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		<title>A Terceira Cruzada</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Feb 2012 11:40:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ximenes</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<fb:like href='http://blog.msmacom.com.br/?p=4946' send='true' layout='button_count' show_faces='true' width='450' height='65' action='recommend' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like><div id="attachment_4995" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://blog.msmacom.com.br/wp-content/uploads/2012/02/terceira-cruzada-550x248.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-4995" title="Terceira Cruzada" src="http://blog.msmacom.com.br/wp-content/uploads/2012/02/terceira-cruzada-550x248-150x150.jpg" alt="Terceira Cruzada" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Hattin e a queda de Jerusalém foram o estopim para a Terceira Cruzada, financiada na Inglaterra por um especial “dízimo de Saladino”. Essa Cruzada retomou a cidade de Acre. Após Ricardo I de Inglaterra executar os prisioneiros muçulmanos em Acre, Saladino retaliou matando todos os francos capturados entre 28 de agosto e 10 de setembro. Os exércitos de Saladino engajaram-se em combate com os exércitos rivais do rei Ricardo I de Inglaterra na batalha de Apollonia, em 7 de setembro de 1191, na qual Saladino foi finalmente derrotado.</p></div>
<p style="text-align: justify;">A <strong>Terceira Cruzada</strong>  pode ser compreendida como uma reação cristã à conquista de Jerusalém pelo líder muçulmano Saladino em 1187. A expedição teve como principais condutores os reis da Inglaterra e da França, respectivamente Ricardo I (<strong>Ricardo Coração de Leão</strong>) e <strong>Filipe Augusto</strong>, além do imperador do Sacro Império Romano-Germânico, <strong>Federico Barba Ruiva</strong> (traduzido por alguns como <strong>Barbarossa</strong> ou <strong>Barba-Roxa</strong>), o que a levou a ser popularmente conhecida como a <strong>Cruzada dos Reis</strong>. Embora tenha reunido inicialmente um grande exército, ela se revelou um fracasso no seu objetivo principal.</p>
<p style="text-align: justify;"> Assim como as anteriores, a expedição foi organizada a pedido de um papa, na ocasião Gregório VIII, e buscou construir e consolidar a supremacia européia durante a Idade Média. Além da participação ativa de monarcas cruzados, a <strong>Terceira Cruzada</strong>, ocorrida entre 1189 e 1192, tem como característica uma maior tolerância entre líderes cristãos e muçulmanos. O período marcou também o surgimento e a participação dos <strong>Cavaleiros Teutônicos</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Após o apelo de Gregório VIII, Frederico Barba Ruiva deu início à campanha, seguindo por terra à margem do Rio Danúbio. Durante o percurso conquistou Konya, capital do sultanato turco da Ásia Menor, mas no decorrer da expedição acabou morrendo afogado ao atravessar um rio na região da Cilícia. Com a perda de seu líder, boa parte dos cruzados germânicos desistiu da empreitada. Aqueles que não retornaram ao Império Romano-Germânico decidiram avançar até São João de Acre, agora sob liderança de Frederico da Suábia, filho de Frederico.</p>
<p style="text-align: justify;">Ricardo I e Filipe Augusto iniciaram a expedição pela Sicília em 1190, onde saquearam algumas cidades e seguiram até a Terra Santa pelo mar. O líder britânico teve alguns problemas com as embarcações e levou dois meses a mais que o rei francês para chegar à Palestina. Nesse meio tempo, conquistou a Ilha de Chipre aos Bizantinos, encorporando-a ao chamado Reino Latino.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a chegada dos britânicos ao Acre, os cruzados conseguiram sitiar a cidade e, em Julho de 1191, obtiveram a primeira vitória ao reconquistar a região. Apesar do sucesso até então, Filipe Augusto desistiu da cruzada devido às más condições de saúde e retornou à França prometendo não atacar as terras de Ricardo.</p>
<p style="text-align: justify;">O rei inglês permaneceu na Palestina onde venceu as batalhas de Arsuf e de Jaffa diante de Saladino, porém suas tropas, agora sem o apoio de Filipe e de grande parte do exército alemão, não contavam com homens suficientes para sitiar a Cidade Santa. Com o exército enfraquecido, Ricardo firma um acordo diplomático com o líder sarraceno: Jerusalém permaneceria sob domínio muçulmano em troca da garantia da abertura da Terra Santa aos peregrinos cristãos, desde que desarmados. Os cruzados mantiveram a área conquistada, uma faixa costeira contínua de Tiro a Jafa, consolidando os estados cristãos no Oriente.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de não conseguir o principal objetivo da Terceira Cruzada que era a reconquista de Jerusalém, Ricardo ganhou prestígio e respeito dos povos cristão e muçulmano, o mesmo acontecendo com Saladino, transformado em herói no Oriente e em exemplo de cavalaria medieval na Europa.</p>
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		<title>Um breve olhar: A Religião na Mesopotâmia</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Feb 2012 11:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ximenes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se estudarmos a literatura dos antigos Babilônicos e Sumérios, não mais poderemos acreditar na descrição de religião pagã que tem sido parte da tradição ocidental e ainda pode ser encontrada...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<fb:like href='http://blog.msmacom.com.br/?p=1622' send='true' layout='button_count' show_faces='true' width='450' height='65' action='recommend' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like><div id="attachment_4979" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://blog.msmacom.com.br/wp-content/uploads/2010/11/MesopotamiaZiggural.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-4979" title="Mesopotamia Ziggural" src="http://blog.msmacom.com.br/wp-content/uploads/2010/11/MesopotamiaZiggural-150x150.jpg" alt="Mesopotamia Ziggural" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Segundo Winckler, religião na Antiga Mesopotâmia provavelmente surgiu da contemplação das estrelas e dos planetas e suas movimentações no firmamento, portanto contendo um forte elemento de mitologia astral, baseada em teoria desenvolvida por estudiosos sumérios, postulando que os poderes divinos estavam representados nos planetas e nas estrelas</p></div>
<p style="text-align: justify;">Se estudarmos a literatura dos antigos Babilônicos e Sumérios, não mais poderemos acreditar na descrição de religião pagã que tem sido parte da tradição ocidental e ainda pode ser encontrada com freqüência em escritos modernos sobre religião. Ao invés de deuses caprichosos, agindo somente tendo em vista seus próprios desejos, encontramos divindades que se interessam pelo ordenamento organizado do universo e a regulamentação da história. Ao invés de arrogância e crueldade divinas, encontramos deliberação e compreensão.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao invés de ilegalidade e violência, vemos um desenvolvido sistema de leis e uma longa tradição de jurisprudência reflexiva. Ao invés de atitudes e comportamento imorais, encontramos deliberação moral, especulação filosófica e preces de penitência. Ao invés de ritos orgiásticos selvagens, lemos hinos, procissões, sacrifícios e preces. Ao invés do paganismo gentílico da imaginação ocidental, a literatura cuneiforme nos revela um politeísmo ético que comanda séria atenção e respeito (Introdução, pp. 2 e 3)</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Professor Tikva Frymer-Kensky (1992) In the wake of the Goddesses: women, culture and the biblical transformations of Pagan Myth. Fawcet-Columbine, New York.</p>
<h3 style="text-align: justify;">Dingir &#8211; símbolo para Divindade, colocado à frente do nome da deusa/deus<br />
UM BREVE OLHAR SOBRE A RELIGIÃO NA MESOPOTÂMIA</h3>
<p>Lishtar</p>
<p style="text-align: justify;">No que segue, abordaremos de forma breve alguns temas importantes que podemos apreender como fundamentais para o nosso maior entendimento da religão na Mesopotâmia. Os temas serão apresentados de forma esquemática e concisa, a fim de facilitar a apresentação dos dados e sem prejudicar o conteúdo dos temas abordados.</p>
<p style="text-align: justify;">1. Religião astral</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo Winckler, religião na Antiga Mesopotâmia provavelmente surgiu da contemplação das estrelas e dos planetas e suas movimentações no firmamento, portanto contendo um forte elemento de mitologia astral, baseada em teoria desenvolvida por estudiosos sumérios, postulando que os poderes divinos estavam representados nos planetas e nas estrelas, e que tais poderes superiores deveriam ser seguidos pela hierarquia de poderes na terra. Os fenômenos astronômicos eram os únicos considerados constantes e bem definidos, portanto, eternos por sua natureza. Os deuses e deusas são antropomórficos, e os corpos celestes, freqüentemente associados a divindades específicas, são uma revelação parcial do poder Divino em sua manifestação material, poder Divino que age de acordo com normas e e eventos constantes. Dos céus, que são a manifestação mais clara dos deuses e deusas, esta ordem divina podia ser seguida e observada em graduações constantes, que também se manifestavam no plano da existência humana, especificamente as realidades políticas e sociais. O estudo e observação dos astros fazia com que também se obtivesse uma melhor visão das forças atuando sobre as mais diversas esferas da existência. Em suma, a expressão literária Das Grandes Alturas às Grandes Profundezas pode bem ser a versão mesopotâmica da máxima hermética posterior &#8220;Assim na Terra como no Céu&#8221;.</p>
<h3 style="text-align: justify;">2. O Cosmo como o Estado</h3>
<p style="text-align: justify;">Os antigos mesopotâmicos cresceram num ambiente árido e difícil. Encontramos na religião mesopotâmica de forma marcante a constância dos ritmos cósmicos, como a mudança das estações, o movimento das estrelas nos céus, etc. junto com um elemento de força e violência. Os rios Tigres e Eufrates podem ser subir de forma imprevisível e violenta, prejudicando diques e afogando as plantações. A região estava frequentemente sujeita a tempestades de ventos, que ameaçavam sufocar os seres vivos. Havia também chuvas torrenciais que tornavam a terra firme num mar de lama, portanto roubando a liberdade de movimento . Na Mesopotâmia, a Natureza não era plácida e serena, mas um conjunto de poderes que controlavam a vida e a morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Os Mesopotâmicos, portanto, contemplavam as fontes de poder com admiração, respeito, reverência e medo. Sozinho frente a esta natureza hostil e poderosa, a noção do quão fraco ou fraca ele ou ela o eram na realidade, se comparados com os poderes da natureza, deveria ser uma constante. Entretanto, eles também tinham consciência através dos mitos da Criação de que a humanidade havia sido criada para continuar os trabalhos da existência para os deuses e deusas, e portanto tinham fé na ordem cósmica, cujos desígnios lhes eram também insondáveis, mas que guiavam toda criação. Colocando esta noção fundamental em termos mais simples, os Mesopotâmicos viam a ordem cósmica como uma ordem the vontages &#8211; como um Estado.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta forma de ver o mundo parece ter-se formado no momento em que a Mesopotâmia começa a surgir como civilização, ou seja, no período de antes do começo da história escrita, ou período Proto-Histórico. Por milhares de anos, migrações entraram e se estabeleceram no Vale dos Dois Rios, uma cultura pré-histórica seguindo-se por outra &#8211; todas fundamentalmente semelhantes. Mas com o advento do período da proto-história, cerca de metade do quanto milênio-começo do terceiro milênio antes da nossa era, começa a se cristalizar a civilização mesopotâmica.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta mudança fundamental foi provavelmente possibilitada pelo surgimento da agricultura em larga escala, com o uso de irrigação. Esta era feita por meio de canais, uma forma que ira mudar para sempre as características da agricultura mesopotâmica. Ao mesmo tempo e como consequência da boa prática agrícola, aumenta a população da região. As vilas se expandiram em cidades, o poder político passa a ser exercido por uma assembléia geral, feita de homens adultos e livres. Esta é a primeira organização de poder coletivo, ou Democracia Primitiva. Em mitos, esta realidade é descrita como &#8220;as cestas construíram as cidades&#8221;, ou seja, o excesso das colheitas levou à formação dos primeiros centros urbanos. Os homens livres da assembléia escolhiam o rei para governar as cidades em tempos de crise. Passada a crise, o poder voltava à assembléia.</p>
<p style="text-align: justify;">A centralização da autoridade e o novo modelo político podem ter sido responsáveis pela emergência da monumental arquitetura mesopotâmica. Templos começaram a ser erguidos nas planícies, em geral construídos sobre montanhas artificiais de tijolos secados ao sol, os famosos zigurates. Obras de tais proporções pressupõe um grau de organização dentro da comunidade só então atingido.</p>
<p style="text-align: justify;">No plano intelectual/espiritual, a escrita cuneiforme foi inventada, primeiramente servindo como elemento contábil das oferendas feitas aos templos, mas logo evoluindo para veículo literário. Esta arte então floreceu, trazendo o imenso legado dos Épicos de Gilgamesh, Lugalbanda, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Em termos políticos, econômicos e nas artes, a Mesopotâmia encontrou já em seus tempos mais remotos de existência as formas através das quais podia entender e lidar com seu universo em diversos planos de manifestação. O estado cósmico portanto manifestou-se bastante cedo, como uma Democracia Primitiva e se seguiu para o modelo centralizado de poder.</p>
<h3 style="text-align: justify;">3. Mesopotâmicos e o Fenômeno da Natureza</h3>
<p style="text-align: justify;">Os Mesopotâmicos acreditavam que os fenômenos do muito ao seu redor eram animados, vivos, que os poderes e a natureza tinham personificação divina. Tais fenômenos não eram humanos, mas possuíam vontade e personalidade. A religião portanto era politeísta e panteísta. Portanto, para entnder a natureza e seus variados fenômenos, os Mesopotâmicos procuravam entender a vontade, a personalidade, a direção e manifestação desta variedade de poderes.</p>
<h3 style="text-align: justify;">4. A Assembléia dos Deuses e Deusas</h3>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" src="http://www.gdajau.com.br/DADOS/MesopotamiaCostumeAssyria1.jpg" alt="" width="300" height="397" />Para os mesopotâmicos o mundo físico era representado pelos seres vivos e por todas as criaturas, bem como os seres inanimados e os fenômenos naturais. As noções de certo e errado, justiça, bem-viver, etc. eram aplicadas a todos, dependendo do escopo da existência. Portanto, todos estavam sujeitos a uma hierarquia de poderes maiores, representados pelos deuses e deusas, que julgavam e deliberavam sobre todos os assuntos que regiam este mesmo universo.</p>
<p style="text-align: justify;">Os grandes deuses compreendem os Poderes do Céu e da Terra, chamados de Igigi e Anunaki. O líder da Assembléia era Anu, o deus do Firmamento, e a seu lado estavam Enlil, Deus do Ar, Enki, deus das Águas Doces, Sabedoria e Mágica e Ninhursag, a Grande Mãe.</p>
<p style="text-align: justify;">A Assembleia funcionava da seguinte forma: os assuntos eram apresentados na presença de todos os deuses, que então &#8220;perguntavam uns aos outros&#8221;, ou seja, discutiam o problema. Temas eram então esclarecidos e o consenso então começava a ser formado. Desta forma, conseguia-se chegar a um consenso. A última palavra cabia a Anu ou Enlil. An/Anu era portanto a imagem da autoridade, e Enlil, a imagem da força.</p>
<h3 style="text-align: justify;">5. Religão na Prática: Exemplo dos Sumérios<br />
5.1 O Panteão Sumério</h3>
<p style="text-align: justify;">O panteão de deuses dos Sumérios não era simples. Havia muitos componentes para identificar um deus: fatores naturais, políticos, culturais e familiares. Em parte, os deuses representavam o poder que se sentia no universo. Os deuses ordenavam, regulavam e controlavam os elementos naturais: céu, o sol, a lua, as tempestades e estrelas. Desta forma, todos os aspectos do cosmo que tinham algum significado para a vida dos humanos eram supervisionados e determinados. Por causa da supervisão dos deuses, o mundo não era caótico. Aqueles mesmos deuses que controlavam a natureza também supervisionavam a polis. Cada cidade-estado da antiga Suméria tinha seu próprio panteão, liderado pelo deus ou deusa patrono(a) daquela cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">O deus-sol Utu era o deus de Sippar, o deus da Lua Nanna era o deus de Ur, e assim por diante. Estes deuses detinham a patronagem e os cuidados de suas respectivas cidades, e eram celebrados nos cultos locais destas cidades. Nos primeiros períodos históricos da Suméria, o deus ou deusa (através de seus representantes do templo) era provavelmente o maior proprietário de terras e maior empregador da cidade, sendo que a adoração do(a) deus(a) era uma forma efetiva, dotada de significado para mobilizar a comunidade. Ao longo de toda história dos sumérios, o deus da cidade, acreditava-se, cuidava da prosperidade e bem-estar locais, assegurava a paz e prosperidade, além de manter uma relação especial com o governante local. Este conceito de deus-local ou da cidade expressava um sentido de comunidade, tal qual um todo orgânico. A cidade não era apenas um conjunto acidental de pessoas que viviam num mesmo local. Ela era, acima de tudo, uma entidade que tinha unidade, integridade, e poder &#8211; um local onde o divino poderia se estabelecer.</p>
<h3 style="text-align: justify;">5.2 Deus Pessoal</h3>
<p style="text-align: justify;">Outro eixo de identidade divina era o do &#8220;deus pessoal&#8221;. Cada família entendia-se estar sob a patronagem de um deus ou deusa específicos, que protegia os membros da família, ajudando a assegurar a saúde, a prosperidade e o sucesso. Além do mais, cada indivíduo, não importando quão importante ou não fosse, tinha seu deus ou sua deusa. A classificação destes deuses pessoais no panteão era comparável à importância do indivíduo. Pessoas comuns tinham deuses cujos nomes eles o sabiam, mas que raramente chegaram até nós. Os poderosos da Suméria tinham os grandes deuses cósmicos como seus deuses pessoais.</p>
<h3 style="text-align: justify;">5.3 Deuses e deusas locais</h3>
<p style="text-align: justify;">Tendo em vista que as cidades-estado não eram isoladas umas das outras, os deuses de várias cidades-estado tinham de Ter alguma relação entre si. Ao longo do primeiro milênio de história registrada, havia duas forças contrárias na Mesopotâmia: uma, lealdade à sua cidade, e a rivalidade entre cidades que tal fato produzia, e, por outro lado, uma motivação pela paz através da confederação com governos nacionais. Houveram tais períodos de unificação regional como o Período Sargônido ( o Período Acádio, cerca de 2100-2000 Antes da Nossa Era ou 4000 anos atrás); houveram períodos de domínio local, como os de Isin-Larsa ( o Período Antigo Babilônico Anterior, cerca de 2000-1800 Antes da Nossa Era). Estes períodos históricos estabeleceram-se e se foram, e o poder relativo dos deuses das cidades Mesopotâmicas subiu e desceu com eles. Os deuses tinham relações harmoniosas entre si; os deuses identificavam-se uns com os outros e/ou estabeleciam relações familiares entre si. Teologias rivais se desenvolveram, tais como aquelas ao redor de Enlil e Enki, mas então mais tarde harmonizaram-se entre si na criação de um panteão nacional.</p>
<p style="text-align: justify;">Há ainda um outro fator que aumenta a complexidade do panteão mesopotâmico. Dois povos distintos viviam no sul do Iraque deste o início da história: os sumérios e os acádios. Tanto quanto podemos constatar, não existiam conflitos étnicos entre eles. Sumérios e acádios também não possuíam culturas separadas. Apesar do fato destes povos falarem idiomas bastante diferentes, os falantes de acádio participavam integralmente do que chamamos de civilização suméria. Várias pistas lingüísticas indicam de forma bastante conclusiva que a escrita foi desenvolvida para escrever sumério. Mas a escrita não era propriedade exclusiva dos povos que falavam sumério. As tábuas de Abu Salabikh, escritas em sumério logo após o alvorecer da escrita, foram freqüentemente inscritas por povos que se assinavam com nomes obviamente acádios. Ao mesmo tempo, o povo de Ebla, na Síria Central, que também falava um idioma semítico, escrevia também belíssimas tábuas de argila em sumério. Pelos primórdios da história registrada, já havia uma quantidade considerável de miscigenação cultural ou sincretismo entre os semitas (acádios e sumérios).</p>
<p style="text-align: justify;">À medida em que a história progride, a relação entre os semitas e os sumérios torna-se mais complicada. A primeira unificação bem sucedida das cidades do Sul da Mesopotâmia (da qual se sabe) foi por Sargão, rei da Acádia, em cerca de 2350 BCE. As inscrições reais the Sargão são todas em acádio (nossa primeira literatura em acádio), but durante seu reinado, Enheduanna, a filha de Sargão e sacerdotisa-princesa de Ur, compôs hinos extensos e muito lindos em Sumério. O grande florescimento da literatura suméria ocorreu no que chamamos de Período Neo-Sumério, o tempo dos reis da Terceira Dinastia de Ur (cerca de 2111-2000 BCE), e dos reis das dinastias de Isin e Larsa que se seguiram (Período Babilônico Anterior). Sabe-se, porém, por um farto corpo de evidência que mostram que os povos do Período da Terceira Dinastia de Ur não falavam mais sumério. Este grande florescimento foi acontecendo enquanto que o idioma sumério se transformava numa linguagem erudita, posição em que se manteve mesmo apesar da maior parte da literatura religiosa ser escrita em acádio. Ao redor do Período Babilônico Antigo, estava-se desenvolvendo uma literatura acádia mas assim mesmo, os textos religiosos sumérios eram não só copiados e estudados, como também compostos.</p>
<p style="text-align: justify;">Pelo começo do Segundo Milênio, um novo elemento étnico entra em ação. Uma grande e extensa migração dos semitas ocidentais, povos da região da Séria, Líbano e Israel, imigraram para Mesopotâmia, sendo absorvidos. Alguns destes povos tornaram-se as dinastias regentes das maiores cidades do Sul. Os textos religiosos escritos nesta época (chamado de Período Antigo Babilônico Anterior) em qualquer língua que tenham sido escritos, estão inseridos na Tradição Mesopotâmica, mas são, entretanto, uma mistura de idéias (Velho Acádio ou Sumério), que foram trazidos pelos semitas ocidentais.</p>
<p style="text-align: justify;">Além destes fatores históricos e étnicos, o panteão mudava constantemente em resposta a diferentes sistemas econômicos e novas realidades sócio-econômicas. Tudo isto contribui para um panteão rico e variado, tão fascinante quanto assombroso. Naturalmente, este panteão também torna-se um pouco confuso para nós que não estamos familiarizados com tal infinidade de poderes. Mesmo os próprios Mesopotâmicos sentiram a necessidade de dar alguma certa ordem a esta assembléia de deuses. Já nos primeiros períodos da escrita suméria, em Abu Salabikh, fica claro que os escribas (teólogos) da antiga Suméria sentiram-se compelidos a colocar os deuses dentro de um certo sistema. Um destes textos muito antigos de Abu Salabikh é uma lista de deuses. A lista de deuses coloca o grande conjunto de divindades numa relação compreensível e intelectualmente sofisticada entre as partes envolvidas. Esta tarefa de compilação de listas de deuses continuou ao longo the toda história da Mesopotâmia, culminando com a grande lista de An-anun, cuja edição moderna ainda está sendo preparada.</p>
<h3 style="text-align: justify;">
5.4 Equilíbrio de gênero e sexo: Mundo de Deusas e Deuses</h3>
<p style="text-align: justify;">O complexo panteão dos sumérios, de imediato, divide-se em duas categorias facilmente reconhecíveis: deuses e deusas. A adoração de deusas não constituía uma religião separada, sendo que deusas e deuses faziam parte integral do pensamento e da religião dos sumérios. As histórias sobre as deusas não vêm de um culto feminino separatista e não são fantasias femininas ou mitos feitos por mulheres apenas. Estas histórias provém da principal literatura existente, da cultura prevalecente na Suméria. Os autores da maior parte destas composições, tanto homens quanto mulheres, são anônimos; mas os primeiros grandes poemas sumérios foram escritos por uma mulher, Enheduanna, que foi tanto uma sacerdotisa (EN) do deus Nanna na cidade de Ur, e princesa real, filha do rei Sargão, o Acádio. Ela foi o equivalente a Shakespeare da literatura suméria no sentido de que suas lindas composições foram estudadas, copiadas e recitadas por mais de meio milênio após sua morte. Estes poemas não eram compartilhados apenas com mulheres da antiga Suméria. Pelo contrário, conhecemos estes poemas, bem como a maior parte da literatura dos antigos sumérios de cópias que foram feitas por estudantes das antigas escolas sumérias. A maioria destes estudantes eram homens. Os poemas de Enheduanna e outros mitos e hinos sobre deusas cujos autores (homens e mulheres) são desconhecidos, eram parte do currículo destas escolas, estudados e ensinados por homens. Homens e mulheres discutiam e adoravam as deusas da antiga Suméria. Note que eu falei de equilíbrio de gênero e sexo em termos da presença de deuses e deusas. Eu não falei de igualdade de forças, que provavelmente jamais existiu em tempos históricos.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" src="http://downloads.passeiweb.com/imagens/newsite/saladeaula/historia/civilizacoes/mesopotamia_acadios_local.jpg" alt="" width="350" height="311" />Este panteão composto de dois gêneros espelha a dualidade da natureza, nas quais os seres humanos e outro s animais, e até mesmo algumas plantas, ocorrem como masculino e feminino. Em alguns casos, o sexo de um deus não faz grande diferença para sua função. No controle de suas cidades, as deusas e os deuses desempenham papéis equivalentes. Uma cidade poderia Ter como patrono um deus ou uma deusa. Na maior parte das vezes, esta divindade também tinha um (a) esposo (a) que era menos importante para o bem-estar da cidade do que a própria divindade. Não era sempre o parceiro a divindade mais importante. Qualquer configuração era possível: a deusa podia ser a maior divindade, com o seu esposo ou consorte de menor importância do que ela; o deus poderia ser a divindade principal, com a esposa secundária a ele.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, no mais conceitual dos domínios, a divisão de sexos no mundo divino dos sumérios não era acidental. O sexo de um deus ou deusa era fundamental para a definir o papel do deus ou deusa no imaginário das pessoas. Deuses e deusas não são intercambiáveis, ou sjea, o deus Enlil não poderia ser a deusa Ninlil, sua esposa. A deusa Inana não poderia ser o deus Utu, seu irmão. A feminilidade de uma deusa é essencial. Veremos nos capítulos que seguem que o pensamento sumério compreendia quatro domínios fundamentais: sociedade, cultura, natureza e história. Em cada um destes domínios, as deusas desempenhavam um papel que era essencialmente feminino. Como veremos, as deusas definem a ser mulher na família, cultura, cosmo e polis. As histórias criam um panorama orgânico do significado e complexidade do que o conceito ser mulher poderia Ter sido neste antigo sistema de pensamento. Elas também revelam a importância da dicotomia homem-mulher no pensamento politeísta.</p>
<h3 style="text-align: justify;">Referências:</h3>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente, não dispomos de literatura sobre Religião na Antiga Mesopotâmia em língua Portuguesa. Entretanto, algumas referências fundamentais sobre o assunto são as seguintes obras<br />
1. A. L. Oppenheim (1977) Ancient Mesopotamia: Portrait of a Dead Civilization. University of Chicago Press, Chicago, London.<br />
2. Thorkild Jacobsen (1976) The treasures of Darkness: a history of Mesopotamian Religion. Yale University Press, Yale, London<br />
3. Jean Bottéro (2001) Religion in Ancient Mesopotamia. University of Chicago Press, Chicago, London.<br />
4. Jean Bottéro (1994) Mesopotamia: Writing, Reasoning and the Gods. University of Chicago Press, Chicago, London.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ms maçom , publicado em 4 de novembro de 2010 às 9:24</strong></p>
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		<title>Crise no Reino Latino de Jerusalém</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Feb 2012 19:25:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ximenes</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Ordens]]></category>
		<category><![CDATA[Recentes]]></category>
		<category><![CDATA[Cruzadas]]></category>
		<category><![CDATA[Cruzados]]></category>
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		<category><![CDATA[terra santa]]></category>

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		<description><![CDATA[Durante a Primeira Cruzada os nobres peregrinos europeus criaram estados cruzados no chamado “Levante”, forjados em guerras, conquistas e massacres contra os povos muçulmanos que dominavam estas regiões. Em 1144,...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<fb:like href='http://blog.msmacom.com.br/?p=4971' send='true' layout='button_count' show_faces='true' width='450' height='65' action='recommend' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like><div id="attachment_4974" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://blog.msmacom.com.br/wp-content/uploads/2012/02/1229542542.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-4974" title="A queda de Edessa e a 2.ª Cruzada" src="http://blog.msmacom.com.br/wp-content/uploads/2012/02/1229542542-150x150.jpg" alt="A queda de Edessa e a 2.ª Cruzada" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Saladino captura Damasco em 1174 e Alepo, em 1183. Em 1187, avançou pela Galiléia e, nos Cornos de Hattin, travou a Batalha de Hattin contra um exército cristão. Do lado cristão, as tropas do francês Guy de Lusignan, o rei consorte de Jerusalém, e o príncipe da Galiléia Raimundo III de Trípoli.</p></div>
<p style="text-align: justify;">Durante a Primeira Cruzada os nobres peregrinos europeus criaram estados cruzados no chamado “Levante”, forjados em guerras, conquistas e massacres contra os povos muçulmanos que dominavam estas regiões.</p>
<p style="text-align: justify;">
Em 1144, <strong>Zengi</strong>, o governador das cidades de Alepo e Mossul, que controlava as regiões da Síria e do norte do Iraque, conquistou o Condado de Edessa das mãos dos cristãos. As últimas palavras que <strong>Joscelino</strong>, o governador de Edessa, escutou de Zengi antes de sua expulsão da cidade em 24 de dezembro de 1144, de acordo com historiadores locais, foram: “<em>Perdeu, Playboy</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi imediatamente lançado um apelo ao papa e, por toda a Europa, imediatamente se ouvem vozes clamando pela retomada do condado pelos cruzados. O <strong>Papa Eugênio III</strong> achou que já era hora de empreender uma segunda cruzada e convocou-a por meio de uma bula especial em 1145. <strong>São Bernardo de Claraval</strong>, a pedido do Papa Eugênio III, antigo monge cisterciense e discípulo do Santo, lhe pede que convoque os cristãos a empreenderem uma nova cruzada. Eugênio III havia tomado o lugar do Papa <strong>Lúcio II</strong>, eleito a 12 de março de 1144, mas morrera em 15 de fevereiro de 1145 com uma pedrada na cabeça ao tentar apaziguar um distúrbio popular.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Páscoa de 1146, em Vezelay, são muitos os franceses que se reúnem para escutar as palavras de Bernardo. A nova convocação atraiu vários expedicionários, entre os quais se destacaram o rei <strong>Luís VII</strong> de França, o imperador <strong>Conrado III </strong>do Sacro Império Romano-Germânico, além de <strong>Frederico da Suábia</strong>, herdeiro do império germânico, e dos reis da Polônia e da Boêmia.</p>
<p style="text-align: justify;">
Homens não faltavam: soldados flamengos e ingleses tinham conquistado Lisboa das mãos dos sarracenos e voltavam para casa, agora estavam sem ter o que fazer.</p>
<p style="text-align: justify;">
A situação no Oriente, porém, tornara-se ainda mais perigosa em virtude da presença de Zangi, governador de Mosul e conquistador de Edessa, que então governava em Alepo e ameaçava Constantinopla.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>A cruzada</strong><br />
O imperador Conrado III do Sacro Império Romano-Germânico partiu para Constantinopla, onde chegou em Setembro de 1147. Ignorando o conselho do imperador bizantino <strong>Manuel I Comneno</strong>, atravessou a Anatólia e, em 25 de outubro, seu exército foi esmagado em Doriléia pelos turcos.</p>
<p style="text-align: justify;">O imperador alemão, contudo, conseguiu escapar e refugiou-se na Nicéia. No começo do mês seguinte, Luís VII, acompanhado da esposa, <strong>Leonor da Aquitânia</strong>, chegou a Constantinopla, alcançando Nicéia em novembro e ali soube da sorte de Conrado. O que sobrou do exército de Conrado juntou-se aos franceses, com o apoio dos templários.</p>
<p style="text-align: justify;">
Com algumas dificuldades de transporte, mais uma vez uma parte do exército teve de ser abandonado para trás (sobretudo os plebeus a pé), e estes tiveram de abrir caminho contra os turcos.</p>
<p style="text-align: justify;">
Os franceses, entretanto, chegam a Antioquia em Março de 1148, rumando para Jerusalém com cerca de 50 mil soldados. Em Jerusalém, Luís VII e Conrado, depois de algumas discussões, decidem atacar Damasco. Em 28 de Julho de 1148, depois de cinco dias de cerco, concluíram tratar-se de uma missão impossível e acabaram tendo de recuar, terminando assim a segunda cruzada. Em mensagem enviada aos cruzados que se retiravam de volta à Europa, o governador de Damasco fez o seguinte comunicado: “<em>Não sabe brincar, não desce pro Play</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">
A Segunda Cruzada acabou se tornando uma autêntica fanfarronice, com os seus líderes regressando aos países de origem sem qualquer vitória. Porém, vale a pena notar que foi desta cruzada que saíram alguns dos líderes cruzados dos contingentes flamengos e ingleses para auxiliar <strong>Afonso Henriques</strong> na conquista de Lisboa em 1147, uma vez que eram concedidas indulgências para quem combatia na Península Ibérica, como relata nas suas cartas o cruzado inglês <strong>Osberno</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">No final das contas, o resultado desta Cruzada foi algo próximo do miserável (se não considerarmos a conquista de Lisboa), tendo sucesso apenas em queimar ainda mais as relações entre os reinos cruzados, os bizantinos e os “amigáveis” governantes muçulmanos. O fracasso da segunda Cruzada permitiu a reunificação das potências muçulmanas com aquele ar de “Já ganhamos” e novas investidas contra algumas cidades na região.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a moral baixa, nenhuma nova cruzada foi lançada até que ocorreu um novo acontecimento: a conquista de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187. Ficou no ar aquela sensação de “Ih, agora ferrou!” e desta vez os cristãos enfrentariam um adversário decidido: <strong>Saladino</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Crise no Reino Latino de Jerusalém</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong><br />
Na década de 1180, o Reino Latino de Jerusalém atravessava uma fase delicada. O rei <strong>Balduíno IV</strong> estava sendo devorado pela lepra e desafiado por um baronato cada vez mais petista. Os muçulmanos, pressentindo essa fraqueza, mantinham a pressão no máximo. Qualquer passo em falso seria catastrófico para os cristãos. E, claro, não tardou para que ele fosse dado, pelo cavaleiro <strong>Reinaldo de Châtillon</strong>, que atacou uma caravana na qual viajava a irmã do sultão Saladino. Até explicar para os muçulmanos o que estava acontecendo, na confusão que se seguiu, Saladino convocou uma jihad contra os infiéis…</p>
<p style="text-align: justify;">Saladino captura Damasco em 1174 e Alepo, em 1183. Em 1187, avançou pela Galiléia e, nos Cornos de Hattin, travou a Batalha de Hattin contra um exército cristão. Do lado cristão, as tropas do francês <strong>Guy de Lusignan</strong>, o rei consorte de Jerusalém, e o príncipe da Galiléia <strong>Raimundo III </strong>de Trípoli. Ao todo, havia cerca de 60 mil homens – entre cavaleiros, soldados desmontados e mercenários muçulmanos. Já a dinastia aiúbida, representada por Saladino, contava com 70 mil guerreiros.</p>
<p style="text-align: justify;">
Quando os cruzados montaram acampamento em um campo aberto, forçados a descansar após um dia de exaustivas batalhas, os homens de Saladino atearam fogo em volta dos inimigos, cortando seu acesso ao suprimento de água fresca. A cortina de fumaça tornou quase impossível para os cristão se desviarem da saraivada de flechas muçulmanas. Sedentos, muitos cruzados desertaram. Os que restaram foram trucidados pelo inimigo, já de posse de Jerusalém (tomada em em Outubro de 1187).</p>
<p style="text-align: justify;">
Saladino poupou a vida de Guy, enquanto Raimundo escapou da batalha com sucesso. Isso desencadeou na cristandade uma nova onda de preocupação com a Terra Santa.</p>
<p style="text-align: justify;">
No cativeiro, Guy ouviu a frase mágica que se tornaria célebre: “<em>Reis Verdadeiros não matam uns aos outros</em>”, vindo de Saladino. Eventualmente, ele foi libertado em troca de um resgate.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Em 1189, <strong>Guy de Lusignan</strong> tentou reconquistar a cidade, num conflito que duraria anos e só seria resolvido com a chegada de um novo personagem: <strong>Ricardo Coração de Leão</strong>, o rei da Inglaterra.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><img title="Segunda e Terceira Cruzadas" src="http://www.sedentario.org/wp-content/uploads/2009/10/saladin.jpg" alt="Templários  Segunda e Terceira Cruzadas" align="right" hspace="10" /><strong>Saladino e o começo da Terceira Cruzada</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong><br />
Saladino (1138 – 4 de março de 1193) foi um chefe militar muçulmano que se tornou sultão do Egito e da Síria e liderou a oposição islâmica aos cruzados europeus no Levante. No auge de seu poder, seu domínio se estendia pelo Egito, Síria, Iraque, Iêmen e pelo Hijaz. Foi responsável por reconquistar Jerusalém das mãos do Reino de Jerusalém, após sua vitória na Batalha de Hattin e, como tal, tornou-se uma figura emblemática na cultura curda, árabe, persa, turca e islâmica em geral. Saladino, adepto do islamismo sunita, tornou-se célebre entre os cronistas cristãos da época por sua conduta cavalheiresca, especialmente nos relatos sobre o sítio a Kerak em Moab, e apesar de ser a nêmesis dos cruzados, conquistou o respeito de muitos deles, incluindo Ricardo Coração de Leão; longe de se tornar uma figura odiada na Europa, tornou-se um exemplo célebre dos princípios da cavalaria medieval.</p>
<p style="text-align: justify;">Por volta de 1185, Saladino já havia capturado quase todas as cidades dos cruzados. Ele tomou Jerusalém em 2 de outubro de 1187, após um cerco. Saladino inicialmente não pretendia garantir termos de anistia aos ocupantes de Jerusalém, até que <strong>Balian de Ibelin</strong> ameaçou matar todos os muçulmanos da cidade, estimado entre três e cinco mil pessoas, e destruir os templos sagrados do Islã na Cúpula da Rocha e a mesquita de Al-Aqsa se não fosse dada anistia. Saladino consultou seu conselho e esses termos foram aceitos. Um resgate deveria ser pago por cada franco na cidade, fosse homem, mulher ou criança. Saladino permitiu que muitos partissem sem ter a quantia exigida por resgate para outros. De acordo com <strong>Imad al-Din</strong>, aproximadamente sete mil homens e oito mil mulheres não puderam pagar por seu resgate e se tornaram escravos.</p>
<p style="text-align: justify;">De todas as cidades, apenas Tiro resistiu. A cidade era então comandada pelo <strong>Conrado de Montferrat</strong>. Ele fortaleceu as defesas de Tiro e suportou dois cercos de Saladino. Em 1188, em Tortosa, Saladino libertou Guy de Lusignan e devolveu-o à sua esposa, a rainha Sibila de Jerusalém. Eles foram primeiro a Trípoli, e depois a Antioquia. Em 1189 eles tentaram reclamar Tiro para seu reino, mas sua admissão foi recusada por Conrado, que não reconhecia Guy como rei. Guy então começou o cerco de Acre.</p>
<p style="text-align: justify;">Hattin e a queda de Jerusalém foram o estopim para a Terceira Cruzada, financiada na Inglaterra por um especial “dízimo de Saladino”. Essa Cruzada retomou a cidade de Acre. Após Ricardo I de Inglaterra executar os prisioneiros muçulmanos em Acre, Saladino retaliou matando todos os francos capturados entre 28 de agosto e 10 de setembro. Os exércitos de Saladino engajaram-se em combate com os exércitos rivais do rei Ricardo I de Inglaterra na batalha de Apollonia, em 7 de setembro de 1191, na qual Saladino foi finalmente derrotado. Apesar de nunca terem se encontrado pessoalmente, a relação entre Saladino e Ricardo era uma de respeito cavalheiresco mútuo, assim como de rivalidade militar; ambos eram celebrados em romances cortesãos. Quando Ricardo foi ferido, Saladino ofereceu os serviços de seu médico pessoal. Em Apollonia, quando Ricardo perdeu seu cavalo, Saladino enviou-lhe dois substitutos. Saladino também lhe enviou frutas frescas com neve, para manter as bebidas frias. Ricardo sugeriu que sua irmã poderia casar-se com o irmão de Saladino – e Jerusalém poderia ser seu presente de casamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Os dois finalmente chegaram a um acordo sobre Jerusalém no Tratado de Ramla em 1192, pelo qual a cidade permaneceria em mãos muçulmanas, mas estaria aberta às peregrinações cristãs; o tratado reduzia o reino latino a uma estreita faixa costeira desde Tiro até Jafa.</p>
<p style="text-align: justify;">Saladino morreu no dia 4 de março de 1193, em Damasco, pouco depois da partida de Ricardo. Quando o tesouro de Saladino foi aberto não havia dinheiro suficiente para pagar por seu funeral; ele havia dado a maior parte de seu dinheiro para caridade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Templários e o Xadrez</strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;">
Uma curiosidade bacana a respeito da segunda cruzada foi que, durante este período, as regras do que se conhecia como <strong>Shatranj </strong>acabaram sofrendo algumas modificações, derivando o que hoje conhecemos como as regras modernas do Xadrez.</p>
<p style="text-align: justify;">
Como este era um jogo Persa, até esta época, as Torres eram conhecidas como “Elefantes”, não haviam Bispos, as peças que se movimentavam na diagonal eram conhecidas como “Navios de Guerra”; também não existia Rainha; a peça era conhecida como “Vizir” e os peões, quando chegavam até o lado oposto do tabuleiro, tornavam-se “conselheiros”, com capacidade de se movimentar uma casa na horizontal, vertical ou diagonal. Como os Templários adoraram este jogo e acabaram levando-o para a Europa, os termos acabaram sendo modificados para um gosto mais Europeu, dando origem aos nomes das peças tal quais as conhecemos hoje. Os Bispos foram a contribuição do Vaticano ao jogo, por acharem que os clérigos deveriam ter um papel de destaque no xadrez…</p>
<p style="text-align: justify;"><img title="Segunda e Terceira Cruzadas" src="http://www.sedentario.org/wp-content/uploads/2009/10/800px-KnightsTemplarPlayingChess1283.jpg" alt="Templários  Segunda e Terceira Cruzadas" /></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">———————–<br />
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		<title>Segunda Cruzada</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Feb 2012 11:30:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ximenes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ordens]]></category>
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		<description><![CDATA[A queda de Edessa e a 2.ª Cruzada Com a morte do rei de Jerusalém Foulques I, também conhecido como Foulques V de Anjou, em Novembro de 1143, a coroa...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<fb:like href='http://blog.msmacom.com.br/?p=4944' send='true' layout='button_count' show_faces='true' width='450' height='65' action='recommend' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like><p><strong>A queda de Edessa e a 2.ª Cruzada</strong></p>
<p>Com a morte do rei de Jerusalém Foulques I, também conhecido como Foulques V de Anjou, em Novembro de 1143, a coroa passou para o seu filho Balduíno III. Como este era menor, a regência foi assegurada pela mãe Melisanda de Bolonha (1143 &#8211; 1152). O atabaque Zangi aproveitou esta menoridade para atacar e capturar Edessa, capital do condado franco deste nome em Dezembro de 1144.</p>
<p>Zangi, tendo sido assassinado pouco tempo depois, o antigo conde de Edessa, Jocelino II conseguiu, com a conivência da população arménia, retomar a cidade, em Outubro de 1146, mas o sucessor do atabaque de Alepo, o seu filho Nur ed-Din, acorreu à frente das suas forças e conquistou definitivamente Edessa, em 3 de Novembro de 1146. O conde Jocelino conseguiu escapar, mas população arménia foi severamente castigada pela sua lealdade para com os francos. A cidade, que era de facto uma colónia arménia, passou a ser uma cidade predominantemente turca, já que a população arménia foi massacrada ou obrigada a emigrar. Na continuação da luta contra os principados francos, Nur ed-Din capturou, no ano seguinte, o castelo de Artésia ao príncipe de Antioquia.</p>
<p>Dos quatro estados francos do Médio Oriente só restavam três. Os muçulmanos, em vias de criarem um estado forte na Síria, conseguiam pela primeira vez fazer frente à conquista da Terra Santa pelos «Francos», e obrigar a recuar os estados francos para a zona costeira.</p>
<p>Estes graves acontecimentos na Terra Santa provocaram a proclamação da 2.ª Cruzada pelo Papa Eugénio III, por meio de uma Bula que dirige à nobreza francesa e a Luís VII, expedição que foi pregada por São Bernardo de Claraval na recém construída igreja da abadia beneditina de Vézelay, no Norte de França, importante local de peregrinação devido às relíquias de Santa Maria Madalena. O imperador Conrado III e o rei de França Luís VII, de acordo com a vontade de São Bernardo, colocaram-se à frente do movimento. De facto, ao contrário da 1.ª, a 2.ª Cruzada foi uma cruzada de soberanos. As duas expedições dirigiram-se separadamente para a Terra Santa pelo caminho habitual, atravessando a Hungria e os Balcãs até Constantinopla, onde chegaram entre Setembro e Outubro de 1147. Mas suas relações com os bizantinos foram muito más, e não conseguiram obter apoio do Império.</p>
<p>Conrado foi quem primeiro atravessou o estreito e passou para a Ásia Menor onde foi atacado pelos Turcos seljúcidas na região de Dorileia, em Outubro de 1147. Tendo sofrido perdas muito perdas recuou para Niceia. Luís VII foi pelo litoral da Anatólia, mas em Janeiro de 1148 foi cercado pelos turcos nos desfiladeiros de Pisidia e perdeu também muita gente. Conseguiu chegar ao porto de Adalia, e embarcou em direcção a</p>
<div id="attachment_4972" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://blog.msmacom.com.br/wp-content/uploads/2012/02/segunda-cruzada.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-4972" title="Segunda Cruzada" src="http://blog.msmacom.com.br/wp-content/uploads/2012/02/segunda-cruzada-150x150.jpg" alt="Segunda Cruzada" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Durante a Primeira Cruzada os nobres peregrinos europeus criaram estados cruzados no chamado “Levante”, forjados em guerras, conquistas e massacres contra os povos muçulmanos que dominavam estas regiões.</p></div>
<p>Antioquia com a cavalaria. A infantaria, que tentou continuar por terra, foi massacrada pelos Turcos em Fevereiro.</p>
<p>O príncipe de Antioquia Raimundo de Poitiers quis que o rei de França atacasse Nur ad-Din, atabaque de Alepo, o principal inimigo dos Francos, mas Luís VII recusou-se e partiu para Jerusalém onde encontrou Conrado III. Os dois soberanos europeus foram cercar Damasco, um objectivo secundário, e ainda por cima até à pouco tempo cidade aliada dos Francos contra Zangi. O cerco foi um fracasso sendo levantado em fins de Julho de 1148.</p>
<p>A 2.ª Cruzada dirigida incompetentemente acabou num fracasso total, e fazer nascer a ideia de que a cruzada poderá não ser uma obra piedosa.</p>
<p>Logo que os Cruzados saíram da Palestina Nur ed-Din venceu e matou Raimundo de Poitiers em Ma&#8217;arrathâ, em 29 de Junho de 1149, e conquistou ao principado de Antioquia todas as fortalezas para lá do Orontes.</p>
<p>O condado de Edessa estava definitivamente perdido e o principado de Antioquia ficou reduzido a metade do seu antigo território.</p>
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		<title>Primeira Cruzada</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Feb 2012 21:41:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ximenes</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<fb:like href='http://blog.msmacom.com.br/?p=260' send='true' layout='button_count' show_faces='true' width='450' height='65' action='recommend' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like><div class="separator" style="text-align: justify; clear: both;">
<div id="attachment_4940" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://blog.msmacom.com.br/wp-content/uploads/2012/02/untitled.png"><img class="size-thumbnail wp-image-4940" title="Cruzadas" src="http://blog.msmacom.com.br/wp-content/uploads/2012/02/untitled-150x150.png" alt="Cruzadas" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Na verdade, a Primeira Cruzada não foi um único movimento, mas um conjunto de ações bélicas de natureza religiosa, que incluiu a Cruzada Popular, a Cruzada dos Nobres, a Cruzada Germânica e a Cruzada de 1101</p></div>
<p>Foi chamada também de Cruzada dos Nobres ou dos Cavaleiros. Ao pregar e prometer a salvação a todos os que morressem em combate contra os pagãos (leia-se, muçulmanos) em 1095, o Papa Urbano II estava a criar um novo ciclo na história mundial.</p></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">É certo que a idéia de juntar um bando de gente armados com espadas e tocha e mandá-los para matar os inimigos hereges não era algo totalmente novo, pois já no século IX se declarava que os guerreiros mortos em combate contra os muçulmanos na Sicília mereciam a salvação eterna. Mas desta vez a salvação não era prometida numa situação excepcional.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Urbano II declarou que não apenas todos os pecados dos cruzados seriam perdoados, mas que todo aquele que morresse nesta “Guerra Santa” teria seu lugar garantido no Céu. O problema com isso é que a Primeira cruzada acabou “recrutando” todo tipo de bandido, estuprador, mercenário e vilão que você puder imaginar. Todo aquele que era um pária na Europa enxergou na cruzada uma chance de desaparecer de seus algozes, ficar com a ficha limpa e ao mesmo tempo matar, pilhar e destruir à vontade “em nome de Jesus”. Tudo gente finíssima nas cruzadas…</div>
<p>Por volta de 1097, um exército de 30 mil homens, dentre eles muitos peregrinos, cruzou a Ásia Menor, partindo de Constantinopla. A cruzada dos cavaleiros, possuindo recursos, embora progredindo devagar, fizera um acordo com o imperador de Bizâncio de lhe devolver os territórios conquistados aos turcos. Esse acordo seria desrespeitado, claro, à medida que o mal-entendido entre as duas partes cresceria.</p>
<p>E<strong> quem eram os “nobres” das cruzadas?</strong></p>
<div style="text-align: justify;"><a style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;" href="http://rsurgente.zip.net/images/cruzadas00.jpg"><img src="http://rsurgente.zip.net/images/cruzadas00.jpg" alt="" width="200" height="160" border="0" /></a>Imagine que você seja um nobre europeu feudal do século X ou XII. O filho primogênito era tradicionalmente o herdeiro de tudo o que o seu pai tivesse, e era devidamente preparado para assumir as responsabilidades de vassalo ou nobre de acordo com a posição das terras de seu pai; o filho mais novo era, por tradição, destinado à Igreja ou ao Clero, para manter o povo sob o domínio do Cristianismo: eram enviados para os mosteiros para estudar ou para serem introduzidos no catolicismo (desculpem pelo trocadilho…). As nobres fêmeas eram leiloadas em grandes festas junto a outros nobres, dentro de acordos políticos e diplomáticos realizados entre os Senhores Feudais; fora do Sul da França e dos Territórios Celtas, as mulheres não tinham muito poder de decisão de nada, sendo valorizadas mais por sua beleza do que por seus atributos mentais (estas festas deram origem ao que hoje em dia chamamos de “Festas de Debutantes”). Aos irmãos “do meio”, sobrava um abraço e um aperto de mão: não tinham direito a nada.</div>
<div style="text-align: justify;">Neste aspecto, as Cruzadas se ofereciam para eles como algo realmente tentador: comandar um monte de crentes, peregrinos, bandidos e assassinos “em nome de Jesus”, matar vários hereges e, quem sabe, virar um nobre dono de terras no Além Mar? Parecia uma ótima idéia!</div>
<p><strong>As tensões entre os bizantinos e os cruzados</strong></p>
<div style="text-align: justify;">Os bizantinos queriam um grupo de mercenários solidamente enquadrados ao qual se pagasse o soldo e que obedecessem às ordens – não aquelas turbas de remelentos indisciplinados; por outro lado, os cruzados não estavam dispostos, depois de tantos sacrifícios, a entregar o que obtinham.<br />
Apesar da animosidade entre os líderes e das promessas quebradas entre os cruzados e os bizantinos que os ajudavam, a Cruzada prosseguiu. Os turcos estavam simplesmente desorganizados. A cavalaria pesada e a infantaria franca não tinham experiência em lutar contra a cavalaria leve e arqueiros turcos, e vice-versa. No final das contas, a resistência e a força dos cavaleiros venceram a campanha em uma série de vitórias, a maioria muito difíceis.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
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<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" href="http://blog.msmacom.com.br/wp-content/uploads/2010/01/ivcruzadasconq-jerusalc3a9m.jpg"><img src="http://blog.msmacom.com.br/wp-content/uploads/2010/01/ivcruzadasconq-jerusalc3a9m.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a></div>
<div style="text-align: justify;">Em 19 de Junho de 1097, os cruzados cercaram e tomaram Nicéia, devolvendo-a aos bizantinos, e logo tomaram o rumo de Antioquia. Em julho, foram atacados pelos turcos em Dorileia, mas conseguiram vencê-los e, após penosa marcha, chegaram aos arredores de Antioquia em 20 de outubro. A cidade de Antioquia somente cairia, após longo cerco, a 3 de Junho de 1098, com a ajuda de um sentinela armênio que facilitou a entrada dos cruzados nas muralhas da cidade. Seguiu-se um saque terrível da população muçulmana da cidade, que ficou na posse de Boemundo de Taranto, o chefe dos normandos.</div>
<p>Godofredo de Bulhão, após longo cerco, conquistou Jerusalém atacando uma guarnição fraca em 1099. A repressão foi violenta. Segundo o arcebispo Guilherme de Tiro, a cidade oferecia tal espetáculo, tal carnificina de inimigos, tal derramamento de sangue que os próprios vencedores ficaram impressionados de horror e descontentamento.</p>
<div style="text-align: justify;">Conta-se que haviam rios de sangue correndo pelas ruas da cidade…</div>
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<div style="text-align: justify;"><a style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;" href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9a/Gottfrid_af_Bouillon.jpg"><img src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9a/Gottfrid_af_Bouillon.jpg" alt="" width="191" height="200" border="0" /></a><br />
Godofredo de Bulhão ficou só com o título de protetor e, à sua morte, Balduíno, seu irmão, proclamou-se rei. Após a vitória, era preciso organizar a conquista. Para dividir os territórios conquistados entre os principais nobres que participaram da matança, surgiram quatro estados cruzados, conhecidos coletivamente como Outremer (”Ultramar”), do norte para o sul: o Condado de Edessa, o Principado de Antióquia, o Condado de Trípoli, e o Reino de Jerusalém.</div>
<p>O sucesso da primeira cruzada pelas tropas de Noobs foi até certo ponto uma surpresa e ocorreu porque os cruzados chegaram num momento de desordem naquela periferia do mundo islâmico. Uma vez conquistado o território ao inimigo, os cruzados, cujos desentendimentos com os bizantinos começaram ainda durante a campanha, não mais quiseram devolver as terras aos seus irmãos de fé cristã do Império Bizantino. Balduíno teria dito, inclusive, para o Imperador Bizantino a seguinte frase: “Perdeu, playboy”.</p>
<p>Muitos dos combatentes retiraram-se de Jerusalém (incluindo os grandes senhores), mas um núcleo ficou (cálculos chegam a falar de algumas centenas de cavaleiros e um milhar de homens a pé). As cidades principais (como Antioquia e Edessa) tornarem-se capitais de principados e reinos (embora Jerusalém fosse de certo modo o centro político e religioso), com outras marcas a protegê-los.</p>
<div style="text-align: justify;">O sistema feudal foi transpl<br />
antado para o oriente com algumas alterações: muitas vezes, em vez de receber feudos, os cavaleiros eram pagos com direitos ou rendas (modalidade que existia também na Europa). As cidades mercantis italianas tornaram-se fundamentais para a sobrevivência desses estados: permitiram a chegada de reforços e interceptar os movimentos das esquadras muçulmanas, tornando o Mediterrâneo novamente um mar navegável pelos ocidentais.</div>
<p>Mas os muçulmanos iriam reagir…</p>
<div style="text-align: justify;">De qualquer modo, nos anos seguintes, com a euforia da vitória, mais voluntários seguiram para o Oriente. Os contingentes seguiam por nacionalidades, continuando pouco organizados. As motivações eram variáveis: se alguns pretendiam obter novos feudos, ou redimir-se das suas faltas, havia também aqueles que “apenas” pretendiam ganhar batalhas, cobrir-se de glória, bênçãos espirituais, e voltar para a sua terra.</div>
<div style="text-align: justify;">Os governantes cruzados encontravam-se em grande desvantagem numérica em relação às populações muçulmanas que eles tentavam controlar. Assim, construíram castelos e contrataram tropas mercenárias para mantê-los sob controle. A cultura e a religião dos francos era muito estranha para cativar os residentes da região.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
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<div style="text-align: justify;"><a style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;" href="http://www.algosobre.com.br/images/stories/historia/cruzadas_01.jpg"><img src="http://www.algosobre.com.br/images/stories/historia/cruzadas_01.jpg" alt="" width="200" height="190" border="0" /></a></div>
<div style="text-align: justify;">Por aproximadamente um século, os dois lados mantiveram um clássico conflito de guerrilha. Os cavaleiros francos eram muito fortes, mas lentos. Os árabes não agüentavam um ataque da cavalaria pesada, mas podiam cavalgar em círculo em volta dela, na esperança de incapacitar as unidades dos francos e fazer emboscadas no deserto. Os reinos cruzados localizavam-se, em sua maioria, no litoral, pelo qual eles podiam receber suprimentos e reforços, mas as constantes incursões e o infeliz populacho mostravam que eles não eram um sucesso econômico.</div>
<p>Ordens de monges cavaleiros foram formadas para lutar pelas terras sagradas. Os cavaleiros templários e hospitalários eram, em sua maioria, francos. Os cavaleiros teutônicos (Teutonicorum) eram germânicos. Esses eram os mais bravios e determinados dos cruzados, mas nunca foram suficientes para fazer a região ficar segura, ao contrário do que é ensinado nas escolas. Os reinos cruzados só sobreviveram por um tempo, em parte porque aprenderam a negociar, conciliar e jogar os diferentes grupos árabes uns contra os outros (mas onde que a educação escolar católica brasileira vai admitir que os “guerreiros de Deus” negociavam, manipulavam e conciliavam com os hereges?).</p>
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		<title>A Ética do País das Fadas</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 11:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ximenes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A ÉTICA DO PAíS DAS FADAS* POR: Gilbert Keith Chesterton A minha primeira e última filosofia, em que acredito com uma certeza inabalável, foi aquela que aprendi no quarto de...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<fb:like href='http://blog.msmacom.com.br/?p=1069' send='true' layout='button_count' show_faces='true' width='450' height='65' action='recommend' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like><div id="attachment_4923" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://blog.msmacom.com.br/wp-content/uploads/2010/07/frethics_guide.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-4923" title="O país das fadas " src="http://blog.msmacom.com.br/wp-content/uploads/2010/07/frethics_guide-150x150.jpg" alt="O país das fadas " width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">As coisas em que eu mais acreditava então, as coisas em que eu mais acredito agora, são as coisas denominadas contos de fadas. Eles me parecem ser as mais racionais de todas as coisas. Não são fantasias: perto deles, as outras coisas é que são fantásticas. Perto deles, a religião e o racionalismo são ambos anormais, embora a religião seja anormalmente certa e o racionalismo anormalmente errado. O país das fadas não é outra coisa senão o ensolarado país do senso comum</p></div>
<p>A ÉTICA DO PAíS DAS FADAS*</p>
<p style="text-align: justify;">POR: Gilbert Keith Chesterton</p>
<p style="text-align: justify;">A minha primeira e última filosofia, em que acredito com uma certeza inabalável, foi aquela que aprendi no quarto de infância. E eu a aprendi em geral de uma ama-seca, quer dizer, da grave e luminosa sacerdotisa tanto da democracia quanto da tradição. As coisas em que eu mais acreditava então, as coisas em que eu mais acredito agora, são as coisas denominadas contos de fadas. <em>Eles me parecem ser as mais racionais de todas as coisas. Não são fantasias: perto deles, as outras coisas é que são fantásticas</em>. Perto deles, a religião e o racionalismo são ambos anormais, embora a religião seja anormalmente certa e o racionalismo anormalmente errado. O país das fadas não é outra coisa senão o ensolarado país do senso comum. Não é a terra que julga o céu, mas o céu que julga a terra; portanto, para mim pelo menos, não era a terra que criticava o país das fadas, mas o país das fadas que criticava a terra.</p>
<p style="text-align: justify;">Conheci o mágico pé de feijão antes de ter experimentado o grão de feijão; acreditei no Homem da Lua antes de ter certeza sobre a existência da própria lua. E <em>isto estava de acordo com toda a tradição popular. Os modernos poetas menores são naturalistas, e falam de bosques ou de riachos; mas os cantores dos velhos poemas épicos e das fábulas eram supernaturalistas, e falavam dos deuses dos bosques e dos riachos.</em> Isto é o que os modernos querem dizer quando afirmam que os antigos não “apreciavam a Natureza”, já que diziam que a Natureza era divina. As velhas amas-secas não falavam às crianças sobre a grama, mas sobre as fadas que dançam na grama; e os velhos gregos não conseguiam ver as árvores porque as dríades as encobriam.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o que me interessa aqui é que tipo de ética e de filosofia pode brotar no solo dos contos de fadas. Se fosse descrevê-las detalhadamente, poderia mostrar os muitos e nobres princípios que delas resultam. Há a cavaleirosa lição de “Jack, o Matador de Gigantes”: os gigantes devem ser mortos porque são gigantescos. Uma enérgica revolta contra o orgulho em si mesmo. Pois os rebeldes são mais velhos que todos os reinos, e o jacobino[1] tem mais tradição que o jacobita.[2] Temos a lição de “Cinderela”, que é a mesma do Magnificat — Exaltavit humiles.[3] Há a grande lição de “A Bela e a Fera”: uma coisa deve ser amada ANTES de ser amável. Há a terrível alegoria de “A Bela Adormecida”, que mostra como a criatura humana foi abençoada com todas as dádivas ao nascer, embora amaldiçoada com a morte, e como a morte também pode ser, talvez, suavizada pelo sono. Mas eu não estou interessado em nenhum estatuto específico do país das fadas, mas no espírito mesmo da sua lei, que aprendi antes de saber falar, e que hei de manter quando já não puder escrever. Estou interessado em certa maneira de olhar para a vida, maneira esta que me foi insuflada pelos contos de fadas, e que desde então tem sido docilmente ratificada pelos simples fatos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela pode ser formulada assim: há certas seqüências ou desenvolvimentos (casos em que uma coisa se segue a outra) que são, no verdadeiro sentido da palavra, razoáveis. São, no verdadeiro sentido da palavra, necessários. Como as seqüências matemáticas e meramente lógicas. Nós, no país das fadas (que são as mais razoáveis de todas as criaturas), admitimos essa razão e essa necessidade. Por exemplo, se as Irmãs Feias são mais velhas que Cinderela, é NECESSÁRIO (num sentido férreo e tremendo) que Cinderela seja mais nova do que as Irmãs Feias. Não se pode fugir disso. Haeckel[4] pode falar quanto queira de fatalismo em relação a este fato: ele realmente tem de ser assim. Se Jack é filho de um moleiro, o moleiro é o pai de Jack. A fria razão assim o decreta do alto do seu tremendo trono: e nós no país das fadas aceitamos. Se os três irmãos estão todos a cavalo, haverá seis animais e dezoito pernas em questão: este é o verdadeiro racionalismo, e o país das fadas está cheio dele. Mas, quando pus a cabeça para fora da região dos elfos e comecei a entrar em contato com o mundo natural, observei uma coisa extraordinária. Observei que os homens cultos com os seus óculos falavam das coisas reais que aconteciam — o amanhecer, e a morte, e outras coisas — como se ELAS fossem racionais e inevitáveis. Falavam como se o fato de as árvores frutificarem fosse tão NECESSÁRIO quanto o fato de que duas árvores mais uma perfazem três. Mas não o é. Há enorme diferença, segundo o teste do país das fadas, que é o teste da imaginação. Você não pode IMAGINAR que dois mais um não são três. Mas pode facilmente imaginar árvores que não produzem frutos; pode imaginá-las produzindo castiçais dourados ou tigres pendurados pela cauda. Esses homens com seus óculos falavam muito de um homem chamado Newton, que foi atingido por uma maçã, e que descobriu uma lei. Mas não conseguiam ver a diferença entre uma verdadeira lei, a lei da razão, e o simples fato de as maçãs caírem. Se a maçã bateu no nariz de Newton, o nariz de Newton bateu na maçã. Esta é uma verdadeira necessidade, pois não podemos conceber que uma coisa ocorra sem a outra. Mas podemos tranqüilamente conceber que a maçã não caiu em seu nariz; podemos imaginá-la voando apaixonadamente pelo ar para bater em algum outro nariz, pelo qual tivesse maior antipatia. Nós sempre conservamos nos nossos contos de fadas essa aguda distinção entre a ciência das relações mentais, onde realmente existem leis, e a ciência dos fatos físicos, onde não há leis, mas apenas misteriosas repetições. Acreditamos em milagres materiais, mas não em impossibilidades mentais. Acreditamos que um pé de feijão pode subir até ao céu; mas isto não confunde de maneira alguma as nossas convicções sobre a filosófica questão de definir quantos grãos fazem cinco.</p>
<p style="text-align: justify;">É nisto que residem a perfeição do tom e a verdade dos contos de fadas. O homem de ciência diz: “Corte-se o talo, e a maçã cairá”; mas ele o diz calmamente, como se uma idéia realmente levasse à outra. A bruxa no conto de fadas diz: “Toque-se o clarim, e o castelo do ogro cairá”; mas não o diz como se houvesse nisso alguma coisa que unisse obviamente o efeito à causa. Não há dúvida de que ela já dera o mesmo conselho a muitos campeões, e de que vira muitos castelos cair, mas nem por isso perdera a admiração ou a razão. Não confundira a própria cabeça a ponto de imaginar uma necessária conexão mental entre um clarim e a queda de uma torre. Mas os homens científicos confundem a própria cabeça a ponto de imaginar uma necessária conexão mental entre uma maçã que cai da árvore e uma maçã que chega ao chão. Eles realmente falam como se tivessem encontrado não só uma seqüência de fatos maravilhosos, mas uma verdadeira conexão entre esses fatos. Falam como se a conexão entre duas coisas fisicamente estranhas também as unisse filosoficamente. Acham que, pelo fato de uma coisa incompreensível se seguir constantemente a outra coisa incompreensível, de alguma forma as duas juntas perfazem uma coisa compreensível. Duas charadas negras resultam numa resposta branca.</p>
<p style="text-align: justify;">No país das fadas evitamos a palavra “lei”; mas, no país da ciência, gosta-se muito dela. Assim, denominar-se-á alguma interessante conjectura sobre a maneira como certos povos já esquecidos teriam pronunciado o alfabeto da Lei de Grimm. Mas a Lei de Grimm é muito menos intelectual do que os Contos de Fadas dos Grimm. Os contos, em todo o caso, são sempre contos; enquanto a lei não é uma lei. Uma lei implica que conhecemos a natureza da generalização e do estatuto, e não simplesmente que observamos alguns dos seus efeitos. Se há uma lei segundo a qual os batedores de carteiras devem ir para a prisão, tal lei implica que há uma concebível conexão mental entre a idéia de prisão e a idéia de batedor de carteira. E nós sabemos o que é essa idéia. Podemos dizer que tiramos a liberdade de um homem que toma certas liberdades. Mas não podemos dizer por que um ovo se transforma num frango, assim como não podemos dizer por que um urso se transforma num príncipe encantado. Como IDÉIAS, o ovo e o frango estão mais longe um do outro do que o urso e o príncipe; nenhum ovo por si mesmo nos faz pensar num frango, ao passo que alguns príncipes nos fazem pensar em ursos. Dado, pois, que acontecem algumas transformações, é essencial que as vejamos segundo a maneira filosófica dos contos de fadas, e não segundo a maneira antifilosófica da ciência e das “Leis da Natureza”. Quando nos perguntam por que os ovos se transformam em pássaros ou os frutos caem no outono, devemos responder exatamente como a fada-madrinha responderia se Cinderela perguntasse por que é que os ratos se transformaram em cavalos ou os seus vestidos cairiam à meia-noite.</p>
<p style="text-align: justify;"> Devemos responder que é MAGIA. Não é uma “lei”, porque não compreendemos a sua fórmula geral. Não é uma necessidade, porque, embora possamos esperar que isso aconteça de fato, não temos o direito de afirmar que deve acontecer sempre. Não é argumento suficiente para estabelecer uma lei inalterável (como fantasiou Huxley)[5] o fato de contarmos com o curso ordinário das coisas. Não contamos com ele; apostamos nele. Arriscamos que não ocorrerá a possibilidade remota de um milagre, como arriscamos que não ocorrerá a possibilidade de um bolo envenenado ou de um cometa que possa destruir o mundo. Colocamos isto fora de nossas cogitações, não porque um milagre seja uma impossibilidade, mas porque um milagre é uma exceção. Todos os termos usados nos livros de ciência, “lei”, “necessidade”, “ordem”, “tendência” e outros semelhantes, são de fato inintelectuais, porque pressupõem uma síntese interior que não possuímos. As únicas palavras que ainda me satisfazem ao descrever a Natureza são os termos usados nos livros de fadas, “mágica”, “feitiço”, “encanto”. Elas expressam a arbitrariedade do fato e o seu mistério. Uma árvore frutifica porque é uma árvore MÁGICA. A água corre morro abaixo porque está enfeitiçada. O sol brilha porque está enfeitiçado.</p>
<p style="text-align: justify;">E eu nego firmemente que isto seja fantástico ou místico. A linguagem dos contos de fadas acerca das coisas é simplesmente racional e agnóstica. Esta é a única maneira pela qual posso expressar em palavras a minha clara e definitiva percepção de que uma coisa é bastante distinta de outra; de que não há nenhuma conexão lógica entre voar e botar ovos. O homem que fala a respeito de uma “lei” que nunca viu é que é o místico. E mais: o homem científico vulgar é estritamente um sentimental; é um sentimental no sentido essencial de que está encharcado de meras associações, e de que é arrastado por elas. Tem visto tantas vezes as aves voar e botar ovos, que acaba achando que deve haver alguma vaga, tênue conexão entre as duas idéias; mas não há nenhuma. Um amante abandonado poderá ser incapaz de dissociar a lua do seu amor perdido; também o materialista é incapaz de dissociar a lua das marés. Em ambos os casos não há conexão alguma senão o fato de que as duas coisas foram vistas juntas. Um sentimental poderá derramar lágrimas ao sentir o perfume de um botão de macieira, porque, por uma secreta associação interior, o perfume lhe traz à memória a sua mocidade. E o professor materialista (embora esconda as lágrimas) é também um sentimental, porque, por uma secreta associação interior, o botão de macieira lhe traz à memória as maçãs. Mas o frio racionalista do país das fadas não vê por que, teoricamente, a macieira não possa produzir tulipas vermelhas; isto às vezes acontece no seu país.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" src="http://imagens.topgifs.net/imagens-orkut/fadas/8088fadas011.gif" alt="" width="393" height="349" />Esse elementar espanto, porém, não é uma mera fantasia derivada dos contos de fadas; pelo contrário, todo o fascínio dos contos de fadas é que provém dele. Assim como todos gostamos dos contos de amor porque há um instinto do sexo, todos gostamos dos contos admiráveis porque nos tocam o nervo do velho instinto da admiração. E isto se prova pelo fato de que, quando somos bem pequeninos, não precisamos de contos de fadas: precisamos somente de contos. A simples vida é mais do que suficiente. Uma criança de sete anos ficará excitada se lhe disserem que Tom abriu a porta e viu um dragão. Mas uma criança de três anos ficará excitada se lhe disserem que Tom abriu a porta. Os jovens gostam de contos românticos; mas as criancinhas gostam de contos realistas — porque os acham românticos. De fato, uma criancinha é quase a única pessoa, penso eu, a quem se poderá ler uma das modernas novelas realistas sem entediá-la. Isto prova que somente os contos de fadas são ainda capazes de despertar em nós o quase inato sobressalto de interesse e espanto. Esses contos nos dizem que as maçãs são douradas somente para reavivar o esquecido momento em que descobrimos que eram verdes. E põem vinho a correr pelos rios somente para nos fazer lembrar, por um fulgurante momento, que é água o que corre por eles. Eu disse que isto é completamente razoável e até agnóstico. E sou realmente, neste ponto, pelo mais alto agnosticismo; o seu melhor nome é Ignorância.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos já lemos nos livros científicos e, com certeza, em todos os romances a história do homem que esqueceu o seu nome. Esse homem passeia pelas ruas e pode ver e apreciar todas as coisas; somente não consegue recordar quem ele é. Pois bem: qualquer homem é o homem dessa história. Qualquer homem esqueceu quem é. Pode-se compreender o cosmo, mas nunca o ego; este está mais distante do que qualquer estrela. Amarás o Senhor teu Deus; mas não conhecerás a ti mesmo. Vivemos todos sob a mesma calamidade mental; todos esquecemos o nosso próprio nome. Todos esquecemos o que realmente somos. Tudo o que chamamos senso comum, e racionalidade, e praticabilidade, e positivismo significa apenas que em algumas zonas adormecidas de nossa vida já esquecemos que nos esquecemos. Tudo o que chamamos espírito, e arte, e êxtase significa apenas que por um formidável instante lembramos que nos esquecemos.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, embora (como o homem sem memória da novela) passeemos pelas ruas com uma espécie de semiviva admiração, ela ainda é admiração. É admiração também em inglês, e não apenas em latim. A admiração tem um elemento positivo de louvor&#8230; [...] Eu estou aqui tentando descrever certas grandiosas emoções que não podem ser descritas. E a mais forte emoção era que a vida era tão preciosa quão enigmática. Era um êxtase, porque era uma aventura; era uma aventura, porque era uma oportunidade. A bondade dos contos de fadas não era afetada pelo fato de que pudesse haver mais dragões do que princesas; o que era bom era estar num conto de fadas. O teste de toda a felicidade é a gratidão; e eu me sinto grato, embora tenha certa dificuldade em saber a quem. As crianças sentem-se gratas quando Papai Noel lhes enche as meias de brinquedos ou doces. E eu posso deixar de sentir-me grato ao Papai Noel quando ele me põe nas meias o presente de duas pernas miraculosas? Agradecemos às pessoas que nos dão presentes de aniversário; charutos ou chinelos. Não posso agradecer a alguém o presente de ter nascido?</p>
<p style="text-align: justify;">Havia então esses dois sentimentos primeiros, ambos indefensáveis e indiscutíveis. O mundo era um espanto, mas não era meramente espantoso; a existência era uma surpresa, mas uma agradável surpresa. De fato, todas as minhas opiniões primeiras eram expressas na forma de um enigma que me martelava o cérebro desde a meninice. A pergunta era: “Que disse a primeira rã?” E a resposta: “Senhor, como me fizeste saltar!” Isto sucintamente diz tudo o que venho dizendo. Deus fez a rã saltar; e a rã prefere saltar. Mas, uma vez que essas coisas estão postas, entra em cena o segundo grande princípio da filosofia das fadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Qualquer pessoa pode conhecer esse princípio; basta abrir e ler os Contos de Fadas de Grimm, ou as belas coleções de Andrew Lang.[6] Pelo prazer do pedantismo, eu o chamarei Doutrina da Alegria Condicional. Touchstone[7] falou da muita virtude que há num “se”; de acordo com a ética dos elfos, toda a virtude está num “se”. A característica da linguagem das fadas é sempre esta: “Tu poderás viver num palácio de ouro e safiras, se não pronunciares a palavra ‘vaca’.” Ou: “Poderás viver feliz com a filha do Rei, se não lhe mostrares uma cebola.” A promessa subordina-se sempre a um veto. Todas as vertiginosas e colossais coisas concedidas dependem de uma pequena coisa recusada. Todas as fantásticas e assombrosas coisas que nos são ofertadas dependem de uma coisa que nos é proibida. O Sr. W. B. Yeats,[8] na sua estranha e penetrante poesia dos elfos, descreve os elfos como criaturas sem lei; eles mergulham numa inocente anarquia nos seus desenfreados cavalos alados:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Ride on the crest of the dishevelled tide, And dance upon the mountains like a flame</em>.”[9]</p>
<p style="text-align: justify;">É desagradável ter de dizer que o Sr. W. B. Yeats não compreende o país das fadas. Mas eu o digo. Ele é um irônico irlandês, cheio de reações intelectuais. Não é suficientemente estúpido para compreender o país das fadas. As fadas preferem os de tipo rústico como eu; os que ficam embasbacados, gargalham e fazem o que lhes é dito. O Sr. Yeats lê no país das fadas toda a justa insurreição de sua própria raça. Mas a desordem da Irlanda é uma desordem cristã, fundada na razão e na justiça. O feniano[10] levanta-se contra alguma coisa que compreende muitíssimo bem; mas o verdadeiro cidadão do país das fadas obedece a alguma coisa que não compreende de maneira alguma. Num conto de fadas há uma incompreensível felicidade que depende de uma incompreensível condição. Uma caixa é aberta, e todos os males saem voando. Uma palavra é esquecida, e cidades desaparecem. Uma lâmpada é acesa, e o amor voa para longe. Uma flor é arrancada, e vidas humanas perecem. Uma maçã é comida, e esvai-se a esperança em Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">Este é o tom dos contos de fadas, e certamente não há nisto nenhuma anarquia nem permissividade, embora os homens acorrentados à vil tirania moderna possam pensar que o há por comparação. Quem sai do Presídio de Portland pode julgar que a Fleet Street[11] é livre; mas um estudo mais acurado provará que tanto as fadas quanto os jornalistas são escravos do dever. As fadas-madrinhas parecem pelo menos tão severas quanto as outras madrinhas. Cinderela recebeu uma carruagem vinda do País das Maravilhas, recebeu um cocheiro vindo de lugar nenhum, mas recebeu a ordem — que poderia ter vindo de Brixton[12] — de que deveria voltar à meia-noite. Ela também tinha um sapato de vidro; e não pode ser uma coincidência o fato de que o vidro é uma substância tão comum no folclore. Certa princesa vive num castelo de vidro, outra princesa numa montanha de vidro; aquela vê todas as coisas num espelho; todas as princesas podem viver em casas de vidro, desde que não atirem pedras. Esse leve resplendor de vidro por toda a parte é a expressão do fato de que a felicidade é radiante mas frágil, como essa substância tão facilmente estraçalhada por uma criada ou por um gato. E esse sentimento característico dos contos de fadas calou fundo em mim e tornou-se o meu sentimento em relação ao mundo. Eu sentia e sinto que a própria vida é brilhante como o diamante, e quebradiça como uma vidraça; e, quando o céu era comparado a um terrível cristal, posso lembrar-me de um sobressalto. Eu tinha medo de que Deus derrubasse o cosmo com um estrondo.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembremo-nos porém de que ser quebrável não é o mesmo que ser perecível. Golpeie um vidro, e ele não durará um instante; não o toques simplesmente, e durará mil anos. Assim era, parecia-me, a alegria humana, tanto no país das fadas quanto na terra; a felicidade dependia de NÃO FAZER ALGUMA COISA que em qualquer momento poderia ser feita, e muitas vezes não era óbvio por que ela não deveria ser feita. Ora, o ponto aqui é que para MIM isto não soava injusto. Se o terceiro filho do moleiro dissesse à fada: “Explica-me por que eu não posso ficar de cabeça para baixo no palácio encantado”, ela poderia muito bem responder: “Bem, se vamos a isso, explica-me tu o palácio encantado.” Se Cinderela diz: “Como se justifica que eu tenha de sair do baile à meia-noite?”, a sua madrinha poderá responder: “Como se justifica que possas estar lá até à meia-noite?” Se eu deixo a um homem em testamento dez elefantes falantes e cem cavalos alados, ele não poderá queixar-se caso as condições participem da delicada excentricidade do presente. A um cavalo alado não se olham os dentes. E parecia-me que a existência era em si mesma um legado demasiado excêntrico para que eu me queixasse de não compreender os limites da visão, quando afinal de contas não compreendia a visão que eles limitavam. A moldura não era menos estranha que o quadro. O veto podia ser tão fantástico quanto a visão; podia ser tão surpreendente quanto o sol, tão esquivo quanto as águas, tão fantástico e terrível quanto as mais altas árvores.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isto (podemos chamá-lo a filosofia da fada-madrinha) nunca pude compartilhar com os jovens do meu tempo aquilo que denominavam sentimento geral de REVOLTA. Eu poderia ter resistido, imagino, a toda a norma que fosse má. [...] Mas nunca me senti inclinado a resistir a uma norma simplesmente por ela ser misteriosa. Certos domínios são conquistados pelas formas mais insensatas — a quebra de um bastão ou o pagamento de um grão de pimenta&#8230; E eu me dispunha a conquistar esse imenso domínio da terra e do céu por meio de qualquer uma dessas fantasias feudais. Essa fantasia não poderia ser mais fantástica do que o próprio fato de chegar a semelhante conquista. Darei aqui apenas um exemplo de natureza ética para ilustrar o que quero dizer. Nunca pude juntar-me ao murmúrio geral dessa revoltada geração contra a monogamia, porque nenhuma restrição quanto ao sexo me parecia tão estranha nem tão inesperada quanto o próprio sexo. Ter a permissão, como Endimião,[13] de acariciar a própria lua e depois queixar-se de que Júpiter possui as suas próprias luas num harém parecia-me (a mim, educado nos contos de fadas como o de Endimião) um vulgar anticlímax. Conformar-se com uma só mulher é um preço baixíssimo perto do extraordinário fato de ver uma mulher. Reclamar de que só podia casar-me uma vez era como reclamar de ter nascido uma só vez. Isto não tinha nenhuma proporção com a tremenda excitação de que se estava falando. Parecia não uma exagerada sensibilidade para com o sexo, mas uma curiosa insensibilidade para com ele.</p>
<p style="text-align: justify;">O homem que reclamar de que não pode entrar no Paraíso por cinco portas ao mesmo tempo é um tolo. A poligamia é uma falta de compreensão do sexo; ela é como um homem que apanha cinco pêras por mera distração. Os estetas atingiram os mais insensatos limites da linguagem nos seus elogios das coisas encantadoras. A lanugem do cardo encheu-lhes os olhos de lágrimas; um besouro lustroso os pôs de joelhos. Mas a sua emoção nunca me impressionou um único instante, pela simples razão de que nunca lhes ocorreu a idéia de pagar o prazer que sentiam mediante uma espécie qualquer de sacrifício simbólico. Os homens (achava eu) poderiam jejuar durante quarenta dias a fim de ouvir um melro cantar. Os homens poderiam passar através do fogo para encontrar uma prímula. Mas esses amantes da beleza seriam incapazes de manter-se sóbrios em atenção ao melro. Não passariam através de um vulgar casamento cristão para mostrar gratidão à prímula. Por certo podemos pagar uma alegria extraordinária com um ato ordinário de moral. Oscar Wilde dizia que um entardecer não tinha valor porque não se podem pagar os entardeceres. Mas Oscar Wilde estava enganado; podemos pagar os entardeceres. Podemos pagá-los não sendo um Oscar Wilde.</p>
<p style="text-align: justify;">Muito bem, deixei os contos de fadas repousando no chão do quarto de infância, e não encontrei nenhum livro tão sensível de lá para cá. Deixei a ama-seca guardiã da tradição e da democracia, e não encontrei nenhum tipo moderno tão saudavelmente radical nem tão saudavelmente conservador. Mas o que é fundamental é o seguinte: quando entrei pela primeira vez na atmosfera mental do mundo moderno, descobri que o mundo moderno se opunha positivamente em dois pontos à minha ama-seca e aos seus contos de fadas. Levei muito tempo para concluir que o mundo moderno está errado e que minha ama-seca estava certa. E o mais curioso era o seguinte: o pensamento moderno contradizia o credo básico da minha mocidade nas suas duas doutrinas mais essenciais. Já expliquei que os contos de fadas enraizaram em mim duas convicções. Primeira, que este mundo é um extraordinário e admirável lugar, que poderia ter sido muito diferente, mas que ainda assim é deslumbrante; segunda, que diante de tal maravilha e de tal encanto podemos muito bem ser modestos e submissos às mais extravagantes limitações de tão extravagante benevolência. Mas encontrei todo o mundo moderno como uma imensa torrente a opor-se a esses meus dois pareceres; e o choque dessa colisão criou dois súbitos e espontâneos sentimentos, que tenho conservado desde então e que, de germes que eram, se sedimentaram em convicções.</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro, encontrei todo o mundo moderno falando de fatalismo científico; dizendo que todas as coisas são como sempre foram, desdobrando-se infalivelmente desde o princípio. A folha da árvore é verde porque não poderia ser de outra maneira. Ora, o filósofo do país das fadas alegra-se pelo verde da folha precisamente porque ela poderia ter sido escarlate. Para ele, é como se a folha tivesse ficado verde um instante antes de ele a ter visto. Ele sente-se feliz porque a neve é branca exatamente pelo razoável motivo de que ela poderia ter sido preta. Qualquer cor tem em si mesma uma nítida qualidade, como se fosse escolhida; o vermelho de um jardim de rosas não é só decidido, mas dramático, como um súbito derramamento de sangue. O filósofo sente que alguma coisa foi FEITA. Mas os grandes deterministas do século XIX opunham-se fortemente a esse natural sentimento de que alguma coisa tinha acontecido há apenas um instante. De fato, segundo eles, nada tinha realmente acontecido desde o começo do mundo. Não tinha acontecido nada desde que a existência acontecera; e até quanto à data em que isto se dera eles não tinham certeza.</p>
<p style="text-align: justify;">O mundo moderno que encontrei era consistente para o moderno calvinismo, pela necessidade de que as coisas sejam como são. Mas, quando comecei a interrogá-los, descobri que eles efetivamente não tinham nenhuma prova dessa inevitável repetição nas coisas exceto o fato de que as coisas se repetiam. Ora, para mim a mera repetição tornava as coisas antes misteriosas do que racionais. Era como se, tendo visto na rua um nariz com uma forma esquisita e tendo-o perdido de vista por qualquer motivo, voltasse depois a ver outros seis narizes com a mesma espantosa forma. Em um primeiro momento eu imaginaria tratar-se de alguma sociedade secreta local. Assim, um elefante de tromba era extravagante; mas todos os elefantes com trombas pareciam uma conspiração. Falo aqui apenas de uma impressão, e de uma impressão ao mesmo tempo obstinada e sutil. Mas a repetição na Natureza parecia-me às vezes ser uma repetição exaltada, como a de um professor enfurecido dizendo a mesma coisa muitas e muitas vezes. A grama parecia acenar para mim com todos os seus dedos; as inumeráveis estrelas pareciam querer ser compreendidas. O sol acabaria fazendo com que eu o visse, caso se erguesse milhares de vezes. As recorrências do universo surgiam ao ritmo estonteante de um encantamento, e eu comecei a vislumbrar uma idéia.</p>
<p style="text-align: justify;">Todo o altaneiro materialismo que domina o pensamento moderno se apóia em última análise numa suposição; numa falsa suposição. Supõe-se que se uma coisa se repete constantemente ela provavelmente está morta; é uma peça de relojoaria. As pessoas acham que se o Universo fosse pessoal ele deveria variar; que se o Sol fosse vivo ele deveria dançar. Isto é uma falácia até em relação a fatos conhecidos. A variação no mundo dos homens é geralmente produzida não pela vida, mas pela morte; pelo enfraquecimento ou pela interrupção da sua força ou do seu desejo. Um homem varia os seus movimentos por causa de algum tênue princípio de deficiência ou de fadiga. Entra num ônibus porque está cansado de andar; ou passeia porque está cansado de ficar parado. Mas, se a sua vida e a sua alegria fossem tão imensas que ele nunca cansasse de ir até Islington, podia ir até Islington com a mesma regularidade com que o Tâmisa vai para o Sheerness. A própria velocidade e o êxtase de sua vida teriam a quietude da morte. O sol levanta-se todas as manhãs.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu não me levanto todas as manhãs; a variação porém não se deve à minha atividade, mas à minha inação. Ora, para usar uma frase popular, pode ser que o Sol se levante regularmente porque nunca se cansa de levantar-se. A sua rotina pode provir não de uma falta de vitalidade, mas de uma torrente de vida. O que eu quero dizer pode ser observado, por exemplo, nas crianças, quando descobrem algum jogo ou brincadeira de que gostam muito. Uma criança balança ritmicamente as pernas devido a um excesso, e não a uma ausência de vida. As crianças têm uma vitalidade abundante, são impetuosas e livres de espírito, e portanto querem as coisas repetidas e inalteradas. Elas sempre dizem “De novo”; e o adulto faz de novo até ficar quase morto. Os adultos não são suficientemente fortes para exultar na monotonia. Mas talvez Deus seja suficientemente forte para exultar na monotonia. É possível que Deus diga ao sol todas as manhãs: “De novo”, e diga à lua todas as noites: “De novo”. Pode ser que não seja uma necessidade automática que faz todas as margaridas iguais; pode ser que Deus faça cada margarida separadamente, e que nunca tenha cansado de fazê-las. Pode ser que Ele tenha um eterno apetite de infância; pois nós pecamos e envelhecemos, e nosso Pai é mais jovem do que nós. A repetição na Natureza pode não ser uma simples recorrência; ela pode ser um BIS de teatro. O céu pode ter pedido BIS ao pássaro que botou um ovo. Se o ser humano concebe e dá à luz um bebê humano em vez de dar à luz um peixe, ou um morcego, ou um grifo, pode ser que não seja pelo fato de estarmos fixados num destino animal sem vida ou finalidade. Pode ser que a nossa pequena tragédia tenha impressionado os deuses, que eles a admirem lá do alto das suas cintilantes galerias, e que ao final de cada drama humano o homem seja chamado uma e outra vez à boca de cena. E a repetição poderá continuar por milhares de anos, por pura escolha, e em qualquer instante poderá acabar. Os homens podem permanecer na terra por gerações e gerações, e entretanto cada nascimento poderá muito bem ser a sua última apresentação.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta foi minha primeira convicção, gerada pelo encontro entre minhas impressões infantis e o credo moderno. Tive sempre o vago sentimento de que os fatos são milagres no sentido de que são maravilhosos; agora comecei a considerá-los milagres no estrito sentido de que eram INTENCIONAIS. Isto quer dizer que eles eram, ou poderiam ser, repetidos atos de alguma vontade. Em suma, sempre acreditei que o mundo tinha algo de mágico; e agora penso que ele talvez tenha alguma coisa que ver com um mágico. E isto originou uma profunda impressão sempre presente e subconsciente: a de que este nosso mundo tem alguma finalidade; e, se há uma finalidade, há alguém. Sempre considerei a vida antes de tudo como uma história; e se há uma história há um contador de histórias.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o pensamento moderno também feria minha segunda tradição humana. Ele contrariava a visão das fadas sobre limites e condições. A única coisa de que ele gostava de falar era de expansão e de amplitude. Herbert Spencer[14] teria ficado muito aborrecido se alguém o chamasse imperialista, e entretanto é uma grande pena que ninguém o tenha feito. Mas ele era um imperialista do pior tipo. Foi ele quem popularizou a desprezível noção de que o tamanho do sistema solar deveria intimidar o dogma espiritual do homem. Por que deveria um homem renunciar à sua dignidade diante do sistema solar e não diante de uma baleia? Se o mero tamanho prova que o homem não é a imagem de Deus, então uma baleia pode ser a imagem de Deus; uma imagem um tanto disforme, o que poderíamos chamar retrato impressionista. É quase inútil argumentar que o homem é pequeno comparado com o cosmo; o homem sempre foi pequeno comparado com a árvore mais próxima. Mas Herbert Spencer, no seu arrojado imperialismo, insistiria em que de alguma forma nós fomos conquistados e anexados pelo universo astronômico. Ele falava dos homens e de seus ideais exatamente como o mais insolente unionista[15] fala sobre o irlandês e seus ideais. Spencer transformou a humanidade numa pequena nacionalidade. E a sua má influência pode ser observada nos mais fogosos e honoráveis dos recentes autores científicos; principalmente nos primeiros romances de H. G. Wells.[16] Muitos moralistas exageram numa representação da terra como perversa. Mas Wells e a sua escola tornaram perverso o próprio céu. Deveríamos levantar os olhos para as estrelas, de onde nos viria a ruína.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a expansão de que falo era muito mais perniciosa que tudo isto. Já observei que o materialista, como o louco, está na prisão; na prisão de um pensamento. Essa gente parecia pensar que era singularmente animador manter a afirmação de que a prisão era muito grande. Mas o tamanho desse universo científico não nos trouxe nenhuma novidade, nenhum alívio. O cosmo continuaria sempre existindo, mas não havia nada nessa extraordinária constelação que fosse realmente interessante; nada, por exemplo, como o perdão ou o livre arbítrio. A grandeza ou a infinitude do segredo desse cosmo nada lhe acrescentava. Era como dizer a um condenado da penitenciária de Reading que ele deveria alegrar-se em saber que agora o presídio se estendia por todo o país. O diretor do presídio não teria nada para mostrar a esse homem senão intermináveis e longos corredores de pedra, iluminados por luzes fantasmagóricas e vazios de tudo o que é humano. Assim, também esses ampliadores do universo nada têm para nos mostrar senão infinitos corredores de espaço iluminados por sóis fantasmagóricos e vazios de tudo o que é divino.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" src="http://www.filosofix.com.br/blogramiro/imagens/aristo1.gif" alt="" width="253" height="360" />No país das fadas havia uma lei positiva; uma lei que podia ser desrespeitada, pois por definição uma lei é algo que pode ser desrespeitado. Mas o maquinismo dessa prisão cósmica era algo que não podia ser desrespeitado; porque nós mesmos éramos apenas uma parte desse maquinismo. Ou éramos incapazes de fazer as coisas, ou estávamos condenados a fazê-las. A idéia da condição mística desaparecia totalmente; não se podia ter a força para respeitar as leis nem o gosto de infringi-las. A imensidão desse universo nada tinha desse frescor e dessa arejada insurreição que admiramos no universo do poeta. Esse universo moderno é literalmente um império; quer dizer, ele é vasto, mas não é livre. Caminha-se através de amplas e cada vez mais amplas salas sem janelas, salas grandes com uma perspectiva babilônica; mas jamais se encontra nele a menor janela ou postigo que se abra para fora.</p>
<p style="text-align: justify;">As suas infernais paralelas pareciam expandir-se com a distância; mas para mim todas as boas coisas vão até certo ponto; as espadas, por exemplo. Assim, achando a ostentação do grande cosmo muito insatisfatória para o meu gosto, comecei a refletir um pouco sobre tudo isso; e logo descobri que essa atitude como um todo era bem mais superficial do que era de esperar. De acordo com essas pessoas o cosmo era uma coisa, uma vez que ele tinha uma regra inviolável. Sucede porém que (deveriam elas dizer), uma vez que ele é uma coisa, é também a única coisa que existe. Por que então deveríamos ter a preocupação de chamá-lo grande? Não existe nada para ser comparado com ele. Seria igualmente razoável chamá-lo pequeno. Um homem pode dizer: “Eu gosto desse vasto cosmo, com a sua multidão de estrelas e com as suas mais diversas criaturas.” Mas, se vamos a isto, por que não pode um homem dizer: “Eu gosto deste aconchegante pequeno cosmo, com o seu exato número de estrelas e com a justa provisão de criaturas que eu gostaria de ver”? Um teria tanta razão quanto o outro; em ambos os casos se trata de meros sentimentos. É um mero sentimento regozijar-se porque o sol é maior que a terra; e é um sentimento mais saudável regozijar-se porque o sol tem o tamanho que tem. Um homem prefere emocionar-se com a grandeza do mundo; por que não poderia escolher emocionar-se com a sua pequenez?</p>
<p style="text-align: justify;">Acontece que eu senti essa emoção. Quando alguém gosta de alguma coisa, dirige-se a ela por meio de diminutivos,ainda que ela seja um elefante ou um salva-vidas. A razão é que, por maior que ela seja, se pode ser concebida como uma coisa inteira, pode ser concebida como uma coisa pequena. Se os bigodes de um militar não sugerissem uma espada, ou se as presas de um animal não sugerissem uma cauda, então o objeto seria vasto, porque seria incomensurável. Mas, a partir do momento em que se pode imaginar um salva-vidas, pode-se imaginar um salva-vidas pequeno. A partir do momento em que vemos de fato um elefante, podemos chamá-lo “Tiny”.[17] Se se pode fazer uma estátua de algo, poder-se-á fazer uma estatueta dela. Aquelas pessoas professavam que o universo é uma coisa coerente; mas elas não gostavam do universo. Eu porém gostava tremendamente do universo e queria tratá-lo por um diminutivo. Fi-lo muitas vezes, e não me parece que ele se tenha incomodado. De fato, e de verdade, acho que esses confusos dogmas sobre a vitalidade seriam melhor expressos dizendo-se que o mundo é pequeno do que dizendo-se que é grande. Pois acerca da infinitude houve uma espécie de descuido que era o reverso do ardente e piedoso cuidado que eu sentia em relação ao inestimável valor e ao risco da vida. Eles ostentavam somente um triste desperdício; mas eu sentia uma espécie de sagrada economia. Pois a economia é muito mais romântica do que a extravagância. Para eles, as estrelas eram uma infindável renda de meio pêni; mas eu sentia-me em relação ao sol dourado ou à prateada lua como se sente o estudante que possui apenas um soberano ou um xelim.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas convicções subconscientes são mais bem descritas pela cor e pelo tom de certos contos. Assim, eu disse que somente as histórias de mágica são capazes de expressar o meu sentimento de que a vida é não somente um prazer mas uma espécie de excêntrico privilégio. Posso expressar esse outro sentimento de aconchego cósmico pela alusão a outro livro sempre lido na mocidade, Robinson Crusoé, que li nesse período, e que deve a sua eterna vitalidade ao fato de celebrar a poesia dos limites, ou melhor, o extraordinário romance da prudência. Crusoé é um homem que se encontra numa pequena rocha com os poucos confortos que trouxe do mar, e a melhor coisa do livro é justamente a lista das coisas que foram salvas do naufrágio. O maior dos poemas é um inventário. O mais simples utensílio de cozinha torna-se ideal porque Crusoé poderia tê-lo perdido no mar. É um bom exercício, nas horas vagas ou tristes do dia, olhar para alguma coisa, o balde de carvão ou a estante de livros, e pensar como seria feliz uma pessoa que conseguisse levar tais objetos de um navio prestes a afundar para uma ilha solitária. Mas é um exercício ainda melhor lembrar-se de como todas as coisas escaparam por um fio de cabelo: todas as coisas foram salvas de um naufrágio. Todo o homem passou por uma terrível aventura: se acontecesse um secreto parto prematuro, ele não teria existido, como as crianças que nunca viram a luz. Na minha mocidade os homens falavam freqüentemente de decaídos ou arruinados homens de gênio, e era comum dizerem de muitos que eram um Grande Poderia-Ter-Sido. Para mim é um fato mais denso e mais impressionante que qualquer homem que encontro seja um Grande Poderia-Não-Ter-Sido.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas eu realmente sentia (a fantasia pode parecer tola) como se a ordem e o número das coisas fossem os românticos despojos do navio de Crusoé. O fato de haver dois sexos e um sol era semelhante ao fato de haver duas armas e um machado. Era imperiosamente necessário que nenhuma dessas coisas se perdesse; mas também era engraçado que nenhuma outra poderia ser-lhes acrescentada. As árvores e os planetas pareciam-me coisas salvas de um naufrágio, e quando vi o Matterhorn fiquei feliz por ele não ter sido esquecido na confusão. Sentia-me econômico quanto às estrelas como se fossem safiras (elas são chamadas assim no Paraíso de Milton); eu entesourava as montanhas. Pois o universo é uma jóia única, e, embora seja natural falar que uma jóia é incomparável e inestimável, em relação a essa jóia isto é literalmente verdadeiro. Este cosmo efetivamente não tem comparação nem preço, pois não pode haver outro igual.</p>
<p style="text-align: justify;">( G.K. Chesterton, Orthodoxy, cap. IV., Trad. Eduardo Pinheiro, Revisão: Carlos Nougué)</p>
<p><strong>Notas:</strong></p>
<p>* Este texto foi extraído do cap. 4 do livro Ortodoxia. O início e o final do capítulo foram suprimidos, por estarem relacionados diretamente com o restante do livro. Pelo mesmo motivo se suprimiram outros trechos, usando-se o sinal [...] quando tal se deu.</p>
<p>[1] Membro de um clube político revolucionário fundado em Paris em 1789.</p>
<p>[2] Designação dada na Inglaterra, após a revolução de 1688, aos partidários de Jaime II e da casa dos Stuarts.</p>
<p>[3] “Exaltou os humildes” (Luc, I, 52).</p>
<p>[4] Haeckel, Ernst H. (1834-1919). Biólogo evolucionista alemão, defendeu a tese de que a ontogenia recapitula a filogenia.</p>
<p>[5] Huxley, Thomas H. (1825-1895). Naturalista inglês, e incentivador de Charles Darwin, presidiu à Royal Society de 1883 a 1885, e era avô de Aldous Huxley.</p>
<p>[6] Lang, Andrew (1844-1912), escritor escocês.</p>
<p>[7] Nome de um bobo da peça As You Like, de Shakespeare.</p>
<p>[8] Yeats, William B. (1865-1939), poeta e dramaturgo irlandês.</p>
<p>[9] “Cavalgam a crista das ondas desgrenhadas / E dançam sobre as montanhas como uma chama.”</p>
<p>[10] Membro de uma organização clandestina irlandesa que vigorou no século XIX e que tinha por objetivo abolir o domínio britânico sobre a Irlanda.</p>
<p>[11] Rua notável por nela se encontrarem os grandes jornais londrinos.</p>
<p>[12] Certo distrito de Londres.</p>
<p>[13] Pastor mitológico que foi amado por Selene ou Diana, deusa da Lua, a qual obteve de Júpiter ou Zeus que o seu amante conservasse a beleza em um sono eterno, durante o qual ela o vinha contemplar e beijar.</p>
<p>[14] Spencer, Herbert (1820-1903). Filósofo e sociólogo inglês, fundou o Darwinismo Social.</p>
<p>[15] Na Inglaterra, membro do Partido Unionista.</p>
<p>[16] Wells, Herbert G. (1866-1946). Romancista inglês, foi um dos iniciadores da ficção científica.</p>
<p>[17] “Pequenino”.</p>
<p>&nbsp;</p>
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<p><strong>Publicado em 19 de julho de 2010 às 9:07</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Escolas do Pensamento Maçônico</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Feb 2012 10:33:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ximenes</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<fb:like href='http://blog.msmacom.com.br/?p=4777' send='true' layout='button_count' show_faces='true' width='450' height='65' action='recommend' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like><div id="attachment_4915" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://blog.msmacom.com.br/wp-content/uploads/2012/02/filosofia.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-4915" title="filosofia" src="http://blog.msmacom.com.br/wp-content/uploads/2012/02/filosofia-150x150.jpg" alt="filosofia" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">A história, o desenvolvimento e a evolução da maçonaria como agremiação, deve ser iniciada com a história da Fraternidade do Pedreiros e Canteiros da Idade Média , por razões da relação intima existente entre a irmandade e a Fraternidade dos Franco-Maçons, porque efetivamente, a história de uma é unicamente a introdução à história da outra</p></div>
<p style="text-align: justify;">RESUMO: O presente texto procura demonstrar as diferentes Escolas de Pensamento Maçônicas, e a sua influência nas diferentes concepções e conceitos sobre as origens e as influências recebidas e exercidas pela Ordem Maçônica ao longo da História.</p>
<p style="text-align: justify;">A Ordem Maçônica ou simplesmente Maçonaria[1], quer enquanto ordem coletiva, quer através da ação isolada de seus membros, imbuída de valores iluministas, contribuiu para o processo de independência do Brasil e também para o processo de separação da Igreja e do Estado Brasileiro. Contribuiu para o processo a laicização[2] deste e da sociedade brasileira do século XIX e também para a difusão e a afirmação das idéias de cunho liberal e libertário.</p>
<p style="text-align: justify;">A Maçonaria teve um papel fundamental e essencial em quase todos os movimentos de emancipação política e independência de praticamente todo o continente americano, e na luta contra o absolutismo monárquico, surgidos nos séculos XVIII e XIX, época em que o mundo estava passando por grandes e inúmeras transformações políticas e sociais. Nesta época, movimentos como a independência dos Estados Unidos da América, a Revolução Francesa difundiam idéias de liberdade política e emancipação que se disseminavam através de toda a América Espanhola[3] e América Portuguesa, ou seja o Brasil (CASTELLANI: 1992, p. 32-34)</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre a Maçonaria, é importante em primeiro lugar procurar defini-la e conceitua-la, tarefa um tanto difícil, pois nos cabem diversas definições e principalmente opiniões sobre suas origens. Opiniões estas nem sempre fundadas em fatos concretos, documentos ou opiniões concretas que possam ser apontados como autênticos do ponto de vista histórico. Estas diversas definições abrangem os diversos aspectos da Maçonaria, destacando segundo seus defensores os segmentos que mais lhes convém como os campos político, filosófico, econômico e também esotérico, religioso ou mesmo iniciático.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre as origens da Maçonaria, Joaquim Gervásio de Figueiredo, historiador e pesquisador maçom, em seu &#8220;Dicionário de Maçonaria&#8221;, fez uma importante citação de um texto relacionado pertencente a obra &#8220;Pequena História da Maçonaria&#8221; escrito por C. W. Leadbeater e publicado pela Editora Pensamento, o texto versa sobre as quatro &#8220;Escolas do Pensamento Maçônico&#8221;, que congregam os diferentes escritores e pensadores, estudiosos e historiadores da Maçonaria e conseqüentemente o universo dos maçons:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8221; <em>&#8230; As origens da Ordem Maçônica se perdem nas brumas da Antigüidade. Sendo que os escritores maçônicos do século XVIII especularam sua história sem o devido espirito critico ou cientifico, baseando seus conceitos em uma crença literal na história e na cronologia do Antigo Testamento, e nas lendas curiosas da Ordem, oriundas dos tempos operativos das Antigas observâncias ou Constituições &#8230;&#8221;[</em>4]</p>
<p style="text-align: justify;">Continuando com a citação do Dicionário de Maçonaria, aponta-se que no século XIX, também alguns autores apontavam origens remotas ou bíblicas para a Maçonaria</p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8220;&#8230; O Dr. Oliver (&#8230;) chegou a escrever que a Maçonaria, tal qual a temos hoje, é a única verdadeira relíquia da religião dos patriarcas (hebreus) antes do Dilúvio, ao passo que os antigos Mistérios do Egito e de outros países, que tão estreitamente se assemelhavam a ela, foram apenas corrupções da única e pura tradição &#8230;&#8221;[</em>5]</p>
<p style="text-align: justify;">Reforçados pela difusão dos princípios iluministas, que fortaleceram as idéias e posições da Ordem, o pensamento científico e racional também ganha espaço entre os maçons. Com base na necessidade de se comprovar historicamente e documentalmente suas origens que puderam ser aos poucos estudadas a luz das ciências[6] e do conhecimento</p>
<p style="text-align: justify;">&#8221; <em>&#8230; A medida em que os conhecimentos científicos e históricos progrediram em outros campos de pesquisas, e especialmente na análise critica da escrituras (BIBLIA), os métodos científicos foram gradativamente sendo aplicados ao estudo da maçonaria, de sorte que atualmente existe um vasto acervo de informações positivamente exatas e das mais interessantes sobre a história da Ordem &#8230;&#8221;[</em>7]</p>
<p style="text-align: justify;">Basicamente, podemos apontar que então, as linhas de investigação e estudo sobre as origens da Maçonaria dividem-se em quatro principais escolas ou tendências de pensamento:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8220;&#8230; existem quatro principais escolas ou tendências do pensamento maçônico, ainda não necessariamente definidas ou organizadas como escolas, porém agrupadas, segundo suas relações, a quatro importantes departamentos de conhecimento, primitivamente não incluídos no campo maçônico (&#8230;) cada um deles tem seus próprios cânones de interpretação dos símbolos e cerimônias maçônicos, conquanto seja claro que muitos dos modernos escritores maçônicos são influenciados por mais de uma escola&#8230;&#8221;[</em>8]</p>
<p style="text-align: justify;">Levando em consideração que todas estas quatro escolas influenciaram e ainda influenciam, de uma maneira ou de outra praticamente todos os escritores e historiadores maçônicos, faz-se necessário portanto que destaquemos cada uma delas, bem como as suas características mais importantes, pois de seu conhecimento dependerá toda a interpretação das idéias e feitos dos membros da maçonaria nos diversos eventos e acontecimentos que sucederam-se ao longo da História.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira das escolas a serem retratadas aqui é a &#8220;Escola Autêntica&#8221;, que tranqüilamente poderíamos também chamar de Escola Histórica:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8221; (&#8230;) surgiu na Segunda metade do século XIX , em resposta ao desenvolvimento do conhecimento crítico em outros campos. As antigas tradições da Ordem foram minuciosamente examinadas à luz de documentos autênticos ao alcance do historiador. Empreendeu-se uma enorme soma de pesquisas nas atas da Lojas e em documentos de todas as espécies tratando do passado e do presente da Maçonaria em arquivos de municipalidades e povoações, em decretos e sentenças judiciais (&#8230;) consultaram-se e classificaram-se todos os arquivos acessíveis (&#8230;) uma vasta soma de material de permanente utilidade para os estudiosos de nossa Ordem tornou-se assim acessível graças ao labor dos cultores da Escolas Autêntica.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>(&#8230;) Numa sociedade secreta como é a maçonaria, há de haver muita coisa que jamais foi escrita, mas apenas transmitida oralmente nas Lojas, e assim os documentos e registros têm apenas um valor parcial (&#8230;) a tendência desta escola é, portanto, muito naturalmente fazer a Maçonaria derivar das lojas e Guildas operativas da Idade Média, e fazer supor que os elementos especulativos foram enxertados no tronco operativo (&#8230;) se pudermos admitir que o simbolismo (&#8230;) da Maçonaria é anterior a 1717, não haverá, praticamente, limites na computação de sua idade (&#8230;) outros escritores não vão além dos construtores medievais, na procura da origens de nossos mistérios (&#8230;)[9]</em></p>
<p style="text-align: justify;">É importante destacar que o nascimento oficial da Maçonaria ocorre em 1717, quando quatro Lojas Maçônicas, que se reuniam em Londres, Inglaterra, formaram a primeira Grande Loja do mundo, a qual passou a credenciar outras Lojas e Grandes Lojas em muitos países[10].</p>
<p style="text-align: justify;">Devemos porém ressaltar que a Ordem Maçônica não surgiu simplesmente do “nada”. Existiu todo um trabalho de preparação de suas bases ao longo do tempo, e podemos afirmar com base nas tradições, sem trocadilhos, que foi um longo tempo. Ainda em alusão à “Arte da Construção”, de onde retiramos nossa simbologia, podemos dizer que primeiro foi encontrado o terreno para a construção, depois feita sua preparação, plantados os alicerces e, finalmente, iniciada a elevação das paredes e do prédio. Tornando-se este edifício representado pela Maçonaria uma obra conduzida por múltiplas mãos ao longo da História. Constantemente “escavando masmorras aos vícios e erguendo templos à virtude”, os maçons encontram-se em constante labor.</p>
<p style="text-align: justify;">A próxima a ser retratada é a &#8220;Escola Antropológica&#8221;:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8221; (&#8230;) Aplica as descobertas da Antropologia aos estudos da história maçônica (&#8230;) os antropologistas têm reunido um vasto cabedal de informações sobre os costumes religiosos e iniciatórios de muitos povos, antigos e modernos (&#8230;) a Escola Antropológica concede a Maçonaria uma Antigüidade muito maior que a tida pela Escola Autêntica, e assinala surpreendentes analogias com os antigos Mistérios de muitas nações (&#8230;)</em></p>
<p style="text-align: justify;">Os antropologistas não confinam seus estudos apenas ao passado, mas têm investigado os ritos iniciatórios de numerosas tribos selvagens existentes tanto na África como na Austrália (&#8230;) tem encontrado gestos e sinais ainda em uso entre os maçons. Entre os habitantes da Índia e da Síria têm sido encontradas impressionantes analogias com os ritos maçônicos (&#8230;) é evidente que ritos análogos aos que chamamos de maçônicos existem entre os mais antigos do globo, e podem ser encontrados sob uma forma ou outra em quase todas as partes do mundo. (&#8230;) sinais existem no Egito e México, na China e Índia, na Grécia e Roma, nos templos de Burma e nas catedrais da Europa medieval (&#8230;) no sul da Índia existem santuários onde são ensinados os mesmos segredos sob compromissos de juramento tal como nos são comunicados na Ordem e nos graus superiores da Europa e América modernas. (&#8230;)</p>
<p style="text-align: justify;">À obra da Escola Antropológica se deve uma clara revelação da imensa Antigüidade e difusão daquilo que atualmente chamamos simbolismo maçônico (&#8230;) Das pesquisas dos antropologistas resulta perfeitamente claro que, quaisquer que sejam os exatos elos na cadeia da descendência, na Maçonaria somos os herdeiros de uma tradição antiqüíssima, durante incontáveis idades tem estado associada com os mais sagrados mistérios do culto religioso.[11]</p>
<p style="text-align: justify;">A terceira escola que foi relacionada por Joaquím Gervásio do Nascimento, trata-se da &#8220;Escola Mística&#8221;[12] ou &#8220;Iniciática&#8221;:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8221; (&#8230;) Encara os mistérios da Ordem (..) vendo neles um plano para o despertar espiritual do homem e seu desenvolvimento interno (&#8230;) declaram que os graus da Ordem são simbólicos de certos estados de consciência, que devem ser despertados no iniciado individual, se ele aspira ganhar os tesouros do espirito (&#8230;) um testemunho que pertence mais à religião do que à ciência. A método místico é a união consciente com Deus, e para um maçom desta escola a Ordem objetiva representar a Senda para essa meta, oferecer um mapa, por assim dizer, para guiar os passos do buscador de Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">(&#8230;) estes estudiosos estão mais interessados em interpretações do que em pesquisas históricas. Sua preocupação principal consiste (&#8230;) em viver a vida indicada pelos símbolos da ordem, com o fím de atingir a realidade espiritual de que estes símbolos são apenas pálidos reflexos (&#8230;) sustentam que a Maçonaria tem pelo menos parentesco com os antigos Mistérios, que visavam precisamente a mesma finalidade: a de oferecer ao homem uma via pala qual possa encontrar Deus (&#8230;) &#8220;[13]</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo José Castellani, a Maçonaria não é todavia uma Ordem Mística, já que, nela a razão sobrepuja o misticismo[14]. Porém ele destaca a importância do misticismo e da simbologia mística para a construção e manutenção da doutrina moral da Ordem Maçônica:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8221; (&#8230;) Embora a Maçonaria não seja uma religião e nem seja uma ordem mística, ela utiliza, em seus rituais, na sua simbologia e na sua estrutura filosófica e doutrinária, os padrões místicos de diversas seitas, associações e civilizações antigas, principalmente os relativos às religiões e às ordens iniciáticas de cunho religioso daqueles povos que representaram o alvorecer das civilizações e que representam o alvorecer das civilizações e que concentravam, desde o século V a. C., em torno dos rios Tigre e Eufrates e do Mar Mediterrâneo. (&#8230;) [A Maçonaria] nascida em sua forma moderna, nas asas das aspirações liberais e libertárias dos povos subjulgados pelo poder real absoluto e pelos privilégios do clero, ela, também, é liberal e libertária, evolutiva e adaptável às épocas, racional e democrática. Para armar todavia, a sua doutrina moral, ela buscou o simbolismo nascido da mística de civilizações perdidas na noite dos tempos; e o simbolismo, fonte de espiritualidade oculta, será, sempre, por mais que a cibernética e a materialidade dominem o mundo, uma LUZ no caminho da humanidade.[15]</p>
<p style="text-align: justify;">[Audio clip: view full post to listen]</p>
<p style="text-align: justify;">A <strong>quarta e ultima escola do pensamento maçônico</strong>, por fim, é a aquela chamada de &#8220;Escola Oculta&#8221;:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8221; (&#8230;) está representada por uma corporação sempre crescente de estudiosos na Ordem Co-maçônica (ou Ordem Maçônica Mista Internacional Le Droit Humain), que esta progressivamente atraindo também aderentes da Maçonaria masculina. Como um de seus principais e característicos postulados é a eficácia sacramental do cerimonial maçônico, quando devida e fielmente executada, talvez nos seja lícito, chamá-la a escola Sacramental ou Oculta (&#8230;) o objetivo do ocultista, não menos que o do místico, é a união consciente com Deus, porém diferem seus métodos de busca. (&#8230;) o método ocultista se desenvolve através de uma série de etapas gradativas, de uma Senda de Iniciações conferindo sucessivas expansões de consciência e graus do poder sacramental. O místico é freqüentemente mais de caráter individual, um &#8216;vôo do solitário para o solitário&#8217; (..) o método do místico é pela prece e oração(&#8230;)&#8221;[16]</p>
<p style="text-align: justify;">Sem desmerecer ou contradizer nenhuma das escolas do pensamento maçônico, importantes apontamentos sobre as origens da Maçonaria, foram feitos por Marcello Francisco Ceroni, em seu trabalho intitulado &#8220;O Surgimento da Maçonaria&#8221;, e publicado pela Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil, que apesar de não muito extenso, é bastante rico em informações, citações e referencias bem fundamentadas e embasadas:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;&#8230; A história, o desenvolvimento e a evolução da maçonaria como agremiação, deve ser iniciada com a história da Fraternidade do Pedreiros e Canteiros da Idade Média , por razões da relação intima existente entre a irmandade e a Fraternidade dos Franco-Maçons, porque efetivamente, a história de uma é unicamente a introdução à história da outra.&#8221;[17]</p>
<p style="text-align: justify;">Por ser este um trabalho que se pretende ser histórico e dentro do possível racional, não poderíamos nos ater a fatos cuja autenticidade poderia vir a ser questionada. Ficaríamos portanto, também impossibilitados de utilizar lendas e tradições de uma maneira mais geral, apesar de muitas verdades podem ser retiradas de simples relatos, por mais fantasiosos que poderiam parecer.</p>
<p style="text-align: justify;">Surgida na Europa, segundo muitos historiadores maçons, sendo portanto originada das antigas corporações[18] ou guildas de pedreiros construtores de catedrais, apesar de outros procurarem indicar origens mais antigas, como os Colégios Romanos, ou &#8220;Collegia Caementariorum&#8221;, associações de pedreiros e construtores que apareceram em vários países e regiões dominados pelo Império Romano. Estes Colégios erigiam templos e outros diversos edifícios públicos[19].</p>
<p style="text-align: justify;">A Maçonaria foi se imbuindo de valores e ideais liberais e libertários ao longo de seu desenvolvimento. Influenciada principalmente pelo Iluminismo, no século XVIII, teve a Ordem Maçônica importante papel na luta contra o absolutismo político, e na conquista e consolidação do poder político pela burguesia, quer seja na Europa, quer seja na América.</p>
<p style="text-align: justify;">BIBLIOGRAFIA:</p>
<p style="text-align: justify;">ASLAN, Nicola. História Geral da Maçonaria: Fastos da Maçonaria Brasileira. Londrina: A Trolha, 1997;</p>
<p style="text-align: justify;">CALDEIRA, Jorge. Mauá: Empresário do Império. São Paulo: Companhia das Letras, 1995;</p>
<p style="text-align: justify;">CAMINO, Rizzardo da; CAMINO, Odéci Schilling da. Vade Mécum do simbolismo Maçônico. São Paulo: Madras, 1999;</p>
<p style="text-align: justify;">CASTELLANI, José. A Maçonaria e o Movimento Republicano Brasileiro. São Paulo: Traço, 1989;</p>
<p style="text-align: justify;">CASTELLANI, José. De Maia ao Tiradentes. Revista A Trolha, Londrina, Ano XXII, nº 66 p.32-34, Abril 1992</p>
<p style="text-align: justify;">CASTELLANI, José. O Rito Escocês Antigo e Aceito: História, Doutrina e Prática. 2ª ed, Londrina: A Trolha, 1996;</p>
<p style="text-align: justify;">CASTELLANI, José. Os Maçons na Independência do Brasil. Londrina: A Trolha, 1993;</p>
<p style="text-align: justify;">CERONI, Marcello Francisco. O Surgimento da Maçonaria. Brasília: Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB), 2000;</p>
<p style="text-align: justify;">COLUSSI, Eliane Maria. A Maçonaria Brasileira e a defesa do ensino laico (século XIX). In História &amp; Ensino, vol. 6. Londrina: Universidade estadual de Londrina, 2000. Pag. 47-55</p>
<p style="text-align: justify;">COSTA, Frederico G. Breves Ensaios Sobre a História da Maçonaria Brasileira. Londrina: A trolha, 1993;</p>
<p style="text-align: justify;">FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de. Dicionário de Maçonaria. São Paulo: Editora Pensamento, 1998,</p>
<p style="text-align: justify;">GRANDE LOJA DO PARANÁ. Maçonaria: um informativo para quem não é maçom. Curitiba: Grande Loja do Paraná, 2000;</p>
<p style="text-align: justify;">KOSHIBA, Luiz. História: origens, estruturas e processos. São Paulo: Atual, 2000</p>
<p style="text-align: justify;">LINHARES, Marcelo. História da Maçonaria: Primitiva, Operativa e Especulativa. 2ª ed. Londrina: A Trolha, 1997.</p>
<p style="text-align: justify;">PRADO JUNIOR, Caio. Formação do Brasil Contemporâneo: Colônia. São Paulo: Brasiliense: Publifolha, 2000;</p>
<p style="text-align: justify;">SAVI, Hamilton. Maçonaria como uma escola de formação. Revista O Prumo. Florianópolis, Ano XXII, nº 141, Janeiro/Fevereiro de 2002, p. 30-31;</p>
<p style="text-align: justify;">* Texto originalmente concebido como capitulo provisório de introdução a uma dissertação de mestrado, e adaptado para ser apresentado em Sessão da Aug\ e Resp\ Loj\ Simb\ &#8220;Cavaleiros da Luz&#8221; Nº 60, Or\ de Cornélio Procópio, filiada à Grande Loja do Paraná. Apresentação esta, ocorrida no dia 29 de Maio de 2002 da E\ V\.</p>
<p style="text-align: justify;">[1] O nome Maçonaria, ou Franco-Maçonaria deriva do termo francês &#8220;franc-maçonnerie&#8221;, ou seja, pedreiros-livres. (N.A)</p>
<p style="text-align: justify;">[2] Por laicização, entende-se a separação ocorrida entre Estado e Igreja, ou ainda a sensível diminuição da influência desta dentro do governo. Em Portugal e no Brasil tal influência era conhecida ainda como regime do &#8220;Padroado&#8221;. (N.A)</p>
<p style="text-align: justify;">[3] CASTELLANI, José. De Maia ao Tiradentes. Revista A Trolha, Londrina, Ano XXII, nº 66 p. 32-34, Abril 1992.</p>
<p style="text-align: justify;">[4] FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de. Dicionário de Maçonaria. São Paulo: Editora Pensamento, 1998, p. 239;</p>
<p style="text-align: justify;">[5] Idem. Op cit. p.239</p>
<p style="text-align: justify;">[6] O conhecimento científico, resulta de investigação metódica, sistemática da realidade. transcende os fatos e os fenômenos em sí mesmos, analisa-os para descobrir suas causas e concluir as leis gerais que o regem</p>
<p style="text-align: justify;">É verificável na prática, por demonstração ou experimentação. explica e demonstra com clareza e precisão os segredos da realidade, além de descobrir suas relações de predomínio, igualdade ou subordinação com outros fatos ou fenômenos. De tudo isso conclui leis gerias, universalmente válidas para todos os casos da mesma espécie. (N.A.)</p>
<p style="text-align: justify;">[7] FIGUEIREDO, Op cit. p.239;</p>
<p style="text-align: justify;">[8] FIGUEIREDO, Op cit. p.239-240;</p>
<p style="text-align: justify;">[9] FIGUEIREDO, Op cit. p.240-241;</p>
<p style="text-align: justify;">[10] GRANDE LOJA DO PARANÁ. Maçonaria: um informativo para quem não é maçom. Curitiba: Grande Loja do Paraná, 2000;</p>
<p style="text-align: justify;">[11]. FIGUEIREDO. Op cit. p.241-242;</p>
<p style="text-align: justify;">[12] “(&#8230;) Misticismo (ou Mística), é uma palavra originado grego ‘MYO’, que significa ‘fechar a boca’ e que, como mistério (do grego ‘MYSTERÍON’), provinda da mesma raiz, tem o significado de algo que se percebe, profundamente, no íntimo , mas que não pode ser revelado, ou de que não se pode falar .</p>
<p style="text-align: justify;">O misticismo representa um tendência para a busca de um ABSOLUTO com o qual pretende, o místico, unir-se, moralmente, através de meios simbólicos e nasce do esforço que faz o homem para abarcar a realidade absoluta, ou divina, e que está em íntima relação com as coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">Em última análise, o misticismo é, na realidade, um conjunto de atos e disposições, cuja finalidade é a união com a divindade, considerada como espírito criador e regulador de tudo o que existe. Para atingir essa finalidade, é armado um complexo sistema especulativo, que procura compreender os atributos divinos, buscando a união íntima com a divindade e a concretização de UM ABSOLUTO, ou do ENTE ÚNICO, supremo e onipotente. (..)&#8221; &#8211; (CASTELLANI, José. O Rito Escocês Antigo e Aceito: História, Doutrina e Prática. 2ª ed, Londrina: A Trolha, 1996. Pág. 91)</p>
<p style="text-align: justify;">[13] FIGUEIREDO. Op cit. p.243;</p>
<p style="text-align: justify;">[14] “ (&#8230;) O maçom é livre para investigar a verdade, portanto, pode discordar ou discutir os princípios maçônicos, notadamente, porque as instruções maçônicas não tem natureza dogmática (verdades absolutas) (&#8230;)” (GRANDE LOJA DO PARANÁ Op cit. p.14)</p>
<p style="text-align: justify;">[15] CASTELLANI, José. O Rito Escocês Antigo e Aceito: História, Doutrina e Prática. 2ª ed, Londrina: A Trolha, 1996. Pag. 92</p>
<p style="text-align: justify;">[16] FIGUEIREDO. Op cit. p.243-244;</p>
<p style="text-align: justify;">[17] CERONI, Marcello Francisco. O Surgimento da Maçonaria. Brasília: Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB), 2000, p. 5;</p>
<p style="text-align: justify;">[18] &#8220;&#8230; O termo &#8220;corporação&#8221; não foi utilizado na Idade Média. Em seu lugar empregava-se mesteres ou guildas. Apesar das controvérsias sobre a origem das associações profissionais da Idade Média, os historiadores procuram filiar as corporações de oficio as instituições antigas ou as confrarias religiosas da própria Idade Média. Contudo, as corporações tinham bases próprias e não poderiam ser consideradas continuação de uma tradição antiga ou religiosa &#8230;&#8221; (KOSHIBA, Luiz. História: origens, estruturas e processos. São Paulo: Atual, 2000, p. 173)</p>
<p>[19] KOSHIBA, Idem. Op cit. p. 6</p>
<p>ESCOLAS DO PENSAMENTO MAÇÔNICO<br />
Por: Roberto Bondarik, MM</p>
<p><a href="http://blog.msmacom.com.br">http://blog.msmacom.com.br</a></p>
<p>Ms Maçom, 2012</p>
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		<title>Zé Rodrix</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Feb 2012 11:07:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ximenes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>
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		<description><![CDATA[ZÉ RODRIX &#8211; UM MAÇOM PARA NUNCA SER ESQUECIDO Estava arrumando meus livros neste final de ano quando reencontrei &#8221; O Diário de um Construtor do Templo&#8221; escrito pelo nosso...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<fb:like href='http://blog.msmacom.com.br/?p=4047' send='true' layout='button_count' show_faces='true' width='450' height='65' action='recommend' colorscheme='light' font='lucida+grande'></fb:like><h3 style="text-align: justify;">ZÉ RODRIX &#8211; UM MAÇOM PARA NUNCA SER ESQUECIDO</h3>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div id="post-body-7305137052264384536">
<div style="text-align: justify;">Estava arrumando meus livros neste final de ano quando reencontrei &#8221; O Diário de um Construtor do Templo&#8221; escrito pelo nosso Ir.: Zé Rodrix, imediatamente meus pensamentos voltaram ao meu tempo de aprendiz maçom, época que li este livro, ou melhor devorei este livro em 3 dias e não contive a emoção em alguns trechos, percebi também quantos mistérios na maçonaria ainda iria descobrir.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Logo irá fazer dois anos que o Ir.: José Rodrigues Trindade, V.:M.: da sua loja, partiu para o Oriente Eterno, isto foi no dia 22 de maio de 2009. Neste vou post escrever um pouco do que foi Zé Rodrix, nascido na cidade de Rio de Janeiro em 25 de novembro de 1947. Foi um compositor, multiinstrumentista, cantor, publicitário e escritor maçônico brasileiro. Feliz daquele que desfrutou sua arte e mais ainda aqueles que tiveram a enorme felicidade de conviver com ele neste mundo terreno.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Quando jovem estudou no Conservatório Brasileiro de Música, desenvolvendo a característica da multi-instrumentalidade: tocava piano, violão, acordeão, flauta, bateria, saxofone e trompete. Tornou-se conhecido em 1967, ao vencer o III festival da TV Record daquele ano, acompanhando Marilia Medalha, Edu Lobo e o Quarteto Novo defendendo a música &#8220;Ponteio&#8221;.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Na década de 1970, participou da banda Som Imaginário com Wagner Tiso, Robertinho Silva, Tavito, Luís Alves e Laudir de Oliveira, tocando ao vivo com Milton Nascimento e participado do LP de estreia da banda.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><iframe src="http://www.youtube.com/embed/qa6EG6telZA?rel=0" frameborder="0" width="560" height="410"></iframe></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">
<h3><strong>Zé Rodrix na flauta e teclados</strong></h3>
</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">
<p>Desligando-se da banda em 1971, venceu o Festival da Canção de Juiz de Fora, junto a Tavito, com a canção &#8220;Casa no campo&#8221;, uma de suas composições mais famosas, que se tornaria um grande sucesso na voz de Elis Regina, e cujo trecho da letra batizou o estilo de música conhecido como Rock Rural, com influências regionalistas, tropicalistas, folk, country e rock, tocada pelo trio do qual faria parte logo em seguida, com Sá &amp; Guarabira.</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><iframe src="http://www.youtube.com/embed/NKWewV6XiTE?rel=0" frameborder="0" width="557" height="362"></iframe></div>
<div style="text-align: justify;">A letra da música Uma &#8220;Casa no Campo&#8221; foi feita num ônibus entre Brasilia e Goiania, e foi músicada assim que chegaram no hotel.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Nessa época, compôs músicas como &#8220;Mestre Jonas&#8221;, &#8220;O Pó da Estrada&#8221; &#8220;Os Anos 60&#8243;, &#8220;Pendurado no Vapor&#8221; e &#8220;Primeira Canção da Estrada&#8221; sempre com seus parceiros Sá amp; Guarabira.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><iframe src="http://www.youtube.com/embed/e-x86iiozsc?rel=0" frameborder="0" width="560" height="410"></iframe></div>
<div style="text-align: justify;">Mestre Jonas- foi das canções com inspiração n Bíblia ressaltando o lado Jonas moderno que todos nós possuímos.</div>
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<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><iframe src="http://www.youtube.com/embed/0ghxwn-aEd8?rel=0" frameborder="0" width="560" height="410"></iframe></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Soy Latino Americano- Uma “guajira” cubana tipica ( três acordes que vão e vem ) e uma intenção crítica. Revelar os defeitos de carater do brasileiro da época. Estranhamente, todos os consideram qualidades, e este foi o motivo do sucesso da música. A identidade entre o personagem e quem se encontrou retratado por ele.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
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<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><a href="http://4.bp.blogspot.com/-QE4dQRALoqs/TvtCKkvdKiI/AAAAAAAAB-U/DfQLM-qoUHE/s1600/joelho.jpg"><br />
<img class="alignleft" style="border: 0px currentColor;" src="http://4.bp.blogspot.com/-QE4dQRALoqs/TvtCKkvdKiI/AAAAAAAAB-U/DfQLM-qoUHE/s1600/joelho.jpg" alt="" width="225" height="224" align="left" border="0" /></a></div>
<div style="text-align: justify;">Zé Rodrix saiu do trio em 1973, para seguir em carreira solo e participações especiais em gravações de artistas diversos, como Secos &amp; Molhados. Na década de 80 passou a se dedicar mais na área de publicidade que musical , mas em 1983, o músico passou a integrar o grupo Joelho de Porco, com o qual gravou o LP e participou do Festival dos Festivais em 1985, ganhando o prêmio de melhor letra pela música &#8220;A Última Voz do Brasil&#8221;.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Entre 1989 e 1996 assinou a direção musical dos espetáculos &#8220;Não fuja da Raia&#8221; e &#8220;Nas Raias da loucura&#8221;, de Sílvio de Abreu, e do programa &#8220;Não fuja da Raia&#8221; (Rede Globo), estrelado por Cláudia Raia.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">
<p>Sua vida profana e artística continuava. Em 1994 foi contemplado com o prêmio Kikito, no Festival de Cinema de Brasília, pela trilha sonora do filme &#8220;Batman e Robin&#8221;.Em 1991 foi iniciado na Augusta e Respeitável Loja Simbólica “Apóstolos do Templo” nº 241, Oriente de São Paulo, onde foi Aprendiz Maçom, elevado a Companheiro Maçom um ano depois. Foi exaltado a Mestre Maçom pelos seus altos conhecimentos adquiridos sobre a Ordem. Pertenceu à Comissão de Comunicação na gestão do Grão Mestre Salim Zugaib. No ano 2000 instalado como Venerável Mestre de sua Loja.</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">A paixão pela Arte Real e a maçonaria mística tomou conta do coração do Ir.: Zé Rodrix e os mistérios do Templo de Salomão passou a fazer parte de todos os minutos de sua vida. Para ele, assim como em todo o mundo a maçonaria é praticada através de rituais secretos que englobam símbolos, alegorias e lendas. A maior parte delas tirada da história real da Antiguidade. E foi través destas histórias e lendas que ele estruturou sua maneira maçônica de pensar.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Queria uma história que introduzisse valores individuais para formar novos Homens Maçônicos. Queria uma escola de pensamento antiga enraizada na ética, consciência e tolerância. Queria uma história para que todos os Filhos da Viúva entendesse melhor os mistérios e segredos da maçonaria e ao mesmo tempo uma história que fizesse qualquer profano se apaixonar pelo romance e fosse levado as lágrimas no final de seus livros. A história de Joabem, de Zorobabel e Esquim de Floyrac já viviam na mente daquele futuro escritor maçônico, o enredo já fazia parte de sua vida, da mesma forma que a sua sombra estaria sempre presente pelos caminhos que iria trilhar dai para frente.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">E foi assim que ele lançou seus livros que foi intitulado como: <strong>A TRILOGIA DO TEMPLO.</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">
<p align="justify">E foi assim que ele lançou seus livros que foi intitulado como: A TRILOGIA DO TEMPLO.</p>
<h3 align="justify"><span style="color: #ff0000;"><strong>DIÁRIO DE UM CONSTRUTOR DO TEMPLO</strong></span></h3>
<p align="justify"><a href="http://2.bp.blogspot.com/-HiUR0jdw0cI/TvtLioOztGI/AAAAAAAAB-g/rFHV7F3NoBY/s1600/TEMPLO+1.jpg"> </a><img src="http://2.bp.blogspot.com/-HiUR0jdw0cI/TvtLioOztGI/AAAAAAAAB-g/rFHV7F3NoBY/s400/TEMPLO+1.jpg" alt="" width="278" height="400" align="left" border="0" />Um dos ritos mais praticados na Maçonaria mundial, o Rito Escocês Antigo e Aceito, faz uso, em seus graus simbólicos e superiores, de uma série de histórias reais que tem como centro a construção do Templo de Salomão em Jerusalém, o primeiro Templo de um Deus Único, que exigiu para seu erguimento toneladas de pedras esculpidas cuidadosamente, para ser montado sem ruído nem uso de ferramentas.</p>
<p align="justify">É nesta construção que surge a primeira lenda maçônica: a do arquiteto do Templo, um mestiço fenício-hebreu de nome Hiram-Abiff, que representa para os maçons não apenas o Mestre Perfeito, mas, principalmente, aquele Homem Novo que todos buscamos ser. É a historia deste Templo e deste homem que formam o panorama de JOHABEN: DIARIO DE UM CONSTRUTOR DO TEMPLO, no qual os fatos históricos e lendários da vida de Hiram-Abiff e de Salomão são revelados como uma viagem para dentro de cada consciência, num formato de romance que cria o paralelo entre o erguimento do Templo de Jerusalém e o Templo Interior de cada um de nós, através do trabalho na pedreira de nosso próprio espírito.</p>
<p align="justify">Nele também se revela o início ideal da sociedade dos pedreiros, os mais antigos artesãos do mundo, no seio dos quais, muitos séculos depois, nasceu a Maçonaria moderna, tal como a conhecemos hoje, e que revela gradativamente estes fatos nos graus de 1º a 14º.</p>
<h3 align="justify"><span style="color: #ff0000;"><strong>RECONSTRUINDO O TEMPLO</strong></span></h3>
<p align="justify"><a href="http://3.bp.blogspot.com/-08Bse53UTi0/TvtLnwr88KI/AAAAAAAAB-s/rg07Nx6l984/s1600/TEMPLO+2.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/-08Bse53UTi0/TvtLnwr88KI/AAAAAAAAB-s/rg07Nx6l984/s400/TEMPLO+2.jpg" alt="" width="294" height="398" align="left" border="0" /></a>O segundo volume da TRILOGIA, que se chama ZOROBABEL: RECONSTRUINDO O TEMPLO, narra a vida de um príncipe hebreu que realmente existiu e foi o responsável não apenas pelo Segundo Êxodo, aquele que trouxe os judeus escravizados na Babilônia de Nabucodonosor de volta para sua terra natal, o reino de Israel, mas também pela reconstrução do Templo de Salomão, derrubado e desmontado pelos babilônios.</p>
<p align="justify">Lidando com os rituais dos graus de 15º a 20º, ZOROBABEL: RECONSTRUINDO O TEMPLO mostra os esforços para que Jerusalém novamente se tornasse a capital dos hebreus, revelando os primórdios do terrorismo como arma de combate, esclarecendo o papel de Cyro e Dario na sobrevivência de Jerusalém, além de revelar o estabelecimento cada vez mais sólido da sociedade dos pedreiros, já agora chamados de Filhos de Salomão, e dos valores que a Maçonaria deles herdou, permitindo aos maçons modernos a recriação de seu próprio espírito através do trabalho incessante de crescimento e transformação que a Ordem lhes propicia.</p>
<p align="justify">.</p>
<h3 align="justify"><span style="color: #ff0000;">FIM DO TEMPLO</span></h3>
<p align="justify"><a href="http://4.bp.blogspot.com/-73Zna5aMY4g/TvtLsfvx15I/AAAAAAAAB-4/uZPs8M5PvGg/s1600/TEMPLO+3.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/-73Zna5aMY4g/TvtLsfvx15I/AAAAAAAAB-4/uZPs8M5PvGg/s400/TEMPLO+3.jpg" alt="" width="295" height="400" align="left" border="0" /></a></p>
<p align="justify">No terceiro volume damos um salto de muitos anos, indo aos séculos XIII-XIV para revelar a verdadeira ligação entre a Maçonaria e a Ordem dos Cavaleiros Templários, tão explorada por diversos autores, mas que nunca se preocuparam com a verdade dos fatos, por desconhecer as verdades ciosamente guardadas pela Maçonaria, de quem os Templários foram associados durante toda a sua existência de mais de dois séculos.</p>
<p align="justify">As inverdades sobre esta união são de dois tipos: ou a negação pura e simples dela, através de preconceitos historiográficos , ou a aceitação delirante, através de processos &#8220;equisotéricos&#8221; de misticismo sem nenhuma solidez factual. ESQUIN DE FLOYRAC: O FIM DO TEMPLO, narra de maneira profundamente reveladora tanto a crescente união entre Templários e pedreiros, já prontos para tornar-se a Ordem Maçônica como hoje a conhecemos, como também o papel desta ligação nos momentos que marcaram a destruição da Ordem pela Igreja de Roma e o Reinado de França.</p>
<p align="justify">O mais curioso, contudo, é ser narrado pelo traidor da Ordem Templária, um cavaleiro que foi o Judas de seus irmãos e que, de maneira rigorosamente factual, revela o drama de sua tarefa inglória mas essencial para a sobrevivência do Templarismo na Maçonaria, estabelecendo os fatos que dela fazem parte nos rituais que vão do 28º ao 33º grau.</p>
<p align="justify">A TRILOGIA DO TEMPLO, escrita nos últimos dez anos, tem sido considerada obra essencial para os maçons brasileiros, pelo material que disponibiliza e revela a todos que desejem não apenas entender a Ordem maçônica mas principalmente estabelecer para si mesmos um caminho de busca e crescimento.</p>
<p align="justify">Baseados em profunda pesquisa histórica e comportamental, disponibilizam para os leitores não só os fatos da vida cotidiana nos períodos em que se passam, mas principalmente os pensamentos e atitudes dos homens das respectivas épocas, todos personagens históricos que têm finalmente reveladas as suas motivações e anseios, tal como percebidas e descobertas pelo autor, um escritor profundamente cioso de seu trabalho de escritor e pesquisador maçônico.</p>
<p align="justify">Como Maçon lutou para que a Ordem voltasse a ser modelo respeitando seus fundamentos, fez pela Maçonaria durante 10 anos o que muitos não fizeram por séculos. Ou desfizeram, tornando a Maçonaria forma de poder e disputa em vez de uma Ordem de justiça, ética e fraternidade.</p>
<p align="justify">Dia 22 de maio de 2009, o Grande Arquiteto do Universo o acolheu com a decência e dignidade com que ele viveu, reservando-lhe como moradia uma &#8220;Casa no Campo&#8221;. Era um dia chuvoso, parecia que o céu chorava quando suas cinzas foram lançadas na Baia de São Vicente da Ponte Pênsil. Que suas cinzas se espalhe pelos Oceanos de todo o mundo, banhando os continentes com sua presença e sabedoria.</p>
<p align="justify">Você não nos pertence mais, agora você faz faz parte do universo misterioso de GADU.</p>
<p align="justify">Por José Cantos Lopes Filho M.:I.: GOP</p>
<p align="justify">blog.msmacom.com.br</p>
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