofauna do bioma Amazônia, com ênfase em primatas.</p>



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		<title>Áreas para a conservação do sauim-de-coleira, símbolo de Manaus – 3: quantificação das ameaças</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Philip Martin Fearnside]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Mar 2026 17:57:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O desmatamento é uma das principais causas das ameaças ao sauim-de-coleira, primata endêmico de Manaus e cidades próximas, e uma das espécies com mais risco de extinção. Esse processo ocorre em situações diversas, como urbanização e ausência e ações públicas para sua proteção. Na prática, ocorre o oposto. Um dos empreendimentos foi a criação de parques agroindustriais para estimular o desenvolvimento econômico. Um deles foi criado no entorno da cidade de Rio Preto da Eva, que está dentro da área de distribuição geográfica do sauim-de-coleira.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Ana Luisa Albernaz, Marcelo Cordeiro Thalês, Marcelo Gordo, Diogo Lagroteria, Tainara V. Sobroza, William E. Magnusson, Philip M. Fearnside, Leandro Jerusalinsky, Renata Bocorny de Azevedo, Rodrigo Baia Castro, Dayse Campista, Wilson Roberto Spironello e Maurício Noronha.</strong></p>



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<p><strong>Desmatamento até 2022</strong><strong></strong></p>



<p>A perda e a fragmentação de habitat, associadas tanto à urbanização quanto à expansão agrícola, estão entre as principais ameaças à população de sauim-de-coleira. O desmatamento é, portanto, uma das principais causas do declínio populacional e tem sido identificado como a maior ameaça à espécie. O banco de dados raster do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES) [1] foi escolhido como base para representar o desmatamento.</p>



<p><strong>Pastagens e agricultura</strong><strong></strong></p>



<p>O estabelecimento de pastagens e agricultura após o desmatamento consolida a mudança no uso da terra e dificulta que a área se torne habitat para a espécie em um futuro próximo. O banco de dados escolhido para representar essas áreas foi o TerraClass raster [2].</p>



<p><strong>Estradas e rodovias</strong><strong></strong></p>



<p>Geralmente, há uma correlação entre o acesso por estradas e rodovias e o desmatamento geralmente seja um precursor da conversão florestal, consideramos que seja uma ameaça separada porque representa alguns riscos adicionais, especialmente para a fauna [3, 4]. O efeito das estradas no desmatamento e na mortalidade de animais depende da qualidade do acesso que elas fornecem: rodovias e estradas pavimentadas, administradas pelo governo federal ou estadual, têm um efeito mais forte do que estradas secundárias, que geralmente não são pavimentadas [5]. As estradas pavimentadas foram presumidas ter um impacto até 300 m de distância, enquanto as estradas não pavimentadas foram presumidas ter um impacto até 150 m de distância [6]. Nosso banco de dados de estradas foi uma combinação das bases de dados do IBGE [7] e do Banco de Dados Geográficos do Exército (BDGEx) [8].</p>



<p><strong>Linhas de transmissão</strong><strong></strong></p>



<p>Semelhante às estradas, as linhas transmissão de energia elétrica abrem a vegetação, reduzem a densidade do dossel e a continuidade do habitat para animais arbóreos e facilitam o acesso para atividades econômicas mais intensivas. O banco de dados selecionado para linhas de transmissão foi desenvolvido por Hyde et al. [9].</p>



<p><strong>Polo agroindustrial</strong><strong></strong></p>



<p>O governo do Estado do Amazonas adotou uma política de criação de parques agroindustriais para estimular o desenvolvimento econômico. O primeiro foi criado no entorno da cidade de Rio Preto da Eva, que está dentro da área de distribuição geográfica do sauim-de-coleira. Como essa política conflita com a possibilidade de criação de áreas protegidas e, também, é um potencial fator de desmatamento, perda de habitat e fragmentação, decidimos incluir essa área na superfície de custos. A localização do parque agroindustrial foi fornecida pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA).</p>



<p><strong>População humana</strong><strong></strong></p>



<p>As pessoas produzem alimentos e bens para adquirir outros produtos que elas não podem produzir. Mesmo quando não estão produzindo, caçar ou extrair outros recursos da floresta são práticas comuns que levam à degradação florestal [10-12]. Quando as florestas estão muito degradadas e não há mais recursos disponíveis, elas geralmente são convertidas para outros usos. Este é um processo comum em toda a Amazônia [13]. Por esse motivo, consideramos a maior densidade humana como um conflito potencial com a criação de áreas protegidas e a incluímos como um custo. O banco de dados usado para representar a densidade humana foi o mapa de luzes noturnas do Centro de Dados e Aplicações Socioeconômicas [14].</p>



<p><strong>Mineração</strong><strong></strong></p>



<p>Consideramos a mineração na área como uma ameaça de altíssima intensidade, mas com uma extensão espacial relativamente pequena. Dados oficiais da Agência Nacional de Mineração [15] foram utilizados como informação espacial sobre mineração. Dentro do banco de dados, foram selecionadas áreas requeridas e as já licenciadas. Como essas áreas são muito pequenas, mas os danos se estendem além das áreas exploradas, optou-se por inserir na superfície de custos uma faixa de proteção de 400 m ao redor de cada área. A definição dessa distância foi baseada em observações de campo da degradação ao redor de projetos de mineração locais.</p>



<p><strong><em>Saguinus midas</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p>Devido ao risco de <em>S. midas </em>expandir sua área geográfica às custas do sauim-de-coleira [16-19], também incluímos parte da área geográfica <em>de S. midas </em>como um custo. Ou seja, outros fatores sendo constantes, recomenda-se que áreas ideais para conservação do sauim-de-coleira não sejam ocupadas por <em>S. midas </em>ou tenham baixa probabilidade de serem ocupadas por <em>S. midas.</em> Para representar a probabilidade de áreas serem ocupadas por <em>S. midas,</em> usamos os resultados de um estudo de modelagem preditiva [16]. Seu modelo gerou duas classes, &#8220;áreas com alta probabilidade de invasão&#8221; e &#8220;áreas com média probabilidade de invasão&#8221;. Sobrepusemos os pontos de ocorrência do estudo de Lagroteria et al. [16] sobre essas classes e notamos que, em algumas delas, havia apenas ocorrências de <em>Saguinus midas,</em> mas em outras havia apenas ocorrências de <em>Saguinus bicolor.</em> Com base nessas observações, decidimos reclassificar as áreas de &#8220;alta probabilidade&#8221; em duas novas classes com base na proximidade das ocorrências. Usamos polígonos de Thiessen para avaliar pontos mais próximos de ocorrências de <em>S. midas </em>ou <em>S. bicolor.</em> Em seguida, atribuímos pesos diferentes a áreas que foram modeladas como tendo alta probabilidade de invasão de <em>S. midas,</em> mas que atualmente estão mais próximas de ocorrências de <em>S. bicolor,</em> e a áreas que foram modeladas como tendo alta probabilidade de invasão de <em>S. midas </em>e que estão mais próximas de ocorrências de <em>S. midas. </em>Um peso menor foi atribuído a áreas que foram modeladas como tendo &#8220;probabilidade média&#8221; de invasão.</p>



<p><strong>Integração de dados e suporte à tomada de decisões</strong><strong></strong></p>



<p>Calculamos a área correspondente de cada alvo dentro de cada unidade de planejamento e juntamos todas as tabelas resultantes em uma única tabela contendo a identificação das unidades de planejamento e a área correspondente para cada alvo. Após organizar os shapefiles para criar a superfície de custos, extraímos as informações de cada componente de custo para cada unidade de planejamento. Em seguida, reescalamos os valores resultantes para cada componente antes da ponderação e da soma. A superfície de custos resultante é representada por um único valor para cada unidade de planejamento.</p>



<p><strong>Formatação e uso do MARXAN</strong><strong></strong></p>



<p>Utilizamos o ArcMarxan Toolbox versão 2.0.2 (Apropos Information Systems) para criar a pasta e arquivos de entrada. Selecionamos o algoritmo Simulated Annealing with Adaptive Improvement e definimos os parâmetros para executar o MARXAN diretamente em sua interface “Inedit”. O Boundary Length Modifier (BLM) foi habilitado para promover a compactação das áreas selecionadas. O parâmetro para o BLM foi ajustado com base nos resultados de simulações preliminares [20]. Também fizemos algumas análises preliminares para garantir que os valores de custos fossem numericamente capazes de minimizar a área total da solução, melhorando a eficiência da solução [21]. Em seguida, multiplicamos os valores de custos por 30 para melhorar o efeito de minimização. Também especificamos que uma meta seria considerada não atingida se a proporção alcançada na solução fosse menor que 0,95 dos valores que haviam sido definidos. Após definir todos os parâmetros e valores, 5.000 soluções foram geradas para obter a melhor solução.</p>



<p><strong>Aumentando a conectividade</strong><strong></strong></p>



<p>Embora grandes áreas estivessem conectadas, algumas permaneceram isoladas. Para criar o mapa final, buscamos os melhores caminhos para conectar áreas isoladas usando a ferramenta “linkage pathways” da extensão Linkage Mapper Tools for ArcGIS [22]. Para esta análise, consideramos grupos de unidades de planejamento selecionadas pelo MARXAN como áreas núcleo e convertemos a superfície de custo para usá-la como raster de resistência. Utilizamos o método de ponderado por custo e distância euclidiana para gerar os caminhos de menor custo. Os corredores finais criados por buffers dos caminhos resultantes foram de 400 m de largura.</p>



<p><strong>Contribuição e envolvimento das partes interessadas</strong><strong></strong></p>



<p>Após obter uma versão preliminar do mapa, organizamos um seminário público para apresentar a justificativa, os métodos e os resultados do estudo, bem como para permitir perguntas e sugestões. Enviamos cerca de cem convites a cidadãos, agricultores, pesquisadores e instituições como órgãos ambientais e ONGs. O seminário também foi divulgado na mídia, incluindo jornais, rádio e televisão. [23]</p>





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<p><strong>Notas</strong></p>



<p>[1] INPE. (2023). <em><a href="https://terrabrasilis.dpi.inpe.br/">PRODES &#8211; Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite</a></em>. </p>



<p>[2] INPE. (2023). <em><a href="https://terrabrasilis.dpi.inpe.br/downloads/">TerraClass- Mapa das classes de uso e cobertura da terra</a></em>. </p>



<p>[3] Gordo, M., Calleia, F. O., Vasconcelos, S. A., Leite, J. J. F., &amp; Ferrari, S. F. (Eds.). (2013). <em><a href="https://doi.org/10.1007/978-1-4614-8839-2">The challenges of survival in a concrete jungle: Conservation of the pied tamarin (Saguinus bicolor) in the urban landscape of Manaus, Brazil. Primates in fragments: Complexity and resilience</a>. </em>p. 357-370. Springer. </p>



<p>[4] Ree, R. van der, Smith, D. J., &amp; Grilo, C. (Eds.). (2015). <a href="https://doi.org/10.1002/9781118568170"><em>Handbook of Road Ecology</em>. John Wiley &amp; Sons</a>. </p>



<p>[5] Bennett, V. J. (2017). <a href="https://doi.org/10.1007/s40823-017-0020-6">Effects of Road Density and Pattern on the Conservation of Species and Biodiversity. </a><em>Current Landscape Ecology Reports</em>,<em>2</em>, 1-11. </p>



<p>[6] Laurance, W., Ana K.M., A., Schroth, G., Fearnside, P. M., Bergen, S., Venticinque, E., &amp; da Costa, C. (2002). <a href="https://doi.org/10.1046/j.1365-2699.2002.00721.x">Predictors of deforestation in the Brazilian Amazon</a>. <em>Journal of Biogeography 29</em>, 737–748. </p>



<p>[7] IBGE. (2023). <em><a href="https://www.ibge.gov.br/geociencias/downloads-geociencias.html">Base Cartográfica Contínua do Brasil, escala 1:250.000 – BC250, versão 2023</a>.</em> </p>



<p>[8] BDGEx. (2024). <a style="font-style: italic;" href="https://bdgex.eb.mil.br/bdgexapp">Roads and highways</a>.<em> 1:100.000.</em> </p>



<p>[9] Hyde, J. L., Bohlman, S. A., &amp; Valle, D. (2018). <a href="https://doi.org/10.6084/m9.figshare.7308">Transmission lines are an under-acknowledged conservation threat to the Brazilian Amazon</a>. <em>Biological Conservation</em>,<em>228</em>, 343-356. </p>



<p>[10] Bogoni, J. A., Percequillo, A. R., Ferraz, K. M. P. M. B., &amp; Peres, C. A. (2023). <a href="https://doi.org/10.1111/btp.13188">The empty forest three decades later: Lessons and prospects.</a> <em>Biotropica</em>,<em>55</em>, 13–18.</p>



<p>[11] Costa, J. G., Fearnside, P. M., Oliveira, I., Anderson, L. O., Aragão, L. E. O. e. C. de, Almeida, M. R. N., Clemente, F. S., Nascimento, E. de S., Souza, G. da C., Karlokoski, A., Melo, A. W. F. de, Araújo, E. A. de, Souza, R. O., Graça, P. M. L. de A., &amp; da Silva, S. S. (2023). <a href="https://doi.org/10.3390/fire6060234">Forest Degradation in the Southwest Brazilian Amazon: Impact on Tree Species of Economic Interest and Traditional Use</a>. <em>Fire 6</em>. </p>



<p>[12] Wilkie, D. S., Bennett, E. L., Peres, C. A., &amp; Cunningham, A. A. (2011). <a href="https://doi.org/10.1111/j.1749-6632.2010.05908.x">The empty forest revisited</a>. <em>Annals of the New ork Academy of Sciences</em>,<em>1223</em>(1), 120-128. </p>



<p>[13] Putz, F. E., &amp; Redford, K. H. (2010). <a href="https://doi.org/10.1111/j.1744-7429.2009.00567.x">The importance of defining ‘forest’: Tropical forest degradation, deforestation, long-term phase shifts, and further transitions</a>. <em>Biotropica</em>,<em>42</em>(1), 10–20. </p>



<p>[14] SEDAC. (2020). <em><a href="https://doi.org/10.7927/9ryj-6467">VIIRS Plus DMSP Change in Lights (VIIRS+DMSP dLIGHT)</a></em>. </p>



<p>[15] ANM (Agência Nacional de Mineração). (2023). <a href="https://geo.anm.gov.br/portal/apps/webappviewer/index.html?id=6a8f5ccc4b6a4c2bba79759aa952d908"><em>SIGMINE &#8211; Sistema de Informações Geográficas da Mineração</em>.</a> </p>



<p>[16] Lagroteria, D., Cavalcante, T., Zuquim, G., Röhe, F., Medeiros, A. S. M., Hrbek, T., &amp; Gordo, M. (2024). <a href="https://doi.org/10.3389/fcosc.2024.1426488">Assessing the invasive potential of <em>Saguinus midas</em> in the extent of occurrence of the critically endangered <em>Saguinus bicolor</em></a>. <em>Frontiers in Conservation Science</em>,<em>5</em>, 16. </p>



<p>[17] Röhe, F. (2006). <em><a href="https://brasil.wcs.org/en-us/WCS-Brazil/Publications/categoryid/606.aspx">Área de contato entre as distribuições geográficas de Saguinus midas e Saguinus bicolor (Callitrichidae-Primates): a importância de interações e fatores ecológicos. </a></em>UFAM – Universidade Federal do Amazonas / Instituto Nacional de pesquisas da Amazônia (INPA)]. Manaus. </p>



<p>[18] Sobroza, T. V., Gordo, M., Barnett, A. P., Boubli, J. P., &amp; Spironello, W. R. (2021).<a href="https://doi.org/10.1016/j.actao.2020.103688"> Parapatric pied and red-handed tamarin responses to congeneric and conspecific calls</a>. <em>Acta Oecologica</em>,<em>110</em>. </p>



<p>[19] Sobroza, T. V., Pequeno, P. A. C. L., Gordo, M., Kinap, N. M., Barnett, A. P. A., &amp; Spironello, W. R. (2021). <a href="https://doi.org/10.1111/aec.13085">Does co-occurrence drive vertical niche partitioning in parapatric tamarins (Saguinus spp.)?</a>. <em>Austral Ecology, 46</em>(8), 1335-1342.</p>



<p>[20] Ardron, J. A., Possingham, H. P., &amp; Klein, C. J. (2010). <em>Marxan Good Practices Handbook, Version 2</em> [digital]. <a href="https://www.pacmara.org">Pacific Marine Analysis and Research Association.</a></p>



<p>[21] Wilson, K. A., Cabeza, M., &amp; Klein, C. J. (2009). Fundamental concepts of spatial conservation prioritiation. In A. Moilanen, K. A. Wilson, &amp; H. P. Possingham (Eds.), <em>Spatial Conservation Prioritization: Quantitative Methods &amp; Computational Tools</em> (pp. 16-27). Oxford University Press.</p>



<p>[22] Gallo, J., Greene, R., &amp; Kavanagh, D. (2020). <em><a href="https://linkagemapper.org/">Linkage Mapper Tools</a></em>.<em> </em>(Version 3.0) </p>



<p>[23] Esta série é uma tradução de Albernaz, A.L., M.C. Thalês, M. Gordo, D. Lagroteria, T.V. Sobroza, W.E. Magnusson, P.M. Fearnside, L. Jerusalinsky, R.B. de Azevedo, R.B. Castro, D. Campista, W.R. Spironello &amp; M. Noronha. 2026. <a href="https://doi.org/10.1016/j.jnc.2025.127069">Conservation of an endangered Amazonian primate: Priority areas for the pied tamarin (<em>Saguinus bicolor</em>) in Manaus, Brazil</a>.  <em>Journal for Nature Conservation</em>, 89: art. 127069. Este estudo foi apoiado pelo RE:WILD (número de subvenção SMA-CCO-G0000000301), proposto e coordenado pelo Instituto Sauim-de-Coleira e com o apoio institucional do Museu Paraense Emílio Goeldi (computadores e softwares para reuniões virtuais e análise de dados). A maior parte dos autores é de instituições locais. Os autores declaram não haver conflito de interesses. Agradecemos os comentários dos três revisores, que contribuíram para o aprimoramento do manuscrito.</p>





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<p><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p><strong>Ana Luisa Albernaz </strong>possui Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, e Mestrado e Doutorado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Atualmente é professora e orientadora no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Evolução (PPGBE) e pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi, onde foi Diretora de 2018 a 2022. Tem experiência na área de Ecologia, com ênfase em Ecologia Aplicada, atuando principalmente nos seguintes temas: várzea, Amazônia, biodiversidade, e planejamento para a conservação.</p>



<p><strong>Marcelo Cordeiro Thalês </strong>Possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal Rural da Amazônia, mestrado em Sensoriamento Remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e doutorado em Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Pará. Atualmente é Tecnologista do Museu Paraense Emílio Goeldi. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Sensoriamento Remoto, atuando principalmente nos seguintes temas: sensoriamento remoto, Amazônia, uso da terra, classificação de imagens e dinâmica da paisagem.</p>



<p><strong>Marcelo Gordo</strong> possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), mestrado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e doutorado em Zoologia pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Atualmente é professor Associado da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Tem experiência na área de Ecologia e taxonomia, atuando principalmente nos seguintes temas: Amazônia, conservação, <em>Saguinus bicolor</em>, herpetofauna e mamíferos.</p>



<p><strong>Diogo Lagroteria</strong> possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Paraná, Especialização em manejo de espécies ameaçadas pela University of Kent, Inglaterra, e Mestrado em Ecologia pelo Instituto de Pesquisas Amazônicas (INPA). Atualmente é analista ambiental do ICMBio/MMA, atuando no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (CEPAM), em Manaus, Amazonas. É coordenador executivo do Plano de Ação Nacional para conservação do Sauim-de-coleira e é membro do Grupo de Especialistas em Primatas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). Atua principalmente em temas como conservação e manejo de fauna silvestre ameaçada de extinção, abordando tópicos relacionados, tais como medicina da conservação, elaboração de planos de ação para a proteção de espécies ameaçadas e iniciativas de educação ambiental.</p>



<p><strong>Tainara V. Sobroza </strong>possui Graduação em Bióloga pela Universidade Federal de Santa Maria, e mestrado e doutorado em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Atualmente é bolsista de pós-doutorado no projeto BioTechQuilombo pela iniciativa Amazônia +10. Tem interesse em Mastozoologia, Primatologia e no uso do som como ferramenta para o estudo de espécies, interações e habitats. Atualmente é colaboradora do programa de conservação &#8220;Projeto Sauim-de-Coleira&#8221; vinculado à Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Também colabora com o Centro de Estudos Integrados da Biodiversidade Amazônica (CENBAM) realizando inventários e monitoramento de primatas e outros grupos de mamíferos. Tem experiência com curadoria de dados acústicos e bancos de dados de projetos de longa duração.</p>



<p><strong>William E. Magnusson </strong>possui graduação e doutorado em Ciências Biológicas pela Universidade de Sydney, Austrália. Atualmente é pesquisador titular III do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e bolsista de produtividade do CNPq nível 1B, tendo publicado &gt;250 artigos sobre uma ampla variedade de grupos taxonômicos. Ele tem interesse especial em desenhos amostrais multidisciplinares.</p>



<p><strong>Philip Martin Fearnside </strong>é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 800 publicações científicas e mais de 800 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis <a href="http://philip.inpa.gov.br">aqui</a>.</p>



<p><strong>Leandro Jerusalinsk</strong> possui Bacharel em Ciências Biológicas, Mestrado em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Doutorado em Ciências Biológicas &#8211; Zoologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPB). Atualmente é Analista Ambiental no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ele é Coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (ICMBio/CPB), e é Presidente Adjunto do Grupo Especialista em Primatas (PSG) da Comissão para a Sobrevivência de Espécies (SSC) da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Suas principais áreas de atuação são Conservação de Primatas, Primatologia, Planejamento Estratégico para a Conservação, Gestão Estratégica e Biologia da Conservação.</p>



<p><strong>Renata Bocorny de Azevedo</strong> possui Graduação em Ciências Biológicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), especialização em Animais Silvestres com ênfase em Conservação na Amazônia, pela Universidade Federal Rural da Amazônia, e mestrado em Zoologia também pela PUC-RS. Atualmente é Analista Ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), lotada no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB). Tem experiência na área de Zoologia, com ênfase em Etologia, Ecologia e Conservação de Primatas e na área de gestão ambiental.</p>



<p><strong>Rodrigo Baia Castro</strong> possui graduação em Licenciatura Plena em Ciências Naturais pela Universidade do Estado do Pará, graduação em Sistemas de Informação pela Universidade Federal do Pará, e bacharelado em Direito pela faculdade Estacio de Castanhal. Possui especialização em Educação Social para a Juventude pela Universidade do Estado do Pará, mestrado em Zoologia pela Universidade Federal do Pará, e doutorado em biodiversidade pelo Museu Emilio Goeldi. Possui experiência em sensoriamento remoto, modelos de distribuição de espécies, as ameaças à biodiversidade e a priorização espacial para a conservação.</p>



<p><strong>Dayse Campista</strong> possua graduação em Bióloga pela Universidade Gama Filho(UGF), mestrado em ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Possui habilidades em educação ambiental, gestão de parques zoológicos, manejo dos recursos naturais e gestão ambiental. Atualmente, Diretora Executiva do Instituto Sauim-de-coleira e coordenadora do Programa de Educação Ambiental &#8220;Sauim na Escola&#8221;.</p>



<p><strong>Wilson Roberto Spironello</strong> possui graduação em Ecologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e doutorado em Biologia pela Universidade de Cambridge, Inglaterra. Desde 2023 é pesquisador no Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA). De 2002-2023 foi pesquisador no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Foi presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia (2014-2015) e do Instituto Sauim-de-coleira (2022-2023). Possui experiência em ecologia de primatas e com a ecologia e monitoramento de mamíferos terrestres de médio e grande porte.</p>



<p><strong>Maurício de Almeida Noronha</strong> possui graduação em Ciências Biológicas e especialização em Manejo de Animais Silvestres pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e Mestrado em Ciências Ambientais e Florestais pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). As suas pesquisas focam em mastofauna do bioma Amazônia, com ênfase em primatas.</p>
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		<title>Mulheres do Xingu protestam contra Belo Sun e cobram resposta do governo federal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Nicoly Ambrosio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Mar 2026 19:11:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Cerca de 120 manifestantes dos povos Juruna, Xikrin, Xipaya, Arara, Kayapó, Parakanã e Kuruaya mantêm ocupação desde 23 de fevereiro para contestar a retomada do projeto de mineração de ouro da Belo Sun na Volta Grande do Xingu, após decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que restabeleceu a licença de instalação do empreendimento</p>
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<p><strong>Manaus (AM) &#8211; </strong>A retomada do projeto de exploração de ouro da mineradora canadense Belo Sun na região da Volta Grande do Xingu, no Pará, mobilizou as mulheres indígenas dos povos Yudjá&nbsp; (Juruna), Xikrin, Xipaya, Arara, Kayapó, Parakanã e Kuruaya a ocupar a sede da Coordenação Regional da Fundação Nacional dos Povos indígenas (Funai), no município de Altamira. Elas estão há 20 dias em ato de mobilização contra a instalação de uma das maiores minas de ouro a céu aberto do Brasil nas proximidades dos seus territórios.</p>



<p>Desde 23 de fevereiro, dez dias depois da decisão liminar do desembargador federal Flávio Jardim, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), que restabeleceu no dia 13 de fevereiro a Licença de Instalação do empreendimento minerário <a href="https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2017/02/governo-concede-licenca-para-belo-sun-extrair-ouro-na-regiao-do-xingu.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">concedida em 2017 pelo governo do Pará</a>, cerca de 120 manifestantes mantêm a ocupação para cobrar respeito aos direitos das comunidades potencialmente afetadas pelo projeto. A empresa canadense tenta desde 2012 obter o licenciamento, cujo andamento passou por uma sequência de ações judiciais.</p>



<p>Lideradas pelo <a href="https://www.instagram.com/mulheresindigenasdomedioxingu?igsh=MTBuc2Y4Z2pqYjhldg==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Movimento de Mulheres do Médio Xingu</a>, as mulheres exigem a suspensão imediata da licença concedida à Belo Sun até que seja realizada a Consulta Livre, Prévia e Informada, com base na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O tratado internacional assegura o direito dos povos tradicionais de serem consultados sobre projetos que afetam seus territórios e suas vidas.&nbsp;</p>



<p>“Uma das maiores brigas aqui é em relação a essa licença da Belo Sun, porque a gente quer derrubar essa licença. O Médio Xingu não foi ouvido. Apenas dois povos indígena foram ouvidos aqui, Arara e Juruna. Não existem só dois povos no Médio Xingu”, declarou Sol Juruna à <strong>Amazônia Real</strong>, uma das lideranças à frente da ocupação.</p>





<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DVy0yWpAH3L/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:540px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);"><div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/reel/DVy0yWpAH3L/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> <div style=" display: flex; flex-direction: row; align-items: center;"> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;"></div> <div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;"> <div style=" background-color: #F4F4F4; 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overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/reel/DVy0yWpAH3L/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">Um post compartilhado por Coletivo Carimbó Mãe D’Água (@carimbomaedagua)</a></p></div></blockquote>
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<p>A decisão liminar do desembargador federal Flávio Jardim, da 6ª Turma do TRF1, contrariou o <a href="https://repam.org.br/justica-federal-mantem-suspensao-da-licenca-de-instalacao-da-belo-sun-e-reforca-exigencia-de-consulta-previa-aos-povos-indigenas/">entendimento da Justiça Federal em Altamira</a>, que em janeiro havia negado o pedido da mineradora canadense Belo Sun para que fosse reconhecido o “cumprimento integral” das exigências judiciais relacionadas ao licenciamento do projeto. O tribunal considerou que a empresa cumpriu as exigências legais relacionadas ao Estudo do Componente Indígena (ECI) e à realização da Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI).</p>



<p>As atividades de construção do empreendimento estavam <a href="https://trf1.jus.br/trf1/noticias/?id=11337">interrompidas desde 2017</a> por decisão judicial, mas agora podem ser retomadas a qualquer momento pela Belo Sun. A empresa mineradora é uma subsidiária brasileira controlada pelo banco Forbes &amp; Manhattan, do Canadá, que desenvolve projetos de mineração em várias partes do mundo. O banco também controla a empresa Potássio do Brasil, <a href="https://amazoniareal.com.br/especiais/projeto-autazes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">que tem projeto de mineração em terras indígenas do povo Mura, no Amazonas.</a></p>



<p>As mulheres indígenas da região do Médio Xingu pedem que o governo federal, sobretudo Funai e Ministério dos Povos Indígenas, tomem medidas para impedir o avanço do projeto de mineração da empresa Belo Sun Mining. No entanto, a disputa judicial também abrange a competência do licenciamento. Em 2024, </p>



<p>Elas defendem que o processo de licenciamento ambiental não fique sob responsabilidade da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), mas sim do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Segundo Sol Juruna, o Ibama possui estudos mais completos sobre os impactos ambientais e sociais na região e tem acompanhado as denúncias feitas pelas comunidades. Ela afirma que o movimento as mulheres é também para pressionar o governo para que processo de licenciamento seja federalizado.</p>



<p>Sol afirma que a transferência do licenciamento para o órgão federal é fundamental para garantir uma análise mais rigorosa dos riscos do projeto para o território, os rios e a vida das comunidades indígenas que vivem na região.</p>



<p>“A gente espera do governo que eles tomem uma atitude e barrem essa licença. Essa licença deveria estar na mão do Ibama, que tem os estudos e conhece as problemáticas que a gente vive aqui dentro do Médio Xingu&#8221;, disse.</p>



<p>Moradora da Terra Indígena Paquiçamba, a liderança Sol Juruna afirma que o conflito em torno do projeto da Belo Sun também tem provocado divisões internas entre lideranças indígenas da região do Médio Xingu. Segundo ela, parte dessas tensões está ligada à atuação de grupos favoráveis ao empreendimento, motivados por assédios e interferências externas.</p>



<p>“Isso [a licença] vai trazer mais morte para o nosso rio Xingu. Entre os dois povos que foram consultados, está gerando muito conflito, porque a empresa entrou lá para fazer a consulta sem o acompanhamento do Estado. A Belo Sun vai lá, faz reunião com a comunidade. A gente sabe que isso é errado e muitos não aceitam isso, não concordam”, denunciou a liderança em entrevista à <strong>Amazônia Real.</strong></p>



<p>As divisões internas mencionadas pela liderança indígena foram <a href="https://www.mpf.mp.br/o-mpf/unidades/prr1/noticias/mpf-recorre-contra-liberacao-de-belo-sun-e-alerta-para-2018privatizacao2019-de-consulta-a-indigenas-no-xingu-pa">apontadas pelo Ministério Público Federal (MPF) no recurso apresentado contra a decisão do TRF1</a>, em fevereiro. De acordo com o documento, o processo de consulta aos povos indígenas foi conduzido por uma empresa privada contratada pela própria mineradora. Na avaliação do MPF, a ação compromete a legitimidade do procedimento.&nbsp;</p>



<p>Para o MPF, a consulta é uma prerrogativa do Estado e não pode ser delegada à empresa interessada no empreendimento. No recurso, o órgão sustenta que houve uma “simulação” de consulta que não garantiu um diálogo efetivo com as comunidades indígenas sobre a viabilidade do projeto. Em resposta enviada à reportagem, o MPF informou que aguarda a análise do recurso pelo TRF1.</p>



<p>O recurso enfatiza ainda que grupos indígenas ‘desaldeados’ foram excluídos do processo consultivo, violando o caráter coletivo e inclusivo exigido pela Convenção 169 da OIT.</p>



<p>Desde o início do ano passado, o MPF no Pará <a href="https://www.mpf.mp.br/o-mpf/unidades/prr1/noticias/mpf-recorre-para-garantir-licenciamento-federal-de-projeto-de-mineracao-da-belo-sun-no-xingu" target="_blank" rel="noreferrer noopener">tenta garantir que o licenciamento</a> seja enviado para o Ibama, após a competência ter sido devolvida pelo TRF1 para o governo do Pará.</p>



<p><strong>A luta pelo rio Xingu</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Movimento-de-Mulheres-Indigenas-do-Medio-Xingu-Ocupacao-Funai-Altamira-Foto_Xingu-Vivo.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Movimento-de-Mulheres-Indigenas-do-Medio-Xingu-Ocupacao-Funai-Altamira-Foto_Xingu-Vivo-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-171996" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Movimento-de-Mulheres-Indigenas-do-Medio-Xingu-Ocupacao-Funai-Altamira-Foto_Xingu-Vivo-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Movimento-de-Mulheres-Indigenas-do-Medio-Xingu-Ocupacao-Funai-Altamira-Foto_Xingu-Vivo-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Movimento-de-Mulheres-Indigenas-do-Medio-Xingu-Ocupacao-Funai-Altamira-Foto_Xingu-Vivo-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Movimento-de-Mulheres-Indigenas-do-Medio-Xingu-Ocupacao-Funai-Altamira-Foto_Xingu-Vivo-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Movimento-de-Mulheres-Indigenas-do-Medio-Xingu-Ocupacao-Funai-Altamira-Foto_Xingu-Vivo.jpg 1403w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu durante a ocupação da Funai, em Altamira (Foto: Xingu Vivo para Sempre)</sub></em><sub>.</sub></figcaption></figure>



<p>Esta é a segunda vez que o Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu lidera uma ocupação na coordenação da Funai. Em dezembro de 2025, <a href="https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2025/12/10/indigenas-ocupam-funai-em-altamira-no-para-exigindo-parada-da-belo-sun.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mulheres indígenas de seis territórios ocuparam durante uma semana o local </a>contra a mineração de ouro na região.&nbsp;</p>



<p>Além da derrubada da licença para instalação da mina de ouro da Belo Sun, <a href="https://apiboficial.org/2026/02/27/carta-manifesto-e-pauta-de-reivindicacoes-do-movimento-das-mulheres-indigenas-do-medio-xingu/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">as mulheres indígenas cobram</a> a nomeação do coordenador da Coordenação Regional da Funai em Altamira,&nbsp; fiscalização das obrigações da Norte Energia S.A. no âmbito da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, e a retirada de invasores das Terras Indígenas Cachoeira-Seca e Trincheira Bacajá.&nbsp;</p>



<p>O temor pelo projeto da Belo Sun remete a outro monstro: a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, projeto da empresa Norte Energia S.A. O <a href="https://amazoniareal.com.br/o-rastro-de-destruicao-de-belo-monte/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mega projeto reduziu drasticamente o nível do rio Xingu e destruiu ecossistemas e a biodiversidade</a>, devastando a soberania alimentar dos povos tradicionais, indígenas e ribeirinhos, que tinham o rio como base para sua sobrevivência. Devido a água ser controlada pelo homem, Sol explica que a piracema, período em que os peixes sobem o rio para desovar em seu período fertíl, praticamente acabou no rio Xingu.</p>



<p>Em 2025, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) pediu à Norte Energia <a href="https://apublica.org/2025/08/belo-monte-diretoria-do-ibama-admite-revisao-de-vazao-do-xingu/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">que apresentasse uma nova proposta para a partilha da água no trecho do rio Xingu</a>, na região da Volta Grande. Vários estudos produzidos pelo órgão ambiental apontam que o esquema atual usado pela empresa é prejudicial à reprodução dos peixes nessa região.</p>



<p>“Nossa revolta é com o desembargador Flávio Jardim. Ele não conhece a nossa realidade, ele não conhece os impactos que a Norte Energia já trouxe aqui dentro do nosso rio Xingu. O nosso peixe, a nossa piracema está acabando. Semanas atrás, a piracema estava morrendo, um monte de ova, tudo morta, sabe? Os peixes morrendo. Isso está acontecendo aqui dentro do nosso rio Xingu”, denunciou a liderança.</p>



<p>O <a href="https://apiboficial.org/files/2023/06/APIB_relatorio_minadesangue_Apib.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">relatório “Mina de Sangue”</a>, lançado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) em 2023, aponta uma série de violações aos direitos dos povos indígenas e à legislação ambiental <a href="https://amazoniareal.com.br/relatorio-da-apib-alerta-para-impactos-da-mineradora-belo-sun-nas-terras-indigenas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">no caso da instalação de Belo Sun. </a>A preocupação das mulheres indígenas é acentuada pela implantação de um complexo minerário de ouro em larga escala, com a construção de uma barragem de rejeitos de 35 milhões de metros cúbicos e uso de substâncias tóxicas como&nbsp; arsênio, antimônio, chumbo, cobre e enxofre, o que pode ampliar a probabilidade de contaminação das águas da região e degradação irreversível de ecossistemas essenciais à sobrevivência física, cultural e espiritual dos povos do Xingu.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“O nosso medo é dessa barragem de rejeitos, porque pode estourar. Pode contaminar os peixes. E se contaminar, esses peixes vão subir o rio Bacajá, o rio Iriri [afluentes do rio Xingu], vão subir o Alto Xingu. Não tem como ter controle. Existe um parecer da Funai, de 2015, de que não poderia haver um grande empreendimento aqui dentro da Volta Grande, de vazão reduzida, até que se completassem os 35 anos de prazo do PBA [Plano Básico Ambiental] da Norte Energia”, disse Sol Juruna.</p>



<p>O PBA (Plano Básico Ambiental) de Belo Monte, executado pela <a href="https://memoria.norteenergiasa.com.br/anos/2011/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Norte Energia</a>, é um conjunto de 117 planos e programas mitigatórios e compensatórios exigidos no licenciamento da hidrelétrica, com foco nas áreas física, biótica e socioeconômica. Inclui o PBA-CI (Componente Indígena), com 42 ações para 12 territórios afetados.</p>



<p><strong>Sem posse regular</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Movimento-de-Mulheres-Indigenas-do-Medio-Xingu.avif"><img loading="lazy" decoding="async" width="984" height="443" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Movimento-de-Mulheres-Indigenas-do-Medio-Xingu.avif" alt="" class="wp-image-172003"/></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Mulheres na sede da Funai em Altamira há mais de 20 dias (Foto Movimento das Mulheres Indígenas do Médio Xingu).</sup></em></figcaption></figure>



<p>Além dos indígenas, a Volta Grande do Xingu é habitada por pescadores, ribeirinhos,&nbsp; e assentados da reforma agrária. Seus habitantes dependem da biodiversidade e do ciclo sazonal do rio Xingu. Por esse motivo, <a href="https://direitoshumanos.dpu.def.br/dpu-recorre-de-decisao-que-manteve-licenca-de-instalacao-da-mineradora-belo-sun/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a Defensoria Pública da União (DPU) também recorreu da decisão da Vara Federal Cível </a>e Criminal de Altamira de manter válida a licença de instalação do projeto de mineração, concedida à Belo Sun.</p>



<p>No recurso, a DPU pede a anulação da licença sob o argumento de que a empresa não comprovou a posse regular das terras onde pretende se instalar. A Defensoria ressalta que a própria sentença recorrida reconheceu a nulidade do contrato de concessão de uso firmado anteriormente entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a mineradora.</p>



<p>Para a Defensoria, manter a licença de instalação nessas condições contraria a legislação ambiental e fundiária, que exige a regularidade da posse da terra antes da concessão de qualquer licença para empreendimentos desse tipo. O órgão também sustenta que mudanças na destinação dessas áreas deveriam ser precedidas por um processo amplo de consulta, garantindo que as famílias assentadas possam participar das decisões que afetam diretamente o território onde vivem.</p>



<p>Outro ponto levantado pela DPU diz respeito à segurança da comunidade local. Segundo o recurso, moradores do Projeto de Assentamento Ressaca relatam episódios de intimidação por parte de agentes da empresa Invictus Segurança Ltda., contratada pela mineradora para atuar na região. De acordo com os assentados, há restrições de acesso à área e pressão sobre os moradores, o que comprometeria a livre manifestação da comunidade e sua participação em discussões sobre o empreendimento.</p>



<p><strong>Mulheres indígenas resistem</strong></p>



<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DSIFQpQDU4g/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:540px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);"><div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/reel/DSIFQpQDU4g/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> <div style=" display: flex; flex-direction: row; align-items: center;"> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;"></div> <div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;"> <div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 100px;"></div> <div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 60px;"></div></div></div><div style="padding: 19% 0;"></div> <div style="display:block; height:50px; margin:0 auto 12px; width:50px;"><svg width="50px" height="50px" viewBox="0 0 60 60" version="1.1" xmlns="https://www.w3.org/2000/svg" xmlns:xlink="https://www.w3.org/1999/xlink"><g stroke="none" stroke-width="1" fill="none" fill-rule="evenodd"><g transform="translate(-511.000000, -20.000000)" fill="#000000"><g><path d="M556.869,30.41 C554.814,30.41 553.148,32.076 553.148,34.131 C553.148,36.186 554.814,37.852 556.869,37.852 C558.924,37.852 560.59,36.186 560.59,34.131 C560.59,32.076 558.924,30.41 556.869,30.41 M541,60.657 C535.114,60.657 530.342,55.887 530.342,50 C530.342,44.114 535.114,39.342 541,39.342 C546.887,39.342 551.658,44.114 551.658,50 C551.658,55.887 546.887,60.657 541,60.657 M541,33.886 C532.1,33.886 524.886,41.1 524.886,50 C524.886,58.899 532.1,66.113 541,66.113 C549.9,66.113 557.115,58.899 557.115,50 C557.115,41.1 549.9,33.886 541,33.886 M565.378,62.101 C565.244,65.022 564.756,66.606 564.346,67.663 C563.803,69.06 563.154,70.057 562.106,71.106 C561.058,72.155 560.06,72.803 558.662,73.347 C557.607,73.757 556.021,74.244 553.102,74.378 C549.944,74.521 548.997,74.552 541,74.552 C533.003,74.552 532.056,74.521 528.898,74.378 C525.979,74.244 524.393,73.757 523.338,73.347 C521.94,72.803 520.942,72.155 519.894,71.106 C518.846,70.057 518.197,69.06 517.654,67.663 C517.244,66.606 516.755,65.022 516.623,62.101 C516.479,58.943 516.448,57.996 516.448,50 C516.448,42.003 516.479,41.056 516.623,37.899 C516.755,34.978 517.244,33.391 517.654,32.338 C518.197,30.938 518.846,29.942 519.894,28.894 C520.942,27.846 521.94,27.196 523.338,26.654 C524.393,26.244 525.979,25.756 528.898,25.623 C532.057,25.479 533.004,25.448 541,25.448 C548.997,25.448 549.943,25.479 553.102,25.623 C556.021,25.756 557.607,26.244 558.662,26.654 C560.06,27.196 561.058,27.846 562.106,28.894 C563.154,29.942 563.803,30.938 564.346,32.338 C564.756,33.391 565.244,34.978 565.378,37.899 C565.522,41.056 565.552,42.003 565.552,50 C565.552,57.996 565.522,58.943 565.378,62.101 M570.82,37.631 C570.674,34.438 570.167,32.258 569.425,30.349 C568.659,28.377 567.633,26.702 565.965,25.035 C564.297,23.368 562.623,22.342 560.652,21.575 C558.743,20.834 556.562,20.326 553.369,20.18 C550.169,20.033 549.148,20 541,20 C532.853,20 531.831,20.033 528.631,20.18 C525.438,20.326 523.257,20.834 521.349,21.575 C519.376,22.342 517.703,23.368 516.035,25.035 C514.368,26.702 513.342,28.377 512.574,30.349 C511.834,32.258 511.326,34.438 511.181,37.631 C511.035,40.831 511,41.851 511,50 C511,58.147 511.035,59.17 511.181,62.369 C511.326,65.562 511.834,67.743 512.574,69.651 C513.342,71.625 514.368,73.296 516.035,74.965 C517.703,76.634 519.376,77.658 521.349,78.425 C523.257,79.167 525.438,79.673 528.631,79.82 C531.831,79.965 532.853,80.001 541,80.001 C549.148,80.001 550.169,79.965 553.369,79.82 C556.562,79.673 558.743,79.167 560.652,78.425 C562.623,77.658 564.297,76.634 565.965,74.965 C567.633,73.296 568.659,71.625 569.425,69.651 C570.167,67.743 570.674,65.562 570.82,62.369 C570.966,59.17 571,58.147 571,50 C571,41.851 570.966,40.831 570.82,37.631"></path></g></g></g></svg></div><div style="padding-top: 8px;"> <div style=" color:#3897f0; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:550; line-height:18px;">Ver essa foto no Instagram</div></div><div style="padding: 12.5% 0;"></div> <div style="display: flex; flex-direction: row; margin-bottom: 14px; align-items: center;"><div> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(0px) translateY(7px);"></div> <div style="background-color: #F4F4F4; height: 12.5px; transform: rotate(-45deg) translateX(3px) translateY(1px); width: 12.5px; flex-grow: 0; margin-right: 14px; margin-left: 2px;"></div> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(9px) translateY(-18px);"></div></div><div style="margin-left: 8px;"> <div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 20px; width: 20px;"></div> <div style=" width: 0; height: 0; border-top: 2px solid transparent; border-left: 6px solid #f4f4f4; border-bottom: 2px solid transparent; 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overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/reel/DSIFQpQDU4g/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">Um post compartilhado por Xingu Vivo para Sempre (@xinguvivoparasempre)</a></p></div></blockquote>
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<p>Mesmo em uma situação marcada por desafios logísticos, onde as mulheres enfrentam longas viagens de barco de suas comunidades até Altamira, a ocupação foi reforçada pela chegada de 50 lideranças femininas do povo Xikrin na manhã desta quinta-feira (12). Segundo Sol Juruna,&nbsp; as mulheres indígenas continuam na sede da Funai até que sejam recebidas pelas instituições do governo e tenham seus direitos garantidos.&nbsp;</p>



<p>“Essa decisão está nos ameaçando, ameaçando o nosso território. Eles [Belo Sun] falam que esse empreendimento só causa impacto em 8 quilômetros. Isso é errado. As pessoas que estão fazendo as leis, eles estão contra nós indígenas, porque eles fazem terminar de matar o nosso rio”, afirmou Sol.</p>



<p>A liderança destacou a importância do protagonismo feminino nas lutas do movimento indígena. Na linha de frente das <a href="https://amazoniareal.com.br/vitoria-dos-indigenas-lula-revoga-decreto-de-privatizacao-de-hidrovias-na-amazonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">recentes ocupações contra a dragagem do rio Tapajós </a>e o decreto 12.600, de privatização dos rios amazônicos, mulheres lideranças como <a href="https://amazoniareal.com.br/lula-esta-entregando-a-amazonia-para-os-paises-ricos-diz-alessandra-munduruku/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Alessandra Korap Munduruku</a>, Maria Leusa Munduruku e Auricelia Arapiun organizaram a luta coletiva, a comunicação e a articulação política do acampamento no porto da Cargill, em Santarém.</p>



<p>“Nós mulheres indígenas resolvemos nos juntar para tentar barrar esse empreendimento, tentar barrar a morte do nosso rio Xingu, porque nós já sofremos esses impactos. São as mães que vêem suas crianças adoecendo por causa da água do rio que está só barro. O rio Bacajá, hoje a água lá é só barro. Nós somos aquelas que cuidam das crianças, que ficam com as crianças em casa, que conhecem bem a realidade do nosso território”, explicou.</p>



<p>A <a href="https://coiab.org.br/coiab-repudia-medida-que-autoriza-mineracao-em-volta-grande-do-xingu-no-para/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) manifestou repúdio público</a> à decisão do TRF1. Para a instituição indígena, a medida representa grave ameaça aos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais da região e reforça a expansão de um modelo mineral que historicamente produz devastação socioambiental na Amazônia.</p>



<p>A organização ressaltou a persistência de controvérsias quanto à abrangência da Consulta Prévia, Livre e Informada, além de fragilidades nos processos de licenciamento ambiental.&nbsp;</p>



<p>“A experiência amazônica demonstra que a mineração não tem promovido desenvolvimento sustentável para as populações locais, mas sim produzido passivos socioambientais duradouros, dependência econômica e degradação ambiental em larga escala. A decisão do TRF1, ao desconsiderar esse histórico, expõe a Volta Grande do Xingu a riscos já amplamente documentados”, disse a Coiab em nota.</p>



<p><strong>Omissão do Estado</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Protesto-contra-Belo-Sun-Verena-Glass-Xingu-Vivo-sl.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="577" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Protesto-contra-Belo-Sun-Verena-Glass-Xingu-Vivo-sl-1024x577.jpg" alt="" class="wp-image-171993" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Protesto-contra-Belo-Sun-Verena-Glass-Xingu-Vivo-sl-1024x577.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Protesto-contra-Belo-Sun-Verena-Glass-Xingu-Vivo-sl-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Protesto-contra-Belo-Sun-Verena-Glass-Xingu-Vivo-sl-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Protesto-contra-Belo-Sun-Verena-Glass-Xingu-Vivo-sl-1536x865.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Protesto-contra-Belo-Sun-Verena-Glass-Xingu-Vivo-sl-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Protesto-contra-Belo-Sun-Verena-Glass-Xingu-Vivo-sl.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Protesto contra Belo Sun durante a COP30, em Belém (Foto: Verena Glass/Xingu Vivo para Sempre).</sub></em></figcaption></figure>



<p>A liderança Sol Juruna criticou a atuação da Funai diante do avanço do projeto da Belo Sun. Segundo ela, o órgão tem sido omisso frente às denúncias apresentadas pelas comunidades do Médio Xingu.</p>



<p>“A Funai está omissa. Ela simplesmente recebeu um estudo da Belo Sun e aceitou. É um órgão que deveria estar do nosso lado, defendendo os povos indígenas, mas não está lutando ao nosso favor. Eles tentam matar a gente no cansaço”, disse.</p>



<p>A liderança também relata que a situação das mulheres indígenas que mantêm a ocupação é alarmante e que muitas pessoas já apresentam problemas de saúde após mais de duas semanas de mobilização.</p>



<p>“Dentro das reuniões, muitos indígenas estão reclamando de doença, de crianças adoecendo, e mesmo assim o que a Funai estava discutindo era uma porta quebrada, sendo que a porta já estava quebrada antes da gente chegar. Isso é um descaso total, é desumano com os povos indígenas. Já estamos há dias aqui, com muita gente doente, enfrentando sol e chuva, dormindo em barraca, em colchão no chão. O que a gente está passando é desumano, e o governo não olha para a gente, não responde. Estão simplesmente passando por cima de nós”, relatou.</p>



<p>A reportagem procurou a Funai, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a mineradora Belo Sun para comentar o caso e saber que medidas serão tomadas para atender as mulheres indígenas que protestam contra a mineradora, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.</p>



<p>Segundo a Belo Sun ,<a href="https://www.instagram.com/p/DVqrxbJDQEy/">em posicionamento publicado nas redes sociais</a>, o restabelecimento da Licença de Instalação marca uma nova etapa do projeto no município de Senador José Porfírio (PA). A empresa informou que, neste momento, o empreendimento está em fase de planejamento, com revisão do Plano de Ação e organização das próximas etapas necessárias para o avanço do projeto.</p>



<p>A mineradora também afirmou que está atualizando o banco de currículos e o cadastro de fornecedores, com a promessa de priorizar profissionais e empresas da região quando as contratações forem iniciadas. Declarou ainda que seguirá conduzindo o projeto “com responsabilidade, planejamento e respeito à legislação”.</p>



<p><strong>Mobilizações em 2026</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Ato-em-defesa-do-rio-Tapajos-Foto-@citabt.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="537" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Ato-em-defesa-do-rio-Tapajos-Foto-@citabt-1024x537.jpg" alt="" class="wp-image-171385" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Ato-em-defesa-do-rio-Tapajos-Foto-@citabt-1024x537.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Ato-em-defesa-do-rio-Tapajos-Foto-@citabt-300x157.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Ato-em-defesa-do-rio-Tapajos-Foto-@citabt-768x402.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Ato-em-defesa-do-rio-Tapajos-Foto-@citabt-150x79.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Ato-em-defesa-do-rio-Tapajos-Foto-@citabt.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Ato em defesa do rio Tapajós pela revogação do Decreto 12.600/2025  (Foto: Movimento Tapajós Vivo).</sup></em></figcaption></figure>



<p>Desde o início do ano, estão acontecendo uma série de de mobilizações de indígenas e povos tradicionais no Pará contra projetos econômicos de grande impacto social e ambiental nos territórios amazônicas. Atualmente, um deles é a jornada de lutas do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), contra a licença da Hidrovia Araguaia-Tocantins e na defesa dos rios amazônicos. Atingidos e atingidas dos municípios de Itupiranga e Marabá interditaram a BR 230, a Transamazônica, na luta pelo seus direitos.</p>



<p>Na <a href="https://www.instagram.com/reel/DVyVnVHDpXg/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">manhã desta quinta-feira (12), cerva de 500 atingidos e atingidas do Baixo Tocantins</a> também fecharam um trecho da rodovia PA-151, em Mocajuba. Eles também querem a regulamentação da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB).</p>



<p>Em janeiro e fevereiro deste ano, indígenas da região o Tapajós realizaram uma <a href="https://amazoniareal.com.br/dragagem-ameaca-o-rio-tapajos-no-para/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">intensa mobilização </a>contra os projetos de dragagem nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. A mobilização durou mais de um mês, com ações de ocupação na empresa Cargil, em Santarém (PA), chegou ao fim <a href="https://amazoniareal.com.br/vitoria-dos-indigenas-lula-revoga-decreto-de-privatizacao-de-hidrovias-na-amazonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">após revogação do decreto federal que autorizava as hidrovias</a> para atender interesses do agronegócio.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Movimento-de-Mulheres-Indigenas-do-Medio-Xingu-Ocupacao-Funai-Altamira-Foto_Xingu-Vivo-3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="555" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Movimento-de-Mulheres-Indigenas-do-Medio-Xingu-Ocupacao-Funai-Altamira-Foto_Xingu-Vivo-3-1024x555.jpg" alt="" class="wp-image-172010" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Movimento-de-Mulheres-Indigenas-do-Medio-Xingu-Ocupacao-Funai-Altamira-Foto_Xingu-Vivo-3-1024x555.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Movimento-de-Mulheres-Indigenas-do-Medio-Xingu-Ocupacao-Funai-Altamira-Foto_Xingu-Vivo-3-300x163.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Movimento-de-Mulheres-Indigenas-do-Medio-Xingu-Ocupacao-Funai-Altamira-Foto_Xingu-Vivo-3-768x417.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Movimento-de-Mulheres-Indigenas-do-Medio-Xingu-Ocupacao-Funai-Altamira-Foto_Xingu-Vivo-3-150x81.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Movimento-de-Mulheres-Indigenas-do-Medio-Xingu-Ocupacao-Funai-Altamira-Foto_Xingu-Vivo-3.jpg 1521w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Mulheres na sede da Funai em Altamira há mais de 20 dias (Foto Movimento das Mulheres Indígenas do Médio Xingu).</sup></em></figcaption></figure>



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<p></p>
<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/mulheres-do-xingu-protestam-contra-belo-sun-e-cobram-resposta-do-governo-federal/">Mulheres do Xingu protestam contra Belo Sun e cobram resposta do governo federal</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
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		<title>Áreas para a conservação do sauim-de-coleira, símbolo de Manaus – 2: área do estudo e preparação dos dados</title>
		<link>https://amazoniareal.com.br/areas-para-a-conservacao-do-sauim-de-coleira-simbolo-de-manaus-2-area-do-estudo-e-preparacao-dos-dados/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Philip Martin Fearnside]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Mar 2026 20:54:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[Desmatamento]]></category>
		<category><![CDATA[espécie endêmica]]></category>
		<category><![CDATA[floresta]]></category>
		<category><![CDATA[Manaus]]></category>
		<category><![CDATA[Philip Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[primata]]></category>
		<category><![CDATA[proteção]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Preto da Eva]]></category>
		<category><![CDATA[Risco de extinção]]></category>
		<category><![CDATA[Sauim-de-Coleira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Autores propõem áreas prioritárias para a conservação do sauim-de-coleira, espécie  endêmica de Manaus ameaçada de extinção. Pesquisadores consideram relevantes a manutenção de vegetação variada, como florestas densas e florestas secundárias. Eles afirmam que “os tipos de vegetação são geralmente considerados como alvos de conservação porque fornecem um habitat para diversas espécies de plantas e animais”.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Ana Luisa Albernaz, Marcelo Cordeiro Thalês, Marcelo Gordo, Diogo Lagroteria, Tainara V. Sobroza, William E. Magnusson, Philip M. Fearnside, Leandro Jerusalinsky, Renata Bocorny de Azevedo, Rodrigo Baia Castro, Dayse Campista, Wilson Roberto Spironello e Maurício Noronha.</strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>Todas as decisões, começando pela definição da área de estudo, foram tomadas coletivamente durante oito reuniões virtuais com a presença da maioria dos autores. Com base na experiência do grupo e na literatura disponível, definimos os alvos e como representar espacialmente cada um deles. Decidimos coletivamente sobre as principais ameaças e atribuímos pesos a elas para criar a superfície de custo. A justificativa para cada decisão foi revisitada na reunião subsequente para garantir que todos os participantes tivessem a oportunidade de contribuir e que o processo de tomada de decisão fosse transparente e inclusivo.<strong></strong></p>



<p><strong>Área de estudo</strong><strong></strong></p>



<p>Os limites da área de estudo foram definidos com base na distribuição do sauim-de-coleira proposta por Röhe [1], com a adição uma faixa de amortecimento de 10 km ao norte para permitir alguma futura extensão da área de distribuição que poderia resultar dos estudos em andamento. Em todas as outras direções, os limites são naturalmente definidos por rios (Fig. 1). A área abrange partes dos municípios de Manaus, Rio Preto da Eva e Itacoatiara, no estado do Amazonas.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="512" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-1-1024x512.jpg" alt="" class="wp-image-171967" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-1-1024x512.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-1-300x150.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-1-768x384.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-1-150x75.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-1.jpg 1298w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Figura 1. Área de estudo, com base na distribuição do sauim-de-coleira (Saguinus bicolor) proposta por Rohe [1] mais uma área de amortecimento de 10 km ao norte e os limites da zona urbana de Manaus.</sub></em></figcaption></figure>



<p></p>



<p>A área de estudo inclui a área urbana de Manaus e, como essa zona urbana tem uma escala mais fina e requer diferentes ações e estratégias de conservação, tratamos essa área separadamente e não aplicamos a ela a abordagem de planejamento sistemático. Como o estabelecimento de áreas protegidas é mais restrito na zona urbana, a prioridade para essa zona é a conservação de todas as áreas verdes remanescentes, incluindo a vegetação primária e secundária.</p>



<p>Os limites da zona urbana foram definidos de acordo com o Plano Diretor do Município de Manaus [2]. As áreas verdes foram identificadas usando a classificação MapBiomas com resolução de 30 m [3]. Florestas primárias e secundárias foram combinadas em uma única classe. Para evitar a priorização de manchas de vegetação muito pequenas e isoladas, consideramos apenas áreas verdes maiores que 1 ha. Para a zona urbana, compilamos as informações disponíveis sobre áreas protegidas e analisamos sua eficácia na prevenção da perda de cobertura vegetal. Conforme recomendado no seminário público (veja a seção “contribuições e envolvimento das partes interessadas” abaixo), incluímos no mapa final da cidade as áreas de preservação permanente (APPs) definidas pela lei brasileira nº 12.651/2012, mais conhecida como “Código Florestal”. Dados espaciais para APPs eram oferecidos pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável [4].</p>



<p>Para aplicar o planejamento sistemático de conservação, criamos um shapefile de unidades de planejamento composto por hexágonos de 100 ha que circundavam a zona urbana e incluíam a distribuição geográfica conhecida do sauim-de-coleira, além de uma faixa de amortecimento de 10 km ao norte (Fig. 2). Os limites das áreas protegidas foram inseridos na camada de unidades de planejamento, mas apenas as áreas de proteção integral, terras indígenas ou as zonas definidas como &#8220;preservação&#8221; ou &#8220;conservação&#8221; dentro das áreas protegidas de uso sustentável receberam o status de &#8220;protegidas&#8221;. As demais zonas ou áreas que não são de proteção integral receberam o status &#8220;inicial&#8221; no arquivo de entrada do MARXAN. Esse status foi concedido porque sua proteção efetiva poderia ser alcançada mais facilmente se fossem priorizadas na solução final gerada pelo algoritmo. Excluímos a zona urbana dessa camada.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="335" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-2-1024x335.jpg" alt="" class="wp-image-171968" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-2-1024x335.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-2-300x98.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-2-768x251.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-2-150x49.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-2.jpg 1298w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Figura 2. Esquerda: detalhe da zona urbana, com áreas protegidas. Direita: área de estudo como um todo, mostrando as unidades de planejamento e seu status como “protegida”, “inicial” ou “disponível”.</sub></em></figcaption></figure>



<p></p>



<p><strong>Preparação de dados &#8211; Metas</strong><strong></strong></p>



<p>Neste estudo, adotamos o conceito de alvos com base em [5]. Os alvos são os atributos a serem conservados, cada um com uma quantidade explícita que queremos atingir com o plano. Em seguida, conduzimos nossas discussões iniciais para identificar as principais características de interesse: primeiro, as outras espécies endêmicas da área que poderiam potencialmente se beneficiar de ações para conservar o sauim-de-coleira, e, segundo, áreas com diferentes composições ambientais, porque áreas com diferentes tipos de vegetação, geomorfologia e proximidade com a água podem abrigar espécies diferentes. Sua inclusão como alvos pode, portanto, aumentar a representatividade da biodiversidade, bem como a disponibilidade de recursos que alguns desses ambientes fornecem ao sauim-de-coleira.</p>



<p>A disponibilidade de dados espaciais foi um requisito para a inclusão de cada espécie-alvo, o que excluiu alguns táxons indicados que haviam sido descobertos recentemente em Manaus e municípios vizinhos, nomeadamente <em>Eugenia kerianthera</em> [6] e uma <em>Monodelphis </em>sp. [7]. Apenas alguns pontos de observação estão disponíveis, impossibilitando a avaliação completa de sua distribuição geográfica no momento. No entanto, mesmo que não explicitamente incluídas, essas espécies provavelmente se beneficiarão do aumento da proteção na área de estudo. Todas as espécies e tipos de vegetação alvo são descritos em detalhes abaixo (Fig. 3, Tabela 1).</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="746" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-3-1024x746.jpg" alt="" class="wp-image-171969" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-3-1024x746.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-3-300x218.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-3-768x559.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-3-150x109.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-3.jpg 1298w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Figura 3. Distribuição espacial dos alvos selecionados.</sub></em></figcaption></figure>





<p>Tabela 1: Síntese de alvos, incluindo tipos, nomes e quantidades.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="584" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-1-1024x584.jpg" alt="" class="wp-image-171977" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-1-1024x584.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-1-300x171.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-1-768x438.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-1-150x86.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-1.jpg 1299w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p><strong><em>Saguinus bicolor</em></strong><strong><em></em></strong></p>



<p>Os limites de distribuição do sauim-de-coleira, foco principal deste estudo, foram atualizados com base na nova Extensão de Ocorrência proposta por [8]. A maior parte da nova Extensão de Ocorrência (98,8%) estava dentro da nossa área de estudo delimitada, de modo que o polígono de distribuição final possui uma área de 826.991 ha. A meta de conservação para o sauim-de-coleira foi estabelecida em 50% de sua área de distribuição.</p>



<p><strong><em>Atelopus manauensis</em></strong></p>



<p>Este pequeno sapo também é uma espécie de distribuição restrita e endêmica da região de Manaus, com aproximadamente metade de sua distribuição sobrepondo-se à área de distribuição do sauim-de-coleira. Sua inclusão como alvo aumenta a representatividade das áreas prioritárias. Como a ocorrência desta espécie é limitada a ambientes próximos à água, foi recomendado focar apenas nestes ambientes dentro da área de distribuição da espécie. Para este propósito, os pontos de ocorrência registrados por Jorge et al. [9] foram digitalizados e sobrepostos em um modelo Height Above the Nearest Drainage (HAND) [10] para obter seu valor para cada ponto. O resultado foi uma média de 3,06 m, DP 5,98. Para sermos conservadores, no sentido de incluir uma área de habitat maior que possa ser usada pela espécie, usamos a média ± 2 DP, o que resultou na inclusão de todos os pixels com valores &lt;15 m no modelo HAND. Como a espécie não é apenas endêmica, mas também tem uma disponibilidade de habitat muito limitada, a meta para essa espécie também foi definida em 50% da área de distribuição resultante.</p>



<p><strong>Florestas inundadas</strong><strong></strong></p>



<p>Florestas inundáveis são ambientes de alta produtividade que abrigam uma variedade de espécies economicamente e ecologicamente valiosas na Amazônia brasileira [11]. Devido às consideráveis flutuações nos níveis de água ao longo do ano, esses ecossistemas abrigam espécies que se adaptaram a essa mudança sazonal significativa, e que nem sempre são encontradas em outros habitats [12]. Ainda não está claro se o sauim-de-coleira utiliza esse ambiente e, em caso afirmativo, com que frequência. No entanto, devido à natureza distinta dessas florestas inundáveis e à sua função como berçário para inúmeras espécies aquáticas, consideramos crucial incluí-las como alvos.</p>



<p>Dado que esses ambientes são estratificados ao longo de faixas na interface terra-água, é provável que mais de uma de suas subclassificações esteja representada em uma única unidade de planejamento. Assim, todas as classes presentes na área de estudo foram agrupadas e consideradas relevantes para a representação. As subclasses da base de dados incluídas foram arbusto não inundável, floresta inundável, floresta não inundável e floresta inundável. O banco de dados foi fornecido pelo Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera-LBA [13] e a meta foi de 80%.</p>



<p><strong>Floresta aberta e Campinarana</strong><strong></strong></p>



<p>Os tipos de vegetação são geralmente considerados como alvos de conservação porque fornecem um habitat para diversas espécies de plantas e animais. Portanto, diferentes tipos de vegetação, como campinaranas e florestas abertas, ajudam a aumentar a representatividade da biodiversidade. No caso do sauim-de-coleira e outros vertebrados, é comum que eles utilizem diferentes tipos de vegetação para obter diferentes recursos [14]. Consequentemente, os tipos de vegetação desempenham papel importante na manutenção da diversidade e disponibilidade de alimentos. O banco de dados utilizado para os tipos de vegetação foi o do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, um arquivo vetorial com resolução espacial de 250 metros [15]. Para cada tipo de vegetação, definimos uma meta de 30% da área, correspondente à recomendada pelo arcabouço global de biodiversidade Kunming-Montreal.</p>



<p><strong>Florestas Densas</strong><strong></strong></p>



<p>A floresta densa ocupa a maior parte da distribuição geográfica do sauim-de-coleira e, dado que esta espécie utiliza uma variedade de tipos de vegetação, considerou-se relevante diferenciar a vegetação dentro desta classe do IBGE. A base escolhida para esta diferenciação foi o estudo de Schietti et al. [16], que mostra que a vegetação responde à distância vertical da drenagem, conforme representada pelo modelo HAND [10]. De acordo com seus resultados, quatro classes foram definidas: (1) &lt; 5 m; (2) 5,001-10 m; (3) 10,001-25 m; (4) &gt;25 m. Como pouco suporte foi encontrado na literatura para diferenciar as metas para esses ambientes, uma meta geral de 30% foi atribuída a cada tipo de vegetação.</p>



<p><strong>Florestas secundárias</strong><strong></strong></p>



<p>O sauim-de-coleira utiliza florestas secundárias para suas atividades normais e também para obter recursos alimentares [14, 17]. Por esse motivo e devido à importância das florestas secundárias para a conectividade entre ambientes, foi proposto estabelecer metas específicas para essas florestas. Como áreas mais maduras têm maior chance de permanência e melhor estrutura, foi estabelecida uma meta de 40% para áreas com mais de 20 anos e uma meta de 30% para áreas com menos de 20 anos ou de idade indeterminada. Os limites das florestas secundárias foram obtidos do TerraClass 2020 [18], que possui uma boa classificação geral desse ambiente, e as idades das florestas secundárias foram derivadas do banco de dados MapBiomas [3], que detalha os anos de conversão.</p>



<p><strong>Planaltos</strong><strong> </strong><strong></strong></p>



<p>Os planaltos foram incluídos como alvo específico porque essas áreas, de baixa declividade e com altitude relativamente alta, abrigam espécies especializadas e são ambientes altamente ameaçados tanto pelo desmatamento quanto pela agricultura mecanizada [19]. A definição espacial dos planaltos foi construída cruzando as florestas densas (do banco de dados do IBGE), com declividade menor que 8% e altitude maior que 75 m, do banco de dados Forest and Buildings Removed Copernicus DEM-FABDEM 1.0 [20]. Uma meta de 50% foi estabelecida para as áreas de planalto.</p>



<p><strong>Preparação de dados &#8211; Custos</strong> </p>



<p>A incorporação de uma superfície de custos é um passo importante no planejamento sistemático de conservação, pois ajuda a selecionar áreas com menos conflitos com os esforços de conservação [21, 22]. O raciocínio é que áreas com alto impacto geralmente têm baixo valor de conservação e exigem investimentos para recuperação ou controle da degradação, o que nem sempre é bem-sucedido. Aqui, usamos a superfície de custos para selecionar áreas que, dadas as contribuições iguais para os alvos, estão expostas a menos ameaças que poderiam comprometer o sucesso da conservação. Para construir uma superfície de custos, identificamos as principais ameaças à persistência de ambientes naturais na região de interesse e atribuímos pesos entre 1 e 10 para refletir o impacto relativo de cada uma dessas ameaças. Presumimos que a probabilidade de perda ou degradação causada por essas ameaças aumenta os custos de gestão da conservação [21]. As principais ameaças listadas são apresentadas nas seções a seguir, juntamente com a descrição dos dados espaciais usados para representá-las (Fig. 4, Tabela 2). [23]</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="746" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-4-1024x746.jpg" alt="" class="wp-image-171970" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-4-1024x746.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-4-300x218.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-4-768x559.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-4-150x109.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Parte-2-Figura-4.jpg 1298w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Figura 4. Distribuição espacial das principais ameaças que constituem a superfície de custos.</sub></em></figcaption></figure>





<p></p>



<p>Tabela 2. Síntese dos custos: tipos e respectivos pesos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="522" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-2-1024x522.jpg" alt="" class="wp-image-171976" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-2-1024x522.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-2-300x153.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-2-768x392.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-2-150x77.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tabela-2.jpg 1376w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Notas</strong></p>



<p>[1] Röhe, F. (2006).<a href="https://brasil.wcs.org/en-us/WCS-Brazil/Publications/categoryid/606.aspx"> <em>Área de contato entre as distribuições geográficas de Saguinus midas e Saguinus bicolor (Callitrichidae-Primates): a importância de interações e fatores ecológicos.</em></a><em> </em>UFAM – Universidade Federal do Amazonas / Instituto Nacional de pesquisas da Amazônia (INPA)]. Manaus. </p>



<p>[2] IMPLURB. (2021). <a href="https://www2.manaus.am.gov.br/docs/portal/secretarias/implurb/PLANO%20DIRETOR%20-%20LIVRO%20DIGITAL/LEGISLA%C3%87%C3%83O%20URBAN%C3%8DSTICA%20MUNICIPAL%20-%20PLANO%20DIRETOR%20E%20AMBIENTAL%20DE%20MANAUS%20E%20SUAS%20LEIS%20COMPLEMENTARES%20-%20Vers%C3%A3o%2001.pdf"><em>Legislação Urbanística Municipal &#8211; Plano Diretor Urbano e Ambiental de Manaus e suas leis complementares</em>.</a> Manaus: Prefeitura de Manaus </p>



<p>[3] MapBiomas. (2022). <em><a href="https://brasil.mapbiomas.org/en/">Brasil coverage</a></em>. </p>



<p>[4] FBDS (Fundação Brasileira de Desenvolvimento Sustentável). (2024). <em>GIS Database &#8211; APP- Manaus</em> [GIS database].</p>



<p>[5] Margules, C. R., &amp; Pressey, R. L. (2000). <a href="https://doi.org/10.1038/35012251">Systematic conservation planning</a>. <em>Nature</em>,<em>405</em>, 243- 253. </p>



<p>[6] Souza, M. A. D. de, Scudeller, V. V., &amp; Mendonça, M. S. de (2015). <a href="https://doi.org/10.11646/phytotaxa.212.1.4">Three new species of Eugenia (Myrtaceae) from Brazilian Amazonia. </a><em>Phytotaxa</em>,<em>212</em>(1), 87-94. </p>



<p>[7] Pavan, S. E., Jansa, S. A., &amp; Voss, R. S. (2014).<a href="https://doi.org/10.1016/j.ympev.2014.05.029"> Molecular phylogeny of short-tailed opossums (Didelphidae: Monodelphis): Taxonomic implications and tests of evolutionary hypotheses</a>. <em>Molecular Phylogenetics and Evolution</em>,<em>79</em>, 199-214. </p>



<p>[8] Lagroteria, D., Cavalcante, T., Zuquim, G., Röhe, F., Medeiros, A. S. M., Hrbek, T., &amp; Gordo, M. (2024). <a href="https://doi.org/10.3389/fcosc.2024.1426488">Assessing the invasive potential of <em>Saguinus midas</em> in the extent of occurrence of the critically endangered. </a><em>Saguinus bicolor</em>. <em>Frontiers in Conservation Science</em>,<em>5</em>, 16. </p>



<p>[9] Jorge, R. F., Magnusson, W. E., da Silva, D. A., Polo, É. M., &amp; Lima, A. P. (2020). <a href="https://doi.org/10.1111/jzs.12390">Urban growth threatens the lowland Amazonian Manaus harlequin frog which represents an evolutionarily significant unit within the genus <em>Atelopus </em>(Amphibia: Anura: Bufonidae).</a> <em>Journal of Zoological Systematics and Evolutionary Research</em>,<em>58</em>(4), 1195-1205. </p>



<p>[10] Nobre, A. D., Cuartas, L. A., Hodnett, M., Rennó, C. D., Rodrigues, G., Silveira, A., Waterloo, M., &amp; Saleska, S. (2011). <a href="https://doi.org/10.1016/j.jhydrol.2011.03.051">Height Above the Nearest Drainage – a hydrologically relevant new terrain model </a>.<em>Journal of Hydrology</em>,<em>404</em>(1-2), 13-29. </p>



<p>[11] Castello, L., &amp; Macedo, M. (2016). <a href="https://doi.org/10.1111/gcb.13173">Large-scale degradation of Amazonian freshwater ecosystems</a>. <em>Global Change Biology</em>,<em>22</em>, 990-1007. </p>



<p>[12] Wittmann, F., Marques, M. C. M., Júnior, G. D., Budke, J. C., Piedade, M. T. F., Wittmann, A. d. O., Montero, J. C., Assis, R. L. d., Targhetta, N., Parolin, P., Junk, W. J., &amp; Householder, J. E. (2017). <a href="https://doi.org/10.1371/journal.pone.0175003">The Brazilian freshwater wetscape: Changes in tree community diversity and composition on climatic and geographic gradients.</a> <em>PLOS One</em>,<em>12</em>(4). </p>



<p>[13] Hess, L. L., Melack, J. M., Affonso, A. G., Barbosa, C. C. F., Gastil-Buhl, M., &amp; Novo, E. M. L. M. (2015). <em><a href="https://doi.org/10.3334/ORNLDAAC/1284">LBA-ECO LC-07 Wetland Extent, Vegetation, and Inundation: Lowland Amazon Basin.</a></em> </p>



<p>[14] Gordo, M. (2012). <em>Ecologia e conservacão do sauim-de-coleira, Saguinus bicolor (Primates; Callitrichidae). </em>Tese de doutorado<em>. </em>Museu Paraense Eḿilio Goeldi. Belém, PA.</p>



<p>[15] IBGE. (2023b). <em><a href="https://www.ibge.gov.br/geociencias/downloads-geociencias.html">Mapeamento de Recursos Naturais- Vegetação ESCALA 1:250.000</a>.</em></p>



<p>[16] Schietti, J., Emilio, T., Rennó, C. D., Drucker, D. P., Costa, F. R. C., Nogueira, A., Baccaro, F. B., Figueiredo, F., Castilho, C. V., Kinupp, V., Guillaumet, J.-L., Garcia, A. R. M., Lima, A. P., &amp; Magnusson, W. E. (2014). <a href="https://doi.org/10.1080/17550874.2013.783642">Vertical distance from drainage drives floristic composition changes in an Amazonian rainforest. </a><em>Plant Ecology &amp; Diversity, 7</em>(1–2), 241–253.</p>



<p>[17] Egler, S. (1992). <a href="https://doi.org/10.1159/000156644">Feeding ecology of <em>Saguinus bicolor</em> <em>bicolor </em>(Callitrichidae: Primates) in a relict forest in Manaus, Brazilian Amazonia</a>. <em>Folia Primatologica</em>,<em>59</em>(2), 61-76. </p>



<p>[18] INPE. (2023). <em>T</em><a href="https://terrabrasilis.dpi.inpe.br/downloads/"><em>erraClass- Mapa das classes de uso e cobertura da terra</em> </a>.</p>



<p>[19] Soares-Filho, B., Alencar, A., Nepstad, D., Cerqueira, G., Diaz, M. D. C. V., Rivéro, S., Solórzano, L., &amp; Voll, E. (2004). <a href="https://doi.org/10.1111/j.1529-8817.2003.00769.x">Simulating the response of land-cover changes to road paving and governance along a major Amazon highway: the Santarém–Cuiabá corridor</a>. <em>Global Change Biology, 10</em>, 745–764. </p>



<p>[20] Hawker, L., &amp; Neal, J. (2021). <a href="https://doi.org/https://doi.org/10.5523/bris.25wfy0f9ukoge2gs7a5mqpq2j7"><em>FABDEM 1.0</em> </a></p>



<p>[21] Naidoo, R., Balmford, A., Ferraro, P. J., Polasky, S., Ricketts, T. H., &amp; Rouget, M. (2006). <a href="https://doi.org/10.1016/j.tree.2006.10.003">Integrating economic costs into conservation planning</a>. <em>Trends in Ecology &amp; Evolution</em>,<em>21</em>(12), 681-687. </p>



<p>[22] Wilson, K. A., Cabeza, M., &amp; Klein, C. J. (2009). Fundamental concepts of spatial conservation prioritiation. In A. Moilanen, K. A. Wilson, &amp; H. P. Possingham (Eds.), <em>Spatial Conservation Prioritization: Quantitative Methods &amp; Computational Tools</em> (pp. 16-27). Oxford University Press.</p>



<p>[23] Esta série é uma tradução de Albernaz, A.L., M.C. Thalês, M. Gordo, D. Lagroteria, T.V. Sobroza, W.E. Magnusson, P.M. Fearnside, L. Jerusalinsky, R.B. de Azevedo, R.B. Castro, D. Campista, W.R. Spironello &amp; M. Noronha. 2026.<a href="https://doi.org/10.1016/j.jnc.2025.127069"> Conservation of an endangered Amazonian primate: Priority areas for the pied tamarin (<em>Saguinus bicolor</em>) in Manaus, Brazil. </a> <em>Journal for Nature Conservation</em>, 89: art. 127069. Este estudo foi apoiado pelo RE:WILD (número de subvenção SMA-CCO-G0000000301), proposto e coordenado pelo Instituto Sauim-de-Coleira e com o apoio institucional do Museu Paraense Emílio Goeldi (computadores e softwares para reuniões virtuais e análise de dados). A maior parte dos autores é de instituições locais. Os autores declaram não haver conflito de interesses. Agradecemos os comentários dos três revisores, que contribuíram para o aprimoramento do manuscrito.</p>



<p><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p><strong>Ana Luisa Albernaz </strong>possui Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, e Mestrado e Doutorado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Atualmente é professora e orientadora no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Evolução (PPGBE) e pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi, onde foi Diretora de 2018 a 2022. Tem experiência na área de Ecologia, com ênfase em Ecologia Aplicada, atuando principalmente nos seguintes temas: várzea, Amazônia, biodiversidade, e planejamento para a conservação.</p>



<p><strong>Marcelo Cordeiro Thalês </strong>Possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal Rural da Amazônia, mestrado em Sensoriamento Remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e doutorado em Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Pará. Atualmente é Tecnologista do Museu Paraense Emílio Goeldi. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Sensoriamento Remoto, atuando principalmente nos seguintes temas: sensoriamento remoto, Amazônia, uso da terra, classificação de imagens e dinâmica da paisagem.</p>



<p><strong>Marcelo Gordo</strong> possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), mestrado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e doutorado em Zoologia pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Atualmente é professor Associado da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Tem experiência na área de Ecologia e taxonomia, atuando principalmente nos seguintes temas: Amazônia, conservação, <em>Saguinus bicolor</em>, herpetofauna e mamíferos.</p>



<p><strong>Diogo Lagroteria</strong> possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Paraná, Especialização em manejo de espécies ameaçadas pela University of Kent, Inglaterra, e Mestrado em Ecologia pelo Instituto de Pesquisas Amazônicas (INPA). Atualmente é analista ambiental do ICMBio/MMA, atuando no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (CEPAM), em Manaus, Amazonas. É coordenador executivo do Plano de Ação Nacional para conservação do Sauim-de-coleira e é membro do Grupo de Especialistas em Primatas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). Atua principalmente em temas como conservação e manejo de fauna silvestre ameaçada de extinção, abordando tópicos relacionados, tais como medicina da conservação, elaboração de planos de ação para a proteção de espécies ameaçadas e iniciativas de educação ambiental.</p>



<p><strong>Tainara V. Sobroza </strong>possui Graduação em Bióloga pela Universidade Federal de Santa Maria, e mestrado e doutorado em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Atualmente é bolsista de pós-doutorado no projeto BioTechQuilombo pela iniciativa Amazônia +10. Tem interesse em Mastozoologia, Primatologia e no uso do som como ferramenta para o estudo de espécies, interações e habitats. Atualmente é colaboradora do programa de conservação &#8220;Projeto Sauim-de-Coleira&#8221; vinculado à Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Também colabora com o Centro de Estudos Integrados da Biodiversidade Amazônica (CENBAM) realizando inventários e monitoramento de primatas e outros grupos de mamíferos. Tem experiência com curadoria de dados acústicos e bancos de dados de projetos de longa duração.</p>



<p><strong>William E. Magnusson </strong>possui graduação e doutorado em Ciências Biológicas pela Universidade de Sydney, Austrália. Atualmente é pesquisador titular III do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e bolsista de produtividade do CNPq nível 1B, tendo publicado &gt;250 artigos sobre uma ampla variedade de grupos taxonômicos. Ele tem interesse especial em desenhos amostrais multidisciplinares.</p>



<p><strong>Philip Martin Fearnside </strong>é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 800 publicações científicas e mais de 800 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis <a href="http://philip.inpa.gov.br">aqui</a>.</p>



<p><strong>Leandro Jerusalinsk</strong> possui Bacharel em Ciências Biológicas, Mestrado em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Doutorado em Ciências Biológicas &#8211; Zoologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPB). Atualmente é Analista Ambiental no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ele é Coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (ICMBio/CPB), e é Presidente Adjunto do Grupo Especialista em Primatas (PSG) da Comissão para a Sobrevivência de Espécies (SSC) da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Suas principais áreas de atuação são Conservação de Primatas, Primatologia, Planejamento Estratégico para a Conservação, Gestão Estratégica e Biologia da Conservação.</p>



<p><strong>Renata Bocorny de Azevedo</strong> possui Graduação em Ciências Biológicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), especialização em Animais Silvestres com ênfase em Conservação na Amazônia, pela Universidade Federal Rural da Amazônia, e mestrado em Zoologia também pela PUC-RS. Atualmente é Analista Ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), lotada no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB). Tem experiência na área de Zoologia, com ênfase em Etologia, Ecologia e Conservação de Primatas e na área de gestão ambiental.</p>



<p><strong>Rodrigo Baia Castro</strong> possui graduação em Licenciatura Plena em Ciências Naturais pela Universidade do Estado do Pará, graduação em Sistemas de Informação pela Universidade Federal do Pará, e bacharelado em Direito pela faculdade Estacio de Castanhal. Possui especialização em Educação Social para a Juventude pela Universidade do Estado do Pará, mestrado em Zoologia pela Universidade Federal do Pará, e doutorado em biodiversidade pelo Museu Emilio Goeldi. Possui experiência em sensoriamento remoto, modelos de distribuição de espécies, as ameaças à biodiversidade e a priorização espacial para a conservação.</p>



<p><strong>Dayse Campista</strong> possua graduação em Bióloga pela Universidade Gama Filho(UGF), mestrado em ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Possui habilidades em educação ambiental, gestão de parques zoológicos, manejo dos recursos naturais e gestão ambiental. Atualmente, Diretora Executiva do Instituto Sauim-de-coleira e coordenadora do Programa de Educação Ambiental &#8220;Sauim na Escola&#8221;.</p>



<p><strong>Wilson Roberto Spironello</strong> possui graduação em Ecologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e doutorado em Biologia pela Universidade de Cambridge, Inglaterra. Desde 2023 é pesquisador no Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA). De 2002-2023 foi pesquisador no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Foi presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia (2014-2015) e do Instituto Sauim-de-coleira (2022-2023). Possui experiência em ecologia de primatas e com a ecologia e monitoramento de mamíferos terrestres de médio e grande porte.</p>



<p><strong>Maurício de Almeida Noronha</strong> possui graduação em Ciências Biológicas e especialização em Manejo de Animais Silvestres pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e Mestrado em Ciências Ambientais e Florestais pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). As suas pesquisas focam em mastofauna do bioma Amazônia, com ênfase em primatas.</p>
<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/areas-para-a-conservacao-do-sauim-de-coleira-simbolo-de-manaus-2-area-do-estudo-e-preparacao-dos-dados/">Áreas para a conservação do sauim-de-coleira, símbolo de Manaus – 2: área do estudo e preparação dos dados</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
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		<title>Suspensão de desintrusão na TI Uru-Eu-Wau-Wau reacende tensão fundiária</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Nicoly Ambrosio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 20:43:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Lideranças indígenas temem aumento de ameaças após suspensão determinada pelo ministro Gilmar Mendes; conflito envolve assentamentos criados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) dentro da área demarcada em Rondônia</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Manaus (AM) &#8211; </strong>A recente decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu a desintrusão em parte da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau reacendeu o alerta entre lideranças indígenas sobre novas ameaças ao território, localizado em Rondônia. A medida interrompe um processo de desintrusão <a href="https://www.gov.br/casacivil/pt-br/assuntos/noticias/2025/setembro/governo-do-brasil-inicia-forca-tarefa-em-defesa-dos-povos-indigenas-na-terra-indigena-uru-eu-wau-wau-ro" target="_blank" rel="noreferrer noopener">iniciado em setembro de 2025 pelo Governo Federal,</a> que previa a retirada de ocupantes não indígenas da área para garantir a preservação do território e das formas de vida dos povos que vivem na região, entre eles os Jupaú (Uru-Eu-Wau-Wau), Amondawa, Oro Win, Juma e ao menos cinco grupos isolados.</p>



<p>A <a href="https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/02/26/gilmar-mendes-suspende-desintrusao-da-terra-indigena-uru-eu-wau-wau-comemorada-pelo-governo-lula.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">desintrusão foi paralisada</a> no PAD (Projeto de Assentamento Dirigido) Burareiro e PA (Projeto de Assentamento) Jaru-Uaru, além da Gleba Novo Destino, sob forte pressão política do deputado federal Lúcio Mosquini (MDB-RO), do senador Marcos Rogério (PL-RO) e da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que alegam violações de direitos nas ações de desintrusão e contestam a forma como a região foi demarcada e colonizada nos anos 1970 e 1980.</p>



<p>A <a href="https://www.tudorondonia.com/noticias/mosquini-comemora-suspensao-de-desintrusao-na-ti-uru-eu-wau-wau,154591.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mobilização dos parlamentares em Brasília</a> foi conjunta entre diálogos com STF, com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), além de manter diálogo constante com produtores e entidades representativas em Rondônia.&nbsp; Em outubro de 2025, a <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2025/10/22/cdh-aprova-diligencia-para-investigar-desapropriacoes-em-rondonia" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado aprovou uma diligência </a>para investigar supostas violações de direitos durante as ações de desintrusão do governo federal no território indígena. O problema, segundo o pedido do senador Marcos Rogério, ocorre nos municípios de São Miguel do Guaporé e Alvorada d’Oeste.&nbsp;</p>



<p>De acordo com senador, embora tenham títulos de prioridade e escrituras dos terrenos há mais de 50 anos, os produtores rurais estão sendo removidos “por erros cometidos por órgãos federais”. O parlamentar afirma que as demarcações das terras indígenas realizadas Funai e Incra “resultaram em sobreposição de áreas”.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/marcos-rogerio.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/marcos-rogerio-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-171933" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/marcos-rogerio-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/marcos-rogerio-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/marcos-rogerio-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/marcos-rogerio-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/marcos-rogerio-2048x1365.jpg 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/marcos-rogerio-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>O senador Marcos Rogério (PL-RO) (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado).</sub></em></figcaption></figure>



<p>A Apib e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) <a href="https://apiboficial.org/2026/03/03/liderancas-indigenas-reivindicam-a-continuidade-da-desintrusao-da-ti-uru-eu-wau-wau-em-rondonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">denunciaram que a suspensão da desintrusão atende a pressões de parlamentares de Rondônia </a>e é impulsionada por campanhas de desinformação.&nbsp;</p>



<p>A desintrusão é a retirada de pessoas que ocupam de forma ilegal uma área. <a href="https://www.gov.br/secretariageral/pt-br/desintrusao-tiatb/perguntas-frequentes" target="_blank" rel="noreferrer noopener">No caso das terras indígenas</a>, é uma medida para retirar ocupantes não indígenas; entre eles, invasores, grileiros ou garimpeiros ilegais de territórios já demarcados e homologados pela União. A ação visa restaurar a posse plena aos povos originários, combater crimes ambientais e garantir a integridade física dos indígenas.</p>



<p>Na <a href="https://www.gov.br/casacivil/pt-br/assuntos/noticias/2025/novembro/primeira-fase-de-operacao-na-ti-uru-eu-wau-wau-impoe-prejuizo-de-r-7-5-milhoes-a-infratores" target="_blank" rel="noreferrer noopener">primeira fase da operação de desintrusão da TI Uru-Eu-Wau-Wau</a>, concluída em novembro de 2025, o governo federal afirmou que foram realizadas notificações a ocupantes irregulares da terra indígena, seguindo o devido protocolo e sendo concedido prazo para desocupação.</p>



<p>Por causa da decisão do ministro Gilmar Mendes, essas ações estão integralmente paralisadas. Durante a primeira fase da desintrusão, o governo também executou controle e fiscalização do território, diálogo com comunidades e agricultores, notificações, reconhecimento e patrulhamento ostensivo por meio terrestre e aéreo. O prejuízo a atividades ilegais foi de R$ 7,5 milhões, entre multas aplicadas e destruição de materiais encontrados em garimpo ilegal e outras atividades irregulares.</p>



<p>Bitaté Uru-Eu-Wau-Wau, liderança indígena e presidente da Associação do Povo Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, expressou preocupação de que a suspensão abra espaço para que invasores se sintam livres para permanecer e ampliar atividades ilegais dentro do território indígena. Segundo a liderança, o território nunca deixou de sofrer pressões, embora a atuação de órgãos de fiscalização tenha reduzido parte das invasões em determinados momentos.</p>



<p>Na avaliação de Bitaté, a decisão do ministro Gilmar Mendes gera insegurança entre os indígenas, que temem o aumento da grilagem, do desmatamento, caça ilegal e da exploração de recursos como a castanha, atividades que afetam diretamente o modo de vida e o sustento das comunidades.</p>



<p>“Vai ter mais ameaça aos indígenas e também às pessoas que aqui trabalham, como os funcionários da própria Funai. [A suspensão da desintrusão] aumenta as ameaças no território. A gente pensa em tirar esses invasores o mais rápido possível, porque eles continuam desmatando, continua a grilagem, os invasores continuam fazendo pressão. A decisão do ministro foi uma surpresa para nós indígenas”, relatou a liderança em entrevista à <strong>Amazônia Real.</strong></p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Operacao-de-Desintrusao-da-Terra-Indigena-Uru-Eu-Wau-Wau-PF-20230.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="576" data-id="171624" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Operacao-de-Desintrusao-da-Terra-Indigena-Uru-Eu-Wau-Wau-PF-20230.jpeg" alt="" class="wp-image-171624" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Operacao-de-Desintrusao-da-Terra-Indigena-Uru-Eu-Wau-Wau-PF-20230.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Operacao-de-Desintrusao-da-Terra-Indigena-Uru-Eu-Wau-Wau-PF-20230-300x225.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Operacao-de-Desintrusao-da-Terra-Indigena-Uru-Eu-Wau-Wau-PF-20230-150x113.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Operacao-de-Desintrusao-da-Terra-Indigena-Uru-Eu-Wau-Wau-PF-20231.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="576" data-id="171625" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Operacao-de-Desintrusao-da-Terra-Indigena-Uru-Eu-Wau-Wau-PF-20231.jpeg" alt="" class="wp-image-171625" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Operacao-de-Desintrusao-da-Terra-Indigena-Uru-Eu-Wau-Wau-PF-20231.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Operacao-de-Desintrusao-da-Terra-Indigena-Uru-Eu-Wau-Wau-PF-20231-300x225.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Operacao-de-Desintrusao-da-Terra-Indigena-Uru-Eu-Wau-Wau-PF-20231-150x113.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /></a></figure>
</figure>



<p><em><sub>Operação de Desintrusão da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau (Fotos Polícia Federal/Ascom).</sub></em></p>



<p>A decisão de Mendes foi tomada por meio da Petição 9.585, relatada pelo ex-ministro do STF Luiz Roberto Barroso, antes a petição estava vinculada à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709. A ADPF 709 foi ajuizada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) em 2020, com objetivo de proteger os povos indígenas durante a pandemia de Covid-19. Em setembro, <a href="https://www.gov.br/casacivil/pt-br/assuntos/noticias/2025/outubro/governo-federal-cumpre-metas-de-protecao-a-indigenas-e-stf-encerra-acao" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o Supremo encerrou a ADPF 709</a> e manteve a Petição 9.585 de forma autônoma para garantir a conclusão das desintrusões em terras indígenas e a manutenção da saúde indígena.</p>



<p>Além da TI Uru-Eu-Wau-Wau, a ação previa operações de desintrusão em outras sete terras indígenas: Terra Indígena Apyterewa (PA), Terra Indígena Trincheira Bacajá (PA), Terra Indígena Karipuna (RO), Terra Indígena Munduruku (PA), Terra Indígena Arariboia (MA), Terra Indígena Kayapó (PA) e Terra Indígena Yanomami (RR e AM).</p>



<p>De acordo com a indigenista Ivaneide Bandeira, a Neidinha, liderança da <a href="http://www.kaninde.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, as consequências</a> da suspensão da desintrusão aumentam as invasões na terra indígena e ameaçam a vida dos indígenas e seus aliados. “O aumento das invasões e ameaças aos indígenas se acentuaram com a decisão da suspensão da desintrusão”, denunciou Neidinha.</p>



<p><strong>Território ameaçado</strong></p>



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            </ul>
        </div>
        
    </div>
</div></div>



<p>A TI Uru-Eu-Wau-Wau, mesmo demarcada e homologada desde 1991, é um dos territórios <a href="https://amazoniareal.com.br/pf-desmonta-esquema-de-grilagem-que-causou-prejuizo-ambiental-de-r-22-mi-na-terra-dos-indios-uru-eu-wau-wau/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mais pressionados por crimes ambientais na Amazônia.</a> Em abril de 2020, o professor e líder indígena Ari Uru-Eu-Wau-Wau <a href="https://amazoniareal.com.br/acusado-de-matar-ari-uru-eu-wau-wau-e-condenado-a-18-anos-de-prisao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">foi assassinado</a> por fazer parte da equipe de vigilantes Guardiões da Floresta, que protege o território indígena e combate invasões de madeireiros e grileiros.</p>



<p>O documentário <a href="https://amazoniareal.com.br/doc-o-territorio/">“O Território”</a> (2022), vencedor do Emmy 2024, contou a história de resistência dos Uru-Eu-Wau-Wau para proteger suas terras contra invasores, garimpeiros e madeireiros.</p>



<p>As ações de desintrusão na região foram alvo de diversos episódios de desinformação nas redes sociais, <a href="https://www.mpf.mp.br/o-mpf/unidades/pr-ro/noticias/mpf-apura-noticias-falsas-sobre-retirada-de-invasores-da-terra-indigena-uru-eu-wau-wau-ro" target="_blank" rel="noreferrer noopener">segundo investigação do Ministério Público Federal (MPF). </a>Além das práticas de fake news, a investigação apontou obstrução às atividades dos órgãos públicos e incitação de ilícitos contra povos indígenas de Rondônia.&nbsp;</p>



<p>No documento, o MPF relata que acompanhou notícias veiculadas pela imprensa local de que agricultores estariam sendo “expulsos” de terras por ocasião da desintrusão da TI Uru-Eu-Wau-Wau, sem que sejam expostas as devidas contextualizações de que as propriedades estão sobrepostas ao território indígena.&nbsp;</p>



<p>Em resposta enviada à reportagem, o MPF limitou-se a informar que a investigação em questão é sigilosa e não pode prestar mais esclarecimentos.&nbsp;</p>



<p>A Apib e a Coiab afirmaram que a continuidade das operações é indispensável para garantir a vida e a integridade do território. “A suspensão é um retrocesso, pois ocorre justamente quando o país retoma demarcações, portarias declaratórias e políticas de proteção territorial. Havia um diálogo em curso, com levantamentos para indenização e reassentamento de ocupantes de boa-fé, e a decisão interrompe o processo que garantiria o pleno usufruto do povo Uru-Eu-Wau-Wau e a proteção de povos isolados”, disse Kleber Karipuna, coordenador-executivo da Apib.</p>



<p><strong>Grilagem e pastagem</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/50354741656_064ff39232_k.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/50354741656_064ff39232_k-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-171947" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/50354741656_064ff39232_k-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/50354741656_064ff39232_k-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/50354741656_064ff39232_k-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/50354741656_064ff39232_k-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/50354741656_064ff39232_k-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/50354741656_064ff39232_k.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Gado em campo desmatado com muita fumaça das queimadas, em área próxima da TI Uru-Eu-Wau-Wau (Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real/2023).</sub></em></figcaption></figure>



<p></p>



<p>O cenário de conflitos marcados por invasões e desmatamento na TI Uru-Eu-Wau-Wau está ligado a um impasse fundiário que envolve assentamentos criados pelo Incra dentro do território posteriormente reconhecido como terra indígena, nos anos 1970 e 1980.</p>



<p>Um desses locais é a região do PAD Burareiro, que fez parte dos projetos de colonização na Amazônia Ocidental conduzidos pelo Incra nos anos 1970, antes do processo de demarcação da TI Uru-Eu-Wau-Wau, iniciado em 1985. O assentamento <a href="https://amazoniareal.com.br/pad-burareiro-como-terra-indigena/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">é uma área reivindicada como ancestral pelos indígenas há pelo menos 40 anos</a>, mas a&nbsp; medida de desintrusão do Governo Federal para a TI Uru-Eu-Wau-Wau não inclui o local, apesar de a área já estar identificada como território indígena.</p>



<p>Para Bitaté Uru-Eu-Wau-Wau, a área de PAD Burareiro acabou se tornando um dos principais pontos de entrada de invasores no território, funcionando como uma espécie de “porta de acesso” para atividades ilegais, como desmatamento para criação de gado, grilagem de terras e exploração de recursos naturais.&nbsp;</p>



<p>“A gente fica muito muito preocupado com o que está acontecendo. O território nunca saiu das pressões. Só que com a desintrusão deu uma diminuída, vamos dizer assim. Mas continua crescendo e com a suspensão do ministro, isso vai aumentando mais. O PAD Burareiro e a Gleba Novo Destino, do outro lado do território, são pontos cruciais onde os invasores estão entrando”, relatou.</p>



<p>Sobre a situação fundiária do território, a liderança explica que é marcada por sobreposições e por erros históricos no processo de ocupação e regularização da área. Segundo ele, a região está dentro de uma terra indígena que já foi demarcada e homologada, mas, mesmo assim, parte do território acabou sendo destinada a assentamentos rurais pelo Incra.</p>



<p>“Eles [Incra e outros órgãos públicos] alegavam que não tinha indígena, mas sempre teve [indígena] na PAD Burareiro. Sempre teve pessoas ali, inclusive de recente contato”, declarou Bitaté.</p>



<p>De acordo com Biteré, no PA Jaru-Uaru, criado em 1987, o Incra teria cometido um erro nas coordenadas, sobrepondo cerca de 1,6 mil hectares à área indígena. Já na Gleba Novo Destino, um estudo realizado em 2021 pela Funai sugeriu a alteração do chamado “Marco 26” da terra indígena para respeitar os limites do assentamento, como forma de corrigir um conflito interno entre órgãos federais.</p>



<p>Ele afirma que essas sobreposições territoriais criaram um cenário de conflito permanente. A expectativa era de que a conciliação&nbsp; mediada pelo CNJ solucionasse o impasse fundiário, mas o processo também acabou sendo afetado pela suspensão determinada pelo ministro Gilmar Mendes.</p>



<p>A questão do PAD Burareiro está sendo discutida&nbsp; desde agosto de 2025 no âmbito da Comissão Nacional de Solução Fundiária do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), responsável por mediar conflitos territoriais e construir soluções pactuadas para a retirada dos ocupantes, seja por indenização ou por realocação.&nbsp;</p>



<p><strong>O que dizem as autoridades e os produtores rurais</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Operacao-de-Desintrusao-da-Terra-Indigena-Uru-Eu-Wau-Wau-Foto-Censipam.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="614" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Operacao-de-Desintrusao-da-Terra-Indigena-Uru-Eu-Wau-Wau-Foto-Censipam-1024x614.jpg" alt="" class="wp-image-171621" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Operacao-de-Desintrusao-da-Terra-Indigena-Uru-Eu-Wau-Wau-Foto-Censipam-1024x614.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Operacao-de-Desintrusao-da-Terra-Indigena-Uru-Eu-Wau-Wau-Foto-Censipam-300x180.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Operacao-de-Desintrusao-da-Terra-Indigena-Uru-Eu-Wau-Wau-Foto-Censipam-768x461.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Operacao-de-Desintrusao-da-Terra-Indigena-Uru-Eu-Wau-Wau-Foto-Censipam-1536x922.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Operacao-de-Desintrusao-da-Terra-Indigena-Uru-Eu-Wau-Wau-Foto-Censipam-150x90.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Operacao-de-Desintrusao-da-Terra-Indigena-Uru-Eu-Wau-Wau-Foto-Censipam.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Operação de Desintrusão da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau (Foto Censipam).</sub></em></figcaption></figure>



<p>O CNJ <a href="https://www.tjro.jus.br/noticias/mais-noticias/cnj-faz-visita-tecnica-para-mediar-conflito-entre-terra-indigena-uru-eu-wau-wau-e-pad-burareiro" target="_blank" rel="noreferrer noopener">realizou a primeira reunião técnica na região no final de outubro de 2025.</a> Segundo a Apib, o Incra apresentou plano de retirada durante a reunião de mediação, mas a suspensão integral da desintrusão enfraquece o monitoramento da TI e compromete a busca por uma solução estruturada para o conflito.&nbsp;</p>



<p>Neidinha Suruí afirma que apenas cerca de 14 mil hectares do PAD Burareiro estão sobrepostos à terra indígena. Nesses casos, a proposta discutida nas negociações mediadas pelo CNJ prevê que as famílias sejam indenizadas pelas benfeitorias realizadas e posteriormente realocadas para áreas fora do território indígena. Ela também avalia que o contexto político pode influenciar o ritmo das decisões. “Como estamos em meio a um ano eleitoral, minha impressão é que deixarão para fazer isto [conciliação] depois das eleições”, disse.</p>



<p>Procurado pela reportagem, o CNJ não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta reportagem.</p>



<p>Em <a href="https://www.gov.br/incra/pt-br/assuntos/noticias/nota-oficial-sobre-a-desintrusao-da-terra-indigena-uru-eu-wau-wau" target="_blank" rel="noreferrer noopener">nota oficial divulgada</a> em outubro de 2025, durante as operações de desintrusão no território, o Incra declarou que reconhece os limites geográficos do território indígena constantes e esclareceu que o PAD Burareiro foi criado em 1975, antes da demarcação da terra indígena. A instituição afirmou ainda que eventuais erros técnicos que possam ter sido cometidos pela instituição no passado, em relação à observância dos limites da terra indígena nos processos de titulação, terão tratamento na forma da legislação vigente, sem prejuízo às partes envolvidas.&nbsp;</p>



<p>O ministro Gilmar Mendes deu um prazo para que a Advocacia-Geral da União (AGU) prestasse esclarecimentos precisos sobre o cronograma e as propostas de solução para essas áreas de sobreposição. A Funai também foi intimada a apresentar levantamentos topográficos para a possível realocação de marcos de fronteira. Em resposta enviada à <strong>Amazônia Real</strong>, a AGU informou que já apresentou os esclarecimentos nos autos, mas o processo tramita sob sigilo.</p>



<p>Procurado pela reportagem, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) declarou que o processo de desintrusão da TI Uru-Eu-Wau-Wau aconteceu dentro dos parâmetros traçados para cumprir a determinação do STF no âmbito da ADPF 709.&nbsp; A pasta reiterou que a primeira fase da desintrusão atendeu à expectativa prevista no cronograma e não houve nenhuma alteração ou suspensão daquele processo.&nbsp; Disse ainda que o detalhamento das ações de setembro a novembro de 2025 foi apresentado à Suprema Corte em dezembro do mesmo ano.</p>



<p>Sobre a sobreposição entre áreas de assentamentos do Incra com a área do território indígena, o MPI reforçou que o caso está sendo tratado de “maneira cautelosa” pelos órgãos públicos competentes. Por fim, o MPI afirmou que atua juntamente com os demais órgãos do governo federal na pós-desintrusão da TI Uru-Eu-Wau-Wau para garantir a proteção dos povos indígenas da região, incluindo povos isolados.</p>



<p>Também procurada, a Funai informou que trabalha em conjunto e em alinhamento com o Governo Federal e o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) para o processo de desintrusão da TI Uru-Eu-Wau-Wau.</p>



<p>Em outubro de 2025, a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Rondônia (FETAGRO) <a href="https://fetagro.org.br/nota-de-solidariedade-em-defesa-das-familias-agricultoras-do-pad-burareiro-jaruaru-de-jaru-e-da-linha-106-norte-entre-alvorada-do-oeste-e-sao-miguel-do-guapore-pela-dignidade-no/">divulgou uma nota de apoio às famílias do PAD Burareiro</a> afetada pela desintrusão. A nota diz que é fundamental que as ações de desintrusão sejam imediatamente suspensas, até que haja diálogo efetivo, transparência e a construção conjunta de soluções justas, garantindo indenização adequada e condições dignas para as famílias que, por força de decisão administrativa ou judicial, precisarem deixar suas propriedades por estarem sobre áreas de Terra Indígena (TI).”</p>



<p>A associação dos produtores rurais do PA Jaru-Uaru recebeu apoio do deputado Lúcio Mosquini contra a desintrusão. Em outubro de 2025, ele declarou que a Funai estava notificando famílias assentadas pelo Incra a deixarem suas propriedades, com presença de policiais fortemente armados, como forma de intimidação.</p>



<p>“Ontem tinha um produtor rural lá tirando leite, chegou uma caminhonete, com 4 policiais, com metralhadora para tirar o cara que estava plantando, que estava tirando leite. Mas nós precisamos defender todos os dias esse agricultor que está aí. Nós não podemos admitir, isso não pode acontecer. Está acontecendo lá, mas um dia pode acontecer com você que está aí. Lá no Jaru-Uaru, o Incra entrou na terra dos Uru-Eu-Wau-Wau. Eles não são invasores, eles são produtores rurais”, disse Mosquini na ocasião, <a href="https://www.instagram.com/reels/DPXjszXkVoq/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">conforme postagem em rede social</a>.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-LUTA-DO-POVO-URU-EU-WAU-WAU-NEIDE-BANDEIRA.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="557" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-LUTA-DO-POVO-URU-EU-WAU-WAU-NEIDE-BANDEIRA-1024x557.jpg" alt="" class="wp-image-171620" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-LUTA-DO-POVO-URU-EU-WAU-WAU-NEIDE-BANDEIRA-1024x557.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-LUTA-DO-POVO-URU-EU-WAU-WAU-NEIDE-BANDEIRA-300x163.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-LUTA-DO-POVO-URU-EU-WAU-WAU-NEIDE-BANDEIRA-768x417.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-LUTA-DO-POVO-URU-EU-WAU-WAU-NEIDE-BANDEIRA-1536x835.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-LUTA-DO-POVO-URU-EU-WAU-WAU-NEIDE-BANDEIRA-150x82.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-LUTA-DO-POVO-URU-EU-WAU-WAU-NEIDE-BANDEIRA.jpg 1987w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Painel fotográfico &#8220;A Luta do Povo Uru-Eu-Wau-Wau para a exposição A Selva que nos Habita (Fotos de Neide Bandeira).</sub></em></figcaption></figure>
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		<title>Amazônia em marcha: o feminicídio que o Estado não vê</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Nicoly Ambrosio]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Mar 2026 19:16:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[8 de Março]]></category>
		<category><![CDATA[Amazonas]]></category>
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		<category><![CDATA[segurança pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mulheres indígenas, negras e ribeirinhas tomaram as ruas de Manaus no 8 de março para denunciar o feminicídio e as violências invisibilizadas na Amazônia — onde a taxa de mortes é 69% maior que a média nacional</p>
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<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>





<p><strong>Manaus (AM) &#8211; </strong>Vanda Witoto, liderança indígena, pediu a palavra e disse um nome: Shirley Baré. Multiartista, educadora e referência entre as juventudes indígenas do rio Negro, a jovem <a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/02/mortes-retomou-raizes-indigenas-e-traduziu-resistencia-em-arte.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ancestralizou em 1° de dezembro de 2025</a>, aos 27 anos. A morte de Shirley reflete um ciclo de violências que se repetem contra as mulheres no Brasil: racismo, assédios, estupros, agressões físicas, verbais e patrimoniais. Crimes que o Estado trata como se fossem inevitáveis.</p>



<p>Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o nome de Shirley ecoou pelas ruas do centro de Manaus junto de centenas de outros &#8211; grafados em bandeiras e faixas, colados em cartazes, gritados em coro. A IV Marcha das Mulheres Indígenas de Manaus e Entorno e o Ato Contra o Feminicídio e as Violências que o Estado Não Vê reuniram mulheres de ao menos 16 povos indígenas, além de feministas negras, quilombolas e ribeirinhas, numa caminhada organizada pelo Fórum Permanente de Mulheres do Amazonas (FPMA) e pela Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime).&nbsp;</p>



<p>O Amazonas é o Estado com os índices mais altos de violência letal contra mulheres de toda a Amazônia, que incluem feminicídio e homicídio doloso feminino. A taxa chega a 6,4 mortes a cada 100 mil mulheres &#8211; 69% acima da média nacional, que é de 3,8 por 100 mil, segundo o estudo <a href="https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2023/11/cartografias-violencia-amazonia-ed2.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cartografias da Violência na Amazônia</a>, divulgado em 2024 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com o Instituto Mãe Crioula. No Brasil, 2025 terminou com <a href="https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2026/03/nota-tecnica-dia-mulher-2026.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">1.568 mulheres mortas por feminicídio</a> &#8211; crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. A cada 4 horas, uma mulher é assassinada no País.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Marcha-das-Mulhes-8-de-marco-Manaus-Foto-Alberto-Cesar-Araujo-AR-6.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Marcha-das-Mulhes-8-de-marco-Manaus-Foto-Alberto-Cesar-Araujo-AR-6-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-171756" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Marcha-das-Mulhes-8-de-marco-Manaus-Foto-Alberto-Cesar-Araujo-AR-6-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Marcha-das-Mulhes-8-de-marco-Manaus-Foto-Alberto-Cesar-Araujo-AR-6-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Marcha-das-Mulhes-8-de-marco-Manaus-Foto-Alberto-Cesar-Araujo-AR-6-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Marcha-das-Mulhes-8-de-marco-Manaus-Foto-Alberto-Cesar-Araujo-AR-6-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Marcha-das-Mulhes-8-de-marco-Manaus-Foto-Alberto-Cesar-Araujo-AR-6-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Marcha-das-Mulhes-8-de-marco-Manaus-Foto-Alberto-Cesar-Araujo-AR-6.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Ato contra o feminicídio e pelo fim da violência contra às mulheres, em Manaus, marcou o 8 de março, Dia Internacional da Mulher no centro histórico (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real/2026).</sup></em></figcaption></figure>



<p>Já a taxa de feminicídios nos municípios da Amazônia Legal foi de 1,8 para cada 100 mil mulheres, 28,6% superior à média nacional, que foi de 1,4 por 100 mil. Diferente dos outros Estados, os casos de feminicídios são invisibilizados na região que compreende os Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Roraima, Rondônia, Pará e Tocantins.&nbsp;</p>



<p>Dineva Maria Kayabi, coordenadora-tesoureira da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e indígena do povo Kayabi, do Mato Grosso, marchou ao lado de mulheres Mura, Tikuna, Kokama, Apurinã, Sateré-Mawé, Tukano, Warao, Munduruku, Desana, Kambeba, Juma, Makuxi, Baré, Miranha e Maraguá. Para ela, estar ali é um ato de sobrevivência política.</p>



<p>“Se a gente não dá a nossa voz, o Estado não vê, o Estado não ouve. Estamos com um alto índice de feminicídio no território e o Estado fica calado. O governo acha que [violência] é cultura e para nós, isso não é cultura. Para nós, isso é preocupante. Hoje está sendo de suma importância, porque nós mulheres lutamos para estar nesses espaços. Principalmente agora que vem as eleições, e aqui está a voz das mulheres que também vão competir nesses cargos tão importantes para não retroceder nossos direitos”, disse a liderança.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Urgência da vida</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-56.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-56-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-171688" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-56-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-56-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-56-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-56-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-56.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Mulheres Indígenas e não indígenas marcham juntas durante o 8 de março em Manaus (Foto: Juliana Pesqueira/ Amazônia Real/2026).</sup></em></figcaption></figure>



<p>O novo boletim <a href="https://drive.google.com/file/d/1VEW9MxAI_aw8zN_XIbNMcLjtKX9jGnQP/view" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“Elas Vivem: a urgência da vida”</a>, lançado em 6 de março pela Rede de Observatórios da Segurança, indica que, ao todo, foram registradas 4.558 vítimas de algum tipo de violência em 2025, como feminicídio, estupro, tortura, agressão verbal, agressão física e cárce privado. A taxa representa um aumento de 9% em relação a 2024. No Amazonas, foram registrados 1.023 casos de violência. As tentativas de feminicídio e agressões físicas registraram 383 casos, sendo que 92,3% dos feminicídios estão sem registro de raça e cor.</p>



<p>O estudo destacou de maneira preocupante o aumento dos casos de violência sexual ou estupro. Os registros saltaram de 602 para 961 casos, um crescimento de 56,6%. O perfil das vítimas revelou que 56,5% das vítimas eram crianças e adolescentes de 0 a 17 anos. Em relação a violência sexual, os números no Amazonas são de 353 vítimas, 78,4% eram crianças e adolescentes, entre as quais cinco meninas indígenas.</p>



<p>Uma das organizadoras do ato, a feminista negra Regina de Benguela, vice-presidente da União de Negras e Negros pela Igualdade do Amazonas (Unegro Amazonas), destacou a luta das mulheres negras, indígenas, quilombolas e ribeirihas de Manaus por direitos e igualdade de gênero. Ela também pediu por leis mais severas no combate às violências.</p>



<p>“A gente precisa de direitos, de igualdade de gênero, de respeito. Não é possível uma mulher ser assassinada só porque é uma mulher. O homem te bate, o homem te estupra, o homem te violenta. O feminicídio é o fechamento do ciclo. Precisa de leis firmes. A Maria da Penha é uma lei robusta, moderna, inclusive, imitada por outros países, mas estruturalmente ela é muito mal aplicada no Brasil. O homem mata, é detido, chega na delegacia, dá o depoimento dele e sai pela porta da frente como se nada tivesse acontecido. E quem morreu? Quem perdeu a vida? Foi a mulher!”, disse Benguela.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Violência que não cessa</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-93.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-93-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-171725" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-93-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-93-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-93-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-93-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-93.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Mulheres Indígenas e não indígenas marcham juntas durante o 8 de março em Manaus (Foto: Juliana Pesqueira/ Amazônia Real/2026).</sup></em></figcaption></figure>



<p>A impunidade tem endereço no Amazonas. Em setembro de 2025, o Conselho Permanente de Justiça Militar do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) <a href="https://amazoniareal.com.br/pms-absolvidos-assassinato-deusiane-pinheiro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">absolveu o réu Elson Santos de Brito pelo assassinato da policial militar Deusiane da Silva Pinheiro. </a>Ela foi morta aos 26 anos dentro da Companhia Fluvial do Batalhão Ambiental, no bairro Tarumã, zona oeste de Manaus, em 1º de abril de 2015. Foram dez anos para que a Justiça chegasse a um veredito. Outros quatro envolvidos, os militares Cosme Moura Sousa, Jairo Oliveira Gomes, Júlio Henrique da Silva Gama e Narcizio Guimarães Neto, que confirmaram a versão do sargento Elson, foram absolvidos por unanimidade do crime de falso testemunho.&nbsp;</p>



<p>Outro caso de repercussão foi o assassinato da artista <a href="https://amazoniareal.com.br/feminicidio-de-julieta/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">venezuelana Julieta Hernández</a>, em dezembro de 2023, em Presidente Figueiredo (AM). O casal acusado pelo crime foi condenado por latrocínio e ocultação de cadáver em 2025. A Justiça não reconheceu o crime de feminicídio.</p>



<p>A feminista Luzanira Varela, integrante do FPMA, trabalha há mais de 40 anos no enfratamento à violência contra as mulheres do Amazonas. Em sua avaliação, as políticas públicas existentes para combater a violência e o feminicídio não são suficientes. A ativista citou como exemplo a construção da Casa da Mulher Brasileira em Manaus, destinada a ser um espaço de acolhimento e atendimento humanizado às mulheres que vivem em situação de violência. <a href="https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2020-2/junho/casa-da-mulher-brasileira-sera-implementada-em-manaus-am" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Anunciada em 2020 pela então ministra Damares Alves,</a> do extinto Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, as instalações da unidade na cidade ainda não ficaram prontas.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-82.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-82-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-171714" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-82-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-82-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-82-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-82-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-82.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Militante feminista Luzanira Varela, integrante do FPMA, durante a marcha do 8 de março (Foto: Juliana Pesqueira/ Amazônia Real/2026).</sup></em></figcaption></figure>



<p>&#8220;Estamos exigindo que as políticas públicas sejam tiradas do papel, que sejam cumpridas as leis que nós conquistamos ao longo de mais de 40 anos de caminhada. A Casa da Mulher Brasileira foi uma ideia do Governo Federal, mas até agora não foi construída, se você for lá, só está com os pilares [de construção], [o terreno] cheio de mato. Eu sonho que no próximo 8 de março, nós estaremos comemorando as nossas conquistas”, disse.</p>



<p>Varela ressaltou ainda a necessidade de reforço da Lei Maria da Penha e da legislação que combate o feminicídio no país. O marco inicial dessa proteção é a Lei nº 13.104/2015, que qualificou o assassinato de mulheres por razões de gênero como crime hediondo, alterando o artigo 121 do Código Penal. Em outubro de 2024, o <a href="https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2024/10/presidente-sanciona-lei-que-amplia-para-ate-40-anos-a-pena-para-casos-de-feminicidio#:~:text=MULHERES-,Presidente%20sanciona%20lei%20que%20amplia%20para%20at%C3%A9%2040,pena%20para%20casos%20de%20feminic%C3%ADdio&amp;text=O%20presidente%20Luiz%20In%C3%A1cio%20Lula,Penal%2C%20de%20at%C3%A9%2040%20anos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Brasil avançou com a Lei nº 14.994, conhecida como “Pacote Antifeminicídio”</a>, que transformou o feminicídio em um tipo penal autônomo e agravou a pena para a maior prevista no Código Penal, de até 40 anos, além incluir novas agravantes e endurecer dispositivos ligados à violência contra a mulher.&nbsp;</p>



<p>A brutalidade dos crimes cometidos na região amazônica preocupa. No Pará, duas <a href="https://amazoniareal.com.br/duplo-feminicidio-no-para/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mulheres quebradeiras de coco-babaçu sofreram feminicídio </a>em Novo Repartimento, região sudeste paraense, dias antes da abertura da COP30. No dia 3 de novembro de 2025, Antônia Ferreira dos Santos, 53 anos, e Marly Viana Barroso, 71, foram brutalmente assassinadas, no que movimentos de mulheres qualificaram como feminicídio, com fortes indícios de violência de gênero, incluindo possíveis agressões sexuais e uso de arma branca. No dia 11 do mesmo mês, a Polícia Civil anunciou a prisão de Danilo Carneiro da Silva, que <a href="https://g1.globo.com/pa/para/videos-jornal-liberal-2-edicao/video/homem-e-preso-suspeito-de-matar-duas-mulheres-em-novo-repartimento-sudeste-do-estado-14093768.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">confessou o duplo feminicídio.&nbsp;</a></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>258%</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-109.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-109-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-171741" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-109-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-109-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-109-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-109-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-109.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Mulheres Indígenas e não indígenas marcham juntas durante o 8 de março em Manaus (Foto: Juliana Pesqueira/ Amazônia Real/2026).</sup></em></figcaption></figure>



<p>Um <a href="https://www.generonumero.media/violencia-contra-mulheres-indigenas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">levantamento inédito da Gênero e Número</a>, divulgado em 2025, apontou que os casos de violência contra mulheres indígenas aumentaram 258% em nove anos, bem acima da média nacional, que foi de 207% para brasileiras de todas as raças no mesmo período. Os dados foram extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, e referem-se a três formas de violência: física, psicológica e sexual.&nbsp;</p>



<p>Danielle Munduruku, professora  da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e liderança do povo Munduruku, afirmou que o ato de protestar contra essas violências nas ruas é uma resposta ao silenciamento das mulheres indígenas. &#8220;Estar aqui é dizer que nós existimos, é uma forma de territorialização. A rua é um lugar de vida, de cultura. Estamos aqui com muitas cores, muitas bandeiras, com muitos grafismos, se unindo ao movimento social. A gente não vem sozinha, com a nossa voz vem a voz da nossa avó, da nossa mãe, da nossa bisavó. É um grito de resistência e é uma tentativa de dizer não a esse número de 258%, que aponta aponta a violência sexual. Continuam invadindo a nossa terra, o nosso corpo, a nossa mãe”, manifestou.</p>



<p>Os registros de violência sexual &#8211; que englobam casos de assédio, estupro, pornografia infantil e exploração sexual &#8211; saltaram para 297%. entre as mulheres indígenas. Metade das vítimas de violência sexual são meninas indígenas menores de 14 anos. Entre os agressores, os companheiros e ex-companheiros se destacam, um padrão que se repete em toda a população brasileira.&nbsp;</p>



<p>Em novembro de 2025, um caso violência sexual&nbsp; <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2025/11/26/adolescente-indigena-e-vitima-de-estupro-coletivo-no-interior-do-am.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">contra uma adolescente indígena do povo Kulina, de 12 anos</a>, chocou as mulheres do movimento indígena do Amazonas. Ela foi vítima de estupro coletivo na comunidade Mapiranga no município de Juruá, interior do Amazonas. Segundo a Polícia Civil, ao menos oito adolescentes, todos do mesmo povo, já foram identificados como suspeitos de envolvimento no caso.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Juventude na luta</strong></h4>



<p>Durante o ato, a juventude de mulheres e meninas se viu representada por centenas de crianças e adolescentes ocupando a manifestação. Taíssa Kambeba, jovem indígena de 15 anos, do povo Kambeba, relatou em entrevista à <strong>Amazônia Real </strong>que desde muita nova acompanha a luta do movimento indígena e das mulheres indígenas por emancipação e conquista de direitos. Ela espera inspirar outras jovens com sua luta.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-92.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-92-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-171724" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-92-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-92-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-92-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-92-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-92.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Taíssa Kambeba durante a marcha do 8 de março em Manaus (Foto: Juliana Pesqueira/ Amazônia Real/2026).</sup></em></figcaption></figure>



<p>“Eu cresci nesse movimento. É um legado que a gente carrega, porque além de ser mulher, a gente é indígena. É muito importante ter essas jovens na luta, para que procurem os seus direitos, para que não passem por coisas ruins. Eu quero que elas saibam os seus direitos. A gente sabe o quanto é difícil ser violada, quando não escutam a gente, quando cometem assédio contra a gente dentro dos nossos próprios territórios. Espero que as jovens possam se aprofundar e se interessar em lutar contra isso”, disse.</p>



<p>A jovem Sarah Munduruku, de 17 anos, do povo Munduruku., também reforçou a participação da juventude no ato. Ela atua como comunicadora da Makira- E’ta &#8211; Rede de Mulheres Indígenas do Estado do Amazonas. “Estamos aqui correndo atrás dos nossos direitos, procurando políticas públicas que possam nos beneficiar, todas as mulheres. Estamos aqui não só por nós, mas por aquelas que vieram antes para defender nossos territórios, para trazer direitos para nós mulheres indígenas, pelas crianças indígenas também.”</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Atos pelo Brasil</strong></h4>



<div class="alignnormal"><div id="metaslider-id-171876" style="width: 100%;" class="ml-slider-3-107-0 metaslider metaslider-flex metaslider-171876 ml-slider has-dots-nav ms-theme-architekt" role="region" aria-label="8 de marco Brasil 2026" data-height="1080" data-width="1920">
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            </ul>
        </div>
        
    </div>
</div></div>



<p>Em São Paulo, milhares de mulheres marcharam pela Avenida Paulista sem medo da chuva forte. Elas exigiram medidas concretas contra a violência de gênero e o fim da escala de trabalho 6×1, criticada por ampliar a sobrecarga das mulheres trabalhadoras. O ato em recebeu o nome de ‘Em Defesa da Vida das Mulheres” e teve a participação de diversos movimentos sociais e sindicais entre eles, a União Nacional por Moradia Popular, o Movimento de Mulheres Camponesas, a União Nacional dos Estudantes (UNE), Marcha Mundial das Mulheres, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST) e&nbsp; Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).</p>



<p>Mesmo pacífico,<a href="https://cbn.globo.com/sao-paulo/noticia/2026/03/08/ato-do-dia-da-mulher-em-sao-paulo-tem-confusao-e-spray-de-pimenta-apos-provocacoes.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o protesto em São Paulo registrou o caso de um grupo de homens que provocaram participantes com ofensas às mulheres.</a> Alguns deles carregavam imagens do ex-presidente Jair Bolsonaro e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O episódio não atrapalhou o andamento da marcha, que seguiu pela região central da cidade.</p>



<p>No Rio de Janeiro, as manifestantes marcharam pela orla de Copacabana, onde cruzes foram fincadas na areia com o lema “Parem de nos matar”, em memória das vítimas de feminicídio. O protesto ocorreu no mesmo bairro onde, no fim de janeiro, <a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/03/09/video-no-elevador-expoe-deboche-de-jovens-apos-estupro-coletivo-em-copacabana.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">uma adolescente de 17 anos foi vítima de estupro coletivo</a>, em um caso que provocou indignação nacional.</p>



<p>As mulheres cariocas lembraram de casos recentes de feminicídio, como o da jovem <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-12/mulher-arrastada-em-sp-foi-vitima-de-tentativa-de-feminicidio-diz-delegado" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tainara Souza Santos, de 30 anos</a>, arrastada por um carro na Marginal Tietê, na zona norte de São Paulo. Tainara morreu em dezembro de 2025. O assassino é Douglas Alves da Silva, de 26 anos.</p>



<p>Em Porto Alegre, uma performance teatral marcou a marcha. As manifestantes carregaram sapatos femininos manchados de vermelho, simbolizando mulheres assassinadas no estado, enquanto gritavam os nomes das vítimas. Outras cidades, como Campinas, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Belém, Alagoas, Florianópolis, Natal e Cuiabá também registraram marchas e atos públicos, reunindo coletivos feministas, sindicatos e organizações sociais que pediram o fim da violência e igualdade de direitos.</p>



<div class="alignnormal"><div id="metaslider-id-171886" style="width: 100%;" class="ml-slider-3-107-0 metaslider metaslider-flex metaslider-171886 ml-slider has-dots-nav ms-theme-architekt" role="region" aria-label="8 de março em manaus 2026" data-height="1080" data-width="1920">
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            <ul aria-live='off' class='slides'>
                <li style="display: block; width: 100%;" class="slide-171888 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-03-09 14:57:14" data-filename="8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-15-1080x607.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-15-1080x607.jpg" height="1080" width="1920" alt="" class="slider-171886 slide-171888 msDefaultImage" title="8 de março manaus 2026" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Mulheres Indígenas e não indígenas marcham juntas durante o 8 de março em Manaus (Foto: Juliana Pesqueira/ Amazônia Real/2026).</div></div></li>
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                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-171889 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-03-09 14:57:14" data-filename="8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-24-1080x607.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-24-1080x607.jpg" height="1080" width="1920" alt="" class="slider-171886 slide-171889 msDefaultImage" title="8 de março manaus 2026" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Mulheres Indígenas e não indígenas marcham juntas durante o 8 de março em Manaus (Foto: Juliana Pesqueira/ Amazônia Real/2026).</div></div></li>
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                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-171900 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-03-09 14:57:15" data-filename="8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-89-1080x607.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-89-1080x607.jpg" height="1080" width="1920" alt="" class="slider-171886 slide-171900 msDefaultImage" title="8 de março manaus 2026" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div>Daniele Munduruku professora da UFAM durante o 8 de março em Manaus (foto: Juliana Pesqueira/Amazônia Real/2026).</div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-171901 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-03-09 14:57:15" data-filename="8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-97-1080x607.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-97-1080x607.jpg" height="1080" width="1920" alt="" class="slider-171886 slide-171901 msDefaultImage" title="8 de março manaus 2026" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div>Feminista negra Regina de Benguela, vice-presidente da União de Negras e Negros pela Igualdade do Amazonas (foto: Juliana Pesqueira/Amazônia Real/2026).</div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-171905 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-03-09 14:57:16" data-filename="8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-25-1080x607.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/8-de-marco-manaus-2026-Juliana-Pesqueira-25-1080x607.jpg" height="1080" width="1920" alt="" class="slider-171886 slide-171905 msDefaultImage" title="8 de março manaus 2026" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Dineva Kayabi na concentração da marcha das mulheres indígenas  no 8 de março em Manaus (Foto: Juliana Pesqueira/ Amazônia Real/2026).</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-171902 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-03-09 14:57:15" data-filename="Marcha-das-Mulheres-8-de-marco-Manaus-Foto-Alberto-Cesar-Araujo-AR-9-1920x1080.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Marcha-das-Mulheres-8-de-marco-Manaus-Foto-Alberto-Cesar-Araujo-AR-9-1920x1080.jpg" height="1080" width="1920" alt="" class="slider-171886 slide-171902 msDefaultImage" title="Marcha das Mulheres 8 de março Manaus (Foto Alberto Cesar Araujo-AR) (9)" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div>Ato contra o feminicídio e pelo fim da violência contra às mulheres, em Manaus, marcaram o 8 de março, Dia Internacional da Mulher no centro histórico (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real).</div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-171903 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-03-09 14:57:16" data-filename="Marcha-das-Mulheres-8-de-marco-Manaus-Foto-Alberto-Cesar-Araujo-AR-1-1920x1080.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Marcha-das-Mulheres-8-de-marco-Manaus-Foto-Alberto-Cesar-Araujo-AR-1-1920x1080.jpg" height="1080" width="1920" alt="" class="slider-171886 slide-171903 msDefaultImage" title="Marcha das Mulheres 8 de março Manaus (Foto Alberto Cesar Araujo-AR) (1)" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div>Ato contra o feminicídio e pelo fim da violência contra às mulheres, em Manaus, marcaram o 8 de março, Dia Internacional da Mulher no centro histórico (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real).</div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-171904 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-03-09 14:57:16" data-filename="Marcha-das-Mulhes-8-de-marco-Manaus-Foto-Alberto-Cesar-Araujo-AR-31-1920x1080.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Marcha-das-Mulhes-8-de-marco-Manaus-Foto-Alberto-Cesar-Araujo-AR-31-1920x1080.jpg" height="1080" width="1920" alt="" class="slider-171886 slide-171904 msDefaultImage" title="Marcha das Mulhes 8 de março Manaus (Foto Alberto Cesar Araújo-AR) (31)" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Ato contra o feminicídio e pelo fim da violência contra às mulheres, em Manaus, marcaram o 8 de março, Dia Internacional da Mulher no centro histórico (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real).</div></div></li>
            </ul>
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		<title>É todo dia&#8230;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fátima Guedes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Mar 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Fátima Guedes]]></category>
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		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Até que a morte nos separe! (Mateus 19.6)</p>
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<p>Anuncia-se mais um 8 de março! Já se vão 51 anos! Após gritos universais por socorro; após muito sangue feminino derramado, silenciado e muita cobrança por Justiça, a ONU, para se “livrar” das intervenções mundiais, reconhece a data – Dia Internacional das Mulheres!&nbsp;</p>



<p>Os registros aqui compartilhados podem parecer redundantes, no entanto, é uma temática de caráter ininterrupto, evolutivo e sem perspectivas de controle ou justas intervenções por quem de Dever e do Direito. O volume de feminicídios é diário! Centenas de vidas são eliminadas, incluindo-se a Fêmea Universal – Mãe Terra.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Questionamo-nos o porquê de tanto silêncio, de tamanha indiferença e descaso às violências generalizadas por que passam muitas mulheres&#8230; Até quando e por que as mesmas vítimas continuam aceitando e submetendo-se a regras, a dogmas sistêmicos/patriarcais, religiosistas?&#8230; &nbsp;É pertinente afirmar: fundamentalismospolíticos, religiosos vêm contaminando mentalidades feridas, carentes e sobrecarregadas de traumas até mesmo ignoradas pelas próprias vítimas.</p>



<p>Frei Betto* traz esclarecimentos e reafirma nosso clamor: “No renascimento, bispos e teólogos defenderam que a mulher é <em>naturalmente </em>inferior ao homem, destinada a obedecer-lhe. Por isso, não podia exercer funções de poder, como o sacerdócio. Questionado se o escravo liberto poderia ser sacerdote, Tomás de Aquino, meu confrade, respondeu que sim, pois o escravo é <em>socialmente inferior</em>, enquanto a mulher é <em>naturalmente inferior</em>”.</p>



<p>Comprova-se também o fundamentalismo em Efésios (5: 21- 33): “Esposas, sede submissas a vossos maridos, como convém ao Senhor. [&#8230;] ensinem as jovens a amar seus maridos e filhos, a serem modestas, castas, dedicadas aos afazeres domésticos, submissas a seus maridos, a fim de não ser blasfemada a palavra de Deus”. &nbsp;</p>



<p>Na controvérsia, perguntamos: até onde os escritores da Bíblia Cristã trouxeram anúncios originais do Líder Cristão – Jesus de Nazaré? Mergulhando profundamente nas Obras de Kalil Gibran e em Referências ímpares confirma-se acolhimento justo e amoroso do Mestre Jesus a desvalidos incluindo as mulheres. Testemunhos paralelos encontram-se em Mateus 21:31 “Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus”. Na mesma frequência, João 8:10-11 revela o perfil do Nazareno, quando livra a adúltera das pedradas e acusações daqueles que a exploravam e usavam seu corpo.</p>



<p>As citações pautadas escapuliram do controle autoral bíblico&#8230; Há muitos outros testemunhos do Mestre Palestino em defesa das mulheres, abafados no fundamentalismo patriarcal religioso.</p>



<p>Outro decreto trazido por Mateus comprova violências silenciosas e silenciadas na vida das mulheres: a “indissolubilidade do casamento” cristão que transforma duas pessoas em uma só, e a mulher é obrigada a sujeitar-se às regras machistas até que a morte, independentemente da situação e dos fatos, os separe.</p>



<p>Na verdade, um modelo totalmente contrário às antigas vivências e convivências comunitárias de perfil matrilinear, matrifocal e geocêntrico. Valérie Dupont esclarece: “Como não havia casamentos monogâmicos nem era possível conhecer a paternidade precisa, os nomes das crianças e os bens eram transmitidos pela linhagem materna. As crianças pertenciam à comunidade, assim como os depósitos de grãos e as provisões de comida; e as mulheres eram encarregadas da sua manutenção”.</p>



<p>O real-concreto está posto! A corrida gananciosa por domínio e poder sobre as antigas tradições, incluindo a espiritualidade, amordaçou as Deusas, apagando-As das memórias. Em contrapartida, o fundamentalismo impôs um deus machista, dominante, controlador sobre a vida em sua totalidade.</p>



<p>A reboque, as mulheres mantêm-se reféns da “indissolubilidade matrimonial”. A morte é a alternativa imposta.</p>



<p>É todo dia!</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Coluna-da-Fatima-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="482" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Coluna-da-Fatima-1-1024x482.jpeg" alt="" class="wp-image-171629" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Coluna-da-Fatima-1-1024x482.jpeg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Coluna-da-Fatima-1-300x141.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Coluna-da-Fatima-1-768x361.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Coluna-da-Fatima-1-150x71.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Coluna-da-Fatima-1.jpeg 1282w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Questionamo-nos o porquê de tanto silêncio, de tamanha indiferença e descaso às violências generalizadas por que passam muitas mulheres&#8230;(Feministas em Parintins Foto: Acervo Floriano Lins).</sub></em></figcaption></figure>



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<p><strong>Falares de casa</strong></p>



<p>FREI BETTO <em>In: Mulheres no Brasil &#8211; Resistência, Lutas e Conquistas. </em>Editora Universitária, João Pessoa, 2006.</p>



<p>FEMININO ATIVO, FEMININO SOLAR. Valérie Dupont. Biblioteca Rosa Cruz. 2003. PR</p>
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		<title>Áreas para a conservação do sauim-de-coleira, símbolo de Manaus – 1: introdução ao estudo</title>
		<link>https://amazoniareal.com.br/areas-de-conservacao-do-sauim-de-coleira/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Philip Martin Fearnside]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2026 11:15:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[Ameaça de extinção]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em nova série iniciada nesta semana, pesquisadores abordam sobre o contexto de ameaças ao primata sauim-de-coleira, espécie concentrada na região de Manaus e adjacências, ameaças de extinção e estratégias de conservação</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Por Ana Luisa Albernaz, Marcelo Cordeiro Thalês, Marcelo Gordo, Diogo Lagroteria, Tainara V. Sobroza, William E. Magnusson, Philip M. Fearnside, Leandro Jerusalinsky, Renata Bocorny de Azevedo, Rodrigo Baia Castro, Dayse Campista, Wilson Roberto Spironello e Maurício Noronha.</p>



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<p>Apresentamos nesta série uma tradução de um trabalho que publicamos na revista <em>Journal for Nature Conservation</em> [1] sobre a necessidade de criar mais áreas protegidas para manter o sauim-de-coleira, uma espécie de primata ameaçada pelo crescimento da cidade de Manaus. O trabalho original em inglês está disponível <a href="https://doi.org/10.1016/j.jnc.2025.127069">aqui</a>.</p>



<p><strong>Resumo</strong></p>



<p>O sauim-de-coleira (<em>Saguinus bicolor</em>), uma espécie emblemática da região de Manaus, está ameaçado pelo crescimento da cidade e de sua área periurbana. Nosso estudo visa identificar áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade em Manaus e arredores, a maior cidade da Amazônia brasileira e lar de mais de 2 milhões de pessoas. A distribuição geográfica do sauim-de-coleira, um primata criticamente ameaçado de extinção que é símbolo da conservação na região, foi usada para definir os limites da área de estudo. Tratamos a zona urbana separadamente devido às maiores barreiras à conservação ali existentes e realizamos um planejamento sistemático de conservação para a zona rural. Após definir alvos de biodiversidade e variáveis e pesos para uma superfície de custos (dificuldade de proteção), o mapa de áreas prioritárias foi gerado usando o software de suporte à decisão MARXAN. A conectividade foi fortalecida usando a ferramenta LinkageMapper. Embora as áreas protegidas já cubram cerca de 20% da área de estudo, a maior parte está em categorias de proteção parcial e ainda está perdendo vegetação. Os resultados priorizam 56,1% da área de distribuição do sauim-de-coleira, incluindo zonas urbanas e rurais. A análise do cenário atual é preocupante, pois demonstra que grande parte dos esforços para a criação de áreas protegidas não é tão eficaz quanto poderia ser. A conservação do sauim-de-coleira, assim como de outros primatas ameaçados, depende de uma melhor compreensão da necessidade de aumentar a área destinada à sua proteção, aprimorar o monitoramento e restaurar a vegetação onde for possível.</p>



<p><strong>Introdução</strong></p>



<p>As mudanças ambientais nas últimas décadas deixaram clara a necessidade de desenvolver estratégias voltadas para desacelerar sua taxa e reduzir ou compensar alguns de seus efeitos. A ocorrência de secas extremas, que têm o potencial de espalhar incêndios [2], e o excesso de chuvas, que pode levar a inundações, estão causando danos significativos ao ambiente natural e às populações humanas, criando uma necessidade urgente de estratégias para reduzir os impactos sobre a biodiversidade. Medidas de conservação, incluindo o estabelecimento de áreas protegidas e a implementação de estratégias para reduzir a taxa de mudança ou seus efeitos adversos, são essenciais para evitar maiores perdas de biodiversidade e a deterioração da qualidade de vida tanto para humanos quanto para a vida selvagem.</p>



<p>Uma das principais estratégias para reduzir ou compensar os efeitos negativos das mudanças ambientais é o estabelecimento de áreas protegidas, idealmente baseadas em um planejamento cuidadoso de conservação [3]. Nas últimas décadas foi feito um progresso considerável nessa área. A mudança de paradigma iniciada pela introdução do conceito de complementaridade [4] foi seguida pelo surgimento de outros conceitos-chave, incluindo os de persistência [5], custos de conservação [6], compactação [7] e o desenvolvimento de softwares de suporte à decisão para facilitar análises abrangentes [8-10].</p>



<p>Dois métodos principais são usados no contexto do planejamento sistemático de conservação: a abordagem do conjunto mínimo e a abordagem da cobertura máxima. Na abordagem do conjunto mínimo, os alvos (espécies, ambientes ou processos) e suas respectivas quantidades são especificados. Em seguida, um conjunto de áreas é selecionado para maximizar o alcance desses alvos a um custo mínimo [11]. O software de suporte à decisão mais comumente usado com base nessa abordagem é o MARXAN [8]. Na abordagem da cobertura máxima, os principais alvos a serem conservados e seus respectivos pesos são definidos, mas não há quantidades específicas a serem alcançadas na solução. O mapa final consiste em zonas concêntricas que diminuem em importância para a conservação com base no número e no peso dos alvos. Dependendo do contexto de conservação, uma área maior ou menor pode ser protegida, guiada pela importância calculada dos locais. “Zonation” é a principal ferramenta usada para dar suporte a essa abordagem [9]. A utilização de um sistema de suporte à decisão baseado em metas explícitas, como no caso da abordagem do conjunto mínimo, facilita a avaliação, por parte dos países ou regiões, do quão perto estão de atingir a meta global três de Kunming-Montreal, definida na COP 15 da Convenção sobre a Diversidade Biológica, de conservar e gerir efetivamente 30% das áreas de importância fundamental para a biodiversidade e as funções e serviços ecossistêmicos [12]. Devido à relativa facilidade de monitoramento das metas, a abordagem do conjunto mínimo é geralmente adotada para políticas públicas, como evidenciado pelos mapas de áreas prioritárias para conservação do Brasil [13].</p>



<p>O planejamento sistemático da conservação, embora abranja muitas abordagens diferentes, geralmente tem dois objetivos principais: aumentar a representatividade da biodiversidade em áreas protegidas e reduzir as ameaças diretas à biodiversidade, aumentando assim suas chances de persistência [14]. Espécies diretamente ameaçadas de extinção são, portanto, prioridades naturais para a conservação, assim como regiões que experienciam altas taxas de mudanças ambientais.</p>



<p>A Amazônia brasileira é uma região relativamente bem conservada, mas a perda e a degradação de habitat não são distribuídas uniformemente na região. Uma das áreas mais degradadas é a cidade de Manaus, capital do Amazonas, o maior estado em área na Amazônia brasileira. A cidade abriga 2,07 milhões de pessoas [15], cerca de metade da população do estado. O desmatamento está avançando, dentro e ao redor do município de Manaus, e simulações indicam que a área desmatada aumentará em 74% e a área urbana aumentará em 503% até 2100 em comparação com essas áreas em 2017 [16]. No entanto, essas projeções são conservadoras porque não consideram a reconstrução planejada da rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho), o que aumentaria a migração de pessoas para Manaus [17].</p>



<p>O recente aumento da fumaça proveniente de incêndios acidentais e criminosos e de secas severas consecutivas [18] evidenciaram a necessidade de proteção e gestão ambiental mais eficazes na cidade e no entorno. A região de Manaus passou por uma urbanização significativa nas últimas três décadas, com inúmeras áreas verdes sendo substituídas por infraestrutura e desenvolvimento imobiliário, o que também aumentou a pressão de ocupação em áreas rurais [16].</p>



<p>O sauim-de-coleira (<em>Saguinus bicolor</em>) é uma espécie endêmica do município de Manaus e dos municípios vizinhos de Rio Preto da Eva e Itacoatiara. A espécie ocupa uma área de aproximadamente 8.300 km² [19], abrangendo áreas urbanas e rurais de Manaus e Rio Preto da Eva, e áreas rurais de Itacoatiara. A espécieé encontrada em florestas tropicais secundárias de terras baixas, pântanos e bordas florestais [20]. As principais ameaças à espécie são a perda de habitat devido à agricultura, pecuária e expansão urbana [21-23], mas também a potencial competição com a espécie congênere <em>Saguinus midas</em> [19, 23-25]. <em>S. midas </em>é uma espécie mais flexível com uma capacidade competitiva supostamente superior [23-26]. Sua distribuição geográfica parece estar se expandindo, o que pode reduzir ainda mais a distribuição já limitada de <em>S. bicolor.</em> Devido à sua pequena distribuição e alto nível de ameaças, a IUCN listou o sauim-de-coleira como &#8220;Criticamente Ameaçado&#8221; e como um dos 25 primatas mais ameaçados do mundo durante os períodos de 2018–2020 e 2023–2025 [27, 28]. Além de estar listada como criticamente ameaçada de extinção, estudos anteriores mostraram que a espécie está sub-representada nas atuais áreas protegidas, que são insuficientes para garantir sua sobrevivência a longo prazo [18, 29].</p>



<p>O sauim-de-coleira é uma espécie-bandeira de Manaus e tem sido alvo de inúmeras campanhas ambientais, resultando na criação de pelo menos três áreas protegidas com seu nome popular em português: REVIS Sauim-de-Coleira, REVIS Sauim-Castanheira e APA Sauim-de-Manaus. Pesquisas sobre a ecologia da espécie também contribuíram para o desenho e a criação de corredores ecológicos urbanos e para uma melhor proteção das áreas verdes urbanas [30]. Com base nos resultados encorajadores obtidos até o momento, acreditamos que tanto a espécie quanto o meio ambiente em Manaus e arredores podem se beneficiar do desenvolvimento de um plano de conservação objetivo para a região.</p>



<p>Aqui apresentamos os resultados do trabalho realizado por um grupo de pesquisadores com diversas especialidades e formações (planejamento de conservação, SIG, ecologia, primatologia) para identificar áreas prioritárias para a conservação desse primata, que é uma das ações demandadas pelo Plano de Ação Nacional para a conservação do &nbsp;Sauim-de-coleira [3]. O estudo foi baseado no arcabouço teórico do planejamento sistemático de conservação, que se baseia no uso de informações espacialmente explícitas sobre alvos e custos de conservação para definir as áreas onde as ações de conservação têm a melhor chance de sucesso [6, 14]. Embora a formulação de alvos seja reconhecida como subjetiva, sua explicitude é considerada valiosa porque fornece um meio de medir o valor de conservação de diferentes áreas durante o processo de seleção [14]. Como o engajamento das partes interessadas também é uma parte relevante do planejamento sistemático, o estudo incluiu uma oportunidade para o envolvimento público antes de definir o mapa final. Embora o foco principal seja o sauim-de-coleira, nosso processo de planejamento também foi criado para aumentar a representatividade de outras espécies e ambientes dentro e ao redor de Manaus. [31]</p>





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<p><strong>Notas</strong></p>



<p>[1] Albernaz, A. L., Thalês, M. C., Gordo, M., Lagroteria, D., Sobroza, T. V., Magnusson, W. E., Fearnside, P. M., Jerusalinsky, L., de Azevedo, R. B., Castro, R. B., Campista, D., Spironello W. R., &amp; Noronha, M. 2026. <a href="https://doi.org/10.1016/j.jnc.2025.127069">Conservation of an endangered Amazonian primate: Priority areas for the pied tamarin (<em>Saguinus bicolor</em>) in Manaus, Brazil.</a>  <em>Journal for Nature Conservation</em>, 89, 127069. </p>



<p>[2] Costa, F. R. C., Marengo, J. A., Albernaz, A. L. M., Cunha, A. P., Cuvi, N., Espinoza, J.-C., Ferreira, J., Fleischmann, A. S., Jimenez-Muñoz, J. C., Belén-Páez, M., Querido, L. C. d. A., &amp; Schöngart, J. (2024). <a href="https://eng-briefs.sp-amazon.org/240707%20Droughts%20PB%20(English).pdf"><em>Droughts in the Amazon</em> (Policy Briefs)</a>. </p>



<p>[3] Brooks, T. M., Fonseca, G. A. B. d., &amp; Rodrigues, A. S. L. (2004). Species, Data, and Conservation Planning. <a href="https://doi.org/10.1111/j.1523-1739.2004.00457.x"><em>Conservation Biology</em>,<em>18</em>(6), 1682–1688</a>. </p>



<p>[4] Kirkpatrick, J. B. (1983). <a href="https://doi.org/10.1016/0006-3207(83)90056-3">An iterative method for establishing priorities for the selection of nature reserves: an example from Tasmania.</a> <em>Biological Conservation</em>,<em>25</em>, 127–134. </p>



<p>[5] Cowling, R. M., Pressey, R. L., Lombard, A. T., Desmet, P. G., &amp; Ellis, A. G. (1999). <a href="https://doi.org/10.1046/j.1472-4642.1999.00038.x">From representation to persistence: requirements for a sustainable system of conservation areas in the species-rich mediterranean-climate desert of southern Africa.</a> <em>Diversity and Distributions</em>,<em>5</em>(1-2), 51-71. </p>



<p>[6] Naidoo, R., Balmford, A., Ferraro, P. J., Polasky, S., Ricketts, T. H., &amp; Rouget, M. (2006). <a href="https://doi.org/10.1016/j.tree.2006.10.003">Integrating economic costs into conservation planning</a>. <em>Trends in Ecology &amp; Evolution</em>,<em>21</em>(12), 681-687. </p>



<p>[7] Possingham, H., Ball, I., &amp; Andelman, S. (2000). Mathematical Methods for Identifying Representative Reserve Networks. In S. Ferson &amp; M. Burgman (Eds.), <em>Quantitative methods for conservation biology.</em> (p. 291-305). Springer-Verlag.</p>



<p>[8] Pressey, R. L., Watts, M. E., Barret, T. W., &amp; Ridges, M. J. (2009). The C-Plan Conservation Planning System: origins, applications, and possible futures. In A. Moilanen, K. A. Wilson, &amp; H. P. Possingham (Eds.), <em>Spatial Conservation Prioritisation: Quantitative Methods and Computational Tools</em> (p. 211- 234). Oxford University Press.</p>



<p>[11] Wilson, K. A., Cabeza, M., &amp; Klein, C. J. (2009). Fundamental concepts of spatial conservation prioritiation. In A. Moilanen, K. A. Wilson, &amp; H. P. Possingham (Eds.), <em>Spatial Conservation Prioritization: Quantitative Methods &amp; Computational Tools</em> (pp. 16-27). Oxford University Press.</p>



<p>[12] CBD. (2022). <em>Kunming-Montreal Biodiversity Framework</em>. <a href="https://www.cbd.int/gbf/targets/3">Conference of the Parties to the Convention on Biological Diversity &#8211; Fifteenth meeting – Part II, Montreal, Canada</a>. </p>



<p>[13] MMA. (2023). <a href="https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/biodiversidade-e-biomas/biomas-e-ecossistemas/conservacao-1/areas-prioritarias/2a-atualizacao-das-areas-prioritarias-para-conservacao-da-biodiversidade-2018">Áreas prioritárias para a Conservação, Utilização Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade 2ª Atualização.</a><em> </em>Ministério do Meio Ambiente, Brasília, DF. </p>



<p>[14] Margules, C. R., &amp; Pressey, R. L. (2000). <a href="https://doi.org/10.1038/35012251">Systematic conservation planning</a>. <em>Nature</em>,<em>405</em>, 243- 253. </p>



<p>[15] IBGE. (2025). <a href="https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/am/manaus.html"><em>IBGE Cidades e Estados &#8211; Manaus</em>.</a> IBGE. </p>



<p>[16] Santos, Y. L. F., Yanai, A. M., Ramos, C. J. P., Graça, P. M. L. A., Veiga, J. A. P., Correia, F. W. S., &amp; Fearnside, P. M. (2022). <a href="https://doi.org/10.1016/j.jenvman.2021.114279">Amazon deforestation and urban expansion: Simulating future growth in the Manaus Metropolitan Region, Brazil.</a> <em>Journal of Environmental Management</em>,<em>304</em>. </p>



<p>[17] Fearnside, P. M. (2022).<a href="https://doi.org/10.1007/s13280-022-01718-y"> Amazon environmental services: Why Brazil’s Highway BR-319 is so damaging</a>. <em>Ambio</em>,<em>51</em>, 1367–1370. </p>



<p>[18] Guimarães, A. F., Schietti, J., Querido, L. C. A., Nunes, J., Santos, P., Lagroteria, D., &amp; Gordo, M. (2025). <a href="https://doi.org/10.1590/1809-4392202404053">Extreme drought and heat lead to alarming mortality of Amazon fauna</a>. <em>Acta Amazonica</em>,<em>55</em>, e55bc24405. </p>



<p>[19] Lagroteria, D., Cavalcante, T., Zuquim, G., Röhe, F., Medeiros, A. S. M., Hrbek, T., &amp; Gordo, M. (2024). <a href="https://doi.org/10.3389/fcosc.2024.1426488">Assessing the invasive potential of <em>Saguinus midas</em> in the extent of occurrence of the critically endangered <em>Saguinus bicolor</em></a>. <em>Frontiers in Conservation Science</em>,<em>5</em>, 16. </p>



<p>[20] Baker, A. J. (2012). <a href="https://alouattasen.weebly.com/uploads/8/9/5/6/8956452/tamarinpiedstudbook2012-e37ddc37.pdf">AZA Regional Studbook &#8211; Pied Tamarin</a> (<em>Saguinus bicolo</em>r), </p>



<p>[21] Coelho, L., Barr, S., Silva dos Santos, L., Rohe, F., Monteiro-Neto, B. D., Raseira, M., Lagroteria, D., &amp; Gordo, M. (2018). Conservação de <em>Saguinus bicolor</em> (Callitrichidae) em paisagens fragmentadas na Amazônia Central, Brasil. In B. Urbani, M. M. Kowalewski, R. G. T. D. Cunha, S. D. L. Torre, &amp; L. Cortés-Ortiz (Eds.), <em>La Primatología en Latinoamérica </em>(Vol. 2- Tomo I, p. 187-197). Instituto Venezolano de Investigaciones Científicas.</p>



<p>[22] Gordo, M., Calleia, F. O., Vasconcelos, S. A., Leite, J. J. F., &amp; Ferrari, S. F. (Eds.). (2013). <em><a href="https://doi.org/10.1007/978-1-4614-8839-2">The challenges of survival in a concrete jungle: Conservation of the pied tamarin (Saguinus bicolor) in the urban landscape of Manaus, Brazil.</a> Primates in fragments: Complexity and resilience.</em>p. 357-370. Springer. </p>



<p>[23] Gordo, M., Subirá, R. J., Vidal, M. D., Rohe, F., Spironello, W. R., Valente, L. M., Oliveira, J. B., Pissinatti, A., Wormell, D., &amp; Jerusalinsky, L. (2017). Contextualização do sauim-de-coleira. In L. Jerusalinsky, R. B. Azevedo, &amp; M. Gordo (Eds.), <em>Plano de Ação Nacional para a Conservação do Sauim-de-coleira</em> (p. 25-44). ICMBIO.</p>



<p>[24] Röhe, F. (2006). <em><a href="https://brasil.wcs.org/en-us/WCS-Brazil/Publications/categoryid/606.aspx">Área de contato entre as distribuições geográficas de Saguinus midas e Saguinus bicolor (Callitrichidae-Primates): a importância de interações e fatores ecológicos. </a></em>UFAM – Universidade Federal do Amazonas / Instituto Nacional de pesquisas da Amazônia (INPA)]. Manaus. </p>



<p>[25] Sobroza, T. V., Gordo, M., Barnett, A. P., Boubli, J. P., &amp; Spironello, W. R. (2021a). <a href="https://doi.org/10.1016/j.actao.2020.103688">Parapatric pied and red-handed tamarin responses to congeneric and conspecific calls.</a> <em>Acta Oecologica</em>,<em>110</em>. </p>



<p>[26] Sobroza, T. V., Gordo, M., Barnett, A. P., Boubli, J. P., &amp; Spironello, W. R. (2021a). <a href="https://doi.org/10.1016/j.actao.2020.103688">Parapatric pied and red-handed tamarin responses to congeneric and conspecific calls</a>. <em>Acta Oecologica</em>,<em>110</em>. </p>



<p>[27] (Mittermeier, R. A., Reuter, K. E., Rylands, A. B., Ang, A., Jerusalinsky, L., Nash, S. D., Schwitzer, C., Ratsimbazafy, J. a., &amp; Humle, T. (Eds.). (2024). Primates in Peril: The World’s 25 Most Endangered Primates 2023–2025. IUCN SSC Primate Specialist Group, International Primatological Society, Rewild.</p>



<p>[28] Schwitzer, C., Mittermeier, R. A., Rylands, A. B., Chiozza, F., Williamson, E. A., Byler, D., Wich, S., Humle, T., Johnson, C., Mynott, H., &amp; McCabe, G. (Eds.). (2019). <a href="https://www.globalwildlife.org/wp-content/uploads/2019/10/Primates-in-Peril-2018-2020.pdf."><em>Primates in Peril: The World’s 25 Most Endangered Primates 2018–2020</em>.</a> IUCN SSC Primate Specialist Group, International Primatological Society, Global Wildlife Conservation, and Bristol Zoological Society. </p>



<p>[29] Campos, I. B., Gordo, M., &amp; Vidal, M. D. (2017). Análise de viabilidade populacional (AVP) de <em>Saguinus bicolor</em> In L. Jerusalinsky, R. B. Azevedo, &amp; M. Gordo (Eds.), <em>Plano de Ação Nacional para a Conservação doSauim-de-coleira</em> (p. 45-58). ICMBIO.</p>



<p>[30] Coelho, L. F. M., Gordo, M., Subirá, R., &amp; Röhe, F. (2017). Análise da estrutura da paisagem, conectividade de habitat e indicação de áreas prioritárias para ações conservacionistas para <em>Saguinus bicolor</em>. In L. Jerusalinsky, R. Bocorny, &amp; M. Gordo (Eds.), <em>Plano de Ação Nacional para a Conservação do Sauim-de-coleira (pp. 25-44). ICMBIO. </em>(p. 146-163). ICMBIO.</p>



<p>[31] Esta série é uma tradução de Albernaz, A.L., M.C. Thalês, M. Gordo, D. Lagroteria, T.V. Sobroza, W.E. Magnusson, P.M. Fearnside, L. Jerusalinsky, R.B. de Azevedo, R.B. Castro, D. Campista, W.R. Spironello &amp; M. Noronha. 2026. <a href="https://doi.org/10.1016/j.jnc.2025.127069">Conservation of an endangered Amazonian primate: Priority areas for the pied tamarin (<em>Saguinus bicolor</em>) in Manaus, Brazil.</a>  <em>Journal for Nature Conservation</em>, 89: art. 127069. Este estudo foi apoiado pelo RE:WILD (número de subvenção SMA-CCO-G0000000301), proposto e coordenado pelo Instituto Sauim-de-Coleira e com o apoio institucional do Museu Paraense Emílio Goeldi (computadores e softwares para reuniões virtuais e análise de dados). A maior parte dos autores é de instituições locais. Os autores declaram não haver conflito de interesses. Agradecemos os comentários dos três revisores, que contribuíram para o aprimoramento do manuscrito.</p>





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<p><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p><strong>Ana Luisa Albernaz </strong>possui Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, e Mestrado e Doutorado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Atualmente é professora e orientadora no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Evolução (PPGBE) e pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi, onde foi Diretora de 2018 a 2022. Tem experiência na área de Ecologia, com ênfase em Ecologia Aplicada, atuando principalmente nos seguintes temas: várzea, Amazônia, biodiversidade, e planejamento para a conservação.</p>



<p><strong>Marcelo Cordeiro Thalês </strong>Possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal Rural da Amazônia, mestrado em Sensoriamento Remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e doutorado em Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Pará. Atualmente é Tecnologista do Museu Paraense Emílio Goeldi. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Sensoriamento Remoto, atuando principalmente nos seguintes temas: sensoriamento remoto, Amazônia, uso da terra, classificação de imagens e dinâmica da paisagem.</p>



<p><strong>Marcelo Gordo</strong> possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), mestrado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e doutorado em Zoologia pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Atualmente é professor Associado da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Tem experiência na área de Ecologia e taxonomia, atuando principalmente nos seguintes temas: Amazônia, conservação, <em>Saguinus bicolor</em>, herpetofauna e mamíferos.</p>



<p><strong>Diogo Lagroteria</strong> possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Paraná, Especialização em manejo de espécies ameaçadas pela University of Kent, Inglaterra, e Mestrado em Ecologia pelo Instituto de Pesquisas Amazônicas (INPA). Atualmente é analista ambiental do ICMBio/MMA, atuando no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (CEPAM), em Manaus, Amazonas. É coordenador executivo do Plano de Ação Nacional para conservação do Sauim-de-coleira e é membro do Grupo de Especialistas em Primatas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). Atua principalmente em temas como conservação e manejo de fauna silvestre ameaçada de extinção, abordando tópicos relacionados, tais como medicina da conservação, elaboração de planos de ação para a proteção de espécies ameaçadas e iniciativas de educação ambiental.</p>



<p><strong>Tainara V. Sobroza </strong>possui Graduação em Bióloga pela Universidade Federal de Santa Maria, e mestrado e doutorado em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Atualmente é bolsista de pós-doutorado no projeto BioTechQuilombo pela iniciativa Amazônia +10. Tem interesse em Mastozoologia, Primatologia e no uso do som como ferramenta para o estudo de espécies, interações e habitats. Atualmente é colaboradora do programa de conservação &#8220;Projeto Sauim-de-Coleira&#8221; vinculado à Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Também colabora com o Centro de Estudos Integrados da Biodiversidade Amazônica (CENBAM) realizando inventários e monitoramento de primatas e outros grupos de mamíferos. Tem experiência com curadoria de dados acústicos e bancos de dados de projetos de longa duração.</p>



<p><strong>William E. Magnusson </strong>possui graduação e doutorado em Ciências Biológicas pela Universidade de Sydney, Austrália. Atualmente é pesquisador titular III do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e bolsista de produtividade do CNPq nível 1B, tendo publicado &gt;250 artigos sobre uma ampla variedade de grupos taxonômicos. Ele tem interesse especial em desenhos amostrais multidisciplinares.</p>



<p><strong>Philip Martin Fearnside </strong>é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 800 publicações científicas e mais de 800 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis <a href="http://philip.inpa.gov.br">aqui</a>.</p>



<p><strong>Leandro Jerusalinsk</strong> possui Bacharel em Ciências Biológicas, Mestrado em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Doutorado em Ciências Biológicas &#8211; Zoologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPB). Atualmente é Analista Ambiental no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ele é Coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (ICMBio/CPB), e é Presidente Adjunto do Grupo Especialista em Primatas (PSG) da Comissão para a Sobrevivência de Espécies (SSC) da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Suas principais áreas de atuação são Conservação de Primatas, Primatologia, Planejamento Estratégico para a Conservação, Gestão Estratégica e Biologia da Conservação.</p>



<p><strong>Renata Bocorny de Azevedo</strong> possui Graduação em Ciências Biológicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), especialização em Animais Silvestres com ênfase em Conservação na Amazônia, pela Universidade Federal Rural da Amazônia, e mestrado em Zoologia também pela PUC-RS. Atualmente é Analista Ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), lotada no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB). Tem experiência na área de Zoologia, com ênfase em Etologia, Ecologia e Conservação de Primatas e na área de gestão ambiental.</p>



<p><strong>Rodrigo Baia Castro</strong> possui graduação em Licenciatura Plena em Ciências Naturais pela Universidade do Estado do Pará, graduação em Sistemas de Informação pela Universidade Federal do Pará, e bacharelado em Direito pela faculdade Estacio de Castanhal. Possui especialização em Educação Social para a Juventude pela Universidade do Estado do Pará, mestrado em Zoologia pela Universidade Federal do Pará, e doutorado em biodiversidade pelo Museu Emilio Goeldi. Possui experiência em sensoriamento remoto, modelos de distribuição de espécies, as ameaças à biodiversidade e a priorização espacial para a conservação.</p>



<p><strong>Dayse Campista</strong> possua graduação em Bióloga pela Universidade Gama Filho(UGF), mestrado em ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Possui habilidades em educação ambiental, gestão de parques zoológicos, manejo dos recursos naturais e gestão ambiental. Atualmente, Diretora Executiva do Instituto Sauim-de-coleira e coordenadora do Programa de Educação Ambiental &#8220;Sauim na Escola&#8221;.</p>



<p><strong>Wilson Roberto Spironello</strong> possui graduação em Ecologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e doutorado em Biologia pela Universidade de Cambridge, Inglaterra. Desde 2023 é pesquisador no Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA). De 2002-2023 foi pesquisador no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Foi presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia (2014-2015) e do Instituto Sauim-de-coleira (2022-2023). Possui experiência em ecologia de primatas e com a ecologia e monitoramento de mamíferos terrestres de médio e grande porte.</p>



<p><strong>Maurício de Almeida Noronha</strong> possui graduação em Ciências Biológicas e especialização em Manejo de Animais Silvestres pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e Mestrado em Ciências Ambientais e Florestais pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). As suas pesquisas focam em mastofauna do bioma Amazônia, com ênfase em primatas.</p>
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		<title>O Brasil põe em risco o clima e a saúde globais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Philip Martin Fearnside]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Feb 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O desmantelamento do sistema de licenciamento ambiental no Brasil coloca em risco os ecossistemas e a floresta, aumentando a vulnerabilidade ambiental e social do país, alertam pesquisadores. Atividades como expansão da fronteira mineral, desmatamento e grilagem, por exemplo, podem causar pandemias e agravamento da saúde global. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Carlos José Saldanha Machado, Rodrigo Machado Vilani e Philip Martin Fearnside</strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p>No dia 20 de fevereiro publicamos uma carta sobre a na prestigiosa revista <em>Science</em>, disponível <a href="https://doi.org/10.1126/science.aee6316" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui </a>[1] sobre o desmonte do licenciamento ambiental e outros retrocessos recentes. O atual texto apresenta essas informações em português.</p>



<p>O Congresso Nacional do Brasil derrubou recentemente vetos presidenciais e aprovou medidas provisórias que violam a Constituição brasileira e tratados internacionais, priorizando o lucro financeiro em detrimento da conservação ambiental. O Supremo Tribunal Federal deve reafirmar que o Estado brasileiro não pode reinterpretar a Constituição para legitimar a destruição de ecossistemas críticos.</p>



<p>Em 27 de novembro de 2025, o Congresso brasileiro derrubou 52 dos 63 vetos parciais feitos pelo presidente ao chamado “PL da devastação” (Lei Federal nº 15.190, de 08 de agosto de 2025, anteriormente Projeto de Lei nº 2159/2021) [2], que cria um mecanismo de autolicenciamento ambiental. Ao fazer isso, o Congresso converteu o licenciamento, originalmente concebido para proteger vidas humanas e não humanas, em uma ferramenta que facilita projetos de alto impacto. O licenciamento abreviado efetivamente elimina os povos indígenas e quilombolas dos processos de tomada de decisão.</p>



<p>Nos dias 02 e 03 de dezembro de 2025, o Congresso Nacional converteu a Medida Provisória 1308/2025 em lei (Lei Federal nº 15.300, de 22 de dezembro de 2025), criando uma licença ambiental especial que obriga a aprovação, em até um ano, de grandes projetos classificados como “estratégicos” por um comitê político [3]. Essas licenças especiais visam acelerar projetos de grande escala na Amazônia, como a perfuração para petróleo na foz do rio Amazonas [4], a rodovia BR-319 (Manaus–Porto Velho) [5] e atividades relacionadas à mineração [6]. A lei facilita a transformação da Amazônia em um corredor logístico subordinado a interesses privados, ignorando que o colapso dos serviços ecossistêmicos da região — incluindo a regulação climática, os ciclos hidrológicos e a estabilidade da biodiversidade — põe em risco a viabilidade econômica e social do País [7].</p>



<p>O desmantelamento do sistema de licenciamento ambiental brasileiro também desconsidera o risco de pandemias [8]. Ao expandir a fronteira mineral e abrir novas áreas para a invasão por grileiros e ocupantes ilegais, o Estado brasileiro aumenta a interface entre populações humanas e patógenos da vida selvagem. As decisões do Congresso intensificarão mecanismos clássicos de emergência zoonótica, como perda de habitat, estresse ecológico sobre a fauna, circulação de espécies invasoras, deslocamento forçado de animais e aumento dos fluxos humanos em áreas de alta biodiversidade [9, 10].</p>



<p>Essas decisões violam a Constituição do Brasil, que consagra o direito dos povos indígenas de serem consultados sobre projetos de água, energia e mineração em seus territórios (artigo 231) e o direito de todos os cidadãos a um meio ambiente ecologicamente equilibrado (artigo 225) [11]. Além disso, em 2019, o Brasil aprovou o Decreto nº 10.088, que torna o país signatário da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, tratado vinculativo que assegura os direitos dos povos indígenas. Em dezembro de 2025, partidos políticos, a Associação Nacional de Agências Municipais do Meio Ambiente e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil impetraram ação no Supremo Tribunal Federal alegando a inconstitucionalidade das Leis 15.190/2025 e 15.300/2025 [12]. O Supremo Tribunal Federal do Brasil deve anular as decisões do Congresso. [13].</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Notas</strong></p>



<p>[1]. Machado, C.J.S., R.M. Vilani &amp; P.M. Fearnside. 2026. <a href="https://doi.org/10.1126/science.aee6316">Brazil endangers global climate and health</a>. <em>Science </em>391: 774-775. </p>



<p>[2]. Agência Senado (2025). <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2025/11/27/congresso-derruba-52-itens-de-veto-a-lei-geral-do-licenciamento-ambienta">Congresso derruba 52 itens de veto à Lei Geral do Licenciamento Ambiental</a>. Agência Senado, 27 de novembro de 2025. </p>



<p>[3]. OC (Observatório do Clima) (2025). <a href="https://www.oc.eco.br/congresso-recria-pl-da-devastacao-e-mata-licenciamento-ambiental-no-brasil/">Congresso recria PL da devastação e mata licenciamento ambiental no Brasil.</a> OC, 27 de novembro de 2025.</p>



<p>[4]<em>.</em> Lacerda, F.R., A.P.S. Bertoncin &amp; R. Ruaro (2025). <a href="https://doi.org/10.1126/science.aed3752">Brazil’s credibility at stake with drilling</a>. <em>Science </em>390: 794. </p>



<p>[5]. Soares-Filho, B.S., J.L. Davis &amp; R. Rajão. (2020). <a href="https://observatoriobr319.org.br/wp-content/uploads/2021/10/Soares-Filho-et-al.-2020_Pavimentacao-da-BR-319-a-rodovia-do-desmatamento.pdf">Pavimentação da BR-319, a Rodovia do Desmatamento”</a>. (2020).</p>



<p>[6]. Pinheiro, K. (2025). <a href="https://oeco.org.br/noticias/mp-que-flexibiliza-licenciamento-e-burla-rito-para-obras-de-interesse-politico-avanca-no-congresso/">MP que flexibiliza licenciamento e burla rito para obras de interesse político avança no Congresso.</a> <em>O Eco</em>, 2 December 2025. </p>



<p><a>[7]<em>.</em></a>Science Panel for the Amazon. (2025). <a href="https://doi.org/10.55161/WZHB2034"><em>Amazon Assessment Report 2025 &#8211; Connectivity of the Amazon for a Living Planet</em> </a>(eds Peña-Claros, M., Nobre, C., Armenteras, D., Athayde, S., Barlow, J., Bustamante, M., Encalada, A.C., Mena, C., Moutinho, P., Poveda, G., Roca, F., Saleska, S., Silva, L.V.N., Trumbore, S.E., Val, A.L., Varese, M., Brondizio, E.S., Espinoza, J.C., Esquivel-Muelbert, A., Ferreira, J.,Garzón, J.C., Gómez Soto, M., Hirota, M., Josse, C., Marengo, J. A., Mirabal, J.G.D., Moreira de Carvalho, B., Schmink, M.C., de Souza Hacon, S., Szabo, I., Witteveen, N.H.). Science Panel for the Amazon, Sustainable Development Solutions Network, New York. </p>



<p>[8]. Ferrante, L. (2024). <a href="https://doi.org/10.1016/S2542-5196(24)00163-3">A road to the next pandemic: the consequences of Amazon highway BR-319 for planetary health.</a> <em>Lancet Planet Health</em> 8: e524-e525. </p>



<p><a>[9]. </a>Ellwanger, J.H., Kulmann-Leal, B., Kaminski, V.L., Valverde-Villegas, J.M., da Veiga, A.B.G., Spilki, F.R., Fearnside, P.M., Caesar, L., Giatti, L.L., Wallau, G.L., Almeida, S.E.M., Borba, M.R., da Hora, V.P. &amp; Chies, J.A.B. 2020. <a href="https://doi.org/10.1590/0001-3765202020191375">Beyond diversity loss and climate change: Impacts of Amazon deforestation on infectious diseases and public health</a>. <em>Annals of the Brazilian Academy of Sciences</em> 92(1): art. e20191375. </p>



<p><a>[10].</a> Ellwanger, J.H., P.M. Fearnside, M. Ziliotto, J.M. Valverde-Villegas, A.B.G. da Veiga, G.F. Vieira, E. Bach, J.C. Cardoso, N.F.D. Müller, G. Lopes, L. Caesar, B. Kulmann-Leal, V.L. Kaminski, E.S. Silveira, F.R. Spilki, M.N. Weber, S.E.M. Almeida, V.P. da Hora, J.A.B. Chies. 2022. <a href="https://doi.org/10.1590/0001-3765202220211530">Synthesizing the connections between environmental disturbances and zoonotic spillover</a>. <em>Annals of the Brazilian Academy of Sciences</em> 94(3): art. e20211530 3. </p>



<p>[11]. PR (Presidência da República). 1988. <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm">Constituição da República Federativa do Brasil. </a></p>



<p>[12]. STF (Supremo Tribunal Federal). 2025. <a href="https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/partidos-e-associacoes-questionam-pontos-da-lei-geral-de-licenciamento-ambiental/">Partidos e associações questionam pontos da Lei Geral de Licenciamento Ambiental.</a> <em>STF Notícias</em>, 29 de dezembro de 2025. </p>



<p>[13]. Este texto traduz a carta: Machado, C.J.S., R.M. Vilani &amp; P.M. Fearnside. 2026. <a href="https://doi.org/10.1126/science.aee6316">Brazil endangers global climate and health</a>. <em>Science </em>391: 774-775.</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p><strong>Carlos José Saldanha Mac</strong><strong>hado</strong> possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mestrado em Política de Ciências e Tecnologias pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e doutorado em Antropologia Social pela Universidade Paris V Sorbonne, na França. Atualmente é pesquisador titular em saúde pública na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rio de Janeiro, RJ. É professor colaborador de Programas de Pós-Graduação da Fiocruz (Informação e Comunicação em Saúde – PPGICS/Icict, em Biodiversidade e Saúde – PPGBS/IOC), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Doutorado em Meio Ambiente – PPG-MA/UERJ) e do Mestrado Profissional em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos (PROFÁGUA / UNESP / USP / UERJ / UFRGS / UFPE / UEA / UFES).</p>



<p><strong>Rodrigo Machado Vilani </strong>possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2000) e em Direito pela Faculdade Vianna Júnior (2003). Possui mestrado em Direito (2006) e doutorado em Meio Ambiente (2010) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Realizou pós-doutorado no Programa de Biodiversidade e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (2014). É professor adjunto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), onde ingressou em 2014. Suas áreas de interesse são: Direito Ambiental; Política Ambiental; Áreas protegidas; Conflitos Ambientais; Ecoturismo.</p>



<p><strong>Philip Martin Fearnside</strong>&nbsp;é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis&nbsp;<a href="http://philip.inpa.gov.br/">aqui</a>.</p>
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		<title>Vitória dos indígenas: Lula revoga decreto de privatização de hidrovias na Amazônia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Nicoly Ambrosio]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Feb 2026 23:10:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Povos Indígenas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Decisão ocorre após pressão de lideranças que ocupam o terminal da empresa Cargill, em Santarém (PA); movimento cobrava retirada da norma que incluía rios amazônicos no programa federal de desestatização.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Manaus (AM) &#8211; </strong>O governo federal revogou nesta segunda-feira (23) o Decreto nº 12.600/2025, alvo de protestos de indígenas de territórios no rio Tapajós que ocupam há mais de um mês o porto da multinacional estadunidense Cargill, em Santarém, oeste do Pará. A decisão foi anunciada pelo ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, em sua rede social.&nbsp;</p>



<p>“Anunciamos a decisão do governo Lula de revogar o decreto 12.600, após me reunir hoje com os povos indígenas do Tapajós, Tocantins e Madeira. Este governo tem capacidade de escuta do povo, inclusive para rever decisões quando necessário. A decisão será publicada na próxima edição do Diário Oficial”, <a href="https://www.instagram.com/p/DVHWB1lkoR9/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">disse o ministro.</a>&nbsp;</p>



<p>A decisão ocorreu após uma série de manifestações e protestos do movimento indígena, especialmente dos povos Munduruku, Arapiuns e Tupinambá, que exigiram a revogação definitiva do decreto presidencial.</p>



<p>A revogação foi publicada <a href="https://in.gov.br/web/dou/-/decreto-n-12.856-de-23-de-fevereiro-de-2026-688404889" target="_blank" rel="noreferrer noopener">nesta terça-feira no DOU</a>, com assinatura do vice-presidente em Geraldo Alckmin, devido à agenda de Lula em viagem à Ásia nesta semana. Alckmin assumiu o cargo em exercício. A medida inclui o cancelamento das dragagens previstas nos rios Tocantins, Madeira e Tapajós. Para o movimento indígena, a decisão é considerada uma vitória depois de tantos dias de luta.</p>



<p>Em nota, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) enfatizou que aguarda a publicação da revogação no DOU e que “acompanha com atenção o anúncio do Governo Federal sobre a revogação na integralidade do Decreto nº 12.600/2025, que trata sobre a hidrovia no rio&nbsp; Tapajós. Seguiremos atentos às comunicações oficiais para informar nossas bases e a sociedade assim que houver atualização.”</p>



<p>Uma comitiva de lideranças indígenas à frente da ocupação foi a Brasília, onde participou de reuniões oficiais com o governo federal. O grupo foi recebido pelo ministro Guilherme Boulos, e pela ministra Sonia Guajajara, do Ministério dos Povos Indígenas, para tratar das demandas relacionadas à revogação do Decreto nº 12.600 e aos impactos da política de desestatização sobre os rios amazônicos.</p>



<p>Em coletiva junto com a ministra Sonia Guajajara, Boulos disse&nbsp;após um processo de discussão dentro do governo, que ouviu várias posições, hoje se firmou a decisão pela revogação do decreto 12.600. &#8220;Este é um governo que tem compromisso com a escuta do povo, com a escuta dos trabalhadores e dos povos indígenas. Esse é um governo que leva a escuta ao ponto de recuar de uma decisão própria por entender e compreender a posição desses povos”, <a href="https://www.instagram.com/reels/DVHZK9ZEqb2/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">disse Boulos durante o anúncio.</a></p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/REVOGACAO-DECRETO-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/REVOGACAO-DECRETO-2-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-171522" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/REVOGACAO-DECRETO-2-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/REVOGACAO-DECRETO-2-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/REVOGACAO-DECRETO-2-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/REVOGACAO-DECRETO-2-1536x863.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/REVOGACAO-DECRETO-2-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/REVOGACAO-DECRETO-2.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Anúncio foi feito após reunião dos ministros Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas, com lideranças do movimento (Foto: Ruy Castro/Secretaria-Geral da Presidência).</sub></em></figcaption></figure>



<p>A mobilização indígena em Santarém contestava a inclusão de trechos dos rios Tapajós e Tocantins-Araguaia, no Pará, e Madeira, no Amazonas e Rondônia, <a href="https://amazoniareal.com.br/lula-planeja-privatizar-tres-hidrovias-da-amazonia/#" target="_blank" rel="noreferrer noopener">no Programa Nacional de Desestatização (PND)</a>, medida assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em agosto de 2025.&nbsp;</p>



<p>Apesar de o Ministério dos Portos e Aeroportos (Mpor) reforçar que o Decreto nº 12.600 não tratava de privatização, <a href="https://www.gov.br/portos-e-aeroportos/pt-br/assuntos/noticias/2026/02/nota-a-imprensa">mas apenas autorizava a realização de estudos técnicos</a>, o alerta do movimento indígena apontou que a medida poderia abrir caminho para concessões hidroviárias à iniciativa privada, incluindo obras de dragagem e maior fluxo de transporte dos commodities do agronegócio, impactando comunidades e aldeias ao longo dos rios. Além disso, o movimento indígena denunciou a falta de consulta livre, prévia e informada às comunidades afetadas, direito garantido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).</p>



<p>“Uma vitória do movimento organizado, que há 33 dias em Santarém ocupou o prédio de uma das maiores multinacionais exportadoras de soja do mundo, que é a Cargill. Todos nós entraremos para a história pela revogação desse decreto”, disse Lucas Tupinambá, coordenador do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA).</p>



<p>Em pronunciamento nas redes sociais do CITA nesta terça-feira (24), o cacique Rogério Arapiun falou sobre os próximos passos da ocupação. Em até 48 horas, os indígenas devem sair de forma organizada das instalações da Cargill, período em que será realizada a limpeza do local.</p>



<p>“Temos alguns dias ainda aqui, para poder deixar o local limpo. Tem muita coisa que precisa ser desmontada. Entramos em contato com todas as lideranças que estão aqui para dar o prazo de 48 horas. Podemos até sair antes, mas esse é o nosso prazo para desocupar todo o ambiente”, declarou.</p>



<p><strong>Pressão do movimento indígena</strong></p>



<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DVHW-wviX34/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:540px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);"><div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/reel/DVHW-wviX34/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> <div style=" display: flex; flex-direction: row; align-items: center;"> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;"></div> <div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;"> <div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 100px;"></div> <div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 60px;"></div></div></div><div style="padding: 19% 0;"></div> <div style="display:block; height:50px; margin:0 auto 12px; width:50px;"><svg width="50px" height="50px" viewBox="0 0 60 60" version="1.1" xmlns="https://www.w3.org/2000/svg" xmlns:xlink="https://www.w3.org/1999/xlink"><g stroke="none" stroke-width="1" fill="none" fill-rule="evenodd"><g transform="translate(-511.000000, -20.000000)" fill="#000000"><g><path d="M556.869,30.41 C554.814,30.41 553.148,32.076 553.148,34.131 C553.148,36.186 554.814,37.852 556.869,37.852 C558.924,37.852 560.59,36.186 560.59,34.131 C560.59,32.076 558.924,30.41 556.869,30.41 M541,60.657 C535.114,60.657 530.342,55.887 530.342,50 C530.342,44.114 535.114,39.342 541,39.342 C546.887,39.342 551.658,44.114 551.658,50 C551.658,55.887 546.887,60.657 541,60.657 M541,33.886 C532.1,33.886 524.886,41.1 524.886,50 C524.886,58.899 532.1,66.113 541,66.113 C549.9,66.113 557.115,58.899 557.115,50 C557.115,41.1 549.9,33.886 541,33.886 M565.378,62.101 C565.244,65.022 564.756,66.606 564.346,67.663 C563.803,69.06 563.154,70.057 562.106,71.106 C561.058,72.155 560.06,72.803 558.662,73.347 C557.607,73.757 556.021,74.244 553.102,74.378 C549.944,74.521 548.997,74.552 541,74.552 C533.003,74.552 532.056,74.521 528.898,74.378 C525.979,74.244 524.393,73.757 523.338,73.347 C521.94,72.803 520.942,72.155 519.894,71.106 C518.846,70.057 518.197,69.06 517.654,67.663 C517.244,66.606 516.755,65.022 516.623,62.101 C516.479,58.943 516.448,57.996 516.448,50 C516.448,42.003 516.479,41.056 516.623,37.899 C516.755,34.978 517.244,33.391 517.654,32.338 C518.197,30.938 518.846,29.942 519.894,28.894 C520.942,27.846 521.94,27.196 523.338,26.654 C524.393,26.244 525.979,25.756 528.898,25.623 C532.057,25.479 533.004,25.448 541,25.448 C548.997,25.448 549.943,25.479 553.102,25.623 C556.021,25.756 557.607,26.244 558.662,26.654 C560.06,27.196 561.058,27.846 562.106,28.894 C563.154,29.942 563.803,30.938 564.346,32.338 C564.756,33.391 565.244,34.978 565.378,37.899 C565.522,41.056 565.552,42.003 565.552,50 C565.552,57.996 565.522,58.943 565.378,62.101 M570.82,37.631 C570.674,34.438 570.167,32.258 569.425,30.349 C568.659,28.377 567.633,26.702 565.965,25.035 C564.297,23.368 562.623,22.342 560.652,21.575 C558.743,20.834 556.562,20.326 553.369,20.18 C550.169,20.033 549.148,20 541,20 C532.853,20 531.831,20.033 528.631,20.18 C525.438,20.326 523.257,20.834 521.349,21.575 C519.376,22.342 517.703,23.368 516.035,25.035 C514.368,26.702 513.342,28.377 512.574,30.349 C511.834,32.258 511.326,34.438 511.181,37.631 C511.035,40.831 511,41.851 511,50 C511,58.147 511.035,59.17 511.181,62.369 C511.326,65.562 511.834,67.743 512.574,69.651 C513.342,71.625 514.368,73.296 516.035,74.965 C517.703,76.634 519.376,77.658 521.349,78.425 C523.257,79.167 525.438,79.673 528.631,79.82 C531.831,79.965 532.853,80.001 541,80.001 C549.148,80.001 550.169,79.965 553.369,79.82 C556.562,79.673 558.743,79.167 560.652,78.425 C562.623,77.658 564.297,76.634 565.965,74.965 C567.633,73.296 568.659,71.625 569.425,69.651 C570.167,67.743 570.674,65.562 570.82,62.369 C570.966,59.17 571,58.147 571,50 C571,41.851 570.966,40.831 570.82,37.631"></path></g></g></g></svg></div><div style="padding-top: 8px;"> <div style=" color:#3897f0; 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overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/reel/DVHW-wviX34/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">Um post compartilhado por Mídia Guarani Mbya (@midiaguaranimbya)</a></p></div></blockquote>
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<p>O movimento indígena ocupou por mais de um mês a praia da Vera Paz, local das instalações da Cargill. Mais de 1.200 indígenas de 17 povos estavam mobilizados desde o dia 22 de janeiro em defesa dos rios e territórios tradicionais da Amazônia. De acordo com o movimento, o acampamento funciona sob gestão coletiva, com logística própria de alimentação, higiene e segurança, além de contar com apoio da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI).</p>



<p>Ainda nesta segunda-feira, as lideranças haviam dado o prazo de até a próxima sexta-feira (27) para que o governo federal apresentasse uma resposta concreta sobre a revogação do Decreto nº 12.600/2025. A decisão foi anunciada em nota pública&nbsp; divulgada após assembleia realizada por caciques, cacicas e lideranças dos povos Munduruku, Tupinambá, Arapiun e Kumaruara das regiões do Baixo, Médio e Alto Tapajós.</p>



<p>A principal reivindicação dos povos originários era que o decreto fosse revogado de forma definitiva. Diante do silêncio das autoridades, o movimento anunciou que, caso não houvesse encaminhamentos institucionais dentro do prazo estabelecido, o movimento poderia deliberar novas medidas de pressão política como forma de protesto, incluindo a possibilidade da queima de um comboio de balsas de transporte de grãos.</p>



<p>“Queremos que essa mensagem chegue até o governo e empresas. Estamos pedindo cinco dias para revogar o decreto de morte que vai matar a vida dos nossos filhos, a vida do Tapajós. O prazo já está dado, esse recado já está dado!”, disse a liderança Maria Leusa Munduruku.</p>



<p><strong>Protestos avançaram</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/revoga-slider2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="537" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/revoga-slider2-1024x537.jpg" alt="" class="wp-image-171564" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/revoga-slider2-1024x537.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/revoga-slider2-300x157.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/revoga-slider2-768x402.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/revoga-slider2-150x79.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/revoga-slider2.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Indígenas comemoram a revogação do Decreto 12.600/2025 (Foto: Reprodução Instagram/ Movimento Tapajós Vivo/@Citabt).</sub></em></figcaption></figure>



<p>Na sexta-feira (20) centenas de pessoas participaram de um protesto em frente ao escritório corporativo da Cargill em São Paulo (SP), no bairro do Morumbi, com intuito de ampliar a visibilidade do conflito. Em sequência, na madrugada do último sábado (21), <a href="https://www.tapajosdefato.com.br/noticia/1630/apos-31-dias-de-ocupacao-povos-do-tapajos-ocupam-escritorio-da-cargill-e-ampliam-mobilizacao-em-santarem" target="_blank" rel="noreferrer noopener">povos indígenas e comunidades tradicionais ocuparam de forma pacífica</a> a sala de operações da Cargill em Santarém, após 31 dias sem respostas concretas do governo federal em relação às suas demandas.&nbsp; O episódio ocorreu logo após <a href="https://www.tapajosdefato.com.br/noticia/1625/trf1-mantem-ordem-para-desobstrucao-do-porto-de-santarem-em-48-horas-e-revoga-liminar-favoravel-a-ocupacao-indigena" target="_blank" rel="noreferrer noopener">decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região</a>, proferida na sexta-feira (20), que determinou à União a adoção de medidas no prazo de 48 horas para a liberação das vias de acesso ao terminal da Cargill.&nbsp;</p>



<p>No entanto, <a href="https://www.ihu.unisinos.br/662561-justica-nega-pedido-de-reintegracao-e-indigenas-mantem-ocupacao-da-cargill" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a Justiça negou o pedido de reintegração de posse.</a> Segundo o juiz Eneias Alexandre Gonçalves Torres, da Subseção Judiciária da Justiça Federal em Santarém, a adoção de medidas para desocupar a área não seria adequada durante o plantão judicial. Ele argumentou que há mulheres, crianças e idosos entre os manifestantes, o que eleva o risco de agravamento do conflito em caso de eventual uso de força policial.</p>



<p>Em uma carta aberta divulgada ao público, CITA declarou que a decisão de ocupar o escritório foi construída de forma coletiva, a partir da escuta dos mais velhos, de análises jurídicas e políticas e da indignação diante do Decreto n° 12.600. Segundo a organização, a ação veio após “após um mês completo de silêncio institucional e ausência de respostas concretas”, e não foi impulsiva nem violenta.&nbsp;</p>



<p>“Estamos aqui porque defendemos o direito de existir. Durante trinta dias aguardamos posicionamento oficial do Governo Federal. Solicitamos diálogo com a Presidência da República, a Casa Civil e o Ministério dos Transportes sobre os impactos do decreto nos territórios indígenas e nas comunidades tradicionais atingidas pelo chamado ‘Arco Norte’. Não houve resposta efetiva”, diz um trecho do documento.</p>



<p>Na manhã desta segunda-feira (23), <a href="https://www.instagram.com/reel/DVGgWoLDuwP/?igsh=MTR1bHM4eHk2bWlkMQ==" target="_blank" rel="noreferrer noopener">uma delegação de homens, mulheres, crianças e jovens da Terra Indígena Maró</a>, território tradicionalmente ocupado pelos povos Borari e Arapiun, em Santarém, chegou para apoiar a ocupação no terminal da Cargill. Os indígenas levaram alimentos produzidos no próprio território para reforçar a luta e doar aos acampados. A ocupação também conta com o apoio dos povos <a href="https://reporterbrasil.org.br/2026/02/indigenas-ocupam-balsa-soja-tapajos-contra-privatizacao-hidrovias/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Kayapó e Panará, vindos do Alto Xingu, no Mato Grosso</a>.</p>



<p>“A luta contra a dragagem do rio Tapajós não é a luta de um povo, mas sim da nação indígena que é contra esse tipo de projeto”, <a href="https://www.instagram.com/reel/DVGkb2OAOmY/?igsh=ZjAxMnNpOTQ4NXFp" target="_blank" rel="noreferrer noopener">manifestou</a> o cacique Dadá Borari.</p>



<p><strong>Ameaças e intimidações</strong></p>



<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DVHa-4WEkGE/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:540px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);"><div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/reel/DVHa-4WEkGE/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> <div style=" display: flex; flex-direction: row; align-items: center;"> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;"></div> <div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;"> <div style=" background-color: #F4F4F4; 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font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:550; line-height:18px;">Ver essa foto no Instagram</div></div><div style="padding: 12.5% 0;"></div> <div style="display: flex; flex-direction: row; margin-bottom: 14px; align-items: center;"><div> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(0px) translateY(7px);"></div> <div style="background-color: #F4F4F4; height: 12.5px; transform: rotate(-45deg) translateX(3px) translateY(1px); width: 12.5px; flex-grow: 0; margin-right: 14px; margin-left: 2px;"></div> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(9px) translateY(-18px);"></div></div><div style="margin-left: 8px;"> <div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 20px; width: 20px;"></div> <div style=" width: 0; height: 0; border-top: 2px solid transparent; border-left: 6px solid #f4f4f4; border-bottom: 2px solid transparent; 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overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/reel/DVHa-4WEkGE/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">Um post compartilhado por Pororoka (@segueapororoka)</a></p></div></blockquote>
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<p>Na linha de frente das ocupações, <a href="https://amazoniareal.com.br/em-meio-a-luta-pelo-rio-tapajos-mulheres-indigenas-enfrentam-ameacas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">as mulheres e jovens indígenas sofreram ameaças e intimidações por sua atuação.</a> Lideranças como <a href="https://amazoniareal.com.br/lula-esta-entregando-a-amazonia-para-os-paises-ricos-diz-alessandra-munduruku/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Alessandra Korap Munduruku</a>, Maria Leusa Munduruku e Auricelia Arapiun organizaram a luta coletiva, a comunicação e a articulação política do acampamento. Não houve registro oficial de agressões físicas contra mulheres dentro da ocupação, mas as lideranças relataram hostilidade nas redes sociais e discursos que classificaram o movimento como “radical” ou “ilegal”, narrativa que pode legitimar violência contra os povos indígenas.</p>



<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DVHbCDfj6Ni/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:540px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);"><div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/reel/DVHbCDfj6Ni/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> <div style=" display: flex; flex-direction: row; align-items: center;"> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;"></div> <div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;"> <div style=" background-color: #F4F4F4; 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font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:550; line-height:18px;">Ver essa foto no Instagram</div></div><div style="padding: 12.5% 0;"></div> <div style="display: flex; flex-direction: row; margin-bottom: 14px; align-items: center;"><div> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(0px) translateY(7px);"></div> <div style="background-color: #F4F4F4; height: 12.5px; transform: rotate(-45deg) translateX(3px) translateY(1px); width: 12.5px; flex-grow: 0; margin-right: 14px; margin-left: 2px;"></div> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(9px) translateY(-18px);"></div></div><div style="margin-left: 8px;"> <div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 20px; width: 20px;"></div> <div style=" width: 0; height: 0; border-top: 2px solid transparent; border-left: 6px solid #f4f4f4; border-bottom: 2px solid transparent; 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overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/reel/DVHbCDfj6Ni/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">Um post compartilhado por CONSELHO INDÍGENA TUPINAMBÁ (@citupi.amazonia)</a></p></div></blockquote>
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<p>O episódio mais grave de violência ocorreu no dia 5 de fevereiro, quando a ocupação já estava em curso havia duas semanas. O <a href="https://reporterbrasil.org.br/2026/02/vereador-avanca-conversivel-contra-indigenas-impeachment/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vereador Malaquias José Mottin (PL) avançou um carro contra as barricadas e os indígenas</a> que se manifestavam no cruzamento das avenidas Tapajós e Cuiabá, próximo à entrada da Cargill. Ninguém foi ferido e o vereador virou <a href="https://g1.globo.com/pa/santarem-regiao/noticia/2026/02/10/camara-de-santarem-aceita-pedido-de-cassacao-do-vereador-malaquias-mottin-apos-incidente-em-protesto-indigena.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">alvo de processo de cassação</a> na Câmara Municipal de Santarém.</p>



<div class="alignnormal"><div id="metaslider-id-171544" style="width: 100%;" class="ml-slider-3-107-0 metaslider metaslider-flex metaslider-171544 ml-slider has-dots-nav ms-theme-default-base" role="region" aria-label="revogação Decreto 12.600/2025" data-height="900" data-width="1600">
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                <li style="display: block; width: 100%;" class="slide-171545 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-02-23 18:53:29" data-filename="Indigenas-em-Brasilia-fim-do-decreto-12600-foto-@tukuma_pataxo-APIB-13-1600x900.jpeg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Indigenas-em-Brasilia-fim-do-decreto-12600-foto-@tukuma_pataxo-APIB-13-1600x900.jpeg" height="900" width="1600" alt="" class="slider-171544 slide-171545 msDefaultImage" title="Indígenas em Brasília fim do decreto 12600 (foto @tukuma_pataxo-APIB) (13)" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Lideranças indígenas dos povos impactados pelo decreto 12.600, juntamente com o Jurídico da articulação dos povos indígenas do Brasil (APIB) estiveram reunidas com representantes da União das Nações Unidas (ONU) na Casa da ONU Brasil, para tratar da revogação do Decreto 12.600/2025, que impacta diretamente os rios Tapajós, Madeira e Tocantins (Foto: @tukuma_pataxo/APIB).</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-171546 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-02-23 18:53:29" data-filename="Indigenas-em-Brasilia-fim-do-decreto-12600-foto-@tukuma_pataxo-APIB-12-1600x900.jpeg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Indigenas-em-Brasilia-fim-do-decreto-12600-foto-@tukuma_pataxo-APIB-12-1600x900.jpeg" height="900" width="1600" alt="" class="slider-171544 slide-171546 msDefaultImage" title="Indígenas em Brasília fim do decreto 12600 (foto @tukuma_pataxo-APIB) (12)" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Lideranças indígenas dos povos impactados pelo decreto 12.600, juntamente com o Jurídico da articulação dos povos indígenas do Brasil (APIB) estiveram reunidas com representantes da União das Nações Unidas (ONU) na Casa da ONU Brasil, para tratar da revogação do Decreto 12.600/2025, que impacta diretamente os rios Tapajós, Madeira e Tocantins (Foto: @tukuma_pataxo/APIB).</div></div></li>
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                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-171553 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-02-23 18:53:29" data-filename="Indigenas-em-Brasilia-fim-do-decreto-12600-foto-@tukuma_pataxo-APIB-5-1600x900.jpeg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Indigenas-em-Brasilia-fim-do-decreto-12600-foto-@tukuma_pataxo-APIB-5-1600x900.jpeg" height="900" width="1600" alt="" class="slider-171544 slide-171553 msDefaultImage" title="Indígenas em Brasília fim do decreto 12600 (foto @tukuma_pataxo-APIB) (5)" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Lideranças indígenas dos povos impactados pelo decreto 12.600, juntamente com o Jurídico da articulação dos povos indígenas do Brasil (APIB) estiveram reunidas com representantes da União das Nações Unidas (ONU) na Casa da ONU Brasil, para tratar da revogação do Decreto 12.600/2025, que impacta diretamente os rios Tapajós, Madeira e Tocantins (Foto: @tukuma_pataxo/APIB).</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-171554 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-02-23 18:53:29" data-filename="Indigenas-em-Brasilia-fim-do-decreto-12600-foto-@tukuma_pataxo-APIB-4-1600x900.jpeg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Indigenas-em-Brasilia-fim-do-decreto-12600-foto-@tukuma_pataxo-APIB-4-1600x900.jpeg" height="900" width="1600" alt="" class="slider-171544 slide-171554 msDefaultImage" title="Indígenas em Brasília fim do decreto 12600 (foto @tukuma_pataxo-APIB) (4)" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Lideranças indígenas dos povos impactados pelo decreto 12.600, juntamente com o Jurídico da articulação dos povos indígenas do Brasil (APIB) estiveram reunidas com representantes da União das Nações Unidas (ONU) na Casa da ONU Brasil, para tratar da revogação do Decreto 12.600/2025, que impacta diretamente os rios Tapajós, Madeira e Tocantins (Foto: @tukuma_pataxo/APIB).</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-171555 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-02-23 18:53:29" data-filename="Indigenas-em-Brasilia-fim-do-decreto-12600-foto-@tukuma_pataxo-APIB-3-1600x900.jpeg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Indigenas-em-Brasilia-fim-do-decreto-12600-foto-@tukuma_pataxo-APIB-3-1600x900.jpeg" height="900" width="1600" alt="" class="slider-171544 slide-171555 msDefaultImage" title="Indígenas em Brasília fim do decreto 12600 (foto @tukuma_pataxo-APIB) (3)" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Lideranças indígenas dos povos impactados pelo decreto 12.600, juntamente com o Jurídico da articulação dos povos indígenas do Brasil (APIB) estiveram reunidas com representantes da União das Nações Unidas (ONU) na Casa da ONU Brasil, para tratar da revogação do Decreto 12.600/2025, que impacta diretamente os rios Tapajós, Madeira e Tocantins (Foto: @tukuma_pataxo/APIB).</div></div></li>
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            </ul>
        </div>
        
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<p><em>Esta matéria foi atualizada às 15h45 do dia 24 de fevereiro de 2026 para incluir informações sobre a assinatura da revogação do decreto e publicação no DOU e sobre a previsão de saídas dos indígenas da ocupação na Cargill.</em></p>
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		<title>A Palavra como Flecha – Samantha Terena</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcelo Carnevale]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Feb 2026 20:48:16 +0000</pubDate>
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<p class="has-drop-cap"><em>Renunciar ao ativismo para realizar um desejo pessoal: ter uma profissão. Samantha Terena decidiu travar uma batalha interna que é a de resistir ao impulso de participar das frentes pelos direitos das mulheres trans e se concentrar no estágio de técnica de enfermagem. Foram três os cursos universitários começados e não concluídos, primeiro o de administração, depois bacharelado em enfermagem e, por último, serviço social. Por conta dos muitos anos de luta, várias viagens de ônibus desde o Mato Grosso do Sul até Brasília, muitas marchas, conferências, encontros em diferentes territórios, foi impossível conciliar as agendas e estar presente em sala de aula. A perda da bolsa quando seguia para o terceiro ano de serviço social, foi a gota d´água. “No máximo estar disponível para uma consulta on-line. Me corta o coração, nem mando áudio, digito: eu não posso! Mas já estou pensando no Abril indígena”. Se a militância é uma escolha, ou não, a vocação para a liderança é fato. Em qualquer cenário, Samantha transmite seu senso de justiça e magnetiza pela honestidade e ousadia. Preparem-se os hospitais, as unidades de pronto atendimento, os centros especializados, qualquer que seja o destino, estarão com uma possível nova liderança no quadro de profissionais.</em></p>





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<p><strong>Escapar para resistir</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Samantha-Terena-foto-Amanda-Lelis-MPI.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="689" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Samantha-Terena-foto-Amanda-Lelis-MPI-1024x689.jpg" alt="" class="wp-image-171482" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Samantha-Terena-foto-Amanda-Lelis-MPI-1024x689.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Samantha-Terena-foto-Amanda-Lelis-MPI-300x202.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Samantha-Terena-foto-Amanda-Lelis-MPI-768x516.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Samantha-Terena-foto-Amanda-Lelis-MPI-1536x1033.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Samantha-Terena-foto-Amanda-Lelis-MPI-150x101.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Samantha-Terena-foto-Amanda-Lelis-MPI.jpg 1606w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p><em><sub>&#8220;Somos indígenas e também somos livres para ser quem nós quisermos ser, para sermos felizes da maneira que os encantados nos fizeram e também merecemos respeito”, defende Samantha Terena durante a a 2ª Marsha Nacional pela Visibilidade Trans,  em Brasília em janeiro de 2025 (Foto: Amanda Lelis | MPI).</sub></em></p>



<p>Samantha Terena pediu de última hora para adiarmos nossa conversa para o dia seguinte. Tinha a preocupação de estar com seus trajes, ponderei que a foto seria um assunto para o nosso editor de imagens, que ficasse tranquila. Mas ela tinha razão. Quando finalmente abrimos as câmeras, me deparei com um dos retratos mais potentes da mulher brasileira atual: uma Terena com brincos de pena e um pano afro na cabeça, um Ojá, muito colorido. Apreender cada detalhe do conjunto de acessórios foi perscrutar a riqueza de uma existência que não se esforça, e não precisa se esforçar, para ser carismática. Longe dos estereótipos, aqueles adereços revelavam os marcadores sociais que expressam a potência do feminino e do nosso sincretismo brasileiro.</p>



<p>Ela sorria e compartilhava a alegria de ter passado o fim de semana com o marido, a sogra, em visita à mãe e ao pai na aldeia Terena. “Pude curtir meus pais sem dividir a atenção deles com meus irmãos que não estavam. Sou ciumenta”, pontuou com humor. O que a princípio poderia parecer uma declaração banal de uma filha amorosa, muito longe disso, trazia outro sabor – o da conquista.</p>



<p>Como mulher trans, o caminho de volta à casa paterna foi repleto de bifurcações e sem nenhum tipo de garantia. “Aos 16 anos quis sair de casa. É muita coisa. Você não se reconhece, você não se entende, sua família não te entende. Você tem um gosto diferente, um comportamento diferente, uma voz diferente. E tem um mundo lá fora que não te apoia, que não acredita em você, que nem te ouve. Ao contrário, que te violenta dentro da escola, que não te permite ter amigos. Uma opressão que te faz procurar as drogas, as ruas.”</p>



<p>Esse sentimento de inadequação não melhorou com a saída da pequena Anastácio, cidade do Mato Grosso do Sul que, somado a vários outros municípios da região, abriga uma das maiores populações indígenas do país. O convite para mudar foi feito por um dos irmãos, a ideia era viver em Cuiabá, capital do Mato Grosso, mas o plano não resultou devido à rejeição ao jovem afeminado. A tensão acabou provocando o retorno de Samantha para a casa dos pais. Ela tinha o objetivo de terminar os estudos e sair de vez do círculo familiar, mas voltar naquele momento foi estratégico. “Eu não tinha opção: ficava na casa deles ou passava fome. Tinha medo de não ter estudo, de me tornar uma pessoa leiga.” Este sentimento não era uma fantasia, vinha da realidade concreta que se expressa no destino de cada integrante da família: “meus pais não têm estudo, meus irmãos saíram cedo para trabalhar. Onde vivíamos, era um quarto para todo mundo. Meu pai tinha um servicinho, tínhamos poucas condições, na casa vivíamos sem geladeira, televisão, nada. Mal tínhamos o que comer.”</p>



<p>O contexto familiar sempre foi o do espaço urbano. Antes das retomadas –territórios recuperados dos latifundiários – as comunidades ocupavam áreas muito pequenas, sem condições sustentáveis para as famílias. “Meu pai e minha mãe saíram da aldeia para trabalhar na fazenda, ele como capataz e ela como cozinheira. Se conheceram no trabalho.”</p>



<p>Apesar de viverem na cidade, os quatro filhos mais velhos do casal nasceram com ajuda das parteiras, na aldeia Terena. Depois, com ampliação do serviço médico na região, o trabalho das parteiras foi proibido. Samantha e outro irmão nasceram no hospital de Anastácio. No contexto de uma família Terena, essa oscilação entre a vida urbana e a comunidade indígena sempre favoreceu a estereotipação desse grupo como “aculturados” e “índios urbanos”, afirmações que vão no sentido contrário do que <a href="https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Terena">o Instituto Socioambiental</a> aponta: “a resistência de um povo que soube positivar situações adversas ligadas ao antigo contato, além de mudanças bruscas na paisagem, ecológica e social, que o poder colonial e, em seguida, o Estado brasileiro os reservou.”&nbsp;</p>



<p>Diante desse panorama, a língua Terena não fazia parte da vida das crianças que cresciam em Anastácio. “Minha mãe não falava Terena com a gente, tinha vergonha. Falava com a mãe dela, sempre que a gente ia na comunidade, e com a vovó veia, a minha bisavó. Alguma coisa, bem pouca, a gente aprendeu. Palavras como água, cachaça e uns xingamentos”, me conta rindo.</p>



<p>As perdas culturais confirmam a violência sistêmica a que são submetidas as comunidades indígenas, no contexto urbano brasileiro. Racialização é uma série de estigmas que produzem a necessidade de um esquecimento compulsório das práticas e costumes. O resultado desse afastamento também é recorrente: a negação da própria origem e uma adesão automática ao padrão de dominação que reforça, dentre vários valores questionáveis, o machismo estrutural. Samantha afirma sem meias palavras: “meu pai sempre foi machista. No território, homens e mulheres são machistas. Muitas delas apanham e ficam quietas, acreditam que está certo. Eu fui criada nesse leito familiar.”</p>



<p><strong>De saia e sem medo de nada</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/samantha-alms.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/samantha-alms-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-171493" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/samantha-alms-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/samantha-alms-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/samantha-alms-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/samantha-alms-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/samantha-alms.jpg 1181w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p><em><sub>Samantha Teterna foi homenageada pela Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul na Sessão Solene &#8220;Diversidade e Cidadania&#8221;, com o deputado Pedro Kemp (PT-MS) (Foto: Wagner Guimarães/ALMS- 01/07/2025 ).</sub></em></p>



<p>Dois anos depois de retornar à casa dos pais, ela arrumou um namorado e partiu com o diploma do ensino médio. Relembra que as amigas trans e travestis a consolavam, diziam que tudo ia passar e que a família ia aceitar adiante. O movimento de partida era inevitável, ficar não era uma dentre várias alternativas. “Eu não tinha opção. Eu não tinha escolha.” Ela fala para si mesma: “você quer ser isso ou aquilo?” E constata: “eu não tive isso”.&nbsp; Se não sabia muito bem por onde começar, ela entendia que era necessário fazer da própria transformação uma realidade, e, mais do que o risco, prevalecia a convicção de que eram seus direitos que estavam em jogo. “Ser trans é um ato político. Antes de ser trans, eu sou indígena, é luta ou luto. Eu não tive e não tenho escolha: ou luto ou morro.”&nbsp;</p>



<p>Samantha descobriu outras trans e travestis batalhando pelos direitos, articulando associações, se organizando coletivamente. Foram muitas as referências dessas mulheres empoderadas que despertaram na jovem Terena o desejo de se engajar, aprender a se expressar em público e ocupar os espaços. “Começou por aí o ativismo. Eu nem sabia o que era ativismo, direitos humanos, simplesmente fui indo porque gostava das pessoas, muitas delas me inspiravam, como a Keila Simpson, a Jovanna Baby, a Cris Stefanny, a Bruna Benevides, a falecida Jacqueline Brasil, todas protagonistas na luta pelos direitos da nossa comunidade.”</p>



<p>Num tempo ainda sem celular e <em>whatsapp</em>, os convites para participar de mobilizações, eventos e entrevistas, surgiam no boca a boca. Amigas, amigas das amigas, convidavam para participações em encontros. Uma verdadeira inserção em rede. “Alguém dizia: tal dia você vai na rodoviária para pegar tal ônibus. Contato de outras que combinavam com outras e eu ia para Campo Grande, sozinha. Na cidade, pegava um táxi, chegava no endereço indicado e me via entrando num hotel chique, cheio de gente e eu com roupas simples, sapatinho simples. E aí me falavam: tenho um quarto reservado para você. Eu enchia os olhos e pensava, nossa!”</p>



<p>A família de Samantha a descobriu como protagonista dos direitos LGBTQIA+ quando sua imagem apareceu em rede nacional. Seu pai estava circulando na cidade quando a viu pela TV falando da própria história. As redes sociais, também, ganharam relevância nos últimos anos quando a sobrinha verificou, num perfil pouco usado, no qual a Terena já tinha mil seguidores. A estratégia de publicar mais fotos, vídeos, postar nos <em>stories</em> fez esse número multiplicar por dez.&nbsp; Sobretudo por conta de outra pauta fundamental na história de vida da própria Samantha, a defesa dos povos de matriz africana.</p>



<p>“Fiz meu santo porque, no contexto urbano, eu não tinha contato com a minha ancestralidade. Assumi a umbanda como religião, mas, também, conheci o candomblé.&nbsp;</p>



<p>Fui crescendo na militância pelos povos negros, pelos povos indígenas, defendendo as pessoas LGBTQIA+. Se era para falar, meu nome sempre era lembrado primeiro. Eu ia porque eu não tenho vergonha de me apresentar e de pegar o microfone diante de mil, cinco mil, quinhentas mil pessoas. Não estava nem aí, pegava o microfone e falava mesmo.”</p>



<p><strong>A comunidade LGBTQIA+&nbsp; nos quadros do governo</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/coletivos-indigenas-lgbtqiapn-midia-indigena.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/coletivos-indigenas-lgbtqiapn-midia-indigena-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-171489" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/coletivos-indigenas-lgbtqiapn-midia-indigena-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/coletivos-indigenas-lgbtqiapn-midia-indigena-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/coletivos-indigenas-lgbtqiapn-midia-indigena-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/coletivos-indigenas-lgbtqiapn-midia-indigena-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/coletivos-indigenas-lgbtqiapn-midia-indigena-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/coletivos-indigenas-lgbtqiapn-midia-indigena.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p><em><sub>Coletivos, articulações e lideranças indígenas LGBTQIA+  durante a da 1ª Formação em Direitos Humanos, Justiça Climática e Incidência Política para Indígenas LGBTQIA+ , ocorrido em Belo Horizonte ,em janeiro de 2026 (Foto: Mídia Indígena).</sub></em></p>



<p>Longe do oficialismo, Samantha reflete sobre o caminho de quem optou por não fazer parte da gestão pública e o quanto os tempos atuais implicaram numa desarticulação. “Agora, temos parentes que atuam em Brasília e eles sabem da nossa realidade, mas o governo não tem direita e não tem esquerda, eles seguem diretrizes e o que têm de verdade é muita limitação. A gente também relaxou com a mobilização.”</p>



<p>Muitos da sua geração e outros que vieram em seguida estão operando a máquina do governo. Os amigos de militância questionam o por que da Terena não ter um cargo publico, diante da legitimação como uma voz importante nos direitos das mulheres trans. A resposta revela uma hierarquia dentro da própria comunidade LGBTQIA +, segundo a sua avaliação, “o poder é sempre de um homem gay engravatado, inclusive no Ministério dos Povo Indígenas, nunca de uma pessoa trans. Entretanto, eles precisam das trans para construir a política para o que eles nunca experimentaram: violência, discriminação e os desafios de saúde de transição de uma trans. Eu não consigo ficar quieta, como umas gays engravatadas que se calam para manter o emprego. Nunca aceitei um cargo porque eu nunca me deixei corromper. Eu falo o que eu penso na cara da liderança, falo na cara de quem está à frente. Eu sempre fiz um ativismo independente. Como mulher trans, indígena, dona de terreiro, faço barulho. Essas pessoas vão para uma panelinha, monopolizam o poder.”</p>



<p>A ativista Terena considera que a desmobilização também é fruto de outra dinâmica pautada pela Internet. Nessa perspectiva, os mais jovens estão atuando nas redes sociais e muito distantes do enfrentamento no campo de batalha. E se pergunta: quem quer ir à luta?</p>



<p><strong>A sexualidade no território</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/marcha-atl-2024-ana-pessoa-midia-ninja2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/marcha-atl-2024-ana-pessoa-midia-ninja2-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-171502" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/marcha-atl-2024-ana-pessoa-midia-ninja2-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/marcha-atl-2024-ana-pessoa-midia-ninja2-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/marcha-atl-2024-ana-pessoa-midia-ninja2-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/marcha-atl-2024-ana-pessoa-midia-ninja2-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/marcha-atl-2024-ana-pessoa-midia-ninja2-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/02/marcha-atl-2024-ana-pessoa-midia-ninja2.jpg 2047w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Jovens indígenas do povo Pankararu no ATL de 2023, em Brasília com a bandeira do movimento LGBTQIAPN+ (Foto: Ana Pessoa Mídia Ninja).</p>



<p>A luta pela própria integridade vai muito além de manter-se ilesa, protegida das agressões – o que já significa muito para a realidade do grupo que é o maior alvo da violência de gênero no Brasil. Integridade dentro da cosmovisão indígena, estendida aos direitos do seu povo que não merece diminuição e, sim, viver na plenitude, na inteireza da comunidade. Valores que Samantha defende como parte de uma geração que cresceu em meio aos movimentos das retomadas articulados por diferentes etnias, nas décadas de 1990 e 2000. A estratégia sempre levou ao objetivo comum: a ocupação para reivindicar seus territórios ancestrais e pressionar pela demarcação de Terras Indígenas (TIs).</p>



<p>Com a experiência da militância em Brasília, participando das rodas de conversa, das danças das mulheres, além de marchas e conferências da maior mobilização indígena do Brasil &#8211; o Acampamento Terra Livre (ATL), o protagonismo pela regularização das retomadas foi inevitável. “Eu fui a única trans do meu povo a participar. Tinha outras no armário, mas eu sempre fui atrevida, entendeu? Tinha medo não. Se riam na minha cara, eu perguntava: e aí? Tão rindo de quê? Mas meu histórico de militância me garantia bastante respeito das lideranças. As pessoas me viam e ficavam na dúvida: será que é homem? Será que é mulher? E não tinham coragem de me perguntar.”</p>



<p>Se a dúvida criava alguma distância, Samantha fazia da situação uma oportunidade para se aproximar. Se apresentava e explicava o que é uma mulher trans. Lidava com as surpresas das mulheres que perguntavam por que ela não tinha filhos e manejava o impacto que a novidade provocava em várias colegas. “De certa forma, eu acabei levando o tema da sexualidade para dentro do nosso território. Onde eu moro, ao todo, são sete aldeias e mais quatorze retomadas. É uma cidade indígena dentro de um distrito. Alguns tinham preconceito velado, mas não tinham coragem de fazer uma violência contra mim. Constataram que eu era uma pessoa séria, envolvida com as pautas, presente nas reuniões, que participava dos bloqueios da BR-262 e em outros protestos.”</p>



<p>Todos os esforços e mobilizações renderam frutos.&nbsp; Numa segunda-feira, 02 de maio de 2016, apenas dez dias antes do afastamento da presidenta Dilma Rousseff pelo processo que culminou com o impeachment, foram assinados os decretos demarcatórios. Com eles, ficaram definidos os limites de Terra Indígena Taunay-Ipégue, como sendo tradicionalmente ocupada pelo grupo indígena Terena, considerando terras indígenas com uma superfície aproximada de 33.900 hectares e perímetro também aproximado de 78 quilômetros, assim delimitada, e localizados no município de Aquidauana, vizinho à Anastácio.</p>



<p>Segundo Samantha, trata-se “de uma das maiores retomadas da América Latina que os não indígenas chamam de invasão”. Após muita pressão em Brasília, os Terena articularam uma ação sincronizada: um grupo levou o mapa dos etnoterritórios, com as medições e estudos antropológicos que confirmavam a existência de indígenas na área, como dado comprobatório para as autoridades na capital do país; em Aquidauana, lideranças, mulheres e crianças seguiram para o território em disputa e aguardaram pacificamente acampados a assinatura da demarcação.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Com a decisão publicada, retomaram as terras em um único dia. “Com o mapa da demarcação, nós fomos entrando e comunicando aos funcionários que estávamos fazendo a retomada do nosso território e que comunicassem aos patrões que estaríamos dispostos a uma conversa. Os supostos donos entraram com uma medida legal que garante indenização exclusivamente pelas bem-feitorias, mas não pela propriedade da terra. A gente ficou ali nos barracos, tudo pacifico. Nunca matamos gado ou entramos em conflito com funcionários. Eles entregaram de boa, tudo na paz. Conversamos, também, com a polícia federal. Tivemos muita estratégia, o presidente do Conselho, as lideranças, todos tínhamos experiência de outras retomadas, tínhamos advogados.”</p>



<p><strong>Mudar o nome, montar o corpo da aldeia</strong></p>



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overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/reel/DBIMDeDNROQ/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">Um post compartilhado por aldeia tarumã (@aldeia__taruma)</a></p></div></blockquote>
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<p>A conquista marcou uma nova etapa para os Terena, primeiro na luta pelo reconhecimento das terras, com a demarcação das retomadas, e, depois, uma necessidade de desestigmatizar o que até então era considerado área de conflito. Tal caracterização impedia reivindicar, junto à prefeitura de Aquidauana, assistência básica, como segurança, saúde e alimentação.&nbsp;</p>



<p>Samantha encabeçou outra mudança: preparar a retomada Ouro Preto, que ainda levava o nome da fazenda, para a refundação de uma aldeia. “A ideia sempre foi a de proteger os idosos, as gestantes, as crianças da nossa comunidade. Garantir atendimento médico, cesta básica e mais segurança. Articulamos, fizemos reunião e decidimos que a nossa liderança ficaria como o cacique, meu pai como vice, eu como secretária, escolhemos o tesoureiro e organizamos o conselho tribal. Fizemos ata de fundação da aldeia, comunicamos as lideranças de outras aldeias, fizemos a dança de sinal dos homens, a dança das mulheres e mais um churrasco para o qual convidamos a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), a Articulação dos Povos indígenas do Brasil (APIB) e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), além dos caciques de outras aldeias. Nascia a Aldeia Tarumã.”</p>



<p>O nome Tarumã foi uma sugestão das mulheres que participaram do primeiro acampamento localizado embaixo de um pé de Tarumã que secou, perto do mangueiro da fazenda. Se na comunidade tudo fluiu dentro das boas práticas, na burocracia do Estado, sempre necessário passar por mais um teste de resiliência e persuasão. “Tinha que mendigar na prefeitura quando diziam – ah não pode porque é área de litígio. Respondia: não mais! E mostrava os papéis. Agora, vocês terão que me atender. Tô legalizada. Aqui, o registro.”</p>



<p>Samantha batia na porta da sede da prefeitura e mandava seu recado, falava que era liderança da Aldeia Tarumã e queria falar com o prefeito. Na pauta, transporte para os alunos e apresentação do Cacique Jurandir. Os parentes começaram a perguntar para a Terena, como ela fez para conseguir a legalização da aldeia. “Eu explicava: mude de nome, monte o corpo da sua aldeia com cacique, vice cacique e vai na FUNAI. Tem que somente comunicar, porque eles não podem barrar nada. E faz sua festa!” Assim, ocorreu com a <a href="https://www.instagram.com/aldeia__taruma/">aldeia Tarumã</a>, no dia 09 de março de 2024.</p>



<p><strong>Terreiro de palha Omolu Oxum</strong></p>



<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/CpU8WGnLp7t/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:540px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);"><div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/reel/CpU8WGnLp7t/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> <div style=" display: flex; flex-direction: row; align-items: center;"> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;"></div> <div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;"> <div style=" background-color: #F4F4F4; 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overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/reel/CpU8WGnLp7t/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">Um post compartilhado por Samantha Terena (@samanthaterena)</a></p></div></blockquote>
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<p>A nova aldeia Tarumã abriu espaço para a primeira batida de tambor, o primeiro toque. “A comunidade ficava de longe me olhando, com medo. Pensava que eu estava fazendo maldade. Eu conseguia agregar de alguma forma através do catolicismo. A ideia era simples: se não vem na louvação à Oxóssi, vem no São Sebastião. Vai comer o mesmo churrasco, a mesma coisa. Se no 27 de setembro não pega bala de Cosme e Damião, porque é coisa do diabo, vai comer tudo no 12 de outubro, que é dia das crianças. Festa com pula-pula, bolo, um monte de saco de doce, doação de roupa e brinquedo para as crianças.”</p>



<p>Samantha é muito enfática ao dizer que a umbanda a tornou a pessoa que ela é hoje. Segundo a Terena, existia uma pessoa antes dela conhecer a espiritualidade e outra depois. Este encontro supriu a ausência de contato com a tradição, a falta de conhecimento da língua Terena, a ancestralidade ocultada. Prevaleceu sua devoção ao falar do santo, da mãe de cabeça, do pai, da força que rege e o encantado que a envolve. “É o ar que eu respiro, minha coragem, minha luta. Aquilo que aprendi a venerar. Sem eles não sou nada. Minha voz, minha fala. Eu tinha que louvar meu encantado e meus ancestrais. Chamei meus filhos de santo, levei os atabaques, fiz a festa na aldeia e pronto. Sou zeladora de santo. “</p>



<p>Ela explica que a comunidade vai para ver, com medo daquilo que não conhece. Avalia que todo indígena quando precisa vai no benzedor, mas não fala que vai. Quando está doente e o médico “não dá jeito”, também procura o terreiro, mas não quer dizer que procurou. Senão não existia terreiro. “E eu não tenho nada a ver com a vida privada deles. Iniciei com 14 anos na umbanda. Recebi meu jogo, montei a minha casa e tive meus filhos, sempre livres como o vento. Não se sentiu bem, vai embora. Exu não vai te cobrar, ele é seu! Quem tem que cuidar dele é você, eu não vou cuidar de nada, não cuido nem de mim”, diz sorrindo.</p>



<p>&nbsp;Em Anastácio, Samantha também fazia toque. “Embaixo do pé de água-pomba, fazia a gira ali mesmo, no meio da rua. E colocava os atabaques e, vinham os mendigos que comiam, bebiam e levavam a comida. Eu não tenho vergonha do toque no meio da rua e chamo o povo. Vêm meus convidados, vem quem quiser. Vem crente, gente para a gira de direita, que vai assistir a reza e tomar o passe de preto velho. Eu sirvo a comida e aviso: agora eu vou virar de banda e vai ter cerveja e quem quiser ficar que fique, porque Exu vai xingar, vai falar palavrão e quem não gosta que vá embora.</p>



<p>E foi numa dessas giras que apareceu Romero, recém-chegado de São Paulo, desempregado, pronto para ficar na casa da mãe, em Anastácio. Com a pandemia, as portas pareciam mais fechadas ainda, sem grandes expectativas. Um dia ele ouviu o toque na encruzilhada, como lembra Samantha: “a gente se conheceu, eu tinha feito o santo, estava saindo do meu preceito, há cinco anos atrás. Eu costumo dizer que se uma porta se fecha, eu arrebento a porta, a janela, e vou. Eu não tenho medo de nada, eu não tenho medo de ninguém. Eu não espero nada, eu faço acontecer. Eu sou assim! Desobediente e mandona, mas acredito que sou boa pessoa. Agora, ele tem trabalho.”</p>



<p>&nbsp;O que era para ser uma simples festa de despedida para Samantha seguir rumo a aldeia virou um esbarrão com um beijo roubado. “Ele é de Oxóssi, muito livre também. Eu sou de Oxum que é de paz, mas sou Oxum Opará que é de paz e de guerra.”&nbsp; Das várias encruzilhadas, nas várias bifurcações de uma jornada imposta pela luta e autoafirmação, nenhuma poeira ofuscou seu desejo de conquistar seus direitos, preservar os do seu povo e de reinventar uma tradição pela ancestralidade Terena e o toque do axé.</p>





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		<title>Reviver a moratória da soja</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Philip Martin Fearnside]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Feb 2026 16:37:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[Cade]]></category>
		<category><![CDATA[commodities]]></category>
		<category><![CDATA[moratória da soja]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Autores de artigo analisam a decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) de manter a suspensão da moratória da soja, que passou a valer em janeiro deste ano. Ambientalistas afirmam que a autarquia federal cedeu à pressão do agronegócio. Para especialistas, encerrar a moratória é irresponsável e que o ideal seria fortalecer os esforços de conservação e ajudar o acordo sobre a soja. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por</strong> <strong>Gustavo Magalhães de Oliveira, Philip Martin Fearnside e Jan Börner</strong></p>



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<p>No 12 de fevereiro publicamos uma carta sobre a situação da Moratória da Soja na prestigiosa revista <em>Science</em>, disponível aqui [1]. O atual texto apresenta essas informações em português.</p>



<p>Em 2006, o Brasil estabeleceu a moratória da soja, um acordo voluntário no qual os exportadores de commodities se comprometeram a não comprar soja cultivada em áreas da Amazônia brasileira que foram desmatadas após 2006 (posteriormente revisado para 2008) [2]. Embora a moratória da soja tenha reduzido com sucesso o desmatamento da Amazônia para o cultivo de soja [2, 3]<em>,</em> o Conselho Administrativo de Defesa Econômica <em>(</em>Cade) ainda não conseguiu implementar medidas nesse sentido. </p>



<p>O Cade, uma autarquia federal, considerou o acordo “anticompetitivo” em 2025 [4], e governos estaduais impuseram sanções regulatórias que levaram à retirada de grandes exportadores de soja do acordo [5]. O enfraquecimento da moratória é um ataque flagrante aos esforços para controlar o desmatamento. Em vez disso, o Brasil deveria fortalecer as parcerias multilaterais entre empresas e governos em prol da conservação florestal.</p>



<p>Grupos ambientalistas acusaram o Cade de ceder ao poderoso lobby do agronegócio brasileiro em vez de refletir preocupações genuínas de defesa da concorrência [6]. A política antitruste tem sido tradicionalmente justificada com base na maximização do bem-estar do consumidor [7], mas a moratória da soja não influenciou os preços no Brasil [8]. Além disso, a decisão do Cade (<em>3</em>) ignora os benefícios sociais do acordo, incluindo seu papel na estabilização do clima, da saúde e da produtividade agrícola na região [9, 10].</p>



<p>Embora o acordo tenha reduzido o desmatamento, houve lacunas em sua eficácia. Em alguns casos, o desmatamento para o cultivo de soja que ocorreria na área designada aconteceu fora da Amazônia brasileira, reduzindo a área preservada [11, 12]. Em muitos casos, as decisões relacionadas ao plantio de soja levaram indiretamente ao desmatamento, porque os pecuaristas vendiam ou arrendavam suas terras para os produtores de soja e usavam o dinheiro para comprar e desmatar terras baratas em áreas remotas da Amazônia ou do Cerrado [12, 13].</p>



<p>Encerrar a moratória é irresponsável. O Brasil deveria, em vez disso, fortalecer os esforços de conservação, ajustando o acordo sobre a soja para eliminar as brechas. Além disso, atacar a ação coletiva privada de conservação, como fez o Cade, transmite a mensagem equivocada de que a proteção ambiental é responsabilidade exclusiva do Estado. Para atingir suas metas ambientais globais, o Brasil precisará do esforço contínuo de todos os atores envolvidos: governo, setor privado e sociedade civil.[14]</p>





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<p><strong>Referências e notas</strong></p>



<p>[1] de Oliveira, G.M., P.M. Fearnside &amp; J. Börner 2026. <a href="https://doi.org/10.1126/science.aee7442">Revive Brazil’s soy moratorium</a>. <em>Science</em> 391: 668. </p>



<p>[2] Heilmayr, R., L.L Rausch, J. Munger, H.K. Gibbs (2020). <a href="https://doi.org/10.1038/s43016-020-00194-5">Brazil’s Amazon Soy Moratorium reduced deforestation.</a> <em>Nature Food</em> 1: 801.</p>



<p>[3] Gibbs, H.K., L. Rausch, J. Munger, I. Schelly, D.C. Morton, P. Noojipady, B. Soares-Filho, P. Barreto, L. Micol &amp; N.F. Walker (2015). <a href="https://doi.org/10.1126/science.aaa01">Brazil&#8217;s soy moratorium</a>. <em>Science</em> 347: 377-378. </p>



<p>[4] <a href="https://sei.cade.gov.br/sei/modulos/pesquisa/md_pesq_documento_consulta_externa.php?HJ7F4wnIPj2Y8B7Bj80h1lskjh7ohC8yMfhLoDBLddasu0a-lUykjaGedOxx3QJl7Qw8HNAU50Zh-A9nrPspciKDbNu8Ft7AEEsx_FqhnRQzuVynPNckapB57YPacEUZ">CADE</a> (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) (2025) Inquérito Administrativo n° 08700.005853/2024-38 (Autos de acesso restrito n° 08700.008299/2025-21). CADE, Brasília, DF. </p>



<p>[5]Borges, B. (2015). <a href="https://reporterbrasil.org.br/2026/01/esvaziamento-moratoria-soja-risco-reputacao-ambientalistas/">Esvaziamento da Moratória da Soja põe em risco reputação do país, dizem ambientalistas.</a> <em>Repórter Brasil</em>, 07 de janeiro de 2026. </p>



<p>[6]Freitas, H. &amp; P. Dallabrida (2025). <a href="https://reporterbrasil.org.br/2025/08/suspensao-moratoria-soja-tiro-pe-ambientalistas/">Suspensão da Moratória da Soja é ‘tiro no pé’, dizem organizações ambientalistas</a>. <em>Repórter Brasil</em>, 20 de agosto de 2025. </p>



<p>[7]Kovacic, E. &amp; C. Shapiro (2000). <a href="https://doi.org/10.1257/jep.14.1.43">Antitrust policy: A century of economic and legal thinking</a>. <em>Journal of Economic Perspectives </em>14(1): 43-60. </p>



<p>[8]Barrozo, M. &amp; M. Skidmore (2025). <a href="https://drive.google.com/file/d/1r_0QvTT2tW9UcLQBV51bpREIqyv3ztmz/view.">Are sustainability pledges anticompetitive?”</a> <em>Working paper</em>, 11 de novembro de 2025. </p>



<p>[9]Leite-Filho, A.T., B.S. Soares-Filho, J.L. Davis, G.M. Abrahão, J. Börner, (2021). <a href="https://doi.org/10.1038/s41467-021-22840-7">Deforestation reduces rainfall and agricultural revenues in the Brazilian Amazon</a>. <em>Nature Communications</em>12: art. 2591. </p>



<p>[10]Damm, Y., J. Börner, N. Gerber, B. Soares-Filho. (2024). <a href="https://doi.org/10.1038/s43247-024-01840-7">Health benefits of reduced deforestation in the Brazilian Amazon.</a> <em>Communications Earth &amp; Environment</em> 5: art. 693. </p>



<p>[11] Villoria, N., R. Garrett, F. Gollnow &amp; K. Carlson. (2022). <a href="https://doi.org/10.1038/s41467-022-33213-z">Leakage does not fully offset soy supply-chain efforts to reduce deforestation in Brazil.</a> <em>Nature Communications </em>13: art. 5476. </p>



<p>[12]Arima, E.Y., P. Richards, R. Walker &amp; M.M. Caldas. (2011). <a href="https://doi.org/10.1088/1748-9326/6/2/024010">Statistical confirmation of indirect land use change in the Brazilian Amazon</a>. <em>Environmental Research Letters </em>6: art. 24010. </p>



<p>[13] Fearnside,P.M. (2017). <a href="https://doi.org/10.1093/acrefore/9780199389414.013.102">Deforestation of the Brazilian Amazon</a>., In <em>Oxford Research Encyclopedia of Environmental Science</em>. Oxford University Press, New York, EUA. </p>



<p>[14]. Este texto traduz a carta: de Oliveira, G.M., P.M. Fearnside &amp; J. Börner 2026. R<a href="https://doi.org/10.1126/science.aee7442">evive Brazil’s soy moratorium</a>. <em>Science</em> 391: 668. </p>



<p><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p><strong>Gustavo Magalhães de Oliveira</strong> possui graduação em Administração pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e mestrado e doutorado em Administração pela Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA/USP). Atualmente é bolsista pós-doutorado no Instituto de Economia Alimentar e de Recursos, Universidade de Bonn, Bonn, Alemanha. Pesquisa na área de economia das organizações.&nbsp;</p>



<p><strong>P</strong><strong>hilip Martin Fearnside</strong>&nbsp;é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis&nbsp;<a href="http://philip.inpa.gov.br/">aqui</a>.</p>



<p><strong>Jan Börner</strong> possui graduação em economia agrícola aplicada da Universidade de Minnesota, EUA, mestrado em ciências agrícolas internacionais da Universidade Humboldt em Berlin, Alemanha e doutorado e agricultura da Universidade de Bonn, Alemanha. Atualmente é professor pleno de Economia do Uso Sustentável da Terra e Bioeconomia no Instituto de Economia Alimentar e de Recursos e no Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento, na Universidade de Bonn. Pesquisa na área de economia, com ênfase em economias agrária e dos recursos naturais, incluindo a avaliação e análise de políticas ambientais e de conservação, modelagem e análise de custo-benefício da mudança no uso da terra e o papel do comércio global e dos padrões de consumo no fornecimento de serviços ecossistêmicos em paisagens ecologicamente sensíveis.</p>
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