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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0"><channel><title>Efeitos Secundários</title> <link>http://www.tecnofantasia.com/cgi-bin/tfmaint.cgi/01/00/B1055070632</link> <description>Exposição Prolongada à Ficção Científica - um blog de Luís Filipe Silva</description> <pubDate>Mon, 06 Jul 2009 05:08:52 +0000</pubDate> <generator>http://www.tecnofantasia.com/cgi-bin/feed.cgi</generator> <language>pt</language><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" href="http://feeds.feedburner.com/EfeitosSecundarios" type="application/rss+xml" /><item><title>Os Nervos Em Polpa,</title> <link>http://feedproxy.google.com/~r/EfeitosSecundarios/~3/0-2w_zYuTes/1246640919</link> <pubDate>Fri, 03 Jul 2009 21:08:37 +0000</pubDate> <dc:creator>LFS</dc:creator> <category /> <guid isPermaLink="false">http://www.tecnofantasia.com/cgi-bin/tfmaint.cgi/01/00/B1055070632/1246640919</guid> <content:encoded><![CDATA[<b>Os Nervos Em Polpa,</b> mas não por muito mais tempo. Depois da primeira actualização do processo de selecção da <i>Pulp Fiction à Portuguesa</i>, <a href="http://www.tecnofantasia.com/cgi-bin/tfmaint.cgi/01/00/B1055070632/1244322469"> aqui</a> apresentada, eis que voltamos à carga com o assunto com três boas notícias: o processo está pertíssimo do fim, a antologia será algo como nunca visto no nosso mercado, e as actualizações serão feitas mais amiúde.</p> <p>O processo estar pertíssimo do fim significa que, ultrapassadas as primeiras filtragens, nos encontramos com cerca de quinze contos finalistas. Estes irão concorrer entre si, na posterior escolha derradeira, para preencher a dezena de espaços disponíveis que vão compor a parte da obra dedicada a participações livres. Contamos terminar o processo de «negociação» interna da lista final (agora já não se trata de uma questão de qualidade, pois todos já atravessaram vários estágios de leitura, mas de adequabilidade ao conjunto - se se recordarem do regulamento, mencionávamos a necessidade de equilíbrio dos temas, das vozes narrativas, do fluxo do conjunto, pois uma colectânea tem de respeitar regras de ritmo não muito diferentes das do romance) até ao final da próxima semana e a seguir anunciar-vos. Repito: <b>dia 13 de Julho publicaremos a lista de finalistas concorrentes à selecção final da antologia</b>. <p>O trabalho não se esgota neste processo. Além da escolha dos contos, está, em igual primeiro plano, a preparação do conceito de antologia de uma forma inovadora. Neste prato, queremos o acompanhamento tão saboroso quanto o prato principal. Porque, sejamos honestos, é fácil recolher contos daqui e dali, ordená-los e fazer daí um livro. Mas esta antologia permite (e merece) melhor do que isso. Os autores merecem melhor do que isso. Sei que ficarão tão entusiasmados com o resultado final quanto eu e o editor nos sentimos. Sei também que poucas editoras no nosso mercado teriam igual abertura, competência e coragem para tornar este projecto em algo tão interessante como a Saída de Emergência. Espero que consigam ter isto em consideração na vossa apreciação deste percurso. Fica também já a indicação que mais pormenores sobre o assunto só serão relevados perto do lançamento (previsto para Setembro).</p> <p>Isto não implica que estejamos surdos ao vosso interesse - muito pelo contrário, aliás. A vossa energia impele-nos. Sabemos que vai ser uma antologia escrutinada, falada, discutida, imitada. E por respeito ao vosso interesse, iremos começar a dar-vos conhecimento de como o processo está a decorrer em pontos de situação quinzenais (procurem no site da <a href="http://www.saidadeemergencia.com/">Saída de Emergência</a> ou aqui, nos Efeitos Secundários).</p> <p>O passo seguinte, como disse, acontece já na segunda, 13...</p><div class="feedflare">
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<a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/EfeitosSecundarios?a=K1ruEZCnZDo:rdxXI3NtjZc:yIl2AUoC8zA"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/EfeitosSecundarios?d=yIl2AUoC8zA" border="0"></img></a> <a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/EfeitosSecundarios?a=K1ruEZCnZDo:rdxXI3NtjZc:7Q72WNTAKBA"><img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/EfeitosSecundarios?d=7Q72WNTAKBA" border="0"></img></a>
</div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/EfeitosSecundarios/~4/K1ruEZCnZDo" height="1" width="1"/>]]></content:encoded> <feedburner:origLink>http://www.tecnofantasia.com/cgi-bin/tfmaint.cgi/01/00/B1055070632/1246516799</feedburner:origLink></item><item><title>Além Da Alienação Das Gentes Com Fios Brancos</title> <link>http://feedproxy.google.com/~r/EfeitosSecundarios/~3/ufLu1E5-6lw/1246187390</link> <pubDate>Sun, 28 Jun 2009 15:09:01 +0000</pubDate> <dc:creator>LFS</dc:creator> <category /> <guid isPermaLink="false">http://www.tecnofantasia.com/cgi-bin/tfmaint.cgi/01/00/B1055070632/1246187390</guid> <content:encoded><![CDATA[<b>Além Da Alienação Das Gentes Com Fios Brancos</b> dependurados das orelhas, afastadas do momento e lugar presentes como quem lê um livro, o <i>iPod</i>, aparelho anódino de uma empresa que só não dominou o mercado informático devido à sua eterna postura de encarar o computador como algo no qual ninguém podia mexer (diga-se o que se disser da Microsoft, a verdade é que a visão «um PC em cada secretária» foi absolutamente revolucionária - tratar o computador como plataforma de trabalho universal e não como outro electrodoméstico), trouxe também a facilidade (efectivamente permitida pelo <i>iTunes</i>, mas isso são pormenores técnicos...) de poder descarregar-se ficheiros áudios publicados periodicamente por determinadas fontes - assim nascia o <i>podcast</i>. <p>Por meio de <i>feeds</i>, que é como quem diz instruções que informam de forma normalizada os restantes computadores e aplicativos do tipo de conteúdo de determinado sítio, a colocação regular destes ficheiros áudio tornou-se no equivalente de programas de rádio emitidos em determinados dias, a determinadas horas. Bastaria à pessoa interessada «subscrever» a referida publicação - para todos os efeitos, controlar automaticamente a existência de novos ficheiros e descarregá-los assim que estivessem disponiveis - e ir ouvindo, tranquilamente, os novos programas. O mecanismo estava montado: havia criadores e havia ouvintes.</p> <p>A adopção foi bastante rápida - uma&nbsp; rapidez que começa a ser habitual nos nossos dias, como se estivessemos já preparados para a nova forma de utilizarmos a tecnologia existente (o terrível choque do futuro de que se falava há umas décadas torna-se progressivamente no delicado embate de uma pena do futuro). De novo, a internet permitiu que qualquer criador atingisse qualquer ouvinte sem a intermediação das estações de rádio, deixando funcionar a meritocracia da qualidade e do interesse. Os <i>podcasts </i>abundam, actualmente - tanto que, tentar segui-los a todos, ainda que numa humilde área como a Ficção Científica, seja impossível nas poucas horas de lazer do dia. Há <i>podcasts </i>de divulgação, <i>podcasts </i>de debate, <i>podcasts </i>de ruminações pessoais. Há <i>podcasts </i>que oferecem a leitura de contos e romances, aquilo que se conhece como audiolivro, ou promovem folhetins radiofónicos (um formato do meu grande apreço que graças a este meio está a renascer). </p> <p>Nem todos são bons - se a organização do texto é importante para a palavra escrita, a qualidade da voz, do som e da leitura são imprescindíveis para uma emissão áudio. Aliás, a grande maioria resultam de esforços pessoais, por quem ainda está a dar os primeiros passos neste meio. O que interessa aqui ressalvar é que a tecnologia está ao dispor de todos, e com perseverança e algum engenho, consegue-se sair do anonimato e <a href="http://www.nytimes.com/2007/03/01/books/01podb.html">acabar nas páginas do New York Times</a>, como aconteceu ao Scott Siegler (um autor mediano que teria dificuldades em ser publicado e a seguir teria desaparecido nas prateleiras de uma qualquer livraria, não fosse a forma original como decidiu edificar uma audiência - colocando capítulo a capitulo a leitura dos seus romances e a seguir promovendo-se até à exaustão). </p> <p>Claro que ao «dispor de todos» tem um senão - há que saber inglês. E há que conseguir ultrapassar alguns dos sotaques e alguma terminologia específica dos países de que estes criadores são oriundos. Neste caso, como em muitos, a adopção pela língua portuguesa, àparte as ocasionais experiências na área do humor por profissionais que também têm presença na rádio e na televisão, ainda é um deserto. </p> <p>Felizmente que, como é regra nos desertos, nem todos os oásis são miragens, e foi com prazer que descobri o que talvez seja o primeiro podcast de fantástico em língua portuguesa chamado <a href="http://paponaestante.com.br/?page_id=268">Papo na Estante</a>. O título denuncia imediatamente a origem além-mar, e embora só o tenha descoberto recentemente, já se encontra na 11ª emissão, a última dedicada a vampiros tupiniquins (leia-se: histórias de vampiros escritas por autores brasileiros) demonstra a potencialidade deste veículo para a divulgação do fantástico, de uma forma leve, divertida e bem-humorada. A produção é de Thiago Cabello, Ana Carol, Eric Novello, Alfredo Monte e Ana Cristina Rodrigues (actual presidente do Clube de Leitores de FC brasileiro).</p> <p>Desejamos-lhe vida longa e ficamos a aguardar por mais exploradores arrojados, de qualquer parte do mundo lusófono.</p><div class="feedflare">
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href="http://innerspace22.spaces.live.com/blog/cns!C501FF0073089D1C!980.entry">partes</A>. A Cristina oferece também a sua <A href="http://acrisalves.wordpress.com/2009/06/21/circulo-de-leibowitz-mindbridge-joe-haldeman/">opinião</A>. </P><P>What say you?</P><div class="feedflare">
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</div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/EfeitosSecundarios/~4/WIRR0iKfpt0" height="1" width="1"/>]]></content:encoded> <feedburner:origLink>http://www.tecnofantasia.com/cgi-bin/tfmaint.cgi/01/00/B1055070632/1244828712</feedburner:origLink></item><item><title>Apenas Para Avisar</title> <link>http://feedproxy.google.com/~r/EfeitosSecundarios/~3/CRWS8x5K1Ew/1244739817</link> <pubDate>Thu, 11 Jun 2009 21:03:35 +0000</pubDate> <dc:creator>LFS</dc:creator> <category>Cultura</category> <guid isPermaLink="false">http://www.tecnofantasia.com/cgi-bin/tfmaint.cgi/01/00/B1055070632/1244739817</guid> <content:encoded><![CDATA[<b>Apenas Para Avisar</b> que o segundo desafio do Passatempo Kate Wilhelm <A href="http://is.gd/YUAq">já está no ar</A>. Aguardamos as vossas participações. As <A href="http://www.tecnofantasia.com/cgi-bin/tfmaint.cgi/03/00/T1244410678">respostas ao primeiro desafio</A> ultrapassaram as nossas expectativas.<div class="feedflare">
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</div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/EfeitosSecundarios/~4/RjJhHvQDfWo" height="1" width="1"/>]]></content:encoded> <feedburner:origLink>http://www.tecnofantasia.com/cgi-bin/tfmaint.cgi/01/00/B1055070632/1244386039</feedburner:origLink></item><item><title>Pulp, Pulp e Mais Pulp.</title> <link>http://feedproxy.google.com/~r/EfeitosSecundarios/~3/-mZQ4jInFDw/1244322469</link> <pubDate>Sun, 07 Jun 2009 01:07:46 +0000</pubDate> <dc:creator>LFS</dc:creator> <category /> <guid isPermaLink="false">http://www.tecnofantasia.com/cgi-bin/tfmaint.cgi/01/00/B1055070632/1244322469</guid> <content:encoded><![CDATA[<b>Pulp, Pulp e Mais Pulp.</b> Há seis meses que terminou o prazo de submissões para o <i>Pulp Fiction à Portuguesa</i> e desde então temos estado calados. É compreensível que isto enerve alguns entusiastas. Em particular nesta época em que, no meio de tanta agitação editorial e primeiras obras publicadas à pressa, não existam espaços de tertúlia fiáveis e honestos que permitam aos novos autores jogarem-se de braços abertos à ferocidade da crítica e sairem de lá transformados e mais capazes de distinguir a boa da má prosa. No meu tempo, a tertúlia chamava-se <i>DN Jovem</i>, e garanto-vos que ajudou imenso. Entrava-se à custa do mérito, e ainda que conheça quem não concordasse com alguns critérios editoriais aplicados (embora não entenda porquê, uma vez que os textos lá publicados eram de extrema qualidade - e obviamente que não falo das minhas humildes tentativas), servia como rito de iniciação, motivo para encontros, e um prazer enorme em saber que o nosso nome tinha sido levado, naquela terça-feira, a todos os pontos do país. É compreensível, assim, que qualquer oportunidade de publicação sirva como forma de justificação do autor. Ainda bem que assim é, e ainda bem que existe o interesse. Como aliás se pode comprovar pela centena de participações que recebemos, beyond our wildest dreams, de todos os géneros e feitos, sendo a maioria de participações lusitanas. Por todas elas, e pelo vosso interesse, os meus profundos agradecimentos. <p>Em que ponto se encontra o projecto, então? Bem, considerem que os contos são levados a campeonato e têm de chegar às finais. A primeira etapa de selecção já aconteceu, e os nitidamente desenquadrados (houve quem enviasse histórias intimistas sem um pingo de acção contrariando o espírito da coisa) e os de prosa perturbada (que é como quem diz, desconhecimento do português) não fizeram parte das selecções iniciais. A seguir começaram os jogos de pontuação, e quase num paralelo com um campeonato, nesta fase os contos ganham pontos numa análise mais estreita, e em competição entre si. As eliminações que ocorrem são já de um nivel profissional - o enredo não está bem estruturado, ou a situação não é credível, ou a abordagem contradiz-se no decurso do texto, ou é demasiado previsivel,&nbsp; ou a história acaba por não ter um fim. Não é obviamente uma selecção totalmente taxativa, mas algo é certo: se após duas ou três leituras um conto ainda nos deixa na dúvida, é porque quase certamente não se enquadra. </p> <p>Chegamos assim aos oitavos-de-final, e aqui as eliminatórias já começam a acontecer. O número de participantes reduz-se, e os contos serão comparados entre si. Não é um processo fácil, pois o processo de escolha é mais delicado. Procura-se encontrar as qualidades do conto entendendo primeiramente se os que nos apraz e o que nos afasta dele são qualidades intrínsecas e reconhecidas por outros, e não derivadas somente de gostos pessoais. Não que se prometa uma selecção completamente objectiva - afinal, os autores e os editores querem-se pela sua subjectividade, pela sua forma particular de ver o mundo. Mas quem selecciona tem de estar consciente que os seus gostos pessoais podem interferir e impedir que o livro se revele no seu pleno, pois quem manda são as histórias.</p> <p>Felizmente, há contos que atravessam, por vezes velozmente, todas estas barreiras, e prometem ser bons candidatos para as finais. Deste processo demorado, resultarão uma dúzia, mais ou menos (o número dependerá da dimensão dos contos e do tamanho final do livro) de galardoados para constarem da primeira antologia assumida de <i>Pulp Fiction à Portuguesa</i>. </p> <p>Por isso, não desanimem e aguardem mais um pouco. A demora que experimentam não é mais do que a consequência de haver pouca capacidade de profissionalização neste mercado. O negócio dos livros do lado de quem escreve neste género não é suficiente para pagar aquelas contas que nos chegam todos os meses, e portanto a vida intromete-se nos prazos, que é o mesmo que dizer que acaba por ser um acto de paixão. É difícil para todos, em particular para vocês, público fiel que vai seguindo as nossas obras e contribuindo para o nosso crescimento. Mas no conjunto ainda somos poucos, e como qualquer movimento que depende dos números, é preciso espalhar a palavra. Não deixa de ser uma honra saber que são as nossas palavras que saciam a vossa sede. Mas falta ainda transformar o vosso familiar, amigo, vizinho, desconhecido da rua em ânfora. Só assim o oásis poderá cobrir o deserto.</p><div class="feedflare">
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A certo ponto McDonald afirma que a Índia não é a terra do individual mas do colectivo, que tudo é confluência e experiência partilhada, e para tal compara-a a uma viagem de comboio (também simbolizando o destino) cuja paragem final é a da própria morte, a qual acaba retratada, na perspectiva indiana, como uma troca de locomotivas, um entroncamento, em suma, uma fase da viagem e não o fim da mesma - algo que não encontra reflexo no pensamento ocidental, que consideraria o comboio como uma prisão, enquanto imposição da vontade de outrém e perda da liberdade individual, e a morte... bem, o que efectivamente é. <P>Efectivamente nunca saberemos na pele se esta é a verdadeira perspectiva dos nados e mortos em indo-território, a não ser que alternassemos de universo e de vida e mergulhássemos de cabeça num renascimento, dentro deste território milenar do misticismo e que como tal se assume (e é encarado mundialmente), mesmo em pleno século XXI da dita globalização e da procura de deuses mais sofisticados - algo que McDonald, sendo escritor e por isso incorrendo no pecado dos escritores de nos quererem convencer que em meras palavras conseguimos adoptar a alma de outrém, muito ardilosamente tenta conseguir. E são palavras rápidas, frases que nos atiram para outras frases, somos passados de mão em mão numa escuridão desconcertante que só no absoluto movimento alcança significado. Nada no livro nos convida à contemplação. McDonald não detém o veículo que conduz para nos explicar ou encantar, ele que saberá centenas de histórias e milhares de pormenores derivados da sua extensa pesquisa. O guia veio bem preparado, mas está com pressa, tem outros fins em mente, não se incomoda com o obséquio das apresentações. Estamos num comboio de alta velocidade, os conceitos surgem e passam, estão do outro lado da janela, não os tocamos, não nos tocam. Ele não quer que percamos tempo com o que já devíamos saber. A viagem acaba por ser um destino, e não um percurso. Um compasso de espera para observação enquanto a estação final, aquela onde a história do viajante realmente começa, não chega - uma atitude deveras ocidental. <P>É no entanto um percurso enebriante, pois as paisagens são coloridas e os eventos apresentados com salpicos de linguagem e maneirismos locais, tanto que se torna difícil, no conforto e protecção da nossa cabina de passageiros, de desviarmos o olhar. O guia sabe bem o que chama a nossa infantil atenção. Há um grau de virtuosismo evidente, um orgulho na exibição de poses de difícil equilíbrio que não esperaríamos de um britânico de meia-idade radicado naquele pedaço roubado pela Grã-Bretanha à Irlanda -&nbsp;o roubo consentido, tão incongruente à noção de uma Europa unida (a par de Gibraltar, por sinal) que por si só a invalida. O britânico tem plena consciência disso, e por isso explica pouco - talvez por saber que numa era internética todo o conhecimento pode ser questionado, mas creio que será mais pela incapacidade em efectivamente extrapolar para além do razoável a evolução de uma terra que não é a sua, o progresso de uma cultura que não moldou o seu modo de pensar, a alteração de um contrato social cheio de limitações e cláusulas em letras miudinhas - como qualquer contrato social - que não lhe limitou as opções de vida, ao contrário do que acontece com qualquer escritor indiano. Perceber esta limitação não é um defeito, antes um acto de plena honestidade, e como tal não oferece mais do que é capaz, não explica além do ele próprio entende. O resto... o resto é pecado de escritor, mas um pecado paternalista, pois procura tranquilizar o nosso sono com ideais de um futuro no qual a tecnologia, e logo o Homem,&nbsp;se proclama como único e absoluto Redentor de si mesmo. <P>E o que oferece McDonald? Nada mais que um tradicional conto de FC (questões quânticas e problemas informáticos, como convém na era pós-século XX da física) - universos paralelos, transsexualidade, corporações à escala nacional, e o paradigma do Alienígena Entre Nós em que se tornaram as Inteligências Artificiais (I.A.s) à solta, o único artificio literário da FC que ainda é aceite como factor quase divino pela mente céptica, tecnocrática,&nbsp;do leitor de FC. Sobre este enredo, ou a sustentá-lo, situa-se o filtro colorido da Índia, em jeito de cenário, um toque de caril, um cheiro a cravinho, um volteio de saris. A tecnologia impele o enredo, a tecnologia justifica o enredo, a tecnologia proporciona o desfecho do enredo. Mas é uma tecnologia completamente ocidental. Ainda que o polícia da unidade Khrishna tenha baptizado as suas armas I.A, de acordo com as divindades do panteão hindu, consoante as respectivas funções informáticas, isto não passa de uma cortina de fumo - é uma tecnologia nascida do método científico, da evolução de racionalismo da mentalidade europeia, da cibernética norte-americana e dos laboratórios de investigação&amp;desenvolvimento japoneses. Não algo que Bangladesh tivesse concebido em isolamento segundo a sua maneira muito própria de pensar. <P>O que não é necessariamente mau. Se o livro se destaca no espírito do leitor habitual da FC, se as palavras saltam das páginas e é acolhido como um dos grandes romances de FC deste início de século, não deixa de ser também por esta rendição absoluta, perfeita, ao poderio do mundo físico sobre o mundo do espírito. Por esta subversão do que a Índia é e do que&nbsp;representa a nível de conceito, das suas pretensas religiosidades e encantamentos e posições de lótus, como se fosse suposto esquecermo-nos da exploração desumana dos trabalhadores, do sistema de castas tão ou mais nocivo e impermeável que o racismo no Ocidente, da pobreza imensa, imunda, que invade o olhar do turista e lhe revela a verdadeira Índia, a Índia do intenso desrespeito pela natureza sagrada da vida humana. Não seria a intenção do autor, e possivemente é uma interpretação contrária à sua vontade, mas o que conseguiu demonstrar - pelo menos na sua incursão de turista ocidental convicto da salvação da espécie pelo conhecimento das leis físicas, genuínas, do universo - foi a incapacidade de conciliação da ficção científica ocidental com os arquétipos religiosos do oriente. Pelo menos quando a solução literária do romance de ficção científica é de apresentar um futuro de glória tecnológica. <P>Haveria outra solução? Possivelmente. Mas creio que não ao nível da ficção científica Tal Qual a Conhecemos. A ocorrer o nascimento de&nbsp;uma&nbsp;indo-FC, esta terá de provir das mãos de autores próprios à terra, autores com o mínimo dos contactos com a FC ocidental e que consigam desenvolver um racional literário e especulativo baseado na expansão e conhecimento intrínsecos ao país. O erro de McDonald foi precisamente de querer seguir a norma. Frank Herbert, neste aspecto, ao negar&nbsp;o desenvolvimento científico e tecnológico do universo de <EM>Dune </EM>e basear a narrativa em arquétipos messiânicos, conseguiu o que poucos imitaram: um universo fantástico conciliado com os ditames culturais do povo no qual se baseava. <EM>Dune</EM>, que se passa noutro planeta, é mais fiel ao que seria uma ficção científica islâmica do que <EM>River of Gods</EM>, decorrendo na própria Índia,&nbsp;o é a respeito da cultura indiana. <P>Não deixa contudo de ser um dos grandes romances da Ficção Científica. Para conhecerem mais a seu respeito, sugiro que leiam os textos de <A href='http://spaceshipdown.blogspot.com/2009/05/simon-schuster-london-2005-583-paginas.html'>João Seixas</a> e <a href='http://innerspace22.spaces.live.com/blog/cns!C501FF0073089D1C!963.entry'>Nuno Fonseca</a>, estes sim críticas na verdadeira acepção da palavra, a respeito da obra que este mês o Círculo de Leibowitz se comprometeu a apresentar-vos.<p align=center><img src="http://lh4.ggpht.com/_5I_EbjD6mnc/ShnLjRoFDrI/AAAAAAAAAoE/5uPJ_E2lmKQ/s144/rg.jpg" /><br /><a href="http://www.amazon.co.uk/gp/product/0743404009?ie=UTF8&tag=eventorevistd-21&linkCode=as2&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=0743404009">(Amazon inglesa)</a></p><div class="feedflare">
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