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	<title>De Nova York - VEJA.com</title>
	
	<link>http://veja.abril.com.br/blog/nova-york</link>
	<description>Civilização, direitos humanos, geopolítica e outras picuinhas</description>
	<lastBuildDate>Thu, 20 Jun 2013 09:00:41 +0000</lastBuildDate>
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		<title>A marcha dos movimentos</title>
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		<comments>http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/turquia/a-marcha-dos-movimentos/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 20 Jun 2013 09:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Erdogan]]></category>
		<category><![CDATA[Turquia]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma hora é preciso parar para ver como as coisas andam e se andam para frente. A negra americana Rosa Parks sentou-se no seu devido lugar no ônibus (no banco de trás), em 1955, em Montgomery, Alabama, e se recusou a dar o assento ao homem branco. Vitória da dignidade com o método da resistência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div id="attachment_59733" class="wp-caption aligncenter" style="width: 578px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/foto-melhor-turquia-man-standing.jpg"><img class="size-full wp-image-59733" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/foto-melhor-turquia-man-standing.jpg" alt="" width="568" height="346" /></a><p class="wp-caption-text">Erdem Gunduz, o homem de pé na praça Taksim, em Istambul</p></div>
<p>Uma hora é preciso parar para ver como as coisas andam e se andam para frente.</p>
<p>A negra americana Rosa Parks sentou-se no seu devido lugar no ônibus (no banco de trás), em 1955, em Montgomery, Alabama, e se recusou a dar o assento ao homem branco. Vitória da dignidade com o método da resistência pacífica. Nada de queimar o ônibus da injustiça e da segregação racial.</p>
<p>Rosa Parks foi presa, mas, para encurtar a história, as coisas andaram para frente nos EUA. Passageiros podem se sentar em qualquer lugar do ônibus (protestar contra a qualidade do serviço é outra história).</p>
<p>Em 1989, o homem empacou diante do tanque em Pequim, de uma fileira de tanques. Ele ficou conhecido com o &#8220;homem-tanque&#8221; ou &#8220;manifestante desconhecido&#8221;. Podemos também chamá-lo de herói anônimo daqueles dias gloriosos (e brutais) da luta por liberdade e democracia na ditadura comuno-capitalista. Não se sabe do seu paradeiro. O chinês parou por uns momentos os tanques, mas infelizmente não venceu a parada.</p>
<p>Agora é a vez do turco Erdem Gunduz. Na era das redes sociais, tudo cai facilmente e velozmente na rede. Ele é conhecido como o &#8220;homem de pé&#8221;. Estancou oito horas na Praça Taksim, em Istambul, contra a brutalidade policial e a truculência do governo Erdogan. A estátua Gunduz é artista e fez arte. Merece nosso respeito com seu desafio passivo, um perigo para governos ativos na repressão.</p>
<p>Ele simplesmente parou e foi movido pela polícia. No entanto, Gundum mexeu as coisas e inspirou um movimento, em uma nova fase dos protestos contra o autoritarismo e a islamização na Turquia. O movimento pode ser também imóvel.</p>
<p>Cada país tem sua dinâmica social e política. O Brasil nos últimos dias está demonstrando várias formas de marchar (desde marcha pacífica até a marcha à ré dos vândalos) e o governo (os governos, dependendo a esfera) de reagir.</p>
<p>Na Turquia, vemos o primeiro-ministro Recep Erdogan, o manda-chuva do país, reagindo com paranóia, estridência e truculência, enquanto outros setores do governo soam um pouco mais conciliatórios, como o presidente Abdullah Gul e o vice-primeiro-ministro Bulent Arinc (esse aí deu até o seu ok ao protesto passivo ao estilo Erdem Gunduz).</p>
<p>Erdogan é adepto das mais variadas teorias conspiratórias para denunciar os desafios (terroristas, tuiteiros, lobies estrangeiros e vai longe). O primeiro-ministro apenas não dá uma parada no esforço para entender o seu devido lugar na confusão. Alguns estão de pé (até serem movidos pela policia). Bem que Erdogan poderia dar uma sentada, uma assentada,  e ficar imóvel como uma estátua.</p>
</div>
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		<title>Os impérios contra-atacam</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Jun 2013 09:00:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>
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		<category><![CDATA[Turquia]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao rastrear a imprensa brasileira para entender o que se passa na pátria, eu percebi que muitos tentam entender o andar dos protestos através do espanhol Manuel Castells, sociólogo-guru, especialista em novas mídias. Ele circulou no Brasil recentemente e falou da importância destes novos instrumentos mobilizadores no mundo inteiro, em contraste ao desprestígio da política [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div id="attachment_59712" class="wp-caption aligncenter" style="width: 635px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/erdogan-massa-1.jpg"><img class="size-full wp-image-59712" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/erdogan-massa-1.jpg" alt="" width="625" height="424" /></a><p class="wp-caption-text">Erdogan e o tradicional poder mobilizador</p></div>
<p>Ao rastrear a imprensa brasileira para entender o que se passa na pátria, eu percebi que muitos tentam entender o andar dos protestos através do espanhol Manuel Castells, sociólogo-guru, especialista em novas mídias. Ele circulou no Brasil recentemente e falou da importância destes novos instrumentos mobilizadores no mundo inteiro, em contraste ao desprestígio da política convencional. Muita gente diz que protesta sem partido, sem líder. Castells, é claro, se protege dizendo que não devemos superdimensionar o poder destas novas mídias.</p>
<p>Sem dúvida. E não podemos deixar de dimensionar o outro lado. Os impérios contra-atacam. Em primeiro lugar, podem ser governos vigentes com seu aparato de repressão, propaganda, aparelhamento, mera ocupação do vácuo político ou apropriação do desabafo, como está fazendo agora a presidente Dilma Rousseff.</p>
<p>Acorda ainda mais forte, Brasil, cuidado com a jogada daqueles que querem passe livre nesta onda. Impérios também contra-atacam quando exibem competência política e institucional em uma crise, impedindo que o espaço seja ocupado pelos invasores do Vandalistão ou encaram justas demandas populares com transparência e negociações realistas.</p>
<p>Mas, impérios contra-atacam mesmo quando são grupos de oposição (já poderosos nesta condição). Eles ganham a parada na hora da confusão e descrédito do status quo. No último caso, está aí o caso recente e bem emblemático do Egito. A moçada Facebook foi para a praça Tahrir, no Cairo, mas o poder foi ocupado pela Irmandade Muçulmana, com sua vasta estrutura de organização forjada ao longo de décadas de clandestinidade. além de representatividade popular.</p>
<p>Existe muita atenção na imprensa global com a Turquia (é verdade que o Brasil ocupa bom espaço nesta semana), então vamos novamente para a praça Taksim, em Istambul. O primeiro-ministro Recep Erdogan enfrenta o maior desafio em 11 anos de governo (eleito três vezes democraticamente), com os protestos das últimas semanas. Numa frase que deixaria feliz o Manuel Castells, Erdogan foi rápido no gatilho retórico (além do gás lacrimogênio) para acusar os dois Ts pelo tumulto: terroristas e o Twitter.</p>
<p>Mas o fato é que Erdogan vai para a batalha campal não apenas com a tropa de choque e a fuzilaria verbal. Ele é acusado com toda razão de aprofundar o autoritarismo e o islamismo na Turquia, mas tem espaço para tal graças ao respaldo de um setor da população a favor destas bandeiras de luta, um setor que associa a oposição com vandalismo ou conspiração para derrubar o regime vigente. Com esta base do seu partido de raízes islâmicas, Erdogan tem condições de contra-atacar.</p>
<p>O contra-ataque se mostra efetivo, pois o primeiro-ministro também explora as divisões da oposição, que não sabe mostrar serviço. A moçada secular, bem educada e de classe média que impulsionou os protestos desgosta do Partido da Justiça e Desenvolvimento de Erdogan, mas tampouco se sente representada pelos partidos tradicionais de oposição.</p>
<p>Com uma oposição sem potência e manifestantes em ritmo de desabafo, o jogo de Erdogan é vencer os manifestantes com repressão e pelo cansaço, enquanto mantém um nível suficiente de alta mobilização de sua base para garantir sua vitória nas primeiras eleições diretas para presidente no ano que vem, um cargo que ele pretende exercer com poderes reforçados, com a mudança da legislação. A lei. Ora, a lei.</p>
<p>Moçada, para o bem e para o mal, os velhos instrumentos mobilizadores ainda funcionam.</p>
<p>***<br />
<strong>Bom contra-ataque do confiável (embora muito otimista na Turquia) Nehemias. Colher de chá (dia 19, 11:26). Mas quero registrar que a conversa aqui no bazar está muito boa. Leitores mais reticentes para comentar, compareçam! E uma colher de chá vespertina para a Vania (dia 19, 14:35). O comentário sobre redes sociais estimula um bom debate.</strong></p>
</div>
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		<title>Curtas &amp; Finas (Teerã &amp; Istambul &amp; São Paulo)</title>
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		<comments>http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/ira/curtas-finas-teera-istambul/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 18 Jun 2013 09:00:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Irã]]></category>
		<category><![CDATA[Turquia]]></category>

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		<description><![CDATA[A provocação escancarada no texto de Barbara Slavin está na foto. São dias (alguns dias) de primavera em Teerã. A moçada numa jogada tática decidiu apoiar o moderado (pragmático, conservador iluminado, sensato, ladino e vai por aí) Hassan Rohani nas eleições de sexta-feira passada. Ele agora é presidente-eleito. Deu até para a moça descobrir a cabeça nas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div id="attachment_59691" class="wp-caption aligncenter" style="width: 635px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/mulher-sem-veu-iran.jpg"><img class="size-full wp-image-59691" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/mulher-sem-veu-iran.jpg" alt="" width="625" height="417" /></a><p class="wp-caption-text">Primavera em Teerã</p></div>
<p>A provocação escancarada no texto de <a title="slavin" href="http://www.foreignpolicy.com/articles/2013/06/15/iran_elections_turkey_protests">Barbara Slavin</a> está na foto. São dias (alguns dias) de primavera em Teerã. A moçada numa jogada tática decidiu apoiar o moderado (pragmático, conservador iluminado, sensato, ladino e vai por aí) Hassan Rohani nas eleições de sexta-feira passada. Ele agora é presidente-eleito.</p>
<p>Deu até para a moça descobrir a cabeça nas celebrações, apesar da patrulha islâmica que molesta a população. Cenas bem diferentes das de junho de 2009 quando o aparato de repressão do regime iraniano foi à carga contra os manifestantes que denunciavam a fraude da reeleição de Mahmoud Ahmadinejad.</p>
<p>Istambul 2013 está mais para Teerã 2009, na truculência policial contra manifestantes e isto num país que de longe é muito mais democrático do que o Irã do aiatolá Khamenei. Mas o sultão-faraó Recep Erdogan bota para quebrar, em nome da tirania da maioria. Tem o seu povo, logo o povo que protesta na praça contra ele não é legítimo.</p>
<p>Numa retórica que faz lembrar Bashar Assad e tantos ditadores da região, Erdogan acusa terroristas, arruaceiros, especuladores financeiros e forças estrangeiras de estarem orquestrando a movimentação contra ele. E, sim, sua linguagem lembra o discurso oficial iraniano contra a moçada que foi protestar na praça Azadi, em Teerã há quatro anos.</p>
<p>A narrativa de Erdogan como o porta-estandarte de um modelo islâmico de democracia ficou tão esfumaçada como o gás lacrimogêno na praça Taksim, em Istambul. Mas a avenida não está aberta para o triunfo incontestável de Erdogan (sua meta é conquistar a presidência com poderes reforçados), embora não possamos subestimar sua capacidade putiniana de ditar as coisas por uns tempos.</p>
<p>Já em Teerã, o aiatolá Khamenei conseguiu esfumaçar as coisas, mas sem usar gás lacrimogêneo (ou coisas piores) desta vez. É aquilo que tanto se comenta: o líder supremo soube manejar a válvula de escape. A profundidade da frustração contra a linha dura talvez fosse mais perigosa para o regime iraniano do que a vitória de Hassan Rohani. Melhor deixar o povo extravazar. A moça pôde descobrir a cabeça num gesto primaveril. Agora resta descobrir o que vem depois desta primavera em Teerã.</p>
</div>
<div></div>
<div>PS- E o Brasil? E São Paulo, minha cidade natal? E minhas avenidas da Consolação e Paulista, por onde tanto caminhei desde garoto? Para mim, ainda resta descobrir o que virá depois da explosão de indignação. Sei que Dilma Rousseff não tem o pesado jogo de cintura de Erdogan ou a capacidade de travar o multidimensional jogo do aiatolá Khamenei. Em outros tempos, isto talvez fosse possível com o aiatolula.</div>
<div>***<br />
<strong>Colher de chá para &#8220;Curica de Deputado&#8221;, pela síntese opinativa e pontual, exatamente ao meio-dia (dia 18). </strong></div>
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		<item>
		<title>Don Obama e a Doutrina Corleone</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Jun 2013 09:00:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Corleone]]></category>
		<category><![CDATA[Obama]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
		<category><![CDATA[Síria]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma coluna sobre Barack Obama com o título Doutrina Corleone pode animar um pessoal: puxa, o colunista finalmente abriu os olhos e rompeu a omertà para denunciar este criminoso na Casa Branca, um digno representante da máquina política (e mafiosa) de Chicago definitivamente desmascarado. Impeachment! Cadeia! Lamento desapontar este pessoal. O assunto é bem menos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_59673" class="wp-caption aligncenter" style="width: 609px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/CORLEONE-CITACAO-1.jpg"><img class="size-full wp-image-59673" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/CORLEONE-CITACAO-1.jpg" alt="" width="599" height="324" /></a><p class="wp-caption-text">A exasperação de Al Pacino</p></div>
<p>Uma coluna sobre Barack Obama com o título Doutrina Corleone pode animar um pessoal: puxa, o colunista finalmente abriu os olhos e rompeu a <em>omertà</em> para denunciar este criminoso na Casa Branca, um digno representante da máquina política (e mafiosa) de Chicago definitivamente desmascarado. Impeachment! Cadeia! Lamento desapontar este pessoal. O assunto é bem menos sensacionalista e policialesco, preso na aridez geopolítica.</p>
<p>Há quatro anos, surgiu uma sacada de dois especialistas geopolíticos, John Hulsman e Wess Mitchell. Eles usaram o filme <em>O Poderoso Chefão</em> para fazer analogia com a política externa americana. Os dois primeiramente escreveram o artigo <em>Pax Corleone</em> e aí espicharam para o livro <em>The Godfather Doctrine</em> (<em>A Doutrina do Poderoso Chefão</em>).</p>
<p>Don Vito Corleone é baleado, forçando os filhos Sonny, Michael e o adotivo Tom Hagen (<em>consigliere</em>) a traçarem o novo curso de ação para a família. Don Vito, envelhecido e ferido, seria emblemático do poder americano em declínio em uma nova era em que os inimigos jogam de acordo com regras não familiares (sic).</p>
<div id="attachment_59684" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/o-futuro-da-familia.png"><img class="size-medium wp-image-59684" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/o-futuro-da-familia-300x260.png" alt="" width="300" height="260" /></a><p class="wp-caption-text">Michael Corleone e o futuro da família</p></div>
<p>Os herdeiros do poderoso chefão mafioso ilustram três escolas da política externa americana. Tom é a escola de centro-esquerda, dos liberais institucionais. Acredita que as velhas regras ainda valem e que dá para apostar em negociações. Sonny é o caubói George W. Bush, que atira antes de perguntar, e Michael é o realista, consciente de uma complicada e mutante cena. Ele reconhece a necessidade de combinações flexíveis de <em>soft power</em> (poder brando) e <em>hard power</em> (poder duro), para que a família possa manter seus interesses e influência em um mundo perigoso que muda rapidamente. Vagamente obamista?</p>
<p>Minha vez de beber na fonte de Francis Ford Coppola e Mario Puzo. Eu já tinha feito a analogia num programa do <em>Manhattan Connection</em>, mas agora faço por escrito para formalizar a patente. Existe uma corrente de pensamento na política externa americana (e Richard Haass, do Conselho de Relações Exteriores, é um destacado proponente), argumentando para Washington não se meter em buracos quentes do Oriente Médio. Na verdade, os americanos devem fazer uma retirada estratégica e se concentrarem na reforma da casa. Algo na linha de que a prioridade da segurança nacional é doméstica, antes de tudo é preciso fazer consertos em áreas como déficit fiscal, infra-estrutura e educação, ao invés de investir (ou fazer empréstimos) nas confusões lá fora.</p>
<p>Eu abordei um pouco o tema na <a title="sexta" href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/obama/obama-o-distraido/">coluna de sexta-feira</a>. Barack Obama é um presidente doméstico, suas prioridades são caseiras, apesar de estar à frente da ainda única superpotência do planeta. No fim de semana, os principais jornais americanos, como <em>The New York Time</em>s e <em>The Wall Street Journal</em>, tinham relatos dos bastidores a respeito das pressões políticas e estratégicas sobre o relutante presidente para um envolvimento mais vigoroso na guerra civil síria, a favor dos rebeldes.</p>
<p>Ainda não ficou claro quantas doses de viagra Obama vai tomar para se meter na Síria (Opa! Trocando de metáfora), mas já dá para aplicar para o presidente a minha Doutrina Corleone (a do Michael): &#8220;Quando eu pensei que estava fora…eles me puxam para dentro.”</p>
<p>Aliás, quem fizer uma pesquisa sobre frases clássicas dos filmes da série <em>O Poderoso Chefão</em>, verá que um punhado delas são certeiras para a política, relações internacionais e as relações humanas. Faça a pesquisa. É uma oferta que você não pode recusar</p>
<p>***<br />
<strong>Colher de chá para Francis Ford Coppola e Mario Puzo. </strong></p>
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		<title>Na eleição iraniana, uma válvula de escape</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Jun 2013 17:14:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ahmadinejad]]></category>
		<category><![CDATA[Irã]]></category>
		<category><![CDATA[Khamenei]]></category>
		<category><![CDATA[Rohani]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais reviravoltas e mais surpresas nas primaveras do mundo árabe-islâmico. Agora foi a vez do Irã. Quem diria que, em meio ao clima de desilusão e repressão (ambas incrementadas depois da eleição fraudulenta de Mahmoud Ahmadinejad há quatro anos), os iranianos dessem o recado que deram no pleito presidencial de sexta-feira? Vitória no primeiro turno [...]]]></description>
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<div id="attachment_59657" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/rohani.jpg"><img class="size-full wp-image-59657" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/rohani.jpg" alt="" width="300" height="168" /></a><p class="wp-caption-text">Vitória de Rohani é mancha sutil para o regime </p></div>
<p>Mais reviravoltas e mais surpresas nas primaveras do mundo árabe-islâmico. Agora foi a vez do Irã. Quem diria que, em meio ao clima de desilusão e repressão (ambas incrementadas depois da eleição fraudulenta de Mahmoud Ahmadinejad há quatro anos), os iranianos dessem o recado que deram no pleito presidencial de sexta-feira? Vitória no primeiro turno do moderado Hassan Rohani (apoiado por reformistas e por gente que resolveu dizer não aos fundamentalistas).</p>
<p>Houve uma arrancada da cidadania na reta final, o que explica a vitória de Rohani já no primeiro turno, ao conseguir mais de 50% dos votos. O comparecimento às urnas foi acima das projecões, mas ainda abaixo dos números da antológica eleição de 2009 que resultou no segundo último e mandato de Ahmadinejad e na prisão dos candidatos reformistas.</p>
<p>Eleições presidenciais iranianas costumam ser surpreendentes, Desta vez, o mais intrigante foi o fato de Rohani ter passado pelo crivo do sistema (encarnado no líder supremo, o aiatolá Khamenei). Não estamos falando da aprovação para concorrer, mas da ausência da falcatrua para negar sua vitória já no primeiro turno.</p>
<p>De certa forma, Khamenei tem razão. Ele foi humilhado mas, ao mesmo tempo, como disse, foi um voto de confiança no sistema. A ditadura foi legitimada, mas também castigada. Setores desiludidos com a revolução islâmica ou com seus subprodutos, como corrupção, incompetência econômica e cansaço com as lideranças tradicionais, encontraram um canal para expressar seu inconformismo.</p>
<div id="attachment_59665" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/RouhaniSupporters_0.jpg"><img class="size-medium wp-image-59665" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/RouhaniSupporters_0-300x198.jpg" alt="" width="300" height="198" /></a><p class="wp-caption-text">E agora?</p></div>
<p>Eleições na ditadura islâmica servem como válvula de escape (funciona para todos). O manda-chuva e dono da bola é Khamenei. Vamos ver como ele irá controlar o jogo agora. Também precisamos ver o grau de docilidade de Rohani ao sistema encarnado em Khamenei, que, no final das contas, toma as decisões em questões como o programa nuclear.</p>
<p>Para o Ocidente, também existem grandes dilemas agora. Quando na presidência está um perigoso palhaço como Mahmoud Ahmadinejad é mais fácil demonizar (satanizar no jargão da revolução islâmica) o regime iraniano. A dinâmica ficou mais sutil e quem sabe, ao permitir que Rohani triunfasse no primeiro turno, Khamenei queira confundir as coisas e dividir o outro lado (tanto em termos domésticos, como internacionais).</p>
<p>Não dá para definir esta eleição como um referendo, mas o resultado serviu para evidenciar o fracasso do sistema, tanto na condução do cotidiano (desde economia ao sufocamento das liberdades individuais), como na sua linha dura no duelo nuclear com a comunidade internacional. Rohani, por exemplo, fala em governar com prudência e esperança. Acena com mais disposição para afrouxar as coisas em todos os sentidos (do papel da mulher às negociações nucleares).</p>
<p>A nova dinâmica complicará a preservação das sanções internacionais mesmo que o Irã não faça maiores concessões nas negociações nucleares, em particular no enriquecimento de urânio. Rohani promete meramente mais engajamento com as potencias ocidentais e em troca quer o abrandamento das sanções. Mas, em parte, ele foi o beneficiado por estas sanções, que agravaram a situação econômica e o desgaste do regime.</p>
<p>Até agora, Khameni não deu mostras de flexibilidade. Precisamos ver se ele usará a escolha de um moderado no cargo de presidente para ensaiar alguma acomodação, tanto dentro de casa, como lá fora. Em suma, como o poder supremo vai controlar a válvula de escape?</p>
<p>***<br />
<strong>Neste bazar de ideias, que abriu no sabadão, com o mote da válvula de escape, colher de chá para Yes, We Scam e Sorales. Por que não? </strong></p>
</div>
</div>
</div>
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		<title>Obama, o distraído</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Jun 2013 09:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escândalos]]></category>
		<category><![CDATA[Obama]]></category>
		<category><![CDATA[Síria]]></category>

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		<description><![CDATA[O mundo é uma distração para o líder da ainda única superpotência do planeta. O grande projeto de Barack Obama é doméstico. Na sua ambiciosa agenda (que foi enxugando devido à ausência de espaço político para avançar e à aguerrida obstrução republicana), o presidente quer provar que o governo pode ser bom, eficiente e esperto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_59631" class="wp-caption aligncenter" style="width: 285px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/obama-distraido-1.jpg"><img class="size-full wp-image-59631" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/obama-distraido-1.jpg" alt="" width="275" height="183" /></a><p class="wp-caption-text">Qual é o foco?</p></div>
<p>O mundo é uma distração para o líder da ainda única superpotência do planeta. O grande projeto de Barack Obama é doméstico. Na sua ambiciosa agenda (que foi enxugando devido à ausência de espaço político para avançar e à aguerrida obstrução republicana), o presidente quer provar que o governo pode ser bom, eficiente e esperto em um leque variado de reformas (saúde, sistema financeiro, igualdade social, controle de armas, imigração e mudanças climáticas).</p>
<p>Quando pode, Obama bate em retirada estratégica no mundo lá fora (Afeganistão, Iraque) ou faz investimentos pequenos em busca de grandes retornos (Líbia). Na Síria, ele enrola enquanto dá, a mesma coisa na crise nuclear iraniana. Mas em uma questão, não há como bater em retirada: guerra contra o terror, que, no final das contas, é um assunto de segurança nacional de caráter doméstico. Houve um empenho para remover alguns espinhos dos métodos de combates da era Bush (tortura). No geral, é continuidade, com a promessa de que está guerra um dia chegará ao fim.</p>
<p>Obama não pode abrir mão da vigilância (<em>sorry</em>, pelo trocadilho). Seria suicídio político. O governo concede ao complexo de vigilância o que ele precisa. Um ataque terrorista significativo poderia ter detonado a reeleição do presidente no ano passado. Não é à toa que o governo minimizou até onde deu o assalto terrorista contra a missão diplomática em Bengasi, na Libia, em 11 de setembro passado, que resultou na morte do embaixador e mais três americanos.</p>
<p>Como lembrou a revista <em>The Economist</em>, a guerra contra o terror é para Obama o que a guerra do Vietnã foi para Lyndon Johnson: uma vasta e trágica distração em que ele deve mostrar ao menos a aparência de vitória (O Vietnã derrotou Johnson, embora ele tenha deixado um imenso legado doméstico em reformas sociais e direito civis).</p>
<p>A controvérsia decorrente do vazamento de informações por Edward Snowden, o ex-técnico da CIA e ex-consultor da Agência Nacional de Segurança, sobre os Estados De Vigilância da América criou elásticas coalizões: o <em>establishment</em> dos dois partidos cerrou fileiras com o governo diante da &#8220;molecagem&#8221; de Snowden, com foco na segurança nacional, enquanto, do outro lado, libertários (de esquerda e direita) se insurgiram contra o <em>establishment</em> em nome das liberdades civis e contra o abuso de poder.</p>
<p>Obama tem aliados de ocasião, como o presidente da Câmara, o republicano John Boehner, que qualficou Snowden de traidor, mas o presidente está numa encruzilhada, em uma enrascada. Obama é visto como um traidor das promessas de campanha (repúdio aos métodos da era Bush e mais transparência).</p>
<p>O buraco, porém, é mais fundo. Ron Fournier, do <em>National Journal</em>, observa que o argumento essencial de Obama é este que eu mencionei no começo, de um governo que faz coisas boas e bem. As pesquisas podem mostrar os americanos confusos (no levantamento da revista <em>Time</em>, a maioria apoia o que Snowden fez, mas também pede que ele seja processado), mas está reforçada a narrativa de um governo metido, movido a segredos e até orwelliano.</p>
<p>As suspeitas vieram na esteira de escândalos, que estão sendo investigados, de perseguição pela receita federal de grupos conservadores, grampeamento de jornalistas e o episódio Bengasi. Tudo isto desemboca numa crise de credibilidade. Recuperá-la é a agenda de Obama. O resto corre o risco de se tornar uma distração.</p>
<div id="attachment_59644" class="wp-caption alignleft" style="width: 250px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/assad1.jpg"><img class="size-medium wp-image-59644" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/assad1-240x300.jpg" alt="" width="240" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Vigiando este tipo suspeito</p></div>
<p>Mas neste contexto de pouca credibilidade, o mundo continua a girar com suas crises. Justamente agora, os EUA disseram ter finalmente (ufa!) concluído que o regime sírio de Bashar Assad usou armas químicas e assim cruzou a tal linha vermelha. Hora de expandir o envolvimento na guerra civil a favor dos rebeldes, inclusive com assistência militar, e talvez mais tarde com uma zona de exclusão aérea.</p>
<p>Eu posso me dar ao luxo de analisar os prós e contras desta escalada americana de um ponto-de-vista estratégico (vital lembrar o senso de urgência para o cauteloso Obama na medida em que o regime sírio com apoio iraniano e dos terroristas do Hezbollah deu uma avançada nas últimas semanas). Mas, eu entendo que em um país de suspeitas sobre o Executivo (os EUA), qualquer execução em nome da segurança nacional, interesses estratégicos e boas intenções cheira uma jogada para distrair as atenções. Pior é se a execução for simbólica. Aí sim será para distrair as atenções.</p>
<p>***<br />
<strong>Alô, distraídos, colher de chá matinal para a Vania (dia 14, 11:25).  E na happy hour, colher de chá para o Nehemias (dia 14, 16:24).</strong></p>
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		<title>Curtas &amp; Finas (Khamenei &amp; Khamenei)</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Jun 2013 09:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Irã]]></category>

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		<description><![CDATA[O aiatolá Khamenei pede um comparecimento &#8220;épico&#8221; nas eleições presidenciais que serão realizadas na ditadura islâmica sob o seu tacão e Corão (primeiro turno nesta sexta-feira). É uma destas escolhas de Sofia (embora não haja mulher concorrendo). Comparecimento épico significa dar legitimidade à corruptela eleitoral, mas votar no menor dos males pode servir para dar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_59593" class="wp-caption aligncenter" style="width: 297px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/khamenei.jpg"><img class="size-full wp-image-59593" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/khamenei.jpg" alt="" width="287" height="176" /></a><p class="wp-caption-text">Eu quero assim</p></div>
<p>O aiatolá Khamenei pede um comparecimento &#8220;épico&#8221; nas eleições presidenciais que serão realizadas na ditadura islâmica sob o seu tacão e Corão (primeiro turno nesta sexta-feira). É uma destas escolhas de Sofia (embora não haja mulher concorrendo). Comparecimento épico significa dar legitimidade à corruptela eleitoral, mas votar no menor dos males pode servir para dar um recado ao sistema.</p>
<p>Para as forças reformistas (e elas possuem várias tonalidades), que foram esmagadas na eleição fraudulenta de quatro anos atrás que conferiu o segundo e último mandato a Mahmoud Ahmadinejad, são opções desalentadoras. O único candidato vagamente reformista no páreo, Mohammad-Reza Aref, caiu fora por razões táticas.</p>
<p>A ideia agora é dar apoio ao menos duro no plantel de candidatos aprovados pelo sistema. Ele é Hassan Rohani. O cidadão já foi negociador nuclear de Teerã com a comunidade internacional. Alguns setores reformistas (a rigor, devemos rotulá-los de pragmáticos), como o ex-presidente Hashemi Rafsanjani (que se inscreveu para concorrer, mas foi vetado pelo poder supremo, o aiatolá Khamenei), apostam nele como um candidato de reconciliação com o regime em torno de algumas exigências mínimas.</p>
<p>Rohani, por exemplo, na campanha fala de um governo de &#8220;esperança e prudência&#8221;. Para dar uma medida do desalento, Rohani denunciou os protestos reformistas quatro anos atrás. Sua proposta é seguir negociando o programa nuclear com a comunidade internacional, livrar-se das sanções que contribuíram para o desastre econômico do país, mas manter o projeto de enriquecimento de urânio. Muito esperançoso.</p>
<div>Na outra banda, não existem esperança e prudência. Entre os candidatos fundamentalistas, está o prefeito de Teerã, Mohammad-Baqer Qalibaf (Ahmadinejad também ocupou o cargo), com um projeto mais gerencial para reverter o desastre econômico. O aiatolá Khamenei prefere Saeed Jalili, o atual negociador nuclear, um tipo dócil e incolor. Khamenei, manda-chuva e manda-intolerância desde 1989, espera que não se repita a história de ser traído pelos presidente de plantão.</div>
<div></div>
<div>Khamenei, como de hábito, quer um espetáculo coreografado, mas dentro e fora do sistema acontecem surpresas que fogem ao roteiro. Um exemplo é o moderado Rohani chegar ao segundo turno (no próximo dia 21), isto, é claro, se o sistema permitir. Nas escolhas inglórias da realidade iraniana, sempre é bom ver algum espaço político e cívico conquistado por setores mais razoáveis, para dar algum alento para setores da sociedade que sabem que este sistema vigente é infame, uma falcatrua. Sempre bom ver o aiatolá Khamenei humilhado, nada épico, mas&#8230;.</div>
<div>***<br />
<strong>Colher de chá para os iranianos que, de alguma forma, darão um recado ao sistema nas eleições.  E pelas contribuições ao longo da quinta-feira, colher de chá para o Ivan.</strong></div>
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		<title>Rabiscos Estratégicos (Síria, Turquia e além)</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Jun 2013 09:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arábia Saudita]]></category>
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		<category><![CDATA[Síria]]></category>
		<category><![CDATA[Turquia]]></category>

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		<description><![CDATA[Qual é o seu rascunho do dia sobre o arco de turbulências no mundo árabe-islâmico? O conflito na Síria que se dissemina pela região (a destacar Líbano e Iraque) é componente essencial de uma guerra fria (cada vez mais quente entre o regime xiita do Irã e seus rivais sunitas (a destacar a Arábia Saudita). [...]]]></description>
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<div id="attachment_59576" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/hezbollah-siria.jpg"><img class="size-medium wp-image-59576" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/hezbollah-siria-300x168.jpg" alt="" width="300" height="168" /></a><p class="wp-caption-text">Combatentes do Hezbollah na Síria</p></div>
<p>Qual é o seu rascunho do dia sobre o arco de turbulências no mundo árabe-islâmico?</p>
<p>O conflito na Síria que se dissemina pela região (a destacar Líbano e Iraque) é componente essencial de uma guerra fria (cada vez mais quente entre o regime xiita do Irã e seus rivais sunitas (a destacar a Arábia Saudita). O cálculo de Teerã e da milícia xiita libanesa Hezbollah é o de que será possível salvar Bashar Assad (vital para a sobrevivência destes dois atores), mas evitar uma ampla guerra regional. Uma aposta muito arriscada.</p>
<p>Mas não é apenas isto. Não se trata meramente de um conflito sectário. Nunca podemos esquecer os componentes de crua politica. E minha &#8220;gurua&#8221; para assuntos de Oriente Médio, Roula Khalaf, do <em>Financial Times</em>, lembra o seguinte: as rivalidades sectárias estão sendo exploradas por atores autoritários na região no seu esforço para permanecer no poder.</p>
<p>Vamos ao caso mais gritante, sofrido: na Síria, onde a maioria da população é sunita, a oposição se insurgiu contra o regime de opressão e não pelo fato da família Assad pertencer à minoria alauíta (seita que compartilha as práticas xiitas).</p>
<p>O regime teve sucesso para tirar vantagem do mosaico religioso do país e angariar apoio de minorias temerosas, como os cristãos, alegando seu combate contra extremistas sunitas. A propaganda ganhou um fundo de verdade na medida em que combatentes rebeldes se radicalizaram e, pior, jihadistas entraram na arena, capazes de provocarem atrocidades, como o regime Assad, embora ainda não na mesma escala (nem tiveram tempo para tal).</p>
<p>Mas, é muito mais duvidoso um sucesso estratégico para a Síria e seus aliados do &#8220;eixo da resistência (Irã e Hezbollah) no seu conflito contra o amplo arco sunita, que inclui de extremistas ligados à rede terrorista Al Qaeda ao governo do primeiro-ministro turco Recep Erdogan. Isto não quer dizer que as coisas estejam tranquilas do outro lado.</p>
<div id="attachment_59581" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/praca-taksim.jpg"><img class="size-medium wp-image-59581" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/praca-taksim-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Fogo no laboratório da praça Taksim</p></div>
<p>Basta ver a Turquia. O governo Erdogan estendeu demais seu arco de atuação no Oriente Médio na pretensão de assumir a liderança da <em>Primavera Árabe</em>, mas agora suas flechas são disparadas dentro de casa, alvejando a praça Taksim, em Istambul e outros espaços cívicos, marcados por protestos pacíficos, arruaças e polícia policialesca.</p>
<p>Deste terça-feira, uma escalada de violência na Turquia. Bem ali, no laboratório que testa a fórmula que mistura islamismo e democracia, <em>made in Turkey</em>, produto de exportação. O laboratório está pegando fogo nas disputas de seculares x islamistas.  Apesar dos pesares, melhor ainda estar em Istambul do que em Damasco, Cairo, Riad ou Teerã.</p>
<p>Em outros países que conheceram a <em>Primavera Árabe</em>, alguns com mais fogo do que os outros, há os conflitos de seculares x islamistas e também os de islamistas x islamistas. No Irã, onde a primavera foi esmagada ha quatro anos na eleição fraudulenta de Mahmoud Ahmadinejad, é a linha dura x linha dura na eleição presidencial do próxima sexta-feira, com a benção do aiatolá Khamenei.</p>
<p>Vários rascunhos serão reescritos sobre este turbulento período no mundo árabe-islâmico no começo do século 21. Este é o meu, <em>du jour</em>.</p>
<p>***<br />
<strong>Colher de chá para Anna (dia 12, 14:20). </strong></p>
</div>
</div>
</div>
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		<title>Obama, Orwell e a vida dos outros</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Jun 2013 09:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escândalos]]></category>
		<category><![CDATA[Obama]]></category>
		<category><![CDATA[Orwell]]></category>

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		<description><![CDATA[De algum lugar, George Orwell está vigiando e talvez até gostando. As vendas do seu 1984, um livro supostamente de ficção, dispararam nos últimos dias, em razão das revelações sobre a existência dos Estados da Vigilância da América, ou seja, o aparato de xeretagem telefônica e na Internet do governo Obama como parte da luta antiterrorista, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div id="attachment_59548" class="wp-caption aligncenter" style="width: 318px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/capa-livro.jpg"><img class="size-full wp-image-59548" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/capa-livro.jpg" alt="" width="308" height="475" /></a><p class="wp-caption-text">Livro foi publicado em 1949</p></div>
<p>De algum lugar, George Orwell está vigiando e talvez até gostando. As vendas do seu <em>1984</em>, um livro supostamente de ficção, dispararam nos últimos dias, em razão das revelações sobre a existência dos Estados da Vigilância da América, ou seja, o aparato de xeretagem telefônica e na Internet do governo Obama como parte da luta antiterrorista, aparato herdado e ampliado da era Bush. Como eu já escrevi, os dois <em>big brothers.</em></p>
<p>O clássico de Orwell (um dos seus clássicos), publicado em 1949, é sempre um sucesso, mas agora há um interesse renovado. Na Amazon, alta estratosférica nas vendas (veja o PS). Obama faz o que pode para vender a narrativa de que seu governo sabe calibrar as coisas na busca penosa entre segurança nacional e liberdades individuais, estando longe das imagens sinistras associadas aos alertas orwellianos.</p>
<p>Orwell advertiu sobre os perigos de um poder burocrático fora de controle, mas, de fato, reconhecia que a intrusão do estado era necessária para nos proteger. O grande recado claro que é sobre o <em>Big Brother</em>. Ele está observando você. O estado monitora constantemente os movimentos dos cidadãos. De acordo com Michael Shelden, biógrafo americano de Orwell, uma vasta rede de vigilância era o que o jornalista e autor britânico temia. Seu livro cristalizou o que seria, o que é, o que será a vida sob regimes totalitários.</p>
</div>
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<div id="attachment_59550" class="wp-caption alignleft" style="width: 200px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/orwell-bbc.jpg"><img class="size-full wp-image-59550" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/orwell-bbc.jpg" alt="" width="190" height="265" /></a><p class="wp-caption-text">Orwell na Segunda Guerra</p></div>
<p>Em <em>1984,</em> Orwell destilou suas observações sobre a Rússia stalinista, a Alemanha nazista e sua própria experiência como radialista (fez parte do esforço de propaganda ao trabalhar na BBC durante a Segunda Guerra) e funcionário colonial britânico na Birmânia (hoje Mianmar).</p>
<p>Orwell foi policial na Birmânia e observou que quanto mais meticuloso o arquivo sobre os indivíduos, melhor para o estado. Não é à toa que <em>1984</em> seja basicamente a história sobre um estado policial.  Aliás, o próprio governo britânico espionou Orwell, de 1929 até sua morte em 1950, conforme foi revelado em 2007.</p>
<p>O biógrafo Shelden diz que Orwell não ficaria surpreso com as justificativas governamentais de hoje para a crescente vigilância policial devido à ameaça terrorista. Mas, Shelden acrescenta que Orwell ficaria impressionado com o papel de atores privados na coleta de informações privadas. E aqui não só as corporações, como Google e Facebook, mas cidadãos comuns, <em>proles</em>, no jargão de 1984. Os <em>proles</em> vigiam não apenas para o governo, mas uns aos outros, xeretando a vida dos outros. Somos todos informantes.</p>
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<div id="attachment_59553" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/life-of-others.jpg"><img class="size-full wp-image-59553" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/life-of-others.jpg" alt="" width="300" height="168" /></a><p class="wp-caption-text">A vida na Alemanha Oriental</p></div>
<p>O jornal <em>The Wall Street Journal</em> costuma praguejar contra o <em>big government. </em>Nesta polêmica assumiu a posição de que os detratores do governo Obama estão fazendo muito drama, muita frescura. No editorial de segunda-feira, com o título &#8220;Big Brother and Big Data&#8221;, o jornal diz que o presidente não deveria se desculpar tanto para as pessoas que imaginam um governo compilando dossiês e escutando chamadas telefônicas como se os EUA fossem uma versão da Alemanha Oriental do premiado filme <em>A Vida dos Outros</em>.</p>
<p>Aqui o editorial está afiado para atacar esta papagaiada de que os EUA estão se tornando um opressivo estado policial. Daniel Elsberg, o analista que vazou os <em>Papéis do Pentágono</em>, sobre a guerra do Vietnã, há mais de 40 anos, adverte que os EUA correm o risco de se transformarem em <em>United Stasi of America</em>, um trocadilho com a polícia secreta do personagem do filme, o capitão Wiesler.</p>
<p>Mas ai o editorial desgalha. Na novilíngua do jornal, os libertários deveriam ter medo mesmo de outro ataque terrorista ao estilo 11 de setembro ou com armas de destruição em massa. Aí sim, a resposta governamental seria a criação de um estado policial. A atual garimpagem de dados, arremata o<em> Wall Street Journa</em>l, salva vidas e desta forma protege contra intrusões bem maiores na liberdade individual.</p>
<p>Final hiperbólico, como tanta coisa que você deveria estar observando por aí nesta controvérsia a respeito da garimpagem de dados sobre a sua vida e a dos outros.</p>
<p>***</p>
<p><strong>Esta coluna preza depoimentos pessoais. Colher de chá para Pedro Bouvetiano (dia 11, 9:22). E ao longo do dia rolou um bom debate, um dos melhores na história da coluna.  Portanto, o little brother aqui concede uma colher de chá genérica para os proles.</strong></p>
<p>***<br />
<strong>Pessoal, na terça-feira, por volta das 14 horas, horário de Brasília, este era o status de vendas do 1984 na Amazon, com alta de 4.500%, ao longo de 24 horas:</strong></p>
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<td>4,556%</td>
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<td colspan="2">Sales rank: 164 (was 7,636)</td>
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<div><a href="http://www.amazon.com/Nineteen-Eighty-Four-Centennial-Edition-George/dp/0452284236/ref=zg_bsms_books_5"><img src="http://ecx.images-amazon.com/images/I/41VY8ASPE1L._SL160_PIsitb-sticker-arrow-dp,TopRight,12,-18_SH30_OU01_SL150_.jpg" alt="Nineteen Eighty-Four, Centennial Edition" /></a></div>
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<div>by George Orwell</div>
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		<title>Alô, alô, chamando da zona política americana</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Jun 2013 09:00:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Democratas]]></category>
		<category><![CDATA[Escândalos]]></category>
		<category><![CDATA[Obama]]></category>
		<category><![CDATA[Republicanos]]></category>
		<category><![CDATA[Terror]]></category>

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		<description><![CDATA[Para quem se frustra aqui nos EUA com a falta de cooperação entre os partidos ou a inglória dificuldade de encontros políticos em uma zona de intersecção em nome do bem da nação, são dias excepcionais para dissipar a frustração. O problema é que as coalizões montadas são uma zona, na esteira das revelações sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_59528" class="wp-caption aligncenter" style="width: 397px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/obama-telefone-mike.jpg"><img class="size-full wp-image-59528" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/06/obama-telefone-mike.jpg" alt="" width="387" height="336" /></a><p class="wp-caption-text">Deu para entender?</p></div>
<p>Para quem se frustra aqui nos EUA com a falta de cooperação entre os partidos ou a inglória dificuldade de encontros políticos em uma zona de intersecção em nome do bem da nação, são dias excepcionais para dissipar a frustração. O problema é que as coalizões montadas são uma zona, na esteira das revelações sobre a magnitude do aparato de vigilância que se insere na luta contraterrorista.</p>
<p>Uma dança de nomes sobre a doideira do debate deixará zonzo um brasileiro que não acompanha o dia-a-dia da política americana, portanto eu corro o risco aqui de simplificar, embora precise dar alguns destes nomes. No geral, o <em>establishment</em> no Congresso ficou com a versão da Casa Branca de que os programas de vigilância são necessários, legais e limitados. Com isto, para este <em>establishment</em>, não faz sentido uma narrativa orwelliana.</p>
<p>Existe fúria com o vazamento (a fonte que se apresentou é Edward Snowden, um ex-funcionário da CIA e que prestava consultoria para a Agência de Segurança Nacional, NSA, na sigla em inglês) e contra o principal recipiente das revelações, o blogueiro, advogado e radical de esquerda Glenn Greenwald (que escreve no jornal inglês <em>The Guardian</em>). Na televisão, no domingo, o deputado republicano Mike Rogers, chefe da comissão de inteligência da Câmara, mal escondia sua raiva com a diatribe criminosa de quem fizera o vazamento (e isto antes mesmo que Snowden viesse a público, do seu refúgio em Hong-Kong, que na explicação dele é China, mas não é China).</p>
<p>Já sobre Greenwald, o lendário advogado Alan Dershowitz (em geral, pró-Obama) escreveu que ele personifica os traços paranóicos da política americana e vive justificando o terror contra os EUA e Israel.  É possível traçar paralelos entre este caso e o episódio Wikileaks, envolvendo o soldado Bradley Manning (que está sendo julgado em corte marcial) e Jules Assange, asilado na embaixada equatoriana em Londres. Equador é Equador mesmo. Greenwald é um entusiasmado defensor de Assange.</p>
<p>Senadores influentes dos dois partidos repetem que danos profundos foram causados à segurança nacional com as recentes revelações. Vale lembrar que para a coalizão indignada com este aparato de vigilância, visto como uma afronta às liberdades civis, o <em>establishment</em> bipartidário no Congresso não passa de cúmplice dos governos Bush e Obama, pois foi informado da existência dos programas secretos e aquiesceu.</p>
<p>Na imprensa, o conservador <em>Wall Street Journal</em>, vociferante contra o governo abusivo e malevolente de Obama em outros escândalos recentes (como o da receita federal), em editorial ,&#8221;alertou que, em meio a reais abusos do poder, existe a tentação política de amarrar a garimpagem de dados a uma narrativa sobre um governo fora de controle. Tal oportunismo poderá apenas enfraquecer nossa defesa contraterrorista e colocar em perigo o país&#8221;.</p>
<p>Com o liberal <em>New York Times</em>, tradicional pilar de apoio ao governo Obama, foi o contrário. Pouca indignação com os outros escândalos e a denúncia sobre a falta de credibilidade do governo nesta questão do aparato de vigilância (embora a versão do editorial no papel tenha sido suavizada em relação ao texto publicado originalmente online).</p>
<p>Nesta zona, o <em>New Tork Times</em> foi para a cama com uma coalizão que é rotulada de &#8220;liberal-tária&#8221;. Seria a fusão de liberais (como os esquerdistas são conhecidos nos EUA) e libertários de direita (mas aqui também temos os de esquerda). Senadores nas bordas dos dois partidos estão juntos, como o democrata Roy Wyden e o republicano Mike Lee.</p>
<p>E nada mais incrível do que ter neste coro estridente, figuras como os senadores Bernie Sanders, o único assumidamente socialista, e Rand Paul, marca registrada do movimento libertário e porta-estandarte do <em>Tea Party.</em> São setores que, por motivos diferentes, suspeitam e consideram que o governo seja nocivo aos interesses da nação, mas se unem em algumas causas, como esta de denunciar o complexo militar e de inteligência.</p>
<p>É fácil denunciar políticos por hipocrisia, oportunismo e inconsistência (o senador e candidato presidencial Barack Obama com suas perorações liberais e promessas de transparência é diferente do presidente Barack Obama, forçado a sair das sombras com as revelacões sobre o aprofundamento do seu governo no estado de vigilância), mas muitas das figuras citadas acima, ao longo do espectro, sempre estiveram no mesmo lugar, com sua coerência.</p>
<p>A minha impressão inicial é a de que a coalizão indignada com o aparato de vigilância não terá capital político para virar o jogo no Congresso, além de alguns paliativos na legislação e nas regras operacionais, diante da força do <em>establishment.</em> Mais incerto para mim é como reagiria a Corte Suprema caso receba o caso, argumentando a inconstitucionalidade destes programas operados no governo Bush e agora no de Obama.</p>
<p>Um ponto interessante nesta convoluta controvérsia foi o encontro na zona de intersecção de algumas figuras díspares que sempre estiveram no mesmo lugar. Vamos deixar claro que Obama está com sérios problemas de crediblilidade, com sua honestidade crescentemente questionada nas pesquisas de opinião pública, mas que ironia! O presidente prometeu governar acima das tradicionais divisões partidárias. Nesta questão dos Estados da Vigilância da América, ele conseguiu diferentes uniões, a favor e contra.</p>
<p>***<br />
<strong>Colher de chá matinal para o Filipe (dia 10, 9:32).  E a vespertina para Gustavo C (dia 10, 17:01). E vai uma para o Ivan na happy hour (dia 10, 17:57).</strong></p>
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