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	<title>Blog do Dr. Money</title>
	
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	<description>Fique por dentro da Economia! Confira as dicas sobre investimentos, mercado financeiro, finanças pessoais, carreiras, imóveis, dívidas, filhos e muito mais..</description>
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		<title>O helicóptero do Falcon e os estádios da Copa</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Jun 2013 01:10:00 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Economia]]></category>
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		<description><![CDATA[Na década de 70, meu pai tinha uma pequena loja de presentes. Eram brinquedos, utensílios de cozinha e outras coisinhas diversas. Eu, criança na época, ficava no caixa quando voltava da escola. Recebia os pagamentos, fazia o troco, e anotava as vendas no livro-caixa. Foi uma experiência interessante, principalmente pelo que podia observar sobre os ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na década de 70, meu pai tinha uma pequena loja de presentes. Eram brinquedos, utensílios de cozinha e outras coisinhas diversas. Eu, criança na época, ficava no caixa quando voltava da escola. Recebia os pagamentos, fazia o troco, e anotava as vendas no livro-caixa. Foi uma experiência interessante, principalmente pelo que podia observar sobre os hábitos de consumo dos clientes.</p>
<p>Certa vez, um homem entrou na loja procurando um presente de aniversário para o filho. Meu avô, que trabalhava na loja, ofereceu seu trabalho de &#8220;consultoria&#8221; desinteressada. Depois de alguma busca, e alguma insistência por parte do meu avô, o homem escolheu um helicóptero do Falcon. Era um dos brinquedos mais caros da loja. Para quem não conhece, aí vai uma foto:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/06/Falcon-helicoptero.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2485" title="Falcon helicoptero" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/06/Falcon-helicoptero-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Via-se que era uma pessoa muito simples, de poucas posses. Bem, eu não tinha essa sensibilidade. Quem chamou a atenção para as supostas condições econômicas limitadas do cliente foi minha mãe, que também trabalhava na loja. Ela teve um palpite: aquele homem não tinha condições de comprar aquele brinquedo. Seu coração de pai falou mais alto, e ele fez o sacrifício.</p>
<p>Bem, algumas horas depois, uma mulher entrou na loja furiosa. Soubemos que era a esposa daquele homem. Vinha para devolver o presente. Não tinham condições de gastar aquela fortuna. Minha mãe tinha razão. Ficamos imaginando a &#8220;crise&#8221; naquela casa, e a dor do pai (e da mãe também, claro) ao ter que devolver aquele presente. Minha mãe não fez questão, claro, e trocamos por algo bem mais simples, devolvendo o dinheiro.</p>
<p>Bem, essas reminiscências da minha infância vieram à minha mente hoje, quando novamente ouvi a notícia de que o Estádio Mané Garrincha, em Brasília, custou a bagatela de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos.</p>
<p>- Mas o que o helicóptero do Falcon tem a ver com o Estádio Mané Garrincha, Dr. Money??? Acho que dessa vez você viajou na maionese&#8230;</p>
<p>Tem tudo a ver, meu amigo. O Mané Garrincha é o exemplo acabado do pai que compra um presente para o filho sem ter dinheiro para isso. Ou melhor, tendo outras prioridades muito mais urgentes. É o que chamamos de &#8220;populismo&#8221;. No caso do pai perdulário, assim como no caso do governo perdulário, a intenção é fazer o filho (ou o povo) feliz. O paralelo termina por aqui. O bom pai, ao contrário do governo, pensa apenas na felicidade do filho. Pensa no seu sorriso quando abrir o presente. O governo, ao contrário, quer a felicidade do povo para conseguir se perpetuar no poder. Trata-se de uma relação de troca mercantil, o que normalmente não existe em uma relação saudável pai-filho.</p>
<p>NENHUM dos estádios construídos para a Copa dará retorno financeiro adequado. Uma evidência disto é que NENHUM deles encontrou um patrocinador privado que bancasse a sua construção. Todos foram feitos com dinheiro público, seja via orçamento público, seja via incentivos fiscais, seja via BNDES (<a href="http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2012/05/28/governo-paga-91-dos-estadios-da-copa-mas-nao-controlara-nenhum-apos-torneio.htm" target="_blank">aqui</a>).</p>
<p>Depois de construídos, esses estádios serão &#8220;repassados&#8221; para a iniciativa privada. A pergunta lógica é: se há investidores privados interessadso em explorar esses espaços, porque raios esses mesmos investidores privados não apareceram antes para construir ou reformar os estádios? A resposta lógica é: porque o total investido é muito maior do que o retorno oferecido. Ao conceder os estádios, o preço pago pelos investidores certamente será muito menor do que o dinheiro gasto pelos governos. Um dinheiro que falta para tantas outras prioridades.</p>
<p>O governo de Brasília (e de várias outras cidades do Brasil) gastou um dinheiro que não tem, para comprar um presente caro para o seu filho, o povo. Raros são os governos que pensam no futuro das próximas gerações, e administram o dinheiro do povo com responsabilidade. Como aquela mãe, que teve a coragem e o bom senso de devolver o presente que faria o seu filho tão feliz. Porque aquela mãe sabia o que realmente era melhor para o seu filho.</p>
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		<title>Festas Juninas, o seu orçamento e a educação financeira dos filhos</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Jun 2013 20:07:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>drmoney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação Financeira]]></category>
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		<description><![CDATA[Estamos na época das onipresentes Festas Juninas! São raras as escolas que não promovem estas tradicionais festas, e certamente grande parte de nós têm lembranças de infância, boas e não tão boas. Eu, por exemplo, até gostava das comidinhas, mas dançar quadrilha era um martírio&#8230; As escolas promovem estas festas com vários objetivos: resgatar e ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estamos na época das onipresentes Festas Juninas! São raras as escolas que não promovem estas tradicionais festas, e certamente grande parte de nós têm lembranças de infância, boas e não tão boas. Eu, por exemplo, até gostava das comidinhas, mas dançar quadrilha era um martírio&#8230;</p>
<p>As escolas promovem estas festas com vários objetivos: resgatar e manter tradições, fomentar o convívio social de alunos e pais e, porque não dizer, arrecadar fundos. A venda de alimentos e as barracas de jogos podem ser uma importante fonte de receitas. E é aí que mora o pesadelo dos pais e mães de família: como não quebrar as finanças familiares entre pescarias, quentões e quadrilhas? Se você não toma cuidado, pode até parar na cadeia&#8230; Por que isso acontece? A dinâmica natural é conhecida: as crianças vêm até você e pedem dinheiro. Você dá. E assim durante a festa toda. De vez em quando, você sente que está gastando um pouco demais. Mas quem consegue resistir aos insistentes pedidos dos pequerruchos?</p>
<p>Pois bem, existe uma receita simples para que as festas juninas sirvam como uma excelente ocasião para educar financeiramente os seus filhos e, de quebra, conseguir manter-se longe da bancarrota. A receita é simples: estabeleça um orçamento inicial, que você acha razoável gastar em um evento deste tipo. Imagine, por exemplo, o que você gastaria em uma refeição fora de casa com a família. Digamos que seja R$ 100.</p>
<p>Normalmente nessas festas, você compra as fichas com antecedência em uma espécie de caixa central. Pois bem, você vai lá, e compra os R$ 100 em fichas. Este será o seu gasto máximo. Se você fizer isso, já conseguiu fugir do primeiro erro básico nessas festas: ir comprando aos poucos, e aos poucos ir perdendo o controle daquilo que você gastou. Muitas pessoas chegam ao final dessas festas sem nem saber quanto gastou!</p>
<p>Com os R$ 100 em fichas em mãos, você está preparado para o segundo passo: distribuir as fichas entre os seus filhos, não esquecendo que deve sobrar fichas para você também. O importante nessa distribuição é deixar claro para os filhos que aquele montante é o TOTAL disponível para gastar naquele dia. Dependendo da idade das crianças, os pais podem antes comprar comida, e só depois distribuir as fichas, pois pode acontecer de os pequenos gastarem todas as fichas em jogos e brincadeiras, &#8220;esquecendo-se&#8221; de se alimentar.</p>
<p>O mais importante desse sistema é realmente LIMITAR o total de fichas. É líquido e certo que as fichas terminarão ANTES que as crianças estejam saciadas. Isso acontece conosco também, não é mesmo? O salário termina antes do mês, e precisamos de mais fichas para fechar o orçamento. Para que a experiência realmente funcione, é preciso que os pais resistam bravamente ao choro e súplicas dos pimpolhos por mais fichas. O máximo que se pode conceder é o gasto por conta da mesada que está guardada em casa. (Não faça, em hipótese alguma, adiantamento de mesada. Evite acostumá-los a viver de crédito desde cedo).</p>
<p>Desta forma, as Festas Juninas servirão também como uma forma de educar financeiramente os filhos. Claro que esta experiência só faz sentido para as crianças a partir de uma determinada idade, a partir da qual já têm alguma noção de dinheiro. Espera-se que as crianças entendam que o orçamento é limitado, que devem fazer escolhas e eleger prioridades. E que, na vida adulta, na maior parte das vezes, não terá o papai para pedir mais fichas. A não ser que você seja o Eike Batista.</p>
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		<title>O Movimento Passe Livre ou a Sociedade Utópica que todos sonhamos em ter mas ninguém quer pagar</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Jun 2013 13:31:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>drmoney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Estado]]></category>
		<category><![CDATA[Comunismo]]></category>
		<category><![CDATA[Marxismo]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento Passe Livre]]></category>

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		<description><![CDATA[Acompanhamos nos últimos dias as manifestações de protesto contra o aumento do preço das passagens de ônibus. Liderado por um grupo intitulado &#8220;MPL &#8211; Movimento Passe Livre&#8221;, o objetivo, ao que parece, não é nem diminuir o preço das passagens, mas simplesmente eliminá-las. Vejamos a filosofia do movimento, conforme eles mesmos (mais informações, aqui): &#8220;O ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acompanhamos nos últimos dias as manifestações de protesto contra o aumento do preço das passagens de ônibus. Liderado por um grupo intitulado &#8220;MPL &#8211; Movimento Passe Livre&#8221;, o objetivo, ao que parece, não é nem diminuir o preço das passagens, mas simplesmente eliminá-las. Vejamos a filosofia do movimento, conforme eles mesmos (mais informações, <a title="Movimento Passe Livre" href="http://saopaulo.mpl.org.br/apresentacao/carta-de-principios/" target="_blank">aqui</a>):</p>
<blockquote><p>&#8220;O MPL não tem fim em si mesmo, deve ser um meio para a construção de uma outra sociedade. Da mesma forma, a luta pelo passe-livre estudantil não tem um fim em si mesma. Ela é o instrumento inicial de debate sobre a transformação da atual concepção de transporte coletivo urbano, rechaçando a concepção mercadológica de transporte e abrindo a luta por um transporte público, gratuito e de qualidade, como direito para o conjunto da sociedade; por um transporte coletivo fora da iniciativa privada, sob controle público (dos trabalhadores e usuários).&#8221;</p></blockquote>
<p>Tudo muito bonito. Fica mais bonito ainda quando se sabe que o Movimento defende que &#8220;<em>o</em><span style="font-size: 13px; line-height: 19px;"><em>s projetos reivindicados para a implementação do passe livre para uma categoria não devem implicar em aumento das tarifas para os demais usuários.</em>&#8220;</span></p>
<p>Vamos aos fatos. Vejamos a situação específica da cidade de São Paulo, ainda que o raciocínio se aplique a qualquer cidade. Hoje, a prefeitura de São Paulo gasta, anualmente, R$ 1,25 bilhões de subsídios ao transporte público (mais informações, <a title="Subsídios aos transportes" href="http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2013/5/24/por-que-o-subsidio-do-transporte-publico-e-tao-alto-na-cidade" target="_blank">aqui</a>). Como o preço da passagem, sem os subsídios, teria que ser de R$ 4,13 para cobrir todos os custos, a passagem gratuita significaria um subsídio adicional de R$ 4,3 bilhões, totalizando R$ 5,5 bilhões em subsídios. Apenas para ter uma ideia do que este montante significa, o orçamento da educação é de R$ 10,7 bilhões e o da saúde é de R$ 7,1 bilhões.</p>
<p>Vamos analisar a questão sob o prisma da lógica. Digamos que a prefeitura resolvesse gastar estes R$ 4,3 bilhões a mais, sem realocar recursos de outras contas (afinal, educação e saúde são também prioridades, certo?). Seria necessário aumentar os impostos em R$ 4,3 bilhões anuais. Tomar dívida seria uma alternativa, se a dívida não fosse paga. Se se pretende um dia pagar a dívida, seria necessário arrecadar os mesmos R$ 4,3 bilhões anuais adicionais, acrescidos dos juros do empréstimo. <span style="font-size: 13px; line-height: 19px;">Pois bem: quem pagaria esses R$ 4,3 bilhões anuais de impostos adicionais? A menor parte seria paga pelos usuários de transporte particular, que são minoria. A maior parte, pelos próprios usuários do transporte coletivo! Deixaria de sair do bolso na hora da catraca, e passaria a sair do bolso de outras maneiras menos transparentes.</span></p>
<p>Mas os defensores do passe livre certamente não pensam assim. A sua ideologia considera que os subsídios aos transportes devem ser pagos pelos &#8220;ricos&#8221;, através de impostos progressivos: paga mais imposto quem ganha mais. Concordo com isso, e os ricos hoje já pagam proporcionalmente mais impostos, mas essa política tem limites. E o limite ocorre quando aquele que ganha mais não vê o fruto do seu trabalho. Ou seja, quando o talento e o esforço não são premiados. Neste ponto, das duas uma: ou aquele que ganha mais deixa de trabalhar, ou migra o seu capital ou a si mesmo para outros lugares que premiam o seu esforço e o seu talento.</p>
<p>No limite, o Movimento Passe Livre transforma-se em Movimento Educação Livre, Movimento Saúde Livre, Movimento Alimentação Livre, Movimento Lazer Livre. Por que somente o transporte de graça? Todas as necessidades humanas deveriam ser fornecidas gratuitamente. Afinal, a dignidade humana é um direito inalienável, e quem vai dizer que educação, saúde, alimentação, lazer, não são artigos de primeira necessidade? E, assim, chegamos à essência do marxismo.</p>
<p>A sociedade utópica de Marx deveria organizar-se de modo que &#8220;todos trabalhassem segundo as suas possibilidades, e todos recebessem segundo as suas necessidades&#8221;. No limite, ninguém teria propriedade privada e nem rendimentos privados. Tudo o que é produzido iria para um organismo central (o Estado), que administraria os recursos de acordo com as necessidades de todos. Seria o fim da &#8220;concepção mercadológica&#8221; das coisas (conforme a definição filósofica do MPL vista acima), em que os preços revelam e, ao mesmo tempo, limitam os desejos das pessoas.</p>
<p>Grande parte dos moços que fazem parte do Movimento do Passe Livre nasceu depois da queda do muro de Berlim. Como o ensino de História é normalmente uma lástima em nosso sistema educacional, coalhado de viúvas do marxismo, provavelmente não sabem o que de fato aconteceu por lá. A União Soviética e todos os seus satélites talvez tenham sido a experiência sociológica mais interessante de todos os tempos. Sociedades inteiras vivendo a utopia da economia sem ricos e pobres, sem necessidades não satisfeitas. Pois bem, seria interessante se estes moços pudessem ter passeado pelas ruas de Berlim oriental e ocidental logo depois da queda do Muro, para ver e comparar com os seus próprios olhos os resultados de algumas décadas da implantação deste modelo. Não vou aqui entrar no mérito de porque o sistema socialista entrou em colapso, e hoje está confinada a algumas Ilhas da Fantasia, como Cuba e Coréia do Norte. O fato é que bastaram poucos anos para mostrar a inviabilidade deste modelo que o MPL gostaria de ver implantado no Brasil.</p>
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		<title>Empresas estatais x Empresas privadas: o tira-teima</title>
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		<pubDate>Tue, 21 May 2013 00:46:08 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Economia]]></category>
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		<category><![CDATA[Estatais]]></category>
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		<description><![CDATA[Um dos posts que mais receberam comentários neste blog foi o &#8220;Você recebe o que você paga&#8220;, em que aproveito a situação da Eletropaulo para estabelecer uma regra geral: os serviços que você recebe são sempre proporcionais a quanto você paga. Muitos comentários referem-se, no fundo, ao problema de se estabelecer o nível justo de ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos posts que mais receberam comentários neste blog foi o &#8220;<a title="Você recebe o que você paga" href="http://www.drmoney.com.br/economia/voce-recebe-o-que-voce-paga/">Você recebe o que você paga</a>&#8220;, em que aproveito a situação da Eletropaulo para estabelecer uma regra geral: os serviços que você recebe são sempre proporcionais a quanto você paga. Muitos comentários referem-se, no fundo, ao problema de se estabelecer o nível justo de serviço que pode ser exigido a partir de um determinado pagamento. É um problema de muito difícil solução, mas que não invalida a tese geral. Mesmo aqueles que pensam que a Eletropaulo poderia estar oferecendo um serviço melhor, não têm como não concordar com a regra universal: o serviço tende a ser melhor se o pagamento recebido pelo fornecedor aumenta.</p>
<p>Há, no entanto, outra regra da qual gosto ainda mais: o setor privado oferece melhores serviços que o setor público, dadas as mesmas condições. Os problemas que os paulistanos enfrentaram com a Eletropaulo no último verão, e os péssimos serviços de telefonia podem passar a impressão contrária. Mas nada como dados objetivos para reestabelecer a verdade. Chegou às minhas mãos um relatório do BTG Pactual, em que, com dados da ANEEL, a corretora lista as melhores e as piores distribuidoras de energia, segundo dois critérios: DEC (Duração dos &#8220;Apagões&#8221;) e FEC (Frequência dos &#8220;Apagões&#8221;). O caso das concessionárias de distribuição de energia elétrica oferece uma oportunidade única para este tipo de comparação, pois é um dos poucos setores, senão o único, em que empresas estatais e privadas fornecem o mesmo tipo de serviço. Algo assim como comparar a Alemanha Ocidental com a Oriental, ou a Coréia do Norte com a Coréia do Sul. Veja os dois gráficos a seguir:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/05/DEC-2012.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2452" title="DEC 2012" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/05/DEC-2012-300x162.jpg" alt="" width="300" height="162" /></a></p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/05/FEC-2012.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2451" title="FEC 2012" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/05/FEC-2012-300x161.jpg" alt="" width="300" height="161" /></a></p>
<p>As barras vermelhas representam as concessionárias estatais, enquanto as barras azuis representam as concessionárias privadas. Interessante notar que a pior concessionária no quesito &#8220;Duração dos Apagões&#8221; é a Celpa, que pertence ao grupo Rede, e está em óbvias dificuldades financeiras. No entanto, a média de duração dos apagões para as empresas privadas é de 19,1 horas por ano, enquanto para as estatais esta mesma média é de 33,3 horas por ano. No caso da frequência dos apagões, a média para as empresas privadas é de 11 blackouts por ano, enquanto para as empresas públicas esta média é de 24 blackouts por ano.</p>
<p>Alguém poderia argumentar: esta comparação não é justa, pois as concessionárias estatais concentram-se em regiões do país onde a infra-estrutura é mais degradada, o que viesa a média. O analista do BTG Pactual, prevendo este tipo de contestação, faz o mesmo levantamento por região do país. O resultado está na tabela a seguir:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/05/Tabela-eficiencia-companhias-eletricas.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2453" title="Tabela eficiência companhias elétricas" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/05/Tabela-eficiencia-companhias-eletricas-300x90.jpg" alt="" width="300" height="90" /></a></p>
<p>Com exceção da Região Norte, onde a Celpa de fato foi um desastre, os índices das empresas privadas são, via de regra, muito melhores que os índices das estatais. Contra números, difícil ter argumentos.</p>
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		<title>Sempre é possível adaptar a sua vida ao seu orçamento</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Apr 2013 23:10:20 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Políticas Macroeconômicas]]></category>
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		<description><![CDATA[Recentemente, publiquei em minha página no Facebook o link de um artigo bastante interessante, escrito por uma blogueira que também faz as vezes de dona-de-casa. No artigo (aqui), Patrícia Cerqueira conta como vem se adaptando à nova realidade da classe média brasileira: viver sem empregada doméstica. O sacrifício imposto à família vem sendo dividido com ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente, publiquei em minha página no Facebook o link de um artigo bastante interessante, escrito por uma blogueira que também faz as vezes de dona-de-casa. No artigo (<a href="http://www.loucuramaterna.com/2013/04/nasci-pra-ser-rica-e-ter-empregada.html" target="_blank">aqui</a>), Patrícia Cerqueira conta como vem se adaptando à nova realidade da classe média brasileira: viver sem empregada doméstica. O sacrifício imposto à família vem sendo dividido com bom humor e dedicação, pois simplesmente não há outra saída: era preciso economizar, viver de acordo com um orçamento cada vez mais acossado por despesas que crescem mais do que a “inflação oficial”. O maridão passou a lavar a louça e suas próprias cuecas, os filhos passaram a arrumar suas próprias camas, e ela mesma passou a fazer a limpeza da casa do jeito que ela gosta, e não do jeito que a empregada achava que devia ser. Vale a leitura.</p>
<p>Este é um exemplo de que sempre é possível adaptar a sua vida ao seu orçamento. Acostumamos-nos a um determinado padrão de vida, de acordo com o orçamento que temos, e não conseguimos imaginar como seria viver sem aquelas benesses. E isso acontece em qualquer nível de renda. Uma família que ganha, digamos R$ 10.000/mês, não consegue imaginar como poderia viver com R$ 5.000/mês. E esta família que ganha R$ 5.000/mês não consegue imaginar como poderia viver com R$ 3.000/mês. O fato é que todos conseguem viver, e se adaptam aos seus respectivos orçamentos. Sem prejuízo do fato de que sempre sonham em ter um orçamento maior. A família que ganha R$ 3.000/mês jura que estaria satisfeita se ganhasse R$ 5.000/mês, e esta que ganha R$ 5.000/mês também jura que estaria satisfeita se ganhasse R$ 10.000/mês. Moral da estória: nunca ninguém está satisfeito com o seu nível de renda, e a tendência é sempre procurar viver <strong><em>acima</em></strong> do seu orçamento, e não <strong><em>abaixo</em></strong>. Por isso, o exemplo da Patrícia é admirável, e deveria servir de exemplo para muitos. Inclusive para os países da Europa.</p>
<p>No último dia 22, o presidente da Comissão Européia, o português José Manuel Barroso, afirmou que a austeridade está no limite, e que não dá para exigir mais esforço fiscal dos governos da região (<a href="http://www.guardian.co.uk/world/2013/apr/22/eu-near-austerity-limit-barroso" target="_blank">aqui</a>). Estamos aqui vivendo o mesmo fenômeno descrito acima: a renda per capita dos países da zona do Euro (pelo conceito da PPP – Purchase Power Parity) é de US$ 34,1 mil, enquanto a renda per capita dos países da América Latina é de US$ 12,3 mil, a da Ásia (ex-Japão) é de US$ 6,1 mil e a da África sub-sahariana é de US$ 2,5 mil (dados do FMI). Talvez fique mais claro colocando em um gráfico:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Renda-per-capita-Europa-x-AL.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2439" title="Renda per capita Europa x AL" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Renda-per-capita-Europa-x-AL-300x180.jpg" alt="" width="300" height="180" /></a></p>
<p>Observe que a renda per capita da Zona do Euro é quase o triplo da renda per capita na América Latina, quase 7 vezes a renda per capita da Ásia e quase 14 vezes a renda per capita da África. Os europeus certamente não conseguem imaginar como seria viver em um país que gera um terço de suas riquezas anualmente. Uma outra forma de ver o mesmo fenômeno é olhar o que aconteceu ao longo do tempo. Vejamos, por exemplo, a Espanha:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Renda-per-capita-Espanha.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2440" title="Renda per capita Espanha" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Renda-per-capita-Espanha-300x180.jpg" alt="" width="300" height="180" /></a></p>
<p>No começo da década de 80, a renda per capita da Espanha era pouco superior ao da Ásia hoje. No final da mesma década, a renda per capita espanhola era o equivalente ao que é hoje a da América Latina. Ou seja, o padrão de vida médio do espanhol há pouco mais de 20 anos, era equivalente ao que temos hoje na América Latina.</p>
<p>Voltemos ao alerta do sr. José Barroso: os europeus não agüentam mais austeridade. Não conseguem baixar ainda mais o seu padrão de vida, de modo a viverem dentro do seu orçamento. Memória curta têm esses europeus. O seu padrão de vida era igual ao nosso há pouco mais de duas décadas. Este comportamento só confirma a constatação feita acima: é muito difícil que as pessoas se acostumem a um padrão de vida inferior ao que já se acostumaram. A Patrícia que o diga!</p>
<p>Christine Lagarde, diretora-chefe do FMI, foi ao ponto em uma entrevista ao The Guardian um ano atrás (<a href="http://www.guardian.co.uk/world/2012/may/25/christine-lagarde-imf-euro" target="_blank">aqui</a>). Perguntada se, ao estudar as contas da Grécia, não pensava que mulheres poderiam não ter acesso a ajudantes (<em>midwifes</em> no original) para auxiliá-las a cuidar de seus filhos recém-nascidos, que doentes não teriam acesso a remédios essenciais, ou que idosos morreriam sozinhos por falta de cuidados? Ela simplesmente bloqueava todos esses pensamentos, e analisava friamente os dados? Lagarde, então, mandou ver:</p>
<p><span style="color: #000080;">“Não, eu penso mais nas pequenas crianças de uma escola de uma pequena aldeia no Níger, que têm duas horas de aula por dia, três alunos compartilhando uma única carteira, e que estão muito interessados ​​em aprender. Tenho-os em minha mente o tempo todo. Porque eu acho que eles precisam de mais ajuda do que as pessoas em Atenas”.</span></p>
<p><span style="color: #000080;">“Sabe o que mais? Eu também penso em todas aquelas pessoas que ficam tentando escapar dos impostos o tempo todo. Todas essas pessoas na Grécia que estão tentando escapar dos impostos.”</span></p>
<p><span style="color: #000080;">O repórter insiste: o que pensa ela sobre todos aqueles que agora lutam para sobreviver sem emprego ou serviços públicos? “Penso neles igualmente. E eu acho que eles também devem ajudar-se coletivamente.” Como? “Todos pagando seus impostos”.</span></p>
<p>É isso. As pessoas nestes países se acostumaram com um padrão de vida acima de suas possibilidades. E agora devem adequar suas vidas a essa nova realidade. Requer sacrifício, como fez a Patrícia na sua casa. Dizer que se está “no limite” do sacrifício é não conhecer a capacidade de adaptação do ser humano. Sempre é possível. Se os africanos podem viver com uma renda per capita de US$ 2,5 mil, por que os gregos não podem viver com uma renda per capita de, por exemplo, US$ 20 mil (30% abaixo da atual)?</p>
<p>Acabamos de saber que o déficit fiscal da França em 2012 foi de 4,8% do PIB, e o da Espanha foi de 10,6% do PIB (<a href="http://www.dw.de/france-spain-remain-eurozone-deficit-sinners/a-16761871" target="_blank">aqui</a>). Este déficit deve ser financiado pelos credores, que serão pagos por impostos no futuro. Estamos em meio à tentativa desesperada de voltar ao crescimento econômico, na esperança de que essas economias gerem impostos suficientes no futuro para pagar os credores. Nesse sentido, fazer um ajuste fiscal parece um contra-senso, na medida em que diminuiria o crescimento econômico. Aqueles que defendem essa tese, na prática, estão pedindo aos credores que dobrem a sua aposta: emprestem ainda mais dinheiro, para que aquele país que não conseguiu crescer até o momento, do dia para a noite se torne um campeão de produtividade. Não será ingenuidade esperar que os credores acreditem nessa estória?</p>
<p>A única fórmula que resolve definitivamente o problema é aquela implementada pela Patrícia na sua casa: um choque de realidade. Os europeus precisam adequar suas vidas ao seu novo orçamento, e os credores precisam entender que emprestaram demais, e não vão ver a cor de parte do seu dinheiro.</p>
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		<title>A inflação do tomate e o crescimento econômico</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Apr 2013 01:21:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>drmoney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas Macroeconômicas]]></category>
		<category><![CDATA[Crescimento Econômico]]></category>
		<category><![CDATA[Inflação]]></category>
		<category><![CDATA[Veja]]></category>

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		<description><![CDATA[Em maio de 2011, publiquei um post (A história da inflação brasileira nas capas de Veja) em que mostro a evolução do impacto da inflação na opinião pública. Escolhi Veja por ser a publicação semanal mais antiga do Brasil (começou a ser publicada em setembro de 1968), além de ser, de longe, a de maior ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em maio de 2011, publiquei um post (<a href="http://www.drmoney.com.br/economia/a-historia-da-inflacao-brasileira-nas-capas-de-veja/">A história da inflação brasileira nas capas de Veja</a>) em que mostro a evolução do impacto da inflação na opinião pública. Escolhi Veja por ser a publicação semanal mais antiga do Brasil (começou a ser publicada em setembro de 1968), além de ser, de longe, a de maior circulação.</p>
<p>Um assunto, para ganhar a capa de uma publicação como Veja, deve estar mobilizando os debates nos bares, escritórios e cabeleireiros da vida. Por isso, quando a questão da inflação é capa, significa que está incomodando, para dizer o mínimo. Naquele post, a última capa publicada havia sido em dezembro de 2002. Ou seja, há mais de 10 anos. Bem, como todos sabem, o assunto voltou a ser capa de Veja:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Veja-2013041.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2431" title="Veja 201304" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Veja-2013041-300x275.jpg" alt="" width="300" height="275" /></a></p>
<p>É interessante notar que o IPCA acumulado em 12 meses, até março, foi de 6,59%. Em setembro de 2011, o mesmo IPCA atingiu um montante acumulado em 12 meses de 7,31%. Naquela ocasião, no entanto, o assunto não mereceu capa. Por que?</p>
<p>Alguns, menos crentes das virtudes do jornalismo independente, poderiam sugerir que tudo não passa de uma tentativa de um órgão de imprensa suspeito de denegrir a imagem do governo. Não fica claro porque a mesma revista não tocou no assunto em setembro de 2011. Ou mesmo durante todo o governo Lula. Portanto, esta hipótese não para em pé.</p>
<p>A explicação parece estar na leniência governamental em relação à inflação percebida pelos formadores de opinião. Vale lembrar que, em setembro de 2011, o BC havia acabado de interromper um aperto monetário de mais de 2 pontos percentuais. Ou seja, a imagem era o de um governo que procurava usar os instrumentos à mão para combater a inflação.</p>
<p>Hoje este quadro mudou. Temos um governo que tem feito cara de paisagem diante de uma inflação que insiste em ficar acima de 5,5%. E mais: que usa a baixa taxa de juros como uma conquista política, o que pressupõe um Banco Central que não tem independência para decidir sobre a política monetária. As tentativas de controlar preços administrados, como os da gasolina e das passagens de ônibus urbanos, somente reforçam a percepção de um governo que está perdido no combate à inflação. Este conjunto de fatores parece ser o responsável por levar o tema à capa de Veja, mais de 10 anos depois da última vez.</p>
<p>A justificativa do governo para esta inflação persistente tem sido o choque de commodities agrícolas. No entanto, comparando-se a nossa inflação com a de países semelhantes, vemos que estamos em um patamar superior. Veja no gráfico a seguir a comparação da inflação brasileira com a inflação média de quatro países que contam com estabilidade monetária em nosso continente: México, Chile, Peru e Colômbia (MCPC):</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Inflacao-comparativa-Brasil-x-MCPC.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2432" title="Inflação comparativa Brasil x MCPC" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Inflacao-comparativa-Brasil-x-MCPC-300x180.jpg" alt="" width="300" height="180" /></a></p>
<p>As barras verdes mostram que a nossa inflação tem se mantido entre 2 e 3 pontos percentuais acima da inflação média desses 4 países nos últimos 4 anos. Esta diferença havia sido de zero entre 2006 e 2008, mostrando que houve uma escolha macroeconômica diferente a partir de 2009. Procurou-se, no Brasil, adotar medidas anti-cíclicas, o que incluiu forte expansão fiscal e monetária para preservar o crescimento econômico. Funcionou? Vejamos no gráfico a seguir:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Crescimento-Brasil-x-MCPC.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2433" title="Crescimento Brasil x MCPC" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Crescimento-Brasil-x-MCPC-300x180.jpg" alt="" width="300" height="180" /></a></p>
<p>Observe como, no início, até que funcionou: o nosso crescimento foi mais alto entre 2008 e 2010 do que o crescimento médio de México, Chile, Peru e Colômbia. No entanto, a partir de 2011, a mágica parece ter perdido o seu efeito: o crescimento despencou em relação a esses países, com a inflação mantendo-se em patamar superior. Algo mudou a partir de 2011, e os estímulos dados pelo governo tem gerado inflação sem produzir crescimento. Trata-se somente de uma constatação, não pretendo discutir aqui os motivos. Só sei uma coisa: a<span style="font-size: 13px;">lguém pisou no tomate.</span></p>
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		<title>Um excelente resumo sobre PGBL/VGBL</title>
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		<comments>http://www.drmoney.com.br/educacao-financeira/um-excelente-resumo-sobre-pgblvgbl/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 04 Apr 2013 00:21:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>drmoney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aposentadoria]]></category>
		<category><![CDATA[Educação Financeira]]></category>
		<category><![CDATA[Infomoney]]></category>
		<category><![CDATA[PGBL/VGBL]]></category>

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		<description><![CDATA[A Infomoney publicou um excelente infográfico sobre previdência privada, e a escolha entre PGBL e VGBL. Veja a seguir: Infográfico: Infográfico Previdência Privada criado por Infomoney &#8211; Informação que vale Dinheiro]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Infomoney publicou um excelente infográfico sobre previdência privada, e a escolha entre PGBL e VGBL. Veja a seguir:</p>
<p><a href="http://www.infomoney.com.br/infograficos/previdencia-privada"><img src="http://images.infomoney.com.br/infograficos/infografico-previdencia-privada.jpg" alt="Previdência Privada - Portal InfoMoney" /></a> Infográfico: <a href="http://www.infomoney.com.br/infograficos/previdencia-privada">Infográfico Previdência Privada</a> criado por <a href="http://www.infomoney.com.br">Infomoney &#8211; Informação que vale Dinheiro</a></p>
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		<title>Quando a bolsa voltará a subir?</title>
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		<comments>http://www.drmoney.com.br/investimentos/quando-a-bolsa-voltara-a-subir/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 02 Apr 2013 22:58:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>drmoney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Investimentos]]></category>
		<category><![CDATA[Renda Variável]]></category>
		<category><![CDATA[Bolsa]]></category>
		<category><![CDATA[Ibovespa]]></category>
		<category><![CDATA[S&P500]]></category>

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		<description><![CDATA[Muito se tem falado sobre o desempenho sofrível da bolsa brasileira nos últimos tempos. O recorde de pontuação do Ibovespa se deu em 20/05/2008, quando o índice atingiu 73.516 pontos. 1.202 pregões depois, em 28/03/2013, o índice está em 56.352 pontos. Ou seja, para atingir o último pico, o Ibovespa precisa subir 30,5%. São 1.202 ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito se tem falado sobre o desempenho sofrível da bolsa brasileira nos últimos tempos. O recorde de pontuação do Ibovespa se deu em 20/05/2008, quando o índice atingiu 73.516 pontos. 1.202 pregões depois, em 28/03/2013, o índice está em 56.352 pontos. Ou seja, para atingir o último pico, o Ibovespa precisa subir 30,5%. São 1.202 pregões, ou 4 anos, 10 meses e 8 dias com a bolsa abaixo daquele último pico. Ocorreu-me a pergunta: estamos passando pelo pior momento da bolsa em sua história? Ou houve outros piores?</p>
<p>Para responder a esta questão, fiz um exercício simples: contei o número de dias desde um pico até o momento que aquele pico foi ultrapassado, desde o início do Ibovespa, em janeiro de 1968. Coloquei esta contagem em um gráfico, conforme podemos ver a seguir:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Picos-do-Ibovespa-sem-inflacao.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2419" title="Picos do Ibovespa sem inflação" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Picos-do-Ibovespa-sem-inflacao-300x152.png" alt="" width="300" height="152" /></a></p>
<p>Podemos notar que os 1.202 pregões só se comparam com a mais longa crise da bolsa até o momento, no início da década de 70. Depois de atingir o seu pico em 14/06/1971, no auge do Milagre Brasileiro, a bolsa só foi ultrapassar este pico em 15/06/1976, exatos 5 anos e 1 dia depois, ou 1.227 pregões. Estamos, portanto, quase lá.</p>
<p>Alguém poderá dizer, com razão: naquela época, a inflação era bem mais alta do que atualmente. Portanto, o mais justo seria comparar com o índice corrigido pela inflação, pois os ativos reais, como a bolsa, tendem, no longo prazo, a ser corrigidos pela inflação. Pois bem, repeti o exercício corrigindo os preços pelo IPCA até 1980 e pelo IPC-Fipe antes disso. O resultado está no gráfico a seguir:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Picos-da-Bolsa-com-inflacao.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2420" title="Picos da Bolsa com inflação" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Picos-da-Bolsa-com-inflacao-300x153.png" alt="" width="300" height="153" /></a></p>
<p>Corrigido pela inflação, a atual crise não parece tão grave. Estamos apenas alcançando a 3ª mais longa crise da história, que durou entre 27/03/2000 (quando estourou a bolha da Nasdaq) e 03/03/2005. Quase 5 anos, ou 1.225 pregões. O pico anterior só foi atingido quando a situação internacional se estabilizou e a economia doméstica entrou em uma fase de exuberância. A 2ª mais longa durou entre 25/04/1986 e 23/06/1997. Foram mais de 11 anos, ou 2.737 pregões, durante os quais o país enfrentou 5 planos de estabilização econômica para tentar domar a hiperinflação. E a grande crise da bolsa foi a do início da década de 70, que se estendeu de 14/06/1971 a 05/08/1985 (3.486 pregões). Na verdade, considerando-se a proximidade entre a primeira e a segunda crise, podemos dizer que se trata de uma mesma crise. Para termos uma idéia, vamos colocar abaixo o gráfico do Ibovespa corrigido pela inflação:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Ibovespa-ajustado-pela-inflacao.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2421" title="Ibovespa ajustado pela inflação" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Ibovespa-ajustado-pela-inflacao-300x150.png" alt="" width="300" height="150" /></a></p>
<p>As linhas verdes indicam os períodos que vão de um pico até o momento que este pico é ultrapassado. Podemos ver claramente a primeira, a segunda e a terceira crises, além da crise atual. Podemos observar também que a primeira e a segunda crises são praticamente uma só: se ajustarmos pela inflação, alguém poderia comprar o Ibovespa no início da década de 90 pelo mesmo preço do fim da década de 60. Ou seja, as décadas de 70 e 80 foram, do ponto de vista da bolsa, perdidas. Os breves espasmos no meio do caminho foram fruto de políticas populistas de curto prazo de validade. Na medida em que o Brasil entrou em uma certa normalidade macroeconômica, principalmente depois da adoção do Plano Real, pudemos observar uma valorização mais consistente das ações.</p>
<p>E agora? Faltam poucos dias para ultrapassarmos a 3a mais longa crise da bolsa. Como vimos que a primeira e a segunda são, na verdade, uma só, estamos a poucos dias de entrar na 2a mais longa crise da bolsa desde a criação do índice Bovespa, no final da década de 60. A crise internacional explica parte deste fenômeno, mas só parte. O S&amp;P500 já ultrapassou o seu pico anterior, e está nas suas máximas históricas. Para nós, ainda faltam 30%. E nem os mais otimistas acreditam que chegaremos lá no curto prazo.</p>
<p>Assim, a crise internacional é somente um fator, mas não explica tudo. Temos culpas domésticas também. Ao longo do tempo, políticas macroeconômicas inconsistentes acabam por prejudicar os resultados das empresas. E a bolsa, no longo prazo, vive do resultado das empresas. Portanto, para que possamos um dia sonhar em voltar às velhas glórias da bolsa, precisamos retomar o bom caminho: investir em reformas estruturais, que permitam o aumento da produtividade da economia, e deixar de lado as medidas populistas de curto prazo, que ganham votos para a próxima eleição, mas hipotecam o futuro da próxima geração.</p>
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		<title>Você recebe o que você paga</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Feb 2013 00:50:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>drmoney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Custo Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Eletropaulo]]></category>

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		<description><![CDATA[Lê-se na coluna da Sonia Racy de hoje: A Eletropaulo está jogando a toalha ante as chuvas diárias e os estragos consequentes em SP. Cliente da distribuidora ligou para reclamar da falta de luz – ameaçando processar a empresa por estar há mais de 24 horas sem eletricidade. Acabou ouvindo: “Não temos funcionários suficientes, não ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lê-se na <a href="http://blogs.estadao.com.br/sonia-racy/na-frente-925/" target="_blank">coluna da Sonia Racy</a> de hoje:</p>
<blockquote><p>A Eletropaulo está jogando a toalha ante as chuvas diárias e os estragos consequentes em SP. Cliente da distribuidora ligou para reclamar da falta de luz – ameaçando processar a empresa por estar há mais de 24 horas sem eletricidade. Acabou ouvindo: “Não temos funcionários suficientes, não há o que fazer. Se quiser, processa”</p></blockquote>
<p>Voltemos um pouco no tempo. Em setembro, no meio do turbilhão das novas regras para o setor elétrico, a Eletropaulo <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,demissoes-podem-se-ampliar-nas-eletricas-,932617,0.htm" target="_blank">demitiu 150 funcionários</a>. Não foi por conta das novas regras, que atingiram principalmente as empresas geradoras e de transmissão de energia, mas em função do resultado da 3a rodada de revisão tarifária, <a href="http://economia.estadao.com.br/noticias/economia+negocios,tarifa-da-aes-eletropaulo-tem-reducao-media-de-933-aneel,118061,0.htm" target="_blank">que havia reduzido as tarifas da concessionária em 9,33%</a>. Em função disso, o<span style="font-size: 13px; line-height: 19px;">s lucros da Eletropaulo<a href="http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios+geral,lucro-liquido-da-eletropaulo-cai-961-no-3-trimestre,133793,0.htm" target="_blank"> despencaram no 3o trimestre</a>, de R$ 350 milhões para apenas R$ 13 milhões. E olha que se trata de um setor considerado &#8220;seguro&#8221; pelos investidores, com alta previsibilidade de resultados&#8230;</span></p>
<p>A Eletropaulo está sob pressão. E não só pelos seus resultados financeiros. O serviço tem deixado a desejar. Não é para menos: bairros inteiros sem luz por várias horas, picos de energia danificando equipamentos. Há duas formas de interpretar esse problema:</p>
<p>1. A Eletropaulo, como toda empresa, busca maximizar o seu lucro acima de qualquer coisa. Para tanto, e como é monopolista, não hesita em fornecer um péssimo serviço, se isso for necessário para manter os seus lucros.</p>
<p>2. A Eletropaulo, como toda empresa, busca maximizar o seu lucro . Estando trabalhando no osso, em decorrência da revisão tarifária, teve que fazer um ajuste nos seus custos, o que acabou por prejudicar a qualidade dos serviços.</p>
<p>Você escolhe a versão que mais lhe parece correta. Uma fato, no entanto, é inescapável: o serviço piorou depois da revisão tarifária. E aqui cabe uma de minhas máximas preferidas: você obtém aquilo pelo qual você paga. Vejamos o exemplo das estradas. O modelo de concessão paulista, com pedágios caros, entregou, de longe, as melhores estradas do Brasil. O modelo de concessão federal, com pedágios bem baratos, entregou as estradas praticamente no mesmo estado em que se encotravam antes da concessão.</p>
<p>O modelo de &#8220;modicidade tarifária&#8221; adotado por este governo, apesar de popular, é normalmente uma enganação: você faz de conta que paga, e o fornecedor faz de conta que presta o serviço. E não há murro na mesa que revogue a realidade microeconômica da relação preço x qualidade.</p>
<p>Obviamente, é sempre saudável procurar aumentar a produtividade, e oferecer mais com menos. Esta é uma busca constante das empresas que não atuam em mercados protegidos, e que pensam em maximizar os seus lucros. Mas, por maior que seja o aumento da produtividade, a relação preço x qualidade se mantém, por ser uma realidade matemática.</p>
<p>Vimos o esforço feito pelo governo na redução das tarifas de energia elétrica, às custas principalmente dos balanços das empresas, em especial da Eletrobrás. Não se iluda: o padrão do serviço se reduzirá, como aconteceu com a Eletropaulo. Não há mágica.</p>
<p>- Mas Dr. Money, pagamos uma das energias mais caras do mundo! Não é possível que não dê para fornecer um serviço melhor!</p>
<p>Pois é, pagamos uma das energias mais caras do mundo, assim como pagamos um dos carros mais caros do mundo, um dos iPads mais caros do mundo, um dos hoteis mais caros do mundo, e assim vai. Ninguém em sã consciência deseja tarifas e preços altos. Mas é preciso atacar o inimigo certo. Será que os empresários brasileiros são mais mesquinhos que seus pares internacionais? Ou será que o culpado deve ser procurado em outro lugar? Que tal um tal de &#8220;custo Brasil&#8221;?</p>
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		<title>Quanto o BNDES custa para o Brasil</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Feb 2013 20:35:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>drmoney</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Estado]]></category>
		<category><![CDATA[BNDES]]></category>
		<category><![CDATA[Custo Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Taxa de Juros]]></category>

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		<description><![CDATA[A LBR, Lácteos Brasil S/A, entrou em concordata. Nada de notável, não fosse este mais um negócio bilionário arquitetado nos escritórios do BNDES, que colocou R$ 700 milhões para ser sócio minoritário daquela que estava destinada a ser a &#8220;campeã nacional do leite&#8221;. Como sabemos, a atual diretoria do BNDES, liderada pelo economista Luciano Coutinho, ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A LBR, Lácteos Brasil S/A, entrou em <a href="http://economia.estadao.com.br/noticias/economia+geral,lbr-entra-com-pedido-de-recuperacao-judicial,143944,0.htm" target="_blank">concordata</a>. Nada de notável, não fosse este mais um negócio bilionário arquitetado nos escritórios do BNDES, que colocou R$ 700 milhões para ser sócio minoritário daquela que estava destinada a ser a &#8220;campeã nacional do leite&#8221;.</p>
<p>Como sabemos, a atual diretoria do BNDES, liderada pelo economista Luciano Coutinho, tem uma visão muito particular sobre o papel do Banco de Desenvolvimento na economia do país. Para Luciano Coutinho, é papel do BNDES eleger determinados grupos privados, e transformá-los em empresas multinacionais, que possam competir de igual para igual com concorrentes externos. Foi assim com a JBS, Marfrig e Oi.</p>
<p>Uma frase de Luciano Coutinho, reproduzida em <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,coutinho-defende-apoio-a-setor-de-laticinios-,997615,0.htm" target="_blank">reportagem </a>do Estadão de hoje, resume a sua visão de mundo:</p>
<blockquote><p><span style="font-size: 13px;">O Brasil tem setores com potencial competitivo, particularmente no agronegócio, e temos uma demanda pujante na Ásia, que é uma oportunidade.</span></p></blockquote>
<p>O presidente do BNDES, assim como todos os ocupantes de cargos relevantes em Brasília, realmente acreditam que burocratas situados no Planalto Central conseguem identificar, melhor que os empresários, que colocam o seu capital em risco, as oportunidades que o mundo dos negócios oferece.</p>
<p>- Mas Dr. Money, não é o BNDES que detecta essas oportunidades. Os empresários têm as ideias, e o BNDES financia, se for do interesse nacional.</p>
<p>Certo. Digamos que seja assim. Há duas hipóteses honestas aqui (vou deixar as desonestas para a imaginação dos leitores):</p>
<p>1) O negócio imaginado pelo empresário é viável sem os juros subsidiados do BNDES. Neste caso, por que o BNDES precisa participar? Para aumentar o lucro do empresário, às custas do Tesouro? Este é o caso, por exemplo, das empresas do grupo 3G, que acabou de adquirir a Heinz juntamento com Warren Buffett. A Ambev, Lojas Americanas e B2W <a href="http://blogs.estadao.com.br/fernando-dantas/?doing_wp_cron=1361033187.9083960056304931640625" target="_blank">pegaram R$ 3 bilhões do BNDES em 2011</a>. Precisavam? Não. São empresas que têm acesso fácil ao mercado de capitais. No entanto, como bons gerentes, seus diretores aproveitaram a oferta de juros mais baratos.</p>
<p>2) O negócio imaginado pelo empresário <strong>não</strong> é viável sem os juros subsidiados do BNDES. Neste caso, é preciso entender porque este negócio não é viável. Às vezes, pode ser um projeto de cunho social: moradias para a população pobre, projetos de mobilidade urbana, enfim, projetos que têm dividendos sociais, mas que não geram retornos financeiros. Não parece ser o caso da LBR. Para empreendimentos que visam o lucro, parece ser pouco inteligente subsidiar o empresário com recursos do Tesouro.</p>
<p>- Ah, mas Dr. Money! O negócio vai gerar empregos, o que também é um ganho social!</p>
<p>Vamos ver se consigo me fazer entender de uma vez por todas: o governo não cria riqueza, apenas transfere riqueza de um lugar para o outro! Ao subsidiar juros para uma determinada empresa, o Tesouro precisa aumentar impostos ou se endividar mais (o que significa mais impostos no futuro), inviabilizando outros negócios (geralmente os menores) que não têm o privilégio de ter os juros subsidiados! Acontece que esses outros negócios prejudicados não sabem que estão sendo prejudicados, enquanto o negócio que está sendo ajudado sabe que está sendo ajudado. Assim, é muito fácil obter apoio político para iniciativas como a do BNDES.</p>
<p>Seria muito mais inteligente, por exemplo, melhorar o ambiente de negócios no Brasil. Na mesma edição do Estadão, <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,regras-no-brasil-mudam-todo-dia-diz-anglo-american-,997601,0.htm" target="_blank">reportagem </a>reproduz as críticas da presidente da Anglo American, Cynthia Carroll, que atribuiu os prejuízos que teve no Brasil à &#8220;mudança frequente de regras e excesso de licenças para funcionar&#8221;. Será que precisaríamos de juros subsidiados se o ambiente de negócios no Brasil fosse mais amigável para todos, e não apenas para alguns eleitos?</p>
<p>E para você que acha que essa discussão não tem nada a ver com a sua vida, veja o gráfico a seguir:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/02/Evolucao-da-divida-publica.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2402" title="Evolução da dívida pública" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/02/Evolucao-da-divida-publica-300x180.jpg" alt="" width="300" height="180" /></a></p>
<p>Entendendo os conceitos: a dívida bruta é formada por todos os títulos emitidos pelo governo, seja no mercado doméstico quanto no externo. Esta dívida totalizou quase R$ 2,6 trilhões em 2012, ou quase 60% do PIB. Para chegar na dívida líquida descontamos os créditos do governo. Os principais são as reservas externas (cerca de R$ 750 bi) e os créditos junto ao BNDES (aproximadamente R$ 370 bi). Descontando estes e outros créditos menores, temos uma dívida líquida de R$ 1,6 trilhões (o número é maior porque inclui cerca de R$ 380 bi de títulos encarteirados no BC).</p>
<p>A coisa fica mais fácil de entender quando analisado em percentual do PIB. Note como a dívida líquida tem diminuído ao longo dos anos: era de quase 50% do PIB em 2006, e fechou 2012 em 35% do PIB. Mas isso não aconteceu pela diminuição da dívida bruta, que permaneceu em torno de 60% do PIB. É fácil de entender porque: os créditos do governo (reservas internacionais e BNDES) aumentaram no período. No caso do BNDES, que é o que nos interessa neste momento, os créditos cresceram de praticamente zero em 2006 para quase 9% do PIB em 2012.</p>
<p>Além de manter a dívida bruta alta, estes créditos têm um outro efeito nefasto: os juros da dívida permanecem altos, em função dos subsídios. É fácil de entender porque: se eu tomo recursos no mercado a, digamos, 7,25% ao ano, e empresto a 5%, tenho um prejuízo. O custo da dívida bruta é de 7,25%, mas o custo da dívida líquida é maior, pois devo considerar este prejuízo no cálculo. Claro, isso sem contar as barcas furadas em que o BNDES entra, como a LBR, ou os estádios de futebol para a Copa, que estão sendo construídos Brasil afora com dinheiro do BNDES praticamente a fundo perdido.</p>
<p>No gráfico a seguir, temos uma comparação da SELIC e do custo implícito da dívida líquida brasileira desde 2006:</p>
<p><a href="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/02/Taxa-de-juros-implicita-da-divida-liquida.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2403" title="Taxa de juros implícita da dívida líquida" src="http://www.drmoney.com.br/wp-content/uploads/2013/02/Taxa-de-juros-implicita-da-divida-liquida-300x180.jpg" alt="" width="300" height="180" /></a></p>
<p>Uma imagem vale por mil palavras: veja como, apesar da queda expressiva da SELIC nos últimos anos, o custo real da dívida pública permanece no patamar de 15% ao ano. Este é o custo dos subsídios dados pelo governo. Não existe almoço de graça.</p>
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