<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907</id><updated>2026-10-30T22:48:32.243-04:00</updated><category term="os"/><title type='text'>Blog do Simão Pessoa</title><subtitle type='html'>Espaço destinado a fazer uma breve retrospectiva sobre a geração mimeográfo e seus poetas mais representativos, além de toques bem-humorados sobre música, quadrinhos, cinema, literatura, poesia e bobagens generalizadas</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>3419</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-3068945921157873211</id><published>2026-10-30T22:48:32.243-04:00</published><updated>2026-10-30T22:48:32.243-04:00</updated><title type='text'>Inaldo e Tony Medeiros, sangue vermelho em dose dupla</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinYCmgvI42C2O2FtEOHzcO7znvGaEfMQXL3KiujEOaRKmMQkHzmT2DjkMHQ_iUBNwqngjghd9CJMYtsxpdc3fuy1Oczc1C4sFz94dzpy9DwqLDzRoTSXKaFI8erWgylhE8JHDQipnshQRt9SNbgI7zyyLDev_pAyEeIiozWIbo7RjbJjI1i4se8A/s800/Foto-BNC-AMAZONAS.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;451&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;273&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinYCmgvI42C2O2FtEOHzcO7znvGaEfMQXL3KiujEOaRKmMQkHzmT2DjkMHQ_iUBNwqngjghd9CJMYtsxpdc3fuy1Oczc1C4sFz94dzpy9DwqLDzRoTSXKaFI8erWgylhE8JHDQipnshQRt9SNbgI7zyyLDev_pAyEeIiozWIbo7RjbJjI1i4se8A/w485-h273/Foto-BNC-AMAZONAS.jpeg&quot; width=&quot;485&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;Os cantores e compositores Tony e Inaldo Medeiros&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Filho de Wilson de Souza Cursino e Geny de Medeiros Cursino,
o cantor, compositor, poeta popular, arte educador e ex-deputado estadual João
Wellington de Medeiros Cursino, o “Tony Medeiros”, nasceu no dia 2 de novembro
de 1964, em Parintins, sendo o caçula de uma prole de oito irmãos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Um ano mais velho que Tony Medeiros, Inaldo Roberto de
Medeiros Cursino também abraçou a carreira artística e se tornou compositor,
poeta popular e arte educador. Ele foi destacado por sua mãe para ser o
guardião do mais novo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ainda crianças, quando ambos faziam o grupo escolar, Inaldo
ficou gravemente enfermo e foi reprovado pelo excesso de faltas. No ano
seguinte, os dois irmãos estavam matriculados na mesma classe e assim
continuaram até completar o ginásio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Tornaram-se unha e carne, corda e caçamba, quase gêmeos
univitelinos apesar da diferença de temperamento entre os dois: Inaldo, sempre
muito sanguíneo, muito “bad boy”, muito “caboco brabo”, enquanto Tony sempre
foi mais tranquilo e comedido, um autêntico “nice guy”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Nascidos e criados na Rua Paes de Almeida, quase canto com a
Getúlio Vargas, os irmãos Medeiros pertenciam geograficamente à área “azul” da
cidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No período junino, o bumbá Garantido ia dançar
exclusivamente no terreiro da casa de dois estivadores, Balaústre e Eduardo
Engole Cobra, já que todos os demais moradores da rua torciam pelo Caprichoso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Um dia, entretanto, para agradar o filho caçula que estava
doente, o Garantido dançou no terreiro do seu Wilson Cursino. Resultado: a
família inteira, que era Caprichoso, bandeou-se para o “contrário”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– A gente começou a acompanhar o Garantido batendo lata
pelas ruas, quando ainda éramos moleques – recorda Tony Medeiros. – Aí, quando
ficamos adolescentes, entramos pra Batucada e tivemos a sorte de conhecer e
conviver pessoalmente com a velha guarda do touro branco: Lindolfo e João
Batista Monteverde, Ambrósio, Vavazinho, Braulino, Maximiliano, Nelson
Baixinho... Aquilo foi uma escola de vida!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A dupla de parceiros-pra-vida-toda só experimentou um hiato
de alguns anos quando Inaldo foi estudar o secundário em Campo Grande (MT),
onde se formou em técnico em agropecuária, e logo depois Tony foi fazer o mesmo
em João Pessoa (PB), onde estudou durante quatro anos no Conservatório de
Música da Universidade Federal da Paraíba.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A veia literária dos dois irmãos começou a pulsar mais forte
por influência de um tio dos meninos, Luiz Medeiros, que era poeta, cronista e
escritor de baciada. Seus textos sobre a vida amazônica eram avidamente
consumidos por Tony e Inaldo Medeiros. E foram aqueles textos que os formaram e
informaram.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1984, aos 20 anos, Tony Medeiros e Paulinho Du Sagrado
criaram o Grupo Ajuri e resolveram participar do 4º Festival da Canção de
Parintins. A música “Cantiga Tropical”, inspirada em um dos poemas de Luiz
Medeiros, contava a história do guerreiro Ajuricaba na sua luta contra os
invasores na região do rio Negro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Eles conquistaram o primeiro lugar, mas quase perderam o
prêmio porque alguns jurados cismaram que aquilo era uma toada (e era!) que
destoava da MPB tradicional que se exigia nos festivais. Coisa de
tradicionalistas radicais!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiFL2ZUqI-YlsHpjMUNXpAy9YF0ieU49izTMr-zQzzmaAl5fJEK4MzdzK8H3iySIydBg8CX2CeB9ufPC020oKZuqKlL9jvgl-XCxOyRP_I0yUbF_hTJfY5F1rus69r09yZ68DfSmMg_PMtzh3h2WsrBRqMorgQLcO8k_zlZ_N_4F2PtMHITMQ8m0Q/s810/inaldo-tony-medeiros-810x540.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;540&quot; data-original-width=&quot;810&quot; height=&quot;302&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiFL2ZUqI-YlsHpjMUNXpAy9YF0ieU49izTMr-zQzzmaAl5fJEK4MzdzK8H3iySIydBg8CX2CeB9ufPC020oKZuqKlL9jvgl-XCxOyRP_I0yUbF_hTJfY5F1rus69r09yZ68DfSmMg_PMtzh3h2WsrBRqMorgQLcO8k_zlZ_N_4F2PtMHITMQ8m0Q/w454-h302/inaldo-tony-medeiros-810x540.jpg&quot; width=&quot;454&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Naquele mesmo ano, o boi Garantido sagrou-se pentacampeão do
Festival Folclórico de Parintins e Tony Medeiros fez uma toada alusiva ao fato,
comparando a constelação Cruzeiro do Sul aos cinco títulos conquistados pelo
touro branco. Foi a primeira toada que ele fez para seu bumbá de coração.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Naquela época, com quatro ou cinco versos se fazia uma
toada – diverte-se Inaldo Medeiros. – As 18 toadas do Garantido cabiam numa
folha de papel A4. A briga era para estar ali, naquela folha...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1985, Inaldo Medeiros também emplacou sua primeira toada
no repertório do Garantido, intitulada “Vou Fazer do Meu Canto, a Toada Mais
Bela”, ainda bastante tradicional, numa época em que o acompanhamento das
toadas era totalmente percussivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Foi quando os dois irmãos decidiram juntar forças para
compor juntos e criar novas harmonias para o festival, explorando melhor o
universo indígena – uma das obsessões do caçula desde seus tempos de criança. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O resultado foi “Filhos do Sol”, uma toada que exaltava os
povos originários: “Tribo dos Andirás / Tribo dos Kayapós / Tribo dos Karajás /
Vamos acender a fogueira / E fazer valer o tratado de paz”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Gravada pelo Grupo Carrapicho, tornou-se um sucesso
estrondoso em nível nacional.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A parceria entre os dois deu tão certo que nunca mais foi
desfeita. Para se ter uma ideia do impacto de “Filhos do Sol” para o festival
de Parintins, foi a partir dessa toada que a temática indígena passou a ser
parte importantíssima do espetáculo, sendo item obrigatório para ambos os
bumbás na apresentação dos “Povos Indígenas”, “Tuxauas” e “Ritual”, por
exemplo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Mas não foi fácil emplacar “Filhos do Sol” no repertório
do Garantido – recorda Tony Medeiros. – Muita gente dizia: ‘Pô, Tony, esse
negócio de índio não tem nada a ver com boi-bumbá...’. Foi uma briga feia, mas
acabamos ganhando a queda de braço. O certo é que logo depois o Ronaldo Barbosa
começou a fazer esse mesmo tipo de toada com temática indígena no Caprichoso e
aí não teve mais volta. Quem ganhou com isso foi o festival!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Da pena e do talento dos dois irmãos saíram verdadeiras
obras-primas como “Haximu Quer Viver” (“Na cobiça do ouro / Mataram meu povo /
E roubaram meu chão / Derramaram na terra / O sangue inocente / Da minha
nação”), “Espírito da Mata” (Mutawariçawa anga açú / Mutawariçawa haira angá /
Ameríndio seu grito de guerra / Em defesa da terra sagrada / Que um dia Tupã
lhe entregou, ô, ô, ô”), “Toada da Vaqueirada” (“A vaqueirada vem galopando /
Saltitando no balanço da toada”), “Boi de Pano” (“Meu boi de pano / É cultura
popular / Atravessou o oceano / Veio de longe pra cá”), “Um Canto Novo” (“A lua
gira, e gira muito bem / O tempo voa, voa como ninguém / A noite dorme, dorme,
dorme / Já dormiu comigo, já dormiu comigo, já dormiu comigo”), “Naiá” (“No
encontro do Sol e Lua / As águas tornam-se nuas / Iluminando Naiá”) e “Asa
Dura” (“Neste ano eu vou pra minha ilha meu amor / De vermelho e branco, eu vou,
eu vou eu vou / Se meu amor não quiser ir / Eu vou sozinho, mas eu vou”), para
só citar algumas das mais de 70 toadas feitas pela dupla – as duas últimas aqui
citadas com participação do promotor público Davi Jerônimo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;É evidente que os dois irmãos também fizeram músicas,
individualmente, com outros parceiros. Por exemplo, “Coração de Batuqueiro”, de
Inaldo Medeiros e Marcos Lima, é quase uma espécie de hino do Garantido: “Deixa
a poesia da toada te levar / Num eterno mundo de prazer / Em Parintins é tão
gostoso declarar / Garantido sou feliz por ter você / O sentimento mais sublime
desse povo / Surge na voz do cantador a ecoar / No toque forte, na cadência
ritmada / Dos batuqueiros da Baixa / Meu touro branco vem brincar / Garra e
emoção, raça e tradição / Bate mais forte o coração da Batucada / Contagiando
livremente a Galera avermelhada / E o Batuqueiro é quem conduz essa magia /
Traduzida em harmonia no batuque do tambor / E no compasso o coração vence o
cansaço / Garantido é minha vida e meu amor / Garra e emoção, raça e tradição /
Garra e emoção, raça e tradição / Garra e emoção, sangue, suor e paixão.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Para o jornalista Wilson Nogueira, pesquisador de festas
populares na Amazônia, a toada foi o item que mais se modificou ao longo dos
anos. As transformações ocorreram à medida em que a brincadeira foi ganhando
atenção do mercado de cultura de massas na década de 1990. Para o pesquisador,
“a pressão nas bases tradicionais não estancou os testes com ritmos que
distanciavam cada vez mais os bumbás de suas raízes. Criou-se, então, um novo
ritmo que se aproxima das exigências que vêm do mercado com o sentimento do passado”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ainda na década de 90, Tony Medeiros assumiu o cargo de Amo
do Boi após a saída de João Batista Monteverde, filho de Lindolfo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Lindolfo foi o primeiro amo do Garantido. Após a morte do
Lindolfo, o João Batista assumiu o cargo. Ele acabou levando uma facada em um
dos pulmões durante uma briga, e depois disso nunca mais foi mais o mesmo.
Perdeu o vozeirão que tinha. Por conta disso, fui convidado pra assumir o
cargo. O amo do boi era um item que carregava uma tradição muito grande e não
era muito empolgante. O item “amo do boi” estava praticamente desaparecendo. Eu
tirei a melodia do verso da tonalidade menor para a tonalidade maior, que é a
mais animada. Eu sou o terceiro amo da história do Garantido – diz Tony
Medeiros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEht2BS0cs56KfeSI9qkAMyvA1UyTlZ4DVPJcp25Syw0hdBF9clj6DbGwhPFkfFcruSAsbwK8U2lZXikW7EptNUB4DVq8EjGae9dl-L07YSvTIsEHb0gVbE80qreobRaRvQE-87ytO9rw2acyosho747PnzvvqG7nzJZiSp3Rlyr7GsSFbvzA3AAbw/s1024/83005-g-682x1024.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1024&quot; data-original-width=&quot;682&quot; height=&quot;420&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEht2BS0cs56KfeSI9qkAMyvA1UyTlZ4DVPJcp25Syw0hdBF9clj6DbGwhPFkfFcruSAsbwK8U2lZXikW7EptNUB4DVq8EjGae9dl-L07YSvTIsEHb0gVbE80qreobRaRvQE-87ytO9rw2acyosho747PnzvvqG7nzJZiSp3Rlyr7GsSFbvzA3AAbw/w280-h420/83005-g-682x1024.jpeg&quot; width=&quot;280&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ao longo de sua trajetória como cantor, Tony Medeiros
participou de várias apresentações memoráveis. Em 1998, ele participou de um
show no estádio Parque dos Príncipes, em Paris, na França, para comemorar os
500 anos do Brasil. Um dos convidados na plateia era o ex-presidente da África
do Sul, Nelson Mandela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Eu cantei duas vezes em Nova York, cantei no Parque dos
Príncipes, em Paris, para mais de 120 mil pessoas. A minha geração pegou o boi
e levou para o mundo. Com o tempo, a nova geração ainda vai fazer o mesmo
porque a renovação é importante para manter a tradição – garante ele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Paralelo à sua carreira de compositor, cantor e amo do bumbá
Garantido, Tony Medeiros também desenvolveu uma brilhante carreira política.
Técnico em agropecuária, graduado em Educação Artística com habilitação plena
em música pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e pós graduado em
Tecnologia da Educação, ele foi presidente da Fundação Villa Lobos, secretário
de cultura e secretário especial da Prefeitura de Manaus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 2010, Tony Medeiros foi eleito deputado estadual. Na
ALE-AM, foi presidente da comissão de Assuntos Municipais, presidente da frente
parlamentar “Pró-Cultura”, membro da comissão de Agricultura, Abastecimento e
Desenvolvimento Rural e titular das comissões de Meio Ambiente e
Desenvolvimento Regional e Sustentável, Educação, Cultura e Assuntos Indígenas
e de Geodiversidade, Recursos Hídricos, Minas, Gás e Energia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Além disso, foi vice-prefeito e secretário de Cultura,
Turismo e Meio Ambiente da Prefeitura de Parintins na gestão 2017-2020, tendo
sido reeleito juntamente com o prefeito Frank Bi Garcia para a gestão
2021-2024.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 2020, com o apoio de 16.403 eleitores, Tony Medeiros
retornou para a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, assumindo
novamente o cargo de deputado estadual e retomando suas bandeiras nas áreas de
turismo, cultura, direitos indígenas, setor primário e desenvolvimento
econômico do interior. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Atualmente, ele é presidente do Conselho Municipal de
Cultura da Prefeitura de Manaus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijR2LWuk6uupifFYjLwPf6u74Iy5BlYyTmhuRHyMyFJ2xnDmKcAD5-tcpRKywyPfHDbFKcwMoWdTT02u1gi28MXM9keLl1QOj5a7UYi6TLEUNZUn1jDOLn3cyl3Ke0d9sMUnOmL8Jy-zJWkEzh_CpROZzoXgibh_JnaQQDJtoT48AAm4qvbSxhJg/s548/inaldo090.jfif&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;364&quot; data-original-width=&quot;548&quot; height=&quot;314&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijR2LWuk6uupifFYjLwPf6u74Iy5BlYyTmhuRHyMyFJ2xnDmKcAD5-tcpRKywyPfHDbFKcwMoWdTT02u1gi28MXM9keLl1QOj5a7UYi6TLEUNZUn1jDOLn3cyl3Ke0d9sMUnOmL8Jy-zJWkEzh_CpROZzoXgibh_JnaQQDJtoT48AAm4qvbSxhJg/w471-h314/inaldo090.jfif&quot; width=&quot;471&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Na madrugada do dia 17 de março de 2025, Inaldo Medeiros
Cursino faleceu em sua residência, após um infarto fulminante. No dia anterior,
ele havia passado na casa de sua mãe, tomou um chá com torradas e foi para
casa, por volta das 20h.&lt;p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No dia seguinte, por volta de 9h, o filho mais velho,
Gaspar, ex-amo do Garantido, estranhou não ouvir o bom dia que lhe mandava
sempre e foi até a casa dele. Inaldo estava caído, ainda com a roupa do dia
anterior, já rígido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;“Perdi minha alma gêmea”, disse Tony Medeiros, que estava em
Manaus quando soube do acontecimento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;“Eu me despeço de um grande amigo de jornada que vai para os
braços da eternidade e deixa a sua inestimável obra como contribuição para o
Boi-Bumbá, além de muitas recordações das nossas vivências em Parintins”,
escreveu David Assayag.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Conhecido como “coração de batuqueiro”, Inaldo não bebia,
não fumava e dormia cedo, mas era sedentário, só admitindo deslocamentos de
moto ou carro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 2018, ele sofreu um infarto e ficou muito mal. Desde
então, rebelde, não fez os acompanhamentos médicos requeridos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Na véspera, talvez numa premonição da própria partida,
escreveu uma despedida emocionada para Jair Mendes, nas exéquias deste em
Parintins. “Depois do episódio do meu enfarte agudo, meu coração ficou
vulnerável a grandes emoções. Acompanhei o cortejo a distância. Jair Mendes
jamais será esquecido!!! Foi em paz, tenho certeza!!!”, escreveu, na sua página
do FaceBook.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/3068945921157873211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/3068945921157873211?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/3068945921157873211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/3068945921157873211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/inaldo-e-tony-medeiros-sangue-vermelho.html' title='Inaldo e Tony Medeiros, sangue vermelho em dose dupla'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinYCmgvI42C2O2FtEOHzcO7znvGaEfMQXL3KiujEOaRKmMQkHzmT2DjkMHQ_iUBNwqngjghd9CJMYtsxpdc3fuy1Oczc1C4sFz94dzpy9DwqLDzRoTSXKaFI8erWgylhE8JHDQipnshQRt9SNbgI7zyyLDev_pAyEeIiozWIbo7RjbJjI1i4se8A/s72-w485-h273-c/Foto-BNC-AMAZONAS.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-7585924298465008566</id><published>2026-10-30T04:49:29.938-04:00</published><updated>2026-10-30T04:49:29.938-04:00</updated><title type='text'>Fred Góes, a alma encarnada do bumbá Garantido</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgFFFFXBn1pDziQx_06OwETvWZgBYEvv6iPT-t5PaLNBdguojkMnnJq6pLXh7zH3Eo1yHnWQwk4MI0fq99my1Qsh_JPKe9WSK4eEpwUpARrujSmQNo4VxFDkABFjN4R799wwO-_PEt5lYYFHGj02cC0T-pyeqNcDPWlvdor7m13amU86HOOOKCqOw/s810/fredao01.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;540&quot; data-original-width=&quot;810&quot; height=&quot;319&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgFFFFXBn1pDziQx_06OwETvWZgBYEvv6iPT-t5PaLNBdguojkMnnJq6pLXh7zH3Eo1yHnWQwk4MI0fq99my1Qsh_JPKe9WSK4eEpwUpARrujSmQNo4VxFDkABFjN4R799wwO-_PEt5lYYFHGj02cC0T-pyeqNcDPWlvdor7m13amU86HOOOKCqOw/w479-h319/fredao01.jpg&quot; width=&quot;479&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;O músico e compositor Fred Góes&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Filho de Raul Góes e Lucila Rolim, o músico e compositor
Frederico Daniel Paulo Rolim de Góes, mais conhecido como Fred Góes, nasceu em
Parintins no dia 18 de junho de 1948. Por parte do pai, possuí descendência
portuguesa e holandesa (Goes é uma cidade e município no sudoeste da Holanda,
em Zuid-Beveland, na província de Zeeland). Por parte da mãe, herdou o sangue
miscigenado de negros e cabocos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Fred Góes passou a infância e o início da adolescência em
Parintins, mas logo depois se mudou para Manaus, como interno da Escola Técnica
Federal de Manaus, onde cursou o Ginásio Industrial Básico, com especialização
em marcenaria. Disposto a ser um grande “luthier”, ele não só construiu seu
primeiro violão artesanalmente, como aprendeu a tocar o instrumento sozinho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1965, aos 17 anos, Fred Góes se mudou para São Paulo na
busca do velho sonho de se transformar em músico profissional e viver da
própria arte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Alguns anos depois, ele se juntou a alguns músicos latinos
exilados em Sampa e formou o “Grupo Chasky”, cujos integrantes eram o próprio
Fred, Guillermo Noriega, Enzo Merino, Carlitos Demutti e Oscar Segovia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Paralelamente, Fred, Enzo, Oscar e Celsinho Ribeiro formaram
o “Grupo Machitún”. Os dois grupos tocavam a chamada “música folclórica
latino-americana de raiz”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Foi o equatoriano Vicente Guillermo Noriega que ensinou Fred
Góes a tocar charango, uma espécie de cavaquinho típico dos grupos musicais
andinos e acompanhamento preferencial da ubíqua flauta de Pã peruana conhecida
como zampoña.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Homem de mil instrumentos, Fred começou a estudar jornalismo
na Faculdade Cásper Líbero e trabalhar como “foca” em grandes jornais como “O
Diário Popular” e “Jornal de Tarde”. Entre outras façanhas, ele recebeu,
juntamente com uma equipe de 35 repórteres, o Prêmio Esso de Jornalismo, pela
cobertura do incêndio do Prédio Joelma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em fins de 1979, o visionário empresário Enrique Bergen,
argentino radicado no Brasil, teve a feliz ideia de formar um grupo de música
latino-americana que se sobressaísse dos padrões corriqueiros da época, quando
os grupos do gênero mantinham características primordialmente folclóricas em
seus repertórios e formações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Surgia o grupo “Raíces de América”, formado por Fred Góes,
Enzo Merino, Oscar Segovia, Júlio Peralta, Isabel Ribeiro, Celso Ribeiro, Tony
Osanah, Mariana Avena e Willy Verdaguer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi3-L4-1egcj3S7Ql4RTWLE848LgSVLk-sc1kZMDw3O3cX7x27dZIynJ5g1XfhKU8CYFmdpdxnvtWu2vptBMqsSx3DDeELKpc6ixWVxDnuJqZZGck5AmkBfHsoD7Cr9vzW4LRLa2VMOuS3LiOpIuxXopyYWphBaCSE7LB_X4VEK-bszQx226pjLRA/s300/fredao02.webp&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;294&quot; data-original-width=&quot;300&quot; height=&quot;417&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi3-L4-1egcj3S7Ql4RTWLE848LgSVLk-sc1kZMDw3O3cX7x27dZIynJ5g1XfhKU8CYFmdpdxnvtWu2vptBMqsSx3DDeELKpc6ixWVxDnuJqZZGck5AmkBfHsoD7Cr9vzW4LRLa2VMOuS3LiOpIuxXopyYWphBaCSE7LB_X4VEK-bszQx226pjLRA/w426-h417/fredao02.webp&quot; width=&quot;426&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O grupo Raíces de América nasceu praticamente junto com a
gravadora Eldorado, unindo músicos encantados com a proposta de resgatar a
música latina produzida na região e que falasse da vida e dos problemas
latino-americanos, de um povo vivo e de cultura vibrante, sem buscar os
estereótipos fáceis que reforçam a região como subdesenvolvida e eternamente
bucólica e atrasada. No repertório, ao lado de composições próprias, o grupo
cantava Violeta Parra, Vinicius de Moraes, Gilberto Gil, Chico Buarque e Milton
Nascimento.&lt;p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1980, tendo a lendária Mercedes Sosa como madrinha e como
diretor o famoso Flávio Rangel, o Raíces de América estreou em São Paulo um
espetáculo maravilhoso que contava com performances e arranjos ricos e
modernos, iluminação, figurino e cenografia elaborados especialmente para o
show. As músicas eram permeadas por leitura de poemas feitas pela atriz Isabel
Ribeiro, já falecida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Durante os ensaios, Flávio Rangel sugeriu ao grupo que
incluíssem no repertório dois de seus primeiros sucessos: “Guantanamera”, de
José Marti, e “Disparada”, de Theo de Barros e Geraldo Vandré. Do primeiro
disco, gravado com o sucesso do espetáculo, os destaques eram, além das duas
canções citadas, a pastoral “El Condor Pasa”, de Daniel Robles, valorizada pela
voz melancólica da cantora portenha Mariana Avena, e “Cantor de Ofício”, de A.
Morelli. O sucesso de público conquistado pelo Raíces de América foi imediato.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Não custa lembrar que o início dos anos 80 foi marcado no
Brasil pelos processos de reabertura política e pela reintrodução das eleições
diretas, o que aproximou a proposta do grupo às demandas da população
brasileira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Um novo disco foi gravado no ano seguinte trazendo pérolas
como “Los Hermanos”, de Atahualpa Yupanqui, “Volver a Los 17”, de Violeta
Parra, “Guajira Para Esperança de América”, de Oswaldo Avena e Enrique Bergen,
“La Ciudad”, de Enzo Merino, Oscar Segovia e Fred Góes, e “Pássaro Cativo”, de
Celso Ribeiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1982 o grupo conquistou o segundo lugar no Festival MPB
Shell promovido pela Rede Globo de Televisão com a música “Fruto do Suor”, de
Tony Osanah e Enrique Bergen. A canção cativou principalmente os imigrantes
latinos radicados no Brasil e foi o carro-chefe do terceiro álbum do grupo
também chamado “Fruto do Suor”. Além da faixa-título, o álbum continha “Pedro
Nadie”, de Piero e José, “O que Será”, de Chico Buarque e “Soy Loco Por Ti
América”, de Gilberto Gil e Capinam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Com a saída das vozes de Mariana Avena e Tony Osanah,
substituídos respectivamente por Lídia Tolaba e Jota Mariano, o grupo grava
“Dulce América”, com destaque para as versões de “O Cio da Terra”, de Milton
Nascimento e Chico Buarque, “Nada Será Como Antes”, de Milton Nascimento e
Ronaldo Bastos, e “Rosa de Hiroshima”, de Vinicius de Moraes e Gérson Conrad.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZbsdL4YhnlsVdkBJ7Qve0aL4EjZWV08V9VQr3drA5IKfmAVmeZ379-6KY2wV5IcQmMDzjMeNW_u6PRN_Nmr5IUEVSxUdg7H_GOpR4bhfBQnlgqFTGhk1mLoDP2Yqd08ZkXSaGFASYtu0hapvkWZ2CitH5a1ybFSVGv7IESjk2Bd0RrCIPRMumYg/s768/fredao03.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;567&quot; data-original-width=&quot;768&quot; height=&quot;339&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZbsdL4YhnlsVdkBJ7Qve0aL4EjZWV08V9VQr3drA5IKfmAVmeZ379-6KY2wV5IcQmMDzjMeNW_u6PRN_Nmr5IUEVSxUdg7H_GOpR4bhfBQnlgqFTGhk1mLoDP2Yqd08ZkXSaGFASYtu0hapvkWZ2CitH5a1ybFSVGv7IESjk2Bd0RrCIPRMumYg/w460-h339/fredao03.jpg&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;O cantor e compositor Zeca Bahia&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Em 1985, logo após a gravação desse disco, Fred Góes deixa o
grupo e começa uma nova carreira musical em companhia do músico Zeca Bahia, com
quem dividia um apartamento em Sampa.&amp;nbsp;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Falecido há alguns anos, Zeca Bahia era
autor de “Porto Solidão”, um sucesso estrondoso na voz do cantor Jessé (“Se um
veleiro / Repousasse / Na palma da minha mão / Sopraria com sentimento / E
deixaria seguir sempre / Rumo ao meu coração”).&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No mesmo ano, após uma apresentação da dupla no Teatro
Amazonas, os dois vão a Parintins para assistir pela primeira vez o festival
(quando Fred saiu de Parintins, no início de 1965, o festival ainda não
existia).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os dois amigos ficaram em êxtase. Zeca Bahia resolveu voltar para São
Paulo, mas Fred Góes ficou em Parintins, onde montou e editou o jornal semanal
“O Parintins”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O envolvimento de Fred Góes com o “dois-pra-lá-dois-pra cá”
foi paulatino e bastante comedido. Ele trazia a experiência da montagem de
grandes espetáculos musicais e era dessa forma que pensava em transformar as
apresentações do Garantido, mas os “tradicionalistas” não queriam saber de
mudanças. A insistência do jornalista acabou prevalecendo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Entre outras coisas, foi Fred que introduziu o charango no
acompanhamento das toadas do bumbá Garantido – alguns anos depois de o
Caprichoso ter feito o mesmo por Sylvio Camaleão, que havia aprendido a tocar o
instrumento tomando aulas com o próprio Fred.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Fred também contribuiu decisivamente para que as letras das
toadas se tornassem mais poéticas, melódicas e criativas, introduzindo a
harmonização vocal nas gravações do primeiro disco do Garantido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1996, com o festival de Parintins entrando no seu momento
mais criativo e se transformando em referência internacional, Fred Góes dá
outra tacada de mestre: junto com o também músico Sidney Resende, ele
arregimenta um grupo de músicos da ilha e repagina o Regional Vermelho e
Branco, o primeiro grupo do Garantido a se apresentar em shows acústicos antes
e depois do festival de Parintins e o primeiro grupo a gravar um CD de toadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Para Fred, aquela era uma maneira legítima de os músicos
permanecerem em atividade independente da sazonalidade do festival. E pelo
número de “grupos de boi” que surgiu depois do Regional Vermelho e Branco, essa
também foi uma iniciativa vitoriosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Atual presidente do touro branco, o caboco Fred Góes é pedra
de responsa. Tê-lo como amigo é simplesmente uma dádiva divina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/7585924298465008566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/7585924298465008566?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/7585924298465008566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/7585924298465008566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/fred-goes-alma-encarnada-do-bumba.html' title='Fred Góes, a alma encarnada do bumbá Garantido'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgFFFFXBn1pDziQx_06OwETvWZgBYEvv6iPT-t5PaLNBdguojkMnnJq6pLXh7zH3Eo1yHnWQwk4MI0fq99my1Qsh_JPKe9WSK4eEpwUpARrujSmQNo4VxFDkABFjN4R799wwO-_PEt5lYYFHGj02cC0T-pyeqNcDPWlvdor7m13amU86HOOOKCqOw/s72-w479-h319-c/fredao01.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-1237066775105455863</id><published>2026-10-29T20:48:10.073-04:00</published><updated>2026-10-29T20:48:10.073-04:00</updated><title type='text'>Ronaldo Barbosa, a usina de hits do bumbá Caprichoso</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWUYaIGQv5Q748zio6zwigayUQ3dB55ggtWPR6IedLD6u-EwL8QlZLSj_5dQ_3_7q2WVMwZjW2xYjmxMAvloSmZJTAiG_3UZVxLkc3qJ03vA5E0Xscr3qQk5dplbiSM5yIBsmRvf5kpNB5XIICEMD5X-CE_WWopba9ZptENdsCu2VOOBc4MXfxkQ/s810/ronaldobarbosa123-810x531.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;531&quot; data-original-width=&quot;810&quot; height=&quot;309&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWUYaIGQv5Q748zio6zwigayUQ3dB55ggtWPR6IedLD6u-EwL8QlZLSj_5dQ_3_7q2WVMwZjW2xYjmxMAvloSmZJTAiG_3UZVxLkc3qJ03vA5E0Xscr3qQk5dplbiSM5yIBsmRvf5kpNB5XIICEMD5X-CE_WWopba9ZptENdsCu2VOOBc4MXfxkQ/w471-h309/ronaldobarbosa123-810x531.jpg&quot; width=&quot;471&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;O compositor Ronaldo Barbosa&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Fevereiro de 1991. O bafafá na ilha ainda era a súbita
mudança de Chico da Silva para o Garantido. Responsável pela escolha das toadas
do Caprichoso, J. Carlos Portilho aparentemente não estava muito preocupado.
Aquilo era só mais um acidente de percurso, calculava. Ele mesmo estava
tentando inutilmente levar seu amigo Emerson Maia para o touro negro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Foi quando, naquele mesmo mês, Portilho recebeu em sua
residência a visita de Ronaldo Barbosa. Eles se conheciam desde 1979, quando
Ronaldo Barbosa passou a residir em Parintins e se tornou fã de carteirinha do
touro negro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Nascido em São José do Egito (PE), no dia 3 de outubro de
1953, em uma família de versadores e violeiros, Ronaldo Barbosa tinha estudado
Antropologia, em Recife (PE), Odontologia, em Campina Grande (PB), e era
funcionário concursado da Fundação Nacional dos Índios (Funai) há cinco anos,
quando chegou a Parintins.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ele passava a maior parte do tempo fazendo trabalho de campo
para a instituição, por onde se aposentou depois de 35 anos de labuta diária
como dentista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Extremamente culto e bem-informado, conhecedor como poucos
do lendário nativo dos ribeirinhos e dos primeiros cacicados da Amazônia
indígena, músico informal nas horas vagas, Ronaldo Barbosa vinha tentando
colocar algumas toadas de sua autoria no repertório do Caprichoso, sem sucesso,
desde 1980.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– A batida dos bois era muito tradicional, muito ortodoxa,
muito presa às origens, e as minhas toadas pediam uma batida diferente, um
pouco mais tribal, por conta das inúmeras culturas indígenas que eu havia
conhecido. Ao mesmo tempo, o acompanhamento tradicional das toadas era
basicamente percussivo, com surdos, repinique, caixinha e palminhas, enquanto
eu queria introduzir cordas, teclados e metais. Daí que foi muito difícil a
gente evoluir para esse formato atual – recorda o compositor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Naquela chamada “década perdida” do compositor, por conta
dos “puristas” e “tradicionalistas” de sempre, Ronaldo Barbosa, trabalhando
solitariamente em sua residência, havia feito dezenas de toadas
interessantíssimas e foram algumas delas que ele apresentou para J. Carlos
Portilho naquele encontro acontecido em fevereiro de 1991.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Com uma capacidade extra-sensorial para descobrir novos
talentos, J. Carlos Portilho percebeu logo que estava diante de uma mina de
ouro, mas não fez alarde.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Procurou a Comissão de Artes do Caprichoso, na época
comandada por Simão Assayag, e cantou a pedra:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– A proposta das toadas do Ronaldo é mostrar a importância
dos indígenas na nossa formação cultural. A gente sai dessa camisa de força
chamada “boi-morena bela-vaqueiros” e começa a singrar por mares nunca dantes
navegados. As histórias, o lendário e as culturas indígenas são exuberantes e a
gente pode fazer o diabo na arena, basta ter criatividade! – explicou J. Carlos
Portilho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Aquele papo reto conquistou o coração de Simão Assayag. Como
o enredo daquele ano já estava decidido, as toadas de Ronaldo Barbosa ficaram
transferidas para o ano seguinte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Elas foram a Pedra de Roseta que definiram o novo formato do
festival a partir de 1992.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHNzvTjLPeW3MLv7LuJ4EUxjypTaG3ATATdskvvjwZhAhA8K6WsG3v_adaBHCSzTbZ72g6n0jiXULoOB3EHm1VksfxxDFwftavQU7A8U9-bz-8-RB8yoGV2pfuF-luMVnWCo4X-kWYLcPKv9oh6pssOwM5ZedINg1_McAmSVU-0aS7Wfr_Dkahyphenhypheng/s275/rony002.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;183&quot; data-original-width=&quot;275&quot; height=&quot;295&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHNzvTjLPeW3MLv7LuJ4EUxjypTaG3ATATdskvvjwZhAhA8K6WsG3v_adaBHCSzTbZ72g6n0jiXULoOB3EHm1VksfxxDFwftavQU7A8U9-bz-8-RB8yoGV2pfuF-luMVnWCo4X-kWYLcPKv9oh6pssOwM5ZedINg1_McAmSVU-0aS7Wfr_Dkahyphenhypheng/w443-h295/rony002.jpeg&quot; width=&quot;443&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Uma das primeiras toadas do compositor a ser utilizada como
suporte musical do ritual do Caprichoso se intitulava “Réquiem”:&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Aos que foram donos das terras / Antigos donos das penas /
Eterno como sempre / Será eterno o criador / êiê, êiê, êiê… / Meu povo te
chama, / Machifaro te espera / Teus símbolos sagrados / Ateiam as guerras /
Assim como a canoa / O teu remar / Curiatô, Iurimágua, / Paguana / Aos que
foram donos das terras / Antigos donos das penas / Eterno como sempre, / Será
eterno o criador / Como voa o tempo / Nas asas das eras / Tururucari,
Tururucari, Tururucari / A fogueira espera a chama / O sol beijar o teu rosto,
ô,ô,ô / O vento os teus cabelos / Assim como a selva / O filho que partiu /
Tururucari, Tururucari, Tururucari, ê ê ê / Curiatô, Iurimágua, Paguana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Quer dizer, de repente os cacicados dos povos originários da
Amazônia na época da chegada dos portugueses ao Brasil (Aparia, Machifaro,
Aisuari, Paguana, Yurimágua, etc) eram reverenciados e referendados no Festival
de Parintins pela primeira vez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Aquilo, no Bumbódromo, funcionou como tratamento de choque.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Embalado pelas toadas de Ronaldo Barbosa, o ritual do boi
Caprichoso começou a ganhar contornos épicos, se transformando na grande
sensação do festival.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O Garantido sentiu o baque, mesmo tendo sido o pioneiro na
celebração do ritual, mas teve que tirar um dobrado para não deixar a peteca
cair de vez e voltar a reequilibrar a disputa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A década de 1990 representou um dos melhores momentos da
história do boi Caprichoso. De 1990 a 1999, ganhou seis dos dez festivais
disputados, tendo faturado um tricampeonato (1994-1996) na época em que a festa
de Parintins ganhava o Brasil e o mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O touro negro teria conquistado o seu tetracampeonato em
1997, levando em consideração apenas a soma dos pontos dados pelos jurados à
apresentação na arena.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Naquele ano, o Caprichoso contava a história dos índios
Karajás, que eram peixes imortais (aruanãs) e, depois que afastaram a escuridão
e contemplaram o céu pela primeira vez, se transformaram em homens mortais, por
obra e graça do deus supremo Kananciuê, passando a habitar as margens do rio
Araguaia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O ritual daquele ano, com outra composição de Ronaldo
Barbosa, deixou os jurados emocionados: eles nunca tinham ouvido uma toada que
tinha sido praticamente escrita em “língua de índio”:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Wandiê ê ê á á / Wandiê ê ê Karajá! / Ciê… / Kã-werá! /
Kananciuê (Kananciuê) / Tatauapã (Tatauapã) / Numiá (Numiá) / Arapiá (Arapiá) /
Numiá… / Sob a luz do luar / Ê ê ê ê ê ê ê ê / Nas terras de Berocã / Canaã,
Canaã / Às margens do rio Araguaia / Aruanã… / Inansô-werá / Ê ê ê ê ê ê ê ê /
E se fez a luz / No sopro da vida à Ciê / Ciá… Karajá! / Feiticeiro do fogo /
Entoa um cantar / Hei Hei / Pra afugentar / Hei Hei / Escuridão / Feiticeiro da
taba / Eleva o olhar / Hei Hei / Vem clariar ó lua / Todo o meu chão… / Numiá
Arapiá / Hei Hei Hei Hei Hei!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Naquele ano, o Caprichoso também apresentou a toada “Ritmo
Quente”, de Alex Pontes e Mailson Mendes, do Canto da Mata, que dava uma
acelerada na toada e a transformara numa música pop capaz de tocar nas rádios e
conquistar novos fãs para a festa xipuara. Foi outro divisor de águas no
festival.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A derrota do Caprichoso adveio de uma penalidade de 10
pontos imposta pelos jurados ao apresentador Gil Gonçalves por ter elogiado, na
arena, o governador Amazonino Mendes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O touro negro deu a volta por cima sagrando-se campeão no
ano seguinte, em 1998 – uma conquista indiscutível em que um dos fatos mais
marcantes foi o cantor Arlindo Júnior ter ocupado o posto de apresentador e
levantador de toadas ao mesmo tempo, e ainda ter vencido nos dois itens,
repetindo o feito de Paulinho Faria, do Garantido, que também venceu em ambos
os itens em 1991 e 1993.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Quer dizer, se não fosse os dois minutos de leseira baré do
apresentador Gil Gonçalves, em 1997, o Caprichoso teria se sagrado pentacampeão
do Festival de Bumbás de Parintins em 1998.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgVz3NlXtcQEko3kzCP3Qw5WUWZzmSShb3cPt-J1uBHGNG_yGjbOtmi18MY5HKCvsst-N3hl8hUf25-h40pOWQZC4cQ50KWSTvUpZdj9q0o7KZlAJz-j8WUWmOYDRlh9Y-Xz4PfXFLxoq6wqd19JU8qmY7EslxHbzGhJoIJjoTc59RLa-EPsKXztw/s300/rony003.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;200&quot; data-original-width=&quot;300&quot; height=&quot;265&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgVz3NlXtcQEko3kzCP3Qw5WUWZzmSShb3cPt-J1uBHGNG_yGjbOtmi18MY5HKCvsst-N3hl8hUf25-h40pOWQZC4cQ50KWSTvUpZdj9q0o7KZlAJz-j8WUWmOYDRlh9Y-Xz4PfXFLxoq6wqd19JU8qmY7EslxHbzGhJoIJjoTc59RLa-EPsKXztw/w398-h265/rony003.jpg&quot; width=&quot;398&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Algumas composições de Ronaldo Barbosa tornaram-se quase uma
unanimidade na ilha, sendo reverenciadas pelas duas galeras.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Aliás, tirando alguns torcedores mais radicais do Garantido,
todos os amantes da cultura popular de Parintins já ouviram e ensaiaram alguns
passos da canção “Pesadelo dos Navegantes”, lançada em 1996, no disco “Criação
Cabocla”:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Alçar as velas / desaportar as caravelas / esquadras do
Velho Mundo / do oceano ao rio-mar / Alçar as velas / desaportar as caravelas /
cruzadas do Novo Mundo / fé, império a dilatar / O vento te leva / há ventania
/ às noites te envolve agonia / do grande abismo que virá / das feras das águas
/ que seria / pesadelo de um conto navegador / Iê, Iê / Terra à vista / atracar
/ Ilha das Tupinambaranas / terra dos Tupinambás / aportas nos braços do
Orteiro / de joelhos e bravos guerreiros / celebrai a grande missão / com salva
de tiros de morteiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 2018, no 53º Festival Folclórico de Parintins, Ronaldo
comemorou 100 toadas emplacadas em discos do boi azul. “Traidor” foi a
centésima canção composta por Ronaldo e está presente no disco “Sabedoria
Popular: Uma Revolução Ancestral”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ao lado dela, outras composições do artista também foram
inseridas no disco, como “Terror das Noites”, “Azulou”, “Boto romanceiro” e
“Sissa: Uma história de Amor”, sendo as três últimas em parceria com o
compositor Simão Assayag.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em entrevista ao jornalista Alexandre Pequeno, Ronaldo
Barbosa assegurou que suas canções não são elaboradas a toque de caixa e que
não segue a temática estipulada pelo bumbá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Cada compositor tem uma metodologia de trabalho. No meu
caso é um lance de inspiração. Não vou pelo tema e sim pela inspiração. Não
faço música por encomenda, minha música é fruto exclusivamente de inspiração
poética – garantiu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Na mitologia indígena, a lenda por trás da centésima toada,
como o próprio nome sugere, fala sobre um episódio de traição.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Ualri era o discípulo amado de Jurupari, que o ensinou
todos os segredos das flautas. Só que Ualri ensinou esse segredo aos
não-iniciados e às mulheres. Por isso, ele recebeu a condenação que a própria
canção revela: Do teu pó serás, serás, répteis a rastejar – explicou o
compositor&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em junho de 2017, o Boi Caprichoso iniciou suas
apresentações no Bumbódromo ao som de “Saga de um Canoeiro”, canção composta
por Ronaldo e presente no disco de 1994.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Essa foi uma música que fiz para o meu pai e diz: Já vai
canoeiro, o porto distante, o teu descansar… Imaginei essa canoa que nós da
Amazônia vamos navegar em nossas remadas eternas. Me emocionei muito – lembra o
compositor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEpRGVA0POi3wMWPOlLIVtEhufNFmCuhRRpyHxQcdekerXDJ_c840aJ0c4sdpq76xgtTaiqedOVAYj-UofvfbHTHv6K5hP-OylPS2S_WnBAfmo3C9PoXU_PgnJ1nWyx6cvj1cV7TFX3SDm96LktXxSwul5Mjg1ntvxs-vxbjrUNiLNTwXPX47mDg/s300/rony004.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;150&quot; data-original-width=&quot;300&quot; height=&quot;222&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEpRGVA0POi3wMWPOlLIVtEhufNFmCuhRRpyHxQcdekerXDJ_c840aJ0c4sdpq76xgtTaiqedOVAYj-UofvfbHTHv6K5hP-OylPS2S_WnBAfmo3C9PoXU_PgnJ1nWyx6cvj1cV7TFX3SDm96LktXxSwul5Mjg1ntvxs-vxbjrUNiLNTwXPX47mDg/w444-h222/rony004.jpg&quot; width=&quot;444&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No ano da centésima toada, o artista também completou 32
anos de história no Caprichoso e, para ele, a maior gratificação era ainda
estar em atividade na associação.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– A recompensa disso é o respeito dos colegas, do boi
executar algo que você imaginou. É de uma alegria muito grande – exulta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;De acordo com Ronaldo Barbosa, sua história no Caprichoso
começou no final dos anos 80.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Nesse período, comecei a apresentar meus trabalhos ao boi,
pois eu era da Fundação Nacional do Índio (Funai) e viajava por diversas
aldeias da Amazônia. Paralelo a esse trabalho de dentista na Funai, naquela
época, tenho um trabalho de antropologia muito forte. Aprendi, convivi e vivi
por 20 anos nas mais diversas tribos. Não existe nenhuma região da Amazônia que
eu não tenha conhecido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;De uma época onde as composições e produções musicais eram
simples, Ronaldo se orgulha de ter ajudado a inserir efeitos mais elaborados,
novas sonoridades e instrumentos diferenciados nas canções.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– No começo dos anos 90, trouxe uma batida de ritual que não
existia em Parintins, fui o pioneiro. Vi como os índios faziam e trouxe para o
Caprichoso – lembra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Além disso, de acordo com Ronaldo, o bumbá azul inseriu pela
primeira vez um teclado numa canção de sua autoria, “Fibras de Arumã”, de 1994.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Sobrevivente dos tempos heroicos de formatação do festival,
ele ainda relembra com carinho de seus mestres compositores:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Minha geração tinha bons compositores como Horácio e
Heliomar Conceição, que já partiram para o além. Aprendi muito com esses poetas
mais antigos do boi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Com a centésima toada, Ronaldo se consagrou definitivamente
como um dos compositores que mais emplacou canções na história do Caprichoso,
mas garante que não está pensando em suspender as chuteiras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Pretendo continuar participando ativamente da cultura
regional por muitos e muitos anos, e não canso de repetir que a própria
Amazônia é minha grande fonte de inspiração poética – resume.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O compositor também assina outras grandes canções clássicas
do touro negro, como “Vale do Javari”, “Gene”, “Amazônia Quaternária” e e
“Catedral”, esta também em parceria com Simão Assayag. O caboco é danado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/1237066775105455863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/1237066775105455863?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/1237066775105455863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/1237066775105455863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/ronaldo-barbosa-usina-de-hits-do-bumba.html' title='Ronaldo Barbosa, a usina de hits do bumbá Caprichoso'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWUYaIGQv5Q748zio6zwigayUQ3dB55ggtWPR6IedLD6u-EwL8QlZLSj_5dQ_3_7q2WVMwZjW2xYjmxMAvloSmZJTAiG_3UZVxLkc3qJ03vA5E0Xscr3qQk5dplbiSM5yIBsmRvf5kpNB5XIICEMD5X-CE_WWopba9ZptENdsCu2VOOBc4MXfxkQ/s72-w471-h309-c/ronaldobarbosa123-810x531.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-3729187839771828368</id><published>2026-10-26T20:11:12.979-04:00</published><updated>2026-10-26T20:11:12.980-04:00</updated><title type='text'>Emerson Maia, o eterno Xamã do Festival de Parintins</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg0OVMKW16G7ULoHQwkJIkXHekG6VvT0gTpHfB5yLuq3EGG4iXSSUmcMvkH3FNluAOJWDUc5D1cxJw4pd0zCImO9_8gaK1fnHywI0fIe-CB-ooBqa6kuh-oBRgZ0TgBpbwg8Rv2mFrfruHtUnBCXiBFngQufl2ofVGuxenFYwPewMMZ0CJ_vsODDA/s800/Emerson-Maia-123.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;533&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;316&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg0OVMKW16G7ULoHQwkJIkXHekG6VvT0gTpHfB5yLuq3EGG4iXSSUmcMvkH3FNluAOJWDUc5D1cxJw4pd0zCImO9_8gaK1fnHywI0fIe-CB-ooBqa6kuh-oBRgZ0TgBpbwg8Rv2mFrfruHtUnBCXiBFngQufl2ofVGuxenFYwPewMMZ0CJ_vsODDA/w474-h316/Emerson-Maia-123.jpg&quot; width=&quot;474&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Filho de dona Ladir e do pecuarista Antônio Maia, um dos
primeiros padrinhos do bumbá Garantido, o cantor e compositor Emerson Maia, um
ano mais novo que J. Carlos Portilho, teve uma carreira musical muito parecida
com a do seu amigo de adolescência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ainda bem pequeno, ele já se exibia em festas de colégio e
reuniões. Aprendeu a tocar violão com 14 anos, mas logo trocou o instrumento
pela guitarra elétrica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Diferente de J. Carlos Portilho, que curtia MPB, Emerson
Maia preferia o rock inglês (Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath) e o
rockabilly norte-americano (Chuck Berry, Little Richards e Elvis Presley). Foi
vocalista, tecladista e guitarrista do grupo The Glads Boys, que incendiava as
noites dançantes dos clubes de Parintins nos anos 70.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Além da fazenda Remanso, Antônio Maia era comerciante
(possuía uma usina de pau rosa) e político (foi presidente da Câmara Municipal
de Parintins), mas seu xodó era mesmo o boi Garantido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O Natal era muito festejado por ele, que todo ano organizava
um grande almoço para a comunidade com distribuição de presentes para as
crianças e a presença do touro branco sendo comandado por mestre Lindolfo
Monteverde em pessoa. A mesma coisa acontecia no dia de São João.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No final dos anos 70, Emerson começou a compor músicas
densas de tristeza e poesia para disputar os festivais de canção que aconteciam
na região do baixo Amazonas, tendo vencido a maioria das disputas em que
participou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Foi por insistência da irmã, a médica Ednéia Ribeiro, esposa
do médico Euler Ribeiro, que ele começou a fazer músicas para o Garantido. Sua
primeira toada evocava a figura paterna: “Sentei junto ao pé da roseira /
Lembrei minha infância, fogueira e balões / Lembrei de meu pai, meu amigo /
Esperando ansioso o meu boi Garantido / Tempos que ficaram pra trás / Gente que
partiu pra ficar / Mas deixaram isso bem definido / Que o boi campeão da Terra
/ Sempre será o boi Garantido”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Segundo o jornalista Neuton Corrêa, no dia 6 de julho de
1979, quando Lindolfo Monteverde atravessou para a terceira margem, Emerson
apareceu cedo na Baixa da Xanda. Parou na Mercearia Martins Filho, puxou uma
cadeira de embalo e pediu uma cerveja.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;De frente para as águas do rio Amazonas, ele afinou o violão
e ensaiou os primeiros acordes para a música de despedida do amigo e mestre que
estava sendo velado no curral do Garantido: “Silêncio, tudo está consumado / O
nosso Amo amado / partiu e deixou o São José / A voz que sempre lhe foi fiel /
Agora estronda nos bosques, nas pradarias do céu / Muito obrigado por criar boi
Garantido / Hoje teu filho teu canto vai entoar / Nosso folclore sempre vai
reconhecer / Foste um exemplo de caboclo / inesquecível Lindolfo”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Essa música é considerada hoje o hino da família Monteverde,
por isso sempre é tocada nos eventos nos quais a memória de Lindolfo é
reverenciada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Com a morte de Lindolfo, Emerson se transformou no
levantador de toadas do Garantido até a chegada de David Assayag, em 1995. Ele
também substituiu o Amo do Boi João Batista Monteverde em alguns festivais,
cabendo a Paulinho Faria ser apresentador e levantador de toadas nessas
ocasiões.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Alto, forte, musculoso, imponente e com o cabelo nos ombros
desde os tempos da Jovem Guarda, Emerson Maia lembrava um cacique sioux e era
grosso que só papel de embrulhar prego. Seu mau humor era fonte permanente de
mexericos na ilha. Avesso a badalações e aos assédios dos fãs, o cantor
utilizava esse artifício de sujeito turrão para se manter longe dos holofotes
da mídia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Quando se reunia com uns poucos amigos para participar de
cantorias, Emerson Maia se soltava, mostrando sua verdadeira personalidade de
moleque brincalhão e bem-humorado. “Quando estava com seus parceiros, ele era
um poço de ternura”, recorda, divertido, o compositor Carlos Paulain. “Mas
diante de estranhos se transformava no ministro da Ignorância, ficava
irascível. Era um coice a cada três minutos.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjL5P5y0pkYelK0__e0bY3VEfMXzQUN1nNjgik0YZUfspYnPExK3UhPPqwsIiVnjQsmIk7GvTwRYWzCL6dFu4zw8hKmwyvTpFS9I4RqQ4pfXUwnwxxtX0CnYTdtafOjRmv4jcR2QL9slOgUPlZkXXUMXdv4rjDsbKRQ05qpYSrer2uKRUnyOs5tyQ/s300/Emerson-Maia-Fotos-Divulgacao-1-300x200.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;200&quot; data-original-width=&quot;300&quot; height=&quot;314&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjL5P5y0pkYelK0__e0bY3VEfMXzQUN1nNjgik0YZUfspYnPExK3UhPPqwsIiVnjQsmIk7GvTwRYWzCL6dFu4zw8hKmwyvTpFS9I4RqQ4pfXUwnwxxtX0CnYTdtafOjRmv4jcR2QL9slOgUPlZkXXUMXdv4rjDsbKRQ05qpYSrer2uKRUnyOs5tyQ/w471-h314/Emerson-Maia-Fotos-Divulgacao-1-300x200.jpg&quot; width=&quot;471&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Sua trajetória como compositor do Garantido foi fabulosa e
seu humor ácido era despejado em toadas de desafio que espezinhavam o
Caprichoso. Uma delas: “Ano passado eu fiquei com pena do contrário / no dia da
morte não tinha comida e eles brigaram / eu mandei avisar que viessem buscar /
que o boi Garantido tinha comida, tinha pra dar / eles não aceitaram porque
tinham vergonha na cara / pelo amor de Deus!, eles comeram capivara!”.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Sua verve lírica e sua defesa intransigente dos povos da
floresta, entretanto, sempre foram o ponto alto de suas composições, como podem
ser conferidas nas toadas “Já Rufou Meu Tambor”, “Campeão Lunar”, “O Índio”,
“Andirá”, “Caboclo Soberano”, “Fantasia de Criança”, “Mistérios da Ilha”, “Flor
de Tucumã” e “Lamento da Raça”, entre as mais de 80 pérolas que fez para seu
boi de coração.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Emerson Maia ficou conhecido mundialmente quando a canção
“Lamento da Raça” (“O índio chorou, o branco chorou, / todo mundo está chorando
/ A Amazônia está queimando / Ai, ai, que dor / Ai, ai, que horror”) foi
cantada por uma brigada de incêndio de Roraima, enquanto os brigadistas
combatiam um dos maiores incêndios da região. A filmagem da cena inusitada foi
compartilhada na internet e viralizou rapidamente, obtendo mais de 20 milhões
de acessos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Funcionário de carreira do Banco do Brasil, Emerson Maia
abandonou a carreira de bancário, na virada do terceiro milênio para cuidar dos
negócios do sogro, o empresário Osmar Faria, e começou gradualmente a se
afastar do Garantido. Primeiro, ele montou uma fábrica de gelo. Depois, fechou
a fábrica e, no local, criou o Aldeia Iate Clube, um imenso chapéu de palha que
funcionava como bar e restaurante, e que ficou conhecido como “Maloca do
Jurupari” por conta do “bom-humor” do proprietário.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Mais tarde, ele fechou o bar e restaurante e no local criou
a Marina Morena, a maior da ilha, com capacidade de ancoradouro para 300
barcos. Era nesse lugar bucólico que ele recebia os poucos amigos para sessões
de cantorias que entravam pela madrugada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 2018, ele fez a toada intitulada “A Coisa Mais Linda do
Mundo”, que obteve um sucesso avassalador nos ensaios do bumbá Garantido, mas
não foi tocada em nenhuma das três noite na arena durante o festival: “A coisa
mais linda do mundo / é quando no mês de junho / no meu São José / em cada
rosto, um sorriso / é a festa do boi Garantido / que já vai começar / a tampa
da chaleira vai voar / vai ter pé-de-moleque, vai / bolinho de crueira, vai /
vai ter muita cachaça / vai ter muita mulher / vou me pegar com Santo Antônio /
com certeza este ano / eu sei que vou me arrumar / no meu boi-bumbá / vai ter
muita toada, vai / muito verso bonito, vai / ao som da Batucada / que me faz
delirar / esse é meu boi Garantido / ele é o touro mais lindo / é o rei desse
lugar”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Revoltado com o que considerou um desrespeito dos diretores
do Garantido pela sua história dentro do bumbá, Emerson Maia abandonou o touro
branco no mesmo ano e foi ser compositor do Caprichoso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Emplacou duas toadas no repertório do touro negro:
“Caprichoso, um canto novo de esperança” e “Fumaça de Ervas”, esta última em
parceria com o filho Emersonzinho: “Vajucá, junçá, catucá / manacá, angico,
aroeira, juremá / eu sou o profeta da mata / que guarda os caminhos / que levam
às plantas sagradas / dos ritos antigos do povo encantado Tupi / eu sou a tribo
dizimada / que vive no reino de Tanaruê / que passou pros seus filhos / seres
encantados que guardam este povo sangrado / sou catimbozeiro pajé curandeiro
índio brasileiro / eu sopro a fumaça de ervas / a força da planta altera / o
plano do espírito / e traz os antigos de volta ao presente / pra nos ajudar /
eu sou Daniel toadeiro / sou Mestre Horácio boiadeiro / sou Boi Caprichoso e
trouxe pra arena / jurema sagrada pra nos ensinar / que o amor, somente o amor
/ pode curar (a alma, o corpo, a mente, o espírito, o mundo) / que o amor,
somente o amor pode salvar / eu sopro a fumaça de ervas / os entes da mata em
assembleia / ensinam pro povo que a mãe-natureza / é sagrada, devemos preservar
/ eu sou Caboclo Sete Flechas / sou índio guia Pena Verde / sou boi Caprichoso
e trouxe pra arena / jurema sagrada pra nos ensinar”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O querido Emerson Maia, que estava em Manaus para tratamento
de uma cirrose hepática, agravada por um princípio de tuberculose, morreu na
manhã de uma sexta-feira, 14 de agosto de 2020, por complicações causadas pela
Covid-19. Tenho (temos) saudade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/3729187839771828368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/3729187839771828368?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/3729187839771828368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/3729187839771828368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/emerson-maia-o-eterno-xama-do-festival.html' title='Emerson Maia, o eterno Xamã do Festival de Parintins'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg0OVMKW16G7ULoHQwkJIkXHekG6VvT0gTpHfB5yLuq3EGG4iXSSUmcMvkH3FNluAOJWDUc5D1cxJw4pd0zCImO9_8gaK1fnHywI0fIe-CB-ooBqa6kuh-oBRgZ0TgBpbwg8Rv2mFrfruHtUnBCXiBFngQufl2ofVGuxenFYwPewMMZ0CJ_vsODDA/s72-w474-h316-c/Emerson-Maia-123.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-1908192861178575668</id><published>2026-10-25T15:53:53.079-04:00</published><updated>2026-10-25T15:55:06.965-04:00</updated><title type='text'>O inesquecível J. Carlos Portilho, o &quot;Periquito&quot;, um dos inventores do Festival de Parintins</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhC1_Bvc-L_APug7EOZzjFleSlzK6TjpilAqs5Ap_C4HQ3LsWhbL5V-9TkSerLbUhPGxHYv_RRZP0JXvTfsOlk7t-niyqTgqqbIE8kbbp715ygwlffu7q29l50f1Vw4k06CsrjKSHN-Q_zJXSqMUQ6cEOKufIJNDaWNHeV2-fUeD_OU8rpsi2Zdmw/s810/jcarlosport1-810x608.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;608&quot; data-original-width=&quot;810&quot; height=&quot;314&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhC1_Bvc-L_APug7EOZzjFleSlzK6TjpilAqs5Ap_C4HQ3LsWhbL5V-9TkSerLbUhPGxHYv_RRZP0JXvTfsOlk7t-niyqTgqqbIE8kbbp715ygwlffu7q29l50f1Vw4k06CsrjKSHN-Q_zJXSqMUQ6cEOKufIJNDaWNHeV2-fUeD_OU8rpsi2Zdmw/w419-h314/jcarlosport1-810x608.jpg&quot; width=&quot;419&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cantor e compositor José Carlos Portilho, o “Periquito”,
começou a escrever poemas em 1965, quando tinha 12 anos. Aos 14 anos, começou a
tocar violão e estudar canto orfeônico com as freiras italianas do Colégio N.
S. do Carmo. Aos 16 anos, já disputava o 1º Festival da Canção de Parintins, em
1969, obtendo um honroso 2º lugar, com letra e música de sua autoria (“Quem
Somos Nós?”).&lt;p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Aos 17 anos, arrancava suspiros das adolescentes
parintinenses, fosse imitando seu ídolo musical, Gianni Morandi, fosse
mostrando suas próprias músicas, durante apresentações no Teatro da Paz ou em
arraiais, quermesses e programas radiofônicos da cidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Nos anos 80, se transformou em figura carimbada nos
festivais de música de Parintins, Óbidos, Santarém e Manaus, quase sempre
disputando o primeiro lugar com seus amigos e conterrâneos, os também cantores
e compositores Emerson Maia, Tony Medeiros e Paulinho Du Sagrado. Ao longo de
sua carreira, ele escreveu mais de 350 composições musicais, incluindo 107
toadas para o boi Caprichoso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Formado em Letras pela UERJ, com especialização em
Administração Pública pela USP, J. Carlos Portilho era funcionário de carreira
do Banco do Brasil e não tinha qualquer afinidade com os bumbás de Parintins.
Sua praia era a MPB, de Chico Buarque, Milton Nascimento e Quinteto Violado, e
a poesia de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e João Cabral de Melo
Neto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Por isso, no início de 1983, ele recebeu com surpresa um
convite de seus colegas bancários – Geraldo Medeiros, Tico, Carlos Dorvan,
Acinelson e Norma Medeiros – para ser compositor do boi Caprichoso. A causa era
nobre: o principal compositor do touro negro, Raimundinho Dutra, estava de
mudança definitiva para Manaus. O repertório do touro negro estava muito
repetitivo porque se limitava às toadas feitas por Raimundinho Dutra e outros
compositores da velha guarda do Caprichoso. A torcida azul e branca queria
novidades. Make it new.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Aos 30 anos, J. Carlos Portilho resolveu encarar a missão
com afinco e denodo. Primeiro, ele quis testar até onde iria a sua (dele)
liberdade de criação. O Brasil estava convulsionado pela emenda Dante de
Oliveira pedindo eleições diretas para presidente e ele fez uma toada nesse
diapasão: “Alô meu povo quer votar pra presidente desta nação brasileira, /
diretas já minha gente, votando pra presidente, / hoje eu me sinto orgulhoso em
ser Caprichoso / quem viver verá que este é meu canto de guerra / desfraldando
o azul e branco do campeão desta terra”. Mesmo em plena ditadura militar, a
toada foi aprovada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Até aquela data, as toadas dos dois bois eram exclusivamente
percussivas. O compositor J. Carlos Portilho introduziu o violão e o cavaquinho
no acompanhamento das novas toadas do Caprichoso para dar uma camada mais
melódica às composições.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Para muita gente, aquilo soou como um anátema, uma
desvirtuação das toadas feitas pelos antigos mestres (Ambrósio, Zazá, Horácio,
Pitombeira, Vavazinho, Nilo Gama, Raimundinho Dutra, Nelsinho Bulcão, etc). A
diretoria do Caprichoso aprovou a inovação. O “contrário” torceu o nariz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Na sequência, J. Carlos Portilho criou um grupo musical,
“Sangue Azul”, para gravar as músicas em fitas K7 e colocar na Rádio Alvorada
para tocar, já que até então não eram feitos registros musicais das toadas. As
músicas eram gravadas na própria residência do compositor da forma mais amadora
possível. O equipamento era um aparelho 3 em 1 da Gradiente com apenas um
microfone de entrada. Os oito músicos se posicionavam em torno do microfone e
metiam a mão na massa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Antes mesmo que a gravação fosse concluída, já havia na
frente da casa alguns torcedores do Caprichoso montados em motocicleta –
Afrânio Gonçalves, Henrique Medeiros, Márcia Baranda, Marta Medeiros – para
pegar a fita no sistema vapt-vupt e levar para a Rádio Alvorada. A diretoria do
Caprichoso aprovou a novidade. O “contrário” torceu o nariz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Consciente de que seria incapaz de montar sozinho um novo
repertório para o diamante negro, J. Carlos Portilho começou a frequentar os
programas radiofônicos da cidade para exortar os compositores a mostrarem suas
músicas no curral do Caprichoso, que era uma oportunidade única de vê-las sendo
cantadas pela galera azul e branca durante o festival.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Entre os compositores que atenderam ao chamamento estavam
Geraldo Brasil, Carlos Magno (mais conhecido como “Carlos Pato”), Neil
Armstrong, Franco Costa, Carlos Paulain, Heliomar Conceição, Sales Santos, Hugo
Levy, Lélio Lauria, Ariosto Braga e Jovelino Silva, entre outros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1984, J. Carlos Portilho soube que o boi Caprichoso havia
feito uma apresentação em Maués que tinha sido um verdadeiro vexame – 80% da
população da cidade torcia pelo Garantido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Para tentar reverter a situação, o compositor fez a toada
“Maués, Terra Encantada”, em que a temática indígena foi incluída pela primeira
vez em uma composição: “Maués / mostra a cultura de um povo / que tens e que és
/ Pedaço de chão brasileiro / Terra de índios guerreiros / Sateré-Mawé /
Cerêçaporanga que um dia / dos olhos negros nascia / a lenda do guaraná”. A
música fez um sucesso estrondoso no festival de Parintins e em Maués,
reequilibrando a divisão entre torcedores de Garantido e Caprichoso na terra do
guaraná.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1985, também perplexo com o falecimento prematuro do
presidente Tancredo Neves, J. Carlos Portilho fez uma pungente toada sobre o
infausto acontecimento intitulada “Liberdade: um canto azul e branco”: “Partiu
/ na certeza de quem cumpriu / Liberdade pro meu Brasil / Tancredo foste herói
nacional / deixaste / um legado de paz e amor / que a todos conciliou /
morreste / e ficou um sentimento civil / lutaste por causa tão nobre / no
norte, no leste e no sul / recebe a homenagem do povo de azul / e hoje brilhas
no infinito / reluz o Cruzeiro do Sul / recebe os aplausos do povo de azul”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A emoção tomou conta da arena, com milhares de torcedores
indo às lágrimas. A toada rendeu uma comenda de Honra ao Mérito dada ao
compositor no Congresso Nacional, por D. Risoleta Neves, viúva de Tancredo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No mesmo ano, o jornalista e músico Fred Góes retornou a
Parintins depois de uma bem-sucedida carreira musical no sul do país e assumiu
a direção musical do boi Garantido. Na mesma época, Paulinho Du Sagrado e Tony
Medeiros haviam criado o grupo Ajuri, nos moldes do grupo Sangue Azul, mas para
acompanha-los como banda de apoio nos festivais de música.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Por sugestão de Fred Goés, Paulinho Faria recrutou alguns
músicos talentosos e criou o Regional Vermelho e Branco, para dar suporte
melódico às toadas do Garantido e também para gravarem as toadas em fita K7,
tal como o Caprichoso já vinha fazendo há dois anos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1986, J. Carlos Portilho comprou uma chácara à beira do
Lago Macurany, que passou a ser o estúdio improvisado para a gravação das agora
já famosas fitas K7. O grupo Sangue Azul nunca teve uma formação fixa, mas
sempre contou com algumas peças chaves: Portilho, Rey Azevedo e Franco Costa
nos vocais principais, Geraldo Brasil e Neil Armstrong no violão, Mauro Mendes
no cavaquinho e alguns batuqueiros escolhidos a dedo na Marujada de Guerra para
fazer a cozinha rítmica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Nesse ano, Portilho e Carlos Pato compuseram “Vaquejada”,
considerada um dos hinos do festival: “Este ano eu vou / erguer minha bandeira
/ este ano eu vou / erguer minha bandeira / Eu vou tu vais / Eu vou eu vou / Eu
vou tu vais / Eu vou eu vou / Reunir meus vaqueiros / pra tocar a boiada /
convidei a morena / pra ver de pertinho a minha vaqueirada / Vem ouvir urro
forte / que vem lá norte / pode preparar / é meu boi Caprichoso / alegria do
povo que esta pra chegar”. De quebra, durante a apresentação da toada na arena,
introduziram a primeira “paradinha” na história do festival, executada com
maestria pela Marujada de Guerra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1987, J. Carlos Portilho ficou abespinhado quando viu um
moleque de 18 anos, deficiente visual, cantando verdadeira pérolas da MPB com
uma voz firme, melodiosa e afinada, em um dos bares de Parintins. Ele não
sossegou o facho enquanto não convenceu o rapaz, chamado David Assayag Neto, a
ser a voz principal do grupo Sangue Azul e a tomar parte na família azul e
branca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Por essa época, o vocalista Franco Costa já estava pensando
em deixar o grupo e também abandonar de vez a função de levantador oficial do
boi Caprichoso. No papel de diretor musical do touro negro e selecionador
oficial das toadas que seriam cantadas na arena, Portilho não pretendia deixar
a peteca cair. A bela voz de David Assayag começou a ser ouvida na Rádio
Alvorada pela primeira vez a partir das fitas K7 daquele ano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1988, os músicos do Sangue Azul estavam reunidos na
chácara de J. Carlos Portilho para gravar as músicas daquele ano quando surgiu
no local o violonista Sílvio Fernando (apelidado por Portilho de “Sílvio
Camaleão”) tocando “Guantanamera” em um instrumento parecido com um cavaquinho.
Impactado pela sonoridade estranha do instrumento, Portilho quis saber do que
se tratava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– É um charango boliviano do Fred Góes. Estou tomando lições
dele para aprender a tocar o bicho! – explicou Camaleão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Pois então aprende logo, mas não fala nada pra ninguém,
que nós vamos substituir o cavaquinho pelo charango nas toadas do Caprichoso! –
avisou Portilho. – A sonoridade dele permite uma modulação sonora quase
impossível de ser alcançada pelo cavaquinho…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Dito e feito. Naquele mesmo ano, o charango de Sílvio
Camaleão era ouvido pela primeira vez na inauguração do Bumbódromo. A saraivada
de críticas que o diretor musical do Caprichoso recebeu não estava no gibi.
Muitos puristas atribuíram a derrota do Caprichoso naquele ano à introdução do
instrumento alienígena na estrutura musical do dois-pra-lá-dois-pra-cá. A mídia
só faltou crucificar o compositor. Não adiantou muita coisa. Dois anos depois,
o “contrário” também introduzia o charango na brincadeira, que hoje é
praticamente obrigatório.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1989, J. Carlos Portilho estava saboreando um “galeto de
arraial”, durante uma quermesse na Praça da Igreja Sagrado Coração de Jesus,
quando ouviu um moleque de 21 anos cantando “Morena Tropicana”, de Alceu
Valença.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O levantador de toadas Franco Costa já havia avisado que não
entraria na arena naquele ano. O vocalista David Assayag queria continuar sendo
a voz do grupo Sangue Azul, mas não queria participar do evento na arena.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Portilho não sossegou o facho enquanto não convenceu o
rapaz, chamado Arlindo Júnior, a fazer um teste para ser o novo levantador de
toadas do Caprichoso e tomar parte na família azul e branca. O rapaz disse que
ia conversar com seu pai a respeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Naquele ano, J. Carlos Portilho havia decidido gravar um LP
em vinil do touro negro e começou a correr atrás de patrocínio. O grupo Sangue
Azul estava começando as gravações na chácara do compositor quando surgiu
Arlindo Júnior. Ele cantou uma ou duas toadas, mas não quis participar do
disco, que acabou tendo Davi Assayag como voz principal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Incentivado pelos músicos do Sangue Azul, Arlindo Júnior
começou a frequentar os ensaios no curral do Caprichoso e, naquele mesmo ano,
foi anunciado como novo levantador de toadas do bumbá. Conquistou a nação azul
e branca na hora em que entrou na arena. Passou 15 anos na função. O disco
“Caprichoso Alegria do Povo – Boi-bumbá de Parintins” foi lançado durante o
festival. O “contrário” lançaria seu primeiro LP em vinil no ano seguinte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1991, o compositor Chico da Silva anunciou que estava
deixando o boi Caprichoso para ser compositor do boi Garantido. Era a primeira
vez que uma estrela de primeira grandeza mudava de time. Logo depois, o
compositor Ronaldo Barbosa abandonou o boi Garantido e foi ser compositor do
boi Caprichoso. Chico da Silva passou 10 anos no Garantido e depois voltou para
o Caprichoso. Ronaldo Barbosa permanece no Caprichoso até hoje.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1994, na véspera da gravação da fita K7 do Caprichoso, J.
Carlos Portilho soube que o grupo Sangue Azul estava fazendo uma série de
apresentações em Belém (PA) e que não conseguiria chegar a tempo para
participar da gravação. Ele convocou novos músicos, rebatizou o grupo de “Canto
da Mata” (sugestão do compositor Ronaldo Barbosa) e conduziu as sessões
musicais na sua chácara.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Foi a última vez que Arlindo Júnior e David Assayag
dividiram os vocais em uma série de toadas do touro negro. No ano seguinte,
Davi Assayag se tornaria levantador de toadas oficial do boi Garantido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Aquela também foi a última fita K7 do Caprichoso gravada na
chácara de J. Carlos Portilho. Com a eleição do governador Amazonino Mendes
naquele ano, os bumbás de Parintins passariam a receber aportes financeiros do
governo estadual e de empresas multinacionais para profissionalizar o festival
e transformá-lo em um megaevento turístico de categoria mundial. A fase
amadorística dos bumbás havia chegado ao fim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Também em 1995, com a entrada de Mailzon Mendes, Alex Pontes
e Aluízio Brasil no grupo, o Canto da Mata seria repaginado, adquiriria
personalidade própria e chegaria a gravar seis CDs com composições autorais nos
20 anos seguintes. Antes de entrarem para a banda, Mailzon e os demais
integrantes fizeram parte de grupos de pagode em Parintins e cantaram em
igrejas de Manaus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Um dos diferenciais do Canto da Mata é a mistura de ritmos
que foram incorporados às toadas. “Fizemos uma linha melódica mais comercial.
Falamos o que acontece no nosso dia a dia, queremos deixar uma mensagem de
positividade nas nossas letras. Essa fórmula deu certo”, afirma Mailzon.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Dançante e com coreografia fácil, o hit “Ritmo Quente” fez o
maior sucesso nas rádios da região Norte em 1997 e é conhecido até hoje.
Mailzon conta que a composição nasceu durante uma viagem de ônibus para o
município de Presidente Figueiredo. “Na época, ainda era Arlindo Jr &amp;amp; Canto
da Mata. O Alex sempre andou com um gravador no bolso e eu também. Do nada,
pintou uma melodia. Na hora, todo mundo começou a cantar uma letra que não
tinha nada a ver com o Ritmo Quente conhecido hoje em dia. Mais tarde, fizemos
a letra definitiva, levamos ao J. Carlos Portilho e ele aprovou. A música
entrou no CD do Caprichoso daquele ano”. O antigo grupo Sangue Azul foi
rebatizado de Regional Azul e Branco e continuou sendo a banda de apoio do
Caprichoso na arena. E nada mais seria como antes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O compositor J. Carlos Portilho continuou sendo o diretor
musical do touro negro até 2001, quando se aposentou pelo Banco do Brasil e
passou a residir em Manaus. Nesse meio tempo, ele ajudou a introduzir na
brincadeira o baixo elétrico (1993), teclados (1994), violinos (1996), metais
(1997) e continuou sendo um dos compositores de ponta do touro branco. Não é
pouca porcaria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Infelizmente, o querido J. Carlos Portilho faleceu numa
sexta-feira, dia 16 de abril de 2021, aos 69 anos, em São Paulo. Ele lutava
contra a Covid-19 e as sequelas do vírus desde o dia 24 de fevereiro, quando
foi diagnosticado com a doença. No dia seguinte, viajou para São Paulo e se
internou no hospital São Camilo, onde foi intubado no dia 4 de março. Chegou a
ser extubado no dia 8, mas submeteu-se ao mesmo procedimento três dias depois,
com o agravamento do quadro, vindo a óbito. Continua presente em nossa memória
e nos nossos corações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/1908192861178575668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/1908192861178575668?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/1908192861178575668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/1908192861178575668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/o-inesquecivel-j-carlos-portilho-um-dos.html' title='O inesquecível J. Carlos Portilho, o &quot;Periquito&quot;, um dos inventores do Festival de Parintins'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhC1_Bvc-L_APug7EOZzjFleSlzK6TjpilAqs5Ap_C4HQ3LsWhbL5V-9TkSerLbUhPGxHYv_RRZP0JXvTfsOlk7t-niyqTgqqbIE8kbbp715ygwlffu7q29l50f1Vw4k06CsrjKSHN-Q_zJXSqMUQ6cEOKufIJNDaWNHeV2-fUeD_OU8rpsi2Zdmw/s72-w419-h314-c/jcarlosport1-810x608.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-3272561491285677760</id><published>2026-10-24T18:27:50.122-04:00</published><updated>2026-10-24T18:27:50.122-04:00</updated><title type='text'>O espírito de Ezra Pound baixa em Parintins</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjdEI-zBmC_iSOM-tHFuT1BfncrghtbfsgU_N42aGa7vmOK75_242LMa4RHVA1c3QzCoAC4wPGDUorS3duVzADHMvfz68079lQ1MEAiKoO4_ewdkFchlZn81yIu5itic7n8zEXyvq2vRn9KmgzZgC5znA27YIPVCqR-WrI0HVDNwdMdVLePImK7Yw/s1471/Retrato%20Teatral%20de%20um%20Poeta%20em%20Reflex%C3%A3o.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1471&quot; data-original-width=&quot;1069&quot; height=&quot;515&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjdEI-zBmC_iSOM-tHFuT1BfncrghtbfsgU_N42aGa7vmOK75_242LMa4RHVA1c3QzCoAC4wPGDUorS3duVzADHMvfz68079lQ1MEAiKoO4_ewdkFchlZn81yIu5itic7n8zEXyvq2vRn9KmgzZgC5znA27YIPVCqR-WrI0HVDNwdMdVLePImK7Yw/w375-h515/Retrato%20Teatral%20de%20um%20Poeta%20em%20Reflex%C3%A3o.png&quot; width=&quot;375&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O escritor, crítico literário e poeta Ezra Pound atuou como
editor e impulsionador crucial das carreiras de grandes nomes como T.S. Eliot,
James Joyce, Ernest Hemingway, Robert Frost e W.B. Yeats. Ele foi o principal
articulador da estética modernista na poesia de língua inglesa, ajudando a
romper com as estruturas rígidas e sentimentais da era vitoriana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ezra Pound revolucionou a tradução de textos clássicos
(especialmente chineses e latinos), introduzindo a ideia de recriação crítica e
poética. No Brasil, essa abordagem influenciou diretamente os poetas do
movimento Concretista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em um de seus ensaios mais famosos, ele propôs a existência
de três classes de criadores: “inventores”, os que descobrem um novo processo
ou cuja obra nos dá o primeiro exemplo conhecido de um processo, os “mestres”,
os que fazem várias combinações do processo inicial e se saem tão bem ou melhor
do que os inventores, e os “diluidores”, aqueles que vieram depois e não foram
capazes de realizar tão bem o trabalho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ezra Pound falava de literatura. Mas a gente pode usar seus
argumentos para falar de música. Tomando como exemplo o baião nordestino, Luiz
Gonzaga, nos anos 1940, desenvolveu uma maneira particular de tocar o baião.
Ele não era bem um compositor ou um letrista (poesia mesmo quem fazia eram os
seus parceiros Humberto Teixeira e Zé Dantas), mas Gonzagão acabou sendo
respeitado como um autêntico inventor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Um estilo musical nem sempre nasce pelas mãos de um homem
só. Uma pessoa pode criar um modo diferente de tocar um ritmo (como João
Gilberto e seu violão “bossa nova”), mas quase sempre há um conjunto de outras
pessoas (arranjador, letrista, intérprete) que contribuem para que a “invenção”
tome sua forma final.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Mozart foi um mestre que não inventou a ópera, mas suas
óperas são de uma excelência que seus predecessores não tinham alcançado. Na
maioria das vezes, essa fronteira entre inventor e mestre é muito pequena, pois
na medida em que um músico usa um estilo pré-existente e insere nele novas
combinações harmônicas, rítmicas e estruturais, há um componente de invenção e
originalidade que não se pode subestimar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Nas toadas de Parintins, um pequeno grupo de “inventores”
foi decisivo para que o desenvolvimento das composições atingisse o patamar de
qualidade que perdura até os dias de hoje: J. Carlos Portilho, Emerson Maia,
Fred Góes, Tony Medeiros, Inaldo Medeiros, Ronaldo Barbosa e Chico da Silva.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Mas o culto ao inventor, como já ensinou o poeta, crítico
literário, filósofo e escritor Antônio Cícero, irmão da cantora Marina Lima,
também é frequentemente associado ao slogan “make it new”, de Ezra Pound, que
pode literalmente ser traduzido por “faça-o novo” e, menos literalmente, por
“faça o novo”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Na Atenas clássica, Isócrates já dizia que o importante não
é fazer o mais novo, mas o melhor. O poeta Haroldo de Campos interpreta “make
it new” como uma exortação a “remastigar a herança cultural universal para
nutrir o impulso: renovar”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A injunção de Pound também deve ser entendida a partir da
definição que ele próprio dá para a literatura como “news that stay news”:
novas que permanecem novas, novidades que permanecem novidades. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O novo que permanece novo não é simplesmente “o novo”, mas
aquilo que não envelhece. “Um clássico é um clássico”, afirma Pound, com toda
razão, “porque possui um certo eterno e irreprimível frescor”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os poetas líricos gregos pensavam desse modo. Os poetas
épicos haviam considerado as Musas – as deusas que inspiram os poetas – como
filhas da Memória. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Supõe-se, às vezes, que isso representasse o reconhecimento
da importância da memória e da memorização para a poesia oral. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Outra hipótese é que esse mito refletisse o fato de que os
poemas épicos preservavam a memória de feitos originários da comunidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os poetas líricos, porém, compreenderam que o que preservava
a memória dos feitos da comunidade era a memorabilidade dos próprios poemas que
cantavam tais feitos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Para eles, o feito mais memorável de todos era, portanto, o
próprio poema. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A memória da Guerra de Tróia era preservada, não tanto
porque fosse, ela mesma, memorável, mas em virtude da memorabilidade do poema
que a cantava, a “Ilíada”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Nesse sentido, as Musas eram filhas da Memória porque
representavam a fonte da qualidade (divina) que tornava os poemas deles – mesmo
quando não tratavam dos “grandes temas”, mas apenas, por exemplo, dos seus
amores – inesquecíveis, memoráveis, dotados de “eterno e irreprimível frescor”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Foi trilhando nessa mesma senda e utilizando como
matéria-prima o mesmo espírito criativo dos antigos poetas líricos da Grécia
antiga que J. Carlos Portilho, Emerson Maia, os irmãos Inaldo e Tony Medeiros,
Fred Góes, Ronaldo Barbosa e Chico da Silva produziram o mais bem-acabado
repertório de toadas do Festival de Parintins, quase todas hoje incluídas na
categoria de verdadeiros clássicos do dois-pra-lá-dois-pra-cá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Conhecer a história de cada um deles é uma boa maneira de
entender porque Parintins virou a capital cultural da Amazônia. Ninguém disse
que ia ser fácil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/3272561491285677760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/3272561491285677760?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/3272561491285677760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/3272561491285677760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/o-espirito-de-ezra-pound-baixa-em.html' title='O espírito de Ezra Pound baixa em Parintins'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjdEI-zBmC_iSOM-tHFuT1BfncrghtbfsgU_N42aGa7vmOK75_242LMa4RHVA1c3QzCoAC4wPGDUorS3duVzADHMvfz68079lQ1MEAiKoO4_ewdkFchlZn81yIu5itic7n8zEXyvq2vRn9KmgzZgC5znA27YIPVCqR-WrI0HVDNwdMdVLePImK7Yw/s72-w375-h515-c/Retrato%20Teatral%20de%20um%20Poeta%20em%20Reflex%C3%A3o.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-2162452515827082887</id><published>2026-10-23T18:14:33.736-04:00</published><updated>2026-10-23T18:14:33.736-04:00</updated><title type='text'>A construção festiva do Bumbá Caprichoso</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjjad_2Vta2P2dru6PHQkymSHiuX8tmy7iOVx0psIqTv7GE-MIp51WJtw4I8uTVmtAABiPlcPlWe43JQC6c4GHkqxF-Fe7lpbhkfSrrYu14mvp2XHDuU5wTyYtUC1_qiia-_jZQprfARNaaGsZAtd4oTNCpKqWVzANX1lBXpt6q6PYwsQIQ78YYFQ/s1200/caprichoso-festival-de-parintins.webp&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;675&quot; data-original-width=&quot;1200&quot; height=&quot;273&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjjad_2Vta2P2dru6PHQkymSHiuX8tmy7iOVx0psIqTv7GE-MIp51WJtw4I8uTVmtAABiPlcPlWe43JQC6c4GHkqxF-Fe7lpbhkfSrrYu14mvp2XHDuU5wTyYtUC1_qiia-_jZQprfARNaaGsZAtd4oTNCpKqWVzANX1lBXpt6q6PYwsQIQ78YYFQ/w485-h273/caprichoso-festival-de-parintins.webp&quot; width=&quot;485&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Para entender melhor o surgimento do Caprichoso no contexto
do folclore de Parintins também é importante ler o livro “A Verdadeira História
do Festival de Parintins”, de Raimundinho Dutra, versador tradicional do bumbá
e oriundo de uma família tradicional do boi azul. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em um de seus relatos, Raimundinho Dutra diz ter escutado de
seus próprios pais que foi seu avô, o maranhense Marçal Mendes de Assunção, que
trouxe as primeiras danças para Parintins, fato ocorrido em 1888. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O local de realização dos ensaios do Caprichoso, conhecido
popularmente como curral, é chamado de Zeca Xibelão em homenagem ao primeiro
tuxaua do boi-bumbá. Ele está localizado na parte considerada como azul da
cidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O Bumbódromo situa-se na área central da cidade, traçando,
juntamente com a catedral de Nossa Senhora do Carmo e o cemitério local, uma
linha imaginária, que divide Parintins em uma metade leste e outra metade
oeste. O lado leste pertence ao Caprichoso, o lado oeste, ao Garantido. Simples
assim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Como já foi visto, há muita controvérsia sobre a história do
Caprichoso, uma vez que os bois de Parintins não eram associações legalmente
registradas e nem possuíam ampla cobertura da imprensa até a criação do
Festival. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Tudo o que se sabe atualmente foi levantado por
pesquisadores a partir de entrevistas com membros das duas entidades, além de
consultas a outros registros da tradição oral parintinense. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Some-se a isso o fato de que a extrema rivalidade entre os
bumbás faz com que ambas as entidades busquem se afirmar como a mais antiga, o
que leva seus torcedores e integrantes a defenderem teses que sugerem datas de
fundação bastante remotas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjhgo6kz8Ld7b-cqyhWacfs88ZBC5h8bUyc1mK2jESL1N-6T9dOU5P2v64MxT7XD2PlCY8aIISZ_p2rG_CmeRO4ObUdjPafdiwv0sdaqRQOxYIAwwG_B5Zf_kI2w8wLvcci39HS9Qo8JRobJNKs8IfcgkxEZAih4ozGZW6SClBTNbHs54RtITZr9A/s4029/Boi_Bumb%C3%A1_Caprichoso.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3987&quot; data-original-width=&quot;4029&quot; height=&quot;381&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjhgo6kz8Ld7b-cqyhWacfs88ZBC5h8bUyc1mK2jESL1N-6T9dOU5P2v64MxT7XD2PlCY8aIISZ_p2rG_CmeRO4ObUdjPafdiwv0sdaqRQOxYIAwwG_B5Zf_kI2w8wLvcci39HS9Qo8JRobJNKs8IfcgkxEZAih4ozGZW6SClBTNbHs54RtITZr9A/w385-h381/Boi_Bumb%C3%A1_Caprichoso.jpg&quot; width=&quot;385&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A diretoria do Caprichoso afirma, baseada em algumas versões
da tradição oral, que o boi foi fundado por João Roque, Félix e Raimundo Cid,
em 20 de outubro de 1913. Os três fundadores seriam irmãos, nascidos em Crato,
que se mudaram para Parintins devido ao Ciclo da Borracha.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ainda segundo esta versão, o boi recebeu esse nome devido à
sugestão de um advogado, de nome José Furtado Belém, que conhecida um outro
boi, de nome Caprichoso, que existia no bairro da Praça 14 de Janeiro, em
Manaus. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Defensores desta tese alegam ainda que “Touro Galante” seria
o apelido do Caprichoso à época. Ocorre que a própria diretoria do boi
Caprichoso já entrou em contradição.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 2001, o então deputado estadual Zezinho Faria propôs na
Assembleia Legislativa que fosse dado aos dois bois parintinenses a maior
comenda de mérito cultural do Amazonas, a comenda Ruy Araújo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O projeto foi aprovado e a cerimônia ocorreu em 7 de junho
de 2001, no auditório Dom Arcângelo Cerqua, localizado em Parintins. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O Garantido foi representado por seu ex-Amo, João Batista
Monteverde, filho de seu fundador. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Indicado como fundador do boi Caprichoso à ALE-AM, Luiz
Gonzaga foi representado por sua viúva, a senhora Izolina Gonzaga. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A senhora Gonzaga recebeu a medalha em nome de seu
ex-marido, indicando a verdadeira “paternidade” do touro negro, das cores azul
e branca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhsS0Qp6YZMudsYGU4ZiU2bxIPdafWFAcZJaYVtDusizctHdeaXf-ykqtBuSoVKgNjHkqXJ9dvwodS8Kue84PeFhOEkxZkJgKpirP6sXJ8R8UN4RdKwuwNkYudlonZE5jCGyORJmojtvxOEJoMJB4J6I6BL8G33_K2Z5j5bxexzL3zr4OYtlNkAdg/s598/Captura%20de%20tela_23-10-2026_175623_www.instagram.com.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;598&quot; data-original-width=&quot;564&quot; height=&quot;404&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhsS0Qp6YZMudsYGU4ZiU2bxIPdafWFAcZJaYVtDusizctHdeaXf-ykqtBuSoVKgNjHkqXJ9dvwodS8Kue84PeFhOEkxZkJgKpirP6sXJ8R8UN4RdKwuwNkYudlonZE5jCGyORJmojtvxOEJoMJB4J6I6BL8G33_K2Z5j5bxexzL3zr4OYtlNkAdg/w381-h404/Captura%20de%20tela_23-10-2026_175623_www.instagram.com.jpeg&quot; width=&quot;381&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 2013, ano do suposto centenário dos dois bois, ocorreram
algumas manifestações em Parintins, organizadas pelos descendentes vivos de
Luiz Gonzaga, em que estes reivindicavam o reconhecimento de sua família como
cerne da verdadeira identidade do fundador do boi Caprichoso.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Segundo a referida família, a diretoria do boi Caprichoso
não prezava pela verdadeira história do boi azul, principalmente por querer
“ocultar” os detalhes comprovados oralmente por inúmeras testemunhas sobre o
surgimento da agremiação folclórica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Maria Inácia Gonzaga, filha do suposto fundador, afirmou que
o Caprichoso é parintinense, evidenciando ainda que Roque Cid (atualmente
apontado como o fundador da agremiação pela diretoria) era o fundador do boi
Galante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;“Querem colocar uma pessoa de fora para ser fundador do boi
em vez de valorizar quem é da terra, isso é falta de respeito. Meu pai é
parintinense, o Caprichoso nasceu em 1925, na rua Rio Branco, onde ainda moram
filhos e netos de Luiz Gonzaga”, diz ela. A história é apoiada por Maria do
Carmo Monteverde, filha de Lindolfo Monteverde, o fundador do Garantido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgjhNyjXJUIT6LGAFAJT_A_K9XmhWv-5NX0TB1n2XTlnlf2VqbqEWQ2lbHaVlO9yWQOje2uCZMHFKFwOZTBeXFWM5Ja1Og2e6zI9XvlwM2ltrlv6-3MT03pH5jRc9MvdyRZJQGztrjRzumxkTnLDcDqTo78cdy5JoKQ7CewDNv1kFZLY0lt3quRTQ/s679/166592_g.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;679&quot; data-original-width=&quot;600&quot; height=&quot;446&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgjhNyjXJUIT6LGAFAJT_A_K9XmhWv-5NX0TB1n2XTlnlf2VqbqEWQ2lbHaVlO9yWQOje2uCZMHFKFwOZTBeXFWM5Ja1Og2e6zI9XvlwM2ltrlv6-3MT03pH5jRc9MvdyRZJQGztrjRzumxkTnLDcDqTo78cdy5JoKQ7CewDNv1kFZLY0lt3quRTQ/w395-h446/166592_g.jpg&quot; width=&quot;395&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O cantor e compositor Chico da Silva, conhecido por suas
célebres toadas para os dois bois, afirmou, em 2018, durante o programa
#Toadas, do site BNC, que o boi Caprichoso foi fundado em 1925, e o contrário
em 1924.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;“O Garantido é de 1924 e o Caprichoso de 1925, esse é meu depoimento e
vamos parar com essas outras historinhas sem fundamento”, detonou.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os presidentes do bumbá Caprichoso, dos anos 80 em diante,
foram os seguintes: Rubem Santos (1985-1988), João Andrade (1989-1992), Ray
Viana (1993-1996), Joilto Azêdo (1997-2000), Dodózinho Carvalho (2001-2002),
César Oliveira (2003-2005), Carmona Oliveira Filho (2006-2010), Márcia Baranda
(2011-2013), Joilto Azêdo (2013-2016), Babá Tupinambá (2016-2019), Jender
Lobato (2019-2023) e Rossy Amoedo (desde 2023).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os Levantadores de Toada foram os seguintes: Franco Costa
(1983-1988), Arlindo Júnior (1989-1999), Renato Freitas (2000-2001), Robson
Junior (2002-2004), Arlindo Júnior (2005-2006), Edilson Santana (2007-2009),
David Assayag (2010-2020) e Patrick Araújo (desde 2021).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os Apresentadores foram os seguintes: Mário Gordo e Franco
Costa (1983-1986), Marcos Santos (1987-1989), Gil Gonçalves (1990-1997),
Arlindo Júnior (1998-2004), Júnior Paulain (2005-2013), Arlindo Júnior (2014),
Júnior Paulain (2015), Fabiano Neves (2016) e Edmundo Oran (desde 2017).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os Amos do Boi foram os seguintes: Rey Azevedo (1984-1998),
Benedito Siqueira (1999-1999), Rey Azevêdo (2000-2003), Renato Freitas (2004),
Edilson Santana (2005-2006), Prince do Boi (2007-2009), Edilson Santana
(2010-2013), Junior Paulain (2014), Edmundo Oran (2015-2016), Prince do Boi
(2017-2024) e Caetano Medeiros (desde 2025).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Entre os principais compositores do Caprichoso estão José
Carlos Portilho, Ronaldo Barbosa, Carlos Paulain, Chico da Silva, Raimundinho
Dutra, Sílvio Camaleão, Mailzon Mendes, Carlos Batata, Simão Assayag, Alceo
Anselmo, Paulinho Du Sagrado, Robson Júnior, Tadeu Garcia, Alex Pontes, Zezinho
Cardoso, Hugo Levy, Geovane Bastos, Ademar Azevedo, Adriano Aguiar, Klinger
Araújo, Ronaldo Barbosa Jr., Maurício Filho, Davi Jerônimo e Cézar Moraes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgpIdGSdXzALgjqz-Tlgt1fI4m52D-QgHohgDrteYYdd0EShD9zmXU7P_FZrH0AiUpG_W3IqeOkZf5g4633PeH66pah986wJq5g3LsEtiORvdffEDJEPkSJEsdwMQpCfHXtDdXBwV8P6hq9tSVLms9RrjyLbaoE_M-cvkJ-E7PI6jRwdhhzdBT6Mg/s571/Captura-de-tela_5-5-2025_215239_www.instagram.com_.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;571&quot; data-original-width=&quot;476&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgpIdGSdXzALgjqz-Tlgt1fI4m52D-QgHohgDrteYYdd0EShD9zmXU7P_FZrH0AiUpG_W3IqeOkZf5g4633PeH66pah986wJq5g3LsEtiORvdffEDJEPkSJEsdwMQpCfHXtDdXBwV8P6hq9tSVLms9RrjyLbaoE_M-cvkJ-E7PI6jRwdhhzdBT6Mg/s320/Captura-de-tela_5-5-2025_215239_www.instagram.com_.jpeg&quot; width=&quot;267&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O histórico compositor e poeta Raimundo Nonato de Jesus
Dutra, conhecido como Raimundinho Dutra, faleceu na noite de domingo, 4 de maio
de 2025, em Manaus, aos 94 anos.&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A diretoria do bumbá Caprichoso postou nas redes
sociais a seguinte Nota de Pesar:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;É com profundo pesar que recebemos a notícia do falecimento
de Raimundinho Dutra, um dos grandes nomes da história e da poesia do Boi
Caprichoso e do Festival de Parintins.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Poeta talentoso, Raimundinho marcou gerações com sua
sensibilidade e genialidade. Suas toadas, como “Aquarela do Touro Negro”, “Meu
Cântico de Guerra”, “Mocidade” e “Solo Amado”, embalaram as noites de Boi de
Rua e despertaram o sentimento mais genuíno de amor pelo boi da estrela na
testa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Foi ao som de suas composições que o Boi Caprichoso ganhou
vida nas ruas de Parintins, nos primórdios desta manifestação popular que hoje
encanta o mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Sua contribuição para a preservação e valorização da nossa
cultura é imensurável, e seu legado permanecerá vivo na memória de todos os
azulados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em nome do presidente Rossy Amoedo e do vice-presidente
Diego Mascarenhas, o Boi Caprichoso decreta luto oficial de três dias e se
solidariza com os familiares, amigos e com toda a nação azul e branca neste
momento de dor e despedida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Obrigado por tudo, Raimundinho. Sua poesia viverá para
sempre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/2162452515827082887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/2162452515827082887?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/2162452515827082887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/2162452515827082887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/a-construcao-festiva-do-bumba-caprichoso.html' title='A construção festiva do Bumbá Caprichoso'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjjad_2Vta2P2dru6PHQkymSHiuX8tmy7iOVx0psIqTv7GE-MIp51WJtw4I8uTVmtAABiPlcPlWe43JQC6c4GHkqxF-Fe7lpbhkfSrrYu14mvp2XHDuU5wTyYtUC1_qiia-_jZQprfARNaaGsZAtd4oTNCpKqWVzANX1lBXpt6q6PYwsQIQ78YYFQ/s72-w485-h273-c/caprichoso-festival-de-parintins.webp" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-2718311954798209998</id><published>2026-10-23T08:01:12.555-04:00</published><updated>2026-10-23T08:01:12.555-04:00</updated><title type='text'>A construção festiva do Bumbá Garantido</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj05MS-a-kMsxGDsGOcmw7V2Aew-OgAhQ2_e8BQl8WATGM8VoN__fvD1Yh_Tz5V908c2F8FvywNm-Jwg6IU3R-G6KePc56r5ssrdgytuenLAdAYvf5ZwsEOLj4r4WNqk2RHkIoVcYZzqo9JAj5hlNdQ9RJs7ceqG6gb762a0Cw63fRfVOMg9lt-Sg/s960/Paulinho%20Faria%20Eterno.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;960&quot; data-original-width=&quot;960&quot; height=&quot;427&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj05MS-a-kMsxGDsGOcmw7V2Aew-OgAhQ2_e8BQl8WATGM8VoN__fvD1Yh_Tz5V908c2F8FvywNm-Jwg6IU3R-G6KePc56r5ssrdgytuenLAdAYvf5ZwsEOLj4r4WNqk2RHkIoVcYZzqo9JAj5hlNdQ9RJs7ceqG6gb762a0Cw63fRfVOMg9lt-Sg/w427-h427/Paulinho%20Faria%20Eterno.jpg&quot; width=&quot;427&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;Paulinho Faria, símbolo do touro branco&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A família Faria foi a principal colaboradora do bumbá
Garantido na época em que os bois de Parintins ainda não recebiam apoio
financeiro de empresas privadas ou do governo e eram associados, com uma boa
carga de preconceito, a uma simples festa popular para pessoas de baixa renda. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Com o suporte da Loja Jotapê, de José Pedro Faria, seus
filhos Zezinho e Paulinho Faria comandaram o Garantido por cerca de duas
décadas, mais especificamente dos últimos anos de Lindolfo Monteverde à frente
do boi, no início da década de 70, até a chegada de investimentos externos, nos
anos 90. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Nascido em 2 de janeiro de 1902, em Parintins, filho de
maranhenses, o criador do Garantido, Mestre Lindolfo Monteverde, faleceu em 27
de julho de 1979, aos 77 anos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1982, foi fundada por Zezinho Faria a primeira pessoa
jurídica dos bois de Parintins: a Associação Folclórica Boi Bumbá Garantido. A
associação foi fundada para que a posse do terreno onde hoje é situado o
Curralzinho da Baixa pudesse ser entregue pela Loja Jotapê ao Garantido, e não
a uma pessoa física. A cerimônia de entrega da propriedade contou com a
participação de autoridades locais da época, como o então prefeito Gláucio
Gonçalves.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A gestão dos irmãos Faria é considerada, até hoje, a “Era de
Ouro” do Garantido, sendo considerada a época mais vitoriosa do bumbá quando
foi conquistado o único pentacampeonato da história do Festival Folclórico até
hoje (1980-1984) e o primeiro título disputado no Bumbódromo, em 1988. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O Garantido venceu também o tira-teima no ano seguinte, em
1989, no festival que marcou a despedida de Zezinho Faria do comando do boi com
a célebre frase: “A partir de agora, os bois já podem caminhar com suas
próprias patas”, em referência ao novo formato que teria o Festival de
Parintins, em que ambas as agremiações seriam patrocinadas pelo Governo do
Estado e por empresas multinacionais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Foi o fim da “Era de Ouro” do Garantido, período no qual o
Boi da Baixa do São José conquistou oito dos dez títulos disputados e o início
dos anos de Zé Walmir como presidente do Garantido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiOIdV6a8fI-esjL11v_os_jEOqNKPIJ18kzzwxdCjAIvS1r_8hYP5KhD_qmnP2goTgNANIHC9W2zL-7wPBni9behUjKO6VRNgLbvvEUjVT8qJPQgF9lTUUA80ZW8JFDEXz-x9tw7Y95GaoyqcQcDf16IVWYlRdHxKBKTwuYujPMDaQmk4jcpohXA/s1280/Maria_%C3%82ngela_Faria,_Madrinha_do_Boi_Garantido.JPG&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;960&quot; data-original-width=&quot;1280&quot; height=&quot;318&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiOIdV6a8fI-esjL11v_os_jEOqNKPIJ18kzzwxdCjAIvS1r_8hYP5KhD_qmnP2goTgNANIHC9W2zL-7wPBni9behUjKO6VRNgLbvvEUjVT8qJPQgF9lTUUA80ZW8JFDEXz-x9tw7Y95GaoyqcQcDf16IVWYlRdHxKBKTwuYujPMDaQmk4jcpohXA/w424-h318/Maria_%C3%82ngela_Faria,_Madrinha_do_Boi_Garantido.JPG&quot; width=&quot;424&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A matriarca da família Faria, dona Maria Ângela, falecida em
20 de fevereiro de 2014, ficou conhecida como a eterna “Madrinha do Boi”, sendo
homenageada todos os anos durante a Festa da Alvorada, com os torcedores do
Garantido passando solenemente em frente à sua residência. Dona Maria Ângela
morreu de causas naturais, aos 91 anos, na casa onde sempre residiu.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Considerada uma das principais personalidades da cidade,
dona Maria Ângela ficou conhecida mundialmente por assumir o amor pelo boi do
coração de uma maneira radical: ao pintar a casa e todos os móveis da
residência com as cores vermelho e branco, transformando o local em um dos
pontos turísticos da cidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Por conta disso, dona Maria Ângela conquistou a admiração
não só de torcedores do boi vermelho e branco, mas também do “contrário”, que
se inspiraram no seu exemplo para replicar a dose no bumbá Caprichoso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgoKXE6jizNw3MndaKuLiChSKAxYPh6SKDHOLjmbuKVYI35VP26U7XDUGL8UxAOJzBOfcw8EphASfHOK4XU0DdR9s6AOWSjQ-upbi0_iPioBp6mEIrjuplvafXnS2MrOjp53Ra0tHf0x8YY4U1DGVNjmu-bVcnaAAdMcgNG38Qn9M6qI8HRNUseqQ/s400/piscina2.webp&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;400&quot; data-original-width=&quot;300&quot; height=&quot;415&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgoKXE6jizNw3MndaKuLiChSKAxYPh6SKDHOLjmbuKVYI35VP26U7XDUGL8UxAOJzBOfcw8EphASfHOK4XU0DdR9s6AOWSjQ-upbi0_iPioBp6mEIrjuplvafXnS2MrOjp53Ra0tHf0x8YY4U1DGVNjmu-bVcnaAAdMcgNG38Qn9M6qI8HRNUseqQ/w311-h415/piscina2.webp&quot; width=&quot;311&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O amor pelo Boi do Povão era tanto que dona Maria Ângela não
admitia a entrada de nada azul, cor do Caprichoso, em sua casa: nem a piscina,
também pintada de vermelho, podia ter água, senão ficava azul. A piscina
permanentemente vazia era um dos charmes da residência.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O Garantido sempre teve um coração na testa, só que antes
era pintado de preto. Em outubro de 1982, na inauguração da nova sede do Banco
do Estado do Amazonas (BEA), onde hoje fica o Bradesco, Jair Mendes pintou um
mural que exibia os dois bois de Parintins.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Dona Maria Ângela Faria, ao ver o mural, chamou Jair para
pedir a ele que pintasse o coração de vermelho, pois, em suas palavras,
“ficaria muito mais bonito”. O coração vermelho foi visto pela primeira vez
neste mural na sede do BEA, tendo sido muito bem recebido pela galera vermelha
e branca. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ele apareceu pela primeira vez na cor vermelha na testa do
Garantido no festival do ano seguinte, em 1983, ano em que o Garantido venceria
o seu quarto título consecutivo que culminaria no primeiro, e até hoje inédito,
pentacampeonato, consumado em 1984.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLQ4KFro5eHR0VFH-vKBHBzcs1EOcJQ43EEpuqiJaRqyZGRLl8aUsFNX1YWW9q7m_htlxWNIUgpWooGJPvCJozHfBTPnPs30P3l-dKDmB558BN-Kl0EybJ1urQIIs5AYfvigiip2vxbukyvc_R48gxsRiKPJEumabMT4NCR1rHwQg1saWsTYNtdA/s678/bgara5678.jfif&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;452&quot; data-original-width=&quot;678&quot; height=&quot;292&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLQ4KFro5eHR0VFH-vKBHBzcs1EOcJQ43EEpuqiJaRqyZGRLl8aUsFNX1YWW9q7m_htlxWNIUgpWooGJPvCJozHfBTPnPs30P3l-dKDmB558BN-Kl0EybJ1urQIIs5AYfvigiip2vxbukyvc_R48gxsRiKPJEumabMT4NCR1rHwQg1saWsTYNtdA/w439-h292/bgara5678.jfif&quot; width=&quot;439&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1976, o filho caçula de dona Maria Ângela, Paulinho
Faria, se tornou o primeiro apresentador do boi Garantido, aos 15 anos de
idade, ocupando este posto por 26 anos, tendo recebido nota máxima dos jurados
durante 24 festivais. Ele deixou o posto em 2002, fazendo a passagem de faixa
para Israel Paulain na primeira noite de apresentação do Garantido.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Filho do compositor Carlos Paulain, Israel é também um
grande vencedor em seu item, tendo recebido nota máxima dos jurados
ininterruptamente desde 2006. Naquele ano, o apresentador conduziu o espetáculo
sem ler o roteiro, uma inovação que foi adotada pelos dois bois a partir de
então.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os presidentes do bumbá Garantido, dos anos 70 em diante,
foram os seguintes: Zezinho Faria (1978-1992), Jair Mendes (1993), Aimée Faria
(1994), Ronildo Monteverde (1995-1996), Zé Walmir (1997-1998), Raul Goés
(1999-2000), Antônio Andrade (2001-2002), Zé Walmir (2003-2005), Vicente Matos
(2005-2009), Telo Pinto (2009-2014), Adelson Andrade (2014-2017), Fábio Cardoso
(2017-2020), Antônio Andrade (2020-2023) e Fred Góes (desde 2023).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os Levantadores de Toada foram os seguintes: Emerson Maia
(1984-1990), Paulinho Faria (1991-1994), David Assayag (1995-2009), Edilson
Santana (2020-2022), Márcia Siqueira (2020-2022) e Sebastião Júnior (desde
2010).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os Apresentadores foram os seguinte: Paulinho Faria
(1975-2001) e Israel Paulain (desde 2002).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Entre os principais compositores do Garantido estão Lindolfo
Monteverde, Mestre Ambrósio, Venâncio, Nelson Bulcão, Vavazinho, Braulino Lima,
Emerson Maia, Chico da Silva, Tadeu Garcia, Paulinho Du Sagrado, Inaldo
Medeiros, Mencius Melo, Tony Medeiros, Helen Veras Filho, Demétrios Haidos,
Geandro Pantoja, Cézar Moraes, Murilo Maia, Enéas Dias, Emerson Faria Maia,
Ronaldo Barbosa Jr., Rafael Marupiara, Ademar Azevedo, Maurício Filho e Alfredo
Campos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiJq_qUz7i6fI3o3WyIeMjmEP83xZJyICWtbw9RZJYZex1hBsAH6ZaPY74hchYojCQInZvT27s8n0oz5rsUoUtGtkND602dycOO-XOJ4SPi_CvG5_nJ72pUTvCPgDhMX1zbPyWcmGEB02jppkYVhlAXkeuR30qO2EG60X2xbXKH_bT5ZF3LYoMrBg/s876/Paulinho-Faria-Foto-2-Reproducao.webp&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;876&quot; data-original-width=&quot;876&quot; height=&quot;440&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiJq_qUz7i6fI3o3WyIeMjmEP83xZJyICWtbw9RZJYZex1hBsAH6ZaPY74hchYojCQInZvT27s8n0oz5rsUoUtGtkND602dycOO-XOJ4SPi_CvG5_nJ72pUTvCPgDhMX1zbPyWcmGEB02jppkYVhlAXkeuR30qO2EG60X2xbXKH_bT5ZF3LYoMrBg/w440-h440/Paulinho-Faria-Foto-2-Reproducao.webp&quot; width=&quot;440&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O ex-apresentador do Boi Bumbá Garantido, Paulinho Faria, de
61 anos, morreu vítima da Covid-19, no dia 22 de fevereiro de 2021. Ele estava
internado em um hospital particular de Manaus. Paulinho tinha sido transferido
da cidade natal para continuar o tratamento contra a Covid-19 em Manaus no
início de fevereiro. O corpo do ex-apresentador foi sepultado em Parintins.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Paulinho Faria acumulou 24 vitórias no Festival Folclórico
de Parintins durante 26 anos como apresentador do Garantido. Em entrevista ao
Paneiro, da Rede Amazônica, em 2016, o artista comentou que foi forçado a se
afastar do posto em 2001 por causa de um problema auditivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O prefeito de Parintins, Frank Bi Garcia, publicou uma nota
de pesar em redes sociais sobre a morte do ex-apresentador.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;“Filho de Dona Maria Ângela, eternizada na história como
madrinha do boi vermelho e branco, Paulinho Faria marcou gerações como
apresentador na Baixa do São José. Conhecido pelos improvisos e uma narrativa
riquíssima, mudou a forma de se apresentar o Festival. Nossa cidade perde um
ícone do seu maior patrimônio, a cultura”, comentou o prefeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Também em redes sociais, o Boi Bumbá Garantido publicou uma
mensagem por conta do falecimento do ex-apresentador:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;“Impossível não chorar com a sua perda, o Amazonas precisa
te reconhecer como uma das pessoas mais importantes para o crescimento da
cultura parintinense no nosso estado. Você me apresentou durante 26 anos, você
era praticamente imbatível, foi o melhor apresentador da história do festival,
em todos esses anos perdeu apenas uma única vez e honradamente foi para outra
lenda, Arlindo Jr.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A importância de Paulinho Faria na construção do festival em
seu início é algo ímpar, o carinho e o carisma com a sua galera também. O amor
por mim, seu brinquedo, seu boi de pano, estará sempre guardado em meu coração.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Gostaria de relembrar a sua despedida como apresentador, em
2001, onde as duas nações em uma única voz pela primeira vez se uniram em coro
por aquilo que era a sua grande marca, a contagem de abertura do meu
espetáculo”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/2718311954798209998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/2718311954798209998?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/2718311954798209998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/2718311954798209998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/a-construcao-festiva-do-bumba-garantido.html' title='A construção festiva do Bumbá Garantido'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj05MS-a-kMsxGDsGOcmw7V2Aew-OgAhQ2_e8BQl8WATGM8VoN__fvD1Yh_Tz5V908c2F8FvywNm-Jwg6IU3R-G6KePc56r5ssrdgytuenLAdAYvf5ZwsEOLj4r4WNqk2RHkIoVcYZzqo9JAj5hlNdQ9RJs7ceqG6gb762a0Cw63fRfVOMg9lt-Sg/s72-w427-h427-c/Paulinho%20Faria%20Eterno.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-6166216048201908601</id><published>2026-10-22T18:08:52.161-04:00</published><updated>2026-10-22T18:08:52.161-04:00</updated><title type='text'>O surgimento dos bumbás de Parintins, segundo Marcos Santos</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZlTWwV_nnooWx9tDFuNOhinlXK53HfY-s8_glMx2Khbb-nF7jU9EELChqI4_7ZuDXO-fPNf9jPlcO5wGOVksoXKwCHTHybrGDCBEVfnjf_QJEkYQ1EISYecdaR2KxLKv8keestq-MHazBW9Z-Z6QJrlX3b4f_Yg7Oda9YjjEhdE42Kdyc0tk5NA/s810/0007-ronaldo-tiradentes-marcos-santos-810x540.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;540&quot; data-original-width=&quot;810&quot; height=&quot;317&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZlTWwV_nnooWx9tDFuNOhinlXK53HfY-s8_glMx2Khbb-nF7jU9EELChqI4_7ZuDXO-fPNf9jPlcO5wGOVksoXKwCHTHybrGDCBEVfnjf_QJEkYQ1EISYecdaR2KxLKv8keestq-MHazBW9Z-Z6QJrlX3b4f_Yg7Oda9YjjEhdE42Kdyc0tk5NA/w476-h317/0007-ronaldo-tiradentes-marcos-santos-810x540.jpg&quot; width=&quot;476&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;Os jornalistas e radialistas Marcos Santos e Ronaldo Tiradentes&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Parintinense da gema e ex-apresentador do bumbá Caprichoso,
o jornalista Marcos Santos publicou no seu portal na internet
(www.portalmarcossantos.com.br) um texto esclarecedor a respeito do surgimento
dos bumbás de Parintins que me parece muito mais próximo da verdade factual do
que o lendário urbano disseminado pelas duas agremiações:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Quando se fala na história dos bumbás Caprichoso e
Garantido, os fatos propriamente ditos quase nunca são levados em conta. A
rivalidade acaba prevalecendo. Há, porém, uma linha que ninguém contesta e é
nessa que vamos trafegar. Noves fora o “tapa olho” do fanatismo, há um “tronco”
comum entre o azul do Caprichoso e o vermelho do Garantido que se chama Boi Galante.
Fundado por jovens estivadores e pescadores parintinenses, incentivados por
José Furtado Belém, influente político da época (pai do deputado estadual Júlio
Belém, nome do aeroporto de Parintins), o bumbá Galante reunia os festeiros da
cidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Lindolfo Monteverde atravessava a cidade, de sua casa, na
Baixa da Xanda (Xanda era o apelido de Dona Alexandrina, mãe dele, e o local
foi depois transformado em Baixa do São José), local onde ainda existe o
chamado “curral tradicional” do Garantido, até a Avenida Rio Branco, para tirar
versos nesse bumbá. Parintins era praticamente uma vila. Não havia ruas, só
veredas para serem percorridas a pé, no meio da mata.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Para piorar, quando Lindolfo chegava ao curral do Galante,
seu principal adversário, o pescador Nascimento, havia ocupado o lugar de amo e
tirava os versos que eram o ponto forte do bumbá. Chegou uma hora que Lindolfo
e seus companheiros – a “viagem” da Baixa à Rio Branco era feita em grupo –
decidiram criar o próprio bumbá. Nascia o Garantido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No ano seguinte, percebendo que o nome tinha apelo popular,
os integrantes remanescentes do Galante decidiram mudar a denominação para
Caprichoso. Estavam postos os rivais que fazem a história do Festival de
Parintins.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A maior polêmica está no ano em que isso aconteceu. O
Garantido comemorou o centenário de Lindolfo Monteverde em 2002, ou seja, ele
nasceu em 1902. A linha oficial adotada pelo bumbá é de que a criação do mesmo
ocorreu em 1913. Ora, isso significaria que Lindolfo o fundou aos 11 anos de
idade. Chico da Silva, na toada “Sonho de Liberdade”, de 2002, afirma: “Boi
Garantido / É histórico, é sabido / que mestre Lindolfo Monteverde / aos 18
anos de idade contigo sonhou / Boi Garantido, sonho de Lindolfo Monteverde / Do
poeta a oitava maravilha / Se realizou”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Aí tudo vira uma questão matemática: 1902 + 18 = 1920. O
Galante deve ter sido fundado por volta de 1918, o Garantido em 1920 e o
Caprichoso em 1921. É possível dizer, como o azul e branco é herdeiro do bumbá
original, que ele é o pioneiro da cidade. Mas como o vermelho e branco foi o
primeiro a adotar o nome atual, também ele pode afirmar ser o primeiro da Ilha
Tupinambarana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Logo, essa história de 1912-1913, como datas de fundação dos
bumbás, é mero fanatismo, sem qualquer base histórica. O que não dá para
ignorar é que, ambos, têm suas raízes em pescadores e estivadores, pessoas
muito humildes, responsáveis por cultivar a semente da árvore frondosa que hoje
é o Festival de Parintins.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Há ainda outros fatos que marcam a linha de tempo da festa
parintinense. A Igreja Católica de Parintins está na base de tudo. Disposta a
arrecadar recursos para a construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo,
imponente construção erguida na “Broadway” (trecho da Avenida Amazonas, a
principal de Parintins), a Juventude Alegre Católica (JAC) criou o Festival
Folclórico, em sua quadra de esportes. O local ficou pequeno e a festa
“passeou” pela quadra do Ipasea, Parque das Castanholeiras e o estádio de
futebol municipal Tupy Cantanhede. O bumbódromo teve a sua primeira versão em
madeira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O aeroporto da cidade ficou bem no meio da área residencial
e foi transferido para o local atual. Sobrou uma área de terra imensa, sem
qualquer utilização, que o prefeito de então, Gláucio Gonçalves, conseguiu
matricular no patrimônio da cidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Gláucio ofereceu a cabeceira que dá para o lado “de cima” da
cidade ao Garantido, para a construção de seu curral, enquanto o “lado de
baixo” foi ofertado ao Caprichoso. Fiel à toada que diz “Nunca mudou de fazenda
/ nem de dono ou de curral”, o vermelho recusou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O Caprichoso aceitou na hora a área que hoje é o curral Zeca
Xibelão. Mais tarde, percebendo o erro cometido, o Garantido recebeu ajuda dos
seus simpatizantes mais endinheirados e governamentais para comprar a Cidade
Garantido, no local atual, onde antes funcionou a Fabriljuta, indústria de
tecelagem de juta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1988, mesmo diante do ceticismo dos que achavam a obra
faraônica, o governador da época, Amazonino Mendes, hoje prefeito de Manaus,
construiu o Bumbódromo atual, com capacidade para 12 mil espectadores. O local
recebeu mais de 30 mil pessoas e, depois da festa, os ferros retorcidos da
estrutura mostraram como o Festival Folclórico de Parintins cresceu além das
expectativas. Por pouco o Bumbódromo não caiu no ano da estreia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O Garantido cultiva muito bem a memória de seu fundador,
Lindolfo Monteverde. Ao Caprichoso falta um pouco mais de respeito às memórias
de Boboí, dos irmãos Cid e de Luiz Gonzaga. Este, da década de 1930 até a de
1960, quando faleceu, embaixo da alegoria Dona Aurora, foi o grande responsável
pela manutenção do bumbá. Tire-se o fanatismo, e o resumo da história dos
bumbás é isso aí.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/6166216048201908601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/6166216048201908601?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/6166216048201908601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/6166216048201908601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/o-surgimento-dos-bumbas-de-parintins_01506597520.html' title='O surgimento dos bumbás de Parintins, segundo Marcos Santos'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZlTWwV_nnooWx9tDFuNOhinlXK53HfY-s8_glMx2Khbb-nF7jU9EELChqI4_7ZuDXO-fPNf9jPlcO5wGOVksoXKwCHTHybrGDCBEVfnjf_QJEkYQ1EISYecdaR2KxLKv8keestq-MHazBW9Z-Z6QJrlX3b4f_Yg7Oda9YjjEhdE42Kdyc0tk5NA/s72-w476-h317-c/0007-ronaldo-tiradentes-marcos-santos-810x540.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-3102098024581278608</id><published>2026-10-21T21:01:39.309-04:00</published><updated>2026-10-21T21:01:39.309-04:00</updated><title type='text'>O surgimento dos bumbás de Parintins, segundo Gláucio Gonçalves</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjfP-H9z53es9fI29n7v3rTyyNN7mPmmEIc9wDjIsPbz9EXZHWaNfFQ5dfgtbGMy6GofXMnFxBz1K90u2vr_Ksff_fOZ7bw63zxSbAjm0w289ykZG0qY2CZOHX6oypfxsgNdoooiZhU2csILOM-5e9iqswtmtwTkR5YzOoGPCylL_tETOecgm_m1g/s810/glaucio-810x541.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;541&quot; data-original-width=&quot;810&quot; height=&quot;310&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjfP-H9z53es9fI29n7v3rTyyNN7mPmmEIc9wDjIsPbz9EXZHWaNfFQ5dfgtbGMy6GofXMnFxBz1K90u2vr_Ksff_fOZ7bw63zxSbAjm0w289ykZG0qY2CZOHX6oypfxsgNdoooiZhU2csILOM-5e9iqswtmtwTkR5YzOoGPCylL_tETOecgm_m1g/w464-h310/glaucio-810x541.jpg&quot; width=&quot;464&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O ex-prefeito Gláucio Bentes Gonçalves estava internado há
algumas semanas no Hospital Regional Jofre Cohen, em Parintins, quando uma
pneumonia provocou a falência múltipla dos órgãos e o levou a óbito, aos 83
anos, no dia 2 de dezembro de 2014. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Remanescente de uma geração de políticos que incluía
Gilberto Mestrinho, José Raimundo Parente, José Lindoso, Plínio Coelho, Socorro
Dutra Lindoso, Arlindo Porto, José Cardoso Dutra e José Furtado Belém, Gláucio
Gonçalves iniciou sua vida pública em 1956, quando foi eleito vereador pelo
PSD. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Foi duas vezes prefeito de Parintins e eleito quatro vezes
deputado estadual. Atuou como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE)
de 1995 a 2000, por onde se aposentou. Em 2012, ele lançou o livro “Parintins
nas minhas lembranças”. É dele o relato abaixo sobre o folclore da ilha:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Meu pai nos levava, eu e meus irmãos, para assistir os
ensaios do Caprichoso no terreiro da casa do Antônio Bobozinho, hoje Travessa
João Meirelles, com direito às bombinhas fabricadas pelo Xavier Fogueteiro. Em
outros locais havia festas típicas, com muitas fogueiras, fogos e balões,
danças de boi e de quadrilhas e muitas guloseimas: mungunzá, tapioca, banana
assada, pé de moleque, bolo de macaxeira, sucos e refrescos de abacaxi, aluá,
gengibirra etc. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Era a oportunidade para os encontros amorosos da juventude
daquela época. Afinal de contas, naqueles tempos, a nossa cidade contava com
poucos eventos festivos, razão porque se valorizava muito mais os poucos que
existiam, sendo o mês de junho uma época das mais animadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Mais tarde o curral do Caprichoso passou para o terreno
pertencente ao saudoso Luiz Gonzaga, na Travessa Rio Branco, nosso trajeto
preferido, o que vale dizer, território do “azul e branco”, enquanto que o
curral do Garantido era na tradicional “Baixa de São José”, no lado oposto da
cidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Por essa razão, por ser bem próximo da minha casa, eu
frequentava muito mais o curral do “diamante negro”, inclusive por ser local
onde reuníamos com os amigos e amigas do bairro para aquelas festinhas
inesquecíveis ao lado do curral do boi, sob a proteção de Zé Nossa Filho, velho
guardião do boi Caprichoso, que vinha a cavalo lá do Paraná do Limão, sua
antiga fazenda de gado, para não perder os ensaios de seu boi do coração.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Não posso deixar de mencionar que, nessa época, época do
jaraqui, pontificava o cheiro inconfundível desse saboroso peixe assado,
presença infalível no nosso cardápio, principalmente nos meses de maio a junho.
Parece até que, naquele tempo, até o jaraqui assado era mais gostoso,
principalmente quando temperado com pimenta, sal e limão, e vontade de
saboreá-lo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Lembro-me do fanatismo que já existia naquele tempo, em
relação aos dois famosos bumbás. Os moradores do lado de baixo (lado leste)
eram invariavelmente torcedores do Caprichoso, enquanto os do lado de cima
(oeste) eram marcadamente Garantido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Antes os bois se apresentavam em frente às residências,
quando eram solicitados, e geralmente preparava-se uma fogueira para que os
bois pudessem se apresentar em volta daquele clarão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os donos da casa tinham o direito de se posicionarem nos
lugares mais privilegiados, para que as famílias, sempre com crianças, pudessem
assistir melhor ao espetáculo. Só que antes a participação do povo era mais
direta, isto é, a chamada elite não passava de mera espectadora, sem fazer
parte diretamente da apresentação do boi bumbá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhY23E4b2tueFewBTqeKH-ARRIYL-OSrBt9OTra9hTxCT8g3eYtqPGSJwcUrBLgWQ45NmprVbhyphenhyphenlE6w63gFM_p8VzTha8W544ypX14TqXHYldDl0a0eCmnn-PB6ORrUsoaFjBFCPRBsl-tkLb4t-pzO6tbHs7ytmYTn6nlV919lLPovZmq6SEIfgQ/s1151/Eneas%20e%20Glaucio.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1151&quot; data-original-width=&quot;1150&quot; height=&quot;414&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhY23E4b2tueFewBTqeKH-ARRIYL-OSrBt9OTra9hTxCT8g3eYtqPGSJwcUrBLgWQ45NmprVbhyphenhyphenlE6w63gFM_p8VzTha8W544ypX14TqXHYldDl0a0eCmnn-PB6ORrUsoaFjBFCPRBsl-tkLb4t-pzO6tbHs7ytmYTn6nlV919lLPovZmq6SEIfgQ/w414-h414/Eneas%20e%20Glaucio.jpeg&quot; width=&quot;414&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;Gláucio e o filho Enéas Gonçalves&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Pode-se dizer que os brincantes eram todos de famílias
humildes: pescadores, estivadores, operários, gente pobre da periferia, muito
diferente dos dias atuais, quando sabemos da luta travada por muitos grã-finos
ou grã-finas para conseguir uma vaga na “marujada de guerra” ou na “batucada
vermelha e branca”. Enquanto as “cunhãs-porangas”, as “sinhazinhas”, as
“rainhas do folclore”, as “porta-estandartes”, além de bonitas, geralmente eram
filhas de pessoas distintas da sociedade.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Eu considero uma grande inverdade a história que não sei
quem meteu no ouvido da mídia – gente que não conhecia nada dos bumbás de
Parintins – que o Garantido é o boi do povão e o Caprichoso é o boi da elite.
Posso garantir que isso está longe da verdade. Os dois bumbás são constituídos
de grandes massas populares que dividem a cidade ao meio, inclusive as elites,
se é que assim se pode chamar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Naqueles anos de outrora me lembro de duas bravas mulheres
que brincavam de boi. Não só brincavam como contribuíam com trabalho, arte e
muita dedicação ao boi querido de Luiz Gonzaga: a Camé Rocha (“Camé do Bom
Rapaz”, como era conhecida) e a Eurica Cid, todas duas figuras imortais do boi
Caprichoso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A primeira – a Camé – desempenhava a figura de madrinha do
Touro Negro, com direito a um lugar especial na roda de brincantes, além de ser
artista e estilista ao mesmo tempo, pois tanto cuidava da confecção da
tradicional figura de “Dona Aurora”, quanto fazia também a indumentária da
mesma, enquanto a segunda – a Eurica – tinha lugar efetivo como dançarina
invisível dessa referida figura engraçada, isto é, fazia a “Dona Aurora” dançar
para as multidões. Daí eu dizer que essas duas mulheres heroicas, pelo muito
que contribuíram espontaneamente ao boi de Zé Nossa Filho, merecem um registro
especial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Hoje sabemos da grande disputa por um lugar de destaque em
qualquer dos bumbás. Dizem até que as gatinhas, pela importância do papel que
representam no boi, quase sempre conseguem bons casamentos, ou pelo menos
namorados de alto nível. Mas ao tempo de Camé e Eurica não conheci outras
mulheres participando diretamente das brincadeiras de boi. Elas duas, pelo que
me lembro, foram as primeiras a entrar na roda do boi, cantando toadas e
dançando o dois pra lá, dois pra cá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRYWuPIbw_luXAndMbilXUGa67HQ3rCAr23hCTmTBtHAPGpTwnFat1GQ6e1z8fl3t30BZ2pc9n31jFYLDhYy9WyqcjC_fekldCaupI1ZZ7GFzflv8jvrfOxg9hz8Wij4JY1oLMa971kmboaRXp5PqWeU1ht6X-U96T9AnzcrU1OYKClvIGtLmYKw/s516/Fest4367.jfif&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;516&quot; data-original-width=&quot;387&quot; height=&quot;448&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRYWuPIbw_luXAndMbilXUGa67HQ3rCAr23hCTmTBtHAPGpTwnFat1GQ6e1z8fl3t30BZ2pc9n31jFYLDhYy9WyqcjC_fekldCaupI1ZZ7GFzflv8jvrfOxg9hz8Wij4JY1oLMa971kmboaRXp5PqWeU1ht6X-U96T9AnzcrU1OYKClvIGtLmYKw/w336-h448/Fest4367.jfif&quot; width=&quot;336&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Como o assunto ainda é boi-bumbá, vou aproveitar uma achega
de meu pai, que gostava muito das festas juninas, principalmente de brincadeira
de boi. Ele dizia que, naqueles tempos idos, nos encontros ocasionais de
Caprichoso e Garantido pelas ruas da cidade, dava gosto assistir o espetáculo e
ouvir os desafios em forma de versos.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;De um lado o Feliz Cid e de outro o Lindolfo Monteverde,
cada qual com maior talento, faziam o público delirar em noites memoráveis de
Santo Antônio, São João, São Pedro e São Marçal. Noites iluminadas não só pelo
crepitar das fogueiras, mas também pelos versos desafiadores, sempre bem
rimados, daqueles consagrados poetas-repentistas do folclore parintinense.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Se bem consigo fazer uma ilação, chego a dizer que há uma
evidência bem-acentuada em torno dos dois poetas-repentistas que acabei de
citar – Cid e Monteverde – o primeiro, o Feliz, era filho de cearense e o
Lindolfo, pelo que tudo faz crer, era filho de maranhense, ambos,
evidentemente, descendentes de nordestinos, o que vale dizer que todos dois
carregavam nas veias o sangue forte do poeta repentista, o verso de desafio,
animado e divertido, que alegrava as nossas noites e começava a criar na alma
do povo essa grande paixão pelos dois festejados rivais, numa brincadeira
bonita e sadia, cada um defendendo suas cores, sob o ritmo cadenciado das mais
belas e inesquecíveis toadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Com relação ao boi Caprichoso eu devo contar um fato que me
parece muito esclarecedor, em razão de certas dúvidas ainda existentes, no que
concerne aos legítimos fundadores do famoso bumbá de Luiz Gonzaga. Senão,
vejamos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Há muitos anos, lembro-me ainda, alguns cearenses aqui
residentes apresentavam o “cordão dos marujos”, apresentação folclórica trazida
do sertão nordestino, em homenagem a São Benedito, evidentemente com fundamento
religioso, tendo a participação de uma única mulher, a rainha do Congo, que
conduzia a imagem da mãe de Jesus. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Esses “marujos”, quando se apresentavam, usavam roupas com
as mesmas características das que são usadas pelos marinheiros, isto é,
semelhantes também àquelas usadas antigamente pela “marujada de guerra” do boi
Caprichoso. E, o mais curioso, sabem quem era o principal responsável pelo
“cordão dos marujos”? Não era outro, era apenas o senhor Roque Cid, pai do amo
do Caprichoso – Feliz Cid – o que vem a ser um forte argumento para se
reconhecer na família Cid os verdadeiros fundadores do boi da “marujada de guerra”.
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Mais tarde outro Cid veio a ser amo do Caprichoso –
refiro-me ao Nascimento Cid, irmão de Feliz. Se há outros, eu não sei, mas uma
coisa é certa, as evidências indicam os Cid como fundadores do Caprichoso,
sendo seu primeiro amo o Feliz Cid, o qual deve ter seu nome colocado em
relevo, nos anais do seu boi, assim como Lindolfo Monteverde é estrela de
primeira grandeza na história e na vida do Touro Branco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh1CUO44NbuSPGfJTGoOp42BoeWpYm5S6Pi0U0uYPQbLn5U6eUbhRmdUyYdZKBW5U9OdCI9qXh5mZlemlcpDiIa0g-V8ZgLYbDux2vYq2OfORu_cfJ8x58wuUdkipYgKG3DPiGFISMo1i0sU7fGGb7rfSPzYtp5CRFJsyVTKNOqY7-X07sKqLZL2A/s501/Fest2341.jfif&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;501&quot; data-original-width=&quot;399&quot; height=&quot;437&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh1CUO44NbuSPGfJTGoOp42BoeWpYm5S6Pi0U0uYPQbLn5U6eUbhRmdUyYdZKBW5U9OdCI9qXh5mZlemlcpDiIa0g-V8ZgLYbDux2vYq2OfORu_cfJ8x58wuUdkipYgKG3DPiGFISMo1i0sU7fGGb7rfSPzYtp5CRFJsyVTKNOqY7-X07sKqLZL2A/w348-h437/Fest2341.jfif&quot; width=&quot;348&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Para concluir esses registros em torno da festa dos bumbás
de Parintins, devo dizer que durante o tempo em que exerci mandatos eletivos,
sempre procurei me manter acima da condição de torcedor deste ou daquele boi.
Aliás, esse comportamento foi adotado também pela Walkíria, minha mulher,
porque quando assumi o segundo mandato de prefeito, havia um clima de profunda
desconfiança, do lado do Caprichoso, com relação à prefeitura, em razão do que
havia ocorrido no ano anterior.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os torcedores do boi azul e branco acusavam o ex-prefeito,
meu antecessor do segundo mandato de prefeito, de haver comprometido o
resultado do julgamento. O caso se tornou tão grave que chegou ao ponto de um
grupo de simpatizantes do Caprichoso tentar invadir a residência daquele
ex-chefe comunal, o que não aconteceu por interferência policial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A verdade é que o nosso festival folclórico experimentou até
o estádio Tupy Cantanhede, como área de apresentação, mas o resultado foi
absolutamente negativo porque causou alguns prejuízos ao futebol local:
paralisação do campeonato, estrago no gramado, perfuração da área etc. Não
posso deixar de registrar que nos dois mandatos de prefeito, nosso apoio foi
total e efetivo ao Festival Folclórico de Parintins. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Para ser sincero, perdoem-me a falta de modéstia, mas o
Festival Folclórico de Parintins ganhou dimensão maior a partir de 1983, no
nosso segundo mandato de prefeito. Desde a primeira investidura no executivo
municipal, sem nenhuma dúvida, não só ajudamos em termos logísticos e
financeiros, como fomos incansáveis em oferecer todo tipo de estímulo e
incentivo para que essa festa se tornasse cada vez mais empolgante e
organizada, até chegar ao ponto em que chegou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Primeiramente conseguimos levar o festival para a praça
pública, exatamente no local onde está hoje o bumbódromo, uma vez que antes era
apresentado nas quadras de esporte, de modo muito acanhado, tendo em conta o
espaço reduzido para um festival que crescia a cada ano. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Muitos ainda se lembram que, como prefeito, começamos
fazendo o bumbódromo todo em madeira de lei: arquibancadas, cadeiras numeradas,
tablado e até camarotes com dois pisos, para autoridades e visitantes ilustres.
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O crescimento desse festival, como todos sabem, foi também
em função do poder de imaginação do povo parintinense, cuja vocação artística
vem se manifestando aos borbotões, numa proporção extraordinária a se refletir
positivamente na formação cultural de nossa gente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhSdC0277Sbwmd7iAYw3ELYVCowLk2Ts1X47jAvPcQmi7qNFrjS8TIC0wFceS1fmal_tDuW9G9BLfoSX5VjSRvF0yIA4ew_pvgi4cNiRJJrroWkUL1FrY44m-Kbuw8TC-0Ve33K3YmVztf09wlvtS-D3WJB4fKFHBwc7aZYcdfVdsidBQXjmVtp1A/s501/Fest4567.jfif&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;501&quot; data-original-width=&quot;399&quot; height=&quot;449&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhSdC0277Sbwmd7iAYw3ELYVCowLk2Ts1X47jAvPcQmi7qNFrjS8TIC0wFceS1fmal_tDuW9G9BLfoSX5VjSRvF0yIA4ew_pvgi4cNiRJJrroWkUL1FrY44m-Kbuw8TC-0Ve33K3YmVztf09wlvtS-D3WJB4fKFHBwc7aZYcdfVdsidBQXjmVtp1A/w357-h449/Fest4567.jfif&quot; width=&quot;357&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Foi em 1987, naquele bumbódromo ainda de madeira, no
camarote oficial, o governador Amazonino Mendes, sentado ao meu lado, sob a
vibração das galeras, batendo no meu ombro, disse o seguinte (palavras que eu
não esqueço): “Gláucio, eu quero te ajudar a fazer um gol de placa na tua
administração. Vê qual a obra de grande vulto que possa agradar mais o povo de
Parintins!”&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Na mesma hora, sem deixar o compromisso esfriar, falei
assim: “Governador, se o senhor me dá oportunidade de escolher essa grande obra
que deseja construir em Parintins, peço-lhe que faça esse bumbódromo em
concreto!” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O governador me olhou e perguntou novamente: “É isso
mesmo?...” Respondi afirmativamente que sim. “Então, Gláucio, você pode
anunciar à imprensa e ao povo de Parintins que vamos construir o bumbódromo
definitivo e a inauguração será no festival do próximo ano de 1988!”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Foi assim que nasceu esse colossal bumbódromo, graças à
grande visão do governador Amazonino Mendes, que deu a Parintins esse prêmio
valioso, como maior incentivo ao nosso tradicional festival folclórico. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Depois disso é evidente que o Festival Folclórico se
agigantou ganhando a dimensão dos dias atuais, e essa grandiosa obra começou a
ser naturalmente divulgada pelo Brasil e pelo mundo, com destaque para a
vocação artística e cultural deste povo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;É verdade que esse projeto governamental, pela sua
relevância política e social, muito me envaideceu por ter tido o privilégio de
ver essa obra imponente edificada na minha administração, que acabou de ser
coroada de extraordinário êxito, tendo em vista o “gol de placa” que ficou na
história. Desse modo ficou o governador com sua vontade política plenamente
concretizada, e eu com meu sonho transformado em realidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O compromisso foi tão sério e inarredável que dentro do
prazo previsto o novo bumbódromo foi festivamente inaugurado, sob o ritmo
contagiante das toadas, exatamente no dia 28 de junho de 1988, cuja solenidade
presidida evidentemente pelo governador Amazonino Mendes contou naturalmente
com a presença de convidados ilustres, além da multidão que não se cansava de
aplaudir o grande artífice dessa obra monumental. Parintins, com certeza, muito
deve ao insigne governador Amazonino Mendes. Entre tantas obras importantes que
aqui realizou, o bumbódromo pontifica entre as maiores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Quando concluí meu último mandato de prefeito, quando se
acabaram as desconfianças, isto é, depois que demonstramos total isenção e
seriedade no trato com as agremiações folclóricas, a Walkíria voltou a torcer
pelo Garantido, seu boi de preferência, e eu pelo Caprichoso, dos meus tempos
de juventude, muito embora reconheça que no Garantido sempre tive excelentes
amigos, a começar pelo saudoso Lindolfo Monteverde e sua família, com os quais
eu sempre mantive o melhor relacionamento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os meus filhos também são divididos entre Caprichoso e
Garantido, por isso torcem cada qual pelo seu boi de preferência, com total
liberdade e o melhor espírito democrático, o que, graças a Deus, tem nos
permitido a melhor harmonia familiar. Os vitoriosos respeitam os que perderam e
tudo acaba em paz, felizmente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Essa questão de preferência de boi-bumbá, nas famílias, aqui
em Parintins, é um fato interessante e muito comum. Aliás, foi isso que deu
motivo ao sempre inspirado compositor Chico da Silva a compor uma bela toada
denominada “Meu boi faz pirraça”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Eis a toada, que eu considero uma das obras-primas desse
talentoso compositor parintinense: “Meu amor faz pirraça / da minha cachaça / e
do meu boi-bumbá. / Meu amor é contrário / e no mês de junho / se manda pra lá.
/ Eu confesso que sinto / uma grande tristeza / na separação. / Só meu boi
Caprichoso / derrama alegria / no meu coração. / Além do mais / meu amor vai
voltar / e depois do folclore / talvez não demore / pra gente casar. / Meu
grande amor / vai me perdoar / hoje o boi Caprichoso / bonito e formoso / tomou
seu lugar. / É boi, é boi, é boi-bumbá / que me leva pra lá e pra cá / É boi, é
boi, é boi-bumbá / que me leva pra lá e pra cá”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Mas, ao falar nas coisas boas dos nossos bumbás, não posso
deixar de registrar uma comovente surpresa que o boi Garantido me fez. Isso
aconteceu no último ano do meu primeiro mandato de prefeito, em 1972. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O Lindolfo levou o Touro Branco para se apresentar em frente
à minha casa, na Rua Furtado Belém. Sem que ninguém imaginasse, o velho
Lindolfo, fundador e amo imortal do boi Garantido, em forma de homenagem,
“levantou” a seguinte toada, denominada “Despedida”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Aqui está a toada que emocionou a mim e minha família, e
continua emocionando todas as vezes que a recordamos: “Último ano de governo /
nosso prefeito vai embora / Ele trabalhou pelo progresso / desta terra / já
deixou seu nome / gravado na História / Ele trabalhou pela cidade / Ele
trabalhou pelo interior / grande trabalho / Prefeito Gláucio deixou”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O que até hoje me comove é a forma espontânea e sincera
dessa homenagem, o que me causou uma grata surpresa, além de tocar
profundamente na minha vaidade de prefeito, que tudo fez pensando no melhor
para este município. À nação vermelha e branca eu confesso minha gratidão,
minhas saudades e minhas recordações imorredouras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjYVXea3aFQ-k7HNufb8yyPNb1aHSdGvlNg_ik9dzMXN14_pVU_LAB3LIwn4ZW0W0koGr2LUSSGqB9p-m8wpcwkiiTl1AAX5JuCl11qa08Kg_sI0xh_NQWkFXZiXqMtiGUrlbxtuenbZlhjJfQhGHbiw8cjclCAVRxD7lOJD427L2Ce_nxCCzs6hw/s1600/bctaca678.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1066&quot; data-original-width=&quot;1600&quot; height=&quot;286&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjYVXea3aFQ-k7HNufb8yyPNb1aHSdGvlNg_ik9dzMXN14_pVU_LAB3LIwn4ZW0W0koGr2LUSSGqB9p-m8wpcwkiiTl1AAX5JuCl11qa08Kg_sI0xh_NQWkFXZiXqMtiGUrlbxtuenbZlhjJfQhGHbiw8cjclCAVRxD7lOJD427L2Ce_nxCCzs6hw/w429-h286/bctaca678.jpeg&quot; width=&quot;429&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Falo agora do primeiro ano do meu segundo mandato de
prefeito. O Edu Costa como vice-prefeito foi nomeado por mim para presidir a
comissão encarregada do festival folclórico desse ano de 1983. Tive de viajar a
Manaus para tratar assuntos do município.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No meu retorno encontro a confusão formada. O Caprichoso,
pelo seu presidente Geraldo Medeiros, não quis aceitar o Edu na presidência
dessa comissão. Alegava-se que o vice-prefeito era ou continuava simpático ao
Garantido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Acontece que eu e Edu havíamos acabado de sair de uma
eleição vitoriosa. Não tinha como deixar de prestigiar o companheiro que se
mostrava tão entusiasmado em presidir a comissão. Não tive como atender o apelo
que me foi enviado. Paciência! Se ele, o Edu, não encontrou uma saída honrosa,
muito menos eu, seu companheiro de campanha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Hoje, com mais experiência, certamente teria adotado um
“modus vivendi” e tudo teria sido resolvido sem desdobramentos. Mas o certo que
o Caprichoso, nesse ano, não participou do festival oficial, o que foi, para
muitos, profundamente lamentável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;E daí o que fazer?... Não podíamos realizar o festival só
com o Garantido, apesar de seu grande valor e prestígio junto à comunidade,
mas, na verdade, essa disputa é tradicional e sem um dos dois rivais o festival
esfria. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;E para amenizar o prejuízo com a ausência do Touro Negro, eu
e minha equipe reunimos e tomamos a decisão de procurar imediatamente os
responsáveis pelo boi Campineiro, que havia se apresentado no ano anterior.
Como era de se esperar, esse pessoal se encontrava totalmente desmotivado,
pelas dificuldades naturais, visto que não é fácil se organizar um boi para
disputar com o Garantido, num tempo relativamente curto. Mas a nossa vontade
foi tão forte que conseguimos superar aquele problema sem tanta dificuldade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Conversamos com um dos donos do Campineiro, meu compadre
Camoca, o qual se prontificou em nos ajudar na reorganização daquele bumbá. Foi
feita a eleição para a presidência do boi. O eleito foi o Carlos Lima, à época
funcionário da Fundação Sesp, que assumiu em seguida o comando do Boi do
Palmares. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Com isso começou a crescer o entusiasmo pelo Campineiro, que
iniciou seus ensaios com muita animação, e assim os demais preparativos, ao
ponto de se apresentar à altura daquela disputa, durante as noites programadas
no calendário do festival. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;É justo e necessário que se registre a importância do boi
Campineiro no Festival Folclórico de 1983, nesta cidade de Parintins. Valeu o
grande esforço e sacrifício do meu amigo Carlos Lima, do meu compadre Camoca,
de dona Dilce Cansanção e de tantos outros folcloristas e artistas do boi
esmeraldino, que muito contribuíram para que aquele festival fosse realizado
com sucesso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuUr2FHslhYkSyeL0gg9QK-IV8BdP1wXPKKBwwPgOUVK8vFA8dM2FAR2YxHaZDeCeoe2yhYHpfpfZigc5fRsDXjDVaLE6rFUloZOXRBLFeeUti3csbnw-d9WWgxLdcZlolbYyDVtFQzas6nJ9re4vVzRuvH3u89ue28aVyA9IsRgfvKw8MbpwsFw/s600/tacaca-pin.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;450&quot; data-original-width=&quot;600&quot; height=&quot;307&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuUr2FHslhYkSyeL0gg9QK-IV8BdP1wXPKKBwwPgOUVK8vFA8dM2FAR2YxHaZDeCeoe2yhYHpfpfZigc5fRsDXjDVaLE6rFUloZOXRBLFeeUti3csbnw-d9WWgxLdcZlolbYyDVtFQzas6nJ9re4vVzRuvH3u89ue28aVyA9IsRgfvKw8MbpwsFw/w409-h307/tacaca-pin.jpeg&quot; width=&quot;409&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O engraçado de tudo isso é que mandei contratar o cantor
parintinense Chico da Silva, que nesse tempo morava no Rio de Janeiro, para vir
alegrar ainda mais as nossas festas folclóricas. Não digo nada, o Chico chegou,
me procurou na prefeitura e tudo ficou certo para que ele fosse a grande vedete
da primeira noite.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Qual minha surpresa, chegou a hora da apresentação do Chico
e cadê você? Ninguém sabia dar notícia do cantor. Mais tarde, entretanto,
fomos saber que o Chico da Silva, fantasiado de tuxaua, estava infiltrado numa
tribo do Caprichoso, no Parque das Castanholeiras, onde o “diamante negro”
fazia sua apresentação. Já imaginaram?...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Exatamente, nesse ano, o consagrado boi de Feliz Cid, por
alguma incompreensão, não quis participar do festival oficial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No dia seguinte me aparece o Chico, com cara de ressaca,
para me pedir desculpas: “Mano velho, você vai me desculpar, mas eu não resisti
à vontade de sair no meu boi de coração. Há vários anos que eu não via o
bailado do meu boi”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O que eu podia fazer diante do desabafo de um conterrâneo
saudoso de sua terra e de seu boi? Tive de desculpar o Chico. E só não fiquei
mais aborrecido porque o boi Campineiro, nessa noite, se apresentou impecável,
razão dos muitos aplausos da multidão que se fez presente naquela praça de
apresentação folclórica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Para ser bem justo, já que falo no Campineiro, tenho por
dever de justiça e gratidão dizer que o pessoal do Garantido, quando soube da
decisão do Caprichoso de não participar da disputa, para me tranquilizar, foi
ao meu encontro dizendo que tudo seria feito para a beleza da festa não ser
sacrificada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;E foi exatamente o que aconteceu. A festa foi linda, o
Garantido foi belo, o Campineiro foi surpreendente, mas sabe-se, por
experiência própria, ser muito difícil a ausência de um dos bois de nossa
tradição folclórica. Que isso nunca mais aconteça!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/3102098024581278608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/3102098024581278608?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/3102098024581278608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/3102098024581278608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/o-surgimento-dos-bumbas-de-parintins_01165007046.html' title='O surgimento dos bumbás de Parintins, segundo Gláucio Gonçalves'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjfP-H9z53es9fI29n7v3rTyyNN7mPmmEIc9wDjIsPbz9EXZHWaNfFQ5dfgtbGMy6GofXMnFxBz1K90u2vr_Ksff_fOZ7bw63zxSbAjm0w289ykZG0qY2CZOHX6oypfxsgNdoooiZhU2csILOM-5e9iqswtmtwTkR5YzOoGPCylL_tETOecgm_m1g/s72-w464-h310-c/glaucio-810x541.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-8901247007845494752</id><published>2026-10-20T09:41:14.969-04:00</published><updated>2026-10-20T09:41:14.969-04:00</updated><title type='text'>O surgimento dos bumbás de Parintins, segundo Tonzinho Saunier</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjT0YjKshfa-iqsl_Wa2kGN72opR7SY-YO3b2Sn1j_Kjv3e8kE5Hit7deQhf1bXDc0sPzQWzbhs6oCxbypajpodW0W2nuC7RLyPauYAkvI6QIxxfdNIcB9ggZ4p3TLqWae3erDtQWPnS-5cQxi1jI-jw3jeqbcaHe-LG0m_ncJWW7SxVEtjGfn4Vw/s300/0009-tonzinho-saunier-300x210.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;210&quot; data-original-width=&quot;300&quot; height=&quot;319&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjT0YjKshfa-iqsl_Wa2kGN72opR7SY-YO3b2Sn1j_Kjv3e8kE5Hit7deQhf1bXDc0sPzQWzbhs6oCxbypajpodW0W2nuC7RLyPauYAkvI6QIxxfdNIcB9ggZ4p3TLqWae3erDtQWPnS-5cQxi1jI-jw3jeqbcaHe-LG0m_ncJWW7SxVEtjGfn4Vw/w456-h319/0009-tonzinho-saunier-300x210.jpg&quot; width=&quot;456&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;O escritor e folclorista Tonzinho Saunier&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Nascido na localidade de Santa Marta, no município de
Barreirinha, no dia 8 de julho de 1932, Antônio Pacífico Siqueira Saunier, o
saudoso Tonzinho Saunier, faleceu em Parintins, em 1999, aos 67 anos, alguns
anos depois de ter recebido o título de “Cidadão Honorário de Parintins”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Poeta, historiador, folclorista e antropólogo autodidata,
ele dedicou grande parte de sua vida à cultura amazônica, divulgando suas
descobertas em mais de 300 crônicas e contos, abordando lendas e mitos.
Publicou vários livros e hoje empresta seu nome à Biblioteca Municipal de
Parintins.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Considerado o maior historiador do município, Tonzinho
Saunier era um profundo conhecedor da vida do caboclo ribeirinho com quem viveu
e conviveu durante suas inúmeras andanças pela floresta. Em um de seus livros,
o já citado “Parintins: Memória dos Acontecimentos Históricos”, ele dá a sua
versão sobre o surgimento dos bumbás:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O folclore de Parintins iniciou, certamente, com os
primeiros habitantes de nossa ilha: maués, sapopés, mundurucus, parintins,
parintintins, pataruanas, paraueris, paravianas, tupinambás, tupinambaranas e
uapixanas. As principais festas eram as danças da tucandeira ou tocandira, dos
maués e mundurucus. Os maués celebravam como festa nupcial e os mundurucus como
sinal de emancipação e robustecimento de provas. Os mundurucus também tinham a
festa da vitória, onde exibiam a cabeça do inimigo enfeitada de plumas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;É sabido que o folclore indígena decantava a natureza com
tudo nela existente: os pássaros, os animais, as árvores, as plantas medicinais
e ervas aromáticas, e a imaginação criou os monstros das florestas e das águas:
jurupari, juma, mapinguari, curupira, yara, acâuera-de-fogo, cobra-grande,
tapirayauara e tantos outros seres misteriosos e encantados, como o neguinho do
campo-grande e o bicho folharal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1859, o médico alemão Robert Cristian Avé-Lallemant, em
viagem científica pelo rio Amazonas, chegou a Parintins (à época Vila Bela) e
andou por seus vários recantos. Era o dia de São João e uma “preguiça”
especialmente bela e genuinamente patriarcal era oferecida à gente de Vila
Bela. O boi-bumbá (herança nordestina de nossos antepassados) adveio com os
nordestinos em fins do século XIX e começo do século XX.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Entre 1910 e 1912, surgiu o boi Diamantino, do piauiense
Ramalhete. Em 1913, surge o boi Caprichoso, trazido de Manaus pelo Sr. Emídio
Vieira e em 1915, o boi Fita Verde do Aninga, do Sr. Izídio Passarinho, e em
1920, o boi Garantido, criado pelo poeta popular e folclorista Lindolfo
Monteverde.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Nas décadas de 30 a 60, os bumbás, cordões de pássaros e de
peixes, as pastorinhas, dançavam nas residências ou à frente delas e andavam
pelas ruas deleitando o povo, que os acompanhava. Ficaram famosos à época, os
cordões de pássaros: o rouxinol do Florival Telegrafista, o bem-te-vi e a
gaivota do Venâncio, e o guará do Sr. Justiniano Seixas. O tangará marcou época
na década de 50. Os cordões de peixes: do Uaicurapá, veio o tambaqui (peixe de
carne saborosa da Amazônia), que era conduzido espetado por uma menina que
vestia roupas coloridas. Houve, ainda, os bumbás mirins: Tira Teima, do Gêco, e
o Dois de Ouro do Nego, do Alcides Seixas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No período carnavalesco, apareceram a Barca Misteriosa, do
Sr. Raimundo Almada, e o Cordão do Bode, do barbeiro João Lobo. Outra
brincadeira que animou o povão foi o Vaso de Guerra e o Navio Fortaleza, que
alegravam as noites com seus encontros e “batalhas navais”, com fogos de
artifício e ronqueiras (artefatos pirotécnicos formados por um cano de ferro,
preso a um cepo e cheio de pólvora, o qual produz grande detonação quando se
lhe inflama a escova). Depois das “batalhas”, todos se confraternizavam na festa
do fogueteiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A Grande Enciclopédia da Amazônia, de Carlos Roque, editada
nos anos 60 registra: Garantido: boi-bumbá da cidade de Parintins, Estado do
Amazonas. Dos mais tradicionais, tendo-se inclusive exibido em Manaus no
festival do folclore; Caprichoso: boi-bumbá dos mais tradicionais de Parintins,
Estado do Amazonas; Tira-Fama: boi-bumbá da cidade de Parintins, Estado do
Amazonas; Mina-de-Ouro: boi-bumbá do distrito de Parananema, município de
Parintins, Estado do Amazonas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWDnVnJSL3oI35_8bx71sbiavBRXGR2VNoyQUxNc2r7aP3NwTuvmjlsmvuobt0Kp-3YJO81t6oyUWq5Q5ZzfYucOAd9ft-QXGjHN7pfaJielgBc77q1Yh1pvXuYFVK5BfVY-bXKtq60ean6STyjzTYNlGToBx6lUuThQSfLROdbpOINW4N5OdeHw/s800/WhatsApp-Image-2024-07-03-at-16.32.05.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;538&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;311&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWDnVnJSL3oI35_8bx71sbiavBRXGR2VNoyQUxNc2r7aP3NwTuvmjlsmvuobt0Kp-3YJO81t6oyUWq5Q5ZzfYucOAd9ft-QXGjHN7pfaJielgBc77q1Yh1pvXuYFVK5BfVY-bXKtq60ean6STyjzTYNlGToBx6lUuThQSfLROdbpOINW4N5OdeHw/w463-h311/WhatsApp-Image-2024-07-03-at-16.32.05.jpeg&quot; width=&quot;463&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;As pastorinhas, mesmo em declínio, ainda aparecem vindas
principalmente do interior, e as quadrilhas, por serem festas populares,
exibem-se no Bumbódromo, na abertura do Festival Folclórico.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O Folclore do Boi-Bumbá – O Festival Folclórico de Parintins
tem seu ponto culminante nas apresentações dos bumbás Garantido e Caprichoso,
todos os anos nos dias 28, 29 e 30 de junho. É conhecido internacionalmente e,
durante o mês de junho, chegam a Parintins visitantes de todo o mundo, atraídos
pela beleza e magnificência do nosso festival. Chegam ministros de Estado,
políticos de todo o Brasil, artistas famosos, escritores, poetas e a imprensa
escrita, falada e televisionada de todo o mundo, que transmitem imagens,
publicam matérias jornalísticas com fotos e anunciam fatos e novidades do
folclore da Ilha Tupinambarana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O Festival Folclórico iniciou em 1966, na quadra da JAC
(Juventude Alegre Católica), até 1975. Do 1º Festival ao 9º, na JAC da Praça da
Catedral de Nossa Senhora do Carmo. O 10º Festival, na JAC da Rua Jonathas
Pedrosa. O 11º e 12º, na quadra da CCE (Comissão Central de Esportes), no
Parque das Castanholeiras. O 13º na JAC da Avenida Amazonas. O 14º no
CCE-Castanholeiras. O 15º, 16º e 17º no Estádio de Futebol Tupy Cantanhede. 0
18º no Tabladão do Povo (antigo aeroporto). Do 19º ao 22º, no Tabladão do Povo,
cujo nome foi mudado para Anfiteatro Messias Augusto. Do 23º Festival (ano de
1988) em diante, o Festival de Parintins passou para o Bumbódromo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Obra monumental do governador Amazonino Mendes, o Bumbódromo
foi construído na gestão do ex-prefeito Gláucio Bentes Gonçalves. Sua área é de
10 mil m², com capacidade para 50 mil pessoas. Estrutura em forma de uma cabeça
de boi estilizada, mista de ferro e concreto pré-moldado. Foi inaugurado em
1988, no 23º Festival. O complexo tem ainda pronto-socorro, 18 salas de aula,
biblioteca, lanchonete e outros compartimentos. Concorrem ao Festival, os
bumbás Garantido e Caprichoso, com quatro mil brincantes cada um, apresentando
figuras típicas regionais, alegorias com danças amazônicas, danças e tribos
indígenas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os preparativos para o Festival Folclórico iniciam-se no mês
de abril. Concorrem 22 itens para o julgamento do campeão anual. São eles:
apresentador, levantador de todas, batucada, ritual, porta-estandarte, amo do
boi, sinhazinha da fazenda, rainha do folclore, cunhã-poranga (do tupi: mulher
bonita), boi-bumbá (evolução), toada (letra e música), pajé, tribos indígenas
masculinas, tribos indígenas femininas, tuxaua luxo, tuxaua originalidade,
figuras típicas regionais, alegorias, lenda amazônica, vaqueirada, galera
(torcida) e coreografia, organização, animação e conjunto folclórico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Para o julgamento são convidados seis jurados, de
preferência folcloristas e artistas plásticos de três estados do Brasil, sendo
dois jurados de cada estado, que chegam a Parintins até o dia 27 de junho e
ficam sob vigilância dos fiscais dos bumbás até o dia 30 de junho. Em cada dia
de julgamento são sorteados três jurados.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Dia 1º de julho é feriado e são
abertas as urnas e contados os pontos, na presença das autoridades do município
e dos fiscais dos bumbás. O vencedor sai em passeata, mas somente dentro de seu
território. O domínio do Caprichoso é da Praça Eduardo Ribeiro a leste, até o
fim da ilha. O domínio do Garantido é da mesma praça a oeste, até o fim da
ilha. Durante as apresentações no Bumbódromo, a galera do Caprichoso fica em
silêncio absoluto quando o Garantido se apresenta, acontecendo o mesmo na
exibição do Caprichoso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgbfUAkKb2re59vPHiSSgqdR8wE63H_sEI44Jr0DqR_xE_vlGuaE2y0GeRkaZzoqTBkYGWOc4-DcOmpNrenLlXY_KZ2vsX6pwSV0QyKevfZ3hnXE5WqilXxqzYg7N-NkQkYAQV_-h7bPfAR_wMwvlkE9saR3QXGlrGARf0X6R3Ljwwz5Egzt7e3Mg/s810/0001-Marupiara-810x530.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;530&quot; data-original-width=&quot;810&quot; height=&quot;303&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgbfUAkKb2re59vPHiSSgqdR8wE63H_sEI44Jr0DqR_xE_vlGuaE2y0GeRkaZzoqTBkYGWOc4-DcOmpNrenLlXY_KZ2vsX6pwSV0QyKevfZ3hnXE5WqilXxqzYg7N-NkQkYAQV_-h7bPfAR_wMwvlkE9saR3QXGlrGARf0X6R3Ljwwz5Egzt7e3Mg/w464-h303/0001-Marupiara-810x530.jpg&quot; width=&quot;464&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O Caprichoso “nasceu” em Manaus, em 1912 e
foi trazido a Parintins, em 1913, pelo Sr. Emídio Rodrigues Vieira. Foram seus
iniciadores Boboí, Luiz Gonzaga, José Leocádio, Emílio Silva, os irmãos Cid
(Raimundo, Pedro e Félix, cearenses, naturais de Crato) e tantos outros. Uma
versão aponta que quem trouxe o Caprichoso foi o coronel José Furtado Belém,
quando visitou a Praça 14, onde o boi se apresentava, em 1913.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Já outra versão
diz que o Caprichoso foi fundado em março de 1925. É um boi preto e suas cores
são azul e branco. Possui uma estrela na testa, que foi introduzida no ano de
1996. Seus currais situaram-se em diversos lugares: primeiramente na Travessa
Rio Branco, depois foi para o Aninga e, posteriormente, se mudou para a
Travessa Cordovil, permanecendo ali por muitos anos. Hoje, seu curral
definitivo situa-se na Rua Gomes de Castro, nas proximidades do bairro de
Palmares.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Garantido – No dia 21 de junho de 1970, estive com Betinho
Mendes na casa de Lindolfo Monteverde, o cantador maior do folclore do
boi-bumbá da ilha. Era o 5º Festival Folclórico de Parintins, havendo festa no
curral do Garantido. Fazíamos uma pesquisa que publicamos no jornal A Tribuna
em 28 de junho. Mestre Lindolfo sentou-se entre mim e Betinho, juntamente com
dona Antônia, sua esposa, e passou a nos contar a história do Garantido.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Estas
foram as palavras de Mestre Lindolfo: “Eu tinha dezoito anos em 1920, quando
botei, pela primeira vez, o novilho que completa este ano 50 anos de existência
e por isso estou alegre. O Garantido sucedeu ao boi Fita Verde, do meu compadre
Izídio Passarinho, do Aninga.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O Garantido exibiu-se pela primeira vez com 40 figuras:
cantadores, caboclos, vaqueiros, pajé, Bicho Folharal, Pai Francisco, Mãe
Catirina, Dona Maria e o Padre. Fundado em junho de 1920 (o dia não foi
registrado). É branco e suas cores são o vermelho e o branco. Possui um coração
na testa, que foi introduzido desde a sua fundação. Seu curral situava-se na
Rua Lindolfo Monteverde, na baixa de São José. Atualmente, situa-se na Estrada
Odovaldo Novo, nas antigas dependências da extinta Fabril Junta, carinhosamente
denominada Cidade Garantido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Campineiro – Surgiu em 1977, no bairro de Palmares. No ano
seguinte, disputou com o Garantido o título do 13º Festival, conseguindo o 2º
lugar. Em 1983, disputou também com o Garantido, conseguindo a mesma colocação.
Depois dessa competição, desapareceu. Suas cores eram verde-esmeralda e branco,
e teve toadas que marcaram sua ligeira passagem pela ilha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Garranchoso – Boi-mirim do Colégio Nossa Senhora do Carmo.
Tem as cores vermelho, azul e branco, sendo que um lado do boi é branco e o
outro é preto. Um fato curioso foi ter sido cedido para servir de Caprichoso
para os índios maués do rio Andirá. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/8901247007845494752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/8901247007845494752?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/8901247007845494752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/8901247007845494752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/o-surgimento-dos-bumbas-de-parintins_01650100683.html' title='O surgimento dos bumbás de Parintins, segundo Tonzinho Saunier'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjT0YjKshfa-iqsl_Wa2kGN72opR7SY-YO3b2Sn1j_Kjv3e8kE5Hit7deQhf1bXDc0sPzQWzbhs6oCxbypajpodW0W2nuC7RLyPauYAkvI6QIxxfdNIcB9ggZ4p3TLqWae3erDtQWPnS-5cQxi1jI-jw3jeqbcaHe-LG0m_ncJWW7SxVEtjGfn4Vw/s72-w456-h319-c/0009-tonzinho-saunier-300x210.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-2647869933242560555</id><published>2026-10-19T18:38:06.207-04:00</published><updated>2026-10-19T18:38:06.207-04:00</updated><title type='text'>O surgimento dos bumbás de Parintins, segundo Jonas Santos</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjPxs1XtozT5ILdV95kILFVvAmTslTVSLFjKF69jZPXo3VLrXNIusHKMX6y7CEREiAsuBwWCw0WoxjuVMTtPbPZ0J41xM7-ygaQkq9TZ0ed1hWUbvTxJ-WJcMVxxFy_Zk2D8RiPaIySOQKCgG7EG_1yuIj5P1C9XiRIy4VpFsU-c7rBIGpy-YONOQ/s300/DSC09370-300x157.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;157&quot; data-original-width=&quot;300&quot; height=&quot;239&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjPxs1XtozT5ILdV95kILFVvAmTslTVSLFjKF69jZPXo3VLrXNIusHKMX6y7CEREiAsuBwWCw0WoxjuVMTtPbPZ0J41xM7-ygaQkq9TZ0ed1hWUbvTxJ-WJcMVxxFy_Zk2D8RiPaIySOQKCgG7EG_1yuIj5P1C9XiRIy4VpFsU-c7rBIGpy-YONOQ/w457-h239/DSC09370-300x157.jpg&quot; width=&quot;457&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;Marcinaldo Santos, Zémaria Gonçalves e Jonas Santos&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Hoje é ponto pacífico e indiscutível saber que a
carnavalização antropofágica dos bois de Parintins foi realizada por Jair
Mendes, mas descobrir como os bumbás surgiram na Ilha da Fantasia são outros
quinhentos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Existem diversas histórias desencontradas sobre a origem de
Garantido e Caprichoso sem que até hoje se possa aferir qual delas é realmente
a verdadeira. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No livro “Boi Campineiro – A História do Festival de
Parintins que não foi contada”, lançado em 2013, o jornalista Jonas Santos
elenca algumas delas:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O boi-bumbá de Parintins é herança dos nordestinos e chegou
ao Amazonas, provavelmente, no final do século 19. Os migrantes teriam se
mudado para cá motivados pelo apogeu no primeiro Ciclo da Borracha, entre 1870
a 1910.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Oficialmente, Caprichoso e Garantido completarão seus
centenários em 2013. Entretanto, são vários os autores que divergem sobre as
datas de fundação dos bois e também diversos agentes sociais contam versões
díspares relacionadas à introdução e evolução da brincadeira folclórica em
Parintins.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No livro “Parintins: Memória dos Acontecimentos Históricos”,
publicado em 2003, pela editora Valer, o historiador-maior de Parintins, o
saudoso Tonzinho Saunier, discorda do ano de fundação do Garantido, 1913, e diz
que o boi do povão completará, neste ano, 92 anos e não 100, conforme afirmam
dirigentes do boi da Baixa do São José.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Para a família de Lindolfo essa narrativa do historiador
estaria equivocada. “Nós estamos emocionados em resgatar a história do meu avô,
que quando ainda menino criara o boi Garantido”, disse Cleomara Monteverde,
neta do criador e presidente da associação que leva o nome do avô.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A principal contestação de apoiadores da tese de Tonzinho
estaria na data de nascimento do mestre Monteverde, uma vez que Lindolfo, nesse
caso, criara o Garantido aos 11 anos, conforme relato assegurado pela própria
família do fundador. A discussão também se debruça sobre uma toada de Tadeu
Garcia e Chico da Silva, que fala sobre um sonho do mestre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Antes da versão oficial, os relatos de contemporâneos na
Baixa era de que a gênese do boi de Lindolfo tem iniciação nos seus 18 anos de
idade. Isso teria ocorrido após o retorno dele do Exército e em decorrência de
uma grave doença que, outrora, foi acometido. Saunier morreu em 1999.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg5q70yPehJsBzpXZmazVeUHrn8k47-J_1c6ZBQphJNRqG57TIJqm0NuV_6fDpX1_-a-g6O-gwOPjepKWYioWNWnRVruEYl9_0RHRI_0U3_YuEIR31sd-oKyCRpEVB0nJisKcJMWi8p-W5G9jRHf9nyrENlnwi9NrNrrSFiskT6x7xqLwdlxg_QWw/s679/campin123.jfif&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;452&quot; data-original-width=&quot;679&quot; height=&quot;311&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg5q70yPehJsBzpXZmazVeUHrn8k47-J_1c6ZBQphJNRqG57TIJqm0NuV_6fDpX1_-a-g6O-gwOPjepKWYioWNWnRVruEYl9_0RHRI_0U3_YuEIR31sd-oKyCRpEVB0nJisKcJMWi8p-W5G9jRHf9nyrENlnwi9NrNrrSFiskT6x7xqLwdlxg_QWw/w467-h311/campin123.jfif&quot; width=&quot;467&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Sobre o Caprichoso, Tonzinho Saunier também questiona não
somente a data de criação do boi, mas quem teria sido o seu criador. O mais
afamado poeta, historiador e antropólogo de Parintins não ousa afirmar quem
seria “o pai da criança”. Para debater o tema, Saunier levanta vários
questionamentos. A primeira hipótese é de que o Caprichoso nasceu na Praça 14
de Janeiro, em Manaus, em 1912, e que no ano seguinte Emídio Rodrigues Vieira
levou o folguedo para desenvolver a brincadeira na Ilha. Portanto, Emídio seria
o fundador.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Na segunda versão, o criador do Caprichoso seria José
Furtado Belém, que no ano de 1913 assistiu a uma apresentação do touro negro,
na Praça 14 de Janeiro, em Manaus. Ele gostou da brincadeira e foi quem teria
levado o boi para Parintins. José Furtado Belém era parintinense, de grande
articulação política e chegou a ocupar o cargo de vice-governador do Amazonas,
em 1911, segundo relatos de Tonzinho em sua obra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Por fim, o historiador diz que a data de criação do boi azul
e branco aconteceu em 1925, data confirmada também pelos familiares de Luiz
Gonzaga Azêdo, que ainda hoje discordam e protestam que o fundador oficial do
Caprichoso seja Roque Cid. Para a família, o criador foi Luiz Gonzaga. Os
Gonzaga asseguram ainda que em 2013 o bumbá completaria 88 anos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Para Simão Assayag, de acordo com publicação em 1995, o
Caprichoso chegou a Parintins conduzido pelas mãos de José Furtado Belém, em
1913, e que ao chegar à Ilha o seu Emídio Rodrigues Vieira tornou-se o primeiro
dono. Simão relata ainda que o boi Galante, criado também em 1913, é que foi o
primeiro adversário do Garantido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Por conta de uma contenda entre os organizadores, Emídio se
afasta da brincadeira e Roque e Tomaz Cid criam um novo boi, ainda nesse mesmo
ano, o qual batizam com o nome de Caprichoso. Outra variante, contada por
Assayag, é que os bois Garantido e Caprichoso teriam nascido de dissidências.
Não se sabe ao certo se foi do primeiro ou do segundo, respectivamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Tonzinho dedicou sua vida à pesquisa, a colher documentos,
registros históricos, peças arqueológicas e a estudar o folclore parintinense.
Apesar de seus anos afins de investigação, porém, não há um desfecho com
embasamento científico a respeito desse tema.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Para fechar a conta, em mais uma suposição, Tonzinho atesta
que os iniciadores do Caprichoso, em Parintins, no ano de 1913, foram Boboí,
Luiz Gonzaga, José Leocádio, Emílio Silva e os irmãos Cid: Raimundo, Pedro e
Félix, que vieram do Crato, cidade do interior do Ceará. O historiador não cita
Roque Cid.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No livro “Boi Garantido de Lindolfo”, de Dé Monteverde, neto
de Lindolfo Monteverde, fundador do Garantido, em coautoria com João Batista
Monteverde, filho do criador do boi, o autor também refuta a tese de Saunier e
defende que o primeiro boi é o Garantido, criado em 1913, com curuatá, uma
espécie de flor de palmeira inajá e seus chifres confeccionados com uma
forquilha de madeira revestidos de folhas e flores vermelhas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;De acordo com o que descreve Dé, nesse mesmo ano,
Alexandrina Silva, a “dona Xanda”, mãe do menino Lindolfo, ajudou o filho a
construir o Garantido utilizando a cabeça de um boi de carne, talas de inajá e
como enchimento do corpo se serviu de folha de bananeira e samambaia. “Dona
Xanda construiu o boi Garantido mais real. Lindolfo Monteverde criou o boi
Garantido em 13 de junho de 1913 com a idade de 11 anos”, diz um trecho do
livro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O Garantido é todo branco e traz um coração na testa. As
cores de sua bandeira são o vermelho e branco. Seu primeiro curral ainda está
situado na Avenida Vicente Reis (hoje Avenida Lindolfo Monteverde). Em 1995, o
boi mudou-se para a Cidade Garantido, localizada na rodovia Odovaldo Novo,
bairro São José, onde funciona atualmente seu escritório e acontecem os ensaios
e eventos do boi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1999, a folclorista e historiadora Odineia Andrade,
diretora do Departamento Cultural do Caprichoso, em entrevista concedida à TV
Amazonas, engrossou o debate ao dizer que o Caprichoso também era de 1920 e
que, portanto, em 2013 completaria 92 anos. Mais adiante, porém, as pesquisas
da historiadora desembocaram para o registro de que os irmãos Cid foram os
fundadores do Diamante Negro, como é chamado o Caprichoso, e que, assim, em
2013 completaria seu centenário. O seu nascimento aconteceu no Esconde.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No centenário do Caprichoso, a versão oficial, fundamentada
em pesquisa do Instituto Memorial de Parintins, e que a atual diretoria da
agremiação tem embasamento, é de que o cearense Roque Cid foi o primeiro
fundador do boi, em 1913, caindo por terra todas as demais aspirações para esse
feito. A pesquisa vai mais além e diz que Félix Cid era filho de Roque e
ocupava o cargo de amo do Caprichoso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ao ressignificar a história do bumbá, o resultado da
investigação rememora a mesma designação de Odineia: a de que o nascedouro do
touro negro é o bairro do Esconde. Atualmente, o curral do boi está localizado
na Rua Gomes de Castro, Centro. O boi é preto, com barra branca e possui uma
estrela na testa. As cores do seu pavilhão são o azul e branco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O apagamento da identidade visual e sociocultural do
Campineiro fragmentou no decurso de décadas a memória, a oralidade e a história
do boi-bumbá. No âmbito do processo cultural, personagens que protagonizaram a
brincadeira também divergem sobre a data de fundação do Campineiro e quem foi o
seu criador.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiPYl5dqARLx5_d7oyIXQOCd2UN9_V1prXCCugXOdKf_wIC1Fo3oT1AsEQj2av7-pqefA15gJbB9ZJEv4G1Lj3ObrN5-oqzyKLQvZcWs6-BgSGi3_pC2oVHS2Z6ZLlZygX3EJyxuQcR9eF5-pM17BIkSQ4A0eFLrfeTWKmyt91Yt82rwNqA3X9Hhw/s640/b2ap3_medium_22-06boicapa-640x375-1.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;375&quot; data-original-width=&quot;640&quot; height=&quot;267&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiPYl5dqARLx5_d7oyIXQOCd2UN9_V1prXCCugXOdKf_wIC1Fo3oT1AsEQj2av7-pqefA15gJbB9ZJEv4G1Lj3ObrN5-oqzyKLQvZcWs6-BgSGi3_pC2oVHS2Z6ZLlZygX3EJyxuQcR9eF5-pM17BIkSQ4A0eFLrfeTWKmyt91Yt82rwNqA3X9Hhw/w454-h267/b2ap3_medium_22-06boicapa-640x375-1.jpg&quot; width=&quot;454&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O atual presidente da agremiação, Eduardo Paixão de Souza,
62, afirma que o seu boi-bumbá é o mais velho de Parintins e que seu ano de
criação é datado de 1890, na comunidade do Aninga.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ele diz ainda que seu pai, Emídio Souza, com 18 anos à
época, iniciou o folguedo. “Foi a família Andrade, aqui da comunidade, que
colocou a brincadeira (em 1890) e o meu pai fundou o boi em 1913”, diz. Na
conta de Eduardo, o Campineiro completa em 2013 seus 123 anos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Saunier não afere a data como verdadeira. Para o
historiador, o boi Campineiro “surgiu em 1977, no bairro de Palmares”. Paulinho
Faria, ex-apresentador do boi Garantido, discorda. Sem mencionar uma data
exata, ele diz que o Campineiro é praticamente da mesma época do vermelho e do
azul. “Eu era bem pequeno, mas eu lembro que o Campineiro já brincava boi.
Tinha o Garantido e o contrário, mas ele já brincava. O Campineiro é um boi
antigo, apesar de não ter vivido tanto tempo”, afirma Paulinho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O próprio Paulinho, que guarda memórias e peças das
histórias dos festivais de muitos tempos, não imaginava que o boi Campineiro
ainda sobrevivesse, apesar da exclusão a qual foi relegado, e se mostrou
surpreso quando interrogado acerca da situação de resiliência sociocultural a
qual o verde e amarelo do Aninga passa há inúmeros anos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O “dono do Campineiro”, Carlos Leocádio da Silva, o “Camoca”,
63 anos, conta outra versão para o surgimento do folguedo. Ele não sabe
precisar a data, mas credita que a fundação do Campineiro tem alternância entre
os anos 1913 a 1915. “O Campineiro só é um pouquinho mais novo que o
Caprichoso. Tem quase a mesma idade”, afirmou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Camoca foi quem comandou o Campineiro a partir do ano de
1980 e ficou por cerca de dez anos à frente da agremiação. Ele também difere da
argumentação de que o pai de Eduardo Paixão é o criador do boi do Aninga.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Leocádio diz o que verdadeiro fundador do Campineiro é o pai
dele, Leovino Leocádio da Costa. “Foi meu pai o fundador, mas antes de passar
para a minha responsabilidade o boi ficou com o seu Emídio Calota, lá mesmo na
comunidade do Aninga”, assegura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A decisão de retirar o Campineiro do Festival de Parintins
partiu das diretorias do Garantido e do Caprichoso. “Eles não queriam que outro
boi estragasse a festa deles, principalmente, com a ajuda oferecida pelo
Governo para a produção do festival”, afirmou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Outro fator que levou o Campineiro a deixar o Festival foi a
própria torcida. “O detalhe é que o Campineiro disputava o Festival, mas não
tinha torcida. As pessoas que organizavam o Campineiro eram um misto de
torcedores do Garantido e Caprichoso”, contou Jonas Santos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/2647869933242560555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/2647869933242560555?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/2647869933242560555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/2647869933242560555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/o-surgimento-dos-bumbas-de-parintins.html' title='O surgimento dos bumbás de Parintins, segundo Jonas Santos'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjPxs1XtozT5ILdV95kILFVvAmTslTVSLFjKF69jZPXo3VLrXNIusHKMX6y7CEREiAsuBwWCw0WoxjuVMTtPbPZ0J41xM7-ygaQkq9TZ0ed1hWUbvTxJ-WJcMVxxFy_Zk2D8RiPaIySOQKCgG7EG_1yuIj5P1C9XiRIy4VpFsU-c7rBIGpy-YONOQ/s72-w457-h239-c/DSC09370-300x157.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-955933958929146721</id><published>2026-10-16T08:37:27.719-04:00</published><updated>2026-10-16T08:37:27.720-04:00</updated><title type='text'>Um gênio chamado Jair Mendes</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh4G191AZd79DXf3dDN9LdxbfH46lL3w3AJLR5oz0gzwiaRTz3i3eiDXwN_RKZscjTqXn1PNNIz-t5Afw0jtk1542A1c3dq6EMCj0NTvDFa76FquCFBSpJIJMV1zUkolFRwk7LGSPJ0X_t4eqWnKrFY7mIVZ9FHgK3ATXTXxfNc90nww-5y6Zs_BQ/s524/Captura%20de%20tela_16-10-2026_74717_agenciacenarium.com.br.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;342&quot; data-original-width=&quot;524&quot; height=&quot;319&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh4G191AZd79DXf3dDN9LdxbfH46lL3w3AJLR5oz0gzwiaRTz3i3eiDXwN_RKZscjTqXn1PNNIz-t5Afw0jtk1542A1c3dq6EMCj0NTvDFa76FquCFBSpJIJMV1zUkolFRwk7LGSPJ0X_t4eqWnKrFY7mIVZ9FHgK3ATXTXxfNc90nww-5y6Zs_BQ/w488-h319/Captura%20de%20tela_16-10-2026_74717_agenciacenarium.com.br.jpeg&quot; width=&quot;488&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A carnavalização antropofágica ocorrida nos bumbás de
Parintins tem uma data precisa e um gênio que não saiu da lâmpada de Aladdin,
mas da Baixa de São José, como primeiro e único responsável por esta guinada
radical: o artista plástico Jair Belém Mendes. Ele nasceu em Parintins, em 12
de junho de 1942, e desde criança já integrava o grupo de brincantes do boi
Garantido no papel de índio das tribos do bumbá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Sempre fui fanático pelo touro branco. Aqui cada pessoa
torce por um boi desde menino e como eu morava na parte de cima da cidade
torcia pelo Garantido – diz ele. – Quando eu tinha uns 15 anos, seu Lindolfo
Monteverde, que era muito amigo do meu pai, sabendo que eu gostava muito de
desenhar e de pintar, me convidou para que eu fosse ajudar a pintar as
alegorias do boi Garantido. Naquele tempo, o boi era feito de pau e de cipó,
sendo que a cabeça era uma caveira de boi de verdade. A armação era forrada de capim,
com um pano por cima imitando o couro. Pesava uma tonelada. Para ser tripa do
boi a pessoa precisava ter muita força, tinha que ser um verdadeiro Sansão,
Maciste ou Hércules.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No início de 1978, Jair Mendes, que desde o ano anterior era
responsável pelas alegorias do bumbá exibidas na arena, falou para Lindolfo
Monteverde que seria capaz de criar um boi mais leve, com armação em espuma, o
que facilitaria o bailado do “tripa” durante a brincadeira, além de dotar a
armação de movimentos semelhantes aos de um boi de verdade. Apesar de meio
cismado com a conversa, Lindolfo deu sinal verde para Jair Mendes colocar em
prática aquela sua ideia mirabolante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A tarefa foi executada em absoluto sigilo. Além de Jair e
Lindolfo, somente o apresentador do Garantido, Paulinho Faria, sabia o que
estava acontecendo. De madrugada, Paulinho Faria colocava Jair Mendes em uma
picape e os dois iam visitar os pastos de gado na zona rural do município.
Paulinho iluminava a boiada com os faróis do carro e Jair Mendes começava a
desenhar, buscando encontrar o maior realismo possível entre aqueles bois de
carne e osso e o bumbá de pano que surgira na sua imaginação, se esmerando em
reproduzir com precisão as proporções anatômicas dos animais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em uma dessas incursões – sempre feitas de madrugada, para
ninguém ficar sabendo! –, Jair Mendes se deparou com um boi nelore, de pelagem
cinza-clara e vassoura da cauda preta, que tinha na testa uma marca de nascença
parecendo um coração, exatamente igual à marca tradicional do bumbá Garantido.
O boi ficou olhando fixamente para o artista plástico por alguns minutos, aí
mexeu a cabeça para um lado, depois para o outro e, na sequência, baixou a
cabeça e disparou para o meio da boiada, até se perder de vista. Jair Mendes
conta que os movimentos de cabeça daquele nelore foram como uma epifania.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Do ponto de vista filosófico, a epifania significa uma
sensação profunda de realização, no sentido de compreender a essência das
coisas. Ou seja, a sensação de considerar algo como solucionado, esclarecido ou
completo. Jair Mendes agora já sabia como o seu boi de pano iria movimentar a
cabeça. O resto era o de menos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ele e Paulinho Faria, com um gravadorzinho na mão, ainda
passaram mais dois dias de campana nos pastos da zona rural, esperando que um
boi urrasse, até que conseguiram gravar o urro de um zebu. Nem mesmo Paulinho
Faria sabia o que Jair Mendes estava tramando. Só sabia que para evitar
qualquer imprevisto, o próprio Jair Mendes já havia combinado com Lindolfo
Monteverde que ele, Jair, seria o “tripa” do novo boi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi6sLjHwauuV2WDnL7cXVWbTbS6Q5v2fd4_ys-_wKQvs5mAn9KiXCXAq-Vjbdx-T78eZSyoTuqjt2I7-bvVXfFJPFkJFT3Z99zBOWxGWCN9STg7n-jWPxHjUzqclYwSrc-ZhG0_2ETNBcS8RKDWLIkzhfDbkmi3VR-GKhnpn-nco21myBrQJ6v6yw/s1532/Retrato%20Festivo%20do%20Acervo%20Fam%C3%ADlia%20Faria.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1026&quot; data-original-width=&quot;1532&quot; height=&quot;318&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi6sLjHwauuV2WDnL7cXVWbTbS6Q5v2fd4_ys-_wKQvs5mAn9KiXCXAq-Vjbdx-T78eZSyoTuqjt2I7-bvVXfFJPFkJFT3Z99zBOWxGWCN9STg7n-jWPxHjUzqclYwSrc-ZhG0_2ETNBcS8RKDWLIkzhfDbkmi3VR-GKhnpn-nco21myBrQJ6v6yw/w475-h318/Retrato%20Festivo%20do%20Acervo%20Fam%C3%ADlia%20Faria.png&quot; width=&quot;475&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;João Batista Monteverde, Jair Mendes, Edu Costa e Paulinho Faria&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Até hoje, o ex-apresentador Paulinho Faria se lembra daquela
noite mágica do dia 28 de junho de 1978, quando o boi Garantido surpreendeu o
festival de Parintins e fez a brincadeira tradicional atingir um novo patamar
de qualidade, dando início a uma evolução permanente que dura até os dias de
hoje:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Eu chamei a atenção da galera e dos jurados para a entrada
do boi, que entrou bonito como nunca. Aí eu dizia: Atenção, galera, para esse
momento… Olhe para o olho do Garantido. Aí o olho piscava. Agora, galera, olhe
para rabo… Aí o rabo balançava, como se estivesse espantando as moscas… Depois
ele começou a mexer a boca, a orelha… Parecia mesmo um boi de verdade… A partir
daí, meu amigo, a galera foi ao delírio… Era menino, mulher, velho, todo mundo
emocionado, a gente chorava e ria ao mesmo tempo. Era muita emoção. Neste ano,
o Caprichoso não voltou mais na segunda noite. Nós disputamos o resto do
festival com o bumbá Campineiro. De repente, quando o Garantido encerrou sua
apresentação e já ia saindo, eu disse: Acho que está faltando alguma coisa,
galera! Atenção, galera vermelha e branca! Aí o boi urrou, que foi aquela nossa
gravação, e começou a mexer a cabeça, a dançar com a Sinhazinha da Fazenda e se
movimentar todo, de um jeito que ninguém nunca tinha visto antes… A galera foi
à loucura! Não tinha mais jeito, ninguém ia superar aquele nosso bumbá…. Foi
por isso que o contrário não voltou mais na noite seguinte. Aquilo tinha sido
uma idéia fantástica desenvolvida pelo Jair, porque o Garantido fez de tudo
nessa noite, só faltou voar. O Jair Mendes saiu consagrado do tablado!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Chamado até hoje de “Hans Donner do Boi”, Jair Mendes, a
partir dessa noite histórica, conferiu vida às alegorias gigantescas e se
transformou em avatar dessa nova arte parintinense, que fez do festival dos
bumbás um dos mais bonitos espetáculos visuais do planeta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Um artigo de jornal do arquivo particular de Paulinho
Farias, de 1984, de autor desconhecido, fala de Jair Mendes como “um homem
introvertido, cuja humildade chega às vezes até a irritar seus próprios amigos.
Mas ele é mais do que isso: os efeitos especiais que ele faz para as alegorias
são indescritíveis. Este ano apresentou a lenda do boto, representou o por do
sol com chuvas e trovoadas, além do pescador tarrafeando, numa sequência de
movimentos de arte fantástica que só o Festival de Parintins oferece.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O mestre Jair Mendes sabe bem de sua importância para o
crescimento exponencial do festival e tem boas lembranças daqueles tempos
pioneiros:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Naquela época tinha um seriado na TV que se chamava “O
Homem de Seis Milhões de Dólares”. A série era sobre o ciborgue Steve Austin,
interpretado pelo ator Lee Majors, que era chamado de “homem biônico”. Como um
boi articulado também era uma novidade jamais vista em Parintins, o povo
começou a chamar o Garantido de “boi biônico”, porque ele mexia as orelhas,
balançava a cabeça e o rabo, comia capim, pintava e bordava. A partir daí eu
comecei a introduzir coisas novas nas apresentações do boi. A primeira alegoria
com movimentos foi feita em 1979 e representava a Iara, a Mãe-D’água, com a
participação da minha filha. Cada vez mais eu ia encaixando estas coisas,
figuras engraçadas, lendas indígenas, cobra grande, bicho folharal, negrinho do
campo grande, que hoje não tem mais, então cada ano era uma inovação e eu era o
único artista que fazia estas coisas em Parintins, de dar movimentos quases
reais às alegorias. O boi Caprichoso só começou a se mexer em 1986 porque,
aproveitando um desentendimento com a diretoria do Garantido, eu fui para o
Caprichoso. Foi aí que o boi passou a se mexer também. Quando saí do Garantido,
deixei lá o Vandir, que era meu ajudante, que ficou tomando conta do Garantido.
No boi Caprichoso, quem me ajudava era o Juarez Lima. Hoje, nos dois bois, quem
não foi meu discípulo foi discípulo do meu discípulo. Você vê que naquela época
não tinha artista, só era eu, e hoje Parintins está empestada de artistas. Hoje
nós somos referência no Brasil, fazemos o carnaval do Rio de Janeiro, São Paulo,
Manaus, as cirandas de Manacapuru, os peixes ornamentais de Barcelos, os botos
de Alter do Chão, conquistamos nosso espaço e tudo graças a este festival de
Parintins.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipVQXeNxODdVSSY8yqtRAMUvdL5WsPv1ysfE3K6blR6zb_XPLufTFoznhAnunQPq21h2knvMBWaunPfOMS8qy8piEG4dUNNeV9YrOFjxD0eF9nd6nJf8M7_Ljke-ebiyUQHTeiqLVZRSmNH8J9whFnIhYF1KYejqO8n8Hj6KiQVoRs7Pcj4ne9og/s674/Captura%20de%20tela_16-10-2026_74624_www.cnnbrasil.com.br.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;499&quot; data-original-width=&quot;674&quot; height=&quot;337&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipVQXeNxODdVSSY8yqtRAMUvdL5WsPv1ysfE3K6blR6zb_XPLufTFoznhAnunQPq21h2knvMBWaunPfOMS8qy8piEG4dUNNeV9YrOFjxD0eF9nd6nJf8M7_Ljke-ebiyUQHTeiqLVZRSmNH8J9whFnIhYF1KYejqO8n8Hj6KiQVoRs7Pcj4ne9og/w455-h337/Captura%20de%20tela_16-10-2026_74624_www.cnnbrasil.com.br.jpeg&quot; width=&quot;455&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;N. R.: O mestre Jair Mendes faleceu no dia 15 de março de
2025, no Hospital Delphina Aziz, em Manaus, onde estava internado há alguns
dias. Ele tinha 82 anos e era diabético.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em reconhecimento ao seu legado, o Boi Garantido inaugurou,
em abril de 2023, o “Espaço Mestre Jair Mendes” no curral Lindolfo Monteverde,
homenageando sua trajetória e influência na cultura parintinense.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Jair também dá seu nome à Medalha do Mérito Cultural na
cidade de Parintins. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 2023 foi homenageado pelo bumbá vermelho e branco durante
a apresentação do tema “Garantido por toda vida”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O atual prefeito de Parintins, Mateus Assayag, prestou
homenagem ao artista em sua rede social. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;“Seu legado permanecerá vivo na história e no coração de
todos que celebram e valorizam a cultura amazônica, especialmente entre nossos
artistas parintinenses”, afirmou Assayag. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/955933958929146721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/955933958929146721?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/955933958929146721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/955933958929146721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/um-genio-chamado-jair-mendes.html' title='Um gênio chamado Jair Mendes'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh4G191AZd79DXf3dDN9LdxbfH46lL3w3AJLR5oz0gzwiaRTz3i3eiDXwN_RKZscjTqXn1PNNIz-t5Afw0jtk1542A1c3dq6EMCj0NTvDFa76FquCFBSpJIJMV1zUkolFRwk7LGSPJ0X_t4eqWnKrFY7mIVZ9FHgK3ATXTXxfNc90nww-5y6Zs_BQ/s72-w488-h319-c/Captura%20de%20tela_16-10-2026_74717_agenciacenarium.com.br.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-7012825603700914160</id><published>2026-10-15T08:14:05.016-04:00</published><updated>2026-10-15T08:14:05.016-04:00</updated><title type='text'>A carnavalização antropofágica dos bumbás de Parintins</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiK55KJjV3JmwVExzUfWV2tZ_UTF73jPp4hDblRGdlBjnPY8FCSsad7exbHLbwuLJE3wOzeaPX5osZgtcmZUhC5kKoVItxDJa7nTuQh1J0rnGt0onPv-ZG0fLqbJlbspP1U3nRUHUZQd3XZcON-G642lMgpwCOt5B04__2Q8smUt43dib6nghSanQ/s810/000000-fest-810x540.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;540&quot; data-original-width=&quot;810&quot; height=&quot;315&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiK55KJjV3JmwVExzUfWV2tZ_UTF73jPp4hDblRGdlBjnPY8FCSsad7exbHLbwuLJE3wOzeaPX5osZgtcmZUhC5kKoVItxDJa7nTuQh1J0rnGt0onPv-ZG0fLqbJlbspP1U3nRUHUZQd3XZcON-G642lMgpwCOt5B04__2Q8smUt43dib6nghSanQ/w473-h315/000000-fest-810x540.jpg&quot; width=&quot;473&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O escritor e poeta paraense João de Jesus Paes Loureiro, no
ensaio “Tradição, Tradução, Transparência” (Revista de Estudos Amazônicos, Ano
II, Nº 2, Manaus, 2002), diz que o boi de Parintins incorporou os elementos da
estética do carnaval: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;É um boi que chamo de carnavalizado e que, ao mesmo tempo,
assumiu o processo que, na literatura, depois de Oswald de Andrade, passou a se
chamar de antropofagia. Trata-se, portanto, de uma manifestação de arte pública
antropofágica carnavalizada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Antropofágica na medida em que se alimentou e se alimenta
das influências do carnaval e da mídia. Carnavalizada, porque se exibe portando
aspectos semiológicos, simbólicos e plásticos que são próprios do carnaval.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Mário de Andrade, que viajou até nossa região no começo do
século, disse, passando pela frente de Parintins, que era extraordinário ver
como tudo se enchia de entes, de deuses, de seres indescritíveis por detrás.
Sobretudo se, no longe em frente, havia uma volta de rio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ele soube captar muito bem essa qualidade de infinitude, de
sobrenaturalidade que a paisagem dos rios amazônicos contém. E é claro que isso
está incorporado na paisagem cultural de cada habitante da região.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Não são apenas as pessoas das metrópoles que têm uma
paisagem cultural incorporada em sua alma, mas o caboclo da beira do rio, o
trabalhador do campo e o homem da floresta também.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Evidentemente, as pessoas de Parintins incorporaram na
paisagem de sua alma esse desejo de infinitude. Daí o boi ter assumido
grandiosidade, como se fosse uma prosopopéia, isto é, algo imenso, maior
aparentemente do que a própria cidade. Algo que é desmesuradamente maior do que
si mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O enredo tradicional do boi-bumbá pode ser enunciado da
seguinte forma: o fazendeiro tem um boi e a Catirina deseja esse boi; o marido
de Catirina, o Pai Francisco, resolve buscar o boi ou então matá-lo para que
ela possa comê-lo, mas apenas fere o boi; ele é descoberto, o patrão tenta
puni-lo; a partir daí o Pai Francisco é obrigado a tomar todas as providências
para fazer o boi ressuscitar; vai buscar o médico, que nunca o ressuscita e é
sempre o pajé que, no final, o consegue.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Esse enredo possui a circularidade que o aproxima da
narrativa mítica: o boi tradicional se exibe na arena, gira em torno da
plasticidade de seus elementos cênicos; não apresenta uma continuidade
horizontal, mas uma circularidade que aprofunda a história através das toadas
cantadas de improviso pelo dono do boi, o patrão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O Boi-de-Parintins, por sua vez, transformou a circularidade
mítica numa continuidade discursiva e narrativa moderna dos grandes
espetáculos, especificamente do grande espetáculo que é o carnaval e, por isso,
desfila ao longo de uma platéia fascinada por ele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Todo mundo sabe o que vai acontecer, de modo que a estrutura
dramática do boi não é o interesse pelo que vai acontecer, mas como vai
acontecer aquilo que se sabe que vai acontecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O genial é que, à semelhança dos entreatos da comédia
dell’arte, do teatro tradicional ou dos carros alegóricos nos desfiles de
carnaval, foram criados personagens, originais carros alegóricos, grupos de
alegorias, que vão se interpolando às cenas que narram essa pequena história do
boi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Como cada desfile de boi dura três horas, é claro que, para
manter o interesse de uma platéia de mais de 35 mil pessoas, é necessário
recheá-lo de novidades, de atrações, de brilho, de surpresas, para que a
platéia possa manter-se acompanhando a apresentação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Temos, portanto, que o Boi-de-Parintins é um boi
antropofágico, que se alimenta da influência de outras expressões culturais,
incorporando-as à sua substância, e a o mesmo tempo carnavalizado, porque
juntou a tradição do boi-bumbá à forma de exibição destinada ao grande público
para o qual se propõe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Muitas expressões da arte popular repetem uma mesma forma de
apresentação porque não têm acesso a novos materiais ou técnicas, por motivos
de ordem econômico-social ou de informação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Mas o Boi-de-Parintins, quando teve acesso a novas técnicas,
a modernos equipamentos de som, a um espaço enorme para se exibir, à
grandiosidade do espaço cênico, evidentemente transformou-se para s e ajustar a
essa nova possibilidade de expressão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Um dos antigos organizadores desse boi me disse: “Olha,
quando começamos esse boi, iluminávamos a cena com lamparina, que é esse
pequeno farolzinho que você acende e fica ali tocado pelo vento. Era uma
plataforma pequena, pouca gente. À medida que o espaço foi crescendo, a
iluminação melhorou e surgiram novas possibilidades, fomos criando e
estabelecendo novas formas de expressão de acordo com tudo isso”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;As palavras não foram bem essas e nessa ordem, mas traduzem
o que ele pretendia dizer-me. Isso significa que, na verdade, temos uma arte
pública extraordinária, agora se expandindo em comunicação com outras culturas,
e que, através de materiais e técnicas, a população ribeirinha teve a
possibilidade de ampliar largamente a sua criatividade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/7012825603700914160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/7012825603700914160?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/7012825603700914160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/7012825603700914160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/a-carnavalizacao-antropofagica-dos.html' title='A carnavalização antropofágica dos bumbás de Parintins'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiK55KJjV3JmwVExzUfWV2tZ_UTF73jPp4hDblRGdlBjnPY8FCSsad7exbHLbwuLJE3wOzeaPX5osZgtcmZUhC5kKoVItxDJa7nTuQh1J0rnGt0onPv-ZG0fLqbJlbspP1U3nRUHUZQd3XZcON-G642lMgpwCOt5B04__2Q8smUt43dib6nghSanQ/s72-w473-h315-c/000000-fest-810x540.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-4822496130659519649</id><published>2026-10-14T18:59:55.079-04:00</published><updated>2026-10-14T18:59:55.079-04:00</updated><title type='text'>Aura de guerreiro, alma de artista</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEio_Vt5MDf4cQYp72dKWSE-_CUfsNWmAGV85_Y3BHnsixGZHO0GJBRXQAeeRUcP4pjw_8IsGqNwGYcbAXtVUmTe4-lci33vGkQiRCrfNoFBzg4_ZVLeJ5tqhPTrSZEB0x220v4vCMQh_lFulD8aKfd2uZdmkSa30PEYRaYzIs09m_el8lIrBcmzzA/s768/tuxauafemini.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;512&quot; data-original-width=&quot;768&quot; height=&quot;319&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEio_Vt5MDf4cQYp72dKWSE-_CUfsNWmAGV85_Y3BHnsixGZHO0GJBRXQAeeRUcP4pjw_8IsGqNwGYcbAXtVUmTe4-lci33vGkQiRCrfNoFBzg4_ZVLeJ5tqhPTrSZEB0x220v4vCMQh_lFulD8aKfd2uZdmkSa30PEYRaYzIs09m_el8lIrBcmzzA/w479-h319/tuxauafemini.jpg&quot; width=&quot;479&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No livro “Boi-Bumbá: Festas, Andanças, Luz e Pajelanças”, o
engenheiro civil parintinense Simão Assayag, escritor, compositor, ex-diretor
de arte do bumbá Caprichoso e pesquisador apaixonado dos costumes de sua gente,
mostra que a festa dos bumbás é um dabacuri de nativos locais e visitantes, que
nivelam-se, social e espiritualmente, numa harmonia abençoada por Tupãs de
todos os credos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Vale a pena ler de novo o que ele escreveu no capítulo “Aura
de guerreiro, alma de artista”:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Capacete de tuxaua? Por que capacete? Capacete é coisa de
soldado, cocar sim, é enfeite de índio – diz o incauto visitante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Olha aqui, meu amigo. O boi-bumbá de Parintins tem suas
peculiaridades, sua própria história, sua ginga. Não é carnaval, “axé”, nem
tampouco maracatu. Não é reunião de tribos autênticas nem de grupos folclóricos
estáticos. Não é artificial nem encomendado. Tem raízes profundas na cultura do
seu povo, mas tem, também, o verde da copa das lombringueiras que não param de
crescer. Copas que de repente já não são mais verdes, nem amarelas, nem ocres,
mas trazem o efêmero lilás da flor perfumando o campo. Lilás que se formou dos
pigmentos azul, branco e vermelho, na mistura das nações Caprichoso e
Garantido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O nosso folclore tem os pés fincados na tradição, mas tem
também as mãos livres para criar e inventar. Respeita os mitos, mas sai em
busca de novas aventuras. Pesquisa lendas, mas encontra técnicas e estilos
diferentes. É um navegador em busca de outras dimensões. Não é um toco morto,
fincado até o meio, como querem alguns puristas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;É algo como a matéria em sua ínfima constituição. É o átomo
com seu núcleo segurando a estrutura da linhagem, enquanto partículas soltas
vão em busca de formas e combinações diferentes. É como o ser humano que traz
em si o próprio código genético, mas sai pelo mundo, moldando sua personalidade
na forja da vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Quem quiser documentar uma verdadeira dança de índio, não
venha a Parintins em fins de junho. Arrume um “motorzinho”, um bom estoque de
repelente, “engrene” com a Funai ou com alguma missão religiosa e boa viagem.
Vá até o alto Andirá assistir à festa da tucandeira dos Saterê, no mês de maio.
Pode, também, chegar ao vale do rio Javari, na aldeia dos Mati (ou Matiçã), e
até descobrir o mistério dos dentes de macaco perfurados com broto de
bananeira, por onde atravessa o fio de tucum, no fabrico de extravagantes
colares. Pode, ainda, conhecer in loco o artesanato colorido e criativo dos
Way-Way, na região situada entre as Guianas e os estados do Pará, Amazonas e
Roraima. Até mesmo, quem sabe, ir à aldeia dos Wanana (ou Koytiria), conhecer
as duas enchentes anuais do rio Uaupés, local onde mais chove na Amazônia. Tudo
isso é belo, mas infelizmente nada disso acontece em Parintins, muito menos
durante a quadra junina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Se alguém quiser assistir à congada, tudo bem! Tem em quase
todo o Brasil. A festa do reisado, em janeiro, acontece nas Alagoas. Vá ao
Paraná, e a Bragança, no Pará, ver o auto da marujada ou os caboclinhos, no
Recife, em pleno carnaval. Assista às cheganças e dance ciranda no Nordeste. Se
optar pelo bumba-meu-boi, muito original, vá ao Maranhão. E boa sorte! Mas se
quiser emoção, paixão, tesão, se quiser sentir-se criança, tornar-se igual aos
seus iguais e ser gente novamente, então, venha até nós, nesta ilha paradisíaca
de Parintins. Venha assistir à festa do boi-bumbá e sentir a energia que emana
do Bumbódromo superlotado. Mas segure-se, você pode levitar…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Tem mais, você que tem conhecimento de
pecuarista/extensionista, não procure raça na figura do nosso boi, por favor!
Nem o agrupe em espécies e gêneros animais. Veja lá: ele tem chifres de Guzerá,
orelhas do Indubrasil, mochila de Nelore, mas nem por isso é algum Frankenstein
da engenharia genética. Ele tem a graça do Holandês e, com a valentia do Miúra,
faz a arena tremer e a multidão delirar. Não tem olé, olé, olé, mas canta auê,
auê, auê. Tudo é fantasia, gente!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Nosso boi-bumbá é colorido, é alegre e “pro alto”, é puro e
tem muita luz. Aliás, é como a própria luz que, na essência, ora promana em
partículas, ora em ondas eletromagnéticas, que se transformam de maneira
contínua e aleatória a cada instante. Nossa festa é viva, porque surgiu da vida
de nosso ancestral indígena. É atual, porque é dinâmica. É vibrante, porque é
dual. É equilibrada, porque resiste. E existe, porque é equilibrada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Mas, e o capacete? Por que capacete, se este é algo frio,
sombrio, que lembra guerra e porrada, enquanto os índios do Bumbódromo são
bonitos, pacíficos e alegres? Por que capacete, se suas vestes de penas e
figuras coloridas são gigantescas e mágicas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– Bolas, esta foi a forma como o artista viu algo de
arredondado em torno da cabeça nua do índio equatorial da planície; foi aquela
luz brilhante, aquela superposição de cores que envolvia sua silhueta; foi
aquele halo, que as imagens dos santos católicos trazem flutuando sobre si, e
que as revistinhas infantis chamam de auréola. Foi na falta de palavra mais
apropriada que o artista, rústico, porém iluminado, ao perceber tal miragem
iridescente, despretensiosamente chamou de capacete, pô!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Capacete de boi-bumbá é mais que cocar de chefe da tribo. É
a aura do índio guerreiro, é competição. É a expressão viva da alma do tuxaua,
é transpiração. É o gênio criativo do artista, é inspiração.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/4822496130659519649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/4822496130659519649?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/4822496130659519649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/4822496130659519649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/aura-de-guerreiro-alma-de-artista_02116848852.html' title='Aura de guerreiro, alma de artista'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEio_Vt5MDf4cQYp72dKWSE-_CUfsNWmAGV85_Y3BHnsixGZHO0GJBRXQAeeRUcP4pjw_8IsGqNwGYcbAXtVUmTe4-lci33vGkQiRCrfNoFBzg4_ZVLeJ5tqhPTrSZEB0x220v4vCMQh_lFulD8aKfd2uZdmkSa30PEYRaYzIs09m_el8lIrBcmzzA/s72-w479-h319-c/tuxauafemini.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-1766344212890588583</id><published>2026-10-10T11:20:52.730-04:00</published><updated>2026-10-10T11:20:52.730-04:00</updated><title type='text'>A exuberância ancestral dos Tuxauas</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjtt40w9UeVpqUsFPeWDtx1VcevZCw1CZx_cMKmqAW6EeBI9PiNRv3zuH1HewlpjmqgiJBv0gvznjnZmPLVcrgh3SNKv-0as59AFirrUERH3FByfAEtOR1UJytUp4mTpZv75C0Hx3eGICApZvTpngRohPxaIayxd1VxQE-KqIX9g8bQFiDDCTHx4A/s619/tuchauas.jfif&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;495&quot; data-original-width=&quot;619&quot; height=&quot;369&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjtt40w9UeVpqUsFPeWDtx1VcevZCw1CZx_cMKmqAW6EeBI9PiNRv3zuH1HewlpjmqgiJBv0gvznjnZmPLVcrgh3SNKv-0as59AFirrUERH3FByfAEtOR1UJytUp4mTpZv75C0Hx3eGICApZvTpngRohPxaIayxd1VxQE-KqIX9g8bQFiDDCTHx4A/w461-h369/tuchauas.jfif&quot; width=&quot;461&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Um dos itens mais aguardados pelas duas galeras são as
apresentações dos Tuxauas (mais conhecidos como “capacetes”) em momentos
diferentes do espetáculo, de acordo com o enredo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os Tuxauas são verdadeiras esculturas humanas, “vestidos” em
fantasias extremamente criativas de até três metros de altura por dois metros
de largura, com cada “cangalha” pesando em torno de 40 quilos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Por conta disso, eles pouco se movimentam na arena, mas cada
um deles é quase um espetáculo psicodélico visual de tanta policromia existente
nas fantasias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Na primeira vez que viu os “capacetes” na arena, ao vivo e a
cores, o carnavalesco Joãosinho Trinta foi à loucura. “Comparado com esses
tuxauas, as fantasias de luxo do Clóvis Bornay eram roupas de normalista do
Colégio Sagrado Coração de Maria”, alfinetou o carnavalesco. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgnYX4WyjOS40UraTKe3CzP-Pm0bbAtoEsxNcFvz6kxehRloO__sU9QP-xss-5uekBmOifZCo0Y-JOoIzGCrqSGf-1dpeRlD0UU-faOBKFz3YtJ-a4Bt0C9ggJi4HqUFBIesNzAsMuXQzW4CY49hyphenhyphenDdMKQrx0dHhrWRuXQhhL7z4bnEXK95WBNKnA/s900/tuxauas.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;601&quot; data-original-width=&quot;900&quot; height=&quot;284&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgnYX4WyjOS40UraTKe3CzP-Pm0bbAtoEsxNcFvz6kxehRloO__sU9QP-xss-5uekBmOifZCo0Y-JOoIzGCrqSGf-1dpeRlD0UU-faOBKFz3YtJ-a4Bt0C9ggJi4HqUFBIesNzAsMuXQzW4CY49hyphenhyphenDdMKQrx0dHhrWRuXQhhL7z4bnEXK95WBNKnA/w425-h284/tuxauas.jpg&quot; width=&quot;425&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A entrada dos Tuxauas na arena é vista com muito respeito e
emoção, já que supostamente trazem consigo o espírito ancestral dos primeiros
habitantes da região e expressam a força e a valentia dos morubixabas, os
grandes chefes das diversas tribos indígenas, muitas das quais já foram
extintas. Os Tuxauas são chefes político-administrativos, diferentes dos Pajés,
que são chefes espirituais.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No auto original, a presença dos índios é quase irrelevante.
Eles são chamados pelo Diretor dos Índios (uma crítica velada ao “Diretório dos
Índios”, a lei implantada pelo Marquês de Pombal, na Amazônia, em 1758, cujo
principal objetivo era levar as populações indígenas a realizar a transição
para a vida civil, de preferência produzindo gêneros voltados ao comércio) para
ajudarem os vaqueiros a prender Pai Francisco, que se achava entrincheirado em
um outeiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O dono da fazenda chama um padre para batizar os índios e
transformá-los em “cabocos cristãos”. O padre, completamente de porre, começa a
cantar: “Batizo os caboco / ao som do tambor / se forem à guerra / com Nosso
Senhor / batizo os caboco / ao som da viola / se forem à guerra / com Nossa
Senhora / batizo os caboco / ao som da rabeca / se forem à guerra / por lá
levem a breca / Sou Padre, sou Padre / mas não coroado / levanta caboco / já
está batizado / Sou Padre, sou Padre / de Jerusalém / levanta caboco / pra
sempre amém”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os índios “batizados” se juntam aos vaqueiros, prendem Pai
Francisco, o entregam ao dono da fazenda e saem de cena.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em Parintins, quem começou a se destacar visualmente como
Tuxaua do boi Caprichoso foi José Monteiro de Souza, conhecido popularmente
como “Zeca Xibelão”, primo dos radialistas Rubem e Marcos Santos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Até então, os Tuxauas parintinenses se fantasiavam como os
índios dos filmes de faroeste: calça e coletes com franjas de tecido, mocassim
e cocar típico, com caimento ao longo das costas.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;As tribos indígenas eram conhecidas como “tribos de Tontos”,
em alusão ao índio comanche chamado Tonto, companheiro de aventuras do
mascarado Zorro (“Lone Ranger”, no original), presentes nas HQs publicadas pela
Ebal e nos filmes exibidos na cidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjCKtZ89_1UE0D9SGBO8E7o_XOsm-OIX3u1YNkbsU7iOHuRpUlHiQG0_faJbf03x6c8W6RvSxKsbP-mJOp5YorfjCi0BvAiaSISe37yKRqEk0OAfJ6YDITVVlzJHYvbUShdKhbgH0gJIls0U6JQ5ZCyfc-hDW9YFxdSqTzh8DN2BWD4D6zlUpETow/s1457/Retrato%20Festivo%20do%20Bumba%20Meu%20Boi.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1079&quot; data-original-width=&quot;1457&quot; height=&quot;347&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjCKtZ89_1UE0D9SGBO8E7o_XOsm-OIX3u1YNkbsU7iOHuRpUlHiQG0_faJbf03x6c8W6RvSxKsbP-mJOp5YorfjCi0BvAiaSISe37yKRqEk0OAfJ6YDITVVlzJHYvbUShdKhbgH0gJIls0U6JQ5ZCyfc-hDW9YFxdSqTzh8DN2BWD4D6zlUpETow/w469-h347/Retrato%20Festivo%20do%20Bumba%20Meu%20Boi.png&quot; width=&quot;469&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;O tuxaua Zeca Xibelão, que hoje nomei o curral do bumbá Caprichoso&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ainda nos anos 50 e já um artesão de mão cheia, Zeca Xibelão
substituiu as franjas de tecido por penas de pássaros e aumentou
exponencialmente o tamanho do cocar, o transformando em uma escultura
gigantesca presa à cabeça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Para a população começar a chamar aquilo de “capacete” foi
conta de multiplicar. Os Tuxauas do “contrário” logo aderiram à invenção.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Trabalhando praticamente sozinho na confecção de sua
fantasia, Zeca Xibelão enfrentava galhardamente os Tuxauas do Garantido desde o
início do festival, em 1965, não tendo sido derrotado uma única vez. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Entre outras bossas, ele inventou um jeito novo de bailar em
que o pé baixava no contra-ritmo do surdo de marcação, levando a galera à
loucura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em meados de 1980, o mestre Jair Mendes começou a fazer
grandes capacetes no Garantido para equilibrar a disputa entre os Tuxauas, mas
nem assim conseguiu quebrar a hegemonia de Zeca Xibelão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No máximo, os Tuxauas do touro branco empatavam com ele,
nenhum conseguiu derrota-lo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEizJMAB54cOq66W1tcOIZPzF9avBXVUhTnGwo6iHPg-pwO7vK6dek3QlFoL70WVTcFMzGs-kXgm3umSp7q2YYSNIZLMRCtatKpKJcsDSgI0O2is0AoyAaXtZI4FK1BoyM0QZO8h7fMenaVEfcG1jrc5S6FsVCpWr6PD6DUNec3b3zIuD7XrHigEDQ/s1269/Desfile%20noturno%20do%20Xibel%C3%A3o%20em%20cores%20vibrantes.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1240&quot; data-original-width=&quot;1269&quot; height=&quot;424&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEizJMAB54cOq66W1tcOIZPzF9avBXVUhTnGwo6iHPg-pwO7vK6dek3QlFoL70WVTcFMzGs-kXgm3umSp7q2YYSNIZLMRCtatKpKJcsDSgI0O2is0AoyAaXtZI4FK1BoyM0QZO8h7fMenaVEfcG1jrc5S6FsVCpWr6PD6DUNec3b3zIuD7XrHigEDQ/w434-h424/Desfile%20noturno%20do%20Xibel%C3%A3o%20em%20cores%20vibrantes.png&quot; width=&quot;434&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;O tuxaua Zeca Xibelão na quadra do Urubuzal, na década de 1970&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O “capacete” de Zeca Xibelão era uma obra de arte, mas
apenas para quem estava observando a 20 metros de distância. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No Bumbódromo, entretanto, ele fatalmente desapareceria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1986, Jair Mendes bandeou-se para o Caprichoso. O novo
alegorista do Garantido ficou sendo Vandir Santos, ex-assistente de Jair
Mendes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Também considerado um artista plástico excepcional, Vandir
Santos passou dois anos tentando descobrir uma maneira de derrotar Zeca Xibelão
até que um dia teve o seu “estalo de Vieira”: construir imensas alegorias, que
“vestiriam” os Tuxauas do Garantido de uma forma nunca antes vista em
Parintins. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Não deu tempo para ver se essa nova estratégia iria dar
certo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O campeoníssimo Zeca Xibelão faleceu em 1988, no ano de
inauguração do Bumbódromo, e foi homenageado no ano seguinte com uma toada de
J. Carlos Portilho: “O primeiro tuxaua partiu / num capacete alado subiu / foi
para o céu todo azul / juntar-se aos seus ancestrais / fumar cachimbo da paz /
com nosso Deus criador / Minha galera chorou / mas vai enxugar o seu pranto /
na camisa azul e branca / no capacete espelhado / no passo cadenciado / que
Xibelão ensinou”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjIl4hyaGcXYH3ZPbLpJdQC8P_wGfVptlWZ4bPY_v69DnmRfYOvv5u3mNUhyphenhyphenAVncUIyrRKgPEoMeXlhu-0sFHb4ZysXiuJatrRLY2UgH5gJCoW6Sz56UZrAMumlBzVwdWeGIIP2Ie_UDY2pGWr8blu-zvbFfbKufGS-dxKfmAkg8wnuOw9goR088w/s554/ito%20teixeira.jfif&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;554&quot; data-original-width=&quot;554&quot; height=&quot;388&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjIl4hyaGcXYH3ZPbLpJdQC8P_wGfVptlWZ4bPY_v69DnmRfYOvv5u3mNUhyphenhyphenAVncUIyrRKgPEoMeXlhu-0sFHb4ZysXiuJatrRLY2UgH5gJCoW6Sz56UZrAMumlBzVwdWeGIIP2Ie_UDY2pGWr8blu-zvbFfbKufGS-dxKfmAkg8wnuOw9goR088w/w388-h388/ito%20teixeira.jfif&quot; width=&quot;388&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;O artista plástico Ito Teixeira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Também em 1988, as “tribos de Tontos” ainda remanescentes
começaram a dar lugar de vez às tribos amazônicas tradicionais por iniciativa
de um artista do Garantido, Ito Teixeira, que depois migraria para o
Caprichoso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Foi Ito Teixeira o primeiro a apresentar o esboço de um
ritual indígena, que dos anos 90 em diante se tornaria o ponto alto do
festival. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ele disse que se inspirou nos “sacrifícios” comandados por
índios selvagens e exibidos nos filmes de Tarzan, Bonanza e Jim das Selvas. É
ele que conta:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;– A primeira apresentação do ritual foi em 1983. Ela começou
com uma encenação que incluía apenas uma moça a ser sacrificada e a minha
tribo, a tribo dos Carajás, que já era inspirada nos índios do Xingu. Nós
colocamos a menina em meio de um círculo de fogo e dançamos em volta com umas
tochas acesas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Esse círculo no centro da arena combinado com a fumaça negra
que saía das tochas e com os índios gritando em volta, deu um efeito bastante
interessante, que repercutiu positivamente entre os torcedores do Garantido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Daí por diante eu comecei a fazer apresentações muito
parecidas com essa, mas já envolvendo várias tribos e sempre utilizando fogo e
fumaça para criar novos efeitos na arena. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em 1988, eu tive a ideia de colocar umas rampas na arena do
bumbódromo em que os índios iriam subir e descer, subir e descer, criando um
efeito visual muito bonito. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Depois, quando eu fui para o Caprichoso, eu criei um cenário
para as apresentações de rituais, colocando um tablado em que foi colocado o
pajé, que nessa primeira vez foi o Waldir Santana. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Eu convenci o Waldir a dançar como pajé, pois os pajés dos
bois eram muito estáticos, pareciam os tuxauas, e eu entendia que o pajé tinha
que ser dançarino, fazer movimentos acrobáticos. E depois que eu defini essa
movimentação alegórica, criei os tablados, os índios lá no meio e o fogo em
volta, com o pajé dançando no centro, isso foi praticamente o marco dessa
apresentação coletiva que configurou o ritual dos dias de hoje. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O ritual começou em função disso com a apresentação da tribo
dos Carajás e depois unindo várias tribos e a cada ano fazendo as apresentações
diferentes, no solo, no tablado de madeira e posteriormente com as alegorias
que começamos a fazer, aí virou um fato novo. Foi o ritual que começou a dar
dimensão gigante às alegorias e à quantidade de módulos na arena.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;O Garantido deu
início ao ritual, era uma apresentação que só o Garantido fazia. Como não era
item de julgamento, mas fortalecia a apresentação, o Caprichoso percebeu que
estava levando desvantagem e então aderiu ao ritual. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Depois que o Caprichoso começou a fazer o ritual, durante
uma das reuniões que ocorreram na antiga tribuna, que era discussão do novo
regulamento, eu chamei o Simão Assayag e o Karu Carvalho e sugeri que, como já
estava consolidado, o ritual passasse a ser item de competição e assim foi
feito. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Eu também tive a ideia de usar velas na arquibancada e
apagar as luzes, esse foi um outro marco na história do festival, uma maneira
diferente de apresentar o boi, as alegorias começaram a vir com luzes, a galera
com luzes nas mãos, até se transformar nessa ópera a céu aberto com efeitos de
luz cênica cada vez mais profissional.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/1766344212890588583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/1766344212890588583?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/1766344212890588583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/1766344212890588583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/a-exuberancia-ancestral-dos-tuxauas.html' title='A exuberância ancestral dos Tuxauas'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjtt40w9UeVpqUsFPeWDtx1VcevZCw1CZx_cMKmqAW6EeBI9PiNRv3zuH1HewlpjmqgiJBv0gvznjnZmPLVcrgh3SNKv-0as59AFirrUERH3FByfAEtOR1UJytUp4mTpZv75C0Hx3eGICApZvTpngRohPxaIayxd1VxQE-KqIX9g8bQFiDDCTHx4A/s72-w461-h369-c/tuchauas.jfif" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-4416357630677245281</id><published>2026-10-09T20:30:13.274-04:00</published><updated>2026-10-09T20:30:13.274-04:00</updated><title type='text'>Uma ópera popular a céu aberto</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiFc8D7RZ1Ajv7fiq8O56VnVT4xHDd77OPeAeq7f7fotc5CVE5OBBccAOGKfIcdZfxR_q92GllyTrleTJGCc5ZMxbAIBpqJUbphZ8uwTy5s8L1XdzbLP93Lax92ARBNhOrQVihM8BWf-kb_oqBe-TRTPhUV9TfnKvyV9MQ_gbBYgMC6kj0XrnAgvw/s1600/SECOM-PARINTINS-NOVO-BUMBODROMO6.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;900&quot; data-original-width=&quot;1600&quot; height=&quot;266&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiFc8D7RZ1Ajv7fiq8O56VnVT4xHDd77OPeAeq7f7fotc5CVE5OBBccAOGKfIcdZfxR_q92GllyTrleTJGCc5ZMxbAIBpqJUbphZ8uwTy5s8L1XdzbLP93Lax92ARBNhOrQVihM8BWf-kb_oqBe-TRTPhUV9TfnKvyV9MQ_gbBYgMC6kj0XrnAgvw/w473-h266/SECOM-PARINTINS-NOVO-BUMBODROMO6.jpg&quot; width=&quot;473&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O espetáculo se abre com a entrada em cena do Apresentador,
seguido pelo Levantador de Toadas e pelo agrupamento de percussão (Marujada de
Guerra ou Batucada), e se encerra após a encenação do ritual. Fora isso, não há
ordem fixa de encadeamento para o aparecimento dos diversos personagens e suas
diferentes encenações. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os personagens individuais, como Cunhã-Poranga, Sinhazinha
da Fazenda, Boi-Bumbá, Rainha do Folclore, Pajé e Tuxauas são geralmente
trazidos encarapitados em alegorias. Seu aparecimento é saudado com fogos de
artifício e efeitos especiais, acompanhados por toadas específicas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Alguns elementos, como os maravilhosos Tuxauas (chefes
indígenas cujas fantasias são pequenas alegorias), adentram a cena, exibem-se e
logo saem. A maior parte, contudo, permanece no local, em especial as Tribos
masculinas e femininas que, com seu bailado coreografado, enchem gradualmente a
arena até a plenitude. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Acontece então o ritual, principal momento da aparição do Pajé,
e culminância de cada apresentação. Depois disso, o boi começa a sair da arena
numa movimentação sempre circular.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEikhX3lJGYodJE1QOXRmKYu-TWfDe9WT5LZtU7qMg7384cg-FFy6YzEyW96BsHsWZQRrhsr5t_hQFxfYRYcHI7fVD_Akfvm0Yw1JvEZsS7RhRfrxAfsawD8kvn03nE5dq1vsBwapqwGDlSq8nYaBVIEOqq-EJrEY2IqG0tVrU3JeZv_d_-FX8AgYg/s678/capri789.jfif&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;452&quot; data-original-width=&quot;678&quot; height=&quot;280&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEikhX3lJGYodJE1QOXRmKYu-TWfDe9WT5LZtU7qMg7384cg-FFy6YzEyW96BsHsWZQRrhsr5t_hQFxfYRYcHI7fVD_Akfvm0Yw1JvEZsS7RhRfrxAfsawD8kvn03nE5dq1vsBwapqwGDlSq8nYaBVIEOqq-EJrEY2IqG0tVrU3JeZv_d_-FX8AgYg/w421-h280/capri789.jfif&quot; width=&quot;421&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Na performance, há um núcleo de sentido definido, associado
ao tema da morte e da ressurreição do boi. Esse núcleo agrega-se em torno dos
personagens cuja atuação acompanha a aparição do boi na arena.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O boi-bumbá, animado pelo “tripa” (quem entra dentro da
carcaça do boi e desenvolve o bailado cheio de gingas e efeitos especiais),
traz sempre consigo o Amo do Boi, a Sinhazinha da Fazenda, a Vaqueirada,
Cazumbá, Pai Francisco e Mãe Catirina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;No entanto, os personagens indígenas relacionados ao auto
original foram, aos poucos, dele se destacando e ganhando crescente importância
no Festival de Parintins. É o caso da Cunhã-Poranga, dos Tuxauas, do Pajé, das Tribos
femininas e masculinas, e de um novo quadro cênico, o ritual. A temática das
toadas acompanhou esse processo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Uma toada de 1992 falava do índio como “o humilde parceiro
do boi”. Essa formulação não teria lugar nos dias de hoje, quando se destacam
as toadas com motivos indígenas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ao longo da década de 1990, a ênfase gradual, porém decidida
e consciente, nos elementos indígenas da trama, configurou um novo universo
simbólico. Emergiu, desse modo, um novo nativismo no Boi-Bumbá de Parintins.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjA2vfGcceK4TFIqVEJCFuUl8QiiiJDJh7eBaw6Bo8HLQE26zibQCqvL7NsR9fB9Lz944Ee-szBm1dDxGJLocOlyQwIZsqvqluayaae07igD48HQM3byw2IesFThrrf0Oaum-HkP4e-0vvHO4w6rPR-UUwm4EvUkf7kqhy7KmMs_02i0v79Vgh5tw/s600/capri890.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;400&quot; data-original-width=&quot;600&quot; height=&quot;297&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjA2vfGcceK4TFIqVEJCFuUl8QiiiJDJh7eBaw6Bo8HLQE26zibQCqvL7NsR9fB9Lz944Ee-szBm1dDxGJLocOlyQwIZsqvqluayaae07igD48HQM3byw2IesFThrrf0Oaum-HkP4e-0vvHO4w6rPR-UUwm4EvUkf7kqhy7KmMs_02i0v79Vgh5tw/w446-h297/capri890.jpeg&quot; width=&quot;446&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ligado ao espetáculo por fortes laços, esse novo universo
corresponde a um deslocamento importante. Pois o tema da morte e ressurreição,
desenfatizado no conjunto do boi, como que para aí migrou.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O aspecto burlesco do folguedo é preservado em Parintins
sobretudo no seio do conjunto do boi, especialmente pelos bufões Pai Francisco,
Mãe Catirina e Cazumbá. O nativismo dos bumbás sobrepôs-se, entretanto, a essa
abordagem cômica, como um canto trágico em louvor dos “que foram outrora os
donos das terras”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O bumbá de Parintins é, sob esse aspecto, um espetáculo
ímpar. Mistura a alegria da festa à celebração emocionada da consciência da
destruição de muitos povos indígenas amazônicos, afirmando, ao mesmo tempo, o
valor positivo de uma identidade cabocla.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ora, essa ênfase nativista trouxe no seu bojo uma nova
abordagem do tema anual que é atualmente um grande diferenciador de estilo dos
bois. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Aqui um ponto importante. É verdade que, com relação ao
tratamento do tema, o Garantido faz a defesa da “tradição” e o Caprichoso
assume o discurso da “inovação”. Seria, contudo, enganador alinhar a história
de um boi numa direção e a do outro, na outra. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Estamos diante de uma fase particular da história dos
bumbás. Em outras épocas, essas posições já estiveram invertidas. No contexto
da festa, moderno e tradicional são, sobretudo, sinais de diferenciação.
Designam aspectos de um processo em que a estabilização de novos padrões
estéticos requer também a construção de diferenças de estilo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgAtljYXXmVksKccRPHmvIH-WmqidrpyDwpozn0hgsGG5slI8hx43gFtUL54YtYcrpQ0ykyYPifKMDyeu0F4-PG6d25KFFGH3_YDXC0dGd16pGg2vbvMkiC_9mdyN3H3fGVfm6N4dxesWWVgaNuXJUDUcz5PxM6ctKykwGIN8uo4IhalQTnwkH4dw/s640/galer456.jfif&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;420&quot; data-original-width=&quot;640&quot; height=&quot;285&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgAtljYXXmVksKccRPHmvIH-WmqidrpyDwpozn0hgsGG5slI8hx43gFtUL54YtYcrpQ0ykyYPifKMDyeu0F4-PG6d25KFFGH3_YDXC0dGd16pGg2vbvMkiC_9mdyN3H3fGVfm6N4dxesWWVgaNuXJUDUcz5PxM6ctKykwGIN8uo4IhalQTnwkH4dw/w434-h285/galer456.jfif&quot; width=&quot;434&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O boi Garantido vem afirmando assim a sua liberdade com
relação ao tratamento do tema. Em sua visão, “as pessoas têm que entender que
não é uma falha, é uma característica dos bois não seguir enredos como escolas
de samba”. Ou ainda: “queremos brincar de boi, não existe compromisso com tema,
mas com as toadas e as figuras folclóricas. O boi-bumbá não tem preocupação com
a sequência. Nossa apresentação é uma ideia livre, sem a sequência de três
atos, mas que tem uma justificativa dentro do contexto do boi”, explicou Emília
Faria, diretora de Arte do Garantido, ao jornal A Crítica, em julho de 1997.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O boi Caprichoso, por sua vez, vem inovando justamente na
direção de uma concepção mais unitária das três apresentações. O diretor de
arte Simão Assayag redigiu elaborado libreto para a apresentação de 1996,
marcando a tendência com a proposta da “ópera popular cabocla”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Entre os dois estilos, há um nítido ponto em comum: a ênfase
ritual nos componentes indígenas da apresentação. O caráter amalgamado e
maleável do bumbá, marcante desde suas primeiras descrições, revela-se nessa
nova eleição em sua plenitude. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O boi-bumbá de Parintins é um novo e fascinante capítulo da
longa história do folguedo no país. Emerge como um moderno movimento nativista
que elegeu imagens indígenas como metáforas para a afirmação de uma identidade
regional cabocla. Um poderoso processo ritual, através do qual a pequena
cidade, e com ela toda a região Norte, como que aspira – e tem conseguido com
razoável sucesso – comunicar-se com o país e com o mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/4416357630677245281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/4416357630677245281?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/4416357630677245281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/4416357630677245281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/uma-opera-popular-ceu-aberto.html' title='Uma ópera popular a céu aberto'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiFc8D7RZ1Ajv7fiq8O56VnVT4xHDd77OPeAeq7f7fotc5CVE5OBBccAOGKfIcdZfxR_q92GllyTrleTJGCc5ZMxbAIBpqJUbphZ8uwTy5s8L1XdzbLP93Lax92ARBNhOrQVihM8BWf-kb_oqBe-TRTPhUV9TfnKvyV9MQ_gbBYgMC6kj0XrnAgvw/s72-w473-h266-c/SECOM-PARINTINS-NOVO-BUMBODROMO6.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-2631393317841611080</id><published>2026-10-08T18:58:38.915-04:00</published><updated>2026-10-08T18:58:38.915-04:00</updated><title type='text'>A Festa dos Bois-Bumbás de Parintins</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjgquG3ES-bZG6HYy6j5jqQmZQ3bLMltJ5e1CpqAN_3-SMoGYhYb36Ev3q4trtskfEPkVjNsonMwBJuXiNPnu5EYIRwErA9AwcgE8axRtof8Vs_n_tamYgnJx9Y78wJBwuME7zcDpbIPdBeykMMcg3RrvTmU97IkEmIYjx45lfUD9mM7kMmyFF-TA/s1000/Parintins.-567.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;667&quot; data-original-width=&quot;1000&quot; height=&quot;304&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjgquG3ES-bZG6HYy6j5jqQmZQ3bLMltJ5e1CpqAN_3-SMoGYhYb36Ev3q4trtskfEPkVjNsonMwBJuXiNPnu5EYIRwErA9AwcgE8axRtof8Vs_n_tamYgnJx9Y78wJBwuME7zcDpbIPdBeykMMcg3RrvTmU97IkEmIYjx45lfUD9mM7kMmyFF-TA/w457-h304/Parintins.-567.jpg&quot; width=&quot;457&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Para contar essa história pela enésima vez, sempre no final
do mês de junho, em um palco a céu aberto, a cidade de Parintins realiza uma
das maiores festas populares do Brasil, o Festival Folclórico de Parintins,
mais conhecido como a Festa dos Bois-Bumbás. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os protagonistas dessa festa xipuara são os bumbás
Caprichoso (boi negro com uma estrela na testa, de cores azul e branca) e
Garantido (boi branco com um coração na testa, de cores vermelha e branca), que
se alternam no palco durante três noites, com o tempo de 2h30min para cada
apresentação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Mostrando ano a ano a conhecida lenda do boi-bumbá, mas com
forma, concepção e enfoque diferentes e cada vez mais centrada no imaginário
amazônico dos caboclos e dos indígenas, os dois bois apresentam um grandioso
espetáculo cênico tendo como único objetivo a conquista do título de campeão do
festival.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Parintins está situada a cerca de 420 Km de Manaus, à margem
direita do rio Amazonas, em um conjunto de ilhas chamado de Tupinambarana, já
quase na ilharga da fronteira com o Pará. A cidade tem apenas 120 mil
habitantes e só é possível chegar à ilha de avião, depois de 50 minutos de
viagem, saindo de Manaus, ou de barco, após uma viagem que pode durar entre 8 e
24 horas. Nada que desestimule os 50 mil visitantes, metade dos quais
estrangeiros, que para lá se dirigem todos os anos para vibrar com o espetáculo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiXqE1Va0eXs5z-U9mfBdBxWUZ9lvRGLxb9M-JCdVqQhXh-jvQh9srBuQU4QR65-CQQmyB8txrV60-7FoZ6iSy-RMQyjv6n2jaBSP7V3Lw1lw96S7QUKPxj3uYrwdOYdGJv2zm926tQa0sLo_iC1oQqvhjomBAptjOc1u15Xd9fqtLAqDuHDydHjQ/s1600/Bumbodromo123.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;900&quot; data-original-width=&quot;1600&quot; height=&quot;264&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiXqE1Va0eXs5z-U9mfBdBxWUZ9lvRGLxb9M-JCdVqQhXh-jvQh9srBuQU4QR65-CQQmyB8txrV60-7FoZ6iSy-RMQyjv6n2jaBSP7V3Lw1lw96S7QUKPxj3uYrwdOYdGJv2zm926tQa0sLo_iC1oQqvhjomBAptjOc1u15Xd9fqtLAqDuHDydHjQ/w469-h264/Bumbodromo123.jpeg&quot; width=&quot;469&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;As disputas acontecem no Bumbódromo, uma gigantesca arena no
formato de uma cabeça de boi estilizada, dividida em partes iguais para as duas
galeras “inimigas”. Com capacidade para 40 mil pessoas, o Bumbódromo é
considerado a maior obra cultural e desportiva do Amazonas.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Durante a festa apenas 10% dos ingressos são vendidos, os
outros 90% são gratuitos e divididos igualitariamente entre as galeras de
Garantido e Caprichoso. Um belo exemplo de que a festa, apesar do gigantismo,
continua sendo feita pelo povo e para o povo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;É impossível acreditar no que acontece em Parintins nesta
época do ano, quando durante três dias a população da cidade simplesmente entra
em estado de êxtase. A paixão dos nativos pela festa é tão intensa que as casas
dos mais fanáticos são pintadas de azul ou vermelho e enfeitadas com balões,
fitas e flâmulas da mesma cor, para indicar o favoritismo de quem mora ali.
Muitos casais de torcidas opostas se separam para curtir a brincadeira do seu
boi favorito, pelo menos durante o período do festival.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqLueW4UdnEMvWsrzxo1tet25e5VGQcYgzE5mzVe2XSExAXF6yXS5Cfg6QzB3bdPPIMr9uNP-6Uwhy3pkM7Q7oGDwAfnYapsiFKxF-pV0iHNSJ7xJv2lKGr7DaREmpGz_5a5152dVAqWB6f3cbHwkVvfSaO472n3rjOgygPxmxLE3JJkoxDDu1bQ/s799/42b1148f-bcf3-474c-9efc-393f605bb640.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;533&quot; data-original-width=&quot;799&quot; height=&quot;284&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqLueW4UdnEMvWsrzxo1tet25e5VGQcYgzE5mzVe2XSExAXF6yXS5Cfg6QzB3bdPPIMr9uNP-6Uwhy3pkM7Q7oGDwAfnYapsiFKxF-pV0iHNSJ7xJv2lKGr7DaREmpGz_5a5152dVAqWB6f3cbHwkVvfSaO472n3rjOgygPxmxLE3JJkoxDDu1bQ/w427-h284/42b1148f-bcf3-474c-9efc-393f605bb640.jpg&quot; width=&quot;427&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Antigamente, muitos torcedores costumavam faltar ao trabalho
para aproveitar a festa – o que era uma dor de cabeça quando os três últimos
dias de junho caíam no meio da semana. A solução foi adaptar a festa para uma
data móvel, sempre de sexta a domingo, que às vezes pode terminar no segundo
dia de julho.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Para evitar favoritismo, a cor da tinta da caneta usada
pelos jurados é verde. Principal patrocinadora do evento, a Coca-Cola, cujo
rótulo original é vermelho, cor dos torcedores do Garantido, entrou no ritmo da
festa e fabricou uma embalagem especial em azul para também agradar os
torcedores do Caprichoso. O mesmo aconteceu com as várias operadoras de celular
e fábricas de cervejas que patrocinam a folia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;As torcidas colocadas em lados opostos da grande arena, cada
uma exibindo as cores do seu boi favorito, são obrigadas a permanecer em
silêncio quando o concorrente se apresenta, sob pena de perder pontos e quem
torce por um bumbá não pronuncia o nome do outro, se referindo a ele apenas de
“contrário”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Por conta disso, mesmo com tamanho envolvimento emocional
que beira à histeria, durante a apresentação de um dos bois na arena são
proibidas vaias, palmas, gritos ou qualquer outra manifestação efusiva da
galera do boi “contrário”. Quem veste azul não pode entrar nos domínios do
Garantido e quem veste vermelho não pode entrar nos domínios do Caprichoso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A ordem de apresentação dos bumbás é sempre definida por
sorteio. O processo de seleção dos jurados é feito por meio da Escola de
Jurados, implantada pelo município no ano de 2017 para dar mais transparência e
credibilidade à festa, que é considerada o maior evento folclórico do Norte do
Brasil. Os jurados são escolhidos de acordo com a escolaridade e o perfil
indicado para os blocos de julgamento A (Comum/Musical), B
(Cênico/Coreográfico) e C (Artístico).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEghB_ZIBtoGtYVn5VmJnnu_g5kO-_o1ub_PLR245sDcKnQmJ0RI3Dp3hltzPD6JTzn28Mj5Z4vIvYIZCHWyKZB4aB-uHfSvRhKjyCxDTSYf6OT3Dg24PFtLy8RVLb5t5lSE-RbfcrSwQ4mAq8-opBhXjYH3srGtgZf3j2kAGWJjZDuwxpAy6NjuGw/s860/cunha-poranga-parintins-860x484.webp&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;484&quot; data-original-width=&quot;860&quot; height=&quot;266&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEghB_ZIBtoGtYVn5VmJnnu_g5kO-_o1ub_PLR245sDcKnQmJ0RI3Dp3hltzPD6JTzn28Mj5Z4vIvYIZCHWyKZB4aB-uHfSvRhKjyCxDTSYf6OT3Dg24PFtLy8RVLb5t5lSE-RbfcrSwQ4mAq8-opBhXjYH3srGtgZf3j2kAGWJjZDuwxpAy6NjuGw/w473-h266/cunha-poranga-parintins-860x484.webp&quot; width=&quot;473&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ao todo, são 21 itens em julgamento:&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;1. Apresentador – Uma espécie de Mestre de Cerimônia que faz
a explicação do enredo do espetáculo. &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;2. Levantador de Toadas – Cantor principal cuja voz é o fio
condutor para o desenvolvimento do tema. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;3. Batucada do Garantido ou Marujada de Guerra do Caprichoso
– Agrupamento de percussão que fornece um referencial rítmico indispensável às
toadas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;4. Ritual Indígena – Recriação de rito xamanístico dentro do
contexto folclórico do boi-bumbá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;5. Porta-Estandarte – É a figura feminina que aparece como símbolo
do boi. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;6. Amo do Boi – O dono da fazenda, menestrel que tira versos
elogiando o seu boizinho e espezinhando o boi adversário. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;7. Sinhazinha da Fazenda – A filha do dono da fazenda. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;8. Rainha do Folclore – Item que representa a diversidade de
valores culturais da manifestação popular. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;9. Cunhã-Poranga – Literalmente a “moça bonita”, guerreira e
guardiã, que expressa a força da tribo por meio da sua beleza. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;10. Boi-Bumbá – Verificação da evolução, coreografia e
movimentos de um boi de verdade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;11. Toada – Trata-se do suporte lítero-musical do festival. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;12. Pajé – Figura que representa o curandeiro, hieforante,
xamã, sacerdote, ponto de equilíbrio das tribos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;13. Tribos Indígenas – Os grupos étnicos que compõem os
povos indígenas do Brasil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;14. Tuxaua – Figura que representa o chefe da tribo, o
personagem caboclo em sua miscigenação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;15. Figura Típica Regional – Uma homenagem às raízes da
terra. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;16. Alegorias – Nome das estruturas artísticas que funcionam
como suporte cenográfico para a apresentação. &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;17. Lenda Amazônica (ficção que ilustra a cultura dos povos
da Amazônia), &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;18. Vaqueirada – Nome do agrupamento dos guardiões do boi. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;19. Galera – Nome do elemento de apoio do espetáculo, massa
humana que forma uma das maiores coreografias uníssonas do mundo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;20. Coreografia – A verificação de todos os movimentos de
dança apresentados durante o espetáculo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;21. Organização do Conjunto Folclórico – Reunião de itens
individuais, artísticos e coletivos embasados no conteúdo do espetáculo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Quem obter maior pontuação na soma dos pontos de cada item,
leva o título de campeão do festival. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Por enquanto, em 59 anos de Festival, o Garantido já venceu
33 vezes e o Caprichoso, 27, tendo acontecido um inacreditável empate entre os
dois no ano 2000.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjjz5DQwRhROLL9sFTid3ib9KP_bEuIjW-PwNQPT3wyqX4h-pHLxrJgjTRd6cEC1k86JaADTf1KwZAG0_KuYH_9226ARulBsSRk5bsI0_z1waqbF_pKhkAaFJKE6Q9arlEz9hSzjjhdrqLzoYJZSr5VudxYCzZ7oP0oy7ErsXBBcsnqjFbNMPU_vA/s1310/Caprichoso-e-Garantido234.webp&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;874&quot; data-original-width=&quot;1310&quot; height=&quot;279&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjjz5DQwRhROLL9sFTid3ib9KP_bEuIjW-PwNQPT3wyqX4h-pHLxrJgjTRd6cEC1k86JaADTf1KwZAG0_KuYH_9226ARulBsSRk5bsI0_z1waqbF_pKhkAaFJKE6Q9arlEz9hSzjjhdrqLzoYJZSr5VudxYCzZ7oP0oy7ErsXBBcsnqjFbNMPU_vA/w419-h279/Caprichoso-e-Garantido234.webp&quot; width=&quot;419&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;As apresentações, além dos elementos folclóricos do Auto do
Boi-Bumbá tradicional, exaltam a cultura, a história e a riqueza amazônica, sua
diversidade étnica, bem como a divulgação do conceito da preservação ambiental
por meio do uso sustentável dos seus recursos e biodiversidade.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Para retratar tantos aspectos da cultura nativa, os
compositores de cada bumbá preparam anualmente até 20 toadas, compostas sobre
temas pré-estabelecidos pelas respectivas Comissões de Artes, como suportes
musicais de uma ópera em três atos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em cada noite do espetáculo, tanto o Caprichoso quanto o
Garantido são obrigados a apresentar pelo menos quatro grandes cenários,
construídos em módulos que se completam na arena formando palcos gigantescos de
até 25 metros de altura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Neles são realizadas cada uma das encenações de Celebração
Folclórica, Ritual Indígena, Figura Típica Regional e Lenda Amazônica, todas
previstas em regulamento como itens de competição.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Os bumbás funcionam apenas
como fios condutores das apresentações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/2631393317841611080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/2631393317841611080?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/2631393317841611080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/2631393317841611080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/a-festa-dos-bois-bumbas-de-parintins.html' title='A Festa dos Bois-Bumbás de Parintins'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjgquG3ES-bZG6HYy6j5jqQmZQ3bLMltJ5e1CpqAN_3-SMoGYhYb36Ev3q4trtskfEPkVjNsonMwBJuXiNPnu5EYIRwErA9AwcgE8axRtof8Vs_n_tamYgnJx9Y78wJBwuME7zcDpbIPdBeykMMcg3RrvTmU97IkEmIYjx45lfUD9mM7kMmyFF-TA/s72-w457-h304-c/Parintins.-567.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-5667327908330925495</id><published>2026-10-07T15:45:10.029-04:00</published><updated>2026-10-07T15:45:10.029-04:00</updated><title type='text'>O Auto do Boi-Bumbá</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiDEuwQHqn0rH494s7vI80leIuVm9V4dO-5AqS3hmM_6BcLPKANbs1g1DHJAfegCr_qVgMtOw45_ZF8gBR_jiA3E2cxt2qBqh2kXifwGrw0vpxleKCm4GIaMJZqjLrN-WB4boOBoWWFzhUrvQMlfyvnjBQuUcBF-TcA9YQVjXF_HvOvYxGfeq5BHw/s1600/_MG_0755%201.JPG&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1066&quot; data-original-width=&quot;1600&quot; height=&quot;304&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiDEuwQHqn0rH494s7vI80leIuVm9V4dO-5AqS3hmM_6BcLPKANbs1g1DHJAfegCr_qVgMtOw45_ZF8gBR_jiA3E2cxt2qBqh2kXifwGrw0vpxleKCm4GIaMJZqjLrN-WB4boOBoWWFzhUrvQMlfyvnjBQuUcBF-TcA9YQVjXF_HvOvYxGfeq5BHw/w457-h304/_MG_0755%201.JPG&quot; width=&quot;457&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O enredo do Auto do Boi-Bumbá, apesar dos sotaques
diferenciados existentes nas várias regiões do país, é extremamente simples
como todas as lendas folclóricas. Uma das histórias mais conhecidas conta que o
negro Pai Francisco, um velho caipira de algum lugar do sertão, havia terminado
de cultivar o seu roçado e voltara à sua palhoça para um merecido descanso ao
lado de sua esposa Catirina, que se achava em adiantado estado de gestação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em dado momento, ele olha para fora de sua palhoça e vê um
boi comendo sua plantação. Enfurecido e atendendo ao desejo de sua esposa de
comer “língua de boi” para o futuro bebê não nascer aleijado, ele invoca o seu
guia espiritual Cazumbá, pega uma velha espingarda e atira à queima-roupa no
animal. Ao perceber que aquele era o boi de estimação da Sinhazinha, filha do
dono da fazenda – o Amo do Boi –, Pai Francisco entra em pânico e se esconde em
sua palhoça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Sentindo falta do seu boi de estimação, o Amo chama seus
vaqueiros e manda procurá-lo. Eles saem à procura do animal e encontram o boi
caído na malhada (lugar sombreado, onde o gado costuma abrigar-se do inclemente
sol de meio-dia), às margens de um bebedouro. Os vaqueiros voltam dando a
triste notícia de que o boi está morto. O Amo manda chamar o seu rapaz de
confiança para investigar quem poderia ter morto seu boi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O jovem vaqueiro, por meio de boatos e de muito
disse-me-disse, descobre que o autor da façanha foi o Pai Francisco. Enfurecido
com a ação irresponsável de Pai Francisco, o Amo manda o rapaz ir prendê-lo e
trazê-lo à sua presença para esclarecer o assunto. Este chega à casa do Pai
Francisco para cumprir sua missão, mas é recebido à bala. O rapaz então retorna
para a fazenda e conta ao seu Amo o sucedido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Mais enfurecido ainda, o Amo manda o rapaz levar uma carta
ao Diretor dos Índios, pedindo-lhe para prender Pai Francisco, Catirina e
Cazumbá. O Diretor dos Índios exige um Padre para batizar seus caboclos antes
de ir prender a trinca de arruaceiros, o que de fato acontece. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Preso e levado amarrado à presença do Amo, Pai Francisco
confessa ser o autor da morte do boi. Compadecido da má sorte e do castigo que
espera pelo Pai Francisco, um Pajé reúne seus índios para realizar uma
pajelança onde pretende ressuscitar o boi, mas não obtém bons resultados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Como último recurso, o Amo sugere ao Pai Francisco que vá
procurar o Doutor da Vida, famoso curador da região, para tentar ressuscitar o
boi. Chega o Doutor da Vida e constata que o boi não está morto, está apenas
ferido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Depois de aplicar um clister no animal com as mais variadas
plantas medicinais da floresta, o Doutor da Vida ajuda o boi a se levantar para
alegria do Amo, da Sinhazinha e de todos os vaqueiros. Ou seja, o boi
“ressuscita”, dando início à grande festança de celebração do evento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/5667327908330925495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/5667327908330925495?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/5667327908330925495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/5667327908330925495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/o-auto-do-boi-bumba.html' title='O Auto do Boi-Bumbá'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiDEuwQHqn0rH494s7vI80leIuVm9V4dO-5AqS3hmM_6BcLPKANbs1g1DHJAfegCr_qVgMtOw45_ZF8gBR_jiA3E2cxt2qBqh2kXifwGrw0vpxleKCm4GIaMJZqjLrN-WB4boOBoWWFzhUrvQMlfyvnjBQuUcBF-TcA9YQVjXF_HvOvYxGfeq5BHw/s72-w457-h304-c/_MG_0755%201.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-3514472465981793011</id><published>2026-10-06T09:13:02.850-04:00</published><updated>2026-10-06T09:29:55.071-04:00</updated><title type='text'>Xipuara – Histórias e Estórias da Ilha de Parintins</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg0J2Mgmx_Io7pmowxUvgfaUAmEvdoqxw1x4ehyphenhyphenn871gJIcLLjLpZ6IOuBqvNHDtXcfzaxCE8OZOISV1OrTCrWozWxpk0noQolDmOEmlW7ouc4yEXvwOC0gvrXFmnkxFziUzgdLnMjBBGjKheDxH0CTdaKBRNRMTnvpkH35OO_4oualcJ3yEcTGCg/s3783/CAPA%20XIPUARA-1.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2618&quot; data-original-width=&quot;3783&quot; height=&quot;338&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg0J2Mgmx_Io7pmowxUvgfaUAmEvdoqxw1x4ehyphenhyphenn871gJIcLLjLpZ6IOuBqvNHDtXcfzaxCE8OZOISV1OrTCrWozWxpk0noQolDmOEmlW7ouc4yEXvwOC0gvrXFmnkxFziUzgdLnMjBBGjKheDxH0CTdaKBRNRMTnvpkH35OO_4oualcJ3yEcTGCg/w489-h338/CAPA%20XIPUARA-1.jpg&quot; width=&quot;489&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em setembro de 2018, lancei em Manaus a 1ª edição do livro “Xipuara
– Histórias e Estórias da Ilha de Parintins”, numa tiragem de 500 exemplares
que rapidamente se esgotou. Não deu tempo nem de levar para Parintins.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O livro foi dedicado ao senador Omar Aziz, responsável pela
apresentação, defesa e aprovação da Lei nº 13.571, de 21 de dezembro de 2017,
que conferiu ao município de Parintins o título de Capital Nacional do Boi
Bumbá, e ao talentoso jornalista Marcos Santos, meu ex-chefe no jornal Amazonas
em Tempo, responsável pelo portal político mais influente de Manaus e reputado
como a verdadeira memória viva do Festival de Parintins.&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjqji37-h3qSs720Y01gY1S-5oYpYE8mmL7JTpFZwmrY0kxMBhi3VCJxmVgs9kdh2yyr2VxsyVBFI4emA3ibcq_7CDfP05gCvV7hWORDlKiqoN5Rqt81m4l9Xmgze8hZxqKOdHIFiYQyimYGycfxY3GBwJU8gKfAYa6SOehtTMfCAFongUgRJlveg/s1600/005%20xipuara.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1600&quot; data-original-width=&quot;1200&quot; height=&quot;394&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjqji37-h3qSs720Y01gY1S-5oYpYE8mmL7JTpFZwmrY0kxMBhi3VCJxmVgs9kdh2yyr2VxsyVBFI4emA3ibcq_7CDfP05gCvV7hWORDlKiqoN5Rqt81m4l9Xmgze8hZxqKOdHIFiYQyimYGycfxY3GBwJU8gKfAYa6SOehtTMfCAFongUgRJlveg/w296-h394/005%20xipuara.jpeg&quot; width=&quot;296&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Em abril de 2025, com o apoio cultural de Beto Nicolau, do
Grupo Samel, lancei uma segunda edição do livro, revisada e ampliada, numa
tiragem de 1.000 exemplares.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O livro foi lançado com razoável sucesso em Manaus
e em Parintins, durante o Festival dos Bumbás do ano passado. Esta edição ainda
está disponível para venda no sebo “Confraria de Livros” ou pelo e-mail &lt;a href=&quot;mailto:simaopessoa@gmail.com&quot;&gt;simaopessoa@gmail.com&lt;/a&gt;.&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjoEdWSHhvpC7VI5OgJLMP5lYIA2Pb88qUBB4n30gS0H84dsvNVNEZDNY0QW_l5oI7hIppysw0vuetobzd7cjTAJW1AwqsiWQQpBZdqdhJd-4QepfC1kWcOClFzdxvv-RAIHioH9F0WYo4u-YUSN2akhN_4g_i3TxDCR_GgzRQPlck0DiJr1EQ5NA/s1600/001%20Xipuara.jpeg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1200&quot; data-original-width=&quot;1600&quot; height=&quot;347&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjoEdWSHhvpC7VI5OgJLMP5lYIA2Pb88qUBB4n30gS0H84dsvNVNEZDNY0QW_l5oI7hIppysw0vuetobzd7cjTAJW1AwqsiWQQpBZdqdhJd-4QepfC1kWcOClFzdxvv-RAIHioH9F0WYo4u-YUSN2akhN_4g_i3TxDCR_GgzRQPlck0DiJr1EQ5NA/w463-h347/001%20Xipuara.jpeg&quot; width=&quot;463&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Abaixo transcrevo a apresentação do livro e, na medida do
possível, vou disponibilizar os textos aqui neste blog na mesma sequência
publicada no livro impresso. Divirtam-se. (S. P.)&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Contadores de histórias, emuladores de fofocas e
disseminadores de futricas fazem parte da evolução humana desde que o primeiro
australopithecus começou a andar ereto em uma savana africana, há
aproximadamente três milhões de anos. Desde então, a variedade de estórias,
lendas, contos, fábulas, causos e anedotas que foram surgindo se expandiram em
progressão geométrica.&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi7P3rz3y0PGShiMU2qmrDISMBPPKtiwggGE0kVDos24oNLNPMGKYgJR6n00YaOjDA7XeyhfD7J89RcaB4XO0wWPumVs1SchhCVs_zr5jeS1q8MxhwgD4JJAxosLxNRX9csLYTMX8WiTYTGu3QfuolSZoUM9sggukKLaUKhq9V4En0ph1ToZoS5yA/s1280/82c1fc0e-b4bf-4147-9e74-fd8ef8a663b8.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;960&quot; data-original-width=&quot;1280&quot; height=&quot;298&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi7P3rz3y0PGShiMU2qmrDISMBPPKtiwggGE0kVDos24oNLNPMGKYgJR6n00YaOjDA7XeyhfD7J89RcaB4XO0wWPumVs1SchhCVs_zr5jeS1q8MxhwgD4JJAxosLxNRX9csLYTMX8WiTYTGu3QfuolSZoUM9sggukKLaUKhq9V4En0ph1ToZoS5yA/w397-h298/82c1fc0e-b4bf-4147-9e74-fd8ef8a663b8.jpeg&quot; width=&quot;397&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Essas singulares manifestações culturais, que corporificam a
literatura oral de uma comunidade, aparecem por todo o planeta desde que dois
hominídeos pararam para conversar sobre a vida de um terceiro.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Foi nesse
contexto que ganhou destaque a figura do contador de causos, do narrador
popular, aquele sujeito que ouviu ou vivenciou as histórias para recordá-las e
contá-las em uma roda de bate-papo com familiares e amigos. São os causos e são
as lendas, o real e o imaginário, fundindo-se dentro de uma perspectiva de
zoação total.&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjMzPuqyNYqqJk5csxrW29qRIiBisWgWYZDcOeqPLPtOCEYjJVzP02stVuQ1zD7h-KZwj6W2TgWSM8_uI1macHA-HlKi9u8AVv4PH_9C1GvfqKByPhASO2GtzwyVvQwGzKIlmCLNB_y_-q1hql-KrZN2xjBZ-vbZZbxq00uf3S253xToosSjqd6jQ/s1280/004%20-%20Xipuara.jpeg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;960&quot; data-original-width=&quot;1280&quot; height=&quot;347&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjMzPuqyNYqqJk5csxrW29qRIiBisWgWYZDcOeqPLPtOCEYjJVzP02stVuQ1zD7h-KZwj6W2TgWSM8_uI1macHA-HlKi9u8AVv4PH_9C1GvfqKByPhASO2GtzwyVvQwGzKIlmCLNB_y_-q1hql-KrZN2xjBZ-vbZZbxq00uf3S253xToosSjqd6jQ/w462-h347/004%20-%20Xipuara.jpeg&quot; width=&quot;462&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Este livro é um pouco disso tudo, mas também tem a pretensão
de ser divertido, já que seu único objetivo é fazer o leitor rir. Ou refletir.
Ou tudo ao mesmo tempo agora. Traduzindo, trata-se de um convite ao leitor do
tipo “procure ver o lado bom das coisas ruins”.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Sim, sei, sabemos, essa frase poderia estar em qualquer
livro de autoajuda do Augusto Cury ou parecer um conselho bobo de um mestre de
artes marciais saído de algum filme ruim de kung fu dos anos 70.&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiXqhHLVo-aPsEqtHPunDAA2wq48fSWEfdaDCAv4ZrFA86TzEAjbf6TXT8GhCvzz7IXmptE_na6IwT1Z1NDuLJNTuHPVG_n0IhoLN-lqjRRkaZ4EH8Q1Jn6bTddONf-Nbc9Urgh8oWpk4SwZX5Oc-Hf5ML-aEH5lB80Tn0PoRhPAG5sVtQttrHq6w/s1280/62d995c7-ffba-4bbc-be3c-7ff24b588420.jpeg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;960&quot; data-original-width=&quot;1280&quot; height=&quot;306&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiXqhHLVo-aPsEqtHPunDAA2wq48fSWEfdaDCAv4ZrFA86TzEAjbf6TXT8GhCvzz7IXmptE_na6IwT1Z1NDuLJNTuHPVG_n0IhoLN-lqjRRkaZ4EH8Q1Jn6bTddONf-Nbc9Urgh8oWpk4SwZX5Oc-Hf5ML-aEH5lB80Tn0PoRhPAG5sVtQttrHq6w/w407-h306/62d995c7-ffba-4bbc-be3c-7ff24b588420.jpeg&quot; width=&quot;407&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Mas, segundo os especialistas que estudam o humor a sério,
trata-se do maior segredo para viver bem. Rir de tudo e de todos é bem melhor
do que fazer dieta detox. Chá verde e salada de aspargos, aquele tio gay do brócolis,
convenhamos, não tem a menor graça.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Na realidade não-virtual de agora e sempre, o homem é a
palavra. O mais é circunstância. A história é a palavra. O resto é
consequência. Por isso a história do homem é a história de sua palavra. É a
crônica de sua linguagem. É o cotidiano do possível dizer.&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4D3SixdgyniwmjUNPEL1VGWkUQc2m4vXnJkid0FKBns9RjNT0Ctbami5Xr0FxuPV2J7xcX1Y69nxYVgLi5PLvKsMyQxWzGVNTXYx3qNPHHtQlMaKjSmw3eSVfTJim2lneyT-eAU0datzCgnqqcpss88qQegK2L8rTLELwcxET9Bx5wrGGsjdssA/s1600/002%20Xipuara.jpeg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1200&quot; data-original-width=&quot;1600&quot; height=&quot;335&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4D3SixdgyniwmjUNPEL1VGWkUQc2m4vXnJkid0FKBns9RjNT0Ctbami5Xr0FxuPV2J7xcX1Y69nxYVgLi5PLvKsMyQxWzGVNTXYx3qNPHHtQlMaKjSmw3eSVfTJim2lneyT-eAU0datzCgnqqcpss88qQegK2L8rTLELwcxET9Bx5wrGGsjdssA/w446-h335/002%20Xipuara.jpeg&quot; width=&quot;446&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Na Grécia livre de Péricles, o discurso era a palavra. Na
Judéia oprimida de Cristo, o discurso era a parábola. Na Idade Média torturada
de Galileu, o discurso era o silêncio. No pós-modernismo de Marshall McLuhan, o
discurso era o meio – e o meio era a mensagem. Nas atuais redes sociais de Mark
Zuckerberg controladas por algoritmos, o discurso é a fake news e o mais é
circunstância. A cobra sucuriju começou a engolir o próprio rabo.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Esse não é, portanto, um livro descompromissado. É a
garganta das pedras, a brasa adormecida que subsiste na cinza. Menino de um
tempo em que havia galos, noites e quintais, cedo aprendi que, quando a estrada
não dá caminho, toma-se o atalho. É o jeito de dizer, pela boca dos outros, o
tornado indizível.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;O humor é uma linguagem absolutamente séria, necessária,
eterna. Porque seduz. Porque nos obriga a pensar. Porque desnuda a verdade.
Porque mostra aos arrogantes como eles são medíocres e mostra aos medíocres
como eles são arrogantes.&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhMdQtEarKrHUh7XL9M2Bhg38v1Dx8LW6EEWIf-QLaj0ez2H60hyIiDVwxFJWLj4qAGsme2_OR_oyDtfsfu_t8WIMwit1F92ewXOkmZ2kKEdH8IzciNJbS3pJrsTT0Py1ucXY1F3Avv0uQUDQtdUlyv_EwWH3XZj4n3V_mw81texuj1y1fYweJjKw/s1280/0005%20-%20Xipuara.jpeg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1280&quot; data-original-width=&quot;960&quot; height=&quot;458&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhMdQtEarKrHUh7XL9M2Bhg38v1Dx8LW6EEWIf-QLaj0ez2H60hyIiDVwxFJWLj4qAGsme2_OR_oyDtfsfu_t8WIMwit1F92ewXOkmZ2kKEdH8IzciNJbS3pJrsTT0Py1ucXY1F3Avv0uQUDQtdUlyv_EwWH3XZj4n3V_mw81texuj1y1fYweJjKw/w344-h458/0005%20-%20Xipuara.jpeg&quot; width=&quot;344&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Folclore não é história. É a versão popular da história. As
histórias do folclore vão mudando na boca do povo como as nuvens mudam na boca
do vento. Isso dito, quero ressaltar que não sou propriamente o autor deste
livro. No máximo, sou o datilógrafo.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;As histórias não são minhas. Recolhi-as, uma a uma, aqui e
ali, exatamente como me foram contadas. Mas tenho consciência de seu valor
antropológico, sociológico e cultural. Porque nos fazem rir. Ou refletir.&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A maioria dos causos me foi contada no esquema
“face-to-face”, em mesas de botecos. Outros, desconfio que tomei ciência
ouvindo indiscretamente a conversa de terceiros e depois checando a história
com alguma fonte confiável. Alguns deles me foram enviados por e-mail,
messenger ou whatsapp.&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhXvPsNbGw1eeDXsiG8mzyTfgKbTqU9iMs0Jf4JOkRcZ716DTJM8DayrnlyR8TnXEmkFFXgEyNoAbT9UqIRPIyeaLJotrn2xlu7lKWGUDSo-d4PF7s5mhMWoroNgFP-2PZiya3bLu8LRe-yCO5Y5eYla_ysMahQVMLg0L_2PIjpmhGpZpRvVLTBkA/s1600/003%20-%20Xipuara.jpeg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1600&quot; data-original-width=&quot;1200&quot; height=&quot;434&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhXvPsNbGw1eeDXsiG8mzyTfgKbTqU9iMs0Jf4JOkRcZ716DTJM8DayrnlyR8TnXEmkFFXgEyNoAbT9UqIRPIyeaLJotrn2xlu7lKWGUDSo-d4PF7s5mhMWoroNgFP-2PZiya3bLu8LRe-yCO5Y5eYla_ysMahQVMLg0L_2PIjpmhGpZpRvVLTBkA/w326-h434/003%20-%20Xipuara.jpeg&quot; width=&quot;326&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;De qualquer forma, se há inverdades faraônicas ou
discrepâncias farisaicas, debitem na conta desse vosso cronista aprendiz, que
adora enfeitar um maracá.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Sim, incréus, a nossa memória seletiva é um editor de
textos sem eira nem beira, fazer o que? Só espero que vocês se divirtam tanto
quanto eu mesmo me diverti recordando essas histórias. There is it. É isso aí.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/3514472465981793011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/3514472465981793011?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/3514472465981793011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/3514472465981793011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/10/xipuara-historias-e-estorias-da-ilha-de.html' title='Xipuara – Histórias e Estórias da Ilha de Parintins'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg0J2Mgmx_Io7pmowxUvgfaUAmEvdoqxw1x4ehyphenhyphenn871gJIcLLjLpZ6IOuBqvNHDtXcfzaxCE8OZOISV1OrTCrWozWxpk0noQolDmOEmlW7ouc4yEXvwOC0gvrXFmnkxFziUzgdLnMjBBGjKheDxH0CTdaKBRNRMTnvpkH35OO_4oualcJ3yEcTGCg/s72-w489-h338-c/CAPA%20XIPUARA-1.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-7844850538456311562</id><published>2026-09-28T10:19:21.851-04:00</published><updated>2026-09-28T10:19:21.851-04:00</updated><title type='text'>Telecoteco do Balacobaco - Canto 110</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjULjaSkC78ltWLrnwx9OvNcymZZYFd-2PnHDsQVP_TmRcUPca61P6LKR2ifG2U9uBHOXBb_gAR9XtQT7eM9c7Oxw8rvargB6ci4fkjwduAFcOTxq7vRDDIGNIuiksh0uXQeSNWX74tptT6q1_7XEi6BbaNDDHE5oDXortwZZWMban4ZNg9WdhUpg/s627/Captura%20de%20tela_28-9-2026_10145_g1.globo.com.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;426&quot; data-original-width=&quot;627&quot; height=&quot;297&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjULjaSkC78ltWLrnwx9OvNcymZZYFd-2PnHDsQVP_TmRcUPca61P6LKR2ifG2U9uBHOXBb_gAR9XtQT7eM9c7Oxw8rvargB6ci4fkjwduAFcOTxq7vRDDIGNIuiksh0uXQeSNWX74tptT6q1_7XEi6BbaNDDHE5oDXortwZZWMban4ZNg9WdhUpg/w438-h297/Captura%20de%20tela_28-9-2026_10145_g1.globo.com.jpeg&quot; width=&quot;438&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;O escritor, compositor e pesquisador Daniel Salles&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;110.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt; Sambista, quando morre, vira samba,
disse Chico Buarque. Mas e quando morre um carnavalesco no Carnaval ou às
véspera? Ary Barroso, por exemplo, morreu no domingo de Carnaval de 1964. Em
1930, sua marchinha “Dá Nela”, cantada por Francisco Alves, ajudara a fixar o
gênero. E seu samba “Camisa Amarela”, de 1939, já nasceu como a crônica mais
que perfeita do tríduo. A morte de Ary foi anunciada no instante em que o
Império Serrano ia adentrar a Presidente Vargas com “Aquarela Brasileira”, de
Silas de Oliveira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Nove dias
depois de Ary, morreu Vicente Paiva. O nome de Vicente talvez já não diga muito
para os infiéis, mas o Brasil o conhece por uma marcha de 1935 (com Nelson
Barbosa) cantada todo ano, até hoje, por milhares nas ruas do Rio: “Quem não
chora não mama / Segura, meu bem, a chupeta / Lugar quente é na cama / Ou então
no Bola Preta”. E o território de seu outro sucesso, de 1937 (este, com
Jararaca), cobre simplesmente o mundo: “Mamãe, Eu Quero”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Benedito
Lacerda também morreu no Carnaval, o de 1958. Entre tanta coisa que deixou, foi
o autor (com Humberto Porto) da “Jardineira”, em 1939. E Paulo da Portela, a
quem as escolas devem a pose e o garbo, morreu no domingo anterior ao Carnaval
de 1949. Uma multidão o levou ao cemitério de Irajá e, no bicho daquele dia,
deu a centena do seu túmulo: 2.908.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Mas nada supera
em simbolismo a morte de Pixinguinha: em 1973, de repente, numa igreja em
Ipanema, enquanto a poucos metros, sob chuva forte, saía a própria Banda de
Ipanema. Na rua, alguém levou a notícia a Albino Pinheiro. A Banda cantou
“Caprichoso” e chorou Pixinguinha de corpo presente. O acaso ajudou, mas todo o
confete, serpentina, lança-perfume e o amor do mundo não pagam o que esses
homens nos legaram em alegria e beleza. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Como registro
final, cabe destacar o trágico falecimento de um amigo querido, Daniel Salles,
aos 59 anos, na madrugada do dia 17 de novembro de 2025. Compositor, escritor,
pesquisador da cultura popular e do esporte amazonense e considerado por muitos
como uma das maiores referências vivas da história do carnaval de Manaus,
Daniel Salles vinha enfrentando uma longa luta contra as complicações
provocadas pela diabetes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Natural de
Manaus, desde muito jovem Daniel desenvolveu o gosto pelos folguedos populares,
como cirandas, bois-bumbás e quadrilhas caipiras. Aos sete anos de idade
anotava diversas observações em suas cadernetas sobre futebol, carnaval e
curiosidades em geral. Em 1978 passou a frequentar a quadra do GRES Vitória
Régia, onde em 1981 auxiliou no acabamento de um carro alegórico da escola e
ainda o conduziu no desfile.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Depois desfilou
em outras escolas e blocos (Sem Compromisso, Mocidade de Ipixuna, Presidente
Vargas, Andanças de Ciganos, Reino Unido), sempre anotando o que achava
interessante dentro dos desfiles de blocos, das batucadas e das escolas de samba.
Com o tempo passou a compor sambas de enredo e hinos de clubes. Conseguiu
emplacar 18 sambas de enredo, dos 45 que compôs.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Daniel Salles
deixou um legado profundo que atravessa o samba, o futebol, o rádio, a
literatura e a pesquisa sobre a cultura popular do Amazonas. Ele é autor do
livro “É Tempo de Sambar – História do Carnaval de Manaus”, lançado em 2009, uma
obra pioneira no assunto, que foi construída a partir de décadas de pesquisa e
com auxílio de vários sambistas, relatando desde os primórdios do carnaval de
Manaus até as manifestações no ano de 2008.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Ele também era
conhecido por amigos como o “Lamartine Babo do Norte” pela capacidade de compor
hinos – muitos deles para clubes amazonenses como América, Manaus FC, Amazonas
FC e Princesa do Solimões – e por sua produção incansável como compositor de
sambas-enredo em diversas escolas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Pelas redes
sociais, Reino Unido da Liberdade, Sem Compromisso, Boi-Bumbá Corre Campo e outras
agremiações publicaram notas de pesar, reconhecendo a trajetória e a
generosidade de Daniel. “Que sua luz permaneça acesa em cada lembrança”,
escreveu a Reino Unido. A Sem Compromisso afirmou que o sambista “imortalizou
seu nome no carnaval e no futebol amazonense”. A diretoria do Corre Campo
destacou que ele “cumpriu sua missão nesta vida e agora descansa no plano
espiritual”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Daniel Salles
era pai de Ellen Juliana, Rainha do GRES Reino Unido da Liberdade, e sogro do
presidente Rangel Magalhães. Deixou também inúmeros amigos, discípulos,
parceiros musicais e admiradores. Esse modesto e-book é dedicado a ele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/7844850538456311562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/7844850538456311562?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/7844850538456311562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/7844850538456311562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/09/telecoteco-do-balacobaco-canto-110.html' title='Telecoteco do Balacobaco - Canto 110'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjULjaSkC78ltWLrnwx9OvNcymZZYFd-2PnHDsQVP_TmRcUPca61P6LKR2ifG2U9uBHOXBb_gAR9XtQT7eM9c7Oxw8rvargB6ci4fkjwduAFcOTxq7vRDDIGNIuiksh0uXQeSNWX74tptT6q1_7XEi6BbaNDDHE5oDXortwZZWMban4ZNg9WdhUpg/s72-w438-h297-c/Captura%20de%20tela_28-9-2026_10145_g1.globo.com.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-1061779189752721744</id><published>2026-09-28T10:11:51.344-04:00</published><updated>2026-09-28T10:11:51.344-04:00</updated><title type='text'>Telecoteco do Balacobaco - Canto 109</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEitOnyrRviRWb7CWQjBPfCtPZCQGBVragMP48_BGka4tJHVCM4TbrcUfxIBbrC_jq4vo8aWrCUtOCtDNfRvUrKFaIT2vMoB9DAx6SGYsA0UjUhuMfiAaMmdzPZdAg0BFj-g-ciINX2HdwNtBK7qQcq0m1YM-pJ7qZa29U-_oqcMlEm5bx_dwHY85g/s960/pedrinho-ribeiro_foto-divulgacao.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;720&quot; data-original-width=&quot;960&quot; height=&quot;339&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEitOnyrRviRWb7CWQjBPfCtPZCQGBVragMP48_BGka4tJHVCM4TbrcUfxIBbrC_jq4vo8aWrCUtOCtDNfRvUrKFaIT2vMoB9DAx6SGYsA0UjUhuMfiAaMmdzPZdAg0BFj-g-ciINX2HdwNtBK7qQcq0m1YM-pJ7qZa29U-_oqcMlEm5bx_dwHY85g/w452-h339/pedrinho-ribeiro_foto-divulgacao.jpeg&quot; width=&quot;452&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;O cantor e compositor Pedrinho Ribeiro&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;109.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt; Formado em Arquitetura pela
Universidade Federal do Pará (UFPA), Edmilson Rodrigues foi eleito deputado
estadual do Pará em 1986 e reelegeu-se em 1990.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Em 1996, ele venceu a eleição
para a Prefeitura de Belém usando como jingle de campanha a música “Vermelho”,
de Chico da Silva.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Alertado pelo compositor paraense Nilson Chaves de que
deveria cobrar direitos autorais pela utilização da música, Chico da Silva
embarcou para Belém no início de agosto de 1996.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Durante dois meses, o
compositor parintinense tentou, sem sucesso, ser recebido pelos dirigentes
petistas. Acabou retornando para Manaus sem um tostão no bolso e se sentindo um
tremendo otário, pelo mico que pagou na capital paraense. A música continuou
sendo usada como jingle do PT pelos quatro anos seguintes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Na campanha da
reeleição de Edmilson, em 2000, Chico da Silva resolveu colocar os pingos nos
is. Ele enviou uma procuração para o também compositor parintinense Pedrinho
Ribeiro, que estava morando em Belém, lhe dando plenos poderes para entrar com
uma representação criminal contra o PT, por violação dos direitos autorais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Durante três
meses, Pedrinho tentou chegar a um acordo com os dirigentes petistas, mas só
conseguia ser recebido por pessoas do quinto escalão, que não tinham nenhum
poder decisório. Disposto a abandonar a via diplomática e partir para a
ignorância, Pedrinho deu um telefonema para Chico da Silva, que soou como um
ultimato:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Olha,
compadre, os caras tão jogando duro. A única solução é você vir aqui e colocar
a boca no trombone. Tem um candidato da oposição que paga até 10 mil reais para
você aparecer no horário político dele dando um ralho no Edmilson. No meio
artístico, todo mundo já sabe da história e acham que o PT está te sacaneando.
Vem logo pra Belém ou você vai dançar de novo!...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Uma semana
antes da eleição toca o telefone celular de Pedrinho, que estava caçando lebres
nas quebradas de Ananindeua.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Alô? Pedrinho
Ribeiro? Aqui é Chico da Silva. Já estou na área, compadre! Acabei de chegar em
Belém! – avisou o compositor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Onde é que
você está, para que eu possa te pegar?... – pergunta Pedrinho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Você conhece
o Hilton?... – questiona Chico, caprichando na pronúncia britânica do hotel
mais famoso (e caro) da cidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Conheço,
claro que conheço! – garante Pedrinho, já começando a achar que Chico da Silva
estava indo com muita sede ao pote.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Pois eu estou
atrás do Hilton, na Pensão Sete Sete! – anunciou Chico da Silva, sem deixar de
acentuar a pronúncia britânica do hotel.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;(Pra quem não
conhece Belém, atrás do Hilton fica a zona do baixo meretrício da capital
paraense. São pensões e hotéis de alta rotatividade, com diária de R$ 10 e
troca de lençóis da cama a cada quinze dias. O renomado compositor
parintinense, realmente, não estava em boa situação financeira...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Meia hora
depois Pedrinho estaciona o seu Fiat Prêmio caindo aos pedaços na Pensão 77.
Chico da Silva entrou no carro e já ficou meio cabreiro, porque a porta do
passageiro não fechava:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Porra, meu
procurador, mas esse seu carango aqui está pedindo pra ir pro ferro-velho...
Vamos botar pra cima dos caras do PT e levantar um troco para dar uma
arrumadinha nessa porcaria, tá certo?...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Pedrinho
concordou. Os dirigentes do PT, não. Eles continuaram dando “barrigadas” nos
dois músicos. Como a eleição era no domingo, Pedrinho tentou a última cartada.
Convenceu Chico da Silva a peitar o prefeito no último comício da campanha, que
seria realizado na quinta-feira, numa invasão na periferia de Belém. Chico não
se fez de rogado.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Na hora em que Edmilson chegou ao local e começou a beijar
crianças, antes de subir no palanque, Chico driblou os seguranças, deu uma
“gravata” no prefeito e contou seu drama, no pé do ouvido. Edmilson ficou
possesso:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Porra,
Mascarenhas, que merda é essa?... Que falta de respeito é esse com o Chico da
Silva?... Resolve esse problema dele agora!... Agora!!!...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Coordenador da
campanha, o paranaense Eustáquio Mascarenhas, ex-militante do PCBR, pediu
desculpas ao prefeito, disse que não estava sabendo de nada e marcou um
encontro com o compositor para o dia seguinte, às 18h.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Pedrinho ficou
desconfiado. Reunião sobre grana numa sexta-feira, com o horário bancário
encerrado, estava cheirando a nova “barrigada”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;No dia
seguinte, com os principais caciques petistas reunidos em torno de uma mesa no
comitê central do PT, Mascarenhas foi direto ao ponto:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Muito bem,
“seu” Chico da Silva. Quanto é que o senhor pretende receber de direitos
autorais pelo uso da sua música?...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Olha, se eu
fosse entrar na Justiça contra vocês, eu ia receber de 300 a 400 mil paus,
porque o PT usou minha música durante quatro anos seguidos e nunca me deu um
tostão! – explicou o compositor. – Mas como eu tenho simpatia pela luta de
vocês, com 60 mil a gente mata essa parada...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Mascarenhas
tomou um susto. Os demais dirigentes entreolharam-se, visivelmente
desnorteados. O paranaense retomou a palavra:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Olha, “seu”
Chico da Silva, infelizmente a gente só está preparado para lhe dar 10 mil
reais! – anunciou o sujeito. – Mesmo porque se não fosse o PT, essa sua música
não teria ficado famosa...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Ao ouvir
aquilo, Chico da Silva ficou transtornado:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Famosa por
causa do PT?!! Famosa por causa do PT?!! Olha, compadre, eu sou o Chico da
Silva!!! O Brasil inteiro conhece o meu trabalho! Tu conheces “Sufoco”? (Chico
cantarolou um pouco) Essa música é minha e foi com ela que a Alcione ficou
famosa! Tu conheces “É Preciso Muito Amor”? (Chico cantarolou um pouco) Essa é
uma parceria minha com o Noca da Portela e foi gravada na França pelo Paul
Mauriat! Pelo Paul Mauriat, porra! Tu conheces “Esquadrão Do Samba”? (Chico
cantarolou um pouco) Foi a música do ano em uma enquete feita pelo
“Fantástico”!... Antes de ser gravada pela Fafá de Belém, a música “Vermelho”
já tinha virado hino do Benfica de Portugal e do Inter de Porto Alegre! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;O cantor deu
uma parada técnica, respirou fundo, limpou o suor da testa com um lenço e
voltou a soltar os cachorros:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Eu sou o
Chico da Silva, porra, não preciso da bosta do PT para ser famoso!!! Eu sou um
trabalhador e socialista igual aquele cara ali (Chico apontou para um imenso
mural com a foto do Che Guevara), mas vocês são uns picaretas! Vocês dizem que
vão ajudar os trabalhadores, mas estão querendo botar no meu rabo sem coar!
Porra, compadre, eu vivo das minhas composições, do meu trabalho intelectual,
das músicas que faço! Eu sou um trabalhador! Eu tenho família pra criar! Isso
que vocês estão fazendo comigo é sacanagem, porra! Vocês estão me roubando na
maior cara de pau e ficam com essa groselha de que são socialistas!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Aí, virando-se
para Pedrinho, determinou: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Vamos embora,
meu procurador, que com esses picaretas não tem mais jogo!...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Pânico no
bordel. A tesoureira da campanha tentou serenar os ânimos:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Olha, Chico
da Silva, a gente não tem nenhum interesse em lhe prejudicar. A gente quer usar
sua música também no segundo turno. Será que não dava pra gente fechar esse
acordo em R$ 30 mil?...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Com o
sangue-frio de um condenado à morte enfrentando o pelotão de fuzilamento, Chico
não se deu por achado:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Eu queria que
vocês me dessem licença, mas preciso discutir essa nova proposta a sós, com meu
procurador...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Os dirigentes
petistas saíram da sala. Pedrinho Ribeiro quase esganou o compositor:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Porra, Chico,
tu tás ficando louco? Aceita logo essa porra e vamos embora, antes que eles
deem marcha-ré!... Eu estou tão liso que se jogarem um gato em cima de mim ele
não se agarra... E tu deves estar muito pior do que eu!... Deixa de ser louco e
segura logo essa ponteira!!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Convencido pelo
procurador, Chico embolsou a grana. Dez mil reais em espécie e dois cheques
pré-datados de 10 mil. Os dois músicos voltaram para a pensão e Chico começou a
arrumar a mala. Pedrinho ficou folheando uma revista Playboy, aguardando
ansiosamente sua parte na “bufunfa”. Com o canto dos olhos, ele percebeu Chico
da Silva separando cinco pacotes de mil reais cada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Bom, cinco
mil não era só o que eu esperava, mas está de bom tamanho – pensou com seus
botões. – Afinal de contas, eu fui o estrategista da parada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;De repente,
Chico retirou um pacote de mil reais do monte. Foi como se Pedrinho tivesse
recebido um murro no fígado. Ele sentiu as pernas tremerem e a vista escurecer.
Ainda grogue, buscou o canto neutro do ringue. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;De repente,
Chico retirou outro pacote de mil reais do monte. Foi como se Pedrinho tivesse
recebido um tiro à queima-roupa, no meio da lata. Ele estava esperando a
extrema-unção, quando o conterrâneo se aproximou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Meu compadre,
aqui estão três mil reais pelo seu trabalho...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Antes que
Pedrinho esboçasse uma reação, Chico da Silva jogou a pá de cal: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Esse valor
corresponde à porcentagem de 10%, que é a comissão universal dos
procuradores!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Não havia como
contestar aquele princípio jurídico. Pedrinho embolsou a grana e foi deixar
Chico da Silva no aeroporto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;O segundo turno
da eleição municipal em Belém mostrou a banalização das denúncias como
instrumento de campanha. Empatados tecnicamente até às vésperas da eleição,
Edmilson Rodrigues (PT) e Duciomar Costa (PSD) atacaram de forma tão brutal a
idoneidade um do outro que acabaram se nivelando. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Chegaram ao
final da campanha com o mesmo slogan. “Contra passado sujo, candidato limpo”,
dizia Edmilson. “Contra campanha suja, candidato limpo”, respondia Duciomar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;O apelo da
música “Vermelho”, de Chico da Silva, talvez tenha acabado por fazer a
diferença e garantido um novo mandato ao prefeito petista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/1061779189752721744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/1061779189752721744?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/1061779189752721744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/1061779189752721744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/09/telecoteco-do-balacobaco-canto-109.html' title='Telecoteco do Balacobaco - Canto 109'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEitOnyrRviRWb7CWQjBPfCtPZCQGBVragMP48_BGka4tJHVCM4TbrcUfxIBbrC_jq4vo8aWrCUtOCtDNfRvUrKFaIT2vMoB9DAx6SGYsA0UjUhuMfiAaMmdzPZdAg0BFj-g-ciINX2HdwNtBK7qQcq0m1YM-pJ7qZa29U-_oqcMlEm5bx_dwHY85g/s72-w452-h339-c/pedrinho-ribeiro_foto-divulgacao.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-1909732395218144308</id><published>2026-09-28T10:05:26.412-04:00</published><updated>2026-09-28T10:05:26.412-04:00</updated><title type='text'>Telecoteco do Balacobaco - Canto 108</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj1aX5h5Waa80fOXSqwnd06ZmVE2VYyo-9UJ6iR1102XvwIaql-5fW9_pXkixsS2NlgJv5pzaokttRXspG_aF5JPDc6sfortwRwuSahYhAkNetlmDjMb41yN1qnltx1EXi5VmraKpPN00VEB-ayDLqvxxZpUEzBFpdwkOfgF95TfEvuCJbrI1qRZw/s335/ggadelha.jfif&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;246&quot; data-original-width=&quot;335&quot; height=&quot;321&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj1aX5h5Waa80fOXSqwnd06ZmVE2VYyo-9UJ6iR1102XvwIaql-5fW9_pXkixsS2NlgJv5pzaokttRXspG_aF5JPDc6sfortwRwuSahYhAkNetlmDjMb41yN1qnltx1EXi5VmraKpPN00VEB-ayDLqvxxZpUEzBFpdwkOfgF95TfEvuCJbrI1qRZw/w438-h321/ggadelha.jfif&quot; width=&quot;438&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;Glorinha Gadelha e Sivuca no Programa do Jô&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;108.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt; A coisa mais fácil de acontecer entre
pessoas de porre é um desentendimento. Qualquer motivo pode ser a causa da
diáspora e as consequências só serão conhecidas no dia seguinte.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Foi assim com
uma discussão entre a cantora Miúcha e o agitador cultural Albino Pinheiro. Os
dois discutiram e chegaram a se estranhar, por causa de um assunto que no dia
seguinte ninguém lembrava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Ao acordar,
cheia de arrependimento e culpa, Miúcha resolveu ligar para Albino e colocar
tudo em pratos limpos. Aconteceu que Albino tinha ido à casa do grande Sivuca,
para combinar o roteiro de um show da série Seis e Meia, e deixara o telefone
de onde estaria para qualquer eventualidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Sem saber para
onde estava ligando, Miúcha telefonou para a casa do Sivuca, sendo atendida
pela esposa do instrumentista, a cantora e compositora Glorinha Gadelha. Miúcha
foi logo perguntando:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– O Albino
está?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Do outro lado
da linha, Glorinha, ciosa de sua função de fiel escudeira do marido, não se
conteve diante de tamanha falta de respeito:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Olha aqui,
sua vagabunda, albino é a puta que lhe pariu!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Custou um pouco
para “cair a ficha” de Miúcha, mas logo o equívoco foi esclarecido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/1909732395218144308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/1909732395218144308?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/1909732395218144308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/1909732395218144308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/09/telecoteco-do-balacobaco-canto-108.html' title='Telecoteco do Balacobaco - Canto 108'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj1aX5h5Waa80fOXSqwnd06ZmVE2VYyo-9UJ6iR1102XvwIaql-5fW9_pXkixsS2NlgJv5pzaokttRXspG_aF5JPDc6sfortwRwuSahYhAkNetlmDjMb41yN1qnltx1EXi5VmraKpPN00VEB-ayDLqvxxZpUEzBFpdwkOfgF95TfEvuCJbrI1qRZw/s72-w438-h321-c/ggadelha.jfif" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-3835097444129048320</id><published>2026-09-28T09:59:56.705-04:00</published><updated>2026-09-28T09:59:56.705-04:00</updated><title type='text'>Telecoteco do Balacobaco - Canto 107</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2ubD5e3URsJ5EgpZDaTDK61CNUzJQErl9Tg-gB7I2teSSE_3ggq0I7pGxlWncbw0Zrk6mvviMxeVeMkwJW_ysWxEUKp9HEWCAUwetA4biCMHE_ZFcuw8fc5_BGfAuwJ-MqLVtBgb4stHMMn7Sf5LLVTQ7Qo7fDDwt31AtA1kB1Akxnp99rE7uSA/s632/AVMG_4070-632x420.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;420&quot; data-original-width=&quot;632&quot; height=&quot;292&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2ubD5e3URsJ5EgpZDaTDK61CNUzJQErl9Tg-gB7I2teSSE_3ggq0I7pGxlWncbw0Zrk6mvviMxeVeMkwJW_ysWxEUKp9HEWCAUwetA4biCMHE_ZFcuw8fc5_BGfAuwJ-MqLVtBgb4stHMMn7Sf5LLVTQ7Qo7fDDwt31AtA1kB1Akxnp99rE7uSA/w439-h292/AVMG_4070-632x420.jpg&quot; width=&quot;439&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;João Orelhinha e Hilário Prado na Banda da Caxuxa&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;107.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt; Fevereiro de 1986. O bloco de sujos
“Aluga-se Moças” havia acabado de desfilar na Avenida Djalma Batista e está
retornando pra Cachoeirinha através da Rua Pará, no Vieiralves. São quase 22h
da noite do domingo gordo de carnaval. Cerca de 2 mil foliões fantasiados de
mulheres participaram da odisseia.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;O mais animado de todos é o estudante
Hilário Prado, 20 anos, boa pinta, físico de marombeiro e espada matador
registrado em cartório, que, como o resto da gangue, também está morto de
bêbado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Foi o primeiro
desfile de Hilário e ele se fantasiou de uma sensual dançarina de Cancan:
peruca vermelha estilo Channel, vestido de cetim roxo com franjas de renda
negra, cintas-ligas no modelo meias de arrastão, mitenes (luvas negras que
cobrem o braço até um pouco acima do cotovelo), penacho e gargantilha.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Como
toque final, uma calcinha com bumbum falso, que continha um enchimento de
espuma de nylon. A maquiagem à base de blush, rímel, cílios postiços e batom
roxo ajudou a transformar Hilário em uma tremenda gata de classe mundial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Nas
proximidades da Praça Chile, em frente ao cemitério São João Batista, Hilário
começa a diminuir o ritmo da caminhada e vai ficando cada vez mais distante do
grosso do bloco, que segue em frente na mesma pisada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Uns dez minutos
depois, Hilário está caminhando praticamente sozinho no início da Rua Belém
enquanto o trio elétrico do bloco “Aluga-se Moças”, com seus milhares de
foliões, já está entrando na Avenida Castelo Branco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Em frente ao
Posto Saci, quase na entrada do Beco Celestino, um Opala quatro portas para ao
lado do folião bêbado e solitário.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;De repente, um
braço de crioulo com a grossura do pescoço do Mike Tyson sai da janela do banco
do carona, dá um tapão no bumbum da dançarina de Cancan e uma voz cavernosa
quebra o silêncio da noite:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Te prepara
pra ser currada, vagabunda! Nós vamos arrombar esse teu cuzão!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Ouvindo aquilo,
Hilário ficou bom do porre na mesma hora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;As portas do
Opala já estavam sendo abertas para seus dez ocupantes descerem, quando ele
meteu o pé na carreira. Saiu azulado em direção à Avenida Castelo Branco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;O Opala seguiu
atrás, com os dez crioulões cada vez mais excitados. Aparentemente, eles
estavam drogados e completamente alucinados para colocar as mãos (e outras
coisas) na dançarina de bumbum empinadinho, após uma caçada infrutífera pelos
bairros da cidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;No cruzamento
da Rua Belém com a Avenida Castelo Branco o sinal do semáforo estava fechado e
o Opala ficou detido providencialmente atrás de um ônibus de linha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Sem parar de
correr, Hilário aproveitou a oportunidade para atravessar a Rua Belém em
direção ao Colégio Estadual Márcio Nery, desceu por um beco paralelo ao muro do
colégio e de lá seguiu em direção à Feira de São Francisco, margeando o igarapé
da Cachoeirinha. Seu coração estava para sair pela boca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Nesse meio
tempo, Hilário foi realizando um verdadeiro strip-tease: jogou fora a peruca, o
vestido de cetim, as cintas-ligas, a calcinha, as luvas, o penacho e a
gargantilha. Quando chegou à Feira de São Francisco estava só de cueca de
copinho e tênis All Star Converse de cano alto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Subiu a Rua
General Carneiro no maior pique, pegou a Rua Carvalho Leal à esquerda e só
parou de correr quando entrou em sua casa. Estava para colocar os bofes pra
fora, mas felizmente havia preservado todas as pregas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Hilário nunca
mais quis se fantasiar de travesti e andar sozinho pelas ruas desertas da
Cachoeirinha durante uma noite de carnaval.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/3835097444129048320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/3835097444129048320?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/3835097444129048320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/3835097444129048320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/09/telecoteco-do-balacobaco-canto-107.html' title='Telecoteco do Balacobaco - Canto 107'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2ubD5e3URsJ5EgpZDaTDK61CNUzJQErl9Tg-gB7I2teSSE_3ggq0I7pGxlWncbw0Zrk6mvviMxeVeMkwJW_ysWxEUKp9HEWCAUwetA4biCMHE_ZFcuw8fc5_BGfAuwJ-MqLVtBgb4stHMMn7Sf5LLVTQ7Qo7fDDwt31AtA1kB1Akxnp99rE7uSA/s72-w439-h292-c/AVMG_4070-632x420.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37752907.post-7173000849525790781</id><published>2026-09-28T09:56:45.150-04:00</published><updated>2026-09-28T09:56:45.150-04:00</updated><title type='text'>Telecoteco do Balacobaco - Canto 106</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjO7eRxbQ3hJ0TwX8b8HmVVod4bVFUkrn1nsMSC4z_Givgh3LLfiOR9HnwFDxM87Cjoam9agFreH1qWx4XLLEnP659EShtJ6qnF0LcCT1dHLaybgrMKGEHNqVJLpSun6qqxckE6SUuqafZjr8U7p4wWZk8Y4mX2zxU0BbNyoSdQat3jwXSQjBbhoA/s616/Captura%20de%20tela_28-9-2026_94852_.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;474&quot; data-original-width=&quot;616&quot; height=&quot;333&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjO7eRxbQ3hJ0TwX8b8HmVVod4bVFUkrn1nsMSC4z_Givgh3LLfiOR9HnwFDxM87Cjoam9agFreH1qWx4XLLEnP659EShtJ6qnF0LcCT1dHLaybgrMKGEHNqVJLpSun6qqxckE6SUuqafZjr8U7p4wWZk8Y4mX2zxU0BbNyoSdQat3jwXSQjBbhoA/w433-h333/Captura%20de%20tela_28-9-2026_94852_.jpeg&quot; width=&quot;433&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;O pagodeiro Mafu (ou seria Amado Batista?) e suas icamiabas&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;106.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt; Parceria do compositor amazonense Paulo
Onça com o sambista Jorge Aragão, a música “Feitio De Paixão” havia estourado
em todo o Brasil e Paulo Onça se sentia o rei da cocada preta.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;A canção é uma
obra-prima: “Queria o prazer do amor / Assim desejando estou / Só vou sossegar
/ Quando te conquistar / Botar todas cartas vou / Na mesa pra decidir / Quem
sabe lutando vou conseguir / Sem conseguir, joguei búzios para tê-la sem favor
/ Sem conseguir, fiz feitiço para ganhar o teu amor / Sem conseguir, tomei banho
de arruda pra fluir / Do corpo todo mal sem conseguir, sem conseguir”.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;O diabo
é que, com exceção dos pagodeiros da cidade, ninguém sabia quem era Paulo Onça,
apesar de ele já ter gravado seis CDs e feito sambas-enredo para quase todas as
escolas de samba de Manaus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;No ano da
gravação original, ainda saboreando o sucesso da canção nos hit parades do
país, Paulo Onça resolveu conhecer o Festival de Parintins, onde participaria
de uma roda de pagode no Bar Chapão em companhia de Chico da Silva. Ele
convidou para acompanhá-lo na empreitada o pagodeiro Mafu, outro ilustre
desconhecido fora do mundo do samba da cidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Como o festival
cairia num final de semana, a população manauara em peso viajou para a ilha da
fantasia. Paulo Onça só encontrou duas vagas em um barco de linha retardatário
e assim mesmo ainda teria de viajar de “baladeira” no segundo compartimento,
perto do porão de cargas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Invocado com
aquele negócio de dormir de rede no meio da pobreza, o compositor foi conversar
com o dono do barco. O sujeito estava na cabine de comando, verificando alguns
instrumentos. Paulo Onça entreabriu a porta e foi direto ao assunto:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Meu amigo, eu
sou o famoso compositor Paulo Onça, coautor da música “Feitio De Paixão”,
gravada pelo também famoso Jorge Aragão, e gostaria de receber um tratamento
diferenciado. Será que não dava para você descolar um camarote com
ar-condicionado pra eu viajar com um pouco mais de conforto?...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;O sujeito olhou
para o compositor como se estivesse vendo um marciano pela primeira vez, cuspiu
o tabaco que estava mascando num cesto de lixo, olhou o relógio de pulso,
sacudiu uma cordinha dando três badaladas em um sino (indicativo de que o barco
ia partir) e aí, sem dar uma palavra, fechou a porta na cara do sambista e a
trancou por dentro com um ferrolho. Paulo Onça ficou puto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Na fila do
jantar, que começou a ser servido às 7 horas da noite, o compositor percebeu
duas meninas cochichando e apontando pra ele. Paulo Onça estufou o peito e
ficou todo posudo. Finalmente alguém havia reconhecido o seu talento. Alguém,
não. Duas pessoas. Aliás, duas meninas mortas de gostosas. Ele colocou o prato
na mesa e ficou aguardando a abordagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Com o canto do
olho, Paulo Onça percebeu as gatinhas se aproximando. Estufou mais ainda o
peito. Mas, de repente, as meninas passaram por ele e foram direto aonde estava
o pagodeiro Mafu, na outra ponta da mesa. Coincidentemente, o pagodeiro estava
na fila do jantar atrás do compositor na hora em que as meninas começaram a
xavecar. Paulo Onça ficou tão nervoso que quase se engasgou com uma espinha de
jaraqui frito servido no jantar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;A morena, que
era a mais espevitada e saliente das duas, interpelou o pagodeiro:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– A minha amiga
aqui quer saber se você é o Amado Batista...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Com o
sangue-frio de um piloto da Al Qaeda se aproximando das torres gêmeas, Mafu não
deixou por menos:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Sou sim,
minha filha, sou sim. Mas não espalha, senão aglomera...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Os rostos das
duas meninas se iluminaram.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;A morena se
aproximou do ouvido de Mafu e sussurrou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;– Quando o
senhor terminar de jantar, vá lá em cima, na área de lazer, que tem umas
pessoas que vão adorar lhe conhecer...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Não deu outra.
Quinze minutos depois, enquanto Paulo Onça, conformado, se ajeitava na
“baladeira” para começar a dormir, Mafu subiu sorrateiramente para a área de
lazer do barco. Seis meninas o aguardavam ansiosamente numa mesa repleta de
tira-gosto e biritas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;O suposto Amado
Batista foi tratado como um rei. Cada uma delas queria ser mais hospitaleira do
que a outra. E o melhor é que ele nem precisaria exercitar seus dotes vocais.
Cientes de que o cantor estava viajando “incógnito”, nenhuma delas estava
disposta a compartilhar aquele segredo com o restante do barco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Resultado: o
pagodeiro Mafu, quer dizer, o cantor brega Amado Batista foi praticamente
obrigado a passar o rodo nas seis meninas, algumas inclusive mais de uma vez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;Nas 24 horas
que duraram a viagem, ele comeu do bom e do melhor sem gastar um tostão, dormiu
num espaçoso camarote com ar-condicionado na companhia de seis mulheres e não
desceu ao porão nem pra visitar o amigo Paulo Onça. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;Pargrafobsico&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 1.0cm; text-justify: inter-ideograph;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,sans-serif;&quot;&gt;E tudo isso sem
jamais ter tido uma única música gravada pelo Jorge Aragão...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://simaopessoa.blogspot.com/feeds/7173000849525790781/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/37752907/7173000849525790781?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/7173000849525790781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37752907/posts/default/7173000849525790781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://simaopessoa.blogspot.com/2026/09/telecoteco-do-balacobaco-canto-106.html' title='Telecoteco do Balacobaco - Canto 106'/><author><name>Simão Pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13128844125784431996</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUfPUq6v3hGYO-zYbwJjOQTd6iO36-ctESiIUJ9IEqBciWX1TmRW6DsVWCnL3gNFl7lHO-BJTl3a-08gRxMoGvsGU7ozMlO-FG7In6W0JxbKWCY3kYOVkGMI-_aoFc-Q/s220/oculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjO7eRxbQ3hJ0TwX8b8HmVVod4bVFUkrn1nsMSC4z_Givgh3LLfiOR9HnwFDxM87Cjoam9agFreH1qWx4XLLEnP659EShtJ6qnF0LcCT1dHLaybgrMKGEHNqVJLpSun6qqxckE6SUuqafZjr8U7p4wWZk8Y4mX2zxU0BbNyoSdQat3jwXSQjBbhoA/s72-w433-h333-c/Captura%20de%20tela_28-9-2026_94852_.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>