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	<title>Eduardo Nunes.org</title>
	
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<title>Eduardo Nunes.org</title>
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		<title>As ciclovias não salvarão o mundo – aceite isso</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Feb 2012 00:44:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[ecologia]]></category>
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		<description><![CDATA[24 de fevereiro de 2012 Ontem, a Cassia Zanon postou, no Twitter e no Facebook, a seguinte observação: O link que acompanha a ponderação da Cassia leva a um post (para ler, clique aqui) sobre o Fórum Mundial de Bicicletas, realizado de 23 a 26 de fevereiro em Porto Alegre. Vem sendo discutida, há algum<a href="http://eduardonunes.org/periscopio/as-ciclovias-nao-salvarao-o-mundo-aceite-isso/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>24 de fevereiro de 2012</strong></p>
<p><a rel="attachment wp-att-21907" href="http://eduardonunes.org/periscopio/as-ciclovias-nao-salvarao-o-mundo-aceite-isso/attachment/ciclovia-lotada/"><img class="aligncenter size-full wp-image-21907" title="ciclovia lotada" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2012/02/ciclovia-lotada.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a><br />
Ontem, a Cassia Zanon postou, no Twitter e no <a href="http://www.facebook.com/cassiazanon/posts/10150816003039325" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><strong>Facebook,</strong></span></a> a seguinte observação:</p>
<p><a rel="attachment wp-att-21900" href="http://eduardonunes.org/periscopio/as-ciclovias-nao-salvarao-o-mundo-aceite-isso/attachment/as-bicicletas-nao-salvarao-porto-alegre/"><img class="aligncenter size-full wp-image-21900" title="As bicicletas não salvarão Porto Alegre" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2012/02/As-bicicletas-não-salvarão-Porto-Alegre.jpg" alt="" width="569" height="278" /></a></p>
<p>O link que acompanha a ponderação da Cassia leva a um post (para ler, <a href="http://wp.clicrbs.com.br/aovivo/2012/02/23/carro-so-para-dias-de-chuva/?topo=13,1,1,,,13" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><strong>clique aqui</strong></span></a>) sobre o <a href="http://forummundialdabici.com/" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><strong>Fórum Mundial de Bicicletas</strong></span></a>, realizado de 23 a 26 de fevereiro em Porto Alegre.</p>
<p>Vem sendo discutida, há algum tempo (antes mesmo do fórum), a necessidade de alternativas para salvar do caos o trânsito de Porto Alegre e das grandes cidades em geral – e a bicicleta é apontada por muita gente como um bom substituto para os veículos de combustão interna.</p>
<p>Pragmático que sou, acredito que as boas ideias são aquelas que funcionam, e por isso <strong>discordo de quem acha que a bicicleta seja uma alternativa viável em larga escala</strong> e que encher a cidade de ciclovias terá impacto significativo na melhoria do trânsito.</p>
<p>Primeiro porque, como bem colocou a Cassia, <strong>Porto Alegre não é o lugar mais adequado do mundo para a disseminação de ciclovias</strong>. E nem estou falando de ladeiras como a General Câmara, a Carlos Trein Filho ou a Lucas de Oliveira. Experimente subir pedalando artérias importantes como a Avenida Protásio Alves ou a Antônio de Carvalho ou a Cavalhada e concorde comigo.</p>
<p>&#8220;OK&#8221;, você dirá. &#8220;Vamos deixar as vias muito íngremes de lado e construir ciclovias nos lugares onde o relevo colabora. Ainda é um bom pedaço da cidade e isso ajudará a melhorar o trânsito em grandes regiões&#8221;.</p>
<p>Será?</p>
<p>Se espalhássemos ciclovias pela Assis Brasil, Sertório, Ipiranga, Bento Gonçalves, João Pessoa, Praia de Belas, Farrapos, etc, as pessoas utilizariam essas vias em larga escala fora dos finais de semana e feriados?</p>
<p>Não!</p>
<p><strong>As pessoas iriam para o trabalho de bicicleta? Para a faculdade? Para um encontro romântico?</strong> As empresas e instituições de ensino não têm bicicletários, nem vestiários para os funcionários/estudantes ciclistas tomarem banho e se vestirem, nem armários para que eles guardem suas roupas, nem horários flexíveis o bastante para acomodar o tempo de banho e de troca de roupa.</p>
<p>Isso é uma questão fulcral nesse debate.</p>
<p>Ou você acha que todas essas moças que vão trabalhar ou estudar bem vestidas, bem maquiadas e bem calçadas vão trocar sua bela indumentária por trajes de ciclista, sua maquiagem por protetor solar, seus sapatos por tênis, seus penteados por capacetes e sua elegância por suor? Sem falar nos homens que precisam usar &#8220;roupa social&#8221;.</p>
<p><strong>Como ir trabalhar de bicicleta numa cidade com um clima desses,</strong> onde, seja no verão escaldante, seja no inverno gelado e chuvoso, até sair de carro ou de ônibus é por vezes um suplício?</p>
<p>E, vá lá, mesmo que os patrões instalassem toda essa infraestrutura para garantir aos funcionários ciclistas o direito ao banho e à troca de roupa, mesmo que as jornadas de trabalho passassem a incluir o tempo necessário para o asseio pós suor ciclístico, você acha que as pessoas estariam dispostas a isso?</p>
<p>Muito dificilmente.</p>
<p>As ciclovias, se disseminadas pela cidade, seriam utilizadas por algumas pessoas durante a semana, tanto para lazer quanto para locomoção, nos finais de semana provavelmente seriam muito mais frequentadas, mas não são uma alternativa eficaz para desatar o nó górdio do trânsito porto-alegrense e das grandes cidades em geral.</p>
<p><strong>Acredito que essas vias devam ser construídas assim mesmo</strong>. Não para salvar o mundo, mas para serem mais uma alternativa &#8220;verde&#8221; de mobilidade, necessariamente integrada a um sistema bem maior, com outros modelos.</p>
<p>Nada tenho contra bicicletas e ciclovias. Mas achar que isso funciona como meio de transporte de massa é ingenuidade.</p>
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		<title>Por que a sexta temporada de House é a melhor de todas</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Feb 2012 13:20:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[seriados]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>

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		<description><![CDATA[9 de fevereiro de 2012 Aviso: este post contém spoilers. Isso quer dizer que, se continuar lendo, você pode descobrir acidentalmente que Don Vito Corleone morre no final de Godfather, entre outras coisas. Ainda não vi a oitava temporada de House, M.D., mas esta deve ser a última. A Fox e a equipe de produção<a href="http://eduardonunes.org/cultura/por-que-a-sexta-temporada-de-house-e-a-melhor-de-todas/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>9 de fevereiro de 2012</strong></p>
<p><strong><span style="color: #ff6600;"><span style="color: #000000;">Aviso: </span>este post contém <span style="color: #000000;">spoilers.</span> Isso quer dizer que, se continuar lendo, você pode descobrir acidentalmente que Don Vito Corleone morre no final de Godfather, entre outras coisas.</span></strong></p>
<p>Ainda não vi a oitava temporada de House, M.D., mas esta deve ser a última. A Fox e a equipe de produção <a href="http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/tv/noticias/seriado-house-e-cancelado-pela-fox" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><strong>acabam de anunciar o fim do seriado</strong></span></a>.</p>
<p>Apesar de ser um grande fã do Greg e de sua trupe, considero esta uma morte natural. A última temporada a que assisti, a sétima, já mostrava <strong>claros sinais de exaustão da fórmula</strong> e me permite afirmar que a<em> causa mortis</em> da série é <strong>insuficiência criativa crônica</strong> (sem contar que o Hugh Laurie há tempos vem dando entrevistas, todo lépido e faceiro, <strong>querendo largar o personagem que o consagrou</strong> e alçar novos voos em outras áreas &#8211; sem a bengala).</p>
<p>Mesmo não tendo gostado muito da sétima temporada, considero as seis primeiras fantásticas. E a melhor de todas é, na minha opinião, a sexta. Pelos seguintes motivos:</p>
<h1>1) Um episódio de abertura magistral</h1>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-21851" href="http://eduardonunes.org/cultura/por-que-a-sexta-temporada-de-house-e-a-melhor-de-todas/attachment/house-6-temporada-doutor-nolan-hospicio/"><img class="size-medium wp-image-21851  aligncenter" title="house 6 temporada doutor nolan hospício" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2012/02/house-6-temporada-doutor-nolan-hospício-500x330.jpg" alt="" width="500" height="330" /></a><em>Dr. Nolan: finalmente um antagonista macho o bastante pra enfrentar  House</em></p>
<p><em> </em></p>
<p>Depois de ter alucinações provocadas por seu vício em Vicodin (é como acaba a quinta temporada), House inicia a temporada seguinte em um <span style="text-decoration: line-through;">hospício</span> hospital psiquiátrico. O episódio, muito mais longo que os demais e sem a participação dos atores do núcleo principal da série, é uma obra de arte. No hospital, depois de passar com sucesso pela desintoxicação, Greg acaba enfrentando um antagonista que mudará sua vida: o Dr. Nolan.</p>
<p>O chefe do hospital chantageia House para obrigá-lo a fazer um tratamento psiquiátrico. A princípio, Greg tenta seguir sua estratégia de sempre: o confronto direto com a autoridade e a trapaça.  Mas descobrimos que Nolan é ainda mais durão e obstinado que House.</p>
<p>Depois de vários acontecimentos e várias experiências socializantes e humanizantes em meio a pacientes e à equipe do hospital (com direito a uma amostra grátis de romance com a cunhada de uma paciente), ocorre o que ninguém esperava: <strong>o cabeça-dura mais teimoso da história dos seriados sobre médicos que usam bengala acaba passando por uma transformação real e efetiva</strong>. House realmente percebe que precisa mudar e, o mais incrível, TENTA fazer isso. E a série de tentativas de se tornar uma pessoa melhor permeia todos os episódios da temporada.</p>
<h1>2) House e Wilson</h1>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-21854" href="http://eduardonunes.org/cultura/por-que-a-sexta-temporada-de-house-e-a-melhor-de-todas/attachment/house-6-temporada-wilson-cozinhando/"><img class="size-medium wp-image-21854  aligncenter" title="House 6 temporada wilson cozinhando" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2012/02/House-6-temporada-wilson-cozinhando-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a><em>Entre uma tirada sarcástica e outra, nasce um grande chef de cozinha</em></p>
<p>Depois de ter alta no hospital, House vai morar com Wilson. E a relação entre os dois amigos, que já era um dos pontos altos das temporadas anteriores, se aprofunda na sexta e garante alguns dos melhores momentos da história da série.</p>
<h1>3) A temporada mais engraçada de todas</h1>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-21861" href="http://eduardonunes.org/cultura/por-que-a-sexta-temporada-de-house-e-a-melhor-de-todas/attachment/house-6-temporada-wilson-e-sam/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-21861" title="House 6 temporada Wilson e Sam" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2012/02/House-6-temporada-Wilson-e-Sam-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a><em>&#8220;Eu enxergo algo na geladeira. Algo como o fim do seu relacionamento&#8221;</em></p>
<p>O humor sempre foi um dos componentes que garantiam o sucesso de House, M.D. Na sexta temporada, os roteiristas capricharam nas tiradas e situações cômicas.</p>
<p>A competição de House com Lucas pelo amor de Cuddy, o quotidiano da convivência com Wilson, House e o colega de apê figindo serem um casal gay para tentar levar a vizinha Nora para a cama, os esforços de House para tentar separar Wilson e Sam, entre outras sequências engraçadíssimas, fazem desta temporada a minha preferida também do ponto de vista do humor.</p>
<p>Exemplo:</p>
<p><em>WILSON: Everyone in our building thinks we&#8217;re gay.<br />
HOUSE: We&#8217;re grown men, over the age of 30, who moved in together. We&#8217;re two tigers away from an act in Vegas.</em></p>
<h1>4) Um House mau, pero no mucho</h1>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-21862" href="http://eduardonunes.org/cultura/por-que-a-sexta-temporada-de-house-e-a-melhor-de-todas/attachment/house-6-temporada-foreman-e-marcus/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-21862" title="house 6 temporada foreman e marcus" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2012/02/house-6-temporada-foreman-e-marcus-500x332.jpg" alt="" width="500" height="332" /></a><em>Um chefe que mente, trapaceia e manipula&#8230; para unir dois irmãos</em></p>
<p>House tenta ser uma pessoa melhor. Esse é o mote da sexta temporada. Mudar a maneira de agir e pensar é difícil, como todos sabemos. Gregory House faz, nessa temporada, um esforço genuíno para ser menos egoísta e se importar com os outros. É óbvio que ele nem sempre consegue.</p>
<p style="text-align: left;">Mas essa busca rende histórias belíssimas, como o episódio em que House aproxima Foreman de seu irmão ex-presidiário Marcus (claro que o nosso herói faz isso ao estilo Gregory House, um jeito bem atrapalhado, mas eficaz, de fazer o bem).</p>
<h1>5) Episódios &#8220;temáticos&#8221;</h1>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-21877" href="http://eduardonunes.org/cultura/por-que-a-sexta-temporada-de-house-e-a-melhor-de-todas/attachment/house-6-temporada-cuddy-hospital/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-21877" title="house 6 temporada cuddy hospital" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2012/02/house-6-temporada-cuddy-hospital-500x360.jpg" alt="" width="500" height="360" /></a><em>Lisa, por favor, não insista. Sou casado.</em></p>
<p style="text-align: left;">A sexta temporada tem alguns episódios com estrutura narrativa diferenciada, que fogem da tradicional fórmula House-e-sua-equipe-tentando-diagnosticar-pacientes.</p>
<p>Há pelo menos três episódios &#8220;alternativos&#8221; muito bons, um que mostra um dia típico da Dra. Cuddy à frente do hospital Princeton Plainsboro, permitindo um outro olhar sobre questões que passam batidas nos capítulos tradicionais da série; outro que entra mais fundo no dia-a-dia de Wilson; e outro em que o desaparecimento de um bebê obriga Cuddy a trancar todos os compartimentos estanques do hospital, deixando os principais personagens presos com pessoas com as quais eles não costumam conviver, o que gera conflitos interessantes.</p>
<h1>6) Um desfecho glorioso</h1>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-21863" href="http://eduardonunes.org/cultura/por-que-a-sexta-temporada-de-house-e-a-melhor-de-todas/attachment/house-6-temporada-cuddy/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-21863" title="house 6 temporada cuddy" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2012/02/house-6-temporada-cuddy-500x331.jpg" alt="" width="500" height="331" /></a><em>&#8220;House, tu é muito foda&#8221;</em> &#8211; <em>frase da Cuddy, mas em tradução livre</em></p>
<p>Se o episódio inicial da temporada é uma Aula Magna, o último não merece outra definição senão a de Gran Finale.</p>
<p>Ao longo da temporada, House vai tentando fazer o bem -  e consegue. Ele ajuda seus subordinados e pacientes, trata melhor as pessoas, deixa de interferir no namoro de Cuddy e Lucas e no de Wilson e Sam. O resultado, como geralmente ocorre quando fazemos o bem, é que as vidas das pessoas à volta de Greg melhoram. Mas ele ainda se sente vazio e infeliz.</p>
<p>O fabuloso episódio final resume a temporada inteira ao apresentar uma situação-limite em que House mostra toda a sua fodalhice.</p>
<p>Um desabamento em Trenton deixa várias pessoas soterradas. House faz um esforço colossal para salvar uma mulher que está presa aos escombros -  e para isso ele enfrenta a autoridade dos bombeiros e Cuddy. Depois de sofrer uma amputação em meio a montanhas de concreto, poeira e metal retorcido, a paciente acaba morrendo a caminho do hospital &#8211; e a culpa não é de House, que fez tudo certo.</p>
<p>É nesse ponto que a temporada atinge o seu clímax. Em uma sequência de incrível intensidade dramática, House se desespera. Ele fez tudo certo e, mesmo assim, sua paciente morreu.</p>
<p>Foreman tenta consolar o chefe, dizendo precisamente isso: que ele fez tudo certo. House, então, grita que o problema é justamente esse: se ele fez tudo certo, a paciente não deveria ter morrido.</p>
<p>É um resumo da sexta temporada: ao longo de todos os episódios, House faz a coisa certa, mas já estamos no último capítulo da jornada e o nosso herói continua solitário, sem o amor de Cuddy.</p>
<p>Ele corre para o seu apartamento para tentar se consolar tomando Vicodin, no que seria uma volta ao vício que o tinha destruído nas temporadas anteriores. É então que o protagonista é salvo por um pequeno deus ex-macchina, porque nenhum roteirista é de ferro: Cuddy aparece no apartamento de House no instante decisivo e confessa que o ama.</p>
<p>E o episódio e a temporada acabam e nós dizemos: House, tu é foda.</p>
<p><em><strong><span style="color: #808080;">[</span></strong></em><span style="color: #808080;"><em><strong>Obs: O texto foi atualizado com a inserção do tópico 5), que não constava na postagem original]</strong></em></span></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Por que o salário dos PMs baianos é tabu?</title>
		<link>http://eduardonunes.org/periscopio/por-que-o-salario-dos-pms-baianos-e-tabu/</link>
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		<pubDate>Tue, 07 Feb 2012 13:49:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Periscópio]]></category>
		<category><![CDATA[imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>

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		<description><![CDATA[7 de fevereiro de 2012 Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil Nos últimos dias, a paralisação dos policiais militares baianos tem ocupado um grande espaço na mídia. Uma das vedetes da cobertura é a atualização constante, em rádios, TVs, jornais e sites, do número de homicídios registrados em Salvador desde o início da greve, numa mal<a href="http://eduardonunes.org/periscopio/por-que-o-salario-dos-pms-baianos-e-tabu/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>7 de fevereiro de 2012</strong></p>
<p><a rel="attachment wp-att-21841" href="http://eduardonunes.org/periscopio/por-que-o-salario-dos-pms-baianos-e-tabu/attachment/agencia-brasil-abr-empresa-brasil-de-comunicacao-ebc/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-21841" title="greve dos policiais militares baianos" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2012/02/salvador-500x332.jpg" alt="" width="500" height="332" /></a></p>
<p><em><strong>Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil</strong></em></p>
<p>Nos últimos dias, a paralisação dos policiais militares baianos tem ocupado um grande espaço na mídia.</p>
<p>Uma das vedetes da cobertura é a atualização constante, em rádios, TVs, jornais e sites, do número de homicídios registrados em Salvador desde o início da greve, numa mal disfarçada tomada de posição que deixa bem claro o recado: indiretamente (será?), <strong>parte da culpa por</strong> <strong>essas mortes está sendo atribuída aos policiais grevistas</strong>.</p>
<p>(Para a classe média de todo o Brasil, a sensação de insegurança na Bahia se torna uma questão ainda mais grave com a proximidade do Carnaval, que por sinal já deixou de ser uma festa &#8220;popular&#8221;, como mostram <a href="http://www.foliabahia.com.br/hp/montar.aspx" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><strong>os preços dos abadás dos principais blocos de Salvador</strong></span></a>.)</p>
<p>Outro ponto alto da cobertura da paralisação é o suposto clima de guerra nas cercanias da Assembleia Legislativa do Estado, ocupada por policiais grevistas e sitiada por tropas do Exército. A casa legislativa tomada por PMs e familiares tornou-se o símbolo do movimento e o desfecho da ocupação, ao que parece, representará também o desfecho da greve.</p>
<p>Em meio a essas questões, a pauta de reivindicação dos policiais revoltosos passa quase à margem das pautas dos jornais. Nas matérias, a maioria dos veículos de comunicação evita se aprofundar nas exigências dos grevistas e quase nenhum deles diz quanto ganha um policial militar na Bahia. Ou no resto do Brasil.</p>
<p>Mesmo em colunas de opinião, a mídia evita entrar no âmago da questão: que é um absurdo um agente da lei ganhar R$ 1,8 mil mensais (isso na Bahia, pois há Estados que pagam até menos) .</p>
<p>Duas das categorias profissionais mais importantes para a sociedade (os policiais e os professores) estão entre as menos valorizadas pelo Estado e pelos cidadãos.</p>
<p>Com salários tão baixos, quem vai querer ser policial? Quem vai querer ser professor? Só as pessoas menos qualificadas. E mesmo estas acabarão <strong>arranjando &#8220;bicos&#8221;  para as horas vagas</strong> (caso de tantos policiais que também atuam como seguranças privados) ou tendo uma<strong> carga horária desumana</strong> (caso de tantos professores que trabalham 60 horas semanais ou mais) para complementar a renda.</p>
<p>Deixamos nossa segurança e nossa educação (ou melhor, &#8220;nossa&#8221; não, pois as classes média e alta cada vez mais buscam segurança e educação privadas) nas mãos de pessoas mal pagas e mal preparadas.</p>
<p>A quem isso interessa? Quem se beneficia com o sucateamento da polícia e da educação públicas? Isso também poderia constar nas coberturas jornalísticas.</p>
<p>P.S.: O governador da Bahia, Jaques Wagner, tem dado entrevistas afirmando que não pode conceder mais de 6,5% de reajuste aos PMs. Ora, governador, 6,5% não é reajuste; é reposição da inflação do ano, é o direito mais básico de qualquer trabalhador.</p>
<p>Mesmo estando limitado pela Lei de Responsabilidade Fiscal, o mínimo que o senhor poderia fazer, como homem que se diz de esquerda, seria assumir a causa da valorização dos profissionais de áreas essenciais e mobilizar um grupo de trabalho para pensar em maneiras de economizar dinheiro público desperdiçado em outros setores do governo (ou seja, MUITA grana) para conceder aumento real a policiais e professores.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>MEC estuda aumentar o número de dias do ano para 400</title>
		<link>http://eduardonunes.org/escola/mec-estuda-aumentar-o-numero-de-dias-do-ano-para-400/</link>
		<comments>http://eduardonunes.org/escola/mec-estuda-aumentar-o-numero-de-dias-do-ano-para-400/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 14 Sep 2011 16:52:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>

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		<description><![CDATA[14 de setembro de 2011 Saiu ontem a notícia (para ler, clique aqui) de que o ministro da Educação, Fernando Haddad, quer aumentar o número de dias do ano letivo de 200 para 220. A ideia parece ser: quanto mais tempo a criança passa na sala de aula, mais ela aprende &#8211; o que é<a href="http://eduardonunes.org/escola/mec-estuda-aumentar-o-numero-de-dias-do-ano-para-400/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>14 de setembro de 2011</strong></p>
<p><a rel="attachment wp-att-16971" href="http://eduardonunes.org/escola/mec-estuda-aumentar-o-numero-de-dias-do-ano-para-400/attachment/que_burro_da_zero_pra_ele/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-16971" title="que_burro_da_zero_pra_ele" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2011/09/que_burro_da_zero_pra_ele-500x331.jpg" alt="" width="500" height="331" /></a></p>
<p>Saiu ontem a notícia (para ler, <a href="http://www1.folha.uol.com.br/saber/974492-mec-estuda-ampliar-numero-de-dias-letivos-diz-ministro.shtml" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><strong>clique aqui</strong></span></a>) de que o ministro da Educação, Fernando Haddad, quer aumentar o número de dias do ano letivo de 200 para 220.</p>
<p>A ideia parece ser: <strong>quanto mais tempo a criança passa na sala de aula, mais ela aprende &#8211; <span style="color: #ff0000;">o que é uma grande falácia</span></strong>, pois o importante não é quanto tempo se passa na escola, e sim o que se faz lá.</p>
<p>Quando eu entrei, como aluno, no ensino fundamental, em 1987, <strong>o ano letivo tinha 180 dias</strong>. E se aprendia, naquela época, muito mais do que se aprende hoje.</p>
<p>Na segunda série, pelo menos 90% da minha turma dominava a tabuada. Na quarta série, resolvíamos expressões matemáticas complexas (aquelas com chaves e colchetes) e já flertávamos com as frações.</p>
<p><strong>Hoje, com um ano letivo de 200 dias</strong>, muitíssimos alunos chegam à quinta, à sexta, às vezes à oitava série sem saber a tabuada e sem condições de entender ou de produzir um texto em nível de segunda série.</p>
<p>Parece que esses 20 dias a mais não melhoraram muita coisa. E o novo acréscimo de 20 dias proposto pelo MEC tampouco melhorará, enquanto não mudarmos o rumo da pedagogia adotada nas escolas.</p>
<p><span style="color: #808080;">[Pequena digressão:</span></p>
<p><span style="color: #808080;">É preciso ressaltar, também, a malandragem dos professores e das direções das escolas no uso dos dias letivos a mais. Uma das estratégias adotadas pelas instituições (pelo menos as públicas) de ensino para conseguir cumprir o ano de 200 dias são<strong> os famigerados sábados letivos</strong>. Que de "letivos" só têm o nome. <strong>Via de regra, o que se faz nesses sábados é matar tempo</strong>. Atividades lúdicas, recreativas, torneios esportivos, festinhas para as mães/pais, feiras de artesanato, concursos de música e dança - quase sempre com presença facultativa dos alunos. São raros os educandários que usam os sábados letivos para ensinar alguma coisa.</span></p>
<p><span style="color: #808080;">Fim da digressão]</span></p>
<p>Se continuarmos assim, no futuro próximo o ano letivo terá 365 dias e, em seguida, superará o número de dias do ano regular. <strong>Será que o MEC tem poder para aumentar o número de dias do calendário para, digamos, 400 dias?</strong> Será que resolveria o problema da educação?</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Caos na educação: mais algumas tentativas de diagnóstico (2)</title>
		<link>http://eduardonunes.org/escola/caos-na-educacao-mais-alguma-tentativas-de-diagnostico-2/</link>
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		<pubDate>Mon, 22 Aug 2011 17:40:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>

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		<description><![CDATA[22 de agosto de 2011 O ex-colega de magistério Ivalino, comentando minha postagem anterior, apresentou algumas questões interessantes sobre o caos na educação, que merecem, mais que uma resposta na caixa de comentários, um novo post. Vamos por partes: Salas de aula abarrotadas Ivalino lembra que a universalização obrigatória da educação básica trouxe às salas<a href="http://eduardonunes.org/escola/caos-na-educacao-mais-alguma-tentativas-de-diagnostico-2/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>22 de agosto de 2011</strong></p>
<p><a rel="attachment wp-att-10467" href="http://eduardonunes.org/escola/caos-na-educacao-mais-alguma-tentativas-de-diagnostico-2/attachment/abaixo_o_provao/"><img class="aligncenter size-full wp-image-10467" title="abaixo_o_provao" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2011/08/abaixo_o_provao.jpg" alt="" width="445" height="340" /></a></p>
<p>O ex-colega de magistério Ivalino, comentando minha postagem anterior, apresentou algumas questões interessantes sobre o caos na educação, que merecem, mais que uma resposta na caixa de comentários, um novo post.</p>
<p>Vamos por partes:</p>
<h2>Salas de aula abarrotadas</h2>
<p>Ivalino lembra que a universalização obrigatória da educação básica trouxe às salas de aula uma <strong>torrente de crianças e jovens</strong> que antes estava fora da escola. Isso levou a uma superlotação das salas , o que sobrecarregou os professores e piorou muito a qualidade das condições de trabalho.</p>
<p>Certíssimo.</p>
<p>Já trabalhei em turmas de quase 40 alunos e em turmas pequenas, e constatei que a <strong>possibilidade de se fazer um bom trabalho é inversamente proporcional ao número de alunos por sala</strong>.</p>
<p>Turmas com mais de 20 alunos <strong>deveriam ser proibidas</strong> em todo o país. Até existe um movimento pela fixação do teto de 25 estudantes por classe. Claro que <strong>tal medida implicaria na construção de mais salas de aula e na contratação de mais professores</strong>. Isso explica por que a regra não é adotada. Para maracutaias, sobra dinheiro no governo. Para melhorar as condições de trabalho nas escolas, sempre falta.</p>
<p><strong><span style="color: #888888;">OBS.:</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #888888;"> Sempre surge um gaiato para citar o exemplo de turmas grandes, gigantescas, onde o trabalho funciona -  em outros países, em outro nível de ensino, em outra época. </span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #888888;">Meu amigo gaiato, se você aparecer para levantar essa ideia, experimente encher uma sala pequena com 40 alunos sem referenciais de valores e normas de conduta, quase todos eles indo para a escola empurrados pelos pais, por medo do Conselho Tutelar, e coloque nessa sala um professor com apenas um quadro negro e uma barra de giz para se defender, sem qualquer respaldo legal para coibir as agressões verbais e às vezes físicas que sofre, e ainda sujeito a ser réu de um processo judicial se disser qualquer coisa que possa ser interpretada pelos alunos e/ou seus pais como uma &#8220;humilhação&#8221;.</span></strong></p>
<h2>Um professor contra o mundo</h2>
<p>Ivalino também pergunta como foram meus resultados nas turmas em que lecionei.</p>
<p>Ele sabe que foram, na maioria dos anos, um desastre.</p>
<p>Em outros artigos, citei as dificuldades para trabalhar os conteúdos num universo em que 90% dos alunos sequer estavam alfabetizados. Consegui alguns bons resultados com alguns alunos de  algumas turmas, mas na maioria dos casos, eu era impotente para lutar sozinho contra a estrutura. Melhorar a situação só será possível com um pacto que comprometa professores, pais, direção, alunos e governo&#8230;</p>
<p>Imagine se lá na escola eu decidisse, por minha conta e risco, adotar os &#8220;padrões de excelência&#8221; que proponho e aprovar apenas os que tivessem alcançado os objetivos&#8230; Eu <strong>seria contrariado e desautorizado pela direção, escorraçado pela Secretaria de Educação, demonizado pelos alunos e apedrejado pelos pais. </strong></p>
<p>No ano em que deixei de ser professor (2010), eu estava <strong>matutando umas ideias de mudança</strong>. Cansado de ter de ensinar Geografia e História a alunos que sequer estavam alfabetizados, eu estava bolando um plano para <strong>alfabetizá-los.</strong></p>
<p>Em suma, eu pretendia fazer, por conta própria, nas séries finais do ensino fundamental, o que as professoras das séries iniciais deviam fazer e não faziam. Como?<strong> Trabalhando com textos mais simples, me focando mais na forma (escrita e na leitura) do que no conteúdo, fazendo &#8220;ditados&#8221; sobre as palavras estudadas, treinando a formação de frases básicas sobre os assuntos abordados</strong>, etc. Coisa de 1ª e 2ª séries, como você vê.</p>
<p>Acabei mudando de profissão antes de conseguir implementar essas ideias, mas agora penso, distante da escola no tempo e no espaço, <strong>que eu não teria sucesso</strong>. Aposto que a equipe diretiva me questionaria sobre tal prática e exigiria que eu parasse de fazer isso para ministrar os conteúdos previstos no plano de ensino. Não sei. Talvez essa minha ideia seja um caminho a ser tentado por professores que queiram lutar contra os moinhos de vento.</p>
<h2>A Reprovação, esse demônio</h2>
<p>Meu ex-colega também diz que a minha cruzada pela reprovação dos alunos que não aprendem está longe de ser a saída para a educação.</p>
<p>Concordo com ele. Reprovar não resolve nada. Pelo contrário, só a APROVAÇÃO é sinônimo de aprendizado&#8230; desde que os aprovados realmente tenham aprendido.</p>
<p>Não acho que a reprovação, sozinha, resolva qualquer coisa. A reprovação dos que não atingem os objetivos é, antes, um símbolo da excelência que proponho: a escola deve consolidar a cultura de que lá o conhecimento é levado a sério. E que o conhecimento é condição para a aprovação.</p>
<p>Quando eu estudava no ensino fundamental, entre o fim dos anos 80 e a metade da década de 90, morríamos de medo da reprovação. Naquela época, nossos professores só aprovavam quem atingisse, pelo menos, 60% dos objetivos, e atingir esses 60% não era tão fácil como hoje. Por isso, <strong>por saber que para ser aprovado era preciso saber, estudávamos muito mais </strong>do que hoje estudam os alunos das escolas onde lecionei.</p>
<p>De uns tempos pra cá, a aprovação tornou-se quase automática. Já vi alunos atingirem menos de 40% dos objetivos em Português <span style="color: #ff0000;"><strong>E</strong></span> em Matemática e serem empurrados para a série seguinte pelo conselho de classe.</p>
<p>Em que a falta de reprovação transformou a escola? Na <strong>Casa da Mãe Joana</strong>. Não há mais seriedade no trato com o conhecimento. A maioria dos alunos está pouco se importando com os conteúdos estudados porque sabe que será aprovada mesmo que não aprenda.</p>
<p>Num Seminário de Educação, o então secretário de Educação de Viamão, que também era vice-prefeito, cobrou dos professores uma redução no índice de reprovação, que ele considerava muito alto. A justificativa dele: <strong>reprovação implica em gastos para o município</strong>. É essa a visão dos burocratas.</p>
<p>O absurdo da situação é que ele considerava o índice alto, enquanto nós, professores, sabíamos o quão baixo era. Se reprovássemos todos os alunos que não tinham atingido os objetivos naquele ano, a porcentagem de reprovação bateria na casa dos 90%.</p>
<p>Claro que esses 90% cairiam nos anos seguintes, pois a inércia da falta de interesse e de respeito pelo conhecimento certamente diminuiria na medida em que as escolas acabassem com essa suruba e parassem de dar diplomas a analfabetos.</p>
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		<title>Caos na educação: mais algumas tentativas de diagnóstico</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Aug 2011 16:53:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>

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		<description><![CDATA[18 de agosto de 2011 O professor, músico e blogueiro Conrado escreveu um post (para ler, clique aqui) criticando meu artigo sobre &#8220;má escolaridade&#8221;, publicado na Zero Hora e também postado neste blogue. Postei, na caixa de comentários do Conrado, algumas ideias que reproduzo aqui, pois elas contêm muito do que eu devia ter dito<a href="http://eduardonunes.org/escola/caos-na-educacao-mais-algumas-tentativas-de-diagnostico/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>18 de agosto de 2011</strong></p>
<p><a rel="attachment wp-att-9703" href="http://eduardonunes.org/escola/caos-na-educacao-mais-algumas-tentativas-de-diagnostico/attachment/quadro-negro/"><img class="aligncenter size-full wp-image-9703" title="quadro-negro" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2011/08/quadro-negro.jpg" alt="" width="450" height="360" /></a></p>
<p>O professor, músico e blogueiro Conrado escreveu um post (para ler, <a href="http://cabreux.blogspot.com/2011/08/ma-escolaridade-sera-de-fato-pior-do.html" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><strong>clique aqui</strong></span></a>) criticando meu artigo sobre &#8220;má escolaridade&#8221;, publicado na Zero Hora e também postado neste blogue.</p>
<p>Postei, na caixa de comentários do Conrado, algumas ideias que reproduzo aqui, pois elas contêm muito do que eu devia ter dito em outros artigos e não disse:</p>
<p>Conrado</p>
<p>Acho que cometi um erro ao definir o que aqui se estabelece como &#8220;disputa retórica&#8221;.</p>
<p>Vamos deixar a retórica de lado.</p>
<p>O nosso objetivo aqui não é, ou não deveria ser, apenas vencer uma disputa, no sentido da disputatio que se travava na Idade Média ou dos embates entre oradores na Grécia Antiga.</p>
<p>O nosso objetivo deveria ser, mais do que derrotar quem conosco debate, buscar juntos um diagnóstico e um tratamento para um problema crônico da nossa educação.</p>
<p>Vamos falar de problemas concretos e verificáveis, que estão aí, gritantes, nas nossas escolas?</p>
<p>1) As crianças estão saindo da escola (formadas) sem aprender quase nada. Isso é grave. Gravíssimo. Nem sempre foi assim. Acredito que esse problema deve ser encarado e resolvido. <strong>Alguns pedagogos dizem que reprovar não resolve</strong>. Pode ser. Mas hoje quase não se reprova e o aprendizado está cada vez pior.</p>
<p>Vou contar uma história real: uma vez, <strong>passamos o ano inteiro tentando fazer com que um aluno da sétima série estudasse</strong>. Envolvemos os pais, tentamos conscientizá-lo, não adiantou. Dissemos que se ele continuasse sem interesse pelo estudo, acabaria perdendo o ano, etc. <strong>No fim do ano, ele foi empurrado para a série seguinte</strong>, mesmo sem aprender &#8211; porque a secretaria de educação nos pressionava, sempre, a reduzir o índice de reprovação a qualquer custo, mesmo que no canetaço. No ano seguinte, lá estava esse aluno na oitava série, e novamente sem qualquer interesse. Dissemos que, se ele pretendia se formar, teria de aprender o que estávamos ensinando.<strong> Sabe o que ele disse? <span style="color: #ff0000;">&#8220;Foi isso que vocês me disseram no ano passado, e eu tô aqui&#8221;.</span><br />
</strong><br />
Não sei se a reprovação é o melhor caminho para evitar a diplomação de analfabetos funcionais. Talvez não seja. Mas <strong>aprovar qualquer um, de qualquer jeito, como se faz na maioria das escolas gaúchas, NÃO TEM FUNCIONADO.</strong> Temos de achar uma outra solução.</p>
<p>Uma das saídas que proponho é<strong> tratar o conhecimento e o aprendizado  com mais seriedade. </strong>Aprovar todo mundo, independente do aprendizado, demonstra grave desrespeito, por parte da escola, pelo conhecimento. O que fica, na mente do aluno? Ao ver colegas que não aprenderam e não se interessaram serem aprovadas, a criança percebe que a própria escola não se importa muito com o conhecimento.</p>
<p>2) Você dizer que tem dúvidas quanto ao fato de a interpretação de textos ser uma habilidade que se deva aprender no ensino fundamental me deixa deveras chocado. Claro que não espero que um aluno de primeiro grau tenha como livro de cabeceira a Crítica da Razão Pura de Kant. Mas estou falando em interpretação mínima, em raciocínio lógico, em saber perceber o fio da meada em um texto minimamente inteligível&#8230;</p>
<p>É isso que os alunos de hoje não aprendem mais. É verificável. Pegue uma turma de oitava série dê um texto. Como disse no artigo, eu não podia usar os livros didáticos porque os alunos não conseguiam entender os textos. Isso nem sempre foi assim&#8230; quando eu estudava no primeiro grau, em uma escola pública, de 1988 a 1995, nós éramos capazes de entender os textos, porque tivemos uma alfabetização sólida e efetiva.</p>
<p>Sei que a <strong>minha querida professora Roseana, que me alfabetizou, seria hoje queimada como herege nas faculdades de Pedagogia.</strong> Mas ela conseguiu, isso é FATO, nos alfabetizar. E bem. Devo a ela boa parte da minha capacidade de interpretar e de construir um texto.</p>
<p>Quando eu entrei nas duas faculdades que concluí, eu sabia pontuar um texto. Aprendi já no ensino fundamental, e aperfeiçoei no ensino médio. Não que todos devam fazer o mesmo caminho. Nunca é tarde para se aprender, nada impede que se aprenda em qualquer momento da vida. Mas o nosso sistema educacional não tem gerado condições para que isso aconteça, simplesmente porque está se disseminando a cultura de que isso (saber ler e escrever BEM) sequer é necessário.</p>
<p>3) Seus calafrios ao ouvir a expressão &#8220;mercado de trabalho&#8221; me enchem de calafrios. <strong>Me entristece saber que ainda temos essa visão negativa da preparação para o trabalho</strong>. Sim, nossa sociedade neoeuropeia (como lembraste) tem no trabalho um de seus pilares, e não precisamos (nem podemos) fugir disso.<strong> Aliás, os próprios alunos têm uma opinião bem séria sobre isso. Eles SABEM que terão de se integrar à ciranda do mercado de trabalho.</strong> Nem todos têm a consciência de que os conhecimentos obtidos na escola poderiam lhes ser muito úteis nessa ciranda, mas o que vamos lhes dizer se há até setores da pedagogia e do magistério reforçando essa descrença na preparação para o trabalho?</p>
<p>Já ouvi muitos dizerem que não devemos preparar os alunos para o trabalho e sim para a vida. Como se fosse possível separar uma coisa e outra. O que vejo é que muitos querem &#8220;libertar os oprimidos&#8221; mas não percebem que esse é um discurso retrógrado, de um tempo em que as teorias pedagógicas progressistas eram feitas com o objetivo de conscientizar o povo contra a a opressão da ditadura.</p>
<p>Hoje, ser oprimido é não ter condições de lutar por um lugar ao sol. Lembra daquele aluno que nós empurramos para a oitava série e que jogou isso na nossa cara? Nós o condemamos à falta de qualificação. Nós, professores, com a nossa conivência, o condenamos a não poder ser mais do que servente de pedreiro. Claro que ele poderá fazer um EJA, estudar à noite, se dedicar e conseguir algo melhor. Mas ele não fez isso. Talvez nunca faça. Porque, quando ele estava com o caráter em formação, quando deveria estar aprendendo que o conhecimento é coisa séria e de muito valor para a vida, as pessoas que deveriam lhe ensinar isso apenas lhe deram um certificado de conclusão, sem que ele tivesse aprendido sequer um terço do que deveria aprender para merecê-lo.</p>
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		<item>
		<title>Malandro é malandro, mané é mané</title>
		<link>http://eduardonunes.org/periscopio/malandro-e-malandro-mane-e-mane/</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2011 20:07:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Periscópio]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[crônica do absurdo]]></category>

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		<description><![CDATA[Acredito que aquela historinha, tão repetida, de que somos um povo honesto e trabalhador oprimido por uma classe política cretina já foi superada. Pelo menos em círculos mais esclarecidos, todos parecem concordar que só temos um Congresso com alto percentual de corruptos porque somos um povo com alto percentual de trambiqueiros. A ideia, aliás, foi<a href="http://eduardonunes.org/periscopio/malandro-e-malandro-mane-e-mane/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
</strong></p>
<p><a rel="attachment wp-att-7480" href="http://eduardonunes.org/periscopio/malandro-e-malandro-mane-e-mane/attachment/malandro/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-7480" title="malandro" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2011/08/malandro-500x364.jpg" alt="" width="500" height="364" /></a></p>
<p>Acredito que aquela historinha, tão repetida, de que somos um povo honesto e trabalhador oprimido por uma classe política cretina já foi superada.</p>
<p>Pelo menos em círculos mais esclarecidos, todos parecem concordar que só temos um Congresso com alto percentual de corruptos porque somos um povo com alto percentual de trambiqueiros. A ideia, aliás, foi muito bem sintetizada pela Letícia Duarte em <a href="http://sentimentoempreendedor.blogspot.com/2011/06/um-tapa-na-cara-de-todos-nos.html" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><strong>um artigo na Zero Hora</strong></span></a>.</p>
<p>Ontem, ao voltar do trabalho, dei-me conta, muito tardiamente, de mais uma dimensão da engrenagem que reproduz e legitima <strong>o tortuoso &#8220;sistema ético&#8221; que compõe nosso imaginário popular</strong> (digo tardiamente porque não gosto de samba e, por isso, nunca tinha reparado nas letras desse gênero musical tão arquetipicamente brasileiro, tão definidor da identidade nacional).</p>
<p>Madrugada chuvosa em Porto Alegre. No  carro da firma, cinco pessoas semi-silenciosas e <strong>um aparelho de GPS tocando uma playlist de samba escolhida pelo motorista</strong>. Em silêncio, comecei a reparar no que cantavam aqueles artistas populares, alguns desconhecidos para mim, assim como algumas das canções.</p>
<p>A primeira das músicas, que eu nunca tinha ouvido, se dedicava <strong>a falar mal do &#8220;caguete&#8221;</strong>, o cara que dedura à polícia os contraventores do morro, tanto os grandes contraventores (traficantes) quanto os pequenos contraventores (os usuários de drogas ilícitas). Repare, leitor, na ética por trás disso. <strong>A contravenção da lei é exaltada; o cara que denuncia a contravenção é o vilão da história</strong>.</p>
<p>Depois dessa, vieram duas músicas que eu conhecia, e lá estavam os intérpretes falando mal, outra vez, do caguete.</p>
<p>Assim cantou Bezerra da Silva, no GPS do motorista da firma:</p>
<blockquote><p><span style="color: #808080;"><strong>&#8220;Mas você não está vendo que a boca tá assim de corujão? Tem dedo de seta adoidado, todos eles a fim de ferrar os irmãos. Malandragem, dá um tempo. <span style="color: #ff0000;">Deixa essa pá de sujeira ir embora.</span> E é por isso que eu vou apertar, mas não vou acender agora.&#8221;</strong></span></p></blockquote>
<p>Encarnando o personagem que aperta um baseado mas tem medo de fumá-lo na frente dos policiais e dos caguetes, <strong>o artista se refere aos agentes da lei e aos seus informantes como &#8220;pá de sujeira&#8221;.</strong></p>
<p>O debate sobre a criminalização do uso de drogas é, por si só, tema para vários outros posts. Aqui, me restrinjo a dizer que não posso apoiar um hábito que, além de ser prejudicial à saúde e ao sistema público de saúde, sustenta (e, por isso, implica em cumplicidade com) uma rede criminosa responsável por milhares de pequenas e grandes atrocidades perpetradas todos os dias.</p>
<p>Voltando ao carro da firma&#8230;</p>
<p>Depois de Bezerra apertar seu baseado, foi a vez de Diogo Nogueira repetir, exaustivamente, que &#8220;<strong>malandro é malandro e mané é mané&#8221;</strong>. A certa altura, os caguetes voltaram a &#8220;sofrer bullying&#8221;:</p>
<blockquote><p><span style="color: #808080;"><strong>&#8220;Já o Mané, ele tem sua meta. Não pode ver nada, que <span style="color: #ff0000;">ele cagueta.</span> Mané é um homem que moral não tem.&#8221;</strong></span></p></blockquote>
<p>Percebemos aqui a inversão moral: na ética do malandro, o vilão não é quem burla a lei estabelecida, mas quem denuncia os que burlam a lei estabelecida.</p>
<p>Todos já passaram por isso na escola ou no trabalho. <strong>Existe um código ético tácito,</strong> que todos assimilam rapidamente ao começar a participar dos grupos sociais, que diz que não se deve dedurar os colegas que desobedecem às normas de conduta.</p>
<p>A ideia é: não devemos ser leais ao Estado, à empresa ou ao grupo formal de que fazemos parte, mas ao grupo informal formado por nós e nossos iguais. <strong>As instituições são vistas como  inimigas, como entidades opressoras, que podem e devem ser ludibriadas pelo malandro e seus amigos</strong>.</p>
<p>E todos querem ser malandros ou amigos dos malandros, como me ensinou Diogo Nogueira:</p>
<blockquote><p><span style="color: #808080;"><strong>&#8220;Malandro é o cara que sabe das coisas. Malandro é aquele que sabe o que quer. Malandro é o cara que <span style="color: #ff0000;">tá com dinheiro</span> e não se compara com um Zé Mané. Malandro de fato é um cara maneiro que <span style="color: #ff0000;">não se amarra em uma só mulher</span>.&#8221;</strong></span></p></blockquote>
<p>A riqueza de significado dessa estrofe é impressionante. Renderia teses de Antropologia e Sociologia.</p>
<p>O malandro &#8220;tá com dinheiro&#8221;. <strong>Como um malandro, por definição, não é muito afeito ao trabalho, o que ele faz para conseguir dinheiro?</strong> A ideia, tão cara aos políticos corruptos, de se ganhar muito dinheiro sem esforço, mesmo que isso signifique (e quase sempre significa) cometer crimes, está entalhada no DNA do malandro arquetípico, <strong>o herói da nossa mitologia</strong>, o tipo de pessoa que todo brasileiro quer ser.</p>
<p>Além disso, o malandro &#8220;não se amarra em uma só mulher&#8221;. <strong>Mas as mulheres se amarram nele</strong>. Nas canções, nos filmes, nas novelas e <strong>na vida real</strong>, o malandro sempre se dá muito bem com as mulheres. O verso citado acima, além de fazer apologia ao adultério, retrata uma das recompensas que o malandro ganha por agir com malandragem.</p>
<p>Que homem não lembra do início da adolescência, quando começa a sua &#8220;caçada&#8221; pelos melhores espécimes do sexo oposto? Na escola ou nas festinhas do seu grupo de amigos, quem eram os preferidos das gurias, leitor? Os malandros.</p>
<p>Nós, homens, aprendemos desde o início da puberdade que <strong>ser malandro (com tudo que isso implica)</strong> é um dos pré-requisitos para ser bem sucedido no sexo &#8211; e até nas amizades.</p>
<p>Já o mané, o vilão da canção de Diogo Nogueira (sim, eu sei que não é ele o compositor nem o primeiro intérprete, mas não faz diferença), sempre se dá mal com as mulheres:</p>
<blockquote><p><span style="color: #808080;"><strong>&#8220;Mané é um homem que moral não tem. Vai pro samba, paquera e <span style="color: #ff0000;">não ganha ninguém</span>&#8220;.</strong></span></p></blockquote>
<p>Mas a desgraça do mané não se restringe à falta de sorte no amor:</p>
<blockquote><p><span style="color: #808080;"><strong>&#8220;Está <span style="color: #ff0000;">sempre duro</span>. É um cara azarado. E também <span style="color: #ff0000;">puxa o saco</span> pra sobreviver.&#8221;</strong></span></p></blockquote>
<p>Ao contrário do malandro, que sempre dá um jeito de conseguir dinheiro com a sua esperteza e <strong>moral flexível</strong> (para usar um eufemismo), o mané está sempre duro. E tem de puxar o saco para sobreviver.</p>
<p>Mais uma vez, voltemos à escola, leitor, para exemplificar outro pilar do imaginário brasileiro.</p>
<p>Lembra daquele seu colega que estudava, fazia o dever de casa, prestava atenção às explicações do professor e lhe fazia perguntas? Como esse aluno era chamado pelos colegas? Um dos seus epítetos, certamente, era &#8220;<strong>Puxa-saco&#8221;</strong>. E o Puxa-saco é um dos vilões de qualquer grupo, na ética do malandro.</p>
<p>Mais tarde, na empresa, você começou a conviver com alguns colegas de trabalho que cumprem os horários, fazem as tarefas que lhes são pedidas e até algumas que não são pedidas, dão sugestões ao chefe, se oferecem para participar de forças-tarefa e para fazer horas-extras quando necessário. Como eles são chamados? Puxa-sacos, Caxias, Baba-ovos, etc.</p>
<p>Num sistema ético em que, na visão do malandro, a instituição (seja a escola, a empresa, o governo) o oprime, os que agem com honestidade são considerados vilões, são imbecilizados, viram motivo de piada.</p>
<p>E, no contexto da produção artística brasileira &#8220;de raiz&#8221;, não é só o samba que retrata essa adesão em massa à ética do malandro.</p>
<p>Tomemos, por exemplo, as telenovelas.</p>
<p>Em novela, os mocinhos, manés, que são honestos, trabalhadores, sinceros e abnegados, passam o tempo todo se ferrando. O vilão, malandro, sem escrúpulos, desonesto, se dá bem a maior parte do tempo, e só é punido (e às vezes sequer é punido) no fim. Mas será que essa punição tem impacto sobre a opinião do espectador a respeito de certo e errado?</p>
<p>Numa novela que se desenrole por, digamos, seis meses, o vilão, malandro, passa cinco meses e três semanas ganhando dinheiro, obtendo os melhores cargos no trabalho, ficando com as melhores mulheres, angariando simpatias e rindo das desgraças do mocinho. Tudo parece dar certo para o malandro, como no samba.</p>
<p>Já o mocinho, mané, sofre por cinco meses e três semanas. Perde oportunidades profissionais, sexuais, é vítima de armações, é ridicularizado por todos, em especial pelo malandro. Na semana final, o mané dá a volta por cima, mas será que, aos olhos do espectador, uma semana de felicidade tem mais peso que 23 semanas de infortúnios?</p>
<p>Será que ser mocinho compensa, segundo as telenovelas, o samba e a vida real?</p>
<p>No país do jeitinho, da ética do malandro e da Lei de Gérson, parece que não. É desanimador viver num lugar assim.</p>
<p>Na próxima vez, vou levar um fone de ouvido e ouvir rock and roll no carro da firma.</p>
<p><strong>[O post sofreu ajustes na formatação]</strong></p>
<h2><span style="color: #ff0000;"><strong>Atualização:</strong></span></h2>
<p><span style="color: #888888;">- O amigo jornalista Demétrio Pereira me lembra que não adianta ouvir rock and roll para escapar da apologia à desobediência das leis. Sim, ele tem razão. <strong>A opção pelo rock, no texto, funciona apenas como recurso estilístico.</strong> A transgressão das leis e a afronta ao &#8220;sistema&#8221; está presente no rock até mais que no samba &#8211; e é um tema recorrente em todas as formas de arte.</span></p>
<p><span style="color: #888888;">- Não estou, como insinuou o Demétrio em seu e-mail, propondo uma &#8220;censura artística&#8221;. Concordo com ele quando, citando a Escola de Frankfurt, me diz que<strong> toda manifestação artística é também política</strong> e os produtos culturais influenciam, de um modo ou de outro, os seus consumidores. </span><strong><span style="color: #888888;">A saída para evitarmos a sujeição das &#8220;massas&#8221; (termo tão démodé) aos ditames da indústria cultural está na </span><span style="color: #ff0000;">educação</span>.</strong> <span style="color: #888888;">Só com instrução, &#8220;esclarecimento&#8221; e consciência crítica as pessoas poderão discernir entre valores benéficos e nocivos e fazer suas escolhas éticas com liberdade e racionalidade.</span></p>
<p><span style="color: #888888;">- De Roma, o padre Luciano Motti escreve que o malandro e o caguete estão no mesmo nível, e que a <strong>minha defesa do &#8220;dedo-duro&#8221; está equivocada</strong>. Reconheço que o texto dá margem a essa interpretação. De fato, há indivíduos que usam a &#8220;caguetagem&#8221; como meio de obter favorecimentos e vantagens pessoais. Estes seres nada mais são que malandros que se valem desse artifício para &#8220;se dar bem&#8221;. Obviamente, não é desse tipo de pessoa que estou falando quando defendo que se denuncie a contravenção.</span></p>
<p><span style="color: #888888;">- Demétrio e Pedro Heberle tocma em outro ponto interessante: <strong>a postura da polícia nos morros cariocas, nascedouro do samba, e nas periferias brasileiras em geral, não é exatamente um exemplo de retidão moral</strong> e dá vazão a uma resistência por parte dos moradores dessas comunidades. Mais uma vez, concordo com meus críticos, em parte. Ao defender os policiais como &#8220;defensores da lei&#8221;, eu estava me referindo apenas aos que realmente agem como tal, e não aos malandros que usam a farda para obter vantagens.</span></p>
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		<title>Baixa escolaridade x má escolaridade</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 18:30:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>

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		<description><![CDATA[A baixa escolaridade média dos aspirantes ao mercado de trabalho é apontada como um entrave ao desenvolvimento do Brasil, uma economia em ascensão e cada vez mais carente de mão de obra qualificada. Mas, se fizermos uma criteriosa avaliação dos jovens que saem das nossas escolas, veremos que a falta de alguns anos a mais<a href="http://eduardonunes.org/escola/baixa-escolaridade-x-ma-escolaridade/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
</strong></p>
<p><a rel="attachment wp-att-6806" href="http://eduardonunes.org/escola/baixa-escolaridade-x-ma-escolaridade/attachment/graduation-donkey/"><img class="aligncenter size-full wp-image-6806" title="Graduation-Donkey" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2011/07/Graduation-Donkey.jpg" alt="" width="416" height="429" /></a></p>
<p>A baixa escolaridade média dos aspirantes ao mercado de trabalho é apontada como um entrave ao desenvolvimento do Brasil, uma economia em ascensão e cada vez mais carente de mão de obra qualificada. Mas, se fizermos uma criteriosa avaliação dos jovens que saem das nossas escolas, veremos que<strong> a falta de alguns anos a mais de estudo está longe de ser o principal problema a retardar o crescimento do país</strong>. Muito pior que a baixa escolaridade é a má escolaridade.</p>
<p>A má escolaridade é tão nociva porque incapacita até mesmo aquelas pessoas que alcançam, pelo menos no papel, uma alta escolaridade. Um exemplo significativo é <strong>a tragédia dos exames da Ordem dos Advogados do Brasil</strong>, em que a imensa maioria dos postulantes, todos bacharéis que passaram pelo menos 15 anos em bancos escolares, é reprovada. E a “culpa” pelo fracasso não pode ser imputada apenas às faculdades de Direito. <strong>As raízes do problem</strong>a só serão desenterradas se retrocedermos alguns anos no histórico escolar dos candidatos até chegarmos ao<strong> ensino fundamental</strong>, quando eles certamente deixaram de aprender muitas coisas que deviam ter aprendido.</p>
<p>O saudoso jornalista <a href="http://operiscopio.wordpress.com/2008/09/07/e-o-velho-lobo-se-entregou/" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><strong>Fausto Wolff</strong></span></a>, homem de erudição e argúcia notáveis, costumava dizer que <strong>devia quase todo o conhecimento que tinha a suas queridas professoras do primário</strong>, com quem aprendeu a ler, escrever e pensar, em sua infância pobre na Porto Alegre dos anos 40. Ele estava certo. A base de tudo o que sabemos, as fundações sobre as quais edificamos nosso conhecimento são estabelecidas nos primeiros anos de escola, com a alfabetização, com as quatro operações matemáticas, com o desenvolvimento do raciocínio lógico. Esses alicerces, se bem trabalhados, garantem aprendizado efetivo e maduro pelo resto de nossas vidas. Se mal trabalhados, fazem com que todo o aprendizado posterior seja carente e incompleto.</p>
<p>Fui professor da rede pública por sete anos, nas séries finais do ensino fundamental, e <strong>testemunhei a gritante falta de preparo com que os alunos saem dos anos iniciais</strong>. Eu não podia usar a maior parte dos textos dos livros didáticos enviados pelo MEC, simplesmente porque os alunos eram, quase todos, incapazes de entender o que estava escrito.<strong> A capacidade de interpretação de texto e de escrita vem decaindo ano após ano</strong>.</p>
<p>As professoras de matemática da quinta série também não podiam trabalhar os conteúdos próprios dessa etapa, porque eram obrigadas a ensinar as quatro operações básicas, que seus alunos deviam ter aprendido pelo menos três anos antes.</p>
<p>E o que fazíamos com esses estudantes? Éramos pressionados, pela secretaria de educação e pelos pais, a aprovar o maior número possível, independente do desempenho. <strong>Aprender, para eles, não é importante.</strong> O importante é o avanço.</p>
<p>Uma das causas da disseminação da praga da má escolaridade, além do já conhecido sucateamento da rede escolar e da falta de suporte do Estado, é o nível dos professores das escolas públicas, que está cada vez mais baixo.</p>
<p>Em parte, porque a carreira no magistério, tão <strong>mal remunerada</strong>, atrai principalmente aquelas pessoas que não conseguem colocação melhor, em parte pela proliferação de <strong>cursos de licenciatura caça-níqueis</strong> sem qualquer excelência, em parte porque o<span style="color: #ff0000;"><strong> ciclo da má escolaridade se fecho</strong></span>u:  empurrado pelo regime de aprovação quase automática, <strong>aquele aluno que saiu da escola sem aprender já concluiu seu curso superior, voltou à escola como professor</strong> e hoje é (mal) pago para fazer de conta que ensina.</p>
<p>Além disso, há docentes que ensinam mal por opção, fundamentados em teorias pedagógicas messiânicas formuladas por gurus que se dizem progressistas e acreditam que ministrar “conteúdos” é “obedecer à lógica utilitarista e tecnicista do mercado”. <strong>Ouvi, em um seminário de educação, um palestrante dizer que, na sala de aula, o conteúdo é o menos importante. </strong>Para ele, o importante é “ensinar o aluno a se fazer a pergunta que liberta”. Com isso, ele queria dizer que a formação crítica e política deve preceder o ensino dos conhecimentos básicos. Com ideias assim sendo (mal) implementadas nas escolas, é fácil saber por que diplomamos, ano após ano, tantos analfabetos funcionais.</p>
<p>Enquanto isso, os secretários de educação e a sociedade comemoram o progressivo aumento da escolaridade média e a redução da evasão escolar, mas poucos parecem notar que as crianças e jovens que estão na escola não estão aprendendo.</p>
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		<title>Analfabetismo funcional aquece mercado de dublagem</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jul 2011 21:33:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Crianças, ouçam o Professor Balboa Eu via filmes legendados na escola, quando estudava no ensino fundamental e no ensino médio. (Eu ainda não sabia o que só fui descobrir ao me tornar professor: levar um filme para os alunos é um dos recursos que o educador usa quando está de saco cheio e não quer<a href="http://eduardonunes.org/escola/analfabetismo-funcional-aquece-mercado-de-dublagem/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6587" href="http://eduardonunes.org/escola/analfabetismo-funcional-aquece-mercado-de-dublagem/attachment/professor-rocky-balboa/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-6587" title="professor rocky balboa" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2011/07/professor-rocky-balboa-500x274.jpg" alt="" width="500" height="274" /></a><strong><em>Crianças, ouçam o Professor Balboa</em></strong></p>
<p>Eu via filmes legendados na escola, quando estudava no ensino fundamental e no ensino médio.</p>
<p>(Eu ainda não sabia o que só fui descobrir ao me tornar professor: levar um filme para os alunos é um dos recursos que o educador usa quando está de <strong>saco cheio</strong> e não quer dar aula)</p>
<p>Alguns filmes que nos passavam tinham objetivos elevados, mas outros eram apenas para  diversão, mesmo.</p>
<p>Lembro, por exemplo, de quando a professora Cláudia, de <strong>matemática</strong>, organizou uma&#8221;sessão de cinema&#8221; para a minha 5ª série, em 1992, e chegou à sala com a fita de VHS (sou do tempo do VHS) de <strong>O Exterminador do Futuro 2.</strong> Legendado. Toda a turma viu e acompanhou a história sem pestanejar. Aliás, aquele foi, por muitos anos, o meu filme preferido.</p>
<p>Os anos passaram, eu virei professor e <strong>chegou a minha vez de ficar de saco cheio e matar três períodos exibindo um filme para os alunos</strong>. Ou, de vez em quando, de levar filmes para ilustrar os conteúdos estudados (o que era relativamente fácil, pois eu lecionava História).</p>
<p>Na hora de exibir os filmes, notei que <strong>os alunos sempre pediam para ver a versão dublada</strong>, o que não acontecia no meu tempo de estudante (o DVD facilitou as coisas, pois é possível selecionar áudio e/ou legendas em português).</p>
<p>No começo, por julgar que se tratasse de simples preguiça de ler os diálogos, eu resistia à vontade deles e os obrigava a ver os filmes legendados. Em pouco tempo, desisti. Percebi que <strong>eles não pediam filmes dublados por comodismo, mas por serem incapazes de ler </strong>todas as legendas.</p>
<p><span style="color: #ff0000;"><strong>Isso mesmo: os alunos das escolas públicas onde trabalhei não conseguiam acompanhar um filme legendado. Eram incapazes de ler e ainda mais incapazes de compreender o texto das legendas.</strong></span></p>
<p>Comentei a minha &#8220;descoberta&#8221; com uma colega que lecionava em outras escolas e ela me disse que costumava, todos os anos, passar para os alunos o filme <strong>Sociedade dos Poetas Mortos</strong> e depois fazer uma reflexão com a turma. Nos últimos anos, os resultados foram tão desastrosos que ela decidiu parar de levar o filme. <strong>Os alunos da &#8220;nova geração&#8221; não conseguiam mais entender a história</strong>, mesmo em cópia dublada.</p>
<p>Sabendo disso, não estranhei o dado apontado nesta semana por<a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/especial/rs/segundocaderno/19,1032,3402573,Pesquisa-mostra-que-56-dos-brasileiros-preferem-filmes-dublados.html" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><strong> uma matéria do Segundo Caderno de Zero Hora</strong></span></a> que mostra o aumento da procura por filmes dublados nos cinemas.</p>
<p>O que estranhei é que, em meio às discussões sobre as causas do fenômeno, nenhuma das fontes ouvidas na matéria tenha mencionado o que considero a principal razão da rejeição às legendas: <strong>a</strong> <strong>geração que saiu da escola pública na condição de analfabetismo funcional está com grana para ir ao cinema, mas é incapaz de acompanhar um filme</strong> se os atores não falarem português.</p>
<p>Tristes tempos.</p>
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		<title>Diálogo e-pistolar entre dois alfabetizados</title>
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		<comments>http://eduardonunes.org/escola/dialogo-e-pistolar-entre-dois-alfabetizados/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 16 May 2011 17:51:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[crônica do absurdo]]></category>

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		<description><![CDATA[[Troca de e-mails entre o editor deste blogue e o seu amigo André Ribeiro, professor de Filosofia na UCS] de André Ribeiro para Eduardo Nunes data 16 de maio de 2011 09:43 assunto lomba abaixo&#8230; assinado por yahoo.com.br Pronto! Agora tentar ensinar alguém a falar corretamente é, oficialmente, manifestação de &#8220;preconceito linguístico&#8221;!!!!!!!!!!!!!!! Não existe erro!!!!!!!!!!!!!<a href="http://eduardonunes.org/escola/dialogo-e-pistolar-entre-dois-alfabetizados/">&#160;&#160;[ Leia Mais ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #888888;"><strong>[Troca de e-mails entre o editor deste blogue e o seu amigo André Ribeiro, professor de Filosofia na UCS]</strong></span></p>
<blockquote><p><span style="color: #008000;"><strong>de</strong> André Ribeiro<br />
<strong>para </strong> Eduardo Nunes<br />
<strong>data </strong>16 de maio de 2011 09:43<br />
<strong>assunto </strong> lomba abaixo&#8230;<br />
<strong>assinado por </strong> yahoo.com.br</span></p>
<p>Pronto! Agora tentar ensinar alguém a falar corretamente é, oficialmente, manifestação de &#8220;preconceito linguístico&#8221;!!!!!!!!!!!!!!!<br />
Não existe erro!!!!!!!!!!!!!<br />
O papinho-palha pós-modernoso vai nos fazer voltar para a pré-história! Logo estaremos buscando o almoço usando tacapes!!<br />
Porque não se fecham as escolas de uma vez????</p>
<p><a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/mec+defende+uso+de+livro+didatico+com+linguagem+popular/n1596949085987.html" target="_blank">http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/mec+defende+uso+de+livro+didatico+com+linguagem+popular/n1596949085987.html</a></p></blockquote>
<p>=============================</p>
<p><strong>de </strong> Eduardo Nunes<br />
<strong>para </strong> André Ribeiro<br />
<strong>data </strong> 16 de maio de 2011 09:54<br />
<strong>assunto </strong> Re: lomba abaixo&#8230;<br />
<strong>enviado por </strong> eduardonunes.org</p>
<p>é o que eu digo.</p>
<p>e sou chamado de (ai ai ai) conservador</p>
<p>por isso que eu gosto da Hannah Arendt. Ela diz que a escola TEM QUE SER conservadora, pois é à escola que cabe preservar a civilização que construímos</p>
<p>=============================</p>
<blockquote><p><span style="color: #008000;"><strong>de </strong> André Ribeiro<br />
<strong>para</strong> Eduardo Nunes<br />
<strong>data </strong> 16 de maio de 2011 11:28<br />
<strong>assunto </strong> Res: lomba abaixo&#8230;<br />
<strong>assinado por </strong> yahoo.com.br</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Não existe aprendizagem sem esforço. É superando obstáculos que as pessoas deixam de ser crianças e se tornam adultas. Esse &#8220;ensino&#8221; vai produzir algumas gerações de brasileiros ignorantes, burros e infantilizados.</span> <span style="color: #008000;"><br />
Fico imaginando a auto-estima desses jovens, sendo passados para frente sem saber nada, e sabendo disso&#8230;<br />
Esses pedabobos e suas boas intenções deviam é ser processados por crime contra a humanidade. Uma pessoa sem vocabulário para se expressar corretamente também não consegue pensar corretamente. A linguagem nos faz humanos; uma linguagem truncada significa seres humanos truncados.<br />
Tô pensando em mudar de país.</span></p></blockquote>
<p>=============================</p>
<p style="text-align: left;">Sem mais.</p>
<p style="text-align: left;"><a rel="attachment wp-att-3550" href="http://eduardonunes.org/escola/dialogo-e-pistolar-entre-dois-alfabetizados/attachment/um-ser-humano-integral-formado-pela-escola-progressista/"><a rel="attachment wp-att-3562" href="http://eduardonunes.org/escola/dialogo-e-pistolar-entre-dois-alfabetizados/attachment/um-ser-humano-integral-formado-pela-escola-progressista-2/"><img class="aligncenter size-full wp-image-3562" title="um-ser-humano-integral-formado-pela-escola-progressista" src="http://eduardonunes.org/wp-content/uploads/2011/05/um-ser-humano-integral-formado-pela-escola-progressista1.jpg" alt="" width="400" height="333" /></a><br />
</a>Eis o produto acabado da nossa educação humanista, progressista e libertadora</p>
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