<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439</id><updated>2024-11-06T16:31:04.204+00:00</updated><category term="Reflexões do Eu"/><category term="Literatura &amp; Poesia"/><category term="Coisas do Eu"/><category term="Escritos"/><category term="Poemas do Eu"/><category term="Pensamentos do EU"/><title type='text'>Consequências do Eu</title><subtitle type='html'>O primeiro lugar onde se chega é geralmente o primeiro de onde se parte. Tudo é uma consequência do que chega e do que parte. Do EU.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>68</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-135556389340434167</id><published>2016-05-08T20:05:00.001+01:00</published><updated>2016-08-28T15:48:37.422+01:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura &amp; Poesia"/><title type='text'>E se fosse engolido por um crocodilo? </title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 14.0pt; line-height: 107%;&quot;&gt;Imaginemos
que ia ver um crocodilo em exposição acompanhado pela sua esposa e o seu
melhor amigo. Até aqui tudo bem. O problema é imaginar o momento em que acaba
de ser engolido pelo crocodilo. Se isso acontecesse, como acha que a sua
mulher, amigo, dono do crocodilo e sociedade em geral reagiria? E caso tivesse a sorte de resistir ao processo de deglutição desse feroz animal, como
acha que reagiria ao facto de estar dentro de um crocodilo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 14.0pt; line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 14.0pt; line-height: 107%;&quot;&gt;No conto &quot;O crocodilo&quot;, Dostoievski revela-nos como o delírio de certas ideias “progressistas” de alguns homens leva-os a ignorarem e a afastarem-se dos elementos mais básicos e indiscutíveis do
senso comum. &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: perpetua, serif; font-size: 14pt; line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: perpetua, serif; font-size: 14pt; line-height: 107%;&quot;&gt;De facto, ao imaginar-se a
ser engolido por um crocodilo e conseguir sobreviver milagrosamente ao processo
de deglutição, o leitor provavelmente diria que tentaria sair do interior deste
animal e diria também que as outras pessoas envolvidas na história o tentassem
salvar a tudo o custo. Contudo, para grande surpresa nossa, essa não é de todo a prioridade da vítima nem de grande parte das pessoas envolvidas nesta
história. O homem engolido pelo crocodilo considera que este acontecimento
constitui para ele uma oportunidade de mudar o destino da humanidade, através
de grandes teorias fundamentadas em tudo menos... na realidade. Em contrapartida,
as outras personagens envolvidas consideram que o mais importante é
salvaguardar os grandes interesses da pátria e humanidade e que, portanto, é
necessário garantir que esses interesses não sejam comprometidos com qualquer
tipo de acção precipitada. O mais inesperado desta situação aparentemente
trágica é que ela não parece trazer nada de trágico para as pessoas envolvidas,
a não ser o ridículo de elas não terem a capacidade de discernir o absurdo das suas ideias e acções. Sobretudo, do próprio homem engolido pelo
crocodilo que vê nesse acontecimento a grande oportunidade da sua vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 14.0pt; line-height: 107%;&quot;&gt;Aqui
deixo alguns excertos de que gostei especialmente:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 14.0pt; line-height: 107%;&quot;&gt;“Há
muito que a física chegou à conclusão de que a natureza não tolera o vazio. De
acordo com isso, também o interior do crocodilo tem de ser precisamente vazio
para não poder tolerar o vazio e, consequentemente, engolir a cada instante e
encher-se com tudo o que lhe cai no dente. É esta a única causa razoável pela
qual os crocodilos engolem os nossos semelhantes. Já o mesmo não se passa com a
estrutura humana: por exemplo, quanto mais vazia for uma cabeça humana, tanto
menos sentirá sede de se encher”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 14.0pt; line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 14.0pt; line-height: 107%;&quot;&gt;&quot;Basta isolarmo-nos num cantinho, ou por exemplo, cair dentro de um crocodilo, fechar os olhos... e logo se inventa todo um paraíso para a humanidade. De manhã, quando vocês se foram embora, pus-me de imediato a inventar coisas, e já inventei três sistemas; estou agora a acabar de inventar o quarto. O que é preciso fazer, em primeiro lugar, é negar tudo; ora, das entranhas de um crocodilo parece que se vê tudo melhor...&quot;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/135556389340434167/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2016/05/e-se-fosse-engolido-por-um-crocodilo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/135556389340434167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/135556389340434167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2016/05/e-se-fosse-engolido-por-um-crocodilo.html' title='E se fosse engolido por um crocodilo? '/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-2759602289554653422</id><published>2014-05-23T00:12:00.000+01:00</published><updated>2015-01-21T15:55:32.383+00:00</updated><title type='text'>Afinal, já não sou um existencialista. </title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;No outro dia descobri que,
afinal, já não sou um existencialista. E o mais surpreendente, pelo menos para
mim, foi que descobri isso enquanto subia as escadas do prédio da rua lá de baixo.
Ora, tinham-me chamado ao último andar do dito prédio para tratar de uns assuntos
cuja real natureza ou propósito nem eu próprio compreendia, muito embora
tivessem tudo a ver comigo. Pode parecer estranho, é verdade. Mas quantas
vezes isso não nos acontece? Recebemos uma carta em casa que nos obriga a ir a
um determinado lugar fazer algo ainda mais determinado mas que, surpresa das
surpresas, não compreendemos muito bem do que se trata embora saibamos que se
não formos lá, ninguém lá irá por nós e tão-pouco aceitariam lá outro sujeito
que não nós. Enfim, o que vale é que o prédio da rua lá de baixo é fácil de
reconhecer&amp;nbsp; pois é o único que não tem
janelas. Basta-lhe uma porta para entrar. O arquitecto que projetou aquele belíssimo mas incompreensível monumento nunca assumiu a responsabilidade e, portanto, o
mistério da ausência de janelas num edifício tão alto nunca chegou a ser
apurado. Contudo, há quem diga (e não são poucos) que a lógica para tal coisa
era a de impedir que as pessoas se atirassem lá de cima. Sim, porque dos
prédios todos que existem na rua lá de baixo este é realmente o único do qual
dá vontade de saltar. E até mais do que uma vez. Mas bom, o que é certo é que
isso é apenas uma suposição feita entre a malta que vai falando aqui e acolá
sem nunca assumir, também, de forma oficial as suas próprias opiniões. Assim
que entrei no prédio ainda demorei algum tempo a aperceber-me que estava lá
dentro e que, ainda por cima, estava atolado de gente. No meio de tanta gente
era quase impossível de saber bem onde estava e até mesmo quem eu era ali. Aquela
multidão de gente tinha-me confundido o discernimento entre aquilo que eu era e
o que os outros eram. Por momentos que se pareceram horas ou dias, fiquei sem
saber onde eu começava e onde acabava. Daí que não me podia mexer. Sim, como me
poderia eu mexer se não sabia onde começava e acabava o meu pé? E como poderia
eu afastar a multidão da minha frente se eu próprio não sabia onde estavam as
minhas mãos: se em mim ou naquelas outras pessoas que eu via ali mais à frente?
Dada a minha confusão, ainda estive quase para perguntar a alguém onde
começavam e acabavam os meus pés e se algum deles tinha as minhas mãos. Tudo
isto pode parecer inverosímil, é certo, mas também não é menos verdade que não
há nada no mundo onde esteja demonstrado de uma forma clara e irrefutável: “é
aqui que começam e acabam os teus pés e aqui estão as tuas mãos”. Tudo isto, esta
representação que a mente faz do nosso corpo, é objeto de investigações
notáveis na área das neurociências e tudo quanto sabemos é que a nossa
verdadeira consistência não é mais sólida do que a do cérebro. Portanto, ali
estava eu sem consistência nem identidade nenhuma e preso a um lugar indeterminado
até um tempo ainda mais indeterminado. A figura da multidão parecia-me confusa
e embaciada. Talvez pelo calor abafado que se fazia sentir e que me atordoava
os sentidos. De facto, foi apenas quando comecei a retomar o controlo sobre os
meus sentidos é que fui capaz de distinguir as pessoas que me rodeavam. &amp;nbsp;Com alguma surpresa, acabei por notar que
dentro daquela multidão havia pessoas de todos os tipos e feitios. Sim, podem
imaginar à vontade porque havia lá de tudo. O que não havia era um elevador. E
sendo assim, parece que toda a gente estava condenada a esperar pela sua vez
para começar a subir aquelas escadas. À medida que ia recuperando o controlo
dos meus sentidos e que ia começando a distinguir as outras pessoas, dei-me
conta que afinal eu estava ali também a poucos metros do primeiro degrau e
pude, então, descobrir e sentir onde começavam e acabavam os meus pés e aonde
estavam as minhas mãos. Com algum alívio por me ter reencontrado a mim próprio,
comecei a sorrir que nem um parvo e fiz algum esforço para não confessar às
pessoas que me rodeavam de que tinha acabado de descobrir onde começavam e
acabavam os meus pés e aonde estavam as minhas mãos. Aliás, quando vi um
sujeito a apoiar-se no corrimão estive quase para gritar: “ah, afinal essa mão
é tua!” Mas depois acabei por ver que essa afirmação poderia perturbá-lo e
guardei-a só para mim. Enfim, ali estava eu de volta a mim próprio, naquele
prédio sem janelas e com aqueles degraus todos a subir. Ainda antes de iniciar
a minha marcha, eu ainda perguntei a um homenzito que estava ao meu lado e que
parecia saber mais do que eu se ele porventura sabia do que se tratava tudo
aquilo. Ele estranhou a pergunta e não me respondeu sequer. Lá prosseguiu o seu
caminho, degrau a degrau, parando só de vez em quando para retomar o fôlego. Em
contrapartida, uma pessoa que estava ao meu lado, ao ouvir a minha pergunta
disse-me: nós estamos aqui para subir. E bom, tendo em conta que toda a gente
que me rodeava estava ali para subir e que eu também tinha ali assuntos
inadiáveis para tratar, lá me resolvi também a subir. Pois assim que retomei
consciência do meu corpo, estava a tornar-se cada vez mais insuportável
permanecer no mesmo sítio ao lado de toda aquela gente que não conhecia de lado
nenhum. De facto, uma das minhas esperanças era de que ao subir alguns degraus
ainda encontrasse algumas pessoas conhecidas com as quais pudesse conversar e
aliviar um pouco o peso daquela subida. E felizmente assim foi. Logo uns
degraus mais à frente fui encontrando pessoas que conhecia de algum lado. Uns
da rua lá de cima, outros da rua do lado e ainda outros de lugares mais
distantes onde as ruas são mais largas que os horizontes das estradas. Até
cheguei a confundir pessoas desconhecidas por conhecidas, dada a simpatia e familiaridade
com que me tratavam. O único incómodo foi de ter avistado também pessoas por quem
não nutria grande simpatia mas que, sorte a minha, estavam do outro lado da
escada. De vez em quando, ia encontrando alguns casais aos beijos e abraços e
que pareciam se ter conhecido ali, naquelas escadas daquele prédio sem janelas.
Para esses, o tempo parecia ter parado eternamente num só degrau. Eu acredito
que se ninguém os empurrasse, eles teriam ficado ali para sempre. Infelizmente,
também vi alguns a queixarem-se repetidamente e a tornarem a subida de outros
mais difícil. Para além disso, ainda houve quem agradecesse o facto daquele prédio
não ter janelas porque se assim não fosse, já não estariam ali. Em
contrapartida, havia também outros que clamavam desesperadamente por uma janela
e outros que clamavam por ela em silêncio. &amp;nbsp;Foi aí que alguém começou a discursar que a
culpa era sempre do arquitecto, para o bem e para o mal. Pela forma como
falava, também ele deveria ser um arquitecto ou, pelo menos, um estudante de
arquitectura pois a História da Arquitectura e as principais obras dos
arquitectos mais influentes do mundo ainda lhe estavam vivos na memória. Não
foram poucos os exemplos que ele deu em relação às obras mais belas e
incompreendidas do mundo. Não foram raras as analogias e metáforas empregues
para tentar trazer alguma luz naquele prédio tão escuro. Houve que o mandasse
calar e houve quem o ouvisse. E ainda houve quem nem desse por ele e que subisse
na mesma as escadas. Quanto a mim, eu aproveitava cada instante para apreciar o
que se passava à minha volta de forma a não perder nada daquele espectáculo
onde estava inserido e do qual não podia fugir. De facto, foi aí que me
apercebi que afinal já não era um existencialista porque já não estava minimamente
interessado em saber quem eu era ali nem que escadas eram aquelas. Nem tão
pouco me interessava o que me esperava lá em cima. Era ali, no meio, onde me
encontrava que o espectáculo do mundo acontecia e era nele que eu pensava e
participava.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/2759602289554653422/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2014/05/afinal-ja-nao-sou-um-existencialista.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/2759602289554653422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/2759602289554653422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2014/05/afinal-ja-nao-sou-um-existencialista.html' title='Afinal, já não sou um existencialista. '/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-2256263160248939094</id><published>2014-05-21T09:47:00.001+01:00</published><updated>2016-04-15T13:31:03.409+01:00</updated><title type='text'>Beber um café na Suíça. </title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
- Bonjour, je voudrais un expresso s&#39;il vous plait.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim começa o meu dia num pequeno e simpático café em Delémont. Sentado à janela, vou apreciando o bulício desta pequena urbe situada no coração do Jura enquanto espero pelo meu café. A rue de la Préfecture é bastante movimentada, ainda que o rebuliço maior seja durante a noite quando os jovens inundam os bares à procura de animação. Nisto, vejo uma senhora velhinha que começou o dia a ruminar uma litania de preocupações para si própria. Parece que com o tempo as pessoas perdem o medo de falarem sozinhas. Quando somos jovens vivemos a representar-nos perante a plateia do mundo ao ponto de quase acreditarmos que somos realmente a máscara que usamos na rua. Quando a velhice chega, a plateia vai-se embora e, para muitos, já não faz assim tanto sentido esse trabalho de representação. Ainda assim, a velhinha lá segue o seu caminho enquanto eu acabo de receber o meu tão aguardado café. De todos os vícios que o mundo nos proporciona, este é seguramente um dos melhores: não só pelo prazer que dá como pelo bem que nos faz à saúde. Aqui na Suíça, é costume os empregados deixarem logo a conta em cima da mesa em conjunto com o pedido. Esse é, a meu ver, o sabor amargo da Suíça: em todo o lado nos relembram que para tudo, ou quase &amp;nbsp;tudo, é preciso dinheiro. Ainda antes de beber o café, já me estão a lembrar que preciso de pagá-lo. Como eu prefiro mil vezes aqueles cafés onde podemos pedir tudo (ou quase tudo) o que nos apetece, saborear pedaço por pedaço quase esquecendo que tudo aquilo tem um preço. Mas aqui não. Aqui começas o dia a pensar que até para começá-lo é preciso dinheiro. Ainda que isso seja verdade, não é menos verdade que passar do sono para a vigília é um processo doloroso e complicado porque nos vemos obrigados a abandonar os sonhos pela realidade. Ainda assim, embora a conta chegue com o café nós não somos obrigados a pagar logo no momento. Podemos, então, beber o café tranquilamente enquanto o nosso olhar divaga entre o bulício da rua e da nossa mente. Confesso que também se obtém um certo prazer ao fazê-los esperar pelo pagamento: eles vêm todos apressados com a conta e nós ignoramos com um sorriso esse fatídico processo de puxar pela carteira e contar os trocos. Portanto, lá estava eu a beber o meu café enquanto uma pequena multidão de pessoas entrou pelo café. Instalou-se, então, o barulho de fundo típico dos diálogos matinais com a percussão característica do bater das chávenas de café, dos copos em cima da mesa, do folhear dos jornais e revistas, do balancear e arrastar das cadeiras, etc. Isto para não falar também da música que se fazia ouvir no interior do café e dos barulhos e ruídos das pessoas e dos carros a passarem na rua. O que é certo, é que ao fim de algum tempo de divagações do espírito, eis que decidi puxar pela carteira e começar a contar os trocos. Na verdade, a minha intenção não era pagar já. Pois eu tinha trazido uns livros para estudar e pretendia pagar apenas quando me fosse embora. A minha intenção era apenas de ver se tinha dinheiro em trocos que chegasse para pagar ou se teria que gastar uma nota. Portanto, não fiz qualquer sinal à empregada de mesa e peguei tranquila e sorrateiramente na carteira, abri-a em cima da mesa e comecei a mexer nas moedas sem pressas. Enquanto tentava desvendar os francos dos euros que tinha na carteira, eis que oiço os passos da empregada de mesa a encaminharem-se na minha direcção. Não pude deixar de sorrir quando a vi à minha frente de olhos fixos na minha carteira, à medida que eu ia puxando das moedas, uma a uma, sobre a mesa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Vous écoutez bien le son de la monnaie.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela começou-se a rir e respondeu-me que ela &amp;nbsp;distinguia bem o som dos trocos porque não tinha nada para fazer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os suíços quando não têm nada para fazer, entretém-se a distinguir o som das moedas dos demais sons que constituem o nosso quotidiano. Nós, em contrapartida, quando não temos nada para fazer entretemo-nos a esquecer o som do dinheiro que gastamos ou que não temos.&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/2256263160248939094/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2014/05/beber-um-cafe-na-suica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/2256263160248939094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/2256263160248939094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2014/05/beber-um-cafe-na-suica.html' title='Beber um café na Suíça. '/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-4413979142685683194</id><published>2014-04-15T22:43:00.000+01:00</published><updated>2016-04-15T12:38:32.702+01:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura &amp; Poesia"/><title type='text'>O erro de Fernando Pessoa </title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Hoje parece-me que tive um momento
de clareza à hora do jantar. A refeição estava concluída e eu preparava-me para me levantar da mesa quando a minha mãe fez referência ao tempo
em que eu e o meu irmão competíamos um com o outro para sairmos rapidamente da
mesa a fim de nos apoderarmos do comando da televisão. As regras e os detalhes
que implicavam essa dita competição não é para aqui chamada, pois são vivências
pessoais e familiares, no entanto, cabe aqui dizer que a minha mãe fez alusão a
esses tempos elogiando-os da seguinte forma: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;– Belos tempos em que não se vivia para o
pensamento. Vivia-se apenas para ganhar o comando da televisão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A minha mãe fez essa observação para sublinhar o quanto a vida é alegre e bela
quando não se pensa nela, quando nos deixamos apenas fluir no próprio fluxo das
coisas e do mundo. Para além disso, o tom de voz da minha mãe também deixou
transparecer um certo saudosismo e melancolia por esse belo tempo onde a vida decorria de forma energética e sem grandes preocupações. Nisto, era quase inevitável que a
minha primeira reação fosse a de concordar com a minha mãe. Afinal de contas, como poderia eu não concordar que fui uma criança feliz por ser &lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-family: Perpetua, serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;&quot;&gt;precisamente&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;&quot;&gt; despreocupado e que a vida, naquele tempo, parecia
fazer mais sentido porque o sentido que a regia advinha dela própria e não de
mim próprio no mundo? &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Mas, ao mesmo
tempo, como poderia eu concordar que aquele tempo poderia ser o mais belo de
todos se eu não usufruía ainda de todas as ferramentas necessárias para
edificar a minha Razão? Ou seja, como poderia eu concordar passivamente que a
vida naquela altura era melhor se eu ainda não tinha desenvolvido todas as
minhas capacidades cognitivas? Se eu concordasse com a minha mãe e afirmasse que
ser criança é melhor que ser adulto, então eu estaria a menosprezar o valor da
Razão e da luta pela nossa autonomia de pensar (n)o mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Eu não podia fazer isso. Eu não
podia deixar que a minha Razão fosse vencida por uma versão mais incompleta de
mim próprio. Contudo, eu também não podia deixar de reconhecer o sentido da
frase do Fernando Pessoa que diz que &quot;pensar incomoda tanto como andar à
chuva&quot;. Muito embora saiba que a poesia é a dialética da alma, ela não é
propriamente a dialética da verdade ou da Razão. Quanta beleza não pode haver
num poema não obstante, muitas vezes, o seu engano? &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A poesia faz falta à vida porque a vida é, em
si, poética e o destino humano que a canta é trágico. Portanto, não será de
admirar que a poesia não pode ser vista como um caminho que nos
conduz à verdade, mas antes um caminho que nos leva ao encontro com aquilo que somos ou nos sentimos ser. Ora, a frase do Fernando Pessoa parece
estar certa porque o nosso caro poeta apenas quis refletir um estado de
espírito utilizando para isso a dialética da alma. Sendo assim, a frase parece
estar certa e parece conduzir-nos à verdade porque nós sentimos que ela
corresponde a um estado do espírito facilmente reconhecível pela nossa alma. Contudo,
reparem como a frase deixa de fazer qualquer sentido quando lhe acrescentamos apenas
uma palavra:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pensar &lt;i&gt;bem&lt;/i&gt; incomoda tanto como andar à chuva.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ora
aqui está, a diferença entre nos exprimirmos através da dialética da alma ou a
dialética da Razão. A alma gosta de sentir e exprimir exatamente o que sente. &amp;nbsp;A Razão não funciona assim. A Razão gosta de
pensar bem e de se exprimir de acordo com a verdade. E&amp;nbsp; por isso mesmo é que não conseguimos
convencer a alma com a Razão. No entanto, interpretando a frase modificada do
Fernando Pessoa à luz da Razão facilmente podemos constatar que pensar bem não incomoda
nada. Muito antes pelo contrário: a Razão gosta de ter razão e sente um enorme
prazer em estar de acordo ou de se aproximar da verdade. As descobertas
científicas são a prova disso mesmo. Não há nada que dê maior prazer a um
ser humano do que sentir que a sua Razão alargou o nosso conhecimento
sobre o mundo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 14pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Na verdade, pensar só incomoda quando
não estamos a pensar bem. E é precisamente por isso que éramos mais felizes quando
éramos crianças:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 14.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Não porque a vida era melhor naquela
época mas tão-somente porque naquele tempo e naquele contexto, estávamos a
pensar bem dentro dos limites da nossa Razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se por algum motivo nos incomodar pensar, é porque não estamos a pensar bem.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/4413979142685683194/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2014/04/hoje-parece-me-que-tive-um-momentode.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/4413979142685683194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/4413979142685683194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2014/04/hoje-parece-me-que-tive-um-momentode.html' title='O erro de Fernando Pessoa '/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-9203856166560684323</id><published>2013-12-19T20:55:00.002+00:00</published><updated>2016-04-15T13:26:05.495+01:00</updated><title type='text'>O poema de Pouchkin que gostava de ter ouvido no Club des Poètes</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Há felizes coincidências na
vida. Uma delas foi o facto de ter assistido a uma soirée de poesia russa no
Club des Poètes em Paris precisamente após a minha viagem à Rússia. Das
diversas vezes que fui ao dito clube de poesia, nunca tinha assistido a nenhuma
soirée de poesia russa. Foi preciso ter viajado até à Rússia e de me ligar ao
poeta Pouchkin para reencontrá-lo novamente naquele espaço que tanto gosto em
Paris. Todavia, de todos os poemas que conheço do Pouchkin, houve um que
gostava que tivesse sido recitado na soirée de poesia russa e que, infelizmente,
não o foi. Eu bem que perguntei se havia alguém que soubesse recitar o poema
&quot;La lettre brulée&quot; mas ninguém se acusou. Ainda assim, pesquisei pela
internet para descobrir o poema original mas sem sucesso.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Em todo o caso, fica aqui o poema em questão traduzido em
francês e português. A tradução portuguesa foi eu que a fiz a partir da versão
francesa.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;La lettre bruléev&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Adieu, lettre d&#39;amour, adieu! Elle
l&#39;ordonne...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Mais combien j&#39;ai tardé, que ma main
fut rétive &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;à sacrifier au feu la trace de mes
joies!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Puisque l&#39;heure a sonné: brûle, lettre
amoureuse,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;je suis prêt et mon coeur ne veut plus
rien entendre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Tes feuilles sont touchées par la
flamme vorace...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Un moment! Un éclair! Elles
flambent... légère &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;une fumée s&#39;enroule, emportant mes
prières. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Maintenant s&#39;évanouit l&#39;empreinte du
cachet &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;et la cire en fondant grésille. ô
Providence!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;C&#39;en est fait. Les feuilles noircis se
crispent, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;sur l&#39;impalpable cendre encore
transparaissent &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;les lignes tant aimées. J&#39;ai le cœur
lourd. Ô cendre, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;humble consolation pour mon destin en
deuil, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;demeure à tout jamais sur mon cœur
affligé. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;A carta de amor
queimada &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Adeus,
carta de amor, adeus! Ela assim o ordena&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Mas
tanto que tardei, pois a minha mão foi reticente&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;a
sacrificar ao fogo o vestígio das minhas alegrias!...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Visto
que a hora chegou: arde, carta de amor,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;eu
estou pronto e o meu coração não quer ouvir mais nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;As
tuas folhas são tocadas pela chama voraz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Um
momento! Um clarão! Elas ardem... ligeira&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;uma
fumaça se enrola, levando as minhas preces&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;agora
se desvanece o vestígio do escondido&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;e
a cera ao derreter crepita. Ó Providência!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;Está
feito. As folhas enegrecidas crispam-se,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;sobre
a impalpável cinza ainda transparecem &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;as
linhas tão amadas. Tenho o coração pesado. Ó cinza,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt;&quot;&gt;humilde
consolação do meu destino em luto&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 13pt; text-align: justify;&quot;&gt;permanece para sempre sobre o meu coração afligido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/9203856166560684323/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2013/12/o-poema-de-pouchkin-que-gostava-de-ter.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/9203856166560684323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/9203856166560684323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2013/12/o-poema-de-pouchkin-que-gostava-de-ter.html' title='O poema de Pouchkin que gostava de ter ouvido no Club des Poètes'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-1177544796511064123</id><published>2013-05-21T22:57:00.000+01:00</published><updated>2016-04-12T15:57:59.668+01:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pensamentos do EU"/><title type='text'>Colóquio sobre Albert Camus e Vergílio Ferreira</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-tab-count: 1;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Hoje assisti, com grande prazer, ao colóquio
&quot;Exílio e o Reino: de Albert Camus a Vergílio Ferreira&quot; no Instituto
Francês de Portugal. Partindo da visão destes escritores, foi defendida a ideia
de que através da arte o ser humano pode corrigir o absurdo da vida e do mundo
que o envolve. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Partilho aqui duas citações de que gostei particularmente:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&quot; Dans cet Univers, l&#39;oeuvre est alors la chance
unique de maintenir sa conscience et d&#39;en fixer les aventures. Créer, c&#39;est
vivre deux fois&quot;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&amp;nbsp;Albert Camus&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&quot;Há
em ti uma obra de arte ou do pensar adormecida&quot;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Vergílio Ferreira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Quanto
a mim, surgiram-me vários pensamentos no decorrer das palestras. Aqui partilho um deles:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Paradoxalmente,
é a ideia da morte que nos faz viver. Quando ela não nos habita, desperdiçamos
a vida porque não temos sequer a consciência de que a vivemos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/1177544796511064123/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2013/05/coloquio-sobre-albert-camus-e-vergilio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/1177544796511064123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/1177544796511064123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2013/05/coloquio-sobre-albert-camus-e-vergilio.html' title='Colóquio sobre Albert Camus e Vergílio Ferreira'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-8741342847489751403</id><published>2013-04-13T20:01:00.002+01:00</published><updated>2013-04-13T20:06:40.903+01:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Reflexões do Eu"/><title type='text'>A impossibilidade de se saber quem se é</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;&quot;&gt;&quot;Nunca
soube quem eu era. Sou um caos mental. Um caos em perpétua mudança. Uma certa
quantidade de lembranças e de esquecimentos, de amores e de ódios. &lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ansi-language: FR;&quot;&gt;Uma
infinidade de efeitos. Não sei quem sou. Nunca me contemplei num espelho.&quot;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ansi-language: FR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ansi-language: FR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;– Fernando Vallejo &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ansi-language: FR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ansi-language: FR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&quot;Je n&#39;ai jamais su qui j&#39;étais.
Je suis un chaos mental. Un chaos en perpétuel changement. Une certaine
quantité de souvenirs et d&#39;oublis, d&#39;amours et de haines. Une infinité
d&#39;effets. Je ne sais pas qui je suis. Je ne me suis jamais contemplé dans un
miroir.&quot;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ansi-language: FR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;FR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-ansi-language: FR;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;– Fernando Vallejo &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Perpetua, serif; font-size: large;&quot;&gt;Em certa medida, também me revejo naquilo que Fernando Vallejo diz acerca da identidade. Um homem percorre o
mundo, aprende novas línguas, abraça novas culturas, experimenta o inesperado e
eis que ao voltar ao ponto de partida sente que aquilo que faz a sua identidade
é um tear indiscritível de coisas que lhe foram sucedendo, às quais respondeu e
que, em grande parte, se esqueceu. E o que fica somos apenas nós, este instante
em que nos sentimos ser e no qual nos afirmamos:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Eu estou aqui.&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Perpetua, serif; font-size: large;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Perpetua, serif; font-size: large;&quot;&gt;A nossa identidade resume-se à
palavra Eu. Mas a palavra Eu não explica nada. A única coisa que faz é afirmar
uma presença. Daí que compreendo bem o caos mental de que fala Fernando Vallejo e a
impossibilidade de se saber, em boa verdade, quem se é.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Perpetua, serif; font-size: large;&quot;&gt;Na vida já fomos tanta coisa e dessa tanta coisa, verdade seja dita, não fomos nada disso.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/8741342847489751403/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2013/04/a-impossibilidade-de-se-saber-quem-se-e.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/8741342847489751403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/8741342847489751403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2013/04/a-impossibilidade-de-se-saber-quem-se-e.html' title='A impossibilidade de se saber quem se é'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-8894048921271640789</id><published>2013-01-05T03:08:00.001+00:00</published><updated>2016-04-15T13:23:16.140+01:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Reflexões do Eu"/><title type='text'>O que aprendi no ano 2012</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Sempre que um ano das nossas vidas passa, damos por nós a
reflectir um pouco sobre a natureza do tempo. É uma reflexão natural que nasce
de um dever moral, íntimo da alma, que o ser humano tem de se dar conta de si próprio
e da posição que ocupa em relação ao seu tempo de vida. A questão do tempo é
uma questão tão inultrapassável quanto o próprio tempo. É sobejamente conhecida
a frase do Santo Agostinho que dizia sabiamente o seguinte: “se não me
perguntarem o que é o tempo, então eu sei bem o que é, mas se de repente alguém
me pergunta o que é o tempo, então já não sei”. Interpreto estas palavras da
seguinte forma: o tempo é-nos inerente tal como o nosso subconsciente, somos
fruto de um e outro, ambos nos pertencem sem que os saibamos descrever ou
definir. Quem poderá definir com exactidão, isto é, estabelecer os limites onde
começa e acaba a parte de si próprio que é subconsciente? No entanto, é-nos
inerente, está em nós e faz de nós uma parte do que somos, sendo que a totalidade
de nós próprios será para sempre um dos maiores mistérios insolúveis da vida. A
consciência, por seu turno, é objectivável e definível dado que os nossos
pensamentos se colam à linguagem e esta, por seu turno, é a que nos relata o
que pensamos conscientemente. &amp;nbsp;Consequentemente, o tempo é
indefinível porque está em nós e em mais lado nenhum. O tempo é uma parte do
nosso ser no mundo que nos é dada a conhecer pelo meio da consciência. Daí que
a noção de tempo só existe para aquele que se sente existir. A eternidade, a
verdadeira eternidade, é uma fuga ao tempo, uma fuga a nós próprios que nos
sentimos ser. De uma forma um pouco fantasista, se ninguém sentisse o tempo
talvez o tempo não existisse e, sendo assim, talvez este não seja mais do que
uma forma de nos sentirmos mudar numa facticidade que se altera continuamente. E
é curioso analisar que toda a gente admite que a mudança é contínua, ininterrupta.
Nada no mundo ou no Universo deixa de mudar. No entanto, o conceito de continuidade
é um conceito paradoxal ao de mudança visto que a mudança deveria implicar uma
ruptura, o tal “corte com o passado” a que nos referimos muitas vezes coloquialmente,
e, portanto, deveria implicar também uma quebra da própria continuidade. Mas
tudo flui de forma contínua na tal a metáfora intemporal do rio onde vemos
escoar a nossa vida, as mudanças do nosso Eu. Advém deste pressuposto
muitas teorias existencialistas: a consciência como elemento de temporalização
do Eu. Mas bom, fiquemos apenas com esta ideia velha de que a problemática do
tempo é uma problemática intemporal, linguisticamente insolúvel como nos diz o
Santo Agostinho e cuja própria essência é misteriosamente duvidosa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;u&gt;Voltemos agora ao propósito inicial
desta publicação: o que aprendi no meu balanço do ano 2012?&lt;/u&gt; Ora, aprendi que
sou acima de tudo um grande ignorante e por isso me espera ainda uma bela vida
pela frente: cheia de novas descobertas e aprendizagens. Constatei que sábio
não é aquele que tem muitos conhecimentos, mas sim aquele que faz uma inteligente gestão dos seus conhecimentos em prol da sua felicidade. Sábio é, portanto,
aquele que é feliz sem prejudicar a felicidade dos outros. Os grandes males da
humanidade nascem da ignorância dos verdadeiros ignorantes: os que pensam que
já sabem tudo e, por saberem tudo, já não obtêm prazer através da aprendizagem
das coisas mais simples. Pascal dizia que todos os erros da Humanidade advêm do
facto das pessoas não serem capazes de permanecer sozinhas num quarto, num
estado de paz interior. Daí que complicam tudo, inventam falsas necessidades, guerras,
conflitos, traições e sofrimentos com base em fundamentos ideológicos – pois
toda a actividade humana deriva de ideias – cujo único sentido é de inventarem um
sentido justificativo para os mais absurdos comportamentos. O mais
surpreendente ainda, é que toda a guerra tem como objectivo a paz. E por isso,
por vezes, questiono-me sinceramente sobre o que mais matou na história da Humanidade:
se foi a guerra ou o conceito erróneo de paz? Pois se este conceito erróneo de paz
não existisse, a guerra também não. Ou seja, se esta desejada paz continua a
motivar a guerra é porque talvez não é a guerra que está errada, mas sim, a
falsa ideia de que leva as pessoas a matar. As pessoas procuram uma paz que não
existe e, portanto, aprestam-se a combater. E essa paz não existe por um
simples motivo: toda a guerra resulta de uma falta de paz colectiva e esta
resulta, por sua vez, de uma falta de paz individual. Daqui voltamos a Pascal:
só aquele que tem paz de espírito interior é que é capaz de permanecer
tranquilo e feliz num quarto, sozinho, auto-suficiente. A guerra seria
impossível num estado colectivo de paz individual. Se cada um fosse feliz tal
como é, que lutasse apenas contra as agitações do seu espírito, então aí sim:
a paz reinaria neste mundo de sábios, pois sábios são aqueles que são felizes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A grande aprendizagem que fiz neste
ano em que andei pelo mundo e conheci novas realidades é a de que existe apenas
um verdadeiro e justo caminho para a Humanidade: aquele em que cada homem
aspira à virtude e ao autoaperfeiçoamento de si próprio, aquele em que cada
homem se torna um pouco poeta pois decide fazer da sua vida um poema, visto que
todo o poema aspira à verdadeira beleza do mundo. Mas quantos de nós sabemos apreciar realmente o milagre existencial e o poder da palavra que reside num poema?&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Nota importante:&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;
este texto não tem como pretensões de ser moralista, pois a moral absoluta nenhum
ser humano a tem (ou pela vida errónea que já levou ou pela incerteza da vida
que o espera), o que visa, sim, é de ser um agente motivador no cultivo da
virtude do ser humano. Quem aspira à virtude aspira a ser boa pessoa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/8894048921271640789/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2013/01/o-que-aprendi-no-ano-2012-o-caminho-da.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/8894048921271640789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/8894048921271640789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2013/01/o-que-aprendi-no-ano-2012-o-caminho-da.html' title='O que aprendi no ano 2012'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-8865492783581086028</id><published>2012-12-23T15:55:00.000+00:00</published><updated>2012-12-23T16:44:30.392+00:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Reflexões do Eu"/><title type='text'>Uma questão de liberdade, Erasmus</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;&quot;&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Perpetua, serif; font-size: large; line-height: 115%;&quot;&gt;O homem é o único animal que
depois de nascer tem que inventar a sua vida: ele nasce completamente nu, sem
atributos naturais que lhe indiquem concretamente a razão pela qual nasceu, e,
portanto, abandonado pura e simplesmente à sua razão, ele tem que descobrir
através dela um determinado propósito e sentido para a sua vida. Um homem que
viva apenas segundo a lei dos animais sente cair sobre si um absurdo maior do
que o próprio sentido absurdo da vida. Portanto, se para alguma coisa o homem
nasceu foi para se inventar a si próprio. A essa invenção de si próprio,
chamamos projecto de vida. A nossa vida é, assim, um projecto que se vai
desenhando livremente sobre uma folha de papel branca que tem os seus próprios
limites mas que, dentro dela, tudo é ainda sempre possível e indeterminado. À medida
que desenhamos o que somos, vamos vendo que há traços que já não fazem sentido
e que já não se ajustam ao que pretendemos ser. A maior dificuldade na invenção
do ser humano é a sua incapacidade, por vezes, de se livrar destes traços
incómodos que já não fazem sentido dentro do projecto actual. É aqui que Sartre
nos vem libertar e, ao mesmo tempo, condenar à liberdade. O texto que aqui me
proponho escrever não tem como objectivo expor toda a teoria de Sartre: não só perderia
a grande parte dos leitores pelo caminho assim como acabaria por fugir do meu. O
que me proponho fazer aqui é expor duma forma simples o ponto de vista de
Sartre e transpô-lo para a minha experiência de Erasmus enquanto momento de
ruptura com o meu projecto inicial.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: large; line-height: 115%;&quot;&gt;Segundo
Sartre, esta temporalidade a que pertencemos não é possível ser encarada a partir
das suas três dimensões: o passado, o presente e o futuro. “O único método
possível para estudar a temporalidade é abordá-la como uma totalidade que
domina as suas estruturas secundárias e que lhes dá um sentido.” Esta
totalidade é a nossa consciência e Sartre refere-se a ela como o Para-si para a
distinguir do Em-si. Esta distinção serve para ilustrar a natureza da
consciência que não é nada mais que uma simples projecção de nós próprios, de
isto que nós somos enquanto coisas que existem. Daí que, para Sartre, a
existência precede a essência. Isto é, antes de sermos capazes de definir em
nós uma essência, já nós existíamos segundo o modo de ser da coisa, do Em-si. Esta
observação é pertinente pois, de facto, não consigo responder para mim mesmo a
seguinte pergunta: a partir de quando comecei a ser?&amp;nbsp; Antes de me sentir ser eu já existia mas
desconhecia a minha própria essência, não tinha consciência de mim próprio,
desta projecção de mim a mim mesmo. E depois, quando coloco uma nova pergunta,
a tal que se segue: então afinal o que sou? Sou obrigado a constatar que o que
sou é como que um nada que se tenta passar por uma coisa, e daí que aquilo que
sou não é essa coisa que penso ser mas a projecção dessa coisa que eu já era
ainda antes de me sentir ser. Contrariamente ao Em-si, à coisa, àquilo que é, o
Para-si não pode ser definido antes de existir visto que ele se projecta, se
escolhe e nega sempre o que ele é para surgir no ser que afirma. O Para-si
nunca é a consequência de causas antecedentes, mas de escolhas que fez no
momento em que outras possibilidades se ofereciam. Assim sendo, o sentido
daquilo que me tornei nunca é definitivo: enquanto me encontrar neste mundo eu
tenho a livre obrigatoriedade de me escolher. Enquanto o Para-si não for
abolido na morte, uma nova escolha pode sempre reorientar o sentido daquilo que
ele é. O sentido aqui é sinónimo de projecto: desta projecção de nós próprios
orientada para dar um rumo à nossa existência. E este projecto não tem,
portanto, nada de definitivo. Ele é perpetuamente modificável. O Para-si pode a
todo o momento modificar as escolhas do que ele é, basta &amp;nbsp;para isso que escolha um outro projecto e que
ele negue o que foi através do instante que cria uma nova temporalização. O
Para-si é uma temporalidade absolutamente livre, isto é, uma temporalidade onde
tudo a todo o momento é possível, uma liberdade projectada e assombrada pelo
espectro do instante. Esta liberdade conduz Sartre a defender que o passado não
é determinado: o homem pode escolher o seu passado, pois ele escolhe e constrói
o seu passado em função daquilo que ele projecta ser. Ele não reinventa o seu
passado, mas ele escolhe guardar deste os acontecimentos em função daquilo que
ele quer ser. Um tal conhecimento não é de todo apaziguador: qualquer que seja
o meu passado eu sou livre e posso mudar radicalmente o projecto através de um
novo acto, pois ninguém é definitivamente o que quer que seja. Esta liberdade é
angustiante na medida em que a consciência aspira a viver segundo o modo do Em-si,
da essência uma vez por todas estabelecida. Cada consciência sabe,
angustiadamente, que um acto é sempre possível e necessariamente possível
dentro do qual ela deverá se escolher. A angústia é um medo de si próprio, o
medo da própria liberdade, visto que afinal não somos livres de não sermos
livres. A consciência nega ao mesmo tempo que deseja a liberdade. É portanto
compreensível que, a consciência angustiada pela sua própria liberdade, se tende
a assegurar interpretando-se sob a forma do Em-si e que faça tudo para se esquecer,
por vezes, que é livre. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;Default&quot; style=&quot;text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: large;&quot;&gt;Agora que sabemos qual é a posição de
Sartre sobre a liberdade e de que forma inventamos um projecto de vida à medida
que nos escolhemos em cada situação, é chegado o momento de reflectir em que
medida a experiência Erasmus pode mudar radicalmente o sentido de uma vida, de
um projecto, de um Eu. Gaston Bachelard diz que “todos os espaços das nossas solidões
passadas, os espaços onde sofremos e também obtivemos prazer a partir da solidão,
onde desejámos a solidão, onde comprometemos a solidão são em nós inapagáveis
(…) os espaços de solidão são constitutivos”. Portanto, chegamos a um pequeno
quarto parisiense longe de todo o mundo que conhecíamos e mesmo se era o nosso
sonho fazer um Erasmus em Paris, não podemos esquecer esta realidade: durante
um ano inteiro vamos ficar neste pequeno quarto, abandonado a si próprio. E é
precisamente neste abandono inicial que sentimos o peso negativo da liberdade a
que se refere Sartre: a constatação de que afinal a vida é mesmo só nossa, de
mais ninguém. Mas o peso associa-se sempre a um contraposto de leveza
interagindo sobre a mesma situação. O romance &lt;i&gt;A Insustentável leveza do ser&lt;/i&gt; de Milan Kundera é um livro que
explora muito bem esta dicotomia entre o peso e a leveza do nosso ser. Portanto,
o peso da liberdade, isto é, o peso de estar sozinho na vida (que não é o mesmo
que estar sozinho no mundo), é contraposto e balanceado pela leveza da
liberdade, isto é, pela oportunidade que nós temos de negar este peso no
encontro com as mil possibilidades que a vida tem. E é aqui, precisamente aqui,
que nos surge a constatação de que apesar de estarmos sozinhos na vida, de sermos
uma entidade singular, a vida em si é múltipla cabendo apenas a nós de
entrarmos, ou não, na sua multiplicidade. O Erasmus começa por ser uma
experiência de encontro consigo mesmo e depois alarga-se e expande-se no
encontro com os outros. E durante todo este processo vamos nos reinventando à
medida que nos escolhemos: num lugar onde o nosso passado é desconhecido ou até
mesmo aquele que é conhecido tem pouco valor para a facticidade do presente,
estamos constantemente a reescrever uma nova história de nós próprios, a criar
um novo passado que irá dar outro sentido ao futuro. Quando damos por nós, num
desses dias em que nos olhamos com maior atenção ao espelho, constatamos que a
imagem que nela surge nos parece ironicamente estranha, e até nos perguntamos:
“será que sou mesmo eu que estou aqui?” E a resposta é que sim, somos mesmo
nós, a única diferença é que estamos a viver outra vida segundo outro projecto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;Default&quot; style=&quot;text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: large;&quot;&gt;A experiência Erasmus tem dois momentos:
o de partida e o de regresso. Na partida sabemos bem quem vai mas não sabemos
bem o que nos espera, e no regresso sabemos bem o que nos espera mas já não
sabemos bem quem volta. E é aqui, outra vez, que teremos que nos escolher.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;Default&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: large;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;Default&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: large;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;Default&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: large;&quot;&gt;- Texto publicado na Revista Desumbiga da Faculdade de Medicina de Lisboa, Dezembro 2012&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/8865492783581086028/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2012/12/uma-questao-de-liberdade-erasmus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/8865492783581086028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/8865492783581086028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2012/12/uma-questao-de-liberdade-erasmus.html' title='Uma questão de liberdade, Erasmus'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-6840042320956733332</id><published>2012-06-06T13:44:00.002+01:00</published><updated>2012-06-07T08:36:04.061+01:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Coisas do Eu"/><title type='text'>O Erasmus como um puzzle</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Antes de vir de Erasmus para Paris, tinha um puzzle na minha cabeça com uma imagem bem definida do que era a vida. Depois, ao chegar aqui, esse puzzle desmontou-se bruscamente e todas as peças ficaram soltas. Assim fui obrigado a reunir de novo, pouco a pouco, cada uma dessas peças. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;E agora que o puzzle está praticamente completo outra vez, é curioso constatar que a imagem que dele resulta já não é a mesma – apesar das peças que o constituem não terem mudado.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Paris é talvez uma das melhores cidades do mundo. E admiro-a não tanto por aquilo que ela é, mas sobretudo, por aquilo que ela me&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt; tem encaminhado a ser.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/6840042320956733332/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2012/06/o-erasmus-como-puzzle-da-minha-vida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/6840042320956733332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/6840042320956733332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2012/06/o-erasmus-como-puzzle-da-minha-vida.html' title='O Erasmus como um puzzle'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-2930544427301153893</id><published>2012-05-11T01:46:00.001+01:00</published><updated>2012-05-29T22:45:44.188+01:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Escritos"/><title type='text'>Fugir à crise e o regresso à realidade</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Ao fechar a porta viu-se, de repente, sozinho no quarto. O dia tinha sido longo, demoradamente longo, desde o início até ao fim. As reuniões, umas atrás das outras, consecutivamente repetitivas tanto na sua natureza como nos seus resultados, tinham-no fatigado até ao ponto máximo da extenuação. Ele sentia, como toda a gente da empresa, que aquelas reuniões não serviam rigorosamente para nada, pois nada iria realmente mudar: nenhuma estratégia, fosse ela qual fosse, poderia agora evitar aquilo que já era há muito inevitável – a falência. Aquelas reuniões serviam, como muitas outras, apenas e só para entreter os espíritos e embriagá-los numa&amp;nbsp;sensação de utilidade de que as pessoas precisam para justificar o seu quotidiano.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;;&quot;&gt;Não era propriamente isto que o Luís tinha em mente quando decidiu sair de Portugal para fugir à crise económica. Ele pensava que fugir aos problemas era a mesma coisa que solucioná-los e eis que, agora, o problema o tinha apanhado de novo. Ao fechar a porta do quarto, sentiu naquele momento uma mistura de sentimentos em tudo contraditórios: sentia no lugar mais íntimo da sua alma um conforto angustiante. Sentia um doce e belo conforto por chegar finalmente a casa depois daquele dia longo e fatigante, mas ao mesmo tempo, sentia também uma angústia terrível e profunda por sentir que, chegado ali, já não tinha mais para onde fugir. As quatro arestas do seu quarto definiam agora não só os limites daquele quarto mas também os limites do Luis, como se ele próprio já não pudesse ser mais do que aquilo, mais do que aquela realidade nua e fria onde uma pessoa deixa de ser o que é. O terrível peso da derrota perseguia-o onde quer que fosse, como se ela própria fosse uma coisa inevitável na sua vida.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;;&quot;&gt;Despiu-se lentamente e atirou aleatoriamente cada peça de roupa pelo quarto. O Luís sentia que naquele momento devia oferecer às roupas a liberdade que ele próprio não tinha para si. Depois dum longo momento de suspensão a olhar para a cama sem realmente a ver, decidiu deitar-se. Era uma pequena cama que tinha como maior defeito o facto de oscilar facilmente durante a noite e lhe perturbar, assim, frequentemente o sono. Mas hoje a cama mostrava ser mais segura do que era na verdade, e o largo corpo do Luis deitado sobre ela assemelhava-se a um daqueles grandes navios que vemos sempre muito bem atracados em qualquer porto, mais não seja pelo simples peso da sua presença.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;;&quot;&gt;O silêncio era duro e pesado e ele precisava de arranjar&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;;&quot;&gt; algumas palavras com que se distrair. Acendeu uma vela ao lado da mesa-de-cabeceira, apagou as luzes e pegou num livro. Era um romance fácil, de palavras fáceis, onde tudo parecia ser tão fácil quanto a leitura. Mas quanto mais ele avançava na leitura, mais ele se dava conta que a vida não era nada do que aquilo que ele lia, que a vida afinal era na verdade um longo tear de palavras difíceis e complexas, incompreensíveis, muitas vezes desconexas, atiradas aqui e ali, no simples acaso, sem sentido aparente e que o único sentido que elas têm é o sentido que nós lhes damos. Qual era o sentido de ele estar ali sozinho, longe da família e dos amigos, e de ter abdicado de todo o conforto, do real e verdadeiro conforto por uma solução que afinal não veio solucionar nada? Qual era o sentido? No romance as coisas decorriam duma forma simples e previsível, numa cadeia de acontecimentos que faziam todo o sentido porque tinham sido criados por um escritor que queria inventar um sentido para as coisas e, por isso, alterava até os acontecimentos mais simples da vida, os mais humanos, para que a vida lida fosse melhor que a outra, a única, a verdadeira, aquela que escapa a qualquer leitura, pois a vida vivida requer muito mais que os olhos da imaginação.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;;&quot;&gt;Chegou um momento em que o Luís se fartou. Já não podia mais com aquilo, com toda aquela artificialidade. Se inicialmente queria fugir à realidade, as palavras que ecoavam daquele romance falso atormentavam-no ainda mais e, por isso, sentia agora que devia voltar de novo à realidade, por mais fria que ela pudesse ser. A vela que iluminava solitariamente a penumbra daquele quarto aguardava pelo seu leve sopro para se extinguir em paz, pois aceitar o destino daquela noite representava para ambos o primeiro sinal de esperança a que nos agarramos quando dizemos que amanhã haverá de ser um outro dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/2930544427301153893/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2012/05/fugir-crise-e-um-regresso-realidade.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/2930544427301153893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/2930544427301153893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2012/05/fugir-crise-e-um-regresso-realidade.html' title='Fugir à crise e o regresso à realidade'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-6608739672222044247</id><published>2012-04-26T22:47:00.002+01:00</published><updated>2012-05-04T12:08:28.086+01:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Escritos"/><title type='text'>Sentir a vida pela raiz dos sentidos</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;De um lado para o outro a agitação das pessoas fazia
crer que aquela praia não era a simples praia a que estava destinada ser, mas
sim outra coisa, outra invenção confusa a que o homem se fixa para dar espaço
às suas memórias, à sua vida. As toalhas, espraiadas aqui e ali, pintavam uma
nova paisagem sobre a areia fina que parecia servir o propósito duma tela onde
um qualquer artista dá vida ao que é inerte. De todas as pessoas que estavam ali
naquela praia e que se agitavam em conversas tão difusas quanto os seus
pensamentos, havia uma pessoa que parecia estar ali um pouco à parte de todas:
não só não tinha toalha onde pudesse ancorar o seu corpo, como também não tinha
palavras com que pudesse romper com o seu próprio silêncio e assim participar
em qualquer conversa, mais ou menos interessante. Essa pessoa era um jovem
rapaz, alto e moreno, que estava ali pelo mesmo motivo desconhecido que todas
as outras pessoas, no entanto, a sua presença ali parecia-lhe confusa, pois o
silêncio que nele habitava não estava em sintonia com o imenso barulho
corporalizado nas correrias, nos saltos, nos risos, nos gritos, e nos muitos
outros sons audíveis que serviam apenas como orquestra de fundo duma sintonia
incompreensível. Esse rapaz alto e moreno, ao ver-se confusamente ali inserido,
não podia deixar de deambular dum lado para o outro como que à procura dum
lugar que lhe fizesse mais sentido, dum lugar onde pudesse ancorar
tranquilamente o seu corpo e com isso, também, os seus pensamentos. O sol
estava um pouco mais baixo e perdido no horizonte que o costume para aquelas
horas do dia, mas apesar daquela distância ele parecia observar, como ninguém,
todos os passos deste jovem rapaz. Só as nuvens pareciam se intrometer, de
tempos a tempos, entre os dois.&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;– Ó João! O que tás para aí a fazer? Anda, vamos jogar
às cartas!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;Afinal, este jovem rapaz também tinha nome. Usemo-lo
então daqui em diante… O João virou-se para quem o chamava e pensou: &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;com que cartas posso eu jogar a minha vida? &lt;/i&gt;Ao
olhar para trás, viu que aquele jogo não lhe daria para as mãos as cartas que
ele precisava naquele momento. Então, ao sentir isso, inclinou a cabeça no
sinal de recusa que todos nós conhecemos e seguiu em frente no seu caminho.
Chegado à orla da praia onde o mar começa e acaba em cada bater de onda, o João
sentiu que aquele era o lugar que ele precisava de encontrar para se encontrar
a si próprio, na paz do seu silêncio.&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;Ali, naquele lugar onde todos se sentem partir sem
nunca chegar a partir realmente, o João experimentava a cada um momento um
sentimento de ampla renovação. A água estava fria, é certo, mas sempre que ela
vinha ao encontro dos seus pés acendia-se dentro do seu corpo um arrepio
profundamente eletrizante, quase vertiginoso, que o despertava para a raiz dos
seus próprios sentidos. E é curioso como foi precisamente nesse momento que ele
estava mais sozinho, que mais pessoas reparavam nele e se interrogavam sobre a
razão pela qual ele estava ali ancorado à beira do mar e o que lhe passava pela
cabeça. Eu próprio não sei o que lhe passava pela cabeça porque o silêncio dele
nunca me disse nada, nem nunca me deu nenhuma resposta. No entanto, a única
coisa que eu sei é que foi ali, naquele momento, que o João estava
realmente mais perto de si próprio, naquele único lugar capaz de unir a sua
natureza à natureza do mundo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/6608739672222044247/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2012/04/sentir-vida-pela-raiz-dos-sentidos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/6608739672222044247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/6608739672222044247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2012/04/sentir-vida-pela-raiz-dos-sentidos.html' title='Sentir a vida pela raiz dos sentidos'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-1185691126136466576</id><published>2012-01-29T22:27:00.001+00:00</published><updated>2012-01-29T22:32:07.312+00:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Reflexões do Eu"/><title type='text'>A chama de uma vela e a nossa alma</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 18.0pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A noite cresce no silêncio profundo do meu quarto. Só uma vela dá luz ao que não vejo e no oxigénio que ela consome está a respiração da minha vida. Quando olho para esta vela acesa, não consigo deixar de me admirar sobre o quanto ela se assemelha a mim.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 18.0pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 18.0pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A chama de uma vela tem algo de misterioso, como a nossa alma. Não consigo perceber qual é a consistência de uma chama. Não a consigo tocar, mas sinto-a. Dela nasce uma pequena luz, mas a chama por si só não parece ser só luz, porque a luz é aquilo que vemos se afastar dela. A luz é só o primeiro sinal da sua presença.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 18.0pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 18.0pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O mistério que une a chama à alma, é a semelhança da sua consistência, da sua leveza e, ao mesmo tempo, como ambas se prendem a um ponto fixo para assinalarem o curso da sua existência. É engraçado que quando olho para esta vela acesa, tenho a impressão que a chama luta para existir, há um certo esforço no seu leve baloiçar. Mas é um esforço que dá prazer, pois ao vê-la agitar-se no silêncio da noite há qualquer coisa nela de familiar e reconfortante. É como se no seu arder entrevíssemos a nossa própria existência.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 18.0pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 18.0pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;E depois basta um sopro, um simples sopro, para que tanto a chama como a alma mudem de lugar. E é curioso como a origem etimológica da palavra alma provém justamente de &quot;sopro&quot;. Ao analisarmos as coisas dessa forma, se a palavra alma nasceu da imagem de um sopro, talvez ao soprarmos para uma vela estejamos, lá no fundo, a dar uma nova vida àquela chama.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 18.0pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 18.0pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Talvez seja essa a razão pela qual se criou o hábito de apagarmos as velas sempre que fazemos anos: como que à espera de uma nova vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 18.0pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/1185691126136466576/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2012/01/chama-de-uma-vela-e-nossa-alma.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/1185691126136466576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/1185691126136466576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2012/01/chama-de-uma-vela-e-nossa-alma.html' title='A chama de uma vela e a nossa alma'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-7323458974399375640</id><published>2012-01-26T19:04:00.003+00:00</published><updated>2012-01-26T19:09:15.179+00:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Reflexões do Eu"/><title type='text'>A razão pela qual andamos</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;Uma certa vez, pois certas questões nascem assim mesmo, interroguei-me silenciosamente sobre qual a verdadeira força que nos faz dar os primeiros passos na vida. Um bebé observa primeiro a mecânica da vida e só depois de compreender o essencial, é que decide empreender todo o esforço da marcha, fazendo de cada passo o seu caminhar. Que força o impulsiona a tomar esta decisão? Só mais tarde me apercebi que a força que impulsiona e move toda a humanidade é a solidão. Uma força terrível porque nunca se esgota. É a única que nos acompanha desde sempre e para sempre. Nasce connosco e morre connosco. E assim apercebi-me que até um bebé, apesar de toda a atenção centrada à sua volta, também sente esta força dentro de si que o impulsiona a agir. É como se os seus primeiros passos fossem a manifestação externa de fugir à coisa mais interna de si. Quando o bebé se apercebe que nem sempre que chora o mundo vem parar aos seus pés, então é tempo de aprender a andar sobre o mundo. E de chegar até ele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;A razão pela qual andamos é porque queremos que alguém caminhe ao nosso lado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/7323458974399375640/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2012/01/razao-pela-qual-andamos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/7323458974399375640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/7323458974399375640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2012/01/razao-pela-qual-andamos.html' title='A razão pela qual andamos'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-1753905484797855865</id><published>2012-01-25T18:26:00.008+00:00</published><updated>2012-01-26T15:12:51.766+00:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Reflexões do Eu"/><title type='text'>A miséria do Cavaco Silva</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Este homem alto parece que perdeu altura. O eixo vertical que o permitia estar num nível acima de todos ainda se mantém, no entanto, agora quando olhamos para ele há qualquer coisa de estranho nele que o faz parecer um tanto mais pequeno, ao ponto da sua pequenez se assemelhar a uma espécie de miséria. Mas não a miséria dos pobres, pois essa verdadeira miséria ele não a conhece e nem a poderá vir a conhecer, embora seja essa que aparentemente o assusta. A espécie de miséria que vemos nele é a miséria mais pobre de todas, pois nem o dinheiro é capaz de a curar. É a miséria do absurdo. Deixem um homem cair uma vez no absurdo e vejam depois o quanto lhe é difícil de lá sair. Não sabemos bem a razão pela qual tudo isto sucede, pois há sempre algo de misterioso no comportamento humano, mas é da natureza humana procurar uma explicação mesmo para o incompreensível.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;E eu que estou de fora da cabeça deste homem não consigo encontrar a explicação para o seu absurdo. A única coisa que posso fazer é assistir à forma como o curso das suas palavras o encaminham para o lugar que ele tanto parece temer: a sua própria miséria.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;iframe allowfullscreen=&#39;allowfullscreen&#39; webkitallowfullscreen=&#39;webkitallowfullscreen&#39; mozallowfullscreen=&#39;mozallowfullscreen&#39; width=&#39;320&#39; height=&#39;266&#39; src=&#39;https://www.youtube.com/embed/--V4rsb4-3Y?feature=player_embedded&#39; frameborder=&#39;0&#39;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/1753905484797855865/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2012/01/miseria-do-cavaco-silva.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/1753905484797855865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/1753905484797855865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2012/01/miseria-do-cavaco-silva.html' title='A miséria do Cavaco Silva'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-1738537935160558886</id><published>2011-12-23T14:29:00.002+00:00</published><updated>2012-01-19T12:50:54.796+00:00</updated><title type='text'>Erasmus em Paris, para quem quer vir</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ultimamente tenho recebido muitos emails e mensagens de colegas meus a perguntarem-me como é fazer Erasmus em Paris. Por essa razão, escolhi escrever aqui um texto para que seja mais fácil de partilhar a informação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Para introduzir a questão do Erasmus em Paris vou começar por contar uma pequena história sobre Sócrates. Não é por vaidade que o faço, mas simplesmente porque acho que é realmente um bom exemplo sobre o que devemos esperar de uma cidade e também porque, afinal de contas, isto é o meu blog.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A pequena história que vou contar já a soube em maior detalhe. Mas neste momento não tenho o livro onde a li pela primeira vez e, por isso, vou contar apenas aquilo que me ficou na memória. Talvez isso seja afinal o mais importante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ora estava o sábio Sócrates às portas de Atenas quando um indivíduo estrangeiro se aproximou dele e perguntou-lhe:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;- Bom dia. Saí da minha cidade e ouvi dizer que Atenas era uma boa cidade para se viver. É verdade?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Sócrates olhou para o estrangeiro desconhecido que vinha de uma outra cidade grega e perguntou-lhe:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;- Diz-me antes: como era a vida na tua cidade?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;- Era péssima! Da cidade onde venho não existe sentido de justiça, todas as pessoas são más, mesquinhas e invejosas, a cidade é feia e sem interesse. É uma cidade onde reinam os conflitos e a guerra. Por isso é que quis de lá sair: porque é uma cidade onde não conseguimos encontrar nada que seja bom. Diz-me: Atenas é uma cidade melhor?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;- Lamento desiludir-te meu caro. Mas aqui em Atenas encontrarás as mesmas coisas que na tua cidade.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;E com esta resposta o estrangeiro, desiludido, continuou o seu caminho à procura de outra cidade. Passado algum tempo, outro estrangeiro que vinha também de outra cidade grega chegou às portas de Atenas e ao ver o sábio Sócrates perguntou-lhe:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;- Bom dia. Saí da minha cidade e ouvi dizer que Atenas era uma boa cidade para se viver. É verdade?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Sócrates olhou para o estrangeiro desconhecido e perguntou-lhe:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;- Diz-me antes: como era a vida na tua cidade?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;- Ah! A minha cidade era óptima! Uma bela cidade, encantadora, com pessoas justas e simpáticas. Uma cidade onde reina a paz e a harmonia entre as pessoas. Nem tudo é perfeito é certo, mas vive-se bem naquela cidade. Diz-me então, como é Atenas? &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ao que Sócrates respondeu:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;- Então Atenas é uma bela cidade para ti. Entra e descobre por ti próprio que aqui encontrarás o que tu procuras.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Este ensinamento de Sócrates é de uma inteligência extrema. No fundo, a beleza de uma cidade depende de nós. É da forma como vemos o mundo que nos chega a satisfação ou insatisfação perante as coisas. É da nossa alma que nasce a beleza do mundo e do nosso bem-estar. Uma pessoa que se habituou toda a vida a ver apenas os pontos negativos de uma cidade não irá deixar de vê-los noutra. Em contrapartida, uma pessoa que se habituou toda a sua vida a apreciar os pontos positivos de uma cidade irá fazer o mesmo quando chegar a outra. Porque é o lado positivo das coisas que guia a sua vida, e não o contrário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Posto isto. A primeira resposta quanto ao Erasmus em Paris é a seguinte: o interesse que Paris pode ter para vocês depende única e exclusivamente de vocês. Depende de como vocês vivem a vossa própria cidade e depois do quanto admiram a cultura francesa, se amam a língua francesa e se desejam realmente se fundir no espírito desta cidade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Paris enquanto cidade é uma cidade completa. É uma cidade que tem tudo para oferecer. Se há alguma coisa no mundo, essa coisa também existe em Paris. É uma cidade fluvial, com o seu próprio rio, o Sena, que é atravessado por mais de 30 pontes. Não é meu interesse fazer aqui de guia turístico mas o rio acrescenta muito à cidade. Eu costumo dizer que uma cidade com um rio é uma cidade onde nos vemos fluir no tempo. Essa é a uma das razões pelas quais gostamos de estar à beira rio. E o rio Sena não constitui excepção à regra: é muito habitual se fazerem piqueniques um pouco por toda a parte em Paris mas as margens do rio constituem talvez o lugar mais emblemático (sobretudo à noite).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Paris é conhecida por ser a cidade das luzes. Mas eu prefiro dizer que Paris é a cidade luz das artes. A maioria dos grandes artistas já passaram por esta cidade e, uns mais que outros, deixaram-se influenciar pela luz desta cidade. A luz sempre foi tida como sinónimo de sabedoria, de clarividência. E de facto, é precisamente no momento em que o sol se puxa para lá do horizonte e que as luzes suportam o corpo da cidade que somos realmente capazes de apreciar a verdadeira beleza de Paris.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Em termos práticos, a vida de um estudante de medicina em Paris não é fácil. Aqui trabalha-se. E estuda-se. Sim, porque aqui há essas duas diferenças. Os alunos de medicina aqui são vistos como trabalhadores e como tal recebem um ordenado mensal à volta dos 200 euros. Ora não há dinheiro sem trabalho. E dependo do serviço, assim será maior ou menor o trabalho… O estudo aqui também é puxado porque é tudo em francês e porque os exames são escritos. Os exames consistem num caso clínico sobre a matéria da disciplina, no qual é preciso saber todos os pormenores (ou pelo menos os mais importantes) sobre a patologia em questão. No fundo, os exames aqui perguntam aquilo que é suposto nós sabermos fazer quando nos aparece um doente com um determinado quadro clínico; que exames pedir; interpretar resultados; diagnóstico, tratamento e seguimento do doente pós-hospitalização (quando assim é o caso). Os exames são difíceis porque são escritos e porque são um pouco diferentes do que estamos habituados a fazer. Mas não há nada que uma boa preparação não seja capaz de resolver. Há montes de livros com exames tipo, com respostas tipo. Por isso, quando chegamos aos exames estamos bem certos do tipo de coisas que nos podem perguntar. Podemos é não nos lembrar bem de como resolver o caso…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Em contrapartida, Erasmus é Erasmus. E isto quer dizer que apesar de Paris não ser só um lugar onde se possa fazer borga todos os dias, é seguramente um lugar onde não faltarão boas oportunidades para se divertir e conhecer pessoas interessantes. Aliás, apesar de achar que aqui tenho mais trabalho que em Portugal, sempre consigo arranjar tempo para ir às festas importantes. Aliás, há dias que nem preciso de sair de casa para ir às festas. Isto porque na Maison du Portugal organizam-se frequentemente festas e basta-me descer as escadas para entrar na festa. E depois, como já disse, Paris não se esgota em festas. Há todo um panorama cultural para ser explorado aqui, com calma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-tab-count: 1;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Quanto às faculdades… Paris 5 é claramente a melhor. Não digo isto por ser aquela em que estou mas sim por ser aquela que tem a melhor cotação em França e, também, porque é aquela que faz uma excelente, excelente mesmo, integração aos seus alunos de Erasmus. Há sempre muita actividade cultural e social a acontecer nesta faculdade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Agora coisas importantes:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Fazer pediatria por estágio! Aqui a cadeira de pediatria é um mundo enorme e eu que vou fazê-la por exame já me arrependi de não ter arranjado um estágio como equivalência. É, de facto, uma das cadeiras mais difíceis que eles têm por cá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O ensino deles aqui funciona por pólos e módulos. E os alunos aqui fazem normalmente um estágio hospitalar enquadrado na matéria do pólo no qual eles vão fazer um exame teórico. Ora, nós, normalmente fazemos os estágios para nos “livrarmos” dos exames teóricos. O que implica que ao estarmos a fazer um determinado estágio somos forçosamente obrigados a estudar para as coisas deste estágio, ao mesmo tempo que também temos que estudar coisas completamente diferentes para os nossos exames teóricos. Por isso ao delinearem o vosso plano de equivalências, tentem fazer o máximo de disciplinas por estágios porque o ideal é fazer um estágio hospital (ou mais) e o exame de um pólo por um trimestre. Mais do que isso já pode ser muito sobrecarregado/quase impossível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Viver na Cité Internationale significa ter a oportunidade de ir a vários eventos culturais nas mais diversas residências: desde a sessões de jazz, a concertos de música clássica, até às festas mais estudantis. E para não falar das idas ao teatro, gratuitas, que nos são por vezes possíveis de ganhar. O único problema de viver na Cité Internationale é que para sair à noite não é propriamente o melhor sitio para habitar quando queremos voltar a casa. O metro fecha relativamente cedo e depois não há transportes directos para a Cité Internationale. Mas tirando isso, é perfeito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O custo de vida cá é elevado. O budget mensal rondam os 800 euros. 509 euros para a residência e depois o resto para a alimentação, saídas, etc. &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;No entanto recebemos várias ajudas financeiras: 200 euros de ordenado do hospital, entre 90 a 160 euros da CAF, e ainda a bolsa de Erasmus. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ninguém vive Paris em três meses. Ou se vive, sente pena de não ficar cá mais tempo. Por isso, para quem não quer deixar remorsos a correr no rio Sena por não poder ficar cá mais tempo, é melhor tomar logo a decisão de ficar cá um ano. É que no fundo, como aqui se trabalha bastante, é preciso dar tempo ao tempo para ir conhecendo a cidade e o nosso lugar nela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/1738537935160558886/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/12/erasmus-em-paris-para-quem-quer-vir.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/1738537935160558886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/1738537935160558886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/12/erasmus-em-paris-para-quem-quer-vir.html' title='Erasmus em Paris, para quem quer vir'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-4460605656353681145</id><published>2011-12-18T02:59:00.009+00:00</published><updated>2014-02-12T14:37:16.766+00:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura &amp; Poesia"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Poemas do Eu"/><title type='text'>O caminho da alma</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;&lt;b style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O caminho da alma&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;No vazio profundo do silêncio&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Há uma sombra que se levita&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;E que ao subir deixa de cair&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Na dissolução da matéria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foge do tempo num espaço infinito&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Como uma enorme vaga suspensa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;No horizonte de dois olhos negros&lt;br /&gt;
Mãos dadas ao desconhecido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Tudo é sonho dum sonho maior ainda&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Perfeito e sublime&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;E para quem o acredita&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;No acreditar está o existir.&lt;/span&gt; &lt;b style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/4460605656353681145/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/12/deus-que-existe.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/4460605656353681145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/4460605656353681145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/12/deus-que-existe.html' title='O caminho da alma'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-6114976018432133600</id><published>2011-10-30T10:13:00.002+00:00</published><updated>2012-05-04T12:08:47.085+01:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Coisas do Eu"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Escritos"/><title type='text'>À minha mãe</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Hoje a minha mãe faz anos. E que importa o seu nome, a sua idade, onde nasceu, onde cresceu, etc…? Ainda antes de saber tudo isso, já eu a amava. O amor de um filho para com a sua mãe é aquele amor que não precisa de saber rigorosamente nada para existir.&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;É aquele amor que nasceu para existir para além dos limites da existência. Antes de eu existir já a minha mãe me amava e no dia que ela me deixar eu continuarei a amá-la também. Para sempre.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-tab-count: 1;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;O lema deste meu blog é o seguinte: O primeiro lugar onde se chega é geralmente o primeiro de onde se parte. Tudo é uma consequência do que chega e do que parte. Do EU.&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-tab-count: 1;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Ora, a razão pela qual decidi prestar aqui uma homenagem à minha mãe é que, no fundo, o primeiro lugar onde cheguei na vida foi aos braços da minha mãe. Cada milésima consequência da minha vida parte dessa primeira consequência que, no fundo, é a mais importante de todas. E verdade seja dita, das nossas mães estamos sempre a partir e a chegar. Abrigamo-nos no seu interior durante nove meses e depois partimos para a luz do mundo ao mesmo tempo que chegamos às suas mãos. Ao longo de vários anos, repetem-se estes pequenos ciclos de chegada e de partida. Em cada ciclo opera-se uma mudança através da qual crescemos. E quando julgamos ter crescido o suficiente para efectuar a última partida, chegamos à conclusão, mais tarde, que o crescer é afinal algo que vai para bem para além da altura.&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;«Estás tão grande! Tu já estás um homem!»&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Estas palavras que ouvimos repetidamente enquanto crescemos alimentam-nos a adolescência e quando chegamos à idade adulta acreditamos realmente que já estamos grandes o suficiente para nos considerarmos uns homens. Mas aos olhos das nossas mães continuamos, para sempre, uns meninos. Os tais meninos da mamã.&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E de certa forma elas não se enganam: porque agora que tenho 24 anos e olho para coisas que fiz quando tinha 20 anos penso que naquela altura era, de facto, ainda um menino embora me achasse já um “homem”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;b style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Penso que as mães são as árvores da humanidade&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;. De geração em geração, lá estão elas a abrigar, no seu interior, o sopro da vida. Se Deus existe, ele tem seguramente algo de mãe. Só às nossas mães somos capazes de confessar as nossas verdadeiras fraquezas, pois foi a cuidar das nossas fraquezas que elas se ocuparam ao longo de todas as suas vidas. Os pais ocupam-se mais das nossas virtudes, das nossas qualidades, pois é justamente isso que um filho espera de um pai: que esteja lá para o admirar quando for preciso. Um filho passa toda a sua infância a tentar superar, junto da mãe, as suas fraquezas para depois mostrar ao pai o quão forte ele se tornou. O pior que um pai pode fazer é não estar lá nessa altura para dar sentido aos esforços do filho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Desde que entrei para o curso de medicina já guardo na minha memória várias histórias marcantes de doentes que me foram contadas por outros médicos ou que eu próprio já experienciei no meu contacto hospitalar. Mas de todas as histórias que ouvi ou de que fiz parte, aquela que mais me tocou foi uma história contada pelo Prof. Dr. Fernando Nobre sobre um doente de oitenta e poucos anos cujas últimas palavras na hora do adeus foram: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;«A minha mãe? Onde está a minha mãe? Eu quero a minha mãe…»&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Esta história arrepiou-me porque traz ao de cima aquilo que há de mais profundo no homem: o eterno desejo de regressar aos braços da sua mãe e de superar, nesse reencontro, a própria morte. Quando analiso a vida e o sentido que faz viver-se, vejo que não existem respostas lógicas ou coerentes. Mas há uma certa intuição que nos guia para a frente. E essa intuição tem algo de feminino, algo de mãe, porque nos dá a segurança suficiente para empreender os primeiros passos na vida e continuar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;E podia dizer muito mais mas acabaria sempre por divagar. Quando penso na minha mãe perco-me na minha infância, na minha adolescência e no momento que vivo agora. No fundo, perco-me dentro de mim próprio sendo que depois é difícil encontrar uma saída. Por isso, vou-me limitar ao essencial que pretendia dizer antes que me perca de todo: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;b style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Parabéns mãe. Hoje és a árvore mais distinta entre todas aquelas que dão sentido à Humanidade.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/6114976018432133600/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/10/minha-mae.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/6114976018432133600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/6114976018432133600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/10/minha-mae.html' title='À minha mãe'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-4523987141359269208</id><published>2011-10-08T20:44:00.003+01:00</published><updated>2011-10-08T21:18:28.965+01:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Reflexões do Eu"/><title type='text'>O primeiro instinto do homem é pensar</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Pé ante pé, passo a passo, assim caminhamos. E há mil caminhos a seguir, mil passos para dar e apenas dois pés com que andar. O direito e o esquerdo. É do equilíbrio concertado entre o pé direito e o esquerdo que andamos em frente. Mas não é da nossa natureza andar sempre em frente, pois não é da nossa natureza andar sempre em equilíbrio. Resulta daqui a manifestação de que o nosso caminho é sinuosamente instintivo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;No fundo, a racionalidade do homem resulta do facto do seu primeiro instinto ser pensar. Se o homem não tivesse esse instinto, não pensava. Senão como explicar a existência do pensar? Os instintos, por definição, são aqueles cuja existência contribuem para a sobrevivência e manutenção da espécie. Este instinto infiltrou-se no homem num dado momento da sua evolução. A partir desse momento, o homem para sobreviver e existir foi condenado a pensar. Reparem que ninguém consegue evitar um instinto, embora o possa controlar. Ninguém consegue evitar a fome, a sede, o sono, o desejo sexual. Mas podemos controlá-los. O mesmo sucede com o instinto de pensar, que tal como os outros, tanto pode ser uma fonte de prazer quanto de sofrimento. No entanto, parece ser o instinto mais difícil de controlar. É muito difícil não pensar. Até a sonhar pensamos. É bem famosa a frase de Descartes: “Penso, logo existo”. E ao dizer isto quase que somos obrigados a aceitar que não pensar significa em última instância, para o homem, o mesmo que estar morto. Ou seja, estamos instintivamente condenados a colar a nossa existência ao nosso pensamento. Existir significa pensar que existimos, tornar isso real dentro de nós próprios. A existência do homem constrói-se a partir da construção da imagem do pensamento de si próprio. Aquele que se perdeu do seu próprio pensamento é, no fundo, aquele que se perdeu da sua própria vida, da sua existência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A criança é feliz porque não precisa do instinto de pensar para agir. E assim vemos que muito do que uma criança faz não é realmente pensado nem reflectido. Na verdade, a criança primeiro faz e só depois é que toma conhecimento sobre aquilo que fez, como se o pensamento andasse atrás da acção. O pensamento constrói-se, pois, no próprio agir e fazer da criança. Uma criança deixa de ser criança no dia em que o instinto de pensar passa a prevalecer sobre todos os outros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Fernando Pessoa sofria terrivelmente desse instinto de pensar do homem. Na verdade, em Pessoa reuniam-se vários instintos de pensar de várias pessoas diferentes. Daí o seu enorme sofrimento. É muito difícil saciar um pensamento, um instinto. Quanto mais mil pensamentos, mil instintos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/4523987141359269208/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/10/o-primeiro-instinto-e-pensar.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/4523987141359269208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/4523987141359269208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/10/o-primeiro-instinto-e-pensar.html' title='O primeiro instinto do homem é pensar'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-46067301114699813</id><published>2011-09-18T14:46:00.003+01:00</published><updated>2011-09-18T15:32:09.648+01:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Reflexões do Eu"/><title type='text'>A última vez que te vi</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Em tempos de despedida surgiu-me esta inquietação: qual é o momento mais marcante entre duas pessoas? Aquele que as une ou aquele que as separa? &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Talvez a resposta reside algures numa segunda divagação: pois é preciso analisar primeiro o que estamos a unir e o que estamos a separar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Mas vamos acreditar que o momento mais marcante é aquele que as separa. Visto que é nesse momento que me encontro agora. O presente é que deve sublinhar a importância das coisas. E verdade seja dita, a maneira como duas pessoas se separam revela em muito aquilo que as uniu. Claro está que não estou a explicitar se esta separação é temporária ou definitiva, se é uma separação de barreira física ou espiritual, se é feita por livre arbítrio ou por uma imposição externa de que a morte é o exemplo máximo. Talvez, o melhor nem seja explicitar. Não vou restringir a separação a nenhuma destas separações. Vou sim divagar pela separação como quem, a querer fugir dela, se une inteiramente a ela. E como todas as boas divagações, vou primeiro levantar uma série de dúvidas para depois tentar encontrar uma espécie de resposta para elas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;b style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Em que medida pode uma separação ser marcante?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;b style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Penso que uma separação tem tanto mais a marcar quanto mais incerta for o seu destino. A incerteza amplia todas as medidas visto que ela própria não tem limites. A incerteza existe naquele lugar próximo do infinito e, assim, quem chega à incerteza embrenha-se no infinito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Uma pessoa morre. Para onde vai? Ninguém sabe. Todas as religiões arranjam forma de nos reconfortar, de nos sentar numa cadeira onde o sofrimento não parece pesar sobre a coluna. No entanto, mesmo quem está sentado sente algum peso, alguma dor, ao fim de algum tempo. Toda a gente sabe que a posição mais confortável do homem é estar deitado. É dessa posição que nascem os sonhos. Mas ninguém aceita o caixão, ninguém sente conforto nisso. A dor que resulta da morte amplifica-se pela incerteza. A separação marcante é aquela que é marcada pela incerteza. Dito isto por outras palavras e para responder à primeira questão: uma separação pode ser marcante na medida da sua incerteza. Quanto maior esta, maior o significado da outra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;b style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O que tem a marcar uma separação?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A separação tem a marcar um novo início. Um barco que se despede do seu cais, onde estava seguro e bem atracado, vê iniciar-se por um mundo completamente novo à medida que se vê distanciar do outro. Um barco nunca esquece de onde partiu. Por vezes, de tão perdido que está, a única orientação que ainda lhe resta é aquela que lhe indica o caminho de regresso. Todavia, regressar é impossível. O caminho está lá, passo por passo, mas um barco não consegue fazer marcha atrás. E o vento, esse, sopra numa só direcção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O que é curioso é que muitas vezes quando chegamos ao outro cais, àquele para onde fizemos o nosso rumo, encontramos nele pessoas que estavam naquele outro de onde partimos. Isto sucede porque também aquelas pessoas navegaram pelo mar, no seu próprio barco, na procura das mesmas coisas que nós. Não é, por isso, de todo surpreendente que as voltemos a encontrar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Talvez a vida seja um pouco isso: andar de cais em cais, cada um no seu barco, e as pessoas que reencontramos são aquelas cujo navegar vai no mesmo sentido que o nosso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;b style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Quantas vezes é preciso nos separarmos de uma pessoa para termos a real noção do quanto estávamos ligados a ela?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;b style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Como dois bebés siameses que, por já terem nascido ligados um ao outro, nem se dão conta da ligação que os une, porque essa ligação é de tal forma natural, de tal forma intuitiva que nem parece, para eles, existir. Porventura alguma vez parámos para pensar que temos a mão ligada ao antebraço? Alguma vez sentimos que essa ligação existe? Não, é claro que não. Essa ligação é tão natural, tão intuitiva, tão perfeita que, no fundo, não vale a pena parar para pensar sobre ela. Darmo-nos conta dessa ligação enquanto ela existe é o primeiro sinal de que ela não funciona: como quando temos dores no punho e procuramos ver o que se passa de errado naquela articulação. No fundo, só nos damos realmente conta que a mão está ligada ao antebraço no dia em que, por azar, perdermos a mão. E aí sim, veremos (como nunca vimos) a maneira harmoniosa como a mão estava ligada ao antebraço e como toda aquela ligação fazia sentido. E aí sim, veremos (também como nunca vimos) que o que não faz sentido nenhum é ter um antebraço sem a sua mão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Voltando aos bebés siameses, enquanto estes são o que são, isto é, parte um do outro, eles não se dão conta da ligação que os une. No entanto, quem está de fora vê bem que eles não conseguem viver um sem o outro, pois a vida de um está na do outro. No entanto, se questionarmos os bebés siameses acerca desse facto qualquer um deles não tem, ainda, a capacidade necessária para o reconhecer. Só mais tarde, após a intervenção de uma mão capaz de os separar e conservar-lhes a vida, é que poderão dar-se conta do quanto estavam ligados um ao outro. Pois ao verem-se longe um do outro, pela primeira vez, verão a parte do outro (que julgavam ser sua) e que lhes falta agora. E mesmo que o passar dos anos os convide a esquecer aquela ligação, terão sempre uma cicatriz capaz de os relembrar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Por tudo isto, a pergunta que já por si sugeria uma afirmação, parece encaminhar-nos para esta resposta: que, por vezes, só a separação de duas coisas permite colocar em evidência o quanto ligadas estas sempre estiveram, ainda que inconscientemente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;b style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Não pode a separação, contraditoriamente, unir mais do que separar?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Para dar resposta a esta pergunta, vou recorrer a um episódio da minha vida. Quando andava no secundário e me preparava para concluir o 11º ano, tive um incidente que me obrigou de mudar de escola e a abandonar, assim, os meus colegas de então. Vi-me, inesperadamente, obrigado a dizer adeus a pessoas que se estavam a tornar próximas de mim e das quais não me queria separar. Ao partir, não sabia como iria ser dali para a frente. Acabava de sentir que me tinham forçado a entrar num barco que não desejava e a abandonar um cais aonde se quer chegar e nunca mais partir. Ao encetar essa viagem, levava comigo uma série de dúvidas: alguma vez voltarei a reencontrar aquelas pessoas que estavam comigo naquela escola? Continuarei eu a sentir por elas aquilo que sinto neste momento? Continuarão elas a sentir por mim o que sentiam por mim? Apesar desta separação, continuaremos nós unidos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O tempo, esse, acaba por nos dar todas as respostas. E o que o tempo acabou por me ensinar é que a amizade é o amor incompreensível que une as pessoas que estão destinadas a ficarem ligadas para sempre. Digo que é um amor incompreensível porque há pessoas que são nossas amigas e pelas quais fizemos muito pouco para colher a sua amizade. No entanto, essa amizade existe. E há outras pessoas por quem fizemos muito para colher a sua amizade, e a única coisa que recebemos delas é uma simpatia cuja natureza é perecível ao longo dos tempos. Podemos ser simpáticos com pessoas de quem gostamos sem sentirmos a real necessidade de nos inteirarmos da vida delas. A amizade, por outro lado, não suporta ser apenas simpática. Se um amigo fosse apenas simpático, sentiria remorsos por sê-lo. A simpatia age por reflexos: ninguém é simpático para quem não lhe oferece a sua simpatia. A simpatia é uma espécie de moeda de troca: tu dás a tua e eu dou a minha. A amizade funciona de maneira completamente diferente: ninguém dá para receber e ninguém espera receber para dar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A diferença que mais distingue a simpatia da amizade revela-se, infelizmente, na morte: quando nos morre uma pessoa que nos era simpática, choramos os momentos que estivemos com ela e sentimos o quanto ingrata é a vida; quando nos morre um amigo choramos toda a sua vida e a nossa, pois ambas viviam juntas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ora, voltando ao início, o que o tempo me ensinou foi precisamente a distinguir isso: a simpatia da amizade. E para minha própria surpresa, constatei que aquela separação no secundário só serviu para me unir mais a alguns dos meus colegas, sobretudo a um, com os quais mantenho, ainda hoje, uma relação que passou bem para além das fronteiras da simpatia. Hoje sou mais amigo deles do que era quando me separei deles. E, no entanto, vejo-os menos vezes e falo com eles menos vezes. No entanto, conheço-os agora melhor que nunca. A separação serviu, apenas, para trazer ao de cima aquilo que sempre nos quis ligar: a amizade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;b style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Será que uma despedida pode ser uma das coisas mais belas da vida?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;No fundo, só nos despedimos de quem não nos queríamos realmente separar. Só assim faz sentido. Quando assim não é e nos “despedimos” de quem nos é indiferente, a única coisa que podemos apreciar é a beleza de uma tela falsa. Isto é, a beleza daquela tela teria outro valor caso fosse verdadeira – como não é, vale pouco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Uma despedida é belíssima porque comporta em si duas forças opostas que não se queriam confrontar: a da união e a da separação. A natureza dita, por ironia, que é no encontro dessas duas forças que resulta o desencontro entre as pessoas. Não é, por isso, raro que na concentração dessas forças nos faltem outras: como aquela que nos impede de chorar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Cansino-Asséns sentia que a beleza o esmagava e, por isso, pedia a Deus que o defendesse e que o salvasse da beleza porque, para ele, “há demasiada beleza no mundo”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ao anteceder a separação, a despedida liberta toda a beleza oculta do mundo pois constitui em si o momento onde tudo se reúne pela última vez. É preciso, pois, pedir a Deus, como Cansino-Asséns fazia, para que Ele nos salve dessa beleza esmagadora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;b style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A minha despedida: meia-noite em Paris&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;b style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ontem fui ao cinema ver o filme meia-noite em Paris. E achei engraçado que aquele filme pudesse reunir tantas coincidências com a minha actual situação. Num filme que apela ao saudosismo e à nostalgia, não pude deixar de sentir que os amigos que estavam comigo naquela sala de cinema constituem, a par com outras pessoas, a Belle Époque da minha vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;É por todas essas pessoas que hoje escrevo. Bem ou mal, a escrita sempre acompanha parte do que sentimos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A última vez que te vi foi como se te visse, outra vez, pela primeira vez. E embora fosse eu quem estivesse de partida, tu mantinhas-te num passo ligeiramente adiantado. Talvez já em Paris à minha espera.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/46067301114699813/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/09/ultima-vez-que-te-vi.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/46067301114699813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/46067301114699813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/09/ultima-vez-que-te-vi.html' title='A última vez que te vi'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-2623992136247387650</id><published>2011-09-11T22:14:00.004+01:00</published><updated>2011-09-12T09:51:18.151+01:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Reflexões do Eu"/><title type='text'>O tempo condensa-se e depois dissipa-se. Como uma nuvem. Deus sobre que nuvem pairas?</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;Hoje de manhã, ao acordar, vi uma nuvem larga no céu. Ao olhar para o movimento do céu, percebi que era a única que se mantinha placidamente estática. Isto é, era a única que não se deixava arrastar pelo vento. Era como se quisesse dizer: «A mim não me arrastas, eu própria tenho o meu jeito de caminhar. Quando for para ir, irei pelos meus próprios passos».&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;Ao observar isto, não pude deixar de me interrogar se eu próprio não era também como aquela nuvem:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;- Se eu próprio não resisto também a uma força qualquer, a uma força que não compreendo mas que existe, e que, por existir tenho que me opor a ela, continuamente, para eu próprio poder existir no espaço que me foi confiado a habitar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;- Se eu próprio não me julgo também diferente de todos os outros por querer ir no meu caminho, no meu jeito de caminhar, mesmo que, no fim, vá parar ao mesmo lugar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;- E se eu próprio não condenso também em mim o passar do tempo para depois passar com ele?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;Depois de ter lançado para mim próprio estas interrogações, fui-me embora. Só voltei depois ao final do dia, como que à procura das respostas no preciso lugar onde tinha deixado as dúvidas. E é curioso verificar que é no desaparecimento das coisas que encontramos grande parte das nossas respostas: pois quando regressei ao terraço e fitei o céu à procura daquela nuvem, ela já não estava lá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;Cheguei então à conclusão que sim, que também eu sou como aquela nuvem. «Quanto em mim já não se condensou para se dissipar também?» &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;E com este exemplo da nuvem, surgiu-me a imagem de que tudo na vida parece obedecer a um ciclo. Seja ele o da água ou do que seja. E eu devo fazer parte de um qualquer ciclo que não vejo, que não compreendo, e que me empurra em frente para o lugar que está, paradoxalmente, atrás de mim. O tempo parece ser o compasso através do qual se desenha este ciclo. As mãos que o seguram e o movem, imprimindo neste movimento a força à qual resistimos, deverão ser de Deus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;Deus surge, aqui, como a força necessária para completar um ciclo. Se tivermos esta linha do raciocínio em conta, veremos que, paradoxalmente, resistimos a Deus ao mesmo tempo que lhe pedimos ajuda. Resistimos a Deus porque há qualquer coisa neste ciclo, nesta vida, que gostaríamos de mudar. Gostaríamos de termos nós o compasso na mão. E, por isso, não somos um papel suave onde Deus possa escrever. No entanto, pedimos-lhe ajuda. Porque sabemos que é ele quem escreve, quem move o compasso. É ele que manda sobre aquilo que manda em nós: o tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;Eu digo tudo isto mas, sinceramente, não sei o que é Deus. E não sei se alguma vez saberei. Só sei que não acredito naquilo que me dizem os livros acerca dele. Um livro é igual fonte de sabedoria e de ignorância. A sabedoria começa no reconhecimento da ignorância. Quando se lê um livro, um bom livro, é preciso reconhecer onde está a ignorância e onde está a sabedoria. A sabedoria de um livro está no reconhecimento da sua própria ignorância. Por isso, os livros que mais prazer me dão de ler são aqueles que me dizem: talvez Deus seja isto. Se eu próprio não gostava que alguém num livro escrevesse sobre mim como se me conhecesse melhor que eu, por que razão haveria de Deus ficar contente com esse tipo de livros?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;Todos os livros sagrados só são sagrados porque já mataram tanta gente quanto salvaram. Os livros não sagrados não têm tanto impacto sobre a humanidade. Se um livro começa a matar muito é provável que se esteja a aproximar do sagrado: pois há muita gente que pensa que a sua salvação se encontra na morte dos outros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt;&quot;&gt;Julgo que Deus nos fez ignorantes para que nunca soubéssemos o que ele é. Deus conhece bem a ambição do homem: se este soubesse o que está acima dele, não viveria descansado até o ultrapassar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/2623992136247387650/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/09/o-tempo-condensa-se-e-depois-dissipa-se.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/2623992136247387650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/2623992136247387650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/09/o-tempo-condensa-se-e-depois-dissipa-se.html' title='O tempo condensa-se e depois dissipa-se. Como uma nuvem. Deus sobre que nuvem pairas?'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-5274821089058353001</id><published>2011-09-08T11:31:00.004+01:00</published><updated>2011-11-06T00:47:08.344+00:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Escritos"/><title type='text'>Às voltas pelo mundo. Parte 1</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A noite já tinha descido de tal forma sobre a terra que esta já não podia conter em si os seus próprios arrepios. Era, pois, de sobremaneira suave a silenciosa crepitação que cada passo da noite impunha sobre a pele da terra. Mas se a noite descia sobre a terra, o céu, esse, mantinha-se distante e espraiava-se de estrelas cintilantes, intocáveis como sonhos inatingíveis. Só a lua, farol da noite, mantinha o seu seio disponível para acomodar, no seu leito, os sonhos de uma criança adormecida. Ao olhar para tudo isto, o João, que estava sentado numa daquelas cadeiras onde podemos baloiçar a inclinação dos nossos sonhos, virou-se para o pai, que estava sentado numa daquelas cadeiras rígidas onde a única coisa que baloiça é o ranger agudo do tempo sobre as madeiras, e disse:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-bidi-font-family: Calibri; mso-bidi-theme-font: minor-latin;&quot;&gt;–&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt; Vou conhecer todas as casas do mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;– E achas isso possível?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;– Pronto, somente aquelas que valerem a pena conhecer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;– E como farás tu essa distinção?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;– Não andei a estudar arquitectura para nada. Mal de mim se chegasse ao final do curso e não soubesse, ainda, distinguir a boa da má arquitectura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;– O que vais fazer, portanto, é conhecer a boa arquitectura. Certo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;– Sim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;– Então e achas que mesmo a boa arquitectura não te poderá desiludir?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;– Obviamente que sim. Mas isso é porque nem todo o espaço serve o espaço próprio de cada um. Nem todo o espaço, ainda que bem pensado e erigido, permite um fiel ajustamento à ressonância íntima de cada um. Há uma qualquer acústica que vai para além da ciência e da arte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;– Muito bem. O teu plano é ousado. O que vale é que ainda és um jovem, logo tens muito tempo para o cumprir ou até mesmo para desistires dele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;– Por ser jovem é que não tenho tempo a perder. Os velhos é que se podem dar ao luxo de perder tempo porque o próprio tempo já se perdeu deles.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;– Quando chegares à minha idade logo conversamos. Quero ver se continuas a achar isso. Para mim o tempo tornou-se mais precioso que nunca. Valorizo-o a cada instante. E por isso não me vês por aí a dar voltas pelo mundo desnecessariamente. Cada coisa que um velho faz, fá-lo porque sabe que vale a pena fazê-lo. Quando vês um velho sentado num banco do jardim não penses que ele está a perder o seu tempo. Ele está a vivê-lo, segundo por segundo. Olhar para uma paisagem é o mesmo que vivê-la. Quem vive está, no fundo, a olhar para uma paisagem também.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;– Bem pai… acredito que tudo quanto digas deverá ter o seu sentido. Mas o meu sentido está no sentido oposto do teu. E isso não significa que estejas errado e que eu esteja certo. No fundo, isto é como uma auto-estrada: esta só faz sentido se tiver dois sentidos. Pois se assim não fosse, a maior parte do mundo andaria em contra-mão. O bonito da vida é ver que uns vão para Lisboa e outros voltam de Lisboa. O bonito da vida é sentir que existe sempre um caminho de ida e outro de volta. Um caminho que nos faz crescer e um caminho que nos faz tomar a conta do quanto valeu a pena ter crescido. Por tudo isto, perdoa-me, Pai, se hoje te digo adeus. Perdoa-me, se hoje te pareço demasiado ousado ao ponto de querer crescer para além da medida que julgas adequada para mim. O meu caminho, hoje, é oposto ao teu. Não podemos, por isso, andar de mãos dadas. Um dia, quando for a altura disso, voltarei pela mesma estrada para te dar as mãos outra vez. Pois aí, sim, estaremos a caminhar no mesmo sentido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/5274821089058353001/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/09/as-voltas-pelo-mundo-parte-1.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/5274821089058353001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/5274821089058353001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/09/as-voltas-pelo-mundo-parte-1.html' title='Às voltas pelo mundo. Parte 1'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-8941955469601172505</id><published>2011-08-26T22:28:00.012+01:00</published><updated>2016-04-12T16:07:46.274+01:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Escritos"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Reflexões do Eu"/><title type='text'>O calcetar de uma rua</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Havia uma rua na cidade por onde pouca gente passava. De facto, pouca gente a conhecia e pouca gente a queria conhecer. Aliás, eu não conheço pessoalmente ninguém que a conheça ou que a quisesse conhecer. No entanto, ela existia. Desde os tempos que essa rua nasceu até aos tempos de hoje, pouco da sua vida mudou. Há já largos anos, houve um calceteiro embriagado que lhe disse, pela primeira vez, estas palavras:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;- Nunca ninguém te há-de querer para nada. Tu não serves para nada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;mso-tab-count: 1;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;E de facto, ninguém a queria para nada. Nunca ninguém a levou consigo para nenhum lado. Ela servia só de passagem para quem vinha da rua de cima para a rua de baixo. Nem o sem abrigo, que era seu vizinho, lhe dava qualquer tipo de atenção. Preferia antes ficar na esquina que dava para a praça porque era lá que as moedas caíam mais vezes. Apesar de cego, surdo e mudo, o soar da caridade era o único que ele ainda ouvia. Sabe-se lá bem como… Mas apesar de cego, surdo e mudo, conhecia melhor aquela rua que qualquer outra pessoa no mundo. No entanto, por se preocupar mais com as suas moedas, ignorava-a também. &amp;nbsp;O calceteiro, esse,&amp;nbsp; tão embriagado que era o seu olhar, nunca chegou a ver realmente o quanto bonita era a rua sobre a qual ele trabalhava. E por trabalhar nela todos os dias, era, de todos, aquele que mais a desprezava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-tab-count: 1;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ora a rua, apesar de ser apenas uma rua, também tinha os seus sentimentos. Afinal de contas, quem não os tem? E os sentimentos que ela tinha eram de uma amargura tão grande que se estendiam, justamente, da rua de cima até à rua de baixo. Sentia-se abandonada ali, sem amigos nem conhecidos. Sentia, e com razão, que não tinha ninguém que olhasse por ela, ou para ela sequer. E isso entristecia-a profundamente. Quando ela nasceu, pensava esperançosamente que o mundo a viria contemplar de quando em quando. Sonhava até que algum fotógrafo famoso lhe tirasse uma fotografia com uma daquelas máquinas cuja lente capta a beleza oculta das coisas. Ela desejava, pois, que alguém descobrisse nela a sua beleza oculta e que lhe mostrasse delicadamente:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-tab-count: 1;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;– Vês como és bonita? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-tab-count: 1;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Um dia aquela rua fartou-se. Da dor e do desprezo. Acima de tudo do desprezo. Porque a ideia do prazer já se tinha afastado de tal modo de si, que a dor era como que a única coisa capaz de despertar os seus sentidos. E, por isso mesmo, suportava-a. Mas o desprezo, esse, não conseguia suportar nem tão pouco habituar-se a ele. Por isso, houve um dia que aquela rua fartou-se e, num impulso inexplicável, foi-se embora. Foi-se embora seguindo o caminho da noite. «Se a noite se pode ir embora porque não eu também?» Este foi o seu último pensamento. Pelo menos, o último que me chegou ao conhecimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-tab-count: 1;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A maneira como acaba esta história é bastante curiosa, de tal forma que chega quase a parecer que foi inventada. Mas a verdade é que logo depois daquela noite, logo ao romper do dia, o calceteiro bêbado que há largos anos atrás batia com toda a sua força sobre aquela rua, para «fazê-la» porque sem ele aquela rua «não era nada», veio à sua procura. Mas quando chegou, a pensar que a rua ainda precisava de ser calcetada, mais uma vez, uma última vez, ela já não estava lá. Tinha-se ido embora: de mãos dadas com a noite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;perpetua&amp;quot; , &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/8941955469601172505/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/08/o-calcetar-de-uma-rua.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/8941955469601172505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/8941955469601172505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/08/o-calcetar-de-uma-rua.html' title='O calcetar de uma rua'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-1832060510882590797</id><published>2011-08-22T15:07:00.000+01:00</published><updated>2011-08-22T15:07:00.157+01:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pensamentos do EU"/><title type='text'>Cultivar a humildade: a escrita como primeiro passo</title><content type='html'>&amp;nbsp;   &lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Escrever é um processo muito difícil: porque expõe, de forma clara, a nossa ignorância. Escrever é, por isso, o primeiro passo para se cultivar a humildade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/1832060510882590797/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/08/cultivar-humildade-escrita-como.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/1832060510882590797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/1832060510882590797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/08/cultivar-humildade-escrita-como.html' title='Cultivar a humildade: a escrita como primeiro passo'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7337769275038311439.post-3659517503220423357</id><published>2011-08-01T16:27:00.000+01:00</published><updated>2014-02-12T14:32:33.579+00:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Escritos"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura &amp; Poesia"/><title type='text'>O corpo no cabide, Revista Inútil</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;b style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O corpo no cabide&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;b style=&quot;mso-bidi-font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;«Por vezes, ao acordar, sinto que a minha alma não cabe no corpo.»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ela disse isto e depois calou-se, como se fosse ficar assim para sempre, como se tivesse esgotado tudo o que lhe restava para dizer até ao fim da vida. A frase, lançada com frieza no silêncio húmido do quarto, produziu uma pequena escuridão no espírito do homem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;«O que significa isso?»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;A mulher olhou-o com uma espécie de estranhamento. Ele tentou soltar-se daquele olhar. Cobriu o tronco com o lençol. «Fiz alguma coisa que não devia?». Momentos antes havia-a abraçado pelas costas, progredindo com cuidado, com vagar, como quem atravessa às escuras uma cidade estranha. Incomodara-o que ela não gemesse alto. Queria ouvi-la a gemer, gritar. Ela continuou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;«Sinto que o corpo me aperta a alma, sei lá, que está curto, entendes?, como se tivesse adormecido com quinze anos e acordasse aos vinte&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;e cinco ainda com a mesma roupa. Sinto uma grande vontade de despir este corpo e ficar com a alma exposta, inteiramente nua.»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Trazia as unhas pintadas de negro. Ele reparou nisso vagamente inquieto. Lembrou-se de quando era criança e acordava no beliche superior do seu quarto, num comboio parado algures no interior de África, e ouvia lá fora, na escuridão à solta os pequenos ruídos do mato. Naquelas unhas pintadas de negro havia alguma coisa de ameaça – como nos ruídos do mato. O corpo da mulher era longo e liso, semelhante ao de um peixe, e de alguma forma igualmente impossível de aprisionar. Uma luz escura fluía dela como de um rio ao entardecer. O homem saltou da cama. O que podia dizer?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;«Não compreendo as mulheres.»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Podia ter dito isto, alguma coisa do género, mas seria demasiado óbvio. Sentou-se em silêncio, no canto mais afastado do quarto, e acendeu um cigarro. Ela sorriu:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;«É assim tão difícil entender?»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Podia ter dito, «os homens nunca entendem nada», mas seria inútil. As mulheres, na verdade, não precisam que os homens as compreendam. Basta que as ouçam. Ele sabia disso e assim continuou calado. Ela via-o, ali, no canto do quarto, meio encoberto pelo fumo do cigarro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;«Às vezes gostaria de poder despir este corpo. Despia-o e pendurava-a num cabide, no armário, ao lado dos vestidos que nunca mais voltarei a usar. Cuidaria dele nos domingos de chuva, de manhã, quando me afligissem as saudades destes dias. Ou talvez, simplesmente, o esquecesse. Farias amor com a minha alma nua?»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Aborrecia-o que ela não tivesse gritado. A mulher possuía um corpo intenso e vibrante (sim, havia vibrado nos seus braços), mas ao mesmo tempo parecia tão distante dele quanto um navio pousado na linha do horizonte. Não um navio qualquer: ele via-a com um transatlântico, uma vasta cidade de espelhos e cristais, com as suas festas junto à piscina, os jantares no grande salão, os bailes de máscaras, os inúmeros assombros nos quais nunca conseguiria penetrar. Pensar nisto deu-lhe vontade de chorar. Esfregou os olhos. Murmurou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;«Vou deixar de fumar.»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Não viajaria mais num transatlântico. Sentia-se em relação a ela com um pequeno peixe-pescador, um peixe dos abismos oceânicos, cujo macho se une à fêmea com tal paixão que chega a prescindir do próprio corpo. Também ele dependia inteiramente dela. Ela, no entanto, só o achava interessante enquanto o tinha na cama. Pensou tudo isto no breve espaço que levou a acender outro cigarro. Deixaria de fumar no primeiro dia do ano. Não voltaria a fumar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;«Responde. Farias amor com a minha alma nua?»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Nos últimos meses aguardara num secreto terror por aquela pergunta. Ou melhor, se quisermos ser precisos, por uma pergunta naquele tom de voz, não exactamente com tais e tais palavras. O tom de voz é quase sempre mais importante do que a mensagem. O homem chamava-lhe – refiro-me à pergunta – o enigma final. A Esfinge afiava os dentes, «decifra-me ou devora-me», e o que podia ele responder-lhe?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;«O teu corpo agrada-me muito.»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Seria certamente a resposta errada. Qualquer resposta seria a resposta errada. Ele envelhecera. Estava quase sábio. Compreendeu que faria melhor se continuasse calado. Preferia fingir-se de morto, como alguns pequenos animais quando o predador os alcança. Há sempre a possibilidade de que o predador apenas se pretenda divertir com a perseguição. Talvez ela não quisesse realmente a sua carne.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;«Estou a assustar-te? Quero que te assustes, sim, gosto de te ver assustado. Agora responde: entre o meu&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Perpetua, serif; font-size: 17px; line-height: 19px;&quot;&gt;corpo e a minha alma o que tu escolhias?»&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Perpetua, serif; font-size: 17px; line-height: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ele esmagou o cigarro no cinzeiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;«Porque pintaste as unhas de negro?»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;As lagartixas largam a cauda quando se sentem cercadas e a fuga não parece possível. Pode ser que o predador se interesse pela cauda, a qual, durante alguns segundos, se sacode e salta como uma coisa viva e autónoma, e então consigam esgueirar-se. Ele largou a pergunta como uma lagartixa largaria a cauda. A mulher, porém, não se deixou iludir:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;«Responde!»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O homem compreendeu que estava perdido. Nos últimos meses tentara preparar-se para aquele instante. Agora, porém, agora que tudo ia realmente acontecer, sabia que não estava preparado. Nunca estaria. Respirou fundo. Precisava de um cigarro. O seu último cigarro. Não esperaria pelo primeiro dia do ano. Fez um esforço para pensar no mar. Num mar calmo, azul turquesa, sob um grande sol de verão. A imagem do mar costumava pacificá-lo. O que diria o peixe-pescador à respectiva fêmea se esta decidisse livrar-se dele? Podia dizer-lhe que a amava, que já não conseguiria viver sozinho; de facto, coitado, não conseguiria. A boca do peixe-pescador funde-se à pele que recobre a fêmea; os sistemas vasculares do macho e da fêmea unem-se e o minúsculo macho passa a depender inteiramente do sange da fêmea para a sua sobrevivência. Transforma-se, digamos assim, num pénis portátil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;O homem sorriu com tristeza; logo a seguir, porém, pensou que um sorriso triste era uma contradição nos termos e esforçou-se por sorrir com ironia. O novo sorriso ficava-lhe mal, como alguém que sobre uma camisa curta, de corte clássico, colocasse uma gravata de fantasia com desenhos do Rato Mickey apunhalando a Minie (algo assim).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;«Foi um equívoco, sabias?»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ele, o pénis portátil, fora com ela para a cama pela primeira vez, há oito meses, graças a um equívoco feliz (poderia dizer, agora, que fora um equívoco feliz?). Não que não a desejasse; desejava-a, sim; mais do que isso, amava-a com uma paixão sem esperança. Uma noite encontro-a num congresso e levou-a a jantar. Enquanto consultava o menu, exausto, distraído, a pergunta saiu-lhe dos lábios:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;«E depois disto, o que queres fazer? Vamos para a cama?»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Pretendia dizer, é claro, vamos dormir, cada qual na sua cama. Ela não lhe deu, contudo, tempo para se explicar. Olhou-o de frente, com os mesmo olhos cruéis com que o olhava agora:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
«Vamos.»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ele enfiou a cabeça no menu para esconder a perturbação. O empregado afastou-se muito direito, muito depressa, e explodiu às gargalhadas na cozinha (é assim, pelo menos, que imagina a cena). Foram para o quarto dela. Havia uma desordem de roupas sobre a cama. A mulher deixou que o vestido lhe deslizasse até aos pés e ficou nua diante dele, bela como um abismo, a pele negra reluzindo na penumbra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;«Trazias o teu vestido verde, Lembras-te?»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Ela não se queria lembrar. Vivia o presente e esquecia o passado. Fazia alarde disso. Atirou o lençol para longe e de novo o esplendor daquele corpo jovem o aterrorizou. A fêmea do louva-a-deus assassina o macho por luxúria. Um louva-a-deus macho ao ser decapitado executa melhor e com mais vagar os movimentos espasmódicos próprios da cópula. A fêmea corta a cabeça ao macho e devora-lhe as entranhas enquanto este se agita ansiosamente para atingir o orgasmo. Em algumas espécies, com a excitação, a fêmea muda de cor e brilha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
A mulher levantou-se e avançou lentamente em direcção a ele. Uma escuridade acessa. Bela com um abismo. Bela como louva-a-deus fêmea antes da cópula.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;- texto de José Eduardo Agualusa, Revista Inútil&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Perpetua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 13.0pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/feeds/3659517503220423357/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/08/o-corpo-no-cabide-revista-inutil.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/3659517503220423357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7337769275038311439/posts/default/3659517503220423357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://consequencias-do-eu.blogspot.com/2011/08/o-corpo-no-cabide-revista-inutil.html' title='O corpo no cabide, Revista Inútil'/><author><name>Ricardo Pereira Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12531384788821422507</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLi59duZ67qABGg16krkxt-HxkzKwpp_IeyKT5JP4xBRxJvhFPM2eIhDi-ODrIxXrFrd76LOMOcdrq8xcmdevqGRnqMwMZ215v2a6slsA8Vd0PaD_cJ4XWu_7XNtSljA/s150/DSC00382.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>