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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2enclosuresfull.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731</atom:id><lastBuildDate>Mon, 02 Nov 2009 22:42:46 +0000</lastBuildDate><title>Coluna do Luan</title><description /><link>http://colunadoluan.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>111</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><itunes:owner><itunes:email>noreply@blogger.com</itunes:email></itunes:owner><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:subtitle></itunes:subtitle><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" href="http://feeds.feedburner.com/ColunaDoLuan" type="application/rss+xml" /><feedburner:browserFriendly></feedburner:browserFriendly><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com" /><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-2910435745736607470</guid><pubDate>Mon, 02 Nov 2009 19:09:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-02T17:19:00.435-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Pensamentos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônicas</category><title>Personagens</title><description>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/Su8v5wGfkOI/AAAAAAAAAuU/Xb3OHLLUNsk/s1600-h/Criacao-de-personagem-3d-toy-arte-V-ray.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399587147451699426" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/Su8v5wGfkOI/AAAAAAAAAuU/Xb3OHLLUNsk/s320/Criacao-de-personagem-3d-toy-arte-V-ray.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;De onde escrevo o calor é completamente desconfortável. Sinto algumas gotas de suor escorrer pelo rosto. No espaço acima de mim, as pás do ventilador não dão conta de distribuir a temperatura abaixo do que se espera de um objeto como esse. Então, em meio ao assassinato planetário, cujas conseqüências se ramificam por todo meu corpo – desde a mensagem que permito passar com a vestimenta curta até as condições térmicas do meu organismo – decido voltar a escrever. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Entretanto, não é um momento propício a expressar pensamentos por meio da escrita. Ao menos, quando o calor é escaldante, eu não consigo assentar ordenadamente alguma epístola que anseio sentir ao transmiti-la. Mesmo assim aceito o desafio proposto por mim. Estou trancado em casa há quase 72 horas; lá fora vejo um mundo, apesar de quente, colorido. Apesar de colorido, imundo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Amanhã dou início a uma nova etapa de minha vida acadêmica, profissional e colorida. É um passo importante que descodifica toda raiz madura e idealista quando se possui 21 anos transcorridos. O martírio do oxigênio sujo dá lugar à nostalgia. O que iremos encarar pela frente? A vida é tão breve, tão misteriosa e tão desbravadora. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Às vezes, ao notar o compasso do cotidiano e expressões faciais levemente interpretadas por atores que me cercam, peco no depósito excessivo de confiança cedido a seres da mesma essência que eu. Eu não aprendo a ser maledicente, o mundo é que me dá suporte para a maledicência; e quando falo em ‘mundo’, me refiro a tudo que o compõe. Toda essa história barata vendida por nós, por deuses e pela ciência. Pregamos-nos para o (in)falível quando não temos respostas na ponta da língua. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;De qualquer maneira, continuarei depositando confiança aos mesmos seres. Porque acredito na nossa qualidade de pensamento. Porque ainda creio em nossas capacidades cognitivas enquanto sofremos com as nossas habilitações sociais e naturais. Pois bem, a consciência está aí, e bate à porta de cada um que manifesta desprendimento do comum, do usual, ao que os olhos estão acostumados a enxergar. Esta é apenas uma opinião parcial de quem sente tradicional desespero existencialista, de quem sente muito, mas muito calor. De quem irá sair de casa neste instante para respirar a finitude da nossa poluição. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A nova etapa profissional e acadêmica me cairá bem. Preciso conhecer sabores diferentes dos que já provei. Seja em qualquer meio que me insiro. Só assim poderei provar, ainda que prematuramente, o valor da confiança. Eu não sou maledicente, sou muito mole para isso. Sou repleto de sentimentos e (ir)racionalidades. Eu deveria carregar muralhas dentro de mim. Mas as forças renováveis que transporto de um lado para outro despeitam sonhos e mais sonhos. Muitos eu já alcancei. É uma sensação única sentir o alcance deste sonho. É ficção – partindo do princípio. A realidade é crua e arde em falso. O jeito é reinventar, renovar. Seja uma vida inexplicada, uma confiança quebrada ou um calor desconcertante;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Necessitamos nos reinventar a cada segundo, ou nos renderemos a descompaixões eternas de nossas mentes que jamais perdoaram realistas amargos. É por isso que existe a ficção. E é por isso que temos os nossos próprios personagens.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-2910435745736607470?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2009/11/personagens.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://4.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/Su8v5wGfkOI/AAAAAAAAAuU/Xb3OHLLUNsk/s72-c/Criacao-de-personagem-3d-toy-arte-V-ray.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-9175641156329935032</guid><pubDate>Tue, 13 Oct 2009 15:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-13T14:49:41.577-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Pensamentos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Letras de música</category><title>Tendo a lua</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/StSfqKSiPjI/AAAAAAAAAuE/F-HTWGzrMRs/s1600-h/TENDO+A+LUA.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392110200534744626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 314px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/StSfqKSiPjI/AAAAAAAAAuE/F-HTWGzrMRs/s320/TENDO+A+LUA.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Despertei na manhã desta terça-feira desejando ouvir algumas letras que traduzem os nossos momentos, que são levados pela brisa do vento ao mais interior de nossas incertezas. A melodia também é importante, como harmonia que toca com um ínfimo polegar a nossa sensibilidade emocional, nossas raízes, com o nascimento da nostalgia. Tendo o mundo. Tendo a terra. Tendo o sol. Tendo a lua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu hoje joguei tanta coisa fora&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu vi o meu passado passar por mim&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Cartas e fotografias gente que foi embora&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A casa fica bem melhor assim&lt;br /&gt;O céu de ícaro tem mais poesia que o de galileu&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Querendo ver o mais distante e sem saber voar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Desprezando as asas que você me deu&lt;br /&gt;Tendo a lua, aquela gravidade aonde o homem flutua&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Merecia a visita não de militares&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas de bailarinos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E de você e eu.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu hoje joguei tanta coisa fora&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Cartas e fotografias gente que foi embora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A casa fica bem melhor assim&lt;br /&gt;Tendo a lua, aquela gravidade aonde o homem flutuaMerecia a visita não de militares,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas de bailarinos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E de você e eu.&lt;br /&gt;Tendo a lua, aquela gravidade aonde o homem flutua&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Merecia a visita não de militares&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas de bailarinos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E de você e eu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-9175641156329935032?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2009/10/tendo-lua.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://1.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/StSfqKSiPjI/AAAAAAAAAuE/F-HTWGzrMRs/s72-c/TENDO+A+LUA.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-7532064969206294527</guid><pubDate>Mon, 28 Sep 2009 18:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-28T15:03:12.959-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Pensamentos</category><title>Consciências de segunda-feira</title><description>Prometi que voltava a postar na coluna, porém nunca pensei que fosse escrever em plena segunda-feira. A chuva (por aqui), uma grande aliada ao sono, à leitura, à persistência de filmes em canais abertos e fechados, me apresenta a realidade escarnecida. Vivo uma das fases mais heterogêneas de minha vida. Uma variação de humor incrível. Alguns desejos animalescos, outras decepções incuráveis que cercam toda espécie de relacionamento. Mas quer saber? Acho que estou sabendo lidar com as circunstâncias que me convém. É o risco que corremos ao saborear as escolhas. Por vezes me impressiono com as mudanças, como elas podem ser tão drásticas e tão sutis no mesmo segundo. A existência está recheada de surpresas agradáveis e desagradáveis. O equilíbrio é uma das chaves que resguarda a nossa natureza saudável, a nossa felicidade utópica e, claro, a nossa razão irracional... Ah, maldita e bendita seja a nossa consciência.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-7532064969206294527?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2009/09/consciencias-de-segunda-feira.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-8799600360850240031</guid><pubDate>Sun, 27 Sep 2009 04:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-27T02:09:40.750-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Contos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Pensamentos</category><title>A perseguição da realidade</title><description>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/Sr7wKNH3jgI/AAAAAAAAAts/y-474rbTRgY/s1600-h/realidade.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386006262493711874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/Sr7wKNH3jgI/AAAAAAAAAts/y-474rbTRgY/s320/realidade.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Passei por debaixo do viaduto em uma velocidade fora do habitual. O motor do meu carro estava quente. O volante vibrava em minhas mãos. O rádio tocava alguma canção latina. E logo atrás vinha a polícia. Pelo retrovisor percebia que se tratava de uma mulher na viatura. Ela usava óculos escuros, e a sua expressão facial imprimia nervosismo e excitação. Durante os poucos segundos que a vi pelo espelho notei uma rápida e delicada passada de mão no cabelo. Ora, que tipo de mulher alisaria fios capilares em plena perseguição policial? Era loucura, eu só queria persistir na fuga. Pois mirei, novamente, o retrovisor por um breve segundo e... Não podia ser... a jovem policial, ao passo que dirigia, passava batom nos lábios! Isso é uma piada! Que mulher é esta? No instante em que eu me questionava pelos atos irreverentes e incompatíveis da agente, pela adrenalina da situação, vejo meu veículo capotar. Meu crânio se choca incontavelmente com a janela do carro e acabo sendo arremessado para fora do veículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o acidente, me mantive imóvel, mas consciente. Então o som da sirene começava aguçar o temor da minha morte. O som ficava próximo, um barulho ensurdecedor. Eu não mais sabia onde estava. Com o corpo ensangüentado rente ao solo, vi os sapatos da policial descendo da viatura. A sirene não emitia qualquer ruído e absolutamente tudo ao meu redor encontrava-se quieto. O contato daquele sapato preto de solado puído com o chão representava uma contagem regressiva do meu fim. O bico do sapato já alcançava o meu nariz. Tento olhar em direção da luz e... Deparo-me com o rosto da minha mãe. Da minha mãe...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram sete e quinze.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class=""&gt;Minha mãe me desperta e meu corpo transmite sinais de realidade. Tudo havia sido um sonho... E não mais que um sonho... Com típicas cenas irracionais. Apronto-me com devida pressa, saio de casa e, ao dar a primeira passada numa calçada que não me era estranha, em frente à casa de vizinhos que também não me eram alheios... Esbarro com alguém que vestia um uniforme igual ao da policial da minha fantasia noturna. A ondulação do cabelo era idêntica. Os traços do rosto referenciavam a mesma beleza. A cor do batom era inconfundível... Era ela. Era ela. Era ela... que indaga:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Será que tu vais te lembrar de mim hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu lembro.&lt;br /&gt;Eu a beijo.&lt;br /&gt;Eu estava curado... e triste.&lt;br /&gt;Agora, eu era somente o Agusto. Praticamente morto.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-8799600360850240031?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2009/09/perseguicao-da-realidade.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://4.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/Sr7wKNH3jgI/AAAAAAAAAts/y-474rbTRgY/s72-c/realidade.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-5356494446275896329</guid><pubDate>Mon, 31 Aug 2009 02:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-31T00:07:47.240-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Pensamentos</category><title>O retorno</title><description>Com a chegada de setembro, ergue-se uma nova coluna.&lt;br /&gt;Desta vez eu volto.&lt;br /&gt; Juro.&lt;br /&gt;Aguarde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-5356494446275896329?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2009/08/retorno.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-3572382060221144053</guid><pubDate>Thu, 25 Jun 2009 14:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-06-25T11:47:47.551-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Pensamentos</category><title>As vitaminas</title><description>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SkONlBwnj3I/AAAAAAAAAtc/qfMNR14cfPs/s1600-h/vitamina-c-110208.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351276449513312114" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 225px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SkONlBwnj3I/AAAAAAAAAtc/qfMNR14cfPs/s320/vitamina-c-110208.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;As vitaminas da minha vida saltaram corpo a fora। Corri atrás de algumas delas e só encontrei fantasia e ilusão. Os olhos brilhantes, as mãos pálidas e as pernas trêmulas evidenciaram meu estado de espírito: Eu estava a procura de alguma solidão casamenteira. Ou de algum objeto que eu não enxergasse. Tomei coragem e parei de respirar aquelas dádivas de minhas loucuras. Sentei-me para tomar certos goles de café gelado, e tinha de ser bem gelado... Sem cor, sem ritmo, sem afeição. Vestia uma calça azulada, com desprezo rasgão no local que cede espaço ao meu membro inferior direito. Pensei que aquele furo poderia servir de entrada à felicidade que tanto fugia de minha alma. Chegara a hora de dormir, continuei com a vestimenta rasgada na esperança de acordar no paraíso... Paraíso... Sem religião, sem reformulações exatas... Mal sabia onde me encontrava e agora necessitava de um paraíso. Era muita informação para uma só mente. Eram muitos sentimentos que uma só matéria poderia abrigar. Deveríamos nascer programados... Mas, não. Nascemos com o poder de escolher a dor e os momentâneos sorrisos que desperdiçamos com os prazeres injustificáveis da existência. Agora deitado em meu leito, eu observava e saboreava uma das minhas vitaminas... Ela se aproximava lentamente, carregava astúcia, inteligência emotiva e traços delineadamente femininos. Era ela...  Uma mulher. Minha vitamina sem ardor e sem ódio. Julgava ser importante pelo meu pretérito... Pois havia me desprendido do mundo e das gotas insaciáveis de vitórias urbanas. Muitos prédios me cercavam... Muitas luzes me enalteciam... Eu precisava chorar sem ter motivos para derramar lágrimas. Então vem aquela vitamina humana, me tira do leito e tasca-me um beijo. Eu estava cego e envolto de apetite sexual. Aquém disso... Eu suava a derrota dos meus limites.&lt;br /&gt;Eu estava me apaixonando novamente por ela, a vitamina do meu amor. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-3572382060221144053?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2009/06/as-vitaminas.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://1.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SkONlBwnj3I/AAAAAAAAAtc/qfMNR14cfPs/s72-c/vitamina-c-110208.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">8</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-3401975034183043885</guid><pubDate>Mon, 22 Jun 2009 16:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-06-22T13:44:22.299-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Contos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Pensamentos</category><title>Ela, a empresa e os humanos</title><description>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/Sj-0w3rf0sI/AAAAAAAAAtU/lwfCU_u8uJU/s1600-h/Imagem+humanos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350193634012549826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 226px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/Sj-0w3rf0sI/AAAAAAAAAtU/lwfCU_u8uJU/s320/Imagem+humanos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; De cabelos vermelhos, pele morena e olhos grandes, ela se aproximava com cautela do calor das minhas vistas. Eu apoiava meu corpo numa dessas vigas finas que alimentam a estrutura dos arranha-céus. Ela passou a dois metros de minha sombra, virou a cabeça e fitou-me por dois, três segundos. Seu rosto era delicado. Sua boca adonava lábios carnudos. E então o paraíso se desfez. Ela retomou o trajeto de casa refutando qualquer chance de diálogo. Noutro dia ela estaria novamente bela,  afinando as palavras educadas que dirigia a todos naquela empresa. Menos a mim. Mas noutro dia eu não estaria ali para vê-la. Em 24 horas muitas coisas mudam. Pessoas são demitidas. Pessoas são admitidas. Pessoas choram, lamentam... Pessoas sorriem, enaltecem felicidade. Meu mundo não pertencia àquela mulher. Os nossos conceitos não convergiam para nenhum ponto. Tudo que me preenchia era animalesco. Eu a desejava, com todos os meus instintos. Como todos os homens daquela empresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei no tempo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei com o desejo, com a paixão e com o amor. Voltei para minha rotina leviana. Sem mulheres, sem sexo, sem música, sem livros, sem cartas, sem prosas, sem nada. Limitei-me a respirar o oxigênio dos humanos. Chorei ao me despir para a morte, sem nuca ter vivido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-3401975034183043885?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2009/06/ela-empresa-e-os-humanos.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://4.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/Sj-0w3rf0sI/AAAAAAAAAtU/lwfCU_u8uJU/s72-c/Imagem+humanos.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-4442377757438821002</guid><pubDate>Thu, 11 Jun 2009 18:32:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-06-11T15:36:06.321-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Pensamentos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônicas</category><title>Dona Rosa</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SjFN8z5-MQI/AAAAAAAAAs8/41ap7H-uawo/s1600-h/carrinho_limpeza_galvocar50.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346139939786338562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 279px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SjFN8z5-MQI/AAAAAAAAAs8/41ap7H-uawo/s320/carrinho_limpeza_galvocar50.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Rosa caminha pelo corredor empurrado seu bucólico carrinho de limpeza. Metro a metro, o “cabriolé da higiene” avança às novas convicções da vida. Dona Rosa carrega astúcia na sua passada. As mãos, marcadas pela idade, evidenciam pureza humana e relatam histórias. Neste momento, em que eu a observo, ela exibe uma profunda imagem de reflexão. Está com óculos de grau exposto na ponta do nariz, fixando seu olhar para baixo, provavelmente focando alguma folha de papel amarrotada por alunos que mal conseguem arrumar suas camas no acordar do meio-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente tudo para e, ao mesmo tempo, tudo se move.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Rosa, mulher que desperta no raiar do primeiro minuto do nascer do sol para perpetuar mais um capítulo de seu trabalho, tira os óculos. O simples ato me catapulta a outras dimensões. Me pego pensando no pretérito que essa mulher transporta na memória, no corpo e na alma. Agora os óculos guardados dão lugar a um par de luvas verdes, de tecido sintético, que servem de alimento a sua rotina. Era hora de lavar os banheiros do quarto andar do prédio das Ciências da Comunicação da Unisinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico impressionado com a capacidade que alguns seres humanos possuem de suprimir qualquer espaço físico onde pessoas como Dona Rosa ocupam. É possível contar nos dedos o número de alunos, professores e funcionários que a cumprimentam no decorrer do dia. Ela não é uma desconhecida, ela é a Dona Rosa. É casada. Tem filhos. Ela também é quem limpa os ambientes que frequentamos para trabalhar, estudar ou mesmo para jogar dinheiro fora quando, assim, integramos nossas momentâneas ideologias baratas. Ela é uma das mulheres que transcendem duras e frias camadas acadêmicas e são ignoradas pela visão social. Talvez seu uniforme possa justificar, boçalmente, algum medo que se tenha em dar-lhe um singelo “oi”. Ou, quem sabe, seu crachá possa causar certo espanto quando sua identificação pertence a uma empresa terciária, prestadora de serviços à instituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que no dia seguinte, notada ou não, Dona Rosa estará caminhando entre nós, empurrando seu “cabriolé da higiene”, sendo ignorada por dezenas, centenas e, por que não, milhares de olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri Dona Rosa há alguns meses. Eu havia disponibilizado fragmentos de minha simpatia expressando um sorriso sincero. Disse “Boa tarde” e, sem seguida, indaguei-a: “Como a senhora tem passado?” Dona Rosa enaltecia felicidade. Seu olhar emitia sentimentos recíprocos. Dias após, eu já era íntimo de Dona Rosa. Descobrira seu nome, sua idade, sua existência. Os poucos minutos que conversávamos no início da tarde nos rendeu uma bela amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo porque passei a enxergá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu que observava o mundo, deixei de notar o essencial: a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triste realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tristes olhares. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-4442377757438821002?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2009/06/dona-rosa.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://1.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SjFN8z5-MQI/AAAAAAAAAs8/41ap7H-uawo/s72-c/carrinho_limpeza_galvocar50.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">7</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-795197564618589861</guid><pubDate>Fri, 01 May 2009 21:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-05-01T18:26:05.575-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Contos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Pensamentos</category><title>Zé robótico</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/Sftog8Dm98I/AAAAAAAAAs0/rPiwwmLSE0s/s1600-h/robo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330969499009480642" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 264px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/Sftog8Dm98I/AAAAAAAAAs0/rPiwwmLSE0s/s320/robo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;“O goleiro mirava-me como um alvo a ser combatido. Mas o que ele não imaginava é que para mim, ele era o alvo. Ele levaria uma bomba em seu corpo, quase atômica. Ele nem sentiria, tamanha seria força que eu estava prestes a depositar naquela bola de couro, marcada sinteticamente pela Nike. Olhei para o canto esquerdo, olhei para o direito, baixei a cabeça e fechei os olhos por um segundo. Tornei a abri-los, tomei distância, algo como quatro metros. Ou seria mais? Corri como num campo de batalha, acelerei não só o movimento do meu corpo como a batida do meu coração. Meu sistema nervoso pulsava na minha mente, eu teria que fazer o gol. Chutei. Olho para cima. Escuto o grito da torcida antecipadamente. A bola parecia não entrar, a curva se evidencia no ângulo, passa do ângulo – Meu Deus, será que eu vou errar? – a bola começa a descer, perde seu calibre ao encostar no travessão, toca na linha, sobe para o travessão novamente, toca na linha... acho que agora foi... foi... foi! É gol! A torcida delira. Eu me ajoelho e agradeço ao alguém divino por isso. Choro pelo título, choro por ser campeão.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É com esse trecho que eu dou o ponta pé inicial na minha história. Eu sonho com esse trecho toda noite. Esperando que um dia ele se concretizasse. Agora já passam das seis da manhã, preciso levantar, me aprontar para ajudar minha mãe com a casa. Nossa rotina é religiosamente a mesma há anos. Desde as minhas 12 primaveras, aproximadamente. Minha mãe gosta do meu café. Coloco doses certas de açúcar, e o meu pão leva manteiga recaída, sem excesso. Organizo tudo em no máximo cinco minutos. Levo a primeira refeição do dia no quarto para minha mãe. Ela sorri quando me vê. Como uma face purpúrea, linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe é uma mulher de 40 anos bem vividos. Começou desacreditar em Deus depois que Deus levou o meu pai. Minha mãe alegava que Deus não poderia ter feito isso com a gente, levando uma pessoa tão honesta e pura como meu pai. Ela não aceita até hoje. Passados sete anos. E sete anos é muito tempo. Em sete anos já se pode eleger vários políticos corruptos. Em sete anos já se pode casar, ou não. Ter filhos, ou não. Ganhar na loteria, ou não. Em sete anos, várias pessoas morrem, e outras várias nascem. Mas para minha mãe, sete anos é muito pouco tempo para esquecer a existência do meu pai. Então me pergunto o que meu pai fez em vida. Trabalhou dois ou mais terços da sua existência numa fábrica de cola quente. Ele era responsável por uma das máquinas. E eu devia ser responsável pelos meus estudos, era sempre o que ele me dizia. “Estuda, meu filho, estuda... pelamordedeus...”. Meu pai nunca falou, mas eu sabia que no fundo ele queria que eu não fosse como ele. Um funcionário de cola quente. Um funcionário que apanhava a cada esquina uma nova maneira de se fragmentar felicidade. Meu pai e seus ensinamentos. Nunca esqueci quando ele me levou a um parque temático. Falava das leis da física e colocava como exemplos a linearidade das máquinas do parque. Naquele dia, perguntei se ele era um robô da vida. Ele me fitou friamente, e não respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora voltando ao café da minha mãe, escuto o seu bom dia soar ao pé do meu ouvido. Deixo-a tomar café na cama enquanto agilizo as primeiras providências com a casa. Varro o piso. Coloco roupas para lavar. Enfim. Sete horas estou pronto para sair. Vou para o meu trabalho. Para a minha robótica. Das oito ao meio dia eu distribuo panfletos na avenida central da cidade. Que é enorme. Faturo uns 350 pila por mês. Volto para casa, almoço, lavo a louça e deixo quase todos os afazeres resolvidos, de modo que minha mãe não precise colocar muita mão na massa. Às duas horas começa o meu treino. Jogo futebol em uma escolinha aqui da cidade. O técnico anda gostando bastante do meu desempenho, estou com esperança de ser titular, na ponta esquerda, no jogo contra uma escolinha rival da cidade vizinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só para sintonizar. Eu tenho 19 anos, me chamo Zé, sem nome composto. Apenas Zé. Tenho as pernas finas e corpo horrivelmente curvado. Nunca tive experiências sexuais, nunca fiz um gol, nunca beijei na boca. Nunca saí à noite. Nunca soube o que é vida noturna, balada. Nunca soube o que são drogas, lícitas ou ilícitas. Sou virgem em quase todos os sentidos da vida. Vivo para minha mãe e para essa escolinha. Para pagar meu treinamento, distribuo panfletos. Terminei meu ensino médio há dois anos - sempre tirei notas excelentes -, e morei minha vida inteira neste municio do interior gaúcho: Valdelino novo. A cidade vizinha que eu me referi chama-se Valdelino velho. Tudo muito original. Há décadas existiu um herói aqui na região, chamado Valdelino. Ele teve duas fases de conquistas: a nova e a velha. A distância geográfica e habitacional dessas conquistas se dá em seis quilômetros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à escolinha, volto com a minha esperança de um dia ser titular. Mas a notícia dessa esperança não vem nessa tarde. Volto para casa às dezoito. Passo por dezenas de pessoas durante meu trajeto, algumas me olham. Outras, porém, mal sabem que eu existo. É a hora em que eu reflito sobre o mundo. É a hora em que eu me arrependo de tudo que eu fiz hoje. No entanto, eu sei que voltarei para casa eu farei a janta para minha mãe. Farei ainda mais alguns trabalhos domésticos. Vou me destruir fisicamente para depois dormir, sonhar com o meu gol do século e repetir todas as minhas atividades amanhã. Salvo raras exceções. A verdade é que não sinto uma exceção há meses... Não sinto vida há anos... Já passou da hora de fazer o gol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansei de ser um Zé robótico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o que eu pensava até matar minha mãe sufocada por um travesseiro de pena, a deixei junto de meu pai. Matei meu técnico a pauladas numa noite quente de outono. Eliminei mais algumas pessoas que me cansavam. Perdi todas as minhas virgindades sociais e humanas. Ganhei, absurdamente, vida. Fui detido pela lei, e desde então escrevo e leio na penitenciária estadual tudo aquilo que li e compus na morte, mas  nunca havia realizado em vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-795197564618589861?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2009/05/ze-robotico.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/Sftog8Dm98I/AAAAAAAAAs0/rPiwwmLSE0s/s72-c/robo.bmp" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">9</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-1745346359449488876</guid><pubDate>Sat, 25 Apr 2009 03:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-25T00:29:42.561-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Pensamentos</category><title>Céu, poeira e verbos</title><description>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SfKDhLLQ49I/AAAAAAAAAsE/8NKNOD_RUrI/s1600-h/Nasa_EO_%2520poeira%2520sahara.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328465915091674066" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 251px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SfKDhLLQ49I/AAAAAAAAAsE/8NKNOD_RUrI/s320/Nasa_EO_%2520poeira%2520sahara.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Este blog está, literalmente, jogado às traças. Já posso encontrar um pouco de tirania e muita poeira em cada sílaba deixada pelos meus humildes textos. De qualquer maneira, sempre há tempo e espaço para novos ímpetos verbais. Volta e meia penso em escrever. Volta e meia penso em pensar. Acabo me perdendo nas minhas próprias nuvens. Hora de voltar para o chão. O problema sempre foi o choque;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos, creio que meu trem de pouso possui danos, não são irreparáveis, mas absolutos. Uma pista longa e larga às vezes se faz necessário na vida de todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até qualquer aeroporto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;L. I&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-1745346359449488876?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2009/04/ceu-poeira-e-verbos.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://1.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SfKDhLLQ49I/AAAAAAAAAsE/8NKNOD_RUrI/s72-c/Nasa_EO_%2520poeira%2520sahara.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-3538721447309681494</guid><pubDate>Tue, 07 Apr 2009 22:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-07T19:15:28.427-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Pensamentos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônicas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Comentários</category><title>A bunda do Brasil</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SdvQKtNrGII/AAAAAAAAArc/cOAK-xvoz_8/s1600-h/bunda3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322076267022588034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 305px; CURSOR: hand; HEIGHT: 289px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SdvQKtNrGII/AAAAAAAAArc/cOAK-xvoz_8/s320/bunda3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Foi em uma sexta-feira à noite. Na verdade, era madrugada. O céu estava estrelado e por onde andávamos não havia sequer uma suspeita de barulho. O mundo ao nosso redor era ulterior, ao menos naquele instante. Segundos depois, eu já podia escutar o ronco do motor daquele veículo. Marcelo Ribeiro, meu amigo, conduzia seu Uno Mille - o qual ele apelidou carinhosamente de “Ribeiro móvel” - em uma lomba íngreme e escura. Estávamos quietos. Meu olhar seguia minuciosamente a luminosidade dos faróis. Sentando no banco do caroneiro, o silêncio acabou se perdendo dentro de mim por distração. No topo da lomba que subíamos, avistei um casal. Ele, um garoto que aparentava ter no máximo 21 anos; e ela, um pouco mais nova, talvez 17. O que havia prendido minha atenção foi a localização da palma da mão direita do sujeito que acompanhava a garota. Da forma mais natural possível, ao perceber a luz dos faróis em suas costas, o rapaz aconchegou sua mão na nádega da menina, quase como um encaixe perfeito. A cena foi tão esdrúxula que os comentários eram inevitáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu viu aquilo? - perguntou Marcelo, rindo. Respondi que sim. Mas não me alonguei muito. O fato me fez lembrar de Paris. Explico: lá as mulheres possuem formas, obviamente, diferentes das brasileiras. Quando cheguei à França, em fevereiro deste ano, me encantei com arquitetura, com a história e principalmente com as pessoas (não com todas, é claro). A beleza deles é dessemelhante. Especificamente, a mulher francesa apresenta um charme inalienável. Elas nem sempre são muito altas (como muita gente imagina). Porém, na maioria das vezes, elegantes, com uma passada e uma postura fina, calma, correta - exceto quando se trata em pegar metrô. Na França, as curvas das mulheres me parecem mais delineadas, embora tenhamos mulheres de encantos comparáveis por aqui. Mas a bunda delas, acredite, é algo normal. Nem pequena, nem grande. Apenas normal. É claro que falo de maneira genérica, sabendo ainda da cultura e hábitos locais quando o assunto é analisar nádegas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Londres, enquanto pegava o elevador para acessar a estação de metrô, notei que estava acompanhado de duas belas garotas. As inglesas também possuem um diferencial mágico no que diz respeito às curvas do corpo. E as bundas… bom, são normais. Após um certo período de análise, refleti por que estava reparando nesse detalhe corporal. Por assim compreendi que no Brasil somos consumidores de &lt;a href="http://www.interney.net/shop/mulher-melancia/"&gt;outros produtos&lt;/a&gt;. Quem pensa se tratar de um consumo estritamente masculino, por favor, pare de mentir para si mesmo(a). Em um país onde mulheres frutas são eleitas as “mais gostosas do ano”, o que podemos alegar? Nossa tropicalidade carnavalesca ultrapassa barreiras, sem refutar a idéia de ascendência nudista. Nas últimas décadas tivemos muitas transformações sociais, muitas revoluções comportamentais. Lembro de programas de televisão que mostravam mulheres semi-nuas procurando por sabonetes em banheiras rasas. Outros realizavam desfiles de “trajes de verão” em pleno outono onde a roupa das voluptuosas modelos era o último tecido em evidência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crescemos alimentando o consumo por “bundas em abundância”, por novos tratamentos estéticos, por novas formas de exibir o corpo. A pobre da celulite - o que eu sempre achei tão natural em mulheres de verdade - nunca foi tão alvejada. Nossos parâmetros de beleza nunca foram tão mutáveis. Daí o reflexo naquilo que queremos consumir. Daí o surgimento de relacionamentos superficiais e rótulos, pré-conceitos hipócritas. No entanto, quero deixar bem claro que não sou contra a liberdade exibicionista de ninguém, tampouco contra a vaidade de pessoas que prezam bela boa forma. O que me incomoda realmente é a falta de racionalidade. Às vezes somos muitas bundas para poucos cérebros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz que encaixava sua mão na nádega de sua companheira, que concebia o ato sem dar importância, apenas seguia uma linhagem, talvez os instintos da bunda do Brasil. Quiçá, para ele, aquela fosse a sua mulher melancia&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-3538721447309681494?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2009/04/bunda-do-brasil.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SdvQKtNrGII/AAAAAAAAArc/cOAK-xvoz_8/s72-c/bunda3.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-3182036763145543631</guid><pubDate>Mon, 30 Mar 2009 21:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-30T19:01:47.443-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Pensamentos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônicas</category><title>O balanço</title><description>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SdFBK2zXgfI/AAAAAAAAArU/QJgVAblUhaE/s1600-h/Balan%C3%A7o.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5319104289666728434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SdFBK2zXgfI/AAAAAAAAArU/QJgVAblUhaE/s320/Balan%C3%A7o.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Ela tomava impulso e em seguida deixava o balanço correr contra o tempo. Sentada naquele pequeno pedaço de madeira pintada de amarelo, e sustentada por duas correntes brancas, uma de cada lado do balanço, ela simplesmente vivia. O momento era de repulso emocional. Brincava de não fazer nada com a mente. Brincava de saber voar...&lt;br /&gt;Um rapaz mirou profundamente seus olhos. Pegou sua mão, desceu até a ponta de um dos dedos... ele estava ao seu lado, se balouçava na mesma velocidade. Ele diz “te amo...”&lt;br /&gt;E ela emite silêncio ao sabor do clima. Reconsidera:&lt;br /&gt;- Mas eu não estou pronta para amar...&lt;br /&gt;- E para amar a mim, você está pronta? – indaga o jovem pretendente.&lt;br /&gt;- Talvez eu esteja pronta para sofrer...&lt;br /&gt;- Faz parte do risco.&lt;br /&gt;Ela para o balanço e vai embora. Atravessa a rua, embarca em um ônibus para a cidade vizinha. Ele continua sentado, deixava o balanço recuar por conta própria... Parecia que o raciocínio agia de acordo com o passar dos carros, na avenida ao lado. Todos partiam para algum lugar... mas onde? Era sua vez.&lt;br /&gt;O ônibus da menina que, há poucos minutos se embalançava ao seu lado, começava  a seguir seu itinerário. Ao engatar a segunda marcha, o motorista percebe um corpo embaixo do veículo. Havia sangue junto ao pneu traseiro.&lt;br /&gt;Era ele, pelo retrovisor o motorista vira uma tentativa de vitória de um homem que amava, mas se deixou levar pela dúvida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pobre homem... se foi por amor... e por co-existência... Noutro dia, porém, ele voltaria ao balançar da vida. Pois acordaria deste tão breve pesadelo. Acordaria?&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-3182036763145543631?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2009/03/o-balanco.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://2.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SdFBK2zXgfI/AAAAAAAAArU/QJgVAblUhaE/s72-c/Balan%C3%A7o.bmp" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-747997999687708604</guid><pubDate>Tue, 10 Mar 2009 14:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-10T11:36:21.082-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Contos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Pensamentos</category><title>A vista</title><description>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311562468027909186" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 319px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SbZ17D0ZxEI/AAAAAAAAArA/5Kw5zcKV10c/s320/maos%2520dadas11.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Que belo lugar para uma bela mulher.&lt;br /&gt;- Boa. Tenta outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 minuto depois:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que excelente vista para uma afável donzela.&lt;br /&gt;- Não, não... vamos lá. Você pode ser mais convincente... Alterne o tom da voz, oscile o ritmo das palavras. Eu acredito no seu potencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 minutos mais tarde:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que lugar do caralho! Só tem muié gostosa aqui! Comé teu nome gatiinhá?&lt;br /&gt;- Não apele, por favor. Eu desisto, você não sabe abordar uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pensa por um segundo e indaga:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois então como você queria que eu a abordasse?&lt;br /&gt;- Apenas sendo você mesmo. Por que vocês homens tem de chegar cantando-nos como fossemos prostituas de luxo, ou aquelas de beira de estrada? Não espero nada além da naturalidade e da sinceridade. Não tente ser o que não é.&lt;br /&gt;- Me dê mais uma chance?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela aprecie a vista, fecha as pálpebras e sente a brisa tocar sua pele. Responde:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu até poderia, mas não seria justo.&lt;br /&gt;- Não seria...?&lt;br /&gt;- Em nenhum momento você foi verdadeiro comigo, nem agora, nem há dois meses quando nos encontramos pela primeira vez neste mesmo lugar. Por que você seria verdadeiro neste momento?&lt;br /&gt;- Eu não sei, eu realmente não sei...&lt;br /&gt;- Você ao menos sabe quem é?&lt;br /&gt;- Sim. Roger Pereira Andrade. 22 anos. Estudante de cinema, apaixonado por mulheres.&lt;br /&gt;- Senti uma ponta de verdade nesta resposta. Mas não perguntei sua identidade nem o que faz. Perguntei se você sabe quem você é.&lt;br /&gt;- Creio que a donzela esteja confundindo meus pensamentos...&lt;br /&gt;- Creio que o cavalheiro não pense nada além do que faz e pensa fazer.&lt;br /&gt;- Estou cansando disso. Aonde quer chegar?&lt;br /&gt;- Quero chegar onde você está, a lugar algum.&lt;br /&gt;- Tudo bem, você ganhou... Mas me diga, que você é?&lt;br /&gt;- Um mero acaso.&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;- Somos matérias, Roger.&lt;br /&gt;- Você não pode ser uma mulher.&lt;br /&gt;- Não seja ridículo. Você está dando em cima de mim há meses, com as mesmas cantadas sem graça. Sem inteligência, sem autenticidade. O que você quer que eu pense?&lt;br /&gt;- Eu não sei...&lt;br /&gt;- Você tem razão, eu não sou uma mulher... Para você talvez eu seja um objeto.&lt;br /&gt;- Isso não é verdade!&lt;br /&gt;- A maneira como você me olha não é um reflexo da sua testosterona?&lt;br /&gt;- Talvez. Mas não podemos fugir disso.&lt;br /&gt;- Ah, é?&lt;br /&gt;- Somos animais.&lt;br /&gt;- Que tipo de animais?&lt;br /&gt;- Aqueles que se apaixonam, que amam, que erram, que não pensam em nada que não esteja ligado aos nossos movimentos terrestres.&lt;br /&gt;- Você é estudante de cinema, não é?&lt;br /&gt;- É o que diz na minha matrícula.&lt;br /&gt;- Então grave esta cena...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles se beijam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é louca.&lt;br /&gt;- Não, somos animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo parece parar naquele exato instante. Os dois apreciam a vista daquele lugar alto, distante de tudo. Lá embaixo há um planeta em funcionamento... Ela toca no assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lá embaixo as pessoas não darão chance para você.&lt;br /&gt;- Então prefiro ficar aqui em cima.&lt;br /&gt;- Dentro de certa irracionalidade, é uma ótima escolha. No entanto, não sobreviveríamos por muito tempo. É perfeito demais para dar certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois saem de mãos dadas e voltam para a urbanização. Descem a montanha, deixam a vista para trás, e quando chegam ao solo da cidade desabotoam as mãos e afastam os lábios. Ela se despede:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Compreende que o que aconteceu lá em cima foi um mero acaso, não é?&lt;br /&gt;- Sim. O justo é não termos chances.&lt;br /&gt;- Temos a chance de viver e mudar a concepção disso.&lt;br /&gt;- Você não pode ser daqui...&lt;br /&gt;- Nenhum de nós pertence a este lugar...&lt;br /&gt;- Adeus...&lt;br /&gt;- Adeus. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-747997999687708604?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2009/03/vista.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://2.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SbZ17D0ZxEI/AAAAAAAAArA/5Kw5zcKV10c/s72-c/maos%2520dadas11.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">11</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-820708806403977475</guid><pubDate>Mon, 23 Feb 2009 16:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-23T13:13:46.283-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Pensamentos</category><title>Carlota</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SaLK_mSUofI/AAAAAAAAAqw/OFAm7lhEyq4/s1600-h/carlota.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306026504953831922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 251px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SaLK_mSUofI/AAAAAAAAAqw/OFAm7lhEyq4/s320/carlota.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Carlota caminha com as costas virada para a vida. Há décadas mantém suas delicadas mãos encostadas na cartilagem que fica entre a linha facial do seu globo ocular e de seu nariz, humanamente reconhecida por orelha. Assim, Carlota tampa seus ouvidos para não escutar a verdade. Carlota cega-se a cada esquina para não sentir a dor. Carlota costura seus lábios para não dar margem a contra-argumentação do erro. Assim, Carlota co-existe por não saber nada a respeito do “estudo de caso”. E ela não faz questão de tomar conhecimento disso. Há muito tempo Carlota vem se jogado esmeradamente contra as correntezas da amargura. Diz-se sofrer. Onde? Onde, Carlota, onde! Diga-me onde está sua dor, seu raciocínio. Sua reciclagem motora e intelectual. Tudo está perdido no seu caráter. A gota d’água talvez tenha acontecido na noite em que você olhou para o céu e não viu nada além de estrelas. Astros celestes... Diga-me, Carlota, o que há após o brilho ofuscante dessas luzes? O que há de tão oponente e/ou onipotente lá fora para que nos coloque na posição de formigas ou macacos? Quiçá, Carlota, haja uma refutação, um desacerto grandioso de alguém ou algo que insistiu em dar sentido a seres que possuem a consciência de não existir. Tecnicamente imperfeitos. Sumariamente infelizes, apesar de acreditarem veementemente que são. Pois o fato de Carlota achar que isso tudo é uma verborragia existencial, tudo, e absurdamente tudo pertencente a uma bobagem pseudo-intelectual, prova a sua, a minha, a nossa condição de poluidores interplanetários cujos organismos evoluiram com eras naturais de eterna dúvida. Pois bem, Carlota, pois bem... Vamos todos dormir. Vamos todos rezar. Vamos todos elevar um Estado, uma nação de idiotas. Vamos, Carlota, vamos! Tire seus atrapalhados sapatos de bico fino e vamos correr na direção da hipocrisia. Isso Carlota, isso! Continue acelerando o passo. O amanhã não morrerá tão cedo enquanto o tempo se esvaia na perdição. Um dia, no decorrer do seu trote, da sua corrida, as famosas “pedras no caminho” já terão se transformado em um muro alto. Será a hora de saltar, Carlota, o momento de pular e sentir, como ninguém, a ausência cadencial das suas forças. Diga-me, Carlota, em quem você vai acreditar agora?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-820708806403977475?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2009/02/carlota.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SaLK_mSUofI/AAAAAAAAAqw/OFAm7lhEyq4/s72-c/carlota.bmp" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">10</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-1292660433806510969</guid><pubDate>Mon, 12 Jan 2009 22:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-12T21:20:51.451-02:00</atom:updated><title>Cuidado...</title><description>Após este post, o blog estará prestes a ser atualizado com textos à moda antiga, ou não. Fuja enquanto há tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Estou feliz em assustá-lo novamente. Até breve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-1292660433806510969?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2009/01/cuidado.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">9</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-7800726648305248413</guid><pubDate>Sat, 11 Oct 2008 03:43:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-10-11T00:52:03.174-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Pensamentos</category><title>O resto...</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SPAhuG_puXI/AAAAAAAAAak/MGyX641yY6o/s1600-h/cozinheiro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5255737841176656242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SPAhuG_puXI/AAAAAAAAAak/MGyX641yY6o/s320/cozinheiro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Aqui onde a capital não dorme e os cachorros latem para o vento, há algo ainda mais fugaz: os transeuntes. Eles ficam perambulando para lá e para cá, e quando avistam uma montanha oriundamente capitalista, fecham os olhos, balbuciam facialmente até perderem o desgosto por aquilo: “a sujeira”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui onde todo e qualquer veículo não passa de um motor poluente, altamente qualificado de máquinas, os ares até transmitem pureza de poetas. O oxigênio não é agregado ao hidrogênio. São palavras sem verbos. Não há água. Não há frases.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui na terra de todos e de liberdade zero, os monstros são heróis, e as lâmpadas emitem fogo. Não há elétrons. Mas como não haver átomos? Como não haver amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui onde todos dizem amar, na verdade não passam de levianos, estupidamente estúpidos. O amor não emerge assim caro, caríssimo camaleão; deve-se, em primeiro lugar, ser sincero. Quando um ser seja lá de qualquer espécie ama da maneira mais real possível, a alma arrepia-se a cada lembrança. A cada suspiro. A cada batimento. A cada pulsar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui onde todos dizem sentir saudades, todos sentem ciúmes por não ter um amor como o meu: eterno, simplesmente por existir. Simplesmente por você existir. Saudoso, poeta, amante. O resto, a meu ver, está perdido com os continentes. Com exceção daquela que me ama, e que para todo o aglomerado de boçais, e inteligentemente boçais, o mundo é apenas teorizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem essa de vitamina D para hipocrisia. Larguem os vícios, larguem as batinas e sejamos felizes. Sem hierarquizações hmogêneas. Sem ridicularidas subjetivas. O que está ao nosso alcance não passa da realidade. Quem disse que a busca pelo surreal não é concreto?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Estou cansado, e preciso dormir ao lado &lt;/span&gt;&lt;a href="http://psychobeibe.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;dela&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-7800726648305248413?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2008/10/o-resto.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://4.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SPAhuG_puXI/AAAAAAAAAak/MGyX641yY6o/s72-c/cozinheiro.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">10</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-8875770941136224269</guid><pubDate>Wed, 03 Sep 2008 03:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-09-03T00:41:00.582-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Pensamentos</category><title>E então...</title><description>Enquanto as pétalas caíam rachando o chão úmido, eu nadava em espinhos quentes de alegria. Enquanto a música cadencial solucionava os problemas de meus tímpanos, eu me ensurdecia em gritos de psicodelia poética. E assim eu caminhava. Em marcha lenta, em marcha ré. Mas sempre em frente. Quando eu parar, outros contarão a minha história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei e não sei por quanto tempo. Há dias que vou, há dias que volto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-8875770941136224269?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2008/09/e-ento.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">16</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-8158535951645218156</guid><pubDate>Thu, 07 Aug 2008 03:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-07T00:59:54.104-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Contos</category><title>O espelho</title><description>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SJpy60TuYkI/AAAAAAAAAXc/xxXphcCrEio/s1600-h/espelho.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231620271943606850" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SJpy60TuYkI/AAAAAAAAAXc/xxXphcCrEio/s320/espelho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Debruçei-me contra o espelho. Esperava quebrá-lo. Parti-lo ao meio. Via a minha imagem desesperada, flagelada pelas lágrimas que escorriam no meu rosto. Tentei descobrir os motivos. Será que eu não me conhecia o suficiente para entender as razões que me levavam a chorar? Debruçei-me com mais força, com a esperança de liquidar de vez com minha imagem refletida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;1990&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O telefone tocou. Era Gaspar, com sua voz ácida e direta, disse-me que eu teria uma chance de enriquecer. Não revelou como, não me forneceu contatos, apenas um número: 1344. Uma seqüência composta por dois números ímpares e dois números pares. Que finalidade teria? Joguei o telefone longe, ouvi o barulho de um objeto se quebrando. Droga, não era o espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava morto, jazido, putrificado. Para o mundo eu era um cadáver. As pessoas simplesmente passam por mim como se eu não existisse. Ignoram-me caprichosamente em suas hipocrisias rotineiras. Pensam que são felizes. Que lutam por um país melhor. Mas dentro de seus carros, de seus possantes importados, são seres vivos urbanos, sociais, que serviram de cobaias ao próprio sistema humano. Guiam seus veículos automotores por estradas cujas obras superfaturadas viraram manchetes em jornais esquerdistas. Então, orgulhosos, baixam o vidro do possante importado e doam-me alguns centavos que teriam como destino o cofrinho de plástico dos filhos de cinco anos. De centavo em centavo a gente enriquece nas sinaleiras. E um dia que ganhei mais de dez cruzados. Dez vezes sete, setenta. Setenta vezes quatro, me deixa pensar... Acho que são duzentos e oitenta. Por mês. Trabalho duro, temos que esticar a mão por entre o vidro do motorista e quase obrigá-lo a "doação". Já arranhei alguns veículos, furei pneus, e arranquei placas. Cinqüenta centavos fazem toda a diferença. Mas agora eu estava em uma casa, e não sei quem mora nela, Gaspar disse para eu vir até aqui, arrombar a porta e esperar o telefone tocar - Não entendo, o espelho me irrita, não gosto da minha imagem; não gosto do meu corpo; tenho a cabeça achatada, uma barba enorme, minhas canelas são finas e meu tronco espesso – Gaspar meu passou uma seqüência de quatro números.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma cilada. A polícia chegou. No entanto, algo me chamou atenção: a placa da viatura de listras pretas era composta pelos números 1344. O que Gaspar me aprontava? Durante o percurso descobri que eu não estava sendo preso, e não estava sendo transportado por agentes da lei. Eram narcotraficantes, que me pegaram como "laranja". Gaspar me indicou para um serviço sujo, mas lucrativo. De mendigo para laranja. Um carro de polícia furtado, dois narcotraficantes e um morador de rua. Uma ótima notícia para as páginas policiais. Colocaram-me em um ônibus que seguiria até o interior de Mato Grosso do Sul, lá eu teria que entregar o pacote para um senhor chamado "Macalã".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei Macalã às quinze horas da tarde seguinte. Entreguei a encomenda e as pessoas continuavam me ignorando. Com o dinheiro que ganhei, daria para voltar setenta e oito vezes para a minha cidade natal de avião. Cortei o cabelo, barbeei-me, vesti um terno e incrivelmente, voltei a minha cidade natal. Voltei para minha verdadeira casa, onde minha esposa e meus filhos me aguardavam há sete meses. Foi um retorno seco, sem grandes emoções. Minha esposa achou que eu estivesse morto. Porém voltei mais bonito, forte e rico. 1344. Minha esposa continuava quieta, triste, preocupada. Foi quando Gaspar chegou, beijou um dos meus filhos, beijou minha esposa e olhou nos meus olhos locucionando: "Você está morto." No fundo eu estava. Gaspar substituiu meu papel de marido e pai. Perguntei-lhe por que havia me cedido a chance de enriquecer ilegalmente. Ele responde seco. “Queria você de volta aqui, para poder sentir na pela a mesma humilhação que eu passei quando me traíste”.  “Eu nunca o traí, recebi uma carta sua em minha casa de papelão no centro da cidade, não o via desde os tempos de faculdade”. “Você é mesmo um louco, Deixou sua família para morar nas ruas”. “Minha família precisava de dinheiro e eu prometi a minha esposa que eu não botaria os pés em casa enquanto eu não pudesse dar uma boa vida a ela e aos nossos filhos”. “Pois ela cedeu ao meu dinheiro, ao meu amor”. “Ela não te ama”. “E ama quem então?, um mendigo que enriqueceu às custas do tráfico?, Tu não sabes nada da vida do crime, rapaz!, Tu não sabes nada! É um falso moralista, crítico de si mesmo; ganhar dinheiro em sinaleiras, sinceramente, onde tu estavas com a cabeça?”. “Gaspar, tu devias ver o ângulo que eu vi, os rostos das pessoas te ignorando, te tratando como lixo”. “Tu és um lixo humano, largaste tua família e me traíste; agora estamos quites”. “Qual foi a traição afinal, Gaspar?, diga-me na cara!, Qual foi a traição?, o fato de eu ter te ajudado a colar na faculdade, e depois ter te denunciado para o ministério público anos mais tarde?, não seja ridículo, seu jornalistinha de merda!, Fui para as ruas para sentir na pele a vida de um intelectual frustrado com nossa condição de cobaias da má fé; todo dinheiro que tens hoje é fruto de minha inteligência, seu arrogante; fui eu quem construiu essa casa, eu que paguei a cama onde hoje tu transas com minha esposa; não ouse mencionar a palavra vingança, ou humilhação; o recalcado aqui és tu; quer saber, tome este dinheiro; não preciso dele; agora saia da minha casa”. “Não me faça rir, seu tolo; como sustentará tua família?, vais para as sinaleiras do sistema humano?, Caíste na sarjeta por ser ético, limpo, moralista; saia você de cima do meu carpete, sinto o cheiro de sua casa de papelão em seu corpo mal lavado”. “Não ouse...” “Escuta aqui, não ouse tu, meu chapa!, Teu lance por aqui acabou; manda-te; antes que eu tenha que usar forças para isso”. “Tudo bem, você ganhou”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui-me embora, voltei para minha casa de papelão. Abandonei de novo família, amigos, vida. Moro na Avenida Baltazar há dezoito anos. Sou um sobrevivente. Hoje retornei à casa que foi tomada de mim. Gaspar sustentou minha família até a data de sua morte. Devia dinheiro para o tráfico, o chefão não deixou barato. Liquidou minha esposa e meus filhos também. Num tempo em que eu não sentia mais amor por ninguém. E o mais interessante: Mesmo dentro de minha caixa de papelão eu conseguia ler. Exemplares doados pelas boas velhinhas. Leio nas sinaleiras. Vivo nas sinaleiras. Estava na hora de voltar para a minha casa, hoje abandonada, onde não tinha Gaspar, nem esposa, nem filhos. Contudo, havia um espelho intacto, minha imagem era igual à mesma de dezoito anos atrás. O mesmo espírito. Chorei. Entedia as razões. Finalmente quebrei o espelho. Renovei-me para morrer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-8158535951645218156?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2008/08/o-espelho.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://2.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SJpy60TuYkI/AAAAAAAAAXc/xxXphcCrEio/s72-c/espelho.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">12</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-5751500150205004730</guid><pubDate>Sun, 03 Aug 2008 03:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-13T09:12:05.280-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cartas</category><title>Sessenta e oito dias de amor</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SJUnjuL6R4I/AAAAAAAAAXU/zcydXFN9OQ0/s1600-h/4-01+012.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5230130036907591554" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SJUnjuL6R4I/AAAAAAAAAXU/zcydXFN9OQ0/s320/4-01+012.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Eu contei. Às dezenove horas e vinte e dois minutos desse domingo completaremos (completamos) sessenta e oito dias juntos. São sessenta e oito dias de amor, paixão, respeito, admiração, confiança... Por mais que o número a seguir soe subjetivo, afinal, na segunda-feira (amanhã) completaremos sessenta e nove. O famoso ‘meia nove’ pode ser erotizado por muitos, mas amado por poucos. Pois bem. O caso é que durante esses sessenta e oito dias eu respirei ares diferentes. Caminhei com algodões sob meus calçados. Senti tua pele, teu corpo, os batimentos do teu coração. Sei de cor os intervalos que teus pulmões exercem no decorrer da tua aspiração. E agora não falo dos sonhos e objetivos nossos. Que um dia foram meus, que um dia foram teus. Refiro-me à tua matéria-prima, a carne que encobre a tua (nossa) alma. Aqui dentro, meu amor, guardo lembranças que me emocionam. Nossas conversas e encontros à beira do lago, teu sorriso, teu olhar, tuas expressões... Há uma muito característica: É quanto tu ficas sem palavras, geralmente por algum ato ‘enobrecido’ por mim. Guardo com riqueza de detalhes as curvas que teu rosto realizou quando avistou as rosas em minhas mãos. Guardo com riqueza de detalhes o olhar com o qual tu me miraste quando entreguei-te aquele objeto que só daria a uma mulher digna de recebe-lo. Tu te emocionaste, tocasse meu braço, e então tua mão escorregou até meu pulso... Naquele momento eu queria sentir era teus lábios. Covardei-me. Adiei para outras horas noturnas a iniciativa do nosso primeiro beijo. Tudo estava perfeito. Um céu, um lago, uma boa música aos ouvidos e uma mulher maravilhosa a minha frente. Conhecer tua essência, meu amor, foi o  presente mais pueril que eu pude ganhar na vida. Durante noites eu me perguntava: De onde eu a conheço? Eu digo até hoje: Nós nos reencontramos. Tu sabes, minha diva, o quão feliz me sinto ao acordar pela manhã e saber que em breve verei a pessoa mais bela que pode me completar. Contigo, me sinto seguro, leve, realizado. Hoje, escrevo-te ao sabor da saudade. Não sinto teu calor há quatro dias. Isso faz com que minha matéria idealizada de humana, grite por dentro, chore, e deseje ainda mais o seu complemento: Tu. Passar sessenta e oito dias ao teu lado me ratificou uma certeza da nossa ‘diferença’ perante aos demais. Te pedi em casamento, a tenho como mulher da minha vida, é justo sentir a falta da eterna amada. É justo chorar por ela deitado na cama, em um quarto escuro para renovar o momento. Olho fotos nossas, releio depoimentos, cartas, textos, tudo é tão lindo e profundo. Te desejo cada vez mais, me apaixono a cada mudança de turno. O teu fogo me ascende, mesmo longe, as chamas da fogueira se tornam veementes, justamente pela maneira com a qual ascendemos, há exatos sessenta e oito dias. Obrigado por me tornar único em tua vida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te amo com todas as forças de nossos universos questionáveis,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu eterno Poeta. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-5751500150205004730?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2008/08/sessenta-e-oito-dias-de-amor.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://4.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SJUnjuL6R4I/AAAAAAAAAXU/zcydXFN9OQ0/s72-c/4-01+012.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">18</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-987350864567875574</guid><pubDate>Sat, 02 Aug 2008 03:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-13T09:12:05.675-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Contos</category><title>O pistoleiro das causas nobres</title><description>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SJPOA_SeQVI/AAAAAAAAAXM/razKUS-O2Ig/s1600-h/pistoleiro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5229750108691513682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SJPOA_SeQVI/AAAAAAAAAXM/razKUS-O2Ig/s320/pistoleiro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Saltei do ônibus com a esperança de poder alcançá-la. Silvana corria feito louca pelo calçadão central e não sabia exatamente onde queria chegar. Naquele momento, tudo que passava por sua cabeça era fugir do monstro que a perseguia. Neste caso, eu. Não precisei alongar meus passos. Durante sua vida inteira, Silvana agiu como uma perdida. Foi assim com Romeu, seu antigo namorado. Lembro-me de Romeu dando-lhe tapas no rosto. Ela gritava. Ele a agredia cada vez mais. A cada sussurro de Silvana, Romeu rebatia com tapas, socos, chutes e o que alegava ter direito. Silvana, mulher submissa, após sofrer as agressões se deitava nua sobre a cama de lençóis rosa e se escarnecia. No fundo, Silvana quisera ser como uma rosa; cheirosa, cheia de brilho, almejada pelos rapazotes que praticavam o ato do romantismo para conquistar a garota amada. Por um segundo, Silvana quis ser uma mulher amada, idolatrada, com um homem à sua altura. Mas em trinta e sete anos, tudo que ela soube administrar foram relacionamentos superficiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci Silvana no colegial, era bela, mas com o passar dos anos tornou-se patética. Um rebotalho ambulante. Andava na penumbra. O único homem por quem se apaixonou fora Romeu. Um comerciante barato de olhos azuis e cabelos loiros. Ele tinha uma loja na galeria do parque, vendia instrumentos musicais. E só. Nunca teve perspectiva de vida. Para Romeu, bastava encontrar sua Julieta. Engano seu acreditar que encontraria em Silvana a sua realização pessoal. Encontrou foi um saco de pancadas. Até hoje não compreendo os motivos reais que levaram Romeu a espancar Silvana. Seria um fetiche? Não importa. Nesse instante eu a vejo escorada em uma parede mal acabada do prédio da biblioteca pública, chorando aos prantos. Detesto mulher submissa. Eu não agüentava presenciar aquelas situações de violência doméstica. E agora ela chora por temor. Será que ela sabe o que irei dizer? E como procederei após minhas sentenças verbais? Muito provável. O sexto sentido nunca falha. Foi através de meus pressentimentos que descobri o dia e a hora exata para se livrar de Romeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje. Ao ouvir gritos e socos, pressenti. Portei minha pistola semi-automática e fui de encontro ao barulho que me inquietava há dois anos e meio. Arrombei a porta do apartamento vizinho com facilidade, mirei no crânio de Romeu e disparei sem comiseração. Adeus pandemônio. O último estalo que eu ouviria daquele domicílio seria justamente o do calibre de minha pistola se mesclando com a velocidade de minha bala. Acabou. Finalmente. Silvana balbuciou e correu. Nunca vi nada igual, parecia uma velocista. Calmo, eu fui até o ponto de ônibus com a finalidade de alcançá-la. Pela janela do veículo eu sentia o desespero de Silvana. De certo ela pensava o pior. No entanto, eu não gasto uma só bala com mulheres submissas. O ônibus estacionou defronte a biblioteca pública, caminhei lentamente até Silvana que passou a se ajoelhar no chão úmido, encostando sutilmente sua cabeça na mesma parede que sustentava seu leve corpo. Eu me agacho, ela me fita os olhos, eu a beijo, sinto os seus lábios frios de pavor e a mato com uma jogada de mestre. Um simples aperto com meu polegar direito sobre a garganta de Silvana foi o suficiente para tirar o seu ar que já se dividia com minha saliva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para casa mais aliviado. Sentei em minha poltrona, liguei o televisor e sintonizei um canal qualquer de filmes. Sabendo que escorado em uma das paredes do prédio da biblioteca pública havia um corpo com minhas digitais. E que no apartamento ao lado, um outro corpo com uma bala procedente de minha pistola, jaz sobre o assoalho. Restava esperar pela polícia. Com o controle do televisor na mão direita e uma xícara de café na esquerda eu pensava: “Que saudade dos amigos da prisão, já não os vejo há dois anos e meio...”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-987350864567875574?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2008/08/pistoleiro-das-causas-nobres.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SJPOA_SeQVI/AAAAAAAAAXM/razKUS-O2Ig/s72-c/pistoleiro.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-6180185252713498797</guid><pubDate>Tue, 29 Jul 2008 04:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-13T09:12:05.747-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônicas</category><title>As facetas de meu retorno</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SI6gSMfZheI/AAAAAAAAAXE/Gac9-AU9nks/s1600-h/romantismo1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5228292451874735586" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SI6gSMfZheI/AAAAAAAAAXE/Gac9-AU9nks/s320/romantismo1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Foram doze, eu disse doze. Esse é o número de e-mails que recebi durante minha ausência neste espaço tão pessoal que chamo de coluna. Aqui, há um ano, tive meu primeiro ato virtualmente inteligente: a de publicar tudo que, porventura, eu viria a escrever. Durante esse período minha vida passou por inúmeras situações, minha mente evoluiu do ponto de vista existencialista, e eu descobri uma essência ainda mais reservada de mim mesmo. O Luan que há alguns anos era acometido por desilusões sociais e pessoais, hoje se diz mais seguro de si, de suas visões. Mas ainda me deixo levar por devaneios, afinal sou um eterno pensador, um eterno sonhador...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus pais viviam dizendo que eu era algum tipo de “ocultista”. Eu me afastava das pessoas e ficava com meus sabores intelectuais da ocasião. Faço isso até hoje, leio escondido, escrevo na escuridão da madrugada. A idéia de ter alguém observando meu ato de escrever me tira do eixo. “Deixe-me só, senhor humano”. Já fui apelidado de autista, nerd, pseudo-intelectual, “quatro-oio”, bigodinho de carroceiro, o feioso, “o pernas-torta”, frangosul e por aí vai... Cada apelido corresponde a certa época de minha existência. Atualmente, cheguei ao estágio de poeta, porto seguro, muchachito... O que muito me orgulha, o que muito me emociona. Há anos procurava por alguém que eu achava não existir. Então me matriculei em uma cadeira chamada “Redação para TV”. Não esperava encontrar a &lt;a href="http://psychobeibe.blogspot.com/"&gt;mulher da minha vida&lt;/a&gt; ali, sentada na companhia de um amigo fiel e sincero, que também dispões de laços mais do que afetivos comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois eu a conheci, e por ela eu escrevo enfrentando multidões. Por ela eu leio em público, recito poemas, compro rosas, crio crônicas sentimentais ao pé de seu ouvido. Com ela possuo uma segurança que faz de qualquer autista um ser sociável. Porque é ela que eu amo. E nesse instante, é por ela que eu escrevo. Não só por mim. Eu estava precisando amar, ser amado, sonhar mais distante com alguém que sonhe tanto quanto. Embora seja realista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então abro minha caixa de e-mails e me deparo com doze mensagens vindas de amigos-leitores. Pensei: é hora de voltar. Não gosto de estipular prazos, prometi que voltaria quando me desse vontade, quando minhas inquietações e meus sentimentos precisassem urgentemente de vozes verbais. Cá estão, alinhados em um alfabeto legível, escrito por um humano não-praticante, mas acima de tudo falível. Sujeito à vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos e amigas, durante as últimas semanas me dediquei a escrever cartas para minha eterna amada (amor, tu as receberás em breve), a dar início em um projeto literário que há meses não saía da gaveta, a ler exemplares atrasados, e o principal: a refletir. Por isso achei que o melhor seria “sumir” por uns tempos. Agora basta. Obrigado aos que tiveram a paciência de me esperar, um beijo a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;L.I.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-6180185252713498797?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2008/07/as-facetas-de-meu-retorno.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://2.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SI6gSMfZheI/AAAAAAAAAXE/Gac9-AU9nks/s72-c/romantismo1.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">10</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-1327885466076388187</guid><pubDate>Thu, 10 Jul 2008 06:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-13T09:12:05.910-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Contos</category><title>Elisabeth</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SHWm-nFBYWI/AAAAAAAAAV0/b2txUIWnHYI/s1600-h/envelope-102.13"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221262937578103138" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SHWm-nFBYWI/AAAAAAAAAV0/b2txUIWnHYI/s320/envelope-102.13" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O mundo parecia um tribal venezuelano, só faltava o Chávez dependurando em uma pêndula de ouro recitando poemas psudo-socialistas. A tarde estava escura em Caracas quando decidi fazer algo romântico. Comprei um envelope e algumas rosas. A destinatária? Não sei ao certo. Poderia ser a russa que me espreitava através da porta de uma loja de roupas baratas. Ou então, a espanhola exibicionista fã de Karl Marx. Tinha ainda a americana de seios fartos que era fugitiva da gestão Bush. Todas representantes do sex in cash. Dizem por aí que a Colômbia é o país campeão na América do Sul quando o assunto é prostituição. Mas a Venezuela ganha. Nas avenidas oriundas de Caracas se enxerga a demagogia de um governo de princípios ditatoriais, vê-se a ideologia Chavista plantando cenouras de dólares enferrujados nos crânios dos burgueses capitalistas. O dia estava pouco comum com nuvens sobre minha cabeça e prostíbulos ao meu redor. As rosas enfeitavam minha enorme mão, o envelope vazio, metaforicamente buscava uma alma para preenchê-lo. Caminhei alguns metros até encontrar Angenor, saltitante como grilo. Angenor, carioca da gema, pediu-me alguns dólares trocados. Alertei-o que estávamos em território Chavista. Então Angenor lembrou da época em que a Venezuela fora mais pragmática consigo mesma. Lembrou-se de Noelma, a esposa que o abandonou em plena Copacabana. “Ela me deixou na frente de todos, tinha mulher de fio-dental lá”. Angenor sempre foi apaixonado por mulheres que ausentavam vestimentas. Veio parar em Caracas por acaso, tomou o vôo errado e virou cafetão. Esse é o resumo de sua história. Pedi a ele a mais branquinha de todas, “tem que iluminar minha alma”, disse. Angenor havia me prometido uma inglesa de seios moderados, com ares franceses. Veio à Venezuela com fins acadêmicos, estudar o governo, acabou se prostituindo com a morte de seu pai na Inglaterra e com a falta de dinheiro para sair do país cognitivamente socialista. O nome da garota era Elisabeth. Bem original. Acabei cedendo alguns dólares a Angenor em troca de prazer carnal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Elizabeth falava um péssimo e arranhado espanhol, o sotaque inglês deixava seus lábios ainda mais carnudos. Pedi a ela que se livrasse dos verbos e fizesse o que tinha que ser feito: Sexo. Nada mais. Entreguei o envelope e ela colocou um anel com o se nome gravado. Jogou o envelope no chão e pediu que eu o levasse depois do ato. Durou pouco. Uma hora e meia. Ergui minhas calças como um velho comunista chavão da década de 50. Juntei o envelope e o coloquei no bolso esquerdo de minha calça. Deixei 300 dólares sobre a cômoda e fui embora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em casa cansado, ainda com as rosas e com o envelope. Eu sabia que dentro havia um anel com o nome de Elizabeth escrito. Quando o abri me deparei com os 300 dólares que eu designara a Elisabeth e um bilhete escrito a punho em um deteriorante espanhol, algo como: “No queiro dinero, quiero solamente amor”. Elisabeth havia se declarado a mim como uma donzela sem dono, ao relento. Submetendo-se à maré social. Liguei imediatamente para Angenor e pedi o contado de Elisabeth. Angenor demorou a explicar que ela não tinha telefone, não tinha casa, não tinha nada. Para Angenor, era apenas uma vagina lucrativa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sai para caminhar um pouco e refletir sobre as palavras de Elisabeth que não era uma prostituta qualquer, jovem, da alta classe inglesa... Lembrei-me da época em que eu morei em Londres, antes de voltar para o Brasil, havia conhecido uma garota por quem me apaixonei. Não sabia seu nome, mas lembrava de seus olhos, apimentados e grandes. Sedutores. A garota sumiu de minha vida, foi estudar distante de Londres. Voltei ao Rio com o coração partido, minha primeira dor de amor na adolescência. Anos mais tarde eu me mudaria para Caracas, trabalharia de repórter em um jornal local ganhando um salário equivalente a de um diretor de redação no Brasil. Aqui as coisas são mais fáceis. O Chávez complica um pouco, quer nos calar, mas ele no fundo não consegue. Não chega nem perto do que foi a ditadura militar brasileira. Sei, porque estudei. As vidas nos levam a tantos acasos... Agora quanto a Elisabeth é mesmo intrigante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Surpreendentemente eu a vi, há duas quadras de meu prédio. Ela estava lívida, e com uma expressão incrivelmente boçal disse-me: I love you... Em perfeito e bom inglês britânico. O sotaque era o mesmo que eu havia escutado anos antes, quando residia em Londres. Descobri seu nome. E ela me descobriu. Não veio para pesquisar sobre o governo e sim sobre mim. De como eu vivia minha vida... Caí direitinho no seu golpe de prostituta... Na surpresa eu me entreguei, subimos ao meu apartamento e fizemos amor, sexo é para os fracos. Eu fora um fraco, queria encontrar nas outras o que não havia saciado em Elizabeth anos atrás. A saciei carnalmente sem saber que era ela, agora deveria me entregar de maneira verdadeira. A história poderia acabar aqui com um final feliz, em meio a ardente Venezuela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Elizabeth tirou de mim todo o ódio que eu tinha quanto ao amor, e me entregou de bandeja sensações que eu não experimentava há anos. Ela sabia do meu labirinto carnal, do qual eu negligenciava, dizendo pertencer a minha essência de mau caráter. Elizabeth me devolveu a inocência que eu havia perdido diante de situações incisas de meu governo e de minha família. Eu era um fugitivo da vida. Elisabeth levou as rosas, as roupas, todo o meu dinheiro, e alguns objetos culturais que eu mantinha em casa. Acordei sem nada, um tostão. Mas o envelope estava ao lado, com os trezentos dólares, o anel e uma carta escrita em bom português. Angenor assentava: “Estou saindo da Venezuela com seu dinheiro e com sua mulher, que, aliás, sempre foi minha”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não era a primeira vez. Reconstruí minha vida da mesma forma, e para mim, o envelope continua vazio. Se alma, sem nada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-1327885466076388187?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2008/07/elisabeth.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SHWm-nFBYWI/AAAAAAAAAV0/b2txUIWnHYI/s72-c/envelope-102.13" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-4552918178292517802</guid><pubDate>Wed, 09 Jul 2008 04:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-13T09:12:06.025-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônicas</category><title>O semblante</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SHRCRCskzEI/AAAAAAAAAVs/5eTvzabFSZg/s1600-h/Semblante.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220870728578288706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SHRCRCskzEI/AAAAAAAAAVs/5eTvzabFSZg/s320/Semblante.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Caminhando pelas ruas e, depois, rodando de ônibus, cheguei a seguinte conclusão: o inferno é aqui. Sim, aqui, ali, acolá. Pois bem. Esqueça tudo que você aprendeu sobre religião, esqueça aquelas velhas histórias para boi dormir contadas no ensino “infanto-fundamental”, sobre a perspectiva de “um Deus criador”. Eu sei que para você leitor crente, de direita religiosa, é difícil delir esse enredo sobre Cristo, cruz, Espírito Santo, Natal, Páscoa, Adão, Eva... A tal cobra. Mas vejamos o lado humano da coisa: o semblante. Essa idéia de que Jesus voltará é teologicamente utópica. Voltar para quê? Para dizer ao Lula que o Fome Zero é um plano magistral? “Olha Lula, vós tirásseis a fome do próximo”. E então aparece o capeta: “Tirásseis a fome com o que sobrais da roubalheira”. E Jesus objeta: “Lula, vós désseis melhorias ao SUS, criásseis o CSS, salvásseis a vida de muitos irmãos”; e o capeta retruca: “A criação do SUS foi jogada política, atíngi uma classe da população e não resolve nada, e o CSS é mais uma forma de arrecadação de impostos com falso cunho social”. A discussão política-econômica entre Jesus e (C)apeta se estenderia infinitamente, até quando não houvesse mais organismos humanos e o mundo fosse dominado pelas baratas atômicas. Metaforicamente, a vida foi criada assim. Em um bate-barba sem persuasão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Evoluímos de tal modo que hoje nos deparamos com a nossa própria ignorância fazendo malabarismos em sinaleiras e pedindo um trocado para comprar pó. Meu antigo amigo britânico Charles Darwin fora franco desde o início: “O homem ainda traz em sua estrutura física a marca indelével de sua origem primitiva”. Nossas marcas estão espalhadas por todos os lados. Em ruas, motéis, escolas, boates, universidades, empresas, supermercados, shoppings... A marca física e supostamente racional revela a nossa ascendência. O semblante de nossa esfera social é uma só: o caos. A todo instante sofremos com distrações. Eleições, um novo plano de governo, uma moderna tecnologia, nos prendemos ao que temos ao nosso redor, é o pegável, de fácil manejo. Lemos pilhas de livros, estudamos teorias, e esquecemos de ler nossas almas e estudar a nós mesmos. Aí surge a hipocrisia de uma sociedade sem nível algum para julgar o que é certo, o que é errado. O sujeito que pede justiça, protestando defronte ao prédio onde Isabela Nardoni foi assassinada, é o mesmo que joga lixo no chão, que ultrapassa limite de velocidade, que não cede lugar a um idoso no transporte coletivo, que bate no seu filho para educar. E quer cobrar justiça para quê? Se for fazer parte do sistema, que ao menos seja coerente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho abusado muito de mim nos últimos dias, tenho refletido sobre meu papel incandescente na sociedade. Percebi que somos todos formiguinhas. Os dias tornam-se rotina, o fim de semana uma salvação, o salário uma glória divina mensal, e os gastos uma distração consumista neoliberal. Compramos carros, roupas, bebidas, objetos tecnológicos para quê? Estamos em um mar vermelho de ideologias. Cada cidadão tem a sua. E todos têm a razão. Esse é o problema, não há Deus para o saber popular, ou há até mais de um. O enigma do mundo somos nós humanos. O dia que aprendermos a olhar para o nosso próprio umbigo e agregar algo que nos faça realmente pensar... Já será tarde. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ah... Esquecer-me-ia de outro fator relevante: o sexo. O apetite sexual pode acabar com uma família, por exemplo. Principalmente se o ‘convívio’ for desestruturado, o que é demasiadamente comum em nosso inferno atual. O sexo é o culpado de tudo. Da traição, da reprodução em massa, da vontade de viver... O sexo foge do campo prazeroso para dar margem ao erotismo exacerbado. Dia desses vi garotas orgulhosas de 12 ou 13 anos desfilando seus seios e bundas pela cidade. Estavam atraindo os machos, aqueles que não fazem uso do cérebro, senão para ativar a testosterona. Esse comportamento prega, mais uma vez, o semblante de nossa coletividade nas costas do papa: “Hey, velho católico, sou uma prostituta, me perdoa?”, “Não, minha filha, isso é muito corriqueiro, Papa só perdoa verdadeiros pecadores”. É... Darwin... É a evolução. Meu radicalismo me enjoa. Preciso tirar férias desse planeta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;PS: Férias com Mi Colibri.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-4552918178292517802?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2008/07/o-semblante.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SHRCRCskzEI/AAAAAAAAAVs/5eTvzabFSZg/s72-c/Semblante.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-1095797057875965069</guid><pubDate>Sat, 05 Jul 2008 17:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-13T09:12:06.226-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Letras de música</category><title>Para o momento...</title><description>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SG-2obeMYuI/AAAAAAAAAUw/oGE-gifnEfc/s1600-h/por_do_sol1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5219591298831114978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SG-2obeMYuI/AAAAAAAAAUw/oGE-gifnEfc/s320/por_do_sol1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quantas coisas eu ainda vou provar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E quantas vezes para porta eu vou olhar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quantos carros nessas ruas vão passar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Enquanto ela não chegar...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quantos dias eu ainda vou esperar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E quantas estrelas eu vou tentar contar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E quantas luzes na cidade vão se apagar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Enquanto ela não chegar...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;(Roberto Frejat.)&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-1095797057875965069?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2008/07/para-o-momento.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><media:thumbnail url="http://3.bp.blogspot.com/_pLIyO68suk8/SG-2obeMYuI/AAAAAAAAAUw/oGE-gifnEfc/s72-c/por_do_sol1.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8270139670430103731.post-517206453010727551</guid><pubDate>Mon, 23 Jun 2008 14:28:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-23T11:57:34.486-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cartas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Pensamentos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônicas</category><title>Carta à namorada imaginária</title><description>O retorno:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ok, podem soltar fogos de artifícios, gritar bem alto “Aleluia!”, pois o Luan voltou. Sempre digo em meus retornos aperiódicos que volto para ficar. Tenho que parar de mentir. Volto quando sinto a necessidade voltar. Saio quando sinto a necessidade de sair e dar um tempo para as escritas online. Todos nós passamos por momentos da falta de introspecção virtual. Sentia-me atordoado por acumular atividades acadêmicas junto aos meus pensamentos totalmente fora dos contextos de aula, ou de trabalho alheio. A verdade meus caros amigos, é que tenho passado semanas maravilhosas ao lado de pessoas (leia-se PESSOA) – no singular – inigualáveis(el). Durante toda a minha vida construí ideologias, reflexionei-me em meus apotegmas até que em uma bela noite, um simples ato, fez meu mundo girar incontavelmente 360° graus. Meu mundo tornou-se mais colorido, alegre, radiante, afável, inesquecível. De lá para cá, fiz-me outro. Ou seria eu o mesmo? As respostas para as minhas indagações sejam elas filosóficas ou não, vocês, leitores, poderão conferir a partir de hoje, 23 de junho de 2008. Dia, no qual, os jornais sempre procuram noticiar algo de relevante. Aliás, as manchetes de segunda-feira me amofinam. Veja o meu caso, acordo lerdamente mofino, abro a janela e deixo o sol entrar dando luz à escuridão pretérita. Ligo o rádio, desligo o rádio, ligo a tevê, desligo a tevê, tomo meu café, como torradas, lavo a louça, vou ao banheiro, enfim... Preciso continuar? Mas quando chego aos jornais eu já estou abstêmico. Aquelas doses de notícias mal redigidas por vezes prejudicam meu cérebro pela manhã. Todavia, como todo bom sadomazoquista do dia-dia eu os leio. Leio três jornais pela manhã. Agora não venha me dizer que estarei bem informado lendo essa quantidade de escritos fajutamente noticiosos, isso debateremos (debatemos ou debatíamos) nas aulas de teoria e ética jornalística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar com chave de ouro, publicarei aqui uma carta que escrevi há mais de oito meses. São palavras que surgem inesperadamente em meio à madrugada. Palavras que precisam ser expressadas, porém, nem sempre publicadas. A “carta à namorada imaginária” foi um reflexo de algumas das minhas muitas noites mal dormidas. Reflexo da briga do meu eu lírico com o meu eu próprio. Quando isso acontece, paro tudo que eu estiver fazendo e me dedico exclusivamente aos meus sentimentos. Assim, acredito ser mais fiel para com a minha alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carta à namorada imaginária &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Não consigo dormir e talvez eu saiba o porquê. Talvez eu tente lhe contar o que eu sempre quis que você soubesse. Lembra daquelas suas sílabas tônicas com as quais designava a mim? São meras perdições. Acredito que sejam perdições por você não existir. Por você não co-existir ao meu lado. Neste exato momento estou sentado em minha cama escrevendo para alguém que eu não conheço e nunca conheci. Perdi-me entre meus pensamentos rebuscados e lutei frivolamente para que eles fizessem algum sentido. Agora são 1h e 5 min da madrugada. Escrevo sem saber o meu real motivo. Há várias noites que passo acordado tentando decifrar meus sentidos atônitos. Minha linha de raciocínio segue sempre a mesma composição. Deste modo, até posso estar sendo sincero comigo mesmo, no entanto, sou acometido por desilusões surreais. Faço parte de uma tribo, talvez de uma seita. Isso mesmo, uma seita. E nem preciso de crenças para incentivar o que tenho de mais obscuro. Escrevo-lhe com os nervos a flor da pele, com as emoções irradiáveis, com meu corpo trêmulo só para enxergar-lhe. Seja em sonhos, seja em vida, seja em destilações procedentes de um desejo amargo. A minha ira já se diz dócil e meu amor pelas conquistas reais virou ambíguo. Sigo tendências ultrapassadas para provar-lhe do que eu sou capaz. Pois sou capaz de amar sem ao menos tê-la em minha vida. É até tem sido prazeroso assim, imaginado de como você pode ser perfeita para mim. Mas apenas imaginando. Sem obturações concretas. Minha sede é saciada por você ser minha criação. Eu não quero ser Deus. Longe disso, muito longe disso. Eu, francamente, só queria que você existisse. Por mais prazerosa que pareça ser minha situação atual, até na minha própria imaginação você me machuca. É justamente por isso que você se torna perfeita. Dentro de minha teoria, eu sou apenas você.”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Assine a Coluna do Luan&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8270139670430103731-517206453010727551?l=colunadoluan.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://colunadoluan.blogspot.com/2008/06/carta-namorada-imaginria.html</link><author>noreply@blogger.com (Luan Iglesias)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">5</thr:total></item><language>en-us</language><media:rating>nonadult</media:rating></channel></rss>
