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    <title>e_spaços</title>
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    <description>"espaços" - revista de literatura</description>
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    <dc:rights>Copyright 2008</dc:rights>
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      <title>ovo</title>
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de Luiz Alberti 

http://queroserbilontra.blogspot.com/


Diante de mim, a obra completa. Incontáveis tomos reduzidos a um só. Tive o trabalho redobrado da vida inteira para transformar cada palavra, cada vírgula, em uma forçada memória. Tentei de todas as formas ser breve e justo. Breve ao resumir os feitos, pensar, do alto dos meus avançados anos, o que seria mais edificante para a humanidade, de tudo que vi, compreendi e julguei. Justo ao apresentar todos os lados de uma vida humana exaustivamente vivida, não apenas um auto&#45;encômio a restar empoeirado numa das prateleiras de um caridoso amigo.

Agora, eis o livro, sua capa branca e as páginas, salpicadas de tinta formando as letras que foram minha vida. Poderia recitá&#45;lo, sem nenhuma falha. Mas ao pensar nisso, angustio&#45;me, revivo o grande desgosto de uma passagem, a insatisfatória resposta para um problema em outra, a cruel e crua ingenuidade de uma última, que tanto trabalho me rendeu para achar as palavras certas. Sinto&#45;me um péssimo ator, não sabendo representar minha própria experiência, como, de resto, só se vive de verdade quando não se escreve. A vida inventada é posterior, facilitada para a digestão dos leitores.

Então, sobra&#45;me a consolação de ser lido por quem me conhece, por quem quer me conhecer e encontra algo de interessante nos esconsos dos meus pensamentos desconexos. A esses, o meu perdão do prefácio era desnecessário, porque eles podem ler sem os óculos da arrogância, da soberba de achar que minha sintaxe é a sua, de penetrar minha memória, minha imaginação, quando na verdade, só vivi e escrevi porque queria conversar com eles, naquele âmbito onde qualquer conversa era impossível. Aquele que consegue entender o espaço entre as letras das minhas palavras, a esse minha dedicatória.

Alguns tiram&#45;me o sono. Passo a reler e fazer anotações, emendas, numa tentativa frustrada de fazer com que me entendam, ou que não me entendam e nem tentem me entender. Para esses, fiz uma edição diferente. Cortei os capítulos maçantes, os óbvios, as referências, as hipóteses. Eles têm um manual, uma primeira&#45;mão de gêneros diversos, uma leitura leve e até mesmo humorada, onde nada digo, de maneira muito convincente. Escrevi um livro tolerável, desconfio, para poder tolerá&#45;los.

Outros ainda pretendem ler minhas palavras não por mim, mas para comprovar alguma idéia que já têm, algum falso esconderijo de valores e vícios para apenas desnudar todo o resto das minhas falhas e erros que, aliás, nunca omiti. Para esses, fiz um apanhado de termos, uma enciclopédia biográfica, onde apenas remeto a outros autores que, respeitosamente, servem&#45;me para tirar o peso e o visgo da humanidade hostil que carrego e pretendo que se vá comigo para sempre.

Para aqueles que querem mais um personagem para sua coleção, desdobrei&#45;me em transformar as notas de rodapé em argumento principal e entoar, a lira à mão, poemas sobre cada uma das pessoas que me rodearam, escritos em redondilhas amigas da récita. Os vilões são vilões, os heróis, heróis, e também fiz, com rimas e métricas mais elaboradas, versos para alguns mais complexos e arquetípicos sujeitos, para que esses leitores se detivessem e fizessem análises profundas de uma humanidade que sonham para si. Fiz de tudo, menos falar sobre mim mesmo, porque sei que toda minha obra será muito mais eloqüente do que minha pessoa, até mesmo para falar sobre a tal da minha pessoa.

Há também um último leitor, para quem nunca escrevi nada e que é, no final das contas, o único leitor. Severo e inclemente, para ele todas as palavras são excessivas, todos os adjetivos desnecessários, nenhuma idéia bem&#45;concebida. Tampouco consegue achar no arranjo e seqüência, ainda que da mais elementar frase construída, qualquer coerência, qualquer nexo. Sua única intenção é reduzir os excessos, e ele toma isso como o trabalho de sua vida, sente que está reescrevendo a obra a cada parágrafo que apaga, a cada eliminação de um luxo rebuscado e retórico, a cada confusão ou incompreensão, tão pouco apreciada no mundo editorial. Sua má&#45;impressão é a única impressão possível. A esse único leitor confio minha obra completa, aquela de tomos e tomos, nunca concluída. Só ele, de tanto lê&#45;la, conseguirá reduzi&#45;la a nada. Seu último grande feito será o de verificar que nem mesmo meu nome está bem na capa do livro e que meu único testamento é ser transubstanciado no trato digestivo das traças.

Aliás, como ele realmente bem me lê, fará de mim pergaminho.</description>
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      <dc:date>2008-07-06T12:14:00-03:00</dc:date>
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      <title>Tranquill Wehenfeuer e seus três ratinhos</title>
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de Markus A. Hediger. 

mhediger@gmail.com


Em 2007, quando voltei ao Brasil após passar alguns anos no exterior, trouxe comigo uma caixa cheia de anotações: manuscri&#45;tos inacabados, esboços de personagens que, algum dia, talvez me fossem úteis num de meus romances, anotações sobre pai&#45;sagens, nomes de cidades e suas ruas. A caixa era grande de&#45;mais para ser levada na cabine de passageiros, mas representa&#45;va o que eu possuía de mais valor. Seu preço era inestimável, eu investira milhares de horas na criação daquele conteúdo. Não queria largá&#45;la por um minuto sequer. Mas lá estava a funcionária da companhia aérea insistindo para que eu entregasse a caixa aos seus cuidados. „Os regulamentos são claros“, dizia ela, „a lei exige que esta caixa viaje no compartimento de bagagem. Sinto muito, senhor.“

 

Relutei. A fila no check&#45;in estava aumentando e os outros passa&#45;geiros começaram a reclamar da demora. Finalmente, coloquei a minha querida caixa na esteira de transporte e lá se foi ela. Su&#45;miu por trás de uma minúscula porta e eu estava certo de que nunca mais a veria. 


Fizemos escala em Paris. Olhando pela janela de um dos infinitos corredores do aeroporto Charles de Gaulle, descobri minha caixa num daqueles tratores que levam a bagagem de um avião para outro. Não imaginam vocês o meu alívio, quando a vi desapare&#45;cer no interior de uma aeronave da TAM. 

 

A viagem de Paris ao Rio de Janeiro foi tranqüila. Sabia que a caixa, da qual meu futuro como escritor tanto dependia, estava a poucos metros abaixo do meu assento. Dormi feito um bebê e sonhei com meus futuros livros. Ao pousarmos no Rio, corri para o setor de entrega de bagagens. Esperei pacientemente, até que, finalmente, o monótono carrossel da esteira começou a dar suas voltas. Vieram nossas malas, vieram as malas de outros passa&#45;geiros, vieram sacolas, pranchas de surfe, só não veio a minha caixa. Desesperado fui até o escritório de „Achados e perdidos“. Descrevi meu desespero a uma funcionária simpática e sorriden&#45;te. Ela, em plena consciência do tamanho do drama pelo qual eu passava, teclou alguns números em seu computador. Não gostei nada da expressão em seu rosto. „O que aconteceu?“ gritei. Com um simples gesto mandou&#45;me calar a boca. Fez alguns telefone&#45;mas. Finalmente, colocou o telefone no gancho e me olhou, séria. „Aconteceu um pequeno acidente“, confessou. „Quando retiraram a sua caixa do avião, ela escorregou e, sei lá, talvez nossos fun&#45;cionários subestimaram o seu peso, realmente não sei lhe dizer o que, de fato, aconteceu. Só sei que a sua caixa escorregou e caiu no chão. Ao se chocar contra a terra, ela – é claro – se abriu e o conteúdo espalhou&#45;se todo por entre os aviões. Neste momento, estamos recolhendo todos os seus papéis. Por favor, deixe seu endereço e telefone. Entregaremos a sua bagagem em casa. Sentimos muito pelo incômodo que lhe causamos.“ 

 

Dois dias depois, entregaram minhas anotações numa caixa no&#45;vinha em folha. Quando a abri, encontrei milhares e milhares de palavras minhas completamente fora de ordem. Era uma ba&#45;gunça total. Precisei de uma semana inteira para reestabelecer a ordem original. Quando, enfim, terminei, suspirei aliviado: Parecia estar tudo ali. Só para ter certeza, comparei cada item com uma lista que eu havia feito antes de viajar. E foi aí que descobri a terrível ausência de Tranquill Wehenfeuer. O professor Wehen&#45;feuer era um personagem que criara muitos anos atrás. Várias vezes tentara escrever sua história, mas sempre algo me impedi&#45;ra de terminá&#45;la. Eu gostava dele, era um ser estranho, um pro&#45;fessor de literatura perseguido por ratos que comiam todos os livros que ele lia. Isto o forçava a decorar todos os textos e livros; mal acabava de ler e fechar um de seus eruditos tomos, os ratos apareciam do nada e devoravam as páginas que suas mãos ha&#45;viam acariciado minutos antes. Quando percebi que Tranquill Wehenfeuer desaparecera das minhas anotações, soltei um grito terrível. „Roubaram meu professor!“ gritei. „Vou processar o mal&#45;dito aeroporto!“ uivei. „O que será de mim sem meu professor?“ chorei. Ato contínuo, liguei para a funcionária que me atendera no aeroporto e relatei meu novo drama. Do outro lado da linha, ouvi&#45;a suspirar. „O tempo não era bom naquele dia, senhor,“ disse ela com sua voz simpática, „é bem possível que o seu professor ten&#45;ha sido levado pelos fortes ventos. Não há mais nada que pos&#45;samos fazer por ele.“ Meu professor, meu querido professor Tranquill Wehenfeuer levado pelo vento, quem sabe, talvez ao alto mar onde sofrerá a terrível morte por afogamento! 

 

Fiquei de luto durante uma semana. Depois retornei à vida e vol&#45;tei a escrever e a criar outros personagens. Não demorou e es&#45;queci o professor e seu trágico destino.


Poucos dias atrás, visitei uma livraria no centro da cidade. A loja estava quase vazia. Havia nela, além dos vendedores, apenas duas pessoas. Uma jovem estudante linda e um senhor de meia idade, ambos de costas para mim. Eu estava lá para comprar um livro específico (Seis propostas para o próximo milênio, de Italo Calvino) e prestes a pedir ajuda a um dos vendedores, quando percebi um detalhe naquele senhor de meia idade que me cha&#45;mou a atenção: carregava em seu braço esquerdo um pesado manto de inverno, do tipo que só se usa em regiões de clima ártico. Hm, pensei, que cara mais estranho. Estamos no Rio de Janeiro e este homem parece esperar uma tremenda queda de temperatura… Observei&#45;o com mais cuidado. Ele não me parecia estranho. Instintivamente olhei em volta e lá, num canto escuro entre duas estantes, não muito longe daquele senhor, descobri três ratinhos. Não havia dúvida: aquele senhor era o meu querido professor! „Senhor Wehenfeuer!“ exclamei. „Meu querido profes&#45;sor, o senhor está vivo!“ E o professor, lentamente, voltou&#45;se para mim, olhou&#45;me, e perguntou: „Nós nos conhecemos?“ 

 

Expliquei&#45;lhe quem eu era. Não me reconheceu. Triste, voltei para casa. 

 

Passei noites em claro. Tentei desvendar o mistério daquele en&#45;contro. Encontrei uma única explicação. Imagino que tenha acon&#45;tecido o seguinte: 

 

Naquele dia infeliz, em que a caixa se abriu no asfalto do aero&#45;porto do Rio de Janeiro e o seu conteúdo se espalhou por toda parte, havia, entre os funcionários que recolheram minhas ano&#45;tações, uma pessoa que – ao levantar uma das folhas de papel – parou para ler o que nela estava escrito. Era a folha em que esta&#45;va escrita a história do professor. Naquele mesmo instante em que o funcionário leu e tomou conhecimento da existência de Tranquill Wehenfeuer, o professor veio à vida na imaginação daquele improvável leitor. A partir daí,  o ilustre e culto mestre já não era mais meu. Pertencia àquele novo leitor, que passou a nutri&#45;lo com seus próprios pensamentos e suas próprias idéias até que, certo dia, decidiu libertá&#45;lo da prisão de sua mente e deixá&#45;lo viver sua própria vida. O que permaneceu de meu Tran&#45;quill Wehenfeuer foi o seu amor pela literatura e a companhia irritante dos ratinhos. Não me reconheceu, porque eu já não era mais seu criador. No exato momento em que alguém lê as min&#45;has palavras, neste mesmo instante, deixo de ser dono daquilo que escrevi.</description>
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      <dc:date>2008-06-08T12:17:00-03:00</dc:date>
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      <title>Por que voa o passarinho? Por que escreve o escritor?</title>
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de Dennis D. 

http://dennis.d.zip.net


Se, ao apresentar&#45;se a alguém, você disser que é escritor, prepare&#45;se para ouvir aquela indefectível perguntazinha: “E dá pra viver disso?”.


Pois bem, diante de uma indagação desse tipo, controle&#45;se, respire profundamente, seja bem&#45;educado e responda: “É claro que não, tanto que já penso em entrar para o nobre mundo da política, no qual é perfeitamente possível viver como multimilionário, acumular inúmeros bens, tendo a declaração de rendimentos de um singelo cidadão de classe média. Ainda por cima, transformando&#45;me de escritor em político, receberei o tratamento de &#8216;sua excelência&#8217;, e força alguma sobre a Terra me obrigará a responder perguntas impertinentes.”


Ora, ora, sabido é que apenas um punhado de escritores vive exclusivamente de sua literatura, seja aqui no Brasil, seja no exterior. E tais escritores alcançaram fama e riqueza porque são os melhores em seu ofício? Obviamente, não! Eles pertencem ao seleto grupo dos que tiveram as melhores oportunidades de divulgação, seja por mérito próprio ou pela eficiência de seus apadrinhamentos, e também porque produziram obras ditas populares (muitas delas baseadas em fórmulas de comprovado sucesso editorial).


Você, leitor, pode estar conjeturando se aquele famoso escritor, aquele que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, teve mesmo bons padrinhos na carreira. Terá sido essa a alavanca de seu sucesso mundial? Mas ele não é um gênio?


Permita&#45;me responder nua e cruamente, ainda que a custa de sua indignação ou mesmo desencanto. Aquele premiado escritor não é um gênio. Os gênios são raríssimos e geralmente não fazem tanto sucesso no mercado editorial (livros de jovens prostitutas logo se transformam em best&#45;sellers, enquanto os romances de Marcel Proust só fazem embolorar nas prateleiras das livrarias). Uma análise fria e realista dos fatos nos revelará que, entre outras coisas, o tal escritor premiado com o Nobel (o suposto gênio das Belas Letras) sempre contou, ao longo de toda a sua carreira literária, com a colaboração eficiente de um vasto contingente de amigos acadêmicos, jornalistas, pessoas engajadas em determinada corrente político&#45;ideológica. Abracadabra! Ali estava o truque do mágico!


Sendo assim, que fique muito claro: em literatura, como em qualquer outra atividade humana, o talento, por maior que ele seja, não basta para nos ungir com o reconhecimento público, tampouco para nos conceder o retorno financeiro que almejamos.


Mas será mesmo que o verdadeiro escritor, o escritor fiel ao seu propósito de produzir arte honesta e de qualidade, deve viver em função da conquista da fama e da fortuna? Será que ele deve trabalhar seus textos literários com o objetivo de torná&#45;los mais palatáveis ao gosto de uma suposta classe de leitores, ou ao gosto de determinados críticos literários? Tais perguntas, mais cedo ou mais tarde, acabam sendo feitas e respondidas pelos jovens escritores.


Sirvo&#45;me agora de um episódio real, para demonstrar o quão enganosas são as idéias que muitas pessoas mantêm a respeito da arte e do ofício literário.


Anos atrás, aproximou&#45;se de mim um parente e declarou que iria escrever um livro. Fiquei surpreso e perguntei&#45;lhe se o livro seria um romance, uma novela ou uma coletânea de contos. O tal parente respondeu&#45;me, muito candidamente, que ainda não decidira qual o gênero, nem qual o tema do livro a ser escrito. Não é espantoso? Ele queria publicar por publicar, porque deve achar muito elegante ter o próprio nome na capa de um livro. Quanta ilusão!


Seria o caso dessa criatura se perguntar por que voa o passarinho.


Será que o passarinho voa por exibicionismo? Será que ele voa porque voar é infinitamente mais elegante do que andar? Ou bater asas e ganhar os ares é da natureza das aves, assim como nadar é da natureza dos peixes, e não andar, nem tampouco voar?


E por que escreve o escritor? Por que é fino escrever livros? Ou escreve porque é de sua natureza expressar idéias e emoções de modo artístico, por meio da palavra escrita?


É claro que, num mundo ideal, todo escritor teria uma carreira de garantido sucesso comercial, receberia rios de dinheiro, moraria em castelos do Loire, e viveria sossegadamente a criar os seus enredos e personagens. O mundo real, contudo, está longe de ser tão generoso com os verdadeiros artistas. Por outro lado, há recompensas muito preciosas no caminho de um escritor, famoso ou não, que se mostre honesto com sua arte. Produzir uma boa obra, ainda que esta seja um poema de duas linhas, pode trazer alegrias indizíveis ao autor. Saber&#45;se lido e compreendido, ainda que por poucos, é quase um pequeno milagre.


Se, dentro de você, existe o sincero desejo de apresentar idéias e sentimentos por meio da escrita literária, não se retraia diante dos pequenos ou grandes obstáculos. Escreva, simplesmente. Escreva todos os dias, se possível. Escreva com o honesto propósito de oferecer o melhor de si mesmo. Literatura é arte, e não existe arte sem verdade, sem coragem e sem paixão.&amp;nbsp;</description>
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      <title>&#8220;e_spaços&#8221; &#45; a revista de literatura</title>
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      <description>A primeira edição de &#8220;e_spaços&#8221; será publicada em novembro de 2008. Até lá, agradecemos se nos ajudam a divulgar a nossa idéia que é oferecer um espaço para escritores de língua portuguesa que ainda não conseguiram conquistar o seu lugar no maravilhoso mundo da literatura. Os textos enviados à &#8220;e_spaços&#8221; são avaliados, selecionados, redigidos e publicados por uma equipe de escritores altamente qualificados. 

Acreditamos que, no Brasil, existem inúmeros autores talentosos ainda desconhecidos. A estes oferecemos a chance de terem seus textos publicados e apresentados a um público maior. 


Enive seu texto em arquivo .doc ou .rtf para textos@espacos.net!</description>
      <dc:subject>Ossos do oficio</dc:subject>
      <dc:date>2008-04-22T12:02:01-03:00</dc:date>
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