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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814</atom:id><lastBuildDate>Fri, 18 Dec 2009 07:31:46 +0000</lastBuildDate><title>Avesso do Avesso II</title><description>Um lugar de palavras no meio do nada...</description><link>http://avessodoavesso2.blogspot.com/</link><managingEditor>insensato.fs@gmail.com (insens)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>62</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/rss+xml" href="http://feeds.feedburner.com/AvessoDoAvessoIi" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com" /><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-8810789807234247413</guid><pubDate>Tue, 17 Mar 2009 13:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-19T19:55:52.249-03:00</atom:updated><title>Interrupção</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Por motivos diversos, ocupações de trabalho, financeiras, doença familiar, terei de interromper as postagens temporariamente. Aviso, para não ser injusto com quem vem fazer a visita e nada encontra escrito. Criar exige liberdade. Quando ela tiver retornado eu recomeço... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A criativade morre sempre que não tem condições plenas de se fazer. Agradeço aos anônimos(?) por sua contribuição, aos que se manifestaram, as que se encantaram e foram gentis e até amorosos. Perdão aos que gostavam verdadeiramente, com sinceridade e emoção ao ler, por lhes tirar, subitamente, essa oportunidade.  A vida mortal sempre se encarrega de destruir as fantasias e tirar o prazer até mesmo de fazer espaços como esses. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Espero que até aqui tenha valido a pena e tenha recompensado vocês. Aos que não gostaram de algo, ou não acharam bom os textos, minhas desculpas sinceras...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;Com todo afeto e carinho....por todos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-8810789807234247413?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/7np5bZIX7UI/interrupcao.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/03/interrupcao.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-2976094424642025681</guid><pubDate>Sat, 07 Mar 2009 21:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-07T18:52:41.636-03:00</atom:updated><title>Texto 57 - Olhares...</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Eu me cultivo debulhando miudezas. Debulho palavras como um lavrador que, na sua lavoura de seca, debulha as gotas de uma chuva como se fosse inundação, como quem debulha, no arreio da manhã, as vagens de feijão, para o cio de sua fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sou de mínimos recebimentos. Carrego o escasso na memória. Fiz-me em dar. O que me assoreia é não retribuir. Teço margens, agüento o tranco, passo dos limites, e, às vezes, me faço de desentendido, só pelo mistério de reinventar a pessoa amada. Enxergo, no que me é dado, por menor e sem adornos que seja, o ofertório dos deuses, por minhas pequenezas de homem e humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esmiúço o joio, cato, viro rendeira, para tecer do menor grão de trigo, o meu pão. Depuro as impurezas na bateia, para reter as notas de violino. Guardo as dores, as ofensas de boca e ato, amorteço-as, como quem cede seu corpo para as rosas necessárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que me dão, de pouco, é farto, e que me tiram, de farto, é nada. Afinal, ela apareceu de repente, inesperada  como uma miragem, mar e vela, linda e improvável, usando um vestidinho vermelho...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-2976094424642025681?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/2QZWlZ_bnT8/texto-57-olhares.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/03/texto-57-olhares.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-5511948272950454974</guid><pubDate>Thu, 26 Feb 2009 22:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-26T19:32:11.874-03:00</atom:updated><title>Texto 55 - As flores do meu coração</title><description>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Flores - Di Cavalcanti&lt;/span&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SacYOAVV_RI/AAAAAAAAAGo/MlMwcs0DxWc/s1600-h/flores-dicavalcanti.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307237314766175506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 187px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SacYOAVV_RI/AAAAAAAAAGo/MlMwcs0DxWc/s320/flores-dicavalcanti.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Eu sei, ainda não é outono e as folhas que enfeitaram os amores na primavera, agora são flores em outros corações, mas nos meus olhos já se anuncia a escassez da última estação. Trago, entretanto, flores tardias em meu peito. Nem todas, miram a luz do sol. Não constam dos catálogos dos biólogos, nem dos balcões das floristas. Cultivo espécimes únicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Algumas apenas mimetizam uma lembrança que envelhece à distância. Uma saudade. Outras apenas são uma tarde qualquer sob a chuva. E, algumas, são lírios de desejos carmins ou avencas esperançosas. Há, as delicadas, receosas, antigas flores machucadas, como soluços sem consolo, que não mais se abrem, como as esperanças dos amores inocentes. Há, entristecidas, as que morrem diariamente, por escassez de cuidados e abandonos. Mas, teimosamente, apesar de crer que o outono pode não ser um jardim às avessas, guardo flores no coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Escrevo velhas cartas de amor para ninguém, leio livros na varanda e a falta dela na primeira luz da manhã que atravessa minha consciência. Sonho ler todos os poemas e jogar gude tão bem quanto moleque. Bebo muito vinho e ilusões, diariamente, e isto me faz acreditar que não estou morto, mas, se duvidarem, exijo que beijem minha boca por longos dez minutos e, se eu reagir, me possuam enlouquecidamente como um milagre de sua própria existência, a regar as flores em meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adoro restaurante, gosto de pratos enfeitados com canela e besteiras, incorretas, na rua, como taboca, caldo de cana e maniçoba no mercado. Danço mal e já perdi mulher por isso, mas engano no forró, que adoro, como um chamado que ecoa lá na memória. Nado pior ainda, tenho colesterol elevado, mas sei andar de bicicleta, viro lobisomem na lua cheia, te garanto, mesmo que você seja incrédulo, e cio, mas, apesar de tudo, tenho leiras de flores no meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Produzo muito. Acho que sou criativo. Contei só histórias que inventei para meus filhos dormirem, velhas lendas, de amores impossíveis, em que só eu acreditei. E sempre achei que a sala de casa era para jogar bola, fazer corrida de saco, pega-pega, giro maluco e outras invenções que povoam minha alma de menino, nunca vasos e móveis para as visitas. É lá que, apesar dos protestos e um ou outro acidente com arranjos, nos cansamos e ficamos deitados e sujos, no granito frio, abraçados às flores do meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sou, essencialmente, emoção. E perdi o medo do choro. Sou péssimo em jogos, não gosto de matemática e falto de forma sistemática a ginástica. Uso óculos desde o canal de parto, sou alérgico a camarão, aviso desde já a quem me convida para jantar, pois já passei umas duas ocasiões devorando salada, sob a alegação de recomendação médica, urucubaca com mariscos, opção ecológica e coisas tais. Já passei dos quarenta e devo estar fora de moda, mas sei amar as palavras como ninguém e sonho flores no meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Amo as noites de lua, a volúpia dos seus feitiços, o pôr-do-sol que enfeita as moças, de graça, as coisas simples, o cheiro do rio lá na roça. Tenho períodos em que escolho roupas adequadas, outros não e dias que não calço meia por pura preguiça. Ainda creio que para sempre é possível e recomendo aos senhores que nunca deixem a mulher de sua vida lhe esperando para jantar e nunca durma, por maior que seja a zanga, sem perdão. Aprenda isso rápido, antes que seja tarde demais, pois temos todos, alambrados secretos nos jardins e o amor, por ser amor, não basta. Mas, ainda que eu esteja aprendendo a pertencer, tenho flores no meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoro conversar com velhas senhoras e nos apaixonamos reciprocamente. A última que amei assim foi Tia Regi, com sua ternura de fada madrinha, iluminada por candeeiros. Tenho facilidade com as crianças e aversão a chefes e poderosos, onde sempre se está a um passo da bajulação. Conto piadas razoavelmente, improviso e falo muito bem, mas sou ruim com dinheiro. Faço feira como uma boa dona de casa, mas detesto arrumar dispensa. Sei que, no outono, as folhas caem, secas, que os ossos doem feito poeira, mas tenho flores, que dizem te amo, eu meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que só os amores ensandecidos são capazes de cruzar o longo outono da convivência, por isto aprendi a amar com os loucos. Sei que estou envelhecendo, embora saiba, esperançosamente, que há mulheres que colecionam antiguidades, mas tenho as flores mais novas, inaugurais, que nunca haviam florescido, apavorando meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei, eu sei. Não é outono. Hoje é domingo. É verão. As folhas ainda sombreiam todos os destinos. E, agora, eu apenas espero, que alguém cuide das flores do meu coração...&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-5511948272950454974?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/OTxv2EX_kq8/texto-55-as-flores-do-meu-coracao.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SacYOAVV_RI/AAAAAAAAAGo/MlMwcs0DxWc/s72-c/flores-dicavalcanti.jpg" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/02/texto-55-as-flores-do-meu-coracao.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-6778916595318908804</guid><pubDate>Tue, 24 Feb 2009 10:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-17T10:26:36.706-03:00</atom:updated><title>Texto 54- Aniversário:o tempo, o tempo, o tempo...</title><description>Hoje............................................................... Ontem... &lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SaPLNpIYuUI/AAAAAAAAAGI/ZZGQzbhq-P4/s1600-h/cesarComunhao.JPG"&gt;&lt;/a&gt;Aos leitores, obrigado. Opinem. Não se ocultem. Sem voçês eu não me refaço. Aos que, de fora do país ( Da China a Viena, Portugal, etc, etc,), também nos visitam, deixem um recado, uma opinião, mandem um mail, enfim se manifestem. Da opinião de todos é que posso medir se tem validade ou não continuar fazedno o blog, tecendo em textos o imaginário de vocês, se mudo o rumo. E, se quiserem, sugiram até um tema. Sei lá. Quem sabe sai um texto. Só não vale o silêncio... Basta um olá...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-6778916595318908804?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/w0VCcoOQfOE/texto-54-aniversarioo-tempo-o-tempo-o.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/02/texto-54-aniversarioo-tempo-o-tempo-o.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-8252972058387647806</guid><pubDate>Mon, 16 Feb 2009 10:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-16T09:37:28.864-03:00</atom:updated><title>Texto 52 - O jardim Avesso</title><description>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O jardim de Giverny - Monet&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SZldyK2kn3I/AAAAAAAAAF4/7HsNOv6545E/s1600-h/giverny+-monet.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303373152693559154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 284px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SZldyK2kn3I/AAAAAAAAAF4/7HsNOv6545E/s320/giverny+-monet.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Namorados, enamorados, namorai, enamorai-vos, que ainda é tempo. Ainda que mudem os planetas e queimem as florestas, enamorai-vos. Que o tempo, como diz o poeta, é quando. E o coração não conhece, sabemos todos, outro remédio que não morrer de amores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É preciso, mais que nunca, remar contra a maré, feito um insensato das convenções e regras. Que a maré, dizem os costumes, é contra o intenso. È rio sem força, talvegue de palmo, é sem estilo e sem destino. Que as relações são todas de balaio raso, de feitio sem enfeite, sem adereços, sem alegorias ou danças imaginárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Homens e mulheres olham-se apenas ao redor da cintura e adjacências como se vida tivesse currículo de posse construído na quantidade e não nos imponderáveis desatinos dos encontros improváveis.&lt;br /&gt;Devemos namorar, não os namoros seriais, mortais na banalidade, frágeis na sustentação da vida e de suas inevitáveis dores, limitados por todos os pontos cardeais, tão mortais que sequer merecem um canto da memória. Tão comuns que apenas não passam de amores canibais a devorar a santidade do corpo feminino e a biografia dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos amar com que ora, atendido pelos deuses, diante daquela mulher improvável, de tão linda. Tão incerta quanto a luz de uma estrela que se desfez há milhões de anos, tão real quanto o milagre de sua boca, dizendo seu nome, se oferecendo como um beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando ela dançar nua, dentro de seu vestido, e os cabelos oscilarem como um feitiço ancestral, quando suas orelhas se enfeitarem de brincos grandes, e as chamas devorarem as roupas de suas vestes, quando tiverem lido todas as palavras de todos os livros, de todos os tempos e tiverem aprendido a dizer te amo em todas as línguas e dialetos, enfim, se pertençam, inevitáveis que são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, aí sim, o corpo em comunhão e febre, fará de cada um a redenção do outro, irrepetível, atemporal, ilimitado e inesquecível. Porque é preciso amar, ao menos uma vez, um homem ou uma mulher, como quem não sabe dizer adeus. Como quem nunca vai poder dizer adeus. Ainda que a vida, ou os erros, os separe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso amar como quem tece o fio da vida na existência do outro, no abraço de seu sono, com quem ao dormir se dilui e se infiltra nos poros da pele do parceiro e se tatua no seu corpo inteiro para a distância do momento seguinte, porque sabe que para amar sequer é preciso estar junto. É necessário, apenas, permanecer, porque nada mais irá bastar ou satisfazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, deixe-se surpreender, quando ele, ou ela, vier. E, embora erremos e amemos enganos, que nem valem a inocência dos apaixonados e o que damos, e nem sabem receber, devemos amar certos amores como quem faz uma leira, ceva e fertiliza a terra onde o outro pisa e a cuida diariamente, com flores e um jeito de olhar que só você terá, como só pode fazer um jardineiro fiel. A amar, e se deliciar de amar, o seu jardim do avesso. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-8252972058387647806?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/AYK8DhEywlY/texto-52-o-jardim-avesso.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SZldyK2kn3I/AAAAAAAAAF4/7HsNOv6545E/s72-c/giverny+-monet.bmp" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/02/texto-52-o-jardim-avesso.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-7625300976193623533</guid><pubDate>Mon, 09 Feb 2009 15:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-09T13:46:51.262-02:00</atom:updated><title>texto 51 - Ilusões</title><description>Não é o que tenho que me pertence.&lt;br /&gt;Nem os seios que margeio&lt;br /&gt;Ou o que tem endereço&lt;br /&gt;e boca vândala de promessas.&lt;br /&gt;Nem o que tenho guardado&lt;br /&gt;-teu ouro do melhor-&lt;br /&gt;ou o que me é dado&lt;br /&gt;no leito, altar dos sacrifícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é o que tenho que me pertence,&lt;br /&gt;pois meu verdadeiro é só o que me iludo ter.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-7625300976193623533?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/4iclSILrPvs/texto-51-ilusoes.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/02/texto-51-ilusoes.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-7735454821463835115</guid><pubDate>Thu, 05 Feb 2009 21:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-05T19:36:24.827-02:00</atom:updated><title>Texto 50- A flor do meu avesso...</title><description>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Mulher - Riolan Coutinho&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SYtbmRcNr-I/AAAAAAAAAFw/gVElNHn303w/s1600-h/Mulher.+Riolan+Coutinho.+Pastel+sobre+papel.+70+x+50+cm,+1981+-+Reprodu%C3%A7%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299430099606417378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 246px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SYtbmRcNr-I/AAAAAAAAAFw/gVElNHn303w/s320/Mulher.+Riolan+Coutinho.+Pastel+sobre+papel.+70+x+50+cm,+1981+-+Reprodu%C3%A7%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sei que virá. Pois é tua sina, o eterno retorno. Indultaremos-nos da condenação ao relento, ao pântano das ausências, com suas flores amorfas. Das ruínas do impossível surgirá linda, a alma tatuada de esperanças, o destino marcado para pertencer, as febres eriçando os pelos, a fome de retirante a espera de ser saciada. E surgirá de uma beleza indescritível, a língua com novos dialetos, a linha de meu horizonte na curva dos lábios, o riso de gerar chuvas de espanto e amores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu me prenderei ao anzol de teu cio e não respeitarei as hierarquias de teu corpo e me deixarei em exilo no fluxo das marés de teu ventre. Descansarei no vão de teus seios - animal alado em vôo-, da luta de incriminar as rotas de teu corpo, navegadas sem cais e ordem, das indecências de nosso amor. Eu te sagrarei santa, e tu pecará, pelo meu prazer. Eu me farei devasso para resgatar a porção clandestina de tuas vontades e tu se vestirás de açucenas e lírios e terá cheiro de banho e lavanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na vertigem abissal de tua dança de acasalamento e sedução, e na fartura precisa e exata de tua forma, inscreverei as escrituras de tua permanência, e com o alfabeto de teus encantos, e o sargaço do mar de liames que banha teus olhos, tecerei a cartilha por onde irei rezar. Tu deixarás pai e mãe e eu deixarei pai e mãe, porque a vida se despedaça na tua falta. Inaugurarei tua dinastia, e nos guiaremos pelos luares, para evitar o carpir das despedidas e dos desencantos comuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Urdirei tua vida como minha casa, construída peça por peça, e untarei tua pele de meu desejo. Na lavoura de nos amarmos, infindáveis, farei abrigos para te proteger. E cuidarei dos rumores de tuas dores, como minha vindima. Velarei teu sono com o abandono dos amados e quando me acordar, por vontade, saudade, medo da morte ou do fim, e nos jogarmos abraçados nos delitos de nossas bocas insensatas eu saberei enfim, em paz, que você é a flor mais bonita e derradeira do meu avesso. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-7735454821463835115?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/oWhAehD205I/texto-50-flor-do-meu-avesso.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SYtbmRcNr-I/AAAAAAAAAFw/gVElNHn303w/s72-c/Mulher.+Riolan+Coutinho.+Pastel+sobre+papel.+70+x+50+cm,+1981+-+Reprodu%C3%A7%C3%A3o.jpg" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/02/texto-50-flor-do-meu-avesso.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-8169860735843926796</guid><pubDate>Sat, 31 Jan 2009 23:53:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-04T08:14:02.735-02:00</atom:updated><title>A dança da vida...</title><description>saudades, saudades...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reduzi a saudade, mas o tempo e a criatividade empacaramm no texto 50. Mas eu volto...rss&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-8169860735843926796?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/iTQQzeftXYo/danca-da-vida.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/01/danca-da-vida.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-316497414862519985</guid><pubDate>Fri, 30 Jan 2009 00:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-29T22:23:27.097-02:00</atom:updated><title>Texto 49 - Inventário</title><description>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Modigliani - Nu Deitado&lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SYJIQbzY16I/AAAAAAAAAFg/l01Apib24yI/s1600-h/modigliani1-nudeitado.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296875558919526306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 234px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SYJIQbzY16I/AAAAAAAAAFg/l01Apib24yI/s320/modigliani1-nudeitado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Das minhas dores mais longas,&lt;br /&gt;desbagoarei os gomos,&lt;br /&gt;pra atender à fome dos cães.&lt;br /&gt;Meu olhar sem escamas,&lt;br /&gt;e a senha de teu corpo,&lt;br /&gt;pode levar ou esquecer:&lt;br /&gt;não me cabe guardar inocências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As fraquezas, inclusive&lt;br /&gt;meu choro de homem&lt;br /&gt;e aquela noite, era outubro,&lt;br /&gt;serão minhas, no inventário.&lt;br /&gt;As demais miudezas: lençóis,&lt;br /&gt;projetos inacabados, risos,&lt;br /&gt;guardemos, nos inúteis da memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do que sou, ao fim,&lt;br /&gt;serei sempre, exílio. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-316497414862519985?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/1jXoUUfdzBI/texto-49-inventario.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SYJIQbzY16I/AAAAAAAAAFg/l01Apib24yI/s72-c/modigliani1-nudeitado.jpg" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/01/texto-49-inventario.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-2003448128198432</guid><pubDate>Tue, 27 Jan 2009 11:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-09T23:16:49.535-02:00</atom:updated><title>Texto 48 - Desamor</title><description>Ela se vestia de lua,&lt;br /&gt;semeava gerânios nos meus presságios&lt;br /&gt;e lançava seus desatinos aos longos&lt;br /&gt;cabelos do meu desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sua carne de receios&lt;br /&gt;alimentou os cães&lt;br /&gt;e outros desencantos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, enfim, poeira de ossos&lt;br /&gt;na minha memória,&lt;br /&gt;ela dança nua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poema premiado com segundo lugar no concurso nacional da revista literária Iararana&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-2003448128198432?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/otthpomqNvc/texto-48-desamor.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/01/texto-48-desamor.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-4627878259163323095</guid><pubDate>Thu, 22 Jan 2009 21:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-27T09:49:54.500-02:00</atom:updated><title>Texto 47 - Encilhamento</title><description>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Renoir - liseuse&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SXjkegp01MI/AAAAAAAAAFQ/Pbv86THXyh8/s1600-h/renoirliseuse.jpg.jpe"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5294232574786589890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 209px; CURSOR: hand; HEIGHT: 253px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SXjkegp01MI/AAAAAAAAAFQ/Pbv86THXyh8/s320/renoirliseuse.jpg.jpe" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sempre estivestes perdida&lt;br /&gt;de mim para mim mesmo.&lt;br /&gt;Se um dia viestes,&lt;br /&gt;com ares de quem fica,&lt;br /&gt;foi apenas para marcar&lt;br /&gt;o irremediável início&lt;br /&gt;de teus passos de ida.&lt;br /&gt;Nunca estivestes onde ficastes,&lt;br /&gt;e, inteira,&lt;br /&gt;fostes apenas na saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca te possuí, pois,&lt;br /&gt;partida, quando viestes,&lt;br /&gt;era apenas a que já se tinha ido. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De amanhã até segunda estou indisponivel em Barra Grande- Taipu de Fora...Praia e vinho, vinho e praia....Bom fds...amo vocês...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-4627878259163323095?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/1j0kqaQwBsU/texto-46-encilhamento.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SXjkegp01MI/AAAAAAAAAFQ/Pbv86THXyh8/s72-c/renoirliseuse.jpg.jpe" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/01/texto-46-encilhamento.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-1624526624330611970</guid><pubDate>Wed, 21 Jan 2009 11:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-27T18:28:27.369-02:00</atom:updated><title>texto 46 - Devaneio II</title><description>&lt;div align="justify"&gt;...e então, deixo que meu corpo nu, e urgente, se embaraçe no teu e inscrevo na tua pele o meu desejo. Faço de tua geografia, escarpas e mirantes, minha pátria, e teus gemidos o dialeto de meu ritmo. Deixo que a língua decifre, apure, sem pudor, tudo que há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deixo teus lábios dancem nos meus, cordillheira sendo escalada, lentamente, depondo as armas da permissão, as águas de sol e mel escorrendo e aquecendo a língua como bebida sagrada, geleira se derretendo para a promessa de inventar um mar inteiro, as margens entreabertas, as costas, o rêgo, o fardo de fêmea se ofertando. Percorro os anéis de Saturno ao avesso, como caça, vítima, algoz de gostos, enqaunto ouço teus pedidos devassos que os mãos invadam as concessões, as capitanias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando me toma, festa reciproca, e me lambe sem pressa, como te disse, enche a boca, sentindo-se gloriosa do poder que ela tem, do domínio que impõe, na fome, na gula, na dança que fará da gala nos teus lábios, como camada de sal, do que toma de gole, me faz saber que a porteira do céu se abre por teus lábios...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então nos beijamos feito desesperados, andarilhos das vontades e posses, o gosto um do outro na saliva, perpetuando-se, inimitável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E me largo, retorno infindável, entre tuas coxas, mortal abandonado a tua sanha, veneno, e deixo que a boca te coma toda, te coma, sem salvações, me deliciando com o gozo que me sagrará teu homem, posseiro, fio de linho a te trazer viva, do labirinto, e te inaugurar, meu perfeito amor... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-1624526624330611970?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/LxGYNdNfr7M/texto-46-devaneio-ii.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/01/texto-46-devaneio-ii.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-8694584444766066157</guid><pubDate>Mon, 19 Jan 2009 11:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-19T20:23:04.353-02:00</atom:updated><title>Texto 45 - Proposta...</title><description>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Crisantemos - Tarsila do Amaral&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SXT78ra7H2I/AAAAAAAAAE4/A36PmiT6MrQ/s1600-h/crisantemos-tarsila+do+amaral.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293132481933549410" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 198px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SXT78ra7H2I/AAAAAAAAAE4/A36PmiT6MrQ/s320/crisantemos-tarsila+do+amaral.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não sei quem tu és, mas te trarei gerânios e rosas únicas, diariamente, como acalanto de tuas delicadezas, e inventarei leiras de jardim, só como sesmaria de teu riso. E me perderei em tua vida deitando nas brancas naus de sal, de teus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estenderei, filho do sertão, que sou, minha esteira de licuri para que descanse tuas dores, antes ao relento, sem julgamentos, ou medidas. Farei altares de tudo que é lindo em você, e ofertório do último amor que me resta. Saberei que danças secretamente dentro de teus vestidinhos, uma dança imperceptivel, a quem não sagrou a paixão nas tuas formas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Beberemos vinho, bailaremos na chuva e faremos amor, ao amanhecer, nos tatuando e refazendo no corpo um do outro, para enfrentar a longa voragem do cotidiano. Comprarei o pão do dia, quente e familiar, e o repartiremos no jantar, como um novo milagre dos peixes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desaguaremos no mar e andaremos na areia da praia e das tentações, sem sandália, e inventaremos novas pegadas e cumplicidades. Eu serei tuas recusas e tu serás a minha. À noite, deixarei água na tua cabeceira, para que saiba que estou ao teu lado, nas tuas sedes e chocolate, pois há vontades que nem um homem pode atender nas mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, ainda que saiba que muitos homens podem devorá-la, e eu a outra, não faremos da cobiça o carpir do exílio. Amaremos, não como quem se sente acuado, entre temores, mas como quem anda nos quintais, e adormeçe nos braços do outro como se fosse a varanda de seus sonhos..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sei de amar com flores e amavios, fiando a mulher e deusa, feito devoto, só não sei aonde te encontro...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-8694584444766066157?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/PwHTpo_2Xx0/texto-45-proposta.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SXT78ra7H2I/AAAAAAAAAE4/A36PmiT6MrQ/s72-c/crisantemos-tarsila+do+amaral.jpg" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/01/texto-45-proposta.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-7409901854544909573</guid><pubDate>Fri, 16 Jan 2009 12:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-16T10:27:24.952-02:00</atom:updated><title>Texto 44 - Soneto a Mulher que não vem</title><description>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Mulher - Renoir&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SXB7y9QStWI/AAAAAAAAAEo/uW8pdrRkwrM/s1600-h/renoirwoman.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291865677526906210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 258px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SXB7y9QStWI/AAAAAAAAAEo/uW8pdrRkwrM/s320/renoirwoman.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tão fundo e imenso é o que espero&lt;br /&gt;que se é teu ou meu, o amor, já é incerto.&lt;br /&gt;Assim, ao tê-la, não me basto e desespero&lt;br /&gt;E, na ausência, me cabe outro deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, no milagre da carne, enfim&lt;br /&gt;te possuo, sem se dares, ou alardes&lt;br /&gt;E, no desengano de amar assim,&lt;br /&gt;te perpetuo, em tuas brevidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é tão vasto e pleno este abandono,&lt;br /&gt;que mil labaredas me consomem&lt;br /&gt;como alma que se perde de seu dono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois só a tu foi dado o direito&lt;br /&gt;de fiar a vida de teu homem,&lt;br /&gt;nas tardes inteiras do teu leito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ps: post novo só segunda. Até lá, de dia praia, de noite vinho. Qquer emergência encontro-me indisponível na Barraca do Lôro, em Praia do Flamengo ( toda boa até no nome..). Bom fds...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-7409901854544909573?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/oXkus3-fE0E/texto-44-soneto-mulher-que-no-vem.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SXB7y9QStWI/AAAAAAAAAEo/uW8pdrRkwrM/s72-c/renoirwoman.jpg" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/01/texto-44-soneto-mulher-que-no-vem.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-7597328939897282627</guid><pubDate>Wed, 14 Jan 2009 12:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-15T18:57:06.794-02:00</atom:updated><title>texto 43 - Devaneio ...Ato I</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Desfaço o laço de seu vestido e, nua, peço que me espere na cama e digo que só a tocarei quando a calcinha mudar o cheiro das esperas e sentir que me espalho pelo pano, a antecipação te consumindo, o ingreme de tuas paredes lentamente se liquefazendo, se anunciando. Saberás que é intangivelmente linda e que te amo, pois te rodearei, e farei do teu ouvido meu altar de obscenidades. Caçarei o que viola tua sanidade, os limites, teu sagrado e te direi sem pudor, entre posseiro e homem, entre poeta e sacana...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deixarei que a respiração de minha boca aqueça tua pele, de tão próxima, migrando por teu corpo feito febre. Rodearei teus seios como mirantes, antes que prenda os bicos, nos dentes. Decorarei os movimentos de tuas coxas, apertando-se uma contra a outra, se devorando e quando disser que está pronta, rasparei os lados de tua barriga com a unha, suavemente, e, com os dedos molhados da saliva de te admirar e saber o que vou  ter, te percorrerei como andarilho, nomade, revirando tua geografia, os detalhes, as contrações, as miragens de tua imagem..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Te alisarei longamente, como quem esculpe e molda, e vai polindo sua própria escultura. Beijarei tua boca e esperarei tua língua dentro de mim ( te dando a posse, de ser tu homem e eu tua mulherzinha), como quem anula as fronteiras. Saberei que se anuncia fêmea, fome, desespero. Deixarei que tua mão tome a minha forma, e volume, para que, todas as vezes, todas as vezes, que ela se fechar no vazio, tu lembres o que te falta, o tanto que poderia ter e  sinta-se incompleta e insaciada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estendo o braço e sinto os pêlos, poucos, no limite da roupa e você arqueando as coxas propondo uma nudez desenfreada e sem vergonha. Eu a olho descer lentamente esperando esta visão que me enlouqueçe que é você dobrar as pernas ligeiramente e a calcinha cruzar o meridiano dos teus joelhos....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( vai continuar...)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-7597328939897282627?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/iiJU_q51nZ8/texto-42-devaneio1.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/01/texto-42-devaneio1.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-5126429221389181666</guid><pubDate>Mon, 12 Jan 2009 12:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-12T14:31:16.879-02:00</atom:updated><title>Texto 42 - Irreal</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Gabrielle com uma rosa-Renoir&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SWtQ0vFkj-I/AAAAAAAAAEY/OEqOwg6WB4o/s1600-h/Gabrielle+with+a+Rose+-renoir.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290411054200033250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 251px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SWtQ0vFkj-I/AAAAAAAAAEY/OEqOwg6WB4o/s320/Gabrielle+with+a+Rose+-renoir.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Ela era tão linda que cegava meus olhos. E, fiandeira, recriava tudo que eu via, ou vivia. O riso de feitiço, capaz de mudar todas as rotas e a boca, altar exato, os lábios como leito, onde  deitava e alcançava todos os gozos, embarcadouro de todos os desatinos. O beijo, ainda lembro, tinha aromas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cabelo longo, a cobrir o dorso nu, feito vestido de trigo, a erosão de milagre a esculpir o corpo - onde nada exagera, ou exclui- , milenarmente, as coxas fartas e precisas, a anca a enlouquecer os homens, o braço a se contrair e dançar enquanto se tocava, úmida  e fêmea, a se prometer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As marcas do sol, a delimitar os meridianos de prazeres. A vida, que se enfeitava toda de flores, só ao rumor de seus passos. O vaso, como liame da casa. A santa, contida em vestidos sacros, a devassa, de gozos insaciados, liberta em nudez e posse irrestrita, a fizeram a dançarina de meu coração...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;Ela era linda, linda, e por ela escrevi tratados, aprendi idiomas e novas línguas, dormi ao relento, bebi cicuta e álcool, dançei sobre o perigo, invadi o ocidente e fui hereje e santo. Por ela me fiz jardineiro, só para lhe cuidar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela era linda, linda, linda. E me inventava. Mas eu nunca a conheci... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-5126429221389181666?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/eI-0w7lqhnI/texto-42-irreal.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SWtQ0vFkj-I/AAAAAAAAAEY/OEqOwg6WB4o/s72-c/Gabrielle+with+a+Rose+-renoir.bmp" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/01/texto-42-irreal.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-4704658842235040161</guid><pubDate>Fri, 09 Jan 2009 17:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-02T09:09:19.644-02:00</atom:updated><title>Texto 41-Desenlace</title><description>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SWixJcQrhMI/AAAAAAAAAD4/zt2fiS0h_Ns/s1600-h/itaunas3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5289672538109740226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 201px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SWixJcQrhMI/AAAAAAAAAD4/zt2fiS0h_Ns/s320/itaunas3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não servirei mais para teu uso. Nem acalentarei ilusões em tuas tantas mentiras e descaso. Antes que tenhas horror de tu mesma, migrarei de tua banalidade e teu jeito de atriz, dissimulada até o fim. Não serei de serventia para manipulações e falsas lágrimas. Exilarei os filhos que faria na precisão de teu corpo. Incendiarei os bambuzais onde abriguei todas as delícias de tua vinda, envenenarei os peixes que te olharam nua. Viverei a míngua. Mas não comerei as migalhas do teu pão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rogarei em mim as palavras mais ferinas, andarei de mãos dadas com as feridas das lembranças, para que me libertem de teu viço. Não me concederei asilos. Eu me retalharei e como ave de rapina estarei sempre à espreita de todas as minhas recaidas de amor.  Dormirei com a primeira da rua que me livre de te pertencer e lhe farei as juras mais falsas. Fraco, que sou, me enganarei todas as tardes na alegoria do pôr do sol, mas rogarei aos deuses para que ele não se ponha nunca mais e que o sol arda nos meus olhos e me cegue esta memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salgarei minha carne com o sal da terra, para que flores, não me exalem. Não tenho refúgios, mas baterei as portas, até não saber mais voltar. Cuspirei no prato. Possuirei com febre de principiante aquela que me abrir as coxas e me der seu ventre, sem me dizer seu nome, àquela que não se lavar de mim depois do gozo, só para que afaste qualquer resíduo que ainda possa ser teu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não margeio meu abismo, nem insultos. Não se perdoa tanto, tanto,  amar...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-4704658842235040161?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/6aQ7CCORXlE/desenlace.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SWixJcQrhMI/AAAAAAAAAD4/zt2fiS0h_Ns/s72-c/itaunas3.jpg" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/01/desenlace.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-1466660833397067059</guid><pubDate>Tue, 06 Jan 2009 20:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-12T10:04:38.730-02:00</atom:updated><title>Texto 40 - Venal</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SWPSBEPTBKI/AAAAAAAAADw/x5P8OVVU_GU/s1600-h/ituanas.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288301303222699170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 90px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SWPSBEPTBKI/AAAAAAAAADw/x5P8OVVU_GU/s320/ituanas.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Agora, ao longe, ela é só fome, sob o decote e os desvãos do vestido. Os rumores da nova paixão vibrando em uníssono e retesando as fibras e glândulas para o bote depois do longo cerco. E o riso, lindo, se desfazendo em amavios, ciente do laço armado, do cio, de dona do jogo, plena do objetivo a ser alcançado, como foice prestes a lacerar todos os vínculos antepassados. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O sol, areia da praia, a noite, como cama e lençol de posse, a preparação do corpo, a  extensa dança de entrega, sem remorsos, o gozo engolido marcando a boca de um novo ano e gosto, e os corpos na doação mais desmedida, na voragem do prazer mais intenso, ecoam como o carpir de lamentos e assombros permanentes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os véus dos disfarces e palavras sem nexo não ocultam os delitos. E, no limo das distâncias, entre a minha e tua boca, despedaçam-se todas as possibilidades...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho dias de fardo. A vida dói entre os nós. Entre nós. A memória, calcinada, não tem silêncios nem pausas. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-1466660833397067059?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/b6B4cV_fI4Y/texto-40-mirabolante.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SWPSBEPTBKI/AAAAAAAAADw/x5P8OVVU_GU/s72-c/ituanas.bmp" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/01/texto-40-mirabolante.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-3150880409121828551</guid><pubDate>Sat, 03 Jan 2009 15:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-03T20:17:31.919-02:00</atom:updated><title>Texto 39 - Silogismo</title><description>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Mulher Chorando -Picasso&lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SV_jxCko81I/AAAAAAAAADo/sVSlotNHyG0/s1600-h/mulherchorando-picasso1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5287194919199896402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 145px; CURSOR: hand; HEIGHT: 194px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SV_jxCko81I/AAAAAAAAADo/sVSlotNHyG0/s320/mulherchorando-picasso1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Algum dia,&lt;br /&gt;Não antes de tarde demais,&lt;br /&gt;Verei que as danças foram em vão&lt;br /&gt;e as fúrias irão me despir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nua, a carne,&lt;br /&gt;entregarei minha alma ao diabo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, então, saberás&lt;br /&gt;As ternuras de chuva em que te inventei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não antes de tarde demais...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-3150880409121828551?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/7hio7oT0Pe4/texto-37-silogismo.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SV_jxCko81I/AAAAAAAAADo/sVSlotNHyG0/s72-c/mulherchorando-picasso1.jpg" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2009/01/texto-37-silogismo.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-6283227854847170764</guid><pubDate>Wed, 24 Dec 2008 12:57:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-09T23:10:59.309-02:00</atom:updated><title>Natal</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Aos silenciosos de todos os lugares, aos que se mostram, aos que me dão, certamente, mais que mereço, aos que mostram por palavras e gestos, carinho por mim, sem retorno que não seja o prazer de ler, quando, ás vezes, nem os próximos nos dão tanto, meu sincero, sincero, sincero, obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vcs distantes e acolhedores nem mensuram sua própria importância para mim, quanto me ajudaram quando eu me sinto mais rasura, quanto foram, em cada comentário ou visita sem palavras, natal, todos os dias, para mim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem se faz tanto pelo coração, alma, palavras , como eu, quem doe e vibra, como me permito, sabe fazer do minímo - uma visita-, uma especiaria. Dou, por vezes, a quem não merece, e nego a quem merece, que a vida é sempre menos precisa que planejamos. Mas, aqui, tento retribuir buscando as melhores coisas que posso escrever, sentir, para lhes dar. Espero que me perdoem se, em algum momento, o texto não valeu o tempo gasto na estadia neste avesso. Vou tentar melhorar pois sei quanto é precioso e raro o tempo de vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Obrigado mais uma vez, de coração, e desejo que o clima de Natal- a irmandade, a cumplicidade, o desejo de agradar- permaneça por um tempo longo como sentimento dominante no olhar de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um abraço com carinho e afeto&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;César . Da sua aldeia... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-6283227854847170764?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/yw9Rs8LVgik/natal.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2008/12/natal.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-1988336720903795307</guid><pubDate>Tue, 23 Dec 2008 11:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-23T20:16:18.543-02:00</atom:updated><title>Texto 38 - Cio</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Não cio pelo sexo, pois o que ofereçes, outros recebem em iguais porções. E, o que dou de largo e fundo, e demorado, se farta e sacia, mesmo a fome desmedida, não me redime da igualdade na memória. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas  cio e rastejo para os desvãos intocados da alma, quando os vejo, os saltos sem rede, os amantes que se bastam, em uníssono, os cúmplices de desejo e dores que fazem dos limites e do raro o seu farnel, as inscrições nas paredes ingremes do teu ventre, a boca sem beijos banais,  as especiarias orientais - cravo e canela-, dos veios da pele, ardendo em coivaras e aromas, os aceiros de amor que nos tornam intocáveis quando é mais fácil ceder... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, então, me aliciará, e eu  conjugarei meu profano corpo sem ser em vão, me escravizarei de teu navio negreiro, e me condenarei às velas e remos das galés do dorso nu, em oferta e pedido, as quatro da manhã...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-1988336720903795307?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/H0be5hycq40/texto-38-cio.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2008/12/texto-38-cio.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-7632356777746855661</guid><pubDate>Mon, 22 Dec 2008 15:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-23T10:49:34.200-02:00</atom:updated><title>Texto 37</title><description>Tem dias que a vida me reinventa, tem dias que só me rasura...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-7632356777746855661?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/hRhJnE2SqIM/texto-36.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2008/12/texto-36.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-2551667705375676596</guid><pubDate>Thu, 18 Dec 2008 23:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-18T23:26:07.422-02:00</atom:updated><title>Texto 36 - A mulher que procuro</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Reflections - Frederick Carl&lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SUr35GdpwVI/AAAAAAAAADg/VZV30Ofti64/s1600-h/Reflections+(Marcelle).+Frederick+Carl+Frieseke.+Ã³leo+sobre+tela,+1909.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281306073404916050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 259px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SUr35GdpwVI/AAAAAAAAADg/VZV30Ofti64/s320/Reflections+(Marcelle).+Frederick+Carl+Frieseke.+%C3%B3leo+sobre+tela,+1909.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; A mulher que procuro tem lírios semeados na tarde dos olhos onde o sol se espreguiça, sem vontade de ir. Tem qualquer coisa de criança que fez uma travessura e ri, reinventando a vida, sem castigos. Acredita no amor, como se fosse ela própria espécie em extinção e seu homem a única possibilidade do milagre. Tem mares inteiros que oscilam ao movimento de seu corpo e constelações universais que se modificam ao seu olhar de convite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher ideal está sempre grávida dos filhos que deseja e guarda vestidinhos nas vontades para a filha que um dia vai ter. Entende que é possível salvar o mundo e que estou certo se isto for feito no horário do jantar. Se ela for junto. Claro. Ela traz uma última esperança de bondade, como o fogo de Prometeu e me lê nas entrelinhas. E sabe que sou apenas o ofício de sua leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela gosta do cheiro que tenho dos seus cabelos soltos, ainda que não saiba, ao certo, qual é, pois todo o dia se enfeita de um diferente. E, de provocação usa, vez ou outra, um laço no cabelo. E sabe que irei me perder quando vier, banho tomado, a pele cálida e fresca, a inocência do sabonete anunciando a vinda da fêmea como as trombetas de mil castelos, a inundação de mil rios a varrer as incertezas do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher que espero dormirá com minhas mãos entre as suas para me proteger e se acolherá nos meus braços, só por esta certeza. E me puxará pela mão, inadiável, só pra fazer uma festa de dois ao pôr do sol. Ela terá, ocasionalmente, tristezas súbitas em seu coração, só por pensar que poderia não amá-la mais, mas que não duram mais que um dia, após o qual passearemos de bicicleta e ela não mais se lembrará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher que espero me deixará velar seu sono, lhe ensinar palavras novas e acreditará mesmo que posso salvá-la quando beijo as lágrimas frágeis de seu rosto. Sabe que sentirá coisas inexplicáveis, me perdoará a incompreensão de homem e se conformará, pois sabe que só os fabricantes de chocolate sabem tudo a respeito de suas necessidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher que procuro não me deixará desistir e terá um jeito simples de quem dança nos quintais, e nos respira quando chove e a terra fica molhada. Toma banho de chuva comigo e conhece as cantigas de ninar do vento no bambuzal. Tem mil canetas coloridas como seu último desejo de menina e o gozo irrepetivel como seu último segredo de mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tem algo mais que linda, que isto só não é bastante numa mulher. Acredita que todas as fantasias de amor foram inventadas por nós dois e por isso dançaremos juntos nosso baile imaginário e nossas pernas nunca mais se desembaraçarão. Ela não sobreviverá sem flores em razão de nossa própria fotossíntese, sem água na cabeceira da cama e alguém que faça congelamento, que nada é perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher que espero, eu sei, dos ensaios e enganos, não virá.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-2551667705375676596?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/5D4FCnNR8qo/texto-35-mulher-que-procuro.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SUr35GdpwVI/AAAAAAAAADg/VZV30Ofti64/s72-c/Reflections+(Marcelle).+Frederick+Carl+Frieseke.+%C3%B3leo+sobre+tela,+1909.jpg" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2008/12/texto-35-mulher-que-procuro.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-2518927414034650330</guid><pubDate>Mon, 15 Dec 2008 12:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-15T16:23:36.964-02:00</atom:updated><title>texto  35 - A mulher...</title><description>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Midsummer Eve - Robert Hughes&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SUaepNqkS1I/AAAAAAAAADY/ZJ7jtHf1gcw/s1600-h/Midsummer+Eveâ+by+Edward+Robert+Hughes.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280082044018510674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 214px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SUaepNqkS1I/AAAAAAAAADY/ZJ7jtHf1gcw/s320/Midsummer+Eve%E2%80%9D+by+Edward+Robert+Hughes.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Toda mulher é uma língua. Própria. Um dialeto individual, composto de códigos e símbolos a ser percorrido, para ser perfeitamente vivido, em lentidão torturante. Ela é toda tecida de audição. Pois a mulher não ama o que vê, e sim o que ouve. Não ama o que está ao relento, exposto, mas o que se revela na bateia, na lavoura de decifrar o que lhes dizemos. É nossa homilia e discurso que a possui e domina, que a cerca e doma, e nos inscreve, sem alforria, na memória. A fala é nosso aboio, de guia e prazeres. É do nosso dicionário de significados que será demarcado o tempo de nossa permanência e trato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda mulher é composta de missais e tato. Porque sua pele é um pergaminho a espera dos rumores de nossos lábios e mãos, e se tatua de nossos desejos como se fossem todas as ambições dela, como quem mimetiza suas faltas pelos beirais do outro, e oferece suas sesmarias para ocupação e moradia. E, de nossa dedicação em lhe desvendar as veredas inaugurais, de roçar com a voz os delitos do seu imaginário feminino, é que se erguerão os altares de nosso ofertório, se inscreverão as escrituras de longevidade, os indultos de nossas falhas, os liames que impedem os degredos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda mulher é o linguajar, a vindima, de uma pátria. Eu? Sou só exílio...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-2518927414034650330?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/jF6dia2dk7w/texto-34-mulher.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_TDqsZlERpTk/SUaepNqkS1I/AAAAAAAAADY/ZJ7jtHf1gcw/s72-c/Midsummer+Eve%E2%80%9D+by+Edward+Robert+Hughes.bmp" height="72" width="72" /><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2008/12/texto-34-mulher.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-6456991434322243814.post-6964440057777352392</guid><pubDate>Fri, 12 Dec 2008 19:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-12T18:58:35.455-02:00</atom:updated><title>texto 34 - Meia Nove</title><description>O teu corpo sobre mim estendido&lt;br /&gt;caminho, sempiterno, de léguas&lt;br /&gt;notas de violino sob o vestido&lt;br /&gt;a fêmea que goza sem tréguas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E arqueia as coxas e atiça o grelo&lt;br /&gt;à fome de minha boca peregrina&lt;br /&gt;E devassa oferece vulva e pêlos&lt;br /&gt;Puta amada, fingida, aluna menina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ereto, embebo o pau que usa&lt;br /&gt;A tua língua, como profano véu&lt;br /&gt;Na saliva, em que escorro e lambuza&lt;br /&gt;A tua boca como  o  manto do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no cio, da boca, um do outro&lt;br /&gt;secreções nos saciando de farto alimento&lt;br /&gt;na boceta, na pica, de amor, absortos&lt;br /&gt;gozamos uma vida inteira, neste momento...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6456991434322243814-6964440057777352392?l=avessodoavesso2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/AvessoDoAvessoIi/~3/YTPE9gGBP5o/texto-33-meia-nove.html</link><author>insensato.fs@gmail.com (insens)</author><feedburner:origLink>http://avessodoavesso2.blogspot.com/2008/12/texto-33-meia-nove.html</feedburner:origLink></item></channel></rss>
