<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659</atom:id><lastBuildDate>Sun, 05 Oct 2025 07:15:17 +0000</lastBuildDate><category>Poema</category><category>Artigo</category><category>Crônica</category><category>Possessão (Carlos Eduardo F. M.)</category><category>Soneto</category><title>CADUVIX ®</title><description>Blog para quem aprecia literatura e outros. Divirtam-se!</description><link>http://caduvix.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (CADUVIX)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>52</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-7714638459680360435</guid><pubDate>Sun, 04 Aug 2013 19:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-08-04T18:49:54.995-03:00</atom:updated><title>O amor de Dália (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEivvOiU7pKXTbKiLCLfDH7tm9wBcjf22YRDH0xWpWxZfRWFqRvJXrwtLOCDjBRUX9y7w91-ri5XFwasQVP9Y4_cuzubMLfp7xlPuw_eQAHdnVYGBNaQaFYCK4-pfEQ9gQ0OfVDOtpRf9rch/s1600/loving.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;241&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEivvOiU7pKXTbKiLCLfDH7tm9wBcjf22YRDH0xWpWxZfRWFqRvJXrwtLOCDjBRUX9y7w91-ri5XFwasQVP9Y4_cuzubMLfp7xlPuw_eQAHdnVYGBNaQaFYCK4-pfEQ9gQ0OfVDOtpRf9rch/s320/loving.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Dália caminhava por entre as
gôndolas do supermercado absorta em seus pensamentos. Como em transe, jogou uma
caixa de bombons no carrinho. Ela odiava doces. Ela não estava realmente ali,
não queria estar ali, encontrava-se em outro lugar, em um espaço atemporal, que
tornava tudo suspenso, impreciso e moroso. Sua respiração era pesada. Seus
movimentos, letárgicos. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Há uma semana, ela conhecera
Paulo enquanto fazia o horário do almoço em um restaurante perto do trabalho.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
– Posso me juntar a você? –
Arguiu o então desconhecido.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ela estava de cabeça baixa, já
comendo. Ergueu os olhos, assustada. Não esperava ninguém. Olhou em volta, não
havia mais lugares realmente.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
– Sem problemas, fique à vontade
– fez simplesmente. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Fora Paulo que puxara conversa.
Ele era gentil, calmo e calculista. No começo, Dália estava indiferente, só
queria comer e sair logo dali. Mesmo sentindo a resistência de sua
interlocutora, Paulo avançava e recuava com uma oratória eficiente. Os assuntos
iniciais foram pragmáticos e rasos. Dália não soube explicar, mas sentiu-se confortável
com toda a fluidez do diálogo estabelecido. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quando os pratos esvaziaram-se
nenhum dos dois levantou. Logo a conversa tomou novos rumos. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
– Eu gostaria muito de vê-la
outra vez – soltou Paulo, encarando-a com olhos famintos.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
– Eu não posso... – hesitou – Sou
casada – asseverou por fim. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
– Todos nós somos nesta época da
vida. Eu mesmo, por exemplo, sou casado com algumas ideias imorais... Eu sempre
tento me divorciar delas, mas elas não me deixam... ­ – disse, sorrindo, sem
mover o olhar daquela linda mulher.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E não houve mais resistência. Com
a guarda totalmente aberta, ela retribuiu o sorriso. Naquele instante, ela ainda
nem desconfiava, mas havia lhe entregado a alma.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Dália era uma bela mulher. Na
altura de seus quarenta e seis anos, ela desbancava muitas jovens. Seu sorriso
e seu olhar, ilusoriamente, transmitiam ingenuidade de moça pura. Seu corpo de
pele alva era delicado e exuberante. Seu cabelo negro era sedoso e esvoaçante.
O efeito estético do todo era encantador. Não ao contrário, havia o mesmo
efeito quando ela se expressava, apesar da taciturnidade (ela preferia,
sabiamente, ouvir mais). Sua perspicácia era visivelmente arrebatadora e
contagiante. Tudo nela funcionava como uma engrenagem metódica e perfeita, que agia
com eficiência e graça, de modo que a sua simples presença causava tremor no
mais forte dos seres. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Paulo, desde o primeiro momento,
atinou para tais encantamentos e qualidades e, vendo uma oportunidade, sem nem
ponderar se era mesmo possível, quis tê-la de qualquer forma. Quando saiu do
restaurante naquele dia, ele não parava de pensar em sua frase final, que
concluía todo aquele primeiro encontro:&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
– Vemo-nos em dois dias então, no
local e hora que marcamos. Mal posso esperar...&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Depois disso, tomaram lados
opostos. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Já em casa, após retornar do
supermercado, Dália olhava para o relógio. O tempo passava de maneira estranha
e não do modo como conhecia. Com mais duas horas, encontraria aquele homem que
havia mexido com a sua racionalidade, com o seu cerne, com a sua vida. Tentava
guardar as mercadorias na dispensa, mas seu corpo tremulava. Ficou parada por
um tempo no corredor que dava para a cozinha. Então se lembrou de que era pior
ficar sem fazer nada, pois a ansiedade era inquietante e até por essa razão é
que fora ao supermercado ocupar seu tempo.&amp;nbsp;
Além do mais, logo o marido chegaria e ela teria que disfarçar toda
aquela agitação angustiante.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
À medida que fazia o trabalho
maquinal de organizar as compras, ela lembrou-se do sonho que tivera com Paulo
na noite anterior. Se fechasse os olhos poderia senti-lo ali mesmo, beijando-a
naquele ambiente onírico e fantasioso. E assim o fez. No sonho, ela e Paulo
encaravam-se com um desejo ardente e febril em algum lugar indefinido e irreal.
Paulo não resistiu e puxou-a para si, e antes que pudesse ser dito qualquer
coisa, entre narizes e lábios colados um no outro, ele adentrou em sua boca com
sua língua de serpente e de vez enquanto mordiscava a parte de baixo do lábio
úmido dela. Em meio aquele resvalar de línguas e respirações descompassadas, ela
sentiu que ele a empurrava lentamente para trás até uma espécie de parede
translúcida, como guiando seus passos. Encurralou-a e ia pressionando-a, aos
poucos, em um movimento sincronizado, seu corpo contra o dela. Ela gemeu de
prazer, sem pudor. Ele queria mais. Ela pedia por mais. A respiração ofegante
dela descontrolava-o. Uma energia frenética brotava do ventre de Dália, seus
olhos começaram a revirar e uma irracionalidade animal a fez esquecer-se de
todas e quaisquer regras que tolhiam o seu ser... &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não tardou para que em poucos
minutos, deveras, o marido retornasse do trabalho, conforme o previsto. Ela já
havia terminado de organizar os produtos recém-comprados, agora finalizava o
jantar. &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
– Como vai, meu amor? – perguntou
o esposo.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E antes que ela pudesse
responder, ele emendou, atropelando a sua própria pergunta:&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
– Nossa, que dia cansativo! Muito
quente, eu trabalhei muito. Vou tomar um banho frio, estou exausto... Diga-me,
não é hoje que disse que irá ao shopping com suas amigas? – quis saber, já se
dirigindo para o banheiro.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
– Sim, daqui a pouco – respondeu
simplesmente. A sua resposta deu de cara com a porta fechada do banheiro. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O coração dela disparou. O marido
havia acreditado na história. Logo sairia e encontraria Paulo. O desconhecido,
o prazer, a fantasia, tudo a aguardava e culminava para um final feliz e
prazeroso. Ela soltou um sorriso desesperado e depois mordeu os lábios. Ela já
havia planejado como seria este dia. Pensara em tudo. Preencheria a manhã e a
parte da tarde com afazeres, para que pudesse controlar a mente e acalmar os
ânimos. Esperaria o marido chegar ao lar, após o trabalho, deixaria que ele
tomasse banho enquanto o jantar era esquentado e depois tomaria o seu banho e
sairia, finalmente, rumo ao seu encontro. Carla e Bruna, suas amigas, seriam o
álibi perfeito, mesmo que elas mesmas não soubessem de nenhuma história de
encontro em shopping. Isso era um detalhe a ser consertado depois. O marido era
desligado e muito ingênuo. O que importava, para que seu objetivo fosse
alcançado, era o desenrolar de métodos práticos em sequência, exatamente o que
já vinha acontecendo até ali. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quando o marido saiu do banho, ela
correu para tomar o seu lugar e informou-lhe:&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
– Seu jantar está sobre o fogão.
Tomarei banho agora e sairei correndo, porque estou atrasada.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
– Espere – e aproximou-se dela.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ela congelou.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ele emendou:&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
– Não lhe digo isto faz tempo, eu
sei, mas saiba que você é a mulher da minha vida, sempre foi, eu te amo – havia
veracidade e emoção em sua voz. Aplicou um beijo fraterno nela e deu meia
volta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ele seguiu para a cozinha. Suas
palavras ficaram. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Naquele mesmo dia à noite, após o
banho, depois de fingir um telefonema ou dois, dissera ao marido que as amigas
haviam desmarcado tudo e ela não teria mais o encontro. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
“Era o amor, tudo culpa do amor”,
pensou ela, de madrugada, deitada na cama, mirando o teto escuro, ao lado do
marido que roncava.&lt;/div&gt;
</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2013/08/o-amor-de-dalia-carlos-eduardo-f-m.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEivvOiU7pKXTbKiLCLfDH7tm9wBcjf22YRDH0xWpWxZfRWFqRvJXrwtLOCDjBRUX9y7w91-ri5XFwasQVP9Y4_cuzubMLfp7xlPuw_eQAHdnVYGBNaQaFYCK4-pfEQ9gQ0OfVDOtpRf9rch/s72-c/loving.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>8</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-8287050797964522204</guid><pubDate>Sun, 16 Dec 2012 01:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-12-23T19:18:54.590-02:00</atom:updated><title>Todos os pecados do mundo (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuC7duAONqt5PWIL5lFbcihgGFk2C3AqcRnVVMaUYGeDyXhHXFanVWJNh_gySnJWSfFo-faVO7Wh4p-OMqeejeOnowZI5CDdm7cmGelsNPtI1C8sl7S77FqcKSq8cMFN8fyLWkt1qQ6pXG/s1600/when_it_snows_in_hell_-_40x20_b.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuC7duAONqt5PWIL5lFbcihgGFk2C3AqcRnVVMaUYGeDyXhHXFanVWJNh_gySnJWSfFo-faVO7Wh4p-OMqeejeOnowZI5CDdm7cmGelsNPtI1C8sl7S77FqcKSq8cMFN8fyLWkt1qQ6pXG/s1600/when_it_snows_in_hell_-_40x20_b.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-indent: 35.45pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;&quot;&gt;Gideão, sem saber o
porquê, acordou naquele dia de verão com uma frase na cabeça, que tomara
conhecimento anos atrás, após assistir, em 1974, para ser mais preciso, ao
renomado filme de Roman Polanski, “Chinatown”. A sentença fora dita pelo
personagem Noah Cross a outro personagem, o detetive particular Jake Gittes: “I
don&#39;t blame myself. &lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;EN-US&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-ansi-language: EN-US;&quot;&gt;You see, Mr. Gittes, most people never have to face
the fact that, at the right time and the right place, they&#39;re capable of
ANYTHING” – em tradução livre – “Eu não me culpo. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;&quot;&gt;Veja, Sr. Gittes, a maioria das pessoas
não consegue encarar o fato de que, no momento certo e lugar certo, elas são
capazes de QUALQUER COISA”...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-indent: 35.45pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;&quot;&gt;Paulo dirigiu-se para a
Rua Rosa dos Ventos em grande velocidade. Para que sua corrida fosse ainda mais
eficiente, ele deixara os chinelos para trás na Rua José Bonifácio. Suas solas
dos pés, ainda que ásperas, sentiam o asfalto em brasa assar-lhes; seu coração
batia em ritmo frenético, quase descontrolado; já lhe faltava ar nos pulmões;
seu corpo suado cintilava devido ao sol escaldante daquela manhã. Esse pobre
vigia de carros não aguentava mais correr e daria tudo para parar, mas não
podia, pois cerca de dez pessoas estavam em seu encalço, também em alta
velocidade. Seu pecado havia ficado a uns oitocentos metros atrás – uma bolsa
que havia recém-furtado de uma senhora. Ele ponderou que sem o objeto
abstraído, o bando, sedento por “justiça”, deixar-no-ia empreender fuga, mas
não foi isso que ocorreu...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-indent: 35.45pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;&quot;&gt;O arrependimento
assentou-se sobre Paulo à medida que seguia fugindo, mas àquela altura, já era
tarde demais. Aliás, em sua vida, “para tudo já era tarde demais”, dizia para
si mesmo. Vigiar carros, cheirar cola, beber cachaça, roubar quando fosse
oportuno e viver na rua era tudo o que fazia. “Desapegue-se desta sua vida
vazia”, disse um pastor que fazia trabalho campal certa feita. “Eu não
consigo”, fez resposta na época. E jamais conseguiu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-indent: 35.45pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;&quot;&gt;Agora lá estava Paulo
fugindo do bando de “juízes” furiosos e nada racionais que o condenariam. Sua
aceleração foi diminuindo cada vez mais. Seus músculos não davam mais retorno.
Faltava-lhe oxigênio. Para piorar não havia comido até aquele momento. Sua
energia estava reduzida. “Não aguento mais!”, pensou; contudo, apenas por uma
questão de sobrevivência, continuou a sua maratona maquinalmente. Quando
atingiu a Avenida Joaquim Gomes Lira e dobrou à direita, desacelerou de vez e
finalmente foi alcançado e jogado ao chão como novilho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-indent: 35.45pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;&quot;&gt;Os dez ofegantes
cercaram-no e não perderam tempo em trazer a “justiça” até o infeliz. Paulo
sentia as costas queimando no chão que fervia. Em vão, tentava se proteger dos
socos e chutes que eram desvencilhados sem dó. Com extrema dificuldade, puxava
o ar para alimentar os pulmões – ainda estava exausto devido à corrida. Ele
tentou dizer algo, mas não conseguiu. Um golpe potente de cima para baixo
acertou-lhe um dos olhos, que foi inchando e logo estava inoperante. Ainda no
mesmo instante, uma botada certeira partiu-lhe uma das costelas. A respiração,
que estava complicada, piorou de vez.&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-indent: 35.45pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;&quot;&gt;Ironicamente, lá no fundo,
para ser completamente sincero, nenhum dos dez “justiceiros” puniam o rapaz
pelo roubo da bolsa; não, a verdade era que não ligavam quase nada para isso, o
que tornava a situação um pouco mais complexa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-indent: 35.45pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;&quot;&gt;Ricardo aplicava chutes no
desgraçado por ter sido despedido minutos atrás; Romeu também tinha o seu
motivo, golpeava-lhe com o punho esquerdo, mirando essencialmente a cabeça
daquele pária social, com toda indignação deste mundo, pois tivera uma briga
feia com a esposa; Anselmo, de cócoras, dentro da roda, e não menos furioso,
usava a mão direita de martelo e acertava o estômago do ladrão incessantemente,
pois não conseguia pagar as suas dívidas, os seus muitos débitos. Josué,
completamente exaltado, como não conseguia entrar na roda, bradava todos os
tipos de impropérios conhecidos e, vez ou outra, cuspia, por entre os espaços
que se formavam, no pobre diabo, porque havia perdido a mãe recentemente e não
aceitava... E cada um, por sua vez, foi liberando a sua raiva contida, extravasando
o ódio reprimido, soltando seus problemas sobre o condenado. O bode expiatório
foi pagando o preço aos poucos. Desemprego, violência, sistema de saúde
precário, poluição, educação ineficiente, corrupção, impostos excessivos,
desejos reprimidos, insatisfações, desilusões amorosas e outras tantas razões,
tudo era motivo para surrar-lhe. Os problemas sociais e pessoais de cada um,
assim como todos os pecados do mundo pareciam ter um único culpado naquele
momento – Paulo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-indent: 35.45pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;&quot;&gt;Logo, já não eram mais
dez, mas vinte justiceiros. Gideão, que havia ido comprar pães, chegou perto do
círculo de horrores. Informou-se sobre o que ocorria. Um dos agressores,
aumentando um pouco a história, contou-lhe que o meliante dera uma surra em uma
pobre senhora e levara a sua bolsa. Gideão, no alto de seus quarenta e cinco anos
de sabedoria, indignado, não hesitou. Estava no momento e lugar certos. Tomou
um pedaço de madeira nas mãos, que estava assentado no chão perto da padaria
recém-reformada, deu um grito assustador, abriu caminho entre os linchadores e
bateu com toda a força na cabeça de Paulo, que já então começava a fazer
movimentos involuntários, soltando seus últimos suspiros. O bando, agora
atônito, diluiu-se rapidamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-indent: 35.45pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;&quot;&gt;Quando a polícia chegou,
cerca de cinco minutos depois, só havia o corpo triturado de Paulo sobre uma
grande poça de sangue. Gideão assistiu à cena enquanto saia da padaria com a
sua sacola de pães quentes e fumegantes. Em sua cabeça só havia um pensamento –
se o café que a esposa estava fazendo estaria pronto quando chegasse ao lar.
Mal poderia esperar pelo desjejum.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;EN-US&quot;&gt;----------------------------------------------------------------------------------------------&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;EN-US&quot;&gt;650 X 400 - Cameron Tiede, When it Snows in Hell, 2008, oil on canvas&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;40&quot; × 20&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2012/12/todos-os-pecados-do-mundo-carlos.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuC7duAONqt5PWIL5lFbcihgGFk2C3AqcRnVVMaUYGeDyXhHXFanVWJNh_gySnJWSfFo-faVO7Wh4p-OMqeejeOnowZI5CDdm7cmGelsNPtI1C8sl7S77FqcKSq8cMFN8fyLWkt1qQ6pXG/s72-c/when_it_snows_in_hell_-_40x20_b.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-8079479173853972441</guid><pubDate>Mon, 26 Nov 2012 17:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-12-15T23:05:01.085-02:00</atom:updated><title>Um passeio ao Shopping Vitória (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjneBGiGtRJshqi34qoSQmOnu2Txb6pVJYX2U9LfDWSWj4V89Vsxu2_1xJ7FkwbOCxIZZUHf8umATq4Ons4uDiCJGTFSyHfpCnffipaL1gFGhbQEBtuyBB3TzzpghojKReOEK33lnmobTTD/s1600/p_painting_10_chrishagerty.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;250&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjneBGiGtRJshqi34qoSQmOnu2Txb6pVJYX2U9LfDWSWj4V89Vsxu2_1xJ7FkwbOCxIZZUHf8umATq4Ons4uDiCJGTFSyHfpCnffipaL1gFGhbQEBtuyBB3TzzpghojKReOEK33lnmobTTD/s400/p_painting_10_chrishagerty.jpg&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Eu não sei bem por que, com exatidão, eu tenho
certa fascinação por &lt;i&gt;shoppings&lt;/i&gt;. Eu não deveria, sabendo de algumas de suas
armadilhas, mas tenho que ser honesto comigo mesmo. Talvez uma das razões seja porque esse monte de concreto imponente e atraente, cheio de luzes e
cores cause ilusões. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Um desses engodos é o fato de os &lt;i&gt;shoppings&lt;/i&gt;,
geralmente, possuírem pisos com aspecto lustroso-ensebado, de modo que passam a
mensagem subliminar de escorregadios, com o intuito de que as pessoas,
temerosas em levar uma queda, ainda que inconscientemente, realmente andem
devagar para olhar as vitrines e fiquem mais atentas às mercadorias ofertadas
por trás dos vidros. Outra provável razão seja a ilusão cativante pra mim de
que normalmente se pensa que esses grandes centros comerciais são lugares que
“arejam a cabeça”, que limam o estresse, o que, na verdade, pode ser exatamente
o contrário, o &lt;i&gt;shopping&lt;/i&gt; torna-o, de maneira proposital, mentalmente confuso e
exaurido, de modo a deixá-lo parecido com uma isca impotente pronto para ser
fisgado! É fatídico estarmos sempre sendo desviados das coisas que realmente
importam...&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas, ironicamente, foi exatamente
nesse grande centro de futilidades e enganos que tive uma das lições mais
importantes da minha vida.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Cinco anos após a inauguração de
um dos &lt;i&gt;shoppings&lt;/i&gt; mais importantes de Vitória, o Shopping Vitória, em 1998,
estava eu lá, fazendo um &lt;i&gt;tour&lt;/i&gt; pelo &lt;i&gt;mall&lt;/i&gt;. Sempre odiei andar sozinho, muito
porque nutro um pensamento insano de que as pessoas ficam à espreita,
encarando-me e apontando-me seus dedos acusadores por eu estar saindo
solitariamente (mesmo que fosse descompromissado) para procurar alguém ou para
fazer qualquer coisa errada que seja. Na verdade, apenas uma de minhas muitas
idiossincrasias. Mas, naquele dia, daquele ano, meu pai havia me emprestado seu
velho Apollo para eu “dar um rolé” e, então, eu abri uma exceção e dirigi-me
pra capital sozinho. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Àquela época, eu havia
recém-completado 18 anos, não possuía emprego, era apenas um jovem estudante do
primeiro período de Letras empolgado com carro, mulher, liberdade e
independência. Não é preciso admitir que além do veículo, meu pai teve que me
prover com as notas que movem o mundo. Aqueles conglomerados de lojas costumam
cobrar caro para recebê-lo, de uma forma ou de outra...&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Após certo tempo de caminhada
circular no térreo e primeiro andar, e olhadelas para as vitrines, a fome veio
e então procurei aplacá-la na “praça de alimentação”. A carteira com o emblema
do São Paulo Futebol Clube (que me foi roubada anos depois na Praia do Suá) foi aberta pela
primeira vez. Depois de empanturrar-me com &lt;i&gt;junk food&lt;/i&gt;, fui assolado por uma
vontade incontrolável de comer açúcar (aqui jaz mais um truque), então fui para
a fila do &lt;i&gt;sundae&lt;/i&gt;. Carteira aberta novamente. Com a barriga estufada, saí
arrastando o corpo pesado para dar mais algumas voltas, afinal ainda era cedo.
Engraçado como os &lt;i&gt;shoppings&lt;/i&gt; têm o poder de esgotar as nossas energias, de minar
as nossas mentes. Muitas pessoas aglomeradas, fila para isso, para aquilo, sons
de todos os tipos, luzes, toda sorte de cores chamativas e estrategicamente
combinadas, cartazes com descontos etc., tudo isso contribui, deveras. Em um
desses momentos de esgotamento mental, eu me encantei com algo que achava que
precisava e que já nem me lembro mais, pois estava “com desconto” (outro truque
cruel!). Carteira aberta pela terceira vez. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Àquela altura, eu decidira que já
tinha tido o bastante daquele lugar perturbador e fui pagar a conta do
estacionamento. Entrei na fila e fiquei esperando. Só queria chegar a minha
casa. Enfim era a minha vez, abri a carteira pela última vez. Qual foi a
surpresa quando me deparei com a mesma quase vazia. Havia apenas uma nota de um
real, hoje extinta. O dinheiro havia se esvaído. Eu comecei a pensar que eu
perdera dinheiro ou que fora roubado ou que alguém me dera o troco errado em
dado momento, contudo, o certo era que nada disso importava, o que realmente
possuía relevância era que o funcionário do guichê esperava o dinheiro do estacionamento,
as pessoas atrás de mim aguardavam também. E não seria só com um real que eu
sairia de lá com o carro do meu pai. Eu olhava atônito para o funcionário, que
por sua vez não tinha nada a ver com o dinheiro que eu consumira e encarava-me
de volta com indiferença. “E agora, José?”, eu pensei. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Uma batida de mão em meu ombro
tirou-me do transe daquela situação constrangedora. Eu olhei para trás
assustado. Um senhor olhava-me com piedade. Ele soltou um sorriso ameno e
disse:&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Não se preocupe, eu pago pra
você.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Um alívio percorreu o meu corpo,
mas, mais por orgulho do que por educação, eu respondi que não precisava, mesmo
sabendo que não haveria outra solução. E dessa vez ele asseverou:&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Eu faço questão!&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E, dizendo isso, ele pulou na
minha frente e pagou pelos nossos estacionamentos. Deu um sorriso, entregou-me
o comprovante e despediu-se com um olhar terno e amoroso:&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Fique tranquilo, isso é normal!
Vá com Deus!&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Aquilo era tudo, menos “normal”
para mim. Eu agradeci, acho que agradeci ou pelo menos deveria ter agradecido
muito, muito mesmo. Uma vergonha sem tamanho tomou o meu ser e eu fui para o
carro quase correndo. Eu fiquei pensando tanto na situação, que quando eu dei
por mim, eu já estava a uns três quilômetros de casa. Algumas indagações
insistiam em rodopiar em minha mente: “Como eu havia conseguido gastar todo o
dinheiro sem perceber? Que espécie de idiota eu era?”; “Por que aquele senhor fizera isso por mim sem nem ao
menos me conhecer?”; “O que ele ganhou com isso?”. Logo, a adrenalina baixou e
eu fiquei feliz e grato por aquele gesto. Depois de ter contado o fato para
algumas pessoas nos dias que se seguiram, eu dei o assunto por encerrado. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A vida continuou e passaram-se
alguns anos. Eu havia ido a um “Pague Fácil” desses da vida para acertar
algumas contas. Já estava formado, casado, até com filho, e havia atingido
estabilidade financeira em um emprego público. A fila seguia vagarosamente. Um moço
de indumentária singela e chinelos de dedo estava logo a minha frente e havia
chegado a sua vez. Ele entregou a conta para a moça do caixa. Ela somou e disse
a quantia. O rapaz mexeu nos dois bolsos da calça, deparou-se com muitos papéis
amassados, poucas notas e algumas moedas e descobriu que possuía um montante um
pouco menor do que lhe era devidamente cobrado. Ele ficou sem graça e disse que
depois voltaria para pagar, alegando ter se enganado com o valor total da
fatura. Eu não hesitei nem por um segundo, toquei em seu ombro, tomei a sua
frente e acertei o que faltava para fechar o valor final da conta. “Eu faço
questão”, disse-lhe. Aquele desconhecido, ainda que assustado e surpreso,
agradeceu-me sem parar. Seguimos nossos caminhos. &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Naquele momento, na volta para
casa, uma grande emoção tomou a minha alma, um contentamento repleto
assentou-se em mim e eu, finalmente, entendi que, anos atrás, o senhor do
Shopping Vitória não havia feito um bem apenas para mim, eu não era o centro do
universo, como havia imaginado egoisticamente; a verdade era que ele havia sido
solidário, sobretudo, com o mundo inteiro...&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
----------------------------------------------------------------------------------------------&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
700 × 439 - Chris Hagerty,
Atlantic Center Mall &amp;amp; Baghdad,2008, oil on canvas 48&quot; x 30&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div dir=&quot;ltr&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2012/11/um-passeio-ao-shopping-vitoria-eu-nao.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjneBGiGtRJshqi34qoSQmOnu2Txb6pVJYX2U9LfDWSWj4V89Vsxu2_1xJ7FkwbOCxIZZUHf8umATq4Ons4uDiCJGTFSyHfpCnffipaL1gFGhbQEBtuyBB3TzzpghojKReOEK33lnmobTTD/s72-c/p_painting_10_chrishagerty.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-4722006787005801620</guid><pubDate>Thu, 06 Sep 2012 19:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-12-15T23:05:22.158-02:00</atom:updated><title>Eduardo, o diferente! (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjV8cm-os2CnAijQQ7U4rzS_qRTjDnzCUh5GRhyRTwPCjDMbO6bybZ-PPGFIKGhT_P1-3d3wPoib__9taXQfhRKKW7A5Ad27DRQeaIUNGlQUzHwNbV4T6Ah3Bmt4l3F_NKfrH-Awj1bOoh9/s1600/Edward+Scissorhands+2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjV8cm-os2CnAijQQ7U4rzS_qRTjDnzCUh5GRhyRTwPCjDMbO6bybZ-PPGFIKGhT_P1-3d3wPoib__9taXQfhRKKW7A5Ad27DRQeaIUNGlQUzHwNbV4T6Ah3Bmt4l3F_NKfrH-Awj1bOoh9/s640/Edward+Scissorhands+2.jpg&quot; width=&quot;353&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Em 1990, Tim Burton, diretor de
tantos filmes excelentes (A Noiva-Cadáver, O Estranho Mundo de Jack, Peixe
Grande e Suas Histórias Maravilhosas, Os Fantasmas Se Divertem, Ed Wood, Sweeney
Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, A Fantástica Fábrica de Chocolates, A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, entre outros), fez, sob minha visão,
a sua obra-prima – &quot;Edward Mãos de Tesoura&quot;. Naquela época, eu já havia ficado
abismado com a película, mas era ainda muito imaturo e ingênuo para alcançar a
sua grandeza. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;O longa narra a fábula de Edward,
um ser solitário que, ao invés de mãos, possui grandes tesouras no local.&amp;nbsp; Criado por um inventor que morreu pouco antes
de adaptar-lhe as mãos, ele vive sozinho em um castelo no topo de um monte. Um
dia, ele é encontrado, acidentalmente, por uma vendedora da Avon, que o ajuda a
adaptar-se à vida na cidadezinha que fica aos pés do monte. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;No filme, encontram-se todas as
características peculiares do diretor Tim Burton – a riqueza de elementos góticos;
o contraste do preto e branco de um lado; do outro, o colorido onírico; a
obscuridade dos ambientes e seres; à exaltação do diferente, do pária social,
do excêntrico, contrastando com a censura do igual, do adaptado, do normal; o
tom fantasioso da narrativa; a valorização do surreal em oposição ao real; originalidade,
identidade própria versus repetição de comportamento e por aí vai. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;É fantástico notar que a cada vez
que se vê esse &lt;i&gt;tour de force&lt;/i&gt;,
percebe-se algo novo, algo revelador, subjetivo, às vezes, até mesmo abstrato,
como em um belo quadro. Esses dias, assistindo ao filme novamente, eu prestei
atenção a uma de suas muitas cenas panorâmicas e interessantes – os maridos saíram
para trabalhar exatamente no mesmo instante, com seus carros parecidos, um
atrás do outro, enfileirados. Como listei no parágrafo acima, uma das
características mais marcantes de Burton é a crítica ao comportamento de gado
que insistimos em ter. Ele indiretamente está sempre nos questionando – por que
temos que fazer tudo igual? Por que temos que ser iguais? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Muitas vezes o Eu é
negligenciado, o objetivo é valorizado em detrimento do subjetivo. A identidade
própria é dilacerada para que haja adaptação à “normalidade”. Mas que
normalidade é essa que nos torna clones um do outro? As pessoas vão deixando de
ser elas mesmas para que sejam aceitas pela sociedade e, o pior, ainda assim,
não deixam de ser menos infelizes. Só é permitido que eu goste do que os outros
gostam; o meu querer, a minha escolha não pode ser reconhecida, pois é ruim, é
feia, não está de acordo com os padrões sociais vigentes. Mas não se pode
perder as esperanças, tudo pode mudar caso a maioria queira, caso vire moda. Lamento
muito que na esperança de o sujeito ficar cada vez mais parecido com outros, fique cada
vez menos parecido consigo mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;O diferente, o original, como
Edward Mãos de Tesoura, deveria ser celebrado. No entanto, ele, pressionado
pela sociedade à sua volta, e sentindo-se infeliz pelas diferenças e, até por isso, querendo
ser igual, é massacrado, discriminado, humilhado. Sua palidez cadavérica, suas
mãos de tesouras, sua indumentária negra, suas cicatrizes, seus cabelos desgrenhados, seu
comportamento tímido, sua quietude e paciência, a sua excentricidade, no
começo, são até “aceitos” pelos outros, mediante aos favores ofertados por ele,
mas, ao final, quando sua utilidade cessa, todas essas suas características
oriundas acabam por ser rejeitadas; afinal, conforme se tinha ciência, já eram
fadadas, desde que fora concebido, ao repúdio, de uma forma ou de outra. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Para finalizar, gostaria de citar apenas a última estrofe do célebre poema de Robert Frost, já traduzido por mim, livremente, neste blog - “&lt;i&gt;The road not taken”&lt;/i&gt; (A estrada não
escolhida):&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;“Devo contar isto com
um suspiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Em algum lugar,
tempos e tempos atrás:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Duas estradas
bifurcavam-se num bosque, e eu –&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Eu escolhi a menos
viajada,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;E isso fez toda a
diferença.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Obs.: E devo afirmar que continuo,
com orgulho, seguindo na estrada menos viajada... E isso fez toda a diferença!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2012/09/eduardo-o-diferente.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjV8cm-os2CnAijQQ7U4rzS_qRTjDnzCUh5GRhyRTwPCjDMbO6bybZ-PPGFIKGhT_P1-3d3wPoib__9taXQfhRKKW7A5Ad27DRQeaIUNGlQUzHwNbV4T6Ah3Bmt4l3F_NKfrH-Awj1bOoh9/s72-c/Edward+Scissorhands+2.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-2305175072703314450</guid><pubDate>Wed, 18 Jul 2012 19:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-07-18T16:51:46.318-03:00</atom:updated><title>Do jeito que mais a agradava (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjL10l8dT5sFUWZmQezRX8y2njjGX-3fXwXcVBlutKFDvOfj4_qlp6tDU0AWgfTB2V0IAVSK_bBi1GljOGXE7C-gzhxG6FWd7yptTRlauNEeAA8dN1qOkIWO680HAkPQR5NVhOoj4eCbdzY/s1600/breakfast+table.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;260&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjL10l8dT5sFUWZmQezRX8y2njjGX-3fXwXcVBlutKFDvOfj4_qlp6tDU0AWgfTB2V0IAVSK_bBi1GljOGXE7C-gzhxG6FWd7yptTRlauNEeAA8dN1qOkIWO680HAkPQR5NVhOoj4eCbdzY/s320/breakfast+table.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 18pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Dona Isaura reinava feliz em sua cozinha silente, na aurora
daquela manhã de primavera. Logo os primeiros raios do sol penetrariam pela
janela. Ela tinha o venturoso costume de acordar sorridente e satisfeita.
Entendia que cada novo despertar era uma dádiva divina e que, portanto, nada
mais justo que uma demonstração de gratidão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;A chaleira já estava sobre as chamas do fogão, aquecendo a
água aos poucos. Dona Isaura bocejava enquanto contava as colheres do pó de
café no coador. Depois, abriu o armário, puxou uma toalha e forrou a mesa
redonda de cedro. Escorreu a mão sobre todo o tecido para que ficasse bem
esticado. Puxou um vasinho cor de esmeralda, com flores rosa dentro, do mármore
ao lado do fogão, colou debaixo da torneira, deixou cair um fio d’água e
centralizou-o sobre a mesa. Da prateleira, pegou uma xícara e pires de
porcelanas, ajustado-os também na mesa. Também retirou dois lenços da gaveta debaixo
do armário e jogou-os, com técnica, de modo arquitetônico, um de cada lado do
vaso. Virou-se de costas e coou o café no bule. Uma fumaça trêmula ergue-se no
ar e um aroma inebriante rompeu-se, espalhando-se por todo o ambiente. Postou o
bule logo atrás da xícara. As suas papilas gustativas ansiavam por tudo que
ainda estava por vir. Correu do outro lado da cozinha, abriu a geladeira e
pegou um prato de frutas com uma das mãos e, com a outra, recolheu o recipiente
do queijo de cabra. Levou tudo para a mesa, acertando as suas posições. Olhou
para o relógio de parede – vinte para as seis; o pão quentinho estava por sair.
A padaria ficava a uma quadra de casa. Apressou-se para ir buscar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Em poucos minutos, já estava de volta. Preencheu a cesta de
vime, que estava sobre o pequeno armário, com os pães de sal fumegantes,
recolheu um deles, colocou sobre o prato e pôs sobre a mesa, ao lado da xícara.
Puxou uma faca, fez um corte na borda do pão, aplicou-lhe uma quantia generosa
de manteiga caseira, que também se encontrava sobre o armarinho, e assentou
novamente o pão sobre o prato. Serviu o café na xícara. &amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Depois, Dona Isaura ficou a contemplar, em pé, ainda que por
alguns segundos, a sua obra de arte. Tudo estava do jeito que mais a agradava.
A toalha amarela desbotada, limpa, sem dobras e sem máculas. O colorido
harmonioso das frutas: a maçã verde, a pera, os morangos e meio mamão. Os
lenços rosa caídos, semelhantes a algodões-doces, em torno do vaso cujas flores,
também rosadas, pendiam com charme. O queijo liso e compacto, como um iceberg.
A xícara e pires muito alvos e brilhantes, contrastando com o liquido fumeante,
marrom enegrecido. O pão francês quentinho, meio torrado, meio pálido, na
medida, dilacerado, minando manteiga derretida pelo corte. A refeição
convidativa implorava para ser devorada. Um ronco cavernoso das profundezas de
seu estômago fez Dona Isaura perceber que estava faminta. &amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;A porta da cozinha abriu-se exatamente às seis. Dona Isaura
assustou-se e saiu de seu transe hipnótico, dando dois passos para trás.
Valquíria Albuquerque de Bragança adentrou-se, imponente, com ares de
arrogância. O seu mau humor matutino era costumeiro. A pomposa dama sentou-se
na cadeira exatamente em frente à ceia. Deu um belo gole no café e uma mordida
no pão crocante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;A velha Isaura de guerra continuou em pé, imóvel, com os
braços para trás, aguardando, pacientemente, a patroa terminar seu desjejum
para que só então fizesse o seu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;right&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;“Concedei-nos, Senhor, o esquecimento do eu, para que
a importância do todo nos una no trabalho fraterno” – Irmão Miguel, 02-08-1980.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2012/07/do-jeito-que-mais-agradava-carlos.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjL10l8dT5sFUWZmQezRX8y2njjGX-3fXwXcVBlutKFDvOfj4_qlp6tDU0AWgfTB2V0IAVSK_bBi1GljOGXE7C-gzhxG6FWd7yptTRlauNEeAA8dN1qOkIWO680HAkPQR5NVhOoj4eCbdzY/s72-c/breakfast+table.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-1203765974869593871</guid><pubDate>Fri, 18 May 2012 23:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-05-20T16:31:26.029-03:00</atom:updated><title>A mulher mais gorda da face da Terra (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;img src=&quot;file:///C:/Users/Matthews/AppData/Local/Temp/msohtmlclip1/01/clip_image001.jpg&quot; v:shapes=&quot;il_fi&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEja5jlLxSywDT-s1jGTNjT1bhyXLMbIsm_9uVqT8QdY9OBzOiNp2yB7emoVWXq1L2FaqQ-hncjQuChJzi5o0ZrCko9wnZ3iCpmpQEQY2-kKfAezmqw75FPCmL9z-pB94T4Bmf4-Qy0DrhGm/s1600/fat+woman.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEja5jlLxSywDT-s1jGTNjT1bhyXLMbIsm_9uVqT8QdY9OBzOiNp2yB7emoVWXq1L2FaqQ-hncjQuChJzi5o0ZrCko9wnZ3iCpmpQEQY2-kKfAezmqw75FPCmL9z-pB94T4Bmf4-Qy0DrhGm/s1600/fat+woman.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Sentada, contemplando, da janela de seu casebre, o frondoso e
robusto carvalho-das-canárias, com sua copa densa e entendida, e seu tronco imponente,
dona Augusta, no auge de seus oitenta e cinco anos, via-se a si mesma. Aquela
mulher macilenta, que se movia, na grande maioria das vezes, como um
bicho-preguiça, estava em repouso, ociosa, chafurdada em uma crise existencial.
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A senhora opulenta lembrou-se dos tempos remotos que
trabalhava em um circo itinerante. Nascera e crescera ali. Os grilhões da
conveniência e resignação retinham-na naquele lugar. Aquele era o seu mundo.
Não conhecia e não entendia nada mais. Filha dos, então, finados “homem que
cuspia fogo” e a “mulher barbada”, ela era uma das atrações do espetáculo – “a
mulher mais gorda da face da Terra”. O interlocutor apresentava-a como uma
aberração concebida em um país longínquo, um lugar esquecido, que não era nem
encontrado no mapa. Dizia também que a gorda falava uma língua estranha que não
fora catalogada e era ininteligível mesmo para os poliglotas e eruditos e que a
pobre ainda não havia aprendido a falar o português, apesar de entender certas
palavras. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;“Esta mulher, senhoras e senhores, chega a fazer até dez
refeições por dia! Para vocês terem uma ideia, seu café da manhã é composto por
dez ovos, sete broas de milho, meio quilo de queijo e presunto, um pote grande
de goiabada e quatro copos grandes de leite com café! Certa feita, meus amigos,
eu mesmo testemunhei a fome descomunal desta criatura – ela comeu um boi
inteiro!” – disse o apresentador, entretendo a plateia atônita. À medida que o
narrador ia costurando sua teia de farsa burlesca para os presentes, a gorda ia
se empanturrando de guloseimas postadas sob uma mesa à sua frente, a uma
velocidade assustadora. Devido a essa agilidade de capturar os quitutes, levar
até a boca, triturar e engolir, para depois repetir o ciclo de comilança, “a
mulher mais gorda da face da Terra” também possuía o apodo de “pá mecânica”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Dona Augusta, ao relembrar de suas apresentações, quase
deixou sair um sorriso frouxo, mas retrocedeu a tempo. Às vezes, quando havia
bastante público e os ingressos tinham vazão, eram feitas até três
apresentações por dia. Lembrou-se de como o seu estômago empanzinado doía após o
espetáculo. Um enjoo perturbador vestia o seu ser. Não era raro expelir, atrás
da lona do picadeiro, tudo o que havia ingerido e mais um pouco. Calada, por
ser tímida e muito também pela obrigação subsidiada pela pantomima de “não
saber falar o português”, seguia aquela rotina sem fim em seu casulo. Verdade
seja dita, a pobre rechonchuda não era uma glutona – não comia muito, aliás, alimentava-se
até pouco, mas era acometida por tireoidismo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Uma vida nômade, indo daqui para ali, de lá para cá, nunca
parando em lugar algum, nunca criando laços, sempre apressados, os artistas errantes
seguiam semeando alegria e gargalhadas para as populações locais. “Mas e quanto
a minha felicidade?”, indagava-se ela constantemente. Tal pergunta assombrava-a
sempre. Quantas noites mal dormidas e desconfortáveis, com mosquitos ao redor
da cabeça, passando calor, frio, sofrendo um eterno mal-estar. A sua timidez,
mesmo após anos e anos fazendo a mesma coisa, sendo rompida, dilacerada à
força, sob a sua passividade, a cada apresentação. A exposição de seu corpo
deformado pelo excesso de gordura, os risos de escárnio do povo e até ofensas
muitas vezes – “Vá fazer um regime, gorda!”, “Volte para sua terra, balofa!”, “Vai
explodir de tanto comer, baleia!”... Tudo isso a troco de um ordenado medíocre,
a troco de uma vida morna. E a tal pergunta inquietante voltava à sua cachola –
“Mas e quanto a minha felicidade?”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Em grande verdade, dona Augusta não diferia de tantas outras
obesas nos dias de hoje. Naquela época, porém, nos idos de 1930, a senhora era
considerada imensa, já que a maioria das pessoas possuía a silhueta fina. Era
apenas uma questão de comparação. O número de obesos era reduzido. Raro era
deparar-se com pessoas tão acima do peso. Por isso, ela destacava-se. Além do mais,
sempre fora baixinha e de pescoço curto, o que dava a impressão de a gordura ser
toda socada e expandida mais ainda, não tendo para onde se espalhar. Junte-se a
isso, o fato de sempre vestirem-na com roupas claras e apertadas e com grandes
listras horizontais, o que causavam uma ilusão de um corpanzil ainda maior.&amp;nbsp; E por anos, em que se pese apenas a questão
de que havia encolhido um pouco com o passar do tempo, o que é normal, o seu
peso permanecia o mesmo – com um metro e cinquenta e três, pesava cento e quatorze
quilos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Agora, avaliando toda a sua vida, dona Augusta comparava o
destaque artístico, ainda que vexatório e humilhante, que possuía no passado
com o ostracismo enraizado no presente, e insistia em cobrar o seu quinhão de
felicidade. Em um tempo recheado de obesos, era só mais uma. O estranho era que
mesmo assim, ainda sentia-se proscrita e solitária neste mundo adiposo. Lá de
fora, o imponente carvalho-das-canárias olhava de volta para mulher mais gorda
da face da Terra. Ela, agora, estava com um olhar perdido, parecia perdida. Não
percebeu. Os galhos da grande árvore robusta balançavam ao sabor do vento, reverenciando,
de alguma forma, aquela que, anos a fio, subia nos palcos da vida para levar um pouco
de alegria aos espectadores vorazes. Ela não percebeu, jamais percebeu. A árvore continuou
lá, prestando as suas eternas homenagens. &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2012/05/mulher-mais-gorda-da-face-da-terra.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEja5jlLxSywDT-s1jGTNjT1bhyXLMbIsm_9uVqT8QdY9OBzOiNp2yB7emoVWXq1L2FaqQ-hncjQuChJzi5o0ZrCko9wnZ3iCpmpQEQY2-kKfAezmqw75FPCmL9z-pB94T4Bmf4-Qy0DrhGm/s72-c/fat+woman.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>8</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-4780751608191493229</guid><pubDate>Sun, 05 Feb 2012 18:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-05-20T16:32:11.307-03:00</atom:updated><title>Reflexões sobre o corpo (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgg32dpEE8IyC1H1PJtY5INuXIB0owPplrfzJGBI1dyaaEbrjDzopbPYKlojOtMUDQo1iP2Hzf0heslIa8c6YRH38LRy__HesX-dKptTW-H4D6ckDmns45BJNX2QPhO3M7SE8XvdEJAWSij/s1600/Yoga.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgg32dpEE8IyC1H1PJtY5INuXIB0owPplrfzJGBI1dyaaEbrjDzopbPYKlojOtMUDQo1iP2Hzf0heslIa8c6YRH38LRy__HesX-dKptTW-H4D6ckDmns45BJNX2QPhO3M7SE8XvdEJAWSij/s320/Yoga.jpg&quot; width=&quot;318&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: #f9f9f9; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: #f9f9f9; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit; line-height: 18px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;O nosso corpo possui um sistema engenhoso de funcionamento, tanto que até hoje os cientistas não conseguiram desvendar todos os seus segredos, tamanha é a complexidade e perfeição. Cada parte, mesmo as minúsculas, faz a sua função e ainda trabalha em conjunto, mas, mesmo assim, há uma força maior e invisível por trás, nutrindo com energia necessária o mecanismo visível. Desse sopro de vida, chamemos assim, só se tem um vislumbre. Hoje em dia, no ramo novo da chamada nanotecnologia, o máximo que os cientistas conseguiram alcançar até aqui é o átomo e seu núcleo (não só relacionado ao corpo!). O certo é que o corpo humano permanece um mistério que ainda não foi totalmente compreendido. Outra certeza que se tem é que é preciso cuidar desse bem tão precioso, que, de qualquer forma, vai se deteriorando. Em que pese o que pode ser controlado, o tempo de deterioração de cada corpo, no entanto, quem diz é você. &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Em “Sátiras”, uma compilação de poemas satíricos confeccionados entre o final do Século I e começo do Século II por Decimus Junius Juvenalis, mais precisamente na “Sátira X”, encontra-se o célebre axioma em Latim: “Mens sana in corpore sano”, ou seja, em bom Português: “Uma mente sã em um corpo são”. Independente do sentindo contextualizado atribuído na época pelo autor, com o correr do tempo, essa máxima ganhou uma série de conotações, sendo que a que mais faz sentido hoje em dia é que apenas um corpo saudável torna-se capaz de criar ou mesmo suportar uma mente sã, estando um intrinsecamente ligado ao outro, necessitando, assim, de um equilíbrio para o bom funcionamento de ambas as partes. Dito isso, fica subentendido também que é impossível admiti-los separados – um jamais estará bem sem o outro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Levando-se em conta alguns ensinamentos contidos na Bíblia Sagrada, admitindo que isso tenha significado para o leitor, temos, em 1 Coríntios 6:19-20, uma mensagem sobre o corpo: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”. Podemos subtrair desse trecho que o nosso corpo, templo habitado pelo Espírito Santo e, portanto, sagrado, pertence a Deus, sendo apenas emprestado para cada um de nós durante a nossa estadia na Terra. &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Dentro dessas premissas, chegamos a algumas constatações bastante óbvias: um corpo maltratado leva a uma mente com problemas; uma falta de cuidado em relação à mente, também, é evidente, causa danos ao corpo; separar corpo e mente é impossível, no que tange ao cuidado; o corpo é sagrado; o corpo que usamos não é nosso; é nosso dever prezar pelo corpo emprestado por Deus; sentir-se honrado e agradecido pelo corpo é obrigação, pois o nosso corpo é valioso, já que foi comprado “por bom preço” e ainda é habitado por Deus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Pode-se facilmente discordar ou mesmo ignorar os silogismos e as conclusões alcançadas até aqui pelos motivos que forem. No entanto, algumas evidências científicas em relação ao corpo não podem ser negadas. Eis algumas constatações já sabidas e, não obstante, frequentemente, ignoradas: a obesidade mata; o sedentarismo acaba com a saúde e diminui o seu tempo de vida; o excesso de certos alimentos – sal, açúcar e gordura destroem a sua saúde e podem levar ao óbito, através de várias condições, tais como hipertensão, diabetes, AVC, derrame e ataque cardíaco, só para citar alguns; as drogas, não só as ilícitas, mas também as legalizadas, como álcool e cigarro, põem fim à vida, a maioria das vezes, de forma lenta, gradativa e sorrateira; a depressão e o estresse podem levar à morte.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Agora seguem algumas perguntas para a sua reflexão: como você tem tratado o seu corpo? E a sua mente (sendo mais específico)? De que forma o seu corpo é usado? Qual a retribuição que você tem dado pelo seu corpo emprestado por Deus? Você se acha merecedor de estar usando algo tão valioso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;De qualquer forma, dizem que nunca é tarde para promover mudança, e é verdade! Se você anda tratando mal o seu corpo, seja do jeito que for, tente (pois não é fácil), quantas vezes for preciso (até ter sucesso), mudar os seus hábitos: faça exercício com frequência, alimente-se direito, relaxe, medite, durma bem, faça exercícios intelectuais, cuide de sua mente, não procure fuga através das drogas (lícitas ou ilícitas!), ache, enfim, um ponto de equilíbrio a fim de não cometer exageros, ache o seu ponto de equilíbrio!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Eis o seu corpo, você está usando-o neste momento. Sinta-o. Ele está vivo. Seu coração pulsa, o sangue está sendo bombeado, irrigando todas as extremidades. Indo além da fisiologia, aliás, o seu corpo emana energia pura e vital. Transmita-a. Faça um bem por você (e para os que te cercam): esteja com o corpo e mente saudáveis, cuide desse bem valioso e necessário. Dê o seu melhor sempre! &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2012/02/reflexoes-sobre-o-corpo-carlos-eduardo.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgg32dpEE8IyC1H1PJtY5INuXIB0owPplrfzJGBI1dyaaEbrjDzopbPYKlojOtMUDQo1iP2Hzf0heslIa8c6YRH38LRy__HesX-dKptTW-H4D6ckDmns45BJNX2QPhO3M7SE8XvdEJAWSij/s72-c/Yoga.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-8385650102189855580</guid><pubDate>Thu, 26 Jan 2012 00:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-25T22:36:36.907-02:00</atom:updated><title>O amor nunca morre (Paula Freitas Martins)</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRz00RohxDZnFMWNVv2c7fAHSvu2ONGoDWnNzWaT8b4Ix4pZsv4oS3FXmcEYHUCyIbM5U4y7JVePkid9wvBP53kOAWnhXYg6ELlaFa4SYaHfY_hmXDssTG6UawUyO7cC9KNtpkUUx2JLjy/s1600/how-to-draw-love-hearts-step-8.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;288&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRz00RohxDZnFMWNVv2c7fAHSvu2ONGoDWnNzWaT8b4Ix4pZsv4oS3FXmcEYHUCyIbM5U4y7JVePkid9wvBP53kOAWnhXYg6ELlaFa4SYaHfY_hmXDssTG6UawUyO7cC9KNtpkUUx2JLjy/s400/how-to-draw-love-hearts-step-8.jpg&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit; line-height: 115%;&quot;&gt;É difícil olhar o mundo ao
meu redor e não te ver. Nas manhãs, ainda de pijama, não tenho mais como te
beijar e dizer que te amo. Não tenho mais a tua interação no meu dia a dia, as
tuas sugestões, conselhos e, sobretudo, a tua paciente escuta. A tua presença
física se foi.&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit; line-height: 115%;&quot;&gt;Meus filhos, se, algum dia,
eu os tiver, não conhecerão um avozão carinhoso e sempre disposto a brincar.
Eles não sentirão as cócegas feitas por tuas mãos e também não comerão dos teus
quitutes. Eles te conhecerão por fotografias e através de relatos de admiração
feitos por aqueles que com você conviveram.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit; line-height: 115%;&quot;&gt;Certa vez ouvi uma definição
sobre a morte: “Morrer é não ser mais visto”. Hoje sinto o quão verdadeira se
faz essa afirmação. Morrer é simplesmente isso. A ausência física é a grande
perda. Tudo o mais permanece. Aquilo que se viveu, os exemplos deixados, o
reconhecimento, a admiração, a genética....tudo isso permanece...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit; line-height: 115%;&quot;&gt;Sou privilegiada. Por trinta
anos, eu te tive por perto. Ninguém mais neste mundo teve o privilégio de ser tua
filha, e, saiba, sempre fui muito grata por isso. Sempre agradeci a Deus por
este presente. O teu amor incondicional construiu em mim uma fortaleza que eu
desconhecia existir. O teu amor estruturou o meu caráter, consolidou a minha dignidade
e me fez crescer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit; line-height: 115%;&quot;&gt;O amor e a admiração deixados
relatam-me o quão digno e especial você é. Você é guerreiro. Travou uma luta
ferrenha contra o mal-estar de seu corpo e deu uma canseira na doença... Ela
não te levou fácil...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit; line-height: 115%;&quot;&gt;Quando me olho no espelho,
quando ouço relatos de gratidão e admiração a teu respeito, tenho certeza de
sua imortalidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit; line-height: 115%;&quot;&gt;Vai ser barra não te ver,
não sentir teu toque, não ouvir a tua voz, contudo, os teus ensinamentos me dão
a força necessária para seguir sempre te levando junto a mim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit; line-height: 115%;&quot;&gt;Quando amamos alguém e
carregamos esse amor conosco, este alguém nunca morre, e é exatamente assim que
eu te sinto. Dentre tudo o que você me deu e me ensinou, a maior das minhas
certezas é que O AMOR NUNCA MORRE!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2012/01/o-amor-nunca-morre-paula-freitas.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRz00RohxDZnFMWNVv2c7fAHSvu2ONGoDWnNzWaT8b4Ix4pZsv4oS3FXmcEYHUCyIbM5U4y7JVePkid9wvBP53kOAWnhXYg6ELlaFa4SYaHfY_hmXDssTG6UawUyO7cC9KNtpkUUx2JLjy/s72-c/how-to-draw-love-hearts-step-8.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-5087102221779731313</guid><pubDate>Tue, 24 Jan 2012 00:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-24T12:18:35.697-02:00</atom:updated><title>A importância da coletividade (Carlos Eduardo Freitas Martins)</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhxn0XfuuLH2LbBmOUTzpPharwa06fdCbqlRY7vm27dNX1skewQMPaGMCrbq4sOBcozhRwKwfubJKvOQfiHIN2pii0SBvFu75IDzUBl-SPrlogfbwHRA7VhOxh5grLJ_ReYShCH-sFuaqh5/s1600/mousetrap.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-left: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhxn0XfuuLH2LbBmOUTzpPharwa06fdCbqlRY7vm27dNX1skewQMPaGMCrbq4sOBcozhRwKwfubJKvOQfiHIN2pii0SBvFu75IDzUBl-SPrlogfbwHRA7VhOxh5grLJ_ReYShCH-sFuaqh5/s1600/mousetrap.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;Frequentemente, nós ouvimos que a
coletividade é importante. A palavra coletividade, aliás, não sai de voga. Mas
será que realmente sabemos o quão necessário é o conjunto? Entendemos, de fato,
a importância do coletivo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 28px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;É comum também nós ouvirmos as
pessoas dizendo frases como: “eu não tenho nada a ver com isso, o problema não
é meu, eu não posso fazer nada, cada um na sua” e por aí vai. São, sem dúvida,
sentenças que possuem doses cavalares de egoísmo, o que, aliás, parece ser um
estado genuíno da grande maioria dos seres humanos. Cada vez mais o
individualismo impera em detrimento do coletivismo, que é deixado de lado,
sendo, em muitos casos, completamente esquecido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;No entanto, paradoxalmente a esta
completa falta de altruísmo, o mundo segue, invariavelmente, independente da
vontade do ser humano (graças a Deus!), sendo regido através da visão
holística, que nada mais é do que a teoria que diz que o homem é um todo
inseparável e que não pode sequer ser explicado pelos seus componentes
distintos – físico, psicológico, ou psíquico. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;Se as pessoas realmente abstraíssem o
princípio do holismo e como o conjunto é imperativo, o mundo seria, deveras, um
lugar melhor, porque elas entenderiam que cada um de nós está, inexoravelmente,
ligado ao outro, sendo estabelecida, assim, uma eterna relação de
interdependência. Se João, por exemplo, planta o bem não só para si, mas para
Maria também, todos os envolvidos, direta e indiretamente, colherão o bem igualmente,
sendo que o contrário é mais do que verdadeiro! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;Há uma fábula de autor desconhecido
que demonstra de maneira bem didática a importância da implantação efetiva
dessa teoria, com urgência:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&quot;Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa
abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao pátio da
fazenda advertindo a todos:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa !!! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;A galinha disse:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;- Desculpe-me, Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para
o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;O rato foi até o porco e lhe disse:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira !!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;- Desculpe-me, Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa
fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas
preces.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;O rato dirigiu-se então à vaca. Ela lhe disse:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;- O que, Sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira
do fazendeiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua
vítima.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pegado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pegado a cauda de uma cobra
venenosa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;E a cobra picou a mulher...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;Ela voltou com febre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma
canja de galinha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram
visitá-la.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;A mulher não melhorou e acabou morrendo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;Muita gente veio para o funeral.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;O fazendeiro então sacrificou a vaca para alimentar todo aquele povo.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;Ao analisarmos esta história, ainda
que superficialmente, observamos que o rato, que estava diretamente envolvido
com o problema da ratoeira, sobreviveu, já a fazendeira, a galinha, o porco e
vaca, que, a princípio, pareciam não ter nada a ver com o problema do rato,
perderam as suas vidas. Se apenas um dos envolvidos tivesse resolvido a questão
que tanto afligia o nosso pequeno amigo roedor, todos poderiam estar bem e
vivos!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 150%;&quot;&gt;Portanto, da próxima vez que o lado
egoísta do seu ser quiser aflorar, pense na importância da coletividade e na
eterna dependência que cada um de nós tem do outro. Cuidado, pois a ratoeira é
uma armadilha e você está sempre prestes a cair nela!&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2012/01/importancia-da-coletividade-carlos.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhxn0XfuuLH2LbBmOUTzpPharwa06fdCbqlRY7vm27dNX1skewQMPaGMCrbq4sOBcozhRwKwfubJKvOQfiHIN2pii0SBvFu75IDzUBl-SPrlogfbwHRA7VhOxh5grLJ_ReYShCH-sFuaqh5/s72-c/mousetrap.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-9193280684574386540</guid><pubDate>Mon, 26 Dec 2011 13:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-12-30T22:16:32.163-02:00</atom:updated><title>A Missa de Réquiem (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh2gSIAAbEAObvkw7pgLOHdfS24mo3bJagihAt1giOpoElgbX9Rz6pWvEAXR6C12k5Adplsa-KVLxaVmL_hXjIkopQHV0kxb10Yuf-c0TyfgP-l8-JyjF6H6Wy89nw_Z4J1Atx5CVjKTSPL/s1600/anjo.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;242&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh2gSIAAbEAObvkw7pgLOHdfS24mo3bJagihAt1giOpoElgbX9Rz6pWvEAXR6C12k5Adplsa-KVLxaVmL_hXjIkopQHV0kxb10Yuf-c0TyfgP-l8-JyjF6H6Wy89nw_Z4J1Atx5CVjKTSPL/s320/anjo.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;– “&lt;i&gt;Requiem aeternam dona eis...”&lt;/i&gt; – principiou o presbítero, tecendo a
sua retórica calculada, do alto de seu púlpito de carvalho. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;– Papai, eu não entendi o
que o homem lá falou! – sentenciou a criança.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;– Bem, eu não sou
especialista em ritos religiosos da liturgia católica, muito menos em latim,
filhinha, mas acho que o começo é algo como “dai-lhes o repouso eterno” –
respondeu o pai em tom baixo, preocupado em não incomodar os que prestavam
atenção à Missa de Réquiem matutina de certo domingo de janeiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;– O que é repouso? – indagou
a menina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;– Descanso – atalhou o pai. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;– Como dormir à noite? –
questionou de modo ingênuo a pequena, de uma maneira doce que só as crianças
sabem fazer. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;– Temo que não, minha
filha... – hesitou. – Repouso, descanso, nesse caso, é um eufemismo para morte –
emendou de maneira atabalhoada, sem muito pensar a quem realmente se dirigia, à
maneira das respostas dadas pelos adultos aos pequenos a maioria das vezes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;– Eufemismo? – ela agarrou-se ao
vocábulo desconhecido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;– É quando tentamos falar de
outra forma, uma maneira mais educada de se dizer algo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;– Hum... Estamos aqui,
então, porque a nossa vizinha Bárbara morreu, né? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;O pai olhou em todas as
direções, certificando-se que ninguém escutava a prosa e, envergando-se, quase
sendo tomado pelo encosto do banco da igreja, respondeu:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;– Exatamente. Ela descansou
na semana passada, lembra?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;– Sim, eu me lembro! – a
criança deu uma pausa e se pôs reflexiva. – Nós também vamos repousar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;O pai recuou, encarou-a com
ternura, tomou as mãozinhas dela e soltou algumas palavras, que saíram pausadamente devido ao conteúdo pesado para um infante:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;– Filha, todos nós vamos um
dia... É uma das poucas certezas que temos. Mas não se preocupe com isso agora.
Ninguém sabe a sua hora verdadeiramente, apenas Deus. Ele, sim, sabe o que é
melhor para cada um de nós em Sua infinita sabedoria!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;– Hum... – a introspectiva
criança fez como um suspiro e se calou. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;– O que foi, meu amor?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;– Eu não me preocupo com a
minha hora de repousar, mas com a sua... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;As palavras da menina saíram
como flechas certeiras e atingiram o coração do pai. Uma forte emoção
percorreu-lhe o espírito, abalando-lhe a estrutura. Não se importando mais com as
pessoas ao seu redor, que lotavam a missa, ele a tomou nos braços e apertou aquele corpo infantil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;– Eu te amo, minha filha, e
isso nunca vai mudar – disse, simplesmente, com os olhos marejados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, serif;&quot;&gt;Um anjo do Senhor que estava
agachado sobre uma das vigas de madeira, que se estendia logo abaixo do teto,
escutara a conversa de pai e filha, e não pôde deixar de se emocionar. Suas
asas douradas estavam encolhidas e, logo, foram abertas e ele ergueu-se de sobressalto
para levantar voo. Antes, porém, deu uma última olhadela para aqueles dois
personagens que lhe causaram tanta admiração, em meio a um conglomerado de fieis,
por suas frases espontâneas e singelas e, no entanto, profundas e
significativas. Eram palavras verdadeiras, vindas da alma, que ilustravam o
amor que toda a humanidade deveria possuir. E o anjo foi-se feliz com os dois
representantes dignos que encontra naquele templo cristão, rumando ao céu e um pouco
além...&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2011/12/missa-de-requiem-carlos-eduardo-f-m.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh2gSIAAbEAObvkw7pgLOHdfS24mo3bJagihAt1giOpoElgbX9Rz6pWvEAXR6C12k5Adplsa-KVLxaVmL_hXjIkopQHV0kxb10Yuf-c0TyfgP-l8-JyjF6H6Wy89nw_Z4J1Atx5CVjKTSPL/s72-c/anjo.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-779861758327552579</guid><pubDate>Thu, 10 Nov 2011 16:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-11-11T08:49:09.914-02:00</atom:updated><title>A tempestade passageira</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgAQpryzLnKAB4mQyLgIidUElOEonZke_bEge7pleOS_ZAXz5Bi4g3vRXdXBLDSIfZZMY4VdNVbXkVMDC6q4tBwjIR1pzW1VbIMtnCq8AF9ljLk0fT2487vITIPWiXPyKYGR-b_JSuUr6HR/s1600/A+chuva.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 400px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgAQpryzLnKAB4mQyLgIidUElOEonZke_bEge7pleOS_ZAXz5Bi4g3vRXdXBLDSIfZZMY4VdNVbXkVMDC6q4tBwjIR1pzW1VbIMtnCq8AF9ljLk0fT2487vITIPWiXPyKYGR-b_JSuUr6HR/s400/A+chuva.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5673406021384839506&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O barquinho de papel singrava pela lagoa imunda lentamente. A brisa maviosa empurrava-lhe para longe da margem. A criança, macambúzia, de olhar tétrico, contemplava a sua criação. Em sua mente povoava apenas uma ideia – ele a bordo daquela pequena embarcação rumo a uma terra distante. &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Alheio à natureza, o pequeno não havia reparado que o céu, de repente, fora preenchido com nuvens plúmbeas. Não tardou para que a brisa branda fosse metamorfoseada em uma ventania alucinante e impiedosa. Ato contínuo, o barquinho tombou de lado, foi arrastado e se empapou da água pútrida; logo, não passava de mais um pedaço retorcido de lixo flutuante. Mais um sonho naufragado.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Pingos grossos desciam um a um, explodindo no solo, como bólidos. O menino estendeu a mão e encarou o firmamento cor de chumbo e toda sua onipotência. Uma gota grossa e gelada atingiu-lhe a testa, não a palma de sua mão. Um clarão iluminou todo o ambiente e então veio um enorme estrondo que ecoou durante alguns segundos. O circuncisfláutico Cirilo da Silva, assustado com todo aquele espetáculo de luzes e som, pôs-se a correr como um louco.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A bátega celeste encharcou a terra e o menino. Quanto mais ele acelerava, mais ensopado ficava. Seus pés imundos afundavam nas poças que se formavam no chão de terra batida. Seu corpo enlameado cortava a cortina de água. Logo, em meio àquela corrida frenética, sobre a lama já formada no terreno levemente íngreme, as solas dos pés de Cirilo resvalaram à revelia, sem qualquer equilíbrio e tração, causando uma decolagem precipitada, um voo curto de barriga para cima e uma aterrissagem forçada de bunda. O corpo pueril deslizou por alguns metros. Àqueles de imaginação mais úbere, a cena de um menino sobre o seu trenó, escorregando pela neve assentada viria à cabeça. Um lindo espetáculo lúdico de inverno na primavera capixaba. O garoto ergueu-se com um pulo só. A vida havia lhe instruído a não permanecer prostrado diante das intempéries, ainda que fosse por curto espaço de tempo, com a penalidade de ser trucidado.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A sua moradia estava logo ali. Ele andava vagarosamente agora. Não havia por que se apressar mais, uma vez que se encontrava encharcado e sujo de lama. Com um pequeno salto, ele atravessou habilmente uma vala de esgoto fétida que cortava a fachada de seu casebre de madeira. Anos de prática. Um trovão arrebentou com forte estrondo em algum lugar por trás de si. Ele se virou de costas e avistou o morro vizinho sob seu véu esbranquiçado. Com um gesto indiferente, Cirilo empurrou a porta carcomida pelos cupins e deu dois passos para dentro do barraco.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O ambiente de um cômodo só fedia a podridão. Era mal iluminado. Os poucos feixes de luz que invadiam o local vinham de pequenos buracos de todos os lados. Fosse o lar amarelo desbotado, muitos lembrariam um enorme queijo suíço, mas não Cirilo. O moleque procurava não pensar em queijos ou quaisquer outros alimentos. Doía-lhe no fundo d’alma desejar coisas que não teria; ademais, o estômago queixoso agradecia-lhe por sua mente não ser tomada por tal pensamento. No chão, forrado com papelão, a matriarca jazia inerte. Três pedrinhas de crack estavam ao lado de seu corpo incrustado de sujeira. Um frasco contendo cola de sapateiro, uma lata de tíner e meia garrafa de pinga completavam o seu “kit de primeiros socorros”.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;De súbito, o infante deitou uma lágrima, uma única gota salgada que lhe escorreu pela face empedernida. Consolou-se, imaginando que o céu também lacrimejava por ele lá fora. Saiu do ambiente de sombras e foi para a chuva novamente. Aquela tempestade oferecida pela natureza parecia-lhe mais justa e logo cessaria. Cirilo da Silva ficou imóvel sob a corrente de água que limpava a sua tez de ébano e abrandava seu coração de criança... &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2011/11/tempestade-passageira.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgAQpryzLnKAB4mQyLgIidUElOEonZke_bEge7pleOS_ZAXz5Bi4g3vRXdXBLDSIfZZMY4VdNVbXkVMDC6q4tBwjIR1pzW1VbIMtnCq8AF9ljLk0fT2487vITIPWiXPyKYGR-b_JSuUr6HR/s72-c/A+chuva.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>8</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-2509066340223685437</guid><pubDate>Mon, 24 Oct 2011 13:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-26T11:09:50.137-02:00</atom:updated><title>Do outro lado da ribalta (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjZN7R7XgFOBTmQvOsL6_3PFbtAxyMBhRJM801XGLNZLe5VLzUFW3jN1icXyFstTOVKCAIpe-LeaQ4V3LkqwrbYl3rDWCjSmqTyhsiOTYOca2QwF0xonyMuzRxpOumx2mrR8x4TGzuaQRWa/s1600/Theatre.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 386px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjZN7R7XgFOBTmQvOsL6_3PFbtAxyMBhRJM801XGLNZLe5VLzUFW3jN1icXyFstTOVKCAIpe-LeaQ4V3LkqwrbYl3rDWCjSmqTyhsiOTYOca2QwF0xonyMuzRxpOumx2mrR8x4TGzuaQRWa/s400/Theatre.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5667047886288124994&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A pantomima havia finalmente chegado ao fim.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;A cena final, inundada em dramaticidade, trouxera à tona a catarse na plateia ávida pela tragédia. Lágrimas pendiam nos rostos pálidos das donzelas. Alguns cavalheiros reprimiam as suas, não obstante, seus olhos estavam visivelmente marejados. A emoção havia sido aflorada nos corações do público. Uma onda de ovação em êxtase, ainda que contida, de acordo com a pompa vitoriana, varreu o teatro. Os atores, envaidecidos, inclinaram seus corpos levemente, do alto da ribalta, e ali permaneceram imóveis por alguns segundos, à guisa de estátuas helênicas.&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Um senhor rechonchudo, de rosto plissado, com bochechas róseas pendentes e bigodes enormes que lhe saltavam à face, encarava, imóvel e com olhos esbugalhados, o proscênio. A sua indumentária de dândi, alguns brotos de cabelos brancos grassados ao redor da careca do topo de sua cabeça e os óculos quase sobre a ponta do nariz davam-lhe ares de burguês àqueles que se deixavam levar pela superfície. Era um erro evidente – a sujeira sob suas unhas, a pele besuntada a óleo, os dentes podres e as máculas com cor de terra batida de suas vestes denunciavam-no, não o particularizando em uma profissão taxativa, mas excluindo-o, definitivamente, como membro de uma casta superior. Não que John Bailey quisesse parecer o que não fosse também, não era nada disso! Mas a sociedade da Rainha Vitória, banhada em uma hipocrisia quase estilística, tinha o gosto do julgo nos lábios e, ato contínuo, o povo o fazia indeliberadamente, o que produzia julgamentos errôneos na grande maioria das vezes. John, em verdade, era um coveiro, que pisava pela primeira vez em um teatro, trajando a sua melhor vestimenta. &lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Poucos minutos atrás, quando o espetáculo ainda seguia, ele havia pensado que aquela encenação teatral fazia mais sentido que a própria realidade. A ficção pulsava incólume e robusta, à revelia de qualquer julgo, pois ela absorvia, inadvertidamente, as almas dos espectadores, ainda que por alguns instantes, e depois as devolvia mais leves e serenas. Fora assim com ele. Havia um desejo inquietante ao final da peça, da parte do distinto cavalheiro, o de abandonar a sua vida a fim de começar outra lá em cima do palco. Ao menos seria apreciado no ramo das artes e entretenimento e transmitiria o que acabara de experimentar de bom grado, este sentimento excêntrico e incontrolável que lhe atiçou o cerne; seu coração saltitava a galopes irregulares.&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A vida é deveras irônica quando menos se espera. Mal contava Mister Bailey que o seu pedido seria realizado poucos minutos após ao término de seu desejo. Do outro lado do tablado, ali, bem na cadeira onde pousava John, &lt;i&gt;the grave-digger&lt;/i&gt;, um mero espectador, houve outro show, uma pantomima mais real e ainda mais trágica, mas não tão cheia de significados ou mesmo tão tocante quanto à primeira apresentação, que fez o público gritar, dessa vez, incontidamente. &lt;span&gt; &lt;/span&gt;Agora eram os atores, boquiabertos, ainda sob o palco, que contemplavam o espetáculo da vida logo à frente. Algumas donzelas choravam copiosamente, outras se puseram a correr para a saída e ainda houve as que foram acometidas por uma síncope. Os homens não faziam muito diferente disso, exceto aqueles que vieram para ajudar. Mas já era tarde – a emoção fora de tal magnitude, devido à tragédia encenada, que John Bailey fora mimoseado com um ataque cardíaco fulminante. Pobre John! Nem deu tempo de seus olhos verem as cortinas vermelhas serem fechadas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;No dia seguinte, as grandes cortinas seriam abertas novamente, e no outro, e no outro, e no outro... Afinal, o espetáculo haveria de continuar, com ou sem John Bailey. &lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2011/10/do-outro-lado-da-ribalta-carlos-eduardo.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjZN7R7XgFOBTmQvOsL6_3PFbtAxyMBhRJM801XGLNZLe5VLzUFW3jN1icXyFstTOVKCAIpe-LeaQ4V3LkqwrbYl3rDWCjSmqTyhsiOTYOca2QwF0xonyMuzRxpOumx2mrR8x4TGzuaQRWa/s72-c/Theatre.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-2538850616724153936</guid><pubDate>Thu, 22 Sep 2011 22:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-09-22T19:45:31.219-03:00</atom:updated><title>Uma missiva</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh9G2xDPyg6bWqYqxDbIhKOjncFwdDCNGB239YUkvXobzHsuk0FQEAauWTT1U_OvNERwPAcpdqEDA00jzHznlqNBf-IBcvxs-VO7Cpf4HASS-tVJL7uZn1oO-yG4oAE4KWbNacgzaR2CLFa/s1600/Silence___Final_Painting_by_anabagayan.jpg&quot; onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 285px; height: 400px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh9G2xDPyg6bWqYqxDbIhKOjncFwdDCNGB239YUkvXobzHsuk0FQEAauWTT1U_OvNERwPAcpdqEDA00jzHznlqNBf-IBcvxs-VO7Cpf4HASS-tVJL7uZn1oO-yG4oAE4KWbNacgzaR2CLFa/s400/Silence___Final_Painting_by_anabagayan.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5655310395066034930&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Para quem possa se interessar,&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Um dia desses, em meio a uma revista, lendo à revelia, completamente alheio ao mundo ao meu redor, que perseverava em interagir comigo, eu me deparei com um haicai, um daqueles poemas japoneses, feito por Carlos Vogt, que me chamou atenção. Apesar de singelo, constituído de três versos, como haveria de ser, e tecido com poucas palavras (nove para ser mais exato), ele transmitiu-me, paradoxalmente, um recado complexo e sábio. Eis:&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Falamos de tudo e ainda&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Há o que&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Silenciar&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Eu li e reli sem parar este poema, não consegui tirar os olhos do papel, da poesia, das palavras que dançavam, rodopiando em volta de si mesmas. Destrinchei-o em minha mente durante alguns minutos. E por que fez tanto sentido para mim? Acho que porque eu as absorvi, bem à minha maneira, no momento que mais precisava. Eu sou muito ansioso. Eu quero sempre as coisas para ontem. A paciência não é uma virtude que eu cultivo, mas que também nunca deixei de buscá-la. Eu sei muito bem o ganho que se tem quando a pachorra impera e a agitação se vai.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;De cara, podemos abstrair do haicai que o segredo sempre foi ouvir mais e falar menos. Bem, isso já não é mais segredo, é? Eu quero escutar mais ainda os outros e a mim também, ser menos impulsivo. Eu tento praticar isso diariamente. Os sábios, deveras, internalizaram a lição que diz que tudo tem o seu tempo. Eles sempre agem na hora exata e com justiça ou, às vezes, quando a situação pede, deixam de agir, propositadamente, de modo que o universo se encarregue dessa função. A passividade também pode ser uma arma poderosa.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Agora eu sinto que é hora de se calar, de pensar mais, de deixar de fazer, de esperar acontecer. Ineficaz, seria, seguir em frente, desembestado, já que não se pensou e aprendeu o suficiente. Seria, no mínimo, imprudente. Talvez, sejamos francos, pensar e aprender nunca serão o bastante.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Destrinchemos o haicai, devaneando um pouco mais: “Falamos de tudo...” e não falamos absolutamente nada ainda. Foi vazio, sem significado para quem falou e para quem ouviu, foi sem importância, não acrescentou em nada. Aquilo que realmente importa ainda há de ser feito... Mas será que precisa ser realmente falado? Em uma total falta de controle, “falamos de tudo”. Somos tão fracos assim para perdemos para nós mesmos sempre? Não precisaria ser assim. Agora, os últimos versos: “...ainda há o que silenciar” para acalmar o ser inquieto, impulsivo, preconceituoso e injusto dentro de nós e nos outros, contudo, é importante ser lembrado que ninguém muda ninguém. Toda mudança é feita de dentro para fora. Ajudar é possível,  querer mudar o outro, não. Queira contentar-se em promover apenas a sua transformação. Isso é o suficiente. Para finalizar, ainda há muito que fazer e estamos indo pelo caminho errado, também diz o poema. E nós? Nós continuamos nos iludindo neste interminável falatório sem sentido...&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Atenciosamente,&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Aquele que agora se silencia&lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2011/09/para-quem-possa-se-interessar-um-dia.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh9G2xDPyg6bWqYqxDbIhKOjncFwdDCNGB239YUkvXobzHsuk0FQEAauWTT1U_OvNERwPAcpdqEDA00jzHznlqNBf-IBcvxs-VO7Cpf4HASS-tVJL7uZn1oO-yG4oAE4KWbNacgzaR2CLFa/s72-c/Silence___Final_Painting_by_anabagayan.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-1253393066415098312</guid><pubDate>Thu, 11 Aug 2011 09:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-09-15T22:03:06.376-03:00</atom:updated><title>OS 10 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEc0SV2MG6AKLHf5xIE7ox94lB7zeIeEIVfzb-Ui3pxPJ7-C7mizAe00CndhCORnHMCGud9ww3jkCVhuqwG59Dz8WyVlybI2bFrwwzrZMCOyK1NjJomcH5tc217MgcviYNP0UuR9OJhAHu/s1600/Samuel+l+jackson.jpg&quot; onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5639536142201926194&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEc0SV2MG6AKLHf5xIE7ox94lB7zeIeEIVfzb-Ui3pxPJ7-C7mizAe00CndhCORnHMCGud9ww3jkCVhuqwG59Dz8WyVlybI2bFrwwzrZMCOyK1NjJomcH5tc217MgcviYNP0UuR9OJhAHu/s400/Samuel+l+jackson.jpg&quot; style=&quot;cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 200px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 240px;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
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Há muito tempo eu venho com uma ideia em mente – apontar os 10 melhores filmes que eu já vi. Tarefa dificílima essa, por isso protelei o quanto podia. No entanto, sempre chega uma hora peremptória, da qual não podemos mais fugir. E por que essa é uma tarefa ingrata? Primeiro porque há longas maravilhosos que são quase do mesmo nível em muitos aspectos, além do mais, é exatamente em seus pormenores, nas suas pequenas particularidades, que jazem suas qualidades, tornando cada filme uma produção em especial; logo, taxar um como o melhor entre seus congêneres pode ser um risco. Segundo porque o ser humano é muito volátil, o que gera mudanças constantes. Hoje nós afirmamos isto, amanhã, quando tão distante, começamos a duvidar de nossas certezas e começamos a asseverar outra coisa mais atraente. A grande verdade é que filmes, livros, artes em geral entre outros podem ser revisitados e, a cada releitura, somos presenteados com novos ângulos, novas descobertas. E terceiro porque escolhas, gostos são subjetivos, não havendo necessidade de se ter que obrigatoriamente chegar a um denominador comum. &lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Eu amo assistir a filmes e os vejo quase que diariamente desde que me conheço por gente. Que fique bem claro que não tenho pretensão de ser crítico de cinema, muito menos gabarito ou qualquer estudo no ramo. Aponto aqui, sem vocabulário técnico da área, um top 10 juntamente com a explicação do por que são, sob minha visão amadora, os melhores. Valho-me de meus subterfúgios e ratifico que estou em terreno pantanoso aqui, arrisco-me, contudo, por um bem maior – retribuir as horas inestimáveis e prazerosas que tive com tais produções. Eis o meu modo singelo de homenageá-los:&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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10º lugar: Uma animação nesta lista? Com certeza. “&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;Mary and Max&lt;/span&gt;” é um longa que mexe com qualquer um. É o tipo de filme que toca no fundo da alma de maneira sutil e esperta (abusando das ironias) e que nos faz refletir profundamente. Por vezes, esquecemo-nos que somos todos seres complexos com problemas internos e externos. Esta animação lembra-nos disso enquanto nos apresenta a improvável amizade epistolar entre a garotinha australiana Mary e o americano obeso Max. O olhar em direção aos seres humanos tende a ficar um pouco mais cauteloso e melancólico depois de conferida essa produção.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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9º lugar: Um desenho no top 10? Sim, não poderia deixar de colocar “&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;A viagem de Chihiru&lt;/span&gt;” nesta lista. Esse filme japonês surreal é uma obra de arte. Foi quase todo pintado a mão, tirando uns três efeitos de computação gráfica. A trilha sonora é linda e cativante. A história, apesar de parecer boba a primeira vista, é uma saga que prende do começo ao fim, uma lição de vida repleta de metáforas poderosas. Um longa-metragem que trata de identidade própria, amadurecimento, amizade, honra, cultura, regras sociais, ganância, materialismo, espiritismo entre outros assuntos. Imperdível!&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
8º lugar: Pela sua importância e originalidade para época, eu jamais poderia deixar de citar o tão aclamado “&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;Cidadão Kane&lt;/span&gt;”, de 1941. O filme quebrou paradigmas – foi o primeiro a inverter a ordem cronológica da narrativa (usando flashbacks) e um dos primeiros a usar certas angulações de posicionamento de câmera (como a cena de restaurante, filmada de cima para baixo no começo de seu quadro. A história é bem costurada, as personagens são apresentadas de maneira coerente e coesa, as atuações são ótimas e o final é revelador. É, sem dúvida, um clássico que não pode deixar de ser visto. &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
7º lugar: Eu acredito muito em frases de efeito ou motivacionais. A Teoria Behaviorista, aliás, dá base a minha crença. “&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;Rocky, um lutador&lt;/span&gt;”, 1976, entra em meu top 10 também por isso. O filme, conforme já havia escrito aqui no blog, funciona de certa forma como uma poderosa arma motivacional ao mostrar a história de Rocky Balboa, um pária social, um analfabeto que vive de bicos e que supera, através de muita determinação, o seu destino miserável, ao provar para ele mesmo que quando se quer, pode-se tudo. A trilha sonora é, como em qualquer filme respeitado, sensacional. Ganhador do Oscar de 1977.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
6º lugar: Eu vou trapacear um pouco e, desde já, peço perdão por isso, mas eu não posso deixar de vincular uma obra a outra. O “&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;Poderoso Chefão I&lt;/span&gt;” e &lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;II&lt;/span&gt; são filmes distintos, mas funcionariam perfeitamente se tivessem 6 horas e pouco de vez, como se fossem um só! Ambos são igualmente fantásticos. Os filmes são clássicos obrigatórios e só por essa razão já mereciam estar aqui, mas há muito mais: a atuação fenomenal de Marlon Brando no primeiro, a trilha sonora imortal, a história bem costurada, o suspense em dose cavalar em tempo perfeito, a violência justificada e estilizada, entre outros aspectos que tomariam linhas e mais linhas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
5º lugar: Você já ouviu que jamais devemos julgar um livro pela capa? Pois é, aqui vai um exemplo disso: um filme japonês que pela sinopse parece melodrama puro, de história fraca e narrativa claudicante e ainda com promessas daquelas musiquinhas irritantes e insistentes. Bem, parece isso em princípio, mas eu garanto que não é. “&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;A partida&lt;/span&gt;” é um filme lindo, maravilhoso, que faz as lágrimas correrem fácil. A trilha sonora é do fantástico Joe Hisaishi, o mesmo de “A viagem de Chihiru”, que também está neste top 10 e a narrativa é envolvente e emocionante. E eu que nunca havia nem sequer imaginado que até na morte poderia haver poesia e arte. Lindo de morrer! &lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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4º lugar: O que posso dizer sobre este filme? Simplesmente arrebatador, contundente, tocante ao extremo e inesquecível. “&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;A lista Schindler&lt;/span&gt;” é realmente maravilhoso. Steven Spielberg dá um show de direção nesse longa. A sua mão atuante, o seu toque mágico, é sentido do começo ao fim. Cada detalhe, cada fiapo de emoção que ele pode nos passar, ele capturou e transmitiu. A menina de vestido vermelho em meio ao resto em preto e branco é coisa de outro mundo (o filme todo é, propositalmente, em preto e branco trabalhado). &lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
3º lugar: Este filme é, sobretudo, comovente. Não há como deixar de se emocionar com a história de vida de nosso personagem principal, Forrest Gump, que também dá nome ao filme. “&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;Forrest Gump – o contador de histórias&lt;/span&gt;” é uma aula sobre como montar magistralmente uma narrativa épica. Mostrar a vida de um sujeito comum, que tinha tudo para passar a vida “invisível” (haja vista o seu baixo Q.I.), vivenciando uma parte importante da história norte-americana (através de efeitos especiais meticulosos e audaciosos para a época), sendo o protagonista (de forma dramática, divertida e romântica) por onde quer que fosse, é uma grande sacada. O roteiro, a trilha sonora, as atuações de Sally Field, Gary Sinise e, principalmente, Tom Hanks são fenomenais. “A vida é como uma caixinha de surpresas”. Esse filme é, deveras, uma surpresa grata! &lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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2º lugar: Quentin Tarantino é um dos meus diretores prediletos, pela sua genialidade, atitude, extravagância e originalidade. O filme “&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;Pulp Fiction – tempo de violência&lt;/span&gt;” possui tudo isso e mais um pouco. O modo como ele tece a história é fenomenal. A violência sanguinária e precisa mais uma vez é a assinatura de Tarantino. Os diálogos são ágeis, divertidos e impagáveis. A trilha sonora, como na maioria de seus filmes, é esplêndida. A atuação de John Travolta, até então desacreditado e no ostracismo (talvez devido ao seu ganho de peso na época), é resgatado por Quentin e tem uma atuação maravilhosa. Samuel L. Jackson, um dos meus atores preferidos, não fica nada atrás e dá um show.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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1º lugar: Eu vi esta obra de arte pela primeira vez no ano de seu lançamento – 1994. Foi um ano de excelentes produções (“Pulp Fiction” e “Forrest Gump”, por exemplo). Contava, naquela época, quatorze anos. Apesar da imaturidade e falta de experiência, foi exatamente ao término de sua primeira exibição que decidi que aquele seria o filme de minha vida, o número um! “&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;Um Sonho de Liberdade&lt;/span&gt;” (The Shawshank Redemption) de Frank Darabont. Direção e roteiro perfeitos. A história é emocionante e prende do começo ao fim, através das duas horas e vinte dois minutos. A trilha sonora é maravilhosa.  Morgan Freeman é um dos melhores atores norte-americanos que existe e no filme, como não poderia deixar de ser, a sua atuação é fenomenal, assim como a de Tim Robbins, personagem principal. Tudo se encaixa perfeitamente para que a engrenagem funcione e nos seja proporcionado um espetáculo emocionante e inesquecível, fazendo desse longa-metragem o melhor filme de todos os tempos! &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nem eu pude acreditar que deixei algumas outras obras geniais de fora como O último dos Moicanos, Star Wars IV, uma nova esperança, de 1977 e Star Wars V, O Império contra-ataca, O sol é para todos, Réquiem para um sonho, Lawrence da Arábia, A felicidade não se compra, Cães de aluguel, Kill Bill, Bastardos inglórios, Indiana Jones e os caçadores da arca perdida, Psicose, de 1960, A vida dos outros, O efeito borboleta, alguns filmes de Pedro Almodóvar, Woody Allen e Clint Eastwood, Clube da luta, O labirinto do Fauno, Um estranho no ninho, Os bons companheiros, Dogville, Closer, Beleza americana, Laranja mecânica, À espera de um milagre, Donnie Darko, O túmulo dos vaga-lumes e por aí vai. Lamento imensamente essas ausências e tantas outras. Enfim, deixo, então, a minha homenagem com que eu tinha de melhor. &lt;/div&gt;
</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2011/08/os-10-melhores-filmes-de-todos-os.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEc0SV2MG6AKLHf5xIE7ox94lB7zeIeEIVfzb-Ui3pxPJ7-C7mizAe00CndhCORnHMCGud9ww3jkCVhuqwG59Dz8WyVlybI2bFrwwzrZMCOyK1NjJomcH5tc217MgcviYNP0UuR9OJhAHu/s72-c/Samuel+l+jackson.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-2611526729306007529</guid><pubDate>Mon, 11 Jul 2011 16:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-07-12T22:12:53.640-03:00</atom:updated><title>Indicação de ótimas músicas pouco conhecidas (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4BLXZ-DYkLa163t0GhpGKpG6-3X7XKJcM6s2-V2L1Lw7opt46JDoVkFDS6pWFo2nWgdH2Qb_Sa7Y739uOgEETiYiFgGVNjMW_3ToF37h7UoOIHitWGHA9k957k0cwuN21AHKrYUf5Z2-P/s1600/DJ.jpg&quot; onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4BLXZ-DYkLa163t0GhpGKpG6-3X7XKJcM6s2-V2L1Lw7opt46JDoVkFDS6pWFo2nWgdH2Qb_Sa7Y739uOgEETiYiFgGVNjMW_3ToF37h7UoOIHitWGHA9k957k0cwuN21AHKrYUf5Z2-P/s400/DJ.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5628138793459975778&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Algumas pessoas têm medo ou se sentem desconfortáveis em experimentar coisas novas, abrir novos horizontes, quebrar paradigmas, ousar. Calma! Eu não me refiro aos inúmeros tipos de drogas ou aos diversos tipos de relações sexuais ou quaisquer coisas parecidas. Músicas, é apenas isso! Muitos escutam os mesmos sons sistematicamente. E quando ouvem algo novo, são os trabalhos recém-lançados de seus músicos preferidos. A velha segurança e conforto. Nada seria diferente nesse ramo! Indico aqui, portanto, ótimas produções desconhecidas por muitos (apesar de algumas serem famosíssimas!). Bem, seja qual for o seu estilo e a sua idade, aqui tem para todos os gostos e esta é uma excelente oportunidade de abrir seu leque musical. Heavy metal, MPB, pop, folk, dance, romântica, eletrônica, rock progressivo, alternativo e indie, reggae, gospel, instrumental clássica erudita ou new age e por aí vai. Mas, além da experimentação, por que ouvir tais músicas? Algumas possuem uma letra bem elaborada e profunda, é o caso de “Juvenília” do RPM e “Simple man” do Lynard Skynyrd (grupo muito conhecido nos EUA), só para ficar com esses dois. Outras têm arranjos de guitarra excelentes, como “Sweet home Alabama” também do Lynard Skynyrd e “Why don&#39;t you and I” de Chad Kroeger e Carlos Santana. Se você procura uma música suave e maravilhosa para acalmar a alma, há, por exemplo, o excelente instrumental “Memory” de Joe Hisaishi. Ou quem sabe algo mais agitado, como um heavy metal? “Barracuda” do Heart e “Dr. Phibes rises again” do Misfits são possíveis respostas para a pergunta. Já se a preferência for por um som mais romântico, opte por “Unwell” e “If you’re gone” do Matchbox 20, para exemplificar. Na verdade, existem muitos outros motivos para se ouvir as músicas listadas abaixo. O certo é que há indicações de músicas maravilhosas aqui. E há outra certeza: de alguma delas, você vai gostar seja qual for o seu estilo!&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Rise”, “Better days” e “Hard sun” de Eddie Vedder;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Hey there Delilah” do  Plain White T&#39;s;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Just feel better” de Steven Tyler e Carlos Santana;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Walking on a dream” do Empire of the sun;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Shooting stars” do Bag Raiders;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Why don&#39;t you and I” de Chad Kroeger e Carlos Santana;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Elephant gun” do Beirut;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Barracuda” do Heart;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Dr. Phibes rises again” do Misfits; &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Sweet Home Alabama”, “Freebird” e “Simple man” do Lynard Skynyrd; &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Color blind” do The Counting Crows;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“December”, Collective Soul;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“King without a crown” do Matisyahu; &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Old habbits die hard” de Mick Jagger e Sheryl Crow; &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“One track mind” do Motorhead; &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Hurdy gurdy man” do Donovan;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Beautiful” do Marillion;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Unwell” e “If You&#39;re Gone”  do Matchbox 20;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Home sweet home” do Motley Crue;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Silent morning” do Noel;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Major tom” de Peter Schilling;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Silent lucidity” do Queensryche;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“O que eu também não entendo” do Jota Quest;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Números” do Engenheiros do Hawaii;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Sangue latino” dos Secos &amp;amp; Molhados;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“É tão normal ser feliz” do Catedral;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Panis Et Circenses” do  Mutantes;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Asa morena” com Zizi Possi;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Os cegos do castelo” do Titãs;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Juvenília” do RPM;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Telegrama” do Zeca Baleiro;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Volta por cima” de Noite Ilustrada;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Dakota” do Stereophonics;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Tonight I Have to leave it” do Shout out Louds;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Runaway Train” do Soul Asylum;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Tainted Love” do Softcell;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Come sail away”, do Styx;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Wake up” do Arcade Fire;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“MmmmmMmmmmMmmmmMmmmm&quot; do Crash Test Dummies &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Girl, you&#39;ll be a woman soon” com Urge Overkill;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Hey” do The Pixies;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Reflections of my life” do Marmalade;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“I am not a robot” de Marina and The Diamonds; &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Mercy street” de  Peter Gabriel; &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“L&#39;amour est bleu” do Vicky Leandros;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“The lonely shepherd” do  Zamfir;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“The drugs don&#39;t work” do  The Verve;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Handle with care” do The Travelling Wilburys;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Teahouse of the spirits” do  The Panic Channel;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Kiss me” do  Six Pence None The Richer;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Tiny dancer” de Elton John&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;(&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;Instrumentais&lt;/span&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Gonna Fly Now” e “Going the distance” de Bill Conti (Rocky Theme I e II);&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Forrest Gump theme” de Alan Silvestri ;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Last of the Mohicans promentory theme” de Trevor Jones;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Top Gun theme” de Harold Faltermeyer &amp;amp; Steve Stevens ;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Braveheart theme” de Enya;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Theme from summer place” de Percy Faith;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Pachelbel&#39;s Canon in D major” de Johann Sebastian Bach; &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Memory” (Departures theme) e “One summer&#39;s day” (Spirited away Theme)   de Joe Hisaishi;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;“Sleep walk” de Santo &amp;amp; Johnny.&lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2011/07/indicacao-de-otimas-musicas-pouco.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4BLXZ-DYkLa163t0GhpGKpG6-3X7XKJcM6s2-V2L1Lw7opt46JDoVkFDS6pWFo2nWgdH2Qb_Sa7Y739uOgEETiYiFgGVNjMW_3ToF37h7UoOIHitWGHA9k957k0cwuN21AHKrYUf5Z2-P/s72-c/DJ.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-6491356040313957044</guid><pubDate>Fri, 08 Jul 2011 13:43:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-07-09T09:58:19.355-03:00</atom:updated><title>The birthday party weeping (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgysrKl3VEzwFi0dpfi7t5i8o85AAs4g5v3GsxIPQ36OrSciSnjTr0A-NylnGZay2Cg-oMwdUwENMxJImWDmcXg4p5zdiM4COmkiu5IqzBeOQb_jqhra3wSo5YB9ABCy8sowLz8xmEcUO0V/s1600/tears+and+cake.JPG&quot; onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 308px; height: 400px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgysrKl3VEzwFi0dpfi7t5i8o85AAs4g5v3GsxIPQ36OrSciSnjTr0A-NylnGZay2Cg-oMwdUwENMxJImWDmcXg4p5zdiM4COmkiu5IqzBeOQb_jqhra3wSo5YB9ABCy8sowLz8xmEcUO0V/s400/tears+and+cake.JPG&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5626977770036417154&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;I have never understood the reason why my mother used to cry at every birthday party she had. I remember it thoroughly. The guests would be ready to sing happy birthday around the set table. The lit candles on the cake. The lights off. My mon at the center. And when they would start to perform the song and clap their hands with their cheerful faces, she would weep like a little child. It just didn’t make any sense to me. &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Family and friends were all gathered, sharing the moment, blissfulness and mainly food. By the way, food was always spectacular. We weren’t around it, actually it was the dainty that was everywhere and it was all around us. We always caught up with stuffed mouth. People just couldn’t help eating and talking all the time. So, you tell me, is there any reason to cry?&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;We barely had beverages at our birthday parties. Alcohol wasn’t too much appreciated in our family. We weren’t religious people; we just didn’t like to drink. My father just kept some buzzes in the fridge for a few guests and they would seldom ask for it. And eventually when they would ask for a six-pack, it was ruled by them. So, what I really mean is drunkenness was never a problem. Would you find a reason now?&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Debts? We didn’t have any debts. My father would always pay the bills. We just owned the things we could afford, it was one of the rules. In fact, money wasn&#39;t a problem either, although we were not rich; we were middle class. Some families can deal with incomes better than others, that’s it. The balance has always been positive since I know myself. I know myself indeed… Well, at least, I ought to know myself. Maybe I didn’t really know my mother as much as I presumed. &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Perhaps you fancy my mom was a depressive person or something alike at this point, but I can assure you got it wrong. She was a very happy and extroverted woman. She was always laughing at something, besides she was talkative. She would talk for hours. She loved life too much. May you give me a clue pointing out the reason why she would cry then?&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;My mom and daddy loved one another. They barely had an argument. They understood each other and accepted the differences; another rule in order to maintain a good marriage.  Our family was great. We were always together. We were like one all the time. My family was perfect inside imperfection. For crying out loud, I can’t figure out the reason she acted like that!&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Please you dare not tell me she used to cry for she was glad. I have never accepted the idea one also cries for glee. Her weeping wasn’t caused by external factors, like cutting up an onion. It came from inside. Her tears were produced in the grip of an extreme emotion and it wasn&#39;t she getting older. It obviously had a greater reason.  Something must be wrong whenever you dry out emotional tears. What wasn’t I capable to find out then? &lt;/div&gt; &lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;It is possible I shall die without knowing the real answer for my question since she is gone. I have never asked her to give any explanation and it is impossible for me to do it in the present. I am so sorry for it. Yesterday it was my first birthday party after she passed away. It was so strange, but I must admit I shed a great amount of tears when they were clapping their hands and singing happy birthday…  Maybe I am starting to learn some things… &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;To a special friend. &lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2011/07/birthday-party-doubt-carlos-eduardo-f-m.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgysrKl3VEzwFi0dpfi7t5i8o85AAs4g5v3GsxIPQ36OrSciSnjTr0A-NylnGZay2Cg-oMwdUwENMxJImWDmcXg4p5zdiM4COmkiu5IqzBeOQb_jqhra3wSo5YB9ABCy8sowLz8xmEcUO0V/s72-c/tears+and+cake.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-1150231840034464681</guid><pubDate>Sat, 18 Jun 2011 16:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-06-27T08:12:16.948-03:00</atom:updated><title>Uma nova experiência (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi6Yb1RsRyzwgCcU1pRb8Ef-JUr7l_tsxaEml7lEmD9G6w8OSzV2iXDcMKwyazixMyzNVhLR6kRxmd5igY3MEsjbd1dQp8RGPOtgqjC7wIUKj-YlQwlSW9AH7IAfrdEXRgUNiqb8ucdYsuw/s1600/motel_neon.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px; display: block; height: 188px;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5619602469683782882&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi6Yb1RsRyzwgCcU1pRb8Ef-JUr7l_tsxaEml7lEmD9G6w8OSzV2iXDcMKwyazixMyzNVhLR6kRxmd5igY3MEsjbd1dQp8RGPOtgqjC7wIUKj-YlQwlSW9AH7IAfrdEXRgUNiqb8ucdYsuw/s400/motel_neon.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;As luzes vermelhas de neon piscavam incessantemente na placa. A palavra “motel” reluzia ao longe, ofertando um convite libidinoso àqueles que ousassem encará-la. “Penetre-me, o prazer jaz aqui”, sussurrava a placa fogosa ao pé dos ouvidos dos mais incautos. E quantos caiam, diariamente, nas teias daquela chamada luxuriante e hipnótica. Esta é uma amostra da vida de seu Borges, um desses homens ingênuos e desejosos, que estava, nos últimos meses, a procura de novas experiências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante cerca de oito meses, seu Borges encarava a placa do motel e ouvia dela promessas indecentes, lascívias tentadoras. Em seu interior, o motel prometia-lhe momentos indescritíveis. “Dentro de mim, não há limites! Você pode tudo! E sabe o que mais? Será um segredo só nosso!”, atormentava-lhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinte longos anos de um casamento sem graça e reprimido. Um matrimônio preenchido com um respeito quase sacro, construído sobre paradigmas morais e sociais, salpicado com restolhos de sexo maquinal e envolto na completa ausência de amor. Agora, divorciado, e com uma nova companheira, seu Borges decidira que não seria privado de mais nada. Todos os seus desejos e vontades reprimidas haveriam de vir à tona para, então, serem saciados. Afinal, conforme alguns diziam, a vida é curta e só se vive uma vez. Até agora, ele não havia vivido. “Talvez, a vida fosse para poucos”, pensava eventualmente. Impulsionado, portanto, por essa revolta impregnada de uma obscura opressão matrimonial experimentada por anos e por um desejo inquietante de conhecer as entranhas do motel e suas promessas promíscuas é que seu Borges muniu-se de coragem e foi fazer o convite à nova parceira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa, deitado na cama de casal ao lado da amada, seu Borges permaneceu calado por um instante. A verdade é que a repressão deixara-lhe máculas, apesar dele querer ser um novo homem. Pensou na reação da cúmplice ao receber a proposta e até mesmo como seria o seu comportamento em caso de recusa por parte dela, já que seu querer era quase insuportável. Enfim, após certo hiato, como se tivesse tido a ousadia de jogar-se de um precipício, as primeiras palavras foram disparadas como uma rajada de balas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Escute-me, amor, eu preciso lhe falar – as palmas das mãos e os solados dos pés umedeceram. – Já há alguns meses, eu quero lhe propor algo, uma ideia que fica me afligindo – seu constrangimento era evidente. – Você sabe que no caminho para o meu trabalho, eu sempre passo pela Avenida Ambrósia, não é? – a parceira fitava-o com certa indiferença. – E lá há um motel... Pois bem, nós nunca fomos a um motel... Eu mesmo nunca fui a um motel... Enfim, eu acho que seria bom para o começo de nosso relacionamento – sentenciou finalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela continuou a encará-lo, aparentemente alheia a proposta, no entanto, o silêncio foi entendido por ele como se ela tivesse assentido. A ordem foi dada e seria cumprida. O homem regozijou-se instantaneamente. Agora seu mundo estava completo. Uma satisfação predadora chacoalhou suas bases. Seu desejo recôndito seria realizado finalmente. Beijou-a, acariciou-a e ficou abraçado com ela por um longo período. Naquele momento, ele teve a certeza que havia feito a escolha certa. Ali na cama, ao seu lado, a melhor companheira que poderia ter para toda a vida; afinal, ela jamais lhe negaria coisa alguma. Não senhor, ele nunca seria contrariado por aquela amável boneca inflável. &lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2011/06/uma-nova-experiencia-carlos-eduardo-f-m.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi6Yb1RsRyzwgCcU1pRb8Ef-JUr7l_tsxaEml7lEmD9G6w8OSzV2iXDcMKwyazixMyzNVhLR6kRxmd5igY3MEsjbd1dQp8RGPOtgqjC7wIUKj-YlQwlSW9AH7IAfrdEXRgUNiqb8ucdYsuw/s72-c/motel_neon.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>9</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-2951642581784211719</guid><pubDate>Sat, 11 Jun 2011 14:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-06-14T22:25:07.116-03:00</atom:updated><title>Você (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg6ulAk6iCyBLubUipvmSNyv4Bj5nD1o2SUnCPIO-KDspzpGco0CinSrGkOwf_-QAe4YRQdzQiQcKOx40PmmS5WJ6fUxF2UqmBunCKe27HXQkeYFZ49u0E0NYj10HSv5h6Kpz1yo83_Ujla/s1600/homer.bmp&quot;&gt;&lt;img style=&quot;TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 221px; DISPLAY: block; HEIGHT: 229px; CURSOR: hand&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5616967317848334834&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg6ulAk6iCyBLubUipvmSNyv4Bj5nD1o2SUnCPIO-KDspzpGco0CinSrGkOwf_-QAe4YRQdzQiQcKOx40PmmS5WJ6fUxF2UqmBunCKe27HXQkeYFZ49u0E0NYj10HSv5h6Kpz1yo83_Ujla/s400/homer.bmp&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que eu nunca disse, apesar de Você sempre ter merecido, o qual essencial e especial é Você. Perdoe-me. Não foi esquecimento de minha parte; eu apenas não tinha ciência àquela época. Talvez estivesse olhando apenas para minhas mazelas. Fui egoísta, eu sei. Veja só eu me colocando em primeiro plano novamente, sem pensar! Isto é para Você, somente para Você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que Você vivenciou e sabe é pura sabedoria. Os outros aprendem com Você sem notar. Seus ensinamentos são gratuitos. É fantástico! Você também ajuda de diversas maneiras. Ergue pessoas e salva várias vidas diariamente sem perceber. Fico pensando se Você sabe. Gostaria que tivesse certeza disso. Peço que não fique triste com aqueles que não veem isso agora. Um dia eles reconhecerão a Sua importância e grandeza, assim como eu reconheço agora. De qualquer forma, agradeço, desde já, em nome de todos – muito obrigado por tudo, do fundo do coração e da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora eu vejo claramente qual é o seu papel neste palco. Tudo é sobre Você. Você é o centro de tudo. Você tem a força, o poder de fazer tudo acontecer. As coisas acontecem porque Você quer. Você tem vencido tantas batalhas, uma após outra, sem trégua. Você tem bravura e garra e prossegue sem descanso. Além do mais, Você está em diversos lugares ao mesmo tempo. Nada é impossível para Você. Que imensa capacidade e, sobretudo, responsabilidade Você tem! Você me deixa orgulhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você é original, não há copias! Nunca houve e nunca haverá alguém igual a Você, sabia? Por isso, quando Você se for, a perda será inestimável, não haverá mais Você neste mundo. Infelizmente Você é um ser humano e, um dia, padecerá. Como é lamentável o fato de não existir imortalidade aqui! No entanto, eu tenho absoluta convicção que, mesmo após a Sua ida, todos se lembrarão de Você, dos Seus feitos, afinal, Você já é uma lenda! Mas não quero nem mais pensar nisso. Não preciso me preocupar neste momento, pois Você está aqui agora. Sim, ainda está e faz toda a diferença! Então, não percamos tempos com quaisquer outras coisas que não sejam Você aqui e agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamento por esta homenagem singela e curta. São apenas palavras e elas são inexpressivas ante a Sua representação, não importando quantas linhas fossem tecidas. Gostaria apenas que tais palavras agissem como flechas que fossem disparadas bem direto em Seu cerne para que sinta o quão importante Você é. Enfim, um brinde a Você. Você realmente merece!&lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2011/06/voce-carlos-eduardo-f-m.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg6ulAk6iCyBLubUipvmSNyv4Bj5nD1o2SUnCPIO-KDspzpGco0CinSrGkOwf_-QAe4YRQdzQiQcKOx40PmmS5WJ6fUxF2UqmBunCKe27HXQkeYFZ49u0E0NYj10HSv5h6Kpz1yo83_Ujla/s72-c/homer.bmp" height="72" width="72"/><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-5427013414492852186</guid><pubDate>Fri, 27 May 2011 00:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-06-07T09:08:30.642-03:00</atom:updated><title>A prisão (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEghKZTxNk9c_GyTBg8GxAJGAZ-or67V-3fbaaZGINPob9N7cSVqiEOjCEEqyq1y2EHrxJr9uteB0owaBbzIPht-iJFqfg9PYSol6shDTvvSDRcT5PMj_0BvF9AzpkFz6d2w4m4EzVgSC8nX/s1600/prisao.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 295px; display: block; height: 320px;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5611191014683856354&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEghKZTxNk9c_GyTBg8GxAJGAZ-or67V-3fbaaZGINPob9N7cSVqiEOjCEEqyq1y2EHrxJr9uteB0owaBbzIPht-iJFqfg9PYSol6shDTvvSDRcT5PMj_0BvF9AzpkFz6d2w4m4EzVgSC8nX/s320/prisao.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;De onde estava, através das grades da janela, Josefina via parte da rua. Exatamente por não poder ir até lá fora, cerceada de liberdade, é que tudo parecia e, talvez, até fosse, deveras, surreal. A araucária imponente da calçada projetava a sua sombra fria no asfalto; transeuntes seguiam com as cabeças arqueadas, queixos enterrados nos bustos e mãos escondidas dentro de indumentárias pesadas, devido ao frio; uma sacola plástica bailava ao bel-prazer do vento sul daquela manhã gélida; um vira-lata delgado, com pontos de sarda na pele, saltitava cambaleante – a sua pata traseira parecia estar ferida e, por um instante apenas, ele parou, cheirou o tronco da árvore, girou a cabeça erigida e encarou a presa. O pobre animal parecia se apiedar dela. “A vida burlesca de Josefina”, ponderou ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali, trancafiada sob a égide de quatro paredes, às vezes, o tempo para Josefina passava como uma lesma reumática. Já em outros períodos, a sua vivência parecia estranhamente atemporal e, portanto, indistinta e sem sentido. Mas, naquele momento, à medida que contemplava a rua, o tempo seguia de forma flexível, do jeito que mais lhe apetecia, num ritmo mais serelepe e generoso. Ela, no entanto, decidira há uma década que não mais se ocuparia de cuidar dele, simplesmente porque não valia a pena dar atenção a esse algoz impiedoso e insensato – chega de ceder aos seus caprichos, não vai mais me maltratar – disse resoluta à época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Josefina encontrara algo bem melhor para cuidar nos últimos tempos – assistir a como tudo e todos reagiam a um bem precioso, do qual ela era privada há mais de quinze anos – a liberdade. Da janela, ela tinha uma pequena amostra disso. Há poucos dias, na parte da tarde, uma senhora rechonchuda e baixinha que aparentava ter uns oitenta anos andava com sua coluna inclinada, vagarosamente, tentando juntar fragmentos de tudo que foi um dia. A velha parava a quase todo o momento e se recostava no muro das casas. Àquela distância, Josefina não conseguia precisar bem o olhar da idosa, mas poderia jurar que era tétrico. Os cabelos grisalhos e lisos presos, o suéter azul-marinho e os sapatos e as meias longas pretas quase até os joelhos davam-lhe ares de matriarca italiana. Fosse como fosse, a liberdade da idosa parecia ser arruinada pela velhice do fim da vida, analisou a encarcerada. Era uma vida sem vida na rua, debilitada por um inimigo em comum – o tempo. Era difícil, Josefina admitia, não pensar nele e se render aos seus caprichos. O cachorro do dia de hoje, lembrou, que tinha a pata ferida, que era acometido pelas chagas no corpo débil e por toda a miséria na qual vivia, tudo tolhia a sua liberdade. As próprias pessoas que transitavam pela rua seguiam perdidas, com frio, aterradas em seus medos distintos, ignorantes e com suas idiossincrasias, que liberdade elas possuíam? Josefina seguia filosofando, da prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não houve surpresa quando, após certo tempo, os resultados parciais de sua análise vieram aos olhos, confirmando que ela não poderia ser tão infeliz quanto supunha, pois nem ela, muito menos ninguém possuía a liberdade em sua essência. Tal suposição, nascida, sobretudo, da analogia, trouxe-lhe alívio. Ela precisava disso para continuar vivendo. Contudo, nada tiraria a angústia cravada em seu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria melhor viver de ilusões, sem consciência e chafurdado em alienação? Há escolha de verdade ou decide-se por nós? Fiz realmente alguma coisa para estar presa ou fizeram comigo? O inferno é aqui? Tais perguntas espetavam-lhe a cabeça a todo o momento. A sua existência e a dos outros quase se mesclavam em uma só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pobre Josefina, ela continuava, através da janela de seu apartamento, a analisar a amostra de vida lá em baixo. De sua cadeira de rodas, presa em seu próprio corpo, tudo parecia ainda mais carente de liberdade. &lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2011/05/prisao-carlos-eduardo-f-m.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEghKZTxNk9c_GyTBg8GxAJGAZ-or67V-3fbaaZGINPob9N7cSVqiEOjCEEqyq1y2EHrxJr9uteB0owaBbzIPht-iJFqfg9PYSol6shDTvvSDRcT5PMj_0BvF9AzpkFz6d2w4m4EzVgSC8nX/s72-c/prisao.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-5609364474691652561</guid><pubDate>Sun, 01 May 2011 11:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-05-01T09:37:34.262-03:00</atom:updated><title>Uma questão de escolha (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjwhafXmf-RdPYiZu9g8tbV8r75hn6V01-lyE2N4iAINazRg7cZa-fQ2GJXddGG6T7g3mn068qriXf33SpmoFlNFiMxyhbDgA-vJc8uUaUJZsLAf6QCbCsOl-YSgXm-7yi20JtBoWPlz-Fh/s1600/scotch%252520whisky.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 234px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5601712184841617154&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjwhafXmf-RdPYiZu9g8tbV8r75hn6V01-lyE2N4iAINazRg7cZa-fQ2GJXddGG6T7g3mn068qriXf33SpmoFlNFiMxyhbDgA-vJc8uUaUJZsLAf6QCbCsOl-YSgXm-7yi20JtBoWPlz-Fh/s320/scotch%252520whisky.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Havia um dilema em curso entre os melhores amigos, João e Gilberto, uma discussão trivial e infundada que corroia aos poucos tal amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João declarara que a melhor cachaça existente no mundo era a Córrego Redonda. Esse depoimento causou um mal-estar em Gilberto, que objetou, contra-argumentando que a melhor pinga do mundo era, na verdade, a Cana-de-mel. É evidente que, por serem amigos de longa data, um sabia da preferência etílica do outro, mas quando começaram a existir comentários declarados sobre isso, os problemas vieram à tona. A vaidade de um, o orgulho do outro, o egoísmo e a ignorância dos dois engrossaram o caldo da querela de vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não seja estúpido! A Córrego Redonda, perdão pelo trocadilho, desce redondo pela garganta, não queima, ao contrário do seu querosene – disse João ao amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Como pode ser tão imbecil? É sabido que a Cana-de-mel é cana pura e de melhor qualidade! – devolveu Gilberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim continuavam brigando e bebendo, cada um a sua cachaça preferida. Porém, um dia, cansado daquela discussão estapafúrdia, Jorge, um amigo em comum das partes, apareceu com uma ideia para acabar de vez com aquele imbróglio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Escutem-me, vocês dois. Eu já sei como resolver este impasse. É fácil de entender, basta que prestem atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pois então diga logo de uma vez, homem de Deus! – exclamou Gilberto, impaciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para resolvermos qual cachaça é a melhor, basta que me coloquem como juiz. Então, no próximo domingo de manhã, eu vendarei os senhores e mais alguns frequentadores assíduos aqui do bar da cidade e os servirei com um copo de cada aguardente que vocês consideram a melhor, sem que qualquer um de vocês saiba, é evidente, em qual copo se encontra cada uma das cachaças. O resultado será decidido pela maioria dos bebedores, através de votação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Brilhante ideia, meu caro companheiro! Eu concordo – declarou João.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas só uma pergunta – fez Gilberto. – E se der empate?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não dará – afirmou Jorge pacientemente. – Na verdade, eu já pensei sobre isso – disse orgulhoso, segurando um sorriso no canto do lábio direito. – Eu convocarei um número ímpar de bebedores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Se for assim, eu estou de acordo também – finalizou Gilberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domingo marcado, no local e hora combinados, encontravam-se Jorge, o juiz, João e Gilberto, as duas partes requerentes, Seu Firmino, o dono do bar, os cachaceiros de plantão e certa plateia, o júri testemunhal, por assim dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge começou por vendar João e Gilberto, colocando-os sentados à mesa do centro, frente a frente. Posicionou três copos vazios na frente de cada um dos amigos. Depois vendou os sete bebedores que ali se encontravam e os assentou em seus lugares, espalhando também três copos na frente de cada um. Logo após, ordenou que o dono do estabelecimento trouxesse uma garrafa de cada aguardente preferida dos dois queixosos, assim também como uma garrafa de água com gás. Para finalizar, encheu os copos laterais de cada bebedor com as cachaças escolhidas e as do meio com a água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Muito bem. Todos nós sabemos o porquê estamos aqui reunidos hoje, diferente dos outros domingos, nos quais não tínhamos razões aparentes para bebermos – discursou Jorge, com certa pompa e circunstância, querendo parecer mais inteligente e seguro do que realmente era. – De qualquer forma, explicarei novamente para todos os presentes: após o meu comando, com os olhos vendados, vocês beberão o copo de cachaça da esquerda primeiro, depois o copo de água com gás do meio, para limpar a garganta, é claro, e, por último, o copo da aguardente da direita. Depois, o dono do bar passará com um papel ao lado de cada um de vocês, que ainda estarão de olhos vendados, e anotará qual opção vocês consideraram a melhor, ou seja, o copo da esquerda ou o da direita. É importante ser lembrado: cada copo foi preenchido, aleatoriamente, com a cachaça preferida de João e Gilberto, mas de modo que apenas eu, Seu Firmino e os presentes saibamos qual aguardente está realmente em cada copo. Vocês, os que bebem, logicamente, não sabem e, até por isso, permanecerão de olhos vendados até a minha ordem. Entendido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sim – a resposta ecoou em uníssono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pois bem então, todos podem beber o copo da esquerda – deu a ordem, finalmente, o juiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio a tanta expectativa, um silêncio tomou conta do recinto, à medida que os nove homens, de vez, bebericavam as suas pingas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ótimo! Sintam o gosto dessa cachaça à vontade. Agora bebam o copo de água com gás do meio para limparem a língua e garganta – continuou Jorge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os presentes continuavam a acompanhar todo o processo sem fazer som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Excelente! Para finalizar, degustem o copo da direita e saboreiem essa outra aguardente – ordenou o juiz mais uma vez, demonstrando conforto em orquestrar toda a situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os nove bebedores terminaram seus copos. Seu Firmino, após o comando do juiz, tomou uma prancheta com papel e caneta a fim de anotar a opção de cada bebedor. Após anotar a escolha dos dois primeiros, João e Gilberto, quando já iria seguir para o terceiro bebedor, o dono do bar parou, atônito, à medida que encarava o papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Por que parou, Seu Firmino? – indagou Jorge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dono do bar, então, em completo silêncio, dirigiu-se ao juiz e lhe entregou o papel. Qual não foi, também, a surpresa deste ao constatar que João havia escolhido como melhor cachaça a do Gilberto, enquanto Gilberto, por sua vez, escolhera a do João.&lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2011/05/uma-questao-de-escolha-carlos-eduardo-f.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjwhafXmf-RdPYiZu9g8tbV8r75hn6V01-lyE2N4iAINazRg7cZa-fQ2GJXddGG6T7g3mn068qriXf33SpmoFlNFiMxyhbDgA-vJc8uUaUJZsLAf6QCbCsOl-YSgXm-7yi20JtBoWPlz-Fh/s72-c/scotch%252520whisky.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-656059408078630280</guid><pubDate>Tue, 12 Apr 2011 14:32:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-04-12T11:35:43.736-03:00</atom:updated><title>O milagre de 11 de setembro</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgE24Bh8HvMYUsTiA3XvlFwXasyuKQIFDy7Lli2OKssH_-mBH9-gN5xhA2MqqpJTdmdwdY7wLj0pqFM3cUX06sb55XVa-wXDLCzSxb_jvQaOl0LZAn1rjgZ1XWVnAlnBBiq4WYpZzZDtFql/s1600/wtc2.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5594705623049087458&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgE24Bh8HvMYUsTiA3XvlFwXasyuKQIFDy7Lli2OKssH_-mBH9-gN5xhA2MqqpJTdmdwdY7wLj0pqFM3cUX06sb55XVa-wXDLCzSxb_jvQaOl0LZAn1rjgZ1XWVnAlnBBiq4WYpZzZDtFql/s320/wtc2.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Dr. Estevão só conseguia pensar naquela sexta-feira fatigante que ainda não havia acabado, à medida que subia a serra cautelosamente. Havia se focado naquilo e estava alheio à esposa, sentada no banco do carona, que, sem perceber a falta de atenção do marido, continuava a contar, com empolgação, uma história sobre alguém perdido em algum lugar. Vez ou outra, ele olhava de soslaio para ela, balançando a cabeça positivamente, a fim de dissimular sua alienação. No banco de trás, solitário e taciturno, o filho seguia com os olhos na estrada, observando as curvas sinuosas apontarem para precipícios vertiginosos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;A noite vinha de mansinho, seguindo o carro, como uma sombra; contudo, ainda havia um céu em brasa no horizonte à frente. O motor do carro novo bramia, implorando por uma marcha mais pesada, sobre aquela subida íngreme; o adolescente, entediado após meia hora de viagem, já ligava seu ipod para escutar algum som repreensível pela mãe; o monólogo de Dona Sônia continuava, só que com mais exaltação, fazendo gestos ríspidos e abruptos, por algum motivo inteligível; já o Dr. Estevão, agora, observava um carro caquético descendo a estrada, vindo em sua direção pelo lado oposto. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Um Chevette 81 descia com enorme velocidade a serra após ter conseguido fazer uma última curva. Seu José sabia que não adiantava contar com o freio de mão, pois, já há dois meses, o cabo de aço havia se rompido. Em vão, após também ter bombeado o pedal de freio por várias vezes, desesperadamente, ele tentava encaixar a segunda marcha e, às vezes, a primeira, antes de soltar a embreagem por completo, como último recurso para frenar o galipão; não obstante, um problema hidráulico na caixa de marchas, impediu-o que tivesse qualquer sucesso. Olhou, através do para-brisa, o abismo sem fim que o engoliria inexoravelmente, assim também como teve tempo de ver que um carro, quase parado na curva, em diagonal, estava na frente da pirambeira, subindo vagarosamente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Um imenso estrondo retumbou por todo o vale quando o Chevette deu com sua parte dianteira na porta do motorista do Corolla. Logo veio um grito agudo e, por fim, um silêncio mortal varreu a serra. Com os dois carros parados na periferia da curva, Seu José, ainda aturdido, saiu pelo buraco da janela de sua porta, em meio à fumaça, pedacinhos de vidro, e outras partes indecifráveis dos veículos, espalhadas pelo asfalto. Seu José olhou o vale abaixo atônito, observando a distância que faltava para ele mergulhar no penhasco, assim também como observou que isso só não aconteceu porque o outro automóvel, logo mais à frente, serviu como proteção. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Após segundos de uma letargia inexplicável, ele apressou-se em ir para o outro carro. No Corolla recém comprado havia três pessoas, duas delas, apesar de estarem em estado de choque, conforme seu José havia conferido, estavam conscientes, já o motorista, Dr. Estevão, banhado em sangue, permanecia inerte. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Duas semanas depois, na UTI, ao lado do marido, ainda era difícil para Dona Margarida acreditar que Dr. Estevão ainda permanecesse em coma. “Como a vida é imprevisivelmente surpreendente e irônica. Meu filho e eu sofremos escoriações leves, enquanto ele, que já salvou centenas de vidas e, portanto, tem mais importância para este mundo do que nós, teve traumatismo craniano”, ponderou ela, enquanto olhava para o rosto dele. De repente, sendo a vida realmente surpreendente, seu marido, abriu os olhos e a encarou, como se a esposa fosse uma aparição fantasmagórica. Antes de perder os sentidos, ela soltou um grito estapafúrdio de socorro que viajou por todo corredor até chegar aos ouvidos das três enfermeiras daquela ala oeste, que se puseram a correr para o quarto. Quando lá chegaram, duas delas se preocuparam em levantar a senhora desmaiada, enquanto a terceira olhava, boquiaberta, para o médico acamado que ela tanto conhecia e admirava. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;– Dr. Estevão! O senhor voltou... – disse a enfermeira, que continuava a olhá-lo com surpresa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Aquele homem confuso devido a toda aquela situação não conseguia acompanhar, não conseguia entender o que se passava ao seu redor e, não fosse o estado de intubação no qual se encontrava, poderia ter falado alguma coisa a qualquer momento que quisesse. E foi só instantes depois, quando o médico de plantão adentrou-se pelo quarto, sendo chamado por uma quarta enfermeira que passava pelo corredor, e já tendo analisado o paciente, que o diagnóstico foi dado, precipitadamente, a Dona Margarida – amnésia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;No outro dia, após ter sido avaliado por uma junta médica de especialistas naquela patologia, veio a ratificação do diagnóstico dado pelo médico de plantão e, tendo já sido removido para um leito normal, dona Margarida foi aconselhada a levar o marido para casa, assim que seu quadro clínico fosse deveras mantido, com o intuito de, através de um reencontro com sua ex-rotina, ele pudesse, com sorte, avivar sua memória. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Exatamente no dia 11 de setembro de 2001, quase três meses após ter saído do hospital, pela manhã, Dr. Estevão, ainda com amnésia, assistia à TV quando uma cena chamou sua atenção. Um avião havia acabado de colidir em um de dois imensos prédios iguais. “Acho que eu já vi esse filme”, pensou ele. “Acho que é King Kong...”, continuou com seu jogo particular de adivinhação. Quando um segundo avião colidiu com o segundo prédio, ele viu que uma rede de televisão internacional estava transmitindo ao vivo. Não achou que uma barbaridade daquelas pudesse ser real, mas, abruptamente, tudo fez sentido. Sim, aquilo estava acontecendo às Torres Gêmeas, o World Trade Center, em Nova Iorque, Estados Unidos, conforme ouviu ser noticiado por um jornalista. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Milhões de pequenas imagens da realidade, como peças de um imenso quebra-cabeça, sobrepuseram sua visão da sala de estar, encaixando-se uma nas partes certas das outras, de modo que formassem a mesma imagem da sala de estar; só que agora, fazendo conexões infinitas com tudo que ele já havia vivido. “Estou assistindo à TV em minha sala, minha casa, agora”, pensou logicamente, enfim. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;– Margarida! – gritou o Dr. Estevão imediatamente, com uma excitação reprimida, sem saber o porquê a chamava exatamente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Sua mulher, assustada, foi até a sala, e, com lágrimas pendentes no rosto, abraçou Estevão e disse, com as mãos trêmulas, segurando a face do marido: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;– Graças a Deus! Um milagre aconteceu... Júnior, seu pai voltou a si! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Todos os anos, naquela mesma data sagrada, a família reuni-se para comemorar a volta da memória do Dr. Estevão. Lembravam-se sempre, agora com risadas, que seus amigos iam visitá-lo, a própria família vinha visitá-lo, mas ele não reconhecia ninguém, apesar de conversar normalmente sobre o que quer que fosse com todos; e até hoje, quando indagado sobre o acidente, ele sempre responde de primeira, com um ar jocoso – “Ah se não fosse o Bin Laden!”. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2011/04/o-milagre-de-11-de-setembro.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgE24Bh8HvMYUsTiA3XvlFwXasyuKQIFDy7Lli2OKssH_-mBH9-gN5xhA2MqqpJTdmdwdY7wLj0pqFM3cUX06sb55XVa-wXDLCzSxb_jvQaOl0LZAn1rjgZ1XWVnAlnBBiq4WYpZzZDtFql/s72-c/wtc2.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-304048334412988408</guid><pubDate>Fri, 25 Mar 2011 18:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-03-25T18:40:46.880-03:00</atom:updated><title>Nas entrelinhas (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgp5jx424-FIacTa70p4E_88iqp63JzkEUQNydgMDjZOIQ9P4VsC7rvq_H6VjgaL1vd7oftE9t92jDnrfOkWbHhnWfD8Fy_cP2MotF1eqwP8Gjq907ibkb43yy2GhtkwPUB9RtPw1FIWn_r/s1600/Chess+book+and+diary.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 222px; CURSOR: hand&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5588093874944650626&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgp5jx424-FIacTa70p4E_88iqp63JzkEUQNydgMDjZOIQ9P4VsC7rvq_H6VjgaL1vd7oftE9t92jDnrfOkWbHhnWfD8Fy_cP2MotF1eqwP8Gjq907ibkb43yy2GhtkwPUB9RtPw1FIWn_r/s320/Chess+book+and+diary.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;right&quot;&gt;&lt;br /&gt;“Embora vigies, a morte conspira nas entrelinhas” - Alcides Buss &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;As questões desenrolaram-se devido a dois fatores intrínsecos e, no entanto, contrários, um em consequência do outro. O primeiro foi de caráter empírico, uma leitura baseada na vivência de um professor de literatura. O segundo, de caráter científico, o tão propalado binômio da física – a Terceira Lei de Newton, ou seja, a Lei da Ação e Reação. Eis tudo: &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Antônio já desconfiava que houvesse algo de errado, portanto, parafraseando, Marcellus, disse, com propriedade, à Jonas, seu melhor amigo:&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– &quot;Há algo de podre no reino da Dinamarca&quot;. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Shakespeare, não é? – interpelou Jonas.&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Exatamente, meu caro. Foi no ponto certo. Muito obrigado por ter vindo, eu precisava desabafar. Faz tempo que não nos vemos, hein? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Sim, de fato. Ando muito ocupado; aliás, nós dois, pelo que consta... Contudo, quando você me ligou e começou a falar, eu fiquei preocupado e não pude deixar de vir... Mas, indo direto ao assunto, você acha que é isso mesmo que comentou pelo telefone? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Eu não tenho dúvida, meu amigo. Onde há fumaça, há fogo – replicou. Antônio calou-se. Afastou um pouco, deu alguns passos, alcançou a janela, puxou a cortina e fixou os olhos na rua lá em baixo. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Depois de certo hiato, Jonas cedeu: &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;–Antônio, talvez tenha sido um engano, como aquela história de Machado de Assis... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Dom Casmurro – emendou de supetão. – Seja como for, na ficção ou na realidade, no final da narrativa, sempre há desgosto, múltiplas interpretações, o que gera incertezas e, sempre que possível, uma pintada de tragédia, Jonas. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Eu quero dizer, meu amigo, que é a sua visão dos fatos e não necessariamente a verdade. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Bem, há de ser sempre a visão de alguém. A questão é que o problema é tão somente meu, ela é minha mulher! &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– O problema é nosso, certamente. Um afeta o outro. Tudo está relacionado. É a famosa visão holística. Estamos juntos, irmão – filosofou Jonas. E emendou – Mas o que pretendo saber é o que o levou a pensar que ela está te traindo? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Ora! Não está na cara? Por exemplo, onde está ela agora? Já faz duas horas que ela saiu do trabalho. E olha que isso anda acontecendo sempre. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– “Sempre” desde quando? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Não sei ao certo quando percebi. Cerca de um mês, sei lá... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Houve outra pausa, uma um pouco mais longa. Dessa vez, porém, foi Antônio que cedeu: &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– A verdade é que eu tenho culpa também. Eu a deixei de lado. Fui relapso em nossa relação. Negligenciei o nosso tempo juntos. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Em um relacionamento a culpa é mútua. Não há remédio. Uma coisa leva a outra. Um círculo vicioso logo se forma. Fica difícil dizer quem ou quando começou. Enfim, somos todos culpados. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Estou apenas sendo realista. Mas isso não dá o direito dela me trair. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Veja bem, diga-me, o que há de concreto em suas desconfianças? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Bem, fora os atrasos já mencionados, há também a indiferença e a frieza. Falamo-nos pouco e quase não temos mais vida sexual. Não tenho forças para mudar o quadro instaurado, entende? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Só isso? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– E acha pouco? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– De fato, tudo que você falou são problemas que mostram que o seu casamento está desgastado, mas, sinceramente, não vejo nada de concreto. Você e Li amavam-se... Eu mesmo já passei por isso tudo, não lembra? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Lembro-me muito bem, principalmente da parte do divórcio e o fato de Amanda ter se casado com outro. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Espera aí! Você está desvirtuando tudo. O casamento acaba quando o amor acaba. O desquite e outro casamento da minha ex-esposa são consequências apenas. De qualquer forma, eu e ela estamos quites – não é só ela que ama outra pessoa. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Eu bem sei, meu amigo, perdoe-me – disse Antônio visivelmente consternado e constrangido. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Estou aqui apenas fazendo papel de amigo. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Sim. Ossos do ofício, como dizem – e deixou-se rir por um instante, abraçando Jonas calorosamente. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Já passava das oito horas quando Lídia chegou. Antônio e Jonas conversavam, agora, sentados à mesa. Os dois dissimularam a prosa estabelecida desde o começo. Antônio encarou Lidia, o outro a olhou de soslaio e abaixou a cabeça. Lidia esboçou cumprimentar ambos, mas acabou passando direto pela sala, dirigindo-se para o quarto. Jonas logo se ergueu e se encaminhou em direção à saída: &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Antônio, converse com ela. Tente não julgar. Repito: não vejo nada de concreto! Ela também pode não estar encontrando uma maneira de quebrar esta barreira que se formou entre vocês e, exatamente por isso, foge. Ela Pode estar passando o tempo na casa da mãe, fazendo hora no shopping, na casa de uma amiga... – e dizendo isso, seguiu pelo corredor, virou à esquerda e desceu as escadas. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Antônio, naquela noite, não teve coragem de trocar palavra com a mulher. Ficou na sala, receoso e pensativo. Protelou a sua ida ao quarto, de modo que quando lá chegasse, Lídia já estivesse dormindo. Com efeito, após algum tempo, quando ele foi se deitar, Lídia havia caído em sono profundo. A insônia, no entanto, veio abraçar Antônio e o estrangulou, murmurando-lhe conjecturas ao ouvido. A dúvida infligia-o, dilacerando a sua paz interior. “Deus! Há uma traição em curso bem debaixo do meu nariz...”, pensou. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;De repente, após alguns minutos, sobre o manto da escuridão, Antônio pôs-se de pé e falou baixinho: &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Como eu não percebi antes! – exclamou. E um turbilhão de frases soltas, frases do amigo Jonas, vieram como flechadas em sua carne: “Ando muito ocupado”, “...quando você me ligou e começou a falar, eu fiquei preocupado e não pude deixar de vir”, “O problema é nosso, certamente. Um afeta o outro. Tudo está relacionado”, “Estamos juntos, irmão”, “Uma coisa leva a outra... Somos todos culpados”, “...Li...”, “Eu e ela estamos quites – não é só ela que ama outra pessoa”, “Estou aqui apenas fazendo papel de amigo” e outras frases ainda. Tudo fez sentido para Antônio então. Por trás do texto do amigo, havia preocupação, culpa, ironia, sarcasmo, intimidade, ciência e, principalmente, confissão inconsciente. Estava tudo ali exposto para quem quisesse ver e entender. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Em um ataque de fúria incontrolável, Antônio tomou o travesseiro e pressionou contra a face de Lídia. Asfixiando-se, a mulher rebatia-se em desespero, tentando se livrar do objeto que a impedia de enviar ar aos pulmões, em vão. Cerca de dois minutos depois, Lídia cessou os movimentos. Antônio, estupefato com o que havia acabo de fazer, retirou o travesseiro e pôde realmente constatar que a mulher não mais respirava. Em resignação, ele se debruçou sobre o cadáver, chorando copiosamente; no entanto, não conseguia sentir remorso, apenas raiva. Sentia-se também enganado, traído duplamente. A esposa e o melhor amigo. Um clichê, um clássico perverso. Nada poderia causar-lhe mais dor. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;As horas passavam em uma morosidade insistente, era madrugada. Antônio, deitado ao lado do corpo, pensava na ironia da vida. No dia anterior, ele dera uma aula sobre “A cartomante”. Explicara aos alunos sobre o triângulo amoroso composto por Vilela, Rita e Camilo, a paixão, o adultério, a traição do amigo e a tragédia. Comentou sobre o estilo machadiano de fazer insinuações e ironias, brincando com as palavras, esculpindo frases perfeitas, que davam margem às inúmeras interpretações. Completou deixando claro que o leitor haveria de ser crítico e atento em tempo integral para alcançar a genialidade de Machado de Assis. Por último, ainda havia feito um link com o clássico de Flaubert – Madame Bovary. Ele explanou que, apesar do tema deste romance ser a sociedade burguesa da época, o adultério permeava toda a obra e era a “arma” de afrontamento social, o passaporte de liberdade e felicidade da personagem principal. Antônio se colocaria a rir se alguém tivesse dito que ele se reencontraria com a mesma temática, tendo que fazer uma releitura, em menos de vinte quatro horas, só que em sua própria vida dessa vez, sendo ele, a esposa e o melhor amigo vértices de um triângulo maldito. Foi preciso perícia, concluiu Antônio, para ler nas entrelinhas do texto do melhor amigo, decifrar, quebrar o código imposto pelo traidor. Lídia, como Rita e Ema Bovary, já havia pagado pelo seu crime; faltava, agora, Jonas. E não tardaria, ainda na parte da manhã, a acontecer o outro assassinato, isso Antônio já havia decidido. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;As primeiras horas matutinas vieram impregnadas de ansiedade, com nódoas irreparáveis. Antônio permanecia ali ao lado do cadáver, admirando-a, à medida que passava a mão suavemente nos cabelos lisos e loiros dela. Quando o ponteiro pequeno do relógio de cabeceira atingiu o número nove e o grande, o doze, Antônio retirou o celular do bolso e ligou para Jonas: &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Bom dia, meu caro. Eu te acordei? Não? Certo. Olhe, tudo está resolvido. Venha até aqui agora. Prometo não tomar seu tempo... Tudo bem, eu vou esperar então – sua voz dissimulada era pausada e cava. Com uma ansiedade visceral, desligou o celular e olhou para o teto. Um sorriso demoníaco preencheu seus lábios. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, cerca de meia hora depois, a campainha tocou. Antônio ergueu-se da cama, caminhou calmamente até a cozinha, agarrou uma pequena faca e seguiu em direção à porta. A campainha foi pressionada novamente lá fora. Antônio finalmente rodou a maçaneta e escancarou a porta. Jonas estava ali parado. Seu rosto refletia transtorno e apreensão. Sua voz saiu entrecortada: &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Eu sei. Entre. – respondeu Antônio. Sua voz era tranquila e seus gestos controlados. A porta fechou-se. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Sabe? E... Como desconfiou? – O corpo de Jonas tremulava e seu coração batia em descompasso. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Eu li nas entrelinhas, meu caro. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Foi por isso que eu me afastei de você – Jonas deu uma longa pausa, como se não fosse dizer mais nada e continuou. – Eu não podia... Eu não podia mais fingir. Logo você iria saber... Então resolvi dar um tempo. Eu... Iria te falar ontem à noite, antes dela chegar, mas... Além do mais, você estava de cabeça quente... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Antônio mostrava uma paciência e compreensão inverossímeis, apesar de sua mão esquerda espremer o cabo da faca contra a coxa. Seu silêncio continuou. Jonas prosseguiu: &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Quando você ligou e disse que tudo estava resolvido, eu achei que era hora de contar a verdade... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Antônio olhava fixamente para o rosto de Jonas. Observou os lábios do amigo tremendo. O suor brotando de seus poros. O olhar baixo. “Assim que ele confessar, o seu pescoço será rasgado como o de uma galinha”, pensou. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Eu sumi há cerca de um mês, – continuou Jonas. – dizendo que estava ocupado... Amanda e eu nos separamos, porque eu disse a verdade... Eu não podia mais enganá-la; simplesmente, não podia mais... A verdade é que eu nunca a amei. – Jonas começou a tremer ainda mais e a lacrimejar. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Antônio seguia calado e impassível. Sua mão pressionou ainda mais o cabo da faca. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Olhe, Antônio, eu sei que você ama muito a Lídia e que jamais ficaria com... Mas é preciso que eu fale a verdade agora... Mesmo que acabe a nossa amizade. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Antônio preparou-se para dar o golpe fatal. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– A verdade é que eu sempre te amei – deixou sair Jonas enfim. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Após um “não” sonoro e sinistro, Antônio, com uma destreza incompatível, esfaqueou-se na jugular. Sua mão deixou a faca cair. Seu corpo tombou para frente imediatamente. Jonas conseguiu agarrá-lo antes que tocasse o chão. Antônio tentava respirar desesperadamente, mas o sangue que jorrava impedia-o. Jonas o tinha no colo. O sangue morno encharcava ambos. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Antônio, agora, estava pálido, quase sem vida, gemendo, à medida que se chafurdava em um charco de sangue; seu corpo fazia movimentos involuntários; seus olhos tornaram-se esbranquiçados. Ele se esvaia, deixaria de existir em poucos segundos. Jonas chorava e, em um ato de desespero, beijou os lábios mortiços de Antônio. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;– Meu Deus! Meu Deus! Não era para ter sido assim, não é justo! – gritou Jonas aos prantos. – Durante anos, eu trouxe isso dentro do peito... Estava me sufocando e agora... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Antônio soltou seu último gemido, um quase imperceptível. Jonas pousou-lhe a cabeça ao chão, com todo carinho, e se estirou ao lado do corpo. Em meio àquele mar de sangue, Jonas encontrava-se abraçado, em silêncio, com o corpo inerte, e só conseguia pensar que fora o culpado pela morte de Antônio. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Jonas tomou a faca em suas mãos após alguns minutos. Olhou Antônio pela última vez, tomou coragem e, de forma quase maquinal, repetiu o gesto daquele que sempre amou. E antes de sua consciência também cessar, teve um estranho sentimento de graça, como se tivesse compreendido tudo que existe entre as linhas tênues e flutuantes da vida e morte... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;-------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;Obra de Gabe Penn. Aquarela no papel. Livro de xadrez e sangue (14x20cm). http://www.gabepenn.eu/2010/chess-book-and-blood/ &lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2011/03/nas-entrelinhas-carlos-eduardo-f-m.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgp5jx424-FIacTa70p4E_88iqp63JzkEUQNydgMDjZOIQ9P4VsC7rvq_H6VjgaL1vd7oftE9t92jDnrfOkWbHhnWfD8Fy_cP2MotF1eqwP8Gjq907ibkb43yy2GhtkwPUB9RtPw1FIWn_r/s72-c/Chess+book+and+diary.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-830957934653714966</guid><pubDate>Tue, 22 Mar 2011 23:48:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-03-22T21:43:01.583-03:00</atom:updated><title>Neti–kryia e o Lota (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgOa1U4ckfvdAqwjzrRg7Hd2KJBAKe-NXFJfRFqYJXMAkf0bscVMoQMWeX9RS5YhE3thGuaummyeLpfSXiUIkL64lUuTjByEZYL2yFxj1IcQtuvCLnrCbKmH7FTm722NFWTtVRz7_bPqX5j/s1600/Lota.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 267px; DISPLAY: block; HEIGHT: 189px; CURSOR: hand&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5587061622144378274&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgOa1U4ckfvdAqwjzrRg7Hd2KJBAKe-NXFJfRFqYJXMAkf0bscVMoQMWeX9RS5YhE3thGuaummyeLpfSXiUIkL64lUuTjByEZYL2yFxj1IcQtuvCLnrCbKmH7FTm722NFWTtVRz7_bPqX5j/s320/Lota.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;É realmente certo aquele pensamento que nos ensina a razão pela qual temos apenas uma boca e dois ouvidos, de forma proposital, de modo que, proporcionalmente, seja preciso ouvir duas vezes, pelo menos, mais do que falar. No entanto, a tendência é falar bem mais, falar o tempo todo, até que não se saiba nem mais o que está se falando ou se é preciso ser realmente falado. Desde pequenos, ainda em casa, somos ensinados e motivados a falar, mas nunca a ouvir. Recebemos carinhos e os parabéns pelas primeiras palavras. Na escola, aprendemos a ler, a escrever, a falar ainda mais, mas, quanto à habilidade da verdadeira audição, aprender a realmente escutar o que está sendo dito, com paciência e atenção, não nos ensinam, até porque ninguém realmente se preocupa com isso. Os professores falam, os alunos falam ao mesmo tempo, ninguém ouve ninguém e, portanto, não há aprendizado de nenhuma as partes, e o caos se instaura, não que seja esse o principal, muito menos o único problema da Educação, infelizmente! &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Apesar deste intróito, este texto não tratará dessa temática; Augusto Cury, um estudioso gabaritado nesse assunto (e de tantos outros), já fala e escreve com propriedade sobre a importância de saber escutar. O que, na verdade, pretendo é compartilhar o quanto minha saúde melhorou com a prática do &lt;em&gt;Neti–kryia&lt;/em&gt;, através do Lota. Mas afinal, onde diabos a tal introdução se encaixa? A resposta é simples – eu jamais teria tido tal benefício se eu não soubesse ouvir. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Atendo-se, então, ao tema proposto: há menos de quatro meses, ainda no mês de novembro do ano passado, eu procurei um otorrinolaringologista mais uma vez, devido aos meus renitentes e inconvenientes ataques de rinossinusite (dizem que se fala assim atualmente). De dois em dois meses, praticamente, eu era acometido por um ataque, sempre depois de gripes e até simples resfriados. Quase não se lembrava das noites que não ficava com as narinas obstruídas. Relatei ao especialista que ainda no mês de setembro, tive uma crise de sinusite tão forte, que tomei quase um mês de antibióticos diferentes (três tipos ao todo), prescrito por outro médico, até que o problema amainasse. O otorrino pediu-me, logo de cara, uma tomografia computadorizada dos seios da face. Eis o resultado, a chamada “impressão”: “sinusopatia crônica fronto-etmo-maxilar direita, com sinais de agudização; pequeno cisto de retenção/pólipo na parede lateral do seio maxilar esquerdo; desvio para a direita do septo nasal com pequeno esporão ósseo vômero-septal tocando o corneto nasal inferior ipsilateral”. É, eu sei, técnico demais, mas, mesmo para um leigo, fica claro que há sinusite crônica, além de outros males. O especialista, com o resultado em mãos, não hesitou: “mais quatorze dias de antibiótico e cirurgia”. Voltei para casa desiludido. Não fiz nenhuma coisa nem outra. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Em meados de janeiro deste ano, ao contar a minha sina a um amigo, escutei (com paciência e atenção) que a mesma moléstia pairava sobre sua vida e, que através do Lota, seu problema havia sido resolvido. Vacilei por um instante, mesmo após a explicação completa, afinal, um simples potinho de água morna com sal não resolveria meu problema, e, além do mais, meu caso era de “tratamento-cirúrgico!”. Mas quando realmente se escuta, reflete-se mais tarde, a ideia fica arraigada em você, até, quem sabe, dar frutos. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Além de considerar-me bom ouvinte, sou curioso e, principalmente, impulsivo – comprei o tal do Lota, um recipiente destinado à higienização nasal. A &lt;em&gt;Neti–kryia&lt;/em&gt; (em hindu), a prática de limpeza nasal, é feita desde os tempos mais remotos na Índia (aprofundei-me no assunto e na prática!). Coloca-se dentro do recipiente, água filtrada e morna com uma colher de chá de sal. Depois é só reclinar o tronco, com as pernas afastadas, virar a cabeça e introduzir o Lota em uma narina de cada vez, até que o liquido encha cada seio maxilar e saia pela outra narina. Leva-se, no máximo, cinco minutos. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;É preciso dizer que, com o uso do Lota, a minha vida melhorou? Não tenho mais as narinas obstruídas, minhas noites de sono, sobretudo, são maravilhosas; não sinto mais aquela dor incômoda por trás dos olhos, típica da sinusite; não peguei mais gripe forte (até agora!) e não tenho mais coriza. Posso dizer que estou curado? Não, seria mentira de minha parte, até por ser um problema crônico; não obstante, posso afirmar, categoricamente, que a higienização nasal funciona.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;E por que funciona? A resposta é lógica – como minha sinusite é crônica, há sempre produção e fluxo de excesso de muco em meus seios da face. Sem a remoção diária das impurezas, a secreção acumulava-se e havia a proliferação de vírus e/ou bactérias, causando, após certo tempo, inflamação e obstrução total das cavidades. Quando a crise estava aguda, os médicos receitavam antibióticos e, assim, a maioria dos microorganismos morria e o problema era “mascarado”. Portanto, com o uso do Lota diariamente, esse círculo vicioso não ocorre mais. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Com tal resposta, abre-se brecha para mais duas perguntas – os especialistas têm ciência que tal técnica é eficiente? Com absoluta certeza! Primeiro porque a esmagadora maioria deles já recomenda a limpeza nasal com soro fisiológico na seringa, o que, trocando em miúdos, é praticamente a mesma coisa que colocar sal e água em um recipiente próprio para isso; segundo porque diversos estudos científicos já dão conta que essa prática seja realmente benéfica não só para sinusite, mas para rinite, alergias, apneia, gripes, resfriados, mau-hálito, poluição, ressecamento da mucosa nasal e outros problemas relacionados à face. E devo acrescentar que os estudos também apontam que essa prática não é só recomendada para tratar tais males, mas também para preveni-los. O que nos leva para a nossa segunda pergunta – se é assim, por que raios os médicos não indicam a &lt;em&gt;Neti–kryia&lt;/em&gt; com mais ênfase e em uníssono? Respondo com uma indagação – por que eles fariam isso se é bem mais lucrativo vender consultas, antibióticos e outros tantos medicamentos periodicamente e fazer cirurgias? O mercado sempre vai ansiar pela manutenção da patologia. Não é nada lucrativo eliminar completamente uma doença, mas mitigá-la, para que sempre esteja ali, à espreita, extorquindo dinheiro do paciente, de tempos em tempos, é o ideal. O problema é que, muito mais do que sorver as economias, suga-se a qualidade de vida da pessoa, tornando-a escrava de sua moléstia. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, caro leitor, fica a dica do uso do Lota para prática do &lt;em&gt;Neti–kryia&lt;/em&gt; diariamente. Atualmente, eu uso o Lota duas vezes ao dia, de manhã e no final da tarde. Quando sinto que peguei um resfriado, além da colher de sal, uso duas gotas de extrato de própolis (sem álcool) ou duas gostas de limão. Caso queira mais informações sobre tudo, pesquise em sites especializados. O Lota é encontrado em centros de ioga e, por encomenda, na internet. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2011/03/netikryia-e-o-lota-carlos-eduardo-f-m.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgOa1U4ckfvdAqwjzrRg7Hd2KJBAKe-NXFJfRFqYJXMAkf0bscVMoQMWeX9RS5YhE3thGuaummyeLpfSXiUIkL64lUuTjByEZYL2yFxj1IcQtuvCLnrCbKmH7FTm722NFWTtVRz7_bPqX5j/s72-c/Lota.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-4081040578124159195</guid><pubDate>Thu, 10 Mar 2011 21:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-08-03T21:04:41.626-03:00</atom:updated><title>Long one take shooting (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhXfRdcYmpQY7Fiv8w5X7gmB_K2ZRwSVhOHWEZh0rapLSa5bNuaAfb6scystkNozWV0oxVXAnhhBvpPZx6YqltG08KI0DCNgIXZGeOPauext1WDgemKR8IesiALQAdjjrCETkGcDGBulrag/s1600/long+take.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 289px; CURSOR: hand&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5582566664755690882&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhXfRdcYmpQY7Fiv8w5X7gmB_K2ZRwSVhOHWEZh0rapLSa5bNuaAfb6scystkNozWV0oxVXAnhhBvpPZx6YqltG08KI0DCNgIXZGeOPauext1WDgemKR8IesiALQAdjjrCETkGcDGBulrag/s320/long+take.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Você sabe o que é uma long one take shooting ou uninterrupted shot ?&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;É a câmera contínua, uma sequência de filmagem ininterrupta mais longa que a tradicional (geralmente mais de 4 minutos), ou seja, gravação sem cortes. Com essa técnica, ganha-se mais dramaticidade ou efeito narrativo. Aqui vai a dica de alguns dos melhores filmes com tal recurso: O Iluminado (&lt;em&gt;The Shining&lt;/em&gt;, 1977), Os Bons Companheiros (&lt;em&gt;Goodfellas&lt;/em&gt;, 1990), Olhos de Serpente (&lt;em&gt;Snake Eyes&lt;/em&gt;, 1998), Oldboy (Idem, 2003), Kill Bill Vol.1 (Idem, 2003), Filhos da Esperança (&lt;em&gt;Children of men&lt;/em&gt;, 2006) e Desejo e Reparação (&lt;em&gt;Atonement&lt;/em&gt;, 2007). &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Quer ver uma cena monumental de câmera contínua com mais de 5 minutos, editada em computador, do ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2010? Se a resposta for sim, aviso-lhe: é de arrepiar! Então assista ao estupendo filme O Segredo dos seus Olhos (&lt;em&gt;El Secreto de Sus Ojos&lt;/em&gt;, Argentina/Espanha, 2009), do diretor Juan José Campanella; ou dê uma conferida na referida cena:&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=MtB117zNC2E&amp;amp;feature=related&quot;&gt;http://www.youtube.com/watch?v=MtB117zNC2E&amp;amp;feature=related&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Se você NÃO FOR MUITO EMOTIVO e tomou gosto pela long take, recomendo-lhes a bela cena na praia (uma das melhores que já vi!), que mostra parte da 2º Guerra Mundial em seu final, do filme Desejo e Reparação (a câmera contínua começa em exatos 0:40, antes disso há cortes): &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=tzXw0lSMPjc&amp;amp;feature=related&quot;&gt;http://www.youtube.com/watch?v=tzXw0lSMPjc&amp;amp;feature=related&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2011/03/long-one-take-shooting-carlos-eduardo-f.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhXfRdcYmpQY7Fiv8w5X7gmB_K2ZRwSVhOHWEZh0rapLSa5bNuaAfb6scystkNozWV0oxVXAnhhBvpPZx6YqltG08KI0DCNgIXZGeOPauext1WDgemKR8IesiALQAdjjrCETkGcDGBulrag/s72-c/long+take.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-3443365854155232659.post-5767208941196501138</guid><pubDate>Mon, 07 Mar 2011 13:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-03-07T16:08:27.379-03:00</atom:updated><title>Inspiração (Carlos Eduardo F. M.)</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvHg01YOYUd3xIw9-oU8tkxCWbDVOTa0no9UU-hdLvFrlh5XV0Hscys4rx7Ejum0Qil64DTBKziZZUKQI7F2DyGcehTpUnJDlO5gqvGIhOrphaYyzsIKf6kvU5bQ7jkFfer0X5oYYRoJnM/s1600/rockya3.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 226px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5581326296582649170&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvHg01YOYUd3xIw9-oU8tkxCWbDVOTa0no9UU-hdLvFrlh5XV0Hscys4rx7Ejum0Qil64DTBKziZZUKQI7F2DyGcehTpUnJDlO5gqvGIhOrphaYyzsIKf6kvU5bQ7jkFfer0X5oYYRoJnM/s320/rockya3.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Permitam-me, apenas por um breve instante, tomar emprestado um lugar-comum – a vida é dura! E justamente quando ela está mais dura, dura como um osso, é que eu me lembro de um filme que me inspirou e continua me inspirando, mesmo com o passar do tempo, e coloca tempo nisso! É através da rememoração desse filme que eu tomo coragem para sobrepor as dificuldades do dia a dia, de reinventar-me, de ser uma pessoa melhor em todos os sentidos. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Rocky, um lutador (Rocky) é realmente um filme inspirador. Produzido em 1976, esse longa-metragem dramático, escrito por Sylvester Stallone em apenas três dias e rodado em outros vinte e oito, com baixo orçamento, saiu melhor que a encomenda; tão melhor, que foi o ganhador do Oscar no ano seguinte (três ao todo, incluindo o de melhor filme). &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;O filme narra-nos a singela história de Rocky Balboa (Sylvester Stallone), um lutador de boxe amador da Filadélfia, que recebe uma ninharia por seu trabalho de coletar dinheiro para um agiota. Rocky é analfabeto e vive à margem da sociedade. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Porém, a vida desse pária social começa a mudar quando Apollo Creed (Carl Weathers), campeão invicto dos pesos pesados, escolhe o “garanhão italiano”, apodado também de Rocky, como seu oponente, pois o outro adversário agendado quebrara a mão, impossibilitando, assim, a luta. Neste ínterim, Rocky conhece o amor de sua vida, a retraída Adrian (Talia Shire), que trabalha em um &lt;em&gt;pet shop&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Munido de uma força de vontade sub-humana e incentivado por seu treinador Mickey (Burgess Meredith), Adrian, Paulie (Burt Young), seu melhor amigo (irmão de Adrian) e conhecidos da vizinhança, Rocky treina, usando o seu eterno conjunto de moletom cinza e o gorro escuro, na gélida e acinzentada Filadélfia, em pleno inverno. E logo, à medida que o treinamento vai, gradativamente, ganhando em intensidade, temos a cena clássica de Rocky correndo pelas ruas da cidade, com a excelente música tema tocando (Gonna Fly Now) e o ápice, quando ele sobe pela escadaria do Museu de Arte Contemporânea e alcança o topo, saltitando com os dois braços erguidos e os punhos cerrados (gesto muito imitado por turistas!). Naquele momento, independente do resultado de sua luta derradeira, ele já era um campeão, sobretudo porque havia alcançado seu objetivo de entrar em forma, ultrapassando seus limites e vencendo, assim, o seu único e verdadeiro adversário – ele mesmo. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Confira um trecho da consagrada t&lt;em&gt;raining scene&lt;/em&gt; de Rocky em HD e se inspire também:&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=W2qG8tM5qGY&amp;amp;feature=fvsr&quot;&gt;http://www.youtube.com/watch?v=W2qG8tM5qGY&amp;amp;feature=fvsr&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://caduvix.blogspot.com/2011/03/inspirem-se-carlos-eduardo-f-m.html</link><author>noreply@blogger.com (CADUVIX)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvHg01YOYUd3xIw9-oU8tkxCWbDVOTa0no9UU-hdLvFrlh5XV0Hscys4rx7Ejum0Qil64DTBKziZZUKQI7F2DyGcehTpUnJDlO5gqvGIhOrphaYyzsIKf6kvU5bQ7jkFfer0X5oYYRoJnM/s72-c/rockya3.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></item></channel></rss>