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&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhczy_sNPmz-eaeIsGO2bHmjjQuVN4G3Y_L4RGAUi0FOn3Q7q09KJ4qBAMJW4FPpN8muX0PoCqJ4uykpgQs-dMk6EDizmduplzVid6Uppq3rzgupJpYDZ9wsKjCIe6BDKSksGK736cKQAbx/s1600/Sacks+e+Winnicott.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;203&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhczy_sNPmz-eaeIsGO2bHmjjQuVN4G3Y_L4RGAUi0FOn3Q7q09KJ4qBAMJW4FPpN8muX0PoCqJ4uykpgQs-dMk6EDizmduplzVid6Uppq3rzgupJpYDZ9wsKjCIe6BDKSksGK736cKQAbx/s400/Sacks+e+Winnicott.png&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;COMO É SER UMA CRIANÇA?&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;calibri&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 18.4px;&quot;&gt;&amp;nbsp;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt; mso-ascii-font-family: Calibri; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-hansi-font-family: Calibri; mso-hansi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;OLIVER SACKS&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;b&gt;The New York Times, 24 de maio de 1987&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;
&lt;b&gt;Tradução: Sergio Gomes&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt;&quot;&gt;A psicanálise, sem desmerecimento, tem reunido algumas vezes uma
reputação equivocada de si mesma – seja ela não científica, não verificável,
redutora da riqueza da natureza humana e, não menos importante, propensa a usar
um jargão opaco que a torna inacessível para o leigo.&amp;nbsp; O melhor antídoto para tudo isso é o
pensamento e a escrita direta e lúcida de D. W. Winnicott. Ali estava um homem
que poderia ser “popular”, completamente acessível, sem nunca deixar de ser
profundo; um homem que variou audaciosamente e chegou a lugares muito longe nos
reinos do pensamento, mas que sempre voltava para sua base, a psicologia da
criança.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt;&quot;&gt;Winnicott começou como um pediatra e continuou a trabalhar com crianças
durante toda a sua vida - suas teorias não são apenas “interpretações” ou
“construções”, como algumas teorias psicanalíticas são, mas estão enraizados em
sua observação do dia-a-dia de crianças. Com sua linguagem direta e contundente
e pontos de vista intensamente independentes, ele passou a deter uma posição
dupla única - como um grande pensador psicanalítico e teórico do
desenvolvimento e igualmente como uma figura pública; na Inglaterra, pelo
menos, ele era tão conhecido para o público como para seus colegas de
profissão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt;&quot;&gt;A reputação e influência de Winnicott, considerável em sua vida, têm
aumentado continuamente desde a sua morte em 1971 e suas ideias muito
“prematuras” para ser totalmente compreendidas em seu tempo de vida, têm um
papel crucial no emocionante encontro entre a psicanálise e a biologia do
desenvolvimento que está ocorrendo hoje. Na última década, um grande tesouro
winnicottiano foi descoberto, incluindo “O brincar e a realidade”, um de seus
livros mais acessíveis e mais importantes, embora também tenha sido publicado
poucos meses depois de sua morte. Entre suas obras encontram-se “A Piggle”&amp;nbsp; -&amp;nbsp; um
relato do tratamento psicanalítico de uma menina; “Privação e delinquência”; “Tudo
começa em casa”, publicado no ano passado, que inclui suas palestras célebres
sobre “Viver Criativamente” (E mais de meia dúzia de livros estão em preparação).
E agora, na primavera deste ano, temos mais dois volumes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt;&quot;&gt;“Holding e Interpretação: Fragmento de uma análise”, foi publicado
parcialmente e agora é editado em um texto definitivo, com uma importante
introdução de M. Masud Khan, a quem era muito próximo de Winnicott em vida e se
esforçou para reunir e editar várias obras póstumas desde sua morte. Aqui está
uma transcrição completa e um olhar para dentro do que geralmente é o segredo
mais privado de uma experiência analítica. Essas transcrições são extremamente
raras - mesmo para Freud, embora ele mantivesse notas detalhadas, mas nunca
manteve uma transcrição completa. Já houve, é claro, outras descrições de
análises que nos dão uma ideia geral dos temas centrais de uma análise e a
relação e os processos centrais do trabalho de uma analista, mas essa
transcrição é diferente. É o plano verdadeiro, em que tudo está em aberto para
ver: os momentos especiais pontuados pelas horas de tédio; o surgimento dos
sentimentos da transferência e da contratransferência; a mistura do
imprevisível e inevitável; os erros de interpretação e de datas e não menos importantes,
dos seus triunfos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt;&quot;&gt;Uma introdução mais próxima e mais pessoal para o homem e seu trabalho
é fornecida por “O gesto espontâneo”, amplamente focado na seleção de cartas de
Winnicott. Nenhum desses livros havia sido publicado antes. Eles foram
sensivelmente editados F. Robert Rodman, que fornece uma introdução detalhada e
fascinante. Dr. Rodman descreve como ele mesmo, então um jovem analista em Los
Angeles, escreveu a Winnicott em 1969 e recebeu uma resposta particularmente
acolhedora – “foi mais do que uma resposta: foi um presente”. O impacto desta
carta, o sentido das cartas de Winnicott como “presentes”, levou o Dr. Rodman a
embarcar em um longo projeto de coletar quase mil cartas e selecionar as 126
publicadas no livro, todas centralmente relacionadas com o desenvolvimento do
trabalho e as ideias de Winnicott. Dr. Rodman é eminentemente adequado para
esse trabalho, uma vez que ele próprio é tanto um autor quanto um analista que
já reuniu sua sensibilidade humana em dois livros notáveis: &#39;&#39;Not Dying: A
Memoir&#39;&amp;nbsp; (Não morrer: uma memória) e&amp;nbsp; “Keeping Hope Alive: On Becoming a
Psychotherapist” (Mantendo a esperança viva: sobre se tornar um psicoterapeuta)
[ambos sem tradução no Brasil].&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt;&quot;&gt;A primeira carta do livro, escrito por Winnicott ainda como estudante
de medicina em 1919, é bastante notável, mostrando claramente, nesta fase, a
sua intenção de explorar a psicanálise (“um assunto que tem o grande charme de
ser realmente útil”); sua admiração e respeito pela mente humana e sua própria
independência extrema de ideias - uma independência que era a raiz de sua
originalidade subsequente; sua recusa em ser identificado com qualquer “escola”
de psicanálise e seu ser, em suas próprias palavras, era “um fenômeno isolado”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt;&quot;&gt;Embora houvesse um continuado desenvolvimento de ideias ao longo sua
carreira, seu verdadeiro crescimento só veio no último terço de sua vida,
quando, ao longo de 25 anos de atividade criativa incessante, ele desenvolveu
suas técnicas e teorias totalmente originais. Uma técnica de projeção
winnicottiana foi o “jogo do rabisco” - um desenho começado por Winnicott, e,
em seguida, continuado como um jogo entre seus jovens pacientes e ele mesmo.
Winnicott disse que ele só se tornou realmente proficientes em rabiscos em
torno da idade de 60 anos e parece provável (como tem afirmado sua velha amiga
Madeleine Davis entre outros) que esta nova proficiência correspondeu à imensa
capacidade que ele tinha para o jogo durante os últimos 20 anos ou mais de sua
vida. Esta capacidade pessoal foi seu reconhecimento da imensa importância do
jogo no desenvolvimento humano e na cultura. Não havia separação entre o homem
e o pensador: o teórico de jogo tornou-se o mais brincalhão dos homens.
Enquanto o próprio Freud era imensamente espirituoso e escreveu “Os chistes em
relação com o inconsciente”, a teoria freudiana, em certo sentido, tinha pouco
espaço para o brincar, para outra coisa senão “realidade” ou “fantasia”.&amp;nbsp; Winnicott, embora nunca tivesse entrado em
conflito com Freud, ampliou a psicanálise abrindo espaço para este terceiro
reino - o reino da liberdade ou do brincar, e traçou a sua continuidade do que
ele veio a chamar de “fenômenos transicionais” na infância, através do brincar
com crianças, para as mais altas&amp;nbsp; e
criativas realizações imaginativas da humanidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt;&quot;&gt;Às vezes, algumas pessoas temem, nestes dias tecnologizados e de
ligações telefônicas apressadas, que a escrita de cartas irá desaparecer. Esta
seria uma grande tragédia, pois uma carta (na melhor das hipóteses) é uma forma
de comunicação diferente de qualquer outro, rica em conteúdo ainda que intensamente
pessoal - e as cartas de Winnicott estão entre as melhores. Winnicott, apesar
de sua eminente e incessante pressão de trabalho, nunca teve de voltar a
escrever e escreveu longa e abertamente a correspondentes de todos os tipos. Há
uma carta maravilhosa a um americano, um homem angustiado que escreveu para
Winnicott inesperadamente. Winnicott deve ter recebido inúmeras cartas desse
tipo, mas ele geralmente respondia na íntegra, com uma seriedade apaixonada e a
preocupação com o sofrimento de quem escreveu. Assim, nesta carta, sensível à
“agonia impensável” da qual seu correspondente sofria, ele via motivos para
esperança e afirmação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt;&quot;&gt;Winnicott era infinitamente sensível às necessidades, especialmente as
não ditas e inconscientes, se estas eram as necessidades dos colegas ou de
pacientes, ou de estranhos que escreviam para ele. Ninguém sente, lendo essas
cartas, ter escrito para ele em vão (ninguém em necessidades). Ele foi movido
igualmente por necessidades intelectuais e culturais (e não menos importante, por
necessidades políticas). A necessidade de ser claro, para evitar obscuridade ou
jargão; a necessidade de ser independente; a necessidade de ser livre; a
necessidade, acima de tudo, para viver a vida de forma totalmente criativa.
Estes são os temas que se movem constantemente através de suas cartas, enquanto
se moviam constantemente através de sua vida e obra. Não é de se imaginar que
um homem tão consciente das necessidades e habitualmente claro e direto em suas
palavras, fuja às necessidades de ataque. Raramente pode ter havido um correspondente
franco como Winnicott -&amp;nbsp; ele encarava de
frente seus ataques, conforme observa Dr. Rodman, mas os ataques sempre brotam
de sua intensidade de concernimento (&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;background: white;&quot;&gt;intensity of concern&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;). Assim,
em uma das cartas mais surpreendentes, para a famosa analista Melanie Klein ele
escreveu:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm 6pt 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt;&quot;&gt;“Eu pessoalmente acho que é muito importante que o seu
trabalho deve ser reafirmado por pessoas que o descobrem em sua própria maneira
e apresentar o que apresentem o que descobrem na sua própria linguagem. E
apenas desse modo que a linguagem será mantida viva. Se você estipular que no
futuro apenas a sua linguagem seja usada para a afirmação das descobertas de
outras pessoas, então a linguagem se torna uma linguagem morta, como já se
tornou na sociedade. Você ficaria surpresa. Você é a única que pode destruir
esta linguagem chamada a doutrina kleiniana e kleinianismo, e tudo isso com um
objetivo construtivo. Se você não destruí-la, então esse fenômeno
artificialmente integrado tem de ser atacado destrutivamente”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt;&quot;&gt;Winnicott tinha uma grande afeição pessoal por Melanie Klein, e ele a
considerou a mente mais criativa na psicanálise depois de Freud. Não foi Klein
mas o “kleinianismo” que incitou seu ataque. Muitos termos idiossincráticos de
Winnicott se passaram para a linguagem psiquiátrica - e, pelo menos na
Inglaterra, onde Winnicott tinha uma grande audiência popular, para o
vocabulário popular. Termos como “a mãe suficientemente boa”, “a mãe devotada
comum”, “a fase de concernimento”, “a exploração do ambiente” e não menos
importante, o conceito de “falso self” (que mais tarde foi assumido por R. D.
Laing) agora parecem muito mais parte do nosso vocabulário do que precisamos
lembrar que eles foram usados ​​pela primeira vez por Winnicott. Mas
principalmente como o Dr. Rodman nos lembra, “ele foi o primeiro a abordar de
forma analítica uma questão que não tinha sido considerado por psicanalistas
diante dele: sobre o que versa a vida?”. Esta questão, previamente filosófica
ou religiosa, une os lados biológicos e religiosos de Winnicott, mas recebe
radicalmente novas formulações em termos psicológicos: é o tema central de seu
grande livro de 1965 chamado “O ambiente e os processos de maturação”, um
estudo profundo das necessidades e dos potenciais humanos e como eles devem ser
reconhecidos e tratados. O próprio título do livro diz tudo, salienta que estes
potenciais não amadurecem “espontaneamente”, mas exigem uma interação especial
- primeiro entre os pais e o filho, em seguida, entre professor e aluno, e depois
talvez entre o terapeuta e o paciente. Winnicott disse uma vez: “Não existe tal
coisa como um bebê”, o que significa que onde quer que você encontre um bebê,
você também irá encontrar uma mãe, e que os dois devem ser sempre considerados
como um par. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt;&quot;&gt;O fundador da neuropsicologia, L. S. Vigotsky, teve precisamente a
mesma visão interativa sobre o desenvolvimento da linguagem e do pensamento em
si: que estes não poderiam desenvolver sem figuras de facilitação&amp;nbsp; - “mediadores” - situado a uma certa
distância (no que Vigotsky chamou de “zona de desenvolvimento proximal”), que
poderia servir para trazer os potenciais latentes da criança. A linguagem, para
Vigotsky, foi uma realização conjunta, negociada entre a mãe e o filho. Pode
igualmente ser vista em termos winnicottianos como um “objeto transicional”,
“mediação entre o mundo exterior e interior”. O trabalho de Vigotsky, em 1936,
foi prontamente reprimido (como sendo anti pavloviano), e é provável que
Winnicott nunca soube disso (ao menos por Luria, o neuropsicólogo que falou
sobre isso com Winnicott - Dr. Rodman inclui uma breve carta tentadora, de
Winnicott para Luria, aludindo a um fim de semana de conversa em conjunto). E
só agora que Vigotsky está sendo redescoberto, e vemos que ele e Winnicott são
irmãos, e a neuropsicologia e a psicanálise são complementares e paralelas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt;&quot;&gt;A psicanálise antes de Winnicott estava preocupada com a doença, com
tudo o que poderia dar errado (emocionalmente) com uma pessoa. Winnicott,
enquanto um analista soberbo no sentido clássico - e um dos primeiros a tratar
pacientes profundamente regredidos e psicóticos - via a saúde como sua preocupação
central. E saúde, para Winnicott, não era apenas a ausência de doença, mas um
estado intensamente positivo de realização - a preservação da capacidade da criança brincar e imaginar; uma inviolável independência e espontaneidade; uma riqueza
cada vez maior e liberdade de vida interior; e, acima de tudo, a capacidade de
viver criativamente. E viver criativamente, para Winnicott, não era apenas
algo para raras pessoas em momentos raros, mas potencialmente para todos, em
todos os momentos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
[1] “What it´s like to be a child”, foi publicado originalmente no “The New York Times”, em 24 de maio de 1987. Este artigo foi escrito quando da publicação, nos Estados Unidos, dos livros “O Gesto Espontâneo”, coletânea de cartas de Winnicott, organizada pelo psicanalista Robert Rodman e “Holding e Interpretação”, sobre o tratamento de um paciente esquizoide feito por Winnicott a partir de suas notas clínicas. Disponível originalmente no link: &lt;a href=&quot;http://www.nytimes.com/1987/05/24/books/what-it-s-like-to-be-a-child.html?pagewanted=all#h[]&quot;&gt;http://www.nytimes.com/1987/05/24/books/what-it-s-like-to-be-a-child.html?pagewanted=all#h[]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.0pt;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/7036563639800497566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2015/12/como-e-ser-uma-crianca-por-oliver-sacks.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/7036563639800497566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/7036563639800497566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2015/12/como-e-ser-uma-crianca-por-oliver-sacks.html' title='Como é ser uma criança? Por Oliver Sacks'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhczy_sNPmz-eaeIsGO2bHmjjQuVN4G3Y_L4RGAUi0FOn3Q7q09KJ4qBAMJW4FPpN8muX0PoCqJ4uykpgQs-dMk6EDizmduplzVid6Uppq3rzgupJpYDZ9wsKjCIe6BDKSksGK736cKQAbx/s72-c/Sacks+e+Winnicott.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-1280042273741965784</id><published>2015-07-09T07:57:00.004-07:00</published><updated>2015-07-09T08:09:47.753-07:00</updated><title type='text'>O ÚLTIMO SORRISO DO PALHAÇO</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;br style=&quot;background-color: white; color: #141823; font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;&quot; /&gt;
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&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #141823; font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #141823; font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;&quot;&gt;TRECHO:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #141823; font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;&quot;&gt;Cresci vendo meu pai divertir a mim, a minha mãe e a centenas de pessoas que às vezes enchiam a lona que montávamos em alguns cantos das cidades. Ele não só nos fazia rir mas conseguia arrancar da nossa alma uma gargalhada. Ele dizia que aquele que não conseguia rir de um palhaço tinha um coração impuro, porque o palhaço sempre fala com a criança que habita em cada um de nós. Então, era com essa criança que ele se comunicava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br style=&quot;background-color: white; color: #141823; font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;&quot; /&gt;
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&lt;a class=&quot;_58cn&quot; data-ft=&quot;{&amp;quot;tn&amp;quot;:&amp;quot;*N&amp;quot;,&amp;quot;type&amp;quot;:104}&quot; href=&quot;https://www.facebook.com/hashtag/brasilemprosa&quot; style=&quot;background-color: white; color: #3b5998; cursor: pointer; font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left; text-decoration: none;&quot;&gt;#brasilemprosa&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/1280042273741965784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2015/07/o-ultimo-sorriso-do-palhaco-disponivel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/1280042273741965784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/1280042273741965784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2015/07/o-ultimo-sorriso-do-palhaco-disponivel.html' title='O ÚLTIMO SORRISO DO PALHAÇO'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiKrbF1WXFWGDLqVus7h6n0XxDO_qlj7kYlNc_J3k7d2Nno_DvoYi_NGFJ4_3XihfDKmptGYMk97Cji2DCeN7CiMjTpnnK9JMghxaV-RlUgENIlbddyW0_njzc0igxrZBkH17lr2XKk2qjk/s72-c/sorriso+do+palha%25C3%25A7o.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-8293350644157997063</id><published>2015-07-09T07:56:00.001-07:00</published><updated>2015-07-09T08:10:11.118-07:00</updated><title type='text'>DO LADO DE DENTRO</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
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&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #141823; font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;&quot;&gt;&lt;b&gt;DO LADO DE DENTRO&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #141823; font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;&quot;&gt;TRECHO:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;text_exposed_show&quot; style=&quot;background-color: white; color: #141823; display: inline; font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo, o serzinho passou a se acostumar com o curto espaço que ocupava e com os barulhos que ouvia, conhecendo-os cada vez mais e respondendo emocionalmente a alguns deles. Era uma forma de se comunicar. Então, havia dias em que tudo era caos naquele mar, mas outros, era tudo paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a class=&quot;_58cn&quot; data-ft=&quot;{&amp;quot;tn&amp;quot;:&amp;quot;*N&amp;quot;,&amp;quot;type&amp;quot;:104}&quot; href=&quot;https://www.facebook.com/hashtag/brasilemprosa&quot; style=&quot;color: #3b5998; cursor: pointer; text-decoration: none;&quot;&gt;#brasilemprosa&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/8293350644157997063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2015/07/do-lado-de-dentro-disponivel-no-site.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/8293350644157997063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/8293350644157997063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2015/07/do-lado-de-dentro-disponivel-no-site.html' title='DO LADO DE DENTRO'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQm69eDOY6p5LM5uy7AVfSZ2UwAOrDsLAOeyKcx-_3kf8YCXAVg5ef7m6dNXjD_1x9Wyr4RNYA-TOfa6y_7_OOJQsKejxf6LUsOgYsHkVVHqkVF6FhkGrQrWF1X7JAX3gHJhc2Y9innqm0/s72-c/do+lado+de+dentro.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-2408836285563240560</id><published>2015-07-09T07:53:00.008-07:00</published><updated>2015-07-09T08:03:53.663-07:00</updated><title type='text'>A FACA DO AÇOUGUEIRO</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #141823; font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #141823; font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px;&quot;&gt;&lt;b&gt;A FACA DO AÇOUGUEIRO&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #141823; font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px;&quot;&gt;Disponível no site&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #141823; font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.amazon.com.br/&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgkv_pIYxIYPmIM-VosS52u07wizPNvyKyikxJuxA30ogkap3UWHnOWTDL7YuHrWOUWSV4ZFReFWrSn_jGR4tf056xbnLvCjkefOkKPUm7QadVLrRLVpV2QrK3Fx_1rjfUg4TSRIWcXB6gy/s1600/amazon.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #141823; font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px;&quot;&gt;TRECHO:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span class=&quot;text_exposed_show&quot; style=&quot;background-color: white; display: inline;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span style=&quot;color: #141823; font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
A impressão que eu tinha era de não haver escapatória, eu estava prestes a ser sacrificada ali mesmo pela loucura do meu pai, com a anuência da minha mãe e a paralisia do meu irmão.&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;a class=&quot;_58cn&quot; data-ft=&quot;{&amp;quot;tn&amp;quot;:&amp;quot;*N&amp;quot;,&amp;quot;type&amp;quot;:104}&quot; href=&quot;https://www.facebook.com/hashtag/brasilemprosa&quot; style=&quot;color: #3b5998; cursor: pointer; font-family: helvetica, arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-decoration: none;&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;a class=&quot;_58cn&quot; data-ft=&quot;{&amp;quot;tn&amp;quot;:&amp;quot;*N&amp;quot;,&amp;quot;type&amp;quot;:104}&quot; href=&quot;https://www.facebook.com/hashtag/brasilemprosa&quot; style=&quot;color: #3b5998; cursor: pointer; text-decoration: none;&quot;&gt;#brasilemprosa&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/2408836285563240560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2015/07/a-faca-do-acougueiro-disponivel-no-site.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/2408836285563240560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/2408836285563240560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2015/07/a-faca-do-acougueiro-disponivel-no-site.html' title='A FACA DO AÇOUGUEIRO'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhH7v5YN-cMQ-CktkJL0OvDnGVmzPAc18P0QNeVw0fOCAQ1sx0VeyHEc31XuPcQyXTkWzjg2V3ZY37cw6qBXNKaTihpS6kSBGR6iAyK_qhhyjhgQjPfJvXH0CNpsZ98fZUNADeebsq80LUN/s72-c/a+faca+do+a%25C3%25A7ougueiro.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-5823085279622974223</id><published>2014-05-14T06:57:00.003-07:00</published><updated>2014-05-14T09:15:49.428-07:00</updated><title type='text'>À minha mestre, com carinho</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjnIsm2LYHRDcbtB1cpi1V1OGFGm6m7hvjn-vqtG_LRoeX65Qj3ArL4s9E6Q9xTtM1Dj9TbhxOMryusBfq7jZltpvAxiK8DxWO4WWGSgx4mPW4jhHuPMv8vJZ44qPuLenSr6vcyebyjNQQv/s1600/Teresa+Campello.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjnIsm2LYHRDcbtB1cpi1V1OGFGm6m7hvjn-vqtG_LRoeX65Qj3ArL4s9E6Q9xTtM1Dj9TbhxOMryusBfq7jZltpvAxiK8DxWO4WWGSgx4mPW4jhHuPMv8vJZ44qPuLenSr6vcyebyjNQQv/s1600/Teresa+Campello.png&quot; height=&quot;278&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Gostaria de dividir com vocês a grande perda que tivemos nessa segunda feira, dia 12/05/2014. A morte da pessoa que me ensinou quase tudo que sei academicamente, a Profa. Teresa Campello, psicanalista de Recife e professora aposentada da Universidade Federal da Paraíba, membro do Circulo Psicanalítico de Pernambuco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Meu encontro com a Teresa se deu inusitadamente. Jovem, em 1994, fui fazer a disciplina ETICA EM PSICOLOGIA. Já haviam me falado que ela era uma pessoa dificíl. Após apresentar o programa de curso, no qual incluia os filosofos gregos, os modernos e os contemporâneos, Teresa pergunta: Quem já leu alguma coisa aqui de Jurandir Freire Costa? Eu e mais duas pessoas levantamos a mão numa turma de trinta alunos. Ela continua: Quem já leu alguma coisa aqui de Richard Rorty? Só eu levantei a mão. Ela se dirigiu a mim e disse: Quem é você? Com aquela empáfia característica dela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;A partir de então deu-se um encontro. Mais do que isso. Deu-se uma amizade no melhor sentido professor e aluno, mestre e aprendiz. Me lembro que ela disse certa vez: &quot;O meu trabalho aqui é fazer vocês pensarem na contramão. Quando vocês tiverem certeza do argumento que vocês estão defendendo, eu vou fazer questão de pensar o contrário de todos vocês e demolir um a um todas as suas certezas. E quando vocês mudarem de opinião, eu vou voltar a opinião de vocês e apresentar todos os argumentos que fizeram com que vocês achassem que estavam certos, pensando na contramão&quot;. Ela era excepcional! Ao final do curso de ética, no qual teríamos que apresentar um trabalho semi-monográfico, eu a procurei para saber se ela poderia me orientar em monografia de fim de curso. Ela me respondeu: &quot;Não trabalho com graduandos!&quot;. Fiquei acabado naquele dia. Mas depois ela disse: &quot;Mas me traga temas, se eu gostar de algum, talvez eu lhe oriente&quot;. Dois meses depois eu a procurei e ela assinou o documento se responsabilizando pela minha orientação na graduação.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Este trabalho resultou, ao final dele, em uma apresentação em um congresso internacional e em um artigo publicado na revista Psicologia, Ciência e Profissão. Teresa me ensinou como se ler um texto, como analisar um texto, como escrever academicamente, como entender um texto como uma intricada rede de &quot;crenças e desejos&quot;, como diria Richard Rorty (autor que ela pouco gostava, mas lia). Me apresentou Rorty, me apresentou ao Jurandir Freire Costa, o qual disse que queria que eu fosse estudar com ele no Rio de Janeiro. Eu vim e fiz mestrado com o Jurandir. Teresa me orientou também em um trabalho de especialização em sexualidade humana, me ensinou e debateu comigo o que era sexualidade, o que era identidade, o que era gênero, mas principalmente, foi uma das responsáveis por me ensinar a psicanálise da qual trabalho hoje. Esse trabalho final da especialização em sexualidade humana, o qual eu analisei a noção de gênero do ponto de vista da masculinidade, foi todo publicado em revistas e um capítulo de livro. Não sei se ela chegou a tomar conhecimento disso. Ela ainda me incluiu no seu grupo de estudos na UFPB na época que eu era estudante de psicologia e nossos diálogos eram invejados pelos colegas que nos conheciam. Tivemos sempre uma afinidade muito grande de pensamento, de carinho, de afeto. Foi mãe, foi amiga, foi mestre, e é responsável por quase tudo o que sou hoje. Sem ela, estaria amputado da minha melhor parte (para usar uma expressão do próprio Jurandir). Tenho muitas lembranças boas da nossa convivência, apesar de todas acharem-na mal educada e grossa, o que ela nunca foi, mas não foi mesmo! Sempre acreditou em mim, sempre me impulsionou na minha vida acadêmica, sempre me tratou com muito carinho e respeito. Queria que eu assumisse a coordenação do grupo de estudos que ela formou na UFPB quando se aposentasse, o que eu veementemente neguei, por não me achar apto para tanto. Sou eternamente grato a ela por tudo o que fez por mim. Nos encontramos anos depois, antes de vir para o Rio, em um evento do Circulo Psicanalítico de Pernambuco. E quando voltei lá, e nos encontramos, ela disse: &quot;Você não volta mais, não é?&quot;.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Toda alegre, me dando esse sorriso lindo que me deu, como na foto &amp;nbsp;acima, um dia ela e o meu supervisor clínico Luis Martinho Maia, levaram as lágrimas um auditório com mais de 400 pessoas, no dia em que eles fizeram a aula da saudade, momento este em que ela e o Luis Maia se aposentavam. Ninguém naquele dia segurou o choro, da mesa ao auditório em peso, todos nós chorávamos de emoção ao ouvi-lo e ao ouvi-la ministrar sua última aula na UFPB.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span data-reactid=&quot;.3f.1:3:1:$comment780415361983832_780783058613729:0.0.$right.0.$left.0.0.0:$comment-body.0.0&quot; style=&quot;background-color: #fafbfb; line-height: 15.359999656677246px; text-align: left;&quot;&gt;&lt;span data-reactid=&quot;.3f.1:3:1:$comment780415361983832_780783058613729:0.0.$right.0.$left.0.0.0:$comment-body.0.0.$end:0:$0:0&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Há algum tempo, eu sabia que Teresa vinha desenvolvendo um trabalho junto a professores que lidavam com sujeitos surdos, no Centro SUVAG de Pernambuco&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span data-reactid=&quot;.3f.1:3:1:$comment780415361983832_780783058613729:0.0.$right.0.$left.0.0.0:$comment-body.0.0&quot; style=&quot;background-color: #fafbfb; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 15.359999656677246px; text-align: left;&quot;&gt;&lt;span data-reactid=&quot;.3f.1:3:1:$comment780415361983832_780783058613729:0.0.$right.0.$left.0.0.0:$comment-body.0.0.$end:0:$0:0&quot;&gt;. Houve algumas publicações nesse sentido, uma das quais ela mesmo me presenteou. Descobri uma linda homenagem de um dos alunos do SUVAG, o qual trato de repostar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span data-reactid=&quot;.3f.1:3:1:$comment780415361983832_780783058613729:0.0.$right.0.$left.0.0.0:$comment-body.0.3&quot; style=&quot;background-color: #fafbfb; font-family: Verdana, sans-serif; line-height: 15.359999656677246px; text-align: left;&quot;&gt;&lt;span data-reactid=&quot;.3f.1:3:1:$comment780415361983832_780783058613729:0.0.$right.0.$left.0.0.0:$comment-body.0.3.0&quot;&gt;&lt;span data-reactid=&quot;.3f.1:3:1:$comment780415361983832_780783058613729:0.0.$right.0.$left.0.0.0:$comment-body.0.3.0.$text0:0:$0:0&quot;&gt;&amp;nbsp;aqui, no link:&lt;/span&gt;&lt;a class=&quot;&quot; data-reactid=&quot;.3f.1:3:1:$comment780415361983832_780783058613729:0.0.$right.0.$left.0.0.0:$comment-body.0.3.0.$range0:0&quot; dir=&quot;ltr&quot; href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=L4rX4u0m_zY&quot; rel=&quot;nofollow&quot; style=&quot;cursor: pointer;&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;https://www.youtube.com/watch?v=L4rX4u0m_zY&lt;/a&gt;&lt;span data-reactid=&quot;.3f.1:3:1:$comment780415361983832_780783058613729:0.0.$right.0.$left.0.0.0:$comment-body.0.3.0.$end:0:$0:0&quot;&gt;&amp;nbsp;. Não por acaso, o meu próximo trabalho acadêmico, vai ser sobre psicanálise e surdez. Será um trabalho para os próximos quatro anos em que dedicarei à memória dela, e tentarei aproveitar tudo o que ela construiu em termos de trabalho nos seus últimos anos de vida.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Teresa, não tenho palavras para expressar o quanto você foi importante para mim e para a grande maioria dos seus alunos, de todos os que passaram por você, profissionais que hoje estão sentindo a sua falta. A você, meu carinhoso abraço saudoso, esteja você onde estiver. Vou sentir muito a sua falta. Estava falando em você essa semana, para lhe enviar minha tese de doutorado e te escrever: &quot;Olha, eu consegui!&quot;. Acho que você ia ter orgulho de mim, como acho que deve estar tendo em algum lugar ai no céu! Só posso dizer que o mundo acadêmico ficou um pouco mais pobre e triste hoje, mas que o céu, este sim, deve ter motivos para fomentar aqueles diálogos que só você sabia e sabe fazer. Um beijo carinhoso com muita saudade do discípulo que vai tentar fazer o mesmo que você fez por mim um dia aos meus alunos. Aqui fica o meu adeus! Um dia a gente volta a debater daquele jeito que só o nosso grupo e nós mesmos sabíamos fazer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Aqui um singela homenagem, mais do que merecida:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&#39;allowfullscreen&#39; webkitallowfullscreen=&#39;webkitallowfullscreen&#39; mozallowfullscreen=&#39;mozallowfullscreen&#39; width=&#39;320&#39; height=&#39;266&#39; src=&#39;https://www.youtube.com/embed/JOVQ4vAmM7Y?feature=player_embedded&#39; frameborder=&#39;0&#39;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;span style=&quot;font-size: xx-small;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: xx-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: xx-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: xx-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: xx-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Doutor em Psicologia Clínica pela PUC-RIO; Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ; Email de contato: sergiogsilva@uol.com.br. Visite também o meu site pessoal: http://sergiogsilva.sites.uol.com.br .&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/5823085279622974223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2014/05/ao-mestre-com-carinho.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/5823085279622974223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/5823085279622974223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2014/05/ao-mestre-com-carinho.html' title='À minha mestre, com carinho'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjnIsm2LYHRDcbtB1cpi1V1OGFGm6m7hvjn-vqtG_LRoeX65Qj3ArL4s9E6Q9xTtM1Dj9TbhxOMryusBfq7jZltpvAxiK8DxWO4WWGSgx4mPW4jhHuPMv8vJZ44qPuLenSr6vcyebyjNQQv/s72-c/Teresa+Campello.png" height="72" width="72"/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-6003384869722989290</id><published>2014-02-01T09:34:00.002-08:00</published><updated>2014-02-01T20:18:37.190-08:00</updated><title type='text'>A REDENÇÃO PELO AMOR</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEimFi5tSm1C-4Fv9Oo1sLidtKmGwvTm97ifHBq7QfCGVHLcI7l_4U5fqWFqW7ZQI_3ACH8-raC15uAaAke7DesWAgZR0Kfn6B9mb39idZkrWRW_9h7-nhYQW49ufpKd_62vSNEI5QPF8rtv/s1600/Amor+a+vida.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEimFi5tSm1C-4Fv9Oo1sLidtKmGwvTm97ifHBq7QfCGVHLcI7l_4U5fqWFqW7ZQI_3ACH8-raC15uAaAke7DesWAgZR0Kfn6B9mb39idZkrWRW_9h7-nhYQW49ufpKd_62vSNEI5QPF8rtv/s1600/Amor+a+vida.png&quot; height=&quot;184&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: #edeff4; color: #333333; font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Vamos à história, contada de trás para frente, e não como acompanhamos durante todos esses meses em que a novela “Amor à vida” foi exibida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Dois irmãos são criados juntos em uma família de classe alta de São Paulo. O pai tem preferência por um deles, ainda bebê, que morre em um infeliz acidente. O outro é descartado pelo pai, que o culpa pela morte do irmão. Por conta disso, não chega a desenvolver afeto por esse filho, que cresce sem ter o amor e a atenção tão necessários desse pai.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;
&lt;/span&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Este, por sua vez, médico bem sucedido,&amp;nbsp;constrói e preside&amp;nbsp;um hospital, além de adquirir bens ao longo&amp;nbsp;da vida, fruto do seu trabalho, para si e para sua família. Mas uma vez mergulhado no mundo dominado explicitamente por homens e subsumido ao machismo do qual faz parte, acha natural que um homem traia a mulher com quem se casou. Em uma de suas aventuras, engravida a amante e “sequestra” a filha dela, levando-a para casa, dizendo para a esposa que resolveu adotar uma criança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;
&lt;/span&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;
&lt;/span&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Ora, logo cedo s&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;ua mulher, Pilar, descobre a verdade: a menina não é adotada, e sim, filha da amante de seu marido. Rancorosa, quer se vingar. A vingança é bem sucedida, mas infelizmente o acidente de carro que armou mata a irmã da amante do seu marido, que deixa uma filha pequena crescer sob os auspícios da vingança, do rancor e da mágoa, achando que o amante de sua tia é responsável pela morte de sua mãe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;
&lt;/span&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;
&lt;/span&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Então, aqui temos a cerne da história: uma criança que nasce sem o amor, afeto e carinho do pai que tanto ama e quer chamar a atenção, e outra que cresce ouvindo falar mal desse mesmo homem que tirou a vida da sua mãe. A segunda criança, Aline, traça com sua tia um plano de vingança quando se torna adulta: tirar todo o dinheiro que este homem conquistou ao longo de sua vida, e de fato, a única coisa que ele mais ama na vida, sem poupar esforços para isso. Aline cresce sob a sombra da vingança e do ódio, desabando em uma psicopatia, provavelmente por falta do mesmo acolhimento, afeto e amor que foi roubado da outra criança, Felix.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;
&lt;/span&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;
&lt;/span&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Mas com ele, a vida fez diferente. Felix pertence ao mundo do comportamento antissocial. O comportamento antissocial é decorrente de uma falha do ambiente materno ou paterno durante a segunda etapa do desenvolvimento humano. Na primeira, a criança experimenta o que chamamos de provisão ambiental materna que não se sustenta na fase seguinte, no qual se torna menos dependente da mãe. Nesta etapa, o ambiente materno e paterno não acolheram devidamente as necessidades físicas ou emocionais da criança depois do primeiro ano de vida. O comportamento antissocial, se instala quando chega na adolescência, e pouco pode se fazer. Na verdade, o comportamento antissocial nada mais é do que um sinal de esperança. Esperança de que o amor e o afeto que lhe foram tirados, um dia lhe sejam devolvidos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tudo o que o Felix fez ao longo de sua história, como um vilão que se tornou, foi para chamar a atenção do pai. Vejam bem, do pai, e não da mãe, Pilar, que sempre acolheu devidamente o comportamento do filho e nada fez para dar-lhe um &quot;não&quot; quando merecia. Para Felix, era o amor do pai o que mais lhe importava. Queria que Cesar tivesse orgulho dele, que o chamasse de “meu filho”, que honrasse o nome da família pelos seus brios, custe o que custar.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Bem sabemos que sem amor, estamos amputados da nossa melhor parte. Felix cresce sem esse amor do pai, que lhe foi negado a vida toda. Sem amor da imago paterna, não havia como se identificar com esse pai, ou então, a identificação se constituiu às avessas: o mau caráter do pai constitui o mau &quot;caratismo&quot; do filho que por sua vez se espelhou no comportamento do próprio pai. Um engendrando o outro. Assim vemos Felix buscando formas de tomar de volta aquilo que lhe foi tirado e que lhe fez mais falta: amor e afeto paternos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem amor e sem afeto, não há como estabelecer uma relação com outro que o acolha, seja ele homem ou mulher. E talvez por isso, a homossexualidade de Félix possa se constituir exatamente a partir desse prisma: o afeto só seria possível com outro sujeito do seu mesmo sexo, para substituir o afeto paterno que nunca lhe foi dado. Era uma busca incessante. Não encontrou esse afeto no casamento arranjado pelo próprio pai, sem saber mesmo depois de ter um filho com essa mulher. Não se afirmava como homossexual que era, pois era mais importante dar ao pai, a imagem de homem que ele queria manter. Felix recalcava o seu desejo para a família, mas não se furtava de ter encontros escusos com outros homens. Odiava a irmã pela atenção, pelo carinho e pelo o amor que o pai lhe dava gratuitamente, ou talvez, por ser filha da mulher que mais amou.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas todo aquele que tem um comportamento antissocial, deixa pistas. E Felix deixou várias ao longo do seu percurso, talvez e justamente para ser pego, para ser visto, para ser reconhecido e naturalmente ser espelhado por um outro.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Desmascarado, não houve escapatória: apresentou todo o seu ódio, toda a sua mágoa, todo o seu desafeto pela meia irmã, afirmando e confirmando tudo o que fizera contra ela. Afirmou que tudo o que fez foi para atrair a atenção do pai que nunca fez um pequeno gesto para demonstrar afeto por ele. Começa então uma via sacra para se redimir dos seus pecados. Quem lhe oferece colo não é a mãe real, que dessa vez não o acolhe, mas sua mãe substitua, ou seja, a mesma babá que ao lhe socorrer quando criança, não pode salvar seu irmão morto, vítima de um afogamento. É Marcia, como essa mãe substituta e suficientemente boa quem vai ensinar a Felix como é ser um sujeito humano, resgatando das profundezas o seu caráter um dia perdido.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ao mesmo tempo, em sua trajetória, Felix encontra-se com Niko, o sujeito bom com quem tem a chance de viver, de fato, um relacionamento baseado no amor. Em todas as investidas de Niko, Felix se acovarda, teme ir de encontro ao seu desejo e viver esse amor que lhe falta na sua trajetória de vida. Porque é assim que as coisas são: entramos no mundo pela via do amor e do afeto, e não do ódio. O ódio é um sentimento muito especializado e sofisticado em nosso percurso, no qual aprendemos a desenvolver. Nós não nascemos odiando o mundo que nos cerca, mas temos bons motivos para acreditar que o amor é a matriz da qual nos constituímos como seres humanos. O amor é quase físico, e é esse amor que falta na vida do Félix . Ele vai buscá-lo na Márcia, como uma mãe boa que o acolhe, e em Niko, aquele que lhe oferece uma vida mais digna.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quando Felix vai de encontro a essa dupla matriz, a do afeto e a do amor na relação com outro sujeito humano, ele pode se redimir de tudo o que fez no passado e ter esperanças de que a vida vale a pena ser vivida.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Aí o famoso “beijo gay” é consequência, não é fim na história do casal, apesar de todo o alarde necessário que foi feito nas mídias sociais para o reconhecimento de uma minoria identitária em uma emissora de televisão aberta e em um programa que faz parte da subjetividade de milhões de brasileiros, as telenovelas. Os homossexuais, queriam se ver representados nesse veículo de comunicação que espelha a subjetividade brasileira e em uma novela do horário nobre. Ora, será possível que tentar assassinar o amante com facadas (Aline e Nino), ver os arroubos de beijos e sexo de um outro casal (Michel e Patrícia), ou ainda discutir a virgindade de uma mulher acima do peso é mais importante do que demonstrar afeto sob forma de beijo entre casais do mesmo sexo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Beijar outro ser humano, é uma forma comum e banal de demonstrar amor um pelo outro, apesar de também representar visivelmente a escolha sexual dos amantes, mas não se trata de uma explícita relação sexual, apesar de muitas relações sexuais começarem com um beijo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nós nunca tivemos na história da televisão brasileira, um personagem homossexual como o personagem principal de uma novela. Nunca na história da televisão brasileira, a população se rendeu ao carisma de um personagem que trouxe as idiossincrasias de ser ao mesmo tempo um sujeito mau caráter, que comete erros, mas também acertos e tem suas qualidades. Nunca na história da televisão brasileira, pudemos ver um casal do mesmo sexo se tornar os protagonistas de uma história, desbancando os &quot;personagens principais&quot; ao mesmo tempo que acompanhamos a expectativa de um grupo que jamais havia se visto representado em uma história adulta, por meio do seu afeto, do seu sofrimento e de todas as dificuldades de se constituir como uma família, como é o caso de qualquer ser humano. Uma vez constituído o novo casal principal da novela &quot;Amor à vida&quot;, como os personagens de Mateus Solano e Thiago Fragoso (Felix e Niko), pudemos ver a naturalidade das relações amorosas entre duas pessoas do mesmo sexo em pleno horário nobre.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E foi assim que Felix demonstra o seu afeto por Niko ao final da novela: “Você mudou a minha vida”. Ao que ele responde: “E eu não vivo sem você”. Um encontro entre dois seres humanos, demasiadamente humanos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Restituído o amor em sua vida, agora Felix pode cuidar do pai doente, numa cadeira de rodas, paralisado por um acidente vascular cerebral e praticamente cego. Malgrado tenha sofrido a vida toda por tudo o que o pai deixou de fazer por ele, e malgrado todo o seu esforço para conquistar o amor do seu pai, Felix empreende o lugar de “cuidador” do que sobrou do seu pai para amar. Agora, com o amor fazendo parte do seu mundo interno, ele também pode perdoar o pai por todo o seu desafeto e finalmente demonstrar seus sentimentos por César: “Sabe pai, eu te amo.” Notem que para Niko, Felix afirma que ele mudou sua vida e que a partir de então, não pode viver mais sem ele. Ao pai, ele simplesmente diz que o ama. Resta a César, a redenção pelo amor: amor do seu filho por ele e amor dele pelo seu filho. Juntos, eles podem apreciar um por do sol em pleno silêncio, desfrutando um a presença do outro. Nada mais justo para uma novela que teve como título a celebração do “Amor à vida”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;font-size: small; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;font-size: small; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: xx-small;&quot;&gt;Doutorado em Psicologia Clínica pela PUC-RIO; Mestrado em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ; Email de contato: sergiogsilva@uol.com.br. Visite também o meu site pessoal: http://sergiogsilva.sites.uol.com.br .&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/6003384869722989290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2014/02/a-redencao-pelo-amor.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/6003384869722989290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/6003384869722989290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2014/02/a-redencao-pelo-amor.html' title='A REDENÇÃO PELO AMOR'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEimFi5tSm1C-4Fv9Oo1sLidtKmGwvTm97ifHBq7QfCGVHLcI7l_4U5fqWFqW7ZQI_3ACH8-raC15uAaAke7DesWAgZR0Kfn6B9mb39idZkrWRW_9h7-nhYQW49ufpKd_62vSNEI5QPF8rtv/s72-c/Amor+a+vida.png" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-3330964362011458866</id><published>2012-11-04T13:53:00.001-08:00</published><updated>2012-11-04T13:53:22.422-08:00</updated><title type='text'>Uma análise feita por amor</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEieXjuUZ4tV34eTe2y1MmVauR5GUwN2O5FqPsrrOE8TPS9ro-Yy44VNzAhDJBbGBhUSy1SG4q3165lVL9UhlhKlPh8jg-cLH9QREwqJcA5ukdfy8wEBjTL67Bc605CdBtsKMw34WseJ8pA_/s1600/por+amor+a+freud2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEieXjuUZ4tV34eTe2y1MmVauR5GUwN2O5FqPsrrOE8TPS9ro-Yy44VNzAhDJBbGBhUSy1SG4q3165lVL9UhlhKlPh8jg-cLH9QREwqJcA5ukdfy8wEBjTL67Bc605CdBtsKMw34WseJ8pA_/s320/por+amor+a+freud2.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgd7_FO_Cg3VyQWnpQIrp3X7aUXea8LqzctDYrHDDRD0NicRA0QPZp4uTp5HmqCSBgZtjHxedclUhYCW9oymQfZGgQetom22PtOAtqXc8r1dNVGp-9yFhDOSt7U4eN9UuZDDmNRZi6zVSTL/s1600/hilda+doolittle2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgd7_FO_Cg3VyQWnpQIrp3X7aUXea8LqzctDYrHDDRD0NicRA0QPZp4uTp5HmqCSBgZtjHxedclUhYCW9oymQfZGgQetom22PtOAtqXc8r1dNVGp-9yFhDOSt7U4eN9UuZDDmNRZi6zVSTL/s200/hilda+doolittle2.jpg&quot; width=&quot;137&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Poetisa norte-americana, também
conhecida como H.D., Hilda conviveu desde cedo com um grupo de escritores,
artistas e intelectuais ricos da burguesia do início do século. Foi analisada
por Freud entre o período compreendido de 1933 a 1934, registrando um período
de intensa convivência com o criador do método psicanalítico, trocando
inclusive uma série de correspondências durante e posteriormente à sua análise.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Dois foram os registros dessa
análise por Hilda. Um deles, Escrito na Parede, é a memória desse tratamento, e
Advento, uma compilação dos diários mantidos pela autora durante o período da
sua análise.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;O texto não é o relato mais
completo de uma análise com Freud. Outros autores já haviam se aventurado nesta
empreitada, conforme afirma a prefaciadora do livro, a historiadora e
psicanalista francesa Elisabeth Roudinesco: a primeira, &lt;i&gt;Minha Análise com Freud: Reminiscências&lt;/i&gt;, escrita por Abram
Kardiner, e publicada em Inglês, em 1977 e a outra, &lt;i&gt;Fragmentos de uma Análise com Freud&lt;/i&gt;, publicada em 1954 por Joseph
Wortis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;O importante não é a
fidedignidade dos textos escritos pelos analisandos de Freud, mas a
oportunidade de que estes textos apresentem o criador da psicanálise, expondo-se,
se apresentando como ele nunca ousou fazer, visto que o próprio Freud disse que
iria dar trabalho aos seus biógrafos após a sua morte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Muitos dos textos já conhecidos
de Freud caíram em domínio público, mas há uma série de cartas, artigos
inéditos depositados na Biblioteca do Congresso Nacional norte-americano, que
só virão à publico após 1938, ou seja, 100 anos após a morte de Freud. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Quanto à Hilda, nascida em 10 de
setembro de 1886 em Bethlehem, Pensilvânia, era advinda de uma família
recomposta, com um pai professor universitário de física e astronomia, já
casado uma vez antes de desposar Helen Wolle, mãe de Hilda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Ela teve uma aproximação muito
forte com a poesia anglo-americana, e da sua adolescência à vida adulta, fez um
verdadeiro passeio por vários movimentos literários da poesia ao redor do
mundo, mas eminentemente influenciada pela poesia europeia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Casada e descasada algumas vezes,
foi na homossexualidade que descobriu verdadeiramente o amor, vindo a conhecer,
em 1918, Annie Winifred Ellerman, nascida em 1894 e aquela que se tornaria sua
companheira de sua vida. Annie era cinéfila, romancista e curiosa da
arquitetura, engajada na política e assumiu o pseudônimo de Bryher, referência
a uma das ilhas Scilly, onde gostava de frequentar. Dizia-se que pertencia ao
sexo intermediário, desejando os homens como um homem para melhor amar as
mulheres ao mesmo tempo como mulher e como homem. Herdeira rica, amiga de Joyce
e Hemingway, melancólica, fundou a livraria Shakespeare ¨Co., que logo logo se
tornou um dos lugares mais frequentados da vida literária parisiense.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Foi Bryher quem se interessou
primeiro pela psicanálise, antes mesmo de H.D. a descobrir. Munida de uma carta
de recomendação de Havelock Ellis (que para quem não conhece, era um dos
defensores dos direitos dos homossexuais na transição do século XIX para o
século XX), Bruher encontrou-se com Freud em Viena e ficou deslumbrada com sua
inteligência e seu modo de vida pouco avesso às normas burguesia. Ele a
aconselhou a fazer análise em Berlim com Hanns Sachs, seu discípulo austríaco,
que havia fundado junto com Otto Rank (aquele psicanalista contemporâneo de
Freud que escreveu sobre o Trauma do Nascimento) a revista Imago. Sachs era
amante da arte, literatura e cinema, e havia participado do roteiro de um filme
chamado Os mistérios de uma alma (obra prima do cinema expressionista, segundo
Roudinesco).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Sachs também estava adaptado ao
Berliner Psychoanalustisches Institut, fundado por Max Eitington, outro
discípulo de Freud, e presente nas suas reuniões das quartas-feiras, e estava
mais aberto a questão da homossexualidade e quase não respeitava as regras que
havia fundado e fixado para a formação dos psicanalistas. Além disso, segundo
Roudinesco, era epicurista, gastrônomo, sedutor de mulheres e solteiro, capaz
de todos os tipos de transgressões: saia de férias com seus analisandos em
formação, e estes, com seus pacientes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Entre 1828 e 1932, Bryher
circulou por Londres, Berlim e Villa Kenwin para ser analisada por Sachs, logo
cedo participando de encontros de psicanálise promovidos pela&amp;nbsp; IPA. Era crítica da orientação
anglo-americana ortodoxos, sobretudo no que se referia às teorias em torno da
homossexualidade masculina e feminina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Hilda iniciou seu primeiro
tratamento psicanalítico em Londres, em 1931, com Mary Chadwick, discípula de
ninguém menos que Melanie Klein, que defendia a análise de crianças, quando
Freud afirmava a que uma análise não deveria começar antes dos quatro anos de
idade. Como sabemos, Klein defendia o acesso ao inconsciente de crianças
através de dispositivos específicos – jogos, massa de modelar, cubos, bolas,
brinquedos diversos, que permitia que a criança se expressasse. A sua
perspectiva era analisar as relações arcaicas com a mãe, primeiro objeto de
toda afeição posterior, ao passo que Freud defendia a prevalência do pai
separador na dinâmica inconsciente, ou seja, a tese do monismo sexual e de
essência masculina na libido humana, e que veio a ser explicitada em muitos dos
seus textos, mas principalmente nos seus famosos Três Ensaios, no caso Hans,
dentre outros. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Esta tese (sustentada pela escola
vienense por psicanalista como Marie Bonaparte – amiga pessoal de Freud e
Helene Deutsch) gerava problemas, não só dentro da própria metapsicologia como também
na formação de psicanalistas, pois Freud não conseguia dar conta da diversidade
das práticas homossexuais e bissexuais, já naquela época, arriscando-se a ser
desmentido pela evolução dos costumes e pela transformação radical da visão da
feminilidade, não somente pelas mulheres em busca de liberdade, independência e
igualdade, mas também pelos homossexuais masculinos e femininos, que não podia
de forma alguma aderir a uma tese tão pouco conforme à gênese de sua
identidade.&amp;nbsp; Os analistas da escola
inglesa, sobretudo aqueles que orientação kleiniana, defendia a cura da
homossexualidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Diante de todo esse cenário, Mary
Chadwick aplicou sua doutrina à cura de H.D., orientando a análise às
profundezas da ligação com a mãe e uma preocupação normativa exagerada e foi um
verdadeiro desastre, sugerindo a analisanda que fosse tentar a sorte em Viena,
junto ao mestre Freud, e foi assim que 1 de março de 1933, um mês após a
ascensão de Hitler à Chancelaria do Reich, ela se encontrou com Freud pela
primeira vez, logo estabelecendo com ele uma relação transferencial positiva,
colocando-o no lugar da sua mãe, o que Freud revidou com veemência: “Não gosto
de ser a mãe numa transferência, isso me surpreende e me choca sempre um pouco.
Sinto-me totalmente masculino”, acrescentando que isso as vezes acontecia com
frequência com seus pacientes. Mal sabia ele que alguns anos mais tarde, um de
seus herdeiros, Donald W. Winnicott iria defender justamente o lugar de mãe na
análise para o bom andamento do tratamento, princípio básico da transferência,
da confiança e do acolhimento ao sofrimento do analisando, trazendo bons
resultados numa análise, sobretudo de paciente regredidos ou de personalidades
narcísicas (borderline ou casos limites).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Diferente de sua discípula, Freud
não tentou curar a homossexualidade de H.D., não a encerrando nos limites da
sua teoria. Pelo contrário: ele contribuiu para deskleinizá-la, ou seja, ao
invés de culpabilizá-la denunciando sua pouca aptidão por uma “sexualidade
normal”, ele não cessou de valorizar sua atividade criadora, ocupando junto a
H.D. um lugar ocupado por um antigo amor que valorizava seus escritos, mesmo
quando estava convencido de ser suporte de uma transferência maternal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;De acordo com Roudinesco, mesmo
qu&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;e o texto de H.D. não se refira à homossexualidade, ainda assim, é disso que
Freud vai cuidar ao longo do tempo da sua análise com H.D. Freud era tolerante
à homossexualidade, compreendendo a sexualidade humana como eminentemente
bissexual, recusando a maior parte das teses sexológicas da época, considerando
a homossexualidade nem inata nem natural, mas o resultado de uma escolha
psíquica inconsciente, recusando toda a forma de descriminalização contra os
homossexuai. Não os achava nem invertidos, nem degenerados, nem anormais, nem
estigmatizáveis em termos de raça, sustentando que era inútil tentar
transformar um homossexual em heterossexual, ou vice-versa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Freud também tinha suas razões
para mudar de opinião e não tentar estigmatizar a homossexualidade não só
dentro da sua teoria como dentro da própria vida social que pertencia.&amp;nbsp; Um dos motivos estava centrado na sua própria
filha e fiel escudeira, Anna Freud, por quem nutria um amor paterno chegando a
defendê-la de todos os homens que se aproximassem dela, inclusive Ernest Jones,
seu biógrafo oficial e amigo pessoal. Anna Freud era considerada sua Antígona,
referência à filha de Édipo Rei. Preocupado em vê-la solteira por causa das
suas proibições, ela acaba resistindo às investidas dos homens que a
cortejavam, daí decidindo-se por analisa-la n período entre 1918 e 1920 e entre
1922 e 1924, tendo por principal testemunha outra discípula sua, Lou
Andreas-Salomé.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Foi a ela quem Anna confessou sua
atração por mulheres no momento em que preparava sua primeira apresentação em
um congresso de psicanálise. Mas foi resultante da sua análise com seu pai que
Anna Freud se constituiu hostil à homossexualidade, considerando-a como doença
curável pela análise, até conhecer Dorothy Tiffany Burlingham, por quem tomará
por companheira pelo resta da sua vida. Nascida em Nova Iorque e neta do
fundador das lojas Tiffany &amp;amp; Co., Dorothy se separou de um marido violento,
deixando os Estados Unidos com seus quatro filhos para se submeter a uma
análise com Theodor Reik, outro amigo de Freud e participante dos encontros das
quartas-feiras,. Foi através dele que Dorothy veio a conhecer, em 1925, Anna
Freud, que não hesitando ao finalizar o tratamento com seu pai, tornou-se
preceptora e depois analista dos filhos de Dorothy e passando a manter uma
relação de amizade a amor que as deixavam mais próximas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;De acordo com Roudinesco,
sessenta anos antes da palavra “homoparentalidade”, Anna tornou-se co-mãe dos
filhos de Dorothy, e juntas decidiram alugar um apartamento no número 19 da
Bergasse, ou seja, mesmo prédio da família e do consultório dos Freud. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Quanto a Freud, para manter a
filha perto dele, não hesitou em ser o patriarca de uma nova família, somando à
sua, a família de Dorothy, descrevendo numa carta a Ludwig Binswanger que os
laços simbióticos com uma família americana (sem marido) se tornavam cada vez
mais sólidos, de modo a partilharem de viagens de férias durante o verão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Assim compreendemos melhor a
tolerância de Freud em relação às relações de Hild Doolittle com seus amigos e
sua amante e que fez com que o criador da psicanálise empreendesse uma análise
mais humanamente útil aquela que trazia-lhe seus sofrimentos resultantes ou não
das suas escolhas afetivas, não cessando de incentivar sua criação artística
nem se furtar de manter uma correspondência com H.D. durante o período de sua
análise até bem pouco antes de sua morte, já refugiado na Inglaterra, por conta
da sua fuga contra o nazismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Os analistas de hoje ficariam
espantados de saber o quanto Freud estava à frente da ciência que inventara. E
uma boa forma de conhecer a sua genialidade, está no excelente texto que nos
chega em português, &amp;nbsp;Por amor a Freud –
memórias de minha análise com Sigmund Freud, escrito pela sua analisanda Hilda
Doolittle, ou simplesmente, a poetisa H. D.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-RIO; Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ; Email de contato: sergiogsilva@uol.com.br.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/3330964362011458866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2012/11/uma-analise-feita-por-amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/3330964362011458866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/3330964362011458866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2012/11/uma-analise-feita-por-amor.html' title='Uma análise feita por amor'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEieXjuUZ4tV34eTe2y1MmVauR5GUwN2O5FqPsrrOE8TPS9ro-Yy44VNzAhDJBbGBhUSy1SG4q3165lVL9UhlhKlPh8jg-cLH9QREwqJcA5ukdfy8wEBjTL67Bc605CdBtsKMw34WseJ8pA_/s72-c/por+amor+a+freud2.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-9131431801020581749</id><published>2012-08-18T10:11:00.000-07:00</published><updated>2012-08-18T15:23:42.734-07:00</updated><title type='text'>UMA POLÍTICA DE VIDA E MORTE EM GIORGIO AGAMBEN</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj8BvM2f8TLw7ND2jEhNjStf8FyrabaCiF0OPuNMoEWEEjvwC2F859EBBM-YS9AMRFr04sXGjGJTzgogDi69hknV12m-ra897kmfPauRhyphenhyphenqkkPxFIF7ADLpncUGQkJPqyCroUXDy-x-eK0/s1600/giorgio-agamben.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;240&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj8BvM2f8TLw7ND2jEhNjStf8FyrabaCiF0OPuNMoEWEEjvwC2F859EBBM-YS9AMRFr04sXGjGJTzgogDi69hknV12m-ra897kmfPauRhyphenhyphenqkkPxFIF7ADLpncUGQkJPqyCroUXDy-x-eK0/s320/giorgio-agamben.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 10pt;&quot;&gt;“Não há maior solidão do que aquela nos olhos de um
homem morto; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 10pt;&quot;&gt;e não há maior desafio do que aquele que aparece no
frio semblante de um falecido”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 10pt;&quot;&gt;Rosenzweig&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Ninguém pensa na morte. Mas ela faz parte do nosso dia
a dia. A cada milésimo de segundo, milhões de células do nosso corpo morrem, e
outros milhões nascem. A cada minuto, no mundo, alguém tem que decidir entre a
vida e a morte de uma pessoa sob condições irreversíveis de doenças. Milhões
são gastos dia a dia para manter viva uma pessoa sob condição vegetativa,
entubadas ou dependentes de aparelhos para sobreviver, sem que, no entanto,
exista legislação suficiente para dar conta dessa realidade no mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Será que realmente precisamos de uma política de vida
e uma política de morte, uma “biopolítica e uma tanatopolítica”?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Gostaria de discutir o assunto a partir das considerações
do filósofo italiano Giogio Agamben e suas concepções acerca de vida e morte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Agamben parte das referências gregas para situar o
campo da vida. Para ele, os gregos tinham duas formas de definir vida: &lt;i&gt;zoé&lt;/i&gt;,&amp;nbsp; que dizia respeito a vida comum de todos os
seres vivos (animais, homens ou deuses), ao próprio fato de estar vivo; e &lt;i&gt;biós&lt;/i&gt;,
que seria a forma de viver a própria vida organizada em torno de um grupo ou
comunidade, com estatuto político e possibilidade de potencialidade. Para ele,
a &lt;i&gt;zoé&lt;/i&gt; grega nada mais seria do que viver livremente, fora das grades da
política, da lei e dos cálculos do poder. A isso ele se referiu como sendo
“vida nua”. “Vida nua” refere-se, então, a uma forma de vida na qual não se
pode incidir nenhuma forma de controle, nenhum poder, nenhum direito, mas
também nenhum dever. Exemplos de “vida nua” podem ser encontrados em pessoas
refugiadas, nos campos de concentração, em cobaias humanas, em prisioneiros
políticos, ou ainda em pessoas cuja autonomia sobre a própria vida não é mais
possível (pessoas em coma, em morte-cerebral, e grosso modo, condenados à
morte, estariam aqui incluídos).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Até então, a organização da vida dos seres humanos
girava em torno dessa premissa, como um “animal vivente capaz de existência
política”. Mas durante a história da modernidade, houve um tempo em que a vida
natural começou a ser incluída nos mecanismos e cálculos do poder estatal e a
política passou a se transformar naquilo que Foucault denominou de biopolítica,
a qual, a vida biológica passou a ocupar, passo a passo, o centro da cena
política moderna. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;O que Foucault chamou de biopolítica, foi a implicação
da vida natural do homem nos mecanismos e cálculos do biopoder de modo a
controlá-la. Primeiramente, quem passou a ter poder sobre a vida humana foi a
medicina, com a preocupação de regras gerais de controle da natalidade, de
contenção de doenças e endemias, com a construção de hospitais e alocação dos
“doentes mentais” em “asilos para loucos” e, como não poderia deixar de ser,
com a sexualidade de um modo geral. A biopolítica se dava, principalmente,
sobre um disciplinamento do corpo da população através de uma medicalização e
normalização dos códigos que a regiam. Posteriormente, a biopoder vai dar conta
de outros setores da população, ele vai incidir mais ainda no controle dos
corpos dos indivíduos, prolongando seus tentáculos nas escolas, nas fábricas e
nas prisões. Em sua análise, vemos como o poder passou a penetrar no próprio
corpo dos sujeitos e nas suas diversas formas de vida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;O corpo, para Foucault, era um corpo controlável,
dócil, sujeito aos ditames do biopoder e da biopolítica. A ideia de vida, para
ele, só poderia ser pensada a partir da ideia de morte. A morte seria um
momento de desalienação total, no qual nos tornamos singular. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Mas nem sempre a morte foi pensada desse modo. Morrer
ou matar era uma dádiva do rei ou do soberano, que detinha o poder de vida e de
morte da população. A mudança da noção de morte no ocidente, segundo Foucault,
operou de modo a estabelecer um poder de morte sobre a vida, e essa fase de
transição fez com que fosse inscrita nos mecanismos do biopoder. Antes, o poder
soberano se definia através do pensamento “fazer morrer e deixar morrer”,
agora, o Estado considerava “fazer viver e deixar morrer”. Esse poder sobre a
vida e a morte, foi condicionado, em um primeiro momento, ao soberano, e muito
posteriormente ao Estado através da medicina no campo da biopolítica. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;O soberano era aquele que podia decidir sobre a vida
do povo sem que fosse submetido a qualquer sanção, sem que fosse punido pela
sua decisão. É essa ideia de soberania e sacralidade da vida que Agamben vai
reter para começar a pensar o conceito de “vida” tal como “vida nua”, ao pensar
o fenômeno do Holocausto como o último exemplo onde o biopoder se manifestou
vividamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Para ele, “&lt;i&gt;homo sacer&lt;/i&gt;” era aquele cuja vida
podia ser matável sem que estivesse na esfera do sacrifício e sem que alguém
fosse punido pela sua morte. Sua vida era despida de qualquer valor. Em suas
palavras, “a especificidade do &lt;i&gt;homo sacer&lt;/i&gt; é a impunidade da sua morte e
o veto de sacrifício”. O “&lt;i&gt;homo sacer&lt;/i&gt;” é excluído da comunidade na forma
daquela pessoa que poder ser sacrificada – o melhor exemplo disso foi encontrado
nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial através do nazismo.
Toda vida insacrificável e, todavia, matável, descreve Agamben, é vida sacra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Para Agamben, “soberana é a esfera na qual se pode
matar sem cometer homicídio e sem celebrar um sacrifício, e sacra, isto é,
matável e insacrificável, é a vida que foi capturada nesta esfera. (...) Sacra,
isto é, matável e insacrificável, é originariamente a vida no &lt;i&gt;bando&lt;/i&gt;
soberano, e a produção da vida nua é, neste sentido, o préstimo original da
soberania. A sacralidade da vida, que se desejaria hoje fazer valer contra o
poder soberano como um direito humano em todos os sentidos fundamental,
exprime, ao contrário, em sua origem, justamente a sujeição da vida a um poder
de morte, a sua irreparável exposição na relação de abandono”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;É preciso que se retenha isso em mente, para que
possamos compreender como Agamben vai compreender a “politização da vida” e,
sobretudo a “politização da morte”, de modo a buscar formas de se tentar sair
dessa armadilha e como isso se coaduna com o tema proposto. Caminhemos um pouco
mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Nem sempre o “direito à vida” foi um direito inerente
a todos os cidadãos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;De acordo com Hannah Arendt “somente quando a
imortalidade da vida individual passou a ser o credo básico da humanidade
ocidental, isto é, somente com o surgimento do cristianismo, a vida na Terra
passou também a ser o bem supremo do homem”. O cristianismo foi o responsável
pela ideia de inviolabilidade da vida, cuja era moderna passou a operar sob a
premissa de que a vida seria um bem supremo, passando a valorizá-la e a
conceder-lhe um valor tal qual um bem supremo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;O processo de politização da vida se deu quando
passamos a compreender a vida biológica do ser vivente e suas necessidades,
como parte integrante da política, sendo o corpo o novo sujeito da política
reivindicado pela democracia moderna. De acordo com Agamben, “se é verdade que
a lei necessita, para a sua vigência, de um corpo, se é possível falar, neste
sentido, do ‘desejo da lei de ter um corpo’, a democracia respondeu ao seu
desejo obrigando a lei a tomar sob seus cuidados este corpo”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Dito de outro modo, o processo de politização da vida
se deu, quando passamos a valorar a vida como um bem supremo e inviolável,
quando passamos a acreditar que seria necessário defendê-la a qualquer custo
garantindo a autonomia de cada um, elegendo a materialidade do corpo como
ferramenta a ser valorizada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Para Hannah Arendt, “foi precisamente a vida
individual que passou então a ocupar a posição antes ocupada pela ‘vida’ do
corpo político; e as palavras de Paulo – de que ‘a morte é o prêmio do pecado’,
uma vez que a vida se deveria durar para sempre – repete a afirmação de Cícero,
de que a morte é a recompensa dos pecados cometidos por comunidades políticas
que haviam sido construídas para durar por toda a eternidade”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Pois bem, segundo o filósofo Joseph Raz, o valor da
vida de uma pessoa só é determinado pelo valor que concedemos às suas
ocupações, dos seus relacionamentos e de suas experiências, ou seja, pelo seu
próprio conteúdo. Nesse caso, continuar vivo, diz o autor, depende muito mais
do valor do conteúdo da vida de cada um de nós para que passemos a acreditar
que vale a pena permanecer vivo por mais tempo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Joseph Raz faz algumas distinções entre valorar ou não
a vida. Para ele, há duas possibilidades, entre tantas. O “valor da vida
passada”, na qual&amp;nbsp; podemos dizer se
tivemos uma vida boa ou má, e o “valor de sobrevivência”, na qual podemos não
valorar de modo algum a vida que tivemos. É importante observar que, apesar de
não dialogar diretamente com Agamben, Joseph Raz se coloca diante do valor que
atribuímos à vida e à morte de modo crítico. Diz que assim como valoramos a
vida, também valoramos a morte. De fato, é impossível ter a experiência de
morte para dizer se esta foi uma morte boa ou má, mas a mortalidade, diz ele, é
vital para a nossa existência. Sem ela, não teríamos como dizer se a vida que
tivemos foi boa ou má. Termos como boa ou má vida, juvelinidade, longevidade,
entre outros seriam impensáveis sem a experiência da morte. Mas não seria esta,
justamente a assimetria da vida e da morte a qual nos reportamos anteriormente?
Como ter uma experiência de existir sem passar pelo nascimento? Só conseguimos ter
o sentimento dessa materialidade corpórea, porque já passamos pela experiência
de existir. Ora, mas antes de nascermos, também não existíamos, então, por que
não conseguimos pensar na vida como “não existindo” antes do nosso nascimento?
Resposta simples: impossível! Este seria o “ponto de vista de lugar nenhum”
referido por Thomas Nagel e retomado por Joseph Raz para suas análises sobre o
“valor da vida” e sobre o fenômeno da morte tais como na eutanásia, nas
experiências de “vida vegetativa” e “morte-cerebral”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Compreendemos, portanto, que esse é o mote pensado por
Agamben para discutir as questões ligadas à “vida que não merece ser vivida”,
no tocante às cobaias humanas, à eutanásia e à morte-cerebral.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;De acordo com Agamben, o conceito de “vida sem valor”
ou “indigna de ser vivida” aplica-se, substancialmente a todos os indivíduos
que devem ser considerados “incuravelmente perdidos” em decorrência de uma
doença ou ferimento grave e que tenham consciência de sua condição.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Sem querer tomar nenhum posicionamento ético diante da
questão, Agamben vai questionar sobre o direito de termos autonomia diante de
nossa própria vida, ou porque não dizer, sobre nossa própria morte. Se foi
necessário que toda uma conjuntura política requerida pela sociedade em
estabelecer leis em prol do valor da vida, como devemos proceder em situações
onde a decisão de continuar ou não vivendo deve ser posicionamento legal? A
quem devemos conceder o direito de estabelecer em que momento termina a vida e
em que momento “começa” a morte? E nos casos em que o sujeito pode decidir
sobre sua própria vida?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;O que Agamben chama de “politização da morte” foram
todos os dispositivos que fizeram com que a medicina e o direito passassem a se
interpenetrar de modo a fazer com que a vida nua habitasse de modo definitivo o
espaço de exceção da qual fazia parte através do advento das novas tecnologias
de prolongamento da vida, cuja morte se transformava, pouco a pouco, em um
“epifenômeno da tecnologia do transplante”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Como consequência, o biopoder passou das mãos do
soberano, para as mãos do médico-cientista, e destes, para as mãos do Estado,
que converteu a biopolítica em biopoder, e logo em seguida, em tanatopolítica, decidindo
quem “pode viver” e quem “deve morrer”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Agora, é o Estado quem deve decidir sobre o
“falso-vivo”, o “comatoso”, o “corpo cadáver” ou o “cadáver vivo”, e assim,
fazendo crer que organismos vivos, de fato, pertencem ao poder público. Claro,
não somos hipócritas em pensar que nas salas de mantimento da vida, médicos e
enfermeiros decidem muito antes e nas surdinas quem deve e quem não deve viver.
Uma prática corrente, que vez ou outra, chega até nós através da mídia. Mas é
preciso compreender que o advento das novas tecnologias, nos colocaram dilemas
éticos cada vez mais impensáveis há poucas décadas, e que sem essa discussão
sobre o que é e o que não é vida e morte, não podemos nos posicionar sobre a
continuidade ou não de nossa existência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Vida nua sim, mas, sob quais condições? Se nos fosse
perguntado e se nos fosse dado o ônus de escolher a forma em que gostaríamos de
permanecer vivo, qual forma escolheríamos? A vida imputada pelo cristianismo,
pautada no sofrimento, na dor e na submissão de viver encerrado em um corpo que
não mais responde às nossas expectativas de vida, ou nas condições que nos faz
ser um cérebro, descarnado e despersonificado? Será que mesmo assim, ainda
teríamos condições de decidir pela vida? Por outro lado, que garantia teríamos
de que a morte, nessas condições, seria a melhor resposta às nossas
inquietações diante da nossa incondicional onipotência narcísica diante do que
já fomos ou gostaríamos de ser? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Nas culturas asiáticas, a morte, há muito deixou de
ser pensada como um fim nela mesma, propondo uma nova concepção de vida mesmo
depois de nossa existência terrena. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;A vida é, em síntese, potencialidade, ou seja, todas
as formas que o sujeito humano consciente pode criar para dirigir sua pulsão de
vida contra a pulsão de morte. A potência de vida só se coaduna em ato, como
modo de nossa própria existência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;Mas é preciso estar sempre alerta, como nos tenta
avisar Paul Rabinow, de como essa biopolítica, na contemporaneidade, tem se
convertido naquilo que ele chama de biossociabilidade, ou seja, toda uma forma
de vida baseada nas novas convenções tecnológicas de verdades. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6.0pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif;&quot;&gt;O fato é que com os avanços tecnológicos da medicina,
a biopolítica não teve outra saída a não ser converter-se, pouco a pouco, em
tanatopolítica, trazendo como consequência a necessidade de se legislar sobre
uma nova realidade que antes não teríamos como dar conta: o momento em que
podemos decidir sobre a nossa vida, livrando-nos das prisões impostas pela
medicina, pela tecnologia, pela ciência, e pela “sacrossantidade da vida”.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-RIO; Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ; Email de contato: sergiogsilva@uol.com.br. Visite também o meu site pessoal: http://sergiogsilva.sites.uol.com.br .&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/9131431801020581749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2012/08/uma-politica-de-vida-e-morte-em-giorgio_18.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/9131431801020581749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/9131431801020581749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2012/08/uma-politica-de-vida-e-morte-em-giorgio_18.html' title='UMA POLÍTICA DE VIDA E MORTE EM GIORGIO AGAMBEN'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj8BvM2f8TLw7ND2jEhNjStf8FyrabaCiF0OPuNMoEWEEjvwC2F859EBBM-YS9AMRFr04sXGjGJTzgogDi69hknV12m-ra897kmfPauRhyphenhyphenqkkPxFIF7ADLpncUGQkJPqyCroUXDy-x-eK0/s72-c/giorgio-agamben.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-7465297304793926393</id><published>2012-06-02T12:30:00.000-07:00</published><updated>2012-06-02T12:31:11.361-07:00</updated><title type='text'>Para os que partem e para os que ficam (*)</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh_hjmboNLdI4JJmvHSx4nnHQADLB3ophkPKBZOr9PjxrvHY8zcAZ05cKY4H1SgbBDibgFswI9JgNBq1j7C5OvOe7z_8VyMlLv10RhEqB_ezX9GrcgOOnY94dcX6jCEhUY75dzFVWwEXhOe/s1600/chegadas.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;213&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh_hjmboNLdI4JJmvHSx4nnHQADLB3ophkPKBZOr9PjxrvHY8zcAZ05cKY4H1SgbBDibgFswI9JgNBq1j7C5OvOe7z_8VyMlLv10RhEqB_ezX9GrcgOOnY94dcX6jCEhUY75dzFVWwEXhOe/s320/chegadas.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Sejam bem vindos ao primeiro ano do resto de suas vidas!!! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Eu gostaria de dividir com vocês o que eu penso ser um
momento de graça e alegria para muitos de que estão partindo e para muitos dos
que estão chegando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Eu gostaria também de dizer a vocês da minha imensa
satisfação em ter trabalhado com vocês durante os meses em que se seguiram e
aproveitar a oportunidade de dizer o que penso e como me sinto nesse momento de
confraternização.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Um dia, um jovem analista se propôs a oferecer estágio em
psicologia clínica na abordagem psicanalítica, e passar seus conhecimentos para
outros jovens que estava para começar uma jornada: a jornada da vida
profissional ao final de um bom tempo de estudos, aulas, trabalhos em grupo,
provas, fichamentos, &lt;b&gt;moni&lt;/b&gt;torias,&lt;b&gt; mono&lt;/b&gt;grafias, &lt;b&gt;mono&lt;/b&gt;tonias...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Eu fiz o convite e vocês aceitaram a empreitada em descobrir
o que esse jovem analista tinha para lhes oferecer. Afinal, vocês nunca tinham
ouvido falar a meu respeito, não sabiam quem eu era, minha trajetória acadêmica
ou profissional, no máximo, tinham à disposição a ferramenta da internet e um
documento lá... bem &lt;b&gt;lá-ttes&lt;/b&gt; para
saber se iriam ou não tomar a decisão certa em me escolher como aquele que
proporia dividir com vocês o que aprendera em todos os anos de clínica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Sabemos que não foi uma tarefa fácil. Mas vocês toparam o
desafio. Eu topei o desafio, posto que se vocês não me conheciam, eu também não
sabia quem vocês eram ou de onde vinha, o que estudaram, o que sabiam, quais os
seus planos, quais suas fantasias, quais seus &lt;b&gt;DESEJOS &lt;/b&gt;diante do meu convite.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Pois bem... duas turmas se constituíram: uma, decidiu saber
mais sobre o meu objeto de investigação na prática clínica (o silêncio); a
outra decidiu saber mais sobre um autor pouco conhecido na formação de todos
vocês (Winnicott).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Juntos, pudemos descobrir na prática clínica, com seus
pacientes, o que alguns velhos monstros sagrados tentaram nos ensinar. O Velho
Criador (Freud), nos mostrou que o eu não é senhor nem dentro da sua própria
casa – foi ele quem começou toda essa jornada. O Velho Rabugento (Lacan), nos mostrou
que o &lt;b&gt;ISSO&lt;/b&gt; é estruturado como uma &lt;b&gt;LINGUAGEM&lt;/b&gt;, portanto, cuidado no que
vocês andam falando por ai, pois tudo, tudo, tudo tem &lt;b&gt;UM&lt;/b&gt; &lt;b&gt;SIGNIFICADO&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;UM SIGNIFICANTE&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;UMA&lt;/b&gt; &lt;b&gt;SIGNIFICAÇÃO&lt;/b&gt;. Por
fim, a Velha Raposa (Winnicott) tentou nos ensinar como &lt;b&gt;BRINCAR&lt;/b&gt; com crianças e com palavras, como a &lt;b&gt;FANTASIA&lt;/b&gt; e a &lt;b&gt;CRIATIVIDADE&lt;/b&gt;
faz parte da &lt;b&gt;SAÚDE&lt;/b&gt; de todos nós, e
como podemos ser sujeitos bem melhores independente do rochedo da castração ou
da viscosidade da libido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Os inícios dessa jornada, como sabem, também foi pontuado por
uma série de &lt;b&gt;provoca-ações&lt;/b&gt;. Lembram?
Deixem-me recorda-los um pouco, pois vamos terminar essa jornada como tudo
começou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Um dia lembrei-lhes que despertou na alma de um artista o
desejo de esculpir uma estátua: a estátua do &lt;b&gt;&lt;i&gt;Prazer que dura um instante&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;.
Ele partiu pelo mundo à procura do bronze, porque ele só podia trabalhar com o
bronze, mas todo o bronze existente no mundo havia desaparecido e não se
encontrava em nenhum outro lugar a não ser na estátua da &lt;b&gt;&lt;i&gt;Dor que é permanente&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. Fora
o artista que com as próprias mãos que havia fundido essa estátua colocando-a
no túmulo de alguém que amara muito na vida, como símbolo do amor masculino (que
é imortal), e a dor humana (que dura a vida inteira). Então ele resolveu
refazer tudo, retirou a estátua do túmulo da morta, pondo-a num grande forno,
derretendo-a e com o bronze da estátua da &lt;b&gt;&lt;i&gt;Dor que é permanente&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, fundiu a do &lt;b&gt;&lt;i&gt;Prazer
que dura um instante&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;.&lt;a href=&quot;file:///E:/Para%20os%20que%20partem%20e%20para%20os%20que%20ficam.doc#_ftn1&quot; name=&quot;_ftnref1&quot; title=&quot;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;A dor que é permanente é a dor daquele que chega até vocês
pedindo ajuda para uma pobre alma diante da hemorragia do seu sofrimento
psíquico. O prazer que dura um instante, é a capacidade de constituirmos em
nossos pacientes um momento de alivio para a sua dor, seja ela qual for. Afinal
de contas, estamos muito mais “&lt;b&gt;além do
princípio do prazer&lt;/b&gt;”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Mostrei-lhes também a história do poeta que vivia no campo,
entre prados, rios, topos de colinas e alguns bosques contando para adultos e
crianças, as maravilhas que havia visto durante sua jornada. Este poeta dizia
que encontrava pequeninos faunos entre as folhas dos bosques; nereidas de
cabelos esverdeados emergindo das águas cristalinas do lago, cantando ao som
das harpas; um grande centauro no alto das colinas, galopando, sorrindo e
envolto em nuvens de pó, até que um dia, voltando para a cidade, viu todas
essas coisas maravilhosas que tanto relatara. Lá chegando, adultos e crianças
se reuniram em torno dele para ouvir suas histórias, mas ele respondeu: “Hoje
nada tenho para lhes contar, não vi coisa alguma”. Isto porque, conta-nos Oscar
Wilde neste lindo conto, que naquele dia, todas as coisas maravilhosas foram
vistas de fato pelo poeta, e para ele, a fantasia é de fato a realidade e a
realidade nada significa&lt;a href=&quot;file:///E:/Para%20os%20que%20partem%20e%20para%20os%20que%20ficam.doc#_ftn2&quot; name=&quot;_ftnref2&quot; title=&quot;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Com isso, pude instigar a imaginação de vocês para o bom uso
na clínica. Para um analista ou um psicólogo clínico, a fantasia e a imaginação
são ferramentas de trabalho, e às vezes, a &lt;b&gt;REALIDADE
&lt;/b&gt;com a qual lidamos&lt;b&gt; &lt;/b&gt;nada mais é
do que a &lt;b&gt;REALIDADE PSÍQUICA&lt;/b&gt;, e dito
isto, pouco importa se é verdade ou fantasia o que nos contam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Também tentei lhes ensinar que &quot;Uma vez no divã, somos
todos iguais diante da falta, do rochedo da castração, da inveja do pênis, da
viscosidade da libido, do real, do gozo ou da insustentável divisão do não-ser.
(...) E que aos tolos, resta a incansável busca do Santo Graal erótico; e a
nós, a consciência trágica, contrita, heróica e dilacerada de que a ferida da
existência não tem cura”&lt;a href=&quot;file:///E:/Para%20os%20que%20partem%20e%20para%20os%20que%20ficam.doc#_ftn3&quot; name=&quot;_ftnref3&quot; title=&quot;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Pode
não ter cura, mas pode ter alivio diante dessa existência, pois conforme afirma
Freud, todo ser humano anseia pelo retorno aos braços de Abraão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Vocês mergulharam no universo psicanalítico diante de suas
faltas, de seus desejos, de seus medos, de suas angústias, de sua insofismável
condição de (quase) nada saber para uma pretensiosa condição de querer saber
(ou &lt;b&gt;SUPOSTO SABER&lt;/b&gt;, diria o velho
rabugento).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;O que tentei lhes ensinar, penso, não se ensina a ninguém –
aprende-se com uma boa dose de intuição e disponibilidade para aprender a ouvir
nossos pacientes. Para mim, essa tarefa é a mais inglória, mas vamos lá: tentei
lhes ensinar a brincar com crianças (e trazer o lúdico e o afeto para a cena
analítica – dá para fazer isso, minha gente!!!); tentei lhes ensinar a brincar
com as palavras (freudiana, lacaniana [por que não/sim] e winnicottiana).
Tentei lhes ensinar que nem só de Freud e Lacan vive o psicanalista, mas de
todo o arcabouçou teórico que a psicanálise dispõe para lidar com o sofrimento psíquico
dos nossos pacientes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Tentei lhes passar a minha experiência através dos meus atos (alguns
falhos - bem sabemos que foram muitos – pão de mel; sim querendo dizer não;
Lacan querendo dizer Winnicott, pois o analista falha, e como dizia Winnicott,
como toda mãe suficientemente boa, este deve falhar para o melhor proveito do seu
paciente).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Tentei abrir suas mentes para um encontro de inconscientes – os
seus e o dos seus pacientes; e acima de tudo, tentei lhes dizer o quão
verdadeiro é o psicoterapeuta que segue a sua intuição. Lhes falei do
inconsciente não-dizível – aquele que não é dado através da palavra, mas
através de atos, gestos, olhares, tessituras. Demonstrei como nem sempre o uso
do divã é necessário para uma análise. Muitas vezes, esta deve ser sustentada
no e pelo olhar, e para uma alma em sofrimento, nada melhor do que espiar para dentro
de uma janela refletida como modelo especular do &lt;b&gt;OUTRO&lt;/b&gt; (outrão e outrinho). Mostrei como um simples gesto de
positivação do ego trás recompensas que jamais esperamos, muito embora, essas
recompensas venham em forma de um bombom de chocolate, ou um gesto de carinho
de nossos pacientes, porque não? Mas nem sempre a tentativa de lhes ensinar o
impossível foi uma via de mão única.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Vocês me ensinaram também. E vão deixar marcas. Como esquecer
de pérolas do cotidiano que vocês tão bem souberam construir ao longo desses 17
meses que permanecemos juntos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;Veja bem Milton&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;... &amp;nbsp;blá, blá, blá.. Um dia toda mãe vai dizer: &lt;b&gt;trepem&lt;/b&gt;!!! Ou então dirá: &lt;b&gt;Restrepem&lt;/b&gt;!!! Não foi assim com o &lt;b&gt;caso da jovem homossexual&lt;/b&gt;? E o &lt;b&gt;caso da&lt;/b&gt; &lt;b&gt;jovem transexual&lt;/b&gt;? Ou ainda o &lt;b&gt;caso
da jovem heterossexual&lt;/b&gt;? Ou até mesmo o &lt;b&gt;caso
do jovem pervertido por pés&lt;/b&gt;? Ou a angústia daquela estagiária cujo paciente
nunca vinha para a sessão, e quando vinha, chegava na hora de acabar? Tem ainda
o jovem que assistia filmes do youtube de baile funk para se excitar nas noites
insones. Da jovem que “mamava” na lata de leite condensado. Aquela paciente que
na verdade, era uma menina triste em busca do seu referencial de alegria. Temos
a jovem adolescente com um vazio interior muito profundo, mas que chegou a
estourar balões com seu vazio! Me recordo ainda da comunicação silenciosa que
se estabeleceu entre uma estagiária e seu paciente silencioso, da garota que
chegou a se apaixonar por uma outra que nunca existiu, do menino cuidador de
sua família e de sua mãe, e tantos outros que não daria aqui para incluir numa
longa lista ao longo dos meses que permanecemos juntos, mas que certamente
todos vocês sabem quem são.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Não vou me prolongar, esse era para ser um texto curto,
curtíssimo, mas já se vão quatro páginas, e o que eu na verdade queria lhes
dizer vem em seguida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Quando sentei para escrever esse texto, a primeira coisa que
me veio à mente (afinal de contas, não é disso que se trata o tempo todo nosso
trabalho?), foi uma canção que retrata um pouco do que lhes queria comunicar
durante o tempo em que permanecemos juntos. Quero que vocês saiam hoje com essa
canção na cabeça estejam vocês onde estiverem daqui em diante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&#39;allowfullscreen&#39; webkitallowfullscreen=&#39;webkitallowfullscreen&#39; mozallowfullscreen=&#39;mozallowfullscreen&#39; width=&#39;320&#39; height=&#39;266&#39; src=&#39;https://www.youtube.com/embed/Pzt-4W0l9cU?feature=player_embedded&#39; frameborder=&#39;0&#39;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Todos
os dias é um vai-e-vem&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;A
vida se repete na estação&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Tem
gente que chega pra ficar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Tem
gente que vai pra nunca mais&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Tem
gente que vem e quer voltar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Tem
gente que vai e quer ficar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Tem
gente que veio só olhar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Tem
gente a sorrir e a chorar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;E
assim, chegar e partir&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;São
só dois lados da mesma viagem&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;O
trem que chega &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;É
o mesmo trem da partida&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;A hora
do encontro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;É
também despedida&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;A
plataforma dessa estação&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;É
a vida desse meu lugar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;É
a vida desse meu lugar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;É
a vida&lt;a href=&quot;file:///E:/Para%20os%20que%20partem%20e%20para%20os%20que%20ficam.doc#_ftn4&quot; name=&quot;_ftnref4&quot; title=&quot;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Para os que partem, saibam que foi um prazer trabalhar com
vocês. Levem consigo a crença de que tentei dar o máximo que me foi possível
para contribuir na sua formação profissional. Perdoem meus erros e equívocos
(para não dizer atos falhos). Isso também faz parte do jogo. Para os que
permanecem, será muito bom aproveitar mais algum tempo com vocês no tempo que
nos resta. Para os que acabam de chegar e ficam, gostaria de lhes dizer que é
isso a vida: chegadas e partidas, encontros e despedidas. E que também me
empenharei ao máximo em contribuir com o futuro profissional de vocês, na
medida do &lt;b&gt;im&lt;/b&gt;possível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Queria terminar com um refrão de uma outra música que celebra
a vida, a sua vida profissional que começa de hoje em diante:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&#39;allowfullscreen&#39; webkitallowfullscreen=&#39;webkitallowfullscreen&#39; mozallowfullscreen=&#39;mozallowfullscreen&#39; width=&#39;320&#39; height=&#39;266&#39; src=&#39;https://www.youtube.com/embed/puOiiG5XfuA?feature=player_embedded&#39; frameborder=&#39;0&#39;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;br clear=&quot;all&quot; style=&quot;page-break-before: always;&quot; /&gt;
&lt;/span&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Viver!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;E
não ter a vergonha&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;De
ser feliz&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Cantar e cantar e cantar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;A beleza de ser&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Um eterno aprendiz...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Ah
meu Deus!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Eu
sei, eu sei&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Que
a vida devia ser&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Bem
melhor e será&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Mas
isso não impede&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Que
eu repita&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;É
bonita, é bonita&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;E
é bonita...&lt;a href=&quot;file:///E:/Para%20os%20que%20partem%20e%20para%20os%20que%20ficam.doc#_ftn5&quot; name=&quot;_ftnref5&quot; title=&quot;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 2cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Somos
todos eternos aprendizes nessa jornada que se inicia. Um feliz 2012 para todos
vocês!!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Rio de Janeiro, 15 de Dezembro de 2011.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 2.0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br clear=&quot;all&quot; /&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;hr align=&quot;left&quot; size=&quot;1&quot; width=&quot;33%&quot; /&gt;
&lt;div id=&quot;ftn1&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoFootnoteText&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: blue;&quot;&gt;(*)&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Este texto, apesar de
simples, é dedicado a Nathalia Lima Silveira, Vanessa Teixeira dos Santos,
Camila Carvalho Machado, Felipe Nunes de Lima, Gustavo Corinto da Silva, Moisés
dos Santos Vidal, Gabriela Souza, &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify; text-transform: uppercase;&quot;&gt;a&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;nna&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify; text-transform: uppercase;&quot;&gt; c&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;arolina das&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify; text-transform: uppercase;&quot;&gt; n&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;eves&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify; text-transform: uppercase;&quot;&gt; m&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;ourão&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify; text-transform: uppercase;&quot;&gt;, f&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;ernanda&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify; text-transform: uppercase;&quot;&gt; s&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;imões e&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify; text-transform: uppercase;&quot;&gt; s&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;enna&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify; text-transform: uppercase;&quot;&gt;, n&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;atalia&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify; text-transform: uppercase;&quot;&gt; s&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;erafim da&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify; text-transform: uppercase;&quot;&gt; s&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;ilva
e&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify; text-transform: uppercase;&quot;&gt; j&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;ulia&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify; text-transform: uppercase;&quot;&gt; t&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;orres&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify; text-transform: uppercase;&quot;&gt; m&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;iranda
de&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify; text-transform: uppercase;&quot;&gt; s&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;á, minha primeira turma de
estagiários da Divisão de Psicologia Aplicada Profa. Isabel Adrados do
Instituto de Psicologia da UFRJ. Aprendi muito com todos vocês. Texto preparado
para a última reunião de supervisão clínica e lido em 15 de dezembro de 2011.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoFootnoteText&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoFootnoteText&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoFootnoteText&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;text-transform: uppercase;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoFootnoteText&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;file:///E:/Para%20os%20que%20partem%20e%20para%20os%20que%20ficam.doc#_ftnref1&quot; name=&quot;_ftn1&quot; title=&quot;&quot;&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;file:///E:/Para%20os%20que%20partem%20e%20para%20os%20que%20ficam.doc#_ftnref1&quot; name=&quot;_ftn1&quot; title=&quot;&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;
Wilde, Oscar. O artista Em As obras primas de Oscar Wilde. Rio de Janeiro:
Ediouro, 2000, p. 495-496.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;ftn2&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoFootnoteText&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;file:///E:/Para%20os%20que%20partem%20e%20para%20os%20que%20ficam.doc#_ftnref2&quot; name=&quot;_ftn2&quot; title=&quot;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;
Idem, p. 497-498.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;ftn3&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoFootnoteText&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;file:///E:/Para%20os%20que%20partem%20e%20para%20os%20que%20ficam.doc#_ftnref3&quot; name=&quot;_ftn3&quot; title=&quot;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Costa,
Jurandir Freire. A questão da identidade sexual In Granã, Roberto.
Homossexualidade: formulações psicanalíticas atuais. Porto Alegre: Artmed,
1998, p. 15-27.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;ftn4&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoFootnoteText&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;file:///E:/Para%20os%20que%20partem%20e%20para%20os%20que%20ficam.doc#_ftnref4&quot; name=&quot;_ftn4&quot; title=&quot;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&quot;Encontros e despedidas&quot;, Maria Rita.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div id=&quot;ftn5&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoFootnoteText&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;file:///E:/Para%20os%20que%20partem%20e%20para%20os%20que%20ficam.doc#_ftnref5&quot; name=&quot;_ftn5&quot; title=&quot;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span class=&quot;MsoFootnoteReference&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&quot;O que é o que é&quot;, Gonzaguinha.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-RIO; Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ; Email de contato: sergiogsilva@uol.com.br. Visite também o meu site pessoal: http://sergiogsilva.sites.uol.com.br .&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/7465297304793926393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2012/06/para-os-que-partem-e-para-os-que-ficam.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/7465297304793926393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/7465297304793926393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2012/06/para-os-que-partem-e-para-os-que-ficam.html' title='Para os que partem e para os que ficam (*)'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh_hjmboNLdI4JJmvHSx4nnHQADLB3ophkPKBZOr9PjxrvHY8zcAZ05cKY4H1SgbBDibgFswI9JgNBq1j7C5OvOe7z_8VyMlLv10RhEqB_ezX9GrcgOOnY94dcX6jCEhUY75dzFVWwEXhOe/s72-c/chegadas.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-1366558894191328811</id><published>2012-04-14T18:05:00.000-07:00</published><updated>2012-04-14T18:05:24.475-07:00</updated><title type='text'>O sofrimento e suas funções para o homem</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQA-ZkiPD2iJRUs9_FFc-NRfpOEGxO8jqKY7uGgDxP4tvZjP-DbAeAAU_EwIN7-xfdUfsBR0YtsxSXO2gWiSdpOGFj883PUwUSV7osEXuYaYfM-gCblS7h9DkDFgzmLgHIp_1D1fxCrsZf/s1600/dor2.JPG&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;284&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQA-ZkiPD2iJRUs9_FFc-NRfpOEGxO8jqKY7uGgDxP4tvZjP-DbAeAAU_EwIN7-xfdUfsBR0YtsxSXO2gWiSdpOGFj883PUwUSV7osEXuYaYfM-gCblS7h9DkDFgzmLgHIp_1D1fxCrsZf/s320/dor2.JPG&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: -webkit-auto;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Primeiramente, eu gostaria de agradecer a organização do evento pelo convite em participar do X SIMBIDOR e poder contribuir a partir dos meus estudos e pesquisas sobre o sofrimento humano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;De antemão, gostaria de dizer que sou um estudioso da alma humana em seu profundo pesar diante da vida, do desespero e do despedaçamento de não se constituir como um sujeito, uma pessoa ou um indivíduo em sua singularidade e em suas relações diárias. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;O sofrimento de que trato, não se dá verdadeiramente no corpo, e sim na alma. Tarefa inglória para um profissional da minha área, que não dispõe de remédios ou de instrumentos cirúrgicos ou ainda de equipamentos de alta tecnologia para aliviar a dor e o sofrimento humano daqueles que me procuram com um padecimento da alma. Meu instrumento de trabalho é a palavra e o tratamento que lhes ofereço é a “cura pela fala”, ou no mais das vezes, o acolhimento do sofrimento humano diante de uma alma que sangra e que pede ajuda em sua agonia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Não coincidentemente, o título desta mesa se constitui com uma pergunta: “Duas horas sobre sofrimento. Mas... não é muito sofrimento não?”. Não sei o que os meus colegas da mesa pensam sobre a questão e como proposta &amp;nbsp;de trabalho na tarde de hoje mas, da minha parte, penso que duas horas é uma simples gota no oceano diante da imensidão do sofrimento humano. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;No entanto é fundamental que se afirme de imediato que há algo no organismo humano que habita na dor. Sem ela, nossa existência estaria ameaçada posto que a dor e o sofrimento dimensiona nossa vida subjetiva: nascemos pela dor e pelo sofrimento e muitas vezes é através da dor e do sofrimento que chegamos ao fim da vida. Nascemos pela dor e pelo grito, da mãe e do bebê que vem ao mundo em sua condição de recém chegado. Não morremos de dor. Enquanto há dor, há vida e temos forças de combate-la e a continuar vivendo. É pela dor e pelo sofrimento que também dimensionamos nossa relação com o outro e com o ambiente que nos rodeia e faz a interconexão entre o nosso estado fisiológico e psíquico. Assim, podemos afirmar sem reservas que o ser humano necessita da dor e do sofrimento para situa-lo na sua própria história e trajetória de vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Do ponto de vista da psicopatologia, é a dor que lança o homem na busca interminável de sentido, colocando-o em movimento. Mas só seres humanos conseguem dar sentido ao que sentem, descrevendo como sendo prazer ou dor, porque são capazes de significar o registro das emoções e dos sentimentos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;A dor e o sofrimento psíquicos são únicos na história de vida de cada ser humano, posto que são sentimentos e sensações de difícil dimensionamento e que escapa à nossa razão. Nesse sentido, a dor física ou psíquica são sempre fenômenos limites para a nossa própria subjetividade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Os sentimentos de prazer ou dor, por consequência, são os alicerces da nossa mente. Eles são os sentimentos de toda e qualquer emoção, ou dos diversos estados que se relacionam com uma emoção qualquer. É a mais universal das melodias, uma canção que só descansa quando chega o sono, e que se torna um verdadeiro hino quando a alegria nos ocupa, ou se desfaz em lúgubre réquiem quando a tristeza nos invade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;De acordo com o neurocientista António Damásio, os sentimentos são a expressão do florescimento ou do sofrimento humano, na mente e no corpo. Os sentimentos não são uma mera decoração das emoções, qualquer coisa que possamos guardar ou jogar fora. Os sentimentos podem ser, e geralmente são, &lt;i&gt;revelações&lt;/i&gt; (itálicos do autor) do estado da vida dentro do organismo. (...) A maior parte dos sentimentos são expressões de uma luta contínua para atingir o equilíbrio, reflexos de todos os minúsculos ajustamentos e correções sem os quais o espetáculo colapsa por inteiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Para o autor, compreender a neurobiologia das emoções e dos sentimentos é necessário para que se possam formular princípios, métodos e leis capazes de reduzir o sofrimento humano e engrandecer o florescimento humano, ou seja, para Damásio, a compreensão do sofrimento humano está eminentemente calcada na compreensão da neurobiologia das emoções e dos sentimentos. Isto não quer dizer que, ao compreender a neurobiologia das emoções e dos sentimentos, não possamos representa-los através da palavra. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Ora, mas é preciso que se diga que não são apenas os seres humanos que demonstram compaixão pelo sofrimento de um outro ser. Variadas espécies não humanas também podem demonstrar compaixão pelo sofrimento de seu semelhante, mas não através da representação da palavra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Não há dúvida de que a mente humana é especial, especial na sua capacidade imensa de sentir prazer e dor e de conhecer a dor e o prazer de outros; especial na sua capacidade de amar e perdoar. Especial na sua memória prodigiosa e na sua capacidade de simbolizar e narrar; especial no seu dom de linguagem com sintaxe; especial na capacidade de compreender o universo e criar novos universos; especial na velocidade e facilidade com que manipula e integra os conhecimentos que permitem a solução de um problema.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Com efeito, para Damásio, dor e prazer são parte de duas genealogias completamente diferentes da regulação da vida. Eles são as alavancas de que o organismo necessita para que as estratégias instintivas e adquiridas atuem com eficácia. (...) Quando muitos indivíduos, em grupos sociais, experienciaram as consequências dolorosas de fenômenos psicológicos, sociais e naturais, tornou-se possível o desenvolvimento de estratégias culturais e intelectuais para fazer face à experiência da dor e para conseguir reduzi-la. (...) Embora nossas reações à dor e ao prazer possam ser alteradas pela educação, constituem um excelente exemplo de fenômenos mentais que dependem da ativação de disposições inatas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Portanto, o sofrimento proporciona a melhor proteção para a nossa sobrevivência, uma vez que aumenta a probabilidade de darmos atenção aos sinais de dor e agirmos no sentido de evitar sua origem ou corrigir suas consequências.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Por exemplo, os indivíduos afetados por analgesia não adquirem estratégias normais de comportamento. Alguns deles passam o tempo rindo, apesar de a doença os levar a destruir as articulações privadas de dor rompendo ligamentos e articulações, queimaduras graves, ou quebra de algum osso ou dano a órgãos. Não obstante, por conseguirem sentir prazer, podem ser influenciados por sensações positivas. Eles são impedidos de sentirem dor, mas não estão impedidos de sentirem prazer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Mas também é preciso lembrar que tanto a dor quanto o sofrimento precisam ser distintas: há autores que afirmam que há dores físicas e psíquicas ou somáticas. Da minha parte, não vejo diferença entre uma dor que se constitui como física e outra que se constitui psíquica. De igual modo, não consigo distinguir um sofrimento físico de um sofrimento psíquico, visto que ambos se afetam mutuamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;A dor psíquica, explica o psicanalista Juan-David Nasio, é uma dor de separação, quando esta significa erradicação e perda de um objeto ao qual estamos intimamente ligados, tal como é o caso de uma pessoa amada, um objeto, um valor ou a integridade de nosso corpo, mas somos nós que construímos esses laços através de processos inconscientes, portanto, uma teia tecida por fios muito sutis que lida as diversas separações dolorosas da nossa existência. Por outro lado, a dor também pode ser de abandono quando o amado toma de volta o amor que nos destinou (tal como minha paciente relata, e desconfio se o seu câncer não seria uma tentativa de resgatar parte da mãe pela via da dor e do sofrimento ou um desejo de sair de cena do mesmo, tal a identificação com sua mãe). Outra possibilidade é a dor da humilhação quando somos feridos em nosso amor próprio, ou por fim, a dor da mutilação, quando perdemos parte do nosso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Por outro lado, o sofrimento diz respeito a uma perturbação global, psíquica e corporal, provocada por uma excitação violenta, porto que, enquanto a dor física é uma sensação delimitada e definida na materialidade do nosso corpo, o sofrimento ou dor psíquica é uma emoção mal definida e que precisa e apela para uma compreensão. No entanto, no domínio da nossa subjetividade, tanto uma dor centrada na materialidade da carne afetará nosso estado psíquico e emocional, quanto um sofrimento psíquico afetará nosso corpo, pois a dor, seja ela de qual ordem for, é o derradeiro afeto, diz Násio, a última muralha antes da loucura e da morte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Não há cisão nem física nem metafísica entre a mente ou o cérebro e o corpo. Não há um abismo que separa o psíquico do somático. Não há sujeito no mundo que não altere o seu estado psíquico quando padece de um uma dor orgânica, nem muito menos há um sujeito que não tenha estados alterados na sua fisiologia quando sofre de uma dor psíquica. Tomemos dois outros exemplos: nosso humor, nossa paciência e nossa irritação se tornam uma constante quando sofremos de uma dor de dente, uma apendicite, uma enxaqueca ou um cálculo renal. Consequentemente, nossas taxas hormonais ficam muito debilitadas quando sofremos a perda de um amor ou de um ente querido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Se a dor altera nosso estado de humor e se torna o último afeto ou a última muralha a ser ultrapassada entre a loucura e a morte, o sofrimento designará uma perturbação global, uma emoção mal definida e, portanto,&amp;nbsp; psíquica e corporal, provocando uma excitação violenta em nosso organismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Tomemos o exemplo das dores reumáticas ou da artrose, ou seja, uma destruição progressiva dos tecidos que compõem a articulação e permite nossa mobilidade. Quando chegamos a certa idade, que pode ser diferente de homens para mulheres, de ocidentais para orientais, de região para região e até mesmo de país para país com suas respectivas condições de vida, a medida que o organismo humano envelhece a artrose se instala em praticamente mais de cem por cento da população mundial com mais de oitenta anos. Assim, a dor lembra constantemente ao psiquismo que o organismo está velho e não suporta certos movimentos outrora praticados na juventude. Se a mente não envelhece, o mesmo não se pode dizer do corpo com suas mazelas fisiológicas que a velhice traz consigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;A dor pode ser considerada uma das formas mais elementares do organismo humano se defender e quando ela aparece, significa que há algo que precisa de maior atenção e cuidado da nossa parte. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Não é a toa que a &lt;i&gt;International Association for the Study of Pain&lt;/i&gt; (Associação Internacional para o Estudo da Dor), define dor como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a uma lesão tissular existente ou potencial, ou descrita em termos que significam tal lesão. Mas é preciso que se diga que a dor e o sofrimento variam de intensidade de indivíduo para indivíduo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Por isso, cada um de nós reage a um estímulo doloroso de modo diferente e buscamos o amparo para esse sofrimento das mais diversas formas. Uns, consegue sustentar e manter a dor em níveis mais ou menos moderados, sem recorrer nem a drogas lícitas nem a drogas ilícitas. Outros, fazem uso indistintamente de uma delas, sem grandes arroubos de sentimento de culpa ou julgamento valorativo. Mais alguns podem sucumbir ao seu sofrimento e, além de associar a psicofármacos, buscam na cura pela palavra, uma melhor compreensão do seu sofrimento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Sabemos que a Psicofarmacologia floresceu principalmente nos anos de 1950 ajudando na construção de outra identidade para a psiquiatria e consequentemente para a medicina. Em seguida, já nos anos 70, o paradigma biológico da psiquiatria se impôs reconstruindo o discurso psicopatológico, fazendo com que a psicanálise perdesse sua hegemonia no campo da psiquiatria, passando a ocupar um lugar secundário. Por fim, o desenvolvimento das neurociências no início dos anos 90 possibilitou a reconstrução da medicina mental, fazendo com que o saber psiquiátrico se transformasse não apenas em uma ciência, mas em uma especialidade médica. Baseada no discurso das neurociências, a psicopatologia questionou a causalidade moral das perturbações do espírito, valendo-se do discurso psiquiátrico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Os psicofármacos cada vez mais poderosos passaram a regular e controlar cada vez mais a dor e o sofrimento psíquico, possibilitando nos relacionar com a dor mental de outro modo, tais como na medicalização da angústia e da depressão, e porque não mesmo dizer do amor?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;A medicalização do humor, das paixões e do sofrimento psíquico e dos seus transtornos passou cada vez mais a fazer parte do novo dia a dia. Ora, em qualquer banca de jornal ou revista semanal, tomamos conhecimento dos mais recentes lançamentos da indústria farmacêutica no alívio de alguns desses males que eu citei. Como disse o psicanalista Joel Birman há pouco mais de uma década, “diante de qualquer angústia, tristeza ou desconforto psíquico, os clínicos passaram a prescrever, sem pestanejar, os psicofármacos mágicos, isto é, ansiolíticos e antidepressivos”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Ninguém mais em nossos dias aguenta sentir por alguns minutos, dor de dente, dor de ouvido, dor de cabeça ou enxaqueca. Perdemos essa capacidade insofismável de nos relacionar relativamente bem com a dor e o sofrimento físico ou psíquico, do qual eram acostumados nossos avós. Para eles, até a morte de um ente querido ou o fim de um relacionamento baseado no amor ou no romantismo era bem negociável com seu próprio eu do que nos dias atuais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Tanto a indústria dos psicofármacos quanto das drogas ilegais são facilmente recorridos por pessoas indistintamente à classe social a que pertençam, para alívio imediato de qualquer tipo de sofrimento físico, mas principalmente psíquico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Da indústria psicofarmacológica ao narcotráfico, o fim é o mesmo: sedação da angústia, eliminação da dor e das excitações excessivas a base de ansiolíticos, extermínio das paixões depressivas com antidepressivos e busca do ideal de estesia psíquica no sujeito e normalização de seus humores intempestivos, seja adulto ou criança, sendo que, estas últimas, antes concebidas como “espertas” ou “criativas” ou até mesmo “inventivas”, passaram por uma nova classificação terna e cognitiva para uma nosologia médica e psiquiátrica, enquadrada em um transtorno conhecimento pela insígnia de 4 letras – TDAH – ou seja, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, para não falar do seu correlato adulto com as psicopatologia da modernidade, quais sejam, as depressões, as síndromes do pânico e a solidão, já que a toxicomania já está ficando fora de moda nos últimos dez anos, não obstante ser ainda um problema de saúde pública em cidades grandes como São Paulo ou Rio de Janeiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Sabemos que a experiência do sofrimento e a prática de curar, cuidar ou tratar nem sempre foram do domínio científico, é uma articulação da medicina moderna clínica realizada através de experimentos laboratoriais de Claude Bernard e de François Magendie.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;No entanto, a dor expõe um parodoxo de difícil mensuração, posto que a dor e o sofrimento apresentam-se através da palavra pela sua própria natureza de significação, porém, para falar, o homem precisa de silêncio em sua grande dimensão intuitiva e introspectiva. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Winnicott, em seu livro “Natureza Humana”, esboça uma noção de psicopatologia, ou seja, uma discussão sobre saúde e doença a partir de uma tríplice aliança: soma, psique e mente, afirmando que para uma boa saúde física, fez-se necessário uma hereditariedade (&lt;i&gt;nature&lt;/i&gt;) e uma criação (&lt;i&gt;nurture&lt;/i&gt;) suficientemente bons, ou seja, a saúde da psique é uma questão de maturidade e que saúde intelectual não faz sentido pois dependeria, com efeito, de um bom funcionamento do cérebro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Para concluir, eu diria, junto com Winnicott, que talvez um pouco de loucura seja necessária para nos fazer retornar ao equilíbrio que tanto necessitamos em termos de saúde, ou dito de outro modo, talvez um pouco de sofrimento seja necessário para nos tornar um pouco mais humano.&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-RIO; Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ; Email de contato: sergiogsilva@uol.com.br. Visite também o meu site pessoal: http://sergiogsilva.sites.uol.com.br .&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/1366558894191328811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2012/04/o-sofrimento-e-suas-funcoes-para-o.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/1366558894191328811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/1366558894191328811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2012/04/o-sofrimento-e-suas-funcoes-para-o.html' title='O sofrimento e suas funções para o homem'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQA-ZkiPD2iJRUs9_FFc-NRfpOEGxO8jqKY7uGgDxP4tvZjP-DbAeAAU_EwIN7-xfdUfsBR0YtsxSXO2gWiSdpOGFj883PUwUSV7osEXuYaYfM-gCblS7h9DkDFgzmLgHIp_1D1fxCrsZf/s72-c/dor2.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-4868470494537766141</id><published>2012-04-14T17:41:00.000-07:00</published><updated>2012-04-14T17:41:40.063-07:00</updated><title type='text'>Robert Fliess e os tipos de silêncio</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgmWH6qFUDG4cu9N46wP98P8x9_Zl-jrAPJmfBn4XnkOLal7LVgDsvn5wWGwD3ul_uSGTeCs4XcE6fxP1Ud2kwF6wj-lWOWBtv1OQW9iqrD6GxfSr_OyMH49t3eE9Dl555E6Lzo6aC96AxO/s1600/silence_walt_whitman.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;248&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgmWH6qFUDG4cu9N46wP98P8x9_Zl-jrAPJmfBn4XnkOLal7LVgDsvn5wWGwD3ul_uSGTeCs4XcE6fxP1Ud2kwF6wj-lWOWBtv1OQW9iqrD6GxfSr_OyMH49t3eE9Dl555E6Lzo6aC96AxO/s320/silence_walt_whitman.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Para Robert Fliess o aparelho da linguagem funciona conforme o modelo das atividades erógenas de uma zona particular tal como os traços de caráter descritos por Karl Abraham. Esse modelo, diz o autor, condicionaria a palavra segundo um modo de produção excretora particular, havendo, portanto, três tipos de linguagens conforme os tipos libidinais:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;a linguagem      erótico-anal&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;a linguagem      erótico-oral&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;
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&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Para cada uma dessas formas particulares de linguagem, Robert Fliess estabelece uma correspondência com um tipo de silêncio específico, posto que, se a palavra é um substituto da atividade esfincteriana, o silêncio equivaleria ao fechamento de um desses esfíncteres, e a dificuldade do analisando em seguir a regra fundamental da análise corresponderia a um medo de deslocamento dessa incontinência, ou, dito de outro modo, quando um paciente para de falar, a retenção das palavras pode corresponder a um tipo de produção excretora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;De acordo com o autor, haveria então três tipos de silêncio que corresponderiam a essa forma particular de fechamento esfincteriano: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;o silêncio erótico-anal&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;o silêncio erótico-oral&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;
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&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Para cada um deles corresponde um conjunto de características, tais como a maneira pela qual &lt;i&gt;começa&lt;/i&gt; a pausa no discurso; o grau e o tipo de &lt;i&gt;oposição&lt;/i&gt; à palavra e à comunicação do pensamento pelo silêncio; o &lt;i&gt;comportamento&lt;/i&gt; durante o período de silêncio; o &lt;i&gt;cessar&lt;/i&gt;, ou seja, a reação do paciente à injunção do analista para que retome a fala.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;O silêncio erótico-uretral é a forma mais normal de silêncio e a que mais lembra a pontuação durante uma conversação. O parelho da linguagem funciona conforme o modelo do esfíncter uretral no momento do seu fechamento e o paciente não parece paralisado diante de nenhum conflito, seja ele interno ou externo, no início ou fim de momentos de silêncio. O que se pode observar é que o paciente está construindo o seu pensamento diante da sua fala. Se interrompido o fluxo de suas palavras, o aparelho de linguagem funcionará segundo o esfíncter da uretra sem graves problemas quanto ao seu fechamento ou a sua abertura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;O silêncio erótico-anal, ao contrário do seu correlato anterior, parece emanar de uma inibição. Durante o decurso de uma fala, o silêncio que se faz presente parece perturbar o falante que não consegue prosseguir o fluxo de pensamentos quando convidado pelo analista, apresentando um estado de tensão e conflito. Tal qual a abertura e o fechamento do esfíncter anal, o paciente quando experimenta momentos prolongados de silêncio, é capaz apenas de entregar uma pequena parte de seus pensamentos, o que torna esse tipo de silêncio mais regressivo do que o silêncio erótico-uretral, havendo ainda a possibilidade de apresentar uma “constipação verbal” quando manifesto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Por fim, o silêncio erótico-oral é aquele que escapa ao controle da erogeneidade oral e ao contrário dos anteriores, substitui uma verbalização pelo silêncio propriamente dito. Lembra muito o mutismo e dá a impressão de que o paciente se ausentou física e psiquicamente, dado que esse silêncio se mostra interminável e raramente cessa diante de um pedido do analista. Aqui, apresenta-se uma falta completa de afeto, de motivação que pode induzir, sustentar ou acompanhar esse período de silêncio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;De acordo com Robert Fliess, em situações de silêncio erótico-oral o paciente libera energias ativas e passivas, explorando a situação analítica em termos de uma transferência que exige a incorporação do sujeito e do objeto; portanto, o analista deixa de existir como objeto do mundo exterior perdendo sua capacidade sugestiva. Neste tipo de silêncio, o aparelho de linguagem funciona a partir do controle do afeto regressivo de um ego infantil e precoce.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Para o autor, as diferentes formas de silêncio erótico parcial que se opõem à verbalização não passam de uma luta pelo controle da descarga pulsional engajado pelo ego infantil. Ao transformar os derivados do pensamento inconsciente recalcado em representações de palavras sonorizadas, a verbalização necessita de uma abertura do corpo que delimita uma zona erógena, permitindo uma regressão a essa zona. Sem o recurso à regra fundamental da psicanálise essa descarga não seria possível. Logo, para diferentes tipos de personalidades ou traços de caráter, apresentar-se-ia um tipo de sintoma diferente, e para cada um deles o analista deveria ser cuidadoso ao abordar o silêncio manifesto no &lt;i&gt;setting&lt;/i&gt;, pois para cada caso, haveria uma forma diferencial no manejo da técnica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Em termos econômicos e dinâmicos, a verbalização é o motor de diferentes modos de pensar que necessita de certa quantidade de energia para ser ab-reagida. De um ponto de vista topográfico, a verbalização é uma resposta de motilidade (discurso) a uma percepção (pensamento), ou seja, uma função do ego e um instrumento de apropriação do conteúdo inconsciente do ego. Portanto, a liberação do afeto regressivo pela utilização erógena do aparelho de linguagem na verbalização só poderia provocar transformações na constituição do prazer fisiológico do ego corporal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Se em sua metapsicologia o silêncio pode ser compreendido a partir de pontos específicos de formações libidinais, na prática, o manejo não seria tão diferente daquele com o qual os analistas clássicos estavam acostumados a lidar. Nesse sentido, não há acolhimento, nem uma escuta profunda. O que há é a constituição de uma dinâmica que muito embora traga uma grande contribuição teórica para a metapsicologia do silêncio, na prática, não ressalta o valor positivo do silêncio no &lt;i&gt;setting&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-RIO; Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ; Email de contato: sergiogsilva@uol.com.br. Visite também o meu site pessoal: http://sergiogsilva.sites.uol.com.br .&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/4868470494537766141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2012/04/robert-fliess-e-os-tipos-de-silencio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/4868470494537766141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/4868470494537766141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2012/04/robert-fliess-e-os-tipos-de-silencio.html' title='Robert Fliess e os tipos de silêncio'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgmWH6qFUDG4cu9N46wP98P8x9_Zl-jrAPJmfBn4XnkOLal7LVgDsvn5wWGwD3ul_uSGTeCs4XcE6fxP1Ud2kwF6wj-lWOWBtv1OQW9iqrD6GxfSr_OyMH49t3eE9Dl555E6Lzo6aC96AxO/s72-c/silence_walt_whitman.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-3958500927323661722</id><published>2012-04-14T17:20:00.002-07:00</published><updated>2012-04-14T17:39:37.929-07:00</updated><title type='text'>Karl Abraham e os estágios pré-genitais da libido</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh7wqcOvEIchIN31Ip2A1yiI5Incjp-vNT9_LXRMtUIs4p5JgPdZg0S8gNIGMHJ_IAF48JRVen6UQ6GieEOaF8C1ylThA5IJHE45Y4ZpH354fUWP74fdwn8y9hFOBnvpi1trlTU2h8qzLkI/s1600/abraham.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh7wqcOvEIchIN31Ip2A1yiI5Incjp-vNT9_LXRMtUIs4p5JgPdZg0S8gNIGMHJ_IAF48JRVen6UQ6GieEOaF8C1ylThA5IJHE45Y4ZpH354fUWP74fdwn8y9hFOBnvpi1trlTU2h8qzLkI/s320/abraham.jpg&quot; width=&quot;318&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Karl Abraham foi um dos primeiros psicanalistas estrangeiros a fazer parte do pequeno círculo que se formou em torno de Freud às quartas-feiras, em Viena. Nascera em Bremen, uma das cidades da Liga Hanseática na Alemanha em 1877, de família judia e extremamente religiosa. Era culto e resolveu cursar medicina, como era costume naquela época, terminando seu curso em Freiburg, próxima à fronteira da Suíça. Veio a se especializar em psiquiatria no hospital de Burghölzli de Zurique onde conheceu Carl Gustav Jung que o levou até Freud em 1907. Resolveu mudar-se para Berlim, ali se instando no ano seguinte, tornando-se, dentre os estrangeiros que participavam do seleto Circulo de Viena, um dos principais personagens da psicanálise alemã. Abraham também fundou a Sociedade Psicanalítica de Berlim, da qual foi presidente até seus últimos dias, vindo a falecer prematuramente aos 48 anos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Seus estudos na área da sexualidade e da psicanálise são decorrentes de quatro grandes textos de Freud: “Três Ensaios da Teoria da Sexualidade”, “Caráter e erotismo anal”, “As transformações do instinto exemplificadas no erotismo anal” e “Alguns tipos de caráter encontrados no trabalho psicanalítico”, publicados por Freud entre 1905 e 1917. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Em “Contribuições à teoria do caráter anal” Abraham vai analisar as contribuições do caráter anal na formação de determinados traços caracterológicos, afirmando que o prazer primário em esvaziar os intestinos poderia ser sublimado no prazer de pintar, modelar ou em atividades similares, ou então avançava ao longo de um caminho de formação reativa, tal como um amor especial pela limpeza. Em outra perspectiva, retomou a relação indireta e inconsciente entre fezes e dinheiro, tal como no desenvolvimento de personalidades avarentas. Toda a relação será considerada a partir da forma como a criança lida com os seus excrementos e da forma como os adultos manejam ou educam seus filhos no trato com a limpeza intestinal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Para o autor, o prazer no ato de excreção compreende além das sensações físicas, uma satisfação psíquica que se acha baseada na realização desse ato. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;As crianças tão logo são educadas a conter ou expulsar seus excrementos em lugares específicos, aprende que o que elas produzem pode ter um grande valor para seus pais. Passa a se guiar por esse modelo de retenção e expulsão como que para ganhar um elogio, uma recompensa ou um carinho dos pais. No entanto, se algum dano for causado por eles ao narcisismo infantil, especialmente se esses danos forem de natureza persistente e sistemática, diz Abraham, forçando o hábito da criança antes que esta esteja preparada, ela passará a transferir para os objetos (pai ou mãe, inicialmente) os sentimentos que originalmente se acham ligados ao seu narcisismo. Quando a criança adquire essa capacidade de transferir para os objetos os sentimentos ligados aos seus hábitos de limpeza, ela se torna limpa “pelo amor dessa pessoa”. No entanto, se o hábito da limpeza for exigido muito cedo, ele poderá ser adquirido através do medo, fazendo com que sua resistência persista. Deste modo a libido se fixará narcisicamente, resultando numa permanente dificuldade na capacidade de amar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;As crianças que crescem em um intenso ambiente anal-erótico incorporam no conjunto de suas lembranças um signo de enorme poder, pois lidam o tempo todo com atitudes jocosas no que se refere ao trato intestinal e a forma como a educação e a limpeza são tratadas pelos adultos, superestimando a defecação e os excrementos através da linguagem corrente. Ao reconhecer no orgulho infantil pela evacuação um sentimento primitivo de poder, diz Abraham, é possível entender, por exemplo, a sensação de impotência encontrada em pacientes que se queixam de prisão de ventre neurótica, posto que sua libido fora deslocada da zona genital para a zona anal, inibindo suas funções intestinais do mesmo modo como se fosse uma impotência genital – é o caso das pessoas hipocondríacas que falam da sua impotência intestinal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;A prisão de ventre se apresenta nas crianças, geralmente, quando a defecação lhes é exigida, mas se rendem às necessidades quando a ocasião lhes parece agradável. Sua dificuldade em evacuar na verdade nada mais é do que uma proteção contra os imperativos de reter ou expulsar os excrementos. As crianças aprendem, assim, o valor da dádiva.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Para o autor, a entrega dos excrementos é a forma mais primitiva de uma criança doar ou presentear alguém. A relação com o dinheiro, neste caso, é direta. Reter ou doar fezes pode simbolizar guardar ou gastar dinheiro, guardar ou desperdiçar comida ou ainda reter a fala ou agir verborragicamente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Além da influência do erotismo anal na formação do caráter, outro traço marcante é a influência do erotismo oral pontuado por Abraham, no qual certos elementos do erotismo anal sofrem uma transformação e entram na organização final da vida sexual madura de todos os indivíduos; uma outra parte é sublimada e a terceira vai formar o caráter de todos nós. No entanto, o autor acredita que o erotismo oral também é fonte da formação do caráter, de modo análogo ao erotismo genital, o que indica que todas as zonas erógenas participam da formação do caráter.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Haveria duas características que distinguiriam o erotismo anal do erotismo oral: no que se refere ao primeiro, diz o autor, apenas uma parte das tendências prazerosas que se acham relacionadas com os processos intestinais podem vir a fazer parte do erotismo normal sob forma não reprimida, enquanto que outra parte bem maior dos investimentos libidinais da boca pode ser empregada na vida posterior, não havendo necessidade dos elementos orais da sexualidade infantil se transformarem em formação de caráter; no que se refere à segunda, diz Abraham, devemos ter em mente a existência de uma transformação regressiva do caráter na fase anal que vai mais a frente irromper em traços caracterológicos ou perturbações nervosas de diversas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Com isto, o autor quer afirmar que há uma relação muito próxima entre a origem do caráter oral e a história do erotismo oral. Enquanto que na fase sádico-anal, existe um prazer ligado à retenção e expulsão das fezes, na fase sádico-oral, o indivíduo tem um intenso prazer no ato de sugar e morder, independentemente da ingestão ou não de alimentos, posto que a boca se coaduna desde os momentos seguintes ao nascimento com uma zona erógena com vistas a obtenção de prazer. Esta forma primitiva de obtenção de prazer, diz Abraham, nunca é abandonada pelo indivíduo, e persiste sob todas as formas de disfarce ao longo da vida, podendo até experimentar algum tipo de reforço (é o caso, por exemplo, de pessoas que desenvolvem uma compulsão alimentar, permanecem todo o tempo mastigando algo ou precisam estimular a área da boca, com balas, bebidas ou cigarro, além de encontrar grande satisfação erótica na prática do sexo oral ou, por fim, no hábito da verborragia).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;À medida que crescem, sabemos que as crianças renunciam ao seu prazer de sugar ou chuchar, deslocando-o para outras formas de obtenção de prazer, tais como as mencionadas acima. Além disso, há a irrupção dos dentes, na qual o prazer de sugar é substituído pelo prazer de morder. Este é o momento em que a criança começa a ter relações ambivalentes com os objetos externos, relacionando-se de forma tanto amistosa quanto hostil com eles. Nesse momento, diz Abraham, ocorre outro deslocamento de sensações agradáveis para outras áreas e funções corporais, ou seja, o prazer em sugar ou morder sofre uma espécie de migração por volta da época em que a criança está sendo desmamada ou, dito de outro modo, quando ela passa a ser treinada nos hábitos de higiene e limpeza quanto a urina e fezes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;A principal questão que o metapsicólogo levanta é a fixação em uma dessas fases. Sabemos que há mães que são indulgentes com a limpeza de seus filhos, muito embora haja outras que levem a maternidade a sério e tenham grande habilidade em repassar para eles os tratos com a higiene e a limpeza. A mãe tem que ser habilidosa para conseguir desmamar o seu filho na hora certa sem que a criança experimente esse momento como uma dificuldade, vindo a se aferrar com intensidade aos prazeres obtidos nesse estágio do erotismo oral. Caso isso ocorra, haverá a possibilidade do desenvolvimento de traços de carácter onde se dará não só uma fixação como também uma regressão a esse estágio do desenvolvimento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Todo o caráter de uma pessoa se acha sobre influência do erotismo oral, mas só podemos demonstrar isso caso a caso. Ao atravessar o estágio oral, podemos encontrar pessoas que podem experimentar esse estágio de modo prazeroso ou desprazeroso, satisfatório ou perturbado. Os traços característicos de sujeitos que atravessaram esse período de modo desprazeroso ou perturbado, são justificados pelo caráter social em que essas pessoas parecem solicitar algo das outras; são espécies de “vampiros” sugadores que se aferram as pessoas, detestam ficar sozinhas, mesmo que por pouco tempo; sua impaciência é uma peculiaridade da sua personalidade e uma investigação psicanalítica revela, no mais das vezes, uma regressão do estágio sádico-oral para o de sucção. Consequentemente, seu anseio por experimentar gratificação através da sucção transformou-se, para Abraham, numa necessidade de “dar através da boca”, ou seja, deseja conseguir tudo o que puderem para satisfazer seu desejo, ao passo que tem necessidade constante de se comunicar oralmente com outras pessoas, resultando em uma obstinada necessidade de falar, somada a uma hiperfluência verbal e comunicação exacerbada. Nestes casos, as pessoas têm a impressão de que sua reserva de pensamento é infindável, tratando tudo o que tem a dizer com um valor inestimável. Fazem uma verdadeira descarga oral por meio da fala.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Ademais, nesse tipo de caráter a fala toma o lugar dos impulsos reprimidos e ao invés de morder e devorar o objeto, a conversa surge como forma de expressar toda a sua agressividade; o desejo de falar, por assim dizer, significa tão somente o desejo de atacar, aniquilar e matar o seu adversário, em uma espécie de “evacuação corporal” pela fala. Para Abraham, em tais casos o falar está sujeito à valorização narcísica de suas produções (físicas e psíquicas) no campo da fantasia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjCcNrW2RErMxK3-swtB3wg6V1bc7vfgKFVJ2XlCIxWcqY6i7eZ92B-0iPl8Zdd_kaxjd6tqIE5Jx5aDHiQFS3olkrWouD9bXmmjUH8zsFmq5xGf6F_VrKEPS0vjjNY2tr_2BcRXLPxXyZO/s1600/braindeath.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;171&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjCcNrW2RErMxK3-swtB3wg6V1bc7vfgKFVJ2XlCIxWcqY6i7eZ92B-0iPl8Zdd_kaxjd6tqIE5Jx5aDHiQFS3olkrWouD9bXmmjUH8zsFmq5xGf6F_VrKEPS0vjjNY2tr_2BcRXLPxXyZO/s320/braindeath.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;De
acordo com a filósofa Hannah Arendt no seu livro “A Condição Humana”, &lt;/span&gt;“o
mundo – artifício humano – separa a existência do homem de todo ambiente
meramente animal; mas a vida, em si, permanece fora desse mundo artificial, e
através da vida o homem permanece ligado a todos os outros organismos vivos. Recentemente,
a ciência vem-se esforçando por tornar ‘artificial’ a própria vida, por cortar
o último laço que faz do próprio homem um filho da natureza. O mesmo desejo de
fugir da prisão terrena manifesta-se na tentativa de criar a vida numa proveta,
(...) e talvez o desejo de fugir à condição humana esteja presente na esperança
de &lt;i&gt;prolongar a duração da vida humana&lt;/i&gt; para além do limite dos cem anos”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;A
profecia (ainda) não se realizou desde que Hannah Arendt escreveu “A Condição
Humana”, mas talvez&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;isso não seja um
sonho impossível de se viver daqui a alguns anos, desde que o avanço da
tecnologia médica tem prolongado a vida humana até os limites em que a própria
ciência traçou para si. Hoje, sabe-se que é possível diagnosticar com precisão
quase milimétrica, a localização da consciência no cérebro, através dos famosos
PET-Scans, “escaneamento de imagens cerebrais” via computador, permitindo que
médicos façam diagnósticos precisos quando há ou não morte-cerebral, tão necessário
quando hoje vivemos em um mundo cuja doação e transplantes de órgãos são
realidades bem mais palpáveis do que há 50 anos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

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&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Mas ao
contrário do que a literatura médica e científica tem apresentado
historicamente, o diagnóstico e definição de morte-cerebral não é tão recente
assim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Göran Settergren
afirma que entre 1894 e 1965, pelo menos quatro neurocirurgiões já haviam
observado “morte-cerebral” em seus pacientes, ainda sem usar a expressão tal
qual ela é usada ainda hoje.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Durante
o século XIX, afirma o autor, muitos médicos e cientistas estavam interessados
na patofisiologia do cérebro e, durante o século XX, houve uma mudança de
paradigma quando o conceito de morte-cerebral foi introduzido na literatura
médica, mudando o foco da atenção do coração para o cérebro ao se definir morte
a partir de&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;critérios médicos.. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Isso
fica claro, quando há mais de cem anos, a definição de morte estava centrada na
parada dos batimentos cardíacos e na respiração como critérios médicos válidos
para se definir morte. Com o avanço da tecnologia e dos conhecimentos
médicos-científicos, a morte pôde ser definida a partir das funções do tronco
cerebral.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;De
acordo com Settergren em 1894, o cirurgião, neurocirurgião e patologista
Horsley, na Inglaterra, descreveu pela primeira vez, o caso de um dos seus
pacientes com tumor cerebral, que após o diagnóstico de sua morte, entenda-se,
parada da respiração, seu coração continuou batendo. Isso foi o início do uso
de “respiradouro artificial” para prolongar a vida dos pacientes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Posteriormente,
em 1901, o cirurgião e neurocirurgião Cushing, nos Estados Unidos, depois de
tomar conhecimento dos trabalhos de outro neurocirurgião chamado Duckworth, em
1898, relatou a cirurgia em um de seus pacientes com tumor cerebral e alta
pressão intracranial (ICP – &lt;i&gt;intracrancial pressure&lt;/i&gt;) cuja respiração
parou, a pressão sangüínea caiu, porém, o coração continuou a bater algum tempo
depois antes de morrer definitivamente. Foi a segunda vez (ou seria a
primeira?) que o conceito de morte cerebral apareceu na literatura médica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Em
seguida, em 1959, o neurocirurgião Wertheimer, entre outros, na França,
propuseram parar de usar o tratamento de ventilação se a morte do sistema
nervoso fosse diagnosticada por investigações clínicas e repetidas verificações
de ausência de atividade eletrocefalográfica (EGG) no córtex e no diencéfalo.
Se isso fosse controlado, haveria atividade cardíaca. Mais tarde, Mollaret e
Goulon em um relatório preliminar, descreveram o que eles chamaram de “coma
profundo” (“&lt;i&gt;coma dépassé&lt;/i&gt;”) baseado em 23 observações de casos clínicos
sem respiração artificial (ventilação) espontânea, sem reflexos, poliúria,
baixa pressão sanguínea e ausência de atividade eletrocefalogáfica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Por
fim, em 1965, autoridades médicas se encontraram na Suécia para definir regras
no transplante de órgãos. Nesse encontro, o neurocirurgião Frykholm circulou um
memorando no qual ele propunha que pacientes preenchessem alguns critérios
sugeridos por outros neurocirurgiões para declarar o paciente legalmente morto,
a saber, “nenhuma circulação cerebral na angiografia, nenhum reflexo central,
coma profundo e nenhuma respiração espontânea”. A única razão para continuar o
tratamento de ventilação era se o paciente fosse doador de órgãos, o que ele
foi criticado duramente. Esse debate começou na França em 1959 e se estendeu
até 1965 na Suécia, até chegar aos critérios de morte para todo o cérebro,
quais sejam, coma-profundo, ausência espontânea de respiração e reflexos
centrais, hipotensão, hipotermia e evidências de falta de atividade elétrica
demonstrada por eletrocefalograma e/ou ausência de circulação cerebral
demonstrado em angiografia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Esses
critérios, como sabemos, mudaram ao longo dos anos, principalmente com o avanço
das neurociências, mas não sem antes haver uma definição do que seria
morte-cerebral por um comitê médico científico de renome internacional, para
estabelecer critérios válidos e até hoje usados. Isso veio ocorrer 3 anos
depois nos Estados Unidos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Nessa
época, havia um consenso geral de que a definição de morte estava ligada à
parada nas funções cardio-respiratórias. Até então, esses eram os critérios
adotados na maior parte da comunidade médica internacional. Mas historiadores
têm considerado o ano de 1968 como o ano em que o termo morte-cerebral foi
definido por um comitê médico-científico estabelecendo critérios para a
diagnose da morte, e conseqüentemente, definindo também o que seria vida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Esse
comitê ficou conhecido primeiramente como o “Comitê Ad Hoc da Escola de
Medicina de Harvard para Exame da Definição de Morte Cerebral” (&lt;i&gt;The Ad Hoc
Committee of the Harvard Medical School to Examine the Definition of Brain
Death&lt;/i&gt;), e posteriormente como o Comitê de Morte-Cerebral de Harvard
(Harvard Brain Death Committee), liderado pelo&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;
&lt;/span&gt;anestesista chefe do Hospital Geral de Massachusetts Henry Beecher e
formado por 10 representantes da área médica , além de um advogado, um
historiador e um teólogo, com vistas a dar um referencial não só para a
diagnose da morte, mas também para ajudar a estabelecer critérios nos
transplantes de órgãos que já passavam a ser corrente naquela época. De acordo
com Henry Beecher, havia chegado a hora de avaliar mais detidamente a definição
de morte, visto que todos os grandes hospitais naquela época já possuía uma
multidão de pacientes a espera de doadores de órgãos. Porém há pouca divulgação
do trabalho do Comitê da Harvard com o primeiro transplante cardíaco realizado
pelo médico Christiaan Bernad em dezembro de 1967, fundamental para a formação
do Comitê da Harvard para avaliação e diagnose de morte-cerebral.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Em 1968
a comunidade médico-científica tomou conhecimento da publicação do “Relatório
do Comitê Ad Hoc da Escola Médica de Harvard” (&lt;i&gt;Ad Hoc Committee of the
Harvard Medical School&lt;/i&gt;) estabelecendo critérios válidos para serem usados
na diagnose e definição de morte cerebral. Muitos desses critérios são usados
até hoje, sobretudo, para ajudar na decisão de transplantes de órgãos. Mas foi
na década de 80 em diante que se deu o triunfo da redefinição de morte proposta
pelo Comitê da Harvard, a ponto de mais de 15 países fazerem uso desses
critérios. Mas até se chegar a essa definição, houve um grande debate por parte
da comunidade médica, que não conseguia chegar a um consenso sobre a definição
mais apropriada, visto que traziam, em seu cerne, várias considerações, éticas,
jurídicas e científicas para um diagnóstico mais apropriado. Até a publicação
do relatório pelo Comitê da Escola Médica de Harvard, o que definia morte ainda
era a parada cardio-respiratória.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Primeiramente,
se pensava que a morte-cerebral deveria ser definida pela perda da função de
todo o centro nervoso central, mas essa tese foi abandonada por se tornar
evidente que essa função podia persistir independente das funções do cérebro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Outros
médicos argumentavam que a definição deveria dar conta da “perda da
personalidade” e da “identidade pessoal”, que incluiria “racionalidade,
sociabilidade, auto-cuidado, capacidade para comportamento intencional e
habilidade para conservar e cuidar de seus próprios projetos de vida”, porém,
personalidade e identidade são conceitos de difícil definição e não poderiam
ser alocados nos critérios de morte-cerebral, contudo, a perda da consciência
foi um dos critérios mantidos na definição de morte-cerebral.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Em
síntese, os critérios utilizados iam de ausência de atividade elétrica no
cérebro medida por eletrocefalograma, ausência de reflexo pupilar, ausência de
respiração autônoma na retirada do suporte artificial (ventilação), perda
permanente da consciência e conseqüentemente coma permanente ou irreversível,
entre outros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;As
grandes discussões éticas seguidas a partir de então, pavimentaram o campo
daquilo que conhecemos hoje como sendo Bioética, fazendo o campo jurídico se
movimentar no que diz respeito à criação de leis para poder decidir sobre a
vida e a morte de pessoas acometidas de morte-cerebral. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Não
obstante, Gary S. Belkin cita várias críticas que se pôde fazer ao relatório na
época de sua publicação, mas afirma que foi necessário definir o que seria
morte-cerebral no sentido de estabelecer critérios válidos para a doação de
órgãos, construindo toda uma “ética para transplantes”. Mais do que isso, o
estabelecimento de critérios do que seria morte-cerebral, foi decisivo para que
o campo da medicina definisse também o que é vida, projetando, no futuro, todo
um campo jurídico de especialistas em Bioética.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-RIO; Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ; Email de contato: sergiogsilva@uol.com.br.&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/8199170284094446041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/10/historia-do-diagnostico-de-morte.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/8199170284094446041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/8199170284094446041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/10/historia-do-diagnostico-de-morte.html' title='A história do diagnóstico de morte-cerebral'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjCcNrW2RErMxK3-swtB3wg6V1bc7vfgKFVJ2XlCIxWcqY6i7eZ92B-0iPl8Zdd_kaxjd6tqIE5Jx5aDHiQFS3olkrWouD9bXmmjUH8zsFmq5xGf6F_VrKEPS0vjjNY2tr_2BcRXLPxXyZO/s72-c/braindeath.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-7153130793535083643</id><published>2011-10-09T19:56:00.000-07:00</published><updated>2011-10-09T19:56:21.747-07:00</updated><title type='text'>Christopher Bollas: silêncio, regressão e elaboração psíquica</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgTVE0lXFlL1-LBR70EsWK2R9cDT4xpanxBMpAYMJjImCLoatDuTiGU0sLimWnuIN31NYC7nCpDT5MGaQo_YpM2stNdIkds1hXtFun0RfLyCYvKZLlQrgUc_juJRPVycAvtChyphenhyphenoYB7HJiKo/s1600/christopher+bollas.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;295&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgTVE0lXFlL1-LBR70EsWK2R9cDT4xpanxBMpAYMJjImCLoatDuTiGU0sLimWnuIN31NYC7nCpDT5MGaQo_YpM2stNdIkds1hXtFun0RfLyCYvKZLlQrgUc_juJRPVycAvtChyphenhyphenoYB7HJiKo/s320/christopher+bollas.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Um
dos autores da Escola Inglesa de Psicanálise que mais contribuiu para um
metapsicologia do silêncio na psicanálise foi Christopher Bollas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;Para este
autor, o silêncio pode ser uma ótima oportunidade de viver a regressão à
dependência e o analista deve perceber isso no decurso de um processo com seu
paciente. Se o analista não percebe, ele poderá impedir um processo regressivo
produtivo e induzirá, segundo Bollas, à uma descompensação psicótica, ou levará
seu paciente a atuar exigências regressivas em outros lugares que não o &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;setting&lt;/i&gt;, ou ainda impedirá o processo
regressivo.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;Quais
seriam as condições para uma regressão, segundo Bollas? De acordo com autor,
certos aspectos da regressão estariam no deitar no divã, nas sensações física
de ser contido pelo divã, o conforto e o prazer de obter a atenção do analista,
a experiência da dimensão temporal vivida no &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;setting&lt;/i&gt;, a sensação de proteção do analista, a contemplação dos
objetos no &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;setting&lt;/i&gt;, entre outros,
disponibilizaria a regressão do paciente. Mas nem toda essa experiência pode
ser vivenciada no divã. Isto pode ser perfeitamente vivido com a paciente
confortavelmente sentado diante do seu analista. O divã não é condição
necessária para a regressão. Em alguns casos, a experiência do divã pode ser
experienciada como total abandono e solidão por parte do paciente.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Porém, a
condição mais importante é, sem dúvida, a compreensão do analista desse
fenômeno, ou dito de outro modo, a estrutura mental do analista junto ao seu
paciente através da transferência e da contratransferência, e que possibilita
ao paciente reviver as experiências do &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;self&lt;/i&gt;
como um “conhecido não-pensado”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Para
compreender a regressão à dependência em sua estreita relação com uma teoria da
comunicação e não-comunicação, é preciso que possamos estabelecer uma diferença
entre os usos que o analisando faz do silêncio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Primeira
afirmação a ser feita: o silêncio na análise, tal como formulado historicamente
por Freud, pode ser considerado como uma resistência do paciente. Quanto a
isto, estamos todos de acordo. Neste caso, é preciso que o analista se informe
sobre a reserva do seu paciente em falar. Essa resistência pode se constituir
como um problema no manejo da transferência? É resistência do analisando em
relação ao analista ou é uma demanda pessoal e intrínseca do próprio paciente?
É preciso ter em mente essa forma de silêncio como resistência para que o
manejo da técnica seja adequada. Quando isto acontece, geralmente com pacientes
neuróticos ou psiconeuróticos, Winnicott é claro: uso da regra de ouro da
psicanálise clássica!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Segunda
afirmação: o silêncio é condição necessária, mas não suficiente, da regressão à
dependência. Aqui, ele é vivido como um meio pelo qual se experiencia o
continente analítico; é aquele silêncio semelhante ao vivido por uma criança
dez a vinte minutos antes de cair em sono profundo. De acordo com autor, essa
sensação é vivida quando a criança está prestes a cair em sono profundo e se
recolhe do mundo e da realidade externa, revivendo às vezes os acontecimentos
do dia, ou está em fantasia com algum objeto subjetivo, ou ainda está
imaginando-se numa fantasia qualquer. Em crianças maiores, esse momento também
pode ser vivido através do pensamento em uma música, ou pode estar fazendo
algum cálculo matemático, ou ainda pensando sobre o que sua mãe ou seu pai
fizeram ao longo do dia, ou, por fim, alguma cena que viveu durante este dia ou
até mesmo o dia anterior. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Para
Bollas “o silêncio é geralmente uma condição necessária para o ‘processar’ do
mundo interno e da realidade externa. Esse tempo precioso antes do sono é uma
experiência vital para as crianças e dura da primeira infância até, pelo menos,
a adolescência, inclusive. É frequentemente acompanhado por brinquedos, já que
algumas crianças dormem com um ursinho na cama, e até um certo ponto, esses
‘objetos transicionais’ fazem parte da natureza da ‘área intermediária da
experiência’ a qual, na minha opinião, descreve apropriadamente esse uso do
silêncio”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;É
preciso ainda enfatizar, por um lado, que quando ocorre uma regressão à
dependência no decurso de uma análise é porque esse terreno já vinha sendo
preparado pelo analista a partir dos laços transferenciais sem envolver
angústias psicóticas e o paciente vivenciou silêncios que permitiram as
experiências regressivas. Neste caso, tanto analista quanto analisando se
predispunham a esse encontro fundante do sujeito, ou conforme afirma Bollas, “o
analista levando em consideração e apoiando a necessidade do silêncio do
analisando e este descobrindo experiências internas por meio desse silêncio”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;Por
outro lado, é preciso considerar uma outra faceta do silêncio. Refiro-me ao
silêncio da reflexão tal como formulado por Bollas, ou o silêncio da elaboração
e da perlaboração.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Este
silêncio, assim concebido, o analisando encontra-se como que “flanando”, em um
“estado sem forma”. Não se trata de estados mentais ativos e sim um “pensar
intimamente”, “estudar em silêncio”, “meditar”, “analisar”, “construir
interiormente”. Este tipo de silêncio em nada tem a ver com estados regredidos
ou pacientes em regressão. Ele pode se dar em qualquer momento da análise, no
início, meio ou até mesmo antes do final de um processo analítico. Trata-se de
um momento estético, uma memória do estado de ser, no qual o tempo, o espaço, o
ritmo e o corpo do paciente não podem ser dimensionados. Na verdade é um
processo de construção interna que pode ser resultante de uma associação livre
do paciente ou de algo que o analista lhes disse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Aqui,
quatro condições são especialmente necessárias para o bom desenvolvimento de
uma análise: primeiro, o analista deve compreender que o silêncio neste caso
não se trata de uma resistência e seu trabalho está em ajudar a desenvolver a
capacidade de pensar, refletir e elaborar do seu paciente. Segundo, sua
compreensão do uso do silêncio por parte do analisando cria a capacidade deste
em usar o silêncio em sua própria análise – geralmente, este estado é alcançado
por outros analistas clássicos que não consideram a dimensão do silêncio em sua
prática clínica. Terceiro, uma vez&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;que o
analisando compreende isso, pode-se permitir o curso de uma regressão à
dependência para, por fim, fazer uso da reflexão como uma habilidade receptiva
no decurso de uma análise, sem que o analista se sinta constrangido ou mesmo
ameaçado com estados silenciosos do seu paciente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;O
analista, neste instante da análise, tem de ser capaz de renunciar às suas
defesas contra a ansiedade, o medo da aniquilação, da perda de identidade sua e
de seu paciente. Concomitantemente, sua identidade deve permanecer distinta e
seu sentido de realidade inalterado, mantendo a consciência no nível da
realidade e da ilusão, ou seja, deve assumir uma posição de cuidado tal qual
aquele observado na relação mãe-bebê ou mãe-suficientemente-boa, sem fazer da
atitude profissional de analista um traço dessa relação, mas sim, uma relação
direta e empática com o paciente. Feito isto, pode-se almejar a tolerar seu
amor e seu ódio sem revidar, quando muito, sua indiferença e, por fim, tolerar
suas próprias emoções oriundas dessa relação, quando despertadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;Este é o
momento em que a intersubjetividade entra em cena no processo analítico,
semelhante aquele momento vivido na trajetória de vida do infante: um encontro
entre inconsciente. Muitas das vezes, o analista e o analisando experimentam
isso como uma transmissão de pensamento: é a hora em que uma ideia, uma
sensação ou ate mesmo uma pergunta são capturados pelo inconsciente do outro e
verbalizados por um deles, surpreendendo-se quando isto ocorre. Aqui também
podemos observar o quanto de material transferencial e contratransferencial
pode surgir no decurso de uma análise. É o mais perfeito exemplo de que haveria
uma transmissão ou comunicação de inconscientes entre dois sujeitos em análise,
e como tal, esse processo intersubjetivo vivido no &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;setting&lt;/i&gt; pode contribuir, facilitar ou promover a regressão à
dependência, processo esse necessário para restituir as falhas ambientais.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-RIO; Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ; Email de contato: sergiogsilva@uol.com.br.&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/7153130793535083643/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/10/christopher-bollas-silencio-regressao-e.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/7153130793535083643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/7153130793535083643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/10/christopher-bollas-silencio-regressao-e.html' title='Christopher Bollas: silêncio, regressão e elaboração psíquica'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgTVE0lXFlL1-LBR70EsWK2R9cDT4xpanxBMpAYMJjImCLoatDuTiGU0sLimWnuIN31NYC7nCpDT5MGaQo_YpM2stNdIkds1hXtFun0RfLyCYvKZLlQrgUc_juJRPVycAvtChyphenhyphenoYB7HJiKo/s72-c/christopher+bollas.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-1771347027640519378</id><published>2011-10-09T19:42:00.000-07:00</published><updated>2011-10-09T19:42:12.579-07:00</updated><title type='text'>Silêncio e Pensamento em Michael Balint</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgV4FZL-Ye1AYyyKlIcvGgqr0YIGCXma9VrP6RWzN5sy6j_wUD1tnx8pwJpFT2-8eyJplGpt-tYdm3unKu4x1OiE0hNjimcWJKHvQBkR5PbDTHNY0WZKUuQoWIwn1m_L0uHOTnFCRMNbxX_/s1600/balint.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgV4FZL-Ye1AYyyKlIcvGgqr0YIGCXma9VrP6RWzN5sy6j_wUD1tnx8pwJpFT2-8eyJplGpt-tYdm3unKu4x1OiE0hNjimcWJKHvQBkR5PbDTHNY0WZKUuQoWIwn1m_L0uHOTnFCRMNbxX_/s320/balint.jpg&quot; width=&quot;230&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;A Escola
Inglesa de Psicanálise se notabilizou por diferentes abordagens em torno das
relações de objeto. Dentre os autores desta escola de psicanálise, Michael Balint
foi um dos que contribuiu para uma análise do silêncio na teoria psicanalítica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;A partir
de sua experiência com pacientes silenciosos, Balint reforçou que o silêncio
cada vez mais tem sido reconhecido por ter muitos significados que não aqueles
pontuados por Freud e seus discípulos, pelo contrário, ele pode ter muitos
significados sendo que cada um deles exige um manejo diferente por parte do
analista. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;De
acordo com autor, o silêncio pode se constituir como “um vazio árido e
assustador, inimigo da vida e do crescimento, no qual o paciente deve ser
retirado dele o mais cedo possível”. Em outro momento, Balint afirma que o
silêncio poder uma excitante e amigável expansão, convidando o paciente a
empreender jornadas de aventuras em terras desconhecidas de sua vida de
fantasia, na qual qualquer interpretação transferencial estará completamente
deslocada. Por fim, o silêncio ainda pode significar uma tentativa de
reestabelecer o amor primário que existe em cada indivíduo a partir de uma
relação objetal. &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;No &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;setting&lt;/i&gt; analítico, quando o silêncio é
interrompido, ele pode ser experienciado como invasão, intrusão ou até mesmo
interpretações deslocadas do mundo interior do indivíduo, sobretudo quando
pacientes estão na fase da regressão à dependência. Neste caso, os pacientes
encontram-se ou retraídos ou em estados de pura introspecção quando a análise
já caminhou um pouco mais, produzindo uma devastação ou uma desorganização no
mundo interno desse indivíduo. De acordo com Balint, um paciente silencioso
pode estar afastado do trabalho analítico e associativo; ao invés de associar,
pode encontrar-se em puro momento introspectivo, regredido a algum período de
sua vida, recordando alguma experiência que lhe foi importante, escapando da
regra fundamental da análise. &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Para
Balint o paciente silencioso traz um problema para o manejo da técnica. A
atitude habitual na análise é considerar o silêncio como sinônimo de
resistência do paciente ao processo analítico e suas dificuldades em trazer à
luz o material inconsciente originados no seu passado e na sua história de
vida. Até certo ponto, há indivíduos que vivenciam momentos de silêncio na
análise como uma resistência e como problema transferenciais. No entanto,
podemos supor que algo a mais acontece – o paciente silencioso também pode
estar pensando ou recordando seu passado e sua história de vida, pode estar
associando, pode estar elaborando ou ainda regredindo a um período de sua vida
em que se sinta seguro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;A
mudança de abordagem com relação ao silêncio e o manejo da técnica podem levar
a considerar o silêncio mais como algo positivo que pode ser vivenciado no &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;setting&lt;/i&gt; e menos como sintoma de
resistência. O silêncio pode ainda ser considerado como fonte de informação
acerca das primeiras experiências vividas pelo analisando em sua relação com o
seu primeiro objeto de amor ou ódio. Pode falar até mesmo da criança que vive dentro
do paciente cujas experiências não podem ser expressas sob forma de palavras.
Mais do que isso, o silêncio vivido no &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;setting&lt;/i&gt;
analítico pode ser uma boa forma de entender a experiência de pensamento do
paciente no decurso do processo analítico. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: xx-small;&quot;&gt;Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-RIO; Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ; Email de contato: sergiogsilva@uol.com.br.&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/1771347027640519378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/10/silencio-e-pensamento-em-michael-balint.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/1771347027640519378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/1771347027640519378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/10/silencio-e-pensamento-em-michael-balint.html' title='Silêncio e Pensamento em Michael Balint'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgV4FZL-Ye1AYyyKlIcvGgqr0YIGCXma9VrP6RWzN5sy6j_wUD1tnx8pwJpFT2-8eyJplGpt-tYdm3unKu4x1OiE0hNjimcWJKHvQBkR5PbDTHNY0WZKUuQoWIwn1m_L0uHOTnFCRMNbxX_/s72-c/balint.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-1364141957053638126</id><published>2011-10-09T19:26:00.000-07:00</published><updated>2011-10-09T19:28:24.412-07:00</updated><title type='text'>Comunicação e não-comunicação na psicanálise</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRLTJozUhUQP2nO8iMuDk57Sow__Cjozor2uwHPcQfbQvA5eLJEreSS94793AW-YaYd1lDH3TjmNIm28ZBIz2LSkVewP_LUFcYuuWLNV2-WBUwxXh6KwEPMShj8i6qdt0ZZoAUGlhbH58Q/s1600/winnicott+%25282%2529.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;227&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRLTJozUhUQP2nO8iMuDk57Sow__Cjozor2uwHPcQfbQvA5eLJEreSS94793AW-YaYd1lDH3TjmNIm28ZBIz2LSkVewP_LUFcYuuWLNV2-WBUwxXh6KwEPMShj8i6qdt0ZZoAUGlhbH58Q/s320/winnicott+%25282%2529.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;A
clínica psicanalítica se definiu pela relação estreita com a linguagem. Não foi
a toa que a psicanálise foi definida como uma “&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;talking cure&lt;/i&gt;” – a cura pela fala, desde que Freud e Breuer deram
voz as suas pacientes histéricas. Era uma linguagem enigmática que poderia
tanto seduzir como fascinar ou atemorizar aqueles que dela tentavam dar conta.
Mas para que essa linguagem precisasse fazer sentido, era preciso que, ao
contrário de Breuer que fechou os ouvidos ao que essas pacientes lhes diziam,
Freud desse sentido e significado para os poderes terapêuticos da palavra.
Inaugurava-se, assim, o imperativo de dizer tudo!&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;Com o
desenvolvimento da psicanálise, os poderes da verbalização passaram a ser
questionados desde que Winnicott descobriu o inconsciente não-verbalizável e
constituiu em torno dele sua teoria das psicoses e da sua prática clínica.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Winnicott,
como se sabe, não contestou o inconsciente freudiano recalcado, mas sustentou
que esse inconsciente não explicaria o surgimento de doenças psíquicas graves,
tais como a psicose. Ele (o inconsciente) não determina nem a sexualidade humana
nem o destino da pessoa humana e não é o referente último para entender a vida
e a criatividade cultural. Portanto, com Winnicott, a psicanálise muda o foco,
não mais centrada na sexualidade recalcada ou em seus derivados, mas passa a buscar
no inconsciente não-dizível, não verbalizável os referentes últimos da
subjetividade humana, postulando assim uma teoria da comunicação e da
não-comunicação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;O estudo
da comunicação e da não-comunicação aparece no centro da teoria psicanalítica
winnicottiana. Não obstante, outros autores da escola inglesa de psicanálise,
já haviam referido sua importância no &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;setting&lt;/i&gt;
enfatizando as diferenças de manejo da técnica quando um paciente silencioso se
fazia presente.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Haveria,
então, a possibilidade de se constituir uma comunicação intersubjetiva entre o
analista e o analisando, semelhante àquela vivenciada por este na relação
mãe-bebê.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;Essa
comunicação intersubjetiva se dá a partir do momento em que o bebê nasce e se
prolonga pela fase oral. Lembremos que a primeira manifestação de amor entre o
bebê e sua mãe é denominada por Winnicott como um “amor-boca”, que se dá a
partir da alimentação e onde se realiza uma comunicação entre ambos. Esta
comunicação pode acompanhar ou não a alimentação, sendo possível observar isso
quando vemos a relação entre esse par aí constituído. Na amamentação, por
exemplo, é possível que ao mesmo tempo em que se sustenta o bebê para
amamenta-lo se estabeleça uma relação de comunicação a partir do rosto da mãe e
do bebê. O bebê pode se ver e se enxergar nos olhos da sua mãe que por sua vez
o observa. É a face estética do &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;self&lt;/i&gt;
cuja comunicação se dá por espelhamento ou imagem especular.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;No
entanto, embora todos os bebês sejam alimentados, não há comunicação nesse
instante se não houver uma comunicação e uma alimentação mútua entre o bebê e
sua mãe. A mãe que alimenta é ao mesmo tempo alimentada por ele e às vezes essa
experiência de mutualidade é referida quando o infante põe o seu dedo na boca
da mãe. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Desta
maneira é que podemos verificar a experiência de mutualidade e o início de uma
comunicação intersubjetiva entre duas pessoas. Conforme diz Winnicott: “uma
conquista que depende dos seus processos herdados que conduzem para o
crescimento emocional e, de modo semelhante, depende da mãe e de sua atitude e
capacidade de tornar real aquilo que o bebê está pronto para alcançar,
descobrir, criar”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;O certo
é que essa experiência de mutualidade pode se dar de diferentes maneiras, visto
que a mãe um dia já foi um bebê e já foi cuidada pela sua mãe. Logo, ela pode
já ter passado pela mesma experiência e ter registrado o sentimento que uma vez
lhe foi dedicado quando ainda era um bebê. O bebê por sua vez, através da
experiência de mutualidade, tem a capacidade de se desenvolver e se identificar
projetivamente com sua mãe, sabendo-se que esta é a responsável por se adaptar
às suas necessidades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;Contudo,
é a partir dessa experiência de mutualidade que podemos enfatizar a comunicação
entre o bebê e sua mãe. Com isso queremos afirmar e reforçar, junto com
Winnicott, que esta experiência de comunicação está subsumida em termos de
anatomia e fisiologia de corpos vivos e ligados, seja através de sons, imagens,
cores, cheiros, batimentos cardíacos, movimentos de respiração, trocas de
carinho e afeto, tato - através do calor dos corpos da mãe (seio) e seu bebê
(boca), e de movimentos diversos que indiquem que a mãe precisa sustentar (&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;holds&lt;/i&gt;) seu filho e que este perceba esta
sustentação (&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;holding&lt;/i&gt;) pela sua mãe. &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Dá-se
uma comunicação ou intercomunicação entre ambos levando a uma interação muito
primitiva e fundamental para o desenvolvimento emocional de todo o indivíduo.
São comunicações nas quais a comunicação verbal está fora de ordem, aliás, pode
até mesmo estar suspensa – são nada mais do que comunicações silenciosas muito
iniciais na relação deste novo par constituído pela mãe e seu bebê. É uma
experiência à dois onde deve-se prestar atenção ao cuidado endereçado ao bebê e
este, à sua mãe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Para
Winnicott, a comunicação silenciosa é uma “comunicação de confiabilidade que,
na realidade, protege o bebê quanto a &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;reações
automáticas&lt;/i&gt; (itálicos do autor) às intrusões da realidade externa, com
estas reações rompendo a linha de vida do bebê e constituindo traumas”. Esta
comunicação pode ser tanto de silente quanto traumática. Quando silente,
inspira a confiabilidade tomada como certa, quando traumática, produz a
experiência de ansiedade – as falhas ambientais das quais evocamos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Em suma,
a comunicação silenciosa envolve a relação dual entre a mãe e seu bebê em
termos físicos (gestos, ritmos, cheiros, tessituras, etc), dos quais, segundo
Winnicott, a linguagem é a mutualidade na experiência e da intersubjetividade
(encontro entre dois inconscientes).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif; font-size: xx-small;&quot;&gt;Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-RIO; Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ; Email de contato: sergiogsilva@uol.com.br.&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/1364141957053638126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/10/comunicacao-e-nao-comunicacao-na.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/1364141957053638126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/1364141957053638126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/10/comunicacao-e-nao-comunicacao-na.html' title='Comunicação e não-comunicação na psicanálise'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRLTJozUhUQP2nO8iMuDk57Sow__Cjozor2uwHPcQfbQvA5eLJEreSS94793AW-YaYd1lDH3TjmNIm28ZBIz2LSkVewP_LUFcYuuWLNV2-WBUwxXh6KwEPMShj8i6qdt0ZZoAUGlhbH58Q/s72-c/winnicott+%25282%2529.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-4383180645659286597</id><published>2011-10-08T17:48:00.000-07:00</published><updated>2011-10-09T19:59:57.701-07:00</updated><title type='text'>Retraimento e Regressão em Winnicott</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZbd3bh5E3TGb7vjsp26h9JRbLQMwxBQ0mAqDv3pE7-r1RyJ4k74KuufHoaQQzG-7GM1ImGidmWE-_NgOQUKKvJ3c-y-b4ZvnS055TUvQI5xM8VS94RQSOYQAxmAOZTrjzipodgOrG81sJ/s1600/aaa.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;212&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZbd3bh5E3TGb7vjsp26h9JRbLQMwxBQ0mAqDv3pE7-r1RyJ4k74KuufHoaQQzG-7GM1ImGidmWE-_NgOQUKKvJ3c-y-b4ZvnS055TUvQI5xM8VS94RQSOYQAxmAOZTrjzipodgOrG81sJ/s320/aaa.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;A psicanálise clássica nunca concedeu grande importância ao fenômeno do retraimento e da regressão. É nos textos pré-psicanalíticos dos estudos sobre a histeria que a regressão faz sua primeira aparição através dos trabalhos de Freud e Breuer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, é a partir das contribuições dos analistas da Escola Inglesa e das relações de objeto, sobretudo a partir dos escritos de Winnicott que será ressaltado a diferenciação entre regressão (regression) e retraimento (withdrawal).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Winnicott, clinicamente, os dois estados são praticamente indiferenciados, porém, na regressão há o fenômeno da dependência, enquanto que no retraimento ocorre uma independência patológica. O retraimento pode ser permitido na primeira parte de uma análise, fazendo-se presente através de um processo silencioso, uma dependência extrema ou através da percepção de um ambiente persecutório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se para o autor o retraimento significa um desligamento momentâneo de uma relação desperta com a realidade externa, desligamento este que pode se manifestar através de momentos de silêncio ou de um breve sono, a regressão significa regressão à dependência, e não, ao contrário do que postulou Freud, regressão em termos de zonas erógenas ou libidinais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Winnicott de igual modo ressalta a importância do manejo da regressão da dependência absoluta para a dependência relativa e em seguida, para a independência. Quando se diz que um bebê é absolutamente dependente quer dizer da importância da provisão ambiental no desenvolvimento desse bebê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dependência absoluta ou quase absoluta, diz Winnicott refere-se a um estado em que o bebê ainda não conseguiu distinguir entre o “eu” e o “não-eu”, ou seja, o objeto subjetivo não é objetivamente percebido, ele ainda é da onipotência criativa do bebê. O bebê alcança o estágio seguinte a partir do comportamento adaptativo que este desenvolve com sua mãe ou substituto materno. Este comportamento adaptativo da mãe torna possível que o bebê encontre aquilo que é esperado e necessário fora do self a partir da maternagem suficientemente boa, ou seja, a partir desta maternagem ele passa para a percepção objetiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O paciente que se encontra retraído está fornecendo um holding (sustentação) para o self. Se o analista consegue de igual modo fornecer um holding para o paciente assim que o estado retraído surge na análise, então o estado retraído pode vir a torna-se uma regressão. A vantagem de uma regressão é que ela traz consigo a oportunidade de correção de uma adaptação às necessidades inadequadas presente na história passada do paciente, isto é, a possibilidade de corrigir falhas ambientais através do manejo da técnica – na verdade, postula-se um acolhimento da demanda do paciente como se ele fosse um bebê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O retraimento, para Winnicott, representa ainda um comportamento autoprotetor, mas o retorno ao retraimento não traz alivio e pode levar a complicações durante o processo analítico. A regressão, por outro lado, tem uma qualidade curativa, pois é possível reformular experiências precoces através da regressão. O retorno da regressão depende da reconquista da independência se for bem trabalhado pelo analista, abrindo-se a possibilidade do self verdadeiro surgir em sua dimensionalidade. Para que se alcance isto, é preciso tanto o desenvolvimento da capacidade de confiar, por parte do analisando, quanto da capacidade de fazer jus à confiança, por parte do analista. É bem provável que o desenvolvimento dessas capacidades levem algum tempo para se realizar, o que significa que o analista está se colocando no lugar de mãe-suficientemente-boa para o paciente, adaptando-se às suas necessidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, a regressão caminha do lado oposto ao retraimento. Winnicott afirma que a palavra regressão significa simplesmente o inverso de progresso. Este progresso refere-se à evolução do indivíduo, à sua psique-soma, à sua personalidade ou à sua mente, com uma formação de caráter e socialização. O progresso por ele referido tem início em uma data certamente anterior ao nascimento do infante, mas existe também um impulso biológico por trás deste progresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Por fim, Winnicott considera ainda que haja dois tipos de regressão: a primeira refere-se a uma retroação em uma direção ao que constitui o oposto do movimento para a frente do desenvolvimento, no qual aspectos regressivos aparecem e possibilita reconhecermos o bloqueio nos mecanismos de crescimento do indivíduo. O segundo tipo refere aquilo que o autor denominou de “regressão à dependência” a partir de uma provisão ambiental, conforme dito anteriormente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pacientes que regridem à fase de dependência, não necessariamente são denominados de pacientes regredidos. Os pacientes regredidos foram descritos por Winnicott de “pacientes borderlines”, que na literatura psicanalítica atual tem sido denominado de “casos limites”. Nestes pacientes, o que se pode observar é o surgimento de uma “psicose de transferência”. Tanto no retraimento quanto na regressão, é necessário o manejo da “regressão à dependência”. A regressão à dependência é uma condição necessária para reparar falhas ambientais e promover o verdadeiro self, encoberto defensivamente pelo falso self. Mais do que isso: a regressão à dependência é um processo de cura originado no verdadeiro self do analisando.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Mas quais seriam então as características da regressão? Seguindo o pensamento de Winnicott, estas seriam de quatro ordens: a primeira, um fracasso de adaptação por parte do meio ambiente resultando em um falso self; uma crença na possibilidade de correção do fracasso original, representada pela capacidade de uma regressão e implicando numa organização do ego; uma provisão ambiental especializada e posterior regressão e, por fim, um novo desenvolvimento emocional regressivo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Para o autor, uma regressão na psicanálise quer dizer a existência de uma organização do ego e uma ameaça de caos, necessitando, portanto de uma investigação da organização das memórias de um indivíduo, suas ideias e potencialidades, observando a existência de condições para o desenvolvimento emocional que se tornou impossível pelo fracasso ambiental.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Quando o autor trata de fracasso ambiental, o que na verdade quer enfatizar são as defesas pessoais organizadas pelo indivíduo necessitando, portanto, a necessidade de um processo analítico para restituir o verdadeiro self do indivíduo, encoberto pelo falso self zelador. Reviver esse período da infância é uma característica da regressão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Neste sentido, espera-se que a regressão leve-o à fase de dependência para que sejam restituídas as condições ambientais favoráveis para o desenvolvimento de um self saudável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Uma vez o paciente encontrando-se em estado regredido por um determinado período de tempo, a tarefa do analista é tentar reviver no setting as falhas ambientais, reparando-as, ou seja, sustentando todo o setting como o ambiente no qual foi vivido as falhas ambientais. Logo, o divã pode se constituir tanto como o analista quanto o ambiente em que se viveu aquelas falhas; as almofadas podem ser compreendidas como sendo os seios maternos ou ainda o analista se colocar no lugar de mãe-suficientemente-boa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-RIO; Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ; Email de contato: sergiogsilva@uol.com.br.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/4383180645659286597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/10/retraimento-e-regressao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/4383180645659286597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/4383180645659286597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/10/retraimento-e-regressao.html' title='Retraimento e Regressão em Winnicott'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZbd3bh5E3TGb7vjsp26h9JRbLQMwxBQ0mAqDv3pE7-r1RyJ4k74KuufHoaQQzG-7GM1ImGidmWE-_NgOQUKKvJ3c-y-b4ZvnS055TUvQI5xM8VS94RQSOYQAxmAOZTrjzipodgOrG81sJ/s72-c/aaa.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-4647687477774194941</id><published>2011-09-11T18:36:00.000-07:00</published><updated>2011-09-11T18:38:08.293-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;color: #990000; font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;WINNICOTT: VIDA E OBRA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&#39;allowfullscreen&#39; webkitallowfullscreen=&#39;webkitallowfullscreen&#39; mozallowfullscreen=&#39;mozallowfullscreen&#39; width=&#39;320&#39; height=&#39;266&#39; src=&#39;https://www.youtube.com/embed/7ikDQ73J-Hk?feature=player_embedded&#39; frameborder=&#39;0&#39;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;background-color: white; font-size: 13px; line-height: 18px;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Vídeo apresentando a vida e a obra&amp;nbsp;de Donald W. Winnicott, psicanalista pertencente à Escola Inglesa 
de Psicanálise. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;

&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;background-color: white; font-size: 13px; line-height: 18px;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Local: Instituto de Estudos da 
Complexidade&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;

&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;background-color: white; font-size: 13px; line-height: 18px;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Período: de 10 de setembro a 26 de novembro de 
2011&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;

&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;background-color: white; font-size: 13px; line-height: 18px;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Verdana, sans-serif;&quot;&gt;Informações: www.iecomplex.com.br/eventos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/4647687477774194941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/09/winnicott-vida-e-obra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/4647687477774194941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/4647687477774194941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/09/winnicott-vida-e-obra.html' title=''/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-3710019882306059377</id><published>2011-07-26T16:32:00.000-07:00</published><updated>2011-07-26T16:33:16.007-07:00</updated><title type='text'>A contingência da solidariedade: Rorty &amp; Bauman</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgVOcuDJJbsKtaKuqp1JxQkd3Lbe_PCVuCM3A8n4zFOE9A9LVew6SxTz_bnnnNWZ3VlOjZcBX-BQCBzAoNDs8z3JXMEafinRm0EkJvOBZhXYAAxtR97XgVNXRqu0wqAeb14QP4tFJNMmhqI/s1600/solidariedade2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;221&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgVOcuDJJbsKtaKuqp1JxQkd3Lbe_PCVuCM3A8n4zFOE9A9LVew6SxTz_bnnnNWZ3VlOjZcBX-BQCBzAoNDs8z3JXMEafinRm0EkJvOBZhXYAAxtR97XgVNXRqu0wqAeb14QP4tFJNMmhqI/s320/solidariedade2.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Segundo Lynn Hunt, autora de “A invenção dos Direitos Humanos”, a igualdade é uma ideia relativamente nova na história da humanidade. Ela nasceu juntamente com os ideais revolucionários da burguesia francesa que trouxe como consequência a “invenção dos direitos humanos”. De acordo com a autora, o surgimento do regime capitalista no século XVIII criou novas exigências econômicas e políticas, assinalando que a ideia de igualdade não era nem solução nem conclusão para um novo modo de estilo de vida, pois na medida em que os cidadãos abandonaram o horizonte de uma “vida tradicional” e se tornaram capazes de enxergar e a sofrer com a dor e a humilhação do seu semelhante, foi necessário um movimento para que essas desigualdades não fossem recrudescidas. É justamente nesse mesmo momento histórico que a solidariedade entra em cena, malgrado o seu esquecimento por parte dos defensores dos Direitos Humanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da Revolução Francesa até os dias de hoje, muito se tem escrito acerca dos ideais humanitários na defesa e primazia dos Direitos Humanos, mas pouco se tem escrito sobre a sua relação com o sentido de solidariedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não obstante, vários são os autores que se debruçaram sobre este tema. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqEO3ZHJWKZuxJiwuuGT8oaay8fzkU_aNIAQyUS7fcbc-2BhoXxU6Z5mluez1tl56zoBOE1-E0ySVpVBTkJTO5XNayfgq259AoYdw3pKOLzEuc3kdzPvGID6qFmn4UMBjiYNuN62KEnAyH/s1600/rorty&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqEO3ZHJWKZuxJiwuuGT8oaay8fzkU_aNIAQyUS7fcbc-2BhoXxU6Z5mluez1tl56zoBOE1-E0ySVpVBTkJTO5XNayfgq259AoYdw3pKOLzEuc3kdzPvGID6qFmn4UMBjiYNuN62KEnAyH/s1600/rorty&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Para o filósofo Richard Rorty, o sentimento de solidariedade depende necessariamente das semelhanças e das diferenças que surgem em função de um vocabulário de um determinado grupo, ou seja, o que Rorty entende por desejo de solidariedade não está única e exclusivamente na concepção mais banal do amor ao próximo, nos modelos propostos pela “caritas cristã” ou nos ideários humanistas propostos por Rousseau mas, sobretudo, no reconhecimento da ideia de pertencimento a determinado grupo ou comunidade de tradição à qual estaríamos atados por vocabulários, crenças e laços de linguagem”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através dos atos de linguagem, seríamos capazes de inventar diversos modelos de convivência com o outro através daquilo que Rorty define como “jogos de linguagem”, fazendo uso da expressão de Wittgenstein. A linguagem, assim concebida, possibilita uma vida em contingência. Viver em contingência para Rorty significa a possibilidade de gerenciar nossa própria vida de modo a produzir novas formas para nos definir e definir o sujeito que me é próximo, através de vocabulários que podem ou não prescrever a marca hegemônica do preconceito, daí o reconhecimento que pertenceríamos a determinados grupos ou comunidades de tradição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto maior o sentimento de solidariedade humana, segundo Rorty, maior a possibilidade de alcançarmos um progresso moral, de modo a admitir a dor e a humilhação do Outro, propondo a inclusão do “diferente” no nosso grupo social, aumentando os nossos acordos intersubjetivos e a referência do nós. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgybVJ3aCTIa9m0oFVpdGQrlqmi2Rz3wfNsVoCMTPjb-V-wDB6TyMqu_wjj6Apc72w2NQNsZa3qRPuZChk9P4aidfXtJUMqvuAbVFI7_SivSefCBqf01WZdZERXGnQZ8bRAWUUk5ywrkB75/s1600/bauman.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;211&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgybVJ3aCTIa9m0oFVpdGQrlqmi2Rz3wfNsVoCMTPjb-V-wDB6TyMqu_wjj6Apc72w2NQNsZa3qRPuZChk9P4aidfXtJUMqvuAbVFI7_SivSefCBqf01WZdZERXGnQZ8bRAWUUk5ywrkB75/s320/bauman.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Ao retomar o pensamento de Rorty, Zigmunt Bauman afirma que a linguagem da necessidade, da certeza e da verdade absoluta não pode senão formular a humilhação do outro, do diferente, daquele que não satisfaz os padrões ora então vigentes. Neste caso, para o autor, a contingência da linguagem pode criar a possibilidade de ser gentil e evitar a humilhação dos outros, favorecendo, assim, uma cultura da tolerância. Ser gentil e tolerante são símbolos do comportamento e da linguagem humana, predispondo os homens à construção da solidariedade.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste sentido a solidariedade seria uma chance dada à tolerância construída na pós-modernidade, que por sua vez, é uma chance da modernidade. A solidariedade, para Bauman, é uma chance em terceiro grau. Isto significa que “a solidariedade não pode derivar sua confiança de nada sequer remotamente sólido e, portanto, confortador como as estruturas sociais, as leis da história ou o destino das nações e raças, de que os projetos modernos extraíram seu otimismo, autoconfiança e determinação”, afirma Bauman em seu livro “Modernidade e Ambivalência”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como resultado do medo e sob a perspectiva de “ser gentil”, a única saída possível, segundo Bauman, seria evitar a humilhação do outro, considerá-lo no que ele tem de mais de singular e específico, respeitar as suas diferenças para considerá-lo na sua alteridade. Ser diferente, então, resignaria o nosso dever para com o outro, e deveria nos forçar a respeitá-lo para que possamos conviver em harmonia. Seria este o sentido dado por Rorty no seu desejo de solidariedade, ou seja, o respeito pelas nossas diferenças, para que evitássemos a dor e a humilhação do outro.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Poderíamos pensar, então, que para Bauman, a solidariedade seria uma forma de agrupamento de sujeitos livres que compartilham de “sentimentos” e “ações” coletivas unidos através de um sentimento de pertencimento coletivo e não através de uma política identitária, isto porque uma política identitária e a reivindicação de direitos, tais como a política de cotas para negros, o movimento de cidadania de gays e lésbicas que batalham pelo direito à união civil, ou até mesmo o movimento feminista, não nos dão o sentido exato de um agrupamento de sujeitos e de indivíduos compartilhando uma mesma comunidade, pelo contrário, ele particulariza e individualiza os sujeitos de um dado grupo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um agrupamento de sujeitos livres em uma mesma comunidade, apesar de poder ser compreendido como um horizonte de ideais possíveis, mas sem serem utópicos, significa reconhecer as diferenças desses grupos e considerá-los naquilo que os particularizam enquanto grupo, ou dito de outro modo, reconhecimento de sua cidadania e reconhecimento enquanto sujeitos de direito. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aqui entra em questão uma outra ideia defendida por Bauman, qual seja, a ideia de liberdade. Só uma sociedade livre pode propor que as diferenças hierárquicas não imponham um sentido de valor entre os hierarquizados, muito embora, este valor por si mesmo já esteja implícito na ideia de hierarquia social tornando as sociedades contemporâneas tão segmentárias, transformando os indivíduos que fazem parte dela em dois novos grupos: “os incluídos” e os “excluídos”.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas como Bauman nos lembra, o indivíduo livre, longe de ser uma condição universal da humanidade, é uma criação histórica e social, e como tal, a liberdade do indivíduo não pode ser encarada unicamente como uma physis, no sentido grego da palavra, tal como nos lembra Hannah Arendt quando se refere à igualdade. Pelo contrário: ela deve ser entendida como uma qualidade inerente a todo o ser humano, ou melhor, uma condição universalmente humana das sociedades modernas e capitalistas. Mais do que isso: a liberdade deve ser uma condição necessária à integração social, que mantém os indivíduos unidos, reconhecendo-os como um grupo humano que compartilha dos mesmos direitos e deveres, sonhos, desejos, crenças, valores, oportunidades, entre outros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando ampliamos o sentido de “reconhecimento” entre os humanos, aumentamos a nossa tolerância, ampliamos a quantidade e a qualidade de horizontes possíveis passando então, a construir um outro sentido, qual seja, o sentido de tolerância mútua na qual afirma “se eu te tolero, tu me toleras e me reconheces na minha singularidade”.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto posto, para os problemas relacionados à queixa do diferente e para o sentido de intolerância com determinadas comunidades e grupos, Bauman responde com o “sentimento de tolerância mútua”, no reconhecimento e aceitação das nossas diferenças para alcançarmos um ideal de igualdade: um ideal possível, talvez, fosse o ideal de humanidade que nos manteria unidos através de um destino comum cuja humanidade precisa aprender a valorizar: a solidariedade humana.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para Bauman, é pelo direito do Outro que o meu direito se impõe, e neste caso, ser responsável pelo Outro também significa ser um pouco responsável por si mesmo. Neste sentido, para o autor, a solidariedade do contingente está baseada no silêncio, ou seja, ao procurar evitar fazer certas perguntas e buscar certas perguntas, ela se satisfaz na sua própria contingência, recebendo a sua devida importância quando a linguagem do isolamento, da discriminação e da humilhação sai de uso.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Portanto, para alcançarmos uma sociedade liberal ideal, deveríamos aprender a construir novos laços discursivos, fazendo da solidariedade um “desejo de solidariedade” no qual reconheceríamos nos outros, um pouco (senão muito) de nós mesmos, aprendendo a ser tolerante com este Outro que nos é familiar, que nos parece semelhante. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Preferir a solidariedade é preferir julgamentos éticos juntamente com a ideia de contingência de nossas crenças, lembrando sempre que somos organismos humanos que um dia criaram a ideia de que existe um sujeito moral que delibera, age e é responsável por suas ações. Nenhuma outra imagem nos pareceu mais feliz e bem sucedida para preservar os valores que tanto necessitamos para manter o nosso ideal de solidariedade e humanidade, ou nas palavras de Rorty, uma sociedade liberal ideal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para alcançar a sociedade liberal ideal, na qual a solidariedade para com quem nos é próximo seja uma verdade universal, é preciso quebrar a dicotomia imperativa diferença/igualdade, tolerância/intolerância de modo a não fomentarmos o desrespeito, a humilhação, o preconceito e muito menos a violência para com este Outro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É na compreensão de um ser humano como um “ser solidário”, ou seja, é na compreensão de que o sofrimento e a dor que eu infrinjo ao outro podem ser a minha dor, ou ainda é na compreensão do outro como sendo “um de nós” que eu posso me colocar na posição de quem sofre para descrever a crueldade como aquilo que de pior podemos fazer a um ser humano e, portanto, posso imaginar um mundo possível de ideais, um mundo construído a partir de uma comunidade solidária e livre, enfim, uma sociedade liberal ideal, nos moldes como propõe o filósofo Richard Rorty.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-RIO; Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ; Email de contato: sergiogsilva@uol.com.br.&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/3710019882306059377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/07/contingencia-da-solidariedade-rorty.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/3710019882306059377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/3710019882306059377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/07/contingencia-da-solidariedade-rorty.html' title='A contingência da solidariedade: Rorty &amp; Bauman'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgVOcuDJJbsKtaKuqp1JxQkd3Lbe_PCVuCM3A8n4zFOE9A9LVew6SxTz_bnnnNWZ3VlOjZcBX-BQCBzAoNDs8z3JXMEafinRm0EkJvOBZhXYAAxtR97XgVNXRqu0wqAeb14QP4tFJNMmhqI/s72-c/solidariedade2.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-6410925902730843351</id><published>2011-07-25T20:25:00.001-07:00</published><updated>2011-07-25T20:25:43.723-07:00</updated><title type='text'>Imagem e esquema corporal</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiC2LNTQOtYs40XMQ_Bg6NWHDVXj47aavOWhDInMDM6XiJvPo2RFWqTlnDLVg3Cszlm6hsrwJCfPvpI_Ih5NnLW35Ux0HwFRkCBwy2r9FAAHNnR9JN8j0AaQFgFGAngWdMxD1uoNDo4NpSE/s1600/vetruviano.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiC2LNTQOtYs40XMQ_Bg6NWHDVXj47aavOWhDInMDM6XiJvPo2RFWqTlnDLVg3Cszlm6hsrwJCfPvpI_Ih5NnLW35Ux0HwFRkCBwy2r9FAAHNnR9JN8j0AaQFgFGAngWdMxD1uoNDo4NpSE/s320/vetruviano.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;A &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;expressão&lt;/st1:verbetes&gt; “&lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;imagem&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt;” é usada &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt; frequentemente &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;para&lt;/st2:dm&gt; &lt;st2:hm w:st=&quot;on&quot;&gt;fazer&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;referência&lt;/st1:verbetes&gt; à &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;aparência&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;física&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;sobre&lt;/st1:verbetes&gt; os &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;distúrbios&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;comportamentos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;alimentares&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;deficiência&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;física&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;Ela&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;pertence&lt;/st1:verbetes&gt; ao &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;mesmo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;tempo&lt;/st1:verbetes&gt; à &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;linguagem&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;neurologia&lt;/st1:verbetes&gt;, da &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;psiquiatria&lt;/st1:verbetes&gt; e da &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;psicanálise&lt;/st1:verbetes&gt; e adquiri &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;significados&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;diferentes&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;segundo&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;época&lt;/st2:dm&gt;, a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;disciplina&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; os pressupostos &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;teóricos&lt;/st1:verbetes&gt; dos &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;diversos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;especialistas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; a empregaram &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; a empregam. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Para Paul Schilder a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;imagem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corporal&lt;/st1:verbetes&gt; é uma “figuração de &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;nosso&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; formada &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;nossa&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;mente&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; seja, o &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;modo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;pelo&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;qual&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; se apresenta &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;para&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;nós&lt;/st1:verbetes&gt;” cuja &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;representação&lt;/st1:verbetes&gt; é dada &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;através&lt;/st1:verbetes&gt; de várias &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;sensações&lt;/st1:verbetes&gt; advindas da &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;superfície&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt;, dos &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;músculos&lt;/st1:verbetes&gt;, das vísceras, etc. &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;Por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;outro&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;lado&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; define &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;esquema&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corporal&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;conforme&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;percepção&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;postura&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; seja, uma &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;imagem&lt;/st1:verbetes&gt; tridimensional &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;todos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;nós&lt;/st1:verbetes&gt; temos de &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;nós&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;mesmos&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;Toda&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;construção&lt;/st2:dm&gt; da &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;imagem&lt;/st1:verbetes&gt; e do &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;esquema&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corporal&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;para&lt;/st2:dm&gt; Schilder, está &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;baseada&lt;/st1:verbetes&gt; na &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;percepção&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;como&lt;/st1:verbetes&gt; uma &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;unidade&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;Ele&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;portanto&lt;/st1:verbetes&gt;, faz &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;uso&lt;/st1:verbetes&gt; dos &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;termos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;como&lt;/st1:verbetes&gt; se fossem &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;sinônimos&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;&lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;Em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;determinado&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;momento&lt;/st1:verbetes&gt;, Schilder &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;chega&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st2:hm w:st=&quot;on&quot;&gt;afirmar&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;imagem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corporal&lt;/st1:verbetes&gt; pode se &lt;st2:hm w:st=&quot;on&quot;&gt;encolher&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; se &lt;st2:hm w:st=&quot;on&quot;&gt;expandir&lt;/st2:hm&gt;, e &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;como&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;tal&lt;/st1:verbetes&gt;, podemos &lt;st2:hm w:st=&quot;on&quot;&gt;anexar&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;objetos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;externos&lt;/st1:verbetes&gt; à &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;imagem&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;nosso&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt;. “&lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;Quando&lt;/st1:verbetes&gt; tocamos &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;objeto&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;extremidade&lt;/st1:verbetes&gt; de uma &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;vareta&lt;/st1:verbetes&gt;, a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;sensação&lt;/st1:verbetes&gt; é percebida na &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ponta&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;vareta&lt;/st1:verbetes&gt;. Esta se &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;torna&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;realmente&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;parte&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;imagem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corporal&lt;/st1:verbetes&gt;”. &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;Até&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;mesmo&lt;/st1:verbetes&gt; uma &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;peça&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;roupa&lt;/st1:verbetes&gt;, pode &lt;st2:hm w:st=&quot;on&quot;&gt;mudar&lt;/st2:hm&gt; a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;imagem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; temos do &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;nosso&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt;! Schilder, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;portanto&lt;/st1:verbetes&gt;, confunde &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;imagem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;esquema&lt;/st2:dm&gt; corporal ao afirmar que a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;imagem&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; pode &lt;st2:hdm w:st=&quot;on&quot;&gt;incorporar&lt;/st2:hdm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;objetos&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;Mas&lt;/st1:verbetes&gt; uma &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;coisa&lt;/st2:dm&gt; é a &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;construção&lt;/st2:dm&gt; da &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;imagem&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; nossas &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;mentes&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;outra&lt;/st1:verbetes&gt; é &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;como&lt;/st1:verbetes&gt; os &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;objetos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;externos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;são&lt;/st1:verbetes&gt; incorporados &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;como&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; “&lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;acessório&lt;/st1:verbetes&gt;” ao &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;nosso&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;para&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; faça &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;parte&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;nosso&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;esquema&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corporal&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;tal&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;qual&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;objeto&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;externo&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;&lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;Apesar&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;seus&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;estudos&lt;/st1:verbetes&gt; se darem no &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;âmbito&lt;/st1:verbetes&gt; das &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;lesões&lt;/st1:verbetes&gt; neurológicas, Schilder &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;avança&lt;/st1:verbetes&gt; na &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;discussão&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;quando&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;deixa&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st2:hm w:st=&quot;on&quot;&gt;abordar&lt;/st2:hm&gt; a &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;questão&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;pela&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;via&lt;/st2:dm&gt; do &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;mental&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;versus&lt;/i&gt;&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;físico&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;exemplo&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;outros&lt;/st1:verbetes&gt; autores. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Para a fenomenologia, o &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; é &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;objeto&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;intencional&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;consciente&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;logo&lt;/st1:verbetes&gt;, a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;imagem&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; é uma &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;imagem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;representação&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;consciente&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;abstrata&lt;/st1:verbetes&gt; e desintegrada &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; se diferencia do &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;resto&lt;/st1:verbetes&gt; do ambiente. &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;Por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;outro&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;lado&lt;/st1:verbetes&gt;, o &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;esquema&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corporal&lt;/st1:verbetes&gt; é &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;definido&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;como&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;conjunto&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;sensações&lt;/st1:verbetes&gt; proprioceptivas &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; fornecem ao &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;organismo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;sua&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;posição&lt;/st1:verbetes&gt; gravitacional no ambiente e &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;apenas&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;seu&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;modelo&lt;/st2:dm&gt; postural, no &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;qual&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;através&lt;/st1:verbetes&gt; dos &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;órgãos&lt;/st1:verbetes&gt; dos &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;sentidos&lt;/st1:verbetes&gt;, o &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; estaria &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;apto&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st2:hm w:st=&quot;on&quot;&gt;agir&lt;/st2:hm&gt; e &lt;st3:infinitivo w:st=&quot;on&quot;&gt;reagir&lt;/st3:infinitivo&gt; aos &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;estímulos&lt;/st1:verbetes&gt; do ambiente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;O &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;primeiro&lt;/st2:dm&gt; necessita de &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;fato&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;mental&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; intencionalidade - &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;pois&lt;/st2:dm&gt; está &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;sempre&lt;/st1:verbetes&gt; se referindo a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;outro&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;lhe&lt;/st1:verbetes&gt; é &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;exterior&lt;/st1:verbetes&gt;; de uma privacidade - &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;pois&lt;/st2:dm&gt; é &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;constantemente&lt;/st1:verbetes&gt; solicitada a &lt;st2:hdm w:st=&quot;on&quot;&gt;representar&lt;/st2:hdm&gt; à &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;sua&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;própria&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;existência&lt;/st1:verbetes&gt; e o &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;seu&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;próprio&lt;/st2:dm&gt; “&lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;eu&lt;/st1:verbetes&gt;”; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;fim&lt;/st1:verbetes&gt;, necessita de uma representacionalidade – &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; pressupõe &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;mínimo&lt;/st2:dm&gt; de &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;competência&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;lingüística&lt;/st2:dm&gt; do &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;sujeito&lt;/st2:dm&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;dito&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;outro&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;modo&lt;/st1:verbetes&gt;, a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;imagem&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; é linguisticamente organizada de &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;modo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;reflexivo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; pré-reflexivo, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;consciente&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; inconsciente, afirma o psicanalisa Jurandir Freire Costa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;O &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;esquema&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corporal&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;outro&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;lado&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;nem&lt;/st1:verbetes&gt; é uma &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;compreensão&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;perceptiva&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;nem&lt;/st1:verbetes&gt; cognitiva, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;nem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;emocional&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; se distingue da &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;imagem&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;pois&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; é uma &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;performance&lt;/i&gt;&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;inconsciente&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;sem&lt;/st1:verbetes&gt; uma intencionalidade. Nessa &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;performance&lt;/i&gt;&lt;/st1:verbetes&gt;, o &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; adquire uma &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;organização&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;estilo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;relação&lt;/st1:verbetes&gt; ao &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ambiente&lt;/st1:verbetes&gt; podendo &lt;st2:hdm w:st=&quot;on&quot;&gt;incorporar&lt;/st2:hdm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;objetos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;externos&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt;. O &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;esquema&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corporal&lt;/st1:verbetes&gt; é a &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;forma&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;como&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; experiencia o &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ambiente&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; se &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;encontra&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;Ele&lt;/st1:verbetes&gt; envolve &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;conjunto&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;capacidades&lt;/st1:verbetes&gt; motoras, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;habilidades&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;hábitos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; capacita os &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;movimentos&lt;/st1:verbetes&gt; e a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;postura&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; no &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;eixo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;gravitacional&lt;/st1:verbetes&gt;, e &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;como&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;tal&lt;/st1:verbetes&gt; é &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;sistema&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;funções&lt;/st1:verbetes&gt; motora e postural &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; opera &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;nível&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;inferior&lt;/st1:verbetes&gt; da intencionalidade auto-referente, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;muito&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;embora&lt;/st1:verbetes&gt; essas &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;funções&lt;/st1:verbetes&gt; possam &lt;st2:hdm w:st=&quot;on&quot;&gt;ter&lt;/st2:hdm&gt; uma &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;atividade&lt;/st1:verbetes&gt; intencional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;&lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;Para&lt;/st2:dm&gt; &lt;st3:infinitivo w:st=&quot;on&quot;&gt;experienciar&lt;/st3:infinitivo&gt; o &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;mundo&lt;/st1:verbetes&gt;, o &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;precisa&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hm w:st=&quot;on&quot;&gt;agir&lt;/st2:hm&gt;, e &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;para&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; possa &lt;st2:hm w:st=&quot;on&quot;&gt;agir&lt;/st2:hm&gt; no &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;mundo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; necessita de uma intencionalidade e &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;mínimo&lt;/st2:dm&gt; de &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;competência&lt;/st1:verbetes&gt; linguística &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;para&lt;/st2:dm&gt; &lt;st2:hm w:st=&quot;on&quot;&gt;poder&lt;/st2:hm&gt; se &lt;st2:hdm w:st=&quot;on&quot;&gt;representar&lt;/st2:hdm&gt; nesse &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;mundo&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;&lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;Vários&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;são&lt;/st1:verbetes&gt; os &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;exemplos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; podemos &lt;st2:hm w:st=&quot;on&quot;&gt;usar&lt;/st2:hm&gt; &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;para&lt;/st2:dm&gt; &lt;st2:hm w:st=&quot;on&quot;&gt;ilustrar&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;esse&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;fato&lt;/st1:verbetes&gt;. O &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;mais&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;comum&lt;/st1:verbetes&gt; refere-se à &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;vareta&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;deficiente&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;visual&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;usa&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;para&lt;/st2:dm&gt; caminhar – o &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;seu&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; se resume &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;apenas&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;seus&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;membros&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;mas&lt;/st1:verbetes&gt; prolonga-se &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;até&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;última&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ponta&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;vareta&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;usa&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;para&lt;/st2:dm&gt; &lt;st2:hdm w:st=&quot;on&quot;&gt;construir&lt;/st2:hdm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;mentalmente&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;caminho&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st2:hm w:st=&quot;on&quot;&gt;percorrer&lt;/st2:hm&gt;. Do &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;mesmo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;modo&lt;/st1:verbetes&gt;, o &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;piloto&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;avião&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; se resume à &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;sua&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;matéria&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corporal&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;mas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;sim&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;toda&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;aeronave&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;pilota&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;Por&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;extensão&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;exímio&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;digitador&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;pianista&lt;/st1:verbetes&gt; tem a &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ponta&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;seus&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;dedos&lt;/st1:verbetes&gt; prolongados &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;pelo&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;teclado&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;computador&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;piano&lt;/st1:verbetes&gt;, praticamente incorporando &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;esses&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;objetos&lt;/st1:verbetes&gt; ao &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;seu&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm w:st=&quot;on&quot;&gt;esquema&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes w:st=&quot;on&quot;&gt;corporal&lt;/st1:verbetes&gt;. É ao esquema corporal que podemos anexar objetos externos ao nosso corpo e não à nossa imagem corporal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Esquema e imagem corporal, portanto, são formas fenomênicas do corpo experienciar o mundo que o cerca e participam da constituição subjetiva do nosso eu (&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;self&lt;/i&gt;), através de uma ação sobre o mundo (intencionalidade) e de uma competência linguística (descrições narrativas de si). Com o aporte fenomenológico, unido ao conhecimento neurológico, podemos entender melhor determinados distúrbios da identidade pessoal e da imagem corporal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;A possibilidade de usamos as ferramentas do conhecimento neurológico e da fenomenologia da percepção, tais como descrevemos acima, aliado ao nosso conhecimento das teorias da subjetividade e das descrições narrativas de si, seja um caminho que se abre notadamente para o tratamento de pacientes com distúrbios neurológicos ou com distúrbios de imagem corporal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-RIO; Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ; Email de contato: sergiogsilva@uol.com.br.&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/6410925902730843351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/07/imagem-e-esquema-corporal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/6410925902730843351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/6410925902730843351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/07/imagem-e-esquema-corporal.html' title='Imagem e esquema corporal'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiC2LNTQOtYs40XMQ_Bg6NWHDVXj47aavOWhDInMDM6XiJvPo2RFWqTlnDLVg3Cszlm6hsrwJCfPvpI_Ih5NnLW35Ux0HwFRkCBwy2r9FAAHNnR9JN8j0AaQFgFGAngWdMxD1uoNDo4NpSE/s72-c/vetruviano.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-5297586629521390691</id><published>2011-07-25T19:34:00.000-07:00</published><updated>2011-07-25T19:38:10.998-07:00</updated><title type='text'>O silêncio para Lacan, Dolto e Aulagnier</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjbTc9xbK3mDfFU34AsMNq_gQxh5gdO9szlSGdeE8iA5U99oB8AqsuhDtUkTQiZyM_3UBoVQqxpi0EvawGsKyKx4rG_gTtCEafvuCjussSf5deiAskEUaiPnY7zddhMkRIlKVNY9ydpXa8j/s1600/lacan.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;191&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjbTc9xbK3mDfFU34AsMNq_gQxh5gdO9szlSGdeE8iA5U99oB8AqsuhDtUkTQiZyM_3UBoVQqxpi0EvawGsKyKx4rG_gTtCEafvuCjussSf5deiAskEUaiPnY7zddhMkRIlKVNY9ydpXa8j/s200/lacan.jpg&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Representado eminentemente a partir das contribuições de Jacques Lacan, o silêncio vai ser compreendido sobre dois eixos teóricos, a palavra plena e a palavra vazia e o binômio silere e tacere. Além de Lacan, pretende-se enfatizar também as contribuições de Piera Aulagnier e a questão do segredo na psicanálise, e Françoise Dolto e o silêncio como resposta da solidão. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Para Lacan, a palavra é plena na medida em que realiza a verdade do sujeito; em oposição, a palavra é vazia em relação àquilo que tem de fazer no aqui e agora com seu analista, em que o sujeito se perde nas maquinações do sistema de linguagem a que está subsumido, no labirinto dos sistemas de referência que lhe dá o estado cultural do qual faz parte, em suma, é através desses dois paradoxos que, segundo afirma Lacan, dá-se uma série de desdobramentos de realização da palavra. Mas insiste: é na medida em que a palavra é a mais plena no discurso do sujeito que o analista pode mais intervir. Do contrário, quanto mais o discurso é vazio, o analista tende a buscar algo para além do seu discurso, além daquilo que o sujeito tem a realizar, mas ainda não realizou. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Quanto ao segundo eixo teórico, Lacan proporá o paradoxo do silêncio original ao silêncio produzido pela situação do calar-se: &lt;i&gt;sileo&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;taceo&lt;/i&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;De acordo com Jacques-Alain Miller &lt;i&gt;Silet&lt;/i&gt; em latim é a terceira pessoa do presente do indicativo do verbo “&lt;i&gt;silere&lt;/i&gt;”, que pode ser traduzido como a atividade de “permanecer em silêncio”, no sentido de um verbo ativo. Para ele, quando se diz “calar-se”, imaginamos que alguém nos faz calar, porém, trata-se de uma atividade de guardar silêncio. Por conseguinte, “&lt;i&gt;taceo&lt;/i&gt;” seria o silêncio da palavra não-dita, o calar-se, o silenciar-se ou ser silenciado. &lt;i&gt;Sileo&lt;/i&gt; é um silêncio fundante, estruturante e sugestivo da ausência essencial da palavra, ou dito de outro modo, o buraco, o vazio da significação. Segundo Lacan, “&lt;i&gt;sileo&lt;/i&gt; não é &lt;i&gt;taceo&lt;/i&gt;. O ato de calar-se não libera o sujeito da linguagem apesar de que a essência do sujeito culmine nesse ato; se exerce a sombra de sua liberdade, o calar-se permanece carregado de um enigma por ter passado tanto tempo na presença do mundo animal ”. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Com isso, Lacan postula que haveria, entre tantos, dois tipos de silêncio: um silêncio que é, em sua forma original, o nada a dizer, o calar-se, ressaltando que a palavra guarda em si mesma o vazio do silêncio. O &lt;i&gt;sileo&lt;/i&gt; é o nada dizer, é permanecer de boca fechada ressaltando os poderes e o valor da palavra diante de um discurso que não se apresenta. O analista põe-se sempre a falar do silêncio do seu analisando posto que, quando fala, fala ou deveria falar a partir do silêncio daquele. Há, portanto, afinidades diante do silêncio e do gozo, satisfação dita inconsciente, satisfação esta da qual não se sabe absolutamente nada. Aqui há uma condição fundante do sujeito, a do “fala-a-ser”. Existe, porém, de acordo com Jacques-Alain Miller, o gozo de não falar, o &lt;i&gt;taceo&lt;/i&gt;. Se um discurso dirigido a um Outro que permanece em silêncio, encontra a si mesmo, então a experiência do calar-se, do &lt;i&gt;taceo&lt;/i&gt;, diz de uma outra condição, qual seja, a de um “falta-a-ser”. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgKqdk0fe04s18ObcY8kpY7s8-CD2pgJWgbOksZcmCq5KxXiofQBWDf74Pw8DZrmorpzvYNjIbRFN9nh-b_JnwCbisUn7uqFTA_Fq0XP9HBNAVvsk6sP_7zV001-c2j0f02vVdzjxQQY3se/s1600/Piera+Aulagnier.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhAOCOY2nLT4fVwdEDWYI6NYK-VPPPHywAXFWFlh5Wp969Bpk9JJ26APRWgmHOSs_9sgKpfV-qao87OC5Q8havYOYifC9xTGt464P5NJfTcU7ziFrs6r2XbbiFRjhJi5H5VALvgnjvDRzTL/s1600/dolto.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhAOCOY2nLT4fVwdEDWYI6NYK-VPPPHywAXFWFlh5Wp969Bpk9JJ26APRWgmHOSs_9sgKpfV-qao87OC5Q8havYOYifC9xTGt464P5NJfTcU7ziFrs6r2XbbiFRjhJi5H5VALvgnjvDRzTL/s200/dolto.jpg&quot; width=&quot;191&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Para Françoise Dolto o silêncio está muito próximo do sentimento de solidão. Para a autora, a solidão é o lugar da comunhão e da construção inacabada e frágil da vida – logo, suscita o desejo de comunhão com o transcendente e da própria vida interior. Na tradição cristã, há a consciência que o discurso sobre a Trindade nos obriga a trocar as palavras por balbucios, ou seja, para a metapsicóloga, o esquema trinitário está próximo da experiência que todo o sujeito faz na organização do seu mundo interior, na maturação de si. Diz a autora: “Acho maravilhoso encontrar em Deus a Trindade, essa relação de amor a três. É algo que encontramos justamente no desejo de viver de cada um de nós. Assumimos aí o nosso papel no interior de uma situação triangular: pai, mãe, filho. […] O facto de remontar à Trindade, ou seja, aos três desejos divinos circulantes, é extraordinário, pois foi assim que fomos concebidos”. Mas não só. Todos os “segundos nascimentos”, sempre que a vida nos impele a um recomeço, seja a partir de feridas e perdas, seja a partir de encontros e esperanças, o “esquema trinitário” nos torna imprescindível. “A nossa solidão só pode ser curada quando expressa criativamente e quando ajudada por alguma outra pessoa, que cria assim uma situação triangular. Somos dois, conversamos: o terceiro é a palavra. A palavra, que vem sempre&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;de outro, prova que somos três”. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgKqdk0fe04s18ObcY8kpY7s8-CD2pgJWgbOksZcmCq5KxXiofQBWDf74Pw8DZrmorpzvYNjIbRFN9nh-b_JnwCbisUn7uqFTA_Fq0XP9HBNAVvsk6sP_7zV001-c2j0f02vVdzjxQQY3se/s1600/Piera+Aulagnier.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgKqdk0fe04s18ObcY8kpY7s8-CD2pgJWgbOksZcmCq5KxXiofQBWDf74Pw8DZrmorpzvYNjIbRFN9nh-b_JnwCbisUn7uqFTA_Fq0XP9HBNAVvsk6sP_7zV001-c2j0f02vVdzjxQQY3se/s200/Piera+Aulagnier.jpg&quot; width=&quot;154&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Por fim, para Pierra Aulagnier o silêncio ora se coaduna com pensadores da Escola Inglesa ora com pensadores da Escola Francesa, mais especificamente da escola lacaniana de psicanálise. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;Standard&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Em seu texto “Direito ao Segredo – condição para poder pensar”, a autora propõe um novo paradigma, qual seja, a de que o imperativo de dizer tudo numa análise possa também se sustentar pelo direito ao silêncio, ao calar-se (&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;ticeo&lt;/i&gt;) e, portanto, guardar segredo.&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Para ela, pensar secretamente não precisa ser necessariamente interpretado. O direito a guardar segredo em silêncio, na verdade, é uma aquisição mais elaborada do EU (ego), e é uma condição para que se possa pensar, elaborar, fantasiar, criar, ou seja, uma dimensão elaborada da interioridade e, porque não dizer, do próprio inconsciente. Para Aulagnier “perceber que a singularidade da experiência e da relação analítica não está tanto, como se acreditava, no fato de dever exprimir pensamentos, afetos, que nos dizem respeito e de não receber nenhuma resposta, mas sim nessa estranha injunção interiorizada que obriga ao analisando a falar como se estivesse privado de todo direito de escolha sobre o dito e o não dito”. Dito de outro modo, a autora sustenta a autonomia de que guardar segredo e permanecer em silêncio é, antes de tudo, uma aquisição do próprio EU necessário ao próprio aparelho psíquico, o que a aproxima, por um lado da “capacidade de estar só” em Winnicott, mas também da dicotomia lacaniana entre o &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;sileo&lt;/i&gt; e o &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;taceo&lt;/i&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-RIO; Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ; Email de contato: sergiogsilva@uol.com.br.&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/5297586629521390691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/07/o-silencio-para-lacan-dolto-e-aulagnier.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/5297586629521390691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/5297586629521390691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/07/o-silencio-para-lacan-dolto-e-aulagnier.html' title='O silêncio para Lacan, Dolto e Aulagnier'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjbTc9xbK3mDfFU34AsMNq_gQxh5gdO9szlSGdeE8iA5U99oB8AqsuhDtUkTQiZyM_3UBoVQqxpi0EvawGsKyKx4rG_gTtCEafvuCjussSf5deiAskEUaiPnY7zddhMkRIlKVNY9ydpXa8j/s72-c/lacan.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-6698045894823580566</id><published>2011-07-25T18:57:00.000-07:00</published><updated>2011-07-25T18:57:04.683-07:00</updated><title type='text'>O silêncio em Winnicott</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhfpRJUAtDJ01zdSoV5BtwSlrUQgQ0Il7Ex5YzCekM7HTXtvWRV0Xh8nV2qzsNP2t8k3Qafk0V7Bl70X7aIk8k78Z9vCm6X440FkbsCCPKehBzo-BDaPIMxOdb3kzt0xUSbwB6vDLYd0Z6c/s1600/solitude.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhfpRJUAtDJ01zdSoV5BtwSlrUQgQ0Il7Ex5YzCekM7HTXtvWRV0Xh8nV2qzsNP2t8k3Qafk0V7Bl70X7aIk8k78Z9vCm6X440FkbsCCPKehBzo-BDaPIMxOdb3kzt0xUSbwB6vDLYd0Z6c/s320/solitude.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
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Ele é o elo necessário para o amadurecimento do desenvolvimento emocional, sobretudo na relação entre a mãe e o bebê. Por isso Winnicott justapõe o silêncio com a “capacidade de estar só”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;A comunicação silenciosa com os objetos subjetivos está na raiz do sentimento de ser real, e não apenas a serviço do recalque, dos mecanismos de defesa ou da pulsão de morte, como afirmam a maior parte dos teóricos da escola francesa ou do circulo de Viena. Pelo contrário, o silêncio é uma das condições para que o &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;self&lt;/i&gt; se desenvolva e possa se sentir em vida na presença de outro, ou nas palavras de Winnicott, é preciso desenvolver na linguagem da interioridade, uma “capacidade de estar só”, mesmo que na presença do outro. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Na verdade, ele é um sinal dos mais importantes do amadurecimento emocional do indivíduo e depende da existência de um objeto bom internalizado na vida psíquica desse indivíduo para que este não venha desenvolver determinados estados patológicos tais como a depressão ou a solidão patológica resultante desta.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;O silêncio, nesse sentido, é uma condição necessária, porém, não suficiente, para aquilo que Winnicott chamou a atenção, ou seja, uma das modalidades do desenvolvimento emocional do individuo e uma eminente “capacidade de estar só”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Enfim, a capacidade de estar só, não significa estados patológicos ou depressivos. A capacidade de estar só, para Winnicott, supõe uma confiança no mundo através de hábitos maternos suficientemente bons, de modo a promover a integração do sujeito com o mundo e fornecendo os alicerces para uma vida criativa. Logo, para o autor, a comunicação silenciosa com objetos subjetivos está na raiz do sentimento de ser real, condição necessária para que o &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;self&lt;/i&gt; se sinta vivo e se desenvolva.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;O sentido de ser real está subsumido a noção de “acontecer enquanto sujeito”. Winnicott afirma que este é um estado originário é a base da qual o ser surge do não ser, no qual o indivíduo pode, inclusive, retornar a um estado de solidão ou solitude.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Solitude, segundo o psicanalista Gilberto Safra é um estado no qual o indivíduo inicia a experiência de si, como só. É um paradoxo winnicottiano, ou dito em outras palavras, o indivíduo acontece como sujeito a partir do momento que ele pode experimentar “ficar só” na “presença de outro”, momento este marcado pela dependência absoluta do bebê com sua mãe-ambiente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;É um encontro fundamente e necessário pelo qual o bebê deve passar, mas também é um momento sustentado pelo &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;holding&lt;/i&gt; e &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;handling&lt;/i&gt; maternos. De igual modo é importante ressaltar que esse silêncio na interioridade do si mesmo é uma oferta à morada do núcleo do &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;self&lt;/i&gt; que jamais se comunica. Este é o lugar onde cada ser humano é silêncio. No bebê encontramos esse momento fundante através do uso do objeto transicional e do fenômeno transicional. De igual modo, este é o lugar da criatividade, do pensar e do espaço potencial que definirá a subjetividade de cada sujeito no mundo quando adulto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;O sujeito adulto que experimentou esse primeiro encontro fundante, em análise, pode experimentar estar só na presença do seu analista, sem experimentar um sentimento de despedaçamento, esvaziamento ou fratura do núcleo do seu &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;self&lt;/i&gt;. Para tanto, é preciso que o analista se coloque na posição de mãe-objeto e mãe-presença e ao mesmo tempo seja um rosto “hospitalar” e fundamente, ou dito em termos winnicottiano, seja uma “face estética ao &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;self&lt;/i&gt;” desse eu que se apresenta em análise.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-RIO; Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ; Email de contato: sergiogsilva@uol.com.br.&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/6698045894823580566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/07/o-silencio-em-winnicott.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/6698045894823580566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/6698045894823580566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/07/o-silencio-em-winnicott.html' title='O silêncio em Winnicott'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhfpRJUAtDJ01zdSoV5BtwSlrUQgQ0Il7Ex5YzCekM7HTXtvWRV0Xh8nV2qzsNP2t8k3Qafk0V7Bl70X7aIk8k78Z9vCm6X440FkbsCCPKehBzo-BDaPIMxOdb3kzt0xUSbwB6vDLYd0Z6c/s72-c/solitude.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-700977898197269321</id><published>2011-07-24T22:42:00.000-07:00</published><updated>2011-07-24T22:55:14.538-07:00</updated><title type='text'>Self - por Donald W. Winnicott</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRWmAYetAwxF2uqeBzNcnHPvXP22xVASrn2mC6ValoE6nKxmOI8GP7ocSkF5MY9rNNvJ7Y43g7bssCacqecWbK71Md4KeFTnN8U1ePNLjEmYgDlOpnmjznNLboC2TW86KSk4a00B5ickOe/s1600/winnicott+%25281%2529.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;227&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRWmAYetAwxF2uqeBzNcnHPvXP22xVASrn2mC6ValoE6nKxmOI8GP7ocSkF5MY9rNNvJ7Y43g7bssCacqecWbK71Md4KeFTnN8U1ePNLjEmYgDlOpnmjznNLboC2TW86KSk4a00B5ickOe/s320/winnicott+%25281%2529.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;For me the  &lt;em&gt;self&lt;/em&gt;, which is not the ego, is the person who is me, who is only me,  who has totality based on the operation of the maturational process. At the same  time the direction interior-exterior in the course of the operation of the  maturational process, aided as it must be (maximally at the beginning) by the  human environment which holds and handles and in a live way facilities. The  &lt;em&gt;self&lt;/em&gt; finds itself the body or the body from it. The &lt;em&gt;self&lt;/em&gt;  essentially recognizes itself in the eyes and facial expression of the mother  and in the mirror which can come to represent the mother’s face. Eventually the  &lt;em&gt;self&lt;/em&gt; arrives at a significant relationship between the child and the  sum of the identifications which (after enough of incorporation and introjection  of m ental representations) become organized in the shape of an internal psychic  living reality. The relationship between the boy of girl with his or her own  internal psychic organization becomes modified according to the expectations  that are displayed by the father and mother and those who have become  significant in the external life of the individual.  It is the  &lt;em&gt;self&lt;/em&gt; and the life of the &lt;em&gt;self&lt;/em&gt; that alone makes sense of action  or of living from the point of view of the individual who has grown so far and  who is continuing to grow from dependence and immaturity towards independence,  and the capacity to identify with mature love objects without loss of individual  identity.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;You may find this  unhelpful but at any rate it seemed to me to be a valuable thing to do to try to  write it down. Certainly I might want to alter it.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;You of course are  left with the same word that you would use to translate the ego. Let me try to  be more helpful. I think that the user of the term &lt;em&gt;self&lt;/em&gt; is on a  different platform from the user the term ego. The first platform has to do with  life and living in a direct way; the second, where the word &lt;em&gt;le moi&lt;/em&gt; is  used, the speaker or writer is more detached, less involved, perhaps clearer  because of being able to use all that there is of the intellectual  approach.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;I fell that your use  of the word &lt;em&gt;le moi corporel&lt;/em&gt; way be necessary but one would like to  leave it that the &lt;em&gt;self&lt;/em&gt; is not always putting emphasis on the body to  the exclusion of a more abstract &lt;em&gt;self &lt;/em&gt;that certainly does, however,  belong to the concept of a healthy functioning brain.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span lang=&quot;EN-US&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Dr. Donald W. Winnicott&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span lang=&quot;EN-US&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Calibri;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: small;&quot;&gt;In: Nouvelle Revue  de Psychanalyse (Lieux du corps), N. 3, Printemps, 1971, p.  47-48.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/700977898197269321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/07/self-por-donald-w-winnicott.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/700977898197269321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/700977898197269321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/07/self-por-donald-w-winnicott.html' title='Self - por Donald W. Winnicott'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRWmAYetAwxF2uqeBzNcnHPvXP22xVASrn2mC6ValoE6nKxmOI8GP7ocSkF5MY9rNNvJ7Y43g7bssCacqecWbK71Md4KeFTnN8U1ePNLjEmYgDlOpnmjznNLboC2TW86KSk4a00B5ickOe/s72-c/winnicott+%25281%2529.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-619842509317415827</id><published>2011-07-23T21:58:00.000-07:00</published><updated>2011-07-23T21:58:29.560-07:00</updated><title type='text'>O fenômeno dos membros fantasmas</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEKDpH9fcDw3aUd9XEzq2lBqkw8Z5sIx6wkf1M6mwyFec4GSCv701IEUiKIjuIqQJ3p6J8px2eERL-LN23iHa2fHNeFN_s0xQ4LU1htkJXZVA88roDtI4_naURHMX1R5bhAAQJ2O-c73MK/s1600/penfield1&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;208&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEKDpH9fcDw3aUd9XEzq2lBqkw8Z5sIx6wkf1M6mwyFec4GSCv701IEUiKIjuIqQJ3p6J8px2eERL-LN23iHa2fHNeFN_s0xQ4LU1htkJXZVA88roDtI4_naURHMX1R5bhAAQJ2O-c73MK/s400/penfield1&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin: 6pt 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Historicamente o fenômeno do membro fantasma é conhecido desde a antiguidade, mas a primeira percepção deste, na literatura médica, foi observada no século XVI pelo cirurgião francês Ambroise Pare, a partir da perda do braço direito de um combatente em guerra, levando a crer que a sensação do “fantasma” seria a prova mais do que definitiva da existência da “alma humana” no nosso corpo pois, se um braço pode existir mesmo após ter sido retirado, por que a pessoa inteira não poderia sobreviver à aniquilação física do corpo? Não seria esta a prova definitiva de que o &quot;espírito&quot; continuava existindo muito tempo após de ter se livrado de sua carcaça?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin: 6pt 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Outra prova pôde ser encontrada através dos relatos de Lord Nelson, que após ter perdido um braço durante um ataque a Santa Cruz de Tenerife, experienciou dor no membro fantasma, incluindo uma estranha sensação de dedos tateando a palma da sua mão. A emergência dessas sensações levou o Lord Nelson a proclamar que ele tinha a prova direta da existência da alma, pois, mais uma vez, se um braço pode resistir fisicamente à sua aniquilação, porque não toda a pessoa?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin: 6pt 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Não obstante, a primeira descrição clínica do membro fantasma foi feita por Silas Weir Mitchell em um artigo “&lt;i&gt;Injuries of Nerves and Their Consequences&lt;/i&gt;” em 1872. A palavra “membro fantasma” foi introduzida por Weir Mitchell ao verificar a experiência do membro perdido em alguns pacientes que tiveram uma extremidade amputada como ainda estando presente no corpo e, em alguns casos, também experienciaram dor ou câimbras6. O termo também é usado para designar uma associação entre a posição perdida do membro e sua atual posição, tais como ocorre durante uma obstrução espinhal ou do “plexo braquial”. É importante notar que em todos esses casos os pacientes reconhecem que as sensações não são verídicas, eles experimentam uma ilusão e não um engano.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin: 6pt 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Já em março de 1887, portanto, quinze anos depois de Mitchell, William James também publicava um artigo científico intitulado “&lt;i&gt;The Consciousness of Lost Limbs&lt;/i&gt;” no periódico “&lt;i&gt;Proceeding of the American Society for Psychical Research&lt;/i&gt;”, reafirmando a demanda da existência de membros fantasmas e fazendo algumas observações e críticas ao trabalho de Weir Mitchell.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin: 6pt 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Segundo James, as principais questões que se precisava pontuar era a de que (1) alguns pacientes preservam a consciência do membro depois de tê-lo perdido, outros não; (2) em alguns casos, a sensação sempre aparece em uma posição fixa, em outros, sua aparente posição muda e, por fim, (3), a posição pode mudar de acordo com algum esforço ou a própria vontade do sujeito, mas em outros casos, nenhum esforço ou vontade pode fazer esta mudança; em raríssimos casos o desejo de mudar pareceria cada vez mais impossível. Porém, a consciência do membro perdido varia de acordo com “a dor, picada, coceira, queimação, câimbra, preocupação, topor, etc., no calcanhar ou em outro lugar, sentidos que são duramente perceptíveis, ou que se tornaram perceptíveis apenas depois de se pensar sobre ele. O sentimento não está presente na condição do “coto”, e “cotos saudáveis” e “dolorosos” podem estar presentes ou ausentes”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin: 6pt 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Até mesmo Descartes em “Os Princípios da Filosofia” fizera referência ao fenômeno, ressaltando o dualismo “mente-corpo”. De acordo com o autor, algumas vezes algumas doenças podem afetar o cérebro fazendo-nos perder o sentido de algumas partes do corpo através da obstrução de um nervo que conecta o cérebro ao corpo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin: 6pt 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Descartes chega até mesmo a fazer referências às sensações de dor na mão e no braço de uma garota que tivera o membro amputado. Mas a neurologia só veio dar mais alguns passos adiante após a década de 1930, sobretudo na União Soviética, com os estudos de A. R. Lúria, com a criação da “neuropsicologia”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin: 6pt 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Não obstante, os estudos contemporâneos dos membros fantasmas têm se dado sistematicamente desde os primeiros anos da década de 90 através de achados científicos que comprovam mudanças nos mapas somatópicos do cérebro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin: 6pt 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Ora, a neurologia clínica tem sido uma ciência mais descritiva do que experimental. Ela caminhou alguns passos a mais após os estudos desses “fantasmas” e pôde corroborar (ou não) alguns pressupostos entre o dualismo mente-corpo/mentecérebro, reforçados nos últimos anos pelos estudos das neurociências e pelas técnicas de imageamento do cérebro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin: 6pt 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Para tanto, o ponto básico estava na investigação da relação entre a anatomia do cérebro com várias partes do corpo distribuídos e mapeados no córtex cerebral, pelo grande revestimento convoluto da superfície externa do cérebro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin: 6pt 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;A ressurgência dos estudos sobre os “fantasmas no corpo” ou “membros fantasmas” só vieram a tomar forma a partir dos experimentos laboratoriais os quais possibilitaram mostrar como os mapas sensórios motores poderiam mudar no córtex cerebral.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin: 6pt 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Um dos experimentos mais famosos foi descoberto a partir daquilo que ficou conhecido como sendo o “homúnculo de Penfield” (veja na foto acima). O “homúnculo de Penfield” é uma representação artística de como diferentes pontos da superfície do corpo estão “mapeados” nos dois hemisférios do cérebro, algumas vezes, através de traços deformados para indicar que tais partes do corpo têm localização específica em alguma das regiões. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;O “mapa” foi construído a partir de experimentos feitos com seres humanos durante cirurgias realizadas pelo canadense Wilder Penfield. Nessas cirurgias o cérebro de alguns sujeitos fica exposto sob anestesia local e determinadas regiões do cérebro eram estimuladas por Penfield com um eletrodo que lhes perguntava o que sentiam. O resultado era a produção de imagens, sensações corpóreas ou lembranças e memórias. A partir disto, várias áreas do cérebro puderam ser correlacionadas com partes do corpo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin: 6pt 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;A ideia é que o cérebro corresponde a um mapa genérico de várias partes do nosso corpo sendo o homúnculo, portanto, um mapa neural, desafiando as bases materialistas da ciência.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;O mapa cerebral representado pelo “homúnculo” reflete a capacidade que o cérebro possui de discriminação sensorial e sua importância motriz referente a cada uma das partes de nosso corpo visto que ele está distribuído ao longo de todo o córtex cerebral nos dois hemisférios. A ocorrência de um membro fantasma ilustra, portanto, a capacidade do cérebro de perceber, agir e gerenciar cognitivamente a imagem do corpo, visto que ele é uma máquina sensóriomotora, ou seja, possui a função de discernir os estímulos das respostas, de decidir, tomar decisões e etc., cuja representação corporal se prolonga por toda a sua superfície em ambos os hemisférios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; mso-layout-grid-align: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-RIO; Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ; Email de contato: sergiogsilva@uol.com.br.&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/619842509317415827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/07/o-fenomeno-dos-membros-fantasmas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/619842509317415827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/619842509317415827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/07/o-fenomeno-dos-membros-fantasmas.html' title='O fenômeno dos membros fantasmas'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEKDpH9fcDw3aUd9XEzq2lBqkw8Z5sIx6wkf1M6mwyFec4GSCv701IEUiKIjuIqQJ3p6J8px2eERL-LN23iHa2fHNeFN_s0xQ4LU1htkJXZVA88roDtI4_naURHMX1R5bhAAQJ2O-c73MK/s72-c/penfield1" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8478195474240178091.post-3849462360771830768</id><published>2011-07-23T21:14:00.000-07:00</published><updated>2011-07-23T21:14:57.435-07:00</updated><title type='text'>Freud e o dualismo pulsional</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg_Kri2_2zOWQEn8Kn9X7s-8Sr19nnPqv6K88fZIwXjpdyFUrp9Zox5W28ye6ferxiJqpzh85-4BKq8mDvwpeZHOZtnszR6zUxkKlFiXy7PeXJp-WyTvCHeWWcz1oiWJdVu790QGfTovXC4/s1600/freud2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg_Kri2_2zOWQEn8Kn9X7s-8Sr19nnPqv6K88fZIwXjpdyFUrp9Zox5W28ye6ferxiJqpzh85-4BKq8mDvwpeZHOZtnszR6zUxkKlFiXy7PeXJp-WyTvCHeWWcz1oiWJdVu790QGfTovXC4/s320/freud2.jpg&quot; width=&quot;230&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;“No dia seguinte ninguém morreu. O fato, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificados, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenômeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e noturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, uma queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada. Nem sequer um daqueles acidentes de automóveis tão freqüentes em ocasiões festivas, quando a alegre irresponsabilidade e o excesso de álcool se desafiam mutuamente nas estradas para decidir sobre quem vai conseguir chegar à morte em primeiro lugar”. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;O longo trecho pertence ao livro “As intermitências da morte”, do escritor português José Saramago, que assinala o que aconteceria no mundo se a morte se recusasse a exercer a sua principal e única função, qual seja, a de levar consigo os doentes terminais, os moribundos, os suicidas, as vitimas de acidentes fatais, entre outros. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;A morte é aquela que nos desafia, nos paralisa, nos amedronta, nos desestabiliza de nossas certezas e remete-nos diretamente para o nosso estado de desamparo original. O temor da morte é herdeiro do pensamento secular que valorizou a vida tornando-a sagrada e a morte como a justa medida paga por nossos pecados, sobretudo na tradição judaico-cristã. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;É nesta perspectiva que a clínica psicanalítica cada vez mais tem nos convocado a lidar com a dor e o sofrimento humano, e não por acaso, foi com isto que Freud teve que se deparar: a guerra pulsional entre Eros e Tânatos ou o dualismo pulsional. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Raramente vimos Freud se referir a esse dualismo no que se refere à sua própria vida. Mas em uma entrevista ao jornalista americano George Sylvester Viereck, em 1926 e publicada na íntegra no volume “&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;Psychoanalysis and the Future&lt;/i&gt;”, número especial do “&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;Journal of Psychology&lt;/i&gt;”, Nova Iorque, em 1957, Freud tece algumas considerações ao que ele discute no seu livro “Além do Princípio do Prazer”. A entrevista foi publicada em português, pela primeira vez, no volume 15 da Revista Ide, em 1998, e reimpressa recentemente no Jornal da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre. É nessa entrevista que Freud afirma: “&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;Ainda prefiro a existência à extinção. Talvez os deuses sejam gentis conosco, tornando a vida mais desagradável à medida que envelhecemos. Por fim, a morte nos parece menos intolerável do que os fardos que carregamos. (...) A velhice, com suas agruras, chega para todos. Eu não me rebelo contra a ordem universal&lt;/i&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Em um trecho adiante, quando perguntado sobre a persistência da sua personalidade após a morte, Freud responde: “&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;Não penso nisso. Tudo o que vive perece. Por que deveria o homem constituir uma exceção? (...) No que me toca, estou perfeitamente satisfeito em saber que o eterno aborrecimento de viver finalmente passará. Nossa vida é necessariamente uma série de compromissos, uma luta interminável entre o ego e seu ambiente. O desejo de prolongar a vida excessivamente me parece absurdo. (...) É possível que a morte em si não seja uma necessidade biológica. Talvez morramos porque desejamos morrer. Assim como amor e ódio por uma pessoa habitam em nosso peito, ao mesmo tempo, assim também toda a vida conjuga o desejo de manter-se e o desejo da própria destruição&lt;/i&gt;”.&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Por fim, a referência direta às ideias contidas no seu texto “&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;Além do princípio do prazer&lt;/i&gt;”, texto no qual ele introduz a ideia de uma pulsão de morte, marcando o dualismo pulsional: “&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;Do mesmo modo como um pequeno elástico esticado tende a assumir a forma original, assim também toda a matéria viva, consciente ou inconscientemente, busca readquirir a completa, a absoluta inércia da existência inorgânica. O impulso de vida e os impulsos de morte habitam lado a lado dentro de nós. A Morte é a companheira do Amor. Juntos eles regem o mundo. Isto é o que diz o meu livro ‘Além do princípio do prazer’. No começo, a psicanálise, supôs que o Amor tinha toda a importância. Agora sabemos que a Morte é igualmente importante. Biologicamente, todo ser vivo, não importa quão intensamente a vida queime dentro dele, anseia pelo Nirvana, pela cessação da ‘febre chamada viver’, anseia pelo seio de Abraão. O desejo pode ser encoberto por digressões. Não obstante, o objetivo derradeiro da vida é a própria extinção&lt;/i&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 6pt 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;Vida e morte, nascimento e finitude, amor e conflito: eis aqui todo o conteúdo existente que marca o dualismo pulsional, colocado sobre a égide da estética da existência na vida e nas palavras do metapsicólogo. Um conflito marcado eminentemente por uma luta de forças (biológicas e psíquicas) cujo vencedor e o perdedor, se já não o conhecemos, ao menos podemos examinar suas vicissitudes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;&quot;&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-RIO; Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ; Email de contato: sergiogsilva@uol.com.br.&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/feeds/3849462360771830768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/07/freud-e-o-dualismo-pulsional.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/3849462360771830768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8478195474240178091/posts/default/3849462360771830768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sergiogsilva.blogspot.com/2011/07/freud-e-o-dualismo-pulsional.html' title='Freud e o dualismo pulsional'/><author><name>Sergio Gomes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02017237702668470925</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsvwm8IXdPK3ZhSWqfsdcVEwjj7aUTDexZgi6duGlZIIAJcEOkIMkkwvUIaMQ3GuSr3pEfotiAf57oPoon559C0X9o9qEnYo-W2YDywYIHJeyMWPxaPBV1gt7LCJL-aw/s150/lattes.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg_Kri2_2zOWQEn8Kn9X7s-8Sr19nnPqv6K88fZIwXjpdyFUrp9Zox5W28ye6ferxiJqpzh85-4BKq8mDvwpeZHOZtnszR6zUxkKlFiXy7PeXJp-WyTvCHeWWcz1oiWJdVu790QGfTovXC4/s72-c/freud2.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>