<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340</atom:id><lastBuildDate>Sat, 15 Feb 2025 19:18:26 +0000</lastBuildDate><category>Entrevista</category><category>Rádio</category><category>Imprensa</category><category>movimento liberal social</category><category>Edit On Web</category><category>Amin Maalouf</category><category>Identidades Assassinas</category><category>Imigração</category><category>Perfil</category><category>Programa &quot;Nós&quot;</category><category>Televisão</category><category>Helena de Sousa Freitas</category><category>Raquel Pacheco</category><category>Rui Horta</category><category>miguel duarte</category><category>Gastronomia Molecular</category><category>Padre António Vieira</category><category>Reportagem</category><category>ACIDI</category><category>AEDI</category><category>Ana Lopes</category><category>Ana Luísa Rodrigues</category><category>André Soares</category><category>Dá-me o telemóvel</category><category>Fernando Pessoa</category><category>Fotografia</category><category>Hugo Garcia</category><category>Juventude Europeia Federalista</category><category>Juventude Liberal Social</category><category>Luís Humberto Teixeira</category><category>Maurits Van Der Hoofd</category><category>Mia Couto</category><category>Mouraria</category><category>Multimedia</category><category>O Marinheiro</category><category>Opinião</category><category>Ricardo Quaresma</category><category>Tratado Reformador</category><category>Vasco Freire</category><category>caso do telemóvel</category><category>referendo tratado europeu</category><category>teatro</category><title>Dez Minutos de Conversa</title><description>Entrevistas de dez minutos sobre temas sociais, com produção e locução de Inês Branco (eu!).</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Inês Branco)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>52</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-7296350183954364186</guid><pubDate>Fri, 20 Feb 2015 05:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2015-08-07T17:05:12.995+00:00</atom:updated><title>A Investigação sobre Média e Imigração em Portugal</title><description>Artigo publicado no Anuário Internacional de Comunicação Lusófona 2014&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;A Investigação sobre Média e Imigração em Portugal&quot;&lt;br /&gt;
Anuário Internacional de Comunicação Lusófona, Edition 12, Coordination Lusocom / &amp;nbsp;Agacom, Pages 153-169, 2014 (December), ISSN 2255-2243&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;http://issuu.com/anuariolusocom/docs/anuario_completo_2014/1&quot;&gt;http://issuu.com/anuariolusocom/docs/anuario_completo_2014/1&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resumo&lt;br /&gt;
Neste artigo circunscrevemo-nos à investigação sobre os média e as minorias imigrantes em Portugal. Partimos do contexto europeu para chegar ao português e da distinção entre as diversas linhas de investigação para nos focarmos nos estudos sobre usos e consumos dos média. Assim, o artigo divide-se em três partes: a primeira diz respeito aos estudos sobre minorias imigrantes enquanto objectos de representação nos média. A segunda dedica-se à investigação sobre a imigração enquanto audiência activa dos média étnicos,&lt;br /&gt;
mainstream e transnacionais. Na terceira, chegamos à investigação em usos e consumos dos média por imigrantes em Portugal, procurando no final, e com base nas lacunas identificadas, evidenciar a mais-valia da realização de mais estudos neste campo.&lt;br /&gt;
Palavras-chave: média, minorias, imigração&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Abstract&lt;br /&gt;
This article focuses on the research on media and immigrant minorities in Portugal. We start from the European context to reach the Portuguese one, and from the distinction between the various lines of research to get to the studies on use and consumption of media. Thus, the article is divided into three parts: the first relates to studies on immigrant minorities as objects of representation in the media. The second is devoted to research on immigration as an active audience of media - ethnic, mainstream and transnational. In the third part, we focus on the research on uses and consumption of media by immigrants in Portugal, looking forward, and &amp;nbsp;based on the identified gaps, to highlight the added value of further studies in this field.&lt;br /&gt;
Keywords: media, immigration, minorities</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2015/02/artigo-publicado-no-anuario.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-1398377488534854276</guid><pubDate>Wed, 19 Dec 2012 22:23:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-12-19T22:32:41.363+00:00</atom:updated><title>Artigo na revista &quot;Comunicando&quot;</title><description>&lt;span style=&quot;font-family: Times, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Estou de regresso, após uma longa ausência, para dar a conhecer um artigo meu intitulado:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times, Times New Roman, serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times, Times New Roman, serif;&quot;&gt;&quot;&lt;a href=&quot;http://www.revistacomunicando.sopcom.pt/ficheiros/20121219-revistacomunicando_2012.pdf&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;A LÍNGUA PORTUGUESA E OS MÉDIA NAS VIVÊNCIAS DE IMIGRANTES NEPALESES EM PORTUGAL&lt;/a&gt;&quot;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times, Times New Roman, serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Times, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Foi publicado, este mês, no primeiro número da revista &quot;Comunicando&quot;. Podem&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;color: #111111;&quot;&gt;&amp;nbsp;encontrá-lo na página 66.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times, Times New Roman, serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #111111;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times, &#39;Times New Roman&#39;, serif;&quot;&gt;Esta edição&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Times, &#39;Times New Roman&#39;, serif;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;color: #111111; font-family: Times, &#39;Times New Roman&#39;, serif;&quot;&gt;versa sobre os &quot;Novos Caminhos da Comunicação&quot; e desdobra-se em vinte artigos. O prefácio é da autoria do Presidente da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, Moisés de Lemos Martins.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;color: #111111; font-family: Times, Times New Roman, serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Times, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Trata-se de uma publicação editada anualmente pelo Grupo de Jovens Investigadores da SOPCOM (Sociedade Portuguesa de Ciências da Comunicação) e&amp;nbsp;possui carácter científico e académico. Dedica-se, preferencialmente, à área das Ciências da Comunicação e Humanidades, com foco multidisciplinar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times, Times New Roman, serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times, Times New Roman, serif;&quot;&gt;Boa leitura e aceitam-se críticas e comentários!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;


&lt;br /&gt;</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2012/12/artigo-na-revista-comunicando.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-7668442227575978627</guid><pubDate>Sat, 06 Aug 2011 05:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-08-06T05:49:05.564+00:00</atom:updated><title>Em Timor</title><description>Para aqueles que seguem este blogue, fica a nota de que, até Dezembro, podem seguir-me:&lt;a href=&quot;http://www.haubelebatimor.blogspot.com&quot;&gt; aqui&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;Até depois!</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2011/08/em-timor.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-2584335690089494958</guid><pubDate>Sun, 24 Apr 2011 20:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-04-24T21:03:30.834+00:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Amin Maalouf</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Identidades Assassinas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Imigração</category><title>Resumo “Identidades Assassinas” de Amin Maalouf (1998) – Quinta e Última Parte</title><description>Amin Maalouf termina o livro neste capítulo a que dá o nome “Domesticar a pantera”. O fenómeno da mundialização continua a ser aprofundado e o que o autor procura agora é entender de que modo a mundialização exacerba os fenómenos identitários e de que modo poderia ela torná-los menos assassinos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, considera fundamental que cada um se possa reconhecer na mundialização e que esta não seja apenas exclusividade dos Estados Unidos. É sublinhada aqui também a premência do princípio da “reciprocidade”, ou seja, o princípio de que cada um de nós tenha de adoptar elementos de culturas mais poderosas, mas que cada um também possa ver certos elementos da sua própria cultura serem adoptados por outros países e fazerem parte do património de toda a humanidade. Apesar de não duvidar que a mundialização pode ameaçar a diversidade cultural, de línguas, de modos de vida, Maalouf tenta ver o lado positivo, afirmando que também nos dá os meios para evitar que essas perdas ocorram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Internet é um desses meios, como espaço igualitário, que pode ser utilizado como instrumento de liberdade (exemplo dos jornalistas. Ver &lt;a href=&quot;http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2010/02/os-bloggers-sao-jornalistas.html&quot;&gt;artigo &quot;Os bloggers são jornalistas?&quot;&lt;/a&gt;). Maalouf refere também os instrumentos de tradução que permitem que, mesmo que o Inglês seja predominante, a diversidade de línguas se alastre (hoje ainda mais, com ferramentas de tradução muito mais desenvolvidas, com a possibilidade de falar com pessoas em qualquer parte do mundo, de assistir a vídeos no Youtube, com as redes sociais, etc).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ponto sobre a diversidade de línguas é alvo de especial atenção por Maalouf (não fosse ele o criador da ideia de uma língua pessoal adoptiva. Ler: &lt;a href=&quot;http://ec.europa.eu/education/languages/archive/doc/maalouf/report_pt.pdf&quot;&gt;“Um desafio Salutar”&lt;/a&gt;). Por quê dar menos atenção à diversidade de culturas do que à diversidade de espécies animais e vegetais? Diz o autor que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O combate pela diversidade cultural será ganho quando estivermos prontos para nos mobilizarmos intelectual, afectiva e materialmente, a favor de uma língua ameaçada de desaparecimento, com tanta convicção como a que mostramos para impedir a extinção do panda ou do rinoceronte”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Maalouf, a língua é um elemento da identidade pelo menos tão importante como a religião. Quando duas comunidades têm línguas diferentes não basta a religião para as unir. Por outro lado, a língua pode ser uma aliada da religião. O que é certo é que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um homem pode viver sem uma religião, mas não pode viver sem uma língua”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferenciá-las está também o facto de a religião ser exclusiva e de a língua não, ou seja, pode saber-se falar mais do que uma. A língua é, não só um elemento da identidade, como também meio de comunicação e, se é desejo do autor que se separe a religião da identidade, separar esta da língua não lhe parece benéfico, pois é o eixo da identidade cultural e a diversidade linguística, Maalouf considera-a como eixo de toda a diversidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São estas duas funções das línguas, a identitária e a comunicacional que as distinguem. Hoje, o inglês responde à segunda, mas não responde à primeira (a não ser no caso dos falantes nativos, claro). Surge então a necessidade de ir mais longe. Entre a língua identitária e a global existe um espaço. Assim, Maalouf propõe uma terceira, uma em que cada indivíduo seja especialista, uma língua do coração, uma língua adoptiva ou língua privilegiada de comunicação. Esta seria uma forma de preservar a diversidade cultural, que o autor admite exigir algum voluntarismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maalouf tenta delinear uma solução para satisfazer o desejo de identidade. Dá como exemplo alguns tipos de regimes que tentaram repartir o poder pelas várias comunidades: o caso falhado do Líbano, que implementou um sistema de quotas, e os regimes ditatoriais comunistas e nacionalistas. Conclui, então, que a escolha só pode estar no quadro da democracia. Mas há democracias e democracias. Um sistema de quotas levado ao absurdo ou um sistema que não respeita senão a lei dos números podem ser ambos muito perigosos. Diz o autor que qualquer prática discriminatória pode ser perigosa, mesmo quando exercida a favor de uma comunidade que sofreu discriminações. Não só se substitui uma injustiça por outra, como se reforça o ódio e a suspeição. Enquanto o lugar de uma pessoa numa sociedade depender de uma pertença está-se a perpetuar um sistema perverso, que só aprofunda divisões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O único objectivo respeitável é o de lutar para que cada cidadão seja tratado como um cidadão de corpo inteiro, quaisquer que sejam as suas pertenças”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa então à crítica dos sistemas baseados na decisão das maiorias, como a lei do sufrágio universal, em que cada cidadão tem uma voz nas eleições, através do voto. O problema é que este sistema, exercido num clima de crise social aguda e de propaganda racista, pode conduzir à própria abolição da democracia. Dá como exemplos o da Alemanha nazi ou o do Ruanda. Neste país, os hutus representam nove décimos da população e os tutsis cerca de um décimo. Nos massacres de 1994, o extermínio dos tutsis pelos hutus veio acompanhado de argumentos como a defesa da democracia e de eliminação de uma casta de privilegiados. Assim, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O papel das democracias já não é o de fazer prevalecer as preferências da maioria, mas sim o de fazer respeitar os direitos dos oprimidos, mesmo contra a força dos números”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da África do Sul, a utilização do slogan “Majority Rule” não significava querer substituir um governo branco por outro negro. O desejo de homens como Nelson Mandela era o de dar a todos os cidadãos, qualquer que fosse a sua origem, os mesmos direitos políticos e a liberdade de elegerem os dirigentes de sua escolha, independentemente da sua ascendência africana, europeia, asiática ou mestiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, para se considerar esta possibilidade seria necessário um processo eficaz de harmonização interna, de harmonização e de maturação, que cada um dos candidatos pudesse ser julgado pelos seus próprios concidadãos pelas suas qualidades humanas e pelas suas opiniões e não pelas pertenças que herdou. Em 1998, Maalouf dizia que escusado seria referir que não nos encontrávamos ainda nesse ponto, mas que nada proibia que um dia um branco fosse presidente da África do Sul e um negro presidente dos Estados Unidos…</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2011/04/resumo-identidades-assassinas-de-amin_24.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-4826069165256961645</guid><pubDate>Sat, 23 Apr 2011 23:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-04-24T20:54:21.186+00:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Amin Maalouf</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Identidades Assassinas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Imigração</category><title>Resumo “Identidades Assassinas” de Amin Maalouf (1998) – Quarta Parte</title><description>O terceiro capítulo, intitulado “O Tempo das Tribos Planetárias”, começa por falar do “Espírito do tempo”. Com esta expressão, Maalouf pretende dizer que em certos momentos da História, numerosas pessoas privilegiaram um elemento da sua identidade à custa de outros. Actualmente, esse elemento é a pertença religiosa e o autor pergunta por que será que hoje em dia esta afirmação parece natural e legítima. Um dos factores determinantes terá sido a queda do mundo comunista em que a ideia de Deus, segundo o modelo marxista, foi banida. Outro dos factores é a “crise” que afecta o Ocidente (esta crise reporta-se à época em que o livro foi escrito, note-se, e não há crise que vivemos em 2011). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa tal “crise” refere-se ao modelo ocidental, em crise porque se revela incapaz de resolver os problemas da pobreza nas suas metrópoles, incapaz de atacar o desemprego, a delinquência, a droga e tantos outros flagelos. No entanto, continua a ser o mais atraente e, diz o autor, não admira que um jovem que acaba de entrar para uma universidade do mundo árabe se sinta fascinado pelo Ocidente, quando outrora talvez se tivesse sentido atraído por uma organização marxizante. Mas qual a forma de aceder a esse mundo fascinante? Somente através da emigração. Assim, todos aqueles que continuam a viver à margem desse mundo em rápida mudança revoltam-se contra a corrupção, a arbitrariedade estatal, as desigualdades, o desemprego, a falta de horizontes e sentem-se tentados pelos movimentos islamitas (alguma semelhança com o que tem vindo a acontecer no norte de África?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ascensão do religioso explica-se então através destes dois factores. A juntar a estes dois, temos a evolução no domínio das comunicações e a “mundialização”. Sobre este fenómeno, Maalouf diz que tudo o que as sociedades forjaram no decurso dos séculos para marcar as suas diferenças, para traçar as fronteiras entre si e os outros, está a ser submetido a pressões que visam reduzi-las. A mundialização provoca uma reacção de reforço do sentimento de identidade e da necessidade de espiritualidade, e a pertença religiosa parece responder aos dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que responder aos dois responde também à exigência de universalismo. Maalouf introduz aqui o conceito de “tribos planetárias”, pelo seu conteúdo identitário e por ultrapassarem fronteiras. Mais uma vez, coloca uma questão: que outra pertença irá tornar esta pertença religiosa obsoleta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, o autor diz ser necessário não só separar a Igreja do Estado, mas também, satisfazer de outro modo a necessidade de identidade. Separar a espiritualidade da necessidade de pertença, para que o homem possa praticá-la sem ter de se unir a um exército de correligionários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para substituir esta pertença, só outra mais vasta e portadora de uma visão humanista mais completa. Surge aqui novamente a “mundialização”. Se os meios de comunicação nos aproximam demasiado depressa e nos levam a afirmar as nossas diferenças, por outro lado, também nos podem fazer tomar consciência do nosso destino comum. Isto poderia levar à emergência de uma nova perspectiva de identidade como a soma de todas as nossas pertenças, na qual se destacaria a pertença à comunidade humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, no entender de Maalouf, alguns dos receios em relação à “mundialização” são perfeitamente justificáveis. Não os que se relacionam com o medo da mudança, mas sim aqueles que se revelam no medo da uniformidade. Se a mundialização traz a universalidade, traz também consigo a uniformidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à universalidade, é bem-vinda, pois considera que há direitos inerentes à dignidade do ser humano que ninguém deveria negar ao seu semelhante por causa da sua religião, cor, sexo, nacionalidade,… Ou seja, qualquer atentado aos direitos fundamentais dos homens e das mulheres em nome de uma tradição particular é contra o espírito da universalidade. Respeitar tradições ou leis discriminatórias, diz Maalouf, é desrespeitar as suas vítimas. E se devemos lutar pela universalidade, devemos também combater a uniformização, que é empobrecedora, que nivela as múltiplas expressões linguísticas, artísticas e intelectuais.</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2011/04/resumo-identidades-assassinas-de-amin_23.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-1275987189525307065</guid><pubDate>Fri, 22 Apr 2011 22:32:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-04-24T20:53:58.939+00:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Amin Maalouf</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Identidades Assassinas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Imigração</category><title>Resumo “Identidades Assassinas” de Amin Maalouf (1998) – Terceira Parte</title><description>Para responder à questão de por que razão o ocidente cristão conseguiu produzir sociedades respeitadoras da liberdade de expressão, enquanto o mundo muçulmano aparece agora como uma “cidadela do fanatismo”, Amin Maalouf reflecte sobre a relação entre povos e religiões, considerando exagerada a importância que se dá à influência das religiões sobre os povos, enquanto se negligencia a influência dos povos sobre as religiões. É nesta linha que surge a resposta. Diz o autor que se o cristianismo modelou a Europa, a Europa também modelou o cristianismo. As sociedades europeias transformaram-se ao longo dos tempos e transformaram também o cristianismo. Tal mudança não foi simples. A princípio, a Igreja resistiu sempre (basta ver o caso de Galileo), mas depois acabou por se adaptar. Se hoje o cristianismo é como é, foi porque a sociedade ocidental foi capaz de esculpir uma religião que a acompanhasse. Parece estar respondida a questão, quanto ao cristianismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esta resposta serve também para o mundo muçulmano, pois a influência da sociedade sobre a religião não é característica apenas das sociedades ocidentais e do cristianismo, também se passou o mesmo com o Islão. Esta religião nunca foi a mesma de umas épocas para as outras nem de um país para outro. Do século VII ao século XV existiram grandes sábios e pensadores em diversas áreas, como a astronomia, a agronomia, a química, a medicina e as matemáticas. No mundo muçulmano esta religião era interpretada pelos seus seguidores num espírito de tolerância e de abertura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje será também o Islão um reflexo das sociedades que professam esta fé? Maalouf acredita que o facto de os muçulmanos atacarem violentamente o Ocidente não se deve a serem muçulmanos e o Ocidente ser cristão, mas, sobretudo, ao facto de serem pobres, dominados, ridicularizados e por o Ocidente ser rico e poderoso. Segundo o autor, estes movimentos não são um puro produto da história muçulmana, são o produto da nossa época, das suas tensões, das suas distorções, das suas práticas, das suas desesperanças:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“As sociedades seguras de si mesmas reflectem-se numa religião confiante, serena, aberta; as sociedades inseguras reflectem-se numa religião friorenta, beata e sobranceira”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fornecer esta perspectiva, pondo em evidência que, de facto, a sociedade modela a religião e não somente a religião modela a sociedade, Maalouf vai mais longe e acusa mesmo quem se recusa a admitir a primeira visão, não só de injusto, mas também de tornar os acontecimentos do mundo totalmente incompreensíveis. Diz ele que, se nos resignamos à ideia de que o Islão condena irremediavelmente os seus adeptos ao imobilismo, como estes constituem quase uma quarta parte da humanidade e jamais renunciarão à sua religião, o futuro do nosso planeta parece bem sombrio (note-se que o livro foi escrito antes do 11 de Setembro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se do século VII ao século XV o mundo árabe prosperou, a partir daí até ao século XIX andou a passo, enquanto, por sua vez, o Ocidente avançou rapidamente. Mais uma vez, o autor volta à questão: foi o cristianismo que modernizou a Europa? De certa forma, o que pretende é mostrar que, da mesma forma que não foi o cristianismo que modernizou a Europa, também não é o Islão que imobiliza os povos seguidores desta religião.&lt;br /&gt;Respondendo à pergunta, mais uma vez o autor realça o facto de a Igreja também se ter oposto sempre, a princípio, à modernização. Foi necessário um impulso profundo, poderoso e contínuo a favor da mudança para que esta resistência se atenuasse e para que a religião se adaptasse. Maalouf considera todo este trabalho dos povos ocidentais, que todos os dias inventavam, inovavam e faziam tremer certezas, um acontecimento único na História. E lança uma outra questão: por que é que quando a civilização da Europa cristã tomou a dianteira todas as outras começaram a declinar? E responde: sem dúvida porque a humanidade tinha nesse momento os meios técnicos para um domínio planetário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o Ocidente está em todo o lado. Toda a modernização é, daqui em diante, ocidentalização. Embora haja monumentos e obras que trazem consigo a marca de civilizações específicas, tudo o que se criou de novo foi criado à imagem do Ocidente (discutível? Japão, Índia, China de hoje?). Mas esta realidade não é vivida da mesma forma pelos povos do Ocidente e pelos restantes, ou seja, pelos que pertencem à civilização dominante e pelos que pertencem às civilizações dominadas. Para estas, segundo Maalouf, a modernidade coloca-se em termos bastante diferentes. A modernização implicou constantemente o abandono de uma parte de si próprios. Embora tenha suscitado, por vezes, o entusiasmo, nunca se desenrola sem uma certa amargura, sem um sentimento de humilhação e de renúncia, sem uma profunda crise de identidade (será assim para todas as pessoas que pertencem a essas culturas?). &lt;br /&gt;É possível assimilar a cultura ocidental sem renegar à sua própria cultura? É possível adquirir o conhecimento do Ocidente sem ficar à sua mercê? Maalouf expõe de forma mais detalhada o caso do Egipto, que apresenta como testemunho de que o mundo árabe sentiu desde muito cedo a necessidade de se modernizar. Primeiro conta a história de Muhammad-Ali, vice-rei do Egipto no século XIX, que modernizou o país, mas que foi travado pela Europa, sendo que a conclusão que os árabes tiraram deste episódio foi de que o Ocidente não quer ninguém que se lhe assemelhe, quer somente que lhe obedeçam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá depois o caso de Nasser, presidente do Egipto entre 1956 e 1970. Nasser foi um ídolo para o mundo árabe-muçulmano e governou até morrer. A incapacidade de resolver certos problemas ligados ao subdesenvolvimento e as várias derrotas militares, nomeadamente a da Guerra dos Seis Dias, contra Israel, fizeram com que perdesse alguma da sua anterior credibilidade. Foi neste contexto que parte da população se predispôs a ouvir os discursos do radicalismo religioso e que surgiram os regimes radicais nos anos 70. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maalouf utiliza estes exemplos, e mais alguns outros, para demonstrar que foram especialmente as expectativas goradas dos jovens, que primeiro acreditaram e depois deixaram de acreditar, a par da derrota do nacionalismo e do socialismo, que fizeram com que os árabes e muçulmanos tivessem enveredado pelo radicalismo religioso. Para o autor, essa nunca foi a primeira via, nunca foi a escolha espontânea. Para que tal acontecesse foi preciso que todas as outras se fechassem.</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2011/04/resumo-identidades-assassinas-de-amin_22.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-901433903937491077</guid><pubDate>Wed, 20 Apr 2011 23:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-04-24T20:53:35.779+00:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Amin Maalouf</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Identidades Assassinas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Imigração</category><title>Resumo “Identidades Assassinas” de Amin Maalouf (1998) – Segunda Parte</title><description>No segundo capítulo, intitulado “Quando a modernidade vem do outro”, Amin Maalouf começa por colocar diversas questões, que julga serem comuns à maioria das pessoas, relacionadas com o mundo árabe: porquê o véu, porquê o arcaísmos e a violência, será tudo isto inerente a estas sociedade, será o Islão incompatível com a liberdade e com a democracia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relativamente a este tema, se, por um lado, não agrada ao autor o discurso feito de velhos preconceitos relativamente ao Islão, em que são tiradas conclusões definitivas relativamente a certos povos e à sua religião; por outro, também não lhe satisfaz o discurso daqueles que dizem que a religião muçulmana é a religião da tolerância e que tudo não passa de um mal-entendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maalouf vai mais a fundo neste último ponto de vista e diz que, mesmo que uma doutrina não possa ser considerada responsável por algum acto repreensível cometido em seu nome, ela não pode, no entanto, ser considerada como totalmente estranha a tal acto. Consoante a interpretação que cada um faz da sua doutrina, assim a pode utilizar de determinada forma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Todas as sociedades humanas souberam encontrar, no decurso dos séculos, as citações sagradas que pareciam justificar as suas práticas do momento …. O texto não muda, o que muda é o nosso olhar. Mas o texto não age sobre as realidades do mundo senão através do filtro do nosso olhar. Olhar que em cada época se demora sobre certas frases e desliza por outras sem as ver”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá o exemplo do “Não matarás” da Bíblia, que só passados dois ou três mil anos começou a ser aplicado à pena de morte (e não é em todo o lado, como se sabe). Será então o cristianismo tolerante, respeitador das liberdades, conducente à democracia? Se olharmos para a Inquisição, escravatura, sujeição das mulheres, factos que ocorreram ao longo de séculos, dir-se-ia que não. Então por que é que só no século XX o espírito democrático do cristianismo se revelou? O autor explica que esta exigência de democracia não foi algo que sempre tivesse existido na história do mundo cristão, mas, apesar de tudo, a democracia conseguiu instaurar-se nas sociedades de tradição cristã, embora de forma progressiva, incompleta e tardia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maalouf chama a atenção para que nenhuma doutrina é necessariamente libertadora e para que, se sobre estas questões quisermos deitar um olhar novo e útil, será necessário que não haja nem hostilidade, nem complacência, nem, sobretudo, condescendência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor faz então uma pequena retrospectiva da história do Islão. Cinco anos após a morte de Justiniano, em 565, e a queda do Império Romano, nascia Muhammad Maomé. Este vazio deixado pela “grande Roma” permitiu, entre outras coisas, que as tribos da Arábia conseguissem, em algumas dezenas de anos, tornarem-se senhoras de um imenso território que ia de Espanha até às Índias. Tudo isto, diz o autor, de forma espantosamente ordenada, com um relativo respeito pelos outros e sem excessos de violência gratuita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esclarece então que percebe que servirá de pouca consolação saber que o Islão foi tolerante no século VIII, quando hoje se cometem crimes em seu nome. No entanto, o que o autor pretende não é defender nem o Islão, nem o Cristianismo. Aquilo por que se bate é contra a ideia de existência de uma religião – a cristã - que sempre defendeu o modernismo, a liberdade, a tolerância e a democracia, e outra – a muçulmana – votada desde sempre ao despotismo e ao obscurantismo. Diz o autor que isto é errado, é perigoso e ensombra toda a perspectiva de futuro de uma boa parte da humanidade. Aos seus olhos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um crente é simplesmente aquele que crê em certos valores – que resumirei num único: a dignidade do ser humano”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma religião está desprovida de intolerância e o autor não pretende julgar ninguém, limitando-se, segundo ele, a constatar que houve no decurso da história muçulmana uma longa prática de coexistência e de tolerância a outras religiões. Porém, acrescenta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A  tolerância não me basta. Não tenho desejo algum de ser tolerado, exijo que me considerem um cidadão de corpo inteiro, qualquer que seja a minha crença.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fazer a comparação entre os dois mundos, o cristão e o muçulmano, talvez se pudesse descobrir de um lado uma religião intolerante durante um longo tempo, que se transformou numa religião de abertura, de outro, uma religião que possuía uma vocação de abertura, mas que derivou para comportamentos intolerantes e totalitários. A questão, para o autor, está em saber por que tal aconteceu, ou seja, por que razão o ocidente cristão conseguiu produzir sociedades respeitadoras da liberdade de expressão, enquanto o mundo muçulmano aparece agora como uma “cidadela do fanatismo”.</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2011/04/resumo-identidades-assassinas-de-amin_20.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-2172573038481157640</guid><pubDate>Tue, 19 Apr 2011 19:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-04-24T20:53:06.234+00:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Amin Maalouf</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Identidades Assassinas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Imigração</category><title>Resumo “Identidades Assassinas” de Amin Maalouf (1998) – Primeira Parte</title><description>O autor, Amin Maalouf, é libanês, jornalista, vive em Paris desde 1976 e a maior parte do tempo dedica-a à escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste livro, ele começa por falar, logo na introdução, da sua própria identidade. Mais francês? Mais libanês? Na realidade, ele sente-se libanês, francês, árabe e, também, cristão. São todas estas pertenças que formam a sua identidade. Logo aqui, na introdução, ele salienta o perigo que é querer fazer com que alguém tenha uma pertença mais profunda, porque isso reduz cada um a uma “essência” estabelecida de uma vez por todas à nascença e que nunca se alterará. No entanto, diz que nada nas leis e nas mentalidades actuais permite a alguém com pertenças tão distintas (fala do exemplo de um jovem filho de pais argelinos e nascido em França) “assumir harmoniosamente a sua identidade compósita”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No capítulo I ele foca-se no conceito de identidade e previne que o objectivo do livro não é redefinir esta noção, mas sim “tentar compreender a razão pela qual tantas pessoas são levadas a cometer crimes em nome da sua identidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, começa por explicar (note-se que ele escreve cada capítulo como se de uma aula se tratasse) que a identidade é constituída por várias pertenças e, embora vários indivíduos possam ter as mesmas pertenças, por exemplo, pertencer ao mesmo clube, à mesma religião, ter nascido no mesmo país, etc., encontrar exactamente as mesmas pertenças em dois indivíduos é impossível e é isto que torna cada indivíduo singular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto, cada indivíduo tem diversas pertenças e, embora nenhuma prevaleça de modo absoluto, quando uma delas é ameaçada, é essa que prevalece e quase parece que é a única que ele tem, a única que forma a sua identidade e, por ela, ele é capaz de se bater “ferozmente” contra os seus próprios correligionários. Dá vários exemplos, como o dos curdos e turcos, ambos muçulmanos, mas com línguas diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refere o seu próprio caso. Como o facto de ser árabe e também cristão é uma situação muito minoritária e muito específica e nem sempre fácil de assumir. Diz ter sido determinante na vida dele, em muitas das decisões que tomou, nomeadamente, ter escrito este livro. Se por um lado, a língua o aproxima de uma boa parte da humanidade, a religião aproxima-o de outra. Ele diria que a língua e a religião separadamente o tornam próximo de metade da humanidade. As duas pertenças em conjunto tornam-no parte de uma minoria e confrontam-no com a sua própria especificidade. O mesmo acontece com o facto de ser libanês e francês. Esclarece que nasceu no seio da comunidade greco-católica, ou melquita, a qual reconhece a autoridade do Papa, mas continua fiel a alguns ritos bizantinos (ortodoxos). Esta é uma das razões que o fez não pegar em armas no Líbano para lutar pelo território ou pelo poder, o facto de pertencer a uma comunidade marginalizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto tudo para afirmar que os seres humanos não são todos semelhantes, mas sim diferentes entre cada um deles: um sérvio é diferente de um croata, mas cada sérvio é também diferente de todos os outros sérvios e o mesmo com os croatas. Deixa então um alerta para a importância das nossas palavras. Não é raro englobarmos as pessoas mais diversas no mesmo vocábulo (“os ingleses destruíram”, “os judeus confiscaram”), emitindo frios juízos de valor sobre determinada população, juízos que podem terminar em sangue. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, as nossas palavras não são inocentes e contribuem para perpetuar preconceitos:&lt;br /&gt;“Porque é o nosso olhar que aprisiona muitas vezes os outros nas suas pertenças mais estreitas e é também o nosso olhar que tem o poder de os libertar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No terceiro ponto do capítulo I começa por falar da identidade como construção. Ou seja, além de ser constituída por diversas pertenças, ela também se modifica ao longo do tempo. Os elementos da nossa identidade que existem logo à nascença são relativamente poucos e mesmo estes são vivenciados de forma diferente à medida que vamos crescendo. Dá o exemplo da diferença existente entre uma mulher que tenha nascido em Cabul ou de outra que tenha nascido em Oslo. Ambas são mulheres, mas a forma como vivenciam este aspecto da sua identidade é absolutamente diferente. Neste ponto, mais uma vez, utiliza uma frase quase poética: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cada um de nós deve desbravar um caminho entre as vias para onde nos empurram e aquelas que nos proíbem ou cujo terreno minam sob os nossos pés; nenhum de nós é à partida um ser único; não nos contentamos em tomar consciência da nossa identidade, tornamo-nos o que somos; adquirimos essa consciência passo a passo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós somos um conjunto de pertenças, mas estas não se sobrepõem, fundem-se. Se se tocar numa é toda a pessoa que mexe. Mais uma vez, foca o facto de nos reconhecermos mais numa das pertenças quando essa é atacada. E se não a defendemos, o desejo de vingança fica guardado dentro de nós. Este desejo de afirmação é utilizado por alguns, a que ele chama, os condutores, que o utiliza de forma mais ou menos calculista, inflamando todo um grupo, que fica assim preparado para a guerra, que segundo esse grupo é merecida. Ficam assim justificados todos os crimes, vinganças e humilhações. Amin Maalouf tenta demonstrar a existência de um potencial assassino dentro de cada um de nós, como sob certas condições nos podemos tornar criminosos e cometer as maiores atrocidades, sentindo legitimidade para o fazer com o argumento de defesa da nossa identidade. Esta é a razão pela qual o autor utiliza a designação “identidades assassinas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A acrescentar a esta falsa legitimidade para cometer crimes, o autor acrescenta a complacência com que ainda são vistos, por exemplo, os massacres étnicos como algo “lá entre eles”, inevitável, inerente à condição humana. Esta concepção tribal de identidade é, segundo Maalouf, aquela que ainda prevalece no mundo inteiro. Como contraponto realça que, embora muitas concepções inaceitáveis nos dias de hoje se tivessem mantido ao longo de séculos, as mentalidades podem mudar e ideias novas têm vindo a conseguir impor-se, pelo menos em certas partes do mundo. Por exemplo, a ideia de que as mulheres devem ter os mesmos direitos do que os homens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, como “solução” Amin Maalouf fala da urgência de uma nova concepção de identidade. Diz ele que não se pode exigir a milhões de seres humanos que escolham entre a afirmação excessiva da sua identidade e a sua total perda, entre a negação de si mesmos e a negação do outro. Esta nova concepção de identidade favoreceria o encorajamento da assumpção de pertenças múltiplas, a possibilidade de conciliar a necessidade de identidade com uma abertura franca e descomplexada a culturas diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para terminar este primeiro capítulo, Amin Maalouf, aprofunda o tema “migração”. Todos nós temos algo de migrante e de minoritário. Mesmo aqueles que nunca deixaram a sua terra natal, muitas vezes já não a reconhecem, o que se deve a esta característica da alma humana (afinal não só dos portugueses) naturalmente inclinada para a nostalgia e também à acelerada evolução que nos fez atravessar em 30 anos, o que outrora se passava em várias gerações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A concepção tribal de identidade é a primeira a ser ameaçada pelos novos tempos. Se um migrante tiver de escolher entre a sua própria pátria e a de destino, vê-se condenado a trair uma das duas. Diz Maalouf que os imigrantes vivem diversos dilemas. Em relação ao país de origem sentem culpa por ter abandonado os seus, mas por outro lado, se deixaram a sua terra é porque havia motivos de rejeição. Em relação ao país de acolhimento, se por um lado, é uma terra de oportunidades, por outro, há uma apreensão pelo desconhecido, receio de se ser humilhado. Diz ele que o sonho mais secreto da maior parte dos migrantes é o de serem tomados por naturais desse país. A primeira estratégia que utilizam é tentar passar despercebidos, mas, à medida que percebem que tal não é possível, podem desenvolver frustrações, que desembocam em sentimentos de orgulho exacerbados, fanfarronice ou em contestação brutal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor afirma que é neste domínio, o dos estados de alma dos migrantes, dos seus conflitos constantes, que as tentativas identitárias podem levar às “derrapagens mais mortíferas”. Diz ele que contra todas as tensões existentes entre população nativa e populações migrantes é preciso deitar um olhar de sabedoria e serenidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação ao país de acolhimento diz existirem duas concepções extremas e radicalmente diferentes. Uma é a de que o país de acolhimento é uma página em branco em que quem chega não precisa de mudar nada nos seus gestos e hábitos, e outra é a de que a página já está escrita e impressa e que os imigrantes não têm outra alternativa senão adaptarem-se. Amin Maalouf é a favor de um consenso, mas, não sendo este possível, um código de conduta que proteja uns e outros do que chama “loucura” é aconselhável. Lança aqui dois conselhos a uns e outros:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quanto mais vos impregnardes da cultura do país de acolhimento mais o podereis impregnar com a vossa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quanto mais um imigrante sentir que a sua cultura de origem é respeitada, mais ele se abrirá à cultura do país de acolhimento”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, a palavra-chave utilizada pelo autor é “reciprocidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, dá como exemplo a polémica criada pelo uso do véu islâmico em alguns países. Embora pense que se trata de um comportamento passadista e retrógrado, que traz à tona o longo combate das mulheres árabo-muçulmanas pela emancipação, diz que a verdadeira questão não está no conflito entre arcaísmo e modernidade, mas sim em saber por que razão, na história dos povos, a modernidade é tantas vezes rejeitada e nem sempre entendida como um progresso e como uma evolução bem-vinda. A interrogação fica no ar como essencial para a reflexão sobre identidade.</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2011/04/resumo-identidades-assassinas-de-amin.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-4488045226856004351</guid><pubDate>Fri, 05 Mar 2010 11:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-03-05T11:48:27.544+00:00</atom:updated><title>O imigrante como o Outro</title><description>Inês Branco - em Fevereiro de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal tem vivido nas últimas décadas fortes transformações demográficas, tendo passado de país de emigração a país de imigração. O nosso país é hoje caracterizado por uma grande diversidade, que representa uma maior riqueza em termos demográficos, económicos e culturais. Mas é esta mesma diversidade que coloca a Portugal novos desafios que resultam numa maior necessidade de promoção da coesão social e da gestão da diversidade cultural. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As construções que os media dos países que acolhem os imigrantes fazem destes são críticas em influenciar o tipo de recepção que estes têm e, assim, condicionam uma eventual experiência de inclusão ou exclusão dos imigrantes. Muitas vezes agindo como porta-vozes de partidos políticos ou de outros grupos de poder, o discurso dos media tem demonstrado ser imensamente influenciador da construção dos imigrantes como os Outros e, muitas vezes, também como “criminosos” ou “indesejados”. Este foco na criminalidade imigrante cria estereótipos que estão muito longe da verdade e que são muito difíceis de desarreigar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta questão leva-me à reflexão do imigrante como Outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se “o outro é sempre inquietante, é sempre o mais inquietante” (Marcos, 2004), então o imigrante, retratado com o Outro é inquietante, porque “ameaça a inércia do igual, introduz a incoerência, provoca a contradição”. Numa entrevista da Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural em 2009, este factor fica bem explícito nesta frase “Sim, com vizinhos há sempre questões porque todos têm receio, ninguém gosta do que não conhece e há anticorpos quando uma família de imigrantes vai viver para um bairro. Há comportamentos racistas e discriminatórios até as pessoas se começarem a conhecer”. Mas será que, neste momento em que o Mesmo conhece o Outro, o Outro passa a ser o Mesmo e, portanto, deixa de ser alvo de comportamentos racistas e discriminatórios? O Outro será sempre o Outro. Um imigrante é um sujeito com uma cultura, uma identidade que o identifica como Outro, mas deixa de ser visto como só mais um indivíduo dentro de uma categoria, para ser entendido como um “sujeito auto-afirmativo”, segundo o conceito filosófico herdado do paradigma kantiano, que não coincide com o termo “indivíduo”, significativo de uma prática a-social (Marcos, 2004). Esta visão do Outro é frequentemente veiculada pelos media: “Polícia de Beja agredido por indivíduo de etnia Cigana”. Neste artigo o Outro é retratado como um indivíduo genérico que só é definido por pertencer a uma categoria: etnia Cigana. A partir do momento em que o Mesmo começa a conhecer o Outro, a diferença neutraliza-se. Ainda assim, falar do conhecimento do Outro é de certo modo abusivo. A não transparência absoluta do Outro é condição da sua afirmação enquanto Outro (Marcos, 2004). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só quando existe um trabalho de reconhecimento, o Outro se pode afirmar como sujeito singular, mesmo que inscrito num universo de semelhantes. Reconhecimento das suas capacidades, que o tornam um sujeito singular dentro da comunidade imigrante à qual pertence, “Portugal reconhece os imigrantes qualificados?” (anexo 1). Através do reconhecimento de qualificações, o imigrante como um Outro passa de mero indivíduo pertencente a uma categoria, a um sujeito livre, responsável, com uma profissão, com qualificações. Isto leva-nos à questão da “cidadania” e à constatação de que este conceito não pode ser observado à parte do conceito de “reconhecimento” (Costa, 1997). A cidadania é um status outorgado a cada ser humano mediantes a concessão de direitos civis, políticos e sociais (Zapata-Barrero, 2001). O reconhecimento surge como forma de introduzir nas questões que envolvem a acessibilidade aos bens materiais e imateriais que circulam no espaço público, alguns critérios e procedimentos que promovam a inclusão de grupos socioculturais minoritários, que se encontram em desvantagem, na distribuição de bens (Costa, 1997). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A contraposição da política de reconhecimento da igualdade das culturas à igualdade dos sujeitos é feita por Charles Taylor. Segundo o autor, a cultura é preexistente, pois o sujeito existe em função da sua cultura singular e diferenciada. Taylor constrói as suas concepções em relação aos problemas das acções humanas no espaço de convívio entre diversos grupos em torno do problema da identidade (Taylor, 1997). O reconhecimento é a componente nuclear da formação ética do sujeito. Taylor abordou o tema do reconhecimento a partir das teorias do reconhecimento de Hegel, fonte imediata destas teorias.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Hegel põe em evidência o problema da base ética da solidariedade social, por oposição à moralidade. Com base nisto, Taylor afirma que o facto de a nossa identidade ser formada, em parte, pela existência ou inexistência de reconhecimento e, muitas vezes, pelo reconhecimento incorrecto dos outros, uma pessoa ou grupo de pessoas podem ser realmente prejudicados, serem alvo de uma verdadeira distorção, se aqueles que os rodeiam reflectirem uma imagem limitativa, de inferioridade ou de desprezo por eles mesmos. O reconhecimento incorrecto não implica só uma falta de reconhecimento devido. Pode também marcar as suas vítimas de forma cruel, subjugando-as através de um sentimento incapacitante de um ódio contra elas mesmas. Por isso, o respeito devido não é um acto de gentileza para com os outros. É uma necessidade humana vital (Taylor, 1998). Daqui decorre a responsabilidade que os media têm no criar de uma imagem dos imigrantes, pois é através deles que se cria também uma imagem na opinião pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Axel Honneth afirma que a exclusão social (a inacessibilidade) é mais do que uma limitação à autonomia individual, põe os sujeitos em desvantagem, pois quebra-se o sentimento de pertença deste em relação aos restantes. A negação de direitos ou a falta de acesso a um sistema de normas legitimadas pela sociedade lesa o auto-respeito dos sujeitos, pois dá-se uma perda de capacidade de se referirem a si próprios como parceiros em pé de igualdade com todos os próximos. Seguindo Hegel e Mead, Honneth distingue o reconhecimento recíproco com o que designa por estima social (Honneth, 2003).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão do reconhecimento e da relação entre sujeitos pode pôr-se também ao nível das suas culturas. O fenómeno das migrações e a globalização reflecte-se no intensificar da interdependência entre países, intensificando também a necessidade de um diálogo entre culturas diferentes. Quando se fala em trocas entre diferentes culturas e não apenas entre saberes, é porque existe “diálogo intercultural” . Boaventura Sousa Santos propõe a utilização de uma “hermenêutica diatópica” como procedimento guia, ou seja, uma interpretação da outra cultura, levando em conta que a nossa própria cultura não é completa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na área dos direitos humanos e da dignidade humana, a mobilização de apoio social para as possibilidades e exigências emancipatórias que eles contêm, só será concretizável na medida em que tais possibilidades e exigências tiverem sido apropriadas e absorvidas pelo contexto cultural local. Apropriação e absorção, neste sentido, não podem ser obtidas através da canibalização cultural. Requerem um diálogo intercultural e uma hermenêutica diatópica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hermenêutica diatópica baseia-se na ideia de que os “topoi” de uma dada cultura, por mais fortes que sejam, são tão incompletos quanto a própria cultura a que pertencem. Os “topoi” são premissas de argumentação que, por não se discutirem, dada a sua evidência, tornam possível a produção e a troca de argumentos. A incompletude dos “topoi” não é visível do interior dessa cultura, uma vez que a aspiração à totalidade induz a que se tome a parte pelo todo. O objectivo da hermenêutica diatópica é ampliar ao máximo a consciência de incompletude mútua através de um diálogo que se desenrola, por assim dizer, com um pé numa cultura e outro, noutra. Nisto reside o seu carácter dia-tópico. Um exemplo de hermenêutica diatópica, que Boaventura Sousa Santos apresenta, é a que pode ter lugar entre a cultura ocidental, a cultura hindu e a cultura islâmica, quando se fala em direitos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hermenêutica diatópica mostra-nos que a fraqueza fundamental da cultura ocidental consiste em estabelecer dicotomias demasiado rígidas entre o indivíduo e a sociedade, tornando-se assim vulnerável ao individualismo possessivo, ao narcisismo, à alienação e inexistência de uma lei. De igual modo, a fraqueza fundamental das culturas hindu e islâmica deve-se ao facto de nenhuma delas reconhecer que o sofrimento humano tem uma dimensão individual irredutível, a qual só pode ser adequadamente considerada numa sociedade não hierarquicamente organizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, para que possa existir diálogo intercultural, é necessário que cada cultura reconheça as suas incompletudes, especialmente, no diálogo entre culturas que partilham um passado de trocas desiguais, em que uma foi moldada pela outra, como é o caso de países colonizadores e ex-colónias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo imperativo intercultural, e o mais difícil de atingir e obter para que possa existir diálogo intercultural, é o de, em concepções concorrentes de igualdade e diferença, as pessoas e os grupos sociais terem o direito a ser iguais quando a diferença os inferioriza, e o direito a ser diferentes quando a igualdade os descaracteriza (Sousa Santos, 1997). &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight:bold;&quot;&gt;Bibliografia:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Costa, Sérgio e Werle, Luís Denílson. “Liberais, comunitaristas e as relações raciais no Brasil”. Novos Estudos Cebrap, São Paulo, N. 49, p. 159-180, 1997.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Honnet, Axel. “Luta por reconhecimento. A gramática moral dos conflitos sociais”. São Paulo: Editora 34, 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcos, Maria Lucília. “Princípio da Relação e Paradigma Comunicacional”. Cadernos Universitários. Edições Colibri, 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santos, Boaventura de Sousa. &quot;Por uma concepção multicultural de direitos humanos&quot;. In Revista Lua Nova n.º 39. São Paulo, CEDEC, 1997.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taylor, Charles. “A Política do Reconhecimento in Multiculturalismo. Lisboa. Piaget, 1998.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taylor, Charles. “As fontes do self: a construção da identidade moderna”. São Paulo: Loyola, 1997.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Zapata-Barrero, Ricaros. “Ciudadania, democracia y pluralismo cultural: hacia un nuevo contrato social”. Libros de La Revista Anthropos. Barcelona: Anthropos, 2001.</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2010/03/o-imigrante-como-o-outro.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-7470937740308958315</guid><pubDate>Thu, 25 Feb 2010 00:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-02-25T00:18:10.314+00:00</atom:updated><title>Os Bloggers são Jornalistas?</title><description>Inês Branco - 31 de Janeiro de 2008, para Questões Contemporâneas do Jornalismo - Mestrado em Jornalismo - UNL-FCSH&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.Introdução&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande dificuldade em responder à questão sobre se os bloggers são jornalistas surge desde logo com o facto de conceitos como blogging e jornalismo não estarem claramente definidos. Se considerarmos o jornalismo como uma forma de divulgar informação, então o blogging é jornalismo e quem escreve em blogues pode ser considerado jornalista. No entanto, esta definição de jornalismo abrangeria outras actividades que não são consideradas jornalismo, como o próprio ensino, ao espalhar informação pelos estudantes. Por outro lado, se falarmos de jornalismo como sinónimo de trabalhar numa organização noticiosa, então o blogging não é jornalismo.&lt;br /&gt;Neste ensaio procurarei, mais do que dar uma resposta inequívoca a esta questão, fornecer alguns conceitos que estão na base desta discussão, perceber em que situações as duas actividades de sobrepõem e conhecer reflexões feitas desde as origens do blogging acerca deste tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;2.Conceitos&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Importa, antes de mais, esclarecer alguns dos principais conceitos relacionados com os blogues, embora não haja definições standard.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Weblog&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Foi em 1998 que surgiram os primeiros weblogs. Caracterizam-se por serem uma espécie de diários online. São páginas Web com inserções datadas e organizadas da mais recente para a mais antiga (Fichter, 2001; Bausch, Haughey, Hourihan, 2002; Matheson, 2004). Esta é uma definição mais ou menos consensual, e é a que aparece no glossário We Blog: Publishing Online With Weblogs de Paul Bausch, Matthew Haughey e Meg Hourihan (Ojala, 2005). Desde 1998, com a chegada de softwares que permitem a sua criação automática, começaram a crescer em termos de popularidade entre os utilizadores da Internet (Matheson, 2004). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Blog&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de uma abreviação de weblog e de o acto de escrever um weblog (Bausch, Haughey, Hourihan). Em 2004, o dicionário online Merrian-Webster declarou “Blog” a primeira palavra do ano. A sua definição é “um website que contém um jornal pessoal online com reflexões, comentários e muitas vezes hyperlinks” (Ojala, 2005). Os primeiros blogues evoluíram de páginas Web. De acordo com Bausch, Haughey, Hourihan, o termo “weblog” entrou no vocabulário em 1997, apesar de pessoas como Tim Berners-Lee, David Winer e Justin Hall já escreverem páginas “What’s new” desde 1994 (Ojala, 2005).&lt;br /&gt;Um blogue é uma versão mais dinâmica de um website pessoal, sendo actualizado, pelo menos, semanalmente e, algumas vezes, diariamente, hora a hora, ou mesmo mais frequentemente, com as entradas mais recentes a aparecer primeiro. Os blogues invocam hyperlinks para outros sites para reforçarem as suas próprias publicações (Wall, 2005).&lt;br /&gt;O conteúdo dos blogues pode variar bastante, desde assuntos mundanos até aos mais pessoais, focando-se em vários tópicos, nos quais se incluem as notícias ou a informação. Daí que se chamem a este tipo de blogues “blogues noticiosos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Blogger&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;É aquele que escreve ou publica em blogues. &lt;br /&gt;Muitas vezes, procura na Web notícias interessantes e coloca hyperlinks para essa informação. Pode sumarizar o conteúdo do link ou pode colocar comentários, críticas ou outros pensamentos pessoais sobre essa informação (Wall, 2005).&lt;br /&gt;Blogger é também um software da Google que veio permitir fazer blogues sem serem necessários conhecimentos de tecnologia por parte de quem os cria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notícia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Informação nova sobre um assunto de algum interesse público, que é partilhada com uma porção de público. As notícias são, com efeito, o que vai na mente de uma sociedade (Stephens, 1988). &lt;br /&gt;As notícias são temporais, interessam a quem está mais próximo do assunto que trazem, envolvem o que é conhecido ou proeminente, as suas consequências afectam muitos ou simplesmente são suficientemente estranhas para serem qualificadas de interesse humano (MacDougall e Reid, 1987).&lt;br /&gt;As notícias são baseadas numa série de escolhas ou selecções feitas nas salas das redacções, respeitantes àquilo que vai ser enfatizado e como. As notícias são a interpretação que os media fazem dos eventos (Lippmann, 1965)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3.Eleições Presidenciais Americanas de 2004&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para perceber a evolução dos weblogs e a forma como estes vieram mudar os media “mainstream” é necessário falar das eleições presidenciais norte-americanas de 2004. &lt;br /&gt;Os blogues políticos com comentários sobre os candidatos, as questões e as campanhas chamaram a atenção dos media (Ojala, 2005). À medida que os media iam descobrindo o poder dos blogues, perceberam algo que os bloggers nunca tinham considerado, os blogues como uma encarnação do Novo Jornalismo (Seelye, 2004; Cristol, 2002). Quando os media começaram a utilizar os blogues como veículo para reportagens e comentários, estes começaram a ganhar legitimidade e estatura. Tornaram-se parte do panorama de publicações e os editores começaram a preocupar-se sobre se os seus jornais se tornariam obsoletos face às novas plataformas dos weblogs (Ojala, 2005).&lt;br /&gt;No início, os blogues eram uma voz para aqueles que se opunham ao “mainstream”, em especial, no que dizia respeito aos blogues políticos. Quando os media tradicionais começaram a adoptar os blogues, algumas das características originais começaram a desvanecer-se. A periodicidade das inserções ou publicações nos blogues tornou-se mais regular, o número de leitores aumentou e os comentários nos blogues começaram a ser repetidos na imprensa e na televisão. A voz dos comentadores começou a ser reconhecida como tendo credibilidade e autoridade (Ojala, 2005).&lt;br /&gt;Uma medida importante para entender o que se passou durante as eleições presidenciais americanas de 2004 é o número de blogues existentes nessa época. De acordo com o Technorati.com, existiam mais de 4,298,000 sites em 2004. Nas eleições levadas a cabo apenas dois anos antes, os blogues ainda estavam a emergir e foram muito pouco utilizados, faltando-lhes visibilidade que lhes pudesse dar algum crédito (Lawson-Borders e Kirk, 2005).&lt;br /&gt;As eleições presidenciais norte-americanas de 2004 marcaram o ano em que o blogging se tornou a assinatura de comunicação dos jornalistas (Packer, 2004). &lt;br /&gt;Segundo a investigação feita por Gracie Lawson-Borders e Rita Kirk, professoras da Kent State University e da Southern Methodist University, respectivamente, existem três tipos de pesquisa que nos podem dar uma visão sobre o blogging como meio de comunicação política. Primeiro está a investigação do blogue como diário social. Segundo, está a análise dos blogues como ferramentas organizativas. Terceiro, os blogues são vistos como uma forma de jornalismo cívico e participativo.&lt;br /&gt;Blogue como diário social &lt;br /&gt;Um aspecto da narrativa social é o estudo de como a mensagem se espalha pela população. O activismo social dos bloggers promove a auto-expressão democrática e o efeito de rede (Kath &amp; Kellner, 2004, p. 91). Com as eleições políticas de 2004 deflagrou uma pletora de bloggers que injectaram o seu ponto de vista. Os bloggers foram prolíficos nas convenções Democráticas e Republicanas de 2004, com ambos os partidos a permitir que bloggers se registassem como representantes dos media para fazer a cobertura da campanha (Lawson-Borders e Kirk, 2005). &lt;br /&gt;Blogue como ferramenta organizativa&lt;br /&gt;Três marcas do discurso dos blogues são importantes para a organização de grupos. Em primeiro lugar, o discurso dos blogues é curto e emotivo. O jornal “Chicago Tribune” descobriu que, durante a convenção democrática, mais leitores se voltaram para os blogues do que para as suas estórias (The Media Center, 2004). Apesar de muitas vezes ter origem em fontes jornalísticas tradicionais, existe alguma coisa em relação à voz dos blogues que diz não se tratar de uma voz corporativa. &lt;br /&gt;Uma segunda marca é a utilização dos blogues como ferramenta motivacional. O blogging foi primeiramente utilizado como ferramenta motivacional para encorajar o envolvimento de apoiantes. Numa das campanhas para as primárias, a de Howard Dean, o blogue foi uma das principais fontes de informação para os seus apoiantes. A pessoa que liderou o movimento acreditou que as pessoas se queriam envolver. Quando a campanha arrancou, no Outono de 2003, o blogue já tinha mais de 30,000 visitas diárias (Weiss, 2003). Muitas pessoas que queriam participar, não o faziam por falta de tempo. O uso dos blogues veio permitir este envolvimento. &lt;br /&gt;A terceira marca é ser uma ferramenta de participação. Os blogues fazem mais do que permitir a interacção dos participantes, muitas vezes são eles próprios que criam as estórias. Segundo o administrador do blogue da campanha de John Kerry, apesar de apenas 10 por cento das pessoas que entravam no site visitava o blogue, a tendência era ficarem mais tempo no site. Isto faz com que as campanhas tenham a possibilidade de influenciar mais os leitores, expondo-os a informação adicional. Isto porque gostam do acto de participar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Blogue como forma de jornalismo cívico e participativo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canais de comunicação como os blogues criaram um fórum para o discurso político e para a abordagem de outros assuntos públicos, importantes para aqueles utilizadores não muito afiliados a organizações de jornalismo tradicional (Cohen, 2002). Chamar aos blogues “media independente” seria inapropriado, mas claramente os editores estão empenhados em descobrir e avaliar os factos que nos são apresentados em cada dia (Blood, 2005).&lt;br /&gt;Os blogues apresentam um novo contexto para se entender o papel entre os jornalistas e as suas audiências, em que estas últimas têm o potencial de se envolverem mais, de serem mais interactivas e de serem produtoras e não apenas consumidoras de informação (Matteson, 2004). &lt;br /&gt;Embora ainda esteja em discussão se o blogging veio mudar o discurso político, Gracie Lawson-Borders e Rita Kirk concluíram que nas eleições de 2004 a blogosfera só por si não foi suficiente para contar a estória. As notícias requereram a credibilidade trazida pelas organizações noticiosas. Mais do que isto, as pessoas que tentaram cobrir as eleições através dos seus blogues não fizeram mais do que os jornalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4.Blogues Noticiosos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se grande parte dos blogues trata de assuntos pessoais, sendo praticamente diários online, existe uma larga minoria cujos assuntos são de natureza pública. Muitas vezes estes blogues citam e comentam estórias publicadas nos meios de comunicação social, quer seja nos jornais, quer seja na televisão ou nos websites das respectivas organizações. &lt;br /&gt;Este tipo de blogues, embora com uma categorização algo problemática, surgiu na sequência dos chamados “blogues de guerra”, de que falarei mais à frente. O problema em categorizar um blogue como “noticioso” está relacionado com o próprio conceito de jornalismo. Os weblogs vieram transformar leitores de notícias em criadores de notícias e consumidores de notícias em comentadores. Se por um lado se espera que os weblogs venham rejuvenescer o jornalismo, por outro, as convenções sociais sobre quem se pode proclamar jornalista ou sobre o que conta como jornalismo leva à necessidade de uma renegociação (Matheson, 2004).&lt;br /&gt;Num estudo realizado em 2004, Donald Matheson procurou saber como é que os possuidores de weblogs sobre assuntos de carácter público negociavam a sua relação com os géneros e posição social do jornalismo. Neste estudo chegou à conclusão que, apesar de muitos críticos considerarem o weblogging como uma forma radical de jornalismo, os bloggers entrevistados mostravam uma relação mais complexa com a ideia de actuarem com o papel de jornalistas. A maioria deles escrevia com o objectivo de contribuir para o debate público, mas existia uma grande ambivalência e mesmo algum antagonismo relativamente à ideia de ver o weblogging como jornalismo.&lt;br /&gt;Um dos respondentes, um repórter no activo, caracterizou o seu blogue com um local de experimentação, com um trabalho mais relacionado com assuntos políticos e com uma maior reflexão sobre as notícias, tudo fora das rotinas e das normas do seu trabalho diário.&lt;br /&gt;Para outros respondentes o seu papel era claramente o de jornalista. Dois destes escreviam para dar voz a vozes marginalizadas e outros dois apropriavam-se do papel de jornalista curiosamente para fazer a distinção entre o papel de fazer jornalismo e o papel daqueles que são empregados de organizações noticiosas. Para estes dois, o weblog era uma intervenção política na esfera dos media, que servia para manter a honestidade dos jornalistas e para dar vozes e aproximações novas aos media noticiosos. Uma das respondentes argumentava que os webloggers eram muitas vezes melhores jornalistas políticos, pois faziam a análise política que deveria estar nos media, mas que não estava.&lt;br /&gt;Apesar desta apropriação do papel de jornalista, Matheson concluiu que os webloggers não se consideravam similares a estes profissionais. Antes usavam o jornalismo para activamente construírem as suas próprias identidades, colocando-se como alternativas a um “mainstream” corrompido. Verificou existir mesmo uma tensão evidente entre o desejo de que a sua voz marginalizada se ouvisse e o reconhecimento.&lt;br /&gt;Paulo Querido e Luís Enes, em entrevistas a vários bloggers portugueses realizadas para o livro Blogs, de 2003, também vieram mostrar que os próprios autores dos blogues não encaravam os espaços que geriam como substitutos dos media tradicionais, nem tão pouco pareciam tentados pelas funções dos jornalistas profissionais (Freitas, 2006).&lt;br /&gt;Ainda que se chamem “blogues noticiosos”, tipicamente estes blogues, geridos individualmente, não criam conteúdos originais, suportando-se em outras fontes para as quais colocam links e que servem de inspiração para os seus comentários (Wall, 2005). Têm sido descritos com estando fora das normas vigentes do jornalismo tradicional, com menos gatekeepers ou filtros e não se suportando em grandes organizações. (Lasica, 2002; Levy, 2002).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5.Pós-modernidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários conceitos têm sido utilizados para caracterizar o tipo de jornalismo que estes blogues noticiosos produzem: jornalismo personalizado, jornalismo “faça-você-mesmo”, jornalismo do mercado negro e jornalismo pós-moderno (Wall, 2005). Relativamente a este último, se o jornalismo do século XX é visto como um produto da modernidade, então as mudanças sociais dos anos mais recentes, que levaram os observadores a identificar um período de hipermodernidade ou de pós-modernidade, precisam de ser consideradas ao avaliar o futuro do jornalismo (Wall, 2003).&lt;br /&gt;A pós-modernidade é vista como uma resposta à modernidade, uma visão do mundo associada a conhecimento científico e a outras assim chamadas de “grand narratives”, que legitimam certas epistemologias e foco no controlo do conhecimento por parte de certos profissionais ou elites (Lyotard, 1984). A pós-modernidade defende que a realidade não é fixa ou passível de ser conhecida fora do “eu”. Em vez disso, nós criamos a realidade através de linguagens e interacções ou performances (Jameson, 1991).&lt;br /&gt;Alguns observadores vêem certas características pós-modernas encarnadas em tendências negativas do jornalismo, ligando-as à cada vez menos clara fronteira entre notícias e entretenimento e à global celebração da cultura comercial (Hartley, 1996). Ainda assim, existem outros que fazem uma descrição do jornalismo pós-moderno, encarnando valores mais positivos. Para estes, o jornalismo pós-moderno consistiria em pequenas estórias locais sobre pessoas, que transmitem sofrimento humano e que rejeitariam uma meta-narrativa. Com as audiências a consumirem activamente estórias, a pós-modernidade daria um maior foco a vozes e a versões de eventos não-oficiais (Ettema, 1994).&lt;br /&gt;Para Melissa Wall, investigadora da Universidade Estadual da Califórnia, a questão está em saber até que ponto estes blogues diferem das noções tradicionais daquilo que é considerado notícia e de que forma estes blogues podem ser considerados uma forma de jornalismo pós-moderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6.Relação entre Blogging e Jornalismo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de tentar saber se serão os blogues uma forma de jornalismo pós-moderno, é necessário primeiro esclarecer qual a relação existente entre o blogging e o jornalismo. Serão os blogues uma oportunidade ou um desafio para o jornalismo? A respeito do blogging muito se tem dito. Há quem pense que expõe os pontos fracos do jornalismo (Regan, 2003), há quem ache que é uma força que vai abrir buracos nas paredes dos gatekeepers e que irá acabar com o reinado de soberania do jornalismo (Rosen, 2005). No entanto, há também quem diga que os bloggers e os jornalistas se complementam e se intersectam (Lasica, 2003) e que o debate entre jornalistas e bloggers é falso e redutor (Rosen, 2005).&lt;br /&gt;Para Wilson Lowrey, investigador da Universidade do Alabama, os jornalistas e os bloggers estão mais interessados em manter ou procurar autoridade do que em beneficiar a sociedade. A motivação e a acção individuais são constrangidas por factores sociais tais como os recursos das organizações, os processos profissionais e as mudanças tecnológicas. Surge, assim, a necessidade de mapear a relação entre bloggers e jornalistas, para saber em que aspectos do seu trabalho os jornalistas são vulneráveis ao blogging, o que é que prediz as suas forças e as suas vulnerabilidades e que mudanças os jornalistas são compelidos a fazer.&lt;br /&gt;Lowrey definiu vários conceitos relacionados com o jornalismo, fazendo a distinção face ao blogging: profissão, valores, processo de recolha de notícias e formato.&lt;br /&gt;Muitos dos blogues são publicações personalizadas e poucos bloggers recebem compensação. Deste ponto vista, blogger não seria uma profissão. No entanto, para a definição de uma profissão conta a percepção que o indivíduo tem de estar a praticar uma actividade similar, com as mesmas normas e valores sobre as suas práticas (Blor e Dawson, 1994; Dingwall, 1976; Fine, 1996; Van Maanen e Bartlley, 1984) e os bloggers tem esta percepção (Kramer, 2004).&lt;br /&gt;Quanto aos valores, os blogues são considerados participativos, transparentes e opinativos (Lasica, 2003; Wall, 2004, 2005), enquanto os valores do jornalismo são a exactidão, a equidade e a objectividade (International Federation os Journalists, 1986; Kovach e Rosenstiel, 2001; McQuail, 2000; Society of Professional Journalists, 1996).&lt;br /&gt;Outro factor distintivo é o processo de recolha de notícias. Para os jornalistas é uma rotina. Para os bloggers é uma raridade (Blood, 2003)&lt;br /&gt;O formato online interactivo dos blogues também o distingue do formato do jornalismo tradicional. Apesar de a utilização de hyperlinks para outros blogues também ser possível nos sites de jornalismo tradicional, os jornalistas não os utilizam rotineiramente como os bloggers.&lt;br /&gt;Lowrey desenvolveu um modelo, que lhe permitiu explicar o impacto que o blogging tem no jornalismo. Este modelo permite mostrar que os jornalistas alteram as qualidades subjectivas do seu processo profissional, ou seja, a lógica interna da sua prática profissional (diagnóstico, inferência e tratamento) para cobrir áreas que se tornaram vulneráveis ao blogging (concorrentes ocupacionais) e que desafiam a sua capacidade de controlar o trabalho de informar. Os jornalistas utilizam a discussão intra-profissional, feita em convenções e publicações comerciais para determinar quais direcções necessitam de mudar para reparar as vulnerabilidades. Através desta discussão os jornalistas redefinem problemas, audiências, objectivos e até mesmo a natureza dos jornalistas e do jornalismo. Os benefícios e constrangimentos objectivos externos, tais como a estrutura e recursos organizacionais e os constrangimentos legais afectam o quanto os jornalistas são vulneráveis e moldam os esforços destes em mudar o conhecimento e as práticas profissionais.&lt;br /&gt;No entanto, estratégias para dar resposta ao desafio do blogging já começaram a surgir. Algumas organizações jornalísticas passaram a ter blogues nos seus websites. O impacto destas estratégias remodela o processo profissional dos jornalistas, sendo que a comunidade dos jornalistas pode tentar, por exemplo, redefinir o blogging como uma ferramenta do jornalismo (Lowrey, 2006).&lt;br /&gt;O problema está em saber se estas estratégias vêm beneficiar a sociedade. Os apoiantes do blogging dentro da comunidade jornalística consideram-no uma evidência de um novo jornalismo mais igualitário e participado (Lasica, 2002). Mas ainda não é claro se estes blogues noticiosos são de facto sinónimo de um jornalismo mais participativo, pois existem evidências de que grande parte dos blogues têm links para outros blogues (Singer, 2005). Por sua vez, as organizações noticiosas preocupam-se mais em conter e direccionar o fenómeno do blogging do que em fomentar uma participação mais democrática (Lowrey, 2006). &lt;br /&gt;Uma reacção socialmente benéfica ao blogging foi o reforçar das tarefas jornalísticas de recolha de notícias e de assegurar a sua exactidão, o que os bloggers não têm muitas vezes condições de fazer. O crescente reconhecimento da importância destas tarefas viria beneficiar as audiências e a sociedade. O blogging veio também demonstrar que muitos jornalistas tendem a largar uma estória prematuramente. Se as organizações noticiosas apostassem mais na especialização e numa melhor cobertura das estórias, as audiências beneficiariam. No entanto, o mais certo é estas organizações repararem esta vulnerabilidade, encorajando os jornalistas a monitorizarem os blogues e a seguirem as estórias que tiveram mais poder junto das audiências. (Lowrey, 2006). &lt;br /&gt;Assim, este modelo é especialmente útil para entender quando é que uma mudança na profissão do jornalismo fará sentido. Quando uma ocupação está bem enraizada e não tem um rival relevante, as mudanças não são prováveis. Quando uma ocupação está bem enraizada, mas vulnerável a rivais, embora não seja necessária uma mudança fundamental no curto prazo, uma alteração à “fachada” será útil. Mas quando uma profissão não está bem enraizada e está vulnerável a rivais, é necessária uma mudança fundamental. Apesar de o futuro não ser claro, o que é certo é que o jornalismo como profissão será objecto de mudanças incrementais. Estas adaptações poderão ser bem sucedidas ou falhar na manutenção do controlo jornalístico e podem mesmo mudar fundamentalmente a natureza do jornalismo “mainstream” (Lowrey, 2006). &lt;br /&gt;Um ponto fulcral nesta discussão sobre a relação entre blogging e jornalismo tem sido a ideia de que pelo menos algum blogging constitui “jornalismo participativo” ou “jornalismo do cidadão” e a questão de como isto se relaciona (ou não) com anteriores movimentos profissionais para jornalismo “público” ou “cívico”. Os blogues tornaram-se uma fonte primária de notícias e informação durante catástrofes cuja dimensão desafia o alcance e recursos das organizações noticiosas tradicionais, como foi o caso do tsunami na Tailândia, dos ataques bombistas de Londres ou do furacão Katrina nos Estados Unidos. Nestes casos os blogues tornam-se claramente uma fonte de matéria-prima para os jornais e para a televisão, fornecendo fotografias, trechos de informação e depoimentos na primeira pessoa. No entanto, na actividade diária dos blogues noticiosos os papéis invertem-se, pois as notícias publicadas pelos jornalistas tornam-se no “combustível” para a actividade dos bloggers (Graves, 2007). &lt;br /&gt;Para Lucas Graves, investigador de tecnologia dos media, comunicação política e notícias, da Columbia University, as principais mais-valias do blogging são os contributos dos leitores, a fixação e a justaposição. &lt;br /&gt;Graves compara o blogging aos softwares de open-source, que disponibilizam o seu código a tantas pessoas quanto possível, permitindo que, em vez de se focarem na especialização de uns poucos profissionais, se possam apoiar em toda uma comunidade para descobrir erros e resolver problemas. Na blogosfera tanto as reportagens originais como a verificação dos factos operam segundo os mesmos princípios. &lt;br /&gt;Tanto em televisão como em imprensa, as notícias podem ser bastante efémeras. As reportagens que não atinjam uma massa crítica de atenção podem desaparecer de vista rapidamente. Os blogues noticiosos (e os websites em geral) constituem uma espécie de quadro global no qual se afixam factos incongruentes para que possam ser facilmente recuperados, a salvo da amnésia do clico de notícias (Graves, 2007). &lt;br /&gt;Por último, relacionando-se com a fixação, está a capacidade que os blogues têm de contrapor ou confrontar factos. Os blogues têm uma muito maior liberdade editorial que lhes permite fazer uma análise das notícias, que os jornalistas normalmente não fazem, devido a certos constrangimentos, como o cumprimento de prazos, a necessidade de parecerem objectivos, terem de escrever para um espaço limitado e outros que tais.&lt;br /&gt;Embora estas mais-valias não sejam exclusivas dos blogues, nem sejam uma lista definitiva, dão-nos já uma boa base para entender por que é que os blogues são como são e quão claramente este novo género reflecte as características tecnológicas que o suportam (Graves, 2007).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7.Blogging: Jornalismo Pós-Moderno?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sua pesquisa, Melissa Wall percebeu que globalmente muitos dos blogues parecem estabelecer diferentes convenções para a sua construção das notícias. Quando comparados com o jornalismo tradicional, os blogues sugerem uma forma modificada das notícias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voz&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Com excepção dos colunistas, a voz tradicional de um jornalista profissional é desconectada, neutra e conta os dois lados da estória. Espera-se que o jornalista não se envolva nas suas estórias. No caso dos bloggers, a sua voz é personalizada, opinativa e, muitas vezes, parcial (Wall, 2005).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Audiências&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em termos de audiências o papel tradicional é o de receptores passivos. Já nos blogues, muitas vezes as audiências são convidadas a contribuir com informação, comentários e algumas vezes a contribuir com suporte financeiro (Wall, 2005).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Forma&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quanto à forma das estórias que são contadas nos blogues também difere. As estórias “mainstream” seguiram durante décadas certas fórmulas estruturais, tais como a pirâmide invertida. Os textos eram fechados com o sentido de não deixarem abertura a múltiplas interpretações e as audiências não eram encorajadas a relacionar aquela estória com outras reportagens. Com os blogues a forma da estória alterou-se para um fragmento, que muitas vezes é incompleto, sem seguir uma ligação e, assim, parece nunca estar concluída. Alguém pode ler um fragmento, seguir um link para a notícia original, mas também pode explorar outros sites, voltar para comentar ou simplesmente deixar o texto aberto (Wall, 2005).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Credibilidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uma das principais características do jornalismo, a credibilidade, é ganha no caso dos blogues de maneira muito diferente da tradicional no caso dos jornalistas. Enquanto os media tradicionais estabelecem um padrão de rotinas para criar a sensação de dependência, os blogues invocam a sua distância do poder para criação de credibilidade. Muitos destes blogues invertem completamente a sabedoria tradicional no que a isto diz respeito. Quanto mais personalizado e aberto a opiniões um blogue é, mais confiável e credível ele parece ser. Um estudo realizado sobre leitores de blogues noticiosos sugere que estes são visitados precisamente porque os leitores acreditam serem mais credíveis do que os media tradicionais (Kayes e Johnson, 2004).&lt;br /&gt;Outro factor que contribui para a percepção de credibilidade é a própria relação que os blogues têm com as suas audiências. Enquanto os media tradicionais vêem os seus leitores como clientes que passivamente recebem o seu produto, os bloggers vêem as suas audiências como apoiantes e mesmo como seus pares. Com a controvérsia relacionada com a guerra do Iraque não é de estranhar que as pessoas quisessem falar sobre o assunto (Kayes e Johnson, 2004). &lt;br /&gt;Esta participação dos cidadãos, que os torna de certa forma co-autores dos conteúdos dos blogues, pode mesmo vir a mudar a estrutura daquilo que é considerado notícia (Wall, 2005). Isto vai ao encontro das previsões quanto ao futuro da comunicação, em que os consumidores iriam participar na criação daquilo que iriam consumir (Rheingold, 2002).&lt;br /&gt;No entanto, no seu estudo Wall acaba por chegar à conclusão que enquanto alguns observadores escreviam sobre novas formas de notícias, tais como o jornalismo pós-moderno consistir em pequenas estórias, o que ela encontrou assemelha-se mais a fragmentos. Enquanto muitos blogues cultivam a sensação de que são “outsiders” relativamente aos media corporativos, ironicamente, na maior parte das vezes não utilizam reportagens independentes, suportando-se nos media tradicionais para muito daquilo que publicam.&lt;br /&gt;Outras das conclusões, também irónica, é que os hyperlinks utilizados nos blogues para dar outro formato à estória e para lhe dar credibilidade, vêm amplificar muito o alcance da publicação original no site dos media tradicionais, pois esta é reproduzida pelos bloggers e por outros media online. Os sites dos media tradicionais, que não encorajam os leitores a sair do seu site, não dedicariam com certeza grande parte das suas páginas à colocação de hyperlinks para outros sites. Onde os bloggers promovem redes sociais, os media tradicionais são mais levados a colocar conteúdos comerciais.&lt;br /&gt;Assim, parece existir aqui alguma forma de jornalismo pós-moderno: um que desafia o controlo da informação por elites e que questiona a legitimidade das notícias tradicionais, que consiste não tanto em grandes narrativas, mas em pequenos pedaços de uma estória, que é reproduzida nos blogues. As notícias são produtos sociais que reflectem os valores do seu contexto. Tal como outros períodos lançaram outros desafios ao jornalismo tradicional (como é o caso do Novo Jornalismo), o jornalismo pós-moderno é um produto de várias mudanças sociais, talvez mais evidentes, devido à ocorrência da guerra do Iraque que parece ter agravado o aparecimento de formas alternativas de notícias (Wall, 2005).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;8.Blogues de Guerra&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na origem dos chamados “blogues noticiosos” estiveram os “blogues de guerra”. &lt;br /&gt;Muitos destes blogues apareceram no clima político polarizado depois do 11 de Setembro de 2001, passando os weblogs a focar-se também nos media e nos políticos, levando as notícias relacionadas com o ataque ao World Trade Center e com a invasão do Iraque a uma audiência mais vasta (Matheson, 2004).&lt;br /&gt;Várias análises sugerem que estes blogues são um novo género de jornalismo que enfatiza a personalização, a participação das audiências na criação de conteúdos e a forma das estórias, que são fragmentadas e interdependentes de outros websites. Estas características sugerem uma mudança da abordagem moderna do jornalismo tradicional em direcção a uma nova forma de jornalismo infundida em sensibilidades pós-modernas (Wall, 2005).&lt;br /&gt;O início da guerra do Iraque, na Primavera de 2003 é um momento crítico para a análise dos blogues, devido à importância das notícias em tempos de guerra. Os media, durante estes períodos tornam-se menos críticos do governo e de acções militares e mais propensos a repetir “propaganda” governamental (Knightley, 2004; Tumber e Palmer, 2004). Este facto abriu espaço para outros meios de comunicação oriundos do estrangeiro, desde a imprensa britânica aos bloggers, levarem um grande número de americanos a procurarem na Web notícias sobre a guerra (Kayes e Johnson, 2004; Pew Center for Internet Studies, 2003). A resposta destes blogues à procura de informação que aumentou nos Estados Unidos com a invasão do Iraque, levou alguns observadores a caracterizarem este segundo conflito entre os dois países como a “primeira guerra na Internet” (Kurtz, 2003).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;9.Importância do &lt;em&gt;Samizdat&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa reflexão sobre se os bloggers são jornalistas, fazer uma abordagem apenas ao panorama ocidental e democrático seria bastante restritivo. Svetlana V. Kulikova, investigadora de comunicação de massas na Universidade Estadual do Lousiana, e David P. Perlmutter, investigador da Universidade do Kansas, fizeram, em 2007, um estudo que avaliou o impacto e a importância do blogue de advocacia, Akaevu.net, directamente ligado à “Revolução das Túlipas”, no Quirguistão. &lt;br /&gt;O estudo avaliou até que ponto os blogues samizdat (não oficiais) serviram de fontes de informação oposta para os cidadãos daquele país, bem como para observadores internacionais, e quais as evidências dos efeitos dos blogues samizdat em eventos políticos, tais como o do caso analisado.&lt;br /&gt;Estes investigadores chegaram à conclusão que o blogue se tornou de facto uma fonte de informação rica e única não disponível através de outras fontes locais ou dos media mundiais. Os blogues samizdat podem servir para incitar ou suster a democratização em países do Terceiro Mundo, mesmo aqueles que atravessam um desenvolvimento económico desigual.&lt;br /&gt;Várias versões dos acontecimentos foram relatadas sobre a “Revolução das Túlipas”, quando o presidente Askar Akayev fugiu do país que governara durante catorze anos, depois de uma série de protestos públicos. Apareceu a versão dos media ocidentais, a versão da media pro-governo e a versão da imprensa dos países vizinhos. Neste contexto, os meios de comunicação domésticos do Quirguistão não sabiam o que informar, acabando por recorrer a fontes de informação alternativas, como a Internet.&lt;br /&gt;No Quirguistão as vozes da oposição tinham apenas dois jornais, pelo que muita da “campanha” anti-governamental era feita através da Internet. No entanto, muitos dos sites existentes foram bloqueados durante as eleições parlamentares de 2005.&lt;br /&gt;Samizdat era o nome dado, na era soviética, aos escritos não oficiais e auto-publicados da oposição. Hoje muita desta literatura é publicada através da Internet. Com o bloqueio dos dois sites Gazeta.kg e Kyrgyz.us, o Akaevu.net foi criado como solução temporária. Começou a operar apenas um dia antes da revolução, a 23 de Março de 2005, e a sua função era dar informação minuto a minuto sobre a situação política no Quirguistão.&lt;br /&gt;O blogue era “alimentado” por compilações de materiais recolhidos noutros sites, pela media internacional, pela media do Quirguistão que cobria eventos locais, pela media russa e por materiais produzidos pelo próprio grupo de advocacia. Foi o primeiro site a noticiar a libertação de Felix Kulov, um dos principais opositores ao regime, com 30 minutos de avanço em relação à sua primeira aparição na televisão. Em termos de audiência, era sobretudo, estudantes a viver no estrangeiro, jornalistas, investigadores políticos e outros peritos, que falassem russo. No dia 4 de Abril, o blogue deu por findada a sua missão: “hoje podemos dizer que certamente não há mais lugar para nenhum Akayev na vida política do Quirguistão”. &lt;br /&gt;Kulikova e Perlmutter concluíram que o blogue Akaevu.net, mesmo com uma curta vida, de apenas um mês, contribuiu de facto para a cobertura da “Revolução das Túlipas” na Internet. Cumpriu, assim, a sua missão como solução temporária para fazer face à tentativa das forças pro-governamentais de travar o fluxo de informação dos sites da oposição. Um caso como estes sugere que um regime de “democracia controlada” talvez não tenha forma de controlar o único verdadeiro meio de comunicação livre, a Internet, pelo menos com os meios existentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;10.Conclusão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como comecei por dizer, não é fácil responder à questão colocada. Vários são os investigadores que já se debruçaram sobre o tema, sob várias perspectivas e aqui tentei deixar algumas. &lt;br /&gt;Ser blogger, só por si, não é ser jornalista. Existem várias espécies de blogues e a única que se poderia sobrepor à função do jornalismo é o blogue de conteúdos noticiosos. No entanto, na maioria dos casos, estes blogues mais não fazem do que comentar ou ligar informação recolhida em meios de comunicação tradicionais. Jornalista não é aquele que dá as notícias, é também aquele que descobre as notícias. Neste aspecto os bloggers falham, porque, na maioria dos casos, não são eles que descobrem as notícias. Existe ainda o facto de as organizações noticiosas terem construído a sua credibilidade ao longo do tempo e segundo critérios que são aceites pelas audiências. Se alguém quer obter informação, a veracidade e exactidão desta é crucial. Como escreve Helena de Sousa Freitas, jornalista e investigadora, seria preocupante se a crença de que a ausência de um editor não é sinónimo de prejuízo da credibilidade, mas uma garantia da inexistência de censura.&lt;br /&gt;Umas das questões que se impõe é a de saber se os próprios bloggers querem ser jornalistas e verifica-se que, apesar de alguns se identificarem com a profissão, muitos outros querem apenas exercer uma actividade paralela à sua, que lhes permita intervir e gerar a discussão pública de assuntos do seu interesse.&lt;br /&gt;Existe ainda a própria classificação de jornalista, que é dada no nº1 do artigo 1.º do Estatuto do Jornalista: “são considerados jornalistas aqueles que, como ocupação principal, permanente e remunerada, exercem funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ou opiniões, através de texto, imagem ou som, destinados a divulgação informativa”. Esta definição exclui, à partida, os bloggers, pois não exercem a actividade a tempo inteiro e não são remunerados, embora neste último caso, o facto de existir publicidade nos blogues já possa contribuir de alguma forma para o conceito de actividade remunerada.&lt;br /&gt;No entanto, existem excepções, como aconteceu no caso do blogue “Do Portugal Profundo”, de António Balbino Caldeira, professor universitário. Ao ser arguido num processo por ter colocado no seu blogue informações sobre o processo Casa Pia, cuja difusão a Justiça decidira manter interdita, viu durante a sentença que o absolveu a 14 de Novembro de 2005, o seu blogue ser considerado um meio de comunicação social, ao contrário do que ele próprio alegara: “pode ser já considerado um meio de comunicação social, ainda que tenha surgido como um meio de comunicação personalizada, uma vez que permite a comunicação em massa, bastando, para tal, o acesso à net” (Freitas, 2005; Caldeira, 2005).&lt;br /&gt;Uma profissão que tem vindo a evoluir desde o final do século XIX não deixará de existir, nem será substituída por outra. Talvez mude de forma, talvez recorra a outros meios ou a outras fontes, mas a essência é a mesma.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;11.Bibliografia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kulikova, Svetlana V. and Perlmutter, David D., Blogging Down the Dictator? The Kyrgyz Revolution and Samizdat Websites, International Communication Gazette 2007; 69; 29&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graves, Lucas, The Affordances of Blogging: A Case Study in Culture and Technological Effects, Journal of Communication Inquiry 2007; 31; 331&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reese, Stephen D.; Rutigliano, Lou; Hyun, Kideuk and Jeong, Jaekwan, Mapping the blogosphere: Professional and citizen-based media in the global news arena, Journalism 2007; 8; 235&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brown, Derek, Joe Blog’s turn, British Journalism Review 2006; 17; 15&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lowrey, Wilson, Mapping the journalism–blogging relationship, Journalism 2006; 7; 477&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ojala, Marydee, Blogging: For knowledge sharing, management and dissemination, Business Information Review 2005; 22; 269&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lawson-Borders, Gracie and Kirk, Rita, Blogs in Campaign Communication, American Behavioral Scientist 2005; 49; 548&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wall, Melissa, ‘Blogs of war’: Weblogs as news, Journalism 2005; 6; 153&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MacDougall, Robert, Identity, Electronic Ethos, and Blogs: A Technologic Analysis of Symbolic Exchange on the New News Medium, American Behavioral Scientist 2005; 49; 575&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matheson, Donald, Negotiating Claims to Journalism: Webloggers&#39; Orientation to News Genres, Convergence 2004; 10; 33&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deuze, Mark, The Web and its Journalisms: Considering the Consequences of Different Types of Newsmedia Online, New Media Society 2003; 5; 203&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freitas, Helena de Sousa, Sigilo Profissional em Risco, MinervaCoimbra (2006)</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2010/02/os-bloggers-sao-jornalistas.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-846298548345327514</guid><pubDate>Wed, 11 Nov 2009 12:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-11T12:26:24.458+00:00</atom:updated><title>Sessões des(contínuas)</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh7SEZKEo1aH8Yw3IYV98SGvV5qcvsVvNkvG-WeLdygp-Xeb9rmM1H3xeeAyLO3cWCObeNj9kEqyXEtLdLsPsClTzYa7-Xq_OivxtU20PdgWqV3RyfK8wMwNiyw0xAFTZ0EiEwQNUS1k9w/s1600-h/tribunal.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 225px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh7SEZKEo1aH8Yw3IYV98SGvV5qcvsVvNkvG-WeLdygp-Xeb9rmM1H3xeeAyLO3cWCObeNj9kEqyXEtLdLsPsClTzYa7-Xq_OivxtU20PdgWqV3RyfK8wMwNiyw0xAFTZ0EiEwQNUS1k9w/s320/tribunal.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5402818420534375922&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crónica publicada no livro &lt;a href=&quot;http://planetamarcia.blogs.sapo.pt/74504.html&quot;&gt;As Extraordinárias Aventuras da Justiça Portuguesa&lt;/a&gt;, de Sofia Pinto Coelho e na editora online &lt;a href=&quot;http://sexoforte.net/mulher/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=573:sessoes-descontinuas-de-um-tribunal&amp;catid=85:escrivaninha&amp;Itemid=117&quot;&gt;Sexo Forte&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Quem entrasse na sala de tribunal via que eram só dois ou três gatos-pingados sentados lá no fundo, nos bancos de pau a imitar os de uma igreja. Só faltavam os genuflexórios agarrados aos bancos da frente. A sala era grande. Em frente à porta, uma parede atravessada por uma fila de janelas permitia a entrada da luz do dia. Do lado direito estavam umas mesas de madeira situadas alguns centímetros acima do nível dos pés. Mais abaixo, outra mesa com um computador quase tão velho como a madeira, perfeitamente integrado no resto da decoração, especialmente concebida para conferir ao espaço um ar antiquado, de tempos passados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em passo apressado, fui sentar-me perto de quem já lá estava. Voltei-me para trás e pedi alguns esclarecimentos:&lt;br /&gt;- Já começou há muito tempo?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Vai haver vários julgamentos, não é?&lt;br /&gt;- Sim. São sessões contínuas.&lt;br /&gt;- São jornalistas?&lt;br /&gt;- Não, polícias. Somos testemunhas num processo. Mas, até ser o nosso, podemos assistir aos outros julgamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou um jovem na sala. Com ar descontraído, sentou-se na primeira fila. De seguida entrou uma jovem. Esta, um pouco mais agitada. Aproximou-se da mesa do meio, estendeu a mão e apertou a da senhora loira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe quem são? - Perguntou-me um dos polícias.&lt;br /&gt;- Faço uma ideia.&lt;br /&gt;- À esquerda, é a Procuradora do Ministério Público.&lt;br /&gt;- A acusação? &lt;br /&gt;- Sim. Ao meio…&lt;br /&gt;- É a juíza.&lt;br /&gt;- Em baixo é o escrivão e à direita a advogada de defesa. Na primeira fila está o arguido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma expressão benevolente, a juíza começou o julgamento. Nome, data de nascimento, naturalidade, profissão, estado civil, número de filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que chamou aos agentes?&lt;br /&gt;- Nada. Nada mesmo. Isso não aconteceu.&lt;br /&gt;- Não foi preso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou um homem de roupa desportiva e colar de missangas ao pescoço. Era um dos agentes da PSP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi testemunha e ofendido?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Onde aconteceu?&lt;br /&gt;- Na zona J. &lt;br /&gt;- Qual a razão da abordagem?&lt;br /&gt;- Não abordámos. O Sr. Ernesto ausentou-se do local.&lt;br /&gt;- Qual foi o motivo?&lt;br /&gt;- Estávamos de patrulha e ouvimos impropérios. Se me permitir posso dizê-los.&lt;br /&gt;- Permito. Tem de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tapei os ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda se sente ofendido?&lt;br /&gt;- Sim…&lt;br /&gt;- Foram no encalço dele?&lt;br /&gt;- Atravessámos a artéria. O Sr. E apercebeu-se de que o íamos abordar e fugiu, continuando com os impropérios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encalço, artéria, abordagem, impropérios… A advogada olhava com ar intrigado. A acusação resolveu intervir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Abordaram-nos sem nenhuma razão?&lt;br /&gt;- Sim. Íamos a passar e começaram-nos a injuriar sem razão.&lt;br /&gt;- Mas a que propósito?&lt;br /&gt;- Não faço a mínima ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso afigurava-se difícil. Alguém de um bairro “desfavorecido”de Lisboa tinha chamado nomes às autoridades. Foi a vez de a defesa intervir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Passou-se a que horas?&lt;br /&gt;- Uma e meia da manhã.&lt;br /&gt;- Havia mais pessoas?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- A que distância?&lt;br /&gt;- Não posso precisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O agente vacilou, mas a advogada não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mais ou menos?&lt;br /&gt;- Vinte, trinta metros.&lt;br /&gt;- Consegue identificá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Precisa-se da comparência da outra testemunha. A audiência terá de ser adiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A juíza era uma mulher de gosto refinado. Os punhos brancos que poderiam ter sido do Marquês de Pombal e que teimavam em aparecer, sobrepondo-se às mangas da toga negra, revelavam-no. Comecei a perceber tudo. Não passava de uma questão de estética. O estilo antigo e repassado pelos anos tinha de condizer em toda a linha. Até as palavras eram antigas. E o caso não poderia destoar. Era preciso deixá-lo envelhecer. Venha o próximo!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2009/11/sessoes-descontinuas.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh7SEZKEo1aH8Yw3IYV98SGvV5qcvsVvNkvG-WeLdygp-Xeb9rmM1H3xeeAyLO3cWCObeNj9kEqyXEtLdLsPsClTzYa7-Xq_OivxtU20PdgWqV3RyfK8wMwNiyw0xAFTZ0EiEwQNUS1k9w/s72-c/tribunal.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-4337337417807463169</guid><pubDate>Sun, 15 Jun 2008 13:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-15T14:05:39.638+00:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Programa &quot;Nós&quot;</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Raquel Pacheco</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Reportagem</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Televisão</category><title>Quando Jovens Ganham Voz</title><description>&lt;object width=&quot;425&quot; height=&quot;344&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://www.youtube.com/v/Dmbzg9Gp8J0&amp;hl=en&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/Dmbzg9Gp8J0&amp;hl=en&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; width=&quot;425&quot; height=&quot;344&quot;&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reportagem de Inês Branco para programa televisivo &quot;Nós&quot; (RTP 2, 18/05/2008, domingo, 10h).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre esta reportagem ver também &lt;a href=&quot;http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/04/entrevista-com-raquel-pacheco-quando.html&quot;&gt;Entrevista com Raquel Pacheco - Autora da Investigação &quot;Quando Jovens Ganham Voz&quot; - 1ª PARTE&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/04/entrevista-com-raquel-pacheco-autora-da.html&quot;&gt;2ª PARTE&lt;/a&gt;</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/06/quando-jovens-ganham-voz.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-9215125106765918922</guid><pubDate>Thu, 01 May 2008 14:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-05-01T14:42:41.719+00:00</atom:updated><title>Fernando Pessoa - &quot;O Marinheiro&quot;</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjM9whU2CT0Lh40bqqrjjcTjMszSvwg0QcfE_shTEnBFt26Ao_z8QVpqnHl640I9MonvwKAs7k4LUHAifYUBDxCOoVWmlDdUHzgGtrNGoXaEcHRKOM2dk0cCbBQAaTPts5ehgVxSJps09k/s1600-h/Fernando_Pessoa.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjM9whU2CT0Lh40bqqrjjcTjMszSvwg0QcfE_shTEnBFt26Ao_z8QVpqnHl640I9MonvwKAs7k4LUHAifYUBDxCOoVWmlDdUHzgGtrNGoXaEcHRKOM2dk0cCbBQAaTPts5ehgVxSJps09k/s400/Fernando_Pessoa.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5195418928127349586&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Está em cena, no Teatro Municipal de Almada, a peça &quot;O Marinheiro&quot;, de Fernando Pessoa.&lt;br /&gt;Em parceria com a editora Livros de Areia, foi lançada uma edição  desta obra. A apresentação realizou-se na Casa Fernando Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta foi a reportagem que fiz para o programa de rádio &quot;Vidas Alternativas&quot;. &lt;a href=&quot;http://va.vidasalternativas.eu/?p=862&quot;&gt;OUVIR AQUI!!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/04/o-marinheiro-de-fernando-pessoa.html&quot;&gt;Ler notícia&lt;/a&gt;</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/05/fernando-pessoa-o-marinheiro.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjM9whU2CT0Lh40bqqrjjcTjMszSvwg0QcfE_shTEnBFt26Ao_z8QVpqnHl640I9MonvwKAs7k4LUHAifYUBDxCOoVWmlDdUHzgGtrNGoXaEcHRKOM2dk0cCbBQAaTPts5ehgVxSJps09k/s72-c/Fernando_Pessoa.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-5532949012849243186</guid><pubDate>Mon, 21 Apr 2008 21:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-21T21:26:15.503+00:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Entrevista</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Raquel Pacheco</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Rádio</category><title>Entrevista com Raquel Pacheco -  Autora da Investigação &quot;Quando Jovens Ganham Voz&quot; - 2ª PARTE</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZo5b9drkS2DzNE0wX7PtzXuZppjL9X_J6bKWWmqIM4Fx4YYvxL3G1omlcJxwOzWUHRdb8vMnfYZK0kwmTdeQh26hCNFO3x5aQFWfPwkyV_SU8ggERO5BlqGQ0yvXBExUqcGEpUOVzE3o/s1600-h/PICT3402.JPG&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZo5b9drkS2DzNE0wX7PtzXuZppjL9X_J6bKWWmqIM4Fx4YYvxL3G1omlcJxwOzWUHRdb8vMnfYZK0kwmTdeQh26hCNFO3x5aQFWfPwkyV_SU8ggERO5BlqGQ0yvXBExUqcGEpUOVzE3o/s400/PICT3402.JPG&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5191811511309603106&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src=&quot;http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf&quot; quality=&quot;high&quot; width=&quot;322&quot; height=&quot;54&quot; name=&quot;odeo_player_gray&quot; align=&quot;middle&quot; allowScriptAccess=&quot;always&quot; wmode=&quot;transparent&quot;  type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; flashvars=&quot;type=audio&amp;id=18749823&quot; pluginspage=&quot;http://www.macromedia.com/go/getflashplayer&quot; /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style=&quot;font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none&quot; href=&quot;http://odeo.com/audio/18749823/view&quot;&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a segunda parte da entrevista com a investigadora Raquel Pacheco. Desta vez, vai falar-nos da sua teoria da &quot;Juventude Ameaçadora&quot;, sobre vários olhares sobre os jovens e sobre culturas juvenis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta entrevista foi transmitida no programa Vidas Alternativas nº119. Para ouvir o programa na íntegra clique &lt;a href=&quot;http://va.vidasalternativas.eu/?p=839&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/04/entrevista-com-raquel-pacheco-quando.html&quot;&gt;Ver primeira parte da entrevista.&lt;/a&gt;</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/04/entrevista-com-raquel-pacheco-autora-da.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZo5b9drkS2DzNE0wX7PtzXuZppjL9X_J6bKWWmqIM4Fx4YYvxL3G1omlcJxwOzWUHRdb8vMnfYZK0kwmTdeQh26hCNFO3x5aQFWfPwkyV_SU8ggERO5BlqGQ0yvXBExUqcGEpUOVzE3o/s72-c/PICT3402.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-2035171021370790822</guid><pubDate>Mon, 21 Apr 2008 01:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-21T01:36:55.184+00:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Fernando Pessoa</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Imprensa</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Marinheiro</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">teatro</category><title>O Marinheiro, de Fernando Pessoa</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhbnvPfQ5stMbF9cOx2TXRP9Nq2rbNwLg-SfsIl5fks27cjzvRui1KrOYNwp7jt_KTP3yQeVVhal3-7UlfrbOoWCgaveKO4VEkkUb5sBDvn-l3Pv8CCZljiSAgEGB8VqabVZTREQUdQg7U/s1600-h/Fernando+Pessoa.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhbnvPfQ5stMbF9cOx2TXRP9Nq2rbNwLg-SfsIl5fks27cjzvRui1KrOYNwp7jt_KTP3yQeVVhal3-7UlfrbOoWCgaveKO4VEkkUb5sBDvn-l3Pv8CCZljiSAgEGB8VqabVZTREQUdQg7U/s400/Fernando+Pessoa.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5191505314501136626&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estreou dia 17 de Abril, no Teatro Municipal de Almada, a peça “O Marinheiro”, de Fernando Pessoa. Em parceria com a Casa Fernando Pessoa, o teatro apresenta ainda obras de várias artistas plásticos inspiradas no poeta português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça “O Marinheiro” foi escrita em apenas dois dias e nunca chegou a ser representada na presença do autor. Mesmo hoje, são poucas as encenações desta peça a que Fernando Pessoa subintitulou “drama estático”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Um quarto que é sem dúvida num castelo antigo. Do quarto vê-se que é circular. Ao centro ergue-se, sobre uma mesa, um caixão com uma donzela, de branco. Quatro tochas aos cantos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À direita, quase em frente a quem imagina o quarto, há uma única janela, alta e estreita, dando para onde só se vê, entre dois montes longínquos, um pequeno espaço de mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado da janela velam três donzelas. A primeira está sentada em frente à janela, de costas contra a tocha de cima da direita. As outras duas estão sentadas uma de cada lado da janela. É noite e há como que um resto vago de luar.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 18, a editora Livros de Areia, em parceria com a Companhia de Teatro de Almada, lançou a edição de “O Marinheiro”. A apresentação do livro realizou-se na Casa Fernando Pessoa e contou com as presenças de Teresa Rita Lopes, especialista na obra de Fernando Pessoa, de Alain Ollivier, encenador da peça e de Pedro Marques, em representação da Livros de Areia Editores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Teresa Rita Lopes, especialista na obra de Fernando Pessoa &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O Marinheiro tem-me ocupado a vida toda”, declarou aos presentes Teresa Rita Lopes, fazendo de seguida uma apresentação desta obra de Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um texto tão pequeno… Cada vez que o leio descubro qualquer coisa nova. Por isso, quando aceitei estar aqui para falar de “O Marinheiro”, li-o outra vez com todo o cuidado, acabando por achar coisas novas. Apraz-me falar sobre ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedico este fascínio pela peça à minha amiga Teresa Mota, com quem em 1961 encenei a peça Três Fósforos, com Amélia Rey Colaço. Foi censurada pela PIDE e, talvez tenha sido por isso, que fugi para Paris. Esta nova abordagem dedico-a à minha amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de abordar Pessoa de uma forma esotérica. Toda a minha vida me tenho recusado a enveredar por isso. Ele (Fernando Pessoa) nunca foi ortodoxo nas suas crenças e essas pessoas que o usam para provar as suas crenças irritam-me”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Circunstância da peça - &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referindo-se à circunstância desta peça, a especialista esclareceu que foi escrita nos dias 12 e 13 de Outubro de 1913. Tem a ver com a propensão de Fernando Pessoa para o oculto, que o levou a experiências de escrita automática e de “mesa de pé de galo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sempre pensei em não ir por aí. Qualquer obra dedicada a uma crença fica inevitavelmente datada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os simbolistas abriram caminhos. No final do século XIX denunciaram o impasse do teatro. Os simbolistas de língua francesa sonharam o teatro do futuro. O Fernando Pessoa estava a par disto. Maeterlinck recusava todo o teatro naturalista que se fazia na altura. Em 1913, Pessoa comparou-se com Maeterlinck e disse que iria fazer muito melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O verdadeiro teatro descobriu-o em 1914 com a explosão dos heterónimos. O teatro que lhe interessava era o herdeiro do teatro simbolista, recusando os artifícios até aí usados. Inspirado em Hamlet, ele imaginou os heterónimos. São um monólogo prolongado e analítico, imagem de uma personagem de Shakespeare, monologado, sempre só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o teatro tem de ter acção, embora não um conflito, como o naturalista. O teatro como os simbolistas o entreviram. Isto tem a ver com a atracção de Pessoa pelo outro. O que é interessante é que exista em O Marinheiro uma &lt;em&gt;mise-en-scène &lt;/em&gt;espiritual”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lugar desta obra na obra pessoana – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando ao lugar que esta peça ocupa na obra pessoana, Teresa Rita Lopes confessou que não é fácil falar de Pessoa sem que nos percamos. “O Marinheiro e Fernando Pessoa são uma “floresta antagónica”, perdemo-nos nos trilhos quando falamos deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta foi uma obra que Fernando Pessoa adoptou durante a vida toda. Escreveu ao João Gaspar Simões, em 1930, a dizer que ainda estava a ser objecto de correcções. O minimalismo é uma coisa que agrada em Pessoa. Tudo está reduzido ao essencial, corta todos os floreados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que Fernando Pessoa ganhou a aposta que fez com Maeterlinck? Comparei esta peça com “Les Aveugles” e constatei que O Marinheiro responde melhor aos preceitos dos simbolistas. Uma palavra-chave dos simbolistas é o “distanciamento”. Distanciamento da realidade. Distanciamento que as personagens, as veladoras, vão procurar durante todo o tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia central da peça é fugir à realidade, que faz com que as personagens pareçam fantasmas ou sonâmbulos. A noção do espaço, do tempo e da linguagem não tem nada a ver com as personagens normais. Maeterlinck não foi tão longe. &lt;em&gt;“Um quarto que é sem dúvida num castelo antigo”&lt;/em&gt; põe-nos logo em dúvida. Pode ser ali como pode ser noutro sítio qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pessoa conseguiu evitar uma coisa que o Maeterlinck não conseguiu evitar, a alegoria. Pessoa nunca faz isto. Este quarto circular é fora do espaço e do tempo – &lt;em&gt;“ainda não deu hora nenhuma” &lt;/em&gt;-  percebemos logo que não estamos no mundo dos vivos. Distanciamo-nos da acção o mais possível. As veladoras são todas a mesma, não se distinguem. Ali não há conflito. Elas ajudam-se, são solidárias em fugir à vida, no criar o sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do “drama estático”, Fernando Pessoa pôs-lhe outro título – teatro de êxtase – essa tal ascese que encontramos também em “Salomé” (“O Marinheiro”, “Diálogo No Jardim do Palácio” e “Salomé” foram todas obras escritas por Pessoa em 1913). Elas, as veladoras, agem para fugir à vida, para criar um sonho. Há uma que se destaca, que é a que conta a história do marinheiro. Há uma luta entre essa necessidade, essa proposta que fazem umas às outras de fugir à vida – &lt;em&gt;“Não rocemos pela vida nem a orla das nossas vestes...”&lt;/em&gt; – ganham asas e nas asas do sonho elas levitam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A oposição é entre a vida e o sonho. Existe a vida, porque esta vida equivale à morte. Álvaro de Campos (um dos heterónimos de Pessoa) diz que temos duas vidas – a verdadeira, que sonhamos em criança, e a falsa, a prática. Morre-se, porque não se sonha bastante. Elas fogem da vida, como quem foge da morte. Viver esta vida ao rés-do-chão equivale a morrer. Por outro lado, elas querem esta vida. &lt;em&gt;“Na vida aquece ser pequeno”&lt;/em&gt; – o que assistimos ao longo da peça é a hesitação entre querer fugir da vida e um ritual (toda a peça é um ritual, um acto mágico) em que, através do sonho, elas querem voltar ao Eu Primordial, ao Ser Lar. Ser Lar é Deus. Fernando Pessoa é completamente heterodoxo nas suas crenças – “Creio ou quase creio”. Isto faz com que nunca tenha sido um fanático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa dada altura da peça elas dizem &lt;em&gt;“Tenho um medo disforme de que Deus tivesse proibido o meu sonho...” &lt;/em&gt;e falam do frio, esse frio que chega dessas tais regiões isoladas e, por isso, querem o conforto da vida. Este sonho das veladoras é muito complexo. Por um lado, conseguem levantar voo nas asas do sonho, sonhando o seu passado, um sonho divinatório. Trata-se de um perfeito fenómeno de regressão (Pessoa escreveu “não há comunicação directa com Deus, Ser Lar”), em que elas tentam cumprir as etapas que levam ao encontro de si próprias. Mas se permite esta regressão, por outro lado, projecta-nos para o futuro, porque é criador. Depois de sonharem colectivamente o marinheiro descobrem o seu poder – &lt;em&gt;“Por que não será a única coisa real nisto tudo o marinheiro, e nós e tudo isto aqui apenas um&lt;br /&gt;sonho dele?...”&lt;/em&gt;. Elas criam o marinheiro e ele cria outra terra natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta hesitação entre Céu e Terra é a única acção da peça. Opõe-se à criação das ruas da terra natal do marinheiro, que se assemelha à génese bíblica – &lt;em&gt;“Ao princípio ele criou as paisagens, depois criou as cidades; criou depois as ruas e as travessas, uma a uma, cinzelando-as na matéria da sua alma”. &lt;/em&gt;Às vezes chegamos a ter a sensação que as veladoras são médiuns – &lt;em&gt;“Que voz é essa com que falais?... É de outra... Vem de uma espécie de longe...&quot;&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final as perguntas que se colocam são: “Quem é, afinal, o marinheiro” e “O que é a morte?”. O marinheiro talvez seja o próprio Fernando Pessoa. Ele tinha um grande patriotismo em relação à beleza da língua portuguesa. Assim, a verdadeira pátria do marinheiro é a Língua Portuguesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte é algo que está presente em toda a peça. Sem a consciência da morte não há peça. O tempo é a morte, como pode ser entendido nas palavras de uma das veladoras - &lt;em&gt;“…Velamos as horas que passam…”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alain Ollivier, encenador da peça&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sua intervenção Alain Ollivier esclareceu que para falar sobre o seu interesse pelo “Marinheiro” é necessário dizer que não foi o primeiro a montar esta peça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hoje, Fernando Pessoa tem uma reputação internacional. Fiquei muito impressionado com a sua natureza explosiva. Faço um paralelismo com o teatro simbolista francês. Este tipo de teatro surgiu na última década no século XIX  (Maurice Maeterlinck). Existiam peças de teatro super-realistas e medíocres. O teatro simbolista surgiu neste contexto. Pode fazer-se uma correlação entre o teatro simbolista e o teatro de Fernando Pessoa, com pequenos tormentos, com um realismo depressivo. É muito político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Marinheiro fala de inspiração poética. Permite conhecer de onde vem a inspiração de Fernando Pessoa, que com 24 anos escreveu esta peça em dois dias. Mostra-nos a sua intuição, a sua visão daquilo que viria a ser a sua vida de artista, de tormento e de sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final agradeceu ao director da Companhia de Teatro de Almada. “Não poderia recusar o convite de Joaquim Benite, porque também achei interessante a encenação, a compreensão do que é a encenação. Escrever uma peça não é explorar uma situação, uma vivência… Não é só fazer um diálogo. É necessário um imaginário animado por um pensamento, uma ideologia, um pensamento analítico, um pensamento que tenha forma.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pedro Marques, Livros de Areia Editores&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Marques agradeceu à Companhia de Teatro de Almada a lembrança de ter contactado a sua editora há cerca de dois anos. “Não é um projecto inovador. Outras companhias já nos convidaram para editar teatro. Isto é ir contra-corrente. Não é um trabalho que faça como especialista. Não sou especialista em textos dramáticos, mas trata-se de uma companhia muito sólida, que escolhe textos muito bons. Desde esse contacto que já editámos sete a oito livros. São textos muito interessantes&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alain Ollivier foi director do Théâthre Gérard Phillipe de Saint-Denis e apresentou, em 2006, na Sala Experimental do TMA a sua encenação de “O Marinheiro”, protagonizado pela actriz francesa Anne Alvaro. Deste espectáculo surgiu o convite para Allain Ollivier voltar a dirigir o “drama estático” de Fernando Pessoa, numa produção da Companhia de Teatro de Almada, com um elenco de três actrizes portugueses, protagonizado por Teresa Gafeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cena No TMA, até 18 de Maio, a peça “O Marinheiro”, de Fernando Pessoa. &lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj4cEDjzCCbOnCdJLnZSWjyAc8EMSBL4LnGRFcHPeHHFjI-Hsz9lTnTrPWNHiv_HFY7woa_1HALpR8EkBUpRg2hylhuvFe-KbMcZDIaqqHYaLOjKRG5DAcHkjCDOOIH1DZJCq1zhC0n52w/s1600-h/cta_logo_100px.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj4cEDjzCCbOnCdJLnZSWjyAc8EMSBL4LnGRFcHPeHHFjI-Hsz9lTnTrPWNHiv_HFY7woa_1HALpR8EkBUpRg2hylhuvFe-KbMcZDIaqqHYaLOjKRG5DAcHkjCDOOIH1DZJCq1zhC0n52w/s200/cta_logo_100px.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5191505743997866242&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://www.ctalmada.pt&quot;&gt;Companhia de Teatro de Alamada&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://www.livrosdeareia.com&quot;&gt;Livros de Areia Editores&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhowFKA2OEULNNVb2udrcAzIyT2h0wFiqwYrSD0qEwjR5gpCVCBle8wA9Blx0IFSSefB9qVHasMC63oqa-FkyZU2_upOvtfaxVhsD5iIDqfRGXhVFdqGYZ8uVxzxrCKFJ_cM4nzWhaEKeU/s1600-h/LA_logo_cor.gif&quot;&gt;&lt;img style=&quot;float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhowFKA2OEULNNVb2udrcAzIyT2h0wFiqwYrSD0qEwjR5gpCVCBle8wA9Blx0IFSSefB9qVHasMC63oqa-FkyZU2_upOvtfaxVhsD5iIDqfRGXhVFdqGYZ8uVxzxrCKFJ_cM4nzWhaEKeU/s200/LA_logo_cor.gif&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5191506461257404690&quot; /&gt;&lt;/a&gt;</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/04/o-marinheiro-de-fernando-pessoa.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhbnvPfQ5stMbF9cOx2TXRP9Nq2rbNwLg-SfsIl5fks27cjzvRui1KrOYNwp7jt_KTP3yQeVVhal3-7UlfrbOoWCgaveKO4VEkkUb5sBDvn-l3Pv8CCZljiSAgEGB8VqabVZTREQUdQg7U/s72-c/Fernando+Pessoa.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-25298052870484976</guid><pubDate>Tue, 15 Apr 2008 22:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-21T21:24:40.338+00:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Entrevista</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Raquel Pacheco</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Rádio</category><title>Entrevista com Raquel Pacheco -  Autora da Investigação &quot;Quando Jovens Ganham Voz&quot; - 1ª PARTE</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgfTR2Wi-GqVD2hGBh67cKtLO3sJRjboWckquZwHGFTOG5x6aMLZ2SYUw39wD4t-TXsOHg2woz4UelHBHvhKIgvlodYpZDk00RSk3epUVeeumwmwJ9ppoYdbRuodKBp4DW2wqdGCUWlZjQ/s1600-h/PICT3403.JPG&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgfTR2Wi-GqVD2hGBh67cKtLO3sJRjboWckquZwHGFTOG5x6aMLZ2SYUw39wD4t-TXsOHg2woz4UelHBHvhKIgvlodYpZDk00RSk3epUVeeumwmwJ9ppoYdbRuodKBp4DW2wqdGCUWlZjQ/s400/PICT3403.JPG&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5190340719063223042&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src=&quot;http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf&quot; quality=&quot;high&quot; width=&quot;322&quot; height=&quot;54&quot; name=&quot;odeo_player_gray&quot; align=&quot;middle&quot; allowScriptAccess=&quot;always&quot; wmode=&quot;transparent&quot;  type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; flashvars=&quot;type=audio&amp;id=18715633&quot; pluginspage=&quot;http://www.macromedia.com/go/getflashplayer&quot; /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style=&quot;font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none&quot; href=&quot;http://odeo.com/audio/18715633/view&quot;&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é uma entrevista realizada a Raquel Pacheco acerca do seu trabalho de investigação-acção desenvolvido durante a tese de mestrado &quot;Quando Jovens Ganham Voz&quot;. Trata-se de uma pesquisa etnográfica sobre media e culturas juvenis. O projecto foi realizado com estudantes &quot;problemáticos&quot; de uma escola de Lisboa e enquadra-se na linha de orientação do projecto Crianças e Jovens em Notícia do Centro de Investigação Media e Jornalismo, que procura identificar, compreender e analisar os modos e formas de recepção de crianças e jovens em relação aos media.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira parte da entrevista foi transmitida no programa Vidas Alternativas nº118. Para ouvir o programa na íntegra clique &lt;a href=&quot;http://va.vidasalternativas.eu/?p=823&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/04/entrevista-com-raquel-pacheco-autora-da.html&quot;&gt;Ver segunda parte da entrevista.&lt;/a&gt;</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/04/entrevista-com-raquel-pacheco-quando.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgfTR2Wi-GqVD2hGBh67cKtLO3sJRjboWckquZwHGFTOG5x6aMLZ2SYUw39wD4t-TXsOHg2woz4UelHBHvhKIgvlodYpZDk00RSk3epUVeeumwmwJ9ppoYdbRuodKBp4DW2wqdGCUWlZjQ/s72-c/PICT3403.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-1523849077740175602</guid><pubDate>Sun, 06 Apr 2008 14:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-06T14:30:53.447+00:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">caso do telemóvel</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Dá-me o telemóvel</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Opinião</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Rádio</category><title>Dá-me o telemóvel!!</title><description>Excerto de uma intervenção para o programa Vidas Alternativas, em que dou a minha opinião sobre o caso da aluna, da professora e do telemóvel. Não me pronuncio sobre as atitudes da aluna e da professora, mas sim sobre o papel dos meios de comunicação social neste caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src=&quot;http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf&quot; quality=&quot;high&quot; width=&quot;322&quot; height=&quot;54&quot; name=&quot;odeo_player_gray&quot; align=&quot;middle&quot; allowScriptAccess=&quot;always&quot; wmode=&quot;transparent&quot;  type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; flashvars=&quot;type=audio&amp;id=18022863&quot; pluginspage=&quot;http://www.macromedia.com/go/getflashplayer&quot; /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style=&quot;font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none&quot; href=&quot;http://odeo.com/audio/18022863/view&quot;&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/04/d-me-o-telemvel.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-533548242189223699</guid><pubDate>Mon, 24 Mar 2008 22:32:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-17T22:23:14.116+00:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ana Luísa Rodrigues</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Entrevista</category><title>Entrevista com Ana Luísa Rodrigues - Autora do livro &quot;Aos Olhos do Mundo Portugal e os Portugueses Retratados por Correspondentes Estrangeiros&quot;</title><description>&lt;embed src=&quot;http://odeo.com/flash/audio_player_gray.swf&quot; quality=&quot;high&quot; width=&quot;322&quot; height=&quot;54&quot; name=&quot;odeo_player_gray&quot; align=&quot;middle&quot; allowScriptAccess=&quot;always&quot; wmode=&quot;transparent&quot;  type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; flashvars=&quot;type=audio&amp;id=17898383&quot; pluginspage=&quot;http://www.macromedia.com/go/getflashplayer&quot; /&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style=&quot;font-size: 9px; padding-left: 110px; color: #f39; letter-spacing: -1px; text-decoration: none&quot; href=&quot;http://odeo.com/audio/17898383/view&quot;&gt;powered by &lt;strong&gt;ODEO&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4rfeKNMj-SS_OYF1g626uEuJqkUvQkZDJO5EMvCAmk_KJWo9uQ3sL7yKcBrPsKjW0fWyQbxiy1MF-XrphQo7EcceX4EqxtHPxWO99cwY19EZft3AkfiYxtgUMOwKqcQAbgzckfEiUQRQ/s1600-h/Livro.JPG&quot;&gt;&lt;img style=&quot;float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4rfeKNMj-SS_OYF1g626uEuJqkUvQkZDJO5EMvCAmk_KJWo9uQ3sL7yKcBrPsKjW0fWyQbxiy1MF-XrphQo7EcceX4EqxtHPxWO99cwY19EZft3AkfiYxtgUMOwKqcQAbgzckfEiUQRQ/s320/Livro.JPG&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5181442357022131394&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ana Luísa Rodrigues é jornalista na RTP há dez anos e acabou de publicar um livro baseado na sua tese de mestrado, “Aos Olhos do Mundo Portugal e os Portugueses Retratados por Correspondentes Estrangeiros”.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Por que é que decidiu investigar esta comunidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AL: Especificamente esta, porque apesar de ser uma comunidade discreta de correspondentes, são eles que têm a missão por profissão de analisar a sociedade portuguesa, traçar retratos, de noticiá-la. Dão contributos para formar a imagem de Portugal nas opiniões públicas internacionais. A imagem de Portugal lá fora depende em parte do trabalho destes correspondentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O facto de serem estrangeiros, de virem de outros países, possibilita-lhes ver com mais precisão alguns traços distintivos, características da sociedade portuguesa e dos portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Como é que surgiu esta comunidade e como é que a caracteriza?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AL: 1974 foi uma espécie de ano zero, o ano de abertura de Portugal ao noticiário internacional e aos correspondentes. Já havia alguns correspondentes antes do 25 de Abril, mas eram muito poucos. Há uma correspondente, a Martha De La Cal, que está cá desde 1967 e a Marvine Howe, uma outra correspondente americana. O grande “boom” foi com a chegada da democracia e com a abertura de Portugal à imprensa internacional. Nos anos de 74/75 Portugal estava no topo da actualidade. Era muito normal ver-se capas de revistas, manchetes de jornais, como o Le Monde, a Time, o New york Times ou o Times com notícias sobre o processo revolucionário português. Havia muito interesse da comunidade internacional em relação ao que se passava em Portugal, o que se reflectia quer na chegada de correspondentes que estavam aqui sedeados, quer em enviados especiais que iam e vinham ver o processo revolucionário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma fase de grande expansão, foi a altura em que Portugal mais cativou correspondentes e enviados da imprensa estrangeira. A partir do 25 de Novembro dá-se uma quebra do interesse noticioso relativamente a Portugal e nos anos 70, mas sobretudo nos anos 80, houve uma progressiva redução no número de correspondentes, com a estabilização do processo político português. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante os anos 80 houve o renascer de outros interesses. Apesar de ter havido esse pico em 74/75 e depois uma progressiva redução, é possível perceber que há vagas de nacionalidades. Por exemplo, nos anos 80, apesar de já haver muito menos correspondentes, são anos em que chegaram muito correspondentes do Brasil, sobretudo na segunda metade, a partir da entrada de Portugal na União Europeia. Nos anos 90 há bastantes correspondentes de países africanos, dos PALOP, e desde há uns quatro ou cinco anos para cá tem havido uma espécie de onda espanhola, de mulheres, jovens jornalistas, que vêm para trabalhar em Portugal e se tornam correspondentes e, neste momento, em termos numéricos a comunidade ronda mais ou menos os 50 correspondentes estrangeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Existe alguma razão para que escolham Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AL: O interesse de Portugal é muito limitado. Não se compara com o interesse que suscita uma França ou uma Inglaterra. Relativamente a Portugal é muito claro, se analisarmos do ponto de vista de nacionalidades, as mais representadas são a espanhola e a brasileira e, depois, os PALOP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Existe ainda hoje um espírito de comunidade. É muito diferente o que existe hoje daquele que existia na altura do 25 de Abril?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AL: Eu acho que existe um espírito de comunidade, até porque sendo uma comunidade pequena mais ou menos toda a gente se conhece. Há a Associação da Imprensa Estrangeira, que existe desde 1976 e que é uma espécie de instituição aglutinadora, que dá uma certa forma e identidade à comunidade. Isso faz com que haja um sentir comum, um sentir de comunidade, mesmo que não se vejam todos os dias. Hoje em dia, com as facilidades do ponto de vista tecnológico, as pessoas ficam mais fechadas sobre si próprias. Não há tanta necessidade de ir à sala de imprensa estrangeira do Palácio Foz, como havia nos anos 70 e 80, em que para se saber qualquer coisa do que acontecia, receber faxes, telexes tinha de se ir ao Palácio. Hoje os correspondentes têm muito mais independência, porque a informação é veiculada por outros meios e, portanto, apesar de haver um afastamento físico uns dos outros, há um certo sentido de comunidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparativamente ao que havia no 25 de Abril, nota-se na comunidade que há uma diferença de sentires relativamente aos retratos que traçam de Portugal. Há as pessoas que têm a memória muito marcada do 25 de Abril e do processo revolucionário, que viveram cá nessa altura, quer enquanto correspondentes, quer enquanto jovens. Essas pessoas têm uma visão de Portugal e do próprio exercício do jornalismo também um pouco diferente das pessoas que não viveram essa época e que chegaram a Portugal nos anos 90 ou já depois. No retrato que passam de Portugal existe bastante concordância. Não sendo unânimes as , mais ou menos todos os correspondentes de várias idades e de várias nacionalidades têm uma visão mais ou menos comum sobre a sociedade portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: Que visão é essa? Qual a impressão com que ficam quando chegam a Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AL: Relativamente ao retrato que fazem de Portugal e dos portugueses, Portugal é um país bastante contrastante, existem traços que coexistem. Existem traços de arcaísmo marcado, coisas bastante arcaicas, situações que estão bastante abaixo dos padrões europeus, nomeadamente, os problemas na educação, a questão da burocracia, a questão das estradas com buracos, … Os correspondentes apontam vários exemplos, sobretudo nestes aspectos, de traços que ainda persistem de um Portugal de antigamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas depois, também reparam que, mesmo com estes traços, existem outros traços e outras características de país moderno. Ao mesmo tempo que há traços de arcaísmo e de coisas antiquadas, também existe coisas bastante avançadas. Um correspondente galego, que não levava mais do que três meses aqui em Portugal, dizia “vocês são o país da via verde, que não existe em quase país nenhum do mundo e também são o país das estradas com buracos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, vêem as mudanças que Portugal teve de fazer nos últimos 30 anos, o processo de democratização, a descolonização, a abertura da economia, que no dizer e no sentir dos correspondentes originou esta dualidade de realidades. Um dos correspondentes há mais tempo cá também referia isso, “os dois portugais parapelos”. Parece que há uma coexistência de dois mundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação aos portugueses, falam de traços como a baixa auto-estima, o facto de sermos pouco auto-confiantes, de sermos afáveis no geral, embora os correspondentes de jornais e de órgãos de comunicação dos PALOP não refiram tanto esse lado da afabilidade. Isto, talvez, por fazerem reportagens das comunidades dos PALOP imigrantes em Portugal e de, portanto, não terem tanto essa noção. Também nos consideram um país muito ligado ao formalismo. Um dos correspondentes dizia “vocês são o país dos doutores e engenheiros”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IB: No livro fala do conceito da “temporalidade suspensa”, o que é isto em relação a Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;AL: Essa foi uma expressão que tentei arranjar para definir esta ideia do “tempo do suspenso”, que é uma característica importante que os correspondentes apontam. É a ideia de Portugal como o “país do mais ou menos”. No lançamento do livro um correspondente dizia “vocês são o único país que num convite para o lançamento de um livro dizem “esteja no Palácio Foz ‘pelas’ 18 horas e não ‘às’ 18 horas”. Há sempre um lado de “mais ou menos”, um bocadinho antes, um bocadinho depois. É sempre esta ideia de uma temporalidade um pouco dilatada, que depois tem efeitos práticos imensos: a questão dos atrasos crónicos, que deixam completamente os estrangeiros de cabelos em pé; o facto de demorarmos a decidir coisas; e de sempre aquela ideia do “até logo”, “logo se vê”. Tentei arranjar esta fórmula da temporalidade do suspenso para simbolizar todas estas ideias. Existe uma dificuldade de concretização e um adiamento das coisas, que é muito difícil. Mas, por outro lado, os correspondentes também falavam do reverso positivo disto, que é a importância do lazer, de “tomar o seu tempo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vivência de uma temporalidade dilatada faz com que haja “nuances”, que derivam na sensibilidade. A questão artística ressalta muito isto, a poesia, por exemplo. A sensibilidade que existe e que se sente em muitos portugueses, “os matizes do cinzento”, como um correspondente espanhol dizia. “Espanha é um país a preto e branco, ‘lo pillas ó lo matas”. Em Portugal não é tanto assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Aos Olhos do Mundo Portugal e os Portugueses Retratados por Correspondentes Estrangeiros” é um livro de Ana Luísa Rodrigues e está publicado pela Livros Horizonte. O lançamento foi no dia 13 de Março, no Palácio Foz.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh5YDzYK0Uwp68noOTvXL4uHRlTaYn41h0aIIAwL6xsXKsTvIWCKE2vJI4irk64yLuKtDlb9GFiKBYWk_2g1ytD-D2n1QkDm2HiatwRmDcmL3eKUT2xAGiAw3wsBg2H7UDyxjeiEMtGlp8/s1600-h/Lan%C3%A7amento+Livro..JPG&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh5YDzYK0Uwp68noOTvXL4uHRlTaYn41h0aIIAwL6xsXKsTvIWCKE2vJI4irk64yLuKtDlb9GFiKBYWk_2g1ytD-D2n1QkDm2HiatwRmDcmL3eKUT2xAGiAw3wsBg2H7UDyxjeiEMtGlp8/s400/Lan%C3%A7amento+Livro..JPG&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5181441609697821874&quot; /&gt;&lt;/a&gt;</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/03/entrevista-com-ana-lusa-rodrigues.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4rfeKNMj-SS_OYF1g626uEuJqkUvQkZDJO5EMvCAmk_KJWo9uQ3sL7yKcBrPsKjW0fWyQbxiy1MF-XrphQo7EcceX4EqxtHPxWO99cwY19EZft3AkfiYxtgUMOwKqcQAbgzckfEiUQRQ/s72-c/Livro.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-1944739356032400489</guid><pubDate>Fri, 14 Mar 2008 13:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-24T23:03:35.898+00:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Edit On Web</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Imprensa</category><title>É a Cultura, Estúpido!</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjX0e2sHXWdlFp_DsXiW3lTeF8xxH0Zn8CZf6CkIDVb-VV2KPKhr89H7jhG6i_3_8uW5bsQOm27cg0LNVKwpwwKGCkL-Ro72h3-jAoMfrQIDRrA4pS_M26LaH_RnN2J7DwZhz-A2V-ZmIE/s1600-h/IMG_0380.JPG&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjX0e2sHXWdlFp_DsXiW3lTeF8xxH0Zn8CZf6CkIDVb-VV2KPKhr89H7jhG6i_3_8uW5bsQOm27cg0LNVKwpwwKGCkL-Ro72h3-jAoMfrQIDRrA4pS_M26LaH_RnN2J7DwZhz-A2V-ZmIE/s400/IMG_0380.JPG&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5177582998224269202&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Notícia e fotografia de Inês Branco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://www.editonweb.com/Noticias/NoticiasDetalhe.aspx?nid=1608&amp;editoria=3&quot;&gt;Ler Notícia no Edit On Web&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É a Cultura Estúpido!, na Europa de Leste &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;É a Cultura, Estúpido!&quot; foi o nome escolhido para a série de tertúlias que se realiza no teatro São Luiz até Abril. Na última sessão, o debate foi dedicado à Europa de Leste. Moderados pelo jornalista Daniel Oliveira, Konstantin Yakolev, director do jornal &quot;Slovo&quot; com edição em Portugal, Branko Neskov, engenheiro de som, e Nina Guerra, tradutora de literatura russa, discutiram as facilidades e dificuldades de trabalhar na área da cultura em Portugal e reflectiram sobre a realidade dos imigrantes de Leste em Lisboa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, que realidade é esta que permite a existência de tantos jornais e rádios falados em russo? Quem responde é Konstantin Yakolev, fazendo uma comparação com Itália. Só na zona de Milão, existe uma comunidade de um milhão de pessoas oriundas de Leste e, nem por isso, o sucesso da implementação de jornais de língua russa foi maior que em Portugal. &quot;Este facto&quot; explica, &quot;deve-se à grande concentração de eslavos nas grandes cidades, como Lisboa. Vivem juntos e trabalham juntos&quot;. Quando o seu jornal surgiu, em 2001, veio colmatar a necessidade que estas pessoas tinham de ler em russo, &quot;estes imigrantes tinham fome da palavra russa&quot;, afirma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas será que existe mesmo uma comunidade? Nina Guerra desconfia, &quot;uma comunidade implica muita coisa, ajuda financeira, por exemplo. Não sei se existe. Mas, se existir, fico feliz&quot;. Nina pertence à &quot;comunidade antiga&quot;. Chegou a Portugal em 1990. Nessa época eram sobretudo mulheres casadas com portugueses que chegavam ao nosso país. &quot;Foi o meu caso. Não vim na onda da desgraça&quot;. Eram poucos e vinham por razões familiares. Mas, no fim dos anos 90, a situação começou a alterar-se com a chegada de novas vagas de imigração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, apesar da existência de muitos russos e ucranianos, as iniciativas culturais realizadas por estes imigrantes para os portugueses não são muitas. &quot;Praticam a cultura as pessoas que têm lazer e tempo livre&quot;, esclarece a tradutora. Não parece ser este o caso dos seus conterrâneos, para quem a vida, segundo Nina, é tudo menos fácil. &quot;A imigração não permite dispor de si. Exprimir os seus gostos. É luta pela sobrevivência de cada dia&quot;. Mesmo sendo casada com um português, viveu os três primeiros anos em situação ilegal, &quot;eu passei um bocado até me endireitar&quot;, confessa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conjuntura económica do país também não parece ajudar, &quot;os imigrantes têm sempre mais dificuldades que os nacionais, mas se a situação do país é má, a situação daqueles ainda se torna mais difícil&quot;. Ter de lidar com a burocracia de dois países é outro dos problemas, &quot;quando se chega a casa e só se tem vontade de dormir, enquanto a preocupação é com a papelada, então não há força e perde-se o hábito de procurar a cultura&quot;. Com todos os defeitos da União Soviética, diz-nos Nina, havia o gosto pela leitura e pela cultura. Embora considere o trabalho das associações e da imprensa importante, &quot;ainda é preciso dar mais facilidades aos imigrantes&quot;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Branko Neskov não partilha desta visão tão negra. Vê a situação de outro ângulo, &quot;deixar o nosso país é bastante mau, mas quando se encontra outro local para viver, já é um pouco melhor&quot;. No entanto, para ele, Portugal não está preparado para receber. &quot;Em 90, 92 éramos raros e, como qualquer coisa rara, fomos tratados com carinho, mas agora é diferente, com as grandes vagas de imigração&quot;. Quanto à existência de uma comunidade, o seu sentimento é de que de facto existe, &quot; temos já uma ideia muito clara de perfis de imigrantes. A própria existência de um jornal implica ter de existir uma comunidade que o lê&quot;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este sérvio, engenheiro de som, chegou a Portugal também no início dos anos 90, deixando para trás um país (Jugoslávia) desfeito em muitos outros países. &quot;Fui impedido de trabalhar. Precisava de passaporte para viajar dentro do meu antigo país&quot;. A Alemanha foi a sua primeira opção, mas a frieza do clima e das gentes, fizeram-no escolher Portugal, &quot;depois de toda aquela confusão, só queria um local mais calmo&quot;. Veio encontrar essa calma aqui, mas não só. Encontrou também a oportunidade que lhe permitiu permanecer. &quot;O cinema que se fazia em Portugal na época era uma actividade artesanal, exercida num circuito muito fechado, em que os amigos se ajudavam&quot;. Não foi pois difícil descobrir lacunas &quot;não existiam estruturas de pós-produção, o que me permitiu participar na sua criação&quot;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao cinema português, mantém características que o distinguem do sérvio. &quot;Em Portugal o cinema descreve um estado de espírito. Na Sérvia tenta descrever uma história&quot;. Do cinema sérvio pensa que se conhece pouco em Portugal. &quot;Está limitado a Kusturica&quot;. Apesar daquilo que o fez deixar a Sérvia, continua a manter o contacto, &quot;faço um ou dois filmes por ano. A este nível a amizade não foi quebrada&quot;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não só ele mantém o contacto com a sua cidade natal. Nina deixou uma Moscovo em que, depois de Gorbachev, &quot;parecia que tudo era liberdade&quot;, para voltar só passados dez anos. &quot;Parecia-me outro país. Muita coisa tinha mudado. No meu tempo procurava-se literatura de qualidade. Os livrinhos baratos para aprender inglês deitavam-se fora&quot;. Chegou a pensar que a literatura de massas iria destruir a cultura adquirida ao longo de gerações. Hoje, não só se voltou a ler literatura de qualidade, como noutras áreas culturais o panorama é também animador &quot;os teatros e cinemas de Moscovo e São Petersburgo estão cheios! Há muita produção de coisas novas. Às vezes é difícil, mas a cultura continua&quot;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o dinamismo cultural nas duas maiores cidades russas, que chega a contrastar com o que se passa no resto do seu país, a admira, ainda assim lhes levava o exemplo português no que respeita ao teatro. Considera que o há de melhor em Portugal está no teatro Meridional, Cornucópia e Artistas Unidos e, se pudesse oferecer algo de concreto, mostrava as encenações que Luís Miguel Cintra faz dos autores russos. Quanto a estes mesmos, embora os clássicos sejam os mais traduzidos, devido sobretudo a que já não exigem o pagamento de direitos de autores, há muitos novos a surgir, mas que ainda não são conhecidos por cá. &quot;É difícil fazer com que as pessoas comprem livros de autores desconhecidos&quot;. Ainda assim, deixa-nos a sugestão &quot;Ivan Búnin é muito bom!&quot;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta tertúlia inseriu-se no Ciclo Outras Lisboa, por ocasião do Ano Europeu do Diálogo Intercultural, a decorrer no São Luís Teatro Municipal até 28 de Abril.</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/03/cultura-estpido.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjX0e2sHXWdlFp_DsXiW3lTeF8xxH0Zn8CZf6CkIDVb-VV2KPKhr89H7jhG6i_3_8uW5bsQOm27cg0LNVKwpwwKGCkL-Ro72h3-jAoMfrQIDRrA4pS_M26LaH_RnN2J7DwZhz-A2V-ZmIE/s72-c/IMG_0380.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-1071086710933084232</guid><pubDate>Wed, 05 Mar 2008 12:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-08T15:18:58.025+00:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">AEDI</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Edit On Web</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Imprensa</category><title>Lançamento do Ano Europeu do Diálogo Intercultural (AEDI 2008)</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgOTTe570EyAgQ19KHm5dQEMBaSVPCND51C8SZAEyNJd_R32HbOfJn6J-nWhMOyiLWPKBOeTB50RTTy24VP5d-oVKI9ptvGHTVgVy79LOfVo3jonyS0xMADZLTuZjz47Cc92evcIu8GjhQ/s1600-h/IMG_0369.JPG&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgOTTe570EyAgQ19KHm5dQEMBaSVPCND51C8SZAEyNJd_R32HbOfJn6J-nWhMOyiLWPKBOeTB50RTTy24VP5d-oVKI9ptvGHTVgVy79LOfVo3jonyS0xMADZLTuZjz47Cc92evcIu8GjhQ/s400/IMG_0369.JPG&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5174235343063912834&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fotografia e notícia de Inês Branco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi oficialmente lançado em Portugal, no dia 27 de Fevereiro, o Ano Europeu do Diálogo Intercultural (AEDI 2008). O evento de abertura realizou-se no Museu de Etnologia, em Lisboa, e contou com a presença da Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, Rosário Farmhouse, do Ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, e do Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Alta Comissária fez um enquadramento do ano, focando os objectivos, a estratégia e o programa nacional. Rosário Farmhouse forneceu uma visão do contexto actual de Portugal: “com uma longa história de país de emigrantes, um terço da população de origem portuguesa vive emigrada e espalhada pelo mundo e, no final do séc. XX tornou-se também país de acolhimento de imigrantes. Hoje, populações de diferentes nacionalidades constituem já 4,2% da população residente em Portugal”, explicando que este mesmo contexto “exige da sociedade portuguesa o desenvolvimento de uma política de acolhimento e integração de imigrantes mais consistente, acompanhada pela consolidação de políticas de acolhimento e integração, que se reflictam quer em princípios políticos gerais, quer em iniciativas legislativas, quer ainda em respostas operacionais muito concretas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final da sua intervenção lançou o repto a todos os presentes para que “festejemos juntos a nossa diversidade” e relembrou a célebre frase de Fernando Pessoa que serve de “slogan” português ao AEDI 2008, “ser plural como o universo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ministro da Cultura salientou a importância da língua no diálogo entre culturas, “cultura é identidade e, sobretudo, língua. É através dela que contactamos com o outro e que definimos a forma como pensamos. Somos portugueses falantes e, por isso, temos uma identidade própria”. Acrescentando ao vector “língua”, o vector “identidade”, e a necessidade de nos abrirmos ao outro através das artes, Pinto Ribeiro, manifestou o seu desejo: “gostava de apoiar e estimular todas as formas de arte. O que desejo é que todas as associações, organizações e pessoas contribuam para estes três veículos e, assim, para este diálogo intercultural”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fechar o lançamento, Pedro Silva Pereira marcou o desafio da paz como central no mundo de hoje “não é um desafio qualquer e está inteiramente ligado ao diálogo intercultural”. Não só para a Europa como um todo, mas para Portugal “é um desafio que nos tornemos numa multiplicação de sociedades de acolhimento, sobretudo, se quisermos que sejam suficientemente justas, coesas e tolerantes”. Não obstante o facto de o desafio do diálogo intercultural não ser apenas o de integração de imigrantes, o Ministro da Presidência afirmou que “passa muito por aí”. De tal forma, que foi inscrito na própria sigla do ACIDI o Diálogo Intercultural, que simboliza a “valorização da tolerância, da diversidade religiosa e do combate à discriminação, racismo e xenofobia”. Apesar de vivermos hoje num clima de paz social “é necessário vigilância e intervenção junto das consciências e dos valores da nossa sociedade, para não deixar irromper o racismo e a xenofobia”, sublinhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este dia serviu também para dar a conhecer o sítio do AEDI 2008 (www.aedi2008), onde poderá ser encontrada a agenda para o ano e onde todos os cidadãos poderão entrar em contacto com a organização (aedi@acidi.gov.pt).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://www.editonweb.com/Noticias/NoticiasDetalhe.aspx?nid=1596&amp;editoria=17&quot;&gt;Ler Notícia no Edit On Web&lt;/a&gt;</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/03/lanamento-do-ano-europeu-do-dilogo.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgOTTe570EyAgQ19KHm5dQEMBaSVPCND51C8SZAEyNJd_R32HbOfJn6J-nWhMOyiLWPKBOeTB50RTTy24VP5d-oVKI9ptvGHTVgVy79LOfVo3jonyS0xMADZLTuZjz47Cc92evcIu8GjhQ/s72-c/IMG_0369.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-7048087002136298078</guid><pubDate>Wed, 27 Feb 2008 03:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-05T23:00:08.915+00:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Edit On Web</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Gastronomia Molecular</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Imprensa</category><title>Gastronomia ou Experiência Científica</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjy-WhHyvC94YtDReW9__n6DDAqvfEPCuCfWSvXyqDuzs444PxhKNkkZK7rV-Enpv3TgfYyMVqVnyS2EX7mqGwSnusWGiVKJ-r54dqsEyX2Jlc4S0a4MRQJyuhtE3xzTpXmrnBzoVZoWko/s1600-h/Foto_Gelatina.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjy-WhHyvC94YtDReW9__n6DDAqvfEPCuCfWSvXyqDuzs444PxhKNkkZK7rV-Enpv3TgfYyMVqVnyS2EX7mqGwSnusWGiVKJ-r54dqsEyX2Jlc4S0a4MRQJyuhtE3xzTpXmrnBzoVZoWko/s400/Foto_Gelatina.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5171492305619594786&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Reportagem de Inês Branco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://www.editonweb.com/Noticias/NoticiasDetalhe.aspx?nid=1557&amp;editoria=10&quot;&gt;Reportagem no Edit On Web&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2007/08/gastronomia-molecular-reportagem.html&quot;&gt;Reportagem no blogue&lt;/a&gt;</description><link>http://dezminutosdeconversa.blogspot.com/2008/02/gastronomia-ou-experincia-cientfica.html</link><author>noreply@blogger.com (Inês Branco)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjy-WhHyvC94YtDReW9__n6DDAqvfEPCuCfWSvXyqDuzs444PxhKNkkZK7rV-Enpv3TgfYyMVqVnyS2EX7mqGwSnusWGiVKJ-r54dqsEyX2Jlc4S0a4MRQJyuhtE3xzTpXmrnBzoVZoWko/s72-c/Foto_Gelatina.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7318761615240253340.post-3449164974898429572</guid><pubDate>Tue, 26 Feb 2008 23:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-05T23:01:57.324+00:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Programa &quot;Nós&quot;</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Televisão</category><title>Notícia Dicionário Online Caboverdiano</title><description>&lt;object width=&quot;425&quot; 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