<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-17163319</atom:id><lastBuildDate>Fri, 06 Nov 2026 00:56:12 +0000</lastBuildDate><category>O</category><category>Imprensa</category><category>N</category><category>http://4.bp.blogspot.com/_t2sqbyvWbyA/TEM5V-jDYwI/AAAAAAAAH3U/Ajd48yJ_bAs/s400/tumulo+violado.jpg</category><category>.</category><category>And</category><category>Bananão</category><category>Gil</category><category>I</category><category>Lula</category><category>P</category><category>Pu</category><category>ST</category><category>ao</category><category>blogs</category><category>charge</category><category>ci</category><category>e</category><category>f</category><category>governo</category><category>humor</category><category>ideologias</category><category>mídia</category><category>petismo</category><category>re</category><category>u</category><category>é</category><title>BLOG DO ORLANDO TAMBOSI</title><description>Política, filosofia e ciência em revista.</description><link>https://otambosi.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>45246</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-4449786998694276035</guid><pubDate>Thu, 05 Nov 2026 23:17:44 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-05T20:17:44.850-03:00</atom:updated><title>O erro de governar apenas para a base</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEju9OwZHPKf4rzz8kycvZTxhiSpAZDe79nBlBCYf85MOoe6zOtnWA8Kqbp3UWcz3UwMS4xT7UdCgMMazugm7-PCdj-Eb1ZJAYHjeCm1KITi9eAAsiFFuINGQrtMggdax2MX62fDkY3dwwFj_Vq8WvPL_-31mWqEPr3yCCpDdkTuj-W6xmJ2fXZl/s960/trump-eleicoes-eua-960x540.jpg.webp&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;540&quot; data-original-width=&quot;960&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEju9OwZHPKf4rzz8kycvZTxhiSpAZDe79nBlBCYf85MOoe6zOtnWA8Kqbp3UWcz3UwMS4xT7UdCgMMazugm7-PCdj-Eb1ZJAYHjeCm1KITi9eAAsiFFuINGQrtMggdax2MX62fDkY3dwwFj_Vq8WvPL_-31mWqEPr3yCCpDdkTuj-W6xmJ2fXZl/s1600/trump-eleicoes-eua-960x540.jpg.webp&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O eleitor que decide o resultado não pede provas de pureza ideológica. Leonardo Coutinho para a &lt;a href=&quot;https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/leonardo-coutinho/o-erro-de-governar-apenas-para-base/&quot;&gt;Gazeta do Povo:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Os republicanos perderam a Câmara, o Senado e até disputas que pareciam fora do alcance dos democratas. No Texas, um democrata foi eleito senador pela primeira vez em 38 anos. No Kansas, isso não acontecia desde 1932. O mapa não revela uma conversão repentina dos americanos ao progressismo como muita gente insiste em comentários acalorados no Brasil. Os resultados são mais complexos e sugerem que os eleitores que levaram o presidente Donald Trump à Casa Branca em 2024 não se sentiram obrigados a continuar apoiando seu partido em 2026.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Trump transformou a eleição legislativa num referendo sobre si mesmo. Pediu que os eleitores votassem como se seu nome estivesse na cédula. Obedeceram. O partido que controlava as duas casas do Congresso entregará ambas aos adversários. Trump não perdeu o controle do movimento MAGA. Perdeu a disputa fora dele, entre americanos que não frequentam comícios e não devem fidelidade a presidente algum. E como isso aconteceu?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Quase nove em cada dez eleitores consideraram o custo de vida importante ou decisivo no voto. Cerca de dois terços disseram que as políticas de Trump pioraram a economia. Sete em cada dez queriam um Congresso mais disposto a limitar o poder presidencial. Dois terços também consideravam erradas as prioridades do presidente. A mensagem não poderia ser mais clara: os eleitores não estavam cobrando mais combatividade. Estavam cobrando um governo que olhasse para suas preocupações.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Trump foi eleito para controlar a imigração, conter preços e restaurar a confiança na economia. Mas as tarifas apresentadas como demonstração de força chegaram ao bolso do consumidor. O show em torno das deportações não pegou bem e deixou o eleitor latino sem chão e desiludido. Mesmo assim, os auxiliares do presidente, presos na bolha das redes sociais e do próprio movimento político dobrava a aposta. Daí veio a suposição de que o entusiasmo dos seguidores dispensava o convencimento dos demais.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Na seleção de candidatos, Trump privilegiou a lealdade pessoal. No Texas, apostou em Ken Paxton, envolvido em controvérsias, e viu James Talarico vencer. Na Carolina do Norte, a identificação do republicano Michael Whatley com Trump pesou contra ele. A base podia gostar dos escolhidos. Os demais não tinham obrigação de gostar. O presidente confundiu o poder de escolher o candidato republicano com o poder de fazê-lo vencer uma eleição geral.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Nas primárias americanas, como no primeiro turno brasileiro, faz sentido falar aos mais fiéis. São eles que organizam a militância e sustentam a candidatura. Na disputa final, o candidato precisa conquistar quem não estava ali. Depois da posse, continua precisando. Mas há governantes que tratam a vitória como autorização para retornar ao palanque.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O Brasil já assistiu a esse filme. Bolsonaro chegou ao Planalto prometendo enfrentar uma estrutura política desacreditada. Mas fez do conflito quase um método de governo. Quando a crise se agravava, a resposta frequentemente era convocar os convertidos. A tensão com o Congresso, o Supremo e a imprensa alimentava a militância, mas afastava brasileiros cansados de briga. Bolsonaro acabou se aproximando do Centrão. Negociava no Congresso, mas continuava prometendo à plateia governar contra o sistema. Concedia poder para obter apoio e disfarçava a concessão com mais confronto. Terminou 2022 com uma militância fiel, porém sem os votos adicionais de que precisava.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Todo governante enfrenta uma escolha desagradável. Para preservar o projeto que o elegeu, precisará decepcionar parte de seus eleitores. Dizer não à ala que exige guerra diária, aceitar uma composição imperfeita ou abandonar uma medida que se tornou prejudicial. A base chamará de traição. Mas traição maior pode ser preservar a pureza do discurso e entregar o poder aos adversários.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A vitória democrata tampouco foi um endosso entusiasmado de suas propostas. Muitos americanos votaram em candidatos de um partido do qual também desconfiam. Votaram mais por castigo ao presidente Trump que por amor aos democratas. O resultado disso é que o presidente enfrentará os dois últimos anos de mandato com um Congresso hostil, menos espaço para sua agenda e mais obstáculos às suas iniciativas. O preço também será pago pelos conservadores que esperavam ver suas propostas avançar. Valeu a pena ser tão intransigente?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Uma eleição se vence com votos de quem acredita no candidato e de quem apenas o considera o menos ruim. Depois da posse, os primeiros continuarão cobrando lealdade. Os segundos cobrarão resultados. Quem governa apenas para os primeiros corre o risco de ser derrotado pelos segundos. Para a direita brasileira, a lição é dura. Uma base pode sustentar um movimento por décadas. Não pode, sozinha, garantir uma maioria. O eleitor que decide o resultado não pede provas de pureza ideológica. Pede que o governo resolva problemas. Trump esqueceu disso. &lt;a href=&quot;https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/leonardo-coutinho/e-preciso-saber-perder-e-ganhar/&quot;&gt;Bolsonaro&lt;/a&gt; também. As urnas foram menos complacentes que seus seguidores.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/o-erro-de-governar-apenas-para-base.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEju9OwZHPKf4rzz8kycvZTxhiSpAZDe79nBlBCYf85MOoe6zOtnWA8Kqbp3UWcz3UwMS4xT7UdCgMMazugm7-PCdj-Eb1ZJAYHjeCm1KITi9eAAsiFFuINGQrtMggdax2MX62fDkY3dwwFj_Vq8WvPL_-31mWqEPr3yCCpDdkTuj-W6xmJ2fXZl/s72-c/trump-eleicoes-eua-960x540.jpg.webp" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-5136434533645222070</guid><pubDate>Thu, 05 Nov 2026 23:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-05T20:23:56.437-03:00</atom:updated><title>O homem que deu a volta ao mundo a pé</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiudhXhySoF6tT3f4U7n42pm3dsy1mY4v25eHVLkZr49lf9NNFA2J4ZjwtgCvyMXGiJRwKWfr81FvZqIqf0QfnonCXHtzYmVK6baHcw5APqke8o3HIGt1pTvefyooO4hxMrpiiigAxduowYO5zcnKjqKViXBVvop0uL4LuodfPotOgOdvBdLSsd/s360/jporfirio-retratos-redacao-2026-01-94-scaled.webp&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;360&quot; data-original-width=&quot;360&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiudhXhySoF6tT3f4U7n42pm3dsy1mY4v25eHVLkZr49lf9NNFA2J4ZjwtgCvyMXGiJRwKWfr81FvZqIqf0QfnonCXHtzYmVK6baHcw5APqke8o3HIGt1pTvefyooO4hxMrpiiigAxduowYO5zcnKjqKViXBVvop0uL4LuodfPotOgOdvBdLSsd/w200-h200/jporfirio-retratos-redacao-2026-01-94-scaled.webp&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Durante quase três décadas, percorreu a pé mais de 50 mil quilómetros, atravessando quatro continentes e respeitando apenas duas regras: nunca recorrer a qualquer meio de transporte e não desistir. Alexandre Borges para o &lt;a href=&quot;https://observador.pt/opiniao/o-homem-que-caminhou-a-volta-do-mundo/&quot;&gt;Observador:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Um homem deu a volta ao mundo a pé; aqui e ali, a nado. Na manhã de 1 de Novembro de 1998, Karl Bushby, 29 anos, partiu de Punta Arenas, no Chile, e chegou a casa 28 anos e um dia depois, esta segunda-feira, na localidade de Hull, condado de Yorshire, Inglaterra. Ou melhor, a casa da mãe, Angela.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Lemos a notícia e, imediatamente, sentimos uma identificação qualquer. Não é só o facto de Karl ter decidido partir precisamente no dia de aniversário do cronista. Não é sequer apenas a admiração por uma espécie rara de aventureiro prudente: vai ali dar a volta ao mundo, mas é com os pezinhos bem assentes na terra. Não há cá balões nem avisões nem sequer bicicletas nem outras engenhocas quaisquer; só o desporto radical de colocar um pé a seguir ao outro – e continuar no dia seguinte. É a vontade de saber mais. Perceber o sentido último da viagem. O objectivo, o significado. Que Forrest Gump real é este? De que fugiu Karl ou aonde queria chegar? E, se era apenas fama que buscava, porque não escolher um projecto que durasse um pouco menos do que metade da sua vida?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A ideia apareceu alguns anos antes, quando o pai lhe enviou um cartão de aniversário. Ambos ex-militares, Keith recordava a Karl uma discussão entre alguns membros das forças especiais acerca da possibilidade de ir de Londres a Nova Iorque a pé através da passagem de Bering, a mesma que alguns investigadores acreditam ter sido usada pelos primeiros humanos a migrarem da Ásia para a América, numa era em que o nível médio das águas do mar era mais baixo. Karl pegou num mapa e começou a traçar o caminho: de Londres para França pelo Canal da Mancha, atravessando a Europa e a Ásia e, depois o gelo no Estreito de Bering até ao Alaska e, daí, em vez de seguir para leste para Nova Iorque, descendo rumo aos confins da América do Sul. “E foi isso”, disse, simplesmente, aos jornalistas. “Depois de a ideia se ter instalado na minha cabeça, já não havia como voltar atrás.”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Durante quase três décadas, percorreu a pé mais de 50 mil quilómetros, atravessando quatro continentes e respeitando apenas duas regras: nunca recorrer a qualquer meio de transporte e não desistir: só podia voltar a casa depois de completar o itinerário. Invertendo o sentido da rota que primeiro idealizara no mapa, começou pelo ponto mais a sul: atravessou Chile e Argentina, foi perseguido por uma multidão em fúria e curado de uma grave infecção intestinal por um médico e sua família no Peru, seguiu para o Equador e a Colômbia; cruzou o estreito do Panamá, depois de 18 dias detido por tentar atravessar a fronteira numa zona de acesso proibido, e seguiu para a Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, México, Estados Unidos e Canadá. Em 2006, chegou finalmente à “ponte” de Bering: atravessou os 90 quilómetros de gelo na companhia do aventureiro americano Dimitry Kieffer, ao lado de quem acabou resgatado por um helicóptero, depois de quase morrerem de hipotermia nas águas do Ártico. Somente para, quando recuperasse, ser novamente detido, agora na chegada à Rússia, acusado de entrada ilegal no território.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Demoraria quase uma década a atravessar o reino de Putin, menos pela dimensão geográfica do maior país do mundo do que pela burocracia e terríveis condições climatéricas. Seguiu enfim pela Mongólia, até à China, onde foi obviamente seguido pela polícia e acabaria longamente retido durante toda a pandemia da Covid-19. Atravessou a nado os 288 quilómetros do mar Cáspio durante 31 dias, cruzou Cazaquistão, Uzbequistão, Azerbaijão, Geórgia, Turquia, Bulgária, Roménia, Hungria, Áustria, Eslováquia, Alemanha, Bélgica, França e, finalmente, Reino Unido.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Não perguntem porque é que um tipo quer dar a volta ao mundo se nem sequer é para passar pelo Brasil, Portugal, Espanha, Itália, Grécia. Karl Bushby esteve frente a frente com um urso polar, nadou em águas infestadas de crocodilos para escapar a um confronto entre guerrilheiros armados, passou por selvas, montanhas, desertos e lagos gelados. Aos 57 anos, chegou a casa da mãe e não sabe o que vai fazer do resto da vida. “O meu propósito e a minha razão de viver estão prestes a chegar ao fim”, reconheceu à imprensa britânica, quando já tinha sido recebido pelo pai na praia de Dover, depois de atravessar a Mancha a nado e a pouco dias de cumprir a empresa.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Quando o ex-paraquedista partiu, nos idos do fim do século passado, estava à beira de completar os 30 anos, tinha acabado de ver falhar o casamento e a ex-mulher mudar-se para a Irlanda do Norte com o filho Adam. Nos primeiros anos de viagem, quando o cabelo louro cresceu e lhe deu um ar de Kurt Cobain, alimentou a cada avistamento uma das primeiras teorias da conspiração da então imberbe internet, segundo a qual o lendário ícone grunge estaria vivo, afinal, e deambulando pelo mundo. Teve um relacionamento de sete anos com uma mulher colombiana e outro de três com uma japonesa, quase fatalmente destinados ao fracasso. Mas descobriu a bondade do mundo, dependendo, acima de tudo, da generosidade de desconhecidos para sobreviver, sendo recebido em barracas feitas com peças de automóveis e alimentado a refeições de arroz e água. “Fui acolhido pelas pessoas mais pobres entre os pobres. Conheci 99,9999% do melhor da humanidade. Em todas as culturas e em todos os países, a reação foi a mesma.”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;E agora, Karl? Volta para casa da mãe e vai talvez reencontrar o filho, hoje com 32 anos, e conhecer a neta, de 12. Werner Herzog está a fazer um documentário sobre ele e foi, na verdade, o seu grande financiador nos últimos 16 anos, desde que ouviu falar da sua inacreditável aventura. A Presidente da Câmara de Hull declarou, na cerimónia de recepção, o quanto todos se sentiam inspirados “pelo seu espírito, tenacidade e determinação inabalável”. Sem dúvida, mas e depois? O que acontece?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Partiu ainda a História não tinha acabado. Não tinha havido 11 de Setembro, nem invasão do Iraque, nem crises do subprime nem das dívidas soberanas, nem telemóveis com câmara, nem redes sociais, nem inteligência artificial, nem drones, nem Covid, nem Guerra da Ucrânia, nem dúvidas e desconfianças sobre tudo e todos, países, instituições, os próprios cinco sentidos – nem ao menos uma app para contar os passos. Agora, volta, como diz, para uma sociedade que não conhece. Porque, ironicamente, dar a volta ao mundo pode ser a melhor forma de estar fora dele.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Abrimos, portanto, a história de Karl Bushby em busca de um sentido e acabamos com o contrário. É o caso de um Sísifo real, contemporâneo. Não sabemos para onde vamos. Caminhamos porque não somos capazes de estar parados. Damos a volta ao mundo à procura de um sentido – e acabamos exactamente onde começámos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/o-homem-que-deu-volta-ao-mundo-pe.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiudhXhySoF6tT3f4U7n42pm3dsy1mY4v25eHVLkZr49lf9NNFA2J4ZjwtgCvyMXGiJRwKWfr81FvZqIqf0QfnonCXHtzYmVK6baHcw5APqke8o3HIGt1pTvefyooO4hxMrpiiigAxduowYO5zcnKjqKViXBVvop0uL4LuodfPotOgOdvBdLSsd/s72-w200-h200-c/jporfirio-retratos-redacao-2026-01-94-scaled.webp" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-4619254357649529255</guid><pubDate>Thu, 05 Nov 2026 23:10:19 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-05T20:10:19.574-03:00</atom:updated><title>&#39;Die Weltbühne&#39;, o espírito de Weimar contra o nazismo</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZ0icUvSeuNenMSTDvRvmsjIkFqHLAfC73eJkXx3A8QsdSD2pKCdCG_BOOplb7HnnBQlkU8zdjEQp0VH963nsH9tVysMlXpBgrbRHUEoTI5Kd_tojvHFqa7o3KKJVpAy0L44eY-etdqegQFcwm6jmc5XDAJxeV3MRUMUgPYF8iEbkTrro2Rxq3/s1200/revista-die-weltbu-hne.webp&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;675&quot; data-original-width=&quot;1200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZ0icUvSeuNenMSTDvRvmsjIkFqHLAfC73eJkXx3A8QsdSD2pKCdCG_BOOplb7HnnBQlkU8zdjEQp0VH963nsH9tVysMlXpBgrbRHUEoTI5Kd_tojvHFqa7o3KKJVpAy0L44eY-etdqegQFcwm6jmc5XDAJxeV3MRUMUgPYF8iEbkTrro2Rxq3/s1600/revista-die-weltbu-hne.webp&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Editorial Acantilado reúne una selección del periodismo de combate de la revista alemana, satanizada por Hitler. Carlos Mármol para &lt;a href=&quot;https://theobjective.com/cultura/2026-11-05/die-weltbuhne-espiritu-weimar-nazismo/&quot;&gt;The Objective:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;«Donde hay poca justicia es peligroso tener razón», escribió don Francisco de Quevedo y Villegas, gloria de nuestro Siglo de Oro. Más de medio siglo más tarde, Voltaire, el impertinente ilustrado francés, explicó que esa temeridad consiste, sobre todo, en el acto temerario de contradecir los argumentarios del gobierno, señalar ante el público sus errores y denunciar sus caprichos. Una centuria y media después, Friedrich Dürrenmatt, dramaturgo suizo, condensó esta misma idea en una frase: «Son tristes los tiempos en los que uno debe luchar por lo que es evidente».&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;El periodismo consiste en estas tres cosas. Contar lo que sucede de la forma más exacta posible, abriendo a machete un sendero limpio en mitad de la infinita selva de las mentiras interesadas; sacarle los colores al poder –da igual su signo y quiénes sean sus embajadores– y documentar la verdad, le pese a quien pese. La historia de los diarios y de las revistas, cuyo único patrimonio moral es esta voluntad de aproximarse a lo real, está llena de mutaciones y metamorfosis. Unas se deben a los intereses de sus propietarios; otras obedecen al zeitgeist, el famoso espíritu de la época en la que se publican.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Quizás ningún proyecto editorial en Europa haya encarnado esta vibrante pulsión como Die Weltbühne, la revista de arte y política que fundase en el Berlín de principios del pasado siglo el editor Siegfried Jacobsohn. Nacida en 1905 con otro nombre –Die Schaubühne– y objeto (publicar críticas de teatro), el semanario de Jacobsohn abrió a partir de 1918 sus páginas a los artículos políticos y a un estudiante de leyes, Kurt Tucholsky, que acabaría siendo uno de sus primeros espadas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href=&quot;https://link.amazon/B0i2sl1uP&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://link.amazon/B0i2sl1uP&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;https://link.amazon/B0i2sl1uP&quot;&gt;&lt;img height=&quot;320&quot; src=&quot;https://theobjective.com/wp-content/uploads/2026/11/71yjdsehcyl-_sl1500_.jpg&quot; width=&quot;202&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Esta ampliación de intereses respondía a una convicción –no existe ningún teatro que sea más importante que la política– y a un contexto histórico. Alemania había instaurado, tras su derrota en la Primera Guerra Mundial y la abdicación del káiser Guillermo II, un régimen democrático y republicano con sede en Weimar, la ciudad donde Goethe vivió unos siglos antes igual que un príncipe. Entre 1918 y 1933, cuando el ascenso de Hitler puso final a este experimento liberal, instaurando un totalitarismo nacionalista y violento, el régimen de Weimar incentivó la discusión parlamentaria e instauró una relativa libertad de prensa.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Die Weltbühne cambió su enfoque para sumarse a este proceso, defendiendo desde primera hora un izquierdismo ilustrado –esa flor tan extraña– y enfrentándose al regreso al viejo ideal imperial prusiano. A su alrededor orbitó un nutrido grupo de intelectuales, artistas y escritores –los más notables fueron Thomas Mann, Bertolt Brecht, Robert Walser, Ernst Bloch, Sándor Márai o Serguéi Eisenstein, pero hubo otros muchos nombres– que participaron en sus páginas. El semanario defendió las frágiles libertades civiles –fue vehemente en cuestiones sociales como la despenalización del aborto, la abolición de la pena de muerte o la homosexualidad– y, aunque nunca tuvo una tirada masiva (no vendió más de 15.000 ejemplares; se sostenía gracias a sus suscriptores y a algunos generosos patrocinadores), su influencia intelectual fue no sólo notable, sino trascendente. La prueba es que se ganó un sinfín de adversarios. Éste es el recurrente destino de la libertad: ser cercada por sus enemigos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Acantilado acaba de publicar, al cuidado del germanista y traductor Francisco Uzcanga Meinecke, una excelente selección del periodismo combativo de Die Weltbühne, liderado sucesivamente por Jacobsohn, Tucholsky y Ossietzky, sus tres directores. El libro permite recorrer las tres épocas de la publicación: su libertad de criterio –la línea editorial era progresista, pero no toleraba las consignas–, su activo combate contra el dogmatismo, su alta calidad literaria y su fervor en la democracia liberal.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Contra el nacionalismo&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Su poética se resumía en la oposición ante la burocracia y el militarismo, una crítica severa y satírica contra el nacionalismo y el antisemitismo, la defensa de los derechos civiles y la atención constante a la cultura y el arte, sustento ideológico de cualquier proyecto editorial serio y duradero. Die Weltbühne amaba el espíritu de las vanguardias: la irrupción del cine de masas, la revolución arquitectónica y de diseño de la Bauhaus, el nacimiento del Movimiento Dadá o la literatura de James Joyce.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Atención a las ideas y devoción por las artes, junto a una sanísima impertinencia, mal digerida en los ámbitos conservadores de la Alemania de aquel momento. El rescate editorial de Acantilado no nos devuelve una publicación arqueológica. Muestra que la defensa de la democracia y de la libertad es un trabajo conjunto entre los periodistas y los pensadores. Y una cuestión de nuestro presente, porque cuando una sociedad carece de antídotos ante el poder, o cuando éste hostiga o critica a los periodistas y a los medios críticos, es cuando empieza a estar en un serio peligro.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Uzcanga Meinecke, que acompaña la antología con un sabroso prólogo y un aparato crítico riguroso, alejado del academicismo, ha hecho una selección rica y plural, que muestra los intercambios entre la cultura y la creación, el debate intelectual y el compromiso político. Si el espíritu de Weimar fue capaz de crear una plataforma de ideas como Die Weltbühne a pesar de la entronización social del nazismo es que, de alguna manera, al menos simbólica, su desaparición no supuso la extinción de su causa, tan vigente ahora –por ejemplo en la España de Sánchez– como entonces.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Es la ligazón entre el afán de combate y la atención a la cultura, concebida no como un mero pasatiempo, sino como un instrumento de análisis social y político y una determinada forma de mirar el mundo, lo que hizo singular a este semanario berlinés, capaz de criticar por igual a la extrema derecha y al movimiento espartaquista de izquierdas. Feroz si era necesario, la revista fue clarividente al juzgar tanto el paramilitarismo político como la cobardía de la crítica literaria del momento, que daba por bueno un libro por el simple hecho de estar escrito en alemán.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Clausurada en 1933&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;No es de extrañar que Hitler enviase a «funcionarios vestidos de negro» a su redacción y ordenase su cierre en marzo de 1933, encarcelando a Ossietzky, que descubrió y publicó que no se cumplían las restricciones de armamento impuestas por el Tratado de Versalles, y que fue galardonado con el Premio Nobel de la Paz de 1936, que nunca pudo recoger. Semanas después, a principios de mayo, en la plaza de la Ópera de Berlín, fanáticos nazis quemaban los números del semanario, con sus cubiertas de rojo sangre, y satanizaban a sus editores y colaboradores en los conjuros de fuego que alimentaban con antorchas góticas y medievales.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Lo que se ardía en esas piras, hogueras de la intolerancia hacia la cultura y crematorios de las cenizas de la libertad, eran las voces libres de una Alemania moderna que no quería volver a ser encadenada de nuevo a las pesadillas de su pasado. Die Weltbühne era ese sitio donde se escribía lo que otras publicaciones no toleraban ni imprimían. Ésta fue su gloria. El libro de Uzcanga Meinecke, que incluye un artículo sobre Unamuno y otro sobre la República española, es un justo acto de homenaje a su valerosa memoria de papel.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/die-weltbuhne-o-espirito-de-weimar.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZ0icUvSeuNenMSTDvRvmsjIkFqHLAfC73eJkXx3A8QsdSD2pKCdCG_BOOplb7HnnBQlkU8zdjEQp0VH963nsH9tVysMlXpBgrbRHUEoTI5Kd_tojvHFqa7o3KKJVpAy0L44eY-etdqegQFcwm6jmc5XDAJxeV3MRUMUgPYF8iEbkTrro2Rxq3/s72-c/revista-die-weltbu-hne.webp" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-5422433966295361230</guid><pubDate>Thu, 05 Nov 2026 22:52:09 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-05T19:52:09.032-03:00</atom:updated><title>Woddy Allen caiu do pedestal do progressismo</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgFua7aKHLf2jqlUfLWxcG-GArWZSvYRMsh75NhT7beCLS40xiI9-UBfF7Fev1tawQDz2mGIUtvAzpGLB1iDq0UXUSBpCdmsDA5aJFpj5YAf4kDor5fVugjKh3BD9RSI1Wx9Bo4CwKk0SGVFUsMOVO0t75owtpLSLymqWmb-OKvhvlW12xwre3y/s1200/woody-allen-madrid.webp&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;675&quot; data-original-width=&quot;1200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgFua7aKHLf2jqlUfLWxcG-GArWZSvYRMsh75NhT7beCLS40xiI9-UBfF7Fev1tawQDz2mGIUtvAzpGLB1iDq0UXUSBpCdmsDA5aJFpj5YAf4kDor5fVugjKh3BD9RSI1Wx9Bo4CwKk0SGVFUsMOVO0t75owtpLSLymqWmb-OKvhvlW12xwre3y/s1600/woody-allen-madrid.webp&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Woody Allen siguió siendo Woody Allen y la progresía devino puritana. Manuel Ruiz Zamora para &lt;a href=&quot;https://theobjective.com/elsubjetivo/opinion/2026-11-05/woody-allen-articulo-ruiz-zamora/&quot;&gt;The Objective:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Hubo un tiempo no demasiado lejano en el que ser progre significaba, entre otras cosas (fumar porros, leer a Marcuse, vestir ominosos pantalones de campana…), no perderse nunca la última película de Woody Allen. ¿Has visto la última de Woody?, te preguntaba la gente con las mismas expectativas estúpidas con las que lo harían años después en relación al último bodrio de Almodóvar. Woody Allen era una de las estaciones obligatorias de la progresía de aquel tiempo, uno de sus iconos más representativos. Significaba, por así decirlo, el aligeramiento humorístico y el merecido descanso después del muermo apocalíptico de las inquebrantables obligaciones del compromiso político y las horas interminables de seminarios sobre marxismo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Aunque yo pertenecía a una generación más joven que la de los progres de pura cepa, siempre fui muy precoz («ser precoz es ser perfecto», decía Oscar Wilde, que, sin duda, no pensaba en la eyaculación), de modo que recuerdo perfectamente el deslumbramiento que me produjo la primera película que vi del director americano, del que nunca había oído hablar antes. El acontecimiento tuvo lugar en uno de aquellos maravillosos cineclubs que había en la Sevilla de finales de los 70 y, naturalmente, yo iba ciego de porros. La película era El dormilón, que sigo considerando una de sus mejores: tan sólo por disfrutar de la arquitectura que aparece en ella merece la pena volver a verla. Puede que los efectos del cannabis tuvieran algo que ver en ello, pero pocas veces he visto a un público reírse tanto en una sala de cine. Después ya me recorrí toda la filmografía de Allen, empezando por sus dos obras fetiche: Annie Hall y Manhattan.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;No obstante, a partir de un determinado momento, no sé exactamente cuál, empecé a confundirlas unas con otras: el cine de Allen es una maquinaria de alta precisión, pero con una tendencia, tal vez inevitable, dada la ingente productividad y la dilatada trayectoria del director, a repetirse a sí mismo. Hoy, y que me perdonen sus devotos, me aburren un poco sus películas, digamos, más ortodoxas: creo que han envejecido mal los problemas de pareja, las reflexiones que introduce y las historias que plantea, pero, curiosamente, me siguen gustando aquellas, presuntamente más aburridas, en las que imita descaradamente a Ingmar Bergman y, sobre todo, las que carecen de otras pretensiones que no sean las francamente humorísticas: Toma el dinero y corre, El dormilón, Todo lo que usted querría saber sobre el sexo o la maravillosa Broadway Danny Rose, cada una de ellas una pequeña obra maestra.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Pues bien, el caso es que a partir de cierto momento Woody Allen empezó a ir por un lado y la progresía por otro. O para ser más exactos: Woody Allen siguió siendo Woody Allen y la progresía devino puritana. El divorcio, en cualquier caso, no fue fulminante, sino, más bien, pautado. Al hablar de puritanismo, no podemos evitar sacar al escenario a la figura probablemente más aciaga en la vida y en la carrera del director neoyorkino: Mia Farrow. De hecho, y que me perdonen de nuevo sus devotos, si es que tiene alguno, Mia Farrow es, en mi opinión, un pegote en cada una de las películas de Allen en las que sale. Allí donde la buena de Diane Keaton representaba, genuinamente, a la liberal neoyorquina, con todas sus inconsistencias y divertidos acordes y desatinos, Mia Farrow, por más californiana que sea, es ya, incluso fisionómicamente, un exponente insuperable del más recalcitrante puritanismo americano.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;No es cuestión de entrar aquí en el sórdido episodio, desarrollado posteriormente en un documental repugnante, de las acusaciones de abusos sexuales a una de sus hijas que Farrow interpuso contra Allen, y que finalmente quedaría en nada a efectos judiciales, pero sí es preciso señalar que ahí se produjo una confluencia de destinos en lo universal entre los rencores puritanos de una mujer abandonada y la insaciable voluntad de quemar herejes que necesitaban las flamantes cohortes de la religión woke. Ya en este punto, las relaciones entre Allen y el progresismo de salón, sin llegar a estar completamente rotas, se encontraban seriamente dañadas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Pero, hete aquí, que toda esta historia cuenta con un apéndice español. Un Woody Allen cuya carrera en Estados Unidos se había visto comprometida, tanto por las particularidades de su propio cine como por las presiones que sobre la industria ejercía el puritanismo redentor, se vio obligado, si es que quería seguir manteniendo el pulso estajanovista al que él mismo se había sometido, a emprender una carrera itinerante por diversos países, básicamente europeos, en donde su cine siguiera siendo digno de aprecio. Así, hizo primero sus pinitos en Francia y vino después a recalar en España.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Hay que decir, como inciso, que nuestro país que, durante el franquismo, fue poco menos que una tierra de promisión para directores extranjeros, se ha convertido en nuestros días en un agujero negro cinematográfico, tanto para los directores foráneos, como, mucho más, para los nuestros (sólo hay que ver una abominación como La bola negra para comprobarlo). De la misma forma que un autor tan imprescindible como el iraní Asghar Farhadi rodó en España su película más frustrada, también Allen perpetró aquí Vicky, Cristina, Barcelona, frente a la cual uno no podía evitar sentir una vergüenza que creía exclusivamente reservada para Pedro Almodóvar.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;No obstante, aquella película, tal vez por haber sido rodada en Barcelona, no generó ningún efecto revulsivo en las papilas ideológicas del progresismo.  Otra cosa muy diferente fue cuando se supo que el otrora director fetiche iba a rodar en Madrid, ciudad a la que se quiere instituir con contumacia como tumba del fascismo, pero que ejerce sistemáticamente como rompeolas de todas las paparruchas del progresismo. Por ejemplo: Muñoz Molina, dos días después de la catástrofe de Urda, escribió un artículo en el que sostiene que el choque de los trenes ha sido una desgracia (Una dentellada de desgracia, titula), cosas que pasan, como el terremoto de Lisboa o un derrumbe de laderas en el Himalaya, pero, a cambio, ha perpetrado ataques furibundos a Ayuso por de ser la aviesa responsable de que él no pueda pasear por Madrid con sus perros sin que le metan prisa.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Casualmente, ha sido su mujer, Elvira Lindo, la que tiró la primera piedra contra el Woody Allen madrileño. En un artículo escrito, como es preceptivo, en la Prensa del Movimiento, y significativamente titulado Ay, nuestro Woody Allen…, Elvira partía de la premisa de que, en efecto, «Woody era nuestro, y nosotros, hablo de los de entonces, teníamos a Allen por un tipo de izquierdas, por un progre al estilo europeo, tal y como entendíamos que era eso”. No obstante, ya en los días en los que ella y su santo habitaron en la Gran Manzana (algo que, por cierto, se encargan de recordar casi en cada artículo) se dieron cuenta, ay, de que Woody «vivía en el Este, el punto cardinal de la riqueza», no como ella, Javier Bardem o el pobre Pedro Almodóvar que, como todo el mundo sabe, viven en Carabanchel bajo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Pero, aparte de vivir como un rico y de atreverse a filmar en el Madrid de Ayuso y Almeida, ¿cuál es el pecado capital que, según Elvira, ha cometido Allen? Pues nada más y nada menos, que el hombre, en vez de opinar lo que Elvira considera que debe opinar y condenar lo que Elvira cree que debe condenar, se había atrevido a declarar con una humildad inversamente proporcional a la de todos esos catedráticos de filosofía política que se ganan la vida de actores o literatos, que él no era nadie para hablar de política.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;La última en salir a la palestra para lapidar al maestro ha sido la siempre estupefaciente Isabel Coixet, que ha declarado sin despeinarse (es un decir) que «Woody Allen se está llevando una pasta de nuestros impuestos para hacer su película». Como sabe todo el mundo, Coixet ha desarrollado durante los últimos años unas ingentes campañas en contra de ese agujero en el bolsillo del contribuyente que son las ayudas al cine español. De hecho, ella misma, según nos consta, ha rechazado cualquier subvención. De ahí que nos parezcan tan coherentes sus declaraciones en contra del director americano; a ver si ahora van a venir los de fuera a quitarnos el pan.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Sea como fuere, no debemos afligirnos, que decía el poeta: llegará el día en el que todo el mundo se habrá olvidado del cine de Woody Allen y tan solo recordará a genios indiscutibles de la cultura universal como Elvira Lindo, Isabel Coixet y, por ser inclusivos, también a los Javis.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/woddy-allen-caiu-do-pedestal-do.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgFua7aKHLf2jqlUfLWxcG-GArWZSvYRMsh75NhT7beCLS40xiI9-UBfF7Fev1tawQDz2mGIUtvAzpGLB1iDq0UXUSBpCdmsDA5aJFpj5YAf4kDor5fVugjKh3BD9RSI1Wx9Bo4CwKk0SGVFUsMOVO0t75owtpLSLymqWmb-OKvhvlW12xwre3y/s72-c/woody-allen-madrid.webp" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-8980478040467257263</guid><pubDate>Thu, 05 Nov 2026 20:23:00 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-05T20:06:01.670-03:00</atom:updated><title>Budapeste 1956: nos 70 anos de uma velha jornada antifascista</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2VuxjX4MYQ9GpbmkGptZ-fYC2YjAVjpCWN_EksYYry6tHqqdl1w45VdRgWRcoo789Dq2XhOaaILw6I-AvmwK_oN_jBVs6mX6kIJr2bNQgH1c30uQzvVyyyWLGdZtxI09EzzeW2aD5KjJnyCn6Efqbp-_TySp5IQs9PGk1WhQHvtcbLGAfWomW/s360/jaime-nogueira-pinto.webp&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;360&quot; data-original-width=&quot;360&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2VuxjX4MYQ9GpbmkGptZ-fYC2YjAVjpCWN_EksYYry6tHqqdl1w45VdRgWRcoo789Dq2XhOaaILw6I-AvmwK_oN_jBVs6mX6kIJr2bNQgH1c30uQzvVyyyWLGdZtxI09EzzeW2aD5KjJnyCn6Efqbp-_TySp5IQs9PGk1WhQHvtcbLGAfWomW/w200-h200/jaime-nogueira-pinto.webp&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Nos 70 anos da revolta da Hungria, talvez valha a pena lembrar uma das históricas “jornadas anti-fascistas”, cuja retórica vemos agora delirantemente repetida como se em nada tivesse já resultado. Jaime Nogueira Pinto para o &lt;a href=&quot;https://observador.pt/opiniao/budapeste-1956-nos-70-anos-de-uma-velha-jornada-antifascista/&quot;&gt;Observador:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;No mundo encantado dos partidos comunistas revolucionários, das assembleias populares e do povo unido – ao Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto – as barraquinhas são “simbólicas”.  Vendem nostalgia revolucionária e oferecem uma experiência de degustação insurrecional, que pode incluir carga policial e eventual pirotecnia (de militantes de extrema-direita ou de agentes infiltrados, evidentemente).  A esta feira de Outubro da revolução, que promete estender-se até ao Natal e até desalojá-lo da praça lisboeta, acorrem ávida e carinhosamente o grosso da imprensa e alguns inocentes, preocupados com a falta de habitação e crentes nas boas intenções e na eficácia dos “activistas” em resolver este e outros problemas, incluindo o da Palestina, através de mais uma “jornada de luta antifascista”.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A luta, que começou por ser pela habitação, é agora contra a violência da polícia “infiltrada pela extrema-direita” e contra um “perigo fascista”, entretanto também já transformado em “fascismo” tout court. Aparentemente, o marxismo-leninismo, ali apregoado para combater o fascismo anunciado e denunciado, deve tomar-se por mera exibição de bom coração e simples demonstração das melhores intenções, isentas de todo o propósito ou pulsão violenta, de todo o financiamento, de toda a ligação internacional, de toda a História acontecida.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Por isso, nos 70 anos do esmagamento da revolta da Hungria, talvez valha a pena recordar uma das históricas “jornadas anti-fascistas” cuja retórica vemos agora delirantemente repetida, como se a nada de concreto correspondesse ou nada dali tivesse já resultado.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Quando a carga sobre os manifestantes é libertadora&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Foi há precisamente 70 anos na Hungria, quando do levantamento popular de Budapeste. A Hungria tinha sido, como uma série de países da Europa Oriental, conquistada e ocupada pelo Exército Vermelho na sua marcha para Ocidente, atrás das forças da Wermacht. Os húngaros tinham já passado, a seguir à Grande Guerra, por uma curta experiência comunista – o governo de Béla Kun, de má memória. Béla Kun acabara liquidado por Estaline, com outros dirigentes comunistas, nas grandes purgas de 1938. Por isso, no fim de 1944, dado o “desaparecimento” de Kun, Mátyás Rákosi, outro comunista incondicional, foi enviado para Budapeste. Ali, com a cumplicidade dos ocupantes soviéticos, os comunistas ficaram com o Ministério do Interior, que lhes dava o controlo das polícias. Dividiram a oposição e tornaram-se donos do poder. Tudo isto entre 1945 e 1948, ainda no tempo de Estaline.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A Esquerda radical e os seus cúmplices mediáticos, que sempre procuram convencer os mais distraídos ou ignorantes que o comunismo é uma coisa boa desvirtuada por homens maus, como Estaline, Mao Tsé-Tung, Pol-Pot, foram fazendo o seu trabalho. Ora foi já no tempo do reformista Kruschev – o do 20º Congresso e da denúncia e saneamento post mortem de Estaline – que se deu a tragédia da revolta húngara e do seu esmagamento. O anti-estalinismo de Kruschev animara os húngaros, que desceram à rua para acabar com o poder comunista e a ocupação soviética e libertar milhares de presos políticos, como o cardeal Mindszenty, na prisão desde 1949.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Tal como muitas coisas boas – e outras menos boas –, tudo começou por uma revolta estudantil em Budapeste, em 23 de Outubro de 1956. Ao tempo, a contestação percorria a Europa Oriental. Em Junho desse ano, tinham estalado movimentos de protesto em Póznam, na Polónia; e em Julho, na Hungria, Moscovo substituíra Mátyás Rákosi por um outro comunista estaliniano, Ernö Gerö. Nesse 23 de Outubro, a ÁHV, a polícia secreta comunista, que contava com 50.000 homens e era temida e odiada em todo o país, abriu fogo sobre a multidão.  Os rebeldes derrubaram a estátua de Estaline (da qual só ficaram as botas) e assaltaram a sede da Secreta comunista. Perante a pressão da rua, as tropas soviéticas retiraram e um comunista “nacional” e moderado, Imre Nagy, foi nomeado primeiro-ministro e tentou uma democratização do regime.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Esta relativa tranquilidade durou até 3 de Novembro. A 4, fez ontem 70 anos, os tanques soviéticos voltavam para a jornada de luta anti-fascista. Depois de combates sangrentos, reconquistaram Budapeste, esmagando os húngaros que se tinham revoltado. Eram mais de 1.100 carros de combate e 31.500 militares. O embaixador soviético em Budapeste sossegara Nagy, dizendo-lhe que Moscovo não ia intervir. Uma delegação húngara, chefiada pelo coronel Pál Maléter, novo ministro da Defesa, que negociava com os russos em Tököl, perto de Budapeste, foi detida pelo KGB.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Nos combates de rua, os civis húngaros tiveram mais de 2.000 mortos e 13. 000 feridos; e os soviéticos, mais de 700 mortos e cerca do dobro dos feridos. Esmagada a revolta, começou a repressão: cerca de 26.000 húngaros foram detidos e julgados, 13.000 ficaram presos e 350 foram executados. Duzentos mil tinham já conseguido fugir. Kadar foi nomeado primeiro-ministro.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Alguns comunistas dissidentes, como Nagy e o filósofo Georg Lukács, refugiaram-se na embaixada jugoslava. Nagy foi depois entregue aos seus compatriotas comunistas e enforcado. Bem como Maléter, também ele enforcado nesse mesmo dia.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;“Fascismo nunca mais!”&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A propaganda soviética descrevia os rebeldes húngaros como “hooligans fascistas, hitlerianos, reaccionários e contra-revolucionários”, dizendo-os “financiados pelos imperialistas do Ocidente para organizar a contra-revolução”. Difundia-se depois na imprensa de referência soviética o desfecho feliz: “um grupo de patriotas húngaros, dirigidos por Kadar” formara “um verdadeiro governo patriota” e pedira “auxílio ao comando soviético para reprimir a contra-revolução”.  Era o fim do “perigo fascista”. Tudo acabara em bem.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Em Budapeste, na rua Andrássy, número 60 – onde se sediaram sucessivamente o partido Cruzes de Flecha, o partido hitlerista e anti-semita que tomara o poder com a queda do governo Horthy, em 1944, e a Secreta comunista, ÁHV – funciona hoje um museu, a chamada “Casa do Terror”.  Ali, a par de salas da direcção policial comunista, estão algumas das celas ocupadas por menores presos na revolta de 1956 e condenados à morte. Humanistas e legalistas como só os idealistas de esquerda sabem e podem ser, os comunistas não atentaram contra o Estado de Direito:  mantiveram os menores nas celas até perfazerem 18 anos – só depois, já adultos, os enforcaram.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Em Portugal, o jornal Avante!, na clandestinidade, esclarecia-nos sobre o que realmente acontecera na Hungria: Imre Nagy, o primeiro-ministro húngaro, era “um fantoche dos contra-revolucionários” e a revolta não tinha passado de uma “conspiração, orientada pelos Estados Unidos, para derrubar o regime socialista e entregar o poder a um governo fascista e capitalista”.  A intervenção soviética mais não fora do que uma jornada democrática para libertar o povo húngaro do “golpe fascista” que “as mais negras forças da reacção internacional” preparavam.  Entre estas “mais negras forças” estava, evidentemente “o governo de Salazar”.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Desta vez, na América&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Entretanto, na América do Norte, a intervenção da Rússia de Putin nas eleições para acabar com a democracia, favorecendo os candidatos fascistas ao Congresso e ao Senado (anunciada, pelo sim pelo não, nos círculos democráticos), falhou rotundamente.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A velha União Soviética era mais eficaz. Tanto que os seus imorredoiros ideais, devidamente expurgados da jornada húngara de há 70 anos e de muitas outras jornadas históricas, parecem continuar a fazer caminho como mera exibição de bons sentimentos, de bom coração e da melhor das intenções.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/budapeste-1956-nos-70-anos-de-uma-velha.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2VuxjX4MYQ9GpbmkGptZ-fYC2YjAVjpCWN_EksYYry6tHqqdl1w45VdRgWRcoo789Dq2XhOaaILw6I-AvmwK_oN_jBVs6mX6kIJr2bNQgH1c30uQzvVyyyWLGdZtxI09EzzeW2aD5KjJnyCn6Efqbp-_TySp5IQs9PGk1WhQHvtcbLGAfWomW/s72-w200-h200-c/jaime-nogueira-pinto.webp" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-4261250407135759959</guid><pubDate>Thu, 05 Nov 2026 19:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-05T16:51:39.594-03:00</atom:updated><title>O islamo-esquerdismo, ou a morte da esquerda</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgLZo4RkGPwK2cXNmjIFTKz4kpKHLYv_64gaw2h1ijzabOcA2IKHeu_NZJcDh8HOUxlUP3Espb4Iux3iCQqPPvpTPtSDBRI4Z8_Wrdme2d0upORMrn87oMk663P0um7LKCnzK5uvkOijifbbaehCaXQW9CeacPDVO4EFWjSPW434A5KSKLMNB2Q/s360/jeremy-silvares-jeronimo.webp&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;360&quot; data-original-width=&quot;360&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgLZo4RkGPwK2cXNmjIFTKz4kpKHLYv_64gaw2h1ijzabOcA2IKHeu_NZJcDh8HOUxlUP3Espb4Iux3iCQqPPvpTPtSDBRI4Z8_Wrdme2d0upORMrn87oMk663P0um7LKCnzK5uvkOijifbbaehCaXQW9CeacPDVO4EFWjSPW434A5KSKLMNB2Q/w200-h200/jeremy-silvares-jeronimo.webp&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Com o aumento da imigração extra-europeia e as taxas de natalidade mais elevadas de certas populações, haverá o risco de, daqui a 10 ou 20 anos, partidos como o LFI chegarem ao poder? Jérémy Silvares Jerónimo para o &lt;a href=&quot;https://observador.pt/opiniao/o-islamo-esquerdismo-ou-a-morte-da-esquerda/&quot;&gt;Observador:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Como é que uma parte da esquerda, outrora tão crítica da religião Cristã, se tornou tão condescendente face ao Islão? Como é que uma esquerda que, outrora, lutou contra todas as formas de racismo permite agora que haja militantes nas suas fileiras que nada mais fazem do que destilar o seu ódio contra os povos nativos do Ocidente (os brancos), sem que isso choque as suas elites? Como é que uma certa esquerda, supostamente defensora da igualdade entre homens e mulheres, defende com garra uma religião que, nalgumas das suas correntes mais radicais (o Islão wahabita, ou o Islão salafista), considera as mulheres inferiores aos homens? Como é que a mesma esquerda fecha os olhos perante os crimes de honra, a excisão, o casamento com menores, a poligamia, as penas de morte aplicadas a homossexuais em muitos países muçulmanos ou a degradante condição da mulher em muitos países não ocidentais? Como é que uma parte importante da esquerda passou do “J’accuse!” de Émile Zola, numa época em que quase toda a esquerda defendia o judeu Dreyfus, para uma extrema-esquerda que se recusa a definir o Hamas como um grupo terrorista (&lt;a href=&quot;https://www.radiofrance.fr/franceinter/mathilde-panot-refuse-de-qualifier-clairement-le-hamas-de-terroriste-et-conforte-les-critiques-contre-lfi-7773900&quot;&gt;foi o caso da deputada Mathilde Panot&lt;/a&gt;, membro do partido La France Insoumise)? Como é que uma certa esquerda mais “dura”, que outrora lutava, supostamente, contra o anti-semitismo, se alia agora a islamistas que pretendem a destruição do estado de Israel?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Será puro clientelismo? Será uma última tentativa das esquerdas radicais e extremistas, perante o seu próprio declínio, de continuarem a exercer influência política sobre povos ocidentais que, entretanto, lhes viraram as costas? Ou será antes uma atitude profundamente niilista, quase suicidária, do género: “Já que nós, a esquerda, outrora defensora do proletariado ocidental, estamos condenados a desaparecer, levaremos connosco toda a Civilização Ocidental”? É difícil saber. Mas, na minha óptica, a actual islamofilia de uma parte significativa da esquerda, a par da sua crescente xenofilia — esse amor quase incondicional pelo estrangeiro, sobretudo quando proveniente de fora da Europa — poderá muito bem ditar o seu próprio fim. Sim, atrevo-me a afirmá-lo: o islamo-esquerdismo poderá ser não apenas uma das últimas expressões de uma parte da esquerda contemporânea, mas também a sua última etapa antes do desaparecimento.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O senador francês Claude Malhuret &lt;a href=&quot;https://www.publicsenat.fr/actualites/politique/prix-de-lhumour-politique-2025-le-senateur-claude-malhuret-recompense-pour-lensemble-de-son-oeuvre&quot;&gt;resumiu na perfeição&lt;/a&gt; aquilo que considera ser a nova islamofilia da extrema-esquerda francesa: “Pauvre extrême gauche, dont le bilan se résume à un siècle à bouffer du curé pour finir par lécher les bottes des mollahs”. De facto, Claude Malhuret criticava não só o partido La France insoumise (LFI), mas também, de forma mais abrangente, os líderes dos partidos de esquerda em França e no Ocidente, bem como os intelectuais e jornalistas que, na sua perspectiva, caíram nas redes dos islamistas e dos militantes decoloniais. De facto, a crítica que dirige à extrema-esquerda francesa poderia igualmente ser dirigida a vários partidos ocidentais de esquerda que se deixaram enredar pelo islamo-esquerdismo. Mas o que é, afinal, o islamo-esquerdismo? Eis a definição apresentada pelo dicionário político francês Toupie:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O islamo-esquerdismo é um neologismo polémico que visa denunciar uma aliança antinatural ou uma convergência entre uma parte da esquerda e da extrema-esquerda, supostamente progressista, e o movimento islamista, reaccionário. A sua origem remonta ao Reino Unido, na ideia defendida pela extrema-esquerda de que o Islão poderia contribuir para o surgimento de um movimento revolucionário. Em França, o termo “islamo-esquerdismo” foi utilizado pela primeira vez pelo politólogo, sociólogo e historiador das ideias Pierre-André Taguieff, no seu ensaio “La Nouvelle Judéophobie” (2002), na sequência de manifestações pró-palestinianas em que militantes de extrema-esquerda “anti-imperialistas” marcharam ao lado de islamistas radicais. A sua utilização generalizou-se posteriormente por ocasião do debate sobre o uso do véu em 2003 (&lt;a href=&quot;https://www.toupie.org/Dictionnaire/Islamo-gauchisme.htm&quot;&gt;fonte&lt;/a&gt;).&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=vta4rkZaA20&quot;&gt;Segundo Pierre-André Taguieff&lt;/a&gt;, o fenómeno nasceu, de facto, no Reino Unido, durante os anos 80. Foi o trotskista Chris Harman que, no seu livro The Prophet and the Proletarian (1994), apelou directamente a uma união entre a extrema-esquerda e os militantes islamistas. Mas este conhecido pensador da extrema-esquerda, um dos dirigentes do Socialist Workers Party (SWP), começara já, em reuniões e conferências, a defender essa união nos anos 80. O seu raciocínio era simples: como o proletariado branco tinha abandonado o voto nos partidos marxistas, era necessário aliar-se aos islamistas para lutar contra o imperialismo ocidental, recorda-nos Pierre-André Taguieff. Mas será que tudo começou no Reino Unido ou em França? Se Pierre-André Taguieff considera que o fenómeno nasceu no Reino Unido (e rapidamente passou para França), na minha óptica, poderíamos recuar até ao final dos anos 70, aos cafés parisienses frequentados pela intelligentsia esquerdista francesa. Assim, enquanto os membros do Partido Comunista Iraniano (Tudeh) eram massacrados pelas milícias dos mollahs, que tinham utilizado os militantes comunistas para depor o Xá do Irão, os intelectuais da extrema-esquerda francesa, tais como Jean-Paul Sartre ou Michel Foucault, apoiavam abertamente a Revolução Islâmica, vendo no regime islâmico &lt;a href=&quot;https://www.marianne.net/agora/tribunes-libres/il-y-a-pres-dun-demi-siecle-la-gauche-avait-deja-eu-un-coup-de-coeur-pour-les-ayatollahs&quot;&gt;uma possível força de combate ao imperialismo ocidental&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Uma figura política encarna hoje, na Europa, o islamo-esquerdismo: Jean-Luc Mélenchon. Uma espécie de novo “Grande timoneiro do proletariado” do século XXI, Jean-Luc Mélenchon é, de longe, o mais conhecido islamo-esquerdista da Europa e, diria mesmo, o mais perigoso, pelos seus dotes de tribuno e pela influência que conseguiu alcançar nos bairros sociais franceses… Como é que um homem como Jean-Luc Mélenchon, um laico extremista (laïcard, em francês), que criticava o véu islâmico num programa de 2010 e que afirmava, no mesmo programa, que a burca era um “&lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=Z_tI92yr5FM&quot;&gt;ataque de certos integristas contra a República&lt;/a&gt;”, acabou por se tornar uma das caras do islamo-esquerdismo? Jean-Luc Mélenchon manteve alguma proximidade com a esquerda islamófila desde, pelo menos, os anos 2000. Contudo, nessa altura, os militantes próximos dos islamistas eram ainda insignificantes na esquerda francesa e ele continuava a defender a velha visão laica e republicana. A partir de 2017, porém, o discurso de Jean-Luc Mélenchon começa a mudar. Expressões como “violências policiais”, “islamofobia” (conceito que rejeitava poucos anos antes), “polícia do vestuário” (expressão utilizada para criticar os polícias que multavam mulheres por usarem o hijab ou a burca), “França crioula” ou “Nova França” (a famosa Nouvelle France de Mélenchon, uma França não-branca, cuja cultura cristã e greco-romana terá praticamente desaparecido) começam a surgir no seu discurso. Segundo o jornalista Antoine Oberdorff, foi a derrota nas eleições de 2017 que levou o partido La France insoumise (LFI) a mudar de estratégia:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O diagnóstico remonta a 2017. Na altura, Eric Coquerel, recém-eleito pelo círculo eleitoral de Seine-Saint-Denis, chega a uma convicção: “As 600 mil vozes que nos faltam encontram-se, antes de mais, nos bairros populares.” É aí que é preciso ir buscar “o grosso das tropas” por ocasião destas eleições europeias, falando “de forma clara, dura e contundente” sobre Gaza. Pouco importa que os pequenos-burgueses de esquerda se indignem com os discursos de Jean-Luc Mélenchon marcados por conotações antissemitas: são “gente que se esquece facilmente”. (&lt;a href=&quot;https://www.lopinion.fr/politique/jean-luc-melenchon-et-les-quartiers-populaires-histoire-secrete-dune-conversion&quot;&gt;Antoine Oberdorff, L’Opinion&lt;/a&gt;).&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A facção marxista laica, representada por deputados como Alexis Corbière e pelo muito popular Jean-Christophe Ruffin, foi sendo pouco a pouco “expulsa” do partido ou, perante a pressão, acabou por sair. Além de pessoas ligadas à Irmandade Muçulmana ou a outros grupos islamistas, o partido La France insoumise (LFI) viu aderirem às suas fileiras, entre 2017 e 2019, inúmeras pessoas próximas das teses dos chamados “decoloniais” (em francês, décolonialistes). Ora, de facto, a ideologia — se é que podemos chamar “ideologia” a tal coisa — islamo-esquerdista não se resume apenas à união entre a esquerda e o Islão. A partir dos anos 2010, vieram juntar-se-lhe os movimentos decoloniais, bem como os movimentos ligados às questões sexuais, ao feminismo radical e à militância transexual, dando origem àquilo a que se chama &lt;a href=&quot;https://www.lepoint.fr/societe/quand-le-feminisme-intersectionnel-flirte-avec-l-islamisme-12-08-2025-2596245_23.php&quot;&gt;interseccionalidade das lutas&lt;/a&gt;. Pierre-André Taguieff, que também escreveu sobre este assunto, recorda-nos que a visão do movimento descolonial é simples: o Ocidente teria criado o mundo moderno através da opressão dos povos do Terceiro Mundo, que a sua riqueza seria fruto da pilhagem sistemática dos outros continentes, e que o “universalismo ocidental” seria apenas uma “arma dos ocidentais”&lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=1oAwYH9QdkA&quot;&gt; para continuar a opressão&lt;/a&gt;. Assim, o intelectual afirma que conceitos como “branquitude” (blanchité, em francês, ou whiteness, em inglês) são conceitos pseudocientíficos cujo intuito é impor uma “culpabilidade colectiva”&lt;a href=&quot;https://www.lefigaro.fr/vox/politique/taguieff-le-decolonialisme-est-la-maladie-senile-de-la-gauche-intellectuelle-contemporaine-20201110&quot;&gt; a todos os brancos&lt;/a&gt;. Uma impostura intelectual que, segundo o intelectual francês, contaminou não só o partido LFI, mas também uma parte da esquerda francesa e, mais recentemente, da &lt;a href=&quot;https://www.lefigaro.fr/vox/politique/taguieff-le-decolonialisme-est-la-maladie-senile-de-la-gauche-intellectuelle-contemporaine-20201110&quot;&gt;esquerda ocidental mais radical&lt;/a&gt;. O objectivo dos descoloniais? Nas palavras de um dos quadros do partido LFI, Yazid Arifi, o objectivo é claro: trata-se, e cito, de “contribuir de maneira decisiva para a queda da cidadela ocidental”, bem como de “desocidentalizar a França” (dé-occidentaliser,&lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/shorts/Ug8nTlp04Rw?cbrd=1&quot;&gt; no original&lt;/a&gt;). Descolonizar a França e, no final, descolonizar o Ocidente. Por outras palavras, a “desocidentalização” do Ocidente é, nesta perspectiva, um eufemismo para a destruição da nossa Civilização.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O caso francês e o britânico podem ser os mais conhecidos, mas, se pensam que o fenómeno é residual noutros países ocidentais, estão enganados. Não é. Vários partidos de extrema-esquerda, de esquerda radical e, infelizmente, de centro-esquerda, na Europa Ocidental e nos EUA, estão infestados pelo cancro islamo-esquerdista — em certos partidos, trata-se apenas de facções minoritárias; noutros, como no caso de La France Insoumise ou do Green Party, o fenómeno abrange o partido na sua totalidade. Já falei várias vezes do caso do partido LFI em textos publicados no Observador. No Reino Unido, o Green Party é um claro exemplo de islamo-esquerdismo, e o seu líder, Zack Polanski, é uma espécie de novo Jean-Luc Mélenchon, em versão britânica. A mesma fixação pela causa palestiniana e &lt;a href=&quot;https://www.express.co.uk/news/politics/2254747/jewish-green-party-islamo-leftist-takeover-zionism-racism&quot;&gt;pelo anti-sionismo&lt;/a&gt;. Candidatos muçulmanos, oriundos do Paquistão ou da Índia, que mal falam inglês e que fazem campanha, por exemplo, em bengali, sem que os quadros do partido pareçam ter&lt;a href=&quot;https://www.gbnews.com/politics/local-elections-green-party-foreign-language-newham&quot;&gt; algo a dizer sobre o assunto&lt;/a&gt;. Militantes decoloniais que destilam o seu ódio &lt;a href=&quot;https://www.ft.com/content/b76da86e-2087-48de-bab7-7344457af340?syn-25a6b1a6=1&quot;&gt;ao Ocidente e aos valores ocidentais&lt;/a&gt;. Islamistas infiltrados que tentam impor agendas islamistas nas escolas, em torno do halal, do&lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=hQkwYP9XjoI&quot;&gt; hijab e da burca&lt;/a&gt;, ao ponto de um antigo deputado muçulmano, membro do Green Party, Shahrar Ali, ter afirmado que abandonou o partido por este estar “infiltrado por islamistas e ter-se tornado um perigo para a sociedade”, uma vez que, segundo ele, proliferam no seu seio discursos islamistas, &lt;a href=&quot;https://freespeechunion.org/news/the-green-party-has-been-infiltrated-by-islamists-and-is-a-danger-to-s&quot;&gt;anti-semitas e anti-ocidentais&lt;/a&gt;. E o mesmo acontece em Espanha, onde, na extrema-esquerda, encontramos um quadro do partido PODEMOS a afirmar que o reino cristão de Espanha cometeu um genocídio na sequência da “invasão” (!!) dos territórios de Al-Andalus pelos cavaleiros europeus. Afirma também que a Espanha sob domínio muçulmano era um território tolerante e multicultural — uma visão que vários intelectuais, como Serafim Fanjul, têm contestado, lembrando que as minorias não muçulmanas eram constituídas por dhimmis, isto é, pessoas com um estatuto jurídico inferior, sem falar dos constantes massacres cometidos contra cristãos e judeus —, ao contrário da Espanha cristã, que &lt;a href=&quot;https://www.elmundo.es/espana/2021/02/03/601aeeb121efa05c658b457f.html&quot;&gt;teria sido intolerante&lt;/a&gt;. E poderia apresentar-vos exemplos semelhantes na Bélgica, na Suécia, na Itália, nos Países Baixos ou na Alemanha. Neste último caso, a líder do partido de extrema-esquerda Die Linke na cidade de Berlim, Elif Eralp, de origem turca, terá admitido, em notas internas, ter medo de alguns dos seus próprios militantes islamistas, em particular de um deles, Ibrahim Ibrahim, alegadamente próximo de um grupo terrorista &lt;a href=&quot;https://www.cnews.fr/monde/2026-10-30/allemagne-la-responsable-berlinoise-du-parti-de-gauche-radicale-die-linke-confie&quot;&gt;proibido pela União Europeia&lt;/a&gt;. Chegámos ao ponto em que quadros muçulmanos de partidos da extrema-esquerda europeia têm medo de certos militantes islamistas. Que é que pode correr mal?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Mesmo nos EUA existe um fenómeno semelhante, embora não se compare ao que encontramos em certos partidos políticos da Europa Ocidental. Vários históricos do Partido Democrata afirmam estar preocupados com certos militantes e candidatos, apoiados por influenciadores muçulmanos, que veiculam posições anti-americanas e anti-ocidentais, bem como discursos hostis aos brancos, aos judeus e a Israel. Alguns destes candidatos e militantes chegam mesmo a manifestar claras simpatias por grupos islamistas como o &lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=0FqYTUQEuis&quot;&gt;Hezbollah ou o Hamas&lt;/a&gt;. Antigos conselheiros como Jamie Metzl (&lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=0FqYTUQEuis&quot;&gt;conselheiro de Bill Clinton&lt;/a&gt;), Philippe Reines (&lt;a href=&quot;https://wlos.com/news/nation-world/democratic-party-being-held-hostage-by-far-left-former-hillary-clinton-advisor-says-philippe-reines-a-former-advisor-to-ex-secretary-of-state-hillary-clinton-donald-trump-election&quot;&gt;conselheiro de Hillary Clinton&lt;/a&gt; quando esta era secretária de Estado), Mark Penn (&lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=WM19qhHU8QE&quot;&gt;antigo conselheiro de Bill Clinton&lt;/a&gt;), ou o histórico democrata &lt;a href=&quot;https://katv.com/news/nation-world/hasan-piker-james-carville-will-leave-democratic-party-major-force-rick-scott-gop-democratic-socialists-of-america-communism&quot;&gt;James Carville&lt;/a&gt;, afirmam, todos eles, que a extrema-esquerda, aliada a militantes islamistas, está a tentar reproduzir nos Estados Unidos (no Partido Democrata) aquilo que os militantes islamo-esquerdistas fizeram aos partidos da esquerda radical e da extrema-esquerda na Europa Ocidental.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Assim sendo, um pouco por todo o Ocidente, partidos de esquerda, quer sejam de centro-esquerda, de esquerda radical ou de extrema-esquerda, deixaram-se infiltrar por todo o tipo de forças hostis à Civilização Ocidental. Uns, por estratégia eleitoral das respectivas lideranças; outros, por distracção dos quadros históricos dos partidos. A menos que tudo isto se explique simplesmente pelo ADN da extrema-esquerda. Como dizia o filósofo Michel Onfray, para a extrema-esquerda e a esquerda radical, tudo o que é anti-ocidental é bom, chegando mesmo a afirmar que os “&lt;a href=&quot;https://www.cnews.fr/france/2026-06-20/les-electeurs-de-gauche-sont-capables-du-pire-pourvu-que-ce-soit-un-pire-de&quot;&gt;eleitores da esquerda são capazes do pior, desde que seja um pior de esquerda&lt;/a&gt;”. Outro facto preocupante: quanto mais aumenta a população de origem extra-europeia na Europa e nos EUA, maior é a preponderância dos partidos islamo-esquerdistas nas políticas nacionais. E, com isso, militantes de origem extra-europeia destes partidos conseguem pressionar as respectivas lideranças a aceitar candidatos também de origem extra-europeia, que acabam por conquistar lugares nos parlamentos e nos senados.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A pergunta que nos devemos fazer é a seguinte: com o aumento da imigração extra-europeia e as taxas de natalidade mais elevadas de certas populações, haverá o risco de, daqui a 10 ou 20 anos, partidos como o LFI chegarem ao poder em grandes nações ocidentais? É uma possibilidade, sim, assustadora, mas real. Resta-nos, assim, responder a uma outra pergunta: se chegarem ao poder, irão respeitar a democracia, o laicismo e a liberdade de expressão — em suma, os valores ocidentais que tantos militantes desses partidos desprezam? Irão salvaguardar os valores civilizacionais do Ocidente — os mesmos valores (a razão grega, o primado da ciência na explicação do mundo, a liberdade individual, a propriedade privada, a igualdade entre homens e mulheres, a igualdade perante a lei, o capitalismo, o debate intelectual) que fizeram a grandeza da nossa Civilização e que, através das nossas invenções, da nossa tecnologia e das nossas ideias políticas, tornaram a vida de milhares de milhões de pessoas, em todo o Planeta, muito melhor do que era nos milénios passados? Penso que todos sabemos, no fundo, a resposta.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/o-islamo-esquerdismo-ou-morte-da.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgLZo4RkGPwK2cXNmjIFTKz4kpKHLYv_64gaw2h1ijzabOcA2IKHeu_NZJcDh8HOUxlUP3Espb4Iux3iCQqPPvpTPtSDBRI4Z8_Wrdme2d0upORMrn87oMk663P0um7LKCnzK5uvkOijifbbaehCaXQW9CeacPDVO4EFWjSPW434A5KSKLMNB2Q/s72-w200-h200-c/jeremy-silvares-jeronimo.webp" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-849670634228524888</guid><pubDate>Thu, 05 Nov 2026 19:42:30 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-05T16:42:30.568-03:00</atom:updated><title>Em busca da capacidade estatal perdida</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgh1vf4ddzEW19WzeWGVn3CgtIlNaqmn49ecNanconWAlMMtDFe3HcuAk4YHs0bzU2NZvgwBWCITJm9U5tSM7mZxuR_D0rMFFA46R-iThHvxb_fNP9lhkMKV6XZe1ZWbDvMjgyYR0Oe3jmVuetLgVGVSKCFdYrqGbqzkV6FegWDM3i9b1VYFcvB/s1536/AVE_S-112._Viaducto_de_Contreras_17309852425-1536x1020.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1020&quot; data-original-width=&quot;1536&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgh1vf4ddzEW19WzeWGVn3CgtIlNaqmn49ecNanconWAlMMtDFe3HcuAk4YHs0bzU2NZvgwBWCITJm9U5tSM7mZxuR_D0rMFFA46R-iThHvxb_fNP9lhkMKV6XZe1ZWbDvMjgyYR0Oe3jmVuetLgVGVSKCFdYrqGbqzkV6FegWDM3i9b1VYFcvB/s1600/AVE_S-112._Viaducto_de_Contreras_17309852425-1536x1020.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Cuando el sector público se llena de ideólogos o incompetentes, la gestión eficaz de los asuntos públicos se ve irremediablemente afectada. Manuel Arias Maldonado para &lt;a href=&quot;https://letraslibres.com/politica/casa-rorty-lxxv-en-busca-de-la-capacidad-estatal-perdida/05/11/2026/&quot;&gt;Letras Libres:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Cuando un tren de alta velocidad chocó a una velocidad aproximada de 200 kilómetros por hora con otro que se encontraba detenido en las inmediaciones de Urda, provincia de Toledo, el estrépito del impacto fue seguido de inmediato según los testigos por un silencio denso y espeluznante. Y ese mismo silencio, decenas de muertos después, ha caído sobre la campaña festiva que habían puesto en marcha los socialistas españoles con la expectativa de remontar unos sondeos desfavorables y gobernar de nuevo con la ayuda de la izquierda radical y los nacionalismos periféricos. Las camisetas que proclamaban “la fuerza del amor” y los bailes del “Perro” Sánchez han quedado fuera de juego; al otro lado, el Partido Popular ha decidido rebajar el tono y prescindir de influencers y demás efectos especiales: Feijóo quiere subrayar la “gestión” y promete que España, como decía el famoso lema de Felipe González que se ha traído a colación durante estos tristes días, volverá a funcionar. Porque es evidente que un país donde más de cien personas pierden la vida sobre las vías de la alta velocidad en apenas nueve meses es un país que ha dejado de funcionar.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Tal como ha señalado el sociólogo Luis Miller, la conmoción que sigue a las desgracias no ayuda a mantener un debate sereno sobre las causas de esas mismas desgracias. Pero no es menos cierto que casi nunca tenemos debates serenos, sean cuales sean las circunstancias, pues vivimos en una campaña electoral permanente y poco incentivo tiene para participar de manera honesta en ellos quien solo está pendiente de su reelección. Más cabría esperar del mundo académico e intelectual, si no fuera porque la España de los últimos años ha demostrado que también académicos e intelectuales son susceptibles de corrupción epistémica: nadie está libre de sesgos y los sesgos partidistas han demostrado ser muy fuertes. Tal vez haya que irse a la literatura académica global para encontrar algo de respiro; solo allí donde no se ponen en juego las simpatías ideológicas y partidistas nacionales –o lo hacen con menos intensidad– encontraremos aportaciones valiosas sobre el tema que aquí nos ocupa: la relación entre gobierno democrático y capacidad estatal, que puede definirse sencillamente como la capacidad de un gobierno para aplicar políticas públicas de manera eficaz y servir con ello a las necesidades de su sociedad. Pueden hacerse muchas preguntas al respecto: ¿son las democracias más eficaces que las autocracias? Y si lo son o pueden llegar a serlo, ¿a qué se debe? ¿Y cómo se explican las diferencias entre democracias? O también: ¿qué tiene que hacer una democracia para adquirir o reforzar su capacidad estatal?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Una democracia incapaz es una democracia frágil&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Vaya por delante que no se trata de un mero debate teórico sin impacto sobre la realidad social, sino todo lo contrario: la legitimación de las democracias se asienta, en mucha mayor medida de lo que estamos dispuestos a reconocer, en su capacidad para suministrar bienes públicos y facilitar la creación de prosperidad material. Porque si la democracia solo persiguiese el autogobierno, entendido como la participación colectiva directa en la toma de decisiones, bien podríamos organizar un sistema de referéndums que dejase en manos de los ciudadanos la elección de las políticas públicas correspondientes. Ya advertía Giovanni Sartori que cualquier sistema decisorio que exigiera de los ciudadanos una respuesta específica a preguntas concretas sobre lo que haya de hacer el poder público se enfrenta al problema insoslayable que plantea la ignorancia popular: la gente no sabe, aunque crea saber. Y justamente porque la mayoría de la gente sabe poco de casi nada elegimos a representantes que deciden por nosotros –aunque lo hagan influidos para bien o para mal por la opinión pública– en lugar de dejar que nosotros mismos decidamos sobre la composición del sistema energético, el diseño de la política fiscal o la cuantía de la indemnización por despido improcedente.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Pero si no lo hacemos es también porque hemos llegado a averiguar –nos lo ha enseñado la historia– que una democracia incapaz es una democracia frágil que se pone en riesgo a sí misma. Cuando la insatisfacción ciudadana ante el fracaso reiterado del Estado alcanza un cierto nivel, las alternativas a la democracia ganan atractivo: si hay que elegir entre seguridad y libertad, como nos enseñó Thomas Hobbes hace siglos, la seguridad tiene las de ganar. Y por “seguridad” no hay que entender aquí el mantenimiento del orden público, pese a que su ausencia es mortal de necesidad para cualquier democracia, sino algo más amplio que incluye el acceso de los ciudadanos a bienes y servicios básicos y la posibilidad razonable de labrarse una vida autónoma. De aquí no se sigue que las democracias estén condenadas a desaparecer cuando su economía se hunde o la desigualdad alcanza cotas muy elevadas; incluso en Latinoamérica se mantienen en pie, aun sin ser democracias ejemplares, a pesar de que la agenda modernizadora está allí lejos de realizarse. Pero tampoco es necesario recordar que la Gran Recesión ha tenido importantes consecuencias políticas; a los shocks del Brexit y la primera victoria electoral de Donald Trump siguió la emergencia de populismos de izquierda primero y de derecha después, así como la reactivación de no pocos nacionalismos y el nuevo auge de los extremismos ideológicos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Últimamente, sin embargo, se habla sobre todo de una “crisis de asequibilidad” que coloca en primer plano las dificultades de las clases medias y trabajadoras de las sociedades occidentales –de unas más que de otras– para acceder a la vivienda o pagar la cesta de la compra, cosa que sucede bajo la mirada de unos Estados fuertemente endeudados tras la fiesta de la quantitative easing durante los años de la crisis y la pandemia; unos Estados cada vez más condicionados –aunque unos más que otros– por el coste creciente de las pensiones públicas. En este contexto es donde hay que situar las declaraciones que hizo unas semanas atrás Zohran Mamdani, flamante alcalde de Nueva York, al diario El País: “La democracia no sirve si la gente no puede cubrir sus necesidades”. Aunque hubo quien juzgó que Mamdani decía que podría ser conveniente sustituir la democracia por un régimen alternativo que se demostrase capaz de cubrir esas necesidades, Mamdani solo estaba señalando una obviedad y defendiendo de paso las políticas de corte socialdemócrata que propone la facción socialista del Partido Demócrata de la que él mismo forma parte. Se trata de evitar que el ciudadano se pregunte para qué sirve la democracia si a él mismo no parece servirle de nada.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Democracia: principios y resultados&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Así lo confirma, a grandes rasgos, la literatura académica sobre la materia. No obstante, en ella se subraya que el vínculo causal entre la institucionalidad democrática y la capacidad estatal no es lineal: aunque el análisis histórico muestra que las instituciones democráticas producen efectos positivos sobre la capacidad estatal, sobre todo por el papel que juega una contestación política que presiona a los gobiernos en la dirección de una gestión eficaz de los asuntos públicos, la democracia funciona mejor si la capacidad estatal es elevada. O sea: quien se democratiza sin disponer de una adecuada infraestructura institucional puede terminar desplegando controles administrativos débiles y sufriendo en consecuencia un fuerte déficit de capacidad estatal. De la misma manera, el riesgo de involución democrática es menor allí donde mayor es la calidad de la burocracia: donde conviven una administración imparcial, un reclutamiento meritocrático y el imperio de la ley. No es casualidad tampoco que la existencia de un servicio civil autónomo ayude a frenar las tendencias iliberales que despliegan los populistas cuando llegan al poder; si la administración pública se corrompe por razones ideológicas o es capturada por el partido que gobierna, en cambio, se debilitarán por igual la democracia liberal y la capacidad estatal.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Sin embargo, llegar hasta esta premisa general –la democracia tiene que legitimarse por medio de sus resultados y no solamente de sus principios– apenas nos coloca en la casilla de salida. Queda lo más difícil: elucidar cómo ha de hacerse tal cosa. ¿Cómo se toman las decisiones y qué decisiones se toman? Al fin y al cabo, el populista sostiene que la disfuncionalidad estatal –allí donde se la encuentra– es una consecuencia de la falta de verdadera democracia; por eso pide que la democracia liberal sea sustituida por un modelo plebiscitario que pone en manos del líder populista el poder de determinar lo que deba o no hacerse y elimina o debilita los mecanismos de control del poder característicos del Estado de Derecho y del constitucionalismo liberal. También es característico del populista defender la nacionalización de los servicios públicos como remedio a todos los males: en la España de ahora mismo, de hecho, ha llegado a exigirse la nacionalización de empresas que ya son públicas. Ese mismo populismo dice a los ciudadanos que la vivienda es un “derecho” constitucional”, cuando se trata más bien de un “principio rector” de la política social: uno que se realizará solo si se aplican las políticas públicas adecuadas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;¿Y qué factores influyen sobre la capacidad estatal en las sociedades democráticas? Los académicos recomiendan atender a la manera en que se relacionan entre sí los incentivos electorales, la administración pública, la estructura informativa y la herencia institucional. Es natural: las elecciones competitivas suelen conducir a promesas de gasto destinadas a producir rendimientos electorales a corto plazo al margen de cualquier disciplina fiscal, como puede comprobar quien se asome al debate sobre las pensiones en España o Francia. Por otro lado, la autonomía de los funcionarios no solo sirve como freno a las tendencias iliberales, como se ha dicho más arriba, sino que también previene la erosión de la capacidad estatal; cuando la administración es colonizada por los partidos e infiltrada por un personal poco cualificado, su rendimiento está llamado a disminuir. Cuanto más personalistas son los partidos, de otra parte, más tienden a politizar la administración pública. Ni que decir tiene que el partido-cártel –que Richard Katz y Peter Mair describen como aquel que se dedica a distribuir los recursos del Estado entre los suyos– propicia la cartelización de la política: llegar al gobierno da acceso a un botín que saquear con el boletín oficial en la mano.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Los falsos cimientos de nuestro Estado&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;No hace falta añadir que la historia cuenta: las comunidades políticas que cuentan con una sólida herencia burocrática suelen funcionar mejor que las obligadas a dotarse de capacidad estatal ex novo en el curso de su proceso de democratización. En el caso español, como ha demostrado Rafael Jiménez-Asensio, el Estado liberal se asienta sobre “falsos cimientos”: muchos de los vicios que aquejan hoy a nuestras instituciones estatales, desde la politización de las administraciones a la falta de imparcialidad en la gestión pública, vienen de antiguo. Pero hay algo más: cuando la capacidad estatal es elevada, la confianza social aumenta y –a la manera de un círculo virtuoso– eso facilita el desempeño de las instituciones estatales y la sociedad civil. Y al revés: si la capacidad estatal es pobre, la confianza social brilla por su ausencia y eso dificulta cualquier intento por mejorar el funcionamiento de las instituciones democráticas. Por lo demás, es bien sabido que la confianza social es mayor en las democracias más avanzadas, casi todas ellas radicadas en sociedades protestantes: qué le vamos a hacer. Irónicamente, una confianza institucional excesiva puede ir en detrimento de la capacidad estatal; la democracia liberal necesita de un público escéptico que acostumbre a monitorizar a quienes ejercen el poder sin a su vez caer –digamos– en el nihilismo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Hay que considerar asimismo el papel que la cultura política juega en el rendimiento de las instituciones democráticas. Aunque nos hemos acostumbrado a escuchar que la importación de buenas instituciones y buenas normas debería bastar para generar buenos resultados, la realidad es que la cultura política de la sociedad que incorpora esas instituciones y normas condiciona su recepción. Por supuesto, cultura e instituciones se relacionan entre sí de manera compleja, ya que ambas coevolucionan de manera dinámica; establecer una disyuntiva entre cultura o instituciones tiene poco sentido. Pero si bien la cultura –entendida como el conjunto de creencias y hábitos compartidos que predominan en una sociedad– no es una “genética”, se ha demostrado resistente al cambio y eso ayuda a explicar el caso español, aunque no solamente el caso español, o sea el caso de un país donde las normas e instituciones liberal-democráticas no han terminado de ser asimiladas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;¿De qué otro modo puede si no explicarse la deriva iliberal experimentada durante los gobiernos sucesivos del socialista Pedro Sánchez? En Bélgica, que no es precisamente una democracia ejemplar, el primer ministro acaba de presentar su dimisión por ser incapaz de sacar adelante los presupuestos; en España, el Gobierno ha pasado tres años y medio en el poder sin presentar los suyos al parlamento: qué puede explicar la diferencia sino la cultura política, tratándose como se trata en casi todas partes de una norma no escrita cuyo incumplimiento no lleva aparejada sanción alguna… porque se considera inconcebible en todas partes que un primer ministro se niegue a presentar las cuentas públicas. Pero los ejemplos son incontables, casi tediosos a estas alturas; se han colonizado innumerables instituciones, se han distribuido los fondos europeos con arreglo a la mayor opacidad y a nadie sorprendería saber que la mayoría de las licitaciones públicas y un buen número de procesos de contratación de personal –sobre todo los que dan acceso a puestos en empresas públicas– están adulterados.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Y es que de nada sirve adoptar buenos procedimientos si nadie cree en ellos; si su aplicación se ve condicionada por la persistencia de una mentalidad colectiva que concibe la norma jurídica como un valor negociable y la imparcialidad como un obstáculo a sortear. Hay que leer a sociólogos e historiadores: también el nepotismo tiene sus incentivos y pueden ser más fuertes que los contenidos en el mejor de los diseños institucionales. Para colmo, no hay mayor incentivo que la conquista del poder y el reparto de sus recursos; bien lo hemos visto en España durante estos años de complicidad periodística y académica con la praxis iliberal del gobierno: nada que no hubiéramos visto ya antes, por cierto, en la Cataluña del procés. Por desgracia, con ello se han intensificado los vicios tradicionales de nuestro sistema político y burocrático, caracterizado por la ausencia de rendición de cuentas. Escribe Jiménez Asensio: “La pulsión clientelar ha devorado las instituciones. No es un problema de unas siglas, es de todas”. De manera que es fácil desanimarse: la agenda regeneracionista que pareció emerger con el movimiento 15M condujo, andando el tiempo, a los gobiernos iliberales de Pedro Sánchez. ¡Menudo arco narrativo!&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Terminemos, no obstante, con una aclaración: incrementar la capacidad estatal nada tiene que ver con la tecnocracia. Porque una cosa es subrayar el papel decisivo de los funcionarios independientes y los procedimientos informales a la hora de hacer posible el funcionamiento de la administración pública y otra muy distinta negar el contenido político de las decisiones colectivas. Por supuesto que las políticas no se deducen de los datos; igual de malo será, con todo, creer que las políticas pueden diseñarse al margen de los datos. ¿O es que se puede diseñar un sistema público de pensiones, digamos, sin tener en cuenta cómo se puede financiar? El conocimiento empírico de la realidad permite que la política no opere a ciegas y garantiza que las decisiones colectivas serán aplicadas –siempre que no sean disparatadas– de manera eficaz y rigurosa. En otras palabras: la democracia fija los fines colectivos y la burocracia permite arbitrar los medios que facilitan su realización. Por eso conviene separar a la política de la administración, en lugar de confundirlas como hacemos los españoles: cuando el sector público se llena de ideólogos o incompetentes, si es que no son lo mismo, la gestión eficaz de los asuntos públicos se ve irremediablemente afectada. Y a la vista está.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana; font-size: x-small;&quot;&gt;Manuel Arias Maldonado (Málaga, 1974) es catedrático de ciencia política en la Universidad de Málaga. Su libro más reciente es &#39;La pulsión nacionalista&#39; (enDebate, 2025).&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana; font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/em-busca-da-capacidade-estatal-perdida.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgh1vf4ddzEW19WzeWGVn3CgtIlNaqmn49ecNanconWAlMMtDFe3HcuAk4YHs0bzU2NZvgwBWCITJm9U5tSM7mZxuR_D0rMFFA46R-iThHvxb_fNP9lhkMKV6XZe1ZWbDvMjgyYR0Oe3jmVuetLgVGVSKCFdYrqGbqzkV6FegWDM3i9b1VYFcvB/s72-c/AVE_S-112._Viaducto_de_Contreras_17309852425-1536x1020.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-4390354405431706511</guid><pubDate>Thu, 05 Nov 2026 19:17:50 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-05T16:17:50.134-03:00</atom:updated><title>Janja: “Vocês vão ter que me engolir”</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiAOfEwfEEuXBe6-qc1WpothAREKyLZ2ikY0nSKOUwRPoiohwe7UseLVjOvRjzGOxm677GTvq5oJPTcbdjh7nO5PELcjflImKscx4NJSCG1KJX0ceeOnNidIFQRlW9jDT_PMo5E6axugkMfxMsIyw8A358upFfR-dMq9F_XaNyO8CLAPQRZkLiJ/s720/diario-da-janja-13-720x720.jpg.webp&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;720&quot; data-original-width=&quot;720&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiAOfEwfEEuXBe6-qc1WpothAREKyLZ2ikY0nSKOUwRPoiohwe7UseLVjOvRjzGOxm677GTvq5oJPTcbdjh7nO5PELcjflImKscx4NJSCG1KJX0ceeOnNidIFQRlW9jDT_PMo5E6axugkMfxMsIyw8A358upFfR-dMq9F_XaNyO8CLAPQRZkLiJ/s1600/diario-da-janja-13-720x720.jpg.webp&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A crônica de Paulo Polzonoff para &lt;a href=&quot;https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/diario-da-janja-13/&quot;&gt;Gazeta do Povo:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Caro diário, será que é cedo demais pra tripudiar da extrema-direita? Claro que não! Como a gente dizia lá em União da Vitória, ganhemo! Nem acredito que tudo deu certo. Que tudo funcionou como o previsto. Aliás, melhor do que o previsto pelos institutos de pesquisa. Mas ganhemo e agora o Zé Povinho sudestino, branco, capitalista e opressor vai ter que me engolir. Por mais quatro anos. No mínimo! Vai ter primeira-dama bebendo Dom Pérignon num AeroLula novinho em folha, sim! Vai ter primeira-dama dormindo na suíte presidencial do Ritz, sim! Vai ter primeira-dama na Chanel, na Dior e na Hermès, sim! Vai ter primeira-dama se envolvendo em políticas públicas mesmo sem ter mandato, sim! Beijinho no ombro pro recalque passar longe.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Só estou com medo de o Meu Marido me trocar pelo &lt;a href=&quot;https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/exercito-do-janones-2/&quot;&gt;Janones&lt;/a&gt;. O que é um pouco de preconceito de minha parte, reconheço e peço desculpas à militância LGTV. É que ainda estou em processo de desconstrução, mas sei que o amor não tem limites. Etc. Além do mais, vamos combinar que Meu Marido e Janones foram feitos um para o outro. Meu Marido e o voto eletrônico também. Meu Marido e o Zanin! Diário, nem te conto. Quando o Cris deu aquelas duas horas a mais na apuração, precisa ver. Meu coração quase saiu pela boca. Quase tive um piripaque. Mas isso é bom. É para eu aprender a nunca desconfiar dos amigos que a gente botou no STF.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Cansada de festejar&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;E depois, aff, só melhora. Depois teve o Inominavelzinho fugindo do Brasil. Olha, se me perguntarem eu nego de pés juntos, mas em você, Diário, sei que posso confiar: fiquei com dó. O cara realmente acreditou. Hahahahahahahaa. Acreditou. Hahahaahahaha. Na democracia. Hahahahaha. Acreditou que podia ganhar do Meu Marido. Hahahahaha. Depois de tudo o que a gente fez, faz e continuará fazendo. Essa extrema-direita é muito ingênua mesmo. Mas, cá entre nós, me deu pena porque por um instante cheguei a pensar que a fugitiva poderia ser eu. Se bem que uns meses de exílio em Cuba talvez fizessem bem para minha pele. Estou precisando perder uns quilinhos. Será que o Macron iria me visitar?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Ai, ai. Tô cansada de festejar. Não tiro o sorriso do rosto. Só de imaginar a cara do Filipe Martins e que aquela cabeleireira golpista vai continuar sem poder ir à igreja e que o Jair vai continuar preso – e soluçando. Ah, só de ver a cara da extrema-direita &lt;a href=&quot;https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/lamento/&quot;&gt;se lamuriando&lt;/a&gt;. Se for chorar manda áudio, Polzo! Ah, é bom demais. É bom demais estar do lado certo da história! E agora, Diário, tem mais esta: eles estão com medo de a gente pôr em prática tudo o que o Meu Marido vem falando há vinte anos. Estão com medo de o Brasil virar uma Venezuela. E é pra ter mesmo. No que depender de mim, aliás, já virou. É melhor a petite bourgeoisie (gostou? aprendi com o Macron) começar a engordar seus goldens e lulus-da-pomerânia. Vai ser divertido. Mas agora tenho que ir porque o Janones chegou e é melhor ficar por perto do Meu Marido. Sacumé.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/janja-voces-vao-ter-que-me-engolir.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiAOfEwfEEuXBe6-qc1WpothAREKyLZ2ikY0nSKOUwRPoiohwe7UseLVjOvRjzGOxm677GTvq5oJPTcbdjh7nO5PELcjflImKscx4NJSCG1KJX0ceeOnNidIFQRlW9jDT_PMo5E6axugkMfxMsIyw8A358upFfR-dMq9F_XaNyO8CLAPQRZkLiJ/s72-c/diario-da-janja-13-720x720.jpg.webp" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-9028068024535407979</guid><pubDate>Thu, 05 Nov 2026 19:08:32 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-05T16:08:32.594-03:00</atom:updated><title>Em entrevista ao NYT, Flávio mantém segredo sobre sua saída do país</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiLc9esvJgxY2_jcOELBOGoHAdqm5sglrmGjGqRUrOzaVQ69-lSx8vKMr_zUVPUDJGwdar39Z29L_OLpFHKYdvQ20IyWl0H-D3lUAlNdwMBKd5x1zymnMvCVVlr1o0xz2X-KRobyscXXZ5kkkJe65ciNSAa3IV8QgyFvz-7KPPJfUAPh3WEtPb2/s1200/LL26WMODMJD7PPFGKLN4VIOYWE.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;800&quot; data-original-width=&quot;1200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiLc9esvJgxY2_jcOELBOGoHAdqm5sglrmGjGqRUrOzaVQ69-lSx8vKMr_zUVPUDJGwdar39Z29L_OLpFHKYdvQ20IyWl0H-D3lUAlNdwMBKd5x1zymnMvCVVlr1o0xz2X-KRobyscXXZ5kkkJe65ciNSAa3IV8QgyFvz-7KPPJfUAPh3WEtPb2/s1600/LL26WMODMJD7PPFGKLN4VIOYWE.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Flávio Bolsonaro não foi acusado de nenhum crime; no entanto, assim que seu mandato como senador terminar, no início de 2027, ele perderá a imunidade parlamentar e poderá ser processado. Entrevista a &lt;a href=&quot;https://www.estadao.com.br/politica/vou-levar-para-o-tumulo-diz-flavio-bolsonaro-ao-nyt-sobre-como-fugiu-do-brasil/&quot;&gt;Ana Ionova:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/flavio-bolsonaro&quot;&gt;Flávio Bolsonaro&lt;/a&gt; (PL) estava saindo do condomínio fechado onde seu pai está em prisão domiciliar, segundo ele, quando decidiu que preferia deixar o Brasil a correr o risco de ter o mesmo destino.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Essa decisão, que Flávio afirmou ter tomado apenas na manhã seguinte à derrota nas eleições presidenciais do Brasil, levou-o a uma fuga espetacular de 8 mil quilômetros para escapar de investigações criminais, atravessando a América do Sul até finalmente chegar aos Estados Unidos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O jato que o levou a Miami foi providenciado por um funcionário da Casa Branca e sua entrada nos Estados Unidos foi autorizada diretamente pelo presidente &lt;a href=&quot;https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/donald-trump&quot;&gt;Donald Trump&lt;/a&gt;, segundo autoridades americanas. Ainda há muitas incógnitas sobre a viagem, que também levou Flávio ao Equador e à Argentina, onde um dos principais assessores do presidente argentino o recebeu em um aeroporto.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;No entanto, em sua primeira entrevista desde que fugiu na semana passada, Flávio afirmou que realizou essa viagem surpreendente e secreta inteiramente por conta própria.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;“Fui eu sozinho”, disse ele ao The New York Times na tarde de quarta-feira, 4. “Não tive ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo.”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;“Como cheguei até aqui”, acrescentou ele, “isso vou levar comigo para o túmulo”.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O plano de partir, disse ele, foi decidido espontaneamente com sua esposa, embora soubesse que tinham amigos no exterior: “Pode ter havido algum incentivo, mas nada além disso”.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Flávio Bolsonaro, 45 anos, que enfrenta várias investigações relacionadas à lavagem de dinheiro e à corrupção no Brasil, fugiu depois que as autoridades brasileiras ordenaram que ele entregasse seus passaportes. Na quarta-feira, ele reafirmou sua inocência e insistiu que, caso tivesse permanecido no país, teria enfrentado uma condenação quase certa.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;“Já sei que o resultado final será minha prisão”, disse Flávio. Ele classificou o Judiciário como excessivamente zeloso e motivado por interesses políticos, destacando o ministro do &lt;a href=&quot;https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/stf-supremo-tribunal-federal&quot;&gt;Supremo Tribunal Federal&lt;/a&gt; (STF) que condenou seu pai à prisão por tentar dar um golpe de Estado após perder a eleição de 2022 para o presidente &lt;a href=&quot;https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/lula-luiz-inacio-lula-da-silva&quot;&gt;Luiz Inácio Lula da Silva&lt;/a&gt; (PT).&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Em uma entrevista de 75 minutos, Flávio, senador de direita, reconheceu, em alguns momentos, a situação difícil pela qual sua família passa atualmente — passando da iminência de retornar ao poder no Brasil para um exílio repentino no exterior.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Não só seu pai, &lt;a href=&quot;https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/jair-bolsonaro&quot;&gt;Jair Bolsonaro&lt;/a&gt; (PL), enfrenta uma pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe, como seu irmão Eduardo também fugiu para os Estados Unidos, onde permaneceu após ser condenado no Brasil por instigar o governo Trump a interferir no julgamento de seu pai.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Flávio Bolsonaro não foi acusado de nenhum crime; no entanto, assim que seu mandato como senador terminar, no início de 2027, ele perderá a imunidade parlamentar e poderá ser processado.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Embora seu próprio partido tenha aceitado o resultado da eleição, Flávio se manteve inflexível ao rejeitar sua derrota no mês passado para Lula, que ele alegou, sem apresentar provas, ser “matematicamente impossível”.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;“Sei que isso não vai levar a nada”, disse ele sobre suas frustrações. “Perdi para o sistema.”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Ele reclamou longamente dos gastos do governo durante a campanha, alegando que isso deu a Lula, um político de esquerda, uma vantagem injusta. Ele criticou veementemente o movimento digital que ajudou a impulsionar seu rival. E ampliou drasticamente suas alegações de fraude, às vezes ecoando as teorias da conspiração que seu pai já havia divulgado sobre as urnas eletrônicas do Brasil, um sistema que especialistas internacionais consideram um dos mais seguros do mundo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;“Tenho minhas suspeitas”, disse Flávio quando questionado sobre suas alegações. “Ninguém pode afirmar com 100% de certeza que estou certo, nem com 100% de certeza que estou errado.”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Quatro anos atrás, as alegações de seu pai encontraram um público receptivo, inspirando simpatizantes a acampar em frente a quartéis militares por todo o Brasil. Milhares de manifestantes invadiram os centros de poder do Brasil em 8 de janeiro de 2023, exigindo que o Exército anulasse o resultado apertado.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Seu filho mais velho enfrenta um cenário totalmente diferente. Lula venceu por ampla margem, e os principais líderes do partido de Flávio afirmaram que não havia indícios de fraude. Até o momento, poucos brasileiros saíram às ruas em protesto contra a derrota. Até mesmo seus aliados de direita na América Latina reconheceram a vitória de Lula.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Ainda assim, Flávio afirmou que foi privado da presidência de forma fraudulenta.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Até agora, as reclamações dele haviam se concentrado principalmente na prorrogação do horário de votação, que, segundo Flávio, foi determinada por um juiz com motivação política.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Na verdade, ambos os candidatos haviam solicitado a mudança porque chuvas torrenciais e atrasos nos ônibus haviam dificultado o acesso dos eleitores em algumas regiões. Mas a decisão judicial que concedeu a prorrogação foi proferida perto do fim da votação, causando confusão, já que algumas seções eleitorais tiveram dificuldade para permanecer abertas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;No entanto, isso acabou afetando apenas 34 mil votos, o que, segundo as autoridades eleitorais brasileiras, foi um número muito pequeno para alterar o resultado; Lula venceu por 4,4 milhões de votos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Mas Flávio, que até então vinha adotando um tom mais moderado do que seu pai em muitas questões, incluindo o sistema eleitoral, reforçou e ampliou suas acusações.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Ele falou em fraude eleitoral e reafirmou alegações — já desmentidas — de uma falha de segurança na sala-cofre onde os computadores apuram os votos. A extensão do horário de votação, alegou ele sem apresentar provas, poderia ter servido como pretexto para adicionar ilegalmente muitos mais votos à contagem de seu adversário.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O &lt;a href=&quot;https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/tse-tribunal-superior-eleitoral&quot;&gt;Tribunal Superior Eleitoral&lt;/a&gt; (TSE), responsável pela supervisão das eleições, rejeitou suas alegações. Observadores internacionais independentes também atestaram a integridade da eleição, e dezenas de países reconheceram o resultado.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Embora os Estados Unidos não estejam entre os países que reconheceram a vitória de Lula, Trump limitou-se a sugerir que as eleições no Brasil pareciam “estranhas”, recusando-se a dizer quem havia vencido.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Flávio não o criticou. “Ele não tomou partido, o que é a atitude correta”, disse, agradecendo Trump por permitir que ele permanecesse nos Estados Unidos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;E mesmo depois que Trump afirmou, na semana passada, que não tem planos de se encontrar com Flávio, sua equipe mantém a esperança de que haja um encontro na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), em Mar-a-Lago, nos próximos dias.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Do exterior, Flávio afirmou que tentaria contestar judicialmente a vitória de Lula, embora tenha reconhecido que isso tem poucas chances de sucesso. Ele também planeja apoiar aliados no Brasil que defendam sua agenda, incluindo a redução da maioridade penal e a busca por anistia para seu pai e para os manifestantes do dia 8 de janeiro.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Ao mesmo tempo, Flávio evitou responder às perguntas sobre se também planeja pressionar o governo Trump para que tome novas medidas contra o Brasil.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O Departamento de Estado designou, neste ano, as duas maiores organizações criminosas do Brasil como grupos terroristas, e Trump, no ano passado, recorreu a tarifas e sanções para tentar pressionar o Brasil a arquivar o processo contra Jair Bolsonaro.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Na manhã seguinte à sua derrota eleitoral, contou Flávio, as autoridades o abordaram quando ele saía da casa de seu pai para informá-lo de que tinha 24 horas para entregar seus passaportes. O pai, com lágrimas nos olhos, chamou o filho à parte antes de se separarem, segundo Flávio.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;“Ele olhou nos meus olhos e disse: ‘Você já sabe onde eles querem chegar com isso, não é?’”, lembrou ele.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;“Eu disse: ‘Pai, eu já sei’”, acrescentou Flávio. “‘E estou preparado, sei o que tenho que fazer.’ Virei as costas e fui embora.” Nenhum dos dois falou em um plano de fuga, disse ele.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Algumas horas depois, Flávio postou um vídeo nas redes sociais dizendo que planejava entregar seus documentos, conforme ordenado. “Nunca pensei em sair do país”, disse ele no vídeo, prometendo liderar a oposição depois que seu partido conquistou grandes vitórias no legislativo brasileiro.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Logo em seguida, ele desapareceu — para reaparecer em Miami cerca de 42 horas depois.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Flávio, sua esposa e suas duas filhas poderão agora permanecer nos Estados Unidos por pelo menos um ano, ao abrigo de um status de imigração normalmente concedido por motivos humanitários.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Flávio disse que ainda não tem certeza de onde sua família irá se estabelecer. Seu irmão mais novo, Eduardo, mora no Texas e recebeu recentemente o status de residente permanente, conhecido como green card.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;No entanto, depois que um democrata conquistou o cargo de governador do Texas nas eleições de meio de mandato desta semana, &lt;a href=&quot;https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/paulo-figueiredo-filho&quot;&gt;Paulo Figueiredo&lt;/a&gt;, um dos aliados próximos da família Bolsonaro, sugeriu a Flórida como uma base natural para a família.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Flávio disse que sua família está se adaptando, embora ele espere que isso seja apenas temporário. “Vou precisar seguir em frente com minha vida nos Estados Unidos, pelo menos por enquanto”, afirmou.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Ainda assim, ele não descartou um retorno. “Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente.”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/em-entrevista-ao-nyt-flavio-mantem.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiLc9esvJgxY2_jcOELBOGoHAdqm5sglrmGjGqRUrOzaVQ69-lSx8vKMr_zUVPUDJGwdar39Z29L_OLpFHKYdvQ20IyWl0H-D3lUAlNdwMBKd5x1zymnMvCVVlr1o0xz2X-KRobyscXXZ5kkkJe65ciNSAa3IV8QgyFvz-7KPPJfUAPh3WEtPb2/s72-c/LL26WMODMJD7PPFGKLN4VIOYWE.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-6169924703461149516</guid><pubDate>Thu, 05 Nov 2026 12:57:09 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-05T09:57:09.996-03:00</atom:updated><title>Reeleição de Alcolumbre seria retrato acabado do conluio sórdido entre os Poderes</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiJMR4qEQiTAh8nxsUebOMohPj5Af33k31iLYOOS2qmqOXECuA3rUgbz_t0UMn5mY1czdNdsrkox1KP0Gogkj4DquZOODUxf6BZolgSvF0RpVovVUVPKGKc9X75NjkAur7WPA2Bzg2q3yNV693-QDtw87idISF4IqXDrJOXQC0cQcsJtQzpremo/s1254/alcolumbre.png&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1254&quot; data-original-width=&quot;1254&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiJMR4qEQiTAh8nxsUebOMohPj5Af33k31iLYOOS2qmqOXECuA3rUgbz_t0UMn5mY1czdNdsrkox1KP0Gogkj4DquZOODUxf6BZolgSvF0RpVovVUVPKGKc9X75NjkAur7WPA2Bzg2q3yNV693-QDtw87idISF4IqXDrJOXQC0cQcsJtQzpremo/s320/alcolumbre.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Nas figuras dos principais atores envolvidos e no relacionamento entre eles está um poderoso simbolismo. Existe alguma possibilidade de se romper o ferrolho de proteção mútua análogo ao que se encontra em organizações clandestinas? &lt;a href=&quot;https://www.estadao.com.br/politica/william-waack/reeleicao-de-alcolumbre-e-garantia-do-status-quo/&quot;&gt;William Waack:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A &lt;a href=&quot;https://www.estadao.com.br/politica/marinho-confirma-candidatura-ao-comando-do-senado-diz-ter-40-votos-e-busca-apoio-de-tereza-cristina/&quot;&gt;eleição para um novo presidente do Senado&lt;/a&gt; é só daqui a três meses, mas já se tornou a questão política mais urgente. A reeleição de &lt;a href=&quot;https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/davi-alcolumbre/&quot;&gt;Davi Alcolumbre&lt;/a&gt; seria o retrato acabado de um conluio de contornos sórdidos entre os Poderes, que nasceu da necessidade urgente de seus articuladores (&lt;a href=&quot;https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/alexandre-de-moraes/&quot;&gt;Alexandre de Moraes&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/davi-alcolumbre/&quot;&gt;Davi Alcolumbre&lt;/a&gt; e o próprio &lt;a href=&quot;https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/lula-luiz-inacio-lula-da-silva&quot;&gt;Lula&lt;/a&gt;) de escapar das consequências imediatas das investigações de escândalos de corrupção.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Ganhou alicerces poderosos com o resultado da eleição presidencial, embora as eleições estaduais e do Congresso prometessem o contrário. A causa disso é a desarticulação da oposição, visivelmente sem liderança efetiva, neste momento. Mas também o fato de que um bom pedaço dessa oposição, no Senado e na Câmara, tem interesse num conluio que garanta aos donos de partidos os mesmos acessos a diversos fundos, além da máquina pública. Ou seja, o status quo promete mais do que seu rompimento.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Nele mantém-se alta a degradação institucional do STF, que não será corrigida de dentro para fora, e Alcolumbre é a garantia de que não será corrigida também de fora para dentro. O resultado do primeiro turno exibiu um “clamor popular” contra o comportamento (em termos éticos) de integrantes do Supremo e as suas interferências na política, mas perderá força se não tiver liderança e organização eficazes.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Da perspectiva da ala de força no STF retorna-se ao “business as usual”. Significa manter seus intocáveis poderes supremos. Recuperou a capacidade de combinar com o Executivo, que tanto depende dele, como será a composição próxima do colegiado, montado para garantir a sobrevivência da ala de força. E também a de chantagear os atores políticos do Legislativo, começando pelo próprio Alcolumbre.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Nas figuras dos principais atores envolvidos e no relacionamento entre eles está um poderoso simbolismo. Existe alguma possibilidade de se romper o ferrolho de proteção mútua análogo ao que se encontra em organizações clandestinas? O acordo político que se costura hoje para dar a Lula uma base parlamentar maior tem nas suas origens distantes a necessidade de sobrevivência política de um grupelho preocupado sobretudo com interesses particulares, mas ganhou tração própria.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Grandes sacudidas no “esquema” surgiram, por exemplo, na esteira de uma formidável crise econômica que Dilma precipitou. Em outras palavras, se o “esquema” for novamente abalado, será provavelmente numa implosão causada pelo peso insustentável das contas públicas, pelas travas ao crescimento da economia e pela ameaça de anomia, resultado de enormes frustrações. Mas apostar em crise não é um bom palpite em ação política.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/reeleicao-de-alcolumbre-seria-retrato.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiJMR4qEQiTAh8nxsUebOMohPj5Af33k31iLYOOS2qmqOXECuA3rUgbz_t0UMn5mY1czdNdsrkox1KP0Gogkj4DquZOODUxf6BZolgSvF0RpVovVUVPKGKc9X75NjkAur7WPA2Bzg2q3yNV693-QDtw87idISF4IqXDrJOXQC0cQcsJtQzpremo/s72-c/alcolumbre.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-794054382538355289</guid><pubDate>Thu, 05 Nov 2026 12:16:29 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-05T09:16:29.962-03:00</atom:updated><title>Na nova guerra dos sexos não há...sexo!</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg30-7e4HSV6MWuM_qlyEmfsuInrjhS817bAtBqnAbINUk_8OJ6qTSOHKMzoCq9-C8CZkK1Bg_CWA4ddVZbmgHR-0-4q2IERgE2f9Hhz1mOuBKdoElIUx5UwpkMUwxX6BWwvliIVokF9JNG-Cl0lIk1joA04K9VQVylKabUk-xtLsprFAdVQRTo/s360/paulo-nogueira-2026-fevereiro%20(1).webp&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;360&quot; data-original-width=&quot;360&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg30-7e4HSV6MWuM_qlyEmfsuInrjhS817bAtBqnAbINUk_8OJ6qTSOHKMzoCq9-C8CZkK1Bg_CWA4ddVZbmgHR-0-4q2IERgE2f9Hhz1mOuBKdoElIUx5UwpkMUwxX6BWwvliIVokF9JNG-Cl0lIk1joA04K9VQVylKabUk-xtLsprFAdVQRTo/w200-h200/paulo-nogueira-2026-fevereiro%20(1).webp&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Pimba: namoros e casamentos em colapso – epidemia de solidão, ansiedade e queda a pique da natalidade. No UK de hoje, 33% dos jovens entre 18 e 29 anos nunca tiveram um relacionamento. Paulo Nogueira para o &lt;a href=&quot;https://observador.pt/opiniao/na-nova-guerra-dos-sexos-nao-ha-sexo/&quot;&gt;Observador:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Leitores, dão-me licença de uma confissão íntima? (Sim, é uma pergunta retórica.) Sou maluquinho pela literatura (paixão seguramente não correspondida), e ganho a vida a escrever livros (14, e com mais dois no forninho), como professor de ficção e crítico literário. Pena que hoje as novidades da literatura causam-me bocejos. Os malditos homens brancos mortos? Bruxos! Como eles (e as senhoras suas colegas) entregaram a alma ao Criador, agora só se trocassem a secretária por uma mesa pé-de-galo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Porque raio a literatura de hoje finge que continuamos em 1950? No Ocidente, o patriarcalismo já lá vai. Já em 1929, Serguei Diaghilev, o produtor dos revolucionários Ballets Russes, explicou: “Tchaikovski pensou em matar-se com medo de ser desmascarado como homossexual. Agora, se um artista não for gay, o melhor é meter desde já uma bala na cabeça”. Denunciar a masculinidade tóxica não é mais copernicano – só mais do mesmo. Casais gays  também já degustam alegremente os deleites do divórcio, das famílias desfeitas, das gritarias sobre de quem é vez de deitar o lixo lá fora, e se custa tanto levantar a tampa da sanita ao fazer xixi. Ótimo, pois não era esse o sonho de consumo do arco-íris?  Porém a literatura atual é tão maçadora que subscrevo Benjamin Disraeli, primeiro-ministro britânico e autor de 16 romances: “Quando quero ler um livro, escrevo um”. Daí os meus dois títulos no forninho.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Acabo de exercitar a vitimização, essa estranha forma de vida contemporânea. Se foi inebriante? Nem por isso. Os protagonistas da ficção atual tão-pouco querem sair da zona de conforto e aprender duras lições da vida (como os seus ancestrais clássicos), mas “compartilhar” tsunamis de traumas – chorar tanto que seus olhos degenerem em rios navegáveis, para que neles pouse um hidroavião apinhado de likes. OK, nem todos podem ser Sylvia Plath, no seu poema “Lady Lazarus”: “Ergo-me com o meu cabelo ruivo/E devoro homens como o ar!”. Ou o célebre verso de “Daddy”: “Toda mulher adora um fascista”. É bem mais fácil ser Sally Rooney e rosnar: todos os homens são fascistas!&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;“Sally quem?” O NY Times ungiu-a “a grande ficcionista millennial”. Aos 35 anos, a Rooney tudo causa mais vergonha do que prazer (sinto o mesmo pela prosa dela), até prémios e vendas astronómicas. Como marxista convicta, vender constrange Rooney: “Devia dizer: se não consegue pagar, roube o meu livro”. Pobrezinha: a editora Faber promove seus títulos com ecobags, velas aromáticas, bonés. Em 2024, a Faber organizou 140 eventos de Rooney nos EUA, e brindes como o saco sustentável Baggu.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Em 2025, o governo britânico classificou o Palestine Action (PA) como grupo terrorista. Rooney decidiu doar parte dos seus direitos autorais ao PA. Na lei britânica, financiar terroristas é crime. Para não ser processada por cumplicidade, a Faber agora retirou de circulação os livros de Rooney – com o aquiescência da autora, que afivelou a auréola de mártir. O PA comete atentados contra instituições que fazem negócios com Israel. Em 2022, atacaram a fábrica Thales em Glasgow, causando danos superiores a £1 milhão. Em 2024, foi a vez da Elbit Systems: drones e computadores escavacados, a coluna de um segurança partida com uma marreta. Em 2025, vandalizaram dois petroleiros  Voyager, com prejuízos de £7 milhões.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Rooney, irlandesa a viver na Irlanda, não foi amordaçada por suas opiniões políticas, nem é um Quixote da liberdade de expressão. Apoia um movimento (BDS) que defende a censura às instituições acadêmicas e culturais israelitas, e não autoriza traduções das suas obras para o hebraico (bom, os judeus não podem ter azar em tudo).&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Cem VIP intelectuais (como a Nobel francesa Annie Ernaux) publicaram uma carta aberta a acusar o Governo britânico de censura. Mas a retirada dos títulos de Rooney pela sua própria editora nada tem a ver com o conteúdo deles. Bem ao contrário de “Os Versos Satânicos”, de Salman Rushdie, cujo caso foi evocado na carta – mas que não a assinou. Em 1998 Rushdie gramou com uma fatwa (sentença de morte) do aiatolá Khomeini, tão predatória que 34 anos depois, em NY, foi esfaqueado 15 vezes, perdeu um olho, o uso de uma mão e teve o fígado perfurado. Em 2006 Rushdie assinou, sim, um manifesto diferente: “Depois de superarmos o fascismo, o nazismo e o estalinismo, o mundo enfrenta uma nova ameaça totalitária: o islamismo”.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Rooney podia fazer qualquer outra coisa –  vender fish and chips na rua -, que continuava impedida de financiar o terrorismo. Ou será que os signatários da carta são favoráveis ao terror como o do grupo neonazi Sonnenkrieg Division, banido pela mesmíssima lei? Como notou James Joyce, o conterrâneo de Rooney: “A Irlanda orgulha-se de ser o único país que nunca perseguiu os judeus – porque nunca deixou-os entrar”. Este mês estava agendado em Dublin um fórum sobre o antissemitismo com os 27 membros da União Europeia. Mas o Hotel Herbert Park cancelou as reservas dos 70 quartos – só faltou pendurarem na entrada o cartaz “Judenfrei”. Em fevereiro, a Sala de Concertos Nacional da Irlanda desmarcou a leitura dramatizada da peça “7 de Outubro”, que narra nas palavras delas as experiências de 14 mulheres sobreviventes do pogrom do Hamas. Em agosto, a seleção irlandesa de futebol disputou duas partidas da Liga das Nações contra Israel – os jogadores irlandeses  recusaram-se a cumprimentar os israelitas e curvaram a cabeça no hino nacional do adversário. Na Irlanda existem 500 “zonas livres de apartheid”, que excluem “sionistas” (ou seja, os judeus que se opõem à aniquilação de Israel).&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Em abril, a New Stateman publicou “Meet the Angry Woman”, de Emily Lawford, sobre a onda de jovens radicalizadas. Uma  entrevistada: “Deixei minha vida pessoal e os homens pela causa palestiniana”. Será que os palestinianos pediram tal castidade? É que a “Palestina” não é a Palestina, mas um fetiche ideológico. Greta Thunberg parou de comer em criança por causa da ansiedade climática. Rooney gemeu que apoiar Gaza é “afastar o desespero”. No século XX, as ocidentais eram mais conservadoras do que os homens – hoje é o inverso. Se floresceu a “manosfera”(Douglas Wilson propôs a revogação da 19º Emenda dos EUA, que concedeu o direito de voto às mulheres), também brotou a “femosfera” e suas Passionárias primaveris. O foco do feminismo mudou das mulheres héteros insatisfeitas com os papéis de gênero. Reina uma nova sororidade, o pertencimento queer, que prioriza questões ideológicas que vão desde quem é ou não mulher (pessoas não-binárias) até à existência de Israel. Bem, como diz JK Rowling, se um homem pode ser uma mulher, então as mulheres não existem.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Uma pesquisa revela que britânicas de 18 a 30 anos são de longe o grupo demográfico mais progressista do UK. E mais pessimistas quanto ao futuro, e com uma visão muito menos positiva dos homens jovens (só 35%) do que a deles sobre elas (72%). E as mais privilegiadas são as mais niilistas. Mais mulheres brancas consideram o UK racista do que as não brancas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Pimba: namoros e casamentos em colapso – epidemia de solidão, ansiedade e queda a pique da natalidade. No UK de hoje, 33% dos jovens entre 18 e 29 anos nunca tiveram um relacionamento. A Federação Espanhola de Futebol vai financiar às jogadoras da seleção feminina tratamentos de reprodução assistida, como congelamento de óvulos e fertilização in vitro. Na Austrália e Nova Zelândia, em 2025 as mulheres congelaram seus óvulos em taxas recordes – o dobro que em 2021. Porque? “Não há homens”. Provavelmente há, mas são verdes – pois nem eles nem elas podem amadurecer em relacionamentos mútuos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;As relações próximas entre jovens do sexo oposto – romântico, de amizade ou familiar – é hoje muito menos comum. A tempestade perfeita: confinamento da Covid + redes sociais + ideologia de género (os homens são tóxicos, e as mulheres irascíveis não valem o esforço). A geração que cresceu com smartphones (2007) socializa menos, faz menos sexo, bebe menos e tem menos amigos. Na era da conectividade, tomam mais refeições sozinhos do que qualquer geração anterior. Se és uma jovem que nunca conheceu ou amou um rapaz da mesma idade (ou vice-versa), é fácil vê-los como estranhos e hostis – temos duas narrativas rivais online e na vida real, com homens e mulheres a habitar universos morais completamente diferentes.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Para  Louise Perry, talvez até seja a crise de relações românticas (o “heteropessimismo”) que inflama a rancorosa polarização mundial, com o fim do centro político. Daí o rastilho de pólvora dos tumultos da geração Z pela Europa (nativos ou não), a chamada “TikTokização” dos protestos em  tribos organizadas algoritmicamente e uma sensação de que “a minha crise é mais importante que a tua”.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O ativismo não atesta genialidade, nem sequer talento. Com um léxico de infantário e a profundidade de um dedal, a prosa de Rooney é abaixo de cão. Ela “conta” (explica) em vez de “mostrar”- nada de cenas vívidas que permitam aos leitores imergirem nelas, acessarem mentes diferentes das suas e tirarem as suas próprias conclusões. Em “Intermezzo”, uma personagem cola cartazes assim: “O sexismo está em todo o lado. As nossas saias são curtas, mas as nossas ideias. Revolução queer! Tens um pénis, mas somos as heroínas”. Em “Pessoas Normais” uma miúda queixa-se de uma injustiça: “Tem a ver com o capitalismo”. A interlocutora exclama: “Como tudo!”.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Em “Conversas Entre Amigos”, a protagonista Frances professa-se comunista, considera a masculinidade “pessoalmente opressiva” e “os polícias, racistas”. Branca, gostava de “negar a minha etnia”. Dorme com o marido de Melissa, mas só como parte de um edificante pacto poliamor. Envolve-se com Nick, um ator marxista (pois Rooney quer que gostemos dele, apesar da criatura ser, urgh, homem). Frances diz que ter uma casa de férias devia ser ilegal. Nick pede-lhe perdão por… possuir um teto, e o facto de ele lá morar não é desculpa: “Reconheço que é perturbador”. O desgraçado admite que o seu pai é (pausa para um esgar de asco)… de direita. Incrédula, Frances balbucia: “Mas ele é mesmo de direita ou está só a gozar?” “Não, ele é realmente capitalista, odeia as mulheres e os pobres”. Ufa, que alívio: por um segundo achei que fosse um estereótipo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Ao pé do panfletarismo de Rooney, até o Realismo Socialista de Estaline parece arte pela arte. Nada de luzes e sombras ou pontos cegos. Doris Lessing publicou bons romances com protagonistas vermelhíssimas, mas nas histórias de Rooney uma pessoa decente é sempre, escarrada e cuspida, como Sally Rooney e os seus leitores julgam que são. Não há risco de imprevisibilidade – apenas o piloto automático das cartas marcadas: tanto os heróis como os vilões são caricaturas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Dantes os leitores podiam simpatizar com um assassino (“Crime e Castigo”) ou com uma adúltera (“Anna Karenina”). Afinal, é o erro que nos humaniza. Agora só há paladinos que são fantoches dos autores e do seu narcisismo moral. Mas um bom escritor é o contrário: conta uma história em que o bem e o mal são parte dela e de todos os personagens.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Hoje as ocidentais leem, escrevem e publicam mais livros do que eles. E estão consternadas porque os homens preferem ler as instruções de um saco de vómito no avião do que romances femininos. É que os novos temas não variam. A heroína percebe que seu casamento é uma masmorra patriarcal e pisga-se. Abre uma pousada num monte alentejano (com sessões de mindfulness à borla). Com que capital? Ah, uma tia distante teve a bondade de esticar o pernil e lhe deixar uma fortuna porque, quando a protagonista era criança, vislumbrou nela uma aura mágica. Ou a protagonista volta à cidade a qual jurou nunca mais pisar, e conhece um trolha rude e atormentado, mas secretamente podre de rico, que escolheu o trabalho braçal porque o dinheiro lhe trouxe tanta felicidade como a CR7 depois de encontrar Jesus.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Segundo a National Endowment for the Arts, só 25,7% dos homens americanos leram um romance em 2025. Nas editoras, as mulheres são 78% dos executivos. Aposto o pescoço que fervilham por aí boas autoras inéditas, que retratam a  individualidade feminina ímpar (vive la différence!), em vez de mantras de grupos identitários – e por isso com tanta dificuldade de publicar como os rapazes brancos cis. É a tal da diversidade?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Nenhum britânico branco com menos de 40 anos foi indicado ao Booker Prize desde 2011. Nenhum americano branco nascido depois de 1984 publicou contos na New Yorker. Em 2025, a mais importante exposição de arte dos EUA, a Bienal do museu Whitney, em NY,  apresentou 45 artistas millennials – nenhum era branco.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Um romance apetitoso é uma visão prismática do que é o mundo, e não apenas do que o autor acha que a sociedade tem que ser. Até ontem era irrelevante os grandes personagens serem eles ou elas – o que valia era a complexidade humana. Grushenka (“Os Irmãos Karamazov”, Dostoievsky), Molly Bloom (“Ulisses”, James Joyce), Maria Eduarda (“Os Maias”, Eça de Queiroz), Catherine Earnshaw (“O Monte dos Vendavais”, Emily Bronte), Elizabeth Bennet (“Orgulho e Preconceito”, Jane Austen), etc. Não eram obrigatoriamente “mulheres empoderadas”. Algumas eram egoístas, temperamentais, audazes, brilhantes, cruéis, afetuosas. Não se reduziam a tutoriais para leitores com próstatas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A Universidade Cornell recrutou 3 mil leitores e alterou aleatoriamente os pronomes em histórias idênticas. A pesquisa mostrou que os homens tinham a mesma hipótese de continuar a ler quando o protagonista era masculino ou feminino. Mas as editoras estão perplexas porque os marmanjos não salivam por serem descritos como feminicidas falocratas patéticos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A literatura é melhor hoje? Os filmes? As séries? As peças? O meio acadêmico é mais respeitado (Jason Arday)? Na Feira do Livro de Londres houve um painel: “Para onde foram todos os leitores homens?”. Treze dos 14 participantes do painel eram mulheres. O 14º era um homem transgénero com sentimentos complexos sobre o seu pai. O veredito: os homens não possuem o vocabulário emocional para a ficção contemporânea. Não passou pela cabeça de ninguém atravessar a rua, entrar na primeira tasca e perguntar a opinião dos gajos. Claro que ainda vão a tempo. Mas, por amor de Deus, não durante um jogo do Benfica, do Porto, do Sporting… Era só o que faltava.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/na-nova-guerra-dos-sexos-nao-hasexo.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg30-7e4HSV6MWuM_qlyEmfsuInrjhS817bAtBqnAbINUk_8OJ6qTSOHKMzoCq9-C8CZkK1Bg_CWA4ddVZbmgHR-0-4q2IERgE2f9Hhz1mOuBKdoElIUx5UwpkMUwxX6BWwvliIVokF9JNG-Cl0lIk1joA04K9VQVylKabUk-xtLsprFAdVQRTo/s72-w200-h200-c/paulo-nogueira-2026-fevereiro%20(1).webp" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-3538251272201471169</guid><pubDate>Thu, 05 Nov 2026 12:07:26 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-05T09:07:26.219-03:00</atom:updated><title>O que pensa Borges do genocídio?</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvc-2nb0Y3D5QqfLHwy1GilK2h-JV_j-WlqRq2HnZsDUkyti9YRA-8w4BEu49tg3rKCYeYIduu9fCGeA9iEOWKXg4JvORmKmZC0u64x9UOuurQcJw4HXFnu4IkNvP0lfhB7DL8bBfAOR9-tZKOd0Bynnebyv61P8dzXJppMKSfjFrYwisl6cBg/s455/images.webp&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;452&quot; data-original-width=&quot;455&quot; height=&quot;318&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvc-2nb0Y3D5QqfLHwy1GilK2h-JV_j-WlqRq2HnZsDUkyti9YRA-8w4BEu49tg3rKCYeYIduu9fCGeA9iEOWKXg4JvORmKmZC0u64x9UOuurQcJw4HXFnu4IkNvP0lfhB7DL8bBfAOR9-tZKOd0Bynnebyv61P8dzXJppMKSfjFrYwisl6cBg/s320/images.webp&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Vivemos num tempo em que, num festival literário, as referências a André Ventura para seduzir o estimável público começam a superar largamente as citações de Borges. Bruno Vieira Amaral para o &lt;a href=&quot;https://observador.pt/opiniao/o-que-pensa-borges-do-genocidio/&quot;&gt;Observador:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Ariana Harwicz é uma escritora argentina que pertence a uma nova geração muito celebrada de autoras latino-americanas e na qual se incluem vozes como as de Valeria Luiselli, Samanta Schweblin, Karina Sainz Borgo, Fernanda Melchor, Selva Almada, Mariana Enriquez, Cristina Rivera Garza e Pilar Quintana. Muitas destas autoras têm tido um amplo reconhecimento internacional, os seus livros têm sido distinguidos com alguns dos prémios literários internacionais mais importantes, estão traduzidas um pouco por todo o mundo e são presença assídua em festivais literários.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Harwicz, que é também ensaísta, viu a edição inglesa do seu romance de estreia Matate, amor chegar aos finalistas do Man Booker International Prize em 2018, que seria ganho pela futura Nobel Han Kang, e ser adaptado para cinema num filme de Hollywood dirigido pela realizadora Lynne Ramsay e com Jennifer Lawrence e Robert Pattinson nos principais papéis. Os seus livros, que tratam sobre desejo feminino, pertença familiar, problemas mentais, maternidade e violência, têm sido elogiados pela crítica que também revela apreço pela qualidade da prosa de Harwicz. Com este currículo literário não espanta que a convidem para festivais, conferências, palestras e residências.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Ou espanta se tivermos em conta um pequeno pormenor biográfico: Ariana Harwicz é judia. E é uma judia cujas posições públicas sobre Israel, o conflito israelo-palestiniano e a existência de um estado judaico não agradam à maioria das pessoas que frequentam festivais literários e não agradam mesmo nada à maioria das pessoas que organizam festivais literários e que são responsáveis por convidar os autores que neles participam. Numa entrevista de 2024 à revista Letras Libres, Harwicz disse: “Impressiona-me ver, na Europa, na Alemanha, em França, em Espanha, nos países nórdicos, artistas a apelarem à Intifada, a dizerem «basta de genocídio em Gaza», a classificarem os israelitas como supremacistas e colonizadores. Encontraram uma forma retórica de odiar os judeus e de exigir a aniquilação de Israel. É uma renovação lexical da Juventude Hitleriana e do nazismo do século XX, mas, a meu ver, ainda mais escandalosa e cúmplice, porque temos a Shoah às nossas costas.”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Mesmo assim, foi convidada para participar este ano no Festival CULTUR-ALH, organizado na Universidade de Granada. Mas, depois da pressão exercida pela Red Universitaria por Palestina de Granada, que considerou inaceitável o facto de a escritora se opor ao boicote cultural a Israel, a organização cancelou a participação de Harwicz a 72 horas do evento (a Universidade manifestou-se contra a exclusão da escritora, sublinhando que a decisão era dos programadores do festival, que tinham autonomia para o fazer). Um grupo de 350 escritores, entre os quais o irlandês John Banville, que cancelou a sua participação no festival, manifestou apoio a Harwicz numa carta aberta. Em resposta, cerca de 500 escritores, incluindo Rivera Garza e Pilar Quintana, apoiaram a organização. Outras sete escritoras, que estavam convidadas para o festival, foram mais longe e defenderam o direito de um festival cultural ou uma instituição académica excluírem quem considerarem que ultrapassou os limites da liberdade de expressão, que Harwicz teria ultrapassado por ser contra o boicote cultural a Israel e por ser uma “negacionista” do genocídio em curso, ou seja, por não partilhar as ideias destes artistas e dos responsáveis das instituições.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Todo este triste caso apresenta uma insofismável vantagem: as opiniões são cristalinas e não permitem interpretações ambíguas. E se alguém ainda tivesse dúvidas, a diretora do Festival de Granada tratou de as esclarecer. Ana Gallego Cuiñas foi uma das convidadas do encontro Dias da Literatura de Lisboa, presidido pelo escritor Alberto Manguel e que decorreu na semana passada na Fundação Calouste Gulbenkian. Na sua intervenção, capciosamente intitulada “Não convidamos livros, mas quem os escreve”, referiu-se ao caso Harwicz e estabeleceu uma preciosa diferença: “Ler um autor, estudar a sua obra, distingui-lo com prémios e convidá-lo para um festival não são atos idênticos” porque “dar a alguém um palco público é uma decisão institucional que concede atenção, prestígio e valor.” E acrescentou, como é típico dos censores eivados de boas intenções, que a decisão de excluir Harwicz foi tomada na defesa dos direitos humanos e em solidariedade com o povo palestiniano. Ou seja, Harwicz, como qualquer outro autor, pode ser lida, a sua obra pode ser estudada e até pode receber prémios, mas quando se trata de convidá-la para um festival literário, a sua obra literária passa para segundo plano e o que importa é o que disse numa entrevista ou publicou nas redes sociais. A verdadeira senha de entrada num festival não são os livros, mas as opiniões do autor, como aliás Ana Gallego Cuiñas deixou candidamente explícito no título da sua intervenção. Os livros podem existir, circular, ser lidos (porque os canceladores são pessoas do bem que amam os livros, muito diferentes dos filisteus que os querem queimar). Os escritores que os escrevem é que têm de se remeter ao silêncio ou, se não o fizerem voluntariamente, ser silenciados.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Mas há algo de terrível nas palavras da diretora do festival. É que ler um livro, estudar uma obra, atribuir um prémio, escrever uma crítica num jornal de grande circulação e convidar para um festival não são atos exatamente idênticos, mas, ao contrário do que ela dá a entender, todos concedem atenção, prestígio e valor. O que Gallego Cuiñas faz, de forma desonesta, é justificar a exclusão de um autor de um festival com um argumento que, a ser usado noutras circunstâncias com a mesma legitimidade, justificaria a exclusão das suas obras da academia e das listas de prémios literários e que fosse boicotado por certos meios de comunicação social ou até, em última análise, pelas editoras. Uma exclusão que nada teria que ver com a qualidade dos seus livros, mas apenas com as suas opiniões políticas, as que desagradam a quem tem o poder de conceder atenção, prestígio e valor. É que, hoje, um festival literário faz parte do sistema de reconhecimento literário, como um prémio ou o estudo de um livro na academia.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Quem já teve o privilégio de participar ou assistir a um festival literário nos últimos quinze anos em Portugal, como é o meu caso e acredito que seja o de dois ou três leitores desta crónica, sabe que há truques infalíveis para conquistar a plateia: contar a história da avó analfabeta, sacar de uma citação de Borges (confesso que recorro regularmente a ambos e geralmente um logo após o outro; e quem nunca explorou a história familiar e simulou familiaridade com Borges que atire a primeira “noite unânime”) e, quando isto não resulta, usar a arma nuclear tática do ataque à “direita”, de preferência com cravos, grândolas e dias inteiros, iniciais e limpos pelo meio. Nada desperta o público da letargia livresca em que alguns escritores, com os seus discursos soporíferos, o mergulham do que uma referência inopinada (quanto mais inopinada maior será o efeito de choque) a Cavaco (tímidos aplausos), Passos Coelho (urros na plateia) ou o Chega (cenas bárbaras de comoção geral). Vivemos num tempo em que, num festival literário, as referências a André Ventura para seduzir o estimável público começam a superar largamente as citações de Borges. E quando lemos as declarações da diretora do festival espanhol que cancelou Ariana Harwicz percebemos a razão: eles convidam autores (os que pensam como eles) e não os livros (que falam, e muito, mas não têm opinião sobre o “genocídio”).&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/o-que-pensa-borges-do-genocidio.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvc-2nb0Y3D5QqfLHwy1GilK2h-JV_j-WlqRq2HnZsDUkyti9YRA-8w4BEu49tg3rKCYeYIduu9fCGeA9iEOWKXg4JvORmKmZC0u64x9UOuurQcJw4HXFnu4IkNvP0lfhB7DL8bBfAOR9-tZKOd0Bynnebyv61P8dzXJppMKSfjFrYwisl6cBg/s72-c/images.webp" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-71810954049889325</guid><pubDate>Thu, 05 Nov 2026 11:56:39 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-05T08:56:39.213-03:00</atom:updated><title>O que motiva o voto?</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjHNoH5wZFT7WhA4jS7krnOtNdrJPkODTOek87oPFIJLVnBrGay9V_ioi8dw3PiwyiaWmqYXMylr58uuDCBx0YyvIlyMRGpFuxkhepoA6MRn8cRPsm-FOEQtfJ5FYGjMS9CiapmDDKVgFPJjt35YaUb3rS8ZsVHyKCQo9R97lsdWEwtAe9N5Pt0/s738/images.jpeg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;414&quot; data-original-width=&quot;738&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjHNoH5wZFT7WhA4jS7krnOtNdrJPkODTOek87oPFIJLVnBrGay9V_ioi8dw3PiwyiaWmqYXMylr58uuDCBx0YyvIlyMRGpFuxkhepoA6MRn8cRPsm-FOEQtfJ5FYGjMS9CiapmDDKVgFPJjt35YaUb3rS8ZsVHyKCQo9R97lsdWEwtAe9N5Pt0/s1600/images.jpeg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;El elector racional existe, pero vota seguramente sin leer la prensa ni ver los telediarios. Es el que mira el pasado y vislumbra el futuro, el que sabe que todos o casi todos mienten porque ha leído a J. F. Revel. Juan J. Gutiérrez Alonso para &lt;a href=&quot;https://disidentia.com/lo-que-mueve-el-voto/&quot;&gt;Disidentia:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Sobre las motivaciones del voto hemos leído de todo. Suele decirse que el votante vota con el bolsillo, es decir, que el factor más determinante suele ser el económico y por eso la corrupción masiva en ocasiones puede pasar a un segundo plano y no ser determinante.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;La regla económica es en cualquier caso incompleta o una verdad a medias. Quien la repite suele olvidar que el bolsillo tiene también su dimensión social. Es decir, no solo importa lo que hay dentro, sino lo que hay en el del vecino.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Lo sabía Adam Smith, a quien la posteridad ha reducido a un carnicero movido por su propio interés. Pero Smith abrió su Teoría de los sentimientos morales admitiendo que, por egoísta que sea el hombre, algo en su naturaleza le obliga a interesarse por la suerte ajena. Es la parte amable de la ecuación. La otra, que Smith también conocía, es que esa preocupación por el vecino no siempre es compasión. A veces es comparación, y la comparación, mal digerida, se llama envidia.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;El ciudadano no solo pregunta cómo le va a él, sino cómo le va a él respecto a. Y hay balances en los que uno aceptaría perder algo con tal de que el de al lado pierda más.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A este cálculo hay que añadir el clima. Gustave Le Bon, en su Psicología de las masas, describió cómo el individuo que se integra en la masa deja en la puerta buena parte de su criterio. Piensa por contagio, se mueve por imágenes y afirmaciones antes que por argumentos, y puede acabar defendiendo con fervor aquello que lo perjudica.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;No es necesario compartir el desdén aristocrático de Le Bon hacia el gentío para reconocer que algo de eso ocurre cada vez que se abren las urnas. Con frecuencia se vota contra el propio interés, y se vota sonriendo, porque la tribu aplaude.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Queda el último combustible, el más barato y el más inflamable: el rencor. Votar para ganar es una aspiración, o votar para que el otro, el que detestamos, no gane. La primera exige un proyecto, la segunda solo un adversario, alguien a quien se le desee el mal todos los días del año.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Un ejemplo doméstico. Felipe González, que de política sabe más que casi todos sus críticos y casi todos sus herederos, dijo hace poco que no quería pronunciarse sobre si convenía adelantar las elecciones, no fuera a ser que se hiciese precisamente lo contrario. Detengámonos en la frase, porque lo retrata todo. Un expresidente, con la autoridad que da haber gobernado catorce años, renuncia a dar una opinión sensata por temor a que su sola opinión vuelva imposible lo que defiende.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Se da por hecho que, en la política española, y no sólo en la española, la decisión no se toma por razones ni por argumentos, sino por el sentido contrario al que señale el adversario o el crítico.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;El segundo ejemplo viene de más lejos, pero explica lo mismo. Donald Trump es seguramente el dirigente que más animadversión, rechazo y agitación ha provocado dentro y fuera de Estados Unidos que se recuerde. Se le ha detestado con una intensidad que no se recordaba desde hace décadas. Y sin embargo, o precisamente por eso, no hay político contemporáneo que haya demostrado con mayor claridad cuánta energía electoral produce el enfrentamiento.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Sus partidarios lo votan, en buena medida, porque quienes lo desprecian le parecen despreciables, sus detractores se movilizan porque no soportan verlo. El odio es la única fuerza de este mundo capaz de empatar a dos bandos. Cada ofensa que Trump recibe alimenta a quien se siente ofendido junto a él, y cada exceso suyo alimenta a quien se siente ofendido contra él.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Dos ejércitos con el mismo combustible. Cada cual que decide quién tiene razón, y si Donald Trump es criatura genuina o espontánea y no consecuencia del Change has come que llegó en 2008.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Sea como fuere, el actual contexto a un lado y otro del Atlántico, me ha hecho recordar La conjura de los necios, esa joya que John Kennedy Toole dejó al morir y que su madre, con tozudez admirable, logró publicar. Su título procede de Swift, que escribió que cuando aparece un verdadero genio en el mundo se le reconoce porque todos los necios se confabulan contra él. Lo delicioso de la sentencia es que sirve a cualquiera. Ignatius Reilly, el protagonista, se cree ese genio rodeado de necios. Los necios, claro, piensan lo mismo de él.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;En política ocurre exactamente así: cada bando se imagina en el papel del genio asediado y atribuye la necedad al contrario. Nadie vota a los necios, todos votan contra ellos. Que los necios sean siempre los otros es la razón por la que la conjura funciona.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;¿Qué mueve, pues, el voto? Un poco de interés, que es lo que decía el refrán, bastante de comparación con el vecino, que es lo que sospechaba Smith, una buena dosis de contagio, que es lo que temía Le Bon, y un fondo de rencor que ninguna campaña confiesa, pero todas administran con esmero.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;El elector racional existe, pero vota seguramente sin leer la prensa ni ver los telediarios. Es el que mira el pasado y vislumbra el futuro, el que sabe que todos o casi todos mienten porque ha leído a J. F. Revel, y es por tanto consciente del valor limitado del voto como mecanismo para conseguir el tipo de sociedad que le gustaría.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;¿Hay remedio? El bueno gobierno no está relacionado necesariamente con la matriz democrática, aunque todos defendamos la democracia como sistema. Ahora bien, nuestras razones, también nuestros intereses, pueden ser menos puros de lo que creemos y el adversario puede también ser menos necio de lo que pensamos o conviene.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Si a esto añadimos la progresiva y deliberada confusión o segmentación del cuerpo electoral, con un nivel de ideologización rara vez visto, en el horizonte emerge casi exclusivamente el interés y el reparto. Y esto no alivia ni da mucha esperanza al propio sistema democrático.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/o-que-motiva-o-voto.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjHNoH5wZFT7WhA4jS7krnOtNdrJPkODTOek87oPFIJLVnBrGay9V_ioi8dw3PiwyiaWmqYXMylr58uuDCBx0YyvIlyMRGpFuxkhepoA6MRn8cRPsm-FOEQtfJ5FYGjMS9CiapmDDKVgFPJjt35YaUb3rS8ZsVHyKCQo9R97lsdWEwtAe9N5Pt0/s72-c/images.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-6608125927514480028</guid><pubDate>Thu, 05 Nov 2026 11:49:12 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-05T08:49:12.392-03:00</atom:updated><title>Por trás da eleição: a guerra dos data centers e a derrota de Elon Musk</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgXkLLkyQ3bODS0nCw_GhbfZvkhIRwtfDj4hORWYKBrzFEBAAV81q4BCgxdvRtqF5Vxgd26yUb4eu55HiFWUFTumUz_myJK0vRzfrrLwyNsUbnONG8fjeVc0PWHKsw3KB3uwH7AmRITjP8kuRV3G0vC9yFDu3G4aFkmVBt6TjZH6NSv5tzCVA6N/s640/GettyImages-2246882303.webp&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;360&quot; data-original-width=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgXkLLkyQ3bODS0nCw_GhbfZvkhIRwtfDj4hORWYKBrzFEBAAV81q4BCgxdvRtqF5Vxgd26yUb4eu55HiFWUFTumUz_myJK0vRzfrrLwyNsUbnONG8fjeVc0PWHKsw3KB3uwH7AmRITjP8kuRV3G0vC9yFDu3G4aFkmVBt6TjZH6NSv5tzCVA6N/s1600/GettyImages-2246882303.webp&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Bilionário investiu alto, mas os principais candidatos democratas ganharam no Texas, o estado onde apostou tanto e ficou mais exposto. &lt;a href=&quot;https://veja.abril.com.br/coluna/mundialista/por-tras-da-eleicao-a-guerra-dos-data-centers-e-a-derrota-de-elon-musk/&quot;&gt;Vilma Gryzinski:&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Depois de Donald Trump, Elon Musk foi o maior perdedor das eleições de terça-feira. A piadinha que ele fez correu o mundo — “Data centers no espaço parecem mais atrativos agora” —, mas não é exatamente só um chiste. O homem mais rico do mundo realmente pode transferir para fora da Terra os centros de processamento de dados para os quais a governadora eleita do Texas, Gina Hinojosa, pediu uma moratória.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Tudo o que Elon Musk põe na cabeça, Elon Musk faz. Mas imaginem o custo — e o tempo envolvido, num momento crucial da corrida pela inteligência artificial, com a concorrência chinesa a apenas uma pequena distância de passar na frente.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Motivo pelo qual a China está na lista dos ganhadores indiretos da eleição. Tudo o que atrapalhar o avanço dos americanos é uma vantagem tremenda para o gigante asiático.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Musk foi para o Texas, com a Tesla e a SpaceX, buscando as vantagens fiscais e operacionais, como terrenos mais baratos e menos regulamentação, que a Califórnia não oferecia. O estado solidamente republicano parecia inexpugnável, até que deixou de sê-lo, mesmo com a torrente de dinheiro — 224 milhões de dólares — que Musk colocou nos candidatos conservadores.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;SURRA DE VOTOS&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Por causa da vitória democrata, as ações da Tesla e da SpaceX perderam 159 bilhões de dólares no dia seguinte à eleição. O mercado vive do sobe e desce, mas a reação imediata mostra como a corrida da inteligência artificial, movida a data centers, foi um elemento crucial por trás da surra de votos dada nos republicanos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Poderá a governadora eleita interferir no desenvolvimento dos data centers? Analistas do mercado não acham impossível, agora que até a Câmara de Deputados estaduais do Texas seguiu a tendência geral e também deu a maioria aos democratas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A governadora terá a seu favor a opinião pública, maciçamente contrária aos gigantescos centros de processamento, que perturbam a vida das pequenas cidades do interior, com iluminação e poluição sonora e visual permanentes, além do alto consumo de água e eletricidade. A China, por não ser um país democrático, não tem esse problema.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;“Haverá muitas negociações e movimentos políticos nessa frente, principalmente no Texas, que é a base da expansão da IA nos Estados Unidos”, disse ao Telegraph o analista Dan Ives.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;SENTIMENTOS NEGATIVOS&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Negociar é o nome do jogo. Donald Trump acalmou os mercados com a declaração conciliadora sobre “trabalhar com os democratas” — ao contrário dos catastrofistas que antecipavam reações turbulentas que iam da rejeição do resultado das urnas até uma tentativa de golpe.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Existe uma maneira de conciliar as necessidades da corrida da inteligência artificial com os sentimentos negativos da opinião pública em relação aos mastodontes tecnológicos necessários para movê-la? É uma questão em aberto, de natureza crucial para a humanidade.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A alternativa é colocar a infraestrutura toda no espaço, como disse Musk, meio brincando, meio a sério. Outra piada foi sobre “os lasers espaciais de interferência eleitoral” que não funcionaram. Nem eles nem os milhões de dólares.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Dependendo dos critérios de contagem, os Estados Unidos têm entre 3,1 mil e 5,4 mil data centers. Essa superioridade maciça — as instalações não chegam a 500 na China — tem que ser preservada com a concordância da população. Um desafio e tanto até para Elon Musk.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/por-tras-da-eleicao-guerra-dos-data.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgXkLLkyQ3bODS0nCw_GhbfZvkhIRwtfDj4hORWYKBrzFEBAAV81q4BCgxdvRtqF5Vxgd26yUb4eu55HiFWUFTumUz_myJK0vRzfrrLwyNsUbnONG8fjeVc0PWHKsw3KB3uwH7AmRITjP8kuRV3G0vC9yFDu3G4aFkmVBt6TjZH6NSv5tzCVA6N/s72-c/GettyImages-2246882303.webp" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-335661251357199734</guid><pubDate>Thu, 05 Nov 2026 11:40:09 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-05T08:40:09.148-03:00</atom:updated><title>O baile de São Vito</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjs8FGuD4WdVrpDns-DPmjIO878n0XlHhBx-IaSm2oWo6tQNVpjqoiSEeRspHNxE9qmw3g1dJ-ywMRqlE-FVFXtIuCHf6lw0BvFg4PUSbp1lL1mCNkZvfBtSrQZN_jx5moGFRpII3_i4U-Mn5PbpmfQZO3iworgVsC-uACG4zZ6Lp3G9lAvAETj/s1200/urna_votaciones_2910.webp&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;675&quot; data-original-width=&quot;1200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjs8FGuD4WdVrpDns-DPmjIO878n0XlHhBx-IaSm2oWo6tQNVpjqoiSEeRspHNxE9qmw3g1dJ-ywMRqlE-FVFXtIuCHf6lw0BvFg4PUSbp1lL1mCNkZvfBtSrQZN_jx5moGFRpII3_i4U-Mn5PbpmfQZO3iworgVsC-uACG4zZ6Lp3G9lAvAETj/s1600/urna_votaciones_2910.webp&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Lo escandaloso es que a bastantes demócratas les parezca lógico que si alguien es muy de derechas y pretende hacerse oír en público cause un terremoto social. Fernando Savater para &lt;a href=&quot;https://theobjective.com/elsubjetivo/opinion/2026-11-05/baile-san-vito-articulo-fernando-savater/&quot;&gt;The Objective:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Y entonces hubo otro horrible accidente de trenes, con decenas de muertos y heridos. Los pasajeros supervivientes quedaron conmocionados, los familiares no cesaban de buscar mutilados como si todo se tratase de una mala jugada de la imaginación, el presidente del Gobierno utilizó una palabra extraña para calificar las dos últimas catástrofes ferrroviarias, tan increíblemente próximas, y las llamó «inasumibles». Más que otra cosa, era una protesta inesperada, el rechazo casi colérico de una mala jugada del destino: oiga, a mí no me venga más con esas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Otra vez cadáveres retorcidos y descuartizados entre los hierros, de nuevo una situación que no quería plegarse a las categorías caprichosas del azar. Y todo esto a pocos días de unas elecciones generales que eran como un desafío con malos modos a los ciudadanos. Y con un ministro de Transportes que parece una caricatura, esa sí «inasumible» de un cargo de responsabilidad en un Estado moderno, tecnificado. ¿Qué debe hacerse, expulsar a los abismos del infierno al ministro incompetente, lanzar una amarga carcajada por la sucesión de desgracias o cambiar aquel viejo y optimista lema tan repetido de «papá, ven en tren» por un desolado pero más realista: «Oye, papá, tal como están las cosas, mejor no vengas».&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Naturalmente, como soy pesimista, pero no más de lo probable, no pensaba escribir nada sobre accidentes o descarrilamientos. Prefería atenerme a desdichas más comunes, de esas que se deben a la mala voluntad de los bichos humanos que nos rodean. Por ejemplo, hay por ahí un mozo poco recomendable llamado «Vito» que tiene especial capacidad para organizar escándalos de mayor o menor cuantía, sobre todo cuando deambula por tierras vascas. ¿Y a qué se debe esa facultad escandalizadora? Pues realmente a algo de lo que él no tiene demasiada culpa. El mozo es indudable y declaradamente de derechas, «inasumiblemente», si prefieren ustedes, y casi sin quererlo provoca remolinos cuando se manifiesta por tierras euskaldunes.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;No hace falta que planee sus alteraciones ni que agite el tópico trapo rojo ante los cabestros que le miran resoplando con inquina: en cuanto levanta la voz en pro de España o de los hábitos que nos caracterizan a los ciudadanos españoles (porque aquí somos españoles, saben ustedes, aunque moleste a más de los debidos) subleva a los que creen vivir en territorio conquistado y enseguida convierten a los herederos del etarrismo cerril en los verdaderos indígenas de estas santas tierras de misión.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Lo más escandaloso de ese escándalo es que no escandaliza frecuentemente a quien debe. A bastantes personas de orden, demócratas razonablemente convencidos, les parece lógico y casi inevitable que si alguien es muy de derechas y pretende hacerse oír en público, termine causando un cierto terremoto social. Una vez que ha recibido oficialmente la calificación de «ultraderechista», ya no puede quejarse de verse rodeado por altercados sociales más o menos violentos, de los que no acompañan a los izquierdistas separatistas que tanto abundan. Sobre todo en el País Vasco.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Ahora no sólo hay que aguantar que los vascos, especialmente los más jóvenes, lleven en su DNI la impronta pseudorrevolucionaria de anticapitalistas y antiespañoles porque «allí son así». Es un rasgo regional como llevar txapela o tener afición a las regatas, sino que además cuenta con la bendición más o menos generalizada de la gente que podríamos llamar «normal y corriente». Vamos, que en Euzkadi a cierta edad hay que ser simpatizante etarra para no llamar mucho la atención. Y poco a poco esa vocación asnal se va extendiendo por todos los rincones del país, con pretextos tomados de un humanismo cristiano que ha cambiado el antiguo saludo del «Ave María Purísima» por un enérgico «gora eta militarra» o variantes locales.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;En la olla podrida de Sol hemos visto un ensayo general con las dosis necesarias de mugre y demagogia, que seguramente se verá ampliado el próximo día 11. Momento feliz para los universitarios, que disfrutarán de una parodia más o menos inocua de un 68-2.0. Y seguro que habrá aficionados al tumulto dispuestos a apuntarse a este revival, que tanto gozo moral y beneficios prácticos puede darles.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Lo de unas elecciones que traigan un cambio político moderado, con el debido respeto para jueces y fuerzas del orden, mientras la educación se orienta al patriotismo constitucional que tanto se echa en falta, lo dejaremos para más adelante. Ya saben, no por mucho madrugar…&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/o-baile-de-sao-vito.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjs8FGuD4WdVrpDns-DPmjIO878n0XlHhBx-IaSm2oWo6tQNVpjqoiSEeRspHNxE9qmw3g1dJ-ywMRqlE-FVFXtIuCHf6lw0BvFg4PUSbp1lL1mCNkZvfBtSrQZN_jx5moGFRpII3_i4U-Mn5PbpmfQZO3iworgVsC-uACG4zZ6Lp3G9lAvAETj/s72-c/urna_votaciones_2910.webp" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-6530093547507462527</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2026 20:16:29 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-04T17:16:29.494-03:00</atom:updated><title>Quase 200 anos depois, a América de Tocqueville ainda resiste à América de Trump</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgS4HtB602RDkkS23DxLvXFXx28o2hNJj1VdcwsRJH3XETQu8hWOoh2KefoYAGL39YbL-oyQ8F2Zy03UqgYhhm40V9jeHPhdCl26HCsyIwy6cg51lNdhKhlB7dW8G_S1Hm7dEGGewLKUP5ok8OHz7dlQy_05hWRPX76E0CmpdcKrtu91lwdWBCD/s1024/17933733186ae4b48622972_1793373318_3x2_lg.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;683&quot; data-original-width=&quot;1024&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgS4HtB602RDkkS23DxLvXFXx28o2hNJj1VdcwsRJH3XETQu8hWOoh2KefoYAGL39YbL-oyQ8F2Zy03UqgYhhm40V9jeHPhdCl26HCsyIwy6cg51lNdhKhlB7dW8G_S1Hm7dEGGewLKUP5ok8OHz7dlQy_05hWRPX76E0CmpdcKrtu91lwdWBCD/s1600/17933733186ae4b48622972_1793373318_3x2_lg.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Sistema político e costumes dos EUA são mais difíceis de subverter do que os apocalíticos imaginam. João Pereira Coutinho para a &lt;a href=&quot;https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2026/11/quase-200-anos-depois-a-america-de-tocqueville-ainda-resiste-a-de-trump.shtml&quot;&gt;FSP:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Inflação e corrupção, uma dupla imbatível. Os preços sobem, o americano médio grita. E &lt;a href=&quot;https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/donald-trump/&quot;&gt;Trump&lt;/a&gt;? Trump, juntamente com a família e os amigos, transformou o segundo mandato numa máquina de fazer dinheiro.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;É impossível não pensar na &lt;a href=&quot;https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs06099803.htm&quot;&gt;&quot;nomenklatura&quot; da antiga União Soviética&lt;/a&gt;: enquanto a elite do partido come caviar e bebe champanhe, o cidadão anônimo vai para a fila do pão e do leite.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Em teoria, é possível manter este estado de coisas, se estivermos falando de uma ditadura, com polícia política e campos de &quot;reeducação&quot;. Numa democracia, não.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;E os &lt;a href=&quot;https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/estados-unidos/&quot;&gt;Estados Unidos&lt;/a&gt; são uma democracia. Nunca levei a sério os histéricos de plantão que viam em Trump o fim da república. É preciso não conhecer a república: sua descentralização administrativa, sua forte sociedade civil, sua tradição de litigância.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Falo desses três porque o &lt;a href=&quot;https://www.nytimes.com/2026/11/03/opinion/democracy-midterms-trump.html&quot;&gt;New York Times, em editorial&lt;/a&gt;, resolveu relembrar aos incréus o &lt;a href=&quot;https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/11/comeca-apuracao-nos-eua-em-disputa-que-ameaca-maioria-pro-trump.shtml&quot;&gt;papel que tiveram nestas midterms&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Foram os funcionários eleitorais que, apesar da pressão e das alegações de fraude, garantiram uma votação limpa e regular.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Foram as organizações da sociedade civil, como a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) ou a League of Women Voters, que contestaram na Justiça as ordens executivas do presidente sobre o registro eleitoral e o voto pelo correio.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Foram os juízes federais, alguns nomeados por Trump, que lhes deram razão. E que recusaram, decisão após decisão, entregar ao Departamento de Justiça os cadastros eleitorais dos estados.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O jornal tem razão, mas Alexis de Tocqueville chegou lá primeiro. Quando viajou pelos Estados Unidos, na década de 1830, o aristocrata francês procurou saber como evitar que a &quot;era da igualdade&quot; degenerasse numa tirania da maioria. Entre os principais freios estavam precisamente os que vimos nestas midterms.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Para começar, a descentralização administrativa: uma teia de autoridades locais que não respondem aos ditames de Washington. &quot;As instituições municipais são para a liberdade o que as escolas primárias são para a ciência: colocam-na ao alcance do povo, permitem-lhe experimentar seu exercício pacífico e o habituam a fazer uso dela&quot;, escreveu Tocqueville.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Os mesários e funcionários que contaram os votos são alunos dessa escola: formiguinhas sem dono que corroem a centralização abusiva.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Por outro lado, o hábito do associativismo. Quem somos nós sem os outros? Presas fáceis para o poder autoritário, sem refúgio ou proteção. &quot;Um déspota perdoa de bom grado aos governados não o amarem, desde que eles não se amem uns aos outros&quot;, escreveu brilhantemente Tocqueville.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;As associações que contestaram judicialmente os abusos de Trump foram essa barreira contra a tentação despótica.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Por último, os juristas, essa &quot;aristocracia&quot; democrática que vela pelas regras, pela forma, pelo precedente. E que, nestas midterms, interpuseram a lei entre o presidente e o voto.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Significa isso que &lt;a href=&quot;https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/donald-trump/&quot;&gt;Donald Trump&lt;/a&gt; terá dois anos de humildade e moderação?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Pelo contrário: um animal ferido é um animal perigoso. Com o Congresso em mãos democratas, Trump terá menos espaço para governar internamente. Resta-lhe a política externa para fazer estragos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Meu ponto, porém, é outro: o sistema político e os costumes dos americanos (os &quot;moeurs&quot;, como lhes chamava Tocqueville) são mais difíceis de subverter do que os apocalíticos imaginam.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Quase 200 anos depois, a América de Tocqueville ainda resiste à América de Trump.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/quase-200-anos-depois-america-de.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgS4HtB602RDkkS23DxLvXFXx28o2hNJj1VdcwsRJH3XETQu8hWOoh2KefoYAGL39YbL-oyQ8F2Zy03UqgYhhm40V9jeHPhdCl26HCsyIwy6cg51lNdhKhlB7dW8G_S1Hm7dEGGewLKUP5ok8OHz7dlQy_05hWRPX76E0CmpdcKrtu91lwdWBCD/s72-c/17933733186ae4b48622972_1793373318_3x2_lg.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-5679851663995942568</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2026 18:42:55 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-04T15:48:19.953-03:00</atom:updated><title>Alcolumbre aposta nos traidores do PL para se manter no cargo</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhg0bCS1GQQzXSiAFEI_KTdXeLcKK_CYN7Fj0DJ9wvdyAD8d8PCdVtSv8hs4BaqAK6oCfQVyekIHV3WMG4ALFgoULtUuQPXnyXiJjxYT2NQE_Lf6cELqPHf4csMsIij90neXFqQc2nhMMf8Si-W3MNb3jnpP3SFPBUFTbsKyHePD4ucAqhXfW5G/s1081/55590198696_2e6daf222f_b-1081x720.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;720&quot; data-original-width=&quot;1081&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhg0bCS1GQQzXSiAFEI_KTdXeLcKK_CYN7Fj0DJ9wvdyAD8d8PCdVtSv8hs4BaqAK6oCfQVyekIHV3WMG4ALFgoULtUuQPXnyXiJjxYT2NQE_Lf6cELqPHf4csMsIij90neXFqQc2nhMMf8Si-W3MNb3jnpP3SFPBUFTbsKyHePD4ucAqhXfW5G/s1600/55590198696_2e6daf222f_b-1081x720.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O presidente do Senado acredita que pode ter até cinco votos do partido de Jair Bolsonaro a favor da sua reeleição. Wilson Lima para &lt;a href=&quot;https://oantagonista.com.br/brasil/alcolumbre-aposta-nos-traidores-do-pl-para-se-manter-no-cargo/?utm_medium=email&amp;amp;utm_campaign=resumo_da_manha_411&amp;amp;utm_source=RD+Station&quot;&gt;O Antagonista:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), aposta que conseguirá ser reeleito ao cargo com a ajuda de até cinco votos do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Nas contagens de Alcolumbre, ele acredita que hoje tem em torno de 48 votos a favor de sua recondução ao cargo O atual presidente do Senado conta não somente com o apoio do Palácio do Planalto como também de siglas como o PSD, de Gilberto Kassab, e de alas do União Brasil, do PP e até do Republicanos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Seu principal concorrente, neste momento, deve ser o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (RN). O ex-coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro vai lançar sua candidatura nesta quarta-feira, 4.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Como mostramos nesta terça-feira, aliados de Marinho contam com pelo menos 39 votos a favor de uma candidatura de oposição.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Nessa conta estão, por exemplo, 28 votos do próprio PL. Um vigésimo nono, o do senador Eduardo Gomes (PL-TO), é dúvida. Durante o final de semana, circulou a informação de que ele estaria de malas prontas para o PSD de Gilberto Kassab. Nem o PSD, nem o próprio Gomes confirmam, ao menos por enquanto, a mudança.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Nessa lista, o PL também conta com dois votos do PP: um do senador eleito Guilherme Derrite (SP) e outro de Tereza Cristina (MS), que também pretende disputar a presidência da Casa.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Os votos de Republicanos, Novo e até do MDB&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Além dos 30 votos de PL e PP, o partido conta com pelo menos cinco votos do Republicanos: Damares Alves (DF), Alan Rick (AC), Evair de Mello (ES), Hamilton Mourão (RS) e Mara Rocha (AC).&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A esses votos também se somam os três do partido Novo: Deltan Dallagnol (PR), Lahesio Bonfim (Novo) e Marcel Van Hattem (RS).&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Na semana passada, o senador do MDB de SE Alessandro Vieira já deixou claro na tribuna que não votará em Davi Alcolumbre para a presidência do Senado. Assim, são pelo menos 39 votos a favor de um candidato da oposição.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Outros nomes ainda são apontados como possíveis votos para Marinho, embora não haja uma certeza absoluta de que eles poderiam integrar a oposição como no caso de Styvenson Valentim (Podemos), por exemplo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Outra possibilidade é o senador Mauro Mendes (União). Apesar de ele integrar o partido do atual presidente do Senado, e do próprio partido ter fechado questão pró-Alcolumbre, há dúvidas se ele irá acatar a orientação partidária.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;O acordo que pode salvar Marinho e Tereza Cristina&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Outro ponto que tem deixado Alcolumbre otimista é o racha entre Tereza Cristina e Rogério Marinho. Aliados de Alcolumbre afirmam que, se os dois não entrarem em acordo para uma chapa conjunta, crescem as chances do atual presidente do Senado.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Na semana passada, Tereza e Marinho se reuniram para tentar chegar a um acordo, mas não houve consenso. A expectativa é que os dois voltem a conversar na próxima semana.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Uma das propostas para que os dois lancem uma chapa única que, se Marinho disputar a Presidência do Senado, ele apoiará Tereza para o comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caso Tereza seja a candidata ao comando da Casa, Marinho ficaria com o apoio dela para presidir o colegiado.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O arranjo tem precedente. Quando Rodrigo Pacheco (PSD-MG) disputou e venceu a eleição para a Presidência do Senado, em 2021, Alcolumbre foi escolhido para comandar a CCJ.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/alcolumbre-aposta-nos-traidores-do-pl.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhg0bCS1GQQzXSiAFEI_KTdXeLcKK_CYN7Fj0DJ9wvdyAD8d8PCdVtSv8hs4BaqAK6oCfQVyekIHV3WMG4ALFgoULtUuQPXnyXiJjxYT2NQE_Lf6cELqPHf4csMsIij90neXFqQc2nhMMf8Si-W3MNb3jnpP3SFPBUFTbsKyHePD4ucAqhXfW5G/s72-c/55590198696_2e6daf222f_b-1081x720.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-8090786490357311913</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2026 18:27:52 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-04T15:27:52.696-03:00</atom:updated><title>Por que tanta gente se sujeitou às ordens de Janones?</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipa70a1-ErArFCtDOSIYZQSDySk1j7ZnOuqpTyNdRYO_vsP_UzhynuPZG2i-79A0_dhieU-VkW9HQUfYbcyDxsZd9ry804OrHtNlIBraL35cEt6DNEA2qotN6MIt3aDujmxlyC7EEFZTkSmJeMcDdbaIFH4F_8-0d9IMZ5LjV384lf-BOOC-gF/s720/EXERCITO-JANONES-720x720.jpg.webp&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;720&quot; data-original-width=&quot;720&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipa70a1-ErArFCtDOSIYZQSDySk1j7ZnOuqpTyNdRYO_vsP_UzhynuPZG2i-79A0_dhieU-VkW9HQUfYbcyDxsZd9ry804OrHtNlIBraL35cEt6DNEA2qotN6MIt3aDujmxlyC7EEFZTkSmJeMcDdbaIFH4F_8-0d9IMZ5LjV384lf-BOOC-gF/s1600/EXERCITO-JANONES-720x720.jpg.webp&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Resolvi parar e pensar no que levou milhões de alguéns a se sujeitarem às ordens de uma das pessoas mais repugnantes da República. Paulo Polzonoff para a &lt;a href=&quot;https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/exercito-do-janones-2/&quot;&gt;Gazeta do Povo:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O mundo é para quem nasce para o conquistar&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;— &lt;b&gt;Fernando Pessoa&lt;/b&gt;, Tabacaria.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Sabe aquele papinho de “Não sei como alguém tão inteligente como você...?” Pois então. Ouvi muito isso nas últimas semanas. Não sei como alguém tão inteligente como você pode defender um bandido. Um fujão. E tudo bem. Faz parte do jogo essa retórica passivo-agressiva. Tanto que vou apelar a ela agorinha mesmo para perguntar: não sei como tantas pessoas inteligentes, bem-informadas e razoavelmente cultas puderam se sujeitar às ordens de Janones. Do André Janones, bicho! O sujeito para o qual eu olho e, não sei por quê (não faço a menor ideia!), me lembro imediatamente de Lombroso.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Mas aí é que está. Em vez de me contentar em não saber, resolvi parar e pensar no que levou milhões de alguéns a se sujeitarem às ordens de uma das pessoas mais repugnantes da República. Isso numa República abundante em pessoas repugnantes. Pensar. Não é fácil, ainda mais numa época que nos incita a reagir. Mas aproveitei o feriado, pensei e, depois de resistir a várias respostas fáceis como “porque são todos burros” ou “porque o esquerdismo é &lt;a href=&quot;https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/por-que-as-pessoas-de-esquerda-tem-uma-saude-mental-pior-do-que-as-de-direita/&quot;&gt;uma doença mental&lt;/a&gt;” ou “porque o petismo é uma seita”, cheguei a duas explicações que têm a ver com os versos de Fernando Pessoa que servem de epígrafe a este texto. O portuga sabia das coisas!&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Bovinamente&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Nesta eleição, ninguém investiu mais do que André Janones. Ele que investiu nada menos do que a própria vida. E aqui não me refiro apenas àquela coisa do “ganhar o mundo e perder a alma” (Lc 9:25). Janones foi parar no hospital, lembra? Na UTI. Uns dizem que a causa foi uma arritmia, outros dizem que foi... Você sabe. Na direita, não vi nada remotamente parecido. Nem os ataques de fúria de Paulo Kogos chegaram perto. Janones e os seus nasceram para conquistar o mundo. Isso não é um elogio; é quase uma maldição. Eles que estão dispostos a tudo. Ao diabo. Por falar em poesia, me lembrei de &lt;a href=&quot;https://www.gov.br/bn/pt-br/central-de-conteudos/producao/publicacoes/colecoes/revista-poesia-sempre/ps39_digital-2.pdf&quot;&gt;outros versos&lt;/a&gt; que ajudam a entender o fenômeno. Os versão são de Yeats: “Os melhores não têm convicção, enquanto os piores/ Estão repletos de uma intensidade apaixonada”.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;E outra, a que mais me pega: a direita não é capaz de concorrer com o senso de pertencimento da esquerda. Ainda. Talvez um dia seja e, sinceramente, não sei se isso é bom ou ruim. Poucos votaram em Flávio Bolsonaro com o mesmo orgulho com que a esquerda votou em Lula, fez o L, apertou o 13. E essa força, a do pertencimento, é muito maior do que qualquer sonho sincero de melhorar o país. As pessoas querem ser admiradas e reconhecidas como pessoas “do bem”. E, para isso, elas estão dispostas a tudo. Inclusive ao ridículo de obedecer bovinamente a André Janones. Esse é o poder enlouquecedor de um espírito tomado pela ideologia. Desses que, de acordo com o portuga, nasceram para conquistar o mundo. Nem que isso lhes custe a própria alma.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/por-que-tanta-gente-se-sujeitou-as.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipa70a1-ErArFCtDOSIYZQSDySk1j7ZnOuqpTyNdRYO_vsP_UzhynuPZG2i-79A0_dhieU-VkW9HQUfYbcyDxsZd9ry804OrHtNlIBraL35cEt6DNEA2qotN6MIt3aDujmxlyC7EEFZTkSmJeMcDdbaIFH4F_8-0d9IMZ5LjV384lf-BOOC-gF/s72-c/EXERCITO-JANONES-720x720.jpg.webp" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-4476795836546290011</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2026 18:20:44 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-04T15:20:44.375-03:00</atom:updated><title>As esquerdas são as suas piores inimigas</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhGQd-ZUHdmY363RBgZG3KjxyF2n20ts_MEgHySSAGSi3YhriRewMLACpluu9dUpgvO13EQlpZFp7GKanFIMET8-cxFY1yn_72gx7FPP-qpMWD-1iqtYfUYXYz1YQiK3UU2wR-r355sXJETGTX2KEaAE0dQyFngINufNUU6Oy4hEn6tYQeuzTvk/s360/joao-marques-de-almeida.webp&quot; style=&quot;clear: left; display: inline; float: left; font-family: verdana; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;360&quot; data-original-width=&quot;360&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhGQd-ZUHdmY363RBgZG3KjxyF2n20ts_MEgHySSAGSi3YhriRewMLACpluu9dUpgvO13EQlpZFp7GKanFIMET8-cxFY1yn_72gx7FPP-qpMWD-1iqtYfUYXYz1YQiK3UU2wR-r355sXJETGTX2KEaAE0dQyFngINufNUU6Oy4hEn6tYQeuzTvk/w200-h200/joao-marques-de-almeida.webp&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgo que a maioria dos portuguesess percebeu muito bem as motivações políticas dos protestos. São grupos de extrema-esquerda que se opõem à democracia liberal e representativa, e à economia de mercado. João Marques de Almeida para o &lt;a href=&quot;https://observador.pt/opiniao/as-esquerdas-sao-as-suas-piores-inimigas/&quot;&gt;Observador:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;É difícil de entender as celebrações das esquerdas sobre a decisão da juíza Ana de Campos. A sentença do tribunal ajuda o governo a resolver um problema. A partir de agora, a polícia deixa de intervir (a não ser que haja casos de violência, apesar de tudo improváveis). Em primeiro lugar, porque deve respeitar uma decisão judicial. Depois, porque a própria juíza decidiu que após a meia-noite os protestos devem ser não só totalmente pacíficos como absolutamente silenciosos. Sem intervenção policial, não há confusão com os manifestantes. Sem confusões, as televisões vão deixar de se interessar pelos protestos. E se as televisões não aparecerem, as manifestações não existem.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Em segundo lugar, ao colocar um limite temporal, a decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa limita a pressão dos manifestantes para o governo deixar cair a lei do arrendamento. Por isso, foi estabelecida uma data, com uma certa arbitrariedade, que coincide com o fim da discussão do orçamento. Ora, a discussão na especialidade da lei do arrendamento só começará depois da aprovação do orçamento.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Julgo que a maioria dos portuguesess percebeu muito bem as motivações políticas dos protestos (um bom serviço prestado pelas televisões). São grupos de extrema-esquerda que se opõem à democracia liberal e representativa, e à economia de mercado. São grupos que desejam uma revolução socialista; e têm todo o direito, mas uma enorme maioria dos portugueses é contra, e há mais de 50 anos. Foi isso que a maioria dos portugueses viu. E isso vai muito além da habitação. Houve ainda um ponto que não me escapou. Muitos dos manifestantes identificam-se como ambientalistas, mas não se portam como tal. O lixo que os acampamentos deixam é uma vergonha e uma falta de respeito pelo espaço público.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Mas há igualmente outros pontos políticos relevantes. Ao contrário do que dão a entender, o PCP e até o Bloco e o Livre preocupam-se muito com estes protestos. Nestas manifestações podem aparecer novos líderes das extremas-esquerdas. Os actuais movimentos da esquerda radical querem substituir partidos como o PCP, que estão associados a derrotas históricas. Também querem ter mais sucesso político do que o Bloco, reduzido a um deputado. Hoje, o rosto dos protestos é Renata Cambra, não é Mariana Mortágua. Tal como o Livre ultrapassou o Bloco e o PCP, pode aparecer destas manifestações um novo partido que deixe para trás o PCP, o Bloco e o Livre. Não tenho qualquer dúvida que os líderes destes três partidos estão preocupados.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Finalmente, estas manifestações mostraram mais uma vez as profundas divisões no interior do PS. De um lado, estão militantes como Ascenso Simões e Fernando Medina ou Francisco Assis. Do outro lado, estão os activistas como Pedro Nuno Santos e Pedro Delgado Alves. José Luís Carneiro está no meio. Pensa como os primeiros, mas não o pode dizer por causa das pressões da ala esquerdista do partido. PNS percebeu que estas manifestações permitiam recuperar a ideia da “geringonça”. Naturalmente, PNS acha que é quem está em melhores condições de liderar uma nova “geringonça”. PNS nunca perdeu o desejo de voltar a liderar o PS. Quer aproveitar as manifestações como uma rampa de lançamento para o regresso à liderança do seu partido. Hoje, a posição de José Luís Carneiro no PS está mais frágil do que estava antes das manifestações. E a liderança das esquerdas revolucionárias pelo PCP e pelo Bloco pode estar ameaçada.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/as-esquerdas-sao-as-suas-piores-inimigas.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhGQd-ZUHdmY363RBgZG3KjxyF2n20ts_MEgHySSAGSi3YhriRewMLACpluu9dUpgvO13EQlpZFp7GKanFIMET8-cxFY1yn_72gx7FPP-qpMWD-1iqtYfUYXYz1YQiK3UU2wR-r355sXJETGTX2KEaAE0dQyFngINufNUU6Oy4hEn6tYQeuzTvk/s72-w200-h200-c/joao-marques-de-almeida.webp" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-6230198240373941653</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2026 18:13:19 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-04T15:13:19.572-03:00</atom:updated><title>O tsunami democrata nos Estados Unidos</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyT2CQmb2m-_bDc93BWXMnGrTWvJY2UKpD3BG0b_BEV_O-gCwHtgyqU3CN13t_De54TfY4wyxFXLUEVxiGyIbeQB_DSPX_0lFWc6IeuJ1ke0oqnz4T0sjD-S21_hktDuj7cOzm0c__Syr7ynu2WsOr0YD2lJNnxIp3Y4qonReLgzPsWj7q87E0/s720/8023842920001-720x720.jpg.webp&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;720&quot; data-original-width=&quot;720&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyT2CQmb2m-_bDc93BWXMnGrTWvJY2UKpD3BG0b_BEV_O-gCwHtgyqU3CN13t_De54TfY4wyxFXLUEVxiGyIbeQB_DSPX_0lFWc6IeuJ1ke0oqnz4T0sjD-S21_hktDuj7cOzm0c__Syr7ynu2WsOr0YD2lJNnxIp3Y4qonReLgzPsWj7q87E0/s1600/8023842920001-720x720.jpg.webp&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Os dois anos restantes de Trump serão de governo dividido, vetos e investigações nas duas casas, e a pauta legislativa conservadora está, na prática, encerrada. Para 2028, o recado é mais sério: Texas, Ohio, Iowa e Geórgia deixaram de ser apostas seguras, e a coalizão de trabalhadores e latinos que devolveu Trump à Casa Branca mostrou que pode se desfazer em dois anos. Rodrigo Constatino para a &lt;a href=&quot;https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/o-tsunami-democrata-nos-estados-unidos/&quot;&gt;Gazeta do Povo:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;As eleições de meio de mandato costumam punir o partido do presidente, e qualquer conservador minimamente informado esperava perdas nesse 3 de novembro de 2026. O que poucos imaginavam era a dimensão do castigo. Os democratas retomaram as duas casas do Congresso com ampla vantagem. No Senado, viraram sete cadeiras republicanas (Texas, Ohio, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Kansas, Iowa e Maine) e chegaram a 54 assentos contra 44, contando dois independentes. Na Câmara os democratas ficam com 228 cadeiras contra 139 republicanas, uma virada de 25 cadeiras.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O peso histórico salta aos olhos. Kansas não elegia um senador democrata desde 1932, e o Texas não dava uma vitória estadual a um democrata desde 1994. A palavra &quot;tsunami&quot; apareceu até na manchete da Fox News. Não há como dourar a pílula. Foi um massacre!&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Nenhum resultado carrega tanto simbolismo quanto o de Michigan. &lt;a href=&quot;https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/perfil-abdul-el-sayed-primeiro-senador-muculmano-historia-eua/&quot;&gt;Abdul El-Sayed&lt;/a&gt;, médico epidemiologista de 42 anos, ex-diretor de saúde do condado de Wayne e filho de imigrantes egípcios, derrotou o ex-deputado republicano Mike Rogers e será o primeiro muçulmano no Senado americano. Um candidato da ala mais à esquerda do &lt;a href=&quot;https://www.gazetadopovo.com.br/tudo-sobre/partido-democrata-eua/&quot;&gt;Partido Democrata&lt;/a&gt;, defensor do Medicare for All e do fim da ajuda militar a Israel, que derrotou na primária a favorita do establishment, Haley Stevens, ganhou com folga um estado-pêndulo do Meio-Oeste. El-Sayed mobilizou jovens e eleitores pouco assíduos falando de custo de vida e corrupção. Quando o mercado está caro, o rótulo de &quot;radical&quot; deixa de assustar.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O padrão se repete. No Texas, James Talarico venceu Ken Paxton para o Senado e Gina Hinojosa derrotou o governador Greg Abbott. Na Carolina do Sul, Annie Andrews derrubou o senador republicano. Candidatos apoiados pelos &lt;a href=&quot;https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/bloco-socialista-ganha-forca-na-camara-dos-eua/&quot;&gt;Democratic Socialists of America&lt;/a&gt; venceram sete das dez disputas para a Câmara em que concorreram. Os dados demográficos incomodam ainda mais. Pela boca de urna da NBC, 62% dos latinos votaram nos democratas para a Câmara, contra 51% que haviam votado em &lt;a href=&quot;https://www.gazetadopovo.com.br/tudo-sobre/kamala-harris/&quot;&gt;Kamala Harris&lt;/a&gt; em 2024; os republicanos caíram de 46% para 35% nesse grupo. Os ganhos de 2024, que pareciam um realinhamento duradouro, mostraram-se reversíveis.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Na noite da apuração, &lt;a href=&quot;https://www.gazetadopovo.com.br/tudo-sobre/donald-trump/&quot;&gt;Donald Trump&lt;/a&gt; falou ao New York Times, à CBS e a Bret Baier, da Fox News. O tom oscilou entre uma conciliação inesperada e a velha transferência de culpa. &quot;Acho que os democratas fizeram um bom trabalho, de verdade. Eles lutaram muito&quot;, disse à Fox. &quot;Estavam atrás disso havia 11 anos e finalmente conseguiram.&quot; Ao Times, disse estar &quot;absolutamente disposto&quot; a aceitar o resultado. À CBS, avisou que, se os democratas não quiserem trabalhar com ele, vai &quot;simplesmente vetar tudo&quot;.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;As culpas foram distribuídas longe do Salão Oval. &quot;Eu não estava na cédula. Se estivesse, teríamos vencido&quot;, disse. Atribuiu derrotas a candidatos que &quot;não inspiraram&quot; ou &quot;não eram meus amigos&quot; e, na Truth Social, chamou Abbott de &quot;RINO&quot; – quem parece republicano, mas no fundo é democrata. No ponto mais revelador, admitiu à Fox que &quot;parte disso foi o Irã&quot;: os eleitores concordam com ele, disse, mas não estavam dispostos a pagar mais caro pela gasolina no curto prazo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Poucos anteciparam esse diagnóstico com tanta insistência quanto Matt Walsh, do Daily Wire. A guerra começou com ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã em 28 de fevereiro, e já em abril Walsh pedia seu fim: &quot;Os americanos estão sofrendo. Está caro demais simplesmente viver&quot;, disse. Em agosto, ligou os preços dos alimentos às &quot;guerras estrangeiras estúpidas&quot;. Em outubro, apontou o Irã e a gasolina cara como os dois motivos para candidatos que ele considerava &quot;não sérios&quot;, como Talarico e El-Sayed, liderarem as pesquisas. Na noite da eleição, foi direto: &quot;Trump lançou uma guerra impopular e sem sentido. A gasolina está cara demais. As pessoas não conseguem pagar o mercado. Trump abandonou a mensagem America First&quot;.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Se a guerra foi o gatilho, a economia foi o terreno da derrota. No papel, não há crise: o PIB cresceu 3,4% anualizados no terceiro trimestre. Mas o eleitor não vive de PIB. A inflação ao consumidor chegou a 3,7% em doze meses até setembro, e Mark Zandi, da Moody&#39;s, disse que as &quot;digitais da guerra&quot; estavam por todo o relatório. O galão de gasolina custava US$ 4,33 em meados de outubro, contra US$ 2,98 antes da guerra; o diesel, que encarece frete e comida, saltou de US$ 3,76 para cerca de US$ 6,30.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O emprego perdeu fôlego: em setembro, foram criadas apenas 29 mil vagas, e o desemprego subiu para 4,2%. O Federal Reserve manteve os juros entre 3,75% e 4% em 28 de outubro, com dois votos por alta, enquanto a subida dos rendimentos do Tesouro encarecia hipotecas e financiamentos. A confiança do consumidor medida pela Universidade de Michigan teve em setembro a segunda pior leitura da história.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Nas urnas, isso virou voto. Pela NBC, 75% disseram que a economia vai mal, 44% se disseram financeiramente pior do que há dois anos (só 18% melhor) e quase oito em cada dez relataram dificuldades causadas pela inflação. Para 65%, as políticas de Trump pioraram a economia; 62% o culparam pelos preços altos. Foi a mesma arma que derrubou Joe Biden, agora apontada para o outro lado.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Os dois anos restantes de Trump serão de governo dividido, vetos e investigações nas duas casas, e a pauta legislativa conservadora está, na prática, encerrada. Para 2028, o recado é mais sério: Texas, Ohio, Iowa e Geórgia deixaram de ser apostas seguras, e a coalizão de trabalhadores e latinos que devolveu Trump à Casa Branca mostrou que pode se desfazer em dois anos. Quem disputar a sucessão republicana terá de dizer se o movimento pertence a uma pessoa ou a um conjunto de ideias.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A lição não é confortável, mas é clara. Não se vence atacando a fé do adversário enquanto o diesel custa 68% mais caro. Não se pede ao eleitor sacrifício por uma guerra que o próprio America First prometia evitar. E não se terceiriza a culpa para candidatos &quot;desleais&quot; quando foi o líder quem os escolheu. A direita americana já se reergueu de 2006 e de 2018. Para fazer isso de novo, precisará primeiro admitir que perdeu por causa dos próprios erros.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/o-tsunami-democrata-nos-estados-unidos.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyT2CQmb2m-_bDc93BWXMnGrTWvJY2UKpD3BG0b_BEV_O-gCwHtgyqU3CN13t_De54TfY4wyxFXLUEVxiGyIbeQB_DSPX_0lFWc6IeuJ1ke0oqnz4T0sjD-S21_hktDuj7cOzm0c__Syr7ynu2WsOr0YD2lJNnxIp3Y4qonReLgzPsWj7q87E0/s72-c/8023842920001-720x720.jpg.webp" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-1554565783763498282</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2026 17:53:11 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-04T14:53:11.753-03:00</atom:updated><title>Gato escondido com rabo de fora?</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjP1-u3xWsoXLYu46uCimum6oGzpGNOLgHFNyr2TvWiQzvJOgea66zV564ZMyco2DJIqCo30NKNc1RyJ8mzgVr5ajpMV_kI-Qid03Ue3wT7loUcupOOgpNjiF6aX5PNnOeYI11ZMoxRphopaOzk_AaHd3CK1sZooS8x3PzMquz_k82k4ub0OSDH/s360/joao-pedro-marques.webp&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;360&quot; data-original-width=&quot;360&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjP1-u3xWsoXLYu46uCimum6oGzpGNOLgHFNyr2TvWiQzvJOgea66zV564ZMyco2DJIqCo30NKNc1RyJ8mzgVr5ajpMV_kI-Qid03Ue3wT7loUcupOOgpNjiF6aX5PNnOeYI11ZMoxRphopaOzk_AaHd3CK1sZooS8x3PzMquz_k82k4ub0OSDH/w200-h200/joao-pedro-marques.webp&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Um eventual pedido de desculpa é não só um patético erro pelas razões que já detalhei, mas pode também ser o primeiro passo para vir a pagar reparações. João Pedro Marques para o &lt;a href=&quot;https://observador.pt/opiniao/gato-escondido-com-rabo-de-fora/&quot;&gt;Observador:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Nos últimos meses a movimentação política de Paulo Rangel à frente do Ministério dos Negócios Estrangeiros face à questão das reparações pedidas pelos países das Caraíbas e de África tem sido de molde a deixar no ar muitas dúvidas e ambiguidades. Sobretudo depois de, no passado dia 25 de Março, &lt;a href=&quot;https://observador.pt/opiniao/uma-abstencao-que-nos-envergonha/?fbclid=IwY2xjawVUWeZleHRuA2FlbQIxMQBwZG9mBXNydGMGYXBwX2lkEDIyMjAzOTE3ODgyMDA4OTIAAR8jS62oCyEWZoMEHA822RyMEcji7S8-iOWGbUgluCuKDrIWEcY8yXOCMsQncA_aem_fTp5pHa_kUWxlPkEtomm-w&quot;&gt;Portugal se ter abstido&lt;/a&gt; na votação da moção apresentada pelo Gana na Assembleia-Geral das Nações Unidas considerando o tráfico transatlântico de escravos o mais grave de todos os crimes contra a humanidade (sic) e reivindicando reparações como remédio para “injustiças históricas”. Essa ambiguidade ou falta de clareza foi agravada tempos depois, em Setembro, quando Rangel se encontrou com o seu homólogo do Gana em conversações que permitiram a este último vir garantir que &lt;a href=&quot;https://observador.pt/opiniao/reparacoes-uma-facada-nas-costas/?fbclid=IwY2xjawVUWq5leHRuA2FlbQIxMQBwZG9mBXNydGMGYXBwX2lkEDIyMjAzOTE3ODgyMDA4OTIAAR9BmPQ3hE9QIYWAY1Gk_r64kicbcEjKlbLNm9kymJ7ZnnFfjOWI8W4G8fLcuA_aem_lmMt4RHOjnE9L6i45s1_6w&quot;&gt;Portugal manifestara vontade de atender às exigências dos países africanos&lt;/a&gt;, incluindo um pedido de desculpa formal e o pagamento de reparações pela antiga escravatura transatlântica. O MNE &lt;a href=&quot;https://24noticias.sapo.pt/atualidade/artigos/mne-demente-gana-e-nega-apoiar-reparacoes-as-ex-colonias-responsabilidade-nao-e-exclusiva-dos-ocidentais-diz-historiador?fbclid=IwY2xjawVUWQ1leHRuA2FlbQIxMQBwZG9mBXNydGMGYXBwX2lkEDIyMjAzOTE3ODgyMDA4OTIAAR9jvXsdAN2jTYLeunNacmJPKtB1UnGN2UhB0ao7NzXvu3tTtAAQsRQzmGPQnA_aem_3J96IMOBVVrO8rC1iON7QA&quot;&gt;negou que assim fosse&lt;/a&gt;, mas fê-lo em termos pouco convincentes.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Ora, no passado dia 29 de Outubro, Paulo Rangel teve, na Assembleia da República, a oportunidade de esclarecer tudo isso e de se explicar aos deputados. Segundo o&lt;a href=&quot;https://www.publico.pt/2026/10/29/politica/noticia/governo-rejeita-reparacoes-quer-reconciliacao-excolonias-2193134?fbclid=IwY2xjawVRgbFleHRuA2FlbQIxMQBwZG9mBXNydGMGYXBwX2lkEDIyMjAzOTE3ODgyMDA4OTIAAR_T3iVJfCI2D51mXIpPPtuZ-1wKo90e1F_Vo-CTC-K7k6Ae5F0NqFNg2eLsKQ_aem_yKGrvI5-XCDKZ_xCecGPHA&quot;&gt; jornal Público&lt;/a&gt;, o ministro garantiu que o governo “continua a recusar o pagamento de reparações a territórios cujas populações tenha escravizado no passado”, mas que tal não significa que deixe de “reconhecer que houve erros ou de apostar na reconciliação”.E, perante esta fraseologia, a minha primeira questão é a seguinte: o que é que, neste contexto, a palavra “reconciliação” quer dizer? Não estou a par de que exista qualquer zanga ou contencioso entre Portugal e os países que, tendo sido suas possessões aficanas, são hoje independentes. Julgo que tudo isso foi sanado em 1975 e nos anos seguintes. Seria importante que o nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros pudesse esclarecer que questões terão ficado pendentes e, havendo-as, o que será preciso oferecer para fazer a boca doce aos governos de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Sem esse esclarecimento continuará a ficar no ar a suspeita de que “reconciliação” é gato escondido com rabo de fora, isto é, de que é apenas uma outra palavra para designar “reparação”.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Quanto ao encontro de Setembro com o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Gana, Paulo Rangel confirmou-o, mas assegurou que as declarações do seu homólogo ganês tinham sido truncadas de forma enganadora pela comunicação social, o que a mim, que as vi e ouvi em vídeo, não me convence. Irei ficar muito atento às cenas dos próximos capítulos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Mas Paulo Rangel explicou, também, por que razão Portugal se absteve na votação de 25 de Março, a tal que classificou a escravatura transatlântica como o mais grave crime contra a humanidade e que reivindicou reparações como remédio para “injustiças históricas”. Disse o ministro que o nosso país não podia votar a favor da moção apresentada pelo Gana, por não acreditar que as reparações sejam o remédio para a escravatura, nem podia votar contra porque uma parte da dita moção era “aceitável”, já que se tratava de uma condenação da escravatura. Ora este último argumento é hiper-redundante e pueril. Será que Paulo Rangel acha que, em 2026, ainda precisamos de condenar a escravatura transatlântica? Essa escravatura foi condenada sem apelo nem agravo nos séculos XVIII e XIX. Tudo está condenado e mil vezes recondenado há muito, muito tempo. Foram os povos ocidentais que aboliram o tráfico de escravos e a escravidão, foram os marinheiros e soldados ocidentais que andaram a morrer de febres ou em escaramuças com os traficantes e alguns reinos negros para pôr fim a esse flagelo. Não foram os povos de África que o fizeram. Os povos ocidentais devem orgulhar-se do seu papel histórico de condenação e supressão da escravatura e não precisam de estar diariamente a condená-la, nem a lavar compulsivamente, doentiamente, a mancha e o mau odor de uma velha sujidade, como quem põe desodorizante à falta do banho matinal. Esse banho já foi tomado pelos nossos antepassados há 150 ou 200 anos, algo que deve ser lembrado e relembrado aos representantes diplomáticos do Gana e de outros países africanos cujos antepassados venderam milhões de escravos aos negreiros portugueses — os antepassados dos ganeses, aliás, não só os venderam como também compraram cerca de 30 mil escravos a esses negreiros, um comércio que cessou, por decisão portuguesa, em meados do século XVI, algo que raramente é referido.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Ou seja, nesta matéria, sobretudo quando temos como interlocutores os países africanos — e o Gana, em particular —, não precisamos de mais palavras condenatórias por parte do nosso MNE. Precisamos, isso sim, que se deixe de conversas redondas e pouco convincentes e que ponha os olhos em &lt;a href=&quot;https://www.facebook.com/kemibadenoch/posts/pfbid0Zh6WY56XwyheeYptBSfxPZENqjuo3GaoZfoHepUdNPR8sVMdxjegTNYm9dZGPcfXl&quot;&gt;Kemi Badenoch&lt;/a&gt;, uma senhora negra, nascida na Nigéria, que é a actual líder dos Conservadores britânicos e que não se cansa de sublinhar que é preciso ser-se honesto a respeito da História na sua globalidade, em vez de se escolher apenas as partes dela que nos são hoje em dia politicamente convenientes. Uma vez que a escravatura foi um mal no qual participaram gentes de todos os continentes e regiões, por que razão, pergunta Kemi Badenoch, os que actualmente exigem pedidos de desculpa e reparações aos povos ocidentais não o exigem também aos descendentes dos africanos que capturaram os escravos, os venderam e lucaram com esse tráfico?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Político que fala assim não é gago e eu tenho pena que haja tantos gagos no meu país e tão poucos líderes como Kemi Badenoch. De qualquer forma é importante continuarmos a olhar para o que, nesta área, se passa em Inglaterra pois é a vários títulos esclarecedor e pode ser um espelho do que irá passar-se aqui. Ponhamos os olhos em Andy Burnham, o PM britânico, que &lt;a href=&quot;https://www.brusselstimes.com/2307423/uk-rejects-reparations-for-slavery-following-jamaican-initiative&quot;&gt;em Setembro&lt;/a&gt; ainda parecia firme como uma rocha a assegurar que o Reino Unido nunca iria pagar reparações pela escravatura, mas que parece menos firme agora. É verdade que continua a afirmar que não pagará reparações, mas &lt;a href=&quot;https://www.theguardian.com/world/2026/oct/30/andy-burnham-call-formal-apology-britains-role-in-slave-trade?CMP=share_btn_url&amp;amp;fbclid=IwY2xjawVVLBlleHRuA2FlbQIxMQBwZG9mBXNydGMGYXBwX2lkEDIyMjAzOTE3ODgyMDA4OTIAAR_htvEgW5zpF-UluAOIZ4umkfhHwl3laZNgi4GIB18wDc_4v6NLdHsFI6ALDg_aem_AYNzlorDCedrwE-dDfO-9A&quot;&gt;mostra-se disponível&lt;/a&gt; para pedir formalmente desculpa pelo envolvimento dos britânicos no tráfico transatlântico de escravos. Ora, esse eventual pedido de desculpa é não só um patético erro pelas razões que já detalhei em 2017, mas pode também ser o primeiro passo para vir a pagar reparações, ainda que, de futuro, não se lhes chame assim. Aliás, dois dias depois de se mostrar disponível para pedir desculpa, Andy Burnham acrescentou que também estava disponível para custear as enormes despesas em saúde e educação dos países caribenhos da Commonwealth como compensação ou indemnização pelo papel do Reino Unido no tráfico transatlântico de escravos. Será uma coisa desse género que Paulo Rangel tem em mente quando nos fala, neste contexto, em “reconciliação” com as antigas possessões de Portugal em África?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/gato-escondido-com-rabo-de-fora.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjP1-u3xWsoXLYu46uCimum6oGzpGNOLgHFNyr2TvWiQzvJOgea66zV564ZMyco2DJIqCo30NKNc1RyJ8mzgVr5ajpMV_kI-Qid03Ue3wT7loUcupOOgpNjiF6aX5PNnOeYI11ZMoxRphopaOzk_AaHd3CK1sZooS8x3PzMquz_k82k4ub0OSDH/s72-w200-h200-c/joao-pedro-marques.webp" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-3982385248066498352</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2026 17:48:57 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-04T14:48:57.543-03:00</atom:updated><title>A Espanha Invertebrada</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjT3ua6Tdf8PmBj3qTHieLjb5NEzwFN1HTajgn0px2G5ZSNWDetZHDOK9thtH6DQroYVXgKCyldGZRMpQp9e9E0_d82mvidaU1_qVhLmBQYSo9AyPo33mnjX_mX1QTBLKD48kAonMtPbeIRCdQwcSE8xb0lQBQNp4MxhWqf1zM-mBNk_-M76Rvl/s360/jorge-fernandes%20(1).webp&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;360&quot; data-original-width=&quot;360&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjT3ua6Tdf8PmBj3qTHieLjb5NEzwFN1HTajgn0px2G5ZSNWDetZHDOK9thtH6DQroYVXgKCyldGZRMpQp9e9E0_d82mvidaU1_qVhLmBQYSo9AyPo33mnjX_mX1QTBLKD48kAonMtPbeIRCdQwcSE8xb0lQBQNp4MxhWqf1zM-mBNk_-M76Rvl/w200-h200/jorge-fernandes%20(1).webp&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Sánchez passou três anos a governar com o medo do Vox como único programa, e é Vox quem lhe vai cobrar a fatura. Jorge Fernandes para o &lt;a href=&quot;https://observador.pt/opiniao/a-espanha-invertebrada/&quot;&gt;Observador:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Quando dois comboios chocaram na linha entre Madrid e Sevilha, fazendo de Espanha o país com mais mortos em acidentes de comboio per capita de sempre, passando uma imagem perfeitamente terceiro-mundista de um país que Sánchez e os seus apaniguados, que também existem em Portugal, juram ser uma luz no mundo das políticas progressistas, a narrativa que Sánchez esperava ter até às eleições de 29 de Novembro estilhaçou-se.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O lugar simbólico que a alta velocidade ocupa no ethos Espanhol é muito importante para perceber as consequências políticas e sociais de dois acidentes muito graves em menos de um ano. Em Espanha, a alta velocidade é sinónimo de desenvolvimento, de modernização, de, finalmente, depois de décadas da autarcia, o país estar a tornar-se Europeu, no sentido mais amplo da palavra. O desmoronar de tudo isto é, simbolicamente, algo que representa bem o fim do Sanchismo enquanto corrente política.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O Governo, no entanto, nunca perdeu o sangue-frio. Poucas horas depois do acidente, ainda o corpo de António Acedo não havia sido retirado dos escombros e entregue à sua família para fazer o luto, já circulavam em todos os jornais as gravações dos momentos finais entre o maquinista e a central de comunicação em Madrid. Sejamos claros. Gravações desta natureza não saem de uma central de controlo da Adif, uma empresa pública que responde ao Ministério dos Transportes, por geração espontânea. É evidente que o Governo deu ordens para que as gravações fossem tornadas públicas, a fim de servir o propósito político: transformar o acidente num erro humano que, segundo Óscar Puente, ministro que passa mais tempo nas redes sociais a malhar, fazendo-me recordar alguém que tinha papel análogo num governo de má memória em Portugal, nos adversários, do que a governar. Num primeiro momento, Puente disse que a decisão de avançar depois de o sistema de segurança falhar era “inexplicável”. Só depois, e porque lho perguntaram, acabou por reconhecer que o sistema falhara cento e setenta vezes só em 2026.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Sánchez passou os últimos três anos completamente desinteressado do país, mais preocupado em acções performativas – como ser o campeão da imigração descontrolada ou fazer da causa Palestiniana o centro do mundo — para tentar tornar-se uma espécie de bússola moral da Esquerda na Europa. Quanto ao país, não aprovou um único Orçamento do Estado, a primeira vez que um executivo da democracia acaba a legislatura nestas condições. Aprovou, segundo dados oficiais, apenas 37 leis em mais de três anos, fazendo desta a legislatura menos produtiva desde a democratização em 1978, muito longe de qualquer legislatura normal, de qualquer governo, de qualquer partido.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A conta acabaria por chegar. Um país governa-se com orçamentos, porque é neles que se decide o que se constrói, o que se mantém e o que se renova, e uma rede ferroviária que o Estado deixou envelhecer, como se vê pelos cento e setenta falhanços de um único sistema de segurança, é precisamente o tipo de coisa que só uma política de investimento planeada, aprovada e fiscalizada consegue travar. Nada disso foi feito, não porque faltasse dinheiro, mas porque o governo de Sánchez era, desde o início, contra-natura, juntando preferências políticas que iam da extrema-esquerda à extrema-direita. A atenção de Sánchez foi toda para os votos de que precisava na semana seguinte, os dos partidos independentistas que lhe cobravam cada favor, os da esquerda à sua esquerda, que lhe cobravam outros, e para a gestão da própria imagem num mundo em que a imagem era, de facto, a única coisa que o Governo produzia com regularidade.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A desfaçatez de Sánchez é de tal modo extraordinária que, quando começaram os protestos da habitação ou, agora, no momento do acidente de comboio, falou num tom indignado, dizendo que o Governo tinha de prestar contas sobre o que havia sucedido, como se ele próprio não fosse o titular do cargo de primeiro-ministro nos últimos dois anos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Só que a previsível vitória de Feijóo será a de um homem que ganha e não consegue governar sozinho. O líder do PP precisa de Vox em quase todos os cenários plausíveis, e Abascal, que percebeu isso antes de toda a gente, já veio dizer que as suas condições passam pela «remigração», pela «prioridade nacional» e pela desregulação económica, um programa que em qualquer capital europeia exigiria meses de negociação e, com alguma probabilidade, um divórcio. Feijóo, que governa com Vox em quatro comunidades autónomas e exibe esses pactos como prova de que a coisa funciona, vai ter de explicar a Bruxelas, ao eleitorado moderado que lhe dará a vitória e a uma parte do próprio partido por que razão o que funciona numa autonomia funcionaria no Estado, e vai ter de o fazer sob a vigilância de uma imprensa e de um adversário que durante anos invocaram precisamente este espantalho, e que agora o vêem crescer à custa do que próprio Sánchez deixou apodrecer.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;É essa, talvez, a ironia final. Sánchez passou três anos a governar com o medo de Vox como único programa, e é Vox quem lhe vai cobrar a factura, e a Feijóo também. Se a direita ganhar mas encalhar nas negociações, Espanha arrisca-se a repetir o que já conhece: governos frágeis, orçamentos que não passam, um sistema político que troca de dono sem trocar de método. E ficará, aos olhos do continente, como o país que construiu uma das maiores redes de alta velocidade do mundo e se esqueceu de quem a faria andar em segurança, governado durante anos por um homem que, quando lhe pediram contas, só soube oferecer mentiras.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/a-espanha-invertebrada.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjT3ua6Tdf8PmBj3qTHieLjb5NEzwFN1HTajgn0px2G5ZSNWDetZHDOK9thtH6DQroYVXgKCyldGZRMpQp9e9E0_d82mvidaU1_qVhLmBQYSo9AyPo33mnjX_mX1QTBLKD48kAonMtPbeIRCdQwcSE8xb0lQBQNp4MxhWqf1zM-mBNk_-M76Rvl/s72-w200-h200-c/jorge-fernandes%20(1).webp" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-5058911843679979400</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2026 14:13:02 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-04T11:13:02.315-03:00</atom:updated><title>Estratégia do exílio</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiPXV_5aiVd7P1Ojnb8W9tGPqf8e4l9ou8riz1ut5ILT3tf9r8IdpgfPsFd_Avtbn2hdC3VltaLd-dGgSlYxkBpRX_bFtYTJs2ZdLAGpkVF7OHdDM6wAB4Wgm3W05pcZnOJr4OVQV9emTzxEa4RxNB25Ua4V5KCFBkmajRY1NJn1QGMklxqAaAg/s740/Marcio-Coimbra-Estrategia-do-Exilio.webp&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;740&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiPXV_5aiVd7P1Ojnb8W9tGPqf8e4l9ou8riz1ut5ILT3tf9r8IdpgfPsFd_Avtbn2hdC3VltaLd-dGgSlYxkBpRX_bFtYTJs2ZdLAGpkVF7OHdDM6wAB4Wgm3W05pcZnOJr4OVQV9emTzxEa4RxNB25Ua4V5KCFBkmajRY1NJn1QGMklxqAaAg/s1600/Marcio-Coimbra-Estrategia-do-Exilio.webp&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A beligerância interna continua e a escolha de Flávio pode abrir espaço para o surgimento de novos nomes que tentarão surgir como líderes da direita. Ainda veremos muitos capítulos deste debate nos próximos meses. Márcio Coimbra para o &lt;a href=&quot;https://monitordademocracia.org.br/estrategia-do-exilio/&quot;&gt;Monitor da Demcracia:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, dias após obter cerca de 60 milhões de votos e perder a corrida presidencial, representa menos uma fuga improvisada e mais uma escolha estratégica. A decisão carrega profundas consequências jurídicas e políticas, afetando tanto o futuro da oposição quanto o equilíbrio institucional do país.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Flávio poderia ter permanecido no Brasil para se defender nos inquéritos no STF, onde enfrentaria o risco real de prisão diante de uma corte percebida como capturada. Optou, contudo, pelo exílio. A decisão preserva um ativo político fundamental: a liberdade de expressão. Do território americano,  mantém transmissões ao vivo, denuncia o que classifica como uma ditadura exercida pelo STF e assegura a continuidade do movimento — diferentemente de Jair Bolsonaro, hoje silenciado pela prisão domiciliar.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Sob a ótica jurídica, a ordem do STF para apreensão de passaporte baseou-se no alegado risco de evasão. Ao interpretar a medida como início de uma intimidação, Flávio descumpriu a cautelar e partiu para o exílio. Politicamente, a celeridade da decisão — emitida minutos após a apuração das urnas — reforça a percepção de parcialidade e seletividade. Críticos contrapõem o caso à situação de investigados ligados ao governo, como Fábio Luís Lula da Silva, que reside na Espanha sem restrições equivalentes, e Jaques Wagner, não submetido à retenção de documentos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Essa assimetria ganha contornos ainda mais graves diante das polêmicas envolvendo ministros do STF e o Banco Master no caso Daniel Vorcaro. Embora integrantes da corte possam ser investigados pelo próprio tribunal por crimes comuns mediante denúncia da PGR, observa-se uma corporativa blindagem institucional. Essa dinâmica alimenta dúvidas sobre a imparcialidade do Judiciário e fortalece a tese da “venezuelanização” das instituições.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;No xadrez legislativo, como o mandato de Flávio no Senado expira no início de 2027, a condução prática da oposição no Congresso caberá a nomes como Rogério Marinho, articulado para disputar a presidência da Casa. Contudo, ao publicar sua carta como líder no exílio, Flávio quer consolidar-se como o representante político da direita, mantendo a militância mobilizada.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Ao publicar a carta, Flávio não abre espaço para qualquer repactuação de forças, entretanto, em outra frequência, Tarcísio de Freitas adota uma postura pragmática e começa a tentar se firmar como a grande alternativa nacional com vistas a 2030. A oposição conseguirá se manter unificada sob a narrativa do exílio ou acabará migrando pragmaticamente para a liderança de Tarcísio?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Enquanto isso o Brasil enfrenta o desafio de pacificar sua convivência democrática — com o Judiciário e o Executivo imersos em forte polarização. A beligerância interna continua e a escolha de Flávio pode abrir espaço para o surgimento de novos nomes que tentarão surgir como líderes da direita. Ainda veremos muitos capítulos deste debate nos próximos meses.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana; font-size: x-small;&quot;&gt;Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia. Mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana; font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/estrategia-do-exilio.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiPXV_5aiVd7P1Ojnb8W9tGPqf8e4l9ou8riz1ut5ILT3tf9r8IdpgfPsFd_Avtbn2hdC3VltaLd-dGgSlYxkBpRX_bFtYTJs2ZdLAGpkVF7OHdDM6wAB4Wgm3W05pcZnOJr4OVQV9emTzxEa4RxNB25Ua4V5KCFBkmajRY1NJn1QGMklxqAaAg/s72-c/Marcio-Coimbra-Estrategia-do-Exilio.webp" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-7436342805222435852</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2026 14:08:05 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-04T11:08:05.408-03:00</atom:updated><title>O medo venceu a esperança</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6_6KxzN4RDRHWivOBN8R36j6N65ZOMCFgbcL_xVi4UMNU12MWsH48tOJY2YJqnl4YpMJMmpJbhH03crXUMRN5n5vMtuuTnU8qinUg-BgQ3PlYfa02ej2wFFtQHgWdncw1UFJLfvDNcxOMWltEBIElqHYLG2wVugzle2leSAQRJhDfhfQ_q64C/s740/Ismael-Almeida-O-medo-venceu-a-esperanca.webp&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;740&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6_6KxzN4RDRHWivOBN8R36j6N65ZOMCFgbcL_xVi4UMNU12MWsH48tOJY2YJqnl4YpMJMmpJbhH03crXUMRN5n5vMtuuTnU8qinUg-BgQ3PlYfa02ej2wFFtQHgWdncw1UFJLfvDNcxOMWltEBIElqHYLG2wVugzle2leSAQRJhDfhfQ_q64C/s1600/Ismael-Almeida-O-medo-venceu-a-esperanca.webp&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O medo venceu a esperança. Mas a maior derrota do Brasil será permitir que ele continue vencendo. Ismael Almeida para o &lt;a href=&quot;https://monitordademocracia.org.br/o-medo-venceu-a-esperanca/&quot;&gt;Monitor da Democracia:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O Brasil saiu das urnas, mas não saiu do medo. E talvez essa seja a constatação mais triste da eleição presidencial de 2026: o medo venceu a esperança.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Durante meses, milhões de brasileiros foram submetidos a uma campanha que, em vez de discutir o futuro do país, concentrou esforços em despertar o temor de perder aquilo que já possuem. Especialmente entre os mais pobres, a mensagem foi repetida à exaustão: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro colocaria em risco benefícios sociais, direitos e conquistas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Para quem vive com pouco, qualquer ameaça de perder o mínimo necessário à sobrevivência produz consequências profundas. E foi justamente nessa vulnerabilidade que a estratégia eleitoral encontrou terreno fértil.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O governo Lula compreendeu que não precisava necessariamente convencer o brasileiro de que sua vida estava melhorando. Bastava convencê-lo de que, com o adversário, poderia piorar.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Ao mesmo tempo, o país assistiu à expansão dos gastos públicos, à multiplicação de promessas e à utilização da máquina governamental para sustentar uma narrativa de prosperidade que não encontrava correspondência na realidade de milhões de famílias.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O dinheiro público passou a desempenhar papel central nessa disputa. Enquanto o discurso oficial prometia proteção e benefícios, cresciam as preocupações com o equilíbrio fiscal e com a capacidade do Estado de sustentar tantas despesas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A conta, naturalmente, não desaparece depois da eleição. Ela chega na forma de endividamento, juros, inflação, impostos e restrições orçamentárias. E quem mais sofre suas consequências é justamente a população que se pretendia proteger.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Essa combinação de medo e promessas revelou-se politicamente poderosa. De um lado, o receio de perder benefícios. De outro, a expectativa de receber mais. No meio, um eleitorado pressionado pelas dificuldades do presente e desencorajado a apostar em um futuro diferente.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Foi assim que, na minha avaliação, se enfraqueceu a possibilidade de uma mudança após quase duas décadas de governos petistas, somados os diferentes períodos em que o partido ocupou a Presidência da República.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Não se trata de desrespeitar a escolha de quem votou em Lula. O voto é livre e deve ser respeitado. Trata-se de questionar as condições políticas e emocionais em que essa escolha foi construída.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Uma democracia saudável deveria estimular o eleitor a comparar projetos, avaliar resultados e decidir com liberdade. Quando o medo se torna o principal instrumento de convencimento, o debate público empobrece e a esperança perde espaço.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Mas existe outro componente igualmente preocupante nessa eleição: a desconfiança.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A percepção de parte da sociedade de que o processo eleitoral poderia ter sido fraudado, independentemente da existência de provas que sustentem essa suspeita, representa um problema grave para a legitimidade política do vencedor.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;É importante distinguir a legitimidade jurídica do resultado, que depende das regras e das instituições eleitorais, da confiança pública, que não se estabelece simplesmente pela proclamação de um vencedor.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Nenhuma democracia se fortalece quando uma parcela expressiva da população desconfia de suas eleições. E essa confiança não se conquista exigindo silêncio, mas oferecendo transparência, fiscalização, esclarecimentos e respeito ao direito de questionar.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O vencedor de uma eleição não recebe apenas o direito de governar. Recebe também a responsabilidade de construir legitimidade perante aqueles que não votaram nele.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O Brasil precisava sair dessa disputa com a esperança renovada, com confiança nas instituições e com disposição para enfrentar seus problemas estruturais. Em vez disso, permanece dividido, endividado e cercado de incertezas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A vitória eleitoral de Lula não elimina as contradições de sua campanha, tampouco resolve os problemas que o país terá de enfrentar nos próximos quatro anos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;É possível vencer uma eleição explorando o medo. Muito mais difícil será governar quando as promessas encontrarem os limites da realidade.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Porque o medo pode garantir votos, mas não produz desenvolvimento. Pode impedir uma mudança, mas não oferece, por si só, um futuro melhor.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;E um país que deixa de acreditar na possibilidade de mudar começa, perigosamente, a se conformar com aquilo que deveria superar.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O medo venceu a esperança. Mas a maior derrota do Brasil será permitir que ele continue vencendo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/o-medo-venceu-esperanca.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6_6KxzN4RDRHWivOBN8R36j6N65ZOMCFgbcL_xVi4UMNU12MWsH48tOJY2YJqnl4YpMJMmpJbhH03crXUMRN5n5vMtuuTnU8qinUg-BgQ3PlYfa02ej2wFFtQHgWdncw1UFJLfvDNcxOMWltEBIElqHYLG2wVugzle2leSAQRJhDfhfQ_q64C/s72-c/Ismael-Almeida-O-medo-venceu-a-esperanca.webp" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-17163319.post-4258782024191442349</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2026 13:59:38 +0000</pubDate><atom:updated>2026-11-04T10:59:38.857-03:00</atom:updated><title>O fascismo é de direita? As origens socialistas e marxistas do movimento de Mussolini</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4FOFNcdt2Is8MkZaqQl0nu8WR6mwu9j-HzK8URh_KhuQx0dT112YvBtRyhBpkEctL0OM2FZlHGsCN_5kaiRagqeYbYJQlNrCEAtQcuHoi2aZiVm_fgeZGbPDgTJbVW09SyuSLIaJx4_laT53xNvnodctdd4rw0wWNyruyMiYQc22dpoKelpGH/s852/Mussolini_3.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;480&quot; data-original-width=&quot;852&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4FOFNcdt2Is8MkZaqQl0nu8WR6mwu9j-HzK8URh_KhuQx0dT112YvBtRyhBpkEctL0OM2FZlHGsCN_5kaiRagqeYbYJQlNrCEAtQcuHoi2aZiVm_fgeZGbPDgTJbVW09SyuSLIaJx4_laT53xNvnodctdd4rw0wWNyruyMiYQc22dpoKelpGH/s1600/Mussolini_3.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Da militância no Partido Socialista Italiano à influência de Karl Marx, Friedrich Engels e Georges Sorel, a trajetória de Benito Mussolini revela uma genealogia revolucionária fundamental para compreender a formação do fascismo. Fabio Napoli para o &lt;a href=&quot;https://mises.org.br/artigos/23486/fascismo-e-de-direita/&quot;&gt;Instituto Mises:&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Introdução: antes do regime, a revolução&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A história de uma ideologia não começa necessariamente no momento em que ela conquista o poder, tampouco pode ser compreendida apenas pelas alianças que seus dirigentes estabelecem posteriormente. Para investigar suas origens, é preciso reconstruir a trajetória de seus principais representantes, identificar suas influências intelectuais e examinar os movimentos políticos dos quais participaram.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;No caso do fascismo italiano, essa investigação conduz a um ambiente que merece atenção especial: o socialismo revolucionário do final do século XIX e início do século XX.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Benito Mussolini, fundador do movimento fascista, não iniciou sua carreira política em um movimento conservador tradicional. Sua formação ocorreu no interior do socialismo italiano, com influência de Karl Marx e Friedrich Engels, aproximação com o sindicalismo revolucionário e contato com pensadores que defendiam a ruptura violenta com a ordem política e econômica existente.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Essa trajetória não é uma simples curiosidade biográfica. Ela permite compreender a formação de determinadas concepções que reapareceriam, transformadas, em seu projeto político: a revolução como instrumento de transformação social, a violência como força política, a rejeição ao parlamentarismo, a organização de uma elite dirigente e a subordinação dos interesses individuais a um projeto coletivo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Entre os autores que contribuíram para esse percurso estão Georges Sorel, teórico do sindicalismo revolucionário; Lenin, cuja concepção de organização partidária oferece paralelos relevantes com as ideias de Mussolini; e diferentes representantes do marxismo heterodoxo que procuraram superar o reformismo dos partidos socialistas de sua época.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Examinar essa trajetória significa olhar para o processo de formação do fascismo antes de sua consolidação como regime. E, nesse percurso, as conexões com o socialismo e o marxismo ocupam um lugar central.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;A formação socialista de Benito Mussolini&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Benito Amilcare Andrea Mussolini nasceu em 1883, na Itália. Seu ambiente familiar já apresentava ligações com a tradição socialista: seu pai, Alessandro Mussolini, era conhecido por suas convicções internacionalistas, característica associada aos socialistas da época.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Ainda jovem, Mussolini aproximou-se do movimento socialista italiano e passou a trabalhar com jornalismo e militância política. Durante sua estadia na Suíça, entre 1902 e 1904, estabeleceu contatos com pessoas ligadas ao Partido Socialista Italiano (PSI), entre elas Giacinto Menotti Serrati e Angelica Balabanoff.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Serrati ajudou a aproximá-lo do Avvenire del Lavoratore, periódico vinculado ao ambiente socialista, no qual Mussolini publicou seu texto Il romanzo russo, em 1902.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Sua formação intelectual incluía autores fundamentais do pensamento revolucionário. Mussolini conhecia obras de Marx e Engels, entre elas O Capital, em uma edição preparada pelo socialista italiano Carlo Cafiero, o Manifesto Comunista e as Teses sobre Feuerbach. Também teve contato com escritos associados às primeiras fases da produção intelectual de Marx.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Além disso, interessava-se por Hegel, Nietzsche e Georges Sorel, autores que contribuíram de maneiras diferentes para a construção de seu pensamento.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Essa combinação de influências é importante. Mussolini não se limitava a defender reivindicações pontuais dos trabalhadores: procurava formular uma concepção de transformação histórica, compreender as forças que moviam a sociedade e identificar os meios pelos quais uma revolução poderia ser realizada.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O marxismo ofereceu parte importante da estrutura dessa interpretação. Em seus primeiros escritos, Mussolini demonstrava interesse pela relação entre a economia, a política e a moral, considerando as condições materiais e os conflitos sociais elementos fundamentais para compreender a organização das sociedades.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Em textos como Delinquenza moderna, ainda no início de sua carreira, defendia a importância do fator econômico na explicação dos fenômenos políticos e morais.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Para o jovem militante, portanto, a política não era apenas uma disputa parlamentar entre representantes de interesses distintos. Era um campo de conflito histórico que poderia culminar em uma transformação radical da sociedade.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Essa visão seria determinante para compreender os caminhos que ele percorreria nos anos seguintes.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Marx, Engels e a concepção revolucionária da história&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A relação de Mussolini com o marxismo deve ser examinada também a partir de sua concepção de revolução.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;No Manifesto Comunista, publicado em 1848, Marx e Engels atribuem centralidade aos conflitos entre classes sociais e à transformação das relações econômicas como elementos da dinâmica histórica. A obra apresenta a história moderna como marcada pelo antagonismo entre burguesia e proletariado.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Em outros escritos, os autores discutem a relação entre as condições materiais de existência, as ideias predominantes e as instituições sociais.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Mussolini apropriou-se de interpretações desse pensamento para formular suas próprias posições sobre a transformação social. Em sua leitura, a sociedade existente não representava uma ordem definitiva: tratava-se de uma estrutura histórica que poderia ser superada por um processo revolucionário.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A questão decisiva, para ele, era determinar como esse processo deveria ocorrer.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Em seus primeiros textos políticos, Mussolini não demonstrava grande interesse por uma transformação gradual baseada exclusivamente em reformas parlamentares. Sua atenção voltava-se para a insurreição, o conflito de classes e a possibilidade de utilizar a violência como instrumento de ruptura.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A passagem do pensamento revolucionário à ação concreta exigia, em sua interpretação, mais do que a compreensão das condições econômicas. Exigia militantes preparados, organização política e disposição para enfrentar a ordem existente.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Nesse ponto, sua leitura de Marx aproximava-se de uma vertente radical do socialismo que considerava insuficiente esperar que as contradições econômicas produzissem espontaneamente uma nova sociedade.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A revolução deveria ser preparada e conduzida.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Essa preocupação aparece em Intorno alla notte del 4 agosto, de 1904, texto em que Mussolini recordava a eliminação dos privilégios feudais durante a Revolução Francesa. Em sua interpretação, a antiga ordem não havia sido superada simplesmente pela generosidade de seus beneficiários: a transformação estivera associada ao conflito político.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A partir dessa leitura, Mussolini projetava a possibilidade de uma transformação socialista igualmente acompanhada de confrontos violentos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Em La teppa, também de 1904, sua homenagem aos participantes da Comuna de Paris revela o fascínio pelo heroísmo revolucionário e pela disposição de enfrentar os defensores da sociedade existente.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O texto relaciona sua interpretação da violência a Georges Sorel e às leituras revolucionárias de Marx. O confronto não aparecia somente como uma consequência indesejada da política: adquiria significado como instrumento de transformação histórica.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A relação entre revolução e violência, portanto, estava presente no pensamento de Mussolini muito antes da consolidação do movimento fascista.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Georges Sorel e o sindicalismo revolucionário&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Entre as influências intelectuais de Mussolini, Georges Sorel ocupa posição de destaque.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Sorel foi um pensador associado ao sindicalismo revolucionário, corrente que contestava a orientação reformista de setores do movimento socialista europeu. Sua obra Reflexões sobre a Violência, publicada originalmente em 1908, tornou-se uma referência importante para os debates sobre a relação entre ação revolucionária, conflito e transformação social.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O interesse de Sorel pela violência não deve ser confundido simplesmente com uma defesa indiscriminada de qualquer ato violento. Sua reflexão tratava do papel político e simbólico do conflito na mobilização dos trabalhadores e na ruptura com a acomodação reformista.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O que tornava suas ideias especialmente relevantes para Mussolini era a crítica à passividade política e a valorização da ação capaz de romper com a ordem estabelecida.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O sindicalismo revolucionário não se contentava com a expectativa de que os trabalhadores conquistariam progressivamente mais influência por meio das instituições existentes. Seus representantes defendiam a ação direta, a mobilização operária e a transformação das relações sociais por meio do confronto com as estruturas vigentes.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Na Itália, essa corrente desenvolveu-se no interior do universo socialista. Até pelo menos 1907, o sindicalismo revolucionário constituía uma facção radical do próprio Partido Socialista Italiano. Seus integrantes eram conhecidos como intransigenti, justamente por sua oposição às tendências consideradas moderadas ou reformistas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Entre os nomes associados a esse ambiente estavam Arturo Labriola, Enrico Leone, Angelo Oliviero Olivetti e Sergio Panunzio. Muitos desses intelectuais e militantes contribuíram posteriormente, de maneiras diferentes, para a formação do pensamento fascista.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A influência de Sorel foi particularmente importante porque permitia combinar elementos do vocabulário marxista com uma concepção mais voluntarista da ação política. Em vez de depender exclusivamente de supostas leis econômicas da história, a transformação também exigiria vontade, disciplina, mobilização e liderança.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Essa interpretação ajudava a resolver um problema central dos movimentos revolucionários: se a história seguiria determinadas tendências estruturais, qual seria o papel dos militantes na aceleração da transformação?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Para Mussolini, a resposta estava na ação organizada.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O sindicalismo revolucionário ofereceu-lhe uma linguagem política na qual a revolução poderia ser entendida não apenas como resultado de circunstâncias históricas, mas como uma tarefa a ser conduzida por indivíduos dispostos a romper com a ordem existente.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A influência foi suficientemente significativa para que Renzo De Felice identificasse o sindicalismo revolucionário como uma das principais influências da formação intelectual de Mussolini. A análise de A. James Gregor também associa essa corrente, entendida como uma interpretação heterodoxa do marxismo, à formação de argumentos centrais do fascismo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A relevância histórica de Sorel está justamente nessa conexão: suas ideias circularam entre correntes revolucionárias distintas e ajudaram a estabelecer vínculos intelectuais entre o sindicalismo de inspiração socialista e movimentos que posteriormente adotariam outras orientações políticas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;O debate sobre a ortodoxia soreliana&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A trajetória de Sorel também demonstra que essas relações não eram estáticas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A aproximação de Sorel com a Action Française, movimento nacionalista francês associado a Charles Maurras, provocou controvérsias entre militantes do sindicalismo revolucionário italiano. Para muitos deles, aquela aproximação parecia incompatível com os compromissos socialistas anteriormente defendidos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Mussolini também se posicionou criticamente nesse contexto e utilizou a controvérsia para questionar a orientação de setores do sindicalismo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Esse episódio ajuda a compreender que a formação intelectual do fascismo não resultou de uma transferência automática de ideias de um movimento para outro. Foi um processo marcado por disputas, rupturas e reinterpretações.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Entretanto, o fato de essas correntes terem entrado em conflito não elimina a influência exercida pelo sindicalismo revolucionário sobre Mussolini. Ao contrário, revela o ambiente intelectual no qual se desenvolveram diferentes interpretações da revolução, da organização política e da transformação das instituições.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;As ideias não precisavam permanecer dentro dos limites originais de um movimento para exercer influência sobre outro.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;A oposição ao reformismo dentro do socialismo&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Outro elemento fundamental para compreender a trajetória de Mussolini é sua oposição aos setores reformistas do Partido Socialista Italiano.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Para ele, o problema não era simplesmente a existência de divergências táticas dentro do partido. A questão era se a organização socialista seria capaz de realizar uma transformação efetivamente revolucionária.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Em L’Attuale momento politico, de 1908, Mussolini admitia que o Partido Socialista poderia desaparecer ou mudar sua organização, mas não aceitava que isso significasse o desaparecimento do socialismo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Sua preocupação era preservar aquilo que considerava o núcleo revolucionário da doutrina, ainda que fosse necessário transformar a estrutura partidária.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Em 1910, seus escritos continuavam a defender o afastamento dos quadros que considerava reformistas ou excessivamente vinculados aos interesses da pequena burguesia. A crítica dirigia-se à orientação política do partido e àquilo que Mussolini considerava uma acomodação às instituições existentes.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Sua concepção de socialismo privilegiava a ruptura, enquanto o sindicalismo revolucionário oferecia instrumentos de ação direta contra o Estado e o parlamentarismo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;É nesse sentido que Mussolini descreveu, em La teoria sindacalista, de 1909, diferenças entre o socialismo organizado em torno da atuação parlamentar e o sindicalismo, que privilegiava a ação direta e a construção de novos valores políticos e sociais.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O sindicalismo aparecia como uma espécie de radicalização da ação socialista: enquanto uma parcela do movimento procurava promover mudanças por meio das instituições existentes, os sindicalistas revolucionários desejavam romper com a estrutura que consideravam responsável pela conservação da ordem.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Essa distinção é essencial para compreender o perfil do jovem Mussolini. Sua insatisfação com o partido não significava, naquele momento, uma adesão ao liberalismo ou uma defesa da ordem econômica existente. Significava que ele considerava o socialismo de sua época insuficientemente revolucionário.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Sua trajetória política foi profundamente marcada por essa busca de uma forma de ação capaz de superar aquilo que julgava serem os limites do movimento socialista tradicional.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;A organização revolucionária e o papel das elites&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A concepção de revolução de Mussolini também envolvia uma teoria particular de organização política.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Para ele, as massas não seriam capazes de conduzir autonomamente todo o processo revolucionário. Seria necessário um grupo preparado para orientar a população, construir uma direção política e assegurar a continuidade do movimento.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Essa ideia apresentava paralelos relevantes com o pensamento de Vladimir Lenin.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Em Que fazer?, publicado em 1902, Lenin argumentava sobre a importância da organização de revolucionários profissionais e do papel dos dirigentes na formação da consciência política dos trabalhadores. A ação do partido deveria ultrapassar a reação espontânea às condições econômicas e assumir a tarefa de organizar a luta política.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Mussolini desenvolveu preocupações semelhantes em seus próprios escritos. Desde os primeiros anos de sua militância, demonstrava desconfiança em relação à capacidade espontânea das massas de realizar a transformação pretendida.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A revolução dependeria de uma direção organizada, disciplinada e dotada de objetivos definidos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O paralelo com Lenin não significa que os dois formularam doutrinas idênticas ou seguiram trajetórias iguais. A comparação diz respeito à importância atribuída à vanguarda revolucionária, à organização dos quadros e à liderança política na condução das massas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Essa concepção continuaria relevante na trajetória de Mussolini. Com a mudança de suas referências, a antiga ideia de uma elite revolucionária vinculada ao proletariado daria lugar a uma concepção de liderança organizada em torno da nação.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O princípio da ação dirigida por uma minoria organizada, entretanto, já fazia parte de suas preocupações antes da formação do movimento fascista.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O fascismo não surgiu, portanto, em um ambiente intelectual desprovido de concepções anteriores de partido, liderança e transformação revolucionária. Algumas dessas questões haviam sido intensamente debatidas nos movimentos socialistas europeus, particularmente nas correntes que contestavam o reformismo parlamentar.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;A Primeira Guerra Mundial e a ruptura com o Partido Socialista&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A Primeira Guerra Mundial provocou uma transformação importante na trajetória de Mussolini.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Em 1914, a questão da participação italiana no conflito dividiu os socialistas. Enquanto a direção do Partido Socialista Italiano manteve uma posição de cautela e oposição à intervenção, Mussolini passou a defender que a guerra poderia criar condições para uma transformação revolucionária.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Sua mudança foi influenciada pelos debates entre os socialistas intervencionistas. Entre os autores desse ambiente estava Sergio Panunzio, que criticava o antimilitarismo e o pacifismo por considerar que essas posições poderiam contribuir para a conservação da ordem existente.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A interpretação de que o conflito internacional poderia desencadear uma transformação revolucionária não era exclusiva de Mussolini. Também existiam socialistas de outros países que apoiavam a intervenção militar ou consideravam a guerra capaz de modificar profundamente as condições políticas e econômicas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Mussolini passou a defender publicamente a intervenção italiana em outubro de 1914, em seu texto Dalla neutralità assoluta alla neutralità attiva ed operante.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A divergência tornou-se insustentável. Ele deixou a direção do jornal Avanti! naquele mês e, em novembro, fundou o Il Popolo d’Italia. Em 24 de novembro de 1914, foi formalmente expulso do Partido Socialista Italiano.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Esse rompimento representou um marco na sua trajetória, mas não deve ser interpretado como se todas as suas referências intelectuais anteriores tivessem desaparecido de uma vez.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Mussolini continuou a reivindicar sua condição de socialista mesmo depois do conflito com o partido. Seu novo periódico manteve inicialmente a identificação socialista em seu subtítulo, e sua interpretação da guerra continuou associada à possibilidade de realizar uma revolução.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A ruptura foi, antes de tudo, uma ruptura com a direção e a orientação política do PSI. O desenvolvimento posterior de sua doutrina ocorreria a partir da combinação de referências revolucionárias anteriores com novas concepções, especialmente o nacionalismo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Marx continuou presente nas reflexões de Mussolini&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Os escritos de Mussolini posteriores à expulsão do partido revelam que sua relação com Marx permaneceu importante durante a transição ideológica.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Um exemplo está em Divagazioni pel centenario, de 1918. Nesse texto, Mussolini discutia o desenvolvimento histórico e econômico previsto em interpretações do pensamento marxista e utilizava esse referencial para questionar o caráter da Revolução Russa.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Segundo seu raciocínio, o desenvolvimento capitalista da Rússia não teria avançado suficientemente para corresponder ao processo revolucionário descrito por Marx. Por isso, Mussolini rejeitava a ideia de que a experiência russa representasse necessariamente a revolução marxista que esperava.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;É uma passagem reveladora: mesmo após romper com os socialistas italianos e adotar uma postura cada vez mais nacionalista, Mussolini ainda mobilizava categorias marxistas para interpretar acontecimentos contemporâneos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Ele também discutia a relação entre Marx e a guerra, argumentando que o pensador alemão não poderia ser caracterizado simplesmente como um defensor incondicional do pacifismo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A importância desses textos reside no fato de que permitem observar a transformação de seu pensamento em andamento. As referências marxistas não desapareceram imediatamente com a ruptura partidária; foram reinterpretadas dentro de um projeto que começava a atribuir centralidade a outros elementos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A trajetória de Mussolini demonstra, assim, que mudanças ideológicas podem ocorrer por meio de adaptações, combinações e deslocamentos de ideias anteriormente adquiridas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;O nacionalismo e a formação de uma nova síntese revolucionária&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A experiência da guerra contribuiu para que Mussolini colocasse a nação no centro de sua concepção política.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Antes disso, sua militância socialista privilegiava o internacionalismo e o conflito entre classes. Com o avanço da guerra, porém, ele passou a interpretar a mobilização militar como uma experiência capaz de integrar grupos sociais distintos em torno de um objetivo coletivo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O conceito de nação começou a substituir a luta de classes como princípio organizador de sua visão da transformação política.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Em Battisti!, de 1917, Mussolini homenageou Cesare Battisti, socialista e nacionalista que morreu durante a guerra. O episódio foi importante para sua reflexão sobre o sacrifício, a lealdade e a capacidade de uma ideia mobilizar indivíduos em torno de uma causa comum.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A partir desse período, sua concepção revolucionária começou a combinar referências anteriores do sindicalismo e do marxismo com um nacionalismo cada vez mais acentuado.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O proletariado deixava de ser concebido como o principal agente de transformação histórica independente da nação. Passava a ser considerado parte de uma comunidade nacional que deveria mobilizar todos os seus componentes em direção a um projeto coletivo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A nova síntese também envolvia uma posição cada vez mais crítica ao parlamentarismo liberal. Mussolini considerava que as instituições representativas poderiam dificultar a mobilização e o desenvolvimento nacional, defendendo uma organização política centralizada, disciplinada e subordinada à liderança.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A guerra ajudou a sedimentar, em seu pensamento, a ideia de que a disciplina militar e a identificação nacional poderiam oferecer a base de uma nova ordem política.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Não se tratava simplesmente de abandonar todas as concepções anteriores. Tratava-se de reorganizar elementos de sua formação revolucionária em torno de um novo princípio: a nação como unidade superior aos interesses particulares e aos conflitos de classe.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;É nessa transformação que se encontram algumas das condições intelectuais para a formação do fascismo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Dos movimentos revolucionários ao fascismo organizado&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Em 1919, as diferentes influências acumuladas ao longo dos anos passaram a encontrar expressão em um movimento político próprio.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O ambiente intelectual que contribuiu para a formação do fascismo incluía representantes do sindicalismo revolucionário, defensores do nacionalismo, futuristas e antigos militantes socialistas. Esses grupos não eram homogêneos, mas compartilhavam, em diferentes graus, a oposição às instituições liberais tradicionais e a aspiração por uma transformação profunda da sociedade.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A própria terminologia política empregada por Mussolini possuía precedentes em movimentos anteriores. A palavra fascio já havia sido usada no século XIX e estava presente em mobilizações camponesas e operárias, incluindo os fasci siciliani. Mais tarde, sindicalistas revolucionários favoráveis à intervenção italiana na guerra organizaram o Fascio Rivoluzionario d’Azione Internazionalista, em 1914–1915.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Isso não significa que esses movimentos fossem idênticos ao fascismo posteriormente consolidado. Significa que a palavra, as redes militantes e parte da linguagem política que seriam incorporadas ao movimento já circulavam em ambientes de mobilização social anteriores.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Também é significativo que antigos dirigentes e militantes socialistas tenham posteriormente aderido ao movimento fascista. Entre os nomes mencionados nas reconstruções históricas dessa trajetória estão Enrico Ferri, Guido Podrecca e Nicola Bombacci, que tiveram longas ligações com o socialismo antes de se aproximarem do fascismo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Essas trajetórias individuais não provam que todos os socialistas compartilhassem o projeto de Mussolini. Demonstram, entretanto, que a formação do fascismo foi influenciada por correntes e pessoas que haviam participado de debates e organizações do universo socialista.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A ligação com o sindicalismo revolucionário também foi reivindicada por representantes da própria doutrina fascista. Em 1929, Giovanni Gentile observou que o sindicalismo soreliano, do qual emergiram elementos do pensamento e do método político fascista, considerava-se intérprete do comunismo marxista.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A observação é importante porque reconhece uma filiação intelectual que não depende apenas de interpretações posteriores: os próprios debates sobre a formação do fascismo apontavam para o papel desempenhado pelo sindicalismo revolucionário e suas releituras do marxismo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O movimento organizado a partir de 1919 reuniu essas influências em uma nova configuração política. O resultado não pode ser entendido apenas como uma continuação literal das ideias de Marx ou Sorel, mas tampouco pode ser reconstruído ignorando o ambiente revolucionário em que Mussolini se formou.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Uma genealogia que começa antes de 1922&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A chegada de Mussolini ao poder, em 1922, costuma ocupar lugar central nas narrativas sobre o fascismo. Contudo, se o objetivo é compreender as origens do movimento, é necessário recuar quase duas décadas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;É nesse período anterior que aparecem vários dos elementos que ajudaram a estruturar sua visão política: a militância socialista, as leituras de Marx e Engels, a valorização do conflito revolucionário, a influência de Georges Sorel, o sindicalismo de ação direta, a organização de uma elite dirigente e a crítica às instituições parlamentares.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O período entre 1914 e 1919 introduziu mudanças profundas nessa trajetória. A guerra favoreceu o crescimento do nacionalismo e a substituição progressiva da luta de classes pela unidade nacional como eixo do projeto político de Mussolini.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Esse processo explica como elementos provenientes de correntes revolucionárias anteriores puderam ser reinterpretados e reunidos em uma nova doutrina.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A formação do fascismo, portanto, não foi um acontecimento isolado, surgido de maneira repentina com a Marcha sobre Roma. Ela resultou de um percurso intelectual e político no qual o socialismo marxista e o sindicalismo revolucionário tiveram participação relevante.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O estudo dessa genealogia também demonstra a importância de examinar as ideias em sua evolução histórica. Movimentos políticos podem romper com organizações de origem, combater antigos aliados e transformar suas doutrinas sem que todas as influências intelectuais anteriores desapareçam imediatamente.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;No caso de Mussolini, a transição foi marcada tanto por continuidades quanto por rupturas: permaneceram o apelo à mobilização, a concepção revolucionária da política e a importância da organização centralizada, enquanto a nação passou a ocupar o espaço antes reservado prioritariamente à classe trabalhadora.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Compreender as origens para compreender o fascismo&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;A trajetória de Benito Mussolini mostra que a formação do fascismo precisa ser examinada a partir de suas raízes intelectuais e políticas, e não apenas do regime que posteriormente estabeleceu.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Mussolini começou sua carreira na militância socialista, estudou Marx e Engels, atuou em um ambiente marcado pelo sindicalismo revolucionário e absorveu ideias de Georges Sorel. Sua concepção de revolução foi influenciada pelo conflito de classes, pela ação direta, pela violência política e pela necessidade de uma elite organizada capaz de conduzir as massas.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Sua oposição ao reformismo socialista, o rompimento com o Partido Socialista Italiano em 1914 e a experiência da Primeira Guerra Mundial marcaram etapas de uma transformação progressiva. Ao longo desse processo, antigas referências revolucionárias foram reorganizadas em torno do nacionalismo e de uma concepção de sociedade centralizada na nação.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Essa história não deve ser reduzida a uma afirmação simplista de que uma ideologia seria idêntica a outra. O que ela demonstra é que as fronteiras intelectuais entre movimentos políticos podem ser mais complexas do que suas identidades posteriores sugerem.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;O fascismo de Mussolini não pode ser compreendido sem estudar o socialismo revolucionário, o marxismo heterodoxo e o sindicalismo de inspiração soreliana que marcaram sua formação. Essas influências constituem uma parte importante da genealogia histórica do movimento e ajudam a explicar o caminho percorrido entre a militância socialista do jovem Mussolini e a doutrina fascista que ele desenvolveria nas décadas seguintes.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Conhecer essa trajetória é indispensável para compreender como ideias revolucionárias nascidas em determinados ambientes políticos podem ser transformadas, combinadas e incorporadas a projetos inteiramente novos.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;Referências históricas e bibliográficas&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Escritos de Benito Mussolini&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;MUSSOLINI, Benito. Delinquenza moderna. 1902.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;MUSSOLINI, Benito. Intorno alla notte del 4 agosto. 1904.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;MUSSOLINI, Benito. La teppa. 1904.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;MUSSOLINI, Benito. L’Attuale momento politico. 1908.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;MUSSOLINI, Benito. La teoria sindacalista. 1909.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;MUSSOLINI, Benito. Il socialismo degli avvocati. 1910.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;MUSSOLINI, Benito. Dalla neutralità assoluta alla neutralità attiva ed operante. 1914.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;MUSSOLINI, Benito. Battisti!. 1917.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;MUSSOLINI, Benito. Divagazioni pel centenario. 1918.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;MUSSOLINI, Benito. La dottrina del fascismo. 1933.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;MUSSOLINI, Benito. Opera omnia di Benito Mussolini. Edição de Edoardo e Duilio Susmel. Florença: La Fenice, 1951–1961.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Pensamento revolucionário e sindicalismo&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;ENGELS, Friedrich. Princípios do comunismo. 1847.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;LENIN, Vladimir I. Que fazer? 1902.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. 1848.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Marx &amp;amp; Engels Collected Works. Londres: Lawrence &amp;amp; Wishart, 1975–2005.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;SOREL, Georges. Reflections on Violence. Obra originalmente publicada em 1908. Cambridge: Cambridge University Press, 1999. Edição de Jeremy Jennings.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;b&gt;Estudos históricos&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;DE FELICE, Renzo. Mussolini il rivoluzionario 1883–1920. Turim: Giulio Einaudi, 1965.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;DI SCALA, Spencer M.; GENTILE, Emilio. Mussolini 1883–1915: Triumph and Transformation of a Revolutionary Socialist. Nova York: Palgrave Macmillan, 2016.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;GENTILE, Emilio. The Origins of Fascist Ideology: 1918–1925. Nova York: Enigma Books, 2005.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;GENTILE, Giovanni. Origins and Doctrine of Fascism. Obra originalmente publicada em 1929. Nova Jersey: Transaction Publishers, 2003.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;GREGOR, A. James. Young Mussolini and the Intellectual Origins of Fascism. Berkeley: University of California Press, 1979.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;GREGOR, A. James. Marxism, Fascism and Totalitarianism: Chapters in the Intellectual History of Radicalism. Stanford: Stanford University Press, 2009.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;STERNHELL, Zeev; SZNAJDER, Mario; ASHERI, Maia. The Birth of Fascist Ideology: From Cultural Rebellion to Political Revolution. Princeton: Princeton University Press, 1994.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;[Ajude a manter este blog-revista através do pix otambosi07@gmail.com ou do QR-Code abaixo - Muito obrigado]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #2b00fe; font-family: verdana;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img data-original-height=&quot;350&quot; data-original-width=&quot;350&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjIsbV5h7oH7TQsk2-GXz0kZweWdFn_iRFhodtR2M81-M4gFxAbpR2Swo2HvbL3XD-Z-VSZcDzpi-V5IGRIzc6WN4osR9VvhnLeTJRGydRhcYPEV8Jz1cihJA0nUstQt-VTG0QstBquslWgdTZrWN6P3fYh-LwEvT7mxeR0_55dHkg7Lq7ZiVCF=w200-h200&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>https://otambosi.blogspot.com/2026/11/o-fascismo-e-de-direita-as-origens.html</link><author>noreply@blogger.com (Orlando Tambosi)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4FOFNcdt2Is8MkZaqQl0nu8WR6mwu9j-HzK8URh_KhuQx0dT112YvBtRyhBpkEctL0OM2FZlHGsCN_5kaiRagqeYbYJQlNrCEAtQcuHoi2aZiVm_fgeZGbPDgTJbVW09SyuSLIaJx4_laT53xNvnodctdd4rw0wWNyruyMiYQc22dpoKelpGH/s72-c/Mussolini_3.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item></channel></rss>