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	<title>De Nova York - VEJA.com</title>
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	<description>Civilização, direitos humanos, geopolítica e outras picuinhas</description>
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		<title>Obama, adiante, V (terror)</title>
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		<pubDate>Fri, 24 May 2013 09:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Obama]]></category>
		<category><![CDATA[Terror]]></category>

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		<description><![CDATA[Barack Obama fez um discurso obamista na quinta-feira, professoral e cheio de nuances, seu primeiro sobre contraterrorismo desde o início do segundo mandato. Houve a justificativa do uso de aviões não tripulados contra suspeitos de terrorismo (uma guerra &#8220;justa&#8221;, proporcional, de autodefesa, último recurso e mais tolerável do que enviar tropas ou jogar bombas convencionais). [...]]]></description>
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<div id="attachment_59285" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/obama-drones.jpg"><img class="size-medium wp-image-59285" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/obama-drones-300x168.jpg" alt="" width="300" height="168" /></a><p class="wp-caption-text">Satisfeitos?</p></div>
<p>Barack Obama fez um discurso obamista na quinta-feira, professoral e cheio de nuances, seu primeiro sobre contraterrorismo desde o início do segundo mandato. Houve a justificativa do uso de aviões não tripulados contra suspeitos de terrorismo (uma guerra &#8220;justa&#8221;, proporcional, de autodefesa, último recurso e mais tolerável do que enviar tropas ou jogar bombas convencionais). E em meio às controvérsias sobre a efetividade, moralidade e legalidade do método, Obama disse que o plano (nas sombras) é reduzir o uso dos avióes não tripulados.</p>
<p>No discurso, Obama também se mostrou mais enérgico na causa do fechamento da prisão de Guantánamo, em Cuba, velha promessa. Mas está aí a resistência bipartidária no Congresso. Exceto a ala mais à esquerda do Partido Democrata e libertários, ninguém será muito camarada com Obama nesta questão, nem a opinião pública.</p>
<p>E, aliás, no caso dos aviões não tripulados, que, sem eufemismos são assassinatos seletivos, entre a minoria dos americanos ligados na questão, o presidente tem apoio popular, a destacar entre eleitores republicanos.</p>
<p>Com estilo obamista, o presidente disse no discurso que é preciso ajustes nesta guerra ao terror, que não irá terminar formalmente, com assinatura de rendição em navio. Mas ele afirmou também que esta &#8220;guerra precisa acabar, como qualquer guerra&#8221;. De certa forma, Obama quer definir e terminar esta guerra nos seus termos, algo que obviamente perturba os republicanos. Ele acena com o fim do grande conflito global contra o terror, com comando centralizado, mas a persistência de conflitos localizados, que não representam um perigo existencial. O recado do presidente: o 11 de setembro está ficando distante.</p>
<p>Sem dúvida que existem diferenças qualitativas entre o terror que derruba as torres-gêmeas do World Trade Center ou aquele que trucida um soldado em Londres, como na quarta-feira, com facão e cutelo. Mas terror é terror e estará aí por tempo indefinido, apesar da frase bonita do pai-fundador James Madison, citada por Obama, de que &#8220;nenhuma nação pode preservar sua liberdade em meio ao combate contínuo&#8221;.</p>
<p>Obama quer separar as coisas: os dois terroristas islâmicos em Londres, do facão e do cutelo, não são a mesma coisa que a rede Al Qaeda. Houve uma evolução para uma teia que se mostra cada vez mais complexa, uma metamorfose ambulante. Na narrativa política e eleitoral do presidente, já houve um <em>downgrade</em> da ameaça da matriz no seu governo, mas e o resto?</p>
<p>Temos as filiais, os autoradicalizados e os frilas. No final das contas, será um &#8220;combate contínuo&#8221; contra os selvagens do cutelo. E aí sempre existe o solapamento de liberdades. E como seria diferente? Não dá para ter tudo: liberdade sem preço e eterna vigilância. Está aí Obama, sucessor de George W. Bush, para constatar. São os ossos do ofício.</p>
<p>Eu confesso uma certa resignação sobre os perigos da turma do cutelo ou da panela de pressão (maratona de Boston). E sempre existe o perigo do terror de maior magnitude aprontar. Mais: além do perigo dos frilas do terror, temos as brigadas internacionais do jihadismo, hoje com destaque na Síria.</p>
<p>Obama foi Obama. Ele falou no discurso que é preciso fortalecer os setores moderados entre os rebeldes sírios e isolar os extremistas. E o que o presidente faz a respeito? Caso não queira fazer nada substancial por temor de buraco sem fundo, então não recorra a esta retórica superficial. Assim, no caso sírio, a política americana fica parecendo avião não tripulado, sem alvo definido.</p>
<p>***<br />
<strong>Colher de chá para Márcia Costa e O Antipetralha, num debate tripulado nesta sexta-feira.  E outra para o João Felipe (dia 24, 13:33), no alvo.</strong></p>
</div>
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		<title>Obama, adiante, IV (Oh Watergate!)</title>
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		<pubDate>Thu, 23 May 2013 09:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escândalos]]></category>
		<category><![CDATA[Nixon]]></category>
		<category><![CDATA[Obama]]></category>
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		<description><![CDATA[A coluna de quarta-feira mais uma da série Obama, adiante, cuidou do clichê da maldição do segundo mandato. Com os escândalos no governo americano, prosperou o inevitável clichê &#8220;pior que Watergate&#8221;. Este, aliás, foi título do livro de John Dean em 2004 para denunciar o escandaloso governo de George W. Bush. John Dean, caiu a ficha? [...]]]></description>
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<div id="attachment_59263" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/nixon-and-obama.jpg"><img class="size-medium wp-image-59263" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/nixon-and-obama-300x185.jpg" alt="" width="300" height="185" /></a><p class="wp-caption-text">Uma analogia hiperbólica</p></div>
<p>A <a title="maldicao" href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/obama/obama-adiante-iii-maldicao-do-segundo-mandato/">coluna de quarta-feira </a>mais uma da série Obama, adiante, cuidou do clichê da maldição do segundo mandato. Com os escândalos no governo americano, prosperou o inevitável clichê &#8220;pior que Watergate&#8221;. Este, aliás, foi título do livro de John Dean em 2004 para denunciar o escandaloso governo de George W. Bush.</p>
<p>John Dean, caiu a ficha? Ele era o conselheiro (legal) do presidente Richard Nixon, foi conspirador no caso Watergate e, em troca de cooperação com a promotoria, teve a pena de prisão reduzida a quatro meses. Dean segue condenado à autoflagelação.</p>
<p>Existe condenação generalizada pelo abuso do clichê &#8220;pior que Watergate&#8221;. Lou Cannon, jornalista e biógrafo de Ronald Reagan, tinha uma regra quando cobria a Casa Branca para o <em>Washington Post</em> (o jornal dos repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein). Ele desligava o telefone quando uma pessoa anônima garantia ter revelações que fariam Watergate parecer um piquenique.</p>
<p>Obviamente, ainda não sabemos se as controvérsias que assolam Barack Obama serão um piquenique ou não. Mas é importante não se distrair com as hipérboles. O constante uso do clichê &#8220;pior que Wategate&#8221; pode tirar o significado da analogia. Quando alguém brada Watergate desde o começo de uma controvérsia com o potencial de virar a história ou incriminar um governo, tudo o que acontece depois, ao longo de investigações, pode até parecer menos espetacular.</p>
<p><strong>A obra de Nixon</strong></p>
<p>Antes de analogias precipitadas, portanto, não custa saber o essencial de Watergate, a mãe de todos os &#8220;gates&#8221;. Há milhares de livros sobre o assunto. Artigos, então, nem se fala. Mas vamos cortar o caminho da garganta profunda, com o que Woodward e Bernstein (os dois jovens repórteres do &#8220;furo&#8221; e que devassaram o escândalo) escreveram no <em>Washington Post</em> em 2012, quando dos 40 anos (17 de junho de 1972) da invasão da sede do Partido Democrata, no edifício Watergate, em Washington. Título do artigo:&#8221;40 anos depois de Watergate, Nixon era pior que nós pensávamos&#8221;. Entres os pontos:</p>
<p>1) Nixon aprovou pessoalmente o plano autorizando a CIA, o FBI e a inteligência militar a intensificar a vigilância eletrônica de pessoas identificadas como &#8220;ameaças à segurança doméstica&#8221;.</p>
<p>2)A unidade de &#8220;encanadores&#8221; envolvida na invasão da sede do Partido Democrata tinha um prontuário criminoso. Entre suas ações, a invasão do escritório do analista Daniel Elsberg, que vazara os <em>Papeis do Pentágono</em>, sobre a guerra do Vietnã, para o <em>New York Times</em>. O antissemita Nixon instruiu o assessor Bob Haldeman para que &#8220;não deixasse o judeu roubar o material e se safar&#8221;. Ademais, o assessor de segurança nacional de Nixon, o judeu Henry Kisisinger, exigiu que o FBI espionasse 17 jornalistas e assessores na Casa Branca sem aprovação judicial.</p>
<p>3) O ministro da Justiça, John Mitchell, aprovou um plano criminoso de US$ 250 mil para que houvesse espionagem e sabotagem dos candidatos democratas na eleição de 1972, usando grampos e arrombamentos, com a participação de 50 pessoas.</p>
<p>4) Nixon aprovou e dirigiu a conspiração criminosa para tentar acobertar o seu próprio papel nos escândalos rotulados com a expressão Watergate.</p>
<div id="attachment_59275" class="wp-caption alignleft" style="width: 290px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/woordard-bernsein.jpg"><img class="size-full wp-image-59275" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/woordard-bernsein.jpg" alt="" width="280" height="180" /></a><p class="wp-caption-text">Os jovens Woodward e Bernstein</p></div>
<p>Bob Woodward (que continuou muito importante como jornalista, ao contrário de Carl Bernstein) é recrutado de forma incessante por estes dias para falar sobre o que está acontecendo com o governo Obama, em casos como a intimidação de grupos conservadores pela Receita Federal (o que foi feito por Nixon e outros presidentes em relação a seus adversários), a resposta ao ataque terrorista na missão diplomática americana em Benghazi e o cerceamento de repórteres e funcionários governamentais que vazam informações. Woodward criou seu próprio clichê: nada disso ainda é da escala Watergate, mas existe algo nixoniano em Obama.</p>
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<p><strong>Nixolândia</strong></p>
<p>Carl Cannon, o filho de Lou, editor do obrigatório site <em>RealClearPolitics</em>, também vê componentes nixonianos em Obama: na autocomiseração, no maniqueísmo e no desprezo pelo papel investigativo e imparcial da mídia. Cannon reconhece que até agora não há evidências conectando Obama ou qualquer um sob seu comando a atividades ilícitas, mas a ausência de criminalidade não é o único teste, para ele.</p>
<p>No escândalo do fisco, Cannon repete que não existem as evidências de que Obama soltou a burocracia contra os oponentes, como Nixon fez, mas aí ele pergunta: após anos comparando os republicanos no Congresso a terroristas e caracterizando o <em>Tea Party</em> como racista e extremista, qual era a mensagem transmitida pelo presidente? Na expressão de Cannon, isto também é &#8220;nixolândia&#8221;. Ok, posso até aceitar a ideia de venalidade política, mas ainda não estamos no território da criminalidade.</p>
<p>Outra herança de Watergate é o clichê que o acobertamento é pior do que o crime. Nestes termos, evidentemente será explosivo caso se revele que alguém do círculo mais íntimo de poder na Casa Branca sabia antes das eleições de 6 de novembro passado (reeleição de Obama) que havia a intimidação de grupos conservadores pelo fisco</p>
<p>Um memorável clichê das audiências no Senado sobre Watergate, foi a pergunta do senador Howard Baker: &#8220;O que o presidente sabia e quando ele soube&#8221;? Até lá&#8230;&#8230;.</p>
<p>***<br />
<strong>Colher de chá para o Rolando (dia 23, 11:53). Um bom argumento que se esquiva do tiroteio habitual.  E, em meio a tantos berros nos comentários, não resisto: colher de chá para o Ivan (dia 23, 12:19). E novamente não resisto: uma colher de chá noturna para Lord Keynes do sec XXI (dia 23, 22:43).</strong></p>
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		<title>Obama, adiante, III (maldição do segundo mandato)</title>
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		<pubDate>Wed, 22 May 2013 09:00:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escândalos]]></category>
		<category><![CDATA[Obama]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 30 de abril passado, não deu para passar em branco o clichê dos 100 dias de governo, mesmo quando é segundo mandato. Barack Obama deu uma coletiva de imprensa, longe de triunfalista, e disse que ainda tinha vitamina para governar. Vai precisar agora que ele está na companhia de um outro clichê clássico, especialmente [...]]]></description>
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<div id="attachment_59246" class="wp-caption aligncenter" style="width: 285px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/reagan-e-clinton.jpg"><img class="size-full wp-image-59246" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/reagan-e-clinton.jpg" alt="" width="275" height="183" /></a><p class="wp-caption-text">Reagan e Clinton: motivos para risadas</p></div>
<p>Em 30 de abril passado, não deu para passar em branco o clichê dos 100 dias de governo, mesmo quando é segundo mandato. Barack Obama deu uma coletiva de imprensa, longe de triunfalista, e disse que ainda tinha vitamina para governar. Vai precisar agora que ele está na companhia de um outro clichê clássico, especialmente na política americana: a maldição do segundo mandato. Ela ganhou corpo rapidamente com os escândalos (ok, os democratas dizem que são fabricados pelos republicanos e uma imprensa que não vive sem clichês).</p>
<p>E a maldição pode vir, de fato, na forma de escândalo. E um dos motivos é que podres levam tempo para frutificar e explodem no segundo mandato, O caso mais flagrante (belo termo policial) claro que foi o escândalo Watergate. Richard Nixon renunciou em 1974 para não sofrer impeachment. Ronald Reagan teve o seu escândalo Irã-Contras (trocando muito miudamente, foi a venda de armas para o Irã da revolução xiita em troca da libertação de reféns americanos), enquanto Bill Clinton teve o seu troca-troca com a estagiária Monica Lewinsky.</p>
<p>Evidentemente, escândalo não é uma benção. Deixa mancha nos verbetes biográficos, mas nem sempre é maldição suficiente para nocautear um presidente. Reagan virou ícone e Clinton deixou o poder mais popular do que quando começou o seu governo.</p>
<p>Maldição do segundo mandato, como lembra o historiador David Greenberg, da Universidade de Rutgers, pode ser definida amplamente como uma mescla de escândalos, políticas equivocadas e falhas pessoais. Nestes termos, existe também a maldição do primeiro mandato, que muitas vezes nocauteia o ocupante do cargo. Dos 44 presidentes americanos, apenas 21 serviram mais do que um mandato integral.</p>
<p>Desta maldição, Barack Obama já escapou. Sendo maldoso, talvez abençoado por ter uma oposição vitaminada, porém incompetente.</p>
<p>***</p>
<p><strong>Colher de chá um pouco diferente. Vai para a Adriana (dia 22, 2:59), que postou comentário na coluna anterior. Propósito da colher de chá é premiar comentários interessantes, promover debates e estimular a participação de leitores na coluna, Adriana é nossa recém-chegada e escreve da costa oeste dos EUA. Depois do afago e das boas vindas, quem quiser, pode contestar as opiniões da Adriana. Aqui é assim, adiante.</strong></p>
<p><strong>E uma colher de chá para o &#8220;Dr. Ruy&#8221;, um homem de jornal e de ideias. Devo muito a ele como leitor. Minha iniciação como leitor foi no Jornal da Tarde, um projeto fenomenal.</strong></p>
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		<title>Obama, adiante, II (indolência &amp; esperteza)</title>
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		<pubDate>Tue, 21 May 2013 09:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Congresso EUA]]></category>
		<category><![CDATA[Democratas]]></category>
		<category><![CDATA[Escândalos]]></category>
		<category><![CDATA[Obama]]></category>
		<category><![CDATA[Republicanos]]></category>

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		<description><![CDATA[Um é pouco, dois é bom e três é demais. A gente conhece o ditado. Mas a quantidade aqui &#8220;pesa&#8221; mais por sugerir uma tendência. O três nunca é demais em escândalo, mas é suficiente para dar a sensação de que um pacote amarrado caiu na cabeça do governo Obama, embora não haja uma relação [...]]]></description>
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<div id="attachment_59226" class="wp-caption aligncenter" style="width: 275px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/obama-e-os-tacos.jpg"><img class="size-full wp-image-59226" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/obama-e-os-tacos.jpg" alt="" width="265" height="190" /></a><p class="wp-caption-text">Indolência gerencial?</p></div>
<p>Um é pouco, dois é bom e três é demais. A gente conhece o ditado. Mas a quantidade aqui &#8220;pesa&#8221; mais por sugerir uma tendência. O três nunca é demais em escândalo, mas é suficiente para dar a sensação de que um pacote amarrado caiu na cabeça do governo Obama, embora não haja uma relação direta entre os casos: a resposta ao ataque terrorista na missão diplomática americana em Benghazi, na Líbia, no ano passado; o enquadramento da imprensa através de investigações de vazamentos e a intimidação pelo Fisco de grupos conservadores que pediam isenção de impostos.</p>
<p>Há um consenso, por ora, que o maior potencial de danos para a agenda, a imagem, o prontuário e o legado de Barack Obama está no escândalo do Fisco. Dos três casos, é o que pode chegar diretamente ao Salão Oval da Casa Branca ou muito perto dele. E nesta frente, as coisas caminham com bem mais rapidez do que o governo gostaria.</p>
<p>O presidente gosta de fazer cara de muxoxo ao reclamar da falta de espírito bipartidário. Pois bem, na segunda-feira, houve uma prova no Senado, de maioria democrata. Os líderes da Comissão de Finanças (o democrata Max Baucus e o republicano Orrin Hatch) fizeram uma longa requisição conjunta de documentos e outras informações ao Fisco.</p>
<p>As solicitações do Senado sinalizam uma longa jornada de investigações adiante. Era <em>wishful thinking</em> da Casa Branca que as coisas iriam murchar na primavera (do hemisfério norte). Dependendo da evolução das investigações, poderemos ter um verão muito quente.</p>
<p>Entre outras coisas, os senadores querem os documentos, incluindo e mails, relacionados &#8220;às comunicações entre todos os funcionários da Receita Federal e todos os funcionários da Casa Branca, inclusive, mas não limitados, ao presidente&#8221;. A requisição tem 41 questões e o Fisco deve responder até 31 de maio.</p>
<p>Na carta conjunta, Baucus e Hatch escreveram que &#8220;discriminar solicitantes para isenção de impostos usando rótulos políticos ameaça minar a confiança pública na Receita Federal&#8221;. Um pouco de contexto: existe um descrédito generalizado das instituições. O Congresso, aliás, está lá embaixo.</p>
<p>As investigações são cruciais nesta situação, inclusive para a própria credibilidade do Congresso, que precisará trabalhar com o tal do espírito bipartidário, enquanto mostra capacidade de legislar e não ficar apenas em ritmo de CPI.</p>
<p>Gerald Seib, do <em>Wall Street Journa</em>l, um veteraníssimo observador de Washington, enfatiza dois pontos: não está inteiramente claro o quanto a Casa Branca sabia, mas também o quanto deveria saber. Pecar por indolência já é gravíssimo. E indolência gerencial no caso do Fisco contrasta com o excesso de zelo para tapar os vazamentos de informações governamentais. Esta á uma Casa Branca que se diz desinformada neste caso, embora a rede no alto escalão que tomou nota do ocorrido não pare de crescer, e, ao mesmo tempo, ela faz o que pode para conter o fluxo de informações.</p>
<p>Sei que existe uma narrativa em meios conservadores conferindo culpa no escândalo ao presidente pelo seguinte caminho: ele nem precisava saber o que se passava no Fisco. Nem precisamos de investigações. O aparato burocrático fez o que o chefe queria, simplesmente concretizou a perseguição de grupos conservadores, culminando o seu processo de demonização pelo governo democrata (aliás, isto é mútuo, como ficou bem patente na campanha eleitoral do ano passado).</p>
<p>Mas, para mim, esta noção de Obama como o culpado em última instância, mesmo sem a necessidade de investigações, é artifício doutrinário dos seus adversários. Indolência é um caminho mais plausível, até provas em contrário ou incriminadoras.</p>
</div>
<div>
<p>Podemos ser cínicos sobre qualquer político e suas promessas. Mas Obama particularmente prometeu muito quando concorreu pela primeira vez em 2008. Nas palavras de Seib, do <em>Wall Street Journa</em>l, o candidato da mudança e da esperança prometeu reviver &#8220;a confiança que o governo seja capaz de resolver problemas de uma forma esperta e não ideológica&#8221;. Não vale governar apenas com esperteza, uma indolente esperteza.</p>
<p>***<br />
<strong>Colher de chá para a Patricia P (dia 21, 10:03), pelo tom</strong>. <strong>E outra colher de chá para o Ronaldo e o Rogerio, nada indolentes, pelo debate vespertino. E adiante, na madrugada uma colher de chá para a Adriana (dia 22, 2:59).</strong></p>
</div>
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		<title>Obama, adiante</title>
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		<pubDate>Mon, 20 May 2013 09:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Congresso EUA]]></category>
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		<category><![CDATA[Obama]]></category>
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		<description><![CDATA[Será que em janeiro de 2017, Barack Obama passará o cargo para Hillary Clinton ou já estará na lixeira da história? Quais são as previsões? Estamos apenas na segunda semana do tsunami de escândalos que assolam o governo Obama (narrativa dos republicanos) ou de pseudoescândalos (narrativa dos democratas). Este amplo espectro de perguntas (entre o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_59204" class="wp-caption aligncenter" style="width: 536px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/obama-grande.jpg"><img class="size-full wp-image-59204" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/obama-grande.jpg" alt="" width="526" height="395" /></a><p class="wp-caption-text">Quais são as previsões?</p></div>
<p>Será que em janeiro de 2017, Barack Obama passará o cargo para Hillary Clinton ou já estará na lixeira da história? Quais são as previsões? Estamos apenas na segunda semana do tsunami de escândalos que assolam o governo Obama (narrativa dos republicanos) ou de pseudoescândalos (narrativa dos democratas).</p>
<p>Este amplo espectro de perguntas (entre o triunfo histórico e a lixeira da história) não é exagerado porque a política americana é marcada por hiperpolarização. Basta acompanhar o frenesi da cobertura de duas TV por assinatura (<em>Fox New</em>s e <em>MSNBC</em>) para constatar que existem realidades políticas alternativas nos EUA.</p>
<p>Imagine, luminares entre comentaristas conservadores, como Peggy Noonan, do conservador <em>The Wall Street Journa</em>l, já decidiram que &#8220;nós estamos no meio do pior escândalo em Washington desde Watergate&#8221;. Imagine, ela que foi marqueteira e redatora de discursos de Ronald Reagan, o presidente do escândalo Irã-Contras (anos 80). Noonan reescreve a história, enquanto Ryan Lizza, da revista liberal T<em>he New Yorker</em>, antecipa o seu final, vaticinando que a maré do escândalo já baixou.</p>
<p>Tem gente mais exagerada do que Peggy Noonan, garantindo que Obama é um escroque pior do que Nixon, enquanto na outra banda há diagnósticos de que existem apenas alguns deslizes burocráticos, como no escândalo da receita federal indo à caça de grupos conservadores.</p>
<div id="attachment_59207" class="wp-caption alignleft" style="width: 309px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/nixon-and-clinton.jpg"><img class="size-full wp-image-59207" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/nixon-and-clinton.jpg" alt="" width="299" height="169" /></a><p class="wp-caption-text">Os referenciais Nixon e Clinton</p></div>
<p>Por ora, em termos políticos, a liderança republicana tenta conter os arroubos na sua banda, consciente dos erros estratégicos que cometeu na caça de Bill Clinton no escândalo Monica Lewinsky no final dos anos 90. O impeachment (aprovado na Câmara, mas não consumado no Senado) e as obsessões republicanas com o caso resultaram em um presidente que terminou o segundo mandato por cima.</p>
<p>O líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, domingo na televisão, preferia falar de uma &#8220;cultura de intimidação&#8221; do governo Obama. É uma narrativa inteligente do ponto de vista conservador e que seduz libertários, tanto de direita, como de esquerda. O governo está aí para pegar o seu dinheiro, tolher a sua privacidade e suprimir a sua liberdade. Obama é um sinistro Tio Sam.</p>
<p>A <em>TV NBC</em>, onde McConnell deu sua entrevista, foi lá nos arquivos e encontrou uma pérola do longevo senador dita no ar. Ele denunciou no passado que grupos liberais estavam abusando da complexidade do código tributário, atuando sob a fachada de serem meras organizações com fins sociais, para conseguirem isenção de impostos. Recomendação do senador republicano na ocasião: mais rigor do Tio Sam para acabar com o abuso. Hoje, o foco são grupos conservadores fazendo a mesma coisa, assim como liberais, que nos últimos dias foram à carga para também reclamar da marcação da inquisição, oops, do fisco. Maroto, McConnell diz agora que não compactua com as ideias do velho McConnell.</p>
<p>Que escândalo! Políticos são hipócritas e oportunistas. Bem, claro que Obama é apenas mais um que decepciona. No caso dele, existe este amplo espectro (uma expressão favorita desta coluna). Ele se comporta tanto de forma passiva, como se fosse um espectador do seu próprio governo ou reclamando que os republicanos não o deixam governar, mas também tem uma atitude agressiva.</p>
<p>O Obama que prometeu transparência lidera um governo insular e secretivo. A administração do grande comunicador já realizou mais investigações criminais sobre vazamento de informações (uma das controvérsias em curso envolve a agência Associated Press) do que todos os governos anteriores combinados. O candidato Obama denunciava a expansão dos poderes do Executivo do governo Bush. É o sucessor, no duplo sentido.</p>
<p>Bush assumiu o poder com a promessa de restaurar a integridade do governo depois da era Bill Clinton. Depois, foi a vez de Obama prometer o mesmo, no lugar de Bush. E de pensar que Hillary  Clinton poderá  cumprir o ritual em 2017.  Não sabemos ainda exatamente em que parte do espectro esta crise vai terminar. Mas o que pode favorecer muito Obama é seu talento para fazer campanha permanente. Sua habilidade como candidato é mais flagrante do que para governar. É verdade que as coisas na economia estão melhorando, apesar dos permanentes alertas apocalípticos dos seus adversários. Isto ajuda a explicar a medíocre estabilidade do presidente na pesquisa  de opinião CNN/ORC, divulgada no domingo, depois que pipocaram as várias polêmicas.</p>
<div id="attachment_59210" class="wp-caption alignleft" style="width: 330px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/CPI-camara.jpg"><img class="size-full wp-image-59210" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/CPI-camara.jpg" alt="" width="320" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">Câmara em ritmo de CPI</p></div>
<p>Já os republicanos, que não são meramente oposição, pois controlam a Câmara, vivem em ritmo de CPI permanente. Na Câmara, 1/3 das comissões são devotadas a investigações do Executivo. Legislar é tarefa secundária.</p>
<p>Demonizar Obama é uma causa republicana, embora com o novo zelo para não parecer patológica. Agora será maior ainda, com a vantagem de que está mais centrada no planeta Terra e não nas bizarrices lunáticas sobre &#8220;o muçulmano queniano&#8221; que conquistou a Casa Branca para destruir a América.</p>
<p>A prioridade de Obama, obviamente, é construir um legado (e passar o cargo para um democrata em 2017) e não entrar em ritmo de administração de crise. Como parte de uma campanha permanente, existe a história de que a instrução da Casa Branca para sua equipe é para não devotar mais de 10% do seu tempo para neutralizar a ofensiva dos republicana no redemoinho de escândalos, que o governo prefere rotular de controvérsias.</p>
<p>O império de comunicações <em>Blinder &amp; Blainder</em> ainda não fixou metas quantitativas para esta cobertura.</p>
<p>***<br />
<strong>Colheres de chá ao longo do espectro. Vão para Adnor Pitanga, Douglas Hernandes e Ricardo Platero</strong></p>
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		<title>Atrás da fachada, o grande escândalo líbio de Obama</title>
		<link>http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/obama/atras-da-fachada-o-grande-escandalo-libio-de-obama/</link>
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		<pubDate>Fri, 17 May 2013 09:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na trindade de escândalos que assolam o governo Obama, o primeiro foi Benghazi, o caso do ataque terrorista em 11 de setembro de 2012 à missão diplomática na cidade líbia que resultou na morte do embaixador americano e mais três pessoas. Benghazi explodiu na campanha eleitoral do ano passado e continua sendo o mais convoluto, com [...]]]></description>
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<div id="attachment_59191" class="wp-caption aligncenter" style="width: 630px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/libia-2.jpg"><img class="size-large wp-image-59191" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/libia-2-620x413.jpg" alt="" width="620" height="413" /></a><p class="wp-caption-text">Milícias no cerco de ministérios em Trípoli</p></div>
<p>Na trindade de escândalos que assolam o governo Obama, o primeiro foi Benghazi, o caso do ataque terrorista em 11 de setembro de 2012 à missão diplomática na cidade líbia que resultou na morte do embaixador americano e mais três pessoas. Benghazi explodiu na campanha eleitoral do ano passado e continua sendo o mais convoluto, com o governo minimizando o impacto e os republicanos maximizando. Os outros escândalos são o grampeamento de telefones de jornalistas da agência AP e o alvejamento pela receita federal de grupos conservadores para o escrutínio de mais calibre.</p>
<p>O debate sobre a resposta do governo é extremamente legítimo (tanto na questão da falta de segurança em uma missão diplomática num lugar tão barra pesada, como no contorcionismo retórico do governo para explicar o que aconteceu, no calor de uma campanha eleitoral). <em>Sorry</em> pelo trocadilho, mas neste escândalo há mais fumaça do que fogo.</p>
<p>No entanto, há um escândalo político mais amplo no contexto líbio. Eu pessoalmente fui a favor da intervenção ocidental na Líbia em 2011, que culminou na queda e morte selvagem do ditador Muamar Khadafi. O escândalo está no <em>day after</em>. Está na falta de zelo do governo Obama para contribuir de forma resoluta na reconstrução da Líbia.</p>
<p>Até hoje, o governo de plantão em Trípoli carece de condições para controlar o país, onde pipocam milícias. Grupos rebeldes continuam armados, em aberto desafio ao estado. O Parlamento se submeteu a bandoleiros que tinham cercado os ministérios da Justiça e das Relações Exteriores, exigindo legislação que negasse emprego público a quem tivera alta posição no governo de Khadafi, que ficou quatro décadas no poder.</p>
<p>Destruir um regime infame é apenas a primeira fase (e alguns infames, como o de Bashar Assad, são duros e muito atrozes na queda), numa longa marcha de reconstrução. Obama nunca foi chegado em intervenções humanitárias e seu projeto estratégico é contrair a presença americana no Oriente Médio. A Líbia foi um acidente de percurso nesta trajetória, aconteceu e exigia responsabilidade. Mas contribuir para a estabilização de um país custa caro e leva tempo.</p>
<p>Max Boot, um dos meus estrategistas conservadores favoritos, vai no ponto. Tomado pela &#8220;síndrome do Iraque&#8221;, Obama sempre considerou o esforço para estabilizar a Líbia como o primeiro passo para um atoleiro e não para a redenção de um país. Seu governo deixou a Líbia na mão. E aqui os republicanos não pegam no pé de Obama, pois a base do partido é avessa ao conceito de &#8220;nation building&#8221;. Eles preferem ficar na fachada do problema, que é Benghazi.</p>
<p>Na paráfrase da música, a pergunta para Obama é: se foi só para desfazer, por que é que foi?</p>
<p>***<br />
<strong>E vamos de colher de chá para o certeiro Henrique (dia 17, 11:23).  E uma colher de chá de fim de semana para a Rubia (dia 19, 19:46).</strong></p>
</div>
</div>
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		<title>O Tea Party e as folias do governo Obama</title>
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		<pubDate>Thu, 16 May 2013 09:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Escândalos]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div id="attachment_59174" class="wp-caption aligncenter" style="width: 369px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/rally-tea-party-3.jpg"><img class="size-full wp-image-59174" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/rally-tea-party-3.jpg" alt="" width="359" height="239" /></a><p class="wp-caption-text">Em marcha novamente</p></div>
<p>Excessos republicanos, paranóia conservadora e purismo ideológico já prestaram grandes favores políticos para o presidente democrata Barack Obama. Ele se posiciona como sensato e racional no meio de tanto delírio e governofobia. É hora de retribuir o favor. A cascata de escândalos envolvendo malfeitorias governamentais (em diversos escalões) é uma injeção de ânimo para o bloco do &#8220;bem-que-eu-avisei&#8221;.</p>
<p>E conhecemos os passistas mais fulgurantes deste bloco. São os ativistas do <em>Tea Party</em>, os conservadores que foram à luta com primeira eleição de Obama em 2008, posando de rebeldes da época da guerra de independência contra tiranos colonialistas. Obama é o novo rei George que esmaga as liberdades.</p>
<p>O <em>Tea Party</em> faz a festa novamente com estes escândalos: o próprio movimento está no centro dos acontecimentos, pois um dos escândalos é a marcação do Fisco de grupos conservadores, como filiais do <em>Tea Party</em>, submetidos a um escrutínio extra do seu status tributário.</p>
<p>As outras polêmicas envolvem o grampeamento de telefones de jornalistas e a resposta do governo ao ataque terrorista no ano passado à missão diplomática americana em Benghazi, na Líbia. O fio da meada é um governo abusivo e ao mesmo tempo inoperante, ou seja, um perigoso paquiderme.</p>
<p>Desde sua campanha contra a reforma do sistema de saúde, o Obamacare, não havia tanta animação no <em>Tea Party</em>.  Em 2010, quando os republicanos reconquistaram a Câmara, pesquisas mostravam apoio de 40% dos americanos ao <em>Tea Party.</em> Dois anos mais tarde, o apoio caíra para 20%.</p>
<p>É verdade que mesmo com a derrota de alguns dos seus candidatos nas eleições de 2012, o grupo já estava revigorado, integrado à campanha contra o controle de armas e com o estrelato de seus abre-alas, como os senadores Rand Paul e Ted Cruz (republicanos, é claro). Outro favorito do <em>Tea Party</em>, o senador Marco Rubio, criou fissuras no movimento conservador por impulsionar a reforma da imigração, mas os escândalos do governo Obama servem para cicatrizar as feridas e investir na narrativa que o problema supremo é este governo abusivo.</p>
<p>Os democratas agora esperam que o <em>Tea Party</em> novamente abuse desta bonança com sua pose de rebeldia retrô, enquanto a liderança republicana desperdice o mau momento do governo para seu habitual show de intransigência. Mas, por ora, vamos ficar com análise no gerúndio: Obama está perdendo e o <em>Tea Party</em> está ganhando. Hora de botar a fantasia e desfilar com o tema &#8220;Big Brother, você dançou&#8221;.</p>
<p>***<br />
<strong>Colher de chá matinal para o Francisco Pintão (dia 16, 9:32).  E outra para o Pablo (dia 16, 10:07), esta sem ironia. E outra para o Samuel (dia 16, 10:49). E vai uma colher para a Marcia no chá das 5 (dia 16, 17:19), pelo curto e saboroso comentário</strong></p>
</div>
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		<title>Obama perdido na história e os americanos, na geografia</title>
		<link>http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/obama/geopolitica-geografia-benghazi/</link>
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		<pubDate>Wed, 15 May 2013 09:00:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Temos três assuntos escandalosos na praça política americana: a marcação discriminatória pelo Fisco de grupos conservadores, a quebra do sigilo telefônico pelo ministério da Justiça de jornalistas da agência de notícias AP, num caso de vazamento de informações sobre terrorismo, e a atuação do governo Obama na tragédia de Benghazi, que resultou na morte do [...]]]></description>
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<div id="attachment_59143" class="wp-caption aligncenter" style="width: 528px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/mapa-libia1.jpg"><img class="size-large wp-image-59143" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/mapa-libia1-518x620.jpg" alt="" width="518" height="620" /></a><p class="wp-caption-text">Onde fica Benghazi?</p></div>
<p>Temos três assuntos escandalosos na praça política americana: a marcação discriminatória pelo Fisco de grupos conservadores, a quebra do sigilo telefônico pelo ministério da Justiça de jornalistas da agência de notícias AP, num caso de vazamento de informações sobre terrorismo, e a atuação do governo Obama na tragédia de Benghazi, que resultou na morte do embaixador na Líbia e mais três pessoas na missão diplomática dos EUA na cidade, num ato de terror islâmico em 11 de setembro do ano passado.</p>
<p>A opinião pública americana não tem maiores dificuldades para entender a primeira história sobre uma agência antipática por natureza, que vive de arrecadar impostos. E neste caso, até o presidente Obama se diz escandalizado com o escândalo. Dá para explicar a história em uma frase. A mesma coisa com a quebra do sigilo telefônico de jornalistas fazendo o seu trabalho. Ambos os casos fazem justiça às acusações de um governo abusivo.</p>
<p>Ironicamente, além de abuso, temos também uma Casa Branca inoperante, que não controla desmandos de escalões inferiores, e incompetente pela lentidão de sua resposta. Sem uma rápida faxina operacional (cabeças precisam rolar) e de relações públicas, Obama vai sofrer precocemente a maldição do segundo mandato. Com tantas mancadas, será um &#8220;pato manco&#8221; antes da hora. Aliás, precoces são também os paralelos nixonianos nestas controvérsias.</p>
<p>Já a terceira história (Benghazi) exige muitos parágrafos, é enrolada e se perde em labirintos semânticos sobre o que autoridades disseram a respeito do incidente. Exige até mapa (como vamos esclarecer abaixo). Basta ver que m<a title="benghazi" href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/libia/as-batalhas-de-benghazi-de-khadafi-a-hillary-clinton/">inha coluna Benghazi</a> de segunda-feira, não &#8220;rendeu&#8221; a fuzilaria habitual de comentários, mesmo com um tema marcado por expressões que geram orgasmos palpiteiros, como <em>Primavera Árabe</em> e Obama.</p>
<p>Assunto, portanto, brochante e por várias razões. Serve para exibir a ignorância geográfica dos americanos neste assunto geopolítico. Na pesquisa, 39% das pessoas que consideram Benghazi o maior escândalo da história americana não conseguem encontrar a cidade no mapa. Estes geopolitiqueiros indignados com a resposta do governo Obama ao ataque não sabem que o local da tragédia fica na Líbia.</p>
<p>Nesta pesquisa da firma Public Policy Polling (PPP), no total, 23% dos entrevistados disseram que Benghazi é o pior escândalo da história americana. Como era de esperar, republicanos estão especialmente indignados. Para 41% deles, Benghazi é mais grave do que Watergate (por  uma margem de 74 a 21) ou Irã-Contras (70 a 20). Esta é a opinião de 10% dos democratas e de 20% dos eleitores independentes. Não sabemos se estes palpiteiros sabem exatamente o que foram estes outros dois escândalos. E caso você tenha dúvidas, dê uma passada no centro de pesquisas Google.</p>
<p>Mas aqui esta o ponto curioso nesta pesquisa PPP: entre os consultados, os eleitores democratas são os mais ignorantes sobre a localização geográfica de Benghazi. Quanto mais conservador o consultado, mais certeiro na resposta. Conservadores são bem informados sobre Benghazi, pois são obcecados com o assunto. Eles têm orgasmos políticos, estimulados por políticos republicano a imprensa do setor, capitaneada pela <em>Fox News</em>.</p>
<p>Além da ignorância geográfica, Benghazi sempre foi uma história enrolada. Mais fácil mapear as outras duas controvérsias, que tiram ainda mais o foco da agenda de Obama no segundo mandato, já murchada no ambiente de hiperpartidarismo em Washington, e têm o potencial de revigorar um Partido Republicano brochado.</p>
<p>***<br />
<strong>Colher de chá para as ilações do Nehemias (dia 15, 12:08). </strong></p>
</div>
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		<title>As danças selvagens da Primavera Árabe</title>
		<link>http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/libia/as-dancas-da-primavera-arabe/</link>
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		<pubDate>Tue, 14 May 2013 09:00:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Líbia]]></category>
		<category><![CDATA[Primavera Árabe]]></category>
		<category><![CDATA[Síria]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem acompanha as marchas e contramarchas da Primavera Árabe (ambas longas), está acostumado a escutar que a Síria não é Líbia. Claro que não é. Se o conserto na Líbia já é difícil (e olha que, graças à intervenção ocidental, Muamar Khadafi partiu sem cerimônia ou julgamento), imagine, então, na Síria, onde tudo parece sem conserto, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_59134" class="wp-caption aligncenter" style="width: 630px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/rebeldes-sirios-dancando.jpg"><img class="size-large wp-image-59134" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/rebeldes-sirios-dancando-620x413.jpg" alt="" width="620" height="413" /></a><p class="wp-caption-text">Rebeldes sírios em Aleppo</p></div>
<p>Quem acompanha as marchas e contramarchas da P<em>rimavera Árabe</em> (ambas longas), está acostumado a escutar que a Síria não é Líbia. Claro que não é. Se o conserto na Líbia já é difícil (e olha que, graças à intervenção ocidental, Muamar Khadafi partiu sem cerimônia ou julgamento), imagine, então, na Síria, onde tudo parece sem conserto, mesmo sem intervenção?</p>
<p>Faço a pergunta sabendo que a intervenção internacional ocorre de forma gradativa na Síria. Há um incremento do envolvimento regional. Temos o Irã e a milícia xiita Hezbollah segurando as pontas da ditadura Assad, juntos com os russos, enquanto Arábia Saudita e Catar fornecem armas para seus rebeldes favoritos (que não são os meus).</p>
<p>O envolvimento internacional teve lances mais dramáticos em questão de dias. Primeiro foi Israel, que realizou bombardeios aéreos na Síria para alvejar armas destinadas ao Hezbollah, e agora a Turquia, que foi alvejada por atentados perto de sua fronteira com a Síria.</p>
<p>A Turquia já está bem metida na guerra civil e se tornou grande santuário de refugiados e de rebeldes sírios. Os turcos denunciam diariamente a inteligência síria de associação com estes atentados, mas não dão sinais de que irão partir para a ignorância contra o regime sirio e muito menos que farão isto sozinhos.</p>
<div id="attachment_59123" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/cameron.jpg"><img class="size-medium wp-image-59123" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/cameron-300x168.jpg" alt="" width="300" height="168" /></a><p class="wp-caption-text">Cameron na Casa Branca</p></div>
<p>A Turquia é integrante da Otan, a aliança militar ocidental, e seu primeiro-ministro Recep Erdogan estará quinta-feira em Washington para se reunir com Barack Obama. A história é que ele trará mais provas do uso de armas químicas pelo regime sírio. Na segunda-feira, foi a vez do primeiro-ministro britânico David Cameron, grande aliado americano e outro integrante da Otan, conversar com Obama.</p>
<p>Assim como na Líbia em 2011, Cameron quer os americanos menos relutantes na Síria. Os céticos apontam a situação melancólica da Líbia pós-Khadafi (com um governo fraco e milícias islamistas com a corda toda) para advertir para o atoleiro sírio. Mesmo Cameron se mostra mais relutante sobre o que fazer na Síria do que semanas atrás. Afinal, com a inação, o custo da ação ficou ainda mais alto</p>
<p>Sim, o dia da libertação líbia foi mais fácil do que o <em>day after</em>. No entanto, isto não quer dizer que sem envolvimento ocidental, a Líbia não estaria onde está, ou seja, com milícias islamistas em plena atividade. Talvez a Líbia, de qualquer forma, seria o que a Siria é hoje em dia: com um ditador recorrendo a barbaridades para enfrentar rebeldes radicalizados.</p>
<p>Multiplicam-se as denúncias de limpeza étnica de sunitas praticadas por milícias alauítas (a mesma do clã Assad) e agora circula o vídeo com imagens do comandante rebelde Abu Sakkar, da Brigada Farouq, num ato de selvageria canibalesca, ao que parece comendo o coração de um soldado governista morto. O vídeo está sendo veiculado, tanto pela <em>Human Rights Watch</em>, como pela propaganda do regime Assad.</p>
<p>Podemos concluir, então, que com ou sem intervenção ocidental, o cenário é atroz. Não existem boas opções. Na segunda-feira, falando ao jornalistas na Casa Branca, ao lado de Obama, David Cameron disse que seu país ainda não decidiu se irá armar a oposição síria, mas complementou que algo deve ser feito. No alerta de Cameron, se o Ocidente não trabalhar com a oposição &#8220;responsável&#8221;, a oposição extremista irá crescer.</p>
<p>Há que escolher entre más opções. O negócio é dançar ou dançar. Se preferirem, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. No caso do comandante  rebelde Abu Sakkar, não é uma metáfora.</p>
<p>***<br />
<strong>Colher de chá para o Rogério (dia 14, 14:08). </strong></p>
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		<title>As batalhas de Benghazi, de Khadafi a Hillary Clinton</title>
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		<pubDate>Mon, 13 May 2013 09:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Benghazi é uma cidade no leste da Líbia. É um emblema das tantas ramificações da Primavera Árabe, de leste a oeste. Benghazi foi berço da insurreição contra a ditadura de Muamar Khadafi. A perspectiva de um massacre em larga escala da população pelas forças de Khadafi foi o impulso e a justificativa para a intervenção [...]]]></description>
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<div id="attachment_59114" class="wp-caption aligncenter" style="width: 630px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/celebracao-benghazi.jpg"><img class="size-large wp-image-59114" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/celebracao-benghazi-620x348.jpg" alt="" width="620" height="348" /></a><p class="wp-caption-text">A celebração em Benghazi, outubro de 2011</p></div>
<p>Benghazi é uma cidade no leste da Líbia. É um emblema das tantas ramificações da <em>Primavera Árabe</em>, de leste a oeste. Benghazi foi berço da insurreição contra a ditadura de Muamar Khadafi. A perspectiva de um massacre em larga escala da população pelas forças de Khadafi foi o impulso e a justificativa para a intervenção ocidental na Líbia em 2011.</p>
<p>A ditadura caiu, mas a libertação da Líbia não trouxe apenas a esperança (precipitada) de um país melhor e com tanto potencial, mas também o poder de milícias islamistas, muitas delas operando a partir de Benghazi, um centro do fundamentalismo islâmico. Estas milícias fazem o que podem para impedir a consolidação de um novo estado líbio, na verdade se comportando como um paraestado.</p>
<p>Ramificações de Benghazi estão na Sïria, ainda sob o poder formal de um ditador jovem, Bashar Assad, mas da velha escola das autocracias árabes, como era o caso de Khadafi, que subiu ao poder na mesma época de Hafez Assad, pai do atual dirigente sírio. O regime de Damasco concretizou o que Khadafi não conseguiu em Benghazi. Várias cidades sírias foram vítimas de massacres em larga escala, que não puderam ser evitados, pois não houve a intervenção ocidental, como na Líbia.</p>
<p>Estas cidades sofreram duramente e duplamente. Foram massacradas pelo Exército e milícias a mando de Assad, mas muitas delas também são submetidas agora ao domínio de milícias islamistas, que estão entre as tropas mais aguerridas no conflito sírio. Em algumas partes do país, as mílicias a serviço de Assad impõem a limpeza étnica de sunitas; em outras, milícias islamistas impõem a lei sharia.</p>
<p>É neste cenário de guerras de milícias, que acontecem tantas ramificações da guerra civil síria, como intervenções estrangeiras em diferentes escalas (Irã, Hezbollah, Rússia, Israel, Turquia, países árabes e países ocidentais). Não era este o plano, especialmente do Ocidente, quando ocorreu a intervenção para salvar Benghazi de Khadafi em 2011. Não se esperava que entre as ramificações da <em>Primavera Árabe</em> estivessem possibilidades de uma guerra regional ou tanto espaço para a rede Al Qaeda, que parecia ter sido atropelada na fase inicial das insurreições na África do Norte e Oriente Médio.</p>
<p>A rede original Al Qaeda foi bastante enfraquecida pelas ações do governo Obama (a destacar operações com aviões não tripulados e de forças especiais, como aquela que matou Osama Bin Laden no Paquistão há pouco mais de dois anos). Na narrativa político-eleitoral de Obama, o fim de Osama se tornou uma grande cartada. Mas a rede Al Qaeda, mais do que uma organização, se disseminou como uma inspiração em países do Oriente Médio e África do Norte. Ademais, a <em>Primavera Árabe</em> abriu espaço para a atuação de forças jihadistas, na Líbia e em outros países.</p>
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<div id="attachment_59099" class="wp-caption alignleft" style="width: 291px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/hillary-obama.jpg"><img class="size-full wp-image-59099" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/hillary-obama.jpg" alt="" width="281" height="180" /></a><p class="wp-caption-text">A batalha de Benghazi, em Washington</p></div>
<p>E justamente nos meses finais da campanha eleitoral de 2012 (e ainda por cima no dia 11 de setembro) ocorreu o ataque contra a missão diplomática (e anexo da CIA) dos EUA em Benghazi, quando Obama apregoava seu sucesso na luta contra o terror e Hillary Clinton era secretária de Estado. As ramifícações desta Benghazi estão agora aí com toda intensidade na guerra da política interna americana, com as investigações movidas pelos republicanos no Congresso, sendo que a Casa Branca e os democratas estão na defensiva.</p>
<p>O embaixador americano Christopher Stevens e mais três americanos morreram em 11 de setembro de 2012, quando ocorreu a invasão da missão diplomática em  Benghazi. Não há questões agora sobre a segurança inadequada na missão diplomática e que o ataque foi perpretado por jihadistas. Alguns republicanos, em ritmo de CPI permanente, acusam a Casa Branca de acobertamento e gritam Watergate, pedindo o impeachment do presidente Obama. Por que não extrapolar as ramificações? As alegações republicanas são de que o governo demorou para assumir que fora um ataque terrorista (e não um protesto espontâneo) e que fez o que pôde para ocultar isto da opinião pública para conquistar dividendos políticos e eleitorais.</p>
<p>A credibilidade do governo Obama está manchada. De fato, ele fez o que pôde para minimizar Benghazi na campanha eleitoral de 2012. Mas a politização da tragédia também ocorre do lado republicano. Tudo é feito para maximizar esta tragédia, já de olho na campanha eleitoral de 2016, e manchar a imagem de Hillary Clinton, que poderá ser a candidata democrata.</p>
<p>Benghazi e suas ramificações cada vez mais intrincadas, de primavera a primavera.</p>
<p>***<br />
<strong>Menos fogos de artifício do que eu imaginava nesta coluna. Colheres de chá para Henrique (dia 13, 9:31), Adnor (dia 13, 11:21) e Ingo (dia 13, 19:04). </strong></p>
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