<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4786012066884740273</id><updated>2025-12-22T05:17:34.952-03:00</updated><title type='text'>CENTRO DE MEDITAÇÃO CH&#39;AN</title><subtitle type='html'>Blog Dedicado ao Estudo e à Prática da Meditação Ch&#39;an</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://centrochan.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4786012066884740273/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://centrochan.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Wu-ming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06700748159145363242</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>7</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4786012066884740273.post-2890603202067216284</id><published>2011-12-29T21:22:00.000-02:00</published><updated>2020-04-10T01:45:24.631-03:00</updated><title type='text'>* OS QUARENTA POEMAS (GATHAS) DA TRANSMISÃO CH&#39;AN</title><content type='html'>&lt;b&gt;Tradução para o português de Wu-ming (1947- &amp;nbsp; &amp;nbsp;)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&lt;strong&gt;Introdução Ch’an pelo Upãsaka Lu K’uan Yu&lt;br /&gt;(1898-1978)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;

&lt;strong&gt;Nos refugiamos no Buda,&lt;br /&gt;Nos refugiamos no Darma,&lt;br /&gt;Nos refugiamos na Sanga,&lt;br /&gt;Nos refugiamos na gema Tríplice dentro de nós mesmos.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Temos o prazer de apresentar os Quarenta Poemas (Gathas) da Transmissão Ch&#39;an.&lt;br /&gt;
Como o Buda disse no Sermão do Diamante (Vajracchedikã-prajnã-pãramitã Sutra), Ele não ensinava nenhum Darma especifico, já que sua doutrina consistia apenas em apagar todos os pensamentos que agitavam a mente, que assim podia permanecer na quietude, de forma que a sabedoria, inerente a cada ser humano, pudesse se manifestar por si mesma e perceber a própria natureza com o objetivo de alcançar a Budeidade. Entretanto, como os homens tinham capacidades diferentes para assimilar a verdade, Ele foi obrigado a ensinar a doutrina Hinayana (do Pequeno Veículo) àqueles que eram capazes de entender apenas a verdade incompleta, e a doutrina Mahayana (do Grande Veículo) àqueles que estavam prontos para o ensinamento final. Isto é o que chamamos de o método apropriado da escola de ensinamento através dos sutras e das palestras. No entanto, era impossível revelar a realidade absoluta através de palavras e discursos, pois, apesar de Ele ter revelado Sua Mente nos Sermões, Seus discípulos não o entenderam. Finalmente, O-Honrado-Pelo-Mundo (um dos muitos nomes do Buda) levantou uma flor e a mostrou aos Seus discípulos para testar sua habilidade em compreender o objetivo ultimo de Seu ensinamento. Apenas Mahakasyapa entendeu a mensagem e a confirmou com um amplo sorriso. Imediatamente, o Buda disse –lhe: “Eu tenho o tesouro do olho do Darma correto, a maravilhosa Mente de Nirvana e a realidade imaterial que agora transmito para você”. Este foi o começo da linhagem Ch’an com seus vinte e sete Patriarcas Indianos e os seis Patriarcas Chineses, e se acrescentamos os Sete Budas da Antiguidade que os precederam o numero total de Budas e Patriarcas conhecidos sobe para quarenta, e daí nossa apresentação dos Quarenta Poemas da Transmissão do Darma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;A Escola do Ensinamento Doutrinário&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O que é conhecido com o nome de Escola do Ensinamento Doutrinário, são as instruções dadas pelo Buda através dos Sermões (Sutras) com o propósito de iluminar os Seus discípulos. Como foi mencionado anteriormente, é muito difícil revelar a verdade absoluta a pessoas de capacidades diferentes, e assim, O-Honrado-pelo-Mundo foi obrigado a ensinar um método simples para principiantes, instando-os a se livrar do envolvimento com todo o que viam ao seu redor; enquanto que Ele reservava o ensinamento avançado para aqueles que tinham realizado a não- existência do mundo fenomênico. Por essa razão, Seu ensinamento foi dividido em Hinayana ou “meia palavra”, isto é, verdade incompleta, e Mahayana ou “palavra inteira”, que é a verdade completa. Por exemplo, quando uma pessoa se apegava a seu ego ou alma (isto é, atman em sânscrito) e ao gozo dos prazeres mundanos, o Buda revelava a não-existência do ego ou anãtman para apagar seu conceito de ego. Infelizmente, os adeptos do Hinayana usavam a palavra anãtman nos seus argumentos para silenciar aqueles que se apegavam ao conceito de atman, ego ou alma e discussões intermináveis tem acontecido desde a introdução do termo anãtman no Ocidente. Se nós analisarmos cuidadosamente ambos os termos, chegaremos à conclusão que “atman” significa o ego (alma) existente e “anãtman” significa o ego (alma) não-existente; em outras palavras, os dois extremos de um dos pares de opostos que não tem natureza própria independente.&lt;br /&gt;
Por essa razão, no Seu ensinamento Mahayana, o Buda ensinou aos Seus discípulos a abandonar seu apego não apenas à “existência”, mas também à “não-existência; ou seja, tanto à “atman” quanto à “anãtman” de forma a não ficar dependente de nenhum deles. Ele disse no Sutra do Diamante: “Se ate o Darma deve ser posto de lado, quanto mais o Não-Darma!” Assim, nos chegamos ao seguinte:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1) A pessoa comum se apega a ãtman, ou ego, ou alma;&lt;br /&gt;
2) O adepto do Hinayana se apega a anãtman, ou não-exitência do ego (da alma);&lt;br /&gt;
3) o adepto do Mahayana não se apega nem a atman nem a anãtman.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois do Nirvana do Buda, Seus discípulos se espalharam para divulgar o Darma. Como não havia nenhum Darma especifico para ensinar, e como a doutrina consistia em apenas despir cada pessoa deludida de seus sentimentos e paixões , eles tinham que usar todo o que estivesse ao alcance de suas mãos, inclusive velhos costumes, rituais, e crenças praticados em outros lugares para iluminar aqueles que ali viviam. Na Índia, costumes Bramánicos, ritos, símbolos, palavras, etc, foram emprestados para converter as pessoas ao Budismo. No Lamaismo Tibetano, encontramos traços da primitiva Bön, uma religião pré-Budista do Tibet. Na China, onde o Taoísmo e o Confucionismo eram as duas religiões predominantes, muitos termos Taoístas e Confucionistas foram emprestados para explicar o Darma aos chineses. Conseqüentemente, é equivocado identificar o Budismo com qualquer outra religião estrangeira. A imagem do Buda Tibetano abraçado pela Mãe Divina, que pode parecer chocante par a maioria dos leigos, simboliza a integração do par de opostos , o masculino ou positivo e o feminino ou negativo, os dois aspectos de todas as antinomias do Samsãra (o mundo fenomênico representado pelo nascimento e morte), para a realização do todo indivisível no plano da realidade absoluta. Entretanto, esta representação da síntese de todos os dualismos, embora fundamentalmente genuína, não agradou aos refinados eruditos chineses que interpretavam o absoluto a sua própria maneira, com será descrito, mais adiante, na apresentação dos textos Ch’an.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;A Terminologia Budista&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O vocabulário Budista é extenso e todos os termos cunhados, tanto pelo Buda quanto pelos Seus discípulos, correspondem perfeitamente aos vários estágios do despertar espiritual. É uma verdadeira pena que apenas uns poucos desses termos tenham sido traduzidos para os idiomas ocidentais e novos sinônimos deveriam ser cunhados para enfrentar a ampla variedade de expressões Budistas, se o objetivo for a tradução do Tripitaka por estudiosos ocidentais. A propensão de alguns tradutores modernos para “ocidentalizar” os termos Budistas não deveria ser encorajada, já que esta tarefa só pode ser realizada por aqueles que realmente entendem o Sânscrito e o Chinês.&lt;br /&gt;
Mesmo levando em consideração a extensão da terminologia Budista, é impossível descrever com palavras a realidade inconcebível e inexprimível, e para revelar o absoluto aos seus discípulos os mestres Ch’an inventaram o que o upãsaka (um discípulo leigo do sexo masculino, que se propõe a observar as cinco principais regras de moralidade) P’ang Yun chamava de “a linguagem do incriado”.Não há nenhum dicionário chinês que explique esses termos Ch’an cunhados pelos antigos e apenas aqueles estudantes que tenham realizado um grande progresso no treinamento Ch’an podem compreender o significado de cada termo. Todavia, esses termos Ch’an ainda não conseguem expressar a realidade verdadeira, pois no instante em que são expressados na nossa linguagem condicionada , eles passam a ter um significado “inferior”, como dizem os mestres. Por isso, Yun Men dizia a seus discípulos:”Os antigos virtuosos, que passaram suas vidas iluminando os outros, eram instados a usar as palavras e as frases corretas para poder mostra-lhes apenas o caminho. Se você sabe que a coisa real foi propositadamente deixada de lado, com um mínimo de esforço você poderá descobri-lo. Com certeza isto está diretamente relacionado com seu próprio Eu”. Quando Kuei Shan instou Tung Shan a visitar Yun Yen , ele disse-lhe: “Se você pode descobrir a direção do vento pela inclinação da grama, você apreciará seu ensinamento.” Pai Chang disse:”Se os Sutras fossem interpretados literalmente de acordo com o significado da palavra escrita, uma grande injustiça seria cometida com todos os Budas do passado do presente e do futuro. E no entanto, aquele que se desvia dos Sutras apenas uma virgula, fala a linguagem do demônio”.&lt;br /&gt;
Embora haja uma ampla gama de expressões, elas eram usadas pelos Budas e pelos mestres no momento certo para iluminar pessoas de diferentes capacidades. Como as pessoas estavam propensas a se apegar aos nomes e aos termos no lugar de olhar dentro de seu verdadeiro significado, o Buda era obrigado a usar diferentes expressões para apagar seus apegos, a despeito de que as novas expressões tinham o mesmo significado daquelas previamente usadas, sendo Seu objetivo livrar as pessoas das palavras vazias para que elas pudessem perceber alem delas. Conseqüentemente, os termos encontrados em todos os Sutras e Sastras, tais como natureza, realidade, Corpo de Buda, Mente de Buda, Darma, Darma Único, Darma Fundamental, Mente, Mente Primordial, Campo da Mente, própria mente, própria natureza, natureza da mente, verdadeira natureza, verdade essencial, etc, têm o mesmo significado e devem ser interpretados como o absoluto inexprimível e inconcebível. O Mahãparinirvãna&amp;nbsp;Sutra diz: “Você deveria abandonar o ensinamento da meia palavra e interpretar corretamente o ensinamento da palavra inteira”. “Meia palavra” significa o ensinamento incompleto e temporário, ou imperfeito Hinayana, e “palavra inteira” significa o ensinamento completo e definitivo, ou o perfeito Mahayana. No ensinamento temporário, as palavras usadas têm um significado relativo; enquanto que no ensinamento definitivo todas as palavras têm um significado absoluto. Por exemplo, no Hinayana a palavra “eu” ou ego -chamado de alma no Ocidente- tem um significado relativo, pois se opõe a “os outros”, ambos os termos sendo apenas um dos infinitos exemplos vazios de dualismo; enquanto que no Mahayana a palavra “Eu” é usada no sentido absoluto. As quatro realidades transcendentais expostas pelo Buda no Mahãparinirvãna Sutra pouco antes de fazer a passagem, Eternidade,Felicidade,Eu e Pureza, têm um significado absoluto.&lt;br /&gt;
Quando os Sutras são interpretados corretamente, grandes confusões e discussões desnecessárias e intermináveis são evitadas e todo o ensinamento do Buda, desde o inicio ate o fim, ficará claro para o leitor que será capaz de pegar o fio da meada e tomará consciência da dificuldade que O -Honrado- Pelo- Mundo encontrou para converter pessoas deludidas, de Sua extraordinária paciência para lidar com discípulos obstinados, de Sua relutância de revelar primeiro a verdade relativa e depois a verdade absoluta, e de Sua compaixão sem limites para com todos os seres vivos que Ele prometeu libertar do oceano de sofrimento. Se o tempo desperdiçado na atual divisão arbitrária do insuperável ensinamento em varias escolas hostis contradizendo uma à outra fosse utilizado para o estudo profundo do cânone Budista com o propósito de isolar o fio que une todas as partes, o Darma de Buda, que hoje parece estar em declínio, seria revivido e floresceria para beneficio de toda a humanidade. Felizmente, o Darma Ch’an proporciona um meio admirável para resolver todas as dificuldades que afetam as outras escolas, já que lida exclusivamente com a experiência pessoal da verdade, cujo desenvolvimento encontra-se de perfeito acordo com todos os estágios de realização descritos pelos ensinamentos do Buda no Tripitaka.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;O Darma Ch’an&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Antes de entrar neste assunto, é necessário saber que Ch’an é a mente e que o Darma Ch’an é o Darma da Mente, ou doutrina da mente. Consiste apenas na realização da própria mente, e quando a mente é conhecida, a própria natureza será percebida e a iluminação será alcançada. A primeira questão é , portanto, a realização da mente. Que nossa mente é permanentemente perturbada pelo nosso pensamento é algo que todo mundo sabe, por isso, para mantê-la na quietude é necessário dar um basta no fluxo dos pensamentos. Este é o passo mais difícil, pois desde tempos imemoriais nós adquirimos o mal habito do pensamento descontrolado que não pode ser detido de repente. Nós “vivemos” porque pensamos e se paramos de pensar iremos a escapar desta vida no Samsãra. Assim, os pensamentos criam todas as ilusões que produzem a vida, e como a vida leva à morte, nós apenas flutuamos à deriva neste oceano de nascimento e morte sem nenhuma perspectiva em vista. Antes de começar a falar em iluminação, para sair desta armadilha, a primeira coisa a fazer é deter todos os pensamentos de modo que a mente volte a sua condição original de quietude. Algumas pessoas demoram apenas uma ou duas semanas para conseguir deter o pensamento enquanto outras levam vários anos.&lt;br /&gt;
Na Antiguidade, quando os antigos levantavam ao amanhecer para trabalhar e deitavam ao anoitecer, a vida era muito simples e não tinha as complexidades de hoje em dia. Suas necessidades eram satisfeitas com facilidade e como tinham poucos desejos, suas mentes estavam na quietude. Por essa razão, apenas umas poucas palavras pronunciadas por um mestre iluminado eram suficientes para acordar o discípulo. Quando o Segundo Patriarca pediu a Bodidarma que aquietasse sua mente que estava agitada, o primeiro Patriarca disse: “Me mostre sua mente e eu a acalmarei”. O discípulo chinês respondeu: “Eu não consigo encontrar minha mente”. O mestre indiano declarou: “Então eu acalmei sua mente” Nesse instante, o Segundo Patriarca percebeu a inexistência da mente e se iluminou instantaneamente. Tudo isso aconteceu em apenas dois minutos e parece muito bom para ser verdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Os Pré-Requisitos do Treinamento Ch’an&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Todos os dispositivos usados na prática do Budismo, tais como adoração da imagem do Buda, prostração, circumbalação, musicas, cânticos, repetição do nome de Amitaba Buda, recitação de Sutras, signos manuais (mudras), repetição de mantras, , controle da respiração, visualização, meditação, kung-an, hua-tou, etc., têm apenas um objetivo:&amp;nbsp;&lt;b&gt;deter todos os pensamentos para a realização da mente&lt;/b&gt;. Cada escola tem seu próprio método para deter a mente errante. No que diz respeito a Seita Ch’an, o mestre Hsu Yun disse: “A realização da mente com o objetivo de perceber sua própria natureza e alcançar a Budeidade, não tem nada a ver com meditar ou não meditar. O método Ch’an consiste em colocar um fim a todos os pensamentos de forma que a mente possa se acalmar e a própria natureza possa ser percebida”. Entretanto, na pratica Ch’an a meditação é considerada a forma ortodoxa de controle do corpo e da mente. Normalmente, no começo da prática é muito difícil deter o fluxo de pensamentos, já que, assim que se consegue apagar um pensamento, um novo pensamento aparece para ocupar o seu lugar e quanto mais se tenta detê-los, mais se é atacado por eles por todos os lados. O praticante deve ter, entretanto, uma grande paciência para lidar com eles. No momento em que ele começar a encontrar as primeiras dificuldades em lidar com os pensamentos crescentes, ele terá uma clara indicação de que seus esforços para controlá-los estão surtindo efeito, já que, sem sua prática, ele continuaria dando curso a eles sem ter a menor consciência disso. Sua obstinada determinação de controlar os pensamentos irá, em breve, render seus frutos, a despeito das dificuldades que ele possa encontrar no começo, que serão de curta duração e irão sucumbir diante de sua forte determinação de ganhar a batalha.&lt;br /&gt;
Muitos livros foram escritos sobre meditação e os praticantes mais ocupados que não dispõem de tempo livre para se dedicar a longas meditações , deveriam encontrar um meio de controlar os pensamentos pelo menos uma ou duas vezes ao dia, enquanto andam, ficam de pé, estão sentados ou reclinados. Alem do método ortodoxo de sentar-se com as pernas cruzadas em meditação, o melhor momento é aquele que precede ao ato de dormir quando se está na cama. Sem se preocupar com a posição correta do corpo, a pessoa pode fechar os olhos para ver realmente o aparecimento do pensamento e pegá-lo com a atenção de um gato prestes a pegar o rato. Assim que ele é percebido, deve-se investigar de onde aparece e para onde vai, e mesmo antes de realizar que não tem nem cabeça nem rabo, ele se desvanece como uma ilusão ou uma borbulha. Depois de “caçar” dois ou três pensamentos desta forma, eles se tornam tão raros que a mente fica automaticamente calma e a pessoa cai no sono profundo. A repetição desta prática varias noites seguidas irá garantir a rápida detenção do fluxo de pensamentos, seguido de um sono profundo livre de sonhos , um bom sinal de que a mente encontra-se no estado de quietude. Este método de pinçar os pensamentos emergentes foi ensinado pelo mestre Han Shan, no século XVI, e nós recomendamos veementemente os leitores a praticá-lo enquanto permanecem deitados na cama antes de dormir. Requer apenas de quinze a vinte minutos cada noite e pode ser praticado todas as noites sem o menor problema. Assim, passo a passo, a pessoa será capaz de pôr um fim ao permanente fluxo de pensamentos aonde quer que ela esteja. Este é também o método mais seguro para curar a insônia e para desfrutar de um verdadeiro descanso após longas horas de trabalho. Obviamente deve se abrir mão de tudo o que pode excitar os órgãos dos sentidos , tal como comidas pesadas, bebidas alcoólicas, literatura pornográfica, maus hábitos, divertimentos questionáveis, etc., para garantir um bom estado da mente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Disciplina e Moralidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Uma mente disciplinada é de uma importância fundamental para o sucesso do autocultivo, já que se se permite que a mente vague pelo mundo à procura de estímulos exteriores, nunca poderá ser colocada sob controle. A leitura e a correta interpretação dos Sutras, especialmente do Sutra do Diamante, do Sutra do Altar (do Sexto Patriarca) e dos textos Ch’an, permitirá que o praticante sério renuncie aos apegos que ele guarda como tesouros, já que quando ele perceber a natureza ilusória e impermanente do mundo fenomênico, ele irá voltar sua atenção para a realidade verdadeira que ele poderá levar consigo ate o final de sua transmigração. Para conseguir realizar o Si-Mesmo a disciplina deverá ser estrita, já que o menor desvio poderá significar a diferença entre o sofrimento e a bem-aventurança, entre a delusão e a iluminação e entre a impermanência e a eternidade.&lt;br /&gt;
É muito lamentável que alguns comentaristas modernos, que não compreendem a disciplina Ch’an, tenham elaborado a absurda teoria de que os sutras, os sastras, a disciplina e a moralidade podem ser dispensados na procura da verdade. Nada é tão errado e prejudicial do que essa desculpa baseada na premissa de que o absoluto não admite dualismos, e já que a disciplina e a indisciplina, e a moralidade e a imoralidade são os extremos de dois pares de opostos, não há lugar para eles. Mas, será que nós estamos tão iluminados que não há mais necessidade de treinamento espiritual? Se esse&amp;nbsp;&lt;b&gt;não&lt;/b&gt;&amp;nbsp;for o caso, nós ainda precisamos apagar nossas delusões antes de poder falar do absoluto e essa desculpa, alem de não fazer o menor sentido, pode confundir os principiantes. Yung Chia disse na sua “Canção da Iluminação:” Se você quer evitar o produto do inferno chamado carma não difame a Roda da Lei do Tatagãta “.&lt;br /&gt;
É verdade que quando um discípulo começa seu treinamento Ch’an, seu mestre geralmente proíbe a leitura dos Sutras de forma que sua atenção não fique dividida e assim poder atingir a unidade da mente para a percepção da própria natureza e alcançar a iluminação. Todavia, assim que se ilumina, o discípulo imediatamente lê o Tripitaka (o Cânone Budista composto do Vinaya ou Regras de Disciplina e Moralidade; os Sutras ou Sermões do Buda; e Sastras ou Comentários sobre os Sutras), antes de começar seu trabalho como Bodisatva divulgando o Darma. Podemos facilmente imaginar o embaraço de um mestre que não sabe nada sobre o ensinamento dos Sutras dado pelo Buda e que pretende ensiná-los aos outros. Também é verdade que Hui Neng era analfabeto, mas ele não deixava de interpretar corretamente nenhuma passagem dos Sutras citada pelos seus discípulos. Mas, quantos mestres analfabetos existem na linhagem Ch’an? Podemos ter a pretensão de ter alcançado o grau de realização do Sexto Patriarca e agora acharmos que podemos jogar fora todos os Sutras e Sãstras? Ate Hui Neng obrigava seus discípulos a recitar o Sutra do Diamante.&lt;br /&gt;
Com relação à moralidade, está baseada na compaixão universal, e sem a pratica da moralidade , nós nunca teremos a chance de ouvir o Darma correto exposto pelo Buda. O Sutra do Diamante diz: “Subuti, não fala assim. No período de 500 anos após a ultima passagem do Tatâgata, haverá aqueles que observem ‘as regras de moralidade’ e realizem boas ações o que resultará em benções. Essas pessoas serão capazes de desenvolver uma fé incondicional em estas frases que eles considerarão como sendo o corpo da verdade. Você deveria saber que eles não terão plantado boas raízes em apenas uma, dois, três, quatro ou cinco Terras do Buda. Após ouvir estas frases aparecerá em suas mentes um único pensamento de pura fé. Subuti, o Tatâgata sabe e vê tudo; estes seres vivos irão assim adquirir imensuráveis méritos. Por que? Porque eles terão apagado as falsas noções de um ego (uma alma), uma personalidade (uma pessoa), um ser (um ser sensciente), e uma vida (um tempo), de Darma e de Não-Darma” Como uma boa causa leva a um bom efeito, e como uma causa ruim leva a um efeito ruim, aquele que vira as costas para a moralidade estará riscado a ser imoral, mesmo que ele não saiba disso, e são numerosos os casos de praticantes que regrediram no seu autocultivo e estão listados detalhadamente no Surangama Sutra. Por esta razão, Lin Ch’i aconselhava seus discípulos a interpretar o Darma corretamente e a não se deixar enganar pelos outros. O praticante do Ch’an deve saber no começo do seu treinamento se ele realmente possui compaixão na sua própria natureza. Esta é a questão crucial que um estudante sério do Ch’an deveria perguntar a si mesmo, uma vez que sem compaixão, sua pratica será em vão. Nós sabemos que de acordo com o Buda e os mestres iluminados, cada ser humano possui dentro dele a própria natureza que é perfeita e sobre cujas características, quatro são chamadas as quatro incomensuráveis: bondade, compaixão, alegria e renuncia. Assim, antes de considerar se o ensinamento está correto, nós devemos descobrir essa compaixão inerente em nós, e não há nada melhor do que uma cuidadosa investigação sobre ela na nossa meditação, já que o quer que seja falado nos sutras sobre ela, é apenas o significado das palavras escritas e nunca foi experimentada por nós pessoalmente. Será suficiente apenas uma meditação para descobrir essa compaixão e nós deveríamos nos concentrar nela ate a exclusão de todos os outros pensamentos e tentar averiguar se existe de fato pelo menos uma gota dela dentro de nós. Devemos apagar todos os sentimentos humanos e nos concentrar em aqueles que menos gostamos, em primeiro lugar. Devemos perguntar a nós mesmos porque essas pessoas se comprazem em prejudicar os outros e iremos concluir que como nós também somos egoístas, não temos o direito de culpar pessoas que como nós também estão deludidas, sendo a única diferença que nossa ignorância tal vez seja menor do que a delas. Se a elas fossem dados um bom ambiente e uma chance de ouvir o Darma , elas certamente mudariam seus hábitos e tal vez iriam se tornar melhores do que nós mesmos. Finalmente iremos descobrir que nós somos a única parte que merece toda a culpa por nosso egoísmo, visto que elas são apenas pessoas ilusórias de quem nós desgostamos antes e que só existem por causa de nossa ignorância. Assim, no lugar de ficar procurando as faltas nos outros , sentiremos pena de nós mesmos e derramaremos lágrimas por não entender o ensinamento do Buda. Hui Neng disse: “Ilustrados amigos, sua própria natureza é grande porque contem todas as coisas. Como todas as coisas estão contidas dentro dela, se todas as pessoas boas e todas as pessoas ruins não são nem gostadas nem desgostadas, inclusive sem ser contaminada por eles, a mente, que é como o espaço, é chamada a grande mente”. Esta é a mente universal que,se viramos as costas para a disciplina e a moralidade, nunca alcançaremos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;As Técnicas Ch’an&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Somente depois que a mente for colocada sob controle é que pode iniciar-se o treinamento Ch’an. A purificação da mente é a causa do despertar da potencialidade adormecida que existe em cada um de nós - a qual não pode ser alcançada pelos ensinamentos doutrinários devido às limitações da palavra - e que quando desenvolvida plenamente é capaz de apreender a verdade absoluta. Por essa razão, os adeptos da Seita Ch’an são capazes de alcançar a iluminação em apenas uma existência enquanto que os seguidores das diversas escolas do ensinamento doutrinário demoram várias transmigrações para alcançar os mesmos resultados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Os 40 Poemas da Transmissão:&lt;br /&gt;Apontando Direto para a Mente&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Nos tempos antigos os homens viviam de uma forma simples e não eram tão apegados como o são hoje em dia. Consequentemente, suas mentes permaneciam na quietude e umas poucas palavras eram suficientes para acordar a potencialidade interior capaz de apreender a realidade.&lt;br /&gt;
Os quarenta Poemas (Gathas) nos dão uma idéia de como o Darma era ensinado, apreendido e transmitido. Os mestres antigos usavam pouquíssimos termos técnicos para provocar o despertar dos seus discípulos. Eles apenas apontavam direto para a mente dos discípulos e os estudantes, tendo uma fé ilimitada nos ensinamentos, imediatamente apreendiam o fim último sem dar lugar a pensamentos ou discriminações.&lt;br /&gt;
Portanto, não era difícil para o instrutor apagar o apego do seu aluno, não somente em relação ao mundo dos fenômenos em torno dele como também em relação às manifestações mais sutis do ego e das coisas (darma) que permanecem ocultas e não são facilmente detectáveis. Mesmo os termos mais&amp;nbsp; preciosos, como o Buda, o Darma e a Sanga, podiam ser facilmente erradicados de forma que o estudante percebesse seu todo indivisível que não poderia ser novamente dividido em sujeito e objeto - a causa da separação que cria todas as delusões e complicações do Samsara.&lt;br /&gt;
Quando dizemos que adoramos o Buda, praticamos o Darma e reverenciamos a Sanga já estamos errados porque inadvertidamente dividimos nossa própria-natureza perfeita no sujeito que adora, pratica e reverencia e no objeto adorado, praticado e reverenciado, sem perceber que nós já somos, pois é inerente a nós, a própria-natureza do Buda, do Darma e da Sanga ou a Gema Tríplice do Eu.&lt;br /&gt;
A palavra darma tem dois significados: (1) Darma: verdade, lei ou doutrina; e, (2) darma: todas as coisas, qualquer coisa grande ou pequena, visível ou invisível, real ou irreal, concreta ou abstrata. Se nós realizarmos a mesmice do numinoso e do fenomênico, isto é, a unidade de tudo, esse Darma nada mais é do que uma parte integral de nossa própria-natureza perfeita.&lt;br /&gt;
Por outro lado, se nós o vislumbramos como algo que existe independentemente de nossa própria-natureza será o darma ou uma das infinitas coisas, isto é, uma matéria separada de nós e ali estaremos dividindo nosso Eu em sujeito e objeto novamente. Por essa razão, Sakyamuni Buda disse em seu poema da transmissão do Darma para Mahakashyapa:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“O Darma fundamental do Darma não tem nenhum Darma;&lt;br /&gt;
E o Darma do Não-Darma também é Darma.&lt;br /&gt;
Agora que o Darma do Não-Darma é transmitido;&lt;br /&gt;
Quando foi que houve um Darma?”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, todos os traços do Darma são apagados para revelar o absoluto que não é Darma nem Não-Darma, pois está além de todos os dualismos.&lt;br /&gt;
Cada poema (gatha) da transmissão foi recitado quando o Darma da Mente foi transmitido para o seu respectivo sucessor, pelos Sete Budas da Antiguidade, os Vinte e Sete Patriarcas da Índia e os Seis Patriarcas da China da linhagem Ch’an. O Darma por eles ensinado era muito simples porque apontava direto para a mente do discípulo que não tinha nenhuma dificuldade em realizá-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;A Técnica do Kung-an das Cinco Seitas Ch’an&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Após o Sexto Patriarca da China, que teve quarenta e três sucessores do Darma, a Seita Ch’an se dividiu em duas correntes principais lideradas por Huai Jang da montanha Nan Yo e Hsing Szu da montanha Ch’ing Yuan, respectivamente.&lt;br /&gt;
O sucessor de Huai Jang foi o grande Ma Tsu que transmitiu o Darma para Pai Chang, cujos discípulos principais foram Kuei Shan e Huang Po. Kuei Shan e seu discípulo Yang Shan fundaram a seita Kuei Yang (Ikyo Zen) e Huang Po foi sucedido por Lin Chi, o fundador da seita Lin Chi (Rinzai Zen).&lt;br /&gt;
Hsing Szu transmitiu o Darma para Shih T’ou, cujos sucessores, Yo Shan e Tao Wu, o transmitiram para Yun Yen e Lung T’an, respectivamente. Yun Yen foi sucedido por Tung Shan que, junto com o discípulo Ts’ao Shan, fundou a seita Tung Ts’ao (Soto Zen). Lung T’an transmitiu o Darma para Teh Shan que foi sucedido por Hsueh Feng. Este último, o transmitiu para Yun Men que fundou a seita Yun Men (Ummon Zen) e para Hsuan Sha. Este último, o transmitiu para Lo Han, cujo sucessor Wen I fundou a seita Fa Yen (Hogen Zen).&lt;br /&gt;
Após o Sexto Patriarca, quando as palavras simples e os poemas se tornaram menos apropriados para revelar a mente, a técnica do kung-an foi inventada para substituí-los. Kung-an significa, literalmente: documento oficial; dossiê; leis e regulamentos criados para manter a lei e a ordem, que nenhum cidadão pode transgredir. Assim, o silêncio, as frases, os gritos, as gargalhadas, os gestos, as pancadas, os beliscões, as chibatadas, etc – as causas contribuintes usadas para apontar direto para a mente - são chamados kung-an.&lt;br /&gt;
Essa técnica, desenvolvida por Ma Tsu, é hoje conhecida como o método&amp;nbsp;&lt;b&gt;ta chi&lt;/b&gt;&amp;nbsp;e&amp;nbsp;&lt;b&gt;ta yung&lt;/b&gt;, ou grande potencialidade e grande função, respectivamente. Por grande potencialidade entende-se o despertar da potencialidade adormecida inerente a cada ser humano que tem em vista desenvolvê-la completamente e por grande função entende-se o uso apropriado dos kung-an na primeira oportunidade favorável, permitindo a união da potencialidade totalmente desenvolvida com a verdade. Ademais, esta técnica também inclui o que é conhecido como&amp;nbsp;&lt;b&gt;chao&lt;/b&gt;&amp;nbsp;e&amp;nbsp;&lt;b&gt;yung&lt;/b&gt;, que significam, respectivamente, a provação da potencialidade desenvolvida pelo estudante e o uso da função iluminadora, que provoca o despertar do estudante.&lt;br /&gt;
Embora as Cinco Seitas tivessem o mesmo objetivo, isto é, a realização da mente para a percepção da própria-natureza e a obtenção da iluminação, cada seita desenvolveu sua própria técnica de ensinamento: a Kuei Yang dando ênfase ao corpo e à função; a Lin Chi com os gritos, a sabedoria luminosa, a função salvadora e os Três Portais Profundos, cada um com três Estágios ou Estados Vitais; a Ts’ao Tung com as Cinco Posições do Príncipe e do Ministro; a Yun Men com seus bolos, suas respostas de uma palavra, seus Três Portais e suas palavras aparentemente ofensivas para apagar as discriminações de seus seguidores; e, a seita Fa Yen com sua doutrina de que “os Três Mundos não são senão a mente e que todas as coisas são a consciência”.&lt;br /&gt;
É interessante saber como a potencialidade adormecida, inerente a cada ser humano, pode ser despertada e estimulada ao máximo através da união com o absoluto. Isto é alcançado depois que todos os pensamentos, bons ou maus, foram detidos de forma a realizar a unidade da mente. Quando a mente é reduzida à impotência a sua função cessa e seu estado é comparado nos textos Ch’an a um pedaço de madeira apodrecida, a um crânio inconsciente, a um cavalo de madeira, a uma moça de pedra e a um incensário num templo deserto. Como a mente é apenas um aspecto ilusório da própria-natureza em dependência, esse aspecto está agora minguando e a ponto de desaparecer completamente para retornar a sua essência brilhante. Nesse momento qualquer um dos kung-an ou qualquer ocorrência insignificante, tal como a visão da própria imagem refletida na água ou o som de uma vara de bambu partindo, será percebida, não pela mente em extinção, mas pela própria-natureza que agora volta a funcionar normalmente. Essa é a causa da iluminação súbita.&lt;br /&gt;
Talvez o mais famoso kung-an seja “wu”, que não tem nada de especial ou extraordinário já que funciona exatamente como qualquer outro kung-an. Um monge perguntou a Chao Chou: O cão possui a natureza de Buda? E o mestre iluminado respondeu: “wu”, que significa, entre outras coisas, não, em português. Depois de ouvir esse wu, qualquer monge Ch’an perguntar-se-ia: “O Buda disse que os animais possuem a natureza de Buda; por que então o mestre Chao Chou, respondeu que o cão não a possuía?” Essa pergunta permanecerá enquanto o monge não encontrar uma resposta satisfatória e dia e noite ele perguntar-se-á sobre isso sem interrupção, esquecendo-se completamente de todos os outros atos da vida. Concentrando-se unicamente nesse wu, sem nunca se separar dele, ele finalmente alcançará a unidade da mente, que assim despida de todas suas atividades será reduzida à impotência e desaparecerá, mais cedo ou mais tarde, deixando seu lugar para a própria-natureza que será capaz de reassumir sua função normal. Quando a própria-natureza entra em contato com qualquer fator externo cumprirá a função de percebê-lo e reassumirá sua condição essencial que nós chamamos de iluminação. Após Chao-Chou, o termo “wu” também passou a significar “iluminação”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;A Técnica do Hua-tou&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Com o passar do tempo a mente humana foi-se envolvendo cada vez mais com as novas ilusões criadas pelo avanço material da civilização e sua condição foi ficando cada vez mais difícil, tornando-se incapaz de provocar o despertar espiritual. Desta forma, os mestres antigos foram obrigados a inventar a técnica hua-tou que pode levar aos mesmos resultados alcançados pelos kung-an.&lt;br /&gt;
Hua-tou significa “a cabeça de uma palavra”, considerando que aqui “palavra” significa o pensamento que agita a mente. Assim, hua-tou é a mente antes de ser agitada por um pensamento ou a mente na sua condição de quietude. Esta técnica consiste no fechamento dos seis órgãos dos sentidos de forma a impedir o contato com os estímulos exteriores através da ocupação da mente com a própria mente ou “virando a luz para o interior a fim de iluminar o Eu”, como disse o mestre. Essa própria concentração está errada mas é usada como um artifício para deter o fluxo permanente dos pensamentos. Com o passar do tempo, essa concentração irá, como os kung-an, congelar a mente e isolá-la de todos os estímulos exteriores alcançando a unidade. O praticante permanece absorto no hua-tou formando assim um bloco homogêneo que nenhum estímulo exterior pode penetrar. Ele ficará livre de todos os desejos mundanos e não mais sentirá o calor do verão nem o frio do inverno. Alguns praticantes poderão inclusive abrir mão do hábito de dormir a noite e “suas costelas não mais tocarão os colchões de suas camas” como relatam os textos Ch’an. Eles caminharão no meio da multidão no mercado sem notar a presença de uma única pessoa, farão suas refeições sem a sensação de ter engolido um único grão de arroz e vestirão seus robes sem sentirem o forro de suas roupas (No Centro de Treinamento Ch’an recomenda-se o uso do hua-tou: Pára!!!).&lt;br /&gt;
Como foi dito anteriormente, a morte da mente leva a ressurreição da própria-natureza que será capaz de funcionar sem nenhum outro obstáculo. Quando a própria-natureza entra em contato com o som ou com a forma, desempenhará sua função não-discriminadora de escutar ou olhar. Esse resultado final é idêntico ao obtido com o kung-an.&lt;br /&gt;
.&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;O Ato do Despertar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O ato do despertar é chamado wu em chinês e satori em japonês. De acordo com os mestres antigos há dezoito wu maiores e incontáveis wu menores antes da iluminação completa. Isto não significa que levará necessariamente um longo período de tempo alcançar todos os wu maiores e menores, pois isto depende de vários fatores, dentre os quais, o estímulo ou o embotamento da potencialidade desenvolvida e a atenção ou displicência do praticante no seu treinamento. Neste último caso, a iluminação final pode ser alcançada num piscar de olhos como aconteceu com Hui Neng depois de ouvir uma frase citada do Sutra do Diamante pelo Quinto Patriarca da China.&lt;br /&gt;
Não devemos confundir o despertar com o estado experimentado ao “entrar na correnteza” onde o praticante que alcançou apenas o desligamento dos estímulos exteriores simplesmente sente que seu corpo está leve como o ar e que ele e tudo o que o circunda é uma imóvel massa brilhante. Ele terá que avançar um passo à frente para alcançar o estágio de ‘”ressurreição para o real”, a terceira das Cinco Posições da seita Ts’ao Tung (Soto Zen).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;OS QUARENTA POEMAS (GATHAS)DA TRANSMISSÃO&lt;br /&gt;(Extraído da Transmissão da Lâmpada - Ching Te Ch’uan Teng Lu)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Os Sete Budas da Antiguidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;I&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Vipashim, o 998º Buda da Era Gloriosa:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O corpo nasce do nada;&lt;br /&gt;
Um sonho, produto de uma ilusão.&lt;br /&gt;
Como a mente ilusória e o pensamento não existem,&lt;br /&gt;
Quão desprovidos de natureza são o bem e o mal!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;II&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Shikhin, o 999º Buda de Era Gloriosa:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Bons Darmas e maus carmas aparecem,&lt;br /&gt;
Porém ambos são ilusórios.&lt;br /&gt;
O corpo é como a espuma e a mente é como o vento;&lt;br /&gt;
A ilusão não tem base nem realidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;III&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Vishvabhu, o 1000º Buda da Era Gloriosa:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Quando a mente incriada está confinada no corpo&lt;br /&gt;
Interage com os objetos e só existe por causa deles.&lt;br /&gt;
Quando os objetos desaparecem a mente também desaparece;&lt;br /&gt;
o bem e o mal aparecem e desaparecem como as ilusões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;IV&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Krakucchanda, o 1º Buda da Era Virtuosa:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Ver o corpo como irreal é ver o Corpo do Buda;&lt;br /&gt;
Reconhecer a mente como uma ilusão é reconhecer a Mente do Buda.&lt;br /&gt;
Aquele que percebe que o corpo e a mente são irreais;&lt;br /&gt;
Esse, como poderia ser diferente do Buda?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;V&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Kanakamuni, o 2º Buda da Era Virtuosa:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O Corpo Real do Buda ninguém percebe;&lt;br /&gt;
Não existe nenhum outro Buda para aquele que conhece a si mesmo.&lt;br /&gt;
Quando o mestre percebe que o bem e o mal são desprovidos de Natureza,&lt;br /&gt;
Vive tranqüilo e não teme o nascimento nem a morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;VI&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Kashyapa, o 3º Buda da Era Virtuosa:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Pura e límpida é a Natureza de todos os seres vivos;&lt;br /&gt;
Como nunca foi criada não pode ser destruída.&lt;br /&gt;
O corpo e a mente nascem de uma ilusão;&lt;br /&gt;
Nesta sombra mutante não há bem nem mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;VII&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Shakyamuni, o 4º Buda da Era Virtuosa:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O Darma fundamental do Darma não tem nenhum Darma;&lt;br /&gt;
O Darma do Não-Darma também é Darma.&lt;br /&gt;
Agora que o Darma do Não-Darma é transmitido;&lt;br /&gt;
Quando foi que houve um Darma?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Os Vinte e Sete Patriarcas da Índia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;VIII&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Mahakashapa, o 1º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O Darma fundamental de todos os Darmas&lt;br /&gt;
Está além dos Darmas falsos e reais.&lt;br /&gt;
Por que no Darma Único deveria&lt;br /&gt;
Haver um Darma e um Não-Darma?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;IX&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Ananda, o 2º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
No começo havia um Darma a ser transmitido;&lt;br /&gt;
Depois de transmitido tornou-se um Não-Darma.&lt;br /&gt;
Se cada ser senciente realizasse a Própria-Natureza&lt;br /&gt;
Não restaria nem um Não-Darma sequer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;X&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Shanakavasa, o 3º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O Darma e a Mente não têm realidade,&lt;br /&gt;
Porque não há Mente nem Darma.&lt;br /&gt;
Quando o Darma da Mente é revelado,&lt;br /&gt;
Esse Darma não é o Darma da Mente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XI&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Upagupta, o 4º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
A Mente é a Mente Primordial&lt;br /&gt;
Que é desprovida de Darma.&lt;br /&gt;
Quando o Darma e a mente primordial existem;&lt;br /&gt;
Ambos, a mente primordial e o Darma, são falsos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XII&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Dhrtaka, o 5º Patriarca da Índia.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Quando o Darma da Mente Primordial é realizado&lt;br /&gt;
Nem o Darma nem o Não-Darma permanecem.&lt;br /&gt;
Depois da iluminação é como antes da iluminação,&lt;br /&gt;
Porque não há Mente nem Darma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XIII&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Miccaka, o 6º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Não há mente nem realização&lt;br /&gt;
Porque o que pode ser realizado não é o Darma.&lt;br /&gt;
Somente quando se percebe que a mente é irreal&lt;br /&gt;
É que o Darma do todas as Mentes é realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XIV&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Vasumitra, o 7º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
A mente e o espaço celeste são a mesma coisa;&lt;br /&gt;
O Darma, espaço ilimitado, é agora revelado.&lt;br /&gt;
Quando o espaço é realizado como tal&lt;br /&gt;
Nenhum Darma permanece, falso ou real.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XV&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Budhanandi, o 8º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O espaço e o Darma da Mente&lt;br /&gt;
Não tem nada dentro nem tem nada fora.&lt;br /&gt;
Quando o espaço é realizado,&lt;br /&gt;
O princípio da Qüididade é apreendido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XVI&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Budhamitra, o 9º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
A Verdade Essencial não tem nome&lt;br /&gt;
Mas é por causa do nome que ela é agora revelada.&lt;br /&gt;
Aquele que realize o Darma da Verdade saberá&lt;br /&gt;
Que não se trata de verdades nem de mentiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XVII&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Parshva, o 10º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O Corpo Real é a realidade existente por si mesma&lt;br /&gt;
E é por causa dela que a lei fundamental é agora revelada.&lt;br /&gt;
A realização do Darma da Realidade&lt;br /&gt;
Está além das mutações e do imutável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XVIII&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Punyayashas, o 11º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
A delusão e a iluminação ocultam e revelam&lt;br /&gt;
E tal como a luz e a escuridão dependem uma da outra.&lt;br /&gt;
O Darma que eu agora transmito&lt;br /&gt;
Não é um nem dois.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XIX&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Ashvaghosa, o 12º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Ocultando e revelando eles próprios são o Darma;&lt;br /&gt;
O essencial da luz e da escuridão é não-dual.&lt;br /&gt;
O Dharma da iluminação que eu agora transmito&lt;br /&gt;
Não pode ser aceite nem rejeitado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XX&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Kapimala, o 13º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O Darma que não oculta nem revela&lt;br /&gt;
Mostra o Campo da Realidade.&lt;br /&gt;
Realizar esse Darma&lt;br /&gt;
Não se trata de ignorância nem de sabedoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXI&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Nagarjuna, o 14º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Para explicar o Darma que oculta e que revela&lt;br /&gt;
O princípio da libertação é agora revelado.&lt;br /&gt;
De acordo com esse princípio nenhuma Mente é realizada&lt;br /&gt;
E não há alegria nem tristeza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXII&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Kanadeva, o 15º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
A você que agora recebe o Darma&lt;br /&gt;
O principio da libertação é revelado.&lt;br /&gt;
De acordo com este principio o Darma não realiza nada&lt;br /&gt;
Porque está além do fim e nunca teve começo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXIII&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Rahulata, o 16º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O Darma não realiza uma única coisa;&lt;br /&gt;
Não pode ser aceite nem rejeitado;&lt;br /&gt;
Está além do que é e do que não é;&lt;br /&gt;
Não tem nada dentro nem tem nada fora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXIV&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Sanghanandi, o 17º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O Campo da Mente nunca foi criado;&lt;br /&gt;
Esse Campo Primordial é produto de uma causa contribuinte.&lt;br /&gt;
A causa contribuinte e a semente não se impedem mutuamente,&lt;br /&gt;
Assim como o fruto e a flor não se obstruem mutuamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXV&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Gayashata, o 18º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
A semente existente por si-mesma e o Campo da Mente&lt;br /&gt;
Produzem o broto através de uma causa contribuinte.&lt;br /&gt;
A causa contribuinte e o broto não se impedem mutuamente,&lt;br /&gt;
Porque aquilo que é produzido não é produzível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXVI&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Kumarata, o 19º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O essencial da Própria-Natureza nunca foi criado,&lt;br /&gt;
É isso que nós ensinamos àqueles que procuram a verdade.&lt;br /&gt;
Já que o Darma não nos oferece nenhuma retribuição;&lt;br /&gt;
Por que pensar de uma ou outra forma em relação a ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXVII&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Jayata, o 20º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
União instantânea com o incriado&lt;br /&gt;
É assim que se realiza o Darma da natureza.&lt;br /&gt;
Aqueles que são capazes de realizar isto&lt;br /&gt;
Realizam a unidade do relativo e do absoluto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXVIII&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Vasubandhu, o 21º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Bolhas e ilusões são o onipresente;&lt;br /&gt;
Por que isto não pode ser realizado?&lt;br /&gt;
O Darma onipresente neste mundo de mutações&lt;br /&gt;
Não está presente agora nem estava presente no passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXIX&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Manorhita, o 22º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Nas suas mutações a mente segue o exterior,&lt;br /&gt;
Enquanto que a realidade permanece adormecida, oculta pelas mutações.&lt;br /&gt;
Todavia, através delas pode encontrar-se a Própria-Natureza,&lt;br /&gt;
Que está além de todas as alegrias e tristezas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXX&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Haklena, o 23º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Somente quando a Natureza da Mente é realizada&lt;br /&gt;
Pode dizer-se que a Mente não pode ser concebida.&lt;br /&gt;
Nada pode ser realizado&lt;br /&gt;
Já que se se realiza não há consciência disso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXXI&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Aryasimha, o 24º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Quando se procura a consciência&lt;br /&gt;
Encontra-se a mente.&lt;br /&gt;
Como a mente é a consciência&lt;br /&gt;
O Darma só é encontrado por aquele que está consciente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXXII&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Basiasita, o 25º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O mestre fala da consciência&lt;br /&gt;
Além do certo e do errado.&lt;br /&gt;
Eu tenho realizado a Verdadeira Natureza&lt;br /&gt;
Além de todas as verdades e de aquilo que jaz por trás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXXIII&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Punyamitra, o 26º Patriarca da Índia:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
A Verdadeira Natureza jaz no Campo da Mente&lt;br /&gt;
E não tem cabeça nem rabo.&lt;br /&gt;
Manifesta-se para atender as necessidades dos seres vivos;&lt;br /&gt;
Por falta de uma expressão melhor a chamamos de Sabedoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXXIV&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Prajnatara, o 27º Patriarca da Índia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O Campo da Mente é o canteiro onde todas as sementes são plantadas;&lt;br /&gt;
Como as coisas realmente são pode ser deduzido pelas suas aparências.&lt;br /&gt;
Quando o fruto está maduro se alcança a iluminação;&lt;br /&gt;
Quando a flor floresce se vê o Universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Os Seis Patriarcas da China&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXXV&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Bodidarma, o 1º Patriarca da China:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Meu propósito ao vir para este país&lt;br /&gt;
Foi transmitir o Darma e libertar todos os seres.&lt;br /&gt;
A flor de cinco pétalas&lt;br /&gt;
Não pode deixar de florescer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXXVI&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Hui Kó, 2º Patriarca da China:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
No canteiro de sua mente&lt;br /&gt;
O Darma cultiva flores.&lt;br /&gt;
E no entanto, não há nenhuma semente&lt;br /&gt;
Nem nenhuma flor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXXVII&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Seng T’san, o 3º Patriarca da China:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O plantio de sementes requer um campo causal.&lt;br /&gt;
Onde as flores crescerão.&lt;br /&gt;
Se ninguém planta&lt;br /&gt;
Não haverá campo nem flores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXXVIII&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Tao Hsin, o 4º Patriarca da China:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O crescimento está latente na semente&lt;br /&gt;
Que brota quando é plantada no campo causal.&lt;br /&gt;
A Grande Causa une-se com a Natureza;&lt;br /&gt;
Porém, na época do crescimento nada cresce.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XXXIX&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Hung Jen, o 5º Patriarca da China:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
A semente plantada por um ser senciente&lt;br /&gt;
No campo causal logo renderá o fruto.&lt;br /&gt;
Sem sensitividade não há semente&lt;br /&gt;
E nenhum fruto sem natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;XL&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Hui Neng, o 6º Patriarca da China:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O campo da mente contém as sementes&lt;br /&gt;
Que brotam quando cai a chuva-que-todo-permeia.&lt;br /&gt;
A flor-sabedoria da iluminação súbita&lt;br /&gt;
Não pode deixar de dar o fruto do Bodi.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://centrochan.blogspot.com/feeds/2890603202067216284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://centrochan.blogspot.com/2011/12/os-quarenta-poemas-da-transmissao-chan.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4786012066884740273/posts/default/2890603202067216284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4786012066884740273/posts/default/2890603202067216284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://centrochan.blogspot.com/2011/12/os-quarenta-poemas-da-transmissao-chan.html' title='* OS QUARENTA POEMAS (GATHAS) DA TRANSMISÃO CH&#39;AN'/><author><name>Wu-ming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06700748159145363242</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4786012066884740273.post-1146398189057005442</id><published>2011-12-29T21:19:00.000-02:00</published><updated>2014-06-15T16:13:26.718-03:00</updated><title type='text'>* INTRODUÇÃO AO TREINAMENTO CH&#39;AN</title><content type='html'>&lt;b style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 15px; line-height: 20.790000915527344px;&quot;&gt;Tradução para o português de Wu-ming (1947- &amp;nbsp; &amp;nbsp;)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&lt;b&gt;Comentário do Mestre Lu K&#39;uan Yu (1898-1978)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Introdução&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O ideograma chinês Ch’an (ou Zen, em japonês) é o sinônimo da palavra dyãna em sânscrito, que significa meditação, uma das seis perfeições (Paramitã). Foi erroneamente usado para designar a transmissão da mente que o Tatâgata legou para Mahakasyapa e que o vigésimo oitavo Patriarca, Bodidarma, introduziu na China. Essa transmissão estava fora dos expedientes usados pelo Honrado-Pelo-Mundo (um dos muitos nomes de Buda) quando Ele expunha os sutras, e visava apontar direto para a mente para a percepção da própria-natureza e a obtenção da Budeidade.&lt;br /&gt;
Assim, Ch’an é o todo abrangente, enquanto que dyãna-paramitã é apenas uma das seis formas de salvação. A diferença fundamental entre a Seita Ch’an e as outras escolas é que, enquanto a primeira visa a iluminação instantânea, as outras procuram passar por sucessivos estágios de santidade até alcançar a iluminação. Por iluminação, os mestres Ch’an não se referiam a nada menos do que alcançar o próprio Darmakaya (o corpo espiritual, invisível para todos aqueles que na alcançaram a Budeidade).&lt;br /&gt;
Os comentaristas modernos confundiram-se na interpretação do Ch’an ou Zen e agora ouvimos falar sobre caligrafia Zen, pintura Zen, música Zen e arco e flecha Zen. Se um mestre fosse instado a confirmar a natureza Zen de uma caligrafia ou uma pintura, ele diria: “A espada sumiu há muito tempo”. É conveniente citar aqui a seguinte passagem de “Os ditados de Chung Feng” (Chung Feng Kuang Lu):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;“O que é Ch’an? Ch’an é o nome da Mente. O que é a Mente? A Mente é a substância (essência) do Ch’an. Bodidarma veio do Oeste e apenas apontou direto para a mente do homem. No começo, o termo Ch’an não era usado, mas o resultado de apontar direto para a mente foi o conseqüente despertar dos seguidores da Seita. Nas suas perguntas e respostas, aquilo que não tinha nome era chamado de Ch’an apenas por conveniência. Todavia, o Ch’an não pode ser apreendido através do estudo ou por acaso. Quando a própria-mente é realizada, tanto a palavra ou o silêncio, como o movimento ou a quietude, é o inesperado Ch’an. No momento desse inesperado Ch’an, a Mente automaticamente manifesta-se por si mesma. Assim, sabemos que o Ch’an não difere da Mente e que a Mente não difere do Ch’an. O Ch’an e a Mente são, conseqüentemente, dois nomes da mesma substância.”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A finalidade da Seita Ch’an é despir a mente de todas as paixões e apegos com o propósito de libertá-la do mundo fenomênico, de forma que a própria-natureza possa retornar ao seu estado normal sem impedimento. Em vista disso, os mestres Ch’an raramente usavam aqueles termos Budistas encontrados em todos os sutras, já que os homens estão sempre propensos a apegar-se à terminologia que, na sua procura por mais ensinamento e maior sabedoria, só serve para estimular as faculdades do pensamento e intensificar as discriminações. Os mestres orientavam seus discípulos a evitar a procura da iluminação e a Budeidade, porque a simples idéia da iluminação e da Budeidade dava lugar ao conceito dual de realidade do ego e realidade do Darma, o que dividia seu todo indivisível em sujeito e objeto, a causa de sua ilusão e sofrimento. Essa é a razão pela qual os termos comumente encontrados nos sutras são raramente encontrados nos textos Ch’an, e por isso parecem estranhos e incompreensíveis mesmo para os Budistas das outras escolas. Esses textos são tão obscuros e incompreensíveis como as Profecias de Nostradamus e, freqüentemente, leitores confusos os colocavam de lado para sempre após ler umas poucas páginas. Nenhum mestre esclarecido se dava ao trabalho de dar uma explicação clara ou um comentário compreensivo dos ditados de seus iluminados predecessores. Mesmo quando citavam os ditados antigos, ao dar as instruções aos seus próprios discípulos, seus comentários, que variavam de uma frase a uma stanza (poema), eram igualmente obscuros e confusos para os principiantes.&lt;br /&gt;
Alguns filósofos modernos têm tentado estabelecer uma ligação entre o Ch’an e seus próprios conceitos e ainda tem sustentado que os mestres antigos usavam palavras sem nenhum sentido, gritos e outras gesticulações igualmente desconexas para iluminar seus discípulos. Obviamente, essas palavras, gritos, gargalhadas, etc., parecem sem sentido para uma mente discriminadora; mas assim que pára de discriminar, achará que estão cheios de sentido. Por exemplo, os gritos de Lin Chi tinham quatro significados diferentes, cada um apropriado para cada situação. Da mesma forma, uma gargalhada ou a amostra das duas mãos bem abertas são gestos cheios de significado. Quando se usa a mente discriminadora para comentar os ditados antigos, ver-se-á o dedo no lugar da lua que está sendo apontada.&lt;br /&gt;
Assim, nós não podemos culpar esses mestres pelos seus ditados aparentemente obscuros e abstrusos, porque se usassem as terminologias cunhadas pela inteligência humana condicionada, seus discípulos ir-se-iam apegar a elas, desviando-se assim do curso de treinamento normal. Quando o monge perguntou a Yun Men: “O que é Buda?”, o mestre sabia que a mente do questionador estava agitada pela palavra vazia “Buda” e para livrá-la da ilusão de Buda, respondeu: “Um desentupidor de privada”. Nisto, não havia nenhum desrespeito ao Iluminado, já que a resposta tinha por objetivo purificar a mente deludida do discípulo dessa idéia impura; pois, o Buda concebido por uma mente deludida nunca poderia ser o Buda puro, que está além de qualquer descrição. Entretanto, este caso particular não deve ser generalizado, já que a resposta foi apropriada para a pergunta naquele preciso momento. Por isso, Yun Men proibiu seus discípulos de registrar seus ditados. Da mesma forma, nós não podemos seguir o exemplo de Tan Hsia e sair queimando estátuas de Buda por aí. O monge, num primeiro momento, ficou chocado, mas quando ele entendeu o ato de mestre, suas sobrancelhas caíram e iluminou-se instantaneamente.&lt;br /&gt;
Essas palavras, frases, gritos, gargalhadas, gesticulações e golpes de bastão são conhecidos como kung-an (koan, em japonês) ou causas contribuintes, capazes de provocar o despertar daqueles discípulos cujas mentes já estão livres da ilusão e cujas potencialidades são estimuladas ao máximo, estando prontas para absorver a verdade. Por exemplo, quando Hui K’o pediu a Bodidarma para aquietar sua mente, mas foi incapaz de mostrá-la para seu mestre, o Primeiro Patriarca, declarou: “Então eu aquietei sua mente”. Ao ouvir essa declaração, o Segundo Patriarca iluminou-se instantaneamente. Essa frase foi um kung-an que contribuiu para a iluminação de Hui K’o. Literalmente, kung-an significa: dossiê, registro, leis e regulamentos do poder público criados para resolver disputas e manter a lei e a ordem. Da mesma forma, todas as instruções dadas pelo Buda e pelos Patriarcas para iluminar as pessoas deludidas são chamadas “As Ordens Corretas” da Seita ou guias irrevogáveis para revelar a verdade, e são denominados os kung-an Ch’an. Po-Yen, disse: “Quando recebiam homens de diferentes potencialidades, os antigos eram obrigados a dar-lhes instruções, que eram chamadas kung-an ou causas contribuintes”.&lt;br /&gt;
Quando os homens dotados de uma grande potencialidade e que respondiam ao kung-an se tornaram escassos, os mestres inventaram o que chamamos hua-tou para despir as mentes de seus discípulos de pensamentos e discriminações de forma a livrá-los da visão, da audição, da sensação e do intelecto. Hua-tou significa o exato momento antes que um pensamento ou uma imagem mental agita a mente, e seu sinônimo em inglês se aproxima do termo “antepalavra” ou “antepensamento”. Hua-tou é o pensamento do pensamento, e como todos os pensamentos são equivocados, o hua-tou também é um pensamento impuro usado como artifício para deter o processo do pensamento. Ele é chamado “a espada do Rei Vajra”, a concentração num único ponto para cortar todos os pensamentos e eventuais imagens mentais que possam invadir a mente do meditador durante seu treinamento. Esse pensamento único, fundamentalmente equivocado, também irá desaparecer depois da eliminação dos últimos vestígios da dualidade da realidade do ego e do darma.&lt;br /&gt;
Temos a honra de apresentar os seguintes textos:&lt;br /&gt;
1. Pré-requisitos para o Treinamento Ch’an&lt;br /&gt;
2. O Treinamento Ch’an&lt;br /&gt;
3. Palestras Diárias Durante Duas Semanas Ch’an&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Pré-requisitos do Treinamento Ch’an, O Treinamento Ch’an, e as Preleções Diárias Durante Duas Semanas Ch’an do Mestre Hsu Yun são guias muito úteis, não somente para os praticantes Ocidentais do Ch’an, mas também para os adeptos da Seita no Oriente. Nesses textos, todas as informações são reveladas, e os termos difíceis e o significado profundo são exaustivamente explicados de forma que o principiante possa praticar o Darma da Mente sem a assistência de um mestre.&lt;br /&gt;
As estórias dos mestres antigos e os ditados citados pelo Mestre Hsu Yun são encontrados nas seguintes coleções Ch’an:&lt;br /&gt;
A Transmissão da Lâmpada (Ching Te Ch’uan Teng Lu)&lt;br /&gt;
O Encontro das Cinco Lâmpadas na Fonte (Wu Teng Hui Yuan)&lt;br /&gt;
Apontando o Dedo para a Lua (Shui Yueh Chai Chih Yueh Lu)&lt;br /&gt;
Seleção Imperial de Ditados Ch’an (Yu Hsuan Yu Lu)&lt;br /&gt;
Os Ditados dos Mestres Antigos (Ku Tsun Su Yu Lu)&lt;br /&gt;
Estórias de Monges Eminentes (Kao Seng Ch’uan)&lt;br /&gt;
Estórias de Upasakas Eminentes (Ch’u Shih Ch’uan)&lt;br /&gt;
O mestre também citou algumas passagens muito interessantes do Surangama Sutra (Leng Yen Ching) para aqueles meditadores que já estavam praticando o treinamento Ch’an.&lt;br /&gt;
Para familiarizar os leitores com a terminologia Ch’an, ou a linguagem do incriado, como disse o Upasaka P’ang Yun, “A Chegada do Mestre a Ts’ao Ch’i” foi inlcuído depois dos primeiros textos. Neste quarto texto, os leitores sentirão a mesma atmosfera dos mosteiros da China onde a linguagem do absoluto é falada para revelar “aquilo” que é inconcebível e inexprimível.&lt;br /&gt;
Este texto transportará os leitores ao próprio coração de T’são Ch’i, um distrito no qual o vento ainda sopra e onde, em 502 d.C., um mestre indiano construiu o mosteiro Pao Lin (Madeira Preciosa), prevendo que dali a 170 anos um Bodisatva de carne e osso chegaria para girar a Roda do Veículo Supremo. Em Madeira Preciosa, nasceram as cinco seitas Ch’an da China. Os leitores serão guiados pelo Mestre Hsu Yun através do Portão T’sao Ch’i, o Portão do Mosteiro, o Salão de Maitreya, o Salão de Wei To, o Salão de Han Shan, o Salão de Buda, os aposentos do Abade e, finalmente, o Salão do Darma, onde Hui Neng sentou no Altar para expor o insuperável Darma e libertou incontáveis seres vivos.&lt;br /&gt;
O Mestre Hsu Yun foi Abade do mosteiro Ku Shan, na Província de Fu Chien (Fukien). Numa noite de 1934, durante uma sessão de meditação, o Sexto Patriarca apareceu e disse: “Chegou a hora de retornar”. Na manhã seguinte, o mestre disse ao seu discípulo chefe, Kuan Pen: “Minha vida causal está chegando ao fim. Ontem, vi o Sexto Patriarca chamando-me de volta”. Na quarta lua cheia do mesmo ano, num sonho durante a noite, ele viu o Sexto Patriarca, que por três vezes instou-o a “voltar”. Depois de algum tempo, ele recebeu um telegrama do Governador da Província convidando-o a se transferir para Ts’ao Ch’i para tomar conta do mosteiro do Sexto Patriarca, que estava na mesma condição deplorável à encontrada por Han Shan mais de trezentos anos antes.&lt;br /&gt;
As palavras do Darma neste texto têm apenas um objetivo: apontar direto para a mente para a realização da própria-natureza e a obtenção da Budeidade, de acordo com a Transmissão legada pelos Patriarcas do passado.&lt;br /&gt;
Meu mestre, o Venerável Hsu Yun, era o filho do Oficial Hsiao Yu T’ang da Prefeitura de Chuan Chou, na Província de Fukien. Ele nasceu na hora Yin do último dia do sétimo mês do ano K’eng Tsu, no vigésimo ano do reino de Tao Kuang (26 de Agosto de 1840, entre as 3.00 e 5.00 horas). Sua mãe morreu logo depois do parto. Quando ele tinha 11 anos, duas pequenas meninas foram escolhidas para se tornarem suas esposas, mas foram mais tarde convertidas ao Budismo pelo seu marido “honorifico”. Depois da morte de seu pai, as duas jovens moças junto com sua madrasta entraram num mosteiro e se tornaram duas monjas iluminadas. Aos 13 anos, ele já pensava em “partir de casa”, mas foi impedido pelo seu pai. Aos 19 anos, ele fugiu de casa junto com um primo e se ordenou no mosteiro Ku Shan, onde sua cabeça foi raspada, sendo iniciado com o nome de Ku Yen e com os cognomes Yen Ch’e e Te Ch’ing. Aos 28 anos, ele isolou-se numa gruta durante três anos. Aos 30 anos, abandonou a gruta e passou a peregrinar de lugar em lugar procurando instrução. Um mestre ensinou-lhe a praticar o hua-t’ou: “Quem está empurrando este corpo agora?” Aos 43 anos, ele foi para P’u T’o e dali para a Montanha dos Cinco Picos. Durante a viagem a pé, ele foi pego por uma grande avalanche de neve, ficando gravemente ferido, sendo salvo duas vezes por um mendigo chamado Wen Chi, que lhe deu comida. Durante sua conversa com o mendigo, este lhe fez várias perguntas estranhas. O mestre, que ainda não estava iluminado, não percebeu que Wen Chi na realidade era Wen Shu, o nome chinês de Manjusri, que veio em seu resgate. Depois de sua estadia na Montanha dos Cinco Picos, ele viajou para o Leste e chegou a Lhasa e dali foi para o Butão, Índia, Ceilão e Burma antes de retornar a China, onde ele reconstruiu vários mosteiros, incluindo aqueles dos fundadores da Seita Ch’an. Ele também viajou pela Malásia e pela Tailândia onde deixou muitos seguidores.&lt;br /&gt;
O Mestre Hsu Yun foi o sucessor do Dharma das Cinco Seitas Ch’an da China e é considerado o olho do Dharma Correto da atual geração. A quantidade de seguidores é muito grande e não podem ser contados. Seus discípulos espalham-se por todo lugar e incluem um Abade, monges e monjas no Havaí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
UPASAKA LU K’UAN YU&lt;br /&gt;
Hong Kong, 22 de Maio de 1959.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://centrochan.blogspot.com/feeds/1146398189057005442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://centrochan.blogspot.com/2011/12/introducao-ao-treinamento-chan.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4786012066884740273/posts/default/1146398189057005442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4786012066884740273/posts/default/1146398189057005442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://centrochan.blogspot.com/2011/12/introducao-ao-treinamento-chan.html' title='* INTRODUÇÃO AO TREINAMENTO CH&#39;AN'/><author><name>Wu-ming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06700748159145363242</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4786012066884740273.post-7320117974454547794</id><published>2011-12-29T20:00:00.001-02:00</published><updated>2014-06-15T16:14:37.491-03:00</updated><title type='text'>*PRE-REQUISITOS DO TREINAMENTO CH&#39;AN</title><content type='html'>&lt;b style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 15px; line-height: 20.790000915527344px;&quot;&gt;Tradução para o português de Wu-ming (1947- &amp;nbsp; &amp;nbsp;)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 15px; line-height: 20.790000915527344px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&lt;b&gt;Extraído do Ho Shang Fa Hui do Venerável Mestre Hsu Yun (1840-1959)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo do treinamento Ch&#39;an é a realização da mente para a percepção da própria-natureza; isto é, a eliminação das impurezas que poluem a mente de forma que o rosto fundamental da própria-natureza possa ser percebido. Essas impurezas são nosso falso pensamento e o apego às coisas como se fossem reais. A própria-natureza é a meritória característica da sabedoria do Tatâgata que é a mesma tanto nos Budas quanto nos seres vivos. Se o falso pensamento e o apego são postos de lado aparecerá a meritória característica da sabedoria do Tatâgata e tornar-se-á um Buda; de outra forma permanecerá um ser vivente. Desde incontáveis eras, nossa própria delusão nos tem submergido no mar do nascimento e da morte. Como nossa impureza vem de longa data, somos incapazes de libertar-nos instantaneamente do falso pensamento a fim de perceber a nossa própria-natureza. Por isso, torna-se necessário o Ch&#39;an. O pré-requisito deste treinamento é a erradicação do falso pensamento. Em relação a como apagar os falsos pensamentos têm vários ditados de Sakyamuni Buda, mas nada é mais simples do que a palavra &quot;pára&quot; em seu ditado: &quot;Quando a mente pára, isso é a Iluminação (Bodi)”.&lt;br /&gt;
Desde sua introdução na China por Bodidarma e até a morte do Sexto Patriarca (Hui Neng), a seita Ch&#39;an espalhou-se por todo o país e desfrutou de uma grande prosperidade, nunca antes nem depois vista. Entretanto, a coisa mais importante ensinada por Bodidarma e pelo Sexto Patriarca era apenas isto: &quot;Evite todas as causas contribuintes&quot; e &quot;Não mantenha nem um único pensamento&quot;. Evitar todas as causas contribuintes significa renunciar a elas. Assim, essas duas frases, &quot;Evite todas as causas contribuintes&quot; e &quot;Não mantenha nem um único pensamento&quot;, são os pré-requisitos do treinamento Ch&#39;an. Se essas duas frases não são realmente colocadas em prática, não somente o treinamento será inútil, como também será impossível iniciá-lo; pois, como se pode falar em treinamento Ch&#39;an no meio de inúmeras causas que aparecem e desaparecem, pensamento após pensamento?&lt;br /&gt;
Agora que nós sabemos que as frases: &quot;Evite todas as causas contribuintes&quot; e &quot;Não mantenha nem um único pensamento&quot; são os pré-requisitos do treinamento Ch&#39;an, como podemos preencher esses pré-requisitos? Aqueles dotados de um alto grau de espiritualidade são capazes de deter para sempre o aparecimento de um único pensamento até que eles alcançam o estado do &quot;não-nascido&quot; e realizam a Iluminação (Bodi) instantaneamente sem ter que fazer nenhuma outra coisa. Aqueles dotados de um menor grau de espiritualidade deduzirão o princípio subjacente aos fatos e compreenderão perfeitamente que a própria-natureza é fundamentalmente pura e limpa e que o infortúnio e a iluminação tanto como o nascimento, a morte e o Nirvana, são nomes vazios que não têm a mínima relação com a própria-natureza; que o mundo fenomênico é como um sonho, uma ilusão, uma bolha, uma sombra; e que os quatro elementos básicos que constituem o corpo físico tanto como as montanhas, os rios, e a terra que estão incluídos dentro da própria-natureza é como borbulha no mar. Esses fenômenos aparecem e desaparecem um atrás do outro sem interferir com a essência da própria-natureza. Desta forma, nós não devemos seguir a ilusão na sua criação, permanência, mutação e aniquilação dando lugar a sentimentos de alegria e de tristeza, e de apego e de rejeição. Deveríamos renunciar a tudo aquilo com que sobrecarregamos nosso corpo, assim nos tornando exatamente como um homem morto. O resultado será que os órgãos dos sentidos, os objetos dos sentidos e as consciências irão desaparecer e que a concupiscência, o ódio, a estupidez e o amor serão eliminados. Quando todos nossos sentimentos de alegria e de tristeza, de frio e de calor, de fome e de saciedade, de honra e de desonra, de nascimento e de morte, de felicidade e de infelicidade, de boa fortuna e de infortúnio, de lucro e de perda; de segurança e de insegurança, de capacidade e de incapacidade, são postos de lado, isto é a verdadeira renúncia a tudo. Renunciar a uma coisa é renunciar a tudo para sempre: isto é chamado “a renúncia a todas as causas contribuintes”. Quando se renuncia a todas as causas contribuintes o falso pensamento desaparece porque não há diferenciação e todos os apegos são eliminados. Quando o estado de &quot;não surgimento de um único pensamento&quot; é alcançado, a luminosidade da própria-natureza aparece por completo. Somente desta forma os pré-requisitos do treinamento Ch&#39;an podem ser completamente preenchidos. Naturalmente, que maiores esforços no verdadeiro treinamento e na real introspecção serão necessários para alcançar a realização da mente para a percepção da própria-natureza.&lt;br /&gt;
Ultimamente, os Ch&#39;an Budistas freqüentemente tem-se tem interessado por tudo isto. Em relação ao Darma, fundamentalmente não existe, porque assim que é expresso com palavras seu significado não será verdadeiro. Apenas perceba claramente que a mente é Buda e não há mais nada a fazer. Isto é evidente por si mesmo e qualquer conversa sobre prática e realização são palavras do demônio. Bodidarma -que veio ao Oriente para &quot;apontar direto para a mente do discípulo que deverá perceber a própria natureza com o propósito de alcançar a Budeidade” (o estado de Buda)- deixou claro que todos os seres vivos na face da Terra são Budas. O perfeito reconhecimento desta pura e límpida própria-natureza junto com a completa harmonia com ela, sem as contaminações do apego (inclusive do apego à própria-natureza que também é uma impureza que deverá ser eliminada), andando, parado, sentado ou deitado, dia e noite, nada mais é do que a evidente por si mesma Budeidade. Não exige a utilização da mente ou a realização de um esforço; mais ainda, não há lugar para a ação ou o uso da palavra, discurso ou pensamento. Por essa razão é dito que alcançar a Budeidade é a mais fácil das coisas, pois depende apenas da pessoa e não dos outros. Se os seres vivos da Terra não desejam passar longas eternidades pelos quatro tipos de nascimento (do ovo, da barriga, da umidade e da metamorfose), nos seis planos da existência (devas, homens, espíritos, animais, fantasmas famintos e infernos), permanecendo permanentemente submersos no mar do sofrimento; se eles desejam alcançar a Budeidade com a conseqüente graça da verdadeira eternidade, verdadeira felicidade, verdadeira personalidade e verdadeira pureza (as quatro realidades transcendentais do Nirvana expostas no Mahaparanirvana Sutra), eles devem sinceramente acreditar nas palavras verdadeiras de Buda e de todos os Patriarcas, renunciando a todos os apegos, sem pensar no bem e no mal, e desta forma todos certamente transformar-se-ão em Budas imediatamente. Todos os Budas, Bodisatvas e Patriarcas das gerações passadas não se comprometeram a salvar todos os seres vivos sem terem uma garantia de que o poderiam fazer; e não fizeram os votos em vão ou disseram uma mentira deliberada.&lt;br /&gt;
A qualificação acima referida é provida pela própria natureza. Mais ainda, o Buda e os Patriarcas o expuseram uma e outra vez e suas injunções a este respeito também foram repetidas incontáveis vezes; suas palavras eram palavras verdadeiras que correspondiam à realidade e não continham nem uma partícula de falsidade ou decepção. E no entanto, todos os seres da Terra permaneceram, durante incontáveis eras, iludidos e submersos no amargo oceano do nascimento e da morte e da ascensão e da queda nas suas transmigrações sem fim. Iludidos, confusos e perturbados, eles viram as costas para a iluminação e unem-se com as impurezas. Eles são como ouro puro jogado num esgoto onde não somente é desperdiçado como também é contaminado. Por causa de sua grande misericórdia o Buda abriu 84.000 portas (Darma) para a iluminação de forma que os seres vivos das mais diferentes capacidades naturais fossem capazes de curar as 84.000 doenças causadas pela sua habitual concupiscência, raiva, estupidez, e amor. Desta mesma forma, você é ensinado a usar uma toalha, uma escova, água e um pano para limpar, escovar, lavar e polir a peça suja de ouro. Assim, as portas expostas pelo Buda são excelentes Darmas, permitindo ao discípulo libertar-se do nascimento e da morte e alcançar a Budeidade, sendo a única dificuldade em questão a adaptabilidade às potencialidades individuais. Essas portas (Darma) não deveriam ser arbitrariamente divididas em inferiores e superiores. As introduzidas na China são: a Seita Ch&#39;an (Ch&#39;an Tsung), a Seita da Disciplina (Lu Tsung), a Seita do Ensinamento Doutrinário (Chian Tsung), a Seita da Terra Pura (Chin Tsung), e a Seita Secreta (Mi Tsung). Dentro destas cinco portas para o Darma cabe a cada indivíduo escolher qual é a mais apropriada de acordo com seu caráter natural e inclinações, e se persistir o tempo suficiente sem mudar de opinião e a atravessar completamente certamente alcançará seu objetivo.&lt;br /&gt;
Nossa Seita prefere o treinamento Ch&#39;an. Este treinamento centra-se na &quot;realização da mente e na percepção da própria-natureza&quot;, que nada mais é do que uma exaustiva investigação sobre nosso rosto- fundamental. A porta do Darma, que consiste em &quot;claramente despertar para a própria-mente através da percepção da natureza-fundamental&quot;, vem sendo transmitida desde que Buda levantou a flor e desde a chegada de Bodidarma ao Oriente, com freqüentes mudanças no método de treinamento. Até a dinastia Sung (960 - 1279) a maioria dos adeptos da Seita Ch&#39;an iluminava-se depois de ouvir uma palavra ou uma frase. A transmissão do mestre para o discípulo não ia além da transmissão da mente para a mente e não era ensinado nenhum Darma específico. Nas perguntas e respostas a função do mestre era soltar as amarras que prendiam o discípulo, libertando-o dos impedimentos causados pela delusão de acordo com as circunstâncias, tal como faz o médico quando receita um remédio para uma doença específica. Durante e após a dinastia Sung as potencialidades humanas tornaram-se embotadas e as instruções dos mestres não eram seguidas por seus discípulos.&amp;nbsp; Por exemplo, quando os discípulos eram instruídos para &quot;abandonar tudo&quot; e &quot;não pensar no bem e no mal&quot;, os praticantes não eram capazes de abandonar tudo nem podiam evitar pensar no bem e no mal. Dadas essas circunstâncias, os mestres ancestrais foram obrigados a desenvolver o método de &quot;veneno contra veneno&quot;, ensinando seus discípulos a perguntar-se sobre o &quot;kung-an&quot; - enigmas colocados pelos mestres Ch&#39;an através dos quais a mente concentra-se até alcançar a unidade interior e a iluminação - ou olhar dentro de um hua-tou - antepalavra ou antepensamento; isto é, o estado da mente antes de ser agitada por um pensamento; a mente no estado de quietude; a manutenção do hua-tou na mente significa prestar atenção à própria mente até sua realização ou a capacidade de virar para dentro a faculdade da audição para escutar à própria- natureza provocando o desligamento da mente dos aspectos exteriores. Seus discípulos eram orientados para segurar o hua-t’ou tão firmemente como fosse possível, sem perder contanto com ele nem por um segundo, da mesma forma que um rato rói a madeira de um caixão no mesmo lugar até fazer um buraco. O objetivo deste método era o de utilizar um único pensamento para enfrentar e deter a miríade de pensamentos, porque os mestres não tinham nenhuma outra opção. Era como realizar uma operação depois que o veneno tinha entrado no corpo. Havia muitos kung-an inventados pelos antigos, mas posteriormente apenas os hua-tou eram ensinados. Nos dias de hoje, os mestres usam o hua-t’ou: “Quem está repetindo o nome de Buda?” (No Centro de Treinamento Ch’an usamos o hua-tou: “Pára!”).&lt;br /&gt;
Todos esses hua-tou têm apenas um único sentido que é muito simples e não há nada de especial neles. Se você presta atenção a “Quem está acordado?”; “Quem está dormindo?”; &quot;Quem está recitando um Sutra?&quot;; &quot;Quem está almoçando?&quot;; &quot;Quem está vendo televisão?&quot;; “Quem está dirigindo o carro?”; “Quem está pensando?”; &quot;Quem está lendo?&quot;; &quot;Quem está escrevendo?&quot; ou &quot;Quem está falando?&quot;; a resposta a esse &quot;Quem?&quot; invariavelmente será a mesma: &quot;É a Mente&quot;. A palavra origina-se na Mente e a Mente é a cabeça da Palavra. O Pensamento origina-se na Mente e a Mente é a cabeça do Pensamento. A miríade de coisas provém da Mente e a Mente é a cabeça da miríade de coisas. Na realidade o hua-tou é a cabeça do pensamento. A cabeça do pensamento não é nenhuma outra coisa a não ser a Mente. Para que fique bem claro, antes do pensamento surgir é um hua-tou . De onde se conclui que prestar atenção ao hua-tou é prestar atenção à Mente. O rosto-fundamental antes de nascer é a Mente. Prestar atenção ao seu rosto-fundamental antes de nascer é prestar atenção a sua Mente. A própria-natureza é a Mente e &quot;virar a audição para dentro para escutar a própria-natureza” é virar a contemplação para dentro para contemplar à própria-mente.&lt;br /&gt;
A frase: &quot;o brilhar perfeito da consciência pura&quot;, significa: &quot;a consciência pura&quot; é a mente e &quot;brilhar&quot; significa prestar atenção. A Mente é Buda e repetir o nome de Buda é contemplar Buda. Contemplar Buda é contemplar a Mente. Desta forma, “prestar atenção ao hua-tou ou &quot;prestar atenção àquele que repete o nome de Buda&quot; é contemplar a mente ou contemplar a pura essência da consciência da própria mente, ou contemplar a própria-natureza de Buda. A Mente é a própria-natureza, é a consciência e é Buda, que não tem forma nem lugar, sendo, portanto, indescritível. É limpo, puro e onipresente, não chega nem vá embora, e é fundamentalmente o evidente por si mesmo corpo essencial de Buda (Darmakaya).&lt;br /&gt;
O adepto deverá manter sob controle os seis órgãos dos sentidos - os seis gunas: a visão, a audição, o olfato, o gosto, o tato e o intelecto - e tomar conta do hua-tou prestando atenção ao momento em que o pensamento aparece até perceber a pura própria-natureza, livre de qualquer pensamento. Essa permanente, profunda, calma e indiferente investigação levarão o adepto a um imóvel e luminoso estado de contemplação - a essência da mente é imutável e sua função luminosa - cujo resultado será o imediato desaparecimento das cinco funções constitutivas do ser sensciente - os cinco skandas: a matéria, a sensação, a conceituação, a discriminação e a consciência - e o apagamento do corpo e da mente sem deixar o mínimo vestígio para trás. A partir daí, essa imutabilidade absoluta deverá ser mantida em qualquer situação, andando, parado, sentado ou deitado, dia e noite. A medida que o tempo passa, esse feito será levado à perfeição o que resultará na percepção da própria-natureza e na Budeidade, com a conseqüente eliminação de todas as perturbações e sofrimentos.&lt;br /&gt;
O mestre ancestral Kao Feng dizia: &quot;Quando o estudante presta atenção ao hua-tou com a mesma constância com que uma telha partida afunda num lago profundo até alcançar o fundo, se ele não conseguir despertar em sete dias, qualquer um pode arrancar minha cabeça e jogá-la fora&quot;. Queridos amigos: essas são as palavras de um mestre experiente; elas são verdadeiras e correspondem à realidade; não são palavras enganosas para iludir as pessoas.&lt;br /&gt;
Por que então na atual geração apenas uns poucos alcançam a iluminação a despeito do grande número de homens e mulheres que seguram um hua-tou nas suas mentes? Isto é porque suas potencialidades não estão tão desenvolvidas como às dos antigos. Também porque os estudantes confundem-se em relação ao método correto de treinamento e à técnica do hua-tou. Eles freqüentam vários lugares diferentes procurando instrução e o resultado é que quando a velhice chega ainda não sabem direito o significado do hua-tou e como prestar atenção a ele. Passam a vida inteira apegados às palavras e aos nomes e ocupando suas mentes com o rabo do hua-tou - quando o adepto procura o significado racional da frase, ele está pensando no &quot;rabo do hua-tou&quot; no lugar de pensar na &quot;cabeça do hua-tou&quot;, o que está errado. Eles olham e procuram o significado das frases: &quot;Presta atenção àquele que repete o nome de Buda&quot; e &quot;Toma conta do hua-tou&quot;, e quanto mais olham e procuram mais se afastam do significado real das frases. Assim, como podem despertar para a evidente por si mesma wu-wei (não-ação), realidade suprema, e como podem ascender ao imperturbável Trono Real? Quando o pó de ouro é jogado nos seus olhos eles ficam cegos; como poderiam eles irradiar o grande raio iluminador? Que pena! Que pena! Eles são bons filhos e boas filhas que deixam seus lares na procura da verdade e sua determinação está acima da média. Que pena&amp;nbsp; que eles trabalhem por nada! Por isso um mestre ancestral disse: &quot;É melhor permanecer adormecido durante mil anos do que trilhar o caminho errado um único dia&quot;.&lt;br /&gt;
O autocultivo para o despertar para a verdade é fácil e difícil ao mesmo tempo. Por exemplo, quando ligamos a luz, se sabemos como, num estalar dos dedos, far-se-á a luz e a obscuridade que durou incontáveis anos desaparecerá. Mas, se não se sabe ligar a luz os cabos elétricos entrarão em curto circuito e a lâmpada queimar-se-á, o que resultará num aumento do apego e da ignorância. Há também os que, quando prestam atenção ao hua-tou durante o treinamento Ch&#39;an, se envolvem com os demônios e se tornam insanos enquanto outros vomitam sangue e adoecem – quando se permite a entrada de um pensamento ruim no estado de concentração da mente enquanto se segura um hua-tou, esse pensamento pode alcançar uma proporção fora de controle, tornando-se impossível de subjugar, provocando a insanidade. Não são, pois, o fogo da ignorância explodindo em chamas e a visão profundamente enraizada do eu e dos outros as causas de tudo isso? Assim, os adeptos devem harmonizar o corpo com a mente e tornarem-se calmos, livres de qualquer impedimento e da visão do eu e dos outros de forma a alcançar um acordo perfeito com suas potencialidades latentes. Fundamentalmente, o método usado no treinamento Ch&#39;an é invariavelmente o mesmo, mas o treinamento é difícil e fácil ao mesmo tempo, tanto para os principiantes quanto para os veteranos.&lt;br /&gt;
Onde jaz a dificuldade para um principiante? Embora o seu corpo e a sua mente estejam maduros para o treinamento, ele ainda está confuso em relação ao método a ser praticado e como sua prática não produz resultados ele perderá a paciência ou perderá seu tempo cochilando com o seguinte resultado: &quot;No primeiro ano, o treinamento de um principiante; no segundo ano, o treinamento de um veterano; e no terceiro ano, nenhum treinamento&quot;.&lt;br /&gt;
Onde jaz a facilidade para um principiante? Apenas se requer uma mente crente, perseverante e desocupada. Em primeiro lugar, uma mente crente tem a certeza de que a nossa mente é fundamentalmente Buda, não sendo diferente de todos os Budas e de todos os seres vivos nos três estágios do tempo - passado, presente e futuro - e nas dez direções do espaço; e, em segundo lugar, a certeza que todos os Darmas expostos por Sakyamuni Buda podem fazer com que sejamos capazes de colocar um fim ao ciclo de nascimento e morte, alcançando Budeidade. Uma mente perseverante consiste na escolha de um método que deverá ser colocado continuamente em prática na vida atual, na vida próxima e na vida depois da próxima. O treinamento Ch&#39;an deverá ser conduzido dessa forma; a repetição do nome de Buda deverá ser conduzida dessa forma; a repetição de uma mantra (cântico místico) deverá ser conduzida dessa forma; e, o estudo dos sermões (sutras), que consiste em colocar em prática os ensinamentos recebidos através das Escrituras, deverá ser conduzido dessa forma. A prática de qualquer porta do Darma deverá ser baseada na disciplina (sila) e se o treinamento é conduzido dessa forma não há nenhuma razão para não se ter sucesso. O velho mestre Kuei Shan costumava dizer: &quot;Qualquer um que pratique esse Darma sem desistir durante três vidas sucessivas, certamente pode alcançar a Budeidade&quot;.&lt;br /&gt;
Por mente desocupada entende-se o abandono de tudo - isto é, livre de todos os apegos que são considerados um fardo do qual se deve desfazer - de forma que o adepto torna-se como um homem morto, que enquanto se comporta como os outros nas suas atividades normais, não dá lugar ao aparecimento da mínima discriminação e apego e vive como um simples religioso.&lt;br /&gt;
Depois que o principiante adquiriu esses três tipos de mente, se ele se submete ao treinamento Ch&#39;an e presta atenção ao hua-tou,: &quot;Quem é que repete o nome de Buda?&quot;, ele deverá silenciosamente repetir várias vezes: &quot;Amitaba Buda, Amitaba Buda, Amitaba Buda” e então prestar atenção àquele que pensa no Buda e onde esse pensamento surge. Ele saberá que esse pensamento não se origina na sua boca ou no seu corpo. Caso se originasse na boca ou no corpo, quando morresse, não poderiam sua boca ou seu corpo, que ainda existiriam, originar um pensamento? Assim, ele sabe que esse pensamento provém de sua mente. Agora, o principiante poderá observar e localizar onde sua mente origina esse pensamento e prestar atenção a ele, como um gato que permanece atento para caçar o rato, com toda sua atenção excludente concentrada nele, livre de um segundo pensamento. Entretanto, sua atenção e seu embotamento deverão ocorrer em proporções iguais. Nunca deverá estar muito atento porque tal atenção poderá causar uma doença. Se o treinamento é conduzido desta forma, em todas as circunstâncias, andando, parado, sentado ou deitado, dia e noite, tornar-se-á eficiente com o tempo, e quando a causa chega ao momento do usufruto, como um melão maduro que cai naturalmente, qualquer coisa que possa tocar ou entrar em contato irá repentinamente causar o despertar supremo. Nesse momento o adepto será como aquele que bebe água e somente ele sabe se a água está fria ou quente, até que ele se livre de todas as dúvidas em relação a si mesmo e vivencie uma grande felicidade, igual à que se sente quando se encontra o pai no meio de uma multidão longe de casa.&lt;br /&gt;
Onde a facilidade e a dificuldade jazem para o veterano? Por veterano entende-se alguém que recorreu a mestres esclarecidos para sua instrução e submeteu-se ao treinamento por muitos anos durante os quais seu corpo e sua mente tornaram-se maduros; alguém que não tinha dúvida em relação ao método que poderia praticar confortavelmente sem experimentar nenhum obstáculo. A dificuldade que um monge veterano poderá enfrentar jaz na sensação de conforto e clareza na qual ele pára e permanece. Assim, por causa de sua permanência nesse lugar ilusório ele não alcança o lugar das coisas preciosas - isto é, o Nirvana perfeito. Ele apenas se adapta à quietude, mas não se adapta ao tumulto e seu treinamento não é, conseqüentemente, completamente efetivo para qualquer circunstância. Na pior das hipóteses, o adepto desenvolverá, quando em contato com as condições do meio ambiente, sentimentos de prazer e desprazer, e aceitação e rejeição com o resultado que seus falsos pensamentos, tanto os grosseiros quanto os sutis, permanecerão tão firmes como antes: seu treinamento pode comparar-se ao ato de molhar uma pedra com água e tornar-se-á inútil. A medida que o tempo passa o cansaço e a preguiça infiltrar-se-ão no seu treinamento, que no fim tornar-se-á infrutífero. Quando um monge toma consciência disso ele imediatamente deverá reanimar o hua-tou novamente e levantar o espírito para avançar um passo a frente do topo do mastro de cem pés de altura que ele alcançou - esse estado de quietude é descrito em &quot;A Iluminação Perfeita&quot; do Bodisatva Avalokitesvãra quando disse: &quot;Ambos, a audição e o objeto da audição, desapareceram mas eu não permaneci onde eles desapareceram&quot; - até chegar ao topo do mais alto pico no qual ele permanecerá firmemente ou ao fundo do mais profundo oceano, onde ele caminhará em todas as direções. Ele cortará seu último elo de ligação com o irreal e caminhará livremente por todos os lugares encontrando-se, cara a cara, (literalmente, substância a substância ou essência a essência) com Budas e Patriarcas. Onde está a dificuldade? Isto não é fácil?&lt;br /&gt;
Hua-tou é a mente única. Essa mente única de vocês e minha não está dentro, nem fora, nem no meio..Também está dentro, fora e no meio. É como o Espaço, imutável e onipresente. Por isso, o hua-tou não deve ser puxado para acima ou para baixo. Se for puxado para cima causará mal-estar e se for puxado para baixo causará preguiça e assim entrará em contradição com a natureza da mente - o corpo-mente imutável, a fundamentalmente existente mente pura - e desviar-se-á do caminho do meio.&amp;nbsp; Todos têm medo do falso pensamento que acham difícil de controlar, mas eu digo a vocês, caros amigos, não tenham medo do falso pensamento nem tentem controlá-lo. Vocês devem ter consciência dele mas não se deve apegar a ele, segui-lo ou afastá-lo. Será suficiente cortar o pensamento e ele deixará vocês em paz. Por isso, o ditado: &quot;o aparecimento da falsidade deverá ser reconhecida no ato e uma vez reconhecida desaparecerá&quot;.&lt;br /&gt;
Entretanto, se no seu treinamento o adepto poder usar esse falso pensamento no seu próprio benefício ele prestará atenção onde se origina e perceberá que não tem natureza própria. Perceberá a não-existência desse pensamento e recuperará sua natureza vazia, seguida imediatamente pela manifestação da pura própria-natureza do Darmakaya Buda que aparecerá na hora.&lt;br /&gt;
Na realidade, o real e o falso têm a mesma natureza: os seres vivos e os Budas não são dois; nascimento e morte e Nirvana assim como a iluminação e a obscuridade todos fazem parte de nossa própria-mente e de nossa própria-natureza e não deveriam ser diferenciados, nem gostados nem desgostados, nem aceitos nem rejeitados. Essa mente é pura e limpa e fundamentalmente é Buda. Nem um único Darma é necessário na questão da iluminação. Por que tanta complicação? T&#39;san! - (Usualmente no final de cada reunião o mestre pronuncia essa palavra para estimular seus discípulos a penetrar dentro do significado real do sermão).</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://centrochan.blogspot.com/feeds/7320117974454547794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://centrochan.blogspot.com/2011/12/pre-requisitos-do-treinamento-chan.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4786012066884740273/posts/default/7320117974454547794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4786012066884740273/posts/default/7320117974454547794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://centrochan.blogspot.com/2011/12/pre-requisitos-do-treinamento-chan.html' title='*PRE-REQUISITOS DO TREINAMENTO CH&#39;AN'/><author><name>Wu-ming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06700748159145363242</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4786012066884740273.post-7074322320243993794</id><published>2011-12-29T19:49:00.002-02:00</published><updated>2014-06-15T16:17:21.422-03:00</updated><title type='text'>* O TREINAMENTO CH&#39;AN</title><content type='html'>&lt;b&gt;Pelo Venerável Mestre Hsu Yun (1840-1959)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 15px; line-height: 20.790000915527344px;&quot;&gt;Tradução para o português de Wu-ming (1947- &amp;nbsp; &amp;nbsp;)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&lt;b&gt;Pré-requisitos para a Prática das Tarefas Religiosas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Acreditar na &quot;Lei da Causalidade&quot;.&lt;br /&gt;
Quem quer que seja que procure realizar as práticas religiosas, deve acreditar firmemente na lei da causalidade. Quando se ignora essa lei e se faz apenas a própria vontade, não somente fracassar-se-á no cumprimento das tarefas religiosas, como que também sofrer-se-á as conseqüências dessa lei através das três formas de castigo: inferno de fogo, inferno de sangue e inferno de espadas. Um mestre antigo disse: &quot;Se quer saber as causas formadas na vida passada, as podemos encontrar no tipo de vida presente; se quer saber o tipo de vida futura, o podemos encontrar nos atos da vida presente&quot;. Ele também disse: &quot;O carma de nossos atos nunca será apagado mesmo após centenas e milhares de eras, mas assim que as condições tornam-se maduras sofreremos as conseqüências nós mesmos&quot;. O Surangama Sutra diz: &quot;Se a causa não é verdadeira o fruto maduro será podre&quot;. Assim, quando se semeia uma boa causa obter-se-á um bom fruto e quando se semeia uma causa ruim obter-se-á um fruto ruim; quando se semeiam sementes de melão obter-se-ão melões e quando se semeiam sementes de feijão obter-se-á feijão. Essa é a grande verdade. Como estou falando da lei da causalidade contarei uma historinha para ilustrá-la.&lt;br /&gt;
A história refere-se ao massacre do clã de Sakya pelo Rei Crystal Virudhaka - esta história foi contada pelo próprio Buda. Antes do advento de Sakyamuni Buda existia um vilarejo perto de Kapila habitado por pescadores que pescavam num grande lago. Aconteceu que por causa de uma grande estiagem o lago secou e os habitantes mataram e comeram todos os peixes. O último peixe era enorme e antes de ser morto um garoto, que nunca tinha comido peixe, bateu três vezes na cabeça dele. Mais tarde, depois do aparecimento de Sakyamuni Buda neste mundo, o Rei Prasenajit, que acreditava no Darma de Buda, casou-se com uma moça Sakya que deu a luz um príncipe chamado Crystal. Quando jovem Crystal foi educado em Kapila que era na época habitada pelo clã Sakya. Um dia, enquanto brincava, o menino subiu ao púlpito de Buda e sendo reprimido foi retirado dali pelos mais velhos. O menino alimentou um grande rancor contra os que o tinham repreendido e quando se tornou Rei comandou um ataque devastador contra Kapila matando todos seus habitantes. Na mesma hora Buda sofreu uma forte dor de cabeça que durou três dias. Quando seus discípulos pediram-lhe para resgatar os habitantes de Kapila, Buda respondeu que um determinado carma não podia ser mudado. Então, através de seus poderes mágicos Maudgalyãyana - era um dos dez discípulos chefes de Buda, especialmente conhecido pelos seus poderes mágicos - resgatou quinhentos homens do clã Sakya pensando que poderia refugiá-los numa grande tigela suspensa no ar. Quando a tigela foi colocada no chão todos os homens tinham-se convertido em sangue. Quando perguntado por seus discípulos sobre o que acontecera, Buda explicou que no passado os homens do clã Sakya tinham matado e comido todos os peixes do lago, o Rei Crystal tinha sido aquele grande peixe que morreu por último e os soldados todos os outros peixes mortos; os habitantes de Kapila agora mortos tinham sido aqueles que comeram os peixes; e o próprio Buda tinha sido aquele garoto que bateu na cabeça do grande peixe três vezes, sofrendo em conseqüência uma dor de cabeça de três dias em retribuição ao seu ato no passado. Como não se pode escapar das conseqüências de um determinado carma os quinhentos homens resgatados por Maudgalyãyana sofreram o mesmo destino. Mais tarde, o Rei Crystal renasceu num inferno. Como cada causa produz um efeito que pela sua vez torna-se uma nova causa, a lei do retorno é inesgotável. A lei da causalidade é realmente muito terrível.&lt;br /&gt;
Queridos amigos, depois de ouvir essa história vocês devem ter percebido que a lei da causalidade é em verdade uma coisa terrível. Mesmo após ter alcançado a Budeidade, o Buda ainda sofreu uma dor de cabeça em retribuição ao seu ato passado. A retribuição é infalível e não se pode escapar de um determinado carma. Desta forma, devemos estar sempre atentos a tudo isso e devemos ter muito cuidado em relação à criação de novas causas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Observância Estrita das Regras de Disciplina (Sila)&lt;br /&gt;
Quando se procura realizar as práticas religiosas, a primeira coisa a cumprir são as regras de disciplina. A disciplina é o fundamento da suprema Iluminação (Bodi): a disciplina gera imutabilidade e a imutabilidade gera Sabedoria (Prajnã). Não há nenhuma autoprática sem o cumprimento das regras de disciplina. O Surangama Sutra, que relaciona os quatro tipos de pureza, claramente nos ensina que a prática do Samadi (estado de imperturbabilidade isento de sensações externas) sem o cumprimento das regras de disciplina não irá apagar essas impurezas. Mesmo que haja a manifestação de um grande conhecimento de Dyana (meditação ou contemplação abstrata), cair-se-á no plano dos mãras (demônios perversos) e heréticos. Conseqüentemente, nós sabemos que o cumprimento das regras de disciplina é muito importante. O homem que as cumpre está amparado e protegido por dragões-reis e devas (deuses) e é respeitado e temido por mãras e heréticos. O homem que quebra as regras de disciplina é chamado de grande ladrão pelos fantasmas que fazem a varredura até de suas pegadas.&lt;br /&gt;
Antigamente, no estado de Kubhana (Kashmir) havia nos redores de um mosteiro um dragão venenoso que freqüentemente devastava a região. No mosteiro, quinhentos arhats - o ideal da doutrina Hinayana que procura apenas sua própria libertação, em contraste com o Bodisatva, o ideal da doutrina Mahayana, que procura a libertação de todos os seres vivos - não conseguiam afastar o dragão com seu poder coletivo de Dyana-Samadi. Mais tarde, um monge chegou ao mosteiro e em lugar de entrar no estado de Dyana-Samadi, apenas disse para o dragão venenoso: &quot;Será que o inteligente e virtuoso poderia ir embora daqui para um lugar bem longe?” A partir desse momento, o dragão venenoso voou para um lugar bem distante. Quando questionado pelos arhats sobre os poderes mágicos que ele usou para afastar o dragão, o monge respondeu: &quot;Eu não usei o poder do Dyana-Samadi; apenas sou muito cuidadoso no cumprimento das regras de disciplina e observo com o mesmo cuidado tanto as regras maiores quanto as regras menores&quot;. Assim, podemos ver que o poder coletivo do Dyana-Samadi de quinhentos arhats juntos não se pode comparar ao poder de um único monge que segue estritamente as regras de disciplina.&lt;br /&gt;
Se vocês me questionam citando as palavras do Sexto Patriarca: &quot;Por que se deve observar a disciplina se a mente é imparcial? Por que um homem reto deveria praticar Ch&#39;an?&quot;; eu pergunto a vocês de volta: São suas mentes imparciais e retas? Se a senhora Ch&#39;ang-O descesse da lua - uma dama muito bela que, segundo a lenda, roubou o elixir da imortalidade e fugiu para a lua onde se converteu num sapo – e com seu corpo nu tomasse vocês nos seus braços, permaneceriam seus corações imperturbáveis; e se alguém sem nenhum motivo aparente insulta e agride vocês, isso não despertaria sentimentos de ódio e vingança em vocês? Podem vocês evitar estabelecer diferenças entre a amizade e a inimizade, o amor e o ódio, o eu e os outros, o certo e o errado? Se vocês podem fazer isso, então podem abrir a boca e falar , mas se não podem fazer isso, então é inútil dizer uma mentira deliberada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Uma Fé Inabalável.&lt;br /&gt;
Uma mente de fé inabalável é o fundamento do treinamento daquele que quer cumprir com suas práticas religiosas, porque a fé é a mãe da doutrina correta e também porque sem fé não haverá boa vontade. Se nós desejamos nos libertar do ciclo de nascimento e morte, devemos primeiro possuir uma mente de fé inabalável. Buda disse que todos os seres vivos da Terra têm inerente dentro deles a sabedoria do Tatâgata (um dos nomes de Buda) que eles não podem realizar apenas por causa do falso pensamento e do apego. Ele também mostrou todas as portas do Darma para a iluminação, curando todos os tipos de doenças, das quais sofriam os seres vivos. Devemos, portanto, acreditar que as palavras de Buda não são falsas e que todos os seres vivos podem alcançar a Budeidade. Mas por que não conseguimos alcançar a Budeidade? É porque não treinamos de acordo com o método correto. Por exemplo, nós acreditamos e sabemos que o coalho de soja pode ser feito com grãos de soja, mas se não começamos a preparar os grãos, o coalho não se fará sozinho. Agora, assumindo que o coalho de soja é feito com grãos de soja, ainda não conseguiremos fazê-lo se não sabemos como misturar a gipsita. Se conhecermos o método, moeremos os grãos, os ferveremos na água, e depois colocaremos a quantidade certa de gipsita; e aí certamente obteremos o coalho de soja. Da mesma forma, na prática de nossas tarefas religiosas a Budeidade não será alcançada por aqueles que não treinam nem por aqueles que não usam o método certo. Se nosso autocultivo é praticado de acordo com o método correto sem desistir ou se arrepender, é certo que alcançaremos a Budeidade. Assim, deveremos saber que fundamentalmente nós somos Buda; também deveremos saber que se nosso autocultivo é feito de acordo com o método correto é certo que alcançaremos a Budeidade.&lt;br /&gt;
O Mestre Yung Chia disse na sua &quot;Canção da Iluminação”:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Realizando a Realidade! Eu e os outros não existimos.&lt;br /&gt;
O Carma de Avici é apagado num segundo.&lt;br /&gt;
Se eu minto conscientemente para enganar os seres vivos,&lt;br /&gt;
Irei sofrer nesse inferno por incontáveis eras, tantas como grãos de areia”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O velho mestre era muito piedoso e fez esse voto sem limites para obrigar àqueles que viessem depois dele a desenvolver uma mente de fé inabalável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) A Escolha do Método de Treinamento&lt;br /&gt;
Depois que se desenvolveu uma fé inabalável deve escolher-se uma porta de entrada para a iluminação. Nunca se deve mudar de treinamento, e quando a escolha for feita, seja a repetição do nome de Buda, seja o canto de uma mantra, seja o treinamento Ch&#39;an deve ir-se até o fim sem desistir ou arrepender-se. Se hoje o método parece não dar resultado, amanhã deve continuar-se; se este ano o método parece não dar resultado, o próximo ano deve continuar-se; e se na vida atual o método parece não dar resultado, na próxima vida deve continuar-se. O velho mestre Kuei Shan, disse: &quot;Quando se pratica em cada sucessiva reencarnação, o estágio de Buda será alcançado&quot;. Há muitas pessoas que parecem duvidar de suas escolhas. Hoje, após ouvir um mestre esclarecido elogiar o método de repetição do nome de Buda eles decidem repeti-lo por um par de dias; depois de amanhã, após ouvir outro mestre esclarecido elogiar o treinamento Ch&#39;an eles pratica-lo-ão por um ou dois dias. Se eles gostam de brincar dessa forma, eles continuarão até a morte sem alcançar nenhum resultado. Isto não é uma pena?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;O Método de Treinamento Ch&#39;an&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora haja inúmeras portas de entrada para a iluminação, Buda, os Patriarcas e os Ancestrais, concordaram em considerar o treinamento Ch&#39;an a insuperável porta maravilhosa. Na assembléia de Surangama, Buda ordenou a Manjusri escolher entre os vários métodos de alcançar a iluminação completa e ele escolheu o método de Avalokitesvara Bodisatva, que usava a faculdade da audição, como o melhor. Quando utilizamos o sentido da audição para escutar nossa própria-natureza, este é um dos métodos de treinamento Ch&#39;an. Este lugar é o auditório Ch&#39;an e devemos discutir o treinamento Ch&#39;an.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;O Essencial do Treinamento Ch&#39;an.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nossas atividades diárias são realizadas dentro da própria verdade. Existe algum lugar que não seja um Bodimandala? – um lugar sagrado, destinado à iluminação. Fundamentalmente um pátio Ch&#39;an está fora de lugar. Mais ainda, Ch&#39;an não significa sentar-se para meditar. O chamado pátio Ch&#39;an e a chamada posição Ch&#39;an são apenas para aqueles que encontram obstáculos insuperáveis dentro deles mesmos e que tem pouquíssima sabedoria nesta época de decadência do Darma.&lt;br /&gt;
Quando neste treinamento se adota a posição de “sentado”, o corpo e a mente devem estar sob perfeito controle. Se eles não estão sob perfeito controle um dano pequeno será ficar doente e um grande dano será o envolvimento como o demônio, o que é mais lamentável ainda. No pátio Ch&#39;an, quando o incenso é aceso para ajudar o adepto, andando ou sentado, o objetivo é assegurar o controle do corpo e da mente. Além desta, há muitas outras formas de controlar o corpo e a mente, mas eu me referirei às mais importantes.&lt;br /&gt;
Quando sentado em meditação Ch&#39;an a posição correta é a posição natural. O torso não deverá ficar inclinado para frente já que se assim acontece o calor interior será puxado para cima com o resultado que após da meditação haverá lágrimas, uma respiração difícil, falta de ar, perda de apetite e vômito de sangue. Tampouco se deverá inclinar o torso para trás, pois isto provoca sonolência com facilidade. Tão logo a sonolência é percebida, o praticante deverá manter os olhos bem abertos, levantar o torso e sacudir suavemente as nádegas, e a sonolência desaparecerá imediatamente.&lt;br /&gt;
Se o treinamento é conduzido com ansiedade o praticante sentirá um certo calor no peito. Nesse caso é aconselhável parar o treinamento durante o tempo que se demora para queimar meio incenso e recomeçar quando se está relaxado novamente. Se não se procede dessa maneira, com o passar do tempo desenvolver-se-á um temperamento quente e excitável, e no pior dos casos, tornar-se-á insano ou envolver-se-á com os demônios.&lt;br /&gt;
Quando a meditação Ch&#39;an começa a dar resultado, ocorrerão vários estados mentais que são muitos para enumerá-los, mas se vocês não se apegam a eles, eles não causarão nenhum dano. É isso exatamente o que significa o provérbio: &quot;Não se maravilhe com o maravilhoso e o maravilhoso desaparecerá”. Mesmo que vocês vejam espíritos obsessores de todos os tipos tentando perturbar vocês, devem ignorá-los e não ter medo deles. Mesmo que Sakyamuni Buda apareça e coloque a mão sobre suas cabeças - um hábito de Buda quando ensinava seus discípulos - e profetize sua futura Budeidade, vocês não devem prestar atenção a nada disso nem se sentir encantados por causa disso&amp;nbsp; - a visão eventual de Buda é meramente uma criação impura da mente deludida e não representa ele realmente, pois o Darmakaya é inconcebível (O Darmakaya, o corpo espiritual de Buda, invisível para todos aqueles que não sejam Budas). O Surangama Sutra diz: &quot;O estado perfeito é aquele em que a mente não é perturbada pela santidade: a representação da santidade é produto do envolvimento com os demônios&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Como Começar o Treinamento:&lt;br /&gt;Distinção entre Anfitrião e Hóspede.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como se deve começar o treinamento Ch&#39;an? Na assembléia de Surangama, Arya Ajnatakaundinya falou sobre a &quot;poeira intrusa&quot; e é justamente por onde começaremos o treinamento. Ele disse: &quot;Por exemplo, um viajante pára numa hospedaria onde ele pernoita ou janta e logo que acaba sua refeição continua a viagem porque não tem tempo a perder. No que diz respeito ao anfitrião da hospedaria, ele não tem nenhum lugar para onde ir. Minha dedução é que aquele que não permanece é o hóspede e àquele que permanece é o anfitrião. Assim, uma coisa é intrusa quando não permanece. Quando num céu claro o sol aparece e a luz solar penetra pela janela, pode ver-se a poeira flutuando a contraluz enquanto que o espaço permanece imutável. Assim, aquilo que está imóvel é o vazio e aquilo que se move é a poeira&quot;.&lt;br /&gt;
A &quot;poeira intrusa&quot; representa o falso pensamento e o &quot;vazio&quot; representa a própria-natureza; isto é, o anfitrião permanente que não segue o hóspede no seu incessante &quot;ir e vir&quot;. Isto serve para ilustrar a eterna (imutável) própria-natureza que não segue o falso pensamento no seu repentino aparecimento e desaparecimento. Por isso, é dito: &quot;Aquele que não se importa com todas as coisas não se incomodará quando estiver rodeado de todas as coisas&quot;. Por poeira que se move por ela mesmo e não incomoda o vazio que permanece absolutamente imóvel entende-se o falso pensamento que aparece e desaparece por si mesmo e não afeta à própria-natueza que é imutável na sua condição de Butatata (qüididade). Esse é o significado do ditado: &quot;Quando a mente não aparece, as coisas não tem culpa&quot;.&lt;br /&gt;
O significado da palavra &quot;intrusa&quot; é grosseiro enquanto que o significado da palavra &quot;poeira&quot; é sutil.&amp;nbsp; Os principiantes devem claramente compreender a diferença entre &quot;anfitrião&quot; e &quot;hóspede&quot; e assim não serão arrastados pelo falso pensamento. Avançando mais um pouco, eles esclarecerão o termo “vazio&quot; e o termo &quot;poeira intrusa&quot; e assim não sofrerão nenhuma interferência do falso pensamento. Costuma-se dizer: &quot;Quando o falso pensamento é conhecido não haverá nenhum dano&quot;. Investigando cuidadosamente e compreendendo tudo o que foi dito, mais da metade do que o treinamento significa ficará claro para vocês.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Hua-tou e Dúvida&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos tempos antigos, os Patriarcas e os Ancestrais apontavam diretamente à mente para a realização da própria-natureza e para a obtenção da Budeidade. Como Bodidarma que &quot;aquietava a mente&quot; e o Sexto Patriarca que apenas falava sobre a percepção da própria-natureza, todos eles defendiam o completo conhecimento disso e não havia mais nada a fazer. Eles não recomendavam prestar atenção ao hua-tou, mas com o tempo descobriram que os homens não eram mais confiáveis, não estavam munidos de uma tenaz determinação, utilizavam artimanhas e jactavam-se de possuir as gemas preciosas que na realidade pertenciam aos outros. Por essas várias razões os Ancestrais foram obrigados a fundar suas próprias seitas, cada uma com seus próprios métodos e daí a técnica do hua-tou.&lt;br /&gt;
Há inúmeros hua-tou, mas o mais usado nos dias de hoje é: &quot;Quem está repetindo o nome de Buda?&quot;. (No Centro de Treinamento Ch’an usamos o hua-tou: “Pára!”).&lt;br /&gt;
O que é um hua-tou? Literalmente, a cabeça de uma palavra. Palavra significa a palavra falada e cabeça significa o que precede a palavra. Por exemplo, quando alguém diz: &quot;Amitaba Buda&quot;, esta é uma palavra. Antes de ser pronunciada é um hua-tou ou antepalavra. Aquilo chamado de hua-tou é o instante antes do aparecimento de um pensamento. Tão logo o pensamento aparece torna-se um hua-mei ou o rabo de uma palavra. O instante antes do aparecimento de um pensamento é chamado de &quot;o não-nascido&quot; ou &quot;o incriado&quot;. Esse vazio, que não é permanente, nem impermanente, e não é móvel, nem imóvel, é chamado &quot;o sem fim&quot;.&lt;br /&gt;
O incessante direcionamento do holofote para dentro de si mesmo, instante após instante, excluindo todas as outras coisas, é chamado de &quot;prestar atenção ao hua-tou&quot; ou &quot;cuidar do hua-tou&quot;.&lt;br /&gt;
Quando se presta atenção no hua-tou o mais importante é levantar uma dúvida. A dúvida é o fundamento do hua-tou. Por exemplo, quando alguém se pergunta: &quot;Quem está falando agora?”, todo mundo sabe quem é esse alguém que está repetindo as palavras; mas é a boca ou a mente que as repete? Se for a boca, por que ela não as repete quando esse alguém está dormindo? Se for a mente que as repete, qual é a aparência da mente? Como a mente é intangível não parece claro como é que a mente pode repeti-las. Conseqüentemente, um sentimento de dúvida aparece em relação a quem é esse &quot;quem&quot;. Essa dúvida não deve ser grosseira, quanto mais sutil, melhor. O tempo todo em todo lugar somente essa dúvida deve ser olhada incessantemente, como uma corrente sempre fluente, sem dar origem a um segundo pensamento. Se essa dúvida persiste, não tentem livrar-se dela; se cessar devem reanimá-la suavemente. Os principiantes acharão o hua-tou mais efetivo num lugar calmo do que no meio do tumulto. Entretanto, não se deve dar lugar a uma mente discriminadora; deve permanecer-se indiferente à eficiência ou ineficiência do hua-tou e não se deve prestar atenção nem à quietude nem ao tumulto. Assim, deve trabalhar-se no treinamento com a unicidade da mente.&lt;br /&gt;
No hua-tou: &quot;Quem está falando agora?&quot;, a ênfase deve recair sobre a palavra &quot;Quem?&quot;, enquanto que as outras palavras devem servir para dar uma idéia geral do sentido da frase. Por exemplo, nos hua-tou: &quot;Quem está comendo arroz?&quot;; “Quem está defecando?&quot;; “Quem está vendo televisão?”; “Quem está assistindo ao filme?”; “Quem está dirigindo o carro?”; “Quem está pensando agora?”; “Quem está pondo um fim à ignorância?; assim que se dá ênfase à palavra &quot;Quem?&quot;, andando, parado, sentado ou deitado, poder-se-á levantar uma dúvida sem dificuldade e sem ter de usar a faculdade do pensamento para precisar e discriminar. Conseqüentemente, a palavra &quot;Quem?&quot; é uma maravilhosa técnica de treinamento Ch&#39;an. Entretanto, não se deve repetir a palavra &quot;Quem?”ou a frase &quot;Quem está falando agora?&quot; como os adeptos da Seita da Terra Pura, que repetem mecanicamente o nome de Buda. Nem se deve acionar a mente pensante e discriminadora procurando quem é que repete o nome de Buda. Há pessoas que incessantemente repetem a frase: &quot;Quem está repetindo o nome de Buda?&quot; quando seria bem melhor se elas repetissem o nome de Amitaba Buda -como o fazem os seguidores da Seita da Terra Pura- o que daria muito mais méritos. Há os que divagam pensando um monte de coisas e chamam isso de levantar uma dúvida; eles mal sabem que quanto mais pensam mais aumenta seu falso pensamento; tal como alguém que quer subir mas na realidade está descendo. Vocês devem saber tudo isso.&lt;br /&gt;
Comumente os principiantes levantam uma dúvida que é muito grosseira, parando de repente e depois continuando; as vezes parece familiar e as vezes parece estranha. Isto não é certamente uma dúvida e só pode ser o processo do pensamento. Quando a desvairada mente errante é gradativamente colocada sob controle, será possível colocar um freio no processo do pensamento e somente isso poderá ser chamado de &quot;prestar atenção ao hua-tou&quot;. Mais ainda, pouco a pouco, ganhar-se-á experiência no treinamento e aí não mais haverá necessidade de levantar uma dúvida que aparecerá naturalmente. Na realidade, no começo não há nenhum treinamento efetivo já que o que existe é apenas um esforço para pôr fim ao processo do pensamento. Quando a verdadeira dúvida aparece por si mesma, isso pode ser chamado de verdadeiro treinamento. Esse é o momento em que se alcança uma saída estratégica onde é muito fácil desviar-se do caminho.&lt;br /&gt;
Primeiramente, há o momento em que se vivencia uma completa pureza e uma leveza extrema e perde-se a consciência, e se se olha dentro do mesmo ir-se-á entrar num estado de embotamento. Se um mestre esclarecido está presente ele perceberá imediatamente que o discípulo está nesse estado e irá bater no praticante com o bastão afastando o embotamento: muitos despertaram para a verdade desta forma.&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, quando o estado de pureza e vazio aparece, se a dúvida cessa, esse é o inenarrável estado no qual o praticante é comparado com alguém sentado numa árvore seca e numa gruta ou lavando pedras com água - quando a mente desliga-se dos órgãos dos sentidos, dos objetos dos sentidos e das consciências dos sentidos, alcança-se um estado descrito como: &quot;segurando-se firme no topo de um mastro&quot;, ou &quot;imersão silenciosa em água estagnada&quot;, ou &quot;sentado no límpido chão branco&quot;. Quando se alcança esse estado, deve-se estimular a dúvida que deve ser seguida imediatamente pela consciência e contemplação desse estado. A consciência desse estado é a libertação da ilusão: isto é a sabedoria (prajnã). A contemplação desse estado apaga a confusão: isto é a imperturbabilidade. Esta unicidade da mente será completamente quieta e brilhante na sua imperturbável incondicionalidade, clareza espiritual e completo entendimento, como a fumaça contínua de um fogo solitário. Quando se alcança esse estado obtém-se um olho de diamante - o indestrutível olho da sabedoria - e deve evitar-se o aparecimento de qualquer outra coisa, já que se isso acontece seria como colocar uma outra cabeça encima da cabeça - uma coisa supérflua e desnecessária que obstruiria o treinamento.&lt;br /&gt;
Antigamente, quando um monge perguntou ao mestre Chao Chou: &quot;O que se deve fazer quando não há nada para carregar consigo mesmo?&quot;, Chao Chou respondeu: &quot;Renuncia a isso&quot;. O monge disse: &quot;A que devo renunciar se não carrego nada comigo?&quot; Chao Chou respondeu: &quot;Se você não consegue renunciar a isso, joga-o fora&quot;. O estágio acima mencionado é exatamente o do bebedor de água que só ele sabe se ela está fria ou morna. Isto não pode ser expresso em palavras ou discursos e aquele que alcança esse estágio o saberá claramente; assim como seria inútil descrevê-lo para alguém que não alcançou esse estágio. É isto que as próximas linhas significam:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Quando você encontra um mestre de esgrima, mostre-lhe a espada”.&lt;br /&gt;
“Não dê seu poema a alguém que não seja um poeta”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Cuidando do Hua-tou e Virando a Audição para Dentro&lt;br /&gt;para Ouvir a Própria-Natureza.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguém pode se perguntar: &quot;Como pode o método de Avalokitesvara Bodisatva de virar a audição para dentro para escutar a própria-natureza ser considerado treinamento Ch&#39;an? Eu acabei de falar sobre como prestar atenção ao hua-tou. Significa que vocês devem continuamente virar o holofote para dentro e focalizá-lo &quot;naquilo que não nasce e não morre&quot;, que é o hua-tou . Virar para dentro a audição a fim de escutar a própria-natureza significa também que vocês devem voltar sua faculdade de audição continuamente e em uma única direção, para ouvir a própria-natureza. &quot;Virar para dentro&quot; é &quot;retornar”. &quot;Aquilo que não nasce e não morre&quot; nada mais é do que a própria-natureza. Quando a audição e a visão são seguidas do som e da forma na corrente mundana, a audição não vai além do som e a visão não vai além da forma (aparência) com a óbvia diferenciação entre ambos. Entretanto, quando se vai contra a correnteza mundana, a meditação é virada para dentro para contemplar a própria-natureza. Quando a &quot;audição&quot; e a &quot;visão&quot; não estão mais procurando o som e a forma eles tornam-se fundamentalmente puros e iluminados e não diferem um do outro. Nós devemos saber que o que chamamos de &quot;prestar atenção no hua-tou&quot; e &quot;virar para dentro a audição para escutar a própria-natureza&quot; não pode ser alcançado através do olho que olha nem do ouvido que ouve. Se o olho e o ouvido são empregados dessa forma eles estarão procurando o som e a forma e como resultado estaremos voltados para as coisas exteriores: isto é; chamado de &quot;sucumbir à corrente mundana&quot;. Se há unicidade de pensamento morando naquilo &quot;que não nasce e não morre&quot;, sem procurar o som e a forma; isto é: &quot;ir contra a correnteza&quot;, &quot;prestar atenção ao hua-tou&quot;, e &quot;virar para dentro a audição para ouvir a própria-natureza&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;A Determinação em Relação ao Abandono do Samsara&lt;br /&gt;e o Desenvolvimento de uma Mente Persistente.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No treinamento Ch&#39;an deve-se ser determinado no desejo de abandonar o estado de nascimento e de morte e deve-se desenvolver uma mente persistente. Se a mente não está determinada será impossível levantar uma dúvida e o esforço será inútil. A falta de uma mente persistente resultará em preguiça e o treinamento não será contínuo. Apenas desenvolvam uma mente persistente e a dúvida levantar-se-á por si mesma. Quando a dúvida aparece as aflições (klésa) desaparecerão sozinhas. Quando o momento chega é como a correnteza de água que abre um canal.&lt;br /&gt;
Agora lhes contarei uma história que eu mesmo testemunhei. No ano Keng Tsu (1900), quando oito potências mundiais mandaram suas forças expedicionárias para Pekim (depois da rebelião Boxer) eu acompanhei o Imperador Kuang Hsu e a Imperatriz Tzu Hsi na fuga da Capital. Tínhamos que nos apressar para chegar à província de Shensi. Cada dia nós caminhávamos várias dezenas de milhas e por vários dias não tínhamos o que comer. Na estrada, um pedestre ofereceu-lhe algumas cascadas de bata doce - na China as cascadas de bata doce são jogadas aos porcos - e achou-as muito saborosas,&amp;nbsp; perguntando ao homem o que eram. Vocês podem imaginar que quando o Imperador, que era cheio de etiqueta e de pompa, teve que andar uma certa distância ele ficou muito faminto. Quando ele comeu as cascadas de batata doce teve que deixar de lado toda a etiqueta e a pompa. Por que andou várias dezenas de quilômetros a pé, ficou faminto, e teve que renunciar a tudo? Porque as forças aliadas queriam a vida dele e ele tinha apenas um pensamento na mente: salvar sua vida. Mais tarde, quando foi restabelecida a paz, ele retornou à Capital, readquirindo toda a etiqueta e toda a pompa. Agora não mais teria que andar a pé nem passar fome. Se a comida não ficasse no ponto certo, não a comeria. Por que o Imperador agora era incapaz de renunciar às mínimas coisas? Porque as forças aliadas não queriam mais sua vida e porque sua mente não estava mais concentrada em escapar. Se agora ele utilizasse a mesma mente que desenvolveu para salvar sua vida na prática das tarefas religiosas, haveria alguma coisa que não poderia alcançar? Isso aconteceu porque o Imperador não tinha uma mente persistente e assim que as condições favoráveis prevaleceram seus hábitos antigos reapareceram.&lt;br /&gt;
Queridos amigos, o demônio assassino da impermanência está constantemente procurando nossas vidas e nunca aceitará um acordo conosco! Vamos imediatamente desenvolver uma mente persistente para sair do ciclo de nascimento e morte. O mestre Yuan Miao de Kão Feng disse: &quot;Se estabelecermos um limite de tempo para sermos bem sucedidos no treinamento Ch&#39;an deveremos agir como aquele homem que caiu no fundo de um buraco de mil chang - o chang equivale a 10 pés chineses - de profundidade. Seus mil ou dez mil pensamentos ficam reduzidos a uma única idéia: como sair do buraco. Ele só tem isso na mente, desde o amanhecer até o anoitecer, e desde o anoitecer até o amanhecer do dia seguinte. Se ele treina desse jeito e não realiza a verdade em três, cinco ou sete dias eu serei culpado de ter proferido um pecado verbal pelo qual pagarei no inferno onde as línguas são arrancadas&quot;. O velho mestre foi determinado na sua grande misericórdia e como estava apreensivo de que não fossemos capazes de desenvolver uma mente persistente ele fez esse grande voto para garantir nosso sucesso.&lt;br /&gt;
Há dificuldade e facilidade no treinamento Ch&#39;an, tanto para os principiantes como para os veteranos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Dificuldade dos Principiantes:&lt;br /&gt;Uma Mente Dispersiva.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os defeitos mais comuns do principiante são: a incapacidade de abandonar o falso pensamento; a ignorância causada pelo orgulho e pelo ciúme; as obstruções causadas pela concupiscência, raiva, estupidez e amor; a preguiça e a gula; e, o apego ao certo e ao errado e ao eu e aos outros. Com a barriga cheia de todos esses defeitos, como se pode ser receptivo à verdade? A maioria é &quot;filhinho de papai&quot;, incapaz de livrar-se de seus hábitos e da menor concessão ou de suportar o mínimo contratempo. Como podem levar a frente o treinamento na prática de suas tarefas religiosas? Eles nunca pensam no nosso mestre original, Sakyamuni Buda e de sua posição quando abandonou seu lar. Algumas pessoas que conhecem um pouco da literatura usam seus conhecimentos para interpretar os ditados antigos, vangloriam-se de suas inigualáveis habilidades e consideram-se superiores -uma das dez visões erradas. Quando gravemente doentes, não são capazes de suportar o sofrimento com paciência. Quando estão prestes a morrer eles perdem a cabeça e percebem que seus conhecimentos são inúteis. Aí seu arrependimento será tardio.&lt;br /&gt;
Alguns levam as práticas religiosas a sério, mas não sabem como começar seu treinamento. Outros têm medo do falso pensamento mas não sabem colocar um fim nele. Assim, lamentam-se dele o dia todo e culpam-no pelas suas obstruções cármicas, perdendo o entusiasmo religioso. Alguns tentam resistir ao falso pensamento até a morte fechando furiosamente os punhos, para manter o moral elevado, comprimindo o tórax e abrindo os olhos bem abertos, como se estivessem fazendo realmente algo muito importante. Eles travam uma batalha de vida ou morte contra o falso pensamento e não somente não terão sucesso no seu intento como também acabarão vomitando sangue ou ficando doentes. São pessoas que têm medo de cair no vazio mas não sabem que estão dando asas ao demônio. Conseqüentemente, eles nem evitam o vazio nem alcançam a iluminação.&lt;br /&gt;
Há os que concentram suas mentes na questão do despertar e não sabem que procurar o despertar e desejar a Budeidade nada mais é do que uma grande falsidade: eles não sabem que cascalho não pode virar arroz e então terão que esperar até o ano do jumento para alcançar o despertar - não existe o ano do jumento no calendário chinês.&lt;br /&gt;
Há os que conseguem sentar-se em meditação durante o tempo em que se queima um ou dois incensos e assim obtêm algum benefício, mas isso equivale apenas a negra tartaruga cega que esticou sua cabeça e acertou o meio do buraco de uma madeira que flutuava no mar. Isto é o resultado de uma raríssima coincidência e não o produto do verdadeiro treinamento. Mais ainda, o demônio da felicidade já se infiltrou nas suas mentes. Há casos em que o maravilhoso estado de pureza e claridade realiza-se na quietude mas não se realiza no tumulto e por essa razão os praticantes evitam os lugares tumultuados e procuram lugares tranqüilos. Eles não percebem que já consentiram em se tornarem escravos do demônio da quietude e da agitação.&lt;br /&gt;
Há muitos mais casos dos que os citados anteriormente. É realmente muito difícil para os principiantes saber qual o método correto de treinamento: consciência sem contemplação levará à confusão e à instabilidade, e contemplação sem consciência é como se submergir em água parada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Facilidade dos Principiantes:&lt;br /&gt;Abandonando o Fardo do Pensamento e&lt;br /&gt;Gerando um Pensamento Único.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora o treinamento pareça difícil, torna-se muito fácil quando o método é conhecido. Onde jaz a facilidade para os principiantes? Não há nada de engenhoso nele porque se baseia em &quot;renunciar&quot;. Renunciar a que? Ao fardo das aflições (klésa) causadas pela ignorância. Como se renuncia a elas? Todos vocês ficaram do lado da cama de um morto. Se vocês o xingam, ele não mostrará nenhuma reação. Se vocês batem nele duas ou três vezes com o bastão ele não revidará. Antigamente ele pactuava com a ignorância mas agora não faz mais isso. Antigamente ele almejava uma boa reputação e riqueza mas agora ele não deseja mais isso. Antigamente estava dominado pelos hábitos mas agora está livre deles. Agora ele não faz mais distinções e renunciou a tudo.&lt;br /&gt;
Caros amigos: quando exalar o último suspiro este corpo físico nosso torna-se um cadáver. Porque precisamos deste corpo somos incapazes de renunciar a tudo resultando na criação do eu e os outros, do certo e do errado, do prazer e da dor e da aceitação e da rejeição. Se considerarmos este corpo apenas como um cadáver nós não o desejaríamos e certamente não o consideraríamos como nosso. Assim sendo, haverá alguma coisa à qual não seriamos capazes de renunciar?&lt;br /&gt;
Apenas temos de renunciar a tudo, dia e noite, não importa se andamos, paramos, sentamos ou deitamos, no meio tanto da quietude como da agitação, ocupados ou desocupados. Por todo o corpo, dentro e fora, deve existir apenas uma dúvida, uma uniforme, harmoniosa e contínua dúvida, sem misturar-se com nenhum outro pensamento. Em outras palavras, um hua-tou, que é comparado com uma longa espada apontada para o firmamento e pronta para cortar quem aparecer, seja um demônio ou seja um Buda. Assim, se não tememos o falso pensamento; quem nos irá perturbar, quem irá distinguir entre quietude e agitação e quem se irá apegar à existência e à não-existência? Se há o falso pensamento, esse medo aumentará o falso pensamento. Se há consciência da pureza, essa pureza imediatamente tornar-se-á impura. Se há medo de cair na não-existência, imediatamente haverá uma queda na existência. Se há o desejo de alcançar Budeidade, imediatamente haverá uma queda no caminho dos demônios. Por isso, se diz: &quot;Carregar água e catar lenha para o fogo não são mais do que a verdade. Arar os campos e cultivar a terra são potencialidades totalmente Ch&#39;an&quot;. Isto significa que, na prática das tarefas religiosas, não apenas o cruzar das pernas para meditar sentado pode ser considerado treinamento Ch&#39;an.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Dificuldade dos Veteranos:&lt;br /&gt;Incapacidade de Dar um Passo à Frente Depois de Ter&lt;br /&gt;Alcançado o Topo do Mastro de Cem Pés de Altura.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Onde jaz a dificuldade para os veteranos? No seu treinamento, quando sua dúvida tornou-se verdadeiramente real, sua consciência e sua contemplação estão ainda ligadas ao estado de nascimento e morte e a falta de consciência e contemplação é a causa de sua queda no campo da não-existência. É realmente difícil alcançar esses estágios, mas há muitos que são incapazes de ir além deles e contentam-se com permanecer no topo de um mastro de cem pés de altura sem saber como dar um passo a frente. Outros, após terem passado por esses estágios, são capazes de alcançar na quietude alguma sabedoria que os capacite para entender alguns kung-an deixados pelos antigos; mas eles também renunciam à dúvida, e pensando que alcançaram um despertar completo, compõem poemas e gathas, piscam o olho e levantam as sobrancelhas, chamando a si mesmos de iluminados: eles não sabem que são escravos do demônio.&lt;br /&gt;
Há também os que não entenderam o significado das palavras de Bodidarma: &quot;Coloque um fim na formação de todas as causas exteriores e não mantenha um coração ofegante no interior; então com a mente como uma parede você será capaz de penetrar a verdade&quot;, e as palavras do Sexto Patriarca (Hui Neng): &quot;Não pense no bem nem no mal; neste preciso momento, qual é o verdadeiro rosto do venerável Hui Neng?&quot;. Eles acham que permanecer sentados com as pernas cruzadas como galhos podres numa gruta é o melhor caminho. Essas pessoas confundem a miragem de uma cidade com a cidade santa e uma terra estranha com sua terra natal. A história da velha senhora que queimou a cabana serve para advertir esses troncos de madeira podre.&lt;br /&gt;
Uma velha senhora sustentava um monge Ch&#39;an havia vinte anos e costumava mandar todos os dias uma menina de dezesseis anos com comida e oferendas. Um dia a velha senhora ordenou à menina que lhe fizesse a seguinte pergunta: &quot;Como é que é neste momento?&quot; O monge respondeu: &quot;Um tronco de árvore podre numa fria caverna, depois de três invernos não tem calor&quot;. A garota deu a resposta do monge para a velha senhora que disse: &quot;Eu tenho feito oferendas a alguém que apenas pode provar que é um homem mundano&quot;. No dia seguinte ela expulsou o monge da caverna e tocou fogo na cabana.&lt;br /&gt;
O monge alcançou apenas o topo do mastro de cem pés de altura, mas negou-se a dar um passo a frente. Como ele era apenas um tronco de madeira podre, a velha senhora ficou furiosa, mandou-o embora e tocou fogo na cabana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Facilidade dos Veteranos:&lt;br /&gt;A Continuação Estrita e Ininterrupta&lt;br /&gt;do Treinamento Ch&#39;an.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Onde jaz a facilidade para os veteranos? Jaz apenas na ausência de auto-satisfação e na continuação estrita e ininterrupta do treinamento Ch&#39;an: a rigorosidade deverá ser mais rigorosa, a continuidade mais contínua e a sutileza mais sutil. Quando o momento chega, o fundo do barril cairá sozinho - isto é, quando o fundo cai o barril esvazia-se da laca preta ou ignorância e a iluminação é alcançada; de outra forma será necessário recorrer aos mestres iluminados que ajudarão a tirar os últimos pregos ou estacas de obstrução.&lt;br /&gt;
A canção do Mestre Han Shan (Montanha Fria) diz:&lt;br /&gt;
“Do alto do pico de uma montanha&lt;br /&gt;
Apenas o espaço ilimitado é visto.&lt;br /&gt;
Como se sentar em meditação, ninguém sabe.&lt;br /&gt;
A lua solitária brilha sobre a piscina congelada,&lt;br /&gt;
Mas na piscina não há nenhuma lua,&lt;br /&gt;
A lua está no firmamento noturno.&lt;br /&gt;
Esta canção é cantada agora&lt;br /&gt;
Mas não há nenhum Ch&#39;an nesta canção”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As primeiras duas linhas mostram que aquilo que é verdadeiramente eterno é único e não pertence a nenhum gênero de coisas, brilhando luminoso sobre o universo sem encontrar nenhum tipo de obstrução. A terceira linha mostra o maravilhoso corpo do Butatatata - a realidade - que os homens deste mundo não conhecem nem pode ser localizado nem por todos os Budas dos três tempos; daí as palavras: &quot;ninguém sabe&quot;. As próximas três linhas mostram o expediente do mestre para revelar esse estado. Nas últimas duas linhas uma especial advertência para todos nós: não confundamos o dedo com a lua; isto é, nenhuma destas palavras é o Ch&#39;an.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Conclusão&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha exposição é como um amontoado de coisas, um obstáculo que interfere porque onde queira que haja palavras ou discursos não há o real significado - isto é, palavras e discursos não podem expressar o inexprimível; o significado real é a realidade que não pode ser descrita ou expressa. Quando os mestres antigos recebiam seus alunos usavam seus bastões para batê-los ou gritavam para acordá-los e não havia tantas complicações como hoje em dia. Entretanto o presente não pode ser comparado ao passado e torna-se, portanto, imperativo apontar o dedo para a lua. Queridos amigos, olhem dentro disso tudo; pois, afinal de contas, quem está apontando o dedo e quem está olhando a lua?</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://centrochan.blogspot.com/feeds/7074322320243993794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://centrochan.blogspot.com/2011/12/o-treinamento-chan.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4786012066884740273/posts/default/7074322320243993794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4786012066884740273/posts/default/7074322320243993794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://centrochan.blogspot.com/2011/12/o-treinamento-chan.html' title='* O TREINAMENTO CH&#39;AN'/><author><name>Wu-ming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06700748159145363242</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4786012066884740273.post-584572334124930560</id><published>2011-12-29T19:29:00.000-02:00</published><updated>2014-06-15T16:18:59.946-03:00</updated><title type='text'>* PALESTRAS DIÁRIAS DURANTE UMA SEMANA DE RETIRO CH&#39;AN</title><content type='html'>&lt;b&gt;Realizadas no Mosteiro do Buda de Jade pelo Venerável Mestre Hsu Yun (1840-1959)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&lt;b style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 15px; line-height: 20.790000915527344px;&quot;&gt;Tradução para o português de Wu-ming (1947- &amp;nbsp; &amp;nbsp;)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;O Primeiro Dia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O Venerável Wei Fang, Abade deste mosteiro, é em verdade muito compassivo e os monges-chefes também são muitos zelosos nos seus esforços de divulgar o Darma. Ademais, todos os leigos (upãsakas) aqui estão ansiosos por estudar a verdade e vieram para sentar-se em meditação durante esta semana Ch&#39;an. Todos me solicitaram que presidisse a reunião e esta é realmente uma insuperável causa cooperativa. Entretanto, nesses últimos anos eu tenho ficado doente e é por isso que estou impossibilitado de fazer longas palestras.&lt;br /&gt;
O-Honrado-Pelo-Mundo passou mais de quarenta anos divulgando o Darma, tanto exotericamente como esotericamente, e seus ensinamentos são achados nas 12 divisões do Cânone Mahayana no Tripitaka. [As 12 divisões do Cânone Mahayana são: 1) Sutra, os sermões de Buda; 2) Gaya, comentários métricos; 3) Gatha, poemas ou cânticos; 4] Nidana, Sutras escritos a pedido ou em resposta a perguntas especificas; 5] Itivrttaka, narrativas; 6] Jataka, historias sobre as vidas passadas de Buda; 7] Adbuta-Darma, milagres; 8] Avadãna, parábolas, metáforas, historias e ilustrações; 9] Upadesa, discursos e discussões por pergunta e resposta; 10] Udãna, discursos de improviso; 11] Vaipula, sutras expandidos; 12] Vyãkarana, profecias.) . Se me pedem que faça as preleções o máximo que posso fazer é escolher algumas palavras ditas pelo Buda e pelos Mestres.&lt;br /&gt;
Com relação ao Darma de nossa Seita, quando subiu ao púlpito pela última vez, Buda levantou e mostrou para a assembléia uma flor dourada de madeira de sândalo oferecida a ele pelo Rei dos Dezoito Bramalokas. Os homens e os deuses presentes na assembléia não entenderam o gesto de Buda. Apenas Mahakasyapa acenou para ele com um amplo sorriso. Imediatamente O-Honrado-Pelo-Mundo disse: &quot;Eu tenho o tesouro do olho do Darma Correto, a maravilhosa mente do Nirvana e a realidade sem forma que agora transmito a você&quot;. Essa foi a transmissão do Darma fora dos ensinamentos doutrinários sem o uso de textos e que era a insuperável porta do Darma para a realização direta. Aqueles que vieram depois, confundiram-se em relação a tudo isso e incorretamente o chamaram de Ch&#39;an (Dyana em sânscrito e Zen em Japonês). Nós devemos saber que no Mahãprajnaparamita Sutra mais de vinte tipos diferentes de Ch&#39;an são mencionados, mas nenhum deles é o último Ch&#39;an.&lt;br /&gt;
O Ch&#39;an de nossa Seita não estabelece estágios progressivos e por isso é o insuperável. Seu objetivo é a realização direta que permite a percepção da própria-natureza e o estado de Buda. Desta forma, não tem nada a ver com sentar-se ou não se sentar em meditação durante a semana Ch&#39;an. Entretanto, por causa do embotamento das raízes dos seres vivos e devido à quantidade de falsos pensamentos, os mestres de antanho inventaram alguns artifícios para guiá-los. Dos tempos de Mahakasyapa até os dias de hoje se passaram sessenta ou setenta gerações. Durante as dinastias Tang e Sung (619-1278) a seita Ch&#39;an difundiu-se pelos quatro cantos do país; e como floresceu naquela época! Na atualidade alcançou o fundo de sua decadência e apenas os mosteiros de Chin Shan, Kao Min e Pao Kuan, ainda dão um jeito de apresentar alguma aparência É por isso que nos dias de hoje raramente são encontrados homens de verdadeira capacidade e até a semana Ch&#39;an mantém apenas o nome mas perdeu o espírito.&lt;br /&gt;
Quando o Sétimo Ancestral, Hsing Szu da montanha Ch&#39;ing Yuan perguntou ao Sexto Patriarca: &quot;O que devo fazer para não entrar nos estágios progressivos?&quot; - o método de iluminação gradual que leva incontáveis eras para alcançar o estado de Buda - o Patriarca respondeu: &quot;O que você andou praticando ultimamente?&quot; Hsing Szu respondeu: &quot;Eu ultimamente não andei praticando nem as Quatro Verdades Nobres&quot; - duka (o sofrimento), samudãya (a causa), niroda (a aniquilação), e marga (o caminho); a doutrina inicialmente ensinada por Buda aos seus primeiros cinco discípulos-companheiros. O Patriarca perguntou: &quot;Então cair em quais estágios progressivos?&quot;. Hsing Szu respondeu: &quot;Se nem as Quatro Verdades Nobres são praticadas, onde estão os estágios progressivos?&quot; Após ouvir isto, o Sexto Patriarca aumentou ainda mais sua grande estima por Hsing Szu.&lt;br /&gt;
Por causa de nossas raízes inferiores, os grandes mestres foram obrigados a usar artifícios e começaram a instruir seus discípulos para manter permanentemente uma frase chamada hua-tou. Como havia muitos adeptos da Seita da Terra Pura que na sua prática religiosa costumavam repetir o nome de Buda, os mestres os instruíram para perguntar-se: &quot;Quem é que está repetindo o nome de Buda?” Hoje em dia este artifício é usado no treinamento Ch&#39;an nos quatro cantos do país. Entretanto, a maioria fica confusa em relação a esse hua-tou e apenas repetem sem interrupção a frase: &quot;Quem está repetindo o nome de Buda?&quot;. Assim, eles são meros repetidores do hua-tou, mas não investigam o sentido do hua-tou. Investigar significa perguntar-se. Por essa razão, os quatro caracteres chineses &quot;chao-ku - hua-tou&quot; são exibidos ostensivamente em todos os pátios Ch&#39;an. “Chao” significa virar a luz para dentro e &quot;ku&quot; significa tomar conta de. Esses dois caracteres juntos significam &quot;virar a luz para dentro para iluminar a própria-natureza&quot;. Isso significa virar nossas mentes para dentro, sempre propensas a vagar pelo mundo exterior, e isso é chamado investigar o hua-tou. &quot;Quem é que repete o nome de Buda?&quot; é a frase. Antes de essa frase ser expressa é chamada de hua-tou - literalmente, a cabeça da frase. Tão logo a frase é expressa torna-se o rabo da frase ou &quot;hua-mei&quot;. Na nossa indagação sobre o hua-tou a palavra &quot;Quem?&quot; deve ser cuidadosamente examinada. Por exemplo, eu estou repetindo o nome de Buda neste pátio e de repente alguém me pergunta: &quot;Quem está repetindo o nome de Buda?&quot; Eu naturalmente respondo: &quot;Eu estou&quot;. A pessoa pergunta-me novamente: &quot;Se é você que está repetindo o nome de Buda, você o repete com a boca ou com a mente? Se você o repete com a boca, porque você não o repete quando dorme? Se você o repete com a mente porque você não o repete depois de morto?” Essas perguntas levantam uma dúvida em relação à nós mesmos e é essa dúvida que devemos investigar. Devemo-nos esforçar para saber de onde vem esse &quot;Quem?&quot; e como ele é. Nossa indagação permanente acabará virando-se para dentro e isso é também chamado de &quot;virar a audição para dentro a fim de escutar a própria-natureza&quot;.&lt;br /&gt;
Quando oferecemos incenso e damos algumas voltas em torno do pátio, a nuca deverá encostar-se à gola do robe, os pés deverão seguir bem de perto a pessoa que está na frente, a mente deverá estar calma e não se deve olhar nem para à direita nem para a esquerda. Com uma mente única - isto é, a mente num único pensamento - deve-concentrar-se no hua-tou.&lt;br /&gt;
Quando sentados em meditação, o peito não deverá estar inclinado para frente. A energia vital (ch&#39;i) não deverá ser levada nem para cima nem para baixo, mas deixada na sua condição natural - isto é, não se deve fixar a mente em nenhuma parte do corpo; pois como diz o ditado Taoísta &quot;onde está nossa mente está nosso ch&#39;i&quot;. Entretanto, os seis órgãos dos sentidos deverão ser colocados sob controle e todos os outros pensamentos banidos da mente. Apenas o hua-tou deverá ocupar a mente e essa ocupação nunca deve ser interrompida. O hua-tou não poderá ser muito grosseiro porque começará a fugir da mente e não poderá ser trazido de volta. Também não poderá ser muito sutil porque tornar-se-á difuso e fatalmente cairá no vazio. Em ambos os casos, nenhum resultado será alcançado.&lt;br /&gt;
Quando se toma conta do hua-tou direito, o treinamento tornar-se-á mais fácil e todos os hábitos antigos serão abandonados naturalmente. O principiante não achará nada fácil segurar o hua-tou na sua mente, mas ele não se deve preocupar com isso. Ele não deve ficar ansioso pelo despertar nem procurar a sabedoria, porque o propósito de sentar-se em meditação no pátio Ch&#39;an já é alcançar o despertar e a sabedoria. Se orientar a mente na procura desses objetivos, ele põe outra cabeça encima da própria cabeça - uma expressão Ch&#39;an que significa uma coisa indesejada que obstaculiza a auto-realização.&lt;br /&gt;
Agora nós sabemos que devemos dar lugar em nossas mentes a apenas uma frase chamada hua-tou e que devemos tomar conta dela. Se aparecem outros pensamentos, deixem os aparecer e se os ignoram eles desaparecerão. Por isso, costuma dizer-se: &quot;Não se deve temer o aparecimento dos pensamentos mas apenas o tempo que demora em tornar-se consciente deles&quot;. Se os pensamentos aparecem, deixem nossas consciências espetar o hua-tou neles. Quando nos foge da mente devemos imediatamente trazê-lo de volta à mente.&lt;br /&gt;
A primeira vez que nos sentamos em meditação pode ser comparada a uma batalha contra os pensamentos nascentes. Gradualmente, o hua-tou irá ocupar a mente e tornar-se-á fácil segui-lo ininterruptamente durante o tempo que leva para queimar um incenso -em torno de 1 hora. Podemos esperar excelentes resultados quando o hua-tou não mais escapa de nossas mentes.&lt;br /&gt;
O que eu disse são apenas palavras vazias, agora vamos nos esforçar no treinamento Ch&#39;an!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;O Segundo Dia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Sentar-se em meditação durante uma semana Ch&#39;an é o melhor método quando se estabelece um certo limite de tempo para realizar a verdade através da experiência pessoal. Esse método não era usado na Antigüidade porque os ancestrais tinham raízes muito firmes e conseqüentemente não precisavam dele. Foi gradualmente posto em prática a partir da dinastia Sung (960-1279). Durante a dinastia Ch&#39;ing (1644-1912) ficou novamente em voga e o Imperador Yung Cheng costumava organizar freqüentes semanas de treinamento Ch&#39;an no palácio imperial. Ele tinha a maior consideração pela Seita e seu próprio grau de realização do Samadi Ch&#39;an era excelente. Mais de dez pessoas alcançaram a verdade sob o auspício imperial e o Mestre T&#39;ien Hui Ché do Mosteiro Kao Min em Yang Chou alcançou a iluminação durante esses encontros no palácio. O Imperador também corrigiu e melhorou a observância das regras e regulamentos da Seita que floresceu e produziu tantos homens de habilidade. A estrita observância das regras e regulamentos é, portanto, da máxima importância.&lt;br /&gt;
Esse método de estabelecer um limite de tempo para vivenciar pessoalmente a verdade pode ser comparado a uma prova de escola. Os candidatos tomam seus lugares e escrevem suas composições de acordo com as matérias para cada uma das quais é estabelecido um limite de tempo. A matéria de nossa semana Ch&#39;an é a meditação Ch&#39;an. Por isso, este pátio é chamado de pátio Ch&#39;an. Ch&#39;an significa Dyana em sânscrito e quer dizer &quot;abstração imperturbável&quot;. Há muitos tipos de Ch&#39;an, tais como: o Ch&#39;an Mahayana e Hinayana, o Ch&#39;an material e imaterial o Ch&#39;an dos Sravakas - um ouvinte, discípulo de Buda que compreende as Quatro Verdades Nobres, liberta-se a si mesmo da irrealidade do mundo fenomênico e entra no Nirvana incompleto - e dos Heréticos, etc. O nosso é o insuperável Ch&#39;an. Se alguém é capaz de ver através da dúvida (mencionada na preleção de ontem) e de quebrar a raiz da vida - o ciclo da reencarnação, o nexo da doutrina Hinayana entre dois períodos de vida, aceito pela doutrina Mahayana como aparente mas não como real - esse alguém será igual ao Tatâgata - um dos nomes de Buda.&lt;br /&gt;
Por essa razão, o pátio Ch&#39;an é chamado de &quot;o lugar escolhido por Buda&quot;. Também é chamado o pátio da Sabedoria (Prajnã). O Darma ensinado neste pátio é o Wu Wei Darma ou Darma da Não-Ação. Wu Wei significa Não-Ação. Em outras palavras, nada pode ser ganho e nada pode ser feito. Se há ação - yu wei em chinês, o processo resultante das leis do Carma - haverá nascimento e morte. Se há lucro, há perda. Por isso, o Sutra diz: &quot;Há apenas palavras e expressões que não tem nenhum significado real&quot;. A recitação dos Sutras e a realização de serviços confessionais pertencem à categoria da ação e são apenas artifícios usados pela escola do ensinamento doutrinário.&lt;br /&gt;
No que diz respeito a nossa Seita, seu ensinamento consiste no autoconhecimento direto para o qual não há lugar nem para palavras nem para expressões. Há algum tempo, um discípulo solicitou a ajuda do velho mestre Nan Chuan e perguntou-lhe: &quot;O que é o Tao?&quot; Nan Chuan respondeu: &quot;A mente normal - isto é, a mente não-discriminadora - é a verdade&quot;. Todos os dias vestimos nossos robes e comemos arroz; vamos trabalhar e retornamos para descansar; todas nossas ações são realizadas de acordo com a verdade - isto é, sem discriminações, pois todas as atividades de nossa vida nada mais são do que as funções da própria-natureza. E porque nós ligamos a cada situação de nossa vida não percebemos que nossa própria- mente é Buda.&lt;br /&gt;
Quando o Mestre Ch&#39;an Fa Ch&#39;ang da Montanha Ta Mei, pediu ajuda ao Mestre Ma Tsu, perguntou-lhe: &quot;O que é Buda?&quot; Ma Tsu respondeu: &quot;A mente é Buda&quot;. A partir desse instante Ta Mei iluminou-se completamente. Ele abandonou Ma Tsu e foi para o distrito de Szu Ming onde viveu numa cabana que pertenceu a Mei Tsu Chen. Durante o reinado de Chen Yuan (785-804) da dinastia T&#39;ang, um monge, discípulo de Yen Kuan, foi à montanha para recolher alguns galhos de árvores para fazer bastões; perdeu-se; e chegando à cabana de Ta Mei, perguntou-lhe: &quot;Há quanto tempo você está aqui?&quot; Ta Mei respondeu: &quot;Vejo apenas quatro montanhas que são azuis e amarelas&quot;- as montanhas são imutáveis e simbolizam a própria-natureza imutável, enquanto que as cores mutantes simbolizam a aparência; isto é, o mundo fenomênico: sua própria-natureza está além do tempo. O monge disse: &quot;Por favor, mostre-me a trilha para poder sair daqui&quot;. Ta Mei respondeu: &quot;Siga a correnteza&quot;- se a mente vaga pelo mundo exterior, seguirá a correnteza do nascimento e da morte. Após o seu retorno o monge contou a Yen Kuan o que viu na montanha e este último disse: &quot;Uma vez vi um monge na Província de Chiang Hsi, mas nunca mais tive notícias dele. Será esse o monge?&quot;. Então Yen Kuan mandou o monge de volta à montanha para convidar Ta Mei a visitá-lo no mosteiro. Em resposta, Ta Mei mandou o seguinte poema:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“O tronco de uma árvore morta na floresta fria&lt;br /&gt;
Não se manifesta há várias primaveras,&lt;br /&gt;
O pássaro carpinteiro nem olhará para ele.&lt;br /&gt;
Como pode um estranho querer caçá-lo?&lt;br /&gt;
Um lago cheio de lótus produz uma ilimitada quantidade de vestes;&lt;br /&gt;
Dos pinheiros caem muito mais pinhas do que se pode comer&lt;br /&gt;
Quando os homens mundanos descobrem onde você mora&lt;br /&gt;
Está na hora de mudar sua cabana para longe dentro do mato”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ma Tsu soube que Ta Mei estava na montanha e mandou um monge para fazer-lhe a seguinte pergunta: &quot;O que você obteve quando pediu ajuda ao grande mestre Ma Tsu e o que o levou a ficar aí?&quot; Ta Mei respondeu: &quot;O grande mestre disse-me que a mente é Buda e por isso decidi permanecer aqui&quot;. O monge continuou: &quot;Acontece que o Darma de Buda do grande mestre é diferente agora&quot;. Ta Mei perguntou: &quot;E como é agora?&quot; O monge respondeu: &quot;Ele diz que não é nem a mente nem Buda&quot;. Ta Mei comentou: &quot;O velho está causando confusão na mente das pessoas e tudo isso não acabará nunca. Deixa-o dizer que não é nem a mente nem Buda. Para mim, a Mente é Buda&quot;. Quando o monge retornou e contou o diálogo com Ta Mei, Ma Tsu comentou: &quot;A ameixa agora está madura&quot;.&lt;br /&gt;
Isso mostra como os antigos eram competentes e concisos. Por causa de nossas raízes fracas e de nosso pensamento desvirtuado, os mestres ensinaram-nos a ocupar nossas mentes com um hua-tou e eles foram obrigados a utilizar esse expediente. O Mestre Yung Chia disse: &quot;Depois da eliminação do ego e do darma a obtenção da realidade destruirá o inferno de Avici num instante (ksana). Se falo uma mentira para enganar os seres vivos, eu consentirei em cair no inferno onde a língua é arrancada fora como castigo por falar um pecado verbal&quot;. O Mestre Yuan Miao de Kao Feng, disse: &quot;O treinamento Ch&#39;an é como jogar num lago profundo uma telha que afunda até o fundo&quot;. Quando ocupamos nossas mentes com um hua-tou, nós devemos prestar atenção nele até alcançar seu &quot;fundo&quot; e &quot;quebrá-lo&quot;. O mestre Yuan Miao também jurou: &quot;Se alguém ocupando sua mente com um hua-tou sem dar lugar a nenhum outro pensamento não consegue realizar a verdade eu estarei pronto para cair no inferno onde a língua é arrancada fora&quot;. A única razão pela qual nós não temos sucesso na nossa prática é porque nossa fé no hua-tou não é suficientemente profunda e porque nós não damos um fim ao nosso processo do pensamento. Se nós estamos os suficientemente determinados a escapar do ciclo de nascimento e morte a frase do hua-tou não poderá nunca escapar de nossa mente.&amp;nbsp; O Mestre Kuei Shan disse: &quot;Se em cada reencarnação nós somos capazes de ocupar nossa mente com ele sem relaxar, o estágio de Buda estará garantido&quot;.&lt;br /&gt;
Todos os principiantes estão propensos a manter todo tipo de falsos pensamentos; eles sentem uma pequena dor nas pernas e não sabem como continuar o treinamento. A verdade é que eles devem estar absolutamente determinados a escapar do ciclo de nascimento e morte. Eles devem fixar-se no hua-tou e não importa se estão andando, parados, sentados ou deitados eles devem ocupar a mente com ele. De manhã até a noite, eles devem prestar atenção à palavra &quot;Quem?&quot; até tornar-se &quot;tão claro como o reflexo da lua de outono numa piscina transparente&quot;. Deve ser clara e minuciosamente questionado e nunca se deve tornar difuso ou instável. Se isso pode ser alcançado; por que se preocupar com o estado de Buda que parece inatingível?&lt;br /&gt;
Quando o hua-tou torna-se difuso, vocês podem abrir seus olhos bem grande e levantar o peito suavemente; isto irá levantar o ânimo. Ao mesmo tempo não deve ser mantido muito frouxo nem se deve tornar muito sutil, porque se se torna muito sutil, cair-se-á no torpor ou no vazio. Se vocês caem no vazio, vocês apenas perceberão a quietude e experimentarão a luminosidade. Nesse momento, não se deve deixar escapar o hua-tou de forma que vocês possam dar um passo à frente depois de ter alcançado &quot;o topo do mastro&quot; -o instante em que se experimenta apenas a quietude e uma grande luminosidade, e que os mestres são unânimes em alertar seus discípulos a não permanecer nesse estado que não é real. De outra forma vocês cairão num vazio e nunca alcançarão o fim último.&lt;br /&gt;
Se ele é mantido frouxo, vocês serão facilmente assaltados por falsos pensamentos. Se os falsos pensamentos aparecem haverá muita dificuldade em suprimi-los. Desta forma, a grossura deverá ser temperada com a sutileza e a sutileza com a grossura para ter sucesso no treinamento e para realizar a mesmice do mutável e do imutável.&lt;br /&gt;
Há algum tempo eu estive em Chin Shan e outros mosteiros e quando o Karmadãna - o distribuidor das tarefas no mosteiro - recebia os incensos que tinha pedido previamente, seus dois pés corriam numa grande velocidade como se estivesse flutuando no ar e os monges que o seguiam também eram bons corredores - depois de uma sessão de meditação os monges costumavam marchar rapidamente em fila indiana para relaxar as pernas, precedidos pelo Karmadãna e seguidos do Abade. Assim que o sinal era dado, todos pareciam autômatos. Desta forma, como poderiam aparecer falsos pensamentos nas suas mentes? Nos dias de hoje, embora também caminhemos após uma sessão de meditação, que diferença com os tempos de antanho!&lt;br /&gt;
Quando vocês sentam-se em meditação não devem puxar o hua-tou para cima porque isso causará uma obscuridade. Vocês não o devem manter no peito porque isso causará dor no peito. Nem o devem empurrar para baixo porque irá dilatar a barriga e causará a recaída no campo das cinco funções - campos ilusórios criados pela mente - o que resultará em todo tipo de vícios. Com serenidade e compenetração a palavra &quot;Quem?&quot; deverá ser inquirida com o mesmo cuidado com que a galinha choca seus ovos e com que o gato caça o rato. Quando o hua-tou é fixado eficientemente, a raiz da vida será automaticamente cortada.&lt;br /&gt;
Este método, obviamente não é fácil para os principiantes, mas vocês devem exercitar-se incessantemente. Agora eu lhes darei um exemplo. O autocultivo é comparado a fazer um fogo com um pedaço de pedra. Nós devemos saber como se ascende o fogo dessa forma e se nós não sabemos o método nunca acenderemos o fogo, mesmo que partamos a pedra em vários pedacinhos. O método consiste em usar uma pequena mecha e um objeto de aço. A mecha é mantida debaixo da pedra e o objeto de aço fricciona a parte de cima da pedra de forma a dirigir a faísca no sentido da mecha que pegará fogo. Esse é o único método de fazer um fogo com uma pedra.&lt;br /&gt;
Embora nós saibamos muito bem que a Mente é Buda nós ainda somos incapazes de aceitar isso como um fato. Por essa razão, a frase do hua-tou é usada como faísca para começar o fogo. Ocorreu exatamente da mesma forma quando O-Honrado-Pelo-Mundo tornou-se completamente iluminado depois de fixar sua visão nas estrelas à noite. Nós não temos certeza em relação à própria-natureza porque nós não sabemos como começar um fogo. Nossa própria-natureza fundamental e o Buda não diferem um do outro. É apenas por causa de nossos pensamentos distorcidos que ainda não nos libertamos. Assim o Buda ainda é o Buda e nós ainda somos nós mesmos. Agora que conhecemos o método, se nós podemos inquirir dentro dele, será sem dúvida, uma insuperável causa cooperativa! Espero que todos aqui consigam, através do exercício, dar um passo a frente do topo do mastro de cem pés de altura e sejam eleitos Budas neste pátio e assim terão a oportunidade de pagar a dívida de gratidão para com Buda lá encima e de libertar os seres vivos aqui embaixo. Se o Darma de Buda não produz homens de habilidade é porque ninguém aqui está a fim de exercitar-se. Nosso coração enche-se de tristeza quando falamos desse estado de coisas. Se nós realmente temos uma fé profunda nas palavras expressas sob juramento pelos mestres Yung Chia e Yuan Miao, nós também teremos certeza de que realizaremos a verdade. Agora é o momento de se esforçar!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;O Terceiro Dia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
O tempo em verdade passa rápido: apenas acabamos de abrir esta semana Ch&#39;an e já é o terceiro dia. Aqueles que têm ocupado eficientemente suas mentes com o hua-tou foram capazes de desanuviar seus apegos e seus pensamentos errados; agora eles podem ir direto para o lar - uma expressão idiomática Ch&#39;an que significa o retorno à própria-natureza, a realização do real, nossa própria-natureza de Buda. Por isso, um mestre ancestral disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Não há nenhum outro método para o autocultivo;&lt;br /&gt;
Requer o conhecimento do Caminho (Tao).&lt;br /&gt;
Quando o Caminho é conhecido&lt;br /&gt;
O nascimento e a morte acabam no ato”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nosso Caminho (Tao) consiste em abandonar nossa bagagem - nosso corpo, nossa mente e tudo o aparente que nós prezamos - e nosso lar estará muito perto. O Sexto Patriarca disse: &quot;Se o pensamento precedente não aparece é a Mente. Se o pensamento seguinte não acaba é Buda&quot;. Isto é a eterna própria-natureza que não nasce nem morre.&lt;br /&gt;
Fundamentalmente, nossos quatro elementos são vazios e as cinco funções (skandhas) não existem. É apenas por causa de nossos falsos pensamentos que se ligam a tudo que nós gostamos da ilusão do mundo impermanente e somos, conseqüentemente, mantidos em cativeiro. Assim, somos incapazes de perceber o vazio dos quatro elementos e de realizar a inexistência do ciclo de nascimento e morte. Entretanto, se num único pensamento conseguimos a experiência daquilo que não nasceu não haverá necessidade de aquelas portas do Darma expostas por Sakyamuni Buda. Se isso acontece; como se pode dizer que não é possível colocar um fim ao nascimento e à morte?&lt;br /&gt;
Por essa razão, o brilho do Darma de nossa Seita realmente ilumina o espaço ilimitado nas dez direções.&lt;br /&gt;
Mestre Teh Shan era nativo da cidade de Chien Chou em Szu Ch&#39;uan. Seu sobrenome era Chou. Ele saiu de casa aos vinte anos de idade e depois de ser ordenado, estudou o Vinaya Pitaka - uma das três divisões do Tripitaka (o cânone Budista, formado pelos Sutras, pelo Vianaya e pelos Sastras) onde são expostos as regras e regulamentos de disciplina (Sila) - tornando-se um mestre nesses assuntos. Ele era versado no ensinamento do numinoso e do fenomênico como está explicado nos Sutras (Sermões). Ele costumava ensinar o Sutra do Diamante e por isso era chamado de &quot;Diamante Chou&quot;. Ele dizia a seus discípulos:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Quando um cabelo engole o oceano&lt;br /&gt;
Não se perde a natureza - oceano.&lt;br /&gt;
Acertar o olho da agulha com uma semente de mostarda&lt;br /&gt;
Não afeta o olho da agulha.&lt;br /&gt;
De saiksa e asaiksa&lt;br /&gt;
Somente eu sei”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando ele ouviu que a Seita Ch&#39;an estava florescendo no Sul ele não se conteve e disse: &quot;Todos os que deixam o lar levam mil eras para aprender um comportamento respeitoso a Buda - dignidade, andando, parado, sentado e deitado - e dez mil eras para estudar os feitos sutis de Buda, e a despeito disso, eles são incapazes de alcançar a Budeidade. Como podem esses demônios do Sul ousar dizer que o direto apontamento da mente leva à percepção da própria-natureza e à obtenção da Budeidade? Eu devo ir para o Sul a fim de varrer seu retiro do mapa e acabar com sua raça e assim pagar minha dívida de gratidão para com Buda&quot;.&lt;br /&gt;
Ele partiu da Província de Szu Ch&#39;uan com o comentário de Ch&#39;ing Lung - o comentário do Sutra do Diamante de Tao Yin do Mosteiro Ch&#39;ing Lung - nas suas costas. Quando ele chegou a Li Yang, viu uma velha mulher vendendo &quot;tien-hsin&quot; (literalmente, refresco da mente) na beira da estrada. Ele parou, colocou os livros no chão e tentou comprar um refresco para a mente. A velha mulher apontou para os livros e perguntou: &quot;De que trata essa literatura?&quot; Teh Shan respondeu: &quot;O comentário de Ch&#39;ing Lung&quot;. A velha mulher perguntou: &quot;Comentário sobre qual Sutra?&quot; Teh Shan respondeu: &quot;Do Sutra do Diamante&quot;. A velha mulher disse: &quot;Eu tenho uma pergunta a lhe fazer. Se você consegue respondê-la eu lhe darei o refresco de graça, mas se você não consegue respondê-la, por favor vá embora. O Sutra do Diamante diz: &#39;A mente passada, presente e futura não pode ser encontrada&#39;. O que você quer refrescar então?”&lt;br /&gt;
Teh Shan ficou calado e assim foi embora para o mosteiro do Lago do Dragão sem tomar o refresco. Ele entrou no pátio do Darma e disse: &quot;Há muito tempo que eu desejava ver o Lago do Dragão, mas agora que estou aqui não há nenhum lago para ver nem aparece nenhum dragão&quot;. Ouvindo isso, Mestre Lung T&#39;an saiu e disse: &quot;Você realmente chegou ao Lago do Dragão&quot;. Teh Shan ficou calado, decidindo permanecer no mosteiro. Lung T&#39;an era um mestre iluminado. A frase: &quot;Você realmente chegou ao Lago do Dragão&quot; significa: você realmente está na frente do estado de Lung T&#39;an ou do iluminado, porque o real é invisível e não aparece perante os olhos daquele que não está iluminado. Teh Shan não entendeu o significado da frase e ficou calado. Essa foi a segunda vez que ficou mudo, sendo a primeira quando a velha mulher perguntou-lhe sobre a mente passada, presente e futura. Ele ainda não estava iluminado, mas mais tarde, após sua iluminação, tornou-se um eminente mestre Ch&#39;an.&lt;br /&gt;
Uma noite, enquanto estava em pé ao lado de Lung T&#39;an, o mestre disse: &quot;É tarde agora porque você não se retira aos seus aposentos?&quot; Após dar a boa noite para seu mestre ele saiu mas voltou imediatamente e disse. &quot;Está muito escuro lá fora&quot;. Lung T&#39;an ascendeu uma tocha de papel e entregou-a para ele. Quando Teh Shan estava prestes a pegar a tocha, Lung T&#39;an com um sopro apagou-a. Lung T&#39;an era um mestre eminente e sabia que era o momento certo para iluminar Teh Shan. Teh Shan percebeu a própria-natureza do seu mestre através da função de apagar a tocha. Ao mesmo tempo, Teh Shan percebeu &quot;aquilo&quot; que viu a tocha apagar; isto é, sua própria-natureza.&lt;br /&gt;
A partir desse momento Teh Shan iluminou-se completamente e fez uma reverência de agradecimento para seu mestre. Lung T&#39;an perguntou: &quot;O que você viu?&quot; Teh Shan respondeu: &quot;No futuro eu não terei mais nenhuma dúvida sobre a ponta da língua dos velhos monges por todo o país” - uma expressão idiomática chinesa que se refere aos eminentes mestres Ch&#39;an que eram intransigentes no ensino e na orientação de seus discípulos.&lt;br /&gt;
No dia seguinte, Lung T&#39;an subiu ao púlpito e disse à assembléia: &quot;Há um sujeito cujos dentes são como uma árvore de folhas afiadas como uma espada e cuja boca parece um banho de sangue - um sujeito que inspira medo como os dois infernos onde há montanhas de espadas afiadas ou árvores com folhas de lâminas de espada e banhos de sangue para punir os pecadores. Ele recebe uma bastonada e nem vira a cabeça. Mais tarde irá colocar minha doutrina no topo de um pico solitário&quot;. Lung T&#39;an predisse a severidade com que Teh Shan receberia, ensinaria e treinaria seus discípulos. Os mestres Ch&#39;an freqüentemente usam seus bastões para bater nos seus discípulos provocando o despertar. A bastonada aqui mencionada refere-se à iluminação de Teh Shan após &quot;ver&quot; o seu mestre apagar a tocha. Teh Shan não virou a cabeça porque estava realmente iluminado e não tinha mais nenhuma dúvida sobre sua própria-natureza.&lt;br /&gt;
Na frente do pátio do Darma, Teh Shan espalhou no chão todas as folhas do comentário de Ch&#39;ing Lung e levantando uma tocha disse: &quot;Uma discussão exaustiva sobre o abstruso é como um cabelo colocado no grande vazio e o esforço até o limite das habilidades humanas são como uma gota de água no oceano&quot;. Então, queimou o manuscrito, desejou boa sorte a seu mestre e foi embora do mosteiro.&lt;br /&gt;
Teh Shan foi direto para o mosteiro Kuei Shan e entrando no pátio do Darma com a bagagem debaixo do braço, atravessou-o primeiro no sentido leste-oeste e depois no sentido oeste-leste. Ele olhou para o mestre Kuei Shan e perguntou-lhe: &quot;Alguma coisa, alguma coisa?&quot;. Kuei Shan estava sentado no pátio mas ignorou a presença do visitante. Teh Shan respondeu: &quot;Nada, nada&quot; e deixou o pátio. Esse movimento do leste para o oeste e do oeste para o leste significa o &quot;ir e vir&quot; inexistente no Darmadatu - o campo do Darma - no qual o Darmakaya - o corpo na sua natureza essencial tão sutil que apenas os Budas podem ver - permanece imutável e invariável. A pergunta de Teh Shan: &quot;Alguma coisa, alguma coisa?&quot;, e a resposta: &quot;Nada, nada&quot;, servem para enfatizar o nada no espaço.&lt;br /&gt;
Quando ele chegou à porta da frente do mosteiro, disse para si mesmo: &quot;Eu não deveria ter sido tão descuidado&quot;. Então, deu meia volta e entrou novamente no mosteiro cheio de cerimônia. Enquanto atravessava o pátio três vezes, ele tirou da bagagem e estendeu o nisidana - um tapete de pano usado para permanecer sentado - e chamou: &quot;Venerável Upadyaya&quot;. No instante em que Kuei Shan ia levantar o espanador, Teh Shan deu um grito e saiu do pátio. O espanador dos mestres antigos era feito da crina do cavalo amarrado num cabo numa das pontas e era usado para revelar a função da própria-natureza. O grito era para &quot;aquilo&quot; que gritava; isto é, a própria-natureza. Teh Shan tirou e estendeu seu nisidana chamando pelo &quot;Venerável Upadhyaya&quot; para mostrar a função daquilo que tirou e estendeu o nisidana chamando Kuei Shan. Quando o Mestre estava prestes a levantar o espanador para testar o grau de iluminação do visitante, Teh Shan gritou justamente para mostrar a presença da substância-essência daquilo que visitava o anfitrião. Teh Shan saiu do pátio e foi embora para mostrar o retorno da função à substância. Assim, a iluminação de Teh Shan era completa porque ambos, a função e a substância ou Prajnã e Samadi, estavam no mesmo nível. Conseqüentemente, não havia necessidade de nenhuma instrução adicional e qualquer outro teste teria sido inútil.&lt;br /&gt;
Essa noite, Kuei Shan perguntou ao líder da assembléia: &quot;Está o recém chegado ainda aqui?&quot; O líder respondeu: &quot;Quando ele deixou o pátio, deu meia volta, botou suas sandálias de corda e foi embora&quot;.&amp;nbsp; Kuei Shan disse: &quot;Daqui a algum tempo, esse homem irá a um pico solitário onde construirá uma cabana de sapé, xingará os Budas e amaldiçoará os Patriarcas&quot;. Teh Shan &quot;xingará&quot; Budas ilusórios e &quot;amaldiçoará&quot; Patriarcas ilusórios que apenas existem nas mentes impuras dos discípulos deludidos, já que essas mentes condicionadas e discriminadoras só podem criar Budas e Patriarcas impuros. O ensinamento de Teh Shan estava baseado apenas na Prajnã absoluta onde não há lugar para sentimentos e discriminações mundanas, as causas do nascimento e da morte.&lt;br /&gt;
Teh Shan permaneceu trinta anos em Li Yang. Durante a perseguição aos Budistas promovida pelo Imperador Wu Tsung (841-846) durante a dinastia T&#39;ang, o mestre refugiou-se numa caverna na montanha Tu Fou em 847 d.C. No começo do reino de Ta Chung o prefeito de Wu Ling, Hsieh T&#39;ing Wang, restaurou o mosteiro de Teh Shan e chamou-o de Ko Teh Hall. Ele estava procurando alguém de reconhecida capacidade para encarregar-se do mosteiro quando ouviu falar da reputação do mestre. A despeito de vários convites, Teh Shan recusou-se a descer da montanha Tu Fou. Finalmente o Prefeito planejou um estratagema e enviou alguns fiscais acusando-o de contrabandear chá e sal. Quando o mestre foi levado à Prefeitura, o Prefeito fez uma reverência e convidou-o de forma irrecusável para tomar conta do pátio Ch&#39;an onde Teh Shan espalhou os ensinamentos da Seita.&lt;br /&gt;
Mais tarde, as pessoas comentavam sobre os gritos de Teh Shan e as surras de Lin Chi, o fundador da Seita Lin Chi, uma das cinco Seitas Ch&#39;an da China. Se podemos disciplinar-nos como esses dois mestres; por que não seriamos capazes de colocar um fim ao ciclo de nascimento e morte? Depois de Teh Shan vieram Yen T&#39;ou e Hsueh Feng. Depois de Hsueh Feng vieram Yun Men e Fa Yen - Yun Men e Fa Yen foram os fundadores das Seitas Yun Men e Fa Yen, respectivamente, duas das cinco Seitas Ch&#39;an da China - e também o mestre Teh Shao e o ancestral Yen Shou do mosteiro Yung Ming.&amp;nbsp; Todos eles foram &quot;produto&quot; de Teh Shan.&lt;br /&gt;
Durante as dinastias seguintes a Seita continuou pela mão de grandes ancestrais e mestres. Vocês estão aqui para experimentar uma semana Ch&#39;an e vocês compreendem muito bem esta doutrina insuperável que permitir-nos-á alcançar sem obstáculos o autoconhecimento direto e a libertação do ciclo de nascimento e morte. Entretanto, se vocês brincam com ele e não treinam seriamente ou desde o amanhecer até o anoitecer preferem olhar o &quot;demônio na sombra brilhante&quot; ou tornar o seu interior &quot;o antro das palavras e das expressões&quot;, vocês nunca escaparão do ciclo de nascimento e morte. Se, enquanto sentados meditando, vocês deliciam-se com falsas visões ou com uma interpretação incorreta dos Sutras e dos ditados, nunca alcançarão a realidade. Agora, todos vocês se esforcem ao máximo!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;O Quarto Dia.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Este é o quarto dia de nossa semana Ch&#39;an. Vocês têm-se esforçado no seu treinamento; alguns de vocês compuseram poemas e gathas que me foram apresentados para verificação. Isto não é fácil, mas os que realizaram esforços nesse sentido devem ter esquecido minhas duas preleções anteriores. Ontem a noite, eu disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Não há nenhum outro método para o autocultivo;&lt;br /&gt;
Requer o conhecimento do Caminho (Tao)”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nós estamos aqui para inquirir dentro do hua-tou que é o caminho que deveríamos seguir. Nosso propósito é não ter dúvida em relação ao ciclo de nascimento e morte e alcançar a Budeidade. Para não se ter nenhuma dúvida sobre o ciclo de nascimento e morte é necessário recorrer ao hua-tou que deve ser usado como a espada preciosa do Rei Vajra - a mais forte e afiada espada preciosa - para cortar a cabeça dos demônios e Budas quando eles aparecem - isto é, falsas visões de demônios e Budas durante a meditação - de forma que nenhum sentimento permaneça nem uma única coisa se estabeleça. Desta forma, como poderia haver pensamentos errados sobre a composição de poemas e gathas e à visão do vazio e do brilho? Os principiantes freqüentemente vêm o vazio e o brilho tão logo todos os pensamentos são eliminados. Embora essas visões representem algum progresso no treinamento, elas não devem ser consideradas como realizações. O praticante deverá permanecer indiferente a elas uma vez que são criações da mente ilusória e deverá permanecer firme no hua-tou . Se vocês se esforçaram num caminho tão errado eu não sei para onde foi seu hua-tou. Os monges Ch&#39;an com experiência não precisam falar mais sobre isto, mas os principiantes devem ter muito cuidado.&lt;br /&gt;
Como estava apreensivo de que vocês poderiam não saber como desenvolver o treinamento Ch&#39;an durante os dois últimos dias eu falei sobre o propósito de sentar-se para meditar durante uma semana Ch&#39;an, o valor desse método criado pela nossa Seita e a forma de canalizar os esforços. Esse método consiste em concentrar a mente no hua-tou, o que não deve ser interrompido dia e noite da mesma forma que a água de uma nascente. Deve ser espirituoso e claro e nunca difuso. Deve ser constantemente cognoscível. Todos os sentimentos mundanos e as interpretações racionais devem ser cortados por ele (o hua-tou). Um mestre antigo, disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Estude a verdade como se defendesse uma fortaleza&lt;br /&gt;
Que, quando sitiada, deve ser defendida a qualquer custo.&lt;br /&gt;
Se o frio intenso não chega até os ossos,&lt;br /&gt;
Como pode ser o broto de ameixa, fragrante?”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas quatro linhas provêm do Mestre Huang Po e tem dois significados. As primeiras duas linhas descrevem aqueles que na prática do treinamento Ch&#39;an devem manter suas mentes ocupadas no hua-tou da mesma forma que um soldado defende uma fortaleza onde nenhum inimigo pode entrar. Esta é a incansável defesa da fortaleza. Cada um de nós tem uma mente composta da oitava, da sétima, da sexta e das primeiras cinco consciências (vijnanas). As primeiras cinco consciências são as ladroas do olho, do ouvido, do nariz, da língua, e do corpo. A sexta consciência é a ladroa do intelecto (mano-vijnana) e lidera as cinco primeiras consciências na procura de objetos exteriores -isto é, a forma, o som, o cheiro, o sabor e o tato. A sétima consciência é a ladroa da discriminação (klista-mano-vijnana), e dia e noite segura o &quot;sujeito&quot; da oitava consciência (alaya-vijnana) confundindo-o com o &quot;ego&quot;. Desta forma, constantemente iludida e presa, a oitava consciência ou consciência armazenadora, é mantida em cativeiro sem conseguir libertar-se. Por essa razão somos obrigados a recorrer ao hua-tou e usá-lo como a &quot;Espada Preciosa do Rei Vajra&quot; para matar todos esses ladrões de forma que a oitava consciência possa se transmutar no &quot;Grande Espelho da Sabedoria&quot;; a sétima consciência, na &quot;Sabedoria da Igualdade&quot;; a sexta consciência, na &quot;Sabedoria da Observação Profunda&quot;; e, as cinco primeiras consciências, na &quot;Sabedoria Perfeita&quot;- conferir o Sutra do Sexto Patriarca, o Sutra do Altar de Hui Neng. É da máxima importância a transmutação da sexta e da sétima consciências em primeiro lugar, pois elas desempenham um papel fundamental por causa de suas faculdades do intelecto e da discriminação. Enquanto vocês estavam &quot;vendo&quot; o vazio e a claridade e &quot;compondo&quot; poemas e gathas, a sexta e a sétima consciências estavam desenvolvendo suas funções malignas. Hoje, nós devemos usar este hua-tou para transmutar a consciência do intelecto na &quot;Sabedoria da Observação Profunda&quot; e a consciência discriminadora -a mente que diferencia entre o ego (o corpo e a mente) e a personalidade (o espírito)- na Sabedoria da Igualdade. Isto é chamado a transmutação da consciência em sabedoria (Prajnã) e a transformação do mundano em santificado. É importante não permitir que esses ladrões que gostam da forma, do som, do cheiro, do gosto, do tato, e do darma (as coisas em geral), nos ataquem. Assim, isto é comparado à defesa de uma fortaleza.&lt;br /&gt;
As últimas duas linhas ilustram os seres vivos nos três mundos da existência - mundo do desejo, mundo da forma e mundo da não-forma - que estão engalfinhados no oceano do nascimento e da morte, amarrados aos cinco desejos - os cinco desejos que provém dos objetos dos cinco sentidos: coisas vistas, ouvidas, cheiradas, degustadas e tocadas - iludidos pelos seus apegos e incapazes de libertar-se. Aqui, o termo broto de ameixa é usado como uma ilustração, já que essas árvores de ameixa florescem em plena neve. Em geral, os insetos e as plantas nascem na primavera, crescem no verão, permanecem estacionários no outono e hibernam ou morrem no inverno. A neve inclusive assenta a poeira que está gelada e não pode flutuar no ar. Esses insetos, plantas e poeira são comparados com nosso pensamento incorreto, discernimento, ignorância, inveja e ciúme, que resultam da contaminação dos três venenos - concupiscência ou desejo errado, ódio ou ressentimento e estupidez. Quando nos livramos dessas impurezas, nossas mentes permanecem naturalmente confortáveis e os brotos de ameixa fragrantes na neve. Mas vocês devem saber que essas árvores de ameixa florescem no frio amargo e não na amorosa brilhante primavera ou na suave brisa de um clima agradável. Se nós queremos que as flores de nossa mente floresçam, não podemos esperar esse florescimento no meio do prazer, raiva, tristeza e felicidade. Se estivermos confusos em relação às oito consciências o resultado não poderá ser classificado - isto é, será neutro, nem bom nem ruim, coisas que são produto da inocência ou não podem ser classificadas em nenhuma categoria moral. Se atos ruins são cometidos, o resultado será ruim; se atos bons são realizados, o resultado será bom.&lt;br /&gt;
Há dois tipos de natureza inclassificável; os sonhos e o vazio morto. A natureza inclassificável dos sonhos é aquela das crises ilusórias que aparecem num sonho e sem relação com nossas atividades diárias. Esse é o estado de uma consciência do intelecto (mano-vijana) independente - isto é, independente das primeiras cinco consciências. Isto também é chamado de estado inclassificado independente.&lt;br /&gt;
O que significa o inclassificado vazio morto? Nas nossas meditações, se perdermos o hua-tou de vista enquanto permanecermos na quietude, aí acontece um vazio indistinto dentro do qual não há nada. O apego a esse estado de quietude é uma doença Ch&#39;an que nunca deve ser contraída enquanto praticamos nosso treinamento. Esse é o inclassificável vazio morto.&lt;br /&gt;
O que devemos fazer, durante o dia inteiro, é manter nossas mentes ocupadas com o hua-tou, sem soltá-lo por um segundo e deverá ser vivaz, brilhante, diáfano, nítido e constantemente perceptível. Essa é a condição a ser obtida, não importa se andamos ou sentamos. Por essa razão, o antigo mestre disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Quando se anda, nada mais Ch&#39;an;&lt;br /&gt;
Quando se senta, nada mais Ch&#39;an.&lt;br /&gt;
O corpo está em paz&lt;br /&gt;
Quando se fala ou se movimenta”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ancestral Han Shan, disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Do alto do pico de uma montanha&lt;br /&gt;
Apenas o espaço ilimitado é visto.&lt;br /&gt;
Como se sentar em meditação ninguém sabe.&lt;br /&gt;
A lua solitária brilha na piscina congelada;&lt;br /&gt;
Mas na piscina não há nenhuma lua;&lt;br /&gt;
A lua está no firmamento noturno.&lt;br /&gt;
Esta canção é cantada agora.&lt;br /&gt;
Mas não há nenhum Ch&#39;an nesta canção”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês e eu devemos ter uma causa cooperativa, que é a explicação de eu ter esta oportunidade de iniciar vocês no treinamento Ch&#39;an. Espero que vocês se esforcem e façam progressos constantes e que não usem suas mentes de forma incorreta.&lt;br /&gt;
Agora lhes contarei outra história, um kung-an (ou koan, em japonês). Depois que Chi Tsu, o fundador do mosteiro Hsi T&#39;an (Siddham, em sânscrito) na Montanha Pé de Galo, foi embora de casa ele recorreu aos mestres iluminados para sua instrução e fez grandes progressos. Um dia ele parou numa pousada e ouviu uma moça numa loja de venda de coalho de soja cantando esta canção:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Coalho de soja Chang e coalho de soja Li&lt;br /&gt;
Enquanto suas cabeças descansam no travesseiro,&lt;br /&gt;
Vocês pensam mil pensamentos,&lt;br /&gt;
Porém amanhã vocês venderão coalho de soja novamente”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mestre estava sentado meditando e depois de ouvir esta canção, iluminou-se instantaneamente. Na sua meditação, o mestre já tinha eliminado todos os pensamentos e depois de ouvir a canção ele instantaneamente percebeu &quot;aquilo&quot; que ouviu a canção: sua própria-natureza. Isto é chamado de iluminação completa de Avalokitesvara através da audição, ou virando para dentro a faculdade da audição para escutar a própria-natureza - conferir o Surangama Sutra. Isto mostra que quando os antigos praticavam o treinamento não havia nenhuma necessidade da fazê-lo num pátio Ch&#39;an para experimentar a verdade. O autocultivo e o treinamento jazem na Mente Única. Assim, por favor, não permitam que suas mentes sejam perturbadas para não perder seu tempo. Se isso acontecer, vocês estarão vendendo de novo coalho de soja amanhã de manhã. O coalho é feito do feijão de soja e é tão barato que apenas as pessoas muito pobres costumam vendê-lo. Por essa razão elas nunca estão satisfeitas com o que ganham e estão sempre procurando fazer algo mais lucrativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;O Quinto Dia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Sobre este método de autocultivo pode ser dito que é fácil e difícil ao mesmo tempo. É fácil porque é realmente fácil e é difícil porque é realmente difícil.&lt;br /&gt;
É fácil porque vocês apenas precisam abandonar todos os pensamentos, ter uma fé inabalável neste método e desenvolver uma mente persistente. Esses requisitos garantem o sucesso.&lt;br /&gt;
É difícil porque vocês têm medo de longos sofrimentos por causa do desejo de viver confortavelmente. Vocês deveriam saber que todas as ocupações mundanas também requerem estudo e treinamento antes de alcançar-se o sucesso; quanto mais quando queremos aprender a sabedoria dos mestres para tornar-nos Budas e Patriarcas! Poderemos alcançar nosso objetivo se agirmos inconseqüentemente?&lt;br /&gt;
Assim, o primeiro requisito é manter a mente firme e concentrada no nosso autocultivo e na prática da verdade. Nesta tarefa não podemos impedir de sermos obstruídos pelos demônios. Essas obstruções demoníacas provêm de fatores cármicos externos provocados pelo nosso apego às formas, sons, cheiros, sabores, sensações e coisas, como foi dito na minha preleção de ontem. Esse meio ambiente cármico é nosso inimigo durante toda nossa vida e na morte. Por essa razão, há muitos Sutras que falam sobre os mestres do Darma que não conseguiam permanecer firme no meio desse ambiente por causa de suas mentes religiosas indecisas.&lt;br /&gt;
O próximo requisito a ser desenvolvido é uma mente persistente. Desde nosso nascimento neste mundo criamos ilimitados carmas e se agora desejamos cultivar a nós mesmos com o intuito de escapar do ciclo de nascimento e morte; seremos capazes de apagar todos nossos velhos hábitos de repente? Nós tempos antigos havia ancestrais como o mestre Ch&#39;an Ch&#39;ang Ch&#39;ing que se sentou em meditação até gastar sete esteiras e como o mestre Ch&#39;an Chao Chou que perambulou de lugar em lugar procurando instrução aos oitenta anos de idade, após ter passado quarenta anos meditando na palavra &quot;wu&quot; - não, em português - sem manter nem um único pensamento na sua mente. Eles finalmente conseguiram a iluminação completa e os príncipes dos estados de Yen e de Chao reverenciaram-nos, fazendo-lhes oferendas. Durante a dinastia Ch&#39;ing, o Imperador Yung Cheng (1723-35), que tinha lido seus ditados e os achou excelentes, agraciou-os com o título póstumo de Budas da Antigüidade. Esse é o resultado alcançado após uma vida inteira de austeridade. Se nós formos capazes agora de apagar todos nossos hábitos antigos para purificar nosso pensamento-único estaremos em igualdade com os Budas e os Patriarcas. O Surangama Sutra diz: &quot;É como a purificação da água barrenta guardada numa caixa de água limpa; se deixada sem ser mexida em quietude completa, a areia e a lama irão para o fundo. Quando a água límpida aparece, isto é chamado a primeira supressão do intruso elemento do mal do apego” - agamtu-klesa, em Sânscrito, o átomo estranho ou elemento intruso que se infiltra na mente e causa a infelicidade e a delusão: a mente tornar-se-á pura após a expulsão de elemento do mal. &quot;Quando a lama for removida deixando para trás apenas a água límpida, isso é chamado a eliminação permanente da ignorância básica&quot;. A água é o símbolo da própria-natureza e a lama da ignorância causada pelos apegos. Nossos apegos habituais são comparados à lama e ao sedimento e é por isso que devemos usar o hua-tou. O hua-tou é comparado ao alume usado para clarear a água lamacenta da mesma forma como os apegos são dominados. Se durante o treinamento, o praticante consegue alcançar a unidade do corpo e da mente e como resultado a condição de quietude, ele deve ter cuidado e não permanecer nela. Ele deve saber que isso é apenas um passo inicial mas a ignorância causada pelos apegos não esta extinta ainda. Isso é apenas a mente deludida alcançando o estado de pureza, tal como a água lamacenta que, embora purificada, ainda contém lama e sedimento no fundo. Vocês devem fazer esforços adicionais para avançar mais ainda. Um mestre ancestral, disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Sentado no topo de um mastro de cem pés de altura&lt;br /&gt;
Perceber-se-á aquilo que não é real.&lt;br /&gt;
Quando do topo do mastro dá-se um passo a frente&lt;br /&gt;
O corpo estender-se-á por todo o Universo”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se vocês não dão esse passo a frente vocês confundirão a miragem de uma casa estranha com seu próprio lar e seus apegos poderão aparecer novamente. Nesse caso, será difícil para vocês tornar- se iluminado até para si mesmos - Sravaka, em contraste com o Bodisatva que procura a própria iluminação para iluminar os outros. Por essa razão, a lama deve ser removida para reter a água límpida.&amp;nbsp; Essa é a permanente extinção da ignorância básica e somente então pode a Budeidade ser alcançada. Quando a ignorância é extinta permanentemente vocês serão capazes de aparecer na forma corporal nas dez direções do Universo para expor o Darma da mesma forma que Avalokitesvara Bodisatva, que pode aparecer de trinta e duas formas e que ao manifestar-se para ensinar o Darma pode escolher a forma mais apropriada para libertar um ser vivo que corresponda. Vocês ficarão livres de impedimentos e desfrutarão de independência e conforto em qualquer lugar, mesmo numa casa de prostituição, num botequim, na barriga de uma vaca ou égua ou mula, no paraíso ou no inferno (o mais baixo dos seis mundos da existência).&lt;br /&gt;
Por outro lado, um pensamento discriminador enviará vocês de volta para a roda de ciclo de nascimento e morte. Antigamente, Ch&#39;in Kuai - um funcionário da Dinastia Sung, responsável pela execução do bom comandante Yueh Feh, foi universalmente execrado pelo seu ato e seu nome tornou-se sinônimo de traidor - que em vidas passadas tinha oferecido incenso e velas a Ksitigarbha Bodisatva, mas não desenvolveu uma mente persistente no treinamento por causa de seu fracasso na extinção da ignorância causada pelos apegos, foi vítima de sua mente odienta na seguinte encarnação. Este é apenas um exemplo.&lt;br /&gt;
Se sua fé é inabalável e sua persistência inquebrantável, vocês serão capazes na sua forma corporal presente de alcançar a Budeidade, mesmo que sejam pessoas comuns.&lt;br /&gt;
Há muito tempo, um homem pobre ingressou na ordem (Sanga) do mosteiro. Embora fosse diligente na prática do autocultivo, ele desconhecia o método. Como não sabia a quem perguntar decidiu fazer os trabalhos mais pesados dia após dia. Um dia um monge itinerante chegou ao mosteiro e viu o homem fazendo os trabalhos mais pesados. O monge perguntou-lhe sobre a prática e o homem respondeu: &quot;Todos os dias eu faço este trabalho pesado. Por favor, ensina-me o método do autocultivo&quot;. O monge respondeu: &quot;Você deve perguntar-se:’Quem é que repete o nome de Buda?’”. Seguindo as instruções do monge itinerante, o homem passou a ocupar a mente com a palavra &quot;Quem?&quot; enquanto fazia seu trabalho diário. Mais tarde, ele foi morar numa gruta numa ilhota para continuar seu treinamento usando folhas como vestimenta e plantas como alimento. Sua mãe e sua irmã, que ainda viviam, souberam de seu retiro numa gruta numa ilhota onde ele passava privações no seu autocultivo. Sua mãe mandou sua irmã levar algumas roupas e provisões. Quando ela chegou viu o irmão sentado meditando. Ela chamou-o, mas ele não respondeu, ela sacudiu-o, mas ele não mexeu uma pestana. Vendo que seu irmão nem a olhava nem a cumprimentava ela desistiu, deixou as roupas e as provisões e voltou para casa. Treze anos mais tarde, ela voltou para visitá-lo e viu as roupas ainda no mesmo lugar onde as tinha deixado.&lt;br /&gt;
Mais tarde, um refugiado faminto chegou à gruta onde viu um monge vestindo farrapos. Ele entrou e suplicou por comida. O monge levantou-se e saiu da gruta para juntar algumas pedras que colocou numa panela com água. Depois de cozinhá-las por alguns minutos, tirou-as da panela e convidou o visitante a comê-las. As pedras pareciam batatas e quando o visitante ficou satisfeito o monge disse: &quot;Por favor, não comenta com ninguém sobre este almoço&quot;.&lt;br /&gt;
Algum tempo depois, o monge pensou com ele mesmo: &quot;Eu permaneci aqui tantos anos desenvolvendo meu autocultivo que agora devo criar causas propícias para o bem-estar dos outros. Desta forma ele partiu para Hsia Men, uma cidade na costa sul da Província de Fu Chien, onde construiu uma cabana de sapé na beira da estrada, oferecendo chá de graça para os visitantes. Isto aconteceu durante o reinado de Wan Li (1573-1619) na época em que a Imperatriz mãe fez a passagem. O Imperador queria convidar eminentes monges para realizar as cerimônias Budistas para o bem-estar de sua mãe morta. A princípio ele pensou em convidar alguns monges da capital, mas nesse momento não havia nenhum monge eminente ali. Uma noite, o Imperador viu num sonho sua mãe dizer-lhe que havia um monge na Prefeitura de Chang Chou na Província de Fu Chien. O Imperador mandou alguns oficiais convidando os monges locais a realizar a cerimônia. Quando os monges com suas bagagens partiram rumo à capital eles passaram pela cabana do monge pobre, que lhes perguntou: &quot;Veneráveis mestres, o que os faz tão felizes e para onde se dirigem?” Eles responderam: &quot;O Imperador mandou chamar-nos à capital para realizar as cerimônias para o espírito da Imperatriz Mãe&quot;. O monge pobre disse: &quot;Posso ir com vocês?&quot; Eles responderam: &quot;Você é tão miserável; como é que pode ir conosco?&quot; Ele disse: &quot;Eu não sei como recitar os Sutras mas posso carregar as bagagens para vocês. Vale a pena visitar a capital&quot;. Desta forma ele pegou as bagagens e seguiu os outros monges rumo à capital.&lt;br /&gt;
Quando o Imperador soube que os monges estavam prestes a chegar ordenou a um oficial que enterrasse uma cópia do Sutra do Diamante debaixo da porta de entrada do Palácio. Quando os monges chegaram, como nada sabiam sobre o Sutra, atravessaram a porta e entraram no Palácio um atrás do outro. Quando o monge pobre chegou ao portão, ajoelhou-se, juntou as palmas das mãos e a despeito da insistência dos guardas, recusou-se a entrar no Palácio. Quando o incidente foi relatado ao Imperador ele soube que o monge santo tinha chegado e foi recebê-lo pessoalmente, perguntando: &quot;Por que você não entra no Palácio?&quot; O monge respondeu: &quot;Eu não ouso porque uma cópia do Sutra do Diamante foi enterrada no chão&quot;. O Imperador perguntou novamente: &quot;Por que então você não entra se equilibrando nas mãos?&quot; Depois de ouvir isto, o monge equilibrou-se sobre as duas mãos e atravessou o portão. O Imperador teve o maior respeito por ele e o convidou a permanecer no interior do Palácio.&lt;br /&gt;
Quando perguntado sobre a cerimônia, o monge respondeu: &quot;A cerimônia será realizada amanhã de manhã, na quinta vigília, e precisarei apenas de um altar, de um estandarte guia para conduzir o espírito da morta à Torre Pura, de uma mesa com incenso, e de velas e frutas para oferecer aos Budas&quot;. O Imperador, que não ficou satisfeito com a perspectiva de uma cerimônia tão simples, estava apreensivo de que o monge não possuísse a virtude suficiente para realizá-la e para testar sua virtude ordenou que duas damas de honra lhe dessem um banho. Durante e após o banho seus órgãos genitais permaneceram imóveis e quando as damas de honra informaram ao Imperador sobre esse detalhe seu respeito pelo monge aumentou ainda mais ao perceber que o visitante era realmente santo. Os preparativos foram então realizados de acordo com as instruções dadas pelo monge que na manhã seguinte subiu ao púlpito para expor o Darma. Depois ele subiu ao altar, juntou as palmas das mãos e segurando o estandarte dirigiu-se ao caixão, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Na realidade eu não venho;&lt;br /&gt;
Mas nas suas preferências você é unilateral.&lt;br /&gt;
Ao realizar um pensamento não há nascimento&lt;br /&gt;
Significa que você pulará sobre os domínios dos deuses”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da cerimônia, o monge disse ao Imperador: &quot;Parabéns pela libertação de sua majestade a Imperatriz Mãe&quot;. Como o Imperador duvidasse do efeito de uma cerimônia que acabasse de forma tão estranha, ele escutou a voz da defunta dizendo: &quot;Eu estou agora libertada. Você deverá curvar-se para agradecer o Mestre Santo&quot;.&lt;br /&gt;
O Imperador espantou-se e seu rosto ficou radiante de felicidade. Ele curvou-se perante o monge em sinal de agradecimento. No interior do Palácio um banquete vegetariano foi oferecido para o monge. Vendo que o Imperador estava vestindo umas calças coloridas, o monge fixou seus olhos nelas. O Imperador perguntou-lhe: &quot;Será que o virtuoso gostou destas calças?&quot; e tirando-as do corpo ofereceu-as ao visitante que respondeu: &quot;Obrigado Majestade pela sua graça&quot;. Nesse mesmo instante o Imperador conferiu ao monge o título de Mestre Estatal Calças de Dragão. Depois do banquete, o Imperador levou o monge ao Jardim Imperial onde havia um santuário. O monge ficou encantado com o santuário e parou para admirá-lo. O Imperador perguntou: &quot;Será que o Mestre Estatal gostou deste santuário?&quot; O visitante respondeu: &quot;É maravilhoso!&quot; O Imperador disse: &quot;Desejo oferecê-lo a você com reverência&quot;. Enquanto o anfitrião dava ordens para remover o santuário para Chang Chou, o monge disse: &quot;Não há necessidade, eu posso levá-lo comigo&quot;. Depois de dizer isto, o monge colocou o santuário na sua larga manga, elevou-se no ar e desapareceu. O Imperador atônito e exultante de júbilo ao mesmo tempo louvou a ocorrência sem precedente.&lt;br /&gt;
Queridos amigos, essa é uma estória em verdade maravilhosa e tudo aconteceu simplesmente porque, desde o momento em que deixou seu lar, o monge nunca usou sua mente discriminadora e sempre teve uma fé inabalável na verdade. Ele não ligou quando sua irmã veio visitá-lo, não se importou com suas roupas em farrapos e nem tocou nas roupas novas que permaneceram treze anos na gruta. Devemo-nos perguntar agora se somos capazes de desenvolver nosso treinamento dessa forma. Seria inútil falar de nossa incapacidade de seguir o exemplo do monge quando nossa irmã vem visitar-nos. É suficiente mencionar a atitude que nós temos depois de nossa meditação quando, enquanto andamos, não conseguimos evitar olhar para nosso líder quando acende um incenso ou para os movimentos de nosso vizinho. Se nosso treinamento é levado dessa forma, como poderia nosso hua-tou ser segurado com firmeza?&lt;br /&gt;
Queridos amigos, vocês tem apenas de remover a lama e reter á água. Quando á água está límpida a lua automaticamente aparece - a água é o símbolo da própria-natureza e a lua da iluminação. Agora chegou a hora de dar vida ao hua-tou e de examiná-lo bem de perto!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;O Sexto Dia.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Os antigos diziam: &quot;Os dias e os meses passam rápido como a lançadeira de um tear e o tempo voa como uma flecha&quot;. Nossa semana Ch&#39;an apenas começou o outro dia e já estará chegando ao fim amanhã. De acordo com as regras estabelecidas, amanhã de manhã será realizada uma prova já que o propósito da semana Ch&#39;an é estabelecer um limite de tempo para experimentar a verdade. Experimentar a verdade significa o despertar para a realização da verdade. Ou seja, a experimentação do si mesmo fundamental e a realização da natureza profunda do Tatâgata. Isso é chamado a experimentação e realização da verdade.&lt;br /&gt;
A prova tem por objetivo avaliar o grau de esclarecimento que vocês alcançaram durante estes sete dias e vocês terão que revelar esse esclarecimento à assembléia. Habitualmente essa prova é chamada&amp;nbsp; &quot;a cobrança da conta dos bolinhos&quot; de todos vocês. Isso significa que todos vocês devem aparecer para a prova. Em outras palavras, todos vocês devem estar acordados para a verdade de forma que possam expor o Darma de Buda para a libertação de todos os seres vivos. Hoje, eu não estou dizendo que espero que todos vocês tenham acordado para a verdade. Mas, se apenas um de vocês acordou para a verdade eu ainda posso &quot;cobrar a conta dos bolinhos&quot;. Ou seja, apenas uma pessoa irá pagar a conta &quot;das refeições servidas para todo o grupo&quot;. Se cada um de nós desenvolve uma mente esperta e progressiva na procura da verdade, todos acordaremos para ela.&lt;br /&gt;
Os antigos diziam:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“É fácil para um homem comum alcançar a Budeidade,&lt;br /&gt;
O difícil é dar fim ao processo do pensamento”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É por causa dos nossos desejos insaciáveis desde tempos imemoriais que agora ficamos boiando no mar da mortalidade dentro do qual existem 84.000 apegos e todo tipo de maus hábitos dos quais não conseguimos livrar-nos. Como resultado, somos incapazes de alcançar a verdade e ser como Budas e Bodisatvas que estão permanentemente iluminados e estão livres da delusão. Por essa razão, o Mestre Lien Ch&#39;ih, disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;É muito fácil ser capturado pelas causas da poluição,&lt;br /&gt;
Mas alcançar o Carma que produz a verdade é muito difícil.&lt;br /&gt;
Se vocês não conseguem ver além do que pode ser visto,&lt;br /&gt;
Diferenciadas estão as causas contribuintes.&lt;br /&gt;
Em torno de vocês não há mais do que objetos que como numa rajada de&lt;br /&gt;
Vento, destroem a colheita de méritos que vocês plantaram.&lt;br /&gt;
Os apegos da mente explodem em chamas&lt;br /&gt;
Destruindo as sementes do Bodi nos corações.&lt;br /&gt;
Se as reminiscências (smrti) da verdade forem tão intensas quanto as&lt;br /&gt;
Reminiscências do apego, a Budeidade será alcançada no ato.&lt;br /&gt;
Se vocês tratam aos outros como a vocês mesmos,&lt;br /&gt;
Tudo se resolverá a seu bel-prazer.&lt;br /&gt;
Se vocês não estão certos e os outros não estão errados,&lt;br /&gt;
Os senhores e seus criados respeitar-se-ão mutuamente.&lt;br /&gt;
Se o Darma de Buda está permanentemente na nossa frente,&lt;br /&gt;
Essa é a libertação de todos os apegos&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quão esclarecedores e quão certas são estas palavras! A palavra poluição significa o ato de sujar. O ambiente dos homens comuns é corrompido com os desejos de riqueza, sensualidade, fama, lucro, ódio e disputa. Para eles, as palavras &quot;religião&quot; e &quot;virtude&quot; são simples obstáculos. Todos os dias, eles dão vazão ao prazer, a raiva, a pena e a felicidade, e almejam a riqueza, a honra, a glória e a prosperidade. Como não podem abrir mão dos apegos mundanos, eles são incapazes de dar lugar para o pensamento único da verdade. Em conseqüência, o bosque dos méritos é arruinado e as sementes do Bodi (Iluminação) destruídas. Se eles fossem indiferentes aos apegos mundanos; se eles dessem o mesmo tratamento aos amigos e aos inimigos; se eles evitassem matar, roubar, cometer adultério, mentir e se intoxicar com bebidas alcoólicas e drogas; se eles fossem imparciais em relação a todos os seres vivos; se eles considerassem a fome dos outros como se fosse a própria fome; se eles sentissem o afogamento dos outros como se eles mesmos estivessem afogando-se; e, se eles desenvolvessem a mente do Bodi, eles estariam de acordo com a verdade e estariam também em condições de alcançar o estado de Buda na mesma hora. Por isso, é dito: &quot;Se as reminiscências da verdade forem tão intensas como as reminiscências do apego, o estado de Buda será alcançado no ato&quot;. Todos os Budas e os santos aparecem na Terra para servir aos seres vivos, resgatando-os do sofrimento, oferecendo-lhes a felicidade e ajudando-os a livrar-se da desgraça.&lt;br /&gt;
Nós podemos praticar a abnegação tanto como a compaixão pelos outros, antecipando todo tipo de alegria. Se pudermos conseguir isto ninguém precisará suportar o sofrimento e não haverá nada que não seja possível realizar. Conseqüentemente, seremos capazes de obter o fruto completo de nossa recompensa da mesma forma que um barco sobe naturalmente junto com a maré. Lidando com os outros, se vocês mantêm uma mente compassiva e respeitosa e não se mostram importantes, arrogantes e falsos, serão recebidos com respeito e cortesia. Por outro lado, se vocês só confiam nas suas habilidades e se mostram intransigentes ou atuam com duas caras procurando apenas o som, a forma, a fama e a riqueza, o respeito que os outros mostrarão para com vocês não será sincero.&lt;br /&gt;
O Sexto Patriarca (Hui Neng) disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Mesmo que as faltas sejam dos outros e não nossas,&lt;br /&gt;
se discriminamos, nós também estamos errados&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Portanto, não devemos desenvolver uma mente que discrimina entre o certo e o errado e entre o eu e os outros. Se servirmos os outros da mesma forma que os Budas e os Bodisatvas o fizeram, seremos capazes de semear as sementes do Bodi por todos os lados e recolheremos os melhores frutos. Assim, os apegos nunca nos poderão manter em cativeiro.&lt;br /&gt;
As doze divisões do Tripitaka Mahayana – o Cânone Budista composto de três divisões: sutra (sermões), vinaya (regras de disciplina) e sastra (comentários dos sutras) - foram expostas pelo Honrado-Pelo-Mundo por causa dos três venenos:concupiscência, raiva e estupidez. Os objetivos dessas doze divisões do Tripitaka são: a disciplina (sila), a imperturbabilidade (samadi) e a sabedoria (prajnã). Seu propósito é tornar-nos capazes de apagar nossos desejos; alcançar os quatro infinitos estados da mente de Buda, [bondade (maitri), compaixão (karuna), júbilo (mudità) e indiferença (upeksã)] e os seis modos de salvação [os seis paramitas: caridade (dâna), disciplina (sila), paciência (ksãnti), progresso (virya), meditação (dyãna) e sabedoria (prajnã)]; eliminar a ignorância ilusória e a estupidez depravada; alcançar a virtude da sabedoria completa e embelezar o meritório Darmakaya – o corpo sutil na sua natureza essencial, inconcebível para os mortais comuns e que só os Budas podem ver. Se nós podemos seguir tal linha de conduta o tesouro do Lótus (a Terra Pura de todos os Budas na forma de Sambogakaya ou o Corpo da Retribuição) aparecerá por toda parte.&lt;br /&gt;
Hoje, a maioria dos que veio para esta semana Ch&#39;an é formada por leigos virtuosos (upãsakas). Vocês devem controlar suas mentes de uma forma apropriada e livrar-se de todas as algemas. Agora, eu lhes contarei outro kung-an e assim vocês poderão seguir o exemplo dado por aqueles mencionados nele. Se eu não lhes conto este kung-an receio que vocês não irão adquirir a Gema e voltarão para seus lares de mãos vazias. Por favor, ousam com atenção!&lt;br /&gt;
Durante a Dinastia Tang, havia um upãsaka cujo nome era P&#39;ang Yun, aliás Tao Hsuan, cuja cidade natal era Heng Yang na Provínvia de Hu Nan. Ele era originariamente um discípulo Confucionista e desde sua juventude percebeu a futilidade dos apegos e estava determinado na procura da verdade.&lt;br /&gt;
No começo do reino de Chen Yuan (785-804) ele ouviu falar dos ensinamentos de mestre Shih T&#39;ou e visitou-o para pedir instruções. Quando ele viu o mestre, perguntou: &quot;Quem é aquele que não confunde todos os Darmas com seus companheiros&quot;? Em português claro, a pergunta significa: &quot;Quem é aquele que não tem mais apego às coisas&quot;? Shih T&#39;ou estendeu sua mão para selar a boca de Pang Yun e o visitante imediatamente entendeu o gesto. No gesto de Shih T&#39;ou, Pang Yun percebeu &quot;aquilo&quot; que estendeu a mão para selar sua boca e despertou instantaneamente para a própria-natureza que era invisível e se manifestou através da função.&lt;br /&gt;
Um dia, Shih T&#39;ou perguntou a P&#39;ang Yun: &quot;Desde que você viu pela primeira vez este velho (isto é, eu) o que você tem feito a cada dia? &quot; P&#39;ang Yun respondeu: &quot;Se você me pergunta o que eu estive fazendo, eu não sei como abrir a boca&quot;. Mais tarde, ele apresentou o seguinte poema para Shih T&#39;ou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Não há nada de especial em relação ao que faço cada dia;&lt;br /&gt;
Eu apenas me mantenho em harmonia com isto,&lt;br /&gt;
Em qualquer lugar, não aceito nem rejeito nada.&lt;br /&gt;
Nem aqui confirmo ou nego nada.&lt;br /&gt;
Por que as pessoas dizem que o vermelho difere da púrpura?&lt;br /&gt;
Não há nem uma partícula de pó na montanha azul.&lt;br /&gt;
Os poderes sobrenaturais e trabalhos miraculosos&lt;br /&gt;
Consistem em buscar água e juntar lenha.&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Shih T&#39;ou aprovou o poema e perguntou a P&#39;ang Yun: Você seguirá a Sanga (Ordem) ou permanecerá um upãsaka (leigo)? &quot;P&#39;ang Yun respondeu: &quot;Farei o que eu quiser&quot;, e não raspou a cabeça.&lt;br /&gt;
Mais tarde, P&#39;ang Yun visitou o Mestre Ma Tsu e perguntou-lhe: &quot;Quem é aquele que não confunde todos os Darmas com seus companheiros? &quot; Ma Tsu respondeu: &quot;Eu responderei sua pergunta depois de você beber toda a água do Rio Oeste&quot;. Depois de ouvir isto, P&#39;ang Yun despertou instantaneamente para a doutrina profunda. Ele permaneceu dois anos no mosteiro de Ma Tsu.&lt;br /&gt;
Desde a completa realização de sua natureza original, o Upãsaka abriu mão de suas ocupações mundanas, jogou no Rio Hsiang toda sua fortuna composta de 10.000 moedas de ouro e prata e passou a fazer artigos de bambu para sobreviver.&lt;br /&gt;
Um dia, enquanto conversava com sua esposa sobre a doutrina do &quot;não-nascido&quot;, o Upãsaka disse: &quot;Difícil! Difícil! Difícil! É como desempacotar e arrumar dez cargas de sementes de gergelim no topo de uma árvore&quot;. Sua esposa respondeu: &quot;Fácil! Fácil! Fácil! Uma centena de folhas de grama é o sinal do mestre&quot;. Ouvindo este diálogo, sua filha Ling Chao disse, gargalhando: &quot;Oh vocês, dupla de velhos! Como podem falar desse jeito&quot;. O Upãsaka perguntou a sua filha: &quot;Então, o que você diria? A filha respondeu: &quot;Não é difícil nem fácil. Quando tenho fome como e quando tenho sono durmo&quot;.&lt;br /&gt;
P&#39;ang Yun bateu palmas, riu, e disse: &quot;Meu filho não arrumará uma esposa; minha filha não arrumará um marido. Nós permaneceremos juntos falando a linguagem do “não-nascido” - este parágrafo não existe no texto original chinês e foi adicionado pelo Mestre Hsu Yun na palestra. A partir dali seus poderes dialéticos tornaram-se evidentes e foi admirado por toda parte.&lt;br /&gt;
Quando o Upãsaka deixou o Mestre Yo Shan, este último enviou dez monges Ch&#39;an para acompanhá-lo até a porta da frente do mosteiro. Apontando o dedo para a neve caindo, o Upãsaka disse aos monges: &quot;Boa neve! Os flocos não caem em outro lugar&quot;. Um monge Ch&#39;an, chamado Ch&#39;uan, perguntou: &quot;Onde eles caem?&quot; O Upãsaka deu um tapa no rosto do monge e Ch&#39;uan, disse: &quot;Você não pode agir tão inconseqüentemente&quot;. O Upãsaka respondeu: &quot;Que tipo de monge é você! O deus do morto não deixará você passar&quot;. Ch&#39;uan perguntou: &quot;Então, o que o Venerável Mestre quer dizer? &quot; O Upãsaka deu um novo tapa no monge e disse: &quot;Você enxerga tanto quanto um cego e fala tanto quanto um mudo&quot;.&lt;br /&gt;
O Upãsaka costumava freqüentar lugares onde os Sutras eram lidos e comentados. Um dia ele escutava a leitura do Sutra do Diamante e quando o comentarista chegou à frase da não-existência do ego e da personalidade, ele perguntou: &quot;Venerável Senhor, uma vez que não há nem eu nem os outros, quem está agora lendo e quem esta ouvindo? &quot; Como o comentarista fosse incapaz de responder à pergunta o Upãsaka disse: &quot;Apesar de ser um leigo, eu compreendo alguma coisa&quot;. Aí, o comentarista perguntou: &quot;Qual é então a interpretação do Venerável Upãsaka?” O Upãsaka respondeu com o seguinte poema:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Não há ego nem personalidade,&lt;br /&gt;
Quem está distante então e quem está perto?&lt;br /&gt;
Siga meu conselho e abandone os comentários&lt;br /&gt;
Já que eles não se comparam com a procura direta da verdade.&lt;br /&gt;
A natureza da Sabedoria do Diamante&lt;br /&gt;
Não contém nenhuma poeira intrusa.&lt;br /&gt;
As palavras &#39;Eu escuto&#39;, &#39;Eu acredito&#39; e &#39;Eu recebo&#39;&lt;br /&gt;
Não significam nada e são usadas apenas como um expediente&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de ouvir o poema, o comentarista ficou encantado com a interpretação correta e elogiou o Upãsaka.&lt;br /&gt;
Um dia, o Upãsaka perguntou a Ling Chao: &quot;Como você entende o ditado antigo: &quot;É tão claro quanto um cento de folhas de grama; é tão claro que elas são o sinal do Patriarca&quot;. Ling Ch&#39;ao respondeu: &quot;O que há com você velho homem? Como você pode falar desse jeito?” O Upãsaka perguntou a ela: &quot;Como você o diria? &quot; Ling Chão respondeu: &quot;É tão claro quanto um cento de folhas de grama; é tão claro que elas são o sinal do Patriarca&quot;. O Upãsaka riu satisfeito. Quando soube que ia morrer ele disse a Ling Chao: “Vá lá fora e vê se é cedo ou tarde; diz-me se for meio-dia.” Ling Chão foi lá fora e voltou dizendo: &quot;O sol está no meio do céu, mas infelizmente está sendo engolido por um cachorro do céu - isto é, um eclipse. Pai, por que o senhor não vai lá fora e vê por si mesmo?&quot; Pensando que a história era verdadeira ele foi lá fora conferir. Imediatamente, Ling Chão, aproveitando-se de sua ausência, sentou-se na cadeira do pai com as pernas cruzadas, juntou as palmas das mãos e fez a passagem.&lt;br /&gt;
Quando o Upãsaka voltou, ele percebeu que Ling Chão tinha morrido e dando um suspiro comentou: &quot;Minha filha foi mais esperta e partiu antes do que eu&quot;. Assim, ele adiou sua morte uma semana para enterrar a filha.&lt;br /&gt;
Quando o magistrado Yu Ti perguntou sobre sua saúde o Upãsaka respondeu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Promete apenas apagar tudo o que é;&lt;br /&gt;
Cuida de tornar real o que não é.&lt;br /&gt;
A vida neste mundo mortal&lt;br /&gt;
é uma sombra, um eco&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de declamar esse poema, ele apoiou a cabeça nos joelhos do magistrado e fez a passagem. Como era seu desejo, seu corpo foi cremado e suas cinzas espalhadas pelo lago.&lt;br /&gt;
Sua esposa soube da morte do marido e foi informar seu filho. Depois de ouvir a notícia o filho parou de fazer o seu trabalho na lavoura, apoiou o queixo no cabo da enxada e fez a passagem em pé. Depois de testemunhar esses três eventos sucessivos, a mãe retirou-se para um lugar desconhecido para viver reclusa.&lt;br /&gt;
Como vocês podem perceber, toda a família de quatro pessoas tinham poderes sobrenaturais e podiam realizar milagres e mesmo sendo leigos e upãsakas como vocês, tinham um grau de realização superior. Na atualidade, é impossível encontrar homens de tão notável habilidade não somente entre vocês, upãsakas e upãsikãs, mas também entre monges e monjas que não são melhores do que eu mesmo, Hsu Yun. Que desgraça!&lt;br /&gt;
Agora, vamos nos esforçar no nosso treinamento!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;O Sétimo Dia.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Queridos amigos, permitam-me cumprimentá-los pelos méritos que vocês acumularam durante a semana Ch&#39;an que hoje chega ao fim. De acordo com as regras estabelecidas aqueles que tenham experimentado e realizado a verdade devem vir para frente do pátio como o faziam os candidatos que realizavam a prova no Palácio Imperial. Hoje, sendo o dia de divulgação da lista dos graduados com sucesso, será um dia de congratulações.&lt;br /&gt;
Todos os mestres que estão aqui presentes e são veteranos neste treinamento sabem que esta é uma magnífica oportunidade para a cooperação e não vão jogar fora seu precioso tempo. Mas, aqueles que são principiantes devem saber que é muito difícil conseguir um corpo humano e que a questão do nascimento e da morte é muito importante. Como nós temos corpos humanos, devemos saber que é difícil ter a oportunidade de escutar o Darma de Buda e encontrar mestres estudados. Hoje vocês vieram à &quot;montanha preciosa&quot; -o Sutra da Contemplação, diz: &quot;Como um homem sem mãos que não pode adquirir nada apesar de ter chegado à &#39;montanha preciosa&#39;, aquele que é desprovido da &#39;mão&#39; da fé não conseguirá adquirir nada mesmo que encontre a Gema Tríplice&quot; -e devem tirar partido desta excelente oportunidade fazendo todos os esforços possíveis no seu autocultivo para não voltar para casa de mãos vazias.&lt;br /&gt;
Como eu tenho dito, o Darma de nossa Seita, que foi transmitido pelo Honrado-Pelo-Mundo quando levantou a flor e a mostrou para a assembléia, foi passado geração após geração. Embora Ãnanda fosse primo de Buda e deixasse seu lar para seguí-lo como ajudante, ele não conseguiu alcançar a verdade na presença do Honrado-Pelo-Mundo. Depois que Buda entrou no Nirvana, seus melhores discípulos reuniram-se numa gruta para compilar os sutras (sermões), mas Ãnanda foi impedido de participar da reunião. Mahakasyapa disse a ele: &quot;Você não adquiriu o Selo da Mente do Honrado-Pelo-Mundo, assim deixa o espanador na porta da frente&quot;. A partir daí, Ãnanda tornou-se totalmente iluminado. Então, Mahakasyapa transmitiu a ele o Selo da Mente do Tatagãta, tornando-o o Segundo Patriarca da Índia. A transmissão foi passada para as gerações seguintes, e depois dos Patriarcas Asvaghosa e Nagarjuna, o mestre Ch&#39;an Hui Wen da montanha T&#39;ien T&#39;ai durante a Dinastia Pei Ch&#39;i (550-578), após a leitura do Madyamika Sastra de Nagarjuna, conseguiu realizar sua própria mente, fundando a Seita T&#39;ien T&#39;ai. Nessa época, nossa Seita Ch&#39;an estava no auge do florescimento. Mais tarde, quando a Seita T&#39;ien T&#39;ai caiu em decadência, o mestre imperial Teh Shao - um mestre Ch&#39;an - viajou para Koréa, onde ainda existia a única cópia dos trabalhos de Chih I, e depois de fazer uma nova cópia retornou para reviver a Seita. Bodidarma, que foi o Vigésimo Oitavo Patriarca da Índia, tornou-se o Primeiro Patriarca da China. Desde seu advento até a época do Quinto Patriarca, a lâmpada da Mente brilhou com esplendor. O Sexto Patriarca teve quarenta e três sucessores entre os quais estavam os mestres Ch&#39;an Hsing Szu e Huai Jang. Depois veio o mestre Ch&#39;an Ma Tsu que teve oitenta e três sucessores. Nessa época o Darma Correto alcançou seu apogeu e era reverenciado por imperadores e altos oficiais. Embora o Tatâgata expusesse vários Darmas, o da Seita Ch&#39;an foi insuperável.&lt;br /&gt;
No que se refere ao Darma que consiste em repetir o nome de Amitaba Buda, ele foi exaltado pelos Patriarcas Ch&#39;an Asvaghosa e Nagarjuna e, depois do mestre Hui Yuan, o mestre Ch&#39;an Yen Shou, do mosteiro Yung Ming, tornou-se o Sexto Patriarca da Seita da Terra Pura. (Chin T&#39;u Tsung), a qual foi divulgada por muitos outros eminentes mestres Ch&#39;an. Depois de ser propagada pelo mestre Ch&#39;an I Hsing, a seita Esotérica (Chen Yen Tsung) espalhou-se pelo Japão mas desapareceu na China onde não apareceu ninguém que sucedesse o mestre. A Seita Darmalaksana (Fa Hsiang Tsung) foi introduzida pelo mestre do Darma Hsuan Tsang, mas não durou muito tempo.&lt;br /&gt;
Apenas nossa Seita Ch&#39;an é como uma correnteza que está ainda fluindo desde sua origem remota trazendo devas nas dobras e subjugando dragões e tigres. Lu Tung Pin, aliás Shun Yang, um nativo de Ching Ch&#39;uan, foi um dos famosos Oito Imortais. Os Imortais praticam o Taoísmo e sentam-se em meditação com as pernas cruzadas. Seu propósito é alcançar a imortalidade colocando um fim a todos os apegos, mas eles ainda se apegam à idéia da realidade do ego e das coisas. Eles moram em grutas ou no topo das montanhas e podem tornar-se invisíveis. Já no final da Dinastia Tang ele tentou três vezes a prova para entrar no serviço público e falhou todas as vezes. Desiludido, ele não voltou para casa e um dia encontrou por acaso, numa loja de vinhos em Ch&#39;ang An, um imortal chamado Chung Li Ch&#39;uan que lhe ensinou o método de alongar seu tempo de vida indefinidamente. Lu Tung Pin praticou o método com grande sucesso, e também podia tornar-se invisível e voar a vontade por todo o Império. Um dia, ele foi visitar o mosteiro Hai Hui na montanha Lu Shan e escreveu o seguinte na parede da torre do campanário:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Depois de um dia de descanso, quando o corpo está relaxado,&lt;br /&gt;
Os seis órgãos agora em harmonia, anunciam que tudo está em ordem;&lt;br /&gt;
Com uma gema na região púbica não há necessidade de procurar a&lt;br /&gt;
Verdade,&lt;br /&gt;
Quando não se toma conhecimento do que nos rodeia não há necessidade do Ch’an”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais tarde, quando ele estava atravessando a montanha Huang Lung, observou no céu umas nuvens de cor púrpura com a forma de um guarda-chuva e imaginando que deveria haver alguém muito importante entrou no mosteiro. Nesse mesmo instante, depois de bater o tambor, o mestre Ch&#39;an Huang Lung subiu ao púlpito para expor o Darma. Lu Tung Pin seguiu os monges e entrou no pátio para ouvir a dissertação.&lt;br /&gt;
Huang Lung disse à assembléia: &quot;Hoje há entre nós um plagiador do meu Darma; o velho monge (ie. eu) não o exporá&quot;. A continuação, Lu Tung Pin veio para frente do pátio cumprimentou o mestre e disse: “Gostaria de perguntar ao Venerável Mestre o significado das seguintes linhas”:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Um grão de milho contém o Universo;&lt;br /&gt;
As montanhas e os rios cabem numa pequena tigela&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Huang Lung repreendeu-o, dizendo: &quot;Você é um corpo guardião do diabo&quot;. Lu Tung Pin, retrucou: &quot;Mas na minha cuia guardo a medicina da imortalidade&quot;. Huang Lung respondeu: &quot;Mesmo que você consiga viver 80.000 eras, você não escapará de cair no vazio morto&quot;.&lt;br /&gt;
Esquecendo o significado de sua própria frase: &quot;Quando não se toma conhecimento do que nos rodeia não há necessidade do Ch&#39;an&quot;, Lu Tung Pin ardeu de raiva e lançou sua espada em direção a Huang Lung. O mestre apontou o dedo para a espada que caiu no chão longe do seu dono. Com profundo remorso, Lu Tung Pin ajoelhou-se e perguntou sobre o Darma de Buda. Huang Lung, disse: &quot;Deixa de lado a frase: ‘As montanhas e os rios cabem numa pequena tigela’, sobre a qual eu nada perguntarei. Agora; qual é o significado de: ‘Um grão de milho contém o Universo?’” Depois de ouvir essa pergunta, Lu Tung Pin realizou instantaneamente o sentido profundo do Ch&#39;an, cantando o seguinte poema:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Jogo fora minha cuia e esmago meu alaúde;&lt;br /&gt;
No futuro não procurarei ouro no mercúrio.&lt;br /&gt;
Agora que encontrei o Mestre Huang Lung,&lt;br /&gt;
Percebi o uso errado da minha mente&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos tempos antigos, os Taoístas da China afirmavam que eram capazes de extrair ouro derretendo mercúrio; isto é, eles conheciam o método de tornarem-se imortais ou Rsis em Sânscrito, cuja existência foi mencionada por Buda no Surangama Sutra. A meditação Taoísta tinha como propósito a produção de uma corrente de energia quente que se espalhava por todas as partes do corpo e os praticantes mas bem sucedidos podiam enviar seus espíritos para lugares muito distantes. Eles costumavam vagar por lugares remotos munidos de uma cuia, uma guitarra e uma espada &quot;mágica&quot; que os protegia dos &quot;demônios&quot;.&lt;br /&gt;
A história de Lu Tung Pin mostra o retorno de um Imortal para a Gema Tríplice e sua entrada no mosteiro (Sangãrãma) como guardião do Darma. Lu Tung Pin foi também responsável pelo renascimento da Seita Taoísta naquela época e tornou-se o Quinto Patriarca do Tao no Norte. O Taoísta Yang também realizou a mente depois de ler a coleção budista &quot;Tzu Ying Chi&quot;, tornando-se o Quinto Patriarca do Tao no Sul. Tzu Yang foi um Taoísta eminente muito instruído no Darma Ch&#39;an e seus comentários atestaram sua realização da mente. O Imperador Yung Cheng considerava-o um Ch&#39;an Budista e publicou seus comentários na &quot;Seleção Imperial de Ditados Ch&#39;an&quot;. Desta forma, a fé no Tao foi reascendida graças à Seita Ch&#39;an.&lt;br /&gt;
Os ensinamentos de Confúcio foram transmitidos até Mencius quando chegaram ao fim. Durante a Dinastia Sung os adeptos Confucionistas também estudaram o Darma de Buda, dentre os quais podemos citar Chou Lien Chí, que praticava o treinamento Ch&#39;an e conseguiu realizar a mente, e outros, como Ch&#39;eng Tzu e Chu Tzu, todos eminentes Confucionistas. Assim, a Seita Ch&#39;an também contribuiu para o renascimento do Confucionismo.&lt;br /&gt;
Nos dias de hoje, há muita gente que despreza o Darma Ch&#39;an e que inclusive faz comentários depreciativos em relação a ele, merecendo o inferno. Hoje nós temos esta magnífica oportunidade de sermos contemplados com uma causa cooperativa que nos une aqui e agora. Devemos sentir júbilo e fazer votos para tornar-nos objeto de reverência dos dragões e dos deuses e de perpetuação do Drma Correto para sempre. Isto não é um jogo de crianças; por isso, por favor, façam o máximo esforço para obter mais progressos no autocultivo!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;O Dia do Encerramento&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Queridos amigos, eu parabenizo todos vocês na conclusão desta semana Ch&#39;an. Vocês completaram seu meritório treinamento e em mais alguns momentos a colheita chegará ao fim.&lt;br /&gt;
De acordo com os antigos, a abertura e o encerramento de uma semana Ch&#39;an não significa muita coisa, pois é muito mais importante ocupar a mente continuamente com o hua-t&#39;ou até alcançar a completa iluminação. Agora, não importa se vocês despertaram ou não; nós devemos seguir o procedimento estabelecido nas regras e regulamentos. Durante esta semana vocês não distinguiram entre o dia e a noite porque seu único propósito era seu próprio despertar. O fim último deste encontro foi o de preparar homens capazes de espalhar a doutrina Budista. Se vocês perderam seu tempo sem alcançar nenhum resultado vocês terão perdido em verdade uma grande oportunidade.&lt;br /&gt;
Agora, o Venerável Abade e os líderes do grupo seguirão as antigas regras e regulamentos e irão examinar o resultado de nosso treinamento. Espero que vocês não falem muito quando forem questionados; vocês devem, na presença dos outros, resumir numa frase o resultado de sua realização e se suas respostas estiverem corretas, o Venerável Abade irá a confirmar sua realização. Os antigos diziam:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;O autocultivo demora um tempo incalculável&lt;br /&gt;
Enquanto que a iluminação é alcançada num instante&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o treinamento é eficiente, a iluminação é alcançada num piscar de olhos.&lt;br /&gt;
Em épocas passadas, o mestre Ch&#39;an Hui Chueh, da montanha Lang Yeh, tinha uma discípula que o visitava para receber instrução. O mestre orientou-a a prestar atenção à frase: &quot;Não toma conhecimento” - literalmente, &quot;Não liga&quot;- e ela seguiu as instruções ao pé da letra, sem relaxar um instante.&lt;br /&gt;
Um dia sua casa pegou fogo, mas ela disse para si mesma: &quot;Não liga&quot;. Outro dia, seu filho caiu na água e quando uma pessoa que estava perto chamou sua atenção, ela disse para si mesma: &quot;Não liga&quot;. Ela seguiu estritamente as instruções de seu mestre deixando de lado todos os pensamentos causais - isto é; pensamentos produzidos pelas causas que levam aos efeitos.&lt;br /&gt;
Um dia, depois que seu marido acendeu o fogo para fritar umas rosquinhas, ela jogou dentro da panela cheia de óleo fervendo a massa das rosquinhas que fizeram um grande barulho. Após ouvir esse barulho ela iluminou-se instantaneamente. Então, ela jogou a panela com óleo fervendo no chão e batendo palmas começou a gargalhar sem parar. Pensando que ela tinha perdido o juízo, seu marido repreendeu-a e disse: &quot;Porque você está fazendo isso? Você está louca?&quot; Ela respondeu &quot;Não liga&quot;. A seguir ela foi visitar o mestre Hui Chueh e pediu-lhe para confirmar a sua realização. O mestre confirmou que ela tinha alcançado o fruto sagrado.&lt;br /&gt;
Queridos amigos, aqueles que acordaram para a verdade, por favor venham para frente e digam alguma coisa sobre sua realização.&lt;br /&gt;
(Depois de um longo período de tempo, como ninguém se manifestasse, o Mestre Hsu Yun deixou o pátio. O Venerável Mestre do Dharma Ying Tz&#39;u continuou realizando a prova e quando chegou ao fim o Mestre Hsu Yun retornou ao pátio para instruir a assembléia).&lt;br /&gt;
Mestre Hsu Yun disse: Neste mundo tumultuado e especialmente nesta movimentada e confusa cidade; como pode haver tempo para estar neste recinto e sentar-se em meditação ocupando a mente com um hua-tou? Entretanto, as profundas boas raízes do povo de Xangai em combinação com o florescente Darma de Buda e a insuperável causa cooperativa fizeram possível esta grande oportunidade para nossa colheita.&lt;br /&gt;
Desde os tempos antigos até a presente data, nós tivemos a Seita do Ensinamento Doutrinário, a Seita da Disciplina, a Seita da Terra Pura, e a Seita Esotérica. Uma rigorosa comparação entre essas escolas prova, claramente, que a Seita Ch&#39;an é superior a todas elas . Eu já me referi a esta Seita insuperável, mas devido ao atual declínio do Darma de Buda, não há homens de capacidade. No passado, nas minhas longas viagens a pé, visitei e permaneci em vários mosteiros, mas o que vejo agora não pode ser comparado com o que via-se naqueles tempos. Eu estou realmente envergonhado de minha ignorância, mas o Venerável Abade, que é muito compassivo e o grupo de líderes, que é muito cortês, me empurrou para presidir este encontro. Esta tarefa deveria ter sido incumbida ao Venerável Mestre do Darma Ying Tz&#39;u que é uma reconhecida autoridade tanto no Ch&#39;an como nas escrituras e tem a experiência de um veterano. Eu agora sou um homem inútil e não posso fazer nada e&amp;nbsp; espero que todos vocês sigam seu exemplo e vão enfrente sem relaxar.&lt;br /&gt;
O Ancestral Kuei Shan disse: &quot;É uma pena que tenhamos nascido no final do período da aparência, tão longe do período santo, quando o Darma de Buda é desprezado e quando as pessoas prestam tão pouca atenção a ele&quot;. Eu estou, entretanto, expressando a minha humilde opinião para que as gerações vindouras compreendam.&lt;br /&gt;
O nome de família do Mestre Kuei Shan era Ling Yu e era nativa da Província de Fu Chien. Ele seguiu o Ancestral Pai Chang e realizou a própria mente no seu mosteiro. O asceta Tzu Ma viu que a montanha Kuei Shan na Província de Honan era muito auspiciosa e que se tornaria o lugar de encontro de uma assembléia de mais de mil e quinhentos monges instruídos. Nessa época, Kuei Shan era sacristão do mosteiro de Pai Chang quando, numa visita ao mosteiro, Szu Ma encontrou-se com ele, reconheceu-o como o verdadeiro dono da montanha, convidando-o para estabelecer um mosteiro lá. Kuei Shang era um homem da Dinastia Tang (618-906) e o Darma de Buda estava no fim do período da aparência. Por essa razão ele lamentava-se por não ter nascido antes, já que na sua época o Darma de Buda era difícil de se entender, e os homens comuns, cujas mentes estavam retrocedendo, se negavam a estudar a doutrina, com o resultado de que não havia nenhuma esperança de alcançar o fruto de Buda. Mais de mil anos passaram desde a época de Kuei Shan e não somente acabou o período da aparência, como já passaram em torno de 900 anos do atual período da decadência - os três períodos do Budismo são: 1) o período da doutrina santa, correta ou real de Buda, com duração de 500 anos; 2) o período da imagem ou da aparência, com duração de 1.000 anos; e 3) o período do decaimento ou término do Darma, durando entre 3.000 e 10.000 anos, após o qual Maitreya Buda aparecerá para restaurar todas as coisas. Conseqüentemente, os homens comuns de boas raízes agora são poucos. Por isso, muitos são os homens que acreditam no Darma e poucos os homens que realmente realizam a verdade.&lt;br /&gt;
Eu agora comparo meu próprio caso com aqueles que estão estudando o Darma de Buda e que têm todo tipo de facilidades. Nos reinos de Hsien Feng (1851-61) e Tung Chih (1862-74), todos os mosteiros da região ao Sul dos Três Rios foram destruidos, permanecendo intacto apenas o mosteiro T&#39;ien T&#39;ung. Durante a rebelião de Tai Ping (1850-64), alguns monges das montanhas Chung Nan vieram ao Sul para reconstruir os mosteiros destruídos e nessa oportunidade foram equipados com apenas uma cuia e um cesto, não possuindo nenhum dos equipamentos que vocês dispõem aqui hoje em dia. Mais tarde, o Darma de Buda gradualmente floresceu novamente e os monges começaram a carregar suas bagagens nas costas. Hoje em dia eles carregam até pastas de couro, mas não prestam muita atenção à prática correta da doutrina. Antigamente, quando os monges Ch&#39;an desejavam visitar vários mosteiros para receber instrução eles tinham que enfrentar a jornada a pé. Hoje, eles viajam de trem, carro, barco e até avião, aliviando as dificuldades, mas intensificando a indulgência e o relaxamento. Nos dias de hoje, a despeito do crescente número de instituições Budistas e de mestres do Darma, ninguém presta atenção na questão fundamental e desde o amanhecer até o anoitecer todos procuram apenas os conhecimentos e a interpretação dos textos sem o menor cuidado com o autocultivo e a realização. Ao mesmo tempo, eles não sabem que o autocultivo e a realização são o essencial da doutrina.&lt;br /&gt;
O mestre Ch&#39;an Yung Chia, disse na sua Canção da Iluminação:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Alcance a raiz. Não se importe com os galhos.&lt;br /&gt;
Seja como o cristal puro em volta da preciosa lua.&lt;br /&gt;
Alas! nesta época de descaimento e neste mundo de maldade,&lt;br /&gt;
O período santo já passou há muito tempo e as visões pervertidas são&lt;br /&gt;
Profundas.&lt;br /&gt;
Com o Demônio forte e o Darma fraco, o ódio e o mal prevalecem.&lt;br /&gt;
Depois de ouvir tudo sobre a instantânea porta do Darma,&lt;br /&gt;
Lamenta-se por não ter esmagado esses males.&lt;br /&gt;
Enquanto a mente atua, o corpo ainda oculta.&lt;br /&gt;
Nunca culpe e nunca acuse seu semelhante.&lt;br /&gt;
Se você quer evitar o Carma incessante&lt;br /&gt;
Não avilte a Lei de Buda.&lt;br /&gt;
Na minha juventude acumulei muitos conhecimentos.&lt;br /&gt;
Procurei sutras, sastras e seus comentários,&lt;br /&gt;
Infindável discriminação entre nome e forma.&lt;br /&gt;
Enquanto contava em vão os grãos de areia do oceano,&lt;br /&gt;
Fui severamente repreendido pelo Buda,&lt;br /&gt;
Que perguntou qual era a vantagem de contar as gemas dos outros&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Yung Chia visitou o Sexto Patriarca procurando instrução e ficou iluminado completamente. O Patriarca chamou-o de &quot;O Iluminado Numa Noite&quot;. Por essa razão, os antigos diziam: &quot;A procura da verdade nos sutras e sastras é como entrar no oceano e contar seus grãos de areia&quot;.&lt;br /&gt;
O artifício da Seita Ch&#39;an é comparado com a espada preciosa do Rei Vajra - a gema do diamante real, ou espada indestrutível que destrói a ignorância e a delusão - que corta todas as coisas que tocam nela e destrói tudo o que resvala na sua ponta afiada. É a mais elevada porta do Darma através da qual é possível alcançar a Budeidade na hora. Para mostra-lhes um exemplo, lhes contarei a história do mestre Ch&#39;an Shen Tsan que quando era jovem viajava a pé e se iluminou depois de sua estadia com Pai Chang. Depois de sua iluminação ele retornou ao seu antigo mestre, que lhe perguntou: &quot;Depois que você foi embora, que nova aquisição você fez em outros lugares?&quot; Shen Tsan respondeu: &quot;Eu não fiz nenhuma aquisição&quot;. Então ele foi ordenado para servir seu antigo mestre.&lt;br /&gt;
Um dia, enquanto esfregava as costas sujas de seu mestre, Shen Tsan, dando alguns tapinhas nas suas costas, disse: &quot;Um bom pátio de Buda, mas o Buda não é santo&quot;. Seu mestre não entendeu o que ele quis dizer, virou sua cabeça e olhou para o discípulo, que repetiu: &quot;Embora o Buda não seja santo ele envia raios iluminadores&quot;.&lt;br /&gt;
Um outro dia, seu mestre estava lendo um sutra debaixo da janela enquanto que uma abelha debatia-se contra a janela tentando sair do quarto. Shen Tsan, percebendo o esforço da abelha para sair do quarto, disse: “O Universo é tão vasto e você não quer sair. Se você insiste em atravessar o velho papel” - isto é, os velhos sutras – “você só sairá no ano do jumento” - não existe o ano do jumento no calendário chinês. Depois de falar essa frase, ele cantou o seguinte poema:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Recusa-se a sair através da porta vazia&lt;br /&gt;
E bate na janela estupidamente.&lt;br /&gt;
Atravessar o velho papel levará cem anos,&lt;br /&gt;
Oh, quando conseguirá sair?&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pensando que Shen Tsan estava insultando-o, o velho mestre deixou o sutra de lado e perguntou-lhe: &quot;Você foi embora por tanto tempo; quem você encontrou, o que você aprendeu, e que faz você tão falador agora?&quot; Shen Tsan respondeu: &quot;Depois que deixei você juntei-me à comunidade de Pai Chang onde obtive uma indicação de como deter o pensamento e a discriminação. Como você esta velho agora, eu retornei para pagar a dívida de gratidão que tenho com você&quot;. A partir dessa conversa, o velho mestre informou à assembléia sobre o incidente, ordenou um banquete vegetariano e convidou Shen Tsan a expor o Darma. Ele subiu no púlpito e expôs a doutrina de Pai Chang, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Uma luz espiritual brilha em solidão&lt;br /&gt;
Desligando os órgãos dos sentidos dos objetos dos sentidos.&lt;br /&gt;
A experiência da verdade eterna&lt;br /&gt;
Não depende apenas dos livros.&lt;br /&gt;
A natureza da mente sendo imaculada&lt;br /&gt;
É fundamentalmente perfeita.&lt;br /&gt;
Libertação das causas que produzem a falsidade&lt;br /&gt;
É a mesma coisa que o absoluto estado de Buda&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de ouvir isto, seu mestre despertou para a verdade e disse: &quot;Eu nunca podia imaginar que na minha velhice ir-ia ouvir sobre o modelo supremo&quot;. Então, ele passou a direção do mosteiro para Shen Tsan e respeitosamente pediu para tornar-se seu discípulo.&lt;br /&gt;
Vocês percebem como tudo isto é simples e fácil? E nós sentamos-nos neste encontro Ch&#39;an por uma semana e ainda não experimentamos a verdade. Isto acontece porque não estamos seriamente determinados no nosso treinamento, ou o consideramos um jogo de crianças, ou pensamos que requer sentar-se em silêncio num pátio Ch&#39;an. Nada disso é correto e homens e mulheres que realmente concentram suas mentes neste treinamento não discriminam entre o mutável e o imutável, ou qualquer tipo de atividade diária. Eles podem fazê-lo na rua, num ruidoso mercado, ou em qualquer outro lugar.&lt;br /&gt;
Antigamente havia um monge que visitava os mestres instruídos para receber instrução. Um dia ele chegou a um mercado e passou por um açougue onde cada cliente insistia em levar &quot;carne pura&quot; - isto é, carne de primeira. De repente, o açougueiro perdeu a paciência e abaixando o facão, perguntou: &quot;Que pedaço de carne não é pura?” Depois de ouvir isto, o monge iluminou-se instantaneamente. O monge “açougueiro” foi assim apelidado porque alcançou a iluminação após escutar a voz do açougueiro. Ele estava impondo-se um intenso treinamento quando passou pela porta do açougue e sua mente estava realmente imóvel e livre de qualquer tipo de pensamento ou discernimento. A voz alta do açougueiro causou um grande impacto na mente do monge, que ouviu não com o sentido da audição mas com a função da própria-natureza. Quando a função da própria-natureza manifestou-se por si mesma, a substância ou essência da própria-natureza tornou-se aparente, e daí a iluminação.&lt;br /&gt;
Isto mostra que os antigos não precisavam sentar-se em meditação num pátio Ch&#39;an quando eles submetiam-se ao treinamento. Hoje, nenhum de vocês falou sobre o despertar. Não é isso uma perda de tempo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;As Palavras Finais do Venerável Mestre Hsu Yun&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Depois que o chá e os biscoitos foram servidos, todos os presentes ficaram de pé quando o Venerável Mestre Hsu Yun, vestindo o robe formal - de mangas largas - entrou novamente no pátio e sentou- se em frente ao Buda de Jade. Com uma tira de bambu desenhou um círculo no ar e disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Convocação e meditação!&lt;br /&gt;
Abertura e fechamento!&lt;br /&gt;
Quando tudo isto chegará ao fim?&lt;br /&gt;
Quando as causas produtoras se detêm de repente,&lt;br /&gt;
Os objetos exteriores desaparecem.&lt;br /&gt;
Mahaprajnaparamita!”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O círculo simboliza a perfeição do Darmakaya. As três linhas seguintes mostram as ilusórias atividades mundanas que não tem nada a ver com a experiência da realidade. Quando todas as causas produtoras dos efeitos chegam ao fim, o mundo fenomênico também desaparece e esse é o momento quando &quot;sua grande sabedoria chega à outra margem&quot; ou Mahaprajnaparamita.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Quando a mente está imóvel a essência e a função retornam à&lt;br /&gt;
normalidade&lt;br /&gt;
Fundamentalmente não há dia ou noite, mas apenas uma luminosidade&lt;br /&gt;
Completa.&lt;br /&gt;
Onde estão as linhas divisórias entre o Norte e o Sul e entre o Leste e o&lt;br /&gt;
Oeste?&lt;br /&gt;
Sem obstáculos as coisas são vistas como resultado das causas&lt;br /&gt;
Condicionantes&lt;br /&gt;
Enquanto os pássaros cantam e as flores sorriem a lua alcança a&lt;br /&gt;
Correnteza”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando a mente está despida de sentimentos e apegos permanece imóvel; este é o momento em que a essência e a função da própria-natureza de Buda retornam à normalidade. Fundamentalmente só existe a imutável sabedoria luminosa que não se modifica. Quando a própria-natureza está condicionada pela delusão, separa-se em ego e Darma ou sujeito e objeto e daí todos os tipos de discriminações, tais como Norte-Sul e Leste-Oeste. Os fenômenos são criados por causas condicionantes mas estão desprovidos de natureza real. A delusão é causada pelo nosso apego às coisas ouvidas, vistas, cheiradas, degustadas, tocadas, pensadas e discriminadas, mas se a mente se desliga da audição, da visão, do olfato, do gosto, do tato, do pensamento e da discriminação, será alcançada a “Completa Iluminação de Avalokitesvara Bodisatva”. Apenas os sentidos da audição e da visão são aqui mencionados porque eles estão em constante atividade enquanto que os outros quatro sentidos estão freqüentemente adormecidos. Quando se é capaz de desligar a audição da canção dos pássaros e a visão das flores sorridentes, a lua, símbolo da iluminação, brilhará sobre a correnteza, uma vez que a água é o símbolo da própria-natureza. Esta frase significa que pode alcançar-se a iluminação no meio do som e da visão que simbolizam o mundo ilusório.&lt;br /&gt;
Agora o que que eu vou dizer para fechar o encontro ?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Quando a tábua é batida a tigela aparece!&lt;br /&gt;
Vamos examinar o Prajnãpãramitã!&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora vamos dar o encontro por encerrado.&lt;br /&gt;
No mosteiro, a tábua é batida para chamar ao refeitório. Se a mente está eficientemente despida de todos os sentimentos e apegos, as oito consciências ou vijnanas estarão congeladas e inativas. Este momento é chamado, na linguagem Ch&#39;an, como &quot;uma morte temporária seguida da ressurreição&quot;. - isto é, a morte da delusão e a ressurreição da própria-natureza. Quando a própria-natureza recupera sua liberdade, funcionará e escutará o som da tábua ao ser batida. Como o fenomênico e o numinoso estão agora unidos num só, o Darmakaya permeia por toda parte, inclusive a tigela que revela sua presença. Por isso, os antigos diziam: &quot;os exuberantes bambus verdes são o Darmakaya e as luxuriantes flores amarelas não são senão a Prajnã”&lt;br /&gt;
Esta realização só é possível através do Prajnãpãramitã que todos os que procuram a verdade deveriam colocar em prática.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://centrochan.blogspot.com/feeds/584572334124930560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://centrochan.blogspot.com/2011/12/palestras-diarias-durante-semana-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4786012066884740273/posts/default/584572334124930560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4786012066884740273/posts/default/584572334124930560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://centrochan.blogspot.com/2011/12/palestras-diarias-durante-semana-de.html' title='* PALESTRAS DIÁRIAS DURANTE UMA SEMANA DE RETIRO CH&#39;AN'/><author><name>Wu-ming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06700748159145363242</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4786012066884740273.post-6697959497689021306</id><published>2011-12-29T19:07:00.000-02:00</published><updated>2014-06-15T16:28:17.811-03:00</updated><title type='text'>* O ESSENCIAL DA PRÁTICA E ILUMINAÇÃO PARA PRINCIPIANTES</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Texto do Venerável Mestre Han Shan (1546-1623)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Comentários do Venerável Mestre Kuo-Ku-Shi&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;
&lt;b style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 15px; line-height: 20.790000915527344px;&quot;&gt;Tradução para o português de Wu-ming (1947- &amp;nbsp; &amp;nbsp;)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Han Shan Te Ching (1546-1623) é considerado um dos quatro mais eminentes monges Budistas do final da Dinastia Ming (1368-1644), em parte pela sua interação político-social com a corte Ming, em parte pelos comentários dos textos Budistas; mas, principalmente pela prática Ch’an. Nesta pequena introdução comentarei apenas a sua contribuição para o Budismo Chinês do ponto de vista da prática Ch’an.&lt;br /&gt;
Já aos sete anos de idade Han Shan tinha uma preocupação existencial relacionada com a vida e a morte. Esses pensamentos o levaram a abandonar a vida leiga começando o treinamento Budista aos nove anos de idade. Com 19 anos foi ordenado monge Budista.&lt;br /&gt;
Em toda a história do Budismo Ch’an não existiu um único mestre que escrevesse tão detalhadamente sobre sua própria prática e experiência, principalmente no que diz respeito ao estado da mente iluminada. De acordo com o relatado em “As Preambulações Oníricas do Grande Mestre Han Shan”, ele teve numerosas e extraordinárias experiências iluminadoras. Sua primeira experiência aconteceu durante uma exposição do Darma na qual ouviu o ensinamento profundo sobre a interação dos fenômenos do mundo como foi exposto no Avatamska Sutra e no tratado “Os Dez Portais Maravilhosos”. Algum tempo depois ele teve uma outra experiência iluminadora no Monte Wu Tai quando estava lendo o tratado “As Coisas Não Se Movem” de um monge Madyamika. De acordo com os relatos, Han Shan foi o revisor do Livro de Chao, a fonte de “As Coisas Não Se Movem”. Han Shan se deparou com a estória de um Bramacharim que saiu de casa na juventude e voltou quando tinha os cabelos brancos. Ao vê-lo, as pessoas perguntavam: “Esse homem ainda vive?” O Bramacharim respondeu: “Eu apenas pareço com aquele homem do passado, mas não sou ele”. Lendo essa estória, Han Shan de repente compreendeu que não há nem “ir” nem “vir”. Quando Han Shan se levantou da cadeira e começou a andar ele não via nada em movimento. Quando ele abriu a janela uma rajada de vento espalhou as folhas secas do chão por todos os lados, mas ele não viu nenhum sinal de movimento. Quando ele foi urinar ele não viu nada fluindo. Aí ele entendeu a frase do texto: “Correntezas e rios fluem para o oceano, mas não há nada fluindo”. Nesse momento, Han Shan dissipou todas as duvidas e preocupações existenciais em relação ao nascimento e à morte. Em seguida escreveu o seguinte poema:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Vida e morte, dia e noite;&lt;br /&gt;
A água flui e as flores caem.&lt;br /&gt;
Apenas hoje eu percebi que&lt;br /&gt;
Meu nariz aponta para baixo!“&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia seguinte, quando o grande mestre Ch’an Miao Feng o encontrou no pátio, ele percebeu que Han Shan estava diferente. Quando perguntou sobre o que tinha acontecido, Han Shan respondeu: “Ontem à noite vi dois touros de aço lutando na beira do rio. Ambos caíram dentro do rio, mas desde então não soube mais deles”. Miao Feng alegrou-se e o congratulou.&lt;br /&gt;
Em outra ocasião, depois da refeição, Han Shan deu um passeio pela montanha e experimentou um estado de samadhi profundo enquanto estava em pé. No relato, ele contou que de repente perdeu a consciência do corpo e da mente. Ele experimentou a totalidade do mundo inteiro contido em um espelho perfeito, tal como a mente. Depois que ele saiu daquele estado, ele escreveu o seguinte verso:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“No instante que dura um pensamento esta mente caótica é colocada para&lt;br /&gt;
Descansar.&lt;br /&gt;
Internamente e externamente os sentidos e seus objetos tornam-se vazios e claros.&lt;br /&gt;
Aniquilando o corpo, o vazio é agora dissolvido.&lt;br /&gt;
A miríade de formas aparece e desaparece em harmonia “.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas são apenas algumas das experiências relatadas em “As Preambulações Oníricas do Grande Mestre Han Shan”. As instruções sobre a prática transcritas a seguir foram extraídas do segundo fascículo do compendio de relatos. O texto original não tinha titulo, pois era parte de uma carta endereçada a um praticante Ch’an leigo.&lt;br /&gt;
Han Shan foi também um escritor prolífero, com mais de 8.300 páginas publicadas, desde comentários dos Sutras Budistas até poemas seculares. “As Preambulações Oníricas do Grande Mestre Han Shan” é um compêndio composto de 55 Capítulos com mais de 3.000 paginas. Seus comentários sobre o Tripitaka (o Cânone Budista) formam uma coleção de 119 Capítulos com mais de 1.200 paginas escritas de ambos os lados. Como aconteceu com outros monges Budistas da Dinastia Ming, seus comentários não se limitaram apenas aos textos Budistas, mas também abordaram outros textos, tais como o Lao-tse (Tao-Te-Ching) , o Chuang-tse e vários textos Confucionistas.&lt;br /&gt;
Sua contribuição para com o Budismo Chinês jaz na sua personalidade exemplar e na sua luta em prol da libertação do homem do sofrimento, especialmente numa época de desgoverno, corrupção,opressão interna e vulnerabilidade externa. Embora seus comentários não fossem particularmente brilhantes, a força de seus escritos provém de uma ativa participação no processo de revitalização e popularização do Budismo e da forma que ele respondeu aos desafios do seu tempo.&lt;br /&gt;
Por tudo o que sabemos de Han Shan, podemos concluir que ele foi um grande mestre que deu igual peso tanto à doutrina quanto à prática, contribuindo consideravelmente para o renascimento do Budismo Chinês naquela época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;O Essencial da Prática e Iluminação para Principiantes&lt;br /&gt;Pelo Mestre Ch’an Han Chan&lt;br /&gt;(1546-1623)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Como Praticar e Alcançar a Iluminação&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
No que diz respeito às causas e condições desta grande questão, a natureza do Buda é intrínseca a todos nós: em si já está completa dentro de nós , não faltando nada. O problema é que desde tempos imemoriais as sementes da paixão, o pensamento deludido, os estados emocionais e os hábitos profundamente enraizados têm obscurecido esta maravilhosa luminosidade. Nós não podemos percebê-lo porque permanecemos atolados nos pensamentos delulidos de corpo, mente e mundo, discriminando e discorrendo sobre isto ou aquilo. Por essa razão, permanecemos vagando no infindável ciclo de nascimento e de morte. Todavia, todos os Budas e os mestres ancestrais que apareceram neste mundo utilizaram incontáveis palavras e meios de expor o Ch’an e esclarecer a doutrina. Seguindo e encontrando seres sencientes com inúmeras disposições, todos os meios são como ferramentas utilizadas para esmagar nossa mente de apego e perceber que originariamente não há nenhuma substância real nos “darmas” ou no “ego”.&lt;br /&gt;
O que comumente chamamos de prática nada mais é do que a simples aceitação de qualquer que seja o estado da mente de forma a purificar e rejeitar os pensamentos delulidos e os traços dos hábitos adquiridos. Concentrar os esforços nisso é chamado “prática”. Se num determinado momento o pensamento deludido de repente desaparece, perceber-se-á a própria mente , vasta e aberta, brilhante e luminosa, intrinsecamente perfeita e completa. Esse estado, sendo originariamente puro, sem uma única coisa , é chamado “iluminação”. Fora essa mente não existe nem o cultivo nem a iluminação. A essência de nossa mente é como um espelho e todos os traços dos pensamentos deludidos e o apego às condições são a poeira impura da mente. O conceito de aparência é a poeira impura e a consciência emocional é a impureza. Se todos os pensamentos deludidos se desvanecessem, a essência intrínseca se revelaria por si só. È como quando a poeira é limpa: o espelho recupera seu brilho. O mesmo acontece com o Darma.&lt;br /&gt;
No entanto, nossos hábitos adquiridos, as impurezas e os apegos acumulados através das eras se tornaram sólidos e profundamente enraizados. Por sorte, através da condição criada pela orientação de um bom amigo espiritual, nossa prajná (sabedoria) interior como causa pode influenciar nosso ser de tal forma que a prajná inerente pode ser aumentada consideravelmente. Tendo percebido que a prajná é inerente a todos nós , seremos capazes de desenvolver a mente iluminada e dirigir nossos passos no sentido de aspirar à renuncia ao ciclo de nascimento e de morte. A tarefa de desenraizar de repente as raízes do nascimento e da morte acumuladas através de incontáveis eras é uma questão muito sutil. Se não se é alguém com força e coragem suficientes como para vencer tamanho obstáculo e pegar um atalho direto ao assunto sem a menor hesitação, a tarefa será extremamente difícil. Um mestre ancestral, disse uma vez: “É como enfrentar dez mil inimigos sozinho”. Essa frase não mente!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;A Entrada para a Prática e a Iluminação&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
De um modo geral, nesta época de descaimento do Darma há mais gente praticando do que alcançando a iluminação. Há mais gente desperdiçando seus esforços do que desenvolvendo seu poder. Por que isto? Porque eles não concentram seus esforços diretamente no assunto e desconhecem os atalhos. Em lugar disso, a maioria enche sua mente com o conhecimento de palavras e uma linguagem baseada naquilo que ouviram,; ou avaliam as coisas através de suas discriminações emocionais; ou reprimem seus pensamentos deludidos ; ou ficam deslumbrados com as visões fantásticas de suas portas sensoriais. Essas pessoas guardam as palavras dos mestres ancestrais nas suas mentes e as consideram como se fossem reais. Pior ainda, eles adotam essas palavras como se fossem as expressões de seus próprios conceitos. Mal eles sabem que nenhuma dessas palavras tem o mínimo de utilidade. Isso é chamado: “apegando-se ao conhecimento dos outros e obstaculizando a própria passagem para a iluminação”.&lt;br /&gt;
Para se engajar na prática, em primeiro lugar deve-se afastar do conhecimento e do intelecto, e com uma mente única devem-se concentrar todos os esforços em um único pensamento. Deve-se ter uma firme convicção na própria mente que originariamente é pura e transparente, sem a menor mácula, é brilhante e perfeita e permeia todo o Darmadatu (Universo). Intrinsecamente não há corpo, mente ou mundo, nem pensamentos deludidos, nem estados emocionais. Neste preciso instante este pensamento não nasceu! Tudo o que se manifesta perante nós é insubstancial e ilusório; tudo é um reflexo projetado pela verdadeira mente. Deve-se procurar esmagar todos os pensamentos deludidos. Deve-se dirigir a mente no sentido de observar onde os pensamentos aparecem e onde desaparecem. Quando se pratica desta forma, independentemente do tipo de pensamentos deludidos que apareçam, um único golpe e eles serão cortados em pedacinhos. Todos os pensamentos se derreterão e desaparecerão. Nunca se deve seguir ou alimentar os pensamentos deludidos. O mestre Chung Chia advertiu: “Deve-se romper com a mente que deseja continuar”. Isto porque a mente ilusória da delusão originariamente não tem raízes. Nunca se deve considerar um pensamento deludido como se fosse real nem tentar grudá-lo na mente. Assim que ele aparecer, tome consciência dele imediatamente. Uma vez que se toma consciência dele, ele desaparecerá no ato. Nunca se deve tentar reprimir os pensamentos; pelo contrário, deve-se permitir que eles apareçam e observá-los como se fossem vasos flutuando na água.&lt;br /&gt;
Deve-se esquecer do corpo, da mente e do mundo e simplesmente desenvolver esse método de um pensamento único como se fosse uma espada cortando o céu. Apareça um Buda ou um Mara (Demônio), apenas corte suas cabeças como se corta um fiapo de seda emaranhada. Use pacientemente todos os seus esforços e suas forças e puxe sua mente até o fim. O ditado: “Uma mente que mantém o pensamento correto da verdadeira essência”, significa que o pensamento correto é o não-pensamento. Quando se é capaz de contemplar o não-pensamento, então já se está caminhando em direção à sabedoria dos Budas.&lt;br /&gt;
Aqueles que praticam e geraram recentemente a mente iluminada devem ter convicção no ensinamento apenas da mente. O Buda disse: “Os três campos (desejo,matéria e não-matéria) são apenas a mente; a miríade de darmas é apenas a consciência”. Todo o Budadarma (a doutrina do Buda) é uma extensão dessas duas frases, de forma que qualquer pessoa será capaz de discernir, entender e ter fé nessa realidade. As entradas para o sagrado e o profano são apenas as portas da delusão e da iluminação dentro da própria mente. Fora da mente, todos os carmas de virtudes e vícios são inalcançáveis. A natureza intrínseca de cada um é maravilhosa. É algo natural e espontâneo e não uma coisa que possa ser “iluminada”, uma vez que cada um de nós a possui naturalmente. Conseqüentemente, como se pode estar deludido de alguma coisa? A delusão é apenas o desconhecimento de que na mente intrinsecamente não existe uma única coisa e que o corpo , a mente e o mundo são originariamente vazios. Porque há uma obstrução que impede a percepção disso, há delusão. Sempre se tem considerado que a mente pensante e deludida, que constantemente aparece e desaparece, é real. Por essa razão também se tem considerado reais as inúmeras transformações ilusórias e as aparências dos seis objetos dos sentidos (objetos ouvidos, vistos, cheirados, degustados, sentidos e pensados). Se hoje se está determinado a desenvolver a mente afastando-se daquela direção e a seguir o caminho superior, então se devem deixar de lado todos os conceitos e o intelecto. Aqui, nem uma única gota de conhecimento intelectual ou inteligência será útil. Deve-se apenas enxergar através do corpo, da mente e do mundo que aparecem na nossa frente e perceber que todos são insubstanciais. Sendo reflexos imaginários são iguais às imagens de um espelho ou à lua refletida na água. Devem-se ouvir todos os sons e vozes, como o vento que passa pela floresta; deve-se perceber que todos os objetos são como nuvens passageiras que desaparecem no céu.&lt;br /&gt;
Tudo está num constante estado de mutação: tudo é ilusório e insubstancial. Não apenas o mundo exterior é assim, mas os pensamentos deludidos, as discriminações emocionais da mente, as sementes da paixão, os hábitos adquiridos e as aflições também não têm fundamento e são insubstanciais.&lt;br /&gt;
Assim, deve-se empenhar na contemplação de forma que quando um pensamento aparece deve-se encontrar a sua origem. Um pensamento nunca deve passar inadvertidamente, sem que se olhe através dele. Não se deixe enganar por ele! Desta forma, estar-se-á praticando de verdade. Não tente formar nenhum conceito intelectual sobre ele ou elaborar alguma intelectualização sobre ele. Todavia, falar sobre a prática é na realidade a última alternativa. Por exemplo, o uso de armas não é nada auspicioso! Mas elas são usadas em último caso. Os mestres ancestrais falavam sobre a investigação Ch’an e o desenvolvimento do hua-tou. Essas também são as últimas alternativas. Apesar de existirem incontáveis kung-an (koan) , somente pela utilização do hua-tou: “Quem está recitando o nome do Buda?”, pode-se facilmente extrair poder no meio de situações de sofrimento. Mesmo conseguindo facilmente extrair poder dele, esse hua-tou é apenas uma telha partida tentando derrubar uma porta. Um dia será necessário jogá-lo fora. Porém, hoje ainda deve ser usado. Quando se pretende usar um hua-tou para praticar, deve-se ter uma fé inabalável, constância e perseverança. Não se pode ter o mínimo de hesitação ou incerteza. Tampouco se deve estar de um jeito hoje e de outro jeito amanhã. Não se deve estar preocupado com a possibilidade de alcançar ou não alcançar a iluminação, nem se deve achar que o hua-tou não é suficientemente profundo. Todos esses pensamentos são apenas obstáculos. Agora eu devo falar sobre eles de forma que a dúvida e a desconfiança não apareçam quando confrontados com as dificuldades.&lt;br /&gt;
Pode-se desenvolver o poder do próprio poder, pois o mundo exterior não exercerá nenhuma influência. Entretanto, interiormente a mente pode dar lugar a uma distração desvairada sem nenhum motivo aparente. Algumas vezes, o desejo e a luxúria aparecem; outras vezes invade a preguiça. Muitos obstáculos podem aparecer fazendo com que o praticante se sinta física e mentalmente exausto. Pode-se não saber o que fazer. Há uma serie de obstáculos cármicos que foram depositados na oitava consciência (alaya-vijnana) durante incontáveis eras. Hoje, devido à prática energética, eles aparecerão. Neste momento crítico será necessário discernir e enxergar através deles para superar tais obstáculos. Nunca se deve deixar ser manipulado ou controlado por eles e, o mais importante, nunca se deve considerá-los como se fossem reais. A esta altura deve-se aliviar o espírito e estimular a coragem e a diligência e desenvolver uma preocupação existencial em relação à investigação do hua-tou. Deve fixar-se a atenção no ponto onde os pensamentos aparecem e constantemente pressionar mais e mais, perguntando-se: “Originariamente não há nada dentro de mim ; então, de onde vem esse obstáculo?” Deve-se estar determinado a encontrar o fundo dessa questão. Pressionando o tempo todo, aniquilando todas as delusões em vista, sem deixar um único vestígio, até que os espíritos e os demônios explodam em lágrimas. Quando se pratica desta forma, boas novas surgirão naturalmente .&lt;br /&gt;
Quando se bate com um único pensamento, então de repente todos os pensamentos deludidos são descobertos. Sentir-se-á como uma flor no firmamento que não tem uma única sombra ou como um sol brilhante emitindo raios de luz ilimitados ou como uma fonte límpida, transparente e clara. Depois dessa experiência, haverá incomensuráveis sentimentos de luz e bem-estar, assim como uma sensação de liberdade. Isso é um sinal de que o principiante está obtendo poder da prática. Não há nada de maravilhoso ou extraordinário nisso. Não deve se deixar ser envolvido por isso ou se atolar nessa experiência envolvente. Se isso acontecer, o Mara da Felicidade recuperará o poder e uma nova obstrução estará instalada. Ocultos dentro do depósito da oitava consciência estão os hábitos profundamente enraizados e as sementes da paixão. Se a prática do hua-tou não está dando resultado ou há incapacidade de contemplar e iluminar a mente ou simplesmente há uma impossibilidade de se engajar na prática; então se deve praticar a prostração., ler os sutras e se ocupar com o arrependimento. Também se podem recitar as mantras para receber o selo secreto dos Budas; isto reduzirá os obstáculos. Isso porque todas as mantras secretas são o selo “da mente de diamante dos Budas”. Quando elas são cantadas é como dispor de um raio de diamante que pode destruir tudo. Qualquer coisa que se aproxime dele será reduzida a partículas de pó! A essência de todos os ensinamentos esotéricos de todos os Budas do passado e de todos os mestres ancestrais está contida nas mantras. Por isso é dito: “Todos os Tatagatas (um dos muitos nomes do Buda) nas dez direções alcançaram a insuperável e perfeita iluminação correta através das mantras”. Apesar dos Budas terem dito isso claramente, a linhagem dos mestres ancestrais, temendo que essas palavras fossem utilizadas para o mal, as mantiveram em secreto e não mais utilizaram esse método. De qualquer forma, para obter poder utilizando uma mantra deve-se praticar regularmente durante muito, muito tempo. Todavia, nunca se deve esperar ou procurar um milagre através do uso da mantra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Iluminação Intelectual e Iluminação Verdadeira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Há os que primeiro se iluminam e depois praticam e há os que primeiro praticam e depois se iluminam. Também, há uma diferença entre iluminação intelectual e iluminação verdadeira.&lt;br /&gt;
Aqueles que compreendem suas mentes depois de ouvir os ensinamentos dos Budas e dos mestres ancestrais alcançam uma iluminação intelectual. Na maioria das vezes essas pessoas caem nos conceitos e no conhecimento. Na hora de enfrentar as dificuldades, eles não serão capazes de colocar em prática aquilo que aprenderam. Suas mentes e os objetos exteriores estão em oposição. Não há nem unidade nem harmonia. Assim, eles encontram obstáculos o tempo todo. O que eles alcançam se chama “a aparência da prajná” e não é o resultado da prática genuína.&lt;br /&gt;
A iluminação verdadeira é o resultado da prática sólida e sincera, quando se chega ao impasse em que as montanhas são improdutivas e as águas se exauriram. De repente, no instante em que o pensamento pára, perceber-se-á a mente por completo. Nesse momento, o praticante sentir-se-á como se tivesse visto o próprio pai no meio da multidão; ou seja, não terá nenhuma dúvida em relação a isso! É como quando se bebe água: somente quem bebe sabe a temperatura exata da água e não é algo que possa ser descrito com palavras. Isso é prática genuína e iluminação verdadeira.&lt;br /&gt;
Esse estado de iluminação verdadeira pode ser dividido em realização superficial e realização profunda. Quando os esforços se concentram na raiz da existência, destruindo o antro da oitava consciência e derrubando instantaneamente o refugio da ignorância fundamental, entrando diretamente no campo da iluminação através de um único golpe; então não há mais nada a aprender. Isso é dispor das raízes cármicas supremas. A realização será em verdade muito profunda. Por outro lado, o grau de realização daqueles que praticam gradualmente será superficial.&lt;br /&gt;
O pior de tudo são aqueles que se satisfazem com as pequenas experiências. Nunca deve se deixar envolver pelas deslumbrantes experiências que provêm das portas sensoriais! Por que? Porque a oitava consciência ainda não foi esmagada, de forma que quaisquer que sejam as experiências ou feitos estarão condicionados pela consciência deludida e pelos sentidos. Quando se pensa que essa consciência é real, então é como confundir o ladrão com seu próprio filho! Um mestre ancestral disse: “Aqueles que se engajam na prática não sabem o que é real porque até agora eles pensam que suas consciências são verdadeiras e o que o tolo confunde com seu rosto original, na realidade é a causa do nascimento e da morte”. Essa é a barreira que se deve superar.&lt;br /&gt;
A chamada “iluminação repentina e prática gradual”, refere-se a alguém que experimentou a iluminação completa mas ainda tem hábitos remanescentes que não foram purificados instantaneamente. Essas pessoas devem colocar em prática os princípios derivados da iluminação que alcançaram para enfrentar todas as circunstâncias da vida e devem desenvolver a força da contemplação e da iluminação para experimentar suas mentes em situações adversas. Quando uma fatia dessa experiência está de acordo com o caminho iluminado, eles terão realizado uma fatia do seu Darmakaya (o corpo espiritual, invisível para os homens comuns e apenas visível para os Budas). Quando eles dissolvem uma fatia dos seus pensamentos deludidos, esse é o grau de manifestação de sua sabedoria fundamental.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://centrochan.blogspot.com/feeds/6697959497689021306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://centrochan.blogspot.com/2011/12/o-essencial-da-pratica-e-meditacao-para.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4786012066884740273/posts/default/6697959497689021306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4786012066884740273/posts/default/6697959497689021306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://centrochan.blogspot.com/2011/12/o-essencial-da-pratica-e-meditacao-para.html' title='* O ESSENCIAL DA PRÁTICA E ILUMINAÇÃO PARA PRINCIPIANTES'/><author><name>Wu-ming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06700748159145363242</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4786012066884740273.post-4343589606921618156</id><published>2011-12-04T14:52:00.001-02:00</published><updated>2014-06-15T16:26:45.434-03:00</updated><title type='text'>* KUNG -AN  (Koan)</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;b style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 15px; line-height: 20.790000915527344px;&quot;&gt;Tradução para o português de Wu-ming (1947- &amp;nbsp; &amp;nbsp;)&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;b style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 15px; line-height: 20.790000915527344px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;, sans-serif;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;i&gt;Introdução&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;i&gt;A
finalidade da Seita Ch’an é despir a mente de todas as paixões e apegos com o
propósito de libertá-la do mundo fenomênico, de forma que a própria-natureza
possa retornar ao seu estado normal sem impedimento. Em vista disso, os mestres
Ch’an raramente usavam aqueles termos Budistas encontrados em todos os sutras,
já que os homens estão sempre propensos a apegar-se à terminologia que, na sua
procura por mais ensinamento e maior sabedoria, só serve para estimular as
faculdades do pensamento e intensificar as discriminações. Os mestres
orientavam seus discípulos a evitar a procura da iluminação e a Budeidade,
porque a simples idéia da iluminação e da Budeidade dava lugar ao conceito dual
de realidade do ego e realidade do Darma, o que dividia seu todo indivisível em
sujeito e objeto, a causa de sua ilusão e sofrimento.&amp;nbsp; Essa é a razão pela qual os termos comumente
encontrados nos sutras são raramente encontrados nos textos Ch’an, e por isso
parecem estranhos e incompreensíveis mesmo para os Budistas das outras escolas.
Esses textos são tão obscuros e incompreensíveis como as Profecias de
Nostradamus e, freqüentemente, leitores confusos os colocavam de lado para
sempre após ler algumas poucas páginas.&amp;nbsp;
Nenhum mestre esclarecido se dava&amp;nbsp;
ao trabalho de dar uma explicação clara ou um comentário compreensivo
dos ditados de seus iluminados predecessores. Mesmo quando citavam os ditados
antigos, ao dar as instruções aos seus próprios discípulos, seus comentários,
que variavam de uma frase a uma stanza (verso), eram igualmente&amp;nbsp; obscuros e confusos para os principiantes.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i style=&quot;font-family: inherit; text-indent: 0cm;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;Alguns filósofos modernos têm tentado
estabelecer uma ligação entre o Ch’an e seus próprios conceitos e ainda tem
sustentado que os mestres antigos usavam palavras sem nenhum sentido, gritos e
outras gesticulações igualmente desconexas para iluminar seus discípulos.
Obviamente, essas palavras, gritos, gargalhadas, etc., parecem sem sentido para
uma mente discriminadora; mas assim que pára de discriminar, achará que estão
cheios de sentido.&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;text-indent: 78px;&quot;&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;text-indent: 78px;&quot;&gt;Por exemplo, os
gritos de Lin Chi tinham quatro significados diferentes, cada um apropriado
para cada situação. Da mesma forma, uma gargalhada ou a amostra das duas mãos
bem abertas são gestos cheios de significado. Quando se usa a mente
discriminadora para comentar os ditados antigos, ver-se-á o dedo no lugar da
lua que está sendo apontada.&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;text-indent: 78px;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoBodyTextIndent&quot; style=&quot;margin-top: 0cm; text-indent: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: inherit; text-indent: 78px;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;i&gt;Assim,
nós não podemos culpar esses mestres pelos seus ditados aparentemente obscuros
e abstrusos, porque se usassem as terminologias cunhadas pela inteligência humana
condicionada, seus discípulos ir-se-iam apegar a elas, desviando-se assim do
curso de treinamento normal. Quando o monge perguntou a Yun Men: “O que é
Buda?”, o mestre sabia que a mente do questionador estava agitada pela palavra
vazia “Buda” e para livrá-la da ilusão de Buda, respondeu: “Um desentupidor de
privada”.&amp;nbsp; Nisto, não havia nenhum
desrespeito ao Iluminado, já que a resposta tinha por objetivo purificar a
mente deludida do discípulo dessa idéia impura; pois, o&amp;nbsp; Buda concebido por uma mente deludida nunca
poderia ser o Buda puro, que está além de qualquer descrição. Entretanto, este
caso particular não deve ser generalizado, já que a resposta foi apropriada
para a pergunta naquele preciso momento. Por isso, Yun Men proibiu seus
discípulos de registrar seus ditados. Da mesma forma, nós não podemos seguir o
exemplo de Tan Hsia e sair queimando estátuas de Buda por aí.&amp;nbsp; O monge, num primeiro momento, ficou chocado,
mas quando ele entendeu o ato do mestre, suas sobrancelhas caíram e iluminou-se
instantaneamente.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;Essas
palavras, frases, gritos, gargalhadas, gesticulações e golpes de bastão são
conhecidos como &lt;/span&gt;&lt;b&gt;kung-an&lt;/b&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt; (koan, em
japonês) ou &lt;/span&gt;&lt;b&gt;causas contribuintes&lt;/b&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;,
capazes de provocar o despertar daqueles discípulos cujas mentes já estão
livres da ilusão e cujas potencialidades são estimuladas ao máximo, estando
prontas para absorver a verdade. Por exemplo, quando Hui K’o pediu a Bodidarma
para aquietar sua mente, mas foi incapaz de mostrá-la para seu mestre, o
Primeiro Patriarca, declarou: “Então eu aquietei sua mente”.&amp;nbsp; Ao ouvir essa declaração, o Segundo Patriarca
iluminou-se instantaneamente. Essa frase foi um &lt;/span&gt;&lt;b&gt;kung-an &lt;/b&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;que contribuiu para a iluminação de Hui K’o. Literalmente,
kung-an significa: dossiê, registro, leis e regulamentos do poder público criados
para resolver disputas e manter a lei e a ordem. Da mesma forma, todas as
instruções dadas pelo Buda e pelos Patriarcas para iluminar as pessoas
deludidas são chamadas “As Ordens Corretas” da Seita ou guias irrevogáveis para
revelar a verdade, e são denominados os kung-ans Ch’an.&amp;nbsp; Po-Yen, disse: “Quando recebiam homens de
diferentes potencialidades, os antigos eram obrigados a dar-lhes instruções,
que eram chamadas &lt;/span&gt;&lt;b&gt;kung-an &lt;/b&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;ou &lt;/span&gt;&lt;b&gt;causas contribuintes&lt;/b&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;”. &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i style=&quot;font-family: inherit; text-indent: 0cm;&quot;&gt;A
seguir, a exposição de 22 kung-ans compilados por Hsueh Tou (982-1052), um
mestre Ch’an da escola Yun-Men (hoje desaparecida), que construiu as fundações
dos 100 versos que compõem o Pi-yen-lu, conhecido no Ocidente como The Blue
Cliff Record.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoBodyTextIndent&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; text-indent: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/01/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1025&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoBodyTextIndent&quot; style=&quot;margin-bottom: 6pt; text-indent: 0cm;&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 19px;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 1: O Mais Elevado Sentido das Verdades Santas&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O Imperador Wu de Liang
perguntou ao Grande Mestre Bodidarma: “Qual é o mais elevado sentido das
verdades santas?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Bodidarma respondeu:
“Vazio, sem santidade”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O Imperador perguntou:
“Quem está na minha frente?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Bodidarma respondeu;
“Não sei”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O Imperador não
entendeu nada. Depois disso Bodidarma atravessou o Rio Yangtse e chegou ao
reino de Wei. Mais tarde, o Imperador relatou o diálogo ao Mestre Chih e
pediu-lhe esclarecimento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Mestre Chih, perguntou:
“Por acaso sua Majestade sabe quem é esse homem?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O Imperador respondeu:
“Não, não sei”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Mestre Chih disse: “Ele
é Mahasattva Avalokiteshvara transmitindo o Selo da Mente de Buda”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O Imperador mostrou-se
arrependido, e assim queria enviar um mensageiro para convidar Bodidarma a
retornar ao seu reino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Mestre Chih lhe disse:
“Majestade, não diga que enviará um mensageiro para convidá-lo a voltar. Mesmo
que todos os cidadãos do reino fossem atrás dele, ele ainda assim não voltaria”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1025&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 2: O Caminho Supremo não é Difícil&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Chao-Chou, ensinando à
assembléia, disse: ”O Caminho Supremo não é difícil, apenas evitem escolher e selecionar.
Enquanto houver palavras faladas, ‘escolher e selecionar,’ ’isso é a iluminação’.
Este velho monge não mora dentro da claridade; vocês ainda preservam ou não alguma
coisa?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Nesse momento, um monge
perguntou: “Já que você não mora dentro da claridade, o que você preserva?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Chao-Chou respondeu:
“Eu também não sei”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O monge disse: “Já que
você não sabe, Mestre, porque você insiste em dizer que não mora dentro da
claridade?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Chão-chou disse: “Você
já perguntou demais sobre o assunto, faça a reverencia e saia”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1026&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 3: O Mestre&amp;nbsp; não Está Bem&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O Mestre Ma não estava
bem. O Superintendente do templo lhe perguntou: “Mestre, como tem estado sua
saúde por esses dias?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O Grande Mestre,
respondeu: “O Sol de frente para Buda, a Lua de frente para Buda”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1027&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 4: &amp;nbsp;Carregando sua Trouxa&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Quando Te Shan chegou ao
mosteiro de &amp;nbsp;Kuei Shan, ele levou sua
trouxa para dentro do auditório, e o atravessou de Leste a Oeste e de Oeste a
Leste. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Ele olhou em volta dele
e disse: ”Não há nada nem ninguém aqui”. Então, ele saiu. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Hsueh Tou acrescentou o
comentário: “Completamente exposto”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Mas quando Te Shan
chegou ao portão do mosteiro,&amp;nbsp; disse:
“Não deveria ter sido tão rude”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Então, &amp;nbsp;ele voltou a entrar no auditório cheio de
cerimônia para se encontrar com Kuei Shan. Assim que Kuei Shan se sentou no seu
lugar, Te Shan levantou sua esteira e disse: “Mestre!”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kuei Shan segurou seu
espanador, ao que Te Shan gritou, sacudiu suas mangas e saiu. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Hsueh Tou comentou:
“Completamente exposto”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Te Shan deu as costas
para o auditório, calçou suas sandálias de cânhamo, e partiu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Essa noite Kuei Shan
perguntou ao monge chefe: “Onde está esse forasteiro que acabou de chegar?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O monge chefe
respondeu: “Naquela hora que ele deu as costas para o auditório, ele calçou as
sandálias e partiu”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kuei Shei disse: “Daqui
a algum tempo esse jovem irá ao pico de uma montanha solitária, construirá uma
cabana de capim, e irá em frente escrachando &amp;nbsp;Budas e injuriando Patriarcas”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Hsueh Tou comentou:
“Ele acrescenta gelo à neve”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1028&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 5: O Grão de Arroz&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Hsueh Feng, ensinando a
sua comunidade, disse: ”Segurem o mundo inteiro em suas mãos, e ele é tão
grande como um grão de arroz. Joguem-no na sua frente, e se como um balde
laqueado, vocês não entendem, eu baterei no tambor e todo mundo virá para ver”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1029&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 6: Todo Dia é um Bom Dia&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Yu Men disse: “Eu não
pergunto a vocês até quinze dias antes; tratem de dizer algo &amp;nbsp;até quinze dias depois”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Yu-Men, ele mesmo,
respondeu: “Todo dia é um bom dia”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1030&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 7: Pergunta Sobre Buda&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Um monge perguntou a Fa
Yen: “Hui Chao pergunta ao mestre, o que é Buda”?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Fa Yen disse: “Você é
Hui Chao”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1031&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 8: As Sobrancelhas de Ts’ui Yen&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;No final do retiro de
verão Ts’ui Yen disse à comunidade: “Passei o verão inteiro falando para vocês,
irmãos; olhem e vejam se minhas sobrancelhas estão ainda no lugar”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Pão Fu disse: “O
coração do ladrão é covarde”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Ch’ang Ch’ing disse:
“Cresceram”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Yun Men disse: “Uma
barreira”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1032&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 9: Os Quatro Portões &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Um monge perguntou a
Chao-chou: “Quem é Chao-chou?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Chao-chou respondeu: “o
portão leste, o portão oeste, o portão sul, o portão norte”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1033&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 10: O Ladrão Impostor &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Mu Chou perguntou a um
monge: “De onde você acabou de chegar?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O monge deu um grande
grito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Mu Chou disse: “Você
gritou comigo uma vez”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O monge gritou de novo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Mu Chou disse: “Depois
de três ou quatro gritos, então o que?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O Monge não disse nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Mu Chou deu um chute no
traseiro dele e disse: “Que ladrãozinho impostor que você é!”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1034&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 11: Os Restos de Migalhas &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Huang P’o, instruindo a
comunidade, disse: “Todos vocês são como restos de migalhas; se vocês continuam
peregrinando desse jeito, onde alcançarão o presente? Vocês não sabem que não
existe &amp;nbsp;um único Mestre Ch’an na China inteira?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Nesse momento, um monge
veio para frente e disse: “Então porque tem aqueles que ordenam monges e
comandam comunidades?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Huang P’o, disse: “Não
digo que não há Ch’an; apenas digo que não há Mestres”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1035&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 12: Três Libras de Cânhamo &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Um monge perguntou a
Tung-shan: “O que é Buda?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Tung-shan
respondeu:”Três libras de cânhamo”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1036&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 13: A Neve na Tijela de Prata &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Um monge perguntou a
Baling: “O que é a escola de Kanadeva?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Baling respondeu:
“Empilhar neve numa tigela de prata”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1037&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 14:&amp;nbsp; Uma Declaração Apropriada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Um monge perguntou a
Yun Men: “ Quais são os ensinamentos de uma vida inteira?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Yun Men respondeu: “Uma
declaração apropriada”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1038&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 15: Uma Declaração Inapropriada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Um monge perguntou
Yun-Men: “Quando não há intelecto, quando não há fenômenos, o que acontece?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Yun Men disse: “Uma
declaração inapropriada”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1039&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 16: Uma Declaração Inapropriada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Um monge perguntou
Ching Ch’ing: “Eu estou saindo à força; eu peço que o mestre &amp;nbsp;entre à força.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Ching Ch’in disse: Você
irá viver ou não?”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O monge respondeu: “Se
eu não fosse viver as pessoas ririam de mim”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Ching Ch’ing disse:
“Você também é um homem preso nas ervas daninhas”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1040&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 17: Bodidarma Vem do Oeste&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Um monge perguntou a
Hsian Lin: ”Qual é o significado do Patriarca ter vindo do Oeste?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Hsian Lin respondeu:
“Ficar sentado por um longo tempo cansa”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1041&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 18: O Monumento sem Emendas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O Imperador Su Tsung
perguntou ao Grande Mestre Hui Chung: “Depois de morrer, o que será necessário
para você?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O Grande Mestre disse:
“Constrói um monumento sem emendas para mim”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O Imperador disse: “Por
favor, me diga Mestre, como deve ser esse monumento?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O Grande Mestre
permaneceu em silêncio durante um longo tempo; depois perguntou: “Você
entende?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O Imperador disse:
“Não, não entendo”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O Grande Mestre disse:
“Tenho um discípulo, Tan Yuan,&amp;nbsp; ao qual
eu transmiti o ensinamento e ele sabe muito sobre esse assunto. Por favor, &amp;nbsp;convoque-o e pergunte-lhe sobre esse assunto”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Depois que o Grande
Mestre morreu, o Imperador convocou Tan Yuan e lhe perguntou o significado de
tudo isso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Tan Yuan, disse: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;“Ao sul de Hsiang, ao
norte de Tan;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Entre esses dois há
suficiente ouro para uma nação inteira;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Debaixo da árvore sem
sombra a comunidade atravessa de barco;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Dentro do palácio de
cristal não há ninguém que saiba “.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1042&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 20: Bodidarma Vem do Oeste&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Lung Ya perguntou a Ts&#39;ui Wei: “Qual é o significado do Patriarca ter
vindo do Oeste?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Wei respondeu: “Me
passa o bracelete de meditação”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1043&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 21: Flor de Lótus, Folhas de Lótus&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Um monge perguntou a Chih
Men: “O que acontece quando a flor de Lótus ainda não emergiu da água”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Chih Men disse: “Uma
flor de Lótus”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O monge disse: “ O que
acontece depois que emergeu da água?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Chih Men disse: “Folhas
de Lótus”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/02/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1044&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Kung-an
# 22: A Cobra com Nariz de Tartaruga&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Hsueh Feng ensinava à assembléia:
“Na Montanha Sul vive uma cobra com nariz de tartaruga. Todos vocês devem dar
uma boa olhada”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Ch’ang Ch’in disse: “Hoje
no auditório certamente há alguns perdendo seus corpos e suas vidas”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Um monge relatou o
episodio para Hsuan Sha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Hsuan Sha disse: “O
Irmão Ch’ang Ch’in é assim. Eu não”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;O monge perguntou: “E
você, Mestre?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Hsuan Sha disse: “Para
que usar a Montanha Sul?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;Yu men jogou seu bastão
na frente de Hsueh Feng, fazendo um gesto de pavor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Monotype Corsiva&#39;; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;---&quot; height=&quot;12&quot; src=&quot;file:///C:/DOCUME~1/JORGEL~1.GIA/CONFIG~1/Temp/msohtml1/03/clip_image001.gif&quot; v:shapes=&quot;_x0000_i1025&quot; width=&quot;460&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;/div&gt;
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</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://centrochan.blogspot.com/feeds/4343589606921618156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://centrochan.blogspot.com/2011/12/kung-ans.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4786012066884740273/posts/default/4343589606921618156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4786012066884740273/posts/default/4343589606921618156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://centrochan.blogspot.com/2011/12/kung-ans.html' title='* KUNG -AN  (Koan)'/><author><name>Wu-ming</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06700748159145363242</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>