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	<title>De Nova York - VEJA.com</title>
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	<description>Civilização, direitos humanos, geopolítica e outras picuinhas</description>
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		<title>Obama, adiante, III (maldição do segundo mandato)</title>
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		<pubDate>Wed, 22 May 2013 09:00:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escândalos]]></category>
		<category><![CDATA[Obama]]></category>

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<div id="attachment_59246" class="wp-caption aligncenter" style="width: 285px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/reagan-e-clinton.jpg"><img class="size-full wp-image-59246" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/reagan-e-clinton.jpg" alt="" width="275" height="183" /></a><p class="wp-caption-text">Reagan e Clinton: motivos para risadas</p></div>
<p>Em 30 de abril passado, não deu para passar em branco o clichê dos 100 dias de governo, mesmo quando é segundo mandato. Barack Obama deu uma coletiva de imprensa, longe de triunfalista, e disse que ainda tinha vitamina para governar. Vai precisar agora que ele está na companhia de um outro clichê clássico, especialmente na política americana: a maldição do segundo mandato. Ela ganhou corpo rapidamente com os escândalos (ok, os democratas dizem que são fabricados pelos republicanos e uma imprensa que não vive sem clichês).</p>
<p>E a maldição pode vir, de fato, na forma de escândalo. E um dos motivos é que podres levam tempo para frutificar e explodem no segundo mandato, O caso mais flagrante (belo termo policial) claro que foi o escândalo Watergate. Richard Nixon renunciou em 1974 para não sofrer impeachment. Ronald Reagan teve o seu escândalo Irã-Contras (trocando muito miudamente, foi a venda de armas para o Irã da revolução xiita em troca da libertação de reféns americanos), enquanto Bill Clinton teve o seu troca-troca com a estagiária Monica Lewinsky.</p>
<p>Evidentemente, escândalo não é uma benção. Deixa mancha nos verbetes biográficos, mas nem sempre é maldição suficiente para nocautear um presidente. Reagan virou ícone e Clinton deixou o poder mais popular do que quando começou o seu governo.</p>
<p>Maldição do segundo mandato, como lembra o historiador David Greenberg, da Universidade de Rutgers, pode ser definida amplamente como uma mescla de escândalos, políticas equivocadas e falhas pessoais. Nestes termos, existe também a maldição do primeiro mandato, que muitas vezes nocauteia o ocupante do cargo. Dos 44 presidentes americanos, apenas 21 serviram mais do que um mandato integral.</p>
<p>Desta maldição, Barack Obama já escapou. Sendo maldoso, talvez abençoado por ter uma oposição vitaminada, porém incompetente.</p>
<p>***</p>
<p><strong>Colher de chá um pouco diferente. Vai para a Adriana (dia 22, 2:59), que postou comentário na coluna anterior. Propósito da colher de chá é premiar comentários interessantes, promover debates e estimular a participação de leitores na coluna, Adriana é nossa recém-chegada e escreve da costa oeste dos EUA. Depois do afago e das boas vindas, quem quiser, pode contestar as opiniões da Adriana. Aqui é assim, adiante.</strong></p>
<p><strong>E uma colher de chá para o &#8220;Dr. Ruy&#8221;, um homem de jornal e de ideias. Devo muito a ele como leitor. Minha iniciação como leitor foi no Jornal da Tarde, um projeto fenomenal.</strong></p>
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		<title>Obama, adiante,II (indolência &amp; esperteza)</title>
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		<pubDate>Tue, 21 May 2013 09:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Congresso EUA]]></category>
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<div id="attachment_59226" class="wp-caption aligncenter" style="width: 275px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/obama-e-os-tacos.jpg"><img class="size-full wp-image-59226" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/obama-e-os-tacos.jpg" alt="" width="265" height="190" /></a><p class="wp-caption-text">Indolência gerencial?</p></div>
<p>Um é pouco, dois é bom e três é demais. A gente conhece o ditado. Mas a quantidade aqui &#8220;pesa&#8221; mais por sugerir uma tendência. O três nunca é demais em escândalo, mas é suficiente para dar a sensação de que um pacote amarrado caiu na cabeça do governo Obama, embora não haja uma relação direta entre os casos: a resposta ao ataque terrorista na missão diplomática americana em Benghazi, na Líbia, no ano passado; o enquadramento da imprensa através de investigações de vazamentos e a intimidação pelo Fisco de grupos conservadores que pediam isenção de impostos.</p>
<p>Há um consenso, por ora, que o maior potencial de danos para a agenda, a imagem, o prontuário e o legado de Barack Obama está no escândalo do Fisco. Dos três casos, é o que pode chegar diretamente ao Salão Oval da Casa Branca ou muito perto dele. E nesta frente, as coisas caminham com bem mais rapidez do que o governo gostaria.</p>
<p>O presidente gosta de fazer cara de muxoxo ao reclamar da falta de espírito bipartidário. Pois bem, na segunda-feira, houve uma prova no Senado, de maioria democrata. Os líderes da Comissão de Finanças (o democrata Max Baucus e o republicano Orrin Hatch) fizeram uma longa requisição conjunta de documentos e outras informações ao Fisco.</p>
<p>As solicitações do Senado sinalizam uma longa jornada de investigações adiante. Era <em>wishful thinking</em> da Casa Branca que as coisas iriam murchar na primavera (do hemisfério norte). Dependendo da evolução das investigações, poderemos ter um verão muito quente.</p>
<p>Entre outras coisas, os senadores querem os documentos, incluindo e mails, relacionados &#8220;às comunicações entre todos os funcionários da Receita Federal e todos os funcionários da Casa Branca, inclusive, mas não limitados, ao presidente&#8221;. A requisição tem 41 questões e o Fisco deve responder até 31 de maio.</p>
<p>Na carta conjunta, Baucus e Hatch escreveram que &#8220;discriminar solicitantes para isenção de impostos usando rótulos políticos ameaça minar a confiança pública na Receita Federal&#8221;. Um pouco de contexto: existe um descrédito generalizado das instituições. O Congresso, aliás, está lá embaixo.</p>
<p>As investigações são cruciais nesta situação, inclusive para a própria credibilidade do Congresso, que precisará trabalhar com o tal do espírito bipartidário, enquanto mostra capacidade de legislar e não ficar apenas em ritmo de CPI.</p>
<p>Gerald Seib, do <em>Wall Street Journa</em>l, um veteraníssimo observador de Washington, enfatiza dois pontos: não está inteiramente claro o quanto a Casa Branca sabia, mas também o quanto deveria saber. Pecar por indolência já é gravíssimo. E indolência gerencial no caso do Fisco contrasta com o excesso de zelo para tapar os vazamentos de informações governamentais. Esta á uma Casa Branca que se diz desinformada neste caso, embora a rede no alto escalão que tomou nota do ocorrido não pare de crescer, e, ao mesmo tempo, ela faz o que pode para conter o fluxo de informações.</p>
<p>Sei que existe uma narrativa em meios conservadores conferindo culpa no escândalo ao presidente pelo seguinte caminho: ele nem precisava saber o que se passava no Fisco. Nem precisamos de investigações. O aparato burocrático fez o que o chefe queria, simplesmente concretizou a perseguição de grupos conservadores, culminando o seu processo de demonização pelo governo democrata (aliás, isto é mútuo, como ficou bem patente na campanha eleitoral do ano passado).</p>
<p>Mas, para mim, esta noção de Obama como o culpado em última instância, mesmo sem a necessidade de investigações, é artifício doutrinário dos seus adversários. Indolência é um caminho mais plausível, até provas em contrário ou incriminadoras.</p>
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<p>Podemos ser cínicos sobre qualquer político e suas promessas. Mas Obama particularmente prometeu muito quando concorreu pela primeira vez em 2008. Nas palavras de Seib, do <em>Wall Street Journa</em>l, o candidato da mudança e da esperança prometeu reviver &#8220;a confiança que o governo seja capaz de resolver problemas de uma forma esperta e não ideológica&#8221;. Não vale governar apenas com esperteza, uma indolente esperteza.</p>
<p>***<br />
<strong>Colher de chá para a Patricia P (dia 21, 10:03), pelo tom</strong>. <strong>E outra colher de chá para o Ronaldo e o Rogerio, nada indolentes, pelo debate vespertino. E adiante, na madrugada uma colher de chá para a Adriana (dia 22, 2:59).</strong></p>
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		<title>Obama, adiante</title>
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		<pubDate>Mon, 20 May 2013 09:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Será que em janeiro de 2017, Barack Obama passará o cargo para Hillary Clinton ou já estará na lixeira da história? Quais são as previsões? Estamos apenas na segunda semana do tsunami de escândalos que assolam o governo Obama (narrativa dos republicanos) ou de pseudoescândalos (narrativa dos democratas). Este amplo espectro de perguntas (entre o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_59204" class="wp-caption aligncenter" style="width: 536px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/obama-grande.jpg"><img class="size-full wp-image-59204" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/obama-grande.jpg" alt="" width="526" height="395" /></a><p class="wp-caption-text">Quais são as previsões?</p></div>
<p>Será que em janeiro de 2017, Barack Obama passará o cargo para Hillary Clinton ou já estará na lixeira da história? Quais são as previsões? Estamos apenas na segunda semana do tsunami de escândalos que assolam o governo Obama (narrativa dos republicanos) ou de pseudoescândalos (narrativa dos democratas).</p>
<p>Este amplo espectro de perguntas (entre o triunfo histórico e a lixeira da história) não é exagerado porque a política americana é marcada por hiperpolarização. Basta acompanhar o frenesi da cobertura de duas TV por assinatura (<em>Fox New</em>s e <em>MSNBC</em>) para constatar que existem realidades políticas alternativas nos EUA.</p>
<p>Imagine, luminares entre comentaristas conservadores, como Peggy Noonan, do conservador <em>The Wall Street Journa</em>l, já decidiram que &#8220;nós estamos no meio do pior escândalo em Washington desde Watergate&#8221;. Imagine, ela que foi marqueteira e redatora de discursos de Ronald Reagan, o presidente do escândalo Irã-Contras (anos 80). Noonan reescreve a história, enquanto Ryan Lizza, da revista liberal T<em>he New Yorker</em>, antecipa o seu final, vaticinando que a maré do escândalo já baixou.</p>
<p>Tem gente mais exagerada do que Peggy Noonan, garantindo que Obama é um escroque pior do que Nixon, enquanto na outra banda há diagnósticos de que existem apenas alguns deslizes burocráticos, como no escândalo da receita federal indo à caça de grupos conservadores.</p>
<div id="attachment_59207" class="wp-caption alignleft" style="width: 309px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/nixon-and-clinton.jpg"><img class="size-full wp-image-59207" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/nixon-and-clinton.jpg" alt="" width="299" height="169" /></a><p class="wp-caption-text">Os referenciais Nixon e Clinton</p></div>
<p>Por ora, em termos políticos, a liderança republicana tenta conter os arroubos na sua banda, consciente dos erros estratégicos que cometeu na caça de Bill Clinton no escândalo Monica Lewinsky no final dos anos 90. O impeachment (aprovado na Câmara, mas não consumado no Senado) e as obsessões republicanas com o caso resultaram em um presidente que terminou o segundo mandato por cima.</p>
<p>O líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, domingo na televisão, preferia falar de uma &#8220;cultura de intimidação&#8221; do governo Obama. É uma narrativa inteligente do ponto de vista conservador e que seduz libertários, tanto de direita, como de esquerda. O governo está aí para pegar o seu dinheiro, tolher a sua privacidade e suprimir a sua liberdade. Obama é um sinistro Tio Sam.</p>
<p>A <em>TV NBC</em>, onde McConnell deu sua entrevista, foi lá nos arquivos e encontrou uma pérola do longevo senador dita no ar. Ele denunciou no passado que grupos liberais estavam abusando da complexidade do código tributário, atuando sob a fachada de serem meras organizações com fins sociais, para conseguirem isenção de impostos. Recomendação do senador republicano na ocasião: mais rigor do Tio Sam para acabar com o abuso. Hoje, o foco são grupos conservadores fazendo a mesma coisa, assim como liberais, que nos últimos dias foram à carga para também reclamar da marcação da inquisição, oops, do fisco. Maroto, McConnell diz agora que não compactua com as ideias do velho McConnell.</p>
<p>Que escândalo! Políticos são hipócritas e oportunistas. Bem, claro que Obama é apenas mais um que decepciona. No caso dele, existe este amplo espectro (uma expressão favorita desta coluna). Ele se comporta tanto de forma passiva, como se fosse um espectador do seu próprio governo ou reclamando que os republicanos não o deixam governar, mas também tem uma atitude agressiva.</p>
<p>O Obama que prometeu transparência lidera um governo insular e secretivo. A administração do grande comunicador já realizou mais investigações criminais sobre vazamento de informações (uma das controvérsias em curso envolve a agência Associated Press) do que todos os governos anteriores combinados. O candidato Obama denunciava a expansão dos poderes do Executivo do governo Bush. É o sucessor, no duplo sentido.</p>
<p>Bush assumiu o poder com a promessa de restaurar a integridade do governo depois da era Bill Clinton. Depois, foi a vez de Obama prometer o mesmo, no lugar de Bush. E de pensar que Hillary  Clinton poderá  cumprir o ritual em 2017.  Não sabemos ainda exatamente em que parte do espectro esta crise vai terminar. Mas o que pode favorecer muito Obama é seu talento para fazer campanha permanente. Sua habilidade como candidato é mais flagrante do que para governar. É verdade que as coisas na economia estão melhorando, apesar dos permanentes alertas apocalípticos dos seus adversários. Isto ajuda a explicar a medíocre estabilidade do presidente na pesquisa  de opinião CNN/ORC, divulgada no domingo, depois que pipocaram as várias polêmicas.</p>
<div id="attachment_59210" class="wp-caption alignleft" style="width: 330px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/CPI-camara.jpg"><img class="size-full wp-image-59210" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/CPI-camara.jpg" alt="" width="320" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">Câmara em ritmo de CPI</p></div>
<p>Já os republicanos, que não são meramente oposição, pois controlam a Câmara, vivem em ritmo de CPI permanente. Na Câmara, 1/3 das comissões são devotadas a investigações do Executivo. Legislar é tarefa secundária.</p>
<p>Demonizar Obama é uma causa republicana, embora com o novo zelo para não parecer patológica. Agora será maior ainda, com a vantagem de que está mais centrada no planeta Terra e não nas bizarrices lunáticas sobre &#8220;o muçulmano queniano&#8221; que conquistou a Casa Branca para destruir a América.</p>
<p>A prioridade de Obama, obviamente, é construir um legado (e passar o cargo para um democrata em 2017) e não entrar em ritmo de administração de crise. Como parte de uma campanha permanente, existe a história de que a instrução da Casa Branca para sua equipe é para não devotar mais de 10% do seu tempo para neutralizar a ofensiva dos republicana no redemoinho de escândalos, que o governo prefere rotular de controvérsias.</p>
<p>O império de comunicações <em>Blinder &amp; Blainder</em> ainda não fixou metas quantitativas para esta cobertura.</p>
<p>***<br />
<strong>Colheres de chá ao longo do espectro. Vão para Adnor Pitanga, Douglas Hernandes e Ricardo Platero</strong></p>
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		<title>Atrás da fachada, o grande escândalo líbio de Obama</title>
		<link>http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/obama/atras-da-fachada-o-grande-escandalo-libio-de-obama/</link>
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		<pubDate>Fri, 17 May 2013 09:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Líbia]]></category>
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		<description><![CDATA[Na trindade de escândalos que assolam o governo Obama, o primeiro foi Benghazi, o caso do ataque terrorista em 11 de setembro de 2012 à missão diplomática na cidade líbia que resultou na morte do embaixador americano e mais três pessoas. Benghazi explodiu na campanha eleitoral do ano passado e continua sendo o mais convoluto, com [...]]]></description>
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<div id="attachment_59191" class="wp-caption aligncenter" style="width: 630px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/libia-2.jpg"><img class="size-large wp-image-59191" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/libia-2-620x413.jpg" alt="" width="620" height="413" /></a><p class="wp-caption-text">Milícias no cerco de ministérios em Trípoli</p></div>
<p>Na trindade de escândalos que assolam o governo Obama, o primeiro foi Benghazi, o caso do ataque terrorista em 11 de setembro de 2012 à missão diplomática na cidade líbia que resultou na morte do embaixador americano e mais três pessoas. Benghazi explodiu na campanha eleitoral do ano passado e continua sendo o mais convoluto, com o governo minimizando o impacto e os republicanos maximizando. Os outros escândalos são o grampeamento de telefones de jornalistas da agência AP e o alvejamento pela receita federal de grupos conservadores para o escrutínio de mais calibre.</p>
<p>O debate sobre a resposta do governo é extremamente legítimo (tanto na questão da falta de segurança em uma missão diplomática num lugar tão barra pesada, como no contorcionismo retórico do governo para explicar o que aconteceu, no calor de uma campanha eleitoral). <em>Sorry</em> pelo trocadilho, mas neste escândalo há mais fumaça do que fogo.</p>
<p>No entanto, há um escândalo político mais amplo no contexto líbio. Eu pessoalmente fui a favor da intervenção ocidental na Líbia em 2011, que culminou na queda e morte selvagem do ditador Muamar Khadafi. O escândalo está no <em>day after</em>. Está na falta de zelo do governo Obama para contribuir de forma resoluta na reconstrução da Líbia.</p>
<p>Até hoje, o governo de plantão em Trípoli carece de condições para controlar o país, onde pipocam milícias. Grupos rebeldes continuam armados, em aberto desafio ao estado. O Parlamento se submeteu a bandoleiros que tinham cercado os ministérios da Justiça e das Relações Exteriores, exigindo legislação que negasse emprego público a quem tivera alta posição no governo de Khadafi, que ficou quatro décadas no poder.</p>
<p>Destruir um regime infame é apenas a primeira fase (e alguns infames, como o de Bashar Assad, são duros e muito atrozes na queda), numa longa marcha de reconstrução. Obama nunca foi chegado em intervenções humanitárias e seu projeto estratégico é contrair a presença americana no Oriente Médio. A Líbia foi um acidente de percurso nesta trajetória, aconteceu e exigia responsabilidade. Mas contribuir para a estabilização de um país custa caro e leva tempo.</p>
<p>Max Boot, um dos meus estrategistas conservadores favoritos, vai no ponto. Tomado pela &#8220;síndrome do Iraque&#8221;, Obama sempre considerou o esforço para estabilizar a Líbia como o primeiro passo para um atoleiro e não para a redenção de um país. Seu governo deixou a Líbia na mão. E aqui os republicanos não pegam no pé de Obama, pois a base do partido é avessa ao conceito de &#8220;nation building&#8221;. Eles preferem ficar na fachada do problema, que é Benghazi.</p>
<p>Na paráfrase da música, a pergunta para Obama é: se foi só para desfazer, por que é que foi?</p>
<p>***<br />
<strong>E vamos de colher de chá para o certeiro Henrique (dia 17, 11:23).  E uma colher de chá de fim de semana para a Rubia (dia 19, 19:46).</strong></p>
</div>
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		<title>O Tea Party e as folias do governo Obama</title>
		<link>http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/obama/o-tea-party-e-as-folias-do-governo-obama/</link>
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		<pubDate>Thu, 16 May 2013 09:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Democratas]]></category>
		<category><![CDATA[Escândalos]]></category>
		<category><![CDATA[Obama]]></category>
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		<category><![CDATA[Tea Party]]></category>

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		<description><![CDATA[Excessos republicanos, paranóia conservadora e purismo ideológico já prestaram grandes favores políticos para o presidente democrata Barack Obama. Ele se posiciona como sensato e racional no meio de tanto delírio e governofobia. É hora de retribuir o favor. A cascata de escândalos envolvendo malfeitorias governamentais (em diversos escalões) é uma injeção de ânimo para o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div id="attachment_59174" class="wp-caption aligncenter" style="width: 369px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/rally-tea-party-3.jpg"><img class="size-full wp-image-59174" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/rally-tea-party-3.jpg" alt="" width="359" height="239" /></a><p class="wp-caption-text">Em marcha novamente</p></div>
<p>Excessos republicanos, paranóia conservadora e purismo ideológico já prestaram grandes favores políticos para o presidente democrata Barack Obama. Ele se posiciona como sensato e racional no meio de tanto delírio e governofobia. É hora de retribuir o favor. A cascata de escândalos envolvendo malfeitorias governamentais (em diversos escalões) é uma injeção de ânimo para o bloco do &#8220;bem-que-eu-avisei&#8221;.</p>
<p>E conhecemos os passistas mais fulgurantes deste bloco. São os ativistas do <em>Tea Party</em>, os conservadores que foram à luta com primeira eleição de Obama em 2008, posando de rebeldes da época da guerra de independência contra tiranos colonialistas. Obama é o novo rei George que esmaga as liberdades.</p>
<p>O <em>Tea Party</em> faz a festa novamente com estes escândalos: o próprio movimento está no centro dos acontecimentos, pois um dos escândalos é a marcação do Fisco de grupos conservadores, como filiais do <em>Tea Party</em>, submetidos a um escrutínio extra do seu status tributário.</p>
<p>As outras polêmicas envolvem o grampeamento de telefones de jornalistas e a resposta do governo ao ataque terrorista no ano passado à missão diplomática americana em Benghazi, na Líbia. O fio da meada é um governo abusivo e ao mesmo tempo inoperante, ou seja, um perigoso paquiderme.</p>
<p>Desde sua campanha contra a reforma do sistema de saúde, o Obamacare, não havia tanta animação no <em>Tea Party</em>.  Em 2010, quando os republicanos reconquistaram a Câmara, pesquisas mostravam apoio de 40% dos americanos ao <em>Tea Party.</em> Dois anos mais tarde, o apoio caíra para 20%.</p>
<p>É verdade que mesmo com a derrota de alguns dos seus candidatos nas eleições de 2012, o grupo já estava revigorado, integrado à campanha contra o controle de armas e com o estrelato de seus abre-alas, como os senadores Rand Paul e Ted Cruz (republicanos, é claro). Outro favorito do <em>Tea Party</em>, o senador Marco Rubio, criou fissuras no movimento conservador por impulsionar a reforma da imigração, mas os escândalos do governo Obama servem para cicatrizar as feridas e investir na narrativa que o problema supremo é este governo abusivo.</p>
<p>Os democratas agora esperam que o <em>Tea Party</em> novamente abuse desta bonança com sua pose de rebeldia retrô, enquanto a liderança republicana desperdice o mau momento do governo para seu habitual show de intransigência. Mas, por ora, vamos ficar com análise no gerúndio: Obama está perdendo e o <em>Tea Party</em> está ganhando. Hora de botar a fantasia e desfilar com o tema &#8220;Big Brother, você dançou&#8221;.</p>
<p>***<br />
<strong>Colher de chá matinal para o Francisco Pintão (dia 16, 9:32).  E outra para o Pablo (dia 16, 10:07), esta sem ironia. E outra para o Samuel (dia 16, 10:49). E vai uma colher para a Marcia no chá das 5 (dia 16, 17:19), pelo curto e saboroso comentário</strong></p>
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		<title>Obama perdido na história e os americanos, na geografia</title>
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		<pubDate>Wed, 15 May 2013 09:00:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Democratas]]></category>
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		<description><![CDATA[Temos três assuntos escandalosos na praça política americana: a marcação discriminatória pelo Fisco de grupos conservadores, a quebra do sigilo telefônico pelo ministério da Justiça de jornalistas da agência de notícias AP, num caso de vazamento de informações sobre terrorismo, e a atuação do governo Obama na tragédia de Benghazi, que resultou na morte do [...]]]></description>
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<div id="attachment_59143" class="wp-caption aligncenter" style="width: 528px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/mapa-libia1.jpg"><img class="size-large wp-image-59143" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/mapa-libia1-518x620.jpg" alt="" width="518" height="620" /></a><p class="wp-caption-text">Onde fica Benghazi?</p></div>
<p>Temos três assuntos escandalosos na praça política americana: a marcação discriminatória pelo Fisco de grupos conservadores, a quebra do sigilo telefônico pelo ministério da Justiça de jornalistas da agência de notícias AP, num caso de vazamento de informações sobre terrorismo, e a atuação do governo Obama na tragédia de Benghazi, que resultou na morte do embaixador na Líbia e mais três pessoas na missão diplomática dos EUA na cidade, num ato de terror islâmico em 11 de setembro do ano passado.</p>
<p>A opinião pública americana não tem maiores dificuldades para entender a primeira história sobre uma agência antipática por natureza, que vive de arrecadar impostos. E neste caso, até o presidente Obama se diz escandalizado com o escândalo. Dá para explicar a história em uma frase. A mesma coisa com a quebra do sigilo telefônico de jornalistas fazendo o seu trabalho. Ambos os casos fazem justiça às acusações de um governo abusivo.</p>
<p>Ironicamente, além de abuso, temos também uma Casa Branca inoperante, que não controla desmandos de escalões inferiores, e incompetente pela lentidão de sua resposta. Sem uma rápida faxina operacional (cabeças precisam rolar) e de relações públicas, Obama vai sofrer precocemente a maldição do segundo mandato. Com tantas mancadas, será um &#8220;pato manco&#8221; antes da hora. Aliás, precoces são também os paralelos nixonianos nestas controvérsias.</p>
<p>Já a terceira história (Benghazi) exige muitos parágrafos, é enrolada e se perde em labirintos semânticos sobre o que autoridades disseram a respeito do incidente. Exige até mapa (como vamos esclarecer abaixo). Basta ver que m<a title="benghazi" href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/libia/as-batalhas-de-benghazi-de-khadafi-a-hillary-clinton/">inha coluna Benghazi</a> de segunda-feira, não &#8220;rendeu&#8221; a fuzilaria habitual de comentários, mesmo com um tema marcado por expressões que geram orgasmos palpiteiros, como <em>Primavera Árabe</em> e Obama.</p>
<p>Assunto, portanto, brochante e por várias razões. Serve para exibir a ignorância geográfica dos americanos neste assunto geopolítico. Na pesquisa, 39% das pessoas que consideram Benghazi o maior escândalo da história americana não conseguem encontrar a cidade no mapa. Estes geopolitiqueiros indignados com a resposta do governo Obama ao ataque não sabem que o local da tragédia fica na Líbia.</p>
<p>Nesta pesquisa da firma Public Policy Polling (PPP), no total, 23% dos entrevistados disseram que Benghazi é o pior escândalo da história americana. Como era de esperar, republicanos estão especialmente indignados. Para 41% deles, Benghazi é mais grave do que Watergate (por  uma margem de 74 a 21) ou Irã-Contras (70 a 20). Esta é a opinião de 10% dos democratas e de 20% dos eleitores independentes. Não sabemos se estes palpiteiros sabem exatamente o que foram estes outros dois escândalos. E caso você tenha dúvidas, dê uma passada no centro de pesquisas Google.</p>
<p>Mas aqui esta o ponto curioso nesta pesquisa PPP: entre os consultados, os eleitores democratas são os mais ignorantes sobre a localização geográfica de Benghazi. Quanto mais conservador o consultado, mais certeiro na resposta. Conservadores são bem informados sobre Benghazi, pois são obcecados com o assunto. Eles têm orgasmos políticos, estimulados por políticos republicano a imprensa do setor, capitaneada pela <em>Fox News</em>.</p>
<p>Além da ignorância geográfica, Benghazi sempre foi uma história enrolada. Mais fácil mapear as outras duas controvérsias, que tiram ainda mais o foco da agenda de Obama no segundo mandato, já murchada no ambiente de hiperpartidarismo em Washington, e têm o potencial de revigorar um Partido Republicano brochado.</p>
<p>***<br />
<strong>Colher de chá para as ilações do Nehemias (dia 15, 12:08). </strong></p>
</div>
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		<title>As danças selvagens da Primavera Árabe</title>
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		<pubDate>Tue, 14 May 2013 09:00:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Primavera Árabe]]></category>
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		<description><![CDATA[Quem acompanha as marchas e contramarchas da Primavera Árabe (ambas longas), está acostumado a escutar que a Síria não é Líbia. Claro que não é. Se o conserto na Líbia já é difícil (e olha que, graças à intervenção ocidental, Muamar Khadafi partiu sem cerimônia ou julgamento), imagine, então, na Síria, onde tudo parece sem conserto, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_59134" class="wp-caption aligncenter" style="width: 630px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/rebeldes-sirios-dancando.jpg"><img class="size-large wp-image-59134" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/rebeldes-sirios-dancando-620x413.jpg" alt="" width="620" height="413" /></a><p class="wp-caption-text">Rebeldes sírios em Aleppo</p></div>
<p>Quem acompanha as marchas e contramarchas da P<em>rimavera Árabe</em> (ambas longas), está acostumado a escutar que a Síria não é Líbia. Claro que não é. Se o conserto na Líbia já é difícil (e olha que, graças à intervenção ocidental, Muamar Khadafi partiu sem cerimônia ou julgamento), imagine, então, na Síria, onde tudo parece sem conserto, mesmo sem intervenção?</p>
<p>Faço a pergunta sabendo que a intervenção internacional ocorre de forma gradativa na Síria. Há um incremento do envolvimento regional. Temos o Irã e a milícia xiita Hezbollah segurando as pontas da ditadura Assad, juntos com os russos, enquanto Arábia Saudita e Catar fornecem armas para seus rebeldes favoritos (que não são os meus).</p>
<p>O envolvimento internacional teve lances mais dramáticos em questão de dias. Primeiro foi Israel, que realizou bombardeios aéreos na Síria para alvejar armas destinadas ao Hezbollah, e agora a Turquia, que foi alvejada por atentados perto de sua fronteira com a Síria.</p>
<p>A Turquia já está bem metida na guerra civil e se tornou grande santuário de refugiados e de rebeldes sírios. Os turcos denunciam diariamente a inteligência síria de associação com estes atentados, mas não dão sinais de que irão partir para a ignorância contra o regime sirio e muito menos que farão isto sozinhos.</p>
<div id="attachment_59123" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/cameron.jpg"><img class="size-medium wp-image-59123" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/cameron-300x168.jpg" alt="" width="300" height="168" /></a><p class="wp-caption-text">Cameron na Casa Branca</p></div>
<p>A Turquia é integrante da Otan, a aliança militar ocidental, e seu primeiro-ministro Recep Erdogan estará quinta-feira em Washington para se reunir com Barack Obama. A história é que ele trará mais provas do uso de armas químicas pelo regime sírio. Na segunda-feira, foi a vez do primeiro-ministro britânico David Cameron, grande aliado americano e outro integrante da Otan, conversar com Obama.</p>
<p>Assim como na Líbia em 2011, Cameron quer os americanos menos relutantes na Síria. Os céticos apontam a situação melancólica da Líbia pós-Khadafi (com um governo fraco e milícias islamistas com a corda toda) para advertir para o atoleiro sírio. Mesmo Cameron se mostra mais relutante sobre o que fazer na Síria do que semanas atrás. Afinal, com a inação, o custo da ação ficou ainda mais alto</p>
<p>Sim, o dia da libertação líbia foi mais fácil do que o <em>day after</em>. No entanto, isto não quer dizer que sem envolvimento ocidental, a Líbia não estaria onde está, ou seja, com milícias islamistas em plena atividade. Talvez a Líbia, de qualquer forma, seria o que a Siria é hoje em dia: com um ditador recorrendo a barbaridades para enfrentar rebeldes radicalizados.</p>
<p>Multiplicam-se as denúncias de limpeza étnica de sunitas praticadas por milícias alauítas (a mesma do clã Assad) e agora circula o vídeo com imagens do comandante rebelde Abu Sakkar, da Brigada Farouq, num ato de selvageria canibalesca, ao que parece comendo o coração de um soldado governista morto. O vídeo está sendo veiculado, tanto pela <em>Human Rights Watch</em>, como pela propaganda do regime Assad.</p>
<p>Podemos concluir, então, que com ou sem intervenção ocidental, o cenário é atroz. Não existem boas opções. Na segunda-feira, falando ao jornalistas na Casa Branca, ao lado de Obama, David Cameron disse que seu país ainda não decidiu se irá armar a oposição síria, mas complementou que algo deve ser feito. No alerta de Cameron, se o Ocidente não trabalhar com a oposição &#8220;responsável&#8221;, a oposição extremista irá crescer.</p>
<p>Há que escolher entre más opções. O negócio é dançar ou dançar. Se preferirem, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. No caso do comandante  rebelde Abu Sakkar, não é uma metáfora.</p>
<p>***<br />
<strong>Colher de chá para o Rogério (dia 14, 14:08). </strong></p>
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		<title>As batalhas de Benghazi, de Khadafi a Hillary Clinton</title>
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		<pubDate>Mon, 13 May 2013 09:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Terror]]></category>

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		<description><![CDATA[Benghazi é uma cidade no leste da Líbia. É um emblema das tantas ramificações da Primavera Árabe, de leste a oeste. Benghazi foi berço da insurreição contra a ditadura de Muamar Khadafi. A perspectiva de um massacre em larga escala da população pelas forças de Khadafi foi o impulso e a justificativa para a intervenção [...]]]></description>
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<div id="attachment_59114" class="wp-caption aligncenter" style="width: 630px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/celebracao-benghazi.jpg"><img class="size-large wp-image-59114" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/celebracao-benghazi-620x348.jpg" alt="" width="620" height="348" /></a><p class="wp-caption-text">A celebração em Benghazi, outubro de 2011</p></div>
<p>Benghazi é uma cidade no leste da Líbia. É um emblema das tantas ramificações da <em>Primavera Árabe</em>, de leste a oeste. Benghazi foi berço da insurreição contra a ditadura de Muamar Khadafi. A perspectiva de um massacre em larga escala da população pelas forças de Khadafi foi o impulso e a justificativa para a intervenção ocidental na Líbia em 2011.</p>
<p>A ditadura caiu, mas a libertação da Líbia não trouxe apenas a esperança (precipitada) de um país melhor e com tanto potencial, mas também o poder de milícias islamistas, muitas delas operando a partir de Benghazi, um centro do fundamentalismo islâmico. Estas milícias fazem o que podem para impedir a consolidação de um novo estado líbio, na verdade se comportando como um paraestado.</p>
<p>Ramificações de Benghazi estão na Sïria, ainda sob o poder formal de um ditador jovem, Bashar Assad, mas da velha escola das autocracias árabes, como era o caso de Khadafi, que subiu ao poder na mesma época de Hafez Assad, pai do atual dirigente sírio. O regime de Damasco concretizou o que Khadafi não conseguiu em Benghazi. Várias cidades sírias foram vítimas de massacres em larga escala, que não puderam ser evitados, pois não houve a intervenção ocidental, como na Líbia.</p>
<p>Estas cidades sofreram duramente e duplamente. Foram massacradas pelo Exército e milícias a mando de Assad, mas muitas delas também são submetidas agora ao domínio de milícias islamistas, que estão entre as tropas mais aguerridas no conflito sírio. Em algumas partes do país, as mílicias a serviço de Assad impõem a limpeza étnica de sunitas; em outras, milícias islamistas impõem a lei sharia.</p>
<p>É neste cenário de guerras de milícias, que acontecem tantas ramificações da guerra civil síria, como intervenções estrangeiras em diferentes escalas (Irã, Hezbollah, Rússia, Israel, Turquia, países árabes e países ocidentais). Não era este o plano, especialmente do Ocidente, quando ocorreu a intervenção para salvar Benghazi de Khadafi em 2011. Não se esperava que entre as ramificações da <em>Primavera Árabe</em> estivessem possibilidades de uma guerra regional ou tanto espaço para a rede Al Qaeda, que parecia ter sido atropelada na fase inicial das insurreições na África do Norte e Oriente Médio.</p>
<p>A rede original Al Qaeda foi bastante enfraquecida pelas ações do governo Obama (a destacar operações com aviões não tripulados e de forças especiais, como aquela que matou Osama Bin Laden no Paquistão há pouco mais de dois anos). Na narrativa político-eleitoral de Obama, o fim de Osama se tornou uma grande cartada. Mas a rede Al Qaeda, mais do que uma organização, se disseminou como uma inspiração em países do Oriente Médio e África do Norte. Ademais, a <em>Primavera Árabe</em> abriu espaço para a atuação de forças jihadistas, na Líbia e em outros países.</p>
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<div id="attachment_59099" class="wp-caption alignleft" style="width: 291px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/hillary-obama.jpg"><img class="size-full wp-image-59099" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/hillary-obama.jpg" alt="" width="281" height="180" /></a><p class="wp-caption-text">A batalha de Benghazi, em Washington</p></div>
<p>E justamente nos meses finais da campanha eleitoral de 2012 (e ainda por cima no dia 11 de setembro) ocorreu o ataque contra a missão diplomática (e anexo da CIA) dos EUA em Benghazi, quando Obama apregoava seu sucesso na luta contra o terror e Hillary Clinton era secretária de Estado. As ramifícações desta Benghazi estão agora aí com toda intensidade na guerra da política interna americana, com as investigações movidas pelos republicanos no Congresso, sendo que a Casa Branca e os democratas estão na defensiva.</p>
<p>O embaixador americano Christopher Stevens e mais três americanos morreram em 11 de setembro de 2012, quando ocorreu a invasão da missão diplomática em  Benghazi. Não há questões agora sobre a segurança inadequada na missão diplomática e que o ataque foi perpretado por jihadistas. Alguns republicanos, em ritmo de CPI permanente, acusam a Casa Branca de acobertamento e gritam Watergate, pedindo o impeachment do presidente Obama. Por que não extrapolar as ramificações? As alegações republicanas são de que o governo demorou para assumir que fora um ataque terrorista (e não um protesto espontâneo) e que fez o que pôde para ocultar isto da opinião pública para conquistar dividendos políticos e eleitorais.</p>
<p>A credibilidade do governo Obama está manchada. De fato, ele fez o que pôde para minimizar Benghazi na campanha eleitoral de 2012. Mas a politização da tragédia também ocorre do lado republicano. Tudo é feito para maximizar esta tragédia, já de olho na campanha eleitoral de 2016, e manchar a imagem de Hillary Clinton, que poderá ser a candidata democrata.</p>
<p>Benghazi e suas ramificações cada vez mais intrincadas, de primavera a primavera.</p>
<p>***<br />
<strong>Menos fogos de artifício do que eu imaginava nesta coluna. Colheres de chá para Henrique (dia 13, 9:31), Adnor (dia 13, 11:21) e Ingo (dia 13, 19:04). </strong></p>
</div>
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		<title>Rabiscos Estratégicos (EUA &amp; China &amp; Arco Islâmico)</title>
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		<pubDate>Fri, 10 May 2013 09:00:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo islâmico]]></category>
		<category><![CDATA[Síria]]></category>

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		<description><![CDATA[Edward Luttwak é sempre um estrategista militar interessante para ser lido: original, polêmico, taxativo e sem papas na língua. Ele acaba de publicar uma pensata no site da publicação Foreign Policy, concluindo que o presidente Barack Obama deve ser elogiado e não condenado pela relutância para enfiar a colher e os aviões na guerra civil da [...]]]></description>
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<div id="attachment_59082" class="wp-caption aligncenter" style="width: 287px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/siria-missao-futil.jpg"><img class="size-full wp-image-59082" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/siria-missao-futil.jpg" alt="" width="277" height="182" /></a><p class="wp-caption-text">Para Luttwak, a Síria é uma &quot;missão fútil&quot;</p></div>
<p>Edward Luttwak é sempre um estrategista militar interessante para ser lido: original, polêmico, taxativo e sem papas na língua. <a title="luttwak" href="http://www.foreignpolicy.com/articles/2013/05/07/leave_bad_enough_alone">Ele acaba de publicar uma pensata</a> no site da publicação <em>Foreign Policy</em>, concluindo que o presidente Barack Obama deve ser elogiado e não condenado pela relutância para enfiar a colher e os aviões na guerra civil da Síria.</p>
<p>Para Luttwak, a prioridade estratégica dos EUA deve ser responder de forma efetiva à China emergente, ao invés de se engajar &#8220;na busca fútil de estabilidade na África do Norte, Oriente Médio e Afeganistão&#8221;.  Ele faz uma rápida viagem pelo &#8220;arco islâmico&#8221;&#8216; para observar &#8220;variedades de anarquismo&#8221;. Mas, atenção, Luttwak não culpa o papel político do islamismo por si pelas mazelas. Ele tampouco elabora se o custo da inação americana poderá ser ainda maior do que o engajamento. Ademais, Luttwak simplesmente não menciona Irã e Israel na sua pensata a favor do desengajamento na região.</p>
<div id="attachment_59084" class="wp-caption alignleft" style="width: 266px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/luttwak.jpg"><img class="size-full wp-image-59084" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/luttwak.jpg" alt="" width="256" height="192" /></a><p class="wp-caption-text">Edward Luttwak</p></div>
<p>Vale lembrar que Luttwak é o mesmo estrategista que publicou um texto na revista <em>Foreign Affairs</em>, em 1999, com o título <em>Give War a Chance</em>, argumentando que guerra tem uma virtude: pode resolver conflitos políticos e levar à paz, depois de exaustão dos combatentes ou a vitória de um deles. Ele acredita que o envolvimento de grandes potências para conter conflitos entre países menores pode muitas vezes prolongá-los.</p>
<p>Nesta pensata na <em>Foreign Policy</em>, o foco de Luttwak é realmente a relação de um grande país, os EUA, com esta China emergente. Ele não está sugerindo que os americanos encarem frontalmente os chineses. Mas, Luttwak alerta para a necessidade de Washington reassegurar seus aliados asiáticos, e  vizinhos da China,  sobre seu engajamento estratégico. Luttwak propõe uma relação sutil dos EUA com a China, um país que, segundo ele, coopera de muitas formas com os americanos, mas também ameaça a vizinhança.</p>
<p>Luttwak amarra um pacote que inclui necessidade americana de vigilância militar, intensa diplomacia e fortalecimento de moderados em Pequim que, de acordo com ele, existem. Tantas tarefas exigem foco. Nada, portanto, de distração com as missões &#8220;fúteis&#8221; no Oriente Médio. Luttwak está quase certo. Na verdade, o desafio para uma superpotência, mesmo exausta como os EUA, é colossal: foco em várias frentes.</p>
<p>Curiosamente, Luttwak também vê a China se exaurindo nesta sua ascensão. Em recente livro, <em>The Rise of China vs The Logic of Strategy,</em> ele considera infundados os rumores sobre o triunfo chinês. Luttwak argumenta que a ditadura agora chefiada por Xi Jinping não tem como conseguir tudo. Para Luttwak, existe uma &#8220;incompatibilidade inerente entre o rápido crescimento da capacidade econômica e o poderio mlitar e a influência diplomática&#8221;. A China precisará escolher entre os objetivos estratégicos para evitar a catástrofe. Aqui estou mais alinhado com uma pensata de Luttwak.</p>
<p>***</p>
<p><strong>Colher de chá para Ícaro sem penas (dia 10, 11:51). E uma vespertina para um leitor meio sumido, o Fernando Martins (dia 10, 13:12).</strong></p>
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		<title>Ria, don&#8217;t cry for Mark Sanford</title>
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		<pubDate>Thu, 09 May 2013 09:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caioblinder</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escândalos]]></category>
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		<description><![CDATA[Pecadores políticos americanos devem conter sua excitação. Nem sempre é possível deitar, rolar e vencer uma eleição depois de um escândalo sexual, como aconteceu com o republicano Mark Sanford, que faturou na terça-feira uma vaga aberta na Câmara dos Deputados. A eleição no estado da Carolina do Sul recebeu destaque nacional pelo prontuário picante de Sanford e pela presença [...]]]></description>
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<div id="attachment_59062" class="wp-caption aligncenter" style="width: 269px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/Mark-Maria-foreign-affairs.jpg"><img class="size-full wp-image-59062" src="http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/files/2013/05/Mark-Maria-foreign-affairs.jpg" alt="" width="259" height="194" /></a><p class="wp-caption-text">Mark &amp; Maria: Foreign Affairs</p></div>
<p>Pecadores políticos americanos devem conter sua excitação. Nem sempre é possível deitar, rolar e vencer uma eleição depois de um escândalo sexual, como aconteceu com o republicano Mark Sanford, que faturou na terça-feira uma vaga aberta na Câmara dos Deputados. A eleição no estado da Carolina do Sul recebeu destaque nacional pelo prontuário picante de Sanford e pela presença do outro lado da democrata Elizabeth Colbert Busch (irmã do comediante Stephen Colbert).</p>
<p>A margem de vitória de Sanford foi acima das expectativas (54% a 45%), mas por si não é uma surpresa. Apesar da relutância do comando nacional republicano para apoiá-lo, Sanford é bom de palanque, teve uma campanha lubrificada, o distrito é muito conservador e sua penitência deu para o gasto. O eleitorado local considera os democratas e o presidente Obama os pecadores supremos. Cálculos políticos contaram mais do que as transgressões morais de Sanford, conhecido por frugalidade fiscal, não a de outro gênero. O perfil ideológico do candidato impressionou mais do que a sua redenção. O eleitorado conservador se negou a entregar uma cadeira na Câmara para o outro lado de mão beijada.</p>
<p>Falando em beijo, Sanford era governador e foi forçado a renunciar em 2009 (antes fora deputado federal). Ele mentiu publicamente. Disse que estava caminhando por trilhas nas montanhas, quando, na verdade, voara secretamente para a Argentina para ver a amante (hoje sua noiva). Além de renunciar, Sanford perdeu a esposa e pagou multa de US$ 75 mil por violação de estatutos éticos.</p>
<p>E será que outros pecadores politicos podem trilhar o mesmo caminho de volta? Claro que tantos políticos metidos nestes escândalos são estagiários diante do mestre Bill Clinton, que sofreu um impeachment na Câmara dos Deputados tramado por assanhados republicanos, mas se safou com a mãe de todas as redenções no seu caso com Monica Lewinsky há 15 anos. O ex-presidente democrata está mais popular do que nunca.</p>
<p>Mas vamos baixar o nível (de importância política). Está aí o democrata Anthony Weiner, que renunciou em 2011 ao cargo de deputado após tuitar uma foto dele de cueca. Weiner queria enviar a imagem erótica a uma estudante universitária e, acidentalmente, acabou mandando o arquivo a todos os seguidores. O ex-deputado continua casado e namora novamente a idéia de concorrer a prefeito de Nova York. Em geral, a ideia desta volta na eleição agora em novermbro é vista como prematura para Weiner.</p>
<p>Já um dos senadores mais conservadores do país, o republicano David Vitter (Louisiana), está aí, firmão. Em 2007, ele sobreviveu ao escândalo de ser  cliente de bordel, tanto em Washington, como em Nova Orleans. O ex-governador democrata de Nova York, Eliot Sptizer, que renunciou em 2008 após as revelações de envolvimento com prostitutas, parece estar melhor posicionado do que Anthony Weiner para uma volta. Ele continua casado com a mesma mulher e seu escândalo está mais distante do que o do homem da cueca, vítima de trocadilhos infames, na medida em que seu nome soa como &#8220;wiener&#8221;, que significa salsicha.</p>
<p>Bem, Mark Sanford agora retomou sua caminhada política e publicamente ao lado da argentina Maria Belén Chapur. Democratas perderam a chance de ganhar uma cadeira na Câmara, mas não a de fazer uma piada inevitável. Sanford será convidado para integrar a Comissão de Relações Exteriores. Em inglês, claro, a piada é mais saborosa. O deputado-eleito vai para a comissão porque é especialista em f<em>oreign affairs</em>.</p>
<p>***<br />
<strong>Colher de chá para Helio e Ricardo Platero. </strong></p>
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