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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2portuguesefull.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-8103934</atom:id><lastBuildDate>Thu, 26 Nov 2009 21:40:45 +0000</lastBuildDate><title>( aperte o alt )</title><description /><link>http://aperteoalt.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>284</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" href="http://feeds.feedburner.com/AperteoAlt" type="application/rss+xml" /><feedburner:feedFlare href="http://add.my.yahoo.com/rss?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2FAperteoAlt" src="http://us.i1.yimg.com/us.yimg.com/i/us/my/addtomyyahoo4.gif">Subscribe with My Yahoo!</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://www.newsgator.com/ngs/subscriber/subext.aspx?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2FAperteoAlt" src="http://www.newsgator.com/images/ngsub1.gif">Subscribe with NewsGator</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://feeds.my.aol.com/add.jsp?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2FAperteoAlt" src="http://o.aolcdn.com/favorites.my.aol.com/webmaster/ffclient/webroot/locale/en-US/images/myAOLButtonSmall.gif">Subscribe with My AOL</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://www.bloglines.com/sub/http://feeds.feedburner.com/AperteoAlt" src="http://www.bloglines.com/images/sub_modern11.gif">Subscribe with Bloglines</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://www.netvibes.com/subscribe.php?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2FAperteoAlt" src="http://www.netvibes.com/img/add2netvibes.gif">Subscribe with Netvibes</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://fusion.google.com/add?feedurl=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2FAperteoAlt" src="http://buttons.googlesyndication.com/fusion/add.gif">Subscribe with Google</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://www.pageflakes.com/subscribe.aspx?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2FAperteoAlt" src="http://www.pageflakes.com/ImageFile.ashx?instanceId=Static_4&amp;fileName=ATP_blu_91x17.gif">Subscribe with Pageflakes</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://www.addtoany.com/?linkname=%28%20aperte%20o%20alt%20%29&amp;linkurl=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2FAperteoAlt&amp;type=feed" src="http://www.addtoany.com/addfr-b.gif">Add to Any Feed Reader</feedburner:feedFlare><feedburner:browserFriendly>Bem-vindo! 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Muito obrigado!</feedburner:browserFriendly><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com" /><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-4848247465929511867</guid><pubDate>Mon, 23 Nov 2009 16:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-23T16:32:16.913-02:00</atom:updated><title>:: Joie de Vivre ::</title><description>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Já olhava por cinco minutos ou mais, como se toda a realidade lhe tivesse alcançado em uma fração de segundo, em um instante único e eterno, que lhe congelara as articulações, que lhe roubara o fôlego e o viço dos olhos, que fizera subir por suas costas um arrepio maldoso, cruel, que lhe tirara o chão e arrepiara os pêlos dos braços e do pescoço.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Segurava o cabelo com a mão direita, e era comprido, mas ele não sabia desde quando. Lembrava de mandar que o raspassem quase todo, deixando maior em cima, para que “crescesse de maneira uniforme”, como lhe dizia, à exaustão, seu cabeleireiro de longa data, sempre que com ele se encontrava.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Soltou a mecha, passou a mão pela barba por fazer, de onde despontavam alguns fios brancos, inoportunos, indesejados: colocavam-se nas primeiras fileiras, exibidos, deixando para trás de si aqueles mais jovens, embebidos em melanina.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Olha fundo dentro dos olhos, procura neles alguma resposta; e nota, então, as marcas que estão ao redor deles, a pele repuxada, ressecada, os vincos na testa, a linha de cabelo que recuara sem pedir-lhe permissão; e, sim, há também ali os fios brancos, roubando a uniformidade do negro que constituía o elogio mais antigo ao qual se acostumara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afasta-se, ofegante, dois ou três passos, e vê os pelos em seu peito, e vê a pele já levemente descaída. Sente o frio do azulejo sob os pés e apóia as mãos nos joelhos, apertando os olhos, sentindo que, talvez, viesse a desmaiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não desmaiou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, inquieto, percebeu sua mente invadida por milhões de perguntas, que nem sequer tiveram a decência para esperar pela resposta que exigiam, dando lugar a outras tantas. E ele tenta imaginar para onde foram os anos, pergunta-se o que foi feito da sua adolescência e juventude, pergunta quem roubara os sonhos que sonhara desde sempre, quem roubara a vida que deveria ter, e em que momento algo aconteceu para colocá-lo em outra direção, levando-o até onde está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quisera desmaiar. Suava. Sentia os dedos e lábios dormentes. Sentia fracas as pernas, suportando seu peso e seu tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomou o fôlego, lavou o rosto. Era noite, das frias, e talvez uma caminhada o deixasse melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu, então, e colocou-se a andar, tentando, tanto quanto podia, esquecer-se pelo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•••&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado por &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renato Alt&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-4848247465929511867?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/11/joie-de-vivre.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-8746732282428327060</guid><pubDate>Sun, 15 Nov 2009 19:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-16T17:54:33.692-02:00</atom:updated><title>:: Serenada ::</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;A manhã chegara junto com ela, estendendo sua luz amarelo-avermelhada pela infinita rua de paralelepípedos, projetando uma sombra tão grande que, quem olhasse, jamais poderia dizer que pertencia a um corpo tão pequeno.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;Ela caminhava em passos decididos e tranquilos. Vigiava com o olhar cada metro à sua frente: usava pequenos saltos, e não queria arriscar vê-los presos em uma fresta. Mais do que medo de um tombo, temia estragar o calçado, presente de sua mãe, que a acompanhava para todos os lados. Trazia na mão uma pequena mala quadrada e dura, cheia dos dias que passou longe, cheia de chuvas e trovoadas, cheia de lugares distantes e impensáveis, cheia amores e dissabores.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;Em frente, o casarão com sua torre solitária, anacrônica, agredia a paisagem ao mesmo tempo em que a tornava única, inigualável. Foi ela a responsável por tantas aventuras de infância, foi ela o argumento de tantas mães para convocar os filhos de volta para casa, foi - e ainda o é - a silenciosa guardiã de mistérios que confundem-se entre fantasia e ficção.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;A chuva da véspera deixara o chão escorregadio e os cachorros preguiçosos. Olhavam-na enquanto caminhava e não pareciam dispostos nem mesmo a latir, limitando-se a levantar a cabeça e em seguida pousá-la de novo, de volta ao sono. Enquanto caminhava, sentia vir na suave e gélida brisa o cheiro de terra molhada, do mato, e ouvia ao longe o canto de algum pássaro que, estranhamente, não reconhecia. Revia muros e cercas, revia cores que em nenhum outro lugar encontrara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parou por um momento e deixou invadir os pulmões todo o frescor da aurora, como se puxasse em suas narinas a própria luz da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava de volta. Enfim, de volta.&lt;br /&gt;E era hora de recomeçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•••&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado por&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; Renato Alt&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-8746732282428327060?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/11/serenada.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-8623432659655697353</guid><pubDate>Mon, 09 Nov 2009 14:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-09T16:21:28.442-02:00</atom:updated><title>:: Mandrágora ::</title><description>&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Acordou com o coração acelerado, peito apertado, encharcado em suor, enquanto o relógio marcava alguma hora perdida da madrugada e a tv exibia, para ninguém, "Depois de Horas".&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou-se na cama e, de repente, sentiu-se invadido por todos os sons da cidade: alguém andando no quarto acima, um ônibus ou caminhão passando em alta velocidade pela avenida, o ruído das luzes de neon que, juntas à sua janela, anunciavam quartos vagos para aqueles que estivessem vagando por ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apoiou a cabeça nas mãos, passou-as pelos cabelos; sentia escorrer pelos braços e costas o suor tenso e pegajoso, sentia subir-lhe pela nuca o arrepio da ansiedade. Seus olhos queimavam como brasas vivas enquanto avistava a tempestade que se anunciava, distante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dor no estômago. Contraiu-se. Agarrou com mãos trêmulas o antiácido leitoso que estava sobre o criado-mudo e bebeu-o com sofreguidão, como se fosse água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ar. Precisava de ar. Tentou fechar os olhos e controlar a respiração, tentou imaginar-se em algum lugar verde, com vento soprando, com pequenas pétalas de flores desprendendo-se e flutuando dia adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o coração não se aquietava. O dia viria. Ainda que lutasse, que não o quisesse, o dia viria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, antes dele, vestiu as calças e a velha camisa, enfiou os pés nos sapatos e saiu, descendo as escadas e entregando-se aos suspiros da noite que, teimosa, parecia não ter fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•••&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado por &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renato Alt&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-8623432659655697353?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/11/mandragora.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-6333893480417219893</guid><pubDate>Mon, 02 Nov 2009 13:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-02T13:23:47.233-02:00</atom:updated><title>:: Enclave ::</title><description>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;"Certo, então vou dizer.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Para começar, já que não preciso mais medir palavras, vou dizer que não suporto a maioria desses que chamamos de parentes. E digo a maioria com alguma concessão, não querendo ser injusto, ainda que nenhum nome me ocorra agora para justificar tal anuência. Não suporto não porque os queira mal, afinal uma coisa nada tem a ver com a outra, e por ser tão cansativa a simples idéia de ter que explicar o que quero dizer, peço, por favor, que pense um pouco antes de perguntar. Não os quero mal, mas o bem que quero é o mesmo que quero a todas as pessoas de bem: saúde, prosperidade, honestidade, e que vivam seus dias em completa paz, criando a si mesmo e aos seus da mesma forma; mas entenda que não mantenho relação afetiva alguma com essas pessoas, e que o fato de carregarem o mesmo sobrenome que eu – ou eu o delas, tendo vindo depois – é mera casualidade, um joguete do destino. Não duvido que tenham por mim algum apreço, mas não creio que, em sua completa lucidez e honestidade, essas mesmas pessoas possam chamá-lo amor, ainda que assim o afirmem aos quatro ventos e à quantas pessoas mais lhe cruzam o caminho. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Se me pede que justifique o que digo, se é que é caso para tal, mostro-lhe o que, afinal, sempre esteve em frente aos seus olhos: os almoços dominicais com assuntos triviais, aqueles que continuam a tratar-me como se eu tivesse oito ou dez anos de idade, as piadas das quais não ri nem mesmo na primeira vez em que foram contadas e que continuam sendo repetidas à exaustão; a falsa cumplicidade nas conversas sobre os supostos negócios da família (nos quais, por convicções pessoais, nunca quis tomar parte) e as promessas mentirosas de visitas no final de semana seguinte ou quem sabe no próximo. Olhares que não encontram os meus há anos e que, supõe você,deveriam manter um laço inviolável,incorruptível, mas que são tão vazios quanto aqueles das pessoas que encontro em um momento qualquer do dia, no caminho entre aqui e ali.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Peço que não leve a mal este desabafo, mas apenas que compreenda que cumplicidade, laços, empatia, são coisas que partem de um princípio, partem de interesses em comum, e que a partir daí se formam. Não é coisa que se possa forçar, que se conquiste pela insistência: tal vai apenas gerar constrangimento, aborrecimento e, por que não, frustração. Pertencermos à mesma família não significa termos interesses comuns, não nesses dias em que crescemos uns aqui e outros lá, telefonando quando é conveniente, mas por nenhum outro motivo que não esse. Por favor, entenda que me aborrece a condescendência, que me irrita ver que usamos de dois pesos e duas medidas para julgar os nossos – como você nos chama, ainda que não o admita – e os outros; condescendência essa que não é diferente daquela que leva nosso país à ruína, que admite exceções morais, que considera-se acima do julgamento de quaisquer outros.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Gostaria que respeitasse quando digo que prefiro estar na companhia daqueles que conheci ao longo do caminho, que não são melhores do que ninguém, mas são aqueles que fizeram escolhas parecidas com as minhas, que buscam valores parecidos com os meus e, mais ainda, por caminhos que eu, se não percorri, poderia percorrer sem o medo de perder minha identidade, sem a sensação de estar violando qualquer nuance da essência que faz de mim quem sou e que, confesso, estou ainda procurando.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Não falo por bem, não falo por mal. Falo apenas por ser com é.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;E espero que, ainda que o que digo encontre alguma resistência em seus olhos, você tenha a lucidez de perceber que não há amargura alguma em minhas palavras: apenas a pura e mais honesta das verdades: a mesma que, como um paladino, você afirma reclamar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Abraços."&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;color:#333333;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;color:#333333;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Publicado por &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Renato Alt&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;color:#333333;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;color:#333333;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-6333893480417219893?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/11/enclave.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-3633248918693694570</guid><pubDate>Mon, 26 Oct 2009 13:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-26T11:12:45.387-02:00</atom:updated><title>:: Circadiano ::</title><description>&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;Diga-me então você, afinal, o que é que ainda resta a ser dito, que já não tenha sido esmiuçado, eviscerado e exposto a mais olhos do que os que deveriam nos conhecer. Diga-me qual é o gesto que falta,  porque estas mãos já não conhecem mais caminhos a percorrer, nem conhecem estas pernas outros lugares para onde levá-la. Diga qual é o sonho que ainda não sonhamos, os desejos que ainda não manifestamos e o que você quer que um dia sejamos que ainda não tenhamos sido ou, ao menos, simulado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;Diga-me qual é o futuro que espera, porque o que espero, agora, já não sei.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;Publicado por &lt;b&gt;Renato Alt&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-3633248918693694570?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/10/circadiano.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-3015636292483245477</guid><pubDate>Mon, 19 Oct 2009 12:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-19T10:57:40.212-02:00</atom:updated><title>:: Gnosis ::</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;Sei que os remédios farão efeito, também vai ter a terapia e tal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;Eu tenho ocupado a cabeça sim, mas acontece que isso me abate muito, é o que eu falei, preciso me agarrar às pessoas que gostam de mim, em todas elas, por que estou naquela corda e não sei se caio ou se ando, porque ainda não tenho meu equilíbrio. Procuro um halo em algum lugar, mas nem ao menos sei por onde começar, então o caminho permanece escuro demais, por tempo demais, e me sinto andando por um corredor com os braços abertos, tentando tocar as paredes e sentir que não estou perdido nesse vácuo sem cheiro, sem cor, sem chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias melhores, sim, e neles tudo parece ganhar novas cores, ou ao menos mostrar as que sempre estão lá mas que se recusam a deixar-me vê-las. Nesses dias me engano, e sei que me engano, porque digo a mim mesmo que a partir de agora minha atitude diante da vida vai ser outra, já que ela novamente me parece cheia de oportunidades e de pessoas a conhecer, já que aqueles que encontro na rua me passam a impressão de sorrir ao me ver e não mais de cochichar pelos cantos depois que passei. E, nesses dias, de tão bem que me sinto, penso já não precisar de ajuda ou mesmo dos tais remédios, chego a me sentir tolo por em algum momento ter julgado precisar recorrer a eles. Simplesmente me deixo planar pelos dias, flutuar, como fazem os pássaros ao encontrar uma térmica, e tudo parece pequeno, positivamente pequeno, uma vez que o horizonte ganha mais espaço, mais claridade e mais ar, e a sensação de leveza e felicidade é tanta que se torna quase insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então vêm os dias maus, e passo a odiar os dias bons, passo a culpá-los por sentir-me assim novamente (ainda que saiba que a culpa não é de ninguém mais que não minha), e me deixo cair na cama e chorar e dormir, em uma completa e absoluta certeza da nulidade da minha existência, plenamente consciente da minha completa e irrevogável ansiedade por não ter que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ser&lt;/span&gt;; e já não quero música, ou telefonemas, ou amigos ou comida ou banho ou o que quer que seja. Fico com os olhos abertos em frente à TV, mas se alguém telefonasse (se eu não deixasse o telefone fora do gancho) e me perguntasse o que estava assistindo, nem ao menos saberia responder. Nessas horas me vêm pensamentos que não quero ter, sobre coisas que não quero fazer, mas que ao mesmo tempo parecem tão confortáveis, tão serenas, tão detentoras de um alívio total e definitivo que não sentir-me atraído por elas é inevitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então antes que tomem conta de mim, bebo vinho e adormeço novamente, e fujo durante algumas horas. Não sonho. Sei que dizem que todos sonham e apenas não lembram, mas tenho convicção de que sou a exceção à regra, de que sou eu quem garante que todos os outros sonham, justamente por confirmá-la. Acordo suado, sobressaltado, e apesar de não sair do quarto há dias, levo eternos segundos para situar-me novamente, para entender onde estou. E enfim entendo, e lembro dos porquês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então, do nada, sem motivo, vêm os dias bons.&lt;br /&gt;Os odiosos dias bons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•••&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado por &lt;a style="font-weight: bold; color: rgb(51, 51, 51);" href="mailto:renatoalt@gmail.com"&gt;Renato Alt&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-3015636292483245477?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/10/sessao.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-5470864157171442163</guid><pubDate>Mon, 12 Oct 2009 16:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-12T14:38:19.151-03:00</atom:updated><title>:: Ludus ::</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;E ele tinha sua própria floresta, o jardim atrás da casa. Nela habitavam criaturas fantásticas, suas amigas, e, ali, quanta coisa aconteceu! Houve dragões que aterrorizavam vilas inteiras, mas havia ele, o guerreiro destemido, que como Beowulf enfrentava qualquer aberração com sua espada em riste e, se preciso fosse, com as próprias mãos. Era rei, soberano, servo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Havia os dias de chuva, e neles, aproveitando a água que escoava apressada junto ao meio-fio, embarcava em aventuras épicas a bordo de um navio pirata subitamente arrastado pela correnteza, ou por uma tempestade, ou por monstros marinhos que tentavam leva à pique a embarcação, mas que eram, sempre, derrotados pelos incansáveis canhões e pela coragem dos lobos do mar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;E, à noite, no céu estrelado cuidadosamente composto por uma infinidade de adesivos fosforescentes, viajava pelos planetas e mais além, conversando com seres tão diferentes, porém tão parecidos, e com eles conhecia lugares distantes que nenhum astrônomo seria capaz de conceber.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Ao seu lado, sempre, o amigo que apenas ele via: não tinha nome, ou tinha vários, assim como várias eram as formas que assumia, e ambos perderam a conta de quantas vezes salvaram um a vida do outro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;E assim foi durante alguns anos, que passaram mais rápido do que mesmo sua tão fértil imaginação conseguia compreender. Sim, ele era sempre avisado de que isso aconteceria. Mas, como em tudo, o futuro parecia tão distante e inalcançável quanto os planetas que visitara em seu quarto na madrugada anterior.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Hoje, já não há mais o céu adesivado, mas ainda hã estrelas. Já não há mais a simplicidade que, com tanta facilidade, torna as coisas reais por sua simples vontade. Mas ainda há a imaginação para conceber mundos, e vidas, e histórias.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;E se prestar atenção, seu velho amigo invisível ainda lhe sopra algumas aventuras no ouvido, e, juntos, eles tentam contá-las  a todos que as quiserem ouvir.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Feliz Dia das Crianças.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Publicado por &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Renato Alt&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-5470864157171442163?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/10/ludus.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-1386026653436269290</guid><pubDate>Mon, 05 Oct 2009 19:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-05T16:58:53.443-03:00</atom:updated><title>:: Ostinato ::</title><description>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:Verdana;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana,sans-serif;"&gt;Saiu de casa porque tinha que sair: não conseguia imaginar-se por mais um minuto sequer em frente àquela TV, vendo as mesmas reprises de Furyo ou de qualquer comédia rasgada dos anos 80. Já passara por todos canais, passara pelos leilões de jóias e pelas notícias da Câmara; tentara navegar pela internet e encontrar algo que lhe roubasse, ainda que brevemente, os pensamentos que vinham aos borbotões, como água de uma barreira rompida. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana,sans-serif;"&gt;Não havia ninguém online, e mesmo que houvesse, já não queria que o soubessem em casa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana,sans-serif;"&gt; Foi quando teve, em meio à taquicardia e ao suor, a certeza de que estava perdendo a própria vida a cada segundo, e a certeza de que estavam todos, como ele, em seus quartos, escondidos, rezando para que pensassem que estavam se divertindo em alguma balada noite adentro, e beijando desconhecidos e bebendo drinks multicoloridos em boates estrambóticas, ensurdecedoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana,sans-serif;"&gt;Vestiu sua melhor camisa, e ela, apavorada por sair do armário, espalhou pelo ar o inconfundível cheiro amadeirado e poeirento de coisa guardada, esquecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhou pelo corredor deserto rumo ao elevador que, cúmplice, já o esperava. Desceu até a portaria, passou pelo vigia noturno, que adormecera em frente ao monitor do circuito interno do condomínio, e arremeteu à madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana,sans-serif;"&gt;A rua silenciosa, fria e convidativa, mostrava suas luzes de neon e seus carros apressados: em algum lugar, música eletrônica, chegando abafada aos ouvidos; saindo dos bueiros, uma fumaça densa e branca envolvia o asfalto, que ainda brilhava por causa da chuva que caíra havia pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De passo em passo, caminhou decidido, sem saber para onde ia, andando o mais rápido que conseguia, tentando afastar-se de si.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0px; text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0px; text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana,sans-serif;"&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:78%;"&gt;Publicado por &lt;b&gt;Renato Alt&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-1386026653436269290?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/10/ostinato.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-3315768432299426131</guid><pubDate>Mon, 28 Sep 2009 06:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-03T12:11:16.974-03:00</atom:updated><title>:: Sadachbia ::</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Já não mantinha esperanças de voltar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Mas, em seu íntimo, sabia que jamais o quisera.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Estudou, isolado do mundo, durante as manhãs de verão em que todos se esbaldavam nas praias ou nas piscinas. Deixou de lado tantas festas, dispensou umas tantas viagens, quebrou outros tantos corações enquanto mergulhava em livros, enquanto passeava por números e cálculos muito à frente de qualquer um que lhe estivesse sendo ensinado em sua escola.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Preocupou, claro, amigos, professores e pais: procuraram ajuda, quiseram saber se o filho tinha algum problema. Perguntavam, mas ele pouco dizia. Não se mostrava mal-humorado, ou impaciente; apenas como alguém que não estava ali, que tratava de assuntos e pensamentos que não encontravam eco em mais ninguém.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;E colocava-se, todas as noites, através da clarabóia no sótão, a olhar as estrelas e a imaginar-se passando por entre elas, perdido no absoluto silêncio do escuro infinito, imperturbável, frio e acolhedor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Já não encontrava mais as pessoas, já não tinha vontade de falar com elas. Tinha vontade de saber de física, e saber de matemática, e de jatos e propulsores.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Ele lembra de tudo, e relembra todo dia. Não com saudade. Não com remorso. Era simplesmente como era, e aprendera a aceitar isso há muito tempo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Com um pequeno impulso, lançou-se à seção seguinte, a fim de conferir alguns dados para um relatório posterior. Tudo, como sempre, tranquilo. Tudo silencioso, como sempre sonhara.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Lembra agora do seu ingresso no programa, do quanto havia se preparado, do quanto disseram que ele jamais conseguiria. Sonho infantil, era o que diziam, o que sempre lhe fazia pensar porque é que não desencorajavam também os outros rapazes, que igualmente sonhavam sonhos infantis: de serem bombeiros e médicos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;O dele era ir mais alto. O dele era deixar tudo para trás.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Não por mágoa, não por remorso, não por nada de mau que lhe tivessem feito. Era apenas como era.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Hoje completava oito meses na estação. No seguinte, viria outra missão e o encontraria ali. Estariam juntos por duas semanas, enquanto estudavam os efeitos da ausência de gravidade sobre alguns elementos químicos, e lhe trariam suprimentos para os meses seguintes, quando novamente estaria sozinho consigo mesmo, olhando a Terra e sua beleza, enquanto mantinha em bom estado aquela estação que era de todos os países, mas que tinha apenas a ele como zelador, como mantenedor, como relator.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;E enquanto deixava-se levar, esquecido que já estava do próprio peso, de um compartimento para outro da imensa estrutura, colocava-se a pensar em como estariam as coisas na cidade onde nasceu, onde havia a praia onde pouco fora, onde havia os amigos que conservara e sua família que, uma vez a cada tanto tempo, conseguia falar com ele através da internet.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;E enquanto orbitava sozinho em seu mundo, sorria; porque sentia que estava onde sempre esteve desde que estudava, e ali estava sem rancor, melancolia ou saudade. Era apenas como era, e ele aprendera a aceitar isso há muito tempo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Publicado por &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Renato Alt&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-3315768432299426131?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/09/sadachbia.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-649027264627762033</guid><pubDate>Mon, 21 Sep 2009 18:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-28T03:06:13.246-03:00</atom:updated><title>:: Adágio ::</title><description>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Era uma terça-feira como qualquer terça-feira desde que o mundo é mundo, e nada anunciara sua chegada. Veio o sol, escondido por algumas nuvens cinzentas, pesadas, tornando a manhã fria e prateada. Ele caminhava pela larga rua de paralelepípedos, onde desembocava uma infinidade de pequenas e estreitas ruelas, como afluentes desembocam em um rio. Cedo demais, pouco movimento havia por ali: um padeiro organizava na vitrine a primeira fornada do dia, uma senhora puxava um carrinho de feira vazio rumo ao seu debate sobre o preço das verduras, um cachorro espreguiçava e abria a boca em um bocejo contagiante; aos poucos, a pequena cidade despertava, preguiçosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não avisara que chegaria naquela manhã. Na verdade, sequer anunciou que iria, o que lhe deixava ao mesmo tempo ansioso e apreensivo: talvez já nem estivesse mais ali, talvez não o quisesse receber, talvez o tempo já tivesse levado consigo as idéias e possibilidades que ambos alimentaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez fosse apenas covardia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se a porta se abrisse, e se ele entrasse naquela sala, poderia contar a respeito dos lugares onde esteve, poderia contar a respeito dos pores-do-sol que viu enquanto o Kailas recortava o horizonte, do chá de manteiga que o manteve aquecido em noites de frio indescritível, do trem que, não importa como, pegou um desvio errado e acabou levando-o a um destino tão remoto que mesmo a idéia de lá chegar por trem parecia inconcebível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sola dura dos seus sapatos fazia ecoar longe o som das passadas. Desconfortável como um intruso, parecia sentir todos os olhares voltando-se para si, ainda que invisíveis, ainda que protegidos por cortinas de seda e venezianas de madeira. Poderia jurar ouvir alguns soluços de espanto, de quem um dia o conheceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final da rua, a casa pouco havia mudado: os três degraus de madeira que davam as boas-vindas à varanda continuavam ali, e nela estava, agora, uma grande cadeira de balanço que parecia ter sido colocada ali para nunca mais sair. Havia samambaias penduradas nos quatro cantos, e um pretensioso bebedouro para beija-flores que oferecia tragos aos passarinhos por oito saídas diferentes. Um espanta-espíritos avisava que o vento soprava suave e perfumado com os últimos suspiros das damas-da-noite e parecia anunciar, como um colega encorajador, que tudo ficaria bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele subiu os degraus e alcançou a porta de tela. Respirou fundo e vestiu um sorriso nervoso, enquanto pousava a mala surrada ao lado do pequeno tapete à frente da porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bateu três vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi muito o tempo que esperou até que os passos lá dentro anunciassem a aproximação de alguém. Apressados, marcavam também, agora, o compasso do seu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu-se a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos dela, que primeiro estavam em si mesma para ter a certeza de que estava apresentável, demoraram a subir e encontrar os dele. Mas encontraram. E a cor fugiu-lhe do rosto, a boca deixou-se abrir, faltou-lhe o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tirou o chapéu. Foram longos minutos em que estiveram em silêncio, olhando-se através da porta de tela.Então finalmente ela a abriu, e sem dizer palavra, afastou-se do caminho para que ele pudesse entrar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado por &lt;strong&gt;Renato Alt&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-649027264627762033?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/09/adagio_21.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-3437791388283061634</guid><pubDate>Mon, 14 Sep 2009 19:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-14T17:29:33.604-03:00</atom:updated><title>:: Selo ::</title><description>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Estava inspirado naquela noite, e por isso resolveu escrever todas as cartas de uma só vez.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Abriu o pacote de papel e, mania que tinha, cheirou as folhas: era, para ele, perfume de possibilidades sem fim, de nascimentos, mortes, mundos, criaturas e nomes que, quem sabe, poderiam um dia fugir da tinta e alcançar as bocas das pessoas em uma conversa qualquer, em um comentário qualquer, ou quando estivessem para sugerir alguma leitura uma para a outra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;A sala estava escura, mas ainda assim preferiu apenas a luz do pequeno abajur de madeira que mantinha em cima da mesa. Planejara escrever à mão, mas reconsiderou por imaginar que o cansaço e, muito provavelmente, a emoção, acabariam por interferir em sua caligrafia, ainda que fosse ela responsável por muitos elogios espontâneos recebidos ao longo desses setenta e tantos anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Puxou a velha Remington para perto de si, quase ao mesmo tempo em que acendia a luz, e passou com carinho as mãos por sobre cada uma das teclas, como se quisesse acordá-las gentilmente, enquanto deixava escapar um suspiro pelo meio-sorriso que lhe alcançou os lábios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Rodou a primeira folha pela máquina, ajeitou-se na cadeira, e escreveu as primeiras linhas, ressaltando o avançado da hora em que se dispôs a escrever e que tinha, no momento, a companhia de uma caneca fumegante de chá preto e do gato que, sem qualquer cerimônia, pulou sobre a mesa e aninhou-se sobre uma pequena toalha esquecida por ali.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Então, como a água que sai enfurecida por uma comporta aberta, as palavras começaram a jorrar pelos seus dedos; mesmo o chá esfriara, resignado com a falta de atenção, enquanto o estalar das teclas sobre o papel rompia um silêncio tão denso que quase poderia ser tocado com as mãos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Assim foi toda a madrugada, até os primeiros raios de sol entrarem, sem pedir licença, pelas frestas que as cortinas, distraídas, deixaram de cobrir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Agora, ele já tinha terminado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Endereçou e datou todos os envelopes, porque realmente gostaria que os abrissem somente nas datas indicadas, o que levou-o a deixar mais um bilhete sobre a caixa onde os acomodara, reforçando esse desejo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Colocou tudo sobre a mesa da sala, onde seria visto por qualquer um que entrasse.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;Assim, subiu de volta ao quarto e foi terminar de fazer a mala.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;          &lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#333333;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Publicado por &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Renato Alt&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-3437791388283061634?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/09/selo.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-2164859277787657699</guid><pubDate>Mon, 07 Sep 2009 19:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-07T16:51:00.140-03:00</atom:updated><title>:: Zênite ::</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Tinha a mochila nas costas, onde carregava, entre outras coisas, lanterna, água e um outro agasalho, porque poderia esfriar, além de algumas barras de cereal e  de uma luneta que, assustada, nem sequer lembrava da última vez em que estivera fora do baú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou a subir no início da madrugada, por aquela trilha ancestral, cercado por pirilampos e por uma suave miríade de sons: era momento daqueles para estar só, e enquanto caminhava consigo e com seus pensamentos, deixava cada vez mais longe a cidade adormecida, perdida em sua infinidade de luzes, de cores e de lamentos inaudíveis, fazendo dela quase o reflexo de um céu estrelado que estendia-se pelo horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já ia alto, como a noite, avançando a passos largos, estalando pequenos galhos sob os pés e sentindo as folhas das árvores no caminho acariciarem-lhe o rosto com o delicado frescor do orvalho e com o perfume da terra molhada que há tanto tempo não lhe tomava o olfato, não lhe tirava dos pulmões a poeira e o gás carbônico que os dias citadinos lhe impunham a cada nova manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo a passo, distanciava-se de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;color:#333333;"&gt;E passado um tempo que sequer mediu, alcançou a grande clareira e a companhia de multidões de grilos que o saudavam. Viu as pedras e os troncos caídos, cobertos de musgo e de fungos, banhados pela luz azulada de uma lua que parecia tentar ocupar todo o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estendeu sobre a grama uma imensa canga, que pegara emprestado da namorada, e deitou-se usando a mochila como travesseiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando, como se num espetáculo montado apenas para si, começaram a passear diante dos seus olhos todas as estrelas e constelações, e ele já não se preocupava se o que via estava mesmo ali ou se era truque da imaginação. Viajou para a lua e mais além, visitou Alpha Centauri e o esplendor de Arcturus, testemunhou guerras centenárias e vislumbrou naves que viajavam em velocidades inconcebíveis. Conheceu povos e histórias, tempos e lendas, experimentou para mais do que qualquer palavra conhecida poderia expressar; e reencontrou a cumplicidade por si mesmo há tanto perdida, enquanto umedeciam seus cabelos, roupas e rosto, enquanto o ar noturno tocava-lhe os dentes, que se expunham, despudorados, em um sorriso aberto e preguiçoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não sabia mais das horas, do tempo, de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que, suavemente, o calor dos primeiros raios de sol o avisaram que havia adormecido, e que chegado o dia, era hora de voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;Publicado por &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renato Alt&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-2164859277787657699?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/09/zenite.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-3350439428101718466</guid><pubDate>Mon, 31 Aug 2009 19:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-07T16:52:25.922-03:00</atom:updated><title>:: Hiato ::</title><description>&lt;div  style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;"&gt;Quando descobriram onde estava, permaneceram do outro lado da rua durante quase todo o dia: sabiam que, se os visse, nem ao menos chegaria até a porta. As referências pareciam não deixar dúvida de que era ali: uma rua sem saída, cujo nome perdera-se há tempos e à qual todos referiam-se como "a rua de trás", onde três carros abandonados entregavam-se, resignados, à ferrugem e à urina olorosa de gatos vadios, onde ficava a porta de serviço de um restaurante de quinta categoria, que volta e meia se abria para que um cozinheiro imundo tirasse de dentro dela imensos sacos pretos de lixo, que jogava na calçada sem qualquer constrangimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pequena porta do prédio onde supunham que ele agora morava estava escondida pelas sombras, como se a própria rua, envergonhada de si mesma, tivesse queimado de propósito todas as luzes que deveriam iluminá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E finalmente viram-no chegar: estava, claro, diferente, mas não havia qualquer dúvida. Parecia magro, sem dúvida perdera cabelo, e mesmo à distância puderam ver que usava óculos pesados demais para seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contiveram as lágrimas. Desta vez, ele não soube que estavam vindo. Desta vez, ele estava mesmo ali, a não mais do que cem infindáveis metros de distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era preciso que esperassem entrar, era preciso que vissem a luz do segundo andar acesa, indicando que estava dentro de casa. Então chegariam à porta do prédio e pediriam que um vizinho qualquer a abrisse, dizendo que queriam fazer uma surpresa ou então inventando que o interfone não funcionava, para que ele tivesse que abrir a porta ao ouvir que alguém estava batendo, e eles poderiam dizer que sabiam que estava ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então conversariam, diriam o que deveria ter sido dito oito anos antes, diriam que ninguém o culpava por nada e falariam da frustração de descobrir, a cada endereço visitado, que ele acabara de mudar-se deixando tudo para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminaram o café e deixaram os copos vazios no banco do carro. Entreolharam-se por um instante e, com um aceno de cabeça, destrancaram a porta para sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado por &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renato Alt&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-3350439428101718466?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/08/hiato_2067.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-5899515002500231229</guid><pubDate>Mon, 24 Aug 2009 20:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-28T23:32:16.458-03:00</atom:updated><title>:: O Passo ::</title><description>&lt;div  style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;"&gt;Eram sessenta e quatro. Ele contara inúmeras vezes. Eram quantos degraus  o separavam da porta da casa dela, no segundo andar, ou primeiro, se não contasse com o restaurante chinês que ocupava o térreo e que ofertava todos os dias, através da janela, o cheiro gorduroso dos rolinhos primavera e os suspiros pelas sortes industrializadas recém-saídas de dentro dos biscoitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele subia quase sempre até a metade, onde suas pernas começavam a falhar, onde as palavras ensaiadas costumavam descer correndo de volta à rua,  onde os motivos que o levaram até ali pareciam fugidios e infundados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então lembra do quando custara descobrir o endereço, lembra de quantas vezes precisou perguntar às pessoas como quem pergunta sobre uma aparição; afinal, no início, ela pouco mais fora do que isso: uma garota que apareceu de repente, por entre a fumaça, naquela boate perdida no meio de uma noite que parecia morta antes mesmo de nascer. Eles se olharam sem trocar palavra, porque nenhuma delas apresentou-se, e estiveram juntos através de algumas músicas e de algumas bebidas, até que, tão de repente quanto veio, ela virou-se e deixou-se perder em meio à penumbra, para nunca mais ser encontrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele a esperou até a hora em que o bar fechou, mas não a viu sair; descobriu, então, que ninguém a vira ou mesmo tinha idéia de quem poderia ser. E assim tornou-se uma obsessão sem nome, ainda que de olhos, cabelos e perfume inesquecíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali, podia ver a grande porta de correr, em metal, que deveria ser o lugar onde ela está. Tentou trazer de volta à memória algumas frases inteligentes, algo de espirituoso que pudesse quebrar o gelo e garantir que a conversa não se limitasse à porta e alcançasse, ao menos, o sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas lhe veio o medo e a certeza de que, se quisesse, ela poderia ter se deixado encontrar, teria lhe dado o telefone ou ao menos um sorriso antes de desaparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, com um suspiro, desceu de volta à rua, conservando-a perfeita como a tinha na memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado por &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renato Alt&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-5899515002500231229?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/08/o-passo.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-744935868545841499</guid><pubDate>Mon, 17 Aug 2009 19:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-28T23:32:40.513-03:00</atom:updated><title>:: Ensaio ::</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;Sim, eu sei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;Talvez eu não tenha a aparência que você desejava quando desenhava em traços que só a imaginação ousava completar, naquelas tardes em que, deitada em sua cama, sob a brisa da janela aberta, abraçava o diário e suspirava, em um verão que não pode ter sido há mais de dez anos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;Talvez eu não possa embarcar consigo, ao menos por enquanto, para o outro lado do oceano, para desbravar as paragens daqueles que chegaram às nossas próprias mesmo antes de nós. Talvez eu não saiba exatamente o que dizer para tirar-lhe, de uma só vez, dessa tristeza sem fim que parece lhe corroer a alma, roubar-lhe o sorriso, pesar no coração.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;Mas talvez, se você permitir, eu possa levar-lhe a conhecer terras distantes, além daquelas às quais nos podem levar navios ou aviões, e a ver coisas que você não poderia enxergar ainda que estivesse com os olhos tão abertos quanto conseguisse; mais ainda, há de contemplá-las melhor se os mantiver fechados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;Assim talvez eu possa, durante um café, descrever-me para além daquilo que você vê e mostrar-me da forma como sou, tão diferente desta com a qual a natureza, em sua pressa, escolheu me apresentar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;E então, quem sabe, depois de alguns risos e de algumas surpresas, de palavras descomprometidas e mesmo de breves e constrangedores silêncios, onde os olhos nos salvam dizendo tudo o que não conseguimos, eu possa apresentá-la a si mesma, e uma vez que você saiba quem é, talvez entenda porque é que me toma os pensamentos, os sonhos e a lucidez, que sempre foram seus e que eu mantinha sob meus cuidados até a hora de lhos entregar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;Talvez, agora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado por &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renato Alt&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-744935868545841499?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/08/ensaio.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-9090431844274818361</guid><pubDate>Mon, 10 Aug 2009 20:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-28T23:33:00.553-03:00</atom:updated><title>:: Senha ::</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;Desceu uns trinta degraus: jamais desconfiara que ali havia um bar ou o que quer que fosse e, ao que parece, essa era a intenção do lugar. A pesada porta escura escondia um ambiente soturno, onde veludo que um dia foi vermelho revestia todas as paredes, e onde um carpete que, quem sabe, dividira essa mesma cor, agora estendia-se em um marrom cansado até uns vinte metros à frente. Eram poucas as mesas, quinze ou vinte no máximo, e um balcão de madeira entalhada ocupava toda a parede lateral. Um minúsculo palco redondo sustentava uma diva de outra época, em vestido de noite e voz curtida de cigarro, que cantava &lt;span style="font-style: italic;"&gt;He Stopped Loving Her Today&lt;/span&gt; ao lado de um enorme violoncelista negro, cujo rosto era impossível enxergar em meio à fumaça olorosa dos charutos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;Preguiçosos, alguns rostos viraram para olhar o estranho que entrava, não tão assustado quanto apreensivo. Por detrás do balcão de bebidas, um atendente alto, acima do peso, careca e de barba espessa, apresentava-se estranhamente bem vestido: calça preta, camisa branca, gravata borboleta, sorriso. Atrás de si, garrafas multicoloridas exibiam cores de um arco-íris ébrio: azul, branco, vermelho e marrons de várias idades, envelhecidos em barris de carvalho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;- E então, o que é que vai ser? - Ele perguntou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;Na pequena mesa ao lado, uma mulher falava sozinha, com um cigarro queimado pela metade preso entre os dedos. À sua frente, um copo de gelo e provavelmente uísque, ainda que, agora, já fosse quase todo água. Dentre as palavras que murmurava, ouvia-se, perdidos, uns “eu sabia” e “aquele idiota”. O sofá onde sentava estava manchado, sujo como tudo o que os olhos alcançavam, e pequenos buracos feitos por pontas de cigarros brigavam, entre si, por atenção.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;- E então, o que é que vai ser?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;Banquetas enfileiravam-se em todo o contorno do balcão, e um homem de terno e gravata frouxa que parecia estar ali há muito tempo levantou a cabeça; do meio de um rosto oleoso e de um cabelo engordurado que lhe caía sobre a testa, sorriu com dentes amarelados e olhar ausente, deixando os olhos escondidos por trás de enormes óculos de tartaruga. Tossiu uma tosse engasgada e comprida pelo que pareceu uma hora, e tomou um gole de uma bebida impossível de identificar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;- E então, o que é que vai ser?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;Um casal hispânico discutia em outra das mesas: ela, manhosa, de cara fechada, enquanto ele tentava alcançar seu rosto com as mãos, numa expressão de subserviência capaz de constranger um cão que esperasse por sobras à beirada da mesa. Logo ao lado, um homem olhava para um celular que, percebe agora, tocava incessantemente desde que entrara. Seu olhar é vago, distante, lacrimoso; seu fumar é sôfrego, queimando um cigarro quase inteiro em uma tragada só. Atrás dele, outra alma penada sai cambaleante do que provavelmente era o banheiro, tentando, desajeitada, fechar a braguilha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;- E então, o que é que vai ser?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;Ele sentou em uma das banquetas e olhou com nojo para um pires de amendoins sebosos, que pareciam estar ali desde o início dos tempos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;- Vodca  e club soda. –disse, por fim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;Todos os músculos em seu corpo pediam que fosse embora. Seu espírito o impelia para fora. Mas desde que chegara, a porta no outro extremo do bar, de madeira e metal, que tentava esconder-se dos olhares curiosos por detrás da fumaça e da embriaguês, chamava-o com força irresistível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;E ele tentava enganar-se, engolindo de uma vez o destilado, dizendo que iria embora sem procurar saber o que havia por detrás dela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;Mas permaneceu ali, olhar fixo, sacudindo as pernas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado por &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renato Alt&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-9090431844274818361?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/08/senha_10.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-8431387806693611636</guid><pubDate>Mon, 03 Aug 2009 19:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-28T23:33:27.773-03:00</atom:updated><title>:: Adendo ::</title><description>&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 0, 0);font-size:78%;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"29 de agosto de 1854&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div  style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Não são muitas as horas do dia que separo para mim. Hoje, talvez pela proximidade do final de semana e porque eu sinta alguma necessidade de lembrar do que isso costumava significar, talvez por causa da chuva que mais uma vez parece disposta a lavar da face da terra toda a criação de Deus, resolvi ficar naquela que se tornou minha casa por mais tempo do que eu jamais pretendi, e escrever-lhe mesmo antes de receber resposta sua. Então estou aqui, sobre algumas peles que consegui trocar com viajantes que passaram há coisa de uma semana, tão confortável quanto se pode estar em um lugar que até o mais experiente dos viajantes tem preguiça de mencionar. Escrevo à luz de um novo e melhor lampião que enfim consegui comprar, depois de muito falar com o merceeiro, que não estava nada disposto a desfazer-se dele; mas tal foi a minha insistência – por necessidade, e não comodismo – que ele enfim condoeu-se e, aproveitando a viagem que empreenderia até uma cidade grande em mais alguns dias, onde poderia conseguir algo bem melhor, aceitou vendê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitado comigo está o companheiro que conquistei, ou talvez seja o contrário, depois de algumas boas semanas de pequenas iguarias e de palavras mansas: o velho lobo a respeito do qual lhe falei. Agora resolveu, enfim, parar de rondar a casa para reclamar uma parte dela, e por vezes me parece até que o inquilino sou eu. Sobre o fogo está uma panela com água, onde logo colocarei algumas folhas para um chá. Ainda há pouco dividimos, eu e ele, um jantar de feijões e bacon, ainda que ele tenha preferido concentrar-se apenas nesse segundo petisco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao trabalho aqui, não posso reclamar; ainda que, em meus planos antes de vir, imaginasse que à esta altura as coisas estariam mais adiantadas. Mesmo assim, sigo confiante: a escavação vem se mostrando produtiva, e poucas tem sido as vezes em que preciso recorrer à dinamite para avançar. Isso é essencial para evitar chamar atenção indevida. O lugar onde moro, é claro, já não é mais segredo para ninguém na pequena cidade próxima, e pretender mantê-lo nessa condição, além de impossível, provavelmente causaria mais estranheza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me angustia não saber ao certo como estão as coisas por aí. Conheco-a, e sei que tudo o que me diz pretende acalmar-me aqui, e que assim as novidades que me conta possivelmente me alcançam já filtradas. Mas folgo na confiança do seu pai, e tenho fé nas orações que sei que fazem por mim; mas sei, também, o quanto não convém a você, tão jovem, estar sozinha em um cidade onde, para falar da vida dos outros, ninguém tem qualquer pudor. Me angustia imaginar que seu pai, andando pelas ruas, precise lidar com olhares maldosos e comentários à saida. No entanto, descanso ao saber que estou onde deveria estar; e sei disso por causa da confiança de todos vocês em mim. Folgo na certeza de que esta minha busca, que empreendo por nós, não é em vão, e será o argumento definitivo para todos aqueles que preferiram usar do próprio tempo para falar de algo que, afinal, não lhes diz qualquer respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não lembro se comentei, mas ainda que o tenha feito, falo de novo:  arrancou-me risos seu presente de tinta e papel. Entendi o  recado. E saiba, também, que ainda que eu não coloque tudo em cartas como gostaria de fazer – afinal, nem mesmo sei o quanto posso confiar que serão lidas apenas por você, até chegarem às suas mãos – o que quer que seja que esteja eu fazendo aqui, faço-o por nós: meus pensamentos estão em você, a todo momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, ainda que eu não esteja ai, saiba que estou, sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o amor que não conhece distâncias,&lt;br /&gt;R."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Publicado por &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Renato Alt&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-8431387806693611636?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/08/adendo.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-2049714788088750356</guid><pubDate>Mon, 27 Jul 2009 20:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-27T17:30:11.924-03:00</atom:updated><title>:: NREM ::</title><description>&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 0, 0);font-size:78%;" &gt;O texto que segue é uma sequência para "&lt;a href="http://aperteoalt.blogspot.com/2007/08/rem.html"&gt;REM&lt;/a&gt;" e "&lt;a href="http://aperteoalt.blogspot.com/2008/01/no-delta.html"&gt;No Delta&lt;/a&gt;". Se ainda não os leu, convido a fazê-lo, nessa ordem, antes de continuar.&lt;br /&gt;•••&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virou-se novamente para a direita e percebeu uma outra estante enorme; poderia jurar que não estava ali um segundo antes. A velha, atarefadíssima com alguma coisa que a pequena visitante já nem mesmo tentava entender, permitiu-se olhar para o lado e dar um breve sorriso. Ainda que dissesse que, de onde estava, a menina jamais conseguiria alcançar o que queria, de nada iria adiantar: os  jovens precisam aprender por si mesmos, era o que sempre dizia, ainda que talvez nem se lembrassem do que haviam aprendido quando, pela manhã, lhes acordassem os cheiros de café e de bacon torrado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A menina passeou com os olhos por todos os potes, passeou com os dedos por tampas sem fim, por teias de aranha tão firmes quanto cordas, por uma poeira que se recusava a ceder lugar para qualquer toque que lhes desafiasse.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Se são sonhos o que esses potes contêm, – perguntou, enfim – por que estão assim tão fechados?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Porque são sonhos que ninguém quer sonhar, criança. – respondeu em seu velho tom matriarcal – ou porque já os sonharam, ou porque nunca encontraram seus sonhadores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O rosto da menina não se desfez das interrogações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foram sonhados mas continuam aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque não os sonharam até o fim. Porque os esqueceram. Então ficam ai, esperando, mesmo que nunca mais conheçam outro destino.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A velha franziu o cenho, mais por cansaço que por enfado, mas a menina preferiu guardar sua outra pergunta para quando as rugas naquela testa sem idade se tivessem dissipado ao menos um pouco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O cheiro de chuva que vinha da janela enfim diminuíra. Um imenso relógio de chão agora parecia dominar toda uma parede da loja, e mais uma vez a menina teve a certeza de que, um minuto antes, não estava ali. Mas, afinal, era como tudo se passava naquele lugar: repentinamente, sem lógica, mas conquistando coerência graças à simples preguiça, da consciência, de explicar o que acontecia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas, senhora, - não resistiu, enfim – porque é que guarda todos aqui, empoeirando e amontoando-se em prateleiras e mais prateleiras? Por que a senhora não lança um tanto deles fora, limpa o mofo, desfaz as teias de aranha?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A velha, como sempre, apenas sorriu e apoiou-se em sua vassoura, que espreguiçou seus fiapos de piaçava dourada pelo chão de madeira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Porque um sonho não se joga fora, criança. - Respondeu - Ele pode ficar guardado e esquecido por muito tempo; mas nunca pode estar onde não se possa mais sonhar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•••  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-2049714788088750356?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/07/nrem.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-8094093171747208660</guid><pubDate>Mon, 20 Jul 2009 18:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-07T03:34:41.203-03:00</atom:updated><title>:: Highway ::</title><description>&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ele ria, como há tempos não ria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Era final de tarde, abafado, e ainda que o ar-condicionado estivesse finalmente consertado, deixou-o desligado e abriu ao máximo as janelas: deixou o ar inundar o carro, deixou o vento levar consigo os papéis que se amontoavam sobre o banco do carona, nos vãos das portas, sobre o painel: anúncios de imóveis a preços imperdíveis, de automóveis seminovos com garantia de fábrica, de ofertas de um supermercado que prometia cobrir quaisquer outras se ele aparecesse em uma das mais de 140 lojas espalhadas por todo o estado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;e sempre com um endereço pertinho de você&lt;/span&gt;. Papéis que o convocavam para um café com alguém que ele deveria agradar ao máximo, porque tudo dependia disso; papéis que o informavam que era o momento de fazer uma nova aplicação com o dinheiro que enfim seria liberado daquela outra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Voavam janela afora as pesquisas que encomendara para encontrar a melhor região para abrir sua nova filial, e alguns currículos que amigos que não via há anos, mas que de repente lhe telefonaram como se tivessem jantado juntos ontem, insistiram em colocar em suas mãos numa visita desprentensiosa naquela mesma manhã. Voou uma pequena lista de compras, que acusava o final do estoque de macarrão instantâneo, voou a lista de resoluções às quais chegaram os outros doze condôminos e que, a partir de agora, teriam que ser seguidas à risca sob pena de multa ou de restrição do uso das áreas comuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ria como há tempos não ria. Enquanto cortava a estrada sem pensar em nada mais, ouviu Bob Seger começar a cantar sua &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Against The Wind&lt;/span&gt; a plenos pulmões.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pensara por tempos demais em consequências demais, apenas para ver que nenhuma delas se mostrou verdadeira. Procurou demais, por tempo demais, sem ao menos saber ao certo o que é que procurava. Encontrou pessoas que nunca veio a saber quem eram, aceitou sonhos que nunca foram os que sonhou, traçou metas que, mesmo alcançadas, apenas serviam para lhe manter cada vez mais preso ao lugar onde estava. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Então, naquele dia,  atrás do mesmo volante onde sempre podia ser visto entre as 18h e, às vezes, 20h,  resolveu não pegar a saida 32 como sempre fazia.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; Foi quando veio o riso, aumentando a cada metro desses quilômetros desconhecidos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ao lado, em alta velocidade, outdoors passavam espantados:  já não faziam ouvir seus apelos, suas promessas, suas garantias de felicidade condicionada. Passavam  carros, e eram cada vez menos. Passavam prédios, e eram cada vez menos. Passavam carros, e menos, e esquinas, e menos. Até que, com toda a glória que a pressa lhe tentava roubar, havia apenas o céu, num escuro infinito, e a estrada que se estendia para muito além do que a razão queria conceber.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E ele seguia por ela, entre risos e lágrimas, como há tempos não se sentia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Publicado por &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Renato Alt&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-8094093171747208660?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/07/highway.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-4804533515097325246</guid><pubDate>Mon, 13 Jul 2009 19:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-13T20:44:08.839-03:00</atom:updated><title>:: Consonante ::</title><description>&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ele não compreendia o motivo de tanta consternação.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Escolhera aquela noite para ficar só. Só.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quiseram saber qual era o problema. Se algo o incomodava. Se alguns dos pensamentos que tempos atrás dividira com eles, os amigos, coisa da qual agora se arrependia, resolvera voltar a assombrá-lo. Perguntaram se aquele velho assunto pendente, que supostamente se resolvera, reaparecera mostrando nova cara, nova roupagem, outro nome.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas não, nenhuma dessas coisas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quiseram saber se era por causa da chuva, e antes que pudesse responder, alguém se adiantara dizendo que também sentia-se assim nos dias cinzentos, e que neles não tinha vontade alguma de sair de casa, e que por isso o entendia como ninguém, sim senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele, ao contrário, gostava de chuva.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quiseram saber se o problema era dinheiro, e disseram que isso afinal não era problema algum, porque faziam questão de pagar-lhe a pizza, ou a bebida, ou a boate ou o que quer que fosse que o convencessem a fazer. Ou, ainda, a fim de não gastarem nada, talvez o melhor fosse alugarem um dvd qualquer e irem todos para a casa de alguém, quem sabe a dele mesmo, e ficarem por lá enquanto a noite durasse, e de repente, se o dia trouxesse o sol consigo, poderiam seguir para a praia e ficar sobre a areia até que, de tão queimados, ninguém pudesse dizer quem era quem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E tudo isso lhe parecia otimo. Mas não para hoje.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Deram de ombros, todos, um pouco contrariados, um tanto pensativos, dizendo coisas com os olhares que ele, mesmo de longe, decifrava facilmente: aquela anuência mútua, cúmplice, quanto ao esforço que fizeram pelo amigo, que não deu em nada, e que condenava-o à própria tristeza por sua livre e espontânea vontade. Assim, como tantos em um sábado à noite, lançaram-se porta afora, ansiosos por trocar sua lucidez por alguns &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shots&lt;/span&gt; de José Cuervo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele, ao contrário do que julgavam, não estava triste.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não sentia-se mal. Não brigara com ninguém, nem mesmo consigo. Não pensava em qualquer atitude dramática, como, sim, já pensara, tempos atrás. Apenas queria estar só. Já escolhera algumas músicas e abrira, há quarenta minutos, um Malpuesto 2005 e o deixara sobre a mesa. Pensou em rever algum dos seus filmes preferidos. Pensou, admite, que talvez quisesse junto consigo, apenas, ela, mas não a chamara: sabia que recusaria, porque é como ela joga,  e estava por demais cansado para fingir um convite despretensioso, demasiado cansado para fingir-se indiferente diante da recusa, demasiado cansado para mostrar-lhe, de novo, o quanto era claro que ambos ansiavam um pelo outro e o quanto aquilo tudo era uma imensa perda de tempo, cansado de fingir ser forte para continuar levando as coisas como se tudo fosse etéreo e desimportante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Escolhera reler à luz da lareira, escolhera deixar o telefone fora do gancho, escolhera uma noite sem luzes demais, sorrisos demais, simpatia demais, conversas demais, sem novas pessoas a quem se apresentar que lhe viessem pedir suas credenciais de inteligência, de bom-humor ou de status social.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nessa noite, preferia não ser ninguém; e era como a queria. Só.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•••  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-4804533515097325246?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/07/intermezzo.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-4533921919773071548</guid><pubDate>Mon, 06 Jul 2009 18:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-06T17:59:51.186-03:00</atom:updated><title>:: Minuetto ::</title><description>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;Ela, ontem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;Eu a esperei com o sorriso pronto, com a casa arrumada e a mesa posta, com a lareira acesa e o vinho aberto para respirar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;Eu a esperei como era de se esperar: riso pronto para qualquer gracejo, &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;olhar pronto para qualquer olhar, &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;beijo pronto para qualquer suspiro. Esperei contando os minutos, ainda que saboreasse a espera, enquanto pontuava expectativas com umas tantas músicas antigas, das que só ouvimos quando pensamos que ninguém nos ouve também: lentas, melosas,&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt; cantando noites de luar, cantando verões ensolarados e promessas de amor eterno.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;A chuva veio como que por encomenda; o frio, como oferta. As horas  arrastavam-se teimosas, cruéis, olhando-me de dentro do relógio com um riso sádico, impiedoso. Para elas, ofereci de volta meu sorriso, declarando minha imutável decisão de permanecer como estava, satisfeito com o dia que inevitavelmente se entregaria à noite, paciente em minha impaciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurei nas gavetas as fotografias que prometera mostrar, lugares onde estive e onde ela pretendia ir, nas férias que vinha adiando há mais tempo do que conseguia admitir. Separei impressões para dividir, procurei lembranças para confidenciar, cerquei-me de seguranças e pretextos, de certezas e movimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resgatando-me das profundezas do pensamento, a campainha: chega ela, com o sorriso que torna todo o resto desimportante, roubando-me o chão a cada passo, roubando-me a lucidez com o olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, à noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•••&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-4533921919773071548?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/07/minuetto.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-8869571717363425965</guid><pubDate>Mon, 29 Jun 2009 19:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-06-29T17:00:32.162-03:00</atom:updated><title>:: Prima Facie ::</title><description>&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ela já não sabia como, mas chegara agora aos seus trinta e tal anos: a idade que os adolescentes olham e lhes parece tão distante, inalcançável; a idade que os idosos olham e lhes parece tão jovem, a idade onde ela ainda não sabia quem era, mas quando sentia que sua vida provavelmente deveria ter sido outra, quando sentia que deveria estar em outro lugar, fazendo outras coisas, conhecendo outras pessoas,  tentando resolver situações que, estando onde está, nem sequer sabe que existem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E, então, sem saber o que dizer ou sem que os outros pudessem ler os sentimentos em seus olhos, fechou-se, sorrindo seu melhor sorriso: aquele capaz de fazer todos pensarem que dentro de si havia apenas cores e música, aquele capaz de despistar o mais atento dos amigos, aquele que não admite outra resposta, além de outro sorriso, de quem o vê.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Assim, quando lhe trazem bolo e champagne, sorri impiedosamente, enfurecidamente, enquanto um DJ badalado exibe-se, perdido entre a batida e sua performance, ensurdecendo os pensamentos à sua volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegam pessoas que ela mal sabe quem são, mas que convinha convidar, e chegam aquelas que foram convidadas porque as primeiras foram e, alguém disse, não havia como chamar umas sem chamar as outras. Ela recebe presentes que ostentam os nomes dos presenteadores, beijinhos à distância, drinks de todos os lados e fumaça anônima, que lhe enche os pulmões e os poros, que lhe agarra a pele, os cabelos e as roupas, com ferocidade e sofreguidão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E dança, porque é preciso, a música que colocam, porque todos o fazem e dão gritos e vão até o chão, porque a luz pisca num frenesi multicolorido hipnotizante que sufoca qualquer pensamento, que a empurra para um estado que, hoje, ela não sabe qual é, mas que lhe traz secura à garganta, e taquicardia, que lhe faz suar frio na testa e jurar que os rostos daqueles à sua volta transformam-se, à cada segundo, no de outras pessoas, no de outras coisas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Era a festa que lhe davam, porque ninguém queria, naquela noite, ser quem era.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(Noite que, aliás, ela teria trocado de bom grado por um jantar  em casa com suas duas amigas mais próximas, onde aproveitariam algumas taças de vinho tinto e  uma boa fatia de Brie quente com geléia de damasco; onde aproveitariam uma comédia rasa da locadora e uma conversa que viria como viesse, despretensiosa, descomprometida, feita de palavras que evaporariam mal tocassem o ar.)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Foi quando viu todos ali, qual numa revelação, em outro lugar, onde ela não estava, ao qual não pertencia, e de onde também já não a viam: fora feita fantasma, que passou invisível por sua mesa e pegou a bolsa, que passou pela porta da boate rumo ao ar gelado da noite, rumo a um suspiro profundo, que correu para a praia ali tão próxima, que, descalça, andou pela areia, onde o estrondo do mar lhe convidava, parecendo a única coisa, no meio de tudo aquilo, que afinal fazia algum sentido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E com ele, mãos no cabelo, ao recomeço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;•••&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-8869571717363425965?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/06/prima-facie.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-4566358385841886745</guid><pubDate>Mon, 22 Jun 2009 17:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-06-22T14:39:23.465-03:00</atom:updated><title>:: Ceifa ::</title><description>&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O velho falava devagar, tão baixo que parecia não querer ser ouvido, a não ser por si mesmo, e repetia a mesma história todos os dias, da hora em que o bar abria até a tardinha, quando as crianças saíam em algazarra do colégio e paravam ali para comprar doce de abóbora e conferir se a geladeira enfim havia sido consertada e os sorvetes recolocados à venda, coisa que nunca acontecia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nesse meio-tempo, olhavam para o velho como quem olha para uma peça de museu, o que ele quase certamente poderia ser, sentado na cadeira de metal que já pendia para a direita e  que forçava-o a apoiar-se contra a parede azulejada, para evitar um tombo. Já lhe tinham sido oferecidas umas tantas outras, mais confortáveis e melhor dispostas para o trabalho, mas ele recusava-as todas sem deixar entender se por mania ou por medo de achar-se inconveniente. Do mesmo jeito, sem saber bem por que, o dono do bar já não cobrava há tempos pelas cervejinhas  e pratos de petiscos recém-saídos da frigideira que sempre colocava sobre sua mesa; já nem lembrava mais de quando o velho tinha chegado ali ou há quanto tempo ele aparecia no subir das portas, já nem lembrava o que o tinha feito acolher daquela forma um desconhecido que nem o próprio nome lhe dissera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele permanecia lá, petiscando e falando, e quem chegasse mais perto recebia um sorriso de cortesia e podia saborear meia-dúzia de palavras perdidas, que incluíam alguma coisa sobre uma grande fazenda perdida no interior do Mato Grosso, sobre gente que trabalhava de sol a sol para, no final do mês, ainda ficar devendo dinheiro ao empregador, sobre caminhões que apareciam do nada e que iam embora carregando de tudo um pouco, inclusive alguns deles. Quem chegasse mais perto, e quisesse prestar mais atenção, ouviria sobre quando eles resolveram colocar fogo naquilo tudo e sair correndo mata adentro atrás de qualquer lugar que resolvesse aparecer, ouviria sobre dias e noites passados a céu aberto enquanto homens assustados olhavam uns para a cara dos outros tentando descobrir de onde vinham os latidos que pareciam ficar mais perto a cada segundo. E se, à essa altura, alguém resolvesse perguntar, o velho contaria que houve tiros e correria, contaria que acertou com uma pedra, num lance impossível, um cachorro que vinha de tão longe na escuridão que quase parecia feito, com ela, uma coisa só. Talvez ele contasse que, de todos os que fugiram com ele da fazenda naquele dia, só três chegaram à cidade e que ele nunca mais os viu. Talvez contasse que conseguiu carona por milhares de quilômetros até chegar ali, onde queria chegar, ainda que para ver que tudo estava mudado, que as pessoas estavam diferentes e esquecidas e apressadas. E uma vez contado tudo, enfim entenderiam por que é que ele ficava ali, todos os dias, e por que é que passeava com os olhos pelas ruas e azulejos, e por que é que deixava-se perder nos próprios pensamentos e por que é que dizia em voz alta a única coisa que dizia em voz alta, o número do estabelecimento, que era 83, e por que é que quando o fazia parecia tão cheio de propriedade, de autoridade, e por que é que, quando o fazia, sorria, ainda que seus olhos ficassem, sempre, marejados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas era mais fácil para todos simplesmente deixá-lo ali, enquanto as mães pediam aos filhos que não falassem com ele e enquanto os adultos o cumprimentavam à distância com um movimento da cabeça, ao que o velho respondia, sempre, abaixando a sua e erguendo o copo de cerveja, que brilhava num dourado escuro de final de tarde, de riso de criança correndo e de cheiro de doce de abóbora, até que viesse a noite e ele fosse embora para onde quer que fosse todas as noites, já que ninguém procurara saber, repetindo a mesma história que repetia todos os dias, tão baixo que parecia não querer ser ouvido, a não ser por si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-4566358385841886745?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/06/ceifa.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-5256156158326008516</guid><pubDate>Mon, 15 Jun 2009 19:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-06-15T16:17:33.349-03:00</atom:updated><title>:: L.E.R. ::</title><description>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;Ele acorda cedo para ir para o trabalho. Sinal para o ônibus, crachá, bate o ponto, anda até a baia, às vezes parando para um café, às vezes indo além do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"bom dia"&lt;/span&gt; para a recepcionista: às segundas, sempre havia que falar sobre o final de semana: mas não há interesse algum, ou cumplicidade, ou vontade. Em sua mesa, memorandos. Post-it. Agenda. O calendário com uma ou outra data em preto: alguns dias do mês perdidos entre as semanas, tempo disponível para si. Mas ele já não sabe o que fazer consigo, já não sabe quem é quando não escreve, quando não vê o próprio nome em algum e-mail, quando não soluciona problemas de outros que, confuso, julga serem também seus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, meio-dia, bate o ponto. E o elevador, em silenciosa descida, e a catraca, e a rua: os óculos escuros protegem do sol. Comida a peso, refrigerante diet, café com adoçante: alguns assuntos da reunião das 15h, para chegar preparado. Da farmácia, um antiácido sabor limão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta à baia, mais café: o corpo pede sono, impositivo. Os olhos perdidos nas ilhas do Taiti, sua proteção de tela, logo somem por trás dos gráficos azuis e rosados do Powerpoint, projetando uma grande curva de crescimento e a conquista de novos mercados na Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pergunta, para si mesmo, qual seria o cheiro da Capela Sistina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seis horas, o ponto, o bar. Algumas piadas, três cervejas, o ônibus. Em casa, banho e jornal da noite. Uma pesquisa na internet para conferir dados, ouvir duas ou três músicas. Agora, talvez, uma leitura: Neil Gaiman, e estrelas cadentes, e criaturas fantásticas. Algum sono, imagens indecifráveis, novamente a Capela Sistina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, o despertador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-5256156158326008516?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/06/ler.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8103934.post-637597261331758584</guid><pubDate>Mon, 08 Jun 2009 18:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-06-08T17:14:06.714-03:00</atom:updated><title>:: Maré ::</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;Ela acordou com o barulho das gaivotas refestelando-se com um banquete de sardinhas frescas: não havia barcos o suficiente para pescar todas, coisa que nunca se vira em tantos anos naquela baía, e que trazia aos rostos ressequidos e marcados dos pescadores sorrisos tão luminosos que faziam o próprio sol corar de vergonha. A noite seria longa, de muita música e cerveja, e nem mesmo aquele cheiro tão forte que quase se podia comer às colheradas conseguia desviar o humor da vila inteira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;- É o cheiro do dinheiro! - Alguém que passava sob a janela, lendo  sem pudores os pensamentos dos outros, achou que devia comentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era riso e festa o que enchia o dia, e ela desceu apressada para tomar parte. Preparou uma outra garrafa de café além daquela que oferecia todos os dias à porta da hospedaria a quem o quisesse, e todos sempre queriam, como também um bolo que pretendia servir de sobremesa no almoço dos hóspedes mas que, dadas as circunstâncias, teria melhor sabor agora. Jogou por cima da camisola o roupão que ganhara de um admirador, vindo de um porto do outro lado do mundo, e abriu a parte de cima da porta divida em duas que dava para a rua. Já no instante seguinte havia bolo e café passando de mão em mão, além de explicações de todos os tipos para a boa-vontade repentina dos peixes para atirarem-se à redes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a verdade era que pouco importava. Estavam todos, moradores, pescadores, visitantes, empresários e gaivotas, felizes demais para racionalizar a coisa. Talvez não tão felizes estivessem as sardinhas, mas como a iniciativa foi delas, sua opinião já não contava tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieram os repórteres pela hora do almoço entrevistar tudo e todos, e não tiveram bolo depois da refeição na hospedaria, mas comeram doce de abóbora e ficaram felizes e satisfeitos do mesmo jeito. Compraram peixe aos quilos por uma pechincha e saíram apressados para procurar especialistas que explicassem o tal fenômeno que ninguém ali fazia questão de entender. Vieram então os caminhões-frigorífico, que levaram tudo embora e deixaram na mão dos vilões mais dinheiro do que eles costumavam fazer em um ano e nos seus rostos mais alegria do que tinham experimentado até aquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio a noite, e com ela a música e a cerveja, e quando mais se tinha dinheiro foi quando menos se cobrou por qualquer coisa na vila. Alguém decidiu que dali em diante a data seria feriado, menos,  lógico, dessa vez, já que o dia chegou sem avisar e a  ressaca ficou toda para o seguinte, impedindo todo mundo de trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantaram, então, a felicidade madrugada adentro, e deixaram os pensamentos lá na lua que, misteriosa, escondia-se atrás de uma nuvem qualquer para não ter que explicar seus motivos para ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: verdana; color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8103934-637597261331758584?l=aperteoalt.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://aperteoalt.blogspot.com/2009/06/mare.html</link><author>noreply@blogger.com (( aperte o alt ))</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item></channel></rss>
