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	<title>Amazônia Real</title>
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	<description>Agência de jornalismo independente na Amazônia</description>
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	<title>Amazônia Real</title>
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		<title>De volta, jaraqui versus piramutaba? </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lúcio Flávio Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 02:41:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[A Amazônia segundo Lúcio Flávio Pinto]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os Teatros Amazonas e da Paz foram oficialmente declarados Patrimônio Mundial da Unesco. O autor explica no artigo o imbróglio no processo de reconhecimento devido à forma como as candidaturas foram avaliadas tecnicamente pelo Iphan.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Unesco anunciou hoje, em Busan, a segunda maior cidade da Coréia do Sul, que a Amazônia foi contemplada com a inclusão de dois dos seus teatros, famosos internacionalmente, como patrimônio cultural mundial da humanidade. O reconhecimento foi divulgado durante o 8º comitê internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, (Unesco).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional apresentou a candidatura dos dois teatros, mas só o de Manaus recebeu a aprovação da Unesco e conseguiu superar um imbróglio na candidatura do país. O órgão do governo brasileiro defendia a inclusão dos dois teatros juntos, reconhecidos pelo conjunto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O parecer técnico do Icomos (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios), embora ligado à Unesco, recomendou que apenas o teatro Amazonas fizesse parte da lista. Matéria publicada hoje pela Folha de S. Paulo relata a trajetória desse reconhecimento:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>“A reunião do comitê, em Busan, é a etapa final de um longo processo, que começa com a inscrição feita pelos próprios países e passa por avaliações técnicas de órgãos independentes. O grupo, presidido pelo diplomata Lee Byong-Hyun, analisa em conjunto durante as sessões os textos apresentados pelas candidaturas, que devem seguir uma série de regras.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Caso estejam de acordo com as normas, os países-membros podem sugerir ainda emendas e alterações e, só depois, aprovar ou negar o novo patrimônio. O Iphan defendia a aprovação integral da candidatura como ela foi feita.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Quem decide novas inclusões é um comitê formado por 21 países: Armênia, Azerbaijão, Bangladesh, República Tcheca, Granada, Jamaica, Cazaquistão, Quênia, Kuwait, Líbano, Mongólia, Peru, Polônia, Coreia do Sul, Senegal, Suíça, Togo, Turquia, Ucrânia, Tanzânia e Vietnã”.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Teatro Amazonas foi inaugurado em 1896. O Teatro da Paz, 20 anos antes, em Belém. Ambos construídos durante o ciclo da borracha da região. O prédio paraense é tombado pelo Iphan desde 1963, e o do Amazonas, desde 1966.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Relata a <em>Folha</em>: <em>“O órgão apresentou argumentos de que os dois teatros se conversam. ‘Eles têm uma relação de complementaridade&#8217;, afirma Deyvesson Gusmão, presidente do Iphan.” Segundo ele, há uma ligação do contexto histórico, econômico e político em comum na época da construção dos locais, que foram importantes na formação urbana das duas metrópoles da Amazônia”.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Salta aos olhos de quem conhece muito bem por dentro – e durante os espetáculos que apresenta – a harmonia dos dois teatros, graças a meio século de exportação de borracha (a era atual, das commodities, jamais levantará coisa igual). As duas casas sempre estiveram no centro de uma polêmica sem fim entre os amazonenses e os paraenses. Essa rivalidade é de muito tempo (alimentada pelo provincianismo dos dois Estados) e relançada pelo órgão da Unesco, do comitê representantes como França, Inglaterra ou Alemanha. Jaraqui, representando o Amazonas, e piramutaba, o Pará, voltarão a competir? É objetivo desses nossos estimados neocolonialistas – neste caso, com assento asiático.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;O comitê da Unesco pode tentar convencer a opinião pública de que houve uma reconsideração na escolha apenas do Teatro Amazonas para ser patrimônio da humanidade. Feita a correção, no noticiário da Globo foi mais enfatizado o teatro da capital amazonense. Os dois entrevistados estavam em Manaus e quase não se referiram ao teatro paraense, que é da paz (ma non troppo, como diria Carlos Gomes, autor da mais conhecida e admirada ópera brasileira, <em>O Guarani</em>. O teatro da Paz, aliás, é de ópera.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/rbr5409-2.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/rbr5409-2-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-175134" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/rbr5409-2-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/rbr5409-2-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/rbr5409-2-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/rbr5409-2-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/rbr5409-2-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/rbr5409-2.jpg 2000w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Fachada do Theatro da Paz  (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/ 06/06/2025).</sub></em></figcaption></figure>



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		<title>Por que os desmatadores investem em destruir a floresta amazônica  – 3: métodos do estudo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Philip Martin Fearnside]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 12:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[Apuí]]></category>
		<category><![CDATA[CAR]]></category>
		<category><![CDATA[Desmamento]]></category>
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		<category><![CDATA[Philip Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[Reforma agrária]]></category>
		<category><![CDATA[Sul do Amazonas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudo traz avaliação única e atualizada do contexto atual do desmatamento em um ponto crítico de desmatamento na Amazônia brasileira, fornecendo uma abordagem inédita para explicar os efeitos das políticas e das flutuações de preços sobre o desmatamento a partir da perspectiva dos próprios agentes desmatadores.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Pedro Gandolfo Soares, Philip Martin Fearnside e Gerd Sparovek</strong></p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo foi conduzido no novo epicentro do desmatamento na Amazônia brasileira: o município de Apuí, localizado na porção sul do estado do Amazonas (Figuras 2 e 3). Apuí está entre os cinco municípios com maiores taxas de desmatamento no período de 2018 a 2023 e foi o município com mais desmatamento da Amazônia brasileira em 2022 (Figura 4).</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-2-Texto-3.jpg"><img decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-2-Texto-3-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-175019" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-2-Texto-3-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-2-Texto-3-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-2-Texto-3-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-2-Texto-3-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-2-Texto-3-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-2-Texto-3.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub><strong>Figura 2.</strong> Localização dos municípios de Apuí e Novo Aripuanã e o desmatamento total na Amazônia brasileira [1, 2].</sub></em></figcaption></figure>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-3-Texto-3.jpg"><img decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-3-Texto-3-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-175020" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-3-Texto-3-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-3-Texto-3-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-3-Texto-3-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-3-Texto-3-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-3-Texto-3-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-3-Texto-3.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub><strong>Figura 3</strong>. Localizações do Projeto de Assentamento Rio Juma (PARJ), municípios de Apuí e Novo Aripuanã e BR 230 [1, 2].</sub></em></figcaption></figure>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-4-Texto-3.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="784" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-4-Texto-3-1024x784.png" alt="" class="wp-image-175021" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-4-Texto-3-1024x784.png 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-4-Texto-3-300x230.png 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-4-Texto-3-768x588.png 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-4-Texto-3-1536x1175.png 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-4-Texto-3-2048x1567.png 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-4-Texto-3-150x115.png 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Figura 4. Taxas de desmatamento registradas nos cinco municípios mais desmatados da Amazônia brasileira, de 2018 a 2024 [2]. </sub></em></figcaption></figure>





<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando as circunstâncias locais e o contexto de Apui, incluindo logística, infraestrutura e acesso a essa região fronteiriça de desmatamento, este estudo foi estruturado como um estudo de caso (em vez de um modelo de amostragem baseado em estatística) e focado na compreensão do processo decisório de um conjunto diversificado de atores em Apui sobre investir ou não no desmatamento. Este estudo traz uma avaliação única e atualizada do contexto atual do desmatamento em um ponto crítico de desmatamento na Amazônia brasileira, fornecendo uma abordagem inédita para explicar os efeitos das políticas e das flutuações de preços sobre o desmatamento a partir da perspectiva dos próprios agentes desmatadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A estratificação e distribuição das entrevistas entre diferentes grupos de proprietários de terras seguiram um modelo de conveniência (&#8220;bola de neve&#8221;), no qual os entrevistados eram residentes atores locais com posses fundiárias, assim sendo as principais partes interessadas que poderiam contribuir para a compreensão do processo de ocupação e expansão da fronteira pecuária na região. Esse método foi escolhido pelos autores para permitir a inclusão de uma amostra maior de entrevistados, proporcionando maior flexibilidade e abrangência territorial, visto que uma lista pré-selecionada dessas pessoas comprometeria a capacidade do estudo de alcançar o mesmo tamanho de amostra e abrangência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seleção dos entrevistados buscou capturar a diversidade dos proprietários de terras locais, incluindo os colonizadores originais (que chegaram com a criação do Projeto de Assentamento Rio Juma na década de 1980) e os pequenos, médios e grandes proprietários de terras em Apuí. A estratificação da amostra de entrevistados baseou-se em um mapeamento prévio desenvolvido pelos autores, que cruzou o banco de dados oficial do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) com o autodeclarado Cadastro Ambiental Rural, conhecido como o “CAR”.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-5-Texto-3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-5-Texto-3-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-175022" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-5-Texto-3-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-5-Texto-3-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-5-Texto-3-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-5-Texto-3-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-5-Texto-3-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-5-Texto-3.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub><strong>Figura 5.</strong> Estratificação das posses fundiárias em Apuí e no Projeto de Assentamento Rio Juma (PARJ) ([1, 3], adaptado pelos autores).</sub></em></figcaption></figure>





<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Como resultado do exercício de mapeamento, os seguintes grupos foram definidos para determinar a amostragem deste estudo de caso:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Grupo 1: Colonos (pequenos produtores rurais agricultores) </strong>– Pessoas com um lote rural de até 100 ha que esteja delimitado na base de dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e registrado no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SICAR).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Grupo 2: Atores semi-pequenos– </strong>Pessoas com dois ou mais lotes adjacentes registrados no SICAR, com uma área total máxima de quatro módulos fiscais (área total ≤ 400 ha).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Grupo 3: Atores médios e grandes </strong>– Pessoas com posses fundiárias com uma área total superior a quatro módulos fiscais (ou seja, área total &gt; 400 ha) e/ou com um Cadastro Ambiental Rural (CAR) claramente desconectado do banco de dados INCRA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No total, foram aplicados 46 questionários a pessoas com posses fundiárias em Apuí, em janeiro de 2021: 13 colonos, 19 atores semi-pequenos com posses fundiárias e 14 atores médios e grandes. Três entrevistas foram realizadas com instituições financeiras e quatro com órgãos ambientais estaduais e locais.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-6-Texto-3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-6-Texto-3-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-175023" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-6-Texto-3-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-6-Texto-3-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-6-Texto-3-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-6-Texto-3-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-6-Texto-3-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-6-Texto-3.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub><strong>Figura 6</strong>. Mapa final com a distribuição dos lotes rurais entrevistados e avaliados neste estudo [1, 3].</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Todas as entrevistas seguiram a mesma estrutura, aplicando-se a cada entrevistado um questionário específico, desenvolvido e testado pelos autores. Os questionários visavam compreender as trajetórias de ocupação do território, o perfil das pessoas com posses fundiárias (origem, data de chegada, empregos anteriores e ocupação), os custos associados à aquisição de terras, ao desmatamento e, por fim, à consolidação da pecuária como principal atividade econômica do ator. Os dados coletados também permitiram estimar a rentabilidade geral da especulação imobiliária e da pecuária na região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os 46 questionários e respostas específicas foram organizados em um banco de dados para consolidar os dados individuais nos três grupos principais (Material Suplementar, Tabela S4). Os dados financeiros históricos fornecidos pelos atores, em reais, foram convertidos para dólares americanos (US$) utilizando a taxa de câmbio fornecida pelo Banco Central do Brasil em 15 de junho do ano declarado. Os valores em US$ foram então ajustados para janeiro de 2021 aplicando-se o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) dos EUA. Os proprietários de terras que obtiveram a terra gratuitamente (12 casos, ou 22%) não foram considerados na análise financeira. Os dados consolidados e os resultados são apresentados a seguir. [4]</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Notas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">[1] IBGE (Instituto Brasilero de Geografia e Estatística), (2023). <a href="https://www.ibge.gov.br/geociencias/organizacao-do-territorio/malhas-territoriais/15774-malhas.html">Malha Municipal.</a> </p>



<p class="wp-block-paragraph">[2] INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), (2026). <a href="http://terrabrasilis.dpi.inpe.br/app/dashboard/deforestation/biomes/legal_amazon/rates">PRODES — Coordenação Geral de Observação da Terra. </a>h</p>



<p class="wp-block-paragraph">[3] INCRA (Instituto Nacional de Colonicação e Reforma Agrária), (2020). <a href="https://dados.gov.br/dados/conjuntos-dados/acervo-fundiario">Acervo Fundiário. </a></p>



<p class="wp-block-paragraph">[4] Esta série é uma tradução de: Soares, P.G., Fearnside, P.M. &amp; Sparovek, G. 2026. <a href="https://doi.org/10.1007/s10113-026-02561-7">Deforestation in the Brazilian Amazon: why do local stakeholders on the frontier invest in clearing rainforest?</a> <em>Regional Environmental Change </em>&nbsp;26, art. 67. h</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pedro Gandolfo Soares</strong> possui bacharelado em Gestão Ambiental pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP) e mestrado em Ecologia Aplicada pelo Centro de Energia Nuclear em Agricultura (CENA)/ESALQ, Universidade de São Paulo, Piracicaba-SP. Ele trabalha com mudanças climáticas e REDD+, tendo trabalhado no Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) e em Manaus, e em diversos projetos de conservação na Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Philip Martin Fearnside </strong>é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis&nbsp;<a href="http://philip.inpa.gov.br/">aqui</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gerd Sparovek</strong> possui graduação em Agronomia e mestrado dourado em Agronomia (Solos e Nutrição de Plantas) pela Universidade de São Paulo (USP). Ele é professor e pesquisador aposentado do Departamento de Ciência do Solo, Escola Superior de Agricultura &#8216;Luiz de Queiroz&#8217;, USP, Piracicaba-SP e, desde 2022, atua como Professor Sênior junto ao Instituto de Estudos Avançados da USP, com estudos voltados ao suporte à decisão de governança pública, agricultura familiar, agricultura de baixo carbono, reforma agrária, mercado institucional de alimentos, crédito fundiário, assistência técnica e extensão rural, expansão de fronteira agrícola irrigada, intensificação agrícola, e o código florestal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Guardiãs do babaçu lutam pelo território</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maíra Soares]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 15:20:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Na Baixada Maranhense, a paciência de 26 anos pela regularização da Reserva Extrativista Enseada da Mata custa vidas, floresta e água. Sob a liderança de dona Nice, de 72 anos, quebradeiros de coco babaçu e quilombolas enfrentam o avanço de [&#8230;]</p>
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<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">N<em>a Baixada Maranhense, a paciência de 26 anos pela regularização da Reserva Extrativista Enseada da Mata custa vidas, floresta e água. Sob a liderança de dona Nice, de 72 anos, quebradeiros de coco babaçu e quilombolas enfrentam o avanço de cercas elétricas, agrotóxicos e a invasão de búfalos que destroem os babaçuais. Diante da promessa do governo federal de atualizar os estudos só em 2027, as guardiãs do território resistem a um cerco que ameaça a própria sobrevivência.</em></p>






<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Penalva (MA) –</strong> O caminho até o Galpão da Nice passa por lagos que em maio ainda guardavam a cheia da estação chuvosa, entre palmeiras de babaçu que se erguem soltas na paisagem como se tivessem nascido ali por conta própria, o que, em boa parte, é verdade. Para chegar ao município de Penalva, o maior produtor de babaçu do Maranhão, a reportagem viajou de avião até São Luís, partindo de Imperatriz, e depois mais cinco horas de estrada até a Baixada Maranhense. A região, que compreende 21 municípios, é uma zona de transição que liga a Amazônia, o Cerrado e a Mata dos Cocais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Galpão, sede da Associação de Moradores da comunidade quilombola Bairro Novo, quem recebe a equipe é Maria Nice Costa Machado, 72 anos, com um abraço largo e um sorriso de quem já contou essa história muitas vezes, mas parece não se importar de narrar de novo. Dona Nice, como é conhecida, é uma das fundadoras do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), integra a coordenação do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) como Secretária Nacional da Mulher Extrativista, e representa 180 comunidades quilombolas que lutam, há 26 anos, para que o governo federal transforme em Reserva Extrativista (Resex) uma extensão de terra que elas já chamavam de Enseada da Mata muito antes de qualquer decreto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Nós não queremos um pedaço”, diz a liderança. “Queremos o território completo. O território com área de floresta, área ciliar, rios, lagos, porque nós precisamos de tudo isso para sobreviver.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">A frase se justifica depois de se saber o que aconteceu na <a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/11/15/morte-de-quebradeira-de-coco-e-filho-esmagados-por-arvore-revela-impactos-do-agronegocio-no-ma/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Comunidade Boa Esperança, em novembro de 2021</a>. Maria José Rodrigues, quebradeira de 78 anos, e seu filho José do Carmo Corrêa Júnior, de 38, colhiam coco babaçu quando uma palmeira derrubada por maquinário pesado (um trator de esteira, segundo lideranças do movimento) caiu sobre os dois. Morreram ali mesmo. O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu e o Conselho Nacional das Populações Extrativistas atribuíram a derrubada a uma ação a mando de um fazendeiro da região, e cobraram investigação não só das mortes, mas do próprio ato: derrubar palmeira babaçu.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp; <a href="https://arquivos.al.ma.leg.br:8443/ged/legislacao/LEI_4734" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Lei Estadual nº 4.734/1986</a>, chamada de Lei Babaçu Livre, proíbe em todo o Estado do Maranhão, inclusive municípios, a derrubada da palmeira para garantir às quebradeiras acesso aos babaçuais e à proteção ambiental dos territórios. A Comissão Estadual de Prevenção à Violência no Campo e na Cidade foi enviada à região dias depois e recolheu, além de relatos sobre o caso das mortes, outras denúncias: desmatamento, cercas elétricas, o mesmo tipo de pressão que Dona Nice descreve hoje, quatro anos depois, como rotina. “Porque nós só vamos viver bem se a terra ser da gente, no nosso nome, no da comunidade. Todo tempo nós vamos ser excluídos, todo tempo nós vamos ser mortos, todo o tempo. E aí só vai ter essas mudanças quando começarem a somar com nós: da base, o município, o estado e o nacional”, ressalta Nice.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O processo de regularização</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-18B.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-18B-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-175000" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-18B-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-18B-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-18B-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-18B-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-18B-2048x1365.jpg 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-18B-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em><sub>É comum que os palmeirais de coco babaçu estejam cercadas e inacessiveis às quebradeiras (Foto: Ana Mendes/ Amazônia Real).</sub></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de criação da Resex da Enseada da Mata, que fica no município de Penalva, começou nos anos 2000. A área prevista para a regularização tem cerca de 8.500 hectares, entre comunidades, lagos e campos inundáveis, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, responsável pelos estudos. Levantamentos de campo e reuniões com lideranças foram feitos entre 2007 e 2010, mas nunca mais foram retomados. “Considerando o decorrer de tempo entre os estudos realizados entende-se que é necessária uma atualização das informações, inclusive fundiárias”, diz o órgão, que agora projeta analisar a proposta “apenas no início de 2027, junto com outros processos em curso”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para uma luta que se arrasta por quase três décadas, isso representa um estímulo para quem lucra e também se beneficia dos conflitos territoriais. Dona Nice fala sobre o avanço das fazendas ao redor como quem descreve um cerco fechando por vários lados ao mesmo tempo. Os fazendeiros derrubam a mata para vender madeira e formar pasto, sempre nos momentos em que as quebradeiras de coco babaçu não estão por perto, diz ela.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os fazendeiros também criam búfalos, que compactam o solo, competem com a fauna nativa e poluem a água, segundo o <a href="https://inct-sinbiam.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Guia Espécies Exóticas Invasoras na Amazônia Legal</a>, lançado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Síntese da Biodiversidade Amazônica (INCT-SinBiAm) neste ano. “Ele [o búfalo] acaba com o peixe, com a água, que vira um nojo. Quando a água vai baixando, aí ninguém come o peixe, ele bagunça tudinho”, confirma Nice.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gigantes e andando sempre em grupo, os búfalos vistos pela reportagem dentro dos territórios da Resex Enseada da Mata deixavam rastros da sua presença com a compactação do solo, criando trilhas profundas dentro das fazendas, além de criarem grandes poças de água e lama “chafurdados” por onde passavam. O prejuízo fica para as quebradeiras de coco, porque as palmeiras são impedidas de se desenvolverem de forma adequada e elas sofrem com a presença dos animais para fazer a coleta dos cocos dentro das propriedades cercadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro impacto ambiental é a pulverização de agrotóxicos nas plantações vizinhas, que atinge também as palmeiras que as próprias guardiãs do coco babaçu vêm replantando há anos. “Tudo isso aqui que está recuperando [a floresta], mas já teve briga, teve luta para defender, aí eles não podem mais mexer nessas [palmeiras do babaçu] que estão em pé”, diz Nice, que <a href="https://amazoniareal.com.br/mulheres-extrativistas-se-unem-por-justica-e-direito-a-terra/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">denunciou as violações de direitos na COP30, em 2025.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">A 15 quilômetros dali, na comunidade quilombola Ponta do Curral, certificada pela Fundação Palmares desde 2014, a quebradeira de coco Joana Batista Reis, 63 anos, mostra o outro lado do mesmo cerco: cercas elétricas onde antes havia caminho livre. “Eles [fazendeiros] mandam derrubar as casas para sair da terra. E aí nós estamos aqui neste território, mas onde&nbsp; a produção maior do coco é cercada. Aí nós não podemos nem ir porque só tem uma porteira e é no cadeado. Antes, quando era livre, a gente ia, mas agora não está mais”, afirma. “Cada vez que a gente entra e pega um baque, como é que a gente não vai ser morto uma hora?”</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>As filhas que ficam</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-27B.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-27B-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-174997" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-27B-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-27B-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-27B-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-27B-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-27B-2048x1365.jpg 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-27B-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em><sub>Quebradeiras de coco (esq p/dir): Maria Leocadia Costa, Antônia do Livramento Silva e Joana Batista (Joaninha), na</sub></em> <em><sub>Comunidade Ponta do Curral, na Resex Enseada da Mata</sub></em> <em><sub>(Foto: Ana Mendes/ Amazônia Real).</sub></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Geovania Machado, 39 anos, é filha de Dona Nice e percorreu os mesmos passos da mãe: hoje é liderança ambiental, educadora, diretora estadual do CNS. Reconhece o programa estadual Terra Por Elas, que regulariza terras no nome de mulheres chefes de família, mas cobra o que falta: “A gente sabe que muitas das pessoas não estão ao nosso favor, que acham que queremos a terra só para nós, mas não é isso. A gente luta não só para nós, mas para a população inteira”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parte do trabalho, diz ela, começa em algo tão simples quanto obter um documento pela primeira vez: “A gente foi formando elas, foi dizendo: ‘Vamos trocar a documentação que mesmo que você exista, o CPF mostra que você é um cidadão’. Hoje em dia você pode existir, mas se você não tiver documento, você não é gente pro Brasil”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o <a href="https://www.ibge.gov.br/explica/producao-agropecuaria/babacu/ma" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Maranhão produziu mais de 21 mil toneladas de babaçu</a> em 2024, movimentando 60,2 milhões de reais. É gente que vive disso: milhares de quebradeiras de coco babaçu organizadas em torno do MIQCB, tirando do fruto (que se divide em epicarpo, endocarpo, amêndoas e mesocarpo) óleo, farinha, sabonete, artesanato. A palmeira que pode chegar a 20 metros e produzir até 3 mil frutos por ano, sustenta a mesma economia doméstica nos Estados do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins. Dentro da Resex, percebemos que as palmeiras são tratadas como sagradas e a luta pela proteção da floresta vai além da ambiental, mas também se torna uma resistência cultural diante dos avanços do desmatamento e dos conflitos agrários.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“As palmeiras nutrem a vida dessas mulheres, a sua existência, e permite com que elas também nutram a sua prole, as suas unidades domésticas, as suas famílias. É uma relação simbiótica que envolve o sagrado, o afetivo e o simbólico”, destaca a pesquisadora e professora dos programas de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e a Federal do Maranhão (UFMA), Viviane Barbosa. Para ela, o que está em jogo na Enseada da Mata é ao mesmo tempo agrário, ambiental e cultural, pois “busca expropriar e desterritorializar todo tempo essas populações desses espaços sociais dos quais elas estão imersas e os quais elas reconhecem como sendo os seus espaços de vida”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste ano, a <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/lei/l15431.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Lei nº 15.431/2026</a> reconheceu o ofício das quebradeiras de coco babaçu como manifestação da cultura nacional. É um reconhecimento da importância histórica, cultural e socioeconômica da atividade desenvolvida por milhares de mulheres nos estados do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins, mas ainda em papel — o mesmo que, há 26 anos, promete a Resex Enseada da Mata sem entregá-la.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Pelo território completo</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-11B.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-11B-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-174995" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-11B-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-11B-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-11B-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-11B-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-11B-2048x1365.jpg 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-11B-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em><sub>Nice Machado, &#8216;no Galpão de Nice&#8217;, sede da Associação de Moradores do Bairro Novo, Quilombo Bairro Novo</sub> <sub>(Foto: Ana Mendes/ Amazônia Real).</sub></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para as 180 comunidades que dona Nice representa, o desafio não é apenas um pedaço de terra, mas a integridade de um sistema que inclui áreas ciliares, rios, lagos e florestas de babaçu, do qual depende a segurança alimentar e a sobrevivência física e cultural de gerações. Só no Maranhão, segundo a Fundação Palmares, são 1.058 comunidades quilombolas certificadas que lutam para que seus territórios sejam regularizados antes que o cerco das fazendas avance ainda mais. &#8220;Dessas, 12 comunidades quilombolas são formalmente reconhecidas e certificadas em Penalva&#8221;, diz o órgão, vinculado ao Ministério da Cultura. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Joana Batista Reis explica o que sustenta essa longa espera: “Não é muito fácil, mas nós temos fé e esperança de que um dia isso vai ser tudo renovado. As pessoas vão ter que entender que a devastação nos causa muito mal-estar, porque vem o calor, vem aquela doença de sangue e da pele, vem todo tipo de coisas ruins”. Ali, dentro das comunidades que fazem parte da unidade de conservação, a esperança de ter a terra regularizada mantém de pé a luta diante dos impactos das mudanças climáticas sentidas no território.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dona Nice conta que passou a vida brigando por algo além da terra: por documentos básicos, como RG e identidade, por voz, por reconhecimento de que a mulher quebradeira decide por si mesma, mesmo enfrentando a resistência de maridos e pais que não aceitavam essa autonomia. “Nós temos que ter filho de quebradeira de coco, filho de quilombola, filho de agricultor, filho de pedreiro formado, fazendo o doutorado para defender a nossa classe. Nós só vamos enfrentar este país se nós tivermos jovens preparados, conscientes, formados nessas áreas. Se não tiver, não vai mudar”, diz a liderança, que nasceu no quilombo Soubeiro, dentro da Enseada da Mata, em Penalva. </p>



<p class="wp-block-paragraph">E encerra do jeito que sempre encerra, porque para ela é isso que sustenta tudo o mais: “Para ter o território, nós temos que ter pelo menos 80% de floresta viva, para termos água, termos peixe, ter o campo natural, termos toda a floresta em pé. Porque a hora que virar torrão, todo mundo vai morrer, não vamos ter ar ou lugar para ficar. E a política principal é a política ambiental”.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Desmatar com autorização na mão</strong></h4>



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                <li style="display: block; width: 100%;" class="slide-174939 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-23 15:29:25" data-filename="Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-4-700x450.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-4-700x450.jpg" height="450" width="700" alt="" class="slider-174931 slide-174939 msDefaultImage" title="Vista da cidade de Penalva, banhada pelo Lago do Cajari, Penalva" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Vista da cidade de Penalva, banhada pelo Lago do Cajari, na região conhecida como Baixada Maranhense (Foto: Ana Mendes / Amazônia Real).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174940 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-23 15:29:25" data-filename="Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-5-700x450.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-5-700x450.jpg" height="450" width="700" alt="" class="slider-174931 slide-174940 msDefaultImage" title="Vista da cidade de Penalva, banhada pelo Lago do Cajari, Penalva" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Vista da cidade de Penalva, banhada pelo Lago do Cajari, na região conhecida como Baixada Maranhense (Foto: Ana Mendes / Amazônia Real).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174941 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-23 15:29:25" data-filename="Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-6-700x450.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-6-700x450.jpg" height="450" width="700" alt="" class="slider-174931 slide-174941 msDefaultImage" title="Vista do Quilombo Bairro Novo, banhada pelo Lago do Cajari, Pena" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Vista do Quilombo Bairro Novo, banhada pelo Lago do Cajari, na Resex da Enseada da Mata, na Baixada Maranhense (Foto: Ana Mendes / Amazônia Real).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174947 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-23 15:54:58" data-filename="Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-13-700x450.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-13-700x450.jpg" height="450" width="700" alt="" class="slider-174931 slide-174947 msDefaultImage" title="É comum que os palmeirais de Coco Babaçu estejam cervadas e in" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>É comum que os palmeirais de Coco Babaçu estejam cercadas e inacessiveis às quebradeiras de coco dentro da Resex (Foto: Ana Mendes / Amazônia Real).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174942 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-23 15:29:25" data-filename="Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-2-700x450.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-2-700x450.jpg" height="450" width="700" alt="" class="slider-174931 slide-174942 msDefaultImage" title="É comum que os palmeirais de Coco Babaçu estejam cervadas e in" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>É comum que os palmeirais de Coco Babaçu estejam cercadas e inacessiveis às quebradeiras de coco dentro da Resex (Foto: Ana Mendes / Amazônia Real).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174938 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-23 15:29:25" data-filename="Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-10-700x450.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-10-700x450.jpg" height="450" width="700" alt="" class="slider-174931 slide-174938 msDefaultImage" title="&#039;Galpão de Nice&#039; é a sede da Associação de Moradores do Bair" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>'Galpão de Nice' é a sede da Associação de Moradores do Bairro Novo, no Quilombo Bairro Novo (Foto: Ana Mendes / Amazônia Real).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174933 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-23 15:29:24" data-filename="Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-24-700x450.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-24-700x450.jpg" height="450" width="700" alt="" class="slider-174931 slide-174933 msDefaultImage" title="Coco babaçu armazenado em casas de barro na Comunidade Ponta do" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Coco babaçu armazenado em casas de barro na Comunidade Ponta do Curral, Resex Enseada da Mata (Foto: Ana Mendes / Amazônia Real).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174936 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-23 15:29:25" data-filename="Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-7-700x450.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-7-700x450.jpg" height="450" width="700" alt="" class="slider-174931 slide-174936 msDefaultImage" title="Quebradeiras de coco, quebrando coco. Comunidade Ponta do Curral" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em> (Foto: Ana Mendes / Amazônia Real).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174932 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-23 15:29:24" data-filename="Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-28-700x450.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-28-700x450.jpg" height="450" width="700" alt="" class="slider-174931 slide-174932 msDefaultImage" title="Quebradeira de coco Joana Bastista (Joaninha), 62. anos segura a" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Detalhe das mãos da quebradeira de coco, Joana Bastista (Joaninha), 62. anos com as emendas do coco babaçu (Foto: Ana Mendes / Amazônia Real).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174944 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-23 15:29:26" data-filename="Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-30-700x450.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-30-700x450.jpg" height="450" width="700" alt="" class="slider-174931 slide-174944 msDefaultImage" title="Emenda do coco babaçu, machado e pilão. Comunidade Ponta do Cu" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Emenda do coco babaçu, machado e pilão. Comunidade Ponta do Curral, Resex Enseada da Mata, em Penalva (Foto: Ana Mendes / Amazônia Real).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174937 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-23 15:29:25" data-filename="Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-9-700x450.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-9-700x450.jpg" height="450" width="700" alt="" class="slider-174931 slide-174937 msDefaultImage" title="Emenda do coco babaçu. Comunidade Ponta do Curral, Resex Ensead" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Emenda do coco babaçu na Comunidade Ponta do Curral, Resex Enseada da Mata, Penalva, Maranhão (Foto: Ana Mendes / Amazônia Real).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174935 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-23 15:29:24" data-filename="Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-12-700x450.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-12-700x450.jpg" height="450" width="700" alt="" class="slider-174931 slide-174935 msDefaultImage" title="Homem pesca no Rio Formoso, na comunidade Ponta Grande, Resex En" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Homem pesca no Rio Formoso, na comunidade Ponta Grande, Resex Enseada da Mata. Penalva, Maranhão</em> <em>(Foto: Ana Mendes / Amazônia Real).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174943 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-23 15:29:25" data-filename="Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-31-700x450.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Especial-Quebradeiras-de-coco-de-babacu-Foto_Ana-Mendes-AmazoniaReal-31-700x450.jpg" height="450" width="700" alt="" class="slider-174931 slide-174943 msDefaultImage" title="Na panela, peixes pescados e típicos da região (não são de a" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>Resultado da pesca no Rio Formoso, na comunidade Ponta Grande, Resex Enseada da Mata, em Penalva </em><em>(Foto: Ana Mendes / Amazônia Real).</em></div></div></div></li>
            </ul>
        </div>
        
    </div>
</div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2025, pela primeira vez desde 2019, o Brasil desmatou menos de 1 milhão de hectares, ainda assim, uma média de 2.698 hectares por dia, ou 112 por hora. A região do MATOPIBA, que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, segue entre as cinco unidades federativas que mais perderam vegetação nativa no ano passado, e o Maranhão, apesar de uma redução de 29,3% em relação a 2024, continua na liderança isolada do ranking nacional: mais de 152 mil hectares desmatados, segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (<a href="https://alerta.mapbiomas.org/wp-content/uploads/sites/17/2026/05/RAD2025_27.05.26.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">RAD2025</a>), do <a href="https://brasil.mapbiomas.org/2026/05/27/desmatamento-no-brasil-fica-abaixo-de-1-milhao-de-hectares-em-2025/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">MapBiomas</a>. Penalva está dentro dessa frente de expansão agrícola.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro dela, a Área de Proteção Ambiental (APA) da Baixada Maranhense, onde ficará a futura Resex Enseada da Mata, ocupa a 16ª posição entre as unidades de conservação mais desmatadas do país, com 448 hectares suprimidos só em 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O dado que talvez melhor explique por que a floresta segue sendo derrubada, mesmo com fiscalização em curso, é que 55,5% de tudo o que foi desmatado no Maranhão em 2025 tinha algum tipo de autorização ou ação de fiscalização registrada sobre a mesma área. A conta de Dona Nice e das quebradeiras de coco babaçu é mais simples e chega perto do mesmo lugar: a mata cai de qualquer jeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E cai justo onde a água já está escassa. A mesma APA registrou índices positivos de chuva entre 2023 e 2024, segundo a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), monitorados pelo Centro de Prevenção de Desastres Ambientais (CPDAm). No ano passado, o quadro virou: surgiram bolsões de seca, sobretudo na porção norte da unidade de conservação, com acumulados abaixo da média histórica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Numa região conhecida como “Pantanal Maranhense”, de lagos e campos que alagam na cheia e secam na vazante, essa oscilação bate direto nos babaçuais, na pesca, na criação de pequenos animais, na própria água que baixa e não deixa mais peixe para comer e, principalmente, afeta toda a cadeia de subsistência das comunidades extrativistas, que dependem dos recursos naturais para garantir seu sustento e tradições. “Uma estiagem mais intensa ou duradoura pode afetar significativamente a dinâmica dos campos alagáveis, lagos, rios e babaçuais, com repercussões diretas sobre a pesca, a agricultura familiar, a criação de animais e o extrativismo vegetal”, diz a Sema, em nota.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É o mesmo cenário que dona Nice descreve do alto dos seus 72 anos de Baixada Maranhense: água, floresta e território como uma coisa só, e todos cada vez mais escassos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>





<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="As quebradeira de coco da Enseada da Mata" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/BfIo-rF5z3c?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Esta reportagem foi produzida com o apoio da </em><strong><em>Repórteres Sem Fronteiras (RSF)</em></strong><em>, no âmbito do </em><strong><em>Programa de Mentoria para Mulheres Jornalistas da Amazônia Legal, </em></strong><em>e contou com mentoria de Kátia Brasil, editora executiva da Amazônia Real, agência responsável pela edição final e publicação do conteúdo.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A iniciativa tem como objetivo fortalecer trajetórias profissionais de mulheres jornalistas da região, contribuindo para o desenvolvimento de um jornalismo independente, qualificado e comprometido com o interesse público. A RSF é uma organização internacional sem fins lucrativos que atua pela defesa da liberdade de imprensa e proteção do jornalismo em mais de 150 países. Para saber mais, acesse: </em><a href="http://rsf.org/pt-br" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>rsf.org/pt-br</em></a><em>.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>





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<p class="wp-block-paragraph"></p>
<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/especiais/guardias-do-babacu-lutam-pelo-territorio/">Guardiãs do babaçu lutam pelo território</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
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			</item>
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		<title>Super El Niño impõe riscos de incêndios florestais na Amazônia</title>
		<link>https://amazoniareal.com.br/super-el-nino-impoe-riscos-de-incendios-florestais-na-amazonia/</link>
					<comments>https://amazoniareal.com.br/super-el-nino-impoe-riscos-de-incendios-florestais-na-amazonia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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		<category><![CDATA[verão amazônico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os cientistas alertam para uma probabilidade de 81% de um fenômeno climático de intensidade severa atingir a Amazônia no último trimestre de 2026 e no início de 2027. Eles preveem que o aquecimento do Oceano Pacífico causará calor extremo, redução das chuvas e um aumento crítico dos incêndios florestais, ameaçando a saúde e a subsistência de populações vulneráveis. Embora estados como Amazonas, Acre e Roraima já tenham iniciado planejamentos e decretado emergências, críticos apontam a falta de detalhes práticos e recursos para proteger comunidades indígenas e ribeirinhas. </p>
<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/super-el-nino-impoe-riscos-de-incendios-florestais-na-amazonia/">Super El Niño impõe riscos de incêndios florestais na Amazônia</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus (AM)</strong> – Um Super El Niño anunciado pela <a href="https://www.noaa.gov/news-release/el-nino-forms-expected-to-strengthen-say-noaa-forecasters" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA)</a> expôs um alerta climático sob as regiões tropicais como a Amazônia pela probabilidade de 81% do fenômeno atingir a categoria “muito forte” no último trimestre deste ano:&nbsp; entre os meses de outubro, novembro e dezembro. Modelos climáticos indicam que a superfície do oceano Pacífico atingirá a temperatura de 2 graus acima da média. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Na região amazônica, o evento que aquece as águas do mar se intensificará na estação seca, conhecida como “verão amazônico&#8221;. O período de estiagem (redução de chuvas), que começou este mês na maioria dos estados na região Norte, entre eles, Amazonas, Acre e Pará, se estende até novembro. O volume de chuvas diminui, os rios e igarapés secam, num ciclo sazonal, sem danos à população. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas com um eventual super El Niño, essa condição climatológica e hidrológica se exacerba drasticamente ao ponto de deixar a população sofrendo os efeitos destes eventos: altas temperaturas, níveis dos rios abaixo da média, aquecimento das águas, agravamento das atividades humanas na floresta, como desmatamento, grilagem, queimadas, incêndios florestais e fumaça que se espalha nas cidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No extremo norte da Amazônia, a atenção se volta para Roraima. Diferente de outros estados da região Norte, a estação seca em Roraima começa em outubro, se estendendo até março ou abril de 2027 &#8211; o que apresenta risco de graves incêndios florestais. Em 2015 e em 2016, quando foi registrado um outro El Niño intenso, o chamado ‘El Niño Godzilla’, o estado f<a href="https://amazoniareal.com.br/12872el-nino-godzilla-afeta-norte-da-amazonia-com-seca-prolongada/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">oi um dos&nbsp; mais afetados</a> pelo fenômeno climático com secas extremas e incêndios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2023 e 2024, quando a bacia amazônica enfrentou uma<a href="https://amazoniareal.com.br/os-isolados-da-seca/"> seca sem precedentes na história recente</a>, as consequências do El Niño naqueles dois anos foram agravadas por altas temperaturas no Oceano Atlântico (o Dipolo do Atlântico), condição que, até o momento, ainda não foi identificada pelos especialistas em 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da redução do desmatamento na Amazônia, os especialistas alertam que o risco de incêndios permanece elevado. O Inpe <a href="https://www.gov.br/inpe/pt-br/assuntos/ultimas-noticias/ciencia-e-tecnologia-do-inpe-tem-papel-de-destaque-na-reducao-historica-do-desmatamento-na-amazonia">registrou&nbsp; uma redução de 37,5% nos alertas de desmatamento na região </a>entre agosto de 2025 e maio de 2026, o menor valor já registrado pela série histórica para o período.&nbsp;</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1978_ERSST_SST_Anomalies_animated.gif"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="514" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1978_ERSST_SST_Anomalies_animated-1024x514.gif" alt="" class="wp-image-174799" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1978_ERSST_SST_Anomalies_animated-1024x514.gif 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1978_ERSST_SST_Anomalies_animated-300x150.gif 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1978_ERSST_SST_Anomalies_animated-768x385.gif 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/1978_ERSST_SST_Anomalies_animated-150x75.gif 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Timelapse de 12 meses das anomalias globais da temperatura da superfície do mar em 1978, exibido no CycloWeb com base no conjunto de dados ERSST (Extended Reconstructed Sea Surface Temperature) do NCEI/NOAA.</sub></em></figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ElNino-2026_03_II_GIF.gif"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ElNino-2026_03_II_GIF-1024x576.gif" alt="" class="wp-image-174802" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ElNino-2026_03_II_GIF-1024x576.gif 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ElNino-2026_03_II_GIF-300x169.gif 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ElNino-2026_03_II_GIF-768x432.gif 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ElNino-2026_03_II_GIF-150x84.gif 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Uma animação das variações da temperatura da superfície do mar em relação à média no Oceano Pacífico tropical, de 1º de janeiro a 8 de junho de 2026. (Crédito da imagem: NOAA Satellites)</sub></em><sub>.</sub></figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2452.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="760" height="496" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2452.jpeg" alt="" class="wp-image-174805" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2452.jpeg 760w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2452-300x196.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2452-150x98.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 760px) 100vw, 760px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Previsão probabilística de intensidade do El Niño nas categorias fraca, moderada, forte e muito forte, emitida pelo CPC/NOAA no início de junho de 2026 (Fonte: Nota Técnica &#8211; EL NIÑO 2026 (INPE, INMET, Funceme e CENSIPAM).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O cientista Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), avalia que o cenário exige atenção, principalmente em relação aos incêndios florestais, embora a seca não deva repetir, em princípio, os níveis extremos registrados em 2023 e 2024. Ele destaca que o El Niño vai deixar a temperatura 2°C mais altas acima da média de 30 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Com relação aos incêndios, deve ser grave na parte norte da Amazônia, mas temos uma vantagem com relação a 2024, porque o ano anterior não foi tão seco como foi naquele ano trágico.&nbsp;<a href="https://amazoniareal.com.br/seca-de-2023/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em 2023 a seca foi pior </a>do que em 2024; mas os incêndios foram muito piores em 2024 do que em 2023 devido à floresta e o solo embaixo dela&nbsp;terem sido ressecados pela seca do ano anterior, o que não é o caso do mesmo grau no momento”, explicou o pesquisador em entrevista à <strong>Amazônia Real</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fearnside explicou que o risco de incêndios florestais é elevado, principalmente na parte norte da Amazônia, onde estados como Roraima podem sentir primeiro os efeitos do Super El Niño. “Há fatores que vão nas duas direções. Este ano as temperaturas da água no Pacífico estão chegando em níveis recordes, levando a um El Niño mais forte do que os anteriores. Ao mesmo tempo, este ano não tem o El Niño junto com um Dipolo do Atlântico, diferente do que ocorreu nos eventos de 2023 e 2024”, afirmou&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Dipolo do Atlântico é caracterizado pelo aquecimento das águas do Atlântico Norte, ao norte da linha do Equador, em relação ao Atlântico Sul. Segundo Fearnside, quando esse fenômeno ocorre simultaneamente ao El Niño, que aquece de forma anormal as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, as chuvas diminuem ainda mais sobre a Amazônia, ampliando a intensidade da seca e seus impactos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Fearnside, embora o fenômeno esteja associado, de forma geral, à redução das chuvas, ao aumento das temperaturas, aos incêndios florestais, à mortalidade de árvores e à queda do nível dos rios, a intensidade desses impactos varia entre as diferentes sub-bacias amazônicas, dependendo da combinação entre o aquecimento do oceano Pacífico e das diferentes regiões do oceano Atlântico. &#8220;Os impactos são bem mais complexos do que a simples generalização de que El Niño causa seca na Amazônia&#8221;, afirmou.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como exemplo, ele cita que, em determinadas configurações climáticas, a presença simultânea do Dipolo do Atlântico e do El Niño pode fazer com que a sub-bacia do rio Javari registre condições mais úmidas, em vez de mais secas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ihu.unisinos.br/categorias/173-noticias-2011/40414-seca-amazonica-de-2010-foi-ainda-pior-para-a-floresta-que-a-de-2005-" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em 2005 e 2010, a combinação desses fenômenos causou grandes incêndios no Acre e levou o rio Purus</a> a níveis excepcionalmente baixos. De acordo com o pesquisador, foi justamente esse mesmo cenário que também contribuiu para a<a href="https://amazoniareal.com.br/especiais/puraquequara/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> seca extrema registrada</a> em 2023 e&nbsp; 2024 na Amazônia, quando rios atingiram a níveis historicamente baixos e episódios<a href="https://amazoniareal.com.br/mortes-de-botos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> como a morte de mais de 150 botos em Tefé</a>, no interior do Amazonas, chamaram a atenção para a gravidade da crise climática.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Impactos não são homogêneos</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/04/GP1SVZWR.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/04/GP1SVZWR-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-127175" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/04/GP1SVZWR-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/04/GP1SVZWR-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/04/GP1SVZWR-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/04/GP1SVZWR-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/04/GP1SVZWR.jpg 1400w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Incêndio florestal sobre área de floresta degradada, em processo de desmatamento, em Novo Aripuanã, Amazonas (Foto: Victor Moriyama / Amazônia em Chamas/Greenpeace/15/09/2021)</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Gilvan Sampaio, pesquisador e meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), também confirma que os principais impactos do Super El Niño previstos para a Amazônia são o aumento da temperatura do ar e o risco de incêndios florestais, principalmente em áreas de florestas degradadas. Apesar disso, Sampaio diz que ainda não é possível prever uma seca semelhante à registrada em 2023 e 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Tendência de chuvas abaixo da média no norte e leste da Amazônia, com maior impacto no primeiro semestre de 2027. Ainda não dá para falar sobre seca e intensidade de seca, pois é necessário avaliar a evolução da temperatura do oceano no Atlântico Tropical. Ao longo dos próximos meses será possível avaliar essa questão. Atenção ao sul da Amazônia nos próximos meses, pois as temperaturas altas podem aumentar o potencial de queimadas na região, principalmente porque é o período seco nesta região”, disse Sampaio à <strong>Amazônia Real.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O pesquisador destacou que os impactos não serão homogêneos na região. A tendência de redução das chuvas se concentra no norte e leste da região, incluindo o leste do Amazonas, Pará, Roraima, Amapá e norte do Tocantins, enquanto o Acre não deve registrar alterações significativas no regime de precipitação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Não há impactos nas chuvas no Acre e demais regiões. Em relação à temperatura, toda a Amazônia fica com temperaturas acima da média”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No final de junho, uma<a href="https://www.gov.br/inpe/pt-br/assuntos/ultimas-noticias/nota-tecnica-conjunta-aponta-alta-probabilidade-de-el-nino-no-segundo-semestre-de-2026" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> nota técnica</a> do Inpe em conjunto com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) reforçou a possibilidade do El Niño deste ano reduzir o volume de chuvas na Amazônia, com impactos para a navegação, a pesca e o abastecimento de comunidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As maiores secas na Amazônia, monitoradas pelo<a href="http://www2.cemaden.gov.br/"> </a>Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (<a href="http://www2.cemaden.gov.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cemaden</a>), incluem os eventos severos de 2005 e 2010, a estiagem prolongada de 2015-2016 e o colapso climático recente (2023-2024), considerado a pior e mais extensa seca da história recente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em boletim recém divulgado, o Cemaden indicou a 97% de permanência do fenômeno Super El Niño até o início de 2027, com a combinação de temperaturas acima da média e precipitações abaixo da média em áreas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A consequência seria o aumento das queimadas nos próximos meses, além da possibilidade de condições de seca moderada e severa concentrada no oeste do Tocantins, no centro-sul do Pará, no norte do Amazonas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados do Cemaden também mostram que maio registrou uma pequena redução no número de terras indígenas em condição de seca severa. Ainda assim, o déficit hídrico continua presente em áreas dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), mantendo o cenário de atenção.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2455.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="898" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2455-1024x898.png" alt="" class="wp-image-174808" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2455-1024x898.png 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2455-300x263.png 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2455-768x674.png 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2455-1536x1347.png 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2455-2048x1796.png 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2455-150x132.png 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Monitoramento de seca nas unidades de conservação. Houve uma redução no total de áreas em seca severa, contudo, o Parna da Serra do Pardo (PA) manteve o quadro crítico, enquanto a Rebio União (RJ) e a Rebio Augusto Ruschi (ES) apresentaram intensificação, passando de seca moderada e seca fraca, respectivamente, para seca severa (Imagem: Cemaden).</em></figcaption></figure>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2454.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="898" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2454-1024x898.png" alt="" class="wp-image-174807" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2454-1024x898.png 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2454-300x263.png 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2454-768x674.png 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2454-1536x1347.png 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2454-2048x1796.png 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_2454-150x132.png 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Monitoramento da seca em áreas indígenas,&nbsp; houve uma redução no número total de territórios classificados em nível de seca severa em relação a maio (de 15 para 3). Observa-se a persistência de déficit hídrico nas seguintes áreas:&nbsp;DSEI Alto Rio Negro/AM: Territórios de Camarão, Tunuí-Cachoeira, Tucumã, Vila Nova e Cumarú, DSEI Kaiapó do Pará/PA: Território de Tucumã.&nbsp;(Imagem Cemaden).</sub></em></figcaption></figure>





<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">O meteorologista Marcelo Enrique Seluchi, coordenador geral do Cemaden, afirmou que o fenômeno ainda se encontra em intensidade moderada, mas deve continuar se fortalecendo gradualmente até o fim do ano. Apesar do avanço das previsões, ele ressalta que é cedo para definir a extensão de uma possível grande seca ou as áreas mais afetadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A expectativa é de chuvas abaixo da média. Há uma junção de combinações e não sabemos como o oceano Atlântico irá se comportar. O oceano Atlântico é muito mais difícil de prever que o oceano Pacífico”, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao analisar episódios anteriores de El Niño muito forte, Seluchi observa que todos provocaram seca proeminentes na bacia amazônica, mas com intensidade e distribuição diferentes entre as áreas da região Norte.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Cada situação de El Niño é diferente. Em alguns casos, essa seca é relativamente generalizada; em outros, fica muito mais localizada, por exemplo, no extremo norte da região Norte ou mais voltada para o Nordeste. Cada situação de El Niño é diferente. Então, a gente não consegue cravar hoje onde será o maior impacto”, acrescentou.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a <a href="https://www.gov.br/mma/pt-br/noticias-defeso-eleitoral/reuniao-tecnica-atualiza-previsoes-climaticas-e-aponta-intensificacao-do-el-nino-ate-dezembro" target="_blank" rel="noreferrer noopener">quinta reunião técnica de monitoramento climático </a>realizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), no dia 11 de julho, especialistas de instituições federais e centros de pesquisa atualizaram as previsões meteorológicas e avaliaram os indicadores de risco de incêndios florestais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As análises confirmam o cenário da ocorrência de El Niño na influência do regime de chuvas e as temperaturas em diferentes regiões do país ao longo do segundo semestre. Entre os principais cenários projetados estão o aumento do perigo de incêndios florestais entre agosto e outubro na Amazônia e no Brasil Central, concentrados nos estados do Amazonas, Pará, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Populações amazônicas afetadas</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC05277.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC05277-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-152711" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC05277-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC05277-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC05277-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC05277-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC05277.jpg 1499w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Registro do impacto da seca severa visíveis no cotidiano em área do entorno de Manaus, em 2024 (Foto: Juliana Pesqueira/Amazônia Real/ 23/09/2024).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Adilson Vieira, sociólogo e liderança socioambiental da Rede Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), observa que a Amazônia chega mais vulnerável ao novo episódio de El Niño do que em eventos anteriores. Segundo ele, décadas de desmatamento, mineração, exploração madeireira, abertura de estradas e expansão da agropecuária reduziram a capacidade da floresta de resistir aos eventos extremos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Uma floresta em pé produz umidade, ajuda a formar chuvas e protege os rios. Quando ela é derrubada ou fragmentada, perde parte dessa força. As bordas da floresta ficam mais quentes, o solo perde água e o fogo avança com mais facilidade”, afirmou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sociólogo enfatiza que os efeitos de um El Niño forte vão além dos impactos ambientais e atingem diretamente o <a href="https://amazoniareal.com.br/especiais/ate-a-formiga-desapareceu/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cotidiano das populações amazônicas,</a> especialmente indígenas e ribeirinhas, já que muitas permanecem sem infraestrutura para enfrentar períodos prolongados de estiagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A redução do nível dos rios dificulta o transporte de pessoas, alimentos e medicamentos, compromete o abastecimento de água potável, reduz a pesca e provoca perdas na produção agrícola. Nas cidades, os reflexos podem incluir piora da qualidade do ar, aumento do preço dos alimentos e problemas no abastecimento de água, como ocorreu em Manaus durante as secas de 2023 e 2024,<a href="https://amazoniareal.com.br/fumaca-volta-a-sufocar-manaus/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> quando a fumaça tóxica das queimadas&nbsp; criminosas encobriu a capital amazonense por vários dias.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">“Mas precisamos dizer com clareza: o El Niño não coloca fogo na floresta. O fogo tem responsáveis. Ele começa com o desmatamento, a grilagem de terras, a expansão da pecuária, as queimadas criminosas e a abertura de novas áreas para grandes projetos econômicos. A seca deixa a floresta mais inflamável, mas é a ação humana que acende o fogo”, destacou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vieira ressalta que os impactos também se refletem na saúde pública. Segundo ele, a fumaça das queimadas agrava doenças respiratórias como asma, bronquite, pneumonia, além de problemas cardiovasculares, atingindo principalmente crianças, idosos, gestantes, povos indígenas, ribeirinhos e trabalhadores expostos ao ar livre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Por isso, não estamos falando apenas de um problema ambiental. Estamos falando de saúde, fome, água, transporte, trabalho e direito à vida. E, como sempre, quem paga a conta mais alta são as populações que menos contribuíram para a crise climática”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação à prevenção por parte dos governos estaduais, o sociólogo afirma que é preciso antecipar as ações de resposta antes do agravamento da seca. Entre as medidas consideradas prioritárias estão o monitoramento contínuo dos rios e das condições climáticas, o fortalecimento dos órgãos ambientais e das Defesas Civis, a contratação e o treinamento permanente de brigadas indígenas e comunitárias e a formação de estoques de água potável, alimentos, medicamentos e combustível para atender comunidades que possam ficar isoladas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Não podem esperar os rios secarem, a fumaça tomar conta das cidades e as comunidades ficarem isoladas para depois declarar emergência e distribuir ajuda de forma improvisada. Os governos devem contratar e equipar brigadas indígenas e comunitárias. Essas brigadas não podem existir apenas durante a emergência ou trabalhar de forma precária. Elas precisam de remuneração, equipamentos, formação e presença permanente nos territórios&#8221;, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O informe semanal do <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/saude-ambiental/vigiar/monitoramento-de-incendios-florestais/2026/informe-monitoramento-de-incendios-florestais-se-27.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Monitoramento de Incêndios Florestais para Vigilância em Saúde</a>, do programa AdaptaSUS, aponta um cenário de atenção para o avanço das queimadas e da poluição do ar potencialmente perigosa para as populações da região amazônica. Na semana epidemiológica 27, divulgada em 14 de julho, Altamira (PA) registrou 30 focos de calor, enquanto Mateiros (33) e Lagoa da Confusão (28), no Tocantins, figuraram entre os municípios brasileiros com maior número de focos de incêndio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O boletim também identificou episódios de piora da qualidade do ar em diversos estados, incluindo o Amazonas, com concentrações de material particulado fino (MP2,5) acima do limite diário recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por mais de dois dias consecutivos. Segundo o informe, a exposição prolongada a esse tipo de poluição está associada ao aumento de sintomas respiratórios, doenças cardiovasculares e internações hospitalares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O avanço do El Niño e seus impactos passou a ser acompanhado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em maio deste ano, o ministro Flávio Dino determinou que o governo federal e os estados amazônicos informassem<a href="https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/uniao-e-estados-da-amazonia-legal-e-do-pantanal-devem-informar-providencias-contra-incendio-diante-do-el-nino/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> quais ações de planejamento e prevenção estão sendo implementadas diante das previsões climáticas para a região.</a> A decisão faz parte da<a href="https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6007933" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 743.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Procurado pela reportagem, o STF informou que a pauta continua sob acompanhamento do ministro Flávio Dino até o cumprimento integral da decisão do plenário. A Corte afirmou ainda que não pode informar quais serão os próximos desdobramentos do processo, &#8220;sob pena de adiantar decisões&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Governos ainda detalham ações</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC_1083.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC_1083-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-153844" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC_1083-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC_1083-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC_1083-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC_1083-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC_1083-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC_1083-1500x1000.jpg 1500w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC_1083-1200x800.jpg 1200w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC_1083-620x413.jpg 620w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC_1083-400x267.jpg 400w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/10/DSC_1083.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Seca e distribuição de filtros em comunidades do rio Arapiuns, no Pará (Foto Christian Braga/ Projeto Saúde Alegria).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo diante de um cenário de impactos prolongados, os governos dos estados da Amazônia ainda não detalharam quais medidas concretas serão adotadas para prevenir ou mitigar os efeitos do El Niño a partir de 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em maio passado,<a href="https://www.geledes.org.br/geledes-assina-carta-de-posicionamiento-frente-ao-el-nino-de-alta-intensidade-e-seus-impactos-no-brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> mais de 70 organizações assinaram um documento</a> cobrando do governo federal medidas preventivas para os impactos do El Niño. A ação, promovida pela Rede de Adaptação Antirracista e Observatório do Clima, cravou a necessidade de utilizar estratégias governamentais aliadas as ações já promovidas em territórios e comunidades</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reportagem da <strong>Amazônia Real </strong>questionou os governos do Amazonas, Acre e Roraima sobre as ações previstas para minimizar os impactos de uma possível seca, reforçar o combate aos incêndios florestais e proteger comunidades vulneráveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em junho,<a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/06/09/amazonas-decreta-emergencia-climatica-e-ambiental-por-risco-de-seca-queimadas-e-ondas-de-calor.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> o Governo do Amazonas decretou estado de emergência climática</a> e ambiental por 180 dias em razão das previsões associadas ao El Niño. A medida, assinada pelo governador Roberto Cidade (União Brasil), se limitou a informar o fortalecimento das ações de monitoramento, prevenção, mitigação e preparação para enfrentar&nbsp; incêndios florestais, ondas de calor e redução da disponibilidade hídrica, além de atribuir responsabilidades a órgãos como a Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e Secretaria de Estado da Saúde (SES-AM).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2015, quando um El Niño intenso atingiu a Amazônia, o estado do Amazonas registrou altos índices de queimadas e incêndios florestais. <a href="https://amazoniareal.com.br/fumaca-das-queimadas-provoca-decretacao-da-situacao-de-emergencia-em-12-cidades-do-amazonas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Manaus ficou meses coberta de fumaça</a>. Na ocasião, o governo do Amazonas chegou a <a href="https://amazoniareal.com.br/nao-adianta-culpar-o-para-fumaca-em-manaus-veio-das-queimadas-no-amazonas-diz-inpe/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">culpar o Pará</a>, o que foi desmentido pelo Inpe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Procurado pela<strong> Amazônia Real</strong>, o governo do Amazonas não detalhou como essas medidas serão implementadas na prática, nem informou cronograma, recursos previstos ou eventual número do reforço de equipes para enfrentar uma possível intensificação dos impactos relacionados ao El Niño.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resposta à reportagem, o Governo de Roraima informou que ainda está em fase de planejamento para o próximo período de estiagem e que acompanha indicadores como “previsões meteorológicas, índices pluviométricos, níveis dos rios e igarapés, umidade do ar, focos de calor e condições da vegetação”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Roraima, o Plano Estadual de Contingência para Estiagem e Incêndios Florestais está em revisão e deverá definir níveis de alerta, procedimentos de mobilização, emprego de recursos e atendimento às comunidades afetadas. O estado afirmou que utiliza como referência a estiagem de 2023 e 2024, quando 53.314 pessoas foram diretamente afetadas e 14 municípios decretaram situação de emergência em razão da seca e dos incêndios florestais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as ações previstas no Plano Estadual de Contingência para Estiagem e Incêndios Florestais &nbsp;estão a intensificação do monitoramento dos focos de calor, campanhas de orientação e prevenção, visitas a propriedades rurais e comunidades, construção e manutenção de aceiros, posicionamento estratégico de equipes e equipamentos e, se necessário, distribuição de água potável, alimentos e outros itens de assistência humanitária, com prioridade para comunidades rurais e indígenas e localidades de difícil acesso.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O governo informou ainda que a definição das áreas prioritárias está em consolidação, com base no histórico de ocorrências, disponibilidade hídrica, presença de populações vulneráveis e dificuldades de acesso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre a estrutura para concretizar essas ações, o governo de Roraima não informou o número de brigadistas contratados neste ano para atuar em conjunto com o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, também não informou o orçamento previsto para custear todas as medidas. Para o próximo período de estiagem, a manutenção ou ampliação das equipes, viaturas, equipamentos e brigadistas pelo governo de Roraima ainda está sendo dimensionada e dependerá da evolução dos prognósticos climáticos, do mapeamento das áreas de risco e da disponibilidade de recursos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O governo do Acre não respondeu aos questionamentos enviados pela Amazônia Real até o fechamento desta reportagem. Em informações divulgadas em seus canais oficiais, o Estado afirma que intensifica o planejamento para enfrentar uma possível estiagem severa associada ao El Niño. Entre as medidas anunciadas está a elaboração de<a href="https://sepi.ac.gov.br/governo-do-acre-intensifica-acoes-para-reduzir-impactos-do-super-el-nino-em-terras-indigenas-do-estado/"> um plano de contingência para os territórios indígenas</a>, coordenado pela Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi), em parceria com a Defesa Civil, órgãos de saúde e lideranças indígenas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O plano do Acre para os povos indígenas prevê ações de monitoramento, logística, segurança alimentar, abastecimento de água e planejamento para transporte, combustível e apoio às famílias caso a seca se intensifique.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O governo também informou que pretende ampliar o acesso à água potável nas aldeias por meio da construção e recuperação de poços e da implantação de reservatórios.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na área ambiental, o governo do Acre declarou que as operações de fiscalização e combate ao desmatamento e aos incêndios florestais<a href="https://portalacre.com.br/2026/06/acoes-de-prevencao-e-monitoramento-relacionados-ao-fenomeno-el-nino-sao-apresentos-pelo-governo-durante-palestra-no-tre/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> têm priorizado as regionais do Juruá, Tarauacá-Envira, Purus, Baixo Acre e Alto Acre.</a> Segundo dados oficiais, somente em 2026 o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) lavrou 95 autos de infração, aplicou R$7,16 milhões em multas e embargou 548 hectares de áreas irregulares.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/09/GP1SZPHI_-e1665438642695.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/09/GP1SZPHI_-e1665438642695-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-112152" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/09/GP1SZPHI_-e1665438642695-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/09/GP1SZPHI_-e1665438642695-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/09/GP1SZPHI_-e1665438642695-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/09/GP1SZPHI_-e1665438642695-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/09/GP1SZPHI_-e1665438642695-620x413.jpg 620w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/09/GP1SZPHI_-e1665438642695.jpg 1399w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/09/GP1SZPHI_-e1665438642695-1200x799.jpg 1200w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/09/GP1SZPHI_-e1665438642695-400x266.jpg 400w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Floresta queimada na região da Amacro (Amazonas, Acre e Rondônia), em uma área com cerca de 8.000 hectares de desmatamento (Foto: Nilmar Lage/Greenpeace/30/08/22).</sub></em></figcaption></figure>
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		<title>Por que os desmatadores investem em destruir a floresta amazônica – 2: tendências históricas do desmatamento</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jul 2026 17:55:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[Código Florestal]]></category>
		<category><![CDATA[Desmatamento]]></category>
		<category><![CDATA[especulação]]></category>
		<category><![CDATA[Floresta amazônica]]></category>
		<category><![CDATA[Inpe]]></category>
		<category><![CDATA[Philip Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[Plano Real]]></category>
		<category><![CDATA[série histórica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O desmatamento na Amazônia convive com flutuações de quedas e crescimentos. Em texto desta série, autores analisam as causas das flutuações na dinâmica do desmatamento na Amazônia ao longo da história.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Pedro Gandolfo Soares, Philip Martin Fearnside e Gerd Sparovek</strong></p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">Na década de 1990, o desmatamento foi impulsionado por questões políticas e econômicas nacionais, como a hiperinflação que fez da compra de terras um meio de proteger o valor do dinheiro, alimentando a especulação imobiliária. Com o Plano Real de junho de 1994, o &#8220;overnight&#8221; (um certificado de depósito de 24 horas que servia para minimizar o efeito da inflação) terminou, liberando volumosos recursos que foram então investidos no desmatamento, contribuindo para o pico de desmatamento em 1995 [1]. Com a inflação controlada, os preços da terra caíram significativamente, inclusive nas áreas de fronteira do desmatamento, tornando a especulação imobiliária menos atrativa e reduzindo as taxas de desmatamento na Amazônia em 1996 e 1997 [2]. A subsequente recuperação econômica do país com o Plano Real aumentou as taxas de desmatamento na Amazônia de 1998 a 2004 [1, 3]</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre 2004 e 2012, o Brasil testemunhou o esforço mais significativo de sua história para combater o desmatamento. Durante esse período, houve uma redução de 80% na taxa anual de desmatamento na área da floresta amazônica brasileira (de 27.700 km² para 4.500 km²). Após 2012, mudanças em políticas nacionais importantes e no cenário político do país levaram a um aumento consistente nas taxas anuais de desmatamento na Amazônia, atingindo um pico de 13.000 km² em2021 [4]. O desmatamento diminuiu 11,1% em 2022, 22,4% em 2023, de 30,6% em 2024, e de 11,1% em 2025 segundo estimativas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Os anos para essas estimativas de desmatamento vão de agosto de um ano a julho do ano seguinte; por exemplo, a estimativa de 2024 representa o desmatamento ocorrido entre 1º de agosto de 2023 e 31 de julho de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas quais foram as causas dessas flutuações na dinâmica do desmatamento na Amazônia brasileira? Nossa revisão bibliográfica indicou que, de 2004 a 2008, as quedas significativas nas taxas de desmatamento foram explicadas principalmente pela queda nos preços das commodities no Brasil, incluindo um forte efeito da desvalorização do real brasileiro em relação ao dólar americano, que caiu aproximadamente pela metade nesse período, tornando as exportações muito menos lucrativas [5]. A queda nas taxas de desmatamento de 2008 a 2012 decorreu de medidas como a resolução do Banco Central do Brasil que limitou o acesso ao crédito rural subsidiado a imóveis rurais sem pendências de multas ambientais e que não estavam localizadas em municípios com alta incidência de desmatamento ilegal (Resolução BCB 3.545/2008) e o fortalecimento do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm) [6]. Usamos o termo &#8220;posses fundiárias&#8221; em vez de &#8220;propriedades&#8221; para não dar a entender que o detentor possui o título legal da terra, o que muitas vezes não é o caso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após 2012, houve um novo aumento no desmatamento na Amazônia que foi estimulado por mudanças como o desmantelamento do Código Florestal Brasileiro apoiado pelo forte lobby &#8220;ruralista&#8221; no Congresso Nacional, e pela recuperação dos preços das commodities após a crise econômica global de 2008. &#8220;Ruralistas&#8221; são grandes atores com posses fundiários e seus representantes [7]. Após 2018, com a eleição do presidente Jair Bolsonaro e outro processo significativo de desvalorização do Real brasileiro frente ao dólar americano (que se desvalorizou em 40% entre 2018 e 2022) [8], o desmatamentoaumentou para taxas alarmantes. Em 2022, a taxa de perda florestal na Amazônia brasileira foi 150% maior do que em 2012 (Figura 1). Sob o governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (conhecido como &#8220;Lula&#8221;), que começou em 1º de janeiro de 2023, o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (MMA) intensificou consideravelmente as operações de comando e controle, o que se acredita ser responsável pela queda na taxa de desmatamento na Amazônia Legal em 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-1-Texto-2.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="783" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-1-Texto-2-1024x783.png" alt="" class="wp-image-174785" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-1-Texto-2-1024x783.png 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-1-Texto-2-300x230.png 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-1-Texto-2-768x588.png 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-1-Texto-2-1536x1175.png 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-1-Texto-2-150x115.png 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Figura-1-Texto-2.png 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Figura 1. Desmatamento anual na Amazônia brasileira com identificação dos fatores e causas do desmatamento. Fonte: INPE [4], adaptado pelos autores. PPCDAm = Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia. DETER = Detecção do Desmatamento em Tempo Real [4]. [9]</sub></em></figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Notas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">[1] Fearnside, P.M., Leal Filho, W., (2025). <a href="https://amazoniareal.com.br/cop-30-politicas-brasileiras-precisam-mudar/">COP 30: Políticas brasileiras precisam mudar.</a> <em>Amazônia Real</em>, 27 de março de 2025. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[2] Fearnside, P.M., (2022). <a href="https://antigo-philip.inpa.gov.br/publ_livres/2022/Destruicao-v1/Cap-1-Desmatamento_historia.pdf">Desmatamento na Amazônia brasileira: História, índices e consequências</a>. p. 7-19. In: Fearnside, P.M. (ed.) <em>Destruição e Conservação da Floresta Amazônica</em>. Editora do INPA, Manaus. 356 p. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[3] Rodrigues-Filho, S., Verburg, R., Bursztyn, M., Lindoso, D., Debortoli, N., Vilhena, A.M.G., (2015). <a href="https://doi.org/10.1016/j.landusepol.2014.11.002">Election-driven weakening of deforestation control in the Brazilian Amazon</a>. <em>Land Use Policy</em> 43, 111–118. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[4] INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), (2026). <a href="http://terrabrasilis.dpi.inpe.br/app/dashboard/deforestation/biomes/legal_amazon/rates">PRODES — Coordenação Geral de Observação da Terra</a>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[5] Fearnside, P.M., (2021). <a href="https://antigo-philip.inpa.gov.br/publ_livres/2021/O_Desmatamento_da_Amazônia_Brasileira-Serie_completa.pdf">O desmatamento da Amazônia</a>. <em>Amazônia Real-</em>Série Completa. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[6] West, T.A.P., Fearnside, P.M., (2021). <a href="https://doi.org/10.1016/J.LANDUSEPOL.2020.105072">Brazil&#8217;s conservation reform and the reduction of deforestation in Amazonia.</a> <em>Land Use Policy</em> 100, art. 105072. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[7] Ferrante, L., Fearnside, P.M., (2019). <a href="https://amazoniareal.com.br/o-novo-presidente-do-brasil-e-ruralistas-ameacam-o-meio-ambiente-povos-tradicionais-da-amazonia-e-o-clima-global/">O novo presidente do Brasil e “ruralistas” ameaçam o meio ambiente, povos tradicionais da Amazônia e o clima global. </a><em>Amazônia Real</em>, 30 de julho de 2019. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[8] IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), (2023b). <a href="https://anuario.ibge.gov.br/images/aeb/2023/s7/2_pdf/s7t4301.pdf">Anuário Estatístico. </a></p>



<p class="wp-block-paragraph">[9] Esta série é uma tradução de: Soares, P.G., Fearnside, P.M. &amp; Sparovek, G. 2026. <a href="https://doi.org/10.1007/s10113-026-02561-7">Deforestation in the Brazilian Amazon: why d</a></p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pedro Gandolfo Soares</strong> possui bacharelado em Gestão Ambiental pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP) e mestrado em Ecologia Aplicada pelo Centro de Energia Nuclear em Agricultura (CENA)/ESALQ, Universidade de São Paulo, Piracicaba-SP. Ele trabalha com mudanças climáticas e REDD+, tendo trabalhado no Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) e em Manaus, e em diversos projetos de conservação na Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Philip Martin Fearnside </strong>é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis&nbsp;<a href="http://philip.inpa.gov.br/">aqui</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gerd Sparovek</strong> possui graduação em Agronomia e mestrado dourado em Agronomia (Solos e Nutrição de Plantas) pela Universidade de São Paulo (USP). Ele é professor e pesquisador aposentado do Departamento de Ciência do Solo, Escola Superior de Agricultura &#8216;Luiz de Queiroz&#8217;, USP, Piracicaba-SP e, desde 2022, atua como Professor Sênior junto ao Instituto de Estudos Avançados da USP, com estudos voltados ao suporte à decisão de governança pública, agricultura familiar, agricultura de baixo carbono, reforma agrária, mercado institucional de alimentos, crédito fundiário, assistência técnica e extensão rural, expansão de fronteira agrícola irrigada, intensificação agrícola, e o código florestal.</p>





<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Petroquímica de bilionário é investigada por vazamento de gás tóxico em Manaus</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Nicoly Ambrosio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 22:48:19 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Poluição]]></category>
		<category><![CDATA[Vazamento]]></category>
		<category><![CDATA[Videolar-Innova]]></category>
		<category><![CDATA[Zona Franca]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://amazoniareal.com.br/?p=174644</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Videolar-Innova, indústria do bilionário Lirio Parisotto, provocou uma emergência química de alto risco em Manaus devido ao vazamento do gás tóxico estireno em uma unidade situada na Zona Franca. O incidente gerou pânico generalizado e forçou o fechamento de 19 escolas e diversas indústrias vizinhas por risco de contaminação. As autoridades de saúde já contabilizaram 211 atendimentos médicos de moradores com sintomas como falta de ar, náuseas e desmaios. Como punição pela gravidade dos danos, a Prefeitura de Manaus aplicou duas multas por emissão de gás tóxico, poluição do solo e do corpo hídrico, totalizando  R$ 9,9 milhões contra a petroquímica. O Ministério Público investiga agora as responsabilidades da empresa de Parisotto, cujo patrimônio pessoal é estimado em R$ 14,1 bilhões. Após a publicação desta reportagem, o Ipaam decidiu multar à indústria em R$ 12,5 milhões por poluição atmosférica.</p>
<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/petroquimica-de-bilionario-e-investigada-por-vazamento-de-gas-toxico-em-manaus/">Petroquímica de bilionário é investigada por vazamento de gás tóxico em Manaus</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus (AM) &#8211;</strong> Umas das maiores petroquímicas do país, a Videolar-Innova, fundada e presidida pelo bilionário Lirio Parisotto, está no centro de uma investigação para apurar danos ambientais e à saúde humana no Amazonas. Autoridades do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Ministério Público e órgãos ambientais iniciaram a apuração, na tarde de quarta-feira (15), quando vazou gás&nbsp;estireno, uma substância inflamável e tóxica, em uma das unidades da empresa no Distrito Industrial da Zona Franca de Manaus.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As multas dos órgãos ambientais da Prefeitura de Manaus e do Governo do Amazonas contra à petroquímica somam R$ 22,5 milhões. As penalidades são por vazamento contínuo de estireno, poluição amosférica, poluição de solo e corpo hídrico, risco à saúde e segurança pública e descumprimento ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Defesa Civil classificou o incidente de “uma emergência química de alto risco”. Trabalhadores da Videolar-Innova foram internados, mas a empresa não informou o número de pessoas atingidas dentro das instalações da petroquímica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em<a href="https://www.instagram.com/p/Da1quvSRjJ1/?igsh=MXAxZXg1NjZkMmt0aA=="> nota pública</a>, a empresa afirmou que o vazamento foi causado pela elevação anormal de temperatura do líquido, dentro de um tanque de armazenamento da petroquímica. O material é usado para fabricação de plásticos, borrachas sintéticas&nbsp; e isopor. Imagens do incidente ganharam as redes sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira fábrica de Lirio Parisotto, instalada em Manaus, iniciou sua atividade em 1988 com a produção e gravação de fitas VHS, CDs e DVDs. Em 2014, com a compra da Innova da Petrobras, a Videolar mudou a planta industrial e expandiu, passando a ser fabricante petroquímica e de transformados plásticos. Leia mais sobre a indústria no final deste texto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fora da unidade da Videolar-Innova houve pânico na população das zonas sul e centro&nbsp; de Manaus. Unidades de saúde já somam, até essa sexta-feira (17), 211 atendimentos. Os sintomas das pessoas atingidas pelo gás tóxico são falta de ar, náusea, dor de cabeça, tontura e desmaio. “Apenas um paciente ainda está internado na UTI, mas em recuperação e com risco baixo de morte&#8221;, diz nota da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) s<a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/07/16/vazamento-de-gas-em-manaus-faz-escolas-pac-e-empresas-do-distrito-industrial-suspenderem-atividades.ghtml]" target="_blank" rel="noreferrer noopener">uspendeu as atividades de 19 escolas estaduais</a>. Fábricas de diversos segmentos, localizadas nas proximidades da petroquímica, interromperam suas atividades. Trabalhadores precisaram deixar os locais às pressas por causa do forte odor e do risco de contaminação. </p>





<hr class="wp-block-separator has-text-color has-vivid-green-cyan-color has-alpha-channel-opacity has-vivid-green-cyan-background-color has-background"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Galeria</strong> &#8211; <strong>Série fotográfica &#8220;Crônica de um vazamento: suspenso no ar&#8221;, de Raphael Alves, sobre o vazamento de gás estireno na fábrica Videolar-Innova, do empresário Lirio Parisotto, em Manaus .</strong></p>



<div class="alignnormal"><div id="metaslider-id-174647" style="width: 100%;" class="ml-slider-3-110-0 metaslider metaslider-flex metaslider-174647 ml-slider has-dots-nav ms-theme-default-base" role="region" aria-label="Vazamento Gás Innova" data-height="1000" data-width="1500">
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                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174655 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-17 17:52:30" data-filename="Vazamento-de-gas-na-Innova-Foto-cedida-por-Raphael-Alves-20-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-de-gas-na-Innova-Foto-cedida-por-Raphael-Alves-20-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-174647 slide-174655 msDefaultImage" title="Vazamento de gás na Innova (Foto cedida por Raphael Alves) (20)" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em>(Foto: Raphael Alves cedida para a Amazônia Real).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174662 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-17 17:52:30" data-filename="Vazamento-de-gas-na-Innova-Foto-cedida-por-Raphael-Alves-18-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-de-gas-na-Innova-Foto-cedida-por-Raphael-Alves-18-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-174647 slide-174662 msDefaultImage" title="Vazamento de gás na Innova (Foto cedida por Raphael Alves) (18)" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div style="text-align:left;"><em>(Foto: Raphael Alves cedida para a Amazônia Real).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174654 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-17 17:52:29" data-filename="Vazamento-de-gas-na-Innova-Foto-cedida-por-Raphael-Alves-19-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-de-gas-na-Innova-Foto-cedida-por-Raphael-Alves-19-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-174647 slide-174654 msDefaultImage" title="Vazamento de gás na Innova (Foto cedida por Raphael Alves) (19)" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div style="text-align:left;"><em>(Foto: Raphael Alves cedida para a Amazônia Real).</em></div></div></div></li>
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                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174656 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-17 17:52:30" data-filename="Vazamento-de-gas-na-Innova-Foto-cedida-por-Raphael-Alves-4-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-de-gas-na-Innova-Foto-cedida-por-Raphael-Alves-4-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-174647 slide-174656 msDefaultImage" title="Vazamento de gás na Innova (Foto cedida por Raphael Alves) (4)" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div style="text-align:left;"><em>(Foto: Raphael Alves cedida para a Amazônia Real).</em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174663 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-17 17:52:30" data-filename="Vazamento-de-gas-na-Innova-Foto-cedida-por-Raphael-Alves-15-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-de-gas-na-Innova-Foto-cedida-por-Raphael-Alves-15-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-174647 slide-174663 msDefaultImage" title="Vazamento de gás na Innova (Foto cedida por Raphael Alves) (15)" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div style="text-align:left;"><em>(Foto: Raphael Alves cedida para a Amazônia Real).</em></div></div></div></li>
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<p class="wp-block-paragraph">A SES negou a morte de um homem, de 67 anos, por efeitos da contaminação do gás de estireno da petroquímica. Segundo a secretaria, ele foi internado em uma unidade de saúde na quarta-feira, relatando mal estar pelos efeitos do vazamento de gás estireno. “O paciente possuía um histórico de doença respiratória crônica , tendo sido atendido na unidade de saúde ao longo da semana com dificuldades respiratórias, evoluiu para óbito. A SES reforça que não foi constatada relação direta da morte com o vazamento ocorrido”, diz a nota da SES.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um outro caso de internação, mas sem gravidade, foi de Fabíola Silva, 25 anos, secretária de vendas e moradora da rua Adalberto Vale, no bairro Betânia, na zona sul de Manaus. Ela disse à <strong>Amazônia Real </strong>que passou mal após sentir o forte cheiro de gás provocado pelo vazamento da Videolar-Innova. Segundo Fabíola, os sintomas começaram no dia do acidente e persistiram até o dia seguinte (16), quando precisou procurar atendimento em uma unidade de saúde próxima de casa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Senti muito enjoo e dor de cabeça. Fui ao posto de saúde perto de casa e acabei fazendo uma inalação. No dia seguinte, percebi que o enjoo que eu estava sentindo não era normal&#8221;, contou à reportagem. Ela recebeu alta médica no mesmo dia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Prefeitura de Manaus decretou estado de alerta e na quinta-feira (16) <a href="https://www.manaus.am.gov.br/noticia/operacao/monitora-e-autua-empresa-apos-vazamento-de-gas-estireno/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">autuou a empresa em 30 mil Unidades Fiscais do Município (UFMs),</a> o equivalente a R$4,5 milhões de reais. Uma outra multa saiu nesta sexta-feira no montande de R$ 5.347.300,00 por poluição de solo e corpo hídrico. As duas multas totalizam R$ 9,9 milhões. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A Videolar-Innova tem 20 dias para apresentar planos de contingência, relatórios de segurança e informações sobre o sistema de drenagem. Procurada pela <strong>Amazônia Real</strong>, a empresa não se pronunciou pelas acusações de danos ambientais e à saúde humana e não informou se vai recorrer das penalidades. Leia nota no final do texto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp; diretor jurídico da <a href="https://www.instagram.com/semmas.manaus/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade</a> (Semmas), Henrique Marinheiro, disse que o índice de poluição no entorno da petroquímica “ainda está acima do limite tolerável para a exposição humana, embora o fluxo do vazamento já esteja bem reduzido”. Segundo a Semmas, os recursos das multas serão destinados ao Fundo Municipal para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (FMDMA) para serem utilizados na execução da política ambiental municipal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vazamentos de produtos químicos tóxicos, como o monômero de estireno, são caracterizados como crime ambiental e contra a saúde pública. Conforme a <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998)</a>, causar poluição que coloque em risco a saúde humana ou a segurança é passível de severas sanções penais e administrativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Procurados pela <strong>Amazônia Real</strong>, o Ibama disse que vai apoiar o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) com recomendações técnicas e monitorar impactos que ultrapassem a área da empresa ou atinjam bens da União. Até então, os dois órgãos não se pronunciaram sobre multas por crimes ambientais contra a petroquímica de Lirio Parisotto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a publicação desta reportagem, o Ipaam informou que decidiu multar em R$ 12,5 milhões à Videolar-Innova por poluição atmosférica. Segundo o órgão, a penalidade está fundamentada na Lei de Crimes Ambientais. &#8220;O Ipaam acompanha a execução do Plano de Ação (PAE) da empresa e fiscaliza as medidas adotadas para conter o vazamento. A indústria opera com Licença de Operação (LO) vigente, válida até outubro de 2026&#8221;, diz o órgão. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Já o Ministério Público do Amazonas (MPAM)<a href="https://www.mpam.mp.br/comunicacao/noticias/mp-do-amazonas-instaura-procedimento-para-apurar-acidente-em-fabrica-do-distrito-industrial" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> instaurou um procedimento</a> para apurar as circunstâncias, as causas do incidente e as eventuais responsabilidades decorrentes do vazamento de gás estireno.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Efeitos na saúde</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/vazamento-innova3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="466" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/vazamento-innova3.jpg" alt="" class="wp-image-174689" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/vazamento-innova3.jpg 800w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/vazamento-innova3-300x175.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/vazamento-innova3-768x447.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/vazamento-innova3-150x87.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Vazamento de gás estireno na Videolar- Innova (Foto: Reprodução Redes Sociais).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Uma área de cerca de 300 metros do perímetro da petroquímica Videolar-Innova foi isolada como medida preventiva pelos Corpo de Bombeiros. Equipes continuam no local do incidente para estancar o vazamento do gás de estireno, que causa dor nos olhos, na garganta, falta de ar &#8211; sintomas que precisam de atendimentos nas unidades de saúde ou acionar o Samu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Moradora do Centro de Manaus, Clara Beatriz Oliveira, 25 anos, relatou que sentiu dor de cabeça e ardência no nariz desde que o cheiro de gás tomou conta de sua casa, no fim da tarde de quarta-feira. Apesar do desconforto, ela não chegou a procurar atendimento médico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A gente começou a sentir esse cheiro de gás no fim da tarde de quarta-feira e ele permaneceu até por volta das 20h de quinta-feira. Às vezes amenizava, mas depois voltava com mais intensidade. A sensação era de estar pintando um quarto com tudo fechado e o ar-condicionado ligado, de tão forte que estava o cheiro. Tivemos que fechar a casa toda e ficar de máscara aqui dentro&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No bairro Japiim, a aposentada Tereza Neves, de 66 anos, relatou sentir um forte cheiro, que inicialmente acreditou ser de tinta, durante o fim da tarde de quarta-feira. Sem informações claras sobre o ocorrido, ela passou a madrugada de quarta para quinta usando máscara dentro de casa e disse que teve receio até de acender o fogão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Estava com um cheiro muito forte e senti ardência no nariz. Usei máscara dentro de casa porque achei que estavam pintando alguma casa aqui perto. Depois me avisaram que tinha acontecido um vazamento&#8221;, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de informar que o risco à saúde da população é baixo, o governo do Amazonas não detalhou à reportagem quais medidas estruturais serão adotadas para reforçar a prevenção e a resposta a acidentes envolvendo produtos químicos no Distrito Industrial.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto isso, a Defesa Civil orientou a população a permanecer em locais abertos e bem ventilados, manter portas e janelas abertas para favorecer a circulação do ar e desligar aparelhos que captam ar do ambiente externo, como ar-condicionado e sistemas de ventilação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) informou que segue atuando de forma ininterrupta para resfriar o tanque e estancar o vazamento de gás estireno da unidade da Videolar-Innova, mas que aguardará 24 horas para realizar uma nova avaliação sobre a liberação do retorno do funcionamento da fábrica e das indústrias próximas.&nbsp;&#8220;Reforçamos que 80% do material que hoje ainda está sendo expelido do tanque é composto de partículas de água, sendo a concentração do produto químico bem menor que na quarta-feira. Dessa forma, as autoridades ressaltam que os riscos para a saúde da população são pequenos”, disse o órgão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sindicato critica desinformação</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-gas-estireno-Innova-Semcom-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-gas-estireno-Innova-Semcom-1-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-174581" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-gas-estireno-Innova-Semcom-1-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-gas-estireno-Innova-Semcom-1-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-gas-estireno-Innova-Semcom-1-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-gas-estireno-Innova-Semcom-1-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-gas-estireno-Innova-Semcom-1-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-gas-estireno-Innova-Semcom-1.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Vazamento de gás estireno na fábrica Videolar-Innova, no Distrito Industrial de Manaus (Foto: Giancarlo Silva / Semcom).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">No Distrito Industrial, 18 empresas evacuaram seus prédios e liberaram funcionários devido ao forte odor de gás e aos riscos de exposição ao monômero de estireno. Em <a href="https://www.instagram.com/p/Da4XNxGFtri/?igsh=enFpd2xzMGR4bzVx" target="_blank" rel="noreferrer noopener">nota pública</a>, o Sindicato dos Metalúrgicos do Estado do Amazonas (Sindmetal-AM) classificou como inadmissível a falta de informações conclusivas sobre as condições de segurança mais de 24 horas após o vazamento e defendeu que o retorno às atividades industriais só ocorra após um parecer técnico que assegure não haver riscos à saúde dos trabalhadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sindicato também criticou a divergência entre as informações divulgadas pelos órgãos públicos. Enquanto o Governo do Estado afirmou que as medições realizadas nas empresas próximas registraram concentrações inferiores a 20 ppm e que os riscos para a população são pequenos, a Prefeitura de Manaus informou que levantamentos preliminares apontaram níveis de poluição acima do limite tolerável para exposição humana e recomendou que a população evitasse a região.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O Sindmetal-AM não pode aceitar que os trabalhadores sejam colocados no centro de uma situação inconclusiva. Também não pode orientar ou concordar com o retorno às atividades enquanto não houver certeza técnica de que os trabalhadores não estarão expostos a riscos à saúde e à segurança”, disseram os sindicalistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Bilionário preside Videolar-Innova</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Lirio2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="709" height="709" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Lirio2.jpg" alt="" class="wp-image-174635" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Lirio2.jpg 709w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Lirio2-300x300.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Lirio2-150x150.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Lirio2-24x24.jpg 24w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Lirio2-48x48.jpg 48w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Lirio2-96x96.jpg 96w" sizes="auto, (max-width: 709px) 100vw, 709px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Lírio Parisotto, dono da Videolar- Innova, durante o Seminário de Competitividade 2025, promovido pela ABIPLAST, SINDIPLAST e Editora Definição, de Plásticos em Revista. (Reprodução redes sociais Innova).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A Videolar-Innova S/A, que está no centro de uma dos maiores incidentes de poluição atmosférica em Manaus, é uma gigante do setor petroquímico e de plásticos no Brasil, fundada e presidida pelo empresário gaúcho Lirio Albino Parisotto, 72 anos &#8211; um dos homens mais ricos do mundo, com um patrimônio líquido estimado em R$ 14,1 bilhões, ocupando posições de destaque na lista da Forbes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os negócios de Lirio Parisotto são diversificados, abrangendo desde o controle da Videolar-Innova até investimentos expressivos no mercado de capitais e participações em empresas como Vale, Petrobras, Hypera, Celesc, Usiminas e CSN.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Influente na política do Amazonas, Lírio Parisotto foi o segundo suplente do senador Eduardo Braga (MDB-AM) no período de 2011 a 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2016, o empresário foi denunciado por violência contra a mulher. A modelo <a href="https://forbes.com.br/colunas/2016/07/luiza-brunet-acusa-bilionario-lirio-parisotto-de-agressao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Luiza Brunet acusou o empresário Lírio Parisotto </a>de agressão, resultando na quebra de quatro costelas da atriz, em Nova York. Parisotto foi condenado pela Justiça brasileira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira fábrica de Lirio Parisotto na Zona Franca de Manaus iniciou sua atividade em 1988 com a produção e gravação de fitas VHS, CDs e DVDs &#8211; chegou a produzir 1,5 milhão de mídias por dia em 2007.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2014, com a compra da indústria Innova da Petrobras, a Videolar mudou a planta industrial e expandiu, passando a ser fabricante petroquímica e de transformados plásticos &#8211; criando a marca Videolar-Innova, com um capital social registrado em aproximadamente R$ 1,51 bilhão. São duas unidades do segmento no Distrito Industrial em Manaus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parisotto foi <a href="https://fas-amazonia.org/fas-confirma-presenca-em-forum-internacional-de-sustentabilidade/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vice-presidente e segue como conselheiro honorário</a> da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), organização não governamental que atua com comunidades ribeirinhas amazonenses.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seu site, a Videolar-Innova se apresenta como empresa de referência em sustentabilidade na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-26), devido à neutralização de suas emissões de gases do efeito estufa (chamado de Carbono Neutro).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No dia 15 de julho, a Innova confirmou o incidente químico em uma das unidades de Manaus, por volta das 17:20 (horário local). O vazamento, classificado pela empresa como “uma emergência química”, ocorreu em um dos três tanques de armazenamento do Monômero de Estireno da Unidade IV. “O líquido sofreu elevação anormal de temperatura, liberando vapores de forma controlada pelos próprios dispositivos de segurança do equipamento”, diz a nota oficial da empresa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Videolar-Innova foi taxativa com relação às providências tomadas: “a situação foi prontamente contida de acordo com os procedimentos de emergência estabelecidos. (&#8230;) Dessa forma, não há risco à saúde das pessoas e de contaminação ao meio ambiente.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">A empresa declarou em nota que: “a atuação rápida e coordenada da Brigada de Incêndio da Innova, aliada ao apoio decisivo do Corpo de Bombeiros, foram cruciais para o controle da ocorrência. (&#8230;) Ressalte-se que não houve incêndio, vazamento do produto líquido ou de efluentes para fora dos diques de contenção, e, o mais importante, sem vítimas.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em nota já publicada na imprensa, a empresa Videolar-Innova diz que: “a situação [o vazamento de gás estireno] foi prontamente contida de acordo com os procedimentos de emergência estabelecidos pela Companhia e todo o resíduo proveniente recebeu destinação adequada, sendo armazenado para subsequente tratamento de acordo com as normas ambientais vigentes.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A agência <strong>Amazônia Real </strong>solicitou um pedido de esclarecimentos com perguntas, enviadas por e-mail, conforme orientação no site da Videolar-Innova, e para sua assessoria de comunicação. Em resposta à reportagem, a petroquímica explicou as providências tomadas para o resfriamento do tanque de armazenamento do monômero de estireno, após o vazamento de quarta-feira:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre a causa do incidente: “a liberação controlada de vapores ocorreu em razão da atuação dos dispositivos de segurança do tanque, projetados para preservar a integridade do equipamento e, principalmente, mitigar maiores impactos, em situações dessa natureza”, diz a nota.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Emergência no fato: “é importante frisar que a mobilização do Corpo de Bombeiros, coordenada com nossa Brigada de Incêndio, ocorreu em aproximadamente 7 minutos do início do evento”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que vazou: “o material dentro do tanque já está em mais de 85% polimerizado (solidificado) e estamos fazendo todos os esforços para concluir o processo até o final da noite de hoje (17). Apenas alguns resquícios de polimerização podem acontecer nos próximos dias. O Plano de Atendimento a Emergências (PAE) segue mobilizado”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Orientação à população: “em determinados locais onde o odor é relatado, as medições indicam concentrações não detectáveis ou bastante reduzidas de Monômero de Estireno, e, quando detectadas, inferiores aos limites estabelecidos por organismos internacionais de saúde. Ainda assim, diante de qualquer desconforto, seguem vigentes as orientações transmitidas pelos órgãos competentes. Não há riscos relativos aos demais tanques e equipamentos da unidade industrial. Está garantida a segurança das pessoas e meio ambiente&#8221;. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Pedido de desculpas: &#8220;a Videolar-Innova pede desculpas pelos transtornos ocasionados, reafirma seu compromisso com uma atuação transparente, responsável e colaborativa à população de Manaus e esclarece que, em simultâneo às medidas conclusivas do resfriamento, acontece o trabalho de investigação das causas do sobreaquecimento e solução do seu fato gerador&#8221;. <a href="https://drive.google.com/file/d/1orSdDpdvzAg5ZFvB5wZ_82qjj27dXmAZ/view?usp=sharing" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Leia a íntegra da nota neste link.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Multas impostas à petroquímica</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_3683.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_3683-1024x768.jpg" alt="" class="wp-image-174683" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_3683-1024x768.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_3683-300x225.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_3683-768x576.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_3683-1536x1152.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_3683-2048x1536.jpg 2048w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/IMG_3683-150x113.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Imagem de câmera térmica da Semmas (Secretaria Municipal do Meio Ambiente) mostra a temperatura do tanque durante o vazamento.</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A agência <strong>Amazônia Real</strong> atualizou essa reportagem neste sábado (18) para incluir novas informações sobre as multas contra a Videolar-Innova por vazamento de estireno na fábrica do Distrito Industrial de Manaus. Segundo as autoridades, subiu de 211 para mais de 400 atendimetos de pessoas que pocuraram às unidades de saúde com sintomadas de reação à poluição atmosférica, causada pelo vazamento do gás tóxico da petroquímica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As multas totais somam R$ 22.401.600,00 em autuações da Prefeitura de Manaus e da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), além do Instituto de Proteção do Meio Ambiente (Ipaam), do governo estadual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em nota, a Prefeitura de Manaus diz que detectou, com ajuda de drones equipados com câmeras térmicas, fissuras em parte do tanque e a continuidade de vazamento de gás estireno na Videolar-Innova.&nbsp;A unidade indústrial foi interditada pelo Município.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A petroquíma negou a existência de fissuras no tanque, dizendo em nota, que &#8220;o Diretor-Presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Gustavo Picanço, informou que não foram constatadas fissuras no tanque de monômero de estireno, em avaliação apoiada pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Amazonas (CREA-AM)&#8221;. A reportagem procurou a Semmas para se posicionar, mas a secretaria ou a Prefeitura de Manaus não se posicionaram sobre a nova avaliação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Principais motivos das autuações e danos apontados:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. Poluição atmosférica</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&#8211; Emissão de gás estireno causou significativo desconforto respiratório e olfativo à população -Ipaam: R$ 12.500.000,00.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&#8211; Poluição do ar com emissão de gases &#8211; Semmas: R$ 4.554.300,00.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Poluição de solo e corpo hídrico</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&#8211; Drones térmicos detectaram fissuras no tanque e continuidade do vazamento &#8211; Semmas: R$ 5.347.300,00.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&#8211; Risco de migração do estireno para drenagem, esgoto, solo, igarapés e rios &#8211; Ibama alertou.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. Risco à saúde e segurança pública</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&#8211; 10 escolas municipais sem aulas por forte odor do gás.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&#8211; Tanque exige controle térmico rigoroso 25°C a 27°C para evitar reações&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&#8211; População orientada a evitar rua Javari e procurar saúde se tiver sintomas</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Descumprimento ambiental&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&#8211; Infração à Lei de Crimes Ambientais 9.605/1998, Decreto 6.514/2008 e Decreto Estadual 51.355/2025 &#8211; Ipaam.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&#8211; Empresa opera com LO válida até 2026, mas Ipaam avalia cumprimento das condicionantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-gas-estireno-Innova-Semcom-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-gas-estireno-Innova-Semcom-4-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-174584" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-gas-estireno-Innova-Semcom-4-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-gas-estireno-Innova-Semcom-4-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-gas-estireno-Innova-Semcom-4-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-gas-estireno-Innova-Semcom-4-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-gas-estireno-Innova-Semcom-4-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Vazamento-gas-estireno-Innova-Semcom-4.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Vazamento de gás estireno na fábrica Videolar-Innova, no Distrito Industrial de Manaus, técnicos recolhem líquidos de rachaduras da bacia de contenção, houve contaminação dos igarapés, segundo a Semmas (Foto: Giancarlo Silva / Semcom).</sub></em></figcaption></figure>





<p class="wp-block-paragraph"></p>



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<iframe loading="lazy" title="Vazamento de gás estireno na Videolar- Innova (Imagens: Reprodução redes sociais)." width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/CikhibfAj0U?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="has-white-background-color has-background wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência Amazônia Real estão licenciados com uma&nbsp;<a href="https://amazoniareal.com.br/parceiros/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Licença Creative Commons –&nbsp;</a>Atribuição 4.0 Internacional e podem ser republicados na mídia – jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura – com o crédito do autor e da agência Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença</em>.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-vivid-green-cyan-color has-alpha-channel-opacity has-vivid-green-cyan-background-color has-background"/>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>A invisibilidade do encarceramento indígena no Amazonas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto César Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Povos Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Altaci Kokama]]></category>
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		<category><![CDATA[Yanomami]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As violações contra indígenas no sistema criminal amazonense são profundas e ocorrem desde o processo judicial até o cumprimento da pena, incluindo: negação da identidade étnica; barreiras linguísticas; falta de assistência; condições degradantes em delegacias; violência física e sexual extrema;  e apagamento cultural e espiritual. A Apib protocolou um habeas corpus coletivo no STF buscando garantir o regime de semiliberdade ou prisão domiciliar para indígenas condenados.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus (AM) &#8211; </strong>A invisibilidade faz parte da realidade do encarceramento de pessoas indígenas, retrato de um sistema que apaga crenças, línguas e espiritualidades nas celas das unidades prisionais e delegacias brasileiras. Direitos como o acesso a intérpretes, reconhecimento da identidade étnica e aplicação de medidas alternativas à prisão são negados e permanecem como desafios enfrentados por indígenas acusados, réus, condenados ou privados de liberdade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar das normas nacionais e internacionais estabelecidas como garantia para tratamento específico, as organizações indígenas ainda lutam para que direitos básicos sejam reconhecidos no sistema criminal. No Amazonas, estado com a maior população indígena do país segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística&nbsp; (IBGE), a identidade indígena é quase invisível nos dados oficiais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O “Relatório Estatístico:&nbsp; Indígenas e Justiça&nbsp; Criminal no Amazonas”, organizado pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Prisional e do Sistema Socioeducativo – Manaus, do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, é o <a href="https://www.tjam.jus.br/joomlatools-files/docman-files/gmf-grupo-de-monitoramento-carcerario/relatorios-1/relatorios-estatisticos-1/rijam24-2.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">primeiro levantamento </a>sobre povos indígenas na justiça criminal, produzido em 2024. O documento, elaborado por&nbsp; Luanna Marley de Oliveira e Silva e equipe de pesquisadores, identificou que, até março daquele ano, havia 136 indígenas privados de liberdade no estado. Desse total, 78 eram presos provisórios, ainda sem condenação definitiva, e 58 cumpriam pena em regime fechado. Entre as acusações estão crimes de ameaça, lesão corporal (leve), desobediência ou posse de drogas para consumo pessoal, além de crimes como homicídio, incluindo feminicídio, roubo, furto e extorsão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O relatório diz que as 136 pessoas indígenas privadas de liberdade representavam 2,3% da população carcerária do Amazonas, que somava 5.928 presos em março de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Tribunal de Justiça do Amazonas foi procurado, no mês de junho, pela agência Amazônia Real para responder diversas perguntas sobre o tema do encarceramento indígena. Neste quinta-feira (16), após a publicação da reportagem, a assessoria de imprensa enviou uma nota informando que o número de presos indígenas aumentou em 2026. &#8220;Nas unidades prisionais do Estado foram identificadas 184 pessoas indígenas privadas de liberdade&#8221;. Leia a nota completa no final do texto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A nossa maior preocupação é a subnotificação. Mas, para além dela, como a própria penitenciária vai se adequar, por exemplo, a uma separação por povo? Povo Munduruku, povo Sateré, povo Apurinã&#8230;Como é que vai trabalhar as cosmovisões de cada povo?”, questiona a advogada Ellen Sateré-Mawé, assessora jurídica da Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Apiam).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Amazonas, são declarados indígenas mais<a href="https://educa.ibge.gov.br/criancas/brasil/2848-nosso-povo/22324-os-indigenas-no-censo-2022.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> 490 mil pessoas</a> e 259 etnias, incluindo povos em isolamento voluntário, segundo o IBGE. No entanto, o relatório do TJAM destacou a ausência de dados sistematizados sobre essa população. Tratamento homogêneo dos povos indígenas resultam em subnotificação sobre identidade étnica, línguas maternas e localização geográfica dos territórios.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os casos envolvendo os Yanomami com presença no município de Barcelos (AM), onde a Apiam acompanha indígenas encarcerados em delegacias, são exemplos de vulnerabilidade enfrentada por povos indígenas nessa situação.&nbsp;A TI Yanomami abrange a maior parte o estado de Roraima, mas também inclui uma área extensa do norte do Amazonas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Ellen, a criminalização de lideranças indígenas na região está relacionada ao contexto de insegurança e conflitos nos territórios. As principais terras indígenas localizadas ou em processo de delimitação e demarcação em Barcelos são a Terra Indígena Baixo Rio Negro e Rio Caurés e a Terra Indígena Aracá-Padauiri, mas há também áreas e aldeias do povo Yanomami.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Trabalhar com monitoramento em território indígena é um pouco complexo, porque há, para além das garantias legais, as facções que atuam nos territórios. E aquela pessoa que está à frente do monitoramento acaba sendo muito visada. Como é uma liderança, a tendência é criminalizar essa liderança”, afirmou em entrevista à <strong>Amazônia Real.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os impactos do encarceramento atingem diretamente a organização social e cultural dos povos indígenas.&nbsp; No caso dos Yanomami, cujas famílias vivem de forma coletiva, a transferência de indígenas para presídios em Manaus rompe vínculos familiares que dificultam visitas e impede a participação em rituais e outras práticas tradicionais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A partir do momento em que ele é tirado do seu convívio familiar, em que não consegue participar dos rituais, das festas, das suas cosmovisões, em que a família não consegue visitá-lo e em que ele não fala a língua materna, há uma segregação absurda, uma violência sistemática. Há um choque cultural para ambas as partes, tanto para as famílias quanto para os encarcerados”, disse Ellen Sateré-Mawé.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Delegacia vira presídio</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/10090089645_965b7f4b63_o.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/10090089645_965b7f4b63_o-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-174535" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/10090089645_965b7f4b63_o-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/10090089645_965b7f4b63_o-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/10090089645_965b7f4b63_o-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/10090089645_965b7f4b63_o-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/10090089645_965b7f4b63_o-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/10090089645_965b7f4b63_o.jpg 1984w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Mutirão Carcerário, do CNJ, visita Comarca de Presidente Figueiredo; detenta na delegacia (Foto: Raphael Alves /TJAM/2013).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O encarceramento indígena no Amazonas se concentra principalmente no interior do estado, segundo o relatório do TJAM. Pessoas indígenas privadas de liberdade foram identificadas em 18 dos 62 municípios amazonenses. Do total, 69 permaneciam custodiadas em delegacias do interior, enquanto outras 67 estavam em unidades prisionais, sendo 34 delas nos presídios de Tabatinga, Tefé, Coari e Maués e 33 em unidades localizadas em Manaus.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> O documento aponta que, nos municípios onde existem unidades prisionais, pessoas presas deixam as delegacias após os procedimentos iniciais e, caso a prisão seja mantida em audiência de custódia, são transferidas para o presídio local. Atualmente, a Unidade Prisional de Tabatinga é a única do Amazonas que possui celas exclusivas para pessoas indígenas privadas de liberdade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos municípios, as delegacias acabam funcionando como presídios onde pessoas indígenas permanecem por meses a fio, embora esses espaços sejam destinados apenas à custódia temporária de pessoas presas em flagrante ou aguardando audiência de custódia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na maioria dos casos, a Apiam identifica que a Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) não dispõe de recurso financeiro para fazer transferências de presos sentenciados para o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), presídio de referência para regime fechado no Amazonas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ellen Sateré-Mawé relembrou o caso de uma <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2025/08/01/indigena-que-denunciou-ter-sido-estuprada-por-pms-em-delegacia-no-am-fala-pela-primeira-vez-trauma-para-sempre.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mulher indígena do povo Kokama que foi vítima de estupro de vulnerável </a>e tortura por quase nove meses, entre 2022 e 2023, dentro da Delegacia Interativa de Polícia de Santo Antônio do Içá, município no interior do Amazonas, distante a 881 km de Manaus. Mesmo após receber sentença condenatória e aguardar transferência para uma unidade prisional, a indígena permaneceu na delegacia por falta de vagas. Mantida em uma cela masculina, ela foi violentada por quatro policiais militares e um guarda municipal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Nossos parentes ficam nas delegacias em condições degradantes, porque a delegacia não tem estrutura de presídio. Se há previsão de um atendimento médico, não tem; se precisa de uma alimentação diferenciada por conta de algumas comorbidades, como diabetes ou pressão, também não tem. É um descaso muito grande”, denunciou a advogada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Marcas da prisão</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/15728197754_c5aea05062_o.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/15728197754_c5aea05062_o-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-174526" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/15728197754_c5aea05062_o-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/15728197754_c5aea05062_o-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/15728197754_c5aea05062_o-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/15728197754_c5aea05062_o-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/15728197754_c5aea05062_o-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/15728197754_c5aea05062_o.jpg 1701w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Grupo de Monitoramento Carceráriodo TJAM visitou o presídio de Itacoatiara, acompanhado por uma equipe da SEJUS. (Foto: Raphael Alves/TJAM/2015).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o defensor público João Gustavo Fonseca, em geral os casos envolvendo indígenas que chegam à Defensoria Pública do Estado do Amazonas estão relacionados a pequenos delitos contra o patrimônio, violência doméstica e tráfico de drogas. Fonseca explica que os registros de violência doméstica refletem o fortalecimento dos canais de denúncia e da rede de acolhimento às mulheres, tanto indígenas quanto não indígenas, por meio de Delegacias Especializadas e unidades da Defensoria no interior do estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já os crimes relacionados ao tráfico estão ligados ao aumento da vulnerabilidade dos povos indígenas e à crescente presença de não indígenas em seus territórios, o que favorece o consumo de entorpecentes e o aliciamento de jovens por facções criminosas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Em resumo, o desafio recorrente é sensibilizar instituições, seja do Sistema de Justiça, seja de Segurança Pública, a respeito da necessidade de conferir ao custodiado indígena tratamento adequado”, definiu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No cárcere, a pessoa indígena é submetida a intenso sofrimento, segundo o defensor, porque a estrutura prisional, além da desumanização que direciona a todo custodiado, não possui condições para garantir o respeito ao modo de vida próprio dos indígenas. As dificuldades enfrentadas têm a ver com a identificação indígena e o tratamento diverso&nbsp; e específico que daí deveria decorrer.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Raramente se permitem perícias antropológicas, que visam&nbsp; garantir julgamento mais justo, e mais raramente ainda mecanismos próprios da comunidade indígena são adotados pelo Sistema de Justiça, no caso de punição de pessoa indígena. Mesmo a adequada participação no processo criminal às vezes é obstaculizada, pois alguns juízes, alegando falta de recursos do Judiciário para deslocar-se até às aldeias e comunidades mais distantes, deixam de garantir a intimação pessoal dos réus”, explicou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na avaliação da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), os problemas do encarceramento indígena envolvem tanto as condições materiais de encarceramento quanto a falta de observância de normas e procedimentos específicos para o processamento de indígenas no sistema de justiça criminal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos principais desafios, segundo a Coiab, é a permanência de práticas consideradas coloniais no Judiciário, com a utilização de conceitos integracionistas e racistas como &#8220;não aldeados&#8221; para negar direitos relacionados à identidade, à autodeterminação e ao pertencimento étnico de povos indígenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Percebemos uma falta de atualização dos magistrados e compreensão do sistema com a realidade prática e necessidade de atendimento diferenciado aos povos indígenas do Brasil, especialmente os que se encontram em vias de persecução e processo criminal” declarou a assessoria jurídica da organização à reportagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Os não identificados</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/9953651445_57a4716a9b_o.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="731" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/9953651445_57a4716a9b_o-1024x731.jpg" alt="" class="wp-image-174534" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/9953651445_57a4716a9b_o-1024x731.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/9953651445_57a4716a9b_o-300x214.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/9953651445_57a4716a9b_o-768x548.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/9953651445_57a4716a9b_o-1536x1096.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/9953651445_57a4716a9b_o-150x107.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/9953651445_57a4716a9b_o.jpg 1736w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Mutirão Carcerário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (COMPAJ) ( Foto: Raphael Alves/TJAM/2013).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de identificação étnica nos processos judiciais continua sendo um dos principais obstáculos para garantir os direitos previstos na <a href="https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/2959" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Resolução nº 287/2019 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)</a>, que estabelece diretrizes para o tratamento de pessoas indígenas acusadas, rés, condenadas ou privadas de liberdade. A norma busca assegurar o respeito à identidade cultural, aos costumes e aos direitos fundamentais dos povos indígenas, em conformidade com a Constituição Federal e a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Amazonas, o levantamento do TJAM identificou indígenas de 24 povos entre a população privada de liberdade no Amazonas.&nbsp; Os povos com maior representação no sistema prisional são Baré, Kokama, Tikuna, Tukano e Apurinã. O estudo também registrou um indígena venezuelano sem identificação étnica e uma pessoa que se autodeclarou indígena, mas informou não pertencer a nenhuma etnia ou povo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como regra, as instituições ainda não respeitam as garantias previstas na resolução do CNJ, ressaltou o defensor público João Gustavo Fonseca. Para ele, a norma ainda se mostra &#8220;como horizonte distante das práticas institucionais&#8221;. Entre os obstáculos estão a falha na identificação da identidade indígena, a ausência de informações sobre pertencimento étnico e língua materna nos cadastros institucionais, a resistência à realização de perícias antropológicas e o descumprimento de medidas cautelares alternativas à prisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Se há resistência à realização de perícias antropológicas, menos ainda se pode dizer que haja chance, como regra, de a responsabilização de pessoas indígenas considerar mecanismos próprios da comunidade a que pertence a pessoa, conforme previsão do art. 7º da Res. 287 do CNJ. Isso, sim, é prática bastante excepcional, que, quando ocorre, certamente vira notícia”, afirmou o defensor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ellen Sateré-Mawé concorda que a realidade está distante do que é previsto na legislação. Embora a subnotificação seja um dos principais problemas, os desafios vão muito além. A alimentação, por exemplo, frequentemente não respeita os hábitos alimentares dos diferentes povos indígena. “Costumes, crenças e calendários de tradições não são respeitados dentro das delegacias ou dos presídios. Um ritual de passagem ou de um ritual de cura não pode ser realizado dentro de uma delegacia. As nossas cosmovisões não são levadas para dentro das delegacias e dos presídios”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A língua materna é outra barreira. Segundo o estudo do TJAM, dois homens indígenas presos no Amazonas foram identificados como pessoas que não falam ou não compreendem português, o que demandaria o uso de intérpretes durante o processo judicial. Porém, o próprio relatório alerta que esse número pode estar subnotificado em razão das dificuldades de identificação dos povos indígenas e de suas especificidades culturais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Quando uma pessoa é acolhida, seja por uma delegacia ou por um presídio, existe um questionário prévio com diversas questões sobre a vida pregressa. E não tem como, por exemplo, um indígena que só fala a língua materna responder, porque não tem quem faça a tradução. Isso é invisibilizado, apesar de existir normativa relacionada ao indígena encarcerado”, disse Ellen.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O que dizem as autoridades</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/55337116810_0c179da9f2_k.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/55337116810_0c179da9f2_k-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-174538" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/55337116810_0c179da9f2_k-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/55337116810_0c179da9f2_k-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/55337116810_0c179da9f2_k-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/55337116810_0c179da9f2_k-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/55337116810_0c179da9f2_k-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/55337116810_0c179da9f2_k.jpg 2047w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Detentos durante o julgamento no Tribunal do Júri (Foto: Raphael Alves/TJAM/2026).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A SEAP e a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas foram procuradas pela reportagem, mas não responderam aos pedidos de informação até a publicação desta reportagem&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em nota enviada à Amazônia Real, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informou que atua em colaboração com o sistema de justiça criminal por meio da interlocução, da mediação e do acompanhamento de casos envolvendo pessoas, famílias e comunidades indígenas. Segundo o órgão, as Coordenações Regionais articulam ações com o sistema prisional e a assistência social para apoiar o deslocamento de indígenas de estabelecimentos penais às suas aldeias.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os eixos dessas políticas, conforme informações da Funai, estão: a prevenção de infrações penais; a produção e sistematização de dados estatísticos; a ressocialização da pessoa indígena segundo seus costumes e tradições; a formação e sensibilização sobre culturas indígenas; e a promoção socioassistencial a indígenas presos e egressos do sistema prisional</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Cabe ainda às unidades descentralizadas da Funai dialogar com os órgãos de Segurança Pública, do Sistema de Justiça Criminal e da Proteção Social, visando à construção de políticas públicas culturalmente adequadas às diferentes etnias”, diz um trecho da nota.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por causa dos casos concretos de violações de direitos, o órgão pretende ampliar sua atuação por meio da criação de fluxos permanentes de articulação com as instituições do sistema de justiça. Recentemente, a Funai promoveu ações culturais, educacionais e de garantia de direitos para<a href="https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2026/em-mato-grosso-do-sul-funai-promove-acoes-culturais-educacionais-e-de-garantia-de-direitos-para-mulheres-indigenas-privadas-de-liberdade" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> mulheres indígenas privadas de liberdade no Mato Grosso do Sul.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">O “Relatório Estatístico:&nbsp; Indígenas e Justiça&nbsp; Criminal no Amazonas”, do TJAM, conclui que melhorar o tratamento de pessoas indígenas no sistema de justiça passa por reconhecer suas especificidades culturais e o contexto em que vivem. O relatório aponta a necessidade de aplicar efetivamente a <a href="https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/2959" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Resolução nº 287 do CNJ </a>garantindo a autodeclaração da identidade indígena, o registro de informações como etnia e língua, e a consideração das vulnerabilidades sociais e culturais durante o processo criminal. O tribunal também defende o fortalecimento de políticas públicas voltadas aos povos indígenas, especialmente nas áreas de proteção territorial, educação, saúde e cultura, para enfrentar as causas estruturais do encarceramento e da invisibilidade dessa população.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Luta por direitos institucionais</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/54439946759_0c78b1b314_k.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/54439946759_0c78b1b314_k-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-174542" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/54439946759_0c78b1b314_k-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/54439946759_0c78b1b314_k-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/54439946759_0c78b1b314_k-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/54439946759_0c78b1b314_k-1536x1025.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/54439946759_0c78b1b314_k-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/54439946759_0c78b1b314_k.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Audiência do ministro Gilmar Mendes com Apib e lideranças indígenas. (Foto: Fellipe Sampaio /STF/2025).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando o cenário de violações de direitos, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib)<a href="https://apiboficial.org/2026/05/18/no-stf-apib-protocola-pedido-de-semiliberdade-coletiva-para-pessoas-indigenas-presas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> protocolou um habeas corpus em maio deste ano</a> no Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando regime de semiliberdade para todas as pessoas indígenas condenadas à detenção ou reclusão. Em caso de impossibilidade, a organização pede a concessão de prisão domiciliar, mediante consulta à comunidade indígena à qual pertence.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <a href="https://apiboficial.org/files/2026/05/HC-coletivo.pdf">pedido </a>é baseado na garantia da excepcionalidade da privação de liberdade e na adoção do regime especial de semiliberdade, conforme previsto no Estatuto do Índio, na Convenção nº 169 da OIT e na Resolução nº 287 do CNJ. A ação, no entanto, não busca a concessão automática de liberdade a todas as pessoas indígenas privadas de liberdade, nem significa que indígenas presos por crimes graves, como homicídio, feminicídio ou violência sexual, serão colocados em liberdade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme Ricardo Terena, advogado e assessor jurídico da Apib,<a href="https://www.poder360.com.br/poder-justica/pgr-pede-mais-dados-em-acao-sobre-indigenas-presos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> a Procuradoria-Geral da República (PGR)</a> manifestou-se recentemente pelo reconhecimento da ação como um processo estrutural, com o objetivo de promover mudanças na forma como o sistema de justiça aplica as garantias previstas às pessoas indígenas, e não apenas decidir sobre casos individuais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Temos visto uma crescente na criminalização de lideranças indígenas, principalmente após as mudanças relacionadas aos processos de reintegração de posse decorrentes do último julgamento do marco temporal. É importante uma reforma do sistema carcerário como um todo, voltada às especificidades das comunidades indígenas. Isso inclui a realização de mutirões carcerários e, quem sabe, até a possibilidade de liberação de alguns indígenas dentro desse escopo”, disse o advogado</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para subsidiar o habeas corpus coletivo, a Apib produziu a pesquisa<a href="https://apiboficial.org/files/2026/05/Relat%C3%B3rio_Desconstitui%C3%A7%C3%A3o_da_identidade_ind%C3%ADgena_pelos_tribunais.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> “Desconstituição da identidade indígena pelos tribunais brasileiros”</a>, coordenada pela jurista Eloísa Machado, da Fundação Getúlio Vargas. O estudo analisou 1.781 decisões colegiadas proferidas por tribunais de justiça, tribunais regionais federais e tribunais superiores entre 1988 e 2025. As decisões revelam uma prática sistemática do Judiciário brasileiro de desconsiderar o pertencimento étnico indígena e adotar uma visão discriminatória, onde fatores como escolaridade, conhecimento da língua portuguesa e uso de aparelhos celulares são tratados como provas da ausência de identidade indígena.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os tribunais brasileiros afastam a aplicação do regime especial de semiliberdade às pessoas indígenas com base em uma visão integracionista e racista sobre os povos indígenas, um dos principais pilares da violação de direitos no sistema de justiça.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O sistema judiciário brasileiro acaba ignorando plenamente a questão da identidade indígena. Por mais que a pessoa se declare indígena, fale sobre a necessidade de um laudo antropológico, fale sobre a necessidade de ter um acompanhamento de um tradutor, essa identidade é negada sob o argumento de que a pessoa está usando telefone, trabalha, tem CPF, sabe escrever”, detalhou Ricardo Terena.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Tribunal de Justiça do Amazonas enviou uma nota para a Amazônia Real, após a publicação dessa reportagem, mas sem responder as perguntas enviadas anteriormente por e-mail para a assessoria de imprensa. A nota traz informações novas sobre presos em delegacias do Estado. &#8220;Conforme levantamento realizado pelo GMF/TJAM, no mês de junho de 2026, nas delegacias do interior do Estado encontravam-se 49 pessoas indígenas privadas de liberdade, distribuídas nos municípios de Alvarães, Amaturá, Barcelos, Barreirinha, Beruri, Canutama, Careiro da Várzea, Codajás, Envira, Eirunepé, Japurá, Nova Olinda do Norte, São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro, Tonantins e Uarini.&#8221; (<a href="https://drive.google.com/file/d/1wILFayNwvtDd6meb5TN-ttz1-tSSQFr1/view" target="_blank" rel="noreferrer noopener">veja a nota do TJAM na íntegra</a>).</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/32821566457_170443deb3_k.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="684" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/32821566457_170443deb3_k-1024x684.jpg" alt="" class="wp-image-174532" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/32821566457_170443deb3_k-1024x684.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/32821566457_170443deb3_k-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/32821566457_170443deb3_k-768x513.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/32821566457_170443deb3_k-1536x1025.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/32821566457_170443deb3_k-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/32821566457_170443deb3_k.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Complexo Penitenciário Anísio Jobim (COMPAJ), na BR-174. (Foto: Chico Batata/2014).</sub></em></figcaption></figure>



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<p class="wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência Amazônia Real estão licenciados com uma <a href="https://amazoniareal.com.br/parceiros/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Licença Creative Commons – </a>Atribuição 4.0 Internacional e podem ser republicados na mídia &#8211; jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura &#8211; com o crédito do autor e da agência Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença</em>.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>
<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/a-invisibilidade-do-encarceramento-indigena-no-amazonas/">A invisibilidade do encarceramento indígena no Amazonas</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
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		<title>Quem cala, consente?!&#8230;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto César Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Fátima Guedes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se não estás prevenido ante os meios de comunicação, te farão amar o opressor e odiar o oprimido." (Malcolm X*)</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A natureza latente em meu universo pessoal cutuca-me insistentemente a mergulhar nos vazios da existencialidade e reencontrar o legítimo Eu da existência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os rascunhos em pauta brotam a partir de observações e comprovações referentes ao volume de conflitos, contradições e incoerências à essência pluriversal do real sentido da fala, da comunicação presente no “pó” que somos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre os anestésicos massificantes, a dita comunicação moderna se transformou em instrumento contraditório à legítima matriz do conceito e se manifesta em artimanha manipuladora constituindo-se em sustentáculo da pirâmide social: com cuspe e jeito analfabetxs/analfabetizadxs são enrabados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das máscaras impositivas trazidas nas falas institucionalizadas, há milhares de códigos inacessíveis e até estranhos à compreensão popular: palavras, siglas e expressões vocabulares pulverizadas nos vários espaços públicos ou privados já não alcançam a compreensão popular ao mesmo tempo em que fecham as portas ao real sentido do diálogo.</p>





<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pau da barraca*</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Milhares de ecos difusos/confusos, inacessíveis à interpretação retumbam em governanças, sistemas de ensino (escolas, universidades) sistemas de saúde, espaços ditos de cultura robotizando a sociedade e trazendo adoecimentos variados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os conflitos à decodificação dos atuais conceitos institucionalizados disparam quando desvalidxs recorrem a direitos públicos, a atendimentos necessários, de urgência e emergência garantidos em leis e não conseguem decifrá-los.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Palavrões mais comuns durante atendimentos públicos: SISREG, UPA, PM, PC, RHC, ACS, CCU, NIC, IMC, SpO<sub>2, </sub>FR, FC, PSA, ANS, AVC, TDAH, PAC, UBS, TFD, IOS, RA, CNH, CIN, CNIS, CTPS, CAT, CEI, CADPF, CREA, IAM, DM, ITU, SADT, CID-10, RISTJ, RMS e por aí vai&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As citações e referências não param! O caos comunicatório vai além: filas e filas de famílias necessitadas recorrem ao CU na tentativa de que, por distração de comensais, brechinhas se abram e deixem cair migalhas das mesas abarrotadas, sustentadas por aquelas e aqueles que mendigam rejeitos de direitos sociais/populares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em verdade, os impactos da fome, seja ela de qualquer natureza, freiam a razão e rompem silêncios. E, assim, somando-se o volume de necessidades básicas fundamentais e os bloqueios comunicatórios a um legítimo e justo atendimento, frequentemente provocam reações conflitantes da parte de quem depende dos respectivos atendimentos, de serviços emergenciais sujeitos às artimanhas institucionais. Longas esperas atiçam a intolerância. O analfabetismo linguístico/social rebela-se a falas estranhas, a regras que violentam comunicações dialógicas. Ouvidos e mentes saem dos trilhos e “o pau da barraca entra em cena”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lá vem a Lei 331 do Desacato a Servidor Público, constante no Código Penal brasileiro! A Lei considera delito ‘desrespeitar, humilhar ou ofender funcionários públicos no exercício de suas funções’. Na verdade, a Lei “traz garantia, prestígio e aponta um regular funcionamento da administração pública”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir de percepções problematizadoras, de leituras popular comunitárias, há controvérsias na institucionalização sobre os direitos citados na Lei: se os necessitados por justa atenção são ignorados, desrespeitados nos direitos a um diálogo acolhedor com o sistema, a indignação flui automaticamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É o Educador Paulo Freire* quem bate o martelo: “Tenho o direito de ter raiva, de manifestá-la de tê-la como motivação para minha briga tal qual tenho direito de amar, de expressar meu amor ao mundo, de tê-lo como motivação de minha briga porque, histórico, vivo a História como tempo de possibilidade não de determinação. Se a realidade fosse assim porque estivesse dito que assim teria de ser não haveria sequer por que ter raiva”. (p.78)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sopros de Sabedoria</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Parintins-Floriano-Lins-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="472" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Parintins-Floriano-Lins-1-1024x472.jpg" alt="" class="wp-image-174506" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Parintins-Floriano-Lins-1-1024x472.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Parintins-Floriano-Lins-1-300x138.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Parintins-Floriano-Lins-1-768x354.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Parintins-Floriano-Lins-1-1536x708.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Parintins-Floriano-Lins-1-150x69.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Parintins-Floriano-Lins-1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Diálogo exige comunicação: fala que envolve os comuns e se transforma em ação coletiva. (Foto: Floriano Lins/ Amazônia Real).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Nos anos 2007, células ativistas populares se uniram e semearam em Parintins/Am, a Articulação Parintins Cidadã*. Dentre os apoios, o Médico Amazonense, Menabarreto Segadilha França* (In Memorian), estabelecera profundos diálogos entre comunidades periféricas e Internato Rural de Medicina – UFAM*. Dentre as inúmeras ações realizadas pelo Médico, na cidade de Parintins, o Bairro São Francisco, a oeste da cidade, guarda memórias ímpares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As Políticas anunciadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) eram o foco de Menabarreto. Num momento certo, organizou uma roda de conversa com moradores do Bairro, priorizando Parteiras, Benzedeiras, Erveirxs, Sacacas, e Puxadorxs de Desmentiduras*. Como estratégia para unir conhecimento técnico, popular/tradicional, ao mesmo tempo, envolver a comunidade, trouxe uma Enfermeira do Sistema para abertura da roda. O pequeno salão do Bairro lotou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Enfermeira trouxe informações técnicas recheadas de siglas e conceitos acadêmicos para além do alcance e compreensão do público presente. Olhares entrecruzavam-se denunciando a ausência de compreensão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inesperadamente, Comadre Maria, Curandeira das Boas, levanta a mão:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“- Gente, não sei se vocês tão entendendo a fala da doutora. Não estou entendendo nada. Leio muito pouco&#8230; O tiquinho que sei vem da minha mãe, das minhas avós, das velhinhas lá da minha infância. Entendo bem a fala das ervas, das árvores, dos bichos, da terra, das águas, do sol, da chuva, do calor, do frio, da lua, das estrelas&#8230; Foi esta a minha escola. Dra. a Senhora vai me perdoar, mas vou embora. Não tô entendendo nada!&#8230; Também já tenho que ir porque deixei minha bacia cheia de roupa no jirau* e preciso terminá a lavage. A senhora me perdoa!”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Comadre Maria retirou-se. Olhares de insatisfação entre as companheiras presentes somavam, embora sem a mesma coragem e determinação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abriu-se um diálogo problematizador sobre o verdadeiro sentido da comunicação, principalmente em se tratando de questões relativas à saúde pública. A Enfermeira desculpou-se, agradeceu a “aula” da Curandeira e prometeu rever a própria fala e voltar numa próxima vez. Menabarreto aproveitou o fio da meada e trouxe um breve histórico sobre a realidade da saúde no Brasil:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Na vinda da Família Real, saberes de saúde são silenciados e praticantes perseguidos. Cria-se a matriz dos Conselhos de Medicina. A população é forçada a rejeitar a Medicina Popular para fortalecer os Médicos da Família Real. Vem a República e a interferência do Capital Internacional via Multinacionais de Medicamentos e Equipamentos. Sob o mesmo domínio, a alopatia dominou a formação médica e a dos profissionais de saúde impondo o cientificismo, o individualismo, o curativismo, a hospitalização, as residências e a oposição às práticas tradicionais. Estes profissionais são formados, ou deformados, para as demandas do capital industrial de medicamentos e equipamentos, refutando com veemência a Promoção da Saúde e as relações humanas com os elementos da natureza.”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os brados libertários lançados por Comadre Maria e Menabarreto atiçam até hoje, em nós, a última centelha de sabedorias ancestrais, quando discursos técnicos e acadêmicos tentam nos silenciar.</p>





<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Uma coisa puxa outra</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para aprofundar reflexões sobre o que falamos e ouvimos nos diversos espaços e contextos, considero necessário trazer sentidos reais, originários dos conceitos &#8211; diálogo e comunicação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sigo as pegadas do Educador Paulo Freire, considerando sua íntima, justa e amorosa relação com as bases populares. Nas contribuições do Educador, o conceito diálogo é de origem grega: trata-se de uma troca mútua de idéias e intenções que atendem anseios e necessidades coletivas. Difere de práticas piramidais onde núcleos comandantes institucionalizam propósitos e os anunciam a grupos e a organizações da sociedade civil: em maioria, por ausência de leitura crítica da realidade, aceitam sem quaisquer questionamentos. Vence a maioria e o real sentido do diálogo se perde sob o domínio de autocracismos que transformam povo em massa de manobra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diálogo exige comunicação: fala que envolve os comuns e se transforma em ação coletiva; é palavra-realidade, “verbo ou logos”, linguística em movimento perene, interventiva, autônoma, libertadora. Difere de discurso técnico, colonialista, institucionalista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma breve viagem no tempo e na História confirma a liberdade de falares originalmente comunicativos, interventivos e transformadores articulados nas comunidades tradicionais livres de colonialismos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em se tratando de Amazônia&#8230; Quanta riqueza se perdeu em nossos falares, em nossos hábitos, em nossa cultura!&#8230; Quanto silêncio disfarçado sob tecnologias viciantes!&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por hoje basta! Meus rascunhos não são únicos! São simples provocações à reinvenção de comunicações, de diálogos possíveis e livres de sutilezas dominantes, próprias do democracismo estrutural/estruturante.</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Falares de Casa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Malcolm X</strong> &#8211; Ativista por direitos civis afro-americanos, nos Estados Unidos, década de 1960.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Articulação Parintins Cidadã</em></strong><em> – </em>Célula organizativa de caráter político-educativo, sem fins lucrativos, construído a partir da necessidade de articular movimentos populares de Parintins/AM, interessados em partilhar objetivos afins. Com esse propósito, oficializou-se aos 07 de abril de 2005, Dia Mundial da Saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>FREIRE, Paulo</strong>: <em>Pedagogia da Indignação.</em> UNESP. SP. 2000</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Jirau</em></strong><em> – </em>Plataforma de madeira rústica usada nas comunidades tradicionais ribeirinhas em substituição às pias modernas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Menabarreto Segadilha França</strong> &#8211; (<em>in memoriam)</em> Médico Amazonense, Mestre em Doenças Infecciosas e Parasitárias, pioneiro do Internato Rural de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (UFAM)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Pau da barraca</em></strong><em> </em>– Expressão popular da Amazônia caracterizando reação de enfrentamento a situações de injustiça.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Puxadores de desmentiduras</em></strong> – Expressão popular da Amazônia Caboca; massagista.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: Os textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência Amazônia Real estão licenciados com uma <a href="https://amazoniareal.com.br/parceiros/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Licença Creative Commons – </a>Atribuição 4.0 Internacional e podem ser republicados na mídia: jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura; com o crédito do autor e da agência Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença</em>.</p>



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			</item>
		<item>
		<title>Por que os desmatadores investem em destruir a floresta amazônica –1: introdução à série</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 16:52:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Apuí]]></category>
		<category><![CDATA[Barragens]]></category>
		<category><![CDATA[Desmatamento]]></category>
		<category><![CDATA[Floresta amazônica]]></category>
		<category><![CDATA[Pecuária]]></category>
		<category><![CDATA[Philip Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[Rodovias]]></category>
		<category><![CDATA[Sul do Amazonas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um nova série, especialistas abordam os diferentes processos e causas do desmatamento na Amazônia. Além da fronteira agrícola, rodovias, barragens, eles também apontam o alto investimento e subsídios governamentais para a expansão da pecuária na região. A nova série concentra-se, sobretudo, no avanço do desmatamento no sul do Amazonas.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Pedro Gandolfo Soares, Philip Martin Fearnside e Gerd Sparovek</strong></p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">Publicamos recentemente um trabalho na revista <em>Regional Environmental Change</em> [1], disponível <a href="https://doi.org/10.1007/s10113-026-02561-7" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>, explicando a lógica econômica do ponto de vista de desmatadores no município de Apuí, Amazonas. Esta série apresenta estes resultados em língua portuguesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo fornece dados qualitativos e quantitativos relacionados aos incentivos e às condições que impulsionam a corte da floresta no epicentro do desmatamento na Amazônia brasileira. Um estudo de caso é apresentado para o Projeto de Assentamento Rio Juma (PARJ), localizado no município de Apuí, no estado do Amazonas. Os resultados sugerem que a altíssima rentabilidade financeira (taxa interna de retorno) da pecuária no PARJ (38-59% ao ano em 2020) e a especulação imobiliária (95-214% ao ano em 2020) estão alimentando investimentos na expansão do desmatamento para pastagens no sul do Amazonas. O baixíssimo risco das atividades pecuárias informais e a ausência de sistemas de governança fundiária também são importantes incentivos para o desmatamento e a acumulação de terras por recém-chegados, que possuem mais capital do que os colonizadores originais. O desmatamento na região está mais relacionado às flutuações dos preços das commodities e da terra do que a fatores macroeconômicos e políticos. Discutimos as informações necessárias para ajudar a reduzir o desmatamento, como melhorar a transparência e a responsabilização nas transações privadas realizadas por meio de instituições financeiras e comparar esses valores com as contas públicas do município.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A floresta amazônica brasileira é um ecossistema complexo que sofre intenso estresse e está próximo de atingir seu &#8220;ponto de inflexão&#8221; [2]. O desmatamento na Amazônia está entre os problemas ambientais mais urgentes da nossa geração, com consequências de longo alcance. A perda de florestas tropicais contribui para as mudanças climáticas por meio da emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera, além de levar à perda irreparável de biodiversidade e serviços ecossistêmicos, como a reciclagem da água, que são cruciais para a manutenção da vida na Terra [3, 4]. O desmatamento na Amazônia brasileira é um fenômeno complexo, e suas diversas causas e fatores determinantes têm sido objeto de extensa literatura (por exemplo, [5-8]).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos anteriores exploraram detalhadamente a influência direta do desmatamento da Amazônia decorrente da expansão da fronteira agrícola e da implantação de novas infraestruturas (como rodovias e barragens hidrelétricas) [9-12]. No entanto, causas indiretas, como efeitos de mercado e variações nos preços das commodities, também contribuíram decisivamente para o desmatamento [13], assim como efeitos políticos e institucionais [14], grilagem e especulação de terras [15, 16], migrações populacionais e assentamentos rurais [17-19] e enfraquecimento da legislação e das normas ambientais, como as mudanças feitas no Código Florestal brasileiro [20].</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fator crucial que possibilitou a expansão da fronteira do desmatamento foi a decisão política de canalizar generosos subsídios governamentais para a expansão da pecuária na Amazônia. Dados do Banco Central do Brasil mostram que, somente em 2023, US$ 4 bilhões em empréstimos rurais subsidiados financiaram operações de pecuária e a expansão de pastagens na Amazônia [21]. Nos anos anteriores, a pecuária apresentava baixa ou mesmo rentabilidade negativa na fronteira do desmatamento devido a fatores como a falta de assistência técnica especializada e infraestrutura adequada [22, 23]. Contudo, a receita da pecuária não era o único benefício, mesmo quando a atividade era financeiramente inviável. Mais relevantes eram outros benefícios da pecuária, como a garantia da posse da terra, seja em programas de colonização (isto é, assentamentos rurais) ou em terras invadidas ilegalmente [24]. O desmatamento e o estabelecimento de pastagens levam a um aumento no preço da terra, tornando a especulação imobiliária financeiramente atrativa [5, 15]. Em suma, duas variáveis principais foram identificadas pela literatura anterior como os principais fatores para a compreensão da dinâmica do desmatamento na Amazônia brasileira: os efeitos das políticas públicas e as flutuações de preços de commodities e da terra [25-32].</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas como as políticas nacionais de controle do desmatamento influenciam as decisões dos agentes locais no epicentro do desmatamento na Amazônia brasileira? Como o aumento dos preços das commodities e da terra afeta a disposição dos atores locais em expandir a fronteira da pecuária? Quais são os principais riscos para os atores locais com posses fundiárias que expandem as pastagens na nova fronteira do desmatamento na Amazônia brasileira? Este estudo de caso examinou os efeitos de intervenções políticas, como iniciativas de comando e controle e variações nos preços das commodities, no processo de tomada de decisão dos pecuaristas locais em relação à expansão da fronteira do desmatamento. Compreender os fatores e incentivos atuais que contribuem para o desmatamento é vital para aprimorar políticas e estratégias para conter a expansão da fronteira do desmatamento em Apuí e em outras regiões da Amazônia. [33]</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Notas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">[1] Soares, P.G., Fearnside, P.M., Sparovek, G., (2026). <a href="https://doi.org/10.1007/s10113-026-02561-7">Deforestation in the Brazilian Amazon: why do local stakeholders on the frontier invest in clearing rainforest?</a> <em>Regional Environmental Change</em> 26, art. 67.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[2] Flores, B.M., Montoya, E., Sakschewski, B., Nascimento, N., Staal, A., Betts, R.A., Levis, C., Lapola, D.M., Esquível-Muelbert, A., Jakovac, C., Nobre, C.A., Oliveira, R.S., Borma, L.S., Nian, D., Boers, N., Hecht, S.B., ter Steege, H., Arieira, J., Lucas, I.L., Berenguer, E., Marengo, J.A., Gatti, L.V., Mattos C.R.C., Hirota, M., (2024). <a href="https://doi.org/10.1038/s41586-023-06970-0">Critical transitions in the Amazon forest system. </a><em>Nature</em> 626, 555–564. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[3] Fearnside, P.M., (1999). <a href="https://doi.org/10.1017/S0376892999000429">Biodiversity as an environmental service in Brazil&#8217;s Amazonian forests: Risks, value and conservation</a>. <em>Environmental Conservation</em> 26(4), 305-321.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[4] Ometto, J.P., Aguiar, A.P.D., Martinell, L.A., (2014). <a href="https://doi.org/10.4155/cmt.11.48">Amazon deforestation in Brazil: Effects, drivers and challenges.</a> <em>Carbon Management</em> 2(5), 575-585. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[5] Fearnside, P.M., (2005). <a href="https://doi.org/10.1111/j.1523-1739.2005.00697.x">Deforestation in Brazilian Amazonia: History, rates and consequences</a>. <em>Conservation Biology</em> 19, 680–688. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[6] Fearnside, P.M., (2021). <a href="https://doi.org/10.1093/obo/9780199363445-0064">Deforestation in Brazilian Amazonia.</a> in: Wohl, E. (Ed.) <em>Oxford Bibliographies in Environmental Science</em>. Oxford University Press, New York, NY, EUA. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[7] Pfaff, A.S.P., (1999). <a href="https://doi.org/10.1006/jeem.1998.1056">What drives deforestation in the Brazilian Amazon? Evidence from satellite and socioeconomic data. </a><em>Journal of Environmental Economics and Managemet</em> 37, 26–43. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[8] Schielein, J., Börner, J., (2018). <a href="https://doi.org/10.1016/j.landusepol.2018.04.052">Recent transformations of land-use and land-cover dynamics across different deforestation frontiers in the Brazilian Amazon.</a> <em>Land Use Policy</em> 76, 81–94. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[9] Barona, E., Ramankutty, N., Hyman, G., Coomes, O.T., (2010). <a href="https://doi.org/10.1088/1748-9326/5/2/024002">The role of pasture and soybean in deforestation of the Brazilian Amazon.</a> <em>Environmental Research Letters 5</em>, art. 024002. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[10] Fearnside, P.M., (2017). <a href="https://doi.org/10.1093/acrefore/9780199389414.013.102">Deforestation of the Brazilian Amazon</a>. in: Shugart, H. (Ed.), <em>Oxford Research Encyclopedia of Environmental Science</em>. Oxford University Press, New York, NY, EUA. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[11] Rodrigues, A.S.L., Ewers, R.M., Parry, L., Souza Jr, C., Veríssimo, A., Balmford, A., (2009). <a href="https://doi.org/10.1126/science.1174002">Boom-and-bust development deforestation frontier.</a> <em>Science</em> 324, 1435–1438. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[12] Soares-Filho, B., Alencar, A., Nepstad, D., Cerqueira, G., Del Carmen Vera Diaz, M., Rivero, S., Solórzano, L., Voll, E., (2004). <a href="https://doi.org/10.1111/j.1529-8817.2003.00769.x">Simulating the response of land-cover changes to road paving and governance along a major Amazon highway: The Santarém-Cuiabá corridor.</a> <em>Global Change Biology</em> 10, 745–764. h</p>



<p class="wp-block-paragraph">[13] dos Santos, M.A.S., de Brito Lourenço Júnior, J., de Santana, A.C., Homma, A.K.O., Martins, C.M., Rebello, F.K., Soares, B.C., Silva, A.G.M., (2019).<a href="https://doi.org/10.5433/1679-0359.2019v40n4p1639"> Production behavior and prices of beef cattle in the Brazilian Amazon. </a><em>Semina: Ciências Agrárias</em> 40(4), 1639–1651. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[14] Rodrigues-Filho, S., Verburg, R., Bursztyn, M., Lindoso, D., Debortoli, N., Vilhena, A.M.G., (2015). <a href="https://doi.org/10.1016/j.landusepol.2014.11.002">Election-driven weakening of deforestation control in the Brazilian Amazon.</a> <em>Land Use Policy</em> 43, 111–118. h</p>



<p class="wp-block-paragraph">[15] Merry, F., Amacher, G., Lima, E., (2008). <a href="https://doi.org/10.1016/j.worlddev.2007.11.014">Land values in frontier settlements of the Brazilian Amazon</a>. <em>World Development</em> 36, 2390–2401.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[16] Costa, F., Larrea, C., Benatti, J., Treccani, J., Hecht, S., (2023). L<a href="https://doi.org/10.55161/SLBQ1069">and market and illegalities: The deep roots of deforestation in the Amazon. Science Panel for the Amazon policy brief, United Nations Sustainable Development Solutions Network, New York, NY, EUA</a>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[17] Carrero, G.C., Fearnside, P.M., (2011). <a href="https://doi.org/10.5751/ES-04105-160226">Forest clearing dynamics and the expansion of landholdings in Apuí, a deforestation hotspot on Brazil&#8217;s Transamazon Highway.</a> <em>Ecology and Society</em> 16(2), art. 26. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[18] Godar, J., Tizado, E.J., Pokorny, B., Johnson, J., (2012). <a href="https://doi.org/10.1007/s10745-012-9457-8">Typology and characterization of Amazon colonists: A case study along the Transamazon highway</a>. <em>Human Ecology</em> 40, 251–267.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[19] Ozorio de Almeida, Anna Luiza; Campari, J.S., (1995). <a href="http://documents.worldbank.org/curated/en/435211468743394060">Sustainable settlement in the Brazilian Amazon (English). </a>Washington, DC, EUA: The World Bank.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[20] Soares-Filho, B., Rajão, R., Macedo, M., Carneiro, A., Costa, W., Coe, M., Rodrigues, H., Alencar, A., (2014). <a href="https://doi.org/10.1126/science.1246663">Cracking Brazil’s Forest Code</a>. <em>Science</em> 344, 363–364. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[21] BCB (<a href="https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/micrrural">Banco Central do Brasil), s/d. Matriz de Dados do Crédito Rural &#8211; Crédito Concedido. </a></p>



<p class="wp-block-paragraph">[22] Bowman, M.S., Soares-Filho, B.S., Merry, F.D., Nepstad, D.C., Rodrigues, H., Almeida, O.T., (2012). <a href="https://doi.org/10.1016/j.landusepol.2011.09.009">Persistence of cattle r</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">[23] Razera, A., (2005). <a href="https://antigo-philip.inpa.gov.br/publ_livres/Teses%20e%20dissertacoes%20orientadas/Dissertacao_Allan%20Razera.pdf">Dinâmica do desmatamento em uma nova fronteira do Sul do Amazonas: Uma análise da pecuária de corte no município do Apuí. </a>Universidade Federal do Amazonas (UFAM) &amp; Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Manaus, AM. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[24] Fearnside, P.M., (1979). <a href="https://bit.ly/4rnw6Gx">The development of the Amazon rain forest: Priority problems for the formulation of guidelines.</a> <em>Interciencia</em> 4(6), 338‑343. h</p>



<p class="wp-block-paragraph">[25] Angelsen, A., Kaimowitz, D., (1999).<a href="https://doi.org/10.1093/wbro/14.1.73"> Rethinking the causes of deforestation: Lessons from economic models</a>. <em>World Bank Research. Observer</em> 14(1), 73–98. h</p>



<p class="wp-block-paragraph">[26] Assunção, J., Gandour, C., Rocha, R., Rocha, R., (2020). <a href="https://doi.org/10.1093/ej/uez060">The effect of rural credit on deforestation: Evidence from the Brazilian Amazon. </a><em>The Economic Journal</em> 130, 290–330. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[27] Azevedo, A.A., Rajão, R., Costa, M.A., Stabile, M.C.C., Macedo, M.N., dos Reis, T.N.P., Alencar, A., Soares-Filho, B.S., Pacheco, R., (2017). <a href="https://doi.org/10.1073/pnas.1604768114">Limits of Brazil&#8217;s Forest Code as a means to end illegal deforestation</a>. <em>Proceedings of the National Academy of Science</em> <em>U.S.A. </em>114, 7653–7658. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[28] Moutinho, P., Guerra, R., Azevedo-Ramos, C., (2016). <a href="https://doi.org/10.12952/journal.elementa.000125">Achieving zero deforestation in the Brazilian Amazon: What is missing?</a> <em>Elementa Science of the Anthropocene</em> 4, art. 000125. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[29] Nepstad, D., McGrath, D., Stickler, C., Alencar, A., Azevedo, A., Swette, B., Bezerra, T., Digiano, M., Shimada, J., Seroa, R., Armijo, E., Castello, L., Brando, P., Hansen, M.C., McGrath-Horn, M., Carvalho, O., Hess, L., (2014). <a href="https://doi.org/10.1126/science.1248525">Slowing Amazon deforestation through public policy and interventions in beef and soy supply chains.</a> <em>Science</em> 344, 1118–1123. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[30] Sotirov, M., Azevedo-Ramos, C., Rattis, L., Berning, L., (2022). <a href="https://doi.org/10.1016/j.forpol.2022.102818">Policy options to regulate timber and agricultural supply-chains for legality and sustainability: The case of the EU and Brazil</a>. <em>Forest Policy and Economics</em> 144, art. 102818. h</p>



<p class="wp-block-paragraph">[31] Tacconi, L., Rodrigues, R.J., Maryudi, A., (2019). <a href="https://doi.org/10.1016/j.forpol.2019.05.029">Law enforcement and deforestation: Lessons for Indonesia from Brazil</a>. <em>Forest Policy and Economics</em> 108, art. 101943. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[32] Young, C.E.F. (1998). <a href="https://www.ipea.gov.br/ppp/index.php/PPP/article/view/103">Public Policies and Deforestation in the Brazilian Amazon</a>. <em>Planejamento e Políticas Públicas</em> 18, 201-222.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[33] Esta série é uma tradução de: Soares, P.G., Fearnside, P.M. &amp; Sparovek, G. 2026. <a href="https://doi.org/10.1007/s10113-026-02561-7">Deforestation in the Brazilian Amazon: why do local stakeholders on the frontier invest in clearing rainforest? </a><em>Regional Environmental Change </em>&nbsp;26, art. 67. Agradecemos ao Programa de Pós-Graduação em Ecologia Aplicada da Universidade de São Paulo (CENA/ESALQ) e ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) pelo apoio técnico e institucional. Agradecemos também ao Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM) pelo apoio durante as atividades de campo em Apuí.Esta pesquisa não recebeu financiamento específico de agências de fomento dos setores público, comercial ou sem fins lucrativos. A pesquisa de PMF é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) (2020/08916-8), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) (0102016301000289/2021-33), FINEP/Rede CLIMA (01.13.0353-00) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (312450/ 2021-4; 406941/2022-0).</p>





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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pedro Gandolfo Soares</strong> possui bacharelado em Gestão Ambiental pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP) e mestrado em Ecologia Aplicada pelo Centro de Energia Nuclear em Agricultura (CENA)/ESALQ, Universidade de São Paulo, Piracicaba-SP. Ele trabalha com mudanças climáticas e REDD+, tendo trabalhado no Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) e em Manaus, e em diversos projetos de conservação na Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Philip Martin Fearnside </strong>é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis&nbsp;<a href="http://philip.inpa.gov.br/">aqui</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gerd Sparovek</strong> possui graduação em Agronomia e mestrado dourado em Agronomia (Solos e Nutrição de Plantas) pela Universidade de São Paulo (USP). Ele é professor e pesquisador aposentado do Departamento de Ciência do Solo, Escola Superior de Agricultura &#8216;Luiz de Queiroz&#8217;, USP, Piracicaba-SP e, desde 2022, atua como Professor Sênior junto ao Instituto de Estudos Avançados da USP, com estudos voltados ao suporte à decisão de governança pública, agricultura familiar, agricultura de baixo carbono, reforma agrária, mercado institucional de alimentos, crédito fundiário, assistência técnica e extensão rural, expansão de fronteira agrícola irrigada, intensificação agrícola, e o código florestal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: Os textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência Amazônia Real estão licenciados com uma <a href="https://amazoniareal.com.br/parceiros/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Licença Creative Commons – </a>Atribuição 4.0 Internacional e podem ser republicados na mídia: jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura; com o crédito do autor e da agência Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença</em>.</p>



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		<title>&#8220;Anatomia do Caos&#8221; revisita bastidores da CPI da Covid</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 21:34:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O documentário de Dandara Ferreira reúne registros exclusivos para reconstruir um dos períodos mais dramáticos da história do país. Em Manaus, cidade marcada pelo colapso do oxigênio, a sessão foi seguida por um debate sobre memória e justiça.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus (AM) &#8211; </strong>O documentário &#8220;Anatomia do Caos&#8221;, que revisita os bastidores e a condução da CPI da Covid, em 2021 no Senado, foi exibido gratuitamente em duas sessões em Manaus, nesta semana. O filme entrou em cartaz no circuito comercial no dia 2 de julho em 16 cidades brasileiras, com exibições em salas de cinema e espaços culturais. Uma das sessões em Manaus foi acompanhada pela reportagem da Amazônia Real.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a presença da diretora Dandara Ferreira, a sessão realizada nesta quarta-feira (08) no Cine Teatro Guarany, na capital amazonense, levou o público de volta às memórias da crise sanitária de janeiro de 2021, período mais crítico e traumático da segunda onda da pandemia de Covid-19, quando pacientes morreram asfixiados durante o<a href="https://amazoniareal.com.br/crise-do-oxigenio-e-a-br-319/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> colapso do sistema de saúde</a> provocado pela falta de oxigênio na capital amazonense.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao fim da exibição, muitas pessoas presentes deram seus próprios depoimentos, relembrando a perda de parentes e amigos. A sessão foi transformada em espaço de memória coletiva de luto e de cobrança por justiça e foi marcado por depoimentos emocionados do público. Muitos compartilharam lembranças dos dias mais críticos da pandemia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A professora e historiadora amazonense Gleice Antônia de Oliveira lembrou que cerca de 500 profissionais da educação morreram por Covid-19 no Amazonas e criticou a forma como a categoria foi tratada durante a crise sanitária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo ela, professores precisaram aprender novas ferramentas digitais, comprar equipamentos com recursos próprios e orientar estudantes e familiares sobre medidas de prevenção, enquanto eram acusados de não trabalhar.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05405.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05405-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-174428" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05405-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05405-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05405-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05405-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05405.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Professora Gleice Antônia de Oliveira durante debate após a projeção de &#8220;Anatomia do Caos&#8221;, no Cine Teatro Guarany, em Manaus (Foto: Juliana Pesqueira/Amazônia Real).</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Isso que estamos fazendo aqui hoje é inédito desde que a pandemia aconteceu. Eu estou tomada por um ódio de classe daqueles que permitiram que nossos parentes, amigos e vizinhos morressem. E não são apenas 700 mil mortos. Houve subnotificação. Nós não vamos permitir que isso seja esquecido”, manifestou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dandara Ferreira optou por fazer um documentário exclusivamente baseado nas investigações e depoimentos dados durante a CPI. Agora, ela espera que o filme seja um chamado à responsabilização pelos atos cometidos durante a pandemia. A expectativa da diretora é que a obra reacenda o debate sobre a possível reabertura das investigações da CPI da Covid-19 e pressione por justiça diante das milhares de mortes registradas no país, além de um pedido de desculpas do antigo governo às vítimas e seus familiares.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Essa história não está resolvida. Bolsonaro nunca foi responsabilizado pelo que aconteceu durante a pandemia. Mais de 700 mil mortes poderiam ter sido evitadas. Espero que esse filme faça as pessoas voltarem a discutir esse assunto e cobrar justiça. Eu procurei Bolsonaro para poder saber se ele queria pedir desculpa, mas eu também nunca tive resposta”, concluiu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Manaus, &#8220;Anatomia do Caos&#8221; continuará em exibição na sala de cinema do<a href="https://www.instagram.com/casaraodeideias?igsh=djQyZHVhb20xb3Qz" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> espaço cultural Casarão das Ideias.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Imagens inéditas</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05255.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05255-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-174403" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05255-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05255-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05255-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05255-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05255.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Exibição do filme &#8220;Anatomia do Caos&#8221;, dirigido pela cineasta Dandara Ferreira, reúne registros exclusivos da CPI da Covid-19. A sessão foi realizada no Cine Teatro Guarany, em Manaus. (Foto: Juliana Pesqueira/Amazônia Real)</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A CPI da Covid foi realizada entre abril e outubro de 2021 e seu relatório final recomendou o <a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/10/20/leia-a-integra-do-relatorio-final-da-cpi-da-pandemia-apresentado-por-renan-calheiros-no-senado/">indiciamento de várias autoridades</a>, e agentes públicos, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o então <a href="https://amazoniareal.com.br/cpi-da-pandemia-indicia-bolsonaro-wilson-lima-e-marcellus-campelo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">governador do Amazonas, Wilson Lim</a>a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de sua importância, a CPI também recebeu muitas críticas. Uma delas refere-se <a href="https://amazoniareal.com.br/genocidio-indigena/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">à ausência de investigação sobre o impacto da covid-19 nas populações indígenas.</a> A então deputada federal Joênia Wapichana (Rede) chegou a entregar um dossiê ao senador Omar Aziz, presidente da CPI.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2025, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), <a href="https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/a-pedido-da-pf-stf-determina-abertura-de-inquerito-para-investigar-resultados-da-cpi-da-pandemia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">determinou a abertura de um inquérito da Polícia Federal </a>para investigar o resultado da CPI da Covid.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Anatomia do Caos&#8221; traz entrevistas com parlamentares e exibe relatos de vítimas ou familiares de vítimas da doença que participaram das sessões da CPI no Senado Federal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O filme também reúne imagens inéditas gravadas pela diretora durante as sessões da CPI, registros de bastidores e entrevistas com os políticos envolvidos, documentos oficiais e arquivos de emissoras de televisão para mostrar as omissões do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, o negacionismo científico, o atraso na compra de vacinas e as consequências da crise sanitária que deixou mais de 700 mil mortos no país.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Anatomia do Caos | Trailer Oficial" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/_epVTK4hl8w?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O ex-presidente Jair Bolsonaro frequentemente se referia ao vírus como uma “gripezinha”, <a href="https://amazoniareal.com.br/como-o-presidente-bolsonaro-tornou-o-brasil-um-epicentro-global-de-covid-6-novas-variantes-do-virus/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">posicionando-se fortemente contra medidas de isolamento social </a>e o uso de máscaras. Bolsonaro também promoveu o uso de medicamentos como a hidroxicloroquina, mesmo após a comunidade científica global atestar sua ineficácia contra a Covid-19, além de questionar a segurança e eficácia de vacinas e imunizantes de origem chinesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Dandara Ferreira, “Anatomia do Caos” nasceu da necessidade de preservar a memória de um período que, para ela, ainda permanece sem respostas. Por meio das filmagens da CPI da Covid-19, o documentário também dialoga com questões atuais, como a desinformação e a fragilidade democrática.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Como documentarista, eu tinha que registrar o que estava acontecendo no nosso país. Fui à Brasília e trabalhei meio invisível nos bastidores, no pico da pandemia. Esse filme também não fala apenas sobre a pandemia, não fala só sobre o Congresso Nacional. Eu acho que ele fala sobre o Brasil&#8221;, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi movida por esse sentimento que, em abril de 2021, em meio ao medo, à incerteza e à revolta diante das mortes, a diretora decidiu ir a Brasília para acompanhar e registrar os trabalhos da comissão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É um ano importante para as nossas decisões. O filme fala sobre fake news, desinformação e sobre o tipo de democracia que queremos construir. É um filme que fala sobre memória e justiça. A gente não pode deixar que mais de 700 mil brasileiros virem apenas números e estatísticas. Ali tinham sonhos, famílias, nomes. Para o país progredir com democracia, a gente precisa cuidar da nossa memória”, disse ao público presente na sessão, após a exibição.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em entrevista à <strong>Amazônia Real</strong>, a diretora afirmou que o maior desafio foi transformar em cinema uma história sem desfecho, pois ninguém foi responsabilizado pelas negligências cometidas durante a pandemia. &#8220;A pandemia ainda é um luto coletivo que a gente está vivendo. Meu desafio foi transformar isso em filme sem saber o desfecho. Também tive muito cuidado para tratar essas histórias com respeito, sem transformar a dor das pessoas em oportunismo”, destacou.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus como símbolo da tragédia</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Cemiterio-Taruma-raphael-alves-8.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Cemiterio-Taruma-raphael-alves-8-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-66772" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Cemiterio-Taruma-raphael-alves-8-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Cemiterio-Taruma-raphael-alves-8-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Cemiterio-Taruma-raphael-alves-8-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Cemiterio-Taruma-raphael-alves-8-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Cemiterio-Taruma-raphael-alves-8.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Alta demanda de sepultamentos de vítimas da Covid-19 em Manaus levou à necessidade de amplar área do cemitério público Nossa Senhora Aparecida, em Manaus (Foto: Amazônia Real / Raphael Alves/2021).</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Para Dandara Ferreira, exibir o documentário em Manaus tem um significado particular, já que a cidade viveu um dos episódios mais graves em relação a Covid-19 no Brasil. Manaus registrou oficialmente 9.686 mortes confirmadas pela doença, segundo <a href="https://www.saude.am.gov.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">dados históricos do Governo do Amazonas. </a>No estado do Amazonas, o total de óbitos chegou a mais de 14.000 ao longo da pandemia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a diretora não tenha acompanhado os desdobramentos da pandemia em Manaus, o documentário foi construído a partir do material registrado por ela nos bastidores da CPI da Covid, em Brasília. Além das imagens dos corredores e sessões da comissão, o longa reúne entrevistas com parlamentares que participaram das investigações, como o senador Omar Aziz, então presidente da comissão.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05445.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05445-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-174434" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05445-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05445-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05445-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05445-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05445.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>Dandara Ferreira, diretora do filme &#8220;Anatomia do Caos&#8221; (Foto: Juliana Pesqueira/Amazônia Real).</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Eu estava muito curiosa para vir porque o que vocês viveram aqui não foi o que a gente viu no restante do Brasil. O que aconteceu aqui foi muito maior. Vocês foram usados como cobaias. Eu queria mais ouvir do que falar, entender como essa história ainda bate para vocês”, declarou a diretora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A capital amazonense tornou-se um dos principais símbolos da crise sanitária brasileira durante a segunda onda da pandemia. Em janeiro de 2021,<a href="https://amazoniareal.com.br/caos-na-pandemia-sem-oxigenio-pacientes-morrem-asfixiados-em-manaus/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> hospitais ficaram sem oxigênio </a>enquanto pacientes morriam por asfixia em unidades de saúde públicas e privadas. Familiares percorreram a cidade em busca de cilindros para manter parentes vivos, chegando a pagar até R$10 mil por um equipamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Naquele período, Manaus concentrava todos os leitos de terapia intensiva do estado, tornando-se o único local de referência para pacientes vindos dos 62 municípios do Amazonas. O colapso hospitalar expôs a fragilidade da estrutura de saúde na região e ganhou repercussão internacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pandemia também <a href="https://amazoniareal.com.br/especiais/manaus-exclusao-e-pandemia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">evidenciou desigualdades históricas na Amazônia. </a>Povos indígenas e comunidades tradicionais enfrentaram dificuldades para acessar testes, atendimento médico e vacinação, enquanto a interiorização do vírus coincidiu com o avanço das invasões e do desmatamento em territórios protegidos. Em diversas regiões, lideranças <a href="https://amazoniareal.com.br/como-os-povos-indigenas-enfrentam-as-sequelas-da-covid-19/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">organizaram cordões sanitários e barreiras para conter a circulação da doença </a>diante da ausência de respostas efetivas do Estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dandara Ferreira é diretora e roteirista, formada em Cinema pela FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado) e doutoranda em Comunicação Social pela UnB. Dirigiu a série “O Nome Dela É Gal” (HBO) e realizou curtas-metragens, filmes publicitários e videoclipes de artistas como Fagner (“Tanto Faz”), Ricky Martin feat. Dream Team do Passinho (“Vida”) e Vanessa da Mata (“Segue o Som”), entre outros. Em 2023, lançou seu primeiro longa-metragem, “Meu Nome É Gal”, no qual atua como diretora e atriz. Atualmente, finaliza o documentário “Vou Tirar Você Desse Lugar”, sobre a trajetória e a obra de Odair José.</p>



<div class="alignnormal"><div id="metaslider-id-174464" style="width: 100%;" class="ml-slider-3-110-0 metaslider metaslider-flex metaslider-174464 ml-slider has-dots-nav ms-theme-architekt" role="region" aria-label="exibição filme anatomia do caos" data-height="1000" data-width="1500">
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                <li style="display: block; width: 100%;" class="slide-174465 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-09 17:20:54" data-filename="DSC05278.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05278.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-174464 slide-174465 msDefaultImage" title="FILME ANATOMIA DO CAOS - LANÇAMENTO EM MANAUS" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div>Exibição do filme "Anatomia do Caos" em Manaus (Foto: Juliana Pesqueira/Amazônia Real).</div></div></div></li>
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                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174467 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-09 17:20:54" data-filename="DSC05321.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05321.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-174464 slide-174467 msDefaultImage" title="FILME ANATOMIA DO CAOS - LANÇAMENTO EM MANAUS" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div> <div>Zemaria Pinto, escritor e economista (Foto: Juliana Pesqueira/ Amazônia Real).</div> </div></div></div></li>
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                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174469 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-07-09 17:20:54" data-filename="DSC05314.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/DSC05314.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-174464 slide-174469 msDefaultImage" title="FILME ANATOMIA DO CAOS - LANÇAMENTO EM MANAUS" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div>Dandara Ferreira, diretora do filme "Anatomia do Caos"(Foto: Juliana Pesqueira/ Amazônia Real). </div></div></div></li>
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            </ul>
        </div>
        
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<p class="wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: Os textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência Amazônia Real estão licenciados com uma <a href="https://amazoniareal.com.br/parceiros/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Licença Creative Commons – </a>Atribuição 4.0 Internacional e podem ser republicados na mídia: jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura; com o crédito do autor e da agência Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença</em>.</p>



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		<title>Mais um 10 de julho na Amazônia negra</title>
		<link>https://amazoniareal.com.br/mais-um-10-de-julho-na-amazonia-negra/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Juarez Silva Jr.]]></category>
		<category><![CDATA[10 de julho]]></category>
		<category><![CDATA[abolição da escravidão no Amazonas]]></category>
		<category><![CDATA[abolicionismo]]></category>
		<category><![CDATA[Amazonas]]></category>
		<category><![CDATA[IBGE]]></category>
		<category><![CDATA[Juarez Silva Jr]]></category>
		<category><![CDATA[Lei Áurea]]></category>
		<category><![CDATA[Manaus]]></category>
		<category><![CDATA[Pará]]></category>
		<category><![CDATA[população negra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 10 de julho de 1884, quatro anos antes da Lei Áurea, o estado do Amazonas aboliu a escravidão. Para além de uma data, artigo de Juarez Silva propõe uma reflexão do contexto da época e como os aspectos se desdobraram posteriormente. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;A data faz referência à assinatura do ato de abolição da escravidão no Amazonas, no ano de 1884, posterior ao ato da abolição na capital da então província no dia 24 de maio do mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O amazonense costuma se ufanar da data, visto que concede ao estado protagonismo abolicionista e pioneirismo na abolição, na sequência do Ceará e 4 anos antes da Lei Áurea, de 1888, que definiu o fim da escravidão nacionalmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, nem todo (a)s tratam a data com loas. Há quem veja a comemoração da data como uma ode às elites da época, em especial aos governantes, e à uma narrativa “chapa branca” que coloca a&nbsp; luta e agência dos próprios escravizados e já libertos fora de foco. Tal qual a versão nacional com foco na “Princesa redentora” e “abolicionistas magnânimos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu, particularmente, vejo muitos motivos para lembrar especialmente a data. O primeiro, é que a mesma está muito imbricada com o movimento vindo do Ceará e com grande agência popular; vide a ação dos jangadeiros liderados pelo “Dragão do mar”. O segundo, é que o 10 de julho culmina uma campanha abolicionista de 17 anos não apenas na capital amazonense, mas em várias cidades do interior, e com vários elementos de verdadeira participação popular e dos principais interessados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, o que acho importante frisar é que tal evento colocou (ou deveria ter colocado) o Amazonas e a Amazônia em uma posição historicamente reconhecida quanto à presença negra. Porém, não foi o que aconteceu. Ninguém reflete sobre os motivos de uma “longa” campanha abolicionista e precocidade da abolição na região. O que é certo é que, se for considerar a ideia popularmente arraigada de que no norte “não teve escravidão” ou ela foi “ínfima”, e por tal a presença negra na região também, qual seria a lógica e o motivo para uma vigorosa e longa campanha abolicionista e precoce abolição?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vale lembrar que no censo de 1872 (disponível no IBGE), pouco mais de uma década antes, o Amazonas contava com uma população de pretos que no Pará era de 6,6% dos habitantes, no Amazonas 2,4%. Já os pardos (negros livres e libertos) eram respectivamente 37,8% no primeiro e 12,8% no segundo. Portanto, uma população negra que era 44,4% no Pará e 15,2% no Amazonas. Para comparação a população ‘cabocla’ (soma dos que mais tarde seriam categoria indígena e descendentes mesmo miscigenados) era 18% no Pará e 65% no Amazonas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vem daí a percepção de um Amazonas muito mais indígena que o Pará… e de um Pará muito mais negro que o Amazonas. De qualquer forma, os dados nos mostram que quando aconteceu a abolição no Amazonas em 1884, a região amazônica não apenas já tinha uma relevante presença negra, como a sua virtual maioria já era livre ou liberta. E é essa a leitura que deve ser feita ao ver os baixos números dos ainda escravizados quando da abolição, não a conclusão de que os poucos efetivamente libertados representavam a totalidade da população negra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recente pesquisa acadêmica levada a cabo em Manaus, utilizando metodologias censitárias alternativas chegaram à uma conclusão que eu já defendia 15 anos atrás. Que desmembrando os pardos em “pardos indígenas” e “pardos afro”, esses últimos seriam coisa de 20% da população, que somados aos autodeclarados pretos, daria uma população local negra, ou seja, afrodescendente, de perto de 25% do total, logo, nada desprezível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Baseado na proporção que já tínhamos em 1872, vocês conseguem intuir os resultados que teríamos se ela fosse aplicada em Belém?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Temos portanto, avanços importantes contra as nossas velhas conhecidas narrativas de negação da presença negra no Amazonas e Amazônia. Mais um 10 de julho na Amazônia, mas não igual a tantos outros passados.</p>





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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referência da pesquisa citada</strong>: Rocha, L. R. L., Oliveira, P. S., &amp; Marsico, G. (2025). &#8216;Quem é pardo no Amazonas?&#8217; Perfil étnico-racial e identidades dos pardos amazônicos. <strong><em>Revista</em></strong><em> </em><strong><em>Wamon</em></strong>, v. 10, n. 2, p. 373-404. ISSN 2446-8371.</p>



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		<title>Não à utopia</title>
		<link>https://amazoniareal.com.br/nao-a-utopia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 20:42:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[A Amazônia segundo Lúcio Flávio Pinto]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[BNDES]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência na Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[ecossistemas]]></category>
		<category><![CDATA[Fundo Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[Lúcio Fávio Pinto]]></category>
		<category><![CDATA[Pesquisa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lúcio Flávio Pinto resgata história de quando foi consultado por técnicos do BNDES para falar sobre o Fundo Amazônia, há quase 20 anos, e como sua ideia foi ignorada. ‘Sugeri que, ao invés de distribuir o dinheiro do programa, pulverizando os recursos disponíveis, podiam definir um único alvo: a formação de cientistas para encarar os desafios amazônicos.’</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Não tenho certeza, mas acho que foi em 2008. Um grupo de técnicos do BNDES com atuação no meio ambiente veio me visitar em casa. Queria sugestões e opiniões sobre o Fundo Amazônia, que completa agora 18 anos de vida. Sugeri que, ao invés de distribuir o dinheiro do programa, pulverizando os recursos disponíveis, podiam definir um único alvo: a formação de cientistas para encarar os desafios amazônicos. Não como retaguarda a recolher a massa de pães, como na história de João e Maria, mas como personagens de vanguarda nas frentes de ocupação ainda em sua dinâmica irracional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dei a essas unidades o título de kibutz. Nada a ver com agricultura ou qualquer outra atividade produtiva de Israel. Os candidatos empenhados nessa filosofia poderiam ser recrutados no país e no exterior. Uma vez aprovados, ficariam em um campus para cursos de cinco ou seis a sete anos, contínuos, orientados pelos maiores e melhores nomes de cientistas das diversas áreas de ensino e pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só poderiam se retirar com o título de doutor, sem poder usar os créditos conseguidos. E só seriam aprovados do centro se alcançassem o título de doutor. Doutores formados nos kibutzim, espalhados pelos mais importantes centros e ecossistemas sociais da Amazônia. Junto com o diploma, receberiam um título de propriedade, com cláusula resolutiva no contrato, se cada projeto apresentado chegasse à sua aplicação correta, de uso coletivo (os campi seriam vizinhos dos núcleos humanos bem delimitados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa correção derivaria do desempenho de cada um dos alunos que cumprissem o programa, fossem assíduos e exercessem um papel de renovação e disseminação do conhecimento. Os centros seriam implantados em locais que necessitassem do convívio com esses alunos e tirassem conhecimento prático dessa relação. Além de todo material didático, os alunos receberiam uma bolsa (imagino que em valor acima de R$ 15 mil), sem qualquer despesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Percebi o desencanto dos técnicos do BNDES. No livro publicado sobre o Fundo Amazônia, nem minha foto nem minhas observações foram incluídas. Talvez se eu apelasse para um modelo inteiramente estabelecido pela Folha de S. Paulo, na sua insólita apresentação desse método, eu teria mais sorte? </p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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		<item>
		<title>A crise do Cerrado em revisão: – 10. O valor da sustentabilidade do Cerrado e a necessidade de ação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 13:59:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[Brumadinho]]></category>
		<category><![CDATA[Cerrado]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[Crédito de carbono]]></category>
		<category><![CDATA[ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[governança]]></category>
		<category><![CDATA[ICMS Ecológico]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana]]></category>
		<category><![CDATA[Philip Fearnside]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A conservação do Cerrado exige o pleno reconhecimento de sua extraordinária biodiversidade, complexidade ecológica, valor sociocultural e papel fundamental na regulação do clima brasileiro. </p>
<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/a-crise-do-cerrado-em-revisao-10-o-valor-da-sustentabilidade-do-cerrado-e-a-necessidade-de-acao/">A crise do Cerrado em revisão: – 10. O valor da sustentabilidade do Cerrado e a necessidade de ação</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Cássio Cardoso Pereira, Walisson Kenedy-Siqueira, Lara Ribeiro Maia, Vinícius da Fontoura Sperandei, Lucas Arantes-Garcia, Stephannie Fernandes, Gabriela França Carneiro Fernandes, Domingos de Jesus Rodrigues, Rodolfo Salm e Philip M. Fearnside</strong></p>





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<p class="wp-block-paragraph">Garantir a sustentabilidade do Cerrado exige a mobilização do conhecimento em todo o diversificado panorama socioeconômico do Brasil, especialmente entre aqueles que habitam ou dependem diretamente desse ecossistema [1, 2]. Promover uma compreensão mais profunda de sua importância ecológica ajuda a desmantelar a concepção errônea de que apenas áreas densamente florestadas são ambientalmente valiosas [3, 4]. À medida que os cidadãos se tornam mais informados, eles se empoderam para defender a proteção do Cerrado e responsabilizar os formuladores de políticas, particularmente aqueles com interesses na exploração intensiva [5]. Exemplos concretos de desastres ambientais, como o desastre da mina de Mariana em 2015 e os desastres de mineração de Brumadinho em 2019, nomeados em homenagem aos municípios onde ocorreram (embora seus impactos tenham se estendido muito além desses municípios), ilustram as consequências da governança inadequada e destacam a necessidade urgente de uma fiscalização ambiental mais rigorosa [6]. Fundamentada tanto em evidências científicas quanto no conhecimento tradicional, essa crescente consciência cívica fornece a base para um modelo de desenvolvimento alternativo enraizado na integridade ecológica e na resiliência a longo prazo [7, 8].</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, uma estratégia fundamental é a transição de uma lógica econômica extrativista para uma regenerativa, adotando uma abordagem de &#8220;valor sobre volume&#8221; para os sistemas produtivos do Cerrado. Isso implica não apenas aprimorar a eficiência das práticas agrícolas existentes, mas também conter decisivamente a expansão da pecuária extensiva e das monoculturas de soja em larga escala, que continuam sendo os principais motores do desmatamento e da degradação ecológica do Cerrado [9]. Para tornar essa transição mais operacional, sugerimos modelos que podem orientar projetos de conservação no Cerrado. Esses modelos incluem: (i) programas de restauração comunitária que integram o conhecimento ecológico local ao monitoramento científico; (ii) cadeias produtivas cooperativas centradas na biodiversidade nativa, onde as comunidades gerenciam coletivamente a colheita, o processamento e a certificação; (iii) sistemas agro-silvopastoris regenerativos que reintroduzem espécies nativas em paisagens produtivas; e (iv) arranjos de governança territorial que combinam corredores ecológicos, práticas de manejo indígena e mosaicos de uso sustentável. Em vez desses modelos, os esforços devem priorizar a restauração ecológica e o aumento do valor dos recursos nativos do Cerrado por meio de alternativas mais sustentáveis, como produtos certificados de alta qualidade, incluindo frutas, sementes, raízes, cascas, resinas e óleos, mel e própolis não convencionais, e pagamentos por serviços ecossistêmicos [10]. O Cerrado pode se reposicionar como um exemplo global de transição equitativa no uso da terra, que concilia natureza, economia e justiça social em um futuro resiliente às mudanças climáticas [11].</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, é essencial resgatar o próprio significado de “desenvolvimento sustentável” [12]. Ele vai muito além do marketing verde ou do paisagismo ornamental — trata-se de preservação, restauração e criação de alternativas viáveis ao uso destrutivo da terra [13]. Não significa expandir monoculturas ou pavimentar ecossistemas em nome do progresso, como se vê na proliferação de plantações de soja ou na urbanização desenfreada de antigas pastagens sob o pretexto de bairros “ecológicos”. Em vez disso, requer uma reorientação estrutural: recuperar áreas degradadas, investir em economias baseadas na natureza e empoderar as comunidades para liderar a gestão de seus territórios. Isso inclui não apenas os povos indígenas, mas também outras comunidades tradicionais, como os quilombolas e os geraizeiros, cujas práticas apoiam a conservação da biodiversidade. Esses grupos desempenham papéis fundamentais na manutenção da biodiversidade, incluindo a conservação do pequi, o comércio de plantas ornamentais como a sempre vivae as redes de uso sustentável [14]. Para que essa mudança se concretize plenamente, a conservação deve ser incentivada por meio da colaboração nacional e internacional [15, 16]. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, mecanismos como o ICMS Ecológico (Imposto sobre Valor Agregado Ecológico, uma política fiscal que redistribui parte do imposto estadual sobre vendas para os municípios com base em seus esforços para proteger e conservar áreas naturais) oferecem incentivos fiscais aos municípios que protegem áreas naturais, recompensando financeiramente os governos locais pela manutenção e restauração de ecossistemas nativos, fortalecendo, assim, os esforços locais de conservação. Sistemas de certificação de produtos — como o Forest Stewardship Council (FSC), a Rainforest Alliance e a Union for Ethical BioTrade — também podem proporcionar recompensas financeiras e acesso ao mercado. A experiência em negócios é vital nos estágios iniciais para auxiliar as comunidades na formação de cooperativas e na logística de comercialização, garantindo que os benefícios sejam retidos localmente [17, 18]. Créditos de carbono que reconheçam a biomassa de raízes profundas do Cerrado podem se tornar outra fonte de renda, mas isso depende de arranjos institucionais ainda não definidos para evitar abusos, fraudes e contabilização irrealista dos benefícios de carbono [19, 20]. Devemos também defender pagamentos por serviços ambientais, como o fornecimento de água, bem como apoiar o pagamento de créditos de carbono a territórios indígenas para garantir sua sobrevivência e a manutenção de suas terras. O Cerrado deve ocupar um lugar de destaque na agenda global de sustentabilidade, tornando seu papel crucial na regulação climática e na biodiversidade impossível de ser ignorado. Por meio de maior conscientização e alianças estratégicas, podemos desenvolver abordagens de conservação que harmonizem a integridade ecológica com a equidade social. [21]</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conclusões</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Concluímos que a conservação do Cerrado exige o pleno reconhecimento de sua extraordinária biodiversidade, complexidade ecológica, valor sociocultural e papel fundamental na regulação do clima brasileiro. Essa preservação depende de ações que vão muito além do mero reforço de políticas existentes: é necessário reformular os marcos legais, ampliar significativamente o número e o escopo das Unidades de Conservação, gerir adequadamente as áreas de produção, assegurar a efetividade das políticas públicas, valorizar o conhecimento tradicional e fomentar economias regenerativas que respeitem os limites ecológicos do território. O Cerrado não pode mais ser visto como mera fronteira agrícola ou “reserva de expansão”. Trata-se de um sistema vivo, essencial para a estabilidade ambiental nacional e global. A manutenção de seus ecossistemas e da biodiversidade associada é pré-requisito para o enfrentamento das crises contemporâneas relacionadas ao clima, à água e à alimentação, bem como às questões sociais e éticas. As soluções futuras devem integrar ciência, governança participativa e justiça socioambiental, promovendo um modelo de desenvolvimento ancorado na proteção da vegetação original remanescente, seguida da restauração das áreas degradadas. Esse modelo de desenvolvimento deve incluir a distribuição equitativa de recursos e a corresponsabilidade entre o Estado, a sociedade civil e o setor produtivo. O fortalecimento das redes de pesquisa, monitoramento, educação ambiental e iniciativas comunitárias será crucial para transformar o conhecimento em ações transformadoras. Reforçamos a urgência de reposicionar o Cerrado no centro da agenda ambiental e reconhecer que garantir sua continuidade significa também assegurar que a biodiversidade do Cerrado continue a contribuir vigorosamente para o equilíbrio ambiental do planeta e para a construção de um futuro mais justo, resiliente e diverso.</p>





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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Notas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">[1] Klink CA, Machado RB (2005) <a href="https://doi.org/10.1111/j.1523-1739.2005.00702.x">Conservation of the Brazilian Cerrado.</a> <em>Conservation Biology</em> 19: 707–713. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[2] Bennett NJ, Roth R, Klain SC, Chan K, Christie P, Clark DA, Cullman G, Curran D, Durbin TJ, Epstein G, Greenberg A, Nelson MP, Sandlos J, Stedman R, Teel TL, Thomas R, Veríssimo D, Wyborn C (2017)<a href="https://doi.org/10.1016/j.biocon.2016.10.006"> Conservation social science: Understanding and integrating human dimensions to improve conservation.</a> <em>Biological Conservation</em> 205: 93–108. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[3] Overbeck GE, Vélez‐Martin E, Scarano FR, Lewinsohn TM, Fonseca CR, Meyer ST, Müller SC, Ceotto P, Dadalt L, Durigan G, Ganade G, Gossner MM, Guadagnin DL, Lorenzen K, Jacobi CM, Weisser WW, Pillar VD (2015) <a href="https://doi.org/10.1111/ddi.12380">Conservation in Brazil needs to include non‐forest ecosystems</a>. <em>Diversity &amp; Distributions</em>21: 1455–1460. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[4] Silveira FAO (2025) <a href="https://doi.org/10.1007/s13280-025-02155-3">Seven ways to prevent biomism</a>. <em>Ambio </em>54: 1491–1495.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[5] Rajão R, Soares-Filho B, Nunes F, Börner J, Machado L, Assis D, Oliveira A, Pinto L, Ribeiro V, Rausch L, Gibbs H, Figueira D (2020) <a href="https://doi.org/10.1126/science.aba6646">The rotten apples of Brazil’s agribusiness</a>. <em>Science</em> 369: 246–248. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[6] Pereira CC, Fernandes S, Fernandes GW, Goulart FF (2024c) <a href="https://doi.org/10.3897/natureconservation.56.133441">Eight years after the Fundão tailings dam collapse: Chaos on the muddy banks</a>. <em>Nature Conservation</em> 56: 77–82. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[7] Strassburg BBN, Latawiec AE, Barioni LG, Nobre CA, Da Silva VP, Valentim JF, Vianna M, Assad ED (2014) <a href="https://doi.org/10.1016/j.gloenvcha.2014.06.001">When enough should be enough: Improving the use of current agricultural lands could meet production demands and spare natural habitats in Brazil.</a> <em>Global Environmental Change</em> 28: 84–97. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[8] Strassburg BBN, Brooks T, Feltran-Barbieri R, Iribarrem A, Crouzeilles R, Loyola R, Latawiec AE, Oliveira Filho FJB, Scaramuzza CADM, Scarano FR, Soares-Filho B, Balmford A (2017) <a href="https://doi.org/10.1038/s41559-017-0099">Moment of truth for the Cerrado hotspot.</a> <em>Nature Ecology &amp; Evolution</em> 1: 0099. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[9] Pereira CC, Kenedy-Siqueira W, Negreiros D, Fernandes S, Barbosa M, Goulart FF, Athayde S, Wolf C, Harrison IJ, Betts MG, Powers JS, Dirzo R, Ripple WJ, Fearnside PM, Fernandes GW (2024b) <a href="https://doi.org/10.1093/biosci/biae035">Scientists’ warning: Six key points where biodiversity can improve climate change mitigation.</a> <em>BioScience</em> 74: 315–318.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[10] Lambin EF, Gibbs HK, Heilmayr R, Carlson KM, Fleck LC, Garrett RD, Le Polain De Waroux Y, McDermott CL, McLaughlin D, Newton P, Nolte C, Pacheco P, Rausch LL, Streck C, Thorlakson T, Walker NF (2018) <a href="https://doi.org/10.1038/s41558-017-0061-1">The role of supply-chain initiatives in reducing deforestation</a>. <em>Nature Climate Change</em> 8: 109–116.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[11] Ripple WJ, Wolf C, Gregg JW, Rockström J, Mann ME, Oreskes N, Lenton TM, Rahmstorf S, Newsome TM, Xu C, Svenning J-C, Pereira CC, Law BE, Crowther TW (2024) <a href="https://doi.org/10.1093/biosci/biae087">The 2024 state of the climate report: Perilous times on planet Earth</a>. <em>BioScience</em> 74: 812–824. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[12] Fearnside PM (2023) <a href="https://doi.org/10.1016/B978-0-12-822562-2.00134-1">South American natural ecosystems, status of. In: Scheiner SM (Ed)</a> <em>Reference Module in Life Sciences</em>. Elsevier, Amsterdam, Paises Baixos. p. 158-176. h</p>



<p class="wp-block-paragraph">[13] Parris TM, Kates RW (2003) <a href="https://doi.org/10.1146/annurev.energy.28.050302.105551">Characterizing and measuring sustainable development.</a> Annual <em>Review of Environment and Resources</em>28: 559–586.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[14] da Silva EC, Guerrero-Moreno MA, Oliveira FA, Juen L, de Carvalho FG, Barbosa Oliveira-Junior JM (2025) <a href="https://doi.org/10.1007/s10531-024-02999-3">The importance of traditional communities in biodiversity conservation.</a> <em>Biodiversity and Conservation</em> 34: 685–714. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[15] Latrubesse EM, Arima E, Ferreira ME, Nogueira SH, Wittmann F, Dias MS, Dagosta FCP, Bayer M (2019) <a href="https://doi.org/10.1111/csp2.77">Fostering water resource governance and conservation in the Brazilian Cerrado biome.</a> <em>Conservation Science and Practice</em> 1: e77. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[16] Pereira CC, Fernandes GW, Negreiros D, Kenedy- Siqueira W, Fernandes S, Fearnside PM (2023) <a href="https://doi.org/10.1126/science.adk7806">Hope for funding biodiversity efforts.</a> <em>Science</em> 382: 383–384.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[17] Ajates Gonzalez R (2017) <a href="https://doi.org/10.1016/j.jrurstud.2017.02.018">Going back to go forwards? From multi-stakeholder cooperati</a>https://doi.org/10.1016/j.jrurstud.2017.02.018</p>



<p class="wp-block-paragraph">[18] Natura &amp; Co (2020) Natura’s 2030<a href="https://ri.naturaeco.com/en/esg/commitment-to-life-1-year/"> Sustainability Vision: Commitment to Life</a>. Natura SV. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[19] Fearnside PM (2012) <a href="https://doi.org/10.1080/14693062.2011.581571">Brazil’s Amazon Forest in mitigating global warming: Unresolved controversies</a>. <em>Climate Policy</em> 12(1): 70–81. 1</p>



<p class="wp-block-paragraph">[20] West TAP, Bomfim B, Haya BK (2024) <a href="https://doi.org/10.1016/j.gloenvcha.2024.102863">Methodological issues with deforestation baselines compromise the integrity of carbon offsets from REDD+.</a> <em>Global Environmental Change</em> 87: 102863. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[21] Este texto é traduzido de: Pereira, C.C., W. Kenedy-Siqueira, L.R. Maia, V.F. Sperandei, L. Arantes-Garcia, S. Fernandes, G.F.C. Fernandes, G.C. de Castro, D.J. Rodrigues, R. Salm &amp; P.M. Fearnside. 2026. <a href="https://doi.org/10.3897/natureconservation.61.168273">The Cerrado crisis review: highlighting t</a> <a href="https://doi.org/10.3897/natureconservation.61.168273.suppl1">Supplementary material</a>.</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cássio Cardoso Pereira </strong>é doutor em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestre em Ecologia pela Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), e graduado em Ciências Biológicas (Ênfase em Conservação da Biodiversidade) pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atua como docente colaborador e orientador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PGE) da UFSJ. Possui reconhecimento da Web of Science em 2025 pela autoria de 25 publicações científicas como primeiro autor, todas alcançadas até o primeiro ano após a obtenção do título de doutor em Ecologia, como cientista em início de carreira. Atualmente, é editor de área das revistas científicas BioScience (IF = 8.4), Biotropica (IF = 1.7), e Nature Conservation (IF = 1.7). Seus principais interesses de pesquisa incluem conservação da biodiversidade, fenologia, fitossociologia, interações entre artrópodes e plantas, e mudanças climáticas. Para mais informações, acesse:&nbsp;https://cassiocardosopereira.com&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Walisson Kenedy Siqueira </strong>possui graduação e mestrado ciências biológicas pela Universidade Estadual de Montes Claros em doutor em ecologia, manejo e conservação da vida silvestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É integrante do Laboratório de Ecologia, Evolução e Biodiversidade da UFMG e do Knowledge Center for Biodiversity &amp; Departamento de Genética, Ecologia e Evolução. Tem experiência na área ecologia de comunidades, interação inseto-planta e ecologia de sementes. <strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lara Ribeiro Maia </strong>é Técnica em Administração pelo Instituto Federal de Minas Gerais &#8211; Campus Sabará e atualmente é Graduanda em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse na área de ecologia, animais silvestres, educação ambiental, impactos ambientais e micologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Vinícius da Fontoura Sperandei </strong>possui licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de São João del Rei, mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de São João del Rei e doutorado em Ciências pelo Programa em Ecologia e Recursos Naturais da Universidade Federal de São Carlos. Atualmente é professor da Universidade de Rio Verde. Suas pesquisas são na área de Ecologia, principalmente sobre herpetofauna e ecologia subterrânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lucas Arantes-Garcia </strong>possui graduação em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente está na Escola de Ciências e Meio Ambiente, Memorial University of Newfoundland, Corner Brook, NL, Canadá. Possui interesse em invasões biológicas, serviços ecossistêmicos, valoração ambiental, mudanças globais e interações inseto-planta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Stephannie Fernandes</strong><sup> </sup>é aluna de doutorado na Florida International University, Miami, FL, E.U.A. As suas pesquisas estão na área de ecologia política, visando descobrir como os arranjos institucionais e as diferentes partes interessadas se relacionam com o desenvolvimento e a conservação dos recursos hídricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriela França Carneiro Fernandes </strong>possui licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e atualmente é Mestranda em Ecologia, pela Universidade Federal de São João del Rei. Ela participa do projeto de pesquisa “Ecossistemas de Referência”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Domingos de Jesus Rodrigues </strong>possui graduação em Ciências Biológicas e mestrado em Ecologia e Conservação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e tem doutorado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. É professor Titular da Universidade Federal de Mato Grosso em Cuiabá. Suas pesquisas focam a biologia reprodutiva de anuros (sapos). É colaborador do Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso, ICMBio, e a Polícia Federal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Rodolfo Aureliano Salm </strong>formou-se em Biologia pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo e fez doutorado em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Atualmente é Professor Adjunto III da Faculdade de Biologia da Universidade Federal do Pará, campus de Altamira. Pesquisa na área de ecologia de ecossistemas, atuando principalmente no estudo da dinâmica natural e da conservação das florestas tropicais. Tem estudado tanto a ecologia quanto o aproveitamento econômico de palmeiras nativas e exóticas na Terra Indígena Kayapó, sul do Pará.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Philip Martin Fearnside</strong>&nbsp;é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis&nbsp;<a href="http://philip.inpa.gov.br/">aqui</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Proteção de defensores é vista como &#8216;péssima&#8217; na Amazônia</title>
		<link>https://amazoniareal.com.br/indice-democracia-ambiental/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Nunomura]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jul 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Acordo de Escazú]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia Legal]]></category>
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		<category><![CDATA[proteção de defensores ambientais]]></category>
		<category><![CDATA[Transparência Internacional Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[violência no campo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Índice de Democracia Ambiental (IDA) 2026 aponta que proteção de defensores ambientais e de direitos humanos é a dimensão mais crítica nos nove Estados da Amazônia Legal; apenas três Estados contam com programas específicos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus (AM) &#8211; </strong>Os Estados da Amazônia Legal mais pressionados pelo extrativismo predatório e pelo desmatamento são aqueles que apresentam os melhores mecanismos de governança em participação e justiça. Mas isso não significa maior proteção e segurança de quem está na linha de frente. Ao contrário. O Índice de Democracia Ambiental (IDA) 2026, lançado nesta quinta-feira (2), revela que a proteção de defensores ambientais e de direitos humanos é a dimensão mais crítica na região. A média é de apenas 15,1 pontos em uma escala de zero a cem, um resultado classificado como “péssimo” e bem abaixo da realidade nacional (62,8 pontos).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo, elaborado pela Transparência Internacional &#8211; Brasil e pelo Instituto Centro de Vida (ICV), avaliou mais de 120 indicadores relacionados à governança ambiental nos Estados do Amazonas, Pará, Acre, Amapá, Mato Grosso, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão. A média geral da região ficou em 41 pontos, considerada &#8220;regular&#8221;. Mas o que os pesquisadores observaram é o contraste, para não dizer abismo, entre as quatro dimensões analisadas: enquanto o acesso à Justiça alcançou média de 65,9 (boa), o acesso à informação ficou em 44,7 (regular), a participação social em 37,6 (ruim) e a proteção aos defensores desabou para o nível mais baixo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa variação expõe contradições graves. O Acre lidera a dimensão de acesso à Justiça, com 70,1 pontos, mas despenca para 2,9 em proteção de defensores ambientais. Tocantins registra boa participação (49,4), mas beira o quase zero no quesito segurança dos defensores (5,7). Na média geral do Índice de Democracia Ambiental, Mato Grosso (36,4), Maranhão (32,3) e Pará (27,7) obtiveram as melhores avaliações em proteção, embora todas abaixo do satisfatório. A pior situação na Amazônia Legal está em Roraima, com apenas 0,8 ponto, seguido por Rondônia (5,4) e Amapá (10,4).</p>





<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Outdoor-Ari-Uru-Eu-1024x768-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Outdoor-Ari-Uru-Eu-1024x768-1.jpg" alt="" class="wp-image-174360" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Outdoor-Ari-Uru-Eu-1024x768-1.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Outdoor-Ari-Uru-Eu-1024x768-1-300x225.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Outdoor-Ari-Uru-Eu-1024x768-1-768x576.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Outdoor-Ari-Uru-Eu-1024x768-1-150x113.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Outdoor em Porto Velho da campanha da Kanindé por Justiça&nbsp;para Ari Uru-Eu-Wau-Wau</em> <em>(Foto: Kanindé/2022)</em>.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Casos emblemáticos, como o <a href="https://amazoniareal.com.br/foi-assassinato-nao-foi-acidente-diz-familia-de-ari-uru-eu-wau-wau-morto-em-rondonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">assassinato de Ari Uru-Eu-Wau-Wau</a>, em Rondônia, em 2020, que se tornou símbolo da violência contra defensores ambientais na Amazônia Legal, ou as mortes do <a href="https://amazoniareal.com.br/dom-e-bruno-do-trabalho-a-morte-brutal/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira</a>, no Vale do Javari (AM), em 2022, expõem a fragilidade em territórios onde as notas de proteção do IDA revelam um cenário desolador. No IDA, o Amazonas recebeu nota 14,8 em relação à proteção de defensores ambientais, também considerada &#8220;péssima&#8221;. Essa classificação &#8220;péssima&#8221; indica uma ausência quase total de mecanismos de proteção de defensores e defensoras ambientais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os indicadores mais críticos dos dados levantados pela TI Brasil e pelo ICV envolvem a proteção de mulheres, indígenas e comunidades tradicionais, ausência de programas descentralizados, monitoramento da violência contra jornalistas e comunicadores e falta de protocolos e capacitação das forças de segurança para atuar em conflitos socioambientais.&nbsp;</p>



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<div class="wrap">
<p class="ida-h1">A frágil democracia ambiental na Amazônia</p>
<p class="linha-fina">O Índice de Democracia Ambiental 2026 revela que a proteção aos defensores na região é considerada &#8220;péssima&#8221;</p>

<div class="kpis">
  <div class="kpi"><div class="kpi-l">Acesso à justiça — média</div><div class="kpi-v">65,9</div></div>
  <div class="kpi"><div class="kpi-l">Acesso à informação — média</div><div class="kpi-v">44,7</div></div>
  <div class="kpi"><div class="kpi-l">Acesso à participação — média</div><div class="kpi-v">37,6</div></div>
  <div class="kpi"><div class="kpi-l">Proteção de defensores — média <span style="color:#A32D2D">↓ mais frágil</span></div><div class="kpi-v">15,1</div></div>
  <div class="kpi"><div class="kpi-l">Nota geral — Amazônia Legal</div><div class="kpi-v">40,8</div></div>
</div>

<div class="filter-row">
  <label>Colorir mapa por:</label>
  <select id="dimSel">
    <option value="f">Nota final</option>
    <option value="j">Acesso à justiça</option>
    <option value="i">Acesso à informação</option>
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    <option value="d">Proteção de defensores</option>
  </select>
</div>

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      <div id="leg-label">Escala — nota final</div>
      <div class="leg-bar" id="leg-bar"></div>
      <div class="leg-ends"><span>0</span><span>100</span></div>
    </div>
  </div>
</div>

<div class="fonte">
  Fontes: Transparência Internacional Brasil e Instituto Centro de Vida (ICV), 2026.
<br>IA: infográfico elaborado pelo Claude.ai
</div>
  
</div>
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const D = {
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  PA:{nome:'Pará',j:84.8,i:63.0,p:45.4,d:27.7,f:55.3,r26:2,r25:2},
  AM:{nome:'Amazonas',j:73.7,i:43.9,p:42.7,d:14.8,f:43.8,r26:3,r25:4},
  MA:{nome:'Maranhão',j:77.3,i:27.2,p:30.9,d:32.3,f:41.9,r26:4,r25:3},
  TO:{nome:'Tocantins',j:71.3,i:32.0,p:49.4,d:5.7,f:39.6,r26:5,r25:7},
  RO:{nome:'Rondônia',j:57.6,i:40.7,p:41.1,d:5.4,f:36.2,r26:6,r25:5},
  AP:{nome:'Amapá',j:45.6,i:46.3,p:40.8,d:10.4,f:35.8,r26:7,r25:6},
  AC:{nome:'Acre',j:70.1,i:35.3,p:33.6,d:2.9,f:35.5,r26:8,r25:8},
  RR:{nome:'Roraima',j:38.7,i:39.4,p:12.3,d:0.8,f:22.8,r26:9,r25:9},
};

const AMAZONIA = new Set(['MT','PA','AM','MA','TO','RO','AP','AC','RR']);
const ESTADOS = ['MT','PA','AM','MA','TO','RO','AP','AC','RR'];
const DIMNAMES = {f:'Nota final',j:'Acesso à justiça',i:'Acesso à informação',p:'Acesso à participação',d:'Proteção de defensores'};
const BARCOLOR = {j:'#2ec4b6',i:'#011627',p:'#ff9f1c',d:'#e71d36',f:'#0F6E56'};

let sortCol='r26', sortDir=1, activeKey=null, curDim='f';

function colorScale(dim){
  if(dim==='d') return d3.scaleSequential([0,100],d3.interpolateRgb('#fde8eb','#e71d36'));
  if(dim==='j') return d3.scaleSequential([0,100],d3.interpolateRgb('#e0f7f5','#2ec4b6'));
  if(dim==='i') return d3.scaleSequential([0,100],d3.interpolateRgb('#d0e0f0','#011627'));
  if(dim==='p') return d3.scaleSequential([0,100],d3.interpolateRgb('#fff4e0','#ff9f1c'));
  return d3.scaleSequential([0,100],d3.interpolateRgb('#e6f4f0','#0F6E56'));
}

const COLS = [
  {key:'nome',label:'Estado'},
  {key:'r26',label:'Rank 26'},
  {key:'delta',label:'Var.'},
  {key:'j',label:'Justiça'},
  {key:'i',label:'Informação'},
  {key:'p',label:'Participação'},
  {key:'d',label:'Defensores'},
  {key:'f',label:'Nota final'},
];

function renderHead(){
  document.getElementById('thead').innerHTML = COLS.map(c=>{
    const isSorted = sortCol===c.key ? ' sorted' : '';
    return `<th class="${isSorted}" data-col="${c.key}">${c.label}</th>`;
  }).join('');
  document.querySelectorAll('#thead th').forEach(th=>{
    th.addEventListener('click',()=>{
      const col = th.dataset.col;
      if(sortCol===col) sortDir*=-1;
      else { sortCol=col; sortDir = col==='nome' ? 1 : -1; }
      renderTabela();
    });
  });
}

function renderTabela(){
  renderHead();
  const u = D['BR'];
  let html = `<tr class="uniao">
    <td>União Federal <span style="font-size:10.5px;color:#888780">(referência)</span></td>
    <td class="rnk">—</td><td>—</td>
    ${['j','i','p','d'].map(k=>`<td>
      <div class="nota">${u[k].toFixed(1)}</div>
      <div class="bar-bg"><div class="bar-f" style="width:${u[k]}%;background:${BARCOLOR[k]}"></div></div>
    </td>`).join('')}
    <td><div class="nota nota-final">${u.f.toFixed(1)}</div></td>
  </tr>`;

  const sorted = [...ESTADOS].sort((a,b)=>{
    if(sortCol==='nome') return sortDir * D[a].nome.localeCompare(D[b].nome,'pt');
    if(sortCol==='delta') return sortDir * ((D[a].r25-D[a].r26)-(D[b].r25-D[b].r26));
    const av = D[a][sortCol] ?? 999, bv = D[b][sortCol] ?? 999;
    return sortDir * (av - bv);
  });

  sorted.forEach(k=>{
    const d = D[k];
    const delta = d.r25 - d.r26;
    const dHtml = delta>0 ? `<span class="dlt-up">▲${delta}</span>`
                : delta<0 ? `<span class="dlt-dn">▼${Math.abs(delta)}</span>`
                : `<span class="dlt-eq">—</span>`;
    const act = k===activeKey ? ' ativo' : '';
    html += `<tr data-key="${k}" class="${act}">
      <td style="font-weight:500">${d.nome}</td>
      <td class="rnk">${d.r26}º</td>
      <td>${dHtml}</td>
      ${['j','i','p','d'].map(dk=>`<td>
        <div class="nota">${d[dk].toFixed(1)}</div>
        <div class="bar-bg"><div class="bar-f" style="width:${d[dk]}%;background:${BARCOLOR[dk]}"></div></div>
      </td>`).join('')}
      <td><div class="nota nota-final">${d.f.toFixed(1)}</div></td>
    </tr>`;
  });

  document.getElementById('tbody').innerHTML = html;
  document.querySelectorAll('#tbody tr[data-key]').forEach(row=>{
    row.addEventListener('click',()=>{
      const k = row.dataset.key;
      activeKey = activeKey===k ? null : k;
      renderTabela();
      atualizarMapa();
      activeKey ? showTip(activeKey) : clearTip();
    });
  });
}

function showTip(k){
  document.getElementById('tip').style.display='block';
  const d=D[k], u=D['BR'];
  const rows = Object.entries(DIMNAMES).map(([dim,label])=>{
    const v=d[dim], uv=u[dim];
    const diff=(v-uv).toFixed(1);
    const sign=diff>0?'+':'';
    return `<div class="tip-row"><span>${label}</span><span class="tip-v">${v.toFixed(1)}<span class="tip-ref">(${sign}${diff} vs União)</span></span></div>`;
  }).join('');
  document.getElementById('tip').innerHTML = `<div class="tip-name">${d.nome}</div>${rows}`;
}

function clearTip(){
  document.getElementById('tip').style.display='none';
  document.getElementById('tip').innerHTML = '<span style="color:#888780">Clique em um estado no mapa ou na tabela para ver detalhes por dimensão</span>';
}

function renderLegenda(){
  const stops =
    curDim==='d' ? ['#fde8eb','#f5a0ab','#e71d36','#b01529','#7a0d1c'] :
    curDim==='j' ? ['#e0f7f5','#8ae0d8','#2ec4b6','#1d8a82','#0f524e'] :
    curDim==='i' ? ['#d0e0f0','#7baed0','#3a6e9e','#1a3d5c','#011627'] :
    curDim==='p' ? ['#fff4e0','#ffd98a','#ff9f1c','#cc7200','#994d00'] :
                   ['#e6f4f0','#7dcfba','#1D9E75','#0d6e50','#083d2c'];
  document.getElementById('leg-bar').innerHTML = stops.map(c=>`<div style="flex:1;background:${c}"></div>`).join('');
  document.getElementById('leg-label').textContent = `Escala — ${DIMNAMES[curDim].toLowerCase()}`;
}

let pathSelection;

function atualizarMapa(){
  if(!pathSelection) return;
  const scale = colorScale(curDim);
  pathSelection.each(function(){
    const k = d3.select(this).attr('data-key');
    const inA = AMAZONIA.has(k);
    if(!inA){ d3.select(this).attr('fill','#dbd8cf'); return; }
    const v = D[k][curDim];
    d3.select(this).attr('fill', k===activeKey ? '#0C447C' : scale(v));
  });
}

function initMapa(){
  const amazFeatures = GEO.features.filter(f=>AMAZONIA.has(f.id));
  const proj = d3.geoMercator().fitSize([280,320],{type:'FeatureCollection',features:amazFeatures});
  const path = d3.geoPath(proj);
  const svg = d3.select('#svgmap');
  const scale = colorScale(curDim);

  pathSelection = svg.selectAll('path')
    .data(GEO.features)
    .join('path')
    .attr('d', path)
    .attr('data-key', f=>f.id)
    .attr('stroke','#fff')
    .attr('stroke-width', f=>AMAZONIA.has(f.id)?1.2:0.4)
    .attr('fill', f=>{
      if(!AMAZONIA.has(f.id)) return '#dbd8cf';
      return scale(D[f.id][curDim]);
    })
    .style('cursor', f=>AMAZONIA.has(f.id)?'pointer':'default')
    .on('mouseenter', function(e,f){
      if(!AMAZONIA.has(f.id)||f.id===activeKey) return;
      d3.select(this).attr('fill','#378ADD');
    })
    .on('mouseleave', function(e,f){
      if(!AMAZONIA.has(f.id)) return;
      const v = D[f.id][curDim];
      d3.select(this).attr('fill', f.id===activeKey ? '#0C447C' : colorScale(curDim)(v));
    })
    .on('click', function(e,f){
      if(!AMAZONIA.has(f.id)) return;
      const k = f.id;
      activeKey = activeKey===k ? null : k;
      renderTabela();
      atualizarMapa();
      activeKey ? showTip(activeKey) : clearTip();
    });

  renderLegenda();
}

document.getElementById('dimSel').addEventListener('change',e=>{
  curDim = e.target.value;
  atualizarMapa();
  renderLegenda();
});

renderTabela();
initMapa();

});
</script>





<h4 class="wp-block-heading"><strong>Políticas que não chegam ao território&nbsp;</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">A fragilidade institucional se reflete na ausência de estruturas estaduais. Apenas Pará, Maranhão e Mato Grosso possuem programas próprios e específicos de proteção a defensores.&nbsp; Em relação ao orçamento previsto para o programa no ano de 2025, só Maranhão e Mato Grosso&nbsp; o executaram integralmente; Pará executou parcialmente o recurso. Nos outros seis Estados &#8211; Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins &#8211; não há programas estruturados, e as demandas dependem exclusivamente da estrutura federal. Mesmo onde o programa existe, o IDA aponta limitações como equipes reduzidas, recursos insuficientes e atuação concentrada nas capitais. Apenas o Pará possui uma estrutura descentralizada para o interior.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Olivia Ainbinder, advogada e Coordenadora do Programa de Integridade Socioambiental da TI Brasil, os dados revelam que a proteção de defensoras e defensores ambientais ainda é uma agenda pouco institucionalizada na Amazônia Legal, justamente porque a maioria dos estados avaliados não dispõe de estruturas e mecanismos considerados essenciais para prevenir riscos, proteger pessoas ameaçadas e responder de forma adequada a situações de violência relacionadas à defesa do meio ambiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Embora o IDA não analise casos de violência em si, seus resultados mostram que os instrumentos institucionais para enfrentar esse cenário ainda são insuficientes. Isso reforça a necessidade de fortalecer programas de proteção, protocolos de atuação das forças de segurança, mecanismos efetivos de denúncia e a coordenação entre os diferentes órgãos públicos responsáveis por essa agenda”, explicou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ausência de equipes descentralizadas foi um dos principais gargalos identificados pelo estudo. Segundo o relatório IDA, a concentração das estruturas de proteção nas capitais dos estados dificulta o atendimento de defensores e defensoras que vivem em territórios rurais e de difícil acesso.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Invisibilidade e resistência</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/foto-juliana-pesqueira.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/foto-juliana-pesqueira-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-174349" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/foto-juliana-pesqueira-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/foto-juliana-pesqueira-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/foto-juliana-pesqueira-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/foto-juliana-pesqueira-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/foto-juliana-pesqueira-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/foto-juliana-pesqueira.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>O primeiro dia oficial da Blue Zone na COP30, em Belém, foi marcado por intensa movimentação de pessoas de diversas partes do mundo e por uma manifestação contra o desaparecimento de defensores do meio ambiente (Foto: Juliana Pesqueira/Amazônia Real/2025).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Os pesquisadores analisaram o orçamento destinado à política de proteção, protocolos de atuação das forças de segurança, canais públicos de denúncia e mecanismos de acolhimento e atendimento para pessoas ameaçadas, incluindo jornalistas e comunicadores. Os resultados apontaram déficits estruturais na Amazônia Legal, com destaque para a baixa existência de programas de proteção aos defensores(as) de direitos humanos, comunicadores(as) e ambientalistas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fragilidade dessas políticas públicas se reflete na experiência de quem vive sob ameaça. Uma liderança extrativista do sul do Amazonas, que pediu para não ser identificada por questões de segurança, relatou à <strong>Amazônia Real</strong> diversos tipos de violências que sofreu em razão da sua atuação na defesa dos territórios, desde ameaças virtuais a ameaças presenciais. Nos episódios mais graves, chegou a ser agredida de forma física e verbal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Em algumas situações houve apoio, outras não, inclusive uma delas a minha vida pessoal foi assunto de uma sessão na Câmara de Vereadores, e o MPF [Ministério Público Federal] foi contra eu entrar com um processo, alegando que isso poderia piorar a situação. Nunca foi fácil conseguir apoio nesses momentos”, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os agressores saíram impunes, segundo a liderança, que lamenta ter hoje uma vida social limitada por conta do seu trabalho em defesa dos direitos humanos e da natureza. “Ainda falta uma política pública adequada e de prioridade para as lideranças. Uma polícia preparada com conhecimento dos territórios, menos corrupção, e mais ação. O que mais dificulta é a lentidão da justiça, isso quando acontece. Na maioria das vezes eles ficam impunes”, definiu.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Quem defende os defensores?</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/foto-alberto-cesar-araujo.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/foto-alberto-cesar-araujo-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-174347" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/foto-alberto-cesar-araujo-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/foto-alberto-cesar-araujo-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/foto-alberto-cesar-araujo-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/foto-alberto-cesar-araujo-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/foto-alberto-cesar-araujo-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/07/foto-alberto-cesar-araujo.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Ativistas no Tribunal Popular instalado na Cúpula dos Povos, na Universidade Federal do Pará, condenou unanimemente as empresas mineradoras Hydro, Belo Sun, Imerys/Artemyn e Vale a reparar os crimes ambientais e a crise climática por eles cometidos e causados (Foto: Alberto César Araújo/ Amazônia Real/2025).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Informações sobre os programas de proteção raramente estão disponíveis nos portais oficiais. Apenas Maranhão e Pará divulgaram algum dado que permitiu o atendimento parcial dos indicadores analisados pelo Índice de Democracia Ambiental, enquanto no Mato Grosso não foram encontradas informações públicas completas e sistematizadas sobre aspectos básicos da governança e implementação da política.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma liderança de povos e comunidades tradicionais do Mato Grosso, que também pede sigilo, disse ter sofrido uma ameaça em 2018, período em que estava em julgamento e pauta a extinção de uma unidade de conservação do Estado. Na ocasião, por ser defensora ambiental, ela começou a publicar posts em suas redes sociais, cobrando posicionamentos de políticos e chamando a atenção da população local.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um político da região fez um comentário alertando que ela estava “muito atuante” e lembrando que toda a sua família morava na pequena cidade. “Entendi isso como uma ameaça, e uma ameaça não só a mim, mas à minha família também. Não foi uma ameaça física, porque existem outras formas de ameaça aos defensores, que é uma forma de calar e de deter a visibilidade que essa pessoa tem de engajar pessoas e outros atores na pauta que ela está denunciando”, afirmou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem conseguir recorrer a mecanismos formais de proteção, a liderança precisou mudar sua forma de atuação. Para preservar a própria segurança e a de familiares, deixou de fazer publicações sobre o caso e passou a atuar nos bastidores da mobilização em defesa do meio ambiente. “Eu me retirei estrategicamente e busquei outras formas de continuar lutando.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa liderança cobra que, além de programas voltados à proteção, o Estado brasileiro se comprometa a combater a violência contra defensores ambientais regularizando e demarcando os territórios tradicionais. “Não dá para você pensar num programa de proteção a defensores desvinculado de um processo de regularização fundiária e de proteção aos territórios de povos indígenas e comunidades tradicionais. Os defensores ambientais que são de segmentos de povos indígenas e comunidades tradicionais são mais vulnerabilizados em vários aspectos, e são os que mais morrem. São os que mais precisam de proteção, porque os seus territórios estão mais distantes”, disse.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Programas insuficientes&nbsp;</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Equipe-de-Vigilancia-da-Univaja-EVU-Foto-Bruno-Kelly-Amazonia-Real-21.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Equipe-de-Vigilancia-da-Univaja-EVU-Foto-Bruno-Kelly-Amazonia-Real-21-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-128698" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Equipe-de-Vigilancia-da-Univaja-EVU-Foto-Bruno-Kelly-Amazonia-Real-21-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Equipe-de-Vigilancia-da-Univaja-EVU-Foto-Bruno-Kelly-Amazonia-Real-21-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Equipe-de-Vigilancia-da-Univaja-EVU-Foto-Bruno-Kelly-Amazonia-Real-21-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Equipe-de-Vigilancia-da-Univaja-EVU-Foto-Bruno-Kelly-Amazonia-Real-21-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Equipe-de-Vigilancia-da-Univaja-EVU-Foto-Bruno-Kelly-Amazonia-Real-21.jpg 1400w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Indígena do grupo de Vigilância Territorial Kanamari durante monitoramento do lago Caxias, onde ocorre o projeto de manejo de pirarucu, próximo a aldeia São Luís, na Terra Indígena Vale do Javari, Amazonas (Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real/2023).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O Índice de Democracia Ambiental também verificou a existência de estruturas especializadas no Judiciário, como varas ambientais e fundiárias, iniciativas para ampliar o acesso à justiça em regiões remotas, portais de transparência e mecanismos para garantir a participação de mulheres, povos indígenas e comunidades tradicionais em consultas e audiências públicas sobre temas socioambientais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os organizadores do IDA defendem que os Estados da Amazônia Legal ampliem e fortaleçam os programas de proteção a defensores ambientais, criem estruturas especializadas para lidar com conflitos ambientais, aprimorem os instrumentos de participação social e ampliem a transparência das informações públicas relacionadas ao meio ambiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a advogada Olivia Ainbinder, o primeiro passo para mudar essa realidade de violência é fortalecer os programas de proteção de defensoras e defensores ambientais nos níveis federal e estadual na Amazônia, com recursos adequados, garantia de participação social e capilaridade em regiões remotas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela destaca que a aprovação do<a href="https://www.camara.leg.br/noticias/1219585-camara-aprova-adesao-do-brasil-a-acordo-sobre-justica-ambiental/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Acordo de Escazú pelo Senado Federal</a> representaria um avanço importante, ao consolidar compromissos para fortalecer os direitos de acesso em questões ambientais e a proteção de defensoras e defensores ambientais no Brasil. Além disso, ampliar a transparência de informações ambientais, garantir a participação efetiva da sociedade nas decisões ambientais e fortalecer o acesso à justiça são medidas que reduzem a vulnerabilidade de defensoras e defensores e aumentam a capacidade do Estado de prevenir conflitos e responsabilizar os autores de ilícitos ambientais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Também é fundamental que os estados adotem protocolos específicos para a atuação das forças de segurança em casos envolvendo defensores ambientais, invistam na capacitação de policiais, além de fortalecer canais de denúncia, ouvidorias e mecanismos de monitoramento de ameaças e violências. Ao mesmo tempo, a proteção dessas pessoas não pode ser dissociada do fortalecimento das demais dimensões da democracia ambiental”, definiu.</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: Os textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência Amazônia Real estão licenciados com uma <a href="https://amazoniareal.com.br/parceiros/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Licença Creative Commons – </a>Atribuição 4.0 Internacional e podem ser republicados na mídia: jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura; com o crédito do autor e da agência Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença</em>.</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>
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					<wfw:commentRss>https://amazoniareal.com.br/indice-democracia-ambiental/feed/</wfw:commentRss>
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			</item>
		<item>
		<title>A IAra usa Inteligência Artificial, e a Amazônia Real explica como</title>
		<link>https://amazoniareal.com.br/iara/</link>
					<comments>https://amazoniareal.com.br/iara/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amazônia Real]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 13:15:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[Amazônia Real]]></category>
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		<category><![CDATA[Inteligência Artificial para Relatos Amazônicos]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo independente]]></category>
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		<guid isPermaLink="false">https://amazoniareal.com.br/?p=174316</guid>

					<description><![CDATA[<p>Reportagens de mais de 15 mil caracteres não cabem em segundos de atenção. Foi para encurtar essa distância, sem abrir mão da apuração precisa que a agência criou a ferramenta Inteligência Artificial para Relatos Amazônicos.</p>
<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/iara/">A IAra usa Inteligência Artificial, e a Amazônia Real explica como</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Um leitor da <strong>Amazônia Real</strong> sabe que quando abre uma de nossas reportagens vai encontrar textos que passam de 15 mil caracteres, 15 a 20 minutos de leitura, com o aprofundamento necessário para explicar temas complexos. É assim desde 2013, porque as histórias sobre povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, que vivem cercados por ameaças contra os territórios, como garimpos, grilagem e a crise climática, são difíceis de caber em resumos. O problema é que esse mesmo cuidado, que rende elogios e prêmios, também afasta quem só tem 30 ou 60 segundos de atenção entre um vídeo e outro nas redes sociais. A nossa IAra nasceu para reduzir essa distância entre a profundidade que defendemos e a pressa de quem poderia conhecer essas narrativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">IAra é a sigla que demos à ferramenta de <strong>Inteligência Artificial para Relatos Amazônicos</strong>. O nome é uma homenagem à Iara, a Mãe d&#8217;Água na lenda amazônica, que atrai com o canto. A nossa, esperamos, vai atrair a partir dos conteúdos que publicamos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ferramenta IAra foi pensada para transformar reportagens investigativas longas em vídeos curtos, com locução de sotaque regional e linguagem acessível, sem abrir mão do que está apurado no texto original. Em vez de simplificar, vamos traduzir formatos. A apuração rigorosa da agência continua sendo humana, com os pés na floresta. A IA entrou para ampliar o alcance do que já investigamos a fundo, automatizando a produção dos vídeos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Há um ano, a inteligência artificial ainda era um tema tabu dentro da nossa redação. Hoje, é uma ferramenta que conhecemos, testamos e sabemos onde não deve entrar”, afirma o coordenador do projeto, Eduardo Nunomura. Antes, explica ele, o acesso às tecnologias de ponta era limitado a empresas de grande capital, que tinham recursos para desenvolver novos produtos. Hoje, essa barreira foi rompida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O uso da IA como ferramenta de apoio à produção do jornalismo independente e investigativo saiu do campo da incerteza e temor em outubro de 2025, quando o projeto IAra levou a <strong>Amazônia Real</strong> a ser uma das 11 de mídias brasileiras selecionadas para a segunda fase do <a href="https://blog.google/intl/pt-br/novidades/ia-para-negocios-jornalisticos-2026-inovacao-para-a-sustentabilidade-de-redacoes-brasileiras/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Lab de IA para Negócios Jornalísticos</a>, programa da Google News Initiative. Os três meses anteriores com apoio metodológico da <a href="https://www.blueenginecollaborative.com/lab-ia-negocios-jornalisticos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Blue Engine</a>, foram de ideação do projeto, testando hipóteses, errando e ajustando.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A jornalista Kátia Brasil, editora executiva da <strong>Amazônia Real</strong>, afirma que a incerteza que existia naquele momento era de que a IA iria ameaçar o jornalismo independente e investigativo, além de colocar em dúvida o rigor e a precisão da apuração da agência. Daí, foi necessário criar a política de uso da IA, pois o veículo integra o <a href="https://thetrustproject.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Projeto Trust</a>, que tem como um de seus pilares a transparência no jornalismo. </p>



<p class="wp-block-paragraph">“Entendemos que é possível utilizar a inteligência artificial como uma parceira no processo de criar outros projetos de mídias, como no caso dos vídeos curtos. A base de todo o conteúdo que será usado para fazê-los é da nossa produção já publicada no site, que o leitor já teve acesso. Então a qualidade do nosso bom jornalismo nos vídeos da IAra está garantida”, explica Kátia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a etapa de desenvolvimento do produto IAra, a agência contou com o acompanhamento direto da <a href="https://plexuscloud.ai/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Plexus</a>, parceira do Google nesta última fase. Em cerca de quatro meses de trabalho conjunto, a ferramenta saiu do papel.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pelo caminho, testamos (e descartamos) várias soluções de mercado para roteirização e montagem de vídeo, gravação de áudios sintetizados artificialmente, até chegar a um fluxo híbrido, humano e IA, que hoje cobre da seleção de reportagens à produção e distribuição dos vídeos para as redes sociais, sempre com revisão editorial em cada etapa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este ano a <strong>Amazônia Real</strong> completa 13 anos de fundação. A agência nasceu para amplificar <a href="https://amazoniareal.com.br/editorial-amazonia-real/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">vozes invisibilizadas, silenciadas</a>, dos povos da região amazônica e defender a democratização da informação e os direitos humanos, além de combater a injustiça social. A IA entrou na redação da agência não por conveniência, mas para fortalecer essa missão de levar reportagens de qualidade a um público maior, sem trocar profundidade por velocidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É um jornalismo investigativo que, com o uso da IA, impulsiona a conscientização e a defesa da Amazônia. Essa é e sempre será a nossa vocação, antes e depois de qualquer ferramenta nova que adotemos.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A nossa política de uso de IA</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Não basta usar IA nos dias de hoje. É preciso dizer, com transparência, como e onde ela é usada. A decisão editorial continua sendo, de forma inegociável, humana. Por isso, junto do lançamento da IAra, a <strong>Amazônia Real</strong> publica hoje sua <a href="https://amazoniareal.com.br/inteligencia-artificial/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Política de uso de inteligência artificial</a>, um documento que estabelece os limites éticos para o uso dessas ferramentas em nossas reportagens, vídeos e processos internos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A IAra é só a primeira peça de um movimento maior. Outro projeto que se vale da IA é o <a href="https://amazoniareal.com.br/jda/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Jogo da Amazônia</a> (&#8220;The Amazon Game&#8221;), selecionado pela <a href="https://www.journalismai.info/programmes/innovation" target="_blank" rel="noreferrer noopener">JournalismAI Innovation Challenge</a>, um programa da <a href="https://www.lse.ac.uk/media-and-communications/polis" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Polis </a>(think-tank de jornalismo da London School of Economics and Political Science), com apoio da Google News Initiative mundial. É um projeto ambicioso que transforma mais de uma década de reportagens investigativas em uma experiência interativa de &#8220;escolha sua aventura&#8221; sobre dilemas socioambientais da Amazônia. E, na sequência, o plugin universal, ambos desenvolvidos em <em>vibe coding</em> para a mesma iniciativa, pensado para que outros veículos também possam usar essas ferramentas desenvolvidas com IA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Muito se fala dos riscos das IAs, enquanto outros as vendem como o único futuro possível. Cabe a nós, humanos, decidir seus usos e, quando necessário, até resistir contra a imposição tecnológica, tal como os povos das florestas passaram a sua existência resistindo contra inúmeras ameaças. Num mundo em que o jornalismo exercido pela <strong>Amazônia Real</strong> e por outros veículos independentes é ameaçado, a nossa IAra nos fortalece para seguirmos em frente”, afirma o coordenador do projeto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Veja o vídeo de lançamento da IAra</strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure>



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<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://amazoniareal.com.br/inteligencia-artificial/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Leia a nossa Política de Uso de Inteligência Artificial</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://amazoniareal.com.br/transparencia-e-melhores-praticas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Conheça a nossa Transparência e Melhores Práticas</strong></a></p>



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		<title>Um povo, dois países, uma mesma ameaça</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Nunomura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 12:13:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">O<em> povo Ashaninka, que habita o Peru e o Brasil, enfrenta uma pressão que não respeita linhas no mapa. Do lado peruano, concessões florestais e estradas de madeireiras cercam os territórios e o narcotráfico tenta se instalar onde o Estado custa a chegar. Do lado brasileiro, a Funai, responsável por 28 Terras Indígenas no Acre, opera sem servidores efetivos em Marechal Thaumaturgo, o município onde vivem os Ashaninka do lado brasileiro. A Justiça Federal reconheceu o abandono desse povo e deu 180 dias para que a União apresente um plano de proteção. O rio Amônia, que nasce no país vizinho e atravessa o território nacional, ainda está vivo. Por quanto tempo, ninguém sabe.</em></p>






<p class="wp-block-paragraph"><strong>TI Kampa do Rio Amônia (AC)</strong> &#8211; Nas cabeceiras do rio Amônia, no Acre, na fronteira entre o Peru e o Brasil, a floresta ainda parece intacta quando observada do alto. Mas no interior da Terra Indígena (TI) Kampa do rio Amônia, a paisagem já começou a mudar. Estradas de extração de madeira e consórcios industriais avançam do lado peruano e cercam comunidades localizadas entre os rios Amônia, Shahuaya, Tamaya e Yurúa (nome dado ao rio Juruá em território peruano). A principal via desse avanço é a <a href="https://cpiacre.org.br/wp-content/uploads/2021/09/Dossie-Estrada-Nueva-Italia-%E2%80%93-Puerto-Breu_11.08.2021.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Trocha UC-105</a>, uma rodovia precária na região de Ucayali que conecta as localidades de Nueva Italia e Puerto Breu. As máquinas já chegaram a menos de 10 quilômetros de distância da aldeia Apiwtxa. O impacto dessa malha rodoviária, mapeado pela Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (<a href="https://opirj.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Opirj</a>), já alcança 23.829 quilômetros quadrados de subbacias hidrográficas nas cabeceiras, um território maior que o Estado de Sergipe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sentado na varanda da sede da Associação Ashaninka do rio Amônia (Apiwtxa), o presidente da organização, Wewito Piyãko, aponta o mapa com a precisão de quem conhece cada curva do rio Amônia. Ashaninka é a autodenominação do povo e pode ser traduzida como &#8220;meus parentes&#8221;, &#8220;minha gente&#8221;. O dedo mira as cabeceiras em território peruano. O que o preocupa não é apenas a floresta que pode desaparecer, mas a vida que deixará de existir para as próximas gerações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Se eles conseguirem explorar madeira, petróleo e minério ali, acabou para nós aqui. Acabou o rio. E aí a gente vai tirar água de onde?&#8221;, questiona Wewito. As águas que abastecem as comunidades nascem exatamente onde a pressão já é maior. E as aldeias não possuem sistema de tratamento, dependendo dos rios para beber, cozinhar e viver. O que acontece nas cabeceiras peruanas desce pelos mesmos rios que chegam às casas dos Ashaninka no Acre.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Eu já vi rio onde as pessoas não comem mais peixe por causa da mineração&#8221;, afirma Wewito. A lembrança reforça um sentimento que mistura indignação e tristeza. Para ele, a ameaça não está apenas nas máquinas ou nos projetos que avançam sobre a floresta, mas na dificuldade de fazer com que o restante da sociedade compreenda o que está em jogo. Em maio, a reportagem da <strong>Amazônia Real</strong> visitou a TI Kampa do rio Amônia. Encontrou um povo que resiste a diversas ameaças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A situação se repete em Alto Tamaya Saweto, conhecido internacionalmente após o assassinato de indígenas, como o líder Ashaninka do lado peruano e ativista <a href="https://amazonwatch.org/pt/news/2014/0909-peruvian-antilogging-activist-edwin-chota-killed" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Edwin Chota</a>. Essas lideranças denunciavam o avanço da extração ilegal de madeira. Além de pressionar territórios já reconhecidos, as concessões também afetam propostas de regularização fundiária indígena. Áreas reivindicadas por comunidades como Antami, Puerto Dos e San Miguel de Tsitsire aparecem sobrepostas às concessões florestais, dificultando o reconhecimento oficial dessas terras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Essa estrada já existe. Ela não parou aqui. Ela já continuou&#8221;, avança na explicação Wewito, que resume o que os mapas confirmam. As máquinas voltaram a avançar pela floresta e se aproximaram das comunidades indígenas. Mas encontraram resistência organizada.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A comunidade prendeu as máquinas (Sawawo) aqui. Não deixou eles cruzarem o rio&#8221;, explica Wewito. A empresa conseguiu apoio das autoridades peruanas para recuperar os equipamentos, contudo o projeto ainda não foi abandonado. &#8220;Como essa comunidade não deixou passarem novamente por aqui, estão vindo por outros lugares&#8221;, alerta a liderança indígena.</p>





<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O complexo lado peruano</strong></h4>



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  <p class="mapa-titulo">O cerco aos Ashaninka</p>
  <p class="subtitle">Mapa interativo com terras indígenas, aldeia Apiwtxa, sítios sagrados, concessões madeireiras e a Trocha UC-105 (Clique nos itens para mostrar ou ocultar)</p>

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        * Coordenadas estimadas a partir de mapas do ABSAT<br><br>
        Fontes: Funai, Natural Earth/Itamaraty, Amazon Borderlands Spatial Analysis Team (ABSAT), Opirj e Associação Apiwtxa
      </div>
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// Carregamento dinâmico do Leaflet (mais robusto contra sanitização de blocos HTML)
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const tisGeoJSON = {"type": "FeatureCollection", "features": [{"id": "0", "type": "Feature", "properties": {"terrai_nom": "Jaminawa Arara do Rio Bagé", "etnia_nome": "Yaminawa,Arara do Acre", "municipio_": "Marechal Thaumaturgo,Jordão", "superficie": 28926.1102, "fase_ti": "Regularizada", "faixa_fron": "Sim"}, "geometry": {"type": "Polygon", "coordinates": [[[-72.1702281191758, -8.918526332078963], [-72.19928066770306, -8.882800390005215], [-72.29759018810188, -8.881420701970013], [-72.3166658619288, -8.840960082321729], [-72.31372723539555, -8.837923378672945], [-72.3144733390356, -8.836406043004779], [-72.3129685383484, -8.835788242964474], [-72.31389979613135, -8.83414275472974], [-72.31222937385631, -8.834468350910875], [-72.31209581405842, -8.832678883749324], [-72.31056242366894, -8.832448682603257], [-72.311374307993, -8.831141993438957], [-72.31035130127056, -8.830319464386868], [-72.31171346781916, -8.829418261908742], [-72.30960608522749, -8.82783176865162], 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const fronteiraGeoJSON = {"type": "FeatureCollection", "features": [{"type": "Feature", "properties": {"FEATURECLA": "International boundary (verify)", "NAME": null, "COMMENT": null, "ADM0_USA": 1, "ADM0_LEFT": "Peru", "ADM0_RIGHT": "Brazil", "ADM0_A3_L": "PER", "ADM0_A3_R": "BRA", "SOV_A3_L": "PER", "SOV_A3_R": "BRA", "TYPE": "Land", "LABELRANK": 2, "SCALERANK": 1, "MIN_ZOOM": 0, "MIN_LABEL": 7.6, "NOTE": null, "ADM0_ABR_L": "Peru", "ADM0_ABR_R": "Brazil", "FCLASS_ISO": null, "FCLASS_US": null, "FCLASS_FR": null, "FCLASS_RU": null, "FCLASS_ES": null, "FCLASS_CN": null, "FCLASS_TW": null, "FCLASS_IN": null, "FCLASS_NP": null, "FCLASS_PK": null, "FCLASS_DE": null, "FCLASS_GB": null, "FCLASS_BR": null, "FCLASS_IL": null, "FCLASS_PS": null, "FCLASS_SA": null, "FCLASS_EG": null, "FCLASS_MA": null, "FCLASS_PT": null, "FCLASS_AR": null, "FCLASS_JP": null, "FCLASS_KO": null, "FCLASS_VN": null, "FCLASS_TR": null, "FCLASS_ID": null, "FCLASS_PL": null, "FCLASS_GR": null, "FCLASS_IT": null, "FCLASS_NL": null, "FCLASS_SE": null, "FCLASS_BD": null, "FCLASS_UA": null, "ne_id": 1746707793, "BRK_A3": null, "FCLASS_OSM": null, "FCLASS_TLC": null}, "geometry": {"type": "MultiLineString", "coordinates": [[[-72.672278, -9.446657], [-72.678014, -9.445004], [-72.686799, -9.437459], [-72.691708, -9.435082], [-72.813303, -9.410897], [-73.214984, -9.409037], [-73.193538, -9.375654], [-73.140828, -9.322841], [-73.117574, -9.291938], [-73.101192, -9.260002], [-73.090237, -9.244189], [-73.078403, -9.236851], [-73.064192, -9.234784], [-73.047914, -9.23034], [-73.034375, -9.222588], [-73.028535, -9.210599], [-73.027863, -9.183108], [-72.982388, -9.147141], [-72.972001, -9.134428], [-72.963681, -9.115515], [-72.959392, -9.085646], [-72.970037, -9.00193], [-72.976084, -8.985394], [-73.003679, -8.944156], [-73.016701, -8.93041], [-73.053805, -8.906019], [-73.06106313391332, -8.9]], [[-72.5, -9.485450720543975], [-72.535645, -9.481591], [-72.554456, -9.47601], [-72.596055, -9.455546], [-72.636518, -9.442937], [-72.655948, -9.439009]], [[-72.655948, -9.439009], [-72.659824, -9.439836], [-72.667782, -9.445314], [-72.672278, -9.446657]]]}}]};
const trochaGeoJSON = {"type": "FeatureCollection", "features": [{"type": "Feature", "properties": {"nome": "Trocha UC-105 (estrada principal)"}, "geometry": {"type": "LineString", "coordinates": [[-73.95, -8.82], [-73.78, -8.95], [-73.62, -9.05], [-73.48, -9.15], [-73.35, -9.22], [-73.22, -9.28], [-73.1, -9.35]]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Ramal 1"}, "geometry": {"type": "LineString", "coordinates": [[-73.85, -8.85], [-73.8, -8.78], [-73.75, -8.83]]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Ramal 2"}, "geometry": {"type": "LineString", "coordinates": [[-73.7, -8.95], [-73.65, -8.88], [-73.6, -8.92]]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Ramal 3"}, "geometry": {"type": "LineString", "coordinates": [[-73.55, -9.05], [-73.5, -8.98], [-73.45, -9.02]]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Ramal 4"}, "geometry": {"type": "LineString", "coordinates": [[-73.4, -9.15], [-73.35, -9.08], [-73.3, -9.12]]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Ramal 5"}, "geometry": {"type": "LineString", "coordinates": [[-73.25, -9.22], [-73.18, -9.18], [-73.12, -9.24]]}}]};
const concessoesGeoJSON = {"type": "FeatureCollection", "features": [{"type": "Feature", "properties": {"nome": "Forestal Mendoza", "tipo": "concessao"}, "geometry": {"type": "Polygon", "coordinates": [[[-73.05, -9.15], [-72.95, -9.16], [-72.94, -9.25], [-73.04, -9.26], [-73.05, -9.15]]]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Cumaru", "tipo": "concessao"}, "geometry": {"type": "Polygon", "coordinates": [[[-72.95, -9.16], [-72.85, -9.17], [-72.84, -9.24], [-72.94, -9.25], [-72.95, -9.16]]]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Logistics Corp. of the Peruvian Amazon (LPCA)", "tipo": "concessao"}, "geometry": {"type": "Polygon", "coordinates": [[[-73.1, -9.25], [-72.95, -9.26], [-72.94, -9.4], [-73.09, -9.41], [-73.1, -9.25]]]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Alpi Rosa", "tipo": "concessao"}, "geometry": {"type": "Polygon", "coordinates": [[[-72.94, -9.26], [-72.84, -9.27], [-72.83, -9.38], [-72.93, -9.39], [-72.94, -9.26]]]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Inversiones Forestales NYS", "tipo": "concessao"}, "geometry": {"type": "Polygon", "coordinates": [[[-73.25, -9.32], [-73.1, -9.33], [-73.09, -9.45], [-73.24, -9.46], [-73.25, -9.32]]]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Consorcio Grande Maderas", "tipo": "concessao"}, "geometry": {"type": "Polygon", "coordinates": [[[-73.4, -9.38], [-73.25, -9.39], [-73.24, -9.5], [-73.39, -9.51], [-73.4, -9.38]]]}}]};
const sitiosGeoJSON = {"type": "FeatureCollection", "features": [{"type": "Feature", "properties": {"nome": "Cemitério próx. Aricemi", "categoria": "cemiterio"}, "geometry": {"type": "Point", "coordinates": [-73.04, -9.31]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Cemitério próx. Sawawo Hito 40", "categoria": "cemiterio"}, "geometry": {"type": "Point", "coordinates": [-73.13, -9.27]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Cemitério (Tsonkari)", "categoria": "cemiterio"}, "geometry": {"type": "Point", "coordinates": [-72.97, -9.34]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Huacanqui (sítio de caça)", "categoria": "caca"}, "geometry": {"type": "Point", "coordinates": [-73.05, -9.49]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Lago próx. Tsonkari", "categoria": "lago"}, "geometry": {"type": "Point", "coordinates": [-72.96, -9.33]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Lago próx. San Pablo", "categoria": "lago"}, "geometry": {"type": "Point", "coordinates": [-72.92, -9.41]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Ariarite", "categoria": "sagrado"}, "geometry": {"type": "Point", "coordinates": [-73.06, -9.29]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Ariarite (2º ponto, próx. Paulo)", "categoria": "sagrado"}, "geometry": {"type": "Point", "coordinates": [-73.04, -9.31]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Collpa Grande", "categoria": "sagrado"}, "geometry": {"type": "Point", "coordinates": [-72.96, -9.3]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Comunidad de Japó", "categoria": "sagrado"}, "geometry": {"type": "Point", "coordinates": [-72.93, -9.33]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Ameaça registrada (incêndio/conflito)", "categoria": "ameaca_ponto"}, "geometry": {"type": "Point", "coordinates": [-73.24, -9.3]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Ameaça registrada (incêndio/conflito)", "categoria": "ameaca_ponto"}, "geometry": {"type": "Point", "coordinates": [-73.0, -9.44]}}, {"type": "Feature", "properties": {"nome": "Ameaça registrada (incêndio/conflito)", "categoria": "ameaca_ponto"}, "geometry": {"type": "Point", "coordinates": [-72.91, -9.43]}}]};
const aldeiaApiwtxa = [-9.17309, -72.90967];

// Bounding box achatado: corta a área vazia ao sul da fronteira e foca na região de interesse
const map = L.map('map', {
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  maxBoundsViscosity: 0.6
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L.tileLayer('https://{s}.tile.openstreetmap.org/{z}/{x}/{y}.png', {
  attribution: '&copy; OpenStreetMap contributors', maxZoom: 16
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L.marker([-9.50, -73.45], { icon: L.divIcon({className:'', html:'<span class="country-label">PERU</span>', iconSize:[100,20]}) }).addTo(map);
L.marker([-8.78, -72.58], { icon: L.divIcon({className:'', html:'<span class="country-label">BRASIL</span>', iconSize:[100,20]}) }).addTo(map);

const fronteiraLayer = L.geoJSON(fronteiraGeoJSON, {
  style: { color: '#2c2c2a', weight: 2, dashArray: '8 6' }
}).bindPopup('Fronteira Brasil-Peru<br><span style="font-size:11px;color:#5f5e5a">Fonte: Natural Earth / Itamaraty</span>');

const tisLayer = L.geoJSON(tisGeoJSON, {
  style: { color: '#0F6E56', weight: 2, fillColor: '#1D9E75', fillOpacity: 0.35 },
  onEachFeature: (f, layer) => {
    layer.bindPopup(`<strong>${f.properties.terrai_nom}</strong><br>${f.properties.etnia_nome}<br>${f.properties.superficie.toLocaleString('pt-BR')} ha<br><span style="color:#0F6E56;font-size:11px">Fonte: Funai</span>`);
  }
});

const aldeiaLayer = L.layerGroup([
  L.circleMarker(aldeiaApiwtxa, { radius: 8, fillColor: '#0F6E56', color: '#fff', weight: 2, fillOpacity: 1 })
    .bindPopup('<strong>Aldeia Apiwtxa</strong><br><span style="color:#0F6E56;font-size:11px">Fonte: Funai</span>')
]);

const trochaLayer = L.geoJSON(trochaGeoJSON, {
  style: (f) => ({ color: '#E24B4A', weight: f.properties.nome.includes('Trocha') ? 3 : 1.5, opacity: 0.85 }),
  onEachFeature: (f, layer) => {
    layer.bindPopup(`<strong>${f.properties.nome}</strong> *<br><span style="color:#A32D2D;font-size:11px">Traçado estimado, ver fontes</span>`);
  }
});

const concessoesLayer = L.geoJSON(concessoesGeoJSON, {
  style: { color: '#A32D2D', weight: 1.5, fillColor: '#E24B4A', fillOpacity: 0.25, dashArray: '4 3' },
  onEachFeature: (f, layer) => {
    layer.bindPopup(`<strong>${f.properties.nome}</strong> *<br><span style="color:#A32D2D;font-size:11px">Área estimada, ver fontes</span>`);
  }
});

const categoriaConfig = {
  cemiterio:    { cor: '#993556', nome: 'Cemitérios' },
  caca:         { cor: '#854F0B', nome: 'Sítios de caça' },
  lago:         { cor: '#0C447C', nome: 'Lagos' },
  sagrado:      { cor: '#EF9F27', nome: 'Sítios sagrados / espirituais' },
  ameaca_ponto: { cor: '#E24B4A', nome: 'Ameaças registradas (incêndio/conflito)' }
};

const sitiosPorCategoria = {};
Object.keys(categoriaConfig).forEach(cat => {
  const feats = sitiosGeoJSON.features.filter(f => f.properties.categoria === cat);
  sitiosPorCategoria[cat] = L.layerGroup(feats.map(f => {
    const [lon, lat] = f.geometry.coordinates;
    return L.circleMarker([lat, lon], { radius: 6, fillColor: categoriaConfig[cat].cor, color: '#fff', weight: 1.5, fillOpacity: 0.9 })
      .bindPopup(`<strong>${f.properties.nome}</strong> *<br><span style="color:${categoriaConfig[cat].cor};font-size:11px">Posição estimada, ver fontes</span>`);
  }));
});

const grupoOficial = [
  { key: 'fronteira', label: 'Fronteira Brasil-Peru', swatch: 'line', cor: '#2c2c2a', layer: fronteiraLayer },
  { key: 'tis', label: 'Terras indígenas', swatch: 'square', cor: '#1D9E75', layer: tisLayer },
  { key: 'aldeia', label: 'Aldeia Apiwtxa', swatch: 'circle', cor: '#0F6E56', layer: aldeiaLayer },
];
const grupoAproximado = [
  { key: 'trocha', label: 'Trocha UC-105 e ramais', swatch: 'line', cor: '#E24B4A', layer: trochaLayer },
  { key: 'concessoes', label: 'Concessões madeireiras', swatch: 'square', cor: '#E24B4A', layer: concessoesLayer },
];
Object.keys(categoriaConfig).forEach(cat => {
  grupoAproximado.push({ key: 'cat_'+cat, label: categoriaConfig[cat].nome, swatch: 'circle', cor: categoriaConfig[cat].cor, layer: sitiosPorCategoria[cat] });
});

const panel = document.getElementById('panel-scroll');

function addSectionTitle(text) {
  const el = document.createElement('div');
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  const row = document.createElement('div');
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    <div class="${swatchClass}" style="background:${item.cor}"></div>
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    <div class="toggle-check"><svg viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="#fff" stroke-width="3"><path d="M5 13l4 4L19 7"/></svg></div>
  `;
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addSectionTitle('Dados oficiais');
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}); // fim do callback carregarLeaflet
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<p class="wp-block-paragraph">Para compreender a Amazônia peruana, é preciso entender que a floresta é tratada pelo modelo econômico do país como almoxarifado para exportação. Em 2023, o Congresso peruano aprovou a <a href="https://busquedas.elperuano.pe/dispositivo/NL/2251964-1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ley 31.973</a>, apelidada de &#8220;Ley Antiforestal&#8221;, que anistiou e regularizou de forma retroativa terras desmatadas ilegalmente para monoculturas de dendê e cacau. A medida retirou o poder de veto do Ministério do Ambiente, abrindo espaço para a derrubada de mata sem licenciamento e ameaçando locais de importância cultural e espiritual dos Ashaninka. Ariarite e Encantada, por exemplo, são espaços que funcionam como cemitérios e locais de memória ancestral situados no traçado das retroescavadeiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, além dos impactos ambientais, a expansão das concessões ameaça também locais considerados espiritualmente sagrados. Mapeamentos de ocupação histórica identificam ainda áreas como Ishico, Collpa Grande, Wakanki, Kopitxarentsi, Piedra e Comunidad de Japó como pontos de importância cultural e espiritual. Muitos estão situados no traçado projetado das estradas ou dentro dos limites das concessões industriais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ariarite se localiza nas proximidades das áreas de moradia de famílias Ashaninka em Aricemi, Paulo e Pedrillo, ao longo do rio Amônia e da Quebrada Shahuaya. Já Encantada está situada entre as Quebradas Shahuaya e Tuturotango, em uma área ocupada por famílias indígenas. Para o povo, esses lugares não são apenas patrimônio histórico: são cemitérios, locais de memória ancestral e espaços de rituais ativos. A destruição desses espaços não fica só no mapa. Ela já chegou às relações entre vizinhos e parentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">María Elena Sawawo, liderança da comunidade de mesmo nome no Peru, esteve presente nas primeiras horas do principal bloqueio às madeireiras. O que ela mais lamenta não é o dano à floresta, mas o que a estrada fez nas relações entre as pessoas. &#8220;A estrada nos fez brigar entre comunidades, entre famílias. Criou atritos&#8221;, diz à <strong>Amazônia Real</strong>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Dizem que a estrada é para o desenvolvimento, mas não enxergamos isso. Se fosse realmente desenvolvimento, não estaríamos vivendo conflitos com nossas próprias famílias e com nossos próprios vizinhos.&#8221; </p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo ela, a comunidade nunca chegou a ser comunicada sobre a chegada da rodovia. E quando ela foi questionar os responsáveis, a resposta foi que acreditavam que tudo estava coordenado com a comunidade. &#8220;Eu disse a eles: vocês nunca conversaram conosco para saber de que forma poderíamos ser afetados.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela é testemunha das mudanças que chegaram à floresta. Com tristeza, viu áreas reflorestadas pela comunidade serem destruídas pela abertura de caminhos e atividades associadas às concessões. &#8220;A água ficou parada. Já não era mais normal.&#8221;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">María Elena afirma ainda que cursos d&#8217;água foram alterados. Alguns rios foram represados e tiveram seu fluxo modificado. Além disso, agrotóxicos, óleo e demais atividades de exploração poluem o rio. Embora a natureza tenha regenerado parte dessas áreas ao longo dos anos, ela acredita que os danos continuam presentes.&#8221;A água parada nos contamina e faz mal para nós&#8221;, denuncia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, a liderança corre risco de morte, mas não pela água que bebe. Ela vive sob constantes ameaças. &#8220;Chegaram a atirar para o alto quando passávamos e também agrediram os integrantes dos comitês de vigilância. Se tivéssemos respondido com violência, não sei onde isso teria terminado.&#8221;</p>





<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A coca e o crime organizado</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Hoja_de_coca1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Hoja_de_coca1-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-174307" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Hoja_de_coca1-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Hoja_de_coca1-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Hoja_de_coca1-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Hoja_de_coca1-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Hoja_de_coca1-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Hoja_de_coca1.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><sub><em>A folha de coca é um elemento da medicina sagrada para os Ashaninka. (Foto: Keen Quispe /</em> <em>&nbsp;<a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:CC-BY-SA-4.0">CC-BY-SA-4.0</a></em>).</sub></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há uma pressão que as lideranças falam com cuidado, mas não omitem: o avanço do narcotráfico sobre territórios onde o povo Ashaninka cultiva coca por razões espirituais e medicinais. No lado peruano da fronteira, o risco já se concretizou. Organizações criminosas ligadas ao tráfico de cocaína passaram a pressionar comunidades Ashaninka peruanas para que cedessem parte de seus territórios à produção ilegal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em pelo menos um caso documentado, uma comunidade cedeu e hoje vive sob ameaça e controle de grupos do crime organizado. No Brasil, a Opirj relata que organizações criminosas já tentaram entrar em terra indígena para se associar ao cultivo de coca. A resposta tem sido o diálogo e a vigilância territorial, a mesma estratégia que permitiu ao povo resistir às madeireiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na cultura Ashaninka, a coca é mascada com “ishico” (ou “ishiko”). É um pó branco extraído a partir da queima e trituração de pedras calcárias especiais. Esse pó alcalino ajuda a extrair e ativar as propriedades medicinais e os nutrientes da folha na boca, além de suavizar o sabor amargo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A gente fica pensando muito, porque depois de nós, vêm as próximas gerações. A gente cuida agora, mas não sabe se eles vão conseguir dar continuidade”, reflete Iara Luiza Piyãko. A jovem tem 22 anos e nasceu na <a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3716" target="_blank" rel="noreferrer noopener">TI Kampa do rio Amônia</a>. Aos 14, começou a atuar na comunicação indígena, registrando reuniões, denúncias e expedições de monitoramento territorial. Em uma dessas coberturas, esteve em um posto de vigilância no lado peruano após a invasão de madeireiros que destruíram equipamentos de monitoramento das comunidades. É uma lembrança dolorida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Iara Luiza e seu povo vivem acuados pelo crime e pela pressão empresarial que os cercam, mas não têm para onde fugir. “A floresta é o nosso mercado e das gerações futuras. A gente está cuidando agora e espera que eles possam continuar cuidando depois de nós.&#8221; Assim tem sido há gerações.</p>





<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A resistência dos Ashaninka</strong></h4>



<div class="alignnormal"><div id="metaslider-id-173987" style="width: 100%;" class="ml-slider-3-110-0 metaslider metaslider-flex metaslider-173987 ml-slider has-dots-nav ms-theme-default-base" role="region" aria-label="Povo Ashaninka" data-height="1333" data-width="2000">
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</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173999 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-22 12:40:08" data-filename="Aldeia-Apiwtxa-do-Povo-Ashaninka-2.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Aldeia-Apiwtxa-do-Povo-Ashaninka-2.jpg" height="1333" width="2000" alt="" class="slider-173987 slide-173999 msDefaultImage" title="Aldeia Apiwtxa do Povo Ashaninka.jpg" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div>Aldeia Apiwtxa do Povo Ashaninka, no rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo, Acre. (Foto: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real).</div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173994 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-22 12:40:08" data-filename="Criancas-Ashaninkas-indo-para-aula-2-1998x1332.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Criancas-Ashaninkas-indo-para-aula-2-1998x1332.jpg" height="1333" width="2000" alt="" class="slider-173987 slide-173994 msDefaultImage" title="Crianças Ashaninkas indo para aula" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div>Crianças Ashaninka chegando de barco logo cedo para as aulas matutinas, na Escola Samuel Pianko.  (Foto: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real).</div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173996 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-22 12:40:08" data-filename="Alunos-Ashaninkas-indo-embora-de-barco-2.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Alunos-Ashaninkas-indo-embora-de-barco-2.jpg" height="1333" width="2000" alt="" class="slider-173987 slide-173996 msDefaultImage" title="Crianças estudantes Ashaninkas_" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Crianças Ashaninka estudantes da escola Samuel Piyãko, na aldeia Apiwtxa, vão e vêm de barco para as aulas. (Foto: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real).



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                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173989 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-22 12:40:07" data-filename="Tecidos-para-Kushma-Ashaninka.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Tecidos-para-Kushma-Ashaninka.jpg" height="1333" width="2000" alt="" class="slider-173987 slide-173989 msDefaultImage" title="Tecidos para Kushma Ashaninka.jpg" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Tecidos para Kushma, vestimenta tradicional Ashaninka, secam ao sol depois de tingidos.  (Foto: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real).

</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174001 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-22 12:40:09" data-filename="Aldeia-Apiwtxa-do-Povo-Ashaninka-1.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Aldeia-Apiwtxa-do-Povo-Ashaninka-1.jpg" height="1333" width="2000" alt="" class="slider-173987 slide-174001 msDefaultImage" title="Aldeia Apiwtxa do Povo Ashaninka.jpg" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Aldeia Apiwtxa do Povo Ashaninka, em Marechal Thaumaturgo, Acre. (Foto: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real).

</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173993 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-22 12:40:08" data-filename="Crianca-ashaninka-1999x1332.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Crianca-ashaninka-1999x1332.jpg" height="1333" width="2000" alt="" class="slider-173987 slide-173993 msDefaultImage" title="Crianças estudantes Ashaninkas.jpg" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div>Crianças Ashaninka estudam em escola Samuel Piyanko, na aldeia Apiwtxa.  (Foto: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real).</div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173995 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-22 12:40:08" data-filename="Criancas-Ashaninkas-indo-pra-aula-1.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Criancas-Ashaninkas-indo-pra-aula-1.jpg" height="1333" width="2000" alt="" class="slider-173987 slide-173995 msDefaultImage" title="Crianças Ashaninkas" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Crianças Ashaninkas indo para a escola de manhã cedo, na aldeia Apiwtxa.  (Foto: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real).

</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173990 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-22 12:40:07" data-filename="Criancas-estudantes-Ashaninka-6-1999x1332.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Criancas-estudantes-Ashaninka-6-1999x1332.jpg" height="1333" width="2000" alt="" class="slider-173987 slide-173990 msDefaultImage" title="Crianças estudantes Ashaninkas.jpg" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Crianças Ashaninkas estudam em escola Samuel Piyanko, na aldeia Apiwtxa.  (Foto: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real).

</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-173997 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-22 12:40:08" data-filename="Alunos-Ashaninkas-indo-embora-de-barco-1-1999x1332.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Alunos-Ashaninkas-indo-embora-de-barco-1-1999x1332.jpg" height="1333" width="2000" alt="" class="slider-173987 slide-173997 msDefaultImage" title="Crianças estudantes Ashaninkas_" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Crianças Ashaninka estudantes da escola Samuel Piyãko, na aldeia Apiwtxa, vão e vêm de barco para as aulas. (Foto: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real).



</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174003 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-22 13:55:43" data-filename="Mulher-Ashaninka_.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Mulher-Ashaninka_.jpg" height="1333" width="2000" alt="" class="slider-173987 slide-174003 msDefaultImage" title="Mulher Ashaninka" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div> <div>Mulher Ashaninka na aldeia Apiwtxa, observa o movimento da comunidade de sua janela. (Foto: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real).</div> <div> </div> </div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174004 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-22 13:55:43" data-filename="Mae-e-filha-tecendo-Kusmas.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Mae-e-filha-tecendo-Kusmas.jpg" height="1333" width="2000" alt="" class="slider-173987 slide-174004 msDefaultImage" title="Mãe e filha tecem Kushma" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Mãe e filha, Alzelina Luiz e Kamorishy Piãko, respectivamente; tecem Kushma, vestimenta tradicional Ashaninka.  (Foto: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real).

</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174002 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-22 12:40:09" data-filename="Alzelina-Luiza-2.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Alzelina-Luiza-2.jpg" height="1333" width="2000" alt="" class="slider-173987 slide-174002 msDefaultImage" title="Alzelina Luiza tece Kushma" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Alzelina Luiza tece Kushma, vestimenta tradicional do povo Ashaninka. Alzelina é artirsta, artesã e esposa do cacique Wewito Piyãko. (Foto: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real).

</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174238 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-27 17:38:25" data-filename="Alzelina-Luiza-4-1999x1332.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Alzelina-Luiza-4-1999x1332.jpg" height="1333" width="2000" alt="" class="slider-173987 slide-174238 msDefaultImage" title="Alzelina Luiza tece Kushma" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Alzelina Luiza tece Kushma, vestimenta tradicional do povo Ashaninka. Alzelina é artirsta, artesã e esposa do cacique Wewito Piyãko. (Foto: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real).

</div></div></li>
            </ul>
        </div>
        
    </div>
</div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Até o fim da década de 1980, os Ashaninka viviam dispersos ao longo do rio Amônia, fragilizados pela forte exploração de patrões seringalistas e madeireiros. Sob a liderança do cacique e líder histórico Antonio Piyãko, a comunidade percebeu que a dispersão facilitava as invasões e o roubo de suas terras. Naquele período, lideranças indígenas denunciaram a exploração florestal e pressionaram autoridades a intervir. As denúncias surtiram efeito e os trabalhos foram interrompidos. Sem manutenção, os trechos abertos voltaram a ser tomados pela vegetação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1991, eles tomaram uma decisão: concentrar as famílias em um único local estratégico para fortalecer a resistência. Nascia a Aldeia Apiwtxa, cujo nome na língua nativa significa &#8220;união&#8221; ou &#8220;juntos&#8221;. Pouco depois, em 1993, foi formalizada a Associação Apiwtxa, a primeira organização jurídica do povo Ashaninka do Acre, transformando a aldeia no centro político e administrativo de suas decisões. A área era um conjunto de fazendas da região, “apenas pasto”. Com a retomada do povo, a missão foi reconstruir o que foi destruído.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A liderança também reforça o sentimento de vigilância permanente diante das estradas e das máquinas, que não cessavam. A resistência coletiva foi fundamental. “Não tinha muita escolha, era ficar e lutar para defender o que era nosso, então a gente resolveu ficar junto, organizar o povo e não deixar mais entrar desse jeito”, afirma o cacique.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antônio narra sua trajetória a partir da formação do seu povo e da construção da vida coletiva na Terra Indígena, destacando a importância de sua união com a companheira, que também foi liderança ativa na luta em defesa do território. “Ela dizia o que eu tinha de fazer, eu ia lá e fazia”.</p>





<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Memória e legado</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Antonio-Piyako-e-Dona-Piti-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Antonio-Piyako-e-Dona-Piti-2-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-173933" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Antonio-Piyako-e-Dona-Piti-2-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Antonio-Piyako-e-Dona-Piti-2-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Antonio-Piyako-e-Dona-Piti-2-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Antonio-Piyako-e-Dona-Piti-2-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Antonio-Piyako-e-Dona-Piti-2-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Antonio-Piyako-e-Dona-Piti-2.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em><sub>Cacique geral do povo Ashaninka do Rio Amônia, Antônio Piãko, e sua esposa, Francisca Oliveira da Silva, conhecida como Dona Pití. (Foto: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real).</sub></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Francisca Piyãko, também conhecida como dona Pití, chegou ao rio Amônia aos 19 anos. Nascida em uma família de seringueiros do Alto Juruá, apaixonou-se por Antônio Piyãko, um Ashaninka vindo do Peru. O casal formou um um casamento interétnico incomum para a época. &#8220;Quando me casei com o Antônio, a vida era muito boa. Passei uns quatro anos bem, sem ouvir falar nada, mas depois começaram a chegar os madeireiros.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A intensificação da exploração madeireira na década de 1980 trouxe invasões mecanizadas e cortes em grande escala. Entre 1981 e 1987, madeireiros abriram cerca de 80 quilômetros de estrada e ramais na mata. As consequências culturais foram profundas: a frequência de rituais com piyarentsi (caiçuma) e (ayahuasca) diminuiu; alguns Ashaninka deixaram de usar a kushma [vestimenta tradicinal], e a língua nativa passou a ser discriminada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, o casal liderou a resistência. &#8220;A gente começou a lutar mesmo pela terra. Era reunião, era conversa, era todo dia pensando como defender o território, porque a gente sabia que se não se organizasse, ia perder tudo o que era nosso&#8221;, diz Antônio, hoje com 79 anos. Em alguns momentos, a tensão chegou ao limite: &#8220;A gente tocou fogo em madeira que ficou aí, porque era muita coisa acumulada, muita destruição mesmo.&#8221; A dupla também presenciou helicópteros trazendo invasores, até dizerem &#8220;chega, não vai tirar mais&#8221;, e os madeireiros decidiram ir embora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi Francisca quem decidiu denunciar as invasões. Para não ser identificada pela própria letra, que os madeireiros conheciam, pediu ajuda ao filho de 13 anos: &#8220;Mandei o meu filho Francisco escrever tudo. Ele passou a limpo para o juiz não reconhecer a minha letra.&#8221; </p>



<p class="wp-block-paragraph">A denúncia chegou à Funai, fiscais e policiais foram mobilizados, e os madeireiros deixaram a região, mas o preço foi o medo. &#8220;Eu tinha muito medo de ser morta. Eu era branca, né? Tinha medo de acontecer alguma coisa comigo por estar nessa luta&#8221;. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela lembra que quem a ajudou nesse período foi Antônio Luiz Macedo, indigenista da Funai com uma longa e reconhecida trajetória de apoio aos indígenas no Acre. Mais conhecido como Txai Macedo, <a href="https://coiab.org.br/coiab-homenageia-txai-macedo-indigenista-que-atuou-por-mais-de-40-anos-na-defesa-dos-povos-indigenas-do-acre/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">faleceu em janeiro</a> deste ano, aos 73 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O menino que ajudou a escrever a denúncia se tornou uma das principais lideranças Ashaninka no Brasil. Francisco Piyãko hoje representa seu povo em negociações nacionais e internacionais, com uma sólida atuação como líder de seu povo. Dona Pití faz questão de lembrar onde tudo começou: &#8220;Um pouquinho que ele aprendeu foi comigo. Eu ensinei o ABC.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <a href="https://acervo.socioambiental.org/acervo/noticias/isaac-piyako-o-primeiro-prefeito-indigena-da-historia-do-acre" target="_blank" rel="noreferrer noopener">nova geração Piyãko</a> se dividiu em frentes complementares de luta. Francisco atua na articulação política do Alto Juruá. Wewito preside a Associação Apiwtxa e lidera a gestão territorial. Isaac foi o primeiro indígena eleito prefeito de um município acreano, à frente de Marechal Thaumaturgo entre 2017 e 2022. Benki tornou-se referência internacional em restauração florestal, à frente do Instituto Yorenka Tasorentsi. Moisés dedica-se à medicina indígena e à espiritualidade. Dora e Alexandrina representam o protagonismo das mulheres na nova geração de lideranças.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/DSCF4500.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/DSCF4500-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-173962" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/DSCF4500-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/DSCF4500-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/DSCF4500-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/DSCF4500-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/DSCF4500-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/DSCF4500.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em><sub>Moisés Piyãko é uma liderança importante do povo Ashaninka do Rio Amônia. (Foto: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real).</sub></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A ameaça mudou de nome: antes eram os madeireiros, agora são as concessões industriais, a estrada que liga o Peru ao Acre e o avanço do crime organizado. Mas Dona Pití, agora aos 78 anos, pode dizer que sente algo que não experimentou durante os anos de conflito. &#8220;Eu sinto uma paz no meu coração. Eles são o que eu ensinei.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na memória de Francisco Piyãko, a força de sua mãe sempre esteve no enfrentamento do medo. &#8220;Ela dizia que nós éramos gente, que não precisávamos fugir. Precisávamos ficar e lutar para que respeitassem o nosso povo&#8221;, lembra. E, assim, nasceram e cresceram as lideranças: aprendendo que defender o território era também lutar pela própria vida. Ainda adolescentes, passaram a participar das reuniões, das articulações e da resistência ao lado da mãe. &#8220;A gente cresceu fazendo luta. Não foi uma escolha, foi a nossa forma de existir.&#8221;</p>





<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Uma comissão transfronteiriça</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Estrada-Peru_Yara-Piyako-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Estrada-Peru_Yara-Piyako-1-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-173915" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Estrada-Peru_Yara-Piyako-1-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Estrada-Peru_Yara-Piyako-1-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Estrada-Peru_Yara-Piyako-1-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Estrada-Peru_Yara-Piyako-1-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Estrada-Peru_Yara-Piyako-1-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Estrada-Peru_Yara-Piyako-1.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em><sub>Primeira tentativa de estrada no Peru dentro do território dos Ashaninka Sawawo de Hito 40, fronteira com o Brasil, localizada no distrito Yurua, em Ucayali, Peru, em 2022. (Foto cedida por Yara Piyãko/ Associação Apiwtxa).<br><br></sub></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os Ashaninka não esperam que os governos resolvam o que eles mesmos já estão monitorando. Em 2021, o povo foi fortalecido com a criação da <a href="https://opirj.org/comissao-transfronteirica/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Comissão Transfronteiriça</a>, um espaço criado para monitorar as ameaças que cercam a região, compartilhar informações e construir estratégias conjuntas de proteção territorial. A iniciativa reúne lideranças do Brasil e do Peru em torno de um princípio que define a identidade do povo: fronteiras políticas não existem para quem sempre viveu dos mesmos rios. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No mesmo período, uma grande expedição reuniu cerca de 200 indígenas em 30 embarcações para percorrer as cabeceiras dos rios ameaçados. A expedição serviu para constatar o avanço das concessões e organizar a resistência do lado peruano, onde a pressão chegou primeiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A distância entre os territórios na fronteira é de apenas 5 quilômetros. A Comissão Transfronteiriça combina dados técnicos de satélite com conhecimento territorial dos próprios indígenas, produzindo os mapas mais precisos que existem sobre a pressão na região. &#8220;É um trabalho que nós temos que fazer o quanto antes, enquanto o rio ainda está vivo&#8221;, diz Wewito.</p>





<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O que acontece no Peru não fica no Peru&nbsp;</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Dora-Piyako-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Dora-Piyako-1-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-173959" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Dora-Piyako-1-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Dora-Piyako-1-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Dora-Piyako-1-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Dora-Piyako-1-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Dora-Piyako-1-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Dora-Piyako-1.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em><sub>Dora Piyãko é artista, artesã e uma liderança no povo Ashaninka.  (Foto: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real).<br><br></sub></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">As preocupações das lideranças encontram eco nas pesquisas da <a href="https://www.ufac.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Universidade Federal do Acre (Ufac)</a>. A pesquisadora Ludmila Brandão explica que os rios do Acre fazem parte de um sistema transfronteiriço alimentado por cursos d&#8217;água que nascem no Peru e na Bolívia. &#8220;A maioria dos nossos rios nasce em território vizinho. O que acontece nas cabeceiras peruanas não fica no Peru&#8221;, alerta. Apesar da gravidade, o monitoramento oficial da <a href="https://www.gov.br/ana/pt-br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Nacional das Águas (ANA)</a> é precário, analisando apenas 5 dos 30 parâmetros recomendados (turbidez, oxigênio, pH, temperatura e condutividade).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa lacuna científica preocupa quem depende do rio para manter a própria identidade. É das margens do Amônia que os Ashaninka retiram o barro “Pitsithare” para tingir a kushma, a vestimenta tradicional. Usá-lo exige permissão pois ele é um espiríto. </p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Se esse rio se contaminar, a tinta para a tecelagem não vai mais poder ser extraída&#8221;, explica Dora Ashaninka. &#8220;Se pegamos um barro doente, nós adoecemos juntos. Nossa conexão com a floresta, a terra e a água é um mundo só; sem esse mundo, a gente não vive.&#8221;</p>





<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Estado que não chegou</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Aldeia-Apiwtxa-e-Rio-Amonia-5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Aldeia-Apiwtxa-e-Rio-Amonia-5-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-173924" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Aldeia-Apiwtxa-e-Rio-Amonia-5-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Aldeia-Apiwtxa-e-Rio-Amonia-5-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Aldeia-Apiwtxa-e-Rio-Amonia-5-768x511.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Aldeia-Apiwtxa-e-Rio-Amonia-5-1536x1023.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Aldeia-Apiwtxa-e-Rio-Amonia-5-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Aldeia-Apiwtxa-e-Rio-Amonia-5.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em><sub>Aldeia Apiwtxa e Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo &#8211; Acre. (Foto: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real).<br><br></sub></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A fragilidade da proteção territorial no lado brasileiro tem algumas origens, dentre elas a institucional. A Coordenação Regional da Funai no Juruá, responsável pelo atendimento de 28 Terras Indígenas no Acre, opera sem servidor lotado em Marechal Thaumaturgo, o município onde está localizada a TI Kampa do Rio Amônia. Em sentença proferida em 12 de junho de 2026, o juiz federal Filipe de Oliveira Lins reconheceu que a Funai enfrenta um problema estrutural de funcionamento e determinou que a União e a autarquia elaborem, em até 180 dias, um Plano de Reestruturação Institucional. A decisão é resultado de uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF), que apontou um cenário de precariedade administrativa e operacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o processo, alguns serviços essenciais foram regularizados, como internet móvel via antenas da Starlink, limpeza, combustível, motoristas terceirizados. Mas a Justiça entendeu que o problema central permanece: a insuficiência de servidores e de estrutura para garantir a atuação da Funai. A sentença é mais severa no caso de Marechal Thaumaturgo. Ela destaca a necessidade de dotar a unidade local de servidores e de estrutura física adequada para garantir atendimento permanente. Hoje, a Unidade Técnica Local (UTL) não tem nem uma coisa, nem outra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ICMBio, embora responsável pela gestão do Parque Nacional da Serra do Divisor e da Reserva Extrativista Alto Juruá, que faz divisa com a TI Kampa do Rio Amônia, afirmou à reportagem que ainda não possui dados consolidados sobre as pressões denunciadas pelos Ashaninka. O órgão informou que as evidências mais consistentes vêm sendo produzidas pelos próprios indígenas, por meio da Associação Apiwtxa, Opirj e também pela Funai.</p>





<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Contra a destruição</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Criancas-Ashaninkas-na-hora-do-lanche-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Criancas-Ashaninkas-na-hora-do-lanche-1-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-173948" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Criancas-Ashaninkas-na-hora-do-lanche-1-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Criancas-Ashaninkas-na-hora-do-lanche-1-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Criancas-Ashaninkas-na-hora-do-lanche-1-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Criancas-Ashaninkas-na-hora-do-lanche-1-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Criancas-Ashaninkas-na-hora-do-lanche-1-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Criancas-Ashaninkas-na-hora-do-lanche-1.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em><sub>Crianças Ashaninka lancham na escola. A maior parte dos alimentos consumidos na escola vêm da própria aldeia.(Foto: Alexandre Cruz Noronha/Amazônia Real).<br><br></sub></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">As áreas protegidas brasileiras, o Parque Nacional da Serra do Divisor e a Reserva Extrativista Alto Juruá&nbsp; têm ajudado a conter o avanço do desmatamento formando um “escudo verde”, mas as comunidades alertam que sua preservação não ocorre sem a conservação das cabeceiras localizadas no Peru. E isso tem sido ensinado aos jovens Ashaninka.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas escolas, a matemática é aprendida na língua ashaninka, embora nas paredes é possível ver o alfabeto também em português. O conhecimento em construções e na agricultura é pensado a partir dos 6 anos, e as lideranças repassam aos jovens a instrumentação bilíngue (espanhol e português) como ferramenta para ler um mundo complexo, porém sem esquecer quem são. Os Ashaninka pertencem à família lingüística Aruak (ou Arawak).</p>





<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O santuário que Dom Phillips viu</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/06/DOM-PHILLIPS-FOTO-MARIA-FERNANDA-RIBEIRO1-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/06/DOM-PHILLIPS-FOTO-MARIA-FERNANDA-RIBEIRO1-1-1024x576.jpeg" alt="" class="wp-image-104179" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/06/DOM-PHILLIPS-FOTO-MARIA-FERNANDA-RIBEIRO1-1-1024x576.jpeg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/06/DOM-PHILLIPS-FOTO-MARIA-FERNANDA-RIBEIRO1-1-300x169.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/06/DOM-PHILLIPS-FOTO-MARIA-FERNANDA-RIBEIRO1-1-768x432.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/06/DOM-PHILLIPS-FOTO-MARIA-FERNANDA-RIBEIRO1-1-150x84.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/06/DOM-PHILLIPS-FOTO-MARIA-FERNANDA-RIBEIRO1-1.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em><sub>Dom Phillips durante viagem ao Acre para a TI Ashaninka (Foto: cedida por Wewito Ashaninka)</sub></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A vanguarda dos Ashaninka na gestão de seu território já havia despertado a atenção do jornalista britânico <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Dom_Phillips" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Dom Phillips</a>, assassinado na divisa da Terra Indígena Vale do Javari (Amazonas) em 2022. Semanas antes de ser assassinado <a href="https://amazoniareal.com.br/emboscada-vale-javari/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">numa emboscada</a> junto com o indigenista Bruno Pereira , Dom visitou a aldeia Apiwtxa para documentar o que considerava um dos modelos mais bem-sucedidos de conservação ambiental e soberania indígena do planeta.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A experiência veio a compor os capítulos do seu livro póstumo, <em>Como Salvar a Amazônia</em>, no qual aponta o reflorestamento e a vigilância indígena como as barreiras mais eficazes contra o colapso da floresta. Anos após a partida de Dom, o avanço implacável das estradas madeireiras a menos de 10 quilômetros da aldeia prova que o santuário que ele tentou mostrar ao mundo segue sob cerco máximo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Numa noite de céu aberto sobre o rio Amônia, a <strong>Amazônia Real</strong> presencia os Ashaninka sentados em meia lua para compartilhar a ayahuasca (kamarãpe). Preparada por anciãos e jovens , o cipó &#8220;hararpe&#8221; é cozido com a folha da &#8220;horowa&#8221; e apurado por cerca de seis horas. Esse momento representa o encerramento de um ciclo que começa no roçado e&nbsp; termina na noite conectando homem, natureza e território. O que durante o dia defendem com mapas, denúncias e expedições, à noite confirmam com o ritual: este lugar é deles, e eles são este lugar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Wewito Piyãko resume a ameaça da forma mais simples possível. &#8220;As pessoas ficam pensando que está longe. Mas não está. Chegou no nosso limite, chegou aqui. O rio que sai daqui vai morrer no mar.&#8221; E o que acontece com ele no caminho, nas cabeceiras peruanas cercadas por concessões, nas aldeias sem Funai, nas fronteiras onde o crime tenta entrar, é uma decisão que, no momento, o Estado brasileiro ainda não fez.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Dom Philips e os Ashaninka shorts" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/a8v1AJGx1TQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>





<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O que diz a Funai</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Em nota, a <a href="https://www.gov.br/funai/pt-br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Funai</a> reconheceu que a abertura de estradas e o avanço de empreendimentos perto da fronteira &#8220;podem aumentar riscos&#8221; de invasões, extração ilegal de recursos naturais e tráfico de drogas, mas afirmou que mantém articulação com outros órgãos de segurança e fiscalização. Sobre a TI Kampa do rio Amônia, disse não ter sido &#8220;oficialmente acionada&#8221; sobre denúncios de garimpo ilegal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Fundação afirmou que atua de forma permanente na proteção territorial dos povos indígenas do Vale do Juruá através da Coordenação Regional do Juruá, criada em 2012. Sobre a decisão judicial, disse estar fortalecendo sua força de trabalho com a adesão ao <a href="https://www.gov.br/gestao/pt-br/concursonacional/concurso-publico-nacional-unificado-1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Concurso Público Nacional Unificado de 2024</a> — mais de 750 vagas, atualmente na terceira convocação — e a contratação de 155 temporários para a Frente de Proteção Etnoambiental Envira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, informou que participa, com o <a href="https://portaldatransparencia.gov.br/orgaos-superiores/84000-ministerio-dos-povos-indigenas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ministério dos Povos Indígenas</a> e o <a href="https://www.gov.br/mre/pt-br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Itamaraty</a>, das tratativas para um Memorando de Entendimento Brasil-Peru sobre proteção de povos indígenas na fronteira, &#8220;em fase final de formalização&#8221;, mas não informou uma data para essa assinatura.</p>





<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Jovens Ashaninka e o legado ancestral" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/Mtvut0kSGIU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: Os textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência Amazônia Real estão licenciados com uma<a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nd/4.0/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional&nbsp;</a>(CC BY ND 4.0), e podem ser republicados na mídia: jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura; com o crédito do autor e da agência&nbsp;Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença e precisam de autorização dos autores.</em></p>





<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Piauí também exporta minério de ferro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 18:08:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[A Amazônia segundo Lúcio Flávio Pinto]]></category>
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		<category><![CDATA[Rafael Fonteles]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com as obras da primeira fase em estágio avançado, a expectativa é que o início das exportações marque uma nova etapa no desenvolvimento logístico e econômico do Piauí.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O governador do Piaú, Rafael Fonteles, visitou, na última sexta-feira (19), as instalações do Terminal de Uso Privado (TUP) de Luís Correia, no litoral piauiense, onde acompanhou os preparativos para o início da primeira operação de exportação de minério de ferro pelo Porto Piauí. A carga terá como destino a China e representa um marco para a logística e a economia do estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porto Piauí e a contagem regressiva para início da exportação de minério de ferro para a China.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a visita, o governador percorreu a área de armazenamento do minério de ferro, que já recebe carregamentos diariamente. Segundo o Governo do Estado, cerca de 100 rodotrens chegam ao terminal todos os dias para compor a carga que será embarcada na primeira operação internacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A previsão é que mais de 110 mil toneladas de minério sejam exportadas na operação inaugural, consolidando o início das atividades comerciais do empreendimento portuário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A logística adotada utilizará o sistema de transbordo de graneis entre embarcações. Inicialmente, um navio de menor porte, com capacidade para aproximadamente 9 mil toneladas, transportará a carga do terminal até uma embarcação de maior porte em alto-mar. O navio principal será responsável pelo transporte internacional até o mercado asiático.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de acompanhar a estrutura de armazenamento, Rafael Fonteles vistoriou as obras da plataforma operacional que receberá os navios e destacou que a exportação de minério de ferro representa apenas a primeira etapa do projeto de expansão do Porto Piauí.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O complexo portuário também prevê a implantação de novos terminais voltados para movimentação de contêineres, fertilizantes e industrialização do pescado. As obras dessas estruturas seguem em andamento e fazem parte da estratégia de ampliação da capacidade logística do litoral piauiense.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a agenda, o governador também visitou o Terminal Pesqueiro, que deverá fortalecer a cadeia produtiva da pesca na região por meio do beneficiamento e processamento da produção local, agregando valor ao setor e ampliando oportunidades econômicas para pescadores e empreendedores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A visita incluiu ainda a apresentação da estrutura de fiscalização e monitoramento instalada no porto, que conta com atuação integrada de órgãos como Receita Federal, Polícia Federal, Marinha do Brasil e demais instituições responsáveis pelo controle e segurança das operações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com as obras da primeira fase em estágio avançado, a expectativa é que o início das exportações marque uma nova etapa no desenvolvimento logístico e econômico do Piauí, ampliando a inserção do estado no mercado internacional e fortalecendo sua infraestrutura de transporte e comércio exterior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte:&nbsp;<strong>Revista40graus</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Garimpo no rio Abacaxis: uma década de exploração e contaminação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Nunomura]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 13:56:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No início de junho, a Justiça Federal tornou réus 13 pessoas envolvidas no Filão do Abacaxis, acatando ação penal do MPF. O garimpo na Flona Urupadi, no Amazonas, deixou rastro de degradação ambiental e violações de direitos humanos.</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus (AM)</strong> &#8211; Há mais de uma década, moradores das comunidades ribeirinhas e indígenas do rio Abacaxis, afluente do rio Madeira, no Amazonas, convivem com o medo de ameaças, da água contaminada e de que o garimpo ilegal nunca pare de avançar sobre a Floresta Nacional Urupadi, localizada na parte sul do município de Maués (a 267 km de Manaus). Desde 2018, moradores destas áreas denunciam ao Ministério Público Federal (MPF), por meio da Associação Nova Esperança do Rio Abacaxis (Anera), a atividade clandestina e de grande impacto no Filão do Abacaxis. </p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Sai um comando do garimpo, entra outra milícia. Depois há uma operação, essa milícia sai e outra tenta voltar. É algo sistêmico”, diz o psicólogo Fábio Cunha Coêlho, um dos fundadores da associação, à Amazônia Real.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O esforço em denunciar não foi em vão. A Justiça Federal do Amazonas <a href="https://www.mpf.mp.br/o-mpf/unidades/pr-am/noticias/mpf-denuncia-organizacao-criminosa-por-esquema-milionario-de-garimpo-ilegal-em-area-de-conservacao-no-am" target="_blank" rel="noreferrer noopener">tornou réus, no início deste mês</a>, 13 pessoas apontadas como integrantes da organização criminosa que extraiu, sem autorização, 71 quilos de ouro da Flona de Urupadi, uma unidade de conservação federal. O esquema movimentou mais de 258 milhões de reais e, segundo o MPF, submeteu trabalhadores a condições análogas à escravidão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os réus são oito homens e cinco mulheres do Pará, de Mato Grosso, de Rondônia, do Piauí e do Amazonas. Um dos epicentros do esquema era a cidade paraense de Itaituba, onde um dos réus possuía uma joalheria utilizada para o comércio do ouro ilegal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre o dano ambiental causado dentro da unidade de conservação, a ação penal afirma: “A Flona Urupadi é um espaço territorial especialmente protegido, que abriga uma das regiões mais ricas em biodiversidade do mundo, com estimativa de 800 espécies de aves e alto grau de endemismo de primatas . A exploração ilegal nesta área causou a degradação de milhares de hectares e um dano socioambiental estimado em mais de R$ 267.061.361, ferindo a integridade de bioma com proteção constitucional reforçada”, diz trecho da ação penal obtida pela <strong>Amazônia Real</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Registros da exploração ilegal de ouro na região <a href="https://www.ihu.unisinos.br/noticias/547516-exploradores-movimentaram-r-30-milhoes-com-mineracao-irregular-no-amazonas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">remontam a 2015</a>, quando a Polícia Federal (PF) deflagrou a<a href="https://www.ihu.unisinos.br/noticias/547516-exploradores-movimentaram-r-30-milhoes-com-mineracao-irregular-no-amazonas" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Operação Filão dos Abacaxis</a>, para desarticular os criminosos do esquema milionário de garimpo na Flona de Urupadi. As investigações apontaram que cerca de 70 hectares de floresta foram devastados pela atividade garimpeira, com sinais de contaminação do solo por mercúrio e cianeto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A denúncia aceita pela Justiça é resultado de investigações mais recentes sobre a atividade criminosa do garimpo. <a href="https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/noticias/2024/03/pf-prende-o-ultimo-alvo-de-operacao-contra-garimpo-ilegal" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Na Operação Déjà Vu</a>, em 2023, a PF cumpriu seis mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão em Manaus e Nova Olinda do Norte (AM), Itaituba (PA), Goiânia (GO) e Campo Grande (MS), além de determinar o bloqueio de bens e valores dos investigados. À época, o dano ambiental provocado pelo garimpo foi estimado em mais de 430 milhões de reais, valor recalculado nos anos seguintes conforme novas perícias.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/UCS-AMAZONAS-FLONA-URAPADI_FOTO-DANIEL-BELTRA-GREENPEACE-2-slide.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/UCS-AMAZONAS-FLONA-URAPADI_FOTO-DANIEL-BELTRA-GREENPEACE-2-slide-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-174134" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/UCS-AMAZONAS-FLONA-URAPADI_FOTO-DANIEL-BELTRA-GREENPEACE-2-slide-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/UCS-AMAZONAS-FLONA-URAPADI_FOTO-DANIEL-BELTRA-GREENPEACE-2-slide-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/UCS-AMAZONAS-FLONA-URAPADI_FOTO-DANIEL-BELTRA-GREENPEACE-2-slide-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/UCS-AMAZONAS-FLONA-URAPADI_FOTO-DANIEL-BELTRA-GREENPEACE-2-slide-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/UCS-AMAZONAS-FLONA-URAPADI_FOTO-DANIEL-BELTRA-GREENPEACE-2-slide-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/UCS-AMAZONAS-FLONA-URAPADI_FOTO-DANIEL-BELTRA-GREENPEACE-2-slide.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Floresta Nacional Reserva Urupadi, em Maués (AM),  tem garimpo ilegal é ameaçada de ser reduzida (Foto Daniel Beltrá/Greenpeace/2017).</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Desde então, foram realizadas outras quatro operações policiais e fiscalizatórias na área: Aurum,<a href="https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/noticias/2024/04/pf-icmbio-mpe-e-mpt-combatem-garimpo-ilegal-e-trabalho-analogo-a-escravidao-no-am" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Mineração Obscura</a>, Mineração Obscura 2 e Barões do Filão, esta última é a mais recente e foi deflagrada em agosto de 2025.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na<a href="https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/noticias/2025/08/pf-mira-organizacao-criminosa-que-explora-garimpo-ilegal-no-amazonas" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Operação Barões do Filão</a>, os agentes identificaram, além do garimpo ilegal, crimes correlatos como lavagem de dinheiro e exploração de 50 trabalhadores em condição análoga à escravidão. Os policiais federais cumpriram 4 mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão em residências dos investigados, localizadas em Itaituba e Novo Progresso (PA), Sinop (MT), Porto Velho (RO) e Regeneração (PI). Também foi decretado o sequestro de bens e bloqueio de ativos de até 74.110.528 de reais, quantia calculada com base no dano ambiental atribuído a essa fase da investigação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora o foco da exploração fosse a Flona Urupadi, os impactos do garimpo ultrapassaram os limites da unidade de conservação e atingiram comunidades ribeirinhas e indígenas localizadas nas cidades de Borba e Nova Olinda do Norte, vizinhas de Maués. Os territórios indígenas afetados são a aldeia Terra Preta, do povo Maraguá, que não é demarcada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), e a TI Kwatá Laranjal, do povo Munduruku.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fábio Cunha destacou a chegada das operações da PF, sobretudo por ter havido um aumento da estrutura empregada nas ações, com helicópteros, lanchas e recursos de inteligência. Mas ele espera que os efeitos sejam duradouros.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A organização criminosa</strong></h4>



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        </div>
        
    </div>
</div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme as investigações, no topo da organização criminosa está o atual líder do garimpo, que teria assumido o comando após a prisão do antigo chefe, na <a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2023/04/19/pf-faz-operacao-no-sul-do-amazonas-contra-garimpo-ilegal.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Operação Déjà Vu</a>, em 2023. Segundo o MPF, mesmo sem ir até a área de extração, ele coordenava as atividades à distância: arrendava os poços de mineração a outros integrantes do grupo e recebia parte do ouro produzido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A investigação apontou que os chamados sócios-arrendatários administravam os poços de extração, supervisionavam trabalhadores e mantinham a logística da atividade garimpeira. Cadernos de contabilidade apreendidos pela&nbsp; PF durante a Operação Mineração Obscura 2, em fevereiro de 2025, registraram a produção de cada frente de exploração e a divisão dos lucros entre os envolvidos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já o núcleo financeiro da organização é formado por familiares e pessoas próximas aos principais investigados. Conforme o MPF, empresas formalmente registradas e pessoas físicas eram utilizadas como “laranjas” e o montante de recursos movimentado era incompatível com a renda declarada de seus proprietários, uma clara tentativa de ocultar a origem ilícita do dinheiro obtido com os lucros do garimpo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns dos acusados também foram apontados pelo Ministério Público do Trabalho (MTE) como responsáveis pela submissão de dezenas de trabalhadores a <a href="https://www.metropoles.com/colunas/mirelle-pinheiro/baroes-do-ouro-garimpo-ilegal-movimentou-r-74-milhoes-com-escravidao" target="_blank" rel="noreferrer noopener">condições análogas à escravidão.</a> Os profissionais cumpriam jornadas exaustivas em turnos de 24 horas de trabalho por 24 horas de descanso e eram obrigados a manusear substâncias altamente tóxicas (mercúrio e cianeto) sem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O lançamento de rejeitos com mercúrio e cianeto contaminou os igarapés da bacia do rio Abacaxis. Segundo o Relatório do MTE, o minério era moído até virar areia fina, de onde o ouro era extraído com auxílio de mercúrio. Estima-se que 8.540,53 gramas de mercúrio foram convertidos em metilmercúrio e incorporados à cadeia trófica, expondo cerca de 67.370 pessoas ao risco de contaminação em um raio de 100 km”, afirmou a ação penal do MPF.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os trabalhadores do garimpo não eram livres, pois dependiam de prévia autorização do “dono”, o que, segundo a ação penal, evidencia o controle absoluto sobre a locomoção dos empregados. Em dezembro de 2025,<a href="https://www.riosdenoticias.com.br/garimpeiros-morrem-apos-desabamento-de-galeria-na-divisa-entre-amazonas-e-para/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> três trabalhadores morreram no garimpo</a> após o desabamento de uma galeria subterrânea.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Operacao-Mineracao-Obscura-Imagem-Ascom-PF-d.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="336" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Operacao-Mineracao-Obscura-Imagem-Ascom-PF-d-1024x336.jpg" alt="" class="wp-image-174177" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Operacao-Mineracao-Obscura-Imagem-Ascom-PF-d-1024x336.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Operacao-Mineracao-Obscura-Imagem-Ascom-PF-d-300x98.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Operacao-Mineracao-Obscura-Imagem-Ascom-PF-d-768x252.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Operacao-Mineracao-Obscura-Imagem-Ascom-PF-d-1536x504.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Operacao-Mineracao-Obscura-Imagem-Ascom-PF-d-150x49.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Operacao-Mineracao-Obscura-Imagem-Ascom-PF-d.jpg 1958w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Operação Mineração Obscura 2 da Polícia Federal na região do rio Abacaxis, no Amazonas (Foto: Ascom PF).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em janeiro deste ano, ​o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin,<a href="https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2026/05012026-Mantida-ordem-de-prisao-preventiva-contra-acusado-de-liderar-exploracao-de-garimpo-ilegal-no-Amazonas.aspx" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> negou pedido liminar</a> para revogação de prisão preventiva decretada contra um homem investigado no âmbito da Operação Barões do Filão. Segundo o Ministério Público, o homem seria um dos principais articuladores da extração e da comercialização ilícitas do ouro, exercendo papel de proprietário e administrador do garimpo clandestino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a aceitação da denúncia pela Justiça Federal, os acusados responderão pelos crimes apontados pelo MPF, entre eles&nbsp; usurpação de bens da União, organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, redução à condição análoga à de escravo, crimes ambientais e posse ilegal de arma de fogo.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Saúde e segurança alimentar</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/04/BK01-49.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/04/BK01-49-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-159427" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/04/BK01-49-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/04/BK01-49-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/04/BK01-49-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/04/BK01-49-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/04/BK01-49-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/04/BK01-49.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Uma criança indígena do povo Maraguá é vista observando o rio Abacaxis na aldeia Terra Preta, entre Borba e Nova Olinda do Norte (Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real).</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Uma liderança da Associação Nova Esperança do Rio Abacaxis (Anera) contou à <strong>Amazônia Real</strong>, em condição de anonimato por medo de ameaças, que a atividade garimpeira modificou a rotina das comunidades e trouxe preocupações constantes com relação à qualidade da água, a saúde, a pesca e a segurança alimentar dos moradores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Com a vinda do garimpo, observamos o impacto ambiental que está causando dentro do rio, sendo um deles o uso de substâncias químicas tóxicas para extração do ouro. Isso afeta a vida aquática dos animais e das pessoas que consomem essa água. A poluição da água é uma das maiores preocupações”, descreveu ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo apresentado na ação penal do MPF relata que entre os possíveis efeitos à saúde estão os riscos graves de infarto e sintomas neuropsicológicos, além da perda de QI em cerca de 33% dos nascidos vivos na região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A liderança tem expectativa de que as operações de fiscalização se tornem permanentes. Embora reconheça que seja difícil eliminar completamente o garimpo ilegal devido às riquezas minerais existentes na região do rio Abacaxis, ele acredita que a atuação contínua do poder público pode reduzir os impactos da atividade. &#8220;Esperamos que o poder público sempre faça essas ações. Sabemos que é difícil parar totalmente essas atividades, mas, se houver fiscalização constante, pelo menos será possível minimizar essa situação&#8221;, afirmou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O rio Abacaxis é uma área de forte pressão de atividades ilícitas, tais como pesca e caça ilegal. Há também registros de tráfico de drogas e exploração de madeira. A atividade garimpeira sempre fez parte de relatos locais há anos. A área, em 2020, ficou marcada pelo episódio violento que ficou conhecido como <a href="https://amazoniareal.com.br/especiais/era-uma-agua-de-cadaver/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Massacre do Rio Abacaxis.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aliciamento e ameaças</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rio-abacaxis-Ibama-4.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rio-abacaxis-Ibama-4-1024x768.jpeg" alt="" class="wp-image-174110" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rio-abacaxis-Ibama-4-1024x768.jpeg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rio-abacaxis-Ibama-4-300x225.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rio-abacaxis-Ibama-4-768x576.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rio-abacaxis-Ibama-4-150x113.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rio-abacaxis-Ibama-4.jpeg 1428w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Agente do Ibama conversa com moradores das comunidades na região do rio Abacaxis, em 2025, durante operação (Foto cedida por Fábio Cunha Coêlho).</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fábio Cunha Coêlho relatou à Amazônia Real que as invasões na Flora Urupadi culminaram no aliciamento de pessoas da própria região para trabalhar no garimpo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Pessoas são contratadas com as suas embarcações para levar combustível, levar produtos, levar alimentação, para levar e trazer pessoas no garimpo. Havia também uma suspeita de que fora o garimpo, tinha a questão do tráfico, porque houve aumento do consumo de entorpecentes como maconha do tipo skunk. Começamos esse processo de solicitar e pedir socorro devido aos relatos que os ribeirinhos traziam para nós”, disse o psicólogo à <strong>Amazônia Real</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O avanço do garimpo também trouxe um cenário de insegurança para moradores das comunidades do rio Abacaxis. Segundo Fábio, lideranças ribeirinhas, indígenas e colaboradores que auxiliaram nas denúncias passaram a sofrer intimidações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos casos envolveu um jovem indígena que atuava como guia durante as expedições das autoridades à região e recebeu ameaças para abandonar o trabalho. &#8220;Justamente porque alguns garimpeiros residem em Nova Olinda [do Norte], falaram que estava ficando perigoso para ele e que precisava parar&#8221;, contou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após o episódio, os moradores das comunidades foram afastados das ações em campo, e a própria PF passou a conduzir as operações com maior autonomia, utilizando tecnologias como GPS para mapear a área.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Nenhum dos envolvidos na cadeia de comercialização possuía autorização da Agência Nacional de Mineração (ANM) para a compra de ouro de garimpo. A legislação vigente exige que as operações de primeira aquisição sejam realizadas exclusivamente por instituições autorizadas, mediante emissão de nota fiscal que identifique a origem do mineral e comprove o recolhimento dos tributos devidos”, sustenta o MPF na ação penal.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/04/BK01-46.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/04/BK01-46-1024x768.jpg" alt="" class="wp-image-159424" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/04/BK01-46-1024x768.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/04/BK01-46-300x225.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/04/BK01-46-768x576.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/04/BK01-46-1536x1152.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/04/BK01-46-150x113.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2025/04/BK01-46.jpg 1777w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Vista aérea do rio Abacaxis, na área da aldeia Terra Preta, do povo Maraguá</em>. <em>(Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real).</em></figcaption></figure>



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<p class="wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: Os textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência Amazônia Real estão licenciados com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional e podem ser republicados na mídia: jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura; com o crédito do autor e da agência Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença.</em>,</p>





<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>A crise do Cerrado em revisão: – 9. O papel das terras indígenas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 23:11:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os povos indígenas habitam o Cerrado há milênios e são parte intrínseca de seu ecossistema. A presença dos povos indígenas hoje não é uma força externa que altera a paisagem, mas sim um componente fundamental de seu equilíbrio. Leia mais no artigo.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Cássio Cardoso Pereira, Walisson Kenedy-Siqueira, Lara Ribeiro Maia, Vinícius da Fontoura Sperandei, Lucas Arantes-Garcia, Stephannie Fernandes, Gabriela França Carneiro Fernandes, Domingos de Jesus Rodrigues, Rodolfo Salm e Philip M. Fearnside</strong></p>





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<p class="wp-block-paragraph">Os povos indígenas influenciam a região do Cerrado há milhares de anos, provavelmente desde sua chegada à América do Sul [1]. Inicialmente, podem ter desempenhado um papel significativo na extinção de grande parte da megafauna que outrora habitava a área, embora alguns estudiosos atribuam essas extinções principalmente às mudanças climáticas após o período glacial [2]. Desde então, práticas indígenas como o manejo do fogo e a agricultura tradicional têm tido um impacto notável na estrutura da vegetação, sustentando a diversidade de plantas e animais que sobreviveram àquela primeira onda de extinção [3]. Suas estratégias de manejo da terra também contribuíram para a expansão dos ecossistemas de savana sobre áreas florestais, moldando o Cerrado como o conhecemos hoje.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora essas transformações ecológicas históricas continuem sendo debatidas academicamente, uma verdade inegável persiste: os povos indígenas habitam o Cerrado há milênios e são parte intrínseca de seu ecossistema. Quando o Brasil foi colonizado pelos europeus, comunidades indígenas já estavam estabelecidas por todo o Cerrado, que permaneceu completamente preservado. O Cerrado, com mais de 2 milhões de km²,estava intacto, intocado pela exploração em larga escala. A presença dos povos indígenas hoje não é uma força externa que altera a paisagem, mas sim um componente fundamental de seu equilíbrio. Diferentemente das práticas de caça exploratórias motivadas por interesses comerciais, a caça indígena é realizada para a sobrevivência, guiada por tradições culturais e conhecimento ecológico que garantem a sustentabilidade das espécies locais. Qualquer narrativa que sugira que os povos indígenas iniciaram a degradação ambiental ou contribuíram para a devastação do Cerrado é enganosa. Em vez de serem disruptores, eles têm sido seus guardiões [4-6], mantendo uma profunda conexão com a terra e preservando sua biodiversidade por milhares de anos [4].</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante um longo período após a chegada dos portugueses ao litoral brasileiro em 1500 d.C., os efeitos da colonização permaneceram em grande parte confinados à região da Mata Atlântica [7]. Essa dinâmica começou a mudar com a expansão da mineração de ouro e pedras preciosas, seguida pelo surgimento da pecuária nos séculos XVIII e XIX. No entanto, a transformação mais profunda do Cerrado ocorreu em meados do século XX, quando a capital do Brasil foi transferida para o Planalto Central, no coração do Cerrado. O consequente influxo de tecnologias agrícolas para a produção em larga escala de soja, introduzidas por agricultores das regiões Sul e Sudeste do país, acelerou a mudança ambiental, empurrando as fronteiras agrícolas para o interior dos territórios indígenas e desencadeando consequências devastadoras para essas comunidades [8].</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dessas crescentes pressões, os direitos territoriais indígenas permaneceram amplamente negligenciados até 1988, quando a atual Constituição Federal brasileira foi adotada, determinando a redefinição de todas as terras indígenas em um prazo de cinco anos. Contudo, esse processo politicamente contencioso permanece incompleto, deixando muitos territórios em estado de incerteza [5]. Atualmente, cerca de 100.000 indígenas de pelo menos 83 grupos étnicos diferentes habitam o Cerrado [9], distribuídos em cerca de 109 territórios reconhecidos — a maioria deles sobrepondo-se a grandes áreas contínuas da fronteira Cerrado-Amazônia — em uma área de aproximadamente 8.800.000 hectares, ou seja, 4,4% da área que originalmente constituía Cerrado, além de outras áreas reivindicadas e regularizadas (Fig. 5C). Embora sua presença na região esteja profundamente enraizada, uma parte significativa dessas terras ainda não recebeu pleno reconhecimento legal, expondo as comunidades indígenas a disputas territoriais contínuas e ameaças ambientais, particularmente o movimento contínuo de desmatadores e grileiros que foram expulsos da Amazônia e estão invadindo terras na fronteira Amazônia-Cerrado [10, 11].</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ações legislativas recentes do Congresso brasileiro exacerbaram essa crise. A lei do &#8220;Marco Temporal&#8221; (Lei nº 14.701, de 20/10/2023, ver [12]) estipula que somente os povos indígenas que comprovarem a ocupação de seus territórios na época da Constituição de 1988 terão direito a essas terras. Essa política representa um obstáculo significativo ao reconhecimento de novas terras indígenas, particularmente em regiões onde a ocupação por invasores não indígenas foi intensa no início e meados do século XX. Ao mesmo tempo, propostas apoiadas pelo agronegócio buscam legalizar grandes plantações de soja e fazendas de gado em terras indígenas. Se aprovadas, essas medidas correm o risco de transformar esses territórios em extensões da agricultura industrial, acelerando a perda de biodiversidade, enfraquecendo a resiliência ecológica do Cerrado [5] e reduzindo o tamanho dos territórios indígenas [13]. [14]</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Notas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">[1] Araujo AGM, Neves WA, Kipnis R (2012) <a href="https://doi.org/10.7183/1045-6635.23.4.533">Lagoa Santa Revisited: An Overview of the Chronology, Subsistence, and Material Culture of Paleoindian Sites in Eastern Central Brazil.</a> <em>Latin American Antiquity</em>23: 533–550. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[2] Barnosky AD, Lindsey EL (2010) <a href="https://doi.org/10.1016/j.quaint.2009.11.017">Timing of Quaternary megafaunal extinction in South America in relation to human arrival and climate change.</a> <em>Quaternary International</em> 217: 10–29. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[3] Antonelli A (2023) <a href="https://doi.org/10.1038/d41586-023-00021-4">Indigenous knowledge is key to sustainable food systems</a>. <em>Nature</em> 613: 239–242. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[4] Resende FM, Cimon-Morin J, Poulin M, Meyer L, Joner DC, Loyola R (2021) <a href="https://doi.org/10.1016/j.ecoser.2021.101282">The importance of protected areas and Indigenous lands in securing ecosystem services and biodiversity in the Cerrado. </a><em>Ecosystem Services</em> 49: 101282. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[5] Lima DJ, Silva P, de Marco Júnior P (2024) <a href="https://doi.org/10.1016/j.biocon.2024.110739">Evaluating the ecological and climate contributions of indigenous lands under the Marco Temporal law in Brazil</a>. <em>Biological Conservation</em> 297: 110739.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[6] Virtanen PK, Gonzaga Roa A, Fernández-Llamazares Á, Apurinã F, Facundes S (2025) <a href="https://doi.org/10.1038/s43247-025-02174-8">Indigenous governance and relationality have effectively avoided forest loss in the Southwest Amazon</a>. <em>Communications Earth &amp; Environment</em> 6: 289. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[7] Jepson W, Brannstrom C, Filippi A (2010) <a href="https://doi.org/10.1080/00045600903378960">Access Regimes and Regional Land Change in the Brazilian Cerrado, 1972–2002. </a><em>Annals of the Association of American Geographers</em> 100: 87–111. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[8] Klink CA, Machado RB (2005) <a href="https://doi.org/10.1111/j.1523-1739.2005.00702.x">Conservation of the Brazilian Cerrado</a>. <em>Conservation Biology</em> 19: 707–713. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[9] <a href="https://indigenas.ibge.gov.br/">IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)</a> (2023) Indígenas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[10] Begotti RA, Peres CA (2019) <a href="https://doi.org/10.1126/science.aaw3864">Brazil’s indigenous lands under threa</a>t.<em> Science</em> 363: 592–592. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[11] Pereira CC, Fernandes S, Kenedy-Siqueira W, Negreiros D, Fernandes GW, Fearnside PM (2024a) <a href="https://doi.org/10.1093/biosci/biae063">Brazil’s Cerrado cannot be a sacrifice zone for the Amazon: Financial assistance and stricter laws are needed.</a> <em>Bioscience</em> 74: 584–585. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[12] PR (Presidência da República) (2023) <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14701.htm">Lei nº 14.701, de 20 de outubro de 2023</a>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[13] Portela RC, Menezes Júnior EED, Silva SDE (2024) <a href="https://doi.org/10.1590/0101-6628.418">Marco temporal: O projeto político do agronegócio e a ameaça aos direitos dos povos indígenas. </a><em>Serviço Social &amp; Sociedade</em> 147: e-6628418. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[14] Este texto é traduzido de: Pereira, C.C., W. Kenedy-Siqueira, L.R. Maia, V.F. Sperandei, L. Arantes-Garcia, S. Fernandes, G.F.C. Fernandes, G.C. de Castro, D.J. Rodrigues, R. Salm &amp; P.M. Fearnside. 2026. <a href="https://doi.org/10.3897/natureconservation.61.168273">The Cerrado crisis review: highlighting threats and providing future pathways to save Brazil&#8217;s biodiversity hotspot. </a><em>Nature Conservation</em> 61: 29–70. <a href="https://doi.org/10.3897/natureconservation.61.168273.suppl1">Supplementary material</a>. </p>





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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cássio Cardoso Pereira </strong>é doutor em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestre em Ecologia pela Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), e graduado em Ciências Biológicas (Ênfase em Conservação da Biodiversidade) pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atua como docente colaborador e orientador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PGE) da UFSJ. Possui reconhecimento da Web of Science em 2025 pela autoria de 25 publicações científicas como primeiro autor, todas alcançadas até o primeiro ano após a obtenção do título de doutor em Ecologia, como cientista em início de carreira. Atualmente, é editor de área das revistas científicas BioScience (IF = 8.4), Biotropica (IF = 1.7), e Nature Conservation (IF = 1.7). Seus principais interesses de pesquisa incluem conservação da biodiversidade, fenologia, fitossociologia, interações entre artrópodes e plantas, e mudanças climáticas. Para mais informações, acesse:&nbsp;https://cassiocardosopereira.com&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Walisson Kenedy Siqueira </strong>possui graduação e mestrado ciências biológicas pela Universidade Estadual de Montes Claros em doutor em ecologia, manejo e conservação da vida silvestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É integrante do Laboratório de Ecologia, Evolução e Biodiversidade da UFMG e do Knowledge Center for Biodiversity &amp; Departamento de Genética, Ecologia e Evolução. Tem experiência na área ecologia de comunidades, interação inseto-planta e ecologia de sementes. <strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lara Ribeiro Maia </strong>é Técnica em Administração pelo Instituto Federal de Minas Gerais &#8211; Campus Sabará e atualmente é Graduanda em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse na área de ecologia, animais silvestres, educação ambiental, impactos ambientais e micologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Vinícius da Fontoura Sperandei </strong>possui licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de São João del Rei, mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de São João del Rei e doutorado em Ciências pelo Programa em Ecologia e Recursos Naturais da Universidade Federal de São Carlos. Atualmente é professor da Universidade de Rio Verde. Suas pesquisas são na área de Ecologia, principalmente sobre herpetofauna e ecologia subterrânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lucas Arantes-Garcia </strong>possui graduação em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente está na Escola de Ciências e Meio Ambiente, Memorial University of Newfoundland, Corner Brook, NL, Canadá. Possui interesse em invasões biológicas, serviços ecossistêmicos, valoração ambiental, mudanças globais e interações inseto-planta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Stephannie Fernandes</strong><sup> </sup>é aluna de doutorado na Florida International University, Miami, FL, E.U.A. As suas pesquisas estão na área de ecologia política, visando descobrir como os arranjos institucionais e as diferentes partes interessadas se relacionam com o desenvolvimento e a conservação dos recursos hídricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriela França Carneiro Fernandes </strong>possui licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e atualmente é Mestranda em Ecologia, pela Universidade Federal de São João del Rei. Ela participa do projeto de pesquisa “Ecossistemas de Referência”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Domingos de Jesus Rodrigues </strong>possui graduação em Ciências Biológicas e mestrado em Ecologia e Conservação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e tem doutorado em Biologia (Ecologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. É professor Titular da Universidade Federal de Mato Grosso em Cuiabá. Suas pesquisas focam a biologia reprodutiva de anuros (sapos). É colaborador do Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso, ICMBio, e a Polícia Federal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Rodolfo Aureliano Salm </strong>formou-se em Biologia pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo e fez doutorado em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Atualmente é Professor Adjunto III da Faculdade de Biologia da Universidade Federal do Pará, campus de Altamira. Pesquisa na área de ecologia de ecossistemas, atuando principalmente no estudo da dinâmica natural e da conservação das florestas tropicais. Tem estudado tanto a ecologia quanto o aproveitamento econômico de palmeiras nativas e exóticas na Terra Indígena Kayapó, sul do Pará.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Philip Martin Fearnside</strong>&nbsp;é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis&nbsp;<a href="http://philip.inpa.gov.br/">aqui</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Demora em desintrusão faz crescer tensão na TI Cachoeira Seca, dos Arara</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaíze Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2026 19:23:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>STF determina que União apresente em 90 dias o plano de retirada de invasores que ameaçam os indígenas Arara, no Pará.  Lideranças alertam que estão recebendo ameaças e que estão sendo asseadiadas por políticos e fazendeiros. Ministério dos Povos Indígenas afirma que já prepara o plano de desintrusão.</p>
<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/demora-em-desintrusao-faz-crescer-tensao-na-ti-cachoeira-seca-dos-arara/">Demora em desintrusão faz crescer tensão na TI Cachoeira Seca, dos Arara</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Brasília (DF) &#8211;</strong> “Até a Funai está com medo. A Funai faz a fogueira, joga a gente dentro, pra queimar, e fica de fora. Eu posso até contar o que está acontecendo, mas não coloca o meu nome aí. Tenho medo. Os invasores estão furiosos, tem um bocado deles pela estrada”, relata uma liderança da Terra Indígena Cachoeira Seca.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há um clima de terror que toma conta do povo Arara, considerado de recente contato, no sudoeste do Pará, região de impactos causados pela Transamazônica (BR-230) pela Usina Hidrelétrica Belo Monte. Quem afirma é essa liderança, que cobra do governo federal, incluindo a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), agilidade na adoção de medidas para a retirada de invasores não-indígenas do território.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela informou que o temor pela escalada da violência é cada vez mais real desde que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou à União que apresente, em 90 dias, o plano de desocupação de invasores da TI Cachoeira Seca, a chamada “desintrusão” da área.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">À <strong>Amazônia Real</strong>, na última sexta-feira (19/6), o MPI disse pela primeira vez que entregará ao STF o plano para a retirada de não-indígenas e cumprirá o prazo e as decisões do ministro. O ministério afirma que estão sendo tomadas medidas para a prevenção de conflitos e proteção da integridade física das comunidades indígenas. E que órgãos do governo federal já estão realizando levantamentos técnicos, jurídicos e operacionais que subsidiarão o plano que será apresentado pela União ao STF nas próximas semanas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas enquanto a desintrusão continua como uma promessa, lideranças femininas do povo Arara estão sendo assediadas e passaram a ser alvo de tentativas de cooptação por políticos e fazendeiros locais. A reportagem apurou que muitos deles chegam a propor levá-las a Brasília para “uma mesa de conciliação”, sem uma proposta clara sobre o objetivo desta agenda.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O prazo dado por Fachin ao governo federal conta a partir da assinatura, em 28 de maio, da Arguição de&nbsp; Descumprimento de Preceito Fundamental (<a href="https://portal.stf.jus.br/processos/downloadPeca.asp?id=15387627380&amp;ext=.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ADPF) 991</a>, da qual o ministro é relator, que trata da proteção dos territórios ocupados por Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (PIIRC). A determinação responde à manifestação feita ao STF pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), assinada em 19 de dezembro de 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um grupo não-indígena tem espalhado vídeos mostrando reuniões na TI Cachoeira Seca dizendo que trabalhadores estão na área há 50 anos. Em tom de provocação, os relatos dos invasores afirmam que são “gente produtora”, e que “com o governo não tem conversa”, pois querem “leiloar a terra pra grandes grandes multinacionais”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estão presentes também deinformações sobre a presença de indígenas no território, alegando que &#8220;aqui não tem índio&#8221; e citam que levaram “12 caciques da Apyterewa para a porta do Supremo onde gravaram um vídeo dizendo que a área não era deles”. “Vamos provar na Justiça que aqui não é terra de índio” , afirmam em vídeos que a <strong>Amazônia Real</strong> teve acesso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A lembrança da TI Apyterewa soa para os Arara como mais uma ameaça. Apyterewa é habitada pelo povo Parakanã, localizada na mesma região denominada Terra do Meio, onde também está a TI Cachoeira Seca. A área forma um mosaico de 22 milhões de hectares, com florestas que vêm sendo destruídas por madeireiros, garimpeiros e pelo agronegócio, e com mais de duas dezenas de unidades de conservação e territórios de povos originários, habitadas por indígenas por tempos imemoráveis e por ribeirinhos cujas famílias foram levadas para exploração da borracha durante a Segunda Guerra mundial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em dezembro, foi morto em emboscada um trabalhador que prestava apoio à equipe do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) durante a&nbsp; <a href="https://www.gov.br/ibama/pt-br/assuntos/notas/2025/ataque-as-equipes-que-atuam-na-desintrusao-da-ti-apyterewa" target="_blank" rel="noreferrer noopener">desintrusão da Terra Indígena </a>Apyterewa. O ataque foi durante o cumprimento de decisão de desocupação de invasores por decisão judicial também do STF no âmbito da ADPF 709.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Território desmatado&nbsp;</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Desmatamento-Cachoeira-Seca_ate2025_TICS_A5_600DPI-p.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="721" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Desmatamento-Cachoeira-Seca_ate2025_TICS_A5_600DPI-p-1024x721.jpg" alt="" class="wp-image-173909" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Desmatamento-Cachoeira-Seca_ate2025_TICS_A5_600DPI-p-1024x721.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Desmatamento-Cachoeira-Seca_ate2025_TICS_A5_600DPI-p-300x211.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Desmatamento-Cachoeira-Seca_ate2025_TICS_A5_600DPI-p-768x541.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Desmatamento-Cachoeira-Seca_ate2025_TICS_A5_600DPI-p-1536x1082.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Desmatamento-Cachoeira-Seca_ate2025_TICS_A5_600DPI-p-150x106.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Desmatamento-Cachoeira-Seca_ate2025_TICS_A5_600DPI-p.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Mapa do Desmatamento da Cachoeira Seca do Iriri, no Pará.(Foto: ISA).</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em sua decisão, o ministro Edson Fachin enfatiza o aumento acumulado de desmatamento superior a 74 mil hectares até julho de 2025, elevando a TI Cachoeira Seca para o segundo lugar no ranking das terras indígenas mais desmatadas da Amazônia Legal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A decisão expõe um avanço aproximado de 45% no desmatamento entre 2023 e 2024, passando de cerca de 795 para 1.149 hectares, na contramão da tendência de queda observada nas demais terras indígenas da bacia do Xingu, em que se verificou redução geral de 21%.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O argumento da ocupação da terra por &#8220;colonos&#8221; vem desde a <a href="https://acervo.socioambiental.org/acervo/documentos/portaria-n-26-de-220193-declara-de-posse-permanente-indigena-ai-cachoeira-seca" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Portaria 26, do Ministério da Justiça, em 22 de janeiro de 1993</a>, que declarava a “Área Indígena Cachoeira Seca” como “de posse permanente indígena para fins de demarcação”, conforme dossiê do mesmo ano da Comissão Pró-Índio de São Paulo, que denunciava a exploração do território por madeireiros e pecuaristas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A portaria já acarretava a redução das terras originalmente garantidas aos Arara <a href="https://acervo.socioambiental.org/sites/default/files/documents/ARD00099.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(Portaria 1854) </a>em 299.924 hectares. O conflito tinha registros ainda mais antigos, desde que a área foi interditada para proteção territorial, em 1985, onde o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) tinha projeto, desde os anos 1970, de criar um <a href="https://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/pa-povo-arara-da-terra-indigena-cachoeira-seca-luta-por-retirada-de-nao-indios-do-seu-territorio-e-por-fim-de-conflitos-com-os-colonos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">assentamento de colonos em sobreposição aos Arara.</a> Os indígenas já viviam em “correrias” na região, fugindo de ataques por invasores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na ADPF 991, Edson Fachin registra que, há dez anos, a Funai identificou 1.174 ocupações em nome de 1.128 interessados, cujo levantamento de benfeitorias foi encaminhado à Comissão Permanente de Análise de Benfeitorias (CPAB/Funai), na data de homologação da terra indígena (5 de abril de 2016, com 733.688 hectares). O ministro ressalta que, em 2010, a desintrusão já figurava como condicionante estruturante da Licença Prévia da Usina Hidrelétrica Belo Monte (LP nº 342/2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Novas invasões, expansão do desmatamento (cerca de 10% da área total já derrubada), abertura de 586 quilômetros de ramais ilegais desde 2018, avanço de atividades garimpeiras e madeireiras, introdução de rebanhos bovinos e, segundo informações constantes dos autos, ocorrência de parcelamentos irregulares no interior do território”, numera Fachin. E a desintrusão continua ”inexecutada”, acentua.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Massacres constantes</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/RS11604_Merenda-2613_lpr.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="672" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/RS11604_Merenda-2613_lpr-1024x672.jpg" alt="" class="wp-image-173912" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/RS11604_Merenda-2613_lpr-1024x672.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/RS11604_Merenda-2613_lpr-300x197.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/RS11604_Merenda-2613_lpr-768x504.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/RS11604_Merenda-2613_lpr-1536x1008.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/RS11604_Merenda-2613_lpr-150x98.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/RS11604_Merenda-2613_lpr.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Transporte de desmatamento ilegal na estrada que liga Uruará ao porto Maribel, no rio Iriri (PA), muito utilizada para escoamento de madeira retirada ilegalmente, especialmente da Terra Indígena Cachoeira Seca do Iriri (Foto: Lilo Clareto/ISA/2028).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Desde os anos 1970, durante a primeira fase da construção da Transamazônica, passando pelo município de Altamira, os invasores são a principal ameaça à sobrevivência dos Arara, que sofreram massacres contínuos e têm perdido lideranças continuamente, a mais recente em agosto do ano passado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O corpo de Anakia Arara, 22 anos, foi resgatado cerca de três dias depois de ser encontrado na beira do Iriri. Os motivos não foram esclarecidos, mas dizem que ele teria bebido, com oferta de álcool por invasores em troca de pequenos serviços.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Estou cansada de ver pessoas apodrecerem na praia”, <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2025/10/7276039-estou-cansada-de-ver-pessoas-apodrecerem-na-praia-violencia-assola-comunidades-indigenas.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">berrava uma mulher indígena</a>, batendo a borduna na aldeia, no momento em os parentes expressavam sua revolta com a negligência dos órgãos públicos diante das mortes repetidas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2023, Tymbektodem, ex-presidente da Associação Kowit, da Cachoeira Seca, foi encontrado morto também na margem do rio, 16 dias depois de ter discursado na Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, denunciando violências e a presença de 2 mil invasores na Cachoeira Seca. A investigação não foi concluída.&nbsp; Indígenas chegam a estimar 4 mil invasores que circulam livremente em seu território sem nenhum tipo de impedimento.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Reivindicação em Brasília</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/lideranas-do-povo-arara-ti-cachoeira-seca-pa-foram-recebidos-no-mjsp-em-braslia_54877339223_o.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/lideranas-do-povo-arara-ti-cachoeira-seca-pa-foram-recebidos-no-mjsp-em-braslia_54877339223_o-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-173783" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/lideranas-do-povo-arara-ti-cachoeira-seca-pa-foram-recebidos-no-mjsp-em-braslia_54877339223_o-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/lideranas-do-povo-arara-ti-cachoeira-seca-pa-foram-recebidos-no-mjsp-em-braslia_54877339223_o-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/lideranas-do-povo-arara-ti-cachoeira-seca-pa-foram-recebidos-no-mjsp-em-braslia_54877339223_o-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/lideranas-do-povo-arara-ti-cachoeira-seca-pa-foram-recebidos-no-mjsp-em-braslia_54877339223_o-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/lideranas-do-povo-arara-ti-cachoeira-seca-pa-foram-recebidos-no-mjsp-em-braslia_54877339223_o-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/lideranas-do-povo-arara-ti-cachoeira-seca-pa-foram-recebidos-no-mjsp-em-braslia_54877339223_o.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">No inicio de 2026, lideranças do povo Arara integraram uma delegação com cerca de 60 indígenas do Pará e Mato Grosso, que foram à Brasília. (Foto: Adi Spezia | Cimi).</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta semana, um grupo Arara está em Brasília para uma agenda de conversa em órgãos públicos, inclusive na Secretaria-Geral da Presidência da República. A falta de segurança e as ameaças estão entre os principais assuntos. As reuniões estão marcadas para começar nesta terça-feira (23).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As lideranças afirmam que mudaram sua rotina desde a decisão do STF. Deixaram de atender Whatsapp de desconhecidos e foram suspensas grande parte das saídas para compras na sede do município de Uruará, na margem da Transamazônica. Desta área sai diariamente um caminhãozinho com tábuas na carroceria, para transporte de cargas e pessoas por 80 quilômetros de estrada de chão até Maribel, o vilarejo com hospedagens e comércio na beira do Iriri, localizado dentro da TI Cachoeira Seca, onde trafegam grandes caminhões carregando toras de madeira saqueada do território tradicional indígena.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O que dizem as autoridades</strong></h4>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/lideranas-do-povo-arara-ti-cachoeira-seca-pa-foram-recebidos-no-mjsp-em-braslia_54876248347_o.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="656" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/lideranas-do-povo-arara-ti-cachoeira-seca-pa-foram-recebidos-no-mjsp-em-braslia_54876248347_o-1024x656.jpg" alt="" class="wp-image-173772" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/lideranas-do-povo-arara-ti-cachoeira-seca-pa-foram-recebidos-no-mjsp-em-braslia_54876248347_o-1024x656.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/lideranas-do-povo-arara-ti-cachoeira-seca-pa-foram-recebidos-no-mjsp-em-braslia_54876248347_o-300x192.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/lideranas-do-povo-arara-ti-cachoeira-seca-pa-foram-recebidos-no-mjsp-em-braslia_54876248347_o-768x492.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/lideranas-do-povo-arara-ti-cachoeira-seca-pa-foram-recebidos-no-mjsp-em-braslia_54876248347_o-1536x984.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/lideranas-do-povo-arara-ti-cachoeira-seca-pa-foram-recebidos-no-mjsp-em-braslia_54876248347_o-150x96.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/lideranas-do-povo-arara-ti-cachoeira-seca-pa-foram-recebidos-no-mjsp-em-braslia_54876248347_o.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">No início de 2026, lideranças do povo Arara integraram uma delegação com cerca de 60 indígenas do Pará e Mato Grosso que foram à Brasília. (Foto: Adi Spezia | Cimi).</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O MPI afirma que a atuação pela desintrusão dos Arara se dará em duas frentes: a primeira pela Funai, responsável pela proteção territorial e execução das ações indigenistas, e a segunda no âmbito do Comitê Interministerial de Desintrusão de Terras Indígenas. O comitê é coordenado pelo MPI, responsável pela articulação estratégica entre os órgãos federais envolvidos nas operações de desintrusão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O texto do MPI ainda explica: “Informações específicas relacionadas a cronogramas operacionais, estratégias de segurança, definição de datas para ações em campo, identificação individualizada de ocupantes ou outras medidas executivas não podem ser divulgadas neste momento, uma vez que integram o planejamento governamental em elaboração e sua divulgação antecipada pode comprometer a efetividade das ações e a segurança dos envolvidos”<strong>. </strong>O documento traz algumas informações sobre ações de saúde e educação.&nbsp;<a href="https://drive.google.com/file/d/1rK-DL-mk2m0vZiPt8bdY4uwzcu_xFEvr/view" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(veja nota na íntegra)</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Questionada pela <strong>Amazônia Real, </strong>a Funai informou que o assunto está sendo tratado diretamente pelo Ministério dos Povos Indígenas, ao qual está subordinada. A Funai não comentou sobre as declarações da liderança Arara nesta reportagem.</p>





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                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174065 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-23 20:11:34" data-filename="TI-Cachoeira-Seca-Foto-Cristina-Avila-2-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/TI-Cachoeira-Seca-Foto-Cristina-Avila-2-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-174060 slide-174065 msDefaultImage" title="TI Cachoeira Seca (Foto Cristina Avila) (2)" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div>Indígenas do povo Arara na aldeia na Terra Indígena Cachoeira Seca, no Pará (Foto: Cristina Ávila/Amazônia Real).</div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174067 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-23 20:11:35" data-filename="TI-Cachoeira-Seca-Foto-Cristina-Avila-6-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/TI-Cachoeira-Seca-Foto-Cristina-Avila-6-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-174060 slide-174067 msDefaultImage" title="TI Cachoeira Seca (Foto Cristina Avila) (6)" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div>Alimentos do povo Arara na aldeia na Terra Indígena Cachoeira Seca, no Pará (Foto: Cristina Ávila/Amazônia Real).</div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174068 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-23 20:12:10" data-filename="Uruara-1080x720.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Uruara-1080x720.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-174060 slide-174068 msDefaultImage" title="Uruará" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div><em><sub>Imagem de “carro-de-linha”, transporte de cargas e pessoas que saem de Uruará, na margem da Transamazônica, para Maribel, vilarejo que é uma invasão dento da TI Cachoeira Seca (Foto: Cris Ávlia/ Amazônia Real).</sub></em></div></div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-174069 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-06-23 20:21:17" data-filename="TI-Cachoeira-Seca-Foto-Cristina-Avila-15-1500x1000.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/06/TI-Cachoeira-Seca-Foto-Cristina-Avila-15-1500x1000.jpg" height="1000" width="1500" alt="" class="slider-174060 slide-174069 msDefaultImage" title="TI Cachoeira Seca (Foto Cristina Avila) (15)" /><div class="caption-wrap"><div class="caption"><div>Indígenas Arara pedem justiça pelo assassinato de Tymbektodem, ex-presidente da Associação Kowit, morto em 2023, 16 dias depois de ter discursado na ONU (Foto: Cristina  Ávila/Amazônia Real).</div></div></div></li>
            </ul>
        </div>
        
    </div>
</div></div>



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