<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/atom10full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" gd:etag="W/&quot;AkUDSH8_cSp7ImA9WhRUFks.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044</id><updated>2012-01-27T10:44:39.149-02:00</updated><title>Comentários Abertos</title><subtitle type="html">sorvete de ego sabor tinta de caneta</subtitle><link rel="http://schemas.google.com/g/2005#feed" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/posts/default" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/" /><link rel="next" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false&amp;v=2" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><generator version="7.00" uri="http://www.blogger.com">Blogger</generator><openSearch:totalResults>228</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/atom+xml" href="http://feeds.feedburner.com/ComentriosAbertos" /><feedburner:info uri="comentriosabertos" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><entry gd:etag="W/&quot;Ck8ERHwzeip7ImA9WhRVFkg.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-9007972174091440222</id><published>2012-01-15T16:04:00.003-02:00</published><updated>2012-01-15T16:06:45.282-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-15T16:06:45.282-02:00</app:edited><title>Cânceres</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/sPBd1mTJvaVVvRHS_dhgrvEuOUI/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/sPBd1mTJvaVVvRHS_dhgrvEuOUI/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/sPBd1mTJvaVVvRHS_dhgrvEuOUI/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/sPBd1mTJvaVVvRHS_dhgrvEuOUI/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
Um objetivo na vida é essencial.&lt;br /&gt;
Há quem vague - eu vago - pela própria existência esperando que ocorra algo que justifique a escrotidão do cotidiano. Que vive esperando que ocorra um momento - abracadabra! - em que apareça, magicamente, a mudança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A questão é que a mudança é um parto. Ou a gente faz uma força imensa, arranca da gente mesmo aquilo que quer conquistar - pagando pelas decisões com que precise arcar - ou aquela bola de mudança-que-quer-ser vai acabar arregaçando nossa buceta simbólica rumo à existência.&lt;br /&gt;
E aí você muda porque está com câncer. A gente morre de câncer porque fechou as pernas pra vida. Não há Nossa Senhora do Bom Parto que dê conta de arrancar uma mudança de uma vida cancerígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
História mais real impossível: amiga minha morava com a madrinha, uma mulher de seus quase cinquenta anos, criada pra cuidar do marido e que, esperando por uma fada-madrinha que lhe trouxesse um marido, não conseguiu nenhum.&lt;br /&gt;
Sabe-se lá o tamanho da bênção que essa mulher teve por não ter se casado. Foi uma rebeldia à sua própria revelia. Acabou tendo que cuidar da mãe, já que foi criada pra ser criada e não arranjou homem nenhum pra chamar de mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mãe da madrinha da minha amiga é daquele tipo de pessoa que assiste o Datena. Daquele tipo de pessoa que adora tragédia, que vê o mundo como um perigo, os jovens como perdidos. Sua vida, uma luta.&lt;br /&gt;
Ai de você se reclamasse de estar doente perto dessa mulher. Você até ganharia sua parcela de carinho em forma de dó, mas te prepare pra ouvir as mazelas da velha (que vai precisar provar pra você com todas as letras que é uma desgraçada).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Voltando à madrinha da minha amiga (filha da desgraçada), sei que hoje ela está com um câncer horrível na vagina. Minha amiga, outro dia, viu a madrinha batendo a mão na pelve e gritando a plenos pulmões &amp;nbsp;'EU NUNCA USEI ESSA MERDA E AGORA ESSA BOSTA ACONTECE COMIGO!".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez se tivesse usado, né?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mais maluco da história é que, além da quimioterapia, o tratamento é esfregar um creme vagina adentro, com a ponta dos dedos. O creme ferve e arranca toda a pele superficial da região e devasta a bucetude da mulher.&amp;nbsp;Uma masturbação forçada e a seco, que por mais dolorida que seja pode ser parte da cura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma mulher que conheço tinha uma frase ótima: "O que é do burro vem no cocho". O problema é passar a vida amarrado, esperando que a comida venha, né?&lt;br /&gt;
Esperando marido. Esperando carreira. Aguardando significado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o que é do burro vem do cocho, compensa ter objetivo nessa vida? Existe objetivo que não envolva outra pessoa ou alguma condição que a gente não consegue controlar?&lt;br /&gt;
A primeira amiga que citei, a que morava com a madrinha, não tem a menor vontade de casar. Quer viajar o mundo sozinha. É dessas pessoas capazes - eu só sou capaz disso da boca pra fora. A língua fica solitária demais sem alguém pra falar - ou pra roçar uma língua na outra. Pra lamber as feridas, talvez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"A língua é o chicote da bunda", dizia a mãe de uma outra amiga minha, querendo dizer que quem julga acaba pagando pelo que falou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora não sei onde que o câncer vai ser em mim, se na bunda ou na língua. Nos dois, quem sabe? Melhor segurar a minha língua antes que eu tome no cu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-9007972174091440222?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/Ba2zeP2nS9E" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/9007972174091440222/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=9007972174091440222&amp;isPopup=true" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/9007972174091440222?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/9007972174091440222?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/Ba2zeP2nS9E/canceres.html" title="Cânceres" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2012/01/canceres.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;AkYARHk6fSp7ImA9WhRWGUw.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-6078723291580298241</id><published>2012-01-07T04:26:00.001-02:00</published><updated>2012-01-07T04:35:45.715-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-07T04:35:45.715-02:00</app:edited><title>A Gretchen e Eu</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/PG8_8QfvwutAjvMQi2wa_tvpUnM/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/PG8_8QfvwutAjvMQi2wa_tvpUnM/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/PG8_8QfvwutAjvMQi2wa_tvpUnM/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/PG8_8QfvwutAjvMQi2wa_tvpUnM/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Dizem os psicanalistas que para realmente se ouvir uma pessoa se faz necessária uma escuta flutuante, isto é, permitir que a mente percorra livremente as possibilidades de cada palavra dita pelo outro, sem se prender à linearidade do que está sendo dito.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Não sei se sou capaz disto. Flutuar exige uma ação, um certo domínio sobre a água. Minha escuta não flutua, bóia. Quando vejo, já estou em outra onda e não faço nem ideia do que a outra pessoa está falando.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Talvez em uma clínica isso seja diferente. Talvez ficar boiando faça parte do negócio: seu paciente está falando sobre a mãe, você se perde num devaneio e só acorda quando escuta a palavra "Gretchen". Você pede pro paciente explicar melhor, ele tem um insight sobre como o amor de mãe é feito a bunda da Gretchen - também têm suas profundezas, dança conforme a música, não é o mesmo de vinte anos atrás - e pronto, você é o melhor psicanalista da paróquia.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
--&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Você não vai acreditar onde eu fui hoje! - disse meu amigo, como se tivesse acabado de voltar de Júpiter.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Júpiter?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Um show da Gretchen, Flávio! Um show da Gretchen! E você não vai acreditar...&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Foi bom?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- ...ela não tem uma celulitezinha!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Não respondi. Não sei o que ele queria que eu respondesse. Na falta de respostas, ele solta a punchline:&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Ela tem CRATERAS!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
--&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Sempre achei a Gretchen uma mulher honesta. Sempre bancou ser uma bunda.&amp;nbsp;Não peitos. Não um rosto bonito. Uma bunda. A primeira mulher-bunda da história brasileira. Uma heroína.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Hoje ela já não ostenta (ou sustenta) mais a bunda de antigamente, mas ainda ostenta (e se sustenta com) a bunda. Um pouco caída, mais cheia de ondulações que as dunas do Maranhão, uma bunda com uma história pra contar.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Uma bunda de mãe, que a filha aprendeu tanto a admirar que preferiu não competir na mesma categoria.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Tenho tanto desejo pela bunda da Gretchen quanto por uma mina terrestre, mas preciso admitir que é uma coisa admirável.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
--&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Tudo isso porque a Gretchen lançou uma música nova e aproveitou sua última chance de tentar emplacar um trocadilho erótico. Ela faz "I'm cool" soar, ao mesmo tempo, como "Ai meu cu", como o grunhido de um porco e como a música dos anjos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Na minha opinião, a música do verão 2012, e ai de mim se o Michel Teló me pega falando isso.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://1.gvt0.com/vi/3p3S1tAfoek/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/3p3S1tAfoek&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;


&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;


&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/3p3S1tAfoek&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
--&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na verdade, tudo isso por uma questão ainda mais importante: Será que a bunda da Gretchen flutua?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-6078723291580298241?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/diwB1plczUY" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/6078723291580298241/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=6078723291580298241&amp;isPopup=true" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6078723291580298241?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6078723291580298241?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/diwB1plczUY/gretchen-e-eu.html" title="A Gretchen e Eu" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2012/01/gretchen-e-eu.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkYMRnszeyp7ImA9WhRXGEo.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-2054792312477037772</id><published>2011-12-26T02:36:00.001-02:00</published><updated>2011-12-26T02:36:27.583-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-12-26T02:36:27.583-02:00</app:edited><title>Alargadores</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/JFU1sT4aMcm5mnl57bverCYChZo/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/JFU1sT4aMcm5mnl57bverCYChZo/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/JFU1sT4aMcm5mnl57bverCYChZo/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/JFU1sT4aMcm5mnl57bverCYChZo/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Perdi a conta das vezes
que minha boca escorreu sangue depois de escovar os dentes. Todos os
sorrisos que me obrigo a dar para cada um dos clientes que
cumprimento a cada dia nesse meu emprego dos infernos se descontam
com passadas cada vez mais vorazes da escova média sobre a minha
gengiva. 
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Meu hálito fica uma
mistura de menta e sangue A+, mas pelo menos a raiva arranja um jeito
de ir embora e, de quebra, lava a falsidade dos meus sorrisos.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
–&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
“Tira esse negócio da
cara, Flávio, pelo menos enquanto eu estiver na sua casa, &lt;i&gt;por
favor&lt;/i&gt;.” 
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Palavras ditas com tanto
pânico pelo meu primo que eu não posso deixar de conferir se o que
eu tenho na orelha é um alargador ou uma faca com um olho na ponta.
Não entendo como uma criança de doze anos de idade se deixa levar
tão fácil pelo pensamento medíocre da sua família.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
(Me sinto mal chamando
minha família de medíocre. São pessoas especiais e que eu amo
muito, mas que escolheram a mediocridade de uma religião absurda
para confinar suas vidas.)&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
No olhar do meu primo eu
fui capaz de ver toda a pressão pela qual eu passei quando fui,
também, uma testemunha de Jeová. 
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
–&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Eu mal tinha batido a
idade pra ser considerado adolescente. Meu irmão me chama no quarto
e pergunta se fui eu que salvei uma foto de um homem nu no
computador. 
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Eram outros tempos, a
internet era lenta – valia mais a pena salvar uma foto quando ela
carregava do que procurá-la novamente mais tarde. Vídeos, nem
pensar. Eram tempos mais românticos, você criava uma relação
especial com cada uma das imagens pornográficas que tinha. 
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Era uma pasta com mais ou
menos uns quinze namorados imaginários, desfilando suas pirocas na
galeria de imagens do computador. Pasta oculta, claro.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Não sei porque salvei
aquela foto na pasta errada. Talvez eu quisesse ser descoberto. 
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Lembro da foto como se a
tivesse visto hoje: Um homem, negro, de meias brancas, uma perna
tocando o chão e a outra com o joelho dobrado, oferecendo o seu
mastro marrom e usando um gorro de Papai Noel. 
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Mesmo naquela altura da
adolescência eu não era ridículo o suficiente por me atrair por
uma imagem dessas. Provavelmente salvei o arquivo simplesmente porque
a conexão discada me permitiu abrí-lo. 
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
“Sim, fui eu” -
confessei ao meu irmão, já com lágrimas nos olhos, “Foi Jeová
que te fez ver isso, foi Jeová!”.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Chorei e implorei perdão
pela minha alma suja durante toda aquela noite – torcendo para que
meu irmão não contasse nada aos meus pais.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
–&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Provavelmente eu tinha, à
época, a mesma idade que meu primo tem hoje quando olha para meu
alargador e se ofende profundamente.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
–&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
A mãe dele, uma das
pessoas que eu mais gosto no mundo - mesmo que só por me identificar
com a completa inadequação ao resto da família – já foi expulsa
da igreja, algum tempo atrás. Por ter se divorciado do marido, foi o
maior escândalo, e ainda descobrir que estava grávida, depois.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Expulsa das testemunhas
de Jeová, expulsa da casa dos pais, encontrou o apoio do meu pai,
que lhe deu um quarto em nossa casa e um emprego. Eu devia ter uns
cinco anos.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Lembro de pedir todos os
dias para que minha tia me levasse para a casa dos meus avós. Ela me
levava, eu lembro bem de suas mãos tremendo enquanto caminhávamos,
e enquanto eu brincava com as panelas da minha avó ela chorava na
sala ao lado, enquanto escutava dos meus avós o tamanho da decepção
que ela era para a família.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
– 
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Pouco depois, ela voltou
para o ex-marido, teve um outro filho tão encantador quanto o
primeiro, e deixou de ser uma decepção tão grande.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Claro que engordou uns
trinta quilos na jogada.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
–&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
E se eu for raciocinar
com ela que meu alargador é só a ponta do iceberg, só um furo que
eu estuprei em mim pra simbolizar o quanto eu alarguei o meu
pensamento, eu provavelmente vou escutar uma resposta pronta sobre
como ela saiu, viu o mundo fora da igreja e voltou. 
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
–&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Minhas gengivas ainda
estão escorrendo sangue. 
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Meu primo, que eu peguei
no colo enquanto o resto da família fazia sua mãe chorar, virou um
deles – um apontador de dedo, um jogador de pedras disfarçadas de
amor. Um carneirinho amedrontado pela perspectiva da destruição
eterna.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
–&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Ainda assim, me dá uma
felicidade tão grande vê-lo. 
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Ver toda a minha família,
na verdade. Eles podem sentir horror de tudo o que represento, mas
ainda são minha família. E é meu dever ser exatamente tudo o que
realmente sou quando estou na presença deles.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Não vale à pena
disfarçar o que sou só para ganhar um pouco de aprovação e afeto.
Seria a mesma coisa que, aos doze anos, falar que o homem pelado com
um gorro de Papai Noel apareceu no computador por engano. Por culpa
de um vírus.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Hoje eu entendo o porquê
de, mesmo chorando, minha tia me levar todos os dias para brincar na
casa de minha avó. Nem sempre uma ovelha negra é uma ovelha
desgarrada. Isso, suponho, é amor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-2054792312477037772?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/8Wf4KODCTWY" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/2054792312477037772/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=2054792312477037772&amp;isPopup=true" title="4 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/2054792312477037772?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/2054792312477037772?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/8Wf4KODCTWY/alargadores.html" title="Alargadores" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>4</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2011/12/alargadores.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkMHSH8-fip7ImA9WhRXFUw.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-1471769571978763390</id><published>2011-12-21T22:38:00.001-02:00</published><updated>2011-12-21T22:40:39.156-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-12-21T22:40:39.156-02:00</app:edited><title>Madrugadas</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/j9bgkMmIYlK4vc128I_H26fVWgk/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/j9bgkMmIYlK4vc128I_H26fVWgk/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/j9bgkMmIYlK4vc128I_H26fVWgk/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/j9bgkMmIYlK4vc128I_H26fVWgk/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Nos momentos mais solitários e interessantes da vida, me vi obrigado a me entender com as madrugadas. Apenas um insone tem real
noção do que é a eternidade. 
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Os dias, por mais
monótonos que sejam, sempre tem algo que os diferenciem. Pode ser
uma nuvem a mais no céu, um calor despropositado em pleno junho ou
um carro que bate num hidrante e espalha água pela vizinhança, mas
alguma coisa sempre distingue um dia do outro.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
As madrugadas, não.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
A temperatura, por mais
que varie, nunca vai ser tão influente como o clima que só as
madrugadas sabem ter. As horas – que na madrugada são
consideravelmetne mais longas – passam com um ritmo de pêndulo em
slow motion. O tempo vai e volta. Quanto maior a indisposição para
o sono, mais lenta a noite. 
&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Mais o corpo se inquieta
querendo correr. Se a cabeça se engana e pensa que pode dormir, os
joelhos resolvem pedalar e o oásis de sono chegando vai embora.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Um céu nublado não
deixa a madrugada mais escura. No máximo, colore o teto do mundo de
cinza.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Setenta e nove por cento
da escrita humana foi desenvolvida durante a madrugada.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Não é por saudade da
mãe que os bebês choram à noite. É por falta de saber lidar com a
madrugada. (No útero é sempre noite, mas o bebê não consegue
lidar com o fato de que a madrugada acaba. No fundo, ele sabe que o
correto seria não acabar).&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Crianças cuja concepção
ocorreu de madrugada tem mais caráter.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Quem nunca sofreu de
insônia prefere cachorros. Quem tem gato, tem madrugada na vida. O
gato é a madrugada em forma de bicho.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Numa madrugada produtiva,
um ser humano é incapaz de diferenciar se está em 2010 ou em 1958.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
As dores de crescimento
acontecem de madrugada. As lágrimas por amores que se vão. O gozo
pelo amor que fica. O sonho do que ainda está para voltar.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
O dia é para o trabalho.
A madrugada é para a filosofia. Deus ajuda quem vive a madruga.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
O dia é coletivo. A
noite é para o casal. A madrugada, por sua vez, é uma experiência absolutamente solitária.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
Os dias passam rápido,
as madrugadas não passam jamais.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
A manhã, quando chega, é
a tristeza do insone. É como um maratonista que corre na direção
oposta da linha de chegada.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
A luz do sol que me
perdoe, mas a madrugada é essencial.&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
E, como diria o Sinatra,&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://2.gvt0.com/vi/5ImGP33hcc4/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/5ImGP33hcc4&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;

&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;

&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/5ImGP33hcc4&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="JUSTIFY" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="margin-bottom: 0cm; text-align: center;"&gt;
&lt;i&gt;In the wee small hours
of the morning&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="margin-bottom: 0cm; text-align: center;"&gt;
&lt;i&gt;Is the time you miss
her most of all.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-1471769571978763390?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/TM3SzYhE1XE" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/1471769571978763390/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=1471769571978763390&amp;isPopup=true" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/1471769571978763390?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/1471769571978763390?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/TM3SzYhE1XE/madrugadas.html" title="Madrugadas" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>3</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2011/12/madrugadas.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;A0cHQng9fSp7ImA9WhRXEUo.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-2817845949681485940</id><published>2011-12-18T01:30:00.000-02:00</published><updated>2011-12-18T01:30:33.665-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-12-18T01:30:33.665-02:00</app:edited><title>Timidez</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/KYOwYgMPu3Jl8VxOotJrE5zX1Bk/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/KYOwYgMPu3Jl8VxOotJrE5zX1Bk/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/KYOwYgMPu3Jl8VxOotJrE5zX1Bk/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/KYOwYgMPu3Jl8VxOotJrE5zX1Bk/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Nascer tímido não é, necessariamente, morrer tímido. Tímido seria provavelmente a última palavra que algum amigo meu usaria para me descrever.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Mesmo assim, eu procuro ter alguma privacidade. Algumas coisas privadas, nada realmente secreto.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
O problema é quando você descobre que entrou num bate-papo de internet depois de brigar com o namorado, adicionou algumas pessoas no MSN (nunca mais tinha usado, mas minha mãe frequenta) e que agora todos seus amigos vêem "Flávio Voight adicionou NEGÃO_SARADO_QUER" nas suas atualizações.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
--&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
O parágrafo anterior foi uma briga entre a primeira e a terceira pessoa, não foi? Na terapia, eu costumo falar "A gente faz" pra tudo que provavelmente só eu faço no mundo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Aliás, foi a terapia que me fez escrever esse texto e atualizar esse blog depois de tanto tempo. Não dá pra ficar dois anos fazendo análise e falando que se sente bem quando escreve e... não escrever nunca.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Eu escrevia mais quando ouvia menos música. Escrevia pra aliviar os pensamentos bobos que nunca iam embora. Comecei a ouvir mais música pra me distrair e acabei passando 20 horas por dia com um fone-de-ouvido na orelha, um Asperger adquirido e a audição cagada. Parei de pensar e não escrevi mais.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Obrigado, Lady Gaga, por ajudar a literatura mundial.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
--&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Falando em terapia, eu estudo psicologia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Estranho que esse é o meu blog e eu provavelmente nunca mencionei isso - talvez mencionasse se me dedicasse a atualizar mais de uma vez entre uma passagem do Halley e outra.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Agora pensa, eu arranjo um paciente um dia e ele procura meu nome no Google - que, até eu arranjar o paciente, já vai ter sido substituído por algum outro sistema de busca com menos jeito de yuppie-com-calças-até-o-umbigo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Em vez de encontrar referências de um bom profissional, ele fica sabendo da minha amizade com o NEGÃO_SARADO_QUER.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
--&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Sabe aquelas fotos que ficam expostas por mais tempo do que o necessário, e fazem uma rua parecer com uma grande faixa colorida cheia de carros passando?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Hx6r1cLtpHg/Tu1eFIWWxJI/AAAAAAAAAFc/XEbAkHZM8SM/s1600/estradalongaexposi%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="212" src="http://4.bp.blogspot.com/-Hx6r1cLtpHg/Tu1eFIWWxJI/AAAAAAAAAFc/XEbAkHZM8SM/s320/estradalongaexposi%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Então.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Eu sou assim. Não funciono sem super-exposição. Espero que meu namorado me perdoe.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-2817845949681485940?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/szUcs61oMAk" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/2817845949681485940/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=2817845949681485940&amp;isPopup=true" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/2817845949681485940?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/2817845949681485940?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/szUcs61oMAk/nascer-timido-nao-e-necessariamente.html" title="Timidez" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-Hx6r1cLtpHg/Tu1eFIWWxJI/AAAAAAAAAFc/XEbAkHZM8SM/s72-c/estradalongaexposi%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>3</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2011/12/nascer-timido-nao-e-necessariamente.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DU4CRXoyfip7ImA9WhdXGUs.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-145041038747945545</id><published>2011-09-02T09:51:00.000-03:00</published><updated>2011-09-02T09:52:44.496-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-09-02T09:52:44.496-03:00</app:edited><title>Chucrute</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/sjuYE04H3oXe503ljhc7FNz49oU/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/sjuYE04H3oXe503ljhc7FNz49oU/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/sjuYE04H3oXe503ljhc7FNz49oU/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/sjuYE04H3oXe503ljhc7FNz49oU/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Entrar para uma nova família não é tarefa fácil. Um sogro a conquistar, uma sogra a conquistar. Um sobrinho a fazer parar de vomitar na sua perna.&amp;nbsp;Lógico, você desenvolve artifícios: um presente para o sogro, um elogio para a sogra, um empurrão discreto no sobrinho... E há ocasiões que podem facilitar o acesso à família da sua noiva (lembre-se: nesse momento você ainda tem vontade de entrar para a família, sem saber de onde está se metendo).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ethel e Ervin, no entanto, eram os sogros perfeitos. Mantinham-se bêbados a maior parte do tempo, para disfarçar a surdez que já não era tão parcial assim. Mesmo quando ouviam, não entendiam muito bem o português - que chegaram a falar bem, antes da aposentadoria. Você dizia "bom dia", Ervin respondia "Opa!" e ria. Você dizia "Adorei o chucrute, Ethel" e recebia "Ah!" e uma gargalhada como resposta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hugo já tinha passado dois natais com a família da noiva. Ficou surpreso de passar tanto tempo sem nenhuma ameaça de morte caso o casamento não viesse logo. Era a família perfeita. Até a cunhada era boa gente. Não tinha bom papo, mas ficava quieta e sorria - até que arranjou um namorado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na estratégia de Hugo, isso era ótimo. No mínimo, um aliado. Quem sabe, um amigo. Um outro abençoado para dividir a família perfeita, uma pessoa a mais na mesa do Natal. Um bêbado a mais, um que pelo menos teria papo além de soltar pum e rir alto durante a ceia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Era noite de Natal. O cunhado apareceu com flores para Ethel, que ficou maravilhada. "Por que eu nunca pensei nisso antes, pôxa?", pensou Hugo. Mancada. Ethel sorriu e disse "Que genro lindo que eu fui arranjar!".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pânico. Ethel... falava? Bom, era um evento raro naquela família, mas acontece. Fazer o quê? O elogio era mérito do cunhado - mas tudo bem, mais hora ou menos hora ele também daria uma mancada e ficariam elas por elas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O cunhado tirou uma faca enorme da mochila e foi em direção ao sogro. "Agora fodeu", pensou Hugo, "que bom.".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ervin ergueu as mãos para o céu, fez cara de surpresa no rosto gordo e careca (ele conseguia ser gordo até na careca, como todo bom alemão de idade) e ninguém entendeu sua alegria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Uma kornkepffelhanger! Uma kornkepffelhanger! A faca perfeita para sohn töten ärgerlich!"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi o maior porre de noite de natal na vida de Hugo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram dez anos de natais perdidos. Hugo nunca mais teve coragem de olhar para a cara dos sogros. Ele era o pior genro da face da Terra. Tudo culpa daquele cunhado maldito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A noiva (que já tinha até virado esposa, convencida de que a ideia de casar em Paris só com a presença do Hugo era só romantismo e não pânico de encontrar os sogros) insistia todos os natais. "Que é isso, amor... Mágoa boba. Leva uma faca você também!".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hugo sabia que não encontraria a faca certa. Chegou até a ir a um psicólogo para se tratar - quem sabe fosse loucura mesmo, quem sabe os sogros não o odiassem. Quem sabe, depois de tanto tempo, eles odiassem mesmo era o cunhado. Quem sabe a faca tivesse perdido o fio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram dois anos de terapia. Era outubro e Hugo já tremia de ansiedade. No próximo natal, visitaria os sogros. Essa mágoa ia acabar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ethel colocou neve de mentirinha (na verdade, isopor raspado até formar bolinhas) em todo o teto da casa (na primeira chuva, o isopor entupiu todos os bueiros da vizinhança). A casa nunca pareceu tão aconchegante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hugo entrou, cumprimentou os sogros. "Aop!", disse Ervin, e riu. "Oi!", disse Ethel, e riu, somente para ser interrompida pela entrada do outro genro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Seu Ervin!" - maldito cunhado - "Olha aqui, outra&amp;nbsp;kornkepffelhanger pro senhor!".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não deu nem tempo de Ervin falar que adorou e que tinha o melhor genro do mundo. Hugo pulou no pescoço do cunhado e apertou até que o mal estivesse feito. Um cunhado a menos no mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Opa!", disse Ethel, e gargalhou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-145041038747945545?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/W0t1EJZYK3I" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/145041038747945545/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=145041038747945545&amp;isPopup=true" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/145041038747945545?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/145041038747945545?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/W0t1EJZYK3I/chucrute.html" title="Chucrute" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2011/09/chucrute.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CkUESHw5fip7ImA9WhdXGEU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-5705600746084345014</id><published>2011-09-01T09:30:00.000-03:00</published><updated>2011-09-01T09:30:09.226-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-09-01T09:30:09.226-03:00</app:edited><title>Xerox (ou, Vasco da Gama Fotocópia Clube)</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/L3IvxeK9s7nJvNqXH-rBKL4MWI0/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/L3IvxeK9s7nJvNqXH-rBKL4MWI0/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/L3IvxeK9s7nJvNqXH-rBKL4MWI0/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/L3IvxeK9s7nJvNqXH-rBKL4MWI0/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;A camisa do Vasco da Gama chacoalhava na janela, presa por dois grampos num varal improvisado (preso entre uma porta fechada de guarda-roupa e o vãozinho da grade do berço). O bebê assistia o vaivém da camisa sem entender direito se aquilo era um urubu indeciso entre entrar e sair pela janela ou se era a noite oscilando com o dia - mas sabia que aquilo ia marcar sua vida para sempre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mãe não era vascaína, era o pai. Não me pergunte o forrobodó que acontecia na cabeça da criança quando, aos seis meses, foi jogado para cima pelo pai num grito de gol, em pleno estádio de futebol. Sorte (do bebê, ou do pai?) que caiu novamente nos braços paternos, aliviando a culpa do pai, que olhou para a esposa furiosa com cara de "Olha, coordenação motora! A gente vê por aqui.".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os meses sem sexo (entre marido e esposa, não entre pai e filho) decorrentes da cena não foram penalidade suficiente: foi o primeiro gol comemorado entre os dois (pai e filho, não entre marido e esposa). Pelo pai, com um grito e um pulo. Pelo filho, com um berro e uma chupeta perdida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de então, era Vasco da Gama para toda a família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As coisas acontecem mais ou menos assim: A gente nasce mudo (de palavras, não de barulho. Em barulho a gente já nasce fluente) e vai copiando tudo o que os pais falam, balbuciando e errando até falar exatamente as coisas que nossos pais nos falaram. As palavras foram copiadas, a impressão da fotocópia começa a acontecer).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois, não nos satisfaz mais falar só as palavras que nossos pais falam: os filhos começam a andar com passos iguais ("Olha lá, ele é tortinho pra esquerda igual o pai! Vai ser comuna!") e a reagir da mesma maneira: "Essa Coca é minha, filha da puta", que eu realmente ouvi da voz de um menino de uns três anos que conversava com a mãe, me fez pensar que o menino era filho de um pai viciado em Coca (espero que seja Cola).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aí, quando a gente cresce e fica puto da cara com o espelho por ele mostrar o rosto do nosso pai e não o nosso, e vê que se fodeu exatamente da mesma maneira que nosso pai se fodeu na vida (perpetuando um ciclo de fodelança familiar-não-incestuosa), o jeito é procurar um jeito de se distrair.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É então que você vai pro jogo de futebol torcer pelo Vasco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tá certo que nem sempre a cópia sai muito bem. Talvez o processo de reprodução só se conclua quando o filho passa a beber a mesma cerveja que o pai e a reclamar dessa porra de antena que nunca pega da mesma maneira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Aliás, essa ideia de falar que vai reproduzir quando a espécie procria me incomoda um pouco. Porra, não é mais fácil criar uma criança? Tem que reproduzir, igualzinho?)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem sabe o processo não seja como o de uma fotocópia, e sim como um carimbo. Você é seu pai, esfregado numa almofada de tinta e pressionado contra uma folha em branco. Igualzinho, mas tudo ao contrário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu pai concorda com isso desde o dia em que teve de te bater porque você gritou "Mengo!". Te ajeita, carimbão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-5705600746084345014?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/nfnmDdiB0yc" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/5705600746084345014/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=5705600746084345014&amp;isPopup=true" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/5705600746084345014?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/5705600746084345014?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/nfnmDdiB0yc/xerox-ou-vasco-da-gama-fotocopia-clube.html" title="Xerox (ou, Vasco da Gama Fotocópia Clube)" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2011/09/xerox-ou-vasco-da-gama-fotocopia-clube.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkcMSXY7fip7ImA9WhZTEU4.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-6716107541916061582</id><published>2011-03-14T16:49:00.004-03:00</published><updated>2011-03-14T17:21:28.806-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-03-14T17:21:28.806-03:00</app:edited><title>Equívoco</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/uzzobdxNRhk3yIDOUnPvAk0Czgk/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/uzzobdxNRhk3yIDOUnPvAk0Czgk/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/uzzobdxNRhk3yIDOUnPvAk0Czgk/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/uzzobdxNRhk3yIDOUnPvAk0Czgk/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Ela olhou pra mim como se eu fosse um leproso. Mais, olhou pra mim como se eu fosse um leproso que estuprara sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, a primeira impressão nem sempre é a que fica. Marcar encontros pela internet pode dar nisso, até acho que a chance de terminar em decepção é de quase 100%. Isso só não me abala porque acho que a chance de qualquer relacionamento terminar em decepção é de quase 100%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me seguiu com os olhos conforme eu entrava no restaurante. A impressão que eu tinha é que ela pensava "Pode não ser ele. Pode ser uma coincidência. Pode ser outro homem com topete, gravata azul e uma rosa na lapela, tem tantos homens que se vestem assim no mundo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe o pensamento continuasse, "e que merda, Leocilde, se ele falou que ia de topete, gravata azul e rosa na lapela, já era um puta de um indício de que ele seria um cafonão desses."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, eu não me decepcionei nadinha. Não que ela fosse uma beldade (e, chamando Leocilde, alguém vai ter uma chance na vida de se tornar uma beldade?), mas eu já esperava que ela fosse gordinha, cabelo loiro descolorido mais do que devia e tentando compensar o cabelo ralo com uma quantidade de laquê capaz de sufocar um animal pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tinha mais jeito de adiar. Me aproximei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Com licença... Leocilda?"&lt;br /&gt;"LeocildEEE."  Ela fez questão de demonstrar que não estava satisfeita. "Você deve ser o Jean."&lt;br /&gt;"Eu mesmo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxei a cadeira pra sentar.&lt;br /&gt;"Desculpa o atraso, é que o trânsito..."&lt;br /&gt;"Você não está atrasado, eu é que cheguei antes."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela falava sem tirar o olho da cestinha de pães à sua frente. Uma simpatia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você não parece muito com a sua foto... Você não disse que usava óculos."&lt;br /&gt;"É pra te ver melhor", disse eu, e ri amarelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não gostou da referência à Chapeuzinho. Talvez sua vó tenha sido devorada por um lobo. Ou fugiu com um lenhador. Ou fugiu com um lobo, nunca se sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nisso, um outro homem entra no restaurante e começa a perambular por entre as mesas, como se procurasse alguém. Não encontrou e sentou-se no bar, com cara de quem espera. Olhava para o relógio a cada trinta segundos, só pra confirmar que trinta segundos tinham se passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Leocílde parecia cada vez mais impaciente comigo. Pediu licença. "Vou ao toilette." O vocabulário era tão pretensamente fino que me irritava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto caminhava rumo ao banheiro (provavelmente para pular pela janela), o homem que esperava por alguém a cutucou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Com licença, Leocilda?"&lt;br /&gt;Ela ficou com cara de espanto.&lt;br /&gt;"Sim, sou eu."&lt;br /&gt;Ele estendeu a mão.&lt;br /&gt;"Prazer, Jean!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a probabilidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela nem fez questão de voltar para a mesa e reparar o equívoco comigo. Sussurrou qualquer coisa no ouvido do homem e saíram juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei decepcionado, não nego. Por mais que estivesse esperando uma decepção, não esperava esse tipo de engano acontecendo. Comecei a olhar ao meu redor, tentando tirar algo de bom da experiência. Vi uma mulher, loira, sozinha em uma mesa. Mais sem graça que a última, mas, pela cara, parecia menos presunçosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhei até ela.&lt;br /&gt;"Com licença... Leocilde?"&lt;br /&gt;"LeocildAAA".&lt;br /&gt;"Prazer, Jean... Peraí, você não tinha dito que usava óculos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, era só um equívoco. Agradeci, era uma decepção a menos por aquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos até que eu visse os pêlos no pé dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-6716107541916061582?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/EumEC9A7zak" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/6716107541916061582/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=6716107541916061582&amp;isPopup=true" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6716107541916061582?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6716107541916061582?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/EumEC9A7zak/equivoco.html" title="Equívoco" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2011/03/equivoco.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkUBRn07eCp7ImA9Wx9XGUk.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-5088123602769831210</id><published>2011-01-13T16:42:00.002-02:00</published><updated>2011-01-13T16:44:17.300-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-01-13T16:44:17.300-02:00</app:edited><title>A Marca da Noiva</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Z-pGWlj-zdxM2Pa1OSjUbWk9_qg/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Z-pGWlj-zdxM2Pa1OSjUbWk9_qg/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Z-pGWlj-zdxM2Pa1OSjUbWk9_qg/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Z-pGWlj-zdxM2Pa1OSjUbWk9_qg/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chupei-lhe o pescoço violentamente, como se estivesse deglutindo um gomo de laranja. Comprometido, sim, eu entendo. Mas minha presença se recusa a acompanhar-lhe apenas pelos momentos em que estamos juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que isso vai dar problema. Eu sei que ele vai chegar em casa para encontrar a mulher aos berros, perguntando que marca é essa no seu pescoço, seu traidor. Eu sei que provavelmente isso vai fazer com que ele se desinteresse um pouco por mim, que peça mais discrição na próxima vez... Que ele passe a dar mais atenção para ela, e presentes para ela, e beijos para ela. Gastar seu tempo com ela, nem que seja brigando e arranjando desculpas pela marca que eu deixei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo que, sem esse chupão, poderia ser meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que é o tempo numa questão dessas? Não é importante. A noiva é importante e amada? É, sem dúvida. Mas esse carimbo de carne vermelha tatuado em seu pescoço serve pra levantar questões. Fala que eu estive ali, que por alguns momentos aquele corpo foi o meu playground. O  meu, não o dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dela, ela que não sabe nem brincar direito. Que não escorrega do jeito que eu escorrego, que não trepa-trepa como eu trepo-trepo, que não se balança na gangorra como eu gangorreio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A marca da noiva está nos anos de vida, nos jantares de família, até na conta bancária. A minha está na pele. A pele é minha. Você pode ter tudo, querida, mas o corpo dele é meu. É em mim que ele pensa. Tá ali a mancha de sangue coagulado em seu pescoço pra não me deixar mentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só não se preocupe, dona Noiva. Minha marca é temporária: semana que vem a mancha desaparece. Ou, quem sabe, amanhã mesmo ele disfarce com um pouco da sua maquiagem ou uma gola mais alta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí ele volta pra cá.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-5088123602769831210?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/-t51qUnSmQY" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/5088123602769831210/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=5088123602769831210&amp;isPopup=true" title="7 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/5088123602769831210?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/5088123602769831210?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/-t51qUnSmQY/marca-da-noiva.html" title="A Marca da Noiva" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>7</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2011/01/marca-da-noiva.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEUEQXc8eSp7ImA9Wx5XGU8.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-6148468273087162805</id><published>2010-09-19T15:48:00.001-03:00</published><updated>2010-09-19T15:50:00.971-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-09-19T15:50:00.971-03:00</app:edited><title>Maldita Família</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/n7hvw_e-Fi1PIR8bJquV84PC2qA/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/n7hvw_e-Fi1PIR8bJquV84PC2qA/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/n7hvw_e-Fi1PIR8bJquV84PC2qA/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/n7hvw_e-Fi1PIR8bJquV84PC2qA/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Trabalhava no mesmo emprego fazia tanto tempo que nem ligava mais de ter que trabalhar violentamente por três dias a cada mês e passar todo o resto do mês atualizando a página do e-mail para ver se tinha recebido alguma corrente nova. Sentia-se emburrecida quando tinha o impulso de repassar para quinze pessoas qualquer coisa que pudesse lhe dar azar.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Os amigos também eram os mesmos há tempo demais. Não que fizesse diferença, já que ela estava no mesmo lugar há tanto tempo. “Lugar” em espaço, sim, mas também lugar no pensamento. Os amigos também estavam morando na mesma idéia fazia tempo demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As conversas eram as mesmas, os e-mails eram os mesmos, os dias eram os mesmos. (a não ser pelos violentos 3 dias do mês em que os relatórios chegavam e precisavam ser analisados num prazo tão possível quanto cruzar um jabuti com uma árvore). Mas tudo bem, ela não se importava com isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A culpa ela já tinha descoberto de quem era:  de sua maldita família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Maldita porque todos os que vieram antes dela fizeram alguma coisa de importante. Nada de muito importante, pra piorar, porque aí ela não tinha nem como viver dos louros alheios. Mas faziam alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nasciam no meio do mato e construíam vida na cidade. Largavam a religião em que nasceram e tornavam-se monges em alguma outra religião qualquer. Viajavam o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela não fazia nada disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O bisavô, que fugiu da tribo em que nascera para não ser assassinado, e depois acabou iniciando um vilarejo que hoje é uma cidade tão quase grande que está até pra ter um McDonald’s? Morreu sem jamais ver os arcos dourados e sem nunca ter comido um hambúrguer. Hoje mora numa ruga na testa de sua bisneta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A avó, que não quis fincar raízes na cidade que seu pai fundara, e que por isso mesmo tornou-se a maior tecelã de sua época em uma cidade do outro lado do país? Morreu sem jamais ver a neta vestida com os panos que idealizara. Hoje mora numa úlcera, no estômago de sua neta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O pai, que construía os próprios carros juntando peças pescadas em ferros-velhos? Morreu sem ver a vida aprender a guiar seu destino. Hoje mora num corte no joelho da filha - já cicatrizado, anos depois do acidente (quem diria que o banco comprado a preço de banana ia se soltar e arremessar a garota contra o porta-luvas?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela? Ela trabalha três dias por mês e lê e-mails nos outros. Isso não a incomoda, mas os fantasmas que ficaram no seu corpo ainda lhe beliscam, de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-6148468273087162805?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/uMVC9vnETU8" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/6148468273087162805/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=6148468273087162805&amp;isPopup=true" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6148468273087162805?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6148468273087162805?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/uMVC9vnETU8/maldita-familia.html" title="Maldita Família" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>3</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2010/09/maldita-familia.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkQCRnc9eCp7ImA9Wx5QGE4.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-1604532245749972334</id><published>2010-09-07T01:36:00.002-03:00</published><updated>2010-09-07T01:39:27.960-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-09-07T01:39:27.960-03:00</app:edited><title>Chagas</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/HfeSQYY92xf9wDJ8cWuSD9fu0Ws/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/HfeSQYY92xf9wDJ8cWuSD9fu0Ws/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/HfeSQYY92xf9wDJ8cWuSD9fu0Ws/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/HfeSQYY92xf9wDJ8cWuSD9fu0Ws/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Me diga qual a importância&lt;br /&gt;de morrer e ir pro céu?&lt;br /&gt;de transar com camisinha&lt;br /&gt;lubrificar com álcool gel&lt;br /&gt;porque tudo contamina&lt;br /&gt;e chupar bala com papel&lt;br /&gt;é a saída&lt;br /&gt;mas segurar o desejo&lt;br /&gt;é só a massa do pastel;&lt;br /&gt;a carne é fraca&lt;br /&gt;a carne é moída&lt;br /&gt;é carne de vaca&lt;br /&gt;mesmo que seja de gente&lt;br /&gt;mesmo que seja sagrada&lt;br /&gt;mesmo que esteja salgada&lt;br /&gt;e o paladar não aguente&lt;br /&gt;comemos contentes&lt;br /&gt;damos todos as mãos&lt;br /&gt;e rezamos antes da janta&lt;br /&gt;Deus abençoe o alimento&lt;br /&gt;Arroz com carne humana&lt;br /&gt;A carne é nua&lt;br /&gt;A carne é crua&lt;br /&gt;A carne é sua&lt;br /&gt;A carne sua&lt;br /&gt;A carne é quente&lt;br /&gt;É carne de gente&lt;br /&gt;assada no fogo do inferno&lt;br /&gt;sanduichada no pão &lt;br /&gt;que o filho de Deus amassou&lt;br /&gt;pra comer bebendo vinho&lt;br /&gt;vinho que antes foi mágoa&lt;br /&gt;vinho que antes foi tinto&lt;br /&gt;vinho que molhou a chaga&lt;br /&gt;A chaga que hoje sarou&lt;br /&gt;Todos estamos no céu,&lt;br /&gt;nenhum de nós se salvou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-1604532245749972334?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/StyHdEAa3GY" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/1604532245749972334/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=1604532245749972334&amp;isPopup=true" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/1604532245749972334?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/1604532245749972334?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/StyHdEAa3GY/chagas.html" title="Chagas" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>3</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2010/09/chagas.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;AkQBSX86eCp7ImA9Wx5SFk4.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-4992832073900581065</id><published>2010-08-12T15:37:00.000-03:00</published><updated>2010-08-12T15:39:18.110-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-08-12T15:39:18.110-03:00</app:edited><title>Churrascaria</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/sCKUF5N-I-gjTF_etF88_iept_g/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/sCKUF5N-I-gjTF_etF88_iept_g/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/sCKUF5N-I-gjTF_etF88_iept_g/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/sCKUF5N-I-gjTF_etF88_iept_g/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Eu sou um artista covarde. Eu não me embrenho no mato por semanas a fio para tentar encontrar meu eu. No máximo, gasto uma graninha em terapia para despejar palavras tentando aliviar a pressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque artistas são os que pintam o cabelo de cores que o cabelo não gosta de ser. Artistas são os que tem o tênis que os artistas gostam de usar. Artistas gostam de música que ninguém conhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não devo ser nem artista, só covarde. Eu teria pavor de cortar a minha orelha. Por deus, eu tinha medo de pegar na orelha de plástico que vinha de brinde no pacote de salgadinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não vivo intensamente. Eu não brigo com as pessoas, eu não sou excêntrico. Eu não presto pra isso. Não vivo grandes amores, no máximo troco abraços no sofá, com a televisão ligada na novela. Eu gosto de novela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou um escritor. Confesso que tenho preguiça de ler, às vezes, e que de vez em quando prefiro um livro de auto-ajuda a um clássico. Eu não sou alternativo. Eu leio auto-ajuda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu uso expressões como "estou aprendendo a amar a mim mesmo" no dia-a-dia. Eu escuto música brega - não de propósito, pra apontar o dedo e falar "que música brega". É porque eu acho bonito mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou politizado. Eu acredito que somos todos iguais, mas quero ser melhor que os outros. Talvez nisso eu seja artista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou rebelde. Eu quero agradar todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu escuto os outros por obrigação. Eu não gosto de ver pessoas inteligentes perto de mim, me faz sentir burro. Nem pessoas talentosas. Elas inspiram, mas distraem os outros das coisas que são realmente importantes (os meus interesses, por exemplo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não quero trabalhar. Os trabalhos são todos inferiores à minha capacidade intelectual. Todos, sem exceção (talvez haja algum trabalho que eu seja incapaz de desempenhar, mas são trabalhos de gente besta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como faz pra ficar rico desse jeito?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-4992832073900581065?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/Jf5elDc5Y-8" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/4992832073900581065/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=4992832073900581065&amp;isPopup=true" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/4992832073900581065?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/4992832073900581065?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/Jf5elDc5Y-8/churrascaria.html" title="Churrascaria" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>3</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2010/08/churrascaria.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CUQGQ3c7fyp7ImA9WxFbEU0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-5838613332602554193</id><published>2010-06-29T07:01:00.006-03:00</published><updated>2010-07-02T17:42:02.907-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-07-02T17:42:02.907-03:00</app:edited><title>Redenção e Sabão</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/T2wCA_s-YlSPEmQH5TojQSx-Ges/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/T2wCA_s-YlSPEmQH5TojQSx-Ges/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/T2wCA_s-YlSPEmQH5TojQSx-Ges/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/T2wCA_s-YlSPEmQH5TojQSx-Ges/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Uma das coisas que mais me interessou a vida toda foi como as pessoas em algum momento na vida procuram se redimir do que fizeram. Meu avô, agora com setenta e vários anos, é uma dessas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sempre foi um dos meus personagens favoritos - eu tenho o hábito de tentar colorir minha vida focando em certas coisas interessantes das pessoas, talvez para não encontrar motivo para reclamar delas. Meu avô sempre fez parte do meu repertório de coisas interessantes para contar para as pessoas tentando fazer com que elas me achassem interessante também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu contava que ele nasceu no navio, vindo da Áustria para o Brasil. Não sei quando eu ouvi essa história, nem de quem. Só sei que provavelmente não se trata da verdade. Muito do que eu ouvi quando criança também foi embelezado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu avô não foi um pai muito bom para minha mãe e meus tios. Bebia, deixava sem comida, espancava. Um dos momentos mais marcantes da minha infância foi encontrar um poema que minha mãe escreveu aos dezessete anos (ela já escrevia para um jornal local) chamado "Morra, Pai". Um poema, apesar do título, belíssimo em que ela pedia para que o pai morresse para finalmente poder amá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe abandonou a escrita já há muitos anos, e agora seu desejo poético deve estar bem próximo de se realizar. Quando criança, eu achava muito difícil encaixar a figura de velho gordo e simpático que eu via em meu avô nas histórias de pai terrível que eu ouvia da minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De alguma forma, mesmo tendo boa parte da memória desfigurada pelo álcool, eu acho que meu avô se arrependeu do que fez. Ele é gente, impossível não se arrepender nem um pouquinho. Chegou a perder um filho, que de tanto se sentir sufocado resolveu morrer de pneumonia aos dezenove anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu avô já está doente há um bom tempo. Não sei exatamente qual foi a doença, mas sei que algum tempo atrás seu coração inchou ao ponto de ele precisar usar uma cinta ao redor do tórax para conter o crescimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando melhorou, resolveu voltar a trabalhar e passou a dedicar os seus dias a fazer sabão. Sabão tão forte que machucava as mãos de quem o usava. Sabão tão forte, quem sabe, que pudesse limpar as manchas do seu passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é ele que está com pneumonia, a doença que matou seu filho, e está na UTI já há alguns dias. Se ele se for, fica de herança para mim a certeza de que a vida tem sempre um jeito poético de resolver as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O equilíbrio sempre é atingido, nem que seja só por metáfora. Nem que seja fazendo sabão, nem que seja ficando com diabetes por não achar a vida mais doce, nem que seja fazendo o coração ficar um balão gigante - a redenção vem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-5838613332602554193?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/cmctPmYyuJY" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/5838613332602554193/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=5838613332602554193&amp;isPopup=true" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/5838613332602554193?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/5838613332602554193?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/cmctPmYyuJY/redencao-e-sabao.html" title="Redenção e Sabão" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>3</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2010/06/redencao-e-sabao.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkAGQX4-fyp7ImA9WxFUGE0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-5711753679954240595</id><published>2010-06-29T06:35:00.003-03:00</published><updated>2010-06-29T06:45:20.057-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-06-29T06:45:20.057-03:00</app:edited><title>Fé</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/uo6nbEgtPJHLnvbKLQbvF71wbUs/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/uo6nbEgtPJHLnvbKLQbvF71wbUs/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/uo6nbEgtPJHLnvbKLQbvF71wbUs/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/uo6nbEgtPJHLnvbKLQbvF71wbUs/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Acho que cheguei perto de uma definição ideal do que é ter fé. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você arranja, depois de anos de tentativas, uma pessoa legal que não deixa de falar contigo depois do segundo encontro. Uma pessoa que te dá até a esperança de passar mais de um mês juntos - felicidade eterna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo depois, vocês vão pra cama. O sexo é legal, a química é respeitável. Você dorme de conchinha pela primeira vez em séculos, tão feliz que quase não se importa com a dormência de um dos braços. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então você cai no sono feliz dos amantes - somente para sonhar que está fazendo cocô, o cocô mais importante da sua vida. Um sonho relaxante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então você acorda com um pum e reza para que tenha sido só no sonho. Ou, pelo menos, para que ele esteja dormindo e não tenha sentido o ventinho quente no pau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FÉ.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior que isso é imaginar que seria legal ter um lugar pra poder contar essas coisas e lembrar que você tem - e não usa há dois meses. Engraçado como na época da minha vida que eu estou mais decidido a ser um livro aberto foi a primeira vez que esse blog ficou mais de um mês sem nenhuma atualização. Posso jogar a culpa na faculdade? A faculdade comeu meus posts. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso e a minha pretensão de só querer postar contos aqui. Pra quê, se ninguém lê mesmo e a minha analista está em férias? Economia é tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-5711753679954240595?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/Y7pT_-RSoEU" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/5711753679954240595/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=5711753679954240595&amp;isPopup=true" title="6 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/5711753679954240595?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/5711753679954240595?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/Y7pT_-RSoEU/fe.html" title="Fé" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>6</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2010/06/fe.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DU8MR3c6fip7ImA9WxFSGEw.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-2177576766316707588</id><published>2010-04-20T23:44:00.001-03:00</published><updated>2010-04-20T23:44:46.916-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-04-20T23:44:46.916-03:00</app:edited><title>Moto-contínuo</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/cuN8Aixr0XvU1zJBhAMJvLMkkOI/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/cuN8Aixr0XvU1zJBhAMJvLMkkOI/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/cuN8Aixr0XvU1zJBhAMJvLMkkOI/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/cuN8Aixr0XvU1zJBhAMJvLMkkOI/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Duas crianças brincando, a mais nova pentelhando a mais velha, que reclama e faz bico. Segundos de silêncio e de greve de brincadeira rompidos por um cutucão do mais velho no mais novo. Moto-contínuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu fosse contar alguma coisa para essas crianças, como se fosse um velho barbudo e sábio de um filme de Hollywood - desses que propagam valores importantes como saber que sabedoria está sempre acompanhada de velhice e barba -, eu ia dizer que tudo o que parece grande e assustador nessa idade vai perder o tamanho com o tempo (o susto talvez continue).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também diria que não é bom focar no grande, não. O grande só serve para tirar o foco do que realmente tem importância. O estudo, o dinheiro, a vida, tudo é um grande conjunto de grandes porras nenhumas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meninos me perguntariam por quê, e eu diria que é porque o medo das provas na escola vai parecer ridículo em alguns anos (quando se estiver temendo alguma outra prova que também parecerá ridícula depois de provada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não diria tudo para esses meninos. Tem coisas que eles precisam descobrir sozinhos: que a morte assusta mas não é o pior que se enfrenta, por exemplo. Que um dia, no futuro, quando a vida separar o fictício quadril conjunto que os mantém unidos como gêmeos for separado como um machado arranca as metades de um sicômoro siamês, um dos meninos vai lembrar do outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro não vai estar morto, só distante. O menino vai chorar de saudades. A morte traz a falta, mas os momentos passados dão coisa pior. A saudade é pior do que a morte, porque transcende a morte. Porque não morre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, havendo outra vida depois dessa, a morte poderia ser superada e um reencontro se tornaria possível. Os mortos podem voltar, os momentos não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pra quê pensar na morte se o seu irmão acabou de te dar um peteleco?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-2177576766316707588?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/FqhBVYxMkXg" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/2177576766316707588/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=2177576766316707588&amp;isPopup=true" title="5 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/2177576766316707588?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/2177576766316707588?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/FqhBVYxMkXg/moto-continuo.html" title="Moto-contínuo" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>5</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2010/04/moto-continuo.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;C04MQXs9fCp7ImA9WxBaFk0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-70864434027825634</id><published>2010-03-26T08:08:00.000-03:00</published><updated>2010-03-26T08:13:00.564-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-03-26T08:13:00.564-03:00</app:edited><title>Sirene</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/WSYrVChR1JF_b2KO1m9DMD7QXEU/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/WSYrVChR1JF_b2KO1m9DMD7QXEU/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/WSYrVChR1JF_b2KO1m9DMD7QXEU/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/WSYrVChR1JF_b2KO1m9DMD7QXEU/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Meu avô era um homem distante, mas que me parecia muito calmo. Talvez a calma tenha sido adquirida com a idade, ou talvez tenha sido só o choque da morte dos meus pais que não tinha passado ainda. Mas éramos nós: ele, distante e trabalhando na funilaria, minha avó, doente e a melhor cozinheira que eu já conheci na minha vida, e eu, um menino que vivia com a imagem do acidente na minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não guardo nenhum caderno do meu tempo de criança. As memórias ainda me chocam muito. Encontrei um por acaso, quando me mudei para um apartamento alugado que deveria significar minha liberdade – enquanto, sem saber, eu me escravizava ao aluguel. Folheando, página após página, reconhecia nos desenhos que fazia enquanto não prestava atenção nas aulas a angústia que me abateu depois do acidente. Entre um rabisco e outro, entre as lições de como Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil e os meus primeiros problemas de matemática, lá estavam meus desenhos: carros batidos, pelo menos três em cada página. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu entendo que eram cicatrizes se formando. Cada desenho era um pedaço da casquinha que se formava enquanto eu tentava me recuperar do baque. E não era só nos cadernos, as páginas eram insuficientes para todas as cicatrizes que eu precisava formar. Lembro de ter desenhado muito nas carteiras da sala de aula, e de já ter sido muito repreendido pelas professoras por isso. Entretanto, quando as professoras chegavam mais perto e viam o metal retorcido desenhado em grafite na madeira lisa da carteira, seus rostos refletiam um misto de susto e dó. Acabavam por não brigar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem do acidente em si, nunca recordei completamente. Lembro do depois. Lembro de estar assustadíssimo no asfalto gelado daquela noite escura, olhando o carro se consumir em chamas. Eu tinha conseguido escapar – e não faço ideia de como – mas lá estavam meus pais. Queimando. Provavelmente já mortos por causa do capotamento, mas as chamas faziam questão de matar bem matado o que quer que por um acaso tivesse sobrevivido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhei muito com isso enquanto crescia. Cansei de receber abraços da minha avó – e broncas do meu avô, que precisava acordar cedo no dia seguinte – ao acordar gritando durante a noite. Os sonhos eram terríveis. Eu era a causa, eu era o assassino. Engraçado como, nos sonhos, eu nunca estava fora do carro. Eu estava dentro, e gritava, e por isso meu pai se distraía e perdia a direção. O carro não capotava, apenas irrompia em chamas subitamente. Tudo por causa do meu grito, tudo por causa da minha voz. Aos poucos, o longo cabelo loiro de minha mãe se consumia pelas labaredas, seu pescoço queimava de dentro para fora, ela me estendia a mão... e sua cabeça caía, como se tivesse sido abatida por uma guilhotina de fogo. Então meu pai me olhava com olhos de quem tem raiva, mas também de quem perdoa o algoz pelo fato do algoz ser tão ingênuo, e também morria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu avô jamais conversou comigo diretamente sobre o fato. Provavelmente era tão difícil para ele quanto era para mim. Eu não teria coragem de falar sobre o acidente com meus avós, mas o irônico era como eu fazia questão de contar para cada coleguinha da escola sobre o ocorrido trágico. Aliás, era para o mais trágico que eu apelava. Era a versão do sonho que eu passava adiante, e não a não menos apavorante versão verdadeira. Eu contava como se fosse engraçado - eles me olhavam como se eu fosse forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando os desenhos não bastavam, e uma desafiadora raiva surgia dentro de mim – mesmo que eu já não sofresse pelo acidente em si. O tempo já tinha jogado uma pesada pá de areia sobre aquela memória, e ela já não me doía tanto (ou tão obviamente) quanto antes. Eu já não sentia mais falta dos meus pais, nem chamava por eles durante a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cresci desenvolvendo um estranho fascínio pelo asfalto. Me machuquei muito até o fim da minha adolescência – qualquer queda já me era o suficiente para quebrar um braço ou uma perna, e eu caía muito por brincar muito na rua.  Gesso envolvendo minha pele era tão comum quanto usar roupas para me esquentar em um dia frio. Não consigo calcular quantas vezes meu rosto beijou o asfalto com violência capaz de quebrar dentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, com meus avós cada vez mais frágeis e dependendo de ajuda, frequentar hospitais virou uma rotina. Entre minhas fraturas e os ataques cardíacos de meu avô, descobri minha vocação. Me descobri um missionário designado a viajar entre cores: conhecer o vermelho do sangue turvo por sujeira e misturando-se com o cinza pesado do asfalto, com pedaços brancos de osso lascado que atravessava a pele roxa de um acidentado; acelerar entre luzes vermelhas e azuis que giram e gritam desesperadas pedindo passagem, a entrar na branquidão de falsa calma de um hospital entregando os restos pálidos de um sobrevivente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas vezes já me deparei com cenas tão parecidas com a minha? Quantas vezes já carreguei crianças que choravam, assustadas, no asfalto frio, condenadas a desenhar suas cicatrizes metálicas em seus cadernos por toda a sua vida? Quantas vezes eu descobri da forma mais difícil que, por mais que eu socorra os piores ferimentos, eu nunca vou poder me salvar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De certa forma, eu já fui salvo. Eu sou um sobrevivente e é melhor não reclamar do tempo que tenho de prorrogação. Só me resta acionar a sirene e seguir minha viagem. O asfalto é mais cruel que o tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-70864434027825634?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/SnkoAQwQmHo" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/70864434027825634/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=70864434027825634&amp;isPopup=true" title="4 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/70864434027825634?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/70864434027825634?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/SnkoAQwQmHo/sirene.html" title="Sirene" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>4</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2010/03/sirene.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DUQGR3kycSp7ImA9WxBUFUU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-3612516890139639940</id><published>2010-03-03T00:33:00.002-03:00</published><updated>2010-03-03T00:35:26.799-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-03-03T00:35:26.799-03:00</app:edited><title>Do trabalho para casa</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/u4sA4w05U53AbZBICTNqsXxk7FQ/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/u4sA4w05U53AbZBICTNqsXxk7FQ/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/u4sA4w05U53AbZBICTNqsXxk7FQ/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/u4sA4w05U53AbZBICTNqsXxk7FQ/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Os pés doíam e ela reclamava da vida. Da casa para o trabalho, do trabalho para casa: era assim que descrevia seu cotidiano quando alguém lhe perguntava como andam as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casa? Acordava antes das cinco horas. A sua mãe também acordava cedo, passavam quinze minutos juntas tomando café antes que a pressa as separasse; a garota para o trabalho e a mãe de volta para a cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalho? Atendia o telefone e anotava recados. Dia após dia. Sem maiores envolvimentos, sem maiores ambições. O emprego servia para pagar algumas poucas contas e para que ela pudesse sair de casa durante o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casa? Chegava tarde demais, à noite. Todos estavam dormindo. Via o pai só aos finais de semana. De vez em quando sentia saudades, de vez em quando nem sabia quem era o homem barrigudo assistindo televisão no sofá da sala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era indo de um lugar para o outro que ela realmente existia. Com a roupa de trabalho, formal e com um lenço amarrado no pescoço, era uma entre muitos no coletivo. Se sentia como gado, sendo tocado de um lugar para o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus era o único lugar em que sobrava tempo para fazer planos. Planejava comprar um carro, mas aí se lembrava que não sabia dirigir e teria medo demais para tentar - sem contar o tempo que era tão pouco. Pensava em morar mais perto do trabalho. Pensava em mandar uma carta pra algum programa de TV falando como era horrível estar espremida entre tantas pessoas, com janelas fechadas e com um estranho roçando na sua bunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ônibus, ela era uma socióloga. No ônibus, ela era uma pensadora. No ônibus, ela era uma astronauta, ela era genial, era uma revolucionária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí chegava a hora de desembarcar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-3612516890139639940?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/eA4_sEW3V5I" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/3612516890139639940/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=3612516890139639940&amp;isPopup=true" title="6 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/3612516890139639940?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/3612516890139639940?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/eA4_sEW3V5I/do-trabalho-para-casa.html" title="Do trabalho para casa" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>6</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2010/03/do-trabalho-para-casa.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkQMQHczfCp7ImA9WxBVEk0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-1528554967505808030</id><published>2010-02-15T01:26:00.001-02:00</published><updated>2010-02-15T01:26:21.984-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-02-15T01:26:21.984-02:00</app:edited><title>Rolocompressor</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/M7zwQC8uXwt1Ox8OxsBWR3TSJ1w/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/M7zwQC8uXwt1Ox8OxsBWR3TSJ1w/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/M7zwQC8uXwt1Ox8OxsBWR3TSJ1w/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/M7zwQC8uXwt1Ox8OxsBWR3TSJ1w/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Maria da Graça dos Anjos era uma exterminadora. Obstinação era seu nome do meio, e Graça era o que ela estava disposta a vender em troca de dinheiro. Era tão, mas tão determinada a ter o mundo nas mãos que conquistava simpatia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabem como é o Brasil, o frentista do posto de gasolina sempre vai achar esnobe a pessoa que chegar no carro mais caro – quem ousa querer mais ganha a reprovação de todos: “esse pensa que é melhor que os outros”. Mas Maria da Graça dos Anjos era diferente – ela acreditava tão bem que era melhor que os outros, e que era destinada a ter algo melhor do que os outros tinham que seu pensamento contaminava os que estavam a sua volta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando criança, a atenção que Maria da Graça recebia não era a das outras meninas. A expressão “Que fofa!” jamais foi pronunciada perto dela. Uma vez no supermercado, agarrada na perna da mãe, passou pelo seu médico pediatra. O médico cumprimentou a mãe com um sorriso, dobrou os joelhos, passou a mão na cabeça de Maria da Graça e disse “Essa menina vai ser presidente do Brasil”. E era mais ou menos assim que o pequeno ego de Maria da Graça se criou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí a obstinação. Era uma responsabilidade. Ela ia se tornar a pessoa brilhante que todos esperavam que ela viesse a ser. Não sentia solidão, não sentia medo, não sentia frio. Sentia necessidade de grandeza. Cresceu gostando de ouvir “Você é tão inteligente, já tão nova!”. O problema de envelhecer é esse, uma hora você não impressiona por saber escrever direito, não impressiona por ter cultura, não impressiona mais. Você já não é tão novo pra ser a pessoa mais nova a já ter feito alguma coisa. Pena de si mesma, era isso que Maria da Graça sentia de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não iria se deixar abalar. Estudou como se o mundo acabasse amanhã. Ficou conhecida, para as turmas seguintes do cursinho, como “Rolocompressor”. Primeiro lugar em quase todos os vestibulares que prestou. Não reprovou em nenhum – e nem tentou tantos, só os mais concorridos, pra não perder tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegara a hora de sair daquela cidade pequena onde nasceu e ir em conquista do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma missão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria da Graça dos Anjos já estava chegando longe. Se formou com honras, foi a oradora da turma mesmo sem ter muitos amigos – os mais próximos eram os que queriam, de alguma forma, se beneficiar da companhia de uma pessoa tão promissora. Promissora, aliás, era a palavra que mais assombrava os sonhos de Maria da Graça. Quando ela ia deixar de ser promissora para chegar, enfim, ao lugar de seu destino? Onde ficava o topo, e como ela chegaria lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabada a faculdade, acabadas as amizades da faculdade. Não resistiram ao mundo real de desemprego e concorrência – e mesmo assim, não adiantava concorrer com a Graça dos Anjos, o primeiro lugar era garantido para ela. As pessoas iam ficando para trás, e o alvo ia ficando mais próximo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou para a política, se destacou em seus projetos, se corrompeu o suficiente para subir rápido mas era esperta o suficiente para não ser descoberta. Ia ser a primeira pessoa de sua cidade a ser eleita para o Senado. O rolocompressor estava conquistando o país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram pessoas cuidando de seus discursos, policiando sua imagem, planejando suas ações. Maria das Graças era o novo grande rosto da política brasileira. Era uma das poucas pessoas que ainda recebiam fé dos eleitores. Era uma grande promessa. Era o resultado da obstinação doentia que surgia. Enfim, o pagamento. Estava no seu momento de transição, de Pequeno Príncipe para Rei Leão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco antes da sua eleição, uma enchente tomou conta da sua cidade de nascimento. Nunca se vira uma catástrofe tão grande em terras brasilis. Maria da Graça tomou um avião para uma cidade próxima, para avaliar os danos, mas os danos eram inavaliáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus colegas de escola, sua família, seus vizinhos – não sobrou ninguém. Quem não morreu em desabamentos morreu de alguma doença trazida pela água. Morreu a infância de Maria da Graça. Morreram as expectativas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém mais torcia por Maria da Graça, pelo menos ninguém que importasse. Onde estava o pediatra que lhe carimbara o passaporte para o mundo dos importantes? Onde estava sua mãe, que morria de saudades mas fingia que não para que a filha não sofresse na capital? Onde estavam as pessoas a quem Maria da Graça prometeu ser uma gigante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dilúvio, por devastador que tenha sido, devolveu a graça para Maria da Graça. Para quem provar que era melhor do que todos? Sentiu-se ao mesmo tempo velha e recém-nascida. Uma página em branco, mas sem tempo a perder com rascunhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandou o partido para a puta que pariu. Jogou os bottons de sua campanha para o Senado no vaso sanitário e puxou a descarga. O vaso entupiu e o banheiro se alagou quase como a cidade natal de Maria da Graça, mas o que valia era a intenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogou os livros na água que já estava chegando à cozinha. Era seu dilúvio pessoal. O diploma também já estava boiando perto do banheiro. Largou o apartamento aberto, jogou as chaves na rua e se mandou para o interior. Buscava um lugar onde ninguém a conhecesse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava tão determinada a desconstruir sua vida como tinha estado para construí-la. Na nova cidade, prestou um concurso público. Errou algumas questões de propósito, para que não desconfiassem. Mesmo assim, tirou primeiro lugar. Percebeu que estava de volta ao ambiente em que crescera, em que era melhor que todo mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso não ia atrapalhar. Foi chamada para o cargo. Era a nova operadora de maquinas pesadas da prefeitura. De tão pequena que era a cidade, teve gente reclamando do cargo ser ocupado por uma mulher. Dificuldade pequena, foi fácil para Maria da Graça passar por cima disso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro dia de trabalho. Foi designada a trabalhar no asfaltamento de uma rua. Uma sensação de realização tomou conta de Maria da Graça, a felicidade corria por seu corpo todo. Do alto do seu rolocompressor, esmagando pedra brita, Maria da Graça dos Anjos atingiu seu destino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-1528554967505808030?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/M5NLI0cKfwc" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/1528554967505808030/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=1528554967505808030&amp;isPopup=true" title="9 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/1528554967505808030?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/1528554967505808030?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/M5NLI0cKfwc/rolocompressor.html" title="Rolocompressor" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>9</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2010/02/rolocompressor.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;C0EMRHk6fSp7ImA9WxBWFUo.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-3299598554052954618</id><published>2010-02-07T17:41:00.001-02:00</published><updated>2010-02-07T17:41:25.715-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-02-07T17:41:25.715-02:00</app:edited><title>Na teoria</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/S1al9Zwf7hVwWYr-6HywObGv468/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/S1al9Zwf7hVwWYr-6HywObGv468/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/S1al9Zwf7hVwWYr-6HywObGv468/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/S1al9Zwf7hVwWYr-6HywObGv468/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Sexo: não adianta, nenhum de nós é confortável com ele. Virgens, prostitutas, solteiros e casados, pais e filhos, estamos todos em agum grau desconcertados pela nossa necessidade de sexo. O ser humano tem uma demanda brutal, incontrolável, por dois tipos de contato carnal – o entre duas pessoas e o entre os dentes e a carne de um Big Mac.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontramos nossos refúgios, entretanto. Já que ninguém vive sem – e quem vive costuma dizer que é casado com o Espírito Santo, que ou é um fantasma ou é uma Unidade Federativa inteira, o que desacredita um pouco a abnegação toda – acabamos achando artifícios que nos permitam mergulhar no sexo sem tanta preocupação com a nossa roupa de banho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo disso é a A.D.D.P – a Amiga Desencanada de Plantão, aquela a quem você recorre quando precisa ir para o combate e arranjar no braço uma pessoa corajosa o suficiente para transar com você. A  A.D.D.P.não compartilha das suas neuroses quanto ao sexo, ela fala sobre sexo com a naturalidade de quem fala de flores. (Nota: a A.D.D.P geralmente é do sexo feminino. Todos os homens, em geral, assumem esse papel em algum momento de suas vidas, enquanto as mulheres são A.D.D.P. Para a vida toda.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela fala alto. Ela usa decote, ela está sempre com um rolo novo e uma história divertida para contar sobre aquela vez em que ela pulou a cerca para entrar numa festa concorridíssima e acabou sendo pega pelo segurança, que a comeu de quatro enquanto ela planejava a forma certa de atacar o próximo pretendente na festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martina era A.D.D.P. De todas as mulheres que já tinham cruzado com ela. Mulheres que conversavam com Martina na fila do pão já a chamavam de lado pedindo dica de lubrificante e perguntando se liberar a bundinha dói. “Dói nada, com paciência, cuspe e vontade tudo se consegue”, dizia Martina. Era invejada. Como Martina podia ser tão desencanada? “Bem-resolvida”, diziam as amigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro que “desencanada” é provavelmente a pior palavra na língua portuguesa. A idéia de uma pessoa estar presa em um cano, conseguir por uma fatalidade sair dele e portanto estar livre das preocupações dos outros mortais é patética. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois a primeira vez de Martina foi uma desgraça. Uma adolescente insegura como todas as adolescentes são, teve a sorte/azar de encontrar um homem que a encantou de tal forma que ela venceu a barreira da timidez e o convidou para sair. Ele disse que na casa dele era mais confortável. Ela foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filme. Beijos. Paciência. Álcool. Roupas no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martina respirou fundo e pensou “É agora”. Ele veio sobre ela, e ela fantasiara com aquele momento por toda sua pequena vida, e ele era o homem mais experiente do mundo, e ele era seu príncipe, e ele parou e pediu ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conseguia colocar a camisinha sozinho. “Eu nunca fiz isso antes”, disse ele, morrendo de vergonha, “espero que você entenda”. Ela entendeu. Se fez de entendida e botou a camisinha nele (tinha aprendido numa revista. Todo seu conhecimento sobre sexo vinha de revistas, ela lia pilhas e pilhas, sabia de cor milhões de maneiras de como seduzir um homem – aliás, se surpreendia com as dicas dessas revistas em como os homens eram atraídos por fantasias de tigre, chantilly na vagina e banheiras cheias de gelatina. Mas se as revistas diziam, só podia ser verdade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camisinha colocada, clima interrompido mas a batalha continuava. Era hora de invadir as paredes de Tróia. Martina teve, também, a sorte/azar de ter um primeiro namorado muito bem dotado. A falta de experiência dos dois fez o ato todo ser tão elegante como três elefantes dançando balé em um piso coberto por bolinhas de gude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Machucou. Doeu. Não deu pra terminar. Martina deixou pra outro dia. “Pelo menos eu tentei”. Pelo menos ela tentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí aconteceu que todos os rapazes que lhe cruzavam o caminho queriam tudo de cara, tudo o que ela tivera a sorte/azar de ter dado para alguém paciente antes. Se com paciência não dava certo, imagina sem! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que Martina era bem informada, e continuou dando conselhos para todas as amigas que se aproximavam. Era uma revista ambulante. As amigas invejavam toda a desenvoltura de Martina para falar de sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do primeiro para cá, já passaram uns dez anos. Martina teve a sorte/azar de sobreviver todo esse tempo sem sexo. Ela já não tem muita esperança; comprou um vibrador que ainda está na gaveta, sem usar por medo de doer. Já animou dezenas de amigas: “Imagina, colega! É fácil. Respira fundo e deixa que ele cuida de tudo!”. “Não, tenta você por cima, aí você goza mais fácil!”. “Tira a cabeça do chuveirinho, deixa na entradinha um pouco, e depois solta tudo no vaso!”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As amigas comentavam entre elas sobre como Martina devia ser uma maluca na cama. Uma devassa. Uma mulher tão bem-resolvida. Mal sabiam elas, a amiga desencanada de plantão tinha entrado pelo cano. Semi-nova e semi-virgem – mas ótima na teoria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-3299598554052954618?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/lu_v79GU6nw" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/3299598554052954618/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=3299598554052954618&amp;isPopup=true" title="5 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/3299598554052954618?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/3299598554052954618?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/lu_v79GU6nw/na-teoria.html" title="Na teoria" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>5</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2010/02/na-teoria.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CkAEQXs5fSp7ImA9WxBQFkU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-2961027336881386029</id><published>2010-01-16T20:24:00.000-02:00</published><updated>2010-01-16T20:25:00.525-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-01-16T20:25:00.525-02:00</app:edited><title>Éter</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/VNoix8oQWARRRF0dyUS9aG10V9s/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/VNoix8oQWARRRF0dyUS9aG10V9s/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/VNoix8oQWARRRF0dyUS9aG10V9s/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/VNoix8oQWARRRF0dyUS9aG10V9s/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;E o meu pior castigo nessa vida é ser todo feito de intenção. De boa intenção o inferno está cheio, falam. Discordo. As intenções, boas ou más, moram no limbo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intenções: a morada do futuro. O futuro não chega. Nenhuma intenção se realiza. Quando há realização, não houve intenção prévia. A intenção planeja, a realização faz. Não existe futuro para quem realiza. É a mão no papel lutando contra a mão na massa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pretendo encontrar uma pessoa que depile minhas intenções. Que me arranque a pele que veste a vergonha de ser como os outros. Que me cutuque os olhos vermelhos até que fiquem cegos e secos. Que me proíba as lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu posso mudar o mundo. Eu posso mover montanhas. Eu posso, mas não vou. Eu sou cabeça (fraca, úmida), não corpo. Eu sou intento, eu sou desatento demais para efetuar minhas vontades. Eu sou vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É pela intenção que eu me realizo. Eu quero tudo, eu quero o mundo, eu quero agora. Eu quero ser soberano, mas me recuso a lutar pelo meu reino. Por mais jardins que eu plante, as flores que nascerão vão brotar da terra. Prefiro meus jardins suspensos de pensamento, minha flora que bóia no éter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou você amanhã. Mas só amanhã.&lt;br /&gt;Por hoje, eu sou incapaz - mas juro, minha intenção é das melhores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-2961027336881386029?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/ib0kDwE9bQw" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/2961027336881386029/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=2961027336881386029&amp;isPopup=true" title="7 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/2961027336881386029?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/2961027336881386029?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/ib0kDwE9bQw/eter.html" title="Éter" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>7</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2010/01/eter.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CkYCRHg-cCp7ImA9WxBRFko.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-1308294572436684812</id><published>2010-01-05T03:37:00.002-02:00</published><updated>2010-01-05T03:42:45.658-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-01-05T03:42:45.658-02:00</app:edited><title>Cuidados Médicos</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/9e-WUM5dJbFDm-I9wXVRgbp31SY/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/9e-WUM5dJbFDm-I9wXVRgbp31SY/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/9e-WUM5dJbFDm-I9wXVRgbp31SY/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/9e-WUM5dJbFDm-I9wXVRgbp31SY/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;No urologista:&lt;br /&gt;- Mas não se preocupe, esse corrimento deve parar em duas semanas.&lt;br /&gt;- Ufa. Então tá tudo bem, doutor?&lt;br /&gt;- Só tomar esse comprimido por duas semanas e evitar venezuelanas desmaiadas sem camisinha.&lt;br /&gt;- Fácil de falar, difícil de fazer.&lt;br /&gt;- Pra terminar a consulta, o senhor está sabendo da nova campanha de higiene peniana que o governo está fazendo?&lt;br /&gt;- Campanha de higiene peniana? Mas pra quê campanha, é tão prático, dá pra lavar o pinto na pia mesmo.&lt;br /&gt;- Eu já li isso em algum lugar. Mas enfim, leve o panfleto contigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O urologista entrega um panfleto ilustrado. A imagem? Um pênis, uma barra de sabão que provavelmente é do mesmo tipo utilizado por lavadeiras que trabalham em rios e uma torneira. Apenas uma legenda salva a imagem de alguma possível conotação sexual: "ÁGUA E SABÃO: OS MELHORES AMIGOS DO SEU AMIGO".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O paciente sorri.&lt;br /&gt;- Ah, verdade! São amigos mesmo. Pelo menos, são amigos do meu. Todo fim de semana, meu pênis, uma torneira e uma barra de sabão vão juntos ao cinema.&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;- Meu pinto tem carteirinha de meia-entrada.&lt;br /&gt;- O que seu pinto estuda?&lt;br /&gt;- Higiene bucal. Quer que eu demonstre?&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;- Não que seja fino como um fio dental... Quer dizer, o senhor acabou de ver. &lt;br /&gt;- Seu pênis tem corrimento, é melhor que o senhor evite sexo oral desprotegido pelos próximos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconforto.&lt;br /&gt;- Uhn, era uma piada, doutor.&lt;br /&gt;- E também não seria legal expôr seu pênis no cinema. Quer dizer, eu vou com meus filhos lá. &lt;br /&gt;- Isso também era uma piada.&lt;br /&gt;- Ufa.&lt;br /&gt;- E se não fosse piada, seria num cinema pornô.&lt;br /&gt;- Mas é aí mesmo que eu levo minhas crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O paciente deixa passar aqueles segundos necessários para se definir se a ironia dita era mesmo ironia.&lt;br /&gt;- Ah, mas e o doutor não quer que seus filhos vejam pintos?&lt;br /&gt;- Não os com corrimento.&lt;br /&gt;- Ah, tá.&lt;br /&gt;- Cinema pornô deixa pagar meia entrada com carteirinha?&lt;br /&gt;- Bom, não sei...&lt;br /&gt;- É cultural, não é?&lt;br /&gt;- É a primeira sílaba de cultural, sim.&lt;br /&gt;- Vou mandar fazer uma pra mim.&lt;br /&gt;- O senhor não é estudante.&lt;br /&gt;- Me recuso a pagar dezoito reais por um cineminha. Se for contar a entrada das crianças... Meu salário não aguenta.&lt;br /&gt;- O senhor leva mesmo seus filhos no cinema pornô?&lt;br /&gt;- Enfim, não vamos entrar em assuntos pessoais. Só uma pergunta, o seu pênis é habilitado em higiene bucal mesmo?&lt;br /&gt;- Doutor, era só uma brincadeira...&lt;br /&gt;- Que pena. Acho que o meu filho está com cáries...&lt;br /&gt;- Acontece nas melhores famílias.&lt;br /&gt;- Mas também, cada coisa que ele come quando vai ao cinema...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-1308294572436684812?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/rAAEyGGEKq8" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/1308294572436684812/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=1308294572436684812&amp;isPopup=true" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/1308294572436684812?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/1308294572436684812?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/rAAEyGGEKq8/cuidados-medicos.html" title="Cuidados Médicos" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2010/01/cuidados-medicos.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkIGRnczeCp7ImA9WxBSEEw.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-6757775321849586305</id><published>2009-12-16T23:48:00.001-02:00</published><updated>2009-12-16T23:48:47.980-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-12-16T23:48:47.980-02:00</app:edited><title>Culpa dela</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/49w6FUTQWlrPHKE-Gc4x0eBR9SQ/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/49w6FUTQWlrPHKE-Gc4x0eBR9SQ/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/49w6FUTQWlrPHKE-Gc4x0eBR9SQ/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/49w6FUTQWlrPHKE-Gc4x0eBR9SQ/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Lá vem a noiva, a bela noiva. &lt;br /&gt;A noiva que nunca imaginou que uma limousine pudesse ser tão claustrofóbica. O vestido sufocando-lhe as pernas e o corsete obrigando as costelas a fazerem agressivas cócegas nos pulmões - cócegas que não faziam riar, cócegas que lhe feriam. Ela queria mesmo era chamar a mãe, e chorar no seu colo. &lt;br /&gt;Não adiantaria nada, ela já tinha chorado no colo da mãe na noite anterior. A mãe conseguiu acalmá-la e convencê-la de que o nervosismo era natural, obrigatório antes de um acontecimento tão importante na vida de uma mulher.&lt;br /&gt;De uma mulher, só de uma mulher. &lt;br /&gt;Não se pensa no noivo numa hora dessas? Bem, o noivo não devia ter um corsete lhe apertando. É mais fácil manter a calma quando o diafragma não está amortecido.&lt;br /&gt;A noiva nunca ligou muito para o noivo, mesmo. Ela se sentiu solitária a vida toda, não podia se dar ao luxo de dispensar tão incrível cavalheiro, o homem ligeiramente barrigudo mas encarável, com uma feiúra que, na luz certa, passava por beleza. Ele estava ali e a queria. Isso bastava.&lt;br /&gt;Bastava?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá vem a noiva, a bela noiva.&lt;br /&gt;A noiva que nunca imaginou que maquiagem pudesse fazer tanto calor. "Ainda bem que existe maquiagem à prova de água", pensou ela enquanto o buço jorrava litros de lágrima que não podia sair pelos olhos.&lt;br /&gt;A noiva que pagou o aluguel do vestido em prestação. O noivo era rico, mas nunca lhe deu muitos presentes. Só alguma coisa que mostrasse como o casamento seria um bom negócio. "Depois do casamento", se iludia a noiva, "eu recupero o investimento".&lt;br /&gt;Lá vem a noiva, a prudente noiva. &lt;br /&gt;Aquela que sabia investir até no casamento. Aquela que sabia que se aprende a amar, e que paixões são perda de tempo. Paixões são coisa de gente carente. Não que ela não fosse carente, mas a carência sabia que nunca seria extinta e sabia que dinheiro não é tão fácil assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá vem a noiva.&lt;br /&gt;A limousine estacionada a duas quadras da igreja. O noivo se atrasou. &lt;br /&gt;Pela primeira vez, uma emoção direcionada a ele. Raiva. O noivo era cortês, fazia esforço para agradá-la na cama - ela que não fazia muito esforço pra gostar -, era polido e distinto. Pontual. Sempre pontual.&lt;br /&gt;Ela que tinha o direito de se atrasar, oras. Não ele! Ela que era a esperta da história, não ele! Ele era a pessoa disposta a pagar pelo produto "Noiva Perfeita", e ele deveria desempenhar o papel "Marido ideal". O "Marido Ideal" não se atrasa, pombas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá vem o noivo.&lt;br /&gt;E a noiva se frustra. Seria tão bom se ele não tivesse aparecido. Mas apareceu. A limousine ruma para a igreja.&lt;br /&gt;Hora de fechar o negócio. Ela capricha na cara de princesa da Disney. Torce para que ninguém perceba o Nilo que brota do seu buço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu aceito".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela aceitou a mentira de que ele era o príncipe encantado.&lt;br /&gt;Ela fingiu ter vocação pra Cinderella.&lt;br /&gt;Ainda hoje, ela diz que não foi culpa dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-6757775321849586305?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/FKnIZ-YbCH8" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/6757775321849586305/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=6757775321849586305&amp;isPopup=true" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6757775321849586305?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6757775321849586305?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/FKnIZ-YbCH8/culpa-dela.html" title="Culpa dela" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2009/12/culpa-dela.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CkECRng-eyp7ImA9WxNaE0o.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-6964387502653580534</id><published>2009-11-27T23:10:00.000-02:00</published><updated>2009-11-27T23:11:07.653-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-11-27T23:11:07.653-02:00</app:edited><title>Astronauta</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/NVLGIDG6TcZAGMFGmle_omtw8I8/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/NVLGIDG6TcZAGMFGmle_omtw8I8/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/NVLGIDG6TcZAGMFGmle_omtw8I8/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/NVLGIDG6TcZAGMFGmle_omtw8I8/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Acontece que sempre que eu olho pela janela tem um avião passando.&lt;br /&gt;São muitos aviões passando todo dia, e cada um vai para um lugar diferente. E eu não consigo nem sair do apartamento!&lt;br /&gt;O décimo-sétimo andar do prédio-poleiro me parece suficiente para viver em paz, quando eu não lembro que divido meu espaço com gente que ouve cada grito que eu solto quando me sinto sozinho demais e o silêncio me aperta a faringe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É pra não parecer sozinho. Olha só, eu rio! Os vizinhos sabem que eu rio. Tem dias que eu chego em casa e rio bem alto, por horas a fio. É pra eles saberem que eu sou feliz. Só que ninguém é feliz assim, de ser só feliz, então tem dias que eu também choro. Mas eu choro sempre bem baixinho, porque bem baixinho é o meu jeito de chorar. Eu choro bem baixinho porque eu sei que se eu chorasse bem alto, eu ia incomodar os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, pra que saibam que eu não sou feliz o tempo todo e que eu não sou doente de só ficar em casa rindo, eu dou uns soluços bem altos. Aí eles percebem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pra não pensarem que é solidão, de vez em quando eu pego o celular e vou pra janela pra conversar com alguém. Meu celular não tem créditos. Não tem nem bateria, acho. Não lembro quando foi a última vez que conversei com alguém. Mas eu estou ali, todos os dias, meia hora na janela falando ao telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estou com saudades!", eu me despeço bem alto. "Mal posso esperar pra te ver de novo". E desligo de mentirinha.&lt;br /&gt;Aí eles sabem que eu gosto de alguém. E que eu sinto saudades.&lt;br /&gt;Mal sabem eles que eu não gosto, nem sinto saudades - simplesmente porque eu não conheço o outro lado da linha. Não há outro lado na linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando eu desligo o celular de mentirinha, eu olho pra cima e vejo um avião passando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que eu olho pela janela tem um avião passando. E ele passa por cima de mim, me atropelando sem saber. &lt;br /&gt;Sem saber que um dia eu vou sair desse apartamento.&lt;br /&gt;Que um dia eu vou gostar de alguém de verdade, e sentir saudades de verdade, e pegar um avião e ir pra bem longe, pra bem perto de onde a saudade apontar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí o apartamento vai me parecer tão pequeno.&lt;br /&gt;E depois de um tempo, o mundo vai me aparecer tão pequeno. &lt;br /&gt;E depois de mais tempo, aviões não vão mais me bastar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí eu viro astronauta, e fujo desse planeta pra nunca mais voltar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-6964387502653580534?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/HMwcIOnrr4w" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/6964387502653580534/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=6964387502653580534&amp;isPopup=true" title="7 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6964387502653580534?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/6964387502653580534?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/HMwcIOnrr4w/astronauta.html" title="Astronauta" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>7</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2009/11/astronauta.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEYESXs8eip7ImA9WxNaEkg.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-3690635786097411358</id><published>2009-11-26T14:12:00.000-02:00</published><updated>2009-11-26T14:15:08.572-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-11-26T14:15:08.572-02:00</app:edited><title>Humberto</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/B9TsieRZv1JRvb8ADXgQjCKMboo/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/B9TsieRZv1JRvb8ADXgQjCKMboo/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/B9TsieRZv1JRvb8ADXgQjCKMboo/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/B9TsieRZv1JRvb8ADXgQjCKMboo/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Como era homem que o mundo pediu pra nascer naquele exato minuto, naquela cidade árida do Centro-Oeste? Porque o resultado do pedido saiu muito estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi erro na fôrma, nasceu um entre muitos iguais. Mas nasceu estragadinho. Como quando você vai ao supermercado e está escolhendo pepinos, e vê aquele pepino lindo, verde e pepinesco. Vai apalpar o pepino (não me pergunte o porquê de eu ter escolhido um pepino, sometimes a cucumber is just a cucumber), e percebe o pepino tem uma bolota pepínica grudada ao lado. Nem o psicanalista mais bem-resolvido compraria aquele símbolo fálico. Nada de errado com o pepino, mas é estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou dando a impressão de que Humberto era um machão, comparando-o com pepinos desse jeito. Também não era efeminado, sua voz grossa de assustar, sua presença estranha. Mas tinha uma delicadeza mais do que feminina nos modos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humberto não queria desagradar. É só acordar com a pá virada um dia para entender como as pessoas desagradam. As pessoas não dizem bom-dia, as pessoas não pedem favor, as pessoas saem desleixadas, as pessoas... são pessoas demais e gente de menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E usou toda a força com a qual nasceu para forjar uma armadura. Endureceu (não por dentro, porque permanecia frágil, conscientemente frágil, mas Humberto pensava que podia esconder isso dos outros). Endureceu de medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humberto nunca tinha dançado, não em público. Às vezes, quando ainda era criança, dançava em frente à televisão quando via algum artista. Depois odiava o artista. Odiava! Maldito artista! Por quê o artista podia dançar e ele não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não dançava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quarenta anos passam como passa uma agulha sobre um disco de vinil – às vezes travando, às vezes furando, mas passando. Humberto engessado, os anos passando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Humberto quis dançar. Foda-se o Centro-Oeste, pensou ele – mas pensou com outras palavras, foder não fazia parte de seu vocabulário ou de seu repertório de atitudes. Juntou o dinheiro que ganhava na Vigilância Sanitária – seu empolgante emprego de segunda a sexta-feira, quando ele não era o heróico Homem de Gesso, que não sentia nem movia nem dançava – e comprou uma passagem para São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconhecidos. A Revolução, como Humberto chamou o acontecido daquele dia em diante, foi uma festa. A primeira festa de Humberto. Desconhecidos assustados pelo jeito engessado de ser. Desconhecidos fascinados pela falta de desenvoltura social. Desconhecidos que não davam a mínima. Paulistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música, alta e estranha. As mulheres, girafas, altas e estranhas. Os homens, correndo seminus e pulando em piscinas, estranhos. Humberto se sentiu em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humberto dançou! E quem disse que ele não sabia dançar? &lt;br /&gt;Bom, quem disse isso provavelmente estava certo. Ele não sabia, mas o que importava era dançar, não importava como.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o grande feito do Homem de Gesso foi ter se deixado quebrar.&lt;br /&gt;A carcaça pode até voltar com o tempo, pra evitar a criptonita do dia-a-dia. Mas Humberto era um super-herói, e ele dançava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sendo um pepino deformado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-3690635786097411358?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/e3MHexaHUGo" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/3690635786097411358/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=3690635786097411358&amp;isPopup=true" title="4 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/3690635786097411358?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/3690635786097411358?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/e3MHexaHUGo/humberto.html" title="Humberto" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>4</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2009/11/humberto.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEAFSXg4fyp7ImA9WxNaEU8.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-7293044.post-5088014464554632707</id><published>2009-11-25T02:15:00.000-02:00</published><updated>2009-11-25T02:18:38.637-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-11-25T02:18:38.637-02:00</app:edited><title>Os vizinhos</title><content type="html">
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/3bnFMN7IxQZhFgVRfUTbfMnIXc8/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/3bnFMN7IxQZhFgVRfUTbfMnIXc8/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/3bnFMN7IxQZhFgVRfUTbfMnIXc8/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/3bnFMN7IxQZhFgVRfUTbfMnIXc8/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;Urgência e calma parecem se entrelaçar. É quando corro, quando estou atrasado - e estou quase sempre atrasado para tudo - é daí que emerge a calma que me mantém respirando e fazendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a pressa inibe de fazer, a pressa não é inimiga da perfeição, e sim amiga demais do planejamento. Poupar tempo, poupar tempo, executar tarefas, mas como? se eu tenho tão pouco tempo, e o que consegue ser feito é feito pelo avesso)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É quando o despertador toca que eu passo a desenhar o dia que nasceu antes de que eu tomasse consciência dele. O dia é uma folha em branco, eu sou uma mão que - dependendo do dia - segura o lápis com mais ou menos força. E a Terra é a mesa que me apóia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que a Terra gira, e não dá pra desenhar direito quando a mesa em que se apóia gira. E o meu punho não é tão firme, e eu não sou um desenhista talentoso, mesmo com dezenove anos de prática. E o que fazer do dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desenhar olhos no dia? Como um psicótico que enxerga na indiferença alheia uma platéia atenta e julgadora que exige de mim a perfeição estalada de ruído musical. Não quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desenhar com calma? Pra terminar mais rápido. E depois virar a página por ir dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é quando eu durmo que surge a urgência. É muito pensamento, é um planejamento desconexo e sem fim. É preocupação. É uma música que não quer parar de tocar. É uma memória incômoda. É fome,é inspiração, é impulso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu posso lutar contra a urgência. É só fingir que se acostuma com ela. É só esperar, urgentemente, que a urgência acabe. Com sorte, eu caio no sono. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Quando eu era menor, pensava que minha cama era capaz de voar. Que eu dormia e ela saía pela janela, flutuando sobre o mundo como um tapete mágico. Às vezes eu era mais esperto que ela, e logo antes de cair no sono, no meio daquela urgência toda, sentia um movimento. Abria os olhos muito rápido, muito atento, muito criança. A cama disfarçava e voltava a pousar em terra firme. Mas não me enganava, eu sabia que ela estava tentando voar.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez daí que apareça a urgência de estar na cama. Ela é uma estação de trem, um aeroporto, uma fronteira. Um ponto de partida. E os minutos antes de dormir são o copo trêmulo de whisky na mão enquanto se espera o embarque para uma nova página em branco que surge com o toque de um despertador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é o sono? Calma ou urgência? A preguiça quando se acorda é urgente, é um soldado na trincheira lutando contra a necessidade de levantar e abandonar o conforto morno de um acolchoado. Mas e o sono? Quem sabe seja verdadeira a minha ilusão infantil e o sono seja uma viagem forçada. Turismo espiritual, à minha revelia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu acordo antes que o despertador me chame. Um barulho insistente de passos surge por detrás da parede que me permeia. Só escuto um chiado insistente de desespero. Algumas vozes, distantes por uma parede, que falam coisas que eu não reconheço e que são urgentes. Eu escuto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que se passa, mas não é assim que eu queria desenhar esse dia. A mesa gira como se estivesse possuída, e agora é meu horário de descanso, eu não nasci pra ilustrar a noite, eu nasci pra desenhar o dia - enxergando tudo claramente, com expediente controlado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta do apartamento ao lado se tranca por fora. Escuto passos no corredor, o casamento que mora ao meu lado está saindo. Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio chuta minha calma, joga todas suas fichas para que eu me torne alerta; Fico escutando o silêncio até que ele me conte o que aconteceu com o casamento que mora ao meu lado. Sou interrompido por um carro que sai, furioso, portão afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lápis está na minha mão e a madrugada está alta. Será que morreu alguém? Qual será o nome dos meus vizinhos? Será que eles se incomodam do barulho que eu faço? Será que morreu alguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decido que morreu a mãe dela. Ele está ansioso. Ela está sem muita reação, e buscou uma roupa e uma bolsa qualquer no cabideiro que eu imagino que o casamento guarde no canto do quarto, e abandonou a cama desarrumada como imagino que ela nunca a abandone. Ele só pensa em decidir, em ligar o carro e ir para algum lugar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele age por instinto, não por sentimento. Ela agora deve estar em silêncio, gelada e branca, no banco do passageiro, enquanto ele leva uma multa que vai ser difícil de pagar por causa das despesas do enterro. Ela nunca se sentiu tão perdida. Ele nunca amou tanto a esposa como naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio volta. Eles já devem estar longe, agora. Espero que ela se sinta melhor, amanhã. Que daqui a pouco ela consiga quebrar o choque e chorar. E que ele consiga apertar o corpo dela contra o seu, como quem diz "Se pudesse, te engoliria e você não sofreria mais, e o meu calor seria o teu calor e não sofrerias mais". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que a morte é urgente? A sogra (dele) já está num sono profundo. A cama metálica da geladeira do hospital, sabendo que ela não está olhando, deve estar preparada para voar sobre o mundo. Se ainda a mãe (dela) pudesse abrir os olhos, faria a cama pousar, mas não é mais capaz. A morte é a coisa mais urgente que existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nessa urgência, adormeço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7293044-5088014464554632707?l=comentariosabertos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ComentriosAbertos/~4/dJHV4coNIxU" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://comentariosabertos.blogspot.com/feeds/5088014464554632707/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7293044&amp;postID=5088014464554632707&amp;isPopup=true" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/5088014464554632707?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/7293044/posts/default/5088014464554632707?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/ComentriosAbertos/~3/dJHV4coNIxU/os-vizinhos.html" title="Os vizinhos" /><author><name>Flavio Voight</name><uri>https://profiles.google.com/113536588279728187041</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh3.googleusercontent.com/-Rd67mrL-i4k/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAAA/RiaSki0YbJE/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://comentariosabertos.blogspot.com/2009/11/os-vizinhos.html</feedburner:origLink></entry></feed>

