<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-4782423529545630409</atom:id><lastBuildDate>Fri, 01 Nov 2024 10:47:11 +0000</lastBuildDate><title>De cima do chapitéu</title><description></description><link>http://chapiteu.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Tiago)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>4</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4782423529545630409.post-6690505078477059050</guid><pubDate>Fri, 14 May 2010 19:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-05-14T12:56:15.306-07:00</atom:updated><title>É mais rápido</title><description>Personagem ignota em determinada fita norte-americana disse:&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sou como a minha mãe. Uso estereótipos, é mais rápido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Creio que nas sociedades actuais não nascemos com tendência a estereotipar, mas eventualmente acabamos todos como a nossa mãe. Mas não só por ser mais rápido. Até porque o estereótipo não se forma por geração espontânea.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vejamos a concordância entre o sujeito e o predicado, mas fora do domínio linguístico. Falo de sujeito, pessoa de corpo, e predicado, caracterização quer do seu&amp;nbsp;semblante&amp;nbsp;quer da sua roupagem. Na regras tradicionais da sintaxe, essa concordância é obrigatória. Mas também na vida real ela é altamente aconselhável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um artista que parece um artista beneficia-se a ele próprio, desde logo porque vende mais. Mas não só. A cacofonia de cabelos de um violinista que parece ter ponderado o suicídio a cada momento da sua existência chamou-me a atenção num concerto recente. Ali estava ele, o violinista, tal como sempre o imaginei. Tal como o teria estereotipado. O peso da cara dele agravou a gravidade da minha, e também&amp;nbsp;a música soou diferente. E eu pensei que nunca um estereótipo tinha feito tanto por mim, pela minha sensibilidade musical. Olhei para os pêlos eriçados, e pensei na minha mãe.&lt;/div&gt;</description><link>http://chapiteu.blogspot.com/2010/05/e-mais-rapido.html</link><author>noreply@blogger.com (Tiago)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4782423529545630409.post-2860064110589225479</guid><pubDate>Mon, 10 May 2010 22:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-05-10T15:21:49.707-07:00</atom:updated><title>E este texto não é só sobre pampilhos</title><description>O aspecto de empada não se coadunava com a contundência da frase-bomba &quot;prova, isto roça a perfeição&quot;. Franzi o sobrolho e dei espaço a nova carga: &quot;é apenas o melhor bolo do mundo&quot;. Um &quot;apenas&quot; dito com todas as maiúsculas. E depois pensado por mim a minúsculas de dúvida. Porque evidentemente, homessa!, se provasse o bolo a seguir, a experiência defraudaria as&amp;nbsp;expectativas. Que podia lá ser, que havia bolos melhores, está bem que nem é mau, mas o melhor bolo do mundo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A verdade é que é o melhor bolo do mundo. E ainda bem que o parágrafo anterior é&amp;nbsp;ficcional. Porque se aquele diálogo tivesse mesmo tido lugar, eu não era capaz de o admitir. Uma epifania não é uma epifania se não tiver semente em mim próprio. Metido na minha vida, num dia normal no café, sem expectativas nem alardes, o pampilho fez-me franzir o sobrolho, mas de mim para mim mesmo. Surrurrou parte do cérebro para a outra: como é possível, esta tão relaxada inconsistência entre o aspecto e o sabor? E a massa? E o recheio? Que descoberta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pode ser um cliché dizer que descobrir por nós mesmos não tem comparação. Mas não tem mesmo. E este texto não é só sobre &lt;a href=&quot;http://www.docimaior.pt/apresprodutos.php?prod=130&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;pampilhos&lt;/a&gt;.</description><link>http://chapiteu.blogspot.com/2010/05/e-este-texto-nao-e-so-sobre-pampilhos.html</link><author>noreply@blogger.com (Tiago)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4782423529545630409.post-5967780388176496214</guid><pubDate>Mon, 28 Sep 2009 20:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-28T13:13:31.572-07:00</atom:updated><title>Se li isto em algum lado, não digo</title><description>&quot;Como costumo dizer, em terra de cegos quem tem um olho é rei.&quot; Conheço quem fale assim. &quot;Como costumo dizer, grão a grão enche a galinha o papo.&lt;i&gt;&quot;&lt;/i&gt; É patético. Eu, que ainda sou novo e nunca provei nada a ninguém, sempre me senti na obrigação de fazer o contrário. De justificar tudo o que digo com o rigor da citação académica. &quot;Li no outro dia no jornal, secção de&amp;nbsp;coscuvilhices&amp;nbsp;do Diário de Fornos de Algodres, que a Maria e o Ricardo andam a frequentar clubes de swing.&lt;i&gt;&quot;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;Em toda a espécie de assunto. E logo depois me arrependia; que fraca economia de esforço; que ninguém quer saber da fonte; que raio. Eu, que ainda sou novo e ainda não provei nada a ninguém, decidi pôr termo a esse tempero de alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se há coisa no&amp;nbsp;processo de socialização&amp;nbsp;que até a contra-gosto nos temos de obrigar a fazer, é passar opiniões de outras como nossas. Não somos assim tão grandes que possamos ter opinião sobre tudo, quando somos constantemente solicitados a isso. Amanhã de manhã posso quebrar o gelo e disparar que o Jorge Jesus é o mestre da pressão alta. E se li isto em algum lado, não digo.</description><link>http://chapiteu.blogspot.com/2009/09/se-li-isto-em-algum-lado-nao-digo.html</link><author>noreply@blogger.com (Tiago)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4782423529545630409.post-7799198812746065081</guid><pubDate>Mon, 21 Sep 2009 23:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-21T16:40:05.691-07:00</atom:updated><title>Da astronomia</title><description>Eu não gosto de astronomia. Quer dizer, gosto. Condescendo, movido mais por palpite do que por sondagem, que é matéria que fascina o ser humano, desde onde estou até à enfiada omnidireccional da rosa dos ventos. Mas a astronomia é mais uma arte do que uma ciência, e eu sou um rapaz das ciências. Condescendo de novo: a astronomia tem muito de científico. Só que também tem muito de poético, e misturar as duas coisas não me é indiferente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dia os deuses terrenos puseram os gémeos Castor e Pólux no céu, em duas estrelas reluzentes, para que a sua amizade ficasse marcada eternamente. Isso seria bonito, não fosse essa marca da irmandade épica só fazer sentido num pequeníssimo ponto do Universo: o planeta Terra. O céu tal como o vemos, as constelações tal como nos são apresentadas, não passam de uma conceptualidade que construímos a partir de seres estelares que nada têm que ver entre si: separadas por milhares de anos-luz de distância, nem ao ónus do conhecimento da sua constelação têm direito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A astronomia é uma efabulação sobre a qual admiramos o céu. É construída sobre um tecido histórico de centenas ou milhares de anos. Sei que apela a pensamentos sobre a vida; outras vidas; distâncias; viagens. O que me lixa nisto tudo é que talvez a Terra seja demasiado pequena para mim. E quando apanhar a próxima aeronave, olhar em volta, ver que nada disto faz sentido, provavelmente vou pensar:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Porra, estou perdido!</description><link>http://chapiteu.blogspot.com/2009/09/da-astronomia.html</link><author>noreply@blogger.com (Tiago)</author></item></channel></rss>