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	<title>Associação Rumos</title>
	
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	<description>Movimento Nacional das Famílias dos Padres Casados</description>
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		<title>DEBATE ENTRE PRESIDENCIÁVEIS ABORDARÁ TEMAS DE INTERESSE CATÓLICO</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 01:04:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enoch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>

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		<title>REGISTRO 30º DIA FALECIMENTO DE ROSA RESENDE</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 16:51:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enoch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Passados 30 dias do falecimento de Rosa Resende, esposa de Francisco, queremos registrar o luto da família MPCista
Essa foto foi tirada por João Tavares em Janeiro quando de sua hospedagem na residência de Francisco e Rosa.
Rosa e Francisco são Membros fundadores do MPC e sempre trabalharam intensa e apaixonadamente para que o Movimento não se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Passados 30 dias do falecimento de Rosa Resende, esposa de Francisco, queremos registrar o luto da família MPCista<br />
Essa foto foi tirada por João Tavares em Janeiro quando de sua hospedagem na residência de Francisco e Rosa.<br />
Rosa e Francisco são Membros fundadores do MPC e sempre trabalharam intensa e apaixonadamente para que o Movimento não se afastasse de seus objetivos originais.<br />
Por Francisco, Gisele e Briseida reforçamos orações ao Bom Deus, comungando, nesta hora difícil, a tua dor pela separação da Esposa e Mãe.&#8221;</p>
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		<title>As Idéias do Papa são mais determinantes do que as Idéias do Evangelho</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 02:41:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enoch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Aqui atrasado, disse algo que me parece importante em relação à crescente maré de acusações e denúncias que se publicam a respeito dos abusos sexuais, por parte de padres e religiosos, sobre crianças e jovens.</p>
<p> </p>
<p>Hoje tenho que voltar ao mesmo assunto, não para repetir o que já tanta gente disse, mas para trazer, se possível, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aqui atrasado, disse algo que me parece importante em relação à crescente maré de acusações e denúncias que se publicam a respeito dos abusos sexuais, por parte de padres e religiosos, sobre crianças e jovens.</p>
<p> <span id="more-1097"></span></p>
<p>Hoje tenho que voltar ao mesmo assunto, não para repetir o que já tanta gente disse, mas para trazer, se possível, um pouco mais de luz sobre um tema tão obscuro e escabroso que, ainda por cima, se tem vindo a complicar ao longo dos últimos tempos.</p>
<p>Uma das coisas mais torpes que vejo na Igreja é o enorme peso institucional, organizacional e administrativo que o papado tem na tomada de decisões, na gestão, organização e governo da Igreja universal. É certo que esta situação não é de agora. Não depende deste papa nem do anterior. O problema vem de muito mais atrás.</p>
<p>Os estudiosos da história do cristianismo sabem muito bem que foi o papa Gregório VII, no séc. XI, quem deu uma reviravolta decisiva naquilo que diz respeito à concentração do poder e exercício do governo na Igreja. Não esqueçamos que, desde o séc. XI até ao séc. XXI, a tendência dominante foi ir aumentando a presença e o poder papal na Igreja e, enquanto isso foi possível, no mundo inteiro.</p>
<p>Este não é o momento nem o lugar para explicar a história desta crescente hipertrofia da presença e do poder papal na Igreja. Mas, o fato é que, com o passar dos séculos, chegamos a uma situação na qual são muitos, muitíssimos, os católicos para quem é mais determinante uma palavra do papa (seja qual for o papa) do que uma palavra do Evangelho.</p>
<p>Por exemplo, é claro que Jesus não quis impor a ninguém a obrigação de ser celibatário para o servir. Pois bem, hoje estamos numa situação em que, na administração e no governo da Igreja, têm mais peso o critério do papa do que o critério de Jesus Cristo. A situação é esta, por mais que tentemos explicar este paradoxo.</p>
<p>Outro exemplo: Jesus proibiu os seus apóstolos de utilizarem títulos de prestígio, de procurarem os primeiros lugares, de usarem vestimentas solenes para se distinguirem dos outros, de tentarem ter poder como o que os poderosos (Chefes de Estado…) deste mundo têm, etc. E que vemos nós? Vemos que os sucessores dos apóstolos, com o papa à frente, fazem precisamente o contrário daquilo que Jesus disse. E ninguém ata as mãos à cabeça perante este escândalo! Estamos de tal modo mal formados religiosamente que, se algum dia nos deparamos com um bispo que se senta ao nosso lado como qualquer um dos homens e mulheres do nosso tempo, isso nos parece pouco menos do que um exemplo de eminente santidade!</p>
<p>Até onde conseguiram privar-nos da razão a nós, católicos praticantes!</p>
<p>Até quando vamos suportar tamanho absurdo, já não nos bispos mas, sobretudo, em nós mesmos?</p>
<p>Compreendo que falar desta realidade seja desagradável mas não me posso calar porque vejo, e não é preciso ser um lince para o ver, que tudo isto está na base do que se passa com os escândalos de pedofilia que se cometem no ambiente eclesiástico.</p>
<p>Tanto quanto sei, pelo menos desde 1962 que a Santa Sé vinha dando instruções secretas e severas aos bispos para que os abusos sexuais com crianças, cometidos pelo clero, se mantivessem em rigoroso segredo. Ultimamente apercebemo-nos de que a posição do papado mudou no que se refere a este escandaloso assunto. O Vaticano mudou porque não teve outro remédio senão mudar. Mas sabemos que os papas resistiram, durante décadas, a colaborar com as autoridades civis para castigar os delinquentes.</p>
<p>Agora já não restam dúvidas. O problema de fundo não é a pedofilia do clero mas sim o peso institucional do papado que encobriu, com o seu poder e prestígio, até o exemplo do próprio Jesus, a palavra do Senhor, o texto santo e exemplar do Evangelho. É simplesmente aterrador saber que se está a atuar contra o que disse e fez Jesus Cristo e, no entanto, tudo seguir em frente como se nada tivesse acontecido, continuando a ocupar o cargo de cabeça e chefe dos crentes em Jesus, mas ao mesmo tempo fazendo e dizendo exatamente o contrário do que Jesus fez e disse. Há alguém que possa entender isto? Agora é o problema da pedofilia, mais adiante virão à luz do dia outros problemas.</p>
<p>O preocupante não é cada problema em concreto. O preocupante é o sistema de governo eclesiástico que, tal com tem vindo a funcionar, não somente não se baseia no que Jesus disse, como também, e em bastantes fatos concretos e de enorme importância, fala e atua exatamente contra o que Jesus fez e disse.</p>
<p>Enquanto não enfrentarmos este problema com liberdade e honestidade, tudo o resto não passará de aplicar pomadas sobre um corpo invadido por um cancro.</p>
<p><strong>José Maria Castillo</strong></p>
<p>Teología sin censura</p>
<p>(tradução de Arsénio Pires)</p>
<p> Fonte: “A Palmeira” – site dos ex-alunos dos Redentoristas de Portugal</p>
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		<title>QUAL A MELHOR RELIGIÃO?</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2010 02:49:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enoch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Testemunhos]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Breve  diálogo entre o teólogo  Leonardo Boff e o  Dalai Lama.</p>
<p>Leonard  Boff explica: </p>
<p>“ No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre povos, no qual ambos (eu e o Dalai Lama) participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:</p>

“Santidade, qual é a melhor religião?”   
Esperava que ele dissesse:

<p> </p>
<p>“É o budismo tibetano” ou “São as religiões orientais, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Breve  diálogo entre o teólogo  Leonardo Boff e o  Dalai Lama.</strong></p>
<p><strong>Leonard  Boff explica:</strong> <span id="more-1095"></span></p>
<p><strong>“ No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre povos, no qual ambos (eu e o Dalai Lama) participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:</strong></p>
<ul>
<li><strong>“Santidade, qual é a melhor religião?”   <br />
Esperava que ele dissesse:</strong></li>
</ul>
<p> </p>
<p><strong>“É o budismo tibetano” ou “São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo.”</strong></p>
<p><strong>O  Dalai Lama fez uma  pequena pausa, deu um  sorriso, me olhou bem  nos olhos – o  que me desconcertou  um pouco, porque eu  sabia da malicia contida  na pergunta – e  afirmou:</strong></p>
<p><strong>“A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus, do Infinito. <br />
“É aquela que te faz melhor.”</strong></p>
<p><strong>Para  sair da perplexidade  diante de tão sábia  resposta, voltei a perguntar:</strong> </p>
<ul>
<li><strong>“O que me faz melhor?”</strong></li>
</ul>
<p><strong>Respondeu  ele: <br />
- “Aquilo que te faz mais compassivo” (e aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta), aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável&#8230;</strong></p>
<p><strong>…Mais ético. <br />
 <br />
A religião que conseguir isso de ti é a melhor religião.</strong></p>
<p><strong>Calei,  maravilhado, e até  aos dias de hoje  estou ruminando a sua  resposta sábia e irrefutável.</strong></p>
<p><strong>Não  me interessa, amigo,  a tua religião ou  mesmo se tens ou  não religião.</strong> </p>
<p><strong>O  que realmente importa  é a tua conduta  perante o teu semelhante,  a tua família, o  teu trabalho,a tua comunidade,  perante o mundo&#8230;</strong></p>
<p><strong>Lembremos: <br />
 <br />
“O Universo é o eco de nossas ações e nossos pensamentos”.</strong></p>
<p><strong>A  Lei da Ação e  Reação não é exclusiva  da Física. Ela está  também nas relações  humanas. Se eu ajo  bem, receberei o bem.  Se ajo mal, receberei  o mal.</strong></p>
<p><strong>Aquilo  que nossos avós nos  disseram é a mais  pura verdade:</strong> </p>
<p><strong>“Terás sempre em dobro aquilo que desejares aos outros”.</strong></p>
<p><strong>Ser  feliz não é questão  de destino. <br />
É de escolha.</strong> </p>
<p><strong>Pense  nisso.</strong></p>
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		<item>
		<title>Proposta para o Congresso Nacional do MPC 2012</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Aug 2010 16:41:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enoch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fortaleza 2012]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Proposta para o Congresso Nacional do MPC,</p>
<p>a ser realizado de 24 a 27 de junho de 2012 em Fortaleza (CE)</p>
<p> I       TEMA</p>
<p>Da Igreja que temos para uma Igreja à luz do espírito do Concílio Vaticano II na América Latina</p>
<p> </p>
<p>Porque este tema?</p>

No ano de 2012 celebramos os cinqüenta anos do início do Concílio Vaticano II (1962-1965), caracterizado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Proposta para o Congresso Nacional do MPC,</strong></p>
<p><strong>a ser realizado de 24 a 27 de junho de 2012 em Fortaleza (CE)</strong></p>
<p> <strong>I       <span style="text-decoration: underline;">TEMA</span></strong></p>
<p><strong>Da Igreja que temos para uma Igreja à luz do espírito do Concílio Vaticano II na América Latina</strong></p>
<p><strong> <span id="more-1090"></span></strong></p>
<p>Porque este tema?</p>
<ul>
<li>No ano de 2012 celebramos os cinqüenta anos do início<em> </em>do Concílio Vaticano II (1962-1965), caracterizado como o concílio do “aggiornamento”, que significa que a Igreja, Povo de Deus, deve estar em contínuo processo de atualização no mundo moderno, expressando a fé de forma compreensível para os dias atuais.</li>
<li>O MPC se reconhece como um grupo no meio do Povo de Deus e, por isso, se considera participante do movimento de Jesus. O MPC deseja dar sua colaboração na reflexão a respeito da necessária conversão e atualização quanto à presença no mundo de hoje, aproximando tanto a própria Igreja como o mundo ao Evangelho, como proposto no Concílio.</li>
</ul>
<p> </p>
<p><strong>II     <span style="text-decoration: underline;">SISTEMÁTICA</span></strong></p>
<p><strong>Organizar um congresso processual e contínuo, no qual os grupos (estaduais) tenham participação ativa</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Objetivo:</p>
<ul>
<li>Suscitar a participação dos grupos nos estados para que o Congresso do MPC tenha uma preparação participativa e possa continuar mesmo depois do encerramento em 27-06-2012.</li>
<li>Para alcançar a processualidade propõe-se como método o estudo e a reflexão a partir de subsídios enviados a todos os grupos.</li>
</ul>
<p> </p>
<p><strong>III    <span style="text-decoration: underline;">ETAPAS</span>   <span style="text-decoration: underline;">DO</span>   <span style="text-decoration: underline;">CONGRESSO</span></strong></p>
<ol>
<li><strong><em>A.      </em></strong><strong><em>PRÉ-CONGRESSO: <span style="text-decoration: underline;">VER</span> o que existe: em que igreja nos encontramos, que MPC somos e em que mundo vivemos</em></strong><strong><em></em></strong></li>
</ol>
<p>(setembro de 2010 a maio de 2012)<strong><em></em></strong></p>
<p>Preparação nas reuniões estaduais através de estudo de textos que irão subsidiar o tema do Congresso. Propõe-se o estudo de dois textos em 2010, quatro em 2011 e dois em 2012. A comissão temática pede sugestões de textos para o ano de 2011 (dentro do tema acima colocado e não ultrapassando duas páginas A4), enviando-os para <a href="mailto:gerardfrencken@ibest.com.br">gerardfrencken@ibest.com.br</a> e/ou <a href="mailto:absil.w@gmail.com">absil.w@gmail.com</a>.</p>
<ol>
<li><strong><em>B.      </em></strong><strong><em>CONGRESSO: <span style="text-decoration: underline;">JULGAR</span> o que, pessoalmente, como casal e como MPC, somos e temos assumido para promover uma igreja renovada, e propor novas atitudes e ações</em></strong></li>
</ol>
<p>(24 a 27 de junho de 2012)<strong><em></em></strong></p>
<ul>
<li>· Duas reflexões (palestrantes) para estimular os grupos de estudo</li>
<li>· Grupos de estudo para formular propostas</li>
<li>· Definição de eixos de encaminhamentos</li>
</ul>
<p> </p>
<ol>
<li><strong><em>C.      </em></strong><strong><em>PÓS-CONGRESSO: <span style="text-decoration: underline;">AGIR </span>conforme proposto no Congresso</em></strong></li>
</ol>
<p>(a partir de julho de 2012)</p>
<ul>
<li>· Fazer chegar os encaminhamentos do Congresso aos grupos estaduais</li>
<li>· Discutir e aprofundar nas reuniões estaduais os encaminhamentos do Congresso</li>
<li>· Desencadear ações concretas que possam ser desenvolvidas pelos grupos</li>
<li>· Provocar novas reflexões e ações, fazendo intercambio com os demais estados para dar continuidade a uma atitude de estudo e ação permanentes.</li>
</ul>
<p> </p>
<p>Fortaleza, agosto de 2010,</p>
<p>     Comissão temática do MPC -CE:</p>
<p>   Joselila e Elmas, Paula e Ermínio, Rosa e Gil, Claudete e Geraldo, Homéria e Luciano.</p>
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		<item>
		<title>SOBRE ARTIGO: A IGREJA E O VATICANO II. ‘UM RETROCESSO’</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/AssociaoRumos/~3/jL3J9t3aicY/1088</link>
		<comments>http://www.padrescasados.org/archives/1088#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 00:55:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enoch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Caro Tavares:</p>
<p> Concordo com suas observações.</p>
<p>Apenas ressalvo que mesmo Paulo VI fez avanços muito tímidos para implementar o Vaticano II. Acredito que ele foi impedido pela Cúria Romana, quando quis abrir os porões mofados da Igreja Institucional, essencialmente um modelo do tempo dos reis medievais e do tempo do absolutismo na Europa. Nada tem a ver [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Tavares:</p>
<p> Concordo com suas observações.<span id="more-1088"></span></p>
<p>Apenas ressalvo que mesmo Paulo VI fez avanços muito tímidos para implementar o Vaticano II. Acredito que ele foi impedido pela Cúria Romana, quando quis abrir os porões mofados da Igreja Institucional, essencialmente um modelo do tempo dos reis medievais e do tempo do absolutismo na Europa. Nada tem a ver o governo de Igreja encarnado pela figura do Apóstolo Pedro. Lembra mais Constantino e Luis XIV.</p>
<p>Você acentua, com muita propriedade, a ausência de uma assembléia local participante nas decisões e nos rituais na tipologia clerical exaltada pelo Santo Bispo e ex-abade, que edificou com seu exemplo o povo lá de S. João da Boa Vista-SP.</p>
<p>Fazer o quê?</p>
<p>Vamos clamar, como fez João XXIII ao convocar o Concílio, pela adequação das estruturas eclesiais às necessidades de evangelização deste nosso mundo.</p>
<p>Esse foi o motivo de minha saída do clero e de toda minha vida, junto com Rosa, que achava um absurdo a exclusão da mulher e do povo na condução do destino e dos rumos do cotidiano da igreja local.                      </p>
<p>Quando isto ocorrer, teremos PRESBÍTEROS E NÃO SACERDOTES (o único é Cristo), testemunhando integrado em suas comunidades, nas quais estará engajado profissionalmente (como Paulo, que não vivia às custas de seu povo, embora tivesse este direito), com profunda formação teológica e cientifica nas ciências humanas.</p>
<p>Tavares e Sofia,</p>
<p>Um agradecimento especial a vocês pela solidariedade fraterna que me prestaram neste momento difícil, quando celebrei a ressurreição da Rosa em 16/07/2010.</p>
<p>Ela foi ao encontro do Cristo Ressuscitado, inserindo-se neste energia cósmica que nos conquistou Cristo Redentor, integrando-se às forças que conduzem ao ponto ômega de T. Chardin.</p>
<p> Um abraço,</p>
<p> F. Resende</p>
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		<item>
		<title>O SACERDÓCIO À LUZ DO CONCÍLIO Vaticano II</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/AssociaoRumos/~3/8ThbPSeTOYE/1081</link>
		<comments>http://www.padrescasados.org/archives/1081#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 20:18:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enoch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Amigos e Colegas,</p>
<p>Na nossa recente viagem a Portugal, a convite do Bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, Sofia e eu, que sou dessa diocese, participamos do Segundo Encontro convocado por D. Ilídio, dos padres casados da e na diocese.</p>
<p> </p>
<p>Segue o teor da palestra:</p>
<p>Duas Vozes – Eagora</p>
<p>Primeira Voz</p>
<p>Concílio Vaticano II</p>
<p>Lumen Gentium (L.G.) – 21/Nov./1964</p>
<p>(Constituição Dogmática Sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Amigos e Colegas,</strong></p>
<p><strong>Na nossa recente viagem a Portugal, a convite do Bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, Sofia e eu, que sou dessa diocese, participamos do Segundo Encontro convocado por D. Ilídio, dos padres casados da e na diocese.</strong></p>
<p><strong> <span id="more-1081"></span></strong></p>
<p><strong>Segue o teor da palestra:</strong></p>
<p><strong>Duas Vozes – Eagora</strong></p>
<p><strong>Primeira Voz</strong></p>
<p><strong>Concílio Vaticano II</strong></p>
<p><strong>Lumen Gentium (L.G.) – 21/Nov./1964</strong></p>
<p><strong>(Constituição Dogmática Sobre a Ireja)</strong></p>
<p><strong>Gaudium et Spes (G.S.) – 07/Dez./1965</strong></p>
<p><strong>(Constituição Pastoral Sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo)</strong></p>
<p><strong>Presbyterorum Ordinis (Pr.Ord.) – 07/Dez/1965</strong>.</p>
<p><strong>(Decreto Sobre o Ministério e Vida dos Sacerdotes)</strong></p>
<p><strong>Segunda Voz</strong></p>
<p><strong>PauloVI &#8211; Sacerdotalis Caelibatus – 1967</strong></p>
<p><strong>Codex Iuris Canonici – 25/01/1983 (prom.J. Paulo II)</strong></p>
<p><strong>(Terceira Voz)</strong></p>
<p><strong>Eagora (Ecclesia hac hora) – 28/05/2010</strong></p>
<p><strong><em>Nota Introdutória</em></strong></p>
<p><strong><em>Método</em></strong></p>
<p><strong><em>Optámos por fazer uma exposição dos textos, coerentemente ligados pela temática comum, de acordo com uma metodologia predominantemente indutiva, de forma a que, da leitura suficientemente exaustiva e global dos mesmos, se induzisse uma Ideia, uma Doutrina.</em></strong></p>
<p><strong><em>Deste modo, e para mais fácil leitura, se apresenta o Plano Discursivo que passamos a expor.</em></strong></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
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<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Desenvolvimento – Plano Discursivo</strong></p>
<p><strong>Primeira Voz – O Apelo da Criação e O Apelo da Restauração</strong></p>
<ol>
<li><strong>1.     </strong><strong>Dignidade radical da Pessoa Humana, pelo Acto da Criação.</strong></li>
</ol>
<p><strong>1.1.     </strong> O Home Edénico</p>
<p><strong>1.2.     </strong> A Terra – A Nova Casa do Homem</p>
<ol>
<li><strong>2.     </strong><strong>Dignidade radical da Pessoa Humana, pelo Acto da Restauração</strong></li>
</ol>
<p><strong>2.1.                        </strong><strong>Pelo Batismo – A Igreja, a Nova Comunidade do Homem</strong></p>
<p><strong>2.1.1         </strong>A Igreja, Comunidade Sacerdotal</p>
<p><strong>2.1.1.1  </strong>Os Leigos – Sacerdócio Comum</p>
<p><strong>2.2.                        </strong><strong>O Matrimónio, Restauração do Plano Criador de Deus</strong></p>
<p><strong>2.3.                        </strong><strong>O Sacramento da Ordem, Sacramento da Hierarquização da Comunidade Eclesial</strong></p>
<p><strong>2.3.1.</strong> – O Episcopado – Colégio dos Bispos e Concílio Ecuménico</p>
<p><strong>2.3.2.</strong> – O Presbiterado e o Episcopado – Corpo Sacerdotal</p>
<p><strong>SegundaVoz – Liberdade Radical pela Criação e Restauração,</strong></p>
<p><strong> e Liberdade pela Lei </strong></p>
<ol>
<li><strong>1.                 </strong><strong>Os perigos da Perfeita Imperfeição</strong></li>
</ol>
<p><strong>a)      </strong>Proposta</p>
<p><strong>b)      </strong>O Celibato, de Recomendado a Imposto</p>
<p><strong>b1)</strong> A Encíclica de Paulo VI “Sacerdotalis Caelibatus” 1967</p>
<p><strong>b2)</strong> O código de Direito Canónico (CIC) 1984</p>
<p><strong>(Terceira Voz) – Eagora (Ecclesia Hac Hora)</strong></p>
<p><strong>Primeira Voz – O Apelo da Criação e o Apelo da Restauração</strong></p>
<p><strong>1                   </strong><strong>Dignidade Radical da Pessoa Humana, Pelo Acto da Criação</strong></p>
<p><strong>1.1  </strong><strong>O Homem Edénico</strong></p>
<p>Perante o Mundo, perante a História, começa o Concílio por encontrar a Verdade comum, alicerce do Diálogo Civilizacional e Religioso que se propõe fomentar com o mesmo Mundo, a História e a própria Igreja.</p>
<p>“Crentes e não crentes estão geralmente de acordo neste ponto: tudo o que existe na terra deve ser ordenado para o homem, como para o seu centro e vértice.” (G.S. 12)</p>
<p>Não será difícil aceitar, no plano das ideias, a centralidade da pessoa, na globalidade de todas as outras criaturas; isto mesmo já proclamava a Renascença: o Homem como Centro do Universo.</p>
<p>No entanto, há que estar atento ao perigo de tal centralidade que, em vez de contribuir para a sua dignidade, se pode virar contra o próprio Homem. O Homem, tudo quanto olha à sua volta, é tentado a tomá-lo como objecto para si próprio. Chega mesmo a confundir o “Outro,” não como um “alter-ego,” mas como uma “res” para seu serviço. Ao longo dos séculos, até aos nossos dias, as diversas formas de escravatura, ditaduras, intolerância testemunham este desvio, quando a centralidade é tomada em absoluto pelo homem, quer enquanto indivíduo quer mesmo como grupo social, cultural, político, religioso.</p>
<p>Esta centralidade não o pode levar à cegueira de não reconhecer o seu semelhante como um «alter-ego» mas antes, o deve levar a interrogar-se donde lhe vem tal centralidade, posição hierárquica e poder.</p>
<p>A primeira evidência é o reconhecimento da sua fragilidade, dependência. Mas, por vezes, tal reconhecimento, em vez de o conduzir à humildade da sua verdade, orgulhosamente o revolta, exprimindo tal sentimento pelo espezinhamento do “Outro”, alimentando formas de «superioridade» como o absolutismo, ditadura ou outras mais subtis como a indiferença e o desprezo. Recordamos uma vez mais a Renascença e outros movimentos que mais tarde a tentaram promover, como a Revolução Francesa.</p>
<p>Previdente à possibilidade desta situação de ser “singular” tendente à cegueira do absoluto, do quase imortal, o texto bíblico (gen. 2, 18) avisa: “não é conveniente que o homem esteja só; vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele”.</p>
<p>A relatividade leva-nos à consideração do «Outro», ao seu acolhimento e previne-nos da vertigem do absoluto – nós que somos “im-perfeitos”. Esta pluralidade é acentuada na Bíblia, quando nos diz que o homem foi criado “à imagem de Deus, criou-os homem e mulher” (Gen. 1, 27) <span style="text-decoration: underline;">a singularidade</span> dá lugar à <span style="text-decoration: underline;">pluralidade</span>, comunidade: homem e mulher «(uir mulierque)».</p>
<p>Pela própria cadência narrativa do texto conciliar, o Homem aparece como coroa da criação, mediatizador entre a criatura e o criador. Definitivamente, o absoluto egocentrismo do Homem, está sanado.</p>
<p>“Na unidade do corpo e alma, o homem, pela sua própria condição corporal, é uma síntese do universo material, de tal modo que, por meio dele, atinge o seu ponto mais alto e ergue a voz para louvar livremente o Criador.” (G.S. I, 14) Esta atitude mediadora, entre o criado e o criador, marca, indelevelmente, a natural condição primária, a raiz de todo e qualquer ministério., O homem, por natureza, no plano da criação, é Sacerdote, tem o dom de sagrar (sacer), de sacralizar, meter no domínio do sagrado, de Deus, a criatura, a começar por si próprio. Como se diz em Génesis 1,25 “Deus, depois de ter criado todas as coisas, contemplando a sua Obra, <strong>viu que isto era Bom</strong>”; de seguida, disse: “façamos o Homem à nossa imagem, à nossa semelhança”.</p>
<p>O Homem é criado para <strong>perpetuar aquela palavra de louvor e acção de graças</strong> que o próprio Deus, revendo-se na sua Obra, dissera: <strong>“tudo era muito bom”.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>1.2.                        </strong><strong> A Terra – a Casa do Novo Homem.</strong></p>
<p>Na sequência histórica da Criação, encontramos, depois de um longo iato de tempo que se segue ao convívio edénico, um <strong>Novo Homem</strong>, em tudo igual ao primeiro, da mesma família humana, a expressão acabada e perfeita do Logos inicial – o <strong>Verbo Incarnado.</strong> Não se dirige para o Éden, onde o homem já não se encontra, mas para a Terra, a Nova Casa do Homem. “<strong>Cristo, Novo Adão</strong> (…) manifesta perfeitamente o Homem ao próprio Homem e descobre-lhe a sublimidade da sua vocação inicial.” (G.S. I, 22)</p>
<p>“Ele que é “Imagem de Deus invisível” (Col. 1, 15), é também o Homem Perfeito que restitui à descendência de Adão, a semelhança divina, deformada desde o primeiro pecado. Porque n’Ele, a natureza Humana foi <strong>assumida</strong>, não absorvida, e, por isso mesmo, esta natureza foi elevada, <span style="text-decoration: underline;">também em nós</span>, a uma dignidade sem par” (G.S. I, 22). Agora, <strong>o Homem em Jesus Cristo</strong>, <span style="text-decoration: underline;">assume, com toda a propriedade, a sua natural condição de mediador, de consciência do mundo criado. A Natureza sacerdotal do Homem é restaurada, elevada para além dos limites da primitiva criação.</span></p>
<p>Até Jesus Cristo, a humanidade no seu conjunto, e cada um dos seus membros, era o espelho do Criador, a sua imagem mais ou menos perfeita, como toda e qualquer obra é imagem do seu autor. Com Jesus Cristo, assumindo a Natureza humana, Ele que é a Verdadeira e Perfeita Imagem do Pai, não como ser Criado, mas como ser Gerado (da mesma Génese do Gerador) – “Gerado não Criado” – Deus. A condição de <span style="text-decoration: underline;">Criatura</span> da humanidade, <span style="text-decoration: underline;">eleva-se ao estado do próprio Cristo (Gerado) – «Geratura»</span>.</p>
<p>É neste mistério de <strong>Deus feito Homem e do Homem <span style="text-decoration: underline;">assumido</span> à <span style="text-decoration: underline;">geração</span> de Cristo</strong>, que se fundamenta, em rocha inabalável, <strong>o Homem Novo</strong> (e a Nova Terra) e sua consequente dignidade. Não apenas o Homem em sentido colectivo e geracional, mas cada um de per si, o Indivíduo o “ego”, agora libertado da esterilidade do egoísmo e fecundado pela relativização comunitária com o «<span style="text-decoration: underline;">Outro»</span>, “outro eu”.</p>
<ol>
<li><strong>2.       </strong><strong>Dignidade radical da Pessoa Humana, pelo Acto da Restauração</strong></li>
</ol>
<p> </p>
<p><strong>2.1. </strong><strong>Pelo Batismo – o Novo Homem – a Nova Comunidade Humana, a Igreja</strong></p>
<p>O mistério da <strong>Criação e da Regeneração, </strong>embora sejam visíveis ou previsíveis à luz baça da Razão, quando esta busca a Verdade na inquietação e procura diária da sua auto-gnose: “Quem sou eu? O que é o Homem?”; no entanto, é pela Revelação Testamentária que obtemos a resposta.</p>
<p>O Senhor Deus, através do Seu filho Jesus Cristo, fundou a sua Igreja “a qual é, em Cristo, como que sacramento ou sinal, e também instrumento da união íntima com Deus e da unidade de todo o género humano”. “Por isso, este Sagrado Concílio, congregado no Espírito Santo, deseja ardentemente, anunciando o Evangelho a toda a criatura (Mc. 16, 15), iluminar todos os homens com a claridade de Cristo que resplandece na face da Igreja”. (L.G. I, 1)</p>
<p>Assim, aparece a Igreja inteira como “Povo congregado na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (L.G. I, 4) “ Este reino começa a aparecer claramente aos homens nas palavras, nas obras e na presença de Cristo” (L.G. I, 5)</p>
<p>Mais adiante, o texto conciliar esclarece, à evidência da luz da fé: “<strong>o Filho de Deus, unindo a si a natureza humana </strong>e vencendo a morte com a sua própria Morte e Ressurreição, remiu o Homem, transformando-o numa <strong>Nova Criatura</strong> (Gal. 6, 15; 2Cor. 5, 17) e pela comunicação do espírito <span style="text-decoration: underline;">constituiu com os seus irmãos, chamados de entre todas as gentes</span>, <strong>o Seu Corpo Místico.</strong></p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Neste Corpo, a vida de Cristo comunica-se aos crentes</span> que, através dos sacramentos, se unem, de modo misterioso e real, a Cristo que sofreu e foi glorificado. <strong>Pelo Baptismo configuramo-nos com Cristo</strong>: “porque num mesmo espírito fomos baptizados todos nós, para sermos um só corpo” (1Cor. 12, 13) (L.G. I, 7).</p>
<p>“Configuramo-nos”, isto é, passamos a ter uma figura que, no caso, <span style="text-decoration: underline;">deixa de ser a que tínhamos antes</span>, isolados, e <span style="text-decoration: underline;">passa a ser a <strong>nossa com a Figura de Cristo</strong></span>, de tal modo, que adquirimos um novo nome, o de Cristãos: o de configurados com Cristo. O nosso <strong>Ser Natural</strong> (essência) pela nova ordem da nossa Existência passa a <strong>Ser Cristão</strong> (Sobrenatural).</p>
<p>O Batismo é o sinal que assinala, marca directamente o indivíduo, para o inserir numa Comunidade. Antes de mais, na própria <span style="text-decoration: underline;">Família de sangue,</span> onde nasceu para a Criação e onde deve renascer para a Regeneração. A família é pois, berço da Natura e o berço da Fé. Daqui, deve a Família partir para a vasta Comunidade Batismal e desta, para a <span style="text-decoration: underline;">Sociedade de Todos os Homens</span>, como semente, fermento do Novo Reino, do Novo Povo.</p>
<p><strong>2.1.1 A Igreja Comunidade Sacerdotal</strong></p>
<p><strong>2.1.1.1. Os Leigos – Sacerdócio Comum</strong></p>
<p>Como já sublinhámos, ao [<strong>homem e mulher</strong>] criados por Deus, estava-lhes inerente a <span style="text-decoration: underline;">mediatização sacerdotal,</span> numa liturgia de Louvor e Acção de Graças a Deus, pela Criação. Pelo pecado, o Homem, expulso do seu estado primitivo (dele desconfigurado), sente agora o peso da sua liberdade usada no sentido oposto ao que era o plano inicial – Louvor e Acção de Graças. Nesta situação de perda, no embaraço do pecado, não encontra o caminho para o regresso, que teria de passar pela Expiação.</p>
<p>Vagueando pela Terra, Deus vem ao seu encontro e dá-lhe a resposta da Esperança da vinda do Salvador, da Reconciliação, da Regeneração, para readquirir o seu estado de <span style="text-decoration: underline;">mediador entre todas as criaturas, e o Deus Criador</span>.</p>
<p>A História da Humanidade dá-nos testemunho <span style="text-decoration: underline;">da inquietação do Homem</span> neste esforço de reatar de “religare”, através de <span style="text-decoration: underline;">todas as formas de culto</span> que a mesma história regista e testemunha, mesmo quando essas formas cultuais assumem as expressões mais aberrantes na sua arracionalidade.</p>
<p>Um Povo, apesar de tudo, O Povo Escolhido, mantém a sua fidelidade penitente ao Deus Único, prestando-lhe culto através de ritos que procuram exprimir os seus sentimentos mais profundos para com Javé.</p>
<p>É este Povo, representante simbólico de todos os Povos, que recebe a Promessa de um Salvador e é do meio deste Povo que surge “«Cristo Senhor», Pontífice tomado de entre todos os Homens (Heb. 5, 1-5), fez do Novo Povo “um <span style="text-decoration: underline;">reino de sacerdotes</span> para Deus e Seu Pai” (Apoc. I, 6; 5, 9-10).</p>
<p>Pela Regeneração e pela união do Espírito Santo, os batizados <span style="text-decoration: underline;">são consagrados para serem edifício espiritual e <strong>Sacerdócio Santo</strong></span>, de modo que ofereçam, em toda a sua actuação cristã, sacrifícios espirituais e proclamem as grandezas d’Aquele que os chamou das trevas para a Sua Luz maravilhosa”. (1Pedro. 2, 4-10) (L.G. I, 10)</p>
<p>De seguida, o texto procura esclarecer, ou ler a seu modo, o parágrafo anterior, dizendo: “<strong>o <span style="text-decoration: underline;">sacerdócio comum dos fiéis </span>e o sacerdócio ministerial</strong>, ou hierárquico <strong>são diferentes um do outro <span style="text-decoration: underline;">essencialmente</span></strong> e não apenas em grau, mas ordenam-se cada um para o outro”: (como dando a mão), … acrescenta: “na verdade ambos participam a seu modo peculiar, do <strong>sacerdócio único de Cristo</strong>” (L.G. I, 10)</p>
<p>Não vamos amiudar a exegese deste texto que, no mínimo, terá uma redacção menos feliz; confrontemo-lo com a definição de «leigos» do mesmo documento: “Por «leigos» entende-se aqui todos os fiéis, com excepção daqueles que receberam uma ordem sacra ou abraçaram o estado religioso aprovado pela Igreja, isto é, os fiéis que – por haverem sido <strong>incorporados em Cristo pelo Batismo</strong> e constituídos em <strong>Povo de Deus</strong>, e por participarem a seu modo no <strong>múnos sacerdotal, profético e real de Cristo </strong>– realizam na Igreja e no mundo, na parte que lhes compete, a missão de todo o povo cristão.” (L.G. IV, 31)</p>
<p>O Concílio não se cansa de, palavra a palavra, cinzelar o <strong>carácter sacerdotal </strong>daqueles que, pelo Batismo, são incorporados em Cristo.</p>
<p><strong>O Povo Santo de Deus Guarda Infalível da Fé e dos Costumes</strong>.</p>
<p>“<strong>O Povo Santo de Deus</strong> participa também da <strong>função profética de Cristo</strong>, difundindo o seu testemunho vivo, sobretudo pela vida de fé e de caridade, oferecendo a Deus o sacrifício de louvor, fruto dos lábios que confessam o Seu nome (cfr. Hebr. 13, 15<strong>). A totalidade dos fiéis que receberam a unção do Espírito Santo </strong>(cfr. Jo. 2, 20 e 27),<strong> não pode enganar-se na fé; </strong>e esta sua propriedade peculiar<strong> manifesta-se por meio do sentir sobrenatural da fé do povo todo, quando este, «desde os Bispos até ao último dos leigos fiéis», manifesta consenso universal em matéria de fé e costumes. </strong>Com <strong>este sentido da fé, que se desperta e sustenta pela acção do Espírito de verdade,</strong> o Povo de Deus, sob a direcção do sagrado magistério que fielmente acata, já não recebe simples palavra de homens mas a verdadeira palavra de Deus (cfr. 1 Tess. 2, 13), adere indefectivelmente à fé uma vez confiada aos santos (cfr. Jud. 3), <strong>penetra-a mais profundamente com juízo acertado e aplica-a mais totalmente na vida.” (</strong>L.G. II, 12).</p>
<p>Para sentirmos até onde o Batismo incorpora em Cristo todos os membros da Sua Igreja, observemos este outro texto sobre a <strong><em>Função docente dos Bispos e sua</em></strong> <strong><em>infalibilidade.</em></strong></p>
<p>Embora os <strong>Bispos,</strong> individualmente, não gozem da prerrogativa da infalibilidade, anunciam, porém, <strong>infalivelmente</strong> a doutrina de Cristo sempre que, embora dispersos pelo mundo mas <strong>unidos entre si e com o sucessor de Pedro</strong>, ensinam autenticamente matéria de <strong>fé ou costumes</strong> concordando em que uma doutrina deve ser tida por definida. O que se verifica ainda <strong>mais manifestamente quando, reunidos em Concílio Ecuménico,</strong> são doutores e juízes da fé e dos costumes para toda a Igreja, devendo-se aderir com fé às suas definições.</p>
<p>Mas esta infalibilidade com que o divino Redentor quis dotar a Sua igreja, na definição de doutrinas de fé ou costumes, estende-se tanto quanto se estende o depósito da divina Revelação, o qual se deve religiosamente guardar e fielmente expor. “(L.G. III, 25)</p>
<p><em>Os Fiéis destinatários deste magistéro, como já vimos, são chamados a, de <strong>forma activa e atuante,</strong> a, pela sua adesão, manifestarem o <strong>Dom do Espírito que neles é garante da mesma Fé e Costumes.</strong></em></p>
<p>Fica claro que, é no Povo Santo de Deus, (resto de Javé) que, em última análise, em tempos Apocalípticos, restará a <strong>verdade da fé e dos costumes.</strong></p>
<p>Isto tem como consequência profética o dever imperioso da Hierarquia estar atenta ao profetismo do Povo Santo de Deus e a mesma atitude é requerida a este em relação ao magistério ministerial. <strong>Hierarquia e Fiéis Leigos necessitam-se na unidade da fé e costumes do povo de Deus. </strong></p>
<p><strong>2.2. </strong><strong>O Matrimónio, Restauração do Plano Criador de Deus.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Assim como o Batismo é, antes de mais, um sacramento que vem ao encontro da “singularidade”do indivíduo, assinalando-o enquanto imagem de Deus Uno e Único, o Matrimónio é um “sinal” que consagra a “pluralidade” comunitária da pessoa criada por Deus na sua “ambidade” de (<strong>homem e mulher</strong>). Esta natural condição genesíaca do Homem, que brota do mesmo mistério da Criação, tornada sacramento, assinala a Natura profunda do Homem, dando-lhe a distinção de ser a imagem (a revelação) mais visível da pluralidade trinitária de Deus na unidade amorosa do Casal,” Imagem do Amor de Cristo pela Igreja sua Esposa” (G.S. I, 48) e de Cristo com o Pai, na unidade do Espírito Santo.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">A união de Cristo e da Igreja</span> torna-se o modelo da união entre o homem e a mulher, é o protótipo do Matrimónio que o próprio Deus criou. (G.S. I, 48 e 50)</p>
<p><strong>2.3. </strong><strong>O Sacramento da Ordem, Sacramento da Hierarquização da Comunidade Eclesial</strong></p>
<p><strong>O Batismo</strong>, sacramento que nos torna membros da Igreja, Povo de Deus, tem como ministro – toda e qualquer pessoa, desde que execute o rito com o mesmo espírito da Igreja.</p>
<p>“Ninguém dá o que não tem” mas o ministro não dá, administra o Bem que é da Igreja, que é Cristo. O ministro, no seu gesto, é canal, é instrumento, a eficácia está na Igreja, no Povo de Deus, em Cristo. É um sacramento onde, <strong>pelo ministro</strong>, se vê a aproximação entre a Obra da Criação e a Obra da Redenção, como dois momentos do Amor de Deus pelo Homem, e da necessidade que Deus tem (a Igreja, Cristo) da colaboração do <span style="text-decoration: underline;">Homem de boa vontade</span>: tanto lhe basta, para acontecer o Batismo que é o alicerce de toda a construção sacramental (Igreja); todos os outros sacramentos pressupõem este.</p>
<p><strong>O Matrimónio</strong>, sacramento donde “procede a Família, que bem pode chamar-se igreja doméstica, onde nascem os novos cidadãos para a sociedade humana que, por graça do Espírito Santo, se tornam filhos de Deus, no Batismo, e perpetuam, através dos séculos, o Povo de Deus.” (L.G. II, 11)</p>
<p>Será de sublinhar que este sacramento tem, como <span style="text-decoration: underline;">ministros, os Nubentes</span>, eles que, <strong>pelo Batismo, estão unidos ao sacerdócio único de Cristo</strong> e, deste modo, <strong>beneficiários do sacramento da ordem</strong>.</p>
<p>Se sem o Batismo, quer no plano teórico, quer no plano prático, não temos todos os outros sacramentos, sem o Matrimónio, que institui a primeira célula da sociedade, (pelo menos no plano prático) perderia sentido o sacramento da Ordem que se destina a organizar a sociedade, povo de Deus, Igreja, em ordem ao Bem Comum, a Santidade. Daí a Ordem (Sacramento) ser um Ministério, um serviço para a Igreja, para o Povo de Deus, donde, os “ordenados” serem chamados ministros, devidamente organizados, hierarquizados, com vista ao bem da Comunidade Eclesial (e até da própria comunidade humana em geral).</p>
<p>Sem a Ordem, apenas dois sacramentos serão possíveis, o Batismo e o Matrimónio. Mas uma vez que só estes dois sejam possíveis, eles mesmos reclamam o sacramento da Ordem, como <strong>sacramento da visibilidade da vida eclesial</strong> e, consequentemente, os outros seriam igualmente exigidos para o bem da própria Igreja, da própria presença amorosa de Cristo.</p>
<p>Batismo, Matrimónio, Ordem têm em comum, a <span style="text-decoration: underline;">Sacralização da Natura</span> e, daí poderem chamar-se de “Sacramenta Naturae”ou, mais incisivamente, «Sacramenta ad Naturam Colendam».</p>
<p>Refulge, no entanto, a união luminosa entre a Ordem e a Eucaristia: ou seja, se ao ministro incumbe organizar, administrar, o <span style="text-decoration: underline;">Bem da Igreja</span>, antes de mais, tem que alimentar-se a si próprio e ao seu povo. A Ordem e a Eucaristia, sacramentos distintos entre si, mas intimamente complementares: um é a Caritas – serviço, o outro é a Caritas – pão. Serviço para todos, Pão para todos: donde, a Eucaristia ser o vértice da pirâmide sacramental, donde brotam todos os outros sacramentos.</p>
<p>Neste contexto, o Sacerdócio de Cristo, presente em todos os cristãos, atinge o seu máximo esplendor no Sacerdócio Ordenado para o serviço, sempre disponível, do Povo de Deus. (L.G. I, 10; IV, 32)</p>
<p><strong>2.3.1.       </strong><strong>O Episcopado – Colégio dos Bispos e Concílio Ecuménico</strong></p>
<p>O Ministro do sacramento da Ordem é o Bispo, sacerdote em plenitude, pela imposição das mãos, num simbolismo de passagem de uma virtude, de um poder, para o outro. Assim nos diz o Concílio: “pela consagração episcopal, é conferida a plenitude do sacramento da Ordem, e por isso ela se chama na Liturgia da Igreja e na linguagem dos Santos Padres, «sumo sacerdócio», «cume do ministério sagrado», juntamente com o múnos de <strong>santificar</strong>, a consagração episcopal confere ainda os de <strong>ensinar</strong> e de <strong>governar</strong>, ofícios aliás, que, por sua natureza, não podem exercer-se senão em comunhão jerárquica com a Cabeça e com os membros do Colégio. Na verdade, consta claramente da Tradição, qual aparece sobre tudo nos ritos litúrgicos e no uso da Igreja quer oriental quer ocidental, que, pela imposição das mãos e pelas palavras consecratórias, se confere a graça do Espírito Santo e se imprime o carácter sagrado, de tal modo que os Bispos, de maneira eminente e visível, fazem as vezes do próprio Cristo, Mestre, Pastor, e Pontífice, e agem em Seu nome”. (L.G. III, 21)</p>
<p>Acrescentando ainda: “assim como os doze apóstolos com Pedro formavam o Colégio Apostólico, assim os Bispos com o sucessor de Pedro formam o Colégio dos Bispos. O poder supremo que este colégio possui sobre toda a Igreja, é exercido de modo solene no Concílio Ecuménico, em união com o Papa.” (L.G. III, 22; 25)</p>
<p><strong>2.3.2.       </strong><strong>O presbiterado e o Episcopado – Corpo Sacerdotal</strong></p>
<p>Nesta linha de Serviço Ministerial, os Bispos confiaram legitimamente o cargo do seu ministério, em grau diverso, a pessoas diversas na Igreja. Assim, os Presbíteros, “ainda que não possuam a coroa do pontificado e dependam dos Bispos no exercício dos seus poderes, os Presbíteros estão-lhes <strong>unidos na dignidade Sacerdotal comum </strong>e, pelo sacramento da Ordem, ficam consagrados para pregar o Evangelho apascentar os fiéis e celebrar o culto divino, como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento, à imagem de Cristo.” (L.G. III, 28)</p>
<p>Mais abaixo, continua a constituição dogmática: “<strong>os Presbíteros,</strong> chamados ao serviço do povo de Deus como prudentes cooperadores da Ordem Episcopal seus auxiliares e seus instrumentos <strong>constituem com o Bispo um único presbitério ou Corpo Sacerdotal</strong> embora diversificado pelas funções.” (L.G. III, 28)</p>
<p>Fica clara <strong>a pirâmide hierárquica</strong> que, ao mesmo tempo que <span style="text-decoration: underline;">se une</span> pelo Sacerdócio Comum a todo o Povo de Deus, fazendo parte desse mesmo Povo, <span style="text-decoration: underline;">dele se distingue</span> “essencialmente”, na palavra do concílio, para, pelo sacramento da Ordem, <span style="text-decoration: underline;">se constituir em poder hierárquico</span>, ainda que <strong>de serviço para toda a Igreja</strong>.</p>
<p>O sublinhar a “diferença” é importante, em termos do funcionamento da Sociedade que se quer Perfeita mas, na Igreja, é a “«<strong>Comunio</strong>», a <span style="text-decoration: underline;">união comum pelo sacerdócio batismal,</span> que pode e deve conferir à Igreja Hierarquizada, a grandeza da sua função, de <strong>proporcionar a todo o Povo de Deus,</strong> que luta com o mesmo empenho para o Bem Comum, <strong>a unidade em Cristo, de todos os seus membros</strong>. Daí que será uma traição, qualquer distanciamento ou menos apreço efectivo, ou afectivo, de todos os membros entre si, e de um modo muito particular, entre os <span style="text-decoration: underline;">detentores do Sacerdócio Ordenado e do Sacerdócio Comum</span><strong>: terão de escutar-se</strong>! Para que haja um só Rebanho e um só Pastor Jesus Cristo. A mesma raiz – Jesus Cristo, o mesmo Fruto – o Reino de Deus.</p>
<p><strong>Segunda Voz –</strong><strong> Liberdade Radical pela Criação e Restauração </strong></p>
<p><strong>e Liberdade pela Lei</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<ol>
<li><strong>1.               </strong><strong>Os perigos da Perfeita Imperfeição</strong></li>
</ol>
<p> </p>
<p><strong>a)      </strong><strong>Proposta:</strong> “os sacerdotes pela sagrada ordenação e pela missão que receberam das mãos do Bispo, são promovidos a servir a Cristo, Mestre, Sacerdote e Rei, de cujo ministério participam e pelo qual a Igreja neste mundo, se constitui continuamente em Povo de Deus, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo.” (Pr. Ord. 1)</p>
<p>Tal missão tão sublime, acarreta consigo, uma conduta, por parte do Sacerdote, quer a nível humano, quer como crente, que não entolde o ilustre serviço a Cristo, Mestre, Sacerdote e Rei.</p>
<p>“<strong>De entre as virtudes</strong> <strong>que são mais necessárias ao ministério dos Sacerdotes</strong>, merece especial referência aquela atitude de espírito com que estão sempre dispostos a procurar, não a própria vontade mas, a vontade d’Aquele que os enviou. (…) O verdadeiro ministro de Cristo trabalha na <strong>humildade</strong>.” (Pr. Ord. 15)</p>
<p>A <strong>humildade</strong>, segundo o concílio e todo o bom senso, será a virtude base de todas as outras. Ela será mesmo o esplendor da Verdade, tanto a nível natural como sobrenatural. Filha natural da humildade, (humilis &lt; humus), a <strong>obediência </strong>“consagra a vontade própria, ao serviço de Deus e dos irmãos;” continua o mesmo texto: “Por esta <strong>humildade </strong>e <strong>obediência</strong> responsável e voluntária, os sacerdotes assemelham-se a Cristo, (…) <em>que se despojou de si mesmo, tomando a forma de servo.</em>” (Pr. Ord. 15)</p>
<p>Nesta linha de “proposta”<strong> </strong>aparece a “<strong>continência perfeita e perpétua</strong> (…) <span style="text-decoration: underline;">sempre tida em mui grande apreço</span> pela Igreja através dos séculos e mesmo nos nossos dias.” (Pr. Ord. 16)</p>
<p><strong>Recomenda-se</strong> pois, o celibato e sublinha-se “<strong>toda a sua conveniência</strong> na vida sacerdotal.” (Pr. Ord. 16)</p>
<p>Esta <strong>recomendação</strong> insere-se no apelo feito a todos os crentes, no âmbito dos <strong>conselhos evangélicos </strong>e da santidade que é exigida em todos os estados de vida. “Por conseguinte, todos os fiéis santificar-se-ão dia a dia, sempre mais, nas diversas condições da sua vida, nas suas ocupações e circunstâncias.” (L.G. 41)</p>
<p><strong>Todos</strong>, de um modo peculiar os casados, <strong>são chamados a viver a seu modo, os conselhos evangélicos afectiva e efectivamente</strong> – Castidade, Pobreza, Obediência e todos os demais apelos – «tantum quantum, pro Ecclesia:»</p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">Afectivamente</span></strong>, todos são chamados a seguir tais conselhos, enquanto os <span style="text-decoration: underline;">estimam e apregoam</span>;</p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">Efectivamente</span></strong>, enquanto, nas mais diversas situações, pelo menos temporariamente, <span style="text-decoration: underline;">os devem experimentar</span>, até para que mais os possam apreciar e levem os outros, segundo sua condição, a acolhê-los no seu coração.</p>
<p>Nesta linha, diz <strong>Häring</strong>, em <strong>«Graça e Exigência dos Sacramentos»,</strong> 1964 (pag.316)</p>
<p>“Os esposos Cristãos, apenas poderão compreender exactamente e realizar a sua vocação particular, a missão da graça do sacramento do Matrimónio, no Sim cheio de fé para com o sacerdócio especial da Igreja e na veneração diante da vocação Virginal. Os dois sacramentos que dão origem a um estado, a ordenação sacerdotal e o sacramento do matrimónio, estão ordenados um para o outro, como duas funções fundamentais para a edificação do Corpo de Cristo da Igreja. Eles têm de se completar mutuamente. <strong>O sacerdote</strong> aprende do amor intuitivo dos esposos, do espírito de sacrifico dos pais, como ele, – embora de um modo totalmente diferente – pode “ser todo para todos”. A <strong>pessoa casada </strong>aprende do sacerdote, não só a mensagem da verdade divina, mas compreende-se segundo o exemplo especial do sacerdote, também como «pastor de almas», como anunciador da Boa Nova daquele amor, do qual é permitido ao amor abnegado dos esposos e dos pais, ser uma representação. <strong>A família Cristã é</strong>, <span style="text-decoration: underline;">em união íntima com todo o povo sacerdotal de Deus, </span><strong>um lugar sagrado do louvor de Deus</strong>.</p>
<p>De modo análogo, também <strong>a virgindade cristã e o matrimónio cristão, estão relacionados um com o outro: </strong>Não só a vocação das virgens e dos célibes, por amor do Reino dos Céus, mas também <strong>o amor conjugal, tem a sua fonte da graça e a sua norma intrínseca, no amor virginal entre Cristo e a Igreja.</strong> Se as pessoas casadas receberam o seu estado, de Deus como chamada e graça, então, procurarão agradar-se umas às outras, não à maneira do homem velho, mas antes «à maneira de Cristo» (cfr. Rom. 15, 5) nisto podem os que são casados ser semelhantes aos célibes (cfr. ICor. 7, 29) embora, a seu modo, e certamente sem prejuízo do amor conjugal. Com todo o coração, isto é, com um amor comum, procuram «o que é do Senhor, como hajam de agradar ao Senhor».”</p>
<p><strong>Os que por vocação especial vivem estes conselhos como um estado de vida, apelam a todos os fiéis que façam esta experiência e têm necessidade de que o seu apelo seja ouvido, pois, só assim, se sentirão acompanhados pela Igreja, na sua doação atemporal</strong>.</p>
<p>Tal apelo e proposta evangélica é mobilizadora para toda a Igreja. A resposta Livre e de acordo com o estado e circunstâncias de cada fiel, será um estímulo a que toda a Igreja dos Batizados se sinta efectiva e afectivamente, Igreja dos Consagrados.</p>
<p>A <strong>proposta</strong> mobiliza, a <strong>imposição</strong> quebra toda a iniciativa e, mesmo quando a consegue despoletar, facilmente a rotiniza e lhe corta toda a frescura, tornando-se um contra-testemunho do tal Reino de Deus.</p>
<p><strong>b)      </strong><strong>O Celibato, de recomendado a imposto</strong></p>
<p>Reconhece o Concílio que, <strong>a continência perfeita e perpétua, o celibato, “Na verdade, não é exigida pela própria natureza do sacerdócio</strong> (…) Ao <strong>recomendar</strong> o celibato eclesiástico, este Sagrado Concílio não pertende de modo nenhum modificar a <strong>disciplina contrária</strong> que legitimamente vigora nas Igrejas Orientais.” (Pr. Ord. 16)</p>
<p>Depois desta nota reverencial, para com os sacerdotes das Igrejas Orientais, reafirma a <strong>conveniência</strong> do mesmo, para a Igreja Ocidental, para logo reconhecer: “o celibato, que <strong>a princípio era apenas recomendado</strong> aos sacerdotes, foi <strong>mais tarde imposto por lei</strong>”. (Pr. Ord. 16)</p>
<p>E apesar destes pressupostos, quer no que diz respeito às Igrejas Orientais, quer no que diz respeito à prática primitiva, o texto opta por <strong>confirmar a imposição da lei</strong>: “este sagrado concílio <strong>aprova e confirma de novo esta legislação</strong> no que diz respeito aos que se destinam ao presbiterado” (Pr. Ord. 16)</p>
<p><strong>b1.</strong>) <strong>A Encíclica de Paulo VI Sacerdotalis Caelibatus</strong> (1967)</p>
<p>Começa a encíclica por declarar que “O celibato sacerdotal, que a Igreja guarda como jóia refulgente da sua coroa, conserva toda a sua glória e valor mesmo nos nossos dias, apesar da profunda transformação das mentalidades e das estruturas.” (S.C. 1)</p>
<p>Esta é a tese formulada, e de vários modos repetida ao longo do texto, sem que seja aduzido qualquer argumento que a venha fundamentar.</p>
<p>Aliás, compreende-se tal falta de análise e escassez de argumentos, uma vez que, à partida, tratava-se de <span style="text-decoration: underline;">satisfazer um compromisso,</span> assumido com os Veneráveis Padres Conciliares que “Nos obriga a cumprir, afastando toda a hesitação, o que prometemos aos Veneráveis Padres do Concílio, aos quais tínhamos dito que era nosso propósito acrescentar novo esplendor e nova força ao Celibato Sacerdotal nas circunstâncias actuais.” (S.C. 2)</p>
<p>À luz destas palavras, a encíclica pretende aclarar, esplanar, dar vigor a um texto conciliar que, pelos vistos, sobre tema tão candente, não teria estado à altura de o tratar.</p>
<p>Paulo VI quis fazer aquilo que o Concílio não fez, ou, de algum modo, ser mais claro que o próprio Concílio, pois o texto conciliar reduze-se ao nº16, cerca de uma página do decreto sobre o Ministério e Vida dos Sacerdotes. O que não deixa de parecer uma crítica ao próprio texto conciliar.</p>
<p>Porque procedeu o Concílio nestes termos, que o Papa considera não completos?</p>
<p>Quem souber a resposta, encontrará, certamente, de um lado, o Concílio, do outro, o Papa Paulo VI.</p>
<p>E, teremos de ser justos, reconhecendo que Paulo VI não conseguiu “acrescentar novo esplendor e nova força” ao texto conciliar. Talvez mesmo tenha criado novas resistências no coração de todos quantos leram esta «amorosa encíclica».</p>
<p>(Como nota, será de esclarecer que o «compromisso» de que fala o Papa, terá sido tomado através de uma carta de 10 de Outubro de 1965 ao Cardeal Tisserant, lida na 146ª Congregação Geral do Concílio, em 11 de Outubro de 1965. Mais ainda será de notar que, todos os documentos conciliares, incluindo “Presbyterorum Ordinis,” foram Promulgados por Paulo VI.)</p>
<p>E o Papa, parecendo concluir algo a partir de «novos» dados, repete o que escrevera no nº1, apenas substituindo a palavra «jóia» pela de «lei»: “julgamos, por isso, que a lei do celibato, actualmernte em vigor, deve ainda hoje permanecer ligada ao ministério eclesiástico.” nº14</p>
<p><strong>«Dolorosas Deserções»</strong></p>
<p>É este o título dado ao cap. 3º.</p>
<p>Limitamo-nos a transcrever o nº 83, sem qualquer comentário que possa perturbar a nossa caridade.</p>
<p>“Nesta altura o nosso coração volve-se com paterno amor, com ansiedade e grande dor, para aqueles infelizes, mas sempre muito amados e muito queridos irmãos Nossos no sacerdócio os quais, mantendo impresso na sua alma o carácter sagrado conferido na ordenação sacerdotal, foram ou são desgraçadamente infiéis às obrigações contraídas no tempo da sua consagração.</p>
<p>O seu lamentável estado e as consequências privadas e públicas que dele decorrem, levam alguns a perguntar se não é precisamente o celibato o responsável, de algum modo, por tais dramas e pelos escândalos que daí advêm para o Povo de Deus. Na realidade a responsabilidade recai, não sobre o próprio celibato sagrado em si mesmo, mas sobre uma avaliação, a seu tempo, nem sempre suficiente e prudente, das qualidades do candidato ao sacerdócio, ou sobre a maneira como os ministros sagrados vivem a sua total consagração.” (nº83)</p>
<p><strong>b2.) O Código de Direito Canónico (CIC) –</strong><strong> 1984</strong></p>
<p>Capítulo IV</p>
<p><strong>Da perda do estado clerical </strong></p>
<p>“A sagrada ordenação, uma vez recebida validamente, nunca se anula. No entanto, o clérigo perde o estado clerical: (…)” (Can. 290)</p>
<p>Depois do que lemos na encíclica, de Paulo VI, não podemos esperar algo de substancialmente diferente no CIC. Se não, vejamos.</p>
<p>Em nota ao cap. IV, “<strong>De amissione status clericalis</strong>”, esclarecem os canonistas: “«Redução ao estado laical» era a expressão usada pela legislação precedente, tanto codicial como pós-codicial para designar o que mais exactamente este capítulo intitula de «perda do estado clerical» com efeito, o termo <strong>«reduzir</strong>» entranhava uma certa infravaloração do estado laical, que não era congruente com a igualdade radical de todos os fiéis, proclamada pelo concílio Vaticano II, mesmo sendo diversos os modos de participação e diferentes as condições jurídicas em que se encontrem os fiéis.”</p>
<p>Pelos vistos, a expressão «redução ao estado laical», soava a castigo, a despromoção; «<strong>o laicado» passaria a ser o castigo infligido aos clérigos</strong>. Por isso, o código fala agora de – “perda do estado clerical” – e da consequente perda de «direitos próprios desse estado» (Can. 292): “e fica proibido de exercer o poder da ordem, <strong>salvo o prescrito no Can 976” </strong><strong>– </strong><strong>”qualquer sacerdote, ainda que careça da faculdade de ouvir confissões, absolve válida e licitamente quaisquer penitentes que se encontrem em perigo de morte, ainda que esteja presente um sacerdote aprovado</strong>.”</p>
<p>Apenas algumas notas de comentário:</p>
<ol>
<li>O clérigo perde o estado clerical. Can.292</li>
</ol>
<p> </p>
<p>Perdendo o estado clerical, onde situá-lo na Comunidade dos Crentes?</p>
<p>Leigo!?</p>
<p>Mas, porque ordenado, não pode ser.</p>
<p>Não é clérigo, não é leigo, não é religioso…!</p>
<p>Que resposta?</p>
<p>2          O clérigo perde os direitos próprios desse estado. Can.292</p>
<p>Perde tudo aquilo que, a permanência em tal estado, lhe confere, inclusive o nome de clérigo ou outros que, por tradição, convivem com este: abade, prior, padre, vigário etc.</p>
<p>Mas o próprio texto de todo o capítulo IV, quando quer nomear este «indivíduo de natureza racional» continua a chamar-lhe, incoerentemente, «clérigo». O legislador nem disso se deu conta…?</p>
<p>3          <strong>A verdade</strong> vem ao de cima, na redacção do Can.976.</p>
<p>Aqui, o dito, «clérigo», é nomeado de <strong>«sacerdote</strong>», o único nome que, etimologicamente, resiste a todas as concepções e preconceitos do tempo.</p>
<p>O «sacerdote» <strong>está impedido de praticar</strong>, perante a eclesia, os actos que ele, pela natureza radical, tanto criacional como geracional, tem <strong>o direito e o dever</strong> de praticar, segundo <strong>a lei da Graça do Sacerdócio</strong>.</p>
<p>Mas por «graça» da dispensa (sic), (ver CIC nota 5 pag 231), ele não pode exercer.</p>
<p>Eis o dilema existencial do Sacerdote<strong>: </strong><strong>–</strong><strong> ter a obrigação de manifestar o que é</strong>, – <strong>mas de tal, ser proibido</strong> (por uma lei administrativa): – eis a ditadura de que começámos por alertar no início desta exposição.</p>
<p><strong>Será uma lei justa?</strong></p>
<p><strong>(Terceira voz) –</strong><strong> Eagora (Ecclesia Hac Hora)</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>É fácil, e até cómodo, para o <strong>Legislador,</strong> partir do pressuposto que o seu acto é útil e bom para os destinatários, sem sequer observar as consequências concretas que produziu nos mesmos; assim, dorme de consciência tranquila!</p>
<p>E o <strong>Destinatário</strong>? Conforma-se com o velho ditado, «pode errar quem manda, mas nunca quem obedece»? Também é uma forma de dormir tranquilo…!</p>
<p>Mas poderá chamar-se a esta atitude<strong>, obediência</strong>? Não será antes desinteresse, egoísmo, falta de responsabilidade cívico-eclesial? Não será uma <strong>desobediência</strong> aos princípios da racionalidade, da corresponsabilidade, da liberdade?</p>
<p>Queremos uma Igreja Perfeita para ir ao encontro da imperfeição dos Homens, que vá ao encontro dos seus próprios membros imperfeitos?</p>
<p>Queremos a Igreja presente nesta Hora?</p>
<p>Onde esteve nestes 50 anos Conciliares?</p>
<p>Milhares dos seus Amigos, enamorados de um primeiro Amor, lâmpadas na mão, (alguns de almotelias de esperança quase vazias), atravessam a noite, esperando um olhar amoroso Daquela que um dia os fascinou e fascina e que nem os amores do tempo presente faz esquecer. Esperam. E se é uma espera no amor, também o é na dor.</p>
<p>Agora (hac Hora) identificados com Cristo pelo Matrimónio, sinal do “Amor de Cristo <em>por Sua Igreja, a Esperança aumenta, está a chegar…</em></p>
<p>Mas a dor está presente:</p>
<p>A almotelia do Amor quase seca do desamor.</p>
<p>Há lugar à mesa?</p>
<p>Ou ao menos na Sala?</p>
<p>Palestrante: António da Costa Moreira, padre casado</p>
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		<title>POR QUE PERSISTE A IGREJA-PODER?</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 20:05:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enoch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Vou abordar um tema incômodo, mas incontornável: como pode a instituição-Igreja, como a descrevi num artigo anterior, com características autoritárias, absolutistas e excludentes se perpetuar na história? A ideologia dominante responde: “só porque é divina”. Na verdade, este exercício de poder não tem nada de divino. Era o que Jesus exatamente não queria. Ele queria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vou abordar um tema incômodo, mas incontornável: como pode a instituição-Igreja, como a descrevi num artigo anterior, com característic<span id="more-1078"></span>as autoritárias, absolutistas e excludentes se perpetuar na história? A ideologia dominante responde: “só porque é divina”. Na verdade, este exercício de poder não tem nada de divino. Era o que Jesus exatamente não queria. Ele queria a hierodulia (sagrado serviço) e não a hierarquia (sagrado poder). Mas esta se impôs através dos tempos.</p>
<p>Instituições autoritárias possuem uma mesma lógica de autoreprodução. Não é diferente com a Igreja-instituição. Em primeiro lugar, ela se julga a única verdadeira e tira o título de “igreja” a todas as demais. Em seguida cria-se um rigoroso enquadramento: um pensamento único, uma única dogmática, um único catecismo, um único direito canônico, uma única forma de liturgia. Não se tolera a crítica nem a criatividade, vistas como negação ou denunciadas como criadoras de uma Igreja paralela ou de um outro magistério.</p>
<p>Em segundo lugar, se usa a violência simbólica do controle, da repressão e da punição, não raro à custa dos direitos humanos. Facilmente o questionador é marginalizado, nega-se-lhe o direito de pregar, de escrever e de atuar na comunidade.  O então Card. Joseph Ratzinger, Presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, em seu mandato, puniu mais de cem teólogos. Nesta mesma lógica, pecados e crimes dos sacerdotes pedófilos ou outros delitos, como os financeiros, são mantidos ocultos para não prejudicar o bom nome da Igreja, sem o menor sentido de justiça para com as vítimas inocentes.</p>
<p>Em terceiro lugar, mitificam-se e quase idolatram-se as autoridades eclesiásticas principalmente o Papa que é o “doce Cristo na Terra”. Penso eu lá com meus botões: que doce Cristo representava o Papa Sérgio (904), assassino de seus dois predecessores ou o Papa João XII (955), eleito com a idade de 20 anos, adúltero e morto pelo marido traido ou, pior, o Papa Bento IX (1033), eleito com 15 anos de idade, um dos mais criminosos e indignos da história do papado, chegando  a vender a dignidade papal por 1000 liras de prata?</p>
<p>Em quarto lugar, canonizam-se figuras cujas virtudes se enquandram no sistema, como a obediência cega, a contínua exaltação das autoridades e o “sentir com a Igreja (hierarquia)”, bem no estilo fascista segundo o qual “o chefe (o ducce, o Führer) sempre tem razão”.</p>
<p>Em quinto lugar, há pessoas e cristãos com natureza autoritária, que acima de tudo apreciam a ordem, a lei e o princípio de autoridade em detrimento da lógica complexa da vida que tem surpresas e exige tolerância e adaptações. Estes secundam esse tipo de Igreja bem como regimes políticos autoritários e ditatoriais. Aliás, há uma estreita afinidade entre os regimes ditatoriais e a Igreja-poder como se viu com os ditadores Franco, Salazar, Mussolini, Pinochet e outros. Padres conservadores são facilmente feitos bispos e bispos fidelíssimos a Roma são promovidos, fomentando a subserviência. Esse bloco histórico-social-religioso se cristalizou e garantiu a continuidade a este tipo de Igreja.</p>
<p>Em sexto lugar, a Igreja-poder sabe do valor dos ritos e símbolos, pois reforçam identidades conservadoras, pouco zelando por seus conteúdos, contanto que sejam mantidos inalteráveis e estritamente observados.</p>
<p>Em razão desta rigidez dogmática e canônica, a Igreja-instiuição não é vivida como lar espiritual. Muitos emigram. Dizem sim ao cristianismo e não à Igreja-poder com a qual não se identificam. Dão-se conta das distorções feitas à herança de Jesus que pregou a liberdade e exaltou o amor incondicional.</p>
<p>Não obstante estas patologias, possuímos figuras como o Papa João XXIII, Dom Helder Câmara, Dom Pedro Casaldáliga, Dom Luiz Flávio Cappio e outros que não reproduzem o estilo autoritário, nem apresentam-se como autoridades eclesiásticas mas como pastores no meio do Povo de Deus. Apesar destas contradições, há um mérito que importa reconhecer: esse tipo autoritário de Igreja nunca deixou de nos legar os evangelhos, mesmo negando-os na prática, e assim permitindo-nos o acesso à mensagem revolucionária do Nazareno. Ela prega a libertação mas geralmente são outros que libertam.</p>
<p>Leonardo Boff</p>
<p>Teólogo</p>
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		<title>REPASSANDO REFLEXÕES SOBRE FOTOS DO CARDEAL RODÉ</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 19:37:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enoch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Mais um comentário sobre as fotos do cardeal Rodé Prefeito da Congregação dos Religiosos.</p>
<p>Desta vez  de S.Ponsard padre casado francês que mora na Argentina.</p>
<p> J. Tavares</p>
<p>Algunas reflexiones a partir de los fotos del cardenal Rodé :</p>
<p> 1) En tiempos pasados, muchos monarcas trataban de imponer su poder absoluto, y para esto trataban de impresionar a sus súbditos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais um comentário sobre as fotos do cardeal Rodé Prefeito da Congregação dos Religiosos.<span id="more-1074"></span></p>
<p>Desta vez  de S.Ponsard padre casado francês que mora na Argentina.</p>
<p> J. Tavares</p>
<p>Algunas reflexiones a partir de los fotos del cardenal Rodé :</p>
<p> 1) En tiempos pasados, muchos monarcas trataban de imponer su poder absoluto, y para esto trataban de impresionar a sus súbditos, especialmente a los más sencillos. Para esto, daban gran importancia sus palacios. Es así por ejemplo que el rey de Francia, Luis XIV, se hizo construir cerca de Paris un palacio inmenso, lujoso y extravagante, donde predominaban los mármoles, los cristales, las superficies doradas.</p>
<p>También daban importancia a los ropajes : sedas, encajes, capas, pelucas, perfumes&#8230; También se rodeaban de numerosos cortesanos, ministros, auxiliares, aduladores, sirvientes.</p>
<p> Jesús, en cambio, andaba sin nada. Invitaba a andar con el mínimo indispensable (el que tiene dos capas, dé una al que no tiene). No tenía piedra donde apoyar la cabeza. No tenía casa propia, ni local partidario,ni oficinas, ni templo. Para celebrar la cena de Pascua, tuvo que pedir prestado un local.</p>
<p> Y Jesús daba a Juan Bautista en ejemplo : ¿Qué fueron a ver en el desierto? ¿Un hombre vestido elegantemente? Pero los elegantes viven en los palacios&#8230; Fueron a ver a un profeta, al más grande de los profetas.</p>
<p> 2) En los tratados de teología, el sacramento que consagra al servicio de la comunidad tiene tres niveles : obispo, sacerdote, diácono.</p>
<p>Muchos siglos depués de la muerte y resurrección de Jesús, el papa de Roma inventó un cuarto nivel : cardenal.</p>
<p>Se trata de una institución que no tiene fundamento bíblico ni teológico.</p>
<p>Jesús y los primeros cristianos no imaginaron tal institución.</p>
<p> Rogelio Ponsard</p>
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		<title>REPASSANDO… A IGREJA E O VATICANO II. ‘UM RETROCESSO’</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 14:14:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Enoch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>O profetismo ainda não acabou e, aqui e ali, em diversas partes do mundo, vários bispos, tanto da ativa como aposentados, estão dando vazão às suas reais ideias sobre a realidade da Igreja hoje no mundo, nesta primeira década do séc. XXI. Ainda não são maioria, mas seu número e qualidade estão crescendo. </p>
<p>O Espírito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O profetismo ainda não acabou e, aqui e ali, em diversas partes do mundo, vários bispos, tanto da ativa como aposentados, estão <span id="more-1070"></span>dando vazão às suas reais ideias sobre a realidade da Igreja hoje no mundo, nesta primeira década do séc. XXI. Ainda não são maioria, mas seu número e qualidade estão crescendo. </strong></p>
<p><strong>O Espírito não falha à sua Igreja. E há que ter esperança, apesar de tudo, numa Igreja e numa Hierarquia de que Jesus e o Povo de Deus não se envergonhem.</strong></p>
<p><strong>Dom Kevin Dowling também é conhecido pelo seu posicionamento sobre preservativos e Aids (Sida), desde 2001 quando, inquirido sobre sua opinião pessoal, num Encontro em Nova Iorque, respondeu que, para prevenir a Aids ele é a favor do uso do preservativo. </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Com simplicidade, ele retratou o pensamento da imensa maioria dos católicos sobre o assunto, na certeza de que o quinto mandamento é, pelo menos, tão importante como o sexto e a vida mais importante que as ordens do Vaticano.</strong></p>
<p><strong>Outra sua atitude pessoal, foi questionar uma tradução única, em Inglês, dos textos litúrgicos, feita no Vaticano e imposta a todos os países onde se usa essa língua, como s Inglaterra, Usa e África do Sul fossem exatamente iguais. Outra sua atitude polêmica foi se declarar a favor da ordenação das mulheres. Além de frequentemente levantar a voz contra o sistemático desmantelo do Vaticano II, a partir de João Paulo II até hoje.</strong></p>
<p><strong>Em poucas palavras, um bispo com consciência e com ideias próprias que, coisa rara no episcopado sempre mais subserviente ao Vaticano, tem a coragem de afirmar aquilo em que acredita e de questionar certezas pequenas e convenientes a certos grupos, sem dissimulação, sem hipocrisia. </strong></p>
<p><strong>Ele está ciente de que, acima e além do papa e dos colegas bispos, está sua consciência e que é em base a ela que ter de prestar contas a Deus.</strong></p>
<p><strong>&#8220;As autoridades nem sempre têm todas as respostas&#8221; -afirma ele na sua conhecida franqueza. </strong></p>
<p><strong>Esse, com certeza não busca subir na Hierarquia&#8230;</strong></p>
<p><strong>João Tavares</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>  </strong></p>
<p><strong>19/07/10</strong></p>
<p><strong>Dom Kevin Dowling </strong></p>
<p><strong>http://contribuicoes.blogspot.com/2010/07/dom-kevin-dowling.html</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>A IGREJA E O VATICANO II. &#8216;UM RETROCESSO&#8217; </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Kevin Dowling, bispo de Rustenburg, África do Sul, proferiu, recentemente um discurso que repercutiu intensamente em países de língua inglesa. Dowling disse ao National Catholic Reporter, em uma entrevista por telefone, que proferiu a fala no dia 1º de junho a um grupo de “católicos leigos influentes” que se encontram periodicamente na Cidade do Cabo para almoçar. </strong></p>
<p><strong>O grupo, disse Dowling, pediu a ele que proferisse algo sobre como via a situação atual da igreja. </strong></p>
<p><strong>“Em conversas subseqüentes, ficou claro para mim que o grupo de líderes católicos leigos bem informados, queria uma análise que fosse aberta e honesta”, disse Dowling no dia 8 de Julho. “Dado o fato de que seria um grupo seleto sem a presença da mídia, decidi ser aberto e franco em relação aos meus pontos de vista para iniciar um debate e discussão.” </strong></p>
<p><strong>No entanto, um repórter estava presente, e o que Dowling pretendia com uma conversa confidencial com líderes leigos tornou notícia local. </strong></p>
<p><strong>Dowling logo enviou cópias de sua fala aos seus companheiros bispos sul africanos. </strong></p>
<p><strong>O NCR recebeu uma cópia do documento e contatou Dowling para verificar sua autenticidade. Dowling enviou ao NCR uma cópia original da palestra e autorizou-nos a publicar online. </strong></p>
<p><strong>Segue o texto da fala de Dowling em 1º de junho na África do Sul aos líderes católicos leigos. </strong></p>
<p><strong>Dowling iniciou a palestra lendo uma nota do correspondente do NCR em Washington, Jerry Filteau, sobre uma Missa em Latim celebrada em abril na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington. </strong></p>
<p><strong>Edward Slattery, bispo de Tulsa, celebrou a missa, que apresentou, nas palavras de Filteau, “a cappa magna [veste litúrgica], uma capa de tecido vermelho vivo, com quase 20 metros de comprimento, suspensa por um caudatário, um dos símbolos do renascimento da missa tridentina.” </strong></p>
<p><strong>O discurso de Dom Kevin Dowling foi publicado no sítio National Catholic Reporter, 08-07-2010 . A tradução é de Lucas Schlupp. Corrigida por J. Tavares</strong></p>
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<p><strong>Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=34406</strong></p>
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<p><strong>D. Edward Slattery, bispo de Tulsa:</strong></p>
<p><strong>bispo-noivo, ou bispo-rei? Ridículo! </strong></p>
<p><strong>O que dira Jesus desta palhaçada? &#8211; JT</strong></p>
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<p><strong>The Southern Cross (jornal católico semanal da Africa do Sul), por volta de três ou quatro semanas atrás, publicou uma foto do bispo Slattery com sua “cappa magna”. Para mim, tal demonstração que representa o triunfalismo, em uma igreja despedaçada por escândalos de abusos sexuais, é muito infeliz. O que aconteceu lá reproduziu as marcas de uma corte real medieval, não a liderança humilde e servidora demonstrada por Jesus. Mas parece-me que isso é, também, um símbolo do que tem ocorrido na igreja, especialmente desde que o papa João Paulo II se tornou o Bispo de Roma, e até então – e isso é “restauracionismo”, o desmantelamento cuidadosamente planejado da teologia, eclesiologia, visão pastoral; realmente “a abertura das janelas” do Concílio Vaticano II – para “restaurar” um modelo de igreja anterior, ou mais controlável através de uma estrutura de poder cada vez mais centralizada; uma estrutura que agora controla tudo na vida da igreja através de uma rede de congregações do Vaticano, lideradas por cardeais que asseguram a estrita observância do que é considerado por eles como “ortodoxo”. Aqueles que não obedecem arcam com censura e punição. Por exemplo, os teólogos que são proibidos de lecionar em faculdades católicas.</strong></p>
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<p><strong>Assim, que não deixemos de destacar suficientemente este fato importante. O Vaticano II foi um concilio ecumênico, ou seja, um exercício solene do magistério da igreja, ou ainda, o colégio de bispos reunidos com o bispo de Roma e exercitando uma função de ensino para toda a igreja. Em outras palavras, sua visão, seus princípios e direcionamentos, devem ser seguidos e implementados por todos, do papa ao camponês lavrador em Honduras.</strong></p>
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<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Desde o Concílio Vaticano II, não houve tal exercício de autoridade de ensino do magistério. Em vez disso, uma série de decretos, pronunciamentos e decisões que ganharam vários “rótulos”, indicando, por exemplo, que devem ser mantidos com “consentimento interno” pelos fiéis católicos, mas na realidade são simplesmente as interpretações ou opiniões teológicas ou pastorais dos que tem poder no centro da igreja. Eles não foram definidos solenemente como pertencentes ao “depósito da fé” para serem cridos e seguidos por todos os católicos, assim como outros dogmas solenemente proclamados. Por exemplo, as questões de celibato para o sacerdócio e a ordenação de mulheres, até mesmo retiradas da esfera de discussões. Por isso, tais pronunciamentos estão suscetíveis a exames minuciosos – para discernir se estão de acordo, por exemplo, com a visão teológica fundamental do Concílio Vaticano II, ou se há, na verdade, um caso a ser submetido a diferente interpretação ou opinião.</strong></p>
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<p><strong>Quando trabalhei no estrangeiro, a partir da minha base congregacional religiosa em Roma, de 1985 a 1990 (Dowling é redentorista [pertencente à Congregação do Santíssimo Redentor]), antes de voltar para cá como bispo de Rustenburg, uma das minhas responsabilidades era a construção do ministério de jovens adultos juntamente com as nossas comunidades em países da Europa, onde tantos jovens estavam alienados da igreja. Desenvolvi relações com muitas centenas de jovens adultos católicos que buscavam de forma sincera, bem abertos a questões de injustiça, pobreza e miséria no mundo, conscientes da injustiça estrutural nos sistemas políticos e econômicos que dominam o mundo, e sentiam cada vez mais que a igreja “oficial” não estava somente perdendo a noção da realidade, mas dando mau testemunho às aspirações dos católicos pensantes e conscientes que buscam uma experiência diferente de igreja. Em outras palavras, buscam uma experiência que lhes possibilite acreditar que a igreja à qual pertencem possui algo de relevante a dizer e a testemunhar para este mundo desafiador em que eles vivem. Muitos e muitos destes jovens adultos, desde então, deixaram a igreja definitivamente.</strong></p>
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<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Por outro lado, há de ser reconhecido que para um significante número de jovens católicos, católicos adultos, padres e religiosos ao redor do mundo, o modelo “restauracionista” de igreja que tem sido implementado nos últimos 30 a 40 anos é procurado e valorizado; encontra uma necessidade neles; dá-lhes um sentimento de estarem pertencendo a algo com claros parâmetros e diretrizes para a vida. Desta forma, trazendo um senso de segurança e clareza sobre o que é verdade e o que moralmente é certo ou errado, pois há uma estrutura de autoridade clara e forte que decide de forma definitiva todas estas questões, e na qual eles confiam absolutamente como sendo de origem divina.</strong></p>
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<p><strong>O crescimento de grupos e organizações conservadores na igreja nos últimos 40 anos ou mais, que atraem significativo número de adeptos, levou a um fenômeno com que eu acho difícil lidar. Uma igreja com um olhar “para dentro”, atemorizante, quando não antagônica, em relação a um mundo secular com seu perigo concomitante de relativismo, especialmente em termos de verdade e moralidade – frequentemente citado pelo papa Bento XVI; uma igreja que dá uma impressão de “sair pela retaguarda”, e confiando em uma autoridade forte centralizada para garantir unidade através da uniformidade no credo e na prática diante de tais perigos. O medo que há, é de que, sem tal supervisão e controle, e se for autorizada qualquer liberdade na tomada de decisões, mesmo em questões menos importantes, iria abrir a porta para a divisão e o colapso na unidade da igreja.</strong></p>
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<p><strong>Isso se dá por causa de uma “visão” fundamentalmente diferente na igreja e da igreja. Onde é que hoje podemos encontrar os grandes líderes teológicos e pensadores do passado, como o Cardeal (Joseph) Frings de Colônia (Alemanha) e (Bernard Jan) Alfrink (Utrecht, Holanda) na Europa, e os grandes bispos profetas cujas vozes e testemunhos foram um chamado de trombeta pela justiça, direitos humanos e uma comunidade global de distribuição justa – o testemunho do Arcebispo (Oscar) Romero de El Salvador, as vozes dos cardeais (Paulo Evaristo) Arns e (Aloísio) Lorscheider, e os Bispos (Dom) Helder Câmara e (Pedro) Casadaliga do Brasil? </strong></p>
<p><strong>Novamente, quem no mundo de hoje, “por ai”, ainda dá ouvidos, ou pelo menos aprecia ou permite ser desafiado pela liderança da igreja na atualidade? Acho que a autoridade moral da liderança da Igreja nunca esteve tão fraca. É, portanto, importante, no meu ponto de vista, que a liderança da Igreja, ao invés de dar uma impressão do seu poder, privilégio e prestígio, deveria ser experimentada como ministério humilde, em busca juntamente com as pessoas, para discernir a resposta mais apropriada ou viável que pode servir para complexificar as questões éticas e morais – uma liderança, portanto, que não presume ter sempre todas as respostas.</strong></p>
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<p><strong>Mas, para mudar um pouco de assunto, uma das contribuições realmente significantes da igreja para a construção de um mundo em que as pessoas e comunidades possam viver em paz e dignidade, com uma qualidade de vida que beneficia aos criados à imagem de Deus, é o corpo do que se tem chamado de “Doutrina Social da Igreja”, um compêndio publicado nos últimos anos. Estes princípios da doutrina social são: Princípio do Bem Comum, Solidariedade, a Opção pelos Pobres, Subsidiariedade, Destinação Universal dos Bens, a Integridade da Criação e a Centralidade da Pessoa – todos baseados e seguindo os valores do Evangelho. Aqui temos princípios e diretrizes muito relevantes para empregar em realidades sociais, econômicas, culturais e políticas complexas, especialmente em como elas afetam os membros mais pobres e vulneráveis da sociedade em todo lugar.</strong></p>
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<p><strong>Porém, se a liderança da igreja, em qualquer lugar, ousa desaprovar ou criticar políticas econômicas e sociopolíticas, e os que planejam tais políticas ou governos, deve também deixar ser criticada da mesma forma, em relação a suas políticas, sua vida interna, e especialmente seu modus operandi [modo de agir]. Uma cultura e prática democrática, com foco na participação dos cidadãos e mantendo o dever de prestar contas pelos que são eleitos para governar, é cada vez mais desejado, apesar da inevitável deficiência humana. Quando pessoas pensantes de todo tipo de convencimento olham para a liderança da Igreja, a questionam sobre, por exemplo, a verdadeira participação dos seus membros no governo e, de que forma, na verdade, a liderança da Igreja deve ser responsabilizada. Se a Igreja e sua liderança declaram seguir os valores do Evangelho e os princípios da Doutrina Social da Igreja, aí sua vida interna, seus métodos de governo e seu uso da autoridade serão analisados com base no que nós cremos. Deixe-nos tomar um princípio da doutrina social, com importância vital para garantia da democracia participativa no domínio sócio político, a saber, o princípio da subsidiariedade.</strong></p>
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<p><strong>Eu trabalhei com a conferência episcopal (da África do Sul), no Departamento de Justiça e Paz, por 17 anos. Após a nossa libertação política em 1994, discernimos que essa libertação política teria pouca relevância para a realidade dos pobres e marginalizados, a não ser que resultasse em sua emancipação econômica. Nós, portanto, decidimos que uma questão fundamental para a África do Sul pós 1994 era a justiça econômica. Após muita discussão em todos os níveis, emitimos uma Nota Pastoral, em 1999, que intitulamos “Justiça Econômica na África do Sul”. Seu foco principal foi necessariamente a economia. Dentre outras coisas, tratou de cada um dos princípios da Doutrina Social da Igreja, e eu apresento agora uma citação de parte de como apresentamos o princípio de subsidiariedade:</strong></p>
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<p><strong>“O princípio da subsidiariedade protege os direitos dos indivíduos e grupos diante dos poderosos, especialmente do estado. Faz com que aquelas coisas que podem ser feitas ou decididas num nível mais baixo da sociedade não seja substituído por um nível mais alto. Assim, reafirma nosso direito e nossa capacidade de decidirmos por nós mesmos, como organizar nossos relacionamentos e como entrar em acordo com os outros. [...] Nós podemos e deveríamos dar passos para encorajar tomadas de decisões em níveis econômicos mais baixos, e capacitar o maior número de pessoas para participarem o máximo possível da vida econômica.” (Justiça Econômica na África do Sul, pg. 14)</strong></p>
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<p><strong>Aplicado à igreja, o princípio de subsidiariedade requer de sua liderança que promova e encoraje ativamente a participação, responsabilidade pessoal e empenho efetivo de todos em termos de chamado e ministério particular na igreja e no mundo, de acordo com suas oportunidades e dons.</strong></p>
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<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Entretanto, penso que hoje temos uma liderança que, na verdade, questiona exatamente a noção de subsidiariedade; onde os mínimos detalhes da vida e prática da igreja “no nível mais baixo” estão sujeitos à análise e autenticação dadas por um “nível mais alto”, na verdade o nível mais alto, por exemplo, a autorização da linguagem nos textos litúrgicos; onde um dos princípios chave do Concílio Vaticano II, a colegialidade nas tomadas de decisões, é virtualmente inexistente. O eminente emérito Arcebispo de Viena, Cardeal Franz König, em 1999 – quase 35 anos depois do Concílio Vaticano II – escreveu o seguinte: </strong></p>
<p><strong>“Na verdade, porém, de facto e não de jure, intencionalmente ou não intencionalmente, as autoridades da cúria romana trabalhando em conjunto com o papa se apropriaram das tarefas do colégio episcopal. São eles que realizam quase todas” (Minha Visão da Igreja do Futuro, The Tablet, 27 de Março, 1999, p. 434).</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>O que leva a isso, para mim, é a mística que tem envolvido crescentemente a pessoa do papa nos últimos 30 anos, de forma que qualquer crítica ou questionamento de suas políticas, sua forma de pensar, seu exercício de autoridade, etc. são considerados como traição. Há mais do que um sentimento, por causa desta mística, de que a obediência inquestionável dos fiéis ao papa é necessária e é um sinal da fidelidade de um verdadeiro católico. Quando a autoridade do papa é estendida intencionalmente à cúria do vaticano, existe a real possibilidade de que a inquestionável obediência às decisões humanas tomadas pelos departamentos curiais e cardeais sobre uma gama de questões, tornam-se a marca da fidelidade como católico, e tudo fora disso é interpretado como sendo desleal ao papa, que é o responsável pela direção da barca de Pedro.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Por isso, tornou-se cada vez mais difícil ao longo dos anos, para todo o colégio de bispos, ou particularmente em um território,  exercitar sua liderança teologicamente embasada no serviço, discernir respostas apropriadas em relação à sua realidade e necessidades socioeconômicas, culturais, litúrgicas, espirituais e pastorais; muito menos discordar de alguma coisa buscar alternativas a políticas e decisões tomadas em Roma. E o que parece cada vez mais a política de designar bispos “seguros”, inquestionáveis, ortodoxos, e até muito conservadores para preencher dioceses vagas nos últimos 30 anos, apenas faz com que cada vez menos o colégio de bispos – mesmo em conferências poderosas como nos Estados Unidos – questionem o que sai de Roma, e certamente não publicamente. Ao invés disso, haverá todo o esforço para tentar encontrar uma adaptação com os que estão no poder, o que significa que a posição romana ao final prevalecerá. E, levando isso adiante, quando um único bispo fizer algum quetionamento, especialmente em público, a impressão ou julgamento será de que ele está “desrespeitando a hierarquia” em relação aos outros bispos e causaria apenas confusão aos fiéis leigos – assim dizem – pois parecerá que os bispos não possuem unidade em relação aos ensinamentos e ao seu papel como líderes. A pressão, portanto, é para que cada um se adapte, não crie ou suscite problemas.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>O que deveríamos ter, a meu ver, é uma igreja onde a liderança reconhece e incentiva o ato de tomar decisões nos níveis apropriados de igrejas locais; onde a liderança local escuta e discerne juntamente com o povo de Deus daquela área o que “o Espírito diz à igreja”, e então articula o resultado como um consenso da comunidade de fé e oração a que serve. Precisamos de fé em Deus e confiança no povo de Deus para fazer o que possa parecer a alguns, ou muitos, um risco. A igreja poderia se enriquecer com o resultado de uma diversidade que verdadeiramente integra os valores socioculturais, e a percepção de uma fé viva e em desenvolvimento, juntamente com um discernimento de como tal diversidade pode promover unidade dentro da igreja – e não requerendo, portanto, uniformidade para ser verdadeiramente autêntica.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Diversidade na vida e na prática, como uma expressão do princípio de subsidiariedade, tem sido tirada das igrejas locais em todos os lugares, pela centralização da tomada de decisões ao nível do Vaticano. Além disso, ortodoxia está mais e mais identificada com as opiniões e visões de mundo conservadoras, com o devido julgamento de que tudo visto como “liberal” é tanto suspeito como não ortodoxo, e por isso, a ser rejeitado como um perigo para a fé do povo.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Há algum caminho que nos levam adiante? Eu luto com esta questão, especialmente em vista da oposição aparente entre o objetivo e a visão na igreja. Como reconciliar tais visões ou modelos de igreja tão diferentes? Eu não tenho a resposta, a não ser que em algum lugar tenhamos que encontrar uma atitude de respeito e reverência à diferença e diversidade enquanto buscamos uma unidade viva na igreja; que pessoas sejam autorizadas, e realmente capacitadas, a encontrar ou criar o tipo de comunidade que é expressiva em sua fé e aspirações com relação a suas vidas cristãs e católicas e com o compromisso com a igreja e com o mundo, e que se esforça para manter a tensão legítima e construtiva nas incertezas e ambiguidades que tudo isso vai trazer, confiando na presença do Espírito Santo.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>No cerne disto está a questão da consciência. Como católicos, temos que ser confiáveis o suficiente para tomar decisões conscientes com nossa vida, nosso testemunho, nossas expressões de fé, espiritualidade, oração, e envolvimento com o mundo – sobre o fundamento de uma consciência amadurecida. E, como convite para uma apreciação de consciência e decisões conscientes sobre nossas vidas e participação no que é uma igreja muito humana, encerro com a formulação ou entendimento dado de ninguém menos que o teólogo Pe. Josef Ratzinger, agora papa, quando era perito, ou expert, no Concílio Vaticano II:</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>“Acima do papa, como expressão da reivindicação vinculativa da autoridade eclesiástica, está a consciência de cada um, que deve ser obedecida acima de qualquer coisa, até mesmo, se necessário, contra a exigência da autoridade eclesiástica. Esta ênfase sobre o indivíduo, cuja consciência o confronta com um tribunal supremo e final, e aquele que em última instância, está além da reivindicação de grupos sociais externos, mesmo a igreja oficial, também estabelece um princípio em oposição ao crescente totalitarismo.” </strong></p>
<p><strong>(Joseph Ratzinger em: Comentário sobre o Documento do Vaticano II, Vol. V., pg. 134 (Ed) H. Vorgrimler, Nova Iorque, Herder and Herder, 1967).</strong></p>
<p><strong> </strong><strong>Bispo Kevin Dowling C.Ss.R.</strong></p>
<p><strong>Cidade do Cabo, 1 de Junho, 2010</strong></p>
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