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	<title>Bibliotecário de Babel</title>
	
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	<description>Sobre livros e literatura, autores e editoras. Por José Mário Silva.</description>
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		<title>Meia hora mais tarde, a poucos metros de distância</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 16:59:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/AF_LER_no_Chiado_Novembro_net.jpg" alt="AF_LER_no_Chiado_Novembro_net" title="AF_LER_no_Chiado_Novembro_net" width="286" height="400" class="alignnone size-full wp-image-6555" /></p>
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		<title>Eu e o Sr. Duchamp, no Centro Nacional de Cultura</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 12:56:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É às 18h00, na sede do CNC (R. António Maria Cardoso, 68). Um debate da série Vanguardas Ruminantes, organizada pela Associação Prado, em que se pretende reflectir sobre o que é isso de ir à frente, a abrir caminho. À mesa comigo estarão Filipa Martins, que «convida» Thomas More, e Miguel Castro Caldas, que «convida» [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É às 18h00, na sede do CNC (R. António Maria Cardoso, 68). Um debate da série <a href="http://espacoruminante.blogspot.com/2009/09/vanguardas-em-detalhe.html">Vanguardas Ruminantes</a>, organizada pela <a href="http://espacoruminante.blogspot.com/">Associação Prado</a>, em que se pretende reflectir sobre o que é isso de ir à frente, a abrir caminho. À mesa comigo estarão Filipa Martins, que «convida» Thomas More, e Miguel Castro Caldas, que «convida» um livro de Kropotkine (<em>A Conquista do Pão</em>). Por mim, convido para a conversa aquele xadrezista que um dia virou um urinol de pernas para o ar e noutro dia pintou um bigodinho à Gioconda (embora não tenha a certeza de que ele quisesse ser convidado).<br />
Apareçam.</p>
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		<title>QWERTY</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 22:49:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
Esta foto é de Daniel Auster.
Olho para ela e apetece-me teclar a velha Olympia.
Olho para ela e sinto a vertigem da escrita.
Só não sei se o impulso e a vertigem nascem da fotografia em si mesma (quase banal) ou do facto de saber que o fotógrafo é filho de escritores (Paul Auster, a quem pertence [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/Dads_Typewriter_daniel_auster-300x213.jpg" alt="Dads_Typewriter_daniel_auster" title="Dads_Typewriter_daniel_auster" width="300" height="213" class="alignnone size-medium wp-image-6548" /></p>
<p>Esta foto é de <a href="http://www.danielauster.com/">Daniel Auster</a>.<br />
Olho para ela e apetece-me teclar a velha Olympia.<br />
Olho para ela e sinto a vertigem da escrita.<br />
Só não sei se o impulso e a vertigem nascem da fotografia em si mesma (quase banal) ou do facto de saber que o fotógrafo é filho de escritores (Paul Auster, a quem pertence a máquina de escrever, e Lydia Davis).</p>
<p>[Descobri o site de Daniel Auster através do blogue <a href="http://suctionvalcheck.blogspot.com/">Suction with Valcheck</a>]</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Tinta da China publica mais crónicas de Ricardo Araújo Pereira</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 19:48:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Ricardo Araújo Pereira]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois das óptimas vendas conseguidas com Boca do Inferno, o primeiro volume das crónicas publicadas semanalmente na Visão por Ricardo Araújo Pereira, a Tinta da China volta à carga, certamente com os olhos postos no Natal. A acompanhar as cem Novas Crónicas da Boca do Inferno, quase a chegarem às livrarias, vale a pena descobrir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois das óptimas vendas conseguidas com <em><a href="http://morel.weblog.com.pt/2007/11/diz_que_e_uma_especie_de_recen.html">Boca do Inferno</a></em>, o primeiro volume das crónicas publicadas semanalmente na <em>Visão</em> por Ricardo Araújo Pereira, a Tinta da China volta à carga, certamente com os olhos postos no Natal. A acompanhar as cem <em>Novas Crónicas da Boca do Inferno</em>, quase a chegarem às livrarias, vale a pena descobrir (e montar) a versão ilustrada, «a cores», da crónica <em>IKEA: enlouqueça você mesmo</em>.<br />
Um excerto:</p>
<blockquote><p>«Toda a gente está convencida de que o IKEA vende móveis baratos, o que não é exactamente verdadeiro. O IKEA vende pilhas de tábuas e molhos de parafusos que, se tudo correr bem e Deus ajudar, depois de algum esforço hão-de transformar-se em móveis baratos. É uma espécie de Lego para adultos. Não digo que os móveis do IKEA não sejam baratos. O que digo é que não são móveis. Na altura em que os compramos, são um <em>puzzle</em>. A questão, portanto, é saber se o IKEA vende móveis baratos ou <em>puzzles</em> caros. (&#8230;)<br />
É claro que há aspectos positivos: as tábuas já vêm cortadas, o que é melhor do que nada. O IKEA não obriga os clientes a irem para a floresta cortar árvores, embora por vezes se sinta que não faltará muito para que isso aconteça. Num futuro próximo, é possível que, ao comprar um móvel, o cliente receba um machado, um serrote e um mapa de determinado bosque na Suécia onde o IKEA tem dois ou três carvalhos debaixo de olho que considera terem potencial para se transformarem numa mesa-de-cabeceira engraçada.»</p></blockquote>
<p>Na contracapa, em vez de amontoar <em>blurbs</em>, RAP optou por fazer mais um dos seus exercícios de autodepreciação, explicando que o seu é «um livro no qual a mais fina ironia e o humor requintado se juntam e resolvem não entrar».  </p>
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		<title>Mistérios piramidais</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 22:36:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Dan Brown]]></category>

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		<description><![CDATA[
O Símbolo Perdido
Autor: Dan Brown
Título original: The Lost Symbol
Tradutores: Carlos Pereira, Ester Cortegano, Fernanda Oliveira e Marta Teixeira Pinto
Editora: Bertrand
N.º de páginas: 571
ISBN: 978-972-25-2014-0
Ano de publicação: 2009
Seis anos após O Código Da Vinci, um livro que lhe deu o estatuto de romancista mais imitado dos últimos anos (é só conferir a quantidade absurda de epígonos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/simbolo_perdido1.jpg" alt="simbolo_perdido" title="simbolo_perdido" width="248" height="378" class="alignnone size-full wp-image-6538" /></p>
<p><strong>O Símbolo Perdido</strong><br />
<em>Autor:</em> Dan Brown<br />
<em>Título original: The Lost Symbol</em><br />
<em>Tradutores:</em> Carlos Pereira, Ester Cortegano, Fernanda Oliveira e Marta Teixeira Pinto<br />
<em>Editora:</em> Bertrand<br />
<em>N.º de páginas:</em> 571<br />
<em>ISBN:</em> 978-972-25-2014-0<br />
<em>Ano de publicação:</em> 2009</p>
<p>Seis anos após <em>O Código Da Vinci</em>, um livro que lhe deu o estatuto de romancista mais imitado dos últimos anos (é só conferir a quantidade absurda de epígonos que continuam a invadir as livrarias com réplicas manhosas), Dan Brown regressa ao activo com <em>O Símbolo Perdido</em>. Infelizmente, tal como os seus imitadores, o escritor norte-americano não resistiu a fazer do seu novo romance um clone pobrezinho do anterior. Desta feita, em vez de Paris, temos Washington. Em vez dos segredos e rituais da Opus Dei e do Priorado de Sião, temos os segredos e rituais da Maçonaria (mais o deísmo dos «pais fundadores» da América). Em vez de um vilão albino e autoflagelador (Silas), temos um vilão coberto de tatuagens, castrado, sádico e desejoso de se transformar num deus das trevas por via de uma apoteose mística (Mal&#8217;akh). Mas o resto é igual. Acção a rodos, personagens unidimensionais a correr de um lado para o outro e o nosso conhecido Professor Robert Langdon – um castiço professor de Harvard, supostamente céptico mas que acaba por acreditar nas teorias mais inacreditáveis – a perorar sobre os Mistérios Antigos e a simbologia maçónica, enquanto desvenda, com a presteza de quem resolve um sudoku de nível médio, toda a sorte de enigmas e códigos dentro de códigos, que são a chave de outros códigos ainda.<br />
Mais do que um <em>thriller</em>, <em>O Símbolo Perdido</em> é uma sucessão de desafios mentais e enciclopedismos básicos, um <em>rally paper</em> para frequentadores da Biblioteca Nacional. Dos quadrados mágicos de Albrecht Dürer e Benjamin Franklin aos últimos avanços da ciência noética (segundo os quais o pensamento humano pode ter um efeito físico sobre a matéria), passando por vários tipos de pirâmides e pela escultura <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Kryptos">Kryptos</a></em>, de James Sanborne (instalada na sede da C.I.A. em Langley, Virginia), neste enredo cabe tudo e mais alguma coisa. Tudo menos um bocadinho de bom senso. Na sua ânsia de abrir portas que iluminem os maiores segredos do universo, sempre à beira de serem revelados, Brown consegue agarrar o leitor, não o largando nem por nada (esse mérito ninguém lho tira), mas depois deita tudo a perder, ao defraudar as expectativas com um desfecho tão pífio que se torna risível. Após quase 600 páginas de leitura compulsiva, a revelação do extraordinário tesouro escondido no subsolo de Washington merece entrar directamente para o <em>top</em> dos maiores anticlímaxes da história da literatura. Isto, claro, se tivermos a generosidade de considerar que <em>O Símbolo Perdido</em> é literatura.<br />
Entendamo-nos num ponto. Enquanto exercício de entretenimento puro, este livro, como os outros de Dan Brown, funciona muito bem. Embora abuse dos efeitos de <em>suspense</em> no final dos capítulos (curtíssimos, às vezes quase sinópticos) e não seja propriamente subtil na articulação dos vários sub-enredos, o mecanismo narrativo é robusto e de uma surpreendente eficácia. Quem entra neste carrossel de pistas e revelações tem dificuldade de sair, entre outros motivos porque o grau de inverosimilhança atinge tais proporções que o leitor quer perceber até onde consegue Dan Brown esticar a célebre «suspensão da descrença».<br />
Por outro lado, se esta viagem se torna muitas vezes penosa não é tanto pela insistência do autor em dar-nos enfadonhas lições sobre os temas que lhe interessam, por vezes repetindo a mesma ideia com poucas páginas de intervalo. É porque Brown escreve mal e o seu estilo – desastradamente pomposo, enfático, vulgar – parece uma pirâmide de chumbo. Uma pirâmide sem mistério algum e que nem o esforçado Robert Langdon, com a sua arte de descodificação simbólica, alguma vez conseguirá transformar em ouro.</p>
<p><em>Avaliação:</em> 2/10</p>
<p>[Texto publicado no suplemento <em>Actual</em>, do semanário <em><a href="http://aeiou.expresso.pt/">Expresso</a></em>]</p>
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		<title>Cinco poemas de Adília Lopes</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/cinco-poemas-de-adilia-lopes/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 16:36:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Adília Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[A minha Musa antes de ser
a minha Musa avisou-me
cantaste sem saber
que cantar custa uma língua
agora vou cortar-te a língua
para aprenderes a cantar
a minha Musa é cruel
mas eu não conheço outra
***
Em virgem
Maria Andrade
gostava muito
de fazer tricot
e ver corridas de Fórmula 1
na televisão
Túlio disse-lhe
que em virgem
e sem ser em virgem
gostava de ler
a ouvir corridas de Fórmula 1
na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>A minha Musa antes de ser<br />
a minha Musa avisou-me<br />
cantaste sem saber<br />
que cantar custa uma língua<br />
agora vou cortar-te a língua<br />
para aprenderes a cantar<br />
a minha Musa é cruel<br />
mas eu não conheço outra</em></p>
<p>***</p>
<p><em>Em virgem<br />
Maria Andrade<br />
gostava muito<br />
de fazer tricot<br />
e ver corridas de Fórmula 1<br />
na televisão<br />
Túlio disse-lhe<br />
que em virgem<br />
e sem ser em virgem<br />
gostava de ler<br />
a ouvir corridas de Fórmula 1<br />
na televisão<br />
para levantar a cabeça<br />
do livro<br />
quando havia um desastre<br />
e ver o desastre<br />
então</em></p>
<p>***</p>
<p><em>Fedra está apaixonada<br />
por Hipólito<br />
Hipólito não está apaixonado<br />
por Fedra<br />
Fedra enforca-se<br />
Hipólito morre<br />
num acidente</p>
<p>Dido está apaixonada<br />
por Eneias<br />
Eneias não está apaixonado<br />
por Dido<br />
Dido oferece uma espada<br />
a Eneias<br />
Eneias esquece-se da espada<br />
quando se vai embora<br />
Dido suicida-se<br />
com a espada esquecida<br />
por Eneias</p>
<p>Um desgosto de amor<br />
atirou-me para um<br />
curso de dactilografia<br />
consolo-me<br />
a escrever automaticamente<br />
o pior são os tempos livres</em></p>
<p>***</p>
<p><em>Perco-me<br />
no labirinto<br />
dos dias</p>
<p>Ganho-me<br />
no labirinto<br />
dos dias</p>
<p>A poesia<br />
é o perde-ganha</p>
<p>E o labirinto<br />
dos dias<br />
é o labirinto<br />
dos dias</em></p>
<p>***</p>
<p><em>Quanto mais prosaico<br />
mais poético</p>
<p>A poesia<br />
(escreveu Novalis)<br />
é o autêntico real absoluto<br />
isto é o cerne da<br />
minha filosofia<br />
quanto mais poético<br />
mais verdadeiro</em></p>
<p>[in <em>Dobra</em>, Assírio &#038; Alvim, 2009]</p>
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		<item>
		<title>Um ‘trailer’ para Filipe Seems</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/um-trailer-para-filipe-seems/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/geral/um-trailer-para-filipe-seems/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 15:55:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
Para além dos três álbuns e do DVD, a caixa Filipe Seems, lançada esta tarde na FNAC do Chiado pela ASA, traz lá dentro um desenho inédito com um «trailer para uma trilogia» no verso.
Eis o desenho:

E o trailer verbal, escrito por Nuno Artur Silva, começa assim:
trailer para uma trilogia
sonhava com uma cidade que não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/caixa_seems.jpg" alt="caixa_seems" title="caixa_seems" width="390" height="480" class="alignnone size-full wp-image-6521" /></p>
<p>Para além dos três álbuns e do DVD, a caixa Filipe Seems, lançada esta tarde na FNAC do Chiado pela ASA, traz lá dentro um desenho inédito com um «<em>trailer</em> para uma trilogia» no verso.<br />
Eis o desenho:</p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/aguarela_seems.jpg" alt="aguarela_seems" title="aguarela_seems" width="480" height="298" class="alignnone size-full wp-image-6520" /></p>
<p>E o <em>trailer</em> verbal, escrito por Nuno Artur Silva, começa assim:</p>
<blockquote><p><strong>trailer para uma trilogia</strong></p>
<p>sonhava com uma cidade que não existia. uma cidade e a sua mitologia. os desígnios do acaso são insondáveis. encontrar na rua uma pessoa igual, gémea, que se desconhecia. ana lógica é um nome invulgar. um gato chamado shrodinger, schro. filipe seems. não é o que parece. um detective muito particular. procurava perceber tudo aquilo e escrevia como se escrevesse uma história. ela não tinha passado. ou tinha um passado ilusório, que só era real na sua memória. no fundo, não é o que cada um de nós tem?&#8230; mas não era nisto que eu pensava. o que eu pensava naquele momento não era um pensamento, era música, pura música, e isso não de pode descrever. ucronia, o que não se passou em tempo algum. amnésia ucrónica? a história refeita logicamente, tal como poderia ter acontecido. tudo é ficção, acaso e destino, labirinto e jogo. os homens necessitam de fábulas e não há destino mais nobre do que povoar o mundo com as personagens das fábulas.</p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Sextante Editora no Facebook</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/sextante-editora-no-facebook/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 15:22:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Aqui.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.facebook.com/people/Sextante-Editora/100000454819442">Aqui</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Lembrete</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/divulgacao/lembrete-38/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 12:17:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Divulgação]]></category>

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		<description><![CDATA[Logo à tarde (18h30), na FNAC do Chiado, lançamento da caixa Filipe Seems (que inclui os três álbuns de &#8220;As Aventuras de Filipe Seems&#8221;, escritos por Nuno Artur Silva e desenhados por António Jorge Gonçalves, mais um DVD do espectáculo Conspiração, inspirado no universo da série; uma edição ASA). À mesma hora, na livraria Assírio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Logo à tarde (18h30), na FNAC do Chiado, lançamento da caixa Filipe Seems (que inclui os três álbuns de &#8220;As Aventuras de Filipe Seems&#8221;, escritos por Nuno Artur Silva e desenhados por António Jorge Gonçalves, mais um DVD do espectáculo <em>Conspiração</em>, inspirado no universo da série; uma edição ASA). À mesma hora, na livraria Assírio &#038; Alvim (Rua Passos Manuel, 67 B, Lisboa), começa a apresentação da «poesia reunida» de Adília Lopes, publicada pela Assírio com o título <em>Dobra</em>. </p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Sobre ‘Trois femmes puissantes’</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/sobre-trois-femmes-puissantes/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 Nov 2009 15:21:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Marie NDiaye]]></category>
		<category><![CDATA[Prémios]]></category>

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		<description><![CDATA[
Marie NDiaye fala do romance que lhe deu o Goncourt.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><object width="420" height="339"><param name="movie" value="http://www.dailymotion.com/swf/xazczp" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><embed src="http://www.dailymotion.com/swf/xazczp" type="application/x-shockwave-flash" width="420" height="339" allowFullScreen="true" allowScriptAccess="always"></embed></object></p>
<p>Marie NDiaye fala do romance que lhe deu o Goncourt.</p>
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		<title>Prémio Goncourt para Marie NDiaye</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Nov 2009 14:40:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Prémios]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje, durante o tradicional almoço no restaurante Drouant, em Paris, os membros da Academia Goncourt decidiram atribuir o mais importante prémio literário francês à escritora de origem senegalesa Marie NDiaye, pelo romance Trois femmes puissantes (Gallimard). A decisão foi tomada à primeira volta, quando NDiaye recebeu cinco votos, contra dois para Jean-Phillipe Toussaint (La vérité [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, durante o tradicional almoço no restaurante Drouant, em Paris, os membros da <a href="http://www.academie-goncourt.fr/?rubrique=1229171232">Academia Goncourt</a> decidiram atribuir o mais importante prémio literário francês à escritora de origem senegalesa Marie NDiaye, pelo romance <em>Trois femmes puissantes</em> (Gallimard). A decisão foi tomada <a href="http://bibliobs.nouvelobs.com/20091102/15645/le-goncourt-2009-pour-marie-ndiaye-et-le-renaudot-pour-f-beigbeder">à primeira volta</a>, quando NDiaye recebeu cinco votos, contra dois para Jean-Phillipe Toussaint (<em>La vérité sur Marie</em>, Éditions de Minuit) e um para Delphine de Vigan (<em>Les heures souterraines</em>, JC Lattès).<br />
Entretanto, foram igualmente revelados os vencedores dos Prémios Renaudot. Ficção: <em>Un roman français</em>, de Frédéric Beigbeder (Grasset). Ensaio: <em>Alias Caracalla: mémoires, 1940-1943</em>, de Daniel Cordier (Gallimard). Renaudot Poche (para livros de bolso): <em>Palestine</em>, de Hubert Haddad (Zulma). Registe-se que o romance de Haddad <a href="http://quetzal.blogs.sapo.pt/81883.html">já tem edição portuguesa</a>, da Quetzal, com tradução de Ana Cristina Leonardo.</p>
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		<title>Luz sem ruído</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 11:53:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[
XX Dias
Autor: Rui Miguel Ribeiro
Editora: Averno
N.º de páginas: 26
Depósito Legal: 300075/09
Ano de publicação: 2009
Mesmo no fim, uma pequena nota do autor explica o contexto em que surgiu XX Dias, o terceiro livro de Rui Miguel Ribeiro: «Estes poemas foram escritos durante o meu internamento no Instituto Português de Oncologia de Lisboa, Francisco Gentil, na UTM, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/XX_Dias1.JPG" alt="XX_Dias" title="XX_Dias" width="400" height="303" class="alignnone size-full wp-image-6511" /></p>
<p><strong>XX Dias</strong><br />
<em>Autor:</em> Rui Miguel Ribeiro<br />
<em>Editora:</em> Averno<br />
<em>N.º de páginas:</em> 26<br />
<em>Depósito Legal:</em> 300075/09<br />
<em>Ano de publicação:</em> 2009</p>
<p>Mesmo no fim, uma pequena nota do autor explica o contexto em que surgiu <em>XX Dias</em>, o terceiro livro de Rui Miguel Ribeiro: «Estes poemas foram escritos durante o meu internamento no Instituto Português de Oncologia de Lisboa, Francisco Gentil, na UTM, entre Março e Abril de 2009». Com a sua precisão cirúrgica, a nota explica o que os poemas apenas sugerem, materializando a ameaça mortal que os atravessa, sem que nunca os versos desfaçam o íntimo recato do sofrimento, esse pudor do doente que é a última fronteira da dignidade humana.<br />
Previsivelmente, o centro geométrico desta sequência de poemas está no quarto – o espaço do confinamento, o «recife» onde o corpo naufragou e espera a sua sorte. Como única companhia, o sujeito poético tem o tempo. Um tempo que se expande e se sobrepõe a tudo («fundo de um poço / sem fundo que aqui invade a matéria»), lento trânsito das horas que altera a própria percepção da realidade. A cama «marca o calendário», há rotinas, uma «luz sem ruído» a pairar sobre as coisas, um vidro que separa e mantém o mundo à distância, livros que chegam «castigados e doridos», o silêncio como «mapa do futuro isento de morte», a febre e a solidão, notícias da primavera que começa lá fora e de uma nespereira «pejada», longe, no lugar onde a vida não se interrompeu.<br />
Os dias avançam na sua lógica imperturbável, «iguais, / uniformes e sem resistência», entre monitorizações clínicas e um certo desprendimento identitário («Há dias que não vejo o meu rosto»). Resistir passa pela atenção às marcas invisíveis que ficam de cada jornada, seja uma «diagonal de luz» a dividir o espaço ou os espinhos de plástico da rosa artificial, simulando o «atrito de viver». O tom é melancólico, mas nunca trágico; mais perto da resignação do que da queixa. Alguns poemas apagam-se em excesso, outros parecem sob o efeito da anestesia. Nada disto será por acaso. A escassez estilística reflecte a difícil sobrevivência do corpo: </p>
<p><em>Enquanto eu posso insistir nisto<br />
como se fosse uma vontade,<br />
ou algo mais, ou menos,<br />
uma dança misteriosa;<br />
é bom pensarmos no fim<br />
ou a partir dele,<br />
como os sonhos que chegam<br />
cada dia mais pobres.</em></p>
<p><em>Avaliação:</em> 6,5/10</p>
<p>[Texto publicado no suplemento <em>Actual</em>, do semanário <em><a href="http://aeiou.expresso.pt/">Expresso</a></em>]</p>
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		<title>O jet-lag é um mito</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 18:42:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Ou então eu tenho muita sorte.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Ou então eu tenho muita sorte.</p>
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		<title>Exeter</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 11:22:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bibliotecas]]></category>
		<category><![CDATA[Dan Brown]]></category>

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		<description><![CDATA[
Foi na biblioteca da Phillips Exeter Academy (PEA) que entrevistei Dan Brown. Fundada em 1781, a PEA é uma das escolas secundárias privadas (só para alunos do 9.º ao 12.º ano) com maior prestígio nos EUA. Entre os seus antigos alunos contam-se o presidente Franklin Pierce, uma série de figuras que ocuparam lugares importantes na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/biblioteca_exeter.jpg" alt="biblioteca_exeter" title="biblioteca_exeter" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-6500" /></p>
<p>Foi na biblioteca da <a href="http://www.exeter.edu/">Phillips Exeter Academy</a> (PEA) que entrevistei Dan Brown. Fundada em 1781, a PEA é uma das escolas secundárias privadas (só para alunos do 9.º ao 12.º ano) com maior prestígio nos EUA. Entre os seus antigos alunos contam-se o presidente Franklin Pierce, uma série de figuras que ocuparam lugares importantes na administração pública, desportistas, músicos e uns quantos homens de letras, como George Plimpton (fundador da <em><a href="http://www.theparisreview.com/">The Paris Review</a></em>), Gore Vidal ou John Irving.<br />
No piso quatro da enorme <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Phillips_Exeter_Academy_Library">biblioteca</a> – um edifício de linhas austeras, com tijolo vermelho por fora e betão por dentro, desenhado nos anos 60 pelo arquitecto <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Louis_Kahn">Louis Kahn</a> (tudo sobre esta obra, <a href="http://www.greatbuildings.com/buildings/Exeter_Library.html">aqui</a>) – ficam as salas com os livros mais preciosos. Atrás de uma vitrina, podem ver-se primeiras edições dos romances de Virginia Woolf, editados pela Hogarth Press. E depois há as estantes com as obras dos antigos alunos, divididas conforme os anos passados na PEA: a classe de 1876, a classe de 1927, a classe de 1964, etc. Lá estão os livros de Gore Vidal, os de John Irving, os de Daniel C. Dennet, os de muitos outros escritores conhecidos. E os de Dan Brown, que não só frequentou a PEA como era filho de um dos mais distintos professores de matemática da escola (noutra sala, há uma prateleira inteira preenchida com os manuais de Álgebra que o tornaram conhecido de todos os alunos de Ciências do país). Em destaque neste sector Dan Brown da estante dos antigos alunos, também chamados «<em>exonians</em>», a capa dourada e escarlate do último romance: <em><a href="http://www.amazon.com/Lost-Symbol-Dan-Brown/dp/0385504225">The Lost Symbol</a></em>.<br />
A conversa começou justamente por aí, pelo novo livro, mera repetição de uma fórmula narrativa literariamente nula, enquanto lá fora a tarde declinava e as folhas das árvores brilhavam com o seu amarelo muito vivo, quase sobrenatural.</p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/arvore1.jpg" alt="arvore" title="arvore" width="320" height="480" class="alignnone size-full wp-image-6502" /></p>
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		<title>Arqueologia bibliográfica</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 02:49:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre que compro livros em segunda mão, a primeira coisa que faço é procurar marcas do(s) primeiro(s) proprietário(s), essas marcas que definem uma espécie de arqueologia bibliográfica: frases sublinhadas a lápis, comentários nas margens, dedicatórias enigmáticas, cantos dobrados, manchas de café ou chocolate. No caso dos Poems in English, do Beckett, voluminho adquirido na Commonwealth [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre que compro livros em segunda mão, a primeira coisa que faço é procurar marcas do(s) primeiro(s) proprietário(s), essas marcas que definem uma espécie de arqueologia bibliográfica: frases sublinhadas a lápis, comentários nas margens, dedicatórias enigmáticas, cantos dobrados, manchas de café ou chocolate. No caso dos <em>Poems in English</em>, do Beckett, voluminho adquirido na Commonwealth Books, encontrei apontamentos e chavetas inscritos a esferográfica azul. O antigo proprietário (tento imaginar o seu rosto) resume uma estrofe inteira a três palavras – «<em>the modern syndrome</em>» – e ignoro se a expressão, para ele, era um elogio ou um reparo. No fim desse mesmo poema, <em>Whoroscope</em>, pondera se aquela não será uma resposta a <em>The Waste Land</em> [de T. S. Eliot]. Mais adiante, Beckett conclui <em>Enueg I</em> com uma quadra eloquente:</p>
<blockquote><p><em>Ah the banner<br />
the banner of meat bleeding<br />
on the silk of the seas and the arctic flowers<br />
that do not exist.</em></p></blockquote>
<p>Comentário do antigo proprietário do livro (esforço-me outra vez por imaginar o seu rosto, mas não consigo): «Rimbaud!» E não se pode dizer que esteja mal visto. </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Um poema de Samuel Beckett</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 02:35:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Samuel Beckett]]></category>

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		<description><![CDATA[ALBA
before morning you shall be here
and Dante and the Logos and all strata and mysteries
and the branded moon
beyond the white plane of music
that you shall establish here before morning
grave suave singing silk
stoop to the black firmament of areca
rain on the bamboos flower of smoke
alley of willows
who though you stoop with fingers of compassion
to endorse the [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ALBA</p>
<p><em>before morning you shall be here<br />
and Dante and the Logos and all strata and mysteries<br />
and the branded moon<br />
beyond the white plane of music<br />
that you shall establish here before morning</p>
<p>grave suave singing silk<br />
stoop to the black firmament of areca<br />
rain on the bamboos flower of smoke<br />
alley of willows</p>
<p>who though you stoop with fingers of compassion<br />
to endorse the dust<br />
shall not add to your bounty<br />
whose beauty shall be a sheet before me<br />
a statement of itself drawn acrosse the tempest of emblems<br />
so that there is no sun and no unveiling<br />
an no host<br />
only I and then the sheet<br />
and bulk dead</em></p>
<p>[in <em>Poems in English</em>, Grove Press, 1963]</p>
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		<title>Commonwealth Books</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 02:21:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Livrarias]]></category>

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		<description><![CDATA[
Gosto de livrarias em que o balcão está ocupado por pilhas de livros, acabados de chegar, ainda à espera de serem encaminhados para o seu lugar nas estantes. E foi isso que eu vi assim que entrei na Commonwealth Books, uma espécie de alfarrabista que fica ao fundo de uma rua discreta, perto do centro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://mysite.verizon.net/bizq5cr5/CWB/images/OutsideSprLn.jpg" alt="" /></p>
<p>Gosto de livrarias em que o balcão está ocupado por pilhas de livros, acabados de chegar, ainda à espera de serem encaminhados para o seu lugar nas estantes. E foi isso que eu vi assim que entrei na <a href="http://www.commonwealthbooks.com/">Commonwealth Books</a>, uma espécie de alfarrabista que fica ao fundo de uma rua discreta, perto do centro (Spring Lane).<br />
Logo à entrada, do lado esquerdo, há uma editora em destaque. E não é nenhuma das várias chancelas da Random House. É a mui alternativa <a href="http://www.blackwidowpress.com/">Black Widow Press</a>, que publica poesia traduzida de Paul Éluard, André Breton, Valery Larbaud ou Tristan Tzara. Com as suas 700 páginas, a biografia <em>Revolution of the Mind: The Life of Andre Breton</em>, de Mark Polizzotti, ficou a olhar para mim (talvez para a próxima), mas entretanto outras centenas de títulos emitiam, obstinados, o seu chamamento cruel, como sereias a atazanar os ouvidos de um Ulisses sem cera para os ouvidos.<br />
Com a sua confusão ordenada, o seu caos gracioso, a Commonwealth Books é sítio para se ficar muitas horas, deambulando entre os vários núcleos temáticos, lendo as frases soltas e artigos de jornal colados em tudo o que seja superfície plana, aproveitando uma ou outra pechincha. Infelizmente, não tinha muitas horas para ficar ali (talvez para a próxima), mas ainda consegui apropriar-me de três pechinchas. A saber: <em>Sudden Fiction (continued) &#8211; 60 New Short-Short Stories</em>, uma antologia organizada por Robert Shapard e James Thomas (Norton, 1996), por três dólares; <em>Blood, Tin, Straw</em>, de Sharon Olds (Alfred A. Knopf, 1999), por sete dólares; e <em>Poemas in English</em>, de Samuel Beckett (Grove Press, 1963), por três dólares.</p>
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		<title>Melting pot</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 08:25:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Só nas primeiras horas: um taxista da Costa do Marfim, um arrumador de bagagens porto-riquenho, uma recepcionista filipina e, a servir à mesa no restaurante italiano, um rapaz brasileiro com pinta de surfista.  Este último, ao perceber que falávamos português, meteu conversa, indicou-nos os melhores pratos da ementa e abanou logo a cabeça quando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Só nas primeiras horas: um taxista da Costa do Marfim, um arrumador de bagagens porto-riquenho, uma recepcionista filipina e, a servir à mesa no restaurante italiano, um rapaz brasileiro com pinta de surfista.  Este último, ao perceber que falávamos português, meteu conversa, indicou-nos os melhores pratos da ementa e abanou logo a cabeça quando alguém apontou um aperitivo que se bebia na mesa ao lado: «Escolham outra coisa. Sei que parece caipirinha mas não é. Aqui a gente não tem cachaça.»</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Fragmentos de Boston</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Oct 2009 19:09:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
Esquina da Arlington Street com a St. James Street

Boston Public Library

Newbury Street
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/boston1.jpg" alt="boston1" title="boston1" width="320" height="480" class="alignnone size-full wp-image-6476" /><br />
<em>Esquina da Arlington Street com a St. James Street</em></p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/boston2.jpg" alt="boston2" title="boston2" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-6475" /><br />
<em>Boston Public Library</em></p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/boston3.jpg" alt="boston3" title="boston3" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-6474" /><br />
<em>Newbury Street</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>À chegada</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 23:41:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Em Philadelphia, a polícia escrutina tudo minuciosamente: o meu passaporte, o formulário verde em que garanto nunca ter participado num genocídio, os meus sapatos. Sucedem-se os guichets, os carimbos, as segundas inspecções. Até que um guarda repete a pergunta que outros já me tinham feito: «What is your business in America?» Explico-lhe que venho entrevistar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em Philadelphia, a polícia escrutina tudo minuciosamente: o meu passaporte, o formulário verde em que garanto nunca ter participado num genocídio, os meus sapatos. Sucedem-se os guichets, os carimbos, as segundas inspecções. Até que um guarda repete a pergunta que outros já me tinham feito: «<em>What is your business in America?</em>» Explico-lhe que venho entrevistar Dan Brown. «<em>What does he do?</em>», quer ele saber. É um escritor, respondo. «<em>A writer? Really? Never heard of him.</em>» </p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Flying to Boston</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/flying-to-boston/</link>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 06:22:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Daqui a nada, levanto voo em direcção a Boston, com escala em Philadelphia. Objectivo: entrevistar em Exeter, na próxima segunda-feira, o rei dos best-sellers. Sim, esse mesmo. Dan Brown. Até quarta-feira, dia do regresso (e do jet lag), a actualização do blogue será uma incógnita. Espero escrever alguma coisa, mas não prometo.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Daqui a nada, levanto voo em direcção a Boston, com escala em Philadelphia. Objectivo: entrevistar em Exeter, na próxima segunda-feira, o rei dos <em>best-sellers</em>. Sim, esse mesmo. Dan Brown. Até quarta-feira, dia do regresso (e do <em>jet lag</em>), a actualização do blogue será uma incógnita. Espero escrever alguma coisa, mas não prometo.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bibliotecariodebabel.com/geral/flying-to-boston/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-do-actual-54/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-do-actual-54/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 21:20:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[- Caim, de José Saramago (Caminho), por António Guerreiro
- A Sombra do que Fomos, de Luis Sepúlveda (Porto Editora), por Vítor Quelhas
- O Milionário de Lisboa, de José Norton (Livros d’Hoje), por Luísa Mellid-Franco
- História da Primeira República Portuguesa, coordenação de Fernando Rosas e Maria Fernanda Rollo (Tinta da China), por António Valdemar
- As Extraordinárias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- <em>Caim</em>, de José Saramago (Caminho), por António Guerreiro<br />
- <em>A Sombra do que Fomos</em>, de Luis Sepúlveda (Porto Editora), por Vítor Quelhas<br />
- <em>O Milionário de Lisboa</em>, de José Norton (Livros d’Hoje), por Luísa Mellid-Franco<br />
- <em>História da Primeira República Portuguesa</em>, coordenação de Fernando Rosas e Maria Fernanda Rollo (Tinta da China), por António Valdemar<br />
- <em>As Extraordinárias Aventuras da Justiça Portuguesa</em>, de Sofia Pinto Coelho (A Esfera dos Livros), por Ricardo Marques<br />
- <em>O que não faz de ti um budista</em>, de Dzongsar Jamyang Khyentse (Lua de Papel), por José Guardado Moreira<br />
- <em>Viva a Malta do Liceu!</em>, coordenação de Miguel Anacoreta Correia (Chá de Caxinde), por Nicolau Santos<br />
- <em>XX Dias</em>, de Rui Miguel Ribeiro (Averno), por José Mário Silva</p>
]]></content:encoded>
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		<title>‘Enciclopédia da Estória Universal’ (booktrailer)</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 17:11:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Afonso Cruz]]></category>
		<category><![CDATA[YouTube]]></category>

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		<description><![CDATA[
Um pequeno filme precioso para um pequeno livro precioso.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zYo7X_prd8M&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/zYo7X_prd8M&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Um pequeno filme precioso para um pequeno livro precioso.</p>
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		<title>Booklife Now</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 15:59:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blogosfera]]></category>
		<category><![CDATA[Jeff VanderMeer]]></category>

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		<description><![CDATA[O escritor norte-americano Jeff VanderMeer está a lançar um novo livro, intitulado Strategies and Survival Tips for the 21st Century Writer. Em paralelo, mantém este blogue que serve de «support» e «supplement» do seu guia de sobrevivência para escritores na era da Web 2.0. A acompanhar.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O escritor norte-americano <a href="http://www.jeffvandermeer.com/">Jeff VanderMeer</a> está a lançar um novo livro, intitulado <em><a href="http://www.amazon.com/Booklife-Strategies-Survival-Century-Writer/dp/1892391902/">Strategies and Survival Tips for the 21st Century Writer</a></em>. Em paralelo, mantém este <a href="http://booklifenow.com/">blogue</a> que serve de «<em>support</em>» e «<em>supplement</em>» do seu guia de sobrevivência para escritores na era da Web 2.0. A acompanhar.</p>
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		<title>Filipe Seems fechado numa caixa</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 18:41:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Os três volumes da série &#8220;As Aventuras de Filipe Seems&#8221; (ASA), da dupla António Jorge Gonçalves (desenho) e Nuno Artur Silva (texto), vão ser postos à venda a partir de 27 de Outubro, numa edição especial em capa dura. A trilogia, composta pelos álbuns Ana, A História do Tesouro Perdido e A Tribo dos Sonhos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os três volumes da série &#8220;As Aventuras de Filipe Seems&#8221; (ASA), da dupla António Jorge Gonçalves (desenho) e Nuno Artur Silva (texto), vão ser postos à venda a partir de 27 de Outubro, numa edição especial em capa dura. A trilogia, composta pelos álbuns <em>Ana</em>, <em>A História do Tesouro Perdido</em> e <em>A Tribo dos Sonhos Cruzados</em>, vem dentro de uma caixa que inclui ainda o DVD do espectáculo <em>Conspiração</em>, criado por AJG e NAS a partir do imaginário da série.</p>
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		<title>O Kindle (da Amazon) já tem um rival do seu campeonato</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 17:48:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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É o Nook (da Barnes &#038; Noble). O Nook vai custar 259 dólares e entretanto, ó surpresa, o Kindle, que custava 279 dólares, passou a custar menos 20.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://image3.examiner.com/images/blog/EXID26726/images/1020_nk_03.jpg" alt="" /></p>
<p>É o <a href="http://www.thebookseller.com/news/100558-barnes--noble-unveils-its-nook.html">Nook</a> (da Barnes &#038; Noble). O Nook vai custar 259 dólares e entretanto, ó surpresa, o Kindle, que custava 279 dólares, <a href="http://www.thebookseller.com/news/100633-amazon-drops-price-of-international-kindle.html">passou a custar menos 20</a>.</p>
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		<title>Ainda não sabe como acabar a sua peça de teatro?</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 17:07:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>

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		<description><![CDATA[Calma, não se preocupe. Alguém decidiu facilitar-lhe a vida, reunindo aqui 42 desenlaces possíveis para o sempre difícil terceiro acto.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Calma, não se preocupe. Alguém decidiu facilitar-lhe a vida, reunindo aqui <a href="http://dresdencodak.com/2009/05/11/42-essential-3rd-act-twists/">42 desenlaces</a> possíveis para o sempre difícil terceiro acto.</p>
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		<title>Almedina Mobile: uma livraria no telemóvel</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 14:56:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livrarias]]></category>

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		<description><![CDATA[As Livrarias Almedina apresentaram hoje duas novas funcionalidades para telemóvel, desenvolvidas pelos seus próprios serviços de informática. Segundo os responsáveis da empresa, estas funcionalidades prometem «revolucionar a pesquisa, reserva e compra de livros em Portugal». Conferir aqui.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>As Livrarias Almedina apresentaram hoje duas novas funcionalidades para telemóvel, desenvolvidas pelos seus próprios serviços de informática. Segundo os responsáveis da empresa, estas funcionalidades prometem «revolucionar a pesquisa, reserva e compra de livros em Portugal». Conferir <a href="http://www.almedina.net/catalog/mobile.php">aqui</a>.</p>
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		<title>Mais um regresso de Marx</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 14:49:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Karl Marx]]></category>

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		<description><![CDATA[
A Antígona vai trazer novamente Marx para os escaparates, num livro que reúne dois textos que estão entre os menos conhecidos do filósofo e nos quais este «censura o proteccionismo com tanto ou maior em­penho do que o que empresta à crítica do comércio livre». Tradução de José Miranda Justo. Prefácio de José Neves. A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/marx.jpg" alt="marx" title="marx" width="264" height="400" class="alignnone size-full wp-image-6445" /></p>
<p>A Antígona vai trazer novamente Marx para os escaparates, num livro que reúne dois textos que estão entre os menos conhecidos do filósofo e nos quais este «censura o proteccionismo com tanto ou maior em­penho do que o que empresta à crítica do comércio livre». Tradução de José Miranda Justo. Prefácio de José Neves. A partir de 6 de Novembro.</p>
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		<title>‘As Três Vidas’ de João Tordo em francês</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 14:20:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mundo editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[João Tordo]]></category>

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		<description><![CDATA[O romance As Três Vidas, de João Tordo (QuidNovi), que acaba de ganhar, por unanimidade, o Prémio José Saramago 2009, vai ser editado em França pela Actes Sud, com data de lançamento prevista para Fevereiro de 2010. Traduzido por Dominique Nédellec, Les Trois Vies é apresentado pela editora como a obra mais recente do «chef [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O romance <em>As Três Vidas</em>, de João Tordo (QuidNovi), que acaba de ganhar, por <a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/das-actas-do-juri/">unanimidade</a>, o Prémio José Saramago 2009, vai ser editado em França pela <a href="http://www.actes-sud.fr/">Actes Sud</a>, com data de lançamento prevista para Fevereiro de 2010. Traduzido por Dominique Nédellec, <em>Les Trois Vies</em> é apresentado pela editora como a obra mais recente do «<em><a href="http://www.actes-sud.fr/pro/presse/brochures/201001_201002.pdf">chef de file de la jeune garde des lettres portugaises</a></em>». </p>
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		<title>Romance de José Rodrigues dos Santos vai ser apresentado por ex-operacional da Al Qaeda</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 16:13:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[José Rodrigues dos Santos]]></category>

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		<description><![CDATA[Da editora Gradiva recebi o seguinte press-release, anunciando o surpreendente orador convidado para a apresentação de Fúria Divina:
«O novo romance de José Rodrigues dos Santos, Fúria Divina, vai ser apresentado em Lisboa por um dos primeiros operacionais da Al-Qaeda. Abdullah Yusuf já se encontra em Portugal, tendo chegado há alguns dias de África especificamente para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Da editora Gradiva recebi o seguinte <em>press-release</em>, anunciando o surpreendente orador convidado para a apresentação de <em>Fúria Divina</em>:</p>
<blockquote><p>«O novo romance de José Rodrigues dos Santos, <em>Fúria Divina</em>, vai ser apresentado em Lisboa por um dos primeiros operacionais da Al-Qaeda. Abdullah Yusuf já se encontra em Portugal, tendo chegado há alguns dias de África especificamente para apresentar esta obra.<br />
Abdullah Yusuf reuniu-se por diversas vezes com Osama Bin Laden no Afeganistão e foi autor de um atentado reivindicado pela Al-Qaeda. Contactado por José Rodrigues dos Santos durante o processo de pesquisa para a obra <em>Fúria Divina</em>, tornou-se consultor deste romance protagonizado por Tomás Noronha sobre o islão radical.<br />
Abdullah Yusuf irá falar este sábado, 24 de Outubro, na apresentação de <em>Fúria Divina</em>, cerimónia que está marcada para a praça central do Centro Colombo, em Lisboa, às 17h00 – um evento aberto ao público. Outro apresentador do novo romance de José Rodrigues dos Santos será o General Leonel Carvalho, antigo chefe do gabinete de segurança interna do Governo português.<br />
A cerimónia de apresentação do livro contará ainda com a representação teatral de uma cena de <em>Fúria Divina</em>, a cargo do grupo de teatro Fatias de Cá, de Tomar.»</p></blockquote>
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		<title>Café com Mário</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 10:58:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Que alguém reenvie, por favor, este link a José Saramago. Os voos para Bruxelas são fáceis de conseguir e parece-me que este deputado europeu precisa mesmo de umas dicas básicas sobre o que é isso da liberdade de expressão e o que é isso das diferenças entre teologia e literatura.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que alguém reenvie, por favor, este <a href="http://www.mariodavid.eu/cafe"><em>link</em></a> a José Saramago. Os voos para Bruxelas são fáceis de conseguir e parece-me que este deputado europeu precisa mesmo de umas dicas básicas sobre o que é isso da liberdade de expressão e o que é isso das diferenças entre teologia e literatura.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Aprendiz de Sousa Lara</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 10:49:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
«O eurodeputado social-democrata Mário David exortou hoje [ontem] o escritor José Saramago a renunciar à cidadania portuguesa por se sentir &#8220;envergonhado&#8221; com as recentes declarações do Nobel da Literatura sobre a Bíblia. No sítio pessoal na Internet, o vice-presidente do Partido Popular Europeu (PPE), eleito pelo PSD, escreveu hoje [ontem] que José Saramago &#8220;há uns [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://www.parlamentoglobal.pt/NR/rdonlyres/AB19BFC8-8791-41C2-BD19-DBDDE5F8518E/14553/mario_david_MANCHETE.jpg" alt="" /></p>
<p><a href="http://www.google.com/hostednews/epa/article/ALeqM5i-e7sjKTPH6QvOgBrlhXxO1r3KEg">«O eurodeputado social-democrata Mário David exortou hoje [ontem] o escritor José Saramago a renunciar à cidadania portuguesa por se sentir &#8220;envergonhado&#8221; com as recentes declarações do Nobel da Literatura sobre a Bíblia. No sítio pessoal na Internet, o vice-presidente do Partido Popular Europeu (PPE), eleito pelo PSD, escreveu hoje [ontem] que José Saramago &#8220;há uns anos, fez a ameaça de renunciar à cidadania portuguesa. Na altura, pensei quão ignóbil era esta atitude. Hoje, peço-lhe que a concretize&#8230; E depressa!&#8221;»</a> </p>
<p>A pérola de intolerância e tacanhez mental do vice-presidente do Partido Popular Europeu pode ser lida na íntegra <a href="http://www.mariodavid.eu/saramago-ja-chega">aqui</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Uma volta de autocarro por Newark, com Philip Roth</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/imprensa-estrangeira/uma-volta-de-autocarro-por-newark-com-philip-roth/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 07:02:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Philip Roth]]></category>

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		<description><![CDATA[Em Newark, cidade natal de Philip Roth, há um autocarro turístico que percorre muitos dos locais referidos pelo escritor nos seus romances. No passado fim-de-semana, os alunos do Weequahic High School que iam no autocarro descobriram-se lado a lado com um passageiro especial: o próprio Roth. Notícia no The Guardian e reportagem num jornal local [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em Newark, cidade natal de Philip Roth, há um autocarro turístico que percorre muitos dos locais referidos pelo escritor nos seus romances. No passado fim-de-semana, os alunos do Weequahic High School que iam no autocarro descobriram-se lado a lado com um passageiro especial: o próprio Roth. <a href="http://www.guardian.co.uk/books/2009/oct/20/philip-roth-bus-tour-newark">Notícia</a> no <em>The Guardian</em> e <a href="http://blog.nj.com/njv_mark_diionno/2009/10/a_tour_of_phillip_roths_newark.html">reportagem</a> num jornal local (<em>Newark Star Ledger</em>).</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Da escrita como obsessão</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/cronicas/da-escrita-como-obsessao/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 14:52:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Alain-Paul Mallard]]></category>

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		<description><![CDATA[
A verdade é que já não me lembro onde comprei este livro, nem porquê. Estava ali na estante, fininho, à espera, com a sua capa sombria (uma toupeira coberta de insectos, pendurada de um ramo por uma corda) e o seu título misterioso: Évocation de Matthias Stimmberg suivi de Six notes autour de l’écriture et [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://www.images-chapitre.com/ima3/big/899/158899_2703943.jpg" alt="" /></p>
<p>A verdade é que já não me lembro onde comprei este livro, nem porquê. Estava ali na estante, fininho, à espera, com a sua capa sombria (uma toupeira coberta de insectos, pendurada de um ramo por uma corda) e o seu título misterioso: <em>Évocation de Matthias Stimmberg suivi de Six notes autour de l’écriture et de l’obsession</em> (Bibliophane-Daniel Radford, 93 págs., 2003). Hoje peguei-lhe. E apercebi-me que fui traído pelo nome do autor, Alain-Paul Mallard, que julguei francês. Na verdade é mexicano, nasceu em 1970 e vive actualmente em Paris, onde trabalha como realizador de cinema. A sua bibliografia resume-se a este livro, cuja primeira parte já tinha sido publicada no México, em 1995, e a <em>Recels</em>, outro volume de prosas curtas, editado já este ano por L’Arbre Vengeur.<br />
Uma rápida consulta ao Google desfaz uma dúvida: e se Mallard, como o Matthias Stimmberg evocado nestas ficções, fosse um escritor imaginário? Não é. A informação <em>online</em> revelou-se escassa, mas encontrei um vídeo, fotos, algumas recensões e uma nota biográfica que menciona a «lenda familiar» segundo a qual o seu nome proveio de um soldado, participante na expedição militar francesa ao México (1861-1867), que se terá perdido nas margens do rio Papaloapan, no sul do estado de Veracruz.<br />
Comecemos pelas notas «em volta da obsessão e da escrita», preparadas para um colóquio internacional de «jovens narradores», em que Mallard se cruzou, entre outros, com o dominicano Junot Díaz, autor de <em><a href="http://bibliotecariodebabel.com/criticas/a-maldicao-dominicana/">A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao</a></em>, excelente romance de estreia que ganhou o Pulitzer de Ficção em 2008. Na sua intervenção, Mallard começa por lembrar uma célebre frase de Freud – «a cultura engendra a neurose» – com a intenção de a inverter, mostrando que a neurose também pode engendrar a cultura; ou, mais especificamente, a literatura. Pelo simples facto de que «complicam o problema humano», os desequilíbrios (psicológicos ou de personalidade) serão sempre propícios à criatividade literária. Mallard concentra-se sobretudo no modo como o comportamento obsessivo condiciona, desbloqueia ou alimenta o trabalho de escrita de alguns autores. Francis Ponge, por exemplo. Durante quase um terço da sua vida, de 1942 a 1967, o autor de <em>O Partido Tomado Pelas Coisas</em> procurou fixar com palavras a natureza escorregadia e evanescente do sabão, até que reuniu em livro o somatório de todas essas tentativas e «ângulos de ataque», as «declinações sucessivas» de um mesmo tema, com «intuições, avanços, naufrágios, contra-sensos». Houve no projecto de Ponge tanto de obsessão como de perseverança, resume Mallard, mas acima de tudo houve uma «lição de escrita».<br />
Caso distinto é o de Juan Rulfo, em que o temperamento obsessivo, mais do que conduzir à persistência num tema, é um «garante da forma». Entre a primeira e a segunda edição de <em>A Planície em Chamas</em> (edição portuguesa da Cavalo de Ferro), Rulfo introduziu pequenas variantes lexicais que são exemplos do <em>mot juste</em> flaubertiano, reflectindo uma vontade de levar até ao limite a coerência textual e de fixar «definitivamente» a prosa literária. O que Mallard pretende, em última análise, é estabelecer para si mesmo uma <em>praxis</em> da escrita que passa pela máxima exigência estética. Um texto só deve ser publicado quando as partes que o constituem encontraram a sua forma final. E isso implica uma «batalha contra a linguagem». Uma batalha sem tréguas. E das duas uma: ou se consegue dominá-la, ou se acaba dominado por ela. Seja como for, para Mallard escrever é sempre «servir a linguagem», porque «desde que Borges demonstrou a existência da página perfeita» temos o dever de aspirar a essa perfeição.<br />
Costuma dizer-se que entre a teoria e a prática há sempre uma certa distância, mas isso não se aplica a Alain-Paul Mallard. Em <em>Évocation de Matthias Stimmberg</em>, ele cumpre à risca o que defende nas notas. Máximo rigor verbal, máximo depuramento, máximo efeito literário. A primeira versão destes contos tinha 200 páginas; a final, pouco mais de 50. A reescrita foi tão furiosa que o escritor colombiano Alvaro Mutis terá dito: «é preciso arrancar-lhe o livro antes que ele desapareça». Como o sabão de Francis Ponge.</p>
<p>[Texto publicado no n.º 83 da revista <em>Ler</em>]</p>
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		<title>Nota final (em letra muito, muito pequena)</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 00:34:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Só na última página do livro de Rui Miguel Ribeiro é que confirmamos o que já suspeitávamos: «Estes poemas foram escritos durante o meu internamento no Instituto Português de Oncologia de Lisboa, Francisco Gentil, na UTM, entre Março e Abril de 2009».
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Só na última página do livro de Rui Miguel Ribeiro é que confirmamos o que já suspeitávamos: «Estes poemas foram escritos durante o meu internamento no Instituto Português de Oncologia de Lisboa, Francisco Gentil, na UTM, entre Março e Abril de 2009».</p>
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		<title>Três poemas de Rui Miguel Ribeiro</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 00:22:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Rui Miguel Ribeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[ROSE, GOLD, LANDSCAPE OR ANOTHER*
Podemos sempre falar em depois.
A rosa artificial que me antecedeu
permanece indiferente com as
suas manchas de ouro, voltada
sobre a imagem da cidade.
Tantas foram as já nomeadas,
mas esta também tem a sua virtude,
espinhos de plástico que simulam
o atrito de viver que são estes dias.
Duração resistente ao tempo,
ao apetite e ao sol que a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ROSE, GOLD, LANDSCAPE OR ANOTHER*</p>
<p><em>Podemos sempre falar em depois.<br />
A rosa artificial que me antecedeu<br />
permanece indiferente com as<br />
suas manchas de ouro, voltada<br />
sobre a imagem da cidade.</p>
<p>Tantas foram as já nomeadas,<br />
mas esta também tem a sua virtude,<br />
espinhos de plástico que simulam<br />
o atrito de viver que são estes dias.</p>
<p>Duração resistente ao tempo,<br />
ao apetite e ao sol que a cobre<br />
pela mesma indiferença.<br />
Na fronteira de ser, a sua sombra<br />
tem mais vida e quase chega até mim.</p>
<p>Rosa, ouro e olhar, desperta<br />
na sua duplicidade o desejo<br />
e a plenitude de amar,<br />
contra o vidro que me separa.</em></p>
<p>* Verso de Stephen Spender</br><br />
O FRUTO</p>
<p><em>Registam a febre e o coração.<br />
Neste fim de março em que<br />
não vejo árvores de fruto,<br />
chegam-me as novas da minha<br />
nespereira, pejada, dizem-me.<br />
À espera, como o meu sangue,<br />
de que a vida seja uma protecção<br />
adocicada, carnuda e macia,<br />
pronta a colher.</em></br><br />
A TARDE</p>
<p><em>Nesta desaceleração<br />
espero que os dias corram iguais,<br />
uniformes e sem resistência.<br />
Procuro de cada mistério<br />
entender o mais simples.<br />
Fico pelo que é mais rente,<br />
mais sólido, com menos construção.</p>
<p>Já não chega ter os horários,<br />
as entregas e as rotinas,<br />
para aceitar o ritmo de furo lento<br />
da vida. Mais próximo cresce o detalhe.<br />
É mais precisa a dúvida.</p>
<p>Cai a tarde e a pausa continua<br />
e com ela expira o natural desejo<br />
de um prazer, um apetite pela<br />
diagonal de luz que vai dividindo<br />
o espaço, a marca invisível<br />
que fica de mais um dia.</em></p>
<p>[in <em>XX Dias</em>, Averno, 2009]</p>
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		<title>O fim das Quasi</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 22:19:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mundo editorial]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabei de saber, pelo Twitter do Carlos Vaz Marques, que as Quasi Edições declararam falência. Lamento muito. Com altos e baixos, o projecto de Jorge Reis-Sá (e de valter hugo mãe, na fase inicial) foi importantíssimo na revelação de novos poetas. Pode dizer-se que o catálogo é desequilibrado, e é, mas no meio de livros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabei de saber, pelo <a href="http://twitter.com/cvazmarques/status/4993450729">Twitter do Carlos Vaz Marques</a>, que as <a href="http://www.quasi.com.pt/">Quasi Edições</a> declararam falência. Lamento muito. Com altos e baixos, o projecto de Jorge Reis-Sá (e de valter hugo mãe, na fase inicial) foi importantíssimo na revelação de novos poetas. Pode dizer-se que o catálogo é desequilibrado, e é, mas no meio de livros fraquinhos encontrámos sempre boas surpresas (Rui Cóias, Tiago Araújo, Paulo Tavares, António Gregório) e algumas revelações fundamentais (casos de Ana Paula Inácio, Rui Lage e, já este ano, Nuno Rocha Morais), além de uma excelente escolha de poesia brasileira (Murilo Mendes, Manoel de Barros, Carlos Nejar, Eucanaã Ferraz, etc.).<br />
Também por ter diversificado a sua actividade, entrando no nicho das publicações para jornais e abrindo uma <a href="http://lojadasquasi.blogspot.com/">loja ambiciosa</a> em Famalicão, as Quasi pareciam o exemplo perfeito de pequena editora capaz de se aguentar num mercado difícil. Pelos vistos, não era bem assim. Ou então a crise veio na pior altura e certos investimentos tornaram-se demasiado pesados. Não sei. Só sei que é pena que um projecto destes desapareça. E é um sinal preocupante do que pode vir a acontecer ao meio editorial português, cada vez mais confinado a uma lógica de grandes concentrações empresariais e cada vez com menos espaço para projectos alternativos.</p>
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		<title>Nova edição de ‘A Terra das Ameixas Verdes’</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 21:02:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Herta Müller]]></category>

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		<description><![CDATA[
A Difel não perdeu tempo. Semana e meia após o anúncio do Nobel de Literatura para Herta Müller, acaba de reeditar o até agora esgotado A Terra das Ameixas Verdes (1999). A tiragem, pelo que me informou fonte da editora, andará entre os três mil e os cinco mil exemplares.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/ameixas_verdes.jpg" alt="ameixas_verdes" title="ameixas_verdes" width="179" height="272" class="alignnone size-full wp-image-6399" /></p>
<p>A Difel não perdeu tempo. Semana e meia após o anúncio do Nobel de Literatura para Herta Müller, acaba de reeditar o até agora esgotado <em>A Terra das Ameixas Verdes</em> (1999). A tiragem, pelo que me informou fonte da editora, andará entre os três mil e os cinco mil exemplares.</p>
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		<title>Será que o cérebro gosta de e-books?</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 20:19:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Respostas e discussão, aqui. 
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Respostas e discussão, <a href="http://roomfordebate.blogs.nytimes.com/2009/10/14/does-the-brain-like-e-books/">aqui</a>. </p>
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		<title>‘A Flor Fatal’</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 20:12:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blogosfera]]></category>
		<category><![CDATA[Fernanco Cabral Martins]]></category>

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		<description><![CDATA[Eis o título do romance que Fernando Cabral Martins lança, ainda este mês, na Assírio &#038; Alvim. E eis também o blogue em que ele escreve sobre o que o livro é e o que dele podemos esperar. O último post funciona como quase-sinopse:
«Se a cidade é apenas sugerida, as personagens ganham uma existência qualquer.
Um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eis o título do romance que Fernando Cabral Martins lança, ainda este mês, na Assírio &#038; Alvim. E eis também o <a href="http://aflorfatal.blogspot.com/">blogue</a> em que ele escreve sobre o que o livro é e o que dele podemos esperar. O último <em>post</em> funciona como quase-sinopse:</p>
<blockquote><p>«Se a cidade é apenas sugerida, as personagens ganham uma existência qualquer.<br />
Um que trabalha como professor fica desanimado porque a sua aluna de eleição resolveu desaparecer.<br />
Outro é um contínuo vagabundo dedicado às drogas.<br />
A adolescente inigualável cresce e, de repente, dedica-se a uma espécie de prostituição.<br />
Três pequenos enigmas típicos.»</p></blockquote>
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		<title>Das actas do júri</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Oct 2009 11:06:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Excertos de algumas das declarações de voto do júri do Prémio José Saramago, que decidiu premiar o mais recente romance de João Tordo por unanimidade:
«Este é um romance com uma boa definição no que diz respeito à efabulação romanesca, à definição de personagens, à arquitectura da intriga, à fluidez da linguagem, à precisão descritiva e, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Excertos de algumas das declarações de voto do júri do Prémio José Saramago, que decidiu premiar o mais recente romance de João Tordo por unanimidade:</p>
<p>«Este é um romance com uma boa definição no que diz respeito à efabulação romanesca, à definição de personagens, à arquitectura da intriga, à fluidez da linguagem, à precisão descritiva e, finalmente, à manutenção de um quase permanente estado de suspensão e surpresa – o qual tem, aliás, o supremo mérito de tornar o leitor literalmente prisioneiro da sua própria curiosidade enquanto descobridor de intrigas e mistérios.»<br />
[Manuel Frias Martins] </p>
<p>«<em>As Três Vidas</em> é um relato em que realçam o talento e a primorosa linguagem do seu autor. E conquanto o jovem narrador cometa às vezes excessos narrativos no afã de não deixar perguntas sem respostas, de não permitir que a história humana seja talhada pelo silêncio, seu empenho criador emociona. Leva-nos a convicção de que estamos diante de um escritor cuja notável vocação narradora não se furta em nenhum momento de analisar a brutalidade da vida que nos habita.»<br />
[Nelida Piñon]</p>
<p>«O meu voto vai para João Tordo e <em>As Três Vidas</em> pelo domínio da técnica narrativa, pela força das vozes e pela maneira como o autor transforma uma situação do quotidiano numa experiência de dilaceramento que se vai insinuando ao longo da obra à medida que o mistério ganha corpo e se redesenha numa arte combinatória que permite contar histórias e desvendar para o leitor parte importante da história do século XX.»<br />
[Ana Paula Tavares]</p>
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		<title>Prémio José Saramago passa a ter uma versão para a língua castelhana</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/premio-jose-saramago-passa-a-ter-uma-versao-para-a-lingua-castelhana/</link>
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		<pubDate>Sat, 17 Oct 2009 13:05:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Joan Tarrida, um dos principais responsáveis editoriais da Bertelsmann em Portugal, anunciou em Penafiel que o Prémio José Saramago vai ser atribuído nos dois países da Península Ibérica, em anos alternados, já a partir de 2010. A versão espanhola em nada se diferenciará da portuguesa: é para autores com menos de 35 anos, na área [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Joan Tarrida, um dos principais responsáveis editoriais da Bertelsmann em Portugal, anunciou em Penafiel que o Prémio José Saramago vai ser atribuído nos dois países da Península Ibérica, em anos alternados, já a partir de 2010. A versão espanhola em nada se diferenciará da portuguesa: é para autores com menos de 35 anos, na área geográfica da língua castelhana (ou seja, Espanha e toda a América Latina; excepto o Brasil, claro).</p>
]]></content:encoded>
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		<title>70%</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Oct 2009 11:48:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[João Tordo]]></category>
		<category><![CDATA[José Saramago]]></category>

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		<description><![CDATA[Presente no Museu Municipal de Penafiel para a atribuição do Prémio que ostenta o seu nome, José Saramago insistiu nesta ideia: «Tal como o corpo humano é composto por 70% de água, a literatura compõe-se de 70% de linguagem.» Após um discurso improvisado e longo, cheio de derivas e referências aos clássicos (Padre António Vieira, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Presente no Museu Municipal de Penafiel para a atribuição do Prémio que ostenta o seu nome, José Saramago insistiu nesta ideia: «Tal como o corpo humano é composto por 70% de água, a literatura compõe-se de 70% de linguagem.» Após um discurso improvisado e longo, cheio de derivas e referências aos clássicos (Padre António Vieira, D. Francisco Manuel de Melo), Saramago dirigiu-se por fim a João Tordo, dizendo-lhe (talvez com menos entusiasmo do que seria de esperar) que gostou de <em>As Três Vidas</em>, obra que revela raros dotes de efabulação: «Ele não perde nunca o pé na narrativa, nunca se afoga.» E depois deixou um conselho: «Caro João, cuide sempre da linguagem, defenda-a, proteja-a. Não se esqueça: ela é 70% da arte literária.»<br />
Quanto a João Tordo, afirmou ser este um prémio que premeia o futuro e não o passado. «É para o que ainda se vai fazer, não para o que já se fez.»</p>
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		<item>
		<title>E o vencedor do Prémio José Saramago 2009 é…</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/e-o-vencedor-do-premio-jose-saramago-2009-e/</link>
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		<pubDate>Sat, 17 Oct 2009 11:17:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Prémios]]></category>

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		<description><![CDATA[
João Tordo, pelo romance As Três Vidas (QuidNovi).
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://3.bp.blogspot.com/_oBDDI-oB1SI/SnBN9UVjyoI/AAAAAAAAEg8/u1So-gFZ9Rw/s320/Jo%C3%A3o+Tordo.jpg" alt="" /></p>
<p>João Tordo, pelo romance <em>As Três Vidas</em> (QuidNovi).</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-do-actual-53/</link>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 20:48:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[- O Sindicato dos Polícias Iídiches, de Michael Chabon (Casa das Letras), por Rogério Casanova
- Juventude Sem Deus, de Ödön von Horváth (Via Occidentalis), por Mário Santos
- Os Irmãos Tanner, de Robert Walser (Relógio d&#8217;Água), por Ana Cristina Leonardo
- Caderno Afegão, de Alexandra Lucas Coelho (Tinta da China), por Cristina Margato
- O Mundo Perdido do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- <em>O Sindicato dos Polícias Iídiches</em>, de Michael Chabon (Casa das Letras), por Rogério Casanova<br />
- <em>Juventude Sem Deus</em>, de Ödön von Horváth (Via Occidentalis), por Mário Santos<br />
- <em>Os Irmãos Tanner</em>, de Robert Walser (Relógio d&#8217;Água), por Ana Cristina Leonardo<br />
- <em>Caderno Afegão</em>, de Alexandra Lucas Coelho (Tinta da China), por Cristina Margato<br />
- <em>O Mundo Perdido do Comunismo</em>, de Peter Molloy (Bertrand), por Luís M. Faria<br />
- <em>Marvão &#8211; À Mesa com a Tradição</em>, de Adelaide Martins, Emília Mena e Teresa Simão (Colibri), por Alexandra Carita<br />
- <em>Ruy d&#8217;Athouguia &#8211; A Modernidade em Aberto</em>, de Graça Correia (Caleidoscópio), por José Manuel Fernandes</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-do-actual-53/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>Mais uma tradução de ‘O Monte dos Vendavais’</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/mais-uma-traducao-de-o-monte-dos-vendavais/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/geral/mais-uma-traducao-de-o-monte-dos-vendavais/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 19:08:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
Depois das versões de Ana Maria Chaves (Dom Quixote) e do casal Maria Franco/Cabral do Nascimento (Relógio d&#8217;Água), chega agora a de Fernanda Pinto Rodrigues (Presença).
Nas livrarias a 20 de Outubro.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/Monte_dos_Vendavais.jpg" alt="Monte_dos_Vendavais" title="Monte_dos_Vendavais" width="259" height="400" class="alignnone size-full wp-image-6384" /></p>
<p>Depois das versões de Ana Maria Chaves (Dom Quixote) e do casal Maria Franco/Cabral do Nascimento (Relógio d&#8217;Água), chega agora a de Fernanda Pinto Rodrigues (Presença).<br />
Nas livrarias a 20 de Outubro.</p>
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		<title>Quatro poemas de José Tolentino Mendonça</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 18:00:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[José Tolentino Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[GRAFITO
«O poema é o acto espiritual
por excelência»
E. Levinas
O poema pode conter:
coisas certas, coisas incorrectas, venenos para manter fora do alcance
excursões campestres, falhas de memória
uma bicicleta caída junto às primeiras paixões sombrias
Pode conter Le matin, Le midi, Le soir
audácias típicas de um visionário
uma guerra civil
um disco dos Smiths
correntes marítimas em vez de correntes literárias
DE PROFUNDIS
Faltam aos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>GRAFITO</p>
<p>«O poema é o acto espiritual<br />
por excelência»<br />
E. Levinas</p>
<p><em>O poema pode conter:<br />
coisas certas, coisas incorrectas, venenos para manter fora do alcance<br />
excursões campestres, falhas de memória<br />
uma bicicleta caída junto às primeiras paixões sombrias<br />
Pode conter Le matin, Le midi, Le soir<br />
audácias típicas de um visionário<br />
uma guerra civil<br />
um disco dos Smiths<br />
correntes marítimas em vez de correntes literárias</em></br><br />
DE PROFUNDIS</p>
<p><em>Faltam aos planos das cidades<br />
esfinges aladas<br />
palmas fora de tempo, matagais<br />
pequenos acrescentos a vermelho</p>
<p>Faltam atlas com algum detalhe<br />
para as emissões nocturnas<br />
nos agudos da nossa incerteza<br />
falta uma beleza<br />
a olhar por nós<br />
indiscernível, entreaberta ainda</p>
<p>Talvez a nós próprios falte<br />
essa grande medida<br />
insondáveis cordas na travessia<br />
uma juventude que o mundo possa<br />
documentar</p>
<p>os teus olhos são o que resta<br />
dos livros sagrados<br />
e da grande pintura perdida</em></br><br />
UMA TAÇA ÁTICA</p>
<p><em>Aos heróis pertenciam formas de veneração<br />
talvez o aspecto do mundo antigo mais renegado<br />
pelo nosso século extinto</p>
<p>Não seriam diferentes de nós:<br />
temiam as estações severas<br />
o idioma da névoa<br />
o instante de vidro<br />
onde a respiração se quebra</p>
<p>Mas a vida era para eles um sopro<br />
que levavam sempre consigo<br />
aurora incólume em expansão</p>
<p>Quando Orfeu cantou diante do Hades<br />
as filhas de Danao interromperam a tarefa<br />
Tântalo esqueceu fome e sede<br />
Sísifo sentou-se sobre a pedra<br />
e diz-se que até Caronte<br />
por momentos abandonou<br />
a nave onde nos leva</em></br><br />
RELATÓRIO DE BENS</p>
<p><em>Esta é a oferta:<br />
prata e cobre, e linho fino,<br />
e peles de carneiro tingidas de vermelho,<br />
e peles de texugo,<br />
um cordão de trinta côvados<br />
e madeira preciosa</p>
<p>Na dobra escondida do mar<br />
uma campainha<br />
de ouro</em></p>
<p>[in <em>O Viajante Sem Sono</em>, Assírio &#038; Alvim, 2009]</p>
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		<title>Antígona recupera Tomás da Fonseca</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 13:18:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Republicano racionalista, livre-pensador abjurado pela Igreja Católica e escritor subversivo, Tomás da Fonseca (1877-1968) foi ostracizado antes do 25 de Abril e esquecido depois da revolução. Aproveitando a aproximação do centenário da proclamação da República, a Antígona decidiu reeditar este autor que se colocou, nas palavras de João Macdonald, «permanentemente na linha da frente do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Republicano racionalista, livre-pensador abjurado pela Igreja Católica e escritor subversivo, Tomás da Fonseca (1877-1968) foi ostracizado antes do 25 de Abril e esquecido depois da revolução. Aproveitando a aproximação do centenário da proclamação da República, a Antígona decidiu reeditar este autor que se colocou, nas palavras de João Macdonald, «permanentemente na linha da frente do arriscado confronto político».<br />
Saúde-se então a Antígona, por agitar as águas e trazer de novo para a luz quem desconstruiu alguns dos mitos mais bafientos da História portuguesa, como os dois volumes agora lançados demonstram.</p>
<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/cova.jpg" alt="cova" title="cova" width="247" height="400" class="alignnone size-full wp-image-6370" /></p>
<p>Em na <em>Cova dos Leões</em>, um conjunto de devastadoras cartas ao Cardeal Cerejeira sobre a questão de Fátima, Tomás da Fonseca apresenta as aparições da Cova da Iria como sendo uma «escandalosa fraude», uma «ignóbil farsa», um «delito premeditado» e o «maior embuste do século», explicando como a coisa foi engendrada por vários «empresários» do catolicismo. Numa espécie de sinopse em cinco linhas, estampada na contracapa, a Antígona não faz a coisa por menos: para os editores refractários, este é «o livro mais anticlerical de sempre, que desmonta e denuncia a grande e espectacular mentira de Fátima, humilhando a Igreja e a padralhada em geral».</p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/condestavel.jpg" alt="condestavel" title="condestavel" width="264" height="400" class="alignnone size-full wp-image-6371" /></p>
<p>O segundo livro é o antídoto perfeito para todas as hagiografias e ensaios panegíricos que se publicaram este ano sobre Nuno de Santa Maria Álvares Pereira, o fundador da Casa de Bragança que o Vaticano canonizou a 26 de Abril de 2009. Escrito em 1932, este <em>O Santo Condestável &#8211; Alegações do Cardeal Diabo</em> argumenta o absurdo de se considerar sequer santificável a figura do general de D. João I, entre outras coisas porque «o Condestável foi sempre um arrogante e um poço de vaidade, um mestre na arte de matar e de triunfar».</p>
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		<title>Mais prémios</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 23:34:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Prémios]]></category>

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		<description><![CDATA[Outubro é o mês de todos os prémios literários. Hoje ficaram a conhecer-se os resultados dos seguintes:
Prémio Literário Fernando Namora (instituído pela Estoril Sol, 25 mil euros) &#8211; A Sala Magenta, de Mário de Carvalho (Caminho). Júri: Vasco Graça Moura (presidente), Guilherme D&#8217;Oliveira Martins, José Manuel Mendes, Maria Carlos Gil Loureiro, Manuel Frias Martins, Maria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outubro é o mês de todos os prémios literários. Hoje ficaram a conhecer-se os resultados dos seguintes:</p>
<p><strong>Prémio Literário Fernando Namora (instituído pela Estoril Sol, 25 mil euros)</strong> &#8211; <em>A Sala Magenta</em>, de Mário de Carvalho (Caminho). Júri: Vasco Graça Moura (presidente), Guilherme D&#8217;Oliveira Martins, José Manuel Mendes, Maria Carlos Gil Loureiro, Manuel Frias Martins, Maria Alzira Seixo, Liberto Cruz, Lima de Carvalho e Dinis de Abreu. Por maioria.</p>
<p><strong>Prémio P.E.N. Clube de Poesia</strong> (cinco mil euros) &#8211; <em>A Terceira Mão</em>, de Manuel Gusmão (Caminho). Júri: João David Pinto Correia (presidente), Fernando Pinto do Amaral e João Barrento. Por unanimidade.</p>
<p><strong>Prémio P.E.N. Clube de Ficção</strong> (cinco mil euros) &#8211; <em>Myra</em>, de Maria Velho da Costa (Assírio &#038; Alvim). Júri: Maria João Reynaud (presidente), Artur Anselmo e Isabel Pires de Lima. Por unanimidade.</p>
<p><strong>Prémio P.E.N. Clube de Ensaio</strong> (cinco mil euros) &#8211; <em>Novos ensaios helénicos e alemães</em>, de Frederico Lourenço (Cotovia), <em>ex-aequo</em> com <em>Kodakização e despolarização do real – para uma poética do grotesco na obra de Fialho de Almeida</em>, de Isabel Cristina Pinto Mateus (Caminho). Júri: Francisco Belard (presidente), Ernesto Rodrigues e Eunice Cabral. Por unanimidade.</p>
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		<title>Escritaria</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/escritaria/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 23:08:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Já começou a segunda edição da Escritaria, dedicada a José Saramago (o primeiro homenageado, em 2008, foi Urbano Tavares Rodrigues). A programação do encontro, que decorre em Penafiel até domingo, pode ser consultada aqui. Há também um blogue, onde se espera que surjam relatos do que vai acontecendo.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já começou a segunda edição da <a href="http://www.escritaria.pt/">Escritaria</a>, dedicada a José Saramago (o primeiro homenageado, em 2008, foi Urbano Tavares Rodrigues). A programação do encontro, que decorre em Penafiel até domingo, pode ser consultada <a href="http://www.escritaria.pt/pdf/programa-escritaria-jose-saramago.pdf">aqui</a>. Há também um <a href="http://blog.escritaria.pt/">blogue</a>, onde se espera que surjam relatos do que vai acontecendo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Galos &amp; moscas</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/criticas/galos-moscas/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 22:46:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[
O Galo de Sócrates
Autor: Leopoldo Alas «Clarín»
Título original: El Gallo de Sócrates
Tradução: Horácio Vaz
Editora: Palimpsesto
N.º de páginas: 75
ISBN: 978-989-95833-2-0
Ano de publicação: 2009
Leopoldo Alas (1852-1901), um escritor realista que assinava os seus textos com o pseudónimo «Clarín», entrou no cânone da literatura ibérica com La Regenta (1884-1885), uma narrativa de grande fôlego que é considerada por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://www.fnac.pt/Images/catalogo/livros/g/9789899583320.jpg" alt="" /></p>
<p><strong>O Galo de Sócrates</strong><br />
<em>Autor:</em> Leopoldo Alas «Clarín»<br />
<em>Título original: El Gallo de Sócrates</em><br />
<em>Tradução:</em> Horácio Vaz<br />
<em>Editora:</em> Palimpsesto<br />
<em>N.º de páginas:</em> 75<br />
<em>ISBN:</em> 978-989-95833-2-0<br />
<em>Ano de publicação:</em> 2009</p>
<p>Leopoldo Alas (1852-1901), um escritor realista que assinava os seus textos com o pseudónimo «Clarín», entrou no cânone da literatura ibérica com <em>La Regenta</em> (1884-1885), uma narrativa de grande fôlego que é considerada por muitos o melhor romance espanhol do século XIX. Colaborador assíduo de jornais e revistas, além de temível professor de Direito Natural, «Clarín» também cultivava as formas breves, tendo várias novelas e muitos contos na sua bibliografia. Foram justamente dois contos, e dos mais perfeitos, que a editora Palimpsesto resolveu publicar em português, impecavelmente traduzidos por Horácio Vaz. O registo é o da fábula irónica, com animais que falam e ridicularizam a estupidez humana, a bazófia dos sábios e o seguidismo acrítico de quem não sabe, ou não consegue, pensar pela própria cabeça.<br />
A primeira das histórias, <em>O Galo de Sócrates</em>, narra os esforços de Críton, discípulo do criador da maiêutica, para satisfazer o último pedido do mestre: «devemos um galo a Esculápio, não te esqueças de pagar esta dívida». Quando encontra um galináceo digno de ser oferecido ao deus da Medicina, Críton logo descobre que a ave é mais sofista do que o sofista Górgias, de cuja capoeira escapou. Loquaz, o bicho não perdoa e, lá no cimo de uma estátua, acusa-o de ser a «sombra de um morto»; de cacarejar «a Ideia», petrificando-a; de não compreender o que Sócrates quis dizer; e de simbolizar a «triste humanidade sectária». Só que é a humanidade sectária que tem pedras afiadas na mão e as lança, ficando assim com a última palavra.<br />
Uma lição que o animal do segundo conto, <em>A mosca sábia</em>, também aprenderá à sua custa, ao superar em sabedoria e desespero existencial Dom Eufrásio Macrocéfalo, o académico que lhe permitiu viver entre os livros da sua biblioteca, só porque não tinha o fundamento filosófico para a matar.<br />
Aliando uma absoluta precisão narrativa a um estilo buriladíssimo, estes textos de «Clarín» são duas pequenas obras-primas, divertidas e desconcertantes.</p>
<p><em>Avaliação:</em> 9/10</p>
<p>[Texto publicado no n.º 83 da revista <em>Ler</em>]</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Primeiro parágrafo do novo romance de José Saramago</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 10:20:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Excertos]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[José Saramago]]></category>

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		<description><![CDATA[«Quando o senhor, também conhecido como deus, se apercebeu de que a adão e eva, perfeitos em tudo o que apresentavam à vista, não lhes saía uma palavra da boca nem emitiam ao menos um simples som primário que fosse, teve de ficar irritado consigo mesmo, uma vez que não havia mais ninguém no jardim [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«Quando o senhor, também conhecido como deus, se apercebeu de que a adão e eva, perfeitos em tudo o que apresentavam à vista, não lhes saía uma palavra da boca nem emitiam ao menos um simples som primário que fosse, teve de ficar irritado consigo mesmo, uma vez que não havia mais ninguém no jardim do éden a quem pudesse responsabilizar pela gravíssima falta, quando os outros animais, produtos, todos eles, tal como os dois humanos, do faça-se divino, uns por meio de rugidos e mugidos, outros por roncos, chilreios, assobios e cacarejos, desfrutavam já de voz própria. Num acesso de ira, surpreendente em quem tudo poderia ter solucionado com outro rápido fiat, correu para o casal e, um após outro, sem contemplações, sem meias-medidas, enfiou-lhes a língua pela garganta abaixo. Dos escritos em que, ao longo dos tempos, vieram sendo consignados um pouco ao acaso os acontecimentos destas remotas épocas, quer de possível certificação canónica futura ou fruto de imaginações apócrifas e irremediavelmente heréticas, não se aclara a dúvida sobre que língua terá sido aquela, se o músculo flexível e húmido que se mexe e remexe na cavidade bucal e às vezes fora dela, ou a fala, também chamada idioma, de que o senhor lamentavelmente se havia esquecido e que ignoramos qual fosse, uma vez que dela não ficou o menor vestígio, nem ao menos um coração gravado na casca de uma árvore com uma legenda sentimental, qualquer coisa no género amo-te, eva. Como uma coisa, em princípio, não deveria ir sem a outra, é provável que um outro objectivo do violento empurrão dado pelo senhor às mudas línguas dos seus rebentos fosse pô-las em contacto com os mais profundos interiores do ser corporal, as chamadas incomodidades do ser, para que, no porvir, já com algum conhecimento de causa, pudessem falar da sua escura e labiríntica confusão a cuja janela, a boca, já começavam elas a assomar. Tudo pode ser. Evidentemente, por um escrúpulo de bom artífice que só lhe ficava bem, além de compensar com a devida humildade a anterior negligência, o senhor quis comprovar que o seu erro havia sido corrigido, e assim perguntou a adão, Tu, como te chamas, e o homem respondeu, Sou adão, teu primogénito, senhor. Depois, o criador virou-se para a mulher, E tu, como te chamas tu, Sou eva, senhor, a primeira dama, respondeu ela desnecessariamente, uma vez que não havia outra. Deu-se o senhor por satisfeito, despediu-se com um paternal Até logo, e foi à sua vida. Então, pela primeira vez, adão disse para eva, Vamos para a cama.»</p>
<p>[in <em>Caim</em>, Caminho, 2009]</p>
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		<title>Livrarias preferidas</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 07:16:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blogosfera]]></category>
		<category><![CDATA[Livrarias]]></category>

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		<description><![CDATA[
Para Vasco Santos (editor da Fenda), é a parisiense La Hune (não existindo já a Atlântida, em Coimbra, essa «ampola miraculosa de palavras, de coisas mentais»). 

Para Rui Bebiano, é a Esperança, no Funchal, com a sua «arquitectura quase labiríntica (&#8230;) impondo uma sensação de retiro e de suspensão no tempo».  
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://angnovus.files.wordpress.com/2009/10/lahune.jpg?w=468&#038;h=351" alt="" /></p>
<p>Para Vasco Santos (editor da Fenda), é a <a href="http://angnovus.wordpress.com/2009/10/14/a-minha-livraria-preferida-vasco-santos/">parisiense La Hune</a> (não existindo já a Atlântida, em Coimbra, essa «ampola miraculosa de palavras, de coisas mentais»). </p>
<p><img src="http://angnovus.files.wordpress.com/2009/10/esperanca1.jpg?w=370&#038;h=278" alt="" /></p>
<p>Para <a href="http://aterceiranoite.org/">Rui Bebiano</a>, é <a href="http://angnovus.wordpress.com/2009/10/13/a-minha-livraria-preferida-rui-bebiano/">a Esperança</a>, no Funchal, com a sua «arquitectura quase labiríntica (&#8230;) impondo uma sensação de retiro e de suspensão no tempo».  </p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Água</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/agu/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/geral/agu/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 14 Oct 2009 23:20:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[José Saramago]]></category>

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		<description><![CDATA[Em Caim, José Saramago grafa os nomes das personagens, sejam elas figuras bíblicas ou o próprio Deus, em caixa baixa. A regra não se estende à dedicatória, com Pilar a ser poupada à razia das maiúsculas (e algum significado haverá nisto). Seja como for, é uma bela dedicatória:
«A Pilar, como se dissesse água»
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em <em>Caim</em>, José Saramago grafa os nomes das personagens, sejam elas figuras bíblicas ou o próprio Deus, em caixa baixa. A regra não se estende à dedicatória, com Pilar a ser poupada à razia das maiúsculas (e algum significado haverá nisto). Seja como for, é uma bela dedicatória:</p>
<blockquote><p>«A Pilar, como se dissesse água»</p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Lançamentos de ‘Caim’</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Oct 2009 18:44:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Caim, o mais recente romance de José Saramago, vai ser lançado hoje, em Frankfurt. O livro, que é posto à venda no dia 19 (segunda-feira), terá dois outros lançamentos em Portugal: dia 18, no Museu Municipal de Penafiel (21h30), integrado na programação do Escritaria; e dia 30, no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa (18h30). [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Caim</em>, o mais recente romance de José Saramago, <a href="http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=1390404">vai ser lançado hoje, em Frankfurt</a>. O livro, que é posto à venda no dia 19 (segunda-feira), terá dois outros lançamentos em Portugal: dia 18, no Museu Municipal de Penafiel (21h30), integrado na <a href="http://www.escritaria.pt/pdf/programa-escritaria-jose-saramago.pdf">programação do Escritaria</a>; e dia 30, no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa (18h30). </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bibliotecariodebabel.com/geral/lancamentos-de-caim/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>Novo romance de José Rodrigues dos Santos a 24 de Outubro</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/novo-romance-de-jose-rodrigues-dos-santos-a-24-de-outubro/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/geral/novo-romance-de-jose-rodrigues-dos-santos-a-24-de-outubro/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 14 Oct 2009 18:33:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
Embora a editora não revele pormenores sobre o conteúdo do livro, seria capaz de apostar que as 608 páginas de Fúria Divina abordam o tema das catástrofes naturais provocadas pela acção do homem (com incidência no aquecimento global). É um feeling.
O romance será apresentado a 24 de Outubro, na Praça Central do Centro Colombo (piso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/S_K-FÚRIA-DIVINA.jpg" alt="S_K-FÚRIA DIVINA" title="S_K-FÚRIA DIVINA" width="273" height="400" class="alignnone size-full wp-image-6348" /></p>
<p>Embora a editora não revele pormenores sobre o conteúdo do livro, seria capaz de apostar que as 608 páginas de <em>Fúria Divina</em> abordam o tema das catástrofes naturais provocadas pela acção do homem (com incidência no aquecimento global). É um <em>feeling</em>.<br />
O romance será apresentado a 24 de Outubro, na Praça Central do Centro Colombo (piso 0), às 17h00. Segundo a editora de Rodrigues dos Santos (Gradiva), «estão previstas várias surpresas nessa cerimónia de lançamento, que terminará com uma sessão de autógrafos».</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Prémio LeYa 2009 visto pelo ma-schamba</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Oct 2009 07:45:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[«João Paulo Borges Coelho acaba de ganhar o Prémio Leya, no valor de 100 000 euros. O prémio foi atribuído ao romance inédito O Olho de Hertzog, uma narrativa aventurosa decorrida no final da I Guerra Mundial entre Moçambique e a África do Sul, concertando a fantástica epopeia do General von Lettow-Vorbeck, o que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«João Paulo Borges Coelho acaba de ganhar o Prémio Leya, no valor de 100 000 euros. O prémio foi atribuído ao romance inédito <em>O Olho de Hertzog</em>, uma narrativa aventurosa decorrida no final da I Guerra Mundial entre Moçambique e a África do Sul, concertando a fantástica epopeia do General von Lettow-Vorbeck, o que o torna o grande romance da I Guerra em português, com uma fabulosa e minuciosa construção do Lourenço Marques de então, onde avultam personagens &#8211; entre as quais o vulto Albasini, figura lendária das letras locais &#8211; cuja múltipla origem transforma a cidade assim criada como um centro do mundo. Sendo uma demanda até policial o livro é um manifesto, da grandeza do local.<br />
JPBC é uma grande figura da prosa ficcional em português. Uma obra muito cuidada, tecida com saber e imaginação e muito interpretável. Escapado &#8211; desde o seu primeiro livro &#8211; aos exotismos do escritor africano. Merece muito mais atenção, muito mais leituras, do que aquela que lhe vêm dando, do que aquelas que tem tido.»</p>
<p>O texto completo pode ser lido <a href="http://ma-schamba.com/literatura-mocambique/joao-paulo-borges-coelho/joao-paulo-borges-coelho-ganhou-o-premio-leya/">aqui</a>.</p>
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		<title>Da acta do júri</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 21:42:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Leya]]></category>
		<category><![CDATA[Prémios]]></category>

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		<description><![CDATA[Manuel Alegre, presidente do júri do Prémio LeYa, justificou a atribuição dos cem mil euros ao romance O Olho de Hertzog, de João Paulo Borges Coelho, da seguinte forma:
«O romance vencedor restitui-nos o contexto histórico dos combates das tropas alemãs contra as tropas portuguesas e inglesas na I Guerra Mundial, na fronteira entre o ex-Tanganica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Manuel Alegre, presidente do júri do Prémio LeYa, justificou a atribuição dos cem mil euros ao romance <em>O Olho de Hertzog</em>, de João Paulo Borges Coelho, da seguinte forma:</p>
<blockquote><p>«O romance vencedor restitui-nos o contexto histórico dos combates das tropas alemãs contra as tropas portuguesas e inglesas na I Guerra Mundial, na fronteira entre o ex-Tanganica e Moçambique, o confronto entre africânders e ingleses, a emigração moçambicana para a África do Sul, a reacção dos mineiros brancos, as primeiras greves dos trabalhadores negros e a emergência do nacionalismo moçambicano, nomeadamente através da imprensa e dos editoriais do jornalista João Albasini. O júri considerou a obra um romance de grande intensidade, em que se conjugam a complexidade das personagens, a densidade da trama narrativa e a busca de &#8220;O Olho de Hertzog&#8221;, que é, de certo modo, uma metáfora da demanda do destino individual e colectivo e do nunca desvendado mistério do ser.»</p></blockquote>
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		<title>Prémio LeYa 2009 para João Paulo Borges Coelho</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 17:20:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
O vencedor da edição deste ano do Prémio LeYa acaba de ser anunciado, num hotel de Lisboa, pelo presidente do júri (Manuel Alegre): é o escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho (n. 1955), pelo romance O Olho de Hertzog.
De certa forma «o prémio ficou em casa», como disse Alegre, porque o autor já tem algumas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/Joao-Paulo-Borges-Coelho.jpg" alt="Joao Paulo Borges Coelho" title="Joao Paulo Borges Coelho" width="400" height="300" class="alignnone size-full wp-image-6338" /></p>
<p>O vencedor da edição deste ano do Prémio LeYa acaba de ser anunciado, num hotel de Lisboa, pelo presidente do júri (Manuel Alegre): é o escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho (n. 1955), pelo romance <em>O Olho de Hertzog</em>.<br />
De certa forma «o prémio ficou em casa», como disse Alegre, porque o autor já tem algumas das suas obras anteriores <a href="http://html.editorial-caminho.pt/show_autor__q1area_--_3Dcatalogo__--_3D_obj_--_3D32173__q236__q30__q41__q5.htm">publicadas na Editorial Caminho</a>. Contactado telefonicamente por Isaías Gomes Teixeira, administrador-delegado da LeYa, J. P. Borges Coelho confessou ter sido apanhado de surpresa enquanto preparava as suas aulas (é professor de História Contemporânea de Moçambique e África Austral na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo) e não saber ainda o que fará com o elevado valor do prémio (cem mil euros): «Sei apenas que continuarei a escrever.» Este é o segundo prémio importante da sua carreira literária, depois de ter ganho em 2006 o Prémio José Craveirinha com o romance <em><a href="http://html.editorial-caminho.pt/show_produto__q1obj_--_3D36139__--_3D_area_--_3D__q236__q30__q41__q5.htm">As Visitas do Dr. Valdez</a></em>.<br />
Manuel Alegre voltou a sublinhar algumas particularidades deste prémio, nomeadamente o facto de ser uma «prova cega», em que os cerca de 200 participantes partiram em rigorosas condições de igualdade. Os 11 finalistas foram escolhidos pelos editores da LeYa e entregues ao júri final (composto por Nuno Júdice, Pepetela, José Carlos Seabra Pereira, Lourenço do Rosário, Carlos Heitor Cony e Rita Chaves, além de Alegre), tendo-se verificado mais tarde que a maioria desses 11 finalistas (ao contrário do que se passou em 2008) «são autores consagrados», cuja identidade talvez só se revele quando algumas das respectivas obras for publicada.<br />
Por sugestão do júri, aceite por Isaías Gomes Teixeira, as reuniões finais e o anúncio do prémio passarão a acontecer, rotativamente, em cidades que representem a abrangência geográfica da língua portuguesa (o vencedor de 2010 será anunciado numa capital africana).<br />
A partir de hoje, estão abertas as inscrições para a terceira edição do Prémio LeYa, com uma data-limite mais curta (30 de Maio), de forma a permitir mais tempo aos editores do grupo para realizarem o seu árduo trabalho de selecção prévia dos melhores candidatos.</p>
<p>[Este <em>post</em> foi actualizado]</p>
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		<title>Um policial introspectivo</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/criticas/um-policial-introspectivo/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 15:39:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco José Viegas]]></category>

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		<description><![CDATA[
O Mar em Casablanca
Autor: Francisco José Viegas
Editora: Porto Editora
N.º de páginas: 234
ISBN: 978-972-0-04287-3
Ano de publicação: 2009
Quatro anos após a publicação de Longe de Manaus, que obteve em 2006 o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, Francisco José Viegas regressa à ficção, ao policial negro e a Jaime Ramos, o inspector [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://fotocache02.stormap.sapo.pt/fotostore01/fotos//52/4c/2f/5019300_ms2og.gif" alt="" /></p>
<p><strong>O Mar em Casablanca</strong><br />
<em>Autor:</em> Francisco José Viegas<br />
<em>Editora:</em> Porto Editora<br />
<em>N.º de páginas:</em> 234<br />
<em>ISBN:</em> 978-972-0-04287-3<br />
<em>Ano de publicação:</em> 2009</p>
<p>Quatro anos após a publicação de <em>Longe de Manaus</em>, que obteve em 2006 o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, Francisco José Viegas regressa à ficção, ao policial negro e a Jaime Ramos, o inspector da Judiciária que protagoniza a maior parte dos seus romances. Se a consagração literária que o prémio da APE sempre representa foi um obstáculo – ou talvez uma responsabilidade paralisante, a pesar sobre os ombros do autor – isso não se nota. Embora fugidio e descentrado, com uma narrativa que está sempre a escapar-se-nos entre os dedos, <em>O Mar em Casablanca</em> é um romance sólido, complexo (a exigir releitura, para total compreensão de certas subtilezas) e irrepreensivelmente bem escrito. Falta-lhe só, talvez, um golpe de asa, aquilo que distingue os bons livros dos livros excepcionais.<br />
Como em todo o policial que se preze, há um homicídio (aliás, dois) para resolver. Primeiro, durante a festa de encerramento do Palace Hotel, no Vidago, aparece morto um jornalista de Economia com interesses obscuros; depois, descobre-se o cadáver de um empresário angolano, numa quinta do Douro, perto do Pinhão. Jaime Ramos e os seus adjuntos – Isaltino de Jesus e José Corsário – investigam os casos, tentam estabelecer uma ordem, uma lógica, um sentido para estas mortes.<br />
A investigação crucial, porém, é a que leva Jaime Ramos na pista de Jaime Ramos. Ele julga-se impermeável à melancolia e acredita que «um vendaval» eliminou a sua memória, «para impedi-lo de ser um velho nostálgico». A realidade desmente-o, fazendo da sua existência uma espiral de desencanto melancólico, sonhos, chuva e recordações. O corpo, esse, atraiçoa-o: subir escadas tornou-se um tormento e sente cãibras no peito, depois de «uma espécie de AVC». Ele pertence a outro tempo, é um homem «à moda antiga», deslocado, fora do mundo, «em desuso». É aquele «que se despede sem que ninguém saiba», um «objecto flutuante, como os papéis da rua, os ramos quebrados das árvores, o fumo dos autocarros que atravessam as pontes». Para sobreviver, veste uma carapaça de cinismo, mas por baixo há só cansaço, desprendimento e auto-ironia feroz: «De vez em quando distraio-me, fico humano.»<br />
A estratégia é esquecer o passado, sabendo que o passado – caótico, confuso, implacável – virá sempre ter com ele. E vem. Um novelo onde se misturam os traumas da guerra colonial (Guiné), as memórias da emigração (Venezuela), o sangrento apocalipse das ilusões revolucionárias (Angola) e os labirintos da História. As pessoas que importa seguir são as que não deixam rasto, as que «preferem a sombra». Como Adelino Fontoura, chave perdida de uma narrativa «sem solução», sem fecho, mesmo depois de cumpridas todas as vinganças.<br />
No fim, há como que uma passagem de testemunho (para Isaltino) e paira no ar a hipótese de que Jaime Ramos talvez se afaste de vez, da actividade policial e da literatura que o inventou. Esperemos que não.</p>
<p><em>Avaliação:</em> 7,5/10</p>
<p>[Versão ampliada de um texto publicado no suplemento <em>Actual</em>, do semanário <em><a href="http://aeiou.expresso.pt/">Expresso</a></em>]</p>
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		<title>As piores capas de livros de sempre em Portugal</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/as-piores-capas-de-livros-de-sempre-em-portugal/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 13:20:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[O blogue da livraria Pó dos Livros seleccionou uma lista de dez candidatas a pior capa alguma vez publicada em Portugal e pede agora ajuda aos leitores para escolherem, de entre esta galeria de horrores, as piores das piores. Eu já votei n&#8217; A Religiosa, n&#8217; O Falo Perdido e no Amor de Salvação.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://livrariapodoslivros.blogspot.com/">blogue da livraria Pó dos Livros</a> seleccionou uma <a href="http://livrariapodoslivros.blogspot.com/2009/10/escolha-as-3-piores-capas-de-livros-de.html">lista de dez candidatas a pior capa alguma vez publicada em Portugal</a> e pede agora ajuda aos leitores para escolherem, de entre esta galeria de horrores, as piores das piores. Eu já votei n&#8217; <em>A Religiosa</em>, n&#8217; <em>O Falo Perdido</em> e no <em>Amor de Salvação</em>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Uma boa notícia e uma má notícia</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/mundo-editorial/uma-boa-noticia-e-uma-ma-noticia/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 12:11:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mundo editorial]]></category>

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		<description><![CDATA[Boa notícia: a Cavalo de Ferro, após o infeliz episódio do envolvimento com a Fundação Agostinho Fernandes, vai regressar em breve às lides editoriais.
Má notícia: este regresso já não vai contar com o trabalho sempre discreto, mas ultraprofissional, do Hugo Xavier, que começa agora a preparar novos projectos.
Ao Hugo, deixo um abraço e fixo a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Boa notícia:</strong> a <a href="http://www.cavalodeferro.com/">Cavalo de Ferro</a>, após o infeliz episódio do envolvimento com a Fundação Agostinho Fernandes, vai regressar em breve às lides editoriais.<br />
<strong>Má notícia:</strong> este regresso já não vai contar com o trabalho sempre discreto, mas ultraprofissional, do Hugo Xavier, que começa agora a preparar novos projectos.<br />
Ao Hugo, deixo um abraço e fixo a expectativa (altíssima) de o ver em futuros empreendimentos, sempre em volta dos livros.  </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Feira do Livro de Frankfurt</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 11:55:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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Começa amanhã. O país-convidado é a China (o que levou a um reforço das medidas de segurança). Como sempre, os Blogtailors não faltaram à chamada e já andam por lá.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://3.bp.blogspot.com/_fLxAX4CPEFY/StOyf_vK9EI/AAAAAAAAJUU/4X5vZIeTf64/s400/china.jpg" alt="" /></p>
<p>Começa <a href="http://www.buchmesse.de/en/fbf/">amanhã</a>. O país-convidado é a <a href="http://www.google.com/hostednews/ap/article/ALeqM5jRnzFjPh4hBaR87Ipdzt292qVFnAD9BA2RR00">China</a> (o que levou a um <a href="http://www.thebookseller.com/news/99695-frankfurt-prepares-for-china-protests.html">reforço das medidas de segurança</a>). Como sempre, os <a href="http://www.blogtailors.blogspot.com/">Blogtailors</a> não faltaram à chamada e já andam por lá.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O questionário de Proust (versão interactiva)</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/curiosidades/o-questionario-de-proust-versao-interactiva/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 10:54:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>

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		<description><![CDATA[No site da Vanity Fair, está disponível uma versão do célebre questionário de Proust. Quem responder às 20 perguntas pode depois ficar a saber de que celebridade as suas respostas mais o aproximam (a partir de uma lista de 101 figuras públicas que também responderam ao questionário nas páginas da revista). No meu caso, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No <a href="http://www.vanityfair.com/"><em>site</em> da <em>Vanity Fair</em></a>, está disponível uma <a href="http://www.vanityfair.com/culture/features/proust-questionnaire">versão</a> do célebre <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Proust_Questionnaire">questionário de Proust</a>. Quem <a href="http://www.vanityfair.com/culture/features/proust-questionnaire">responder às 20 perguntas</a> pode depois ficar a saber de que celebridade as suas respostas mais o aproximam (a partir de uma lista de 101 figuras públicas que também responderam ao questionário nas páginas da revista). No meu caso, a afinidade maior é com Michael Caine (92,45%). Menos mal. Sempre escapei à humilhação de ter respostas parecidas com as de Joan Collins ou Arnold Schwarzenegger. </p>
]]></content:encoded>
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		<title>‘Netherland’ está a chegar</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/netherland-esta-a-chegar/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 10:11:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
O romance Netherland, de Joseph O&#8217;Neill, um dos mais premiados em 2008 (e transformado em caso mediático quando o presidente norte-americano Barack Obama o elogiou publicamente), é posto à venda em Portugal na sexta-feira, com chancela da Bertrand.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/netherland.jpg" alt="netherland" title="netherland" width="148" height="227" class="alignnone size-full wp-image-6296" /></p>
<p>O romance <em>Netherland</em>, de Joseph O&#8217;Neill, um dos mais premiados em 2008 (e transformado em caso mediático quando o presidente norte-americano Barack Obama o elogiou publicamente), é posto à venda em Portugal na sexta-feira, com chancela da Bertrand.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>José Alfaro deixa a Quimera</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/noticias/jose-alfaro-deixa-a-quimera/</link>
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		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 21:41:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mundo editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao fim de 22 anos, José Alfaro, fundador da Quimera, deixou no início deste mês de ser sócio da editora que publicou, durante muitos anos, os trabalhos olisipográficos de Marina Tavares Dias.
Nas palavras de Alfaro, «os tempos que vivemos obrigam, por vezes, a grandes decisões, e acredito que esta solução é a que melhor serve [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao fim de 22 anos, José Alfaro, fundador da <a href="http://www.quimera-editores.com/home.php">Quimera</a>, deixou no início deste mês de ser sócio da editora que publicou, durante muitos anos, os <a href="http://www.quimera-editores.com/catalogo/olisipografia.php">trabalhos olisipográficos de Marina Tavares Dias</a>.<br />
Nas palavras de Alfaro, «os tempos que vivemos obrigam, por vezes, a grandes decisões, e acredito que esta solução é a que melhor serve a prossecução do projecto e a que mais me convém também a mim». Os novos sócios-gerentes pertencem ao grupo da <a href="http://www.livraria-escolar-editora.pt/escolar-editora.html">Escolar Editora</a>, que já detinha uma pequena parte do capital social da Quimera.<br />
Alfaro tem sido, nos últimos anos, coordenador pedagógico da <a href="http://www.ucp.pt/site/custom/template/ucptplfac.asp?SSPAGEID=1560&#038;lang=1&#038;artigoID=3440">pós-graduação em edição (&#8221;Livros e Novos Suportes Digitais&#8221;) da Universidade Católica Portuguesa</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Skyline</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/skyline/</link>
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		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 16:42:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
Se tudo correr bem, lá mais para o fim do mês vou andar por aqui.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/skyline.jpg" alt="skyline" title="skyline" width="460" height="360" class="alignnone size-full wp-image-6284" /></p>
<p>Se tudo correr bem, lá mais para o fim do mês vou andar por aqui.</p>
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		<title>Comunidade de leitores 2666 (esta tarde)</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 14:21:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Divulgação]]></category>

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		<description><![CDATA[É já hoje, a partir das 18h30, que tem início a comunidade de leitores dedicada ao romance 2666, de Roberto Bolaño (Quetzal), moderada por mim. Na primeira sessão, falaremos sobre o percurso de Bolaño, sobre o contexto em que a obra surgiu e sobre a primeira das cinco partes deste livro: &#8220;A Parte dos Críticos&#8221;.
Quem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É já hoje, a partir das 18h30, que tem início a comunidade de leitores dedicada ao romance <em>2666</em>, de Roberto Bolaño (Quetzal), moderada por mim. Na primeira sessão, falaremos sobre o percurso de Bolaño, sobre o contexto em que a obra surgiu e sobre a primeira das cinco partes deste livro: &#8220;A Parte dos Críticos&#8221;.<br />
Quem quiser pode inscrever-se no <a href="http://www.c-americalatina.pt/scid/calweb/defaultEventViewOne.asp?eventsID=280">Clube de Leitura da Casa da América Latina</a> (Av. 24 de Julho, 118-B, Lisboa), através do telefone 21.395.53.09. Como ainda há lugares livres, a inscrição também pode ser feita presencialmente, antes do início da primeira sessão. A entrada é livre.<br />
Até logo.</p>
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		<title>Revista ‘Granta’ tem novo editor</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 12:29:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa estrangeira]]></category>

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		<description><![CDATA[
Sai Alex Clark, entra John Freeman (antigo presidente do National Book Critics Circle). Eis a sua declaração de intenções:
«Working at a magazine with Granta&#8217;s ground-breaking heritage is a privilege and a real joy. I look forward to building on Granta&#8217;s tradition of introducing new writers, of the Best Young American and Best Young British editions, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://www.granta.com/dyn/1253108044116.jpeg" alt="" /></p>
<p><a href="http://www.thebookseller.com/news/99842-freeman-named-granta-editor-on-permanent-basis.html">Sai Alex Clark, entra John Freeman</a> (antigo presidente do <a href="http://bookcritics.org/">National Book Critics Circle</a>). Eis a sua declaração de intenções:</p>
<blockquote><p>«<em>Working at a magazine with <a href="http://www.granta.com/">Granta</a>&#8217;s ground-breaking heritage is a privilege and a real joy. I look forward to building on <a href="http://www.granta.com/">Granta</a>&#8217;s tradition of introducing new writers, of the Best Young American and Best Young British editions, and of creating new themes for our writers so they can explore the stories they feel must be told.</em>»</p></blockquote>
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		<title>Prémio LeYa 2009 é anunciado amanhã</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 11:05:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Prémios]]></category>

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		<description><![CDATA[Há um ano, o anúncio do vencedor da primeira edição do Prémio LeYa aconteceu em Frankfurt, durante a Feira do Livro. Este ano, a cerimónia decorrerá amanhã, em Lisboa, no Hotel Tiara Park Atlantic (R. Castilho, 149, Lisboa), a partir das 18h00. A revelação será feita por Manuel Alegre, presidente do júri (de que também [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há um ano, o anúncio do vencedor da primeira edição do Prémio LeYa aconteceu em Frankfurt, durante a Feira do Livro. Este ano, a cerimónia decorrerá amanhã, em Lisboa, no Hotel Tiara Park Atlantic (R. Castilho, 149, Lisboa), a partir das 18h00. A revelação será feita por Manuel Alegre, presidente do júri (de que também fazem parte Nuno Júdice, Pepetela, José Carlos Seabra Pereira, Lourenço do Rosário, Carlos Heitor Cony e Rita Chaves).<br />
Quem é que sucederá a Murilo Carvalho e a <em><a href="http://bibliotecariodebabel.com/criticas/um-epico-wagneriano-no-sertao/">O Rastro do Jaguar</a></em>? No domínio do puro palpite, inclino-me para um autor português. Aceitam-se apostas. </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Suspiro de alívio</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Oct 2009 23:48:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi difícil, a margem mais curta do que eu esperava, mas o importante é isto: Lisboa salvou-se de Santana Lopes. 
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi difícil, a margem mais curta do que eu esperava, mas o importante é isto: <a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1404709&#038;idCanal=12">Lisboa salvou-se de Santana Lopes</a>. </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Crónica de um assassínio anunciado</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/criticas/cronica-de-um-assassinio-anunciad/</link>
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		<pubDate>Sun, 11 Oct 2009 17:08:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[
O Caso das Mangas Explosivas
Autor: Mohammed Hanif
Título original: A Case of Exploding Mangoes
Tradução: Teresa Curvelo
Editora: Porto Editora
N.º de páginas: 328
ISBN: 978-972-0-04512-6
Ano de publicação: 2009
Em Um Crime no Expresso do Oriente, de Agatha Christie, Hercule Poirot desvenda um homicídio colectivo. Certa manhã, o Sr. Ratchett aparece morto com doze facadas e só a astúcia do detective [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://images.portoeditora.pt/getresourcesservlet/image?EBbDj3QnkSUjgBOkfaUbsKIiGhhTnv74wHCxfUMk1Oj6VzGVNaUbl08RMwAwaygR&#038;width=175" alt="" /></p>
<p><strong>O Caso das Mangas Explosivas</strong><br />
<em>Autor:</em> Mohammed Hanif<br />
<em>Título original: A Case of Exploding Mangoes</em><br />
<em>Tradução:</em> Teresa Curvelo<br />
<em>Editora:</em> Porto Editora<br />
<em>N.º de páginas:</em> 328<br />
<em>ISBN:</em> 978-972-0-04512-6<br />
<em>Ano de publicação:</em> 2009</p>
<p>Em <em>Um Crime no Expresso do Oriente</em>, de Agatha Christie, Hercule Poirot desvenda um homicídio colectivo. Certa manhã, o Sr. Ratchett aparece morto com doze facadas e só a astúcia do detective belga permite provar que todos os doze suspeitos estão envolvidos, contribuindo com um golpe cada para uma elaboradíssima vingança. Em <em>O Caso das Mangas Explosivas</em>, Mohammed Hanif utiliza um esquema semelhante para contar o atentado que vitimou, a 17 de Agosto de 1988, o General Zia ul-Haq, na altura Presidente do Paquistão há 11 anos. Após assistir a um exercício militar no deserto de Bahawalpur, Zia regressava a Islamabade num Hercules C130 que explodiu no ar – uma espécie de Camarate paquistanês que tem alimentado, nas últimas duas décadas, muitas teorias da conspiração.<br />
Tal como Christie, Hanif não elimina quaisquer possíveis explicações para a misteriosa queda da aeronave; pelo contrário, acumula-as. E é assim que ficamos sem saber ao certo o que esteve mesmo na origem da morte de Zia. Pode ter sido a libertação de gases tóxicos no ar condicionado da cabina, podem ter sido as mangas explosivas do título, pode ter sido um corvo que cumpre uma maldição, pode ter sido a ponta envenenada de um sabre, ou tudo isto ao mesmo tempo, na linha das facadas redundantes que vitimaram o Sr. Ratchett.<br />
Neste romance de estreia que não parece de estreia (tal é a solidez narrativa), a acção avança em duas linhas paralelas. De um lado, o relato na primeira pessoa de Ali Shigri, cadete da Força Aérea que pretende vingar a morte do pai, um coronel cujo aparente suicídio atribui a uma ordem do general Zia. Do outro, a descrição da paranóia securitária em que vivia o ditador, rodeado de generais que lhe cobiçavam a liderança e de agentes da CIA interessados apenas em derrotar os soviéticos no Afeganistão.<br />
Com inteligência, verve e muito humor, Hanif ergueu uma sátira poderosa e ácida sobre um período negro da História do país onde nasceu. Ao seu sarcasmo demolidor nada escapa: nem os aspectos mais ridículos do exercício do poder autoritário, nem os primeiros passos de uma islamização radical, nem os absurdos da vida militar, nem menos ainda a hipocrisia diplomática (exposta numa cena em que Osama Bin Laden, então um apoiante dos <em>mujahedines</em>, recebe apoios e incentivos numa festa da Embaixada norte-americana).<br />
Escolhido para a <em>longlist</em> do Man Booker em 2008, este livro é uma magnífica revelação – melhor ainda do que a estreia do indiano Aravind Adiga (<em>Tigre Branco</em>, Presença), que acabaria por vencer o mais importante dos prémios literários de língua inglesa.</p>
<p><em>Avaliação:</em> 8,5/10</p>
<p>[Texto publicado no n.º 83 da revista <em>Ler</em>]</p>
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		<title>Quatro fragmentos de Herta Müller</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/excertos/quatro-fragmentos-de-herta-muller/</link>
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		<pubDate>Sun, 11 Oct 2009 10:39:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Excertos]]></category>

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		<description><![CDATA[A cova
Há roseiras em volta do monumento aos combatentes. Transformaram-se em matagal. Tão emaranhadas que asfixiam as ervas. Dão rosas brancas, pequenas e amarrotadas como papel. Rumorejam. Começa a amanhecer. Em breve será dia.
Todas as manhãs, no seu caminho solitário em direcção à azenha, Windisch regista o dia que começa. Em frente ao monumento aos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A cova</strong></p>
<p>Há roseiras em volta do monumento aos combatentes. Transformaram-se em matagal. Tão emaranhadas que asfixiam as ervas. Dão rosas brancas, pequenas e amarrotadas como papel. Rumorejam. Começa a amanhecer. Em breve será dia.<br />
Todas as manhãs, no seu caminho solitário em direcção à azenha, Windisch regista o dia que começa. Em frente ao monumento aos combatentes, conta os anos. Mais adiante, junto ao primeiro choupo onde a bicicleta passa sempre pela mesma cova, conta os dias. E à noite, quando fecha a porta da azenha, Windisch conta de novo os anos e os dias.<br />
Lá de longe vê as pequenas rosas brancas, o monumento aos combatentes e o choupo. E, se há nevoeiro, ao passar de bicicleta o branco das rosas e o branco da pedra estão ali mesmo à sua frente. Windisch atravessa o nevoeiro. Windisch tem o rosto húmido e segue até chegar à azenha. Por duas vezes as roseiras mostraram os espinhos nus e as ervas rasteiras tiveram a cor da ferrugem. Por duas vezes o choupo esteve tão despido que as hastes ameaçavam quebrar-se. Por duas vezes a neve cobriu os caminhos.<br />
Windisch conta dois anos junto ao monumento aos combatentes e duzentos e vinte e um dias ao transpôr a cova ao pé do choupo.<br />
Todos os dias, ao passar a cova, Windisch pensa: &#8220;O fim está próximo.&#8221; Desde que pensou em emigrar, Windisch vê o fim por toda a parte na aldeia. E o tempo que parou para todos os que querem ficar. E que o guarda-nocturno para ali vai ficar, para além do fim, segundo lhe parece.<br />
E depois de ter contado duzentos e vinte e um dias e ter sido sacudido ao passar a cova, Windisch desmonta pela primeira vez. Encosta a bicicleta ao choupo. Os seus passos fazem barulho. No jardim da igreja esvoaçam pombos bravos. São cinzentos como a luz. Só o ruído os torna diferentes.<br />
Windisch faz o sinal da cruz. O batente da porta está molhado. Fica-lhe colado à mão. A porta da igreja está trancada. E Santo António está do outro lado da parede. Segura nas mãos um lírio branco e um livro castanho. Está encerrado.<br />
Windisch sente frio. Olha ao longo da rua. Onde a rua acaba, irrompem as ervas na aldeia. Lá ao fundo segue um homem. O homem é um risco negro que segue por entre as plantas. As ervas pujantes fazem-no pairar sobre a Terra.</p>
<p><strong>A navalha</strong></p>
<p>Windisch está sentado na cozinha em frente à janela. Está a fazer a barba. Vai pincelando a espuma branca pela cara. A espuma range-lhe nas faces. Windisch espalha a neve com os dedos em volta da boca. Olha para o espelho. Vê reflectida a porta da cozinha. E o seu rosto.<br />
Windisch vê que pôs demasiada neve na cara. Vê que tem a boca envolta em neve. Sente que a neve na narina e no queixo não o deixa falar.<br />
Windisch abre a navalha. Experimenta o gume da navalha na pele dum dedo. Põe a lâmina em posição abaixo do olho. A maçã do rosto não se move. Windisch alisa as rugas abaixo do olho com a outra mão. Olha pela janela. Lá fora está a erva verde.<br />
A navalha estremece. A lâmina arde.<br />
Windisch tem há muitas semanas uma ferida debaixo do olho. Está vermelha. Tem uma orla de pus. Todas as noites está cheia de farinha.<br />
Há alguns dias que cresce uma crosta por baixo do olho de Windisch.<br />
De manhã, Windisch sai de casa com a crosta. Quando abre a porta da azenha e mete o cadeado na algibeira do casaco, Windisch leva a mão à face. A crosta desapareceu.<br />
&#8220;Talvez a crosta tenha ficado na cova&#8221;, pensa Windisch.<br />
Quando começa a clarear lá fora, Windisch vai até junto do açude da azenha. Põe-se de joelhos na erva. Olha o rosto reflectido na água. Pequenos círculos batem-lhe na orelha. O cabelo faz tremer a imagem.<br />
Por baixo do olho, Windisch tem uma cicatriz branca e curva.<br />
Uma folha de cana está dobrada. Abre-se e fecha-se junto da sua mão. A folha de cana tem uma lâmina castanha.</p>
<p><strong>Os galos</strong></p>
<p>Os sinos do relógio da igreja batem as cinco horas. Windisch sente nódulos frios nas pernas. Vai ao pátio. Por cima da sebe passa o chapéu do guarda-nocturno.<br />
Windisch vai ao portão. O guarda-nocturno apoia-se ao poste do telégrafo. Fala sozinho. &#8220;Mas onde está ela, onde é que ela está, a mais bela de todas as rosas&#8221;, diz ele. O cão está sentado no pavimento. Come uma minhoca.<br />
Windisch diz: &#8220;Konrad.&#8221; O guarda-nocturno olha para ele. &#8220;A coruja está pousada nos pastos atrás da meda de palha&#8221;, diz ele. &#8220;A Kroner já morreu.&#8221; Boceja. O hálito cheira a aguardente.<br />
Os galos cantam na aldeia. Têm vozes agrestes. Trazem a noite no bico.<br />
O guarda-nocturno segura-se à sebe. Tem as mãos sujas. E os dedos são tortos.</p>
<p><strong>A marca do beijo</strong></p>
<p>Amalie está parada à entrada do quarto. Os estilhaços têm manchas vermelhas. O sangue de Windisch é mais vermelho do que o vestido de Amalie.<br />
Um último sopro de &#8216;primavera irlandesa&#8217; paira nas barrigas das pernas de Amalie. O chupão no pescoço de Amalie é mais vermelho do que o vestido. Amalie descalça as sandálias brancas. &#8220;Venham comer&#8221;, diz a mulher de Windisch.<br />
A sopa fumega. Amalie está sentada no nevoeiro. Segura a colher com as pontas dos dedos vermelhas. Olha para a sopa. O vapor move os lábios. Ela sopra. A mulher de Windisch senta-se com um suspiro no meio da nuvem cinzenta diante do talher.<br />
Pela janela ouve-se o rumorejar das folhas das árvores. &#8220;Lá voam elas para o pátio&#8221;, pensa Windisch. &#8220;Folhas que davam para dez árvores voam pelo pátio.&#8221;<br />
Windisch passa distraidamente os olhos pela concha do ouvido de Amalie. Ela faz parte do seu campo de visão. É avermelhada e dobrada como uma pálpebra.<br />
Windisch engole uma massa branca e mole. Fica-lhe presa na garganta. Windisch poisa a colher em cima da mesa e tosse. Os olhos enchem-se de água.<br />
Windisch vomita a sopa na sopa. Tem a boca azeda. Ela avança-lhe pela testa. A sopa dentro do prato fica turva com a sopa vomitada.<br />
Na sopa que tem no prato Windisch vê um pátio longínquo. No pátio, uma noite de verão.</p>
<p>[in <em>O Homem é um Grande Faisão Sobre a Terra</em>, tradução de Maria Antonieta C. Mendonça, Cotovia, 1993]</p>
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		<title>Lançamento de ‘Caderno Afegão’</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 16:06:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Divulgação]]></category>

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		<description><![CDATA[O diário de uma viagem de Alexandra Lucas Coelho pelo Afeganistão, em Junho de 2008, vai ser apresentado esta tarde na FNAC do Chiado, a partir das 18h30, por António Guterres, Maria José Nogueira Pinto e Gonçalo M. Tavares.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://www.tintadachina.pt/cadernoafegao/">diário de uma viagem de Alexandra Lucas Coelho pelo Afeganistão</a>, em Junho de 2008, vai ser apresentado <a href="http://1.bp.blogspot.com/_YI6wL5iaAKY/Ss8ljnuRh5I/AAAAAAAACqI/vvepp1nHsYc/s1600-h/Afegao.bmp">esta tarde na FNAC do Chiado</a>, a partir das 18h30, por António Guterres, Maria José Nogueira Pinto e Gonçalo M. Tavares.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Esmiuçando Dickens e Diderot</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/esmiucando-dickens-e-diderot/</link>
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		<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 15:58:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
Ricardo Araújo Pereira apresenta a nova colecção de literatura humorística da Tinta da China (livros a que não se pode partir a lombada, porque não têm lombada).
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/HZf0Vn1XNbA&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/HZf0Vn1XNbA&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Ricardo Araújo Pereira apresenta a nova colecção de literatura humorística da <a href="http://www.tintadachina.pt/index.php">Tinta da China</a> (livros a que não se pode <em>partir</em> a lombada, porque não têm lombada).</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Retrato de um editor</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/imprensa-estrangeira/retrato-de-um-editor/</link>
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		<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 08:16:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa estrangeira]]></category>

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		<description><![CDATA[«Voy a hablar de Herralde, de manera que me calzo los zapatos de plomo. Mi experiencia me advierte que al editor-propietario de la Yoknapatawpha anagrámica ningún elogio le parece suficiente. Igual que les sucede a muchos autores, a don Jorge le agradan las buenas críticas, pero nunca con el grado y la intensidad con que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>«<em>Voy a hablar de Herralde, de manera que me calzo los zapatos de plomo. Mi experiencia me advierte que al editor-propietario de la Yoknapatawpha anagrámica ningún elogio le parece suficiente. Igual que les sucede a muchos autores, a don Jorge le agradan las buenas críticas, pero nunca con el grado y la intensidad con que le enfadan las más pequeñas censuras. Los que lo conocen saben que su ego es tan poderoso y extenso como ese admirable -y envidiado- catálogo construido con pasión y fervor, y otra vez pasión, a lo largo de cuarenta años. En él lleva impresos sus gustos y, en cierto modo, su biografía adulta, igual que el arponero Queequeg llevaba tatuada en su cuerpo la cosmología de su pueblo.</em>»</p></blockquote>
<p>Manuel Rodríguez Rivero sobre Jorge Herralde, fundador e director da <a href="http://www.anagrama-ed.es/">Editorial Anagrama</a>, num <a href="http://www.elpais.com/articulo/portada/Herralde/sube/cielo/vida/elpepuculbab/20091010elpbabpor_14/Tes">texto</a> publicado na edição hoje do suplemento <em>Babelia</em>, do <em>El País</em>.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Esculpir beleza na linguagem</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/criticas/esculpir-beleza-na-linguagem/</link>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 20:19:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Ponto Último e Outros Poemas
Autor: John Updike
Título original: Endpoint and Other Poems
Tradutora: Ana Luísa Amaral
Editora: Civilização
N.º de páginas: 105
ISBN: 978-972-26-2945-4
Ano de publicação: 2009
Embora tenha atingido a glória literária enquanto ficcionista, John Updike (1932-2009) foi também um notável ensaísta e um bom poeta. Não por acaso, são de poesia tanto a sua obra de estreia (The [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://www.civilizacao.pt/folder/artigo/2_1808412_Ponto%20%C3%9Altimo_WEB.jpg" alt="" /></p>
<p><strong>Ponto Último e Outros Poemas</strong><br />
<em>Autor:</em> John Updike<br />
<em>Título original: Endpoint and Other Poems</em><br />
<em>Tradutora:</em> Ana Luísa Amaral<br />
<em>Editora:</em> Civilização<br />
<em>N.º de páginas:</em> 105<br />
<em>ISBN:</em> 978-972-26-2945-4<br />
<em>Ano de publicação:</em> 2009</p>
<p>Embora tenha atingido a glória literária enquanto ficcionista, John Updike (1932-2009) foi também um notável ensaísta e um bom poeta. Não por acaso, são de poesia tanto a sua obra de estreia (<em>The Carpentered Hen</em>, 1958) como o <em>opus</em> final: este póstumo <em>Ponto Último e outros poemas</em>.<br />
Na principal sequência, que dá título ao livro, Updike empreende uma espantosa reflexão sobre o tempo e o envelhecimento, balizada pelos aniversários da «década em que a maior parte das pessoas morre» (isto é, para lá dos 70 anos) e pelas visitas ao hospital, poucas semanas antes da morte, com um cancro que minou os seus pulmões, «fantasmas patéticos e oblongos». À beira do fim, o escritor olha para trás sem azedume ou excessiva tristeza, recuperando memórias de infância, paisagens, a história do seu percurso literário e uma ironia que redime as agruras da decadência física. Ele é o velho senhor que sugou a vida até ao tutano, capaz por isso de enfrentar as traições da velhice – já não perceber como se abre a tampa da gasolina; o corpo devassado pelos médicos – com mais resignação do que melancolia.<br />
Nos «outros poemas», Updike regressa ao domínio do <em>light verse</em> (poesia ligeira), que lhe permite abordar os mais variados tópicos: do golfe a Doris Day, do basebol a Monica Lewinsky, passando pela morte de um computador, pela pintura de Lucian Freud, pelas fitas de cassete (que se enovelam, como «ténias magnéticas / cor de um negro metálico», na berma das estradas) e por alguns exercícios de estilo menores, quando não dispensáveis.<br />
Nestes retratos de uma realidade tipicamente americana, mesmo quando o tom se afigura humorístico ou sarcástico, há sempre uma densidade secreta, uma <em>gravitas</em>, uma noção de que o poeta, o escritor, deve «esculpir / beleza na linguagem», uma «beleza que se eleva / da carne e encontra o seu lugar na letra impressa». Foi a partir da própria matéria da literatura, no fundo, que Updike construiu a sua existência e é dessa matéria que mais lhe custa separar-se: </p>
<p><em>Ficai comigo, palavras, mais um pouco; destes-me<br />
o meu direito de renúncia junto ao sol, aplacastes<br />
as feridas da minha juventude, troçastes<br />
dos meus cuidados de adulto, tornastes em meu favor<br />
o que nas mais das vidas seria pura falha,<br />
e formastes mais sólidos fantasmas desses que amei.</em></p>
<p>Editora dos romances de Updike, a Civilização foi rápida a oferecer aos seus leitores este livro belo e terminal, em capa dura e bem traduzido por uma poeta especialista em literatura norte-americana. Lamenta-se apenas que a edição não seja bilingue, para termos igualmente acesso à musicalidade e aos requintes estilísticos dos poemas originais. </p>
<p><em>Avaliação:</em> 8/10</p>
<p>[Versão ligeiramente aumentada de um texto publicado no suplemento <em>Actual</em>, do semanário <em>Expresso</em>]</p>
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		<title>Um poema (inédito) de Luís Filipe Cristóvão</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 18:11:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[LOUVOR E SIMPLIFICAÇÃO DE ARMANDO SILVA CARVALHO
Já não vou escrever uma rosa na janela fechada
que são os teus olhos a querer adormecer junto ao
parque verde da cidade, nem vou ser o novo grande
poeta que tu um dia esperaste que eu fosse:
este poema não é meteorológico mas eu consigo
adivinhar o vento e a chuva todas as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>LOUVOR E SIMPLIFICAÇÃO DE ARMANDO SILVA CARVALHO</p>
<p><em>Já não vou escrever uma rosa na janela fechada<br />
que são os teus olhos a querer adormecer junto ao<br />
parque verde da cidade, nem vou ser o novo grande<br />
poeta que tu um dia esperaste que eu fosse:<br />
este poema não é meteorológico mas eu consigo<br />
adivinhar o vento e a chuva todas as manhãs,<br />
tal como conheço os críticos e sei que não sirvo<br />
para gatinhar noutra casa que não seja a do teu coração.</p>
<p>Até tu já adivinhas as tantas coisas que faço<br />
para te inventar um sorriso, e tão fácil me parece<br />
quando o consigo, tanto quanto foi nascer assim,<br />
fora de mão, e para o resto do sempre ter os pés<br />
à margem dos caminhos das certezas. Sim, reconheço:<br />
sou um poeta sem qualidades para os líricos do meu tempo<br />
e só a minha utopia não lamenta as tantas palavras<br />
que desconheço para me dizer de um outro lado.<br />
Não alcancei o fingimento, não sei se vou ou não por aí,<br />
tenho a liberdade livre dos aldeões pacientes,<br />
o sossego de poder acordar junto de ti.</p>
<p>Não exijo mais nada, como te disse,<br />
adivinhei a maneira certa de adormecer<br />
com o barulho aterrador das águas.</em></p>
<p>Luís Filipe Cristóvão é <a href="http://www.livrododia.com.pt/">editor</a>, <a href="http://www.livrododia.com.pt/index.php?show_aux_page=3">livreiro</a> e <em><a href="http://www.luisfilipecristovao.blogspot.com">blogger</a></em>.</p>
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		<title>‘O Mar em Casablanca’ esgota primeira edição</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 16:15:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Embora só ontem tenha sido posto à venda, o romance O Mar em Casablanca, de Francisco José Viegas, já esgotou a primeira edição (7500 exemplares). 
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Embora só ontem tenha sido posto à venda, o romance <em>O Mar em Casablanca</em>, de Francisco José Viegas, já esgotou a primeira edição (7500 exemplares). </p>
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		<title>Vamos discutir 2666 olhos nos olhos?</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 14:37:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na próxima segunda-feira, tem início uma comunidade de leitores dedicada ao romance 2666, de Roberto Bolaño (Quetzal). Durante quatro sessões, moderarei conversas de hora e meia sobre o livro que mais me entusiasmou este ano, abertas a quem quiser participar. Para os mais esquisitos, uma garantia: não haverá shots de chili, nem leituras de Soraia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na próxima segunda-feira, tem início uma comunidade de leitores dedicada ao romance <em><a href="http://bibliotecariodebabel.com/criticas/tudo-dentro-de-tudo/">2666</a></em>, de Roberto Bolaño (Quetzal). Durante quatro sessões, moderarei conversas de hora e meia sobre o livro que mais me entusiasmou este ano, abertas a quem quiser participar. Para os mais esquisitos, uma garantia: não haverá <em>shots</em> de chili, nem leituras de Soraia Chaves.<br />
O calendário das sessões é o seguinte: 12 de Outubro; 26 de Outubro; 16 de Novembro; e 14 de Dezembro. Sempre às 18h30, na <a href="http://www.c-americalatina.pt/scid/calweb/">Casa da América Latina</a> (Av. 24 de Julho, 118-B, Lisboa). A entrada é livre mas limitada a 20 pessoas. As inscrições podem ser feitas através do telefone 21.395.53.09. Mais informações <a href="http://www.c-americalatina.pt/scid/calweb/defaultEventViewOne.asp?eventsID=280">aqui</a>.</p>
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		<title>Prémio Máxima de Literatura para Maria Velho da Costa</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 13:56:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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Um júri composto por Leonor Xavier, valter hugo mãe, Maria Helena Mira Mateus, António Carvalho e Laura Luzes Torres atribuiu o Prémio Máxima Literatura deste ano a Maria Velho da Costa, pelo romance Myra (Assírio &#038; Alvim). Na categoria de Revelação foi distinguida Isabel d&#8217;Ávila Winter, por Dona Stella e as Suas Rivais (QuidNovi), e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://www.icicom.up.pt/blog/muitaletra/arquivos/Maria_Velho_Costa.jpg" alt="" /></p>
<p>Um júri composto por Leonor Xavier, valter hugo mãe, Maria Helena Mira Mateus, António Carvalho e Laura Luzes Torres atribuiu o Prémio Máxima Literatura deste ano a Maria Velho da Costa, pelo romance <em><a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/dor-e-dano/">Myra</a></em> (Assírio &#038; Alvim). Na categoria de Revelação foi distinguida Isabel d&#8217;Ávila Winter, por <em>Dona Stella e as Suas Rivais</em> (QuidNovi), e no Ensaio o prémio foi para Anabela Natário, jornalista do <em>Expresso</em>, pela colecção <em>Portuguesas com História</em> (Temas e Debates).</p>
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		<title>Jornais de referência (ou nem por isso)</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 13:17:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em todas as sextas-feiras seguintes à atribuição do Nobel de Literatura, faço o mesmo exercício: verificar que diários chamam o assunto para a primeira página e que diários o ignoram. Num pessoalíssimo sistema de classificação da imprensa, este exercício é fundamental para separar os jornais de referência dos outros (tablóides ou a caminho de o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em todas as sextas-feiras seguintes à atribuição do Nobel de Literatura, faço o mesmo exercício: verificar que diários chamam o assunto para a primeira página e que diários o ignoram. Num pessoalíssimo sistema de classificação da imprensa, este exercício é fundamental para separar os jornais de referência dos outros (tablóides ou a caminho de o serem).<br />
Em 2008, para minha <a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/desilusao/">grande desilusão</a>, J.M.G. Le Clézio não vinha na capa do <em><a href="http://ww2.publico.clix.pt/">Público</a></em>, cabendo ao <em><a href="http://dn.sapo.pt/">Diário de Notícias</a></em> salvar a honra do convento. Este ano, a situação inverteu-se: um cantinho (sem foto) no <em>Público</em>, vazio total no <em>DN</em>.<br />
A boa e reveladora surpresa veio do <em><a href="http://www.ionline.pt/conteudos/home.html">i</a></em>: foto de Herta Müller na capa e, lá dentro, o <a href="http://www.ionline.pt/conteudo/26889-nobel-da-literatura-os-fantasmas-que-herta-muller-venceu">trabalho mais completo</a>, assinado por Joana Stichini Varela, com depoimentos de João Barrento (que sugeriu à Cotovia a publicação de <em>O Homem é um Grande Faisão Sobre a Terra</em>), Isabel Gil (especialista em Literatura Alemã da Universidade Católica) e Alexandra Lopes (tradutora de <em>A Terra das Ameixas Verdes</em>), além de um brevíssimo comentário meu à <a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/justificacao-da-academia-sueca/">frase justificativa da Academia Sueca</a>. </p>
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		<title>Ler Herta Müller</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 12:13:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Enquanto os dois títulos traduzidos para português da Prémio Nobel da Literatura 2009 não são reeditados, vale a pena sentir o pulso à sua escrita nestes fragmentos da tradução inglesa do livro de estreia (Niederungen, 1982), cujo hiperlink foi ontem sugerido pelo Expresso Online.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto os <a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/livros-de-herta-muller-editados-em-portugal/">dois títulos traduzidos para português</a> da Prémio Nobel da Literatura 2009 não são reeditados, vale a pena sentir o pulso à sua escrita nestes <a href="http://books.google.com.br/books?id=C1sPzBVe2DoC&#038;dq=Niederungen&#038;printsec=frontcover&#038;source=bl&#038;ots=zHeb_dass9&#038;sig=6NUZKtUgS5IowpptPnEZE-tHBZ0&#038;hl=pt-BR&#038;ei=mszNSvKQMJu4mgPKu_CQAw&#038;sa=X&#038;oi=book_result&#038;ct=result&#038;resnum=4#v=onepage&#038;q=&#038;f=false">fragmentos da tradução inglesa do livro de estreia</a> (<em>Niederungen</em>, 1982), cujo <em>hiperlink</em> foi ontem sugerido pelo <a href="http://aeiou.expresso.pt/">Expresso Online</a>.</p>
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		<title>Borges no Paraíso</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 09:46:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Um óleo sobre tela do pintor argentino Gabriel Caprav.
[via blogue de Gerana Damulakis]
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://2.bp.blogspot.com/_iFrPnjtr4-g/SsAI3gVVGwI/AAAAAAAABW4/kzst1E5H8xo/s1600/3769146999_f11e7c9071.jpg" alt="" /></p>
<p>Um óleo sobre tela do pintor argentino Gabriel Caprav.</p>
<p>[via <a href="http://leitoracritica.blogspot.com/">blogue de Gerana Damulakis</a>]</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Efeito Nobel (2)</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 07:45:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há precisamente um ano, no dia em que se soube que o Nobel de Literatura 2008 ia para J.M.G. Le Clézio, este blogue conseguiu um previsível pico de visitas: 1303, com 2616 pageviews, muito acima da média na altura.
Ontem, o efeito Nobel voltou a sentir-se: 2018 visitas únicas, 3609 pageviews. Nunca antes o BdB ultrapassara, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há precisamente um ano, no dia em que se soube que o Nobel de Literatura 2008 ia para J.M.G. Le Clézio, este blogue conseguiu um previsível pico de visitas: <a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/efeito-nobel/">1303, com 2616 <em>pageviews</em></a>, muito acima da média na altura.<br />
Ontem, o efeito Nobel voltou a sentir-se: 2018 visitas únicas, 3609 <em>pageviews</em>. Nunca antes o BdB ultrapassara, num só dia, a barreira das duas mil visitas.<br />
<em>Danke, Frau</em> Müller.</p>
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		<title>Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-do-actual-52/</link>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 21:40:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[- Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar, de António Lobo Antunes (Dom Quixote), por Ana Cristina Leonardo
- O Mar em Casablanca, de Francisco José Viegas (Porto Editora), por José Mário Silva
- Menina Júlia, de August Strindberg (Quimera), por Hugo Pinto Santos
- Mil Grous, de Yasunari Kawabata (Dom Quixote), por José Guardado Moreira
- [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- <em>Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar</em>, de António Lobo Antunes (Dom Quixote), por Ana Cristina Leonardo<br />
- <em>O Mar em Casablanca</em>, de Francisco José Viegas (Porto Editora), por José Mário Silva<br />
- <em>Menina Júlia</em>, de August Strindberg (Quimera), por Hugo Pinto Santos<br />
- <em>Mil Grous</em>, de Yasunari Kawabata (Dom Quixote), por José Guardado Moreira<br />
- <em>Está tudo ligado &#8211; O poder da Música</em>, de Daniel Barenboim (Bizâncio), por Luís M. Faria<br />
- <em>Mourir, Partir, Revenir &#8211; Le Jeu des Hirondelles</em>, de Zeina Abirached (Cambourakis), por Sara Figueiredo Costa<br />
- <em>D. Maria I &#8211; A Rainha Louca</em>, de Luísa Paiva Boléo (A Esfera dos Livros), por António Valdemar</p>
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		<title>Apresentação da chancela Minotauro</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/apresentacao-da-chancela-minotauro/</link>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 14:11:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
As Edições 70 acabam de criar um novo projecto editorial: a chancela Minotauro, cujo objectivo é divulgar em Portugal alguma da melhor literatura espanhola contemporânea (assinada tanto por autores consagrados como por revelações recentes). A direcção editorial é de Antonio Sáez Delgado e a linha gráfica (bem como os acabamentos e a impressão) revelam uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/convite_minotauro1.jpg" alt="convite_minotauro" title="convite_minotauro" width="400" height="381" class="alignnone size-full wp-image-6237" /></p>
<p>As Edições 70 acabam de criar um novo projecto editorial: a chancela <a href="http://www.minotauro.com.pt">Minotauro</a>, cujo objectivo é divulgar em Portugal alguma da melhor literatura espanhola contemporânea (assinada tanto por autores consagrados como por revelações recentes). A direcção editorial é de Antonio Sáez Delgado e a linha gráfica (bem como os acabamentos e a impressão) revelam uma qualidade acima da média.<br />
Esta tarde, a partir das 18h30, o projecto será apresentado no restaurante do 7.º piso do El Corte Inglés, em Lisboa, pelo crítico Eduardo Pitta. Na sessão estarão dois dos primeiros autores a editar pela Minotauro: Esther Tusquets e Rafael Chirbes. </p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/Bingo-mini.jpg" alt="Bingo-mini" title="Bingo-mini" width="185" height="283" class="alignnone size-full wp-image-6239" /><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/Crematorio-mini.jpg" alt="Crematorio-mini" title="Crematorio-mini" width="185" height="283" class="alignnone size-full wp-image-6238" /> </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Justificação da Academia Sueca</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/justificacao-da-academia-sueca/</link>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 13:14:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[O Prémio Nobel da Literatura foi para Herta Müller porque a escritora, «with the concentration of poetry and the frankness of prose, depicts the landscape of the dispossessed».
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Prémio Nobel da Literatura foi para Herta Müller porque a escritora, <em>«with the concentration of poetry and the frankness of prose, depicts the landscape of the dispossessed</em>».</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Livros de Herta Müller editados em Portugal</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/livros-de-herta-muller-editados-em-portugal/</link>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 11:16:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[São dois: O homem é um grande faisão sobre a terra, com tradução de Maria Antonieta C. Mendonça (Cotovia, 1993); e A terra das ameixas verdes, com tradução de Maria Alexandra A. Lopes (Difel, 1999).
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>São dois: <em>O homem é um grande faisão sobre a terra</em>, com tradução de Maria Antonieta C. Mendonça (Cotovia, 1993); e <em>A terra das ameixas verdes</em>, com tradução de Maria Alexandra A. Lopes (Difel, 1999).</p>
]]></content:encoded>
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		<title>E o vencedor do Prémio Nobel de Literatura 2009 é:</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 11:08:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
Herta Müller (n. 1953), uma escritora alemã de origem romena, pela sua poesia.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://www.dickinson.edu/glossen/heft1/hertabw.jpeg" alt="" /></p>
<p>Herta Müller (n. 1953), uma escritora alemã de origem romena, pela sua poesia.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>À espera</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 10:42:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[De olhos postos aqui.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De olhos postos <a href="http://nobelprize.org/mediaplayer/index.php?id=1175">aqui</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Prémio Nobel da Literatura (um prognóstico falível, como todos os prognósticos sobre a decisão da Academia Sueca)</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 23:15:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Amanhã, pelas 12h00 do nosso meridiano, a Academia Sueca vai anunciar o Nobel da Literatura 2009. Os favoritos são os do costume: Amos Oz, Philip Roth, Joyce Carol Oates, Vargas Llosa, Claudio Magris, Adonis. Mas, como de costume, os favoritos podem perfeitamente ser ignorados pelos académicos de Estocolmo, em favor de um ilustre desconhecido, ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Amanhã, pelas 12h00 do nosso meridiano, a Academia Sueca vai anunciar o Nobel da Literatura 2009. Os favoritos são os do costume: <a href="http://www.reuters.com/article/entertainmentNews/idUSTRE5911N820091002">Amos Oz</a>, Philip Roth, Joyce Carol Oates, Vargas Llosa, Claudio Magris, Adonis. Mas, como de costume, os favoritos podem perfeitamente ser ignorados pelos académicos de Estocolmo, em favor de um ilustre desconhecido, ou de um grande autor de uma literatura marginal.<br />
Se me pedissem apostas, apontaria três nomes:</p>
<p><strong>1. Philip Roth</strong> &#8211; Se não for este ano, talvez já não venha a ser laureado (o que seria uma enorme injustiça, para juntar a tantas outras: Joyce, Borges, Nabokov, etc.). A seu favor, jogam as afirmações do novo secretário permanente da Academia, Peter Englund, segundo as quais o prémio <a href="http://news.yahoo.com/s/ap/20091006/ap_on_re_eu/eu_nobel_literature">«tem sido demasiado eurocêntrico»</a>, o que abre uma porta para os autores norte-americanos que o seu predecessor, Horace Engdahl, fechara em 2008, ao garantir que a Europa continuava a ser o centro do mundo literário e que os EUA se fechavam muito sobre si mesmos, numa lógica insular, incapazes de participar no «grande diálogo da literatura».</p>
<p><strong>2.</strong> <strong>Tomas Tranströmer</strong> &#8211; Pelas mesmíssimas razões que me levaram a <a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/a-minha-aposta-para-amanha/">apostar nele no ano passado</a>.</p>
<p><strong>3. Amos Oz</strong> &#8211; Porque é o <a href="http://daliteratura.blogspot.com/2009/10/amos-oz.html">palpite de Eduardo Pitta</a> (o observador atento das coisas literárias que há precisamente um ano apostou, acertando na <em>mouche</em>, em Le Clézio) e porque está à frente na lista das casas de apostas britânicas, tal como estava Hilary Mantel, a romancista que ontem arrebatou o Man Booker Prize (provando que às vezes os favoritos ganham mesmo). </p>
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		<title>Lançamento de ‘O Mar em Casablanca’</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/divulgacao/lancamento-de-o-mar-em-casablanca/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 18:51:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Divulgação]]></category>

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		<description><![CDATA[O livro que marca o regresso de Francisco José Viegas ao romance policial, e ao seu personagem-fétiche (Jaime Ramos), é apresentado esta noite, a partir das 22h00, na Cantina LX (Lx Factory), por António-Pedro Vasconcelos. A Porto Editora anunciou, entretanto, que os direitos de publicação do romance já foram comprados pela editora italiana que costuma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O livro que marca o regresso de Francisco José Viegas ao romance policial, e ao seu personagem-fétiche (Jaime Ramos), é apresentado esta noite, a partir das 22h00, na Cantina LX (Lx Factory), por António-Pedro Vasconcelos. A Porto Editora anunciou, entretanto, que os direitos de publicação do romance já foram comprados pela editora italiana que costuma publicar FJV (<a href="http://www.lanuovafrontiera.it/">Nuova Frontiera</a>). Esta e outras informações sobre o livro, que chega às livrarias amanhã, podem ser encontradas no respectivo <a href="http://omaremcasablanca.blogs.sapo.pt/">blogue</a>. Foi de lá que retirei o vídeo em que Viegas apresenta a sua nova ficção:</p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/XR1ipU__nHU&#038;color1=0xb1b1b1&#038;color2=0xcfcfcf&#038;feature=player_embedded&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowScriptAccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/XR1ipU__nHU&#038;color1=0xb1b1b1&#038;color2=0xcfcfcf&#038;feature=player_embedded&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowScriptAccess="always" width="425" height="344"></embed></object>  </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Comentário ao Booker na rádio</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/comentario-ao-booker-na-radio/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 10:29:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem à noite, no noticiário das 23h00, comentei na TSF a conquista do Man Booker Prize por Hilary Mantel. Dois excertos da conversa com João Paulo Baltazar, aqui.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem à noite, no noticiário das 23h00, comentei na TSF a conquista do Man Booker Prize por Hilary Mantel. Dois excertos da conversa com João Paulo Baltazar, <a href="http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=1383220">aqui</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Man Booker Prize 2009 para Hilary Mantel</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/man-booker-prize-2009-para-hilary-mantel/</link>
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		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 21:12:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Confirmou-se o favoritismo: Hilary Mantel, a autora de Wolf Hall, ganhou o Man Booker deste ano. É um excelente romance, no doubt. Pela minha parte, porém, teria preferido J.M. Coetzee.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Confirmou-se o <a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/a-superfavorita/">favoritismo</a>: Hilary Mantel, a autora de <em>Wolf Hall</em>, <a href="http://www.themanbookerprize.com/prize/thisyear/winner">ganhou o Man Booker</a> deste ano. É um excelente romance, <em>no doubt</em>. Pela minha parte, porém, teria preferido J.M. Coetzee.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Um livro de Pedro Paixão gratuito (basta descarregar da Internet)</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/um-livro-de-pedro-paixao-gratuito-basta-descarregar-da-internet/</link>
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		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 15:45:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
O livro A Cidade Depois, conjunto de 13 textos escritos em Nova Iorque por Pedro Paixão, logo após o ataque terrorista de 11 de Setembro de 2001 (a que se junta parte de um poema de Walt Whitman, traduzido por Paixão e Luís Quintais), está entre as obras recomendadas, este ano lectivo, aos estudantes do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://www.pedropaixao.net/ACidadeDepois/ACidadeDepois-Small.jpg" alt="" /></p>
<p>O livro <em>A Cidade Depois</em>, conjunto de 13 textos escritos em Nova Iorque por Pedro Paixão, logo após o ataque terrorista de 11 de Setembro de 2001 (a que se junta parte de um poema de Walt Whitman, traduzido por Paixão e Luís Quintais), está entre as obras recomendadas, este ano lectivo, aos estudantes do 10.º ano. Uma vez que o livro está esgotado, o escritor resolveu oferecê-lo no seu <a href="http://www.pedropaixao.net">site</a>. O <em>download</em> gratuito pode ser feito <a href="http://www.pedropaixao.net/ACidadeDepois/PedroPaixao-ACidadeDepois.pdf">aqui</a>. </p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Resultados do Prémio Literário José Luís Peixoto 2009</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/resultados-do-premio-literario-jose-luis-peixoto-2009/</link>
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		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 11:23:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[A terceira edição do Prémio Literário José Luís Peixoto, organizado pela Câmara Municipal de Ponte de Sor (e de cujo júri voltei a fazer parte), distinguiu os seguintes trabalhos: Vasili Litvinski, de Tiago Páscoa, vencedor (mil euros); Quando o milho alto, de Andreia C. Faria, menção honrosa; e Tu que sabes do que se inunda, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A terceira edição do Prémio Literário José Luís Peixoto, organizado pela Câmara Municipal de Ponte de Sor (e de cujo júri voltei a fazer parte), distinguiu os seguintes trabalhos: <em>Vasili Litvinski</em>, de Tiago Páscoa, vencedor (mil euros); <em>Quando o milho alto</em>, de Andreia C. Faria, menção honrosa; e <em>Tu que sabes do que se inunda</em>, de Natália Reis, menção honrosa. De entre os concorrentes naturais e/ou residentes no concelho de Ponte de Sor, o júri decidiu atribuir apenas uma menção honrosa ao trabalho <em>A Cadeira Vazia</em>, de Sofia Graça.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Diário do Booker 2009 (3)</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/diario-do-booker-2009/diario-do-booker-2009-3/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 23:35:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário do Booker (2009)]]></category>

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		<description><![CDATA[
Embora tenha acabado de ler ontem The Glass Room, de Simon Mawer (já na tradução portuguesa: A Sala de Vidro, a editar pela Civilização em Novembro), ainda não consegui sentar-me a escrever um texto com pés e cabeça sobre o que li. Talvez amanhã. Entretanto, posso dizer que o livro é bastante bom (certamente não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://acommonreader.typepad.com/.a/6a00e551d8b9368834011572448bb8970b-250wi" alt="" /></p>
<p>Embora tenha acabado de ler ontem <em>The Glass Room</em>, de Simon Mawer (já na tradução portuguesa: <em>A Sala de Vidro</em>, a editar pela Civilização em Novembro), ainda não consegui sentar-me a escrever um texto com pés e cabeça sobre o que li. Talvez amanhã. Entretanto, posso dizer que o livro é bastante bom (certamente não tão extraordinário como sugerem algumas críticas publicadas no Reino Unido, mas ainda assim bastante bom). E porque o tempo aperta, já me lancei na leitura do vastíssimo <em>Wolf Hall</em>, de Hilary Mantel, apontado como o grande favorito à vitória. Durante o fim-de-semana prolongado, no intervalo das longas jornadas de leitura que ainda tenho pela frente, espero dedicar a este Diário o tempo e o espaço que merece e não tem tido.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O que se perde na tradução</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-que-se-perde-na-traducao/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-que-se-perde-na-traducao/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 23:02:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[«Poesia é o que se perde na tradução», escreveu Robert Frost. E perde-se sempre muito, mesmo nos casos em que o tradutor domina bem as duas línguas (a de partida e a de chegada), mesmo nos casos em que o tradutor é, ele próprio, um poeta. Impunha-se, por isso, instituir uma lei: todos os livros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«Poesia é o que se perde na tradução», escreveu Robert Frost. E perde-se sempre muito, mesmo nos casos em que o tradutor domina bem as duas línguas (a de partida e a de chegada), mesmo nos casos em que o tradutor é, ele próprio, um poeta. Impunha-se, por isso, instituir uma lei: todos os livros de poesia traduzidos devem ser bilingues. Isto para que o leitor possa em qualquer momento recorrer ao original e reencontrar a tal matéria perdida de que falava Frost.<br />
Vem isto a propósito do livro de John Updike que a Civilização acaba de publicar, <em>Ponto Último e outros poemas</em>, bem traduzido por Ana Luísa Amaral (especialista em literatura norte-americana e autora de poesia), mas que tem a pecha de não ser bilingue e por isso não permitir o confronto com os textos originais. Embora o trabalho de Ana Luísa Amaral seja meritório, é evidente que há particularidades e subtilezas da escrita de Updike que desaparecem completamente na versão portuguesa. Era o acesso imediato a essas particularidades e subtilezas que não devia ser negado ao leitor.<br />
Veja-se, por exemplo, como traduziu Amaral os dois primeiros versos do poema <em>A Lightened Life</em>:</p>
<p><em>Uma vida mais leve: as últimas provas do romance<br />
expedidas – a revisão final, para trás, para a frente,</em></p>
<p>No original, os mesmos versos são assim:</p>
<p><em>A lightened life: last novel proofs FedExed—<br />
the final go-through, back and forthing,</em></p>
<p>Para começar, parece-me que «last novel proofs» não são «as últimas provas do romance», mas sim as provas do último romance, do romance final, daquele a que não se seguirá nenhum outro (este poema, como quase todos os outros, é marcado pelo sentido do fim, da morte que se aproxima). E depois, como traduzir «<em>FedExed</em>»? Difícil. As provas foram expedidas, de facto, mas não apenas expedidas. Foram expedidas pela <a href="http://fedex.com/pt/">FedEx</a>, uma empresa americana que os leitores americanos conhecem bem. «Expedidas» faz pensar em estação dos correios; «FedExed» faz pensar num funcionário a bater à porta de casa do Sr. Updike e a levar o pacote das provas numa carrinha branca com letras roxas e cor-de-laranja. Talvez não houvesse forma de <em>passar</em> decentemente aquele «FedExed» para português, mas se o livro fosse bilingue podíamos pelo menos intuir a urgência do verbo usado por Updike (a FedEx é uma empresa de entregas rápidas) e que o verbo português escolhido claramente não evoca.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>‘Ler no Chiado’ sobre política (entre duas eleições)</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/divulgacao/ler-no-chiado-sobre-politica-entre-duas-eleicoes/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/divulgacao/ler-no-chiado-sobre-politica-entre-duas-eleicoes/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 22:26:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Divulgação]]></category>

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		<description><![CDATA[
Amanhã, a partir das 18h30, na livraria Bertrand do Chiado, André Freire (politólogo), Luís Pedro Nunes (director do Inimigo Público) e Pedro S. Guerreiro (director do Jornal de Negócios) vão trocar umas ideias sobre política – o que por estes dias implica análise aos resultados de domingo, cenários governamentais e exegese da mensagem do Presidente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/AF_LER_no_Chiado_Outubro1.jpg" alt="AF_LER_no_Chiado_Outubro[1]" title="AF_LER_no_Chiado_Outubro[1]" width="286" height="400" class="alignnone size-full wp-image-6164" /></p>
<p>Amanhã, a partir das 18h30, na livraria Bertrand do Chiado, André Freire (politólogo), Luís Pedro Nunes (director do <em>Inimigo Público</em>) e Pedro S. Guerreiro (director do <em>Jornal de Negócios</em>) vão trocar umas ideias sobre política – o que por estes dias implica análise aos resultados de domingo, cenários governamentais e exegese da mensagem do Presidente da República. Anabela Mota Ribeiro modera. Talvez valha a pena passar por lá, ou pelo menos deixá-los sob escuta.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Nove esferas</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/nove-esferas/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/geral/nove-esferas/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 21:18:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de ler Ponto Último e outros poemas, de John Updike (Civilização), há uma sequência de versos breves, quase haikus, que não me sai da cabeça. É esta:
NÍVEIS DE AR
I
mosquitos de Primavera junto
aos meus olhos, ao meu ouvido
II
num nível acima, um pisco descansa
num ramo baixo de faia,
e andorinhas inclinadas
juntam ninhos de lama
III
os corvos lá em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de ler <em>Ponto Último e outros poemas</em>, de John Updike (Civilização), há uma sequência de versos breves, quase <em>haikus</em>, que não me sai da cabeça. É esta:</p>
<blockquote><p>NÍVEIS DE AR</br><br />
I</p>
<p><em>mosquitos de Primavera junto<br />
aos meus olhos, ao meu ouvido</em></br><br />
II</p>
<p><em>num nível acima, um pisco descansa<br />
num ramo baixo de faia,<br />
e andorinhas inclinadas<br />
juntam ninhos de lama</em></br><br />
III</p>
<p><em>os corvos lá em cima, nos carvalhos,<br />
deixam cair merda branca, crocitos negros</em></br><br />
IV</p>
<p><em>gaivotas: vindas do mar,<br />
as suas asas cinzentas remando<br />
como almas de fantasmas pairando<br />
no Purgatório</em></br><br />
V</p>
<p><em>um falcão de asas largas pendurado<br />
no vento lateral</em></br><br />
VI </p>
<p><em>um Learjet (ruidoso) zumbe<br />
como se, o trem baixado, regressasse<br />
do seu voo local<br />
depois de uma viagem (lucrativa?)</em></br><br />
VII</p>
<p><em>mais lá no alto, um 737<br />
vira para leste, saindo de Logan</em></br><br />
VIII</p>
<p><em>mais perto ainda do céu,<br />
um 747<br />
ou uma supermosca semelhante<br />
sai do JFK, dirigindo-se como seta<br />
para uma capital europeia,<br />
o seu rasto de jacto silencioso<br />
rasgão branco de neve<br />
com crista cruciforme</em></br><br />
IX</p>
<p><em>já fora da visão, e sobre tudo:<br />
as nossas naves orbitando<br />
este planeta flutuante<br />
e aprumados os anjos</em></p></blockquote>
<p>Notável, a forma como progredimos, em ascenção lenta mas com súbitos saltos, repentinas mudanças de escala, desde a superfície terrestre ao horizonte cósmico (com anjos aprumados e tudo, à maneira das gravuras medievais). Em 32 versos, uma viagem imensa.<br />
Gosto de pensar que há uma razão para que os mosquitos da estrofe inicial estejam simultaneamente junto aos olhos e ao ouvido. De certa forma, ele indica-nos os dois sentidos necessários para compreender o poema. Em primeiro lugar, a visão. É com ela que o poeta se apercebe dos próprios mosquitos, do pisco e das andorinhas, dos corvos, das gaivotas, do falcão, do Learjet, dos Boeing 737 e 747, das invisíveis naves em órbita e das ainda mais invisíveis revoadas de anjos. Mas, menos óbvio, o ouvido também desempenha um papel essencial. O de ouvir a melodia que atravessa os vários «níveis de ar», essa música do universo que os antigos diziam ser a música das esferas.</p>
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		<title>Dez elevado a cem</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 16:53:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
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		<description><![CDATA[
São ideias, ideias, ideias. Vale a pena votar nas melhores, até 8 de Outubro.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/JUf1zxjR_Qw&#038;rel=0&#038;color1=0xb1b1b1&#038;color2=0xcfcfcf&#038;hl=en&#038;feature=player_embedded&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowScriptAccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/JUf1zxjR_Qw&#038;rel=0&#038;color1=0xb1b1b1&#038;color2=0xcfcfcf&#038;hl=en&#038;feature=player_embedded&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowScriptAccess="always" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>São ideias, ideias, ideias. Vale a pena <a href="http://www.project10tothe100.com/vote.html">votar nas melhores</a>, até 8 de Outubro.</p>
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		<title>A melhor ficção do milénio (até agora)</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 23:23:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[O blogue The Millions resolveu pedir ajuda a mais de 50 críticos literários e escritores norte-americanos para escolher os 20 melhores livros de ficção da primeira década do século XXI, de entre os que foram publicados nos EUA (método explicado aqui). Mais tarde, o The Millions também consultou os seus leitores, através do Facebook, elaborando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O blogue <a href="http://www.themillions.com/">The Millions</a> resolveu pedir ajuda a mais de 50 críticos literários e escritores norte-americanos para escolher os 20 melhores livros de ficção da primeira década do século XXI, de entre os que foram publicados nos EUA (método explicado <a href="http://www.themillions.com/2009/09/the-best-fiction-of-the-millennium-so-far-an-introduction.html">aqui</a>). Mais tarde, o <a href="http://www.themillions.com/">The Millions</a> também consultou os seus leitores, através do Facebook, elaborando uma segunda lista. Eis os <a href="http://www.themillions.com/2009/09/best-of-the-millennium-pros-versus-readers.html">resultados</a>:</p>
<p><strong>Lista dos peritos:</strong></p>
<p>1. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/1-the-corrections-by-jonathan-franzen.html">The Corrections</a></em>, de Jonathan Franzen<br />
2. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/2-the-known-world-by-edward-p-jones.html">The Known World</a></em>, de Edward P. Jones<br />
3. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/3-cloud-atlas-by-david-mitchell.html">Cloud Atlas</a></em>, de David Mitchell<br />
4. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/4-2666-by-roberto-bolao.html">2666</a></em>, de Roberto Bolaño<br />
5. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/5-pastoralia-by-george-saunders.html">Pastoralia</a></em>, de George Saunders<br />
6. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/6-the-road-by-cormac-mccarthy.html">The Road</a></em>, de Cormac McCarthy<br />
7. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/7-austerlitz-by-w-g-sebald.html">Austerlitz</a></em>, de W.G. Sebald<br />
8. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/8-out-stealing-horses-by-per-petterson.html">Out Stealing Horses</a></em>, de Per Petterson<br />
9. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/9-hateship-friendship-courtship-loveship-marriage-by-alice-munro.html">Hateship, Friendship, Courtship, Loveship, Marriage</a></em>, de Alice Munro<br />
10. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/10-never-let-me-go-by-kazuo-ishiguro.html">Never Let Me Go</a></em>, Kazuo Ishiguro<br />
11. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/10-never-let-me-go-by-kazuo-ishiguro.html">The Brief, Wondrous Life of Oscar Wao</a></em>, de Junot Díaz<br />
12. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/12-twilight-of-the-superheroes-by-deborah-eisenberg.html">Twilight of the Superheroes</a></em>, de Deborah Eisenberg<br />
13. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/13-mortals-by-norman-rush.html">Mortals</a></em>, de Norman Rush<br />
14. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/14-atonement-by-ian-mcewan.html">Atonement</a></em>, de Ian McEwan<br />
15. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/15-varieties-of-disturbance-by-lydia-davis.html">Varieties of Disturbance</a></em>, de Lydia Davis<br />
16. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/16-middlesex-by-jeffrey-eugenides.html">Middlesex</a></em>, de Jeffrey Eugenides<br />
17. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/17-the-fortress-of-solitude-by-jonathan-lethem.html">The Fortress of Solitude</a></em>, de Jonathan Lethem<br />
18. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/18-stranger-things-happen-by-kelly-link.html">Stranger Things Happen</a></em>, de Kelly Link<br />
19. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/19-american-genius-a-comedy-by-lynne-tillman.html">American Genius, A Comedy</a></em>, de Lynne Tillman<br />
20. <em><a href="http://www.themillions.com/2009/09/20-gilead-by-marilynne-robinson.html">Gilead</a></em>, de Marilynne Robinson</p>
<p><strong>Lista dos leitores:</strong></p>
<p>1. <em>The Brief, Wondrous Life of Oscar Wao</em>, de Junot Díaz<br />
2. <em>2666</em>, de Roberto Bolaño<br />
3. <em>Middlesex</em>, de Jeffrey Eugenides<br />
4. <em>Cloud Atlas</em>, de David Mitchell<br />
5. <em>The Road</em>, de Cormac McCarthy<br />
6. <em>Atonement</em>, de Ian McEwan<br />
7. <em>The Amazing Adventures of Kavalier and Clay</em>, de Michael Chabon<br />
8. <em>The Corrections</em>, de Jonathan Franzen<br />
9. <em>Gilead</em>, de Marilynne Robinson<br />
10. <em>White Teeth</em>, de Zadie Smith<br />
11. <em>Kafka on the Shore</em>, de Haruki Murakami<br />
12. <em>The Kite Runner</em>, de Khaled Hosseini<br />
13. <em>Never Let Me Go</em>, de Kazuo Ishiguro<br />
14. <em>Austerlitz</em>, de W.G. Sebald<br />
15. <em>Empire Falls</em>, de Richard Russo<br />
16. <em>Runaway</em>, de Alice Munro<br />
17. <em>The Master</em>, de Colm Tóibín<br />
18. <em>Half of a Yellow Sun</em>, de Chimamanda Ngozi Adichie<br />
19. <em>Unaccustomed Earth</em>, de Jhumpa Lahiri<br />
20. <em>Jonathan Strange &#038; Mr. Norrell</em>, de Susanna Clarke </p>
<p>Dez dos 20 livros escolhidos pelo painel de peritos já estão editados em Portugal: <em>Correcções</em>, de Jonathan Frazer (Dom Quixote); <em>Atlas das Nuvens</em>, de David Mitchell (Dom Quixote); <em><a href="http://bibliotecariodebabel.com/criticas/tudo-dentro-de-tudo/">2666</a></em>, de Roberto Bolaño (Quetzal); <em>A Estrada</em>, de Cormac McCarthy (Relógio d&#8217;Água); <em>Austerlitz</em>, de W. G. Sebald (Teorema); <em>Cavalos Roubados</em>, de Per Peterson (Casa das Letras); <em>Nunca Me Deixes</em>, de Kazuo Ishiguro (Gradiva); <em><a href="http://bibliotecariodebabel.com/criticas/a-maldicao-dominicana/">A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao</a></em>, de Junot Díaz (Porto Editora); <em>Expiação</em>, de Ian McEwan (Gradiva); <em>Middlesex</em>, de Jeffrey Eugenides (Dom Quixote).<br />
Na lista dos leitores, a proporção ainda é maior: 17 livros dos 20 foram traduzidos por editoras portuguesas. Além dos nove títulos que constam da outra lista, há ainda <em>As Espantosas Aventuras de Kavalier &#038; Clay</em>, de Michael Chabon (Gradiva); <em>Dentes Brancos</em>, de Zadie Smith (Dom Quixote); <em>Kafka à Beira-mar</em>, de Haruki Murakami (Casa das Letras); <em>O Menino de Cabul</em>, de Khaled Hosseini (Relógio d&#8217;Água); <em>Fugas</em>, de Alice Munro (Relógio d&#8217;Água); <em>O Mestre</em>, de Colm Tóibin (Dom Quixote); <em>Meio Sol Amarelo</em>, de Chimamanda Adichie (ASA); <em>Jonathan Strange &#038; o Sr. Norrell</em>, de Susanna Clarke (Casa das Letras).  </p>
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		<title>Revista ‘Os Meus Livros’ chega à blogosfera</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/blogosfera/revista-os-meus-livros-chega-a-blogosfera/</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 21:19:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blogosfera]]></category>

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		<description><![CDATA[Conferir aqui.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conferir <a href="http://oml.com.pt/blogs/">aqui</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Pequeno tratado de ornitologia lírica</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/criticas/pequeno-tratado-de-ornitologia-lirica/</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 17:02:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[
O Livro das Aves
Autor: Tiago Patrício
Editora: Quasi
N.º de páginas: 51
ISBN: 978-989-552-404-4
Ano de publicação: 2009
Vencedor da edição deste ano do Prémio Daniel Faria, com O Livro das Aves, Tiago Patrício (n. 1979) revelou-se como poeta nas antologias literárias de 2007 e 2008 do concurso &#8220;Jovens Criadores&#8221;, organizado pelo Clube Português de Artes e Ideias, em trabalhos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bloguilibri.files.wordpress.com/2009/05/imagem42.jpg" alt="" /></p>
<p><strong>O Livro das Aves</strong><br />
<em>Autor:</em> Tiago Patrício<br />
<em>Editora:</em> Quasi<br />
<em>N.º de páginas:</em> 51<br />
<em>ISBN:</em> 978-989-552-404-4<br />
<em>Ano de publicação:</em> 2009</p>
<p>Vencedor da edição deste ano do Prémio Daniel Faria, com <em>O Livro das Aves</em>, Tiago Patrício (n. 1979) revelou-se como poeta nas antologias literárias de 2007 e 2008 do concurso &#8220;Jovens Criadores&#8221;, organizado pelo Clube Português de Artes e Ideias, em trabalhos que já revelavam uma consistência invulgar num autor estreante.<br />
A consistência, tanto estilística quanto temática, volta a ser o ponto forte do seu primeiro livro, que funciona como uma espécie de ciclo, declinação exaustiva de um mesmo tópico: o das aves (reais, metafóricas, míticas, fantásticas) e do seu voo, enquanto matéria volátil que engendra o próprio poema. Nalguns casos, Patrício deixa-se contaminar pela ilusão de leveza que a sua escrita depurada transmite aos versos e acaba por perder-se num labirinto de imagens fortes mas vazias, imagens que confundem profundidade com grandiloquência. Um exemplo:</p>
<p><em>O olhar obscuro e o ventre secreto<br />
tem o princípio de uma serpente<br />
atravessada no pensamento<br />
e um véu cauterizado por uma oração<br />
anterior à gravidade de Deus</p>
<p>Vocalizam certezas e feridas por sarar<br />
na chamada para os comboios de Alcântara<br />
Induzem uma influência mestiça nas casas<br />
e formulam ligações directas aos lugares<br />
por entre a emigração secreta do ser inicial</em> (&#8230;)</p>
<p>[excerto do poema <em>As rolas turcas na estação de Alcântara Terra</em>]</p>
<p>Quanto menos simbólica é a aproximação ornitológica, melhores são os poemas – como se pode comprovar lendo <em><a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/dois-poemas-de-tiago-patricio/">Os pardais da sinagoga de Tunis</a></em>, <em>Os pombos domésticos sobre as estátuas</em> e <em><a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/dois-poemas-de-tiago-patricio/">Caçadores</a></em>. Ou, ainda, o belíssimo <em>Os pintassilgos de Mirandela</em>, com as suas «gaiolas brancas / espalhadas pelo Verão», perto de um rio «com pomares e o cheiro de figos fáceis», a memória dos pássaros confundindo-se com a memória da infância perdida:</p>
<p>OS PINTASSILGOS DE MIRANDELA</p>
<p><em>Nasci numa casa com gaiolas brancas<br />
espalhadas pelo Verão<br />
Era o meu pai vivo e o meu avô estival<br />
entrava pela hora mais terna<br />
enquanto encarregado das gaiolas<br />
e a minha infância inteira decrescia<br />
no canto da casa dos pássaros</p>
<p>O alpendre era de uma inclinação natural<br />
com avô e pássaros encostados à sombra dos álamos<br />
e as gaiolas casas que os abrigavam<br />
do frio, da fome e dos gatos bravos<br />
A minha alegria era quente como a terra<br />
e contava ensinar ao meu filho bisneto<br />
a atracção pelos grilos, caracóis<br />
e pintassilgos na doçura das borboletas</p>
<p>Em Mirandela havia um vale junto a um rio<br />
com pomares e o cheiro de figos fáceis<br />
Os pintassilgos divididos na abundância<br />
eram como crianças atrás de amoras<br />
que inspiram as flores de uma música sucessiva</p>
<p>O Pintassilgo é a mais bela ave silvestre<br />
e se não pudesse manter as gaiolas em casa<br />
era como se não houvesse onde permanecer<br />
Eles amotinam-se nas minhas barbas<br />
desalojam corvos e os dragões dos poemas<br />
fazem a tarde parecer tão antiga e adormecer<br />
como a infanta primavera em que o meu avô<br />
era o estio e os bisnetos existiam mesmo<br />
e os nossos olhos acariciavam os pássaros,<br />
que é tão tarde agora para dizer aqueles que morriam<br />
exaustos a contar os meses atrás das grades</em></p>
<p><em>Avaliação:</em> 5,5/10</p>
<p>[Versão ampliada de um texto publicado no suplemento <em>Actual</em>, do semanário <em><a href="http://aeiou.expresso.pt/">Expresso</a></em>]</p>
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		<title>Desconfiança</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/blogosfera/desconfianca/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/blogosfera/desconfianca/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 12:44:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blogosfera]]></category>

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		<description><![CDATA[«Desconfio sempre dos entusiasmos bovinos em redor de certos autores. Como o recente e orgástico alarde à volta do escritor Roberto Bolaño. Está na boca de toda a gente. Fizeram-lhe até uma festa de lançamento com direito a leitura de excertos pela Soraia Chaves e shots de margueritas. Um horror. A literatura já não é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>«Desconfio sempre dos entusiasmos bovinos em redor de certos autores. Como o recente e orgástico alarde à volta do escritor Roberto Bolaño. Está na boca de toda a gente. Fizeram-lhe até uma festa de lançamento com direito a leitura de excertos pela Soraia Chaves e shots de margueritas. Um horror. A literatura já não é o que era. A literatura, mesmo a que se quer decente, a tal do cânone, está na moda. E tudo o que está na moda perde o encanto. Torna-se ordinário. Quero os livros que leio para mim. É uma coisa um bocado parva e elitista mas que assumo. Não faço questão de os partilhar, aos meus livros, com ninguém. Muitos menos de os escalpelizar, analisar, comentar, comparar enquanto bebo martinis e estilhaço, com uma boca ultra shiny, um croquete de porco preto.»</p></blockquote>
<p>A <a href="http://ana-de-amsterdam.blogspot.com/2009/09/estilete.html">opinião</a> de Ana Cássia Rebelo, também conhecida como <a href="http://ana-de-amsterdam.blogspot.com">Ana de Amsterdam</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A máscara</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/a-mascara/</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 12:04:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 2009, provavelmente devido à crise económica, muitas editoras têm apostado na recapagem; isto é, na reintrodução de livros antigos (que estavam a ocupar espaço nos armazéns) com capas novas e mais chamativas. Às vezes o pretexto é a estreia de um filme que adapta a história do livro, outras vezes não há pretexto nenhum. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 2009, provavelmente devido à crise económica, muitas editoras têm apostado na <em>recapagem</em>; isto é, na reintrodução de livros antigos (que estavam a ocupar espaço nos armazéns) com capas novas e mais chamativas. Às vezes o pretexto é a estreia de um filme que adapta a história do livro, outras vezes não há pretexto nenhum. A não ser a oportunidade de rentabilizar, a baixíssimo custo, obras <em>paradas</em>, criando nalguns casos a ilusão de que se está a lançar novidades.<br />
Exemplo curioso desta prática é o que a Dom Quixote acaba de fazer com um romance de 2007: <em>Epidemia</em>, de Reina James, uma narrativa que descreve a mortandade provocada pela gripe espanhola em 1918. Há dois anos, a capa foi esta:</p>
<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/epidemia1.jpg" alt="epidemia1" title="epidemia1" width="324" height="480" class="alignnone size-full wp-image-6105" /></p>
<p>É uma capa infeliz. Mortiça, com <em>lettering</em> mal escolhido e quase ilegível, só se salvando a frase que resume a tragédia: «Se todos os que morreram de gripe espanhola segurassem uma vela, a terra inteira, vista do ar, seria uma bola de fogo.»<br />
Dois anos e meio mais tarde, com a Gripe A a pairar sobre todos nós como uma ameaça terrível, a Dom Quixote volta a enviar o romance para as livrarias, com esta sobrecapa:</p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/epidemia2.jpg" alt="epidemia2" title="epidemia2" width="331" height="480" class="alignnone size-full wp-image-6104" /></p>
<p>Muito mais eficaz, não concordam? A fotografia continua a ser de 1918, mas o seu impacto é reforçado por imagens semelhantes que vimos há pouco tempo na capa das <em>newsmagazines</em>. A frase também mudou: «Um retrato do quotidiano durante uma pandemia, uma gripe para a qual a ciência não tinha respostas.» Em vez da referência explícita à gripe espanhola, temos a «gripe para a qual a ciência não tinha respostas», fazendo a ponte com os medos que a Gripe A suscita.<br />
Falta só a cereja em cima do bolo. Na nova versão, <em>Epidemia</em> vem dentro de uma embalagem de plástico, juntamente com uma «máscara anti-epidémica» de oferta: </p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/epidemia3.jpg" alt="epidemia3" title="epidemia3" width="439" height="480" class="alignnone size-full wp-image-6103" /></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Trajectória de uma leitura</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/trajectoria-de-uma-leitura/</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 11:20:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[2666]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Bolaño]]></category>

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		<description><![CDATA[2666, lido passo a passo por Paulo Alves.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://2666.blogs.sapo.pt/">2666</a>, lido <a href="http://com2666.blogspot.com/">passo a passo</a> por Paulo Alves.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bibliotecariodebabel.com/geral/trajectoria-de-uma-leitura/feed/</wfw:commentRss>
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		<item>
		<title>Junto à escola</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/junto-a-escol/</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 11:10:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma miúda de uns nove anos, para uma miúda de uns oito anos: «A X é mesmo infantil, devias ouvir as coisas que ela diz, parece que tem sete anos.»
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma miúda de uns nove anos, para uma miúda de uns oito anos: «A X é mesmo infantil, devias ouvir as coisas que ela diz, parece que tem sete anos.»</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Aulas sobre o Novo Acordo Ortográfico no Museu do Oriente</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 20:38:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Divulgação]]></category>

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		<description><![CDATA[O Museu do Oriente vai organizar um curso de formação centrado na nova ortografia da língua portuguesa, tendo como formadores Pedro Dinis Correia e o Prof. João Malaca Casteleiro, coordenador da equipa responsável pelo Dicionário da Academia das Ciências. O curso será composto por duas sessões e decorrerá nos dias 10 e 17 de Outubro, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://www.museudooriente.pt/">Museu do Oriente</a> vai organizar um curso de formação centrado na nova ortografia da língua portuguesa, tendo como formadores Pedro Dinis Correia e o Prof. João Malaca Casteleiro, coordenador da equipa responsável pelo Dicionário da Academia das Ciências. O curso será composto por duas sessões e decorrerá nos dias 10 e 17 de Outubro, entre as 10h00 e as 13h00; repetindo-se nos dias 7 e 14 de Novembro, no mesmo horário. «Durante seis horas lectivas, os formandos têm a oportunidade de desenvolver competências linguísticas, de modo a exercitar a prática da nova ortografia, e explorar a nova grafia das palavras conforme o Acordo Ortográfico, através de exercícios diversificados e análise de documentos e textos», prometem os organizadores. Número mínimo de participantes: 20. Preço: 40 euros. E-mail: info@museudooriente.pt.</p>
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		<title>Os romancistas do Equador (não confundir com o romancista do ‘Equador’)</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 16:57:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[A verdade é esta: nunca li romancistas equatorianos (como nunca li romancistas do Botswana, do Laos ou da Papua Nova Guiné), mas se calhar já devia ter lido romancistas equatorianos. Este artigo de Leonardo Valencia, na última edição do suplemento Babelia (El País), explica muito bem porquê.  
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A verdade é esta: nunca li romancistas equatorianos (como nunca li romancistas do Botswana, do Laos ou da Papua Nova Guiné), mas se calhar já devia ter lido romancistas equatorianos. Este <a href="http://www.elpais.com/articulo/portada/habitan/novelas/imposibles/elpepuculbab/20090926elpbabpor_30/Tes">artigo</a> de Leonardo Valencia, na última edição do suplemento <em>Babelia</em> (<em>El País</em>), explica muito bem porquê.  </p>
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		<title>Até 4 de Outubro</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 14:35:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Divulgação]]></category>

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		<description><![CDATA[Feira do Livro Infantil, na Fundação de Serralves.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.serralves.pt/actividades/detalhes.php?id=1699">Feira do Livro Infantil</a>, na Fundação de Serralves.</p>
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		<title>A bolha</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 13:43:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bibliotecas]]></category>
		<category><![CDATA[Blogosfera]]></category>

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		<description><![CDATA[«Provavelmente há já quem organize visitas de estudo aos bastidores das bibliotecas. Porque há salas memoráveis, daquelas que podem espantar tanto um leitor como certas páginas dos livros: salas com estantes apinhadas, altas como arranha-céus, salas com arquivos deslizantes que mostram camadas sucessivas de prateleiras, salas com livros tão despedaçados que tememos tocar-lhes (diz-se, nas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>«Provavelmente há já quem organize visitas de estudo aos bastidores das bibliotecas. Porque há salas memoráveis, daquelas que podem espantar tanto um leitor como certas páginas dos livros: salas com estantes apinhadas, altas como arranha-céus, salas com arquivos deslizantes que mostram camadas sucessivas de prateleiras, salas com livros tão despedaçados que tememos tocar-lhes (diz-se, nas bibliotecas, que os romances com mais tiras de fita-cola são os melhores).<br />
Os bastidores da biblioteca de Serpa ainda são novos, arrumadíssimos, com uma limpeza de hospital, mas nem por isso menos dignos de uma visita. Sobretudo desde que lá existe uma certa bolha&#8230;»</p></blockquote>
<p>Para ver esta bolha e descobrir para que serve, é favor continuar a ler o <a href="http://planeta-tangerina.blogspot.com/2009/09/bolha.html"><em>post</em> da Isabel Minhós Martins</a>, no <a href="http://planeta-tangerina.blogspot.com/">blogue da Planeta Tangerina</a>. </p>
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		<title>Nelson de Matos publica novo romance de João Ubaldo Ribeiro</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 11:44:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[João Ubaldo Ribeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[
Depois de ter reeditado Viva o Povo Brasileiro, A Casa dos Budas Ditosos e Miséria e Grandeza do Amor de Benedita, Nelson de Matos vai publicar, em simultâneo com a edição original, o novo romance do Prémio Camões 2008. Título: O Albatroz Azul (248 páginas, 16 euros). Para Nelson de Matos, esta é «uma obra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/CAPA-OAlbatroz-Azul.jpg" alt="CAPA - OAlbatroz Azul" title="CAPA - OAlbatroz Azul" width="260" height="400" class="alignnone size-full wp-image-6098" /></p>
<p>Depois de ter reeditado <em>Viva o Povo Brasileiro</em>, <em>A Casa dos Budas Ditosos</em> e <em>Miséria e Grandeza do Amor de Benedita</em>, Nelson de Matos vai publicar, em simultâneo com a edição original, o novo romance do Prémio Camões 2008. Título: <em>O Albatroz Azul</em> (248 páginas, 16 euros). Para Nelson de Matos, esta é «uma obra de génio» e «a verdadeira surpresa deste final de ano».<br />
Chega às livrarias a 10 de Outubro.</p>
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		<title>Dia de eleição</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 07:18:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem, domingo, o BdB teve 1415 visitas únicas (2610 pageviews), culminando a melhor semana de sempre, com uma média diária de 1219 visitas únicas (2180 pageviews). Após uma noite eleitoral em que todos ganharam (a oposição, deputados; o governo, as eleições), esta manhã também o BdB tem motivos para celebrar.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem, domingo, o BdB teve 1415 visitas únicas (2610 <em>pageviews</em>), culminando a melhor semana de sempre, com uma média diária de 1219 visitas únicas (2180 <em>pageviews</em>). Após uma noite eleitoral em que todos ganharam (a oposição, deputados; o governo, as eleições), esta manhã também o BdB tem motivos para celebrar.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Diário do Booker 2009 (2)</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 23:55:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário do Booker (2009)]]></category>
		<category><![CDATA[Simon Mawer]]></category>

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		<description><![CDATA[«Rainer von Abt no local de construção: é o final de um dia de Abril com uma chuva fina e irritante a cair. A lama é ainda a característica principal do lugar, lama a colar-se às pernas e a tentar arrastar as pessoas para o buraco. Von Abt, de sapatos de couro grosso enlameados, encontra-se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«Rainer von Abt no local de construção: é o final de um dia de Abril com uma chuva fina e irritante a cair. A lama é ainda a característica principal do lugar, lama a colar-se às pernas e a tentar arrastar as pessoas para o buraco. Von Abt, de sapatos de couro grosso enlameados, encontra-se sobre uma passagem de pranchas. Vestido como está, de fato cinzento-escuro, sobretudo preto e chapéu mole de feltro, seria facilmente confundido com o proprietário. A seu lado, de botas de borracha, está o capataz da obra, enlameado, desgrenhado e incomodado. De momento não existe forma concreta na construção para que estão a olhar. Não é mais do que um esboço de traços vigorosos, registado na mente de Von Abt, transferido para folhas de papel, depois revisto, reconsiderado, discutido ao mínimo detalhe, e agora prolongado nas horizontais e verticais vigorosas de aço avermelhado, um labirinto em três dimensões erguido no meio da atmosfera enevoada. No passado, as casas cresceram naturalmente, como plantas, do solo para cima. Mas esta casa é diferente: ela cresce da estrutura para fora, como uma ideia a transformar-se numa obra de arte a partir do âmago central de inspiração para o facto material da realização. As betoneiras agitam-se e vomitam. Os homens andam para a frente e para trás com cochos de pedreiro sobre os ombros. Escadas erguem-se como diagonais pronunciadas face ao esqueleto rectilíneo da estrutura.<br />
O capataz da obra desdobra uma cópia heliográfica e faz um gesto para cima em direcção ao andar do topo onde um trabalhador se equilibra ao longo de uma viga como uma criança pelo rebordo de um passeio.<br />
– O senhor pretende que paredes bem resistentes dêem à obra alguma estabilidade – afirma ele.<br />
– Eu não pretendo nada disso – responde Von Abt com notável bom humor. – A estabilidade é a última coisa que eu quero. Esta casa deve pairar em luz. Deve cintilar e brilhar. Não deve ser estável!<br />
O homem funga.<br />
– Parece mais uma máquina do que uma casa.<br />
– É o que ela é, uma máquina para se viver lá dentro.<br />
O capataz abana a cabeça perante a ideia de uma tal máquina. Ele quer quatro paredes à sua volta, feitas de pedra. Nada deste disparate de estrutura de vigas de aço. Se aquilo serve para alguma coisa é para edifícios de escritórios – estão a construir um edifício semelhante em Jánská, neste mesmo momento, mas vai ser um grande armazém, graças a Deus, não uma casa particular.<br />
– Le Corbusier – diz Von Abt.<br />
– O quê?<br />
– O que eu disse não é original. Não posso colher os louros. Le Corbusier chegou lá primeiro. <em>La machine à habiter</em>.<br />
– O que é isso?<br />
– É francês.<br />
– Quem precisa do francês? Já é suficientemente mau ter de lidar com o alemão e o checo.»</p>
<p>[in <em>A Sala de Vidro</em>, de Simon Mawer, trad. de Helena Lopes, Civilização, Outubro de 2009]</p>
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		<title>O homem dos livros</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 23:02:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Na esfera portuguesa do Twitter, toda a gente está a comentar em tempo real os resultados das legislativas. Toda a gente, não. O José Afonso Furtado continua a reenviar-nos para artigos sobre livros e acordos do Google, notícias sobre e-books e hyperlivres – a torrente informativa do costume sobre o mundo editorial. 
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na esfera portuguesa do Twitter, toda a gente está a comentar em tempo real os resultados das legislativas. Toda a gente, não. O <a href="http://twitter.com/jafurtado">José Afonso Furtado</a> continua a reenviar-nos para artigos sobre livros e acordos do Google, notícias sobre <em>e-books</em> e <em>hyperlivres</em> – a torrente informativa do costume sobre o mundo editorial. </p>
]]></content:encoded>
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		<title>À saída das urnas</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 22:32:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma vitória socrática, infelizmente com escassa maiêutica. Uma derrota laranja, felizmente sem mabalarismos que a salvem. Cresce o Bloco, cresce o CDS-PP, esboroa-se o centrão. Parecer-me-ia perfeito, se o principal crescimento não fosse o do CDS-PP.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma vitória socrática, infelizmente com escassa maiêutica. Uma derrota laranja, felizmente sem <em>mabalarismos</em> que a salvem. Cresce o Bloco, cresce o CDS-PP, esboroa-se o centrão. Parecer-me-ia perfeito, se o principal crescimento não fosse o do CDS-PP.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O leitor entomólogo</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 16:48:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>

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		<description><![CDATA[
Primeira página do exemplar de A Metamorfose que Vladimir Nabokov usava nas suas aulas sobre Franz Kafka, com um desenho pormenorizado de Gregor Samsa em versão insecto.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/nabokov_on_kafka1.jpg" alt="nabokov_on_kafka" title="nabokov_on_kafka" width="268" height="400" class="alignnone size-full wp-image-6083" /></p>
<p>Primeira página do exemplar de <em>A Metamorfose</em> que Vladimir Nabokov usava nas suas aulas sobre Franz Kafka, com um desenho pormenorizado de Gregor Samsa em versão insecto.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A livraria preferida do poeta Luís Quintais</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 12:33:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[É a Buchholz. A antiga Buchholz, a livraria de três pisos que fechou as portas este ano. Lembra Quintais, nostálgico: «Tinha vidros extensos, montras temáticas, sofás, cantos (onde se podia ler poesia pela tarde fora), amizades revisitadas, lugar de encontro. E era perto da Cinemateca.»
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É a Buchholz. A antiga Buchholz, a livraria de três pisos que fechou as portas este ano. Lembra Quintais, nostálgico: «<a href="http://angnovus.wordpress.com/2009/09/26/a-minha-livraria-preferida-luis-quintais/">Tinha vidros extensos, montras temáticas, sofás, cantos (onde se podia ler poesia pela tarde fora), amizades revisitadas, lugar de encontro. E era perto da Cinemateca.</a>»</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Feira do Livro Manuseado</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 10:06:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Divulgação]]></category>

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		<description><![CDATA[Durante um mês, a Assírio &#038; Alvim vai disponibilizar «óptimos livros, maculados apenas por uma ou outra pequena mancha ou ligeira imperfeição e por isso, por isso apenas, vendidos a preços tão baixos que nem a crise será uma desculpa para não os ler». Haverá também livros esgotados e fora do mercado, cartazes da editora, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Durante um mês, a Assírio &#038; Alvim vai disponibilizar «óptimos livros, maculados apenas por uma ou outra pequena mancha ou ligeira imperfeição e por isso, por isso apenas, vendidos a preços tão baixos que nem a crise será uma desculpa para não os ler». Haverá também livros esgotados e fora do mercado, cartazes da editora, postais e «outras surpresas». Na livraria da Assírio &#038; Alvim (Rua Passos Manuel, 67-B, Lisboa), de segunda-feira a sábado, das 10h00 às 19h00, até 31 de Outubro.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Leitura do dia</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 09:25:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
Coisa para um minuto. Ou melhor, para quatro anos.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/boletim-283x299.png" alt="boletim" title="boletim" width="283" height="299" class="alignnone size-medium wp-image-6075" /></p>
<p>Coisa para um minuto. Ou melhor, para quatro anos.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Última menção àquele livro de mil e tal páginas</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/ultima-mencao-aquele-livro-de-mil-e-tal-paginas/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/geral/ultima-mencao-aquele-livro-de-mil-e-tal-paginas/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 26 Sep 2009 22:35:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[E pronto. Já chega. Acabou-se o 2666 por aqui. Não quero que os leitores comecem a odiar o que é suposto amarem. O ciclo fecha-se. Quem quiser saber mais coisas de 2666, que o leia. Ele já está por aí, numa livraria, à espera.
Acabei de dizer que um ciclo se fecha (o da expectativa gerada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E pronto. Já chega. Acabou-se o <em>2666</em> por aqui. Não quero que os leitores comecem a odiar o que é suposto amarem. O ciclo fecha-se. Quem quiser saber mais coisas de <em>2666</em>, que o leia. Ele já está por aí, numa livraria, à espera.<br />
Acabei de dizer que um ciclo se fecha (o da expectativa gerada em quem não leu, por quem leu), mas na verdade há um outro que começa (a fase do desprezo altivo em relação ao livro e a quem o leu, por parte de quem não leu). É um fenómeno típico e dos mais previsíveis: se há um movimento de entusiasmo próximo do unanimismo, então seguir-se-á um contra-movimento cujo único objectivo é furar esse suposto unanimismo; ou seja, demonstrar orgulho por ficar <em>de fora</em> e fazer disso um <em>statement</em>. Não por acaso, é justamente no dia em que <em>2666</em> chega às livrarias que este contra-movimento começa a pôr a cabeça de fora. Começou com este <a href="http://dn.sapo.pt/gente/Interior.aspx?content_id=1372780">texto irónico, mas decente, do Eurico de Barros</a>. Prosseguiu com este <a href="http://portugaldospequeninos.blogspot.com/2009/09/atrasada-e-deslumbrada.html">disparate ressabiado do João Gonçalves</a>. E há-de continuar nos próximos dias, em vários registos e matizes. Sei-o bem. Tão bem como sei isto: por muito que o elogiem ou desvalorizem, <em>2666</em> continuará a ser um livro extraordinário, um livro genial, um livro capaz de sobreviver a tudo.<br />
Ainda assim, depois do célebre «Tanto Pessoa já enjoa» de 1988, ficaria triste se uma das frases de 2009 fosse «Já desdenho de tanto Bolaño». Nem o livro nem o escritor merecem tal sorte.</p>
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		<title>Sinopse de 2666</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Sep 2009 22:19:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[2666]]></category>
		<category><![CDATA[Herberto Helder]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Bolaño]]></category>

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		<description><![CDATA[«– Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio… Enfim, às vezes já não consigo arrumar tudo isso. Porque, sabe?, acorda-se às quatro da manhã num quarto vazio, acende-se um cigarro… Está a ver? A pequena luz do fósforo levanta de repente a massa das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«– Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio… Enfim, às vezes já não consigo arrumar tudo isso. Porque, sabe?, acorda-se às quatro da manhã num quarto vazio, acende-se um cigarro… Está a ver? A pequena luz do fósforo levanta de repente a massa das sombras, a camisa caída sobre a cadeira ganha um volume impossível, a nossa vida… compreende?&#8230; a nossa vida, a vida inteira, está ali como… como um acontecimento excessivo&#8230;»</p>
<p>[in <em>Os Passos em Volta</em>, de Herberto Helder, sexta edição, Assírio &#038; Alvim, 1994]</p>
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		<title>Ontem à noite</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Sep 2009 21:18:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[2666]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Bolaño]]></category>

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		<description><![CDATA[


Francisco José Viegas deu as boas-vindas e fez os agradecimentos a todas as pessoas envolvidas na operação 2666

António-Pedro Vasconcelos leu uma das histórias da «Parte dos Críticos»


Carla Bolito leu três fragmentos da «Parte de Amalfitano»

José Eduardo Agualusa leu um fragmento sobre a célula comunista de Brooklyn, extraído da «Parte de Fate»

Eu falei, em traços gerais, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/l26663.jpg" alt="l26663" title="l26663" width="320" height="480" class="alignnone size-full wp-image-6044" /></p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/l26662.jpg" alt="l26662" title="l26662" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-6045" /></p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/l26661.jpg" alt="l26661" title="l26661" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-6046" /><br />
<em>Francisco José Viegas deu as boas-vindas e fez os agradecimentos a todas as pessoas envolvidas na operação</em> 2666</p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/l26664.jpg" alt="l26664" title="l26664" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-6043" /><br />
<em>António-Pedro Vasconcelos leu uma das histórias da «Parte dos Críticos»</em></p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/l26665.jpg" alt="l26665" title="l26665" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-6042" /></p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/l26666.jpg" alt="l26666" title="l26666" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-6041" /><br />
<em>Carla Bolito leu três fragmentos da «Parte de Amalfitano»</em></p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/l266671.jpg" alt="l26667" title="l26667" width="480" height="318" class="alignnone size-full wp-image-6054" /><br />
<em>José Eduardo Agualusa leu um fragmento sobre a célula comunista de Brooklyn, extraído da «Parte de Fate»</em></p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/l26668.jpg" alt="l26668" title="l26668" width="138" height="480" class="alignnone size-full wp-image-6039" /><br />
<em>Eu falei, em traços gerais, da escrita de Bolaño e daqueles que me parecem ser os três temas centrais de</em> 2666<em>: a Literatura, a violência (ou o Mal) e a loucura</em></p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/l26669.jpg" alt="l26669" title="l26669" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-6038" /><br />
<em>Soraia Chaves leu, da «Parte dos Crimes», uma passagem que descreve, de forma particularmente gráfica, um dos homicídios cometidos em Santa Teresa</em></p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/l266610.jpg" alt="l266610" title="l266610" width="400" height="267" class="alignnone size-full wp-image-6047" /><br />
<em>Carlos Vaz Marques escolheu um excerto da «Parte de Archimboldi», prova provada de que Bolaño foi um dos romancistas que mais desassombradamente escreveu sobre sexo</em></p>
<p>[Fotografias de Manuel Deniz Silva; excepto a última, que é de João Pereira]</p>
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		<title>Os alçapões de uma realidade inapreensível</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/imprensa-portuguesa/os-alcapoes-de-uma-realidade-inapreensive/</link>
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		<pubDate>Sat, 26 Sep 2009 15:32:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa portuguesa]]></category>

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		<description><![CDATA[«As cinco partes do livro e as personagens principais confluem no deserto de Sonora, na fronteira com os EUA, atraídas por um íman de morte e de loucura. Chegadas a Santa Teresa mergulham num mar de irrealidade, uma névoa onírica que nunca se dissipa ao longo do romance. Seja no cenário desolador de uma Europa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>«As cinco partes do livro e as personagens principais confluem no deserto de Sonora, na fronteira com os EUA, atraídas por um íman de morte e de loucura. Chegadas a Santa Teresa mergulham num mar de irrealidade, uma névoa onírica que nunca se dissipa ao longo do romance. Seja no cenário desolador de uma Europa devastada pela Segunda Guerra Mundial, seja no deserto de Sonora, cujo tempo é assinalado pelo &#8220;gotejar incessante&#8221; de cadáveres, as personagens movimentam-se como fantasmas perdidos num limbo de sonhos e de aparências, que evocam o conto de Borges &#8220;As Ruínas Circulares&#8221;, cujo protagonista compreende &#8220;que ele próprio também era uma aparência, que outro estava a sonhá-lo&#8221;. Há a criança que quer viver no fundo do mar, os presos que parecem seres de outro planeta, os soldados que caminham como zombis, os loucos internados em manicómios e as crianças bêbedas que jogam à bola: presenças voláteis que flutuam num meio ambiente hostil, como peixes no deserto.<br />
&#8220;2666&#8243; é um território do medo, da loucura e da incerteza. &#8220;No México uma pessoa pode estar mais ou menos morta&#8221;, mas os mortos aparecem e os suspeitos evaporam-se. A vida é sonho e só a morte é real. Os investigadores são incapazes de resolver o mistério dos crimes, de desfazer o novelo da realidade. Também eles caminham em círculos, como os académicos que, na primeira parte do livro, procuram sem sucesso o escritor alemão Benno von Archimboldi, a personagem central do romance. Frustrados por não chegarem a conhecer o homem a cuja obra dedicaram as suas vidas, entregam-se à indolência mexicana e passam os dias como sonâmbulos ou detectives drogados. A identidade do autor dos crimes e do perpetrador dos livros permanece oculta sob os alçapões de uma realidade inapreensível.»</p></blockquote>
<p>[Excerto do texto crítico sobre <em>2666</em>, publicado hoje, no jornal <em>i</em>, por <a href="http://circodalama.blogs.sapo.pt/">Bruno Vieira Amaral</a>.]</p>
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		<title>Exemplares “especiais” de 2666</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 19:40:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[A partir da meia-noite, quem for ao lançamento de 2666 (Ler Devagar/Lx Factory, Alcântara) poderá comprar os primeiros exemplares da obra-prima de Roberto Bolaño, entre os quais cerca de 150 com características únicas: uma sobrecapa muito elegante e sóbria (à francesa, como eu gosto) e cadernos em papel de cor diferente. O aspecto é este: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A partir da meia-noite, quem for ao lançamento de <em>2666</em> (Ler Devagar/Lx Factory, Alcântara) poderá comprar os primeiros exemplares da obra-prima de Roberto Bolaño, entre os quais cerca de 150 com características únicas: uma sobrecapa muito elegante e sóbria (à francesa, como eu gosto) e cadernos em papel de cor diferente. O aspecto é este: </p>
<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/2666_especial.jpg" alt="2666_especial" title="2666_especial" width="329" height="480" class="alignnone size-full wp-image-6022" /></p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/2666_especial2.jpg" alt="2666_especial2" title="2666_especial2" width="480" height="329" class="alignnone size-full wp-image-6021" /></p>
<p>Preço: 35 euros.</p>
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		<title>Lalo Cura, La Locura</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 19:32:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Excertos]]></category>

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		<description><![CDATA[«Por aqueles dias Pedro Negrete viajou até Villaviciosa para arranjar um homem de confiança para o seu compadre Pedro Rengifo. Viu vários jovens. Estudou-os, fez-lhes algumas perguntas. Perguntou-lhes se sabiam disparar. Perguntou-lhes se poderia depositar a sua confiança neles. Perguntou-lhes se queriam ganhar dinheiro. Há muito tempo que não ia a Villaviciosa e a povoação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«Por aqueles dias Pedro Negrete viajou até Villaviciosa para arranjar um homem de confiança para o seu compadre Pedro Rengifo. Viu vários jovens. Estudou-os, fez-lhes algumas perguntas. Perguntou-lhes se sabiam disparar. Perguntou-lhes se poderia depositar a sua confiança neles. Perguntou-lhes se queriam ganhar dinheiro. Há muito tempo que não ia a Villaviciosa e a povoação pareceu-lhe igual à última vez. Casas baixas, de adobe, com pequenos quintais à frente. Só dois bares e uma mercearia. Para leste as ramificações de uma serra que parecia afastar-se e aproximar-se, conforme a deslocação do Sol e das sombras. Quando já tinha escolhido um jovem, mandou chamar Epifanio e perguntou-lhe à parte o que é que lhe parecia. Qual deles é, chefe? O mais novinho, disse Negrete. Epifanio olhou para ele de passagem e depois olhou para os outros, e antes de voltar para o carro disse que não estava mal, mas quem sabe.<br />
(&#8230;) Negrete chamou o rapaz e disse-lhe que o tinha  escolhido a ele. O rapaz olhou para Negrete e depois para o chão,  como se estivesse a pensar no que lhe ia responder, mas de  repente mudou de ideia, nada disse e partiu.<br />
Quando Negrete saiu do bar encontrou o rapaz e Epifanio a conversarem apoiados no guarda-lamas do carro.<br />
O rapaz sentou-se ao seu lado, na parte de trás. Epifanio sentou-se ao volante. Quando deixaram as ruas de terra batida de Villaviciosa e o carro rodava pelo deserto, o chefe da polícia perguntou-lhe como se chamava ele. Olegario Cura Expósito, respondeu o rapaz. Olegario Cura Expósito, repetiu Negrete, olhando para as estrelas, curioso nome. Durante algum tempo ficaram em silêncio. Epifanio tentou sintonizar uma emissora de Santa Teresa mas não conseguiu e desligou o rádio. Através da janela o chefe da polícia avistou, a muitos quilómetros de distância, o brilho de um raio. Naquele momento o carro deu um solavanco e Epifanio travou e saiu para ver o que é que ele tinha atropelado. O chefe da polícia viu-o desaparecer na estrada e depois viu a luz da lanterna de Epifanio. Abriu a janela e perguntou-lhe o que é que se passava. Ouviram um tiro. O chefe abriu a porta e baixou-se. Deu uns quantos passos para desentorpecer as pernas, até que a figura de Epifanio apareceu sem pressas. Matei um lobo, disse ele. Vamos vê-lo, disse o chefe da polícia, e os dois voltaram a penetrar na escuridão. Na estrada não havia sinal de faróis de qualquer carro. O ar era seco embora às vezes viessem rajadas de vento salgado, como se antes de se estender no deserto esse ar tivesse limpado a superfície de uma salina. O rapaz olhou para o tabliê iluminado do carro e levou as mãos à cara. A alguns metros dali o chefe da polícia ordenou a Epifanio que lhe passasse a lanterna e focou o corpo do animal estendido na estrada. Não é um lobo, pá, disse o chefe da polícia. Ah, não? Olha para o pêlo dele, o do lobo é mais luzidio, mais brilhante, além de que não são tão parvos que se deixem atropelar por um carro no meio de uma estrada deserta. Vamos lá ver, vamos medi-lo, segura na lanterna. Epifanio focou a luz no animal enquanto o chefe da polícia o esticava e procedia à medição a olho. O coiote, disse, mede de setenta a noventa centímetros, contando com a cabeça, quantos dirás tu que este mede? Uns oitenta?, disse Epifanio. Correcto, disse o chefe da polícia. E acrescentou: o coiote pesa entre os dez e os dezasseis quilos. Passa-me a lanterna e levanta-o, não te vai morder. Epifanio pegou no animal morto ao colo. Quanto achas tu que pesa? Pois entre doze e quinze quilos, respondeu Epifanio, como um coiote. É mesmo um coiote, meu parvo, disse o chefe da polícia.<br />
(&#8230;) Quando, em El Altillo, apareceram as primeiras luzes de Santa Teresa, o chefe da polícia quebrou o silêncio em que tinham mergulhado os três. Olegario Cura Expósito, chamou. Sim, senhor, respondeu o rapaz. E os teus amigos como te chamam? Lalo, disse o rapaz. Lalo? Sim, senhor. Ouviste, Epifanio? Ouvi, disse Epifanio, que não conseguia deixar de pensar no coiote. Lalo Cura?, perguntou o chefe da polícia. Sim, senhor, confirmou o rapaz. É uma brincadeira, não é? Não, senhor, é assim que me chamam os meus amigos, disse o rapaz. Ouviste Epifanio?, perguntou o chefe da polícia. Claro que sim, ouvi, disse Epifanio. Chama-se Lalo Cura, disse o chefe da polícia, e desatou a rir. Lalo Cura, La Locura, topas? Sim, sim, é claro, disse Epifanio, e também desatou a rir. Pouco depois os três puseram-se rir.»</p>
<p>[in <em>2666</em>, de Roberto Bolaño, trad. de Cristina Rodriguez e Artur Guerra, Quetzal, 2009]</p>
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		<item>
		<title>Diário do Booker 2009 (1)</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/diario-do-booker-2009-1/</link>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 17:36:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário do Booker (2009)]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
Aos poucos, lá foram chegando os seis finalistas do Man Booker Prize deste ano (só falta The Children&#8217;s Book, de A.S. Byatt). Com algum atraso, começo agora a aventura, atacando um dos outsiders: Simon Mawer, cujo romance The Glass Room vou ler já na tradução portuguesa (a publicar em Novembro, mas que a Civilização me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/livros_Booker.jpg" alt="livros_Booker" title="livros_Booker" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-6018" /></p>
<p>Aos poucos, lá foram chegando <a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/ja-ha-shortlist-do-man-booker-prize/">os seis finalistas do Man Booker Prize</a> deste ano (só falta <em>The Children&#8217;s Book</em>, de A.S. Byatt). Com algum atraso, começo agora a aventura, atacando um dos <em>outsiders</em>: Simon Mawer, cujo romance <em>The Glass Room</em> vou ler já na tradução portuguesa (a publicar em Novembro, mas que a <a href="http://www.civilizacao.pt/">Civilização</a> me cedeu em pdf).</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Mário Sena Lopes deixa Guerra &amp; Paz</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/mundo-editorial/mario-sena-lopes-deixa-guerra-paz/</link>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 16:33:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mundo editorial]]></category>

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		<description><![CDATA[No final deste mês, o Director Editorial da Guerra &#038; Paz, Mário Sena Lopes, cessa funções na empresa. Nas suas palavras: 
«Foram dois anos de trabalho entusiasmante, com uma equipa dedicada e uma Administração empenhada, em que se transformaram processos de trabalho, se desenvolveram colecções e linhas gráficas, e se juntaram novos autores aos autores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No final deste mês, o Director Editorial da <a href="http://www.guerraepaz.net/">Guerra &#038; Paz</a>, Mário Sena Lopes, cessa funções na empresa. Nas suas palavras: </p>
<blockquote><p>«Foram dois anos de trabalho entusiasmante, com uma equipa dedicada e uma Administração empenhada, em que se transformaram processos de trabalho, se desenvolveram colecções e linhas gráficas, e se juntaram novos autores aos autores da casa. Como em toda a actividade editorial, partilhámos êxitos e fracassos, mas vimos muitos livros receberem os favores da crítica e do público – o último e grande avaliador – e aumentarem significativamente os títulos da editora reeditados.<br />
(&#8230;) 2009 continuou a ser um ano de crise económica, com reflexos na capacidade de consumo dos portugueses, atingindo severamente a classe média – sustentáculo da compra de livros – e impactando negativamente o consumo livreiro. Naturalmente, esse impacto foi recebido de forma diferente conforme a maior ou menor estrutura dos grupos editoriais e editoras, mas para uma jovem e pequena editora independente, como a que é a Guerra &#038; Paz Editores, não só esse impacto foi mais forte como lidar com a presente crise implica medidas de reequilíbrio e ajuste drásticos para assegurar a continuidade de um projecto editorial apresentando já uma marca distintiva no mercado português do livro, consubstanciada na publicação de livros com ideias e para debater ideias, dos quais não estão ausentes o sal da polémica ou o humor irreverente.<br />
Ao apresentar a minha demissão como Director Editorial da Guerra &#038; Paz Editores, faço-o com o objectivo de facilitar as ulteriores medidas de adaptação e ajuste à situação decorrente da crise do mercado, medidas com as quais estou em completa sintonia (&#8230;).<br />
A todos, no momento da minha saída, recomendo que continuem a confiar na Guerra &#038; Paz Editores e na sua Administração, na pessoa do Manuel Fonseca e do José Santos, cuja continuidade como fundadores e administradores é o garante seguro da manutenção do perfil editorial, da competência editorial e administrativa, da seriedade de processos que sempre caracterizou e continuará a caracterizar a editora.»</p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Quando se lê 2666, o tempo fica assim</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/quando-se-le-2666-o-tempo-fica-assim/</link>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 14:08:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[2666]]></category>

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		<description><![CDATA[
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://jimenapulse.files.wordpress.com/2008/03/spiral-clock.jpg" alt="" /></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Jazz</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 13:22:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Excertos]]></category>
		<category><![CDATA[2666]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Bolaño]]></category>

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		<description><![CDATA[«Conduziu durante duas horas por estradas escuras com a rádio ligada, a ouvir uma emissora de Phoenix que transmitia jazz. Passou por lugares onde havia casas, restaurantes e jardins com flores brancas e carros mal estacionados, mas nos quais não se via luz nenhuma, como se os habitantes tivessem morrido nessa mesma noite e no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«Conduziu durante duas horas por estradas escuras com a rádio ligada, a ouvir uma emissora de Phoenix que transmitia jazz. Passou por lugares onde havia casas, restaurantes e jardins com flores brancas e carros mal estacionados, mas nos quais não se via luz nenhuma, como se os habitantes tivessem morrido nessa mesma noite e no ar ainda restasse um hálito de sangue. Distinguiu silhuetas de cerros recortadas pelo luar e silhuetas de nuvens baixas que não se moviam ou que, em determinado momento, corriam para oeste como que impelidas por um vento repentino, que levantava poeirada a que os faróis do carro, ou as sombras que os faróis produziam, emprestavam roupagens fabulosas, humanas, como se as poeiradas fossem mendigos ou fantasmas que saltavam junto ao caminho.<br />
Perdeu-se duas vezes. Numa, esteve tentado a voltar para trás, para o restaurante ou para Tucson. Na outra, chegou a uma terra chamada Patagonia onde o rapaz que atendia na bomba de gasolina lhe indicou a maneira mais fácil de chegar a Santa Teresa. Quando saiu de Patagonia viu um cavalo. Quando os faróis do carro o iluminaram o cavalo levantou a cabeça e olhou para ele. Fate parou o carro e esperou. O cavalo era preto e ao fim de pouco tempo mexeu-se e perdeu-se na escuridão. Passou junto a uma meseta, ou pelo menos assim julgou. A meseta era enorme, totalmente plana na parte superior e de uma ponta à outra da base devia medir pelo menos cinco quilómetros. Junto à estrada apareceu um barranco. Saiu, deixou as luzes do carro acesas e urinou longamente respirando o ar fresco da noite. Depois o caminho desceu até uma espécie de vale que lhe pareceu, à primeira vista, gigantesco. Na ponta mais afastada do vale julgou discernir uma luminosidade. Mas podia ser qualquer coisa. Uma caravana de camiões a mover-se com grande lentidão, as primeiras luzes de uma localidade. Ou talvez só o seu desejo de sair daquela escuridão que de alguma maneira lhe fazia lembrar a sua infância e a sua adolescência. Pensou que houve uma altura, entre uma e outra, que chegou a sonhar com aquela paisagem, não tão escura, não tão desértica, mas certamente semelhante.<br />
Ia num autocarro, com a mãe e uma irmã da mãe e faziam uma viagem curta, entre Nova Iorque e uma localidade próxima de Nova Iorque. Ia junto à janela e a paisagem invariavelmente era a mesma, edifícios e auto-estradas, até que de repente apareceu o campo. Nesse momento, ou talvez antes, tinha começado a entardecer e ele olhava para as árvores, um bosque pequeno, mas que aos seus olhos aumentava. E então julgou ver um homem a caminhar à beira do pequeno bosque. Com grandes passadas, como se não quisesse que a noite lhe caísse em cima. Perguntou a si mesmo quem seria aquele homem. Só soube que era um homem e não uma sombra, porque ele tinha uma camisa e mexia os braços ao caminhar. A solidão do homem era tão grande que Fate se lembrava que desejou não continuar a olhar e abraçar a sua mãe, mas em vez disso manteve os olhos abertos até o autocarro deixar o bosque para trás e aparecerem de novo os edifícios, as fábricas, os armazéns que balizavam a estrada.<br />
A solidão do vale que atravessava agora, a sua escuridão, eram maiores. Imaginou-se a si mesmo a caminhar a bom passo pela berma. Sentiu um calafrio. Recordou então o jarrão onde jaziam as cinzas da mãe e a chávena de café da vizinha que não devolvera e que agora estaria infinitamente fria e os vídeos da mãe que já ninguém iria ver nunca mais. Pensou em parar o carro e esperar que amanhecesse. O instinto indicou-lhe que um local com um preto a dormir num carro alugado junto a uma berma não era o mais prudente no Arizona. Mudou de emissora. Uma voz em espanhol começou a contar a história de uma cantora de Gómez Palacio que havia voltado à sua cidade, no estado de Durango, só para se suicidar. Depois ouviu-se a voz de uma mulher que cantava rancheras. Durante um bocado, enquanto conduzia para o vale, esteve a ouvi-la. Depois tentou voltar a sintonizar a emissora de jazz de Phoenix e já não conseguiu encontrá-la.»</p>
<p>[in 2666, de Roberto Bolaño, trad. de Cristina Rodriguez e Artur Guerra, Quetzal, 2009]</p>
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		<title>O homem que escreveu 2666</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 12:28:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[2666]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Bolaño]]></category>

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		<description><![CDATA[
Quando morreu em Julho de 2003, aos 50 anos, vítima de insuficiência hepática, Roberto Bolaño ainda era um dos segredos mais bem guardados da literatura latino-americana. Conhecido apenas por um círculo de happy few, que viam nele um herdeiro legítimo de Borges e Cortázar, lidava bem com o seu relativo anonimato. Para ele, fama e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://fullmoonfever.files.wordpress.com/2008/12/bolano.jpg" alt="" /></p>
<p>Quando morreu em Julho de 2003, aos 50 anos, vítima de insuficiência hepática, Roberto Bolaño ainda era um dos segredos mais bem guardados da literatura latino-americana. Conhecido apenas por um círculo de <em>happy few</em>, que viam nele um herdeiro legítimo de Borges e Cortázar, lidava bem com o seu relativo anonimato. Para ele, fama e literatura eram «inimigas irreconciliáveis», como escreveu em <em>2666</em> (a sua obra-prima, em que trabalhou durante os últimos cinco anos de vida), ignorando que seria precisamente esse monumental romance, um <em>tour de force</em> narrativo com mais de mil páginas, a escancarar-lhe as portas de uma glória póstuma que nunca desejou.<br />
Bolaño já recebera, em vida, alguns elogios importantes (Susan Sontag viu nele «o escritor mais influente e admirado da sua geração no mundo de língua castelhana»), mas foi o surgimento de <em>2666</em> nos EUA, no final do ano passado, com uma recepção crítica apoteótica (uma «Bolañomania», <a href="http://www.elpais.com/articulo/cultura/Bolano/mito/construccion/elpepucul/20081029elpepicul_1/Tes">como lhe chamou o <em>El País</em></a>), que o trouxe para a primeira fila do cânone da literatura contemporânea, mesmo ao lado de Philip Roth ou W. G. Sebald. Houve até quem afirmasse que o abalo provocado por Bolaño nas fundações da literatura latino-americana se assemelha, em intensidade, ao que Gabriel García Márquez provocou, há quatro décadas, com <em>Cem Anos de Solidão</em>. Em intensidade, sim, assemelham-se. Mas a natureza dos sismos é muito diferente. Como bem notou Enrique Vila-Matas, a escrita de Bolaño distingue-se por ter sabido romper «com a literatura latino-americana dos galos da Amazónia e das virgens que levitam».<br />
Em vez do realismo mágico, transformado em fórmula exótica e de efeito fácil, o escritor chileno optou por um «realismo visceral», atento ao lado mais negro da realidade, ao apocalipse económico e social do continente, com as suas injustiças e um horror que por vezes ultrapassa a imaginação mais sórdida. Em <em>2666</em>, por exemplo, Bolaño inspira-se nas centenas de homicídios de mulheres que ocorreram em Ciudad Juárez (cidade mexicana que serve de molde à ficcional Santa Teresa) e faz do minucioso inventário dos crimes – com os corpos atirados para lixeiras ou para baldios atrás das <em>maquiladoras</em>, fábricas que recebem e montam componentes para exportação, pagando salários de miséria a trabalhadores que nem sequer se podem sindicalizar – um dos mais terríveis retratos da lógica devoradora da globalização.<br />
Não há nesta denúncia, porém, a mínima demagogia. À sua maneira, os livros de Bolaño são políticos, porque mostram o estado caótico do mundo e os seus abismos. Nunca são é panfletários. Bolaño não esconde a sua filiação esquerdista, nem a sua simpatia pelos utópicos derrotados pela História, mas recusa-se a encaixar a complexidade do mundo no espartilho da retórica ideológica. O seu único compromisso, radical e excessivo, foi com a literatura. E o modo de vida que escolheu, errático, feito de vagabundagens, de experimentações e de uma espécie de humildade fora do tempo, só faz sentido à luz desse compromisso.</p>
<p><img src="http://www.elpais.com/recorte/20081029elpepicul_1/LCO340/Ies/Roberto_Bolano.jpg" alt="" /><br />
<em>Roberto Bolaño fotografado por Daniel Mordzinski</em></p>
<p>Nascido em Santiago do Chile, a 28 de Abril de 1953, filho de um camionista (que também praticava boxe) e de uma professora, Bolaño passou a infância enterrado em livros, em parte porque era fininho, disléxico e não se dava bem com as outras crianças. Aos 15 anos, mudou-se com a família para a Cidade do México, onde viveu uma adolescência turbulenta, com muito activismo político e a fundação de um movimento poético, o «infrarrealismo», que evocará mais tarde no romance <em><a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/a-viagem-diagonal/">Os Detectives Selvagens</a></em>. Em 1973 regressa ao Chile, entusiasmado com o ímpeto revolucionário de Salvador Allende. Quando se dá o golpe de Pinochet, Bolaño é preso por suspeita de «terrorismo», passa uma semana na prisão e só não conhece pior sorte porque dois guardas prisionais, seus antigos colegas de escola, o conseguem tirar de lá. Após nova passagem pelo México, onde cimentou a sua reputação de boémio desbocado e provocador nato, emigra para a Europa em 1977, acabando por se fixar em Espanha, onde ganhava a vida com trabalhos de ocasião. Entre outras coisas, andou nas vindimas, foi vigilante nocturno num parque de campismo e recepcionista, lavou pratos, recolheu lixo. Ofícios que lhe serviram, mais tarde, como preciosa fonte de material para as suas ficções.<br />
Em meados dos anos 80, instalou-se em Blanes, na Costa Brava (Catalunha), onde continuou a ter empregos precários e mal pagos, mas que lhe permitiam escrever à noite. O ponto de viragem neste quotidiano <em>hippie</em>, pobre mas absolutamente livre, dá-se com o nascimento do primeiro filho, em 1990. Consciente das suas obrigações familiares, põe a poesia (até aí o seu principal meio de expressão literária) em segundo plano e dedica-se à ficção como forma de ganhar dinheiro, nomeadamente através do envio de trabalhos para concursos literários regionais.<br />
Embora tenha publicado, em 1984, um pequeno romance (escrito a meias com Antoní Garcia Porta), a verdadeira estreia editorial de Bolaño dá-se apenas em 1993, aos 40 anos, com <em>A Pista de Gelo</em>. Na última década de vida, talvez assombrado pelo declinante estado de saúde, compensa o tempo perdido ao publicar a um ritmo febril. Até 2003, quando o fígado soçobrou antes de o seu nome chegar ao topo da lista de transplantes, surgiram 11 títulos, entre os quais <em>Estrela Distante</em> (de 1996, recentemente reeditado pela Teorema), <em>Os Detectives Selvagens</em> (1998, Teorema), <em>Amuleto</em> (1999), <em>Nocturno Chileno</em> (2000, Gótica) e <em>Putas Asesinas</em> (2001). Esta produção acelerada deveu-se em parte à vontade de deixar uma fonte de sustento para a família (mulher e dois filhos). Também por isso, ao organizar os materiais de <em>2666</em>, sugeriu ao editor, Jorge Herralde, a publicação de cada uma das suas cinco partes como um livro autónomo. Contudo, quando Ignacio Echevarría, amigo e conselheiro literário, analisou e reviu os textos de Bolaño, após a sua morte, defendeu que «o valor literário da obra» só ficaria defendido com a publicação num único volume. Os herdeiros, mais sensatos e preocupados com a literatura do que os herdeiros de escritores costumam ser, concordaram. E o certo é que os direitos de autor, que entretanto começaram a chegar de todo o mundo, os livraram de vez da perspectiva de apertos económicos que tanto angustiava Bolaño.</p>
<p><img src="http://openlettersmonthly.com/blog/wp-content/uploads/2008/12/bolano.jpg" alt="" /></p>
<p>Mais impressionante ainda do que a extensão da obra publicada pelo escritor chileno na última década de vida, é a extensão da obra que ficou por publicar. Além dos livros póstumos que já foram dados à estampa (<em>2666</em>; <em>El secreto del mal</em>; <em>La Universidad desconocida</em>; <em>Entre paréntesis</em> e <em>Bolaño por el mismo</em>), há muitos outros em lista de espera, desenterrados de uma espécie de arca pessoana, onde se acumulam dezenas de cadernos com ficções inéditas e diários. Há uns meses, o <em>La Vanguardia</em> <a href="http://www.lavanguardia.es/cultura/noticias/20090307/53654079845/el-archivo-de-roberto-bolano-contiene-dos-novelas-ineditas.html">noticiou a descoberta</a>, no vasto arquivo que só agora começa a ser devidamente estudado, de dois romances: <em>Diorama</em> e <em>Los sinsabores del verdadero policia o Asesinos de Sonora</em>. Entretanto, o primeiro destes frutos escondidos vai ser publicado no próximo mês de Fevereiro. Trata-se de <em>O Terceiro Reich</em>, que sairá simultaneamente em Espanha, pela Anagrama, e no nosso país, pela Quetzal, editora que antes disso fará chegar às livrarias, no fim da próxima semana [amanhã], a tradução portuguesa de <em>2666</em>.<br />
<a href="http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt/">Francisco José Viegas</a>, responsável pela Quetzal, tem esperança de que a Bolañomania se estenda até cá e se prolongue com outras obras que tenciona publicar em breve: <em>A Literatura Nazi na América</em> e <em>A Pista de Gelo</em>. «O sonho de qualquer editor é poder juntar as duas coisas: grande literatura, como é Bolaño, e sucesso comercial.» Determinante mesmo foi a paixão pelos livros. <em>2666</em>, por exemplo, despertou-lhe um «fascínio imediato»: «Quando se começa a ler, damo-nos conta de que é qualquer coisa de novo que está ali, uma espécie de &#8220;livro sobre todos os livros&#8221;, muito à maneira de Borges, mas rompendo com aquele tom do &#8220;mágico latino-americano&#8221;. De alguma maneira, se Macondo é o lugar fundador de uma parte dessa literatura, Santa Teresa [a cidade do romance de Bolaño] é o fim de toda a inocência, é a cidade onde o fantástico passa a ser épico.»</p>
<p>[Texto publicado no suplemento <em>Actual</em>, do semanário <em><a href="http://aeiou.expresso.pt/">Expresso</a></em>] </p>
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		<title>Dia B</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 07:15:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Dia Bolaño é só amanhã (26/9), mas os primeiros exemplares de 2666 começam a ser vendidos logo à noite, a partir das 23h00, na livraria Ler Devagar (Lx Factory, Alcântara), durante o mais badalado lançamento do ano.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O Dia Bolaño é só amanhã (26/9), mas os primeiros exemplares de <em>2666</em> começam a ser vendidos logo à noite, a partir das 23h00, na livraria Ler Devagar (Lx Factory, Alcântara), durante o mais badalado lançamento do ano.</p>
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		<title>Uma voz</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 23:52:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[«Não há amizade, disse a voz, não há amor, não há épica, não há poesia lírica que não seja um gorgolejo, ou um gorjeio de egoístas, trinado de batoteiros, borbulhão de traidores, efervescência de arrivistas, garganteio de maricas. Mas tu o que é que tens, sussurrou Amalfitano, contra os homossexuais? Nada, disse a voz. Falo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«Não há amizade, disse a voz, não há amor, não há épica, não há poesia lírica que não seja um gorgolejo, ou um gorjeio de egoístas, trinado de batoteiros, borbulhão de traidores, efervescência de arrivistas, garganteio de maricas. Mas tu o que é que tens, sussurrou Amalfitano, contra os homossexuais? Nada, disse a voz. Falo em sentido figurado, explicou a voz. Estamos em Santa Teresa?, perguntou a voz. É esta cidade parte, e não pouco destacável, do estado de Sonora? Sim, respondeu Amalfitano. Então é isso, disse a voz. Uma coisa é ser arrivista, digo eu, para dar um exemplo, disse Amalfitano alisando o cabelo como que em câmara lenta, e outra muito diferente é ser maricas. Falo em sentido figurado, repetiu a voz. Falo para que tu me entendas. Falo como se eu estivesse, e tu estivesses atrás de mim, no ateliê de um pintor ho-mos-se-xu-al. Falo de um ateliê onde o caos é só uma máscara ou uma ligeira fetidez de anestesia. Falo de um ateliê com as luzes apagadas onde o nervo da vontade se desprende do resto do corpo como a língua da serpente se desprende do corpo e repta, automutilada, entre o lixo. Falo das coisas simples da vida. Tu ensinas filosofia?, perguntou a voz. Tu ensinas Wittgenstein?, perguntou a voz. E já te perguntaste se a tua mão é uma mão?, prosseguiu a voz. Já me perguntei, disse Amalfitano. Mas agora tens coisas mais importantes para te interrogares, ou estou enganado?, perguntou a voz. Não, respondeu Amalfitano. Por exemplo: por que não ires a um viveiro e comprar sementes e plantas até talvez uma pequena árvore para plantar no meio do teu jardim das traseiras?, perguntou a voz. Sim, disse Amalfitano. Pensei no meu possível e exequível jardim e nas plantas que preciso de comprar e nas ferramentas para o executar. E também pensaste na tua filha, disse a voz, e nos assassínios que se cometem diariamente nesta cidade, e nas nuvens maricas de Baudelaire (perdão), mas não pensaste seriamente se a tua mão é realmente uma mão. Não é verdade, disse Amalfitano, claro que pensei, claro que pensei. Se tivesses pensado, disse a voz, outro galo cantaria. E Amalfitano ficou em silêncio e sentiu que o silêncio era uma espécie de eugenismo. Viu as horas no relógio. Eram quatro da manhã. Ouviu alguém a ligar o motor de um carro. O carro demorava a pegar. Levantou-se e espreitou à janela. Os carros estacionados em frente da sua casa estavam vazios. Olhou para trás e a seguir pôs a mão no manípulo da porta. A voz disse: cuidado, mas disse isto como se estivesse muito longe, no fundo dum barranco onde espreitavam pedaços de pedras vulcânicas, riolites, andesites, veios de prata e veios de ouro, charcos petrificados cobertos de ovinhos minúsculos, enquanto no céu arroxeado como a pele de uma índia morta à paulada sobrevoavam águias-de-cauda-vermelha. Amalfitano saiu para o alpendre. À esquerda, a uns dez metros de casa, um carro preto acendeu os faróis e arrancou. Ao passar diante do jardim, o motorista inclinou-se e observou Amalfitano sem parar o carro. Era um tipo gordo e de cabelo muito preto, vestido com um fato barato e sem gravata. Quando desapareceu, Amalfitano voltou para casa. Mau aspecto, disse a voz, mal ele passou a porta de entrada. E depois: tens de ter cuidado, camarada, parece-me que aqui há coisas que estão no vermelho vivo.»</p>
<p>[in <em>2666</em>, de Roberto Bolaño, trad. de Cristina Rodriguez e Artur Guerra, Quetzal, 2009]</p>
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		<title>Microgramas (Robert Walser e o Douro)</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 23:26:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
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Colagem de caligrafias dedicada ao João Ventura.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://1.bp.blogspot.com/_Bi7oUibiin4/R4aiu0nBoCI/AAAAAAAAATs/rRJQXebqeSU/s400/46_microgramme_p38_1.jpg" alt="" /><br />
<img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/socalcos4.jpg" alt="socalcos" title="socalcos" width="480" height="126" class="alignnone size-full wp-image-5997" /><br />
<img src="http://www.adn.es/clipping/ADNIMA20071226_1284/5.jpg" alt="" /><br />
<img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/socalcos2.jpg" alt="socalcos2" title="socalcos2" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-5991" /><br />
<img src="http://www.christineburgin.com/images/projects/walser/microgam9.jpg" alt="" /><br />
<img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/socalcos3.jpg" alt="socalcos3" title="socalcos3" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-5990" /></p>
<p><em>Colagem de caligrafias dedicada ao <a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/paisagens-literarias/#comments">João Ventura</a>.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-do-actual-51/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 20:11:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[- Quem Ama, Odeia, de Silvina Ocampo e Adolfo Bioy Casares (Oficina do Livro), por Ana Cristina Leonardo
- Alguns Preferem Urtigas, de Junichiro Tanizaki (Teorema), por José Guardado Moreira
- Seis Campas até Munique, de Mario Puzo (Bertrand), por Rogério Casanova
- Uma Desordem Americana, de Ken Kalfus (ASA), por Vítor Quelhas
- Gabriel García Márquez &#8211; Uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- <em>Quem Ama, Odeia</em>, de Silvina Ocampo e Adolfo Bioy Casares (Oficina do Livro), por Ana Cristina Leonardo<br />
- <em>Alguns Preferem Urtigas</em>, de Junichiro Tanizaki (Teorema), por José Guardado Moreira<br />
- <em>Seis Campas até Munique</em>, de Mario Puzo (Bertrand), por Rogério Casanova<br />
- <em>Uma Desordem Americana</em>, de Ken Kalfus (ASA), por Vítor Quelhas<br />
- <em>Gabriel García Márquez &#8211; Uma Vida</em>, de Gerald Martin (Dom Quixote), por Luciana Leiderfarb<br />
- <em>Esquerda na Encruzilhada ou Fora da História?</em>, de Eduardo Lourenço (Gradiva), por António Guerreiro<br />
- <em>Casas de Brasileiro</em>, de Júlio de Matos e Jorge F. Sampaio (Ministério da Cultura), por António Loja Neves<br />
- <em>O Livro das Aves</em>, de Tiago Patrício (Quasi), por José Mário Silva</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Quatro poemas de José Rui Teixeira</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/quatro-poemas-de-jose-rui-teixeira/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/geral/quatro-poemas-de-jose-rui-teixeira/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 16:57:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[José Rui Teixeira]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Os filhos são insectos de alabastro
nas noites de insónia das mães
e os telhados deslizam para a parte
da frente das casas, anunciam a ruína.
Há dias em que os pressentimentos
perseguem-nos como cães, as noites
de verão, as prensas nos dedos,
os úteros dentro das mães.
Foi a tua morte que explicou a casa,
o modo como se dispõem geometricamente
as rosas sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Os filhos são insectos de alabastro<br />
nas noites de insónia das mães<br />
e os telhados deslizam para a parte<br />
da frente das casas, anunciam a ruína.</p>
<p>Há dias em que os pressentimentos<br />
perseguem-nos como cães, as noites<br />
de verão, as prensas nos dedos,<br />
os úteros dentro das mães.</p>
<p>Foi a tua morte que explicou a casa,<br />
o modo como se dispõem geometricamente<br />
as rosas sobre a terra.</em></p>
<p>***</p>
<p><em>Pousado no arcaz o fogo, como nas mãos de Caim,<br />
o âmbar, os pântanos, os plátanos, um planisfério<br />
encostado à superfície inclinada de um alpendre,<br />
a tensão gravitacional dos pés de uma criança<br />
na periferia de um poço, a abstracção do perigo.</em></p>
<p>***</p>
<p><em>Amo-te como buganvílias caídas ao redor<br />
das casas ou o luar branco dos caminhos,<br />
ou a substância audível da tua respiração.</em></p>
<p>***</p>
<p><em>Apercebi-me mais tarde de um campo magnético ao redor<br />
da ideia de casa. Imaginei que gravitávamos em órbitas<br />
definidas pela proximidade dos corpos e dos afectos. Éramos,<br />
no entendimento que eu tinha das coisas, representações<br />
coloridas e tridimensionais no interior da casa, como se o fogo<br />
mantivesse os predadores à distância informulada da luz.</em></p>
<p>[in <em>Diáspora</em>, Cosmorama, 2009]</p>
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		<title>Paisagens literárias</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 15:36:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[







Durante dois dias andei por terras do Douro, da Régua a Vila Flor, de Chaves ao Palace Hotel do Vidago, pelos caminhos que Jaime Ramos percorre nas suas investigações. Ao meu lado, o homem que inventou o inspector e lhe deu contorno, gestos, densidade humana, por entre o fumo das cigarrilhas e muitas sombras. 
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/douro1.jpg" alt="douro1" title="douro1" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-5977" /></p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/douro2.jpg" alt="douro2" title="douro2" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-5976" /></p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/douro3.jpg" alt="douro3" title="douro3" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-5975" /></p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/douro4.jpg" alt="douro4" title="douro4" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-5974" /></p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/douro5.jpg" alt="douro5" title="douro5" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-5973" /></p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/douro6.jpg" alt="douro6" title="douro6" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-5972" /></p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/douro71.jpg" alt="douro7" title="douro7" width="480" height="320" class="alignnone size-full wp-image-5980" /></p>
<p><img src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/douro8.jpg" alt="douro8" title="douro8" width="480" height="296" class="alignnone size-full wp-image-5970" /></p>
<p>Durante dois dias andei por terras do Douro, da Régua a Vila Flor, de Chaves ao Palace Hotel do Vidago, pelos caminhos que Jaime Ramos percorre nas suas investigações. Ao meu lado, <a href="http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt/">o homem que inventou o inspector</a> e lhe deu contorno, gestos, densidade humana, por entre o fumo das cigarrilhas e muitas sombras. </p>
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		<title>A crise também chega a Frankfurt</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 11:06:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo editorial]]></category>

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		<description><![CDATA[Segundo números preliminares divulgados pela Bookseller, tudo indica que o maior encontro editorial do mundo (a Feira de Frankfurt, que decorrerá entre 14 e 18 de Outubro) vai conhecer, pelo segundo ano consecutivo, uma quebra no número de participantes e espaços alugados.  
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Segundo <a href="http://www.thebookseller.com/news/97894-frankfurt-exhibitor-numbers-could-drop.html">números preliminares divulgados pela <em>Bookseller</em></a>, tudo indica que o maior encontro editorial do mundo (a <a href="http://www.frankfurt-book-fair.com/en/fbf/">Feira de Frankfurt</a>, que decorrerá entre 14 e 18 de Outubro) vai conhecer, pelo segundo ano consecutivo, uma quebra no número de participantes e espaços alugados.  </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Lançamento de ‘Passageiros da Neblina’</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Sep 2009 17:40:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Divulgação]]></category>

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		<description><![CDATA[Precisamente 79 anos após o suicídio simulado de Aleister Crowley na Boca do Inferno (Cascais), a 23 de Setembro de 1930, é lançado esta tarde o romance Passageiros da Neblina, de Montserrat Rico Góngora (Planeta), a partir das 18h30, na Casa Fernando Pessoa. Lugar mais do que adequado, se nos lembrarmos que o poeta dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Precisamente 79 anos após o suicídio simulado de Aleister Crowley na Boca do Inferno (Cascais), a 23 de Setembro de 1930, é lançado esta tarde o romance <em>Passageiros da Neblina</em>, de Montserrat Rico Góngora (Planeta), a partir das 18h30, na Casa Fernando Pessoa. Lugar mais do que adequado, se nos lembrarmos que o poeta dos heterónimos foi um dos cúmplices do embuste que está no centro da trama narrativa deste livro. Além de uma apresentação da obra por Inês Pedrosa, directora da CFP, haverá um debate com José Manuel Anes, Paulo Cardoso e Montserrat Rico Góngora (que no final fará uma sessão de autógrafos).</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Comentários passam a ser aprovados</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Sep 2009 08:36:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[A partir de hoje, os comentários deste blogue ficam sujeitos a aprovação prévia. Preferia continuar no modelo aberto, mas alguns abusos levam-me a imitar muitos outros bloggers que tiveram de tomar medidas idênticas para preservar o normal funcionamento (e por vezes a higiene) das suas caixas de comentários. Se há comentadores que se limitam à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A partir de hoje, os comentários deste blogue ficam sujeitos a aprovação prévia. Preferia continuar no modelo <em>aberto</em>, mas alguns abusos levam-me a imitar muitos outros <em>bloggers</em> que tiveram de tomar medidas idênticas para preservar o normal funcionamento (e por vezes a higiene) das suas caixas de comentários. Se há comentadores que se limitam à sabotagem, ao insulto, à calúnia, à maldadezinha cobarde e à destilação de veneno, sob várias capas de anonimato (nalguns casos uma só capa, com vários nomes), que o façam noutra freguesia. Os verdadeiros leitores do BdB não merecem deparar com semelhante lixo. E, justamente por causa da limpeza desse lixo, vão esperar um pouco mais pelo aparecimento dos seus comentários. Paga o justo pelo pecador, bem sei, <em>same old story</em>, mas tem mesmo de ser.<br />
Aos verdadeiros leitores, as minhas desculpas por esta profilaxia. Aos outros, <em>bye bye</em>. </p>
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		<title>Tudo dentro de tudo</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 15:21:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>

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		<description><![CDATA[
2666
Autor: Roberto Bolaño
Título original: 2666
Tradutores: Cristina Rodriguez e Artur Guerra
Editora: Quetzal
N.º de páginas: 1030
ISBN: 978-972-564-816-2
Ano de publicação: 2009
Há romances que se preocupam em fixar uma parte da realidade: um certo tempo histórico, uma certa geografia, o equilíbrio ou a tragédia de certas vidas. E depois há romances – muito poucos – que ambicionam abarcar o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/2666.jpg" alt="" /></p>
<p><strong>2666</strong><br />
<em>Autor:</em> Roberto Bolaño<br />
<em>Título original: 2666</em><br />
<em>Tradutores:</em> Cristina Rodriguez e Artur Guerra<br />
<em>Editora:</em> Quetzal<br />
<em>N.º de páginas:</em> 1030<br />
<em>ISBN:</em> 978-972-564-816-2<br />
<em>Ano de publicação:</em> 2009</p>
<p>Há romances que se preocupam em fixar uma parte da realidade: um certo tempo histórico, uma certa geografia, o equilíbrio ou a tragédia de certas vidas. E depois há romances – muito poucos – que ambicionam abarcar o mundo inteiro. Não lhes interessa reflectir a realidade, mas antes criá-la de novo, reinventá-la, explorar-lhe os limites. São livros totais, que se deixam inebriar pela própria desmesura, sem medo do falhanço ou dos abismos para onde a sua ambição os pode arrastar. Em <em>2666</em>, um professor de filosofia chamado Amalfitano faz o elogio destas grandes obras literárias «imperfeitas», as que «abrem caminho no desconhecido», enfrentando «aquilo que nos atemoriza a todos, esse aquilo que nos acobarda e verga». Obras como <em>Moby Dick</em>, <em>O Processo</em>, <em>Bouvard e Pécuchet</em>. Ou, acrescento eu, como este gigantesco, terrível e belíssimo romance de Roberto Bolaño, um prodígio narrativo que acompanha, para além da crise existencial de Amalfitano, as deambulações de várias dezenas de outras personagens, igualmente perdidas e desarmantes.<br />
Em <em>2666</em>, Bolaño quis testar a infinita elasticidade do género romanesco. Até onde se pode chegar com uma ficção? Resposta: até onde se quiser. Ou melhor, até onde se for capaz de ir. A fronteira, se existe, é a própria escrita e Bolaño consegue empurrá-la sempre mais para diante. As histórias multiplicam-se, nascem umas das outras, proliferam como caixas chinesas: do submundo criminal mexicano às batalhas na frente Leste da II Grande Guerra, de Bornéu a Veneza, da crucificação de um general romeno (num castelo da Transilvânia) aos sacrifícios humanos dos astecas, de um combate de boxe demasiado rápido aos intermináveis espancamentos entre reclusos de uma prisão de alta segurança, das discussões eruditas em congressos sobre literatura alemã contemporânea à melancolia das profundezas oceânicas. Eis um labirinto com muitas entradas e nenhuma saída. Um buraco negro que devora qualquer matéria ficcionável. Um lugar onde cabe, literalmente, «tudo dentro de tudo».<br />
Embora esteja dividido em cinco partes, que funcionam como cinco livros autónomos, pode dizer-se que o centro gravítico de <em>2666</em> é a imaginária cidade de Santa Teresa, no deserto de Sonora (norte do México, perto da fronteira com o Arizona), onde vão aparecendo, entre 1993 e 1997, centenas de cadáveres de mulheres pobres – prostitutas, empregadas de mesa, operárias fabris –, assassinadas quase sempre após tortura e violação sexual, sem que as autoridades policiais, incompetentes e misóginas, consigam deslindar os crimes. É a Santa Teresa que chegam, na primeira parte, três críticos literários: Jean-Claude Pelletier, Manuel Espinoza e Liz Norton, académicos unidos a um quarto crítico (Piero Morini) pela geometria instável de um quadrado amoroso e pela dedicação devota à obra de Benno von Archimboldi – escritor «prussiano» de culto, cioso da sua invisibilidade, que viajou para aquela cidade violenta não se sabe porquê. E é em Santa Teresa que alguns dos múltiplos fios narrativos deste livro se atam, sem nunca oferecerem ao leitor – hipnotizado desde as primeiras páginas pela riqueza estilística da prosa de Bolaño, pela energia pura da sua linguagem – o alívio de uma explicação para o Mal que emerge de todo o lado, como que saído de um «poço negro».<br />
Enquanto o conduzem às cegas pelo <em>bas-fond</em> de Santa Teresa, Oscar Fate, o repórter afro-americano que é protagonista da terceira parte, pondera apanhar o primeiro avião para Nova Iorque, «onde tudo voltaria a ter a consistência da realidade». Isto é, da realidade real. Faz sentido. Porque a realidade de <em>2666</em> é a outra, a que perde os seus contornos, «como se a passagem do tempo exercesse um efeito de porosidade nas coisas», a realidade da estranheza e do «pesadelo flutuante», a realidade incerta, sempre a oscilar entre a vigília e o sonho, a verdade e o simulacro, a lucidez e a loucura.</p>
<p><em>Avaliação:</em> 10/10</p>
<p>[Texto publicado no suplemento <em>Actual</em>, do semanário <em><a href="http://aeiou.expresso.pt/">Expresso</a></em>]</p>
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		<title>Efeito Comaneci</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/efeito-comaneci/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 12:41:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje, pela primeira vez na história deste blogue, vou publicar uma crítica que atribui, a um determinado livro, a nota máxima: dez em dez. Só quem for muito distraído é que ainda não adivinhou de que livro se trata. 
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, pela primeira vez na história deste blogue, vou publicar uma crítica que atribui, a um determinado livro, a nota máxima: dez em dez. Só quem for muito distraído é que ainda não adivinhou de que livro se trata. </p>
]]></content:encoded>
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		<title>O plano dele é o meu plano</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-plano-dele-e-o-meu-plan/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 09:17:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje e amanhã, também vou andar por aqui.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje e amanhã, também vou andar por <a href="http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt/1039719.html">aqui</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Três poemas de John Updike</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/tres-poemas-de-john-updike/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 00:38:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[TREPADEIRA
Com que estóica delicadeza ela se entrega,
esta trepadeira da Virgínia:
o mais fraco puxão deixa cair
um feixe de folhas da altura de um papagaio,
como se dissessem Viver é bom,
mas não viver – ser-se puxado
com som nem de violência,
e ainda assim florir; e
alongar-se em direcção ao sol –
também é bom, abandonada
toda a fotossíntese, a desforra. Na próxima [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>TREPADEIRA</p>
<p><em>Com que estóica delicadeza ela se entrega,<br />
esta trepadeira da Virgínia:<br />
o mais fraco puxão deixa cair<br />
um feixe de folhas da altura de um papagaio,<br />
como se dissessem</em> Viver é bom,<br />
mas não viver – ser-se puxado<br />
com som nem de violência,<br />
e ainda assim florir; e<br />
alongar-se em direcção ao sol –<br />
também é bom, abandonada<br />
toda a fotossíntese<em>, a desforra. Na próxima Primavera<br />
as radículas com fios deixadas por puxar<br />
crescerão como serpentes para uma outra vida de folhas,<br />
subindo a casca suave do mesmo carvalho.</em></br><br />
MORTE DE UM COMPUTADOR</p>
<p><em>Oito anos de histórias, romances, recensões –<br />
a faina habitual. </em>Um dia destes, avaria,<em><br />
disseram-me, e assim, eu, diletante<br />
inseguro de computadores, comprei um novo<br />
e arrumei o antigo num quarto pouco usado, onde,<br />
quando o ligava, ele pegava em disquetes velhas<br />
e transformava-as em versões impressas,<br />
marcas escuras no papel, afinal mais seguras<br />
que electrões. O mecanismo não parecia<br />
ressentir-se da semi-reforma.</p>
<p>Hoje, morreu; acho que morreu. Primeiro sinal:<br />
um quadrado fantasma impôs-se sobre<br />
o texto, como uma conduta «inapropriada»<br />
que ensombra uma festa, mas<br />
se pode ignorar. Depois, ao comando seguinte,<br />
apareceram tiras negras, enfeitadas a pedacinhos<br />
de ícones desfeitos; comportou-se como<br />
um advogado estreante que, num ataque senil,<br />
se levanta para falar ao júri com<br />
os floreados do costume e uma candura popular.</p>
<p>A seta começou então a seguir pixéis pretos<br />
como o pincel de um pintor pingando tinta.<br />
Segundo sim, segundo não, o monitor acreditava<br />
fazer ainda sentido, enquanto as tiras e os riscos<br />
e as voltas súbitas transformavam<br />
a consulta que eu escrevia num massacre rápido.<br />
Embaraçado por tanta confusão brilhante e esperançosa,<br />
num assomo de misericórdia, desliguei-o.<br />
Possa também uma mão firme e bondosa<br />
aos meus circuitos em falha conceder paz.</em></br><br />
PÁSSARO PRESO NA MINHA CERCA DE VEADOS</p>
<p><em>A sebe devia parecer a mesma, sementes e bagas<br />
de teixo escondidas, pequena miséria comestível<br />
só visível aos olhos de um pássaro, misturada<br />
com agulhas de pinheiro e terra – uma gruta segura<br />
e silenciosa como só a natureza concede aos mansos,<br />
nela entrou curvado, a cabeça emplumada,<br />
atento ao que procurava, os olhos brilhantes,<br />
lançados sobre tudo, menos sobre a cerca.</p>
<p>Num momento piedosamente não testemunhado,<br />
a tentativa de se elevar, de voar mais alto, e encontrar<br />
um limite agora bem visível, as asas a bater,<br />
e negado o mais básico instinto alado. O pânico<br />
agitado e um bater de penas, ao ar, à luz do dia,<br />
à sua volta, impossível e próxima, a liberdade!</p>
<p>Quantas horas de fome e de luta, retomadas<br />
em exasperados arquejos de vida, foram gastas<br />
para cerrar para sempre os olhos brilhantes como bagas<br />
e desatar o pequeno nó bravio de um coração.<br />
Não consigo saber, ao descobrir este feixe de penugem<br />
macia, sem peso e sem palavras, ao canto de uma cerca<br />
que nem os veados conseguem penetrar, nem os ossos<br />
de um pássaro, desafiando a gravidade, conseguem quebrar.</em></p>
<p>[in <em>Ponto Último e outros poemas</em>, trad. de Ana Luísa Amaral, Civilização, 2009]</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Actrizes giras que lêem clássicos</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/actrizes-giras-que-leem-classicos/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 21:35:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[2666]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Bolaño]]></category>

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		<description><![CDATA[
Em 1955, Eve Arnold captou esta célebre imagem de Marilyn Monroe a ler as páginas finais do Ulisses, de James Joyce. Na próxima sexta-feira, será a vez de Soraia Chaves desafiar os preconceitos e estereótipos, ao ler uma passagem de 2666 durante o lançamento do romance de Roberto Bolaño, na Livraria Ler Devagar/Lx Factory (a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/marylin_ulisses.jpg" alt="marylin_ulisses" title="marylin_ulisses" width="425" height="700" class="alignnone size-full wp-image-5944" /></p>
<p>Em 1955, Eve Arnold captou esta célebre imagem de Marilyn Monroe a ler as páginas finais do <em>Ulisses</em>, de James Joyce. Na próxima sexta-feira, será a vez de Soraia Chaves desafiar os preconceitos e estereótipos, ao ler uma passagem de <em>2666</em> durante o lançamento do romance de Roberto Bolaño, na Livraria Ler Devagar/Lx Factory (a partir das 23h00). Além de uma tiragem especial de 150 exemplares do livro (exemplares <em>únicos</em>, com papel de cores diferentes para cada caderno e uma sobrecapa), haverá <a href="http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt/1039238.html">«<em>margaritas</em>, acepipes mexicanos, <em>shots</em> de <em>chili con carne</em>, música (uma banda sonora com mariachis, corridos, polcas, boleros)»</a> e mais uns quantos leitores a partilhar com a audiência excertos das cinco partes que compõem <em><a href="http://2666.blogs.sapo.pt/">2666</a></em>.  </p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Começos</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/blogosfera/comecos/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/blogosfera/comecos/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 16:58:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blogosfera]]></category>

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		<description><![CDATA[«O começo de um livro é precioso», lembra o blogger Marco Santos. E dá exemplos. Muitos exemplos. Excelentes exemplos. Preciosos exemplos.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«O começo de um livro é precioso», lembra o <a href="http://novaziodaonda.wordpress.com/"><em>blogger</em> Marco Santos</a>. E dá <a href="http://novaziodaonda.wordpress.com/category/o-comeco-de-um-livro-e-precioso/">exemplos</a>. Muitos <a href="http://novaziodaonda.wordpress.com/category/o-comeco-de-um-livro-e-precioso/">exemplos</a>. Excelentes <a href="http://novaziodaonda.wordpress.com/category/o-comeco-de-um-livro-e-precioso/">exemplos</a>. Preciosos <a href="http://novaziodaonda.wordpress.com/category/o-comeco-de-um-livro-e-precioso/">exemplos</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Umberto Eco sobre a arte perdida da caligrafia</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/imprensa-estrangeira/umberto-eco-sobr-a-arte-perdida-da-caligrafia/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/imprensa-estrangeira/umberto-eco-sobr-a-arte-perdida-da-caligrafia/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 14:17:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Imprensa estrangeira]]></category>

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		<description><![CDATA[«Recently, two Italian journalists wrote a three-page newspaper article (in print, alas) about the decline of handwriting. By now it&#8217;s well-known: most kids – what with computers (when they use them) and text messages – can no longer write by hand, except in laboured capital letters.
(&#8230;) The art of handwriting teaches us to control our [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>«<em>Recently, two Italian journalists wrote a three-page newspaper article (in print, alas) about the decline of handwriting. By now it&#8217;s well-known: most kids – what with computers (when they use them) and text messages – can no longer write by hand, except in laboured capital letters.<br />
(&#8230;) The art of handwriting teaches us to control our hands and encourages hand-eye coordination.<br />
The three-page article pointed out that writing by hand obliges us to compose the phrase mentally before writing it down. Thanks to the resistance of pen and paper, it does make one slow down and think. Many writers, though accustomed to writing on the computer, would sometimes prefer even to impress letters on a clay tablet, just so they could think with greater calm.<br />
It&#8217;s true that kids will write more and more on computers and cellphones. Nonetheless, humanity has learned to rediscover as sports and aesthetic pleasures many things that civilisation had eliminated as unnecessary.<br />
People no longer travel on horseback but some go to a riding school; motor yachts exist but many people are as devoted to true sailing as the Phoenicians of 3,000 years ago; there are tunnels and railroads but many still enjoy walking or climbing Alpine passes; people collect stamps even in the age of email; and armies go to war with Kalashnikovs but we also hold peaceful fencing tournaments.<br />
It would be a good thing if parents sent kids off to handwriting schools so they could take part in competitions and tournaments – not only to acquire grounding in what is beautiful, but also for psychomotor wellbeing. Such schools already exist; just search for &#8220;calligraphy school&#8221; on the internet. And perhaps for those with a steady hand but without a steady job, teaching this art could become a good business.</em>»</p></blockquote>
<p>O artigo completo, publicado na edição de hoje do <em>The Guardian</em>, pode ser lido <a href="http://www.guardian.co.uk/books/2009/sep/21/umberto-eco-handwriting">aqui</a>.</p>
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