<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-3735060418375604319</atom:id><lastBuildDate>Thu, 01 Sep 2011 16:38:02 +0000</lastBuildDate><title>Contos de uma mente desocupada</title><description></description><link>http://contosdesocupados.blogspot.com/</link><managingEditor>rafael_ap12@hotmail.com (Rafael Pinheiro)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>12</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3735060418375604319.post-6796983386421247036</guid><pubDate>Thu, 01 Sep 2011 16:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-09-01T09:38:03.179-07:00</atom:updated><title>Feminismo em Gabriela Cravo e Canela</title><description>&lt;i&gt;Este é um texto que escrevi para apresentar um seminário sobre o romance de Jorge Amado, e reproduzo aqui.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as formas de arte transmitem um tipo de pensamento, normalmente aquele de quem criou a obra em específico. Em uma obra literária não seria diferente, principalmente em uma tão bem escrita quanto "Gabriela Cravo e Canela", que pode ser interpretada de várias formas com vários enfoques diferentes. Aqui, optaremos por falar sobre o feminismo e o ideal da revolução sexual no romance, focos que só foram reconhecidos pela crítica literária em meados dos anos 90.&lt;br /&gt;Quando lemos um romance devemos ter claro em nossas mentes que determinada personagem nunca é apenas uma personagem, mas um tipo de ser humano; cada personagem representa uma ideologia, que tenta ser transmitida ao leitor por suas falas e ações, e é a partir deste instrumento que o autor pode se comunicar com o mundo, revelando-lhe suas crenças e seus ideais, tornando-se um instrumento de transformação e revolução, como quando o próprio Jorge Amado, em seu livro "Capitães da Areia" revela seu espírito socialista na forma da personagem de Pedro Bala.&lt;br /&gt;Em "Gabriela Cravo e Canela", o conceito revolucionário e o desejo de mudança ainda existe, mas de forma menos panfletária que em "Capitães da Areia". Esse desejo é transmitido por várias personagens diferentes, desde Mundinho Falcão, que quer mostrar aos irmãos a que veio, transformando Ilhéus em uma cidade de primeiro mundo, até Glória, que, de sua janela, espera pelo homem que lhe dará mais que sorrisos e olhares, mudando sua vida monótona, mas tem medo de sair de sua zona de conforto e perder todos os luxos que tem.&lt;br /&gt;Logo no início do romance, temos a notícia da morte de Sinhazinha e de seu amante, pegos em flagra pelo seu marido. Porém, a pior parte do caso é quando nos é revelado que em Ilhéus o que houve com Sinhazinha é chamado justiça, e homem que mata esposa por traição é inocentado. Claro caso de machismo e misoginia, e poucas são as personagens que se opõem à "lei" e que admitem publicamente, uma delas é a personagem de Malvina.&lt;br /&gt;Filha de Melk Tavares, Malvina se opõem ao casamento, arranjado ou não, que sabia ser um costume da cidade e uma espécie de obrigação para as mulheres; para ela, casamento era uma forma de repressão da figura feminina, que sempre é vista como inferior, como a sombra do marido, e que é obrigada a aceitar seu posto de submissão. Quando o engenheiro Rômulo chega a Ilhéus para estudar o "caso da barra", ambos se apaixonam, mas sendo ele divorciado e mais velha que Malvina, o relacionamento não é visto com bons olhos, o que faz com que a garota seja espancada pelo pai em um ato de extrema covardia.&lt;br /&gt;Malvina, então, decide fugir com Rômulo, mas este a ignora sob ameaça de Melk. Aí, entra o momento em que o feminismo de Malvina chega em um dos seus momentos mais fortes e claros: a covardia de Rômulo faz com que ela se dê conta de que não precisa ser salva por homem algum; seu destino estava apenas em suas mãos, e esperar pelo príncipe encantado que a tiraria dali seria ignorância. Mais tarde, Malvina é mandada para estudar fora de Ilhéus pelo pai, mas logo chegam notícias de que ela fugiu e não se sabe para onde.&lt;br /&gt;Gabriela, com cheiro de cravo e cor de canela, foi fisicamente criada para representar o arquétipo da mulher brasileira, sendo representada pela aclamada Sônia Braga na Rede Globo, o que transformou Gabriela em um símbolo da cultura popular, emprestando seu rosto (e corpo) ao Brasil, principalmente à Bahia.&lt;br /&gt;Gabriela, sem sobrenome, era uma retirante que decide tomar a vida nas mãos e vai para Ilhéus arranjar emprego. É cotratada por seu Nacib como cozinheira, e a partir daí uma grande história de amor se desenvolve. No início, Gabriela parece apenas uma "personagem objeto", cujos pensamentos e sentimentos não são revelados, só se sabe que ela é extremamente bela, inocente, exímia cozinheira e faxineira, e faz Seu Nacib se apaioxonar loucamente. Pinta-se uma imagem de uma inocência exagerasa, infantil, e em alguns momentos é preciso parar e se perguntar se ela é realmente sã. Mas aos poucos seus pensamentos vão sendo revelados e seu espírito vai se desenhando mais claramente. Aos poucos o leitor passa a compreender o motivo de ela gostar tanto de coisas como ir ao Bar Vesúvio ( o qual Seu Nacib era proprietário), todas as tardes, mesmo sendo assediada por todos os homens que iam lá só para vê-la: ela gostava de sentir desejada pelos clientes-amigos de Nacib, principalmente pelos mais jovens e mais bonitos. Sua personagem mostra um caráter com um apelo sexual fortíssimo, onde tudo que queria era sua liberdade, constantemente tolhida pela figura de Seu Nacib, essa repressão era representada pelos sapatos que ele a obrigava a usar e machucavam seus pés. Fica claro o apelo feminista da personagem. O desejo pela liberdade social e o desejo de exercer sua feminilidade e sexualidade são aspectos que nos remetem ao contexto da revolução sexual, causada pelos movimentos feminista em uma época próxima ao do lançamento do romance.&lt;br /&gt;As personagens femininas sempre costumaram ter um certo destaque nas obras de Jorge Amado, e o apelo da liberdade feminina e luta feminista se torna claro neste romance, assim como a necessidade de mudança do cenário político, econômico e social do Brasil, representado por Ilhéus.&lt;br /&gt;Notíticias de Malvina dizem que ela fugiu para São Paulo, conseguiu um emprego durante o dia, e começou a ir para a faculdade durante a noite. Sinhazinha não é esquecida e seu marido é condenado, marcando o fato de que Ilhéus havia mudado.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3735060418375604319-6796983386421247036?l=contosdesocupados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://contosdesocupados.blogspot.com/2011/09/feminismo-em-gabriela-cravo-e-canela.html</link><author>rafael_ap12@hotmail.com (Rafael Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3735060418375604319.post-1261472607977032428</guid><pubDate>Fri, 26 Aug 2011 12:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-08-26T06:08:10.278-07:00</atom:updated><title>O Magno Eu</title><description>A sociedade é controlada por rótulos, por imagens pré-determinadas e classificadas em diferentes grupos, com diferentes funções, de acordo com o esteriótipo que se cria sobre a situação desses grupos.&lt;div&gt;Por consequência dessas generalizações e de uma ética distorcida que vem sido ensinada por todas as gerações, definiu-se um Eu Máximo; definiu-se o que se classificou como "normalidade", que dita características básicas que todas as pessoas devem possuir, caso contrário, vamos para as margens da sociedade. Na minha leitura diária de blogs, li um frase que me chamou muita atenção: o Eu brasileiro é homem, hétero, branco e cristão. Apenas isso explica a segregação e falta de direitos para as mulheres, gays, negros, pessoas de religiões que ignoram a palavram de Jesus Cristo, ateus, deístas, deficientes e etc.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sistema de rotulação a que estamos todos sujeitos é cruel e pior que medíocre; é medieval, remetendo-nos às antigas "santas" inquisições, onde o mundo se divide entre a casta dos privilegiados, os normais, e a casta dos marginais, que muitas vezes nem como humanos são vistos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Espero ansiosamente o dia em que o Magno Eu deixará seu orgulho de lado e verá que com todas as nossas diferenças somos iguais e não permitiremos ser rotulados.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3735060418375604319-1261472607977032428?l=contosdesocupados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://contosdesocupados.blogspot.com/2011/08/o-magno-eu.html</link><author>rafael_ap12@hotmail.com (Rafael Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3735060418375604319.post-3979907729694247894</guid><pubDate>Fri, 26 Aug 2011 12:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-08-26T05:58:41.333-07:00</atom:updated><title>A legalização, qualidades e ironias</title><description>O consumo e comércio de drogas no Brasil é proibido. O consumo e comércio de drogas no Brasil é um dos negócios mais lucrativos do mercado negro.&lt;div&gt;Ninguém é obrigado a se tornar um usuário de drogas; o vício ocorre porque ele foi procurado, porque foi desejado. A minha conclusão só pode ser que proibindo ou não, a sociedade querendo ou não, o uso de drogas sempre existirá de forma constante.  A sociedade usuária de drogas nunca deixará de existir seja qual for a legislação vigente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tudo que pode ser feito é através da educação, informando à toda a população as consequências que o uso da droga tráz, e então esperar pelo melhor; se ainda assim, essas pessoas quiserem consumí-la, elas o farão, independente das opiniões alheias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Descriminalizando e legalizando o uso, comércio e produção de drogas, o Estado passará a ter maior controle em sua fabricação, logística e etc. Só posso acabar com a cruel e infeliz conclusão: se nossos filhos consumirão com ou sem nossa aprovação, não seria melhor que o Estado lhes provesse algo de "mais qualidade" (com toda a ironia que esse termo pode carregar)?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3735060418375604319-3979907729694247894?l=contosdesocupados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://contosdesocupados.blogspot.com/2011/08/legalizacao-qualidades-e-ironias.html</link><author>rafael_ap12@hotmail.com (Rafael Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3735060418375604319.post-1210731859392900287</guid><pubDate>Thu, 11 Aug 2011 20:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-08-11T14:01:57.887-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(85, 85, 85); font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 14px; line-height: 21px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0px !important; margin-right: 16px !important; margin-bottom: 16px !important; margin-left: 16px !important; line-height: 1.5em !important; text-align: justify; "&gt;&lt;strong style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; "&gt;Nota de solidariedade à família do jovem assassinado na Paraíba&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0px !important; margin-right: 16px !important; margin-bottom: 16px !important; margin-left: 16px !important; line-height: 1.5em !important; text-align: justify; "&gt;&lt;strong style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; "&gt;Por Jean Wyllys&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(85, 85, 85); font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 14px; line-height: 21px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;     08/08/2011&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(85, 85, 85); font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 14px; line-height: 21px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0px !important; margin-right: 16px !important; margin-bottom: 16px !important; margin-left: 16px !important; line-height: 1.5em !important; text-align: justify; "&gt;Eu, Jean Wyllys, deputado federal que defende a causa de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros (LGBT), entre outras, venho através desta prestar solidariedade à família de Marx Nunes Xavier, um jovem de 24 anos, que, ao tentar evitar que dois homens agredissem um homossexual foi assassinado na Praia do Jacaré, em Cabedelo. Estendo minhas simpatias também à família do jovem a quem Xavier tentou proteger.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0px !important; margin-right: 16px !important; margin-bottom: 16px !important; margin-left: 16px !important; line-height: 1.5em !important; text-align: justify; "&gt;Esse crime que chocou a Paraíba na manhã desta segunda-feira (8) trouxe novamente e da maneira mais trágica possível, a discussão da homofobia às manchetes dos jornais. Junto com o recente caso de um homem de 42 anos que teve mais de metade da orelha decepada ao ser confundido, ele e o filho, com um casal gay, a morte desse jovem explicita a urgência e a importância da aprovação de uma lei que criminalize a homofobia e proteja a população de crimes motivados por ódio, intolerância e preconceito.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0px !important; margin-right: 16px !important; margin-bottom: 16px !important; margin-left: 16px !important; line-height: 1.5em !important; text-align: justify; "&gt;Quando essa intolerância e preconceito passam a atingir também os nossos aliados fica mais do que nunca claro de que precisamos pensar na pauta de LGBTs como uma pauta de direitos humanos e não uma exigência descabida de uma minoria. Precisamos assegurar os direitos de todos os cidadãos e cidadãs brasileiras de ir e vir.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0px !important; margin-right: 16px !important; margin-bottom: 16px !important; margin-left: 16px !important; line-height: 1.5em !important; text-align: justify; "&gt;Não se trata apenas de punir o crime em si, mas sim de atacar as circunstâncias, os discursos homofóbicos e fundamentalistas que incitam esses assassinatos brutais. Incitar o ódio faz do incitador um cúmplice. O que fanáticos e fundamentalistas religiosos mais têm feito nos últimos anos é violar a dignidade humana de homossexuais através de seus discursos de ódio.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0px !important; margin-right: 16px !important; margin-bottom: 16px !important; margin-left: 16px !important; line-height: 1.5em !important; text-align: justify; "&gt;Os números do Grupo Gay da Bahia e da Anistia Internacional que registram que um homossexual é morto a cada dois dias (das 260 mortes contabilizadas em 2010, 46% ocorreram no Nordeste) mostram a importância de se aprovar o substitutivo que está sendo construído Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT. O texto final do substitutivo, com nome tentativo de Lei Alexandre Ivo será apensado ao PLC 122 e esperamos que seja votado em outubro. O legislativo não pode mais se omitir.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0px !important; margin-right: 16px !important; margin-bottom: 16px !important; margin-left: 16px !important; line-height: 1.5em !important; text-align: justify; "&gt;A defesa da Dignidade Humana é um princípio soberano da Constituição Federal e norte de todo ordenamento jurídico Brasileiro. O limite da liberdade de expressão de quem quer que seja é a dignidade da pessoa humana do outro. Precisamos impor limite a esses abusos e assegurar a dignidade do povo brasileiro.&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0px !important; margin-right: 16px !important; margin-bottom: 16px !important; margin-left: 16px !important; line-height: 1.5em !important; text-align: justify; "&gt;*Jean Wyllys – Deputado federal&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(85, 85, 85); font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 14px; line-height: 21px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0px !important; margin-right: 16px !important; margin-bottom: 16px !important; margin-left: 16px !important; line-height: 1.5em !important; text-align: justify; "&gt;&lt;i&gt;Aqui tem um link direto para o blog do Deputado Federal Jean Wyllys, onde este texto foi postado originalmente: &lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; margin-top: 0px !important; margin-right: 16px !important; margin-bottom: 16px !important; margin-left: 16px !important; line-height: 1.5em !important; text-align: justify; "&gt;&lt;i&gt;&lt;a href="http://jeanwyllys.com.br/wp/nota-de-solidariedade-a-familia-do-jovem-assassinado-na-paraiba-08-08-2011"&gt;http://jeanwyllys.com.br/wp/nota-de-solidariedade-a-familia-do-jovem-assassinado-na-paraiba-08-08-2011&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3735060418375604319-1210731859392900287?l=contosdesocupados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://contosdesocupados.blogspot.com/2011/08/nota-de-solidariedade-familia-do-jovem.html</link><author>rafael_ap12@hotmail.com (Rafael Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3735060418375604319.post-1212592894143401597</guid><pubDate>Mon, 08 Aug 2011 01:23:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-08-07T18:29:37.567-07:00</atom:updated><title>O Rei Está Nu</title><description>O Rei se levantou do seu trono de ouro, e então, lentamente, tirou todas as suas roupas. O Rei estava nu. E ele disse:&lt;div&gt;- O que escrever depois que o tempo passou?&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Todos os seus súditos se encontravam naquele salão, aos pés da escada que levavam ao trono do rei nu. Todos juntos, ao mesmo tempo, começaram a jogar-lhe as pedras, esmagando seus ossos e abrindo-lhe feridas, escorrendo-lhe o sangue. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O rei não tinha olhos, e das órbitas vazias escorriam lágrimas. Ele caiu e rolou por toda a escadaria até chegar aos pés dos plebeus, que o amarraram e o jogaram para fora, para o deserto, para o nada e o vazio, onde o que escrever não existia.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3735060418375604319-1212592894143401597?l=contosdesocupados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://contosdesocupados.blogspot.com/2011/08/o-rei-esta-nu.html</link><author>rafael_ap12@hotmail.com (Rafael Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3735060418375604319.post-7540117675352006751</guid><pubDate>Tue, 02 Aug 2011 12:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-08-02T05:41:42.406-07:00</atom:updated><title>Almond Blossoms - Vincent Van Gogh</title><description>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-BqZEtSIL6sA/Tjfwe748L5I/AAAAAAAAAE0/207xWOq-tkc/s1600/Almond%2BBlossoms%2BVincent%2BVan%2BGogh.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 252px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-BqZEtSIL6sA/Tjfwe748L5I/AAAAAAAAAE0/207xWOq-tkc/s320/Almond%2BBlossoms%2BVincent%2BVan%2BGogh.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5636237872940724114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3735060418375604319-7540117675352006751?l=contosdesocupados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://contosdesocupados.blogspot.com/2011/08/almond-blossoms-vincent-van-gogh.html</link><author>rafael_ap12@hotmail.com (Rafael Pinheiro)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-BqZEtSIL6sA/Tjfwe748L5I/AAAAAAAAAE0/207xWOq-tkc/s72-c/Almond%2BBlossoms%2BVincent%2BVan%2BGogh.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3735060418375604319.post-3426485245868872666</guid><pubDate>Tue, 02 Aug 2011 12:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-08-02T05:39:24.138-07:00</atom:updated><title>Post duplo - A Santa; O Fanático</title><description>&lt;i&gt;Esses dois contos são super antigos, mas eu lembrei deles enquanto escrevia o do post anterior, então lá vão os dois ao mesmo tempo.&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A Santa&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era uma vez, uma Igreja. Esta igreja tinha um belíssimo vitral com a imagem de uma santa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esta Santa todos os dias olhava aquelas pessoas que entravam na sua igreja, lá do seu vitral, e por incrível e ruim que pareça, ela não se compadecia de nenhum sofrimento e não se alegrava com nenhuma vitória, além de às vezes achar o livro que o padre lia um verdadeiro absurdo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma dia ela começou a se sentir realmente estranha, e o que ela se deu conta a deixou temerosa: ela se deu conta de que não se compadecia com nenhum sofrimento exatamente porque sentia prazer neles; não se alegrava com nenhum vitória, se enraivecia com elas; além de atender apenas as promessas que se referiam ao pior do Ser Humano. Isso a deixou um pouco triste, também, porque, afinal, não é assim que se espera que uma santa seja.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Constatando tudo isso, a santa do vitral decidiu ir embora da Igreja - infelizmente, quando ela tomou essa decisão era a hora da missa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando a igreja não podia estar mais cheia, o vitral começou a se rachar com estrondo nas linhas que marcavam a imagem da Santa da paróquia, que então, simplesmente desceu (com toda elegância, obviamente) do vitral e saiu andando como se não fosse mais que um pedaço de vidro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os fiéis não sabiam como entender aquilo. Um milagre de deus ou uma manifestação do diabo? E como nos momentos de dúvida o melhor é sair correndo, os fiéis e o padre esvaziaram a igreja.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Do lado de fora, a luz do sol se refletia na santa, que já havia, precariamente, alcançado a escadaria que a levaria atá a rua, e de lá só deus sabe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Algum fiel incrivelmente corajoso e temente a deus pegou uma barra de ferro e decidiu dar um fim naquela representação demoníaca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A Santa não se sentia bem. Ela se sentia exposta e envergonhada com todas aquelas pessoas na praça em frente a igreja olhando-a como se fosse uma aberração da natureza, até que viu um belo jovem correndo com um pedaço de ferro na mão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele acertou-a em cheio, quebrando-a em pedacinhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os cacos tocados pelo milagre se espalharam pela calçada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Fanático&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um turbilhão de coisas passava pela sua mente. Um turbilhão de coisas ruins passava pela sua mente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A violência, a ignorância. Pecados, crimes, vandalismo, drogas. Por que as pessoas faziam isso? Por que eles matavam, mentiam, batiam? Por que eles estupravam, abortavam? Pedofilia? Zoofilia?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sequestro? Tiros? Qual era o gosto que eles tinham por sangue? Sofrimento?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas o real problema se duplicava, porque além de existir gente capaz de fazer o mal inconsequentemente, existiam aqueles que não faziam o mal, mas defendiam e incitavam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele não era claro o suficiente? Não existiam homem e mulher? Onde está o casamento? A família? As mães e donas de casa? Valores?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A exterminação já havia chegado uma vez. Chegaria outra. Chegaria outra?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O cansaço lhe invadia. As lágrimas afogavam seus cândidos olhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Devo acabar com isso? Matar-me e não ver mais? Não! Valores? Valores! Matá-los? Exterminá-los? Seria o certo? Acabar com o mal? Ele era um servo. Ele seria um servo? Matá-los? Matá-los!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Matá-los? Sim!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele quer. Eu sei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele sabia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A arma levantou e os gritos não tiveram tempo de correr.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;(Qualquer semelhança com algum caso bem macabro que tenha acontecido a pouco tempo é só coincidência mesmo, rsrs)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3735060418375604319-3426485245868872666?l=contosdesocupados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://contosdesocupados.blogspot.com/2011/08/post-duplo-santa-o-fanatico.html</link><author>rafael_ap12@hotmail.com (Rafael Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3735060418375604319.post-882177324545227325</guid><pubDate>Tue, 02 Aug 2011 12:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-08-02T05:10:13.780-07:00</atom:updated><title>Sem título</title><description>&lt;i&gt;Eu juro que com este conto, eu vou tentar postar diariamente. Mas vai ser só isso mesmo: tentativa, porque não é todo dia que a antena funciona e eu tenho algo pra escrever.&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lá estava ela, com seus cabelos rosas, em pé no meio da praça sombreada pelas árvores enormes. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O vento ventava, o sol queimava, os pedestres passavam, os pedestres amavam e ela estava feliz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não aquela felicidade exagerada, momentânea, mas aquela simples, plena, sem esforço, sem motivo.  Ela podia ouvir cada passo dado, cada riso, cada folha que caia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sorriso veio naturalmente, um sorriso meio risada, de dentes não perfeitos. Seus lábios cor de amora, sem batom, eram meio tortos, mas brilhavam, brilhavam um brilho que não se via. Era um sorriso tão lindo, daqueles que inspiram e dão vontade de sorrir junto. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Naquele momento, em que ela se sentou em um dos bancos sujos da praça, ela não precisava de mais ninguém, ela não queria mais ninguém, apenas ela já bastava, e naquele momento, com seus cabelos rosas, ela era o ser vivo mais poderoso do planeta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3735060418375604319-882177324545227325?l=contosdesocupados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://contosdesocupados.blogspot.com/2011/08/sem-titulo.html</link><author>rafael_ap12@hotmail.com (Rafael Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3735060418375604319.post-2879023342795323882</guid><pubDate>Mon, 01 Aug 2011 18:28:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-08-01T11:30:38.291-07:00</atom:updated><title>A Garota Negra Com Os Cabelos Que Iam Até o Chão</title><description>&lt;div&gt;A garota passava as mãos pelos cabelos que iam até o chão. Os cabelos que iam até o chão eram negros como a noite, assim como a pele da garota que passava as mãos pelos cabelos que iam até o chão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era uma garota muito triste. As lágrimas caiam como rios sem pleonasmo, inundando o chão de gramado que seus pés descalços pisavam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela começou a andar, afundando na lama. Ela procurava. O que, ninguém sabe, nem ela, mas ela procurava. Até que a garota negra como a noite, andando e andando, chegou à beira de um precipício. O ar fazia seus cabelos voarem se confundindo com a noite, que se diferenciava apenas pelas estrelas que sorriam assistindo orgulhosas a escuridão do precípio, pois este não tinha tão belas estrelas. Tinha coisas piores.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A garota queria pular. Queriam suicidar a garota. As estrelas, digo. Mas ela não pulou. Ela gritou. Gritou tão alto que as estruturas do mundo se abalaram e teias de aranha cairam das cabeças das pessoas. Das mesmas cabeças, monstros pavorosos sairam correndo e nunca mais pararam de correr, dando voltas e voltas no mundo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O mundo que tremeu com o grito dela, e a partir daí nada mais foi o mesmo. Algumas pessoas não gostaram de ter seus monstros postos para correr, outras perceberam o quão bom era aquilo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A garota negra que parara de gritar, enrolou os cabelos que iam até o chão e eram negros como a noite em uma das mãos e com um só puxão os arrancou pela metade e os jogou no precipício.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a partir daqui nada mais posso escrever, e a partir daqui, sem os monstros da nossa cabeça talvez entendamos o que foi aquele grito tão negro quanto os cabelos que iam até o chão e a pele da garota e a noite e o buraco que era o precipício. A única coisa que deve-se dizer a mais é que depois do grito, a garota negra se tornou mais negra ainda, mais negra que a noite.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3735060418375604319-2879023342795323882?l=contosdesocupados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://contosdesocupados.blogspot.com/2011/08/garota-negra-com-os-cabelos-que-iam-ate.html</link><author>rafael_ap12@hotmail.com (Rafael Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3735060418375604319.post-1874504307859816945</guid><pubDate>Mon, 01 Aug 2011 18:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-08-01T11:28:17.190-07:00</atom:updated><title>Trilogia de Porcelana - O Purgatório (Parte 3)</title><description>&lt;div&gt;Era uma vez, o Purgatório.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Purgatório era um bosque sem árvores onde não havia nada além de silêncio, o chão era completamente branco e liso. O céu azul era o mais azul em todo o mundo, o Sol nunca era por demais ardente e a noite tinha mais horas que o dia. Uma leve brisa passava por todo o bosque sem nunca parar, brisa essa que vinha de um grande lago à leste. Fora este lago, não havia água em nenhum outro lugar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Havia apenas um habitante nesse bosque sem animais. Ele ficava no topo de uma montanha à norte, única elevação em todo o chão do bosque. Ele era um senhor de milhares de anos, com uma barba muito branca que ia até o peito porque ele a cortava, e suas vestes eram brancas como todo o resto e sua capa era a mais longa já existente, e ela esvoaçava por cima da montanha como uma bandeira no céu sem nuvens e sem estrelas. Ele nunca saiu da montanha e desde que existe, nunca saiu da mesma posição: em pé, olhando para sul, de onde podia ver todo o Purgatório, com as mãos juntas como em uma prece. Seus olhos azuis nunca piscavam e sua pele alva era perfeita apesar da idade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era um dia comum no Purgatório, o Sol estava bem no topo do céu, quando o lago começou a borbulhar de repente como se estivesse fervendo. O senhor de milhares de anos podia ver aquilo de onde estava sem precisar nem olhar para o lado, ele via tudo. E assim ele também viu algo surgindo do fundo do lago como uma Afrodite de porcelana. Era a nossa querida e quebrada rainha de porcelana, que já havia perdido seu reinado para o rei de vidro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela tinha seus olhos fechados e boiava de costas no meio do oceano quando de repente fora sugada para o fundo da água, quando surgiu no lago, não havia coração mais disparado, se é que ela tinha um coração, dúvida essa que esperamos matar até o fim de sua vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apesar da água inabalável do lago, alguma força invisível a fez boiar até terra firme. Seus olhos estavam desorientados com aquele vazio branco silencioso. Vemos, então, que estávamos errados quando dissemos que este era um dia comum no Purgatório, quando pela primeira vez o senhor de mil anos deu seu primeiro passo. Ele sabia o que devia fazer, então fez. Ele desceu toda a montanha, com sua majestosa capa esvoaçando atrás de si, então andou calmamente em direção à quebrada rainha de porcelana, que já havia perdido seu reinado para o rei de vidro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele parou aos seus pés, se inclinou e olhou dentro de seus olhinhos apavorados. Ele levantou seu corpo seco e a levou até o topo da montanha onde ele se encontrava anteriormente. Lá ele pegou um pouco do material que formava o solo e começou a remoldar a quebrada rainha não mais de porcelana, que já havia perdido seu reinado para o rei de vidro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando ele terminou, ela estava feia, com o corpo desfigurado, mas pelo menos ela conseguia se manter em pé. Então ele tirou cinco metros de sua capa, que continuou absurdamente gigante e a fez um vestido. Ela não sabia mais o que fazer até que o senhor apontou um belo, longo e fino dedo para sul, que foi para onde a rainha de material desconhecido com um vestido de cinco metros que esvoaçava com a brisa se dirigiu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Chegando no fim do bosque ela encontrou uma abertura no chão, com uma rústica escada de quarenta e cinco metros feita de rocha, ela desceu tudo, e finalmente no fim, ela se encontrou em uma gruta iluminada de uma forma macabra, pessoas mortas pregadas nas paredes com a cabeça pegando fogo. O fogo era rosa e no meio da gruta havia uma grande caixa quadrada feita de um vidro muito fino, e exatamente no centro, flutuava o homem mais belo que Deus algum dia teve a capacidade de criar. O homem, seu rosto e seu corpo eram a concretização do que alguns tolos costumam chamar de Perfeição, ele estava nu, deitado e adormecido, e em volta de seu corpo, se enroscava uma cobra muito, muito, muito, muito verde. Ela sibiliva perto de seus doces, jovens e apaixonantes lábios vermelhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A rainha de material desconhecido chegou mais perto da caixa e a tocou com a mão direita, em ação imediata, os lábios do jovem mais que perfeito se abriram levemente em um ato que tomou o coração inexistente da rainha, os lábios sugaram o ar, fazendo o peito dele estufar levemente em um ato que fez a rainha arder de desejo. A cobra se virou com tanta rapidez em direção à rainha que esta deu um passo para trás com medo, mas então o homem abriu os olhos. Descrição deste detalhe me é impossível, por isso me atenho a dizer que ao ver este acontecimento único, a rainha perdeu o medo da cobra, e seu desejo se tornou tão insuportável que ela começou a se arranhar arrancando pedaços do seu próprio corpo. Os punhos dele se fecharam e ela correu em direção a caixa e atravessou o vidro fazendo-o se quebrar em trilhares de pedacinhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A rainha pegou a cobra e jogou-a no chão. O homem a olhava com calma, enquanto ainda flutuava. A rainha pousou a mão em seu ventre e começou a passá-la pela sua barriga e peito, por cima de seus músculos e pele macia e alva. Ela se inclinou e beijou-o nos lábios.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O olhar dele não deixava nada transpassar, então ele riu e ela mordeu seu pescoço tirando-lhe sangue. Quando ela se deu conta a cobra estava completamente enroscada em seu corpo. Ela deu um grande grito e tropeçou se machucando nos cacos de vidro, a cobra levantou sua cabeça se preparando para dar o bote, e a rainha nada mais viu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando ela acordou, a cobra ainda estava enrolada em seu corpo agora nu. Ela estava em pé em um canto do quadrado de vidro reconstruído, e o homem, também nu, estava em pé a alguns centímetros de distância olhando-a profundamente com olhos de criança.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eles não precisavam falar nada, mas ela sabia o que ele queria. Ele queria vingar a rainha destruindo o Rei de vidro. E ele queria a alma dela. E ela a deu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Imediatamente a rainha viu todo o cenário mudar. Eles não estavam mais no quadrado de vidro, eles estavam na orla do lago. Ele estava atrás dela com a cobra em seu corpo novamente. Mais uma vez ela sabia o que deveria saber, mas antes olhou para seu reflexo no lago. Ela estava horrenda, nada do que era no começo de sua história, seu corpo e rosto estavam deformados. Ela entrou na água, e quando só tinha sua cabeça para fora ela olhou para o topo da montanha, e o que viu foi o senhor impassível lá no alto com sua capa esvoaçante com cinco metros faltando antes de afundar totalmente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A Rainha de Porcelana não mais existia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No Inferno, tudo estava como deveria estar, a não ser por uma ventania repentina que fazia as paredes do castelo de seda do Rei de Vidro esvoaçarem deixando todo o seu interior luxuoso à mostra. O problema era que apesar da aparente normalidade, a velha cega da floresta envolta em suas teias de aranha, sentia que algo estava errado, e algo realmente horrível iria acontecer em pouco tempo. Ela estava certa, ia acontecer naquele mesmo dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Sol preguiçoso como sempre começou a estremecer violentamente, o Dragão de Ouro com medo voou para fora de sua caverna, e ficou dando voltas nervosamente em volta do castelo de seda. O Gordo sentia um cheiro estranho e os guardas reais correram para trás do Rei de Vidro com medo, este se mostrava impassível, já que seu rosto era de vidro sendo impossível expressar alguma coisa, mas por dentro, ele estava seriamente pensando em abdicar do trono e sair correndo antes que o Sol explodisse. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E foi o que aconteceu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Sol explodiu, ou melhor, se expandiu. Seu fogo cobriu todo o céu d'O Inferno, iluminando cada cantinho, e do topo da montanha se via uma figura brilhante. A perfeição nua.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seu rosto não mostrava nada mais que paz, com seus olhos tão verdes quanto a cobra que se enrolava em todo o seu corpo e apoiava a cabeça em seu braço extendido. Ele mostrava tanta inocência que chegava a ser infantil. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Deus vendo todas aquelas coisas acontecendo decidiu mandar seus anjos para acalmar aquilo antes que manchasse sua criação, então abriu-se uma fenda no Sol e de lá saiu uma enchurrada luminosa formada por brilhantes anjos, que pousaram todos no pé da montanha apontando suas lanças para o homem lá em cima. Porém, reconhecendo-o imediatamente, todos os anjos foram tomados por pavor do mais puro tipo, e nem a temência a Deus fez com que eles superassem a temência que tinham pelo homem. Enlouquecidos, os anjos começaram a voar tentando encontrar a brecha no Sol que havia sido fechada por Deus, para fugir da presença d'Ele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alguns segundos eternidades se passaram e os anjos perceberam que só teriam uma solução para não serem desintegrados pelo homem no topo da montanha em um piscar de seus olhos verdes infantis e seu sorriso perfeito, apaixonante e excitante. Render-se a ele. Acima de tudo, ele tinha piedade para aqueles que estavam do seu lado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Então todos os anjos voltaram para a base da montanha, recuperaram suas lanças e reverenciaram o homem no topo da montanha. Ele apontou para o castelo de vidro, e imediatamente todos os anjos se voltaram para lá com suas lanças. O rei de vidro gritou: GUERRA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!. E de cada buraco d'O Inferno, saíram centenas de soldados de vidro, porcelana, ferro, rocha, fogo e água e a guerra contra os anjos começou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Rei correu para dentro do castelo, e o Dragão de Ouro abriu suas colossais asas e alçou vôo em direção ao homem no topo da montanha. Chegando lá ele abriu sua bocarra soltando um assustador rugido, de suas escamas saíam fumaça e fogo. Quando ele chegou próximo ao homem, foi a vez deste de abrir sua boca o máximo que sua capacidade humana permitia e dar um outro rugido mais alto ainda, tão alto que fez todos os guerreadores pararem assustados por alguns segundos antes de voltarem a lutar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Dragão tomado por um pavor que nunca sentira antes na sua longa vida, virou-se para o céu de fogo ganindo como um cão, e voou para lá como um projétil, pegando fogo até a morte. Um suícidio digno de um Dragão de Ouro. Quando suas asas não eram mais capazes de bater, ele caiu como uma gigantesca bola de fogo encima da casa do Gordo, queimando-o também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A Velha cega da floresta que não tinha nada de burra, se aliou ao Demônio e se dirigiu ao castelo de seda, onde o Rei de Vidro corria pelos corredores tentando se esconder da batalha enquanto pensava no melhor modo de fugir do Inferno. Ele sentiu o chão aos seus pés ficarem pegajosos, e quando olhou, todo o castelo estava coberto de teias de aranha, mais brancas que a Rainha de Porcelana que não mais existia. Neste momento uma ventania de potência inimaginável fez as paredes do castelo esvoaçarem deixando todo seu interior à mostra e denunciando o Rei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Do 24° andar, o Rei via todo o reino começar a pegar fogo e quando olhou para seu jardim, viu a cobra verde se arrastando para a entrada do castelo. Ele subiu até o 254° andar, onde as paredes esvoaçavam a ponto de se soltarem em alguns pontos das barras de ferro a que eram presas. De lá ele viu o Oceano se retraindo a fim de dar um bote mortal em todo o seu reino em chamas. Ele fechou os olhos e pulou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Longe de se espatifar no chão, algo se prendeu em seus tornozelos. Era uma fina teia de aranha, jogada pela Velha, do topo da torre mais alta do castelo. Ela o levantou lentamente até uma das varandas do castelo e o soltou de rosto pro chão, rachando-lhe um pouco. Ele se levantou e o que viu desagradou-o mais que nunca. O homem perfeito estava à sua frente, todo à mostra já que a cobra não estava por perto. O desagrado se dissipou dando lugar a um desejo animal que ligava um homem ao outro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eles se amaram. E o Rei de Vidro se sentiu humano.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E ele se tornou humano. Sua pele era perfeita, o sangue pulsava dentro de si. O coração batia e batia e batia. Seus cabelos lhe caiam pelos ombros e de seus olhos caiam lágrimas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Oceano se levantou como um gigante e deu um bote como uma cobra afogando anjos e soldados. Vidro e terra, rocha e fogo. Madeira e carne. Do meio da água que se agitava violentamente como em uma tempestade, só se via o castelo com as suas paredes girando e girando como loucas, se enroscando nos móveis e bantendo nos corredores como chicotes. O Rei de Carne e o Demônio se olharam. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Rei subiu na balaustrada da sacada em que estavam, olhou para o céu ardente. O vento e a seda chicoteavam seu corpo nu. Ele se deixou cair e abraçou a água sentindo-a com toda sua humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Rei de Carne não mais existia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O castelo se desfez aos poucos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Infeno não mais existia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3735060418375604319-1874504307859816945?l=contosdesocupados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://contosdesocupados.blogspot.com/2011/08/trilogia-de-porcelana-o-purgatorio.html</link><author>rafael_ap12@hotmail.com (Rafael Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3735060418375604319.post-6077338256712569025</guid><pubDate>Mon, 01 Aug 2011 18:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-08-01T11:13:51.358-07:00</atom:updated><title>Trilogia de Porcelana - O Céu (Parte 2)</title><description>&lt;div&gt;Era uma vez, o Céu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Céu era uma favela. Lá não havia magia, nem anjos, nem demônios e aparentemente, nem Deus se lembrava daquele lugar. Tudo o que havia era lixo. As pessoas não eram nada além de lixo e imundisse. Eram todos da pior espécie de ser humano que existia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A miséria era rotina, e a sujeira era arte. Nada lá podia ficar pior do que já era.  Os homens haviam descido até o último patamar de humanidade que existia, e haviam se transformado em animais famintos, neandertais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um dia uma grande catástrofe começou a aterrorizar os moradores do Céu. O Céu ( não a favela, o de verdade. Aquele com nuvens que formam imagens de picolés e algodões doces) começou a se abrir, como se uma grande fenda tivesse sido feita. Um buraco mais luminoso que o sol, capaz de cegar instantaneamente os que para lá olhassem ( e muitos o fizeram, e muitos cegaram). Afinal de contas Deus não havia esquecido do Céu, a favela. Pelo contrário, Ele se lembrava muito bem. Se lembrava da miséria e do lixo, e se lembrava de que aquele lugar era um perigo para a sobrevivência da humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que ninguém sabia era que o Céu era literalmente a lixeira da humanidade. Para lá iam todas as pessoas indesejáveis e perigosas, que iam contra a vitalidade da Palavra! Os hereges da antiguidade e da atualidade exilados pela Justiça Divina!!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porém, Deus percebeu que aqueles ratos estavam prestes a escapar da favela, pois eles eram muitos e ela era pouca, portanto era melhor que Ele se livrasse de todos antes que eles voltassem a contaminar sua obra de Arte: a Terra, que era plana, sim, ao contrário do que todos podem pensar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sua decisão foi: os anjos do senhor sairão do céu e descerão para o Céu, e então infectarão as mulheres de lá com uma doença horrorosa que iria passar para todas as outras pessoas da favela, exterminado toda aquela gentalha, e livrando o mundo de mais um mal de dimensões bíblicas. Depois, o chão iria tremer, e um grande buraco se abriria, e todos os corpos infames do Céu cairiam... no já conhecido Inferno!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porém, o que ninguém sabia e o que Deus também não sabia, era que a nossa adorável rainha de porcelana, que não tinha mãos, não tinha um palácio, não tinha um porquinho feio e estava com os frágeis tornozelos rachados, havia sido expulsa do Inferno logo depois que perdeu seu palácio e sua autoridade e se tornou uma mendiga sem princípios e sem religião, e se refulgiou no nosso novo cenário: o Céu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lá, ela se tornou uma pessoa tão miserável quanto já era antes, e isso aconteceu porque viu coisas que nunca havia visto antes. Ela viu homens. Homens aterrorizando crianças, animais, outros homens. Ela viu homens que amavam quem não deveriam amar. Homens que faziam sexo com quem não deveriam fazer, em posições que não deveriam usar. Viu mulheres que não queriam ter filhos, e portanto não os tinha. Viu pessoas malucas de pedra criando teorias horrorosas e demoníacas que iam contra qualquer princípio inteligível, dizendo que a Terra era redonda! Que absurdo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tudo o que viveu lá foi infame, foi pecaminoso, foi feio. Feio e nojento! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando a fenda luminosa se abriu, ela não teve problemas de olhar para lá, pois era de porcelana e porcelana não pode cegar, portanto foi a única que pode ver os anjos, com suas asas do tamanho das torres de seu quebrado palácio, usando armaduras brancas e douradas com lanças brilhantes, descendo até o Céu e jogando uma doença horrível encima das cabeças de todas as mulheres (inclusive da sua). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Após se dar conta de que também havia sido contaminada, ela olhou ao redor e viu todas as outras mulheres tão perplexas como ela, olhando umas às outras como apenas uma mulher poderia olhar. Elas não eram mais animais, e elas se deram conta de sua nudez e de suas vidas, que haviam sido tão confortáveis até tal acontecimento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Imediatamente após terem ganhado a terrível doença do esclarecimento elas perceberam que deveriam se organizar em uma sociedade, onde cada uma deveria ter um papel cuidando da sobrevivência de todos. Elas formaram uma força policial que controlaria os homens e as crianças que ainda não passavam de animais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Algum tempo depois, muitas brigas e guerras civis aconteceram, e elas perceberam que conviver com os homens e crianças animais seria impossível, portanto eles deveriam ir embora. Elas pegaram as lanças deixadas pelos anjos e começaram a exterminar a raça imunda, como justiceiras escolhidas pelos anjos dos céus. Aqueles pecadores deveriam morrer. E assim foi.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando não existia nada mais que mulheres, uma rainha de porcelana e corpos sem vida, os anjos voltaram e retiraram das damas suas doenças e elas voltaram a ser os animais que eram antes. Depois, segundos antes da fenda divina ser fechada, caixas recicláveis de alimentos não-orgânicos foram jogadas no meio da multidão femininamente enlouquecida. A partir daí, a chacina foi geral, mulheres matando umas às outras para se alimentarem da pouca comida que dispunham. Inteligente foi a de porcelana, que sabendo da sua fragilidade se escondeu embaixo dos corpos sem vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A tarefa divina havia sido concluída e os anjos não precisaram tocar em nada com as próprias mãos, pois os humanos se mataram com as suas mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seguindo os planos de Deus, depois que não havia nada além de gente morta, o chão começou a tremer, a rainha com medo de quebrar, tentou sair do meio da massa de corpos, mas por culpa da tremedeira, só caiam mais gente morta e fedida em cima dela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Exatamente no ponto em que a belíssima rainha de porcelana chorava com medo de se rachar ao meio, o chão começou a se abrir, como um monstro que abre sua bocarra para engolir tudo e qualquer coisa que estiver na sua frente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A rainha caiu e caiu e caiu e quando ela finalmente teve coragem de abrir os olhos, viu que estava caindo no céu do Inferno, o seu reino que já pertencia a outro rei. Quando viu onde estava, o medo de se despedaçar ao bater no chão passou, e agora ela chorava de alegria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Felizmente, a rainha caiu dentro da floresta encima das teias macias da velha horrorosa que habitava a floresta, que nós já vimos antes. Agora a velha dormia e não via a chuva de pessoas nuas e mortas e fedidas e feias que açoitava as terras do Inferno. A rainha nem ao menos teve a delicadeza de não acordar a velha senhora e já se desprendeu das teias e saiu correndo, segurando seu belo e sujo vestido vermelho, em direção ao seu palácio rachado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando lá chegou, não encontrou as ruínas de seu palácio de vidro. Agora, naquele lugar, estava o palácio de seda do novo rei do Inferno. O Rei de Vidro. Exatamente. Da mesma forma que a Rainha era feita de porcelana, o Rei era feito de vidro. E ele era belo, belo como nenhum outro rei de vidro já foi um dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Rei, ao ver a Rainha, sendo que tinha consciência de toda a sua história, inclusive era dono do irmão gêmeo do porco feioso da Rainha, ficou furioso ao vê-la correndo em direção ao palácio, que esvoaçava ao vento forte que agora corria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Imediatamente ele mandou seus guardas darem um sumiço naquela mulher, que poderia tentar pegar o trono de volta! E foi o que os guardas fizeram. Eles a agarraram e a jogaram dentro de uma jaula, depois pegaram pedaços de madeira e cacos de uma lâmpada fluorescente quebrada e bateram na pobre rainha, para dar-lhe uma lição, e obrigá-la a ser aquilo que ela não era. Uma plebeia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que restou da rainha foi: metade da cabeça, seus belos cabelos, um único seio, metade da barriga e uma perna com um pé. O resto da cabeça, os braços, uma perna, um seio e os restos da barriga foram despedaçados e abandonados no chão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A rainha, agora nua, que ainda vivia e chorava se arrastou até a praia sem ondas, usando o queixo, com o maior cuidado, e a única perna que tinha. Lá ela se deixou boiar de costas ( que também tinha sobrado) e foi levada pela correnteza. Com o único olho que tinha, ela olhava para o céu, mas as lágrimas não saiam mais, e as que sairam já haviam secado. Não sentia dor nos membros arrancados, porque eles já não existiam. A única dor que tinha era aquela lá embaixo causada pelos desejos másculos e insaciáveis dos guardas, se é que alguém pode entender o que estou dizendo. Nem o coração doía mais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A Rainha era de porcelana, não de carne e osso como já desejara ser, por isso não morrera.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os corpos apodreciam lentamente na terra, o Céu estava vazio, os anjos satisfeitos e o Rei de vidro acariciava o porquinho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3735060418375604319-6077338256712569025?l=contosdesocupados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://contosdesocupados.blogspot.com/2011/08/trilogia-de-porcelana-o-ceu-parte-2.html</link><author>rafael_ap12@hotmail.com (Rafael Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-3735060418375604319.post-1616934627320724479</guid><pubDate>Mon, 01 Aug 2011 17:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-08-01T11:03:36.718-07:00</atom:updated><title>Trilogia de Porcelana - O Inferno (Parte 1)</title><description>&lt;i&gt;Bem, o meu primeiro post vai começar com um dos meus bebezinhos (rsrs), a primeira parte do que eu chamo de a Trilogia de Porcelana. Espero que gostem, porque eu amo.&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Era uma vez, o Inferno.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Inferno era um reino mágico, onde havia um grande dragão feito de ouro, comida da maior qualidade e bom gosto, um belo e forte cão e também havia a mais bela rainha de porcelana existente em todos os reinos de todos os universos que porventura existissem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A rainha de porcelana vivia em um gigantesco palácio feito de vidro, com um belo e calmo lago em sua frente, rodeado pelo mais surreal dos jardins e pela mais estonteante das estátuas feitas de fogo. Ela passava todo o tempo, durante todos os dias, parada no mesmo lugar, no topo das escadas, que levavam à gigantesca porta de ouro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na verdade, ela não se mexia, porque seu vestido era tão grande e tão pesado que ela simplesmente não conseguia. E para ajudar no peso do vestido, os seus braços estavam sempre a segurar seu porquinho de estimação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O porquinho, pobrezinho, era tão horrível que parecia um demônio vindo das profundezas do mal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um dia, a Rainha estava sonhando, em pé, com os seres humanos. Aquelas criaturas esquisitas, feitas de carne e osso(esquisitas, porque afinal de contas, "quem gostaria de ser de carne e osso!!?", a rainha se perguntava,"carne é para se comer e osso para se dar aos cãos, não para formar seres humanos!!"). Mas, o que ninguém imaginava e a rainha não fazia questão de contar, era que ela invejava os seres humanos. Sua carne quente e sensual, seus ossos brancos e puros, que os faziam tão apaixonantemente humanos. Tão maravilhosamente humanos. Tão surrealmente reais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela queria ser como eles. Queria ter sua beleza. Queria ter sua riqueza.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Longe dali, o grande e terrível dragão de ouro, com seus olhos ardentes, e sua língua rastejante, farejava as ganâncias da pobre rainha. Ele, tão ironicamente bom, decidiu ajudá-la e enfeitiçou o feioso porquinho, usando apenas o seu pensamento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O bichinho rosa pulou das mãos da rainha, que ao tentar capturá-lo escarregou e rachou os sensíveis joelhinhos. O porco continou correndo ignorante da sorte da dona, e foi encontrar-se com o dragão na sua caverna, no topo da montanha do Sol.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A montanha recebia esse nome, porque o Sol sempre foi preguiçoso, então um dia ele decidiu simplesmente parar de girar, e quando isso decidiu, parou exatamente atrás da montanha. Então de qualquer ângulo que alguém a olhasse, veria a luz do sol escapando pelos seus lados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando o demônio chegou perto do dragão, mal conseguindo olhá-lo de tanto que brilhava, ouviu as ordens do gigante. O porco deveria ir até o Gordo e lhe pedir passagem para que a rainha pudesse ir para o mundo dos humanos, acima do Inferno. E assim o porco fez. Ele passou pela floresta e entrou na casa velha, de onde se ouvia o Gordo mastigar sua interminável refeição. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Gordo era outro monstro. Tinha o tamanho e a largura de uma das salas do palácio da rainha. De seu corpo nu, escorria pus e restos de comida, que enchiam o chão ao redor da mesa de sujeira e ratos. O Gordo, desde o dia de seu nascimento, nunca parou de comer nem por um segundo, sentado no extremo da sua gigantesca mesa de madeira, repleta de comida, que milagrosamente nunca acabava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como o Gordo não sabia falar, o porquinho só viu uma maneira de fazê-lo sair da frente das escadas que levariam ao mundo real. Ele jogou dentro do prato do monstro algumas pedrinhas do sono, que o dragão lhe dera em caso de necessidade. Ao comê-las, o Gordo pela primeira vez hesitou em por a mão cheia de comida na boca. Seus olhos se fecharam e ele caiu de lado. Ele era tão grande, que quando chegou ao chão, todo o Inferno tremeu. Sem que a rainha visse, seu palácio começou a rachar, mas lá vinha o dragão brilhante no céu, fazendo todos pensarem que o Sol havia decidido voltar a girar. Ele a agarrou com suas patas duras e frias, que a rainha não podia sentir, e a levou até a casa do Gordo. Chegando lá, ele lhe deu outro vestido bem mais leve, completamente vermelho como o sangue febril dos homens. Ela passou pelo Gordo, que agora roncava, e subiu as escadas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lá encima, havia um único quarto, com apenas uma cama velha na qual ela deitou e dormiu. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando acordou, viu que ainda estava no mesmo quarto e que ainda era feita de porcelana, mas quando desceu as escadas, espumando de ódio, percebeu que o Gordo não estava mais lá, e que o salão estava completamente vazio e limpo. Ao sair da casa se viu no meio de um mundo completamente novo, onde não haviam árvores ou jardins, ou casas de madeira e palácios de vidro como no Inferno, assim como todos os porquinhos eram rosados e fofos e os dragões não eram de ouro. Álias, lá os dragões nem existiam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Imediatamente ao fazer essas reflexões, uma tristeza gigantesca poderia ter se apoderado do coração da rainha sem reino, mas não se apoderou, porque um coração ela não tinha. Sua única propriedade era seu belo vestido vermelho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A rainha se assustou ao perceber que o Sol não estava à vista, o céu estava escuro, até que percebeu que nada ali era realmente escuro, luzes saiam de postes e de grandes quadrados brilhantes, milhares e milhares de estranhas máquinas de olhos brilhantes corriam para todos os lados, fazendo barulhos estranhos. Aquilo era um inferno, mas não era o Inferno, onde tudo era mágico, onde havia um grande dragão feito de ouro, comida da maior qualidade e bom gosto e um belo e forte cão. Havia apenas uma rainha de porcelana.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A mulher decidiu fazer tudo o que lá queria e ir embora, pois era uma rainha e podia tudo. Para roubar a beleza dos seres humanos, e ser bela como eles, ela deveria roubar sua carne e vesti-la, mas não a carne de qualquer um. Ela iria vestir o mais belo, assim como seu vestido era sempre o mais majestoso, sua pele a mais branca e seu cabelo o mais negro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela seguiu uma lógica muito simples de algumas análises dos sonhos sobre os humanos que já havia tido. Ela simplesmente pensava, que já que a Natureza havia a feito a mais jovem e a mais bela, então a Natureza tomaria isso como regra geral e faria dos mais jovens os mais belos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não havia melhor lugar e melhor hora para se encontrar pessoas jovens e belas do que no centro da cidade, à noite, que por coincidência era exatamente onde a rainha estava. E lá ela saiu à caça.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com seus poderes de atração não foi difícil encontrar quem ela queria. Ela o arrastou até uma rua escura e lhe deu um beijo, fazendo-o desmaiar. E então o vestiu, mas percebeu que por dentro ainda era uma rainha de porcelana, e não um belo e jovem humano, com raiva se desfez da carne e a rasgou em mil pedacinhos, mas quando saiu com passos firmes e raivosos, mais uma vez escorregou e quebrou as duas mãozinhas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando viu aquelas duas pecinhas brancas jogadas no chão sujo, sentiu pela primeira vez. Uma dor no peito vazio, o que era estranho por si só. Seus olhinhos se encheram de lágrima e dor. Ela olhou ao redor, e se deu conta de onde estava realmente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pela primeira vez, ela sentiu algo batendo dentro do seu peito. Um coração havia nascido. Uma alma havia entrado nela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tudo que ela queria agora era voltar para seu palácio, e sentir seu porquinho nos seu braços como sempre. A saudade era muito dolorida, e ela desejava que nunca tivesse se sentido daquele jeito, tão perdida. Tão só. Mas, agora, ela não sabia mais para onde ir, para onde correr e simplesmente saiu andando com os bracinhos sem mãos esticados para a frente, a boca entre-aberta e cheia de dor, os olhos molhados e a respiração acelerada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Andando e andando, sem rumo, até que com um susto, ela caiu dentro de um profundo e negro buraco, rachando um dos seus tornozelos, mas quando olhou em volta, se deu conta que estava em baixo da cama do velho quarto da casa do gordo. Ela se rastejou para fora e desceu as escadas mancando, passou pela sala que ainda segurava o gigante dormindo profundamente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Palácio. Palácio. Palácio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela andava e andava. Entrou na floresta. Lá encontrou mais um personagem mágico do Inferno. Uma velha encurvada com os cabelos longos, lisos e brancos, sem dentes e cega. Usando seus dedos pontudos ela tricotava teias de aranha que se espalhavam por sobre todas as árvores ao seu redor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A velha sentiu seu cheiro quando a rainha chegou perto e começou a dar risada. Uma risada horrorosa e alta, que assustou todos os pássaros da floresta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A rainha passou pela velha, saiu da floresta e chegou ao seu belo jardim, mas percebeu que suas flores estavam sangrando, pois haviam milhares e milhares de cacos de vidro jogados pelo jardim. Quando olhou para cima viu apenas as ruínas de seu palácio de vidro. Um vazio se apoderou do seu ser, que agora tinha um coração.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O porquinho havia sido assado e agora estava sobre a mesa do Gordo, que já havia acordado e voltara a comer, e o dragão de ouro dormia tranquilamente na sua caverna.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3735060418375604319-1616934627320724479?l=contosdesocupados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://contosdesocupados.blogspot.com/2011/08/trilogia-de-porcelana-o-inferno-parte-1.html</link><author>rafael_ap12@hotmail.com (Rafael Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item></channel></rss>