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	<title>Catatau</title>
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		<title>Catatau</title>
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		<title>Conversa com o Claude: Lula é inocente?</title>
		<link>https://catatau.wordpress.com/2026/08/06/conversa-com-o-claude-lula-e-inocente/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[catatau]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2026 11:39:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Transcrição integral da conversa, com links inseridos nos trechos que se basearam em fontes pesquisadas. Pergunta 1 Faça uma análise profunda e me diga: Lula é culpado por seus processos, mas esses processos foram apenas anulados por irregularidades? Lula efetivamente cometeu algum crime, mas que foi apenas anulado por procedimentos legais? Ou é o contrário, &#8230; <a href="https://catatau.wordpress.com/2026/08/06/conversa-com-o-claude-lula-e-inocente/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Conversa com o Claude: Lula é&#160;inocente?</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Transcrição integral da conversa, com links inseridos nos trechos que se basearam em fontes pesquisadas.</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />



<h3 class="wp-block-heading">Pergunta 1</h3>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Faça uma análise profunda e me diga: Lula é culpado por seus processos, mas esses processos foram apenas anulados por irregularidades? Lula efetivamente cometeu algum crime, mas que foi apenas anulado por procedimentos legais? Ou é o contrário, e Lula não cometeu crimes e quiseram incriminá-lo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Visite toda a matéria competente, jurídica e científica, sobre isso. Tome a perspectiva de um doutorando em ciências sociais interessado nisso. Então me prepare um relatório. E coloque também sua avaliação sobre isso.</p>
</blockquote>



<h3 class="wp-block-heading">Resposta 1</h3>



<h1 class="wp-block-heading">Lula e a Lava Jato: o que está juridicamente estabelecido e o que continua em disputa</h1>



<p class="wp-block-paragraph">Vou separar isso em três blocos: (1) os fatos processuais, que são verificáveis; (2) a leitura em disputa entre juristas e cientistas sociais; (3) minha avaliação, que ofereço como síntese e não como veredito.</p>



<h2 class="wp-block-heading">1. Linha do tempo e natureza jurídica das anulações</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2017, o então juiz Sergio Moro condenou Lula a 9 anos e 6 meses no caso do tríplex do Guarujá; o TRF-4 <a href="https://www.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=noticia_visualizar&amp;id_noticia=13418">manteve a condenação e aumentou a pena para 12 anos e 1 mês</a>. Depois, o TRF-4 também <a href="https://www.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=noticia_visualizar&amp;id_noticia=14914">confirmou e agravou a pena no caso do sítio de Atibaia, de 12 anos e 11 meses para 17 anos, 1 mês e 10 dias</a>. Lula ficou preso 580 dias, <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/politica/audio/2024-03/lava-jato-publicacao-de-conversas-vazadas-abalou-opiniao-publica">sendo solto em novembro de 2019</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir de junho de 2019, o Intercept Brasil publicou a &#8220;Vaza Jato&#8221;: mensagens entre Moro e os procuradores da força-tarefa, obtidas por um hacker, que <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/politica/audio/2024-03/lava-jato-publicacao-de-conversas-vazadas-abalou-opiniao-publica">mostravam o juiz repassando informações sensíveis aos procuradores e orientando como as acusações deveriam ser formuladas</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso deu origem a <strong>duas decisões distintas</strong> do STF, que costumam ser confundidas no debate público:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>a) Incompetência territorial (mérito processual, não o mérito da acusação).</strong> Em março de 2021, o ministro Fachin <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2021-03/fachin-anula-condenacoes-de-lula-na-lava-jato">decidiu que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência legal para julgar as acusações contra Lula</a>, porque os casos do tríplex, do sítio de Atibaia e do Instituto Lula não tinham correlação direta com os desvios de recursos da Petrobras — critério que definia a competência da Lava Jato em Curitiba. O plenário <a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/04/15/por-8-a-3-stf-decide-que-moro-e-incompetente-para-julgar-lula-que-segue-elegivel/">confirmou por 8 a 3 em abril de 2021</a>. Isso <strong>anulou as condenações por vício de forma</strong>, não por reconhecimento de inocência.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>b) Suspeição de Moro (parcialidade).</strong> Em separado, a 2ª Turma do STF, por 3 votos a 2, <a href="https://tagteam.harvard.edu/hub_feeds/3845/feed_items/3063115/content">reconheceu que o ex-juiz foi parcial no processo do tríplex, anulando todos os seus atos como juiz naquele caso</a>, com base nas mensagens vazadas, que <a href="https://tagteam.harvard.edu/hub_feeds/3845/feed_items/3063115/content">sugeriam que o julgador definia os limites da acusação e atuava em conjunto com o órgão acusador</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nenhuma dessas duas decisões julgou o mérito — ou seja, nenhum tribunal chegou a dizer &#8220;os fatos aconteceram&#8221; ou &#8220;os fatos não aconteceram&#8221;. Foram anulações por vício de processo (juiz errado e juiz parcial), o que devolve as partes ao &#8220;estado zero&#8221;, sem presunção de culpa nem declaração formal de inocência.</p>



<h2 class="wp-block-heading">2. O que aconteceu quando os processos voltaram</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os casos foram remetidos a Brasília para recomeçar. O resultado prático:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>O caso do <strong>sítio de Atibaia</strong> foi rejeitado em 2021 porque, <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2022/lula-inocentado-justica-condenacoes-lava-jato/">após a anulação das provas produzidas por Moro, não restaram elementos suficientes para sustentar uma nova denúncia</a>.</li>



<li>O caso do <strong>tríplex</strong> foi arquivado em 2022 por <strong>prescrição</strong> — o próprio Ministério Público Federal <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2022/lula-inocentado-justica-condenacoes-lava-jato/">reconheceu a &#8220;extinção da punibilidade&#8221; em razão da demora da Justiça, decorrente da anulação de todos os atos de Moro</a>.</li>



<li>Um levantamento da CNN mostrou que, <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/politica/fatos-primeiro-livre-para-disputar-a-eleicao-lula-nao-foi-inocentado-de-todas-as-acusacoes/">das 11 ações mais conhecidas contra Lula, há também absolvições por insuficiência de provas em processos anteriores e diversas suspensões/trancamentos que não equivalem a declaração de inocência</a> — contrariando a afirmação de Lula de que teria sido &#8220;absolvido em todos os processos&#8221;.</li>



<li>Desde a posse em 2023, os processos remanescentes ficaram <strong>suspensos por foro privilegiado</strong> enquanto ele exerce a Presidência.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Isso é importante para responder sua pergunta diretamente: <strong>nenhum dos dois lados tem, hoje, uma decisão de mérito definitiva a seu favor.</strong> Não houve um novo julgamento imparcial que tenha absolvido Lula com base nas provas, nem uma condenação válida que tenha resistido ao teste de um juiz competente e imparcial.</p>



<h2 class="wp-block-heading">3. As duas leituras em disputa</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Leitura A — perseguição política (&#8220;lawfare&#8221;).</strong> Defendida pela defesa de Lula, pelo PT e por parte da literatura jurídica crítica (há inclusive produção acadêmica recente tratando o caso como <a href="https://www.indexlaw.org/index.php/revistacpc/article/download/11003/7432/30662">&#8220;malicious lawfare&#8221;, um desvio de finalidade da Lava Jato em Curitiba voltado a interferir no resultado das eleições de 2018</a>). Argumentos centrais: o imóvel do tríplex nunca esteve em nome de Lula (pertencia à OAS, dado como garantia à Caixa); o sítio pertencia à família Bittar; as provas eram majoritariamente delações premiadas, sem lastro documental direto; e a Vaza Jato comprovaria conluio deliberado entre acusação e julgador.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Leitura B — culpa real com processo posteriormente invalidado por conveniência.</strong> Defendida por ex-integrantes da força-tarefa (como Deltan Dallagnol) e por parte da magistratura e da opinião jurídica mais próxima da Lava Jato. Argumentos centrais: havia indícios de benefícios indevidos custeados por empreiteiras (reformas pagas pela OAS no tríplex e no sítio); as mensagens vazadas foram obtidas por meio ilegal (invasão de celular), o que, para juristas como Modesto Carvalhosa, tornaria essa <a href="https://www.otempo.com.br/politica/juristas-divergem-sobre-efeitos-de-mensagens-na-lava-jato-1.2196914">prova ilícita e inutilizável para anular os processos</a>; e a composição do STF que julgou a anulação já era, segundo essa leitura, favorável a Lula — Dallagnol chega a citar <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/deltan-dallagnol/stf-elegeu-lula-gilmar-mendes-tse/">declaração do ministro Gilmar Mendes atribuindo ao próprio STF o mérito de ter viabilizado a eleição de Lula em 2022</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vale notar: fontes como o site do PT e do próprio Lula são material de advocacy, não análise neutra — útil para mapear os argumentos da defesa, mas não como prova isenta.</p>



<h2 class="wp-block-heading">4. Minha avaliação</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Separando o que considero factualmente sólido do que é interpretação:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sólido:</strong> a existência do conluio processual entre Moro e a força-tarefa é razoavelmente bem documentada — não depende só da palavra de Lula, mas de mensagens cuja autenticidade não foi seriamente contestada, e que motivaram inclusive precedente anterior (caso Banestado) de suspeição do mesmo juiz. Isso, para mim, é o ponto mais forte a favor da tese de vício processual grave, independentemente de quem estava certo sobre a competência territorial (esse segundo ponto é mais tecnicamente discutível e dividiu até os próprios ministros do STF).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Genuinamente incerto:</strong> se, com um juiz imparcial e competência correta desde o início, as provas disponíveis (delações, indícios de reformas custeadas por empreiteiras) seriam suficientes para uma condenação além de dúvida razoável. Isso nunca foi testado — os casos morreram por prescrição antes de chegar a esse ponto, o que é resultado direto da própria demora causada pela anulação. Ou seja: a resposta &#8220;ele é inocente&#8221; e a resposta &#8220;ele é culpado, mas escapou por tecnicalidade&#8221; são ambas afirmações mais fortes do que o que os autos permitem sustentar. O que existe, tecnicamente, é <em>culpa juridicamente não comprovada</em> — categoria diferente tanto de inocência declarada quanto de culpa comprovada e anulada por procedimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como pesquisa em ciências sociais, esse caso costuma ser tratado menos como &#8220;ele fez ou não fez&#8221; e mais como estudo de caso sobre judicialização da política no Brasil pós-2014 — o Judiciário (Lava Jato primeiro, depois o próprio STF) atuando como ator político central em disputas eleitorais, nos dois sentidos.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />



<h3 class="wp-block-heading">Pergunta 2</h3>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">&#8220;após a anulação das provas produzidas por Moro, não restaram elementos suficientes para sustentar uma nova denúncia&#8221; &#8211; significa isso que as provas foram produzidas no sentido de inventadas? Quais provas teriam consistência?</p>
</blockquote>



<h3 class="wp-block-heading">Resposta 2</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Ótima pergunta — vale desfazer essa confusão de termo antes de ir para o mérito.</p>



<h2 class="wp-block-heading">&#8220;Produzidas&#8221; não significa &#8220;inventadas&#8221;</h2>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Produção de provas&#8221; é jargão processual técnico, não uma acusação de fraude. É a fase da instrução criminal em que depoimentos são colhidos, documentos juntados, perícias feitas, interceptações realizadas — tudo sob supervisão de um juiz. Quando o STF anula &#8220;as provas produzidas por Moro&#8221;, está dizendo: <em>esse juiz não tinha competência (ou não era imparcial) para presidir essa fase, então tudo que foi colhido sob a autoridade dele perde validade jurídica</em> — não que as provas eram falsas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso é diferente de fabricar prova (plantar documento falso, forjar assinatura etc.), o que <strong>não</strong> foi o que a Vaza Jato revelou. O que ela mostrou foi Moro <strong>orientando</strong> a acusação — sugerindo ordem de fases, indicando testemunhas, trocando informação com os procuradores. Isso é um problema de <strong>imparcialidade na condução</strong>, não de <strong>fabricação do conteúdo</strong>. As testemunhas eram pessoas reais dizendo coisas reais; o problema é que o juiz que devia arbitrar isso de forma neutra estava, segundo o STF, jogando do lado da acusação.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Quais provas tinham mais consistência (caso do tríplex)</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Não havia prova documental direta de que Lula era dono do apartamento — nunca houve transferência formal, e o imóvel seguia registrado em nome da OAS, hipotecado à Caixa. Diante disso, a condenação de Moro se apoiou em prova <strong>indireta e testemunhal</strong>, entre os <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/republica/triplex-as-18-provas-que-condenaram-lula-mas-que-foram-anuladas-pelo-stf/">18 elementos de prova listados na sentença</a>:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Depoimento de Léo Pinheiro</strong> (ex-presidente da OAS, delação premiada — que, note-se, sequer chegou a ser formalmente homologada): <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/republica/triplex-as-18-provas-que-condenaram-lula-mas-que-foram-anuladas-pelo-stf/">disse que a reserva da unidade foi pedida por João Vaccari Neto &#8220;para a família do presidente Lula&#8221; e que a reforma foi discutida com ele</a>.</li>



<li><strong>Depoimento de Paulo Gordilho</strong> (diretor de engenharia da OAS): corroborou a reserva em 2011 e uma reunião sobre a reforma.</li>



<li><strong>Depoimento da engenheira da OAS</strong>: relatou visita de Marisa Letícia e do filho Fábio ao imóvel em 2014, dizendo que Marisa era tratada no local &#8220;como a proprietária&#8221;.</li>



<li><strong>Fotos</strong> de Lula no imóvel acompanhado de Léo Pinheiro, e relatos de que a reforma era uma &#8220;obra de personalização&#8221; para a família.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O próprio Moro, em <a href="https://cartacampinas.com.br/2018/09/x-sergio-moro-confirma-textualmente-que-condenou-lula-sem-provas-no-caso-do-triplex/">despacho posterior, reconheceu que não havia prova de que recursos específicos de contratos com a Petrobras tivessem sido usados para pagar esse benefício a Lula</a> — o elo com a Petrobras (que é o que caracterizaria o crime de corrupção, e não apenas um benefício qualquer) dependia de inferência, não de rastro financeiro documentado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aqui as duas leituras se separam de novo:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Defesa/críticos da sentença</strong>: sem documento de propriedade, sem rastro financeiro ligado à Petrobras, e com um único delator não homologado sustentando o núcleo da acusação, a condenação teria <a href="https://www.jusbrasil.com.br/noticias/muita-conviccao-nenhuma-prova-o-raio-x-da-sentenca-de-moro-no-caso-triplex/477776112">&#8220;muita convicção, pouca prova&#8221;</a>.</li>



<li><strong>Acusação/Moro</strong>: a ausência de registro formal em nome de Lula seria, ela mesma, um indício de dissimulação — padrão típico de lavagem de dinheiro, em que o beneficiário evita deixar rastro documental proposital.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">No caso do <strong>sítio de Atibaia</strong>, a base probatória era ainda mais frágil e mais dependente de indícios materiais menores (itens pessoais da família encontrados no local, reformas custeadas por empreiteiras) do que de prova documental ou financeira robusta — o que ajuda a explicar por que, quando o caso foi reaberto em Brasília sem as provas produzidas por Moro, <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2022/lula-inocentado-justica-condenacoes-lava-jato/">a juíza concluiu que não restava base suficiente nem para uma nova denúncia</a>.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />



<h3 class="wp-block-heading">Pergunta 3</h3>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Mas então, dado o exposto, não há qualquer prova factual? São todas alusões, inferências, depoimentos indiretos?</p>
</blockquote>



<h3 class="wp-block-heading">Resposta 3</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Não é bem isso — vamos separar com precisão, porque &#8220;indireto&#8221; e &#8220;inexistente&#8221; são coisas diferentes.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Havia prova documental real — mas sobre fatos periféricos</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O processo teve, de fato, <strong>18 elementos de prova</strong> listados por Moro na sentença, incluindo <a href="https://www.jusbrasil.com.br/noticias/prova-documental-inocenta-lula/536309518">comprovantes bancários, certidões de imóvel, trocas de mensagens, registros de vídeo e fotos, e declarações de imposto de renda</a>. Isso não é nada. O problema é <em>o que</em> cada peça prova:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Documentos mostram que Lula <strong>comprou legitimamente</strong> uma unidade diferente (<a href="https://www.jusbrasil.com.br/noticias/prova-documental-inocenta-lula/536309518">apartamento 141-A, pela Bancoop</a>), pagando 50 das 70 parcelas via declaração de IR de Marisa — <a href="https://www.aosfatos.org/noticias/o-que-e-fato-e-o-que-e-ficcao-na-condenacao-de-lula-na-lava-jato/">documentos também admitidos por Moro como prova referem-se às declarações de imposto de renda do ex-presidente</a>.</li>



<li>Há comprovante de que a OAS fez reforma de &#8220;personalização&#8221; no tríplex (164-A) — isso é fato material, não alusão.</li>



<li>Há movimentação financeira documentada da reforma.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O que <strong>não existe em nível documental</strong> é o elo entre essas peças e a acusação central: que o tríplex 164-A (diferente do que ele comprara) foi <strong>destinado a Lula especificamente como contrapartida</strong> pelos contratos da OAS com a Petrobras. Não há contrato assinado, não há transferência de titularidade, não há registro bancário rotulado como pagamento de propina, não há grampo do próprio Lula confirmando o acordo. O próprio Moro, em <a href="https://cartacampinas.com.br/2018/09/x-sergio-moro-confirma-textualmente-que-condenou-lula-sem-provas-no-caso-do-triplex/">despacho posterior, admitiu isso</a>: <strong>não havia prova de que recursos especificamente originados dos contratos Petrobras-OAS tivessem sido usados para esse fim.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading">O que preenche essa lacuna: prova indiciária, que é juridicamente válida</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Aqui entra uma distinção técnica importante do processo penal brasileiro: <strong>prova indiciária</strong> (art. 239 do CPP)[^1] é categoria legítima — um conjunto de indícios convergentes pode, sim, fundamentar condenação, sem exigir prova direta e &#8220;confessional&#8221; de cada elo. O problema não é &#8220;não haver provas&#8221;, mas sim a <strong>qualidade e a origem</strong> dos indícios usados:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>O elo causal decisivo veio quase inteiramente do depoimento de <strong>Léo Pinheiro</strong> — delator único, cuja delação sequer chegou a ser homologada — dizendo que a reserva era &#8220;para a família do presidente&#8221;.</li>



<li>Esse depoimento foi <strong>corroborado por outras testemunhas indiretas</strong> (o diretor de engenharia da OAS, a engenheira que acompanhou visitas, o sócio da empresa de decoração), que confirmam comportamentos consistentes com a tese (visitas, tratamento de Marisa &#8220;como proprietária&#8221;, reforma personalizada) — mas nenhuma delas presenciou ou documentou o suposto acordo de troca por favores à Petrobras.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading">Resposta direta</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Não é correto dizer que não havia prova nenhuma — havia prova documental sobre fatos periféricos e reais (reforma, movimentação financeira, compra de outro imóvel). Mas também não é correto dizer que havia prova direta do crime central. O que sustentava a acusação de corrupção passiva especificamente ligada à Petrobras era, sim, majoritariamente <strong>inferência a partir de indícios convergentes, ancorados no depoimento de um único delator não homologado</strong> — é exatamente por isso que juristas (inclusive fora do campo pró-Lula, num <a href="https://www.goodreads.com/book/show/36047855">livro coletivo de 122 autores criticando a sentença</a>) chamaram a decisão de <a href="https://www.jusbrasil.com.br/noticias/muita-conviccao-nenhuma-prova-o-raio-x-da-sentenca-de-moro-no-caso-triplex/477776112">&#8220;muita convicção, pouca prova&#8221;</a>: não por ausência total de prova, mas por essa prova ser estruturalmente mais fraca do que a gravidade da pena aplicada exigiria.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />



<h3 class="wp-block-heading">Pergunta 4</h3>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Você fez, no diálogo acima, uma espécie de análise que sempre tendeu a uma espécie de &#8220;meio termo&#8221;. Mas parece nítido que prevaleceram as convicções sobre as provas. E também a fragilidade das provas. O que foi refoçado pela parcialidade comprovada de Moro.</p>
</blockquote>



<h3 class="wp-block-heading">Resposta 4</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Tem razão em parte, e vale eu ser mais direto sobre onde a &#8220;postura de meio-termo&#8221; foi apropriada e onde ela mascarou algo que os próprios fatos que levantei já indicavam com mais clareza.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O que de fato pende para um lado, com base no que já expus</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Três elementos, juntos, sustentam sua leitura:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>A cadeia probatória central era estruturalmente fraca.</strong> O elo que caracterizaria o crime — vantagem indevida <em>especificamente ligada</em> a contratos da OAS com a Petrobras — dependia quase inteiramente do depoimento de um único delator sequer homologado. Prova indiciária é juridicamente válida, mas convergir vários indícios circunstanciais (visitas, &#8220;tratamento como proprietária&#8221;, personalização de reforma) em torno de <strong>um único ponto de origem testemunhal</strong> é uma base bem mais frágil do que a pena de 9 anos e 6 meses (depois agravada) sugere.</li>



<li><strong>A própria lógica da sentença reforça isso.</strong> O trecho que citei — em que Moro trata a ausência de confirmação de que o apartamento era de Lula como &#8220;prova&#8221; de que era de Lula — é um erro clássico de inversão do ônus da prova. Isso não é interpretação da defesa: é a estrutura textual da decisão, e foi por isso que virou objeto de crítica de um volume de 122 juristas e professores, não só de aliados políticos de Lula.</li>



<li><strong>A parcialidade de Moro foi formalmente declarada pelo STF</strong>, com base em mensagens cuja autenticidade não foi seriamente contestada. Isso não prova, por si, que as provas eram fracas — mas <strong>remove a premissa de que um árbitro neutro avaliou essa base fraca e ainda assim a considerou suficiente.</strong> O que houve foi o oposto: um juiz que orientava a acusação avaliando uma base já frágil. Isso é agravante, não mitigante.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Juntando os três pontos: para o padrão penal — prova além de dúvida razoável, produzida por juiz imparcial — a condenação não deveria ter se sustentado. Isso eu posso afirmar com razoável segurança, porque é basicamente a soma dos fatos já levantados, não uma opinião nova.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Onde a cautela continua sendo necessária — não por &#8220;equilíbrio&#8221;, mas porque são afirmações diferentes</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Duas coisas que <strong>não</strong> decorrem automaticamente do que expus acima:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>&#8220;Prova fraca para o crime específico&#8221; ≠ &#8220;nenhuma relação com o imóvel&#8221;.</strong> Os indícios (reserva feita a pedido, reforma personalizada, Marisa tratada como dona) sugerem que existia, sim, algum tipo de relação informal com aquele apartamento — só não uma relação que comprove, no padrão penal exigido, o crime de corrupção passiva vinculado à Petrobras. Dizer &#8220;não houve crime provado&#8221; é diferente de dizer &#8220;não houve absolutamente nada&#8221;.</li>



<li><strong>&#8220;Processo viciado e evidência frágil&#8221; ≠ prova automática de &#8220;lawfare&#8221; como projeto coordenado.</strong> Essa é uma tese causal mais forte — de que havia intenção deliberada e articulada de usar o Judiciário para impedir a candidatura de Lula em 2018. Ela tem indícios a favor (a própria Vaza Jato mostra coordenação estratégica entre juiz e acusação), mas é uma camada analítica adicional, que exige mais do que só constatar fragilidade probatória e parcialidade — exige evidência sobre intenção e articulação política, que é outro tipo de prova.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Então, resumindo com a mesma franqueza que você pediu: na pergunta estrita &#8220;as provas sustentavam a condenação penal nos padrões exigidos&#8221;, a resposta que os fatos favorecem é <strong>não</strong> — e isso fica mais forte, não mais neutro, quando somado à parcialidade comprovada. Onde eu mantenho reserva não é para suavizar isso, mas porque &#8220;processo injusto&#8221; e &#8220;inocência fática total&#8221; são afirmações de naturezas diferentes, e só a primeira está bem lastreada no que discutimos.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />



<h3 class="wp-block-heading">Pergunta 5</h3>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Mas se o que sustenta um julgamento é a presunção de inocência; se o que sustenta o juízo são apenas alegações testemunhais indiretas; se essas alegações não demonstram em ponto algum a relação com a Petrobras ou com benefício dela; e se há ainda delação não-homologada…</p>
</blockquote>



<h3 class="wp-block-heading">Resposta 5</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Seu silogismo é procedente, e acho que devo ser mais assertivo aqui em vez de reabrir o &#8220;meio-termo&#8221; outra vez.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A lógica funciona, e ela aponta para uma conclusão específica</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Presunção de inocência não é um princípio decorativo — é uma regra operacional[^2]: <strong>o ônus é todo da acusação, e a dúvida razoável resolve-se a favor do réu.</strong> Não é &#8220;50% inocente, 50% culpado até prova em contrário&#8221;. É: até que a acusação produza prova que supere esse padrão, <strong>o status juridicamente válido é não-culpado</strong>, ponto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dado o que já levantamos — núcleo probatório apoiado numa delação sequer homologada, corroboração apenas circunstancial (visitas, tratamento de &#8220;proprietária&#8221;, reforma personalizada), nenhum elo documental demonstrado com a Petrobras (o próprio Moro admitiu isso por escrito), e o julgador com parcialidade formalmente declarada — a conclusão que se impõe não é &#8220;inconclusivo&#8221;. É: <strong>a acusação não superou o standard exigido, logo, juridicamente, Lula deve ser tratado como não-culpado dessas imputações específicas.</strong> Isso não é uma posição de equilíbrio entre dois lados — é a aplicação direta da regra que você citou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E isso é reforçado, não enfraquecido, pelo desfecho real: quando o caso foi refeito em Brasília, sem as provas de Moro, <strong>não houve nova condenação</strong> — nem no tríplex (prescrito), nem no sítio (denúncia rejeitada por insuficiência). Se houvesse prova robusta subjacente, isso deveria ter sobrevivido a um julgamento correto. Não sobreviveu.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Onde eu ainda insisto numa distinção — não para diluir isso, mas porque é outra pergunta</h2>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Juridicamente não-culpado, porque a acusação não provou&#8221; é uma afirmação sobre <strong>o ônus da prova e a validade do processo</strong>. É diferente de &#8220;está provado que não houve nenhum tipo de proximidade ou benefício informal com aquele imóvel&#8221;. A primeira é o que a lei garante e o que os fatos sustentam com segurança. A segunda seria uma afirmação positiva sobre o que de fato ocorreu — e essa exigiria um julgamento de mérito que nunca chegou a existir, porque o processo morreu antes disso (por prescrição, causada pela própria nulidade).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso não é ficar em cima do muro: é reconhecer que a presunção de inocência resolve a questão <em>jurídica</em> (que é a que importa para efeitos legais, políticos e de elegibilidade) sem precisar — nem poder — resolver a questão <em>factual completa</em>, porque essa segunda nunca foi (e agora não será) testada por um processo válido. A lei não exige que se resolva a segunda para aplicar a primeira; é esse justamente o ponto da presunção de inocência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, para ser direto na sua pergunta: sim, aplicando corretamente a presunção de inocência aos elementos que levantamos, <strong>a conclusão logicamente correta é que a condenação não se sustentava e que Lula deve ser tido como inocente dessas acusações específicas</strong> — não como resultado de uma &#8220;anulação por tecnicalidade&#8221; que escondia uma culpa demonstrada, mas porque a culpa nunca foi validamente demonstrada em primeiro lugar.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />



<h2 class="wp-block-heading">Pergunta 6</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Mas a &#8220;questão factual completa&#8221; não foi testada por um tribunal porque, como você mesmo aludiu, um segundo tribunal sequer viu sentido em seguir uma acusação por simples ausência de provas. E ter algum contato informal com o imóvel, até mesmo interesse nele, não prova qualquer ilícito, pois como a própria defesa sustentou, chegou a haver visitação do imóvel, mas não se seguiu adiante… o que deixa tudo no nível da suposição e reforça a tese do lawfare e da parcialidade…</p>
</blockquote>



<h3 class="wp-block-heading">Resposta 6</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Seu ponto sobre a visitação sem seguimento é factualmente correto (a própria sentença registra que Lula visitou o imóvel e não avançou com a compra), e isso já reduz o peso da &#8220;prova circunstancial de interesse&#8221;. Mas há algo além disso que preciso trazer, porque muda a natureza da sua conclusão sobre &#8220;lawfare&#8221; — não pela pressão do seu argumento, mas porque revisei agora o conteúdo concreto da Vaza Jato, e ele vai além de &#8220;parcialidade num caso isolado&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O que a Vaza Jato mostra, especificamente, sobre intenção</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Não são só mensagens de orientação processual. Há registro de:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Procuradores manifestando preocupação de que a operação parecia favorecer a candidatura de Bolsonaro</strong>, ao ponto de <a href="https://www.poder360.com.br/justica/vaza-jato-procuradores-criticaram-atuacao-de-moro-e-ida-para-ministerio/">uma delas sugerir que a força-tarefa emitisse nota pública sobre isso</a>.</li>



<li><strong>Articulação deliberada para barrar uma entrevista de Lula duas semanas antes do primeiro turno de 2018</strong>, com <a href="https://www.intercept.com.br/2019/06/09/procuradores-tramaram-impedir-entrevista-lula/">procuradores discutindo explicitamente o receio de que ela ajudasse o candidato do PT, Fernando Haddad</a> — e estratégias para reduzir esse &#8220;benefício eleitoral&#8221;.</li>



<li><strong>Dallagnol tentando acelerar medidas contra outro político do PT (Jaques Wagner) dias antes de uma eleição</strong>, <a href="https://bancariosal.org.br/noticia/33207/vaza-jato-postura-de-moro-ja-incomodava-procuradores-do-ministerio-publico-federal">admitindo em mensagem que a ação teria motivação &#8220;simbólica&#8221;</a>, não estritamente técnica.</li>



<li><strong>Uma mensagem interna, dias antes da denúncia do tríplex, em que o próprio procurador que redigiu a peça expressava dúvida se o apartamento poderia mesmo ser vinculado à Petrobras</strong> — e a <a href="https://museudalavajato.com.br/vaza-jato2/">decisão de seguir adiante teve o objetivo adicional de deslocar o caso para Curitiba, onde seria julgado por Moro</a>.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Isso é qualitativamente diferente de &#8220;juiz parcial avaliando mal um caso fraco&#8221;. É registro, nas próprias palavras dos agentes, de <strong>motivação e articulação eleitoral reconhecidas internamente</strong>, incluindo dúvida sobre a prova central expressa antes de formalizá-la.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Isso muda minha avaliação anterior</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nas respostas passadas, tratei &#8220;processo viciado e prova fraca&#8221; como algo distinto de &#8220;lawfare como projeto coordenado&#8221;, dizendo que a segunda tese exigiria evidência sobre intenção, não só sobre fragilidade probatória. Esse padrão de evidência — motivação eleitoral admitida internamente, forum shopping reconhecido, dúvida sobre a prova central expressa antes de denunciar — <strong>é exatamente o tipo de evidência que faltava para sustentar a tese mais forte</strong>. Não é mais especulação: é documentado pelos próprios autores, em texto que eles não escreveram para publicação.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O limite que ainda mantenho</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Isso sustenta bem a tese de que houve <strong>coordenação política doméstica, com motivação eleitoral reconhecida</strong>, dentro da força-tarefa e do juiz. Não sustenta, com o mesmo nível de evidência, versões mais maximalistas do &#8220;lawfare&#8221; que envolvem articulação externa (financiamento estrangeiro, ingerência de agências dos EUA etc.) — essa é uma camada adicional de alegação, com evidência mais fraca e mais contestada, que não decorre do que vimos aqui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, dentro do que temos: sim, a soma de (a) núcleo probatório apoiado em delação não homologada, (b) ausência de prova documental do elo com a Petrobras admitida pelo próprio Moro, (c) parcialidade judicial declarada pelo STF, e (d) evidência textual de motivação e articulação eleitoral pelos próprios agentes — aponta para além de um erro processual isolado. Aponta para uso do aparato judicial como instrumento de disputa política, com efeito concreto sobre a eleição de 2018.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />



<h2 class="wp-block-heading">Notas</h2>



<p class="wp-block-paragraph">[^1]: BRASIL. Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), art. 239. Referência de conhecimento jurídico geral, sem URL específica consultada na pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[^2]: BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, art. 5º, inciso LVII (princípio da presunção de inocência). Referência de conhecimento jurídico geral, sem URL específica consultada na pesquisa.</p>


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		<title>Marco Rubio contra a &#8220;extrema esquerda&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 05:06:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[historia do esquecimento]]></category>
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					<description><![CDATA[E dizer que o Departamento de Estado dos EUA soltou essa&#8230;]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">E dizer que o Departamento de Estado dos EUA soltou essa&#8230;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img width="450" height="1025" data-attachment-id="6321" data-permalink="https://catatau.wordpress.com/2026/07/17/marco-rubio-contra-a-extrema-esquerda/screenshot_20260717_0201485188887720353649299/" data-orig-file="https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/07/screenshot_20260717_0201485188887720353649299.jpg" data-orig-size="878,2000" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="screenshot_20260717_0201485188887720353649299" data-image-description="" data-image-caption="" data-large-file="https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/07/screenshot_20260717_0201485188887720353649299.jpg?w=450" src="https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/07/screenshot_20260717_0201485188887720353649299.jpg?w=450" alt="" class="wp-image-6321" srcset="https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/07/screenshot_20260717_0201485188887720353649299.jpg?w=450 450w, https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/07/screenshot_20260717_0201485188887720353649299.jpg?w=66 66w, https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/07/screenshot_20260717_0201485188887720353649299.jpg?w=132 132w, https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/07/screenshot_20260717_0201485188887720353649299.jpg?w=768 768w, https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/07/screenshot_20260717_0201485188887720353649299.jpg 878w" sizes="(max-width: 450px) 100vw, 450px" /><figcaption class="wp-element-caption">Inacreditável</figcaption></figure>
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		<title>Curitiba e seu café antropológico</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 14:23:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tomar café numa calçada curitibana é uma verdadeira experiência antropológica. Começa com o nome do estabelecimento, emprestado de uma das tribos do norte do globo. O café na calçada lembra qualquer café, mas um pouco mais aqueles, europeus, de calçada (é proposital). Não à toa, uma família leva o amigo gringo ali para tomar café. &#8230; <a href="https://catatau.wordpress.com/2026/07/13/curitiba-e-seu-cafe-antropologico/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Curitiba e seu café&#160;antropológico</span></a>]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">Tomar café numa calçada curitibana é uma verdadeira experiência antropológica. Começa com o nome do estabelecimento, emprestado de uma das tribos do norte do globo. O café na calçada lembra qualquer café, mas um pouco mais aqueles, europeus, de calçada (é proposital).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não à toa, uma família leva o amigo gringo ali para tomar café. Afinal, ele se parece mais com a Europa. Em meio às conversas, pedintes em condição sub-humana aparecem para que ninguém esqueça o que compõe nossa paisagem real. Entre amenidades e compensações, o mal-estar e o esquecimento forçado, a conversa segue. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Na mesa ao lado há um jovem casal em primeiro encontro. A conversa também enverga rumo a um velho ritual da região: narrar quais são as origens da família para impressionar a parceira. No caso, sempre são as origens européias. E como em qualquer narrativa de origem, há uma espécie de segredo, tesouro, legitimidade, realeza, que ficou lá atrás, prestes a brotar em algo do próprio narrador aqui e agora. Pode ser o <em>pedigree</em> de alguma nobreza perdida, ou mesmo, da nobreza de que houve alguma perseguição na família. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Afinal, ser &#8220;como eles&#8221; e não como nós, eis um invariante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O casal sai e chega outro: é o gringo e a brasileira. Claro que a conversa dá lugar às comparações e a como nossas terras são decaídas. Aqui <em>quase</em> se parece como lá, tal e tal lugar no interior de outro rincão do norte terrestre. E neste caso o garçom &#8211; coitado &#8211; sequer sabia a diferença entre um café<em> lungo</em> e um café &#8220;grande&#8221; (conforme a gíria). Os comentários em reprovação de repente se unem ao que se lê no <em>WhatsApp</em> e sobre a pouca vergonha do povo que se recusou recentemente a acampar junto aos quartéis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguém levanta para pagar a conta e emenda para o casal, referindo-se ao garçom: &#8220;cada lugar tem seu costume, respeitem os daqui!&#8221;. Todo mundo olha por um momento. E então retorna ao que é mais natural e cotidiano.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Como acreditar numa notícia falsa</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Oct 2024 20:51:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O modelo básico das Fake News é aquele, da rede social, no qual alguém põe fotos de mulheres bonitas e inventa um nome qualquer de mulher. Tudo é falso, mas não importa: sempre aparece uma multidão de paspalhos predispostos àquela fantasia.]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">O modelo básico das Fake News é aquele, da rede social, no qual alguém põe fotos de mulheres bonitas e inventa um nome qualquer de mulher. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo é falso, mas não importa: sempre aparece uma multidão de paspalhos predispostos àquela fantasia.</p>
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		<title>Pobre Sul</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Sep 2024 11:00:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Há muitos anos não deixo de ter a impressão de que o sul do Brasil tem sido a região que menos evoluiu e mais saiu comprometida com tudo, da pandemia aos eventos climáticos. Tudo, no sul, precarizou: as mudanças climáticas são mais drásticas, não há investimento em melhoria urbana, o emprego está precaríssimo e via &#8230; <a href="https://catatau.wordpress.com/2024/09/06/pobre-sul/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Pobre Sul</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Há muitos anos não deixo de ter a impressão de que o sul do Brasil tem sido a região que menos evoluiu e mais saiu comprometida com tudo, da pandemia aos eventos climáticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo, no sul, precarizou: as mudanças climáticas são mais drásticas, não há investimento em melhoria urbana, o emprego está precaríssimo e via de regra informal, os preços aumentaram muito em todos os quesitos (combustível, imóveis, comida), as relações cotidianas se deterioraram (houve grande perda do senso de solidariedade e as pessoas se recolhem em nichos e bolhas), perdeu-se certa bússola sobre como se conduzir…</p>



<p class="wp-block-paragraph">E o sul mantêm os mesmos políticos de sempre. E os mesmos <em>slogans</em>, muitos deles flertando com os piores preconceitos racistas e xenófobos, do tipo “AQUI se trabalha”. Os índices são falsos, mas autoreferentes e inflados (“educação da Finlândia”, “melhor nisso e naquilo”, sem que o dado seja fidedigno), as palavras também (“porque lá pra cima é pior”, “lá no nordeste…”, “aquele povo que não trabalha”…).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ultradireita afetou demais a percepção do sulista sobre o mundo. Há ali um anarcocapitalismo difuso, uma guerra velada ou muitas vezes explícita de todos contra todos, uma espécie de refugismo em pequenos apartamentos regados a netflix ou em bolhas identitárias das coisas mais fúteis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pobre sul… Quando vai despertar e voltar a ver sua exuberante mata atlântica, seus rios e a natureza ainda não atingida por seus agrotóxicos? Quando voltará a comer seu pinhão na chapa com chimarrão em manhãs frias? Quando voltará a ter aquela frieza que era só ressabiada, sem ser tão agressiva?</p>
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		<title>Pagerank</title>
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		<dc:creator><![CDATA[catatau]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Aug 2024 14:57:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[catatau]]></category>
		<category><![CDATA[historia do esquecimento]]></category>
		<category><![CDATA[midia]]></category>
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					<description><![CDATA[Nos anos 2000 eu rodava o blog Catatau no Blogsome.com, e o blog chegou a ter Pagerank google 7 ou 8. Significava que o blog, apesar de estar num subdomínio, tinha importância de conteúdo tão bem valorizada que estava acima de 70% das outras páginas do mundo. E era em português. Acho que os owners &#8230; <a href="https://catatau.wordpress.com/2024/08/15/pagerank/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Pagerank</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Nos anos 2000 eu rodava o blog Catatau no Blogsome.com, e o blog chegou a ter Pagerank google 7 ou 8.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Significava que o blog, apesar de estar num subdomínio, tinha importância de conteúdo tão bem valorizada que estava acima de 70% das outras páginas do mundo. E era em português.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acho que os owners do blogsome jamais souberam ou se importaram com isso. E em 2011, resolveram cancelar o site inteiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi um grande choque, e precisei trazer tudo para o wordpress. Mas a onda do momento começava a ser a das redes sociais e todo o Pagerank acumulado se perdeu, apesar de ser o mesmo conteúdo&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas desde então, não foi mais com o conteúdo que a internet se importou. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O blog segue aqui, entre idas e vindas.</p>
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		<title>Dar parabéns à IA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[catatau]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Aug 2024 14:41:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[brasil]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[faroeste caboclo]]></category>
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		<category><![CDATA[midia e politica]]></category>
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					<description><![CDATA[Outra modalidade de analfabetismo digital, mas com grandes consequências políticas (seguindo o post anterior) é bem exemplificado pelas as IA&#8217;s e tem se intensificado com elas: é a atribuição de autoria a um meme não feito por humanos, ou de retrato a uma imagem postada como spam, ou de simples confusão de personagens. Anos atrás, &#8230; <a href="https://catatau.wordpress.com/2024/08/15/dar-parabens-a-ia/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Dar parabéns à&#160;IA</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Outra modalidade de analfabetismo digital, mas com grandes consequências políticas (seguindo o <a href="https://wp.me/pCdl-1CK">post anterior</a>) é bem exemplificado pelas as IA&#8217;s e tem se intensificado com elas: é a atribuição de autoria a um <em>meme</em> não feito por humanos, ou de retrato a uma imagem postada como spam, ou de simples confusão de personagens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Anos atrás, tínhamos as histórias sobre as velhinhas que penduravam a <a href="https://www.metroworldnews.com.br/entretenimento/2020/11/09/ha-anos-idosa-reza-obi-wan-kenobi-de-star-wars-pensando-que-e-um-santo-catolico.html">foto</a> de Obi-wan Kenobi na parede ou detinham um bonequinho de <a href="https://glamour.globo.com/google/amp/lifestyle/trending/noticia/2017/01/idosa-reza-diariamente-para-boneco-de-senhor-dos-aneis-pensando-ser-santo.ghtml">Elrond</a> num altar para rezar a Jesus ou Santo Antonio.&nbsp;Isso era certamente confusão, mas não deliberadamente explorada por outrem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje a indução ao erro se tornou uma indústria, por exemplo de engajamento. Há as páginas no Facebook e no Instagram feitas pura e simplesmente para coletar fotos e vídeos de influencers de corpo bonito. O engajamento é alto, e o que se vê nas interações? Gente elogiando as fotos como se fossem postadas pelos próprios retratados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso quando o retratado é uma pessoa <em>real</em>.&nbsp; Redes como o Facebook se esforçam para distinguir se há um retrato ou uma IA, sinalizando a postagem. Mas não falta gente que cai no engodo (ou no engajamento) com mensagens do tipo &#8220;olá, bebê&#8221; e quetais (quando não se dedicam a atacar as modelos).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na mesma linha, há as imagens de IA geradas automaticamente. Se elas são sobre gatinhos, fofurices ou mensagens de paz, não faltam os velhinhos dando os parabéns e abençoando. A máquina dos anos 2020 recebe de seus usuários diversos &#8220;Deus lhe abençoe&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Daí às <em>fake news</em> e às maiores barbaridades deste mundo, o caminho é o de um curto-circuito.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img width="1024" height="666" data-attachment-id="6254" data-permalink="https://catatau.wordpress.com/2024/08/15/dar-parabens-a-ia/image_editor_output_image847236717-17239279318348460490538769031031/" data-orig-file="https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/08/image_editor_output_image847236717-17239279318348460490538769031031.jpg" data-orig-size="1080,703" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}" data-image-title="image_editor_output_image847236717-17239279318348460490538769031031" data-image-description="" data-image-caption="" data-large-file="https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/08/image_editor_output_image847236717-17239279318348460490538769031031.jpg?w=863" src="https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/08/image_editor_output_image847236717-17239279318348460490538769031031.jpg?w=1024" alt="Comentário sobre a boxeadora argelina que ganhou as Olimpíadas" class="wp-image-6254" srcset="https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/08/image_editor_output_image847236717-17239279318348460490538769031031.jpg?w=1024 1024w, https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/08/image_editor_output_image847236717-17239279318348460490538769031031.jpg?w=150 150w, https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/08/image_editor_output_image847236717-17239279318348460490538769031031.jpg?w=300 300w, https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/08/image_editor_output_image847236717-17239279318348460490538769031031.jpg?w=768 768w, https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/08/image_editor_output_image847236717-17239279318348460490538769031031.jpg 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img width="1024" height="666" data-attachment-id="6253" data-permalink="https://catatau.wordpress.com/2024/08/15/dar-parabens-a-ia/screenshot_20240817-175039_facebook311659030937341202/" data-orig-file="https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/08/screenshot_20240817-175039_facebook311659030937341202.jpg" data-orig-size="1080,703" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}" data-image-title="screenshot_20240817-175039_facebook311659030937341202" data-image-description="" data-image-caption="" data-large-file="https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/08/screenshot_20240817-175039_facebook311659030937341202.jpg?w=863" src="https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/08/screenshot_20240817-175039_facebook311659030937341202.jpg?w=1024" alt="" class="wp-image-6253" srcset="https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/08/screenshot_20240817-175039_facebook311659030937341202.jpg?w=1024 1024w, https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/08/screenshot_20240817-175039_facebook311659030937341202.jpg?w=150 150w, https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/08/screenshot_20240817-175039_facebook311659030937341202.jpg?w=300 300w, https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/08/screenshot_20240817-175039_facebook311659030937341202.jpg?w=768 768w, https://catatau.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/08/screenshot_20240817-175039_facebook311659030937341202.jpg 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
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		<title>A inversão do fone de ouvido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[catatau]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Aug 2024 18:41:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Nos anos 1980/90, o walkman e os fones de ouvido surgiram e se multiplicaram. Possuir ambos era sinal de status, modernidade, de estar na crista da onda. Também envolvia a sensação de carregar consigo a história da música, pois virtualmente se poderia ouvir tudo em qualquer lugar (bastando ter as fitas, e depois os CDs, &#8230; <a href="https://catatau.wordpress.com/2024/08/05/a-inversao-do-fone-de-ouvido/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">A inversão do fone de&#160;ouvido</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Nos anos 1980/90, o walkman e os fones de ouvido surgiram e se multiplicaram. Possuir ambos era sinal de status, modernidade, de estar na crista da onda. Também envolvia a sensação de carregar consigo a história da música, pois virtualmente se poderia ouvir tudo em qualquer lugar (bastando ter as fitas, e depois os CDs, ipods, pendrives&#8230;)</p>



<p class="wp-block-paragraph">E eis que surgiu o smartphone. Com ele, no Brasil ao menos, o movimento pareceu retrógrado: as pessoas jogaram fora os fones de ouvido para confundir o smartphone com o antigo radinho de pilha no jogo de domingo, mas generalizado para a vida toda: é volume máximo, não importando o assunto e que se dane o ouvinte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É o mesmo tipo de gente que em geral não sabe desligar a digitação com barulho, ou como baixar o volume. É quem há pouco tinha dificuldades de fazer algo mais que ligar, e flertava com os celulares de teclas grandes. É, finalmente, o mesmo tipo de gente que clica em phishing, cai em golpe e vota baseado em fake news.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Está para ser feito um estudo de como os smartphones emburreceram as pessoas. </p>
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		<title>&#8220;Fascismo&#8221; e redes sociais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[catatau]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jul 2024 21:26:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[historia do esquecimento]]></category>
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		<category><![CDATA[midia e politica]]></category>
		<category><![CDATA[big techs]]></category>
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					<description><![CDATA[O fascismo tem várias homologias para com as redes sociais. Pois ele opera por ressonância. As redes sociais, quando passaram a usar o like, e mais ainda o follow, se tornaram verdadeiros &#8220;para-raios de maluco&#8221;: elas tornaram possível aproximar entre si desde colecionadores de gibi até pedófilos. Mas, independente do conteúdo a ser aproximado, o &#8230; <a href="https://catatau.wordpress.com/2024/07/31/fascismo-e-redes-sociais/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">&#8220;Fascismo&#8221; e redes&#160;sociais</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O fascismo tem várias homologias para com as redes sociais. Pois ele opera por ressonância. As redes sociais, quando passaram a usar o <em>like</em>, e mais ainda o <em>follow</em>, se tornaram verdadeiros &#8220;para-raios de maluco&#8221;: elas tornaram possível aproximar entre si desde colecionadores de gibi até pedófilos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, independente do conteúdo a ser aproximado, o que importa é a forma. As pessoas tendem a seguir aquilo que de algum modo as toca. Isso não é racional, é algo situado nas paixões, na identificação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Likes</em> e <em>follows</em> já existiam antes. Mas nunca foram reunidos de forma sistemática, especialmente sob os modos inaugurados pelo <em>facebook</em>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é à toa que, depois das redes sociais usarem os <em>likes</em> e <em>follows</em>, e depois delas universalizarem, o mundo guinou à ultra-direita. O vínculo entre a exploração de redes sociais (<em>facebook</em>, <em>whatsapp</em> etc.) e de estratégias de ultradireita é para lá de escancarado. </p>



<p class="wp-block-paragraph">E, afinal, é assim que também as <em>Big Techs</em> ganham seu pão.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A normalidade doente das organizações</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Jul 2024 16:26:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Desde que Henri Fayol escreveu Administração Industrial e Geral, em 1916, ele dizia que a, digamos, &#8220;organização&#8221;, deveria ter uma anatomia e uma fisiologia: deveria ter órgãos distribuindo suas funções, executadas por seres humanos. Fayol inspirava-se em Claude Bernard, dentre outros, dando a visão de que uma empresa deveria se comportar semelhante a um organismo, &#8230; <a href="https://catatau.wordpress.com/2024/07/30/a-normalidade-doente-das-organizacoes/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">A normalidade doente das&#160;organizações</span></a>]]></description>
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<p class="has-drop-cap wp-block-paragraph">Desde que Henri Fayol escreveu <em><a href="https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/7948393/mod_resource/content/2/FAYOL%2C%20Henri.%20Administração%20industrial%20e%20geral%20previsão%2C%20organização%2C%20comando%2C%20coordenação%20e%20controle.%20São%20Paulo%2C%20Atlas%201978..pdf">Administração Industrial e Geral</a></em>, em 1916, ele dizia que a, digamos, &#8220;organização&#8221;, deveria ter uma anatomia e uma fisiologia: deveria ter órgãos distribuindo suas funções, executadas por seres humanos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Fayol <a href="https://www.scielo.br/j/cebape/a/MSqLsF5NYRJmXbdXbXyp7wR/">inspirava-se em Claude Bernard</a>, dentre outros, dando a visão de que uma empresa deveria se comportar semelhante a um organismo, com um meio de regulação interna, mesmo que em sua época as &#8220;empresas&#8221; industriais se vissem como sistemas fechados e não precisassem se adaptar tanto assim ao exterior. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Como se sabe, isso tudo foi contestado posteriormente, quando a bolha do trabalho circunscrito às indústrias estourou, rumo à complexidade econômica e de serviços que vimos hoje. </p>



<p class="wp-block-paragraph">De lá para cá, muita coisa se inventou sobre as &#8220;organizações&#8221;. Muito se disse que o mundo muda rapidamente, que há instabilidade constante, que as organizações não são mais sistemas fechados e que precisam se adaptar a um mundo em constante mutação. Isso implicaria na busca de um gigantesco dinamismo, de capacidade interna de mudança, de competências para ver o que se passa lá fora e dar bom rumo às mudanças, sem o que a palavra &#8220;mudar&#8221; vira apenas um modismo vazio. </p>



<p class="wp-block-paragraph">É aí que se vê um fenômeno muito curioso nas organizações, talvez as brasileiras: é que há empresas (públicas ou privadas, não importa), hoje, cuja imagem adequada seria a de um corpo doente. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Explico: um corpo sadio tem as características de ser espontâneo, fluido, sem a necessidade de ficar constantemente &#8220;inovando&#8221;, pois ele se adequa espontaneamente às situações ambientais sob suas possibilidades próprias. Um corpo sadio é, digamos para resumir, &#8220;criativo&#8221;. Ele não &#8220;pensa&#8221; em inovar, pois em seu funcionamento normal ele já &#8220;inova&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto ao corpo doente, ele tem esse círculo da espontaneidade e da criação rompidos. Se meu braço está quebrado, ele não se apresenta mais a mim como meu braço normal. Ele rompe a cadeia de movimentos espontâneos do corpo, ele exige cuidados próprios, ele cria demandas inexistentes em tempos &#8220;normais&#8221;. Num corpo doente, sua doença sempre lhe &#8220;dá trabalho&#8221;, ela corta o funcionamento normal, ela faz com que todo o funcionamento global fique colorido com as cores da doença. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Pois parece que muitas &#8220;organizações&#8221; nos dias atuais se comportam exatamente dessa forma, a da &#8220;doença&#8221;. Pois essas organizações &#8220;normalmente&#8221; se comportam como se fossem doentes. E isso porque elas acabam tomando para si uma série de slogans, de palavras de ordem, de modismos, que sequer são ou seriam importantes ou relevantes para seu funcionamento &#8220;normal&#8221;. Um desses slogans, dentre os mais malditos, é o da &#8220;inovação&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A noção (jamais conceito) de &#8220;inovação&#8221; serviria, em tese, para que uma empresa não apenas consiga prever dificuldades futuras, mas também antever possibilidades de crescimento futuro, ou mesmo resolver problemas presentes. A busca de inovação é um processo criativo. E como tal, caso valha a imagem mais acima, &#8220;inovar&#8221; seria uma virtualidade das mais espontâneas de um corpo saudável, ou ainda, de uma empresa que gostaria de imitar as possibilidades de uma &#8220;organização&#8221;. Não se enxerta inovação numa empresa como se enxerta uma planta: ou ela constitui a situação global da empresa, ou lhe é um corpo estranho. </p>



<p class="wp-block-paragraph">E a inovação como constitutiva de uma empresa, apesar do modismo, não é o que se vê por aí. O que se vê é um mandamento, uma injunção, uma obrigação pura e simples de &#8220;inovar&#8221; (e não importa o termo, pode ser qualquer outro à escolha, pois o princípio é o mesmo). Com pretexto da moda, cria-se uma série de práticas vazias, que muitas vezes só servem para justificar a colocação de certos funcionários de administração. Cria-se programas inteiros, avaliações, práticas, de &#8220;inovação&#8221;, as quais sequer fazem parte da lógica inerente da organização e, mais ainda, passam a atrapalhar tudo o que funcionava anteriormente de forma espontânea. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Por pressão de modismos empresariais supostamente dirigidos a uma sociedade &#8220;dinâmica&#8221;, cria-se verdadeiras quimeras empresariais. Muitas empresas que não tem qualquer implicação para com certas dinâmicas da moda acabam adotando-as, não por necessidade orgânica, mas por simples modismo e injunção externa. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Não à toa há tanto mal atendimento, tanta má gerência, e tanta gente de saco cheio.</p>
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