<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>APOLOGIA CRISTÃ</title>
	<atom:link href="http://apologiacrista.com.br/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://apologiacrista.com.br</link>
	<description>Conteúdo de Teologia Reformada</description>
	<lastBuildDate>Thu, 17 Nov 2016 23:08:12 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=4.8</generator>
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">49410719</site>	<item>
		<title>Cristianismo, Comunismo e o Papa</title>
		<link>http://apologiacrista.com.br/2016/11/17/cristianismo-comunismo-e-o-papa/</link>
		<pubDate>Thu, 17 Nov 2016 23:07:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Filipe]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Seitas]]></category>
		<category><![CDATA[catolicismo]]></category>
		<category><![CDATA[comunismo]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://apologiacrista.com.br/?p=160</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;São os comunistas os que pensam como os cristãos. Cristo falou de uma sociedade onde os pobres, os frágeis e os excluídos sejam os que decidam. Não os demagogos, mas o povo, os pobres, os que têm fé em Deus ou não, mas são eles a quem temos que ajudar a obter a igualdade e a liberdade” [1]. Poucas afirmações, em toda a história da humanidade, poderiam ser tão perturbadoras como essa, que foi proferida pelo papa (sic.) Bergoglio em entrevista publicada no jornal italiano La Repubblica. Na verdade, se essa fala tivesse sido ventilada por algum ditador comunista ou psicopata alucinado &#8211; que são mais ou menos a mesma coisa &#8211; ela não deixaria de ser ofensiva e indigesta, todavia, não seria um produto diferente do que normalmente se deve esperar de ambos. Mas não. Ela foi pronunciada por um dos maiores representantes institucionais do cristianismo no mundo, o que faz qualquer indivíduo com razoável senso de realidade desvanecer em assombro diante de tão abjeta e pervertida apresentação dos fatos. Vejamos se realmente comunistas pensam como cristãos e se, no pensamento cristão, um suposto grupo desfavorecido é que deve ditar as diversas políticas em uma sociedade. Metafísica A &#8220;metafísica&#8221;...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>&#8220;<i>São os comunistas os que pensam como os cristãos. Cristo falou de uma sociedade onde os pobres, os frágeis e os excluídos sejam os que decidam. Não os demagogos, mas o povo, os pobres, os que têm fé em Deus ou não, mas são eles a quem temos que ajudar a obter a igualdade e a liberdade</i>” [1].</p>
<p>Poucas afirmações, em toda a história da humanidade, poderiam ser tão perturbadoras como essa, que foi proferida pelo papa (sic.) Bergoglio em entrevista publicada no jornal italiano <i>La Repubblica</i>.</p>
<p>Na verdade, se essa fala tivesse sido ventilada por algum ditador comunista ou psicopata alucinado &#8211; que são mais ou menos a mesma coisa &#8211; ela não deixaria de ser ofensiva e indigesta, todavia, não seria um produto diferente do que normalmente se deve esperar de ambos. Mas não. Ela foi pronunciada por um dos maiores representantes institucionais do cristianismo no mundo, o que faz qualquer indivíduo com razoável senso de realidade desvanecer em assombro diante de tão abjeta e pervertida apresentação dos fatos.</p>
<p>Vejamos se realmente comunistas pensam como cristãos e se, no pensamento cristão, um suposto grupo desfavorecido é que deve ditar as diversas políticas em uma sociedade.</p>
<p><b>Metafísica</b></p>
<p>A &#8220;metafísica&#8221; dos comunistas ou marxistas é, com efeito, ontologia. Uma vez que sua visão é essencialmente materialista, para eles, não existe nada além do universo físico. Causas e arranjos inteligentes são apenas ordenações felizes de átomos, moléculas, formas e elementos.</p>
<p>A metafísica dos cristãos começa e termina com o ser eterno, puro, simples, absoluto e pessoal do Deus-Trindade, que é distinto do universo. Este é resultado de deliberada e teleológica criação. Além disso, o universo é movido e sustentado por uma ação imanente e exaustiva de Deus.<br />
<b><br />
</b> <b>Filosofia da História</b></p>
<p>A filosofia da história dos comunistas ecoa muito bem seus pressupostos metafísicos, ou seja, não existe um ordenamento inteligente e proposital na história. A história é apenas uma sucessão de eventos no espaço-tempo sem significado objetivo algum.</p>
<p>A filosofia da história dos cristãos também deriva de sua metafísica. O mesmo Deus que criou o universo com um propósito específico conduz a história em seus mínimos detalhes para uma consolidação específica.<br />
<b><br />
</b> <b>Epistemologia</b></p>
<p>A epistemologia dos comunistas é um assustador mosaico de ideias conflitantes e asserções injustificáveis. Ela, em seus melhores dias, se baseia no método científico da lógica indutiva e do empirismo. E, nos maus dias, quando se dá conta de que a indução e o empirismo não podem promover qualquer conhecimento real, afunda no niilismo.</p>
<p>A epistemologia dos cristãos parte de um ponto único e central, auto-autenticável e de amplo alcance filosófico, que é a Bíblia. A partir da Bíblia, todo o sistema de pensamento é construído por lógica dedutiva em um sistema racional redimido pela Escritura, inspirada por Deus.</p>
<p><b>Ética</b><br />
<b><br />
</b> A ética dos comunistas é uma ética arbitrária relativista, que não encontra nenhum fundamento mais sólido do que o próprio homem ou, em termos mais amplos, do que sociedades particulares. O certo e errado não são mais &#8220;certo e errado&#8221; do que se convenciona em dada cultura. Além disso, sua ética é situacionista e utilitarista, o que significa que os princípios morais estabelecidos pelos agentes éticos variam conforme as circunstâncias. O errado de hoje pode se tornar o certo de amanhã, sem problema algum.</p>
<p>A ética dos cristãos baseia-se em sua metafísica, de tal modo que se pode falar em uma <i>metaética</i>. Os valores éticos são absolutos pois partem de Deus &#8211; de seu caráter e revelação. Eles também são objetivos porque têm o seu locus fora do homem.</p>
<p><b>Antropologia</b></p>
<p>A antropologia dos comunistas é materialista. O homem, em última análise, não é mais do que matéria. Não existe no homem nada que o torne especial senão sua inteligência superior. Essencialmente, homens e plantas não são diferentes.</p>
<p>A antropologia dos cristãos afirma que o homem é um ser especial, pois foi criado por Deus à sua imagem. O homem, mesmo nascendo em pecado e, portanto, merecedor da condenação divina, ainda assim é considerado por Deus como um ser distinto cuja vida e propriedades têm um valor especial.<br />
<b><br />
</b> <b>Sociologia</b><br />
<b><br />
</b> Na sociologia comunista, o homem nasce bom e é corrompido pela sociedade. Os indivíduos não são realmente culpados por suas transgressões, antes, essa culpa é abstraída no coletivo, segundo o interesse do momento para o Estado. Os grupos minoritários é quem dão a tônica para certas políticas econômicas e de segurança, ao menos até que o Estado esteja fortalecido o suficiente para não precisar mais do artifício tático de separar os cidadãos em grupos e instigá-los ao conflito.</p>
<p>Na sociologia cristã, o homem nasce mau, corrupto e com ódio de Deus. Uma sociedade má é assim porque é constituída de indivíduos maus. Os indivíduos são culpados por suas transgressões e devem ser punidos por elas. Crimes que envolvem assassinato devem ser punidos com pena de morte. Os grupos minoritários não ditam nada. Nem tampouco os majoritários. A sociedade deve ser regida por leis que espelhem os valores divinos para sociedades, valores sempre baseados no indivíduo, no valor da vida humana, na propriedade privada e no livre comércio.</p>
<p><b>Política</b></p>
<p>Na estrutura política dos comunistas o valor da propriedade privada é questionado em função de uma suposta necessidade de igualdade social. A concentração de poder é outorgada ao Estado que deve se encarregar de cuidar dos cidadãos. Assim, a segurança dos cidadãos cabe ao Estado. A educação dos cidadãos cabe ao Estado. As posses dos cidadãos cabe ao Estado. As relações comerciais são controladas pelo Estado. O coletivo é posto como prioridade.</p>
<p>No pensamento político cristão a propriedade privada é, no sentido popular do termo, sagrada. Não deve haver igualdade social porque não é essa a vontade de Deus visto que, no sistema cristão, a pobreza não é necessariamente ruim, desde que o pobre tenha a dignidade do alimento e de uma estrutura básica para sobreviver. Quem distribui as riquezas é Deus e Ele o faz outorgando responsabilidades para o rico (para que faça um uso caridoso e responsável de suas posses) e para o pobre (para que confie na providência de Deus &#8211; que vem por intermédio do rico &#8211; e busque Nele sua esperança). Não há concentração de poder. O Estado é mínimo! A segurança dos cidadãos cabem, em primeira instância, a eles mesmos e, em última, ao Estado. A educação dos cidadãos cabem a eles mesmos e é desenvolvida no seio familiar. As posses dos cidadãos são suas. As relações comerciais devem ser livres. O indivíduo é posto como prioridade.</p>
<p>Diante do exposto, pergunto: Em que universo os pensamentos do comunismo e do cristianismo poderiam convergir para um ponto, qualquer ponto, em comum? Em que universo o cristianismo afirma que os pobres e &#8220;excluídos&#8221; devem ser os ditadores das asserções políticas?</p>
<p>Não há sequer um ÚNICO ponto de congruência entre as cosmovisões cristã e comunista.</p>
<p>A posição de Bergoglio acerca do cristianismo redefine o conceito de absurdo e nos constrange à oração: oração pelo Ocidente, oração pela consolidação do Reino de Deus e oração para que a graça divina alcance as principais autoridades intelectuais do mundo com discernimento e justiça.</p>
<p>________________________<br />
Notas e referências:</p>
<div>1. EFE. Papa diz que &#8220;comunistas pensam como cristãos&#8221;, 2016. Disponível em: &lt;<a href="http://exame.abril.com.br/mundo/papa-diz-que-comunistas-pensam-como-os-cristaos/" target="_blank">http://exame.abril.com.br/mundo/papa-diz-que-comunistas-pensam-como-os-cristaos/</a>&gt;. Acesso em 12 de nov. 2016</div>
</div>
<p>***<br />
<b>Autor:</b> Paulo Ribeiro<br />
<b>Fonte: </b><a href="http://www.teologiaexpressa.com/2016/11/cristianismo-comunismo-e-o-papa.html" target="_blank">Teologia Expressa</a></p>
<p class="facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://apologiacrista.com.br/2016/11/17/cristianismo-comunismo-e-o-papa/" target="_blank" title="Share on Facebook">Share on Facebook</a></p>]]></content:encoded>
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">160</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Autenticidade no Novo Testamento</title>
		<link>http://apologiacrista.com.br/2016/10/26/autenticidade-no-novo-testamento/</link>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2016 10:09:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Filipe]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Autenticidade do Novo Testamento]]></category>
		<category><![CDATA[Refutações]]></category>
		<category><![CDATA[Autenticidade no Novo Testamento]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://apologiacrista.com.br/?p=157</guid>
		<description><![CDATA[Resolvi postar esse artigo do nosso irmão em Cristo Lucas Banzoli para reavivar o coração daqueles que ainda tem dúvidas da autenticidade e veracidade do Novo Testamento. O trecho abaixo é extraído de meu livro: &#8220;As Provas da Existência de Deus&#8221;, de autoria minha e de Emmanuel Dijon, disponível gratuitamente para download &#8211;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212; &#160; Muitos céticos, ateus, agnósticos e pasme: até mesmo alguns que se dizem “cristãos” creem que a Bíblia foi corrompida pela Igreja cristã, sendo adulterada e tendo passado por muitas alterações, acréscimos e modificações com o passar dos séculos. Tais acusações gratuitas vem de pessoas que nunca estudaram um mínimo de história antiga ou não conhecem nem um pouco sobre Crítica Textual, pois, se estudassem, saberiam que não existe obra antiga mais confiável do que o Novo Testamento. Primeiramente, temos que ressaltar que, ao tratarmos de Crítica Textual em textos antigos, como os livros do Novo Testamento, que datam há milênios atrás, não possuímos em mãos o manuscrito original, mas cópias dele, por pessoas que copiaram tais escritos mais tarde. O fato de não possuirmos o original em mãos não significa que as cópias não sejam autênticas, ou, senão, teríamos que dizer que nenhum documento da história antiga...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Resolvi postar esse artigo do nosso irmão em Cristo Lucas Banzoli para reavivar o coração daqueles que ainda tem dúvidas da autenticidade e veracidade do Novo Testamento.</p>
<hr />
<p><strong>O trecho abaixo é extraído de meu livro: <a href="http://ateismorefutado.blogspot.com.br/2014/12/livro-as-provas-da-existencia-de-deus.html">&#8220;As Provas da Existência de Deus&#8221;</a>, de autoria minha e de Emmanuel Dijon, disponível gratuitamente para download</strong></p>
<p>&#8211;<strong>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Muitos céticos, ateus, agnósticos e pasme: até mesmo alguns que se dizem “cristãos” creem que a Bíblia foi corrompida pela Igreja cristã, sendo adulterada e tendo passado por muitas alterações, acréscimos e modificações com o passar dos séculos. Tais acusações gratuitas vem de pessoas que nunca estudaram um mínimo de história antiga ou não conhecem nem um pouco sobre Crítica Textual, pois, se estudassem, saberiam que <strong>não existe obra antiga mais confiável do que o Novo Testamento</strong>.</p>
<p>Primeiramente, temos que ressaltar que, ao tratarmos de Crítica Textual em textos antigos, como os livros do Novo Testamento, que datam há milênios atrás, não possuímos em mãos o manuscrito original, mas <em>cópias </em>dele, por pessoas que copiaram tais escritos mais tarde. O fato de não possuirmos o original em mãos não significa que as cópias não sejam autênticas, ou, senão, teríamos que dizer que <u>nenhum</u> documento da história antiga é autêntico, pois <u>todos eles</u> sobrevivem através de manuscritos posteriores – sem qualquer exceção!</p>
<p>Norman Geisler e Frank Turek abordam isso nas seguintes palavras:</p>
<p>“Os céticos podem perguntar: ‘Bem, se o NT é realmente a palavra de Deus, então por que Deus não preservou o original?’. Só podemos especular aqui, mas uma possibilidade é porque sua palavra pode ser melhor protegida por meio de cópias do que por meio de documentos originais. Como assim? Porque, se o original estivesse de posse de alguma pessoa, essa pessoa poderia alterá-lo. Mas, se houvesse cópias espalhadas por todo o mundo antigo, não haveria maneira de um escriba ou sacerdote alterar a palavra de Deus. Como vimos, o processo de reconstrução permite que variantes e alterações nas cópias sejam identificadas e corrigidas de maneira bastante simples. Desse modo, ironicamente, o fato de não existirem originais pode preservar a palavra de Deus de uma maneira melhor do que se eles existissem”<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a></p>
<p>Para conseguimos remontar o texto original com total confiança, são necessárias basicamente duas coisas:</p>
<ul>
<li><strong>Possuirmos cópias bem antigas, próximas do original.</strong></li>
</ul>
<ul>
<li><strong>Possuirmos uma quantidade significativa dessas cópias.</strong></li>
</ul>
<p>Se as cópias preservadas de um original são datadas de tempo bem posterior a ele, alguém pode alegar que nesse meio-tempo houve alterações no escrito original. Portanto, é importante possuirmos cópias que são próximas à época em que o original foi feito. Da mesma forma, quanto maior é a quantidade de cópias existentes também é maior a chance do original não ter sido corrompido, pois, desta forma, um falsário teria que adulterar <em>milhares </em>de manuscritos por todas as partes do mundo da época e nas mais diversas línguas se quisesse se sair bem sucedido.</p>
<p>Assim sendo, a Crítica Textual trabalha dentro desses dois critérios para determinar se o original de qualquer obra (não somente do Novo Testamento) foi bem preservado ou não. A pergunta que fica é: possuímos cópias  antigas do Novo Testamento? E <em>quantas </em>dessas cópias possuímos? É isso o que passaremos a investigar a partir de agora.</p>
<ul>
<li><a href="https://www.blogger.com/null" name="_Toc378491765"></a> <strong>Quantidade de cópias antigas do Novo Testamento</strong></li>
</ul>
<p>Nenhuma obra da história antiga possui cópias tão próximas ao original quanto o Novo Testamento. Isso mesmo: nenhum! O Novo Testamento ganha <strong>disparado </strong>do segundo colocado e de textos que os próprios céticos creem que foram bem preservados. Sobre isso, Geisler e Turek discorrem:</p>
<p>“O NT não apenas desfruta de um amplo apoio dos manuscritos, como também possui manuscritos que foram escritos logo depois dos originais. O mais antigo e incontestável manuscrito é um segmento de João 18.31-33,37,38, conhecido como fragmento John Rylands (porque está na Biblioteca John Rylands, em Manchester, Inglaterra). Os estudiosos datam esse documento como tendo sido escrito entre 117 e 138 d.C, mas alguns dizem que ele é ainda mais antigo. O fragmento foi encontrado no Egito próximo ao mar Mediterrâneo, e seu provável local de composição foi a Ásia Menor – demonstrando que o evangelho de João foi copiado e levado a lugares distantes logo no início do século 11”<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a></p>
<p>Quantas cópias antigas do Novo Testamento em grego nós possuímos? A resposta é nada a menos que 5.664! Esse número é assustadoramente grande ao se tratar de história antiga. Para se ter uma noção e usar como parâmetro, de todas as obras antigas aquela que aparece em segundo lugar é a Ilíada de Homero, com apenas 643 manuscritos que sobreviveram até hoje. Ou seja: só de textos <em>em grego</em>, nós possuímos <strong>nove vezes mais cópias do Novo Testamento do que a segunda obra antiga mais bem colocada</strong> em <em>qualquer </em>idioma.</p>
<p>Mas não para por aqui. O Novo Testamento também foi copiado nos primeiros séculos em muitos outros idiomas. Existem pelo menos 9.300 antigas versões em outras línguas, e mais 10.000 manuscritos antigos da Vulgata Latina de Jerônimo. No total (juntando o número de cópias antigas do Novo Testamento nos mais diversos idiomas) nós possuímos aproximadamente <strong>25.000 </strong>manuscritos de livros <em>inteiros </em>do Novo Testamento, isso sem contar outras 24.000 cópias de <em>porções </em>(trechos) desses livros. Isso significa <strong>39 vezes mais do que a Ilíada de Homero</strong>, que é a segunda colocada em número de cópias em todos os documentos antigos já criados pelo homem!</p>
<p>A tabela a seguir detalha o número de manuscritos do Novo Testamento:</p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td width="225">Gregos Unciais</td>
<td width="189">306</td>
</tr>
<tr>
<td width="225">Minúsculas</td>
<td width="189">2.764</td>
</tr>
<tr>
<td width="225">Lecionários</td>
<td width="189">2.143</td>
</tr>
<tr>
<td width="225">Papiros</td>
<td width="189">88</td>
</tr>
<tr>
<td width="225">Achados recentes</td>
<td width="189">47</td>
</tr>
<tr>
<td width="225">Vulgata Latina</td>
<td width="189">Mais de 10.000</td>
</tr>
<tr>
<td width="225">Etiópico</td>
<td width="189">Mais de 2.000</td>
</tr>
<tr>
<td width="225">Eslavônico</td>
<td width="189">4.101</td>
</tr>
<tr>
<td width="225">Armênio</td>
<td width="189">2.587</td>
</tr>
<tr>
<td width="225">Versão Siríaca (Peshita)</td>
<td width="189">Mais de 350</td>
</tr>
<tr>
<td width="225">Copta</td>
<td width="189">100</td>
</tr>
<tr>
<td width="225">Árabe</td>
<td width="189">75</td>
</tr>
<tr>
<td width="225">Versão Velha Latina</td>
<td width="189">50</td>
</tr>
<tr>
<td width="225">Anglo-Saxônico</td>
<td width="189">7</td>
</tr>
<tr>
<td width="225">Gótico</td>
<td width="189">6</td>
</tr>
<tr>
<td width="225">Sogdiano</td>
<td width="189">3</td>
</tr>
<tr>
<td width="225">Siríaco Antigo</td>
<td width="189">2</td>
</tr>
<tr>
<td width="225">Medo-Persa</td>
<td width="189">2</td>
</tr>
<tr>
<td width="225">Frâncico</td>
<td width="189">1</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A conclusão é óbvia: o Novo Testamento é <strong>o documento antigo mais bem preservado da história da humanidade</strong>. Discorrer contra isso é lutar contra os fatos, movido pura e simplesmente pelo preconceito de se aceitar algo histórico se está ligado à religião, como fazem os céticos e ateus. Esses números são tão impressionantes quando postos em comparação com os outros documentos da antiguidade que John Warwick Montgomery declarou:</p>
<p>“Ter uma atitude cética quanto ao texto disponível dos livros do Novo Testamento é permitir que toda a antigüidade clássica se torne desconhecida, pois nenhum documento da história antiga é tão bem confirmado bibliograficamente como o Novo Testamento”<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a></p>
<p>A evidência para a autenticidade do Novo Testamento é tão esmagadora que seria necessário juntar as dez melhores e mais bem preservadas obras da literatura antiga se quiséssemos chegar a algo próximo daquilo que o Novo Testamento nos oferece:</p>
<p>“Embora os documentos originais do NT não tenham sobrevivido ou ainda não tenham sido encontrados, temos muitas cópias precisas dos documentos originais – muito mais do que as dez melhores peças da literatura antiga combinadas”<a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a></p>
<p>Esse enorme número de cópias do Novo Testamento também nos ajuda a refutar aqueles que pensam que a Bíblia foi adulterada. Muitos afirmam que os escribas poderiam errar por desatenção, incluindo uma coisa aqui ou ali que não estava no original, errando uma ou outra palavra ou deixando de escrever uma ou outra coisa. Isso ocorre em todas as cópias, é algo comum.</p>
<p>E é aí que entra em cena a importância de se ter muitos manuscritos. Porque se tivéssemos apenas um único e esse escriba tivesse errado em alguns pontos, teríamos uma Bíblia incompleta e adulterada em mãos. Mas, se temos <em>muitos </em>escribas e <em>muitos </em>manuscritos, essa possibilidade cai exponencialmente. Imagine, por exemplo, uma sala de aula com 100 alunos. A professora enche o quadro negro de matéria. Os alunos têm que copiar palavra por palavra, linha por linha de tudo aquilo que foi escrito. Os 100 alunos copiam tudo o que a professora escreveu. Mas Joãozinho chega tarde, perde a primeira aula e a professora já apagou o que tinha escrito no quadro negro.</p>
<p>Então, ele se vê na obrigação de consultar seus colegas que copiaram tudo o que foi escrito. Se Joãozinho copiasse de apenas um único colega em somente uma única fonte, ele pode incorrer nos mesmos erros ocasionais que esse colega pode ter errado na cópia. Mas se Joãozinho consultar <em>todos </em>os seus 100 colegas que copiaram o que foi escrito, certamente esse problema seria resolvido sem maiores dúvidas. Para o exemplo ficar mais prático, suponhamos que Joãozinho esteja copiando um texto de um aluno onde diz:</p>
<p>“Porque Deus o mundo de tal maneira que deu unigênito para que todo aquele que não pereça, mas tenha a vida eterna”</p>
<p>Joãozinho lê esse verso da cópia de um único aluno e percebe que nele está faltando alguma coisa. O texto não está fazendo sentido. “Deus o mundo”, “deu unigênito”, “para que todo aquele que não pereça”&#8230; alguma coisa está errada. Talvez esse aluno estivesse com sono quando copiou, estivesse com muita pressa ou muito desatento. Para confirmar a tradução correta, Joãozinho consulta um outro aluno ao seu lado, que copiou da seguinte forma:</p>
<p>“Porque Deus <strong><em>amou</em></strong> o mundo de tal maneira que deu <strong><em>seu Filho</em></strong> unigênito para que todo aquele que <strong><em>nele crê</em></strong> não pereça, mas tenha a vida eterna”</p>
<p>Agora as coisas começam a fazer sentido. O que um aluno errou na transcrição, o outro acertou. Mas, para confirmar, ele consulta todos os seus outros 99 colegas (Joãozinho era faminto por uma boa tradução!), e todos os 99 confirmam a seguinte transcrição:</p>
<p>“Porque Deus <strong><em>amou</em></strong> o mundo de tal maneira que deu <strong><em>seu Filho</em></strong> unigênito para que todo aquele que <strong><em>nele crê</em></strong> não pereça, mas tenha a vida eterna”</p>
<p>Qual seria a conclusão de Joãozinho? Que o texto original perdeu-se e já não se pode saber o conteúdo primordial, pois foi tudo adulterado? É claro que não. Ele concluirá facilmente que aquele “copista” que ele viu anteriormente havia vertido o texto erroneamente por desatenção, mas o que ele errou foi concertado por muitos outros que transcreveram certo. Então, como é praticamente impossível que 99 alunos tenham reproduzido errado e só um tenha copiado certo, é lógico que a tradução correta é a que foi traduzida pelos 99 alunos.</p>
<p>O mesmo ocorre com o conteúdo do Novo Testamento, com a diferença de que não possuímos apenas 100 copistas ou 100 cópias para comparar as traduções, mas <strong>25 mil cópias</strong>, o que obviamente abaixa para virtualmente zero as possibilidades de que todos tenham copiado errado um mesmo texto. É por isso que a Crítica Textual não trabalha dentro de apenas um único manuscrito, por mais valioso que seja, mas pela comparação entre <em>vários </em>manuscritos. Então, por mais que um ou outro copista se equivoque na tradução ou transcrição de um ou outro verso, a comparação com os mais diversos manuscritos bíblicos antigos nos leva inevitavelmente ao original, com precisão.</p>
<p>Geisler e Turek resumem a questão da seguinte maneira:</p>
<p>“Uma reconstrução praticamente perfeita dos originais pode ser realizada ao comparar-se as milhares de cópias manuscritas que sobreviveram. Descobrimos fragmentos de manuscritos tão antigos quanto o material da segunda metade do século I. <em>Não existem</em> obras do mundo antigo que sequer cheguem perto do NT em termos de apoio de manuscritos (&#8230;) De fato, os documentos do NT possuem mais manuscritos, manuscritos mais antigos e manuscritos mais abundantemente apoiados do que as dez melhores peças da literatura clássica combinadas”<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a></p>
<ul>
<li><a href="https://www.blogger.com/null" name="_Toc378491766"> <strong>Tempo entre a cópia e o original</strong></a></li>
</ul>
<p>O outro quesito em que o Novo Testamento se destaca em comparação a qualquer outra obra escrita de toda a história antiga é no tempo entre o original e a cópia mais próxima. Frederic G. Kenyon, que foi diretor do Museu Britânico e é reconhecido como uma das maiores autoridades em manuscritos, disse:</p>
<p>“Além da quantidade, os manuscritos do Novo Testamento diferem das obras dos autores clássicos em outro aspecto, e mais uma vez a diferença é bem clara. Os livros do Novo Testamento foram escritos na última parte do século primeiro; com exceção de fragmentos muitos pequenos, os manuscritos mais antigos existentes são do quarto século – cerca de 250 a 300 anos depois”<a href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a></p>
<p>E ele prossegue, dizendo:</p>
<p>“Isso pode parecer um intervalo considerável, mas não é nada em comparação com o tempo transcorrido entre os grandes escritores clássicos e seus mais antigos manuscritos. Cremos que, em todos os pontos essenciais, temos um texto bastante fiel das sete peças remanescentes de Sófocles; no entanto, o manuscrito mais antigo e substancioso de Sófocles foi copiado mais de 1400 anos depois de sua morte”<a href="#_ftn7" name="_ftnref7">[7]</a></p>
<p>Em seu livro “A Bíblia e a Arquelogia”, Kenyon acrescenta:</p>
<p>“De modo que o intervalo entre as datas da composição do original e os mais antigos manuscritos existentes se torna tão pequeno a ponto de, na prática, ser insignificante. Assim, já não há base para qualquer dúvida de que as Escrituras tenham chegado até nós tal como foram escritas. Pode-se considerar que finalmente estão comprovadas tanto a autenticidade como a integridade geral dos livros do Novo Testamento”<a href="#_ftn8" name="_ftnref8">[8]</a></p>
<p>Geisler e Turek acrescentam que possuímos manuscritos de livros completos do Novo Testamento que datam do século III d.C:</p>
<p>“Qual é a idade do mais antigo manuscrito de um livro completo do NT? Manuscritos que formam livros inteiros do NT sobreviveram a partir do ano 200 d.C. E quanto aos mais antigos manuscritos do NT completo? A maioria dos manuscritos do NT, incluindo os quatro evangelhos, sobrevive desde o ano 250, e um manuscrito do NT (incluindo um Antigo Testamento em grego), chamado Códice Vaticano, sobrevive desde o ano 325. Vários outros manuscritos completos sobrevivem desde aquele século. Esses manuscritos possuem ortografia e pontuação características que sugerem ser parte de uma família de manuscritos que pode ter sua origem entre 100 e 150 d.C”<a href="#_ftn9" name="_ftnref9">[9]</a></p>
<p>Para F. J. A. Hort, “na variedade e multiplicidade de provas sobre as quais repousa, o texto do Novo Testamento destaca-se de um modo absoluto e inigualável entre os textos em prosa da antigüidade”<a href="#_ftn10" name="_ftnref10">[10]</a>. J. Harold Greenlee segue essa mesma linha e afirma que “os mais antigos manuscritos existentes do Novo Testamento foram escritos numa data muito mais próxima da composição do texto original do que no caso de qualquer outro texto da literatura antiga”<a href="#_ftn11" name="_ftnref11">[11]</a>. Para termos uma noção, elaboramos uma tabela onde o Novo Testamento é comparado às demais obras antigas:</p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td width="115"><strong>Autor</strong></td>
<td width="115"><strong>Data do Original</strong></td>
<td width="115"><strong>Cópia mais Antiga</strong></td>
<td width="115"><strong>Intervalo em Anos</strong></td>
<td width="115"><strong>Número de Cópias</strong></td>
</tr>
<tr>
<td width="115">César</td>
<td width="115">100-44 a.C</td>
<td width="115">900 d.C</td>
<td width="115">1000</td>
<td width="115">10</td>
</tr>
<tr>
<td width="115">Platão (Tetralogias)</td>
<td width="115">427-347 a.C</td>
<td width="115">900 d.C</td>
<td width="115">1200</td>
<td width="115">7</td>
</tr>
<tr>
<td width="115">Tácito (Anais)</td>
<td width="115">60-100 d.C</td>
<td width="115">900 d.C</td>
<td width="115">800</td>
<td width="115">1</td>
</tr>
<tr>
<td width="115">Plínio, o Jovem</td>
<td width="115">61-113 d.C</td>
<td width="115">850 d.C</td>
<td width="115">750</td>
<td width="115">7</td>
</tr>
<tr>
<td width="115">Tucídedes</td>
<td width="115">460-400 a.C</td>
<td width="115">900 d.C</td>
<td width="115">1300</td>
<td width="115">8</td>
</tr>
<tr>
<td width="115">Suetônio</td>
<td width="115">75-100 d.C</td>
<td width="115">950 d.C</td>
<td width="115">800</td>
<td width="115">8</td>
</tr>
<tr>
<td width="115">Heródoto</td>
<td width="115">480-425 a.C</td>
<td width="115">900 d.C</td>
<td width="115">1300</td>
<td width="115">8</td>
</tr>
<tr>
<td width="115">Sófocles</td>
<td width="115">496-406 a.C</td>
<td width="115">1000 d.C</td>
<td width="115">1400</td>
<td width="115">193</td>
</tr>
<tr>
<td width="115">Lucrécio</td>
<td width="115">75-160 d.C</td>
<td width="115">1200 d.C</td>
<td width="115">1100</td>
<td width="115">2</td>
</tr>
<tr>
<td width="115">Cátulo</td>
<td width="115">54 a.C</td>
<td width="115">1550 d.C</td>
<td width="115">1600</td>
<td width="115">3</td>
</tr>
<tr>
<td width="115">Eurípides</td>
<td width="115">480-406 a.C</td>
<td width="115">1100 d.C</td>
<td width="115">1300</td>
<td width="115">200</td>
</tr>
<tr>
<td width="115">Desmóstoles</td>
<td width="115">383-322 a.C</td>
<td width="115">1100 d.C</td>
<td width="115">1300</td>
<td width="115">200</td>
</tr>
<tr>
<td width="115">Aristóteles</td>
<td width="115">384-322 a.C</td>
<td width="115">1100 d.C</td>
<td width="115">1400</td>
<td width="115">49</td>
</tr>
<tr>
<td width="115">Aristófanes</td>
<td width="115">450-385 a.C</td>
<td width="115">900 d.C</td>
<td width="115">1200</td>
<td width="115">10</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Compare todos esses autores antigos, que tem <em>milênios </em>de distância entre a obra original e a cópia mais antiga preservada, com os livros do Novo Testamento escritos por Mateus, Marcos, Lucas, João, Paulo, Tiago, Pedro e Judas, em que temos 25 mil cópias antigas com uma diferença mínima inferior a 200 anos entre a cópia <em>completa </em>mais bem preservada e o original, e <em>décadas </em>entre o original e o fragmento mais antigo.</p>
<p>O erudito F. F. Bruce expôs esse mesmo quadro comparativo entre as obras seculares antigas e os documentos do Novo Testamento e chegou à conclusão:</p>
<p>“Talvez possamos avaliar melhor quão rico é o Novo Testamento em matéria de evidência manuscrita, se compararmos o material textual subsistente com outras obras históricas da antigüidade&#8230; Os manuscritos remanescentes das obras menores de Tácito provêm todos de um códice do século décimo. Conhecemos a história de Tucídedes (cerca de 460-400 a.C.) a partir de oito manuscritos, dos quais o mais antigo data de 900 d.C, e de uns poucos fragmentos de papiros, escritos aproximadamente no início da era cristã. O mesmo se dá com a História de Heródoto (cerca de 480-425 a.C.). No entanto, nenhum conhecedor profundo dos clássicos daria ouvidos à tese de que a autenticidade de Heródoto ou Tucídedes é questionável porque os mais antigos manuscritos de suas obras foram escritos mais de 1300 anos depois dos originais”<a href="#_ftn12" name="_ftnref12">[12]</a></p>
<p>Se os críticos não consideram corrompidas as obras de Heródoto, Platão, Aristóteles ou Homero, mesmo tendo apenas <em>alguns </em>manuscritos sobreviventes de <em>muitos </em>séculos posterior ao original, então o que os levaria a pensar que o Novo Testamento, que possui mais cópias antigas do que qualquer outra obra antiga que já existiu, e com muito mais proximidade ao original, deveria ser questionado? Como diz Greenlee:</p>
<p>“Os mais antigos e conhecidos dos manuscritos da maioria dos autores gregos clássicos foram escritos pelo menos mil anos depois da morte do seu autor&#8230; Todavia, no caso NT, dois dos mais importantes manuscritos foram escritos em prazo não superior a 300 anos após o NT estar completo, e manuscritos virtualmente completos, de alguns livros do NT, bem como manuscritos incompletos, mas longos, de muitas partes do NT, foram copiados em datas tão remotas quanto um século após serem originalmente escritos”<a href="#_ftn13" name="_ftnref13">[13]</a></p>
<p>E ele conclui:</p>
<p>“Uma vez que os estudiosos aceitam que os escritos dos antigos clássicos são em geral fidedignos, muito embora os mais antigos manuscritos tenham sido escritos tanto tempo depois da redação original e o número de manuscritos remanescentes seja, em muitos casos, tão pequeno, está claro que, da mesma forma, fica assegurada a credibilidade no texto do Novo Testamento”<a href="#_ftn14" name="_ftnref14">[14]</a></p>
<p>Bruce Metzger, em seu livro: “The Text of the New Testament”, acentua a forma como as obras dos autores antigas eram preservadas, e compara com o Novo Testamento:</p>
<p>“As obras de inúmeros autores antigos foram preservadas pela mais tênue linha de transmissão possível. Por exemplo, o compêndio de história de Roma, por Veléio Patérculo, sobreviveu até a era moderna através de um único e incompleto manuscrito, a partir do qual se preparou a primeira edição impressa – e perdeu-se esse manuscrito solitário após ser copiado pelo beato Rhenanus em Amerbach. Mesmo em relação aos Anais do famoso historiador Tácito, no que diz respeito aos seis primeiros livros dessa obra, ela só sobreviveu devido a um único manuscrito, do século nono. Em 1870 o único manuscrito conhecido da Epístola a Diogneto, um texto cristão bem antigo que os compiladores geralmente incluem entre os escritos dos Pais Apostólicos, perdeu-se num incêndio na biblioteca municipal de Estrasburgo. Em contraste com esses dados estatísticos, o crítico textual do Novo Testamento fica perplexo diante da riqueza de material disponível”<a href="#_ftn15" name="_ftnref15">[15]</a></p>
<p>A única conclusão a que se pode chegar, após a análise minuciosa dos fatos, é aquela que F. F. Bruce expõe:</p>
<p>“No mundo não há qualquer corpo de literatura antiga que, à semelhança do Novo Testamento, desfrute uma tão grande riqueza de confirmação textual”<a href="#_ftn16" name="_ftnref16">[16]</a></p>
<ul>
<li><a href="https://www.blogger.com/null" name="_Toc378491767"> <strong>Os Pais da Igreja</strong></a></li>
</ul>
<p>Além de possuir muito mais cópias antigas do que qualquer outra obra antiga da história da humanidade e o menor espaço entre o original e a cópia mais antiga preservada, outro dado que nos ajuda a concluir pela autenticidade do Novo Testamento é a patrística, que consiste no estudo dos Pais da Igreja. Esses Pais da Igreja foram bispos, teólogos, clérigos e doutores cristãos que existiram nos primeiros séculos da Igreja. Existiram <em>dezenas </em>de Pais da Igreja que escreveram, ao todo, <em>milhares </em>de obras cristãs primitivas. E desde aquela época era costume dos Pais citarem as Escrituras abundantemente.</p>
<p>Cada um desses Pais da Igreja nos deixou um enorme legado não apenas de ensinos morais e doutrinários, mas <em>da própria Escritura</em>, pois eles costumavam frequentemente citar passagens bíblicas. O resultado disso é que, se juntássemos todas as passagens bíblicas que os Pais da Igreja escreveram nos primeiros séculos, teríamos o Novo Testamento praticamente <em>completo</em>, excetuando apenas onze versos que não foram citados nenhuma vez! Norman Geisler e Frank Turek também discorrem sobre isso, dizendo:</p>
<p>“Os Pais da Igreja primitiva – homens dos séculos 11 e 111 como Justino Mártir, Ireneu, Clemente de Alexandria, Orígenes, Tertuliano e outros – fizeram tantas citações do NT (36.289 vezes, para ser exato) que todos os versículos do NT, com exceção de apenas 11, poderiam ser reconstituídos simplesmente de suas citações.  Em outras palavras, você poderia ir até a biblioteca pública, analisar as obras dos Pais da Igreja primitiva e ler praticamente todo o NT simplesmente com base nas citações que eles fizeram! Desse modo, nós não apenas temos milhares de manuscritos, mas milhares de citações desses manuscritos. Isso torna a reconstrução do texto original praticamente precisa”<a href="#_ftn17" name="_ftnref17">[17]</a></p>
<p>O detalhe é que todas essas 36.289 citações bíblicas feitas pelos Pais da Igreja computadas por Geisler são de <em>antes </em>do Concílio de Niceia. Em outras palavras, a Bíblia já era citada tão frequentemente que mesmo antes da existência de Constantino e de Niceia poderíamos remontá-la inteiramente apenas com as citações dos Pais que viveram antes do século IV d.C! Norman Geisler e William Nix discorrem sobre esse número no livro: “Introdução Bíblica”, e dizem:</p>
<p>“A esta altura, um rápido apanhado estatístico mostrará a existência de umas 32.000 citações do Novo Testamento feitas até a época do Concilio de Niceia (325 d.C). Essas 32.000 são apenas um número parcial, e nem mesmo incluem os escritores do século quarto. Apenas acrescentando-se as citações feitas por um outro escritor, Eusébio, que escreveu prolificamente num período que vai até o Concilio de Niceia, teremos o total de citações do Novo Testamento aumentado para mais de 36.000”<a href="#_ftn18" name="_ftnref18">[18]</a></p>
<p>Até mesmo os Pais da Igreja do primeiro século citavam as Escrituras e <em>reconheciam </em>como sendo Sagrada Escritura. Policarpo (69-155 d.C), por exemplo, escreveu aos filipenses citando um trecho da epístola de Paulo aos efésios (Ef.4:26) e o chama de “Escrituras” e “Sagradas Letras”:</p>
<p>“Creio que sois bem versados nas <strong>Sagradas Letras</strong> e que não ignorais nada; o que, porém, não me foi concedido. Nessas <strong>Escrituras</strong> está dito: ‘Encolerizai-vos e não pequeis, e que o sol não se ponha sobre vossa cólera’. Feliz quem se lembrar disso. Acredito que é assim convosco”<a href="#_ftn19" name="_ftnref19">[19]</a></p>
<p>Clemente de Roma (35-97 d.C) escreveu em 95 d.C uma carta aos coríntios e fez menção às palavras de Jesus ditas em Mateus 21:23 e em Marcos 10:6 e o chama de “Escritura”:</p>
<p>“Portanto, irmãos, se fazemos a vontade de Deus, nosso Pai, pertenceremos à primeira Igreja, que é espiritual, que foi criada antes do sol e da lua; porém, se não fazemos a vontade do Senhor, seremos como a <strong>Escritura, que diz: </strong><strong>‘Minha casa se transformou em covil de ladrões</strong><strong>’</strong>. Logo, prefiramos ser a Igreja da vida, para que sejamos salvos. E não creio que ignoreis que a Igreja viva ‘é o corpo de Cristo’, porque <strong>a Escritura diz: </strong><strong>‘Deus fez o homem, varão e mulher</strong><strong>’</strong>. O varão é Cristo; a mulher é a Igreja. E os livros e os apóstolos declaram de modo inequívoco que a Igreja não apenas existe agora, pela primeira vez, como assim desde o princípio, porque era espiritual, como nosso Jesus também era espiritual; porém, foi manifestada nos últimos dias para que Ele possa nos salvar”<a href="#_ftn20" name="_ftnref20">[20]</a></p>
<p>Em outro momento, ele cita as palavras de Cristo registradas em Mateus 9:13 como fazendo parte da Sagrada Escritura:</p>
<p>“Novamente diz a Escritura em outro lugar: eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”<a href="#_ftn21" name="_ftnref21">[21]</a></p>
<p>A tabela a seguir mostra três Pais da Igreja que escreveram ainda no primeiro século e fizeram menção a vários livros do Novo Testamento:</p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td colspan="3" width="554"><strong>DOCUMENTOS DO NOVO TESTAMENTO CITADOS POR:</strong></td>
</tr>
<tr>
<td width="181"><strong>Clemente</strong></p>
<p><strong>de Roma (35-97  d.C)</strong></td>
<td width="186"><strong>Inácio de Antioquia</strong></p>
<p><strong>(35-107 d.C)</strong></td>
<td width="187"><strong>Policarpo (69-155 d.C)</strong></td>
</tr>
<tr>
<td width="181">Mateus</td>
<td width="186">Mateus</td>
<td width="187">Mateus</td>
</tr>
<tr>
<td width="181">Marcos</td>
<td width="186">Marcos</td>
<td width="187">Marcos</td>
</tr>
<tr>
<td width="181">Lucas</td>
<td width="186">Lucas</td>
<td width="187">Lucas</td>
</tr>
<tr>
<td width="181">Romanos</td>
<td width="186">João</td>
<td width="187">João</td>
</tr>
<tr>
<td width="181">1ª Coríntios</td>
<td width="186">Atos</td>
<td width="187">Atos</td>
</tr>
<tr>
<td width="181">Efésios</td>
<td width="186">Romanos</td>
<td width="187">Romanos</td>
</tr>
<tr>
<td width="181">1ª Timóteo</td>
<td width="186">1ª Coríntios</td>
<td width="187">1ª Coríntios</td>
</tr>
<tr>
<td width="181">Tito</td>
<td width="186">2ª Coríntios</td>
<td width="187">2ª Coríntios</td>
</tr>
<tr>
<td width="181">Hebreus</td>
<td width="186">Gálatas</td>
<td width="187">Gálatas</td>
</tr>
<tr>
<td width="181">Tiago</td>
<td width="186">Efésios</td>
<td width="187">Efésios</td>
</tr>
<tr>
<td width="181">1ª Pedro</td>
<td width="186">Filipenses</td>
<td width="187">Filipenses</td>
</tr>
<tr>
<td width="181"></td>
<td width="186">Colossenses</td>
<td width="187">Colossenses</td>
</tr>
<tr>
<td width="181"></td>
<td width="186">1ª Tessalonicenses</td>
<td width="187">2ª Tessalonicenses</td>
</tr>
<tr>
<td width="181"></td>
<td width="186">1ª Timóteo</td>
<td width="187">1ª Timóteo</td>
</tr>
<tr>
<td width="181"></td>
<td width="186">2ª Timóteo</td>
<td width="187">2ª Timóteo</td>
</tr>
<tr>
<td width="181"></td>
<td width="186">Tito</td>
<td width="187">Hebreus</td>
</tr>
<tr>
<td width="181"></td>
<td width="186">Filemom</td>
<td width="187">1ª Pedro</td>
</tr>
<tr>
<td width="181"></td>
<td width="186">Hebreus</td>
<td width="187">1ª João</td>
</tr>
<tr>
<td width="181"></td>
<td width="186">Tiago</td>
<td width="187"></td>
</tr>
<tr>
<td width="181"></td>
<td width="186">1ª Pedro</td>
<td width="187"></td>
</tr>
<tr>
<td width="181"></td>
<td width="186">2ª Pedro</td>
<td width="187"></td>
</tr>
<tr>
<td width="181"></td>
<td width="186">1ª João</td>
<td width="187"></td>
</tr>
<tr>
<td width="181"></td>
<td width="186">3ª João</td>
<td width="187"></td>
</tr>
<tr>
<td width="181"></td>
<td width="186">Apocalipse</td>
<td width="187"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O mesmo é feito por outros vários autores do primeiro século e início do segundo, como Teófilo, Justino, Hermas, Aristides, Atenágoras, Papias e muitos outros. Isso nos mostra que desde o primeiro século os cristãos já conheciam o Novo Testamento e o <em>reconheciam </em>como sendo a Palavra de Deus, como sendo Escritura Sagrada, antes que qualquer Concílio (como o de Niceia, Cartago, Hipona, Trento ou qualquer outro) anunciasse quais livros eram oficialmente “canônicos”. E, por esses mesmos Pais da Igreja, podemos reconstruir o Novo Testamento praticamente em sua totalidade.</p>
<p>A tabela a seguir mostra como que sete Pais da Igreja – sozinhos – citaram passagens bíblicas mais de 32 mil vezes, antes do Concílio de Niceia. Isso sem considerar o testemunho de mais <em>dezenas </em>de Pais da Igreja que também citaram as Escrituras antes e depois de Niceia.</p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td width="82"><strong>Escritor</strong></td>
<td width="82"><strong>Evangelhos</strong></td>
<td width="82"><strong>Atos</strong></td>
<td width="82"><strong>Epístolas Paulinas</strong></td>
<td width="82"><strong>Epístolas Gerais</strong></td>
<td width="82"><strong>Apocalipse</strong></td>
<td width="82"><strong>Total</strong></td>
</tr>
<tr>
<td width="82">Justino</td>
<td width="82">268</td>
<td width="82">10</td>
<td width="82">43</td>
<td width="82">6</td>
<td width="82">3</td>
<td width="82">330</td>
</tr>
<tr>
<td width="82">Irineu</td>
<td width="82">1038</td>
<td width="82">194</td>
<td width="82">499</td>
<td width="82">23</td>
<td width="82">65</td>
<td width="82">1819</td>
</tr>
<tr>
<td width="82">Clemente<a href="#_ftn22" name="_ftnref22">[22]</a></td>
<td width="82">1017</td>
<td width="82">44</td>
<td width="82">1127</td>
<td width="82">207</td>
<td width="82">11</td>
<td width="82">2406</td>
</tr>
<tr>
<td width="82">Orígenes</td>
<td width="82">9231</td>
<td width="82">349</td>
<td width="82">7778</td>
<td width="82">399</td>
<td width="82">165</td>
<td width="82">17992</td>
</tr>
<tr>
<td width="82">Tertuliano</td>
<td width="82">3822</td>
<td width="82">502</td>
<td width="82">2609</td>
<td width="82">120</td>
<td width="82">205</td>
<td width="82">7258</td>
</tr>
<tr>
<td width="82">Hipólito</td>
<td width="82">734</td>
<td width="82">42</td>
<td width="82">387</td>
<td width="82">27</td>
<td width="82">188</td>
<td width="82">1378</td>
</tr>
<tr>
<td width="82">Eusébio</td>
<td width="82">3258</td>
<td width="82">211</td>
<td width="82">1592</td>
<td width="82">88</td>
<td width="82">27</td>
<td width="82">5176</td>
</tr>
<tr>
<td width="82"><strong>Totais</strong></td>
<td width="82"><strong>19368</strong></td>
<td width="82"><strong>1352</strong></td>
<td width="82"><strong>14035</strong></td>
<td width="82"><strong>870</strong></td>
<td width="82"><strong>664</strong></td>
<td width="82"><strong>36289</strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Como afirma a Enciclopédia Britânica, esse testemunho patrístico não pode ser desconsiderado:</p>
<p>“Após ter examinado os manuscritos e versões, o crítico textual ainda assim não esgotou o estudo das provas em favor do texto do Novo Testamento. Frequentemente os escritos dos primeiros Pais da Igreja refletem uma forma de texto diferente da de um ou outro manuscrito&#8230; os testemunhos que dão do texto, especialmente quando corroboram leituras oriundas de outras fontes, são algo que o crítico textual deve consultar antes de formar juízo a respeito”</p>
<p>Esse número de 36 mil citações bíblicas pelos Pais da Igreja antes de Niceia oferecem um forte testemunho acerca da autenticidade do texto neotestamentário, mas a força desse testemunho cresce ainda mais quando consideramos também os Pais que escreveram <em>após </em>Niceia, ou seja, <em>todos </em>os Pais da Igreja cristã primitiva. O número de citações do Novo Testamento pelos Pais da Igreja consiste em 16 espessos volumes que se encontram no Museu Britânico, contendo <strong>86.489 </strong>citações!</p>
<p>Todas essas mais de 86 mil citações, que unidas perfazem praticamente <em>todo </em>o Novo Testamento, se juntam aos mais de 25 mil manuscritos antigos neotestamentários de livros completos do Novo Testamento e a outros 24 mil fragmentos de livros. Um total para cético nenhum botar defeito. De fato, após uma prolongada investigação, Darlymple admitiu:</p>
<p>“Veja aqueles livros. Você se lembra da pergunta que me fez sobre o Novo Testamento e os Pais? Aquela pergunta despertou a minha curiosidade, e, como eu conhecia todas as obras existentes dos Pais do segundo e terceiro séculos, comecei a pesquisar e, até agora, já encontrei todo o Novo Testamento, com exceção de onze versículos”</p>
<p>Mas o cético poderia perguntar: e os evangelhos apócrifos? Estude história. Tais evangelhos foram escritos a partir do século II d.C – não foram escritos pelos verdadeiros discípulos de Cristo que foram testemunhas oculares de tudo o que ocorreu – e por um grupo anticristão conhecido por “gnósticos”, que tinham uma fé completamente oposta à cristã, mas queriam ser chamados por este nome. Mas havia um problema: o Novo Testamento era completamente oposto às crenças deles, que incluía a doutrina da reencarnação e o ensino de que Jesus não veio em carne, que ele não ressuscitou dos mortos, que não existe ressurreição física nem justificação pela fé, e que o corpo é uma prisão da alma e é mal em si mesmo.</p>
<p>Então, qual foi a solução encontrada por eles, para fazerem com que as suas crenças heréticas fossem bem aceitas? Simples: eles decidiram por si mesmos escreverem pseudo-evangelhos falsamente atribuídos a Pedro, a Paulo, a João, a Judas, a Tomé, e por aí vai, onde esses ensinos não-bíblicos eram claramente ensinados, para concorrer com o Novo Testamento. Isso ocorreu a partir do século II d.C, e pode ser conferido em obras da época, como o livro “Contra as Heresias”, de Irineu de Lyon.</p>
<p>A Igreja, porém, <strong>nunca </strong>aceitou esses apócrifos como inspirados. Desde os primórdios ela soube reconhecer aquilo que tinha origem antiga e que remetia aos apóstolos e aquilo que era plágio e falsificação posterior. Além disso, nós possuímos pouco ou nada de evidências concretas e conclusivas sobre esses livros. A grande maioria deles possuem pouquíssimas cópias que sobreviveram, de modo que é impossível resgatar o original com precisão. Sua autenticidade é diametralmente oposta a do Novo Testamento.</p>
<p>Marcelo Berti expôs a tática tendenciosa de críticos como Bart Ehrman, que tentam fazer os leigos crerem que tais evangelhos apócrifos são confiáveis:</p>
<p>“Há alguns anos atrás nos tínhamos um pedaço do Evangelho de Pedro que não sabíamos bem o que significava. Era um fragmento do tamanho de um cartão de crédito. No século passado foi descoberta uma cópia maior, com páginas do texto. Eles compararam aquilo que tinha naquele evangelho com aquilo que foi encontrado recentemente, e Ehrman diz em seu livro: ‘ficou claro que o Evangelho de Pedro foi bem preservado’. Isso com duas cópias, uma do tamanho de um cartão de crédito e outra com algumas páginas. Ou seja: para Ehrman, o Evangelho de Pedro foi bem preservado – com poucas evidências – mas o Novo Testamento, repleto de evidências (mais de 5 mil), foi ‘mal guardado’!”<a href="#_ftn23" name="_ftnref23">[23]</a></p>
<ul>
<li><a href="https://www.blogger.com/null" name="_Toc378491768"> <strong>Respondendo aos Céticos</strong></a></li>
</ul>
<p>Tudo o que já foi apresentado até aqui já deveria ser mais que o suficiente para convencer as pessoas mais sinceras e honestas de que a Bíblia não foi adulterada e que podemos confiar na autenticidade do Novo Testamento, ou seja: no evangelho cristão. Mas não para os críticos agnósticos e ateus. Enquanto Deus não descer dos céus com uma poderosa legião de anjos ao seu redor e com uma Bíblia gigante de ouro na mão dizendo que o Cristianismo é verdadeiro, eles não vão se convencer. Na verdade, duvidamos que mesmo se isso ocorresse eles iriam se dar por vencidos.</p>
<p>Não importa a multidão de argumentos: se se trata de religião, eles descartam <em>a priori </em>qualquer evidência, para colocarem no lugar qualquer argumento supérfluo, fraco e superficial oferecido pelos céticos. E dentre eles se destaca um nome: Bart Ehrman. Ele se tornou muito famoso nos Estados Unidos por defender aquilo que os céticos e anticristãos deste mundo mais desejam: a corrupção da Bíblia e o fim do Cristianismo.</p>
<p>Foi várias vezes convidado para depoimentos em documentários na NBC, CNN, History Channel e muitos outros canais que quase nunca dão espaço a cristãos (não importando os argumentos), mas se um agnóstico nega tudo o que o Cristianismo ensina e escreve um livro sobre isso vira <em>popstar </em>da noite para o dia e seus livros verdadeiros <em>best-sellers</em>. Em seus livros, ele ataca a veracidade do Novo Testamento com argumentos fracassados já há muito conhecidos e não poucas vezes refutados, mas vale a pena refutar mais uma vez para quem ainda não os reconhece.</p>
<p>Para Ehrman e outros críticos como ele, os manuscritos do Novo Testamento possuem 400 mil “erros”, divergindo entre si. Qualquer leigo no assunto, que não entende absolutamente nada de Crítica Textual (e é exatamente para tais pessoas que Ehrman escreve), logo irá pensar que essa é a maior e mais extraordinariamente fantástica prova irrefutável de que a Bíblia é uma farsa e que o Novo Testamento foi corrompido. Mas tais argumentos não têm qualquer valor em um debate inteligente, entre eruditos que entendem de Crítica Textual.</p>
<p>Mas o que teria de errado esse argumento dos críticos?</p>
<p>Simplesmente que não se trata de <em>erros</em> nos manuscritos, mas de <em>variantes</em>. Por exemplo, suponhamos que um manuscrito traga o texto de 1ª Coríntios 15:19 da seguinte forma:</p>
<p>“Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”</p>
<p>E que outro manuscrito transcreva assim:</p>
<p>“Se esperamos em Jesus apenas nesta vida, nós somos os mais miseráveis de todos os homens”</p>
<p>Para qualquer pessoa minimamente inteligente e honesta, não há qualquer “erro” ou adulteração entre uma passagem e outra. A diferença é mínima e o sentido é exatamente o mesmo. Um traz “Cristo”, o outro traz “Jesus”. Um traduz por “só”, o outro por “apenas”. Um coloca o pronome “nós” no texto, o outro deixa o pronome implícito. Para os eruditos bíblicos sérios, essas são apenas <em>variantes </em>textuais. Mas para Ehrman e companhia, são três “erros bíblicos” que provam que a Bíblia foi adulterada!</p>
<p>Geisler e Turek também abordam isso, nas seguintes palavras:</p>
<p>“Alguns já chegaram a estimar que existam cerca de 200 mil erros nos manuscritos do NT. Primeiro de tudo, eles não são ‘erros’, mas leituras variantes, a maioria das quais de natureza estritamente gramatical (i.e., pontuação e ortografia). Segundo, essas leituras estão espalhadas por cerca de 5.700 manuscritos, de modo que a variação na ortografia de <em>uma</em> letra de <em>uma </em>palavra em <em>um</em> versículo em 2 mil manuscritos é considerada 2 mil ‘erros’”<a href="#_ftn24" name="_ftnref24">[24]</a></p>
<p>Isso por si só já é suficiente para demonstrar o quão desonestos são os críticos do Novo Testamento em formularem argumentos que apenas tem a força de enganar leigos, mas que nunca convenceram qualquer erudito ou exegeta. Mas Daniel Wallace foi além. Ele pegou uma frase simples no grego: “Jesus ama Paulo”. Depois, mostrou 16 variantes diferentes que esse único verso simples poderia ser transcrito no grego, sem alterar nada do significado textual:</p>
<ol>
<li>᾿Ιησοῦς ἀγαπᾷ Παῦλον</li>
<li>᾿Ιησοῦς ἀγαπᾷ τὸν Παῦλον</li>
<li>ὁ ᾿Ιησοῦς ἀγαπᾷ Παῦλον</li>
<li>ὁ ᾿Ιησοῦς ἀγαπᾷ τὸν Παῦλον</li>
<li>Παῦλον ᾿Ιησοῦς ἀγαπᾷ</li>
<li>τὸν Παῦλον ᾿Ιησοῦς ἀγαπᾷ</li>
<li>Παῦλον ὁ ᾿Ιησοῦς ἀγαπᾷ</li>
<li>τὸν Παῦλον ὁ ᾿Ιησοῦς ἀγαπᾷ</li>
<li>ἀγαπᾷ ᾿Ιησοῦς Παῦλον</li>
<li>ἀγαπᾷ ᾿Ιησοῦς τὸν Παῦλον</li>
<li>ἀγαπᾷ ὁ ᾿Ιησοῦς Παῦλον</li>
<li>ἀγαπᾷ ὁ ᾿Ιησοῦς τὸν Παῦλον</li>
<li>ἀγαπᾷ Παῦλον ᾿Ιησοῦς</li>
<li>ἀγαπᾷ τὸν Παῦλον ᾿Ιησοῦς</li>
<li>ἀγαπᾷ Παῦλον ὁ ᾿Ιησοῦς</li>
<li>ἀγαπᾷ τὸν Παῦλον ὁ ᾿Ιησοῦς</li>
</ol>
<p>E ele adiciona:</p>
<p>“Estas variações representam apenas uma pequena fração das possibilidades. Se a sentença usar φιλεῖ ao invés de ἀγαπᾷ, por exemplo, ou se ela começar com uma conjunção tal qual δεv, καιv, ou μέν, as potenciais variações crescerão exponencialmente. Fatore em sinônimos (tais quais κύριος por ᾿Ιησοῦς), diferenças de escrita, e palavras adicionais (tais quais Χριστός, ou ἅγιος com Παῦλος) e a lista de potenciais variantes que não afetam a essência da declaração cresce às centenas. Se uma simples sentença como ‘Jesus ama Paulo’ pode ter tantas variações insignificantes, meros 400.000 variantes entre os manuscritos do Novo Testamento parece quase uma quantidade insignificante”<a href="#_ftn25" name="_ftnref25">[25]</a></p>
<p>Marcelo Berti trabalhou em cima desse mesmo exemplo de Daniel Wallace (“Jesus ama Paulo”) e mostrou como um texto simples como esse poderia oferecer <em>milhares</em> de variantes sem alterar em nada o significado textual:</p>
<p>“Nós sabemos que existem palavras diferentes em grego para descrever ‘amor’. Por exemplo: em vez de usar <em>ágape </em>como amor, ele poderia ter usado <em>fileo</em>, o que não faria diferença nenhuma. Mas, assim, nós teríamos 32 leituras diferentes (variantes). E se um copista desatento não tivesse ouvido ‘Paulo’, e tivesse escrito ‘Saulo’?<a href="#_ftn26" name="_ftnref26">[26]</a> Nós já teríamos 128 possibilidades em uma sentença só. E se ele tivesse trocado ‘Jesus’ por ‘Cristo’? 256! E se ‘Cristo’ fosse transcrito como ‘Senhor’? 512! E se ele tivesse colocado ‘Senhor Jesus Cristo’? 1024!”<a href="#_ftn27" name="_ftnref27">[27]</a></p>
<p>Mas, de todas essas 400 mil variantes textuais, quantas afetariam alguma doutrina da fé cristã? A resposta a essa pergunta é simples e objetiva: <strong>nenhuma</strong>. Westcott e Hort analisaram os manuscritos gregos antigos do Novo Testamento e concluíram que apenas 1,67% dessas variantes textuais nos diferentes manuscritos antigos são <em>minimamente relevantes</em><a href="#_ftn28" name="_ftnref28">[28]</a>. Philip Schaff calculou que apenas 50 eram de todas essas 400 mil eram relevantes e que <u>nem uma única sequer</u> afetava “um artigo de fé ou um preceito de obrigação que não seja abundantemente apoiado por outras passagens indubitáveis ou pelo sentido geral do ensinamento das Escrituras”<a href="#_ftn29" name="_ftnref29">[29]</a>.</p>
<p>Nos cálculos do grande estudioso do Novo Testamento e professor da Universidade de Princeton, Bruce Metzger, apenas 0,5% dessas variantes poderiam mudar o sentido de algum texto, e que <em>nenhum </em>desses 0,5% afetava qualquer doutrina da fé cristã<a href="#_ftn30" name="_ftnref30">[30]</a>. Frederic Kenyou, autoridade em manuscritos antigos, afirmou:</p>
<p>“O número de manuscritos do NT, de traduções antigas dele e de suas citações pelos antigos autores da Igreja é tão grande que é praticamente certo que a verdadeira leitura de toda passagem dúbia esteja preservada em uma ou outra dessas autoridades antigas. Não se pode dizer isso em relação a nenhum outro livro antigo do mundo”<a href="#_ftn31" name="_ftnref31">[31]</a></p>
<p>Bejamin Warfield conclui:</p>
<p>“Se compararmos a situação atual do texto do Novo Testamento com a de qualquer outro escrito antigo, precisaremos declarar que o texto é maravilhosamente correto, tão grande é o cuidado com que o Novo Testamento tem sido copiado &#8211; um cuidado que, sem dúvida alguma, é fruto de uma verdadeira reverência para com suas santas palavras &#8211; tão grande tem sido a providência de Deus em preservar para a sua igreja em todas as épocas um texto suficientemente exato, que o Novo Testamento não tem rival entre os escritos antigos, não apenas em termos de pureza de texto pela maneira como foi transmitido e mantido em uso, como também em termos de abundância de testemunhos, os quais chegaram até nós para corrigir falhas relativamente esporádicas”</p>
<p>Portanto, não há qualquer corrupção bíblica por causa das variantes textuais, que são plenamente compreensíveis e ocorrem com qualquer transcrição ou tradução. Se qualquer leitor abrir uma Bíblia João Ferreira de Almeida em um versículo qualquer e depois abrir o mesmo verso em uma Nova Versão Internacional, também notará muitas dessas variantes. As versões bíblicas traduzem de modo ligeiramente diferente entre si, mas isso não significa que uma ou outra decidiu deliberadamente “adulterar” algum texto. Elas apenas optaram por traduzir de forma diferente – porém plausível – diferentes passagens.</p>
<p>Por exemplo, a Nova Versão Internacional traduz Gênesis 1:1 da seguinte maneira:</p>
<p>“No princípio Deus criou os céus e a terra” (Gênesis 1:1)</p>
<p>Enquanto que a Almeida Corrigida, Revisada e Fiel traduz esse mesmo verso assim:</p>
<p>“No princípio criou Deus o céu e a terra” (Gênesis 1:1)</p>
<p>Há duas variantes entre os textos: o <em>céu </em>em um e os <em>céus </em>em outro, e a inversão na ordem das palavras &#8211; “Deus criou” em um, e “criou Deus” em outro. Mas nada que mude o sentido do texto ou que afete qualquer ponto de fé. Com os manuscritos gregos antigos é a mesma coisa. Há diferenças, mas não erros. Há variantes, mas não corrupção textual. Como já dissemos, apenas 1% dessas variantes podem alterar o sentido de um texto em particular, mas mesmo essas não afetam qualquer doutrina. Os críticos como Ehrman citam algumas delas. Iremos citar também.</p>
<ul>
<li><strong> Hebreus 2:9</strong></li>
</ul>
<p>O texto de Hebreus 2:9 diz que, “pela graça de Deus, ele [Jesus] experimentou a morte da parte de todos”. Na variante textual que Ehrman expôs, o texto não estaria dizendo “pela graça de Deus”, mas “sem Deus”. Assim, o autor teria dito que “Jesus morreu sem Deus”, ou seja, abandonado por Ele. Contudo, em primeiro lugar, há apenas três manuscritos que vertem o texto desta forma, e todos eles datam do século décimo ou posterior. Todos os manuscritos mais antigos e confiáveis vertem por “pela graça de Deus”.</p>
<p>Em segundo lugar, o copista que transcreveu por “sem Deus” não o fez de forma intencional para adulterar o texto bíblico, mas simplesmente incorreu em um erro ortográfico muito comum em grego. Notem a semelhança entre “graça de Deus” e “sem Deus”, no original grego, onde se lê:</p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td width="288"><strong>Graça de Deus</strong></td>
<td width="288"><strong>Sem Deus</strong></td>
</tr>
<tr>
<td width="288">c<strong>a</strong>rij qeou C<strong>A</strong>RIS</td>
<td width="288">c<strong>w</strong>rij qeou C<strong>W</strong>RIS</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Mudam-se apenas duas palavras entre uma sentença e outra. É, portanto, um erro ortográfico comum, e não uma corrupção proposital. Como já dissemos aqui, a Crítica Textual não trabalha em cima de apenas um único manuscrito antigo, mas no conjunto de todos os manuscritos. Manuscritos isolados, como os três do século décimo que Ehrman apontou, podem incorrer em erros ortográficos, mas esses erros são corrigidos pelo conjunto, isto é, pelos outros manuscritos mais antigos, mais confiáveis e em maior quantidade. E o conjunto aponta indiscutivelmente pela tradução de “pela graça de Deus”.</p>
<p>Finalmente, em terceiro e último lugar, ainda que a tradução correta do verso fosse “sem Deus”, que doutrina vital do Cristianismo estaria sendo atacada ou colocada em Xeque? Não foi exatamente isso que <em>o próprio Senhor Jesus disse </em>em Mateus 27:46, quando exclamou na cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt.27:46). Portanto, mesmo se a tradução correta fosse aquilo que Ehrman deseja, isso em nada incorreria em “adulteração bíblica”, pois o autor de Hebreus poderia meramente estar fazendo uma alusão ao que Jesus expressou na cruz, registrado no evangelho de Mateus.</p>
<p>O <em>significado </em>deste “desamparo” é <em>outro assunto</em>, é questão de <em>interpretação </em>e não de <em>tradução</em>. A tradução, em si, seja de um modo ou de outro, não arremete a nenhuma adulteração textual. Quando muito, o mais provável é que tenha sido um erro acidental de um escriba desatento, que errou na ortografia de duas letras, e mesmo assim não afetou nenhum artigo de fé do Cristianismo nem contradisse o restante das Escrituras.</p>
<ul>
<li><strong> Marcos 1:41</strong></li>
</ul>
<p>Marcos 1:41 diz que “Jesus, movido de grande compaixão, estendeu a mão, e tocou-o, e disse-lhe: Quero, sê limpo”. Porém, a resposta de Jesus ao pedido do leproso é outra de acordo com Ehrman. Cristo teria, conforme variantes textuais, ficado nervoso ou indignado, e a tradução correta seria: “Jesus, indignado, estendeu a mão&#8230;”. Mesmo se assumíssemos que “indignado” seja a leitura correta, em que isso afetaria a credibilidade dos evangelhos? Em nada. Isso porque Jesus é descrito por Marcos como estando indignado em diversas ocasiões. Em Marcos 3:4-5, por exemplo, há o seguinte relato:</p>
<p>“E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem, ou fazer mal? Salvar a vida, ou matar? E eles calaram-se. E, olhando para eles em redor <strong>com indignação</strong>, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra” (Marcos 3:4-5)</p>
<p>Todos os manuscritos gregos antigos vertem por “indignação”, esse texto não é alvo de dúvidas ou polêmicas. Se um falsário quisesse adulterar um texto bíblico de Marcos para esconder ou omitir o fato de que Jesus ficou nervoso ou irritado em certa ocasião, por que ele teria deixado intacta outra passagem do mesmo evangelho em que Jesus é relatado como estando nervoso? É óbvio, então, que a irritação de Jesus não tem absolutamente nada a ver com corrupção textual.</p>
<p>Vale ressaltar, porém, que a maioria dos manuscritos antigos verte por “compaixão” (σπλαγχνισθει), que parece mesmo ser o sentido diante do contexto, e não por “indignação” (ὀργισθείς), que mesmo se fosse a tradução correta de modo algum incorreria em algum ataque a qualquer doutrina bíblica que seja, já que Jesus não raramente era relatado com nervosismo por diferentes situações, em diferentes ocasiões (ex: Mc.3:5; Mc.10:14; Mt.21:12).</p>
<ul>
<li><strong> Mateus 24:36</strong></li>
</ul>
<p>Em Mateus 24:36 vemos Jesus dizendo sobre a Sua volta que “daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do Céu, mas unicamente meu Pai”. Se o texto diz claramente <strong>“</strong><strong>unicamente o Pai</strong><strong>”</strong>, então é óbvio que o Filho não conhecia esse dia em sua natureza humana na terra. O texto deixa isso implícito, sem precisar fazer esforço. Mas como Bart Ehrman gosta de uma boa polêmica, ele argumenta que alguns manuscritos antigos trazem <em>nem o Filho</em>, ficando assim: “nem os anjos, <em>nem o Filho</em>, senão unicamente o Pai”.</p>
<p>Essa descoberta bombástica e extraordinária de Ehrman surge para confirmar a força de seus argumentos e sua qualidade como crítico bíblico, que resume-se a isso: nada. O que é que a inclusão ou a exclusão de οὁ ὐδὲ υἱός (“<em>nem o Filho</em>”) mudaria no sentido da passagem? <strong>Absolutamente nada! </strong>O mais provável é que pela expressão “unicamente o Pai” estivesse tão óbvio que o Filho não estivesse incluído que algum copista pensou nem ser necessária a inclusão neste texto. Ou o inverso: pelo fato de ser “unicamente o Pai”, algum copista tenha acrescentado “nem o Filho”, para deixar explícito aquilo que já estava implícito no texto.</p>
<p>De qualquer forma, de um jeito ou de outro, o fato é que a inclusão ou exclusão de οὁ ὐδὲ υἱός não muda absolutamente nada do sentido da própria passagem, pois ele está ali implícita ou explicitamente. Além disso, em Marcos 13:32 a expressão <strong>“</strong><strong>nem o Filho</strong><strong>”</strong> está <u>explícita</u> nessa passagem, e não há sequer uma única variante em nem um único manuscrito que a omita. Marcos 13:32 diz que “daquele dia ou hora ninguém sabe, nem os anjos no Céu, <u>nem o Filho</u>, senão somente o Pai”.</p>
<p>Portanto, não há qualquer dúvida de que Jesus incluía a si mesmo entre aqueles que não saberiam o dia de sua vinda por ocasião daquela solenidade. Se algum copista quisesse adulterar o texto bíblico por não crer que Jesus não soubesse o dia de Sua vinda teria obviamente tirado também a parte que diz “unicamente o Pai”, e substituído por algo como “o Pai e o Filho”. Além disso, teria também aproveitado a oportunidade para fazer a mesma modificação no texto paralelo de Marcos 13:32, que não possui nenhuma variante. Mas nem uma coisa nem outra procedem. Tudo o que ocorreu foi erro de copista, sem alterar em absolutamente nada o sentido da passagem.</p>
<p>Daniel Wallace conclui:</p>
<p>“Ehrman não menciona Marcos 13:32 nenhuma vez em <em>Misquoting Jesus</em>, apesar de que ele explicitamente discute Mateus 24:3&#8230; mesmo que Mateus 24:36 originalmente faltasse ‘nem o Filho’, o fato de que o Pai sozinho (εἰ μὴ ὁ πατὴρ μόνος) tem este conhecimento certamente implica na ignorância do Filho (e o ‘sozinho’ é somente encontrado em Mateus 24:36, não em Marcos 13:32). Novamente, este detalhe importante não é mencionado em <em>Misquoting Jesus</em>, nem mesmo em <em>Orthodox Corruption of Scripture </em>[dois livros de Ehrman]”<a href="#_ftn32" name="_ftnref32">[32]</a></p>
<ul>
<li><strong> João 1:18</strong></li>
</ul>
<p>João 1:18 na ARA (Almeida Revista e Atualizada) diz que Jesus é o “<strong><em>Deus</em></strong> unigênito, que está no seio do Pai”. Mas esse mesmo texto na versão Almeida Corrigida, Revisada e Fiel é traduzido por “<strong><em>Filho</em></strong> unigênito, que está no seio do Pai”. Isso ocorre por causa das variantes textuais de diferentes manuscritos. Porém, nesse caso específico a tradução correta mais provável é de “Filho”, pois apenas sete dos mais de 5 mil manuscritos gregos antigos vertem por “Deus”, a saber: P66, P67, Aleph, Aleph-1, Vaticanus, C e L.</p>
<p>Como já dissemos anteriormente, a tradução correta deve ser aquela que é embasada pela maior quantidade de manuscritos, e neste caso apenas 0,1% do total de manuscritos gregos vertem por “Deus”. Esse não deveria ser um caso de dúvida ou polêmica. É um caso que muda o sentido do texto caso a variante esteja correta, mas não é de difícil identificação do original como muitos pensam. Seria difícil se 50% dissesse uma coisa e 50% dissesse outra, mas não quando 99,9% dizem uma coisa e apenas 0,1% diz outra. Mais uma vez, podemos neste texto chegar ao conteúdo original sem maiores dificuldades.</p>
<p>Mas Ehrman vai além. Ele diz que esses copistas que transcreveram esses sete manuscritos o adulteraram propositalmente. Mas será isso verdade? A resposta para isso se encontra apenas 17 versos antes, logo no primeiro versículo do evangelho de João. Ele diz que Jesus era o Verbo que estava com Deus e que era Deus. A declaração “e o Verbo era Deus” (<em>kai theos en ho logos</em>) é um depoimento categórico da divindade de Cristo, porque “se João tivesse a intenção de dar à frase um sentido adjetivo (que o Verbo era ‘semelhante a um deus’) ele teria à disposição um adjetivo (<em>theios</em>) pronto, a mão, que poderia ser perfeitamente utilizado. Mas, ao contrário, João diz que o Verbo é Deus (<em>theos</em>)”<a href="#_ftn33" name="_ftnref33">[33]</a>.</p>
<p>Portanto, os copistas que optaram pela tradução de “Deus” no lugar de “Filho” no fim do prólogo o fizeram possivelmente para dar ligação ao que o apóstolo disse no início do prólogo sobre a divindade de Cristo, ou seja, para que o prólogo terminasse da mesma forma que ele iniciou: com uma afirmação da divindade de Jesus. Não foi para incluir no texto bíblico uma “doutrina não-bíblica”, pois essa doutrina havia acabado de ter sido proclamada poucos versos antes e é confirmada por <strong>todos </strong>os manuscritos antigos.</p>
<p>Sendo assim, o fato de a transcrição correta de João 1:18 ser “Filho” de modo algum ataca qualquer doutrina vital do Cristianismo, pois a divindade de Cristo já está provada poucos versos antes, naquele mesmo evangelho. Além disso, ela é reafirmada com clareza alguns capítulos adiante no mesmo livro, quando Tomé reconhece Jesus como “Senhor meu e Deus meu” (Jo.20:28) &#8211; <em>ho kurios mou kai ho theos mou</em> – e sem variantes.</p>
<ul>
<li><strong> Marcos 16:9-20; João 8:1-11; 1</strong><strong>ª João 5:7-8</strong></li>
</ul>
<p>Finalmente, chegamos ao nossos 1% de variantes no Novo Testamento que são minimamente relevantes, por de fato não estarem no original, mas serem frequentemente incluídas na maioria das versões bíblicas de nossos dias. Trata-se de três textos: a parte final de Marcos 16 (Mc.16:9-20), a fórmula trinitariana de 1ª João 5:7-8 e o relato da mulher adúltera de João 8:1-11. Este último nem ao menos deve ser considerado uma variante, já que ele não está presente em <em>nenhum </em>daqueles mais de 5 mil manuscritos gregos antigos. Ele apenas aparece em manuscritos gregos a partir do <strong>século doze</strong>.</p>
<p>Portanto, na contagem e análise de manuscritos para a Crítica Textual, esse texto nem mesmo é alvo de dúvidas. A evidência é de 100% contra 0%. Ele provavelmente foi um comentário de algum copista à margem do texto <em>explicando </em>o texto bíblico, que tardiamente algum outro copista desatento incluiu pensando que fosse parte do próprio texto sagrado. Ehrman faz muito barulho com textos como esse, como se tivesse descoberto a pólvora, quando, na verdade, <em>há séculos </em>os eruditos e estudiosos já sabem disso e continuam cristãos, pois este texto não representa nenhum problema em Crítica Textual. Nenhuma dificuldade em se achar o que foi dito originalmente.</p>
<p>O mesmo deve ser dito em relação aos outros dois textos. O relato da mulher adúltera possui ainda menos base que o de 1ª João 5:7-8. Ele despontou como uma tradição oral daquilo que teria sido pregado por Jesus, e algum escriba achou por bem incluir essa história nos relatos de Jesus no evangelho. Por isso, alguns manuscritos incluem essa história em João 8:1-11, enquanto outros o incluem em Lucas 21:38. Foi uma forma de tentar incluir nos evangelhos – em algum lugar – um relato bem possivelmente real sobre Jesus que teria sobrevivido apenas por meio da tradição oral. Quem o fez o fez com boas intenções, mas não fez certo. Tal passagem não está originalmente no evangelho de João.</p>
<p>Podemos, então, discorrer sobre a plausibilidade deste relato tendo por base a <em>tradição</em>, mas não tendo por base a <em>Escritura</em>. Ou seja: o fato de aquele relato não fazer parte do original de João não significa que a história não seja verdadeira nem significa que alguém tenha agido fraudulentamente, como se estivesse inventando uma estória irreal sobre Jesus, mas não é certo dizer que aquilo faz parte da Sagrada Escritura. Mais uma vez, a Crítica Textual não tem qualquer problema com esse texto. É unanimidade entre os eruditos cristãos que esse texto é um acréscimo posterior em poucos manuscritos.</p>
<p>O caso da parte final do relato de Marcos é similar, porém por outra razão: o final do relato original de Marcos se perdeu, ou o próprio Marcos deixou de dar um final definitivo ao seu próprio evangelho. Ele originalmente termina seu evangelho no verso 8 do capítulo 16, dizendo:</p>
<p>“Tremendo e assustadas, as mulheres saíram e fugiram do sepulcro. E não disseram nada a ninguém, porque estavam amedrontadas” (Marcos 16:8)</p>
<p>Esse “final inesperado” levou alguns copistas a colocarem algum “fim” na história, e no século V pelo menos quatro finais diferentes foram encontrados. O que ficou mais famoso foi esse “final longo”, que foi proposto por Ariston, o presbítero mencionado por Papias<a href="#_ftn34" name="_ftnref34">[34]</a> e conhecido como um dos fundadores da Igreja cristã. É por isso que os Pais da Igreja nunca citaram os últimos 12 versos de Marcos, mas sempre paravam no verso 8. Eles sabiam que o evangelho de Marcos terminava abruptamente.</p>
<p>O mais importante que temos que mencionar é que essas três adições que estão no Novo Testamento nas versões vernáculas não são nenhum problema para a Crítica Textual, pois, como já foi demonstrado anteriormente neste capítulo, a Crítica Textual trabalha tendo por base o <em>conjunto </em>de manuscritos, e não alguns deles, isoladamente. E como possuímos uma multidão de 5 mil manuscritos gregos antigos (além de outros 20 mil em outros idiomas), fica relativamente fácil perceber se um texto faz parte do original ou não.</p>
<p>Se tivéssemos apenas dois ou três manuscritos antigos do Novo Testamento (um tanto comum para as obras seculares daquela época), os estudiosos estariam quebrando a cabeça para descobrirem o que faz parte do original e o pode ter sido adicionado por algum escriba por qualquer razão. Mas como possuímos literalmente <em>milhares </em>de manuscritos, é virtualmente impossível que não possamos remontar o original com precisão.</p>
<p>Entre os acadêmicos e estudiosos, esses três relatos (Mc.16:9-20; Jo.8:1-11; 1Jo.5:7-8) não representam qualquer problema na reconstrução do original. Podemos ter plena segurança da autenticidade do Novo Testamento conforme foi originalmente escrito, se estivermos dispostos a olharmos <em>além </em>daquilo que as versões vernáculas nos mostram.</p>
<p>Finalmente, devemos perguntar: qual destes textos (ou qualquer outro proposto por Ehrman) muda qualquer doutrina central das Escrituras? Nenhum. A fórmula trinitariana de 1ª João 5:7-8 é uma explicação de um ensino provado nas Escrituras. O texto de Mateus 28:19 diz basicamente o mesmo e não é alvo de qualquer debate na Crítica Textual, pois está presente em <strong>todos </strong>os manuscritos antigos, sem exceção. A Escritura deixa claro que o Pai é Deus, que Jesus é Deus, que o Espírito Santo é Deus e que Deus é um. Assim sendo, ainda que a trindade possa ser pouco <em>entendida</em>, ela certamente é <em>bíblica</em>. Os Pais da Igreja criam nela desde os primeiros séculos, tendo por base as Escrituras.<a href="#_ftn35" name="_ftnref35">[35]</a></p>
<p>O relato de João 8:1-11 é emocionante, indubitavelmente. Mas, se ele não é parte integrante do original das Escrituras, isso muda algo em termos de doutrina? Não. Nada. Tudo o que Jesus teria feito seria demonstrar compaixão, algo que ele demonstrou da mesma forma em diversas outras ocasiões. Ele inclusive chorou antes de ressuscitar Lázaro (Jo.11:35), ele era tomado por íntima compaixão (Lc.7:13), ele deu a vida por sua livre e espontânea vontade (Jo.10:18), aceitando a tortura, a crucificação e a morte – tudo fruto do amor. João 8:1-11 não contradiz nenhum ensino Escriturístico. A ausência dele também não nos deixa desamparados em nenhuma doutrina.</p>
<p>Da mesma forma, o final adicionado em Marcos 16:9-20 é um final tomado dos outros evangelhos, de forma sintetizada. Tudo o que ali está escrito, seja sobre ter aparecido a Maria Madalena (v.9), seja sobre a aparição de Jesus aos dois homens de Emaús (v.12), seja sobre a incredulidade dos discípulos (v.14), seja sobre pregar o evangelho (v.15), seja sobre falar em línguas (v.17), seja sobre expulsar demônios (v.17), seja sobre cura (v.18) ou sobre sua ascensão ao Céu (v.19) é relatado nos outros evangelhos ou nas epístolas. Até mesmo os pontos mais ousados de Marcos 16:9-20, como o fato de Deus ter poder para curar alguém que é picado por serpentes (v.18), tem paralelo bíblico (At.28:5).</p>
<p>Portanto, podemos ter plena certeza da autenticidade do Novo Testamento através da Crítica Textual, pela quantidade de manuscritos antigos que superam qualquer outra obra da história antiga e nos proporcionam capacidade de comparar os diferentes manuscritos e solucionar as dúvidas existentes em algumas variantes, que também não oferecem qualquer risco a qualquer doutrina cristã. Como Daniel Wallace acentua, “nós precisamos enfatizar que estes textos não mudam nenhuma doutrina fundamental, nenhuma doutrina central. Estudiosos evangélicos os abandonaram há mais de um século sem mudar um pingo da ortodoxia”<a href="#_ftn36" name="_ftnref36">[36]</a>.</p>
<p>Paz a todos vocês que estão em Cristo.</p>
<p><strong>Por Cristo e por Seu Reino,</strong></p>
<p><strong>Lucas Banzoli (apologiacrista.com)</strong></p>
<p><strong>(Trecho extraído do meu livro: <a href="http://ateismorefutado.blogspot.com.br/2014/12/livro-as-provas-da-existencia-de-deus.html">&#8220;As Provas da Existência de Deus&#8221;</a>)</strong></p>
<p>Fonte: <a href="http://ateismorefutado.blogspot.com.br/2014/12/a-autenticidade-do-novo-testamento.html">Ateísmo refutado</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>&#8211; Veja uma lista completa de livros meus <a href="http://apologiacrista.com/index.php?pagina=1077967963">clicando aqui</a>.</strong></p>
<p><strong>&#8211; Acesse o meu canal no YouTube <a href="https://www.youtube.com/channel/UCIWkZNgtKfDDqITGYICPKAA/videos">clicando aqui</a>.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> TUREK, Frank; GEISLER, Norman. <strong>Não tenho fé suficiente para ser ateu</strong>. Editora Vida: 2006.</p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> ibid.</p>
<p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> MONTGOMERY, <strong>History and Christianity</strong> (A História e o Cristianismo). Downers Grove: Inter-Varsity, 1971.</p>
<p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> TUREK, Frank; GEISLER, Norman. <strong>Não tenho fé suficiente para ser ateu</strong>. Editora Vida: 2006.</p>
<p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> ibid.</p>
<p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> KENYON, Frederic G. &#8211; <strong>Our Bible and the Ancient Manuscripts</strong> (Nossa Bíblia e os manuscritos Antigos). Nova Iorque: Harper &amp;Brothers, 1941.</p>
<p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> ibid.</p>
<p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a> KENYON, Frederic G. <strong>The Bibie and Archaeology</strong> (A Bíblia e a Arqueologia) Nova Iorque: Harper &amp; Row, 1940.</p>
<p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9">[9]</a> TUREK, Frank; GEISLER, Norman. <strong>Não tenho fé suficiente para ser ateu</strong>. Editora Vida: 2006.</p>
<p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10">[10]</a> HORT, Fenton John Anthony &amp; WESTCOTT, Brooke Foss. <strong>The NewTestament in the Original Greek</strong> (O Novo Testamento no Original Grego). Nova Iorque: McMillan, 1881. vol. 1.</p>
<p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11">[11]</a> GREENLEE, J. Harold. <strong>Introduction to New Testament Textual Criticism</strong> (Introdução à Crítica Textual do Novo Testamento) Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans, 1964.</p>
<p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12">[12]</a> BRUCE, F.F. <strong>Merece Confiança o Novo Testamento?</strong> São Paulo: Vida Nova, 1965.</p>
<p><a href="#_ftnref13" name="_ftn13">[13]</a> GREENLEE, J. Harold. <strong>Introduction to New Testament Textual Criticism</strong> (Introdução à Crítica Textual do Novo Testamento) Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans, 1964.</p>
<p><a href="#_ftnref14" name="_ftn14">[14]</a> ibid.</p>
<p><a href="#_ftnref15" name="_ftn15">[15]</a> METZGER, Bruce. <strong>The Text of the New Testament</strong> (O Texto do Novo Testamento). Grand Rapids: William B. Eerdmans, 1968.</p>
<p><a href="#_ftnref16" name="_ftn16">[16]</a> BRUCE, F.F. <strong>The Books and the Parchments</strong> (Os Livros e os Pergaminhos). Edição revista. Westwood: Fleming H. Revê 11,1963.</p>
<p><a href="#_ftnref17" name="_ftn17">[17]</a> TUREK, Frank; GEISLER, Norman. <strong>Não tenho fé suficiente para ser ateu</strong>. Editora Vida: 2006.</p>
<p><a href="#_ftnref18" name="_ftn18">[18]</a> GEISLER, Norman. NIX, William. <strong>Introdução Bíblica</strong>. Editora Vida: 1997.</p>
<p><a href="#_ftnref19" name="_ftn19">[19]</a> Policarpo aos Filipenses, 12:1.</p>
<p><a href="#_ftnref20" name="_ftn20">[20]</a> 2ª Clemente, 14:2.</p>
<p><a href="#_ftnref21" name="_ftn21">[21]</a> 2ª Clemente, 2:4.</p>
<p><a href="#_ftnref22" name="_ftn22">[22]</a> Clemente de Alexandria. Não confundir com o outro Clemente, o romano.</p>
<p><a href="#_ftnref23" name="_ftn23">[23]</a> BERTI, Marcelo. <strong>O que Ehrman disse? O que Ehrman não disse? </strong>Disponível em: &lt;<a href="http://vimeo.com/9831765">http://vimeo.com/9831765</a>&gt;. Acesso em: 04/11/2013.</p>
<p><a href="#_ftnref24" name="_ftn24">[24]</a> TUREK, Frank; GEISLER, Norman. <strong>Não tenho fé suficiente para ser ateu</strong>. Editora Vida: 2006.</p>
<p><a href="#_ftnref25" name="_ftn25">[25]</a> WALLACE, Daniel Baird. <strong>The Gospel according to Bart</strong>. Disponível em: &lt;<a href="https://bible.org/article/gospel-according-bart">https://bible.org/article/gospel-according-bart</a>&gt;. Acesso em: 04/11/2013.</p>
<p><a href="#_ftnref26" name="_ftn26">[26]</a> Saulo é o outro nome de Paulo nas Escrituras (Atos 13:9).</p>
<p><a href="#_ftnref27" name="_ftn27">[27]</a> BERTI, Marcelo. <strong>O que Ehrman disse? O que Ehrman não disse? </strong>Disponível em: &lt;<a href="http://vimeo.com/9831765">http://vimeo.com/9831765</a>&gt;. Acesso em: 04/11/2013.</p>
<p><a href="#_ftnref28" name="_ftn28">[28]</a> Mais detalhes sobre as fontes em GEISLER, <em>Enciclopédia de apologética, </em>p. 641.</p>
<p><a href="#_ftnref29" name="_ftn29">[29]</a> A <em>Companion to the Greek Testament and the English Version, </em>3.ed. New York: Hamper, 1883, p. 177.</p>
<p><a href="#_ftnref30" name="_ftn30">[30]</a> Mais detalhes sobre as fontes em GEISLER, <em>Enciclopédia de apologética, </em>p. 641.</p>
<p><a href="#_ftnref31" name="_ftn31">[31]</a> ibid.</p>
<p><a href="#_ftnref32" name="_ftn32">[32]</a> WALLACE, Daniel Baird. <strong>The Gospel according to Bart</strong>. Disponível em: &lt;<a href="https://bible.org/article/gospel-according-bart">https://bible.org/article/gospel-according-bart</a>&gt;. Acesso em: 04/11/2013.</p>
<p><a href="#_ftnref33" name="_ftn33">[33]</a> GEISLER, Norman; RHODES, Ron. <strong>Resposta às Seitas</strong>. CPAD: 2ª Edição, 2001, p. 262.</p>
<p><a href="#_ftnref34" name="_ftn34">[34]</a> Eusébio de Cesareia, HE, Livro III, 39:15.</p>
<p><a href="#_ftnref35" name="_ftn35">[35]</a> Algumas citações dos Pais da Igreja sobre a doutrina da trindade antes do Concílio de Niceia podem ser conferidas aqui: &lt;<a href="http://marceloberti.wordpress.com/2010/05/21/doutrina-da-trindade-antes-de-niceia/">http://marceloberti.wordpress.com/2010/05/21/doutrina-da-trindade-antes-de-niceia/</a>&gt;.</p>
<p><a href="#_ftnref36" name="_ftn36">[36]</a> WALLACE, Daniel Baird. <strong>The Gospel according to Bart</strong>. Disponível em: &lt;<a href="https://bible.org/article/gospel-according-bart">https://bible.org/article/gospel-according-bart</a>&gt;. Acesso em: 04/11/2013.</p>
<p class="facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://apologiacrista.com.br/2016/10/26/autenticidade-no-novo-testamento/" target="_blank" title="Share on Facebook">Share on Facebook</a></p>]]></content:encoded>
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">157</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A Pessoa Total, Tricotomia ou Dicotomia?</title>
		<link>http://apologiacrista.com.br/2016/10/22/a-pessoa-total-tricotomia-ou-dicotomia/</link>
		<pubDate>Sat, 22 Oct 2016 09:46:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Filipe]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Tricotomia?]]></category>
		<category><![CDATA[Alma]]></category>
		<category><![CDATA[corpo]]></category>
		<category><![CDATA[dicotomia]]></category>
		<category><![CDATA[espírito]]></category>
		<category><![CDATA[pessoa total]]></category>
		<category><![CDATA[tricotomia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://apologiacrista.com.br/?p=153</guid>
		<description><![CDATA[por Anthony Hoekema &#160; Um dos aspectos mais importantes da visão cristã do homem é a de que devemos vê-lo em sua unidade, como uma pessoa total. Os seres humanos têm sido imaginados como consistindo de partes separadas e, algumas vezes, de partes distintas, que são, dessa forma, abstraídas da totalidade. Assim, nos círculos cristãos, tem sido crido do homem como consistindo tanto de “corpo” e “alma” como de “corpo”, “alma” e “espírito”. Tanto os cientistas seculares como os teólogos cristãos, contudo, estão reconhecendo gradativamente que tal entendimento dos seres humanos está errado, e que o homem deve ser visto como uma unidade. Visto que nossa preocupação é com a doutrina cristã do homem, devemos dar uma nova olhada para o ensino bíblico a respeito dos seres humanos, para ver se de fato isto é assim. O que devemos observar primeiro de tudo é que a Bíblia não descreve o homem cientificamente; na verdade, o julgamento (dos teólogos) é que a Bíblia não nos dá nenhum ensino científico a respeito do homem, nenhuma “antropologia” que deveria ou poderia estar em competição com uma investigação científica do homem nos vários aspectos de sua existência ou com a antropologia filosófica. [1] Além...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>por</p>
<p><strong>Anthony Hoekema</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Um dos aspectos mais importantes da visão cristã do homem é a de que devemos vê-lo em sua unidade, como uma pessoa total. Os seres humanos têm sido imaginados como consistindo de partes separadas e, algumas vezes, de partes distintas, que são, dessa forma, abstraídas da totalidade. Assim, nos círculos cristãos, tem sido crido do homem como consistindo tanto de “corpo” e “alma” como de “corpo”, “alma” e “espírito”. Tanto os cientistas seculares como os teólogos cristãos, contudo, estão reconhecendo gradativamente que tal entendimento dos seres humanos está errado, e que o homem deve ser visto como uma unidade. Visto que nossa preocupação é com a doutrina cristã do homem, devemos dar uma nova olhada para o ensino bíblico a respeito dos seres humanos, para ver se de fato isto é assim.</p>
<p>O que devemos observar primeiro de tudo é que a Bíblia não descreve o homem cientificamente; na verdade,</p>
<p>o julgamento (dos teólogos) é que a Bíblia não nos dá nenhum ensino científico a respeito do homem, nenhuma “antropologia” que deveria ou poderia estar em competição com uma investigação científica do homem nos vários aspectos de sua existência ou com a antropologia filosófica.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn1" name="_ftnref1"> [1] </a></p>
<p>Além disso, a Bíblia não usa uma linguagem científica exata. Ela usa termos como <em>alma</em>, <em>espírito</em> e <em>coração</em> mais ou menos indistintamente. Isto é por causa</p>
<p>das partes do corpo que são tidas, não primariamente do ponto de vista de suas diferenças ou de suas inter-relações com outras partes, mas como significando ou enfatizando os diferentes aspectos do homem total em relação a Deus. Do ponto de vista da psicologia analítica e da fisiologia, o uso do Antigo Testamento é caótico: ele é o pesadelo do anatomista quando qualquer parte pode ser entendida como sendo a totalidade.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn2" name="_ftnref2"> [2] </a></p>
<p>Portanto, não é impossível construir uma psicologia bíblica exata e científica. Alguns têm tentado fazer isso. Um dos mais notáveis nessa tarefa é Franz Delitzsch, cujo livro <em>System of Biblical Psychology</em> foi originalmente publicado em 1855. Mas mesmo Delitzsch teve que admitir que “a Escritura não é um livro escolástico [or didática] de ciência” e que “é verdade que em assuntos psicológicos, assim tão pouco quanto em assuntos éticos ou dogmáticos, a Escritura abrange (ou contém) qualquer sistema proposto na linguagem das escolas”.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn3" name="_ftnref3"> [3] </a></p>
<p>Em 1920, o teólogo holandês Herman Bavinck escreveu um livro entitulado <em>Biblical and Religious Psychology</em> (Psicologia Bíblica e Religiosa). Semelhantemente a Delitzsch, ele admitiu que</p>
<p>[a Bíblia] não nos fornece uma psicologia popular ou científica mais do que ela nos proporciona uma narrativa [<em>schets</em>] da história, geografia, astronomia ou agricultura&#8230;Mesmo se alguém desejasse tentar, seria impossível retirar da Bíblia uma psicologia que pudesse satisfazer as nossas necessidades. Porque não somente seria impossível ter uma narrativa completa de todos os vários dados, mas também as palavras que a Bíblia usa, tais como espírito, alma, coração e mente, foram emprestadas da linguagem popular dos judeus daqueles dias, ordinariamente possuindo um conteúdo diferente daquele que associamos com esses termos, e nem sempre usados no mesmo sentido. As Escrituras nunca usam conceitos abstratos e filosóficos, mas sempre falam a rica linguagem do dia a dia.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn4" name="_ftnref4"> [4] </a></p>
<p>Embora não derivemos uma antropologia ou psicologia científica exata da Bíblia, podemos aprender da Escritura muitas verdades importantes a respeito do homem. Na verdade, isso é o que tentamos fazer nos capítulos anteriores deste livro. Deveríamos nos lembrar novamente que a coisa mais importante que a Bíblia diz a respeito do homem é que ele está inescapavelmente relacionado a Deus. Berkouwer coloca este assunto da seguinte maneira: “Podemos dizer sem medo de contradição que a coisa mais notável no retrato bíblico do homem repousa nisto: que nunca chama a atenção para o homem em si mesmo, mas exige a nossa atenção mais plena para o homem em sua relação com Deus.”<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn5" name="_ftnref5"> [5] </a> Podemos acrescentar que a Bíblia também dirige nossa atenção para o homem à medida em que ele se relaciona com os outros seres humanos e com a criação.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn6" name="_ftnref6"> [6] </a> Em outras palavras, as Escrituras não estão primariamente interessadas nas “partes” constituintes do homem ou na sua estrutura psicológica, mas nos relacionamentos que ele mantém.<br />
Tricotomia ou Dicotomia?</p>
<p>Vez por outra, entretanto, tem sido sugerido que o homem deveria ser entendido como consistindo de certas “partes” especificamente distintas. Um desses entendimentos é usualmente conhecido como <em>tricotomia</em> — a idéia que, segundo a Bíblia, o homem consiste de corpo, alma e espírito. Um dos proponentes mais antigos da tricotomia, como vimos, é Irineu, que ensinava que enquanto os incrédulos possuiam somente almas e corpos, os crentes adquiriam espíritos adicionais, que eram criados pelo Espírito Santo.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn7" name="_ftnref7"> [7] </a> Um outro teólogo que usualmente está associado com a tricotomia é Apolinário de Laodicéa, que viveu de 310 a aproximadamente 390 AD. A maioria dos intérpretes atribuem a ele a idéia de que o homem consiste de corpo, alma e espírito ou mente (<em>pneuma</em> ou <em>nous</em>), e que o <em>Logos</em> ou a natureza divina de Cristo tomou o lugar do espírito humano na natureza humana que Cristo assumiu.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn8" name="_ftnref8"> [8] </a> Berkouwer, contudo, assinala que Apolinário desenvolveu primeiro a sua cristologia errônea em um contexto de<em> dicotomia.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn9" name="_ftnref9"> <strong>[9]</strong> </a> </em> Mas J. N. D. Kelly diz que é uma questão de importância secundária se Apolinário era um dicotomista ou tricotomista.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn10" name="_ftnref10"> [10] </a></p>
<p>A tricotomia foi ensinada no século XIX por Franz Delitzsch,<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn11" name="_ftnref11"> [11] </a> J. B. Heard,<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn12" name="_ftnref12"> [12] </a> J. T. Beck,<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn13" name="_ftnref13"> [13] </a> e G. F. Oehler.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn14" name="_ftnref14"> [14] </a> Mais recentemente tem sido defendido por escritores como Watchman Nee,<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn15" name="_ftnref15"> [15] </a> Charles R. Solomon (que afirma que através do seu corpo, o homem relaciona-se com o ambiente, através de sua alma com os outros, e do seu espírito com Deus),<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn16" name="_ftnref16"> [16] </a> e Bill Gothard.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn17" name="_ftnref17"> [17] </a> É interessante observar que a tricotomia é também defendida na antiga e na nova <em>Scofield Reference Bible</em>.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn18" name="_ftnref18"> [18] </a> A despeito deste apoio, devemos rejeitar a visão tricotomista da natureza humana.</p>
<p>Primeiro, ela deve ser rejeitada <em>porque ela parece fazer violência à unidade do homem</em>. A palavra em si mesma sugere que o homem pode ser separado em três “partes”: a palavra <em>tricotomia</em> é formada de duas palavras gregas, <em>tricha</em>, “tríplice” e <em>temnein</em>, “cortar. Alguns tricotomistas, incluindo Irineu, até sugeriram que certas pessoas tinham os seus espíritos cortados, enquanto que outras não.</p>
<p>Segundo, devemos rejeitá-la porque <em>ela freqüentemente pressupõe uma antítese irreconciliável entre espírito e corpo</em>. Realmente, a tricotomia originada na filosofia grega, particularmente na concepção de Platão, que possuia também um entendimento tríplice da natureza humana. Herman Bavinck levanta uma discussão útil deste assunto no seu livro <em>Biblical Psychology</em>. Ele assinala que em Platão e em outros filósofos gregos havia uma aguçada antítese entre as coisas visíveis e as invisíveis. O mundo como substância material não foi criado por Deus, diziam os gregos, mas sempre esteve contra ele. Um poder intermediário se fazia necessário para que pudesse haver ligação entre o mundo e Deus, e, assim, haver harmonia entre eles — este era o mundo da alma. A idéia do homem, encontrada no pensamento grego, pensa Bavinck, é semelhante: o homem é um ser racional que possui razão (<em>nous</em>), mas ele é também um ser material que tem um corpo. Entre esses dois deve haver uma terceira realidade que age como mediador: a <em>alma</em>, que é capaz de dirigir o corpo em nome da razão.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn19" name="_ftnref19"> [19] </a></p>
<p>A Bíblia, contudo, não ensina qualquer tipo de distinção aguda entre espírito (ou mente) e corpo. Segundo as Escrituras, a matéria não é má porque foi criada por Deus. A Bíblia nunca denigre o corpo humano como uma fonte necessária do mal, mas o descreve como um aspecto da boa criação de Deus, que deve ser usado no serviço de Deus. Para os gregos o corpo era considerado “uma sepultura para a alma” (<em>soma sema</em>) que o homem alegremente abandonava na morte, mas esta idéia é totalmente estranha às Escrituras.</p>
<p>Devemos rejeitar também a tricotomia <em>porque ela faz uma aguda distinção entre o espírito e a alma que não encontra suporte algum nas Escrituras</em>. Podemos ver isto mais claramente quando observamos que as palavras hebraica e grega traduzidas como <em>alma</em> e <em>espírito</em> são freqüentemente usadas indistintamente nas Escrituras.</p>
<ol>
<li>O homem é descrito na Bíblia tanto como alguém que <em>é corpo e alma </em>como alguém que é <em>corpo e espírito</em>: “Não temais aqueles que matam o corpo mas não podem matar a alma” (Mt 10.28); “Também a mulher, tanto a viúva como a virgem, cuida das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor, assim no corpo como no espírito” (1 Co 7.34); “Como o corpo sem o espírito está morto, assim a fé sem as obras é morta” (Tg 2.25).</li>
<li>A dor é atribuída tanto à <em>alma</em> como ao <em>espírito</em>: “Levantou-se Ana e, com amargura de espírito, orou ao Senhor, e chorou abundantemente” (1 Sm 1.10); “Porque o Senhor te chamou como a mulher desamparada e de espírito abatido; como a mulher da mocidade, que fora repudiada, diz o teu Deus” (Is 54.6); “Agora está angustiada a minha alma” (Jo 12.27); “Ditas estas cousas, angustiou-se Jesus em espírito” (Jo 13.21); “Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava, em face da idolatria dominante na cidade” (At 17.16); “(Porque este justo [Ló], pelo que via e ouvia quando habitava entre eles, atormentava a sua alma justa, cada dia, por causa das obras iníquas daqueles)” (1 Pe 2.8).</li>
<li>O louvor e o amor a Deus são atribuídos tanto a <em>alma</em> como ao <em>espírito</em>: “A minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador” (lc 1.46-47); “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força” (Mc 12.30).</li>
<li>A salvação é associada tanto à <em>alma</em> como ao <em>espírito</em>: “Acolhei com mansidão a palavra implantada em vós, a qual é poderosa para salvar as vossas almas” (Tg 1.21); “&#8230;entregue a Satanás, para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo, no dia do Senhor” (1 Co 5.5).</li>
<li>O morrer é descritivo tanto como uma partida da <em>alma</em> como do <em>espírito</em>: “Ao sair-lhe a alma (porque morreu), deu-lhe o nome de Benoni” (Gn 35.18); “E estendendo-se três vezes sobre o menino, clamou ao Senhor, e disse: Ó Senhor meu Deus, que faças a alma deste menino tornar a entrar nele” (1 Rs 17.21); “Não temais os que matam o corpo e não podem matar alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (Mt 10.28); “Nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Sl 31.5); “E Jesus clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito” (Mt 27.50); “Voltou-lhe o espírito, ela imediatamente se levantou”(Lc 8.55); “Então Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” (Lc 23.46); “E apedrejavam a Estevão que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito!” (At 7.59).</li>
<li>Aqueles que já haviam morrido eram algumas vezes chamados tanto de <em>almas</em> e outras vezes de <em>espíritos</em>: Mt 10.28, citado acima; “Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam” (Ap 6.9); “e a Deus, o juíz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados “ (Hb 12.23); “Pois também Cristo morreu&#8230;para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado em espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais noutro tempo foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé” (1 Pe 3.18-20).</li>
</ol>
<p>Os tricotomistas freqüentemente apelam para duas passagens do Novo Testamento: Hb 4.12 e 1 Ts 5.23, para dar suporte ao seu conceito, mas nenhuma dessas passagens prova o ponto deles.</p>
<p>Hebreus 4.12 diz o seguinte:</p>
<p>Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.</p>
<p>Estas palavras descrevem o poder penetrante da palavra de Deus. O autor de Hebreus não pretende dizer que a palavra de Deus causa uma divisão entre uma “parte” da natureza humana chamada alma e outra “parte” chamada espírito, assim como não pretende dizer que a palavra causa uma divisão entre as juntas do corpo e a medula encontrada nos ossos. A linguagem é figurativa. A cláusula seguinte aponta para o intento do autor: ele deseja dizer que a palavra de Deus discerne “os pensamentos e atitudes (ou intenções) do coração”. A palavra de Deus (seja ela entendida como a Escritura ou como Jesus Cristo) penetra nos recônditos mais interiores de nosso ser, trazendo à luz os motivos secretos de nossas ações. Esta passagem, na verdade, está em paralelo com um texto de Paulo: “[o Senhor] não somente trará à plena luz as cousas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações” (1 Co 4.5). Não há, portanto, nenhuma razão para se entender Hebreus 4.12 como ensinando uma distinção psicológica entre alma e espírito como sendo duas partes constituintes do homem.</p>
<p>A outra passagem é 1 Tessalonicenses 5.23, onde se lê:</p>
<p>O mesmo Deus da paz voz santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo, sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nossos Senhor Jesus Cristo.</p>
<p>Deveríamos observar primeiro que esta passagem não é uma afirmação doutrinária, mas uma oração. Paulo ora para que seus leitores tessalonicenses possam ser santificados e completamente preservados ou guardados por Deus até que Cristo volte novamente. A totalidade da santificação, pela qual Paulo ora, é expressa no texto por duas palavras gregas. A primeira, <em>holoteleis</em>, é derivada de <em>holos</em>, significando a totalidade, e <em>telos</em>, significando a finalidade ou o alvo; a palavra significa “a totalidade de modo que se alcance o alvo”. A Segunda palavra, <em>holokleron</em>, derivada de <em>holos</em> e <em>kleros</em>, porção ou parte, significa “completa em todas as suas partes”. É interessante observar que na segunda metade da passagem, ambos o adjetivos <em>holokeron</em> e o verbo <em>teretheie</em> (“possam ser guardados ou preservados”) estão no singular, indicando que a ênfase do texto está sobre a totalidade da pessoa. Quando Paulo ora pelos tessalonicenses para que o espírito, alma e corpo possam ser guardados, ele não está tentando separar o homem em três partes, mais do que Jesus pretendeu fazer em quatro partes quando disse: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força (Lc 10.27). Esta passagem, portanto, também não proporciona qualquer base para a visão tricotômica da constituição do homem.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn20" name="_ftnref20"> [20] </a></p>
<p>A outra idéia usualmente sustentada a respeito da constituição do homem é a chamada <em>dicotomia</em> — a idéia de que o homem consiste de corpo e alma. Esta visão tem sido mais largamente sustentada do que a tricotomia. Nossa rejeição de tricotomia significa que devemos optar pela dicotomia? Um número de teólogos afirma esta crença. Louis Berkhof, por exemplo, crê que “a representação dominante da natureza do homem na Escritura é claramente dicotômica”.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn21" name="_ftnref21"> [21] </a></p>
<p>É minha convicção, contudo, que nós deveríamos rejeitar tanto a dicotomia como a tricotomia. Como cristãos deveríamos certamente repudiar a dicotomia no sentido em que os antigos gregos a ensinaram. Platão, por exemplo, formulou a idéia de que o corpo e a alma devem ser tidos como duas substâncias distintas: a alma pensante, que é divina, e o corpo. Visto que o corpo é composto de substância inferior chamada matéria, ele é de um valor inferior à da alma. Na morte simplesmente o corpo se desintegra, mas a alma racional (ou <em>nous</em>) retorna “aos ceús”, se o seu curso de ação foi justo e honrado, e continua a existir para sempre. A alma é considerada uma substância superior, inerentemente indestrutível, enquanto que o corpo é inferior à alma, mortal, e condenado à destruição total. Não há no pensamento grego, portanto, lugar algum para a ressurreição do corpo.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn22" name="_ftnref22"> [22] </a></p>
<p>Mas mesmo à parte do entendimento grego da dicotomia, que é claramente contrário à Escritura, devemos rejeitar o termo <em>dicotomia</em> como tal, visto que ele não é uma descrição exata da visão bíblica do homem. A palavra em si mesma é objetável. Ela vem de duas raízes gregas: <em>diche</em>, significando “dupla” ou “em duas”; e <em>temnein</em>, significando “cortar”. Ela, portanto, sugere que a pessoa humana pode ser cortada em duas “partes”. Mas o homem nesta presente vida não pode ser separado dessa maneira. Como veremos, a Bíblia descreve a pessoa humana como uma totalidade, um todo, um ser unitário.</p>
<p>O melhor modo de determinar a visão bíblica do homem como uma pessoa total é examinar os termos usados para descrever os vários aspectos do homem. Antes de fazer isso, contudo, duas observações devem ser feitas: (1) Como foi dito, a preocupação primária da Bíblia não é a constituição psicológica ou antropológica do homem mas a sua capacidade inescapável de relacionar-se com Deus; e (2) devemos sempre Ter em mente que J. A. T. Robinson diz a respeito do uso que o Antigo Testamento faz destes termos: “Qualquer parte pode ser tomada pelo todo”,<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn23" name="_ftnref23"> [23] </a> e o que G. E. Ladd afirma a respeito do uso que o Novo Testamento faz dessas palavras: “A recente erudição tem reconhecido que termos como corpo, alma e espírito não são diferentes, faculdades separadas do homem mas diferentes modos de ver a totalidade do homem.”<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn24" name="_ftnref24"> [24] </a></p>
<p>Com isto em mente, nós trataremos primeiro das palavras do Antigo Testamento e, então com as encontradas no Novo Testamento.<br />
As Palavras do Antigo Testamento</p>
<p>Começamos com a palavra hebraica <em>nephesh</em>, mais comumente traduzida como “alma”. O léxico Hebraico de Brown, Driver e Briggs <a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn25" name="_ftnref25"> [25] </a> dá dez significados para essa palavra, da qual os mais importantes para o nosso propósito são: “o ser mais interior do homem”, “o ser vivo” (usado a respeito de homens e animais),<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn26" name="_ftnref26"> [26] </a> “o homem em si mesmo” (freqüentemente usado como um pronome pessoal: eu mesmo, ele mesmo, etc.; neste sentido pode significar o homem como um todo), “o lugar dos apetites”, “o assento das emoções”. A palavra pode, algumas vezes, se referir a uma pessoa falecida, com ou sem <em>meth</em> (“morta”). É algumas vezes dito que a <em>nephesh</em> morre.</p>
<p>Está claro, portanto, que a palavra <em>nephesh</em> pode significar a pessoa total. Edmond Jacob diz o seguinte: “<em>Nephesh</em> é o termo usual para a natureza total do homem, para o que ele é e não apenas pelo que tem&#8230; Por isso a melhor tradução em muitos casos é ‘pessoa’”.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn27" name="_ftnref27"> [27] </a></p>
<p>A palavra hebraica seguinte é <em>ruach</em>, usualmente traduzida como “espírito”. O significado da raíz desta palavra é “ar em movimento”; ela é freqüentemente usada para descrever o vento. Brown-Driver-Briggs listam nove significados, incluindo os seguintes: “espírito”, “animação”, “disposição”, “espírito de vida e ser que respira morando na carne de homens e animais” (somente um exemplo deste último: Ec 3.21), “assento das emoções”, “órgão de atos mentais”, “órgão da vontade”. <em>Ruach</em>, portanto, sobrepõe-se em significado a <em>nephesh</em>. W. D. Stacey diz:</p>
<p>Quando a referência é feita ao homem em sua relação com Deus, <em>ruach</em> é o termo mais provável para ser usado&#8230;, mas quando referência é feita ao homem em relação a outros homens, ou o homem vivendo a vida comum dos homens, então <em>nephesh</em> é mais provável, se um termo psíquico é exigido. Em ambos os casos a totalidade do homem está envolvida.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn28" name="_ftnref28"> [28] </a></p>
<p>Portanto, não deve ser pensado de <em>ruach</em> como um aspecto separado do homem, mas como a pessoa total vista de determinada perspectiva.</p>
<p>Olhamos a seguir para as palavras do Antigo Testamento usualmente traduzidas como “coração”: <em>lebh</em> e <em>lebhabh</em>. Brown-Driver-Briggs dá dez significados para estas duas palavras, incluindo os seguintes: “o homem mais interior ou alma”, “mente”, “resoluções da vontade”, “consciência”, “caráter moral”, “o homem em si mesmo”, “o lugar dos apetites”, “o assento das emoções”, “o assento da coragem”. F. H. Von Meyenfeldt, em seu estudo final da palavra, conclui que <em>lebh</em> ou <em>lebhabh</em> usualmente representa a pessoa total e tem uma significação predominantemente religiosa.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn29" name="_ftnref29"> [29] </a></p>
<p>A palavra <em>coração</em> não somente é usada no Antigo Testamento para descrever o assento do pensamento, do sentimento e da vontade; é também a sede do pecado (Gn 6.5; Sl 95.8, 10; Jr 17.9), a sede da renovação espiritual (Dt 30.6; Sl 51.10; Jr 31.33; Ez 36.26), e o lugar da fé (Sl 28.7; 112.7; Pv 3.5).</p>
<p>Mais do que qualquer outro termo do Antigo Testamento, a palavra <em>coração</em> significa o homem no mais profundo centro de sua existência, e como ele é no mais profundo do seu ser. Herman Dooyeweerd, o filósofo holandês, entendeu o coração na Escritura como sendo “a raiz religiosa da existência total do homem”.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn30" name="_ftnref30"> [30] </a> A filosofia que ele desenvolveu enfatiza que o coração é o centro e a fonte de toda a atividade religiosa, filosófica e moral do homem. Ray Anderson chama o coração de “o centro do eu subjetivo”. Ele é “a unidade do corpo e da alma na verdadeira ordem deles — ele é a pessoa”.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn31" name="_ftnref31"> [31] </a></p>
<p>Todos esses três termos examinados do Antigo Testamento, portanto, descrevem o homem em sua unidade e totalidade, embora olhando-o de aspectos ligeiramente diferentes. H. Wheeler Robinson comenta: “Não é possível fazer uma diferenciação exata das províncias cobertas pelo ‘coração’, <em>nephesh</em> e <em>ruach</em>, pela simples razão de que tal diferenciação exata nunca foi feita.”<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn32" name="_ftnref32"> [32] </a></p>
<p>A próxima palavra é <em>basar</em>, usualmente traduzida como “carne”. Brown-Driver-Briggs lista seis significados, incluindo os seguintes: “”carne” (para o corpo), “parentesco de sangue”, “homem contra Deus como fraco e errante”, “raça humana”. N. P. Bratsiotis diz que <em>basar</em> é mais freqüentemente usado no Antigo Testamento para “o aspecto externo e carnal da natureza humana”.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn33" name="_ftnref33"> [33] </a> Ele continua a dizer que quando <em>basar</em> é distinto do aspecto externo do homem e <em>nephesh</em> é entendido como sendo o aspecto interno, mesmo assim nunca devemos pensar destas palavras como descrevendo um dualismo de alma e corpo no sentido platônico.</p>
<p>Ao contrário, <em>basar</em> e <em>nephesh</em> devem ser entendidos como aspectos diferentes da existência do homem como uma entidade dual. É precisamente esta totalidade antropológica enfática que é determinante para a natureza dual do ser humano. Ela exclui qualquer noção de uma dicotomia entre <em>basar</em> e <em>nephesh</em>&#8230;como irreconciliavelmente opostos uma a outra, e revela o relacionamento psico-somático mútuo entre elas.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn34" name="_ftnref34"> [34] </a></p>
<p>A palavra <em>basar</em> é freqüentemente usada para descrever o homem em sua fraqueza. H. W. Wolff observa que freqüentemente <em>basar</em> descreve a vida humana como débil e fraca, dando como exemplo deste uso Jeremias 17.5 – “Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço”.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn35" name="_ftnref35"> [35] </a></p>
<p><em>Basar</em> pode algumas vezes denotar a pessoa total, não apenas o aspecto físico.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn36" name="_ftnref36"> [36] </a> Mas ela pode também ser juntada com <em>nephesh</em> em maneiras que referem ao homem total. Clarence B. Bass, comentando as palavras do Antigo Testamento para “corpo”, afirma:</p>
<p>Corpo e alma são usados quase que indistintamente, sendo que a alma indica o homem como um ser vivo, e corpo (carne) denota-o como uma criatura corporalmente visível&#8230;Esta unidade de corpo e alma [tem] conduzido alguns escritores a concluir que o Antigo Testamento carece de uma idéia do corpo físico como uma entidade discreta&#8230;Mais propriamente, contudo, o Antigo Testamento vê o corpo e a alma como coordenadas que se interpenetram em funções para formar um todo simples.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn37" name="_ftnref37"> [37] </a></p>
<p><em>Basar</em>, portanto, também é freqüentemente usado no Antigo Testamento para denotar a pessoa total, embora com ênfase no lado exterior.</p>
<p>Assim, o mundo do pensamento do Antigo Testamento exclui totalmente qualquer espécie de dicotomia ou dualismo que pinte o homem como feito de duas substâncias distintas. Como H. Wheeler Robinson diz, “a ênfase final deve cair sobre o fato de que os quatro termos [<em>nephesh, ruach, lebh </em>e<em> basar</em>]&#8230;simplesmente apresentam aspectos diferentes da unidade da personalidade.”<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn38" name="_ftnref38"> [38] </a><br />
As Palavras do Novo Testamento</p>
<p><strong>       </strong>A primeira palavra do Novo Testamento que examinaremos é <em>psyche</em>, a palavra grega equivalente a <em>nephesh</em>, usualmente traduzida como “alma”. O léxico do Novo Testamento Grego de Arndt-Gingrich lista um número de significados para esta palavra, alguns dos quais são: “princípio de vida”, “vida terreal”, “assento da vida mais interior do homem” (incluindo sentimentos e emoções), “a sede e o centro da vida que transcende o que é terreno”, “aquilo que possui vida: uma criatura viva” (plural, pessoas). <a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn39" name="_ftnref39"> [39] </a></p>
<p>Eduard Schweizer afirma que <em>psyche</em> é usado freqüentemente nos Evangelhos para descrever o homem total,<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn40" name="_ftnref40"> [40] </a> para representar a verdadeira vida em distinção da vida puramente física,<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn41" name="_ftnref41"> [41] </a> e para referir-se à existência dada por Deus que sobrevive à morte.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn42" name="_ftnref42"> [42] </a> Schweizer diz que Paulo usa <em>psyche</em> quando se refere à vida natural e à vida verdadeira; ele freqüentemente usa a palavra para descrever a pessoa.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn43" name="_ftnref43"> [43] </a> No Livro do Apocalipse psyche pode ser usada para denotar a vida após a morte (como em 6.9).<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn44" name="_ftnref44"> [44] </a> Está claro, portanto, que <em>psyche</em>, como <em>nephesh</em>, freqüentemente significa a pessoa total.</p>
<p>Agora nos voltamos para a palavra <em>pneuma</em>, o equivalente do Novo Testamento a <em>ruach</em>, que quando se refere ao homem é mais usualmente traduzida como “espírito”. O léxico de Arndt-Gingrich dá oito significados, incluindo os seguintes: “o espírito como parte da personalidade humana”, “o ego de uma pessoa”, “uma disposição ou estado de mente”. Schweizer diz que Paulo usa <em>pneuma</em> para as funções físicas do homem, que ele é freqüentemente um paralelo de <em>psyche</em>, e que pode denotar o homem como um todo, com ênfase mais forte sobre o seu psíquico do que sobre a sua natureza física.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn45" name="_ftnref45"> [45] </a></p>
<p>George Ladd, numa discussão da psicologia paulina, diz-nos que no pensamento de Paulo o homem serve a Deus com o espírito e experimenta a renovação no espírito. Paulo algumas vezes contrasta o <em>pneuma</em> com o corpo como a dimensão mais interior em contraste com lado exterior do homem (2 Co 7.1; Rm 8.10). <em>Pneuma</em> pode descrever a auto-consciência do homem( 1 Co 2.11).<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn46" name="_ftnref46"> [46] </a> W. D. Stacey argumenta que Paulo não vê o <em>pneuma</em> como algo que somente o regenerado tem: “Todos os homens têm pneuma desde o nascimento, mas o <em>pneuma</em> cristão, na comunhão com o Espírito de Deus, assume um novo caráter e uma nova dignidade” (Rm 8.10).<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn47" name="_ftnref47"> [47] </a></p>
<p>É interessante observar que <em>pneuma</em> pode se referir à vida após a morte. Como já vimos, Hebreus 12.23 descreve santos mortos como “os espíritos dos justos aperfeiçoados”, e ambos, Cristo (Lc 23.46) e Estevão (At 7.59), como moribundos encomendando seus espíritos a Deus o Pai ou Deus o Filho. Cristo é também dito ter pregado aos “espíritos em prisão”, obviamente se referindo a pessoas falecidas (1 Pe 3.19).</p>
<p><em>Pneuma</em> também é em grande parte sinônimo de <em>psyche</em>, as duas palavras freqüentemente usadas indistintamente no Novo Testamento. Ladd, contudo, sugere uma distinção entre elas: “O espírito é freqüentemente usado a respeito de Deus; a alma nunca é usada dessa forma. Isto sugere que <em>pneuma</em> representa o homem em seu lado voltado para Deus, enquanto que <em>psyche</em> representa o homem em seu lado humano.”<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn48" name="_ftnref48"> [48] </a> Em geral, eu concordo com isto, mas há duas exceções. Por exemplo, a <em>psyche</em> é descrita algumas vezes como louvando e magnificando o Senhor (Lc 1.46), e Tiago nos diz a respeito da palavra em nós implantada que é capaz de salvar as nossas almas (<em>psychas</em>, Tg 1.21). <em>Pneuma</em>, está claro, pode ser usado como designativo da pessoa total; como <em>psyche</em>, ele descreve um aspecto do homem em sua totalidade.</p>
<p>A próxima palavra que olharemos é <em>kardia</em>, a palavra do Novo Testamento equivalente a <em>lebh</em> e <em>lebhabh</em>, usualmente traduzida como “coração”. Arndt-Gingrich dá o seguinte sentido principal da palavra: “a sede da vida física, espiritual e mental”. Ele é também descrito como o centro e a fonte da totalidade da vida mais interior do homem, com seu pensamento, sentimento e vontade. O coração é também dito ser o lugar de morada do Espírito Santo.</p>
<p>Johannes Behm semelhantemente descreve o coração no Novo Testamento como o principal órgão da vida psíquica e espiritual, o lugar no ser humano no qual Deus testemunha de si mesmo. O coração é o centro da vida mais interior de uma pessoa: de seus sentimentos, entendimento, e vontade. O coração significa a totalidade do ser interior do homem, a parte mais profunda dele; ele é sinônimo de <em>ego</em>, a pessoa. <em>Kardia</em> é supremamente o centro no homem para o qual Deus se volta, no qual a vida religiosa está enraizada, e que determina a conduta moral.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn49" name="_ftnref49"> [49] </a></p>
<p>Anteriormente já observamos que <em>lebh</em> no Antigo Testamento é também usado para indicar o coração como a sede do pecado, a sede da renovação espiritual e o lugar da fé. Isto também é verdade de <em>kardia</em>. Além disso, podemos observar que as outras virtudes cristãs são descritas como <em>kardia</em>. O amor é associado com o coração em 2 Tessalonicenses 3.5 e 1 Pedro 1.22. A obediência é ligada ao coração em Romanos 6.17 e em Colossenses 3.22. O perdão é associado ao coração em Mateus 18.35. O coração é ligado com humildade em Mateus 11.29, e é descrito como o assento da pureza em Mateus 5.8 e Tiago 4.8. A gratidão é associada com o coração em Colossenses 3.16, e a paz é dita guardar o coração em Filipenses 4.7.</p>
<p>Em uma seção de sua <em>Dogmatics</em> na qual ele trata com “o homem como alma e corpo”, Karl Barth, falando do coração no Novo e no Antigo Testamentos, diz:</p>
<p>Se fôssemos verdadeiros com os textos bíblicos deveríamos dizer do coração que ele é <em>in nuce</em> o homem total em si mesmo, e, portanto, não somente o <em>locus</em> de sua atividade mas de sua essência&#8230;Assim, o coração não é meramente uma realidade mas a realidade do homem, ambos – da totalidade da alma e da totalidade do corpo.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn50" name="_ftnref50"> [50] </a></p>
<p>Assim, novamente aqui vemos a ênfase bíblica na totalidade do homem. <em>Kardia</em> significa a pessoa total em sua essência mais interior. No coração a atitude básica do homem para com Deus é determinada, seja de fé ou de incredulidade, de obediência ou de rebelião.</p>
<p>Embora estritamente falando o Antigo Testamento não tenha uma palavra para <em>corpo</em>, ele usa <em>basar</em> para descrever o aspecto físico do homem, sua <em>carne</em>. No Novo Testamento há duas palavras para corpo: <em>sarx</em> e <em>soma</em>. Arndt-Gringrich lista oito significados para sarx, usualmente traduzidos como “carne”; entre outros significados estão: “corpo”, “um ser humano”, “natureza humana”, “limitação física”, “o lado exterior da vida”, e “o instrumento desejoso do pecado” (particularmente nos escritos de Paulo).</p>
<p><em>Sarx</em> no Novo Testamento, então possui dois significados principais: (1) o aspecto externo, físico da existência do homem — neste sentido ele pode ser usado do homem como um todo; e (2) carne como a tendência dentro do homem caído para desobedecer a Deus em todas as áreas da vida.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn51" name="_ftnref51"> [51] </a> Neste segundo sentido, encontrado principalmente nas epístolas de Paulo, não devemos restringir o sentido de <em>sarx</em> como se referindo somente ao que usualmente chamamos de “pecados da carne” (pecados do corpo); ao contrário, deveríamos entendê-lo como referindo-se aos pecados cometidos pela pessoa total. Na lista das “obras da carne” (<em>ta erga tes sarkos</em>) encontrada em Gálatas 5.19-21, onde cinco de quinze dizem respeito aos pecados do corpo; o restante diz respeito ao que chamamos de “pecados do espírito”— como ódio, discórdia, ciúme, e que tais. Assim, mesmo quando a palavra <em>sarks</em> é usada neste segundo sentido, ela diz respeito à pessoa total, e não apenas a uma parte dela.</p>
<p>Agora nos voltamos para a palavra <em>soma</em>, usualmente traduzida como “corpo”. Arndt-Gingrich dá cinco significados, incluindo os seguintes: “o corpo vivo”, “o corpo da ressurreição”, e “a comunidade cristã ou igreja”. Clarence B. Bass, num artigo sobre o corpo nas Escrituras, também lista cinco definições da palavra <em>soma</em>: “a pessoa total como uma entidade diante de Deus”, “o <em>locus</em> do espiritual no homem”, “o homem total como destinado para a membrezia no reino de Deus”, “o veículo para a ressurreição”, e “o lugar do teste espiritual em termos do qual o julgamento acontecerá”.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn52" name="_ftnref52"> [52] </a> Ele chega à seguinte conclusão:</p>
<p>Assim, está claro que o corpo é usado para representar a totalidade do homem, e milita contra qualquer idéia da visão bíblica do homem como existindo à parte da manifestação corporal, a menos que seja durante o estado intermediário [que é, o estado entre a morte e a ressurreição].<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn53" name="_ftnref53"> [53] </a></p>
<p>Podemos resumir nossa discussão das palavras bíblicas usadas para descrever os vários aspectos do homem, como segue: o homem deve ser entendido como um ser unitário. Ele tem um lado físico e um lado mental ou espiritual, mas não devemos separar esses dois. A pessoa humana deve ser entendida como uma alma corporificada ou um corpo “espiritualizado” (“animado”).<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn54" name="_ftnref54"> [54] </a> A pessoa humana deve ser vista em sua totalidade, não como uma composição de diferentes “partes”. Este é o ensino claro de ambos os Testamentos.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn55" name="_ftnref55"> [55] </a><br />
Unidade PsicosomÁtica</p>
<p>Embora a Bíblia veja o homem como uma totalidade, ela também reconhece que o ser humano possui dois lados: o físico e o não-físico. Ele possui um corpo físico, mas ele também é uma personalidade. Ele tem uma mente com a qual ele pensa, mas também um cérebro que é parte do seu corpo, e sem o qual ele não pode pensar. Quando as coisas andam errada com ele, é necessária uma cirurgia, mas outras vezes ele pode precisar de um aconselhamento. O homem é <em>uma</em> pessoa que pode, contudo, ser vista de <em>dois</em> ângulos.</p>
<p>Como, então, haveremos de expressar esses “dois lados” do homem? Já observamos as dificuldades relacionadas com o termo <em>dicotomia</em>. Alguns tem falado de um <em>dualismo</em>,<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn56" name="_ftnref56"> [56] </a> enquanto outros preferem o termo <em>dualidade</em>, fazendo maior justiça à unidade do homem. Berkouwer, por exemplo, explica que “a dualidade e o dualismo não são idênticos de forma alguma, e&#8230;uma referência ao momento dual na realidade cósmica não implica necessariamente em dualismo.”<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn57" name="_ftnref57"> [57] </a> Semelhantemente, Anderson diz que “devemos fazer uma distinção entre uma ‘dualidade’ do ser no qual uma modalidade de diferenciação é constituída como uma unidade fundamental, e um ‘dualismo’ que opera contra essa unidade”.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn58" name="_ftnref58"> [58] </a></p>
<p>Minha preferência, contudo, é falar do homem como uma <em>unidade psico-somática</em>. A vantagem desta expressão é que ela faz plena justiça aos dois aspectos do homem, ao mesmo tempo em que enfatiza a sua unidade.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn59" name="_ftnref59"> [59] </a></p>
<p>Podemos ilustrar isto olhando para o relacionamento entre a mente e o cérebro. Reconhecendo que o homem deveria ser tido como uma unidade com muitos aspectos que constituem um todo indivisível, Donald M. MacKay faz três comentários significativos a respeito da relação entre mente e cérebro:</p>
<p>Nós não precisamos retratar a ‘mente’ e o ‘cérebro’ como duas espécies ‘substâncias” que se interagem. Não precisamos pensar dos eventos mentais e dos eventos cerebrais como dois <em>conjuntos</em> distintos de eventos&#8230;Parece-me suficientemente melhor descrever os eventos mentais e seus eventos cerebrais correlatos como os aspectos “interiores” e “exteriores” de uma e da mesma seqüência de eventos, que em sua plena natureza são mais ricos — tem mais para eles — do que pode ser expresso tanto numa categoria mental como física, isoladamente.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn60" name="_ftnref60"> [60] </a></p>
<p>Nós os estamos considerando [minha experiência consciente e as obras do meu cérebro] como dois aspectos igualmente reais de uma e da mesma unidade misteriosa. O observador externo vê um aspecto, como um padrão físico da atividade cerebral. O próprio agente conhece um outro aspecto como sua experiência consciente&#8230;O que estamos dizendo é que estes aspectos são complementares.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn61" name="_ftnref61"> [61] </a></p>
<p>O homem, então, existe num estado de unidade psico-somática. Assim, fomos criados, assim somos agora, e assim seremos após a ressurreição do corpo. Porque a redenção plena inclui a redenção do corpo (Rm 8.23; 1 Co 15.12-57), visto que o homem não é completo sem o corpo. O futuro glorioso dos seres humanos em Cristo inclui ambos, a ressurreição do corpo e uma nova terra purificada e aperfeiçoada.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn62" name="_ftnref62"> [62] </a><br />
O Estado IntermediÁrio</p>
<p>Agora, enfrentaremos uma pergunta importante: O que dizer a respeito do período entre a morte e a ressurreição, o chamado “estado intermediário”? Quando uma pessoa morre, o que acontece? Visto que alguém não é completo sem o corpo, então uma pessoa cessa de existir até ao tempo da ressurreição? Ou ela “existe” num estado completamente inconsciente? Ou imediatamente após a morte recebe a ressurreição do corpo? Ou ela recebe uma espécie de corpo intermediário, para ser substituído mais tarde por um corpo ressuscitado?</p>
<p>A idéia de que o homem cessa de existir entre a morte e a ressurreição, sustentada pelas Testemunhas de Jeová e pelos Adventistas do Sétimo Dia, deve ser rejeitada como não-bíblicas.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn63" name="_ftnref63"> [63] </a> A idéia de que após a morte as pessoas recebem imediatamente corpos “intermediários” também não encontra base nas Escrituras. O contraste no Novo Testamento é sempre entre o corpo presente e o corpo ressuscitado (cf. Fp 3.21; 1 Co 15.42-44). Os aderentes dessa idéia, às vezes, citam 2 Coríntios 5.1 para provar que receberemos tais corpos “intermediários”: “Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus.” Mas esta passagem fala a respeito da casa <em>eterna</em> no céu. Se tivéssemos que entender esta “casa eterna” como se referindo a um novo corpo, ela não designaria um corpo “intermediário”, temporário.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn64" name="_ftnref64"> [64] </a></p>
<p>Uma outra idéia, usualmente chamada de “sono da alma”, é a de que o homem, ou sua “alma” , existe num estado inconsciente entre a morte e a ressurreição. Esta idéia tem sido sustentada por vários grupos cristãos. João Calvino escreveu sua primeira obra teológica, <em>Psychopannychia</em>, para combater os ensinos do sono-da-alma sustentados pelos anabatistas da sua época.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn65" name="_ftnref65"> [65] </a> Mais recentemente, esta posição tem sido defendida por G. Vander Leeuw,<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn66" name="_ftnref66"> [66] </a> Paul Althaus<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn67" name="_ftnref67"> [67] </a> e Oscar Cullmann.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn68" name="_ftnref68"> [68] </a></p>
<p>Herman Dooyeweerd, rejeitando a dicotomia alma-corpo, afirma um novo entendimento dos dois aspectos do homem: coração e “função de capa” (<em>functie-mantel</em>), sendo este último termo relativo ao corpo, que é a totalidade de sua existência temporal e a estrutura inteira de todas as suas funções temporais.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn69" name="_ftnref69"> [69] </a> O coração e a função-de-capa não devem ser entendidos como duas substâncias distintas dentro do ser humano, mas ao contrário, como descrevendo o homem em sua totalidade unitária.</p>
<p>Mas isto não responde à nossa pergunta sobre o que acontece ao ser humano entre a morte e a ressurreição. Quando a Dooyeweerd foi perguntado: Que espécie de funções podem ainda ser deixadas para a “alma” (<em>anima rationalis separata</em>, alma racional separada) quando ela separada de sua conjunção temporal com as funções pre-psíquicas <a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn70" name="_ftnref70"> [70] </a> (i.e., pós a morte), sua resposta foi: “Nada” (<em>niets</em>!).<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn71" name="_ftnref71"> [71] </a> Em sua resposta, contudo, Dooyeweerd</p>
<p>Não nega a existência continuada da alma após a morte, nem ele apresenta o estado da alma desincorporada como sendo de inconsciência. Todavia, por privar a alma de suas funções temporais, ele parece deixar somente o mais indefinido dos aspectos no lugar das almas racionais desincorporadas.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn72" name="_ftnref72"> [72] </a></p>
<p>No mesmo raciocínio, Berkouwer afirma que nós não deveríamos concluir da “negativa” de Dooyeweerd de que ele rejeita a idéia da comunhão com Cristo após a morte.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn73" name="_ftnref73"> [73] </a></p>
<p>Quando Dooyeweerd pronunciou o seu “nada!”, ele estava respondendo a uma questão a respeito de uma idéia do homem que ele próprio não subscrevia: a de que o homem possuía duas “partes” separadas, um corpo mortal inferior e uma “alma racional” superior, indestrutível e imortal — o ensino dos filósofos gregos antigos. Assim, nós não seríamos justos com Dooyeweerd se aplicássemos suas palavras ao seu próprio entendimento do estado intermediário. Não obstante, devemos admitir que a afirmação é enigmática. Ela tem conduzido muitas a levantar questões a respeito da posição de Dooyeweerd a respeito do estado dos crentes entre a morte e a ressurreição.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn74" name="_ftnref74"> [74] </a></p>
<p>O ensino central da Bíblia a respeito do futuro do homem é o da ressurreição do corpo. Mas o Novo Testamento indica que o estado dos crentes entre a morte e a ressurreição é o de alegria provisória, expressa no dito de Paulo de ser “incomparavelmente melhor” do que o estado aqui na terra (Fp 1.23). Se isto é assim, a condição dos crentes durante o estado intermediário não pode ser um estado de não-existência ou de inconsciência.</p>
<p>Algumas vezes o Novo Testamento simplesmente diz que o crente continuará a existir neste estado de alegria provisória:</p>
<p>Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. Ora, de um e de outro lado estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. (Fp 1.22-23)</p>
<p>Jesus, respondendo ao pecador penitente, disse: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23.43)</p>
<p>Temos, portanto, sempre ânimo, sabendo que, enquanto no corpo, estamos ausentes do Senhor; visto que andamos por fé, e não pelo que vemos. Entretanto estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor. (2 Co 5.6-8)</p>
<p>Na passagem aos Filipenses Paulo contrasta “o viver na carne” com “partir e estar com Cristo”, sugerindo claramente que é possível para uma pessoa não mais estar vivendo no presente corpo e, todavia, estar com Cristo — um estado que é muito melhor que o presente estado. Particularmente significativo neste ponto é a passagem de 2 Coríntios, onde Paulo contrasta o “enquanto no corpo” (<em>endemountes en to somati</em>) com o estar “ausente do corpo” (<em>ekdemesai ek tou somatos</em>). Se Paulo tivesse pretendido descrever a bênção do crente após a ressurreição, ele poderia Ter usado uma expressão como “ausentes <em>deste</em> corpo”, sugerindo que os crentes então estariam “habitando” um novo corpo. Mas ele simplesmente “ausentes do corpo”, dizendo aos seus leitores que ele está pensando de uma existência entre o corpo presente e o corpo da ressurreição. Observe que, em ambas as passagens, Paulo afirma que é possível para os crentes estarem com Cristo, mesmo quando eles não mais vivem em seus presentes corpos e antes deles receberem seus corpos ressuscitados.</p>
<p>Em outras vezes, contudo, o Novo Testamento usa as palavras “alma” (<em>psyche</em>) ou “espírito” (<em>pneuma</em>) para se referir aos crentes enquanto eles continuam a existir entre a morte e a ressurreição. A palavra “alma” é usada nas seguintes passagens:</p>
<p>Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma” (Mt 10.28).</p>
<p>Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam (Ap 6.9).</p>
<p>A palavra “espírito é usada nos seguintes textos:</p>
<p>Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembléia e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados. (Hb 12.22-23)</p>
<p>Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais noutro tempo foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água. (1 Pe 3.18-20)</p>
<p>Assim, às vezes, o Novo Testamento diz que nós que somos crentes, continuaremos a existir num estado provisório de alegria entre a morte e a ressurreição, enquanto que em outras vezes ele diz que as “almas” ou “espíritos” dos crentes ainda existirão durante aquele estado. Mas a Bíblia não usa palavras como “alma” e “espírito” no mesmo modo que nós o fazemos; dessa forma, estas passagens estão pretendendo tão somente nos dizer que os seres humanos continuarão a existir entre a morte e a ressurreição, enquanto esperam a ressurreição do corpo. A Bíblia não nos dá qualquer descrição antropológica da vida nesse estado intermediário. Podemos especular a respeito dela, podemos tentar imaginar a que esse estado será, mas não podemos formar nenhuma idéia clara da vida entre a morte e a ressurreição. A Bíblia ensina sobre ela, mas não a descreve. Como Berkouwer diz, o que o Novo Testamento nos conta a respeito do estado intermediário não é nada mais do que um sussurro.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn75" name="_ftnref75"> [75] </a></p>
<p>Embora o homem exista agora no estado de unidade psico-somática, esta unidade poderá ser temporariamente rompida no tempo da morte. Em 2 Coríntios 5.8 Paulo ensina claramente que os seres humanos podem existir à parte de seus corpos presentes. O mesmo ponto é assinalado em duas outras passagens do Novo Testamento:</p>
<p>A fim de que sejam os vossos corações confirmados em santidade, isentos de culpa, na presença de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, com todos os seus santos. (1 Ts 3.13)</p>
<p>Pois se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará juntamente em sua companhia os que dormem. (1 Ts 4.14)</p>
<p>Ambos os textos falam a respeito dos “santos” e “daqueles que dormem com Cristo”, como existindo após a morte e antes da ressurreição — observe que a ressurreição daqueles que dormiram em Cristo é mencionada mais tarde em 1 Tessalonicenses 4.16.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn76" name="_ftnref76"> [76] </a> Pode ser observado também que neste verso a expressão “mortos em Cristo” claramente sugere que os crentes falecidos ainda estão em algum estado de existência antes da ressurreição.</p>
<p>O estado normal do homem é o da unidade psico-somática. No tempo da ressurreição ele será restaurado plenamente ao da unidade e, assim, uma vez mais, será tornado completo. Mas nós devemos reconhecer que, segundo o ensino bíblico, os crentes podem existir temporariamente num estado de alegria provisória, mesmo fora de seus corpos presentes durante o “tempo” entre a morte e a ressurreição. Este estado intermediário e, contudo, incompleto e provisório. Nós anelamos para a ressurreição do corpo e a nova terra como o clímax final do programa redentor de Deus.<br />
ImplicaÇÕes PrÁticas</p>
<p>O entendimento do homem como uma pessoa total, como foi desenvolvido neste capítulo, tem importantes implicações práticas.</p>
<p>Primeira, a <em>igreja</em> deve estar preocupada com a pessoa total. Em sua pregação e em seu ensino a igreja deve dirigir-se não somente às mentes daqueles a quem ela serve, mas também às suas emoções e suas vontades. A pregação que meramente comunica informação intelectual a respeito de Deus ou da Bíblia está seriamente inadequada; os ouvintes devem ser despertados em seus corações e movidos a louvar a Deus. Os professores na escola dominical devem fazer mais do que simplesmente dar aos alunos uma rota de “conhecimento” versos da Bíblia ou das afirmações doutrinárias; seu ensino deve exigir uma resposta que envolva todos os aspectos da pessoa. Os programas da igreja para a juventude não deveria negligenciar o corpo; os esportes e as atividades externas deveriam ser encorajadas como um aspecto da vida cristã globalizada.</p>
<p>Em sua tarefa evangelista e missionária, a igreja deveria lembrar-se também que ela está tratando com pessoas completas. Embora o propósito principal de missões seja confrontar as pessoas com o evangelho, de forma que elas possam se arrepender de seus pecados e serem salvas através da fé em Cristo, todavia a igreja nunca deve se esquecer que os objetos de sua empreitada missionária têm necessidades tanto físicas quanto espirituais. Com isto em mente, o fato de que o homem é um ser unitário, deveríamos evitar expressões como “salvar a alma” quando descrevendo a tarefa do missionário, e deveríamos optar por uma abordagem <em>holística</em> ou <em>abrangente</em> em missões. Esta abordagem, que algumas vezes é conhecida como “o ministério da palavra e das ações”, direciona o missionário a estar preocupado não somente a respeito de ganhar convertidos para Cristo, mas também em melhorar as condições de vida desses convertidos e seus vizinhos, trabalhando em áreas como agricultura, dietética e saúde. O estabelecimento de escolas para a educação cristã dos nacionais e a manutenção de clínicas e hospitais tanto para o cuidado da saúde rotineira como da emergencial, entretanto, não deve ser considerado como estranho à província da atividade missionária da igreja, mas como um aspecto essencial dela. Arthur F. Glasser, ex-deão da Escola de Missões Mundiais do Seminário Teológico Fuller (California), diz que na tarefa como missionários cristãos,</p>
<p>O desenvolvimento da fé individual e interior deve ser acompanhado por uma obediência solidária e exterior ao mandato cultural extensamente detalhado na Santa Escritura. O mundo deve ser servido, não evitado. A justiça social deve ser promovida, e as questões de guerra, racismo, pobreza e desequilíbrio econômico devem se tornar uma preocupação ativa e participativa daqueles que professam crer em Jesus Cristo. Não é suficiente que a missão cristã seja redentora; ela também deve ser profética.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn77" name="_ftnref77"> [77] </a></p>
<p>A <em>escola</em> deveria também estar preocupada a respeito da pessoa total. Embora um dos principais propósitos da escola seja a instrução intelectual, o professor nunca deveria esquecer que o aluno que está ensinando é uma pessoa total. A escola, portanto, não deveria treinar apenas a mente, mas deveria apelar para as emoções e vontade, visto que o ensino eficaz deve produzir no aluno tanto o amor pela matéria como um desejo de aprender mais a respeito dela. Além disso, as escolas deveriam evidenciar uma preocupação pelo corpo assim como pela mente. Os esportes de espectadores, no qual poucos jogam e muitos meramente observam, têm o seu lugar, mas muito mais importante para o corpo discente como um todo é um bom programa de educação física, com uma ênfase nos esportes de jogos internos que envolvam todos os estudantes.</p>
<p>O conceito da pessoa total tem também implicações para <em>a vida de família</em>. Os pais crentes ficarão preocupados em ensinar a seus filhos a respeito de Deus, em treiná-los na vida cristã, e a discipliná-los em amor quando carecem disto. Mas os pais devem também estar preocupados a respeito de assuntos como uma dieta saudável e própria para o cuidado do corpo. Está sendo cada vez mais reconhecido hoje que um programa regular de exercício físico é essencial para uma boa saúde; os pais, portanto, deveriam tentar ensinar a seus filhos o cuidado do corpo, não somente por preceito mas também pelo exemplo.</p>
<p>Além disso, o conceito da pessoa total tem implicações para a <em>medicina</em>. Em reconhecimento do fato de que o homem é uma unidade psico-somática, a ciência médica desenvolveu recentemente uma abordagem chamada <em>medicina holística</em>.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn78" name="_ftnref78"> [78] </a> A medicina holística tem sido definida como “um sistema de saúde que enfatiza a responsabilidade pessoal para a própria saúde e empenha-se por um relacionamento cooperativo entre todos os envolvidos em proporcionar cuidados de saúde.”<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn79" name="_ftnref79"> [79] </a> Os praticantes da saúde holística “enfatizam a necessidade da busca pela pessoa total, incluindo condição física, nutrição, maquiagem emocional, estado espiritual, valores de estilo de vida e ambiente.”<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn80" name="_ftnref80"> [80] </a></p>
<p>Num livro fascinante entitulado <em>Anatomy of an Illness</em> (“Anatomia de uma Doença”) Norman Cousins faz um comentário de que um dos aspectos mais importantes na recuperação de uma doença está na “vontade de viver”: “A vontade de viver não é uma abstração teórica, mas uma realidade fisiológica com características terapêuticas.”<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn81" name="_ftnref81"> [81] </a> Cousins relata que centenas de médicos lhe têm dito que “nenhum remédio que eles podem dar aos pacientes foi tão potente como o estado de alma que um paciente traz para sua própria doença.”<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn82" name="_ftnref82"> [82] </a> Segundo Cousins, nos exercícios de graduação da Escola de Medicina da Universidade John Hopkins em 1975, o Dr. Jerome D. Frank disse aos graduandos “que qualquer tratamento de uma doença que não ministre também ao espírito humano é grosseiramente deficiente.”<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn83" name="_ftnref83"> [83] </a> A Conclusão é clara: A cura e a manutenção da saúde física envolve a pessoa total. Médicos, enfermeiras, pastores e pacientes devem sempre ter isto em mente.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn84" name="_ftnref84"> [84] </a></p>
<p>Finalmente, o conceito da pessoa total tem implicações importantes para a <em>psicologia</em> e para o <em>aconselhamento</em>. Estudos recentes de psicologia têm levado a uma nova ênfase na totalidade do homem — uma ênfase que é chamada algumas vezes de “teoria organísmica”.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn85" name="_ftnref85"> [85] </a> Hall and Lindzey afirmam que a nova ênfase em psicologia sobre a pessoa total é uma reação contra o dualismo mente-corpo, a psicologia das faculdade, e o <em>behaviorismo</em> (comportamentalismo). Esta nova ênfase, eles dizem, tem sido grandemente aceita:</p>
<p>Quem há em psicologia hoje que não seja um proponente dos principais princípios da teoria organísmica que o total é algo além da soma de suas partes, que o que acontece a uma parte acontece ao todo, e que não há nenhum compartimento separado dentro do organismo?<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn86" name="_ftnref86"> [86] </a></p>
<p>Os conselheiros devem lembrar-se também do fato de que o homem é uma pessoa total. Eles deveriam ser treinados a reconhecer os problemas que requerem a especialidade de outros além de si mesmos, e deveriam encaminhar seus aconselhandos, quando necessário, a médicos e psiquiatras. Os problemas mentais não deveriam ser tidos como totalmente distintos dos problemas físicos, porque nenhum tipo de problema está sempre separado do outro. Visto drogas anti-depressivas podem curar certos tipos de depressão, um conselheiro sábio fará uso desses meios. Pacientes que possuem problemas muito profundos, de fato, podem mais eficazmente ser curados através de esforços combinados de uma equipe terapêutica, consistindo, talvez, de um psicólogo, um assistente social, um médico e um psiquiatra.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn87" name="_ftnref87"> [87] </a></p>
<p>O conselheiro não deveria pensar de uma saúde mental e espiritual como coisas totalmente separadas. Visto que o homem é uma pessoa total, o espiritual e o mental são aspectos de uma totalidade, de forma que cada aspecto influencia e é influenciado pelo outro. Howard Clinebell diz o seguinte: “A saúde espiritual é um aspecto indispensável da saúde mental. Os dois podem estar separados somente numa base teórica. Nos seres humanos vivos, a saúde espiritual e mental estão inseparavelmente entrelaçadas.”<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn88" name="_ftnref88"> [88] </a></p>
<p>Algumas vezes o conselheiro pastoral pode pensar que a mera</p>
<p>citação dos versos da Bíblia pode ser tudo o de que necessita para ajudar o membro da igreja a resolver um difícil problema espiritual. Mas um entendimento do homem como uma pessoa total conduz-nos a perceber que tal abordagem pode ser totalmente inadequada. David G. Benner, num artigo no qual ele desafia a opinião comum de que a personalidade humana pode ser dividida em duas partes, uma “parte” espiritual e uma psicológica, ilustra seu ponto da seguinte maneira:</p>
<p>A tentação, portanto, de rotular a dificuldade de uma pessoa em aceitar o perdão de Deus de seus pecados como um problema espiritual deve ser resistido a fim de deixar o conselheiro muitíssimo aberto para tratar com ambos os aspectos, psicológico e espiritual, daquele problema. Assumir natureza espiritual essencial e proceder por meio de uma apresentação explícita de certas verdades bíblicas é esquecer que o perdão, esteja ele sendo dado ou recebido, é mediado por processos psico-espirituais da personalidade e, portanto, esses outros fatores psicológicos podem também estar envolvidos e outras técnicas sejam apropriadas.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn89" name="_ftnref89"> [89] </a></p>
<p>O conselheiro cristão, portanto, deveria ver os problemas de seus aconselhandos como problemas da pessoa total. Ele deveria não somente tratar com o aconselhando como uma pessoa total, mas deveria também tentar restaurá-lo à sua totalidade, que é a marca de uma vida saudável e piedosa.<a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftn90" name="_ftnref90"> [90] </a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>NOTAS:</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref1" name="_ftn1"> [1] </a> G. C. Berkouwer, <em>De Mens het Beeld Gods</em> (Kampen: Kok, 1957), p. 211. Cf. Ray S. Anderson, <em>On Being Human</em> (Grand Rapids: Eerdmans, 1982), p. 213.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref2" name="_ftn2"> [2] </a> John A. T. Robinson, <em>The Body</em> (London: SCM Press, 1952), p. 16.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref3" name="_ftn3"> [3] </a> <em>A System of Biblical Psychology</em>, (Edinburgh: T &amp; T Clark, 1867), p. 16.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref4" name="_ftn4"> [4] </a> <em>Bijbelsche en Religieuze Psychologie </em>(Kampen: Kok, 1920), p. 13.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref5" name="_ftn5"> [5] </a> Man, p. 195.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref6" name="_ftn6"> [6] </a> Ver acima, p. 75-82 (<u>texto em inglês</u>)</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref7" name="_ftn7"> [7] </a> Ver acima, p. 34-35 (<u>texto em inglês</u>).</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref8" name="_ftn8"> [8] </a> Ver Louis Berkhof, <em>History of Christian Doctrines</em> (Grand Rapids: Eerdmans, 1937), p. 106-107; J. L. Neve, <em>A History of Christian Thought</em> (Philadelphia: United Lutheran Publication House, 1943), p. 126; Anderson, <em>On Being Human</em>, p. 207-8.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref9" name="_ftn9"> [9] </a> <em>Man</em>, p. 209. Ver também o comentário de A. Grillmeier citado em n.20. <em>Dichotomy</em> é a idéia de que o homem deve ser entendido como consistindo de duas “partes”, corpo e alma.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref10" name="_ftn10"> [10] </a> J. N. D. Kelly, <em>Early Christian Doctrines</em> (London: Black, 1958), p. 292.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref11" name="_ftn11"> [11] </a> <em>System of Biblical Psychology</em>, pp. Vii, 247-66.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref12" name="_ftn12"> [12] </a> <em>The Tripartite Nature of Man</em> (Edinburgh: T &amp; T Clark, 1866).</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref13" name="_ftn13"> [13] </a> <em>Outlines of Biblical Psychology</em>, (Edinburgh: T &amp; T Clark, 1877), p. 38.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref14" name="_ftn14"> [14] </a> <em>Theology of the Old Testament</em>, edit. G. E. Day (1873; Grand Rapids: Zondervan), 149-51.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref15" name="_ftn15"> [15] </a> <em>The Release of the Spirit </em>(Indianapolis: Sure Foundation, 1956), 6.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref16" name="_ftn16"> [16] </a> <em>The Handbook of Happiness</em> (Denver: Heritage House Publications, 1971), 28; ver também p. 27-58.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref17" name="_ftn17"> [17] </a> Wilfred Brockelman, <em>Gothard, The Man and his Ministry: An Evaluation</em> (Santa Barbara: Quill Publications, 1976), 85-96.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref18" name="_ftn18"> [18] </a> <em>The Scofield Reference Bible</em> (New York: Oxford University Press, 1909), no texto de 1 Ts 5.23<em>; The New Scofield Reference Bible </em>(New York: Oxford University Press, 1967) no texto de 1 Ts 5.23.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref19" name="_ftn19"> [19] </a> Bijbelsche en Religieuze Psychologie, 53. Cf. TDNT, 6:395.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref20" name="_ftn20"> [20] </a> Sobre a interpretação de Hb 4.12 e 1 Ts 5.23, ver Bavinck, <em>Bijbelsche Psychologie</em>, 58-59; Louis Berkhof, <em>Teologia Sistemática</em> (Campinas: Luz Para o Caminho, 199&#8230;.), p&#8230;&#8230;.; Berkouwer, <em>Man</em>, 210; Sobre Hb 4.12 ver também F. F. Bruce<em>, The Epistle to the Hebrews</em>, in the New International Commentary sobre a série do Novo Testamento (Grand Rapids: Eerdmans, 1964), 80-83; Para uma defesa do pensamento tricotômico, ver F. Delitzsch, <em>The Epistle to the Hebrews</em>, (Edinburgh: T. &amp; T. Clark, 202-14, especialmente 212-14.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref21" name="_ftn21"> [21] </a> Teologia Sistemática, p&#8230;&#8230;&#8230;.; cf ª H. Strong, <em>Systematic Theology</em>, vol. 2 (Philadelphia: Griffith and Rowland, 1907), 483-88; J. T. Mueller, <em>Christian Dogmatics</em>, (St. Louis: Concordia, 1934), 184; H. C. thiessen, Introductory <em>Lectures in Systematic Theology</em> (Grand Rapids: Eerdmans, 1949), 225-26; Gordon H. Clark, <em>The Biblical Doctrine of Man</em> (Jefferson, MD: The Trinity Foundation, 1984), 33-45.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref22" name="_ftn22"> [22] </a> Cf o meu livro <em>A Bíblia e o Futuro</em>, (pp 86-87 <u>edição em inglês</u>). Sobre este ponto ver também Berkouwer, <em>Man</em>, 212-22.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref23" name="_ftn23"> [23] </a> <em>The Body</em>, 16.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref24" name="_ftn24"> [24] </a> G. E. Ladd, <em>A Theology of the New Testament</em> (Grand Rapids: Eerdmans, 1974), 457.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref25" name="_ftn25"> [25] </a> Francis Brown, S. R. Driver, e Charle Briggs<em>, Hebrew and English Lexicon of the Old Testament</em> (New York: Houghton Mifflin, 1907).</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref26" name="_ftn26"> [26] </a> Provavelmente o exemplo mais conhecido do uso dessa palavra se referindo ao homem seja Gn 2.7 – “Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego da vida, e o homem passou a ser alma vivente (<em>nephesh chayyah</em>)”.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref27" name="_ftn27"> [27] </a> “<em>Psyche</em>”, TDNT, 9:620.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref28" name="_ftn28"> [28] </a> <em>The Pauline View of Man</em> (London: Macmillan, 1956), 90.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref29" name="_ftn29"> [29] </a> F. H. Von Meyenfeldt, <em>Het Hart (Leb, Lebab) in het Oude Testament</em> (Leiden: E. J. Brill, 1950), 218-19.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref30" name="_ftn30"> [30] </a> <em>Wijsbegeerte der Wetsidee</em>, vol. 1 (Amsterdam: H. J. Paris, 1935), 30.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref31" name="_ftn31"> [31] </a> <em>On Being Human</em>, 211.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref32" name="_ftn32"> [32] </a> <em>The Christian Doctrine of Man</em> (Edinburgh: T. &amp; T. Clark, 1911), 26.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref33" name="_ftn33"> [33] </a> “<em>Basar</em>”, na obra de G. Johannes Botterweck e Helmer Ringgren, editores<em>, Theological Dictionary of the Old Testament</em>, (Grand Rapids: Eerdmans, 1977), p. 325.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref34" name="_ftn34"> [34] </a> Ibid., 325.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref35" name="_ftn35"> [35] </a> <em>Anthropologie des Alten Testaments</em> (Munich: Chr. Kaiser, 1973), 55.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref36" name="_ftn36"> [36] </a> F. B. Knutson, “Flesh”, ISBE, 2.314.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref37" name="_ftn37"> [37] </a> “Corpo”, ibid., 1:528-29. Observe também o comentário de J. Pedersen: “Alma e corpo [no uso do Antigo Testamento] são tão intimamente unidos que uma distinção não pode ser feita entre eles. Eles são mais do que ‘unidos’; o corpo é a alma em sua forma exterior” (<em>Israel: Its Life and Culture</em>, vol. 1 [London: Oxford University Press, 1926], 171).</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref38" name="_ftn38"> [38] </a> <em>The Christian Doctrine of Man</em>, 27.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref39" name="_ftn39"> [39] </a> William F. Arndt e F. Wilbur Gingrich<em>, A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature </em>(Chicago: Univsersity of Chicago Press, 1957).</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref40" name="_ftn40"> [40] </a> “<em>Psyche</em>”, TDNT, 9:639.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref41" name="_ftn41"> [41] </a> Ibid., 642.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref42" name="_ftn42"> [42] </a> Ibid., 644.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref43" name="_ftn43"> [43] </a> Ibid., 648.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref44" name="_ftn44"> [44] </a> Ibid., 654.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref45" name="_ftn45"> [45] </a> “<em>Pneuma</em>”, TDNT, 6:435.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref46" name="_ftn46"> [46] </a> Ladd, <em>A Theology of the New Testament</em>, 461-63.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref47" name="_ftn47"> [47] </a> <em>The Pauline View of Man</em>, 135.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref48" name="_ftn48"> [48] </a> <em>New Testament Theology</em>, 459.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref49" name="_ftn49"> [49] </a> “<em>Kardia</em>”, TDNT, 3:611-12.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref50" name="_ftn50"> [50] </a> <em>Church Dogmatics</em> (Edinburgh: T. &amp; T. Clark, 1960), III/2, 436.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref51" name="_ftn51"> [51] </a> Um estudo mais antigo, embora competente, a respeito do significado de sarx nos escritos de Paulo é o de Wm. P. Dickson, <em>St. Paul’s Use of the Terms Flesh and Spirit</em> (Glasgow: Maclehose, 1883). Um estudo mais recente é o de J. A. Robinson, <em>The Body</em> (1952.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref52" name="_ftn52"> [52] </a> “Body, ISBE, 1:529.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref53" name="_ftn53"> [53] </a> Ibid.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref54" name="_ftn54"> [54] </a> Barth, <em>Church Dogmatics</em>, III/2, 350.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref55" name="_ftn55"> [55] </a> Em acréscimo aos estudos da visão bíblica sobre a pessoa total referida acima, podemos enumerar os seguintes: G. C. Berkouwer, “The Whole Man”, em <em>Man</em>, 194-233; C. A. Van Peursen<em>, Body, Soul, Spirit: A Survey of the Body-Mind Problem</em>, (London: Oxford University Press, 1966); H. Ridderbos, <em>Paul: Na Outline of His Theology</em> (Grand Rapids: Eerdmans, 1975), 64-68, 114-26; Rudolf Bultmann<em>, Theology of the New Testament</em>, vol. 1 (New York: Scribner, 1951), 190-227; Werner G. Kümmel<em>, Man in the New Testament</em> (London: Epworth, 1963); Robert Jewett, <em>Paul’s Anthropological Terms</em> (Leiden: E. J. Brill, 1971).</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref56" name="_ftn56"> [56] </a> John Cooper, “Dualism and the Biblical View of Human Beings”, <em>Reformed Journal</em> 32, no. 9 e 10 (Setembro e Outubro de 1982).</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref57" name="_ftn57"> [57] </a> <em>Man</em>, 211.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref58" name="_ftn58"> [58] </a> <em>On Being Human</em>, 209. Ver também Robert H. Gundry, <em>Soma in Biblical theology</em> (Cambridge: Cambridge University Press, 1976), 83. Gundry prefere “dualidade” ao invés de “dualismo” como sendo ensinado em ambos os Testamentos, particularmente nos escritos de Paulo.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref59" name="_ftn59"> [59] </a> Este termo também é usado por John Murray, “Thrichotomy”, em sua obra <em>Collected Writings of John Murray</em>, vol. 2 (Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1977), 33 (“o homem é um ‘ser psico-somático”); e por G. W. Bromiley, “Anthropology”, ISBE, 1:134 (“o homem tem um lado físico e um lado espiritual&#8230;ambos pertencem conjuntamente a uma unidade psico-somática”); ver também Henry Stob, <em>Ethical Reflections</em> (Grand Rapids: Eerdmans, 1978), 226.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref60" name="_ftn60"> [60] </a> Donald M. MacKay, <em>Brains, Machines and Persons</em> (Grand Rapids: Eerdmans, 1980), 14.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref61" name="_ftn61"> [61] </a> Ibid., 83. Mais nesse livro (p. 101) MacKay descreve a vida futura do cristão dum modo no qual ele parece deixar lugar somente para a ressurreição do corpo e não para uma existência continuada do crente no estado intermediária (ver abaixo, p. 218-22). Se esta é a posição de MacKay, eu não concordaria com ele. Podemos ainda, contudo, aceitar as afirmações feitas nas citações acima como descrições corretas da unidade da mente com o cérebro durante esta presente vida.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref62" name="_ftn62"> [62] </a> Ver esse assunto no meu livro <em>A Bíblia e o Futuro</em>, capítulos 17 e 20.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref63" name="_ftn63"> [63] </a> Ver meu trabalho <em>The Four Major Cults</em> (Grand Rapids: Eerdmans, 1963), 345-71.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref64" name="_ftn64"> [64] </a> Para uma interpretação diferente da “casa eterna no céu”, ver <em>A Bíblia e o Futuro</em>, pp. 104-6 (<u>em inglês</u>).</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref65" name="_ftn65"> [65] </a> Ver Calvino, <em>Tracts and Treatises of the Reformed Faith</em>, ,vol. 3, (Grand Rapids: Eerdmans, 1958), 413-90.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref66" name="_ftn66"> [66] </a> <em>Onsterfelijkheid of Opstanding</em>, (Assen: Van Gorcum, 1936).</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref67" name="_ftn67"> [67] </a> <em>Die Letzten Dinge</em>, (1922: Gütersloh: bertelsmann, 1957).</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref68" name="_ftn68"> [68] </a> <em>Immortality of the Soul or Resurrection of the Dead?</em> (New York: Macmillan, 1964), 10-11.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref69" name="_ftn69"> [69] </a> William G. Young, “The Nature of Man in the Amsterdam Philosophy”, <em>Westminster Theological Journ</em>al 22, no. 1 (Novembro, 1959):7.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref70" name="_ftn70"> [70] </a> A saber, as funções aritméticas, especiais, físicas e orgânicas.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref71" name="_ftn71"> [71] </a> Herman Dooyeweerd, “Kuyper’s Wetenschapsleer”, <em>Philosophia Reformata</em> 4 (1939): 204.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref72" name="_ftn72"> [72] </a> Young, “The Nature of Man”, 10.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref73" name="_ftn73"> [73] </a> <em>Man</em>, 256.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref74" name="_ftn74"> [74] </a> Ver a discussão de Berkouwer sobre este assunto em <em>Man</em>, 255-257.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref75" name="_ftn75"> [75] </a> <em>De Wederkomst van Christus</em>, vol. 1 (Kampen: Kok, 1961), 79. Sobre o estado intermediário, ver adicionalmente Berkouwer, <em>The Return of Christ</em>, (Grand Rapids: Eerdmans, 1972), 32-64; e <em>A Bíblia e o Futuro</em>, 92-108 (<u>texto inglês</u>)</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref76" name="_ftn76"> [76] </a> Sobre esses versos ver W. Hendriksen, <em>I and II Tessalonians</em>, no Comentário do Novo Testamento (Grand Rapids: Baker, 1955); Leon Morris, <em>The First and Second Epistles to the Thessalonians</em>, in the New International Commentary on the New Testament Series (Grand Rapids: Eerdmans, 1959).</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref77" name="_ftn77"> [77] </a> “Missiology”, no <em>Evangelical Dictionary of Theology</em>, editado por Walter ª Elwell (Grand Rapids: Baker, 1984), 726. Ver também William Dyrness<em>, Let the Earth Rejoice: A Biblical Theology of Holistic Mission</em> (Westchester, IL: Crossway Books, 1983); Francis M. Dubose, <em>God who Sends: a Fresh Quest for Biblical Mission</em> (Nashville: Broadman Press, 1983); e J. H. Boer, <em>Missions: Heralds of Capitalism ou Christ?</em> (Ibadan, Nigeria: Day Star Press, 1984).</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref78" name="_ftn78"> [78] </a> The American Holistic Medical Association foi fundada em Maio de 1978.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref79" name="_ftn79"> [79] </a> “Holistic Medicine”, <em>Encyclopedia Americana</em>, vol. 14 (Danbury, CT: Grolier, 1983), 294.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref80" name="_ftn80"> [80] </a> Ibid.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref81" name="_ftn81"> [81] </a> New York: Norton, 1979, 44.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref82" name="_ftn82"> [82] </a> Ibid., 139.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref83" name="_ftn83"> [83] </a> Ibid., 133.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref84" name="_ftn84"> [84] </a> Entre a literatura volumosa sobre a medicina holística, os seguintes estudos podem ser observados: David Allen, <em>Whole Person Medicine</em> (Downers Grove: InterVarsity Press, 1980); Ed Gaedwag, <em>Inner Balance: The Power of Holistic Healing</em> (Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall, 1979); Jack La Patra, <em>Healing: The Coming Revolution in Holistic Medicine</em> (New York: McGraw, 1978); Morton Walker<em>, Total Health: The Holistic Alternative to Traditional Medicine</em> (New York: Everest House, 1979).</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref85" name="_ftn85"> [85] </a> Ver “Organismic Theory” na obra de Calvin S. Hall e Gadner Lindzey, <em>Theories of Personality</em>, (New York: John Wiley, 1970), 298-337. Observe a bibliografia no final do capítulo.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref86" name="_ftn86"> [86] </a> Ibid., 330</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref87" name="_ftn87"> [87] </a> Karl Menninger <em>The Vital Balance</em> (New York: Viking Press, 1963), 335.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref88" name="_ftn88"> [88] </a> <em>Mental Health Through Christian Community</em> (Nashville: Abingdon, 1965), 20.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref89" name="_ftn89"> [89] </a> “What God Hath Joined: The Psychospiritual Unity of Personality<em>”, The Bulletin: Christian Association for Psychological Studies </em>5, no. 2 (1979): 11.</p>
<p><a href="http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm#_ftnref90" name="_ftn90"> [90] </a> Sobre a pessoa total, veja também Salvatore R. Maddi, <em>Personality Theories</em> (Homewood, IL: Dorsey Press, 1980).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Capítulo 12 do excelente livro “<em>Criados à Imagem de Deus</em>”, da Cultura Cristã.</p>
<p class="facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://apologiacrista.com.br/2016/10/22/a-pessoa-total-tricotomia-ou-dicotomia/" target="_blank" title="Share on Facebook">Share on Facebook</a></p>]]></content:encoded>
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">153</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Batismo é por imersão ou aspersão?</title>
		<link>http://apologiacrista.com.br/2016/10/21/batismo-e-por-imersao-ou-aspersao/</link>
		<pubDate>Fri, 21 Oct 2016 15:31:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Filipe]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Batismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://apologiacrista.com.br/?p=149</guid>
		<description><![CDATA[Aproveitando a Semana Teológica do Seminário JMC, neste vídeo George Lucas do Canal Geolê entrevista o Rev. Leandro Lima sobre o batismo &#8211; imersão ou aspersão? Assista: &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212; Fonte: Geolê; Bereianos Palestra completa do Rev. Leandro Lima, disponível aqui! Livro citado: Batismo cristão &#8211; imersão ou aspersão? &#8211; Charles Hodge &#160; &#160; Share on Facebook]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div><span class="Apple-style-span"><br />
</span> <span class="Apple-style-span">Aproveitando a Semana Teológica do <a href="http://www.seminariojmc.br/" target="_blank">Seminário JMC</a>, neste vídeo George Lucas do <i><a href="https://www.youtube.com/channel/UC1NvtiICgopfKonJ6AKIFvg" target="_blank">Canal Geolê</a></i> entrevista o Rev. Leandro Lima sobre o batismo &#8211; imersão ou aspersão? Assista:</span><br />
<span class="Apple-style-span"><br />
</span></p>
<div><span class="Apple-style-span"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/zTNzTHx7UW8?rel=0" width="610" height="343" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen" data-mce-fragment="1"></iframe></span></div>
</div>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b>Fonte: </b><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zTNzTHx7UW8&amp;feature=youtu.be" target="_blank">Geolê</a>; <a href="http://bereianos.blogspot.com.br/">Bereianos</a><br />
Palestra completa do Rev. Leandro Lima, disponível <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Eeqe6TumfA0" target="_blank"><b>aqui!</b></a><br />
Livro citado: <i><a href="https://www.editoraculturacrista.com.br/loja/livro/batismo-cristao-imersao-ou-aspersao-3-edicao-927" target="_blank">Batismo cristão &#8211; imersão ou aspersão?</a></i> &#8211; Charles Hodge</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p class="facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://apologiacrista.com.br/2016/10/21/batismo-e-por-imersao-ou-aspersao/" target="_blank" title="Share on Facebook">Share on Facebook</a></p>]]></content:encoded>
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">149</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O que é o reino de Deus?</title>
		<link>http://apologiacrista.com.br/2016/10/20/o-que-e-o-reino-de-deus/</link>
		<pubDate>Thu, 20 Oct 2016 21:42:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Filipe]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Reino de Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Governo de Deus]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://apologiacrista.com.br/?p=146</guid>
		<description><![CDATA[&#160; Esse termo é bastante confundido por muitos, quando se deparam com esse termo nas Escrituras Sagradas. Mesmo procurando um dicionário ou até mesmo um comentário bíblico, pouco será o resultado das pesquisas desse termo que é uma das palavras-chaves dentro da Bíblia. Será porque esse termo confunde tanto assim? Essa resposta está localizada, quando procuramos entender a passagem que mostrou o termo, sem entender a sua origem desde Gênesis. Porém, por hora definiremos o significado desse termo. O reino de Deus de acordo com Rm 14:17 conceitua como &#8220;justiça, paz e alegria&#8221; e não coisas materias como &#8220;comida e bebida&#8221;. Apenas nesse texto, podemos perceber que o reino de Deus não pode ser definido tão facil e cirurgicamente assim. Contudo, podemos dizer que é o modo de Deus agir, é o exercício de suas regras. Deus governa até mesmo antes que houvesse território. Especificamente, o reino de Deus pode ser tanto espacial, quando falamos da ordens das coisas criadas, como o estado de paz e alegria, entretanto esse termo sempre está ligado intimamente com o seu povo. O reino de Deus também é um governo ativo na vida da humanidade, pois executa os seus planos e evidencia a presença...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://i0.wp.com/apologiacrista.com.br/wp-content/uploads/2016/10/reino-de-deus.jpg"><img data-attachment-id="147" data-permalink="http://apologiacrista.com.br/2016/10/20/o-que-e-o-reino-de-deus/reino-de-deus/" data-orig-file="https://i0.wp.com/apologiacrista.com.br/wp-content/uploads/2016/10/reino-de-deus.jpg?fit=950%2C572" data-orig-size="950,572" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}" data-image-title="reino-de-deus" data-image-description="" data-medium-file="https://i0.wp.com/apologiacrista.com.br/wp-content/uploads/2016/10/reino-de-deus.jpg?fit=300%2C181" data-large-file="https://i0.wp.com/apologiacrista.com.br/wp-content/uploads/2016/10/reino-de-deus.jpg?fit=812%2C489" class="size-medium wp-image-147 aligncenter" src="https://i0.wp.com/apologiacrista.com.br/wp-content/uploads/2016/10/reino-de-deus.jpg?resize=300%2C181" alt="reino-de-deus" srcset="https://i0.wp.com/apologiacrista.com.br/wp-content/uploads/2016/10/reino-de-deus.jpg?resize=300%2C181 300w, https://i0.wp.com/apologiacrista.com.br/wp-content/uploads/2016/10/reino-de-deus.jpg?resize=768%2C462 768w, https://i0.wp.com/apologiacrista.com.br/wp-content/uploads/2016/10/reino-de-deus.jpg?w=950 950w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" data-recalc-dims="1" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Esse termo é bastante confundido por muitos, quando se deparam com esse termo nas Escrituras Sagradas. Mesmo procurando um dicionário ou até mesmo um comentário bíblico, pouco será o resultado das pesquisas desse termo que é uma das palavras-chaves dentro da Bíblia.</p>
<p>Será porque esse termo confunde tanto assim? Essa resposta está localizada, quando procuramos entender a passagem que mostrou o termo, sem entender a sua origem desde Gênesis. Porém, por hora definiremos o significado desse termo.</p>
<p>O reino de Deus de acordo com Rm 14:17 conceitua como &#8220;justiça, paz e alegria&#8221; e não coisas materias como &#8220;comida e bebida&#8221;. Apenas nesse texto, podemos perceber que o reino de Deus não pode ser definido tão facil e cirurgicamente assim.</p>
<p>Contudo, podemos dizer que é o modo de Deus agir, é o exercício de suas regras. Deus governa até mesmo antes que houvesse território. Especificamente, o reino de Deus pode ser tanto espacial, quando falamos da ordens das coisas criadas, como o estado de paz e alegria, entretanto esse termo sempre está ligado intimamente com o seu povo.</p>
<p>O reino de Deus também é um governo ativo na vida da humanidade, pois executa os seus planos e evidencia a presença e a realidade do reino nos humanos. Por isso, podemos até dizer, o próprio Satanás está debaixo desse governo, isto é, Satanás não pode agir fora desse governo.</p>
<p>O governo de Deus está além das fronteiras do coração dos eleitos, ou seja, o governo divino não se limita somente na salvação de seus escolhidos, mas é mais do que isto, é abrangente.</p>
<p>Esse governo alem de ser cosmológico, além de ser administrado soberanamente cada detalhe da história tanto eventos contigentes como as causas secudárias, o governo de Deus é a execução de seus propósitos arquitetados na eternidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Soli Deo Gloria!</p>
<p class="facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://apologiacrista.com.br/2016/10/20/o-que-e-o-reino-de-deus/" target="_blank" title="Share on Facebook">Share on Facebook</a></p>]]></content:encoded>
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">146</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Uma resposta ao texto de Ronilso Pacheco, sobre a “cultura do estupro” na leitura bíblica</title>
		<link>http://apologiacrista.com.br/2016/07/13/uma-resposta-ao-texto-de-ronilso-pacheco-sobre-a-cultura-do-estupro-na-leitura-biblica/</link>
		<pubDate>Wed, 13 Jul 2016 18:27:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Filipe]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Refutações]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://apologiacrista.com.br/?p=134</guid>
		<description><![CDATA[O que segue neste artigo é uma refutação ao texto: &#8220;Porque a cultura do estupro também descansa sob a sombra da nossa leitura bíblica&#8221;, de Ronilso Pacheco. Monstrum exitiabile, ira telluris genitum – “monstro mortal ali vivia, gerado pela Terra em sua fúria”, já dissera Silius Italicus. A frase que designava toda sorte de criaturas medonhas que viviam em antros, cavernas e nichos ocultos pode ser hoje perfeitamente atribuída aos produtos literalmente residuais que encontramos, a distância de um simples toque do mouse, nas redes sociais. Dentre as criações teratológicas resultantes da simbiose do humanismo com a inclusão digital e a ociosidade, talvez a mais curiosa seja a figura, mítica evidentemente, do cristão de esquerda. O “cristão de esquerda” (contradição em termos) não pode ser considerado cristão nem no sentido metafórico do termo. É um hibridismo bizarro que transita entre a esquizofrenia teológica e a apostasia pura e simples. É possível listar dois tipos: o primeiro é o sujeito mediano, o crente de certa forma honesto em suas crenças, mas ainda incapaz de organizar e sistematizar suas ideias. Incapaz de compreender que o âmago do marxismo não é a distribuição equitativa dos bens, mas, sim, a supressão da propriedade privada, não percebe a contradição entre a...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div>O que segue neste artigo é uma refutação ao texto: <i><a href="https://www.facebook.com/ronilso.pacheco/posts/999880933460613" target="_blank">&#8220;Porque a cultura do estupro também descansa sob a sombra da nossa leitura bíblica&#8221;</a></i>, de Ronilso Pacheco.</p>
<p><i>Monstrum exitiabile, ira telluris genitum</i> – “monstro mortal ali vivia, gerado pela Terra em sua fúria”, já dissera Silius Italicus. A frase que designava toda sorte de criaturas medonhas que viviam em antros, cavernas e nichos ocultos pode ser hoje perfeitamente atribuída aos produtos literalmente residuais que encontramos, a distância de um simples toque do <i>mouse</i>, nas redes sociais. Dentre as criações teratológicas resultantes da simbiose do humanismo com a inclusão digital e a ociosidade, talvez a mais curiosa seja a figura, mítica evidentemente, do <i>cristão de esquerda</i>. O “cristão de esquerda” (contradição em termos) não pode ser considerado cristão nem no sentido metafórico do termo. É um hibridismo bizarro que transita entre a esquizofrenia teológica e a apostasia pura e simples. É possível listar dois tipos: o primeiro é o sujeito mediano, o crente de certa forma honesto em suas crenças, mas ainda incapaz de organizar e sistematizar suas ideias. Incapaz de compreender que o âmago do marxismo não é a distribuição equitativa dos bens, mas, sim, a supressão da propriedade privada, não percebe a contradição entre a defesa recorrente, por parte das Escrituras, da posse da terra pelos seus proprietários originais e a tentativa de estatização de todos os meios de produção que é essencial nos governos que levam a cabo, mediante engenharia social e violência, os ideais do socialismo científico. Esse tipo de cristão marxista, em última análise não conhece as Escrituras, e somente reproduz aquilo que ouve no jornalismo, na academia e mesmo (infelizmente) em algumas comunidades eclesiásticas. É antes vítima do marxismo cultural niilista que, quando não destrói a alta cultura, a anula mediante o reducionismo de seus raciocínios que interpretam o real em categorias econômicas falsificadas.</p>
<p><a name="more"></a>O <i>segundo tipo</i> de “cristão marxista” é, todavia, mais virulento e mais nocivo. Geralmente graduado em alguma faculdade, é o “cristão” engajado. Sua premissa é o que pensam os homens sobre os homens; suas bases bibliográficas, Foucault, Marcuse, Marx e Lênin. Porém, paradoxalmente, se envergonha da herança doutrinária a que foi submetido na faculdade ou nos simpósios da Missão Integral. Afinal, ele é “cristão”! “Como”, pensa o engajado, “articular duas visões absolutamente antagônicas?”. A fim de reparar sua consciência “cristã” afligida por princípios a ela estranhos, literalmente remendando trapos podres em tecido novo, esse “cristão”, por um lado, não se declara abertamente como marxista; e, por outro, levianamente, faz uso da Palavra de Deus para, tortuosa e cinicamente, utilizá-la para fundamentar suas piruetas exegéticas e hermenêuticas. Essencialmente, como na rica imagem de Tiago de Oliveira Cavaco (<a href="http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=493" target="_blank">neste artigo</a>), vale-se da “frase de efeito como elástico para saltos epistemológicos”.</p>
<p>Ora, o “crente” engajado é, em última análise, um apóstata, sua figura triste e perniciosa pode ser definida por aquilo que diz Judas em sua carta, no verso 4: “Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo”. Ele prossegue no versículo 10: “Estes, porém, quanto a tudo o que não entendem, difamam; e, quanto a tudo o que compreendem por instinto natural, como brutos sem razão, até nessas coisas se corrompem”. Obviamente, Judas não trata aqui direta e especificamente dos <i>engajados </i>(o que seria um anacronismo), todavia, suas asserções contra os falsos mestres de sua época servem de lição e fundamento para os dias de hoje.</p>
<p>O “crente” <i>engajado</i> falsifica a Bíblia; nas suas obscuras oficinas de prestidigitação, cunha termos, conceitos vagos e <i>flatus vocis</i> que, essencialmente, não possuem significado, mas visam somente mistificar a realidade ou, como a <i>novilíngua</i> de Orwell, impedir qualquer raciocínio fidedigno. Os princípios do <i>Sola Scriptura</i> (Somente as Escrituras) e do <i>Tota Scriptura</i> (A totalidade das Escrituras) são manchados pela impertinência arrogante do esquerdismo ateu. No ideário esquizofrênico do <i>engajado</i>, as mazelas do mundo são explicadas pela “luta de classes” e não pela depravação do homem causada pela desobediência à Lei de Deus; de semelhante modo, <i>o motor da História</i>, por assim dizer, não é a Providência divina, que administra e conduz todas as coisas, eventos, pessoas a em direção a um ponto no qual o próprio céu virá ao encontro da terra, mas, sim, novamente a “luta de classes”[1], fruto da concepção hegeliana do “conflito de interesses”.</p>
<p>Na mente tortuosa do <i>engajado</i>, a Bíblia não é segura e muito menos suficiente – em suma, não é a Palavra inerrante de Deus. Eis a fonte de toda apostasia. Na sua oligofrenia, ele coloca em xeque a veracidade absoluta da revelação, apenas para satisfazer sua leitura enviesada e anticristã da Criação. Nosso objetivo, contudo, não é tratar especificamente da impossibilidade de reconciliação entre o pensamento marxista e a vida e doutrina cristãs. Há vários outros textos que tratam sobre esse tema especificamente (<a href="https://bereianos.blogspot.co.uk/2015/08/jesus-e-marx-o-dialogo-impossivel.html" target="_blank">Jesus e Marx: o diálogo impossível</a>, <a href="https://bereianos.blogspot.co.uk/2015/08/o-perigo-do-marxismo-cultural.html" target="_blank">O perigo do marxismo cultural</a>,<a href="http://bereianos.blogspot.co.uk/2015/09/atos-dos-apostolos-nao-ensina-o.html" target="_blank">Atos dos Apóstolos não ensina o marxismo/comunismo</a>)</p>
<p>Nosso presente objetivo é tratar especificamente do caso mais recente e sintomático do “crente engajado”, exemplo que atesta antes a insanidade e a deturpação deliberada da verdade bíblica. Fosse escrito por um neoateu ou um humanista que jamais tivesse lido as Escrituras na sua totalidade e, portanto, ignorasse o mais básico aparato  exegético, poderíamos simplesmente deixar o texto trilhar seu destino rumo ao esquecimento inevitável; entretanto, lastimavelmente o conjunto de frases desconexas, que num esforço sôfrego tentam manter uma unidade quimérica, foi supostamente escrito e postado por um “evangélico”.</p>
<p>O “texto” elenca uma série de passagens bíblicas, que, segundo o autor, fundamentariam aquilo que o feminismo designa de “cultura do estupro”. O autor usa oito textos, do Antigo e Novo Testamentos, para (pasmem!) responsabilizar a cultura judaico-cristã pela disseminação da tal &#8220;cultura do estupro&#8221;.</p>
<p>Abaixo segue os exemplos elencados pelo autor e a refutação (ou mais especificamente uma simples apresentação de seu significado original sem os véus negros de leituras ideologicamente enviesadas) a cada um deles:<br />
<b><br />
<i>A CULTURA DO ESTUPRO está presente quando a gente passa por um texto que fala do estupro coletivo covarde de uma jovem, entregue a tantos homens, pelo seu próprio pai, (sic) não torna isso um ponto de partida para discutir a fragilidade e condição vulnerável da mulher, desde sempre, na nossa tradição judaico-cristã (Juízes 19:24-29).</i></b></p>
<p>1) Juízes 19:24-29: o excerto narra a história de um levita que toma para si uma mulher de Belém como concubina. Após se aborrecer dele, a concubina se dirige para casa do pai. O levita, por sua vez, vai em busca dela e a traz de volta. No caminho, entretanto, ela é estuprada por homens da cidade de Gibeá. O que o nosso exegeta <i>engajado</i> esqueceu de mencionar é que, no versículo 22 do mesmo capítulo, o escritor bíblico chama os estupradores de filhos de Belial, isto é, filhos do demônio, pessoas completamente destituídas de piedade e moral. O <i>cerco</i> de homens lascivos imediatamente traz à memória a mesma perversão de Sodoma e Gomorra, quando os homens, além de não cumprirem o ritual da hospitalidade, um dos deveres mais sagrados na Antiguidade, também buscavam estuprar os mensageiros celestiais. Ademais, o <i>intérprete marxista</i> parece não levar em conta a estrutura geral do livro de Juízes; ora, não somente comentadores bíblicos, mas mesmo filósofos morais apontam para esse livro como a evidência de que, sem lei e governo, a sociedade irremediavelmente se entrega à anarquia moral. Por isso, há uma espécie de <i>refrão</i> no livro: “Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que achava mais reto” (Juízes 17:6; ver também 21:25; 18:1; 19:1). Tendo isto em vista, nem o mais simplório dos exegetas chegaria à conclusão de que o redator do livro aprovou o estupro coletivo; pelo contrário, ele o menciona como <i>evidência da desagregação moral de Israel</i>. A deformação hermenêutica do sr. Ronilso é análoga a um leitor incauto que, lendo os relatos dos horrores dos <i>gulags</i> de Alexander Soljenítsin, afirmasse, com todas as letras, que o escritor russo aprovava as medidas brutais de Stálin[2]. Trata-se de ignorância hermenêutica ou de restidigitação do <i>engajado</i>? Cremos que aqui há, para se valer de terminologia marxista, uma certa relação dialética. No versículo 29, o levita, após perceber que a mulher estava morta, a esquarteja com um cutelo. Evidentemente, o objetivo é mostrar a total decadência moral do levita, o qual supostamente, como trabalhador do templo, deveria ser um exemplo de piedade e compaixão. O próprio ato de mutilação é, na verdade, uma versão profana e sórdida do ritual que geralmente era realizado para selar as alianças, quando se dividia um animal ao meio, num ato simbólico que amaldiçoava o transgressor do pacto a sofrer o mesmo destino do animal (Cf. Gênesis 15:10; Jeremias 34:18). No versículo 30, porém, é dito: “Cada um que a isso presenciava aos outros dizia: <i>Nunca tal se fez, nem se viu desde o dia em que os filhos de Israel subiram da terra do Egito até ao dia de hoje</i>; ponderai nisso, considerai e falai.” Israel, desde seu êxodo, praticara inúmeros pecados, dentre eles idolatria, fornicação, adultério, etc., no entanto, até mesmo esses transgressores de <i>dura cerviz</i>reconheceram o caráter horrendo desse acontecimento. Portanto, fica evidente que o ato do levita não fora fruto de uma ordenança de Deus, mas, sim, um ato isolado, fruto da perversidade que grassava em toda a nação. A Bíblia simplesmente narra a história, a fim de enfatizar que o desprezo à lei de Deus traz toda sorte de imoralidade e crueldade. Por fim, é irônico que o sr. Ronilso não mencione as <i>heroínas</i> de Juízes, mulheres que foram não somente padrões de piedade, mas também de coragem e liderança política. “Débora, profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo” (Juízes 4:1), isto é, Débora governava sobre o povo de Israel. Ademais, foi também comandante das forças israelitas na batalha contra Sísera: “&#8230;pois às mãos de uma mulher o Senhor entregará a Sísera. E saiu Débora e se foi com Baraque para Quedes” (Juízes 5:9). Com efeito, foi Jael, mulher de Héber, que num exemplo de coragem matou com uma estaca e um martelo a Sísera, comandante das forças inimigas: “Bendita seja sobre as mulheres Jael, mulher de Héber, o queneu; bendita seja sobre as mulheres que vivem em tendas” (Juízes 5:24). O redator do livro de Juízes exalta a coragem e intrepidez dessas mulheres, elencando-as como heroínas do povo de Israel.</p>
<p><i><b>A CULTURA DO ESTUPRO está presente quando a gente consegue ignorar a história de uma mulher como Agar, negra, escrava de Sara e de Abraão, que é não só violentada pelo patrão, a pedido de sua patroa, como é expulsa por Sara, com o pequeno Ismael nos braços, por causa do ciúme desta que é nossa matriarca da fé cristã, ao lado de Abraão, pai da fé. Somente Deus intervém por ela. Nós invisibilizamos a sua história, porque a de Sara e sua família perfeita é mais importante (Gênesis capítulos 16 e 25).</b></i></p>
<p>2) Gênesis, capítulos 16 e 25: Os dois capítulos narram a escolha soberana de Deus por Sara e sua semente, bem como o cuidado de Deus com Agar e seu filho. Não há nenhuma menção ao fato de Agar ser negra, a despeito da afirmação do autor[3]. O texto somente menciona sua origem egípcia. Todavia, ler um texto da Antiguidade com as lentes das atuais circunstâncias sociais é não somente desonestidade intelectual, mas também uma ação que viola a integridade do texto bíblico. A começar, os egípcios não eram uma nação inferiorizada ou desprezada; pelo contrário, conforme é visto no próprio livro de Gênesis, possuidor de uma forte agricultura e de um poderoso exército, o Faraó acolheu e deu refúgio a Abraão e sua esposa (Gênesis 12:10). Agar, na verdade, sendo serva (situação que não pode ser histórica e socialmente comparada à escravidão segundo os termos imperialistas), afrontou sua senhora, o que, na mentalidade de outros povos antigos, com exceção de Israel, era passível de morte. Abraão, contudo, para preservar a herança de seu filho (lutas sangrentas entre irmãos pela herança do pai eram habituais naquele tempo) Isaque, despediu em paz sua serva, embora, como a Bíblia deixa extremamente claro, foi para si uma situação extremamente angustiante: “Pareceu mui penoso isso aos olhos de Abraão, por causa de seu filho” (Gênesis 21:11). Abraão, todavia, estava simplesmente aquiescendo ao pedido de sua esposa, Sara, conforme visto no versículo imediatamente anterior (v. 10). Se fosse o caso de Abraão e a Bíblia serem signos do chauvinismo, como o sr. Rodolfo parece compreender, o patriarca sem dúvida teria não somente cumprido sua própria vontade, como teria repreendido à força bruta sua esposa. Pelo contrário, vemos que Abraão respeitou a vontade de sua esposa a despeito de seus sentimentos para com seu filho Ismael. Por fim, novamente podemos aplicar um dos princípios hermenêuticos mais básicos: Nem todo<i> conteúdo</i> relatado pela Bíblia é por ela<i> aprovado</i>.<br />
<b><br />
<i>A CULTURA DO ESTUPRO se manifesta quando a gente continua exaltando Davi como homem segundo o coração de Deus e menospreza o fato dele ter coisificado, sexualizado, objetificado uma mulher, Bate-Seba, companheira de um soldado seu, à ponto de armar para este homem uma armadilha de morte, para (sic) ele, como rei, ficasse (sic) com sua mulher. A mulher coagida por um homem do poder, seduzida, abusada (2Samuel 11:2-3).</i></b></p>
<p>3) 2 Samuel 11:2-3: A famosa narrativa do adultério de Davi. Aqui é importante ressaltar uma das pérolas do texto: &#8220;A cultura do estupro se manifesta quando a gente continua exaltando Davi como homem segundo o coração de Deus e menospreza o fato dele ter coisificado, sexualizado, objetificado uma mulher&#8230;&#8221;. A apostasia chega às raias do paroxismo e a própria estrutura da linguagem parece recusar a se submeter a tamanho disparate. “A gente continua exaltando Davi como homem segundo o coração de Deus&#8230;”, ora, quem exaltou Davi foi Deus (Atos 13:22), e não nós. Ademais, a própria Bíblia, neste caso, condena <i>imediatamente</i> a ação perversa de Davi através do Profeta Natã (2 Samuel 12:1-15): “Por que, pois, desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o que era mau perante ele? A Urias, o heteu, feriste à espada; e a sua mulher tomaste por mulher, depois de o matar com a espada dos filhos de Amom” (v. 9). E o castigo divino é também prontamente anunciado: “Agora, pois, não se apartará a espada jamais da sua casa, porquanto me desprezaste e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher” (v. 10). O restante do livro narra, com detalhes, as consequências do crime e pecado de Davi, as quais, por causa da limitação desta própria resposta, não podemos tratar presentemente. Além disso, o Salmo 51, o maior cântico de penitência, tema, inclusive, de composições de Bach, relata o desespero ao qual Davi foi lançado pelo seu pecado e sua esperança no perdão de Deus. Destarte, torna-se evidente que, em momento algum, o relato bíblico da vida de Davi fornece quaisquer elementos que promovam a denominada “cultura do estupro”, independentemente do que isto signifique no arsenal conceitual do <i>engajado</i>.</p>
<p><i><b>A CULTURA DO ESTUPRO É QUANDO a gente continua lendo o livro de Oséias com essa mesma ilustração machista e medíocre, em que Oséias, homem, é o sujeito honesto e puro, que se relaciona com Gomer, mulher, prostituta, que serve para ilustrar a infidelidade do povo de Israel. A gente não entende que o que se contrapõe a Deus não é a vida de Gomer, mas a condição a que ela chega, fruto do contexto social conduzido pelo próprio estado e a religião, que juntos, usam a prostituição. O Estado usava as festas religiosas para tal (livro de Oséias).</b></i></p>
<p>4) Livro de Oséias: Deus ordenou que o profeta se casasse como Gômer, uma prostituta; ora, a prostituição cultual, da qual Gômer fazia parte provavelmente como uma das sacerdotisas, era<i> abominável</i> aos olhos de Deus e só foi promovida por reis durante a apostasia mais sórdida de Israel, mais especificamente na época de Jezabel, espécie de protofeminista. O sr. Ronilso, ignorando não somente as noções mais básicas da História de Israel mas também as da lógica, afirma: “a vida de Gômer&#8230; fruto do contexto social conduzido pelo próprio estado e a religião, que juntos, usam a prostituição. O Estado usava as festas religiosas para tal”. Como é possível que a religião de Javé, que condenava veementemente a prostituição cultual, pudesse incentivá-la ou promovê-la? Na verdade, a leitura mais superficial de Oséias demonstra o amor de Deus pelo seu povo que, tendo abandonado seu <i>Senhor</i>, entregou-se a outro <i>senhor</i> (a palavra Baal significa, dentre outras coisas, senhor, mestre ou marido).</p>
<p>A infidelidade conjugal de Gômer é, na estrutura global do livro, uma analogia à infidelidade cultual do povo de Israel (ver também Ezequiel 16; Isaías 1:21). Em tempo: a comparação entre a prostituição cultual à qual Gômer se submetera por <i>vontade própria</i> à atual situação de jovens que, por motivos vários, se prostituem, é histórica, social e culturalmente falsa. A prostituição cultual, como a própria expressão designa, e em contraste com a prostituição atual, possuía o caráter religioso; os ritos sexuais promovidos em orgias em honra a Baal ou Astarote visavam a <i>fertilidade </i>dos campos e a multiplicação da família. Ademais, o casamento com uma prostituta &#8212; tal como no caso de Oséias &#8212; era tido como um ato de resgaste, pois com ele a mulher readquiria seus direitos na sociedade (é por isso que no livro de Isaías, capítulo 4, verso 1, é-nos dito que, no estado de calamidade ao qual Judá seria submetido, as mulheres se casariam com os poucos homens restantes apenas para se livrarem de seu opróbrio).</p>
<p><i><b>A CULTURA DO ESTUPRO está quando a gente continua culpabilizando a mulher no capítulo 8 do Evangelho de João, assumindo a fala de sua acusação de adultério, mesmo o texto mostrando o machismo violento e arrogante dos homens, velhos e jovens, que a trouxeram para cumprirem com satisfação a lei que os livravam de qualquer responsabilidade de violação contra as mulheres, mas puniam esta por qualquer reivindicação de decisão sobre o corpo (João 8:1-11).</b></i></p>
<p>5) João 8:11: No texto em questão, Jesus não está tratando de sexismo ou de quão misóginos eram os líderes religiosos judeus. Ele condena a hipocrisia dos legalistas e anuncia a <i>graça</i> como mediadora da salvação. Outrossim, há aqui uma profunda ignorância com relação à própria lei que o sr. Ronilso veementemente critica. A afirmação de que “a lei que os livravam de qualquer responsabilidade de violação contra as mulheres” é não somente falsa, mas é precisamente o <i>oposto</i> do que se encontra estabelecido na lei bíblica. A lei mosaica enfatizava claramente que tanto o homem quanto a mulher que fossem flagrados em adultério deveriam ser condenados (Levítico 20:10; Deuteronômio 22:22). De modo semelhante, todo o capítulo 20 de Levítico lista sentenças principalmente contra os HOMENS: “o homem que se deitar com a mulher do seu pai” (v. 11); “o homem que se deitar com sua nora” (v. 12); “o homem que se deitar com outro homem” (v.13); “o homem que tomar uma mulher e sua mãe” (v. 14); “o homem que se deitar com mulher no tempo da enfermidade dela” (v. 18), etc.</p>
<p>Também Deuteronômio condena à morte o homem que violentasse uma mulher: “Porém, se algum homem no campo achar moça desposa, e a forçar, e se deitar com ela, então, morrerá só o homem que se deitou com ela” (Deuteronômio 22:25). Estamos, pois, perante um caso patológico de desonestidade intelectual ou de absoluta incapacidade interpretativa.</p>
<p><i><b>A CULTURA DO ESTUPRO ESTÁ NO ARCABOUÇO dessa leitura que não nos choca, e não nos serve de nenhuma ilustração, o fato do grande sacerdote Esdras, ter proposto como solução para recuperação da fidelidade do povo de Israel a Deus, a expulsão de TODAS as mulheres estrangeiras junto com os seus filhos, para purificar o povo. Matrimônios desfeitos, mulheres largadas solitariamente para fora do território, para que o povo (na verdade os homens) fossem purificados. Coisa que Hitler fez, e achamos um absurdo (Esdras capítulos 9 e 10).</b></i></p>
<p>6) Esdras 9 e 11: Deus, através de Esdras, líder do segundo grupo de hebreus que retornaram do exílio babilônico, como escriba e temente ao Senhor, ordena a separação do povo escolhido para que não se contaminassem com a idolatria dos povos ímpios.</p>
<p>O povo de Israel acabara de retornar do exílio babilônico, ao qual foram condenados precisamente por causa de sua infidelidade à lei do Senhor. Em certa passagem do livro de Números, cerca de 800 anos dos acontecimentos descritos em Esdras, o povo fora corrompido por uma estratégia de Balaão: o casamento misto – “Habitando Israel em Sitim, começou o povo a prostituir-se com os filhos dos moabitas. Estas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu e inclinou-se aos deuses delas. Juntando-se Israel a Baal-Peor, a ira do Senhor se acendeu contra Israel” (Números 25:1-3). Esdras, antevendo talvez uma repetição dessa situação, despede as mulheres para que a ira de Deus não recaísse novamente sobre o povo de Israel. Além disso, ao que tudo indica, as mulheres, juntamente com seus filhos, foram despedidas com provisões, como no caso anteriormente citado de Abraão. Não há sentido em dizer que houve “matrimônios desfeitos”, sendo que, no contexto cultural e religioso do Antigo Israel, essas uniões não eram sequer consideradas legítimas. Por fim, o sr. Ronilso afirma que tal ato de expulsão pode ser, de alguma forma, comparado aos atos execráveis de Hitler: “Coisa que Hitler fez, e achamos um absurdo”. Vemos aqui o típico <i>reductio ad Hitlerum</i>[4], falácia que, com vistas a gerar um sentimento de ojeriza para com a outra parte da discussão, busca invalidar ou obnubilar a verdade dos fatos. Segundo o que consta nos relatos, arquivos e testemunhos históricos indubitáveis, os únicos lugares para os quais os desafetos de Hitler eram conduzidos eram as câmaras de gás ou os trabalhos forçados e desumanos nos campos de concentração. Dessa forma, comparar o genocídio perpetrado por Hitler com a expulsão de mulheres promovida por Esdras denuncia, antes de tudo, uma falsa absoluta do senso de proporção.</p>
<p><i><b>A CULTURA DO ESTUPRO DESCANSA SOB A SOMBRA da interpretação em que continuamos nos digladiando discutindo o protagonismo das mulheres na Igreja. Homens decidindo se elas devem ou não ter, devem ou não falar, etc. E continuamos com essa medíocre subalternidade da mulher justificada, de maneira não só machista mas também prepotente, pela leitura arcaica das palavras de Paulo (algumas duvidosamente atribuídas a ele) como em Coríntios (1Coríntios 14:33-35).</b></i></p>
<p>7) 1Coríntios 14: 33-35: O velho argumento do “machismo” de Paulo. O que o autor esquece ou finge não se lembrar é a continuidade do argumento de Paulo no versículo 37: “Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo.” Ou ainda o que ele ensina para Timóteo em 1 Timóteo 2:9-13. Independente de nossas opiniões eivadas de pretensa autonomia, Deus definiu e assim será. O que, todavia, está claro no pensamento paulino é que o homem deve amar sua esposa como Cristo amou Sua igreja (Efésios 5) – desse modo, o padrão bíblico para o homem é amar com amor autossacrificial sua esposa, e não, como retratam os argumentos <i>espantalhos </i>das feministas, o indivíduo opressivo, autoritário e obtuso.<br />
<i><br />
</i><i><b>SÓ A CULTURA DO ESTUPRO justifica a gente não problematizar nos nossos sermões, situações como a vivida por Tamar, jovem não apenas abusada, violentada, sem direito sobre o próprio corpo, como impedida até de partilhar do prazer e do gozo da relação que tinha (Gênesis 38).</b></i></p>
<p>8) Gênesis 38: Onde está a injustiça sexista no texto? Em lugar nenhum, pois somente existem na fantasmagoria eisegética de quem interpreta distorcidamente o texto bíblico, violentando (quem lê entenda) a estrutura sintática mais básica! Ao contrário, o que fica patente é o arrependimento de Judá quando descobre que havia engravidado Tamar, tomando-a por uma prostituta cultual: “Reconheceu-os Judá e disse: Mais justa é ela do que eu, porquanto não a dei a Selá, meu filho. E nunca mais a possuiu” (Gênesis 38:26). De semelhante modo, ele reconhece seu erro de não ter exigido que seu filho cumprisse a lei do levirato que, curiosamente, servia para amparar e proteger a mulher naquela sociedade, garantindo não apenas seus direitos sociais, mas também o cuidado, por parte dos filhos, durante a velhice.</p>
<p><b>Considerações finais</b></p>
<p>Por fim, sendo o autor visivelmente marxista, torna-se claro que sua deturpação deliberada da Palavra de Deus o condena como cristão. Com a análise cirúrgica de seus posicionamentos, a máscara simplesmente se desfaz! Não há qualquer vestígio de cristianismo em seu texto, por mais condescendentes que sejamos. O que temos perante nós é um amontoado torpe de má exegese e desonestidade intelectual, característica do <i>duplipensar</i> esquerdista. O sincretismo doutrinário é pérfido, travestido de uma pretensa piedade e apuro intelectual no manejo com o texto bíblico. Conspurcar a simplicidade e a inerrância absoluta da Palavra de Deus é chamar o próprio Deus de mentiroso, o que evidentemente é blasfêmia. Os <i>&#8220;cristãos&#8221; engajados</i> não são cristãos, são, antes, ateus e blasfemos.</p>
<p>Ora, “c<i>ristão</i>”<i> engajado</i>, sua opinião em nada altera a vontade do Deus soberano. Ele não se dobra ao seu julgamento ou aos seus critérios humanos e depravados de justiça. Antes, faz e fará tudo que Lhe aprouver. Desse modo, a despeito de seus conceitos forjados nos <i>laboratórios da utopia</i>, o Altíssimo assim define a conduta do homem cristão diante da mulher: “Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações”.</p>
<p>Em tempo: o autor do texto, Ronilso Pacheco, é o mesmo que publicou em sua página do Facebook, no dia 3/5, um texto chamado <i>&#8220;<a href="https://www.facebook.com/ronilso.pacheco/posts/983948665053840" target="_blank">AS IGREJAS TAMBÉM DEVERIAM SER OCUPADAS</a>&#8220;</i>. Defendendo que as igrejas fossem ocupadas pelos movimentos ideológicos que assolam o país. Se Jesus expulsou, com rigor, os cambistas no templo, que dirá daqueles que, partindo de uma base falsamente bíblica, defendem a ocupação ilegal dos locais de cultos? Certamente Ele novamente dirá: “A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a fazeis covil de &#8230; Porém vós a transformastes num covil de estelionatários!” (Mateus 21:13).</p>
<div></div>
<div>___________________</div>
<div>Notas:</div>
<div>
<div>[1] Conforme o próprio Marx assevera em seu <i>Manifesto Comunista</i>: A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e aprendiz; numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta.</div>
<div>[2] É interessante que no capítulo anterior, Juízes 17, é-nos dito acerca do ídolo que Mica mandou forjar para si, bem como da casa de deuses que montou para si. No entanto, cremos que nem mesmo o indivíduo que conhece apenas superficialmente a fé cristã ou judaica afirmaria, a partir desse texto, que Deus recomenda a idolatria.</div>
<div>[3] Talvez seja resultado de seu devaneio ideológico.</div>
<div>[4] O termo foi cunhado por Leo Strauss na década de 50 para designar as posturas comumente assumidas em debates sobre temas políticos, nos quais uma das partes, numa variação da falácia <i>ad hominem</i>, acusava a outra de sustentar posições semelhantes ao genocida nazista.</div>
</div>
</div>
<div></div>
<div>***</div>
<div><b>Autores:</b> Davi Peixoto e Fabrício Tavares de Moraes</div>
<div><b>Divulgação: </b>Bereianos</div>
<p class="facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://apologiacrista.com.br/2016/07/13/uma-resposta-ao-texto-de-ronilso-pacheco-sobre-a-cultura-do-estupro-na-leitura-biblica/" target="_blank" title="Share on Facebook">Share on Facebook</a></p>]]></content:encoded>
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">134</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O Apóstolo Paulo encontra Mário Sérgio Cortella</title>
		<link>http://apologiacrista.com.br/2016/07/08/o-apostolo-paulo-encontra-mario-sergio-cortella/</link>
		<pubDate>Fri, 08 Jul 2016 12:14:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Filipe]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Refutações]]></category>
		<category><![CDATA[Apóstolo Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Mario Sérgio Cortella]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://apologiacrista.com.br/?p=129</guid>
		<description><![CDATA[Certo dia o apóstolo Paulo, numa visita ao Brasil, resolveu participar de um congresso sobre Liderança promovido por uma igreja evangélica. Na propaganda do congresso constava a informação de que o principal palestrante seria o filósofo e educador brasileiro, Mário Sérgio Cortella. Paulo percebeu que dentre as qualificações de Cortella se destacava o seu doutorado em Educação, obtido em 1997, na PUC-SP, sob a orientação do patrono da educação brasileira, Paulo Freire. O apóstolo Paulo deveras ficou curioso e decidiu participar da programação. Chegado o grande momento, Paulo ocupava um assento na primeira fileira, regalia obtida por ser um membro do verdadeiro colegiado apostólico. O palestrante, Mário Sérgio Cortella, abordava o tema A ARTE DE LIDERAR. A palestra caminhava para o seu final e, no geral, o apóstolo Paulo considerou a palestra interessante e com insights perspicazes. É verdade que muito do que Cortella afirmou era fundamentado no marxismo esposado por ele, mas, ainda assim, algumas colocações foram bastante úteis. No entanto, na conclusão da palestra, Cortella fez uma afirmação que, imediatamente, despertou sentimentos variados na mente do apóstolo Paulo. Cortella repetiu uma frase sua já bem conhecida: “Elogie em público e corrija em particular. Um líder corrige sem ofender...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Certo dia o apóstolo Paulo, numa visita ao Brasil, resolveu participar de um congresso sobre Liderança promovido por uma igreja evangélica. Na propaganda do congresso constava a informação de que o principal palestrante seria o filósofo e educador brasileiro, Mário Sérgio Cortella. Paulo percebeu que dentre as qualificações de Cortella se destacava o seu doutorado em Educação, obtido em 1997, na PUC-SP, sob a orientação do patrono da educação brasileira, Paulo Freire. O apóstolo Paulo deveras ficou curioso e decidiu participar da programação.</p>
<p style="text-align: justify;">Chegado o grande momento, Paulo ocupava um assento na primeira fileira, regalia obtida por ser um membro do verdadeiro colegiado apostólico. O palestrante, Mário Sérgio Cortella, abordava o tema A ARTE DE LIDERAR. A palestra caminhava para o seu final e, no geral, o apóstolo Paulo considerou a palestra interessante e com <i>insights</i> perspicazes. É verdade que muito do que Cortella afirmou era fundamentado no marxismo esposado por ele, mas, ainda assim, algumas colocações foram bastante úteis. No entanto, na conclusão da palestra, Cortella fez uma afirmação que, imediatamente, despertou sentimentos variados na mente do apóstolo Paulo. Cortella repetiu uma frase sua já bem conhecida: “Elogie em público e corrija em particular. Um líder corrige sem ofender e orienta sem humilhar”.</p>
<p style="text-align: justify;">Imediatamente o público irrompeu em efusivos aplausos e ovacionou a sabedoria de Mário Sérgio Cortella. Ao testemunhar a aceitação irrestrita do ensinamento de Cortella, bem como a maneira acrítica como seminaristas e futuros pastores presentes receberam a frase sobre correção, Paulo não pôde fazer outra coisa senão se entristecer diante do estado da igreja evangélica. Ele percebeu que aquelas pessoas apoiavam a ideia do “Elogie em público e corrija em particular” como sendo verdadeira.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi aí que, discretamente, ele subiu ao palco do auditório e tomou em suas mãos o microfone. Ao ver a cena, o público, atônito, calou-se e ficou a observar. Paulo disse as seguintes palavras: “<i>Ó gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como crucificado?</i>” (Gálatas 3.1). Ele continuou: “<i>Não recordais? Não lembrais, de quando Cefas foi a Antioquia e foi necessário que eu lhe resistisse face a face porque se tornara repreensível? De como ele se envergonhou de comer com gentios como vocês e, quando os judeus chegaram, ele fez de conta que não tinha nenhuma relação com aqueles gentios? Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, disse a Cefas, na presença de todos: se tu, sendo judeu, vives como gentio e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?</i>” (Gálatas 2.14).</p>
<p style="text-align: justify;">Ouvindo isto, o público começou a se retirar do auditório. Alguns até vaiaram o apóstolo. A única reação de Paulo foi dar um suspiro de tristeza e dizer ao Pai: “Tende misericórdia, Senhor!”</p>
<p style="text-align: justify;">Kyrie eleison!</p>
<p style="text-align: justify;">***<br />
<b>Autor:</b> Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima<br />
<b>Fonte: </b><a href="http://blogelectus.blogspot.com.br/2016/06/o-apostolo-paulo-encontra-mario-sergio.html" target="_blank">Electus</a></p>
<p class="facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://apologiacrista.com.br/2016/07/08/o-apostolo-paulo-encontra-mario-sergio-cortella/" target="_blank" title="Share on Facebook">Share on Facebook</a></p>]]></content:encoded>
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">129</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Avivamento em George Whitefield &#8211; Steven Lawson</title>
		<link>http://apologiacrista.com.br/2015/10/21/avivamento-em-george-whitefield-steven-lawson/</link>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2015 08:13:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Filipe]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Avivamento]]></category>
		<category><![CDATA[George Whitefield]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://apologiacrista.com.br/?p=104</guid>
		<description><![CDATA[Palestra ministrada pelo Steven Lawson no 3º dia da 31ª Conferência Fiel para Pastores e Líderes. Share on Facebook]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Palestra ministrada pelo Steven Lawson no 3º dia da 31ª Conferência Fiel para Pastores e Líderes.</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/QP_z9EEmQM4" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p class="facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://apologiacrista.com.br/2015/10/21/avivamento-em-george-whitefield-steven-lawson/" target="_blank" title="Share on Facebook">Share on Facebook</a></p>]]></content:encoded>
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">104</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O arminiano não deve orar pela salvação de ninguém</title>
		<link>http://apologiacrista.com.br/2015/10/20/o-arminiano-nao-deve-orar-pela-salvacao-de-ninguem/</link>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2015 15:53:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Filipe]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Calvinismo]]></category>
		<category><![CDATA[Oração]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeos]]></category>
		<category><![CDATA[arminianismo]]></category>
		<category><![CDATA[calvinistas]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://apologiacrista.com.br/?p=100</guid>
		<description><![CDATA[O canal Eltecom do youtube, fez esse excelente vídeo sobre a cosmovisão arminiana acerca da oração. Share on Facebook]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O canal Eltecom do youtube, fez esse excelente vídeo sobre a cosmovisão arminiana acerca da oração.<br />
<iframe src="https://www.youtube.com/embed/IfDkxhd3trk" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p class="facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://apologiacrista.com.br/2015/10/20/o-arminiano-nao-deve-orar-pela-salvacao-de-ninguem/" target="_blank" title="Share on Facebook">Share on Facebook</a></p>]]></content:encoded>
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">100</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Explosão das seitas marginais à Reforma</title>
		<link>http://apologiacrista.com.br/2015/10/16/explosao-das-seitas-marginais-a-reforma/</link>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2015 11:37:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Djalma]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[História da Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Seitas]]></category>
		<category><![CDATA[apologética]]></category>
		<category><![CDATA[heresias]]></category>
		<category><![CDATA[neopentecostalismo]]></category>
		<category><![CDATA[pentecostalismo]]></category>
		<category><![CDATA[seitas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://apologiacrista.com.br/?p=95</guid>
		<description><![CDATA[Desde a Reforma do século XVI, muitos movimentos têm surgido em redor do mundo. Há, por parte dos cristãos, várias atitudes em relação a isso. Mas, uma dessas atitudes é a que vemos no texto de Atos 5.33-39, a atitude de Gamaliel: “&#8230;dai de mão a estes homens, deixai-os&#8230;” (v.38). Analisemos rapidamente o texto de Atos. Os novos crentes estavam sendo perseguidos e ameaçados de morte. Levanta-se Gamaliel e faz alusão dos dois líderes de religiões ou seitas daqueles dias. Haviam juntado grande número de seguidores, porém, quando morreram, os grupos desapareceram. Depois desta referência ele faz uma recomendação aos perseguidores acerca da Igreja Cristã: “se esta obra vem de homens perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los&#8230;”. Ao olharmos ao nosso redor e repararmos o crescimento vertiginoso das seitas em nossos dias, uma grande questão ficará sobre as nossas cabeças: “Será que o mesmo raciocínio de Gamaliel poderia ser aplicado às seitas atuais?” Obviamente que não! A própria Bíblia nos alerta de que “&#8230;haverá tempos em que não suportarão a sã doutrina&#8230;” (2Tm.4.3,4). Isto foi dito pelo apóstolo Paulo que, outrora, possivelmente, fizera parte do grupo que queria apedrejar os cristãos. Se alguém possui o mesmo raciocínio...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Desde a Reforma do século XVI, muitos movimentos têm surgido em redor do mundo. Há, por parte dos cristãos, várias atitudes em relação a isso. Mas, uma dessas atitudes é a que vemos no texto de Atos 5.33-39, a atitude de Gamaliel: “&#8230;dai de mão a estes homens, deixai-os&#8230;” (v.38). Analisemos rapidamente o texto de Atos. Os novos crentes estavam sendo perseguidos e ameaçados de morte. Levanta-se Gamaliel e faz alusão dos dois líderes de religiões ou seitas daqueles dias. Haviam juntado grande número de seguidores, porém, quando morreram, os grupos desapareceram. Depois desta referência ele faz uma recomendação aos perseguidores acerca da Igreja Cristã: “se esta obra vem de homens perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los&#8230;”.</p>
<p>Ao olharmos ao nosso redor e repararmos o crescimento vertiginoso das seitas em nossos dias, uma grande questão ficará sobre as nossas cabeças: “Será que o mesmo raciocínio de Gamaliel poderia ser aplicado às seitas atuais?” Obviamente que não! A própria Bíblia nos alerta de que “&#8230;haverá tempos em que não suportarão a sã doutrina&#8230;” (2Tm.4.3,4). Isto foi dito pelo apóstolo Paulo que, outrora, possivelmente, fizera parte do grupo que queria apedrejar os cristãos.</p>
<p>Se alguém possui o mesmo raciocínio de Gamaliel em nossos dias e não procura analisar os ensinamentos das seitas sob o padrão de nossa fé – a Bíblia, será tido como um ignorante em assuntos relativos à fé cristã. A fé evangélica pode e deve ser estudada, examinada, etc. Isto irá gerar o que chamamos crescimento espiritual. John Stott deu um título muito sugestivo a um de seus livros: “Crer é também pensar”.<br />
Judas, em sua carta, versículo três, exorta “&#8230;a batalhardes diligentemente pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”, pois nesta batalha não há lugar para alienação.</p>
<p>HISTÓRICO<br />
Nesta parte do artigo iremos analisar historicamente a maneira que surgiram os vários grupos que constituem as seitas marginais do protestantismo nos nossos dias.</p>
<p>Seitas Proféticas<br />
Seitas proféticas são aquelas seitas cujos líderes se acham investidos de uma “missão” e precisam proclamá-la, por acreditarem que o próprio Deus os comissionou para isso. Geralmente se baseiam em um sonho, uma revelação ou em uma interpretação descontextualizada das Escrituras Sagradas.<br />
Ao longo da história do cristianismo encontramos exemplos de homens que, movidos por um sentimento puramente humano, tentam estabelecer novos preceitos que se chocam com a Palavra de Deus. Exemplo disso pode ser visto em Márciom[1], no ano 144 e, mais tarde, Ário[2], dentre outros.<br />
Geralmente as seitas surgiam em um contexto de insatisfação com a religião dominante. Muitas dessas seitas proféticas, como por exemplo, Adventistas, Mormonismo, Testemunhas de Jeová, surgiram no final do século XIX, num contexto de grande desenvolvimento teológico, cultural, científico, etc. A maioria dessas seitas tinha uma perspectiva negativa da situação da humanidade e, em muitas delas, davam-se datas para a volta de Cristo e a destruição da humanidade. Já outros grupos surgiram em um contexto de guerra e pós-guerra, como a 1ª e a 2ª Guerras Mundial, tanto na Europa como nos Estados Unidos.<br />
Com o fim da guerra, cresceu o interesse pela religião, principalmente pelas religiões orientais. Era o movimento hippie que surgia pregando a paz e o amor. Foi nessa época que surgiu a seita “Meninos de Deus”, apregoando uma revolução para Jesus.<br />
No Brasil, vários movimentos encontraram boa acolhida, pelo caráter sincretista do próprio povo brasileiro. Muitos grupos usaram as próprias religiões estabelecidas (como é o caso da Congregação Cristã no Brasil que começaram seus trabalhos graças a uma cisão da Igreja Presbiteriana do Brás)[3]. Mas, veremos no decorrer do artigo, que as seitas que tiveram mais êxito entre o povo brasileiro são as de cunho pentecostal e neopentecostal.</p>
<p>Seitas Neopentecostais<br />
Apesar das seitas proféticas terem, em algumas delas, aspectos pentecostais, é diferenciado do movimento pentecostal como veremos adiante. Iremos abordar o movimento pentecostal mais demoradamente por uma questão de prioridade no que diz respeito ao objetivo do artigoo, pois o mesmo não poderia abordar todos os movimentos religiosos, sendo, portanto, este movimento de maior expressão em nosso contexto brasileiro.<br />
O neopentecostalismo tem suas raízes no pentecostalismo que, por sua vez, é devedor ao inglês John Wesley e seu movimento de santificação. Wesley estabeleceu uma distinção entre os crentes comuns e os santificados, ou seja, aqueles que foram batizados pelo Espírito Santo e aqueles que não foram.<br />
Passaremos a abordar o surgimento do movimento pentecostal que, posteriormente, deu origem ao neopentecostalismo.</p>
<p>ESTADOS UNIDOS – (1906) Em Topeka, Kansas, na escola bíblica dirigida por Charles Parham, foi reconhecido o Dom de línguas como sinal de identificação do batismo do Espírito Santo. Dali se espalhou pelos Estados Unidos. O movimento pentecostal em Los Angeles teve início num velho templo metodista, em Azusa Street. Essa missão – Azusa Street Mission – pode ser considerada como o ponto de partida do movimento pentecostal mundial. O próprio Emílio Conde, que traçou as origens das Assembléias de Deus no Brasil, considerava o avivamento espiritual ocorrido em Azusa Street como o ponto de partida do movimento pentecostal no Brasil.</p>
<p>EUROPA – Expandiu-se pela Finlândia, Noruega, Suécia, Alemanha, Suíça, Grã-Bretanha, a partir de uma visita de B. Barrat, pregador metodista, aos Estados Unidos, para angariar fundos. Durante a viagem, escreveu cartas à Noruega, narrando sobre o avivamento que havia nos Estados Unidos. Quando voltou, foram realizadas grandes reuniões em Oslo (Noruega). A partir daí, se espalha por vários países da Europa.</p>
<p>BRASIL – Em muitos países da América Latina o pentecostalismo é o grupo evangélico mais importante. No Brasil, o movimento pentecostal é o mais importante, numericamente falando. O início, em 1910, das Assembléia de Deus no Pará, por Daniel Berg e Gunnar Vingren e da Congregação Cristã, por Luigi Francescon, pela mesma época, no Paraná e São Paulo, foi o ponto de partida para o movimento se espalhar para o restante do Brasil.</p>
<p>Os anos 60 foram decisivos para a religião. Devido à secularização e o modernismo os estudiosos apostavam na extinção da religião. Duas décadas mais tarde o que se observa é uma explosão de novas seitas. Surgem os neopentecostais, também chamado de pentecostalismo de terceira onda ou pentecostalismo autônomo (p. e., Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Comunidade Sara a Nossa Terra, Igreja Renascer em Cristo, Igreja Nacional Palavra da Fé, entre outras).<br />
De uma maneira geral, esse neopentecostalismo enfatiza o exorcismo, cura divina, dons espirituais, continuidade da revelação divina através de líderes carismáticos, etc. Esse neopentecostalismo ganhou força no mundo religioso norte-americano nos anos 70, período em que também começou a penetrar na América Latina, provocando o surgimento de novas igrejas, seitas e denominações, assim como cisões nas principais denominações protestantes brasileiras, entre elas Metodistas, Batistas, Presbiterianas, Congregacionais, etc.</p>
<p>DOUTRINA MAIS COMUM E SUA REFUTAÇÃO</p>
<p>Doutrinas<br />
O neopentecostalismo é caracterizado como um grupo com mentalidade pentecostal, mas que se consideram adeptos de uma “renovação espiritual”.<br />
Consideramos que existem hoje várias Igrejas com características neopentecostais, que podem ser classificadas como pentecostalismo clássico ou neopentecostalismo, depende do critério adotado pelo analista. Nós iremos considerar as Igrejas: Universal do Reino de Deus; Internacional da Graça de Deus; Comunidade Sara Nossa Terra; Renascer em Cristo e Igreja Nacional Palavra da Fé.<br />
O movimento neopentecostal enfatiza, de uma forma geral, o exorcismo, cura divina, dons espirituais, continuidade da revelação divina através dos líderes carismáticos, e uma parte deste movimento aceita a “teologia da prosperidade”. Analisemos o seu conceito sobre possessão demoníaca.</p>
<p>Exorcismo<br />
O exorcismo exerce a função de extirpar o medo e o caos. Todos os males recebem um nome, uma origem: o demônio. O ministro ou pastor, dotado de força de Deus, expulsa o maligno e resolve o problema pela raiz.<br />
A visão neopentecostal é tripartida. Separam o Cosmo em três dimensões: Céu, morada de Deus e de seus anjos; Terra, uma criação divina entregue aos seres humanos; Inferno, regiões inferiores destinadas a acolher as almas dos mortos e demônios. O mundo é a arena, onde se dá a luta entre Deus, satanás e seus anjos, essas disputas são conhecidas como batalhas espirituais.<br />
Acreditam que o mal está personificado nos demônios. O que é notado nos hábitos de “amarração de demônios”, que se baseia na premissa de que os demônios estão soltos e podem entrar em animais, objetos, pessoas, principalmente no momento do culto. Esta é uma atividade constante nos movimentos neopentecostais, porque estão sempre escapando dos laços do exorcista. Por isso é preciso constantemente “colocar os demônios sob os pés”, “pisá-los com energia”, demonstrando-se assim o poderio do Senhor Jesus Cristo sobre as forças do mal. Em alguns templos da Comunidade Sara Nossa Terra, durante a celebração da eucaristia, as pessoas pisoteiam os copos plásticos que foram utilizados, para declararem publicamente a derrota dos demônios, que com este gesto são publicamente pisados e humilhados. Algum tempo atrás no templo da Comunidade Sara Nossa Terra em Passos, o pastor após o sermão e celebração da Eucaristia, e com uma bacia com água e um corante vermelho, orou e depois chamou os fiéis até altar para limpá-los com o sangue de Cristo.<br />
Na visão neopentecostal os demônios são espíritos revoltados, porque na criação dos seres humanos, Deus teria deixado de dar a eles – espíritos puros – a predominância original que eles tinham; por isso os demônios se apoderam das pessoas, movidos de inveja, em uma feroz luta, com o objetivo de destruí-los de todas as maneiras possíveis. Uma das maneiras, comum entre IURD[4] e Comunidade Sara Nossa Terra, é através da hereditariedade, pois, há casos de demônios que perseguem várias gerações. Uma outra maneira, é que há pessoas que se tornam possessas ao participarem, diretamente ou não, de rituais espíritas, ou por terem sido alvo de trabalhos, despachos e bruxarias, ou até mesmo por passarem perto, de carro ou a pé, dos lugares que foram utilizados para este tipo de trabalho, ou macumba. Se a pessoa que passou perto deste local, não tem o Espírito Santo na sua vida, fatalmente terá maléficos resultados.<br />
Há também uma corrente que disputa o tempo todo no momento de culto, com os poderes das trevas. E existem ainda, como é freqüente nos templos da IURD, os cultos de guerra cósmica ou batalha espiritual; são conhecidas como “correntes de fé” ou “campanhas”. Dessa maneira, cada milagre, conversão e exorcismo são pequenas amostras de decisivas vitórias de Deus contra as forças diabólicas.<br />
As Igrejas neopentecostais se diferenciam das pentecostais nos rituais de exorcismo, porque os pastores neopentecostais fazem um tipo de entrevista com as entidades diabólicas. A eficiência do exorcismo depende da legitimidade de quem pratica o ato e da instituição ao qual está vinculado o exorcista, o que a IURD atribui para si a autenticidade do exorcismo.<br />
Um outro objetivo do diabo é tornar seres humanos seus prisioneiros, e a ação da Igreja é oferecer tratamento espiritual, atuando como um pronto socorro espiritual. O ritual de exorcismo na IURD deve ser dirigido por pastores e obreiros cuja vida espiritual é supostamente exemplar, exigindo-se por isso mesmo, um longo preparo através de períodos longos de oração e jejum. As pessoas no auditório podem também participar através das suas orações, com declarações (queima Jesus; queima Jesus), com cânticos (sai, sai, sai, em nome de Jesus; ou, tá na hora, tá na hora do diabo ir embora) ou com ações que incluem o bater dos pés no chão, expressando que o diabo esta sendo pisado.</p>
<p>Refutação<br />
Entendemos que estes rituais e atividades desenvolvidas nas Igrejas Neopentecostais são modismos e falta de ensinamento bíblico adequado. A respeito do exorcismo respondemos que, ao invés da pessoa buscar em métodos e rituais uma forma de libertação, ele primeiramente deveria buscar a Deus, todas as vezes que lhe ocorreram pensamentos, atos e atitudes contrárias à vontade Dele. No movimento neopentecostal há pouco, ou nenhum, espaço para os métodos antigos, como arrependimento, confissão e admissão da própria culpa, e uma vida em santificação. Tiago orienta ao crente resistir ao diabo (Tg 4.7). Não se resolve culpa pessoal com exorcismo, nem se substitui a responsabilidade individual por demonização. Estes movimentos privam o cristão de participar da única e verdadeira libertação do domínio do pecado em sua vida. O apóstolo Paulo sugere a mortificação da natureza pecaminosa como um exercício diário (Rm 6, 6; 8,13), e a solução para as obras da carne não é a expulsão de espíritos que supostamente escravizam os cristãos e incita-os a praticar estes pecados, mas é viver uma vida no Espírito (Gl 5, 16-26).<br />
Pode um cristão ter demônios habitando seu corpo, o qual é igualmente habitado pelo Espírito Santo? A questão é realmente aguda, pois a Escritura ensina que o cristão está assentado com Cristo nos lugares celestiais, acima de todos os principados e potestades (Ef 1, 21-22). O cristão está em Cristo, e Cristo nada tem a ver com o maligno (Jo 14,30). E, naturalmente, o diabo não toca os que são de Cristo (1 Jo 5,18), pois o que está no cristão (Espírito Santo) é maior que os espíritos malignos que habitam este mundo (1 Jo 4,4).<br />
O NT não diz absolutamente nada a respeito de cristãos que foram possuídos, e apenas descreve o encontro de Jesus e dos apóstolos com pessoas endemoninhadas, mas em nenhum caso revela como o endemoninhamento aconteceu, se foi causa de pecados pessoais, pelos pecados dos outros, por maldições hereditárias, ou qualquer outro dos motivos alegados pelos proponentes do movimento neopentecostal. Não devemos tentar satisfazer as nossas curiosidades baseadas em especulações e experiências pessoais. Cremos que é possível hoje um descrente ser de tal forma, oprimido e atacado por Satanás o ponto de ocorrer a possessão.</p>
<p>A pergunta 26 do Catecismo Menor diz:<br />
Como exerce Cristo as funções de Rei?<br />
Cristo exerce as funções de Rei sujeitando-nos a si mesmo, governando-nos e protegendo-nos, contendo e subjugando todos os seus e os nossos inimigos.</p>
<p>BIBLIOGRAFIA<br />
1. CAMPOS, Leonildo Silveira. Teatro, Templo e Mercado: organização e marketing de um empreendimento neopentecostal. Petrópolis, R.J.: Vozes; São Paulo: Simpósio Editora e Universidade Metodista de São Paulo, 1997.<br />
2. GONZALEZ, Justo L., A Era dos Novos Horizontes. São Paulo: Vida Nova, 1989.<br />
3. _______________, A Era Inconclusa. São Paulo: Vida Nova, 1995.<br />
4. LEITE FILHO, Tácito da Gama, Seitas Proféticas. Rio de Janeiro: Juerp, 1987.<br />
5. ______________________, Seitas Neopentecostais. Rio de Janeiro: Juerp, 1991.<br />
6. STOTT, John R. W. Crer é também pensar. São Paulo: ABU, 1994.<br />
Notas:<br />
[1] González, Vol.1, p.99. Márciom acreditava que o presente mundo era mau e, portanto, fora criado por um deus igualmente mau. Então, ele fez uma distinção entre o deus do A.T. (Jeová) e o Pai de Jesus Cristo do N.T. (Deus Supremo) superior a Jeová.<br />
[2] González, vol.2, p.90, 91. Segundo Ário, Jesus havia sido criado por Deus, sendo, portanto, uma criatura. Mesmo sendo, no dizer de Ário, a principal criatura de Deus. o que estava em jogo era a divindade de Jesus.<br />
[3] Tácito, Seitas Neopentecostais, p.31.<br />
[4] Igreja Universal do Reino de Deus.<br />
Por <strong>Rev Baltazar L. Fernandes</strong></p>
<p class="facebook"><a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http://apologiacrista.com.br/2015/10/16/explosao-das-seitas-marginais-a-reforma/" target="_blank" title="Share on Facebook">Share on Facebook</a></p>]]></content:encoded>
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">95</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>

<!-- Dynamic page generated in 2.694 seconds. -->
<!-- Cached page generated by WP-Super-Cache on 2017-07-19 08:30:53 -->
