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/><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><generator version="7.00" uri="http://www.blogger.com">Blogger</generator><openSearch:totalResults>154</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/atom+xml" href="http://feeds.feedburner.com/DasVentanias" /><feedburner:info uri="dasventanias" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><entry gd:etag="W/&quot;DEYAR3Y7eCp7ImA9WhRbGEQ.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-8419557417041373265</id><published>2012-02-10T11:58:00.000-02:00</published><updated>2012-02-10T15:49:06.800-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-10T15:49:06.800-02:00</app:edited><title>Dia de casamento</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-xDm_C1MYYnw/TzUhOBW-JDI/AAAAAAAABXg/7rs5158qR6w/s1600/2083p-Wedding-Day-No-2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-xDm_C1MYYnw/TzUhOBW-JDI/AAAAAAAABXg/7rs5158qR6w/s320/2083p-Wedding-Day-No-2.jpg" width="252" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; line-height: 115%;"&gt;À Mainara e ao Thadeo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Dois amigos queridos casam-se
neste sábado à tarde em Botucatu. Espero que o sol sorria de manhã, menos
inclemente talvez do que nos últimos dias, e que quem sabe à tarde a brisa da
serra nos alcance, e possamos refrescar os pensamentos para melhor
acompanhá-los.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Convidam-me para madrinha, e ao
Ricardo, meu companheiro de vida, para padrinho. E automaticamente penso em nosso
próprio casamento. Não no dia em si, mas no seu processo, no seu deambular
pelos anos, nas idas e vindas, voltas e contravoltas. Se me perguntam se é difícil
manter um encontro de tantos anos, encolho-me para ver mais de perto o que são
esses anos - sou pequena perto deles. Não sou mais a mesma, nem ele é mais o
mesmo. Parece-me que ele se transformou mais do que eu, à medida do que foi
preciso, à medida do que as urgências pediram, do que as dores exigiram. Mas dizem-me
que não, aqueles que nos conhecem, balançando a cabeça como se eu dissesse
alguma bobagem – mudamos os dois, em consonância conosco mesmos.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Casamento é processo de mudança a
tempo inteiro. De conquista de controle dos próprios fantasmas, para que a
existência do outro possa ser a que deve, a que precisa; um interregno em que espaço
e tempo abrem-se para a compreensão de que o caminho mútuo é composto de dois
caminhos em separado. E que os caminhos em separado estão abertos, mas precisam
de proteção, para que os tropeços não provoquem dores desnecessárias.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Porque casamento dói. Claro que dói.
O tempo às vezes não é um uníssono, nem sempre a sinfonia é harmônica. Mas é
música, o tempo inteiro, é Palavra e som entrelaçados em dois corpos que dançam
sempre, de frente ou de costas, e seus ouvidos precisam acolher as músicas de
cada um sem julgamento. Tem um quê grande de entrega, e pouco espaço para tudo
o que é raso. Aqueles que se aproximam devem saber disso, porque ao chegarem à
anteporta estacam e pensam de novo se vale a pena fazer-se presente. Quando o
fazem, sabem o que arriscam, porque o reino da intensidade vive do lado de
dentro, compromisso de vida que se quer acima de aparências e convenções.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Penso no que poderei ofertar a
esses dois amigos, qual das minhas mãos devo aproximar para que o peso do tempo
ao passar se torne mais leve, para que o coração sossegue quando o descompasso
for a regra, quando o que parece falta alheia seja a grandeza daquele que se
reconstrói todos os dias. Porque tudo isso será, e é bom que o seja, porque
depois de cada tempestade a bonança é cada vez mais gloriosa. A mão que
aproximo é a que previne o sentimento de posse desmedida, a que alerta a
vontade diferente inevitável – uma mão que acolhe e diz que tudo faz parte. E
que às vezes é preciso deixar o tempo passar, respirando até o âmago de si
próprio para que o outro possa ter oxigênio. E, nunca, jamais, aquietar o
próprio coração na dor do coração do outro.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Enquanto preparo a roupa que
vestirei no dia de seu casamento, penso em meus dois amigos, no seu encontro,
nas voltas que a vida deu, bem à minha frente, para que o avistar-se mútuo
fosse possível. Testemunha ocular da história, posso dizer-lhes que a
predestinação que sei sentirem está exposta em muitos momentos partilhados – o universo
conspirou enquanto respiravam as próprias vidas. Que a vida que escolhem neste
sábado seja amparada pelos universos da luz e que, enquanto dure, pese o quase
lugar comum da poesia, seja eterno e chama o amor que sentem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-8419557417041373265?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/VM1RH1-Ut21k15z5DRUhmB7aP-4/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/VM1RH1-Ut21k15z5DRUhmB7aP-4/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/VM1RH1-Ut21k15z5DRUhmB7aP-4/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/VM1RH1-Ut21k15z5DRUhmB7aP-4/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/dkUQA4E4BJk" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/8419557417041373265/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2012/02/dia-de-casamento.html#comment-form" title="5 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/8419557417041373265?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/8419557417041373265?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/dkUQA4E4BJk/dia-de-casamento.html" title="Dia de casamento" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-xDm_C1MYYnw/TzUhOBW-JDI/AAAAAAAABXg/7rs5158qR6w/s72-c/2083p-Wedding-Day-No-2.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>5</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2012/02/dia-de-casamento.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DEQBRXk9fSp7ImA9WhRbGE8.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-7373333611336784245</id><published>2012-02-09T13:05:00.002-02:00</published><updated>2012-02-09T20:25:54.765-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-09T20:25:54.765-02:00</app:edited><title>3 tempos</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Anteontem&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Lição de casa de filosofia: mãe,
preciso saber o que você pensa: como você prova que existe? Descartes aflora
rápido mas os lábios se controlam. Descartes não sabia de tudo, e filho quer
saber o que eu penso. Portanto, ele sabe que penso, não adianta apelar para
máximas abstratas. E não é só essa pergunta, mas uma série delas: como você
prova que o que você vive agora não é só uma lembrança? Como você prova que
isso que você vive é real? &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Olho para dentro de mim mesma, e
não consigo provar-me que existo. Procuro-me por todos os lados, perdida que
fiquei dentro de um outro, e aí respondo-lhe: é o outro que prova a minha
existência, que sou eu sem o olhar do outro? Quase lhe falo de alteridade, mas
não vem ao caso mais um conceito jogado no espaço.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Ontem&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Os sons do mundo ficaram mais
fracos – apesar dos dois ouvidos congestionados pelo excesso de água dos
últimos dias, piscina, chuveiro, piscina, tentando driblar o calor que assola
por poros e veias, descubro que são todos os sons do mundo que ficaram mais
fracos, e não apenas aqueles que dependem dos ouvidos para se fazerem ouvir. Os
sons do mundo ficam mais fracos e eu mais fraca diante deles.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Hoje&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Conceitos desfeitos como pó. Um estado
de desconceituação. A mente não gosta, sai em passeio de buscar respostas. Porque
eu não as tenho, e aviso-a: deixei-as dentro do outro. Desfiz-me de mim mesma,
e meus olhos não dizem tristeza, só dizem que não estou. Não estou nada. &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Porque durmo e acordo com a certeza de
estar, mas um vento áspero vem e me derruba a alma, um hálito acre atravessa-me
a pele e me desconcerta, me desalinha. E me diz que é perfeito. Mesmo sem ser. Porque
a perfeição só existe a caminho. E as palavras tornam-se estátuas de pedra entre
os meus dentes, salitre queimando o céu escuro da minha boca, vazio das
estrelas-palavras que o povoam. As palavras secaram-se. Calaram-se. E eu com
elas. Eu com elas num limbo, o silêncio pesado, angústia por trás das hélices de um ventilador ligado.O lugar de onde nascem fechou-se, inerte, à
espera não sei de que: morte, torpor, agonia? Há um voo de pássaros sem sentido
defronte da minha janela, um sem razão repentino, tempo e espaço escoados de
repente para fora da minha pele. Desrevisto-me com uma sensação de peso que não
conforta. Estou sozinha dentro de mim.&lt;b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-7373333611336784245?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/QAKnD44sumXh9QGU1_rbcUp4Noc/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/QAKnD44sumXh9QGU1_rbcUp4Noc/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/QAKnD44sumXh9QGU1_rbcUp4Noc/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/QAKnD44sumXh9QGU1_rbcUp4Noc/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/mvofEX6FQLs" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/7373333611336784245/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2012/02/3-tempos.html#comment-form" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/7373333611336784245?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/7373333611336784245?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/mvofEX6FQLs/3-tempos.html" title="3 tempos" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2012/02/3-tempos.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkINQno8cCp7ImA9WhRbFEQ.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-859026673778617230</id><published>2012-02-06T00:16:00.002-02:00</published><updated>2012-02-06T00:16:33.478-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-06T00:16:33.478-02:00</app:edited><title>Vulnerável</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-rzfhq1fjMsw/Ty82WBNyOvI/AAAAAAAABXY/NBgWNk-_eZs/s1600/lua.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-rzfhq1fjMsw/Ty82WBNyOvI/AAAAAAAABXY/NBgWNk-_eZs/s1600/lua.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Diziam-me hoje (falava-se sobre
procedimentos cirúrgicos, talvez) que há cortes que parecem pedir não só
precisão, mas também leveza, uma espécie de ternura na sua forma mais lenta, que
deixe o sangue escorrer sem violência e sem trauma. Uma forma de dor que mais
fortaleça do que determine o princípio do fim. Não sei – cortes são cortes.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Questão de vulnerabilidade, parece
– no caso da conversa, até mais a percepção da vulnerabilidade do outro, ali à
flor da pele tão pronta ao corte, do que a consciência da própria. Talvez seja
um cheiro diferente, um certo tom que se torna visível assim que os focos da
mesa de operação se acendem. Um repentino abrir-se de portais que a mente não
explica, e na maioria das vezes nem a medicina. E quem consegue percebe e, além
de preciso, é leve e terno e lento. Talvez demore mais tempo, talvez acaricie ao de leve a
pele antes de a cortar, para alertá-la, prepará-la, fazê-la saber que a mão que
corta é a mão que afaga. Para que o corpo que não é carne deixe de estar
vulnerável e se torne pronto. Cortes são cortes, mas há mãos que sabem cortar e
mãos que ainda não aprenderam. &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Tudo aqui em casa está, esta
noite, vulnerável – tudo atento ao amanhã mais que ao hoje, a começar por mim.
Quantas perguntas, daquelas que encobrem mal a ansiedade que se instala,
pequenos corpos para grandes almas de repente em suspenso sobre a própria vida.
Ou nem tão de repente, se pensarmos que estamos todos em suspenso, levitando
sobre as razões de cada coisa, às vezes apoiando um pé, uma mão, e percebendo o
infinito. Todos vulneráveis, perceptíveis, atentos, como nos quer essa lua quase
cheia aqui fora. O mesmo céu que a todos cobre, noite fechada, ruídos ao longe,
a esperança equilibrada na aurora que vem chegando. Afago-os nessa escuridão
que se formou, minha mão querendo ter aprendido o corte, mas eu mesma sem saber
exatamente onde e como estou, sem saber até onde e quando e onde e como ir, para que a vulnerabilidade não se torne insuportável e me faça tropeçar no que não existe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-859026673778617230?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/oM0bpiB0aGm-EZ5X3H4zYvgFooI/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/oM0bpiB0aGm-EZ5X3H4zYvgFooI/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/oM0bpiB0aGm-EZ5X3H4zYvgFooI/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/oM0bpiB0aGm-EZ5X3H4zYvgFooI/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/892hlm_bh1k" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/859026673778617230/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2012/02/vulneravel.html#comment-form" title="8 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/859026673778617230?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/859026673778617230?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/892hlm_bh1k/vulneravel.html" title="Vulnerável" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-rzfhq1fjMsw/Ty82WBNyOvI/AAAAAAAABXY/NBgWNk-_eZs/s72-c/lua.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>8</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2012/02/vulneravel.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEMDR3Y6fyp7ImA9WhRbE0Q.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-7811141331188098537</id><published>2012-02-04T19:54:00.000-02:00</published><updated>2012-02-04T19:54:36.817-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-04T19:54:36.817-02:00</app:edited><title>Mudanças</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-VdAsIJBnBgk/Ty2k7gaueiI/AAAAAAAABXQ/UbwIsI_ZgqM/s1600/casa2.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-VdAsIJBnBgk/Ty2k7gaueiI/AAAAAAAABXQ/UbwIsI_ZgqM/s320/casa2.JPG" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Em trânsito. Entre um lugar e outro, o coração entre o batimento e o descompasso, sem lugar certo ainda, oscilando como um pêndulo sem haste.&amp;nbsp;Mudanças são bons momentos para se vislumbrar o que acontece quando se vai e ainda não se chegou. Nada que seja desagradável - muito pelo contrário.&amp;nbsp;A vida no fundo fica mais simples, mais clara, como se se carregassem menos coisas dentro da mala - ainda que a mudança pese toneladas e precise de um caminhão do tamanho do mundo pra carregar o que se parece com uma vida, mas não é a vida. Porque a vida é o que fica do lado de fora, lá e aqui. A vida não cabe. A vida não sobe no caminhão. A vida fica ao nosso lado, este de dentro, respirando em surdina.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
As coisas que valem não cabem no caminhão, nem sequer dentro da palma da mão. São instantes fugazes, imperceptíveis, minúsculos, quases nadas que se perderiam não fosse um estado de comoção repentino. A mão não os colhe, são avessos a caixas, têm horror a cadeados, fogem se os tentamos fazer durar além da sua própria natureza. Mas de repente o estado de comoção se anuncia, e aí sim um instante entra dentro de nós, torna-se nossas entranhas, nossas vísceras mais escondidas, essas que poucos veem, poucos ouvem, quase ninguém colhe por entre os dedos sem deixar que caiam e se diluam no cotidiano apagado.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E nesse de repente a casa esvaziada de mim enche-se do mundo do outro, das coisas do outro, das lembranças do outro. Não sei se pedem licença para entrar, mas eu concedo-a, se me compete. E peço, a quem possa competir a licença, a permissão necessária. Em silêncio, de olhos fechados, sem que ninguém ouça ou sequer responda - é o pedir que importa, nem é preciso se ocupar da resposta. Pedir para que a despedida não o seja, mas presença. Para que a ida seja mais chegada que partida. Seja mais encontro que distância medida em quilômetros - desses que se estendem pelas estradas afora, cada uma numa direção, cada uma numa intenção, e o pensamento em uníssono acima do que separa e parte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-7811141331188098537?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/IDh_DRLEWjYPXZk-pgXPF1bnsec/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/IDh_DRLEWjYPXZk-pgXPF1bnsec/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/IDh_DRLEWjYPXZk-pgXPF1bnsec/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/IDh_DRLEWjYPXZk-pgXPF1bnsec/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/ZG-7tFvH2wo" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/7811141331188098537/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2012/02/mudancas.html#comment-form" title="8 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/7811141331188098537?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/7811141331188098537?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/ZG-7tFvH2wo/mudancas.html" title="Mudanças" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/-VdAsIJBnBgk/Ty2k7gaueiI/AAAAAAAABXQ/UbwIsI_ZgqM/s72-c/casa2.JPG" height="72" width="72" /><thr:total>8</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2012/02/mudancas.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CU4GRXs8fyp7ImA9WhRbEE0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-5326179637199633927</id><published>2012-01-31T07:58:00.000-02:00</published><updated>2012-01-31T07:58:44.577-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-31T07:58:44.577-02:00</app:edited><title>Despedidas VII</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&amp;nbsp;porque pessoa&lt;br /&gt;
é coisa que entrelaça&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-E9FF5K4XL-U/TyXTTS0w54I/AAAAAAAABWU/_R6B8NOMhuY/s1600/mesa+posta.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="360" src="http://1.bp.blogspot.com/-E9FF5K4XL-U/TyXTTS0w54I/AAAAAAAABWU/_R6B8NOMhuY/s640/mesa+posta.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;
Aprendi que, às pessoas, é preciso deixar-lhes a mesa posta, a casa aberta, para encontrarem o espaço como precisam, quando chegam e nos tomam inteiros, num instante que não se retém nem repete. A minha mesa aprendeu a estar posta para a aflição alheia, seu destempero, o olhar em busca, a partilha, a precisão de fala, o silêncio cúmplice. Com o passar dos anos, aprendi a estar à espera e a levantar-me quando a vida chama, sem medir o quanto, sem perguntar o como, sem me atormentar de porquês, sem levitar acima do que me é estendido, sem perder tempo em querer agora saber o depois. E não me
arrependo: levo comigo, como num baú de herança, uma coleção de olhares entrelaçados, o outro impresso em mim de tal maneira que só por ele sou mais eu mesma do que seria sem ele. Escolho deixar os desencontros para trás, todas as pequenas traições, os desgostos, as mazelas tão pequenas vistas assim de longe - prefiro o outro assim, entrelaçado em mim, e para ele a mesa posta e a porta aberta. Porque o outro é coisa séria.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;
Com os anos, a minha mesa aprendeu a pôr-se com chá amigo, sopa terna, pessoas inteiras em vez de pedaços, migalhas. Enfeito-a com flores e acendo-lhe velas, quando escurece. Cuido do fogo da lenha, às vezes fogueira ao seu lado, para que aqueça
em volta quando o sol deixou de fazer morada. E mantenho-a posta e atenta, a toalha limpa, a cadeira pronta, para que ninguém me procure e desista porque a fome dure. Aqui estão todas as mesas postas nesta casa; a alma em calma, encho-me de lágrimas por todos os olhos que me ensinaram a ver, todos os olhos da minha memória que agradecem por existir. As pessoas entrelaçadas dentro de cada um deles.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;
As dores transformam os músculos em força e o sangue em espírito. Transformam-se em capacidade renovada de manter o passo, de erguer-se e ser maior para o outro. Em vez de olhar para trás depois de puxar a porta, fecho os olhos e olho para dentro; em mim, entrelaçados e coesos, estão todos os que pertencem a este pedaço de passado, na luz de seus melhores dias, seus lugares mais nítidos e precisos, ao longo destes anos e anos de amor. Dentro de mim, os que já se foram e os que ainda estão, os que se tornaram antigos nas minhas fibras e os que de repente se fizeram frequentes. O quanto avance, estarão a meu lado, porque de todas as proezas com que os deuses nos contemplaram, a memória é a mais fiel e perdurável, e me fará reeditar cada um, entrelaçado às mesas que porei e às portas que se abrirão nesse futuro que nesta manhã já se anuncia presente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-5326179637199633927?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/xMTzSdz7XgmOOae6Ae7kQBEOryo/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/xMTzSdz7XgmOOae6Ae7kQBEOryo/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/xMTzSdz7XgmOOae6Ae7kQBEOryo/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/xMTzSdz7XgmOOae6Ae7kQBEOryo/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/1WYzQPOVPHE" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/5326179637199633927/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2012/01/despedidas-vii.html#comment-form" title="8 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/5326179637199633927?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/5326179637199633927?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/1WYzQPOVPHE/despedidas-vii.html" title="Despedidas VII" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-E9FF5K4XL-U/TyXTTS0w54I/AAAAAAAABWU/_R6B8NOMhuY/s72-c/mesa+posta.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>8</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2012/01/despedidas-vii.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DUAMQ3k5eyp7ImA9WhRUGEg.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-3427752376426540993</id><published>2012-01-28T23:41:00.000-02:00</published><updated>2012-01-29T15:23:02.723-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-29T15:23:02.723-02:00</app:edited><title>Despedidas VI</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: center;"&gt;
porque &amp;nbsp;a vida&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: center;"&gt;
é um parto&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: center;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-zM_q6wxSvIo/TySfFcdz5HI/AAAAAAAABVk/-2wZ9MblI3A/s1600/crowley-03.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-zM_q6wxSvIo/TySfFcdz5HI/AAAAAAAABVk/-2wZ9MblI3A/s400/crowley-03.jpg" width="257" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
E de repente, no meio deste
vendaval que se alevantou, descubro que a Lua está em trânsito pela sexta casa
do meu mapa astral, formando um ângulo harmonioso com o meu Sol. Ou seja: uma
boa fase para organizar as coisas da minha vida, avaliar as questões pendentes
e tentar solucioná-las. Daqueles dias em que olhamos para o espelho e dizemos:
putz, ainda bem!&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Embora haja quem pense o
contrário, eu vivo tentando encontrar certezas. As dúvidas atormentam-me (se é
que isso é uma forma de tormento), são elas que me procuram e não eu a elas.
Assim que me aparece um trânsito astral que me sugere mais tranquilidade do que
a que tenho normalmente, dou pulos de alegria. Quando abro as cartas e me
aparecem a Sacerdotisa, o Julgamento, idem: serenidade, visão clara, separação
de joio e trigo sem demora. Mas nem sempre é assim – a Torre aparece aqui e
ali, soçobrando a minha vida, arrancando pedaços do que achei fosse um alicerce seguro. O naipe de espadas coloca-me em movimento em direção ao
próximo estágio, o de copas alimenta-me o mundo do sentir, que é o que
movimenta todo o resto. As cartas converteram-se, com o tempo, em refúgio e caminho de busca, um espelho fiel que retrata o que eu própria sei sem ver. Quando tenho a sorte de me tornarem útil aos outros, apaziguam-me.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
As cartas do tarot estão presentes na minha
vida há muitos anos. A primeira carta que tirei na vida foi a Imperatriz, a carta da maternidade por excelência. Não devia ter
mais de 6 ou 7 anos de idade, mas lembro de ter ficado emocionada com a imagem, e por isso mesmo não a esqueci. As cartas andaram à minha volta aqui e ali, e
finalmente ganhei o primeiro baralho e me diverti de brincar. As cartas ligadas
à gestação, à gravidez, aos nascimentos continuaram pulando de dentro do
baralho sem que eu as chamasse. E eu entendi que haveria filhos no meu futuro.
Acertei, parece.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Porém, ligando os pontos, como o
fez Steve Jobs naquele discurso que circulou à exaustão pela internet, percebo
que não foram apenas os meus filhos, as minhas gestações, os meus nascimentos
que as cartas mostraram. Essas cartas continuam presentes e ativas, mas
multiplicadas nas crianças que tenho a honra e o privilégio de assistir
entrando na nossa vida terrestre.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Esta semana, marquei uma consulta
com a doutora/amiga Irene. Em parte porque era preciso mesmo, em parte porque
está no rol das pessoas de quem quero despedir-me. Gosto da serenidade de
Irene, e da maneira como chama todas as mulheres de “filhota”; gosto do carinho
compreensivo que emana por todos e como é ao mesmo tempo irreverente e pragmática
e decidida, às vezes impaciente, até. Irene formou-se há 43 anos. Aos poucos,
pensa deixar o consultório, e eu ouço a Márcia, sua secretária de anos, recusar
novos clientes, porque “a doutora está diminuindo o ritmo”. Olho-a enquanto ela preenche a minha ficha, e me pergunto se conseguirá diminuir a toada, e ir fazer
outras coisas que talvez lhe deem menos prazer do que atender as necessidades
das mulheres que batem à sua porta. E penso nas mulheres que não a conhecerão e
que não terão à beira a sua força e a sua compreensão do que acontece, de
fato, de fato, de fato, na hora de parir. Coisas que vão muito além das
técnicas, quaisquer que sejam.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Irene apareceu na minha vida ia já
a gravidez do Cândido adiantada. Achei estranho seu consultório, aqueles roxos por todo canto, das poltronas ao carpete, passando pelas paredes; pensei
em levantar-me e ir embora, mas alguma coisa me fez esperar. O livro que levava
na mão, introdução básica que inventei para qualquer médico com quem pensasse
ter um filho, foi parar dentro da bolsa. Mas Irene viu uma pontinha assomando e
perguntou o que era. E eu dei-lho, e ela sorriu ao pensar em fazer um parto em
casa, novidade numa vida de tantos anos de obstetrícia. E sorriu mais uma
vez, desta vez para o Ricardo, e disse: “Ricardo, havia uma música... uma música que era assim:”, e de repente começa a cantar a mesma música
que a mãe de Ricardo lhe cantava quando era pequeno. Assim se iniciou uma
parceria de carinho e respeito; uma parceria que não precisa ver-se para
acontecer. Não é apenas uma parceria firmada nos partos em casa do Cândido, da
Ilundi, do Tiago, da Lina, do Silas, queridas crianças nascidas todas de dentro
de mim, de uma forma ou de outra, eternas estrelas do caminho, mas uma parceria
que se estenderá quer nos vejamos, quer não, quer nos encontremos, quer não.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Pessoas assim, como a Irene,
invadem-me nestes últimos dias de Botucatu. Deixo-as que me percorram. A minha
memória resgata-as dos lugares onde as deixei esperando, uma memória
comovida pelo assombro de que sejam tantas, e tão fortes, e tão poderosas, e tão marcantes no meu
nascer cotidiano.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-3427752376426540993?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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porque&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
a palavra é&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Fed1Gx_KbHg/TyH6WxnSr6I/AAAAAAAABVY/2T1TaILHAHI/s1600/samy+2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-Fed1Gx_KbHg/TyH6WxnSr6I/AAAAAAAABVY/2T1TaILHAHI/s1600/samy+2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;
&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;foto: Samuel Athias&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
“A palavra me excita”. Quem diz
não sou eu, mas Manoel de Barros, poeta em seus 90 anos, o que torna a
afirmação altamente respeitável. No saboroso documentário “só 10% é mentira”,
que deverei ao Daniel &amp;nbsp;dos Santos por toda a eternidade, o poeta fala e esparrama
poesia por todos os poros. Há trechos de grande poder sonoro, de imensa força
evocativa, mas para chegar até eles precisei assistir várias vezes, até
conseguir passar além dessa frase tão simples, tão forte, tão verdade: a
palavra me excita. Tomo-a emprestada, porque também a mim a palavra excita. Como
ele, sou procurada pelas palavras, excitada por elas até o fundo da alma. A
diferença reside no que faço com elas, no que elas desabrocham: o que nele é
maestria, em mim mera tentativa.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Palavras como “precariedade” (que
deriva de &lt;i&gt;prex&lt;/i&gt;, a mesma raiz de prece,
o que nos leva diretamente à necessidade de prece para deixarmos de ser
precários), ou “acaso” (do latim &lt;i&gt;casus&lt;/i&gt;,
por sua vez derivação de &lt;i&gt;cadere&lt;/i&gt;, que
significa cair; quase que literalmente “aquilo que cai na nossa frente”),
levam-me às alturas. Levam-me aos dicionários, às perguntas, aos outros que
sabem tanto, e me surpreendem com a sua capacidade de procriação absoluta. São
revelações em forma de letra, que é a única forma que as coisas têm de me
revelarem o mundo, acho. Reviro-as por todos os lados e, como acontece ao
poeta, percebo que se procuram pelo cheiro, umas às outras, como se
pressentissem quem está à porta antes de abri-la.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Há palavras que chegam em grupos.
Estão dentro dos textos, e pulam diante de mim como se ganhassem vida própria,
tivessem outro colorido, brilho particular. No poema (ou oração?) que os alunos
waldorf mais velhos declamam todos os dias de manhã, há duas palavras com um
poder de catapultar excitação. “Na amplidão do espaço”. &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Pare de ler. Feche os olhos e repita
em voz alta: “na amplidão do espaço”. &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Eu não sei se as vogais, se as
consoantes, se o encontro do todo, mas “amplidão” e “espaço” chamam-se
irresistíveis uma à outra e fundem-se num aspecto único do tamanho do céu sem
fim. Se precisasse eleger um momento do qual sinto saudade, daquela saudade de
doer dentro do peito, de tão funda e potente, aquela saudade em que os dias
passam e o coração não cessa de evocar - seria aquele momento em que essas duas
palavras, “amplidão” e “espaço”, abandonam o interior dos jovens para se
fazerem companhia no espaço aéreo de uma sala de aula. Nessas horas, se não estivesse
atenta, perder-me-ia no mar de verdes espalhados do alto da janela, e
confundiria o verso seguinte, e me atrapalharia tanto que qualquer um
perceberia. E eles ririam, os jovens, que rir é coisa que quem é jovem sabe
fazer sem ter vergonha, nem própria, nem alheia. Um alívio.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Pode ser que a ouvidos desatentos algumas palavras pareçam quase nada. Porque são do dia a dia, talvez, palavras simples. Como “praça”. Ou “dentro”. Parecem tão pouco, e no entanto induzem-me o estado de excitação. Quando as encontro, e me apodero delas (ou elas de mim, que vem sendo o mais comum), perseguem-me dia e noite; povoam meus sonhos e só sossegam quando lhes dou atenção e procuro as suas raízes, os seus prolongamentos, seus espaços únicos onde podem possuir-me através do papel onde as registro, agrestes e ácidas e doces e ternas.
&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
As palavras que me excitam podem chegar escritas ou faladas, engasgadas, sussurradas, esboçadas. No
exercício de seu poder, escavam-me profundezas repentinas e abruptas. Atingem-me
no que me veste mais indefesa e frágil, uma surpresa a meio da multidão
desatenta. Demandam, como eu mesma, antes cuidado que contenção. O meu ouvido insiste
em reverberar frases teimosas, uma espécie de passado em conluio com o futuro,
uma &amp;nbsp;perseguição mascada nas entrelinhas.
É ele quem ouve dentro de mim os espaços de alma em aberto, e porque me avisa corro
a protegê-los com um véu de palavras, daquelas com propriedades anti-sépticas e
cicatrizantes.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
“Não me subestime: às
vezes me faço de cego para ver mais longe”. Quem diz não sou eu, nem Manoel de Barros, mas Cazuza. E hoje eu também não me faço de cega. Durmo
com os olhos abertos, guardiã das &amp;nbsp;presenças estacionadas a meu
lado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-5065601927066509569?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/MwMyVVbBk3ZQ5dcnY4R0S2kq8c8/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/MwMyVVbBk3ZQ5dcnY4R0S2kq8c8/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
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porque o equilíbrio&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
é precário&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-o0CD-m8Zj-Y/TyEft4OHKjI/AAAAAAAABVM/Uj8KygKjQr8/s1600/panelas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://2.bp.blogspot.com/-o0CD-m8Zj-Y/TyEft4OHKjI/AAAAAAAABVM/Uj8KygKjQr8/s640/panelas.jpg" width="220" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Nada como uma mudança para
perceber a quantidade de coisas que se juntam, por dentro e por fora da alma, e
não é possível carregar. Por não conseguir que seja de outra forma, muito
ficará nos sótãos, aguardando o tempo e a coragem de mexer em guardados mais
antigos, ou escondidos. Já há bastante com o que as prateleiras seguram, os
armários guardam, as gavetas escondem.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Começo pela cozinha. E logo me
pergunto por que por aqui, pelas panelas. A cada uma que espano, a lembrança do
que conteve. Histórias que não tenho tempo pra parar e pensar, sequer escrever,
porque o tempo ruge, e a tentação de ficar-se no passado por mais tempo pode
atrasar-me o futuro.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Vêm ver o que me acontece – achei
que estava rindo por dentro, mas não: é por fora também. Nesta casa vazia de
crianças que viajam, filho grande que já se foi, até meu pensamento se torna
audível. Divirto-me dando nome a cada panela, ligado à sua memória mais
marcante. E assim todas recebem nomes de amigos que aqui ficam – “aqui”,
note-se, sendo o espaço do meu coração, que amigos não precisam de casas, nem
de cidades, nem de distâncias que se materializam só nos mapas rodoviários.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Panelas são seres intrigantes,
como os amigos. Umas, entregam-se sem medidas; cozinham qualquer coisa, sorriem
para qualquer ingrediente, gostam de qualquer colher, não quebram e raramente
trincam. E, mesmo quando o fazem, descobrem-se úteis de outras maneiras, ou
apenas enfeitam a vida da gente, guardando a história numa prateleira para onde
se olha de quando em quando em busca de conforto. Outras, têm seus caprichos:
não falam com este ou aquele tempero, discutem com a colher, deixam cair a
tampa. Há as que sempre queimam as coisas no fundo, deixando aquela crosta
esturricada que dá trabalho depois a quem a lava. As que derramam com incrível
facilidade. As que sujam tudo em volta. As que resistem a sair do armário,
ficam escondidas lá no fundo, quietas mas (eu sei) atentas. Não as quero trazer
pra fora antes do tempo. Uma coisa aprendi (espero): a respeitar o Tempo.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Decidi, anos atrás, pendurar
algumas do teto, para desocupar os espaços e livrá-las de estar por baixo da pia, escondidas atrás da cortina de chita. Naquela altura, logo percebi que
esse lugar se destina apenas a algumas, especialmente às que têm cabos longos porque
gostam que as peguem de longe, sem muita proximidade com as mãos. Tudo bem. Abaixo
delas, sob a bancada, uma pilha de panelas grandes e bojudas, umas de pedra, outras de barro. Acomodam-se umas às outras, uma irmandade serena que insiste em ir inteira para
cima do fogão: em dia de seu uso, são quatro, cinco, seis coisas diferentes,
tudo borbulhando sob o fogo, numa conversa gostosa de comadres que por fim se
encontraram no seu lugar preferido. Quando olham para cima, para as distantes
panelas de cabo, riem e cochicham umas com as outras, numa alegria simples de
gente que gosta de se divertir e aproveitar o que tem a seu lado. São, por excelência, as panelas das sopas.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
As frigideiras são um caso à
parte. Rasas, mas surpreendentes. Cheias de matizes. Aqui em casa, as
preferências dirigem-se mais às frigideiras do que às panelas. Talvez porque a
receita familiar que se aprende primeiro seja a das panquecas. Eu gosto da que
me queima as mãos se esqueço do pano que lhe cubra o cabo. Mais ninguém gosta,
e ela e eu olhamo-nos cúmplices.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Fogo é coisa que as panelas
sentem de forma diferente. Estas daqui, à minha direita, gostam do fogão de
lenha aberto, o fogo esperto de lenha seca, o calor repentino, que atordoa, que atiça
o cheiro do tempero sem perder tempo. Outras, preferem a chapa do
fogão, o calor que se espalha queimando quem se aproxima, o chiado que
provocam ao saírem molhadas da pia e irem direto pro fogo. Já as
da esquerda preferem a serenidade azulada da chama do gás, não gostam da
sujeira do carvão, nem dessa overdose de cheiros que eu insisto em criar na
cozinha quando acendo a lenha e espalho alecrim na chapa. São panelas
comportadas e ordeiras, das que se usam no dia a dia.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Olho a pilha de panelas que
formei diante de mim, todas expectantes. Sinto-lhes a agonia do saber estarem
sendo escolhidas ou preteridas. Estou parada e quieta diante desse grupo de
amigos e percebo que não há nenhum que eu possa deixar para trás. Num suspiro
aliviado, começo a embrulhá-las &amp;nbsp;a todas em jornal do dia de ontem.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-3782292128103671523?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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porque&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
a memória guarda o que quer&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
onde quer&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
como quer&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-7HHYeDoZaEA/Tx4KDuLxVUI/AAAAAAAABVE/iJjvxuZisnY/s1600/renascer+web.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-7HHYeDoZaEA/Tx4KDuLxVUI/AAAAAAAABVE/iJjvxuZisnY/s400/renascer+web.jpg" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span id="goog_229955488"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span id="goog_229955489"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Dentre os muitos prefixos
linguísticos, essas pequenas partículas capazes de subverter, reforçar ou reencaminhar as raízes a que se ligam, há dois que prefiro: &lt;i&gt;re&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;co&lt;/i&gt;. Coisas que gregos e latinos
inventaram para nos fazerem pensar. Neste caso, ambos têm a sua origem em Roma.
E vêm em meu socorro para entender coisas simples que de repente se tornam
complexas - porque só as palavras têm esse dom.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;Re&lt;/i&gt;&amp;nbsp;responde usualmente pelo fazer de novo, pelo ir para trás e re-petir (pedir outra vez, no original), re-gredir, re-iterar, re-começar, re-cordar, re-gurgitar... Ações que, teimosas dentro delas mesmas, se necessitam re-visitadas, re-avaliadas. Ações que demandam que o pensamento re-flexivo se apresente e ajude a re-tomar situações. Não é necessária a ação concreta de duas ou mais partes, embora todas existam, e possam até ser levadas em conta.&amp;nbsp;&lt;i&gt;Co&lt;/i&gt;, por outro lado, atende por tudo o que pede concomitância, ação conjunta, companhia: lá estão as ações de co-mando, os
movimentos de co-operação, a necessidade de co-rroborar, de co-ordenar, de
co-laborar. Tudo junto, numa ideia de co-rrespondência entre as partes, entre
os lados, entre os cenários. Difícil usar essas duas letras que parecem tão
pequenas para alguma coisa que se queira isolada, separada, segregada, contida
e alheia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Os anos fartos e generosos de
Demétria preencheram-me de inúmeros aprendizados que começam com essas duas
pequenas sílabas. Re-aprendi e re-descobri a cantar, a tecer, a tocar, a fazer, a amar, a falar, a gesticular, a calar, a escrever, a compartilhar, a ser franca; co-munguei de tanto e co-rrespondi e fui co-rrespondida em tantos sorrisos e afetos, que quase me sinto grávida de tão plena: tão grávida
quanto da última vez, a que fez nascer minha sétima filha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegada imprevista, a
meio de uma noite que se tornou insônia inquieta e não descansou a não ser
quando quatro diferentes testes de gravidez foram comprados. Todos positivos em
poucos segundos. Não havia lugar para dúvida. Por muitos &lt;i&gt;re&lt;/i&gt; que tentássemos,
uma nova vida se insinuava pela fresta da porta, impreterível, inalienável. E,
durante uns dias, impronunciável. Demorou a transformar-se em &lt;i&gt;co&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Não é tão fácil apresentar-se a
si mesma, e depois aos outros, numa sétima gestação. Por muito que se goste do
estado interessante (e eu gosto), é como diz a amiga Marina: saímos fora de
qualquer estatística, difícil conviver com o próprio lugar sem angústias. Sem
ter o que re-pensar nem o que re-avaliar, um pouco de re-planejar talvez mas não
ainda, fiquei aliviada quando o início das aulas se aproximou, e com ele o
planejamento escolar, o re-encontro com o co-legiado de professores da Aitiara,
a volta à vida com sentido, nesse sem sentido que pareceu essa de repente nova
vida a caminho. &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Atividade da primeira hora: um
pouco da biografia de cada um, porque a história faz-nos, e o ato de nos
fazermos história faz com que nos aproximemos uns dos outros. Ana Paula, hoje
em terras catarinenses, termina seu relato contando da chegada dos filhos, o
como marcou indelével a nova face da sua vida. Sem grandes planejamentos, algo
me impele a que emende ao seu final o meu começo, adiantando dentro desse
círculo mágico a gravidez invisível, numa necessidade súbita de que se tornasse
real ali, o ventre cheio, e não apenas dentro de mim e da minha casa, grupos dividindo espaços imensos em meu coração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os muitos &lt;i&gt;co&lt;/i&gt; que
nasceram na minha vida dentro desse ser chamado co-legiado de professores, figura a aceitação plena dessa gravidez, a alegria de dividir a minha própria
alegria latente com quem está ao meu lado e com quem com um apenas olhar me diz aceitar o desafio de se
fazer junto na vida. Claro que não para sempre, já diz a música que o pra sempre sempre acaba, mas por muitos e muitos meses, nas mais variadas e desafiantes configurações, esse ser formado em círculo foi manancial de confiança e alegria, um amor destemido daqueles que se querem raros para que não nos acostumemos muito e achemos que são fáceis, banais e que podem re-fazer-se a qualquer tempo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-2929456751418454682?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/N2N35RSSHqjbbSoH9N5Xylbpm3o/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/N2N35RSSHqjbbSoH9N5Xylbpm3o/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/N2N35RSSHqjbbSoH9N5Xylbpm3o/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/N2N35RSSHqjbbSoH9N5Xylbpm3o/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/yQbIfYmB7Ng" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/2929456751418454682/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2012/01/despedidas-iii.html#comment-form" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/2929456751418454682?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/2929456751418454682?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/yQbIfYmB7Ng/despedidas-iii.html" title="Despedidas III" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-7HHYeDoZaEA/Tx4KDuLxVUI/AAAAAAAABVE/iJjvxuZisnY/s72-c/renascer+web.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2012/01/despedidas-iii.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CkcGRnw-eyp7ImA9WhRUEUk.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-1737878066925732190</id><published>2012-01-21T08:00:00.000-02:00</published><updated>2012-01-21T08:00:27.253-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-21T08:00:27.253-02:00</app:edited><title>Despedidas II</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;
&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;porque&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;
&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;"amar o perdido&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;
&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;deixa confundido&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;
&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;o próprio coração"&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;
&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-90SyJdlvBmY/TxqJ88OL8wI/AAAAAAAABU8/_XGqoyr7cn4/s1600/lagoa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-90SyJdlvBmY/TxqJ88OL8wI/AAAAAAAABU8/_XGqoyr7cn4/s1600/lagoa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;
&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: xx-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;
&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Por entre o nascer deste dia, amanheço
na lagoa. As mãos do homem pintor puxam-me a memória para trás, as árvores
refletidas na superfície parada da água, sentinelas do umbral que preciso
reconhecer para voltar a mim mesma sem me perder na memória alheia. Sei que sou
puxada para o interior de um fruto, habitado por quem já amadureceu semente e
brotou futuro. Deixo-me conduzir de olhos fechados, à espera da primeira
visita.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;
&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Subitamente a meu lado, entre os
canteiros das pistas de uma Fernão Dias ainda em obras, Richard, Rodrigo e eu
colhemos sementes de crotalária, esperança brilhante de sol em viagem de
reconhecimento, levando o quase-menino Clóvis numa tentativa de salvação. Seu
riso límpido, desconcertado por ser tratado como anjo sem que ninguém o tivesse
avisado de que essa foi um dia a sua natureza, levanta-se das águas escuras da
lagoa. Faz-me olhar em outra direção, na direção da estrada por onde
desce um Rubens desvelado em Antonio, dois sorrisos no mesmo rosto amplo e
claro e manso, na mesma crença absoluta na bondade do mundo. Atrás dele, numa
repentina procissão, cada uma das fitas coloridas do mundo de Marielza, a
leveza recusando ser peso, o peso admitindo a leveza. E no meio de tudo isso,
do outro lado da estrada em que as crotalárias florescem e germinam sem ação do
homem, por trás desse tempo sem tempo em que amanhece a lagoa, vejo uma
silhueta de mulher fortaleza no seu acordar de manhã, o caramanchão da varanda
trocado pelo muro libertador do prédio em frente, o vaso de flores maduras à
janela, numa lembrança fortalecida do horizonte antigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;
&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Se desconcerto o sol que nasce e apago
a luz, há muitos pares de olhos que se recolhem para dentro das águas desta
lagoa, uns antigos como os de Laurinha, numa saudação do outro lado da vida,
outros nem tanto como os de Karin, do outro lado da mesma vida redescoberta, e
me pergunto quem se exilou e quem simplesmente partiu. Aqueles que se aglutinam em mim
e me lembram de que sou muitos para constituir-me eu própria, saúdam a minha
também agora partida. E não há peso. E não há dor. E não há sequer o que
umedeça os olhos, apesar da imensidão que me invade. O sol que dispensa a treva, sem lhe perguntar se é hora,
curva-se e dobra-se até o assoalho verde, uma relva molhada que se agarra a
meus pés e me diz que espere ainda, que não me atrapalhe num reconhecer confuso
de cada centímetro de percepção do que ainda foi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;
&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;E, simples e sorrateiro, aproxima-se o
sentimento que persigo, diante dos meus olhos como névoa que uma garrafa de
gênio começasse a desprender, uma garrafa de gênio em minhas mãos que esfreguei
sem saber que esfregava. Nem quase ainda tem nome, mas acompanha-me todas as
horas, acorda quando acordo e sabe que o faço a seu lado. À sua morada, dou o
nome de gratidão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;
&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;
&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right;"&gt;
&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: xx-small;"&gt;* Memória, Carlos Drummond de Andrade&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right;"&gt;
&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: xx-small;"&gt;Foto: Samuel Balsalobre Athias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-1737878066925732190?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/QjZGyKXSfuOQHQyLzCeibZq6w9Q/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/QjZGyKXSfuOQHQyLzCeibZq6w9Q/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/QjZGyKXSfuOQHQyLzCeibZq6w9Q/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/QjZGyKXSfuOQHQyLzCeibZq6w9Q/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/sOw4cY8eIh4" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/1737878066925732190/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2012/01/despedidas-ii.html#comment-form" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/1737878066925732190?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/1737878066925732190?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/sOw4cY8eIh4/despedidas-ii.html" title="Despedidas II" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-90SyJdlvBmY/TxqJ88OL8wI/AAAAAAAABU8/_XGqoyr7cn4/s72-c/lagoa.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2012/01/despedidas-ii.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;A0cMQXk_fCp7ImA9WhRUEEk.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-857772270569755399</id><published>2012-01-20T06:10:00.000-02:00</published><updated>2012-01-20T06:44:40.744-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-20T06:44:40.744-02:00</app:edited><title>Despedidas - I</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;
porque&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: center;"&gt;
“as coisas findas,&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: center;"&gt;
muito mais que lindas, &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: center;"&gt;
essas ficarão”&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: right;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-nIjdsvBn9G0/TxkeedUIEOI/AAAAAAAABU0/4f4q8H5CUOk/s1600/%25C3%25A1rvores.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-nIjdsvBn9G0/TxkeedUIEOI/AAAAAAAABU0/4f4q8H5CUOk/s1600/%25C3%25A1rvores.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: left;"&gt;
(I - porque&amp;nbsp;a vida
demanda tempo e palavra para qualquer verdadeira despedida)&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Foi agora mesmo, fim de
madrugada. Levantou-se um vento diante da minha janela, um vento que pareceu
nascer nas profundezas do chão e içar-se pelos troncos das árvores, agitar-se nas
folhas e estender-se por sobre o teto da minha casa. Como uma mão que acenasse
um adeus ainda prematuro, um presságio em forma de anúncio, um sinal de advertência;
uma mão que duvidasse entre a separação e o distanciamento e o manter-se linha
de pesca que suporte os quilos da distância, a pressão da saudade, o cimento preciso
para alicerçar a continuação do caminho. &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
As madrugadas costumam colher-me
grávida de palavras que descem sorrateiras pelo meio dos meus sonhos. Nos
últimos anos, tenho me levantado a meio delas, para aprender que correr à
escrita é o alívio de alma que me inicia. Perco horas de sono para ganhar horas
de vida. Uma vida que reconheço, com a ajuda dos leitores do que resulta de
tudo isso, na palavra que escoa de dentro de mim e se transformou, num pouco a
pouco perseverante, na maior razão e tarefa de ser o tempo que sou.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
O vento desta madrugada acorda-me
feito um sacramento. Faz-me levantar, escrever e fechar os olhos. Ouvir no
silêncio entrecortado pelos primeiros galos e pelas últimas cigarras um mundo
que se liquefaz perante meus olhos, enquanto dinâmico e vivo se solidifica para outros. E eu preciso acreditar que é assim, a
vida, as idas e as vindas como sempre dizemos, especialmente quando precisamos
mudar em direções para as quais temos mais certezas que dúvidas. Não sei qual
dos pratos da minha balança pesa ou se torna mais leve. Assim que acho que é o
da direita, percebo que é o da esquerda, e em pouco tempo me dou conta de que a
minha balança tem muitos, muitos pratos, e por todos eles dou graças e sorrio, ainda que me doam, e porque seu peso e leveza permanecerá por muito tempo em mim, ainda e porque tantas coisas.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Vários anos atrás, poucas horas
depois do nascimento de um dos filhos que respirou pela primeira vez dentro das
paredes desta casa, um coral de vozes surgiu do meio do escuro para cantar o
recém chegado, como uma brisa que chegasse de mansinho e se instalasse à
entrada da vida. Abri a porta devagarinho, sequer pude articular palavra. Agora
que o dia começa a raiar lá fora, fecho a porta uma última vez; devagar, como
naquela outra noite; ainda ouço em meus ouvidos a música de louvor aos que
chegam de novo, a cada dia. Que este seja um bom dia.&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;
&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;
&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;
&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;* "Memória", Carlos Drummond de Andrade&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-857772270569755399?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Vez por outra gosto de reler um
texto de Paulo Freire, um texto curto, fruto de uma palestra dada em 1981 e
incluída anos depois pela Cortez num pequeno livro: “A importância do ato
de ler”. Dos três artigos que compõem o volume, é o primeiro que gosto de ler e
ler outra vez.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Volto a ele pelo significado
profundo que teve em diversos momentos da minha vida, da minha própria leitura
do mundo que me cerca, de mim mesma dentro desse mundo, desse mundo que se
avoluma e de repente me toma inteira por dentro. Paulo volta, nesse texto, à
leitura dos primeiros signos da sua vida, a casa em que nasceu no Recife, as
avencas de sua mãe, as grandes árvores no quintal que o viram pôr-se de pé, andar
e aprender a ler – assim, nessa sequência singela e simples. Uma infância
permeada pelos signos que ele, como ninguém, soube entender conectados a todos os
outros que constroem a nossa vida, representações da realidade onde inclui com
especial reverência as linguísticos – a “palavramundo”. Textos encarnados no “canto
dos pássaros, na dança das copas das árvores anunciando tempestade, na cor das
folhagens, na forma das folhas, no cheiro das flores”. E numa transição terna, numa
saudade que apelida de “mansa”, Paulo absorve e multiplica, junto a esses
signos, o da leitura dos livros que inspiraram, ampliaram e modificaram a sua
representação do que é o mundo.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Guiada pelas suas mãos, passeio mais
uma vez pelos signos da leitura do meu próprio lugar e tempo; os que me rodeiam
agora e os que já me deixaram, deixando-me impressa com a sua forma passada, sem
saber então o que viria a ser de mim sob a sua marca. Anos atrás, num dos
momentos de releitura desse texto, decidi lê-lo com um grupo de alunos – jovens
que pensaram não entender o que dizia, que relação teria tudo aquilo com eles
próprios, sua própria vida, a sua necessidade de leitura construindo-se ainda
tão diáfana. Há dias, um deles me escreve, e me diz que de repente se lembrou
de tudo aquilo, do que Paulo Freire dizia, e se surpreendeu de não ter percebido
então o que no fundo já tinha feito sentido. Só que ele não percebera. Mas
guardara.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
A verdade é que passamos a vida
lendo, às vezes sem consciência disso, e essa leitura acomoda-se dentro de nós
à espera que demos por ela. Com sorte, mais tarde ou mais cedo é isso que nos
acontece. A alguns a tarefa de ler como comumente se entende a leitura é
custosa, doída: livros, textos compridos, que demandam concentração que às
vezes falha, numa obrigação que nenhuma leitura comporta, porque ler é condição
libertária, ave bala cabralina exigindo o oxigênio da sua sobrevivência. Em
todos os outros momentos, seguimos vida afora lendo, sem saber que lemos – lemos
as indicações da vida no que é óbvio e no que nem tanto, lemos os signos e as
contas, os búzios, as estrelas, as cartas, os olhares, o toque do outro fundo
em nossa carne. Lemos de cabeça inclinada e coração em sangue, a pele exposta
vulnerável, as carícias e as palavras da vida numa aragem que não se esgota nem
mesmo quando já passou. Gosto de pensar que, no dia de hoje, conseguirei
ocupar-me por inteiro com a leitura do que me rodeia; uma leitura leve, correta,
consciente, consequente, daquele tipo que me liberta, disponibiliza e autentica,
num passeio que me leve aos mesmos bons caminhos que Paulo Freire consagrou sob
seus pés.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-6873556825797491889?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/gbJGBqEmK_V21UW0Ind4Bl-NpVY/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/gbJGBqEmK_V21UW0Ind4Bl-NpVY/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/gbJGBqEmK_V21UW0Ind4Bl-NpVY/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/gbJGBqEmK_V21UW0Ind4Bl-NpVY/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/Fa0lNLxjNNo" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/6873556825797491889/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2012/01/atos.html#comment-form" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/6873556825797491889?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/6873556825797491889?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/Fa0lNLxjNNo/atos.html" title="Atos" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2012/01/atos.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;A0QNRng_eCp7ImA9WhRVFEo.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-3186034890850286994</id><published>2012-01-13T16:29:00.000-02:00</published><updated>2012-01-13T16:29:57.640-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-13T16:29:57.640-02:00</app:edited><title>Perturbação</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
A pergunta veio insuspeita, assim
como quem não quer saber nada mas pergunta; recebeu um silêncio espesso como
resposta, um ”aguarda” que logo se resolveu numa só palavra, saída repentina da
minha boca, como se minhas gengivas decidissem sentir enquanto o coração espera.
Uma resposta em forma de parto, um expulsar tântrico de palavra resumo.
Perguntam-me o que me faz escrever hoje, e eu só consigo ver diante de mim essa
palavra: perturbação.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Uma perturbação provocada pelo exercício
das palavras, do diálogo entre elas, de uma espécie de movimento longínquo que não se afasta nem no espaço nem no tempo: passadas horas, está aqui sem que se veja, sentada ao
meu lado, palpitante nos veios da memória recente. &amp;nbsp;É o estado de perturbação que me provoca a
escrita, respondo.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Decido investigar, para
entender-me melhor e aprender a dar respostas que se comportem. Ir ao dicionário, aqui, pouco ajuda: perturbação é
coisa ruim, parece, à primeira vista. Coisa de tumulto, distúrbio, mal estar
passageiro, desordem, confusão. A minha perturbação não se alinha nesse verbete.
E lá na última linha, quando acho que nada faz sentido, um sinônimo acomoda-se
ao que sinto - ali escondido quase no fim da página, como se talvez pensasse
pertencer a outro lugar. Perturbação sinônimo de comoção, emoção profunda que
acorda, provoca, move e faz mover. Perturbação sinônima de motim, revolta do
tempo, de um ser que se altera sem que o faça a sua estrutura. Um tempo de
costas viradas aos relógios concretos, endurecidos, ponteiros amarrados ao aço
frio dos mecanismos exatos.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Esta minha perturbação é filha do
inesperado, um espanto que dispensa explicações. As palavras que faz nascer
escapam por entre os espaços dos meus dedos - seja verso, seja prosa, um tropel
incontido que eu só observo deste meu posto de escrevente. Não, não as psicografo. Sinto-as nascer e tomarem forma, buscarem seu espaço preciso no papel. Não sei se nascem dentro, ou se sou eu que nasço dentro delas. É mais provável que seja a segunda opção. Permito-lhes a ida e a vinda, o retorno, a variação, a dúvida, o
olho fechado, a espera, a mão que se apoia para aconselhar ao coração que vibre mais
baixo. Sou toda sua, numa entrega que se diz destino, que se esgueira e me
desarma as indecisões, as manias, os pensamentos fossilizados, as
inconvenientes esquinas em que estacionamos a alma de vez em quando. Vou-me ao
papel e à tinta e retorno fortalecida, alma e coração e corpo em calma, em
alívio, à espera da próxima perturbação feita palavra. Enquanto isso, volto ao domínio da ficção, palavra que chega com mais vagar e trabalho, de onde saio ultimamente só e apenas para pensar na gênese que a torna fartura à minha porta. Ou para responder aos bons amigos, que inspiram e perturbam os meus caminhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-3186034890850286994?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/oEJsqCZyf9KsrY0joPKqmMhjaXg/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/oEJsqCZyf9KsrY0joPKqmMhjaXg/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/oEJsqCZyf9KsrY0joPKqmMhjaXg/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/oEJsqCZyf9KsrY0joPKqmMhjaXg/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/S2RZslSQX3o" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/3186034890850286994/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2012/01/perturbacao.html#comment-form" title="10 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/3186034890850286994?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/3186034890850286994?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/S2RZslSQX3o/perturbacao.html" title="Perturbação" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><thr:total>10</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2012/01/perturbacao.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DU4CQ3c_fSp7ImA9WhRVEkg.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-3498830685203610860</id><published>2012-01-11T02:59:00.000-02:00</published><updated>2012-01-11T02:59:22.945-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-11T02:59:22.945-02:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="fado" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="amigos" /><title>Fado</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-1O80bduxDiw/TuF-sS2s7II/AAAAAAAABSY/WpT97eR5JWw/s1600/Fado.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="313" src="http://1.bp.blogspot.com/-1O80bduxDiw/TuF-sS2s7II/AAAAAAAABSY/WpT97eR5JWw/s400/Fado.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Há coisas que exercem um fascínio
peculiar. Parecem pertencer a outro momento de nós próprios, um outro lugar de
outro tempo em que éramos outras pessoas. O fado é isso, na minha vida.
Reconheço a minha infância inteira nas letras que ouço, nas melodias que entram
por mim adentro, sem respeitar as portas que fui instalando ao longo da vida.
As novas paredes com que decorei o meu interior sucumbem ao arremesso do dedilhado da guitarra e, quando dou por mim, já estou a cantar baixinho. Nem sei se quero,
mas os olhos fecham-se sem que eu os comande, e em dois segundos tenho diante
de mim as águas do Tejo, o poente, as curvas da estrada de Cascais, a noite
estendida pelas vielas estreitas dos bairros populares de Lisboa. Porções
generosas de melancolia acompanhadas de sardinhas e vinho da casa numa tasca qualquer da Estrela. O ponto mais
ocidental da Europa a bater nas janelas da casa que alicercei em terras
brasileiras.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Nos últimos anos reaproximei-me
do fado graças aos amigos que me puxaram de volta a ele. Com eles, creio que sem
que o saibam, repaginei a figura do meu pai, a penumbra avermelhada das casas de fados que
o fascinavam (e a mim como consequência), as noites que pareciam não ter fim, os olhos
marejados a meio delas, os discos a ocuparem o espaço da casa em que não havia livros. &amp;nbsp;Com ele, o fado,
despedi-me finalmente dessa figura paterna que, como tantas em tantos, desperta
emoções e lembranças tão contraditórias. Ficaram-me, assim espero, os bons
momentos; aboli os demais como se abolem os vincos da roupa quando a passamos a
ferro. O calor, a atenção e o cuidado para que nada se perca, nada se queime e
a vida se apresente inteira como se fosse nova. Dobro-os com cuidado, engomados
e brancos como as camisas alentejanas que se mandam bordar a vermelho, dentro de uma gaveta que possa levar
comigo e abrir quando e se for preciso. Mas nem quero que seja, para não
precisar repetir gestos antigos no futuro que está tão próximo.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Devo, a esses amigos, a conciliação com a melancolia
que me corre por dentro mas não chego a reconhecer como minha, porque me cansa, porque faz tempo, porque pertence a alguém que se encontrou no meio do caminho
e decidiu-se por outras paisagens; concilio-me porque a deposito toda dentro do
fado, dentro dessa forma de destino que assume voz e música como protagonistas
e me livra, a mim, de transportá-la para a vida de todos os dias. Como se
abrisse um interregno na vida de quem reconheço ao espelho, e pudesse voltar
atrás, como quem pisa nas próprias pegadas sem olhar para trás.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;(Imagem: "Fado", de José Malhoa)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-3498830685203610860?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/mM8nKZpbhedr4cUN9Xx0LzcD87w/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/mM8nKZpbhedr4cUN9Xx0LzcD87w/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
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&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-qA8BxXXc2Bw/TwIETlHnjZI/AAAAAAAABUg/BzhoP9iYBKc/s1600/reaproveitando-livros-antigos8.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="221" src="http://3.bp.blogspot.com/-qA8BxXXc2Bw/TwIETlHnjZI/AAAAAAAABUg/BzhoP9iYBKc/s400/reaproveitando-livros-antigos8.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Escrever uma história faz desaguar
uma imensidão de outras histórias. Estou tentando chegar a qualquer estágio que
possa chamar de “finalizado” de uma história longa, mas a cada dia infiltram-se
dentro de mim novas histórias, ligadas àquela, e com elas a necessidade de
saber algo que não sei – portanto, lá vou pesquisar, e assim o final cada vez
se desaproxima mais de mim. Ainda não sei se é uma vantagem ou um
inconveniente.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Procurar informações é coisa que
gosto realmente de fazer. Em tempos de internet é uma alegria só, tudo a quase
só um clique – dois ou três, na verdade, porque é preciso checar e rechecar as
informações conseguidas. Mas é uma diversão só do mesmo jeito, até porque eu me
pego rindo o tempo inteiro, feliz de ver o tamanho do quanto o ser humano é
capaz de interessar-se por coisas tão variadas, e compartilhar o que sabe com
os demais.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Dentro da história que me tem em
mãos (porque já passei do ponto em que eu (achava que) a tinha nas minhas próprias),
aparece-me de repente um livro antigo, com data de impressão de 1888, um
espécime daqueles que precisavam ser abertos pelos seus primeiros donos, com
aquelas faquinhas que os avôs burgueses ofereciam de presente de aniversário a
seus netos nos natais de meados do século XIX – o status da leitura alcançava
cada vez mais pessoas à época, e as tais faquinhas (cabo de osso, cabo de
madeira, cabo de pedraria trabalhada) foram um hit das compras naqueles tempos.
&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Os cortes dessas faquinhas
deixavam uma peculiar textura no corte das folhas, irregular e manual, e é
justamente para essa sensação concreta que eu preciso achar uma palavra, que a
um só tempo descreva a textura, o sentimento, a tepidez desse tempo gasto em
abrir folha a folha a história de uma história, e deixar essa marca inconfundível
no corte de frente do livro. &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Por isso a pesquisa: que terão
dito outros sobre essa impressão, essa percepção tátil tão sutil e ao mesmo
tempo tão potente? Eu mesma abri vários livros dessa forma, de Júlio Dinis a
Vitorino Nemésio, mesmo tendo o século XIX beeeeem às minhas costas – mas não consigo
evocar em uma palavra o sentimento nostálgico que me provoca lembrar o desejo
de não antecipar o que vinha depois, abrindo mão de abrir tudo ao mesmo tempo.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Nessa pesquisa, descubro um
alfarrabista dedicado aos livros raros: entre outras coisas, tem à venda um
João Cabral, “O engenheiro”, autografado e dedicado (carinhosamente dedicado,
diga-se de passagem) por R$2.900,; um Guimarães, um Mário de Andrade, todos
eles autografados e a esses preços que só podem me fazer mesmo sorrir...
Algumas dedicatórias mais entusiasmadas (mais caras); outras mais protocolares
(entre as caras, as mais baratas). Descubro também uma pequena gráfica do norte
do Rio de Janeiro que publica tiragens pequenas com o detalhe do “primor da
perfeição”, pago conforme: uma luxúria de possibilidades de acabamento, de
papeis, de dobraduras, de cortes, de aberturas, de fechos, de facas especiais
que recortam silhuetas também especiais em qualquer tipo de papel.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
O livro do meu livro aguarda
pacientemente na janela aberta do editor de textos, piscando aqui embaixo, doido
pra chamar a minha atenção para o que deve ser o centro inequívoco do meu
interesse e trabalho – um piscar tranquilo, certo de que em algum momento desse
prolixo divagar pelas informações do mundo virtual eu me lembrarei de que ele
precisa de uma palavra para se tornar visível. Para ser real. Para permitir que
eu feche os olhos e veja o onde, o como e o com quem. Para que eu possa
tornar-me papel e deixar de ser sangue incandescente nas artérias.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;
(Termino sem a
palavra... se houver quem queira colaborar, será uma alegria!)&lt;/div&gt;
&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;
(A foto é de um projeto do blog &lt;b&gt;3 R's&lt;/b&gt;&amp;nbsp;:&lt;/div&gt;
&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;
&amp;nbsp;&lt;a href="http://the3rsblog.wordpress.com/2011/03/07/project-19-week-22-book-pages-pendant-lantern/"&gt;http://the3rsblog.wordpress.com/2011/03/07/project-19-week-22-book-pages-pendant-lantern/&lt;/a&gt;&amp;nbsp;)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-5721679730807155791?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/tFEQoBwmxBBXKObgZfDClaEv6us/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/tFEQoBwmxBBXKObgZfDClaEv6us/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/tFEQoBwmxBBXKObgZfDClaEv6us/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/tFEQoBwmxBBXKObgZfDClaEv6us/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/LRuM9embFHc" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/5721679730807155791/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2012/01/livros-dentro-dos-livros.html#comment-form" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/5721679730807155791?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/5721679730807155791?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/LRuM9embFHc/livros-dentro-dos-livros.html" title="Livros dentro dos livros" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-qA8BxXXc2Bw/TwIETlHnjZI/AAAAAAAABUg/BzhoP9iYBKc/s72-c/reaproveitando-livros-antigos8.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2012/01/livros-dentro-dos-livros.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEUGRH07fyp7ImA9WhRXFko.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-5190028497702275989</id><published>2011-12-22T14:10:00.000-02:00</published><updated>2011-12-23T18:30:25.307-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-12-23T18:30:25.307-02:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="despedidas" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="separação" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="amigos" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="família" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="ser professor" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fábio Cortés Machado Ribeiro" /><title>Meus amigos</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;
&lt;i&gt;Ao Fábio Cortés&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-za9v3-SJZSY/TvNUWA6J9yI/AAAAAAAABTQ/fLIv3h4L-aM/s1600/sala+12.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://1.bp.blogspot.com/-za9v3-SJZSY/TvNUWA6J9yI/AAAAAAAABTQ/fLIv3h4L-aM/s400/sala+12.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;Um dos alegados defeitos do meu
pai era dar mais atenção a seus amigos do que a sua família – nada que a mim
particularmente me ocupasse, gostava do trânsito frequente de pessoas que
(ainda) não conhecia. E ele me dizia, várias vezes e sem querer desculpar-se,
que os amigos eram seus mais preciosos tesouros, aqueles que podia escolher e
deixar de escolher. &amp;nbsp;Meu pai era um bom
amigo, capaz de tirar seu casaco e congelar, contanto que seu amigo se
aquecesse. Algumas das suas dívidas derivam dessa qualidade chamada defeito.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Na formatura do nosso querido Fábio, ouvi dele
que ficava feliz por perceber que éramos amigos. Que transcendêramos a relação professora-aluno,
tutora-aluno, para nos equilibrarmos nesse terreno ensolarado e cheio de curvas
que é a amizade. Meus olhos devem ter brilhado nesse momento, tanto o quanto
agora se enchem de lágrimas, e ele certamente percebeu, porque me abraçou como
costumava, fazendo soar meus ossos numa demonstração de afeto linda, livre e
aberta, tal qual ele próprio. Agora que ele não mais ocupa o lugar físico que
ocupou ao nosso lado, rodeia-nos um imenso lago de memória brilhante onde não
podemos mergulhar porque nessas águas ainda não sabemos nadar. Fica uma imensa saudade
que não preencheremos a não ser com os olhos fechados, cheios da imagem desse
garoto-homem cheio de simpatia, um instante preso entre dois retalhos de
lembranças que nos chegam de repente e nos fazem parar o que fazemos para
retomar o fôlego e não nos afogarmos em lágrimas.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
O Fábio tinha uma caligrafia
marcante, inconfundível entre todas as outras. Preferia o lápis preto, grosso,
a outros materiais e desenhava as suas letras com força e determinação, muitos riscos
para cada traço, numa inclinação avessa a catalogações. Olhava para seu caderno
e desgostava. E aquela letra rasgada, vitrine de inconformismo, chamava a minha
atenção e agradava-me. &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Nem todos os lados do Fábio
viviam do lado de fora. A imensa vontade de acertar e conseguir ser aquilo que
queriam que ele fosse não estava à vista de todos, talvez pela sua inquieta
irreverência, tão veloz e rápida quanto o ouço agora recitar, com o seu acento
carioca, o poema que escolheu gravar há 5 anos. &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Bia, sua mãe, soube apaziguar e
contemplar a vontade de Fábio com a qualidade da espera, quantas vezes com o
coração em sobressalto. Dizia-lhe eu esta manhã que foi uma sorte o Fábio ter
podido fazer todos os piercings que fez – apesar das críticas e dos narizes
torcidos alheios, ele galgou os degraus do ensino médio da Aitiara com suas
duas argolas pretas nos lábios com o mesmo sorriso com que gentilmente me pediu,
meses depois, que as guardasse antes de cada jogo de handebol no torneio interwaldorf
em São Paulo. Três anos depois, descobriu com seu trabalho de conclusão de
curso que o alargador de orelha era antigamente usado, entre alguns povos, para
aumentar o contato com o mundo dos espíritos. Eu disse-lhe que talvez tivesse
sido esse o motivo da sua vontade, ainda que sem saber, e ele sorriu e não
disse nada.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Já houve quem me dissesse que a
relação que se constrói com alunos deve ser distante, permeada por alguma forma
de autoridade que, feliz ou infelizmente, não brota nas terras em que meu
coração foi semeado. Que alunos e amigos são coisas diferentes. Ontem pela
manhã, ao sair do culto em intenção do Fábio, pensei na felicidade que tenho
nos amigos que me rodeiam, ainda que partam sem aviso.Q&lt;span style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt; line-height: 115%;"&gt;ue&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;me escolheram e a quem
eu escolhi. Às vezes é uma felicidade doída, porque nos deixam saudosos sem
entender os porquês das partidas. Mas a felicidade é dessas coisas que
percebemos quando já se foram, ou quando antecipamos a sua vinda. A chegada do
Fábio à minha vida, com todos os amigos que chegaram com ele sob o codinome “alunos”,
abrilhanta o caminho da minha vida e ilumina o roteiro da minha existência.
Escolhem-me tanto quanto eu os escolho, e estaremos juntos sempre, por onde
quer que cada um decida misteriosamente passear os seus caminhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-5190028497702275989?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/0ANYP-7nzf4zK-DrkaWRMxrvZmw/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/0ANYP-7nzf4zK-DrkaWRMxrvZmw/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/0ANYP-7nzf4zK-DrkaWRMxrvZmw/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/0ANYP-7nzf4zK-DrkaWRMxrvZmw/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/vNPExznOWdM" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/5190028497702275989/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2011/12/meus-amigos.html#comment-form" title="14 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/5190028497702275989?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/5190028497702275989?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/vNPExznOWdM/meus-amigos.html" title="Meus amigos" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-za9v3-SJZSY/TvNUWA6J9yI/AAAAAAAABTQ/fLIv3h4L-aM/s72-c/sala+12.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>14</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2011/12/meus-amigos.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;D0IBSX0zcCp7ImA9WhRQE0U.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-4288849092469283719</id><published>2011-12-08T16:13:00.000-02:00</published><updated>2011-12-08T21:05:58.388-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-12-08T21:05:58.388-02:00</app:edited><title>Ensaio</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Hoje assombra-me um coração conciso. Fino
como tapete. Sintético como verbete de dicionário. Espremo-o, e o suco é
pouco. Não o provo, porque desconfio que possa amargar-me o tempo. Salvam-me um lápis denso, o papel, as palavras que me rondam. Esvoaçam em volta de mim como
noturnos insetos perdidos. (Nessa ordem é o seu esvoaçar: na noite, a asa, o
desestino.) &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Acendo-me e eles agitam-se mais;
posso ver-lhes, através do opaco que se instala no ar ao redor, as asas - e a letra com que iniciam seu nome. Só
assim meu coração sossega. Olha-se no espelho e diz-se: calma. Encolhe-se para
caber no tamanho da minha vida e diz-se: calma. Respira e avança despreocupado da
vidraça estilhaçada que lhe serve de chão e diz-se: calma. Olha-me com seu olho fixo, rebrilham fé e paciência caninas, e diz-se: calma. &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Pode ser que seja o Mercúrio
retrógrado. O inferno astral. A lua chegando ao seu desconfortável pleno. O dia de sol enevoado. A
vida cheia de coisas que não cabem nos poucos minutos com que se faz uma hora. O
desencaixe da alma. A saudade. A&amp;nbsp;falta dela. Os fechamentos de
um fim de ano.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Mas é só um coração conciso,
apertado entre o sentido e o prendido, o vazio e o transbordante, a firmeza e a
vontade gritante de se esvair como faz o sangue cáustico a inundá-lo, indiferente à
vida que nada entende.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-4288849092469283719?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/ROrR7QM76gDcSOKKEyBS_r3NeSY/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/ROrR7QM76gDcSOKKEyBS_r3NeSY/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/ROrR7QM76gDcSOKKEyBS_r3NeSY/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/ROrR7QM76gDcSOKKEyBS_r3NeSY/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/qM3AJemSRbo" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/4288849092469283719/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2011/12/ensaio.html#comment-form" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/4288849092469283719?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/4288849092469283719?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/qM3AJemSRbo/ensaio.html" title="Ensaio" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><thr:total>3</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2011/12/ensaio.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkEFRXY8eyp7ImA9WhRQEEU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-365300600938273565</id><published>2011-12-05T09:14:00.001-02:00</published><updated>2011-12-05T09:30:14.873-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-12-05T09:30:14.873-02:00</app:edited><title>Da felicidade</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;blockquote class="tr_bq" style="text-align: right;"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;i&gt;El hombre es
una realidad utópica, que es y no es, que es lo que todavía no es y tal vez no
pueda ser. Consiste en ser una realidad proyectiva, futuriza, deseante, nunca
lograda, nunca conclusa, en suma, utópica. Nuestra vida consiste en el esfuerzo
por lograr parcelas, islas de felicidad, anticipaciones de la felicidad plena. Y
ese intento de buscar la felicidad se nutre de ilusión, la cual, es ya una
forma de felicidad. (J.Marías)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #242424; font-size: 16px; line-height: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #242424; font-size: 16px; line-height: 18px;"&gt;Acontece-me às
vezes. Ouço um recorte de conversa, um pedaço de fala, um fio dito por alguém e
de repente as palavras tomam-me de assalto; destacam-se das demais, e ficam
assim, flutuando à minha frente, e eu à mercê delas. Acompanham-me se saio ou
entro, entranham-me a memória e tudo o que for espaço ocioso ao longo dos dias.
Se deixo de pensar em outras coisas, penso nelas. Acorrem-me várias vezes por
detrás do que faço, horas depois ainda estão ali, fazendo-me olhar para a vida como
se acabasse de entrar nela. São, durante um tempo, o meu reduto de felicidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #242424; font-size: 16px; line-height: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: #242424; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Às vezes,
juntam-se a outras e transformam-se em textos mais longos. Outras, vivem
sozinhas durante anos, e tenho aprendido a não as gastar com a frequência que
pode gastar alguns amores, mesmo sabendo que é de ausências que morre a
maioria. Troco de lentes para podê-las perceber com olhos alheios. Como dizem
os espanhóis, “Nada es verdad ni mentira, todo depende del cristal com que se
mira”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: #242424; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: #242424; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Mais às vezes
ainda, acontece-me de, num mesmo dia, num mesmo encontro, num mesmo espaço de
poucas horas, ser agraciada com várias palavras. Assim foi, neste sábado, nos
81 anos da minha amiga Marina.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: #242424; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: #242424; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Marina
ensinou-me, ao longo dos últimos 30 anos, uma porção de coisas. A como dobrar
as fraldas para conseguir o máximo de absorção possível (e o mínimo de trocas
que vem junto!); a curar panelas de pedra; a preparar frutas em calda; a olhar
para os demais com a vista clara; a apreciar as rugas e os cabelos brancos como
vincos de memória; a ser-se quem se é, desagrade ou não a quem estiver ao lado;
a rir da vida quando ela segue por onde nem suspeitávamos; a curar as feridas
sem as lamber; a gostar de pechinchas; a ver a vida com os olhos sadios de quem
gosta dela por inteiro. Marina fez 81 anos e fez uma festa: todas as comidas,
todos os filhos e todos os amigos, que se querem de todas as idades e de todas
as latitudes, na variedade que Marina aprecia. Poesia, música, filosofia, ao
longo de uma noite que se fez enorme como é o coração de Marina. Às 4 da manhã,
ainda estava animada. Por ela, nem teríamos terminado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: #242424; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: #242424; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;No meio de tudo
isso, três palavras que, ainda não sei por que, caminham dentro de mim como
caminha, dispersa pelos meus poros, a circulação acelerada do sangue do meu
corpo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: #242424; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: #242424; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;“Moro sem forro”,
dizia-me Taibo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: #242424; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: #242424; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;E eu não
consegui ouvir o resto. Ou ouvi, mas não me lembro, porque “moro sem forro”
avançou para dentro de mim como uma onda imensa de águas cheias de estrelas,
reluzindo como uma pérola recém vislumbrada. E tomou-me o resto da noite. Parece-me
que, para escapar do “moro sem forro”, tentei prender-me a outras coisas das
tantas que esse senhor de também 81 anos de idade ofereceu nessa noite: o
ditado espanhol no forte sotaque galego dos que nascem em Vigo, uma frase
bonita sobre as antecipações da felicidade plena que são os nossos momentos
felizes. (Como o que me deixa, no dia seguinte, o coração em relevo agreste e quente, só por uma troca de
olhar inesperada e súbita, que sequer pode ser, mas é.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: #242424; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: #242424; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Mas eu já
estava afogada de felicidade nesse “moro sem forro”, que sobe e desce em mim desde
então. De outra forma que não a concreta, da casa de telha vã de Taibo na serra
da Mantiqueira, sem ter diante de mim as montanhas que seus olhos saúdam ao
acordar, também eu moro sem forro. Resisto às lajes e aos lambris que me
separem das telhas. Quero ver os caibros e as ripas que sustentam o que impede
que chova em mim, e não quero a superfície lisa e reta, nem a inclinação suave
do cedrinho que pareça proteger-me do que vem do alto. O vento que atravessa
silvando as frestas das minhas telhas mantém-me acordada e, como Taibo, gosto
de acordar de manhã com a brisa que atravessa o telhado e vem curiosa bater em
meu rosto.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #242424;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: #242424; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; line-height: 115%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #783f04; font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; color: #242424; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-365300600938273565?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/kBff8PykHdT6kzn0C3OXjUDz24s/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/kBff8PykHdT6kzn0C3OXjUDz24s/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/kBff8PykHdT6kzn0C3OXjUDz24s/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/kBff8PykHdT6kzn0C3OXjUDz24s/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/cG1G-8cvqzQ" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/365300600938273565/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2011/12/da-felicidade.html#comment-form" title="4 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/365300600938273565?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/365300600938273565?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/cG1G-8cvqzQ/da-felicidade.html" title="Da felicidade" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><thr:total>4</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2011/12/da-felicidade.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;AkEBQHg-fip7ImA9WhRRFEk.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-7453932283075954687</id><published>2011-11-28T00:34:00.000-02:00</published><updated>2011-11-28T00:50:51.656-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-11-28T00:50:51.656-02:00</app:edited><title>Jornal de domingo no primeiro dia de Advento</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Neste primeiro domingo de Advento,
abro a Folha sem grandes esperanças. Embora seja jornal de domingo e há anos eu goste dos jornais de domingo, onde seja, na língua que seja. Mesmo que
metade da sua massa seja de anúncios classificados, as análises literárias
tendem a aparecer nesse dia, assim como as resenhas que muitas vezes orientam
onde gasto meu dinheiro, os cronistas e articulistas que se publicam aos
domingos e só aos domingos... Entre outras coisas.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Vou direto, normalmente, aos cadernos
que prefiro; além da Ilustrada e da Ilustríssima, o Cotidiano.&amp;nbsp; Provavelmente porque seja aí que encontre,
via de regra, o dia a dia das pessoas que se querem comuns, aqueles dramas
pequenos cortando vidas simples em pedaços complexos. Abro o caderno de trás
pra frente, que é como gosto de ler jornal: passo os olhos pelo percurso
inverso de quem o montou, divirto-me lendo primeiro o que o editor quis que se
lesse por último. Longe de exercer meu direito a ser do contra, mais perto da vontade
de querer nortear-me eu mesma nas minhas escolhas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Enfim, vou lendo. Descubro, na página
7, que esta é a última semana da coluna impressa do Gilberto Dimenstein. Ouço
aqui ao lado, assim que comento o quanto gostei, que é controverso, olha lá...
Mas o sujeito escreve realmente bem, num tom de despedida sincera e emocionada
num texto da estatura dos seus melhores. &lt;i&gt;Serendipity&lt;/i&gt;
é o mote da sua gratidão pela Folha e pelo espaço que pôde ocupar dentro dela,
o mote para a breve revisitação da própria vida: os prêmios coloca-os a um
lado; a outro, o “encanto de transformar o acaso em aprendizado”, e isso é &lt;i&gt;serendipity, &lt;/i&gt;a sua “palavra mais bonita”.
Demoro a retomar a leitura e a descobrir por onde anda esse sujeito que ajudou a
adolescente Esmeralda a colocar em forma de livro a sua vida dentro do crack,
leitura que compartilhei com muitos alunos que ainda hoje se lembram dos seus relatos
cáusticos e ásperos. Demoro a chegar ao final. E o final é na verdade o
princípio, aquilo que gostaria de dizer a quem está, como Gilberto, de partida:
“para viver experiências, sempre estamos nos despedindo de alguma coisa de que
gostamos”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
E para garantir que eu não me esqueça de levar a mensagem adiante,
antes mesmo de agarrar em um dos cadernos que povoam a minha mochila, retrocedo
duas ou três páginas e quem me sorri do outro lado na negra tinta de gráfica é o
poeta Sergio Vaz, em mais uma surpresa que vem me nutrir este início de Advento
que apenas inicia. É com apreço, com encanto, com admiração que gosto desse
homem. O seu sorriso largo, que não está na foto mas na minha memória, vai atravessar-me,
tenho certeza, o dia inteiro.Um sorriso de Morte e Vida daqui a pouco, um Severino
feito tarde de chuva que não veio, uma voz a levantar-se na planura da vida pra
gritar tão alto, de cima da laje da sua/nossa/de todos Cooperifa, que quase
consigo ouvi-lo daqui, tão longe da agreste periferia paulistana:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;No caminho do crer e não crer&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;Vivo na dúvida do
milagre&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;Entre as brumas da
uva e do vinho&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;Sou eu quem destila
o vinagre.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;Caminho no chão em
busca do céu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;Num fogo e água que
não tem fim&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;Porque&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;Não me esforço para
acreditar em Deus&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;Esforço-me para que
Deus acredite em mim.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
&lt;i&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
&lt;i&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-7453932283075954687?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Sh9gWbjVz8tXKLBTyUolF6RPxUw/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Sh9gWbjVz8tXKLBTyUolF6RPxUw/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Sh9gWbjVz8tXKLBTyUolF6RPxUw/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Sh9gWbjVz8tXKLBTyUolF6RPxUw/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/e05A7LmT2Ag" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/7453932283075954687/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2011/11/jornal-de-domingo-no-primeiro-dia-de.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/7453932283075954687?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/7453932283075954687?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/e05A7LmT2Ag/jornal-de-domingo-no-primeiro-dia-de.html" title="Jornal de domingo no primeiro dia de Advento" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2011/11/jornal-de-domingo-no-primeiro-dia-de.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;A0YCR3s4eip7ImA9WhRSFEQ.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-8714278280661985395</id><published>2011-11-17T00:46:00.001-02:00</published><updated>2011-11-17T01:06:06.532-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-11-17T01:06:06.532-02:00</app:edited><title>"Um pouco de possível, senão sufoco"</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-NhU3cwxunaY/TsR260U6kzI/AAAAAAAABQQ/U7HHQ8phSKM/s1600/nuvens+em+goi%25C3%25A1s.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="217" src="http://4.bp.blogspot.com/-NhU3cwxunaY/TsR260U6kzI/AAAAAAAABQQ/U7HHQ8phSKM/s640/nuvens+em+goi%25C3%25A1s.JPG" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
8h&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
“Aos tropeços.” Foi assim que
me responderam hoje quando quis saber como ia a vida. Tinha razão o meu
interlocutor: há dias que vão assim, aos tropeços, num sobressalto, numa
espécie silenciosa de grito, uma inquietação cansativa que só termina quando o
sono vence.&amp;nbsp; &lt;span class="Apple-style-span" style="text-align: justify;"&gt;Eu tenho uma cada vez menor
tolerância a dias assim, e hoje infelizmente é um deles.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
9h30&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Quando acontece, vou atrás de
palavras. Às vezes com uma rede de borboletas, mas isso é quando as minhas mãos
são mais leves que as nuvens. Hoje, caço as palavras de forma diferente, uma
espécie de guerrilha em que preciso pular-lhes em cima, feito leoa disposta a
alimentar os filhotes apesar do que for. Digamos que os filhotes
são os meus neurônios, e a carne das palavras o sangue que os refaz.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
12h&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Poucas pessoas conseguem
acalmar-me. O melhor a fazer (aqui em casa sabem-no bem) é deixaram-me onde
estou, sem grandes perguntas, muito menos cobranças, deixemos as dúvidas e os
questionamentos para amanhã. Porque, também, assim como vem, vai. E não: não é
menopausa, porque são anos e anos de tropeçadas irregulares. Algumas coisas ativam-me
a inquietude, e nada têm a ver com hormônios. Não: um de meus problemas é estar cansada de esperar.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
14h30&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Primeiras presas do dia: palavras que derivam de &lt;i&gt;pathe&lt;/i&gt;/sentimento,
transformado pelos romanos em &lt;i&gt;pati&lt;/i&gt;/suportar.
Derivadas: paciência; paixão; empatia; padecer. Pausa e silêncio. Assuntos para outro
dia. As palavras olham-me como eu a elas: “guardo-vos numa gaveta para ter-vos
em outro momento”.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
19h00&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Últimas presas do dia: palavras
de Gilles Deleuze, que ainda é gentil o suficiente para me oferecer de bandeja as
que dão título a esta crônica. Passo o dia à procura e eis que me encontro: da
sua cadeira estofada, com apenas 1/3 de seus pulmões funcionando, esse homem de
corpo-sem-órgãos diz-me, assim como se fosse óbvio, que “se não se pode captar
a pequena marca de loucura de alguém, não se pode gostar desse alguém... [porque] é
este lado que interessa (...) o ponto de demência de alguém ”. Inversão do
lugar comum em que se acotovelam almas gêmeas; essas que compartilham, irmanadas; que se aproximam na obviedade do que é sempre o mesmo dia sem surpresas. Hoje, pelo menos, prefiro a outra imagem, a desconstruída, desconexa, ilógica, assustadora, impossível de ser manipulada
por sua qualidade única e irrepetível. Gosto disso. Um pouco do possível, para que não sufoque.
Agora que termina, o dia &amp;nbsp;melhora.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-8714278280661985395?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/KEXlgRmy8CJ7ymDs5bUgvr2FXG0/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/KEXlgRmy8CJ7ymDs5bUgvr2FXG0/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/KEXlgRmy8CJ7ymDs5bUgvr2FXG0/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/KEXlgRmy8CJ7ymDs5bUgvr2FXG0/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/tELA102Iczs" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/8714278280661985395/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2011/11/um-pouco-de-possivel-senao-sufoco.html#comment-form" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/8714278280661985395?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/8714278280661985395?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/tELA102Iczs/um-pouco-de-possivel-senao-sufoco.html" title="&quot;Um pouco de possível, senão sufoco&quot;" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-NhU3cwxunaY/TsR260U6kzI/AAAAAAAABQQ/U7HHQ8phSKM/s72-c/nuvens+em+goi%25C3%25A1s.JPG" height="72" width="72" /><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2011/11/um-pouco-de-possivel-senao-sufoco.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;D0cCSXk6fyp7ImA9WhRSE0o.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-3928219332533906526</id><published>2011-11-15T14:28:00.001-02:00</published><updated>2011-11-15T14:37:48.717-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-11-15T14:37:48.717-02:00</app:edited><title>De pé, com a dor na mão</title><content type="html">&lt;div style="text-align: right;"&gt;
&lt;i&gt;(a propósito da exposição de Alberto Pinheiro no MAC de Botucatu)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;
Aprendi hoje que resistência à
dor é a diferença entre dois valores: o limiar de dor e o limiar de tolerância.
O primeiro é aquele ponto ou momento em que se reconhece como doloroso um
estímulo (por exemplo, água a 44°C para a maioria dos mamíferos). O segundo, o
momento em que esse estímulo alcança tal intensidade que deixa de ser
aceitavelmente tolerado (no mesmo exemplo, água a 48°C). A
resistência à dor é a diferença entre os dois limiares. A dor a que podemos
aceitavelmente resistir. Dores de parto podem estar muito próximas a esse
limiar de tolerância, e portanto ir além do que entendemos como resistência à
dor. Cheguei à conclusão, depois de sete dessas experiências que Santo
Agostinho dizia livrarem-nos a nós, mulheres, da impureza que está na origem do
ser gerado, de que o limiar de tolerância obedece também à nossa capacidade de
controle, acomodação, aceitação. Assim como obedece aos decretos silenciosos da
sociedade em que nascemos e daquela que escolhemos ter como nossa, e por isso assumimos
os riscos de a querer transformar.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
A exposição em cartaz no MAC de
Botucatu, de Alberto Pinheiro, fala-me dessa resistência; sem palavras e sintomaticamente
com muito ferro. Em cada peça, os dois limiares nus e crus: a dor que se aguenta
e a que se torna insuportável. O resultado da exposição é a esperança: a
resistência à dor; o tomar a transformação nas próprias mãos mesmo quando por entre elas parece escapar-se tudo.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Fiquei presa, muito tempo, diante
da figura de uma arqueira, logo à entrada. Voltei mais tarde outra vez, porque
a figura diz-me algo. Sim, o pássaro do pré sal também me diz, assim como o
namoro sob a lua e a família da dependência química sob um chão de ilusão transparente.
Mas a arqueira, a sua leveza, a sua precisão, a sua procura do alvo necessário,
prendem-me o olhar. Estaco diante dela e diante da dor que a põe de pé e a faz
levantar o arco: é a sua resistência que me fez voltar.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Impressionam-me, aqui e ali, as
possibilidades infinitas de transformação da realidade em arte com que o
Alberto vislumbra o oculto. Como desoculta e transfigura a verdade dura do
ferro e encontra um mundo novo ao seu redor. Na matéria que é, pelas suas mãos,
retornada ao seu caráter de espírito.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Conviver com o Alberto, seja aqui
por meio das suas peças, seja ao vivo quando o encontro, provoca-me a mesma
sensação: a da premência do olhar direto e em frente, solene e compassivo
diante da quebra alheia, da desistência, da dor e de todos os seus limiares. Um
olhar que apreende do outro mais a coragem da falta do que a falta da coragem.
Porque é possível agrupar as palavras conforme queiramos, assim como é possível
agrupar as nossas dores e colocá-las a serviço do outro. Ou não. O Alberto
escolhe o sim. E eu escrevo para agradecer-lhe por isso.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;
&lt;b&gt;Exposição “Metamorfose”,
de Alberto Pinheiro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;
MAC - Museu de Arte Contemporânea Itajahy Martins - Av. D.
Lúcio, 755&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;
Terça a sexta das 9h às 17h; sábado, domingo e feriado
das 12h às 17h&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;
Até 4 de dezembro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-3928219332533906526?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/HKxuI4dpFKyjyPeRIL7zUKmKuwY/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/HKxuI4dpFKyjyPeRIL7zUKmKuwY/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/HKxuI4dpFKyjyPeRIL7zUKmKuwY/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/HKxuI4dpFKyjyPeRIL7zUKmKuwY/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/FE75TrpN3fI" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/3928219332533906526/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2011/11/de-pe-com-dor-na-mao.html#comment-form" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/3928219332533906526?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/3928219332533906526?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/FE75TrpN3fI/de-pe-com-dor-na-mao.html" title="De pé, com a dor na mão" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><thr:total>3</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2011/11/de-pe-com-dor-na-mao.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DEQBQHg5eip7ImA9WhRSEEs.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-7803302295788745622</id><published>2011-11-12T00:08:00.001-02:00</published><updated>2011-11-12T00:52:31.622-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-11-12T00:52:31.622-02:00</app:edited><title>20 maneiras de responder a um email</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/--8JjA9HS5ss/Tr3bzv4xTtI/AAAAAAAABP4/ExU_OoWnDz4/s1600/Google-Mail-Offline.png" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="297" src="http://3.bp.blogspot.com/--8JjA9HS5ss/Tr3bzv4xTtI/AAAAAAAABP4/ExU_OoWnDz4/s320/Google-Mail-Offline.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Dia desses, uma amiga querida enfrentou um terrível problema. Enviou um email plenamente embaraçoso de tão honesto e ficou esperando resposta. Esperou. Esperou. Esperou. Seis dias, pelo que entendi, sem chance de descanso no sétimo, pelo que me parece.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Sabe um daqueles emails que doem se não são respondidos? Fiquei triste de vê-la nesse estado e pensei: "caramba, é nessas horas que se exerce a empatia".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;E lá fui eu ser empática.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Tentei colocar-me no lugar dela: escrever um email que, considerando as circunstâncias, mais parecesse um quadro de Dali em forma de letras.&amp;nbsp; Mas quem nunca escreveu emails assim? Como aqueles que Pessoa, se encarnasse aqui ao meu lado, escreveria hoje achando ridículos, mesmo que perfeitamente consciente que ridículo mesmo é quem nunca os escreve...?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Coloquei-me também no lugar do destinatário, que na verdade mal conheço, e não resultou.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Voltei à minha amiga; e decidi ajudá-la, enviando, a esse tal seu amigo, ideias de como responder, caso o problema fosse esse. Se puderem ser aproveitadas por outras pessoas enfrentando problemas semelhantes...&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Caro X (porque eu não vou entregar nem amiga nem sujeito, é claro): respostas possíveis ao email que você recebeu:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;1. Querida fulana: estou sem palavras. (o mais votado do júri popular)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;2. Cara fulana, por favor exclua-me dos seus contatos, por favor. (considerada a mais sincera)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;3. Fulana, minha filha, vc é muito é sem noção... (enfim...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;4. Fulana, PQP, vai amarrar sua égua noutro lugar. (eu, no caso, riria...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;5. Literária, dos vizinhos ao lado:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Lo que me gusta de tu cuerpo es el sexo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Lo que me gusta de tu sexo es la boca&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Lo que me gusta de tu boca es la lengua&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Lo que me gusta de tu lengua es la palabra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;(fala sério... pensou que ia ser só bobagem, né? Nada disso: Julio Cortázar!)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;6. Fulana, eu gostaria muuuuuuuito de poder responder, mas não posso. (claro como a água turva)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;7. Você não quer tomar um café um dia desses? eu não tou fazendo nada, e nem vc também, faz mal bater um papo assim gostoso com alguém? (pq a minha amiga é dos anos 80 e isso seria o êxtase!)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;8. Fulana, meu anjo: vc já pensou em fazer terapia? Não terá errado o tanto de gotinhas do remedinho?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;9. tum tum tum tum... o número para onde vc discou está temporariamente fora de serviço...(evasivo, mas bem compreensível...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;10. Eu te conheço? (estilo sacana...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;11. Tá precisando de serviço, é? (grosso)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;12. Viu as manchetes da Folha hoje? (mudança de assunto)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;13. Minha religião não permite respostas a perguntas desse tipo, desculpe...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;14. Olha... vou te ensinar como não dançar bolero, tá?: dois pra lá... nenhum pra cá... (bem metafórico)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;15. ééé... então... sabe... hmmm (aquela que não compromete)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;16. Eu não entendi, vc pode refazer duas colocações? (acadêmico)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;17. Ó... perdi meu óculos! (providencial)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;18. Mensagem padrão: o destinatário encontra-se em férias em local desconhecido e inacessível entre o brasil e o chile. mensagem automática. por favor NÃO RESPONDA (entendeu, né?)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;19.Ó xente, fiquei até vexado, bichinha...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;20. Veja bem:&amp;nbsp;há questões esotéricas panteosocráticas da rebimbela do segundo corpo da alma transversal que precisam ser melhor exploradas nesse âmbito complexo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;21. Agora: boa mesmo, ainda mais chegando a esse número 21 que expressa a maioridade de um sujeito, é a pessoa responder com aquilo que está dentro de seu coração, e que pode agora ocupar o espaço em branco de uma página de email.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Com certeza essa seria a que a minha amiga mais gostaria de receber.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-7803302295788745622?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/bRwuW9HnUCgkmOJakqndjOF3vl0/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/bRwuW9HnUCgkmOJakqndjOF3vl0/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/bRwuW9HnUCgkmOJakqndjOF3vl0/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/bRwuW9HnUCgkmOJakqndjOF3vl0/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/ld1H19fdczM" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/7803302295788745622/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2011/11/20-maneiras-de-responder-um-email.html#comment-form" title="4 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/7803302295788745622?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/7803302295788745622?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/ld1H19fdczM/20-maneiras-de-responder-um-email.html" title="20 maneiras de responder a um email" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/--8JjA9HS5ss/Tr3bzv4xTtI/AAAAAAAABP4/ExU_OoWnDz4/s72-c/Google-Mail-Offline.png" height="72" width="72" /><thr:total>4</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2011/11/20-maneiras-de-responder-um-email.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DUAFQH8yeCp7ImA9WhdaF0g.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-2154838459761790870</id><published>2011-10-27T09:26:00.000-02:00</published><updated>2011-10-27T21:21:51.190-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-10-27T21:21:51.190-02:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="ser professor" /><title>Provas para pinguins</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-p26CmHUPHhI/TqivrLqoSfI/AAAAAAAABPo/lfsl8A9gzbc/s1600/sistema+educacional.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="279" src="http://4.bp.blogspot.com/-p26CmHUPHhI/TqivrLqoSfI/AAAAAAAABPo/lfsl8A9gzbc/s400/sistema+educacional.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Fiquei particularmente tocada
pelo pinguim do cartum ao lado. Enquanto os demais, apesar da expressão atônita, tentam
entender o que lhes diz o senhor sentado atrás da mesa, o coitado nem olha pra
ele, tão interessado está no seu colega paquiderme ao lado, doido pra puxar
uma prosa. A cena seguinte, se houvesse, certamente incluiria um sobrolho franzido (do senhor atrás
da mesa) e o pinguim remetido ao fundo da sala, perdão do campo, sozinho ele com o ar em volta.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-text-decorations-in-effect: underline;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Ao final da 4ª classe primária, em
1974, eu estava tal qual o pinguim aí em cima. Para progredir para a classe
seguinte, e ingressar no então ensino secundário, era preciso que,
metaforicamente, escalasse uma árvore tendo como ferramentas duas nadadeiras,
imensa curiosidade e essa vontade de mais conhecer os colegas sentados ao meu
lado do que qualquer outra coisa. Já se percebe onde eu fui parar naquela sala.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Os exames de admissão em Portugal,
assim como no Brasil, eram fundamentais para o caminho escolar. Se bem me
lembro, esse foi o último ano em que aconteceram por lá. Constavam de uma prova
de aritmética e geometria que devia ter uma duração de uns quarenta e cinco (longuíssimos)
minutos, seguida de uma outra, de ditado e redação (a parte fácil). Terminada
essa sessão, o júri se reunia e promulgava a sentença: "mau", "suficiente" ou "bom". "Mau" significava que podia voltar pra casa naquele instante mesmo; os “bons” e
os “assim-assim” ficavam e precisavam encarar a prova oral. Suplício completo:
uma banca na frente; dois professores perguntando, outros dois tomando
misteriosas notas – que em pouco tempo se convertiam em mau, bom ou suficiente.
Não me lembro nem das notas nem das perguntas, mas no ano seguinte estava uma
classe adiante.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Tínhamos todos 9 anos de idade –
um ótimo momento para descobrir que o mundo é uma coisa e você outra. Um
desconforto imenso. E enormes aprendizados. Aprende-se rapidamente, por exemplo, a
reconhecer que nem todos são pinguins, nem elefantes, nem peixes, nem macacos.
Há enguias, há águias, há preguiças, até antas. &amp;nbsp;Já o que fazer com isso demora um pouco mais.
Dependendo da espécie, dura a vida toda. &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Aprende-se também a esconder a
natureza pinguim: passa-se a gostar de água quente, deixa-se de comer peixe,
anda-se de quatro, prefere-se viver sozinho – e depois descobre-se que não
funciona. Que quando você é um pinguim, você é um pinguim. Tenta-se outra coisa:
viver agora rodeada de pinguins, sem mais nada para atrapalhar. Também não: quanta
monotonia, que falta dos lobos do mar, das focas, das aves que o Darwin veio
estudar!&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Por fim, não resta muito a não
ser aceitar a própria condição e crescer como pinguim, nesse andar
descompassado e esse ar de estar sempre pronto pra festa. Aquelas coisas que um
olhar atento, quando existe, desmente em dois tempos. Aprende-se como vivem os pinguins
adultos, sem fazer concessões que lhes limitem os movimentos das nadadeiras.
Perdem-se uns pedacinhos delas pelo caminho, nas trombadas com os outros
animais que frequentam as águas polares ou dando encontrões nas rochas que
aparecem de repente em meio às ondas geladas.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Pinguins desacreditam desses
senhores sentados atrás das mesas (também há senhoras, não é uma questão de
gênero), que lhes pedem comprovação de que podem e sabem escalar árvores,
quando o seu horizonte é feito de águas e não de bosques. Desacreditam que
precisem provar o que não é provável (nem importante, acrescentam quando
conversam ao se encontrarem numa alegre sessão de natação), e desacreditam mais
ainda quando esse senhor sentado atrás da mesa se reúne com os demais da sua
espécie e se perguntam uns aos outros como fazer para respeitar o tempo de cada
um dessas criaturas simpáticas que lhes coube cuidar; leem e estudam e discutem e
meditam sobre o assunto. E chegam à conclusão de que os tempos não são como dantes;
que o mundo mudou, e com ele as suas mesas precisam mudar também, pelo menos de
lugar, os seus sobrolhos precisam suavizar-se, transvestir-se de outras formas,
assim como suas palavras; que a percepção do que é único e irrepetível, aquela
que inclui a todos, trará a beleza exuberante das nadadeiras para junto da
força possante das trombas. Assim que, porém, chegam à floresta, sentam-se à
mesma mesa, olham para todos com os mesmos olhos e esquecem-se de que decidiram
deixar o sobrolho de lado. A mesa, a árvore, a testa enrugada e as palavras
antigas e habituadas pesam demais. E é preciso uma força sobre-humana, daquele tipo que nos faz levitar depois de um tempo, para dizer: "agora, ninguém mais fará
a mesma prova".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-2154838459761790870?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/LtYlHdcAL5VBZC5vB1Q5ioCzQTU/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/LtYlHdcAL5VBZC5vB1Q5ioCzQTU/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/LtYlHdcAL5VBZC5vB1Q5ioCzQTU/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/LtYlHdcAL5VBZC5vB1Q5ioCzQTU/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/P_dJlXWuKig" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/2154838459761790870/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2011/10/provas-para-pinguins.html#comment-form" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/2154838459761790870?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/2154838459761790870?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/P_dJlXWuKig/provas-para-pinguins.html" title="Provas para pinguins" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-p26CmHUPHhI/TqivrLqoSfI/AAAAAAAABPo/lfsl8A9gzbc/s72-c/sistema+educacional.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2011/10/provas-para-pinguins.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkYARXo_fyp7ImA9WhdaEUs.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-6532624703072033473</id><published>2011-10-21T00:28:00.000-02:00</published><updated>2011-10-21T00:29:04.447-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-10-21T00:29:04.447-02:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="librianos" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="palavras" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="escrever" /><title>Aos amigos librianos</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-L6dWwd7r0uQ/TqDYjv4YArI/AAAAAAAABOw/oldSVMpp99A/s1600/libra+s%25C3%25ADmbolo.png" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-L6dWwd7r0uQ/TqDYjv4YArI/AAAAAAAABOw/oldSVMpp99A/s320/libra+s%25C3%25ADmbolo.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
A cada ano, mais. Passa-se o tempo e eu descubro mais um libriano na minha vida. Estou completa e cada vez mais rodeada de librianos - talvez devesse fazer algum tipo de terapia e entender o porquê. Filhos (três!), um companheiro de vida, vizinhos, amigos, compadres, alunos, amores - até minha caixa de supermercado predileta, a Thaís, descubro ter feito aniversário dia 15 de outubro! É um desfilar e nunca mais acabar dessas criaturas que, embora por vezes indecisas, primam pela diplomacia, pelo bom gosto, por uma espécie simples de simpatia cativante, pela sensibilidade. Ainda que, às vezes, a embotem, ou guardem, ou ruminem, ou sublimem (não faço ideia do que aconteça, mas tanta sensibilidade esfuma-se de repente por entre os silêncios que se avolumam). Tanto libriano assim em volta me dá ensejo a comer bolos dos mais diversos sabores em pouco mais de 20 dias, o que se traduz em quilos na balança – coisa de libriano, já se vê, interferir assim, sem dó nem piedade, em balança alheia.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Muita coisa depende de seu ascendente: sim, não, talvez (eis que me atacam as dúvidas do meu objeto de reflexão). Porém, estes librianos à minha volta têm em comum o serem delicados, encantadores nessa capacidade incomum de seduzir quem está ao seu redor, gentis, solícitos, bonitos, sorrisos que desmontam. Os manuais de astrologia dizem que amam o belo, e eu só posso concordar, porque carregam diuturnamente seu senso estético aonde quer que vão – mas o que de mais belo existe entre tudo o que é belo que amam, é a harmonia, o equilíbrio, imagino até que a simetria. Tudo aquilo que justamente lhes custa, que lhes dobra a alma, porque antes fosse fácil assim: não é. Essa fixação na harmonia, às vezes, leva-os a se esquivarem à contenda que se anuncia, creio – e para quem quer frontalidade podem tornar-se um desespero. Mas só às vezes.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Librianos famosos: muitos. De Sting a José Mayer, passando por Will Smith, Mat Damon, Fernanda Montenegro e Lobão. Quem consegue não se deixar seduzir?! E este aqui, que me desceu da prateleira às mãos, e que teria feito anos dia 19, se vivo fosse. A libriana ao meu lado arrepia-se quando lhe digo que sim, que o respeito, leio até com prazer, mas não me excita os neurônios nem me estimula os outros centros de onde surgem a maioria dos meus prazeres. Outros librianos sim, é fato, mas não este. De qualquer forma, e porque não gosto de recuar diante da adversidade, pus-me a ler, bem entretida aliás, hoje pela manhã, “Para viver um grande amor”. (No fundo, no fundo, meu pensamento estava mais ocupado em descobrir como é que se sobrevive a um grande amor).&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Pensava entretanto no tema de outra crônica, uma que me acompanha há semanas, sobre as coisas que nos perseguem por muito que fujamos delas e a maneira como o destino tem a capacidade de nos atropelar logo depois das curvas... Talvez Vinícius (de Moraes, o próprio) pudesse ajudar-me, ele que diz que o cronista está condenado a ver-se vez por outra às voltas com a escassez de motivos, e por isso “levanta-se, senta-se, lava as mãos, levanta-se de novo, chega à janela, dá uma telefonada a um amigo, põe um disco na vitrola, relê crônicas passadas em busca de inspiração – e nada”. Nada mesmo. Nada pelo menos que me ajude a avançar na direção da divagação que pretendia. Descubro ainda outra frase sobre o ofício de cronista: “ingrato, prosa fiada”. Suspiro e quase desanimo; em dias de mais ficção que crônica, prefiro aquela sensação do ficcionista de ser levada “a tapas pelas personagens e situações que, azar dele [meu, no caso], criou porque quis”.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Vinícius oferece ainda, em meio às crônicas desse livro, poemas que "visam amenizar um pouco a prosa: dar-lhe, quem sabe, um 'balanço' novo" (libriano, ele, será?!). Uma terceira possibilidade, essa de poeta: aquela que exclama a pulmões plenos que o "único patrão" da poesia “é a própria vida: a vida dos homens em sua longa luta contra a natureza e contra si mesmos para se realizarem em amor e em tranquilidade”. Luta contra si próprio para alcançar o amor e a tranquilidade?! Não posso deixar de sorrir: é claro que nasceu a meados de outubro!&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Mesmo considerando as diferenças astrológicas que nos unem, vejo as três possibilidades em ação, lá e aqui. Dão-me trabalho, a mim, com o seu desdobrar cotidiano – um trabalho bom, daquele tipo que entorpece as pontas dos dedos a ponto de precisar mergulhar as mãos em água quente, mas que ao mesmo tempo espreita por trás do espelho, para flagrar o momento exato em que os olhos mudam porque se encontrou o caminho (qualquer caminho) a seguir.&amp;nbsp; Eu, que costumava dividir-me em apenas duas, o que já era tarefa suficiente, descubro-me três em mim dentro da escrita, três formas diferentes, cada uma num formulário distinto de requisição; formas que me aliciam, cada uma com suas melhores armas; que me seduzem e embromam, altas horas da madrugada. Como se afinal tudo isto valesse mesmo a pena ser escrito. Ao menos para dar os parabéns a quem faz aniversário por estes dias.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-6532624703072033473?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/IayoRyXlEOgM5dtWFPIgt0jtt1Y/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/IayoRyXlEOgM5dtWFPIgt0jtt1Y/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/IayoRyXlEOgM5dtWFPIgt0jtt1Y/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/IayoRyXlEOgM5dtWFPIgt0jtt1Y/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/NuMVOMip5sM" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/6532624703072033473/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2011/10/cada-ano-mais.html#comment-form" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/6532624703072033473?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/6532624703072033473?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/NuMVOMip5sM/cada-ano-mais.html" title="Aos amigos librianos" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-L6dWwd7r0uQ/TqDYjv4YArI/AAAAAAAABOw/oldSVMpp99A/s72-c/libra+s%25C3%25ADmbolo.png" height="72" width="72" /><thr:total>3</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2011/10/cada-ano-mais.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DUAHSX89eip7ImA9WhdaEEo.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-4478423507768963000.post-6374162996659241428</id><published>2011-10-20T00:28:00.000-02:00</published><updated>2011-10-20T00:28:58.162-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-10-20T00:28:58.162-02:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="memória" /><title>Dia de co-memorar</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/--3NI4hmF6jo/Tp-GarC4uvI/AAAAAAAABOY/lebL-wAmb2I/s1600/mnemosyne01.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://3.bp.blogspot.com/--3NI4hmF6jo/Tp-GarC4uvI/AAAAAAAABOY/lebL-wAmb2I/s320/mnemosyne01.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Sabe um daqueles dias em que dá vontade de, como todos os grandes poetas deste nosso ocidente, de Homero a Milton, de Camões a Shakespeare, invocar a grande musa e por-se a trabalhar? Depositar nos seus invisíveis braços a carga que não sustentamos, eliminarmos toda preocupação com processo, resultado, sentido - e simplesmente pormo-nos a trabalhar?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Pois hoje é um desses dias. Porque nada me sai a contento. De nada consigo ou arrepender-me ou congratular-me, e esse é o estado de indefinição que, muito possivelmente, mais me inquiete, de uma forma que não domino e sequer desejo. Ouço ranger e estalar, como se casco de navio enferrujado, cada uma das minhas vértebras e costelas: desacomodam-se para dar passagem a um espaço de alma que estava ali, recolhido, ensimesmado, contente de caber no canto que lhe parecia reservado. Até descobrir que não. Que é mais. Que não se contenta com esses mililitros cedidos. Por mais que se alongue, torça, estique, corra: nada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Por isso o lembrar-me das musas: para ver se encontro alívio. Antes delas, evoco Mnemosyne – aquela que vem em socorro para que eu não me esqueça, a deusa da memória por excelência. Porque a tendência a esquecer está impiedosamente ligada ao limite do que somos. Ao esquecer, perdemos humanidade, subtraímo-nos daquilo que viveu em nós e não lhe damos crédito. E o passado cola-se às nossas costas, agarrado às asas que não conseguimos despregar. &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Mnemosyne, uma das Titânides, nasceu da união entre Urano e Gaia; com Zeus, teve as nove musas – todas elas filhas assim da memória. &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;A cada invocação a qualquer uma delas, de Calíope a Érato, de Euterpe a Tália, o que pedimos é a graça de sermos capazes de lembrar, de forma atenta, de tudo aquilo que vale a pena, antes de que tudo deixe de valer a pena. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Co-memorar faz com que nos lembremos juntos de que é preciso lembrar. Re-cordar, nesse sentido que essa palavra poderia ter, e fazer com que novas cordas se estabeleçam entre o que já foi e o que agora é. Partícipes de um passado feito império e que apenas o esquecimento poderá destruir, é urgente que saibamos da finitude do tempo, mais do que da sua relatividade, e que invoquemos Mnemosyne, comemorando esse passado que reúne os feixes de uma mesma trança.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4478423507768963000-6374162996659241428?l=dasventanias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/DueDVtuH0O0y0tnQ_louPASYtwk/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/DueDVtuH0O0y0tnQ_louPASYtwk/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/DueDVtuH0O0y0tnQ_louPASYtwk/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/DueDVtuH0O0y0tnQ_louPASYtwk/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/DasVentanias/~4/PJ8WLjwaik4" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://dasventanias.blogspot.com/feeds/6374162996659241428/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://dasventanias.blogspot.com/2011/10/dia-de-co-memorar.html#comment-form" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/6374162996659241428?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/4478423507768963000/posts/default/6374162996659241428?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DasVentanias/~3/PJ8WLjwaik4/dia-de-co-memorar.html" title="Dia de co-memorar" /><author><name>ventuana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01043947039203074856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="24" src="http://1.bp.blogspot.com/-4VRewX9ZB-s/TqWUjTgkN2I/AAAAAAAABO8/urSmMrEBSwU/s220/viagem%2Brio%2B017.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/--3NI4hmF6jo/Tp-GarC4uvI/AAAAAAAABOY/lebL-wAmb2I/s72-c/mnemosyne01.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>3</thr:total><feedburner:origLink>http://dasventanias.blogspot.com/2011/10/dia-de-co-memorar.html</feedburner:origLink></entry></feed>

