<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2988920392543685904</id><updated>2024-10-18T01:35:01.532-03:00</updated><category term="crônicas do cotidiano"/><category term="histórias da periferia"/><category term="texto"/><category term="casos reais"/><category term="contos jovens"/><category term="crônicas"/><category term="histórias"/><category term="periferia"/><category term="acrobacias"/><category term="adolescência"/><category term="argolas"/><category term="casos"/><category term="casos de igreja"/><category term="chihuahua"/><category term="chihuahua dançarino"/><category term="contos para jovens"/><category term="corrupção"/><category term="dançarino"/><category term="estórias"/><category term="festa junina"/><category term="hipocrisia"/><category term="história de bar"/><category term="histórias infantis"/><category term="histórias juvenis"/><category term="horto"/><category term="pegadinha"/><category term="pet video"/><category term="quermesse"/><category term="religião"/><category term="videos"/><title type='text'>Crônicas da Periferia</title><subtitle type='html'>A Periferia de São Paulo, fatos do cotidiano, contos, poemas, histórias com &quot;H&quot; e estórias com &quot;E&quot; mesmo...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2988920392543685904/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Wilson Guttler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07759874615078902271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>6</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2988920392543685904.post-4775824932059586970</id><published>2013-05-06T14:25:00.001-03:00</published><updated>2013-05-11T21:22:19.651-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="casos reais"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="contos jovens"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="crônicas do cotidiano"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="história de bar"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="periferia"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="texto"/><title type='text'>História de Bar</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjKACVjhgnQBLtiUDxWP-LBlo-fscsYVdZ8Rbp57yzLj_6FM2RxV__55eTpnwMkXR01ypfe828QGjEMoHrvYeBKxkDXrRokSH8PiFAhbzxerlj2ZHbONFrnTNmA8unThoCS_nGR7NcxG5Kw/s1600/socarte.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;176&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjKACVjhgnQBLtiUDxWP-LBlo-fscsYVdZ8Rbp57yzLj_6FM2RxV__55eTpnwMkXR01ypfe828QGjEMoHrvYeBKxkDXrRokSH8PiFAhbzxerlj2ZHbONFrnTNmA8unThoCS_nGR7NcxG5Kw/s320/socarte.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O bar do seu Alcides era como um clube, seus frequentadores deveriam possuir carteirinha de sócio, tamanha a fidelidade da clientela. Eu com um de seus &quot;sócios&quot;, presenciei várias histórias ocorridas lá, esta é uma delas...&lt;br /&gt;
Gasparzinho trabalhava como pedreiro em uma obra ali pertinho, trazido e apresentado ao bar pelo seu patrão, o seu Nestor, morador do bairro, mestre de obras e &amp;nbsp;cliente diário do seu Alcides, já Gaspar, um sujeito baixinho e com cara de &quot;invocado&quot;, só aparecia aos sábados, dia de sua folga e dia de &quot;encher a cara&quot; antes de ir para sua casa (ele passava a semana toda na obra, só indo para casa no sábado à tarde). Tinha este apelido porque era baixinho e careca, apesar de ter em torno de trinta e cinco anos, parecia um menino gordinho e rechonchudo! Era um bom jogador de bilhar, mas só enquanto estava sóbrio, o que durava mais ou menos uma meia hora, até que ele ingerisse umas três doses de cachaça. Era muito simpático a despeito da sua aparente cara de invocado, fazia amizade facilmente. Dizia à todos que era um mestre na capoeira, mas só usava suas habilidades em último caso pois tinha muita humildade e respeito pelas &quot;pobres pessoas indefesas&quot; (como tratava os demais). Se acostumou a chamar todo mundo que conhecia e queria bem de &quot;doido&quot;, via um amigo que passava de carro ou moto e gritava:&lt;br /&gt;
- E aeeee Doidoooo! Se seu telefone tocava, ele atendia assim, alegremente:&lt;br /&gt;
- Fala doidoooo! Num destes&amp;nbsp;sábados,&amp;nbsp;após ter bebido além das três doses que o deixavam&amp;nbsp;alterado, fora do seu comportamento normal, Gasparzinho, com seu celular pré-pago sem créditos resolve ligar para um amigo do orelhão que ficava um pouco acima na mesma rua do bar, interrompendo o jogo (estava jogando bilhar), neste exato momento, entra no bar um rapaz chamado André, com mais ou menos vinte anos de idade, filho de seu Jesus, um empresário e morador bem respeitado no bairro. &amp;nbsp;André vive a base de remédios para controle de neuroses que trata desde sua entrada na adolescência, e ficou conhecido como uma pessoa alienada e solitária, principalmente pela cara de mau que sempre mostra em público. Nunca saia de casa, exceto quando ia ao bar comprar um único cigarro e curiosamente uma paçoquinha...&lt;br /&gt;
Neste dia de sábado havia um bom movimento no bar: Seu Edgar, aposentado da Eletropaulo, &amp;nbsp;Jorginho, o futuro genro do Seu Alcides, um rapaz valentão e forte que sempre dizia que não levava desaforos para casa, eu é claro e mais um punhado de pessoas que que assistiam o bilhar, enquanto bebericavam. Gasparzinho jogava bilhar contra mim, e quando ele parou para ir até o orelhão eu fui ao balcão para saborear minha cerveja. &amp;nbsp;André termina sua paçoquinha e sobe a rua fumando seu cigarro, não demora nem um minuto e o Gasparzinho entra no bar com a mão na boca como se estivesse segurando os dentes... Havia levado um soco direto na boca desferido pelo André (que todos chamavam pelas suas costas de &quot;Mocorongo&quot;). Acontece que o Gaspar, como eu já havia dito gostava de chamar todo mundo de doido e quando o André passou por ele subindo a rua, estava cumprimentando seu amigo ao telefone assim:&lt;br /&gt;
- Fala aee, seu doidooo! O André pensando que era com ele foi tirar satisfações:&lt;br /&gt;
- Me chamou de que? E o Gasparzinho ao telefone:&lt;br /&gt;
- Peraí doido, tem um maluco aqui enchendo o saco, depois eu te ligo.&lt;br /&gt;
- Maluco?! Seu Filho da Puta! Retruca o André e póów na cara do pobre Gasparzinho, que depois disso não conseguia falar mais nada voltando rápido ao bar, branco como cera, sem sequer conseguir balbuciar o que havia acontecido. O André reaparece logo depois, gritando para o Gasparzinho:&lt;br /&gt;
- Repete! Repete, se você tem coragem! Nisto o Jorginho fingindo receber uma ligação, sai do bar indo para a casa da sua noiva e o seu Edgar indignado diz para o André:&lt;br /&gt;
- Menino, que cô cê pensa que tá fazeno?! Quero vê ocê faze argum már pr´este rapaz na minha frente, prô ce vê! Após o que o André emendou um tremendo pontapé na bunda do Gasparzinho, desta vez com todos os fregueses do bar como testemunhas, que cai no chão, estatelado. Quando ele se &amp;nbsp;levanta, amparado por mim, eu percebo que não haverá reação, pois apesar do que dizia: &quot;sou mestre de capoeira&quot;, o Gasparzinho ficou&amp;nbsp;paralisado&amp;nbsp;pelo medo... Eu escondo o Gaspar atrás de mim e grito para o Mocorongo:&lt;br /&gt;
- Meu Acorda! Ele chama todo mundo de doido, e você pensou que ele tava falando com você, mas ele não tava, só tava falando com alguém no telefone!! O Gaspar, balançando a cabeça retruca,&amp;nbsp;sussurrando:&lt;br /&gt;
- Isso,isso... Foi assim mesmo... Quando o André Mocorongo passa sua atenção para mim e começa a me encarar ameaçadoramente, seu pai e sua mãe chegam afobados, avisados pelo seu Alcides, que ligou para eles. O sangue nas roupas do Gaspar e no chão do bar, fazem com que os pais fiquem muito emocionados e seu Jesus pede satisfações ao filho:&lt;br /&gt;
- O que foi desta vez! Que é que você aprontou André?? E a mãe continua:&lt;br /&gt;
- Que desgosto! Meu filho, por que isto! Quanta vergonha! E olhando para os demais:&lt;br /&gt;
- Este menino tem causado muitas dores em nossa casa, eu rezo muito prá que ele se endireite... Levamos no médico e nada! Só Deus mesmo... Não se contendo mais, começa a chorar. O André, acabrunhado pela presença dos pais, e querendo justificar seus atos me envolve na sua defesa:&lt;br /&gt;
- Fala ai pra eles! Ele me&amp;nbsp;xingou, não foi?&amp;nbsp;Xingou ou não xingou? Diz ai! E Eu:&lt;br /&gt;
- Não xingou não, você que imaginou tudo isso! Ao ser contrariado, o rapaz fungava alto e me encarava. Mas seu pai, já impaciente, determina:&lt;br /&gt;
- Não xingou não! Você que vive vendo fantasmas, já pra casa agora! Ele então abaixa a cabeça e choraminga:&lt;br /&gt;
- Ninguém acredita no que eu falo... Sua mãe pega o André pelo braço e leva-o embora. Enquanto seu Jesus fica para tentar resolver a situação:&lt;br /&gt;
- Moço pode deixar que eu vou leva-lo ao dentista e pagar todos os custos que você tiver com os remédios! Nesta hora eu intervi:&lt;br /&gt;
- É Gasparzinho cê precisa ir com o seu Jesus agora, seu caso é de&amp;nbsp;reimplante,&amp;nbsp;quanto mais tempo demorar pior é! Sem muitas delongas ele entra no fusquinha do Seu Jesus, que o leva ao dentista, pois seus dentes estavam moles e sangrando...&lt;br /&gt;
Pego minha cerveja e me sento na mesa de sinuca, tentando relaxar novamente e aproveitar o sabadão de sol. É quando reaparece o Jorginho, que ouve a narração dos fatos recentes pelo pessoal que retorna para dentro do bar, após Gasparzinho e seu Jesus terem saído. O Jorginho estufa o peito e olhando pra mim diz:&lt;br /&gt;
- Cara cê eu to aqui esse mocorongo ia vê! Ele sabe com quem mexe! Comigo não! Neurótico ou não eu não dô boi pra xarope! Nisso eu avisto o André descendo a rua de novo, o Jorginho acompanhando meu olhar diz:&lt;br /&gt;
- Hiiiii caramba... Lá vem o doido de novo! Eu me conheço e sei que não vai prestar eu ficar aqui. Fala e vai descendo a rua indo para sua casa mais abaixo, já que a casa da sua noiva ficava para o lado de cima, onde ele cruzaria com o André... Os &quot;sapos&quot; esvaziam novamente o bar, ficando Eu, Seu Edgar e Seu Alcides. O André chega, olha fixo nos meus olhos e entra, pede um cigarro e uma paçoquinha, paga e sobe a rua comendo seu doce. Seus Alcides olha pra mim e diz:&lt;br /&gt;
- Já pensou se o André te ataca? E você fica ai, calmo e sossegado... E eu após terminar minha cerveja replico:&lt;br /&gt;
- Bem, se ele me ataca o seu Jesus teria gastos muito maiores com o dentista... E emendo:&lt;br /&gt;
- Manda mais uma cervejinha, bem gelada!</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/feeds/4775824932059586970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/2013/05/historia-de-bar.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2988920392543685904/posts/default/4775824932059586970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2988920392543685904/posts/default/4775824932059586970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/2013/05/historia-de-bar.html' title='História de Bar'/><author><name>Wilson Guttler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07759874615078902271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjKACVjhgnQBLtiUDxWP-LBlo-fscsYVdZ8Rbp57yzLj_6FM2RxV__55eTpnwMkXR01ypfe828QGjEMoHrvYeBKxkDXrRokSH8PiFAhbzxerlj2ZHbONFrnTNmA8unThoCS_nGR7NcxG5Kw/s72-c/socarte.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2988920392543685904.post-8899495957109102862</id><published>2013-01-19T18:06:00.003-02:00</published><updated>2013-04-08T16:03:16.232-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="adolescência"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="crônicas do cotidiano"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="histórias da periferia"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="histórias infantis"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="periferia"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="texto"/><title type='text'>O Aleijado da Cadeira de Rodas</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj3myIuYeNIa1VzwM3rTWG8Z1aI9FDqReBzgLCve-9whhx3Dc4G1-A94eCLFq0tKOTUjGsk4PGKHkL9RHUHH00eNcSRHErt7azOkXjJOliPyzHrsWY2ClpQopIoYzBsj0agrSO1pvU_oIi6/s1600/cadeira+de+rodas+2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj3myIuYeNIa1VzwM3rTWG8Z1aI9FDqReBzgLCve-9whhx3Dc4G1-A94eCLFq0tKOTUjGsk4PGKHkL9RHUHH00eNcSRHErt7azOkXjJOliPyzHrsWY2ClpQopIoYzBsj0agrSO1pvU_oIi6/s200/cadeira+de+rodas+2.jpg&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Alguns personagens ficam gravados em nossas mentes, sem nem mesmo haver uma explicação lógica para isso. Este é um deles. Moro na periferia, na zona norte, quem conhece sabe que o que mais marca no lugar são as ladeiras, os morros, subidas e descidas sem fim. Minha rua é uma delas, ligando uma parte baixa sujeita a enchente, a um topo&amp;nbsp;urbanizado onde ficam as lojas e o comércio mais disputado por todos os moradores da região, morando quase na metade do&amp;nbsp;percurso&amp;nbsp;entre as duas extremidades, sempre optamos por subir a ladeira, indo para a avenida que fica no alto, raramente descemos, dessa forma é mais fácil ver e conhecer as pessoas que moram na parte de baixo da rua, pois elas passam e retornam o tempo todo, enquanto que as que moram acima não precisam descer.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Quase todos os passatempos preferidos da molecada, no meu tempo de menino, eram realizados no campinho em frente a minha casa. Lá&amp;nbsp;brincávamos de tudo: pião, pipa, futebol, bolinha de gude, pega-pega, esconde-esconde, pula-mula, etc... Ou simplesmente&amp;nbsp;observávamos o transitar das pessoas, subindo e descendo a rua, o que era também muito divertido! &lt;br /&gt;
- Olha! Um moço num carrinho de ferro! Diz apontando o Tuim. Nunca tínhamos visto algo assim: um rapaz moreno, rosto magro, com um cobertor cobrindo da cintura para baixo, numa cadeira com rodas enormes que pareciam pneus de bicicleta, sendo empurrado por um homem grisalho de calça azul marinho e camisa azul clara, que era o uniforme da sabesp. Na realidade o jovem era um cadeirante, termo que então não existia.&lt;br /&gt;
- Puxa que legal! Deve ser gostoso passear no carrinho! Disse o Formiga, já levando um peteleco do Dorão, o mais velho do grupo, que emenda:&lt;br /&gt;
- Que burro ce é Formiga! Num vê que o cara é aleijado e o carrinho é uma cadeira-de-rodas, ele num anda como a gente não!&lt;br /&gt;
- Por que que ele não anda? Indaga o Tuim.&lt;br /&gt;
- Sei lá! Vai perguntar pra ele. Responde o Dorão, sabendo que ele não iria,&amp;nbsp;tímido&amp;nbsp;como todos nós, jamais abordávamos ninguém, a não ser as pessoas que já conhecíamos.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Depois deste dia, acostumei-me a ver o aleijado em sua cadeira-de-rodas quase todos os dias, sempre empurrado rua acima por pessoas diferentes que vinham da mesma direção, virando um fato corriqueiro. Ele subia a rua empurrado, e descia&amp;nbsp;velozmente sozinho, no caminho de volta, algum tempo depois. O que ele fazia, aonde ele ia, quem eram as pessoas que o empurravam, onde morava, quem ele era, enfim, jamais tive qualquer curiosidade em saber algo a seu respeito, ele era do bairro e isto bastava para o tornar familiar. Além do mais, quando as crianças precisavam saber algo, acabavam descobrindo, e qualquer novidade era comentada e divulgada por todos, se não era comentado não existia. Sempre que o via, vinha na lembrança a frase do Dorão a seu respeito: &quot;O cara é aleijado, ele não anda como a gente!&quot;. Eu ficava com um pesar, uma sensação de pena, indagando a mim mesmo o porque das coisas que o destino nos impunha, mas passava&amp;nbsp;rápido! Um menino curioso e ávido nunca tem tempo para cismar, as coisas acontecem aos montes,&lt;br /&gt;
em casa, na escola, na rua, no campinho...&lt;br /&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Tempos depois, quando entrei na sétima série do primeiro grau, passei a estudar à noite, pois não havia classe diurna da sétima série na escola que&amp;nbsp;frequentava, mas não era problema, pois vários colegas estavam na mesma&amp;nbsp;situação, e como andávamos em bando, íamos e voltávamos junto. Neste grupo de jovens do curso noturno, eu era o mais novo porque entrei na escola com seis anos, estando com doze na época que comecei a estudar a noite, alem disso, um dos que morava mais longe da escola, cujo caminho começava com a descida da minha rua, passava por uma rua plana, perpendicular a minha e que margeava um córrego e depois terminava com uma longa subida,&amp;nbsp;idêntica a descida inicial, de forma que eu descia, andava uma rua plana e novamente subia até a escola. Nosso grupo de retorno era especialmente importante, já que quando&amp;nbsp;voltávamos, já era por volta das vinte e três e trinta e após a meia noite tudo ficava deserto e escuro (me lembro muito bem do meu primeiro contato com um mal-feitor, mas isto eu conto depois...). Um pouco acima da minha casa moravam os últimos alunos. Dois irmãos: Jeremias e Robson, seus apelidos eram Doidim&amp;nbsp;e Cojé, (todos tinham apelidos, assim como o meu era Sabugo), de forma que na volta da escola, no último percurso que era a subida da minha rua, sobravam do grupo inicial de retorno somente eu, Doidim e Cojé, os demais colegas moravam todos mais abaixo e despediam-se antes. A subida era sempre rápida e alegre pois vinhamos brincando e rindo, embora cansados da longa caminhada.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Um dia, no final da última aula, me atrasei ouvindo um sermão do inspetor de alunos que me flagrou atirando uma bolinha de papel &amp;nbsp;no&amp;nbsp;cocuruto&amp;nbsp;de uma colega da minha sala, ele me segura pelo braço e brada:&lt;br /&gt;
- Cooomoo! É assim na sua casa?! Eu deveria fazer você comer este papel! Cata já! Sem dizer um pio, eu peguei o papel e rapidamente enfiei no bolso, mas ele não se contentou, continuando:&lt;br /&gt;
- Graças a atitudes como esta, esta escola está sempre suja! Os serventes não vencem limpar! Blá blá blá ! Blá blá blá!... Blá blá blá... Falava sem parar e eu sinceramente só ouvia o blá blá blá e via seu&amp;nbsp;lábios&amp;nbsp;mexendo, preocupado que estava em voltar para casa &amp;nbsp;junto com meus amigos. Finalmente ele me liberou, mesmo porque ele também tinha um longo caminho a percorrer. Saí em disparada,&amp;nbsp;desci&amp;nbsp;a ladeira da escola correndo como podia, já que carregava os livros e cadernos em baixo do braço, dentro de um saco plástico, presos em uma prancheta. Quando alcancei a rua plana lá embaixo, nem sinal dos colegas mas ao dobrar a esquina, alguém me chama:&lt;br /&gt;
- Ei irmãozinho, boa noite! Olho para traz e vejo o aleijado da cadeira-de-rodas vindo rápido em minha direção.&lt;br /&gt;
- Oi! Boa noite. Respondo, continuando a andar.&lt;br /&gt;
- Você mora lá pra cima, não é? Ele diz, ficando lado a lado comigo.&lt;br /&gt;
- Sim, mas não tão lá em cima, moro na metade da rua, onde começa a ficar mais suave a ladeira...Disse sem imaginar aonde a conversa chegaria, ainda procurando avistar meus amigos no caminho de volta. Apertando o passo, logo cheguei a minha rua, o rapaz que poderia facilmente ir mais rápido em sua cadeira, continuava lado a lado comigo, até começarmos a subida, quando ele me diz:&lt;br /&gt;
- Então amiguinho, não dá pra você me ajudar a subir? Eu preciso muito ir lá em cima, e agora não tem&amp;nbsp;ninguém&amp;nbsp;além de você na rua... Argumentava ele.&lt;br /&gt;
- Eu não posso levar você até lá na avenida, já estou atrasado! Minha mãe deve estar preocupada, preciso voltar rápido para casa... Disse já perdendo a esperança de encontrar &amp;nbsp;Doidim e &amp;nbsp;Cojé.&lt;br /&gt;
- Sem problema, se você me ajudar a chegar até a sua casa já quebra meu galho, de lá até a avenida eu me arranjo sozinho. Retruca ele, receoso e apreensivo eu concordo:&lt;br /&gt;
- Tudo bem, então eu vou tentar... Me posiciono atrás dele e segurando em um cano que compunha a parte superior da cadeira, lá vou eu, exercendo uma função que eu só via de longe outros fazerem. No começo, parecia fácil,&amp;nbsp;levíssima, a cadeira deslizava suave sobre os pneus de borracha, e eu empurrava só com uma mão, na outra segurava meus livros e cadernos. Quando, passando ao lado de um bar que estava aberto, ele me pede para parar e olhando para o interior do bar e acena ao mesmo tempo que grita:&lt;br /&gt;
- Faaalaa aee, cambada! Lá de dentro dois sujeitos saem para fora gargalhando, um deles grita de volta:&lt;br /&gt;
- Passeando de novo, heim malandro! Ele então grita de volta:&lt;br /&gt;
- Sóóó! Já-já eu tô de volta! Quero rolá uma ideia co&#39;ceis!! Me espera aeee! Eu que estava ansioso por chegar logo em casa, nem&amp;nbsp;esperei&amp;nbsp;as respostas dos sujeitos do bar e continuei a empurrar a cadeira, e logo adiante, dado ao aclive tornar-se mais&amp;nbsp;íngreme a cadeira vai ficando mais pesada, o que me leva a ter que fazer uma força absurda para desloca-la. O aleijado percebendo minha dificuldade, pede a minha prancheta para que eu use as duas mãos, o que faço incontinente, pois já o suor escorria no rosto... Vejo por sobre os seus ombros que ele a encobre com as mãos, por debaixo do cobertor que recobre suas pernas. Eu já não aguentava mais o esforço e cada passo agora era um&amp;nbsp;martírio,&amp;nbsp;minhas pernas&amp;nbsp;doíam, a respiração estava tão ofegante que eu já não podia sequer falar, entretanto continuo resoluto, vou levá-lo até a altura da minha casa, conforme combinamos! Ao vencer a parte mais aguda da subida, ficando a cerca de cinquenta metros da minha casa ele me pede para parar:&lt;br /&gt;
- Aqui já tá bom! Muito obrigado irmãozinho! Não entendendo mais nada, mas feliz pelo fato de não ter que &amp;nbsp;empurra-lo mais, &amp;nbsp;retiro do seu colo a minha prancheta e depois solto a cadeira. Ele agilmente faz uma curva e... Desce em disparada! Soltando um grito:&lt;br /&gt;
- Ieeebaaaaaaaa! Atônito, eu vejo ele parar na frente do bar lá embaixo festejando alegremente com os dois sujeitos... Percebo que meus livros e cadernos foram vasculhados, ele inclusive rasgou o saco plástico que protegia o material caso chovesse. Eu era apenas um garoto e apesar de ficar ofendido, senti um certo orgulho de ter vencido a subida, não tive tempo de sentir raiva do aleijado, estava atrasado e só queria chegar em casa... Andando lentamente, recobrando o fôlego eu pensava &quot;o cara é aleijado, ele não anda como a gente&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/feeds/8899495957109102862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/2013/01/o-aleijado-da-cadeira-de-rodas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2988920392543685904/posts/default/8899495957109102862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2988920392543685904/posts/default/8899495957109102862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/2013/01/o-aleijado-da-cadeira-de-rodas.html' title='O Aleijado da Cadeira de Rodas'/><author><name>Wilson Guttler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07759874615078902271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj3myIuYeNIa1VzwM3rTWG8Z1aI9FDqReBzgLCve-9whhx3Dc4G1-A94eCLFq0tKOTUjGsk4PGKHkL9RHUHH00eNcSRHErt7azOkXjJOliPyzHrsWY2ClpQopIoYzBsj0agrSO1pvU_oIi6/s72-c/cadeira+de+rodas+2.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2988920392543685904.post-8166336578915787152</id><published>2012-12-24T12:25:00.001-02:00</published><updated>2015-04-14T05:54:21.729-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="casos de igreja"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="casos reais"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="contos para jovens"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="corrupção"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="crônicas do cotidiano"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="estórias"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="hipocrisia"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="histórias"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="histórias da periferia"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="religião"/><title type='text'>O secretário do padre</title><content type='html'>&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Certa vez, chega a minha oficina um sujeito que se apresenta como o &quot;secretário do padre&quot; da igreja católica aqui do bairro. Era Valdecy, um rapaz de mais ou menos trinta anos, loiro de cabelos encaracolados, magro e de óculos, sempre portava uma pasta com apontamentos relativos aos gastos da igreja, administrados por ele. Eu deveria arrumar o carro de passeio do padre e uma van de uso&amp;nbsp;exclusivo&amp;nbsp;da igreja. Ele me leva até a igreja para fazer o orçamento em ambos os carros. Após calcular o tempo que iria perder, somar ao material estimado nas reformas, como de praxe, dei a ele o valor total do trabalho, ao que ele pechinchou alegando que sabia que eu era católico e poderia descontar alguma porcentagem como contribuição a igreja, que no momento estava em dificuldades financeiras. Neste momento eu pensei na minha mãezinha, tão devota, e em homenagem a ela, fiz um bom desconto, como uma doação a igreja. Ele então, muito satisfeito, fechou o acordo, alertando porém que ele próprio me pagaria em dinheiro ou cheque da igreja, não precisando incomodar o padre, que tinha muitos assuntos importantes e jamais perdia tempo com coisas irrelevantes.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
- O pobre padre Genaro nem está bem de saúde, coitadinho, até está com dificuldade para rezar a missa! Disse ele.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Puxa, que pena! Ele ainda tão novo! Respondi, já pegando as chaves da van, que levaria de imediato para a oficina.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp;Após cerca de uma semana, o trabalho na van estava pronto, e o Valdecy, que passava diariamente na oficina, foi busca-la e em seguida trouxe o carro de passeio de uso exclusivo do padre Genaro, que eu passei a consertar. Valdecy, muito alegre, elogiou muito a reforma da van e reitera que ao término do carro do padre, ele pagaria os dois trabalhos, conforme o combinado, bastava eu apronta-lo o mais breve possível.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Tudo bem, Valdecy! Até quarta-feira estará pronto, e&amp;nbsp;você poderá vir busca-lo, ok?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Ok! Até lá então!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp; Entretanto, o serviço andou mais rápido do que eu esperava e já na terça-feira à tarde o carro do padre já estava prontinho, como eu havia marcado a entrega ao Valdecy só na quarta-feira, cobri-o com uma capa e passei a trabalhar em outro carro, quando o telefone toca:&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Alô! É da oficina de pintura? Disse alguém do outro lado da linha.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Sim, pois não.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Aqui é o padre Genaro da igreja Santa Luzia, meu carro já está pronto? eu sei que ele só ficaria pronto na quinta-feira (?), mas é que eu precisava tanto dele!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Oi padre! Sim, ele ficou pronto mais cedo do que eu previa, e o senhor como está de saúde, tudo bem?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Que ótimo, meu filho, e eu estou ótimo de saúde também! Com a mesma disposição de sempre! Faça um favorzinho p&#39;ra mim... Traga o meu carro agorinha que eu te dou uma&amp;nbsp;gorjeta! Já estou fazendo o seu cheque! Pode ser?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Claro padre! Com muito prazer! Estou indo aí, então.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp;Puxa, que legal o padre estar bem de saúde, minha mãe ficará feliz de saber, eu pensava, já manobrando o carro na vaga reservada para o padre, no estacionamento da igreja, após o que eu deveria me dirigir até o gabinete do padre, quando correndo em disparada o Valdecy com sua pastinha de anotações vem ao meu encontro, me abordando ofegante:&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Ainda bem que eu consegui alcançar você antes que o padre!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Porque? Está tudo perfeito, eu só acabei o serviço um dia antes do combinado, relaxa! Ele vai gostar do trabalho...&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Cara, quando o padre me perguntou quanto ficou a reforma dos carros, não sei o que me deu na cabeça que eu falei o dobro do&amp;nbsp;valor! Ele já deve ter preenchido e assinado o cheque!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Caramba! Como isto aconteceu! Repliquei.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Como o seu orçamento foi o menor de todos que eu havia&amp;nbsp;pesquisado, cerca da metade do preço cobrado em outras oficinas eu acabei me confundindo... Falou o Valdecy.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Bem, eu acho que não custa nada ele preencher outro cheque e cancelar o primeiro, então...&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Nãããão! Vai lá e receba o cheque, depois a gente conversa! Falou nervoso o secretário do padre. Este erro pode me prejudicar! Ele pode pensar que eu fiz de propósito! Disse suando por todos os poros.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- A última coisa que eu quero fazer é prejudicar alguém... Ia dizendo quando ele me cortou aflito:&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Pensa rapaz! Eu estou nas tuas mãos! Suplicou.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Mas eu até trouxe um relatório e um termo de garantia do trabalho...&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Deixa pra lá! Ele vai te pedir recibo lá no gabinete, já está preenchido, você assina e vai embora, depois a gente se fala! Repetia ele, com tanto nervosismo que até dava pena do Valdecy!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Deixei-o, e fui até o gabinete do padre, que me atendeu muito alegre e satisfeito com a rapidez que fiz o trabalho:&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Meu filho, ficou bom meu carro? Você não &quot;matou&quot; o serviço para receber logo, não né?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Não seu padre! Ficou muito bem feito, e tem garantia! Respondi.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
- Bom... Aqui está o cheque, e a gorjeta que prometi, assine este recibo, já preenchido pelo Valdecy, para que ele junte a contabilidade da igreja.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp;Assinei o recibo, agradeci, enfiei o cheque e a gorjeta no bolso e apertei a mão que o &amp;nbsp;padre me ofereceu, se despedindo com um &quot;vai com Deus, meu filho&quot;. Só na rua, voltando a pé para casa que eu verifiquei o cheque: era mais que o dobro do combinado com o Valdecy, já que havia o desconto dado por mim como caridade as obras da igreja, atendendo ao argumento do secretário. O Valdecy nunca mais me procurou, e portanto nunca mais eu arrumei os carros da igreja de Santa Luzia, mas eu fiquei sabendo que ele continuou por muitos anos a exercer a secretaria da igreja, e quando saiu assumiu a vaga um sobrinho dele...&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp;Fiquei com a diferença cobrada a mais por &quot;engano&quot; pelo Valdecy, pois quem trabalhou foi eu, e não achei nem um pouco cristão da parte dele o desvio de verba da igreja... Aos poucos eu ia conhecendo as pessoas e sua&amp;nbsp;hipocrisia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/feeds/8166336578915787152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/2012/12/o-secretario-do-padre.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2988920392543685904/posts/default/8166336578915787152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2988920392543685904/posts/default/8166336578915787152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/2012/12/o-secretario-do-padre.html' title='O secretário do padre'/><author><name>Wilson Guttler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07759874615078902271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2988920392543685904.post-5541475219292151048</id><published>2012-09-06T08:12:00.001-03:00</published><updated>2012-09-06T12:52:55.124-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="chihuahua"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="chihuahua dançarino"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="dançarino"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="pegadinha"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="pet video"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="videos"/><title type='text'>Cãozinho dançando salsa</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&quot;&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;344&quot; src=&quot;http://www.youtube.com/embed/15XSbQZx_Kg?fs=1&quot; width=&quot;459&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
Muito legal! Eu sei que o chihuahua não tem este ritmo todo... ou será que tem? Nããããoo! Só pode ser uma bem feita montagem, mas ficou super engraçada! ashuasdasshuasdsashuadshaudsashuadsss!</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/feeds/5541475219292151048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/2012/09/dog-can-dance-salsa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2988920392543685904/posts/default/5541475219292151048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2988920392543685904/posts/default/5541475219292151048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/2012/09/dog-can-dance-salsa.html' title='Cãozinho dançando salsa'/><author><name>Wilson Guttler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07759874615078902271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://img.youtube.com/vi/15XSbQZx_Kg/default.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2988920392543685904.post-6012786472988329533</id><published>2012-08-09T09:09:00.000-03:00</published><updated>2012-12-30T08:12:26.592-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="acrobacias"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="argolas"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="crônicas"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="crônicas do cotidiano"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="histórias"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="histórias da periferia"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="horto"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="texto"/><title type='text'>Acrobata</title><content type='html'>O parque do&amp;nbsp;Horto Florestal&amp;nbsp;é sem dúvida a melhor opção de lazer que tenho no bairro onde nasci, cresci e vivo até hoje. Lá existe uma área destinada a quem pratica atividades&amp;nbsp;físicas, com aparelhos de argolas com correntes e barras&amp;nbsp;transversais,&amp;nbsp;onde a&amp;nbsp;rapaziada&amp;nbsp;(atletas?) além de se exercitar, se exibem para um público eventual. Este lugar é frequentado assiduamente pelos jovens que não tendo acesso as academias, encontram uma forma gratuita para praticar e trocar informações com pessoas que possuem os mesmos interesses. Todos tem um mesmo padrão: camisa regata, músculos, agasalho de treino, tênis, um jeito de olhar para os sedentários como que de exibição ou superioridade, coisa da vaidade juvenil (e de adultos imaturos...) Nas argolas &amp;nbsp;saciam sua vontade de exibição, ficam pendurados no alto, como se estivessem num palco, treinam acrobacias e as pessoas param para ver e se&amp;nbsp;surpreender com suas performances. Num passado recente, um personagem ficou conhecido &amp;nbsp;e acabou criando um &amp;nbsp;público até mesmo fiel para esta digamos atividade, se houvesse uma competição para saber quem é o melhor atleta local nas tais argolas, ele ganharia disparadamente. Quando a galerinha percebia que ele estava se preparando para subir nas argolas, ficava atenta na expectativa da sua apresentação, &amp;nbsp;que na verdade era o seu treino, mas para as pessoas ali presentes, crianças na maioria, era um verdadeiro show!&amp;nbsp;&amp;nbsp;Este sujeito, deveria&amp;nbsp;possuir o mesmo padrão de todos e se destacar apenas pelas suas habilidades, entretanto...&lt;br /&gt;
O nome dele eu não sei, mas é um personagem real, morador da favela do Guarani, muito popular ainda hoje, não só pelas acrobacias que fazia nas argolas como pela pele totalmente tatuada, inclusive no rosto, aparentava à época ter mais ou menos vinte anos. &amp;nbsp;Sempre de botas pretas, jaqueta com apliques &quot;punks&quot; e calças compridas, também pretas, seu cabelo cortado à moda rock, com topete e costeletas imitando Elvis, penteado com bastante gel, que não desalinhava nem após as apresentações! Jamais tirava uma única peça da sua indumentária, fazendo suas apresentações nas argolas da mesma forma que circulava pela cidade, o que era um contraponto aos demais, que julgavam-se atletas e se trajavam como tais... Eu o batizei de Acrobata Punk, o que espero que não o magoe, posto que este texto tem como única motivação o tributo que presto a ele, não pela sua&amp;nbsp;aparência&amp;nbsp;física, mas sim pela sua habilidade natural nas argolas, que&amp;nbsp;constituía&amp;nbsp;um espetáculo digno de ser visto! Para quem não sabe, basta conferir uma prova de argolas na ginastica&amp;nbsp;olímpica. Ele, o Acrobata Punk, fazia o &quot;cristo&quot; normal e &amp;nbsp;de ponta-cabeça, a paradinha sentada, várias piruetas impossíveis e depois saltava de forma mirabolante, sempre sobrepujando a todos os demais, que não podiam imitar as suas&amp;nbsp;proezas, dado a dificuldade em faze-las.&amp;nbsp; Sempre&amp;nbsp;sozinho, não falava com quase ninguém, era de poucas palavras e não se&amp;nbsp;enturmava&amp;nbsp;com o grupo dos &quot;atletas&quot;, porém com todas as tatuagens e o modo de se vestir, somados as performances acrobáticas era natural que obtivesse uma certa fama local, pois o parque do Horto Florestal é um local bastante frequentado, e ele não saia de lá, ou pelo menos aos&amp;nbsp;domingos, quando eu e meus amigos ansiosos por divertimento gratuito,&amp;nbsp;seguíamos&amp;nbsp;em romaria até o parque, sempre o&amp;nbsp;encontrávamos circulando ou se exibindo com as acrobacias nas argolas.&lt;br /&gt;
O tempo passou... Eu nem lembrava mais sequer do Horto, quanto mais do Acrobata Punk, até que um dia meus sobrinhos me pediram para leva-los a um passeio, e eu acabei seguindo para o antigo parque que tanto havia desfrutado em minha&amp;nbsp;infância e juventude. Depois de conseguir uma balança para cada um dos sobrinhos, eles eram em &amp;nbsp;três, e de ficar vigiando-os sentado em um banco bem de frente as argolas, uma série de lembranças acabaram levando-me de volta ao passado, olhando aquelas mesmas argolas e as pessoas &amp;nbsp;pendurando-se para a pratica da ginástica,&amp;nbsp;inevitavelmente surgiu a recordação do Acrobata Punk, o rapaz que alguns anos antes dava verdadeiros shows naquele mesmo local, olhei para os lados, como que a procura-lo, talvez ele estivesse por ali e ainda treinasse nas argolas... Não! Seria o cúmulo da&amp;nbsp;coincidência! Mesmo assim, com o&amp;nbsp;cenário praticamente&amp;nbsp;idêntico, só mudando os personagens, pareceu-me, por um momento que o tempo era uma ilusão, e como por mágica eu estava de volta ao passado, pronto para ver mais uma apresentação de piruetas e malabarismos, pois naquele instante eu parecia estar sofrendo uma espécie de regressão&amp;nbsp;psíquica, &amp;nbsp;me senti transportado a uma realidade atemporal, só faltava entrar em cena o tal punk acrobático...&lt;br /&gt;
Num átimo, volto ao presente, aos gritos da sobrinha mais nova que não quer mais balançar, agora quer ir brincar na gangorra, eu digo a ela que pode ir e a acompanho com o olhar, foi quando vi chegando as argolas um sujeito vestido com calças e jaqueta preta, botas de cano longo e os cabelos cortados ao estilo de Elvis, penteados e fixados com gel. Ele recebe os&amp;nbsp;cumprimentos de todos os outros, e sobe nas argolas. Realiza algumas acrobacias e salta, aplaudido pelos meninos, adultos e jovens que ali estavam. Já percebo, apesar da distancia que me encontrava, que não era a mesma pessoa, era mais baixo, e não tinha no rosto as tais tatuagens, a minha curiosidade cresce e me aproximo, vejo então que o rapaz é quase um garoto, de no máximo uns treze anos de idade, reparei também que ele tinha um pé enorme, ou usava uma botina muito grande, me lembrando o vagabundo imortal de Chaplin. Não conversei com ele, assim como jamais havia falado com o outro, mas após o meu espanto em presenciar uma cena &quot;déjà vu&quot;, ter diminuído, me lembrei de Carl Jung e suas teorias sobre a sincronicidade, principalmente quando na tarde do dia em que comecei a escrever este texto, Arthur Zanetti, um jovem atleta brasileiro ganha a medalha de ouro nas olimpíadas justamente nas argolas, surpreendendo todo mundo, fato inédito para o&amp;nbsp;esporte nacional! É mole tanta &quot;sincronicidade&quot;??? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/feeds/6012786472988329533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/2012/08/acrobata.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2988920392543685904/posts/default/6012786472988329533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2988920392543685904/posts/default/6012786472988329533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/2012/08/acrobata.html' title='Acrobata'/><author><name>Wilson Guttler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07759874615078902271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2988920392543685904.post-227921976861020206</id><published>2012-07-30T09:19:00.001-03:00</published><updated>2013-02-16T14:36:32.182-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="casos"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="contos jovens"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="crônicas"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="crônicas do cotidiano"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="festa junina"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="histórias da periferia"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="histórias juvenis"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="quermesse"/><title type='text'>Quermesse</title><content type='html'>Junho é mês de festa! São João, São Pedro e Santo Antônio são festejados com fogueira, quentão, pipoca, batata doce, milho verde e muitos outros quitutes, nas noites frias da periferia de São Paulo. Nas casas com quintal a tradição ainda se mantem, mas está acabando, pois a cada ano o espaço diminue e os mais humildes ficam só na empolgação, ou se aventuram nas quermesses. Em escolas, igrejas ou até mesmo nas ruas, que são fechadas ao trafego viram palco para a festança! O que não falta são histórias vivenciadas nesta época... Ávidos por diversão a molecada está empolgada, é noite de São João, é sábado e vamos a caça de quermesses e fogueiras pelos bairros vizinhos, em turma de mais de quinze, as idades entre treze e vinte anos,&amp;nbsp;saímos de banho tomado e roupa de domingo, esperando encontrar meninas e comer quitutes saborosos. A maioria vai sem um tostão no bolso, só na &quot;serra&quot;, mas sempre todos acabam comendo alguma coisa, já que tudo é dividido, como se fossemos todos uma só&amp;nbsp;família, os mais velhos cuidando dos mais novos...Desta vez saímos para o bairro de vila Rosa, indo a pé, é uma longa caminhada, mas o Pinguinha disse que é a melhor festa de todas! Ele que descobriu este lugar, onde mora um colega trabalho. Incrustado no pé da serra, quase interior, vamos a passos largos ansiosos por chegar a melhor festa do ano, seguimos por uma longa avenida, que liga o bairro do Horto a vila Rosa, alias a única forma de acesso ao local, depois de muito caminhar chegamos ao portão da igreja, realmente está lotado, com tudo que queríamos. Muitas meninas lindas, fogueira, pipoca, bolo de milho, vinho quente, e muito mais. Alem disso o &amp;nbsp;&quot;correio elegante&quot;, que é a melhor forma de cortejar as meninas e com sorte ganhar um beijo e ser alvo dos comentários a semana inteira.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp; Todos muito tímidos, ficamos do lado de fora esperando alguém tomar a iniciativa, que como sempre foi do Mael, o mais indolente&amp;nbsp;de todos, que diz:&lt;span style=&quot;background-color: #999999;&quot;&gt;&amp;nbsp;-Vou entrar nesta birosca, dar um rolê lá dentro e ver se é tudo isto que o Pinguinha disse pra gente! Quem vai comigo? O Sapão e o próprio Pinguinha, que se sentiu provocado, retrucam: - Eu vou! - Eu vou! Os demais ficaram esperando, olhando as meninas e conversando entre si, até se familiarizar com o local.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: #999999;&quot;&gt;&amp;nbsp; Eu, depois de um certo tempo, comecei a olhar em volta e percebi uma agressividade nos olhares dos jovens do local para conosco, deduzi que era porque as meninas estavam dando bola pra gente e alguns de nós envaidecidos ficavam salientes e riam alto, se vangloriando...Eu nem estava a fim de entrar, pois não cabia mais ninguém! Estava muito lotado, e as filas eram enormes, restava a opção de esperar parte das pessoas irem embora para aproveitarmos um pouco a festa. Nesta altura, os valentes do bairro já haviam identificado os &quot;invasores&quot; da vila Amália e&amp;nbsp;estávamos sendo vigiados sutilmente, qualquer deslize seria motivo para uma retaliação aumentada. Mesmo sem saber disso naquela época, todos nos sentíamos a nossa fragilidade e confiávamos na humildade e cordialidade que sempre&amp;nbsp;partilhávamos com os estranhos e na maioria das vezes nos&amp;nbsp;dávamos&amp;nbsp;bem, entretanto... Mael, Sapão e Pinguinha retornam para o grupo principal, que ficou esperando no portão, Mael é o primeiro a falar: - Meu, as mina tão muito loca! Parece que não tem homem neste lugar! Cê viu, Sapão, aquela morena quase quebrou o pescoço quando eu passei! Os cara daqui tão puto da vida! Após o que soltou uma gargalhada. - Fica frio, Mael! Disse o Sapão. - Os cara já filmaram a gente, e as mina vão arrumá pra nossa cabeça! Cê acha que estas mina não tem namorado? E se algum deles tá interessado numa delas? Tá loco! O Pinguinha, que se atrasou um pouco, preso na multidão, entra na conversa: - Meu sujô, o mano lá do meu trampo me ligou que os camarada dele tão a fim da gente! É melhor a gente não vacilá! Vamô fica frio e curtir as brincadeiras, sem entrar numas com as mina daqui, senão vai sobrá pra gente! Retrucando o Mael diz: - Meu eu quero é mais! Num vô perde a oportunidade de trocar umas ideias com esta morena da hora!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: #999999;&quot;&gt;Foi só ele falar isto e um rapaz deu um empurrão com o peito nas costas dele, que fez com que ele parasse de falar, outro que vinha logo atras, fez o mesmo, e ele que não era bobo nem nada, percebeu que apesar da falta de espaço devido a superlotação, aquilo era uma provocação. Ele então ficou olhando de soslaio para o grupo que se formou ao lado do nosso, encarando-nos. Eu, já temendo pelo pior, falei: -Sem chance cara, num vai da pra nóis não! A gente tá muito longe de casa! Olhei pra cara do maluco e ele tá irado! Além disso tá todo mundo olhando com cara feia pra gente! Parece que a gente é bandido! Talvez se fossemos eles nem ligavam pra gente, mas... Ceis que sabe, eu por mim saia fora é já!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: #999999;&quot;&gt;Bem na verdade eu estava com medo mesmo, e conhecendo o Mael como conhecia, estava prevendo o pior, e era melhor darmos o fora e encontrarmos uma fogueira ou quermesse mais próxima de casa, salvando esta linda noite de sábado. O Rato, que até então não havia dito nada, se pronunciou: - É o Ilsão tá certo! Esta festa tá muito cheia, as coisa tão muito cara e a caminhada é longa, quanto mais cedo a gente sair daqui, melhor!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: #999999;&quot;&gt;Saímos da frente da igreja e fomos para a avenida, eu já contando todo mundo para não perder&amp;nbsp;ninguém. A avenida estava bem movimentada e a calçada cheia de jovens, como nós, que de lá observavam o movimento da quermesse, olhei para o portão da igreja e vi o grupo que estava reagindo ao nosso, e percebi que eles estavam satisfeitos, como se tivessem ganho um jogo de futebol, eu e os demais amigos que estavam comigo, só pensava em ir para casa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: #999999;&quot;&gt;Foi quando um fusquinha azul &quot;calcinha&quot; que vinha pela avenida bem devagarinho, até se aproximar uns trinta metros de nós arrancou, cantando os pneus e acelerando alto, parecia querer arremeter-se contra todos os pedestres, e principalmente o nosso grupo, que estava mais próximo! Instintivamente, e muito rápido, nos escondemos atrás de uma caminhonete parada na calçada, o fusquinha até derrapou ao passar, por pouco aqueles que estavam mais para o meio da avenida, entre eles eu mesmo, não foram atropelados! Eu senti o vento sugar o pano da minha calça, ao me encostar bem colado ao para-lama da caminhonete, certamente o&amp;nbsp;doido que estava ao volante, para não amassar seu lindo fusquinha, recolheu um pouco, o suficiente para que eu me livrasse de ser atingido...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: #999999;&quot;&gt;Indignados,&amp;nbsp;queríamos reagir contra esta atitude covarde e insensata, e o Rato, que era o mais velho, além de estar cheio de moral, pois acabara de dar baixa no exército, servindo como P.E. (polícia do exército), toma a frente e abrindo os braços sai para cima do fusca, gritando: - Qualé que é!? Cê tá maluco! Quem você pensa que é!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: #999999;&quot;&gt;E pra gente ele diz: -Lá no quartel eu aprendi com o sargento como lidar com estes folgados! A gente não pode dar boi, não! Vamo mostra pra ele!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: #999999;&quot;&gt;Todos&amp;nbsp;estávamos tão ofendidos, que apoiamos imediatamente a&amp;nbsp;ideia&amp;nbsp;de dar um susto no maluco, para ele ver com quem estava lidando. E com o Rato a frente, íamos até o fusca, que para logo adiante, junto ao portão da igreja. Quando o Rato chega bem perto do fusca, pela lateral do motorista, ele sai do carro. Um cara enorme, (pelo menos parecia) de cabelo black-power, branco, com a cara de ódio num olhar vermelho &quot;maconha&quot;, ao mesmo tempo que grita: -Qualé que é o que?! Seu filho-da-puta! Vai abrindo a jaqueta para sacar um revólver. O Rato, que a esta altura tinha virado o líder do grupo, e que estava a frente, se vira e vemos seu rosto aterrorizado, os olhos arregalados e a&amp;nbsp;língua&amp;nbsp;de fora, grita: -Cooooorre! Apesar do pânico geral, todos vimos da gravidade da situação, e corremos... Um bando de jovens e meninos, correndo para não levar um tiro, numa avenida cercada por muros altos e que parecia não ter fim. Pelo lapso de tempo entre perceber a ação e agir, aqueles que estavam mais atras ficaram por último, &amp;nbsp;o Rato sumiu na frente! Eu me lembro que o Simão estava logo a minha frente e me imaginava com sendo o último da fila, logo seria o primeiro a levar um tiro nas costas, então me vi numa corrida pela vida, ao tentar ultrapassar o maior numero de amigos que pudesse, mas parece que eles pensavam da mesma forma! Finalmente, no alto de uma ladeira, havia uma esquina, onde estavam parados Pinguinha, Rato, Mael (?), Sabonete e Sapão, eu que havia ultrapassado o Simão, chego depois destes, todos ofegantes e descontrolados! Para encurtar a história, após conferirmos a integridade do grupo, e de espantarmos uma&amp;nbsp;família&amp;nbsp;inteira&amp;nbsp;que estava reunida na sacada de uma casa naquela mesma rua apenas com a nossa presença, percebemos que o Doido do fusquinha não veio atras da gente, se&amp;nbsp;satisfez apenas com o susto que nos deu, além do que, pra quem viu a cena, ele mostrou que era mesmo muito &quot;valente&quot;... Depois de recuperar a respiração, mas sem deixar de ouvir as pancadas que davam o coração descompassado, lembro de ouvir um elogio dado pelo Simão: - Ce corre prá caramba heim Alemão!!! Eu retruquei: Corremos! &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/feeds/227921976861020206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/2012/07/quermesse.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2988920392543685904/posts/default/227921976861020206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2988920392543685904/posts/default/227921976861020206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdaperiferia.blogspot.com/2012/07/quermesse.html' title='Quermesse'/><author><name>Wilson Guttler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07759874615078902271</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>