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	<title>Associação Rumos</title>
	
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	<description>Movimento Nacional das Famílias dos Padres Casados</description>
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		<title>Nos EUA, pesquisa apresenta a opinião dos que abandonaram a Igreja católica</title>
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		<pubDate>Sat, 19 May 2012 03:18:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>giba</dc:creator>
				<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>“A fé cristã e a Igreja tem futuro nas sociedades da Europa ocidental?”, pergunta-se Kurt Koch – presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos – num texto sobre o futuro do cristianismo no Velho Continente. Não é novidade falar de uma crise profunda, testemunhada no esvaziamento das igrejas nas celebrações dominicais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“A <a href="http://www.ihu.unisinos.br/noticias/noticias-arquivadas/26579-salvacao-universal-identidade-crista-missao-da-igreja-artigo-de-peter-phan" target="_blank">fé cristã e a <strong>Igreja</strong></a> tem futuro nas sociedades da Europa ocidental?”, pergunta-se <a href="http://www.ihu.unisinos.br/noticias/45099-vaticano-ii-uma-mina-ainda-por-explorar-entrevista-com-kurt-koch" target="_blank"><strong>Kurt Koch</strong></a> – presidente do <strong>Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos</strong> – num texto sobre o futuro do cristianismo no Velho Continente.<span id="more-3542"></span> Não é novidade falar de uma crise profunda, testemunhada no esvaziamento das igrejas nas celebrações dominicais – ou, pelo menos, pelo fato dos fiéis praticantes serem de idade cada vez mais avançada – na mesma trilha do desvanecimento daquelas que o cardeal suíço chama de as “grandes convicções cristãs”.</p>
<p>Isto não tem nenhuma diferença em relação ao que acontece na América do Norte, especialmente nos Estados Unidos, em que a mistura mortal com o escândalo da pederastia – longe de chegar a seu fim, tanto no âmbito judicial como no midiático – produziu um êxodo cujos dados, em termos de quantidade, não são sempre conhecidos. E pensar que nas dioceses estadunidenses a quantidade dos que se declaram “pertencentes à <strong>Igreja católica</strong>” é perfeitamente detectável a partir da quantidade de pessoas que pagam a quota estabelecida no momento da subscrição. Ao contrário, muito menos conhecidos são os motivos pelos quais abandonam a <strong>Igreja</strong>.</p>
<p>Foi por este motivo que dom <a href="http://www.ihu.unisinos.br/noticias/507960-estudo-investiga-por-que-ex-catolicos-abandonaram-a-igreja" target="_blank"><strong>David O’Connel</strong></a> (foto), arcebispo de Trenton (Nova Jersey), no outono passado decidiu fazer uma pesquisa, confiando a investigação a dois especialistas: o jesuíta <a href="http://www.ihu.unisinos.br/noticias/noticias-anteriores/24200-valores-inacianos-um-desafio-para-a-educacao-superior" target="_blank"><strong>William J. Byron</strong></a>, docente de negócios e finanças na <strong>Universidade St. Joseph</strong> da Filadélfia; e <strong>Charles Zech</strong>, docente de economia e direto do <strong>Centro de Estudos para o Management Eclesial</strong> da <strong>Villanova University</strong>, na Pensilvânia.</p>
<p>Os resultados da pesquisa estão publicados no último número da revista dos jesuítas, <strong>America</strong>, com uma ampla síntese de ambos. Foram quase 300 entrevistados &#8211; buscados por meio de anúncios em jornais, por telefonemas ou contatados diretamente por meio dos párocos -, com a idade média de 53 anos, sendo 95% brancos caucásicos e 21% hispânicos; 63% são mulheres.</p>
<p>Uma quantidade considerada pelos especialistas como “surpreendente”, abandonaram tanto a própria paróquia como a <strong>Igreja católica</strong> assim, sem mais. Em torno de um quarto deles se desligaram da paróquia, mas não da <strong>Igreja</strong>. Alguém explicou: “Como família tínhamos encontrado uma religião alternativa; depois compreendemos que a religião católica é a correta, mas que está manipulada por pessoas erradas”. Alguns especificaram que se distanciaram por causa da hierarquia. De qualquer forma, a grande maioria apresentou um motivo que justificou o distanciamento.</p>
<p>Uma jovem de 23 anos confessou: “Senti-me enganada e subestimada. Não entendi certas decisões”. Outros motivos têm a ver com a qualidade das homilias: “Tentei ir para outras paróquias da região, porque a homilia parecia estar fora da realidade”, “as homilias eram vazias e, muitas vezes, se falava de arrecadação de fundos: em especial, de dinheiro e de problemas econômicos”.</p>
<p>Nas respostas é recorrente o escândalo da pederastia. Um homem declarou ter abandonado a <strong>Igreja </strong>quando seu bispo se negou a publicar no sítio diocesano uma lista dos <a href="http://www.ihu.unisinos.br/noticias/41231-a-arquidiocese-da-filadelfia-suspende-21-sacerdotes-por-abusos" target="_blank">sacerdotes acusados de abusos</a>. Na opinião dele, o bispo também não realizou adequadamente as denúncias e os relativos processos.</p>
<p>Diante da pergunta sobre as possíveis mudanças na <strong>Igreja</strong>, que poderiam levá-los a retornar, muitos responderam positivamente em relação à sondagem. Esta lhes proporcionou uma forma de expressarem suas ideias, com a esperança de ser escutados. Falando especificamente sobre quais as coisas novas, que os trariam de volta para o rebanho, as respostas foram bastante amplas: em primeiro lugar está a aceitação dos divorciados que estão em segunda união, seguidas pelo desejo de melhores homilias, maior transparência e, também, maior assistência às crianças, a presença de sacerdotes mais atentos e amáveis. A motivação política apareceu de forma ambivalente: há os que pedem uma orientação mais conservadora e há aqueles que já não suportam as homilias tradicionalistas, que desejam que seja falado mais sobre o trabalho, a ética e a defesa do meio ambiente.</p>
<p>A quantidade de respostas positivas, sobre a sensibilidade e o recebimento dos párocos, é discreta, ao contrário, quase metade demonstrou-se desestimulada pelos seus pastores. Surgiram termos como “distante”, “arrogante”, “insensível”, termos que fazem refletir sobre a acusação de <a href="http://www.ihu.unisinos.br/noticias/43511-os-perigos-do-clericalismo" target="_blank">clericalismo</a> que aflora em várias partes da diocese. As respostas sobre os membros da equipe paroquial foram mais positivas.</p>
<p>O clima de comunidade é um dos aspectos mais destacados; alguns lamentam que a igreja fosse “somente um lugar para assistir a missa, pela falta de participação, porque eu me encontrava sozinho numa multidão desconhecida”. “As pessoas que eu conheço estão fora da comunidade paroquial. Eu não acho que alguém sinta falta porque eu abandonei”. Inclusive, teve quem declarou que jamais foi interpelado na paróquia, para nada, “apesar de que éramos regulares nas contribuições com os envelopes”.</p>
<p>Diante do questionamento sobre as orientações da <strong>Igreja</strong>, que poderiam ter contribuído para que eles se afastassem, muitos fizeram referência à consideração dos <a href="http://www.ihu.unisinos.br/noticias/506888-cardeal-martini-os-homossexuais-escuta-e-compreensao" target="_blank">homossexuais </a>e ao problema deste tipo de união civil; seguido da posição sobre o divórcio e em relação aos <a href="http://www.ihu.unisinos.br/noticias/501161-divorciados-em-segunda-uniao-o-problema-jamais-resolvido" target="_blank">casais de segunda união</a>, dos casos de pederastia e do encobrimento pelos bispos, da discriminação das mulheres (se bem que não se mencionou tanto a admissão ao sacerdócio), a obrigação do celibato, os privilégios clericais, o excessivo interesse pelo dinheiro (“é sempre uma questão de dinheiro”, “um pedido insaciável”).</p>
<p>O tema do aborto também é recorrente: embora para muitos seja uma escolha equivocada, não obstante, consideram que a <strong>Igreja </strong>se concentra demasiadamente nele, ignorando outros problemas, como os sociais: a pobreza, a guerra, os cuidados da saúde, etc.</p>
<p>Sobre a pergunta a respeito das possíveis experiências negativas, foram mencionadas aquelas dentro do confessionário, a ausência nos momentos de funerais ou a não aceitação de que se possa ser padrinho/madrinha nos batizados ou na celebração de casamentos mistos; os abusos emocionais ou físicos nas escolas católicas; ter sido vítima de abuso sexual.</p>
<p>O que você diria ao bispo se pudesse encontrar-se com ele? Que não condene aos homossexuais, mas que os recebam como filhos de <strong>Deus</strong>; que reconheça a <a href="http://www.ihu.unisinos.br/noticias/40829-as-mulheres-e-o-futuro-da-igreja" target="_blank">paridade das mulheres</a>; que amplie sua própria posição sobre o divórcio; que tenha maior sensibilidade diante dos problemas das famílias, em particular das mães; que aumente as confissões comunitárias; “que renove a mentalidade arcaica para tornar a religião aberta para a sociedade”, “que faça com que a missa não se torne uma fonte de humilhação para os que não podem comungar”; que organize cursos para ajudar aos sacerdotes nas homilias. Em resposta, o bispo garantiu que responderá pessoalmente as 25 pessoas que se declararam dispostas a ser contatadas por ele.</p>
<p>A grande maioria dos entrevistados declarou não ter passado por outras confissões religiosas; entre os que fizeram isso, vão desde os budistas aos judeus, até diferentes Igrejas protestantes.</p>
<p>“Temos muito que aprender”, concluem os especialistas. De fato, apesar de ter se tratado da amostra de um grupo de “descontentes”, impressiona o tom absolutamente positivo e de crítica construtiva. Em absoluto, as respostas não são uma novidade e tem a ver com temas calorosos, sobre os quais ainda existem debates entre os que continuam na <strong>Igreja</strong>. Não é muito sublinhar que nas respostas que reprovam a <strong>Igreja </strong>está o fato dela responder com normas pré-confessionais as perguntas dos fiéis: é momento de oferecer melhores argumentos e explicações eficazes da doutrina católica. Faz necessário uma maior criatividade litúrgica e pastoral, inclinação ao significado do preceito festivo, maior atenção à qualidade e à imagem do clero, além da atenção àqueles que participam da missa, mas que falam outro idioma.</p>
<p><em><strong>IHU &#8211; Unisinos</strong></em></p>
<p><em><strong>A reportagem é de Maria Teresa Pontara, publicada no sítio Vatican Insider, 05-05-2012. A tradução é do Cepat.</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Entrevista da Dilma</title>
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		<pubDate>Sat, 19 May 2012 03:08:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>giba</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Para quem não tinha nascido, era muito jovem, não sabia ou preferia crer que nada ocorria.</p>
<p>Dilma, que era uma das líderes da VAR-Palmares, foi presa em 16 de janeiro de 1970. Ela foi brutalmente torturada e seviciada, submetida a choques e pau-de-arara durante 22 dias. No depoimento à Justiça Militar, em Juiz de Fora, em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para quem não tinha nascido, era muito jovem, não sabia ou preferia crer que nada ocorria.<span id="more-3540"></span></p>
<p>Dilma, que era uma das líderes da VAR-Palmares, foi presa em 16 de janeiro de 1970. Ela foi brutalmente torturada e seviciada, submetida a choques e pau-de-arara durante 22 dias. No depoimento à Justiça Militar, em Juiz de Fora, em 18 de maio, cinco meses depois de ser presa, Dilma deu detalhes da tortura no Dops. “Repete-se que foi torturada física, psíquica e moralmente; que isso se deu durante 22 dias após o dia 16 de janeiro (dia em que foi presa)”, diz trecho do depoimento.<br />
Abaixo, leia a entrevista publicada pela Folha de S. Paulo, no 21 de junho de 2005, concedida em 2003 ao jornalista Luiz Maklouf Carvalho.<br />
&gt;<br />
&gt; Que lembranças a sra. guardou dos tempos de cadeia?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma Rousseff –</strong> A prisão é uma coisa em que a gente se encontra com os limites da gente. É isso que às vezes é muito duro. Nos depoimentos, a gente mentia feito doido. Mentia muito, mas muito.<br />
&gt;<br />
&gt; Em um dos seus depoimentos da fase judicial, a sra. denunciou que o capitão Maurício foi ameaçá-la de tortura por estar indignado com as propositais contradições de seus depoimentos.<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – Voltei várias vezes para a Oban, a Operação Bandeirante. Descobriam que uma história não fechava com a outra, e aí voltava. Mas aí eu já era preso velho. Preso velho é um bicho muito difícil de pegar na curva. Preso novo, você não sabe o tamanho da dor.<br />
&gt;<br />
&gt; Como era essa história de mentir diante da tortura?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – A gente tinha que fazer uma moldura e só se lembrar da moldura, da história que se inventava, e não saía disso. Tinha que ter uma história. Na relação do torturador com o torturado a única coisa que não pode acontecer é você falar “não falo”. Se você falar “não falo”, dali a cinco minutos você pode ser obrigado a falar, porque eles sabem que você tem algo a dizer. Se você falar “não falo”, você diz pra eles o seguinte: “Eu sei o que você quer saber e não te direi”. Aí você entrega a arma pra ele te torturar e te perguntar. Sua história não pode ser “não falo”. Tem que ser uma história e dali para a frente você não sabe mais nada, não pode saber.<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Pergunta</strong> – É um jogo difícil.<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – É uma arte. A dificuldade é convencê-lo de que você não sabe mais do que aquela moldura. Não é um jogo só de resistência física, é de resistência psíquica. Até porque uma das coisas que você descobre é que você está sozinho.<br />
&gt;<br />
&gt; Quais são as cenas que estão vindo na sua cabeça, agora?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – Eu lembro de chegar na Operação Bandeirante, presa, no início de 70. Era aquele negócio meio terreno baldio, não tinha nem muro, direito. Eu entrei no pátio da Operação Bandeirante e começaram a gritar “mata!”, “tira a roupa”, “terrorista”, “filha da puta”, “deve ter matado gente”. E lembro também perfeitamente que me botaram numa cela. Muito estranho. Uma porção de mulheres. Tinha uma menina grávida que perguntou meu nome. Eu dei meu nome verdadeiro. Ela disse: “Xi, você está ferrada”. Foi o meu primeiro contato com o esperar. A pior coisa que tem na tortura é esperar, esperar para apanhar. Eu senti ali que a barra era pesada. E foi. Também estou lembrando muito bem do chão do banheiro, do azulejo branco. Porque vai formando crosta de sangue, sujeira, você fica com um cheiro…<br />
&gt;<br />
&gt; Por onde a tortura começou?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – Palmatória. Levei muita palmatória.<br />
&gt;<br />
&gt; Quem batia?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – O capitão Maurício sempre aparecia. Ele não era interrogador, era da equipe de busca. Dos que dirigiam, o primeiro era o Homero, o segundo era o Albernaz. O terceiro eu não me lembro o nome. Era um baixinho. Quem comandava era o major Waldir [Coelho], que a gente chamava de major Lingüinha, porque ele falava assim [com língua presa].<br />
&gt;<br />
&gt; Quem torturava?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – O Albernaz e o substituto dele, que se chamava Tomás. Eu não sei se é nome de guerra. Quem mandava era o Albernaz, quem interrogava era o Albernaz. O Albernaz batia e dava soco. Ele dava muito soco nas pessoas. Ele começava a te interrogar. Se não gostasse das respostas, ele te dava soco. Depois da palmatória, eu fui pro pau-de-arara.<br />
&gt;<br />
&gt; Dá pra relembrar?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – Mandaram eu tirar a roupa. Eu não tirei, porque a primeira reação é não tirar, pô. Eles me arrancaram a parte de cima e me botaram com o resto no pau-de-arara. Aí começou a prender a circulação. Um outro xingou não sei quem, aí me tiraram a roupa toda. Daí depois me botaram outra vez.<br />
&gt;<br />
&gt; Com choques nas partes genitais, como acontecia?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – Não. Isso não fizeram. Mas fizeram choque, muito choque, mas muito choque. Eu lembro, nos primeiros dias, que eu tinha uma exaustão física, que eu queria desmaiar, não agüentava mais tanto choque. Eu comecei a ter hemorragia.<br />
&gt;<br />
&gt; Onde eram esses choques?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – Em tudo quanto é lugar. Nos pés, nas mãos, na parte interna das coxas, nas orelhas. Na cabeça, é um horror. No bico do seio. Botavam uma coisa assim, no bico do seio, era uma coisa que prendia, segurava. Aí cansavam de fazer isso, porque tinha que ter um envoltório, pra enrolar, e largava. Aí você se urina, você se caga todo, você…<br />
&gt;<br />
&gt; Quanto tempo durava uma sessão dessas?<br />
&gt;<br />
&gt; Dilma – Nos primeiros dias, muito tempo. A gente perde a noção. Você não sabe quanto tempo, nem que tempo que é. Sabe por quê? Porque pára, e quando pára não melhora, porque ele fala o seguinte: “Agora você pensa um pouco”. Parava, me retiravam e me jogavam nesse lugar do ladrilho, que era um banheiro, no primeiro andar do DOI-Codi. Com sangue, com tudo. Te largam. Depois, você treme muito, você tem muito frio. Você está nu, né? É muito frio. Aí voltava. Nesse dia foi muito tempo. Teve uma hora que eu estava em posição fetal.<br />
&gt;<br />
&gt; Dá pra pensar em resistir, em não falar?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – A forma de resistir era dizer comigo mesmo: “Daqui a pouco eu vou contar tudo o que eu sei”. Falava pra mim mesmo. Aí passava um pouquinho. E mais um pouco. E aí você vai indo. Você não pode imaginar que vai durar uma hora, duas. Só pode pensar no daqui a pouco. Não pode pensar na dor.<br />
&gt;<br />
&gt; A sra. agüentou?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – Eu agüentei. Não disse nem onde eu morava. Não disse quem era o Max [codinome de Carlos Franklin Paixão de Araújo, então seu marido]. Não entreguei o Breno [Carlos Alberto Bueno de Freitas], porque tinha muita dó. Vou dizer uma coisa que uma tupamara, presa com a gente, disse pra mim. A tupamara ficou até com lesão cerebral. Ela disse: “Sabe por que eu não disse, naquele dia, quem era quem? Porque eu era mulher do fulano de tal e queria provar que o uruguaio é tão bom quanto o brasileiro”.<br />
&gt;<br />
&gt; Qual é o significado da frase?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – Que as razões que levam a gente a não falar são as mais variadas possíveis.<br />
&gt;<br />
&gt; Quais foram as suas?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – Tinha um menino da ALN que chamava “Mister X”. Eu o vi completamente destruído. Não sei o que foi feito dele. Nunca vou esquecer o quadro em que ele estava. Primeiro, eu não queria que meus companheiros estivessem numa situação daquelas. Segundo, eu tinha medo que algum deles morresse. Terceiro, porque teve um dia que eu tive uma hemorragia muito grande, foi o dia em que eu estive pior. Hemorragia, mesmo, que nem menstruação. Eles tiveram que me levar para o Hospital Central do Exército. Encontrei uma menina da ALN. Ela disse: “Pula um pouco no quarto para a hemorragia não parar e você não ter que voltar”.<br />
&gt;<br />
&gt; Palmatória, pau-de-arara, choque. O que mais?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – Não comer. O frio. A noite. Eles te botam na sala e falam: “Daqui a duas horas eu volto pra te interrogar”. Ficar esperando a tortura. Tem um nível de dor em que você apaga, em que você não agüenta mais. A dor tem que ser infligida com o controle deles. Ele tem que demonstrar que tem o poder de controlar tua dor.<br />
&gt;<br />
&gt; E o torturado?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – O jogo é jamais revelar pra ele o que você acha. Ele não pode saber o que você pensa e ele nunca pode achar que você só fala depois de apanhar. Jamais. É melhor você não deixar ele perceber que te tira informação por tortura. Tem que ter uma história. O ruim é quando a sua história rui, por qualquer motivo. Ele acha que você mentiu. Se ele achar que você mentiu, você está roubada. Ele descobriu qual é o jogo. Quando você volta, e é por isso que voltar é ruim, ele diz: “Você mentiu, pô, o negócio é que você mente”.<br />
&gt;<br />
&gt; A sua história caiu?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – Uma vez caiu tudo, mas aí era tarde demais. Caiu tudinho da Silva. Porque eu dizia que o meu marido tinha seqüestrado o avião e que, se eu não tinha saído com ele, é que eu era uma pessoa que não sabia de nada, que, se soubesse, teria ido junto. Aí eles descobrem que eu era da direção da VAR, e que portanto era impossível não saber do seqüestro. Tava zebrado. Aí tem que falar: “Não, eu era da direção, mas estava separada dele”. Se a sua história cai, você está roubado.<br />
&gt;<br />
&gt; O que é que ajuda, nesses momentos?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – Se eu tivesse ficado sozinha na cadeia, teria muito mais problemas. Devo grande parte de ter superado, absorvido e em alguns momentos chegado até a ironizar a tortura, para agüentar, às minhas companheiras. Eu lembro do povo do [presídio] Tiradentes, que esteve comigo.<br />
&gt;<br />
&gt; De algum momento em particular?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – Quando alguma de nós era chamada para o repique, que era voltar à Oban, havia um processo de contágio, de medo, e de uma identificação muito forte entre nós. Como forma de ter controle da situação, a gente dessolenizava. Então, tinha uma variante de grito de guerra. Não mostra que a gente foi heroína, coisíssima nenhuma, e não é nesse sentido. Mas foi a tentativa mais humana de dominar o indizível, que era dizer: “Fulana, não liga não, se você for torturada a gente denuncia”. E ria disso, pela ironia absoluta que é. O que é que adianta denunciar? Para torturado, o que é que adianta? Mas a gente gritava isso na hora que a pessoa estava saindo da cela, como uma forma de manter o nível de controle sob seu destino, que você não tinha. Você não sabia para onde você ia ou para onde a sua companheira ia.<br />
&gt;<br />
&gt; Que balanço a sra. faz da experiência desse período?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – Não daria certo. A gente fez uma análise errada. Achamos que a ditadura estava em crise, e estava iniciando o “milagre” [econômico]. A gente não percebeu em que condições a atuava. Se a gente tivesse feito uma análise correta da realidade, se tivesse visto o que estava acontecendo… Mas a gente não percebeu, apesar da retórica, qual era o nível de endurecimento político e de repressão que eles iam desenvolver.<br />
&gt;<br />
&gt; O que dizia a retórica?<br />
&gt;<br />
&gt; <strong>Dilma</strong> – A gente achava que o negócio era uma guerra revolucionária prolongada, ou era um processo de guerrilha urbana, no momento em que o sistema estava em expansão ou ia começar uma baita expansão e o endurecimento pesado. Não se esqueça que no meio de 69 tem a Junta Militar, e daí para a frente você tem talvez o período mais pesado da ditadura, que é o período Médici. É o prende, prende, mata, mata.</p>
<p>Enviado por:</p>
<p><span style="color: #002060;"><strong>José Edson (Psicólogo)</strong></span><br />
<span style="color: #002060;"><strong>Analista de Recursos Humanos</strong></span><br />
<span style="color: #002060;"><strong>Hospital Cura d&#8217;Ars </strong></span><br />
<span style="color: #002060;"><strong>Fones: (85) 3464-7269/9699-2181</strong></span></p>
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		<title>Quem cuida do cuidador?</title>
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		<pubDate>Fri, 18 May 2012 01:10:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>giba</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>As primeiras e mais ancestrais cuidadoras são nossas mães e avós que desde o início da humanidade cuidaram de sua prole. Caso contrário, não estaríamos  aqui escrevendo  sobre o cuidado.</p>
<p></p>
<p>Neste contexto queremos mencionar duas figuras, verdadeiros arquétipos do cuidado: o médico suiço Albert Schweitzer (1875-1965) e a enfermeira inglesa Forence Nightingale (1820-1910).</p>
<p>Albert Schweitzer era exímio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As primeiras e mais ancestrais cuidadoras são nossas mães e avós que desde o início da humanidade cuidaram de sua prole. Caso contrário, não estaríamos  aqui escrevendo  sobre o cuidado.</p>
<p><span id="more-3537"></span></p>
<p>Neste contexto queremos mencionar duas figuras, verdadeiros arquétipos do cuidado: o médico suiço Albert Schweitzer (1875-1965) e a enfermeira inglesa Forence Nightingale (1820-1910).</p>
<p>Albert Schweitzer era exímio exegeta bíblico e um dos maiores concertistas de Bach de seu tempo.  Aos trinta anos já com fama em toda a Europa, largou tudo, estudou medicina para, no espírito das benaventuranças de Jesus, cuidar dos mais pobres dos pobres (os hansenianos) em Lambarene no Gabão. Numa de suas cartas  confessa explicitamente: ”o que precisamos não é de missionários que queiram converter os africanos, mas de pessoas dispostas a fazer aos pobres o que deve ser feito, se é que o Sermão da Montanha e as palavras de Jesus possuem algum valor. Minha vida não está nem na arte nem na ciência mas em ser um simples ser humano que no espírito de Jesus faz algo por insignificante que seja”. Foi dos primeiros a ganhar o Prêmio Nobel da Paz.</p>
<p>Por cerca de quarenta anos viveu e trabalhou num hospital por ele construido com o dinheiro de tournés de concertos de Bach. Nas poucas horas vagas, teve tempo para escrever vasta obra centrada na ética do cuidado e do respeito pela vida. Formulou assim seu lema: “a ética é a responsabilidade ilimitada por tudo o que existe e vive”. Numa outra obra  assevera:”a idéia chave do bem consiste em conservar a vida, desenvolvê-la e elevá-la ao mais alto valor; o mal consiste em destruir a vida, prejudicá-la e impedir que se desenvolvaplenamente; este é o princípio necessário, universal e absoluto da ética”.</p>
<p>Outro arquétipo do cuidado foi a enfermeira inglesa Florence Nightingale. Humanista e profundamente religiosa, decidiu melhorar os padrões da enfermagem em seu país.</p>
<p>Em 1854 com outras 28 companheiras Florence se deslocou para  campo de guerra na Criméia da Turquia, onde se empregavam bombas de fragmentação que produziam muitos feridos. Aplicando no hospital militar,  a prática do rigoroso cuidado, em seis meses reduziu de 42% para 2% o número de mortos. Esse sucesso granjeou-lhe notoriedade universal.</p>
<p>De volta a seu pais e depois nos EUA, criou uma rede hospitalar que aplicava ocuidado como eixo  norteador da enfermagem e como sua ética natural. Florence Nightingale continua  a ser  uma referência inspiradora.</p>
<p>O operador da saúde é por essência um curador. Cuida dos outros como missão ecomo opção de vida. Mas quem cuida do cuidador, título de um belo livro do médico Dr. Eugênio Paes Campos (Vozes 2005)?</p>
<p>Partimos do fato de que o ser humano é, por sua natureza e essência, um ser de cuidado. Sente a predisposição de cuidar e a necessidade de ser ele também cuidado. Cuidar e ser cuidado são existenciais (estruturas permanentes) e indissociáveis.</p>
<p>É notório que o cuidar é muito exigente e pode levar o cuidador ao estresse. Especialmente se o cuidado constitui, como deve ser, não um ato esporádico mas uma atitude permanente e consciente. Somos limitados, sujeitos ao cansaço e à vivência de pequenos fracasos e decepções. Sentimo-nos sós. Precisamos ser cuidados, caso contrário, nossa vontade de cuidar se enfraquece. Que fazer então?</p>
<p>Logicamente, cada pessoa precisa enfrentar com sentido de resiliência (saber dar a volta por cima) esta situação dolorosa. Mas esse esforço não substitui o desejo de ser cuidado. É então que a comunidade  do cuidado, os demais operadores de saúde, médicos e o corpo de enfermagem devem entrar em ação.</p>
<p>O enfermeiro ou a enfermeira, o médico e a médica sentem necessidade de seremtambém cuidados. Precisam se sentir acolhidos e revitalizados, exatamente, como as mães fazem com seus filhos e filhas. Outras vezes sentem necessidade do cuidado como suporte, sustentação e proteção, coisa que o pai proporciona a seus filhos e filhas.</p>
<p>Cria-se então o que o  pediatra  R. Winnicott chamava de “holding”, quer dizer, aquele conjunto de cuidados e fatores de animação que reforçam  o estímulo para continuarem no cuidado para com pacientes.</p>
<p>Quando este espírito de cuidado reina, surgem relações horizontais de confiança e de mútua cooperação, se superam os constrangimentos,  nascidos da necessidade de ser cuidado..</p>
<p>Feliz é o hospital  e mais felizes  são ainda aqueles pacientes que podem contar com um grupo de cuidadores. Já não haverá “prescrevedores” de receitas e aplicadores de fórmulas mas “cuidadores” de vidas enfermas que buscam saúde. A boa energia que se irradia do cuidado corrobora na cura.</p>
<p>Leonardo Boff &#8211; Teólogo eFilósofo</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>“Muitos” ou “todos” na consagração do vinho</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 14:40:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>giba</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>A questão do “muitos” e do “todos” na consagração do vinho</p>
<p></p>
<p> </p>
<p>Introdução</p>
<p>Segundo informação vaticana de 30 de Abril p.p., Bento XVI teria enviado aos bispos católicos da Alemanha uma mensagem determinando que a expressão “pro multis”, isto é, “por muitos”, da consagração eucarística do vinho, e que em várias línguas (incluindo a portuguesa) é atualmente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A questão do “muitos” e do “todos” na consagração do vinho</strong></p>
<p><strong><span id="more-3534"></span></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Introdução</strong></p>
<p><strong>Segundo informação vaticana de 30 de Abril p.p., Bento XVI teria enviado aos bispos católicos da Alemanha uma mensagem determinando que a expressão “pro multis”, isto é, “por muitos”, da consagração eucarística do vinho, e que em várias línguas (incluindo a portuguesa) é atualmente traduzida “por todos”, seja a preferida, porque mais fiel ao texto bíblico. É verdade, filologicamente. Mas não, semanticamente. E em hermenêutica bíblica, se interessa a filologia, mais, muito mais nos deve interessar a semântica. Mas, vamos por partes.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>A consagração eucarística do vinho</strong></p>
<p><strong>É verdade que no texto original do Missal Romano se lê, na fórmula eucarística da consagração do vinho e a propósito do sangue do Senhor Jesus: qui pro vobis e pro multis effundetur in remissionem peccatorum, o que dá em português e consta dos missais canonicamente aprovados e em uso: derramado por vós e por todos os homens para remissão dos pecados. Assim também em outras línguas, em que o multis do Missal Romano, isto é, muitos, é traduzido por todos. Quem tem razão? Vamos a ver. Mas antes, sejam-me permitidas algumas observações prévias.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Observações Prévias</strong></p>
<p><strong>O primeiro documento bíblico que nos informa sobre o que hoje consideramos a Eucaristia (ou a Missa, se quisermos), é a referência que Paulo faz à refeição fraterna dos fiéis de Corinto (1Cor.11,17-34) [1]. Nele Paulo afirma taxativamente: “Com efeito, eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: na noite em que foi entregue, o Senhor tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse “Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim”. Do mesmo modo, depois da ceia, tomou o cálice e disse: “Este cálice é a nova Aliança no meu sangue: todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim” (1Cor.11,23-26). E mais não disse Paulo nem escreveu.</strong></p>
<p><strong>Outros bem puxados vinte anos depois, o médico Lucas, caríssimo discípulo e companheiro [2]e colaborador de Paulo [3], na narrativa da Ceia de Despedida do Senhor Jesus escreve: “Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: “Este cálice é a nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós” (Lc.22,20), no que está essencialmente de acordo com Paulo (1Cor.11,25), diferindo, quanto ao sangue, apenas naquele: que vai ser derramado por vós. E nada mais.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Os dois outros Sinópticos (Marcos, que escreveu antes dos demais, e Mateus) dão-nos as seguintes versões sobre o mesmo [4]: Depois, tomou o cálice, deu graças e entregou-lho. Todos beberam dele. E Ele disse-lhes: “Isto é o meu sangue da aliança, que vai ser derramado por todos…” (Mc.14,23-24). Segundo Mateus: Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo: “Bebei dele todos. Porque este é o meu sangue, sangue da Aliança, que vai ser derramado por muitos, para perdão dos pecados (Mt.26,27-28). Embora no texto grego original, e quanto ao sangue derramado, a expressão num e noutro evangelista seja a mesma, e translitero: tòekchynnónenonhypèrpollôn (Marcos); tòperìpollônekchynnónenon, é notável que a tradução em Marcos e Mateus do termo grego pollôn, que é o busílis da questão, não seja a mesma: todos, em Marcos, e muitos, em Mateus. Afinal em que ficamos?</strong></p>
<p><strong>Em todos ou só em muitos? Segundo Bento XVI deverá ser muitos. Segundo me parece e justificarei, literariamente, o tradutor de Marcos tem razão: são todos.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>A chave da questão</strong></p>
<p><strong>Não há dúvida nenhuma de que o termo grego pollôn [5] se pode traduzir, à letra, por muitos. Assim leio na quase dúzia de versões portuguesas que possuo [6], à exceção de duas: a TEB – a tradução ecumênica, publicada no Brasil pelas Paulinas em 1995, com recomendação do Presidente da Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros, e cujo texto é: derramado em prol da multidão, e A Boa Nova Para Toda A Gente, da Sociedade Bíblica, publicada em Lisboa em 1978 (Novo Testamento), com a aprovação de D. António, bispo do Porto, presidente da Comissão Episcopal da Doutrina da Fé, e cuja versão é: derramado em favor da humanidade. Claro que isto não são versões mas interpretações. S. Jerônimo quando, no século IV, traduziu a Bíblia do hebraico e do grego para o latim, foi filologicamente (e acentuo: filologicamente) fiel ao original, vertendo: qui pro multis effundetur. E da Vulgata Latina terá passado para o Missal Romano. Mas, bem ou mal? Mal, porque não se trata apenas de uma questão filológica, mas também, e sobretudo, semântica. Ou, por outras palavras: o que é que aquele texto grego quer dizer: muitos ou todos?</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Estou convencido de que quer dizer todos e pelas seguintes razões:</strong></p>
<p><strong>1.      A tradição cristã em voga no tempo tanto da redação dos Evangelhos segundo Marcos e Mateus, como no tempo de S. Jerônimo, era a de que o Senhor Jesus de Nazaré era o Messias. Na Sua Paixão e Morte realizara o predito pelo Segundo Isaías (século VI a.C.) sobre o Servo de Yahwéh: “Por isso ser-lhe-á dada uma multidão como herança, há de receber muita gente como despojos, porque ele próprio entregou a sua vida à morte, e foi contado entre os pecadores, tomando sobre si os pecados de muitos (rabbim, no hebraico) e sofreu pelos pecados (Is.53,12). Quem não lê esta parte da “profecia” repercutida na fórmula consecratória do vinho em Mateus (21,22) [7]? Ademais, é e bom que se diga em abono da ciência bíblica, as narrativas da Ceia de Despedida nos Sinópticos não correspondem por inteiro ao que, historicamente, então se terá verificado, não repugnando, por isso, que constituam criações da primitiva Comunidade Cristã face à prática cada vez mais generalizada de se reunirem os fiéis discípulos do Senhor Jesus em comunitárias e fraternas refeições a que, pouco a pouco, se foi dando caráter sagrado.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>2.      Em segundo lugar, o plural do adjetivo grego polús, pollê, polú (muito) é usado, tanto no grego clássico [8], como no grego bíblico do Novo Testamento no sentido da totalidade, de todos. Assim, por exemplo, quando Paulo escreve aos Romanos:Se pela falta de um só homem (ei gàrtôito</strong><strong>ỹenòs (um) parapt</strong><strong>ốmati) todos morreram (hoipolloiapéthanon), com muito mais razão a graça de Deus, aquela graça oferecida por meio de um só homem (enósanthôpoy), Jesus Cristo, foi a todos (eis toyspolloys) concedida em abundância (Rm.5,15). Aqui, não há dúvida, o sentido do adjectivo grego é o de totalidade (todos) e não apenas de pluralidade (muitos). E, mais abaixo, volta Paulo a usar polys, pollê, poly no mesmo sentido de totalidade: De facto, tal como pela desobediência de um só homem (to</strong><strong>ỹenòsanthôpoy), todos (hoipolloi) se tornaram pecadores… (Rm.5,19).</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>3.      Finalmente, o argumento da analogia da fé. Como é que esta opção pelo muitos (sangue derramado por muitos), em vez de todos, se compagina com as afirmações bíblicas (e não é agora caso de tomar em mãos o tema, que isso nos levaria longe) da universalidade da salvação messiânica [9]?</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Conclusão</strong></p>
<p><strong>Filologicamente, é possível a tradução: derramado por muitos. Semântica e exegeticamente, não. Por isso, está certo e bem traduzir-se: derramado por todos, na fórmula consecratória do vinho.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>A.Cunha de Oliveira</strong></p>
<p><strong>2012.05.05</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>[1] Esta Primeira Carta de Paulo aos Coríntios terá sido escrita uns vinte e poucos anos após a morte do Senhor Jesus.</strong></p>
<p><strong>[2] Como bem se fica sabendo pelo uso do plural por Lucas em Act.16,10-17; 20,5-15; 21,1-18; 27,1-28.</strong></p>
<p><strong>[3] Cl.4,14; Flm.24; 2Tm.4,11.</strong></p>
<p><strong>[4] Estou seguindo a versão portuguesa da Nova Bíblia dos Capuchinhos (1ª edição, 1989).</strong></p>
<p><strong>[5] Genitivo do plural do adjetivo polys, pollê, polú (do sâncrito:</strong></p>
<p><strong>púruh, com sentido de plenitude), que significa: muito, numeroso, e similares.</strong></p>
<p><strong>[6] Os ingleses traduzem:for many, e os alemães fürviele.</strong></p>
<p><strong>[7] Sobre tudo isto, nem palavra no IV Evangelho, que terá sido composto depois do ano 90, ou seja, bem mais de meio século após a morte do Senhor Jesus.</strong></p>
<p><strong>[8] Veja-se Lorenzo Rocci, no seu monumental Vocabulário Greco-Italiano, 1534.</strong></p>
<p><strong>[9] Por desfastio, leia-se, entre outras, qualquer das seguintes</strong></p>
<p><strong>citações: Lc.3,6; Jo.3,17;4,42;12,47; Act.4,12;28,28; Rm.11,11; 1Tm.2,4;4,10; Tt.2,11; 1Jo.4,14.</strong></p>
<p><strong>Publicada por Fraternitas Movimento em 28/02/2012</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A coragem de Dilma Rousseff</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 01:20:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>giba</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Banqueiros. Latifundiários. Militares. Quem mais teria coragem de enfrentar os interesses destas corporações em assuntos considerados intocáveis até outro dia, como queda de juros, reforma do Código Florestal e criação da Comissão da Verdade, verdadeiros tabus históricos?</p>

<p>Sem se preocupar com o que os outros vão pensar, a presidente Dilma Rousseff resolveu ir à luta em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: medium;">Banqueiros. Latifundiários. Militares. Quem mais teria coragem de enfrentar os interesses destas corporações em assuntos considerados intocáveis até outro dia, como queda de juros, reforma do Código Florestal e criação da Comissão da Verdade, verdadeiros tabus históricos?<span id="more-3531"></span></span></p>
<div>
<p><span style="font-size: medium;">Sem se preocupar com o que os outros vão pensar, a presidente Dilma Rousseff resolveu ir à luta em variadas frentes nas últimas semanas, comprando muitas brigas ao mesmo tempo. Vai ganhar todas? Só o tempo poderá dizer, mas ela não é de fugir da raia.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">&#8220;Com a popularidade que esta mulher tem, até eu&#8230;&#8221;, poderia desdenhar algum representante dos 5% que não gostam do governo dela.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Não é bem assim, como ouviu na semana passada o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ao fazer um comentário sobre a alta aprovação de Dilma nas pesquisas, durante reunião em que ela explicou aos empresários as mudanças nas regras da Caderneta de Poupança, outro tema delicado que ela resolveu encarar.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">&#8220;Eu vou fazer o que tem que ser feito, sem me preocupar com pesquisas&#8221;, respondeu-lhe Dilma, resumindo o espírito da presidente que se tornou um lema do seu governo prestes a completar 18 meses.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Por que fazer tudo ao mesmo tempo? Cheguei a me preocupar, ao ver as decisões anunciadas, que mexem com os interesses de setores sempre tão temidos pelos governantes.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Depois das conversas que tive no Palácio do Planalto no final do mês passado, percebi que a presidente resolveu assumir em suas mãos o comando e a iniciativa política, mesmo em questões econômicas, exatamente como fez o ex-presidente Lula em seu segundo mandato.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">&#8220;Este é um governo monocrático&#8221;, explicou-me um dos interlocutores frequentes da presidente, quando me queixei a ele da dificuldade para obter informações. Dilma centraliza todas as ações em seu gabinete e não gosta quando seus ministros saem por aí dando declarações, mesmo em off, sobre assuntos que ainda não estão decididos por ela.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Como a presidente fala pouco, e só ela quer falar em nome do governo, os jornalistas de Brasília que cobrem o Palácio do Planalto sofrem, assim como os seus colegas de outras cidades.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Agora, ao ver o pacote de medidas polêmicas anunciadas nas últimas duas semanas, entendi a razão: Dilma toma suas decisões com cuidado, amadurece sem pressa os seus projetos e procura preparar o terreno antes de anunciá-los, como aconteceu na última semana com a Comissão da Verdade.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">A lei que criou a Comissão foi assinada por Dilma em novembro do ano passado, mas ela fez questão de escolher pessoalmente, um a um, sem ceder a nenhum lobby, os sete nomes que anunciou na quinta-feira. Conheço a maioria deles e posso garantir que o time é da melhor qualidade, tanto do ponto de vista moral como profissional.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Na mesma noite, ela convidou os notáveis para um jantar no Palácio da Alvorada, explicou o que espera deles e deixou claro que não quer qualquer &#8220;revanchismo&#8221; contra os militares. &#8220;A Comissão da Verdade é um órgão do Estado e não do governo&#8221;, resumiu.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Este é o estilo Dilma que vai se consolidando: pode demorar para agir, mas quando age procura ter o domínio da situação. Foi assim também com a questão da queda dos juros, que só anunciou depois de longas conversas com os donos dos bancos e economistas da sua confiança.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">E será desta forma que a presidente vai decidir sobre os vetos ao Código Florestal aprovado pela Câmara. Após o movimento &#8220;Veta, Dilma&#8221;, criado pelos ambientalistas, agora surgiu também o &#8220;Não veta, Dilma&#8221;, patrocinado pelos ruralistas. Dilma acompanha de longe o debate na internet e, com calma, vai amadurecendo a sua decisão, que pode não contentar nenhum dos dois movimentos.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Se algum assessor lembrar a ela o descontentamento de um lado ou outro, que militares, banqueiros, parlamentares da base aliada ou vendedores de couve podem não gostar das suas decisões, Dilma costuma reagir com duas palavras: &#8220;Problema deles&#8221;. Os donos da mídia já perceberam isso.</span></p>
<div><strong><em>Ricardo Kotscho</em></strong></div>
<div>Jornalista. Blog Balaio do Kotscho</div>
<div>Adital</div>
<div>
<p>Fonte: <a title="http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&amp;lang=PT&amp;cod=66974 CTRL + Clique para seguir o link" href="http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&amp;lang=PT&amp;cod=66974" target="_blank">http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&amp;lang=PT&amp;cod=66974</a></p>
</div>
<p><span style="font-size: medium;"><br />
</span></p>
</div>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Artista tetraplégica e muda é PhD com ‘distinção e louvor’</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 01:17:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>giba</dc:creator>
				<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>O primeiro &#8220;obrigada&#8221; foi mais difícil e demorado. O nervosismo atrapalhava a doutoranda na escolha das letras. No entanto, depois de um &#8220;ops!&#8221; que arrancou gargalhadas da plateia, ela se soltou e respondeu com desenvoltura aos comentários da banca examinadora.</p>
<p>Ao final de três horas, Ana Amália Tavares Barbosa, 46, recebeu ontem, com &#8220;distinção e louvor&#8221;, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O primeiro &#8220;obrigada&#8221; foi mais difícil e demorado. O nervosismo atrapalhava a doutoranda na escolha das letras.<span id="more-3529"></span> No entanto, depois de um &#8220;ops!&#8221; que arrancou gargalhadas da plateia, ela se soltou e respondeu com desenvoltura aos comentários da banca examinadora.</p>
<p>Ao final de três horas, Ana Amália Tavares Barbosa, 46, recebeu ontem, com &#8220;distinção e louvor&#8221;, o título de doutora em arte e educação pela USP. É a primeira pessoa na sua condição (tetraplégica, muda, deficiente visual e que não consegue mastigar e engolir) a receber o título lá.</p>
<p>Ana Amália escreveu sua tese usando um programa de computador desenvolvido para ela. Ela toca um sensor com o queixo para escolher cada letra e formar, assim, as palavras. No início da cerimônia, fez uma apresentação usando um programa que transforma o texto em voz.</p>
<p>Há dez anos, Ana Amália sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) no tronco cerebral, no dia da defesa da sua dissertação de mestrado. Como sequela, ficou com síndrome do encarceramento (&#8220;locked in&#8221;).</p>
<p>Sua tese, intitulada &#8220;Além do Corpo&#8221;, é fruto de três anos de trabalho com artes visuais, realizado com um grupo de seis crianças com lesões cerebrais atendidas na Associação Nosso Sonho.</p>
<p>A defesa da tese quebrou todos os protocolos. Teve choro, risos, aplausos fora de hora e fala que não estava prevista. &#8220;É um momento histórico não só para as pessoas com deficiências, mas para toda a sociedade. Deve levar a uma transformação do modelo educacional vigente&#8221;, disse a secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Battistella.</p>
<p>A mãe de Ana Amália, Ana Mae Barbosa, professora aposentada da ECA (Escola de Comunicação e Artes), preferiu assistir à cerimônia de longe. &#8220;Estou nervosíssima e muito orgulhosa. Ela deixou de ser vítima da vida para conduzir a própria vida.&#8221;</p>
<p>As cinco examinadoras elogiaram a clareza, a objetividade e a concisão do texto de Ana Amália. E, principalmente, o caráter de &#8220;manifesto político&#8221; do trabalho.</p>
<p>&#8220;Ele mostrou que não sabemos nada de aprendizagem, de educação, de cognição, de percepção, de inteligência e de generosidade&#8221;, afirmou Sumaya Mattar, professora da ECA.</p>
<p>A orientadora de Ana Amália, Regina Stela Machado, resumiu: &#8220;A gente dá muita desculpa para o que não faz, vive muito na superficialidade e não vê as coisas importantes da vida.&#8221;</p>
<p>Ao final, já doutora, Ana Amália disse só uma palavra com os olhos: &#8220;Consegui&#8221;.</p>
<p><em><strong>CLÁUDIA COLLUCCI &#8211; DE SÃO PAULO</strong></em></p>
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		<title>Educar o cidadão!</title>
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		<pubDate>Tue, 15 May 2012 00:48:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>giba</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Somos cidadãos educados? Que significa ser cidadão educado? Hoje a reflexão sobre a educação civil que temos, e que queremos transmitir às jovens gerações, é assunto central e substantivo que envolve o presente e o futuro da nossa convivência social e política.</p>
<p>Para os antigos gregos a formação do cidadão, a paidéia, visava integrar o jovem àAntónio polis, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS'; font-size: medium;">Somos cidadãos educados? Que significa ser cidadão educado? Hoje a reflexão sobre a educação civil que temos, e que queremos transmitir às jovens gerações, é assunto central e substantivo que envolve o presente e o futuro da nossa convivência social e política.<span id="more-3527"></span></span></p>
<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS'; font-size: medium;">Para os antigos gregos a formação do cidadão, a <em>paidéia</em>, visava integrar o jovem àAntónio <em>polis</em>, como seu membro efetivo e responsável. O percurso era longo e implicava, por um lado, apreender a controlar a <em>hybris </em>disciplinando as paixões e as ações perniciosas para a convivência civil e política: a avidez, a sede de poder (econômico e político), a violação das leis naturais e divinas, o excesso, a soberba, o orgulho, a prevaricação&#8230;; e, por outro, a adquirir e praticar valores positivos para a socialização e a cidadania. Por isso, o processo educativo era voltado à formação integral do jovem: formação física, psíquica, moral e civil de homem e de cidadão para a vida privada e pública, para a guerra e para a paz, para a economia doméstica e o comércio &#8230;</span></p>
<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS'; font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS'; font-size: medium;">Como somos educados (e educamos) nas nossas sociedades, ditas ”democráticas”? Não vamos longe da realidade ao responder: a educação (nas nossas sociedades) visa preparar indivíduos capazes de competir para possuir mais e consumir mais! Produtores-consumidores sempre menos civilizados e politizados; e sempre mais agressivos, violentos, desregrados. Mesmo os percursos formativos institucionais, como a escola nos níveis primários e médios ou as universidades, são vistos como um tirocínio necessário e uma passagem obrigada para sobressair-se bem na competição econômica.</span></p>
<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS'; font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS'; font-size: medium;">Vigora, nos nossos dias, o fetichismo do PIB! Não importa quantos cidadãos sejam excluídos da escola, da saúde, do trabalho honesto, da habitação digna &#8230;, e marginalizados da participação política, dos direitos e deveres de cidadania&#8230; O que conta, o que vale, realmente, é a quantidade das riquezas produzidas em cada País! Que, em concreto, a maior parte das riquezas fique na posse de 10% da população mais rica já não parece ser um problema de injustiça absurda na democracia comercial e plutocrática em que vivemos!</span></p>
<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS'; font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS'; font-size: medium;">Escreveu Kant: <em>“Duas coisas me deixam maravilhado: o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim”. </em>Sim, o céu continua lindo! Eu gosto de caminhar nas montanhas e vejo sempre paisagens deslumbrantes, céus azuis, sol, vento; às vezes ventanias e nuvens vorticosas que encobrem as arvores, os cimos, e até obscurecem o céu! Mas sei que as nuvens passam e se afastam para longe, deixando que o céu azul volte a resplandecer!</span></p>
<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS'; font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS';"><span style="font-size: medium;">O que intriga é a “veracidade” da segunda proposição de Kant: <em>a lei moral dentro de mim!</em> Será mesmo que a lei moral brilha nas consciências dos humanos? Se olharmos ao nosso redor (e&#8230; estamos sempre mais atentos a olhar!) o que vemos não é confortador. Vemos a corrupção e os corruptos, a violência e os violentos, os super-ricos arrogantes que não ligam com os pobres, os desafortunados, os excluídos &#8230;, e nos perguntamos: será que os prevaricadores sentem <em>a lei moral dentro de si?</em></span></span></p>
<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS'; font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS'; font-size: medium;">Eu acho que não a sentem, pois a <em>lei moral</em> não é um olho ou um sentido da alma presente, por natureza, em todos os seres humanos. Aristóteles sustentava que as virtudes nascem da permanente repetição de ações boas que acabam por se tornar hábitos, como por exemplo a honradez, a honestidade, a temperança, a fortaleza, a solidariedade humana e civil, etc.</span></p>
<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS'; font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS'; font-size: medium;">Portanto acho que não seja razoável esperar que as pessoas se tornem virtuosas por um moto de crescimento espontâneo da consciência! Ao contrário é preciso voltar à educação, nela investindo de forma prioritária e universal. Educar as novas gerações é uma tarefa confiada às famílias, isto é a todos nós; à escola e às universidades, isto é à toda a sociedade que deve investir na educação, sabendo que dela depende o nosso presente e o futuro das gerações mais jovens; às igrejas e às livres associações de cidadãos&#8230;, pois todos precisamos colaborar para educar e formar os homens humanos e os cidadãos responsáveis que darão sustentação aos projetos de sociedades equilibradas e justas.</span></p>
<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS'; font-size: medium;">A civilidade ou a barbárie dependem de nós. De como educamos nossas mentes e nossas consciências. De como agimos!</span></p>
<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS'; font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS';"><span style="font-size: medium;">Giuseppe Staccone*</span></span></p>
<p><a href="mailto:gstacco@gmail.com" target="_blank"><span style="color: #0000ff; font-family: 'Comic Sans MS'; font-size: medium;" title="mailto:gstacco@gmail.com CTRL + Clique para seguir o link">gstacco@gmail.com</span></a><span style="font-family: 'Comic Sans MS';"><span style="font-size: medium;"> </span></span></p>
<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS'; font-size: medium;"> </span></p>
<p><span style="font-family: 'Comic Sans MS'; font-size: medium;"><strong> </strong></span><span style="font-family: Calibri;"><span style="font-size: medium;"><strong>* Filósofo e Teólogo, Professor de Ética e Filosofia Política nas Universidades Católica e Federal de Recife, autor de várias obras sobre Ética, Filosofia da Religião, diálogo com o marxismo, etc. Trabalhou vários anos como padre no nordeste. Casou e mora agora na Itália</strong></span> </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Economia Verde – Qual o valor da natureza?</title>
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		<pubDate>Tue, 15 May 2012 00:42:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>giba</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>“A economia verde será, certamente, o tema que vai dominar a Conferência das Nações Unidas Rio +20. O termo &#8220;economia verde&#8221; é ambíguo e não há consenso entre os governos”, escreve o Frei Rodrigo de Castro Amédée Péret, teólogo,  membro do SINFRAJUPE &#8211; Serviço Interfranciscano de Justiça Paz e Ecologia, coordenador da Ação Franciscana de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>“A economia verde será, certamente, o tema que vai dominar a<a href="http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?secao=384" target="_blank"> Conferência das Nações Unidas Rio +20</a>. O termo <a href="http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/505705-rio20-os-equivocos-da-economia-verde-e-das-tecnologias-entrevista-especial-com-kathy-jo-wetter" target="_blank">&#8220;economia verde</a>&#8221; é ambíguo e não há consenso entre os governos”</em><span id="more-3525"></span><em>, escreve o<strong> Frei Rodrigo de Castro Amédée Péret</strong>, teólogo,  membro do SINFRAJUPE &#8211; Serviço Interfranciscano de Justiça Paz e Ecologia, coordenador da Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade, atua no Triangulo Mineiro junto aos movimentos de luta pela terra e membro da Comissão Pastoral da Terra.</em></p>
<p><strong>Eis o artigo.</strong></p>
<p>Atribuir uma qualidade verde para a economia, à primeira vista pode parecer que, finalmente, a consciência ecológica foi assimilada por aqueles que defendem o mercado como a única realidade possível. Estaríamos nós, no início do século XXI, assistindo a uma mudança nos valores daqueles que em primeira mão são os responsáveis pela crise em que nos encontramos? A <strong>economia verde</strong>, como terminologia pode evocar todos os tipos de significância de acordo com as nossas perspectivas. No entanto, precisamos estar cientes do significado que a economia verde já tem, e como ela está sendo posta em prática.</p>
<p>Internacionalmente o termo economia verde foi lançado em março de 2007, na reunião do <a href="http://www.ihu.unisinos.br/noticias/noticias-anteriores/7634-g-8%205-16-mil-homens-e-muro-de-12-km-protege-a-cupula-num-lugar-isolado" target="_blank">G8+5</a> principais países emergentes. O governo alemão propôs um estudo sobre &#8220;a importância econômica da perda global da diversidade biológica&#8221;. O <strong>Programa Ambiental das Nações Unidas &#8211; PNUMA</strong>, com apoio financeiro da Comissão Europeia, Alemanha, Reino Unido, Holanda, Noruega, Suécia e Japão está coordenando os relatórios de estudos para implementar o que eles chamam de: A <strong>Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade</strong>, cuja sigla em inglês é <strong>TEEB</strong>. O objetivo é criar um valor financeiro para a biodiversidade. Isso não é simplesmente colocar preços nos recursos naturais e meio ambiente, mas capturar os complexos processos ecológicos para a economia. De acordo com os estudos <strong>TEEB</strong>, as interações entre todos os seres vivos e o ambiente em que vivem, e todas as interações dos organismos com o ambiente e entre si são serviços &#8220;ou os fluxos de valor para as sociedades humanas como resultado do estado e da quantidade de capital natural&#8221; que devem ser quantificados economicamente. Os estudos <strong>TEEB</strong> afirmam que os serviços prestados pelos diferentes ecossistemas do planeta têm um alto valor econômico. A Mãe Natureza tornou-se um ativo transacionável para criar mercados para os ecossistemas.</p>
<p>Como uma resposta para a construção de uma economia verde, corporações, empresas e governos ao redor do mundo estão criando uma agenda de novos negócios. Em 2010, o <strong>Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável</strong>, cuja sigla em inglês é <strong>WBCSD</strong>, publicou um relatório chamado <strong>&#8220;Visão 2050 &#8211; uma nova agenda para os negócios&#8221;</strong>, que foi assinada por 29 grandes corporações que fazem parte deste organismo internacional. A <strong>Visão 2050</strong> está proposta como uma ferramenta para a formulação de políticas públicas e tomada de decisões para os próximos 40 anos. Para sua implementação foram estabelecidas metas globais para o curto, médio e longo prazo em nove áreas, a saber: &#8220;valores e comportamentos, desenvolvimento humano, economia, agricultura, florestas, energia e poder, edificações, mobilidade e materiais&#8221;. É importante notar que membros do <strong>WBCSD</strong> forneceram estudos de caso e ou revisaram seções dos relatórios de estudo <strong>TEEB</strong>.</p>
<p>Em 2011, o <strong>PNUMA</strong> lançou um relatório, <strong>&#8220;Rumo a uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza&#8221;</strong>, que traça um caminho de crescimento econômico até 2050. Esse relatório &#8220;está entre as contribuições-chave do<strong> PNUMA</strong> ao processo <strong>Rio+20</strong> e ao objetivo geral de luta contra a pobreza e promoção de um século XXI sustentável&#8221;. Nesse relatório o <strong>PNUMA</strong> define a economia verde &#8220;como uma economia que resulta em melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz significativamente riscos ambientais e escassez ecológica&#8221;. No entanto, algumas linhas adiante, a definição propõe as mesmas medidas dentro do mesmo paradigma de dominação e exploração da natureza, em que estamos vivendo: &#8220;O caminho do desenvolvimento deve manter, aprimorar e, quando possível, reconstruir capital natural como um bem econômico crítico e como uma fonte de benefícios públicos, principalmente para a população carente cujo sustento e segurança dependem da natureza&#8221;. A natureza continua a ser vista como bem econômico.</p>
<p>Para uma transição para uma economia verde, até 2050, o<strong> PNUMA</strong> está defendendo um investimento anual de US $ 1,3 trilhões de dólares (cerca de 2% do PIB mundial) em dez setores estratégicos: “energia, agricultura, prédios, pesca, silvicultura, indústria, turismo, transportes, água e resíduos”. Este relatório do <strong>PNUMA</strong> está no mesmo espírito do documento<strong> Visão 2050</strong>, que afirma o seguinte, em relação à implementação da agenda de novos negócios: “A transformação que temos pela frente representa grandes oportunidades em uma gama imensa de setores de trabalho, à medida que os desafios globais de crescimento, urbanização, escassez e mudanças ambientais se tornarem indutores estratégicos das relações comerciais nas próximas décadas. Só em recursos naturais, saúde e educação, a magnitude desses negócios poderá chegar à ordem de 500 bilhões a 1,5 trilhão de dólares por ano em 2020, alcançando entre 3 trilhões e 10 trilhões de dólares por ano em 2050 – considerando-se os preços atuais –, o que deve significar algo em torno de 1,5% a 4,5% do PIB mundial em 2050”6.</p>
<p>Todo este processo apenas brevemente descrito nos mostra que a economia verde é uma oportunidade de negócios. Enquanto o mundo experimenta as crises, econômica, financeira, do meio ambiente, de energia, de alimentos e climática, que refletem a crise estrutural do capitalismo, aqueles que detêm o poder político, militar e econômico-financeiro estão buscando uma maneira de sair da crise. Para isso, eles preveem uma nova era para o capitalismo, redirecionando investimentos e inovação tecnológica através da apropriação dos sistemas físicos e biológicos que sustentam a vida.</p>
<p>Os governos das maiores economias do mundo, as corporações e as <strong>Nações Unidas</strong> decidiram qualificar a economia como verde. A vida em si é vista como potencial para manter as forças de mercado crescendo e regulando a sociedade. O que está sendo proposto é o desenvolvimento de uma economia, com base no fortalecimento e aperfeiçoamento do que eles chamam de capital natural do planeta, para maximizar os benefícios econômicos guiados pelo mercado, e, segundo eles, isso minimizaria as desigualdades sociais.</p>
<p>No entanto, a economia verde não é concebida e proposta como uma alternativa para o mercado global que é irrestrito para o capital em sua busca de lucros. Não existe intenção de mudar o sistema capitalista, que é baseado em uma minoria que superexplora a natureza e o trabalho dos trabalhadores para acumular lucros. Apenas 20% da humanidade consomem cerca de 80% dos recursos, enquanto produz cerca de 80% da poluição e da degradação ambiental que ameaçam a vida no planeta como um todo. Há mais de um bilhão de pessoas com fome, não porque não exista comida, mas porque o mercado não permite que eles tenham acesso aos alimentos. A<strong> economia verde</strong> também não quebra a lógica perversa de produção / consumo, mas busca a inclusão dos pobres nesta lógica como meio de erradicar a pobreza. Ela não busca erradicar a extrema riqueza e distribuir a sua concentração.</p>
<p>O governo brasileiro propõe uma economia verde inclusiva. Ele indica, ser necessário assegurar garantia de renda para superar a pobreza extrema no mundo e promover ações estruturantes que garantam qualidade ambiental, segurança alimentar, moradia adequada e acesso à água limpa para todos, com um programa de proteção socioambiental global. O governo brasileiro indica ainda, um conjunto de iniciativas para promover mudanças nos padrões de produção e consumo em diversos setores; sugere novos indicadores para mensuração do desenvolvimento; um “pacto pela economia verde inclusiva”; e uma “estrutura institucional do desenvolvimento sustentável” para o aperfeiçoamento da governança ambiental internacional.</p>
<p>Ao substantivar como inclusiva a economia verde, o governo brasileiro aponta para um desafio, que é aquele da exclusão / inclusão. Propõe dar aos pobres, portanto aos excluídos, um acesso às oportunidades oferecidas pela sociedade. Contudo, são fatores de ordem macro, de natureza estrutural, que os exclui da sociedade. Colocar para dentro quem está fora, seria a meta, sem, contudo, propor a mudança do funcionamento global das sociedades, como do tipo de sistema econômico, do sistema financeiro, do modelo de desenvolvimento, dos paradigmas culturais, etc. Isso somente nos confirma a ideia de que, no máximo, a economia verde, pretende incluir através de políticas compensatórias, os pobres no mesmo sistema que destrói e explora o ser humano e o planeta.</p>
<p>Portanto, não é suficiente para mudar a economia, lhe dar uma cor. Nem tão pouco, podemos acreditar que incluir os pobres no sistema que os matem pobres seja uma solução para erradicar a pobreza. O adjetivo verde pode nos levar a diferentes realidades, e nos fazer sonhar. No entanto, como acabamos de refletir, para entender a <strong>economia verde</strong>, é necessário saber quem são os atores reais e quem compõem e move esta economia. É necessário também entender a lógica dessa economia.</p>
<p>Certamente o valor da natureza não é aquele que propõe a economia verde, o capitalismo, ou seja, de um ativo econômico.</p>
<p>Em tempos como o nosso, quando o mercado tem como objetivo esverdear a economia, é necessário propor a justiça ambiental, como o caminho para um futuro, onde a dignidade do homem e da natureza seja respeitada e promovida. Está na hora de afirmar a natureza não como um ativo financeiro, mas de reafirmar o que está na <strong>Carta da Terra</strong>: &#8220;Reconhecer que todos os seres são interdependentes e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.&#8221;.</p>
<p>A <strong>Carta da Terra</strong> é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica no século 21. Seu preâmbulo estabelece os valores éticos relativos a uma sociedade global sustentável, como “respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz”. Reflete um espírito de solidariedade, quando se fala em &#8220;uma família humana e uma comunidade terrestre&#8221;. Os seres humanos também têm responsabilidades sociais e ecológicas. Exige um compromisso de proteger o bem-estar da comunidade de vida como um todo, do qual a humanidade é uma parte interdependente. O preâmbulo afirma: “Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações.”</p>
<p>A vida tem valor em si. A natureza, da qual fazemos parte e a dinâmica da vida, não são ativos econômicos. Como franciscanos, a partir de uma perspectiva cristã a criação é fruto do amor gratuito de Deus. Todas as criaturas são irmãs e irmãos. A natureza é gratuidade de Deus. Por isso falamos em criação, somos criaturas.</p>
<p>A diversidade é uma característica do nosso mundo, seja ela biológica ou sociocultural. A diversidade dos ecossistemas e a diversidade cultural das populações humanas formam uma enorme sócio biodiversidade, que deve ser consideradas e respeitadas. Esta diversidade não deve ser conduzida pelas forças do mercado. De uma perspectiva de justiça ambiental, os grupos sociais de baixa renda são aqueles mais expostos aos riscos e danos ambientais. As desigualdades econômicas e sociais, juntas com a concentração de poder na apropriação dos recursos naturais, estão na base da injustiça, e a economia verde não prevalecerá contra ela.</p>
<p>A justiça ambiental traz à luz a apropriação injusta do ambiente como a base dos problemas sociais, ecológicos e culturais do planeta, o que mantém milhares de milhões de pessoas na pobreza. A economia verde como uma oportunidade para novos negócios, sobrevivência e expansão dos mercados é um escândalo. Nossa felicidade não pode ser baseada no consumismo, mesmo que seja verde. A razão da nossa vida não pode ser reduzida a ir às compras.</p>
<p>No mundo de hoje, temos tantos exemplos concretos de economia solidária, onde a solidariedade diz respeito às pessoas, especialmente aos pobres e à natureza. São muitas as iniciativas solidárias nesse campo, que geram trabalho e renda. Sem explorar as pessoas, numa cultura de solidariedade e sem destruir o ambiente. São também inúmeras as alternativas de sistemas de produção vividos na agricultura familiar, estabelecendo novas formas de relação entre os seres humanos e o território. A luta pela justiça ambiental é essencial para erradicar a pobreza e promover o bem comum da humanidade e da natureza. Para vivermos o valor do bem comum, menos antropocêntrico ou não apenas baseado nas pessoas, podemos levar em consideração a <a href="http://www.ihu.unisinos.br/noticias/noticias-anteriores/16470-nova-constituicao-do-equador-expressa-aspiracao-dos-movimentos-sociais" target="_blank">Constituição do Equador</a>. De acordo com esta Constituição a natureza não é apenas um objeto a ser apropriado e usado pelas pessoas, mas sim um sujeito detentora de direitos que deve ser tratada com paridade nos termos da lei. No artigo 71 encontramos: “A natureza ou <strong>Pachamama</strong>, onde se reproduz e realiza a vida, tem direito a que se respeite integralmente sua existência e a manutenção e regeneração de seus ciclos vitais, estrutura, funções e processos evolutivos”. Este tem sido um conceito óbvio para os povos indígenas do Equador, por um longo tempo.</p>
<p>Neste sentido <a href="http://www.ihu.unisinos.br/noticias/509206-sustentabilidadeeeducacao"><strong>Leonardo Boff</strong> </a>escreve: “A justiça ecológica significa: o ser humano tem uma dívida de justiça para com a terra. A terra possui sua dignidade, sua alteridade, seus direitos; ela existiu há milhões de anos antes que surgisse o ser humano. Ela tem direito a continuar a existir em sua complexidade, com o seu patrimônio genético, com seu bem comum, com o seu equilíbrio e com as possibilidades de continuar a evoluir”.</p>
<p><em><strong>IHU &#8211; Unisinos - O artigo foi encaminhado por Hugo Rosa da Paixão do <a href="http://www.sefras.org.br/" target="_blank">Serviço Franciscano de Solidariedade &#8211; Sefras</a>, a quem agradecemos.</strong></em></p>
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		<title>Tempos de crise – tempos de cuidado</title>
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		<pubDate>Mon, 14 May 2012 01:26:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>giba</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>O tema do cuidado é, nos últmos tempos, cada vez mais recorrente na reflexão cultural. Primeiramente, foi veiculado pela medicina e pela enfermagem, pois representa a ética natural destas atividades. Depois foi assumido pela educação e pela ética e feito paradigma por filósofas e teólogas feministas especialmente norteamericanas. Veem nele um dado essencial da dimensão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O tema do cuidado é, nos últmos tempos, cada vez mais recorrente na reflexão cultural.<span id="more-3523"></span> Primeiramente, foi veiculado pela medicina e pela enfermagem, pois representa a ética natural destas atividades. Depois foi assumido pela educação e pela ética e feito paradigma por filósofas e teólogas feministas especialmente norteamericanas. Veem nele um dado essencial da dimensão da anima, presente no homem e na mulher. Produziu e continua produzindo uma acirrada discussão especialmente nos EUA entre a ética de base patriarcal centrada no tema da justiça e a ética de base matriarcal assentada no cuidado essencial.</p>
<p>Ganhou força especial na discussão ecológica, constituindo uma peça central da Carta da Terra. Cuidar do meio-ambiente, dos recursos escassos, da natureza e da Terra se tornaram imperativos do novo discurso. Por fim, viu-se o cuidado como definição esencial do ser humano, como é abordado  por Martin Heiger em Ser e Tempo recolhendo uma tradição que remonta aos gregos, aos romanos e aos primeiros pensadores cristãos como São Paulo e Santo Agostinho.</p>
<p>Constata-se outrossim que a categoria cuidado vem ganhando força sempre que emergem situações críticas. É ele que impede que as crises se transformem em tragédias fatais.</p>
<p>A Primeira Grande Guerra (1914-1918), desencadeada entre paises cristãos, destruira o glamour ilusório da era vitoriana e produziu profundo desamparo metafísico. Foi quando Martin Heidegger(1889-1976) escreveu seu genial Ser e Tempo (1929), cujos parágrafos centrais (§ 39-44) são dedicados ao cuidado como ontologia do ser humano.</p>
<p>Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), despontou a figura do pediatra e psicólogo D. W. Winnicott (1896-1971) encarregado pelo governo inglês para acompanhar crianças órfãs ou vítimas dos horrorres dos bombardeios nazistas sobre Londres. Desenvolveu toda uma reflexão e uma prática ao redor dos conceitos de cuidado  (care), de preocupação pelo outro (concern) e de conjunto de apoios a crianças ou a pessoas vulneráveis (holding), aplicáveis também aos processos de crescimentoz e de educação.</p>
<p>Em 1972 o Clube de Roma lançou o alarme ecológico sobre o estado doentio da Terra. Identificou a causa principal: o nosso padrão de desenvolvimento, consumista, predatório, perdulário e totalmente sem cuidado para com os recursos escassos da natureza e os dejetos produzidos. Depois de vários encontros organizados pela ONU a partir dos anos 70 do século passado, chegou-se à proposta do um  desenvolvimento sustentável, como expressão  do cuidado humano pelo meio ambiente mas centrado especialmente no aspecto econômico.</p>
<p>O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) elaboraram em 1991 uma estratégia minuciosa para o futuro do planeta sob o signo Cuidando do Planeta Terra (Caring for the Earth 1991). Ai se diz: A ética do cuidado se aplica tanto a nivel internacional como  a níveis nacional e individual; nenhuma nação é auto-suficiente; todos lucrarão com a sustentabilidade mundial e todos estarão ameaçados se não conseguirmos atingi-la.</p>
<p>Em março de 2000, recolhendo esta tradição, termina em Paris, depois de oito anos de trabalho a nível mundial, a redação da Carta da Terra. A categoria sustentabilidade,  cuidado ou o modo sustentável de viver constituem os dois eixos articuladores principais do novo discurso ecológico, ético e espiritual.  Em 2003 a UNESCO assumiu oficialmente a Carta da Terra e a apresentou como um substancial instrumento pedagógico para a construção responsável de nosso futuro comum.</p>
<p>Em 2003 os Ministros ou Secretários do meio ambiente dos países da América Latina e do Caribe elaboram notável documento Manifesto pela vida, por uma ética da sustentabilidade   onde a categoria cuidado é incorporada na idéia de um desenvolvimento para que seja efetivamente sustentável e radicalmente humano.</p>
<p>O cuidado está especialmente presente nas duas pontas da vida: no nascimento e na morte. A criança sem o cuidado não existe. O moribundo precisa do cuidado para sair decentemente  desta vida.</p>
<p>Quando desponta alguma crise num grupo gerando  tensões e divisões, é a sabedoria do cuidado  o caminho mais adequado para ouvir as partes, favorecer o diálogo e buscar convergências. O cuidado se impõe quando irrompe alguma crise de saúde que exige internação hospitalar. O cuidado é posto em ação por parte dos médicos, médicas, dos enfermeiros e enfermeiras, decidindo sobre o que melhor fazer.</p>
<p>O cuidado é exigido em praticamente todas as esferas da existência, desde o cuidado do corpo, da vida intelectual e espiritual, da condução geral da vida até ao se atravessar uma rua movimentada, Como já observava o poeta romano Horácio, “o cuidado é aquela sombra que  nunca nos abandona porque somos feitos a partir do cuidado”.</p>
<p>Hoje dada a crise generalizada seja social seja ambiental, o cuidado torna-se imprescindível para preservarmos a integridade da Mãe Terra e salvaguardar a continuidade de nossa espécie e de nossa civilização.</p>
<p><strong>Leonardo Boff</strong> - <em>Teólogo/Filósofo</em></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>SEGREDOS DAS PESSOAS QUE NUNCA ADOECEM</title>
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		<pubDate>Sun, 13 May 2012 22:01:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>giba</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Cinco povos ao redor do mundo se destacam pela longevidade: eles vivem, em média, dez anos a mais do que o restante da humanidade. Conheça agora seus principais hábitos de viver:</p>
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As   respostas estão no livro Os segredos das pessoas que nunca ficam doentes,   recém-lançado nos EUA. Em suas andanças, Stone percebeu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cinco povos ao redor do mundo se destacam pela longevidade: eles vivem, em média, dez anos a mais do que o restante da humanidade. Conheça agora seus principais hábitos de viver:</p>
<p><span id="more-3518"></span></p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="725">
<tbody>
<tr>
<td><strong>As   respostas estão no livro Os segredos das pessoas que nunca ficam doentes,   recém-lançado nos EUA. Em suas andanças, Stone percebeu que cinco povos eram   os mais saudáveis: a Barbagia, na Itália; Okinawa, no Japão; a comunidade dos   Adventistas do Sétimo Dia, na Califórnia; a Península de Nicoya, na Costa   Rica; e a ilha grega de Ikaria.</strong><strong>Outro americano, Dan   Buettner, escreveu sobre o tema em um livro que virou best-seller: Blue   Zones: lições de pessoas que viveram muito para quem quer viver mais. Ambos   os autores nos ajudaram a traduzir as experiências dessas pessoas. Confira 50   dicas eficazes, comentadas por 21 especialistas brasileiros</strong>.</p>
<p><strong>1</strong><strong>. Beber</strong><strong> </strong><strong>água mesmo</strong><strong> </strong><strong>sem ter</strong><strong> </strong><strong>sede&#8217;</strong></p>
<p>A água está para o corpo humano assim como o   combustível para o carro. Isso porque, sem manter os nossos níveis   hídricos sempre abastecidos, todo o organismo sofre. O líquido ajuda a   aumentar a saciedade, evitando compulsões que podem levar ao sobrepeso e ao   aparecimento de diversas doenças, ao mesmo tempo que mantém a saúde do   sistema renal. &#8220;É o baixo consumo de água que resulta em urina   concentrada e na maior precipitação de cristais, justamente o que leva à formação das   pedras nos rins&#8221;, adverte a nutricionista amanda epifânio Pereira, do   Centro Integrado de Terapia Nutricional. sucos naturais, chás e água de coco   também podem ser usados.</p>
<p><strong>2</strong><strong>. Ir ao dentista regularmente</strong></p>
<p>A boca é como um espelho a refletir a saúde   do organismo. Daí a importância de permitir que um profissional a examine a   cada seis meses. &#8220;Muitas doenças sistêmicas, como diabetes, alterações   hormonais e lesões cancerígenas podem ser detectadas numa consulta de   rotina&#8221;, diz o periodontista Cesário Antonio Duarte, professor da   Universidade de São Paulo   (USP). Além disso, o tratamento das cáries deixa o organismo protegido contra   inúmeras doenças. &#8220;Cáries não tratadas podem se tornar a porta de   entrada para micro-organismos, que poderão atingir órgãos nobres como   coração, rins e pulmões&#8221;, alerta o especialista.</p>
<p><strong>3</strong><strong>. Ingerir mais nozes</strong></p>
<p>Bateu aquela fome de fim de tarde?   Experimente comer duas unidades de nozes todos os dias. Esse é um dos   segredos dos Adventistas da Califórnia. Cerca de 25% deles comem nozes cinco   vezes por semana. E diminuíram pela metade o risco de problemas cardíacos.</p>
<p><strong>4</strong><strong>. Temperar com alho</strong></p>
<p>&#8220;Ele melhora a saúde do coração,   diminui os níveis de colesterol, a pressão arterial e potencializa as nossas   defesas&#8221;, afirma a nutricionista funcional Gabriela Soares Maia.</p>
<p><strong>5</strong><strong>. Comprar alimentos regionais</strong></p>
<p>Se puder privilegiar alimentos produzidos na   sua região, sua saúde sairá ganhando. Isso porque os produtos da safra, que   não recebem uma grande quantidade de conservantes, em geral, são muito mais   ricos em    nutrientes. Agora , se você puder ir pessoalmente à feira   ou à quitanda do bairro, tanto melhor.</p>
<p><strong>6</strong><strong>. </strong><strong>Comer mais</strong><strong> </strong><strong>frutas</strong></p>
<p><strong> </strong>Aumentar   o consumo de produtos de origem vegetal é uma das medidas mais significativas   na prevenção de doenças crônicas. A prática foi observada em pelo menos   quatro das cinco Blue Zones e é fácil entender o porquê. &#8220;Frutas,   legumes e verduras possuem uma quantidade de vitaminas antioxidantes, boas   gorduras e fibras que supera em muito a dos alimentos industrializados&#8221;,   diz Isis Tande da Silva, do Ganep Nutrição Humana.</p>
<p><strong>7</strong><strong>. Aprender a   planejar</strong></p>
<p><strong> </strong>A   tensão constante é extremamente prejudicial à saúde. &#8220;Ela afeta o   funcionamento do sistema nervoso, hormonal e imunológico&#8221;, alerta o   psicólogo Armando Ribeiro das Neves Neto, professor da USP. Uma boa maneira   de controlar essas reações é não deixar todos os compromissos para a última   hora. &#8220;Acostume-se a anotar suas pendências em uma lista&#8221;, diz o   especialista em produtividade pessoal Christian Barbosa.</p>
<p><strong>8</strong><strong>. Fracionar a   dieta</strong></p>
<p><strong> </strong>Comer   mais vezes ao dia e optar por porções menores é um jeito inteligente de   manter o peso estável. &#8220;Os jejuns prolongados desencadeiam uma fome tão   intensa que é fácil se exceder nas refeições&#8221;, explica a   endocrinologista Ellen Simone Paiva, do Centro Integrado de Terapia   Nutricional. Quando dividimos a nossa alimentação diária em cinco ou seis refeições,   também estamos dando uma forcinha ao processo de digestão e ao intestino,   evitando sobrecargas.</p>
<p><strong>9</strong><strong>. Aproveitar o   contato com a natureza</strong></p>
<p><strong> </strong>Sinta o   cheiro da grama molhada, escute os pássaros, sente-se na sombra de uma   árvore&#8230; Pratique essa terapia sempre que possível, já que ela é altamente   relaxante. &#8220;A vegetação transfere umidade ao ar e, portanto, o ambiente   fica ionizado negativamente. Isso provoca uma reação química no organismo,   gerando uma sensação de muita calma&#8221;, explica a arquiteta Pérola Felipetti   Brocanelli, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie. A psicóloga Solange Martins   Ferreira, do Hospital Santa Catarina, garante que as atividades ao ar livre   também contribuem para recuperação de pacientes: &#8220;Quando observam a   natureza, eles tiram a atenção da doença&#8221;.</p>
<p><strong>10</strong><strong>. </strong><strong>Levantar</strong><strong> </strong><strong>peso</strong></p>
<p>A ideia   não é apenas ficar forte. &#8220;Um dos principais benefícios é o aumento da   densidade óssea, auxiliando na prevenção da osteoporose e na reversão da   sarcopenia (diminuição no número de sarcômero, a unidade do músculo   esquelético). Isso evita a incapacidade funcional, muito comum em idades   avançadas&#8221;, diz Ricardo Zanuto, fisiologista e professor de Educação   Física das Faculdades Integradas de Santo André.</p>
<p><strong>11</strong><strong>. Ser um voluntário</strong></p>
<p><strong> </strong>Se você   ainda não conseguiu um tempo para isso, é bem provável que não tenha   encontrado a causa certa. &#8220;Quando se apaixonar de verdade por um   trabalho social, acabará colocando-o na lista de prioridades&#8221;, garante o   especialista em produtividade pessoal Christian Barbosa. &#8220;Dedicar uma   noite por semana já é um bom começo&#8221;, diz Dan Buettner.</p>
<p><strong>12</strong><strong>. Celebrar a vida</strong></p>
<p><strong> </strong>Não   espere algo de extraordinário acontecer, mas acostume-se a comemorar as   pequenas vitórias. Essa é a receita de longevidade dos italianos que vivem na   Sardenha, uma das Blue Zones. Eles chamam a atenção pela disposição que têm   para festejar tudo e todos.</p>
<p><strong>13</strong><strong>. Cultivar a sua   fé</strong></p>
<p><strong> </strong>&#8220;A   religião empresta sentido às buscas e conquistas do ser humano, dá uma nova   dimensão às vitórias e também às perdas. Além disso, orienta e ajuda as   pessoas a tomar decisões difíceis&#8221;, explica Jorge Claudio Ribeiro,   professor de Teologia da PUC-SP.</p>
<p><strong>14</strong><strong>. Trocar o café   pelo chá-verde</strong></p>
<p><strong> </strong>Ainda   que você precise do café para acordar, faça a substituição. Afinal, o   cháverde também contém cafeína, que funciona como estimulante. O bom é que   ele oferece outros extras. &#8220;Diversos estudos mostram que a bebida atua   na prevenção e no tratamento de doenças como Alzheimer e Parkinson&#8221;,   afirma a nutricionista Andréia Naves.</p>
<p><strong>15</strong><strong>. Pegar leve com   as carnes vermelhas</strong></p>
<p><strong> </strong>Embora   sejam importantes fontes de ferro, são alimentos de difícil digestão e,   portanto, retardam o funcionamento intestinal. Então, se você é do tipo que   não pode viver sem um bifinho, contente-se com um filé médio por dia.</p>
<p><strong>16</strong><strong>. Praticar mais atividade aeróbica</strong></p>
<p>Pode   ser uma caminhada ou uma corrida. Esse tipo de exercício tem impacto direto   sobre os fatores de risco associados à hipertensão, ao diabetes e à   obesidade. &#8220;A prática regular melhora a força e a flexibilidade,   fortalece ossos e articulações, facilita a perda de peso e diminui o   colesterol&#8221;, afirma Zanuto.</p>
<p><strong>17</strong><strong>. Encontrar a sua   tribo</strong></p>
<p><strong> </strong>Se você   gosta de esportes, certamente irá sentir-se bem com amigos que também gostam.   Portanto, faça um esforço para encontrar pessoas com quem possa compartilhar   e trocar ideias. &#8220;Uma das atitudes mais importantes para garantir a   longevidade é cercar-se de pessoas que vão lhe dar suporte e que conectam ou   reconectam você com o sentido maior que você dá à sua vida&#8221;, diz Dan   Buettner.</p>
<p><strong>18</strong><strong>. Ser agradável</strong></p>
<p><strong> </strong>Facilita   a convivência social e cria vínculos com pessoas que poderão apoiá-lo quando   necessário. Mas como tornar-se uma pessoa agradável? O autor Dan Buettner é   quem responde: &#8220;Para isso, é preciso ser interessado e não apenas   interessante. Pessoas simpáticas perguntam a você como está em vez de falarem   apenas de si mesmas&#8221;.</p>
<p><strong>19</strong><strong>. Definir seus   objetivos</strong></p>
<p><strong> </strong>É o que   os moradores de Okinawa chamam de ikigai e os habitantes de Nicoya nomeiam de   plano de vida. Seja como for, o fato é que eles têm muito bem definidas as   suas razões de viver e investem nesses propósitos.</p>
<p><strong>20</strong><strong>.</strong><strong> </strong><strong>Conhecer melhor a   ioga</strong></p>
<p><strong> </strong>Ela une   princípios da meditação, exercícios para o equilíbrio, alongamento e o   treinamento de força, com foco na respiração. Tudo isso graças à execução de   movimentos sequenciados. &#8220;A ioga é ótima para a longevidade, porque   fortalece os músculos e ligamentos. Então, os movimentos tornam-se mais   fluidos e seguros. A prática tem ainda um efeito importante na redução do   estresse&#8221;, diz Dan Buettner.</p>
<p><strong>21</strong><strong>. Guardar o despertador na gaveta</strong></p>
<p><strong> </strong>Dormir   bem significa dar ao corpo a chance de se recompor totalmente. &#8220;Se você   se deita, dorme logo e acorda bem disposto, pode dizer que tem um sono de   qualidade&#8221;, ensina o neurofisiologista Flavio Alóe, do Centro de Estudos   do Sono do Hospital das Clínicas (SP). Quem não tem, corre um risco muito   maior de adoecer. &#8220;Aqueles que dormem pouco podem ter um aumento do   colesterol e dos triglicérides&#8221;, complementa Alóe.</p>
<p><strong>22</strong><strong>. Apostar nos   integrais</strong></p>
<p><strong> </strong>Não   basta comer pão integral. Com um pouco de criatividade, é possível incluir a   farinha e aveia integrais na preparação de inúmeros pratos. Quer um bom   motivo para fazer isso? Pois saiba que os alimentos não processados oferecem   um aporte muito maior de nutrientes. &#8220;No processo de refinamento, o   germe dos grãos são retirados, restando praticamente o amido&#8221;, explica a   nutricionista Patrícia Morais de Oliveira, do Ganep.</p>
<p><strong>23</strong><strong>. Pensar na sua   vocação</strong></p>
<p><strong> </strong>Fazer o   que gosta é uma forma eficiente de afastar o estresse. Além disso, é   interessante que o seu tipo de trabalho seja capaz de fazê-lo sentir-se   realizado. Por último, saiba que aquele que se empenha em uma carreira para a   qual há um sentido profundo, além da manutenção da renda, se sente mais   motivado a investir na atualização dos conhecimentos. E estudar, como já   vimos, é um santo remédio para o cérebro.</p>
<p><strong>24</strong><strong>. Doar seus pratos   grandes</strong></p>
<p><strong> </strong>A   população de Okinawa descobriu um jeito de comer 30% menos: eles utilizam   pratos de apenas 23 cm de diâmetro. &#8220;Há experiências promissoras sendo   realizadas por meio da restrição calórica orientada, que já se mostrou capaz   de aumentar o tempo de vida de animais de laboratório em 60%&#8221;, afirma   Ellen Paiva.</p>
<p><strong>25</strong><strong>. Ter atitudes   positivas</strong></p>
<p><strong> </strong>&#8220;As   emoções fazem parte daquilo que somos e, portanto, são capazes de provocar   reações físicas muito claras. As positivas curam e determinam uma maior e   melhor qualidade de vida&#8221;, diz Armando Ribeiro das Neves Neto.</p>
<p><strong>26</strong><strong>. Emagrecer a despensa</strong></p>
<p><strong> </strong>Na hora   da compra, elimine os alimentos que possuem qualquer quantidade de gordura   trans e evite os que contêm gorduras saturadas. E por um motivo simples: as   chamadas gorduras ruins têm relação com o aumento dos níveis de colesterol   LDL e triglicérides, fazendo crescer o risco de infarto e de acidente   vascular cerebral. &#8220;Além dos industrializados, convém tomar cuidado com   os alimentos de origem animal, como carnes gordas&#8221;, alerta a   nutricionista Andréia Naves, da VP Consultoria Nutricional.</p>
<p><strong>27</strong><strong>. </strong><strong>Saber como</strong><strong> </strong><strong>usar a soja</strong></p>
<p><strong> </strong>Em   Okinawa, no Japão, o consumo de produtos da soja é o maior de todo o mundo. O   resultado? Dos cerca de 1 milhão de habitantes locais, mais de 900 pessoas já   passaram dos 100 anos. &#8220;O consumo frequente reduz os riscos de doenças   cardiovasculares&#8221;, afirma a nutricionista Renata C. C. Gonçalves, do   Ganep.</p>
<p><strong>28</strong><strong>. Estudar sempre</strong></p>
<p><strong> </strong>Manter   as atividades intelectuais é uma maneira de garantir anos extras de vida e   muito mais saúde, principalmente nas idades avançadas. &#8220;Exercitar o   cérebro vai deixá-lo mais protegido contra doenças. Na prática, isso   significa um risco menor de limitações físicas, mesmo se algo der errado   porque, nesse caso, a recuperação será muito melhor&#8221;, explica o   neurologista André Gustavo Lima, do Hospital Barra D´or.</p>
<p><strong>29</strong><strong>. </strong><strong>Ter um dia só</strong><strong> </strong><strong>para você</strong></p>
<table border="0" cellspacing="4" cellpadding="0" width="150" align="right">
<tbody>
<tr>
<td></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Os Adventistas do Sétimo Dia que vivem em Loma Linda , na   Califórnia, recolhem-se em suas casas aos sábados e aproveitam a ocasião para   meditar e orar. E esse parece ser mais um bom hábito que poderíamos nos   esforçar em copiar.    Afinal , essas pessoas vivem de cinco a dez anos mais que o   resto da população americana. &#8220;Se for impossível fazer isso, tente   conseguir pelo menos 15 a 20 minutos por dia para não fazer nada, ou melhor,   para pensar apenas. É como marcar uma reunião consigo mesmo&#8221;, diz   Christian Barbosa</p>
<p><strong>30</strong><strong>. Apagar o cigarro</strong></p>
<p><strong> </strong>Quem   tem menos 40 anos e fuma até 20 cigarros por dia tem quatro vezes mais   chances de infartar. Agora, se o consumo for maior, o risco sobe 20 vezes. A   explicação é simples: as substâncias do cigarro levam à contração dos vasos   sanguíneos, à aceleração dos batimentos cardíacos, além abaixar o HDL, que   age como um protetor das artérias.</p>
<p><strong>31</strong><strong>. Ouvir a sua música</strong></p>
<p><strong> </strong>A   musicoterapeuta Maristela Smith, das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU),   tem uma receita interessante para quem quer tirar proveito da terapia da   música. &#8220;Faça um CD com as músicas que marcaram positivamente a sua vida   para criar a sua identidade sonora musical. Escute-o regularmente,   principalmente quando estiver precisando melhorar o astral&#8221;, ensina a   especialista.</p>
<p><strong>32</strong><strong>. Respirar com   consciência</strong></p>
<p><strong> </strong>Quando   estiver precisando relaxar ou desacelerar seu ritmo, faça a respiração   completa. &#8220;Inspire calmamente o ar pelo nariz, contando três segundos.   Então, bloqueie a respiração por um tempo, retendo o ar, e expire pela boca   em seis segundos. Assim, você estará atuando diretamente sobre o sistema   nervoso autônomo&#8221;, ensina o educador físico Estélio Dantas, professor da   Universidade Federal do Estado do    Rio de Janeiro.</p>
<p><strong>33</strong><strong>. Curtir os   animais</strong></p>
<p><strong> </strong>Mesmo   que não possa ter um em casa, descubra aqueles com os quais possui mais   afinidades e dê a si mesmo a oportunidade de tocá-los. Para a veterinária   Maria de Fátima Martins,   professora de Zooterapia da USP, a convivência com os bichos é uma rica fonte   de benefícios psicológicos, físicos e sociais. Ela coordena uma experiência   de terapia assistida com animais em asilos. &#8220;O contato com os animais   tem melhorado a vida dessas pessoas. Para alguns idosos, a experiência foi   tão positiva que eles chegaram a diminuir o número de medicamentos que   tomavam&#8221;, conta.</p>
<p><strong>34</strong><strong>. Ser muito mais   ativo</strong></p>
<p><strong> </strong>Comece   descendo alguns pontos antes do ônibus. Fazer mais atividades a pé ou de   bicicleta, cozinhar, cuidar do jardim, brincar com o seu cachorro, todas   essas maneiras de se mexer são válidas. &#8220;Um dos segredos da longevidade   é encontrar meios de se manter sempre em movimento. De   preferência, concentre-se em atividades que também lhe dão prazer, e os   benefícios serão maiores&#8221;, sugere Dan Buettner.<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong>35</strong><strong>. Desacelerar o   ritmo</strong></p>
<p>&#8220;Se   você não cria um tempo para estar bem, terá que ter tempo para se cuidar   quando ficar doente&#8221;, alerta Dan Buettner. O primeiro estágio do   estresse é a fase de alerta. Ele nos permite realizar muitas tarefas em pouco   tempo e aí nos sentimos bem. Porém, quando persistimos na tensão, o organismo   entra em fadiga.</p>
<p><strong>36</strong><strong>. Comer mais iogurtes</strong></p>
<p><strong> </strong>&#8220;Eles   reforçam a nossa imunidade&#8221;, explica a nutricionista Gabriela Maia, da   Clínica Patricia Davidson Haiat. O que as bactérias vivas contidas nesses   potinhos também fazem é melhorar o nosso humor. Afinal, é o intestino que   responde pela produção de 95% da serotonina de todo o corpo.</p>
<p><strong>37</strong><strong>. </strong><strong>Investir no</strong><strong> </strong><strong>ômega-3</strong></p>
<p>Peixes   de água fria (salmão, arenque, sardinha, atum), sementes de linhaça moídas e   óleos de peixe, de soja e de canola são ótimas fontes desse nutriente, que   tem ação comprovada na redução dos níveis de colesterol e de triglicérides,   além de ajudar no controle da pressão e de prevenir o risco de tromboses, que   danificam os vasos sanguíneos. O composto ainda é coadjuvante em tratamentos   neurológicos e de osteoporose.</p>
<p><strong>38</strong><strong>. Controlar o   álcool</strong></p>
<p><strong> </strong>A curto   e médio prazos, o álcool pode engordar, acelerar o processo de envelhecimento   e ainda aumentar a pressão arterial. A longo prazo, causa dependência e ainda   compromete o funcionamento de todos os sistemas do corpo, com danos mais   sérios para o fígado.</p>
<p><strong>39</strong><strong>. Brincar com as   crianças</strong></p>
<p><strong> </strong>É uma   excelente estratégia para tirar o foco das preocupações, aproximar a família   ou amigos e facilitar o contato intergeracional. E todos esses aspectos estão   associados à longevidade. Porém, para funcionar, é preciso que se tenha um   mínimo de afinidade com os pequenos.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>40</strong><strong>. </strong><strong>Construir o</strong><strong> </strong><strong>próprio jardim</strong></p>
<table border="0" cellspacing="4" cellpadding="0" width="150" align="right">
<tbody>
<tr>
<td></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Mexer com plantas e flores pode ser um hobby interessante e   saudável, desde que você realmente consiga tirar prazer da atividade.   &#8220;Esse tipo de passatempo é muito válido para prevenir o estresse, tanto   quanto fazer trabalhos manuais ou cozinhar. Só não pode virar rotina e   obrigação. Se a pessoa tem que cozinhar ou cortar a grama todos os dias, por   exemplo, isso passará a representar, na vida dela, mais uma fonte de tensão.   E aí os benefícios não virão&#8221;, explica Armando Ribeiro Neto.</p>
<p><strong>41</strong><strong>. Desfrutar do sol</strong></p>
<p><strong> </strong>Sentir   na pele o calor dos raios solares não é somente uma receita para adquirir   disposição e ânimo. Com cerca de 15 minutos de exposição, oferecemos ao corpo   algo que só o sol pode dar: a energia necessária para a síntese de vitamina   D. &#8220;O composto é importantíssimo na fixação de cálcio no organismo,   prevenindo a osteoporose, além de fortalecer o sistema imunológico&#8221;,   afirma a endocrinologista Bárbara Carvalho Silva, da Universidade Federal de   Minas Gerais.</p>
<p><strong>42</strong><strong>. Perdoar mais</strong></p>
<p><strong> </strong>&#8220;Para   envelhecer bem, é preciso olhar para a nossa trajetória de vida aceitando os   erros cometidos e desculpando-se por eles. Da mesma forma, é interessante   perdoar aos outros, percebendo que não fomos apenas vítimas&#8221;, diz a   psicóloga Dorli Kamkhagi, colaboradora do Laboratório dos Estudos do   Envelhecimento do Hospital das Clínicas (SP). &#8220;Perdoar é retirar objetos   pesados de uma mochila que carregamos&#8221;, compara.</p>
<p><strong>43</strong><strong>. Dar uma chance à   laranja</strong></p>
<p><strong> </strong>Uma   única unidade é capaz de prover a necessidade que o nosso corpo tem de   vitamina C a cada dia. &#8220;Protege contra o câncer, afasta aquela gripe   chata e até ajuda a pele a se recuperar mais rapidamente dos estragos   promovidos pelo sol&#8221;, diz a nutricionista Gabriela Soares Maia.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>44</strong><strong>. Alongar o corpo   todo</strong></p>
<p><strong> </strong>Os   problemas mais frequentes do aparelho locomotor, e que estão relacionados ao   envelhecimento, são a perda da mobilidade e a osteoporose. &#8220;O   alongamento, enquanto um treinamento da flexibilidade, é um dos principais   fatores de manutenção da autonomia funcional em idosos&#8221;, garante o   educador físico Estélio Dantas.</p>
<p><strong>45</strong><strong>. Cochilar após o   almoço</strong></p>
<p><strong> </strong>Na   Península de Nicoya, na Costa Rica, a sesta é um costume institucionalizado.   E, em muitas outras partes do mundo, as pausas para um cochilo também são   comuns. &#8220;Para quem dorme pouco, essa pode ser uma estratégia compensatória&#8221;,   diz o neurofisiologista Flavio Alóe. É como renovar as energias, antes de   recomeçar a jornada.</p>
<p><strong>46</strong><strong>. </strong><strong>Priorizar as</strong><strong> </strong><strong>pessoas amadas</strong></p>
<p><strong> </strong>Este é   outro ponto comum dos que vivem nas chamadas Blue Zones. &#8220;Eles contam   com famílias fortes e se apoiam mutuamente&#8221;, conta Dan Buettner.   Relações verdadeiras nos protegem de situações adversas.</p>
<p><strong>47</strong><strong>. Esquecer do sal</strong></p>
<p><strong> </strong>A   redução de seu consumo é imprescindível para prevenir e controlar a   hipertensão que, por sua vez, oferecem as condições favoráveis para que   inúmeros problemas de saúde progridam rapidamente, tais como a insuficiência   renal e as complicações cardíacas. &#8220;O sal em excesso faz o corpo reter   mais líquido, o que, além de causar inchaço, também aumenta o volume   sanguíneo, elevando a pressão nas artérias&#8221;, explica a nutricionista   Andréia Naves. Para passar bem longe desse drama, vale cortar o sal de   cozinha que adicionamos aos pratos durante a preparação, para colocá-lo   apenas no momento de consumir, e sempre usando o bom senso. Outra dica é   reduzir o consumo de condimentos, pratos prontos, embutidos ou enlatados.</p>
<p><strong>48</strong><strong>. Criar um tempo para a família</strong></p>
<p><strong> </strong>A união   e o apoio mútuo entre cônjuges, pais e filhos precisam certo investimento de   tempo e atenção. Mas como encontrar períodos livres para dedicar a essas   pessoas todo o carinho que merecem? &#8220;Vale programar um jogo que possam   fazer juntos, que permita confraternizar e trocar ideias&#8221;, diz Christian   Barbosa.</p>
<p><strong>49</strong><strong>. Usar as dicas   diariamente</strong></p>
<p><strong> </strong>Caminhar   só aos finais de semana ou encontrar mais tempo para os amigos apenas nos   períodos em que a rotina de trabalho sossega um pouco podem ser um bom   começo, na tentativa de transformar a sua vida para melhor. É preciso, porém,   garantir que mudanças pontuais se transformem em hábitos, para colher   resultados significativos no que diz respeito à saúde e à longevidade.   &#8220;As pessoas que eu conheci enquanto preparava o livro possuem diferentes   segredos, mas uma coisa que todas elas têm em comum é a disciplina; elas usam   seus segredos diariamente, ou seja, fazem da boa saúde uma prioridade, um   hábito mesmo&#8221;, finaliza Gene Stone.</p>
<p><em>Produção: Janaina   Rezende / Fotos Fabio Mangabeira e Shutterstock</em></p>
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