<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-860633667237970490</id><updated>2024-08-29T23:04:40.555-07:00</updated><category term="jazz"/><category term="tony morrison"/><category term="A Música da Natureza"/><category term="Aschenbach"/><category term="Bertrand Brasil"/><category term="Clarice Lispector"/><category term="Coisa Boa"/><category term="Dostoiévski"/><category term="Górki"/><category term="Hannah Arendt"/><category term="Hemingway"/><category term="Homens em Tempos Sombrios"/><category term="Infância"/><category term="Lóri"/><category term="Malte Laurids Brigge"/><category term="Morte em Veneza"/><category term="Mr.Trace"/><category term="O Velho e o Mar"/><category term="O idiota"/><category term="Paulo Bezerra"/><category term="Rilke"/><category term="Rocco"/><category term="Rubem Alves"/><category term="Rubens de Figueiredo"/><category term="Santiago"/><category term="Sem Plumas"/><category term="Separação da Alma"/><category term="Sobre a brevidade da vida"/><category term="Sêneca"/><category term="Thomas Mann"/><category term="Ulisses"/><category term="Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres"/><category term="Woody Allen"/><category term="hermínio bello de carvalho"/><category term="paulinho da viola"/><category term="roberta sá"/><category term="rodrigo campello"/><category term="valsa da solidão"/><title type='text'>Cor et Caput</title><subtitle type='html'>Há tanta literatura disponível hoje em dia que ficamos, vez ou outra, perdidos da Silva. Este blog é uma espécie de vitrine, onde você pode degustar excertos de obras que estou lendo. São passagens que despertam minha sensibilidade e provocam reflexão. São coisas boas que eu reparto com vocês. Sejam bem-vindos.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://coretcaput.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coretcaput.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Fernando Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04197072675654864460</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jBVLUKbxGmE/TAwU3ilLhsI/AAAAAAAAAFI/Srqh3WFb4ow/S220/perfil+fernando+ribeiro.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>15</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-860633667237970490.post-2730886750356055865</id><published>2011-01-19T08:56:00.000-08:00</published><updated>2011-01-19T08:56:55.139-08:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Aschenbach"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Morte em Veneza"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Thomas Mann"/><title type='text'>MORTE EM VENEZA</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgFIGydFjxUHUIRLu1AJ1VS6C7eM87inZQ9dzZeTvQ5VwO0Y-B0H8tNm1QJ3Y-HK7YkidgRlRY3IzgHh5SeYQUvkvs0PgHqy8NVyJ2YfrJjDrOasGYyuwRNUAsmghPHg_OfwKDdxIMtzzM3/s1600/Frente-Morte-em-Veneza-CAPA_interna.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;314&quot; width=&quot;204&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgFIGydFjxUHUIRLu1AJ1VS6C7eM87inZQ9dzZeTvQ5VwO0Y-B0H8tNm1QJ3Y-HK7YkidgRlRY3IzgHh5SeYQUvkvs0PgHqy8NVyJ2YfrJjDrOasGYyuwRNUAsmghPHg_OfwKDdxIMtzzM3/s320/Frente-Morte-em-Veneza-CAPA_interna.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Quem lida ou se interessa por cultura, deve ter ouvido sobre &lt;a href=&quot;http://vejasp.abril.com.br/blogs/cinema-filmes/belas-artes-fechamento/&quot;&gt;o fechamento do Cine Belas Artes&lt;/a&gt;, em São Paulo, e toda a repercussão que este anúncio causou. Ontem, ainda, iniciou-se o &lt;a href=&quot;http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/01/processo-de-tombamento-do-cine-belas-artes-e-aberto.html&quot;&gt;processo de tombamento&lt;/a&gt; do imóvel, o que pode dar alguma sobrevida ao espaço. Seja lá o que os deuses do cinema reservaram para o Belas Artes, seus organizadores prepararam uma programação de despedida em grande estilo: até o dia 27 de janeiro &lt;a href=&quot;http://vejasp.abril.com.br/blogs/cinema-filmes/cine-belas-artes-programacao-de-despedida/&quot;&gt;serão exibidos filmes&lt;/a&gt; que marcaram a história do espaço. Entre eles, figura &lt;a href=&quot;http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.movieposter.com/posters/archive/main/10/MPW-5370&amp;imgrefurl=http://www.movieposter.com/poster/MPW-5370/Death_In_Venice.html&amp;usg=__zgKHPovJtnYWM0mxbk_K3qGBTs0=&amp;h=375&amp;w=500&amp;sz=41&amp;hl=pt-br&amp;start=0&amp;zoom=1&amp;tbnid=0U6IfCo3Stk43M:&amp;tbnh=140&amp;tbnw=188&amp;ei=5hY3TdjVCcmdgQf8-dCpAw&amp;prev=/images%3Fq%3Ddeath%2Bin%2Bvenice%2Bmovie%26um%3D1%26hl%3Dpt-br%26gbv%3D2%26biw%3D1066%26bih%3D730%26tbs%3Disch:1&amp;um=1&amp;itbs=1&amp;iact=hc&amp;vpx=290&amp;vpy=80&amp;dur=1080&amp;hovh=194&amp;hovw=259&amp;tx=81&amp;ty=103&amp;oei=5hY3TdjVCcmdgQf8-dCpAw&amp;esq=1&amp;page=1&amp;ndsp=20&amp;ved=1t:429,r:1,s:0&quot;&gt;Morte em Veneza&lt;/a&gt;, de Luchino Visconti, a adaptação do livro de que, ora em diante, falarei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O livro de 1922 e o filme de 1971 (que ainda não assisti) têm ao menos uma diferença entre si: no livro de Thomas Mann, o protagonista Gustav von Aschenbach é um escritor, e no filme, um compositor. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O livro é pequeno em páginas, relativamente a outras obras suas como A Montanha Mágica e Doutor Fausto, mas é enorme em significado e expressão. Denso, perpassado por uma atmosfera onírica, Thomas manipula magistralmente elementos que permitem diversos níveis de leitura. O leitor que desejar embarcar nestas águas fruirá de ricos estímulos filosóficos, mitológicos, psicanalíticos, históricos, autobiográficos e turísticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;A HISTÓRIA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a alma conturbada após a visão de uma figura –possivelmente um estrangeiro – o célebre escritor Gustav von Aschenbach decide retirar-se da vida pacata e metódica que leva para respirar outros ares. Acaba sendo conduzido a Veneza (o tempo todo tem-se a impressão de que forças maiores o conduzem a um destino que, desde o título, anuncia-se trágico, nos mesmo moldes dos mitos greco-romanos com seus dii ex-machina). Já devidamente instalado no Hotel Lido, vislumbra, num jantar, a bela figura de um jovem de cerca de 14 anos, Tadzio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O desenrolar da história mostra como Aschenbach lida com a absurda constatação de que ele, um homem maduro, está apaixonado por uma criança. De que modo a materialização de um conceito de beleza ideal, tão avidamente buscado pelo artista, altera o comportamento e as convicções desse mesmo artista?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para ser lido, relido, refletido e debatido. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*********************************************&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edição que li é da Nova Fronteira, de 2010, com tradução de Eloísa Ferreira Araújo Silva. Agora, aos trechos selecionados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
“Para que qualquer produto intelectual de peso possa surtir de imediato um efeito amplo e profundo , é preciso que haja uma afinidade secreta, uma coincidência entre o destino pessoal de seu autor e o destino anônimo de sua geração. As pessoas não sabem por que elas tornam famosa uma obra de arte. Sem o menor conhecimento de causa, julgam descobrir centenas de méritos para justificar tamanho apreço; mas o verdadeiro fundamento de seu aplauso é algo imponderável, a simpatia. Aschenbach já dissera uma vez, expressamente, embora numa passagem de pouco realce, que quase tudo que existe de grandioso existe como um ‘apesar de’, ou seja, algo que se realizou apesar de preocupações e tormentos, apesar da pobreza, do abandono, da fragilidade física, do vício, da paixão e mil outros obstáculos. E isso era mais que uma simples observação, era uma vivência, era justamente a fórmula de sua vida e do seu sucesso, a chave de sua obra. Sendo assim, seria de estranhar que fosse também a essência moral e a conduta de seus personagens mais característicos?” (MORTE EM VENEZA, pg. 19)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Quem não teria de combater um ligeiro arrepio, um secreto temor e aflição ao embarcar pela primeira vez, ou depois de muito tempo, numa gôndola veneziana? Esse estranho veículo, herança intacta de tempos medievais e tão singularmente negro como, dentre tudo que existe, só um ataúde pode ser, lembra aventuras criminosas e mudas na noite de águas rumorejantes, lembra ainda mais a própria morte, esquifes e sepulturas lúgubres e a derradeira viagem silenciosa” (MORTE EM VENEZA, pg, 33)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“’Vou ficar’, pensou Aschenbach. ‘Onde poderia estar melhor?’ E com as mãos cruzadas no colo deixou os olhos se perderem na vastidão do mar, deixou seu olhar resvalar, anuviar-se, fragmentar-se na monotonia unicolor da imensidão deserta. Amava o mar por razões profundas: pela necessidade de repouso do artista exausto que, assediado pela multiformidade das aparências, anseia por abrigar-se no seio  da simplicidade, da imensidão, e por um pendor proibido, diametralmente oposto à sua tarefa e por isso mesmo  tentador, para o indiviso, o desmedido, o eterno, para o nada. Repousar na perfeição é o anseio nostálgico daquele que se  esforça por alcançar a excelência;  e o nada não é uma forma de perfeição?” (MORTE EM VENEZA, pg.48)</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coretcaput.blogspot.com/feeds/2730886750356055865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/860633667237970490/2730886750356055865?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/2730886750356055865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/2730886750356055865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coretcaput.blogspot.com/2011/01/morte-em-veneza.html' title='MORTE EM VENEZA'/><author><name>Fernando Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04197072675654864460</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jBVLUKbxGmE/TAwU3ilLhsI/AAAAAAAAAFI/Srqh3WFb4ow/S220/perfil+fernando+ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgFIGydFjxUHUIRLu1AJ1VS6C7eM87inZQ9dzZeTvQ5VwO0Y-B0H8tNm1QJ3Y-HK7YkidgRlRY3IzgHh5SeYQUvkvs0PgHqy8NVyJ2YfrJjDrOasGYyuwRNUAsmghPHg_OfwKDdxIMtzzM3/s72-c/Frente-Morte-em-Veneza-CAPA_interna.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-860633667237970490.post-6678341606401894325</id><published>2011-01-07T11:52:00.000-08:00</published><updated>2011-01-07T11:57:42.529-08:00</updated><title type='text'>Dia do Leitor</title><content type='html'>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj7CmWekbOEtkNP3w-cxgYYMuDaA3aP3FwjHMWFr1q5aQL7NecaPcCAicbPRK9Rn4CQgE6gd-tTgXmOb1kfGYmFnmCgro-DOR4-HEvM5MqghwQr_bTFQYePSQqjSq6wCMfOJlNLGWeQ2FCJ/s1600/livros2.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 314px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj7CmWekbOEtkNP3w-cxgYYMuDaA3aP3FwjHMWFr1q5aQL7NecaPcCAicbPRK9Rn4CQgE6gd-tTgXmOb1kfGYmFnmCgro-DOR4-HEvM5MqghwQr_bTFQYePSQqjSq6wCMfOJlNLGWeQ2FCJ/s320/livros2.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5559535541627014274&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Hoje é dia do leitor!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só queria passar por aqui e deixar essa dedicatória a todos que, como eu, valorizam um bom livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O blog está parado mas em breve retorno com uma nova dica de leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços!</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coretcaput.blogspot.com/feeds/6678341606401894325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/860633667237970490/6678341606401894325?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/6678341606401894325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/6678341606401894325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coretcaput.blogspot.com/2011/01/dia-do-leitor.html' title='Dia do Leitor'/><author><name>Fernando Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04197072675654864460</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jBVLUKbxGmE/TAwU3ilLhsI/AAAAAAAAAFI/Srqh3WFb4ow/S220/perfil+fernando+ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj7CmWekbOEtkNP3w-cxgYYMuDaA3aP3FwjHMWFr1q5aQL7NecaPcCAicbPRK9Rn4CQgE6gd-tTgXmOb1kfGYmFnmCgro-DOR4-HEvM5MqghwQr_bTFQYePSQqjSq6wCMfOJlNLGWeQ2FCJ/s72-c/livros2.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-860633667237970490.post-1867053134595227621</id><published>2010-07-08T15:06:00.000-07:00</published><updated>2010-07-08T15:06:31.236-07:00</updated><title type='text'>Junte-se ao debate</title><content type='html'>&lt;object style=&quot;background-image:url(http://i4.ytimg.com/vi/3iowkqSllD0/hqdefault.jpg)&quot; 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href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRO0WhwaOstuT0jCR8izifTQZfj60rLV5lS6rPCi5-Xft_RtOig8NqIBvtsqiwpw3oZlE2NzQw95r_HFQjFW475kDFdxWpo8wnZMau6cdYTRv2VbUmWS2jnKtysLrA6JXHjhpAmclr4KA1/s1600/VELHOEOMAR001.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 210px; height: 320px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRO0WhwaOstuT0jCR8izifTQZfj60rLV5lS6rPCi5-Xft_RtOig8NqIBvtsqiwpw3oZlE2NzQw95r_HFQjFW475kDFdxWpo8wnZMau6cdYTRv2VbUmWS2jnKtysLrA6JXHjhpAmclr4KA1/s320/VELHOEOMAR001.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5479772484055619938&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-style:italic;&quot;&gt;“Tanto eu esperei para vencer&lt;br /&gt;E agora vejo que perder&lt;br /&gt;Nada mais é do que cansar”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes versos de &lt;span style=&quot;font-style:italic;&quot;&gt;Resolução&lt;/span&gt; (música de Edu Lobo e letra de Lula Freire) têm tudo a ver com a luta que lutamos n’&lt;span style=&quot;font-style:italic;&quot;&gt;O Velho e o Mar&lt;/span&gt;, de &lt;a href=&quot;http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u117.jhtm&quot;&gt;Ernest Hemingway&lt;/a&gt;. Falo de “nós” porque o texto realmente me arrastou para dentro do barco de Santiago, o velhinho em questão. Já era tarde da noite, os olhos pescando, mas pensava comigo: “se ele resiste a três dias batalhando com um peixe “dessa idade”, eu sou capaz de matar esse livro em mais uns minutos...” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prosa de Hemingway é direta e reta: não usa um vocabulário mais sofisticado do que se encontraria nas páginas de um jornal, não distorce a cronologia dos eventos... e isso contribui para que nos sintamos sempre tão próximos do velho Santiago, solidários a ele, tocados por sua resistência, persistência, amor ao jovem Manolin... Para ajudar, nesta edição da Bertrand Brasil (tradução de Fernando de Castro Ferro) há as lindas ilustrações de C.F. Tunnicliffe e Raymond Sheppard distribuídas ao longo de todo do volume. Alguns não gostam de ilustrações – alegam que limita a imaginação. Pode ser... mas em casos em que o que é narrado afasta-se tanto da minha experiência pessoal, acho ótimo poder contar com mais este estímulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não encontrei nesta primeira leitura uma passagem marcante... no sentido de que se destaque por si. Não: o livro é um todo que se desvela sem grandes arroubos. Sim, há o momento crucial do embate derradeiro com o peixe-espada, mas transcrevê-lo fora do contexto seria inapropriado e de grande mau gosto, de forma que não tenho como colocar um trecho aqui, como faço sempre. &lt;span style=&quot;font-style:italic;&quot;&gt;O Velho e o Mar&lt;/span&gt; é íntegro como seu protagonista. A falta de uma divisão por capítulos, de múltiplas narrativas e de personagens – aliás – me leva a pensar nele como um conto expandido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lição que ficou para mim desta história foi: não importa seu ponto de partida, nem onde você deseja ou pode chegar: para além disso, é o sentido que se dá ao trajeto de um ponto a outro que determina o seu grau de satisfação pessoal. É sempre uma questão de ser sincero no que se faz, e assim ser também sincero consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Há uns anos assisti no &lt;a href=&quot;http://www.animamundi.com.br/&quot;&gt;AnimaMundi&lt;/a&gt; uma animação maravilhosa baseada nesta história. Cada quadro era pintado a óleo (pode???!!!). &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=v1EbNvHDxbA&quot;&gt;Tá no YouTube&lt;/a&gt; para que quiser ver.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coretcaput.blogspot.com/feeds/9152413507352002493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/860633667237970490/9152413507352002493?isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/9152413507352002493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/9152413507352002493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coretcaput.blogspot.com/2010/06/o-velho-e-o-mar.html' title='O VELHO E O MAR'/><author><name>Fernando Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04197072675654864460</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jBVLUKbxGmE/TAwU3ilLhsI/AAAAAAAAAFI/Srqh3WFb4ow/S220/perfil+fernando+ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRO0WhwaOstuT0jCR8izifTQZfj60rLV5lS6rPCi5-Xft_RtOig8NqIBvtsqiwpw3oZlE2NzQw95r_HFQjFW475kDFdxWpo8wnZMau6cdYTRv2VbUmWS2jnKtysLrA6JXHjhpAmclr4KA1/s72-c/VELHOEOMAR001.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-860633667237970490.post-303016649719577223</id><published>2010-03-27T06:03:00.000-07:00</published><updated>2010-06-06T19:28:42.183-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Clarice Lispector"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Lóri"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Rocco"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ulisses"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres"/><title type='text'>UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgVmlbeuA_Dxd27EGbNYMivSRVa8gFtRBZC69QgZw_AF_w7GuI32t7OKtc_3lM1sKV-8QBrTWDArroIJgsUaNKqs-R5Nq4xFpaa4fknrvc5c9YHmFJWsPFmOVs5J7fDN1G05ehycpsX6S2l/s1600/clarice.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgVmlbeuA_Dxd27EGbNYMivSRVa8gFtRBZC69QgZw_AF_w7GuI32t7OKtc_3lM1sKV-8QBrTWDArroIJgsUaNKqs-R5Nq4xFpaa4fknrvc5c9YHmFJWsPFmOVs5J7fDN1G05ehycpsX6S2l/s320/clarice.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5453314315708212706&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era outubro de 2008 e eu acompanhava interessado uma exposição fotográfica na Pinacoteca do Estado, quando me deparei com uma citação decalcada na parede. Foi algo impactante e, pensei comigo: deve ter muito mais disso nesse livro de nome curioso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anos depois venho a ter a oportunidade de lê-lo por completo nesta reedição da obra de Clarice Lispector encampada pela Rocco. Uma aprendizagem é diferente dos outros livros da autora que já conhecia, Laços de Família e A Hora da Estrela. Mais contemplativo, talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A descrição de sentimentos é para poucos, e Clarice o sabe. Mais que isso: ao ler e falar de amor, ela sugere todo um vínculo com o leitor. Assim como no amor (o Bom Amor), o fundamental não é dito. O acesso a ele é uma decisão deliberada, consentida, despojada de medo – e por isso franca, meditativa. Ao contar esta história de amor, Clarice oferece a oportunidade de entrar em contato vivo com esse universo ficcional ancorado em nossas mais profundas questões. Ler suas 159 páginas foram de fato um grande aprendizado.&lt;br /&gt;=====================================================================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sentia que a vida lhe fugia de novo entre os dedos. Na sua humildade esquecia que ela mesma era fonte de vida e de criação.”&lt;br /&gt;(UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES, Pg. 83)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“- Nunca falei tanto, disse Lóri.&lt;br /&gt;- Comigo você falará a sua alma toda, mesmo em silêncio. Eu falarei um dia minha alma toda, e nós não nos esgotaremos porque a alma é infinita. E além disso temos dois corpos que nos será um prazer alegre, mudo, profundo.”&lt;br /&gt;(IDEM, Pgs. 91-92)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“(...) faço poesia não porque seja poeta mas para exercitar minha alma, é o exercício mais profundo do homem.”&lt;br /&gt;(IDEM, Pg. 93)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas já existem demais os que estão cansados. Minha alegria é áspera e eficaz, e não se compraz em si mesma, é revolucionária. Todas as pessoas poderiam ter essa alegria mas estão ocupadas demais em ser cordeiros de deuses.”&lt;br /&gt;(IDEM, Pg. 96)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Achava agora que a capacidade de sofrer era a medida de grandeza de uma pessoa e salvava a vida interior dessa pessoa.”&lt;br /&gt;(IDEM, Pg. 140)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Foi nesse estado sonho-vislumbre que ela sonhou vendo que a fruta do mundo era dela. Ou se não era, que acabara de tocá-la. Era uma fruta enorme, escarlate e pesada que ficava suspensa no espaço escuro, brilhando de uma quase luz de ouro. E que no ar mesmo ela encostava a boca na fruta e conseguia mordê-la, deixando-a no entanto inteira, tremeluzindo no espaço. Pois assim era com Ulisses: eles se haviam possuído além do que parecia ser possível e permitido, e no entanto ele e ela estavam inteiros. A fruta estava inteira, sim, embora dentro da boca sentisse como coisa viva a comida da terra. Era terra santa, porque era a única em que um ser humano podia ao amar dizer: eu sou tua e tu és meu, e nós é um.”&lt;br /&gt;(IDEM, Pg. 153)</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coretcaput.blogspot.com/feeds/303016649719577223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/860633667237970490/303016649719577223?isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/303016649719577223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/303016649719577223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coretcaput.blogspot.com/2010/03/uma-aprendizagem-ou-o-livro-dos.html' title='UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES'/><author><name>Fernando Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04197072675654864460</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jBVLUKbxGmE/TAwU3ilLhsI/AAAAAAAAAFI/Srqh3WFb4ow/S220/perfil+fernando+ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgVmlbeuA_Dxd27EGbNYMivSRVa8gFtRBZC69QgZw_AF_w7GuI32t7OKtc_3lM1sKV-8QBrTWDArroIJgsUaNKqs-R5Nq4xFpaa4fknrvc5c9YHmFJWsPFmOVs5J7fDN1G05ehycpsX6S2l/s72-c/clarice.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-860633667237970490.post-5698035917571028307</id><published>2010-01-05T10:21:00.000-08:00</published><updated>2010-01-05T10:29:36.244-08:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Coisa Boa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Górki"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Infância"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Rubens de Figueiredo"/><title type='text'>INFÂNCIA</title><content type='html'>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi64uJ55fCmnLGkcS7mPfUTzCUR7VSkRHgcT-2P6iNvh2A8UMMWjMJNcFuF9c5OE2f1YPVnnGEh55yyaGNlLm-IV8TW2aHmJRM9O8aCmMamOAOAjde01xz7oFgepPPmciPKSuL7hHYW_vI8/s1600-h/gorki-infancia-gde.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 296px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi64uJ55fCmnLGkcS7mPfUTzCUR7VSkRHgcT-2P6iNvh2A8UMMWjMJNcFuF9c5OE2f1YPVnnGEh55yyaGNlLm-IV8TW2aHmJRM9O8aCmMamOAOAjde01xz7oFgepPPmciPKSuL7hHYW_vI8/s320/gorki-infancia-gde.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5423324475077135810&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tinha lido Górki antes de encontrar Ganhando meu Pão em promoção numa livraria. Li o que havia na contracapa e curioso, levei-o comigo. Foi durante o Festival de Música Antiga de Juiz de Fora, ano passado. Gostei tanto da maneira como Górki descrevia as asperezas e epifanias de sua juventude que carregava o livro comigo para todo canto. Até que o perdi (provavelmente num banco de ônibus). Pacientemente, esperei até a Feira de Livros da USP em novembro para, então, comprar o box completo da Cosac Naify que reúne todos os três livros desta autobiografia: Infância, Ganhando meu Pão e Minhas Universidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste primeiro volume, Górki narra uma dureza que parecia ser norma entre os russos do século 19 e seus ancestrais; ele chega a dizer que a indiferença com que as pessoas lidam com a violência, a fome, e a pobreza são componentes da “alma russa”. Não sei se ele chegou a rever isso, mas o pouco que li de russos me passa mesmo essa idéia: almas que tinham que resistir ao rigor do frio, à escassez geral, enrijecendo os corações e aquecendo-se com vodka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro é repleto de citações populares, folclore e delineia exemplarmente o contexto de uma Rússia ainda muito rural e religiosa frente aos avanços da indústria e do racionalismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tradução, direto do russo, é de Rubens Figueiredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;================================================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se eu não encontrasse o inseto, a avó não conseguia dormir; eu senti como o corpo dela estremecia, entre pequenos sussurros, na escuridão morta da noite, e escutava como ela sussurrava, prendendo a respiração:&lt;br /&gt;- Ela está perto da soleira... Se enfiou embaixo da arca...&lt;br /&gt;- Porque tem medo de baratas?&lt;br /&gt;Ela respondia de forma lógica:&lt;br /&gt;- É que não entendo uma coisa: para que elas existem? Ficam rastejando para lá e para cá, pretas. O Senhor deu a cada corpo uma missão: um tatuzinho mostra que tem umidade na casa; um percevejo significa que as paredes estão sujas; um piolho ataca, quer dizer que alguém vai ficar doente, tudo dá para entender! Mas essas daí, quem sabe que força mora dentro delas, e para que são enviadas?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(INFÂNCIA, pg.83)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vem um desânimo; um desânimo diferente, quase insuportável; o peito se enche de chumbo líquido, quente, pesa por dentro, infla o peito, as costelas; tenho a impressão de que estou inchado feito uma bolha, e me sinto apertado no quartinho, sob o teto em forma de caixão.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(INFÂNCIA, pg. 115)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;- Escute – disse o Coisa Boa, quase num sussurro, e sorrindo. – Lembra que eu disse para você não vir no meu quarto?&lt;br /&gt;Fiz que sim com a cabeça.&lt;br /&gt;- Ficou magoado comigo, não foi?&lt;br /&gt;- Foi...&lt;br /&gt;- Mas eu não queria magoar você... E não foi assim? Não foi? Entendeu porque eu falei aquilo?&lt;br /&gt;Ele falava que nem um menino da minha idade; &lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Meu coração começou a doer de uma forma insuportável.&lt;br /&gt;- Porque nenhum deles gosta de você?&lt;br /&gt;Abraçou-me, apertou-me contra o seu corpo e respondeu, piscando os olhos:&lt;br /&gt;- Sou estranho, entende? É por isso. Não sou como eles...&lt;br /&gt;Sem saber o que dizer e incapaz de falar, eu o puxava pela manga.&lt;br /&gt;- Não fique zangado – repetiu e, com um sussurro no meu ouvido, acrescentou: - Também não é preciso chorar...&lt;br /&gt;E as lágrimas dele mesmo corriam, por baixo dos óculos embaçados.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Assim terminou a minha amizade com o primeiro de uma série interminável de estranhos em sua própria terra – as melhores pessoas que nela vivem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(INFÂNCIA, pg. 162-163)</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coretcaput.blogspot.com/feeds/5698035917571028307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/860633667237970490/5698035917571028307?isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/5698035917571028307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/5698035917571028307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coretcaput.blogspot.com/2010/01/infancia.html' title='INFÂNCIA'/><author><name>Fernando Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04197072675654864460</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jBVLUKbxGmE/TAwU3ilLhsI/AAAAAAAAAFI/Srqh3WFb4ow/S220/perfil+fernando+ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi64uJ55fCmnLGkcS7mPfUTzCUR7VSkRHgcT-2P6iNvh2A8UMMWjMJNcFuF9c5OE2f1YPVnnGEh55yyaGNlLm-IV8TW2aHmJRM9O8aCmMamOAOAjde01xz7oFgepPPmciPKSuL7hHYW_vI8/s72-c/gorki-infancia-gde.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-860633667237970490.post-3513554424628853271</id><published>2010-01-03T16:40:00.000-08:00</published><updated>2010-01-03T17:07:59.311-08:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="hermínio bello de carvalho"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="paulinho da viola"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="roberta sá"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="rodrigo campello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="valsa da solidão"/><title type='text'>MIB: Música Impopular Brasileira #1</title><content type='html'>“Porquê impopular?” é a primeira pergunta que vem à cabeça quando se lê o título com que batizei essa pequena intervenção musical que, em meio a tanta literatura, passo a inserir. É que sempre me incomodou o fato de certas músicas primorosas passarem despercebidas pelo público, mesmo dentro de um segmento mais antenado com a arte. Felizmente, a internet tem possibilitado cada vez mais o acesso a essa fortuna cultural negligenciada em duas frentes opostas: de um lado, pela ação de &lt;a href=&quot;http://sabadabada.com/&quot;&gt;sites que disponibilizam acervos de LPs não digitalizados&lt;/a&gt; (muitas vezes fruto de acervos pessoais) e, de outro, pela facilidade com que temos acesso à produção recente e que não encontra espaço na mídia convencional, tendo sua obra divulgada via canais de relacionamento como MySpace ou YouTube ou – mais raro – por iniciativas ousadas e originais, como esta da &lt;a href=&quot;http://albumvirtual.trama.uol.com.br&quot;&gt;Trama&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do mais, música e literatura são irmãs. Assim o sinto, e assim tem-se visto e registrado ao longo de séculos, dos trovadores ao Chico Buarque. Permitam assim, esta licença poética.&lt;br /&gt;======================================================================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight:bold;&quot;&gt;VALSA DA SOLIDÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgxJaC3CjvKxKFCfWdq9WUqW_C3BwUMpzNv-HsFrQxwSKDxGV9tTyOtTbrb22mNsGwLe3bt4DKV9e1sgJpfAaSpyJA0IrRKSkfM_GpNsE9W2wwWDtb-sm_GhrE8MdhupFX5Xt-2RB2Cgo5D/s1600-h/mao-2620.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgxJaC3CjvKxKFCfWdq9WUqW_C3BwUMpzNv-HsFrQxwSKDxGV9tTyOtTbrb22mNsGwLe3bt4DKV9e1sgJpfAaSpyJA0IrRKSkfM_GpNsE9W2wwWDtb-sm_GhrE8MdhupFX5Xt-2RB2Cgo5D/s200/mao-2620.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5422684888372195122&quot; /&gt;&lt;/a&gt;Sendo bem honesto: a única informação que encontrei na net a respeito dessa canção na net, eu já sabia. Ela é produto da parceria de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, dado que consta no encarte do &lt;a href=&quot;http://www.submarino.com.br/produto/2/294837&quot;&gt;primeiro álbum de Roberta Sá, Braseiro&lt;/a&gt;. Isso por si só já demonstra a “impopularidade” da música e sua legitimidade neste espaço. E que presença bem-vinda! Este maná chegou a nós pelo violão de Rodrigo Campello (que também cuidou do arranjo), pelo piano eletrônico de Marcos Nimrichter, pelo cello de Hugo Pilger e a voz indescritivelmente sedutora de Roberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do início ao fim, a valsa é sutileza: a vassoura varre o prato, abrindo caminho para o &lt;a href=&quot;http://mofojo.files.wordpress.com/2008/05/readytoplay.jpg&quot;&gt;Fender Rhodes&lt;/a&gt; que embala a voz de Roberta, em ornamentações sobre acordes de sétima e décima terceira.  Toda a trama de dúvidas e hesitações de que a letra nos fala é então amparada pela chegada de um decidido violoncelo. É como se o arranjador nos apresentasse aqui o personagem masculino, origem de todo o abandono de que ela é vítima. Sabe quando colocamos a mão sobre a água, o suficiente apenas para sentir a sua superfície? Ali, naquele limite, é onde se encontram esses sons que mexeram tanto comigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi a versão gravada por Elizeth Cardoso e não titubeio: sou mais essa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até a próxima e a todos o meu desejo de que 2010 seja repletos das melhores músicas e leituras.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coretcaput.blogspot.com/feeds/3513554424628853271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/860633667237970490/3513554424628853271?isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/3513554424628853271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/3513554424628853271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coretcaput.blogspot.com/2010/01/mib-musica-impopular-brasileira-1.html' title='MIB: Música Impopular Brasileira #1'/><author><name>Fernando Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04197072675654864460</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jBVLUKbxGmE/TAwU3ilLhsI/AAAAAAAAAFI/Srqh3WFb4ow/S220/perfil+fernando+ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgxJaC3CjvKxKFCfWdq9WUqW_C3BwUMpzNv-HsFrQxwSKDxGV9tTyOtTbrb22mNsGwLe3bt4DKV9e1sgJpfAaSpyJA0IrRKSkfM_GpNsE9W2wwWDtb-sm_GhrE8MdhupFX5Xt-2RB2Cgo5D/s72-c/mao-2620.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-860633667237970490.post-3120225756563068088</id><published>2009-10-26T11:53:00.000-07:00</published><updated>2009-10-26T12:26:47.921-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Dostoiévski"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="O idiota"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Paulo Bezerra"/><title type='text'>O IDIOTA</title><content type='html'>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://publifolha.folha.com.br/catalogo/images/cover-145434-600.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 417px; height: 600px;&quot; src=&quot;http://publifolha.folha.com.br/catalogo/images/cover-145434-600.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou relendo O Idiota. É sempre agradável o retorno a uma obra: a percepção de elementos que passaram batido numa primeira leitura, ou a releitura de um trecho marcante após nossa própria transformação pessoal provocam isso. E com Dostoiévski isso sempre acontece. Graças a um amigo, o Gilson, fui levado à imensidão da literatura russa, tão intensa, extensa e diversa quanto a própria Rússia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais me chama a atenção com relação a Dostoiévski é a sobriedade com que articula as palavras para descrever coisas, lugares e, especialmente, a alma humana. A edição que estou lendo é a da Ed.34, com tradução de Paulo Bezerra. Sem dúvida que Dostoiévski retornará no futuro ao Cor et Caput.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;=====================================================================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;O dono da capa com capuz era um jovem também de uns vinte e seis ou vinte e sete anos, estatura um pouco acima da mediana, muito louro, de cabelos bastos, faces cavadas e uma barbicga maciazinha, eriçadinha, quase inteiramente clara. Os olhos eram graúdos, azuis e perscrutadores; tinha no olhar algo de sereno mas pesado, algo cheio daquela expressão estranha pela qual alguns percebem epilepsia no indivíduo à primeira vista. por outro lado, o jovem tinha o rosto agradável, delicado e seco porém insípido, e agora chegando até a azul de frio. Balançava em suas mãos uma trouxinha de fular velho e desbotado, que, parece, era toda a sua bagagem. Calçava uns sapatos de sola grossa com polainas, tudo de feitio russo. O vizinho de cabelos negros e sobrecasaca forrada observou tudo isso, em parte por falta do que fazer, e por dim perguntou com aquele risinho indelicado no qual às vezes se manifesta com tanta semcerimônia e desdém a satisfação humana diante dos fracassos do próximo:&lt;br /&gt;   - Está frio?&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O IDIOTA, pg, 22)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot; - O senhor fez alguma coisa para deixá-lo zangado? - perguntou o príncipe, examinando com uma curiosidade especial o milionário de sobrecasaca. No entanto, mesmo que pudesse haver algo digno de nota no milhão propriamente dito e no recebimento da herança, mais uma outra coisa deixou o príncipe admirado e interessado; demais, por algum motivo o próprio Rogójin tomou o príncipe por seu interlocutor, embora, ao que parece, sua necesidade de interlocução fosse mais mecânica que moral; de um certo modo, mais por distração que por candura; por inquietação, por nervosismo, apenas com o fito de olhar para alguém e soltar a língua a respeito de alguma coisa. Parecia que ele continuava quente, pelo menos com febre. Quanto ao funcionário, este se pendurou em Rogójin, não se atrevia a suspirar, captava e pesava cada palavra como se procurasse um brilhante.&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O IDIOTA, Pg. 28)</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coretcaput.blogspot.com/feeds/3120225756563068088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/860633667237970490/3120225756563068088?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/3120225756563068088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/3120225756563068088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coretcaput.blogspot.com/2009/10/o-idiota.html' title='O IDIOTA'/><author><name>Fernando Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04197072675654864460</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jBVLUKbxGmE/TAwU3ilLhsI/AAAAAAAAAFI/Srqh3WFb4ow/S220/perfil+fernando+ribeiro.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-860633667237970490.post-6506924960452652283</id><published>2009-10-17T19:01:00.000-07:00</published><updated>2009-10-17T19:43:51.883-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Malte Laurids Brigge"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Rilke"/><title type='text'>OS CADERNOS DE MALTE LAURIDS BRIGGE</title><content type='html'>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://www.lpm-editores.com.br/v3/Imagens/os_cadernos_de_malte.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 320px;&quot; src=&quot;http://www.lpm-editores.com.br/v3/Imagens/os_cadernos_de_malte.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rilke pra mim representa ser verdadeiramente humano. É cultivar a doçura sem medo da aspereza do mundo; é contemplar a si com ciência e sem armas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, e muito mais do que isso, sinto uma satisfação enorme em trazer um texto seu ao Cor et Caput. Já não era sem hora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Cadernos Malte Laurids Brigge é o único romance que Rainer escreveu. É epistolar e autobiográfico, o que de um lado me remete ao Werther de Goethe e, por outro, ao Cartas a um Jovem Poeta, seu livro mais conhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No trecho abaixo, ele nos fala sobre o que acha ser preciso para escrever poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah: a edição que estou lendo é novíssima lançada pela L&amp;PM em sua série de bolso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;=====================================================================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Acho que deveria começar a fazer alguma coisa, agora que estou aprendendo a ver. Tenho 28 anos e não aconteceu praticamente nada. (...) Deveríamos esperar para escrever, e juntar senso e doçura por uma vida inteira, longa, se possível, e então, bem no fim, talvez pudéssemos escrever umas dez linhas que fossem boas. Pois versos não são, como pensam as pessoas, sentimentos (deles temos o bastante na juventude) - são experiências. Por causa de um único verso é preciso ver muitas cidades, pessoas e coisas, é preciso conhecer os animais, é preciso sentir como os pássaros voam e saber com que gestos as pequenas flores se abrem pela manhã. É preciso ser capaz de recordar caminhos em regiões desconhecidas, encontros inesperados e despedidas que vemos se aproximar por longo tempo - dias de infância, ainda inexplicados, os pais que tínhamos de magoar quando nos traziam um presente e não o entendíamos (era um presente para outro...), doenças de infância que começam tão estranhamente, com tantas metamorfoses profundas e difíceis, dias em quartos quietos e reservados, e manhãs junto ao mar, sobretudo o mar, os mares, as noites de viagem que passavam ruidosamente e voavam com todas as estrelas - e ainda não é o bastante se precisamos pensar em tudo isso. É preciso ter lembranças de muitas noites de amor, todas diferentes entre si, de gritos de mulheres dando à luz e de parturientes leves, brancas, a dormir, que se fecham. Mas também é preciso ter estado junto a moribundos, é preciso ter estado sentado junto a mortos no quarto com a janela aberta e os ruídos intermitentes. Mas ainda não basta ter recordações. É preciso ser capaz de esquecê-las quando são muitas, e é preciso ter a grande paciência de esperar que retornem. Pois elas ainda não são as recordações mesmas. Apenas quando elas se tornam sangue em nós, olhar e gesto, anônimas e indistinguíveis de nós mesmos, só então poderá acontecer que numa hora muito rara se levante e saia do meio delas a primeira palavra de um verso.&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(OS CADERNOS DE MALTE LAURIDS BRIGGE, Pgs. 19 e 20)</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coretcaput.blogspot.com/feeds/6506924960452652283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/860633667237970490/6506924960452652283?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/6506924960452652283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/6506924960452652283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coretcaput.blogspot.com/2009/10/os-cadernos-de-malte-laurids-brigge.html' title='OS CADERNOS DE MALTE LAURIDS BRIGGE'/><author><name>Fernando Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04197072675654864460</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jBVLUKbxGmE/TAwU3ilLhsI/AAAAAAAAAFI/Srqh3WFb4ow/S220/perfil+fernando+ribeiro.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-860633667237970490.post-7566631520348448100</id><published>2009-10-06T22:10:00.001-07:00</published><updated>2009-10-07T09:44:06.444-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sobre a brevidade da vida"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sêneca"/><title type='text'>SOBRE A BREVIDADE DA VIDA</title><content type='html'>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://i.s8.com.br/images/books/cover/img1/134671_4.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 660px;&quot; src=&quot;http://i.s8.com.br/images/books/cover/img1/134671_4.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trago à baila um clássico de Sêneca. Sem dúvida este é um daqueles livros que ilustram à perfeição o dito que relaciona pequenos frascos aos melhores perfumes. É possível que sua leitura seja ligeira, mas seus ensinamentos nos confrontam diariamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;=======================================================================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Nenhum homem sábio deixará de se espantar com a cegueira do espírito humano. Ninguém permite que sua propriedade seja invadida e, havendo discórdia quanto aos limites, por menor que seja, os homens pegam em pedras e armas. No entanto, permitem que outros invadam suas vidas de tal modo que eles próprios conduzem seus invasores a isso. Não se encontra ninguém que queira dividir sua riqueza, mas a vida é distribuída entre muitos! São econômicos na preservação de seu patrimônio, mas desperdiçam o tempo, a única coisa que justificaria a avareza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IX&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Do mesmo modo que uma conversa, uma leitura ou qualquer reflexão maior desvia a atenção do viajante, que, de repente, se vê chegando ao seu destino sem perceber que dele se aproximava, assim é o caminho da vida, incessante e muito rápido, que, dormindo ou acordados, fazemos com um mesmo passo e que, aos ocupados, não é evidente, exceto quando chegam ao fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;X&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. A vida se divide em três períodos: aquilo que foi, o que é e o que será. O que fazemos é breve, o que faremos, dúbio, o que fizemos, certo.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coretcaput.blogspot.com/feeds/7566631520348448100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/860633667237970490/7566631520348448100?isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/7566631520348448100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/7566631520348448100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coretcaput.blogspot.com/2009/10/sobre-brevidade-da-vida.html' title='SOBRE A BREVIDADE DA VIDA'/><author><name>Fernando Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04197072675654864460</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jBVLUKbxGmE/TAwU3ilLhsI/AAAAAAAAAFI/Srqh3WFb4ow/S220/perfil+fernando+ribeiro.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-860633667237970490.post-5790710010565542998</id><published>2009-09-28T20:28:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T20:44:01.508-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sem Plumas"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Separação da Alma"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Woody Allen"/><title type='text'>SEM PLUMAS</title><content type='html'>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiEo5WXKnKX2Ek-ZFLMj5E1SJhZrKl87Bf-J0cJVYHExDQgkqH0W_2C24bLNTpIhJYqIiVpiay4xPUSaGiWBfUCs6ZXwIvIGcKaCu5f5_ixEa2QXbjwtOLTRbkzl3xhgAk519Vql_KL01vp/s1600-h/allen020.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 193px; height: 320px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiEo5WXKnKX2Ek-ZFLMj5E1SJhZrKl87Bf-J0cJVYHExDQgkqH0W_2C24bLNTpIhJYqIiVpiay4xPUSaGiWBfUCs6ZXwIvIGcKaCu5f5_ixEa2QXbjwtOLTRbkzl3xhgAk519Vql_KL01vp/s320/allen020.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5386729103881925746&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O post de hoje é de humor: humor bem sui-generis, é verdade. Extraí do livro Sem Plumas, de Woody Allen os trechos do capítulo Examinando Fenômenos Psíquicos. O tom predominante é o non-sense, como também percebi lendo Cuca Fundida e assistindo o filme Zelig, de 1983. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu racho o bico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;====================================================================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Separação da Alma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sr. Albert Sykes narra a seguinte experiência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&#39;Eu estava comendo biscoitos com alguns amigos quando percebi que minha alma saiu de meu corpo e foi dar um telefonema. Por alguma razão a chamada era para uma companhia de fibras de vidro. Minha alma então retornou ao corpo e ficou quieta por uns vinte minutos, esperando que ninguém fizesse perguntas indiscretas.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Este fenômeno me aconteceu várias vezes desde então. Certa vez, minha alma foi a Miami passar um fim de semana. De outra feita, chegou a ser presa quando foi apanhada roubando uma gravata no Macy’s. Na quarta vez, foi o meu corpo que abandonou minha alma, embora tenha se limitado a ir a um salão de massagem e voltar correndo.&#39;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;O fenômeno é parecido com o da transubstanciação, um processo pelo qual uma pessoa subitamente se desmaterializa e se rematerializa em outra parte do mundo. Não é das piores maneiras de viajar, embora se tenha de esperar cerca de meia hora pela bagagem. O caso mais impressionante de transubstanciação foi o de Sir Arthur Nurney, que desapareceu enquanto tomava banho e apareceu repentinamente no naipe de cordas da Orquestra Sinfônica de Viena. Permaneceu durante 27 anos como primeiro-violino da orquestra, embora soubesse tocar apenas &lt;span style=&quot;font-style:italic;&quot;&gt;Eu Fui no Itororó&lt;/span&gt;, e desapareceu certo dia durante uma tocata de Mozart, reaparecendo na cama ao lado de Winston Churchill.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(SEM PLUMAS, pg. 16-17)</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coretcaput.blogspot.com/feeds/5790710010565542998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/860633667237970490/5790710010565542998?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/5790710010565542998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/5790710010565542998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coretcaput.blogspot.com/2009/09/sem-plumas.html' title='SEM PLUMAS'/><author><name>Fernando Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04197072675654864460</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jBVLUKbxGmE/TAwU3ilLhsI/AAAAAAAAAFI/Srqh3WFb4ow/S220/perfil+fernando+ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiEo5WXKnKX2Ek-ZFLMj5E1SJhZrKl87Bf-J0cJVYHExDQgkqH0W_2C24bLNTpIhJYqIiVpiay4xPUSaGiWBfUCs6ZXwIvIGcKaCu5f5_ixEa2QXbjwtOLTRbkzl3xhgAk519Vql_KL01vp/s72-c/allen020.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-860633667237970490.post-4832746434738626920</id><published>2009-09-23T08:10:00.000-07:00</published><updated>2009-09-23T08:36:04.346-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="A Música da Natureza"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Rubem Alves"/><title type='text'>A Música da Natureza</title><content type='html'>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEieoHbmszcT98NcHOM25io0q-K0Qa4pCuZIhfBPtkkSZKONGPnJIBX4fdC1It3qwkdJSIbI5tBr_5p7X6Zi6igBX-Wo4d-cn6-EIibGYn5ko2i3x6jZ68bW_lUCnzQcJ4xK3aALF9MY3HKW/s1600-h/rubemalves001.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 218px; height: 320px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEieoHbmszcT98NcHOM25io0q-K0Qa4pCuZIhfBPtkkSZKONGPnJIBX4fdC1It3qwkdJSIbI5tBr_5p7X6Zi6igBX-Wo4d-cn6-EIibGYn5ko2i3x6jZ68bW_lUCnzQcJ4xK3aALF9MY3HKW/s320/rubemalves001.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5384686031434032258&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem entramos na primavera. Sim, timidamente, é verdade: o tempo em São Paulo não convida a devaneios românticos, com direito a piquenique e passeios de charrete. Mas não deixemo-nos contaminar pelo clima feio e chuvoso. Rubem Alves diz assim, em A MÚSICA DA NATUREZA: &quot;No meio do inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, é justamente deste livro que retiro o excerto de hoje. Considerei justa homenagem à primavera citar um livro que relaciona de forma tão lírica e cálida as coisas simples da natureza às questões complicadas dos homens. Rubem Alves é um pedagogo campinense cuja admiração, longa e terna, tenho nutrido já há muito tempo. É um grande prazer levá-lo a vocês aqui no Cor et Caput.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===================================================================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;As árvores sabem que a única razão da vida é viver. Vivem para viver. Viver é bom. Raízes mergulhadas na terra, não fazem planos de viagem. Estão felizes onde estão. Enfrentam seca e chuva, noite e dia, chuva e calor, com silenciosa tranquilidade, sem acusar, sem lamentar. E morrem também tranquilas, sem medo. Ah! Como as pessoas seriam mais belas e felizes se fossem como as árvores. É possível que os estóicos e Espinosa tenham se tornado filósofos tomando lições com as árvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando para as árvores, tive por um momento a idéia de que Deus é uma árvore a cuja sombra nós, crianças, brincamos e descansamos. Pura generosidade sem memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que o verdadeiro, sobre São Francisco, não é que ele tenha pregado aos peixes e aos pássaros. A verdade é que ele ouviu o sermão das árvores. Por isso ficou tão manso, tão tranquilo. Ele tinha a beleza das árvores. Estava reconciliado com a vida. Então os pássaros fizeram ninhos nos seus galhos e os peixes comeram dos seus frutos que caíam na água...&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A MÚSICA DA NATUREZA, Pg. 64)</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coretcaput.blogspot.com/feeds/4832746434738626920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/860633667237970490/4832746434738626920?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/4832746434738626920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/4832746434738626920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coretcaput.blogspot.com/2009/09/musica-da-natureza.html' title='A Música da Natureza'/><author><name>Fernando Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04197072675654864460</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jBVLUKbxGmE/TAwU3ilLhsI/AAAAAAAAAFI/Srqh3WFb4ow/S220/perfil+fernando+ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEieoHbmszcT98NcHOM25io0q-K0Qa4pCuZIhfBPtkkSZKONGPnJIBX4fdC1It3qwkdJSIbI5tBr_5p7X6Zi6igBX-Wo4d-cn6-EIibGYn5ko2i3x6jZ68bW_lUCnzQcJ4xK3aALF9MY3HKW/s72-c/rubemalves001.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-860633667237970490.post-5908132581134712302</id><published>2009-09-22T09:55:00.000-07:00</published><updated>2009-09-22T09:58:19.665-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Hannah Arendt"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Homens em Tempos Sombrios"/><title type='text'>Homens em Tempos Sombrios</title><content type='html'>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjWXBreipLnmckfsu_c_HVXEe3_ozl6j_b5kDayZCg7Qe1heB5xxs9J0jP96keuidYcSMbakh234PVWdvVdsuC7eJnLw3hrJlTHrmtTggdUTujQPnXiZ_Gjs_CxcMfJVl87nu_nukR5nhDX/s1600-h/arendt005.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 224px; height: 320px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjWXBreipLnmckfsu_c_HVXEe3_ozl6j_b5kDayZCg7Qe1heB5xxs9J0jP96keuidYcSMbakh234PVWdvVdsuC7eJnLw3hrJlTHrmtTggdUTujQPnXiZ_Gjs_CxcMfJVl87nu_nukR5nhDX/s320/arendt005.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5384336623240643170&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto escrevo, está em marcha o julgamento do ex-deputado Hildebrando Pascoal, acusado de torturar e assassinar o mecânico Agilson Santos Firmino em 3 de julho de 1996. A O que chamou a atenção da opinião pública da época (e ainda hoje) foi seu modus operandi: retalhou o homem usando uma motoserra. &lt;br /&gt;De lá para cá, o noticiário não cessou de evidenciar o quanto o ser humano tem se superado em ampliar e aperfeiçoar o que de pior existe em cada um de nós, seja no âmbito privado (caso Richthofen, 2002) ou público (Guantánamo). Foi por casos assim, além de experiências pessoais, que me deti em frente à estante da livraria quando vi o título deste livro: Homens em Tempos Sombrios. A obra é da alemã Hannah Arendt. A edição da qual o trecho abaixo foi extraído é a publicada pela Companhia das Letras, série de bolso, que conta com um posfácio enriquecedor de Celso Lafer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;====================================================================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas o mundo e as pessoas que nele habitam não são a mesma coisa. O mundo está entre as pessoas, e esse espaço intermediário – muito mais do que os homens, ou mesmo o homem (como geralmente se pensa) – é hoje o objeto de maior interesse e revolta de mais evidência em quase todos os países do planeta. Mesmo onde o mundo está, ou é mantido, mais ou menos em ordem, o âmbito público perdeu o poder iluminador que originalmente fazia parte de sua natureza. Um número cada vez maior de pessoas nos países do mundo ocidental, o qual encarou desde o declínio do mundo antigo a liberdade em relação à política como uma das liberdades básicas, utiliza tal liberdade e se retira do mundo e de suas obrigações junto a ele. Essa retirada do mundo não prejudica necessariamente o indivíduo; ele pode inclusive cultivar grandes talentos ao ponto da genialidade e assim, através de um rodeio, ser novamente útil ao mundo. Mas, a cada uma dessas retiradas, ocorre uma perda quase demonstrável para o mundo; o que se perde é o espaço intermediário específico e geralmente insubstituível que teria se formado entre esse indivíduo e seus companheiros homens.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(HOMENS EM TEMPOS SOMBRIOS, Pg.11)</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coretcaput.blogspot.com/feeds/5908132581134712302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/860633667237970490/5908132581134712302?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/5908132581134712302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/5908132581134712302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coretcaput.blogspot.com/2009/09/homens-em-tempos-sombrios.html' title='Homens em Tempos Sombrios'/><author><name>Fernando Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04197072675654864460</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jBVLUKbxGmE/TAwU3ilLhsI/AAAAAAAAAFI/Srqh3WFb4ow/S220/perfil+fernando+ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjWXBreipLnmckfsu_c_HVXEe3_ozl6j_b5kDayZCg7Qe1heB5xxs9J0jP96keuidYcSMbakh234PVWdvVdsuC7eJnLw3hrJlTHrmtTggdUTujQPnXiZ_Gjs_CxcMfJVl87nu_nukR5nhDX/s72-c/arendt005.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-860633667237970490.post-6774473698669676151</id><published>2009-09-21T13:16:00.000-07:00</published><updated>2009-09-21T13:21:31.126-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="jazz"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="tony morrison"/><title type='text'>Mais três passagens de JAZZ</title><content type='html'>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHjyNNFnMmAz_tnEGYmr8DENAlO2c5qQr6g5pG7Bt87DW_ZJAgttWBpdAwhlnTxl9KrbFewUPLsuRdsdG-N8ZR1qswrNO8xTWLGVGjawE8u6KeqsnMsWhMenOnwNDzFgTVoEQpPWrOUHWl/s1600-h/jazz001.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 222px; height: 320px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHjyNNFnMmAz_tnEGYmr8DENAlO2c5qQr6g5pG7Bt87DW_ZJAgttWBpdAwhlnTxl9KrbFewUPLsuRdsdG-N8ZR1qswrNO8xTWLGVGjawE8u6KeqsnMsWhMenOnwNDzFgTVoEQpPWrOUHWl/s320/jazz001.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5384018428339658306&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Nós nascemos mais ou menos na mesma época, você e eu&quot;, disse Violet. &quot;Nós mulheres, você e eu. Me diga uma coisa de verdade. Não me diga só que eu sou adulta e devia saber. Não sei. Tenho cinqüenta anos e não sei nada. E então? Fico com ele? Eu quero, acho. Eu quero... bom, nem sempre... agora eu quero. Quero uma vida mais gorda.”&lt;br /&gt;“Acorde. Gorda ou magra, você só tem uma. Esta.”&lt;br /&gt;“Você também não sabe, não é?”&lt;br /&gt;“Sei o bastante para saber como me comportar.”&lt;br /&gt;“É isso? É só isso?”&lt;br /&gt;“É só isso o quê?”&lt;br /&gt;“Ah, deixe. Cadê as adultas? Somos nós?”&lt;br /&gt;“Ah, mamãe”, Alice Manfred deixou escapar e cobriu a boca com a mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(JAZZ, pg 112)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;====================================================================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;O caçador dos caçadores, isso é o que ele era. Espero o quanto dá pra ser. Me ensinou duas lições que me guiaram a vida inteira. Uma era o segredo da gentileza com os brancos – eles tinham que sentir pena de alguma coisa para gostar dela. A outra – bom, esqueci.&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(JAZZ, pg 124)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;=====================================================================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;A mãe, porém, deu o toque final: as sobrancelhas perfeitamente imóveis, mas o olhar que lançou a Vera Louise quando a moça se levantou com esforço do chão era tão cheio de repulsa que a filha conseguia sentir o gosto da saliva amarga que se acumulava debaixo da língua da mãe, enchendo a parte interna das faces. Só a boa educação, a cuidadosa educação a impediram de cuspir. Nenhuma palavra, nesse minuto nem nunca mais, foi trocada entre elas. E a caixa de lingerie cheia de dinheiro que estava em cima do travesseiro de Vera na quarta-feira seguinte era, em sua generosidade, pesada de desprezo. Mais dinheiro do que qualquer um no mundo precisaria para passar sete meses ou quase longe de casa. Tanto dinheiro que o recado era inquestionável: morra ou viva se quiser, mas em outro lugar.&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(JAZZ, pg 137)</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coretcaput.blogspot.com/feeds/6774473698669676151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/860633667237970490/6774473698669676151?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/6774473698669676151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/6774473698669676151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coretcaput.blogspot.com/2009/09/mais-tres-passagens-de-jazz.html' title='Mais três passagens de JAZZ'/><author><name>Fernando Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04197072675654864460</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jBVLUKbxGmE/TAwU3ilLhsI/AAAAAAAAAFI/Srqh3WFb4ow/S220/perfil+fernando+ribeiro.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHjyNNFnMmAz_tnEGYmr8DENAlO2c5qQr6g5pG7Bt87DW_ZJAgttWBpdAwhlnTxl9KrbFewUPLsuRdsdG-N8ZR1qswrNO8xTWLGVGjawE8u6KeqsnMsWhMenOnwNDzFgTVoEQpPWrOUHWl/s72-c/jazz001.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-860633667237970490.post-8005309343679228107</id><published>2009-09-21T08:41:00.000-07:00</published><updated>2009-09-21T13:23:10.860-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="jazz"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mr.Trace"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="tony morrison"/><title type='text'>JAZZ, de Toni Morrison</title><content type='html'>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://galeria.brfoto.com.br/data/518/20050123_-_Olhares_-_Helo.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 700px; height: 495px;&quot; src=&quot;http://galeria.brfoto.com.br/data/518/20050123_-_Olhares_-_Helo.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um amigo leu que para um certo escritor russo, o mais importante num texto é o que não está escrito nele. Recebi isto como uma revelação. De fato, a maior parte dos textos que capturam minha emoção tem algo de especial. O conteúdo pode até tratar de algo corriqueiro, como o modo de uma pessoa olhar outra, mas como se conta esta história faz toda a diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trecho que transcrevo abaixo é de JAZZ, romance de Toni Morrison. Foi editado este ano pela Companhia de Letras em sua série pocket.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desfrutem o que está além do olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;=================================================================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Mas os olhos dele não são frios como os do meu pai. Mr. Trace olha para você. Tem olhos de duas cores. Um diferente do outro. Um triste que deixa você olhar dentro dele e um claro que olha dentro de você. Gosto quando ele olha para mim. Me sinto, não sei, interessante. Ele olha para mim e eu me sinto profunda - como se as coisas que eu sinto e penso fossem importantes, diferentes e... interessantes.&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(JAZZ, pg 190-191)</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coretcaput.blogspot.com/feeds/8005309343679228107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/860633667237970490/8005309343679228107?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/8005309343679228107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/860633667237970490/posts/default/8005309343679228107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coretcaput.blogspot.com/2009/09/um-amigo-leu-que-para-um-certo-escritor.html' title='JAZZ, de Toni Morrison'/><author><name>Fernando Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04197072675654864460</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jBVLUKbxGmE/TAwU3ilLhsI/AAAAAAAAAFI/Srqh3WFb4ow/S220/perfil+fernando+ribeiro.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>