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	<title>Amazônia Real</title>
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	<description>Agência de jornalismo independente na Amazônia</description>
	<lastBuildDate>Fri, 18 Sep 2026 19:00:35 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Amazônia Real</title>
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		<title>As mutações da Vale</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lúcio Flávio Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 19:00:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[A Amazônia segundo Lúcio Flávio Pinto]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Alcoa]]></category>
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		<category><![CDATA[Lúcio Flávio Pinto]]></category>
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		<category><![CDATA[Vale]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O setor de mineração, no polo de alumínio, da bauxita à alumina, está se ‘desnacionalizando’ gradativamente, como relata Lúcio Flávio Pinto. Ele afirma que ‘tem sido uma mudança discreta e pouco debatida, sem uma visão de conjunto das atividades dessas multinacionais”. Leia o artigo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A Mineração Rio do Norte foi o primeiro dos “grandes projetos” a entrar em operação na Amazônia, em 1979. Sete anos antes, a Alcan, multinacional canadense, que era a única proprietária do minério, decidiu suspender a implantação do projeto, alegando falta de atratividade no mercado mundial de bauxita. O governo brasileiro interveio e a – ainda estatal na época – Companhia Vale do Rio Doce assumiu o controle da empresa. Hoje, a MRN é a maior produtora de bauxita do Brasil e a terceira principal no mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Vale, privatizada em 1997, anunciou ter concluído, em 2019, a venda de sua participação de 40% na MRN, incluindo todas as obrigações e direitos associados, para a Ananke Alumina S.A., uma empresa afiliada à Norsk Hydro ASA (Hydro), multinacional norueguesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Vale, essa transação marcou a conclusão do principal programa de desinvestimento da empresa, que, assim, conseguiu “simplificar e reduzir a exposição ao risco dos seus negócios, resultando na eliminação de despesas de até 2 bilhões de dólares por ano”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bem que a Vale podia mostrar em que setores conseguiu essa redução de despesas.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">A iniciativa “reforça a estratégia da Vale de simplificação de portfólio e permite à empresa focar nos seus principais negócios e oportunidades de crescimento, através de uma alocação disciplinada de capital”, dizia o comunicado. informando que o acordo vinculante com a subsidiária da Hydro envolveu valores de  67,9 milhões de dólares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Alcoa Alumínio, a Alcoa World Alumina e a Alcoa World Alumina Brasil transferiram a totalidade das suas ações ordinárias e preferenciais na MRN à South32, cuja participação passou de 15% para 33%, sendo ela uma das líderes mundiais do mercado de alumínio.Em abril de 2023, a Glencore assinou um acordo com a Norsk Hydro para adquirir uma participação acionária de 30% na Alunorte e de 45% na Mineração Rio do Norte, por um valor combinado de US$ 775 milhões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dos 2,2 bilhões de reais que a mineradora faturou vendendo para seus sócios, a South32 foi o maior cliente, pagando R$ 723 milhões, em 2022. O outro sócio é a Anglo-australiana Rio Tinto (com 25%).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como pano de fundo dessa movimentação de capital, todo o polo de alumínio, da bauxita à alumina, se desnacionalizou. Tem sido uma mudança discreta e pouco debatida, sem uma visão de conjunto das atividades dessas multinacionais, na mais bem sucedido (ao menos para elas) mudança de controle acionário.</p>
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		<title>Se o seu candidato só fala em matar e punir, então já falhou em cuidar de crianças e adolescentes</title>
		<link>https://amazoniareal.com.br/se-o-seu-candidato-so-fala-em-matar-e-punir-entao-ja-falhou-em-cuidar-de-criancas-e-adolescentes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Amazônia Real]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 16:08:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Adolescentes]]></category>
		<category><![CDATA[Amapá]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Crianças]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[letalidade]]></category>
		<category><![CDATA[segurança pública]]></category>
		<category><![CDATA[Violência policial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com segurança pública no foco eleitoral, juventude só é lembrada para sustentar propostas punitivistas, como redução da maioridade penal. Especialistas defendem projeto de garantia de direitos fundamentais e não aceitação da violência</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Paulo Batistella, da Ponte Jornalismo</strong>*</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">Rute Fiúza diz que costuma fazer uma mesma pergunta quando participa de rodas de conversa com adolescentes, uma parte de sua rotina como ativista de direitos humanos e integrante do<a href="https://www.instagram.com/movimentomaesdemaio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Movimento Independente Mães de Maio</a> nos últimos 12 anos: já se inscreveu no Enem?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um dos mais recentes desses encontros, em um quilombo em Lauro Freitas (BA), na região metropolitana de Salvador, se entristeceu, no entanto, com a resposta. &#8220;Todas elas eram meninas de 17 e 18 anos que acabaram agora o ensino médio. E elas me disseram: &#8216;Para quê? Tem um monte de gente aqui no quilombo com faculdade e desempregada'&#8221;, conta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como a pergunta, tem sido comum, segundo Rute, perceber os mais jovens desanimados, principalmente nas periferias e em comunidades tradicionais. &#8220;Tem a música que fala que os sonhos não envelhecem, mas tenho a sensação de que a juventude não tem mais sonhos.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela atribui o desânimo, contudo, não a eles próprios, mas à falta de amparo do Estado e de boas influências. &#8220;Acho que faltam políticas públicas para essa juventude&#8221;, diz Rute.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de atenção com crianças e adolescentes também parece evidente, segundo ela, nas eleições gerais de 2026, em que a segurança pública é colocada como prioridade em pesquisas de opinião. Quando os mais jovens são lembrados nesse debate, invariavelmente é para sustentar propostas que punem, como a de redução da maioridade penal, em vez das que protegem e promovem direitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas como falar de segurança sem dar absoluta prioridade para crianças e adolescentes, como determina a Constituição Federal? Quais políticas deveriam estar na agenda eleitoral para tornar segura e plena de direitos a vida de quem vai às urnas pela primeira vez ou ainda sequer tem direito ao voto?</p>



<p class="wp-block-paragraph">É o que a <strong>Ponte</strong> discute nesta reportagem, a sexta e última da série especial <strong>Ponte nas Eleições</strong>, que debate a segurança pública como a pauta central da disputa eleitoral deste ano.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Brasil tem piora de diferentes violências contra crianças e adolescentes</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, o Brasil tem tido aumentos expressivos de diferentes formas de violência contra crianças e adolescentes. Em 2025, foram mais de 60 mil casos de maus-tratos e de lesão corporal em contexto de violência doméstica contra os mais jovens, segundo o<a href="https://forumseguranca.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP)</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação a 2021, o número de casos de lesão corporal contra pessoas de até 17 anos subiu 15%. Já os episódios de maus-tratos contra esse grupo mais do que dobraram (+106,1%), conforme consta na edição mais recente do<a href="https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2026/07/anuario-2026.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> <em>Anuário Brasileiro da Segurança Pública</em></a>, consolidado pelo FBSP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os mais jovens são ainda os alvos mais frequentes de violência sexual no país. Se somados os casos de estupro e estupro de vulnerável do ano passado, cerca de três em cada quatro vítimas tinham até 17 anos (76,6%). Ao todo, 61.076 crianças e adolescentes sofreram esses crimes, fortemente associados, segundo o FBSP, ao ambiente doméstico e a agressores próximos às vítimas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2025, houve piora de outras modalidades de violência sexual contra os mais vulneráveis, como casos de produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil (+25,3%), de aliciamento de crianças para fins libidinosos (+12,4%) e de exploração sexual (+14,3%).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já o número de mortes violentas intencionais (MVI) contra crianças e adolescentes caiu no ano passado na comparação com 2024 (-10,8%). Ainda assim, foram 2.079 vidas perdidas precocemente. Além disso, no ano anterior, a quantidade de MVI contra esse grupo chegou a crescer, na contramão de uma prolongada tendência de queda da violência letal contra a população em geral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados mais recentes do Anuário reforçam ainda um panorama já histórico: as principais vítimas dessa violência letal são jovens negros. Em 2025, quase nove em cada dez vítimas de até 17 anos eram adolescentes (88,5%), em casos majoritariamente associados à violência urbana. Entre eles, 90,9% eram do sexo masculino e 86,3% eram de pele preta ou parda.</p>





<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-rep6.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="713" height="450" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-rep6.jpeg" alt="" class="wp-image-176457" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-rep6.jpeg 713w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-rep6-300x189.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-rep6-150x95.jpeg 150w" sizes="(max-width: 713px) 100vw, 713px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Rute abraça o filho, Davi, morto aos 16 anos por policiais militares (Foto: Reprodução). </sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Impunidade acompanha letalidade dos mais jovens na Bahia&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2025, a pior taxa de MVI contra os mais jovens no país foi registrada na Bahia (com 11,3 casos para cada 100 mil crianças e adolescentes). É o estado em que Rute testemunha mais de perto uma juventude desamparada e também onde perdeu o único filho,<a href="https://ponte.org/decidiram-fazer-o-holocausto-do-meu-filho-diz-mae-de-davi-fiuza/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Davi Fiúza</a>, de apenas 16 anos, em 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 24 de outubro daquele ano, Davi foi sequestrado no bairro de São Cristóvão, na periferia de Salvador, por 23 policiais militares, entre os quais 19 haviam recém-ingressado na corporação. A captura do jovem foi tida como a conclusão de um curso de formação deles, uma espécie de &#8220;batismo&#8221;, ao atribuírem erroneamente à vítima a identidade de um outro adolescente supostamente ligado a criminosos da região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Levado com pés e mãos amarrados, Davi foi torturado e morto, conforme concluiu a Polícia Civil,<a href="https://ponte.org/davi-fiuza-16-anos-foi-morto-por-17-policiais-militares-conclui-policia-baiana/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> que indiciou 17 dos agentes</a>. O Ministério Público da Bahia (MPBA) denunciou apenas sete deles, entendendo que não cometeram um homicídio,<a href="https://ponte.org/mp-baiano-denuncia-7-pms-por-sumico-de-davi-fiuza-16-anos-mas-evita-acusacao-de-homicidio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> mas somente os crimes de sequestro e cárcere privado</a>. Em maio deste ano, a Justiça concluiu as audiências de instrução do caso, sem decidir se os policiais acusados deverão ser julgados ou não perante um júri popular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de não ver justiça mesmo passada mais de uma década, Rute não pôde velar o corpo do filho, que não foi encontrado. De lá para cá, a mãe de Davi ainda viu a Bahia se tornar o estado com o pior número de mortes decorrentes de intervenção policial (MDIP) no país, o que mantém desde 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Acredito que seja uma questão política voltada para o extermínio da raça preta, dos pardos, das pessoas pobres. É uma questão também de território, de CEP&#8221;, diz Rute, sobre a Bahia chegar a esse patamar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;E enquanto os algozes têm certeza da impunidade, eles não têm medo de cometer violência. É muito difícil haver uma medida mais rígida contra policiais, como serem afastados ou até exonerados. O Ministério Público em todo o Brasil é muito moroso. Esperar três, quatro, cinco, dez anos para levar um caso a julgamento? O Estado é blindado, é uma máquina mortífera.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amapá mata juventude enquanto morte vira sinônimo de eficiência&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, a conduta das polícias, principalmente a militar, tem impulsionado a violência letal contra os mais jovens. Em 2025, praticamente uma de cada quatro mortes violentas intencionais de crianças e adolescentes foi cometida por ações policiais (23,1%).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Bahia, a taxa de MDIP contra crianças e adolescentes chegou a 7,4 casos para cada 100 mil habitantes em 2023, conforme mostrou o<a href="https://www.unicef.org/brazil/media/30071/file/panorama-violencia-letal-sexual-contra-criancas-adolescentes-no-brasil-v04%20(003).pdf.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> <em>Panorama da violência letal e sexual contra crianças e adolescentes no Brasil</em></a>, um estudo produzido pelo FBSP em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Naquele ano, a taxa de MDIP contra a população em geral ficou em 3,1 — ou seja, menos da metade do que a letalidade policial contra os mais novos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo também identificou que somente um estado teve taxa ainda pior que a Bahia: o Amapá (10,9), que há sete anos consecutivos tem a polícia mais letal do país em termos relativos à população, e não em números absolutos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para chegar a isso, o estado tem contado com uma opinião pública que associa letalidade policial a eficiência na segurança pública, segundo explica o antropólogo Marcus Cardoso. Ele é professor da<a href="https://www.unifap.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Universidade Federal do Amapá (Unifap)</a> e pesquisador da violência do Estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O que explica isso é um descontrole absoluto sobre o trabalho policial por parte dos governos do estado e do Ministério Público. No caso do Ministério Público, existe um alinhamento ideológico de segurança pública com o que essa polícia expressa. E no caso dos políticos, é um impacto de votos, porque o lugar simbólico da polícia no estado é de muito prestígio&#8221;, afirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Se você mapear as redes sociais após a notícia de alguma morte cometida por policiais, vai ler comentários com a expressão &#8216;melhor polícia do Brasil&#8217;. É um comentário recorrente no estado: a melhor polícia do Brasil. E por que é a melhor? Porque mata muito e não morre.&#8221;</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-rep6.jpeg"><img decoding="async" width="1024" height="681" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-rep6-1024x681.jpeg" alt="" class="wp-image-176458" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-rep6-1024x681.jpeg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-rep6-300x200.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-rep6-768x511.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-rep6-1536x1021.jpeg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-rep6-150x100.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-rep6.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Jovens negros compõem perfil mais comum de vítimas de mortes violentas (Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo). </sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Desumanização de vítimas é usada para justificar letalidade policial&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Marcus diz ainda que o prestígio de uma polícia cada vez mais letal é estimulado, inclusive, junto a crianças e adolescentes. É comum ver aniversários infantis no Amapá terem como tema o Batalhão de Operações Especiais (Bope), uma unidade de elite da Polícia Militar local (PMAP). Em um estado empobrecido, com alguns dos piores índices socioeconômicos do país, ingressar na PMAP, com concursos públicos frequentes, é tido ainda como um dos poucos caminhos de ascensão social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reverência pela polícia no Amapá não é maculada, segundo o pesquisador, nem mesmo quando as vítimas das forças estatais são crianças e adolescentes. Isso porque, ainda para Marcus, as mortes são colocadas em um lugar de desumanização, tidas como uma consequência natural do combate às facções criminosas que surgiram no Sudeste e avançaram pela Amazônia Legal nos últimos anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Existe um discurso corrente de que estamos em uma guerra. Eu tive uma professora que chamava isso de &#8216;metáfora da guerra&#8217;. E o que vem junto dessa metáfora? Se existe uma guerra, ações extraordinárias são necessárias, por isso a polícia precisa ser mais truculenta, porque é guerra. É um discurso de medo, de um medo que muitas vezes ultrapassa os dados concretos de violência. E isso é bom para essa segurança pública, porque gera mais dinheiro, mais polícia. E é bom também para os políticos&#8221;, diz ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Da perspectiva da população que adere ao discurso de guerra às drogas, não tem o menor problema de haver criança morrendo, porque existe todo um processo de desumanização. Esse individuo que é morto é tratado como um ser essencialmente perigoso e mal. Então, se ele é essencialmente bandido, não importa se tem 35 ou 15 anos, essa pessoa tem que morrer, porque não é possível transformá-la.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para além de justificar a morte, essa lógica de desumanização de crianças e adolescentes é usada também para legitimar um modelo de segurança pública que compreende um sistema prisional cada vez mais lotado e insalubre como outro indicador de eficiência, segundo diz a pedagoga Alessandra Félix.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para ela, é daí que vem a discussão cíclica sobre reduzir a maioridade penal no país, embora não haja qualquer evidência científica que vincule essa proposta à melhora de indicadores criminais. &#8220;Essa pauta sempre ressurge nas eleições. E a gente sabe que isso não passa de propaganda de populismo penal. Quando se trata de juventude, parece muito mais fácil apreender um menino do que trabalhar a cidadania dele. Então, esse debate sempre vem em um contexto de oportunismo&#8221;, diz.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Socioeducativo chega onde o Estado não leva políticas públicas&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em agosto de 2025, o Brasil tinha 12.203 adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas, segundo um<a href="https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/crianca-e-adolescente/levantamentos-nacionais-do-sinase/levantamento_nacional_sinase_2025_defeso_eleitoral_2026.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> levantamento mais recente do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase)</a>. O perfil mais comum entre eles era semelhante ao das vítimas recorrentes de violência letal: meninos (93,4%) e negros (73,7%). Na maioria das vezes, foram apreendidos pelo cometimento de atos infracionais para obtenção de renda, como os análogos a roubo (29,1%) e tráfico de drogas (27,9%).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Alessandra, a apreensão de adolescentes costuma ser tratada como sinônimo de castigo, e não de reinserção social de uma pessoa em desenvolvimento. E as famílias vivem a pena junto dos filhos. Ela própria sofreu isso ao ter o filho apreendido no sistema socioeducativo do Ceará.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde então, atua junto de outras mães pelo<a href="https://www.instagram.com/vozesdemaesce/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Coletivo Vozes</a>, uma iniciativa abolicionista em apoio umas às outras e a pessoas presas ou apreendidas. A pedagoga também compartilha essa luta com movimentos sociais de outros estados nordestinos, com realidades parecidas, que compõem o<a href="https://fpspne.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Fórum Popular de Segurança Pública do Nordeste (FPSPNE)</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A gente comunga de que, se os meninos erraram, eles têm que ser responsabilizados, mas não punidos. Aqui no Ceará e em outros estados, a agenda da tortura ainda é muito presente. Como se educa e se reinsere na sociedade um adolescente que já foi cooptado pela violência?&#8221;, questiona.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Os meninos são apreendidos, vão para dentro de unidades, e quem passa por esses espaços são as mães. Quando eles retornam, temos outra camada, que é recebê-los, tentar dar uma base para que não reincidam, para que não sejam cooptados novamente pela violência. E a família toda é afetada por isso, seja a mãe, responsável por tudo, ou outras crianças pequenas da família.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alessandra diz ainda que o discurso punitivista contra os mais jovens isenta o Estado de suas próprias responsabilidades na formação de cada criança e adolescente que acaba apreendido ou morto. &#8220;A gente só tem socioeducativo porque as políticas de infância e adolescência falharam, e eu falo de políticas de educação, esporte, lazer e cultura, que são ferramentas fantásticas de controle social e humanização.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Eu queria que as políticas públicas chegassem antes das balas e das algemas. E se a gente combate as algemas, não precisamos nem chegar nas mortes&#8221;, afirma ainda a pedagoga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A percepção dela vai ao encontro das conclusões de um<a href="https://www.unicef.org/brazil/media/30281/file/O%20impacto%20das%20m" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> estudo publicado com apoio do Unicef em 2024 sobre mortes violentas de adolescentes ocorridas no estado de São Paulo</a>: 90% viviam em situação de pobreza, dois terços tinham abandonado a escola e metade morreu menos de um ano depois de sair do sistema socioeducativo. Ou seja, a morte foi o último estágio de uma série de violações contra essas vítimas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma outra publicação do Unicef, deste último mês de agosto, mostrou ainda que, entre os planos de governo dos presidenciáveis desta eleição,<a href="https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/candidaturas-a-presidencia-tem-propostas-para-responder-a-violencia-contra-criancas" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> há mais propostas sobre políticas de resposta do que prevenção</a> contra as violências que atingem crianças e adolescentes.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-rep6.jpeg"><img decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-rep6-1024x682.jpeg" alt="" class="wp-image-176459" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-rep6-1024x682.jpeg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-rep6-300x200.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-rep6-768x512.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-rep6-1536x1023.jpeg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-rep6-150x100.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-rep6.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Juventude propõe modelo de segurança baseado em garantia de direitos (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil). </sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Jovens propõem segurança baseada em garantia de direitos&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre quem é alvo dessa negligência do Estado, a discussão sobre segurança pública deveria justamente inverter esse eixo: antes de sustentar uma guerra, falar em garantia de direitos fundamentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É o que dizem os ativistas Thaís Hellen, de 19 anos, e Renan Rosélio, 18, ambos integrantes do<a href="https://www.unicef.org/brazil/conselho-consultivo-de-adolescentes-e-jovens-do-unicef" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Conselho Consultivo de Adolescentes e Jovens do Unicef</a>. Os dois contam ser de territórios em que a violência do próprio Estado condiciona o debate sobre segurança pública: Thaís é indígena do povo Pitaguary, do Ceará, e Renan é morador da periferia da zona sul da cidade de São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Quando você é indígena, ou negro, quilombola, o tema da segurança nunca sai de linha. Só que, em época de eleição, ela é usada como porta de entrada nos territórios pelos políticos. E eles usam isso porque é o ponto mais sensível para crianças e adolescentes, para mulheres indígenas, quilombolas, negras. É o ponto mais sensível porque a gente está nas margens da violência. A gente está em territórios perigosos, em que as políticas públicas não chegam&#8221;, diz Thaís.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Eu sou um exemplo disso. A minha mãe, por ser ativista climática, do direito das mulheres, uma liderança do território em que moro, foi muito ameaçada, perseguida, teve que sair do país para não ser morta. E isso me afetou também na infância&#8221;, conta ainda a jovem, que é estudante de Direito, articuladora da Coordenação dos Jovens Indígenas do Estado do Ceará (Cojice) e também ativista por justiça climática.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Aqui no Jardim São Luís, nós temos o cemitério com mais jovens enterrados na América do Sul. É um país que nasce na cultura da violência. A nossa república foi fundada nisso&#8221;, afirma Renan, que, além de ser educador popular, atua como vice-secretário do Instituto Pedro Macambira e diretor cultural da Casa dos Meninos, organizações comunitárias da região em que vive.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;E a violência está presente desde o momento em que seu pai e sua mãe pedem a você, por ser uma pessoa preta, para andar com o RG no bolso, a decorar o CPF. É uma questão estrutural&#8221;, diz o jovem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os dois, uma segurança pública de fato preocupada com crianças e adolescentes passa longe do modelo já exaurido de ter mais cadeias e mortes. &#8220;O que traria segurança para a gente seria realmente garantir os nossos direitos básicos, porque, quando a gente fala de segurança, a gente fala de segurança alimentar, de saúde mental, educação e violências físicas também&#8221;, diz Thaís.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Tentando idealizar para o meu território, o que seria segurança? Seria ter o poste com luz de madrugada, de noite. Isso seria segurança. Segurança para mim seria ter, de fato, educação de qualidade, os alunos terem o acompanhamento de um psicólogo na escola, ter a carteira de vacinação em dia, termos os nossos remédios dentro das UBSs&#8221;, acrescenta Renan.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Não aceitação da violência e incentivo à educação são prioridades&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Alessandra, do Coletivo Vozes, concorda com os dois: &#8220;Para nós, segurança pública é uma praça iluminada, é saneamento básico, é ter crianças brincando na rua. Nunca foi sobre polícia, sobre armas. Para nós, é uma outra perspectiva, é, inclusive, ver os meninos transitando na cidade, podendo ir e retornar sem que a gente tenha medo de que a polícia aborde de alguma forma violenta.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela diz também que candidatos que, de fato, priorizem os mais jovens devem trabalhar por políticas de promoção do bem-viver, com especial atenção aos egressos do sistema socioeducativo. &#8220;Se a gente pega esse menino e dá direções para ele, dá perpectivas, a gente tem uma outra rota para a vida dele&#8221;, diz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já Marcus, da Unifap, diz que o debate eleitoral deveria ter como premissa a não aceitação de mortes violentas de crianças e adolescentes em hipótese alguma, embora não acredite que candidatos, mesmo os que se dizem progressistas, assumirão publicamente esse compromisso no Amapá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A letalidade não é eficácia na segurança pública, é justamente um indicativo de fracasso&#8221;, diz. &#8220;E a gente tem que desconstruir essa metáfora de guerra, tirar essa palavra &#8216;guerra&#8217; do discurso.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Renan e Thaís, por sua vez, dizem que a agenda eleitoral deveria ter uma outra prioridade: a educação. &#8220;Acho que conhecimento é poder. E se a gente consegue ter uma educação de qualidade, com conteúdo de qualidade para as pessoas, a gente consegue mudar as coisas e a segurança também&#8221;, diz o jovem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Também acredito que o ponto principal seria a educação. Mas não uma educação medíocre, usada como moeda de troca em eleição. Seria uma educação realmente diferenciada, como nas nossas escolas indígenas, que traga educação financeira, educação política, o aprofundamento da sociologia, da filosofia e da história, o que há muito tempo vem sendo tirado&#8221;, diz Thaís.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;E essa educação tem que chegar para as pessoas que estão em vulnerabilidade social. Às vezes [as pessoas] até perdem a esperança. Eu já ouvi falarem: &#8216;Ah, mas os adolescentes de tal lugar não querem saber de nada&#8217;. Mas será que a informação chegou a eles? Será que já não estão tão desacreditados do poder público que já não querem mais?&#8221;, questiona ainda a ativista indígena.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como os dois jovens, Rute concorda que a educação deveria ser a prioridade. &#8220;O Enem é muito válido, mas existe uma nota de corte que impede alguns jovens de acessarem a universidade. Acho que isso poderia ser revisto, entender a localidade em que aquela pessoa mora, dar um incentivo financeiro para estudar, ajudá-la a ter um emprego na própria universidade&#8221;, argumenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mãe de Davi diz ainda que o incentivo deve vir não só do Estado, mas de cada um. Por conta disso, ela própria pretende se inscrever na próxima edição do Enem. &#8220;Quem faz por nós somos nós mesmos, porque, se a gente for depender da branquitude, não vai haver nada&#8221;, diz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Quero estudar história ou filosofia. É aquela coisa de querer se reencontrar. E eu acho que o exemplo vale mais do que a palavra. Eu quero poder voltar [no quilombo em Lauro Freitas] e dizer: &#8216;Ano passado eu estive aqui e falei do Enem, e agora estou lá na universidade. Cadê vocês? Vamos, vamos!&#8217;. A gente precisa disso, de exemplos.&#8221;</p>





<p class="wp-block-paragraph"></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>*Paulo Batistella é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com intercâmbio acadêmico na Universidade de Coimbra. Já colaborou com alguns dos mais influentes veículos de imprensa do Brasil, em mídia escrita, no rádio e na TV, como Folha de S.Paulo, Estadão, g1, Comprova, CBN e Globo. Foi reconhecido por sete prêmios de jornalismo, como vencedor ou finalista.</strong></em></p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Esta reportagem faz parte da série Ponte nas Eleições. Ao longo de seis reportagens, a Ponte tratou de temas centrais da segurança pública, com o objetivo de ajudar o eleitor a compreender os principais problemas da área, os caminhos apontados por especialistas e o que deve ser observado nas propostas dos candidatos na hora do voto. Para conferir as demais matérias, clique</em></strong><a href="https://ponte.org/categoria/eleicoes/"><strong><em> aqui</em></strong></a><strong><em>.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Além da Ponte, as reportagens da série foram republicadas por veículos parceiros de diferentes regiões do país: </em></strong><a href="https://conquistareporter.com.br/"><strong><em>Conquista Repórter</em></strong></a><strong><em> (BA), </em></strong><a href="https://coletivosargentoperifa.com/"><strong><em>Sargento Perifa</em></strong></a><strong><em> (PE), </em></strong><a href="https://www.plural.jor.br/"><strong><em>Plural </em></strong></a><strong><em>(PR),</em></strong><a href="https://projetocolabora.com.br/"><strong><em> #Colabora </em></strong></a><strong><em>(RJ), </em></strong><a href="https://ehfonte.com.br/"><strong><em>Eh Fonte</em></strong></a><strong><em> (MT), </em></strong><a href="https://institutomidiaetnica.org.br/"><strong><em>Mídia Étnica/Correio Nagô</em></strong></a><strong><em> (BA), </em></strong><a href="https://marcozero.org/"><strong><em>Marco Zero </em></strong></a><strong><em>(PE), </em></strong><a href="https://amazoniareal.com.br/"><strong><em>Amazônia Real</em></strong></a><strong><em> (AM), </em></strong><a href="https://revistaafirmativa.com.br/"><strong><em>Revista Afirmativa </em></strong></a><strong><em>(BA), </em></strong><a href="https://agenciamural.org.br/"><strong><em>Agência Mural </em></strong></a><strong><em>(SP), </em></strong><a href="https://catarinas.info/"><strong><em>Portal Catarinas</em></strong></a><strong><em> (SC) e </em></strong><a href="https://ocatarinao.com.br/"><strong><em>O Catarinão</em></strong></a><strong><em> (RJ).</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Fumaça das queimadas deixa ar péssimo em Manaus</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Nicoly Ambrosio]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 15:39:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A fumaça alterou a rotina dos moradores em diversas zonas da cidade, gerando relatos de dores de cabeça, enjoo, cansaço e ressecamento das narinas. Essa exposição contínua é agravada por temperaturas que ultrapassam os 37°C, transformando o clima úmido da região em um calor seco sufocante. Os moradores também sofrem com a falta de água potável nas torneiras.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus (AM) &#8211; </strong>Ainda era madrugada desta quinta-feira (17), quando a população de Manaus<strong> </strong>sentiu um<a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/09/17/qualidade-do-ar-piora-em-manaus-e-chega-a-nivel-pessimo-na-manha-desta-quinta-feira-17.ghtml"> forte cheiro de queimada no ar decorrente da fumaça </a>dos focos de incêndios florestais no entorno da capital e dos  estados do Amazonas e Pará. A nuvem espessa e tóxica de poluentes, como o gás carbônico, encobriu ruas, casas e edifícios da cidade. O índice da qualidade do ar marcou 129,5 µg/m³, classificado como péssimo e perigoso à saúde humana, conforme dados do aplicativo Selva (Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Estou dentro do quarto, com tudo trancado, e estou sentindo a fumaça. Um cheiro muito forte na casa toda, senti assim que acordei às 7h30 da manhã”, disse Haydê Machado, moradora do bairro Compensa ouvida pela reportagem. Ela relatou que sente enjoo e dor de cabeça por conta da fumaça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pedido da reportagem, a pesquisadora Karla Longo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espacias (INPE), em São Paulo, analisou o episódio de fumaça que atingiu Manaus e municípios nesta quinta-feira (17). &#8220;A fumaça que chega a Manaus durante a estação seca é proveniente principalmente de&nbsp;queimadas que ocorrem a leste e nordeste da cidade, incluindo áreas do Amazonas e do Pará.&nbsp; Nesse período, os ventos que atingem Manaus sopram predominantemente dessas direções,&nbsp; favorecendo o transporte da fumaça até a cidade. O cenário registrado ontem (16)&nbsp; mostra uma grande quantidade de focos de queimadas nos estados do Amazonas e do Pará&#8221;, diz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De 1º de janeiro e 16 de setembro deste ano, <a href="https://data.inpe.br/queimadas/situacao_atual/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o Inpe registrou 4.496 focos de queimadas no Amazonas</a>, um aumento de 54% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 2.922 focos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Especialista em queimadas e seus impactos sobre as mudanças do tempo e clima, Karla enviou mapas com imagens das queimadas à reportagem. &#8220;No&nbsp; primeiro mapa (Figura 1), os pontos em vermelho representam as queimadas detectadas por&nbsp; sensores instalados a bordo de satélites&#8221;, explicou.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image-3.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="395" height="269" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image-3.png" alt="" class="wp-image-176751" style="width:435px;height:auto" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image-3.png 395w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image-3-300x204.png 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image-3-150x102.png 150w" sizes="auto, (max-width: 395px) 100vw, 395px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1: No topo, imagem da região Norte do Brasil obtida pelo sensor MODIS, a bordo do satélite Terra, com os focos &nbsp;de queimadas detectados pelos sensores VIIRS e MODIS a bordo dos satélites TERRA e AQUA, Suomi NPP, NOAA-20 &nbsp;e 21. </figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">No segundo mapa à baixo, além dos focos de calor, Karla diz que &#8220;é possível observar a&nbsp; distribuição da fumaça por meio de uma escala de cores que vai do amarelo ao vermelho.&nbsp; Quanto mais intensa a tonalidade vermelha, maior a concentração de fumaça na região&#8221;, disse a pesquisdora.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image-1.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="395" height="269" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image-1.png" alt="" class="wp-image-176749" style="width:428px;height:auto" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image-1.png 395w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image-1-300x204.png 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image-1-150x102.png 150w" sizes="auto, (max-width: 395px) 100vw, 395px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Na Figura 2, a mesma imagem com a sobreposição da espessura óptica de aerossóis, indicador da concentração de  partículas e fumaça na atmosfera, estimada pelo MODIS a bordo dos satélites Terra e Aqua.<br></figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Karla Longo diz que para entender a situação observada na manhã de hoje (17)  é preciso olhar para &nbsp;os dias anteriores. &#8220;A fumaça pode permanecer suspensa na atmosfera por vários dias e ser&nbsp; transportada pelos ventos por grandes distâncias. Em determinadas condições, uma massa de&nbsp; fumaça pode levar cerca de dez dias para se deslocar entre diferentes regiões. Esse tempo varia&nbsp; de acordo com as condições meteorológicas, que determinam tanto a velocidade do transporte&nbsp; quanto a dispersão das partículas&#8221;, explica.&nbsp;<br></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="451" height="228" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image-4.jpg" alt="" class="wp-image-176760" style="width:453px;height:auto" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image-4.jpg 451w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image-4-300x152.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/image-4-150x76.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 451px) 100vw, 451px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Imagem do dia 16/09/2026<br></figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Sobre o responsável pela fumaça que atinge a capital amazoense, Karla Longo diz que &#8220;a fumaça que afeta a região Norte tem origem principalmente em atividades humanas, sobretudo nas queimadas realizadas após o desmatamento da floresta para preparar áreas destinadas ao plantio e à pecuária&#8221;. &#8220;A queima da vegetação libera gases e partículas sólidas na atmosfera, que podem permanecer suspensas e ser carregadas pelos ventos para regiões distantes da área onde o fogo ocorreu&#8221;, explicou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela destaca, no entanto, que a fumaça percebida pela população em Manaus é resultado da combinação de&nbsp; massas de fumaça transportadas de queimadas ocorridas nos dias anteriores, principalmente&nbsp; a leste da capital tanto dos estados do Amazonas e Pará. &#8220;Até a fumaça produzida&nbsp; por queimadas mais recentes no próprio entorno de Manaus. O episódio atual envolve, assim,&nbsp; contribuições de diferentes áreas dos estados do Amazonas e do Pará, não é possível apontar&nbsp; um único responsável&#8221;, disse  a pesquisadora do INPE.&nbsp;<br></p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da crise na qualidade do ar, Manaus enfrenta falta de água potável em oito bairros, causada pelo rompimento de uma adutora no bairro Compensa na&nbsp; quarta-feira (16).&nbsp; <em>(Leia mais no final do texto)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Saúde em risco</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Compensa.-Foto_-Vitor-Maia4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Compensa.-Foto_-Vitor-Maia4-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-176667" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Compensa.-Foto_-Vitor-Maia4-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Compensa.-Foto_-Vitor-Maia4-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Compensa.-Foto_-Vitor-Maia4-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Compensa.-Foto_-Vitor-Maia4-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Compensa.-Foto_-Vitor-Maia4-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Compensa.-Foto_-Vitor-Maia4.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Fumaça das queimadas no bairro da Compensa, em Manaus (Foto cedida por  Vitor Maia)</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Organização Mundial de Saúde estabelece que a concentração anual média de material particulado não deva ultrapassar o limite de 5 µg/m³ (microgramas por metro cúbico) para minimizar riscos à saúde. A média de 24 horas para este poluente é de 15 µg/m³.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a qualidade do ar péssima, a saúde humana é comprometida com doenças cardiovasculares, cerebrovasculares (AVC) e respiratórios, diz a OMS.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o IBGE, Manaus tem 2.327.101 habitantes. O bairro da Compensa, na zona oeste da capital, concentra 73.111 moradores. Lá, desde a madrugada era possível sentir o cheiro de fumaça das queimadas. A concentração de material particulado chegou a 129,5 µg/m³.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O índice baixo da qualidade do ar em Manaus já é maior do que o registrado em<a href="https://amazoniareal.com.br/especiais/fumaca-impoe-experimento-natural-na-amazonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> 2024</a>, quando o Amazonas enfrentou também o aumento das queimadas na região e a maior seca extrema em 100 anos. Em 27 de setembro do ano passado, a &nbsp;qualidade do ar na cidade&nbsp; marcou 159 µg/m³, de acordo com o <a href="https://appselva.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Selva</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Selva vem registrando baixos índices na qualidade do ar este ano em Manaus <a href="https://ampost.com.br/manaus/manaus-amanhece-com-cheiro-de-fumaca-e-qualidade-do-ar-moderada-nesta-terca-8/">desde o dia 8 de setembro</a>. Ao mesmo tempo, a população está enfrentando altas temperaturas, <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/09/01/manaus-marca-376oc-e-bate-recorde-de-temperatura-pelo-segundo-dia-consecutivo.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">que ultrapassam os 37°C, já pelos efeitos da crise climática, que ameaça o mundo.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">O aumento das queimadas no Amazonas este ano ocorre em um cenário de <a href="https://amazoniareal.com.br/populacao-de-manaus-sente-impactos-do-super-el-nino/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">agravamento dos extremos climáticos na Amazônia</a>, principalmente em meio ao avanço do “Super El Niño” no mundo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o terceiro<a href="https://www.gov.br/inpe/pt-br/assuntos/ultimas-noticias/painel-el-nino-2026-2027-terceiro-boletim-sobre-o-monitoramento-do-fenomeno-no-brasil-e-publicado" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Painel El Niño 2026-2027</a>, divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), há mais de 90% de probabilidade de que o fenômeno atinja intensidade muito forte entre setembro e novembro. Para o período, são previstas temperaturas elevadas e condições mais secas em partes da região Norte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na primeira semana de setembro, o <a href="https://www.riosdenoticias.com.br/amazonas-lidera-ranking-de-focos-de-queimadas-nos-primeiros-dias-de-setembro-aponta-inpe/">INPE divulgou que o Amazonas</a> liderava o ranking de focos de queimadas entre os estados brasileiros com 1.224 registros. O estado aparece à frente do Pará, que contabilizou 1.053 focos no mesmo período.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No bairro Parque 10, zona centro-sul, a situação foi a mesma: o índice da qualidade do ar marcou 125,6 µg/m³, segundo a plataforma Selva. Morador do bairro, o produtor cultural Ravi Veiga contou que a fumaça foi percebida logo nas primeiras horas do dia. “Muita fumaça. Já amanheci 5 horas da manhã com a fumaça rondando por aqui. Estou usando máscara ”, afirmou à <strong>Amazônia Real.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Ravi Veiga, o período de calor intenso e fumaça tem sido especialmente difícil. “Viver no calor e fumaça ao mesmo tempo é horrível. Porque o calor que antes, pelo menos aqui, era mais úmido, agora se tornou um calor seco. E ainda mais com essa fumaça fica mais seco. Então tem sido horrível. Dores de cabeça, cansaço, narinas secas. E sem água para poder se hidratar”, disse o produtor cultural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele disse que os episódios têm sido recorrentes e que a população naturalizou a fumaça, fazendo parte da rotina de quem vive na região. “Eu volto para casa de madrugada, tipo meia-noite, 1 hora da manhã, 2 horas, e já tenho percebido a fumaça aqui no Parque 10. Todo santo dia pela manhã, eu acordo já com a fumaça invadindo toda a área aqui”, relatou.</p>





<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/mapa-app-selva-17-09-2026.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1000" height="569" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/mapa-app-selva-17-09-2026.jpeg" alt="" class="wp-image-176799" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/mapa-app-selva-17-09-2026.jpeg 1000w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/mapa-app-selva-17-09-2026-300x171.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/mapa-app-selva-17-09-2026-768x437.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/mapa-app-selva-17-09-2026-150x85.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Mapa Sistema de Eletrônico de Vigilância Ambiental Selva mostra a qualidade do ar nos bairros de Manaus, em 17/09/2026.</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fumaça e sem água potável</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/vista-do-edificio-cidade-de-manaus-centro-foto-carlos-barbosa.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/vista-do-edificio-cidade-de-manaus-centro-foto-carlos-barbosa-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-176669" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/vista-do-edificio-cidade-de-manaus-centro-foto-carlos-barbosa-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/vista-do-edificio-cidade-de-manaus-centro-foto-carlos-barbosa-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/vista-do-edificio-cidade-de-manaus-centro-foto-carlos-barbosa-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/vista-do-edificio-cidade-de-manaus-centro-foto-carlos-barbosa-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/vista-do-edificio-cidade-de-manaus-centro-foto-carlos-barbosa-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/vista-do-edificio-cidade-de-manaus-centro-foto-carlos-barbosa.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Imagem da vista do Edificio Cidade de Manaus, no bairro centro  (Foto cedida por Carlos Barbosa)</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A combinação de fumaça e calor foi agravada pela falta de água, devido ao rompimento de uma adutora na rua Guanapuris, na Compensa, quanto 200 bairros na cidade ficaram sem água, na quarta-feira (16). S<a href="https://www.aguasdemanaus.com.br/manutencao-emergencial-na-av-coronel-teixeira-2/">egundo a empresa Águas de Manaus.</a> o conserto da adutora foi concluído na manhã de hoje, mas a normalização do sistema pode levar até 48 horas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na residência desta repórter, moro no bairro Compensa, o abastecimento de água foi interrompido por cerca de 23 horas, entre as 11h de quarta-feira (16) e as 10h desta quinta-feira (17). Durante o período, especialmente nas horas mais quentes do dia, não havia água disponível para se refrescar ou realizar tarefas básicas, como preparar alimentos, lavar a louça e fazer a limpeza da casa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A interrupção no abastecimento de água ocorre um mês depois de Manaus <a href="https://amazonasatual.com.br/manutencao-suspendera-abastecimento-de-agua-em-seis-zonas-de-manaus/">enfrentar outro período de falta de água</a> em diferentes pontos da cidade, também relacionado a manutenções emergenciais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do cenário de preocupação crescente com a segurança hídrica em Manaus, o estudo inédito “<a href="https://tratabrasil.org.br/estudos/o-desafio-da-seguranca-hidrica-na-regiao-de-manaus-e-politicas-de-sustentabilidade/">O desafio da segurança hídrica na região de Manaus e políticas de sustentabilidade</a>”, produzido pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, apontou que Manaus pode enfrentar risco crítico de escassez de água até 2040.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, explicou que entre os motivos estão o aumento da temperatura do planeta e os eventos climáticos extremos na região Norte, como secas e ondas de calor, além do aumento de consumo projetado para o consumo humano e principalmente para o setor industrial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Tem uma perspectiva de, por um lado, redução do volume médio dos rios em determinada época do ano, e por outro lado uma expectativa de crescimento do consumo de água de até 7% até o ano de 2040. Então, o estudo demonstra esse desequilíbrio entre o aumento da demanda e a redução da disponibilidade de água em determinadas épocas do ano”, disse em entrevista à <strong>Amazônia Real.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de estar localizada na região da maior bacia hidrográfica do mundo, a pesquisadora destaca que Manaus depende fortemente de águas subterrâneas. O estudo estima a existência de mais de 27 mil poços em operação na cidade, dos quais apenas cerca de 5 mil estão regularizados e registrados pelos órgãos de controle.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para ampliar a segurança hídrica e garantir água na quantidade e qualidade necessária, o estudo aponta caminhos como a regularização dos poços, o uso de água de reuso e a redução das perdas no sistema de abastecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É necessário pensar em ferramentas como água de reuso para que haja outras fontes de abastecimento de água. É necessário também reduzir perdas de água para garantir que menos água seja captada nos rios. Precisa de um pensamento sistêmico e integrado entre os diferentes setores da economia, seja consumo humano, seja produção de alimentos, seja o uso industrial, para uso consciente e para que a quantidade de água disponível possibilite o crescimento da região conforme previsto”, observou Pretto.</p>





<div class="alignnormal"><div id="metaslider-id-176719" style="width: 100%;" class="ml-slider-3-110-0 metaslider metaslider-flex metaslider-176719 ml-slider has-dots-nav ms-theme-default-base" role="region" aria-label="Fumaça 17/09/2026" data-height="1000" data-width="1500">
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            </ul>
        </div>
        
    </div>
</div></div>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Esta reportagem foi atualizada às 16h50 para incluir as informaçõs do INPE.</strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-vivid-green-cyan-color has-alpha-channel-opacity has-vivid-green-cyan-background-color has-background"/>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Desmatamento e um futuro perigoso em Lábrea &#8211; 3: Lábrea e o mapeamento do desmatamento</title>
		<link>https://amazoniareal.com.br/desmatamento-e-um-futuro-perigoso-em-labrea-3-labrea-e-o-mapeamento-do-desmatamento/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Philip Martin Fearnside]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Sep 2026 18:09:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste artigo, os autores informam a área de estudo desta série. Ela abrange 83.900 km² (uma área maior que a Áustria ou o estado brasileiro da Paraíba) e inclui uma zona de amortecimento de 10 km ao redor do município de Lábrea. Essa zona de amortecimento foi delimitada para evitar possíveis perdas de informação sobre os padrões de desmatamento causados pela proximidade do município.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Beatriz Figueiredo Cabral, Aurora Miho Yanai, Paulo Maurício Lima de Alencastro Graça, Maria Isabel Sobral Escada, Cláudia Maria de Almeida e Philip Martin Fearnside</strong></p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">O presente estudo foi realizado no município de Lábrea, localizado na mesorregião sul do estado do Amazonas, próximo às divisas com os estados de Rondônia e Acre (Figura 1). Os principais rios do município são o Ituxi e o Purus, sendo o rio Purus utilizado como via de acesso à sede do município (cidade de Lábrea; população urbana em 2021 = 24.223) [1, 2]. Além do rio, também é possível acessar a cidade de Lábrea pela rodovia BR-230 (Transamazônica), e a porção sul do município pode ser acessada por estradas secundárias (conhecidas como “ramais”) que se ramificam da rodovia BR-364 (Porto Velho-Rio Branco); essas estradas secundárias, construídas ilegalmente por grileiros, têm desempenhado um papel importante no processo de ocupação dessa área [1, 3].</p>





<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Figura-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="567" height="401" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Figura-1.jpg" alt="Série “Desmatamento da Amazônia: Um futuro perigoso indicado por padrões e trajetórias em um ponto crítico de destruição florestal no Brasil.”" class="wp-image-176087" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Figura-1.jpg 567w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Figura-1-300x212.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Figura-1-150x106.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Figura 1. Mapa de localização da área de estudo, município de Lábrea, estado do Amazonas. </sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A área de estudo abrange 83.900 km² (uma área maior que a Áustria ou o estado brasileiro da Paraíba). A área de estudo inclui uma zona de amortecimento de 10 km ao redor do município de Lábrea. Essa zona de amortecimento foi delimitada para evitar possíveis perdas de informação sobre os padrões de desmatamento causados pela proximidade do município. Cerca de 80% da área de estudo está em áreas protegidas, divididas em 17 terras indígenas e quatro unidades de conservação. A cobertura vegetal em Lábrea é predominantemente composta por floresta ombrófila densa de terras baixas [4]. Os solos são classificados como Latossolos, Argissolos, Plintossolos e, em áreas próximas aos rios, Gleissolos [5]. O relevo é formado por depressões e planícies, com altitudes que variam de 41 m a 403 m acima do nível médio do mar. O clima é caracterizado como tropical de monções (Tipo Am- i no sistema de classificação de Köppen), com curtos períodos secos e um longo período com alta precipitação (2.400 a 2.800 mm/ano [6].</p>



<h4 class="wp-block-heading">Mapeamento do desmatamento e definição da tipologia de ocupação</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados cumulativos de desmatamento para 2008, 2013, 2017 e 2021 foram obtidos dos mapas vetoriais do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES) [7]. A seleção desses anos específicos teve como objetivo analisar os distintos padrões de ocupação durante períodos com dinâmicas de ocupação variáveis. O PRODES, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), estima as taxas anuais de desmatamento por corte raso com base na interpretação visual de imagens de satélite e fornece dados espaciais abrangentes por meio da plataforma digital TerraBrasilis [7, 8]. Amplamente reconhecido por sua precisão, o PRODES apresenta um nível de acurácia de 93,5%, consolidando sua reputação como um sistema confiável de monitoramento do desmatamento [9].</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise dos padrões e trajetórias de desmatamento utilizando dados do PRODES demonstra ser inestimável para indicar e caracterizar diversos processos de mudança na cobertura florestal associados a agentes e tipos de ocupação, permitindo uma compreensão abrangente dos processos de desmatamento e ocupação envolvidos. Essa abordagem envolve a criação de uma tipologia que estabelece e descreve a conexão entre os padrões espaciais de desmatamento na área analisada e sua semântica. Informações auxiliares, como dados do censo agroindustrial e informações de campo, são utilizadas nesse processo. Por meio da análise espacial exploratória do arranjo e da forma dos polígonos e padrões de desmatamento descritos na literatura, uma tipologia de ocupação foi definida para a região de Lábrea com base em Azeredo et al. [10], Gavlak et al. [11], Saito et al. [12] e Yanai et al. [13]. A identificação e a definição desses padrões também foram embasadas por uma expedição realizada na área de estudo em outubro de 2021, que revelou diferentes dinâmicas de ocupação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a definição da tipologia dos padrões de ocupação, os polígonos de desmatamento foram analisados no contexto de células individuais. Esse processo envolveu a análise das métricas da paisagem dos polígonos dentro de tamanhos de célula predeterminados. Estudos anteriores sugerem que a escolha do tamanho da célula da grade deve considerar as dimensões dos fragmentos de desmatamento e sua distribuição espacial para evitar perda de informação ou distorção dos padrões [11, 14-17]. Após testes preliminares e uma análise empírica da disposição dos padrões de desmatamento em diferentes tamanhos de célula, constatou-se que 10 × 10 km era o tamanho de célula mais adequado para identificar e descrever os padrões propostos na Tabela 1. As células onde não foram observadas manchas de desmatamento foram classificadas como &#8220;floresta&#8221;. [18]</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Tabela-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="759" height="823" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Tabela-1.jpg" alt="Série “Desmatamento da Amazônia: Um futuro perigoso indicado por padrões e trajetórias em um ponto crítico de destruição florestal no Brasil.”" class="wp-image-176097" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Tabela-1.jpg 759w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Tabela-1-277x300.jpg 277w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Tabela-1-150x163.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 759px) 100vw, 759px" /></a></figure>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">[1] Tavares, L.; Cordeiro, L. 2017. <em><a href="http://bit.ly/3kQVuHu">Perfil Socioeconômico e Ambiental do Sul do Estado do Amazonas: Subsídios para Análise da Paisagem</a></em>. WWF–Brasil, Brasília, DF. 56 p. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[2] IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 2021. <a href="https://bit.ly/3kQywjU">Malha Municipal.</a> </p>



<p class="wp-block-paragraph">[3] Franco, M.H.M. 2011. <a href="https://amazonianativa.org.br/2013/10/16/novas-configuracoes-territoriais-no-purus-indigena-e-extrativista/">Novas configurações territoriais no Purus indígena e extrativista.</a> In: G.M. dos Santos (ed.) <em>Álbum Purus</em>. EDUA, Manaus, AM, vol. 1, p. 153-166. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[4] RADAMBRASIL. 1978. <em><a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&amp;id=23596">Folha no. SB 20 Purus: geologia, pedologia, vegetação, e uso potencial da terra.</a></em> Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Rio de Janeiro, RJ. 566 p. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[5] IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 2020. <a href="http://bit.ly/3JdipGm">Solos</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[6] Alvares, C.A.; Stape, J.L.; Sentelhas, P.C.; Gonçalves, J.L.M.; Sparovek, G. 2013. <a href="https://doi.org/10.1127/0941-2948/2013/0507">Köppen&#8217;s climate classification map for Brazil. </a><em>Meteorologische Zeitschrift,</em> 22(6), 711-728.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[7] INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). 2021. Desmatamento &#8211; Amazônia Legal. INPE, Coordenação Geral de Observação da Terra. <a href="http://bit.ly/3ZuuFIw">Programa de Monitoramento da Amazônia e Demais Biomas</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[8] Assis, L.F.F.G. Ferreira, K.R.; Vinhas, L.; Maurano, L.; Almeida, C.; Carvalho, A.; Rodrigues, J.; Maciel, A.; Camargo, C. 2019. TerraBrasilis: A spatial data analytics infrastructure for large-scale thematic mapping. <em>ISPRS International Journal of Geo-Information</em>, 8, art. 513. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[9] Maurano, L.E.P.; Escada, M.I.S.; Renno, C.D. 2019.<a href="https://doi.org/10.5902/1980509834380"> Padrões espaciais de desmatamento e a estimativa da exatidão dos mapas do PRODES para Amazônia Legal Brasileira. </a><em>Ciência Florestal </em>[Santa Maria], 29(4), 1763-1775. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[10] Azeredo, M.; Monteiro, A.M.V.; Escada, M.I.S.; Ferreira, K.R.; Vinhas, L.; Pinheiro, T.F. 2016. <a href="https://doi.org/10.14393/rbcv68n4-44278">Mineração de trajetórias de </a></p>



<p class="wp-block-paragraph">[11] Gavlak, A.A. 2011. Padrões de Mudança de Cobertura da Terra e Dinâmica Populacional no Distrito Florestal Sustentável da BR-163: População, Espaço e Ambiente. <a href="http://bit.ly/3kM9vX7">Dissertação de mestrado em sensoriamento remoto</a>. INPE, São José dos Campos, SP. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[12] Saito, E.A.; Fonseca, L.M.G.; Escada, M.I.S.; Körting, T.S. 2011. <a href="https://bit.ly/3ST0eZP">Análise de padrões de desmatamento e trajetória de padrões de ocupação humana na Amazônia usando técnicas de mineração de dados</a>. In: <em>Anais XV Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto &#8211; SBSR, Curitiba, PR, Brasil, 30 de abril a 05 de maio de 2011</em>. INPE, São José dos Campos, SP. p. 2833-2840. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[13] Yanai, A.M.; Graça, P.M.L.A.; Escada, M.I.S.; Ziccardi, L.G.; Fearnside, P.M. 2020. <a href="https://doi.org/10.1016/j.jenvman.2020.110555">Deforestation dynamics in Brazil’s Amazonian settlements: Effects on land-tenure concentration</a>. <em>Journal of Environmental Management</em>, 268, art. 110555. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[14] Saito, E.A. 2010. Caracterização de Trajetórias de Padrões de Ocupação Humana na Amazônia Legal por Meio de Mineração de Dados.. <a href="http://urlib.net/8JMKD3MGP7W/38MM2TL">Dissertação de mestrado em sensoriamento remoto</a>. INPE, São José dos Campos, SP. 158 p. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[15] Saito, E.A.; Fonseca, L.M.G.; Escada, M.I.S.; Körting, T.S. 2012. <a href="https://doi.org/10.14393/rbcv63n3-43749">Efeitos da mudança de escala em padrões de desmatamento na Amazônia.</a> <em>Revista Brasileira de Cartografia</em>, 63(3), 401–414. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[16] Pinheiro, T.F.; Escada, M.I.S.; Valeriano, D.M.; Hostert, P.; Gollnow, F.; Müller, H. 2016. <a href="https://doi.org/10.1175/EI-D-15-0016.1">Forest degradation associated with logging frontier expansion in the Amazon: The BR-163 region in southwestern Pará, Brazil.</a> <em>Earth Interactions</em>, 20, art. 17. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[17] Assis, T.O.; Escada, M.I.S.; Amaral, S. 2021. <a href="ttps://doi.org/10.3390/land10040352">Effects of deforestation over the Cerrado landscape: A study in the Bahia frontier</a>. <em>Land,</em> 10(4), art. 352.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[18] Esta série traduz o trabalho Cabral, B.F., A.M. Yanai, P.M.L.A. Graça, M.I.S. Escada, C.M. de Almeida &amp; P.M. Fearnside. 2024. <a href="https://doi.org/10.1016/j.jenvman.2024.120354">Amazon deforestation: A dangerous future indicated by patterns and trajectories in a hotspot of forest destruction in Brazil. </a><em>Journal of Environmental Management </em>354:art. 120354.</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Beatriz Figueiredo Cabral </strong>possui graduação em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras e mestrado em Ciências de Florestas Tropicais (CFT) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Atualmente é doutoranda em CFT no INPA, onde desenvolva uma tese sobre “Projeções para a Expansão da Fronteira Amazônica: Simulação do Desmatamento e da Degradação Florestal sob Futuros Cenários Climáticos”. Ela tem experiência em análise e manipulação de dados de sensoriamento remoto, sistemas de informação geográfica, programação nas linguagens R e Python e simulação do desmatamento no software Dinamica-EGO para análises espaço-temporais na Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aurora Miho Yanai </strong>é engenheira florestal pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e tem mestrado e doutorado pelo Inpa em ciências de florestas tropicais. Atualmente é pesquisadora no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), onde ela continua suas pesquisas iniciadas como pós-doutoranda no mesmo instituto trabalhando com modelagem de desmatamento na região Trans-Purus. Ela tem experiência na análise e modelagem de desmatamento no sul do Amazonas.<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Paulo Maurício Lima de Alencastro</strong> Graça é doutor pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ele tem mestrado em ciências florestais pela Universidade de São Paulo, (USP-Esalq) e graduação em Engenharia Florestal pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Ele é pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), atuando junto ao laboratório de agroecossistemas. Ele tem publicado artigos sobre mapeamento de exploração madeireira utilizando técnicas de sensoriamento remoto, modelagem espacial do uso da terra, impacto do desmatamento, e eficiência de queima de biomassa florestal, entre outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Maria Isabel Sobral Escada</strong> possui doutorado e mestrado em sensoriamento remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e graduação em ecologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Ela é pesquisadora na Divisão de Observação da Terra e Geoinformática da Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), São José dos Campos, São Paulo. Ela atua nos seguintes temas: monitoramento de floresta por satélite, análise da paisagem e de padrões e processos mudança de uso da terra com técnicas de processamento de imagens, mineração de dados e análise espacial, técnicas aplicadas a estudos sobre degradação florestal, desmatamento, regeneração, atividades econômicas associadas ao uso e cobertura da terra e saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudia Maria de Almeida </strong>possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo &#8211; USP, Mestrado em Infrastructure Planning pelo Centre for Infrastructure Planning, Universität Stuttgart, Alemanha, e Doutorado em Sensoriamento Remoto pela University College London, Inglaterra / Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Tem experiência na área de Sensoriamento Remoto aplicado ao Planejamento Urbano e Regional, com ênfase em Técnicas de Previsão e Avaliação Urbana e Regional, atuando principalmente nos seguintes temas: Modelagem Dinâmica Espacial, Modelos de Autômatos Celulares, Sensoriamento Remoto de Alta Resolução Espacial, Análise de Imagens Baseada em Objeto e Geoinformação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Philip Martin Fearnside</strong> é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis <a href="https://philip.inpa.gov.br">aqui</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Dantas Transportes é multada após poluir Rio Urubu </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Kátia Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Sep 2026 23:50:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[turismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) informou que autou uma empresa de transportes por infrações ambientais, que afetaram a coloração das águas do rio Urubu e da Cachoeira Natal, em Presidente Figueiredo (AM), mas não divulgou a identidade da autora da poluição sob o argumento de que “poderia comprometer a fiscalização”. No entanto, três fontes, que acompanharam a fiscalização, ouvidas pela Amazônia Real apontaram a Dantas Transportes e Instalações Ltda como a empresa responsável pelos danos ambientais. Segundo o Ipaam, "a empresa realizava intervenções de aterro e terraplanagem a cerca de oito quilômetros da cachoeira para a formação de uma praia artificial. Devido às irregularidades, o Ipaam embargou a obra da empresa de transportes e aplicou uma multa de mais de  R$ 3 milhões, decorrente de três infrações: falta de licença ambiental, lançamento de resíduos no curso d'água e intervenção em Área de Preservação Permanente (APP)".</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus (AM) &#8211; </strong>Um dos destinos turísticos mais visitados da Amazônia, o município de Presidente Figueiredo, no Amazonas, que recebe em média 50 mil turistas por ano e, por isso, é conhecido como a &#8220;Terra das Cachoeiras&#8221;, ganhou as redes sociais no domingo (13), quando imagens da poluição do rio Urubu e da Cachoeira Natal viralizaram por denúncia do morador e empresário Jones Farias de Oliveira. As águas cristalinas das corredeiras tornaram-se barrentas, que indicam a presença de terra, argila ou sedimentos misturados no líquido, o que altera a cor e a transparência normais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Nunca presenciei uma alteração dessa proporção no rio Urubu e na Cachoeira Natal, que tem águas cristalinas, mas estavam turvas, é morada de cobras e espécies de peixes como matrinxã, tucunaré e traíra. Ver um rio desse tomado e passar um dia todo com um sedimento daquele, com uma alteração de cor daquela, realmente foi algo bem grande. Aqui nunca teve essa alteração. Chorei ao ver essa situação”, afirmou Oliveira em entrevista à<strong> Amazônia Real.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na segunda-feira (14), uma equipe de fiscalização do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) esteve em Presidente Figueiredo, que fica a cerca de 117 quilômetros de Manaus, e confirmou as infrações ambientais. “Os sedimentos foram lançados no curso d’água a partir de uma área onde eram realizadas obras irregulares, localizada a cerca de oito quilômetros acima da Cachoeira Natal”, informou o órgão, em nota oficial, que não revelou o nome da empresa de transportes e nem do proprietário do imóvel rural.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Três fontes ouvidas pela <strong>Amazônia Real</strong>, que acompanharam a fiscalização da Prefeitura de Presidente Figueiredo e do Ipaam,<strong> </strong>&nbsp;apontaram a Dantas Transportes e Instalações Ltda. como a empresa mencionada na nota oficial do instituto ambiental. Segundo as fontes, a Dantas seria responsável pela execução das obras de terraplanagem no terreno fiscalizado, em Presidente Figueiredo. O Ipaam não confirmou oficialmente a identidade da empresa autuada. <em>Leia mais abaixo a resposta do instituto.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A empresa é de propriedade de Francisco Luiz Dantas da Silva. Fundada em 1986, a empresa tem sede em Manaus e atua no transporte rodoviário de passageiros e <a href="https://blogdohiellevy.com.br/tcu-abre-tomada-de-contas-especial-para-investigar-contrato-multimilionario-da-seduc-com-a-empresa-dantas-transportes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">escolar</a>, além de serviços de infraestrutura na região, como terraplanagem.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em nota à imprensa, ainda nesta segunda-feira (14), o Ipaam disse que “a empresa foi multada em R$3.015.500 pelas irregularidades constatadas durante a fiscalização. Do total, R$1.510.500 correspondem à realização de obra sem licença ambiental, R$1,5 milhão ao lançamento de resíduos em curso d’água, e R$5 mil pela intervenção em APP (Área de Preservação Permanente).”&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Ipaam declarou, em nota, que a empresa de transportes também teve a obra embargada após a fiscalização atribuir à intervenção o lançamento irregular de sedimentos no rio Urubu e na região da Cachoeira Natal. O órgão destacou que os fiscais encontraram serviços de aterro e terraplanagem possivelmente relacionados à formação de uma praia artificial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Presidente Figueiredo há mais de 150 quedas d&#8217;água catalogadas. A Cachoeira Natal fica na região do Ramal do Urubuí e é muito frequentada por turistas de diferentes partes do Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O que diz a empresa?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>Amazônia Real </strong>procurou a Dantas Transportes por e-mail, mensagens de WhatsApp e ligações telefônicas desde às 8h13 desta terça-feira (15), mas a empresa não respondeu às solicitações de entrevista. A agência também procurou o advogado apontado como representante da empresa, Jean Simões, mas ele não respondeu até o fechamento desta matéria. Nas perguntas enviadas para ambos, a reportagem questionou se a empresa vai recorrer da decisão da multa do Ipaam e pediu esclarecimentos sobre sua a relação com a obra, a propriedade do terreno, o licenciamento e a execução da terraplanagem. Caso a empresa se manifeste, seu posicionamento será incluído nesta reportagem, que será atualizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O &#8220;sigilo&#8221; do Ipaam</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FISCALIZACAO-CACHOEIRA-NATAL-FOTO-PREFEITURA-DE-PRES-FIGq3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="734" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FISCALIZACAO-CACHOEIRA-NATAL-FOTO-PREFEITURA-DE-PRES-FIGq3-1024x734.jpg" alt="" class="wp-image-176551" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FISCALIZACAO-CACHOEIRA-NATAL-FOTO-PREFEITURA-DE-PRES-FIGq3-1024x734.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FISCALIZACAO-CACHOEIRA-NATAL-FOTO-PREFEITURA-DE-PRES-FIGq3-300x215.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FISCALIZACAO-CACHOEIRA-NATAL-FOTO-PREFEITURA-DE-PRES-FIGq3-768x550.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FISCALIZACAO-CACHOEIRA-NATAL-FOTO-PREFEITURA-DE-PRES-FIGq3-150x108.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FISCALIZACAO-CACHOEIRA-NATAL-FOTO-PREFEITURA-DE-PRES-FIGq3.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Fiscais encontraram uma obra de terraplanagem irregular  (Foto Prefeitura de Presidente Figueiredo/14/09/2026). </em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>Amazônia Real</strong> questionou o Ipaam sobre o motivo de não divulgar o nome da empresa e do proprietário do terreno, que são informações de interesse público diante da repercussão da poluição do rio Urubu e da Cachoeira Natal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta terça-feira (15), o Ipaam enviou nota à reportagem informando que: “divulga informações sobre fiscalizações e autuações realizadas pelo órgão, observando os procedimentos administrativos e os limites previstos na legislação.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A não identificação da empresa na divulgação citada não decorre de sigilo de investigação. Em determinadas situações, o Instituto pode preservar informações cuja divulgação possa comprometer as ações de fiscalização e apuração”, argumentou o órgão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Ipaam esclareceu na nota que não há norma que determine o sigilo ou a preservação do nome de pessoas jurídicas durante todo o processo administrativo. “As informações são divulgadas conforme o estágio de tramitação e os limites legais aplicáveis a cada caso. Os autos de infração e demais atos administrativos são disponibilizados nos canais oficiais do Instituto, incluindo o Diário Oficial do Estado do Amazonas (DOE-AM).”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto à possibilidade de recurso da empresa de transportes, o Ipaam afirmou que: “a aplicação da multa não encerra o processo administrativo. A empresa autuada pode recorrer nas instâncias previstas na legislação. Em razão do valor da multa, superior a R$ 250 mil, eventual recurso pode chegar ao Conselho Estadual de Meio Ambiente do Amazonas (CEMAAM), última instância administrativa, e, quando o recurso possui efeito suspensivo, a cobrança da penalidade fica suspensa até o julgamento.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a fiscalização em Presidente Figueiredo, na segunda-feira (14), o Ipaam disse que atestou que a coloração da água do rio Urubu já estava dentro dos padrões de normalidade. “No atual cenário de estiagem, o órgão considera menor o risco de um novo carreamento imediato de sedimentos.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Diante do risco de que o material volte a alcançar o curso d’água com o aumento das chuvas, o responsável pela intervenção deverá apresentar um Plano de Recuperação de Área Degradada (Prad), com medidas para conter o deslocamento dos sedimentos e recuperar a área afetada”, diz a nota do Ipaam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na mesma nota enviada na segunda-feira, o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, destacou que a fiscalização identificou uma intervenção de grande proporção na área, com movimentação de solo e ausência de medidas de contenção para impedir que os sedimentos chegassem ao curso d’água.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Foi uma intervenção muito grande, com aterro e terraplanagem irregulares, sem nenhuma contenção para impedir que esse material chegasse ao curso d’água. Vamos fazer uma análise temporal para saber a proporção dessa intervenção e exigir a recuperação da área degradada”, afirmou Picanço.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mobilização ambiental</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Fiscalizacao-Cachoeira-Natal-Foto-IPAAM-2.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="681" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Fiscalizacao-Cachoeira-Natal-Foto-IPAAM-2-1024x681.jpeg" alt="" class="wp-image-176566" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Fiscalizacao-Cachoeira-Natal-Foto-IPAAM-2-1024x681.jpeg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Fiscalizacao-Cachoeira-Natal-Foto-IPAAM-2-300x200.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Fiscalizacao-Cachoeira-Natal-Foto-IPAAM-2-768x511.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Fiscalizacao-Cachoeira-Natal-Foto-IPAAM-2-1536x1021.jpeg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Fiscalizacao-Cachoeira-Natal-Foto-IPAAM-2-150x100.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Fiscalizacao-Cachoeira-Natal-Foto-IPAAM-2.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Obra irregular poluiu de sedimentos o rio Urubu e a Cachoeira Natal  (Foto Prefeitura de Presidente Figueiredo/14/09/2026).</em> </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas redes sociais, a reportagem verificou diversos questionamentos sobre a identificação da empresa responsável pela intervenção. Em comentários nas publicações sobre o caso, frequentadores afirmam saber qual seria a empresa responsável pela área, enquanto questionam por que o nome não havia sido divulgado pelas autoridades até então. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O clamor tomou conta dos moradores e turistas que estavam, no domingo, fazendo lazer na Cachoeira Natal, e presenciaram as águas turvas e barrentas da corredeira. A situação alertou a administração do Espaço Ecoturístico Natal Falls, do qual Jones Oliveira é o gerente administrativo e morador do município há 15 anos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">“Fui até a área e registrei um vídeo que passou a circular nas redes sociais”, disse ele, que nas imagens, demonstrou preocupação com a alteração e passou a orientar os visitantes a não entrarem nas águas poluídas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Oliveira contou que procurou os órgãos ambientais em Presidente Figueiredo para comunicar o problema. Em seguida, decidiu suspender a visitação. Naquele momento, segundo ele, ainda não havia uma explicação sobre a origem da alteração das águas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Subiu um cliente dizendo que a água não estava boa. Quando ele me mostra o vídeo, aí a coisa realmente ficou assustadora. Corri para comunicar a secretaria de turismo e a Semmas daqui do município. Fiz o vídeo para comunicar os clientes, para que não viessem mais, porque estaria fechado pela falta de condição de banho”, explicou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O banhista Gustavo de Sá, de 46 anos, esteve na Cachoeira Natal no domingo, quando a alteração na água foi percebida pelos frequentadores. Ele chegou ao local no momento em que os banhistas deixavam a cachoeira assustados e procuravam pela gerência do local. “Eles relatavam que a água havia mudado sua coloração e estava com aspecto amarelado, cor de barro. Preferi não registrar o triste momento, porém, o Guardião Jones o fez”, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Frequentador da Cachoeira Natal desde 2018, Sá reforçou que o episódio é motivo de preocupação e exige medidas para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer. “Atualmente é preocupante. Se ações para evitar esse tipo de situação não forem tomadas de forma imediata e exemplar pelos órgão responsáveis, isso pode ser o início de práticas que começarão a afetar e até acabar com&nbsp; lugares icônicos como é a Cachoeira Natal e até mesmo outros lugares de Presidente Figueiredo”, declarou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Jones Oliveira, o principal impacto do episódio não foi apenas financeiro, mas ambiental. A preocupação maior, de acordo com ele, era com os efeitos da grande quantidade de sedimentos sobre a vida existente no rio. </p>



<p class="wp-block-paragraph">“Eu até comento no vídeo, que aqui a gente brinca que tem cobra. Cobra é um selo de qualidade do rio, porque se tem a cobra, é porque ela está se alimentando. E está se alimentando do peixe que ali vive. E o peixe só vive dentro da água que está boa”, manifestou o guardião.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ameaça ambiental cresce</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O geógrafo e professor Maiká Schwade, morador de Presidente Figueiredo, afirmou que o episódio chama atenção para o crescimento de intervenções próximas aos igarapés e às áreas de mata ciliar do município. Segundo ele, obras realizadas sem medidas de contenção podem favorecer o carreamento de sedimentos durante as chuvas. “Já vi outros igarapés na região que ficaram amarelados quando chovia devido às obras irregulares. Isso é fruto dessas intervenções na mata ciliar sem cuidado ou autorização e fiscalização”, disse Schwade. <strong>(Colaborou Elaíze Farias)</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FISCALIZACAO-CACHOEIRA-NATAL-FOTO-PREFEITURA-DE-PRES-FIGq10.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="850" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FISCALIZACAO-CACHOEIRA-NATAL-FOTO-PREFEITURA-DE-PRES-FIGq10-1024x850.jpg" alt="" class="wp-image-176558" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FISCALIZACAO-CACHOEIRA-NATAL-FOTO-PREFEITURA-DE-PRES-FIGq10-1024x850.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FISCALIZACAO-CACHOEIRA-NATAL-FOTO-PREFEITURA-DE-PRES-FIGq10-300x249.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FISCALIZACAO-CACHOEIRA-NATAL-FOTO-PREFEITURA-DE-PRES-FIGq10-768x637.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FISCALIZACAO-CACHOEIRA-NATAL-FOTO-PREFEITURA-DE-PRES-FIGq10-150x125.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FISCALIZACAO-CACHOEIRA-NATAL-FOTO-PREFEITURA-DE-PRES-FIGq10.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Ipaam multou  empresa por obra irregular de terraplanagem (Fotos Prefeitura de Presidente Figueiredo/14/09/2026)</em></figcaption></figure>



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<p class="wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: Os textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência Amazônia Real estão licenciados com uma&nbsp;</em><a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nd/4.0/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional&nbsp;</em></a><em>(CC BY ND 4.0), e podem ser republicados na mídia: jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura; com o crédito do autor e da agência Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença e precisam de autorização dos autores.</em></p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Violência contra a mulher vai além da polícia: o que cobrar do seu candidato</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Amazônia Real]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Sep 2026 19:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[crianças de Marajó]]></category>
		<category><![CDATA[Damares]]></category>
		<category><![CDATA[Feminicídio]]></category>
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		<category><![CDATA[Violência contra mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Duas décadas após a Lei Maria da Penha, feminicídios seguem em alta no Brasil. Especialistas apontam que prevenção exige políticas que vão de autonomia financeira e educação ao acesso à saúde e à rede de proteçã</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Mariana Rosetti, da Ponte Jornalismo</strong>*</p>





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<p class="wp-block-paragraph">“Acordei de repente com um forte estampido dentro do quarto. Abri os olhos. Não vi ninguém. Tentei mexer-me, mas não consegui. Imediatamente fechei os olhos e um só pensamento me ocorreu: ‘Meu Deus, o Marco me matou com um tiro&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O relato integra as páginas de <em>“Sobrevivi… posso contar&#8221;</em>, livro publicado em 1994 por Maria da Penha, que anos depois daria nome à principal lei brasileira de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O autor do pesadelo narrado é o economista colombiano Marco Antônio Heredia Viveros. Os dois se conheceram em 1974, enquanto Penha cursava o mestrado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), e se casaram dois anos depois, indo morar em Fortaleza (CE).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1983, Penha sobreviveu à primeira tentativa de homicídio cometida por Marco, quando ficou paraplégica. Ao retornar do hospital, uma nova tentativa. Dessa vez, Marco tentou eletrocutá-la durante o banho, após mantê-la em cárcere privado por dias.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-rep5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-rep5-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-176451" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-rep5-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-rep5-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-rep5-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-rep5-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-rep5-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-rep5.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Maria da Penha durante a 18ª edição da Jornada Lei Maria da Penha, em Brasília (Foto: José Cruz/Agência Brasil).</sub><sup><sub> </sub></sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Ele foi condenado pela primeira vez em 1991, mas a sentença foi anulada. Após um novo julgamento, foi condenado novamente e preso em 2002, cerca de 19 anos após a tentativa de homicídio. Cumpriu aproximadamente dois anos de prisão antes de obter liberdade. Em 2001, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) responsabilizou o Brasil pela demora e ineficácia da Justiça no caso, reconhecendo violações aos direitos de Maria da Penha e recomendando medidas para combater a tolerância à violência doméstica, proteger mulheres e responsabilizar agressores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo assim, quando se trata de prevenção, o poder público segue incapaz de evitar que mulheres sejam vitimadas. Em 2025, o país registrou 1.571 casos de feminicídio, uma alta de 4% em relação ao ano anterior, segundo o<a href="https://forumseguranca.org.br/publicacoes/anuario-brasileiro-de-seguranca-publica/"> Anuário Brasileiro de Segurança Pública</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O número, que segue crescendo, torna-se decisivo em 2026, ano eleitoral. Seja por iniciativa genuína ou manobra, a erradicação da violência contra a mulher no Brasil — que já carregava suas complexidades e desafios — ganhou uma nova roupagem: tornou-se um valioso capital político, já que mulheres representam 52,4% do eleitorado nacional, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o que significa, na prática, uma proposta capaz de prevenir a violência contra meninas e mulheres? Especialistas ouvidos pela Ponte apontam problemas que começam muito antes do registro do boletim de ocorrência: a ausência de serviços públicos e redes de proteção, sobretudo em municípios pequenos e territórios vulnerabilizados; a dependência econômica que dificulta o rompimento de relações abusivas; desigualdades raciais e territoriais; e um modelo de resposta ainda concentrado na polícia e na punição depois que a violência já aconteceu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma eleição, olhar para esses pontos ajuda a diferenciar propostas capazes de enfrentar as condições que permitem a escalada da violência de medidas que agem apenas quando a mulher já foi vitimada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E é justamente esse terreno que a Ponte investiga nesta reportagem, parte do<a href="https://ponte.org/categoria/eleicoes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Ponte nas Eleições</a>, projeto especial sobre segurança pública e os temas que estarão em disputa nas eleições gerais deste ano. Ao longo da série, a Ponte analisa como decisões tomadas por governos estaduais moldam as políticas de segurança e seus impactos sobre a população.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quando a proteção não chega&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vestidas com uniforme escolar, cinco meninas ensaiam ao som de uma música gospel. O intuito é apresentar a coreografia aos fiéis no próximo culto. Em um dos passos, elas se viram de lado, e é quando quem assiste se depara com uma barriga grande e arredondada: uma das crianças está grávida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É assim, nas sutilezas de uma infância roubada, que a violência de gênero grita em <em>Manas</em>, longa-metragem de Marianna Brennand, lançado em 2024.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-rep5.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-rep5-1024x768.jpeg" alt="" class="wp-image-176452" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-rep5-1024x768.jpeg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-rep5-300x225.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-rep5-768x576.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-rep5-150x113.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-rep5.jpeg 1040w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Personagem Marcielle, a &#8216;Tielle&#8217;, de 13 anos, no longa-metragem Manas de Mariana Brennand (Foto: Reprodução ).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">No centro da trama está Marcielle, a &#8216;Tielle&#8217;, uma menina de 13 anos, moradora da Ilha do Marajó, no Pará, que, tão logo tem sua primeira menstruação, é estuprada pelo pai. Ela tenta buscar ajuda. Mas a mãe, ciente do que acontece, também é vítima dessa violência, assim como as colegas de turma e as moradoras da ilha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tielle, encurralada a um destino que parece irredutível, tenta buscar uma saída por conta própria. Ao lado de uma amiga, embarca em uma das balsas que cortam os rios da região. Ali, é explorada sexualmente por um homem que lhe entrega poucas notas de dinheiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o valor, a menina compra um objeto hiper desejado: não roupas, doces ou um caderno para desenhar, mas uma corda. O objetivo era consertar sua rede, que havia estourado, e, assim, deixar de dividir a mesma cama que o seu agressor, o próprio pai. Esse é o modo que encontra de tentar cessar a violência de que é vítima.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na obra de Mariana Brennand, o rio, que ressoa como pano de fundo em todas as cenas, faz com que seja impossível esquecer o território que cerca Tielle. O som constante das águas torna ainda mais evidente o isolamento de Tielle e a ausência de uma rede de proteção capaz de alcançá-la. Fora da ficção, o mesmo território seria colocado no centro do debate político sobre violência sexual contra meninas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A exploração eleitoral da violência de gênero </strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Voltando à vida real: em julho de 2019<a href="https://apublica.org/2019/09/investigamos-a-violencia-sexual-no-marajo-e-nao-e-nada-do-que-a-ministra-damares-diz/">,</a> Damares Alves, então ministra da Família e dos Direitos Humanos, transformou a Ilha de Marajó em um palco de horrores.<a href="https://apublica.org/2019/09/investigamos-a-violencia-sexual-no-marajo-e-nao-e-nada-do-que-a-ministra-damares-diz/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Disse que as meninas na ilha são estupradas porque não usam calcinha</a> — atribuindo a culpa da violência às crianças e adolescentes — e chegou a propor a instalação de uma fábrica de roupas íntimas no local.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A declaração foi feita durante a apresentação &#8220;Abrace o Marajó&#8221;, programa federal que prometia ampliar o acesso a serviços de saúde, educação e segurança, renda e direitos humanos para a população local.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Três anos depois, em outubro de 2022, já ex-ministra e então senadora, Damares afirmou que crianças da região tinham seus dentes arrancados para não morderem órgãos genitais ao praticar sexo oral. Sem apresentar evidências para a afirmação, Damares inseriu o relato na campanha pela reeleição de Jair Bolsonaro, a quem atribuiu &#8220;o maior programa de desenvolvimento regional na Ilha do Marajó&#8221;. À época, o <strong>Portal Sumaúma</strong> mostrou que<a href="https://sumauma.com/damares-alves-mente-criancas-ilha-marajo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> as alegações sobre crianças da região não tinham comprovação e apontou o uso eleitoral do tema.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">No mesmo mês, o <strong>Jornal O Globo</strong> publicou que<a href="https://oglobo.globo.com/politica/eleicoes-2022/noticia/2022/10/programa-citado-por-ministerio-apos-damares-relatar-abuso-infantil-nao-gastou-nada-neste-ano.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> o governo federal não havia gastado um real sequer naquele ano com o programa &#8220;Abrace o Marajó&#8221;</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Anos depois, diante da nova circulação de informações falsas sobre o arquipélago, o<a href="https://x.com/obsdomarajo/status/1760709977113493801?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1760709977113493801%7Ctwgr%5E5f0a53041c1669224943f6eea285edf4b513fb98%7Ctwcon%5Es1_&amp;ref_url=https%3A%2F%2Foglobo.globo.com%2Fblogs%2Fsonar-a-escuta-das-redes%2Fnoticia%2F2024%2F02%2F23%2Fguerra-cultural-sobre-pedofilia-na-ilha-de-marajo-envolve-do-planalto-a-nikolas-ferreira-e-artistas.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Observatório do Marajó ressaltou que esse tipo de discurso estigmatiza o território</a> e desloca a responsabilidade do poder público pela proteção de crianças e adolescentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Observatório afirmou que Damares &#8220;não destinou os recursos milionários que por diversas vezes prometeu para a região&#8221; e defendeu que o arquipélago precisa de políticas &#8220;baseadas em evidências, boas práticas, saberes tradicionais, valores do bem viver — não mentiras, distorções, manipulações, pânico moral&#8221;, dizia o comunicado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A violência de gênero também passa pelo controle dos territórios</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ausência de políticas de proteção é apenas uma das dimensões que marcam a vida de mulheres nesses territórios. Na Amazônia, a expansão de grupos armados e economias ilegais cria outras camadas de vulnerabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa<a href="https://fogocruzado.org.br/relatorios/floresta-em-po/"> Floresta em Pó</a>, publicada pelo<a href="https://fogocruzado.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Instituto Fogo Cruzado</a> em parceria com a<a href="https://iniciativanegra.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Iniciativa Negra por uma Nova Política Sobre Drogas</a>, aponta a expansão de mercados ilegais e de grupos armados na região amazônica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O resultado disso é um aumento nos conflitos entre facções, a expansão das áreas de atuação do garimpo e a escalada de crimes ambientais,<a href="https://amazoniareal.com.br/faccoes-na-amazonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> como denunciou a <strong>Amazônia Real</strong></a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, Thiago Calil, que é psicólogo, doutor em Saúde Global e Sustentabilidade pela USP e um dos autores do estudo, analisa que quilombolas, indígenas, ribeirinhos e moradores de favelas das cidades amazônicas vivem sob o “risco constante de criminalização, insegurança social e econômica e de invasão de seus territórios por grupos armados&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Dandara Rudsan, advogada, mulher negra e ativista trans que defende os direitos humanos e o meio ambiente na Amazônia, as forças de poder que atuam — ou deixam de atuar — nos territórios estão diretamente ligadas à violência de gênero.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre 2024 e 2025, os casos de violência direcionada às mulheres cresceram 69% no estado do Amazonas e 76% no Pará, segundo apontou o relatório &#8220;<a href="https://observatorioseguranca.com.br/elas-vivem-a-urgencia-da-vida/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Elas Vivem: a urgência da vida</em></a>&#8220;, da Rede de Observatórios. Tentativas de feminicídio (383 registros) e violência sexual (353) representaram a maioria das ocorrências no Amazonas. Já no Pará, as principais notificações foram de feminicídios consumados (73) e tentados (299).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na avaliação de Rudsan, as mulheres são alvos duplos: lutam para proteger o lugar que habitam, enquanto são violentadas por seu gênero. Desse modo, impedir a escalada dos feminicídios e da exploração sexual também exige intervir na economia do crime.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quando as próprias mulheres precisam construir a proteção</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O puerpério feminino, tradicional período de resguardo ou quarentena pós-parto, dura, em média, 45 dias. Esse é o exato período que algumas mulheres mais velhas passam na casa de suas filhas, após a chegada dos netos em territórios da Chapada Diamantina, na Bahia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As quilombolas não nomeiam a ação como uma &#8220;política de proteção à violência de gênero&#8221;. O que parece apenas um apoio familiar tradicional é também uma estratégia encontrada pelas matriarcas para proteger as filhas do estupro marital no período em que estão fisicamente mais vulneráveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Elas trazem esse relato de um lugar de cuidado de mãe para filha. Mas a gente consegue entender que ela está usando uma estratégia de defesa&#8221;, explica Amanda Oliveira, militante pelos direitos quilombolas e técnica nos projetos de enfrentamento à violência contra as mulheres do<a href="https://institutoodara.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Odara &#8211; Instituto da Mulher Negra</a>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir da escuta de dezenas de mulheres em 13 territórios tradicionais baianos, Amanda constatou que falar em redes oficiais de proteção — como Delegacias da Mulher, Casas Abrigo e Patrulha Maria da Penha — é tratar de uma “realidade distante”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E é aqui que, para Amanda, a perspectiva de gênero se funde de forma inescapável com a questão racial. O vácuo do Estado nessas comunidades historicamente invisibilizadas é tão profundo que a pauta de reivindicações ainda se concentra no mínimo existencial: o acesso a postos de saúde, escolas e vias pavimentadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dificuldade de acesso à rede de proteção não se restringe às comunidades ouvidas por Amanda. Em 2024, por exemplo, metade dos feminicídios que aconteceram no Brasil foram em municípios com menos de 100 mil habitantes, sendo as mulheres negras o maior alvo. Apenas 5% dessas cidades contavam com delegacia da mulher.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados são da pesquisa<a href="https://publicacoes.forumseguranca.org.br/server/api/core/bitstreams/3b78fed5-6500-4c8e-b64e-d6d9c81f0f92/content" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> &#8220;<em>Retrato dos Feminicídios no Brasil</em>&#8220;</a>, divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). <a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/03/04/metade-dos-feminicidios-no-brasil-ocorre-em-cidades-de-ate-100-mil-habitantes-diz-pesquisa.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em entrevista ao g1</a>, Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP, ressaltou que a concentração de feminicídios em cidades menores é explicada pela ausência de infraestrutura especializada, barreiras geográficas e pressões sociais típicas desses territórios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa dinâmica de sobrevivência criada pelas próprias mulheres expõe a falta de serviços especializados em territórios vulneráveis, mas também propõe uma discussão: será que a proteção à mulher deve ser ancorada exclusivamente no boletim de ocorrência?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pergunta é central para pensar políticas de prevenção: se nem todas as mulheres conseguem acessar uma delegacia — e a violência pode dar sinais em outros serviços públicos muito antes de chegar à polícia —, concentrar a resposta do Estado no registro da ocorrência deixa-as desprotegidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quando a delegacia não basta</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando Vanessa Ricarte, 42, conseguiu fugir da própria casa, onde era mantida em cárcere privado pelo companheiro, Caio Nascimento, em Campo Grande (MS), seu primeiro destino foi a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Ali, registrou um boletim de ocorrência e pediu uma medida protetiva de urgência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">À tarde, Vanessa retornou à delegacia para detalhar a rotina de abusos que sofria do homem que, segundo o Ministério Público atestou depois, “a perseguia de forma implacável há semanas&#8221;. O intuito era conseguir com que ele saísse de sua casa.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-rep5.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="601" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-rep5-1024x601.jpeg" alt="" class="wp-image-176453" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-rep5-1024x601.jpeg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-rep5-300x176.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-rep5-768x451.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-rep5-150x88.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-rep5.jpeg 1080w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>A jornalista Vanessa Ricarte em retrato divulgado em redes sociais (Foto: Redes Sociais/Reprodução).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Vanessa pediu à delegada os antecedentes criminais de Caio, mas a polícia alegou sigilo e omitiu que o homem já somava 14 processos por violência doméstica no Tribunal de Justiça (TJMS),<a href="https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2025/02/15/jornalista-relata-descaso-ao-procurar-deam-para-denunciar-o-ex-noivo-horas-antes-de-ser-morta-ouca-audio.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> segundo informou o portal g1</a>. Ao retornar para casa, acompanhada de um amigo, foi assassinada por Caio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 12 de fevereiro de 2025, nas duas oportunidades que o Estado teve de evitar a morte de Vanessa, falhou.<a href="https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2025/02/15/jornalista-relata-descaso-ao-procurar-deam-para-denunciar-o-ex-noivo-horas-antes-de-ser-morta-ouca-audio.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Em áudio revelado pelo g1</a>, ela desabafou com amigas: &#8220;Eu estou bem impactada com o atendimento [na delegacia] (&#8230;). Eu, que tenho toda instrução, fui tratada dessa maneira. Imagine uma mulher vulnerável. Essas que vão para a estatística do feminicídio&#8221;.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caso de Vanessa mostra o limite de uma rede que reage quando a violência já alcançou um estágio grave. Para outras mulheres, a própria delegacia pode nem sequer ser percebida como um lugar seguro para pedir ajuda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dandara Rudsan é categórica ao afirmar que, por ser uma mulher travesti, a delegacia não é o primeiro lugar onde buscaria ajuda em uma situação de violência. A ativista lembra que muitas mulheres transexuais exercem trabalho sexual e são estigmatizadas e revitimizadas nesses espaços — compostos, majoritariamente, por homens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Situação semelhante acontece com mulheres negras, que nem sempre enxergam delegacias como sinônimo de segurança pelo extenso histórico de criminalização e vulnerabilização da população negra e militarização de seus territórios, defende Dandara.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se a delegacia falha em proteção e não é a porta de acesso de muitas mulheres, basear a formulação de políticas públicas apenas em boletins de ocorrência é, portanto, &#8220;um tiro no pé&#8221;, define Dandara. Ela pontua que o feminicídio não é um crime espontâneo, mas o estágio final de um ciclo de violência progressivo, o que o torna identificável e evitável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O poder público precisa ser capaz de mapear e responder: quantas vezes essa mulher recorreu a um posto de saúde com lesões mal explicadas? Quantas vezes foi atendida por uma assistente social no CAPS ou deu entrada na emergência de um hospital antes de ser morta?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O discurso que muda conforme o período eleitoral&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">“Epidemia de feminicídios” é o que São Paulo vive, nomeou Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo e candidato à reeleição,<a href="https://www.cnnbrasil.com.br/politica/tarcisio-diz-que-sp-vive-epidemia-de-feminicidios-e-promete-combate/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> durante um evento em Carapicuíba, na Grande São Paulo, em dezembro de 2025</a>. “Temos um grande problema, uma grande epidemia, que é a violência contra a mulher. Temos que combater e vamos usar toda a energia necessária para isso&#8221;, afirmou na data.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No início de seu mandato, em 2023, Tarcísio retirou<a href="https://ponte.org/tarcisio-corta-r-52-milhoes-das-delegacias-da-mulher-em-sao-paulo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> R$ 5,2 milhões de investimento das Delegacias da Mulher 24h</a>. Já em 2025, segundo um levantamento feito pelo <strong>Brasil de Fato</strong>, destinou o equivalente a R$ 0,18 por mulher na faixa etária de 15 a 59 anos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, propôs um orçamento para a Secretaria de Políticas para a Mulher em 2026,<a href="https://www.brasildefato.com.br/2025/11/14/orcamento-proposto-por-tarcisio-em-sp-para-secretaria-da-mulher-e-544-menor-que-o-aprovado-em-2025/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> 54,4% menor do que a dotação inicial aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025</a> — ano em que o Estado registrou 270 casos de feminicídio, segundo o FBSP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Questionados pela <strong>Ponte </strong>sobre a disparidade entre o reconhecimento da “epidemia de feminicídios” e os dados de redução orçamentária e investimento na área, o Governo de São Paulo afirmou que o enfrentamento à violência contra a mulher é uma prioridade e argumentou que os recursos destinados às mulheres estão distribuídos entre diferentes secretarias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o governo, o orçamento previsto especificamente para a Secretaria de Políticas para a Mulher em 2026 é de R$ 30,5 milhões, ante R$ 9 milhões em 2024. A gestão também afirmou que, em pouco mais de um semestre de 2026, mais de R$ 19 milhões haviam sido empenhados, ante cerca de R$ 21 milhões executados durante todo o ano de 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na área de segurança, o governo destacou a expansão da rede especializada de atendimento, que, segundo a gestão, passou de 202 para 379 unidades entre Delegacias de Defesa da Mulher e Salas DDM. Também citou o aplicativo SP Mulher Segura, o monitoramento de agressores com tornozeleiras eletrônicas, a Patrulha SP Mulher Segura, as Casas da Mulher Paulista, o Auxílio Aluguel e o Protocolo Não Se Cale.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A campanha de Tarcísio, também procurada, afirmou que as políticas para as mulheres são “parte central” da atual gestão e apresentou propostas para um eventual segundo mandato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gabriela Toso, advogada e fundadora da<a href="https://www.instagram.com/todacidada/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Toda Cidadã</a> — organização sem fins lucrativos dedicada a democratizar a educação sobre direitos políticos de meninas e mulheres —, defende que &#8220;é fácil ser contra a violência contra a mulher. É um tema que não está em disputa. Ninguém está dizendo: &#8216;tem que bater mesmo&#8217;, porque isso perde voto e mais da metade do eleitorado é de mulheres&#8221;, pontua.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o assunto é o sistema prisional ou a letalidade policial, por exemplo, é comum candidatos justificarem ou negarem que existam violações de direitos. A violência de gênero, por sua vez, não admite essa rejeição pública por ser um tema que sensibiliza a sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há, ainda, um outro elemento: policiais e agentes penais são representantes do Estado. O agressor de uma mulher, via de regra, é um cidadão comum, que comete o crime no espaço íntimo e privado. O que contribui para a percepção popular de que a violência contra a mulher ou o feminicídio são resultados de escolhas individuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma eleição em que mulheres têm o poder de decidir resultados, o desmonte das redes de proteção não acontece pelo confronto direto. Discussões fundamentais para virar o jogo abrem espaço para o esvaziamento silencioso de recursos, o não enfrentamento de problemas estruturais e uma narrativa simples e confortável, mas que não provoca mudança alguma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, mais do que identificar candidatos que prometem &#8220;combater o feminicídio&#8221;, especialistas defendem que o eleitor observe quais políticas são propostas para agir antes que a violência chegue à tentativa de homicídio ou à morte.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O que uma política de prevenção precisa ter</strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Romper com essa lógica exige abandonar a premissa de que o Estado só precisa agir quando uma mulher já sofreu no próprio corpo. &#8220;Temos um domínio de respostas voltado para o tratamento da violência depois que ela acontece, seja focando na punição do agressor ou na proteção da vítima&#8221;, explica Melina Risso, diretora de Pesquisa do<a href="https://igarape.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Instituto Igarapé</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Da tentativa de compreender quais políticas públicas de prevenção funcionam efetivamente, o Instituto construiu o<a href="https://igarape.org.br/guia-pratico-para-formulacao-de-politicas-publicas-de-prevencao-a-violencia-contra-mulheres/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Guia Prático para Formulação de Políticas Públicas de Prevenção à Violência contra Mulheres</a>, com caminhos possíveis a partir das poucas iniciativas existentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Risso explica que parte da solução exige mexer em engrenagens profundas da sociedade. Por exemplo, incentivar iniciativas que garantam autonomia financeira, como programas de transferência de renda e capacitação, que coloquem a mulher no centro das decisões econômicas para romper com relações abusivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra medida é promover mudanças nas normas sociais de gênero, investindo em programas educacionais que &#8220;desafiem estereótipos de gênero prejudiciais e promovam relações baseadas no respeito mútuo e na igualdade de direitos&#8221;, apontou o guia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prevenção eficaz exige também o fortalecimento da rede de proteção — com centros especializados, apoio jurídico e psicológico, abrigos e capacitação contínua de profissionais. Além de atuação direta nos espaços de maior incidência da violência, como a casa e a escola, por meio de programas de educação de gênero, sensibilização e incentivo ao acolhimento das vítimas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na mesma direção, Gabriela Toso, à frente do Toda Cidadã, aponta que a emancipação passa pelo letramento jurídico e pela conscientização sobre as estruturas do patriarcado e do racismo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Organizações da sociedade civil, define Toso, cumprem um papel fundamental ao preencher o vácuo deixado pelo poder público. O trabalho dessas redes opera em frentes que vão do apoio jurídico e suporte psicológico — prestado por especialistas capazes de identificar a escalada do abuso antes que ele vire um feminicídio — até o fortalecimento do acolhimento comunitário.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O coletivo, portanto, atua como um importante degrau de proteção e motor de mudanças estruturais a longo prazo. Essa rede de cuidado precisa ser, obrigatoriamente, multidisciplinar, cruzando dados e saberes entre segurança pública, saúde e educação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Autonomia financeira, educação, acesso à saúde, assistência social, acolhimento, equipamentos especializados e integração entre diferentes áreas do poder público foram, assim, um conjunto de medidas que pode servir também como parâmetro para avaliar as propostas apresentadas nesta eleição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em última análise, entender que a opressão das mulheres está interligada a outras dinâmicas de poder e exclusão social é um passo necessário para que o enfrentamento à violência de gênero deixe de ser uma promessa vazia de palanque eleitoral e se torne uma articulação coordenada e de longo prazo entre governo, sociedade civil e comunidade.</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>*Mariana Rosetti é jornalista independente, repórter, fotógrafa e produtora, focada em direitos humanos, segurança pública, justiça e meio ambiente, sempre pelas lentes de gênero. Investiga histórias que revelam desigualdades estruturais e amplificam vozes historicamente invisibilizadas. Já colaborou com veículos nacionais e internacionais, além de trabalhar por sete anos em televisão, como apuradora, produtora e chefe de reportagem. Fundou o podcast Marias&amp;Anas e foi finalista do Prêmio Patrícia Acioli de Direitos Humanos.</em></strong></p>





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<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Esta reportagem faz parte da série Ponte nas Eleições. Ao longo de seis reportagens, a Ponte vai tratar de temas centrais da segurança pública, com objetivo de ajudar o eleitor a compreender os principais problemas da área, os caminhos apontados por especialistas e o que deve ser observado nas propostas dos candidatos na hora do voto.</em></strong> <strong><em>Para conferir as demais matérias, clique</em></strong><a href="https://ponte.org/categoria/eleicoes/"><strong><em> aqui</em></strong></a><strong><em>.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Além da Ponte, as reportagens da série são republicadas por veículos parceiros de diferentes regiões do país: </em></strong><a href="https://conquistareporter.com.br/"><strong><em>Conquista Repórter</em></strong></a><strong><em> (BA), </em></strong><a href="https://coletivosargentoperifa.com/"><strong><em>Sargento Perifa</em></strong></a><strong><em> (PE), </em></strong><a href="https://www.plural.jor.br/"><strong><em>Plural </em></strong></a><strong><em>(PR),</em></strong><a href="https://projetocolabora.com.br/"><strong><em> #Colabora </em></strong></a><strong><em>(RJ), </em></strong><a href="https://ehfonte.com.br/"><strong><em>Eh Fonte</em></strong></a><strong><em> (MT), </em></strong><a href="https://institutomidiaetnica.org.br/"><strong><em>Mídia Étnica/Correio Nagô</em></strong></a><strong><em> (BA), </em></strong><a href="https://marcozero.org/"><strong><em>Marco Zero </em></strong></a><strong><em>(PE), </em></strong><a href="https://amazoniareal.com.br/"><strong><em>Amazônia Real</em></strong></a><strong><em> (AM), </em></strong><a href="https://revistaafirmativa.com.br/"><strong><em>Revista Afirmativa </em></strong></a><strong><em>(BA), </em></strong><a href="https://agenciamural.org.br/"><strong><em>Agência Mural </em></strong></a><strong><em>(SP), </em></strong><a href="https://catarinas.info/"><strong><em>Portal Catarinas</em></strong></a><strong><em> (SC) e </em></strong><a href="https://ocatarinao.com.br/"><strong><em>O Catarinão</em></strong></a><strong><em> (RJ).</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>É possível Reemendar?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fátima Guedes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2026 21:27:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Na atual política administrativa, emendas parlamentares são artimanhas de auto empoderamento e de dominação à sociedade sob suporte de capital público manobrado por interesses pessoais.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<p class="wp-block-paragraph">Bob, nosso fiel Cãopanheiro de jornada, traz problematizações oportunas referentes à conjuntura políticabrasileira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vez por outra, Bob pula a cerca afirmando direitos à autonomia e liberdade. Embora adeptos desses princípios, angústias e inseguranças nos invadem, haja vista ausência de políticas públicas de respeito, no município de Parintins/Am, voltadas a animais e vegetais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A questão da ‘emenda’ vem à tona no café da manhã, quando vizinhos amorosos avisam que Bob pulou a cerca. Após repreensão, lá vem Ele desconfiado, arrependido, lambendo nossos pés como se reconhecesse que, hoje, liberdade de direitos é um sonho do passado histórico e que desvalidos são subalternos aos seus senhores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lá vem argumentos: ‘- Quem sabe agora Ele se emenda?!’ Daí, a ‘emenda’ martelou por horas e horas nossas mentes e alcançou dimensões políticas estruturais&#8230; Como se emendar quando a mazela é mal de raiz?&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Emenda??? E o que é emenda???</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conceito, segundo os dicionários, refere-se à correção de erros, revisão de comportamentos; no sentido político e jurídico “proposta de tramitação de projetos de lei; ferramenta essencial para aprimoramento da legislação antes da aprovação”. Na interpretação popular, trata-se de uma fatia do dinheiro público usada por legisladores em suas bases eleitorais sob justificativa de suprir necessidades sociais. Por aí vai!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de conceitos e interpretações, no padrão parlamentarista brasileiro as emendas pouco ou nada corrigem erros ou reveem práticas e comportamentos abusivos sobre direitos sociais democráticos. Informações absorvidas no Glossário Eleitoral do TSE, democracia é ‘governo do povo’ ou ‘poder do povo’: vocábulo grego (século V) em definição a um sistema onde os cidadãos participam das decisões políticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contraposição à matriz conceitual, quem decide os destinos do proletariado, da classe trabalhadora, embora seja a maioria, é a autocracia burguesa. Dados do IBGE &#8211; julho de 2026 &#8211; confirmam os desencontros referentes à atual conjuntura política participativa: o território brasileiro abriga 214.211.951 espécies humanas, além da diversidade de fauna, flora e etc. Tratando-se da governabilidade do País, apenas 65.249 ocupam o topo da pirâmide: 81 senadores, 513 deputados federais, 1.059 deputados estaduais, 58.000 vereadores, 27 governadores, 5.568 prefeitos e 1 presidente. Bem abaixo do número populacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse emaranhado, uma armadilha viciosa atravessa o caminho e joga por terra os ideais democráticos: até o sistema presidencialista instituído no Brasil em 1891, tornara-se refém de uma ‘corja de malfeitores’ – expressão de indignação trazida pelo Profeta Isaías (1:4): “Ai da nação pecadora, povo carregado de iniquidade, descendência de malfeitores, filhos corruptos!</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sim, Senhor!</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Charge-13-de-maio.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="764" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Charge-13-de-maio-1024x764.jpg" alt="" class="wp-image-176539" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Charge-13-de-maio-1024x764.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Charge-13-de-maio-300x224.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Charge-13-de-maio-768x573.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Charge-13-de-maio-1536x1146.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Charge-13-de-maio-150x112.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Charge-13-de-maio.jpg 2005w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Reprodução de charge: Centro 13 de Maio (Editora Loyola, 1980).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O mandonismo colonizatório sobre populações vulnerabilizadas vira sistema quando os portugueses invadem o Brasil sob artimanhas políticas e religiosas: armados de fuzis, fôrcas e espadas fincam uma cruz no Ventre de Pindorama* sob determinação de um ‘deus todo-poderoso criador do homem’. No processo criatório, ‘o todo-poderoso’ concedia poder e domínio ao agente criado sobre terras, águas, florestas, gentes&#8230; enfim, sobre todas as formas de vida, de corpos e territórios acessíveis à dominação, à exploração e lucratividades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos ensaios de implantação da democracia (1946) são visíveis o mascaramento das leis sobre o poder do povo nas decisões de interesse popular e coletivo: exclusão dos analfabetos ao direito ao voto; cassação do registro do partido Comunista Brasileiro (PCB), intervenção nos sindicatos&#8230; Além de outros silenciamentos acobertados sob tapetes burocraticistas por nós ignorados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há 526 anos sustentamos em nossas almas, em nossas vidas, em nossa cotidianidade a cruz que o colonialismo burguês/religioso cravou em nossa psique nativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ‘Sim, Senhor!’ é digital indelével na prática subserviente da massa adormecida e encabrestada por legislações, crenças, dogmatismos e tais emendas&#8230; O ‘Sim, Senhor!’ é o disfarce da subalternalização manifestado em falsas honrarias a nulidades governistas sob propósitos de conquistar migalhas e benefícios negados em direitos e garantias fundamentais. Em termos figurativos, ‘é o lambe botas’. Bob é a prova.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, os propósitos da cruz cravada sobre Pindorama só reafirmam intenções ideológicas dogmáticas &#8211; filhas legítimas do sistema dominante: “O discípulo não é melhor que o seu Senhor!”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recado dado!</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Emendar-se para reemendar</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O tecido original brasileiro, conforme testemunhos de Darcy Ribeiro, Eduardo Galeano, Márcio Souza entre outras contribuições, é constituído por laços e memórias nativas milenares: histórias, línguas, crenças, modos de vida, tradições comunitárias, relações respeitosas entre os seres e com o sagrado cósmico&#8230; essas digitais &#8211; sopros de nossa ancestralidade -, de forma brusca, foram estraçalhadas, apagadas e substituídas por regras e padrões dogmáticos colonizatórios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Emenda é máscara escravagista disfarçada em direito social. Daí, problematiza-se: é possível remendar ou reemendar a tecitura brasileira originária na perspectiva da ideologia vigente?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na atual política administrativa, emendas parlamentares são estratégias/artimanhas de auto empoderamento e de dominação à sociedade sob suporte de capital público manobrado por interesses pessoais de lideranças partidárias. Embora o sistema brasileiro se declare democrático, deputados e senadores dirigem o destino dos recursos tirados dos cofres públicos, omitindo vetos do poder presidencialista. Só em 2026, o Orçamento Geral da União entregou 61 bilhões em nome de emendas parlamentares&#8230; Emendou-se ou remendou-se o quê?&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vestígios da ética dos povos originários clamam ao sistema de Justiça, à comunidade brasileira e ao que resta de povo: unir as bases em busca dos fragmentos históricos de nossa tecitura ancestral, do sagrado cósmico, das antigas e saudáveis tradições cujos clamores ao extermínio em avanço desenfreado murmuram silenciados há 526 anos nos espaços do dito Estado Democrático.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na reemenda dos fragmentos, dos retalhos de nossa cultura nativa e na oposição ao ‘Sim, Senhor!’ é possível à massa transformar-se em povo, emendar-se e descobrir que discípulos não são inferiores a senhores que ocupam poderes. Afinal, são as bases que os sustentam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só gratidão à provocação do Sagrado incorporado em nosso Bob!</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Falares de casa &nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Pindorama</em> – Do tupi <em>pindó-rama</em> – “região das palmeiras”; litoral do Brasil antes da invasão portuguesa.</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Valeu, guerreira: Zélia Amador de Deus e a universidade que aprendeu a ouvir o Norte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Juarez Silva Jr]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 23:13:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Juarez Silva Jr.]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[Antirracismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento Negro]]></category>
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		<category><![CDATA[UFPA]]></category>
		<category><![CDATA[Zélia Amador de Deus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Professora e referência dos movimentos negro e antirracista na Amazônia, Zélia Amador faleceu nesta semana, ao 74 anos. Leia artigo de Juarez Jr sobre a a pesquisadora e conheça a trajetória e sua relevância para a região. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A morte de Zélia Amador de Deus, em Belém, no dia 8 de setembro, não encerra uma biografia. Abre um vazio, sim, mas também ilumina uma obra que continua se espalhando por instituições, grupos de pesquisa, palcos, quilombos, políticas públicas e gerações de estudantes. Professora emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA), artista, pesquisadora e militante histórica do movimento negro, Zélia morreu aos 74 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Poucas imagens traduzem tão bem sua trajetória quanto o baobá plantado em sua homenagem no campus da UFPA, em agosto passado, poucas semanas antes de sua partida. A árvore, associada à ancestralidade e à memória africana, não foi apenas um gesto cerimonial. Foi uma espécie de reconhecimento público de que certas pessoas não passam por uma universidade: elas ajudam a criar as raízes que sustentam a instituição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Escrevo sobre Zélia também de um lugar pessoal. Tive a honra de conhecê-la, conversar com ela e compartilhar momentos que ficaram guardados não apenas pela importância pública de sua presença, mas pela inteligência, pelo humor, pela escuta e pela capacidade de transformar uma conversa em reflexão. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto ativista já um tanto veterano nos movimentos negros, Zélia Amador de Deus já era um nome conhecido para mim, muito antes de encontrá-la. Além disso era “xará” da minha mãe. Difícil não vincular afetivamente logo de cara. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Finalmente encontrei com Zélia em um evento na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e anos depois, no COPENE (Congresso de Pesquisadores(as) Negro(as) ), em Belém. C-palestramos em Parintins (AM), em evento da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), todos com os usuais extra-atividades&nbsp; e seguimos nos cruzando em eventos diversos e em contato pelas redes sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante dizer isso porque os obituários costumam transformar pessoas complexas em listas de cargos. Zélia foi muito mais do que uma sucessão de funções. Sua história foi feita de deslocamentos: do Marajó para Belém; da periferia da Sacramenta para a universidade; do palco para a sala de aula; da militância contra o racismo para a formulação de políticas públicas; da experiência negra amazônica para o debate nacional e internacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nascida no Marajó, em uma família que conheceu de perto as marcas da pobreza, do racismo e do trabalho exaustivo, Zélia era filha de uma empregada doméstica. Estudou em escolas públicas e chegou à UFPA para cursar Licenciatura em Língua Portuguesa. Ela lembrava o conselho da avó, recuperado pelo G1: “tu és preta, mas não baixa tua cabeça”. A universidade, no entanto, não foi apenas o lugar onde ela se formou. Foi também o espaço que Zélia ajudou a transformar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua relação com a UFPA começou em 1971 e atravessou 55 anos. Ela se formou, tornou-se professora, dirigiu o então Centro de Letras e Artes entre 1989 e 1993 e foi vice-reitora de 1993 a 1997. Em 2019, recebeu o título de Professora Emérita, sendo reconhecida pela própria universidade como a primeira mulher negra a receber essa distinção. Em cada uma dessas posições, carregou uma pergunta que ainda incomoda as instituições: universidade para quem?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de ser lembrada como autoridade acadêmica, Zélia foi também uma mulher de teatro. Participou da formação de atores da Escola de Teatro da UFPA, atuou em espetáculos e integrou a criação da Companhia de Teatro Cena Aberta, grupo que marcou a cena belenense nos anos 1970 e 1980 com peças engajadas, realizadas sob a vigilância da censura da ditadura. Também participou do coletivo que construiu o Núcleo de Arte, origem do atual Instituto de Ciências da Arte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O teatro não foi um capítulo separado de sua militância ou de sua produção intelectual. Foi uma forma de conhecer o outro. Em entrevista à UFPA, Zélia disse que dirigir teatro a ensinou a dialogar, a ouvir e a acolher as contribuições dos atores. Essa ética da escuta atravessou sua atuação na academia e no movimento negro. Não se tratava de falar em nome de todos, mas de construir com os outros as condições para que vozes historicamente silenciadas pudessem aparecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1980, Zélia esteve entre as fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará, o CEDENPA. A organização foi decisiva para que o debate racial no Pará e na Amazônia não ficasse limitado à denúncia moral do preconceito. Como a própria Zélia explicou em entrevista ao G1, o movimento negro passou a pensar também em políticas públicas de ação afirmativa para enfrentar desigualdades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa passagem é central. O racismo não era, para Zélia, um problema de atitudes individuais que poderia ser resolvido apenas com boa vontade. Era uma estrutura que organizava o acesso à escola, à universidade, ao trabalho, à terra, à saúde, à representação política e à própria possibilidade de existir com dignidade. Por isso, a militância precisava disputar leis, orçamento, currículos, formas de seleção e lugares de decisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua atuação esteve ligada à defesa do reconhecimento e da titulação das terras quilombolas no Pará. Também participou de articulações nacionais em torno das ações afirmativas, integrou grupos de trabalho do governo federal e coordenou, entre 2001 e 2003, um programa de ação afirmativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Em nível nacional presidiu também a ABPN – Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negro(as). Em 2001, foi uma das representantes brasileiras na Conferência Mundial contra o Racismo, em Durban, na África do Sul.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durban não foi um ponto de chegada. Foi uma estação de uma luta que retornou ao Brasil mais articulada e mais exigente. Zélia participou da construção de uma agenda que pressionou as universidades públicas a reconhecerem que a suposta neutralidade dos processos seletivos reproduzia desigualdades. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Na UFPA, esteve entre as protagonistas da implantação de políticas de reserva de vagas para estudantes pretos, pardos e indígenas. Também participou da criação do Grupo de Estudos Afro-Amazônicos, o GEAM, dedicado à pesquisa e à extensão sobre igualdade racial e às especificidades das culturas negras na região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse “afro-amazônico” não era um adjetivo decorativo. Zélia insistia que a presença negra na Amazônia precisava ser vista em sua própria densidade histórica. Não se tratava de importar para o Norte uma pauta formulada em outros centros do país. Tratava-se de reconhecer quilombos, irmandades, festas, terreiros, saberes, territórios, trajetórias urbanas e experiências de trabalho que fazem parte da formação amazônica, embora muitas vezes sejam apagados pelas narrativas dominantes sobre a região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É nesse ponto que sua atuação dialoga com o debate ambiental. Em uma entrevista reproduzida pelo Imazon, Zélia definiu o racismo ambiental como uma modalidade de racismo que empurra pessoas negras para os lugares com as piores condições. A formulação aproxima a luta antirracista das disputas por território, clima, saneamento, moradia e proteção das comunidades tradicionais. Para a Amazônia Real, esse é um legado incontornável: não há defesa da floresta sem defesa dos povos que historicamente enfrentam a exploração da natureza e a distribuição desigual de seus danos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Zélia foi, portanto, uma personalidade negra, mas não apenas uma personalidade negra. Foi uma intelectual das artes e das ciências, uma gestora universitária, uma diretora de teatro, uma formadora de pesquisadores e uma articuladora política. Sua negritude não reduzia sua obra; era uma das fontes de sua capacidade de interrogar o mundo. Ao ocupar a universidade, ela não buscou apenas ascender individualmente. Trabalhou para que outras pessoas negras, indígenas, quilombolas, mulheres e estudantes pobres pudessem entrar, permanecer e produzir conhecimento dentro dela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É também por isso que sua ausência será sentida de modo tão amplo por quem combateu nas mesmas trincheiras, como Patricia Melo-Alves, Roseane Pinto, Julio Claudio Silva, Márcio Couto, Wilma Nazaré, Edna Roland e tantos outros amigos e amigas em comum.&nbsp; Zélia compartilhou companheiros e companheiras na academia, no CEDENPA (como o Seo Conrado dos Santos, pai da Gaby Amarantos), na ABPN, nos movimentos de mulheres negras,&nbsp; na defesa quilombola, com o teatro e com as lutas por democratização da universidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A memória de uma guerreira não deve ser domesticada pela solenidade. Zélia gostava da vida, da arte, da conversa e do movimento. Sua contribuição foi justamente recusar as fronteiras que tentavam separar a professora da militante, a artista da cientista, a intelectual da mulher negra amazônica, a universidade da rua. Ela mostrou que conhecimento também é uma forma de luta e que lutar pode ser uma forma rigorosa de produzir conhecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No baobá plantado na UFPA, há uma imagem de continuidade. Mas a melhor homenagem não será apenas preservar seu nome em placas, auditórios ou cerimônias. Será defender as políticas afirmativas quando elas forem atacadas, fortalecer o CEDENPA e as organizações negras, reconhecer os territórios quilombolas, combater o racismo ambiental e garantir que a Amazônia seja narrada também por quem historicamente teve sua voz interrompida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para além da intelectual em ação, não vou esquecer das caronas trocadas, dos papos aleatórios e bem-humorados enquanto se esperava o horário de um vôo ou pós-atividades e das trocas de mensagens nesses anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Valeu, guerreira. Que sua travessia seja conduzida para um bom lugar no Orun. Por aqui, ficam a saudade, a gratidão e a responsabilidade. A árvore foi plantada. Agora é preciso cuidar da floresta de ideias, lutas e pessoas que Zélia ajudou a fazer nascer.</p>







<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Nota de transparência de uso de IA</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O autor contou com assistência de Inteligência artificial (Manus AI) na pesquisa biográfica, estruturação, redação básica e revisão gramatical, sendo responsável pelo argumento, verificação, complementação e a edição final.</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências de apuração</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="ttps://ufpa.br/zelia-amador-de-deus-uma-vida-que-criou-raizes/">Zélia Amador de Deus, uma vida que criou raízes</a>. 8 set. 2026. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://ufpa.br/meninas-e-mulheres-na-ciencia-zelia-amador-de-deus-e-a-luta-por-uma-universidade-mais-inclusiva/">Meninas e Mulheres na Ciência: Zélia Amador de Deus e a luta por uma universidade mais inclusiva</a>. 28 fev. 2025. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2026/09/08/zelia-amador-de-deus-referencia-da-luta-antirracista-na-amazonia-morre-aos-74-anos-no-para.ghtml">Morre, aos 74 anos, Zélia Amador de Deus, referência da luta antirracista na Amazônia</a>. 8 set. 2026. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://imazon.org.br/noticias/imazon-lamenta-falecimento-de-zelia-amador-de-deus-referencia-na-luta-antirracista-e-no-combate-ao-racismo-ambiental">Imazon lamenta falecimento de Zélia Amador de Deus, referência na luta antirracista e no combate ao racismo ambiental.</a> 9 set. 2026. Di</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ancestralidades.org.br/biografias-e-trajetorias/zelia-amador">Zélia Amador.</a> </p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://periodicos.ufpa.br/index.php/ncn/article/viewFile/8001/6746">Uma vida dedicada ao combate do racismo na Amazônia: entrevista com Zélia Amador de Deus, por ocasião de seus 70 anos. </a>2020. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://ufpa.br/ufpa-homenageia-zelia-amador-de-deus-com-plantio-de-baoba-no-campus-guama/">UFPA homenageia Zélia Amador de Deus com plantio de baobá no Campus Guamá.</a> </p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Se o seu candidato propõe outra operação letal, ele não é contra o crime que o Estado organizou</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Amazônia Real]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Sep 2026 17:46:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>De Maranguape, no entorno de Fortaleza (CE), a Itaituba, no sudoeste do Pará, facções se apropriam de territórios historicamente violentados pelo Estado e diversificam negócios. Para especialistas, solução passa longe de ter mais cadeias e mortes.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Paulo Bastistella, da Ponte Jornalismo*</strong></p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">No entorno da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha, a partir da qual foi se espraiando desde 1849 a cidade de Maranguape (CE), a cerca de uma hora de carro da badalada Avenida Beira-Mar de Fortaleza, a paisagem é de aparente sossego.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A igreja é em estilo colonial, daquelas de novela de época, cercada de outras construções de arquitetura parecida. Logo em frente, ao atravessar uma rua de paralelepípedos, há uma pequena praça com árvores de copa larga entremeadas por longas palmeiras, com sombra para amenizar o calor cotidiano e espairecer a cabeça em um dos bancos do local.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com uma curta caminhada, dá para visitar uma outra praça, a que leva o nome do célebre historiador Capistrano de Abreu, nascido no município. Também a poucos metros, é possível conhecer a Casa Chico Anysio, que homenageia outro já falecido e notável filho de Maranguape.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De qualquer ponto do município, com cerca de 105 mil habitantes, ainda dá para contemplar ao fundo uma imponente serra coberta de vegetação nativa e talhada por cachoeiras. À primeira vista, é praticamente impossível conceber que estamos na cidade mais violenta do Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2025, Maranguape registrou uma taxa de 100,3 mortes violentas intencionais (MVI) para cada 100 mil habitantes. O índice é mais de cinco vezes maior que a média do Brasil todo (19,1), segundo consta em edição mais recente do<a href="https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2026/07/anuario-2026.pdf"> Anuário Brasileiro da Segurança Pública</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A taxa está associada, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que consolida o anuário, a uma disputa territorial entre o<a href="https://ponte.org/tag/cv/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Comando Vermelho (CV)</a> e o <a href="https://ponte.org/tag/pcc/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Primeiro Comando da Capital (PCC),</a> as duas maiores facções criminosas do país — ambas surgidas no sistema prisional do Sudeste e em plena expansão por outras regiões do Brasil nas duas últimas décadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Estado fortaleceu facções ao naturalizar violência, diz pesquisador&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pequena e já não mais pacata Maranguape é simbólica do desafio hoje tido pelo país de enfrentar o crime organizado — tema do qual a <strong>Ponte</strong> trata nesta reportagem, mais uma da série especial <strong>Ponte nas Eleições</strong>, que discute a segurança pública como a pauta central das eleições gerais de 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Logo ao lado de Maranguape,<a href="https://ponte.org/a-juventude-esquecida-pelo-estado-que-fez-de-maracanau-a-cidade-mais-violenta-do-pais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> outras duas cidades da região metropolitana de Fortaleza também aparecem entre as mais violentas do Brasil</a>, segundo o FBSP: tratam-se de Maracanaú e Caucaia, com a terceira e a sétima pior taxa de MVI, respectivamente. A primeira delas teve 80,7 mortes violentas intencionais para cada 100 mil habitantes no ano passado, enquanto a segunda registrou 66,6.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas duas, a violência também é impulsionada por facções criminosas. Em Maracanaú, há, além do CV e do PCC, a atuação do Terceiro Comando Puro (TCP), grupo que surgiu no Rio e que incorporou integrantes da extinta facção cearense Guardiões do Estado (GDE).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A disputa dos criminosos envolve, entre outros negócios, o controle de áreas e rotas de tráfico, o que inclui rodovias da região, os portos do Pecém (localizado entre São Gonçalo do Amarante e Caucaia) e do Mucuripe (na capital cearense), e o Aeroporto Internacional de Fortaleza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para chegarem ao ranking das mais violentas do país, as três cidades estiveram submetidas a um longo processo de negligência do Estado, em que assassinatos ligados a facções eram vistos como um problema alheio à população em geral e ao poder público.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Muitas vezes essas mortes são naturalizadas, são tratadas como se fossem mortes entre bandidos. Existe a ideia de que o crime resolveu o problema entre si. E essas mortes só chamam atenção quando há um número como esse, e não pelas circunstâncias em que ocorreram&#8221;, diz o sociólogo Luiz Fábio Paiva, que coordena o<a href="https://www.instagram.com/lev.ufc/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (LEV/UFC)</a>.</p>





<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="852" height="500" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-1.jpeg" alt="" class="wp-image-176200" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-1.jpeg 852w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-1-300x176.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-1-768x451.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-1-150x88.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 852px) 100vw, 852px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Facção criminosa Guardiões do Estado foi incorporada por grupo oriundo do Rio de Janeiro em meio a disputa do crime organizado (Foto: Alan Lima/Ponte Jornalismo).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Comunidades no CE vivem sob ameaça de grupos rivais&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O pesquisador diz que a omissão naturalizou não só a perda de vidas tidas como de menor valor, mas também a morte como um meio de impor a força — ou seja, o poder público fortaleceu as facções criminosas ao deixar que atuassem como bem entendessem, inclusive matando.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É uma questão de limites. O Estado tem um papel fundamental no controle social da violência. As facções têm uma certa capacidade, mas eu não acredito que ela ultrapasse a do Estado. Então, esses grupos ganham espaço explorando fragilidades. É um erro grave essa omissão&#8221;, afirma Luiz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Virou rotina em cidades do Ceará sob disputa de facções, inclusive na capital, a expulsão de moradores de suas próprias casas ao serem acusados de contrariar os interesses econômicos e<a href="https://piaui.uol.com.br/revista/239/crime-organizado-ameaca-integridade-eleicoes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> até eleitorais de criminosos</a>. Em alguns casos, a própria Polícia Militar é destacada não para garantir a permanência das famílias,<a href="https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/07/30/moradores-abandonam-casas-em-comunidade-de-fortaleza-apos-ameacas-de-faccao.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> mas para escoltar as mudanças</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Fortaleza, o<a href="https://www.instagram.com/fpspceara/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Fórum Popular de Segurança Pública do Ceará (FPSP-CE)</a> precisou organizar a Marcha da Periferia, um ato anual em defesa dos direitos humanos, em áreas centrais ou turísticas ao longo dos últimos anos,<a href="https://ponte.org/reunido-apos-chacina-do-curio-fpsp-ce-convoca-juventude-para-discutir-seguranca/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> devido ao risco de moradores periféricos se deslocarem entre bairros sob atuação de facções rivais</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre 2020 e 2023, apenas 27% dos homicídios ocorridos no Ceará foram esclarecidos,<a href="https://ponte.org/a-vitima-desvalorizada-como-o-brasil-escolhe-quais-mortes-vai-esclarecer/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> segundo um estudo recente do Instituto Sou da Paz</a>. A negligência diante da matança entre facções virou ainda perda de confiança de quem vive nas comunidades violentadas, sem a qual não se faz segurança pública e muito menos combate ao crime organizado, segundo avalia Luiz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;As próprias forças policiais reclamam que em determinado lugar ninguém fala nada, que não tem como reunir provas. Mas as pessoas não cooperam porque não têm confiança. Como eu vou denunciar alguém se não tenho confiança nas instituições, se eu sei que aquele individuo que cometeu um crime não vai ser responsabilizado?&#8221;, questiona o pesquisador do LEV/UFC.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Falta de responsabilização enfraquece confiança nas polícias&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Moradora da periferia de Fortaleza, Edna Carla Souza Cavalcante diz ver cotidianamente as forças de segurança ignorarem apelos da comunidade quando acionadas para alguma ocorrência grave. Ela própria viveu isso da pior maneira possível em 2015, quando o filho Álef Souza Cavalcante, de apenas 17 anos de idade, foi assassinado no episódio que ficou conhecido como<a href="https://ponte.org/dez-anos-da-chacina-do-curio-entre-a-dor-a-luta-e-a-busca-por-justica/"> Chacina do Curió</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na ocasião, policiais militares promoveram, indiscriminadamente, uma série de ataques em bairros da Grande Messejana, incluindo o Curió, em Fortaleza, por vingança à morte de um PM em um assalto. Em um intervalo de seis horas entre a noite do dia 11 e a madrugada de 12 de novembro daquele ano, 11 jovens sem relação alguma com o latrocínio do agente público foram assassinados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Isso acontece muito. Por exemplo, está acontecendo uma briga no bairro, e as pessoas ligam para o 190, para chamar ambulância, para a Ciops [Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança], e não vem ninguém. Isso aconteceu na Chacina do Curió. Se tivessem vindo na primeira morte, não teriam acontecido todas as outras. Era a polícia protegendo policiais que estavam matando&#8221;, diz Edna, que atua desde então como articuladora do<a href="https://www.instagram.com/movmaesdocurio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Movimento Mães do Curió</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela diz que ouviu de um amigo, o jornalista e sociólogo Ricardo Moura, também pesquisador do LEV/UFC, uma frase que resume a situação: &#8220;Quando a polícia não mata, ela deixa matar&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Edna afirma também que a negligência do Estado é calculada, uma vez que a violência armada entre facções favorece o que chama de &#8220;empresas da morte&#8221; — a indústria de armas e de drogas que faz dinheiro na medida em que o combate ao crime organizado é tratado como sinônimo de guerra em comunidades periféricas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O Estado sempre generaliza que todas as famílias da periferia são bandidas e envolvidas com o crime. E isso não é verdade&#8221;, diz. &#8220;Será que não tem como intervir para as drogas e armas não entrarem na periferia? Acontece que o Estado não quer isso, até porque as empresas da morte tem que seguir a todo vapor, e os pobres é que pagam por tudo isso&#8221;, afirma.</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/02/b58afd83-66eb-4824-a74b-62a6b66e8754.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="577" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/02/b58afd83-66eb-4824-a74b-62a6b66e8754-1024x577.jpg" alt="" class="wp-image-144449" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/02/b58afd83-66eb-4824-a74b-62a6b66e8754-1024x577.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/02/b58afd83-66eb-4824-a74b-62a6b66e8754-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/02/b58afd83-66eb-4824-a74b-62a6b66e8754-768x433.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/02/b58afd83-66eb-4824-a74b-62a6b66e8754-1536x866.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/02/b58afd83-66eb-4824-a74b-62a6b66e8754-150x85.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/02/b58afd83-66eb-4824-a74b-62a6b66e8754.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>FOTO 2: Área de garimpo em Surucucu (RR) dentro da Terra Indígena Yanomami (Foto: Leo Otero/Ministério dos Povos Indígenas).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Expansão de facções na Amazônia repete padrão de violência&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A situação do Ceará guarda semelhanças com a de outros lugares para os quais grupos criminosos antes concentrados no Sudeste avançaram nos últimos anos. É o caso da Amazônia Legal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisador da Universidade do Estado do Pará (Uepa), o geógrafo Aiala Couto diz que as facções criminosas hoje atuantes nos estados amazônicos<a href="https://ponte.org/encarceramento-em-massa-na-amazonia-legal-fortaleceu-crime-organizado-aponta-fbsp/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> chegaram a eles a partir de um sistema prisional superlotado e insalubre</a>, favorável à cooptação de novos integrantes, assim como ocorreu em outras partes do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois disso, se expandiram com negócios e o controle de territórios fora das prisões, se valendo fundamentalmente de uma vulnerabilidade histórica da região: a disputa pela terra, ocupada sob o incentivo do poder público desde a ditadura militar, mas sem a regularização da posse, nem a oferta de alternativas econômicas sustentáveis à população mais empobrecida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De novo, a atuação negligente do próprio Estado organizou o crime. &#8220;Se a gente não tem governabilidade do Estado, quem promove isso? É o crime organizado. Onde o Estado permite vácuo de poder, o crime se faz presente&#8221;, diz Aiala. &#8220;Terra não regularizada é terra de disputa. E se ela é terra de disputa, ela conecta vários agentes interessados, entre eles o narcotráfico, o crime organizado.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa governabilidade do crime se dá, segundo o pesquisador, de duas maneiras. Em uma escala menor, ela está no controle violento de territórios vulneráveis. &#8220;Isso atinge comunidades quilombolas, territórios indígenas, comunidades periféricas das grandes cidades da Amazônia, com facções cobrando taxas de comerciantes, impondo toques de recolher, instituindo o chamado &#8216;tribunal do crime'&#8221;, diz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O controle violento se reflete nas estatísticas. Conforme identificou a edição mais recente do estudo<a href="https://publicacoes.forumseguranca.org.br/items/31644463-47b2-47d5-a192-84ecaf223d4b" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> <em>Cartografias da violência na Amazônia</em></a>, publicado pelo FBSP, em 2024, a Amazônia Legal registrou uma taxa de 27,3 mortes violentas intencionais para cada 100 mil habitantes, um índice 31% acima da média nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A região Norte, que concentra sete dos nove estados amazônicos, detém uma taxa de MVI acima do padrão nacional desde 2012. No ano passado, também segundo o FBSP, foram 25,3 assassinatos para cada 100 mil habitantes na região, atrás apenas do Nordeste (31,6).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A letalidade policial também piorou, atiçada por um entendimento que confunde combate ao crime com uso da força letal. Nos últimos sete anos, foi um estado amazônico, o Amapá, que teve a pior taxa de mortes decorrentes de intervenção policial (MDIP) de todo o país. Em 2025, foram 17,1 casos para cada 100 mil habitantes, enquanto a média nacional foi de 3,1.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É uma realidade. Toda semana tem matéria, vídeo de facção invadindo casa, matando pessoas, cortando cabeças. E isso ganha apelo popular, circula entre grupos de WhatsApp nas comunidades periféricas. E as pessoas vão comprando essa narrativa, de que, para atitudes radicais, as medidas têm que ser radicais também&#8221;, afirma o pesquisador da Uepa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Facções exploram rotas de tráfico e diversificam negócios&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A governabilidade das facções na Amazônia também aparece, segundo Aiala, em uma escala maior, que explora, sobretudo, a importância da região para o circuito global do tráfico de drogas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O bioma integra, entre outros países, a Bolívia, o Peru e a Colômbia, que são três dos principais produtores de drogas do mundo, principalmente a cocaína. A droga cresce exponencialmente de valor ao percorrer os extensos rios da Amazônia e, depois de despachada em portos e aeroportos, chegar a consumidores finais não só do mercado brasileiro, mas também dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme estima o FBSP,<a href="https://publicacoes.forumseguranca.org.br/items/007ce857-08ce-4977-824a-b3f1b183d0bf" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> 40% de todo o volume de dinheiro movimentado no Brasil com o tráfico de cocaína passa hoje por rotas internacionais da Amazônia</a>, caso da Rota do Solimões, um corredor fluvial utilizado pelo PCC e o CV.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A expansão do crime organizado na região é ainda representativa da profusão de negócios hoje explorados pelas facções criminosas, historicamente associadas apenas ao narcotráfico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso porque o alto volume de dinheiro gerado pelo mercado de drogas e o controle territorial de áreas vulnerabilizadas garantiram também influência sobre outros negócios já estabelecidos na região, sejam ilegais ou não, como o garimpo, a exploração madeireira, a grilagem de terra, a pistolagem em favor de fazendeiros, a produção agrícola, a criação de gado e agora a pesquisa por terras raras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É todo um amontoado de interesses, de conflitos e de problemas se sobrepõem na região. E com o avanço das facções criminosas e o crescimento da população carcerária, isso vira uma bola de neve&#8221;, diz Aiala. &#8220;Em assentamentos rurais e em territórios quilombolas, por exemplo, as facções entendem que é seguro se refugiar da polícia quando estão foragidas. Nas aldeias, que são mais distantes, existe uma outra relação, geralmente, ligada a algum interesse, como o garimpo.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Na terra indígena [Sararé] em Mato Grosso, por exemplo,<a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/06/28/comando-vermelho-domina-garimpo-ilegal-em-terra-indigena-e-transforma-ouro-em-moeda-do-crime.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> o Comando Vermelho se apropriou do garimpo</a>, como aconteceu na terra Yanomami, em Roraima. No Pará, em Itaituba, o Comando Vermelho vende drogas no garimpo, usa a pista de pouso dele para transportar cocaína. Então, são múltiplas relações e interesses que se conectam a partir da presença desses grupos em cada território.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um outro estudo publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública deu a dimensão dessa diversificação de negócios pelo crime organizado em todo o país. Em 2022, o comércio de cocaína gerou uma receita de R$ 15,2 bilhões, enquanto os mercados de ouro, bebidas, cigarros contrabandeados e combustíveis rendeu R$ 146,8 bilhões ao crime organizado.</p>





<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-2.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="852" height="500" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-2.jpeg" alt="" class="wp-image-176202" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-2.jpeg 852w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-2-300x176.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-2-768x451.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-2-150x88.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 852px) 100vw, 852px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Operação Carbono Oculto cumpriu mandados de busca e apreensão contra operadores financeiros do crime organizado em escritórios na Faria Lima (Foto: Polícia Federal/ Divulgação). </sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Complexidade do crime exige enfrentamento com inteligência&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A mesma pesquisa, intitulada<a href="https://publicacoes.forumseguranca.org.br/items/5c49e7c2-f01f-42c8-ae13-83d8fa9987c6" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> <em>Follow the products: rastreamento de produtos e enfrentamento ao crime organizado no Brasil</em></a>, descreve também que os crimes virtuais e os furtos de celulares geraram uma receita ainda maior para o crime, de R$ 186 bilhões, entre os meses de julho de 2023 e 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse saldo financeiro vai ao encontro de um outro dado: os estelionatos configuram hoje o crime patrimonial mais comum no Brasil, impulsionados pelos golpes eletrônicos, considerados de baixo risco e alta rentabilidade pelo crime organizado. Em relação a 2018, o número de casos desse tipo de crime disparou 429,8%, chegando a 2.261.055 ocorrências registradas no ano passado, segundo o FBSP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os especialistas ouvidos pela Ponte, independentemente do território, essa complexidade das dinâmicas criminais hoje exploradas pelas facções escancara a falência de um modelo de enfrentamento baseado em um sistema prisional cada vez pior e em um maior número de ações ostensivas letais, que apenas contribuem com a cooptação de mais faccionados e colocam periferias e policiais sob fogo cruzado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ou seja, candidatos que queiram de fato combater o crime organizado,<a href="https://ponte.org/operacao-contra-bunker-do-pcc-na-faria-lima-e-marco-para-seguranca-e-rebate-politica-de-mortes-dizem-pesquisadores/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> a ponto de prender chefes de facções e operadores financeiros desses esquemas</a>, deveriam propor um modelo de segurança pública baseado em inteligência e investigação — a exemplo da<a href="https://ponte.org/operacao-contra-bunker-do-pcc-na-faria-lima-e-marco-para-seguranca-e-rebate-politica-de-mortes-dizem-pesquisadores/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Operação Carbono Oculto</a>, que, no ano passado, cumpriu mandados de busca e apreensão contra escritórios a serviço do PCC na Faria Lima, em São Paulo, o principal centro do mercado financeiro no país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Investir em inteligência é investir na captura das principais lideranças desses movimentos, que são as pessoas que não estão na zona de conflito. Elas estão fora, estão em um condomínio, em uma empresa. Essa estrutura financeira envolve agentes que não aparecem na capa dos jornais quando são presos, que muitas vezes sequer ficam presos, porque são capitalizados&#8221;, diz Aiala.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Luiz Fábio Paiva, pesquisador do LEV/UFC, concorda: &#8220;Isso que a gente chama de crime organizado não acontece só porque existem pessoas pobres nas periferias ligadas a facções. Isso acontece porque vivemos em uma sociedade capitalista, em que pessoas com muito dinheiro e posições políticas privilegiadas movimentam engrenagens que desenvolvem esses grupos e favorecem esquemas que elas próprias coordenam&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É muito comum a gente ver operações sistemáticas em determinados bairros: prendem todo mundo, apreendem drogas e armas, a polícia sai, e pouco tempo depois já tem armas e drogas de novo. Isso ocorre porque o esquema gerador dessa dinâmica não foi interrompido&#8221;, complementa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Territórios vulneráveis exigem cuidado, e não mais conflito&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Edna Carla, das Mães do Curió, um modelo de segurança que queira combater as facções deve ainda olhar para os territórios mais vulneráveis não como zonas de conflito, mas de cuidado, em que sejam protegidas as vidas principalmente dos mais novos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Eu gostaria de ouvir os candidatos dizendo que vão abrir mais cursos, mais escolas, que tivesse mais médicos, mais atendimento nos postos de saúde. Porque o Estado é uma máquina de moer gente, e a morte não é só pela bala. É pela falta de um tratamento, de alimentação, de moradia, de dignidade humana&#8221;, diz. &#8220;Se a gente não der caminhos para os jovens, como eles podem caminhar?&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aiala Couto, da Uepa, vai na mesma linha. Para ele, não há como o Estado falar em combate às facções sem garantir alternativas econômicas às estruturas que ele próprio incentivou e que agora foram apropriadas pelo crime organizado, como é o caso dos garimpos ilegais. Se o poder público não oferece dignidade e autonomia, o crime convence pela ameaça ou pelo dinheiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A ocupação da fronteira amazônica se deu com incentivo à mineração pelo Estado. São décadas de dependência, com trabalhadores garimpeiros historicamente sob condições precárias. E com a chegada do crime organizado, o Estado coloca tudo isso no mesmo circuito. É uma criminalização perigosa, porque vulnerabiliza pessoas que já estavam vulneráveis&#8221;, avalia o pesquisador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Qual é o investimento que vai ser feito para gerar emprego, renda, qualidade de vida, infraestrutura e que o garimpo não vai ser mais a principal alternativa? É preciso quebrar esses ciclos econômicos.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já para Luiz, o cuidado com as comunidades pode recuperar a confiança — fundamental para que o sossego, do centro às periferias de cada cidade, não fique só nas aparências.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Eu não produzo segurança pública só com atuação ostensiva. É preciso ações que gerem um ambiente social de tranquilidade, de paz. Quem faz isso muitas vezes são as comunidades, por meio de seus eventos, da convivência, da ocupação do território. E tudo isso envolve confiança de que vou poder fazer, circular. Se não tenho essa confiança, não tenho segurança.&#8221;</p>





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<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>*Paulo Batistella é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com intercâmbio acadêmico na Universidade de Coimbra. Já colaborou com alguns dos mais influentes veículos de imprensa do Brasil, em mídia escrita, no rádio e na TV, como Folha de S.Paulo, Estadão, g1, Comprova, CBN e Globo. Foi reconhecido por sete prêmios de jornalismo, como vencedor ou finalista.</strong></em></p>





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<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Esta reportagem faz parte da série Ponte nas Eleições. Ao longo de seis reportagens, a Ponte vai tratar de temas centrais da segurança pública, com objetivo de ajudar o eleitor a compreender os principais problemas da área, os caminhos apontados por especialistas e o que deve ser observado nas propostas dos candidatos na hora do voto.</em></strong> <em><strong>Leia a série completa no <a href="https://ponte.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">site da Ponte Jornalismo.</a></strong></em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Além da Ponte, as reportagens da série são republicadas por veículos parceiros de diferentes regiões do país: </em></strong><a href="https://conquistareporter.com.br/"><strong><em>Conquista Repórter</em></strong></a><strong><em> (BA), </em></strong><a href="https://coletivosargentoperifa.com/"><strong><em>Sargento Perifa</em></strong></a><strong><em> (PE), </em></strong><a href="https://www.plural.jor.br/"><strong><em>Plural </em></strong></a><strong><em>(PR),</em></strong><a href="https://projetocolabora.com.br/"><strong><em> #Colabora </em></strong></a><strong><em>(RJ), </em></strong><a href="https://ehfonte.com.br/"><strong><em>Eh Fonte</em></strong></a><strong><em> (MT), </em></strong><a href="https://institutomidiaetnica.org.br/"><strong><em>Mídia Étnica/Correio Nagô</em></strong></a><strong><em> (BA), </em></strong><a href="https://marcozero.org/"><strong><em>Marco Zero </em></strong></a><strong><em>(PE), </em></strong><a href="https://amazoniareal.com.br/"><strong><em>Amazônia Real</em></strong></a><strong><em> (AM), </em></strong><a href="https://revistaafirmativa.com.br/"><strong><em>Revista Afirmativa </em></strong></a><strong><em>(BA), </em></strong><a href="https://agenciamural.org.br/"><strong><em>Agência Mural </em></strong></a><strong><em>(SP), </em></strong><a href="https://catarinas.info/"><strong><em>Portal Catarinas</em></strong></a><strong><em> (SC) e </em></strong><a href="https://ocatarinao.com.br/"><strong><em>O Catarinão</em></strong></a><strong><em> (RJ).</em></strong></p>





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<p class="wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência<strong>&nbsp;Amazônia Real</strong>&nbsp;estão licenciados com uma&nbsp;<a href="https://amazoniareal.com.br/parceiros/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Licença Creative Commons –&nbsp;</a>Atribuição 4.0 Internacional e podem ser republicados na mídia: jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura; com o crédito do autor e da agência Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença</em>.</p>



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		<title>Uma reparação para Márcia Mura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luciene Kaxinawá]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Sep 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Violação de Direitos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>"Essa vitória nunca foi só minha. Ela aconteceu porque muitas mulheres indígenas, parentes, amigos e apoiadores caminharam comigo. A atuação da advogada indígena Samara foi fundamental para mostrar que aquilo não era um problema individual, mas uma violência institucional", diz a educadora, que foi afastada, em 25 de agosto de 2021, por praticar a temática indígena na sala de aula da Escola Estadual Professor Francisco Desmorest Passos, no distrito de Nazaré, em Porto Velho (RO). Ela retornou à escola em 2025.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Porto Velho (RO) &#8211; </strong>O retorno da educadora indígena Márcia Mura à Escola Estadual Professor Francisco Desmorest Passos, no distrito de Nazaré, em Porto Velho, representa o desfecho de uma luta marcada por denúncias de racismo institucional, perseguição política e apagamento da memória indígena dentro da educação pública de Rondônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após três anos e seis meses de embates administrativos e resistência, Márcia voltou à escola em 07 de fevereiro de 2025, retomando as atividades com turmas do ensino fundamental e do primeiro ano do ensino médio em mediação tecnológica (formato frequentemente utilizado em regiões remotas como nas comunidades rurais e ribeirinhas de Rondônia, exige adaptação e garante a continuidade do processo de ensino e aprendizagem).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O reencontro com a comunidade foi registrado em vídeo publicado pela educadora nas <a href="https://www.instagram.com/reels/DHeui2bvyxv/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">redes sociais</a> onde na legenda ela descreveu como foi o processo para conseguir retornar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conhecida também pelo nome indígena Tanamak, recebido no território Mura Itaparanã por meio do Pandé (pajé),&nbsp; Márcia define sua trajetória como uma caminhada de defesa dos territórios, da memória e da afirmação indígena na Amazônia. Tanamak significa “grande guerreira”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Doutora em História Social pela<a href="https://www5.usp.br/"> Universidade de São</a><a href="https://www5.usp.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> </a><a href="https://www5.usp.br/">Paulo (USP)</a>, ela atua em comunidades ribeirinhas no processo de recuperação da memória do povo Mura e de outros povos indígenas, desenvolvendo o que chama de “pedagogia da afirmação indígena”, tanto nas escolas quanto nos espaços comunitários.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A saída da professora de Nazaré ocorreu durante a pandemia de Covid-19. Segundo Márcia, a perseguição começou por causa do trabalho pedagógico voltado à valorização da história e da memória indígena dentro do currículo escolar.<br><br></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A perseguição à educação indígena</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Marcia-Mura-em-Foto-de-Xenia-Barbosa-2021-maraca.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1011" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Marcia-Mura-em-Foto-de-Xenia-Barbosa-2021-maraca-1024x1011.jpg" alt="" class="wp-image-101829" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Marcia-Mura-em-Foto-de-Xenia-Barbosa-2021-maraca-1024x1011.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Marcia-Mura-em-Foto-de-Xenia-Barbosa-2021-maraca-300x296.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Marcia-Mura-em-Foto-de-Xenia-Barbosa-2021-maraca-768x758.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Marcia-Mura-em-Foto-de-Xenia-Barbosa-2021-maraca-96x96.jpg 96w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Marcia-Mura-em-Foto-de-Xenia-Barbosa-2021-maraca-150x148.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Marcia-Mura-em-Foto-de-Xenia-Barbosa-2021-maraca.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Márcia Mura (Foto cedida por Xênia Barbosa/2021)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em entrevista à agência <strong>Amazônia Real</strong>, a educadora disse que enfrentava resistência de pais de alunos e da equipe pedagógica da escola, que criticavam o fato de ela não seguir exclusivamente o livro didático e desenvolver atividades voltadas às identidades indígenas da região. &#8220;Todas as minhas aulas atravessavam a memória indígena e a história do Rio Madeira. Eu fazia o diálogo entre o local e o global. A equipe pedagógica dizia que eu repetia sempre o mesmo assunto e que eu deveria usar apenas o livro didático. Mas eu nunca deixei de usar o livro. O problema era que eu também colocava a realidade do território dentro da sala de aula&#8221;, afirma Márcia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Márcia, a postura refletia uma visão etnocêntrica da educação.&#8221;Infelizmente, tratar da afirmação indígena ainda é algo muito dolorido para muita gente. Alguns pais e professores se incomodavam&nbsp; porque eu propunha que os estudantes conversassem com os mais velhos, recuperassem suas histórias e reconhecessem a presença indígena na comunidade&#8221;, diz a educadora indígena.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os conflitos se intensificaram após a professora descumprir uma orientação da direção escolar e realizar uma apresentação cultural de dança com os estudantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela disse que, à época, a escola havia retornado às atividades após um longo período<a href="https://amazoniareal.com.br/sem-aulas-ha-nove-meses-criancas-vao-a-biblioteca-por-conta-propria-em-rondonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> sem aula por falta </a>de atendimento do transporte fluvial. Os estudantes estavam bem desanimados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Para acolher esse retorno, foi realizada uma atividade cultural com três coreografias, indo do balé clássico ao balé com a corporeidade ribeirinha, com a música do grupo local &#8220;Minhas Raízes&#8221; e a corporeidade indígena com a música da Kaê Guajajara, colocando o toré na ponta do pé. O momento foi conduzido pelas bailarinas Maira Mura e suas duas filhas, Letícia e Ludimila Mura, que deixaram uma mensagem para os estudantes, segundo a educadora Márcia Mura:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Independente do lugar que estejamos, temos que valorizar nossa cultura e que temos que lutar por nossos sonhos.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Os alunos ficaram encantados. Alguns nunca tinham visto uma apresentação de balé. Depois escreveram textos sobre a experiência e teve aluno que chorou de emoção. Foi uma atividade que devolveu alegria para eles&#8221;, completou ela, lembrando abaixo a reação da direção da escola:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Mesmo assim, quando a diretora voltou, fui chamada para receber uma advertência por ter desobedecido uma ordem&#8221;, contou. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro episódio decisivo ocorreu quando Márcia confrontou a direção da escola ao perceber que uma pintura de uma mulher indígena e crianças, produzida pelo artista Bote Negro, havia sido apagada das paredes da instituição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para ela, o ato representava uma “prática etnocida”. &#8220;Quando cheguei à escola e vi a pintura da mulher indígena coberta de tinta branca, aquilo me impactou profundamente. Havia tanto espaço na parede para fazer outras pinturas. Por que apagar justamente a imagem de uma mulher indígena com duas crianças? Foi ali que eu disse que aquilo era uma prática etnocida e epistemicida&#8221;, disse a indígena Mura com um expressão de dor em sua face e fala.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após ser removida da unidade, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) determinou sua lotação em Porto Velho. Márcia recusou a transferência por não aceitar abandonar Nazaré, onde mantinha casa, roçado e vínculos comunitários construídos ao longo dos anos. &#8220;Eu não aceitei sair porque Nazaré não era apenas o meu local de trabalho. Era onde estava minha casa, meu roçado, meu espaço cultural e toda a minha vida construída ao longo dos anos. Eu não podia simplesmente abandonar aquele território&#8221;, relembra.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><br></strong><strong>A vitória do processo judicial</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/05/marcia-mura.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="720" height="720" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/05/marcia-mura.jpg" alt="" class="wp-image-147851" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/05/marcia-mura.jpg 720w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/05/marcia-mura-300x300.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/05/marcia-mura-150x150.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2024/05/marcia-mura-96x96.jpg 96w" sizes="auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Márcia Mura (Arquivo pessoal)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A recusa levou à abertura de um processo administrativo por abandono de emprego. Durante cerca de nove meses, a professora permaneceu sem lotação e sem salário enquanto buscava reverter a situação judicialmente. Márcia afirma que a vitória no processo não foi individual, mas coletiva, sustentada pela mobilização de mulheres indígenas, parentes e apoiadores. &#8220;Na questão do abandono do emprego, quem atuou com um processo foi o doutor Mario Jonas, que reverteu a situação. A Samara Kokama entra depois, onde ela vai inserir a questão indígena, o etnocídio e a violência institucional. E junto com MPT e MPF atuou para garantir a minha relotação e o meu retorno à escola&#8221;, explicou a professora sobre o processo de sua defesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Essa vitória nunca foi só minha. Ela aconteceu porque muitas mulheres indígenas, parentes, amigos e apoiadores caminharam comigo. A atuação da advogada indígena Samara foi fundamental para mostrar que aquilo não era um problema individual, mas uma violência institucional.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caso ganhou repercussão nacional após denúncias publicadas pela<a href="https://amazoniareal.com.br/especiais/marcia-mura/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Amazônia Real</a> e pela<a href="https://apublica.org?utm_source=chatgpt.com"> </a><a href="https://apublica.org/2021/10/professora-e-removida-de-escola-publica-por-insistir-na-tematica-indigena/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Pública</a>, que abordaram as denúncias de racismo institucional e perseguição enfrentadas pela educadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, Márcia afirma viver uma realidade diferente daquela enfrentada antes da remoção. Segundo ela, a atual direção da escola tem apoiado ações afirmativas indígenas e buscado construir um ambiente de reparação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Quando voltei, encontrei uma realidade completamente diferente daquela que vivi antes. Hoje existe abertura para dialogar sobre as identidades indígenas e construir ações coletivas.&#8221;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O recente Abril Indígena (2026) promovido pela escola, de acordo com a professora, mobilizou estudantes, professores e toda a comunidade escolar em torno da valorização dos povos indígenas, algo que ela considera impensável nos anos anteriores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Ver a escola realizar o Abril Indígena, envolvendo estudantes, professores e a comunidade, é uma forma de reparação. Há alguns anos isso seria impensável.&#8221;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O retorno de Márcia Mura ao distrito de Nazaré transcende a retomada de um cargo na rede estadual de ensino. Sua volta simboliza permanência, resistência e disputa por memória dentro da educação amazônica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Rondônia, apesar da obrigatoriedade do ensino da história e cultura indígena prevista na Lei 11.645/2008, educadores indígenas ainda denunciam práticas de silenciamento e apagamento cultural nas escolas públicas.<br><br>Para Márcia Mura, permanecer em Nazaré nunca significou apenas retornar ao trabalho. Significou reafirmar que os territórios indígenas também existem dentro das comunidades ribeirinhas da Amazônia e que a escola pode ser um espaço de reconstrução da memória, em vez de apagamento. Sua trajetória evidencia que a implementação da Lei 11.645/2008 ainda enfrenta resistências, mas também mostra que a permanência de educadores indígenas nas escolas pode transformar currículos, fortalecer identidades e ampliar o diálogo entre educação e território.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Leia as reportagens desta série:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://amazoniareal.com.br/justica-diagnostico-barcarena-contaminacao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Barcarena espera por reparação</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://amazoniareal.com.br/o-cerco-aos-quilombolas-no-vale-do-guapore/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>O cerco aos quilombolas no Vale do Guaporé</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://amazoniareal.com.br/mulheres-indigenas-sao-alvos-da-violencia-e-omissao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mulheres indígenas são alvos da violência e omissão</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://amazoniareal.com.br/populacao-de-manaus-sente-impactos-do-super-el-nino/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">População de Manaus sente impactos do super El Niño</a></strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><em>Esta reportagem foi produzida com recursos do Prêmio Culturas de Resistência, concedido este ano à agência Amazônia Real por Iara Lee, ativista, cineasta e fundadora/diretora da </em><a href="http://culturesofresistance.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong><em>Rede Culturas de Resistência</em></strong></a>, <em>para apoiar uma série de cinco trabalhos relacionados aos direitos dos povos tradicionais, justiça social, violação de direitos humanos e meio ambiente.</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-vivid-green-cyan-color has-alpha-channel-opacity has-vivid-green-cyan-background-color has-background"/>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: Os textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência Amazônia Real estão licenciados com uma </em><a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nd/4.0/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional </em></a><em>(CC BY ND 4.0), e podem ser republicados na mídia: jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura; com o crédito do autor e da agência Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença e precisam de autorização dos autores.</em></p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Avisa seu candidato: mais prisões não significam mais segurança</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Amazônia Real]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Sep 2026 18:41:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Do Carandiru a Altamira, massacres, superlotação e guerra às drogas revelam o fracasso do encarceramento em massa e ajudam a entender por que prometer mais punição ainda rende mais votos. Esta reportagem é produzida pela Ponte Jornalismo, na série 'Ponte nas Eleições'.</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Mariana Rosetti, da Ponte Jornalismo*</strong></p>





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<p class="wp-block-paragraph">“Chegou a morte”, era a frase que Maurício Monteiro ouvia policiais militares gritarem, em meio a estampidos de disparos de arma de fogo, no corredor do terceiro andar do pavilhão 9 da Casa de Detenção do Carandiru, na zona norte de São Paulo. Monteiro acompanhava a movimentação da cela que dividia com outros companheiros.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Escondia-se no banheiro, um metro cúbico delimitado por um vaso sanitário e um lençol branco, que simulava uma parede. Até que, em poucos segundos, um policial rompeu o tecido, apontou uma arma para a sua cabeça e a engatilhou. O disparo, que o mataria, não veio. Interrompido por um superior, o PM desarmou a própria arma e saiu da cela.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Horas depois, Maurício seria submetido a um corredor polonês — uma punição física em que uma pessoa passa correndo ou andando entre duas fileiras de pessoas que a agridem — e empilharia corpos de companheiros executados pelo braço-armado do Estado. Em 2 de outubro de 1992, tornou-se um sobrevivente do<a href="https://ponte.org/tag/carandiru/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Massacre do Carandiru</a>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Naquele dia mais cedo, uma briga entre presos escalou para uma confusão generalizada. Algo rotineiro em um espaço projetado para 3.350 pessoas, mas que abrigava mais de 6.000. Foi quando o comandante da Polícia Militar, Ubiratan Guimarães, entrou no pavilhão 9 com mais de 300 agentes da<a href="https://ponte.org/tag/rota/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar)</a>, do<a href="https://ponte.org/tag/coe/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> COE (Comando de Operações)</a> e do<a href="https://ponte.org/tag/gate/"> GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais)</a>. E a matança começou.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://anistia.org.br/informe/massacre-do-carandiru-25-anos-depois/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cerca de 70% dos disparos atingiram as regiões da cabeça e do tórax das vítimas</a> — o que, somado ao fato de que nenhum policial se feriu, reforça a tese de que não houve confronto. O 9º pavilhão, onde ocorreu o massacre, abrigava réus primários e presos provisórios: mais de 80% dos 111 mortos naquele dia aguardavam julgamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo aconteceu na véspera do primeiro turno das eleições para prefeitos e vereadores. Por isso, o governo só divulgou a proporção do massacre minutos antes do fechamento das urnas, ignorando o sofrimento de familiares que aguardavam por respostas do lado de fora do presídio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como consequência do massacre, São Paulo veria nascer, meses depois, a facção criminosa<a href="https://ponte.org/tag/pcc/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Primeiro Comando da Capital (PCC)</a>, que se aproveitou desse ambiente de violações e abandono para disseminar seus ideais e cumprir uma lacuna estatal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é exagero dizer que o Carandiru mudou a história do sistema prisional brasileiro, mas ele não aconteceu ao acaso. Integrava um projeto político em ascensão nacional que perdura até os dias de hoje: o punitivismo e a letalidade como resposta a uma segurança pública que serve de palanque político.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É o que a <strong>Ponte </strong>investiga nesta reportagem, parte do <strong>Ponte nas Eleições</strong>, projeto especial sobre segurança pública e os temas que estarão em disputa nas eleições gerais deste ano. Ao longo da série, a <strong>Ponte </strong>analisa como decisões tomadas por governos estaduais moldam as políticas de segurança e seus impactos sobre a população.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para entender como o Carandiru se tornou possível, é preciso voltar às políticas de segurança e encarceramento adotadas por São Paulo nos anos anteriores ao massacre.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>“Política de humanização dos presídios”&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No fim dos anos 90, o Brasil vivia a transição para o período democrático após 21 anos de uma ditadura empresarial-militar (1964-1985). Na primeira eleição para o governo estadual de São Paulo, Franco Montoro (PMDB) foi eleito, sendo Orestes Quércia (PMDB) seu vice.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Montoro herdou um sistema prisional com déficit de 2 mil vagas, a maioria delas na Casa de Detenção, explica Fernando Salla, sociólogo pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), no trabalho<a href="https://revista.forumseguranca.org.br/rbsp/article/view/8" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> &#8220;De Montoro a Lembo: as políticas penitenciárias em São Paulo</a>&#8220;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em vez de propor a construção de mais cadeias ou o aumento de penas para conter a violência, Montoro tentou implementar uma &#8220;política de humanização dos presídios&#8221; e eliminar práticas de tortura e falta de transparência herdadas do regime militar. Entre as medidas estavam comissões eleitas por presos para dialogar com juízes, por exemplo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reação foi imediata. Setores conservadores não só se opuseram à política, como geraram um clima de tensão e boicote que desencadeou rebeliões em diversas penitenciárias. &#8220;A política de humanização dos presídios chegava ao final do governo Montoro profundamente desgastada&#8221;, pontua o pesquisador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando Quércia assume em 1987, nomeia Luiz Antônio Fleury Filho (MDB) como secretário de segurança pública. Juntos, caminham do extremo oposto do antecessor: abandonam as tentativas de humanização, focam na construção de unidades prisionais e respondem às manifestações dos presos com letalidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A matemática do extermínio na cela-forte&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="938" height="938" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1.jpeg" alt="" class="wp-image-176180" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1.jpeg 938w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-300x300.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-150x150.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-768x768.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-24x24.jpeg 24w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-48x48.jpeg 48w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-1-96x96.jpeg 96w" sizes="auto, (max-width: 938px) 100vw, 938px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Infográfico de reportagem de 7 de fevereiro de 1989 aponta os distritos policiais mais lotados na capital paulista (Foto: O Estado de S. Paulo/Reprodução).</sub></em> </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Era domingo de Carnaval, quando 50 presos se amotinaram e mantiveram uma carcereira refém, numa tentativa de fugir da carceragem do 42º DP, no Parque São Lucas, na zona leste de São Paulo. O local, projetado para abrigar 32 pessoas em quatro celas, aprisionava 63 naquele 5 de fevereiro de 1989.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A PM foi acionada e o motim logo encerrado. Mesmo assim, as forças policiais ordenaram que os presos tirassem as próprias roupas e percorressem um corredor polonês. O destino final era uma cela-forte, um cubículo conhecido como &#8220;solitária&#8221;, em que “presos perigosos” eram isolados dos demais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ali, os oficiais amontoaram 50 homens e, antes de fechar a porta, jogaram gás lacrimogêneo. A saleta de 1,5 m por 3 m não tinha janelas. O efeito de câmara de gás matou 18 homens por asfixia e deixou outros 12 hospitalizados.&nbsp;</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="474" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-1-1024x474.jpeg" alt="" class="wp-image-176181" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-1-1024x474.jpeg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-1-300x139.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-1-768x356.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-1-1536x711.jpeg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-1-150x69.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-2-1.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, publicada em 11 de fevereiro de 1989, simula superlotação em espaço demarcado (Foto: O Estado de S. Paulo/Reprodução).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">O “Massacre da Cela-Forte” chegou à Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) dias após o ocorrido. O que não impediu a projeção política dos responsáveis. Fleury, até então secretário de segurança, seria governador de São Paulo no mandato seguinte, durante o Massacre do Carandiru.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após o massacre na Casa de Detenção, ele chegou a admitir que “houve excesso” por parte da PM. Porém, em 2013, durante o julgamento dos policiais, quando atuou como testemunha de defesa, afirmou que a invasão foi necessária. “Não dei a ordem de entrada, mas, se estivesse em meu gabinete, daria.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mortes, em 1989 ou 1992, aconteceram nos primeiros anos da promulgação da Constituição de 1988 e deixaram uma mensagem: a recente democracia tardaria a alcançar a todos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas décadas seguintes, a política de encarceramento deixaria de ser impulsionada apenas pela construção de presídios e pelo endurecimento da repressão. Uma mudança na legislação ampliaria ainda mais o número de pessoas enviadas às prisões.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A política de drogas que retrocede direitos&nbsp;</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos anos 2000, o Brasil vivia o que a pesquisadora e escritora Juliana Borges nomeia de “boom econômico”. Havia expansão do programa Bolsa Família, implementação de cotas nas universidades, entre outras políticas que pareciam, enfim, atingir a população negra e periférica. “Nós falávamos que vivíamos em um país quase de pleno emprego. Estávamos saindo do mapa da fome”, recorda.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em meio a essa articulação social inédita, um anúncio: a sanção, em 2006, da nova<a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11343.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Lei de Drogas</a>, aprovada durante o primeiro mandato do governo Lula (PT).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De um lado, a pressão internacional e os setores conservadores pediam o endurecimento contra o crime organizado — fruto desse mesmo endurecimento penal. Do outro, movimentos sociais defendiam a descriminalização do usuário de drogas, por considerar esse um problema de saúde pública.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A redação do decreto até tentou um consenso: aumentou a pena mínima para o tráfico e extinguiu a pena de prisão para o consumo próprio. Mas falhou em não deixar claro o que diferencia cada uma das condutas, delegando essa decisão às polícias e ao Judiciário.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O resultado disso veio com o passar dos anos. Na falta de critérios objetivos, marcadores sociais como o CEP, a cor da pele e as características físicas de quem é abordado pela polícia fundamentaram sucessivas decisões judiciais, impulsionando o encarceramento em massa da população jovem, pobre e negra. &#8220;Nós tínhamos a expansão da renda [naquela época], mas aprovamos uma lei que fez triplicar, quintuplicar o número de pessoas no sistema prisional&#8221;, lembra Borges.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No segundo semestre de 2025, o Brasil atingiu a marca de 960.976 pessoas privadas de liberdade, segundo a<a href="https://www.gov.br/senappen/pt-br" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN)</a>. Pretos (116.552) e pardos (360.874) representavam 65,64% dos presos em celas físicas (727.301).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso significa dizer que, no segundo semestre de 2025, a cada três pessoas presas, duas eram negras. Além disso, 192.699 dos presos em celas físicas respondiam por tráfico de drogas (26%), disparado a tipificação criminal que mais encarcera no país.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a pesquisadora, a Lei de Drogas contém uma estratégia extremamente sofisticada porque não é explicitamente contra negros. &#8220;É uma lei para combater drogas. Mas a gente sabe que não se combatem drogas, se combatem pessoas&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se a violência estatal no Carandiru forjou o PCC, o aprisionamento em massa nos anos seguintes fortaleceu a facção: homens sem qualquer ligação com a criminalidade organizada precisaram se faccionar para garantir a própria vida atrás das grades.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É o próprio Estado dando munição para o crescimento dessas organizações. Um problema que ele cria para depois ter que resolver&#8221;, conclui Juliana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O encarceramento em massa e o fortalecimento das facções não ficaram restritos aos grandes centros urbanos. Em Altamira, no Pará, essas consequências se combinaram com uma transformação acelerada do território e a ausência de políticas públicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A barbárie planejada na Amazônia&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="681" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-1-1024x681.jpeg" alt="" class="wp-image-176182" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-1-1024x681.jpeg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-1-300x200.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-1-768x511.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-1-1536x1021.jpeg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-1-150x100.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-3-1.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Indígenas do Xingu durante protesto ocorrido em novembro de 2015, em uma coletiva da então presidenta do Ibama, Marilene Ramos, sobre o enchimento do reservatório da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil). </sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2025/01/31/crise-climatica-derruba-producao-de-belo-monte-a-57-do-esperado.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“O que eu sei fazer é pescar. Como vou pegar peixe no asfalto?”</a>, perguntou a pescadora Maria Cristina Alves da Costa, de 46 anos. Maria vivia em Santo Antônio, uma comunidade ribeirinha extinta para dar lugar à Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Após ver seu território submerso pela obra milionária, em meados de 2011, pegou a carta de crédito oferecida pela Norte Energia e comprou uma pequena casa em Altamira. Como ela, muitos moradores atingidos pela construção da usina se mudaram para a cidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de solo para plantar e colher, a contaminação dos rios, bem como a expansão de uma cidade que não comporta tudo aquilo de gente — com falta de escolas, postos de saúde, saneamento básico e trabalho, <a href="https://amazoniareal.com.br/ribeirinhos-de-belo-monte/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">como denuncia há anos a <strong>Amazônia Real</strong></a> — aumentou, expressivamente, os índices de criminalidade, incluindo o tráfico de drogas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://oglobo.globo.com/politica/altamira-cidade-mais-violenta-do-brasil-22184692" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em 2015, Altamira foi considerada a cidade mais violenta do Brasil</a> e se consolidou como um importante polo na rota da cocaína. Foi esse contexto político que forjou a Comando Classe A (CCA), uma facção criminosa que estampou o noticiário nacional e internacional em 29 de julho de 2019, após seus integrantes incendiarem uma cela onde estavam internos do Comando Vermelho (CV) no Centro de Recuperação Regional de Altamira.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A disputa deixou 62 homens privados de liberdade mortos. Entre as vítimas, 26 ainda não haviam sido julgadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como nos massacres do Carandiru e da Cela-Forte, a unidade estava superlotada. Com capacidade para 163 presos, abrigava 343,<a href="https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2019/07/29/presidio-onde-52-morreram-no-para-esta-superlotado-e-em-condicoes-pessimas-aponta-cnj.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> apontou um relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)</a> que atestou que as condições do presídio eram “péssimas”.</p>





<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-4-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="852" height="500" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-4-1.jpeg" alt="" class="wp-image-176183" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-4-1.jpeg 852w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-4-1-300x176.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-4-1-768x451.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/FOTO-4-1-150x88.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 852px) 100vw, 852px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Dois momentos do massacre em Altamira (Foto: Reprodução). </sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um vídeo publicado no mesmo dia, <a href="https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2019/07/29/estrutura-carceraria-no-para-esta-em-situacao-precaria-diz-helder-barbalho-governador-diz-trabalhar-para-melhoras-condicoes.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">conforme relatado por uma matéria do G1</a>, o então governador do estado, Helder Barbalho (MDB), afirmou que, desde o início de seu governo, havia adotado “todas as ações para conter o crime fora e dentro do sistema carcerário”. Ele atribuiu às facções criminosas o que chamou de carnificina e reforçou que continuaria “agindo firmemente para demonstrar o poder do Estado&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já o então secretário de Segurança Pública do Pará, Uálame Machado,<a href="https://ponte.org/o-massacre-previsivel-no-para-com-mais-de-60-mortos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> durante uma coletiva de imprens</a>a, atribuiu o massacre a um grupo de criminosos e eximiu o Estado de qualquer responsabilidade, afirmando: &#8220;Por parte do Estado, de forma alguma, houve participação. Até porque não havia reivindicação nesse sentido, queixas de más condições, superlotação. Foi uma briga interna de grupos criminosos&#8221;. O discurso contraria os dados do CNJ.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem esbarrava nas declarações podia achar que o episódio era uma briga de facções isolada. Contudo,<a href="https://www.intercept.com.br/2019/08/06/belo-monte-forjou-massacre-altamira/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> o <strong>The Intercept Brasil </strong>relembrou que a construção de um novo presídio</a> em Altamira era parte da obrigação contratual da Norte Energia, para reduzir os impactos causados pela construção de Belo Monte. Mas a obra não foi entregue no prazo previsto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais do que uma solução para a superlotação, a exigência contratual apontada pelo <strong>Intercept </strong>revelava que o aumento da criminalidade em Altamira era previsto. Os relatórios de impacto da obra já antecipavam que a urbanização forçada, a remoção das comunidades ribeirinhas e o inchaço populacional sem infraestrutura levariam ao colapso da segurança pública.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os massacres ocorridos no Carandiru e em Altamira não foram casos isolados. Eles fazem parte de um cenário de violações marcado pela superlotação e pela omissão estatal em diferentes regiões do país. Ainda assim, em vez de provocar uma ruptura com esse modelo, a violência nas prisões continuou sendo naturalizada e usada como plataforma eleitoral.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O inconstitucional sistema prisional brasileiro&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Ubiratan-Guimaraes016-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="672" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Ubiratan-Guimaraes016-1-1024x672.jpg" alt="" class="wp-image-176188" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Ubiratan-Guimaraes016-1-1024x672.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Ubiratan-Guimaraes016-1-300x197.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Ubiratan-Guimaraes016-1-768x504.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Ubiratan-Guimaraes016-1-1536x1008.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Ubiratan-Guimaraes016-1-150x98.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Ubiratan-Guimaraes016-1.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><sub><em>Ubiratan Guimarães (1943-2006), quando era deputado estadual (Foto: Acervo ALESP).</em></sub></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Hoje, dois anos depois, o massacre de 111 presos no pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo virou plataforma política de candidatos a deputado estadual&#8221;, dizia o primeiro parágrafo<a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/10/02/cotidiano/15.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> de uma reportagem publicada pelo repórter Daniel Castro, na Folha de S. Paulo, em 2 de outubro de 1994</a>, intitulada: &#8220;Bancada 111&#8242; usa massacre para se eleger&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reportagem citava dois candidatos, entre eles o Coronel Ubiratan Guimarães (PSD), que comandou a operação policial no Carandiru e disputava uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo com o número 41.111. Ele negava que a escolha fizesse referência aos 111 mortos no massacre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A exploração eleitoral do episódio ajudou a perpetuar a ideia de que a violência contra pessoas presas não apenas seria aceitável, como poderia ser celebrada. Quase três décadas depois, u<a href="https://iclnoticias.com.br/secretaria-seguranca-investiga-pms-carandiru/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">m vídeo revelado pelo ICL Notícias</a> mostrava alunos da Escola de Soldados da Polícia Militar de São Paulo entoando um canto de guerra. Na gravação, eles chamavam as vítimas do Carandiru de &#8220;lixo&#8221; e &#8220;escória&#8221; e exaltavam o uso de bombas, tiros e facadas no massacre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a pesquisadora Juliana Borges, essa naturalização da violência está relacionada à própria forma como a sociedade compreende a função da prisão. Borges cita a militante antirracista Carla Akotirene para lembrar que a etimologia da palavra &#8220;penitenciária&#8221; carrega a ideia de &#8220;penitência&#8221;. Essa associação reflete o entendimento de que o sofrimento seria necessário à ressocialização. Assim, massacres, decapitações e mortes por asfixia passam a ser vistos como consequências das escolhas anteriores das vítimas, em vez de serem tratados como responsabilidade do poder público.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa concepção não se manifesta apenas em episódios extremos, mas sustenta um sistema marcado pela repetição de violações. Foi nesse contexto que, em outubro de 2023, o STF reconheceu oficialmente o sistema prisional brasileiro como um &#8220;estado de coisas inconstitucional&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A decisão atesta que o problema não é &#8220;isolado no Acre, em São Paulo ou nas facções&#8221;, mas estrutural. &#8220;É o reconhecimento de que essa estrutura funciona à margem da Constituição&#8221;, pontua Aline Passos, advogada e pesquisadora abolicionista. Ainda assim, no palanque eleitoral, ignoram-se as melhorias estruturais exigidas pelos próprios presos do Carandiru há mais de 30 anos e pelo STF em 2023.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se o encarceramento em massa aprofunda os problemas que promete combater, pesquisadoras e movimentos formados por pessoas atingidas pela prisão defendem outras formas de lidar com conflitos e produzir segurança.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abolicionismo na prática e o alerta às urnas&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na contramão do punitivismo, o abolicionismo penal não se resume a implodir as estruturas das prisões, mas exige a formulação de uma nova organização social e de resolução de conflitos. Para Juliana Borges, esse caminho passa pelo fortalecimento da mediação comunitária e pela valorização de conhecimentos e práticas desenvolvidos por comunidades quilombolas e povos indígenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisadora também cita a geógrafa norte-americana Ruth Gilmore, que enxerga nos assentamentos do<a href="https://ponte.org/tag/movimento-dos-trabalhadores-rurais-sem-terra/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST</a>) experiências de organização comunitária que não recorrem necessariamente à punição para responsabilizar alguém por um conflito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É a partir dessa mesma premissa comunitária que atua o<a href="https://www.instagram.com/libertaelas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Liberta Elas,</a> uma coletiva feminista, abolicionista e antirracista da Região Metropolitana do Recife (PE), formada por ativistas, mulheres e pessoas trans atravessadas pelo cárcere.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a pesquisadora Juliana Trevas, cofundadora do grupo, a prisão produz uma morte social e emocional. “Quando você sai, sai traumatizada. Não é à toa que usamos a palavra ‘sobrevivente’, porque a pessoa sobreviveu a uma quase morte, a uma tortura permanente”, descreve.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A organização política de quem sobreviveu ao sistema “caminha sobre o fio da navalha&#8221;, descreve Aline Passos. Por terem ligação direta com a prisão, esses movimentos são submetidos a uma vigilância constante. Segundo ela, qualquer tentativa de articulação pode provocar retaliações do Estado e criar pretexto para que essas pessoas sejam novamente encarceradas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, essas pessoas, forjadas pela violência do cárcere e dos territórios militarizados, reivindicam seu lugar na formulação de políticas de segurança pública. &#8220;As pessoas da prisão estão compreendendo o negócio todo e querendo falar. Nas &#8216;saidinhas&#8217;, a gente faz troca. Como diz a professora Karina Biondi, nós fazemos um contrabando de ideias&#8221;, resume Trevas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como as prisões não serão extintas do dia para a noite, Trevas aponta medidas pragmáticas capazes de reduzir imediatamente a população carcerária. A primeira não tem nada de revolucionária, segundo ela. Bastaria cumprir a legislação vigente, o que reduziria o número excessivo de prisões provisórias e impediria a aplicação de punições internas utilizadas para torturar e imobilizar pessoas presas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A segunda medida esbarra em um tabu político estrutural, a legalização das drogas, acompanhada da anistia aos condenados por esse tipo de crime como forma de reparação histórica. Regulamentar as drogas e tratar seu uso também como uma questão de saúde pública interromperia parte da dinâmica de encarceramento. Contudo, Trevas ressalta que o conservadorismo paralisa inclusive a esquerda, que evita o tema por medo de perder votos, apesar das experiências de países que já regulamentaram a maconha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Juliana Borges, é justamente no palanque eleitoral que está a maior armadilha. A pesquisadora orienta os eleitores a desconfiarem das promessas simplistas que reduzem a segurança pública à força bruta. &#8220;Se o discurso do candidato for o de mais punição, mais armamento, de que a presença ostensiva do Estado é o que resolve e de que quem está na prisão é tudo vagabundo, eu fugiria&#8221;, crava.</p>





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<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>*Mariana Rosetti é jornalista independente, repórter, fotógrafa e produtora, focada em direitos humanos, segurança pública, justiça e meio ambiente, sempre pelas lentes de gênero. Investiga histórias que revelam desigualdades estruturais e amplificam vozes historicamente invisibilizadas. Já colaborou com veículos nacionais e internacionais, além de trabalhar por sete anos em televisão, como apuradora, produtora e chefe de reportagem. Fundou o podcast Marias&amp;Anas e foi finalista do Prêmio Patrícia Acioli de Direitos Humanos.</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-vivid-green-cyan-color has-alpha-channel-opacity has-vivid-green-cyan-background-color has-background"/>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Esta reportagem faz parte da série Ponte nas Eleições. Ao longo de seis reportagens, a Ponte Jornalismo vai tratar de temas centrais da segurança pública, com objetivo de ajudar o eleitor a compreender os principais problemas da área, os caminhos apontados por especialistas e o que deve ser observado nas propostas dos candidatos na hora do voto.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Além da Ponte, as reportagens da série são republicadas por veículos parceiros de diferentes regiões do país: </em></strong><a href="https://conquistareporter.com.br/"><strong><em>Conquista Repórter</em></strong></a><strong><em> (BA), </em></strong><a href="https://coletivosargentoperifa.com/"><strong><em>Sargento Perifa</em></strong></a><strong><em> (PE), </em></strong><a href="https://www.plural.jor.br/"><strong><em>Plural </em></strong></a><strong><em>(PR),</em></strong><a href="https://projetocolabora.com.br/"><strong><em> #Colabora </em></strong></a><strong><em>(RJ), </em></strong><a href="https://ehfonte.com.br/"><strong><em>Eh Fonte</em></strong></a><strong><em> (MT), </em></strong><a href="https://institutomidiaetnica.org.br/"><strong><em>Mídia Étnica/Correio Nagô</em></strong></a><strong><em> (BA), </em></strong><a href="https://marcozero.org/"><strong><em>Marco Zero </em></strong></a><strong><em>(PE), </em></strong><a href="https://amazoniareal.com.br/"><strong><em>Amazônia Real</em></strong></a><strong><em> (AM), </em></strong><a href="https://revistaafirmativa.com.br/"><strong><em>Revista Afirmativa </em></strong></a><strong><em>(BA), </em></strong><a href="https://agenciamural.org.br/"><strong><em>Agência Mural </em></strong></a><strong><em>(SP), </em></strong><a href="https://catarinas.info/"><strong><em>Portal Catarinas</em></strong></a><strong><em> (SC) e </em></strong><a href="https://ocatarinao.com.br/"><strong><em>O Catarinão</em></strong></a><strong><em> (RJ).</em></strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: Os textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência<strong> Amazônia Real</strong> estão licenciados com uma <a href="https://amazoniareal.com.br/parceiros/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Licença Creative Commons – </a>Atribuição 4.0 Internacional e podem ser republicados na mídia: jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura; com o crédito do autor e da agência Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença</em>.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>População de Manaus sente impactos do super El Niño</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Nicoly Ambrosio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Sep 2026 17:25:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com temperaturas próximas dos 38°C e sensações térmicas acima de 41°C, moradores da capital amazonense enfrentam apagões de energia elétrica, aumento da conta de luz e dificuldades para se refrescar. Calor extremo prolongado é mais grave em cidades com pouca arborização, transporte coletivo e pouco espaço para atividade ao ar livre.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus (AM) &#8211;</strong> O calor extremo em Manaus mudou a rotina da maquiadora Samara Leila Rodrigues, de 26 anos. Moradora do bairro Parque 10, na zona Centro-Sul, ela diz que dormir, trabalhar e até permanecer dentro de casa se tornaram tarefas difíceis nos dias de temperaturas elevadas. Em <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/08/21/apos-apagao-no-am-moradores-bloqueiam-rua-e-protestam-em-frente-a-concessionaria-por-falta-de-energia.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">períodos de apagão no forcimento de energia,</a> a situação se agrava, já que os cortes elétricos interrompem o funcionamento de ventiladores e ar-condicionado. Samara e a sua família ficam expostas ao calor justamente nos horários em que os termômetros ultrapassam os 37°C, com sensação térmica que chegam a 41°C.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Nos horários de pico do calor, fica insuportável ficar dentro de casa. Sem ventilador ou ar-condicionado, não tem como se refrescar. A rotina da casa para completamente e fica difícil até para descansar ou trabalhar”, disse em entrevista à <strong>Amazônia Real</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A frequência dos apagões é constante. Somente nesta semana, Samara contou ter enfrentado mais de 20 interrupções de energia, entre o dia e a noite. No dia 2 de setembro, foram cerca de dez quedas ao longo do dia, entre 10h e 19h. Algumas duraram cerca de uma hora; outras, apenas cinco ou dez minutos. Mesmo quando o fornecimento volta rapidamente, ela diz que evita ligar os aparelhos eletrodomésticos por medo de que sejam danificados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem conseguir aliviar o calor com os aparelhos, a família também passou a tomar mais banhos, o que, segundo Samara, aumentou o consumo e a conta de água. Ao mesmo tempo, a conta de energia também subiu.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Com as temperaturas extremas, fomos obrigados a deixar o ventilador e ar-condicionado ligados por mais tempo. Isso pesa direto no orçamento da família no fim do mês. A conta aumentou bastante. Antes eu pagava em torno de R$300 e a última fatura veio no valor de R$ 650”, observou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A experiência de Samara com o calor não é incomum e ocorre durante a chamada ‘estação seca’, conhecida também como “verão amazônico” na região, devido à queda no volume de chuva (estiagem) típica do período. Mas os efeitos desse ciclo sazonal estão sendo agravados pela ocorrência do<a href="https://amazoniareal.com.br/super-el-nino-impoe-riscos-de-incendios-florestais-na-amazonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Super El Niño</a>, fenômeno que intensifica o calor e reduz ainda mais as chuvas, além de aumentar o risco de queimadas e incêndios florestais e favorecer a dispersão de fumaça nas cidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O calor tem afetado a saúde de toda a família de Samara. Seu tem problemas respiratórios e, com o clima seco e as altas temperaturas, ela diz que não consegue usar o umidificador durante as interrupções de energia. “Só essa semana ele faltou aula 2 vezes por conta que não conseguimos dormir à noite por conta das quedas [de energia], afirmou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O terceiro <a href="https://www.gov.br/inpe/pt-br/assuntos/ultimas-noticias/painel-el-nino-2026-2027-terceiro-boletim-sobre-o-monitoramento-do-fenomeno-no-brasil-e-publicado" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Painel El Niño 2026-2027</a>, publicado pelo <a href="https://www.gov.br/inpe/pt-br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais</a> (Inpe) na última semana, informou que há 90% de probabilidade do El Niño ser muito forte já entre setembro e novembro, com altas temperaturas e chuvas abaixo da média nas regiões central e norte do Brasil.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse cenário de extremos climáticos afeta diretamente Manaus, que registrou 37,6°C em 1º de setembro, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/09/01/manaus-marca-376oc-e-bate-recorde-de-temperatura-pelo-segundo-dia-consecutivo.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">após atingir 37,4°C no dia anterior</a>, com sensações térmicas acima de 40ºC. A capital amazonense é apontada como a cidade brasileira mais vulnerável a ondas de calor extremo em estudo da<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2210670726004221" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Universidade de Oxford</a>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Somado a esses fatores, agosto foi o<a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/08/31/manaus-tem-o-mes-de-agosto-mais-seco-dos-ultimos-40-anos-segundo-inmet.ghtmlhttps://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/08/31/manaus-tem-o-mes-de-agosto-mais-seco-dos-ultimos-40-anos-segundo-inmet.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> mês mais seco na cidade desde 1986</a>, segundo o Inmet, e segue com pouca ou nenhuma chuva desde o início do mês. O volume de chuva registrado foi de 2,4 milímetros, com uma única chuva no dia 22 de agosto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta terça-feira (08), a cidade amanheceu com <a href="https://ampost.com.br/manaus/manaus-amanhece-com-cheiro-de-fumaca-e-qualidade-do-ar-moderada-nesta-terca/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">forte cheiro de fumaça</a> em diferentes regiões. De acordo com dados de qualidade do ar apresentados pelo aplicativo Selva (Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental), a condição do ar na capital aparece classificada como moderada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Calor no cotidiano</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Calor-Manaus-44.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Calor-Manaus-44-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-176213" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Calor-Manaus-44-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Calor-Manaus-44-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Calor-Manaus-44-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Calor-Manaus-44-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Calor-Manaus-44-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Calor-Manaus-44.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>População tem sofrido com as altas temperaturas em Manaus (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O verão amazônico costuma se estender até novembro e é caracterizado por temperaturas elevadas, menor volume de chuvas e períodos de baixa umidade. Quando associado a essas condições, o El Niño costuma provocar alterações no regime de chuvas e temperaturas da região Norte. Em 14 de agosto, uma atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estimou em 95% a probabilidade de o fenômeno atingir intensidade “muito forte” entre setembro e dezembro de 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os amazonenses já sentem os efeitos do calor, que aparecem antes mesmo de uma eventual intensificação do fenômeno. A necessidade de manter ambientes ventilados, aumentar a hidratação e recorrer a ventiladores e aparelhos de ar-condicionado faz parte da realidade da estudante Rebecca Xavier, de 23 anos, que também têm enfrentado os efeitos das altas temperaturas junto às interrupções no fornecimento de energia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Afeta principalmente com essa questão do calor e os eletrônicos, porque trabalhamos com internet e depender de redes móveis nunca é útil porque parece que quando a energia cai, as redes móveis passam a oscilar junto. Não é possível se refrescar sem ventilador ou ar-condicionado porque o sol bate direto nas paredes da casa e fica extremamente abafado”, explicou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pelo risco provocado à população, a <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/09/03/onda-de-calor-em-manaus-e-outros-dez-municipios-do-amazonas-ate-domingo-gera-alerta-da-defesa-civil.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Defesa Civil do Amazonas chegou a emitir um alerta de onda de calor</a> de intensidade moderada na tarde da última quinta-feira, 3 de setembro. O alerta valeu até o dia 6 de setembro para Manaus e outros dez municípios do estado. Segundo o órgão, as temperaturas permanecem acima dos valores normalmente esperados para o período.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pessoas em situação vulnerável são mais afetadas</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/55422129272_f3694a258d_k.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/55422129272_f3694a258d_k-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-176293" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/55422129272_f3694a258d_k-1024x683.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/55422129272_f3694a258d_k-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/55422129272_f3694a258d_k-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/55422129272_f3694a258d_k-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/55422129272_f3694a258d_k-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/55422129272_f3694a258d_k.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Policiais militares fazem abordagem em pessoas em situação de rua (Antonio Pereira/Semcom)</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O epidemiologista Jesem Orellana, pesquisador da Fiocruz Amazônia, explica que o calor extremo prolongado é um problema especialmente em cidades com pouca arborização, transporte coletivo precário. escassos espaços para atividade ao ar livre e infraestrutura urbana que favorece as &#8216;ilhas de calor&#8217;, fenômeno climático típico de zonas urbanas onde a temperatura é mais elevada do que seu entorno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As temperaturas acima da média afetam diretamente os idosos e favorecem quadros de desidratação e agravamento de doenças pré-existentes, como doença renal, cardiovascular ou pulmonar. Mas mesmo adultos jovens em idade laboral, sem histórico de comorbidades, podem sucumbir em caso de exaustão térmica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Durante o calor extremo é comum pessoas de diferentes idades terem problemas na garganta, na pele e até outros desconfortos respiratórios, mas nada alarmante que possa resultar em graves crises. Doenças diarreicas também costumam afetar populações vulneráveis, especialmente quando o abastecimento de água, seja para uso doméstico ou hidratação, fica comprometido, pois favorece doenças de veiculação hídrica, como as parasitoses intestinais e outros quadros gastrointestinais que podem resultar até em internação e morte, excepcionalmente”, analisou o especialista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, o calor não é igual para todos. Orellana pontua que pessoas que vivem em condições de habitação precária estão entre as mais vulneráveis aos efeitos do calor, assim como aquelas que passam longas horas no transporte coletivo de Manaus, especialmente nos horários de pico. Moradores em situação de rua, idosos que vivem em instituições de acolhimento com pouca infraestrutura de ventilação e refrigeração e pessoas privadas de liberdade, submetidas a ambientes insalubres,<a href="https://tipiti.substack.com/p/enfrentando-calor-extremo-pessoas"> também estão entre os grupos mais expostos.&nbsp;</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">“Não podemos ignorar as pessoas privadas de liberdade que cumprem pena em ambientes altamente insalubres. Em relação a classe trabalhadora, garis, vendedores ambulantes e trabalhadores da construção civil, são exemplos de alta vulnerabilidade em cenários de calor extremo”, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O que Manaus está fazendo para se adaptar?</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Calor-Manaus-77.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Calor-Manaus-77-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-176287" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Calor-Manaus-77-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Calor-Manaus-77-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Calor-Manaus-77-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Calor-Manaus-77-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Calor-Manaus-77-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Calor-Manaus-77.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Vegetação seca na Praça da Polícia, no centro de Manaus (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">No <a href="https://www.manaus.am.gov.br/semmas/wp-content/uploads/sites/26/2025/10/Plano-de-Acao-Climatica-de-Manaus-2025.pdf">Plano de Ação Climática de Manaus</a>, lançado no fim do ano passado, a prefeitura&nbsp; reconhece as altas temperaturas e as ilhas de calor como riscos para a cidade e prevê ações para ampliar a arborização e as áreas verdes, principalmente em regiões periféricas mais vulneráveis. O documento também estabelece o mapeamento de áreas prioritárias para arborização e de pontos críticos de calor. No entanto, parte das medidas previstas têm implementação de médio e longo prazo, enquanto a cidade já enfrenta episódios de calor extremo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O plano prevê medidas estruturais para reduzir o calor, mas não estabelece, entre as ações de adaptação analisadas, uma resposta emergencial claramente definida para períodos de calor extremo, como uma rede de pontos públicos de hidratação ou protocolos específicos de proteção para grupos mais vulneráveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sob a ameaça do El Niño e diante do aumento expressivo dos incêndios florestais e urbanos na região amazônica, povos indígenas e comunidades tradicionais exigiram, <a href="https://amazoniareal.com.br/comunidades-exigem-adaptacao-climatica-no-amazonas/">em uma Audiência Popular,</a> realizada em agosto em Manaus, ações permanentes de adaptação climática por parte do poder público para enfrentar o evento extremo, as altas temperaturas, a falta de água potável e de alimentos, como peixes, além da poluição do ar por causa dos incêndios florestais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cobrança das comunidades ocorre enquanto o Amazonas ainda não concluiu a elaboração do seu Plano de Adaptação às Mudanças Climáticas. Conforme o Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM), <a href="https://www.acritica.com/geral/el-ni-o-plano-estadual-contra-crise-climatica-so-deve-sair-em-setembro-1.409551">a previsão é que o documento seja entregue em setembro de 2026.</a>&nbsp;</p>





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                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-176420 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-09-09 16:57:14" data-filename="03F87CCA-0A7D-414C-9854-D121A8719DED-522-0000000C46A36B60-1600x900.jpeg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/03F87CCA-0A7D-414C-9854-D121A8719DED-522-0000000C46A36B60-1600x900.jpeg" height="900" width="1600" alt="" class="slider-176407 slide-176420 msDefaultImage" title="03F87CCA-0A7D-414C-9854-D121A8719DED-522-0000000C46A36B60" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Manaus amanheceu coberta de fumaça nesta quarta-feira (09/09) (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real).</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-176421 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-09-09 16:57:14" data-filename="90D0C6C6-936E-43A9-844D-8C184B8D64EA-522-0000000D27EC812D-1600x900.jpeg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/90D0C6C6-936E-43A9-844D-8C184B8D64EA-522-0000000D27EC812D-1600x900.jpeg" height="900" width="1600" alt="" class="slider-176407 slide-176421 msDefaultImage" title="90D0C6C6-936E-43A9-844D-8C184B8D64EA-522-0000000D27EC812D" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Manaus amanheceu coberta de fumaça nesta quarta-feira (09/09) (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real).</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-176422 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-09-09 16:57:14" data-filename="CD50E5FE-2833-4341-A8A4-1A112A77E730-522-0000000D00DD9AE6-1600x900.jpeg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/CD50E5FE-2833-4341-A8A4-1A112A77E730-522-0000000D00DD9AE6-1600x900.jpeg" height="900" width="1600" alt="" class="slider-176407 slide-176422 msDefaultImage" title="CD50E5FE-2833-4341-A8A4-1A112A77E730-522-0000000D00DD9AE6" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Manaus amanheceu coberta de fumaça nesta quarta-feira (09/09) (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real).</div></div></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-176426 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-09-09 16:57:14" data-filename="8BEC2698-82B1-4921-93D2-7ACEA690AAC8-522-0000000D7F9F85AA-1600x900.jpeg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/8BEC2698-82B1-4921-93D2-7ACEA690AAC8-522-0000000D7F9F85AA-1600x900.jpeg" height="900" width="1600" alt="" class="slider-176407 slide-176426 msDefaultImage" title="8BEC2698-82B1-4921-93D2-7ACEA690AAC8-522-0000000D7F9F85AA" /></li>
                <li style="display: none; width: 100%;" class="slide-176427 ms-image " aria-roledescription="slide" data-date="2026-09-09 17:10:09" data-filename="Fumaca-Manaus-09-09-2026-16-1600x900.jpg" data-slide-type="image"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Fumaca-Manaus-09-09-2026-16-1600x900.jpg" height="900" width="1600" alt="" class="slider-176407 slide-176427 msDefaultImage" title="Fumaça Manaus 09-09-2026 (16)" /><div class="caption-wrap"><div class="caption">Manaus amanheceu coberta de fumaça nesta quarta-feira (09/09) (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real).</div></div></li>
            </ul>
        </div>
        
    </div>
</div></div>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Âmbar afirma que vai fazer investimento</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a publicação da reportagem, a Âmbar Energia enviou uma nota por meio de sua assessoria e afirmou que, desde que assumiu a distribuição de energia no Amazonas, em abril deste ano, vem reforçando as equipes para atender “no menor tempo possível” as ocorrências emergenciais durante o verão amazônico. Também citou ações de manutenção, reforço de estruturas, substituição de equipamentos e intervenções na rede em diferentes regiões do estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A empresa informou que pretende investir R$5,5 bilhões até 2031 na modernização do sistema elétrico, incluindo substituição de cabos, expansão da rede, revitalização e construção de subestações e implantação de novas tecnologias. Diante do calor intenso e dos efeitos do El Niño, a concessionária disse manter em andamento o “plano de enfrentamento da Ponta de Carga 2026”, com medidas como extensão de circuitos de média e baixa tensão, podas, limpeza de faixas de servidão e manutenção preventiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, a nota não apresentou os dados solicitados pela reportagem sobre as interrupções de energia. A Âmbar não informou quantos apagões foram registrados em Manaus e especificamente no Parque 10 em agosto e setembro de 2026, nem apresentou comparação com o mesmo período de 2025. Também não esclareceu se houve aumento da demanda por energia durante os dias de calor extremo ou quais protocolos específicos são adotados diante de períodos de calor intenso. <a href="https://drive.google.com/file/d/1Work5nWFXTlC39rI23TS3qWwNjap-w2D/view" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Leia a nota na íntegra.</a></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/55423277389_09412e77d9_k.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="665" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/55423277389_09412e77d9_k-1024x665.jpg" alt="" class="wp-image-176295" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/55423277389_09412e77d9_k-1024x665.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/55423277389_09412e77d9_k-300x195.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/55423277389_09412e77d9_k-768x498.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/55423277389_09412e77d9_k-1536x997.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/55423277389_09412e77d9_k-150x97.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/09/55423277389_09412e77d9_k.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Idosos são os que mais sofrem com o calor intenso (Foto: Antonio Pereira/Semcom).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Leia as reportagens desta série:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://amazoniareal.com.br/justica-diagnostico-barcarena-contaminacao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Barcarena espera por reparação</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://amazoniareal.com.br/o-cerco-aos-quilombolas-no-vale-do-guapore/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>O cerco aos quilombolas no Vale do Guaporé</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://amazoniareal.com.br/mulheres-indigenas-sao-alvos-da-violencia-e-omissao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mulheres indígenas são alvos da violência e omissão</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>





<hr class="wp-block-separator has-text-color has-vivid-green-cyan-color has-alpha-channel-opacity has-vivid-green-cyan-background-color has-background"/>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Esta reportagem foi produzida com recursos do Prêmio Culturas de Resistência, concedido este ano à agência Amazônia Real por Iara Lee, ativista, cineasta e fundadora/diretora da Rede Culturas de Resistência, para apoiar uma série de cinco trabalhos relacionados aos direitos dos povos tradicionais, justiça social, violação de direitos humanos e meio ambiente.</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-vivid-green-cyan-color has-alpha-channel-opacity has-vivid-green-cyan-background-color has-background"/>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: Os textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência Amazônia Real estão licenciados com uma </em><a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nd/4.0/"><em>Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional </em></a><em>(CC BY ND 4.0), e podem ser republicados na mídia: jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura; com o crédito do autor e da agência Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença e precisam de autorização dos autores.</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-vivid-green-cyan-color has-alpha-channel-opacity has-vivid-green-cyan-background-color has-background"/>
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		<title>Desmatamento e um futuro perigoso em Lábrea &#8211; 2: desmatamento na Amazônia e no foco de Lábrea</title>
		<link>https://amazoniareal.com.br/desmatamento-e-um-futuro-perigoso-em-labrea-2-desmatamento-na-amazonia-e-no-foco-de-labrea/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Philip Martin Fearnside]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Sep 2026 15:10:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
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		<category><![CDATA[Conflitos fundiários]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nos últimos anos, o desmatamento tem se concentrado principalmente no leste do Acre, norte de Rondônia e sul do Amazonas, regiões que compõem a Zona de Integração Amacro, criada em 2021, com a justificativa de promover a sustentabilidade ambiental. No entanto, a perspectiva de substituir a economia local existente por uma economia agroindustrial voltada para a exportação de commodities está atrelada à intensificação da violência rural. </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Beatriz Figueiredo Cabral, Aurora Miho Yanai, Paulo Maurício Lima de Alencastro Graça, Maria Isabel Sobral Escada, Cláudia Maria de Almeida e Philip Martin Fearnside</strong></p>





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<p class="wp-block-paragraph">De 2019 a 2021, o desmatamento anual na floresta amazônica brasileira aumentou 56,6% em comparação com o período de 2016 a 2018, ultrapassando 10.000 km² por ano [1, 2]. Em 2021, o estado do Amazonas saltou para o segundo lugar no ranking de desmatamento anual entre os nove estados da Amazônia Legal brasileira, assumindo a posição histórica anteriormente ocupada por Mato Grosso e ficando atrás apenas do estado do Pará [3].</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, o desmatamento tem se concentrado principalmente no leste do Acre, norte de Rondônia e sul do Amazonas, regiões que compõem a Zona de Integração AMACRO, ou Zona de Desenvolvimento Sustentável Abunã-Madeira, recentemente renomeada. A AMACRO foi criada em 2021, durante o governo presidencial de Jair Bolsonaro (2019-2022), com a justificativa de promover a sustentabilidade ambiental por meio do desenvolvimento econômico dos 32 municípios que compõem a região [4]. No entanto, a perspectiva de substituir a economia local existente por uma economia agroindustrial voltada para a exportação de commodities está atrelada à intensificação da violência rural, como observado nessa área [5-7]. Com o aumento do potencial para grandes plantações de soja e operações pecuárias, cresce a demanda por terras e intensifica os conflitos fundiários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses conflitos frequentemente se manifestam como &#8220;apropriação de terras&#8221;, um termo específico da Amazônia, que denota a reivindicação ilegal e em larga escala de terras, tipicamente em territórios pertencentes ao governo (diferentemente do significado do mesmo termo na África e na Ásia, onde se refere à compra de terras locais por grupos estrangeiros) [8]. As terras do governo são invadidas tanto por grileiros quanto por pequenos agricultores (organizados e individuais). O resultado tem sido o aumento das taxas de desmatamento [7]. O processo de ocupação em Lábrea reflete um contexto histórico marcado por intensos conflitos fundiários relacionados à ocupação ilegal e desordenada, expansão da pecuária, pesca e caça predatórias, extração ilegal de madeira e posse de terras em áreas protegidas [5, 9]. O termo &#8220;posse de terras&#8221;, usado aqui, se refere a reivindicações autodeclaradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e não implica que os requerentes possuam a propriedade ou o título legal das áreas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tipologia dos padrões de desmatamento na Amazônia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Combater o crescente desmatamento e suas profundas consequências para a humanidade é crucial, o que exige uma compreensão abrangente desse processo dinâmico. Considerando a complexa relação entre desmatamento e mudanças no uso da terra, é fundamental compreender as interações entre os atores e os fatores envolvidos, a fim de subsidiar a formulação de políticas públicas capazes de mitigar os impactos negativos do desmatamento sobre o meio ambiente e a sociedade [10]. Para compreender de forma abrangente a ocupação da terra, uma abordagem robusta consiste em identificar a tipologia dos padrões de desmatamento e relacioná-los aos diferentes atores e aos estágios de ocupação de uma região [11-14]. Essa relação permite inferir o estágio evolutivo do processo de ocupação e desmatamento em uma determinada área, bem como identificar possíveis trajetórias de ocupação [15-17].</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos anteriores na Amazônia utilizaram tipologias de padrões de desmatamento para caracterizar os diferentes estágios de ocupação da terra. Por exemplo, Silva et al. [14] identificaram padrões distintos, como linear, irregular isolado de pequena escala, irregular de pequena escala próximo a estradas, irregular de escala média próximo a estradas e geométrico de grande escala, cada um vinculado a atores específicos e características da posse da terra. Saito et al. [18] classificaram o desmatamento com base nos estágios de ocupação, distinguindo entre padrões consolidados, difusos, espinha de peixe, geométricos regulares, desordenados multidirecionais e lineares unidirecionais. De forma semelhante, Gavlak et al. [17] definiram padrões e trajetórias de desmatamento ao longo de uma rodovia específica, fornecendo informações sobre os estágios de ocupação e as mudanças associadas. Em outro estudo, Marinaro et al. [10] definiram os estágios e os atores do desmatamento em uma fronteira pecuária no Chaco Seco do norte da Argentina, contribuindo para a compreensão, organização e diferenciação de vários processos socioecológicos e percepções dos habitantes locais e urbanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Partindo dessas constatações, a região que engloba o município de Lábrea apresenta um cenário emergente influenciado pela fronteira pecuária, consolidando sua importância como uma área relevante para a compreensão da dinâmica de ocupação do solo. Para obter informações sobre a dinâmica recente do desmatamento no município de Lábrea, este estudo busca compreender os padrões e trajetórias de ocupação do solo na região. O foco na identificação dos padrões e trajetórias de desmatamento no município de Lábrea, de 2008 a 2021, contribuirá com conhecimento valioso para subsidiar políticas públicas voltadas à mitigação das taxas de desmatamento nessa região crítica. [19]</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Notas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">[1] INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). 2021. <a href="http://bit.ly/3ZuuFIw">Desmatamento &#8211; Amazônia Legal</a>. INPE, Coordenação Geral de Observação da Terra. Programa de Monitoramento da Amazônia e Demais Biomas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[2] Alencar, A.; Silvestrini, R.; Gomes, J.; Savian, G. 2022. <a href="https://bit.ly/3YmFdYG">Amazônia em chamas – O novo e alarmante patamar do desmatamento na Amazônia. Nota técnica n° 9.</a> Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Brasília, DF. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[3] <em>InfoAmazonia</em>. 2021. <a href="http://bit.ly/3EZxqJu">Sul do Amazonas é a nova fronteira do desmatamento na Amazônia</a>. <em>InfoAmazonia</em>, 22 de dezembro de 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[4] SUDAM (Superintendência do desenvolvimento da Amazônia). 2021. <a href="https://irp.cdn-website.com/06e645c5/files/uploaded/amacro.pdf"><em>Zona de desenvolvimento sustentável dos Estados do Amazonas, Acre e Rondônia 2021-2027</em>: documento referencial.</a> SUDAM, Belém, PA. 174 p. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[5] CPT (Comissão Pastoral da Terra). 2021. <a href="http://bit.ly/3F0rtfo">Conflitos no Campo Brasil 2021: CEDOC Dom Tomás Balduino – CPT. </a></p>



<p class="wp-block-paragraph">[6] IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). 2021. <a href="http://bit.ly/3ZjFoFo">Invasão de terras públicas foi a principal causa do desmatamento na Amazônia. </a>IPAM, 22 de novembro de 2021. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[7] IMAZON (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia). 2022. <a href="http://bit.ly/3Yom4FC">Desmatamento na Amazônia cresce 29% em 2021 e é o maior dos últimos 10 anos.</a> IMAZON, 17 de janeiro de 2022. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[8] Agrawal, A.; Brown, D.G.; Sullivan, J.A. 2019. <a href="https://doi.org/10.1016/J.ONEEAR.2019.10.004">Are global land grabs ticking socio-environmental bombs or just inefficient investments?</a> <em>One Earth</em>, 1, 159–162.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[9] Tavares, L.; Cordeiro, L. 2017. <a href="http://bit.ly/3kQVuHu"><em>Perfil Socioeconômico e Ambiental do Sul do Estado do Amazonas: Subsídios para Análise da Paisagem</em>. </a>WWF–Brasil, Brasília, DF. 56 p. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[10] Marinaro, S.; Sacchi, L.; Gasparri, N.I. 2022. <a href="https://doi.org/10.1016/j.pecon.2021.12.003">From whom and for what: Deforestation in Dry Chaco from local-urban inhabitants’ perceptions</a>. <em>Perspectives in Ecology and Conservation</em>, 20, 141-150. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[11] McGarigal, K.; Marks, B.J. 1995. F<a href="RAGSTATS: Spatial pattern analysis program for quantifying landscape structure. (Pacific Northwest Research Station General Technical Report PNW-GTR-351) United States Department of Agriculture,">RAGSTATS: <em>Spatial pattern analysis program for quantifying landscape structure</em>. (Pacific Northwest Research Station General Technical Report PNW-GTR-351) United States Department of Agriculture,</a> Washington, DC, E.U.A. 132 p.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[12] Mertens B.; Lambin, E.F. 1997. <a href="https://doi.org/10.1016/S0143-6228(97)00032-5">Spatial modeling of deforestation in southern Cameroon. Spatial disaggregation of diverse deforestation processes.</a> <em>Applied Geography</em>, 17(2), 143-162. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[13] Pereira, L.M.; Escada, M.I.; Rennó, C.D. 2007. <a href="http://marte.sid.inpe.br/col/dpi.inpe.br/sbsr@80/2006/11.10.12.31/doc/6905-6912.pdf">Análise da evolução do desmatamento em áreas de pequenas, médias e grandes propriedades na região centro-norte de Rondônia, entre 1985 e 2000.</a> <em>Anais do XIII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Florianópolis, Brasil, 21-26 abril 2007</em>, INPE, São José dos Campos, SP, p. 6905-6912. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[14] Silva, M.P.S.; Câmara, G.; Escada, M.I.S.; Souza, R.C.M. 2008. <a href="https://doi.org/10.1080/01431160801950634">Remote-sensing image mining: detecting agents of land-use change in tropical forest areas.</a> <em>International Journal of Remote Sensing</em>, 29(16), 4803-4822. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[15] Diniz, A.M. 2002. <a href="https://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/ageteo/article/download/1115/1030/4570">Migração e evolução na fronteira agrícola. In: <em>Anais do XIII Encontro da Associação Brasileira de Estudos Populacionais, Ouro Preto, Minas Gerais, 2002</em></a>. Associação Brasileira de Estudos Populacionais, Campinas, SP. 26 p. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[16] Oliveira Filho, F.J.B.; Metzger, J.P. 2006. <a href="ttps://doi.org/10.1007/s10980-006-6913-0">Threshold in landscape structure for three common deforestation patterns in the Brazilian Amazon. </a><em>Landscape Ecology</em>, 21, 1061-1073. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[17] Gavlak, A.A. 2011. <a href="http://bit.ly/3kM9vX7">Padrões de Mudança de Cobertura da Terra e Dinâmica Populacional no Distrito Florestal Sustentável da </a></p>



<p class="wp-block-paragraph">[18] Saito, E.A.; Fonseca, L.M.G.; Escada, M.I.S.; Körting, T.S. 2011. <a href="https://bit.ly/3ST0eZP">Análise de padrões de desmatamento e trajetória de padrões de ocupação humana na Amazônia usando técnicas de mineração de dados</a>. In: <em>Anais XV Simpósio Brasileiro de Sensoriamento </em></p>



<p class="wp-block-paragraph">[19] Esta série traduz o trabalho Cabral, B.F., A.M. Yanai, P.M.L.A. Graça, M.I.S. Escada, C.M. de Almeida &amp; P.M. Fearnside. 2024. <a href="https://doi.org/10.1016/j.jenvman.2024.120354">Amazon deforestation: A dangerous future indicated by patterns and trajectories in a hotspot of forest destruction in Brazil. </a><em>Journal of Environmental Management </em>354:art. 120354. </p>





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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Beatriz Figueiredo Cabral </strong>possui graduação em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras e mestrado em Ciências de Florestas Tropicais (CFT) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Atualmente é doutoranda em CFT no INPA, onde desenvolva uma tese sobre “Projeções para a Expansão da Fronteira Amazônica: Simulação do Desmatamento e da Degradação Florestal sob Futuros Cenários Climáticos”. Ela tem experiência em análise e manipulação de dados de sensoriamento remoto, sistemas de informação geográfica, programação nas linguagens R e Python e simulação do desmatamento no software Dinamica-EGO para análises espaço-temporais na Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aurora Miho Yanai </strong>é engenheira florestal pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e tem mestrado e doutorado pelo Inpa em ciências de florestas tropicais. Atualmente é pesquisadora no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), onde ela continua suas pesquisas iniciadas como pós-doutoranda no mesmo instituto trabalhando com modelagem de desmatamento na região Trans-Purus. Ela tem experiência na análise e modelagem de desmatamento no sul do Amazonas.<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Paulo Maurício Lima de Alencastro</strong> Graça é doutor pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ele tem mestrado em ciências florestais pela Universidade de São Paulo, (USP-Esalq) e graduação em Engenharia Florestal pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Ele é pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), atuando junto ao laboratório de agroecossistemas. Ele tem publicado artigos sobre mapeamento de exploração madeireira utilizando técnicas de sensoriamento remoto, modelagem espacial do uso da terra, impacto do desmatamento, e eficiência de queima de biomassa florestal, entre outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Maria Isabel Sobral Escada</strong> possui doutorado e mestrado em sensoriamento remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e graduação em ecologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Ela é pesquisadora na Divisão de Observação da Terra e Geoinformática da Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), São José dos Campos, São Paulo. Ela atua nos seguintes temas: monitoramento de floresta por satélite, análise da paisagem e de padrões e processos mudança de uso da terra com técnicas de processamento de imagens, mineração de dados e análise espacial, técnicas aplicadas a estudos sobre degradação florestal, desmatamento, regeneração, atividades econômicas associadas ao uso e cobertura da terra e saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudia Maria de Almeida </strong>possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo &#8211; USP, Mestrado em Infrastructure Planning pelo Centre for Infrastructure Planning, Universität Stuttgart, Alemanha, e Doutorado em Sensoriamento Remoto pela University College London, Inglaterra / Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Tem experiência na área de Sensoriamento Remoto aplicado ao Planejamento Urbano e Regional, com ênfase em Técnicas de Previsão e Avaliação Urbana e Regional, atuando principalmente nos seguintes temas: Modelagem Dinâmica Espacial, Modelos de Autômatos Celulares, Sensoriamento Remoto de Alta Resolução Espacial, Análise de Imagens Baseada em Objeto e Geoinformação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Philip Martin Fearnside</strong> é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis <a href="https://philip.inpa.gov.br">aqui</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Amazônia Real lança jogo sobre dilemas reais da floresta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Amazônia Real]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 15:13:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Para aproximar o tema da urgência climática de um público mais jovem, a Amazônia Real transformou mais de uma década de reportagens investigativas em uma experiência gamificada sem respostas prontas, só consequências</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus &#8211;</strong> Você é um empresário com negócios na Amazônia. Sabe que a BR-319 ajudaria a escoar melhor sua produção de produtos extrativistas sustentáveis, ao mesmo tempo em que vê terras vizinhas serem ocupadas por grileiros e incêndios florestais criminosos quase alcançarem sua propriedade. O que fazer com essa estrada: apoiar a pavimentação, defender o transporte fluvial ou cobrar pelo asfaltamento apenas com um plano rigoroso de fiscalização e proteção das matas?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eis um dilema da vida real e do Jogo da Amazônia, a nova experiência interativa e gamificada lançada pela <strong>Amazônia Real</strong>, que transforma mais de uma década de reportagens investigativas e complexas em cenários de decisão sobre os conflitos socioambientais da região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por trás da tela de um celular está um problema que tira o sono de qualquer redação hoje: como aproximar um público mais jovem, acostumado a decidir em segundos o que vale seu tempo, de um acervo de mais de 4 mil reportagens que pedem de 15 a 20 minutos de leitura cada? Foi esse o ponto de partida do jornalista Eduardo Nunomura, responsável pela <a href="https://amazoniareal.com.br/iara/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">coordenação de projetos de Inteligência Artificial</a> (IA) na redação da <strong>Amazônia Real</strong>, para idealizar o Jogo da Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desenvolvimento do Jogo da Amazônia foi viabilizado por meio do apoio financeiro do programa <a href="https://www.journalismai.info/blog/amaznia-real-does-not-take-ai-seriously-it-takes-it-out-to-play" target="_blank" rel="noreferrer noopener">JournalismAI Innovation Challenge</a>, coordenado pela Polis, o think-tank de jornalismo da London School of Economics and Political Science (LSE), e do Google News Initiative. Iniciado em fevereiro, o projeto está em sua reta final.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o caminho até chegar ao <a href="https://amazoniareal.com.br/jda/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">próprio jogo</a> não foi direto. A equipe chegou a procurar desenvolvedores de mercado para ajudar a construir o produto. Uns cobravam entre 60% e 70% do orçamento do projeto, enquanto outros não tinham a menor noção do que é jornalismo. A virada veio quando Nunomura, formado também em Ciência da Computação pela Universidade de São Paulo, decidiu montar sozinho um protótipo para convencer os programadores de que a ideia era viável e não demandava um orçamento tão alto. Em três semanas, o que deveria ser uma maquete simples já era muito mais que isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“As inteligências artificiais abrem espaço para que possamos ir além do nosso potencial. Barreiras tecnológicas de entrada sempre foram impeditivas para veículos pequenos ou independentes, mas as IAs derrubaram a maioria delas”, diz o editor de Especiais da <strong>Amazônia Real</strong>. Com o MVP (Produto Mínimo Viável, em português) rodando, ele decidiu seguir em frente só com a equipe da agência.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Da tela ao dilema real</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No Jogo da Amazônia, cada participante começa escolhendo entre dois níveis: Aprendiz, para questões mais simplificadas, ou Pro, com desafios mais complexos. Em seguida, ele tem de assumir um personagem antes de começar a jogar. Pode optar por ser um governante, um indígena, um ambientalista, um empresário ou um cidadão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada rodada apresentará um cenário real, com três caminhos possíveis. Não há certo ou errado, mas consequências das escolhas feitas. Tudo isso resultará em um placar ético, que mede o impacto em três pilares: ambiental, social e econômico. No fim, o jogador recebe seu veredito, como defensor da floresta, explorador dos recursos naturais ou tomador de decisões da agenda socioambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Ele nos estimula a identificar qual é nossa postura na defesa da sustentabilidade e quais os desafios que a Amazônia vive, com impactos econômicos nas comunidades locais. Um ponto que destaco é que todas as informações que aparecem à medida que jogamos são retiradas de fontes da Amazônia Real. Ou seja, não são respostas aleatórias e superficiais. Espero que este jogo contribua para a conscientização e funcione também como aprendizado e incentivo ao engajamento em defesa da floresta e das populações amazônicas&#8221;, diz Elaíze Farias, cofundadora e editora de conteúdo da Amazônia Real.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O humano no controle da IA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A base de cada dilema vem do acervo de mais de 4 mil reportagens já publicadas pela agência, e não de respostas genéricas geradas pela IA sobre a Amazônia. Ao longo do desenvolvimento, Kátia Brasil e Elaíze Farias revisaram perguntas e respostas produzidas pelas ferramentas de IA, eliminando lugares-comuns como &#8220;floresta em pé&#8221;. Alberto César Araújo, editor de fotografia da agência, selecionou as imagens que ilustram esta primeira versão do jogo e ajudou a pensar a experiência do usuário ao lado de Nunomura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por recomendação dos apoiadores institucionais, o Jogo da Amazônia está disponível em edição trilíngue (português, inglês e espanhol).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Da sala de aula para o mundo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em maio deste ano, os primeiros a testarem o Jogo da Amazônia foram 80 alunos do curso de Jornalismo da <a href="https://casperlibero.edu.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Faculdade Cásper Líbero</a>, onde Nunomura é professor. Os testes foram feitos online, em celulares, tablets e computadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O resultado surpreendeu: 96% dos alunos afirmaram ter aprendido algo novo sobre o bioma amazônico, 83% elogiaram o design da ferramenta e 46% foram classificados como promotores (nota 9 ou 10 em uma escala NPS). E um dado surpreendente para publishers: o tempo médio de cada sessão passou de 5 minutos, com picos de até 10, mais que o triplo da permanência média registrada no site principal da <strong>Amazônia Real</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O próximo passo é levar o Jogo da Amazônia para o <a href="https://amazoniareal.com.br/jogo-da-amazonia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">grande público</a> e também às escolas, sobretudo as de ensino médio. Com foco na alfabetização ambiental, a experiência ajuda as instituições educacionais a ensinarem o complexo da urgência climática a partir de dilemas reais, que estão pressionando hoje a floresta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para levar o jogo à sala de aula de forma organizada, basta escrever para o e-mail [ <a href="mailto:jogodamazonia@amazoniareal.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">jogodamazonia@amazoniareal.com.br</a> ]. A adoção é gratuita e sem burocracia: os professores reservam de 5 a 10 minutos de uma aula para os alunos jogarem e tomarem decisões sobre o bioma, observando as consequências em tempo real. O restante do tempo é dedicado a um debate, ancorado por um material de apoio pedagógico preparado exclusivamente para o professor, e já atendendo às normas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Um jogo para qualquer redação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse projeto foi construído inteiramente em vibe coding (programação com auxílio de IAs) e consiste de duas fases. A primeira é a experiência gamificada do Jogo da Amazônia, já lançado. Mas o desenvolvimento prevê a construção de um plugin de WordPress em código aberto (open source). Isso permitirá que qualquer veículo de comunicação do mundo possa transformar seu próprio acervo de reportagens em um jogo interativo semelhante. Basta instalar o plugin e usar suas próprias ferramentas de IA de mercado (Google, OpenAI, Anthropic ou Deepseek) para criar suas versões de jogos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Quando idealizei esse projeto, não só via sua viabilidade, mas também imaginava outros veículos adotando essa solução para gerar mais engajamento para seus conteúdos. Em tempos de IA, quando as audiências das notícias entram em declínio, criar um produto que vai na contramão dessa corrente é um ato político”, afirma Eduardo Nunomura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escolha do empresário da BR-319 que abre esse texto poderia ser sua. Assim como a de um governante, uma indígena, uma ambientalista ou uma cidadã qualquer. Conheça essa experiência gamificada, compartilhe com os amigos e saiba que não há decisões fáceis sem efeitos sobre a maior floresta tropical do mundo. Há 13 anos, a <strong>Amazônia Real</strong> existe para visibilizar quem precisa. O Jogo da Amazônia é a mais nova ferramenta para isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://amazoniareal.com.br/jogo-da-amazonia/"><strong>Conheça a landing page aqui.</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>E-mail para contato:</strong>[ <a href="mailto:jogodamazonia@amazoniareal.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">jogodamazonia@amazoniareal.com.br</a> ]</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Jogue agora →</strong> [<a href="https://amazoniareal.com.br/jda/">https://amazoniareal.com.br/jda/</a>]</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-vivid-green-cyan-color has-alpha-channel-opacity has-vivid-green-cyan-background-color has-background"/>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: Os textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência<strong>&nbsp;Amazônia Real</strong>&nbsp;estão licenciados com uma&nbsp;<a href="https://amazoniareal.com.br/parceiros/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Licença Creative Commons –&nbsp;</a>Atribuição 4.0 Internacional e podem ser republicados na mídia: jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura; com o crédito do autor e da agência Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença</em>.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-vivid-green-cyan-color has-alpha-channel-opacity has-vivid-green-cyan-background-color has-background"/>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Desmatamento e um futuro perigoso em Lábrea &#8211; 1: introdução à série</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Philip Martin Fearnside]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Sep 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em nova série, autores alertam sobre os impactos ambientais na região de Lábrea, município localizado em área de forte pressão de desmatamento e crimes ambientais, e cujas ocupações podem se estender à região Trans-Purus. A perda de floresta nessa região seria catastrófica para o Brasil, pois ela é crucial para a reciclagem da água que é transportada para São Paulo e outras partes do sudeste e sul do Brasil pelos “rios voadores”.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Beatriz Figueiredo Cabral, Aurora Miho Yanai, Paulo Maurício Lima de Alencastro Graça, Maria Isabel Sobral Escada, Cláudia Maria de Almeida e Philip Martin Fearnside</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Publicamos um trabalho na prestigiosa revista <em>Journal of Environmental Management </em>[1]<em>, </em>disponível <a href="https://doi.org/10.1016/j.pecon.2023.10.006">aqui</a>, cujo título significa “Desmatamento da Amazônia: Um futuro perigoso indicado por padrões e trajetórias em um ponto crítico de destruição florestal no Brasil.” Trata-se de uma análise do desmatamento no Município de Lábrea, Amazonas, que é um foco de desmatamento, grilagem e conflitos na região. Aqui trazemos estas informações em português.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, a perda de floresta na Amazônia brasileira atingiu proporções alarmantes, com 2021 registrando o maior aumento em 13 anos, principalmente na Zona de Sustentável Abunã-Madeira, que abrange o sul do Amazonas, Acre e Rondônia. Isso acarreta repercussões ambientais, sociais e econômicas significativas em nível global e para as comunidades locais que dependem da floresta. Analisar os padrões e tendências de desmatamento auxilia na compreensão da dinâmica de ocupação e desmatamento em uma região crítica da Amazônia, permitindo inferir possíveis trajetórias de ocupação. Esse entendimento é crucial para identificar zonas de expansão do desmatamento e formular políticas públicas para contê-lo. As decisões do governo brasileiro em relação ao manejo da paisagem terão profundas implicações ambientais. Realizamos uma análise dos padrões e tendências de desmatamento até 2021 no município de Lábrea, localizado na porção sul do estado do Amazonas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Os processos de desmatamento nessa área provavelmente se espalharão para a região adjacente do Trans-Purus, no oeste do estado do Amazonas, onde o maior bloco remanescente de floresta tropical da Amazônia está ameaçado pela construção de rodovias planejadas. Os polígonos de desmatamento anual, de 2008 a 2021, foram categorizados com base em tipologias de ocupação vinculadas a diversos atores e processos definidos para a região (por exemplo, difuso, linear, espinha de peixe, geométrico, multidirecional e consolidado). Esses padrões foram representados por meio de células de grade de 10 × 10 km. Os resultados revelaram que o território de Lábrea é predominantemente caracterizado pelo padrão difuso (estágio inicial de ocupação), concentrado principalmente em áreas protegidas. Padrões de ocupação avançados (multidirecional e consolidado) foram os principais contribuintes para o desmatamento durante esse período. As trajetórias de mudança observadas incluíram consolidação (30,8%) e expansão (19,6%) na porção sul do município, particularmente ao longo das estradas secundárias Boi e Jequitibá, que dão acesso a grandes posses rurais ilegais. Além disso, as trajetórias sem mudança (67%) apresentaram padrões de ocupação inicial próximos a rios e em áreas protegidas, provavelmente ligados a comunidades ribeirinhas e extrativistas. É crucial adaptar as medidas de controle do desmatamento com base nos tipos de atores e considerando os estágios de ocupação. As técnicas desenvolvidas neste estudo fornecem uma abordagem abrangente para a Amazônia e outras regiões tropicais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>As consequências do desmatamento para o Brasil e o mundo.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O papel central do desmatamento da Amazônia nas crises climáticas e de biodiversidade globais, bem como seus impactos ambientais e sociais na região amazônica, tornaram a contenção dessa destruição uma prioridade máxima tanto para o mundo quanto para os países amazônicos [2]. Com mais de 40% das florestas tropicais remanescentes do mundo, o Brasil é, de longe, o país mais importante em termos de impactos potenciais do desmatamento e da degradação florestal sobre o clima global [3]. Isso decorre não apenas da emissão anual substancial de carbono, mas também das emissões potenciais dos enormes estoques de carbono na biomassa florestal remanescente e no solo sob a floresta, caso sejam liberados pela degradação florestal devido ao aumento das temperaturas, à severidade da seca e aos incêndios florestais associados às mudanças climáticas [4, 5]. A liberação desse carbono ao longo de alguns anos constitui um fator potencialmente determinante para que o clima global ultrapasse um ponto de inflexão, além do qual as ações humanas voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa seriam incapazes de impedir o avanço do aquecimento global, que passaria a ser sustentado por mecanismo de retroalimentações positivas no sistema terrestre [6].</p>



<p class="wp-block-paragraph">O município de Lábrea, foco do nosso estudo, está localizado na porção sul do estado do Amazonas e é adjacente à região Trans-Purus, uma vasta área que permanece em grande parte intocada devido à falta de acesso por estradas. A região Trans-Purus, localizada na porção oeste do estado do Amazonas, possui uma extensa área de “florestas públicas não destinadas”, termo que se refere a terras governamentais que não foram destinadas a um uso específico, como unidade de conservação, terra indígena ou projeto de assentamento. Essas florestas públicas não destinadas (conhecidas como “terras devolutas”) são as áreas mais atrativas para a ocupação ilegal por grileiros, pequenos agricultores organizados (“sem-terras”), madeireiros e outros grupos. Os processos de ocupação que ocorrem em Lábrea provavelmente se expandirão para a região Trans-Purus [7-9]. A região Trans-Purus enfrenta riscos de desmatamento devido às estradas planejadas para se ramificarem a partir da rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho). A rodovia BR-319 foi inicialmente construída em 1972-1973 e abandonada em 1988; recebeu “manutenção” a partir de 2015 e agora está prevista para “reconstrução”, aguardando aprovação da licença ambiental (Figura 1) [6, 10].</p>



<p class="wp-block-paragraph">A perda da floresta na região Trans-Purus seria catastrófica para o Brasil, visto que essa área é crucial para a reciclagem da água que é transportada para São Paulo e outras partes do sudeste e sul do Brasil pelos ventos conhecidos como “rios voadores” [11, 12]. Os ventos predominantes na Amazônia sopram de leste para oeste devido ao efeito da rotação da Terra no fluxo de retorno da circulação de Hadley, e esses ventos trazem água evaporada do Oceano Atlântico. Aproximadamente metade da água que cai como chuva sobre a floresta amazônica é reciclada pelas árvores, que a liberam como vapor d&#8217;água que, juntamente com o vapor d&#8217;água restante proveniente diretamente do Atlântico, é transportado pelos ventos [13]. Os ventos de jato de baixos níveis da América do Sul são bloqueados pela Cordilheira dos Andes e giram para o sul e leste, transportando vapor d&#8217;água para São Paulo, outras partes do sudeste e sul do Brasil e para países vizinhos [14, 15]. Esse transporte é especialmente intenso durante dezembro, janeiro e fevereiro, quando a zona de convergência intertropical está em sua posição mais ao sul e os ventos encontram a parte mais alta dos Andes. Essa é a estação chuvosa no sudeste da América do Sul e o período crítico para o enchimento dos reservatórios que abastecem a cidade de São Paulo, bem como de muitos outros reservatórios no sudeste e sul do Brasil e em países vizinhos. A bacia do Rio da Prata, que inclui São Paulo, depende do vapor d&#8217;água da Amazônia para entre 16% e 70% de sua precipitação anual, segundo as quatro estimativas existentes [13, 16-18]. Uma seca catastrófica em 2014 deixou São Paulo, a quarta maior cidade do mundo, à beira da escassez de água, inclusive para consumo humano [19-21]. Em 2021, outra seca catastrófica atingiu essa região do Brasil [22, 23]. Essas secas resultam de alterações na temperatura dos oceanos, ligadas ao aquecimento global, e a expectativa é de que se intensifiquem com as mudanças climáticas projetadas [24, 25]. Essas mudanças aumentam a importância da preservação da floresta amazônica, especialmente na região Trans-Purus, pois não há mais margem para perdas de água transportada pelos “rios voadores”. [26]</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Notas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">[1] Cabral, B.F.; Yanai, A.M.; Graça, P.M.L.A.; Escada, M.I.S.; de Almeida, C.M.; Fearnside, P.M. 2024. <a href="https://doi.org/10.1016/j.jenvman.2024.120354">Amazon deforestation: A dangerous future indicated by patterns and trajectories in a hotspot of forest destruction in Brazil. </a><em>Journal of Environmental Management </em>354:art. 120354. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[2] Fearnside, P.M. 2021a. <a href="https://doi.org/10.1093/obo/9780199363445-0064">Deforestation in Brazilian Amazonia</a>. In: E. Wohl (ed.) <em>Oxford Bibliographies in Environmental Science</em>. New York, EUA: Oxford University Press. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[3] Laurance, W.F.;Cochrane, M.A.; Bergen,S.; Fearnside, P.M.; Delamônica, P.; Barber, C.; D’Angelo, S.; Fernandes, T. 2001. <a href="https://doi.org/10.1126/science.291.5503.438">The future of the Brazilian Amazon</a>. <em>Science</em>, 291, 438-439. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[4] Barros, H.S.; Fearnside, P.M. 2019. <a href="http://doi.org/10.2136/sssaj2018.12.0489">Soil carbon is decreasing under “undisturbed” Amazonian forest.</a> <em>Soil Science Society of America Journal</em>, 83(6), 1779-1785. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[5] Nogueira, E.M.; Yanai, A.M.; Fonseca, F.O.R.; Fearnside, P.M. 2015. <a href="https://doi.org/10.1111/gcb.12798">Carbon stock loss from deforestation through 2013 in Brazilian Amazonia. </a><em>Global Change Biology</em>, 21, 1271–1292. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[6] Fearnside, P.M. 2022. <a href="https://antigo-philip.inpa.gov.br/publ_livres/2022/Por_que_a_rodovia_BR-319_eh_tao_prejudical-Serie_completa.pdf">Por que a rodovia BR-319 é tão prejudicia</a>l. <em>Amazônia Real</em>, série completa. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[7] Fearnside, P.M. 2021. <a href="https://antigo-philip.inpa.gov.br/publ_livres/2021/O_Desmatamento_da_Amazônia_Brasileira-Serie_completa.pdf">O desmatamento da Amazônia</a>. <em>Amazônia Real-</em>Série Completa. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[8] Fearnside, P.M. 2018. <a href="https://amazoniareal.com.br/br-319-e-destruicao-da-floresta-amazonica/">BR-319 e a destruição da floresta amazônica.</a> <em>Amazônia Real</em>, 19 de outubro de 2018. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[9] Fearnside, P.M.; Ferrante, L.; Yanai, A.M.; Isaac Júnior, M.A. 2020. <a href="ttps://antigo-philip.inpa.gov.br/publ_livres/2020/Regiao_Trans-Purus-Serie_completa.pdf">Trans-Purus, a última floresta intacta</a><em>. Amazônia Real-</em>Série completa. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[10] Santos, J.L.; Yanai, A.M.; Graça, P.M.L.A.; Correia, F.W.S.; Fearnside, P.M. 2023. <a href="https://antigo-philip.inpa.gov.br/publ_livres/2024/Fearnside-2024-Impactos_da_BR-319-Serie_completa.pdf">Impacto simulado da BR-319</a>. <em>Amazônia Real,</em> Série completa. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[11] Fearnside, P.M. 2004. <a href="http://philip.inpa.gov.br/publ_livres/2004/S%20PAULO-agua-C%20hoje.pdf">A água de São Paulo e a floresta amazônica</a>. <em>Ciência Hoje</em>, 34(203), 63-65. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[12] Fearnside, P.M. 2015. <a href="https://antigo-philip.inpa.gov.br/publ_livres/2015/Rios_voadores-Série_completa.pdf">Rios voadores e a água de São Paulo. </a><em>Amazônia Real, </em>série completa. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[13] Zemp, D.C., Schleussner, C.-F.; Barbosa, H.M.J.; van der Ent, R.J.; Donges, J.F.; Heinke, J.; Sampaio, G.; Rammig, A. 2014. <a href="https://doi.org/10.5194/acp-14-13337-2014">On the importance of cascading moisture recycling in South America</a>. <em>Atmospheric Chemistry and Physics</em>, 14, 13.337–13.359. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[14] Nicolini, M.; Saulo, C.; Torres, J.C.; Salio, P. 2002. <a href="https://ri.conicet.gov.ar/bitstream/handle/11336/148157/CONICET_Digital_Nro.dd6add01-8def-48e5-80f7-250a4f9f98af_A.pdf?sequence=2&amp;isAllowed=y">Enhanced precipitation over southeastern South America related to low-level jet events during austral warm season</a>. <em>Meteorologica,</em> 27, 59–70. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[15] Arraut, J.M.; Nobre, C.A.; Barbosa, H.M.; Obregon, G.; Marengo, J.A. 2012. <a href="https://doi.org/10.1175/2011JCLI4189.1">Aerial rivers and lakes: Looking at large-scale moisture transport and its relation to Amazonia and to subtropical rainfall in South America</a>. <em>Journal of Climate</em>, 25, 543-556. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[16] van der Ent, R.J.; Savenije, H.H.G.; Schaefli, B.; Steele-Dunne, S.C. 2010. <a href="https://doi.org/10.1029/2010WR009127">Origin and fate of atmospheric moisture over continents. </a><em>Water Resources Research,</em> 46, art. W09525. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[17] Martinez, J.A.; Dominguez, F. 2014. <a href="https://doi.org/10.1175/JCLI-D-14-00022.1">Sources of atmospheric moisture for the La Plata River Basin</a>. <em>Journal of Climate</em>, 27, 6737–6753. https://doi.org/10.1175/JCLI-D-14-00022.1</p>



<p class="wp-block-paragraph">[18] Yang, Z.; Dominguez, F. 2019. <a href="https://doi.org/10.1175/JCLI-D-18-0700.1">Investigating land surface effects on the moisture transport over South America with a moisture tagging model.</a> <em>Journal of Climate,</em> 2, 6627-6644. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[19] Nobre, C.; Marengo, J.; Seluchi, M.; Cuartas, L.; Alves, L. 2016. <a href="https://doi.org/10.4236/jwarp.2016.82022">Some characteristics and impacts of the drought and water crisis in southeastern Brazil during 2014 and 2015. </a><em>Journal of Water Resource and Protection,</em> 8, 252-262. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[20] Cunha, A.P.M.A.; Zeri, M.; Deusdará Leal, K.; Costa, L.; Cuartas, L.A.; Marengo, J.A.; Tomasella, J.; Vieira, R.M.; Barbosa, A.A.; Cunningham, C. et al. 2019. <a href="ttps://doi.org/10.3390/atmos10110642">Extreme drought events over Brazil from 2011 to 2019</a>. <em>Atmosphere</em>, 10, art. 642. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[21]<a> </a>Fearnside, P.M. 2021<strong>.</strong> <a href="https://amazoniareal.com.br/as-licoes-dos-eventos-climaticos-extremos-de-2021-no-brasil-2-a-seca-no-sudeste">As lições dos eventos climáticos extremos de 2021 no Brasil: 2 – A seca no Sudeste</a>. <em>Amazônia Real</em>, 20 de julho de 2021. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[22] Fernandes, V.R.; Cunha, A.P.M.; do Amaral, P.; Luz, A.C.; Leal, K.R.D.; Costa, L.C.O.; Broedel, E.; Alvalá, R.C.S.; Seluchi, M.E.; Marengo, J. 2021. <a href="https://doi.org/10.5380/rbclima.v28i0.74717">Secas e os impactos na região Sul do Brasil. </a>R<em>evista Brasileira de Climatologia,</em> 28, 561-584. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[23] Getirana, A.; Libonati, R.; Cataldi, M. 2021. <a href="https://doi.org/10.1038/d41586-021-03625-w">Brazil is in water crisis — It needs a drought plan.</a> <em>Nature</em>, 600, 218-220. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[24] Biastoch, A.; Boning, C.W. 2013. <a href="https://doi.org/10.1002/grl.50243">Anthropogenic impact on Agulhas leakage.</a> <em>Geophysical Research Letters</em>, 40, 1138–1143. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[25] Coelho, C.A.S., de Oliveira, C.P., Ambrizzi, T. et al. 2016. <a href="https://doi.org/10.1007/s00382-015-2800-1">The 2014 southeast Brazil austral summer drought: regional scale mechanisms and teleconnections.</a> <em>Climate Dynamics,</em> 46, 3737–3752. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[26] Esta série traduz o trabalho Cabral, B.F., A.M. Yanai, P.M.L.A. Graça, M.I.S. Escada, C.M. de Almeida &amp; P.M. Fearnside. 2024. <a href="https://doi.org/10.1016/j.jenvman.2024.120354">Amazon deforestation: A dangerous future indicated by patterns and trajectories in a hotspot of forest destruction in Brazil.</a> <em>Journal of Environmental Management </em>354:art. 120354. Agradecemos ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) (PRJ15.125) e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) (Resolução 003/2019 e Processo 01.02.016301.000289/2021-33); Rede Brasileira de Pesquisa em Mudanças Climáticas (FINEP/Rede CLIMA) (Processo 01.13.0353-00), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) (Código de Financiamento 001), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) (Processo 2020/08916-8) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (Processo 312450/2021-4). Agradecemos também a José Ribeiro pelo apoio técnico em campo.</p>





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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Beatriz Figueiredo Cabral </strong>possui graduação em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras e mestrado em Ciências de Florestas Tropicais (CFT) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Atualmente é doutoranda em CFT no INPA, onde desenvolva uma tese sobre “Projeções para a Expansão da Fronteira Amazônica: Simulação do Desmatamento e da Degradação Florestal sob Futuros Cenários Climáticos”. Ela tem experiência em análise e manipulação de dados de sensoriamento remoto, sistemas de informação geográfica, programação nas linguagens R e Python e simulação do desmatamento no software Dinamica-EGO para análises espaço-temporais na Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aurora Miho Yanai </strong>é engenheira florestal pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e tem mestrado e doutorado pelo Inpa em ciências de florestas tropicais. Atualmente é pesquisadora no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), onde ela continua suas pesquisas iniciadas como pós-doutoranda no mesmo instituto trabalhando com modelagem de desmatamento na região Trans-Purus. Ela tem experiência na análise e modelagem de desmatamento no sul do Amazonas.<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Paulo Maurício Lima de Alencastro</strong> Graça é doutor pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ele tem mestrado em ciências florestais pela Universidade de São Paulo, (USP-Esalq) e graduação em Engenharia Florestal pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Ele é pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), atuando junto ao laboratório de agroecossistemas. Ele tem publicado artigos sobre mapeamento de exploração madeireira utilizando técnicas de sensoriamento remoto, modelagem espacial do uso da terra, impacto do desmatamento, e eficiência de queima de biomassa florestal, entre outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Maria Isabel Sobral Escada</strong> possui doutorado e mestrado em sensoriamento remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e graduação em ecologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Ela é pesquisadora na Divisão de Observação da Terra e Geoinformática da Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), São José dos Campos, São Paulo. Ela atua nos seguintes temas: monitoramento de floresta por satélite, análise da paisagem e de padrões e processos mudança de uso da terra com técnicas de processamento de imagens, mineração de dados e análise espacial, técnicas aplicadas a estudos sobre degradação florestal, desmatamento, regeneração, atividades econômicas associadas ao uso e cobertura da terra e saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cláudia Maria de Almeida </strong>possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo &#8211; USP, Mestrado em Infrastructure Planning pelo Centre for Infrastructure Planning, Universität Stuttgart, Alemanha, e Doutorado em Sensoriamento Remoto pela University College London, Inglaterra / Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Tem experiência na área de Sensoriamento Remoto aplicado ao Planejamento Urbano e Regional, com ênfase em Técnicas de Previsão e Avaliação Urbana e Regional, atuando principalmente nos seguintes temas: Modelagem Dinâmica Espacial, Modelos de Autômatos Celulares, Sensoriamento Remoto de Alta Resolução Espacial, Análise de Imagens Baseada em Objeto e Geoinformação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Philip Martin Fearnside</strong> é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis <a href="https://philip.inpa.gov.br">aqui</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Poranga Marandúa é o primeiro manual indígena do jornalismo brasileiro </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Nicoly Ambrosio]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Aug 2026 23:16:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[Tupi-Guarani]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Elaborado coletivamente por mais de 40 povos originários, o documento reúne orientações para combater estereótipos e práticas excludentes na cobertura das etnias e propõe uma relação mais próxima entre redações, jornalistas e comunidades indígenas. A Abrinjor, responsável pela publicação, também articula a distribuição do manual pelo país e a criação de uma formação acadêmica em jornalismo indígena.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manaus (AM) &#8211;</strong> A prática do jornalismo produzido por indígenas brasileiros ganhou mais uma importante ferramenta de inclusão no país: o primeiro manual de redação “Poranga Marandúa”, que na língua Nheengatu &#8211; da família Tupi-Guarani e originária da Língua Geral &#8211; significa &#8220;boa notícia&#8221;. O jornalismo não vive só de “boas notícias”, mas com&nbsp; o documento, os indígenas jornalistas querem evitar problemas recorrentes em diversos veículos da imprensa do país, como o uso dos termos “índio”, “tribo” e “selva”, e a repetição de pautas que apresentam os povos originários a partir da ótica do estereótipo e da extrema violência, sem o devido cuidado com a segurança de lideranças em denúncias as violações nos territórios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A iniciativa inédita do “Poranga Marandúa” é da Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor) que, em 2024, realizou um primeiro encontro com 30 profissionais, em Brasília. Na produção do manual de redação, 40 etnias participaram da elaboração do documento com orientações para uma cobertura que confronte o racismo nas coberturas jornalísticas e os estereótipos historicamente associados à identidade indígena na mídia brasileira.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A jornalista <a href="https://amazoniareal.com.br/author/luciene-kaxinawa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Luciene Kaxinawá</a>, coordenadora da Abrinjor, explica que a partir desse encontro surgiu a ideia de criar o manual, cuja elaboração levou cerca de um ano e meio, entre reuniões, divisão dos capítulos, escrita e revisão coletiva. “A parte gráfica foi construída por uma indígena, a editora é uma editora do Instituto Kaingang, que é uma organização indígena do Sul&nbsp; do Brasil. Todo o manual foi pensado e elaborado por indígenas”, afirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lançado oficialmente no último dia 10 de agosto, na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), a ideia de elaborar um manual de redação do jornalismo indígena, segundo Luciene Kaxinawá, surgiu da ausência de pluralidade na cobertura jornalística, que pouco fala sobre economia, geração de renda e valorização de saberes tradicionais dos <a href="https://www.ibge.gov.br/brasil-indigena/">391 povos existente no país.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Os estereótipos e preconceitos</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Manual-de-Redacao-de-Jornalismo-Indigena_Poranga-Marandua-3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Manual-de-Redacao-de-Jornalismo-Indigena_Poranga-Marandua-3-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-176040" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Manual-de-Redacao-de-Jornalismo-Indigena_Poranga-Marandua-3-1024x576.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Manual-de-Redacao-de-Jornalismo-Indigena_Poranga-Marandua-3-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Manual-de-Redacao-de-Jornalismo-Indigena_Poranga-Marandua-3-768x432.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Manual-de-Redacao-de-Jornalismo-Indigena_Poranga-Marandua-3-1536x864.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Manual-de-Redacao-de-Jornalismo-Indigena_Poranga-Marandua-3-150x84.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Manual-de-Redacao-de-Jornalismo-Indigena_Poranga-Marandua-3.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Lançamento do Poranga Marandúa, em Brasília (Foto: Ana Clara Gonçalves ).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora o manual aponte diversas falas racistas e práticas inadequadas, a imprensa tradicional é duramente criticada por perpetuar padrões coloniais e absurdos que desumanizam, estereotipam e ridicularizam os povos originários. Entre as críticas mais contundentes presentes no documento, destacam-se: “a cobrança de ‘performance estética’ (&#8220;Índio de iPhone&#8221;): </p>



<p class="wp-block-paragraph">Os indígenas jornalistas também criticam a mídia hegemônica e a sociedade &#8220;por questionarem a identidade de um indígena pelo fato de ele morar na cidade, ter formação acadêmica ou usar tecnologias cotidianas (como celulares de marca ou carros)&#8221;, diz o documento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O manual também pontua que as culturas são dinâmicas e que, como dizia o líder Marcos Terena, um indígena “pode ser quem você é, sem deixar de ser quem ele é.”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Luciene Kaxinawá, “[a imprensa e sociedade] Nos colocam sempre em uma caixinha, onde nós temos uma cultura única descrita nas reportagens e matérias pela mídia, que alimenta um estereótipo que não existe.”&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo ela, as notícias não contemplam a diversidade e a pluralidade dos povos indígenas. “As pessoas acham que só existe indígena na Amazônia, a ideia é desmistificar isso e mostrar que há indígenas em todo território brasileiro, e que nós temos culturas diferentes uma das outras.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela diz que na produção do manual também foram considerados os diferentes contextos culturais e territoriais para a elaboração das diretrizes da publicação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O manual funciona também como material educativo para que jornalistas e comunicadores não-indígenas compreendam as formas próprias de representação e organização de cada povo indígena antes de produzir suas reportagens.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Luciene destaca que esse cuidado diz respeito à forma como o jornalista escolhe e se relaciona com as fontes, pois é preciso compreender as hierarquias existentes em cada comunidade indígena e respeitar quem possui legitimidade para falar sobre determinado assunto ou sobre seu povo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">”Precisa ter o entendimento do tempo dos nossos caciques, saber as hierarquias. Entender que um indígena não fala pelo povo inteiro, ele tem que ter o aval da liderança e dos demais da comunidade para poder falar do seu povo. Não é qualquer pessoa que pode falar pelo seu povo, tem as hierarquias e seus representantes”, explica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a realização da produção do manual “Poranga Marandúa”, a Abrinjor contou com o apoio de organizações como Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME), Nia Tero, Proteja, Instituto Kaingang (INKA) e Imaginable Futures. A Climate and Land Use Alliance (CLUA) participou da iniciativa na tradução das versões em inglês e espanhol, que serão lançadas posteriormente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Abrinjor, criada em 2022, reúne atualmente 70 indígenas, mas iniciou com 65 pessoas, entre jornalistas e estudantes de diferentes povos e biomas brasileiros: Amazônia: 30 integrantes; Cerrado: 14; Caatinga: 10; Mata Atlântica: 9; Pampa: 1; e Pantanal com 1. Os nomes de todas as etnias que eles representam estão inseridos no manual de redação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Uma outra forma de fazer jornalismo</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/IMG_4242-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/IMG_4242-1-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-176044" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/IMG_4242-1-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/IMG_4242-1-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/IMG_4242-1-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/IMG_4242-1-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/IMG_4242-1-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/IMG_4242-1.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><sub>La<em>nçamento do Poranga Marandúa (Foto: Ana Clara Gonçalves ).</em></sub></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A construção do manual “Poranga Marandúa” foi coletiva. Recebeu contribuição de indígenas jornalistas de todas as regiões do Brasil, resultado de um processo de discussão sobre como a imprensa brasileira se relaciona com os povos indígenas, muitas vezes de forma equivocada e violenta.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Ykarunī Nawa, co-coordenador da Abrinjor, a proposta não é criar um documento de confronto com a imprensa, mas estabelecer outras possibilidades de relação entre jornalismo e povos indígenas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O ‘Poranga Maranduá’ não é um manual de ataque ao jornalismo. É um manual de diálogo, de parceria, de confiança no jornalismo. A gente acredita e propõe justamente uma outra forma de jornalismo, porque a gente acredita que o jornalismo pode sim ter uma prática mais ética, respeitosa e de combate ao racismo”, destacou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa mudança, conforme Ykarunī, também passa pela inserção de indígenas jornalistas nas redações, mas não pela ideia de que um único profissional possa representar todos os povos. O objetivo é ampliar o diálogo intercultural na produção jornalística e reconhecer os povos indígenas como participantes da construção do conhecimento produzido pela imprensa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Se o jornalismo é produtor de conhecimento, o diálogo com os povos indígenas nessa produção de conhecimento é fundamental para poder ter a transformação da realidade social do mundo, principalmente onde os povos indígenas vivem, que na maioria das vezes tem sido um lugar violento para as pessoas, corpos e vivências indígenas. A presença indígena nas redações é algo que o manual apoia bastante”, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Há indígenas nas redações?</strong></p>





<p class="wp-block-paragraph">O debate proposto pelos indígenas jornalistas no manual “Poranga Marandúa” levanta não só ao apontamento dos termos coloniais e racistas e orientações de linguagem, mas também à presença indígena nas redações e a necessidade de uma relação mais próxima entre jornalistas e territórios indígenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Abrinjor ainda está levantando dados sobre a presença de indígenas jornalistas indígenas no mercado de trabalho, mas já identifica profissionais atuando na comunicação de instituições como Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Defensoria Pública da União (DPU) e Organização das Nações Unidas (ONU), além de portais e veículos independentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), no Brasil existem cerca de 55 mil jornalistas em exercício ativo. Um dos dados levantados pela Abrinjor mostra uma exclusão nesses números: apenas 0,1% dos cargos de liderança em veículos brasileiros são ocupados por indígenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Luciene Kaxinawá, a maioria está trabalhando na mídia independente, enquanto ainda há pouca presença na imprensa tradicional. “A gente quer mudar essa realidade, quer aumentar a presença indígena nos veículos de comunicação e também na parte de cargos de liderança”, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ykarunī Nawa acredita que um dos principais desafios é fazer com que as redações não percebam indígenas jornalistas apenas como profissionais destinados à cobertura de pautas étnicas. A proposta do jornalismo indígena, segundo ele, é ampliar a perspectiva desses profissionais para diferentes editorias, como política, economia e saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A gente não fala de uma editoria indígena, de uma produção somente sobre povos indígenas. A gente fala de uma presença de impacto na produção noticiosa a partir da perspectiva indígena. A questão étnica é o nosso olhar, não diz respeito à restrição da nossa produção”, defendeu.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Como acessar o manual&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Manual-de-Redacao-de-Jornalismo-Indigena_Poranga-Marandua-Foto_-Ana-Clara-Goncalves-28.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Manual-de-Redacao-de-Jornalismo-Indigena_Poranga-Marandua-Foto_-Ana-Clara-Goncalves-28-1024x682.jpeg" alt="" class="wp-image-176036" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Manual-de-Redacao-de-Jornalismo-Indigena_Poranga-Marandua-Foto_-Ana-Clara-Goncalves-28-1024x682.jpeg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Manual-de-Redacao-de-Jornalismo-Indigena_Poranga-Marandua-Foto_-Ana-Clara-Goncalves-28-300x200.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Manual-de-Redacao-de-Jornalismo-Indigena_Poranga-Marandua-Foto_-Ana-Clara-Goncalves-28-768x512.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Manual-de-Redacao-de-Jornalismo-Indigena_Poranga-Marandua-Foto_-Ana-Clara-Goncalves-28-150x100.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Manual-de-Redacao-de-Jornalismo-Indigena_Poranga-Marandua-Foto_-Ana-Clara-Goncalves-28.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Lançamento do Poranga Marandúa, em Brasília (Foto: Ana Clara Gonçalves).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de lançado, o próximo desafio é fazer o manual dos jornalistas indígenas chegar a quem produz notícia nas redações de meios tradicionais e independentes, que representam os diversos segmentos existentes atualmente: do jornal impresso, passando pelas emissotas de rádio e TV, além dos sites de notícias online.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Abrinjor disponibilizou a publicação <a href="https://drive.google.com/file/d/12DfrDzVTjFOmbiSLR85PFQW2-kIb_2az/view?pli=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">gratuitamente na internet</a> e também trabalhou com exemplares impressos, que começaram a ser distribuídos para instituições e organizações, entre elas EBC, Rádio Nacional, Agência Brasil, Ministério da Cultura, Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), DPU, Funai e Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A associação prevê ainda visitas e entrega de exemplares a veículos de comunicação em São Paulo e Rio de Janeiro e afirma estar elaborando um plano estratégico para ampliar o alcance da publicação. “Estamos na elaboração de um plano estratégico para que a distribuição alcance o maior número de pessoas sejam elas educadores, acadêmicos, jornalistas e sociedade civil como todo, porque o manual não é só para jornalistas, mas todos que comunicam com, para e sobre povos indígenas no Brasil”, disse Luciene Kaxinawá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os próximos passos dos indígenas jornalistas está a articulação com a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso Brasil) para a criação de uma formação acadêmica em jornalismo indígena. A proposta surgiu após a elaboração do manual e, segundo Luciene Kaxinawá, a instituição acolheu a demanda. A intenção é que jornalistas indígenas participem da construção do curso e que a formação também seja levada a veículos de comunicação, sindicatos e universidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A articulação está em busca de melhorias para nossa categoria, e reconhecimento como indígenas jornalistas. Existe um jornalismo indígena, já é um avanço muito considerável para nós. O manual em si é uma grande conquista para nós, porque foi um grande trabalho coletivo, de bastante tempo e de muito trabalho árduo de quem esteve à frente”, manifestou a coordenadora da Abrinjor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-vivid-green-cyan-color has-alpha-channel-opacity has-vivid-green-cyan-background-color has-background"/>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Republique nossos conteúdos: Os textos, fotografias e vídeos produzidos pela equipe da agência<strong>&nbsp;Amazônia Real</strong>&nbsp;estão licenciados com uma&nbsp;<a href="https://amazoniareal.com.br/parceiros/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Licença Creative Commons –&nbsp;</a>Atribuição 4.0 Internacional e podem ser republicados na mídia: jornais impressos, revistas, sites, blogs, livros didáticos e de literatura; com o crédito do autor e da agência Amazônia Real. Fotografias cedidas ou produzidas por outros veículos e organizações não atendem a essa licença</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>O preço da terra: da vinha de Nabot ao território do povo Mura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Merloto Soave]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Aug 2026 14:03:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Artigo aborda como a cobiça por recursos naturais e a arbitrariedade do poder repetem ciclos de violência através da história, transformando lares em commodities e cidadãos em obstáculos.</p>
<p>O post <a href="https://amazoniareal.com.br/o-preco-da-terra-da-vinha-de-nabot-ao-territorio-do-povo-mura/">O preço da terra: da vinha de Nabot ao território do povo Mura</a> apareceu primeiro em <a href="https://amazoniareal.com.br">Amazônia Real</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A história da humanidade é, em grande parte, a história da disputa pela terra. Mas nem sempre essa disputa se dá no campo de batalha aberto. Frequentemente, ela ocorre nos corredores do poder, nos bastidores da justiça e na manipulação das leis. Para entender a violência que assola comunidades tradicionais na Amazônia contemporânea, não precisamos olhar apenas para os mapas atuais; precisamos voltar três mil anos atrás, para as margens do reino de Israel, onde um rei, uma rainha e uma vinha definiram um arquétipo de injustiça que ecoa até hoje.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A narrativa das Vinhas de Nabot, registrada no primeiro livro dos Reis (capítulo 21), da Bíblia, não é apenas um texto teológico. É um estudo de caso sobre a corrupção sistêmica, o abuso de poder estatal e a transformação da terra de &#8220;herança sagrada&#8221; em &#8220;ativo econômico&#8221;. Quando colocamos essa parábola antiga em diálogo com os conflitos modernos envolvendo a exploração de potássio na Amazônia e a resistência dos povos Mura, no município de Autazes, no Amazonas,<strong> </strong>percebemos que a mecânica da opressão permanece inalterada, mudando apenas a tecnologia e a linguagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O modelo clássico: a vinha e o palácio</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A história começa com uma proposta aparentemente razoável. Acab, rei de Israel, deseja a vinha de Nabot, um cidadão comum de Jezrael. A vinha fica estrategicamente localizada &#8220;junto ao palácio&#8221;, o que a tornaria ideal para se transformar em uma horta de legumes. Acab oferece uma troca justa: outra vinha melhor ou o valor em dinheiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A recusa de Nabot, no entanto, toca em algo que o rei não compreende: a terra não é uma mercadoria. Para Nabot, a vinha é a &#8220;herança de meus pais&#8221;, um vínculo indissolúvel com a linhagem familiar e a lei divina. &#8220;<em>Iahweh (Senhor) me livre de ceder-te a herança de meus pais</em>&#8220;, diz ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É aqui que a tragédia se desenrola. Acab não usa a força militar para tomar a terra. Ele usa a fraude e a manipulação. Sua esposa, Jezabel, assume o comando da operação. Ela não envia soldados; ela envia cartas seladas com o anel real aos &#8220;anciãos e nobres&#8221; da cidade. O plano é meticuloso: corromper o sistema judicial local. Eles organizam um falso jejum (dessacralizando um ritual sagrado), convocam falsas testemunhas (&#8220;homens inescrupulosos&#8221;) e acusam Nabot de blasfêmia contra Deus e contra o rei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O resultado é o assassinato de Nabot por apedrejamento e a subsequente tomada da vinha por Acab. A lição é clara: quando o poder político se alia a um judiciário omisso ou corrupto, o direito do mais fraco é anulado não pela força bruta, mas pela burocracia da mentira. A terra é tomada, o dono é eliminado, e o crime é legitimado pela lei.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A modernidade da cobiça: o caso potássio</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Milhares de anos depois, a geografia mudou, mas a lógica permanece. Na Amazônia brasileira, a busca por recursos estratégicos para o mercado global — especificamente o potássio<strong>, </strong>mineral essencial para a produção de fertilizantes agrícolas — reacendeu o ciclo de Acab e Jezabel.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil possui vastas reservas de potássio, e a pressão para sua exploração tem crescido em meio a uma crise alimentar global. Grandes corporações e o interesse estatal têm pressionado por concessões em áreas que, historicamente, foram de uso tradicional de comunidades ribeirinhas e indígenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como Acab queria a vinha &#8220;perto do palácio&#8221; para facilitar o acesso e o lucro, as mineradoras buscam as terras mais ricas, muitas vezes sobrepostas a territórios protegidos ou de comunidades vulneráveis. A narrativa oficial frequentemente apresenta a mineração como sinônimo de &#8220;progresso&#8221;, &#8220;desenvolvimento&#8221; e &#8220;soberania nacional&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, sob essa retórica, esconde-se a mesma mecânica de Jezabel. A “lei&#8221; é manipulada para flexibilizar licenciamentos ambientais, para ignorar a consulta prévia, livre e informada garantida pela Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e para criminalizar a resistência local. A terra deixa de ser o lar de gerações e passa a ser vista apenas como um ativo financeiro em um balanço patrimonial. O &#8220;ancestral&#8221; é substituído pelo &#8220;acionista&#8221;, mas o preço pago pelas comunidades locais é o mesmo: a perda de soberania e a ameaça à existência física.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Os Mura de Autazes: a resistência ancestral</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É neste cenário de tensão que se situa a realidade do povo Mura, especificamente na região de Autazes. Os Mura são um povo com uma história milenar de resistência, profundamente conectado à bacia do Rio Madeira, às guerras coloniais, Cabanagem, trincheiras de defesa ao longo dos séculos. Para eles que defendem seu território ancestral, o rio e a terra não são recursos a serem extraídos; são a própria extensão de sua identidade, memória e sobrevivência cultural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ameaça que paira sobre Autazes não é hipotética. Projetos de mineração, petróleo, gás, expansão da fronteira agrícola e a construção de infraestrutura hidroviária pressionam constantemente os limites territoriais dos Mura e dos povos indígenas, quilombolas e tradicionais na Amazônia e em todo planeta terra. A situação reflete diretamente o dilema de Nabot: como manter a integridade de sua &#8220;herança&#8221; diante de um poder que vê sua terra apenas como um obstáculo ao lucro?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como Nabot foi acusado de blasfêmia para justificar sua morte, os líderes Mura e suas comunidades são frequentemente estigmatizados na esfera pública. São rotulados como &#8220;obstáculos ao desenvolvimento&#8221;, &#8220;contra o progresso&#8221; ou &#8220;aliados de interesses estrangeiros&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A violência contra eles raramente é um apedrejamento público; é uma violência estrutural e silenciosa. É a lentidão da justiça que não demarca terras; é a invasão de garimpeiros que contaminam os rios; são búfalos que invadem territórios, plantações e contaminam lagos; é a falta de proteção estatal que permite a grilagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A recusa dos Mura em abandonar suas terras ou em aceitar compensações que não respeitem sua cosmovisão é o equivalente moderno ao &#8220;<em>O Senhor me livre</em>&#8221; de Nabot. É uma afirmação de que há valores que transcendem o mercado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O julgamento de Elias: quem denuncia a injustiça?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na narrativa bíblica, após a tomada da vinha, o silêncio é quebrado pelo profeta Elias. Ele não pergunta a Acab sobre o preço da terra ou a eficiência da horta. Ele vai direto ao centro moral: &#8220;<em>Mataste e ainda por cima roubas</em>&#8220;. A profecia de Elias traz um alerta severo: a injustiça tem consequências. &#8220;<em>No mesmo lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabot, os cães lamberão também o teu</em>.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, quem são os &#8220;Elias&#8221; na Amazônia? São os líderes indígenas, quilombolas, ribeirinhos, povos tradicionais, defensores dos direitos humanos, jornalistas investigativos e a sociedade civil que se recusam a aceitar a normalização da violência. Eles são aqueles que apontam o dedo para a corrupção sistêmica, para a conivência do Estado e para a ganância corporativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O &#8220;julgamento&#8221; na era moderna não é necessariamente uma punição divina imediata, mas o colapso ecológico, a destruição de nossa casa comum &#8211; a “Mãe terra” como cantava Francisco de Assis há 800 anos e como muitos povos indígenas também a conhecem &#8211; a perda irreversível de culturas milenares e a instabilidade social que surge quando a justiça é sistematicamente negada. A história dos Mura de Autazes e dos conflitos pelo potássio nos ensina que a impunidade não é um vácuo; ela cria um terreno fértil para a repetição da violência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, ainda, ensina que também nós sociedade civil podemos fazer parte deste ciclo de violência e, se não estamos do lado dos que sofrem, fatalmente estaremos do lado dos que oprimem. Na época de Nabot quantos “cidadãos de bem” ficaram calados, não denunciaram a injustiça ou foram coniventes com o homicídio injusto?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um exemplo simples atual está em nossos hábitos de consumo diários: fala-se aqui de potássio, mas para que ele serve? Para a produção do NPK essencialmente, fertilizante químico utilizado na maioria da produção do agronegócio brasileiro e mundial, em especial em mega lavouras de soja, milho e cana de açúcar, mas também de frutas, legumes e verduras não orgânicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ou seja, cada vez que compramos um alimento que utiliza produtos que são fruto de violência (como o fertilizante químico produzido em tais condições de violação de direitos humanos), estamos fazendo parte desta cadeia de injustiças, saibamos ou não disto. Seja por ações maiores ou menores que contribuem para a perpetuação deste ciclo, seja pela omissão despreocupada do “cada um no seu quadrado”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Qual seria então a solução? Colocar-se ao lado dos que sofrem, defender seus direitos, denunciar a violência injusta. De outro lado, não fazer parte do ciclo perverso e, neste caso, comprar alimentos para nossa casa ou trabalho em feiras direto do agricultor familiar, de preferência de produção orgânica ou agroecológica. Em cidades como Manaus, tais feiras tendem a se multiplicar. Alguns exemplos são as realizadas semanalmente nas dependências da sede do Incra e no MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conclusão: a terra como espelho moral</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A similaridade entre as jornadas de Jezrael e de Autazes revela uma verdade incômoda: a história não se repete apenas como farsa, mas como tragédia estrutural. A diferença entre o rei Acab e os modernos &#8220;reis&#8221; corporativos ou estatais é apenas a tecnologia da opressão, não a essência da ganância.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vinha de Nabot, as reservas de potássio e as terras dos Mura são espelhos que refletem nossa moralidade coletiva. Elas nos perguntam: até onde estamos dispostos a ir para garantir o lucro? Para garantir bens de consumo? Até que ponto permitimos que a lei seja distorcida para servir aos poderosos?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resistência dos Mura, assim como a recusa de Nabot, é um lembrete vital de que a terra tem um dono que não é o Estado, nem a empresa, nem o rei. A terra pertence à vida, à história e às gerações que a sustentam. Reconhecer isso é o primeiro passo para romper o ciclo de violência que, há três milênios, tenta transformar lares em commodities.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto houver quem se recuse a vender sua herança, haverá quem precise ser ouvido. E, como nos ensina a história, o silêncio da justiça é o prelúdio de uma catástrofe que, inevitavelmente, atingirá a todos.</p>





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<p class="wp-block-paragraph"><strong>*Este artigo foi escrito com exclusividade para a Amazônia Real</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Por que os desmatadores investem em destruir a floresta amazônica – 7: riscos e conclusões</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Philip Martin Fearnside]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2026 16:11:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Philip M. Fearnside]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Pedro Gandolfo Soares, Philip Martin Fearnside e Gerd Sparovek Do ponto de vista do ator com posse fundiária, os riscos associados à expansão da pecuária eram extremamente baixos. Dos pecuaristas locais entrevistados neste estudo, 65% indicaram que a expansão [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Pedro Gandolfo Soares, Philip Martin Fearnside e Gerd Sparovek</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista do ator com posse fundiária, os riscos associados à expansão da pecuária eram extremamente baixos. Dos pecuaristas locais entrevistados neste estudo, 65% indicaram que a expansão do desmatamento e da criação de gado em Apuí apresentava risco nulo ou muito baixo. Para esses pecuaristas, expandir a área de pastagem e o número de cabeças de gado são investimentos muito seguros no atual cenário de grande informalidade, falta de título e baixo cumprimento das normas ambientais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dos atores, 20% indicaram que o maior risco estava relacionado a um possível surto da praga do inseto hemíptero &#8220;cigarrinha&#8221; (<em>Deois flavopicta)</em> em pastagens; 9% indicaram as potenciais flutuações de preços da carne bovina e do leite como o principal risco. Apenas 6% dos entrevistados indicaram as potenciais penalidades legais (multas e embargos) como os principais riscos para a expansão da pecuária. Observe que essas entrevistas foram realizadas no início de 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro, quando a fiscalização das normas ambientais foi bastante reduzida, e que os riscos legais provavelmente serão percebidos como maiores no atual governo Lula, que começou em janeiro de 2023. Embora a pecuária seja relativamente segura, dos 34 atores com posses fundiárias com dados para o cálculo da TIR, nove (26,4%) apresentaram valores de TIR negativos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas das características da nossa área de estudo também se aplicam a outros locais na Amazônia. Por exemplo, as políticas governamentais e os mecanismos formais para conter o desmatamento geralmente têm efeito limitado diante de fatores como o aumento do capital pessoal proveniente da terra e da valorização das commodities [1, 2] e a melhoria da logística para acesso aos mercados [3, 4]. A alta lucratividade e a baixa percepção de risco associadas à pecuária são fortes motivações para o desmatamento em áreas de fronteira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observamos que os esforços intensificados da atual governo presidencial para conter o desmatamento por meio de operações ampliadas de comando e controle provavelmente alteraram a percepção de risco dos atores com posses fundiárias em Apuí e são a provável explicação para o recente declínio na taxa de desmatamento do município. No entanto, fatores fundamentais permanecem inalterados [5], como a contínua disposição do governo em legalizar reivindicações de terras ilegais, bem como dilemas internos no governo Lula em relação aos investimentos em infraestrutura na Amazônia [6-8].</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conclusões</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo de caso teve como objetivo compreender os efeitos das políticas de combate ao desmatamento e das flutuações nos preços das commodities no processo decisório dos agentes locais de desmatamento sobre o investimento na expansão de suas áreas desmatadas. O estudo foi desenvolvido com base em dados primários coletados pelos autores em um epicentro do desmatamento na Amazônia brasileira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo de caso sugere que os retornos não regulamentados, não tributados, altamente informais e muito lucrativos da especulação imobiliária e da pecuária no município de Apuí, aliados à baixa percepção de risco por parte dos atores locais, estão a estimular fortemente o aumento do desmatamento e a expansão da fronteira da pecuária. Estas condições atraem novos atores, com maior poder aquisitivo, que continuam a migrar para a região, canalizando mais capital para acelerar o desmatamento e a acumulação de terras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atores pequenos e semi-pequenos com posses fundiárias em Apuí também estão sendo beneficiados por esse processo e estão reinvestindo os rendimentos obtidos com a pecuária em mais desmatamento. Se vendem suas terras, podem investir o resultado da valorização imobiliária na compra e desmatamento de terras mais baratas em outros locais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É provável que esse ciclo continue, pelo menos no futuro próximo, com mais capital (exógeno e endógeno) impulsionando a expansão da fronteira da pecuária. Ciclos semelhantes afetaram municípios onde o desmatamento já está consolidado, como Ariquemes (em Rondônia) ou Altamira (no Pará).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conter ou reverter a tendência de desmatamento no sul da Amazônia exigirá múltiplos esforços para combater as condições que o sustentam, incluindo a redução da expectativa de benefícios econômicos com a especulação imobiliária. As políticas públicas não devem se limitar à repressão do desmatamento ilegal. Mecanismos de governança fundiária são necessários para garantir a transparência financeira em transações privadas e ganhos de capital, bem como para desencorajar a migração regional e o fluxo de capital para áreas desmatadas. Instituições financeiras locais (como bancos e cooperativas) devem divulgar o fluxo de capital privado em transações locais, permitindo uma investigação mais aprofundada da sonegação fiscal e de investimentos que fomentam o desmatamento. Ao fornecer as informações necessárias para limitar os estímulos que impulsionam a rápida substituição de florestas tropicais por pastagens, um maior escrutínio desses fluxos financeiros e a transparência institucionalizada podem ser ferramentas importantes para ajudar a conter a expansão da pecuária.[9]</p>





<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Notas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">[1] Ferreira, M.D.P., (2011). <a href="https://locus.ufv.br/items/88d89b20-8cbe-49b7-b752-e89d8cc0a630">Impactos dos preços das commodities e das políticas governamentais sobre o desmatamento na Amazônia Legal</a>. Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG. 90 pp. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[2] Skidmore, M.E., Moffette, F., Rausch, L., Christie, M., Munger, J., Gibbs, H.K., (2021). <a href="https://doi.org/10.1016/j.gloenvcha.2021.10">Cattle ranchers and deforestation in the Brazilian Amazon: Production, location, and policies</a>. <em>Global Environmental Change</em> 68, art. 102280. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[3] Soares-Filho, B., Alencar, A., Nepstad, D., Cerqueira, G., Diaz, M.,C.V. Rivero, S., Solórzano, L., Voll, E., (2004). <a href="https://doi.org/10.1111/j.1529-8817.2003.00769.x">Simulating the response of land-cover changes to road paving and governance along a major Amazon highway: The Santarém-Cuiabá corridor.</a> <em>Global Change Biology</em> 10, 745–764. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[4] Walker, R., Perz, S., Caldas, M., Silva, L.G.T., (2002). <a href="https://doi.org/10.1177/016001760202500202">Land use and land cover change in forest frontiers: The role of household life cycles</a>. <em>International Regional. Science Review</em> 25, 169–199.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[5] Fearnside, P.M., 2023. <a href="https://amazoniareal.com.br/lula-e-a-questao-fundiaria-na-amazonia/">Lula e a questão fundiária na Amazônia</a>. <em>Amazônia Real</em>, 17 de janeiro de 2023. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[6] Duarte, R.G., Ferreira-Quilice, T., de Assis, N.R., Machado, R.C., Oliveira, R.S.G., (2023).<a href="https://doi.org/10.1016/j.forpol.2023.103094"> Transition to sustainability: Assessing the challenges of the Brazilian environmental agenda and policy. </a><em>Forest Policy and Economics</em> 157, art. 103094. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[7] Fearnside, P.M., Leal Filho, W., (2025). <a href="https://amazoniareal.com.br/cop-30-politicas-brasileiras-precisam-mudar/">COP 30: políticas brasileiras precisam mudar.</a> <em>Amazônia Real</em>, 27 de março de 2025. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[8] Vilani, R., Ferrante, L., Fearnside, P.M. (2023). <a href="https://antigo-philip.inpa.gov.br/publ_livres/2023\Vilani_et_al-2023-Lula_Primeiros_Serie_completa.pdf">Os primeiros atos de Lula.</a><em> Amazônia Real, </em>Série completa. </p>



<p class="wp-block-paragraph">[9] Esta série é uma tradução de: Soares, P.G., Fearnside, P.M. &amp; Sparovek, G., 2026. <a href="https://doi.org/10.1007/s10113-026-02561-7">Deforestation in the Brazilian Amazon: Why do local stakeholders on the frontier invest in clearing rainforest?</a> <em>Regional Environmental Change </em> 26, art. 67. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre os autores</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pedro Gandolfo Soares</strong> possui bacharelado em Gestão Ambiental pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP) e mestrado em Ecologia Aplicada pelo Centro de Energia Nuclear em Agricultura (CENA)/ESALQ, Universidade de São Paulo, Piracicaba-SP. Ele trabalha com mudanças climáticas e REDD+, tendo trabalhado no Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) e em Manaus, e em diversos projetos de conservação na Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Philip Martin Fearnside </strong>é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis&nbsp;<a href="http://philip.inpa.gov.br/">aqui</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gerd Sparovek</strong> possui graduação em Agronomia e mestrado dourado em Agronomia (Solos e Nutrição de Plantas) pela Universidade de São Paulo (USP). Ele é professor e pesquisador aposentado do Departamento de Ciência do Solo, Escola Superior de Agricultura &#8216;Luiz de Queiroz&#8217;, USP, Piracicaba-SP e, desde 2022, atua como Professor Sênior junto ao Instituto de Estudos Avançados da USP, com estudos voltados ao suporte à decisão de governança pública, agricultura familiar, agricultura de baixo carbono, reforma agrária, mercado institucional de alimentos, crédito fundiário, assistência técnica e extensão rural, expansão de fronteira agrícola irrigada, intensificação agrícola, e o código florestal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>O fogo: na Europa e na Amazônia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lúcio Flávio Pinto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Aug 2026 16:19:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[A Amazônia segundo Lúcio Flávio Pinto]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">Comparar realidades diferentes, o entrevistado da Folha de S. Paulo para esta matéria, mesmo que tenham semelhanças, pode ajudar a identificar cada ordem de problemas, mas mão – ou nem tanto – a apresentar soluções. É correto dizer que tanto no Brasil como na Europa a origem do fogo tem causas naturais ou pela ação do homem, e que o uso do fogo pelos europeus é mais intencional do que entre os brasileiros, mesmo quando não é essa a origem dos incêndios brasileiros, nunca é demais lembrar que mesmo sem a intenção de provocar o fogo, o dolo é acidental, mas existe. Como em garimpos, sobretudo de ouro, mas já incluindo outros minérios, na Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também a existência de incomparavelmente mais queima de casas pelo fogo, também se deve destacar que isso ocorre porque as nossas cidades têm deficiente e concentradas coberturas vegetais, muito menos do que na maioria dos países europeus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra diferenciação qualitativa entre as duas formas é a inexistência, entre nós, de um serviço florestal, com destaque para a polícia especializada, capaz de ação mais breve e, por isso, menos eficaz no imediato combate às chamas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dimensão do dano é que não guarda uma proporção aceitável na Europa e no Brasil, com ênfase na Amazônia, que tem a maior diversidade de fauna e flora (considerando a soma dos dois elementos) do que qualquer outro país ou região do mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, por fim, o anseio (utópico) dos brasileiros e amazônidas não é somente chegar a uma queimada/desmatamento zdero. É regredir no mal que já foi feito, muito maior do que a soma dos mesmos problemas em qualquer outro lugar. Só assim haverá alguma esperança da recuperação da diversidade amazônica, que não tem paralelo no planeta Terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os incêndios florestais que devastaram regiões da <a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/europa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Europa</a>, já considerados os maiores da história recente em algumas localidades, chamam a atenção em todo o mundo. O fogo avançou com rapidez e atingiu inúmeras residências, o que fez com que centenas de milhares de pessoas tivessem que deixar suas casas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, o período mais complexo para a temporada de fogo começou neste mês e vai até outubro. Além disso, há um <a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/el-nino/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">El Niño</a> que, segundo cientistas, deve ter força elevada nos próximos meses.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em meio a esses cenários, surge uma pergunta: o que difere os incêndios registrados na Europa dos que se tornaram frequentes no Brasil? A reportagem ouviu especialistas que explicaram semelhanças e diferenças desses fenômenos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br><strong>A origem do fogo</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/GP0SU9ZI7_PressMedia-with-credit-line-2500px.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/GP0SU9ZI7_PressMedia-with-credit-line-2500px-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-175934" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/GP0SU9ZI7_PressMedia-with-credit-line-2500px-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/GP0SU9ZI7_PressMedia-with-credit-line-2500px-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/GP0SU9ZI7_PressMedia-with-credit-line-2500px-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/GP0SU9ZI7_PressMedia-with-credit-line-2500px-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/GP0SU9ZI7_PressMedia-with-credit-line-2500px-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/GP0SU9ZI7_PressMedia-with-credit-line-2500px.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Vegetação seca no Lago Chiemsee, na região da Bavaria (Alemanha) (Foto: Katharina Sellin / Greenpeace/2026).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br>No Brasil ou na Europa, as origens desses incêndios são semelhantes. Eles surgem de uma combinação entre falta de <a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/chuva/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">chuva</a>, ar seco e ondas de calor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Isso forma um domo de calor, ou bolha de ar quente, que impede que as frentes frias e as chuvas entrem. Com isso, forma-se um ambiente seco e com vento de alta velocidade. Essa combinação é o que propaga os incêndios nos dois casos&#8221;, explica José Antonio Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa combinação é impactada pelos eventos climáticos, como a chegada do El Niño, que deve ganhar força nos próximos meses e pode atingir a categoria forte ou muito forte. No Brasil, a perspectiva é de que o fenômeno, que altera padrões de chuva e temperaturas, possa piorar o cenário de incêndios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já o fogo na Europa, segundo especialistas, não teve impacto desse fenômeno. &#8220;O El Niño influencia o <a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/clima/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">clima</a> em todo o planeta. Mas esse evento começou agora, então os atuais incêndios da Europa não estão relacionados a ele. Eles estão associados, principalmente, ao aquecimento global&#8221;, explica o meteorologista Gilvan Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (<a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/inpe/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Inpe</a>).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os fenômenos climáticos impulsionam a propagação do fogo, que muitas vezes são iniciados na produção rural. Neste ano, uma das causas apontadas para os incêndios florestais na <a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/franca/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">França</a> e na <a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/espanha/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Espanha</a> foi o contato de máquinas com a vegetação seca na monocultura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso da Europa, especialistas apontam que grande parte desses incêndios não ocorre de maneira intencional. &#8220;Por lá, há muito menos pessoas colocando fogo ou iniciando incêndios, como aqui no Brasil&#8221;, diz a geógrafa Ane Alencar, diretora de ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, o fogo começa, na imensa maioria das vezes, por ação humana, de forma voluntária ou involuntária. Um problema do país, diz Marengo, é o uso indevido do fogo por parte de produtores rurais para preparar o terreno. &#8220;Com uma atmosfera muito seca e matéria seca acumulada, esse fogo sai do controle e se espalha.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As grandes proporções desses incêndios pelo mundo têm sido atribuídas às mudanças climáticas, que favorecem condições meteorológicas extremas. &#8220;As situações que ajudam esses incêndios podem ser associadas ao aumento da temperatura no planeta&#8221;, avalia Marengo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br><strong>Vegetações diferentes</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/GP0SU9U99_PressMedia-with-credit-line-2500px.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/GP0SU9U99_PressMedia-with-credit-line-2500px-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-175931" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/GP0SU9U99_PressMedia-with-credit-line-2500px-1024x682.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/GP0SU9U99_PressMedia-with-credit-line-2500px-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/GP0SU9U99_PressMedia-with-credit-line-2500px-768x512.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/GP0SU9U99_PressMedia-with-credit-line-2500px-1536x1024.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/GP0SU9U99_PressMedia-with-credit-line-2500px-150x100.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/GP0SU9U99_PressMedia-with-credit-line-2500px.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Brieva, Segóvia na Espanha sofre com os incêndios (Foto: Pedro Armestre / Greenpeace/31/07/2026).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Apesar das origens semelhantes, há diferenças nos incêndios registrados na Europa e no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma delas é a vegetação local. Na Europa, particularmente na região que abrange países como Espanha, França e Itália, as áreas em que ocorreram os incêndios costumam ser dependentes do fogo. &#8220;É uma região de alta inflamabilidade, em que o fogo tem um papel na biodiversidade e nas características ecológicas dela&#8221;, diz Ane.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, isso significa que algumas espécies dessas regiões usam o fogo para brotar ou se reproduzir. É uma situação semelhante ao cerrado brasileiro, que também enfrenta problemas com fortes incêndios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Amazônia e pantanal, que são áreas úmidas e que não estão associadas ao fogo, também tiveram incêndios de grandes proporções no período recente. &#8220;Nos casos delas, o fogo não é um ciclo natural, por isso são biomas que preocupam muito&#8221;, diz Ane.<br>&#8220;Mesmo sendo um país continental, pouco mais da metade da nossa vegetação é sensível ao fogo, o que significa que ele deveria ser um evento raro. Mas, quando enfrentamos uma seca severa, tudo fica muito inflamável&#8221;, acrescenta. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de sofrerem com fogo intenso, as florestas tropicais enfrentam dificuldades para se recuperar. Esses biomas são ainda mais prejudicados quando os incêndios se tornam frequentes. Isso impede que consigam se regenerar adequadamente.<br>Até mesmo nas regiões em que a vegetação é adaptável ao fogo, como nas florestas afetadas na Europa, os incêndios recentes se tornaram algo que vai além do que é considerado natural ou ecologicamente saudável. &#8220;Isso se tornou um problema muito grave&#8221;, frisa Ane.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Europa, houve um fator que ajudou na propagação do fogo: os ventos fortes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Os ventos são muito intensos nesta época do ano na região da Europa e isso foi um fator muito importante para os incêndios, além do período seco e das temperaturas muito acima da média&#8221;, diz Sampaio, do Inpe.<br>&#8220;Essa intensidade dos ventos diferencia os incêndios na Europa e no Brasil. Eles têm sido muito intensos durante esta época do ano na Europa e fazem com que as chamas se propaguem muito rapidamente&#8221;, acrescenta. Sampaio afirma que esses ventos fortes têm sido causados pelo aquecimento global.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br><strong>Residências atingidas</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/grecia.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="610" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/grecia-1024x610.jpg" alt="" class="wp-image-175928" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/grecia-1024x610.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/grecia-300x179.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/grecia-768x457.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/grecia-1536x915.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/grecia-150x89.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/grecia.jpg 1619w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>A Grécia vem sofrendo com incêndios florestais nos últimos dias, e as chamas têm sido impulsionada por persistentes ventos em meio a um verão que têm batido recordes históricos de temperatura por toda a Europa (Foto: Fotos Públicas</sub></em><sub>).</sub></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Entre os locais atingidos pelo fogo na Europa, estão inúmeras áreas com residências. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Os incêndios florestais destruíram centenas de imóveis e forçaram mais de 300 mil pessoas a deixarem seus lares em países como França, Espanha e <a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/grecia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Grécia</a>. Isso ilustra uma particularidade daquela região: na Europa há muitos imóveis construídos no meio ou nas bordas de florestas, assim como em outros países, como os <a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/estados-unidos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Estados Unidos</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Há muitas cidades na Europa em que há diálogo entre o urbano e o rural. Hoje, há muitas pessoas nas zonas rurais, como em vilarejos ou comunidades. Isso dificulta o processo de manejo do fogo, que poderia diminuir o material combustível antes de uma seca severa. Então, quando o incêndio acontece, há muito material a ser queimado&#8221;, diz Ane.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Morar nessas florestas parecia algo seguro há cerca de uma década, afirma Marengo. &#8220;Muitos sonham com casas na floresta na Europa. Até dez anos atrás, ninguém pensava no fogo como um fator que pudesse agravar essa situação. Mas as ondas de calor e as secas aumentaram muito, e esse campo se tornou vulnerável.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, os incêndios costumam causar menor impacto sobre as construções. Especialistas explicam que, diferente de muitos países da Europa, há menos construções em áreas ligadas diretamente a florestas por aqui, o que reduz o número de imóveis atingidos pelo fogo. </p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Essa maior vulnerabilidade existe na Europa e em países como os Estados Unidos. É igual no Brasil, por exemplo, quando vemos casas destruídas em deslizamentos de terra. São casas que não deveriam estar no local em que foram construídas&#8221;, diz Marengo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br><strong>Medidas governamentais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Diante desses incêndios, um ponto fundamental é a forma como os governos locais encaram o problema. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um comparativo, os especialistas apontam que a Europa possui mais recursos tecnológicos, mais brigadistas e aviões mais modernos para combater os incêndios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Em teoria, eu diria que a Europa está mais preparada para incêndios, porque não é a primeira vez que isso acontece. Os países são economicamente mais poderosos. Mas isso não significa que eles consigam apagar os incêndios de grandes proporções com facilidade&#8221;, diz Marengo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação ao Brasil, os especialistas avaliam que o país passou a dar mais atenção ao tema nos últimos anos, após recordes negativos. Desde então, foram adotadas medidas para planejamento de combate aos incêndios e foram destinados mais recursos às entidades responsáveis por combater o fogo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Existem várias carências no Brasil e ainda precisamos avançar muito, mas ainda assim o país tem sido uma referência no combate aos incêndios em florestas tropicais. O principal conhecimento que temos é o empírico, aquele que as pessoas aprendem quando vivem na pele o problema&#8221;, comenta Ane.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos dois casos, as autoridades locais foram criticadas na condução dos últimos incêndios, e ativistas costumam cobrar mais rapidez nas ações, além de medidas mais efetivas para evitar que o problema atinja grandes dimensões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os especialistas, o combate ao fogo representa um problema complexo, que precisa de aperfeiçoamentos diante de um futuro que aponta para temperaturas cada vez mais altas e incêndios recorrentes.</p>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-vivid-green-cyan-color has-alpha-channel-opacity has-vivid-green-cyan-background-color has-background"/>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>CONSUNI da UFAM aprova título de Doutora Honoris Causa à Fátima Guedes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Floriano Lins]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Aug 2026 18:17:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Conselho Universitário (CONSUNI) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) anunciou que irá conceder o título de Doutora Honoris Causa à Fátima Guedes, escritora, colunista da Amazônia Real, educadora popular e pesquisadora de conhecimentos tradicionais da Amazônia.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A escritora e educadora parintinense Fátima Guedes é a primeira ativista popular a ter o nome aprovado para receber o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). A titulação a Guedes foi aprovada por unanimidade durante reunião dos Conselhos Superiores da autarquia, realizada na manhã desta quarta-feira (19), quando os 45 participantes da sessão foram unânimes em reconhecer a trajetória da educadora no meio popular educacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aprovação aconteceu no final da manhã, após a leitura do longo processo iniciado em 2022, por iniciativa da Coordenação do Curso de Serviço Social e aprovado por unanimidade pelo Conselho Diretor do Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia – ICSEZ da UFAM, em Parintins, até receber o parecer favorável da comissão instituída pelo Conselho Universitário, CONSUNI para análise do processo de titulação e apresentação do parecer aos representantes dos Conselhos Superiores.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Reitora</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/tanara.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1023" height="681" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/tanara.jpg" alt="" class="wp-image-175974" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/tanara.jpg 1023w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/tanara-300x200.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/tanara-768x511.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/tanara-150x100.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 1023px) 100vw, 1023px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>A reitora Tanara Lauschner (Foto: Evandro Fernandes/UFAM/2025).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em proposta à apreciação dos Conselhos Superiores, a reitora Tanara Lauschner diz que “a trajetória de Fátima Guedes evidencia uma atuação singular no campo da produção e difusão de conhecimentos na Amazônia, articulando, de forma consistente, saberes acadêmicos e saberes tradicionais. Sua atuação como educadora popular, pesquisadora de conhecimentos tradicionais e articuladora social a distingue como referência intelectual e política na região, com repercussões que ultrapassam os limites locais”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“No campo da formação e da educação, destaca-se sua contribuição contínua em processos de educação popular, com ênfase na interface entre saúde, cultura e organização social. Sua participação em instituições de ensino superior, movimentos sociais e espaços formativos diversos demonstra uma atuação comprometida com a construção de conhecimento em diálogo com as realidades amazônicas, especialmente junto a populações historicamente invisibilizadas. Sua produção intelectual, materializada em livros, artigos, ensaios e outras formas de expressão, constitui um acervo relevante para a compreensão das dinâmicas socioculturais da Amazônia”, afirma Tanara.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a reitora, “destaca-se, nesse contexto, a sistematização de conhecimentos tradicionais e a valorização das práticas populares de cuidado, educação e organização comunitária, elementos que têm subsidiado pesquisas acadêmicas e iniciativas formativas em diferentes níveis. Ademais, sua atuação foi decisiva na constituição e fortalecimento de iniciativas e organizações da sociedade civil no município de Parintins e na região amazônica, com impactos concretos nas áreas de direitos das mulheres, políticas públicas e participação social”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Redes Sociais</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Lancamento-livro-de-Fatima-Guedes-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="577" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Lancamento-livro-de-Fatima-Guedes-4-1024x577.jpg" alt="" class="wp-image-106794" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Lancamento-livro-de-Fatima-Guedes-4-1024x577.jpg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Lancamento-livro-de-Fatima-Guedes-4-300x169.jpg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Lancamento-livro-de-Fatima-Guedes-4-768x433.jpg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Lancamento-livro-de-Fatima-Guedes-4-1536x866.jpg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Lancamento-livro-de-Fatima-Guedes-4-150x85.jpg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Lancamento-livro-de-Fatima-Guedes-4.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Fátima Guedes no  lançamento do livro &#8220;Vestígios de curandage&#8221; na Praça da Polícia, em Manaus (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real).</sub></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Logo após a aprovação, Fátima Guedes foi alvo de dezenas de manifestações nas redes sociais: de grupos de Parintins, até movimentos nacionais em que a ativista atua, como a Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular em Saúde &#8211; ANEPS, Marcha Mundial das Mulheres e da Política Nacional de Vigilância Popular em Saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao comentar a aprovação da honraria a Fátima Guedes, a professora doutora Eliane Vasconcelos, diretora do ICSEZ, disse que “a universidade reafirma o seu compromisso com as bases, com a educação popular, porque não é só a pessoa Fátima, mas o que ela representa, coletivos que ela representa, lutas sociais, políticas, lutas contra as violências que afetam mulheres, crianças, animais, que afetam a saúde”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Eliane, Guedes “representa esse compromisso da universidade em olhar e valorizar as bases. É um momento ímpar, histórico. Esse foi o momento da aprovação. O cerimonial ainda vai agendar a entrega”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A professora do curso de Serviço Social do ICSEZ, Walmiene Farias, lembrou o momento histórico para as mulheres amazônidas que são representadas por essa aguerrida educadora popular, militante feminista e trabalhadora! Um orgulho coletivo. O curso de Serviço Social está profundamente emocionado com essa honraria”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A professora Dilce Pio Nascimento, da UEA, manifestou emoção; “Estou transbordando de alegria. Creio ser a primeira mulher, educadora popular, parintinense a ganhar esse título, da MATER UFAM, merecidamente pela querida Fafá. Você nos representa, amada. Que a Grande Mãe continue iluminando seus caminhos, nutrindo seus passos porque você é uma grande referência para mim e, certamente, para tantas mulheres que foram tocadas pelos seus teçumes de resistência, de luta, de força, de coragem, dando vozes a tantas mulheres silenciadas”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O antropólogo Eni Carajá Filho, de Minas Gerais, manifestou gratidão aos Conselheiros da UFAM. “Fátima Guedes é uma grande amiga minha. Todas e todos aqui superfelizes. Com toda a espiritualidade e ancestralidade amazônica que encanta e reencanta, passa a ser uma Doutora Honoris Causa, a partir de hoje, formalizada pela UFAM. Para nós é um título já existente e o fato dela ter sido honrada e reconhecida com alto valor, coroa essa militância e por isso, nós, da ANEPS, lhe rendemos nossa homenagem”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fernando Carneiro, militante do Participatório Nacional de Vigilância Popular em Saúde manifestou-se “feliz pela Universidade Federal do Amazonas ter a humildade de reconhecer o notório saber dessa Doutora da Floresta! Merecido!!!”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Elisa Wandelli, pesquisadora da EMBRAPA – Amazônia Ocidental e uma das incentivadoras do processo de aprovação do título, postou: “Bom ver a universidade saindo do pedestal e interagindo com outros saberes!!”</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Surpresa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em breve nota sobre a aprovação da honraria, Fátima Guedes manifestou-se emocionada com a “surpresa trazida pela UFAM, deixando-me até sem saber o que dizer. Toda a minha trajetória neste plano não nasce de fora; atende a Um Chamado Interior até desconhecido de mim. É algo que me impulsiona e me leva a intervir em defesa de causas que afetam desvalidXs e injustiçadXs. Em tais situações, as Sabedorias do Educador Paulo Freire fluem como Alimento Sagrado”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A princípio, trago meu Reconhecimento AXS DOCENTES DO SERVIÇO SOCIAL da UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS, ÀS MANAS e MANOS cujos apoios, lá atrás, nos meus discretos e tímidos atrevimentos, início dos anos 80, abriram esta PORTA que me diz:&nbsp; a luta continua, haja vista, ‘a História é tempo de Possibilidades’&#8221;, assinalou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Meu tempo físico já meio avançado, mas a Missão lateja e me instiga a seguir. Sozinha caminho, mas com Vocês é mais seguro e a flecha é certeira. GRATIDÃO é a singela expressão a TODXS pelo apoio e reconhecimento!”</p>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Fatima-Guedes-na-manifestacao-em-Parintins.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="535" src="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Fatima-Guedes-na-manifestacao-em-Parintins-1024x535.jpeg" alt="" class="wp-image-175961" srcset="https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Fatima-Guedes-na-manifestacao-em-Parintins-1024x535.jpeg 1024w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Fatima-Guedes-na-manifestacao-em-Parintins-300x157.jpeg 300w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Fatima-Guedes-na-manifestacao-em-Parintins-768x401.jpeg 768w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Fatima-Guedes-na-manifestacao-em-Parintins-1536x803.jpeg 1536w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Fatima-Guedes-na-manifestacao-em-Parintins-150x78.jpeg 150w, https://amazoniareal.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Fatima-Guedes-na-manifestacao-em-Parintins.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>Atuação de Fátima Guedes na constituição e fortalecimento de iniciativas e organizações da sociedade civil foi decisiva na aprovação  da Honraria. (Foto: Floriano Lins).</sub></em></figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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