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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/atom10full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" gd:etag="W/&quot;DkQNRX88fCp7ImA9WhRaEk4.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343</id><updated>2012-02-15T05:46:34.174+14:00</updated><category term="sexo" /><category term="religião" /><category term="eduardo galeano" /><category term="reflexões" /><category term="arcanjos" /><category term="ugra press" /><category term="solidão" /><category term="línguas" /><category term="arquitetura" /><category term="música" /><category term="Deus" /><category term="fotos" /><category term="literatura norte-americana" /><category term="fixação" /><category term="cartas" /><category term="política" /><category term="erotismo" /><category term="mitológicas" /><category term="literatura" /><category term="shazulla" /><category term="história" /><category term="filosofia" /><category term="literatura brasileira" /><category term="mulheres" /><category term="insônia" /><category term="tudo o que é grande se constrói sobre mágoa" /><category term="tradução" /><category term="Frithjof Schuon" /><category term="vídeos" /><category term="literatura latino-americana" /><category term="romance" /><category term="poesia" /><category term="literatura portuguesa" /><category term="imagens" /><category term="modernidade" /><category term="sonhos" /><category term="cidade" /><category term="metafísica" /><category term="amor" /><category term="artes plásticas" /><category term="histórias de amantes" /><category term="paixão" /><category term="relacionamentos difíceis" /><category term="mercado editorial" /><category term="viagens" /><category term="alexander dugin" /><category term="teatro" /><category term="rotina" /><category term="dostoiévski" /><category term="literatura russa" /><category term="cinema" /><category term="HQ" /><category term="tradição" /><category term="drogas" /><category term="conspiração" /><category term="são paulo" /><category term="Lúcifer" /><title>Dissolve Coagula</title><subtitle type="html" /><link rel="http://schemas.google.com/g/2005#feed" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/posts/default" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/" /><link rel="next" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false&amp;v=2" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><generator version="7.00" uri="http://www.blogger.com">Blogger</generator><openSearch:totalResults>162</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/atom+xml" href="http://feeds.feedburner.com/DissolveCoagula" /><feedburner:info uri="dissolvecoagula" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><feedburner:emailServiceId>DissolveCoagula</feedburner:emailServiceId><feedburner:feedburnerHostname>http://feedburner.google.com</feedburner:feedburnerHostname><entry gd:etag="W/&quot;CU8ERns5fSp7ImA9WhRbFkg.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-3204942458882503227</id><published>2012-02-08T12:30:00.000+14:00</published><updated>2012-02-08T12:30:07.525+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-08T12:30:07.525+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="filosofia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="tradição" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Frithjof Schuon" /><title>O trabalhador, por Frithjof Schuon</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-yLFev0up_nI/TzGlXSJVy0I/AAAAAAAAAwE/7uP7JKvhpx8/s1600/fs.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-yLFev0up_nI/TzGlXSJVy0I/AAAAAAAAAwE/7uP7JKvhpx8/s400/fs.jpg" width="287" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;"Como definir a posição ou a qualidade do trabalhador moderno? Responderemos em primeiro lugar que o "mundo do trabalhador" é uma criação totalmente artificial, devida à máquina e à vulgarização científica que a esta se liga; dito de outro modo, a máquina cria infalivelmente o tipo humano artificial que é o "proletário" ou, antes, ela cria um "proletariado", pois se trata, em tal caso, essencialmente de uma coletividade quantitativa e não de uma "casta" natural, ou seja, que tivesse seu fundamento em determinada natureza individual. Se se pudesse suprimir as máquinas e reintroduzir o antigo artesanato, com todos os seus aspectos de arte e de dignidade, o "problema do trabalhador" deixaria de existir; isto vale mesmo para as funções puramente servis ou para os ofícios mais ou menos quantitativos, pela simples razão de que a máquina é inumana e anti-espiritual em si. A máquina mata, não somente a alma do trabalhador, mas a alma enquanto tal, portanto também a do explorador: o par explorador-trabalhador é inseparável do maquinismo, pois o artesanato impede esta alternativa grosseira por sua própria qualidade humana e espiritual. &lt;b&gt;O universo maquinista é acima de tudo o triunfo da ferragem pesada e dissimulada; é a vitória do metal sobre a madeira, da matéria sobre o homem, da astúcia sobre a inteligência&lt;/b&gt;; expressões tais como "massa", "bloco", "choque", tão frequentes no vocabulário do homem industrializado, são totalmente significativas para um mundo que está mais perto dos insetos do que dos humanos. &lt;b&gt;Não há nada de surpreendente no fato de que o "mundo do trabalhador", com sua psicologia "maquinista-cientificista-materialista" seja particularmente impermeável às realidades espirituais, pois ele pressupõe uma "realidade ambiente" totalmente artificial: ele exige máquinas, portanto metal, ruídos, forças ocultas e pérfidas, uma ambiência de pesadelo, do vaivém ininteligível, numa palavra, uma vida de insetos na feiúra e na trivialidade; &lt;/b&gt;no interior de tal mundo, ou antes de tal "cenário", a realidade espiritual parecerá uma ilusão patente ou um luxo desprezível. E não importa qual ambiência tradicional, ao contrário, é a problemática do "trabalhador" — portanto maquinista — que não teria mais nenhuma força persuasiva; para torná-la verossímil é preciso portanto começar por criar um mundo de bastidores que lhe corresponda e cujas próprias formas sugerem a ausência de Deus; o Céu deve ser inverossímil; falar de Deus deve soar falso."&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Trecho extraído do livro "O Sentido das Raças" de Frithjof Schuon (1907-1998), principal porta-voz da Escola Perenialista. Sua obra permanece como uma das mais profundas incursões no estudo comparativo entre as religiões ocidentais e orientais, em busca (não apenas intelectual) de uma "verdade essencial" presente em todas as formas reveladas.As partes grifadas são minhas e eu encontrei esse trecho publicado &lt;a href="http://www.veraphilosophia.com/2012/02/voltando-ao-tema-da-arte-ou-melhor-das.html"&gt;nesse site.&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-3204942458882503227?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/3204942458882503227/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2012/02/o-trabalhador-por-frithjof-schuon.html#comment-form" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/3204942458882503227?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/3204942458882503227?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/6wnBVWvZjV8/o-trabalhador-por-frithjof-schuon.html" title="O trabalhador, por Frithjof Schuon" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-yLFev0up_nI/TzGlXSJVy0I/AAAAAAAAAwE/7uP7JKvhpx8/s72-c/fs.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2012/02/o-trabalhador-por-frithjof-schuon.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;A08BRX05fyp7ImA9WhRbFUw.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-5509528203045829276</id><published>2012-02-06T23:17:00.003+14:00</published><updated>2012-02-06T23:17:34.327+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-06T23:17:34.327+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="ugra press" /><title>II Ugra Zine Fest</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Já reserve na sua agenda: dias 9 e 10 de março acontecerá em São Paulo a segunda edição do Ugra Zine Fest.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Veja o &lt;a href="http://uzf2012.wordpress.com/"&gt;blog especial do evento.&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O evento organizado pela Ugra Press é uma verdadeira overdose de atividades ligadas ao universo dos fanzines e das publicações alternativas. Oficinas, palestras, vídeos, exposições e muito mais, e nesse ano com a presença de caras como o quadrinista Marcatti e o agitador Nenê Altro.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-cqlqfBdE954/Ty-aTcvkx0I/AAAAAAAAAv8/fJ30SjDPIWk/s1600/poster_net.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://4.bp.blogspot.com/-cqlqfBdE954/Ty-aTcvkx0I/AAAAAAAAAv8/fJ30SjDPIWk/s640/poster_net.jpg" width="451" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-5509528203045829276?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/5509528203045829276/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2012/02/ii-ugra-zine-fest.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/5509528203045829276?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/5509528203045829276?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/c0pLW7wDP3Y/ii-ugra-zine-fest.html" title="II Ugra Zine Fest" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-cqlqfBdE954/Ty-aTcvkx0I/AAAAAAAAAv8/fJ30SjDPIWk/s72-c/poster_net.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2012/02/ii-ugra-zine-fest.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;D0IMSX4zeSp7ImA9WhRUF00.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-8282102471215762480</id><published>2012-01-28T13:04:00.000+14:00</published><updated>2012-01-28T13:06:28.081+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-28T13:06:28.081+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="tudo o que é grande se constrói sobre mágoa" /><title>Entrevista no site Monophono</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-5HZ2lNH4db8/TyMsXHRr_kI/AAAAAAAAAvg/w4WKr2mjNEA/s1600/monophono.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="227" src="http://3.bp.blogspot.com/-5HZ2lNH4db8/TyMsXHRr_kI/AAAAAAAAAvg/w4WKr2mjNEA/s400/monophono.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Fui entrevistado pelo Alexandre Bury, camarada de velha data, para o site &lt;a href="http://monophono.com.br/2012/01/27/leandro-ex-life-is-a-lie-lanca-livro-de-estreia/"&gt;Monophono.&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Agradecimentos mais do que agradecidos ao Bury, que sempre apoiou o trabalho do Life is a Lie e, agora, ajudou a divulgar o meu primeiro livro.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Eis o link&amp;nbsp;&lt;a href="http://monophono.com.br/2012/01/27/leandro-ex-life-is-a-lie-lanca-livro-de-estreia/"&gt;http://monophono.com.br/2012/01/27/leandro-ex-life-is-a-lie-lanca-livro-de-estreia/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Restam pouquíssimas cópias do livro com a Ugra Press. Da última vez que fui no QG da Ugra, acho que faltavam uns quinze exemplares. Portanto, se você tiver interesse em ter sua cópia, entre em contato o quanto antes pelo e-mail &lt;a href="mailto:ugra.press@gmail.com"&gt;ugra.press@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-8282102471215762480?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/8282102471215762480/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2012/01/entrevista-no-site-monophono.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/8282102471215762480?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/8282102471215762480?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/RTfP55ZqRao/entrevista-no-site-monophono.html" title="Entrevista no site Monophono" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-5HZ2lNH4db8/TyMsXHRr_kI/AAAAAAAAAvg/w4WKr2mjNEA/s72-c/monophono.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2012/01/entrevista-no-site-monophono.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;C0YGSHw8eCp7ImA9WhRVGUU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-5007518735296202098</id><published>2012-01-20T03:52:00.001+14:00</published><updated>2012-01-20T03:52:09.270+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-20T03:52:09.270+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="arcanjos" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="conspiração" /><title>Estranhos sons vindos do céu</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/--GxEskHeYps/TxgeVm9FjlI/AAAAAAAAAvM/UBneFZ4e7mE/s1600/arcanjo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="235" src="http://3.bp.blogspot.com/--GxEskHeYps/TxgeVm9FjlI/AAAAAAAAAvM/UBneFZ4e7mE/s400/arcanjo.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Um sujeito que tem uma obsessão por sons vindos do céu criou um blog e você se pega lendo-o compulsivamente após sua namorada enviar o link dele de forma absolutamente descompromissada.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Você fica lendo o blog, assistindo aos vídeos e temendo-babando por tudo aquilo que vê, com uma nuvem de interrogações voando em cima da cabeça. Logo depois você sai de casa com sua câmera digital na mochila, ansioso para ter a sorte de captar algo parecido, em algum dia em que o Senhor te presentear com essa dádiva - e então nasceu mais um perturbado perseguidor de &lt;a href="http://strangesoundsinthesky.com/"&gt;estranhos sons vindos do céu.&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Trombetas dos arcanjos anunciando o início do fim? Ou &lt;a href="http://www.tecmundo.com.br/8018-haarp-o-projeto-militar-dos-eua-que-pode-ser-uma-arma-geofisica.htm"&gt;conseqüências do HAARP&lt;/a&gt; e suas potencialidades desconhecidas? Eu fico com os arcanjos quando estou querendo fantasia e com o HAARP quando quero brincar de teoria da conspiração. E durante o resto do tempo, fico lendo o blog mais legal que conheci nesse 2012, o último ano de nossas vidas.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;a href="http://strangesoundsinthesky.com/"&gt;http://strangesoundsinthesky.com/&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-5007518735296202098?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/5007518735296202098/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2012/01/estranhos-sons-vindos-do-ceu.html#comment-form" title="5 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/5007518735296202098?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/5007518735296202098?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/DCptCUXG7FE/estranhos-sons-vindos-do-ceu.html" title="Estranhos sons vindos do céu" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/--GxEskHeYps/TxgeVm9FjlI/AAAAAAAAAvM/UBneFZ4e7mE/s72-c/arcanjo.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>5</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2012/01/estranhos-sons-vindos-do-ceu.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkcMR3o7fip7ImA9WhRUFE8.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-6578325534998971641</id><published>2012-01-16T15:52:00.002+14:00</published><updated>2012-01-25T06:54:46.406+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-25T06:54:46.406+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="música" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="religião" /><title>Hinos da The Process Church of the Final Judgement</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-KFq4y9rpTPU/TxN_iH45boI/AAAAAAAAAuw/B-n8jdidIHM/s1600/process+altar.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="275" src="http://4.bp.blogspot.com/-KFq4y9rpTPU/TxN_iH45boI/AAAAAAAAAuw/B-n8jdidIHM/s400/process+altar.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Lançado em 2010 através de uma parceria entre a casa editorial &lt;a href="http://feralhouse.com/"&gt;Feral House&lt;/a&gt; e o sêlo de occult black metal &lt;a href="http://www.theajnaoffensive.com/"&gt;Ajna&lt;/a&gt;, &lt;i&gt;Restored to One&lt;/i&gt;&amp;nbsp;é o disco do &lt;b&gt;Sabbath Assembly&lt;/b&gt; que apresenta versões do hinos rituais de um dos cultos mais controversos dos últimos anos, a The Process Church of the Final Judgement.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Agora um pouco de história.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
The Process, como é mais conhecida, nasceu nos anos 1960 na Inglaterra, pelo enigmático casal Mary Anne e Robert DeGrimston. Em poucos anos, espalhou-se por outros países europeus e alcançou os Estados Unidos durante a década de 70. Sua teologia sustenta que há Três Grandes Deuses no Universo: Jeová, Lúcifer e Satã, sendo Cristo seu mensageiro. Aproximando-se das teorias junguianas, assim DeGrimston os descreve no início de seu livro &lt;i&gt;The Gods and their people:&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class="tr_bq" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;Conscientemente ou não, apaticamente, entusiastica ou fanaticamente, sob incontáveis outros nomes pelos quais nós os conhecemos, e sob numerosos disfarces e descrições, os homens seguiram os Três Grandes Deuses desde o início da Criação. Cada um de acordo com sua natureza.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;blockquote class="tr_bq" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;Pois os Três Grandes Deuses representam os três padrões humanos básicos da realidade. Dentro do panorama de cada um desses padrões há incontáveis variações e permutações, com variadíssimos graus de presença e intensidade. No entanto, cada um representa um problema fundamental, uma força motriz de raízes profundas, uma coleção de instintos e desejos, terrores e revulsões.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Acreditavam que o amor era o elemento fundamental que faria com que a Criação se consumasse, através da reconciliação entre Satã e Cristo - reconciliação que ocorreria no Dia do Juízo Final, quando "Jesus julgaria, e Satã executaria o Julgamento". Ou como era dito nas cerimônias da The Process, denominadas "Sabbath Assembly":&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class="tr_bq" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;Pure Love, descended from the Pinnacle of Heaven, united withe Pure Hatred raised from the Depths of Hell&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A atração e repercussão gerada pela The Process no ambiente cultural underground durante os anos 70 não é de se ignorar. Inúmeras publicações trataram de dar conta desse culto, ligando-o, como é de se esperar por parte de certo jornalismo, a sacrifícios humanos, adoração do demônio, etc. Soma-se ainda à mitologia da The Process o fato de que o proscrito Charles Manson publicou uma carta na revista que mantinham, e justamente no exemplar chamado &lt;i&gt;Death, &lt;/i&gt;como meio que antecipando os acontecimentos com Sharon Tate. Contudo, foi na revista Apocalypse Culture #1 que encontrei a declaração mais interessante sobre a The Processe, por partir de um sujeito que teve a &amp;nbsp;oportunidade de presenciar alguns de seus Sabbath Assembly em Chicago, durante os anos 70: trata-se de Rober N. Taylor, criador do grupo folk Changes. Eis como ele resume sua experiência:&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class="tr_bq" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;Certamente, grande parte da minha atração para a The Process estava em minha busca por algo que estivesse além da atmosfera melancólica que a tecnologia e a burocracia tinham imposto a nossas vidas. Ecologia ainda não era um slogan atrativo para yuppies materialistas, &amp;nbsp;ativistas de internet e relatórios trimestrais de acionistas de multinacionais. Nós sentíamos &amp;nbsp;todo o peso de uma era deturpada em que slogans publicitários tomavam o lugar da poesia, acordos contratuais substituiam o amor, e o televangelismo crescia mascarado como espiritualidade. E ao contrário do traje alienígena e decadente dos gurus do Oriente, a The Process tinha um aspecto exterior tipicamente ocidental, neo-gótico: longos cabelos aparados na altura do ombro, barba igualmente comprida, todos eles vestindo capas de mágicos e todos vestindo uniformes pretos.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-EBjcmUWgujw/TxN_j5xvhuI/AAAAAAAAAu4/DSUSCOP-TPo/s1600/process.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-EBjcmUWgujw/TxN_j5xvhuI/AAAAAAAAAu4/DSUSCOP-TPo/s320/process.jpg" width="216" /&gt;&lt;/a&gt;Era um vácuo que a The Process preenchia para aqueles que buscavam uma espiritualidade radical, mas sem o pacote exótico que vinha do Oriente, figurado na explosão do movimento Hare Krishna. E os seus elementos mitológicos, buscados na tradição ocidental, deve ter facilitado a sua absorção por certos setores juvenis, especialmente aqueles intoxicados pelo LSD.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Nessa &lt;a href="http://www.vice.com/read/wade-in-the-dark-water-466-v17n6"&gt;entrevista da Vice,&lt;/a&gt; a bela Jex Thoth diz que em uma das apresentações do Sabbath Assembly antigos membros da The Process compareceram, e todos opinaram que as versões modernas dos hinos não tem nenhuma semelhança com as originais. Também pudera: já se vão 40 anos desde que foram criados. Além disso, os cânticos eram sobretudo entoados &lt;i&gt;a capella - &lt;/i&gt;enquanto que na gravação atual há instrumentos musicais tradicionais, como guitarra e bateria.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Todavia, algo é inegável: a atmosfera mística que os músicos conseguiram reproduzir. Com uma sonoridade que não deixa dúvidas de sua escola setentista, as canções de &lt;i&gt;Restored to One &lt;/i&gt;são um convite para uma apreciação estética de sons &lt;i&gt;que não são deste mundo&lt;/i&gt;, que estão na contramão do lodo vulgar que domina a produção musical contemporânea. Sua loucura e demência estão na exata proporção de sua autenticidade, e isso é mais válido do que qualquer hype que bomba na MTV ou na desgraçada cena underground de uma cidade qualquer.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O CD contém nove músicas, ou melhor, hinos, que foram descobertos em um livreto que contem mais de sessenta. É provável que no futuro novos sejam regravados.&amp;nbsp;O CD, além da versão pela Ajna, também acompanha o livro&amp;nbsp;&lt;i&gt;Love Sex Fear Death: The Inside Story of The Process Church of The Final Judgment, &lt;/i&gt;que foi &lt;a href="http://feralhouse.com/propaganda-and-holy-writ-of-the-process-church-of-the-final-judgment/"&gt;lançado pela Feral House&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Duas canções do álbum para finalizar. Minha preferida é &lt;i&gt;Judge of Mankind.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="300" src="http://www.youtube.com/embed/z6qGPrT2KpY" width="500"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;
&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="300" src="http://www.youtube.com/embed/mVg4mprby2I" width="500"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-6578325534998971641?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/6578325534998971641/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2012/01/hinos-da-process-church-of-final.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/6578325534998971641?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/6578325534998971641?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/LJ790IOaKrc/hinos-da-process-church-of-final.html" title="Hinos da The Process Church of the Final Judgement" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-KFq4y9rpTPU/TxN_iH45boI/AAAAAAAAAuw/B-n8jdidIHM/s72-c/process+altar.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2012/01/hinos-da-process-church-of-final.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DEUBSX07eSp7ImA9WhRVGUw.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-3765147097355579145</id><published>2012-01-15T14:06:00.001+14:00</published><updated>2012-01-19T09:50:58.301+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-19T09:50:58.301+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="são paulo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="cidade" /><title>A pressa paulistana</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-puLNTI7QWv0/TxIX7uwJiKI/AAAAAAAAAuo/nDxBQDkIN-8/s1600/Tx+82+Acelerado.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="265" src="http://3.bp.blogspot.com/-puLNTI7QWv0/TxIX7uwJiKI/AAAAAAAAAuo/nDxBQDkIN-8/s400/Tx+82+Acelerado.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
São Paulo: a maior cidade do
hemisfério sul, a capital da locomotiva bandeirante do Brasil, a desordenada
aglomeração urbana que conjuga todas as contradições do horror chamado Brasil
em versões cruas e sanguinárias.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="text-align: justify;"&gt;Cidade acelerada, que não tolera a
vagarosidade dos velhos e aleijados, dos distraídos e confusos.&amp;nbsp; Cidade cujas escadas rolantes são mais
rápidas do que em qualquer outra cidade. Sim, elas têm velocidades variáveis e
em São Paulo &amp;nbsp;são programadas para a
máxima aceleração. Nada deve ser lento em São Paulo, sob pena de ser vítima do
ódio do paulistano, esse tipo que ama a pressa e coloca a velocidade no altar
de seus afetos mais caros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Velocidade onipresente que se
choca com uma frota de veículos incompatível com o tamanho de suas ruas e
avenidas – todas elas congestionadas, cinzas, dominadas pela tensão de
motoristas dispostos a matar por espaço. Velocidade que domina também os pedestres,
que se empurram e se trombam já sem nenhum pedido de desculpas, acostumados com
a pressa que dita o ritmo de seus passos mal-humorados – e então correm na
frente dos carros, desafiam os faróis vermelhos para chegar mais rápido do
outro lado de uma avenida qualquer, serpenteiam entre as multidões na ânsia de
chegar mais rápido, seja lá para onde estejam indo.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
O efeito dessa aceleração: todos
em São Paulo estão atrasados, ansiosos, perdidos. Morrem de tédio se não têm compromissos,
agitam-se nos dias de folga, ficam deprimidos quando estão de férias. Precisam
de aceleração o tempo todo, da sensação esmagadora dos ponteiros do relógio
berrando qual será a próxima tarefa a ser cumprida. &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Se vai jantar fora, o paulistano
sente horror se o garçom demora dois minutos para trazer o cardápio.
Aborrecido, reclama que o prato principal vai chegar muito depois de degustada
as entradas. Depois, vai vociferar ainda um pouco mais, ante o congestionamento inusitado nesse sábado à noite deslumbrante.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Não é inusitado: há anos que
filas imensas de carros já são parte da paisagem noturna de São Paulo. Mesmo
nos finais de semana. É como se a cidade dissesse para todos: vocês não vão
conseguir ficar livres da pressão. Da tormenta. Da necessidade de ir rápido para
algum lugar. Vocês serão para sempre acelerados.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Para sempre correndo e sem nem
saber o porquê.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
O paulistano sente orgulho de sua
pressa. Sente orgulho de seus engarrafamentos. Sente orgulho de seu metrô e de
suas escadas rolantes que giram mais rápido. Paulistanamente crê que o mundo
todo é assim, porque o mundo do paulistano é esse desastre chamado São Paulo.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Esse belo e interessantíssimo
desastre abençoado pela Santa Aceleração.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Lembro-me de quantas vezes tive que
fazer o amor – oh desgraça de vida – olhando para o relógio, pensando que daqui
a X minutos teria que sair e ir trabalhar e encontrar pessoas no caminho e
trombar nelas e sentar e esperar e almoçar e trabalhar e voltar para casa e
enfim fazer o amor como se deve, sem a pressa de um relógio, apenas com a
ofegante respiração de minha mulher ditando o ritmo das coisas. Quantos devem
ser aqueles que amam com pressa em São Paulo, tencionando o que virá depois – o
cigarro, a ida ao banheiro, o sono enfim após o dever matrimonial cumprido? A
vida amorosa dos outros é rigorosamente um problema que não me pertence, e com
certeza não apenas em São Paulo mas em todas as outras cidades do mundo o amor deve
ser feito assim, às pressas e como qualquer outro ato cotidiano – mas quando
vejo aquelas multidões de seres acelerados se empurrando e correndo e incapazes
de pensar sobre o que os motiva a ser assim tão acelerados, não consigo deixar
de pensar sobre que tipo de amor eles fazem, como viverão quando, enfim,
nenhuma pressa precise existir. &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Ou talvez não exista uma vida sem
pressa para aqueles que moram em cidades como São Paulo. Marcados pelo signo da
Aceleração, só assim se relacionam com o mundo: aos trancos e solavancos,
pensando agora no que farão depois. É comum ver paulistanos falando que, após
um final de semana em um sítio, sentem uma vontade incrível de retornar para o
caos de suas avenidas e congestionamentos. Viciados em rapidez. Dependentes da
velocidade. &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Nem o mais exaltado futurista
imaginaria pessoas como esses paulistanos.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;script type="text/javascript"&gt;
&lt;!--
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&lt;/script&gt;
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&lt;/script&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-3765147097355579145?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/3765147097355579145/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2012/01/pressa-paulistana.html#comment-form" title="5 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/3765147097355579145?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/3765147097355579145?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/owmVxwsWMrA/pressa-paulistana.html" title="A pressa paulistana" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-puLNTI7QWv0/TxIX7uwJiKI/AAAAAAAAAuo/nDxBQDkIN-8/s72-c/Tx+82+Acelerado.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>5</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2012/01/pressa-paulistana.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CU8MRHk6eyp7ImA9WhRVFEg.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-4872024745409805605</id><published>2012-01-14T01:24:00.000+14:00</published><updated>2012-01-14T01:24:45.713+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-14T01:24:45.713+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="literatura" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="ugra press" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="tudo o que é grande se constrói sobre mágoa" /><title>"Tudo o que é grande se constrói sobre mágoa" disponível no site da Ugra Press</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-RtOR9P57Uv4/TxAUHC2TI3I/AAAAAAAAAug/9mmdkSvFjd0/s1600/livro_23.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="212" src="http://1.bp.blogspot.com/-RtOR9P57Uv4/TxAUHC2TI3I/AAAAAAAAAug/9mmdkSvFjd0/s320/livro_23.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
As últimas cópias do livro foram enfim finalizadas pelo mestre encadernador da Ugra, &lt;i&gt;herr&lt;/i&gt; Douglas Utescher, e está disponível para venda pelo correio.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O livro sai por R$ 20,00 + frete (R$ 6,00 em carta registrada ou R$ 3,00 em carta simples). Você pode pedir o seu pelo e-mail &lt;b&gt;&lt;a href="mailto:ugra.press@gmail.com"&gt;ugra.press@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Foram feitas 100 cópias de &lt;b&gt;Tudo o que é grande se constrói sobre mágoa, &lt;/b&gt;sendo que metade foi vendida no dia do lançamento, em dezembro passado. Restam pouquíssimas cópias e não há previsão de uma segunda edição por enquanto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-4872024745409805605?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/4872024745409805605/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2012/01/tudo-o-que-e-grande-se-constroi-sobre.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/4872024745409805605?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/4872024745409805605?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/dBH0C9-knUk/tudo-o-que-e-grande-se-constroi-sobre.html" title="&quot;Tudo o que é grande se constrói sobre mágoa&quot; disponível no site da Ugra Press" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-RtOR9P57Uv4/TxAUHC2TI3I/AAAAAAAAAug/9mmdkSvFjd0/s72-c/livro_23.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2012/01/tudo-o-que-e-grande-se-constroi-sobre.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CUQGRnw-fCp7ImA9WhRVFEg.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-2000418975343268314</id><published>2011-12-25T12:18:00.000+14:00</published><updated>2012-01-14T01:15:27.254+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-14T01:15:27.254+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="ugra press" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="música" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="reflexões" /><title>Ciclos</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-fLgIO25TQ-4/TvZPuKY2HkI/AAAAAAAAAuA/2pftvLVBK5o/s1600/603px-Serpiente_alquimica.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="317" src="http://4.bp.blogspot.com/-fLgIO25TQ-4/TvZPuKY2HkI/AAAAAAAAAuA/2pftvLVBK5o/s320/603px-Serpiente_alquimica.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Termina 2011 como um ano onde, após muita expectativa, meu primeiro livro, o "Tudo o que é grande se constrói sobre mágoa", finalmente foi lançado. O lançamento oficial ocorreu em 10 de dezembro, como foi noticiado aqui na ocasião, e a venda pelo correio começará em 2 de janeiro, segundo a Ugra Press. Aos que estão em busca do livro, aguardem a atualização da loja da Ugra nessa data: &lt;a href="http://ugrapress.wordpress.com/ugra_meg/"&gt;http://ugrapress.wordpress.com/ugra_meg/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Além do livro, esse ano que está prestes a terminar também foi importante para a retomada dos projetos musicais, e tive a honra de participar da criação de duas aberrações:&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;THE CRACKWHORES:&lt;/b&gt; 100% sujeira noisecore, sem meios termos, sem tentativas de soar musical.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;object height="81" width="100%"&gt; &lt;param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F31527599"&gt;




&lt;/param&gt;
&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;




&lt;/param&gt;
&lt;embed allowscriptaccess="always" height="81" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F31527599" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"&gt;&lt;/embed&gt; &lt;/object&gt;  &lt;a href="http://soundcloud.com/le_marcio/the-crackwhores-demo01-v2"&gt;THE CRACKWHORES - demo01 - v2&lt;/a&gt; by &lt;a href="http://soundcloud.com/le_marcio"&gt;le_marcio&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&amp;nbsp; 
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;DISPERARII&lt;/b&gt;: minimalismo, lentidão, psicodelia de Mão Esquerda.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;object height="81" width="100%"&gt; &lt;param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F21704068"&gt;




&lt;/param&gt;
&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;




&lt;/param&gt;
&lt;embed allowscriptaccess="always" height="81" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F21704068" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"&gt;&lt;/embed&gt; &lt;/object&gt;  &lt;a href="http://soundcloud.com/guilherme_henrique1984/disperarii-firstrecord"&gt;Disperarii-firstrecord&lt;/a&gt; by &lt;a href="http://soundcloud.com/guilherme_henrique1984"&gt;guilherme_henrique1984&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&amp;nbsp; 
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Para 2012 os planos são concretizar esses dois projetos musicais. Sem nenhuma pretensão de vê-los como portadores dos vícios de qualquer cena, mais do que certeza que ambos jamais se apresentarão ao vivo. Tocar ao vivo foi, por anos com o Life is a Lie, uma experiência das mais extremas. Hoje, porém, não vejo nenhum sentido em uma apresentação ao vivo, pelo menos nos projetos com os quais estou envolvido. Isso porque me lembro de como foi a experiência com as últimas apresentações do Life is a Lie, onde a vontade que eu tinha era de desaparecer tão logo as últimas notas ecoavam. Talvez porque os shows aconteciam praticamente todos os finais de semana e, então, perderam o sentido... Talvez. Seja como for, pelo menos por agora, nenhuma chance nem do DISPERARII nem do THE CRACKWHORES tocarem ao vivo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Também estou escrevendo um novo livro. Será um romance dessa vez. O ambiente, os principais personagens e o enredo estão prontos, faltando agora o trabalho braçal de excomungar daqui de dentro a história que imaginei. Pretendo tê-lo pronto no final de 2012, se os deuses me forem favoráveis. Ainda não está decidido, mas talvez saia pela Ugra Press também.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Top acontecimentos/discos/leituras de 2011:&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
1) lançar em livro os contos do Dissolve Coagula &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
2) mudar de apartamento&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
3) ganhar um Mate-couro de 500ml&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
4) descobrir Devil Makes Three&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
5) o "Void", do Craft&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
6) o "Ultimacy", do Blood Axis&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
7) "A morte de Bunny Munro", de Nick Cave &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
8)  "O livro dos mandarins", de Ricardo Lísias&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
9) "História do Olho", do G. Bataille&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
10) este vídeo&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=JatK7XKAKN8"&gt; http://www.youtube.com/watch?v=JatK7XKAKN8&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-2000418975343268314?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/2000418975343268314/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/12/ciclos.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/2000418975343268314?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/2000418975343268314?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/9zcILpXWk2E/ciclos.html" title="Ciclos" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-fLgIO25TQ-4/TvZPuKY2HkI/AAAAAAAAAuA/2pftvLVBK5o/s72-c/603px-Serpiente_alquimica.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2011/12/ciclos.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;A0AAQ3g4fCp7ImA9WhRUFEw.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-3845827500608467126</id><published>2011-12-04T17:18:00.001+14:00</published><updated>2012-01-25T05:42:22.634+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-25T05:42:22.634+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="dostoiévski" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="alexander dugin" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="religião" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="literatura russa" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="metafísica" /><title>"Axe is the name of mine", de Alexander Dugin - parte 3</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-n89smkCoLHE/TtuRp8LcsmI/AAAAAAAAAtU/IIIZC7Tzqx8/s1600/dugin+6.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="275" src="http://1.bp.blogspot.com/-n89smkCoLHE/TtuRp8LcsmI/AAAAAAAAAtU/IIIZC7Tzqx8/s400/dugin+6.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Enfim a conclusão do ensaio do Alexander Dugin. Aproximações míticas do machado com Raskolnikóv, escatologia de verniz russo, messianismo eurasiano: está tudo aí, com a brilhante demência que só os sanguinários salvadores do mundo conseguem criar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Boa leitura.&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;_________________________________________________________________________&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Como é um ensaio longo, esse post se divide em três partes:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin.html"&gt;Parte 1&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin_23.html"&gt;Parte 2&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/12/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin.html"&gt;Parte 3&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Labris - uma breve genealogia do machado&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
As hipóteses mais brilhantes relativas a este artefato - sua origem e seu simbolismo - foram realizada por Herman Wirth, um gênio científico alemão e um especialista na área de recursos humanos pré-históricos e letras antigas. Wirth mostrou que o machado duplo era o símbolo primordial do Ano, do círculo, de suas duas metades: uma segue o solstício de inverno, e o outro o seu oposto. O machado padrão (com apenas um lado) simboliza a metade do ano, como regra a primavera, a metade ascendente.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Além disso, o uso utilitarista de um machado para cortar as árvores, também de acordo com Wirth, tem uma relação com o simbolismo anual, pois a Árvore, de acordo com a Tradição, simboliza o ano. Suas raízes são os meses de inverno, e sua coroa os de verão. Portanto, cortar árvores se relaciona, no contexto primordial simbólico das sociedades antigas, com o advento do Ano Novo e o final do velho.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-TwU5cEgZ2KY/TtuSjnrBaBI/AAAAAAAAAtk/9ncitVGkOGE/s1600/raskolnikov.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="232" src="http://2.bp.blogspot.com/-TwU5cEgZ2KY/TtuSjnrBaBI/AAAAAAAAAtk/9ncitVGkOGE/s320/raskolnikov.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O Machado é, simultaneamente, o Ano Novo e o instrumento com o qual o velho é destruído. Ao mesmo tempo é um instrumento cortante, dividindo o Tempo, cortando o seu cordão umbilical no ponto mágico do Solstício de Inverno, quando o grande mistério da morte e ressurreição do Sol acontece.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
No antigo calendário rúnico, a runa que retratava o machado era chamada de "thurs" e foi dedicada ao deus Thor. Ele caiu sobre os primeiros meses do Ano Novo. Thor era o Deus do Machado ou o seu equivalente simbólico, o Deus do Martelo ou Mjollnir. Com este Machado-Martelo, Thor esmagou o crânio da Serpente do Mundo, Irmunganthr, que flutuava nas águas inferiores das trevas. Mais uma vez o mito do solstício, ligado ao ponto do Ano Novo: a Serpente é o Inverno, o frio, as águas mais baixas do ano Sagrado, aonde o sol polar desce. Thor, que é ao mesmo tempo o Sol e o espírito do Sol, vence o frio e torna a Luz livre. Em fases posteriores do mito, a imagem do Sol-Luz é dividida em duas - o salvador e os salvos - e depois em três, com a adição de instrumento da salvação, o machado. Na forma primordial, todos aqueles personagens eram algo unidos: &amp;nbsp;Deus-Sol-Machado (ou Martelo).&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A mais antiga inscrição do sinal de machado nas antigas cavernas do Paleolítico e gravuras rupestres foram analisadas por Herman Wirth à luz de todo o ritual e estrutura do calendário. Ele traçou a constância incrível desse proto-machado através das mais diferentes culturas, línguas, localidades e épocas. Ele mostrou a relação etimológica e semântica das palavras que significam “machado” com outras noções simbólicas e temas mitológicos, que também estão associados com o mistério de Ano Novo, com o meio do Inverno e também com o Solstício de Inverno.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Especialmente interessantes são os indícios de que o significado simbólico de "machado" é estritamente idêntico com outros dois antigos hieróglifos-palavras: "labirinto" e "barba".&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O "labirinto" é um desenvolvimento da idéia de uma espiral do ano, que se vira para o Ano Novo e, em seguida, imediatamente começam a distorcer. "Barba" é a luz do Sol masculino durante o outono/inverno do círculo do ano (o cabelo como um todo são os raios do Sol). No círculo rúnico outra runa - "peorp" – se parece com um machado, porém significa “barba”. No meio do labirinto vive Minotauro, o monstro, o homem-touro, o equivalente a Irmunganthr, a Serpente do Mundo, e também equivalente a outro personagem: a velha agiota. Dostoiévski descreveu um antigo tema mitológico, o paradigma de uma sucessão simbólica, um ritual primordial que os nossos ancestrais praticaram por muitos milênios. Mas esse episódio de Crime e Castigo não é apenas um anacronismo ou fragmento desordenado do inconsciente coletivo. Na verdade o assunto é sobre uma imagem muito mais importante, escatológica, sobre o sentido e o gesto do Fim dos Tempos, sobre o momento sagrado apocalíptico, quando colide tempo e eternidade, quando o fogo arde no Dia do Juízo Final.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Os russos são a nação abençoada, e a história da Rússia é o resumo da história mundial. Para nós, semelhante a um ímã temporal, espacial e étnico, o destino dos séculos gravita com uma progressão crescente. A Primeira e a Segunda Roma existiram apenas para a Terceira aparecer. O Império Bizantino era a profecia de uma Rússia Santa. Uma Rússia Santa em sua forma apocalíptica surgiu como uma cidade-fantasma chamada São Petersburgo, cidade onde o maior profeta da Rússia apareceu: Fyodor Dostoiévski. A história de seu principal romance, "Crime e Castigo", situa-se no labirinto de ruas de Petersburgo e os personagens principais de seu romance são personagens principais da Rússia. Entre eles, os mais importantes são Raskolnikov, a velha agiota e o machado. É o machado o raio que conecta Raskolnikov com a velha.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A história do mundo - através da história de Roma, através da história do Império Bizantino, através da história da Rússia, através da história de Moscou, através da história de São Petersburgo, através da história da Dostoiévski, através da história de "Crime e Castigo", através da história dos personagens principais do romance - é reduzida a um único artefato: o Machado.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Raskolnikov divide a cabeça da velha capitalista. O nome "Raskolnikov" ("Raskol" significa, literalmente, uma "divisão") indica o machado e a ação que ele comete. Raskolnikov realiza o ritual de Ano Novo, o mistério do Juízo Final, a celebração da ressurreição do Sol.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O Capitalismo, arrastando-se para a Rússia a partir do Ocidente, do lado do Sol, carnalmente representa a Serpente do Mundo. Seu agente é a velha e decrépita agiota, tecendo uma teia de escravidão usurária. Ela também é parte dela.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Raskolnikov traz o machado do Oriente.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O machado do Sol Nascente, o machado da Liberdade e da Nova Aurora.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-TFw2uGH36hk/TtuRxtdwLqI/AAAAAAAAAtc/KBp8xg0B0kI/s1600/raskholnikov-crime-e-castigo.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-TFw2uGH36hk/TtuRxtdwLqI/AAAAAAAAAtc/KBp8xg0B0kI/s320/raskholnikov-crime-e-castigo.jpg" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A novela deveria ter acabado de uma forma triunfal, com a plena justificação de Rodion. O crime de Raskólnikov é a punição para a usurária. A era da revolução proletária e do Machado é proclamada. Mas forças adicionais entraram no caso: o investigador Porfiriy acaba por ser especialmente insidioso. O representante de jurisprudência kafkiana e do humanitarismo pseudo-farisaico começa uma intriga complicada para difamar o personagem principal e suas ações diante até mesmo dos próprios olhos de Raskólnikov. Porfiriy manipula os fatos, e leva Raskolnikov a um labirinto cego de dúvida, nervosismo e perturbação mental. Ele não apenas tentar colocar Rodion na cadeia, como também procura destruí-lo de uma forma espiritual. O personagem principal deveria ser tratado da mesma forma que tratou a anciã: "Esmague o crânio da serpente". Mas o nosso herói acaba por ser incapaz de resistir... Então o resto do tecido do mito também acaba por ser desvendado. Raskolnikov, de acordo com o cenário primordial, deveria ter levado a Sabedoria-Sophia para fora do bordel, como o gnóstico Simon fez com Helena. Mesmo a cena de recitar a narração do evangelho sobre a ressurreição de Lázaro permaneceu a partir da versão original: Sophia, resgatada por Amor e ao ser libertada da escravidão usurária, propaga a ressurreição universal. Mas aqui, por algum motivo, ela se junta em uma conspiração com o "o adorador da serpente humanitária", Porfiriy. Ela começa a sugerir a Raskolnikov uma idéia: que a velha deveria ter sido poupada, que ela não era "apenas um piolho": a sociedade do amor entre os animais, incluindo entre eles a serpente do mundo que vive na escuridão do caos. Uma ternura perante as lágrimas de dor da capitalista assassinada.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Como isso pode ser explicado?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Dostoiévski era um profeta e tinha o dom da clarividência. Ele previu não só a revolução (o golpe no crânio com o machado), mas também a sua degeneração, a sua traição, seu ser destruído pelo mercado. A Sophia do socialismo gradualmente degradada pelo humanitarismo farisaico. Porfiriy penetrou o Partido e minou os fundamentos do reinado escatológico do país soviético.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Primeiro, eles desistiram da revolução permanente; em seguida, os expurgos; e depois Sonya, sob a direção de intelectuais soviéticos tardios, mais uma vez começou a lamentar-se sobre as coisas mais ridículas – como o mandamento de "não matar"- e então o sangue jorrou como um rio. E não foi o sangue de velhas agiotas, mas o sangue inocente de crianças.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Existe uma versão virtual do "Crime e Castigo" que tem um final totalmente diferente. Tem a ver com o novo e vindouro período da história russa. Até agora vivemos a primeira versão. Mas agora tudo acabou. O novo mito está encarnando, a espada escarlate de Boris Savinkov é escaldante nas mãos de uma jovem nova Rússia, a Rússia do fim dos tempos – a Rússia cujo nome é Machado.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
__________________________________________&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
As demais partes do ensaio:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin.html"&gt;Parte 1&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin_23.html"&gt;Parte 2&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-3845827500608467126?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/3845827500608467126/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/12/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/3845827500608467126?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/3845827500608467126?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/4cdR54TpKPw/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin.html" title="&quot;Axe is the name of mine&quot;, de Alexander Dugin - parte 3" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-n89smkCoLHE/TtuRp8LcsmI/AAAAAAAAAtU/IIIZC7Tzqx8/s72-c/dugin+6.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2011/12/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEYHRnk9fCp7ImA9WhRRGU8.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-8303343374361369426</id><published>2011-12-04T04:05:00.001+14:00</published><updated>2011-12-04T04:22:17.764+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-12-04T04:22:17.764+14:00</app:edited><title>Festa de lançamento do livro + novo zine do Grão + rock sujo</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-vO4fMetx1_E/TtovcPfxUHI/AAAAAAAAAtM/nVnWMiJYIjw/s1600/cartaz.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-vO4fMetx1_E/TtovcPfxUHI/AAAAAAAAAtM/nVnWMiJYIjw/s400/cartaz.jpg" width="273" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;b style="text-align: justify;"&gt;"Tudo que é grande se constrói sobre mágoa"&lt;/b&gt; é o nome do livro e será lançado pela &lt;a href="http://ugrapress.wordpress.com/sobre/" style="text-align: justify;"&gt;UGRA PRESS&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="text-align: justify;"&gt; no sábado, dia 10 de dezembro, a partir das 17:00 ali na Matias Aires.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O livro reúne 16 contos já publicados aqui no Dissolve Coagula, além de um inédito, especialmente escrito para essa edição (e que não será publicado aqui). O livro conta com as personalíssimas ilustrações do &lt;a href="http://flavio-grao.blogspot.com/"&gt;Flávio Grão,&lt;/a&gt; e sua produção misturou impressão em gráfica com serigrafia, além de uma encadernação costurada manualmente pela UGRA PRESS. Somente 100 cópias foram produzidas.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
No mesmo dia, o Grão lançará uma tiragem limitada de 40 camisetas feita em parceria com a Hotel Tees, além de seu primeiro pôster feito em serigrafia e o seu novo fanzine Cortex, uma narrativa de imagens influenciada por ícones punk da linguagem e arte xerox.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Para completar, o trio Fusco, MJP e Seixlack farão um ensaio aberto, com experimentações e improviso.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A entrada será gratuita. Se estiver em São Paulo e imediações, deixo o convite para ir lá.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Hotel Tees - Rua Matias Aires 78 - Baixo Augusta - São Paulo/SP&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Evento no Facebook:&amp;nbsp;&lt;a href="https://www.facebook.com/events/168011569964579/"&gt;https://www.facebook.com/events/168011569964579/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-8303343374361369426?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/8303343374361369426/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/12/festa-de-lancamento-do-livro-novo-zine.html#comment-form" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/8303343374361369426?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/8303343374361369426?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/yXhy9Lv6gvw/festa-de-lancamento-do-livro-novo-zine.html" title="Festa de lançamento do livro + novo zine do Grão + rock sujo" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-vO4fMetx1_E/TtovcPfxUHI/AAAAAAAAAtM/nVnWMiJYIjw/s72-c/cartaz.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2011/12/festa-de-lancamento-do-livro-novo-zine.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;A0ABQHYzfSp7ImA9WhRUFEw.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-4656791029412539139</id><published>2011-12-02T11:29:00.001+14:00</published><updated>2012-01-25T05:42:31.885+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-25T05:42:31.885+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="cinema" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="música" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="shazulla" /><title>Black Mass Rising - o trailer</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ID5phe1SKhE/TtgXUBEqSKI/AAAAAAAAAs0/kGNt_omgT_U/s1600/black+mass+rising.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="217" src="http://3.bp.blogspot.com/-ID5phe1SKhE/TtgXUBEqSKI/AAAAAAAAAs0/kGNt_omgT_U/s400/black+mass+rising.gif" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;b style="text-align: justify;"&gt;Black Mass Rising &lt;/b&gt;é um filme dirigido pela intrigante Shazzula, artista belga nascida em 1977 cuja carreira conta com participações em inúmeras (e diferentes) bandas, um personalíssimo trabalho como ilustradora, DJ em eventos dedicados ao psych rock e, também, como videomaker.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-FuLVFn5qOsk/TtgXaH5RvjI/AAAAAAAAAs8/oiF_tAX_9ls/s1600/shazzula+1.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-FuLVFn5qOsk/TtgXaH5RvjI/AAAAAAAAAs8/oiF_tAX_9ls/s320/shazzula+1.jpg" width="212" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Como vocalista dos franceses do&amp;nbsp;Aqua Nebula Oscillator entre os anos 2006 e 2010, foi quando saiu da banda que Shazzula entortou mais sua carreira, a ponto de quando&amp;nbsp;se fala de &lt;a href="http://pitchfork.com/features/articles/7806-ghosts-in-the-machine/"&gt;witch house&lt;/a&gt;, a bizarra "cena" que mescla soturnas batidas semi (ou nada) dançantes com ambientação e temas ligados ao universo da magia negra, ser Shazzula o seu membro mais pop. Sua participação em gravações do Mater Suspiria Vision e, depois, em seu projeto solo como&amp;nbsp;§ђ∆ZzV⇂∆, são absurdamente monstruosas, com um nível de &lt;i&gt;bad vibes&lt;/i&gt; poucas vezes alcançado.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O longa Black Mass Rising será lançado em uma versão física limitada de 666 cópias com um vinil triplo com a refinada trilha sonora, que conta como nomes como&amp;nbsp;&lt;b&gt;Master Musicians of Bukkake, Yoga, Burial Hex, Aluk Todolo&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Menace Ruine. &lt;/b&gt;Totalmente inspirado em Kenneth Anger (paixão absoluta de Shazzula), o&amp;nbsp;filme também será exibido no Brasil e em outros países da América do Sul, provavelmente entre julho e agosto de 2012, segundo a própria Shazzula comentou na &lt;a href="https://www.facebook.com/groups/159412910816649/"&gt;página do filme no Facebook.&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Agora, o trailer, que foi lançado oficialmente hoje.&lt;br /&gt;
&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/gX-PJ5f-8Js" width="560"&gt;&lt;/iframe&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais informações:&lt;br /&gt;
Black Mass Rising Society&amp;nbsp;&lt;a href="http://blackmassrisingsociety.blogspot.com/"&gt;http://blackmassrisingsociety.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Blog da Shazulla&amp;nbsp;&lt;a href="http://shazzula.blogspot.com/"&gt;http://shazzula.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Mater Suspiria Vision&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/Bmr0Bxb9uuY" width="560"&gt;&lt;/iframe&gt;

&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Aqua Nebula Oscillator&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/Au5JLuShyjQ" width="560"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-4656791029412539139?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/4656791029412539139/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/12/black-mass-rising-o-trailler.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/4656791029412539139?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/4656791029412539139?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/Mka4xoKJ0dM/black-mass-rising-o-trailler.html" title="Black Mass Rising - o trailer" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-ID5phe1SKhE/TtgXUBEqSKI/AAAAAAAAAs0/kGNt_omgT_U/s72-c/black+mass+rising.gif" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2011/12/black-mass-rising-o-trailler.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;A0ACQX06fCp7ImA9WhRUFEw.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-221021204441558426</id><published>2011-11-23T11:22:00.001+14:00</published><updated>2012-01-25T05:42:40.314+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-25T05:42:40.314+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="dostoiévski" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="alexander dugin" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="religião" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="literatura russa" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="metafísica" /><title>"Axe is the name of mine", de Alexander Dugin - parte 2</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-4C5z6OC8WY0/TswUiRlGkmI/AAAAAAAAAro/Nf7O6gXmOcY/s1600/RODION+1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="198" src="http://4.bp.blogspot.com/-4C5z6OC8WY0/TswUiRlGkmI/AAAAAAAAAro/Nf7O6gXmOcY/s400/RODION+1.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Como prometido, a segunda parte da tradução do ensaio &lt;b&gt;"Axe is the name of mine",&lt;/b&gt; do pensador russo &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Alexander_Dugin"&gt;Alexander Dugin.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Como é um ensaio longo, esse post se divide em três partes:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin.html"&gt;Parte 1&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin_23.html"&gt;Parte 2&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/12/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin.html"&gt;Parte 3&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Nessa segunda parte prevalece uma discussão sobre conceitos religiosos. É a &amp;nbsp;necessária ambientação para o final do ensaio, onde Dugin mostra claramente a sua visão apocalíptica sobre o romance máximo da literatura russa, encerrando com um verdadeiro chamado às armas .&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Pretendo postar a última parte na sexta-feira dia 25/11. A primeira parte &lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin.html"&gt;você encontra aqui.&lt;/a&gt; Boa leitura!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Meu nome é machado: Dostoiévski e as metafísicas de São Petersburgo - (2a. parte)&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Não “Não matar”&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Entre os meados do século 19 e o início do 20, a consciência russa foi possuída por uma estranha compreensão de um dos dez mandamentos - "Não matar". Discutiu-se esse mandamento como se fosse a essência do cristianismo. Teólogos, revolucionários e terroristas constantemente o repetiram (Savinkov foi um obcecado por esse mandamento), assim como humanitários, progressistas e conservadores. Tanto o tema como a argumentação em torno dele eram tão importantes que afetou, em grande medida, toda a consciência moderna russa. Embora o significado desse debate tenha desaparecido com o advento da bolcheviques, ele ressurgiu no final do período soviético e começou a assombrar os cérebros intelectuais com uma força renovada.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
"Não matar" não é exatamente um mandamento cristão e do Novo Testamento, mas sim &amp;nbsp;judaico e do Velho Testamento. Esta é uma parte da Lei, a Torá, que regula, como um todo, o exotérico, normas exterior, social e ética da vida popular israelense. Esse mandamento não tem nenhum significado especial. Você pode encontrar algo análogo na maioria das tradições, nos seus códigos sociais. No hinduísmo o equivalente chama-se "ahimsa", "não-violência". Este "não matar", assim como o resto dos parágrafos da lei, regulamenta a liberdade humana, dirigindo-a para o fluxo que, de acordo com o espírito da Tradição, pertence à melhor parte, ao Caminho da Mão Direita. Além disso, é significativo que "não matar" não tem qualquer sentido absoluto metafísico. Bem como todas as estátuas exotéricas, este mandamento só serve para que seja mantida a existência coletiva em ordem e para preservar a comunidade de cair no caos ("A Lei nada faz", segundo São Paulo Apóstolo). Em princípio, se compararmos a realidade do Velho Testamento com o Novo, a fórmula para "não matar" corresponde a aproximadamente a inscrição "é proibido fumar", apresentada em uma parede de um teatro. Fumar em um teatro não é permitido, não é bom. Quando alguns espectadores tensos começam a fumar, os funcionários do local ficam em uma situação problemática. Essas pessoas são condenadas pela opinião pública e sujeita à repressão pelos servos da justiça.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Zz1z8L0EdP4/TswUa6rJD_I/AAAAAAAAArY/XcGvsQXTP2o/s1600/Dugin+1.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-Zz1z8L0EdP4/TswUa6rJD_I/AAAAAAAAArY/XcGvsQXTP2o/s320/Dugin+1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Dugin ou Engels?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
É muito significativo que o Antigo Testamento esteja cheio de desafio não-observância desse mandamento: assassinatos estão em todas as suas páginas. É cometido não apenas por pecadores, mas também por homens justos, reis, soberanos ungido, até mesmo profetas. Aluno favorito de Elias, o profeta Eliseu foi especialmente severo: não tinha misericórdia nem mesmo de crianças. Eles mataram durante as guerras, mataram nativos e estrangeiros, mataram criminosos e também mataram mulheres. Eles não tinham misericórdia com crianças, idosos, &lt;i&gt;goyim, &lt;/i&gt;profetas, idólatras, feiticeiros, nem mesmo parentes. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
No Livro de Jó, Jeová - sem qualquer razão especial, exceto uma controvérsia bastante superficial com Lúcifer - trata de uma forma sádica seu próprio homem escolhido e virtuoso. Quando Jó, coberto com lepra, fica indignado com isso, Jeová o intimida com dois monstros: a terra chamada Behemoth e o mar chamado Leviathan. Jeová o mortifica no sentido moral também. A investigação bíblica moderna prova de modo convincente que o texto original do Livro de Jó chega a seu fim no auge da tragédia, e que o final ingenuamente moralista foi adicionado muito tempo depois pelos levitas, que ficaram aterrorizados com a natureza rígida dos fragmentos mais arcaicos do Antigo Testamento.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Em outras palavras: o mandamento de "não matar", originado no contexto judaico, não tem qualquer caráter absoluto nem qualquer significado especial.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Não houve controvérsia sobre esse tema e, aparentemente, nenhuma reflexão foi dada com qualquer propósito expresso. Isso não quer dizer que o mandamento nunca foi tido em conta. Tentaram que não fosse derramado sangue sem nenhum propósito. Eles também tinham o tribunal rabínico. Se alguém fosse assassinado em vão, uma punição seguramente acontecia: a lei do costume, o mandamento comum. Nada de especial, tão somente o padrão geral de conduta humana.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
No cristianismo tudo é diferente. Cristo é o cumprimento da lei. A Lei &lt;i&gt;é&lt;/i&gt; ele. A missão do Direito é realizada. Em certo sentido, ela é removida da agenda - mas não revogada. Os problemas espirituais passam para um plano radicalmente diferente. A partir de agora a Pós-Lei, a era da Graça, começa. Estritamente falando, o advento dessa nova era significa uma era onde os Mandamentos perdem a importância.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Mesmo o primeiro mandamento de adorar o único Senhor é superado pelo Novo Testamento, pelo preceito do &lt;i&gt;amor para Ele&lt;/i&gt;. Através da Encarnação, o Logos-Deus traz para as relações entre o Criador e toda a criação algo absolutamente novo. A partir de então tudo acontece sob o signo de Emmanuel, pela fórmula benéfica, "Deus está conosco". Deus não está em algum lugar longe, Ele realiza não apenas o papel de Juiz e Legislador, mas também o papel do Bem-Amado e Único Amor. O Novo Mandamento não rejeita os dez anteriores, mas os torna desnecessários.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A humanidade do Novo Testamento é diferente daquela do Antigo, que é judaica (ou pagã). Ela ostenta o sinal do Amor transcendente. É por isso que a dicotomia da Lei – adorar/não adorar, roubar/não roubar, seduzir/não seduzir e, finalmente, matar/não matar – não faz mais sentido.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O novo homem não precisa de regras, ele vive por uma única coisa - o sereno, eterno e indivisível Amor, permanecendo em oração e contemplação. Aqui, não há apenas "não matar". Os santos cristãos ririam dessa cautela porque neles a dualidade já está abolida, a barreira entre o eu e o não-eu é esmagada. Além disso, eles querem ser mortos, eles aspiram a sofrer, eles almejam o martírio. Uma vida cristã valiosa não tem qualquer relação com os velhos Dez Mandamentos. Eles foram de uma vez e para sempre superados com o batismo sagrado. Além disso, há apenas a realização na Graça. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Mas vamos considerar um cristão não em santidade, não em uma vida monástica, não em ascetismo e na vida eremítica. Será que a idéia definida pela ordem do Antigo Testamento é válida para ele? Não. Ele é batizado, o que significa ter renascido e, conseqüentemente, Deus está com ele também. &lt;i&gt;Dentro&lt;/i&gt; dele, não fora. Portanto, mesmo sendo um pecador, um indigno da vida segundo o Velho Testamento, esse novo homem está abendoçoado pelo fluxo de luz da Graça. Observar ou não observar a legislação do Antigo Testamento não tem nada a ver com a essência íntima da existência cristã.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Claro, é mais conveniente para uma sociedade ter indivíduos que são obedientes e observam regras. Para uma sociedade cristã também. Mas tudo isso não tem qualquer medida comum com o sacramento da Igreja, com a vida mística de um crente. Aqui, o elemento mais interessante começa: um cristão, quando desobedece algum dos Mandamentos do Antigo Testamento, na verdade demonstra que nele não foi concluída a natureza misteriosa do Novo Homem, a personalidade potencial dada pelo Espírito Santo na fonte do batismo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Mas quem pode gabar-se de ter atingido a completa deificação? Quanto mais se é santo, mais parece pecador e terrível para si mesmo quando colocado face à Trindade Luminosa. Conseqüentemente, como no caso do yurodivy ("loucos de Deus") que depreciavam o caráter humano, a Queda pode ser, de um modo paradoxalmente cristão, um sacramento.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Observar os Dez Mandamentos não é um fator decisivo para um cristão ortodoxo. Só uma coisa é importante para ele: Amor, o Novo – absolutamente novo – Testamento, o Testamento do Amor. Os Dez Mandamentos sem amor é o caminho para o inferno. E se o amor existe, então esses mandamentos não têm nenhum significado mais: isso tudo foi claro para os intelectuais radicais russos. No livro de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Boris_Savinkov"&gt;Boris Savinkov&lt;/a&gt;, "The Pale Horse ", um terrorista chamado Vanya (um personagem literário, inspirado em Ivan Kalyayev ) diz que antes de cometer um assassinato:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;- Olha, se você ama muito, se realmente ama, então você pode matar, não pode?.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E mais:&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;"... é necessário passar por um tormento na cruz, é necessário se empenhar a fazer tudo isso por amor e para o amor. Mas absolutamente por amor e para o amor... Se estou vivo, é para quê? Talvez eu viva para a hora da minha morte. Peço então: Senhor, dai-me a morte em nome do amor. Você não pode orar por assassinato, pode?"&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-7yy9n6R-kE0/TswUm_clEbI/AAAAAAAAArw/8Ve3Vb_Fj08/s1600/RODION+2.png" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="256" src="http://3.bp.blogspot.com/-7yy9n6R-kE0/TswUm_clEbI/AAAAAAAAArw/8Ve3Vb_Fj08/s320/RODION+2.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;Savinkov viveu, pensou, escreveu e matou depois de Dostoiévski. Mas nada é relacionado a Raskolnikov. Raskolnikov mata não apenas por causa da humanidade (embora para isso também), ele mata por causa do Amor. A fim de passar por sofrimento, ele tem que morrer, para matar a morte em si mesmo e nos outros. Ivan Kalyayev, bem como o próprio Savinkov, são profundamente russos, profundamente cristãos ortodoxos, profundamente “pessoas dostoiveskianas”: assim como toda a nação, têm um evidente caráter divino, e estão repletos de uma visão de mundo cristã ortodoxa elevada e paradoxal, algo que faz o mais refinado e profundo sistema filosófico ocidental parecer uma bobagem. Os russos não formularam uma teologia: eles a &lt;i&gt;sofrem &lt;/i&gt;e a vivem por toda a sua vida. Esta é a teologia, que vem através dos poros, através da respiração, através de lágrimas, através do sono e que faz uma horrenda expressão de ira através do tormento e da tortura – através do úmido e sangrento elemento carnal e espiritualizado da Nova Vida.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Com amor e por amor ao Amor pode-se fazer tudo. Isso não significa que se deva fazer tudo e que todos os mandamentos devem ser revogados, rejeitados. Em nenhuma circunstância. Deve-se apenas demonstrar com a vida e com gestos que existe - e isso é o principal - outra medida de ser, uma nova luz, a luz do Amor.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O local do assassinato da velha agiota é São Petersburgo. Esse é o lugar do amor na Rússia,&lt;i&gt; locus amoris.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Rodion levanta as duas mãos, dois sinais angulares, dois tendões do plexo, duas runas sobre o gelado e apodrecido crânio do Capital. Em sua mão há um grosseiro e bruto artefato. Com esse artefato, o ritual central da história russa e do mistério russo está comprometido. O fantasma se materializa, o momento se projeta para fora do tempo terrestre (Goethe teria ficado imediatamente louco se tivesse visto esse momento em que o tempo parou...). Duas teologias, dois testamentos, duas revelações se encontram em um ponto mágico. Esse ponto é absoluto – e “machado” é o seu nome.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
__________________________________________________________-&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 14px; line-height: 20px;"&gt;Veja a&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin.html"&gt;1a. parte do ensaio&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 14px; line-height: 20px;"&gt;Veja a&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/12/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin.html"&gt;3a. parte do ensaio&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-221021204441558426?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/221021204441558426/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin_23.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/221021204441558426?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/221021204441558426?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/pdod46zKqUA/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin_23.html" title="&quot;Axe is the name of mine&quot;, de Alexander Dugin - parte 2" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-4C5z6OC8WY0/TswUiRlGkmI/AAAAAAAAAro/Nf7O6gXmOcY/s72-c/RODION+1.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin_23.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CkcARXg7fSp7ImA9WhRUFE8.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-5846987142829670217</id><published>2011-11-18T08:51:00.001+14:00</published><updated>2012-01-25T05:47:24.605+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-25T05:47:24.605+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="dostoiévski" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="alexander dugin" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="religião" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="literatura russa" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="metafísica" /><title>"Axe is the name of mine", de Alexander Dugin - parte 1</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-jLnQTW2KG3Q/TsVcpxpIB7I/AAAAAAAAAqw/dV1KUgkkkjc/s1600/alexander+dugin+1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="181" src="http://3.bp.blogspot.com/-jLnQTW2KG3Q/TsVcpxpIB7I/AAAAAAAAAqw/dV1KUgkkkjc/s400/alexander+dugin+1.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Esse post é a tradução do texto &lt;b&gt;“Axe is the name of mine”&lt;/b&gt;, do russo Alexander Dugin, onde ele propõe uma bizarra e interessantíssima interpretação metafísica do romance "Crime e castigo", de Dostoiévski.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Como é um ensaio longo, esse post se divide em três partes:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin.html"&gt;Parte 1&lt;/a&gt; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin_23.html"&gt;Parte 2 &lt;/a&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/12/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin.html"&gt;Parte 3&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Dugin é o principal intelectual do Eurasianismo, movimento surgido nos anos 1920 que clama ter a Rússia uma identidade completamente diferente da Europa Ocidental. Os eurasianistas consideram a Revolução Bolchevique como uma reação do espírito russo à sua rápida e degradante modernização, e que compete agora, aos eurasianistas de hoje, unir a grande Mãe Rússia e suas regiões de influência – Cáucaso, Irã, Georgia e, mais recentemente, Turquia – em um bloco de rejeição contra o Atlanticismo, termo geopolítico cunhado por Dugin para designar o domínio norte-americano sobre o mundo. É o Eurasianismo, segundo Dugin, uma nova revolução anti-americana, cujos aspectos são a princípio políticos e econômicos, mas também tem profundas dimensões militares, culturais e espirituais.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Não bastasse o texto de Dugin tratar de um dos meus romances prediletos, a sua interpretação metafísico-simbólica do texto é absurdamente magnífica – quer você concorde com as idéias lunáticas dele ou não. Aliás, o grande valor de Dugin está justamente na sua predisposição ao extremo, ao combate franco e aberto e, por que não dizer, a de ser o profeta-líder desse novo mundo eurasiano - pretensão que se harmoniza perfeitamente com o seu próprio semblante messiânico.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
É&amp;nbsp; na voz dos lunáticos que muitas vezes o dínamo do motor da história se mostra mais claramente. Dugin é um dos lunáticos nosso contemporâneo. Ouvir o que ele tem a dizer pode mostrar que ainda há ferocidades presentes em vários lugares do globo e que a nostalgia de uma grandiosa Rússia ainda move corações e mentes que parecem estar prontos para o assassinato.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Como é um texto relativamente longo, eu o publicarei em três partes. A próxima divulgarei na terça-feira que vem, dia 22 de novembro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora, o texto.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;&lt;u&gt;Meu nome é machado: Dostoiévski e as metafísicas de São Petersburgo - (1a. parte)&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;O autor que escreveu a Rússia&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O principal escritor da Rússia é o romancista Fyodor Mikhaylovich Dostoiévski. A cultura russa e a mentalidade russa reúnem-se nele, em uma espécie de síntese mágica. Toda a produção literária anterior antecipa Dostoiévski, tudo que vem depois resulta dele. Não há dúvida de que ele é o maior gênio nacional da Rússia.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A herança de Dostoiévski é imensa e quase todos os estudiosos estão de acordo com a importância central de seu romance Crime e Castigo. Se Dostoiévski é o principal escritor da Rússia, Crime e Castigo é a principal obra da literatura russa e o texto fundamental da história russa.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Conseqüentemente, não há nada acidental ou arbitrário sobre ele, e não pode haver. Certamente este livro deve conter algum misterioso hieróglifo, no qual todo o destino russo está concentrado. Decifrar este hieróglifo é o mesmo que obter o conhecimento do impenetrável Mistério Russo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;A Terceira Capital - A Terceira Rússia&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O romance se passa em São Petersburgo. Este fato, em si mesmo, tem um significado simbólico. Qual é a função sagrada de Petersburgo na história russa? Pela compreensão disso chegaremos perto da posição de Dostoiévski.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
São Petersburgo adquire uma significação sagrada somente em comparação com Moscou. Ambas as capitais estão em estreita ligação uma com a outra por uma lógica cíclica, por uma linha simbólica. Rússia teve três capitais. A primeira - Kiev - foi a capital de um estado nacional etnicamente uniforme, situado na periferia do Império Bizantino. Aquela região nordeste fronteiriça não desempenhou um importante papel civilizatório nem sagrado. Um lugar habitual para bárbaros arianos. Kiev é a capital da Rússia étnica.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A segunda capital - Moscou - é algo muito mais importante. Ela adquiriu uma significação especial no momento da queda de Constantinopla, quando a Rússia tornou-se o último Reino Cristão Ortodoxo, o último Império Cristão Ortodoxo restante.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Conseqüentemente alguns acreditaram: “Moscou é a Terceira Roma”. A idéia de um reino na tradição católica ortodoxa tem um especial papel escatalógico: o Estado, pelo reconhecimento da perfeição da verdade da Igreja é, em conformidade com a Tradição, o obstáculo no caminho do “Filho da Ruína”, o impedimento ao advento do Anticristo.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Z23XNCa1n5A/TsVcqpe1DxI/AAAAAAAAArA/5SKHdxG4FoY/s1600/alexander+dugin+3.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="179" src="http://3.bp.blogspot.com/-Z23XNCa1n5A/TsVcqpe1DxI/AAAAAAAAArA/5SKHdxG4FoY/s320/alexander+dugin+3.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Alexander Dugin&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O Estado Cristão Ortodoxo, constitucionalmente reconhecendo a verdade da Cristandade Ortodoxa e a influência espiritual do Patriarca, é o “cathecon” ou “impedimento” (conceito presente na segunda carta de São Paulo Apóstolo aos Tessalonissenses). A introdução do Patriarcado na Rússia tornou-se possível apenas no momento em que caiu o Império Bizantino e, conseqüentemente, o Patriarcado de Constantinopla perdeu sua sigificação escataológica. Pois essa significação é concentrada não apenas na hieraquia da Igreja Cristã Ortodoxa, mas no &lt;i&gt;Império &lt;/i&gt;que reconhece a autoridade desta hierarquia. Assim se segue a significação teológica e escatológica de Moscou.. A queda do Império Bizantino significou, na visão apocalíptica da cristandade ortodoxa, a aproximação do período de “apostasia”, de falsidade generalizada. Apenas por um escasso tempo pode Moscou tornar-se a Terceira Roma a ponto de retardar o advento do Anticristo, postergar o momento em que sua chegada se tornará um fenômeno universal. Moscou assim é, essencialmente, a capital de um Estado novo. Não um Estado nacional, mas de um soteriológico, escatológico, apocalíptico. A Rússia de Moscou, com seu Patriarca e rei cristão ortodoxo (ou czar), é uma Rússia que é absolutamente &amp;nbsp;diferente daquela Rússia de Kiev. Não está mais na periferia do Império, mas é o último baluarte da salvação, a Arca, a terra limpa na qual a Nova Jerusalém irá descender.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
São Peterbusrgo é a capital da Rússia que vem após a Terceira Roma. De certa maneira não é uma capital, não pode ser – “não haverá uma Quarta Roma”, está escrito. São Petersburgo estalebece a Terceira Rússia. Terceira pela condição, estrutura e sentido. Ela não é nem um Estado nacional, nem uma arca soteriológica. É uma estranha e titânica quimera, o “pós-morte” do país, a nação que vive e se desenvolve em um espaço que está além da história. Petersburgo é uma cidade de “Nav” (“encarnação da Morte”, em russo antigo), uma cidade do lado oposto. Assim se compreende a assonância de rio Neva (onde Petersburgo está situada) e “Nav”. A cidade do luar, da água, das construções estranhas, alheia ao ritmo da história, ao nacional e à estética religiosa. O período petersburguense da história da Rússia era o terceiro sentido de seu destino. Era um tempo de russos extraordinários, de russos que estavam além da arca. Os antigos crentes foram os últimos a embarcar na arca da Terceira Roma pelo batismo de fogo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Dostoiévski é o escritor de Petersburgo. Ele não é compreensível sem Petersburgo. Mas Petersburgo em si permaneceria em um virtual e fantasioso estado sem Dostoiévski. Ele a revitaliza, e revela o sentido dessa enigmática cidade. Graças a Petersburgo, a literatura russa pode apresentar-se ao mundo&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Se o período kieviano é o período das lendas épicas e o de Moscou o tempo da soteriologia e da teologia nacional, o de Petersburgo traz para a literatura da Rússia uma base profana que costuma ter um valioso sentido nacional, um rastro louvável de substâncias que tinham morrido. Literatura é uma proteção, uma mancha na superfície das ondas siderais, um vácuo que é lamentado com desespero. Dostoiévski prestou tanta atenção a esse chamado que perdeu tudo para ressuscitar com um heróico comportamento espiritual. Dostoiévski é mais do que literatura: é teologia, lenda épica. Por isso sua Petersburgo busca uma idéia, um sentido. Ela constantemente transforma-se na Terceira Roma. Ela agoniza e se debate na busca pelas fontes mais íntimas da nação russa.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&amp;nbsp;O principal personagem de Crime e Castigo é chamado Raskolnikov, uma referência direta ao Cisma (ou “Raskol”). Raskolnikov é um homem da Terceira Roma, &lt;i&gt;geworfen&lt;/i&gt; (ou “atirado”) dentro da navi Petersburgo. A alma sofredora que, por uma estranha lógica, repentinamente encontra a si mesma, após sua auto-imolação no úmido labirinto das ruas de Petersburgo e seus muros amarelos, em suas avenidas encharcadas e seus sombrios céus cinzas.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;A Capital&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A trama de Crime e Castigo é uma estrutura análoga a de O Capital, de Marx: a profecia da futura Revolução Russa. Simultaneamente, é um esboço de uma nova teologia, uma teologia de um ser desamparado por Deus, que se tornaria o principal problema filosófico do século XX. Esta teologia poderia ser chamada de “teologia de Petersburgo”.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A história é extremamente simples e pode ser resumida assim: o estudante Raskolnikov percebe nitidamente a realidade social como uma revelação do Mal, sensação que é extremamente característica de certos ensinamentos gnósticos e escatológicos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O cianeto de potássio da civilização; a degeneração e o vício florescem onde as conexões orgânicas, os significados espirituais e as anagógicas espirais das hierarquias que ascendem sem obstáculos ao céu estão perdidas; a percepção da realidade profana; a insuportável perda da Terceira Roma; o horror perante o encontro com a substância universal do Anticristo, com Petersburgo: Raskolnikov acredita ser absolutamente correto que o pólo simbólico do mal seja um caráter feminino pervertido (Kali), que é amaldiçoado pela religião. A decadência e degradação do mundo: isso tudo é a velha usurária, a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Baba_Yaga"&gt;Baba-Yaga&lt;/a&gt; do mundo moderno, a Mulher do Inverno, a Morte, a assassina. Fora de sua suja morada ela trefila os fios da teia de Petersburgo, enviando através de suas ruas escuras Luzhins, Svidrigaylovs, Dvorniks e Marmeladovs, os “irmãos negros”, agentes secretos do pecado capitalista.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
As armadilhas do submundo envolvem tavernas e bordéis, antros de miséria e ignorância, escadarias e portões envoltos em semi-escuridão. O centro da roda do mal de Petersburgo é encontrado. Rodion Raskolnikov completa o reconhecimento ontológico. Certamente, ele é um comunista, embora esteja muito mais próximo dos socialistas revolucionários, dos narodniks. &amp;nbsp;Certamente, ele está familiarizado com os ensinamentos sociais contemporâneos. Conhece línguas estrangeiras e poderia ter se familiarizado com o Manifesto de Marx ou mesmo com o Capital. O que é importante está no começo do Manifesto: “... um fantasma ronda a Europa...”. Isto não é uma metáfora, mas uma definição precisa do modo especial de ser que se cristaliza depois que uma sociedade se torna profana, depois da “morte de Deus”: é a partir desse momento que nós estamos no mundo dos fantasmas, no mundo das visões, das quimeras, das alucinações, das tramas da morte. Pois para a Rússiafoi justamente isso que significou a “jornada de Moscou para Petersburgo”, a encarnação do Nieva dentro da cidade, dentro do fantasma-cidade. Esta encarnação nunca poderia ser tão completa como em Crime e Castigo.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-SztkIIEhP2I/TscHuOq0T5I/AAAAAAAAArM/tO6yELJ_EYE/s1600/GRD_20_crime+e+castigo.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-SztkIIEhP2I/TscHuOq0T5I/AAAAAAAAArM/tO6yELJ_EYE/s320/GRD_20_crime+e+castigo.jpg" width="223" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O espectro comunista tornou tudo realisticamente fantasmagórico. Tendo se estabelecido na consciência do estudante, que procurava pelo perdido Logos, ele mergulha-o em uma corrente de visões distorcidas: um velho libertino arrastando uma adolescente bêbada em algum lugar; Marmeladov chorando de um modo arrependido, depois de ter vendido o último xale de sua amada para conseguir dinheiro para o álcool; o endemoniado Svidrigaylov, o enviado da eterna teia, que está sob a tutela da velha usurária, aproxima-se silenciosamente na direção da casta irmã de Rodion. Mas o que é esta ilusão? O fantasma, tendo possuído a consciência, de fato liberta o inconsciente: a realidade revelada é assustadora, intolerável, mas verdadeira. Porém seria o Mal compreensível pelo Mal? Uma ilusão revelari o caráter ilusório do mundo? Pela insanidade pode-se compreender que a humanidade vive de acordo com as leis de uma lógica doente? O fantasma do marxismo, o narcótico da revelação, o chamado gnóstico para o levante contra o maligno Demiurgo... A sangrenta dor destas feridas é mais aguda do que a imagem de uma brilhante e iluminada sala, cheia de casais elegantes rodopiando enquanto dançam.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Raskolnikov, matando a velha decrépita, comete um ato paradigmático, realiza um Feito que, de um modo arquetípico, é reduzido a práxis, tal como o marxismo a concebe: o Feito de Rodion Raskolnikov é o ato da Revolução Russa, o sumário de toda a literatura social democrata, narodnika e bolchevique. É um gesto fundamental da história russa que ocorreu logo após Dostoiévski, tendo sido preparado muito antes dele em enigmáticos pontos fundamentais do destino nacional. Toda a nossa história é dividida em duas partes: antes do assassinato da velha usurária por Raskolnikov e depois desse assassinato. Mas sendo um fantasmagórico e atemporal momento, ele lança flashes para frente e para trás dentro do tempo. Mostra a si mesmo nas revoltas camponesas, nas heresias, nas rebeliões de Pugachov e Razin, na divisão da Igreja Cristão Ortodoxa (Cisma, &lt;i&gt;Raskol &lt;/i&gt;em russo), no advento de uma era de trevas (eventos que começam na Rússia já no século XVII), em todas as complicadas, multifacetadas e insaciáveis metafísicas do Assassinato Russo, o qual difunde-se da profundidade do nascimento eslávico até o Terror Vermelho e o Gulag. A mão levantada sobre o crânio da vítima foi impelida por uma apaixonada e profunda irrupção de raiva.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Nós, russos, somos uma nação abençoada. Por isso todas as nossas manifestações – altas e ordinárias, graciosas e terríveis – são santificadas por um sentido sobrenatural, pelos raios luminosos da cidade celeste, são ungidos por uma substância transcendente. Na abundância da Graça nacional o Bem e o Mal são misturados, lançados um contra o outro, e repentinamente as trevas se iluminam, enquanto que algo branco e cristalino transforma-se em um simples inferno. Somos tão incognoscíveis quanto o Absoluto. Somos uma nação divina. Mesmo nosso crime é incomparavelmente superior às virtudes dos outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 14px; line-height: 20px;"&gt;Veja a &lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin_23.html"&gt;2a. parte do ensaio&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 14px; line-height: 20px;"&gt;Veja a &lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/12/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin.html"&gt;3a. parte do ensaio&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-5846987142829670217?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/5846987142829670217/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/5846987142829670217?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/5846987142829670217?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/AVZ_-YLMh0A/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin.html" title="&quot;Axe is the name of mine&quot;, de Alexander Dugin - parte 1" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-jLnQTW2KG3Q/TsVcpxpIB7I/AAAAAAAAAqw/dV1KUgkkkjc/s72-c/alexander+dugin+1.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/axe-is-name-of-mine-de-alexander-dugin.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEQEQHY5fSp7ImA9WhRWGEU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-6893484911963438542</id><published>2011-11-12T01:08:00.001+14:00</published><updated>2012-01-07T10:38:21.825+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-07T10:38:21.825+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="eduardo galeano" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="literatura latino-americana" /><title>Teologia 3 (de Eduardo Galeano)</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Aej5s_qBNf8/Tr0DBTl-lSI/AAAAAAAAAqk/eLHahrNC2hQ/s1600/EDUARDO-GALEANO-001.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-Aej5s_qBNf8/Tr0DBTl-lSI/AAAAAAAAAqk/eLHahrNC2hQ/s320/EDUARDO-GALEANO-001.jpg" width="281" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Errata: onde o Antigo Testamento diz o que diz, deve dizer aquilo que provavelmente seu principal protagonista me confessou:&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;Pena que Adão fosse tão burro. Pena que Eva fosse tão surda. E pena que eu não soube me fazer entender.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;Adão e Eva eram os primeiros seres humanos que nasciam de minha mão, e reconheço que tinham certos defeitos de estrutura, construção e acabamento. Eles não estavam preparados para escutar nem para pensar. E eu... bem, eu talvez não estivesse preparado para falar. Antes de Adão e Eva nunca tinha falado com ninguém. Eu tinha pronunciado belas frases, como –Faça-se a luz- mas sempre na solidão. E foi assim que naquela tarde quando encontrei Adão e Eva na hora da brisa, não fui muito eloqüente. Não tinha prática.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;A primeira coisa que senti foi assombro. Eles acabavam de roubar a fruta da árvore proibida, no centro do Paraíso. Adão tinha posto cara de general que acaba de entregar a espada e Eva olhava para o chão, como se contasse formigas. Mas os dois estavam incrivelmente jovens e belos e radiantes. Me surpreenderam. Eu os tinha feito, mas não sabia que o barro podia ser tão luminoso.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;Depois, reconheço, senti inveja. Como ninguém pode me dar ordens, ignoro a dignidade da desobediência. Tampouco posso conhecer a ousadia do amor, que exige dois. Em homenagem ao princípio de autoridade, contive a vontade de cumprimentá-los por terem se feito subitamente sábios em paixões humanas.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;Então vieram os equívocos. Eles entenderam queda onde falei vôo. Acharam que um pecado merece castigo se for original. Eu disse que quem desama peca: entenderam que quem ama peca. Onde anunciei pradaria em festa, entenderam vale de lágrimas. Eu disse q eu a dor era o sal que dava gosto á aventura humana: entenderam que eu os estava condenando, ao outorgá-lhes a glória de serem mortais e loucos. Entenderam tudo ao contrário. E acreditaram.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;Ultimamente ando com problemas de insônia. Há alguns milênios custo a dormir. E gosto de dormir, gosto muito, porque quando durmo, sonho. Então me transformo em amante ou amanta, me queimo no fogo fugaz dos amores de passagem, sou palhaço pescador de alto mar ou cigana adivinhadora da sorte; da árvore probida devoro até as folhas e bebo e danço até rodar pelo chão...&amp;nbsp;&lt;/i&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;Quando acordo estou sozinho. Não tenho com quem brincar, porque os anjos me levam tão a sério, nem tenho a quem desejar. Estou condenado a me desejar. De estrela em estrela ando vagando, aborrecendo-me no universo vazio. Sinto-me muito cansado, me sinto muito sozinho. Eu estou sozinho, eu sou sozinho, sozinho pelo resto da eternidade.&lt;/i&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
(extraído de "El libro de los abrazos" e tradução chupinhada do blog&amp;nbsp;&lt;a href="http://aimensaminoria.blogspot.com/2008/04/editorial-2-match-de-improvisao.html"&gt;http://aimensaminoria.blogspot.com/2008/04/editorial-2-match-de-improvisao.html&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-6893484911963438542?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/6893484911963438542/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/teologia-3-de-eduardo-galeano.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/6893484911963438542?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/6893484911963438542?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/IgF9HhrbixI/teologia-3-de-eduardo-galeano.html" title="Teologia 3 (de Eduardo Galeano)" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-Aej5s_qBNf8/Tr0DBTl-lSI/AAAAAAAAAqk/eLHahrNC2hQ/s72-c/EDUARDO-GALEANO-001.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/teologia-3-de-eduardo-galeano.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEQDSXo7eip7ImA9WhRWGEU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-414880105302581393</id><published>2011-11-09T12:42:00.002+14:00</published><updated>2012-01-07T10:39:38.402+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-07T10:39:38.402+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="política" /><title>O vozerio dos senhores de engenho pós-modernos</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-7XzovBr1x0s/TrmwOHk1FjI/AAAAAAAAAqc/ZkaFfjlmE0Y/s1600/coment%25C3%25A1rio+s%25C3%25A1bio.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="220" src="http://3.bp.blogspot.com/-7XzovBr1x0s/TrmwOHk1FjI/AAAAAAAAAqc/ZkaFfjlmE0Y/s400/coment%25C3%25A1rio+s%25C3%25A1bio.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Após ver um monte de comentários sobre a ação da Polícia Militar na USP, a conclusão óbvia: as pessoas não pensam,&amp;nbsp; limitando-se a copiar como tontos papagaios o que vêem na televisão e o que lêem na Internet.&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Não bastasse essa limitação inerente&amp;nbsp; ao homem-massa contemporâneo, o que torna esses comentários mais curiosos é a profusão de vivas, alvíssaras e parabenizações para a ação policial. O Brasil – e em especial a cidade de São Paulo – está se agitando em um caldo cultural cada vez mais autoritário e brutal. Adora a tranquilidade, acha linda as manifestações do “Sou da Paz”, fica todo emocionado nos especiais de Natal e tem uma certa antipatia por discussões de qualquer espécie, preferindo sempre uma amigável conciliação – afinal, segundo a tradição, somos um povo pacato, um povo receptivo, a feliz comunhão de todas as raças em harmonia. Porém toda essa bobagem convive, sem nenhuma suspeita de contradição, com uma beligerância discursiva contra os “que transgridem a lei”: o brasileiro adora morticínios de bandidos e ações da Tropa de Choque contra “baderneiros”. Afinal, quer “ordem”. Quer “tranqülidade”. E deseja que os bandidos e baderneiros sejam enterrados em pé porque ocupam muito espaço. Alborghetti, Datena e outros paraninfos da insegurança se multiplicam, e vemos seus clones nascerem às multidões em todos os lugares. &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E agora, com as redes sociais, os pequenos tiranos do discurso ganham um espaço e alcance nunca antes imaginado. Seus discursos repetem-se a exaustão, e tal como Goebels já havia notado, uma mentira contada mil vezes se torna, enfim, uma verdade – e então de repente todos os estudantes da USP são maconheiros, revolucionários, mimados e sustentados pelos pais. Assim como todos os camelôs são uns arruaceiros que desgraçam o centro de São Paulo. Contra ambos, um remédio: a Ordem, personificada nos cassetetes e nas balas de borracha.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Nunca fui ligado a nenhum movimento estudantil e, durante meus anos na FFLCH, vi um monte de absurdos pregados por lá, com a cegueira idealista típica da juventude. Porém, não acredito em absolutamente nada da cobertura dada aos fatos pela grande mídia. Porque, caro leitor, essas coisas que os jornalistas e comentaristas de ocasião enchem a boca pra falar, esses tais “fatos”, não existem: nem mesmo uma foto é isenta de um discurso, e portanto de uma vontade cuja essência primordial é aniquilar uma outra. Fotos de latas de cerveja na reitoria, das pichações, etc são o combustível para que o ressentimento dos Datenas se inflame, para que o vírus autoritário cante mais alto um solene hino à truculência.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Era óbvio que o desfecho do episódio seria esse. Era óbvio que a PM ficaria na USP. Não questiono a presença dela por lá. A Cidade Universitária não é a Terra do Nunca, embora esteja isolada do restante do mundo. Vejo, como sempre, tudo com o viés de um observador curioso, que cataloga os dados da realidade para analisá-los e buscar o que se esconde por detrás da aparência. Porque sempre há uma barreira a ser desvendada e uma bobagem para ridicularizar. E no caso da Tropa de Choque na USP e os berros de alegria dos Datenas, o ridículo também existe, embora eu o aprecie com desgosto. Esse ridículo é o sintoma da doença que sempre existiu em nós: essa síndrome autoritária da casa grande, essa vontade de ser o “sinhozinho” do pedaço, esse ranço autoritário que emburrece e torna esse país um fiasco em termos de cultura e valor.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-414880105302581393?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/414880105302581393/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/o-vozerio-dos-senhores-de-engenho-pos.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/414880105302581393?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/414880105302581393?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/XnpYY05N28s/o-vozerio-dos-senhores-de-engenho-pos.html" title="O vozerio dos senhores de engenho pós-modernos" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-7XzovBr1x0s/TrmwOHk1FjI/AAAAAAAAAqc/ZkaFfjlmE0Y/s72-c/coment%25C3%25A1rio+s%25C3%25A1bio.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/o-vozerio-dos-senhores-de-engenho-pos.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEEGR3wzfip7ImA9WhRWGEU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-2024255205711621620</id><published>2011-11-07T08:52:00.000+14:00</published><updated>2012-01-07T10:43:46.286+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-07T10:43:46.286+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="política" /><title>O ridículo da antipolítica</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O texto a seguir foi publicado pela Folha de São Paulo em 25 de agosto de 2011. Permaneceu favoritado no meu Delicious desde então e, hoje pela manhã, em uma faxina autoimposta nos links acumulados, o reencontrei.
&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Seu tema, a antipolítica dominante, continua ainda mais pornograficamente atual que antes. Marchas em prol da "higienização" da política. Ostensivas manifestações contra a corrupção. Diz-se com orgulho que todos os políticos são imundícies morais até mesmo na cama com a amante. Mais recentemente, acampa-se pelas cidades do mundo com vagas propostas de "um mundo melhor" e de "uma verdadeira democracia" (inclusive aqui no Brasil, com a nossa típica urgência em copiar os modelos vindos de fora com a subserviência de cães) pois "nenhum político nos representa". Vejo tudo isso, como o Caligaris no artigo da Folha, como sintomas de mudanças estruturais sobre a forma de fazer política.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O que daí nascerá não me interessa: por enquanto, vejo com nojo o espernear revoltado sem base de sustentação de alguns e com um nojo redobrado, próximo ao vômito, dos que clamam por higienização e moralidade na política quando eles mesmos são um arremedo de força de vontade e estão como aves de rapina esperando qualquer oportunidade de cair sobre a carcaça de qualquer um. &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O texto da Folha:&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&amp;nbsp;Certa vez, uma mulher me disse que não deixaria de gostar de mim, mesmo se eu perdesse o cabelo, engordasse absurdamente e mudasse de fé ou de lugar de residência. Mas ela deixou claro que, caso eu me tornasse um político, ela se separaria de mim, no ato. Essa mulher é brasileira, mas poderia ter sido italiana. Brasileiros e italianos compartilham, hoje, uma paixão antipolítica. A ideia antipolítica mais difusa é a convicção (recente na Itália e endêmica no Brasil) de que o exercício da política é indissociável da corrupção -com seu cortejo de alianças oportunistas, mentiras etc. Fora a ojeriza moral, a consequência dessa convicção é a seguinte: de repente, o único projeto republicano válido parece ser a luta contra os corruptos. Ou seja, no governo, os apetrechos da política (planos, visões ou competências) são inúteis, apenas precisamos de pessoas honestas.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="display: inline !important;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;A antipolítica da corrupção cria uma nova unanimidade. Para o cidadão comum, ela é lisonjeira: se os políticos parecem ser todos corruptos é porque nós, na sociedade civil, devemos ser todos honestos, não é? Para os políticos, denunciar a corrupção de sua própria classe é mais fácil do que conceber e colocar em ato ideias sociais e econômicas inovadoras. Com isso, a antipolítica reconcilia a nação, as classes e os partidos: vivemos enfim numa comunidade de (todos) indignados contra os políticos (todos) corruptos.&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="display: inline !important;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;Na Itália, o Partido Comunista da época de Berlinguer (inclusive nas regiões que governava) era considerado, mesmo por seus adversários, como uma reserva ética. Os comunistas podiam ser acusados de comer criancinhas, mas ninguém imaginava que, uma vez no poder, eles seriam como os outros. Ora, a partir de 1991, quando o partido se desfez, as siglas nas quais ele confluiu (compostas cada vez mais de políticos profissionais e cada vez menos de militantes) foram partidos como os outros.&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="display: inline !important;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;O caso do PT, no Brasil, não foi muito diferente. As alianças de governo e sobretudo o mensalão acabaram com a ideia de que o Partido dos Trabalhadores representasse uma reserva ética dentro da política. Conclusão: como quer a antipolítica, políticos são todos iguais e reserva ética só existe na sociedade civil.&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="display: inline !important;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;Quanto a mim, oscilo: acho que a arte de governar não deveria se resumir num trabalho de polícia, mas será que, hoje, é possível qualquer política sem um saneamento moral prévio?&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="display: inline !important;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;A corrupção generalizada não é o único argumento da antipolítica. A desconfiança de discursos políticos fanfarrões e abstratos (que, ao longo do século 20, sacrificaram milhões) pede que eles sejam substituídos pelo cuidado com os problemas concretos, numa espécie de ativismo direto, sem projetos globais, sem representação e sem delegação. Aqui também a antipolítica ganha uma simpatia suprapartidária e interclassista.&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="display: inline !important;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;Acabo de ler um conto de Piero Colaprico, "Arrivano i NAM", publicado pelo "Corriere della Sera", no qual ex-militantes da luta armada dos anos 1970 e 1980, tanto esquerdistas como fascistas de extrema direita, unem-se, hoje, para criar um grupo que organiza linchamentos e punições como no passado, só que contra alvos comuns, que não são mais inimigos ideológicos, mas pessoas que concretamente estragam a convivência civilizada de todos na cidade.&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="display: inline !important;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="display: inline !important;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;Os NAR, Nuclei Armati Rivoluzionari, são assim substituídos pelos NAM, Nonni Armati per Milano, ou seja, os avós armados para Milão, vigilantes defensores da ordem e da justiça miúdas e concretas.&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="display: inline !important;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="display: inline !important;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;Concordando com a antipolítica, entre os NAR e os NAM, talvez eu prefira os avós, os NAM. Se hesito um pouco, é porque receio que, à força de cuidar apenas do concreto imediato, a gente acabe perdendo a capacidade de pensar mundos realmente diferentes.&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="display: inline !important;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="display: inline !important;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;Em suma, não sei interpretar a antipolítica. Talvez ela seja o sinal de uma nova forma de domínio, que nos induz a aceitar nosso "sistema" e pedir apenas gestões mais honestas e mais concretas. Talvez, ao contrário, ela seja uma revolta contra a política tradicional, capaz, a longo prazo, de redefinir nossa visão do que é política.&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="display: inline !important;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="display: inline !important;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;Questões. A Primavera Árabe me parece ser um evento político no sentido tradicional. Mas os jovens protestatórios do Chile e ainda mais os saqueadores de Londres foram o quê? Antipolíticos?&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;Fonte: &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2508201125.htm"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2508201125.htm&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-2024255205711621620?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/2024255205711621620/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/o-ridiculo-da-antipolitica.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/2024255205711621620?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/2024255205711621620?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/Kl1Otsb8vHw/o-ridiculo-da-antipolitica.html" title="O ridículo da antipolítica" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/o-ridiculo-da-antipolitica.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEABQ3szfCp7ImA9WhRWGEU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-7699021607198418620</id><published>2011-11-05T01:33:00.001+14:00</published><updated>2012-01-07T10:45:52.584+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-07T10:45:52.584+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="religião" /><title>Gênesis 1, 28</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Pz7vxHWESGU/TrPNYlm70VI/AAAAAAAAAqU/sRcCiRTwvHI/s1600/ad%25C3%25A3o+e+eva.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="265" src="http://1.bp.blogspot.com/-Pz7vxHWESGU/TrPNYlm70VI/AAAAAAAAAqU/sRcCiRTwvHI/s400/ad%25C3%25A3o+e+eva.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;"Deus os abençoou: Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a.  Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra."&lt;/i&gt;

&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Sentença proferida em 1587 no processo contra o prior de Trancoso (autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5, maço 7):&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas. Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres". Não satisfeito tal apetite, o malfadado prior, dormia ainda com um escravo adolescente de nome Joaquim Bento, que o acusou de abusar em seu vaso nefando noites seguidas quando não lá estavam as mulheres. Acusam-lhe ainda dois ajudantes de missa, infantes menores que lhe foram obrigados a servir de pecados orais, completos e nefandos, pelos quais se culpam em defeso de seus vasos intocados, apesar da malícia exigente do malfadado prior.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
[agora vem o melhor:]&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
"El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou pôr em liberdade aos dezessete dias do mês de Março de 1587, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e, em proveito de sua real fazenda, o condena ao degredo em terras de Santa Cruz, para onde segue a viver na vila da Baía de Salvador como colaborador de povoamento português. El-rei ordena ainda guardar no Real Arquivo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo".&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
(retirado de um e-mail da lista Planeta Cioran)&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;

&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-7699021607198418620?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/7699021607198418620/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/genesis-1-28.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/7699021607198418620?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/7699021607198418620?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/mdy_TpNYUH8/genesis-1-28.html" title="Gênesis 1, 28" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-Pz7vxHWESGU/TrPNYlm70VI/AAAAAAAAAqU/sRcCiRTwvHI/s72-c/ad%25C3%25A3o+e+eva.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/genesis-1-28.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CE8FQ3kzfip7ImA9WhRWGEU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-9192670788353456886</id><published>2011-11-03T16:45:00.001+14:00</published><updated>2012-01-07T10:46:52.786+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-07T10:46:52.786+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="literatura" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="sexo" /><title>Trecho de "História do olho", de Georges Bataille</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-M-NGCzMorns/TrIAOp3yCpI/AAAAAAAAAqM/4ZjDsmfN4-o/s1600/bataille1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="286" src="http://3.bp.blogspot.com/-M-NGCzMorns/TrIAOp3yCpI/AAAAAAAAAqM/4ZjDsmfN4-o/s320/bataille1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;Para os outros, o universo parece honesto. Parece honesto para as pessoas de bem porque elas têm os olhos castrados. É por isso que temem a obscenidade. Não sentem nenhuma angústia ao ouvir o canto do galo ou ao descobrirem o céu estrelado. Em geral, apreciam os "prazeres da carne" na condição de que sejam insossos.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;Mas, desde então, não havia mais dúvidas: eu não gostava daquilo a que se chama "os prazeres da carne" justamente por serem insossos. Gostava de tudo o que era tido por "sujo". Não ficava satisfeito, muito pelo contrário, com a devassidão habitual, porque ela só contamina a devassidão e, afinal de contas, deixa intacta uma essência elevada e perfeitamente pura. A devassidão que eu conheço não suja apenas o meu corpo e os meus pensamentos, mas tudo o que imagino em sua presença e, sobretudo, o universo inteiro.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
(página 58, edição da Cosac Naify de 2003)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-9192670788353456886?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/9192670788353456886/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/trecho-de-historia-do-olho-de-georges.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/9192670788353456886?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/9192670788353456886?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/IF6zGRlGBcg/trecho-de-historia-do-olho-de-georges.html" title="Trecho de &quot;História do olho&quot;, de Georges Bataille" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-M-NGCzMorns/TrIAOp3yCpI/AAAAAAAAAqM/4ZjDsmfN4-o/s72-c/bataille1.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2011/11/trecho-de-historia-do-olho-de-georges.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CE8DRXY_cSp7ImA9WhRWGEU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-527884487154963648</id><published>2011-09-26T16:43:00.000+14:00</published><updated>2012-01-07T10:47:54.849+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-07T10:47:54.849+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Deus" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="cidade" /><title>Mensagens cifradas em lágrimas</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Gosto de buscar conexões entre os dados da Realidade e neles encontrar mensagens cifradas. Esse exercício, repetido desde sempre, está algo próximo da Patafísica, mas também da idiotice. E como nem sempre a Realidade é algo razoável, encontrar explicações, mesmo que absurdas, para os acontecimentos do cotidiano acabou por se tornar um vício, uma obsessão, uma tara que faz rir na maioria das vezes e em outras me deixa extremamente preocupado (mesmo sabendo do sabor arbitrário de todas as explicações que encontro através desse método).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Há fatos recentes cuja casualidade e similaridade, acentuadíssimas, me deixaram (deixam) em dúvida sobre a possível mensagem que contem (sim, eles tem uma mensagem, e sim, é vício, obsessão, tara). Ei-los:&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
- um cara meio sujo e mal vestido, mas não exatamente um mendigo, próximo da Faria Lima com a Rebouças. Ele interpela duas executivas gostosas que passavam ali na hora do almoço. Elas nem param para conversar com ele. O cara chega perto de mim falando em espanhol. Respondo em espanhol também. Ele arregala uns olhos enormes e pergunta de onde eu sou. Continuo conversando, ele me conta que veio de Rosário, na Argentina, tentar a vida aqui, mas que está difícil, tem dois filhos, não consegue emprego, as pessoas têm preconceito quando começa a falar em espanhol, etc. Pede três reais para pegar um ônibus para a Lapa, onde mora (tinha vindo andando desde a Cidade Universitária). Eu disse que não tinha (a eterna desconfiança paulistana). Ele me agradece, damos as mãos e ele segue.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
- na semana seguinte, encontro o mesmo cara perto da minha casa. Ele me interpela de novo. Reavivo a memória dele. Ele fica feliz de me reencontrar. Tinha ido em uma padaria ali perto ver se consegui um emprego, por indicação de um amigo. Foi a pé, da Lapa até o metrô Paraíso. Não tem dinheiro. Mais uma vez, digo que nada tenho. Ele agradece, nos cumprimentamos, ele vai embora.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
- voltando para casa (eu tinha ido ao mercado quando encontrei o argentino), vejo uma mulher parada na porta do meu prédio. A mulher chora copiosamente. Ao entrar, ela me dá bom dia. Eu não respondo. Não falo com estranhos no geral. Ela insiste: "diz bom dia pra mim, moço, com esses olhos lindos que Deus lhe deu". Isso me deixou incrivelmente puto. Fecho a porta sem falar nada.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Entro em casa e meu filho vem fazer festa e me ajudar com 
as sacolas de compras. Ele fala comigo, aquelas coisas que as crianças falam. Não entendo nada. Não consigo tirar da cabeça a mulher chorando na 
porta do prédio. Minha esposa, na cozinha, fala comigo também, e igualmente não consigo entender, a cabeça 
em aceleração absurda tentando conectar o mendigo e a mulher que chorava
 (vício, obsessão, tara).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
- O interfone tá tocando, Roberto.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Atendo. Digo alô. Ouço alguém chorando. Ninguém responde. Desligam na minha cara.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Talvez tenha sido Deus, travestido de argentino maltrapilho e depois de mulher chorona, me convidando ao arrependimento. Ajude os outros e seja uma pessoa melhor: Deus me deu três oportunidades para aprender a lição. Eu neguei todas. Bem provável que era Ele ali, conversando comigo em espanhol e depois chorando e pedindo um simples bom dia. Ou antes nada disso: o argentino era só um argentino, a mulher era só uma mulher. Difícil é se contentar com aquilo que é, quando muito mais se consegue com o que poderia ser. &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-527884487154963648?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/527884487154963648/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/09/mensagens-cifradas-em-lagrimas.html#comment-form" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/527884487154963648?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/527884487154963648?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/KyCw_j1ii24/mensagens-cifradas-em-lagrimas.html" title="Mensagens cifradas em lágrimas" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2011/09/mensagens-cifradas-em-lagrimas.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CE8NQHo_eyp7ImA9WhRWGEU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-7202596851493305425</id><published>2011-09-06T13:50:00.000+14:00</published><updated>2012-01-07T10:48:11.443+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-07T10:48:11.443+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="histórias de amantes" /><title>Histórias de amantes X</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E os amantes estavam tão plenos e brilhantes em seu amor que era quase uma blasfêmia acreditar nas histórias que as pessoas contavam, histórias que diziam haver entre eles oceanos de mentiras. É que os corações profundamente machucados podem seguir dois caminhos: o da Dor ou o da Inveja, e é bem comum que sigam por um tempo no primeiro até por fim estacionar no segundo, e nesse caminho ficam para sempre – maledicentes de tudo o que é belo, escarnecedores dos felizes e reprovadores daquilo que mais desejam.&lt;/div&gt;
________________________________________________________________________&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Histórias de amantes&lt;/b&gt; é uma série que iniciei aqui ano passado. Abaixo os posts anteriores:&lt;br /&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt; &lt;a href="http://dissolvecoagula.blogspot.com/2009/12/historias-de-amantes-uma-introducao.html"&gt;Introdução&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt; &lt;a href="http://dissolvecoagula.blogspot.com/2010/01/inspiracao-da-serie-historias-de.html"&gt;Inspiração&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href="http://dissolvecoagula.blogspot.com/search/label/hist%C3%B3rias%20de%20amantes"&gt;As outras histórias &lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-7202596851493305425?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/7202596851493305425/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/09/historias-de-amantes-x.html#comment-form" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/7202596851493305425?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/7202596851493305425?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/3PRFNUOVRJQ/historias-de-amantes-x.html" title="Histórias de amantes X" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2011/09/historias-de-amantes-x.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;A08FQ308cSp7ImA9WhRUFEw.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-8958748008950346041</id><published>2011-08-22T16:18:00.004+14:00</published><updated>2012-01-25T05:43:32.379+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-25T05:43:32.379+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Deus" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="religião" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="reflexões" /><title>E o mundo será ateu...</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-rgn4Xn_MKCs/TlG8MPIjjeI/AAAAAAAAApM/jIS7tfw598g/s1600/Antigua9.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="265" src="http://1.bp.blogspot.com/-rgn4Xn_MKCs/TlG8MPIjjeI/AAAAAAAAApM/jIS7tfw598g/s400/Antigua9.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Um mundo ateu: obedecendo a uma teleologia que mescla desenvolvimento econômico e esclarecimento sobre questões existenciais, o futuro pertencerá aos homens livres de deus. Pelo menos, assim será segundo o estudo divulgado pela Folha na semana passada:&lt;a href="http://f5.folha.uol.com.br/estranho/957024-estudo-diz-que-ateismo-vai-tomar-lugar-das-religioes.shtml"&gt; http://f5.folha.uol.com.br/estranho/957024-estudo-diz-que-ateismo-vai-tomar-lugar-das-religioes.shtml&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Os dados são esses: a Suécia, paraíso do bem-estar social, com seu seguro-desemprego vitalício e chances reais de todos terem uma “boa” vida, tem alto percentual de ateísmo (64% da população assim se declara no gélido país escandinavo). Já a África sub-saariana, uma das regiões mais miseráveis do mundo, o percentual de ateus nem chega a 1%. De acordo com essa pesquisa (a ser divulgada em finais de agosto, integralmente) o que explica as diferenças imensas de percentual são as comodidades que o dinheiro introduz na vida das pessoas. Quanto maior segurança para lidar com os problemas terrenos, menos interesse por qualquer tipo de transcendência.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
As conclusões desse estudo me fizeram voltar no tempo, revendo os passos dados até aqui.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Durante largos anos, me assumi como ateu. Criado no seio de uma família (intensamente) católica apostólica romana, fiz catecismo, crisma e participei de forma bastante ativa da Igreja da infância até inícios da adolescência. Como muitos, o rock me jogou na via da contestação e do livre pensamento, fazendo quebrar com as velhas crenças e investir em um ateísmos alimentado por leituras de Sebastien Faure, Sade (ateísmo e putaria, que combinação deliciosa), Bakunin e Nietzsche. Claro que, ao lado disso, audições de Sarcófago, Impaled Nazarene, Rot e outras barbaridades musicais me fizeram tornar o ateísmo uma causa, um motivo para rir dos crentes e promover situações desagradáveis com os evangélicos que batiam na porta da minha casa, nas manhãs de sábado.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Ah, a juventude satânica! Como era incrivelmente divertido ostentar cruzes invertidas, andar com camisetas cheias de demônios, ter um pôster do Baphomet no quarto! Tomando Satanás como símbolo da revolta, mas sem adorá-lo como o vulgo adorava ao Nazareno, o ateísmo provocativo daqueles dias desempenhava o papel de combustível para alimentar um projeto de vida: com a morte de Deus, era necessário repensar cada milímetro da existência - a forma de amar aos demais, de me relacionar no seio familiar, de como responder às datas comemorativas, etc. A revolta metafísica era também desenvolvida de forma muito concreta, e não meramente especulativa. A aventura de viver no vácuo da destruição do reino divino – naquele momento um monte de bobagens quiméricas, utilizadas por milênios para a subjugação dos povos – era deliciosamente experimentada, e posso dizer que por muito tempo toda e qualquer referência a temas sobre espiritualidade chegavam até mim como manifestações da mais porca covardia.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Ainda tenho em mim toda essa carga de repulsa por manifestações religiosas de massa. Quando vejo, por exemplo, multidões se acotovelando na Marcha para Jesus, cujo objetivo&lt;a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/marcha+para+jesus+vira+ato+contra+uniao+homoafetiva/n1597044443203.html"&gt; político ficou mais do que claro em sua última edição&lt;/a&gt;, a vontade que tenho é de sobrevoar a Praça Campo de Bagatelle jogando napalm. Mirando mais nos efeitos do que nas causas, esse ímpeto de destruição é ainda uma reminiscência da antiga revolta satânico-metafísica (que não nego nem ridicularizo, afinal um homem é produto do Tempo e, principalmente, do que foi em seus primórdios juvenis). Porém, para mim é claro que essa loucura religiosa que movimenta milhões pelo mundo tem seus líderes, que nada mais são que os motores a fazer as engrenagens do fanatismo girar. Esses senhores, sim, merecem perecer os rigores de uma nova Bastilha. Porém, nunca deixo de pensar que mesmo esses senhores sendo mais “culpados” (de acordo com meus critérios condenáveis do que é justo ou injusto), nem por isso os seus seguidores-zumbis merecem clemência: são justamente os mais açoitados pelo chicote aqueles que melhor saberão empunhá-lo. Edir Macedo deve ter sido um homem puro, de coração reto, temente a Deus, em seus inícios – até perceber que a fé poderia ser usada &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=CCfHXBrkqiY"&gt;para fins infinitamente mais interessantes como automóveis, mulheres, iates.&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Esse ódio quase primal pela fé catártica que explode nas manifestações religiosas de massa é o que ainda subsiste de meu extinto ateísmo. Já há muitos anos que não consigo me considerar um ateu. Ao mesmo tempo, é impossível simplesmente fechar os olhos e rezar. Ou mesmo acreditar em algo que tenha um nome, como Cristo, São Paulo ou Krishna. Contraditório em excesso aceitar que não se é mais um descrente e, ao mesmo tempo, quase que incapacitado a acreditar.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O nível de descrença foi, paulatinamente, decaindo ao longo dos anos. Devo muito disso ao interesse prematuro – desde a primeira infância – pelo assunto religião. Ler a Bíblia era algo comum em casa, assim como revistas de cunho religioso. Ao mesmo tempo, publicações sobre esoterismo, parapsicologia, Ufologia e crenças orientais estavam sempre ao alcance dos olhos (meu pai, o herege familiar, sempre teve uma queda por assuntos fantásticos, embora de modo bastante reservado, talvez em respeito a minha mãe e a toda a tradição católica familiar). De tais textos me afastei, impelido por um radical materialismo ateu, acima explanado. &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Contudo, a aridez desse materialismo foi aos poucos alcançando um patamar desinteressante. A exacerbação da racionalidade e do materialismo, conduzida a níveis militantes, converteu-se, como é comum, em uma réplica piorada do que pretendia ser a antíteses – e então vi que muito do que eu admirava no ateísmo, em alguns escritores radicalmente ateus, era nada mais do que o mesmo fanatismo dos crentes, mas com roupagens pretensamente sofisticadas. O deus cristão dando lugar ao deusdeus, tornam-se tão dogmáticos quanto um pastor evangélico na defesa de sua onipotente verdade. Talebans do materialismo ateu, colocam a Razão - assim mesmo, com iniciais em caixa alta - em seu altar de culto e incensando a divindade com fervor.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Paul Veyne, no excelente &lt;a href="http://revistacult.uol.com.br/home/2010/08/quando-nosso-mundo-se-tornou-cristao/"&gt;&lt;i&gt;Quando o nosso mundo se tornou cristão&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, propõe algo que ajuda a explicar o porquê do ateísmo, muitas vezes, se tornar tão repulsivo quanto a crença mais fanática: não é o fato de uma crença ser poli ou monoteísta que a torna intolerante, mas sim o seu &lt;i&gt;imperialismo&lt;/i&gt;. No nascimento da religião cristã, havia uma profusão de outros credos. Templos a Ísis, Mitra, Júpiter e inúmeras outras divindadade existiam por todo o Império Romano. Nesse cenário, era óbvio que diferentes cidades, e diferentes pessoas dentro dessas cidades, tivessem seu deus predileto. Um morador de uma cidade mais ao Oriente do Império, por exemplo, poderia ter a preferência de adoração por Ísis. Em Roma, um dos deuses mais populares era, previsivelmente, Júpiter. Quando muito, um morador das fronteiras do Império poderia dizer a um patrício que “o meu deus é melhor do que o seu”. Ambos, porém, ainda continuavam com o mesmo estatuto de serem deuses válidos. O salto qualitativo do judeo-cristianismo foi mudar a forma de tratar os deuses do outro: já não diz mais que um deus é melhor, mas sim “o meu Deus é &lt;i&gt;o verdadeiro&lt;/i&gt;, e o seu é apenas uma estátua, &lt;i&gt;uma mentira&lt;/i&gt;”. Entrava no cenário uma forma substancialmente diferente de tratar a crença alheia, não apenas mais como diferente, mas como algo ilusório, e que deveria como tal ser combatido pelo artifício da conversão.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O caráter combativo de certo ateísmo materialista pode atingir esse mesmo nível imperial: ao crente resta abdicar de suas fantasias nojentas para adentrar o "verdadeiro caminho", que é o da descrença. Convicto de que sua visão como que salva o mundo da ignorância em que está imerso, o materialista ateu em sua fase imperial experimenta "a passagem da febre para a epilepsia" - o ponto crítico e genocida que Cioran detectou como sendo o núcleo comum de toda idéia que pretende, de algum modo, &lt;i&gt;melhorar&lt;/i&gt; a vida dos homens.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O curioso no materialismo ateu é o seu apego irrestrito ao mundo material. Vítimas das superstições metafísicas, os homens deveriam, na visão do materialista ateu, abdicar das fantasias e tolices próprias das religiões e aceitar, de um vez por todas, que só existe a Razão e a matéria. A premissa de tal crítica (os homens inseridos em um ambiente de crenças e superstições) está mal colocada pois, hoje em dia, é exatamente isso o que temos: nenhuma noção de espiritualidade, nenhuma real devoção, nenhuma busca pelo transcendente. A religião evangélica, que é a que mais cresce em número de fiéis, tem em seu embasamento “espiritual" um corpo de idéias que atende pelo nome de Teologia da Prosperidade, cuja idéia central afirma que &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Teologia_da_prosperidade"&gt;a prosperidade financeira é resultado da fidelidade a Deus&lt;/a&gt;.&amp;nbsp; A “fé” dessa corja nada mais é que um amontoado de regras morais, uma anestesia para lhes garantir um conforto enquanto,&lt;i&gt; como todas as outras pessoas&lt;/i&gt;, desfrutam de todos os prazeres e comodidades que o dinheiro pode oferecer. Ou antes disso: é uma anestesia para poder ganhar e acumular muito dinheiro (ou tentar fazê-lo) sem o mínimo de preocupação. Na prática, o que essa teologia autoriza é, de forma absolutamente contraditória, a manifestação desavergonhada e ostensiva do Pecado em suas mais diabólicas materializações.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A esbórnia, o sexo desenfreado, a vaidade, o mergulhar terrível no mundo do consumo de roupas novas, de carros, de celulares e de qualquer outra imundície desnecessária, a banalização da vida ao transformar a existência em uma corrida para colecionar coisas, pessoas, noites de sexo e fotos para preencher um vazio que não tem sequer nome: cada vez mais me convenço de que um verdadeiro crente, hoje em dia, só poderia se manter livre do pecado se abdicasse total, radical e&lt;i&gt; imediatamente&lt;/i&gt; a qualquer contato com o mundo exterior. Viver em contato com o mundo é, hoje, o passaporte para o Inferno.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Um mundo ateu é, exatamente, o mundo que vivemos hoje, embora a maioria das pessoas assim não se intitule. O que vemos é, se o leitor me permitir a analogia, o efeito da primeira lei de Newton nos atos humanos, que diz que um corpo em movimento permanece em movimento por um determinado período, mesmo após a ausência da força que o impeliu a isso. Como na pesquisa divulgada pela Folha, a tendência a mais pessoas se assumirem como atéias é mera questão de tempo, quando os efeitos da tradição cristã ocidental se deteriorar ainda mais. &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Contudo, é importante pensar: que tipo de homens serão produzidos em um universo longe da possibilidade de transcendência? Da mesma forma que o imperialismo de um credo, tal como o Cristianismo, produziu oceanos de sangue e festins de matança ao longo dos últimos dois milênios (e continua, ainda hoje, a instigar seus novos tribunos da Inquisição), um mundo ateu me parece um espetáculo horripilante. Seria um mundo embasado em uma certeza, a certeza de que estamos sem nada, sem ninguém, sem nenhuma mágica nos espreitando. Seria, tal como imagino, um mundo muito parecido com o de hoje, com a diferença de que o espetáculo materialista seria o único a ser visto e talvez muito parecido com essa descrição de Henrich Zimmer:&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;"Não fundamentamos nossas existências em fascinantes ou consoladoras interpretações globais da vida e do Universo, seguindo linhas como as da teologia tradicional ou as da abstração meditativa; preferimos as questões minuciosas de nossas inúmeras ciências sistemáticas. Ao invés de uma atitude de aceitação, resignação e contemplação, cultivamos uma vida de incessante movimento provocando mudanças a cada instante, melhorando e planejando coisas, submetendo os crescimentos naturais e espontâneos do mundo a um programa. " (Filosofias da Índia, editora Palas Athena)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Sozinhos no cosmo, sem nada além que não seja aquilo que podemos tocar: talvez isso seja verdade. Sim, talvez não exista absolutamente nada quando enfim fecharmos os olhos e as pás de terra encerrarem o nosso destino, no &lt;i&gt;humus&lt;/i&gt; que consumirá a carne de nossos ossos. Talvez o Deus de todos os credos, que já assumiu formas diversas e nomes infinitos (as mil máscaras de Deus, segundo Campbell) talvez esse deus seja algo completamente diferente de tudo o que os homens, em sua cósmica ingnorância, já conseguiram explicar. Talvez ele esteja de costas para esse mundo, criado como um capricho, como um simples passatempo na tediosa Eternidade que ele deve suportar. Talvez (e é bem provável) que ele sequer se lembre de nós.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Não importa nada disso: o que me parece imprescindível é não aplaudir a promessa de um mundo ateu. Unidimensional, orgulhosamente fundado nos "dados concretos", bradando a plenos pulmões o fim das superstições, o nascimento de um mundo ateu seria o ápice da fase imperial da Razão e o coroamento do processo que vemos, em acelerado desenvolvimento, nos dias de hoje - um mundo onde a existência vai paulatinamente se livrando de qualquer transcendência e abraçando um materialismo estupidificante, que se espalha como uma peste através do acúmulo de coisas, pessoas e sensações. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-8958748008950346041?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/8958748008950346041/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/08/e-o-mundo-sera-ateu.html#comment-form" title="11 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/8958748008950346041?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/8958748008950346041?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/V49OPbsK7t8/e-o-mundo-sera-ateu.html" title="E o mundo será ateu..." /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-rgn4Xn_MKCs/TlG8MPIjjeI/AAAAAAAAApM/jIS7tfw598g/s72-c/Antigua9.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>11</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2011/08/e-o-mundo-sera-ateu.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CUcAQH08fCp7ImA9WhRWGEU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-1213538869992355400</id><published>2011-08-14T19:17:00.001+14:00</published><updated>2012-01-07T10:50:41.374+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-07T10:50:41.374+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="literatura norte-americana" /><title>Trecho de um conto do Lovecraft</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-TN5QZICRnwI/TkdaL_q56DI/AAAAAAAAApI/VH1U_qLhjWo/s1600/cthulhu_800.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://4.bp.blogspot.com/-TN5QZICRnwI/TkdaL_q56DI/AAAAAAAAApI/VH1U_qLhjWo/s400/cthulhu_800.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;"Freqüentemente imagino se a maioria da humanidade algum dia parou para refletir sobre o significado ocasionalmente titânico dos sonhos e do obscuro mundo a que pertencem. Embora a maioria de nossas visões noturnas talvez não passe de pálidos e fantásticos reflexos de nossas experiências em estado de vigília - ao contrário do que diz Freud com seu pueril simbolismo -, resta ainda um certo resíduo cujo caráter etéreo e invulgar não permite nenhuma interpretação comum, e cujo efeito vagamente excitante e inquietador sugere possíveis vislumbres momentâneos de uma esfera da existência mental não menos importante que a existência física, embora separada desta por uma barreira quase intransponível. Por experiência própria, não posso senão concordar que o homem, quando liberto da consciência terrestre, está na verdade vivendo uma outra existência, incorpórea, de natureza muito diferente da que conhecemos, e da qual permanecem apenas lembranças das mais fugazes e indistintas, depois de acordarmos. Dessas lembranças confusas e fragmentárias podemos inferir muito, mas provar pouco. Podemos supor que nos sonhos, vida, matéria e vitalidade, tais como a terra conhece essas coisas, não são necessariamente constantes; e que o tempo e o espaço não existem tais como nossos eus despertos os concebem. Acredito, às vezes, que essa vida menos material é nossa vida mais verdadeira, e que nossa vã presença sobre o globo terrestre é o fenômeno secundário ou meramente virtual."&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Primeiro parágrafo do conto "Além da barreira do sono", de H. P. Lovecraft, e que se enquadra naquele seleto grupo de leituras memoráveis,  onde vemos nossa confusa visão sobre um determinado assunto assumir uma forma cristalina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-1213538869992355400?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/1213538869992355400/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/08/trecho-de-um-conto-do-lovecraft.html#comment-form" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/1213538869992355400?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/1213538869992355400?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/Rxrkoi2GZ_I/trecho-de-um-conto-do-lovecraft.html" title="Trecho de um conto do Lovecraft" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-TN5QZICRnwI/TkdaL_q56DI/AAAAAAAAApI/VH1U_qLhjWo/s72-c/cthulhu_800.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2011/08/trecho-de-um-conto-do-lovecraft.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CUcMQn85fip7ImA9WhRWGEU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-2841212019710832529</id><published>2011-08-11T17:03:00.000+14:00</published><updated>2012-01-07T10:51:23.126+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-07T10:51:23.126+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="ugra press" /><title>II Anuário de Fanzines - Convocatória!</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-PMnfMG0Ej6c/TkNGTt8TB3I/AAAAAAAAApE/alxFuuk0NhA/s1600/cartaz_portugues_para_net.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-PMnfMG0Ej6c/TkNGTt8TB3I/AAAAAAAAApE/alxFuuk0NhA/s400/cartaz_portugues_para_net.jpg" width="281" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Começaram os trabalhos na UGRA PRESS para o &lt;a href="http://ugrapress.wordpress.com/ii-anuario/"&gt;II ANVÁRIO DE FANZINES&lt;/a&gt;. O primeiro, lançado em fevereiro de 2011, contou com mais de 120 publicações brasileiras e &lt;a href="http://ugrapress.wordpress.com/clipping/"&gt;uma repercussão&lt;/a&gt; que excedeu, em todos os sentidos, as nossas expectativas (mantidas, desde o início, em uma segura baixa intensidade).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Foi uma grande descoberta ver a enorme diversidade de publicações que são feitas hoje em dia. A despeito de todas as facilidades de publicação existentes (e esse blog é um exemplo disso) ainda há aqueles que enxergam no impresso possibilidades expressivas únicas. Mais do que isso: essa discussão absurda de impresso versus digital, que já saturou a paciência de muita gente (a minha já há tempos) mostra-se uma bobagem para preencher editoriais e matérias-jabá para aquecer o mercado de vendas de e-books. Ok, isso soou incrivelmente conspiratório e poderia figurar em uma postagem no blog &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=SptcgogRcb0"&gt;desse fita aqui&lt;/a&gt;. Porém, o fato é que nada disso - esses argumentos por vezes catastróficos alardeando o "fim do impresso", que nas escolas não existirão mais cadernos, que os livros serão trocados por e-books, etc etc etc - nada disso afeta a paixão de se produzir fanzines, de recortar papel e montar edições artesanais sobre temas que te interessam&amp;nbsp; e, depois, distribuir por aí. &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A segunda edição do Anuário terá uma diferença essencial em relação ao seu irmão mais velho: cobrir a cena zineira não só do Brasil, mas de todos os outros países da América do Sul. Há muitos zines sendo feitos na Bolívia, no Equador, na Argentina e em vários outros pontos do continente, e a ambição é conhecer essa produção, divulgá-la por aqui e estabelecer laços com os &lt;i&gt;hermanos &lt;/i&gt;que compartilham desse mesmo fetiche pelo impresso.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Achou interessante? Então vai lá no blog da UGRA, conheça os detalhes de como participar e nos ajude a espalhar a notícia: &lt;a href="http://ugrapress.wordpress.com/ii-anuario/"&gt;http://ugrapress.wordpress.com/ii-anuario/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-2841212019710832529?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/2841212019710832529/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/08/ii-anuario-de-fanzines-convocatoria.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/2841212019710832529?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/2841212019710832529?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/A_kFf140la8/ii-anuario-de-fanzines-convocatoria.html" title="II Anuário de Fanzines - Convocatória!" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-PMnfMG0Ej6c/TkNGTt8TB3I/AAAAAAAAApE/alxFuuk0NhA/s72-c/cartaz_portugues_para_net.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2011/08/ii-anuario-de-fanzines-convocatoria.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CUUGSHo9eyp7ImA9WhRUFE8.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-5442782251829250625</id><published>2011-06-14T17:48:00.002+14:00</published><updated>2012-01-25T06:40:29.463+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-25T06:40:29.463+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="mulheres" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="romance" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="música" /><title>A grande ampulheta dos desencontros do Universo</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E não há quem culpar a não ser o Tempo, essa divindade que tira suas forças do desencontro e da ruína de tudo. Sim, é o Tempo um deus muito severo, a tudo submete a provas, a batalhas demasiado duras e ferozes: essa é sua característica mais forte. Além disso, ele também faz com que os corações vibrem em dissonância, e se diverte com os desencontros que provoca. Não destrói nada com essas suas brincadeiras de mau gosto, mas adia a felicidade de muitos, faz promessas que não sabemos se serão cumpridas, deixa a muitos homens buscando aquelas delicadezas femininas que apenas &lt;i&gt;uma&lt;/i&gt; mulher encarna -justamente aquela que lhe escapa, justamente aquela que, antes, tinha lhe acenado com tantas esperanças...&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
É uma ironia terrível a dos desencontros, e o Tempo adora provocá-las. Justamente quando um está decidido, o outro decide ir para longe, seguindo o canto de algum outro amante, que entrou na história sem ser convidado e, assim, age em sintonia com as perversas decisões temporais de não fazer dois corações se encontrarem. A decepção de um, agora experimentada pelo outro: a Lei da Compensação agindo com sua certeira e implacável justiça.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Mas há muitos que não se rendem aos caprichos desse deus tirânico que derruba de árvores a civilizações, há aqueles que preferem a loucura de não se importar se os desencontros, experimentados com tristeza, irão se repetir ou se serão definitivos. Dotados de uma inconseqüência quase fisiológica, espreitam na tranqüilidade de uma paixão ainda não realizada, aguardando o momento certo para dar livre vazão a um universo de palavras não ditas, de gestos represados, de sentimentos que só podem ganhar vida através do contato entre duas epidermes -enfim, esperam apenas &lt;i&gt;um&lt;/i&gt; momento, apenas &lt;i&gt;um&lt;/i&gt; instante onde o Tempo, cansado de promover tantos desencontros, possa enfim ser um deus menos injusto.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E até que isso ocorra será de música que viveremos, justamente porque música foi aquilo que fez com que essa inconseqüência me dominasse por completo...&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="300" src="http://www.youtube.com/embed/iCqWtRf3hBs" width="500"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34246343-5442782251829250625?l=www.dissolvecoagula.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://www.dissolvecoagula.com/feeds/5442782251829250625/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.dissolvecoagula.com/2011/06/grande-ampulheta-dos-desencontros-do.html#comment-form" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/5442782251829250625?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/34246343/posts/default/5442782251829250625?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/DissolveCoagula/~3/Dq1nnOi58Yo/grande-ampulheta-dos-desencontros-do.html" title="A grande ampulheta dos desencontros do Universo" /><author><name>Leandro Marcio</name><uri>https://profiles.google.com/101175625277493088531</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="32" src="//lh6.googleusercontent.com/-W8iB7Zay3K8/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAo0/UFg-rf28fX8/s512-c/photo.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://img.youtube.com/vi/iCqWtRf3hBs/default.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://www.dissolvecoagula.com/2011/06/grande-ampulheta-dos-desencontros-do.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CUIAQX46fCp7ImA9WhRUFE8.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-34246343.post-5504811825436110112</id><published>2011-05-17T17:19:00.006+14:00</published><updated>2012-01-25T06:45:40.014+14:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-25T06:45:40.014+14:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="cidade" /><title>Rua Augusta, quase três anos depois</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-aifEjw00NJ4/TdHoxM_orGI/AAAAAAAAAng/yhUkbdYXScY/s1600/casar%25C3%25A3o+rua+augusta.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="273" src="http://2.bp.blogspot.com/-aifEjw00NJ4/TdHoxM_orGI/AAAAAAAAAng/yhUkbdYXScY/s400/casar%25C3%25A3o+rua+augusta.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;"Let me take your little hand, let me make you understand /That the  world is not as beautiful and free, like you believe" (A song for the Emperor, Ordo Rosarius Equilibrio)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
É curioso observar o quanto a paisagem muda no Centro, como os pedaços de memória&amp;nbsp; presentes na geografia urbana se esvaem de acordo com as ondas da especulação imobiliária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Por anos vivi na rua Augusta, próximo ao centro, muito antes da transformação daquele pedaço do Inferno em uma espécie de Vila Olímpia para gente pobre e fã de All Star. As ruas eram dominadas pelos puteiros, à noite os grupos que por ali circulavam eram quase exclusivamente masculinos e o comércio se resumia a uns poucos botecos, um fliperama, um sebo, a loja de chapéus do senhor Maurice Plas, os cabeleireiros, o tiozinho que vende um monte de bugigangas ao lado da academia, as putas, o sex shop e alguns outros poucos negócios. Não havia casas noturnas, nem bares estilosos, nem temakerias, nem lan houses. Uma rua que, durante o dia, tinha uma vida completamente ordinária e à noite se transformava em um lugar para o exercício da prostituição e do tráfico.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Obviamente estou excluindo tudo o que está acima da Matias Aires. O mundo do Espaço Unibanco, do Cinesesc e da Galeria dos Pães não faz parte da Augusta que conheci e cuja transformação acelerada em um playground niilista está se tornando cada dia mais vertiginosa e agressiva. Pois o que antes era algo que eu chamava de lar, hoje rende-me motivos para querer colocar dinamite em cada esquina e ver os corpos de centenas de emos e hipsters (rótulo ridículo para designar a escória que antes chamávamos "moderninhos") se transformarem em amontoados de carne queimada. O exagero é proposital e o foco dado para emos e hipsters foi bastante injusto quando o caos de tipos detestáveis que por ali passeiam é tecnicamente impossível de contabilizar. Todavia, todo ato de ódio precisa de um alvo claro, um inimigo, um bode expiatório: o meu bode usa franja, roupas coloridas e gosta de xingar no Twitter.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-m3AMP3haltU/TdHpBFAmdxI/AAAAAAAAAnk/XOJLN5D5p38/s1600/las+jegas.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-m3AMP3haltU/TdHpBFAmdxI/AAAAAAAAAnk/XOJLN5D5p38/s400/las+jegas.jpg" width="266" /&gt;&lt;/a&gt;Não nos desviemos, porém, do eixo condutor de todo o azedume desse texto, isto é, a transformação espacial da rua Augusta, especialmente do trecho compreendido entre a Matias Aires e a Marquês de Paranaguá. Era entre essas quadras que o espírito da Augusta meretrícia tinha a sua mais plena realização. O Castelão era um dos puteiros mais comentados na comunidade Amigos da Rua Augusta, no saudoso Orkut: ainda resistindo ao sopro abrasivo da especulação imobiliária, recentemente passei ali em frente com uns amigos e vi uns trocentos caras fazendo fila para entrar, homens de todas as idades e tipos no mesmo ritual antiqüíssimo de gastar dinheiro com mulheres, bebidas e, se tudo der certo, ainda arrumar uma boa briga com uns cuzões filhos da puta. Muitas vezes ser homem é isso aí: ser um herói para os amigos e um completo imbecil para o resto do mundo. Não me admira que isso ainda exista, o que me deixa espantado é ver mulheres clamando por "igualdade" e muitas vezes resumindo essa busca a tão simplesmente ter o direito de agir da mesma forma ridícula que os homens sempre fizeram. Na rua Augusta, esse vórtex espaço-temporal que comunica o Nono Círculo do Inferno com o nosso plano físico (isso não é uma metáfora, mas uma realidade percebida após muitas e dedicadas observações; por que devemos acreditar que o Inferno é algo distante quando há muitos indícios de que estamos cercados por demônios?) na rua Augusta é comum vermos a suntuosa Degradação desfilar entre todos os sexos, das mais variadas formas: pegando DST no Las Jegas, enfiando o nariz em cal e remédio triturado com 10% de cocaína, caindo na calçada e sendo esquecido pelos amigos ainda mais transtornados em uma viagem de ácido que faz com que um simples cano soltando água pareça um tsunami que vai levar todo mundo rolando até o Anhangabaú.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
As doenças, as drogas e os porres sempre estiveram por ali, pelo menos desde quando comecei meus rolês pela região, nos idos de 1997/1998. A diferença é que os antigos prédios estão sendo jogados ao chão, os puteiros fechando, as lojas ganhando glamour. Na esquina da rua Dona Antônia de Queirós com a Augusta havia um casarão decrépito, todo cagado de pombos, onde morava um monte de gente. Apesar do descaso com aquele imóvel, eu o achava demais. Uma espécie de reminescência de um passado impossível de reconstruir; ele estava ali cumprindo um papel, mostrando que antes as pessoas viviam em casas grandes, espaçosas, com janelas imensas, e não essa subvida de apartamentos de trinta metros quadrados a um milhão de reais. Pois bem: o casarão hoje é só uma fagulha da minha memória, pois foi derrubado e alguma construtora iniciou ali as obras de um super apartamento. Lembro que ali, nas paredes do casarão, colei cartazes de vários shows, marquei de encontrar diversas pessoas e via todo dia uma puta muito séria com peitos enormes que, pelo menos nas últimas vezes que ali passei, não estava mais lá. Será que ela morava no casarão? Ou se entristeceu com aquele prédio ridículo e se mandou para tentar a vida em outro lugar? Muitas mulheres, aliás, deixaram a rua Augusta após a diversificação da vida noturna, processo, se não me engano, iniciado pelo Vegas, que trouxe para aquele lado da cidade os playboys e as minas arrumadinhas da Faap. Depois, um boteco imundo deu lugar ao Ibotirama, apelidado de "bar verde" na época, e então o Inferno se remodelou, as calçadas foram tomadas por hordas de punks, hardcoreanos, skins, indies, bichas, modernos e um monte de outras coisas, todas juntas no mesmo lugar, e era você sento intimado forte por qualquer motivo, era você sendo socado por qualquer motivo, um clima de tensão lindo, lindo mesmo, que fazia uma simples andança noturna para ir ao Econ 24 Horas uma aventura danada para guardar e contar para os netos.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-k3Tq0wBi8nc/TdHpJuEc6SI/AAAAAAAAAno/3MudKGjK6Uo/s1600/augusta.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://3.bp.blogspot.com/-k3Tq0wBi8nc/TdHpJuEc6SI/AAAAAAAAAno/3MudKGjK6Uo/s320/augusta.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Acho que em 2007 foi o auge da violência na Augusta. Punks e skins se esfaqueando a milhão. Até o Fantástico deu cobertura aos fatos. Minha santa mãe me ligou no mesmo dia perguntando se o assassinato tinha acontecido perto de casa. Sim, mãe, foi aqui na porta praticamente, legal né? Choro de mãe é uma coisa tão triste. A minha não chorou, embora tivesse gente disposta a fazer com que isso acontecesse, pelo menos é o que me contaram tempos depois. Aos poucos os ânimos foram se acalmando. Uma temakeria apareceu logo depois da Matias Aires. Existe coisa mais covarde que uma temakeria? Depois, foi o Kebabel. Os prostíbulos fechando. O Vegas já bombando desgraçadamente. O Café Paris cerrou as portas mais ou menos após a consolidação da Augusta com esse novo perfil. As putas minguando nas ruas, descendo mais para o centro, ou migrando para o Jardim Europa, onde senhores respeitáveis e pançudos, cansados de suas esposas feias, poderiam render uma nova (e abastada) clientela. E toda vez que eu passava por ali após a mudança de endereço (deixei de morar na Augusta em agosto de 2008) eu encontrava um novo estabelecimento que, só pela fachada, me dava uma vontade imensa de vomitar. A coisa mais asquerosa que surgiu por ali nos últimos tempos foi um teatro de stand up. As filas que se formam, as pessoas que se acumulam naquelas filas... A vontade é passar por ali borrifando ácido. Seria esse ímpeto um bairrismo de ex-morador? Uma vontade de manter a Augusta com a arquitetura urbana apodrecida de anos atrás, sem prédios novos, sem baladas arrumadinhas para pessoas arrumadinhas? Talvez seja apenas isso, apenas resmungos, apenas pensamentos sem validade, pois não há vontade alguma dos poderes públicos em preservar a memória profana daquele pedaço do Inferno onde o Vício, o Amor, a Amizade, o Ódio e a Devassidão corriam soltos, despudoramente soltos e, até certo ponto, inconscientes de sua própria podridão. Agora, há ainda tudo isso, mas com um verniz espetacular cujo aroma não me engana. Ou que já me enganou bastante e agora, depois de tanto tempo, já não me engana mais.&lt;br /&gt;
__________________________________________________&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Outros textos que escrevi me baseando não só na Augusta, mas na cidade de São Paulo em geral:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2010/05/cidade-orgia.html"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Cidade-orgia&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2009/04/epifania.html"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Epifania&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.dissolvecoagula.com/2008/01/o-mercado-e-alma.html"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O mercado e a alma&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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