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	<title>Blog do Dr. Money</title>
	
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	<description>Fique por dentro da Economia! Confira as dicas sobre investimentos, mercado financeiro, finanças pessoais, carreiras, imóveis, dívidas, filhos e muito mais..</description>
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		<title>Empresas estatais x Empresas privadas: o tira-teima</title>
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		<pubDate>Tue, 21 May 2013 00:46:08 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Um dos posts que mais receberam comentários neste blog foi o &#8220;Você recebe o que você paga&#8220;, em que aproveito a situação da Eletropaulo para estabelecer uma regra geral: os serviços que você recebe são sempre proporcionais a quanto você paga. Muitos comentários referem-se, no fundo, ao problema de se estabelecer o nível justo de ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos posts que mais receberam comentários neste blog foi o &#8220;<a title="Você recebe o que você paga" href="http://www.drmoney.com.br/economia/voce-recebe-o-que-voce-paga/">Você recebe o que você paga</a>&#8220;, em que aproveito a situação da Eletropaulo para estabelecer uma regra geral: os serviços que você recebe são sempre proporcionais a quanto você paga. Muitos comentários referem-se, no fundo, ao problema de se estabelecer o nível justo de serviço que pode ser exigido a partir de um determinado pagamento. É um problema de muito difícil solução, mas que não invalida a tese geral. Mesmo aqueles que pensam que a Eletropaulo poderia estar oferecendo um serviço melhor, não têm como não concordar com a regra universal: o serviço tende a ser melhor se o pagamento recebido pelo fornecedor aumenta.</p>
<p>Há, no entanto, outra regra da qual gosto ainda mais: o setor privado oferece melhores serviços que o setor público, dadas as mesmas condições. Os problemas que os paulistanos enfrentaram com a Eletropaulo no último verão, e os péssimos serviços de telefonia podem passar a impressão contrária. Mas nada como dados objetivos para reestabelecer a verdade. Chegou às minhas mãos um relatório do BTG Pactual, em que, com dados da ANEEL, a corretora lista as melhores e as piores distribuidoras de energia, segundo dois critérios: DEC (Duração dos &#8220;Apagões&#8221;) e FEC (Frequência dos &#8220;Apagões&#8221;). O caso das concessionárias de distribuição de energia elétrica oferece uma oportunidade única para este tipo de comparação, pois é um dos poucos setores, senão o único, em que empresas estatais e privadas fornecem o mesmo tipo de serviço. Algo assim como comparar a Alemanha Ocidental com a Oriental, ou a Coréia do Norte com a Coréia do Sul. Veja os dois gráficos a seguir:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/05/DEC-2012.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2452" title="DEC 2012" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/05/DEC-2012-300x162.jpg" alt="" width="300" height="162" /></a></p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/05/FEC-2012.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2451" title="FEC 2012" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/05/FEC-2012-300x161.jpg" alt="" width="300" height="161" /></a></p>
<p>As barras vermelhas representam as concessionárias estatais, enquanto as barras azuis representam as concessionárias privadas. Interessante notar que a pior concessionária no quesito &#8220;Duração dos Apagões&#8221; é a Celpa, que pertence ao grupo Rede, e está em óbvias dificuldades financeiras. No entanto, a média de duração dos apagões para as empresas privadas é de 19,1 horas por ano, enquanto para as estatais esta mesma média é de 33,3 horas por ano. No caso da frequência dos apagões, a média para as empresas privadas é de 11 blackouts por ano, enquanto para as empresas públicas esta média é de 24 blackouts por ano.</p>
<p>Alguém poderia argumentar: esta comparação não é justa, pois as concessionárias estatais concentram-se em regiões do país onde a infra-estrutura é mais degradada, o que viesa a média. O analista do BTG Pactual, prevendo este tipo de contestação, faz o mesmo levantamento por região do país. O resultado está na tabela a seguir:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/05/Tabela-eficiencia-companhias-eletricas.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2453" title="Tabela eficiência companhias elétricas" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/05/Tabela-eficiencia-companhias-eletricas-300x90.jpg" alt="" width="300" height="90" /></a></p>
<p>Com exceção da Região Norte, onde a Celpa de fato foi um desastre, os índices das empresas privadas são, via de regra, muito melhores que os índices das estatais. Contra números, difícil ter argumentos.</p>
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		<title>Sempre é possível adaptar a sua vida ao seu orçamento</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Apr 2013 23:10:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>drmoney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas Macroeconômicas]]></category>
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		<description><![CDATA[Recentemente, publiquei em minha página no Facebook o link de um artigo bastante interessante, escrito por uma blogueira que também faz as vezes de dona-de-casa. No artigo (aqui), Patrícia Cerqueira conta como vem se adaptando à nova realidade da classe média brasileira: viver sem empregada doméstica. O sacrifício imposto à família vem sendo dividido com ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente, publiquei em minha página no Facebook o link de um artigo bastante interessante, escrito por uma blogueira que também faz as vezes de dona-de-casa. No artigo (<a href="http://www.loucuramaterna.com/2013/04/nasci-pra-ser-rica-e-ter-empregada.html" target="_blank">aqui</a>), Patrícia Cerqueira conta como vem se adaptando à nova realidade da classe média brasileira: viver sem empregada doméstica. O sacrifício imposto à família vem sendo dividido com bom humor e dedicação, pois simplesmente não há outra saída: era preciso economizar, viver de acordo com um orçamento cada vez mais acossado por despesas que crescem mais do que a “inflação oficial”. O maridão passou a lavar a louça e suas próprias cuecas, os filhos passaram a arrumar suas próprias camas, e ela mesma passou a fazer a limpeza da casa do jeito que ela gosta, e não do jeito que a empregada achava que devia ser. Vale a leitura.</p>
<p>Este é um exemplo de que sempre é possível adaptar a sua vida ao seu orçamento. Acostumamos-nos a um determinado padrão de vida, de acordo com o orçamento que temos, e não conseguimos imaginar como seria viver sem aquelas benesses. E isso acontece em qualquer nível de renda. Uma família que ganha, digamos R$ 10.000/mês, não consegue imaginar como poderia viver com R$ 5.000/mês. E esta família que ganha R$ 5.000/mês não consegue imaginar como poderia viver com R$ 3.000/mês. O fato é que todos conseguem viver, e se adaptam aos seus respectivos orçamentos. Sem prejuízo do fato de que sempre sonham em ter um orçamento maior. A família que ganha R$ 3.000/mês jura que estaria satisfeita se ganhasse R$ 5.000/mês, e esta que ganha R$ 5.000/mês também jura que estaria satisfeita se ganhasse R$ 10.000/mês. Moral da estória: nunca ninguém está satisfeito com o seu nível de renda, e a tendência é sempre procurar viver <strong><em>acima</em></strong> do seu orçamento, e não <strong><em>abaixo</em></strong>. Por isso, o exemplo da Patrícia é admirável, e deveria servir de exemplo para muitos. Inclusive para os países da Europa.</p>
<p>No último dia 22, o presidente da Comissão Européia, o português José Manuel Barroso, afirmou que a austeridade está no limite, e que não dá para exigir mais esforço fiscal dos governos da região (<a href="http://www.guardian.co.uk/world/2013/apr/22/eu-near-austerity-limit-barroso" target="_blank">aqui</a>). Estamos aqui vivendo o mesmo fenômeno descrito acima: a renda per capita dos países da zona do Euro (pelo conceito da PPP – Purchase Power Parity) é de US$ 34,1 mil, enquanto a renda per capita dos países da América Latina é de US$ 12,3 mil, a da Ásia (ex-Japão) é de US$ 6,1 mil e a da África sub-sahariana é de US$ 2,5 mil (dados do FMI). Talvez fique mais claro colocando em um gráfico:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Renda-per-capita-Europa-x-AL.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2439" title="Renda per capita Europa x AL" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Renda-per-capita-Europa-x-AL-300x180.jpg" alt="" width="300" height="180" /></a></p>
<p>Observe que a renda per capita da Zona do Euro é quase o triplo da renda per capita na América Latina, quase 7 vezes a renda per capita da Ásia e quase 14 vezes a renda per capita da África. Os europeus certamente não conseguem imaginar como seria viver em um país que gera um terço de suas riquezas anualmente. Uma outra forma de ver o mesmo fenômeno é olhar o que aconteceu ao longo do tempo. Vejamos, por exemplo, a Espanha:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Renda-per-capita-Espanha.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2440" title="Renda per capita Espanha" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Renda-per-capita-Espanha-300x180.jpg" alt="" width="300" height="180" /></a></p>
<p>No começo da década de 80, a renda per capita da Espanha era pouco superior ao da Ásia hoje. No final da mesma década, a renda per capita espanhola era o equivalente ao que é hoje a da América Latina. Ou seja, o padrão de vida médio do espanhol há pouco mais de 20 anos, era equivalente ao que temos hoje na América Latina.</p>
<p>Voltemos ao alerta do sr. José Barroso: os europeus não agüentam mais austeridade. Não conseguem baixar ainda mais o seu padrão de vida, de modo a viverem dentro do seu orçamento. Memória curta têm esses europeus. O seu padrão de vida era igual ao nosso há pouco mais de duas décadas. Este comportamento só confirma a constatação feita acima: é muito difícil que as pessoas se acostumem a um padrão de vida inferior ao que já se acostumaram. A Patrícia que o diga!</p>
<p>Christine Lagarde, diretora-chefe do FMI, foi ao ponto em uma entrevista ao The Guardian um ano atrás (<a href="http://www.guardian.co.uk/world/2012/may/25/christine-lagarde-imf-euro" target="_blank">aqui</a>). Perguntada se, ao estudar as contas da Grécia, não pensava que mulheres poderiam não ter acesso a ajudantes (<em>midwifes</em> no original) para auxiliá-las a cuidar de seus filhos recém-nascidos, que doentes não teriam acesso a remédios essenciais, ou que idosos morreriam sozinhos por falta de cuidados? Ela simplesmente bloqueava todos esses pensamentos, e analisava friamente os dados? Lagarde, então, mandou ver:</p>
<p><span style="color: #000080;">“Não, eu penso mais nas pequenas crianças de uma escola de uma pequena aldeia no Níger, que têm duas horas de aula por dia, três alunos compartilhando uma única carteira, e que estão muito interessados ​​em aprender. Tenho-os em minha mente o tempo todo. Porque eu acho que eles precisam de mais ajuda do que as pessoas em Atenas”.</span></p>
<p><span style="color: #000080;">“Sabe o que mais? Eu também penso em todas aquelas pessoas que ficam tentando escapar dos impostos o tempo todo. Todas essas pessoas na Grécia que estão tentando escapar dos impostos.”</span></p>
<p><span style="color: #000080;">O repórter insiste: o que pensa ela sobre todos aqueles que agora lutam para sobreviver sem emprego ou serviços públicos? “Penso neles igualmente. E eu acho que eles também devem ajudar-se coletivamente.” Como? “Todos pagando seus impostos”.</span></p>
<p>É isso. As pessoas nestes países se acostumaram com um padrão de vida acima de suas possibilidades. E agora devem adequar suas vidas a essa nova realidade. Requer sacrifício, como fez a Patrícia na sua casa. Dizer que se está “no limite” do sacrifício é não conhecer a capacidade de adaptação do ser humano. Sempre é possível. Se os africanos podem viver com uma renda per capita de US$ 2,5 mil, por que os gregos não podem viver com uma renda per capita de, por exemplo, US$ 20 mil (30% abaixo da atual)?</p>
<p>Acabamos de saber que o déficit fiscal da França em 2012 foi de 4,8% do PIB, e o da Espanha foi de 10,6% do PIB (<a href="http://www.dw.de/france-spain-remain-eurozone-deficit-sinners/a-16761871" target="_blank">aqui</a>). Este déficit deve ser financiado pelos credores, que serão pagos por impostos no futuro. Estamos em meio à tentativa desesperada de voltar ao crescimento econômico, na esperança de que essas economias gerem impostos suficientes no futuro para pagar os credores. Nesse sentido, fazer um ajuste fiscal parece um contra-senso, na medida em que diminuiria o crescimento econômico. Aqueles que defendem essa tese, na prática, estão pedindo aos credores que dobrem a sua aposta: emprestem ainda mais dinheiro, para que aquele país que não conseguiu crescer até o momento, do dia para a noite se torne um campeão de produtividade. Não será ingenuidade esperar que os credores acreditem nessa estória?</p>
<p>A única fórmula que resolve definitivamente o problema é aquela implementada pela Patrícia na sua casa: um choque de realidade. Os europeus precisam adequar suas vidas ao seu novo orçamento, e os credores precisam entender que emprestaram demais, e não vão ver a cor de parte do seu dinheiro.</p>
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		<title>A inflação do tomate e o crescimento econômico</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Apr 2013 01:21:13 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Economia]]></category>
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		<category><![CDATA[Crescimento Econômico]]></category>
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		<description><![CDATA[Em maio de 2011, publiquei um post (A história da inflação brasileira nas capas de Veja) em que mostro a evolução do impacto da inflação na opinião pública. Escolhi Veja por ser a publicação semanal mais antiga do Brasil (começou a ser publicada em setembro de 1968), além de ser, de longe, a de maior ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em maio de 2011, publiquei um post (<a href="http://www.drmoney.com.br/economia/a-historia-da-inflacao-brasileira-nas-capas-de-veja/">A história da inflação brasileira nas capas de Veja</a>) em que mostro a evolução do impacto da inflação na opinião pública. Escolhi Veja por ser a publicação semanal mais antiga do Brasil (começou a ser publicada em setembro de 1968), além de ser, de longe, a de maior circulação.</p>
<p>Um assunto, para ganhar a capa de uma publicação como Veja, deve estar mobilizando os debates nos bares, escritórios e cabeleireiros da vida. Por isso, quando a questão da inflação é capa, significa que está incomodando, para dizer o mínimo. Naquele post, a última capa publicada havia sido em dezembro de 2002. Ou seja, há mais de 10 anos. Bem, como todos sabem, o assunto voltou a ser capa de Veja:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Veja-2013041.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2431" title="Veja 201304" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Veja-2013041-300x275.jpg" alt="" width="300" height="275" /></a></p>
<p>É interessante notar que o IPCA acumulado em 12 meses, até março, foi de 6,59%. Em setembro de 2011, o mesmo IPCA atingiu um montante acumulado em 12 meses de 7,31%. Naquela ocasião, no entanto, o assunto não mereceu capa. Por que?</p>
<p>Alguns, menos crentes das virtudes do jornalismo independente, poderiam sugerir que tudo não passa de uma tentativa de um órgão de imprensa suspeito de denegrir a imagem do governo. Não fica claro porque a mesma revista não tocou no assunto em setembro de 2011. Ou mesmo durante todo o governo Lula. Portanto, esta hipótese não para em pé.</p>
<p>A explicação parece estar na leniência governamental em relação à inflação percebida pelos formadores de opinião. Vale lembrar que, em setembro de 2011, o BC havia acabado de interromper um aperto monetário de mais de 2 pontos percentuais. Ou seja, a imagem era o de um governo que procurava usar os instrumentos à mão para combater a inflação.</p>
<p>Hoje este quadro mudou. Temos um governo que tem feito cara de paisagem diante de uma inflação que insiste em ficar acima de 5,5%. E mais: que usa a baixa taxa de juros como uma conquista política, o que pressupõe um Banco Central que não tem independência para decidir sobre a política monetária. As tentativas de controlar preços administrados, como os da gasolina e das passagens de ônibus urbanos, somente reforçam a percepção de um governo que está perdido no combate à inflação. Este conjunto de fatores parece ser o responsável por levar o tema à capa de Veja, mais de 10 anos depois da última vez.</p>
<p>A justificativa do governo para esta inflação persistente tem sido o choque de commodities agrícolas. No entanto, comparando-se a nossa inflação com a de países semelhantes, vemos que estamos em um patamar superior. Veja no gráfico a seguir a comparação da inflação brasileira com a inflação média de quatro países que contam com estabilidade monetária em nosso continente: México, Chile, Peru e Colômbia (MCPC):</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Inflacao-comparativa-Brasil-x-MCPC.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2432" title="Inflação comparativa Brasil x MCPC" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Inflacao-comparativa-Brasil-x-MCPC-300x180.jpg" alt="" width="300" height="180" /></a></p>
<p>As barras verdes mostram que a nossa inflação tem se mantido entre 2 e 3 pontos percentuais acima da inflação média desses 4 países nos últimos 4 anos. Esta diferença havia sido de zero entre 2006 e 2008, mostrando que houve uma escolha macroeconômica diferente a partir de 2009. Procurou-se, no Brasil, adotar medidas anti-cíclicas, o que incluiu forte expansão fiscal e monetária para preservar o crescimento econômico. Funcionou? Vejamos no gráfico a seguir:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Crescimento-Brasil-x-MCPC.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2433" title="Crescimento Brasil x MCPC" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Crescimento-Brasil-x-MCPC-300x180.jpg" alt="" width="300" height="180" /></a></p>
<p>Observe como, no início, até que funcionou: o nosso crescimento foi mais alto entre 2008 e 2010 do que o crescimento médio de México, Chile, Peru e Colômbia. No entanto, a partir de 2011, a mágica parece ter perdido o seu efeito: o crescimento despencou em relação a esses países, com a inflação mantendo-se em patamar superior. Algo mudou a partir de 2011, e os estímulos dados pelo governo tem gerado inflação sem produzir crescimento. Trata-se somente de uma constatação, não pretendo discutir aqui os motivos. Só sei uma coisa: a<span style="font-size: 13px;">lguém pisou no tomate.</span></p>
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		<title>Um excelente resumo sobre PGBL/VGBL</title>
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		<comments>http://www.drmoney.com.br/educacao-financeira/um-excelente-resumo-sobre-pgblvgbl/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 04 Apr 2013 00:21:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>drmoney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aposentadoria]]></category>
		<category><![CDATA[Educação Financeira]]></category>
		<category><![CDATA[Infomoney]]></category>
		<category><![CDATA[PGBL/VGBL]]></category>

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		<description><![CDATA[A Infomoney publicou um excelente infográfico sobre previdência privada, e a escolha entre PGBL e VGBL. Veja a seguir: Infográfico: Infográfico Previdência Privada criado por Infomoney &#8211; Informação que vale Dinheiro]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Infomoney publicou um excelente infográfico sobre previdência privada, e a escolha entre PGBL e VGBL. Veja a seguir:</p>
<p><a href="http://www.infomoney.com.br/infograficos/previdencia-privada"><img src="http://images.infomoney.com.br/infograficos/infografico-previdencia-privada.jpg" alt="Previdência Privada - Portal InfoMoney" /></a> Infográfico: <a href="http://www.infomoney.com.br/infograficos/previdencia-privada">Infográfico Previdência Privada</a> criado por <a href="http://www.infomoney.com.br">Infomoney &#8211; Informação que vale Dinheiro</a></p>
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		<title>Quando a bolsa voltará a subir?</title>
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		<comments>http://www.drmoney.com.br/investimentos/quando-a-bolsa-voltara-a-subir/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 02 Apr 2013 22:58:00 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Investimentos]]></category>
		<category><![CDATA[Renda Variável]]></category>
		<category><![CDATA[Bolsa]]></category>
		<category><![CDATA[Ibovespa]]></category>
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		<description><![CDATA[Muito se tem falado sobre o desempenho sofrível da bolsa brasileira nos últimos tempos. O recorde de pontuação do Ibovespa se deu em 20/05/2008, quando o índice atingiu 73.516 pontos. 1.202 pregões depois, em 28/03/2013, o índice está em 56.352 pontos. Ou seja, para atingir o último pico, o Ibovespa precisa subir 30,5%. São 1.202 ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito se tem falado sobre o desempenho sofrível da bolsa brasileira nos últimos tempos. O recorde de pontuação do Ibovespa se deu em 20/05/2008, quando o índice atingiu 73.516 pontos. 1.202 pregões depois, em 28/03/2013, o índice está em 56.352 pontos. Ou seja, para atingir o último pico, o Ibovespa precisa subir 30,5%. São 1.202 pregões, ou 4 anos, 10 meses e 8 dias com a bolsa abaixo daquele último pico. Ocorreu-me a pergunta: estamos passando pelo pior momento da bolsa em sua história? Ou houve outros piores?</p>
<p>Para responder a esta questão, fiz um exercício simples: contei o número de dias desde um pico até o momento que aquele pico foi ultrapassado, desde o início do Ibovespa, em janeiro de 1968. Coloquei esta contagem em um gráfico, conforme podemos ver a seguir:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Picos-do-Ibovespa-sem-inflacao.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2419" title="Picos do Ibovespa sem inflação" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Picos-do-Ibovespa-sem-inflacao-300x152.png" alt="" width="300" height="152" /></a></p>
<p>Podemos notar que os 1.202 pregões só se comparam com a mais longa crise da bolsa até o momento, no início da década de 70. Depois de atingir o seu pico em 14/06/1971, no auge do Milagre Brasileiro, a bolsa só foi ultrapassar este pico em 15/06/1976, exatos 5 anos e 1 dia depois, ou 1.227 pregões. Estamos, portanto, quase lá.</p>
<p>Alguém poderá dizer, com razão: naquela época, a inflação era bem mais alta do que atualmente. Portanto, o mais justo seria comparar com o índice corrigido pela inflação, pois os ativos reais, como a bolsa, tendem, no longo prazo, a ser corrigidos pela inflação. Pois bem, repeti o exercício corrigindo os preços pelo IPCA até 1980 e pelo IPC-Fipe antes disso. O resultado está no gráfico a seguir:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Picos-da-Bolsa-com-inflacao.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2420" title="Picos da Bolsa com inflação" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Picos-da-Bolsa-com-inflacao-300x153.png" alt="" width="300" height="153" /></a></p>
<p>Corrigido pela inflação, a atual crise não parece tão grave. Estamos apenas alcançando a 3ª mais longa crise da história, que durou entre 27/03/2000 (quando estourou a bolha da Nasdaq) e 03/03/2005. Quase 5 anos, ou 1.225 pregões. O pico anterior só foi atingido quando a situação internacional se estabilizou e a economia doméstica entrou em uma fase de exuberância. A 2ª mais longa durou entre 25/04/1986 e 23/06/1997. Foram mais de 11 anos, ou 2.737 pregões, durante os quais o país enfrentou 5 planos de estabilização econômica para tentar domar a hiperinflação. E a grande crise da bolsa foi a do início da década de 70, que se estendeu de 14/06/1971 a 05/08/1985 (3.486 pregões). Na verdade, considerando-se a proximidade entre a primeira e a segunda crise, podemos dizer que se trata de uma mesma crise. Para termos uma idéia, vamos colocar abaixo o gráfico do Ibovespa corrigido pela inflação:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Ibovespa-ajustado-pela-inflacao.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2421" title="Ibovespa ajustado pela inflação" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Ibovespa-ajustado-pela-inflacao-300x150.png" alt="" width="300" height="150" /></a></p>
<p>As linhas verdes indicam os períodos que vão de um pico até o momento que este pico é ultrapassado. Podemos ver claramente a primeira, a segunda e a terceira crises, além da crise atual. Podemos observar também que a primeira e a segunda crises são praticamente uma só: se ajustarmos pela inflação, alguém poderia comprar o Ibovespa no início da década de 90 pelo mesmo preço do fim da década de 60. Ou seja, as décadas de 70 e 80 foram, do ponto de vista da bolsa, perdidas. Os breves espasmos no meio do caminho foram fruto de políticas populistas de curto prazo de validade. Na medida em que o Brasil entrou em uma certa normalidade macroeconômica, principalmente depois da adoção do Plano Real, pudemos observar uma valorização mais consistente das ações.</p>
<p>E agora? Faltam poucos dias para ultrapassarmos a 3a mais longa crise da bolsa. Como vimos que a primeira e a segunda são, na verdade, uma só, estamos a poucos dias de entrar na 2a mais longa crise da bolsa desde a criação do índice Bovespa, no final da década de 60. A crise internacional explica parte deste fenômeno, mas só parte. O S&amp;P500 já ultrapassou o seu pico anterior, e está nas suas máximas históricas. Para nós, ainda faltam 30%. E nem os mais otimistas acreditam que chegaremos lá no curto prazo.</p>
<p>Assim, a crise internacional é somente um fator, mas não explica tudo. Temos culpas domésticas também. Ao longo do tempo, políticas macroeconômicas inconsistentes acabam por prejudicar os resultados das empresas. E a bolsa, no longo prazo, vive do resultado das empresas. Portanto, para que possamos um dia sonhar em voltar às velhas glórias da bolsa, precisamos retomar o bom caminho: investir em reformas estruturais, que permitam o aumento da produtividade da economia, e deixar de lado as medidas populistas de curto prazo, que ganham votos para a próxima eleição, mas hipotecam o futuro da próxima geração.</p>
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		<title>Você recebe o que você paga</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Feb 2013 00:50:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>drmoney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Custo Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Eletropaulo]]></category>

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		<description><![CDATA[Lê-se na coluna da Sonia Racy de hoje: A Eletropaulo está jogando a toalha ante as chuvas diárias e os estragos consequentes em SP. Cliente da distribuidora ligou para reclamar da falta de luz – ameaçando processar a empresa por estar há mais de 24 horas sem eletricidade. Acabou ouvindo: “Não temos funcionários suficientes, não ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lê-se na <a href="http://blogs.estadao.com.br/sonia-racy/na-frente-925/" target="_blank">coluna da Sonia Racy</a> de hoje:</p>
<blockquote><p>A Eletropaulo está jogando a toalha ante as chuvas diárias e os estragos consequentes em SP. Cliente da distribuidora ligou para reclamar da falta de luz – ameaçando processar a empresa por estar há mais de 24 horas sem eletricidade. Acabou ouvindo: “Não temos funcionários suficientes, não há o que fazer. Se quiser, processa”</p></blockquote>
<p>Voltemos um pouco no tempo. Em setembro, no meio do turbilhão das novas regras para o setor elétrico, a Eletropaulo <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,demissoes-podem-se-ampliar-nas-eletricas-,932617,0.htm" target="_blank">demitiu 150 funcionários</a>. Não foi por conta das novas regras, que atingiram principalmente as empresas geradoras e de transmissão de energia, mas em função do resultado da 3a rodada de revisão tarifária, <a href="http://economia.estadao.com.br/noticias/economia+negocios,tarifa-da-aes-eletropaulo-tem-reducao-media-de-933-aneel,118061,0.htm" target="_blank">que havia reduzido as tarifas da concessionária em 9,33%</a>. Em função disso, o<span style="font-size: 13px; line-height: 19px;">s lucros da Eletropaulo<a href="http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios+geral,lucro-liquido-da-eletropaulo-cai-961-no-3-trimestre,133793,0.htm" target="_blank"> despencaram no 3o trimestre</a>, de R$ 350 milhões para apenas R$ 13 milhões. E olha que se trata de um setor considerado &#8220;seguro&#8221; pelos investidores, com alta previsibilidade de resultados&#8230;</span></p>
<p>A Eletropaulo está sob pressão. E não só pelos seus resultados financeiros. O serviço tem deixado a desejar. Não é para menos: bairros inteiros sem luz por várias horas, picos de energia danificando equipamentos. Há duas formas de interpretar esse problema:</p>
<p>1. A Eletropaulo, como toda empresa, busca maximizar o seu lucro acima de qualquer coisa. Para tanto, e como é monopolista, não hesita em fornecer um péssimo serviço, se isso for necessário para manter os seus lucros.</p>
<p>2. A Eletropaulo, como toda empresa, busca maximizar o seu lucro . Estando trabalhando no osso, em decorrência da revisão tarifária, teve que fazer um ajuste nos seus custos, o que acabou por prejudicar a qualidade dos serviços.</p>
<p>Você escolhe a versão que mais lhe parece correta. Uma fato, no entanto, é inescapável: o serviço piorou depois da revisão tarifária. E aqui cabe uma de minhas máximas preferidas: você obtém aquilo pelo qual você paga. Vejamos o exemplo das estradas. O modelo de concessão paulista, com pedágios caros, entregou, de longe, as melhores estradas do Brasil. O modelo de concessão federal, com pedágios bem baratos, entregou as estradas praticamente no mesmo estado em que se encotravam antes da concessão.</p>
<p>O modelo de &#8220;modicidade tarifária&#8221; adotado por este governo, apesar de popular, é normalmente uma enganação: você faz de conta que paga, e o fornecedor faz de conta que presta o serviço. E não há murro na mesa que revogue a realidade microeconômica da relação preço x qualidade.</p>
<p>Obviamente, é sempre saudável procurar aumentar a produtividade, e oferecer mais com menos. Esta é uma busca constante das empresas que não atuam em mercados protegidos, e que pensam em maximizar os seus lucros. Mas, por maior que seja o aumento da produtividade, a relação preço x qualidade se mantém, por ser uma realidade matemática.</p>
<p>Vimos o esforço feito pelo governo na redução das tarifas de energia elétrica, às custas principalmente dos balanços das empresas, em especial da Eletrobrás. Não se iluda: o padrão do serviço se reduzirá, como aconteceu com a Eletropaulo. Não há mágica.</p>
<p>- Mas Dr. Money, pagamos uma das energias mais caras do mundo! Não é possível que não dê para fornecer um serviço melhor!</p>
<p>Pois é, pagamos uma das energias mais caras do mundo, assim como pagamos um dos carros mais caros do mundo, um dos iPads mais caros do mundo, um dos hoteis mais caros do mundo, e assim vai. Ninguém em sã consciência deseja tarifas e preços altos. Mas é preciso atacar o inimigo certo. Será que os empresários brasileiros são mais mesquinhos que seus pares internacionais? Ou será que o culpado deve ser procurado em outro lugar? Que tal um tal de &#8220;custo Brasil&#8221;?</p>
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		<title>Quanto o BNDES custa para o Brasil</title>
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		<comments>http://www.drmoney.com.br/economia/estado/quanto-o-bndes-custa-para-o-brasil/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 16 Feb 2013 20:35:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>drmoney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Estado]]></category>
		<category><![CDATA[BNDES]]></category>
		<category><![CDATA[Custo Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Taxa de Juros]]></category>

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		<description><![CDATA[A LBR, Lácteos Brasil S/A, entrou em concordata. Nada de notável, não fosse este mais um negócio bilionário arquitetado nos escritórios do BNDES, que colocou R$ 700 milhões para ser sócio minoritário daquela que estava destinada a ser a &#8220;campeã nacional do leite&#8221;. Como sabemos, a atual diretoria do BNDES, liderada pelo economista Luciano Coutinho, ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A LBR, Lácteos Brasil S/A, entrou em <a href="http://economia.estadao.com.br/noticias/economia+geral,lbr-entra-com-pedido-de-recuperacao-judicial,143944,0.htm" target="_blank">concordata</a>. Nada de notável, não fosse este mais um negócio bilionário arquitetado nos escritórios do BNDES, que colocou R$ 700 milhões para ser sócio minoritário daquela que estava destinada a ser a &#8220;campeã nacional do leite&#8221;.</p>
<p>Como sabemos, a atual diretoria do BNDES, liderada pelo economista Luciano Coutinho, tem uma visão muito particular sobre o papel do Banco de Desenvolvimento na economia do país. Para Luciano Coutinho, é papel do BNDES eleger determinados grupos privados, e transformá-los em empresas multinacionais, que possam competir de igual para igual com concorrentes externos. Foi assim com a JBS, Marfrig e Oi.</p>
<p>Uma frase de Luciano Coutinho, reproduzida em <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,coutinho-defende-apoio-a-setor-de-laticinios-,997615,0.htm" target="_blank">reportagem </a>do Estadão de hoje, resume a sua visão de mundo:</p>
<blockquote><p><span style="font-size: 13px;">O Brasil tem setores com potencial competitivo, particularmente no agronegócio, e temos uma demanda pujante na Ásia, que é uma oportunidade.</span></p></blockquote>
<p>O presidente do BNDES, assim como todos os ocupantes de cargos relevantes em Brasília, realmente acreditam que burocratas situados no Planalto Central conseguem identificar, melhor que os empresários, que colocam o seu capital em risco, as oportunidades que o mundo dos negócios oferece.</p>
<p>- Mas Dr. Money, não é o BNDES que detecta essas oportunidades. Os empresários têm as ideias, e o BNDES financia, se for do interesse nacional.</p>
<p>Certo. Digamos que seja assim. Há duas hipóteses honestas aqui (vou deixar as desonestas para a imaginação dos leitores):</p>
<p>1) O negócio imaginado pelo empresário é viável sem os juros subsidiados do BNDES. Neste caso, por que o BNDES precisa participar? Para aumentar o lucro do empresário, às custas do Tesouro? Este é o caso, por exemplo, das empresas do grupo 3G, que acabou de adquirir a Heinz juntamento com Warren Buffett. A Ambev, Lojas Americanas e B2W <a href="http://blogs.estadao.com.br/fernando-dantas/?doing_wp_cron=1361033187.9083960056304931640625" target="_blank">pegaram R$ 3 bilhões do BNDES em 2011</a>. Precisavam? Não. São empresas que têm acesso fácil ao mercado de capitais. No entanto, como bons gerentes, seus diretores aproveitaram a oferta de juros mais baratos.</p>
<p>2) O negócio imaginado pelo empresário <strong>não</strong> é viável sem os juros subsidiados do BNDES. Neste caso, é preciso entender porque este negócio não é viável. Às vezes, pode ser um projeto de cunho social: moradias para a população pobre, projetos de mobilidade urbana, enfim, projetos que têm dividendos sociais, mas que não geram retornos financeiros. Não parece ser o caso da LBR. Para empreendimentos que visam o lucro, parece ser pouco inteligente subsidiar o empresário com recursos do Tesouro.</p>
<p>- Ah, mas Dr. Money! O negócio vai gerar empregos, o que também é um ganho social!</p>
<p>Vamos ver se consigo me fazer entender de uma vez por todas: o governo não cria riqueza, apenas transfere riqueza de um lugar para o outro! Ao subsidiar juros para uma determinada empresa, o Tesouro precisa aumentar impostos ou se endividar mais (o que significa mais impostos no futuro), inviabilizando outros negócios (geralmente os menores) que não têm o privilégio de ter os juros subsidiados! Acontece que esses outros negócios prejudicados não sabem que estão sendo prejudicados, enquanto o negócio que está sendo ajudado sabe que está sendo ajudado. Assim, é muito fácil obter apoio político para iniciativas como a do BNDES.</p>
<p>Seria muito mais inteligente, por exemplo, melhorar o ambiente de negócios no Brasil. Na mesma edição do Estadão, <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,regras-no-brasil-mudam-todo-dia-diz-anglo-american-,997601,0.htm" target="_blank">reportagem </a>reproduz as críticas da presidente da Anglo American, Cynthia Carroll, que atribuiu os prejuízos que teve no Brasil à &#8220;mudança frequente de regras e excesso de licenças para funcionar&#8221;. Será que precisaríamos de juros subsidiados se o ambiente de negócios no Brasil fosse mais amigável para todos, e não apenas para alguns eleitos?</p>
<p>E para você que acha que essa discussão não tem nada a ver com a sua vida, veja o gráfico a seguir:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/02/Evolucao-da-divida-publica.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2402" title="Evolução da dívida pública" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/02/Evolucao-da-divida-publica-300x180.jpg" alt="" width="300" height="180" /></a></p>
<p>Entendendo os conceitos: a dívida bruta é formada por todos os títulos emitidos pelo governo, seja no mercado doméstico quanto no externo. Esta dívida totalizou quase R$ 2,6 trilhões em 2012, ou quase 60% do PIB. Para chegar na dívida líquida descontamos os créditos do governo. Os principais são as reservas externas (cerca de R$ 750 bi) e os créditos junto ao BNDES (aproximadamente R$ 370 bi). Descontando estes e outros créditos menores, temos uma dívida líquida de R$ 1,6 trilhões (o número é maior porque inclui cerca de R$ 380 bi de títulos encarteirados no BC).</p>
<p>A coisa fica mais fácil de entender quando analisado em percentual do PIB. Note como a dívida líquida tem diminuído ao longo dos anos: era de quase 50% do PIB em 2006, e fechou 2012 em 35% do PIB. Mas isso não aconteceu pela diminuição da dívida bruta, que permaneceu em torno de 60% do PIB. É fácil de entender porque: os créditos do governo (reservas internacionais e BNDES) aumentaram no período. No caso do BNDES, que é o que nos interessa neste momento, os créditos cresceram de praticamente zero em 2006 para quase 9% do PIB em 2012.</p>
<p>Além de manter a dívida bruta alta, estes créditos têm um outro efeito nefasto: os juros da dívida permanecem altos, em função dos subsídios. É fácil de entender porque: se eu tomo recursos no mercado a, digamos, 7,25% ao ano, e empresto a 5%, tenho um prejuízo. O custo da dívida bruta é de 7,25%, mas o custo da dívida líquida é maior, pois devo considerar este prejuízo no cálculo. Claro, isso sem contar as barcas furadas em que o BNDES entra, como a LBR, ou os estádios de futebol para a Copa, que estão sendo construídos Brasil afora com dinheiro do BNDES praticamente a fundo perdido.</p>
<p>No gráfico a seguir, temos uma comparação da SELIC e do custo implícito da dívida líquida brasileira desde 2006:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/02/Taxa-de-juros-implicita-da-divida-liquida.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2403" title="Taxa de juros implícita da dívida líquida" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/02/Taxa-de-juros-implicita-da-divida-liquida-300x180.jpg" alt="" width="300" height="180" /></a></p>
<p>Uma imagem vale por mil palavras: veja como, apesar da queda expressiva da SELIC nos últimos anos, o custo real da dívida pública permanece no patamar de 15% ao ano. Este é o custo dos subsídios dados pelo governo. Não existe almoço de graça.</p>
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		<title>Oferta e demanda, os verdadeiros determinantes dos preços</title>
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		<comments>http://www.drmoney.com.br/economia/oferta-e-demanda-os-verdadeiros-determinantes-dos-precos/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 12 Feb 2013 19:04:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>drmoney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas Macroeconômicas]]></category>
		<category><![CDATA[Dólar]]></category>
		<category><![CDATA[Inflação]]></category>
		<category><![CDATA[Taxa de Juros]]></category>

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		<description><![CDATA[Alguns dias atrás, o governo argentino entrou em um &#8220;acordo&#8221; de congelamento de preços com os supermercados até 1 de abril. A sensação de dèjá vu, para os brasileiros com mais de 35 anos de idade, foi inevitável: vivemos 5 tentativas de congelamento geral de preços entre 1986 e 1991: Plano Cruzado (1986), Plano Bresser ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns dias atrás, o governo argentino entrou em um &#8220;<a href="http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1226069-argentina-faz-acordo-com-supermercados-para-congelar-precos.shtml" target="_blank">acordo</a>&#8221; de congelamento de preços com os supermercados até 1 de abril. A sensação de dèjá vu, para os brasileiros com mais de 35 anos de idade, foi inevitável: vivemos 5 tentativas de congelamento geral de preços entre 1986 e 1991: Plano Cruzado (1986), Plano Bresser (1987), Plano Verão (1988), Plano Color I (1990) e Plano Collor II (1991). Nenhum deles funcionou. Ou melhor: chegaram a funcionar no curto prazo, mas, passado algum tempo, se mostraram um desastre.</p>
<p>Pensa o leitor que aprendemos? Em 1995, resolvemos tentar segurar a inflação por meio do congelamento do câmbio. De 1995 a 1999, o câmbio era &#8220;tabelado&#8221; pelo Banco Central, servindo como &#8220;âncora&#8221; para a inflação. Em 1999 o sistema foi abandonado, em uma desvalorização dramática.</p>
<p>Aprendemos? Aparentemente, não. Recentemente, vemos o governo tentando segurar a inflação por meio do congelamento dos preços dos combustíveis e, até, das tarifas dos ônibus municipais. Vai funcionar? Consulte a história.</p>
<p>No cerne desta questão encontra-se uma lei da economia que é tão real quanto a lei da gravidade: a lei da oferta e da demanda. Os bens e serviços são ofertados pelos seus fornecedores, e têm uma determinada demanda. O fator que equilibra oferta e demanda é o preço. Se há escassez de oferta, o preço sobe para expulsar compradores ou para atrair novos fornecedores. Se há abundância de oferta, o preço cai para atrair mais compradores ou para expulsar alguns dos fornecedores atuais. A lei da oferta e da demanda e o sistema de preços, assim como a lei da gravidade, funciona no sistema capitalista, socialista ou anarquista. Mesmo que o dinheiro não existisse, e as trocas fossem feitas por meio do escambo, seria necessário entender a relação de valor entre as diversas mercadorias. E esta relação de valor se daria por efeito de sua abundância/escassez.</p>
<p>Assim como o ser humano se rebela contra a lei da gravidade, e procura meios de vencê-la, assim também a lei da oferta e da demanda causa revolta em muitos espíritos. Reproduzirei a seguir um texto retirado da área de comentários de um certo blog, onde o assunto era justamente o reajuste dos preços dos combustíveis. Na minha avaliação, este texto traduz à perfeição o pensamento de muitos sobre a lei da oferta e da demanda e o sistema de preços:</p>
<blockquote><p>Você pode comprar computador de várias marcas, mas o processador será da Intel. Cadê a concorrência? Quantas empresas fabricam impressoras e fotocopiadoras? Quantos fabricantes de carros existem no mundo? Quantos fabricantes de motores existem no mundo? Quantos estaleiros existem no mundo? Quantas empresas produzem equipamentos para exploração de petróleo?</p>
<p>Não existe concorrência. Isso é mito. Uma empresa diz o preço e as outras seguem. Ou você controla o preço, ou segue quem controla.</p>
<p>A lei da oferta e da procura não existe mais. Foi extinta junto com os dinossauros. Todos os produtos tem alguém que controla o preço. Se o governo não controlar, alguém o fará. Quem fará? Quem tem dinheiro. Os grandes fundos, investidores e corporações, que determinam quanto produzir, quando produzir, onde produzir e qual será o preço. Se você quer, então pague. Se não puder pagar, fique sem. Essa é a lógica do mercado.</p></blockquote>
<p>Este pensamento é primo-irmão da <a href="http://www.drmoney.com.br/economia/teoria-da-conspiracao/?trashed=1&amp;ids=593">Teoria da Conspiração</a>: uns poucos poderosos decidem os destinos do mundo a portas fechadas. Uma visão irritantemente simplista para um mundo cada vez mais complexo.</p>
<p>Atenção especial para a última frase: &#8220;Se você quer, então pague. Se não puder pagar, fique sem. Essa é a lógica do mercado&#8221;. Sim, esta é a lógica da lei da oferta e da demanda. Uma lógica inescapável, não por decisão de uns poucos, mas porque a vida é assim. Todos nós queremos coisas pelas quais não podemos pagar. O orçamento sempre será limitado, independentemente do seu tamanho. Esse é um dado da natureza humana. Abordo este ponto no post <a href="http://www.drmoney.com.br/educacao-financeira/consumo/o-orcamento-domestico-e-teoria-do-gas/">O orçamento doméstico e a teoria do gás</a>.</p>
<p>Mas a lógica da Teoria da Conspiração é outra: sempre haverá quem controle os preços. Portanto, é melhor que o governo o faça. Assim, teríamos um &#8220;ente&#8221; acima de qualquer suspeita, eleito pelo povo, que determinaria os preços das mercadorias com vistas à maximização do bem estar desse mesmo povo. Falta, claro, um dado nessa equação virtuosa: os burocratas do governo deveriam poder determinar os preços de tal forma que equilibrasse oferta e demanda. Caso contrário, sobrariam mercadorias sem consumo, ou sobrariam consumidores sem mercadoria.</p>
<p>Isto não seria verdade apenas no caso de um Estado que se dispusesse a produzir absolutamente todos os produtos e serviços, e os distribuísse para a população de acordo com as suas necessidades, estabelecidas a priori pelo próprio Estado. Neste sistema hipotético, os preços seriam dispensáveis, uma vez que as pessoas não precisariam comprar as mercadorias. Elas seriam disponibilizadas gratuitamente, de acordo com as necessidades de cada um. O único problema neste sistema é o danado do ser humano, que sempre quer um pouco mais do que tem. Experimente deixar um bando de seres humanos soltos dentro de um supermercado, com todas as mercadorias de graça. Não precisa ser muito criativo para imaginar o que aconteceria&#8230; Assim, é claro que, neste sistema, a liberdade de escolha iria para o brejo: o Estado se encarregaria de determinar o que e quanto cada indivíduo consumiria ao longo de sua vida. E não custa lembrar que o Estado não é formado por robôs ou por anjos, mas por seres ambiciosos, egoístas e falíveis. Ou seja, seres humanos. Em outras palavras, revogar a lei da oferta e da demanda significa revogar o princípio da liberdade humana. Que o digam os países que tentaram fazer isso a sério.</p>
<p>Voltemos então para o nosso mundo: imperfeito, com concentração de renda, egoísmo e tudo mais, mas que admite o princípio da liberdade de escolha. Neste mundo, a lei da oferta e da demanda existe e deve ser respeitada, sob pena de grandes desastres econômicos.</p>
<p>- Ok, Dr. Money, então o senhor nega que haja manipulações de preços dos mais diversos tipos, por parte de monopólios que controlam até governos?</p>
<p>De maneira nenhuma, meu amigo. Com certeza há manipulação de preços, que desafiam a lei da oferta e da demanda. Assim como há formas de desafiar a lei da gravidade. Mas este desafio se faz à custa de muita energia, e mesmo assim seus efeitos são de curto prazo. Mesmo os monopólios que aparentam ser os mais sólidos, não o são tanto assim. Vou dar um exemplo que me parece bastante ilustrativo: o nióbio.</p>
<p>Para quem não sabe, o nióbio é um minério bastante raro, que serve como aditivo para a fabricação de aços especiais, e é um dos preferidos dos adeptos da Teoria da Conspiração, já veremos porquê. O Brasil tem 98% das reservas deste minério, em uma mina de Araxá-MG. Um quilo de nióbio é vendido por aproximadamente US$ 50. Comparativamente, a tonelada do minério de ferro é negociada a US$ 100 a tonelada. Portanto, um metal bastante caro. Quando estive em visita à mina de Araxá, pude perceber visitantes de outras nacionalidades, principalmente chineses. Não por acaso, a China, como maior produtor de aço do mundo, é também o maior consumidor de nióbio. Aproveitei a oportunidade para fazer a pergunta que atormenta os adeptos da Teoria da Conspiração: por que, sendo monopolista do fornecimento deste minério único, não se cobra um preço muito maior? A resposta foi encantadoramente simples: para não perder mercado para outras eventuais soluções tecnológicas. Em outras palavras, o que o produtor monopolista de nióbio leva em consideração para o estabelecimento do seu preço é, nada mais, nada menos, que a lei da oferta e da demanda. Neste caso, a potencial oferta de outra solução que se tornaria economicamente viável se o nióbio fosse mais caro.</p>
<p>- Mas neste caso, Dr. Money, o Brasil não poderia fazer como os países da OPEP, que elevaram os preços do petróleo em mais de 10 vezes, e mesmo assim o consumo não fez nada mais do que crescer?</p>
<p>Em um primeiro momento, isso foi verdade. Não é possível, do dia para a noite, diminuir o consumo de petróleo ou aumentar a sua oferta. Mas com preços muito mais altos, não tenha dúvida de que a lei da oferta e da demanda começou a funcionar. Fontes alternativas de energia, até então inviáveis economicamente, começaram a ser mais utilizadas. Um exemplo foi a energia nuclear. Fontes alternativas de exploração de petróleo também tornaram-se viáveis, como a exploração em águas profundas no Brasil. E o desenvolvimento de motores mais eficientes no consumo de energia tornou-se economicamente viável. Assim, é verdade que o consumo cresceu desde a década de 70. Mas não tanto quanto teria crescido não fosse o choque de preços. Os países árabes saíram no lucro? Provavelmente sim, mas não tanto quanto imaginavam no início do processo.</p>
<p>O importante, nessa discussão, é entender que há desvios de curto prazo na lei da oferta e da demanda, desvios esses tanto maiores e persistentes quanto maiores forem as barreiras de entrada no mercado. Assim, o mercado de bens de consumo que podem ser importados é mais sensível a mudanças de preços do que o mercado de serviços, que não podem ser importados. No entanto, este mercado também é sensível a mudanças de preços: um cabeleireiro não pode aumentar o seu preço demasiadamente, pois sofre a concorrência de outros cabeleireiros. Ok, há casos em que a habilidade de um prestador de serviço (e este é o caso do cabeleireiro) permite a cobrança de um preço acima da média. Mas, a partir de um determinado patamar, mesmo os clientes mais fiéis podem sentir a tentação de testar outro fornecedor. A lei da oferta e da demanda sempre funciona, mesmo que demore a dar as caras.</p>
<p>- Mas Dr. Money, como você explica então as grandes bolhas de preços, que acabam explodindo? Os preços não estavam errados? Onde foi parar a lei da oferta e da demanda nesses casos?</p>
<p>Se você prestou atenção ao que eu disse até aqui, terá notado que afirmei que a lei da oferta e da demanda pode ter desvios de curto prazo, em função de distorções nos mercados. Mas no final sempre funciona (não é por outro motivo que as bolhas explodem). Consideremos o exemplo mais recente da bolha imobiliária nos EUA, que estourou em 2007/2008. Os preços dos imóveis atingiram preços &#8220;fora da realidade&#8221; (esse termo considera que saibamos qual é A realidade, o que por si só já é disputável) em função do aumento espetacular do crédito imobiliário, por meio de uma engenharia financeira complexa (sobre este assunto, veja o post <a title="The Big Short. Entenda porque os EUA perderam o rating AAA." href="http://www.drmoney.com.br/economia/the-big-short-entenda-porque-os-eua-perderam-o-rating-aaa/">The Big Short. Entenda porque os EUA perderam o rating AAA</a>). Este mecanismo criou uma demanda artificial, inflando os preços para equilibrar com a oferta. Quando a demanda desapareceu da noite para o dia, os preços desabaram. Note que a lei da oferta e da demanda estava em funcionamento o tempo inteiro: o problema foi de aumento artificial da demanda, e não a lei em si.</p>
<p>Aliás, e como comentário à parte, este caso nos faz concluir que o crédito é um &#8220;inflador&#8221; de demanda, qualquer que seja o seu nível. A demanda continuará lá se o crédito continuar lá. Se houver uma diminuição da oferta de crédito, a demanda diminuirá, derrubando os preços. Por outro lado, o crédito é inflacionário se não é acompanhado de um aumento da oferta. Parece ser este o caso atual da economia brasileira.</p>
<p>Vamos a um último exemplo de tentativa de revogação da lei da oferta e da demanda, desta vez com um preço fundamental para qualquer economia: o preço do dinheiro. O dinheiro tem basicamente dois preços: no tempo (taxa de juros) e para trocas internacionais (câmbio). Estes dois preços, como todos os outros, obedecem à lei da oferta e da demanda. Portanto, o governo não consegue, de maneira permanente e no longo prazo, estabelecer estes dois preços por decreto. Ele pode, sim, tentar influenciar estes dois preços por meio de mecanismos de mercado. Por exemplo, o FED tem colocado em prática o chamado Quantitative Easing, que nada mais é do que a compra de títulos no mercado. Com esse mecanismo, o FED tem conseguido, pelo menos por enquanto, trazer para baixo as taxas de juros. Mas é ilusão achar que o FED substitui o mercado. Se houver algum sinal de descontrole inflacionário, as taxas de juros vão subir por lá, por mais que o FED não queira.</p>
<p>Da mesma forma aqui. O governo vem se gabando de ter derrubado a taxa de juros para os mais baixos níveis da história. De fato, no curto prazo é isso mesmo. Mas é a inflação que vai ditar o rumo da taxa de juros, não a vontade do governo. Se a inflação subir, as taxas de juros subirão inexoravelemente. No final, é o mercado que decide.</p>
<p>Outra discussão é o câmbio. Alguns governos, e de maneira especial o brasileiro, realmente acreditam que podem estabelecer o nível de câmbio &#8220;ideal&#8221;. Trata-se de um preço tão importante, que influencia tantos processos econômicos, que é já uma temeridade em si achar que se conhece o nível de câmbio &#8220;ideal&#8221; para a economia como um todo. Pensar, então, que é possível controlá-lo é desconhecer os fundamentos básicos da economia, e em especial a lei da oferta e da demanda.</p>
<p>- Mas e a China, Dr. Money? Não controla o câmbio? E o tsunami monetário provocado pelo FED? Eles não estão manipulando o câmbio deles? Não deveríamos nos proteger?</p>
<p>Vamos por partes. A China abriu mão da livre circulação de capitais em troca de um câmbio administrado. Segundo a teoria da <a href="http://krugman.blogs.nytimes.com/2011/05/09/currency-wars-and-the-impossible-trinity-wonkish/" target="_blank">Trindade Impossível</a>, não é possível ter, ao mesmo tempo, câmbio fixo, liberdade de capitais e política monetária independente. Aqui no Brasil, também abrimos mão de uma certa liberdade de capitais (por meio de impostos sobre fluxos internacionais) em troca de uma certa estabilidade do câmbio. Já no caso dos EUA, eles estão fazendo política monetária, não cambial. A forma de nos protegermos é aumentar a produtividade da nossa economia. Qualquer outra solução envolve controle de capitais, ou inflação, ou um conjunto das duas coisas.</p>
<p>Por fim, chegamos ao ponto de início: tentar congelar preços, quaisquer preços, significa tentar revogar a lei da oferta e da demanda. Se há uma coisa certa neste mundo, é que os preços se movem para equilibrar oferta e demanda. E qualquer tentativa de controlá-los acabará, cedo ou tarde, em fracasso.</p>
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		<title>Pagar à vista ou em parcelas?</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Feb 2013 00:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>drmoney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação Financeira]]></category>
		<category><![CDATA[Matemática Financeira]]></category>
		<category><![CDATA[Financiamento]]></category>
		<category><![CDATA[IPTU]]></category>
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		<description><![CDATA[Chega o início do ano, e a dúvida que persegue a humanidade desde o início dos tempos ataca novamente: devo pagar o IPVA e o IPTU à vista ou a prazo? A mesma dúvida ocorre ao longo de ano, em várias ocasiões. Acabaram-se os seus problemas! Dr. Money vai disponibilizar para você uma planilha simples ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Chega o início do ano, e a dúvida que persegue a humanidade desde o início dos tempos ataca novamente: devo pagar o IPVA e o IPTU à vista ou a prazo? A mesma dúvida ocorre ao longo de ano, em várias ocasiões.</p>
<p>Acabaram-se os seus problemas!</p>
<p>Dr. Money vai disponibilizar para você uma <a href="http://www.drmoney.com.br/Calculo_de_taxa_de_juros.xlsx" target="_blank">planilha </a>simples e fácil de usar, que lhe ajudará a tomar a decisão. Veja um exemplo a seguir:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/02/Planilha-de-calculo-de-parcelas.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2387" title="Planilha de cálculo de parcelas" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/02/Planilha-de-calculo-de-parcelas-300x137.png" alt="" width="300" height="137" /></a></p>
<p>Você deve entrar os seus dados nas células verdes, e os resultados aparecerão nas células vermelhas.</p>
<p>A primeira célula verde refere-se à sua situação financeira: se você tiver dinheiro para pagar a sua obrigação à vista, deve escolher &#8220;posso pagar à vista&#8221;. Caso contrário, se você for tomar dinheiro emprestado, ou usar o cheque especial, escolha &#8220;vou pegar dinheiro emprestado&#8221;.</p>
<p>A segunda célula refere-se ao custo do seu dinheiro. Se você escolheu &#8220;posso pagar à vista&#8221; na primeira célula, a planilha perguntará &#8220;Qual o rendimento da sua aplicação?&#8221;. Coloque o rendimento mensal. Caso contrário, se você escolheu &#8220;vou pegar dinheiro emprestado&#8221;, a planilha perguntará &#8220;Qual a taxa do seu empréstimo?&#8221;. Também coloque a taxa mensal.</p>
<p>Nas próximas três células verdes você vai colocar o valor à vista da obrigação, o valor de cada parcela e o número de cada parcela. Por fim, na linha &#8220;1o pagamento&#8221;, escolha entre &#8220;um mês depois do pagamento à vista&#8221;, se a 1a parcela for feita apenas um mês depois da data do pagamento à vista. Se, por outro lado, o pagamento da 1a parcela se der no próprio dia do pagamento à vista, escolha &#8220;no dia do pagamento à vista&#8221;. Em São Paulo, por exemplo, o pagamento da primeira parcela do IPTU e do IPVA se dá no próprio dia do pagamento à vista.</p>
<p>Introduzidos todos estes dados, você obtém a resposta: a taxa implícita na opção de pagamento, e, o mais importante, se vale a pena pagar antecipadamente, ou parcelar.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Transformando em pó o patrimônio do povo</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Feb 2013 23:06:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>drmoney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Estado]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Observe o seguinte gráfico:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/02/Valor-de-mercado-de-empresas-publicas-e-privadas1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2379" title="Valor de mercado de empresas públicas e privadas" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/02/Valor-de-mercado-de-empresas-publicas-e-privadas1-300x180.jpg" alt="" width="300" height="180" /></a></p>
<p>Ele representa a evolução do valor de mercado de um conjunto de empresas com histórico em bolsa desde 2002. São, ao todo, 126 empresas, sendo 12 estatais e 114 privadas. São as mesmas empresas ao longo do tempo, de modo que os números são comparáveis. A linha azul representa o valor de mercado das empresas públicas, enquanto a linha vermelha representa o conjunto das empresas privadas. Em 2002, as estatais valiam R$ 85 bilhões, enquanto as privadas tinham o valor de R$ 191 bilhões. 10 anos depois, as estatais valem R$ 398 bilhões (crescimento de 16,7% ao ano), enquanto as privadas valem R$ 1,414 trilhão (crescimento de 22,2% ao ano).</p>
<p>As barras verdes representam a relação entre os dois valores. Em 2002, o conjunto das empresas estatais valia 45% do valor de mercado das empresas privadas. Em 2012, essa relação havia caído para 28%. Agora, vem o interessante: note como durante o governo Lula (2003 &#8211; 2010), a relação oscilou entre 40% e 55%, com uma média no período de 46%. Pois bem, se nos dois anos do governo Dilma esta relação tivesse se mantido, o conjunto das empresas estatais estaria valendo hoje R$ 652 bilhões (46% de R$ 1,414 trilhões). No entanto, como vimos, estas empresas valem hoje R$ 398 bilhões. Portanto, o patrimônio público foi dilapidado em R$ 254 bilhões nos últimos 2 anos.</p>
<p>Por que isso é importante? O valor de mercado de uma empresa sinaliza o quanto os investidores estão dispostos a pagar por uma participação acionária. Vamos tentar entender com um exemplo simples: imagine o dono de uma padaria que necessita fazer uma reforma. Ele não tem o dinheiro suficiente e, portanto, precisa pegar um empréstimo num banco ou arrumar um sócio. Digamos que ele opte por um sócio, que tem R$ 50 mil para aportar no negócio. Se a padaria valer R$ 100 mil, o sócio ficará com 50% do negócio e dos lucros. Se a padaria valer R$ 150 mil, o sócio ficará com apenas 33% do negócio de dos lucros. Assim, quando as estatais precisarem levantar recursos no mercado (captar dinheiro dos sócios), em tese deveriam abrir mão de uma parcela maior do negócio.</p>
<p>Mas claro, estamos falando de empresas estatais. O sócio majoritário é o governo, que pode endividar-se, ou tributar, ou uma mistura das duas coisas, para capitalizar as suas empresas. Portanto, se não houver sócios, no limite o governo pode aumentar a sua participação nas empresas ou até fechar o seu capital. Mas também sabemos que a capacidade do governo de endividar-se ou tributar é cada vez mais limitada, ainda mais quando falamos de uma gigante como a Petrobras. De modo que o governo não pode abrir mão dos sócios privados. E, quando vier a mercado para levantar mais recursos, talvez precise abrir mão de uma fatia maior do negócio.</p>
<p>Em resumo, nos últimos dois anos, nós brasileiros, como proprietários últimos dessas empresas, ficamos mais pobres.</p>
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