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	<title>Comunicação, Internet &#38; Web</title>
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	<description>Estratégia de comunicação na internet, conteúdo online e usabilidade.</description>
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		<title>Meu obrigado ao Glênio</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Feb 2014 12:18:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Fernando Zarur]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os Bianchetti são, assim, uma família estendida: das festas de aniversário, presépio de final de ano, praia em Nova Viçosa e histórias do tempo em que a W3 ainda era avenida nobre. Para mim, era particularmente especial estar com Glênio e Ailema. A gente sente uma espécie de paz e tranquilidade que não se explica, [&#8230;]<div class="crp_related"><h3>Leia mais:</h3><ul><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/18/20-centavos-o-troco-que-precisamos-dar/"     class="crp_title">20 Centavos: o troco que precisamos dar</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/07/11/leitura-o-mal-estar-contemporaneo/"     class="crp_title">Leitura: O mal-estar contemporâneo</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/03/22/noticias-uteis/"     class="crp_title">Notícias úteis</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/21/pqp-este-e-um-movimento-p2p/"     class="crp_title">PQP este é um movimento popular P2P!</a></li></ul></div>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Os Bianchetti são, assim, uma família estendida: das festas de aniversário, presépio de final de ano, praia em Nova Viçosa e histórias do tempo em que a W3 ainda era avenida nobre.</p>
<p>Para mim, era particularmente especial estar com Glênio e Ailema. A gente sente uma espécie de paz e tranquilidade que não se explica, uma coisa boa de estar simplesmente ali ao lado. Em 2005, decidi criar um subterfúgio para aproveitar ainda mais a oportunidade de estar com os dois: inventei que queria fazer um álbum de fotos do casal pintando e trabalhando no ateliê.</p>
<p>O plano deu certo e durante um ano visitei a casa dos Bianchetti regularmente. Sentava quietinho com a câmara na mão e ficava acompanhando o Glênio com seus quadros, dona Ailema pintando caixinhas para o bazar de natal. No meio da tarde sempre tinha cafezinho, pipoca, banana pros sagüis no jardim e netaiada pela casa afora. Não sei se os dois jamais desconfiaram, mas as fotos eram pretexto para desfrutar da companhia que faz tanto bem à alma.</p>
<p>Os anos se passaram, hoje não moro mais em Brasília e não consegui visitá-los nas duas últimas vezes em que estive na cidade. Portanto, a saudade do Glênio, agora irremediável, continua. Mas as boas lembranças também. O nosso consolo é que gente como ele veio para ficar.</p>
<div id="attachment_928" style="width: 614px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/wp-content/uploads/2014/02/glenio_mao_queixo_t.jpg"><img class="size-large wp-image-928" alt="O pintor Glênio Bianchetti com queixo sobre as mãos, pensando enquanto rascunha seu próximo quadro.." src="http://www.comunicacao-internet.com.br/wp-content/uploads/2014/02/glenio_mao_queixo_t-1024x682.jpg" width="604" height="402" /></a><p class="wp-caption-text">O pintor Glênio Bianchetti em 2005.</p></div>
<div class="crp_related"><h3>Leia mais:</h3><ul><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/18/20-centavos-o-troco-que-precisamos-dar/"     class="crp_title">20 Centavos: o troco que precisamos dar</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/07/11/leitura-o-mal-estar-contemporaneo/"     class="crp_title">Leitura: O mal-estar contemporâneo</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/03/22/noticias-uteis/"     class="crp_title">Notícias úteis</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/21/pqp-este-e-um-movimento-p2p/"     class="crp_title">PQP este é um movimento popular P2P!</a></li></ul></div>]]></content:encoded>
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		<title>A NSA vai eleger o próximo presidente do Brasil?</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Sep 2013 15:25:40 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Em junho deste ano a revista Wired publicou uma ótima reportagem sobre os batalhões digitais dos Estados Unidos. Intitulado &#8220;O Exército Secreto&#8220;, o texto trata da soturna carreira do poderoso general Keith Alexander &#8211; o diretor da da Agência Nacional de Segurança dos EUA, a famosa NSA. Publicada antes do escândalo de espionagem revelado por [&#8230;]<div class="crp_related"><h3>Leia mais:</h3><ul><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/07/04/dilma-vem-tc-com-a-gente/"     class="crp_title">Dilma, vem tc com a gente!</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/07/11/leitura-o-mal-estar-contemporaneo/"     class="crp_title">Leitura: O mal-estar contemporâneo</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/02/08/ficha-limpa-uma-e-niciativa-popular/"     class="crp_title">Ficha limpa, uma e-niciativa popular</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/18/20-centavos-o-troco-que-precisamos-dar/"     class="crp_title">20 Centavos: o troco que precisamos dar</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/08/15/como-a-internet-vai-um-dia-transformar-nossos-governos/"     class="crp_title">Como a Internet vai (um dia) transformar nossos governos</a></li></ul></div>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Em junho deste ano a revista Wired publicou uma ótima reportagem sobre os batalhões digitais dos Estados Unidos. Intitulado &#8220;<a title="O exército secreto" href="http://www.wired.com/threatlevel/2013/06/general-keith-alexander-cyberwar/all/">O Exército Secreto</a>&#8220;, o texto trata da soturna carreira do poderoso general <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Keith_B._Alexander">Keith Alexander</a> &#8211; o diretor da da <a title="Mais sobre a Agência Nacional de Segurança" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ag%C3%AAncia_de_Seguran%C3%A7a_Nacional">Agência Nacional de Segurança</a> dos EUA<em>,</em> a famosa NSA<em></em>.</p>
<div style="width: 110px" class="wp-caption alignright"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:Keith_B._Alexander_official_portrait.jpg" target="_blank"><img class="zemanta-img-inserted zemanta-img-configured" title="Official portrait of NSA director Keith B. Ale..." alt="Official portrait of NSA director Keith B. Ale..." src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/7e/Keith_B._Alexander_official_portrait.jpg/300px-Keith_B._Alexander_official_portrait.jpg" width="100" /></a><p class="wp-caption-text">Diretor da NSA Keith B. Alexander: este homem seria capaz de eleger nosso próximo presidente? (Photo credit: Wikipedia)</p></div>
<p>Publicada antes do escândalo de espionagem revelado por Snowden, a matéria traz detalhes da confecção do primeiro <em>malware</em> militar capaz de destruir equipamento físico: o vírus <a title="Leia mais sobre o vírus Stuxnet" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Stuxnet">Stuxnet</a>. Concebido com o objetivo de infectar as instalações nucleares do Irã, ele conseguiu assumir o controle de um sistema industrial SCADA e prejudicar cerca de mil centrífugas usadas para enriquecer material nuclear.</p>
<p>Como exatamente a NSA conseguiu infectar máquinas localizadas numa base no coração do Irã, numa instalação subterrânea de alta segurança?</p>
<p>Antes de respondermos a questão, lembre-se que estamos falando de computadores sofisticados que controlam o movimento centrífugas nucleares. Máquinas estas que estavam isolados da Internet por diversas barreiras de segurança, incluindo uma espécie de &#8220;espaço de ar&#8221; (air gap), justamente para evitar a exposição a vírus e outros ataques.</p>
<p>Mesmo assim, a NSA foi capaz de extrair dados sobre as redes iranianas, ouvir e gravar conversas por meio de microfones de computador, e até acessar os telefones celulares de qualquer pessoa dentro do alcance do sinal Bluetooth de uma máquina comprometida.</p>
<p>O sucesso da missão foi possível graças a velhas técnicas de espionagem (agentes infiltrados, traição, assassinato, chantagem etc) e, principalmente, aos times de hackers de elite da NSA que produziram esta espécie de &#8220;míssil&#8221; digital.</p>
<blockquote><p><strong>Já sabemos que a NSA foi capaz de espionar a presidente Dilma e a Petrobras, a maior empresa do Brasil. Agora, o que aconteceria se eles resolvessem interferir num resultado de eleição nacional? Seria tão difícil assim interferir no nosso sistema eleitoral digital?</strong></p></blockquote>
<p>Como afirmamos em 2010 no post <strong><a title="As urnas nucleares do TSE" href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2010/09/28/as-urnas-nucleares-do-tse/">TSE e sua urnas nucleares</a></strong>: &#8220;o vírus Stuxnet demonstra claramente o perigo de termos uma instalação de nível de segurança nacional que dependa unicamente de um meio digital para seu controle&#8221;. É exatamente isso que ocorre com nosso sistema eleitoral.</p>
<p>Teoria da conspiração? Ou possibilidade real?</p>
<p>Deixe seu comentário&#8230;</p>
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		<title>Como a Internet vai (um dia) transformar nossos governos</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Aug 2013 10:42:51 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O mundo de código aberto aprendeu a lidar com uma enxurrada de novas e divergentes ideias usando serviços de hospedagem como o GitHub – por que os governos não podem fazer o mesmo? Nesta palestra empolgante, Clay Shirky mostra como as democracias podem aprender com a internet, não apenas a ser transparentes, mas também a aproveitar o conhecimento de todos os seus cidadãos<div class="crp_related"><h3>Leia mais:</h3><ul><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/07/04/dilma-vem-tc-com-a-gente/"     class="crp_title">Dilma, vem tc com a gente!</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/21/pqp-este-e-um-movimento-p2p/"     class="crp_title">PQP este é um movimento popular P2P!</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/04/21/a-era-dos-pequenos-irmaos/"     class="crp_title">A era dos pequenos irmãos</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/07/11/leitura-o-mal-estar-contemporaneo/"     class="crp_title">Leitura: O mal-estar contemporâneo</a></li></ul></div>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A palestra do <a class="zem_slink" title="Clay Shirky" href="http://shirky.com/" rel="homepage">Clay Shirky</a> dispensa comentários. O cara é um dos empolgadinhos da internet sim, mas ele é foda. Em 18 minutos e 33 segundos ele dá uma aula sobre o que o software livre, o movimento P2P e a revolução digital podem fazer com a representatividade política.</p>
<p>Aqui vai a descrição oficial da palestra:</p>
<p>&#8220;<strong>O mundo de código aberto aprendeu a lidar com uma enxurrada de novas e divergentes ideias usando serviços de hospedagem como o <a class="zem_slink" title="GitHub" href="https://github.com/" rel="homepage">GitHub</a> – por que os governos não podem fazer o mesmo?</strong> Nesta palestra empolgante, Clay Shirky mostra como as democracias podem aprender com a internet, não apenas a ser transparentes, mas também a aproveitar o conhecimento de todos os seus cidadãos&#8221;.</p>
<p>Agora senta aí e assite, são 20 minutinhos que valem muito a pena!</p>
<h2>Como a Internet vai (um dia) transformar nossos governos</h2>
<p><center><iframe src="http://embed.ted.com/talks/lang/pt-br/clay_shirky_how_the_internet_will_one_day_transform_government.html" height="315" width="560" allowfullscreen="" frameborder="0" scrolling="no"></iframe></center><br />
PS &#8211; A internet é mesmo ótima para preguiçosos como eu. Basta achar alguém que expressa o que você pensa, com mais conhecimento e recursos audio-visuais. Aí é mandar brasa no &#8220;copy+paste&#8221;, meter um &#8220;embed&#8221; aculá e&#8230; pronto. Temos um post. <img src="http://www.comunicacao-internet.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif" alt=":)" class="wp-smiley" /> </p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: none; float: right;" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=776ab108-d951-44f3-8289-9656d476fe3b" /></div>
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		<title>Leitura: O mal-estar contemporâneo</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jul 2013 08:23:32 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Nenhuma liderança soube captar e expressar o mal-estar contemporâneo. Este é provavelmente o seu elemento novo: a internet viabiliza a mobilização antes que surjam as lideranças.<div class="crp_related"><h3>Leia mais:</h3><ul><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/07/04/dilma-vem-tc-com-a-gente/"     class="crp_title">Dilma, vem tc com a gente!</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/02/08/ficha-limpa-uma-e-niciativa-popular/"     class="crp_title">Ficha limpa, uma e-niciativa popular</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/18/20-centavos-o-troco-que-precisamos-dar/"     class="crp_title">20 Centavos: o troco que precisamos dar</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2010/10/29/o-olho-do-observador/"     class="crp_title">O olho do observador</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/21/pqp-este-e-um-movimento-p2p/"     class="crp_title">PQP este é um movimento popular P2P!</a></li></ul></div>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Este texto foi apresentado pelo economista <a title="Sobre André Lara Resense" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9_Lara_Resende"><strong>André Lara Resende</strong></a> na Festa Literária de Paraty (Flip) de 2013, como parte de um debate com o filósofo Marcos Nobre. Vale lembrar que Resende fez parte do governo Fernando Henrique Cardoso e ficou marcado pelo escândalo do <a title="Sobre o grampo do BNDES" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_do_grampo_do_BNDES">grampo do BNDES</a>. De qualquer forma, o texto abaixo é uma análise crítica extremamente bem redigida sobre a realidade atual do Brasil.</em></p>
<p><strong>Nenhuma liderança soube captar e expressar o mal-estar contemporâneo. Este é provavelmente o seu elemento novo: a internet viabiliza a mobilização antes que surjam as lideranças.</strong></p>
<p>Na tentativa de interpretar o protesto das ruas nas grandes cidades brasileiras, há uma natural tentação de fazer um paralelo com os movimentos similares nos países avançados, sobretudo da Europa, mas também nos EUA – <span class="zem_slink">Occupy</span><span class="zem_slink">Wall Street</span> – assim como com os da chamada Primavera Árabe. As condições objetivas são, contudo, muito distintas. A Primavera Árabe é um fenômeno de países totalitários, onde não há representação democrática. Não é o caso do Brasil. Na Europa, sobretudo nos países mediterrâneos periféricos mais atingidos pelos efeitos da crise financeira de 2008, houve uma drástica piora das condições de vida. O desemprego, especialmente entre os jovens, subiu para níveis dramáticos. Mais uma vez, não é o caso do Brasil.</p>
<p>Nem os críticos mais radicais ousariam argumentar que o Brasil de hoje não se enquadra nos moldes das democracias representativas do século XX. Podem-se culpar os desacertos da política econômica nos últimos seis anos. Embora devam ficar mais evidentes daqui para a frente, os efeitos negativos da incompetência da política econômica só muito recentemente se fizeram sentir. Fato é que, desde a estabilização do processo inflacionário crônico, houve grandes avanços nas condições econômicas de vida dos brasileiros. Nos últimos 20 anos, houve ganho substancial de renda entre os mais pobres. Ao contrário do que ocorreu em outras partes do mundo, até mesmo nos países avançados, a distribuição de renda melhorou. O desemprego está em seu mínimo histórico.</p>
<p>É verdade que a inflação, especialmente a de alimentos, que se faz sentir mais intensamente pelos assalariados, está em alta. Por mais consciente que se seja em relação aos riscos, políticos e econômicos, da inflação, é difícil atribuir à inflação o papel de catalisadora do movimento das ruas nas últimas semanas. Só agora a taxa de inflação superou o teto da banda – excessivamente generosa, é verdade – da meta do Banco Central.</p>
<p><strong>Os dois elementos tradicionais da insatisfação popular – dificuldades econômicas e falta de representação democrática – definitivamente não estão presentes no Brasil de hoje. Inflação, desemprego, autoritarismo e falta de liberdade de expressão não podem ser invocados para explicar a explosão popular. O fenômeno é, portanto, novo. Procurar interpretá-lo de acordo com os cânones do passado parece-me o caminho certo para não o compreender.</strong></p>
<p>O movimento de maio de 1968 na França tem sido lembrado diante das manifestações das últimas semanas. O paralelo se justifica, pois maio de 68 é o paradigma do movimento sem causas claras nem objetivos bem definidos, uma combustão espontânea surpreendente, que ocorre em condições políticas e econômicas relativamente favoráveis. Movimento que, uma vez detonado, canaliza um sentimento de frustração difusa – um “malaise”- com o estado das coisas, com tudo e todos, com a vida em geral.</p>
<p>A novidade mais evidente em relação a maio de 68 na França é a internet e as redes sociais. Embora não tivesse expressão clara na vida pública francesa, a insatisfação difusa poderia ter sido diagnosticada, ao menos entre os universitários parisienses. No Brasil de hoje, a irritação difusa podia ser claramente percebida na internet e nas redes sociais. O movimento pelo passe livre fez com que este mal-estar transbordasse do virtual para a realidade das ruas. Tanto os universitários franceses de 68, quanto os internautas do Brasil de hoje, não representam exatamente o que se poderia chamar de as massas ou o povão, mas funcionam igualmente como sensores e catalisadores de frustrações comuns.</p>
<h2>Quais as causas do mal-estar difuso no Brasil de hoje, que transbordou da internet para a realidade e levou a população às ruas?</h2>
<p>Parecem ter dois eixos principais. O primeiro, e mais evidente, é uma crise de representação. A sociedade não se reconhece nos poderes constituídos – Executivo, Legislativo e Judiciário – em todas suas esferas. O segundo é que o projeto do Estado brasileiro não corresponde mais aos anseios da população. O projeto do Estado, e não do governo, é importante que se note, pois a questão transcende governos e oposições. Este hiato entre o projeto do Estado e a sociedade explica em grande parte a crise de representação.</p>
<p><strong>O Estado brasileiro mantém-se preso a um projeto cuja formulação é do início da segunda metade do século passado. Um projeto que combina uma rede de proteção social com a industrialização forçada.</strong> A rede de proteção social inspirou-se nas reformas das economias capitalistas da Europa, entre as duas Grandes Guerras, reforçadas após a crise dos anos 1930. Foi introduzida no Brasil por Getúlio Vargas, para a organização do mercado de trabalho, baseado no modelo da Itália de Mussolini. A industrialização forçada através da substituição de importações, introduzida por Juscelino Kubitschek nos anos 1950, e reforçada pelo regime militar nos anos 1970, tem raízes mais autóctones. Suas origens intelectuais são o desenvolvimentismo latino-americano dos anos 1950, que defendia a ação direta do Estado, como empresário e planejador, para acelerar a industrialização.</p>
<p>Não nos interessa aqui fazer a análise crítica do projeto desenvolvimentista que, com altos e baixos, aos trancos e barrancos, cumpriu seu papel e levou o país às portas da modernidade neste início de século. Basta ressaltar que o desenvolvimentismo, em seus dois pilares – a industrialização forçada e a rede de proteção social – dependem da capacidade do Estado de extrair recursos da sociedade. Recursos que devem ser utilizados para financiar o investimento público e os benefícios da proteção social.</p>
<p>Diante da baixa taxa de poupança do setor privado e da precariedade da estrutura tributária do Estado, a inflação transferiu os recursos da sociedade para o Estado, até que nos anos 1980 viesse a se tornar completamente disfuncional. Com a inflação estabilizada, a partir do início dos anos 1990, o Estado se reorganizou para arrecadar por via fiscal também os recursos que extraía através do imposto inflacionário. A carga fiscal passou de menos de 15% da renda nacional, no início dos anos 1950, para em torno de 25%, nas décadas de 1970 a 90, até saltar para os atuais 36%, depois da estabilização da inflação. O Brasil tem hoje uma carga tributária comparável, ou mesmo superior, à das economias mais avançadas.</p>
<h2>O projeto do PT no governo revelou-se flagrantemente retrógrado. É essencialmente a volta do nacional- desenvolvimentismo.</h2>
<p>Apesar de extrair da sociedade mais de um terço da renda nacional, o Estado perdeu a capacidade de realizar seu projeto. <strong>Não o consegue entregar porque, apesar de arrecadar 36% da renda nacional, investe menos de 7% do que arrecada, ou seja, menos de 3% da renda nacional. Para onde vão os outros 93% dos quase 40% da renda que extrai da sociedade?</strong> Parte, para a rede de proteção e assistência social, que se expandiu muito além do mercado de trabalho organizado, mas, sobretudo, para sua própria operação. O Estado brasileiro tornou-se um sorvedouro de recursos, cujo principal objetivo é financiar a si mesmo. Os sinais dessa situação estão tão evidentes, que não é preciso conhecer e analisar os números. O Executivo, com 39 ministérios ausentes e inoperantes; o Legislativo, do qual só se tem más notícias e frustrações; o Judiciário pomposo e exasperadoramente lento.</p>
<p>O Estado foi também incapaz de perceber que seu projeto não corresponde mais ao que deseja a sociedade. O modelo desenvolvimentista do século passado tinha dois pilares. Primeiro, a convicção de que a industrialização era o único caminho para escapar do subdesenvolvimento. Países de economia primário-exportadora nunca poderiam almejar alcançar o estágio de desenvolvimento das economias industrializadas. Segundo, a convicção de que o capitalismo moderno exige a intervenção do Estado em três dimensões: para estabilizar as crises cíclicas das economias de mercado; para prover uma rede de proteção social; e, no caso dos países subdesenvolvidos, para liderar o processo de industrialização acelerada. As duas primeiras dimensões da ação do Estado são parte do consenso formado depois da crise dos anos 1930. A terceira decorre do sucesso do planejamento central soviético em transformar uma economia agrária, semifeudal, numa potência industrial em poucas décadas. A proteção tarifária do mercado interno, com o objetivo de proteger a indústria nascente e promover a substituição de importações, completava o cardápio com um toque de nacionalismo.</p>
<p>O nacional- desenvolvimentismo, fermentado nos anos 1950, teve sua primeira formulação como plano de ação do governo na proposta de Roberto Simonsen. Embora sempre combatido pelos defensores mais radicais do liberalismo econômico, como Eugênio Gudin, autor de famosa polêmica com Roberto Simonsen, e posteriormente por Roberto Campos, foi adotado tanto pela esquerda, como pela direita. Seu período de maior sucesso foi justamente o do “milagre econômico” do regime militar.</p>
<p>Na década de 1980, a inflação se acelera e se torna definitivamente disfuncional. As sucessivas e fracassadas tentativas de estabilização passam a dominar o cenário econômico. Com a estabilização do real, a partir da segunda metade da década de 1990, ainda com algum constrangimento em reconhecer que o nacional-desenvolvimentismo já não fazia sentido num mundo integrado pela globalização, o país parecia estar em busca de novos rumos. A vitória do PT foi, sem dúvida, parte da expressão desse anseio de mudança.</p>
<h2>O projeto de poder petista</h2>
<p>Nos dois primeiros anos do governo Lula, a política econômica foi essencialmente pautada pela necessidade de acalmar os mercados financeiros, sempre conservadores, assustados com a perspectiva de uma virada radical à esquerda. A partir daí, o PT passou a pôr em prática o seu projeto. Um projeto muito diferente do que defendia enquanto oposição. <strong>O projeto do PT no governo, frustrando as expectativas dos que esperavam mudanças, muito mais do que o aparente continuísmo dos primeiros anos do governo Lula, revelou-se flagrantemente retrógrado. É essencialmente a volta do nacional-desenvolvimentismo, inspirado no período em este que foi mais bem-sucedido: durante regime militar.</strong> A crise internacional de 2008 serviu para que o governo abandonasse o temor de desagradar aos mercados financeiros e, sob pretexto de fazer política macroeconômica anticíclica, promovesse definitivamente a volta do nacional-desenvolvimentismo estatal.</p>
<p>O PT acrescentou dois elementos novos em relação ao projeto nacional-desenvolvimentista do regime militar: a ampliação da rede de proteção social, com o Bolsa Família, e o loteamento do Estado. A ampliação da rede de proteção social se justifica, tanto como uma inciativa capaz de romper o impasse da pobreza absoluta, em que, apesar dos avanços da economia, grande parte da população brasileira se via aprisionada, quanto como forma de manter um mínimo de coerência com seu discurso histórico. Já a lógica por trás do loteamento do Estado é puramente pragmática. Ao contrário do regime militar, que não precisava de alianças difusas, o PT utilizou o loteamento do Estado, em todas suas instâncias, como moeda de troca para compor uma ampla base de sustentação. Sem nenhum pudor ideológico, juntou o sindicalismo de suas raízes com o fisiologismo do que já foi chamado de Centrão, atualmente representado principalmente pelo PMDB, no qual se encontra toda sorte de homens públicos, que, independentemente de suas origens, perderam suas convicções ao longo da estrada e hoje são essencialmente cínicos.</p>
<p>Há ainda um terceiro elemento do projeto de poder do PT. Trata-se da eleição de uma parte do empresariado como aliada estratégica. Tais aliados têm acesso privilegiado ao crédito favorecido dos bancos públicos e, sobretudo, à boa vontade do governo, para crescerem, absorverem empresas em dificuldades, consolidarem suas posições oligopolísticas no mercado interno e se aventurarem internacionalmente como “campeões nacionais”.</p>
<p>A combinação de um projeto anacrônico com o loteamento do Estado entre o sindicalismo e o fisiologismo político, ao contrário do pretendido, levou à sobrevalorização cambial e à desindustrialização. Só foi possível sustentar um crescimento econômico medíocre enquanto durou a alta dos preços dos produtos primários, puxados pela demanda da China. A ineficiência do Estado nas suas funções básicas – segurança, infraestrutura, saúde e educação – agravou-se significativamente. Ineficiência realçada pela redução da pobreza absoluta na população, que aumentou a demanda por serviços de qualidade.</p>
<h2>A insatisfação difusa dos protestos pode vir a ser catalizadora de uma mudança profunda de rumo, que abra o caminho para um novo desenvolvimento.</h2>
<p>Loteado e inadimplente em suas funções essenciais, enquanto absorvia parcela cada vez maior da renda nacional para sua própria operação, o Estado passou a ser visto como um ilegítimo expropriador de recursos. Não apenas incapaz de devolver à sociedade o mínimo que dele se espera, mas também um criador de dificuldades. A combinação de uma excessiva regulamentação de todas as esferas da vida, com a truculência e a arrogância de seus agentes, consolidou o estranhamento da sociedade. Em todas as suas esferas, o Estado deixou de ser percebido como um aliado, representativo e prestador de serviço. Passou a ser visto como um insaciável expropriador, cujo único objetivo é criar vantagens para os que dele fazem parte, enquanto impõe dificuldades e cria obrigações para o resto da população. O contraste da realidade com o ufanismo da propaganda oficial só agravou o estranhamento e consolidou o divórcio entre a população e os que deveriam ser seus representantes e servidores.</p>
<p>A insatisfação com a democracia representativa não é um fenômeno exclusivamente brasileiro. As razões dessa insatisfação ainda não estão claras, mas é possível que o modelo de representação democrática, constituído há dois séculos para sociedades menores e mais homogêneas, tenha deixado de cumprir seu papel num mundo interligado de 7 bilhões de pessoas, e precise ser revisto. O debate público deslocou-se das esferas tradicionais da política para a internet e as redes sociais. Ameaçada pelo crescimento da internet e habituada ao seu papel de agente da política tradicional, a mídia não percebeu que o debate havia se deslocado.</p>
<p><strong>No caso brasileiro, perplexa com sua aparente falta de repercussão e pressionada financeiramente pela competição da internet, uma parte da mídia desistiu do jornalismo de interesse público e passou a fazer um jornalismo de puro entretenimento.</strong></p>
<p>Mesmo os que resistiram, cederam, em maior ou menor escala, à lógica dos escândalos. Foram incapazes de compreender a razão da sua falta de repercussão, pois não se deram conta de que o público e o debate haviam se deslocado para a internet. Surpreendida pelo movimento de protestos, num primeiro momento, a mídia não foi capaz de avaliar a extensão da insatisfação. Transformou-se ela própria em alvo da irritação popular. Em seguida, aderiu sem convencer, sempre a reboque do debate e da mobilização através da internet. A favor da mídia, diga-se que ninguém foi capaz de captar a insatisfação latente antes da eclosão do movimento das ruas. As pesquisas apontavam, até muito recentemente, grande apoio à presidente da República, considerada praticamente imbatível, até mesmo por seus eventuais adversários nas próximas eleições. Nenhuma liderança soube captar e expressar o mal-estar contemporâneo. Este é provavelmente o seu elemento novo: a internet viabiliza a mobilização antes que surjam as lideranças. Tanto as possibilidades como os riscos são novos.</p>
<h2>A falência do consumismo materialista</h2>
<p>O projeto nacional-desenvolvimentista combina o consumismo das economias capitalistas avançadas com o produtivismo soviético. Ambos pressupõem que o crescimento material é o objetivo final da atividade humana. Aí está a essência de seu caráter anacrônico. Os avanços da informática permitiram a coleta de um volume extraordinário de evidências sobre a psicologia e os componentes do bem-estar. A relação entre renda e bem-estar só é claramente positiva até um nível relativamente baixo de renda, capaz de atender às necessidades básicas da vida. A partir daí, o aumento do bem-estar está associado ao que se pode chamar de qualidade de vida, cujos elementos fundamentais são o tempo com a família e os amigos, o sentido de comunidade e confiança nos concidadãos, a saúde e a ausência de estresse emocional.</p>
<p>Os estudos da moderna psicologia comprovam aquilo que de uma forma ou de outra, mais ou menos conscientemente, intuímos todos: nossa insaciabilidade de bens materiais advém do fato de que o bem-estar que nos trazem é efêmero. Para manter a sensação de bem-estar, precisamos de mais e novas aquisições. O consumismo material tem elementos parecidos com o do uso de substâncias entorpecentes que causam dependência física e psicológica.</p>
<p>No mundo todo, a população parece já ter intuído a exaustão do modelo consumista do século XX, mas ainda não encontrou nas esferas da política tradicional a capacidade de participar da formulação das alternativas. Apegada a fórmulas feitas, a política continua pautada pelos temas e objetivos de um mundo que não corresponde mais à realidade de hoje. As grandes propostas totalizantes já não fazem sentido. O nacionalismo, a obsessão com o crescimento material, a ênfase no consumo supérfluo, os grandes embates ideológicos, temas que dominaram a política nos últimos dois séculos, perderam importância. Hoje, o que importa são questões concretas, relativas ao cotidiano, questões de eficiência administrativa para garantir a qualidade de vida.</p>
<p><strong>É significativo que os protestos no Brasil tenham começado com a reivindicação do passe livre nos transportes públicos urbanos. A questão da mobilidade nas grandes metrópoles é paradigmática da exaustão do modelo produtivista-consumista.</strong> A indústria automobilística foi o pilar da industrialização desenvolvimentista e o automóvel o símbolo supremo da aspiração consumista. O inferno do trânsito nas grandes cidades, que se agrava quanto mais bem-sucedido é o projeto desenvolvimentista, é a expressão máxima da completa inviabilidade de prosseguir sem uma revisão profunda de objetivos. Ao que parece, a sociedade intuiu a falência do projeto do século passado antes que o Estado e aqueles que deveriam representá-la – governo e oposição, Executivo, Legislativo e imprensa – tenham se dado conta de que hoje trabalham com objetivos anacrônicos.</p>
<p>A insatisfação difusa dos protestos pode vir a ser catalizadora de uma mudança profunda de rumo, que abra o caminho para um novo desenvolvimento, não mais baseado exclusivamente no crescimento do consumo material, mas na qualidade de vida. Para isso, é preciso que surjam lideranças capazes de exprimir, formular e executar o novo desenvolvimento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: none; float: right;" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=cc969e67-2ce7-41ab-89ff-fb2df8465b40" /></div>
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		<title>Dilma, vem tc com a gente!</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Jul 2013 20:56:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Fernando Zarur]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os protestos que levantaram o Brasil não são resultado apenas do "basta" que todos nós já deveríamos ter dado a muito tempo. A panela de pressão explodiu também porque não há válvula de escape. Não temos canais efetivos de comunicação aberta e horizontal com nossos representantes políticos.<div class="crp_related"><h3>Leia mais:</h3><ul><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/26/lista-de-leitura-aprendizado-essencial-marina-silva-21062013/"     class="crp_title">Lista de leitura: Aprendizado essencial, Marina Silva&hellip;</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/08/15/como-a-internet-vai-um-dia-transformar-nossos-governos/"     class="crp_title">Como a Internet vai (um dia) transformar nossos governos</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/18/20-centavos-o-troco-que-precisamos-dar/"     class="crp_title">20 Centavos: o troco que precisamos dar</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/07/11/leitura-o-mal-estar-contemporaneo/"     class="crp_title">Leitura: O mal-estar contemporâneo</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/21/pqp-este-e-um-movimento-p2p/"     class="crp_title">PQP este é um movimento popular P2P!</a></li></ul></div>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem recebi um email do Obama. É isso mesmo. Do Barack, para os íntimos. Aliás, regularmente recebo cartinhas dele e de seus amigos. As vezes, até mesmo da Michelle.</p>
<p>Desde 2008, quando ainda era candidato, comecei esta relação de contato com o Obama ao me cadastrar em sua rede de apoiadores, o &#8220;Organizing for America&#8221;. Nestes 5 anos, fui constantemente chamado a participar, a pressionar adversários, a me engajar com a campanha para a re-eleição etc.</p>
<p>Foi a maestria em usar este tipo de comunicação e engajamento que o elegeu como primeiro mulato a exercer a presidência dos Estados Unidos. Obama talvez seja o único líder mundial de sua estatura que realmente entende a comunicação do século XXI (compreende tão bem, que logo tratou de nos <a title="link para artigo sobre PRISM" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/PRISM_%28programa_de_vigil%C3%A2ncia%29">espionar a todos</a>&#8230; assunto para outro post).</p>
<h2>Falando com as paredes</h2>
<p>O interessante é contrastarmos a habilidade de Obama com a antiquada, fraca e despreparada comunicação feita entre os líderes políticos brasileiros e esta juventude que cresceu acostumada a uma interação direta, nivelada e em rede.</p>
<p><strong>Os protestos que levantaram o Brasil não são resultado apenas do &#8220;basta&#8221; que todos nós já deveríamos ter dado há muito tempo. A panela de pressão explodiu também porque não há válvula de escape. Não temos canais efetivos de comunicação aberta e horizontal com nossos representantes políticos.</strong></p>
<p>Em <a href="http://noticias.terra.com.br/brasil/cidades/ex-consultor-de-dilma-governos-tem-atuacao-ridicula-nas-redes-sociais,5ae08eb7ce85f310VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html">entrevista ao Terra</a>, Marcelo Branco, ex-coordenador para mídias sociais da campanha presidencial de Dilma, matou a charada: &#8220;ao se comunicarem com o público da &#8216;sociedade em rede&#8217;, os governos o fazem de maneira vertical, de cima para baixo, de forma muito diferente do caráter colaboracionista que ganha força online&#8221;.</p>
<h2>Aquela velha opinião formada sobre tudo</h2>
<p>A maior demonstração disso foi a estratégia aplicada por Dilma para a comunicação durante o auge da crise. A presidente perdeu uma grande oportunidade de inovar e de se aproximar dos manifestantes ao optar pelo tradicional discurso em cadeia nacional de rádio e televisão.</p>
<p>Por que não substituir um canal tradicional e distante por uma coletiva via mídias sociais com participação direta do público? Por que não apresentar as propostas exclusivamente pelas redes sociais e participar ativamente da conversa diretamente?</p>
<p>Em casos como este, ao que chamamos de &#8220;imprensa tradicional&#8221; (jornal, rádio, tv, revista) está reservado o papel secundário de repercutir e amplificar as informações que saem das mídias sociais. Um ótimo exemplo é, mais uma vez, meu bródi Barack. Em 2011 ele <a title="link para artigo sobre Barack Obama (em ingles)" href="http://mashable.com/2011/04/04/obama-2012-campaign/">anunciou que iria concorrer ao segundo mandato exclusivamente pelas redes sociais</a> com um vídeo sugestivamente intitulado: &#8220;Começa com vocês&#8221;.</p>
<h2>Que reine o caos</h2>
<p>Dilma, Lula, FHC, Aécio e muitos dos diversos líderes políticos que temos aí hoje não estão preparados para se comunicar com esta nova geração que apenas começou a clamar por justiça e uma vida melhor.</p>
<p>Marina Silva &#8211; talvez quem mais entenda das redes sociais entre os políticos de destaque nacional &#8211; afirmou em <a href="http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marinasilva/2013/06/1298673-aprendizado-essencial.shtml">artigo recente</a> que: &#8220;as pessoas não querem ser meros espectadores, lugar em que foram colocadas pelos partidos que detêm o monopólio da política. Querem ser protagonistas, reconectar-se com a potência transformadora do ato político&#8221;.</p>
<p>Algo que também foi confirmado por Marcelo Branco. Segundo ele, <strong>estamos falando de &#8220;um dilema entre dois mundos: a democracia limitada e representativa, e, de outro lado, as vozes que vêm das redes e das ruas querem democracia direta, online, em tempo real, querem construir programas colaborativos como eles fazem em seu cotidiano para outras questões, compartilhando músicas, textos&#8221;.</strong></p>
<p>Mesmo que meu lado profissional sofra em ver tanta incongruência, fico feliz que seja assim. Obama, com sua inquestionável competência como um comunicador autêntico do século XXI, conseguiu criar seu próprio séquito de seguidores e manter rédeas de certa forma firmes em movimentos que talvez explodiriam de maneira mais espontânea.</p>
<p>Quem sabe toda a incompreensão daqueles que sempre souberam qual cordinha puxar para fazer a marionete pular não nos traz um Brasil melhor?</p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: none; float: right;" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=b41a97c4-9cd1-4571-b2e5-10eb44198fbe" /></div>
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		<title>Lista de leitura: Aprendizado essencial, Marina Silva &#8211; 21/06/2013</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Jun 2013 13:27:44 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Ainda que eu discorde de um detalhe ou outro, Marina Silva faz uma ótima análise sobre o que estamos vivendo com as manifestações no Brasil: &#8220;O essencial é perceber o que está latente. Não são os 20 centavos no Brasil, as árvores da praça na Turquia, ou qualquer demanda simbólica visível. O que está em [&#8230;]<div class="crp_related"><h3>Leia mais:</h3><ul><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/07/04/dilma-vem-tc-com-a-gente/"     class="crp_title">Dilma, vem tc com a gente!</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/18/20-centavos-o-troco-que-precisamos-dar/"     class="crp_title">20 Centavos: o troco que precisamos dar</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/21/pqp-este-e-um-movimento-p2p/"     class="crp_title">PQP este é um movimento popular P2P!</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/09/24/900/"     class="crp_title">A NSA vai eleger o próximo presidente do Brasil?</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/02/08/ficha-limpa-uma-e-niciativa-popular/"     class="crp_title">Ficha limpa, uma e-niciativa popular</a></li></ul></div>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda que eu discorde de um detalhe ou outro, Marina Silva faz uma ótima análise sobre o que estamos vivendo com as manifestações no Brasil:</p>
<p>&#8220;O essencial é perceber o que está latente. Não são os 20 centavos no Brasil, as árvores da praça na Turquia, ou qualquer demanda simbólica visível. O que está em pauta é a democratização da democracia. As pessoas não querem ser meros espectadores, lugar em que foram colocadas pelos partidos que detêm o monopólio da política. Querem ser protagonistas, reconectar-se com a potência transformadora do ato político (&#8230;)&#8221;.</p>
<p>Leia o texto completo:<a href="http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marinasilva/2013/06/1298673-aprendizado-essencial.shtml"> Marina Silva &#8211; Aprendizado essencial &#8211; 21/06/2013</a>.</p>
<div class="crp_related"><h3>Leia mais:</h3><ul><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/07/04/dilma-vem-tc-com-a-gente/"     class="crp_title">Dilma, vem tc com a gente!</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/18/20-centavos-o-troco-que-precisamos-dar/"     class="crp_title">20 Centavos: o troco que precisamos dar</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/21/pqp-este-e-um-movimento-p2p/"     class="crp_title">PQP este é um movimento popular P2P!</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/09/24/900/"     class="crp_title">A NSA vai eleger o próximo presidente do Brasil?</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/02/08/ficha-limpa-uma-e-niciativa-popular/"     class="crp_title">Ficha limpa, uma e-niciativa popular</a></li></ul></div>]]></content:encoded>
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		<title>PQP este é um movimento popular P2P!</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Jun 2013 19:39:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Fernando Zarur]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um movimento P2P caracteriza-se pelo fato de cada um dos seus integrantes funcionar tanto como líder (servidor), quanto seguidor (cliente), permitindo compartilhamentos de ações e informações sem a necessidade de um líder (servidor) central"<div class="crp_related"><h3>Leia mais:</h3><ul><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/06/29/os-meios-de-producao/"     class="crp_title">Os meios de produção</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/18/20-centavos-o-troco-que-precisamos-dar/"     class="crp_title">20 Centavos: o troco que precisamos dar</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/08/15/como-a-internet-vai-um-dia-transformar-nossos-governos/"     class="crp_title">Como a Internet vai (um dia) transformar nossos governos</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/26/lista-de-leitura-aprendizado-essencial-marina-silva-21062013/"     class="crp_title">Lista de leitura: Aprendizado essencial, Marina Silva&hellip;</a></li></ul></div>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="padding-left: 30px;"><em>&#8220;A diversidade ea independência são importantes porque as melhores decisões coletivas são o produto de desacordo e competição, não do consenso ou compromisso.&#8221;</em><br />
<em> &#8211; James Surowiecki, no livro &#8220;A <a title="Livro Sabedoria das Multidões" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Sabedoria_das_Multid%C3%B5es">Sabedoria das Multidões</a>&#8220;</em></p>
<p>A imprensa não sabe cobrir o que está acontecendo. Os políticos não sabem sequer de onde está vindo o tapa. Mesmo quem participa, não tem certeza como é que a coisa funciona. Enfim, estamos mais perdidos que filho daquela em dia dos pais. Afinal de contas, como já dizia o Ultraje a Rigor: &#8220;morar neste país é que nem ter a mãe na zona, a gente sabe o que ela faz e ainda assim ama essa gatona&#8221;.</p>
<p><strong>A melhor maneira de explicar as manifestações é entender um pouco de teoria de redes. <strong>A minha hipótese &#8211; comprovada automaticamente pelo tradicional achismo jornalístico &#8211; é que estamos diante de algo completamente novo: um movimento popular P2P.</strong></strong></p>
<p>Não sabe o que é P2P (peer-to-peer)?</p>
<p>Você não deve estar entendendo nada mesmo dessa bagunça toda mas, calma, você está salvo! Este é um guia analógico para um movimento digital: bem vindos à manifestação P2P.</p>
<h2>WTF is P2P?</h2>
<p>Para começar, segundo a wikipedia P2P significa:</p>
<blockquote><p>&#8220;Peer-to-peer (do inglês par-a-par ou ponto-a-ponto) é uma arquitetura de redes de computadores onde cada um dos pontos ou nós da rede funciona tanto como cliente quanto como servidor, permitindo compartilhamentos de serviços e dados sem a necessidade de um servidor central.&#8221; <a title="Página da wikipedia sobre peer-to-peer" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Peer-to-peer"><em>Definição de P2P Wikipedia</em></a></p></blockquote>
<p>Traduzindo:</p>
<blockquote><p>&#8220;Um movimento popular P2P caracteriza-se pelo fato de cada um dos seus integrantes funcionar tanto como líder (servidor), quanto seguidor (cliente), permitindo compartilhamentos de ações e informações sem a necessidade de um líder (servidor) central&#8221;.</p></blockquote>
<p>A definição da wikipedia continua afirmando que, por não ter uma liderança central, as redes P2P têm uma &#8220;elevada disponibilidade&#8221; com &#8220;partilha de recursos e performance superiores&#8221;. Afirma também que est<span style="font-size: 13px; line-height: 19px;">as redes podem ser configuradas em qualquer lugar e que todos seus pontos devem usar &#8220;programas compatíveis para se ligarem uns aos outros&#8221;. Aí entra a função de um </span><span style="font-size: 13px; line-height: 19px;">facebook ou twitter. Uma rede peer-to-peer pode ser usada para compartilhar músicas, vídeos, imagens, dados, enfim qualquer coisa com formato digital. Inclusive ideias e ideais.</span></p>
<p>Ainda está difícil entender?</p>
<p>Para ficar mais claro, veja a animação abaixo que mostra o compartilhamento de informação via twitter durante a revolução de 2011 no Egito:</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/2guKJfvq4uI" height="315" width="560" allowfullscreen="" frameborder="0"></iframe></p>
<h2>Eu, você o cara ali parado: todos somos pontos nesta rede</h2>
<div style="width: 303px" class="wp-caption alignright"><a href="http://www.riogringa.com/.a/6a00e008ca9cc688340192ab4032d8970d-pi"><img class="   " alt="Imagem que lista temas de descontentamento no Brasil como impunidade, desemprego, impostos, corrupção" src="http://www.riogringa.com/.a/6a00e008ca9cc688340192ab4032d8970d-pi" width="293" height="415" /></a><p class="wp-caption-text">O que queremos mudar com as manifestações no Brasil.</p></div>
<p><strong>Um <em>movimento popular P2P</em> tem as mesmas características que este tipo de rede de computadores. Ele surge quando a nossa capacidade de comunicação descentralizada e horizontal nos permite construir comunidades, compartilhar nossos ideais e &#8211; neste caso &#8211; indignação.</strong></p>
<p>Por incrível que pareça, neste tipo de sistema a fragmentação é parte de sua força, não de sua fraqueza como muitos falam por aí. O desafio agora é traduzir toda esta energia em ações concretas. Assim como todo o movimento, esta noção tem de vir não de uma entidade central que vai ditar as prioridades de cima para baixo, mas dos vários e maiores nós do sistema.</p>
<p>Assim como a maior parte dos participantes das manifestações, em abril comemoramos <a title="20 anos de world wide web" href="http://idgnow.uol.com.br/internet/2013/04/30/world-wide-web-comemora-20-anos-com-a-volta-do-primeiro-site-do-mundo/">20 anos da criação da &#8220;World Wide Web&#8221;</a>, a invenção que abriu as portas para a interação digital que funciona como plataforma de organização.</p>
<p>A minha geração cresceu acostumada a absorver o xurume produzido pelos meios de comunicação de massa sem opção de resposta. <span style="font-size: 13px; line-height: 19px;">A geração que está nas ruas hoje cresceu com a ideia de que a mídia é plataforma de organização e interação de duas vias. Isto é tão natural para eles quanto a televisão para nós. Já era assim no dever de casa, no namoro e, agora, na participação política.</span></p>
<p><strong>Estamos diante de um clássico choque de gerações. Aliás, talvez um dos maiores choques de gerações em alguns séculos (<a title="Geração ponte: o nascer de uma cultura eletrônica" href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/01/27/geracao-ponte/">mais sobre o assunto no post &#8220;Geração Ponte&#8221;</a>). </strong></p>
<p>De um lado, temos a geração digital que nasceu imersa na era das redes, da descentralização, da informação que flui por todo lado &#8211; de cima, pra baixo, pro lado e sem controle formal. No outro, temos a geração analógica, acostumada com a informação de cima pra baixo, bem definida e controlada.</p>
<h2>Dando murro em vespeiro</h2>
<p>A distância ideológica e de interação social entre os dois lados é tão grande que realmente ninguém sabe o que fazer nem para conseguir conversar. <strong>Nossos líderes atuais estão completamente sem preparo para esta realidade e lhes resta ficar dando murro no vespeiro.</strong> Vamos aproveitar enquanto podemos! Uma hora os velhos capitães acordam e o império contra-atacará.</p>
<p>As manifestações que sacodem o nosso Brasil Varonil não tem lideranças tradicionais, não são verticais. Mas tampouco são acéfalas, como tentam vender por aí. Mesmo <span style="font-size: 13px; line-height: 19px;">numa rede descentralizada podemos identificar líderes (<a title="20 Centavos: o troco que precisamos dar" href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/18/20-centavos-o-troco-que-precisamos-dar/">e eu espero que eles apareçam!</a>), porém, de maneira diferente do processo político ao qual estamos acostumados. Surgirão naturalmente por meio do número e qualidade de suas conexões com outros pontos da rede. Quanto mais se compartilha, mais autoridade se tem. </span></p>
<p>Ninguém sabe exatamente qual será o resultado final de tudo isso. Eu continuo a acreditar que será num lugar melhor do que onde estamos agora.</p>
<p><span style="font-size: 13px; line-height: 19px;">Bem-vindos ao século XXI!</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Leia mais:</h3>
<ul>
<li><a title="20 Centavos: o troco que precisamos dar" href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/18/20-centavos-o-troco-que-precisamos-dar/"><span style="line-height: 12.997159004211426px;">20 Centavos: o troco que precisamos dar</span></a></li>
<li><span style="line-height: 12.997159004211426px;"><a title="Geração ponte: o nascer de uma cultura eletrônica" href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/01/27/geracao-ponte/">Geração ponte: o nascer de uma cultura eletrônica</a><a title="20 Centavos: o troco que precisamos dar" href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/18/20-centavos-o-troco-que-precisamos-dar/"><br />
</a></span></li>
<li><a title="Revolução 2.0 ou como uma brastemp derrubou o ditador" href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/02/23/revolucao-2-0-ou-como-uma-brastemp-derrubou-o-ditador/">Revolução 2.0 ou como uma brastemp derrubou o ditador<br />
</a></li>
<li><a title="Os meios de produção" href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/06/29/os-meios-de-producao/">Os meios de produção</a></li>
</ul>
<div class="crp_related"><h3>Leia mais:</h3><ul><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/06/29/os-meios-de-producao/"     class="crp_title">Os meios de produção</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/18/20-centavos-o-troco-que-precisamos-dar/"     class="crp_title">20 Centavos: o troco que precisamos dar</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/08/15/como-a-internet-vai-um-dia-transformar-nossos-governos/"     class="crp_title">Como a Internet vai (um dia) transformar nossos governos</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/26/lista-de-leitura-aprendizado-essencial-marina-silva-21062013/"     class="crp_title">Lista de leitura: Aprendizado essencial, Marina Silva&hellip;</a></li></ul></div>]]></content:encoded>
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		<title>20 Centavos: o troco que precisamos dar</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Jun 2013 23:08:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Fernando Zarur]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[No Brasil no qual minha filha nasceu, estamos comemorando mais de 20 anos de democracia. Nada foi fácil nestes primeiros passos de um país que foi levado ao fundo do poço por uma ditadura que ceifou a vida de seus líderes jovens, seja literalmente ou politicamente. Mas, apesar de um Collor e outros desastres, continuamos caminhando pra frente.<div class="crp_related"><h3>Leia mais:</h3><ul><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/21/pqp-este-e-um-movimento-p2p/"     class="crp_title">PQP este é um movimento popular P2P!</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/26/lista-de-leitura-aprendizado-essencial-marina-silva-21062013/"     class="crp_title">Lista de leitura: Aprendizado essencial, Marina Silva&hellip;</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/07/04/dilma-vem-tc-com-a-gente/"     class="crp_title">Dilma, vem tc com a gente!</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/06/29/os-meios-de-producao/"     class="crp_title">Os meios de produção</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/02/08/ficha-limpa-uma-e-niciativa-popular/"     class="crp_title">Ficha limpa, uma e-niciativa popular</a></li></ul></div>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Em agosto de 1978 o AI-5 ainda era vigente, Geisel era presidente e Zico jogava com Rivelino na seleção. Este foi o país no qual nasci.</p>
<p>Tudo bem que tanto o AI-5, quanto o Geisel, foram retirados do cenário nacional algumas semanas depois. E o Brasil perderia a copa da Argentina invicto.</p>
<p>Sendo de Brasília, tudo parecia muito natural. No caminho do colégio, passava todo dia em frente à Granja do Torto, espécie de palácio de verão muito apreciado pelos ditadores. Era aonde, naqueles idos, Figueiredo ficava cheirando seus <a title="Figueiredo preferia cheiro de cavalo a cheiro de povo" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u10538.shtml">similares equinos para evitar odores mais fortes</a>.</p>
<p>Naquela época, os soldados que povoavam as diversas guaritas espalhadas pelos arredores da propriedade eram o auge da minha viagem até o colégio. Resquícios de um militarismo vendido para a criançada, semanalmente, nas aulas de &#8220;Educação Moral e Cívica&#8221; e nas comemorações do Dia do Soldado ou até mesmo nos desfiles de 7 de setembro.</p>
<p><strong>Mais sombrio talvez tenha sido o silêncio no qual minha geração cresceu.</strong> Silêncio em relação aos parentes torturados, exilados, desaparecidos, assassinados. Além da deliberada ignorância em relação à história recente do próprio país. Temas intocáveis enquanto a ferida ainda estivesse exposta.</p>
<h2>Parabéns para você</h2>
<p>Enquanto escrevo este texto, minha filha dorme ao lado. Amanhã, ela vai comemorar um ano de vida.</p>
<p>No Brasil no qual minha filha nasceu, estamos comemorando mais de 20 anos de democracia. Nada foi fácil nestes primeiros passos de um país que foi levado ao fundo do poço por uma ditadura que ceifou a vida de seus líderes jovens, seja literalmente ou politicamente. Mas, apesar de um Collor e outros desastres, continuamos caminhando pra frente.</p>
<p>É bem verdade que ela ainda nasceu ainda sob um resquício da dita cuja: a falta de novas lideranças genuínas na política nacional.</p>
<p><strong>Os principais líderes que hoje temos por aí, em sua maior parte, ou são os filhos e netos das grandes dinastias surgidas na época da ditadura, ou foram formados por ferro e fogo nos anos de chumbo. O fato comum é que todos são sedentos de poder, a todo custo.</strong></p>
<p>FHC, Aécio, Lula, Dilma&#8230; nada mais parecido com o PSDB do que o PT, e vice-versa. Cada um, à sua moda, foi &#8220;tomar benção&#8221; com as velhas ratazanas do porão para poder comandar a rataria. Se o primeiro se vendeu aos bastiões de um ACM, os outros dois se enfiaram em uma ampla luxúria com as forças que tanto combateram &#8211; tudo em nome da &#8220;governabilidade&#8221; (leia-se: poder!). Aliás, há exatamente um ano, no dia em que minha filha nasceu, os jornais estampavam a foto de Lula apertando efusivamente a mão de Paulo Maluf.</p>
<h2>Aos heróis do novo mundo</h2>
<p>Minha filha ainda dorme ali do lado e a &#8220;Praça da Sé&#8221; é um dos 10 tópicos mais comentados pelo twitter. O que vejo por meio da Internet (e não pela Globo, única opção de informação na minha infância) me enche de esperança.</p>
<p><strong>Esperança de que as manifestações desta semana estejam aí para semear novas lideranças na terra árida deixada para trás nos 29 anos de ditadura e dos outros 20 dominados pelo bionômio PT / PSDB e seu manequeísmo político.</strong></p>
<p>É essa garotada, dominando os <a title="Os meios de produção" href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/06/29/os-meios-de-producao/">meios digitais de produção de sua própria cultura</a>, que vai nos levar de verdade ao século XXI. Que ponham abaixo as articulações de bastidores da nossa velha política; que exijam respeito e decência de quem &#8220;pretende fazer na sua vida pública, o que sempre fizeram na privada&#8221;.</p>
<p>Minha esperança é que ela acorde para um país melhor, mais justo. Ela não poderia receber melhor presente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="crp_related"><h3>Leia mais:</h3><ul><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/21/pqp-este-e-um-movimento-p2p/"     class="crp_title">PQP este é um movimento popular P2P!</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/26/lista-de-leitura-aprendizado-essencial-marina-silva-21062013/"     class="crp_title">Lista de leitura: Aprendizado essencial, Marina Silva&hellip;</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/07/04/dilma-vem-tc-com-a-gente/"     class="crp_title">Dilma, vem tc com a gente!</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/06/29/os-meios-de-producao/"     class="crp_title">Os meios de produção</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/02/08/ficha-limpa-uma-e-niciativa-popular/"     class="crp_title">Ficha limpa, uma e-niciativa popular</a></li></ul></div>]]></content:encoded>
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		<title>Os meios de produção</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jun 2011 22:39:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Fernando Zarur]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Segundo a teoria marxista, meios de produção são o conjunto formado por meios de trabalho e objetos de trabalho &#8211; ou tudo o que medeia a relação entre o trabalho humano e a natureza, no processo de transformação da própria natureza. Os meios de trabalho incluem os instrumentos de produção: instalações prediais (fábricas, armazéns, silos [&#8230;]<div class="crp_related"><h3>Leia mais:</h3><ul><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/21/pqp-este-e-um-movimento-p2p/"     class="crp_title">PQP este é um movimento popular P2P!</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/01/27/geracao-ponte/"     class="crp_title">Geração ponte: o nascer de uma cultura eletrônica</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/18/20-centavos-o-troco-que-precisamos-dar/"     class="crp_title">20 Centavos: o troco que precisamos dar</a></li></ul></div>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Segundo a teoria marxista, meios de produção são o conjunto formado por meios de trabalho e objetos de trabalho &#8211; ou tudo o que medeia a relação entre o trabalho humano e a natureza, no processo de transformação da própria natureza.</p>
<ul>
<li>Os meios de trabalho incluem os instrumentos de produção: instalações prediais (fábricas, armazéns, silos etc), infraestrutura (abastecimento d&#8217;água,energia, transportes, telecomunicações, máquinas, ferramentas etc).</li>
<li>Os objetos de trabalho são os elementos sobre os quais ocorre o trabalho humano (recursos naturais (terra etc.) e matérias-primas (minerais, vegetais e animais).</li>
</ul>
<p>Para Marx, a propriedade dos meios de produção determina a posição dominante da burguesia no modo de produção capitalista. O modo de produção é, por sua vez, determinante na organização da sociedade (Wikipedia)</p></blockquote>
<h3>A Internet representa a maior revolução na comunicação humana desde que o ourives <a title="Gutenberg" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Johannes_Gutenberg">Johannes Gutenberg</a> resolveu abandonar as pepitas e construir a primeira prensa móvel em 1440.</h3>
<div style="width: 249px" class="wp-caption alignright"><img class="  " title="Johannes Gutenberg, inventor da imprensa" alt="Johannes Gutenberg, inventor da imprensa" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/33/Gutenberg.jpg" width="239" height="307" /><p class="wp-caption-text">Johannes Gutenberg, inventor da imprensa</p></div>
<p>Em sua época, a invenção de Gutenberg possibilitou a disseminação de informação em massa ao abaixar os custos e possibilitar a publicação de livros em larga escala. O acesso à informação desencadeou um processo revolucionário que derrubou sistemas políticos, criou novas ideias, economias, religiões, costumes&#8230;</p>
<p>Não é exagero dizer que a Internet vai no mesmo caminho. <a title="Mídias sociais, o novo modismo da web?" href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2010/04/29/midias-sociais-ou-social-midia-para-os-mais-afetados/">Mídias sociais</a>, <a title="Guerra total – wikileaks e a comunicação no século XXI" href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2010/12/16/guerra-total-wikileaks-e-a-comunicacao-no-seculo-xxi/">guerras virtuais</a>, novos hábitos de compras, mudanças na relação de poder <a title="Revolução 2.0 ou como uma brastemp derrubou o ditador" href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/02/23/revolucao-2-0-ou-como-uma-brastemp-derrubou-o-ditador/">consumir-empresas</a>, <a title="Revolução 2.0 ou como uma brastemp derrubou o ditador" href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/02/23/revolucao-2-0-ou-como-uma-brastemp-derrubou-o-ditador/">revoluções políticas</a> são apenas os primeiros passos de um processo que promete ser duradouro.</p>
<h3>Foice e martelo</h3>
<p>E o ponto comum entre o hipertexto de <a title="Tim Berners-lee wikipedia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tim_Berners-Lee">Tim Berners-Lee</a> e os tipos móveis de Gutenberg é que ambos democratizaram o acesso aos &#8220;meios de produção&#8221; da indústria midiática.</p>
<p>Karl Marx, conterrâneo do nosso amigo Gutenberg, dizia que a “propriedade dos meios de produção determinam a posição dominante da burguesia e o modo de produção capitalista”. Logo, podemos dizer que a democratização destes meios terá efeito devastador na maneira em como nos organizamos como sociedade.</p>
<p><strong>O coração da revolução social atual é o mesmo da Alemanha medieval:</strong><strong> a democratização do acesso aos &#8220;meios de produção&#8221; e aos &#8220;objetos de trabalho&#8221;. Ou seja, o fim das indústrias intermediárias, dos atravessadores, de filtros sujeitos à manipulação.</strong></p>
<p>O primeiro livro produzido em massa foi a famosa <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%ADblia_de_gutenberg">Bíblia de Gutenberg</a> e não foi à toa que a democratização do acesso à palavra de Deus foi um dos pilares da Reforma Protestante que desafiava o poder do Papa como &#8220;intermediário&#8221; divino.</p>
<p>Mesmo sem facebook naquele tempo, Martin Lutero fez <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/95_teses"><em>&#8220;95 posts&#8221;</em></a> na &#8220;<em>wall</em>&#8221; de uma igreja de Mainz dizendo coisas do tipo: &#8220;Qualquer cristão que está verdadeiramente contrito tem remissão plena tanto da pena como da culpa, que são suas dívidas, mesmo sem uma carta de indulgência.&#8221;</p>
<p>Nossa revolução começou em estágios mais mundanos. Mas nem por isso os efeitos são menores.</p>
<p>Se sou um consumidor destratado, tenho como <a title="Revolução 2.0 ou como uma brastemp derrubou o ditador" href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/02/23/revolucao-2-0-ou-como-uma-brastemp-derrubou-o-ditador/">elevar minha voz</a>. Também não preciso mais me submeter a um vendedor &#8211; treinado em me persuadir a comprar o que não quero. Se estou em uma loja, munido de um <em>smartphone</em>, posso rapidamente pesquisar a opinião independente de centenas de outros compradores que avaliaram o mesmo produto que pretendo adquirir.</p>
<p>Se sou artista, não preciso mais me prostituir para uma gravadora musical. Durante anos fomos obrigados a engolir artistas fabricados para o mercado, álbums compostos por marqueteiros e pagamos preços altos para o consumo de cultura barata.</p>
<p>É negando estes atravessadores desnecessários que estamos vendo um renascer criativo fora do domínio de gravadoras e seus executivos.</p>
<p>&#8220;A banda mais bonita da cidade&#8221; é um exemplo de como se pode dominar com competência os meios de produção e distribuição que a comunicação digital nos oferece.</p>
<p>O grupo utiliza o site <em>catarse.me</em> para possibilitar que os fãs financiem seu disco diretamente. Se você quiser ver &#8220;<a href="http://catarse.me/en/projects/164-cancao-pra-nao-voltar">Canção pra Não Voltar</a>&#8221; no álbum, basta pagar quantias que iniciam em 10R$ para garanti-la no disco, assim o conjunto tem total domínio de seu processo criativo.</p>
<p>Mas o maior sucesso da banda foi o uso inteligente do YouTube. Os mais de 6 milhões de visualizaçõeszinhas do videozinho bonitinho daquela musiquinha fofinha, &#8220;Oração&#8221; me deixou pensando em duas coisas:</p>
<ol>
<li>Como é fantástico o potencial viral da internet;</li>
<li>Como eu queria que o João Gordo aparecesse no meio do clipe e fizesse aquele rapaz comer a margarida que ele carrega no bolso.</li>
</ol>
<h3>Que seja eterna enquanto dure&#8230;</h3>
<p>Por enquanto, a Internet está aí para acabar com os intermediários e abrir portas. <a title="Geração ponte: o nascer de uma cultura eletrônica" href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/01/27/geracao-ponte/">Nossa geração</a> tem o privilégio de viver um daqueles momentos quando é possível chacoalhar a poeira de velhos valores, inverter a lógica de  jogos de poder, tomar conta do próprio rumo e inovar.</p>
<p>Mas é preciso pressa. Assim como a imprensa de Gutenberg, uma hora os ventos se acalmam e alguém senta para comandar a máquina mais uma vez.</p>
<p>A própria reforma protestante &#8211; que semeou a liberdade religiosa e chegou a pregar a ligação de cada indivíduo com o divino &#8211; terminou em alianças que mais uma vez transformaram a fé em instrumento de manipulação política.</p>
<p>Coincidência ou não, nesta semana o <a href="http://exame.abril.com.br/tecnologia/twitter/noticias/papa-bento-xvi-envia-o-primeiro-tweet-de-sua-conta-oficial">Papa Bento XVI enviou seu primeiro twitter</a>. Daqui a pouco, quem sabe não poderemos pagar nossas indulgências via <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paypal"><em>paypal</em></a>?</p>
<p><strong>Como já dizia Vandré, &#8220;quem sabe faz a hora&#8221; e caminha com &#8220;a certeza na frente, a história na mão&#8221;.</strong></p>
<p>Vídeo da música oração (não recomendado a diabéticos):</p>
<p><object width="350" height="229" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/QW0i1U4u0KE?version=3&amp;hl=en_US" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="350" height="229" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/QW0i1U4u0KE?version=3&amp;hl=en_US" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<div class="crp_related"><h3>Leia mais:</h3><ul><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/21/pqp-este-e-um-movimento-p2p/"     class="crp_title">PQP este é um movimento popular P2P!</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/01/27/geracao-ponte/"     class="crp_title">Geração ponte: o nascer de uma cultura eletrônica</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/18/20-centavos-o-troco-que-precisamos-dar/"     class="crp_title">20 Centavos: o troco que precisamos dar</a></li></ul></div>]]></content:encoded>
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		<title>Como criar um Bolsonaro</title>
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		<pubDate>Mon, 23 May 2011 10:09:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Fernando Zarur]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Estratégia de comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Na imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[futuro]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao deliberadamente selecionar Bolsonaro para alimentar sua máquina semanal de polêmicas, o CQC serviu de plataforma para lançá-lo como porta-voz da extrema-direita em âmbito nacional.<div class="crp_related"><h3>Leia mais:</h3><ul><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/02/08/ficha-limpa-uma-e-niciativa-popular/"     class="crp_title">Ficha limpa, uma e-niciativa popular</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/07/04/dilma-vem-tc-com-a-gente/"     class="crp_title">Dilma, vem tc com a gente!</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/07/11/leitura-o-mal-estar-contemporaneo/"     class="crp_title">Leitura: O mal-estar contemporâneo</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/18/20-centavos-o-troco-que-precisamos-dar/"     class="crp_title">20 Centavos: o troco que precisamos dar</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/06/29/os-meios-de-producao/"     class="crp_title">Os meios de produção</a></li></ul></div>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>A <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alquimia">alquimia</a> possui três objetivos:<br />
1. Transmutar metais inferiores em ouro,<br />
2. fabricar o elixir da longa vida e<br />
3. criar vida humana artificial a partir de materiais inanimados (um clone humano na acepção moderna), os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hom%C3%BAnculo">homúnculos</a>.</p>
<p style="text-align: right;"><em>Wikipedia</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;">
<div style="width: 359px" class="wp-caption aligncenter"><img class=" " title="O Homúnculo na alquimia" src="http://onefootwalking.files.wordpress.com/2010/03/homunculus1.jpg" alt="Na alquimia, o homúnculo seria um mini-homem que poderia ser criado para obedecer ordens." width="349" height="449" /><p class="wp-caption-text">Na alquimia, o homúnculo seria um pequeno ser que poderia ser criado para obedecer ordens.</p></div>
<p>De acordo com a receita do alquimista <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paracelso">Paracelso</a>, fabricar um homúnculo era simples. Bastava acumular &#8220;um pouco de sémen humano posto em uma retorta hermeticamente fechada e aquecida em esterco de cavalo durante 40 dias&#8221;. Ao fim deste período teríamos um ser humano apequenado à nossa disposição.<br />
<strong>Para fabricarmos um Bolsonaro, a receita tem ingredientes à altura.</strong></p>
<p>Primeiro, precisamos de uma mídia sensacionalista sempre ávida por um escândalo, louca para vender polêmica.</p>
<p>Adicione aí um obscuro deputado federal, normalmente resignado à sua insignificante vida de devaneios racistas, homofóbicos, militaristas e de apologia à violência.</p>
<p>Misture os dois num contexto de liberalização moral num país de forte tradição católica. Ponha tudo num forno televisivo e alimente com ódio.</p>
<p>Pronto, temos os ingredientes perfeitos para um desastre.</p>
<h2>Receita de bolo</h2>
<p>Desde que destratou Preta Gil em edição do <a href="http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2011/03/29/jair-bolsonaro-da-entrevista-polemica-no-cqc-veja/">programa CQC</a>, destilando sua usual lista de intempérios, Bolsonaro iniciou uma era dourada para sua carreira política.</p>
<p>Até então, o ex-militar desfrutava de notória insignificância, encostado em sua sexta legislatura como deputado federal pelo Rio de Janeiro, provavelmente eleito seguidamente pelo mesmo punhado de ex e atuais torturadores que ele defende. E assim permaneceria, apenas mais um folclórico congressita, se não fosse o grande favor do CQC.</p>
<p>Ao deliberadamente selecioná-lo para alimentar sua máquina semanal de polêmicas, o CQC serviu de plataforma para lançá-lo como porta-voz da extrema-direita em âmbito nacional.</p>
<p>É claro, a reação contra Bolsonaro foi sonora e expressiva: gritaria nas mídias sociais, passeatas, processos judiciais, notas de repúdio, abaixo-assinados&#8230; uma avalanche midiática que, ao fim, só serve para engrandecer o mal que pretendem combater.</p>
<h2>Falem mal, mas falem de mim</h2>
<p>Aí reside o maior problema, Bolsonaros e demais seres políticos oriundos das profundezas se alimentam da discórdia. Para ser bem didático: atacar o Bolsonaro é como cutucar bosta, &#8220;quanto mais mexe, mais fede&#8221;.</p>
<p>Não importa se a cobertura é negativa.</p>
<p>O que estamos fazendo, agora, ao estampar o nome deste cidadão nas capas de jornal é ajudar a consolidar sua alcunha na cabeça de eleitores. Várias pesquisas comprovam o poder da repetição e a influência do <em>&#8220;recall&#8221;</em> na hora do voto. O eleitor muitas vezes escolhe o nome de alguém conhecido, mesmo que não lembre quem é ou em qual contexto ouviu falar do político.</p>
<p>Com seu poder de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Agendamento">agendamento</a>, a imprensa acaba por legitimar este indivíduo como líder de uma tal &#8220;extrema direita&#8221;, movimento ínfimo que sequer tinha expressividade em nível nacional.</p>
<p>E o pior, nada disso é novidade. E o CQC obviamente sabia com quem estava falando e que tinha na mão um ótimo produto. O único problema é que os rapazes engraçadinhos acabaram dando status e relevância para as patuscadas que o indigitado repete no Congresso há tempos.</p>
<p>Cada vez que seu nome é citado, para o bem ou para o mau, é uma colherada nova de fermento neste bolo fecal. Esta polêmica foi a &#8220;retorta hermeticamente fechada e aquecida&#8221; que este homúnculo precisava para se desenvolver.</p>
<h2>Criatura X criador</h2>
<p>Este é um daqueles casos no qual criatura aprende a controlar o criador. Fazendo a única coisa que sabe fazer bem &#8211; criar factóides e novas polêmicas &#8211; o deputado fluminense tem a imprensa na mão. Afinal de contas, suas baboseiras vendem jornal.</p>
<p>Quando é que Bolsonaro ia sonhar em ter tanto espaço gratuito no rádio, TV e jornais? Acompanhamento jornalístico 24hrs, campanhas dedicadas a seu nome, brigas entre manifestantes, processos na OAB. Isso é um sonho!</p>
<p>A janela mágica da comunicação, assim como o alquimia, trabalha com elementos perigosos e tem o poder de transformar materiais inferiores em ouro, de dar longa vida (Elvis que o diga&#8230;) e criar monstros.</p>
<p>Por isso mesmo, é preciso ser usada por alquimistas aptos e com muito cuidado para evitar que a criatura domine o criador.</p>
<p>Obviamente não acredito que a solução seja apenas ignorar a presença de uma correntede extrema direita no Brasil. Mas o Bolsonaro é um desses elementos que nunca deveria ter saído do armário. Deveria ter ficado ali, acumulando pó, logo abaixo do enxofre. Ao brincar de abrir o frasco com seu nome, o CQC o alimentou com oxigênio.</p>
<p>A contaminação chegou a tal ponto, que acabei escrevendo sobre o assunto. Declaro-me culpado.</p>
<div class="crp_related"><h3>Leia mais:</h3><ul><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/02/08/ficha-limpa-uma-e-niciativa-popular/"     class="crp_title">Ficha limpa, uma e-niciativa popular</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/07/04/dilma-vem-tc-com-a-gente/"     class="crp_title">Dilma, vem tc com a gente!</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/07/11/leitura-o-mal-estar-contemporaneo/"     class="crp_title">Leitura: O mal-estar contemporâneo</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2013/06/18/20-centavos-o-troco-que-precisamos-dar/"     class="crp_title">20 Centavos: o troco que precisamos dar</a></li><li><a href="http://www.comunicacao-internet.com.br/index.php/2011/06/29/os-meios-de-producao/"     class="crp_title">Os meios de produção</a></li></ul></div>]]></content:encoded>
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