<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898</atom:id><lastBuildDate>Thu, 24 Oct 2024 15:52:34 +0000</lastBuildDate><category>Crônicas</category><category>Blá-blá-blá</category><category>Causos</category><title>Bom a Beça</title><description></description><link>http://bomabeca.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Rafael)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>39</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-549576123742257715</guid><pubDate>Mon, 14 Apr 2014 15:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-04-14T12:45:46.270-03:00</atom:updated><title>A saga das roupas I</title><description>Um dia você acorda e está usando as roupas de outra pessoa. Não são suas, isso é certo. Então você tira as roupas estranhas e elas ficam ali no chão esperando um dono que não vai mais voltar. E você fica nu encarando uma trouxa de roupas que não lhe cabem mais. Daí você começa a procurar suas roupas e percebe que não possui roupas. Então fica ali exposto, nu, seu eu verdadeiro, sem nada pra mascarar. E pessoas começam a chegar, perguntam pelo dono das roupas ali deixadas. Te acusam de ter feito algo com ele. Você tenta explicar que não são suas roupas, e você não onde o dono está. Não sabe nem como foi parar ali. E mais pessoas chegam e te interpelam sobre as roupas.&lt;br /&gt;
-Não sei, já estavam aí quando eu cheguei. Não são minhas, pois como pode ver estou nu, e se minhas fossem as estaria vestindo.&lt;br /&gt;
E você corre. Pra bem longe dali, pra outro lugar sem roupas de outra pessoa largadas no chão. E você pode correr até achar outras pessoas, que não conheçam o dono daquelas roupas. Ou você pode continuar correndo até achar pelo menos um par de calças.</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2014/04/a-saga-das-roupas-i.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-3333296732248747155</guid><pubDate>Mon, 10 Feb 2014 02:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-02-10T00:27:45.214-02:00</atom:updated><title>Procura-se um ego.</title><description>Eduardo não conseguia achar seu ego. E por nada no mundo conseguia lembrar onde tinha deixado-o.&lt;br /&gt;
Ele sabia que era um ego grande, imponente. A única coisa no mundo que tornava desnecessário comprar um carro grande.&lt;br /&gt;
Sabia também que era onde fabricava seu orgulho, e sem orgulho não conseguia muita coisa. Aceitava os desmandos do chefe, mesmo sabendo que era funcionário público e não precisava ouvir desaforos. Tinha a vida feita, mas feita pela metade. Faltava algo, uma parte gigantesca da sua alma.&lt;br /&gt;
Tentou colocar a culpa na ex-mulher.&lt;br /&gt;
Você sempre teve ciúme do meu ego, berrou pra ela ao telefone. &amp;nbsp;Mas ela o garantiu que não tinha ficado com o ego no divórcio.&lt;br /&gt;
&quot;Deve estar no meio das suas velharias, que você tanto gosta. Você sabe que nunca acha nada naquele mafuá.&quot;&lt;br /&gt;
Ela provavelmente tinha razão. Teria dado outra olhada no quartinho de bagunças se já não tivesse olhado 3 vezes.&lt;br /&gt;
O novo apartamento era pequeno, vergonhosamente pequeno, &amp;nbsp;faltando muito pra ser chamado de aconchegante. Era só quarto, sala/cozinha/copa e banheiro. A sala virou quarto, já &amp;nbsp;que o quarto mesmo era para os tesouros. Velharias são as coisas dela, pensou olhando pro quartinho.&lt;br /&gt;
Mediu a porta da sala, só pra ter certeza que o ego teria passado por ali. Apertando bem, caberia. Tem que estar aqui dentro.&lt;br /&gt;
Se caiu na mudança, aquele cara do frete vai levar um baita processo. Meu ego nem dá pra ser indenizado no pequenas causas. Bem grande, funcional, único dono. Valia uma fortuna em amor-próprio.&lt;br /&gt;
Tornou a ligar pra Valéria.&lt;br /&gt;
&quot;Não tenho o telefone da mudança, e pela última vez, eu não peguei.&quot;&lt;br /&gt;
Estava apreensivo e foi pro único lugar que se sentiria bem. Seu quarto de moleque na casa dos pais. A casa estava fechada há tanto tempo. Ninguém pisa aqui há meses. Parecia que a poeira estava estática no ar. No primeiro abrir de portas, uma nuvem se levantou.&lt;br /&gt;
Tenho que me livrar desse lugar, só serve pra trazer lembrança.&lt;br /&gt;
Foi direto pro mesmo quarto que tinha sido antes de seu irmão. Como bom temporão, esperou seu irmão sair de casa aos 21 anos e nasceu, poupando os pais de ter que arrumar uma casa que coubesse a família.&lt;br /&gt;
Tudo no quarto era herdado do irmão mais velho. As roupas, fora de moda já quando usara, 30 anos antes.&lt;br /&gt;
Foi aí que reparou numa caixinha de madeira. Aquilo não era do irmão, não era de ninguém além dele. Uma caixinha de madeira com cartões de jogadores de futebol. O avô deu e disse que era só dele. E palavra de avô ninguém tira. Ali dentro tinha seus verdadeiros tesouros, o resto era mesmo velharia perto daquilo. Os cartões ainda dos jogadores do Vasco. Ano após ano. Com aquilo sentiu que poderia encarar o mundo sozinho novamente. E se encheu de orgulho, ainda mais do que antes.</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2014/02/procura-se-um-ego.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-590839280083687637</guid><pubDate>Sun, 18 Aug 2013 03:28:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-01-16T20:49:09.385-02:00</atom:updated><title>Cartas</title><description>&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Eduardo combinou um encontro com sua antiga paixão de escola. Ela não sabia o que ele sentia, mas ele sabia bem. Nunca teve coragem de se declarar, sequer arriscar uma conversa mais longa. No máximo, trivialidades meteorológicas. Ele não tinha noção de como ela estava. Fazia 10 anos que não se viam. Nem a cor do cabelo ele tinha certeza. Nos seis meses que ele teve pra admirar ela, o cabelo mudava de cor constantemente, mas ele achou que esperar uma mulher de cabelo azul, laranja ou cor de rosa era bobeira.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;O mais perto de uma conversa que Eduardo conseguiu foi o bilhete disfarçado na mochila dela. Ficou desesperado quando soube da trasferência de escola. Ia pra casa da avó em outra cidade, levado pelo divórcio dos pais. Colocou o endereço da avó no bilhete e não assinou. Só disse que queria ficar perto dela, nem que fosse assim. Não se declarava completamente, apenas tentava ser amigável. Era muito mais fácil no papel.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Demorou pra ela responder o bilhete, alguns duros meses. Eduardo demorou pra se acostumar com a nova casa, nova escola. A carta mudou tudo isso. Dizia que sua amada estava bastante curiosa por ter um admirador, também comentava brevemente uma obsessão por romances de mistério e suspense. O que Eduardo tanto esperava, a carta trazia. Um endereço de resposta e uma proposta para se corresponderem. Eduardo colocou a resposta no correio naquele mesmo dia.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Se corresponderam por uma década. Eduardo leu sobre frustrações amorosas, decepções românticas e tragédias afetivas. Parecia que a garota tinha ficado muito boa em ter o coração partido. E Eduardo acompanhava tudo covardemente pelo simples medo de rejeição. Pensava em ir visitar ela, bater em sua porta com um buquê e o coração na mão. Mas só conseguia escrever. E nem nas cartas foi capaz de dizer que estava ali pra ela. Uma cidade de distância, e uma eternidade pra tomar coragem.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;A idéia de marcar o encontro foi mais dela do que dele. Ela já havia insinuado a idéia de um encontro antes, geralmente rechaçada por Eduardo. Mas ambos haveriam de concordar que não se descrever fisicamente depois 10 anos tornava um desafio se reconhecer. Um desafio para ele, na verdade. Ela ainda não sabia que tinha estudado com seu admirador.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Eles marcaram numa praça. Mas nada mais específico. Ambos estavam receosos. 4 bancos na praça. Eduardo decidiu observar.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;No banco A chegou uma menina de bicicleta. Eduardo lembrou de 2 maravilhosos meses com cartas quase diárias quando sua amada ficou de cama por uma perna quebrada. Sentiu pela perna, mas adorou as cartas. E depois do acidente, ela (que já não sabia andar muito bem) jurou nunca mais subir numa bicicleta. E Eduardo ficaria sabendo se ela mudasse de idéia. Não era ela.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;No banco B chegaram 2 meninas. Eduardo sabia que ela não iria acompanhada. Era tímida também, e as amigas achariam bobeira ter trocado cartas com um desconhecido por tanto tempo. Não era ela.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;No banco C sentou uma menina nada simpática que espantou um gatinho que se coçava nas pernas do banco. Sua queridinha amava animais. Não era ela.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;No banco D uma menina tropeçou antes de chegar no banco. Ela sentou ao lado dum escritor de bronze que sentava naquele banco há mais de 30 anos. Logo roçou seus dedos na mão que o escritor apoiava no banco. E também brincou com o gatinho enxotado que fora ali procurar abrigo. Definitivamente, era ela. Tinha que ser ela.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Tomou coragem pra se aproximar, e desde então, nunca mais conseguiu ficar longe dela.</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2013/08/cartas.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-612299697597835052</guid><pubDate>Sun, 18 Aug 2013 02:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-08-17T23:06:18.175-03:00</atom:updated><title>O Senador</title><description>&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Já tá bom o suficiente, dizia Bira. Mas seu assessor insistia em mais prática, mais aulas. Não, to pronto, cara. E foram.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Bira tinha sido abordado há 7 meses por um sujeito que se dizia representar o senador Otácio Café. Nunca ouvi falar dele e nem de você, mané. E tu tá atrapalhando minha cerveja.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Acontece que Otácio veio numa comitiva com outros senadores e politiquetes de menor cacife que iria fiscalizar as obras da copa pro ano que vem, quando viu Bira descarregando um caminhão de areia com mais 3 operários. Após o susto inicial, Otácio mandou um assessor seguir Bira e checar os antecedentes pra ver se dava pra contar. Tirando umas dívidas no bar e 2 prestações atrasadas de um fogão das Casas Bahia, decidiram que Bira era um cara bem decente.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Ficou estabelecido que Bira se passaria por Otácio em compromissos oficiais e aparições públicas por Otácio, enquanto este tirava férias num local paradisíaco &amp;nbsp;e deserto. E as despesas de viagem ficariam pagas por 2 funcionários fantasmas no gabinete. Então eu só tenho que fingir que sou bacana, falar afrescalhado e posso levar a vida do senador? Amigo, a gente devia ter se conhecido bem antes...&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Não tinha família pra sentir falta dele. Os amigos sabiam que ele não era de ficar muito tempo no mesmo lugar. Posso sumir e ninguém vai procurar, cara. Fica tranquilo.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Bira teve aula com professores de boas maneiras, de inglês. Decorou a biografia do Senador. Era recém-viúvo, sem filhos. Ninguém muito próximo capaz de reconhecer maneirismos que cada indivíduo tem. Se aprendesse a se comportar como bacana e falar com demagogia, ninguém desconfiaria e poderia ter a vida que sempre mereceu.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;O primeiro compromisso era com a liderança do partido, pra discutir o ano que entrava. Não podiam bobear porque era eleição. Pô, é só eu falar aquelas frases de fresco &amp;nbsp;que a gente treinou e tá tudo certo. Todo político é cheio de frase feita mesmo.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Já tinha imaginado tudo na cabeça, compromissos eleitorais, umas sessões num auditório grande pra dizer sim ou não pras leis, cortar faixa de obra, abraçar bebês e beijar mamães. Tudo que um político faz. O resto do tempo era boa vida.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;A reunião foi um sucesso. Impressionou tanto a cúpula que fizeram grandes planos pra ele. Era jovem, tinha um grande futuro pela frente. O sobrenome ajudava, o avô do senador tinha sido um grande radical moderado durante a ditadura e ficou bem quisto por ambos os lados. O que seu neto carismático não seria capaz então? Falavam em presidência dali a 2 mandatos. E todos comentavam que nunca viram o senador tão simpático e eloquente.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Bira era só sorrisos. Bom ator, decorou bem as falas e sabia improvisar. Também sabia agradar, deixou em todos a certeza que ali estaria o elo da vitória do partido. Quase não precisou do assessor soprando no ponto eletrônico.&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Apertou a mão de todos, faziam questão. O presidente do partido, importante deputado federal, vinha em sua direção pra ter uma palavrinha a sós com ele. Ganhou convite para um jantar com a família, promessa de vaga numa comissão importante dentro do senado, ministério se ele quisesse. Tudo certo, era só dar adeus e a farsa ganharia respaldo. Sim, Deputado, é uma honra jantar com vossa excelência. Podemos trocar telefone? O seu é Claro? Tenho bônus pra Claro quando recarrego mais de 5 reais. Foi desmascarado ali mesmo.</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2013/08/o-senador.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-6237881299478631586</guid><pubDate>Mon, 07 Jan 2013 01:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-01-16T20:50:32.473-02:00</atom:updated><title>2013</title><description>&lt;br /&gt;
Tentar fazer mais:&lt;br /&gt;
1- Ler&lt;br /&gt;
2- Escrever &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3- Aprender&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tentar não fazer:&lt;br /&gt;
1- Se meter onde não foi chamado&lt;br /&gt;
2- Ser relapso&lt;br /&gt;
3- Ter medo do Google &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fazer todos os dias:&lt;br /&gt;
1- Assistir um filme novo/ler uma coisa nova</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2013/01/2013.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-1598702355213814940</guid><pubDate>Mon, 23 Jul 2012 14:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-07-23T11:10:12.942-03:00</atom:updated><title>El Bardo Libre</title><description>Eduardo vivia contando histórias. Não, sério. Era como ele se sustentava. Incapaz de parar num lugar só, de ter uma vidinha pacada e tranquila, contava histórias de lugar em lugar, fazendo apresentações em pequenos teatros, praças e até bares, se a acústica permitisse.&lt;br /&gt;
Seu protagonista quase sempre era ele mesmo, fazendo das coisas mais fantásticas. Às vezes um ou outro que acreditava que ele tinha mesmo feito aquelas coisas fabulosas. Mas nunca afirmou que tinha feito alguma daquelas coisas. &quot;O que eu conto são apenas histórias, de onde elas vem não importa. São boas histórias&quot; clamava Eduardo.&lt;br /&gt;
E vivia assim, de apresentações e contações de história. Nunca dava muito dinheiro. E ele nem precisava de muito dinheiro, sempre viveu assim. Vivia de histórias, suas histórias. Nunca teve carro, casa própria, nem conta bancária. &quot;Todo meu dinheiro cabe certinho no meu bolso, não preciso pagar ninguém pra guardar ele pra mim&quot; E ia vivendo assim.&lt;br /&gt;
Numa de suas apresentações, um engravatado ficou de muitas perguntas pra cima de Eduardo. Ele não gostava muito do tipo, dizia que qualquer um que precisasse se cobrir com tantas roupas devia ter algo a esconder. O tal do sujeito queria saber de Eduardo quem selecionava as histórias para ele contar. Pareciam ser escolhidas a dedo com a certeza de que encantariam o público. &quot;Sou eu mesmo&quot; respondeu Eduardo.&lt;br /&gt;
Quando deu por si, Eduardo já estava engravatado também. O homem tinha lhe oferecido um salário que em 2 anos não conseguiria contando histórias. Agora ele era responsável por fornecer e selecionar histórias que uma certa apresentadora infantil contava no seu programa matutino.&lt;br /&gt;
Eduardo agora tinha tanto dinheiro que precisou aumentar os bolsos. Mas isso só serviu por pouco tempo, e ele teve que se acostumar com a idéia de uma conta bancária. Agora também tinha um carro, uma casa. Uma casa onde ele morava com a apresentadora loira.Tá certo que ele não tinha tempo de aproveitar, passava muito tempo no trabalho. Mas eram dele. &lt;br /&gt;
Com tanto tempo para o trabalho, quase não sobrava tempo de escrever suas histórias próprias. E quando arranjava tempo pra escrever algo percebia que suas histórias tinham ficado mais curtas. E mais deprimentes. Já não cativariam a multidão. Curiosamente, boa parte de suas histórias envolviam incêndio. Mais curioso ainda é que entre os destroços sempre encontrava-se uma gravata e uma peruca loira.</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2012/07/el-bardo-libre.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-2627021829555895887</guid><pubDate>Sun, 12 Feb 2012 06:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-02-12T04:50:16.673-02:00</atom:updated><title>troca-se problemas</title><description>Eva adorava problemas. Sério mesmo, achava um mais interessante que o outro. E adorava amostrar eles pros amigos. Talvez por isso Eva tivesse tantos amigos, pra ter mais gente pra admirar seus problemas. Eva montou uma respeitável coleção de problemas. E de amigos. Abriu até um museu pros seus problemas que valiam a pena de serem mostrados. Amigos entram de graça.&lt;br /&gt;
Conforme o tempo foi passando, a coleção de Eva foi aumentando. Enorme. Teve que alugar uma casinha menor na rua de baixo pra morar, já que sua casa estava cheia de problemas. E isso porque ela já tinha feito obras pra expandir o espaço pra guardar sua coleção. O que se tornou outro problema. Cada obra tinha atraso, enrolação do engenheiro, falta de material. Cada obra, um novos problemas. E a cada novo problema, mais obra pra ter onde guardar. E assim foi, a casa ocupando o terreno quase todo. O secretário de obras da cidade veio pessoalmente trazer o aviso de proibição de novas obras. Era uma honra entregar mais aquele problema ao museu que havia se tornado um grande ponto turístico daquela pequena cidade. Mas as obras violaram a lei orgânica do município e precisavam acabar.&lt;br /&gt;
Foi com esse novo problema que Eva decidiu que era mais simples se mudar e deixar o museu naquele terreno. Não podia mais ter problemas. Não tinha espaço. Eva então começou a pensar numa maneira de se livrar de seus problemas. Jamais poderia vender. Aqueles eram seus problemas de estimação, mas aceitaria fazer trocas. Pelo menos vai manter o museu com novidades. Só que Eva não calculou o tamanho dos seus problemas. E acabava trocando seus pequenos problemas por maiores. Eva trocava &quot;topada no dedão&quot; por &quot;gravidez indesejada&quot;. Sem perceber o tamanho dos problemas. E vamos combinar que se colocarmos esses 2 problemas num ringue de gelatina acaba sendo um duelo de Davi contra Golias. Sem falar que &quot;gravidez indesejada&quot; depois de um tempo evolui pra &quot;filho pra criar&quot; e assume proporções assustadoras.&lt;br /&gt;
Então, o problema de espaço voltou, e dessa vez ainda maior, ou menor, já que não tinha espaço pro problema ser maior. Por sorte, o vizinho do lado do museu já não aguentava mais estacionarem em frente à sua garagem. Nem o barulho dia e noite, já que problemas não tem noção de hora e acabam te atazanando quando você menos quer. Então o vizinho aceitou trocar o problemão que se tornou sua casa pela viagem pra Tailândia que Eva ganhou de aniversário. A passagem e o hotel estavam pagos, mas não incluia café da manhã, o que não deixa de ser um problema. Então Eva conseguiu um grande espaço pros seus problemas. Na verdade, não era tanto espaço assim, porque aquele espaço já vinha com seus próprios problemas. Mas serviu e tinha espaço até pra Eva morar.&lt;br /&gt;
Os amigos começaram a se preocupar com Eva. Não a viam mais, ela só tinha tempo para seus próprios problemas. O museu não podia parar, as pessoas queriam ver aqueles problemas. Pessoas gostam mesmo ver problemas que não são seus, e gostam mais ainda de falar sobre os problemas dos outros. Então os amigos resolveram tirar Eva daquela situação, cada um resolveria um problema pra ela. Se reuníram e foram até o museu-casa-depósito que havia se tornado aquela aberração de guardar problemas. Chegando lá encontraram uma fila enorme de gente querendo saber de problema dos outros na entrada do museu fechado e nem sinal de Eva.&lt;br /&gt;
O ex-vizinho, que tinha virado amigo de Eva depois que voltou de 2 semanas maravilhosas na Tailândia, ainda tinha uma chave de reserva. Abriram a porta e se depararam com o museu vazio. Nada de problemas e ainda nada de Eva. Percorreram todas as alas e andares. Nadica de nada. Eva tinha desaparecido. Foi então que um dos amigos achou Eva caída no canto de uma ala do sub-solo. Ela contou que estava reorganizando uns problemas quando um antigo problema de estrutura da casa caiu sobre ela. E não tinha forças pra se levantar. Mas de alguma forma, o problema que caiu em cima dela não estava mais por ali. Eva disse ao amigo que sabia que era seu fim. Não conseguiria sair dali viva. Eva fechou os olhos. E abriu um enorme sorriso. Um sorriso que o amigo não via há muito tempo em Eva. Um sorriso de quem não tem problemas.</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2012/02/troca-se-problemas.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-4481903517306361013</guid><pubDate>Sun, 27 Nov 2011 04:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-11-27T04:03:04.286-02:00</atom:updated><title>Portas</title><description>Amadeu se sentiu perdido. Todas as casas da rua eram parecidas, tinham sido construídas da mesma maneira há muito tempo. Em algumas se notavam reformas, a pintira fora retocada em outras, mas basicamente eram iguais. E Amadeu não fazia idéia de qual casa procurava.&lt;br /&gt;
Amadeu não lembrava em qual casa tinha entrado ontem. Tinha bebido. Ou tinha sonhado, também pode ter sido isso. Mas era uma daquelas casas, ele sentia isso. Sabia que ali atrás de alguma daquelas portas estava a mulher que tinha conhecido ontem, ou sonhado, que seja. Era a mulher de sua vida e isso que era importante. A casa era só um detalhe e achar ela seria questão de tempo. Era ali. Amadeu não conseguia lembrar também como ela era, mas saberia quando a visse.&lt;br /&gt;
Amadeu entrou numa porta ao acaso, a sorte o levaria até sua amada. A sala era familiar, a mulher sentada ao sofá também. Mas seria ela? Amadeu sentiu alguma. Podia ser o destino mandando ele ir em frente ou a consciência falando pra ele correr pra porta. Correu pra porta. Não era ali que deveria ficar. O episódio se repetiu em várias casas. A sensação estranha e depois a certeza de que não era lá.&lt;br /&gt;
Na varanda de algumas casas Amadeu sentiu a certeza de que era naquela, mas depois se deparava com uma casa vazia. Mais estranho era olhar pela janela em certas casas e ver homens aonde ele deveria estar. Amadeu ficava chateado em toda casa em que a mulher não parecia notar que o homem que ali estava não era ele. Determinadas casas tinham até mulheres em seu lugar. &lt;br /&gt;
A rua agora parecia interminável com suas 2 fileiras de casas idênticas até o horizonte. Milhares de janelas mostrando pessoas felizes como quadros, e Amadeu ali sem encontrar o seu cantinho. Até que uma porta se abriu.&lt;br /&gt;
&quot;Amadeu?&quot; - perguntou a mulher à porta.&lt;br /&gt;
&quot;Sim&quot;&lt;br /&gt;
&quot;Você veio me ver? - perguntou a moça enquanto abria um sorriso.&lt;br /&gt;
Foi então que Amadeu se lembrou de tudo. Já estivera ali mesmo, mas não na noite passada, estivera ali várias vezes com aquela mulher. Passou anos com ela. Outra vez passou meses. Uma vez entrou num dia e saiu no outro. Sempre ia e voltava. E sempre lhe parecia uma boa idéia ficar naquela casa com a mulher. Mas depois saía enxotado ou enfurecido da casa. Nunca dava certo. E depois de um tempo tudo aquilo lhe parecia como um sonho estranho pro qual ele achava que queria voltar.&lt;br /&gt;
&quot;Você vai entrar?&quot; - a mulher agora exibia uma cara de confusa.&lt;br /&gt;
Amadeu não pensou 2 vezes. Desceu a rua correndo e começou a abrir outras portas. Entrou na primeira casa vazia que achou. E ficou ali feliz da vida, pensando em como aquela casa era tudo o que ele precisava.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2011/11/portas.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-1178910891558426708</guid><pubDate>Sat, 15 Oct 2011 04:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-15T01:02:03.646-03:00</atom:updated><title>a lamina</title><description>Ele segurava a lâmina perto da pele enquanto pensava uma última vez. Aquilo era sério, não ia ter volta. Sabia que os iam lembrar dele por causa daquilo. Nunca iam esquecer.&lt;br /&gt;
Aproximou a lâmina um pouco mais e viu seu próprio reflexo no espelho. Era aquilo mesmo que ele queria? Sabia a resposta. Não, não era aquilo que ele queria. Mas estava fazendo por amor, por ela. Ninguém além dela ia entender aquele sacrifício. Pensou nos amigos e no que eles iam dizer dele. Será que iam respeitar sua escolha? O corpo era dele, a alma era dela, e ele estava disposto a sacrificar um pelo outro.&lt;br /&gt;
A lâmina chegava a tocar na pele agora. Ele tinha pensado em outras maneiras de fazer aquilo, mas a lâmina pareceu o jeito mais rápido e prático. Antigamente ele se sentiria um fraco só de pensar em fazer aquilo, mas agora estava cheio de certeza. Tinha que fazer.&lt;br /&gt;
E fez.&lt;br /&gt;
Raspou o peito a pedido da namorada. Os amigos passaram a deixar artigos com dicas de como fazer virinha cavada no parabrisa. Na hora de tomar banho depois do futebol sempre alguém levava cera quente pra sacanear. Ele sabia que virar metrossexual era um caminho sem volta e estava firme em sua decisão. Mas mesmo assim entrou na natação pra diminuir o falatório.</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2011/10/lamina.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-7912554043689622778</guid><pubDate>Fri, 07 Oct 2011 15:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-07T12:21:06.394-03:00</atom:updated><title>Separados por um bule.</title><description>Rodolfo acorda de manhã já com aquela costumeira falta de vontade, ele sabe a merda de dia que o espera lá fora. Fez o que todo mundo faz ao acordar, levanta, lava o rosto, dá uma olhada na janela da sala pra checar se o apocalipse zumbi não estourou enquanto ele dormia.&lt;br /&gt;
Foi para a cozinha fazer o café. Na verdade, só esquentar o de ontem. Esquentou o café, separou e lavou porcamente o copo. &quot;Preciso catar mais copos no bar do seu Dinga. Quebrou mais um e só sobraram 2&quot;. E se deu conta de que não tinha açúcar. Nadica de nada. E foi até a vizinha pedir açúcar.&lt;br /&gt;
Saiu pela porta e encontrou ela toda cheia de sorrisos no corredor. &quot;Oi, vizinho, você tem um pouquinho de açúcar pra socorrer sua pobre vizinha?&quot; &quot;Eu tava indo justamente te pedir isso, Tereza. O meu acabou&quot; &quot;É que meu namorado passou aqui bem cedinho e colocou quase um quilo no café, parece que veio aqui só pra isso. Eu tava contando com o seu emprestado&quot; Namorado. NAMORADO. Aquilo ecoou na cabeça de Rodolfo. A gracinha de vizinha que vinha dando bola pra ele há meses. Ele sabia que devia ter chamado ela pra sair. Agora era tarde. O cérebro de Rodolfo ainda conseguiu fazer a boca resmungar alguma coisa antes de voltar pro apartamento processando aquela nova informação. Tudo deu errado. Não era pra ser assim. A entrevista de emprego tinha sido boa, mas ele não conseguiu a vaga. Por causa disso atrasou 2 meses o aluguel, mais um mês e teria que se mudar. A bendita vizinha. O maldito namorado. O maldito açúcar.&lt;br /&gt;
&quot;O açúcar. Nem tudo está perdido&quot; Rodolfo saiu de novo, agora determinado a ajeitar alguma coisa em sua vida. Não podia fracassar em tudo. E foi com uma lança caçar o açúcar.&lt;br /&gt;
O seu Dinga não tinha. &quot;Ih, rapaz. To atrasado com as compras do mês. Vou ficar te devendo essa&quot;&lt;br /&gt;
Na padaria: &quot;Não tem açúcar pra vender, o que tem aqui nós usamos e não dá pra ficar dando assim&quot;&lt;br /&gt;
O supermercado mais perto ficava a 30 min de caminhada, mas Rodolfo não ia se dar por vencido. Foi até lá. Aquilo parecia o paraíso de tanto açúcar. Era como se mil Terezas estivessem ali sorrindo e dando aquele tchauzinho inocente dos encontros de elevador. Comprou um saco só, mas pagou feliz. Nem ligou pra longa caminhada de volta com aquele quilo embaixo do braço. Era o resultado da perseverança, o prêmio pela caçada.&lt;br /&gt;
Da esquina, viu o prédio. Só mais alguns metros e e estaria em casa. Em casa, com seu açúcar e seu café. Viu também Tereza do outro lado da rua. Linda como sempre. Pensou em alguma coisa interessante pra dizer, alguma música com açúcar na letra pra cantar. Enquanto pensava e atravessava viu um carro estacionar do lado de Tereza. Ela entrou no carro e deu o maior beijo do mundo no motorista. Pela segunda vez naquele dia a realidade ecoava na cabeça de Rodolfo. Só ficou parado ali, desarmado, enquanto o carro ia embora. Não viu o outro carro. Pegou em cheio e foi açúcar pra todo lado. Agonizava ali, agora com a certeza absoluta de que não devia ter levantado da cama de manhã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
*****&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
Mário acorda de manhã cheio de energia, ele sabe o dia maravilhoso que o espera lá fora. Levanta, lava o rosto, dá uma olhada no sol nascendo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
Foi para a cozinha fazer o café. Repara logo que não tem açúcar. Sem titubear, pega o carro e vai pra casa da namorada acabar com o açúcar dela. Tem um excelente dia e não morre no final.&lt;/div&gt;
</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2011/10/separados-por-um-bule.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-3896931916391113920</guid><pubDate>Tue, 04 Oct 2011 00:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-01-16T21:31:45.134-02:00</atom:updated><title>de onde vem, pra onde vão?</title><description>Acho que eu nunca presenciei o nascer de uma relação. Sempre que eu me dei conta ela já estava lá, não teve fecundação, não teve geração espontânea, brotamento, nada. Quando você não sabe de onde uma coisa surgiu fica difícil lidar com ela, saber o que ela come, pra onde ela vai, de qual tamanho pode ficar. E é assim que as minhas acabam, fugindo por incompatibilidade de idéias, mortas de fome, ou grandes demais pra se ter no prédio e o síndico manda eu me livrar dela. O que pega de surpresa é o momento que isso acontece. Porque você não sabe de onde ela veio, então não sabe o que funciona e não funciona pra ela. Ela começa a bolar planos de fuga quando você espera que ela se vire sozinha, vá caçar, buscar o próprio sustento. E relações não funcionam se você não der de comer exatamente o tipo de ração indicada, levar pra passear bem na hora que ela entender(é um perigo alimentar e não levar pra passear). Já teve uma que fugiu e nem deixou um bilhetinho azul. A suspeita é de que a comida não estava agradando. E não me engano mais, cedo ou tarde acabo pisando no cocô. Geralmente é cedo.</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2011/10/de-onde-vem-pra-onde-vao.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-218539148854436117</guid><pubDate>Fri, 30 Sep 2011 04:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-09-30T01:08:40.711-03:00</atom:updated><title>tic tac</title><description>Quando eu era pequeno o tempo era bem rápido. Pra uma criança demorava só um curativo no último tombo ou almoçar e já podia voltar a fazer coisas que uma criança faz(eu gostava de ver anúncios na lista telefônica com a minha vó e desmontar relógios com um martelo). Já na adolescência o tempo era mais maduro e não corria tanto. A unidade começava em semanas e não curativos. Em uma semana mudava tudo, ou tudo que tinha mudado voltava ao normal. Um mês passado era como se fossem 2 vidas passadas e reencarnadas, já tava tudo diferente, moderno e novo.&lt;br /&gt;
Agora, nos meus 20 e poucos as coisas não mudam, esse ano é exatamente igual ao ano passado, as pessoas são as mesmas, manias, defeitos, qualidades, nada mudou.&lt;br /&gt;
Aí você toma um tombo e para pra fazer o curativo. E quando levanta vê que tá todo mundo correndo, apressado, fazendo coisas. O tempo não tinha parado, tava mais rápido do que nunca. Foi você quem parou. Aquele tombo só foi alguém que passou correndo e te deu um encontrão enquanto você tava abobado admirando a paisagem. Acho que é tudo vingança dos relógios que eu operei quando criança.</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2011/09/tic-tac.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-6731079251676857919</guid><pubDate>Tue, 27 Sep 2011 00:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-09-26T21:38:49.892-03:00</atom:updated><title>Gente confusa.</title><description>Sabe gente com semblante permanente de que tá perdida? Daquele tipo que entra numa sala e acha que entrou no lugar errado apesar da placa enorme indicando que ela está no lugar certo. Que acha que as pessoas vão perceber que não pertence àquele lugar, cai fora&quot; e acabar enxotado dali por uma multidão com foices e tochas. Porque todos ali se conhecem, ela tem certeza. O de boné vermelho é padrinho do filho da de vestido amarelo, e a de saia rosa parece que foi no enterro da tia-avó da de saruel roxo(como ela teve coragem de sair de casa com isso?). O tipo que parece nunca se encaixar devido ao excesso de peculiaridade e acaba ser tornando em melancolia.&lt;br /&gt;
Pois eu tenho atração por essa gente confusa. Não sei qual é essa síndrome de querer consertar pessoas, só sei que eu tenho e é crônica, doutor.</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2011/09/gente-confusa.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-4483482654517674746</guid><pubDate>Thu, 08 Sep 2011 03:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-09-08T00:22:08.772-03:00</atom:updated><title>Eu só queria um banho.</title><description>A atração dos homens por chuveiros existe há muito tempo, muito mesmo. Os chuveiros são tão antigos quanto os próprios homens. Não se sabe quem veio primeiro.&lt;br /&gt;
A característica mais marcante dos chuveiros é que eles são imprevisíveis. Não dá pra saber o que se passa na cabeça de um chuveiro. Se um chuveiro está em Inverno significa que é pra usar durante o Inverno ou significa que a temperatura dele está mais fria que o marcador Verão? E os chuveiros são muito bons em te fazer pensar que aquela é a temperatura certa ou te deixar imaginando em qual temperatura ele realmente está. Chuveiros conseguem ser bem dissimulados quando querem. Nem sempre por maldade, mas porque faz parte da natureza de um chuveiro não querer que você saiba o que ele está pensando.&lt;br /&gt;
Não entenda errado, eu acho que chuveiros são ótimos. Te esquentam quando você tá frio, carente e precisando de um cafuné. Ou te esfriam quando você tá fervendo, suado e precisando de outro cafuné. Adoro chuveiros. Mas são como eu disse anteriormente, são imprevisíveis e impossíveis de se domesticar.&lt;br /&gt;
Não adianta pergunta pra um chuveiro qual a temperatura, qual a pressão da água, se tem água de verdade, qual é a chance de um dia aquela água realmente esquentar. Os chuveiros gostam de que você olhe pra eles com a mesma cara do menino feliz que viu um chocolate em cima da mesa mas apreensivo porque não sabe se o chocolate é pra ele. Aham, chuveiros adoram essa cara de paspalho.&lt;br /&gt;
Aí, você passa a olhar as outras pessoas e seus chuveiros. Pessoas frias com chuveiros quentes, pessoas grandes com chuveiros pequenos, pessoas sujas e seus chuveiros sem água. Muitos parecem se entender bem. Só você que não recebeu o manual do seu chuveiro. Algumas pessoas até compreendem o seu chuveiro, não parecem ter sido enganadas pelo Verão seguido de um banho de pedras de gelo.&lt;br /&gt;
A partir de um momento, você começa a se ver sujo observando chuveiros desocupados e aparentemente funcionando. Hey, talvez um desses possa resolver meus problemas de higiene, você pensa. Mas na hora lembra daquele seu chuveiro estranho e genioso que você gosta tanto. Então você volta pra casa e inspirado pelos outros chuveiros roda a torneira decidido a encarar a temperatura que vier. Nem cai água.&lt;br /&gt;
É quando você decide ir atrás de uma banheira.</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2011/09/eu-so-queria-um-banho.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-8101653080187888073</guid><pubDate>Wed, 03 Aug 2011 17:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-08-03T14:04:15.770-03:00</atom:updated><title>El paraguas</title><description>-O que você tá fazendo aqui?&lt;br /&gt;
-Não sei, posso entrar ou corro até você pegar a vassoura?&lt;br /&gt;
-Não preciso de vassoura, tem um guarda-chuva pontudo atrás da porta. Você não ia chegar nem no elevador. Aliás, quem deixou você entrar no prédio?&lt;br /&gt;
-Eu disse pro vigia que você me ligou dizendo que tinha umas coisas minhas aqui e que ia jogar fora se eu não viesse. Não foi culpa dele.&lt;br /&gt;
-Afinal, o que você quer?&lt;br /&gt;
-Já disse que não sei o que eu quero. Te ver, eu acho. Eu ainda gosto d...&lt;br /&gt;
-Pode parar, não vem com esse papo. Você perdeu o direito quando saiu por essa porta e não voltou.&lt;br /&gt;
-Eu sei, mas eu não posso ter me arrependido? A gente faz burrada, pede desculpa e torce pra tudo voltar a ser como era.&lt;br /&gt;
-Não dá mais pra ser como era, eu mudei. E devia ter mudado de endereço pra não ter que aturar homem arrependido.&lt;br /&gt;
-Não é bem arrependimento, eu só percebi que precisava de você. As outras não chegam nem aos seus pés.&lt;br /&gt;
-Outras, é? Nesse pouco tempo já teve mais de uma?&lt;br /&gt;
-Bom... Calma... É... Pera lá... Com elas foi só sexo, é de você que eu gosto.&lt;br /&gt;
-Você não vale nada. Eu só saí com o Otávio e a gente nem transou.&lt;br /&gt;
-Otávio que joga pelada comigo? Quem é que não vale nada, sua...&lt;br /&gt;
-Olha a boca, já to com a mão no guarda-chuva.&lt;br /&gt;
-Desculpa, mas é que eu te amo tanto que não consigo imaginar vocês dois e não sentir raiva.&lt;br /&gt;
-Ele fez esse mesmo discurso de coitado quando eu liguei e disse que não queria mais sair.&lt;br /&gt;
-Você terminou com ele? Aposto que foi por minha causa.&lt;br /&gt;
-Rá.&lt;br /&gt;
-Diz, reconhece que não consegue viver sem mim.&lt;br /&gt;
-Você continua se achando, né? Lembro que você foi embora porque não estavamos &quot;mentalmente conectados&quot; e você não ia conseguir ficar comigo sendo de um nível superior.&lt;br /&gt;
-Eu não ligo mais pra isso, fico com você mesmo sem você ser capaz de me entender. Prometo que vou ter paciência.&lt;br /&gt;
-Peguei o guarda-chuva. CORRE!</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2011/08/el-paraguas.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-3671771623124000257</guid><pubDate>Sun, 19 Jun 2011 02:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-06-20T03:33:06.268-03:00</atom:updated><title>Trouxe um cavalo para mim? -Parte Final</title><description>Aqui continua a saga de Frank:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele só foi acordar no hospital 1 dia depois. Parecia uma múmia da cintura pra baixo e a perna direita estava suspensa no ar, imobilizada por cordas em roldanas. Ficou sabendo pela enfermeira que sofreu uma concussão e tinha quebrado a perna em 3 lugares. Já tinha passado por várias cirurgias, mas ainda faltavam cirurgias menores e era quase certa uma perda de mobildiade parcial da perna. Isso significava que Frank não poderia mais montar. Sua carreira como ídolo de Western estava acabada antes de começar.&lt;br /&gt;
Frank recusou a receber visita de qualquer um que fosse do estúdio ou da produção do filme. E assim que recebeu alta, arrumou as coisas e voltou para o Brasil. Estava tomado pela raiva e pela vergonha, não poderia mais fazer cinema depois do que aconteceu. Hârmonica triunfava novamente.&lt;br /&gt;
O tempo passou e Francisco desistiu do nome artístico e da carreira de ator. Mas não conseguiu ficar totalmente longe do cinema. Virou projecionista no pequeno cinema da sua cidade. Podia ver filmes a hora que quisesse e pra esse ou aquele filme fazia uma decoração especial com o tema do filme. Já estava conformado, e até feliz com sua nova vida.&lt;br /&gt;
Um dia, Francisco estava abrindo as latas com os últimos filmes que o cinema recebeu e se interessou pelo título de um deles: Vingando Franklin Honda. Colocou o filme pra rodar no projetor. Francisco ficou boquiaberto com o que viu.&lt;br /&gt;
Na primeira cena dava podia se ver as costas de um cowboy tentando parar sua montaria que corria desembestada. Ouve-se um grito, seguido de um tiro. Então o cowboy cai. A camera foca nele desacordado e sujo de sangue no chão. É Francisco, ou melhor, Frank Fonda. Quando outros 2 cowboys aparecem, Bronson e o ator que fazia o Federal Marshal, o atirador já não está por perto. Bronson jura que vai achá-lo para vingar o irmão.&lt;br /&gt;
A tela fica preta e entra VINGANDO FRANKLIN HONDA. Não é possível. Minha vergonha eternizada pra sempre em filme. CHARLES BRONSON como Colton Cameron. Como eles puderam fazer isso? Deve ser uma piada de muito mal gosto. TIMOTHY SILVESTER como Marshall Hering. Francisco ainda não conseguia acreditar naquilo e... Participação Especial: Frank Fonda.&lt;br /&gt;
Era a realização do sonho de Francisco. Apareceu num filme mesmo sem querer. Já não importava tanto sua lesão, estava feliz. Aquele canto inquietante em sua alma estava finalmente sossegado. E ainda aproveitou pra surrupiar os posters do filme de lembrança.</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2011/06/trouxe-um-cavalo-para-mim-parte-2.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-6492084485232749440</guid><pubDate>Fri, 17 Jun 2011 00:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-06-16T21:29:53.302-03:00</atom:updated><title>Trouxe um cavalo pra mim?</title><description>Era a estréia do cinema na cidadezinha e o pai queria que Francisco  conhecesse aquilo que ele não teve oportunidade de conhecer quando  criança. Iam passar Era Uma Vez No Oeste, um faroeste que tinha acacado  de estrear nos cinemas americanos.&lt;br /&gt;
Depois do filme, Francisco saiu  montando uma vassoura e anunciando que seu nome agora seria Frank e que  era um cowboy fora da lei. A brincadeira durou um bom tempo, mas logo  Frank mudou. Foi o computador HAL de 2001: Uma Odisséia no Espaço,  quando andava pra cima e pra baixo com uma máquina de escrever quebrada  amarrada no pescoço e só se comunicava através de bips. Depois de HAL,  virou o Dr. Zaius de Planeta dos Macacos, que colou em si uma pelagem  rosa e amarela raspada dos ursinhos da irmã menor. Foi bem nessa época  que uma prima de Francisco o acusou de levar pulgas pra casa pra ficar  catando do cabelo e comendo.&lt;br /&gt;
Francisco adorava tudo sobre cinema,  lia revistas, não desgrudava do rádio quando entrevistavam algum ator e  não pensou 2 vezes quando teve a oportunidade. Aprendera inglês de tanto  ver filmes, tinha algum dinheiro guardado, a família o apoiava. E saiu  da cidadezinha aos 16 anos com destino a Hollywood.&lt;br /&gt;
Com seus dotes  pra fazer fantasias, Francisco logo arrumou um emprego de auxiliar de  cenário e maquiagem em pequeno estúdio. Mas o que ele buscava era a  frente das câmeras. E ia fazer o que fosse preciso pra impressionar  alguém.&lt;br /&gt;
Francisco ficou amigo de um motorista de outro estúdio,  que parecia saber todas as fofocas de todos os artistas. Esse motorista,  Conner, lhe contou que outro dia mesmo durante as filmagens de um &lt;i&gt;bang bang&lt;/i&gt;,  o contra-regra responsável pelos tiros da cena impressionou um figurão  rodando as pistolas e colocando no bolso. Agora esse contra-regra ia ser  o ajudante do Sheriff que roda a pistola e fala uma frase de efeito  quando avisam que os bandidos estão chegando.&lt;br /&gt;
-É isso, pensou ele, vou fazer alguma coisa chamativa e conquistar meu lugar no filme.&lt;br /&gt;
Aí  que soube que Charles Bronson viria visitar o estúdio pra falar sobre  um projeto. Aquele mesmo Harmônica, seu inimigo de infância desde o  momento em que matou Frank no cinema. Francisco, agora Frank Fonda em  homenagem a seu maior herói, sabia o que tinha que fazer, e passou as  semanas seguintes obcecado por um plano de vingar a morte de Henry Fonda  no filme. &lt;br /&gt;
Tudo acertado entre o estúdio e o ator, Harmônica  viria filmar. Era a oportunidade perfeita pra colocar em prática seu  plano de vingar o Frank original e chamar atenção do diretor.&lt;br /&gt;
Na  primeira semana de filmagens, estavam fazendo apenas as cenas externas.  Nessa cena Harmônica (Sheriff Colton Cameron nesse filme) e o Federal  Marshal voltavam do deserto e deixavam os cavalos no estábulo enquanto  eram seguidos por uma dúzia de cameras posicionadas em diversos angulos.  Frank também estaria posicionado. Quando chegou a hora de filmar, Frank  se ofereceu pra ir buscar o cavalo de Harmônica. Frank sabia o que  fazer. Fingiria que o cavalo disparou pra cima de Harmônica, quando  estivesse já em cima de Bronson, Frank ia domar o cavalo e mostrar pro  diretor que aquele atorzinho se assustava com qualquer coisa, e ele,  além de ter nervos de aço, era um excelente cowboy.&lt;br /&gt;
As câmeras  estavam ligadas para um teste de video quando Frank voltou dos estábulos  montado no cavalo. O dublê, que ia cavalgar no lugar do foragido,  resolveu tirar uma com a cara de Frank quando o viu. Esperou ele passar,  gritou seu nome e deu um tiro de festim em sua direção. O estampido  assustou o cavalo, que empinou e arremessou Frank longe.&lt;br /&gt;
(continua em um de nossos próximos capítulos)</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2011/06/trouxe-um-cavalo-pra-mim.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-7318838673794381844</guid><pubDate>Wed, 08 Jun 2011 09:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-06-08T06:07:50.970-03:00</atom:updated><title>Oinc!</title><description>Se esbarraram pela faculdade. Ele, Léo, vindo da aula de Antropologia e Etnografia - Cara, que aula do cacete - devaneava ele. Ela, Ana, indo pra Cena e Dramaturgia II - Além de não terminar a maquete pra hoje estou super atrasada - resmungava ela.&lt;br /&gt;
BLAM!&lt;br /&gt;
A maquete que ainda tinha salvação agora era só destroços. Os óculos dele foram parar longe.&lt;br /&gt;
-Você está bem? Eu tava vindo da aula meio sem atenção. Me desculpa, por favor.&lt;br /&gt;
-Não liga, gato. Fui eu que tava distraída dando um jeito nessa maque... Ah, não. A minha maquete!&lt;br /&gt;
E ficaram ali uns bons minutos discutindo coisas triviais de faculdade e se apaixonando. Só ele, porque ela não era dessas que acredita em amor.&lt;br /&gt;
Aí, ele aproveitou que o papo tava bom, reuniu toda a coragem do mundo e falou.&lt;br /&gt;
-Já que aparentemente seu projeto babou, você quer ir ali comer alguma coisa? Eu pago.&lt;br /&gt;
E foram. Primeiro pra lanchonete, depois pra casa dela. Ela quem deu a idéia de irem. Apesar de quase não acreditar em coisas do coração.&lt;br /&gt;
Tinham acabado de se conhecer no sentido bíblico quando ela notou. Uma cicatriz vertical e enorme no peito dele. Olhou a cicatriz com um misto de carinho e dó. Ana agora tinha uma ligeira certeza de que coisas do coração não existem. Ficou sem jeito de perguntar. Mas ele notou.&lt;br /&gt;
-É a cicatriz, né? Não tem problema, eu já estou me acostumando com ela. Já tem um tempinho.&lt;br /&gt;
-Foi acidente?&lt;br /&gt;
-Não, eu sempre tive um coração fraco. O médico disse que era genético. Aí eles me deram um coração novo.&lt;br /&gt;
-Deve ser estranho ter o coração de outra pessoa.&lt;br /&gt;
-Não é de outra pessoa. Eles implementaram uma técnica experimental, me deram um coração de porco. Dos 12 pacientes, eu sou o único que passou de 1 ano.&lt;br /&gt;
-...&lt;br /&gt;
-Eu sei que não deve ser fácil de processar, mas esse coração me deu uma vida nova. E a incerteza desse coração me faz viver com mais vontade. Por isso que eu não me arrependo de dizer isso. Eu te amo! Não me preocupa se você não me amar de volta. Porque eu te amo e isso basta. Um amor de horas não vale menos que nenhum outro amor. &lt;br /&gt;
Se beijaram. E Ana aceitou de vez que coisas do coração existem e valem a pena. Mesmo vindas de um coração de porco.</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2011/06/oinc.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-8687099901004842190</guid><pubDate>Sat, 04 Jun 2011 17:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-06-04T14:58:01.195-03:00</atom:updated><title>Agitadíssimo</title><description>-Alô. Ah, marcar as aulas da auto-escola? Claro. Eu só não queria ter que fazer no domingo, domingo é pra descansar. Peraí. Sábado também não, sempre pinta alguma coisa pra fazer no sábado, né? Então, qualquer dia útil eu posso. Menos sexta, sexta é pra ficar em casa de &quot;bob&quot; esperando o fim de semana. Você sabe como é... Ah, e segunda não, eu não gosto de fazer nada na segunda porque o dia inteiro fica com aquele clima de segunda feira. Deve ser por isso que chamam de segunda. Então, ainda tem dia pra caramba, ó. Terça, quarta, quinta. Apesar de que eu me canso com facilidade e preciso fazer um descanso no meio da semana. A quarta é ótima pra esse descanso. Terça ou Quinta. Apesar de que eu não faço nada na quarta e nem na sexta então eu gosto de enforcar a quinta. Se eu não enforco a quinta passo o dia pensando que deveria ter ficado em casa. Ok, então fica combinado, às terças. Mas só posso terça à tarde. Porque terça de manhã eu ainda to cansado do fim de semana prolongado que eu faço. Tá pensando que é fácil manter essa vida agitada que eu levo? Então terça à tarde. Até logo.</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2011/06/agitadissimo.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-6477947646079918918</guid><pubDate>Thu, 02 Jun 2011 04:08:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-06-02T01:11:01.202-03:00</atom:updated><title>A quentinha.</title><description>Ela era morna. Morna como o sol de uma manhã de primavera entrando pela janela. Morna como um gole de chá. Morna como... bom, era bem morna. Mas ela não era feliz sendo morna.&lt;br /&gt;
Então ela conheceu nosso frio herói, o sujeito que não parava de tremer há poucos posts atrás. Além de achar ele um pão, ela pensou que ele era peculiar. Que a massa de ar frio que ele gerava era tudo que ela procurava pra se refrescar. E que era possível derreter algumas camadas daquele gelo.&lt;br /&gt;
Por um bom tempo houve uma troca bacana de temperaturas. Sempre frio ou quente, era quase impossível que ambos ficassem plenamente satisfeitos ao mesmo tempo. Culpa das nuvens carregadas formadas pelo atrito entre o quente e o frio. Muita neblina, ninguém conseguia enxergar o que tinha do outro lado do nevoeiro e ficavam reféns de boletins meteorológicos e de palpite dos vizinhos. E os vizinhos sempre achavam que vinha chuva.&lt;br /&gt;
Esse chove e não molha durou mais tempo que devia, até que a mocinha decidiu que seu fogo ainda era jovem demais pra desperdiçar com o gélido rapaz. E foi embora determinada a encontrar um coração apto a ser propriamente aquecido.&lt;br /&gt;
O último boletim do tempo nos traz informações de que a mocinha reclama frequentemente de calor e pede a deus por um vento fresco. O rapaz ainda não saiu de sua era glacial particular mas jura de pés juntos que está bem assim. Se estão mesmo felizes ninguém sabe.</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2011/06/quentinha.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-4123133776575148670</guid><pubDate>Mon, 30 May 2011 02:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-05-29T23:38:06.383-03:00</atom:updated><title>Reação.</title><description>Ele entrou no banco só pra pagar umas contas. Algumas contas que ainde eram daquele tempo em que ela morava lá. Ele já não tinha mais certeza que esse tempo existiu, pode ter sido imaginação, até um pesadelo daqueles que começavam com o time favorito ganhando campeonato e terminavam com ela indo embora. Todos os pesadelos terminavam com ela indo embora.&lt;br /&gt;
Já era quase sua vez na fila quando ouviu.&lt;br /&gt;
&quot;NINGUÉM SE MEXE. NINGUÉM FAZ NADA. NINGUÉM SAI FERIDO&quot;&lt;br /&gt;
&quot;Isso não é verdade&quot;&lt;br /&gt;
&quot;O QUE QUE VOCÊ DISSE? TEM ALGUÉM QUERENDO BANCAR O HERÓI AQUI?&quot;&lt;br /&gt;
&quot;É que isso não é verdade. Ela vai embora justamente quando você não faz nada. Quando você não lutou, quando deixou levarem embora. Saí ileso todas as vezes que eu fugi. Foi quando eu fiquei parado vendo tudo acontecer que saí ferido. Mas eu disse pra mim mesmo que nunca mais ia ficar parado e deixar tomarem ela de mim de novo&quot;&lt;br /&gt;
E com um salto quase felino foi parar a metros de distância, demonstrando uma agilidade surpreendente pra quem tinha passado as últimas semanas em estado de comatose desde que ela se foi. Era a primeira vez que reagia. Não estava mais disposto a ficar parado e ver seu amor ir embora. Foi embora e ele não fez nada pra impedir. Mas dessa vez não. Já de pé, recuperado do salto, encarou o assaltante e deu a entender que não desistiria. Agora não ia só ficar parado e assistindo as coisas acontecerem.&lt;br /&gt;
E tomou 2 tiros pra deixar de ser besta.</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2011/05/reacao.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-1871935573893562856</guid><pubDate>Mon, 23 May 2011 03:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-05-23T00:27:58.625-03:00</atom:updated><title>Joãozinhos</title><description>Quando você é criança, você quer uma coisa igual a que o Joãozinho tem. E tem que ser na hora. Tem gente que diz que isso é inveja, ciúme. E você cresce ouvindo que inveja e ciúme são coisas ruins.&lt;br /&gt;
Agora você é um adulto e não sente mais ciúme ou inveja. Aprendeu a lidar com esses sentimentos ruins de maneira racional e madura. Você está mais que preparado pra superar a vontade de pegar as coisas do Joãozinho.&lt;br /&gt;
Exceto que não está.&lt;br /&gt;
As vezes você, adulto e maduro, se pega imaginando loucuras pra tomar ela do Joãozinho. Porque na sua cabeça ela nunca foi do Joãozinho, e aquele invejoso tirou ela de você. Mas aí você descobre que o Joãozinho não roubou ela e na verdade nem existe um Joãozinho. Ela foi embora com as próprias pernas e você sabe porque. Mas pra aliviar a consciência sempre inventamos um Joãozinho imaginário, aquele calhorda que tirou ela de você...</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2011/05/quando-voce-e-crianca-voce-quer-uma.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-5566485263915901982</guid><pubDate>Fri, 20 May 2011 21:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-05-20T18:20:05.797-03:00</atom:updated><title>Esfriou</title><description>&lt;div style=&quot;font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace;&quot;&gt;&lt;i&gt;Esfriou&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;Ele coloca roupas mais pesadas, um sueter, talvez uma calça de moleton.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace;&quot;&gt;&lt;i&gt;Droga, tá frio aqui dentro.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;Faz um chocolate quente. Coloca um par de meias grossas. Checa se as janelas estão bem fechadas.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace;&quot;&gt;&lt;i&gt;Parece que o frio aumentou. Eu tenho certeza que fechei tudo.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;Toma um banho quente. Ferve a sopa e toma ainda pelando. Coloca outro casaco.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace;&quot;&gt;&lt;i&gt;Brrr. Aqui dentro deve estar tão frio quanto lá fora.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;Então tira as roupas quentes e resolve ir lá fora abraçar o frio. Quando chega na porta vê um sol quase brilhando, temperatura amena e agradável.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace;&quot;&gt;&lt;i&gt;Então porque eu sinto tanto frio lá dentro?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2011/05/esfriou.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-7516303755917036645</guid><pubDate>Wed, 02 Feb 2011 20:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-02-02T18:32:32.311-02:00</atom:updated><title>horas de varanda</title><description>&lt;span style=&quot;font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;Eu quero uma varanda. Pode até ser metafórica mas eu quero uma varanda. Um lugar pra passar as horas longe de tudo, não precisa ser longe de todos já que uma varanda com boa companhia é ainda melhor. A melhor coisa do mundo é você passar horas numa varanda. Ah, as horas de varanda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;Meu ideal varandesco é um lugar sereno com som ambiente, seja de pássaros ou de engarrafamento, que não incomode. Que tenha algo pra que você possa repousar mas com algum movimento, uma cadeira de balanço, uma rede, um colo confortável. Tem que ter uma vista, não precisa ser bonita, basta ser interessante(será que ainda estou pensando em varandas?)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;Quando era garoto eu não tive uma varanda. Tinha aquele pedaço de cimento entre a casa e o quintal mas que nunca seduziu como uma varanda deve seduzir. Anos depois, nesse apartamento aqui, teve o terraço, que é legal mas ainda, não é a varanda dos meus sonhos. Já tentei fazer de varanda algumas vezes mas ele não colabora, é maçante demais, só tem concreto e cinza em volta, concreto e cinza que eu vejo todos os dias nos últimos 20 anos. Definitivamente não serve.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;Eu sinto mesmo falta de uma varanda. Se eu andasse de skate minha varanda seria uma rampa, um lugar pra se encontrar com os brothers, dar vários flips e impressionar as minas. Mas eu não ando de skate. O mais perto que eu tenho de varanda é um bar que a gente vai sempre. Mas aquilo ali não é uma varanda, e se alguém deitar na sua rede ou estragar a vista não há o que se fazer. Dá pra passar algumas horas ali mas sem vista e sem rede.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;A praia. A vista é ótima, o mar dá a sensação de movimento, sempre tem vento fresco, dá pra abrir um livro, e durante boa parte do ano há pessoas semi-nuas desfilando. É a varanda perfeita. Mas &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;eu não moro tão perto da praia pra poder fazer de varanda e tampouco tenho a paciência de algumas pessoas que passam mais de 1 hora em transporte público pra ir atrás de suas varandas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;Acho que é isso que todos nós buscamos na vida, nossas varandas. Quando o espaço permite e o dinheiro dá, a primeira coisa que a pessoa faz é uma piscina pra imitar o mar. Porque o mar transforma tudo em varanda. Até nos apartamentos mais luxuosos, as pessoas gostam de fingir que tem varandas, colocam umas cadeiras de praia, umas plantinhas, mas elas sabem, e nós também, que aquilo ali não é uma varanda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;&quot;&gt;Eu ainda não desisti de encontrar minha varanda, e você?&lt;/span&gt;</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2011/02/horas-de-varanda.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4549863205215959898.post-3433178870555722673</guid><pubDate>Fri, 28 Jan 2011 03:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-01-16T21:38:39.770-02:00</atom:updated><title>meu herói</title><description>&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;courier new&amp;quot; , &amp;quot;courier&amp;quot; , monospace;&quot;&gt;Eu lembro da terceira série como se fosse ontem&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;courier new&amp;quot; , &amp;quot;courier&amp;quot; , monospace;&quot;&gt; (pode ter sido oitava). Pediram pra fazer uma redação. O tema era uma pessoa que você admirava ou gostava. Por algum motivo eu escrevi sobre o Ayrton Senna. Que conste que foi em 1995 e o Ayrton ainda não era essa modinha que é hoje(o que mostra que eu era uma criança com personalidade). Sim, ele já era muito querido, amado, idolatrado, salve salve, mas ainda era o cara que dirigia muito bem e pegava loiras bonitonas. É um fenômeno muito comum, um tempo depois que a pessoa morre a gente fica com a falsa impressão de que era santo e talentoso, como aconteceu com o Kurt Cobain.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;courier new&amp;quot; , &amp;quot;courier&amp;quot; , monospace;&quot;&gt;Mas isso não importa, não estamos aqui por causa de nenhum deles. Hoje eu penso que deveria ter escrito sobre o Steven Seagal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;courier new&amp;quot; , &amp;quot;courier&amp;quot; , monospace;&quot;&gt;Steven Seagal não pegava loiras bonitonas, ele casava com mulheres inocentes que precisavam ser salvas. Também nunca bateu em mulher, exceto uma vez, mas que depois se revelou ser um homem em trajes femininos. E se alguém matasse elas ele ia atrás pra se vingar. Quer partido melhor que esse?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;courier new&amp;quot; , &amp;quot;courier&amp;quot; , monospace;&quot;&gt;Não importa quantas vezes matassem o cachorro, queimasse a casa ou destruíssem a moto, ele ia lá de novo e adotava, construía e comprava outros. Nunca desistiu da vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;courier new&amp;quot; , &amp;quot;courier&amp;quot; , monospace;&quot;&gt;Steven Seagal é um cara tão legal que ele não machuca ninguém, usa a força dos oponentes contra eles mesmos com o aikido, exceto quando usa armas de fogo ou espadas ninja.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;courier new&amp;quot; , &amp;quot;courier&amp;quot; , monospace;&quot;&gt;Outra coisa bacana sobre ele é que ele sempre foi gordo, o que dá esperança pra todo gordinho que sonha um dia em se vingar daqueles que lhe chamaram de peido engarrafado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;courier new&amp;quot; , &amp;quot;courier&amp;quot; , monospace;&quot;&gt;Mas o principal é que ao contrário da redação original uma redação sobre o Steven Seagal falaria da vida e dos feitos dele, como ser policial também na vida real. Porque eu até hoje não entendo como aquele garoto de 8 anos sabia tantos(uma redação quase inteira) detalhes sórdidos sobre a morte e a promiscuidade de um piloto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;courier new&amp;quot; , &amp;quot;courier&amp;quot; , monospace;&quot;&gt;Por essas e outras que Steven Seagal é meu herói.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;courier new&amp;quot; , &amp;quot;courier&amp;quot; , monospace;&quot;&gt;Ah, e o Steven também dirige muito bem.&lt;/span&gt;</description><link>http://bomabeca.blogspot.com/2011/01/meu-heroi.html</link><author>noreply@blogger.com (Rafael)</author><thr:total>0</thr:total></item></channel></rss>