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	<title>Travessa dos Editores</title>
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	<description>Sempre os melhores livros</description>
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		<title>Adriana Sydor, toda prosa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Travessa dos Editores]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jun 2016 21:11:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adriana Sydor]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Livro]]></category>
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					<description><![CDATA[Adriana SydorCrônicas Páginas: 240 Dimensões: 13 x 22cm ISBN: 978-85-89485-97-5 Clique aqui para ver as notícias sobre o livro de Adriana Sydor  Uma das]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="pl-47"  class="panel-layout" ><div id="pg-47-0"  class="panel-grid panel-no-style" ><div id="pgc-47-0-0"  class="panel-grid-cell" ><div id="panel-47-0-0-0" class="so-panel widget widget_black-studio-tinymce widget_black_studio_tinymce panel-first-child panel-last-child" data-index="0" ><div class="textwidget"><p>Adriana Sydor</p>
<p>Crônicas<br /> Páginas: 240<br /> Dimensões: 13 x 22cm<br /> ISBN: 978-85-89485-97-5</p>
</div></div></div><div id="pgc-47-0-1"  class="panel-grid-cell" ><div id="panel-47-0-1-0" class="so-panel widget widget_black-studio-tinymce widget_black_studio_tinymce panel-first-child panel-last-child" data-index="1" ><div class="textwidget"><h4><a href="http://travessadoseditores.com.br/noticias-sobre-o-livro-de-adriana-sydor/">Clique aqui para ver as notícias sobre o livro de Adriana Sydor</a></h4>
</div></div></div></div><div id="pg-47-1"  class="panel-grid panel-no-style" ><div id="pgc-47-1-0"  class="panel-grid-cell" ><div id="panel-47-1-0-0" class="so-panel widget widget_black-studio-tinymce widget_black_studio_tinymce panel-first-child panel-last-child" data-index="2" ><div class="textwidget"><p> </p>
<p><a href="https://i1.wp.com/travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Capa_Adriana.jpg"><img class="size-full wp-image-49 alignleft" src="https://i1.wp.com/travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Capa_Adriana.jpg?resize=300%2C518" alt="Capa_Adriana" width="300" height="518" data-recalc-dims="1" /></a>Uma das inestimáveis contribuições da internet é a revelação de talentos genuínos que afloram nas redes sociais. Sim, há um aluvião de sandices, há um deserto de ideias coberto pelas ervas daninhas dos preconceitos. É preciso aprender a andar neste terreno para evitar o lixo tóxico da pregação fundamentalista raivosa. Mas vale a pena o garimpo. É raro, raríssimo, mas sempre há a esperança de encontrar uma fonte de expressão original como o <a href="http://milcompassos.com.br/">blog Mil Compassos</a> de Adriana Sydor.</p>
<p>O nome nos remete à música. A própria autora é muito ligada ao universo musical. E talvez isso explique porque há tanta musicalidade e ritmo em suas narrativas, que é a primeira pegada que nos prende. Texto saboroso, que pode ser lido por ele mesmo, apenas por sua fruição. E todos sabem que quando fazemos um achado desses, é ouro, é a glória. É o prazer que não se quer ver findar.</p>
<p>Ela domina a língua, mestra que é no assunto. E tem autoridade para subverter regras gramaticais pelo prazer criador de domar o léxico e fazê-lo servir ao texto. Claro que certas normas são necessárias para que haja um padrão geral, mas a língua existe para nos servir. Adriana não tem pejo em decretar suas próprias leis, nunca definitivas, e estruturas de linguagem, nunca eternas, para favorecer a comunicação com o leitor.</p>
<p>Lúdica, sempre está a um passo de nova transgressão. Por que uma frase deve começar com letra maiúscula, se a maiúscula parece carregar o peso autoritário que prejudica a fluência gostosa da narrativa? Por que o uso da vírgula é uma obrigação gramatical que não seguida corretamente torna-se imperdoável? E quem disse que trema saiu de moda? Ou que o melhor é o texto clean? Que as frases devem ser curtas e sempre na ordem direta? Os advérbios estão proibidos? Os adjetivos só em doses homeopáticas? Gerúndios nunca? Bem, não apresente uma regra definitiva para Adriana Sydor, ela tratará de transgredi-la.</p>
<p>Ri de tudo o que parece estabelecer um maneirismo de nosso tempo. E faz desfilar episódios, incidentes, reflexões, encontros e desencontros que lhe brotam da realidade ou da imaginação ou de sua realidade imaginária para compor um mundo próprio que nos faz ver a vida com outro olhar. Neste mundo veloz, com um turbilhão de responsabilidades que nos obrigam a pensar e esboçar rostos rígidos, sem alma, ela pousa o olhar em outra dimensão do tempo, capaz de apreender o que já não vemos, o que já não podemos sentir, e nos faz pensar.</p>
<p>Em suas andanças, olha à sua volta e descobre passarinhos, borboletas, flores, árvores, toda uma paisagem que nos passa desapercebida porque nosso olhar e nossa sensibilidade não têm tempo para isso. Senta-se na calçada, num bar ou num banco de praça e ouve histórias que as pessoas querem lhe contar porque já não têm a quem dizer suas vidas.</p>
<p>Ela não faz isso na busca de material para suas crônicas. Não se trata de um método de escritora. Sob essa singeleza transparecem a sensibilidade, o humor, a ironia, mas sobretudo a profunda simpatia de Adriana Sydor pela natureza humana.</p>
<p><a href="https://i0.wp.com/travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Asadriana.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-48" src="https://i0.wp.com/travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Asadriana.jpg?resize=715%2C331" alt="Asadriana" width="715" height="331" data-recalc-dims="1" /></a></p>
</div></div></div></div></div><p><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2Fadriana-sydor-toda-prosa%2F&amp;linkname=Adriana%20Sydor%2C%20toda%20prosa" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_twitter" href="https://www.addtoany.com/add_to/twitter?linkurl=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2Fadriana-sydor-toda-prosa%2F&amp;linkname=Adriana%20Sydor%2C%20toda%20prosa" title="Twitter" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2Fadriana-sydor-toda-prosa%2F&#038;title=Adriana%20Sydor%2C%20toda%20prosa" data-a2a-url="http://travessadoseditores.com.br/adriana-sydor-toda-prosa/" data-a2a-title="Adriana Sydor, toda prosa"></a></p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Livro dos novos II</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Travessa dos Editores]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jun 2016 20:55:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
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					<description><![CDATA[Contos Páginas: 116 Dimensões: 14 x 21cm ISBN: 978-85-89485-96-8 Em 2013, a Travessa dos Editores lançou o Livro dos Novos. Dezesseis autores, novos na]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Contos<br />
Páginas: 116<br />
Dimensões: 14 x 21cm<br />
ISBN: 978-85-89485-96-8</p>
<p><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/livro_dos_novos.jpg"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-38 alignleft" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/livro_dos_novos.jpg" alt="livro_dos_novos" width="300" height="501" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/livro_dos_novos.jpg 300w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/livro_dos_novos-180x300.jpg 180w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>Em 2013, a Travessa dos Editores lançou o Livro dos Novos. Dezesseis autores, novos na idade e no ofício, que encontraram na publicação uma espécie de incentivo para o mercado editorial. A noite de autógrafos foi um sucesso retumbante: imprensa, vendas, autógrafos, fotografias. Depois a realidade veio chegando de mansinho e experimentaram também a dor de estar na vitrine, os esforços para convencer o público a trocar a quantia que se gasta num fast-food por um livro, a longa e desgastante luta de entrar e permanecer no circuito dos pares, a espera por uma crítica.</p>
<p>Estão todos aí, já marcados para a eternidade. Com ISBN, registro e tudo que assegura suas participações nessa estrada.<br />
Agora, em nova edição, outros 16 jovens. 16 novas possibilidades de ver através de outros olhos, de sentir por outros corações, de se aventurar em outras histórias, de se reconhecer, se entreter, se entender.<br />
Temos 16 contos, frutos da imaginação e da realidade, do esforço e da naturalidade, do ontem e do hoje para o amanhã.</p>
<p>Esses guris e gurias, em que o mais velho chegou aos trinta e o mais novo pode votar, mas ainda não dirigir, encaminharam, junto com outros tantos, seus contos para avaliação. São melhores do que os que aqui não entraram? Estão prontos, perfeitos? São representantes de uma geração? Não para todas as questões. Esse é o início de um caminhar, tanto para o escritor quanto para o leitor, ambos se encontram com o novo e se dispõem às surpresas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h6>Os 16 novos</h6>
<figure id="attachment_42" aria-describedby="caption-attachment-42" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/fusao_5001_final.jpg"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-42" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/fusao_5001_final.jpg" alt="Os 16 novos. Foto: Dico Kremer" width="1000" height="654" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/fusao_5001_final.jpg 1000w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/fusao_5001_final-300x196.jpg 300w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/fusao_5001_final-768x502.jpg 768w" sizes="(max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></a><figcaption id="caption-attachment-42" class="wp-caption-text">Os 16 novos. Foto: Dico Kremer</figcaption></figure>
<p>André Petrini<br />
Daniel W. Conrade<br />
Diego Samuel Binkowski<br />
Jadson André<br />
João Lucas Dusi<br />
Julianah Dias<br />
Lara Pastorello Panachuk<br />
Lucas Silveira de Lavor<br />
Mateus Ribeirete<br />
Mateus Senna<br />
Murilo Lense<br />
Priscila Lira<br />
Rafael Antunes<br />
Rafael de Andrade<br />
Thiago Lavado<br />
Victor H. Turezo</p>
<p><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2Flivro-dos-novos-ii%2F&amp;linkname=Livro%20dos%20novos%20II" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_twitter" href="https://www.addtoany.com/add_to/twitter?linkurl=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2Flivro-dos-novos-ii%2F&amp;linkname=Livro%20dos%20novos%20II" title="Twitter" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2Flivro-dos-novos-ii%2F&#038;title=Livro%20dos%20novos%20II" data-a2a-url="http://travessadoseditores.com.br/livro-dos-novos-ii/" data-a2a-title="Livro dos novos II"></a></p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Quem cria, nasce todo dia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Travessa dos Editores]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jun 2016 20:50:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Jaime Lerner]]></category>
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					<description><![CDATA[Jaime Lerner Crônicas Páginas: 212 Dimensões: 13 x 22cm ISBN: 978-85-89485-95-1 Jaime Lerner é um criador. Este o seu traço essencial. De decorador de]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Jaime Lerner</p>
<p>Crônicas<br />
Páginas: 212<br />
Dimensões: 13 x 22cm<br />
ISBN: 978-85-89485-95-1</p>
<p><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/livro_quem_cria.jpg"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-33 alignleft" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/livro_quem_cria.jpg" alt="livro_quem_cria" width="300" height="501" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/livro_quem_cria.jpg 300w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/livro_quem_cria-180x300.jpg 180w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>Jaime Lerner é um criador. Este o seu traço essencial. De decorador de vitrine da loja da família ao inventor que reconstrói o desenho urbano das cidades pelo mundo, sempre foi um criador. Tem alma de artista, não a de inventor de laboratório ou de autoridade em seu gabinete palaciano.</p>
<p>Neste livro há outra dimensão, rica e fértil na narração de histórias do cotidiano que nos aproximam de Lerner, seus sentimentos e experiências pessoais que não cabem na história oficial, nos discursos de ocasião ou nas teses acadêmicas.</p>
<p>Sem parar, Jaime é um cidadão do mundo. Com a cabeça aberta para o novo, para os novos. Por isso que o título do volume reflete o que ele é. O ex-governador, atual escritor e eterno urbanista acredita que Quem cria, nasce todo dia.</p>
<p><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2Fquem-cria-nasce-todo-dia%2F&amp;linkname=Quem%20cria%2C%20nasce%20todo%20dia" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_twitter" href="https://www.addtoany.com/add_to/twitter?linkurl=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2Fquem-cria-nasce-todo-dia%2F&amp;linkname=Quem%20cria%2C%20nasce%20todo%20dia" title="Twitter" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2Fquem-cria-nasce-todo-dia%2F&#038;title=Quem%20cria%2C%20nasce%20todo%20dia" data-a2a-url="http://travessadoseditores.com.br/quem-cria-nasce-todo-dia/" data-a2a-title="Quem cria, nasce todo dia"></a></p>]]></content:encoded>
					
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		<title>A Árvore de Isaías</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Travessa dos Editores]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jun 2016 20:40:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fábio Campana]]></category>
		<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Romance]]></category>
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		<category><![CDATA[Drama]]></category>
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					<description><![CDATA[Fábio Campana Romance Páginas: 182 Dimensões: 15 x 21cm ISBN: 978-85-89485-68-5 O mais recente romance de Fábio Campana trata de diversos assuntos simultaneamente. O]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Fábio Campana</p>
<p>Romance<br />
Páginas: 182<br />
Dimensões: 15 x 21cm<br />
ISBN: 978-85-89485-68-5</p>
<p><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/livro_arvore_isaias.jpg"><img loading="lazy" class="size-medium wp-image-18 alignleft" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/livro_arvore_isaias-185x300.jpg" alt="livro_arvore_isaias" width="185" height="300" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/livro_arvore_isaias-185x300.jpg 185w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/livro_arvore_isaias.jpg 300w" sizes="(max-width: 185px) 100vw, 185px" /></a>O mais recente romance de Fábio Campana trata de diversos assuntos simultaneamente. O conflito entre o utópico e o real, um drama familiar, as impossibilidades, a relação a dois, os fantasmas do passado. Com linguagem ágil e envolvente, o autor costura os vários motes e apresenta um final surpreendente.</p>
<p><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2Fa-arvore-de-isaias%2F&amp;linkname=A%20%C3%81rvore%20de%20Isa%C3%ADas" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_twitter" href="https://www.addtoany.com/add_to/twitter?linkurl=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2Fa-arvore-de-isaias%2F&amp;linkname=A%20%C3%81rvore%20de%20Isa%C3%ADas" title="Twitter" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2Fa-arvore-de-isaias%2F&#038;title=A%20%C3%81rvore%20de%20Isa%C3%ADas" data-a2a-url="http://travessadoseditores.com.br/a-arvore-de-isaias/" data-a2a-title="A Árvore de Isaías"></a></p>]]></content:encoded>
					
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		<title>A alma e o e-mail &#8211; Crônicas da cidade minha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Travessa dos Editores]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jun 2016 19:04:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[José Carlos Vieira]]></category>
		<category><![CDATA[Livro]]></category>
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		<category><![CDATA[rockeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[José Carlos Vieira Poesia e Crônicas Páginas: 120 Dimensões: 12 x 21cm ISBN: 85-89485-66-8 Em A Alma e o E-mail e Crônicas da Cidade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>José Carlos Vieira</p>
<p>Poesia e Crônicas<br />
Páginas: 120<br />
Dimensões: 12 x 21cm<br />
ISBN: 85-89485-66-8</p>
<p><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/livro_alma_e_mail.jpg"><img loading="lazy" class="size-medium wp-image-25 alignleft" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/livro_alma_e_mail-152x300.jpg" alt="livro_alma_e_mail" width="152" height="300" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/livro_alma_e_mail-152x300.jpg 152w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/livro_alma_e_mail.jpg 300w" sizes="(max-width: 152px) 100vw, 152px" /></a>Em A Alma e o E-mail e Crônicas da Cidade Minha, José Carlos Vieira apresenta poesia inspirada no rock, na juventude e nas dores amorosas. O autor também mostra seu lado cronista, em histórias sobre o relacionamento de um pai que resolve virar rockeiro, ou o filho que, aos 40 anos, ainda não resolveu sair da casa da mãe.</p>
<p><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2Fa-alma-e-o-e-mail-cronicas-da-cidade-minha%2F&amp;linkname=A%20alma%20e%20o%20e-mail%20%E2%80%93%20Cr%C3%B4nicas%20da%20cidade%20minha" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_twitter" href="https://www.addtoany.com/add_to/twitter?linkurl=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2Fa-alma-e-o-e-mail-cronicas-da-cidade-minha%2F&amp;linkname=A%20alma%20e%20o%20e-mail%20%E2%80%93%20Cr%C3%B4nicas%20da%20cidade%20minha" title="Twitter" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2Fa-alma-e-o-e-mail-cronicas-da-cidade-minha%2F&#038;title=A%20alma%20e%20o%20e-mail%20%E2%80%93%20Cr%C3%B4nicas%20da%20cidade%20minha" data-a2a-url="http://travessadoseditores.com.br/a-alma-e-o-e-mail-cronicas-da-cidade-minha/" data-a2a-title="A alma e o e-mail – Crônicas da cidade minha"></a></p>]]></content:encoded>
					
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		<title>24 quadros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Travessa dos Editores]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jun 2016 16:18:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[História do cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Luciana Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Nívea Miyakawa]]></category>
		<category><![CDATA[Cinelândia]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Curitiba]]></category>
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					<description><![CDATA[Luciana Cristo Nívea Miyakawa História Páginas: 168 Dimensões: 22 x 21cm ISBN: 978-85-89485-83-8 Reunidos numa pequena sala dentro de um cinema para &#8220;adultos&#8221; no]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Luciana Cristo<br />
Nívea Miyakawa</p>
<p>História<br />
Páginas: 168<br />
Dimensões: 22 x 21cm<br />
ISBN: 978-85-89485-83-8</p>
<p><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Livro_24_quadros.jpg"><img loading="lazy" class="alignleft wp-image-12 size-medium" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Livro_24_quadros-300x284.jpg" alt="Livro_24_quadros" width="300" height="284" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Livro_24_quadros-300x284.jpg 300w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Livro_24_quadros.jpg 550w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>Reunidos numa pequena sala dentro de um cinema para &#8220;adultos&#8221; no centro de Curitiba, um grupo de cerca de vinte senhores relembra memoráveis ocasiões que viveram nos grandes cinemas de rua da cidade. Nesta sala, no alto do mezanino de madeira improvisado, eles se recordam das noites de estreia de títulos que reluziam com o néon das fachadas, dos casais elegantes trajando seus melhores modelos, e das crianças &#8211; em alguns casos, eles próprios &#8211; deslumbradas pelo mundo de cores, efeitos e sons que jamais haviam imaginado.</p>
<p>Lembrar de todos esses momentos é uma forma de viver de novo uma época em que os cinemas da capital paranaense não ficavam no shopping center, mas nas principais ruas e praças. Os rolos de filme vinham em grandes latas e eram altamente explosivos. Metáfora da efemeridade daqueles momentos, que deveriam ser aproveitados como se um dia não pudessem mais existir &#8211; como de fato ocorreu. E, para quem não os viveu, esses senhores oferecem um ingresso ao mundo da Cinelândia curitibana, compartilhando generosamente suas lembranças, divididas aqui em 24 quadros.</p>
<p><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2F24-quadros%2F&amp;linkname=24%20quadros" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_twitter" href="https://www.addtoany.com/add_to/twitter?linkurl=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2F24-quadros%2F&amp;linkname=24%20quadros" title="Twitter" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2F24-quadros%2F&#038;title=24%20quadros" data-a2a-url="http://travessadoseditores.com.br/24-quadros/" data-a2a-title="24 quadros"></a></p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Steinberg, o Marginal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Travessa dos Editores]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Oct 2014 17:39:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Marcos Villanova de Castro]]></category>
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					<description><![CDATA[De Saul Steinberg, disse Millôr Fernandes num chat promovido pelo UOL em 1998, na idade da pedra lascada da internet brasileira: “Saul Steinberg é]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_130" aria-describedby="caption-attachment-130" style="width: 900px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/001cabeca.jpg"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-130" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/001cabeca.jpg" alt="Imagem: Reprodução/livro Reflexos e Sombras" width="900" height="608" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/001cabeca.jpg 900w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/001cabeca-300x203.jpg 300w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/001cabeca-768x519.jpg 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a><figcaption id="caption-attachment-130" class="wp-caption-text"><em>Imagem: Reprodução/livro Reflexos e Sombras</em></figcaption></figure>
<p>De Saul Steinberg, disse Millôr Fernandes num chat promovido pelo UOL em 1998, na idade da pedra lascada da internet brasileira: “Saul Steinberg é o maior artista plástico do século 20. Não convém compará-lo com artistas menores como Cézanne, Mondrian, Paul Klee. Ah, ia me esquecendo: Picasso”.</p>
<p>Esta entusiasmada opinião não é fruto de uma idiossincrasia do genial cartunista, escritor, dramaturgo e tradutor brasileiro. Bem ao contrário, é apenas mais uma entre centenas de outras, sempre elogiosas, opiniões de artistas e críticos de arte de todo o mundo sobre o trabalho de Saul Steinberg.</p>
<p>De si mesmo Steinberg dizia ser um escritor que desenhava em vez de escrever. É praticamente o mesmo o que escreveu o respeitado crítico Harold Rosemberg: “Steinberg é um escritor de imagens, um arquiteto da fala e do som, um desenhista de reflexões filosóficas”.</p>
<p>Nascido na Romênia em 1914, Saul Steinberg estudou Filosofia e Letras durante pouco mais de um ano na Universidade de Bucareste.<br />
No livro Reflexos e Sombras, em que narrou suas memórias para o escritor italiano Aldo Buzzi, um grande amigo de toda a vida, Steinberg comparou sua infância e adolescência na Romênia “mais ou menos equivalente com a de ter sido negro no estado do Mississipi”.<br />
Em sua memória, Bucareste surge como uma cidade estranha, iluminada por lampiões que funcionavam à base de querosene, o que deixava as pessoas, que vendiam o óleo em barris, com um cheiro que afastava todo mundo.</p>
<figure id="attachment_134" aria-describedby="caption-attachment-134" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/004sombra_1.jpg"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-134" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/004sombra_1.jpg" alt="Imagem: Reprodução/livro Reflexos e Sombras" width="300" height="837" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/004sombra_1.jpg 300w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/004sombra_1-108x300.jpg 108w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-134" class="wp-caption-text"><em>Imagem: Reprodução/livro Reflexos e Sombras</em></figcaption></figure>
<p>“De vez em quando certos cheiros que não sinto desde criança retornam, não ao nariz, como um cheiro propriamente dito, mas ao cérebro do nariz. Cheiros vagos e precisos ao mesmo tempo: cheiro de outono; de certas lojas; cheiro de começo de inverno, de início do frio: o primeiro fogo em casa, as luzes a partir das cinco da tarde. A estufa de metal, acesa pela primeira vez, tinha um cheiro peculiar, também porque a superfície fora untada para evitar a ferrugem. E sempre o cheiro do lampião a querosene.”</p>
<p>Ele lembra de ver, pelas ruas da cidade, muitas moças vindas do interior, ainda intocado pela mundanidade, que vinham trabalhar em busca de uma vida melhor, mas passavam a ser tratadas como escravas ou arrebanhadas por trapaceiros que as levavam para a prostituição. Algumas delas se suicidavam encharcando o corpo com querosene e riscando um fósforo.</p>
<p>Quando mudou-se para a Itália, em 1933, com 19 anos, foi morar em Milão, onde estudou arquitetura no Regio Politecnico.<br />
Estudando arquitetura que Steinberg começou a se interessar por desenho. Muitos anos depois, em dezembro de 1965, numa entrevista à revista Life, ele recordaria:<br />
“Sempre tive gosto por desenhar, mas sem muito talento. Só descobri minha habilidade quando meu primeiro desenho foi publicado em Milão. Levei mais ou menos dez minutos para desenhar, mas quando o vi impresso na revista, fiquei horas olhando, hipnotizado. Percorria devagar cada uma das linhas. É bem provável que estivesse admirado menos com o desenho e mais comigo mesmo”.</p>
<p>Este primeiro desenho, assim como – logo a seguir – muitos outros, foram publicados numa revista chamada Bertoldo, editada na época pela Rizzoli, que dava seus primeiros passos antes de se tornar um dos maiores grupos editoriais da Europa.</p>
<p>A história da publicação destes primeiros desenhos foi narrada de outro modo por Steinberg numa outra entrevista, em 1986: “Fiz este primeiro desenho e mandei pelo Correio – não, não mandei, fui até lá, até a editora e o deixei com o porteiro, um porteiro de verdade, uniformizado […] Dois dias depois o desenho estava na revista. Fui até lá e disse: `Este aqui fui eu quem fiz´. Eles disseram: `Ah, ótimo, vá até o caixa, faça mais´. E me pagaram. Com isso resolvi o problema mais imediato, mas não foi só, comecei a receber cartas de fãs, assim, de cara. Virei um grande sucesso”.</p>
<p>Há controvérsias. Na realidade foi só após o fim da guerra, depois de várias tentativas, quando finalmente conseguiu imigrar para os Estados Unidos e iniciar sua colaboração para a mais cool publicação cultural americana – a revista New Yorker– é que Steinberg se tornou um grande sucesso.</p>
<p>A partir daí são incontáveis os números de exposições em museus e galerias de todo o mundo, de publicações nas mais prestigiosas revistas e a impressão de dezenas de livros.<br />
Particularmente para nós, brasileiros, há algumas curiosidades na carreira deste genial artista. Para conseguir o visto de entrada e permanência nos Estados Unidos, Steinberg teve a ajuda de dois irmãos – Victor e Cesare Civita – que o conheceram na Itália, na época da Rizzoli, e que, mais tarde, fundariam a Editora Abril na Argentina e no Brasil.</p>
<p>Deste contato com os Civita, além do visto de entrada nos EUA, resultou a primeira capa de uma revista feita por Steinberg, desenhada em 1941 para o primeiro número da Sombra, revista editada no Rio de Janeiro e que pretendia, conforme texto de abertura do poeta Augusto Frederico Schmidt, “fixar o lado elegante e civilizado do Brasil”. Além do trabalho de Jean Manzon editando a fotografia, Sombra tinha, entre seus colaboradores, Mário de Andrade, Stefan Zweig e Vinicius de Moraes.</p>
<figure id="attachment_131" aria-describedby="caption-attachment-131" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/002new_yorker_1.jpg"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-131" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/002new_yorker_1.jpg" alt="Imagem: Reprodução/livro Reflexos e Sombras" width="300" height="953" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/002new_yorker_1.jpg 300w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/002new_yorker_1-94x300.jpg 94w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-131" class="wp-caption-text"><em>Imagem: Reprodução/livro Reflexos e Sombras</em></figcaption></figure>
<p>O desenho feito por Steinberg apresenta, em primeiro plano, uma pessoa de perfil, tomando um sorvete e, ao fundo, um homem deitado sob a sombra de vários guarda-sóis. Quase totalmente em preto e branco, com poucos detalhes coloridos, o desenho era um típico exemplo das modernas tendências das artes gráficas da época.</p>
<p>Mas talvez o episódio mais marcante das relações do artista com o Brasil tenha sido a exposição organizada em São Paulo, em 1952, no MASP, por Pietro Maria Bardi, diretor do museu, e por sua mulher, a arquiteta Lina Bo Bardi, que também estudara arquitetura no Reggio Politecnico de Milão e fora colega de Steinberg.</p>
<p>Preocupado que a crítica brasileira, por desconhecimento, pudesse estranhar uma mostra de um “simples caricaturista” nas dependências de um “museu de arte com A maiúsculo”, Bardi redigiu vários press releases e materiais de divulgação da exposição, em que procurou realçar a importância “artística” do trabalho de Steinberg.</p>
<p>Num dos folhetos escreveu: “O Museu de Arte apresentará, a partir do próximo dia 18, uma exposição de Saul Steinberg, o poeta da caricatura, o observador mais agudo produzido pela arte contemporânea”.</p>
<p>Steinberg consolidou sua fama mundial com uma série de trabalhos publicados em todos os idiomas e em milhões de exemplares, que formamuma das visões mais autênticas do espírito contemporâneo. Com seu desenho, Steinberg escreveu páginas divertidas, e ao mesmo tempo melancólicas, sobre a sociedade e acontecimentos desses últimos quinze anos. Suas caricaturas estão se tornando o poema da ironia.</p>
<p>Steinberg soube colher o ridículo em todas as coisas inúteis, em todas as ambições erradas e vaidades deformadas. Inventou um mundo novo, mediante o mero julgamento de seu próprio mundo. Inventou as lágrimas, aquelas pérolas suspensas nos olhos tristes das pessoas que parecem símbolos antiquíssimos de ternura e emoção. Inventou flores, florezinhas, folhas, como uma vegetação de fábula maliciosa. Inventou os óculos agudos como telescópios e cegos como túneis, que são o símbolo da miopia humana. Inventou todo um mundo triste, mas humano.</p>
<p>Junto à obra dele, apresentará seus trabalhos – como já o tem feitomuitas vezes – Hedda Sterne, a esposa de Steinberg, pintora da vanguarda dos Estados Unidos. Artista absolutamente paradoxal, por sua íntima aderência ao objeto real, que encontrou na máquina, nas maquinarias do mundo industrial moderno um objeto perturbador, incompreensível, prestes sempre a enfrentar uma metamorfose que nunca se realiza.</p>
<p>Máquina tremenda, obsedante. Sobre essas máquinas ambíguas, a pintora exerce recursos pictóricos, encontrando às vezes visões de uma realidade alucinadora.<br />
Pouco, ou quase nada, pode ser acrescentado de melhor nesta perfeita análise da obra de Steinberg.</p>
<p>O casal de artistas veio ao Brasil – chegaram um dia antes da abertura da exposição – e aproveitaram a viagem para conhecer várias cidades, como Aparecida do Norte, Rio de Janeiro, Petrópolis, Salvador, Belém, Recife e Manaus. Sabe-se que Steinberg fez muitos rascunhos e anotações, preenchendo pelo menos três cadernos de desenho. No total, a viagem ao Brasil deve ter durado pouco mais de quatro semanas.</p>
<p>O que durou muito mais foi a influência do trabalho de Steinberg na geração dos anos 1960 de cartunistas brasileiros, entre os quais destacam-se Millôr, Ziraldo, Claudius, Jaguar, Borjalo e Fortuna. Claro que cada um destes artistas absorveu a seu modo a influência do romeno em seus respectivos trabalhos, mas, todos, sem exceção, citam Steinberg como sua principal referência e inspiração.</p>
<p>Morto em 1999, Saul Steinberg foi um dos mais originais e criativos artistas do século 20. Por ter optado pelo desenho e ter por base o papel, não é reconhecido e valorizado como outros artistas que optaram pela pintura e pelas telas. Mas nenhum outro artista como ele nos deixou, em desenhos maravilhosos, uma generosa visão do mundo em que viveu, o das grandes cidades americanas, com seus enormes edifícios, avenidas, automóveis, postos de gasolina, aviões, anúncios luminosos, praças e monumentos. Desenhou também, como nenhum outro, as pessoas em situações de perplexidade diante de desfiles de moda, paradas militares e uma infindável galeria de personagens míticos como cowboys, índios, militares, madames e seus animais de estimação.</p>
<p>Não há porque alongar este texto. A minúscula parte da maravilhosa obra de Saul Steinberg, que pode ser vista ilustrando estas páginas, é muito mais eloquente.</p>
<figure id="attachment_136" aria-describedby="caption-attachment-136" style="width: 900px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/0005.jpg"><img loading="lazy" class="wp-image-136 size-full" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/0005.jpg" alt="0005" width="900" height="1102" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/0005.jpg 900w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/0005-245x300.jpg 245w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/0005-768x940.jpg 768w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/0005-836x1024.jpg 836w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a><figcaption id="caption-attachment-136" class="wp-caption-text"><em>Imagem: Reprodução/livro Reflexos e Sombras</em></figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_135" aria-describedby="caption-attachment-135" style="width: 900px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/004sombra_2.jpg"><img loading="lazy" class="wp-image-135 size-full" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/004sombra_2.jpg" alt="004sombra_2" width="900" height="615" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/004sombra_2.jpg 900w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/004sombra_2-300x205.jpg 300w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/004sombra_2-768x525.jpg 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a><figcaption id="caption-attachment-135" class="wp-caption-text"><em>Imagem: Reprodução/livro Reflexos e Sombras</em></figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_129" aria-describedby="caption-attachment-129" style="width: 900px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/0003.jpg"><img loading="lazy" class="wp-image-133 size-full" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/0003.jpg" alt="0003" width="900" height="980" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/0003.jpg 900w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/0003-276x300.jpg 276w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/0003-768x836.jpg 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a><figcaption id="caption-attachment-129" class="wp-caption-text"><em>Imagem: Reprodução/livro Reflexos e Sombras</em></figcaption></figure>
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		<title>Cataratas de Foz do Iguaçu, nossa paisagem artística inaugural</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Travessa dos Editores]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Jul 2014 17:26:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Cassiana Lícia de Lacerda]]></category>
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					<description><![CDATA[Essa trouvaille deslocou o eixo das pesquisas historiográficas da iconografia sobre o Paraná do século XIX para o século XVIII. As notícias sobre a]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Essa trouvaille deslocou o eixo das pesquisas historiográficas da iconografia sobre o Paraná do século XIX para o século XVIII. As notícias sobre a iconografia no Paraná são, de certa forma, recentes e tributárias das pesquisas do estudioso e colecionador Newton Carneiro, que, em 1950, publicou um pequeno trabalho, Iconografia Paranaense. Em 1973, o mesmo estudioso publicará, juntamente com J. F. de Almeida Prado, Jean Baptiste Debret. 40 paisagens do artista, obra que dará ao pintor e aquarelista francês o privilégio de ter sido o primeiro a retratar Curitiba, Paranaguá e as principais povoações localizadas no Caminho das Tropas.</p>
<p>Com a edição de Pintores da Paisagem Paranaense, em 1982, pela Secretaria de Estado da Cultura e do Esporte, mais uma vez Debret é citado como o pioneiro de nossa iconografia.<br />
Exatamente nesse contexto tivemos notícia de que aparecera no mercado da arte uma série de paisagens relacionadas com o Paraná, mais especificamente com a conquista dos Campos de Guarapuava, quando um conjunto de estampas atribuído a “Miranda”, destacado no catálogo da Sotheby’s de Nova York, foi adquirido por Beatriz e Mario Pimenta Camargo.</p>
<p>Essas 39 estampas (originalmente eram 40) têm uma complexa história, mas basicamente a intenção daquele que as encomendou, Afonso Botelho de Sampayo e Souza, a de ilustrar sua Notícia dos descobrimentos dos Sertões do Tybagi, de 1771-1773, a ser encaminhada ao Morgado de Mateus. Isso porque tanto Afonso Botelho quanto o Morgado de Mateus precisavam reabilitar suas imagens e legitimar seus atos, pois estavam sendo acusados de má conduta e, especialmente, de violarem as ordens reais no tratamento dos índios.</p>
<p>Tais motivações explicam porque todas as análises conduzem para a constatação de que os desenhos de José Joaquim de Miranda foram concebidos a partir do texto e que seu autor não conheceu a paisagem ou os índios do Paraná que retratou.</p>
<p>Também as paisagens de Debret vêm sendo objeto de estudos que questionam a presença física do autor da Viagem Pitoresca no Sul do Brasil, fato que não reduz a importância de seus trabalhos, mas abre espaço para o que vem sendo considerado a “debretização” de paisagens a partir de narrações feitas por outros viajantes, alunos e exploradores para o grande artista francês.</p>
<p>Não foi o que ocorreu com a iconografia das Cataratas do Iguaçu, de autoria do prestigiado arquiteto português José Fernandes Pinto Alpoim.</p>
<p>Esse arquiteto português chegou às Cataratas do Iguaçu como integrante de uma comissão portuguesa, que, juntamente com técnicos espanhóis, fora encarregada dos trabalhos demarcatórios dos limites da região do Rio Iguaçu – conforme previra o Tratado de Madrid (1750) – realizou explorações na região das quais resultaram inúmeros levantamentos, plantas, diários, relatórios e mapas. José Fernandes Pinto Alpoim formou-se na Universidade de Coimbra, era engenheiro militar e foi notável professor da Academia Militar. Foi construtor e autor de projetos de vários edifícios públicos e obras de embelezamento no Rio de Janeiro – cidade que chegou a governar –, destacando-se o projeto do Paço e seu entorno, e, entre outras obras, o Arco do Teles, o Convento de Santa Tereza, o Convento de Nossa Senhora da Ajuda, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Boa Morte, os Arcos da Carioca, além de inúmeras obras em Minas Gerais, do Palácio do Governador ao risco da Casa de Câmara e Cadeia, de Ouro Preto. Além disso, é considerado o autor do primeiro plano de urbanização da América do Sul, quando Mariana preparava-se para ser sede do Bispado.</p>
<p>Tais credenciais repercutem na Vista do Salto do Rio Yguaçû (1759), trabalho que mede apenas 0,36×0,51cm, mas que cresce aos olhos do observador graças à riqueza cromática e dos detalhes.</p>
<figure id="attachment_124" aria-describedby="caption-attachment-124" style="width: 900px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Alpoin-1-001.jpg"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-124" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Alpoin-1-001.jpg" alt="José Fernandes Pinto Alpoim (1700-1765). Vista do Salto do Rio Yguaçû. 1759. Desenho aquarelado. 0,36×0,51cm. Mapoteca do Itamaraty. Foto: Hugo Leal" width="900" height="649" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Alpoin-1-001.jpg 900w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Alpoin-1-001-300x216.jpg 300w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Alpoin-1-001-768x554.jpg 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a><figcaption id="caption-attachment-124" class="wp-caption-text"><em>José Fernandes Pinto Alpoim (1700-1765). Vista do Salto do Rio Yguaçû. 1759. Desenho aquarelado. 0,36×0,51cm. Mapoteca do Itamaraty. Foto: Hugo Leal</em></figcaption></figure>
<p>No inserto, Alpoim vale-se do desenho aquarelado para traduzir o jogo cromático das águas, matas e rochedos.</p>
<p>O desenho traz no alto – de modo a se tornar deliberadamente aditivo – um elemento de natureza mais técnica, o Plano do Salto do Rio Yguaçû.<br />
Assim, para valorizar a vista, o plano aparece como uma espécie de pergaminho anexo, concorrendo para tanto a imitação de bordas enroladas simulando um “desenho” sobreposto.</p>
<p>Desse modo, a Vista do Salto do Rio Yguaçû ganha em espaço e importância. Mesmo em condição aditiva, o Plano do Salto do Rio Yguaçû também é contaminado pela exuberância da mata pluvial subtropical verdejante que margeia o Rio Iguaçu.</p>
<p>No sistema figurativo da época, o plano e a vista das Cataratas do Iguaçu participam do tema da representação de lugares, cabendo ressaltar que, desde o século XVI, a cartografia situa-se como uma das formas de orientação do espaço que recorre a outras áreas do saber além do científico, especialmente a arte do desenho e do ornamento artístico.</p>
<p>Neste caso, comparando o Plano do Salto do Rio Yguaçû com trabalhos técnicos de especialistas contemporâneos, como os de Reinhard Maack, o registro de Alpoim ganha destaque, pois ainda que o autor da iconografia tenha se apoiado em elementos técnicos rudimentares próprios da época, consegue determinar com acuidade o movimento em curva do Rio Iguaçu,se encimando para as cataratas, bem como o estreitamento e a queda no cânion, onde ocorre a precipitação das águas.</p>
<p>Esta “parte” do inserto traz um cartucho contendo a escala de medição em petipé – utilizada na navegação para apontar a força da água. O cartucho ou cartela é adornado graficamente com volutas em forma de ondas, que se encontram no centro em uma alegoria de monstro com a boca aberta, talvez um remanescente da visão clássica do deus do vento, Eolo, reforçando com seu sopro a força e o perigo das águas, com a direção indicada por fechas em forma de peixes.</p>
<p>Por sua vez, a Vista do Salto do Rio Yguaçû dá lugar para o autor expressar seu entusiasmo e maravilhamento diante do espetáculo natural e registrá-lo com dote artístico sem contaminar a paisagem apreendida com intenções ligadas ao domínio português sobre o território. Ao contrário, sua vista tem o interesse em retratar o espetáculo das águas e a beleza da paisagem.</p>
<p>Ao comprometer a perspectiva, oferece uma visão “plana” que resgata o número incontável de saltos e a presença, hoje quase que apenas mítica, das palmeiras que coroam o alto do cânion. Sua raridade decorre de o alerta do geólogo e ecologista Reinhard Maack não haver sido levado em conta. Isso porque, desde a década de 1930, Maack já alertava que a palmácea Mauritia vinifera era a mais rara vegetação do Paraná, e que, por isso, “deveria estar sob proteção governamental especial”.</p>
<p>É interessante observar que as dobras do inserto praticamente coincidem com as diferentes “partes” dos derrames das cataratas. Inicialmente, a plataforma resultante da ampla curva e de uma corredeira do Rio Iguaçu, que se estreitando, de 1.200m para 65 a 100m, despenca-se na linha tectônica: é o espetáculo da Garganta do Diabo e dos grandes saltos com seu permanente arco-íris – ponto inicial ou culminante das cataratas.</p>
<p>Seguem-se as camadas das inúmeras quedas isoladas e do istmo que avança dando a impressão de ilha (Cresta de los Saltos e Salto San Martin), e, finalmente, a grande curva onde fica a Boa Vista, seguida de saltos mais espaçados (do Salto Adão e Eva até o Salto de Amores).</p>
<p>Analisada em sua totalidade, a ausência de profundidade da Vista do Salto do Rio Yguaçû permite resgatar em sua totalidade a sequência de quedas, rochas, corredeiras e matas, o que é reforçado pelo ponto de vista a partir da margem brasileira.</p>
<p>Em a Vista do Salto do Rio Yguaçû, o espetáculo de grandiosidade quase que barroca de nossa natureza fica estreitamente ligado à sensibilidade interessada em entronizar a especificidade e a originalidade de uma paisagem de beleza e esplendor impensados, diante da qual Alpoim dá-se ao luxo de registrar como se fora instante de maravilhamento.</p>
<figure id="attachment_125" aria-describedby="caption-attachment-125" style="width: 900px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Alpoin-3-001.jpg"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-125" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Alpoin-3-001.jpg" alt="José Fernandes Pinto Alpoim (1700-1765). Plano do Salto do Yguaçû (Detalhe)" width="900" height="603" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Alpoin-3-001.jpg 900w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Alpoin-3-001-300x201.jpg 300w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Alpoin-3-001-768x515.jpg 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a><figcaption id="caption-attachment-125" class="wp-caption-text"><em>José Fernandes Pinto Alpoim (1700-1765). Plano do Salto do Yguaçû (Detalhe)</em></figcaption></figure>
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		<title>Curitiba em feitiço</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Travessa dos Editores]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Jun 2014 17:01:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Zanella]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma escritora de Manaus sempre que vinha pra cá ficava encantada com os semáforos sincronizados das rápidas curitibanas. Para ela, eram mágicos. A primeira]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma escritora de Manaus sempre que vinha pra cá ficava encantada com os semáforos sincronizados das rápidas curitibanas. Para ela, eram mágicos. A primeira vez que ela viu o fenômeno, mais logístico do que feiticeiro, percorria uma via na madrugada a 50 km/h. O motorista dizia “agora vai abrir” e o semáforo realmente abria, às vezes perigosamente em cima do comando. Ela lamentava, com nítida razão, que um trecho como do Capão Raso até o Centro demoraria no mínimo duas horas em sua cidade-natal – o trânsito em Manaus é realmente perturbador, um deserto superlotado, um limbo sem ar-condicionado. E tecia loas e odes às belezas e práticas locais.</p>
<p>Por mais que o curitibano-usuário-regular do transporte rodoviário não seja exatamente um latin lover na sua relação com os tais serviços públicos, muitos forasteiros consideram-nos um idílio. Gostam muito de nossas estações-tubo, que quase fervem no verão, e sentem-se na Europa com os terminais que avisam sobre o tempo da próxima parada. Só para você se situar no exercício comparativo, em Manaus a prefeitura local não tem sequer o controle do horário de circulação de sua frota terceirizada. Quem depende de ônibus diariamente tem apenas uma ideia aproximada do horário em que o coletivo irá passar. Muitas vezes não passa.</p>
<p>Da capital (do marketing) social aos problemas crônicos praticamente inerentes a toda metrópole, fardos que não podem ser debitados na conta apenas de uma ou duas administrações, Curitiba chega a 2014 em contexto político difícil, de desgaste de sua imagem externa e convivência turbulenta com suas mazelas – somos, por exemplo, a 6ª capital com maior taxa de homicídios do país, segundo dados do Mapa da Violência 2012, do Instituto Sangari. Em 2000 éramos a 20ª colocada com 26,2 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes; dez anos depois o número aumentou para 55,9.</p>
<p>A vinda da Copa do Mundo pra cá, confirmada a fórceps em 18 de fevereiro e vista inicialmente por muitos ingênuos como uma plataforma de desenvolvimento da região, revelou uma faceta não muito disseminada além de nossos biarticulados e suposta inexistência de favelas: uma cidade que não cumpre com os prazos estipulados e, a despeito de sua pujança econômica e eficiência reconhecida, não sabe gerenciar obras de grande porte. O curitibano, admirador discreto de seu próprio folclore, pode até não admitir, mas no âmago de suas idiossincrasias se sentiu atingido por todas as especulações e ameaças do alto escalão da Fifa e de seus prosélitos. Somos uma cidade como qualquer outra. Não há tapete suficiente para varrer para baixo o que não vai bem.</p>
<p>Aconteceu por aqui o que, de fato, foi alastrado por todo o país para a realização do maior evento esportivo do mundo, depois da Olimpíada, evidentemente: um cântico ao desperdício, ao descontrole e à desnecessidade. Como não podia deixar de ser, nosso conto é mais peculiar do que outros. Um estádio incompleto privado, ainda assim, um dos mais modernos do Brasil, se não o mais, se coloca na condição voluntária de atender aos encargos da Fifa e, de sede mais pronta, se torna a mais atrasada, algo quase neoconcretista, de mais arranjado ao mais desconstruído.<br />
(Não se pode deixar de salientar os problemas de transição de administração na cidade. Diversos projetos iniciados no governo anterior no que se refere às mudanças estruturais locais, como mobilidade urbana, foram completamente engavetados ou peculiarmente remodelados, prática comum, a descontinuidade como estratégia. A cidade perdeu tempo no processo.)</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><strong>Curitiba chega a 2014 em contexto político difícil, de desgaste de sua imagem externa e convivência turbulenta com suas mazelas</strong></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>É difícil medir o que houve de equívocos e desmazelo na condução das obras na Arena da Baixada. Primeiramente, é preciso considerar que a Copa do Mundo no Brasil ultrapassa a esfera esportiva e se conjuga numa miscelânea de interesses políticos e partidários. Agora não convém, por ora, vingar os males, mas curá-los – ou remendar o que for possível. (É quase palpável os desdobramentos investigativos da Copa e das Olimpíadas em breve.)<br />
De tudo o que foi publicado na imprensa sobre a Copa, um texto em especial chamou a atenção por fazer uma observação peculiar. Em um artigo publicado na Gazeta do Povo de 20 de fevereiro, o engenheiro e urbanista Fábio Duarte falou sobre a capital modesta, uma antiga Curitiba de soluções simples – bons parques em locais inóspitos, calçadões centrais para prestigiar pedestres, ciclovias ao longo de margens de rios – e que desembocou numa urbe mais decorativa do que funcional, de projetos megalomaníacos, como o inviável metrô, lenda urbana quase semelhante ao fantasma da Loira do Abranches.</p>
<p>Talvez o símbolo do desprestígio com as soluções modestas mais eficientes seja a ponte estaiada da Avenida das Torres. Não é preciso ser engenheiro para saber que uma obra ali era necessária, mas que uma trincheira daria conta. O prefeito da época chegou a dizer que Curitiba também merecia uma ponte estaiada, assim como São Paulo. Como assim, São Paulo? Onde foi que erramos que precisamos nos inspirar em São Paulo?</p>
<p>Curitiba parece ter, como na fábula de Saturno engolido por seu próprio filho, acreditado em demasia em sua predisposição de ser grande, uma cidade-modelo no que tange ao pior que a definição pode entregar: para olhos que não são os nossos, um organismo que se garganteia e esquece necessidades mais urgentes de seus cidadãos.</p>
<p>A Arena da Baixada, ultrapassando as discussões de boteco ou o pesado jogo político que se instaurou na reta final das obras, é mais uma alegoria de um espírito pragmático que perdemos e da sujeição a um padrão que não deveria ser o nosso. Sempre fomos uma cidade para dentro, não para fora. É translúcida a importância de um evento de tal magnitude numa das cidades mais importantes economicamente do país, mas também parece cada vez mais hercúleo o legado posterior: estádios inócuos, dívidas públicas, gastos equivocados, melhorias urbanas irrisórias. Ao menos, o Atlético Paranaense terá um belo patrimônio ao fim disso tudo, ao custo de centenas de milhões de reais, é verdade.</p>
<p>De todo modo, habemus Copa, com seus quatro jogos de nível técnico que não prometem, assim, tanta ostentação. Mas é futebol, um esporte de dantes e quixotes, onde qualquer jogo do interior do mundo carrega elementos da mais dramática das tragédias gregas. E saiba, manauara agora oficialmente habitante de Curitiba, que quando chove um pouco mais forte as árvores caem nas vias rápidas e os semáforos mágicos param de funcionar.</p>
<p><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2Fcuritiba-em-feitico%2F&amp;linkname=Curitiba%20em%20feiti%C3%A7o" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_twitter" href="https://www.addtoany.com/add_to/twitter?linkurl=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2Fcuritiba-em-feitico%2F&amp;linkname=Curitiba%20em%20feiti%C3%A7o" title="Twitter" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=http%3A%2F%2Ftravessadoseditores.com.br%2Fcuritiba-em-feitico%2F&#038;title=Curitiba%20em%20feiti%C3%A7o" data-a2a-url="http://travessadoseditores.com.br/curitiba-em-feitico/" data-a2a-title="Curitiba em feitiço"></a></p>]]></content:encoded>
					
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		<title>1894 – Curitiba oblíqua e dissimulada em tempos de revolução</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Travessa dos Editores]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Jun 2014 16:53:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Cassiana Lícia de Lacerda]]></category>
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					<description><![CDATA[No contexto da proclamação da República que não foi ou da parada militar que pareceu ser, Jesuíno Marcondes foi um dos raros paranaenses com]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>No contexto da proclamação da República que não foi ou da parada militar que pareceu ser, Jesuíno Marcondes foi um dos raros paranaenses com percepção das incoerências insustentáveis do novo regime. Esse que foi o último administrador do Paraná do período monarquista optou pelo exílio na Suíça, após ter sido deposto. A farta correspondência que manteve com familiares e amigos a partir de Genebra espelha uma Curitiba feita de sussurros de famílias desconcertadas com os rumos assumidos pela política local no início da República, especialmente durante a Revolução Federalista.</strong></p>
<p><strong>Nas cartas recebidas pelo Conselheiro, a agitação já se fazia sentir desde meados de 1891. No início de 1893, a invasão do Paraná pelos federalistas vindos do Sul era vista como iminente.</strong></p>
<figure id="attachment_116" aria-describedby="caption-attachment-116" style="width: 900px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Vicente-Machado-900x280.jpg"><img loading="lazy" class="wp-image-116 size-full" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Vicente-Machado-900x280.jpg" alt="Vicente-Machado-900x280" width="900" height="280" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Vicente-Machado-900x280.jpg 900w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Vicente-Machado-900x280-300x93.jpg 300w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Vicente-Machado-900x280-768x239.jpg 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a><figcaption id="caption-attachment-116" class="wp-caption-text"><em>5 de maio de 1894: retorno triunfal de Vicente Machado</em></figcaption></figure>
<p>Outros, em meio aos boatos fervilhantes, queriam saber das “coisas futuras” através das cartomantes.</p>
<p>No Palácio do Governo, uma aparente movimentação em favor da defesa da capital se fazia sentir. Vicente Machado, o governador em exercício, reunia-se com o comandante general Pego Jr. em busca de estratégias para a defesa da capital, enquanto avaliavam o avanço federalista.</p>
<p>Foi quando, ingenuamente, o Barão do Serro Azul, acompanhado de uma Comissão formada por diretores da Associação Comercial, foi pedir ao governador que evitasse o derramamento de sangue na capital, a fim de não transformar Curitiba num campo de batalha. Apesar de recebido por Vicente Machado e pelo comandante Pego Jr., a resposta foi de que a cidade não seria poupada enquanto houvesse uma última gota de sangue. Ermelino de Leão, que desde logo viu no ato do Barão uma temeridade, expôs seu temor ao amigo e retirou-se da cidade como o fará Vicente Machado, logo após a fuga do seu valente comandante.</p>
<figure id="attachment_112" aria-describedby="caption-attachment-112" style="width: 400px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/cerco-de-Tijucas.jpg"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-112" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/cerco-de-Tijucas.jpg" alt="Em janeiro de 1894, o Paraná sente o peso do invasor e os pica-paus curitibanos, com seus lenços brancos, portando armas e posando como quem vai à luta, reúnem-se no Alto do São Francisco para assistir aos efeitos dos tiros de canhões em Tijucas, pequena cidade, nunca lembrada, que resistiu valorosamente a seis dias de cerco dos federalistas. (Acervo Diretoria do Patrimônio Histórico Cultural/FCC)" width="400" height="269" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/cerco-de-Tijucas.jpg 400w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/cerco-de-Tijucas-300x202.jpg 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption id="caption-attachment-112" class="wp-caption-text"><em>Em janeiro de 1894, o Paraná sente o peso do invasor e os pica-paus curitibanos, com seus lenços brancos, portando armas e posando como quem vai à luta, reúnem-se no Alto do São Francisco para assistir aos efeitos dos tiros de canhões em Tijucas, pequena cidade, nunca lembrada, que resistiu valorosamente a seis dias de cerco dos federalistas. (Acervo Diretoria do Patrimônio Histórico Cultural/FCC)</em></figcaption></figure>
<p>E, assim, Curitiba ficou abandonada, contando apenas com patrulhas formadas por cidadãos recrutados pelo Barão.</p>
<p>Dos temores, das arruaças, apenas os registros pessoais dão conta. A imprensa emudeceu. Nem tinha meios para circular. Quem pôde tratou de fugir.</p>
<p>Ainda assim, no dia 20 de janeiro a capital amanheceu em festa. Um mistério a forma como eram organizados tais festejos e recepções.</p>
<p>O retorno a Curitiba do federalista Menezes Dória, permanente opositor de Vicente Machado, já escolhido governador do Paraná, foi apoteótico.</p>
<p>O mesmo não se pode dizer da chegada do almirante Custódio de Mello – o líder da Revolta da Armada –, viajando em um trem especial e ainda não reconhecido pelos curitibanos mais atentos, ou mesmo de Gumercindo Saraiva, que entra na capital paranaense a cavalo e, portanto, sem a imponência de sua condição de comandante e chefe do Exército Revolucionário. Enquanto Dória vai cuidar do palácio, pragmáticos, Saraiva e o almirante convocam, de imediato, o Barão do Serro Azul para uma reunião: impunha-se a instalação de uma Comissão de Empréstimo de Guerra a ser presidida pelo próprio Barão, na qualidade de ocupante do cargo de presidente da Associação Comercial do Paraná, condição para que Curitiba não fosse saqueada.</p>
<p>Assim, Curitiba mantém os ares de capital dos federalistas, título que carregará juntamente com aquele de haver interrompido a marcha dos invasores, seduzindo-os à custa de muitas festas, bailes e missas fúnebres – assistidas pelo exército regular engalanado e maragatos de pés descalços, de oficiais hospedados em palacetes, enquanto Gumercindo Saraiva montou sua barraca numa praça. Esse viés sedutor de Curitiba é apontado por Ângelo Dourado, culto médico baiano, integrante da marcha federalista e braço direito do comandante maragato. O autor de <em>Voluntários do martírio </em>nota que a chegada a Curitiba fora decisiva, contudo, a permanência festiva foi amortecendo os ânimos:</p>
<p><strong><em>“Tivemos depois um grande baile; a inauguração de um</em> club. <em>Apesar de fugir sempre de festas tive de ir porque fui avisado que nas paredes do </em>club <em>achavam-se cartões de ornamentação tendo cada cartão o nome de um dos salientes revolucionários e que o meu era um dos primeiros (…)  Entre os divertimentos se anunciou um espetáculo de Fantoches. Uma grande cena da Lapa: mata, mata, era o que diziam os bonecos (…) Seguiu-se a grande cena de apoteose. Uma antiga corista de companhia lírica, que aqui dissolveu-se, enrolada num pano branco vara de andaime, onde estava atada uma bandeira já gasta, com a ordem e progresso de pernas para o ar.”</em></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_115" aria-describedby="caption-attachment-115" style="width: 400px" class="wp-caption alignright"><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Menezes.jpg"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-115" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Menezes.jpg" alt="Governador federalista Menezes Dória chega à Estação Ferroviária de Curitiba e é recepcionado por uma multidão festiva que não teve medo da chuva ou do sol. (Acervo Diretoria do Patrimônio Histórico Cultural/FCC)" width="400" height="253" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Menezes.jpg 400w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Menezes-300x190.jpg 300w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Menezes-115x73.jpg 115w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption id="caption-attachment-115" class="wp-caption-text"><em>Governador federalista Menezes Dória chega à Estação Ferroviária de Curitiba e é recepcionado por uma multidão festiva que não teve medo da chuva ou do sol. (Acervo Diretoria do Patrimônio Histórico Cultural/FCC)</em></figcaption></figure>
<p>Em Curitiba, os federalistas foram ficando. Dória chega a mandar cantar um <em>Te Deum</em> “por se achar pacificado o Paraná”. Mais uma cerimônia vã, diz o memorialista, pois “apesar dessa paz as dissensões continuam”. Perspicaz observador esse baiano, que enquanto permaneceu em Curitiba publicava textos literários em <em>A Federação</em>.</p>
<p>Logo a “Esquadra de Papelão” do Marechal Floriano começa a dar sinais de que derrotaria a armada rebelde.</p>
<p>Gumercindo irritado com as rivalidades e com o imobilismo que o tornara refém de Curitiba explode em fuzilamentos.</p>
<p>Para enorme surpresa dos curitibanos, em 25 de março, o jornal <em>A Federação</em> traz a grande nova: o general Cardoso Júnior passa a responder pelo Governo do Estado, enquanto Menezes Dória segue em direção a Paranaguá a fim de embarcar no “Henrique Barroso” rumo a Buenos Aires, “para salvar o empréstimo de guerra”.</p>
<p>Até 24 de abril todas as forças federalistas abandonam Curitiba, ficando apenas Gumercindo Saraiva com disposição para batalha, que marcha rumo a Ponta Grossa, a nova capital dos rebeldes.</p>
<p>Como ficará Curitiba nesse novo vácuo, a saber, até a chegada triunfal de Vicente Machado, em 5 de maio? Sem governo e sem jornais, restam as cartas, as anotações pessoais, os registros dos temores daqueles que ficaram entre quatro paredes, daqueles que sequer ousavam sair às ruas.</p>
<p>Mas já estão em Curitiba muitos dos integrantes das tropas legalistas que tomaram Paranaguá em 1º de maio e que encontraram curitibanos dispostos a preparar novas festas, agora para recepcionar o governador, aliás o vice-governador em exercício, numa festa que deixará a viúva do comendador Araújo indignada:</p>
<p><strong><em>“Agora vão brigando os que estavam de cima, Lacerda, Vicente e Xavier, a quem a gente do Lacerda quer depor da presidência; este vem com militares e é protegido do Floriano (…) foi assim com Vicente recebido em triunfo, as moças cobrindo-os de flores e creio que com o Vicente coroado por elas! Tudo isto lhe conto para que o Sr. conheça até que ponto chegou o Paraná.”</em></strong></p>
<p><strong>(Carta de dona Francisca Correia Araújo ao conselheiro Jesuíno Marcondes)</strong></p>
<p><em> </em></p>
<p>Esta foi a festa e o pior a ressaca, agora sob o comando do general Ewerton de Quadros, o Sinistro, e de seu braço direito Joaquim Augusto Freire, aquele que assumiu haver dado a ordem do massacre do km 65, o que é bastante improvável, para ser considerado fruto de uma decisão isolada.</p>
<p>Apenas a documentação íntima para registrar o clima de terror vivido pelas famílias de Curitiba. Nenhum homem saía desacompanhado. Era preciso deixar a casa cercado por todos os familiares, especialmente por muitas mulheres.</p>
<p>À noite, a soldadesca bêbada fazia arruaça diante das casas daqueles que tinham familiares sumariamente presos.</p>
<p>A imprensa volta a circular louvando os libertadores, dedicando páginas aos heróis do Cerco da Lapa. Nunca se falou tanto do general Carneiro.</p>
<p>Circulam notícias de fuzilamentos nas cercanias do cemitério municipal, amigos aconselham o Barão a fugir, mas já é tarde.</p>
<p>O Teatro São Teodoro já está lotado de presos, e a imprensa continua a louvar Carneiro e outros heróis do Cerco da Lapa. Homenagens ao Marechal Floriano ocupam praticamente todas as primeiras páginas do <em>A República</em>, o único jornal em circulação.</p>
<p>Entre os presos do quartel da Rua América o clima é de tocante ingenuidade: todos a aguardar pacificamente um justo julgamento ou preocupados em pedir um ajudante para lavar suas louças, coisa que até então eram obrigados a fazer sozinhos.</p>
<p>É essa a tônica do diário de Balbino Mendonça, que termina na noite do “embarque rumo ao Rio de Janeiro”, expressão que ficou conhecida como sinônimo de desaparecimento sumário.</p>
<p>Mas as festas recomeçam. Uma delas chega a ser perturbada pelo apito inconveniente de um trem noturno.</p>
<p>No dia seguinte, uma nova onda de rumores sinistros toma conta de Curitiba. Mas isso não era novidade, pois desde 1893 Curitiba convivia com os boatos e o silêncio cúmplice.</p>
<p>Alguns corajosos-constrangidos dirigem-se ao Palacete Wolf, onde reina Ewerton de Quadros, para saber do destino dos presos.</p>
<figure id="attachment_113" aria-describedby="caption-attachment-113" style="width: 700px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Diario.jpg"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-113" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Diario.jpg" alt="Cópia do manuscrito do Diário de Balbino Mendonça, uma das vítimas do fuzilamento do km 65. (Manuscrito cedido à curadoria da mostra 1894. Crise da República)" width="700" height="190" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Diario.jpg 700w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Diario-300x81.jpg 300w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" /></a><figcaption id="caption-attachment-113" class="wp-caption-text"><em>Cópia do manuscrito do Diário de Balbino Mendonça, uma das vítimas do fuzilamento do km 65. (Manuscrito cedido à curadoria da mostra 1894. Crise da República)</em></figcaption></figure>
<p>Numa das cartas ao conselheiro Jesuíno Marcondes, a corajosa dona Francisca Araújo relata sua visita ao general Ewerton. Queria ter notícias do irmão Ildefonso Pereira Correia.</p>
<p><strong><em>“Afiançou-me ele debaixo de sua palavra de honra que tudo é mentira e à minha vista deu ordem para prenderem todos os boateiros. Ainda não ficando bem tranqüila e havendo aí um coronel Marinho que já tinha estado aqui e devia muitas obrigações a Ildefonso dizendo-se muito seu amigo e um pouco nosso, fomos lá e fui pedir-lhe para fazer chegar cartas e roupa às mãos dele visto o terem levado sem coisa alguma. Não posso dizer que ele nos tratasse mal, porém que me pareceu que homem cheio de ódios!”</em></strong></p>
<p><strong>(Carta ao conselheiro Jesuíno Marcondes)</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas o pior será confirmado por amigos próximos da família Correia. Esses mesmos amigos corajosos que se encarregarão de enterrar precariamente os corpos, no mesmo local onde foram fuzilados, numa missão quase secreta.</p>
<p>A cidade continuará vivendo dias de terror a pretexto de necessária justiça. Tudo como se fora obra e arte do terceiro escalão. E assim aqueles dias passarão para a história. Num primeiro momento, o medo parecia fazer parte do drama das famílias atingidas. Serão necessários muitos fuzilamentos para que grande parte da cidade conheça de perto o medo.</p>
<figure id="attachment_114" aria-describedby="caption-attachment-114" style="width: 700px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Francisca-Correia.jpg"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-114" src="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Francisca-Correia.jpg" alt="Trecho de carta de dona Francisca Correia Araújo, viúva do conselheiro Araújo (em papel adequado à sua condição), dirigida ao conselheiro Jesuíno Marcondes, então exilado na Suíça. A dor da família do Barão, as intrigas, “a ingratidão, a injustiça do povo de Curitiba”." width="700" height="292" srcset="http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Francisca-Correia.jpg 700w, http://travessadoseditores.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Francisca-Correia-300x125.jpg 300w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" /></a><figcaption id="caption-attachment-114" class="wp-caption-text"><em>Trecho de carta de dona Francisca Correia Araújo, viúva do conselheiro Araújo (em papel adequado à sua condição), dirigida ao conselheiro Jesuíno Marcondes, então exilado na Suíça. A dor da família do Barão, as intrigas, “a ingratidão, a injustiça do povo de Curitiba”.</em></figcaption></figure>
<p>Apenas a revista <em>Club Coritibano</em> registrará, três meses depois da tragédia de 20 de maio de 1894, o falecimento “do cidadão Ildefonso Pereira Correia”.</p>
<p>Mesmo assim, o Barão será a única das vítimas do km 65 a ter a morte divulgada oficialmente. No mais, silêncio e medo.</p>
<p>O Paraná silencia, enquanto a imprensa do Rio de Janeiro será enfática ao divulgar a série “Dramas do Paraná”, a exemplo de <em>O País</em>, <em>Cidade do Rio</em>. Por sua vez, a revista <em>D. Quixote</em> publica um número especial sobre os fuzilamentos do Paraná e suas vítimas, ilustrado por Ângelo Agostini. Menos contundente, a imprensa paulista também não será indiferente ao tema.</p>
<p>Em Curitiba, as famílias enlutadas ou amedrontadas que tinham posses seguem para as estações de água ou vão se tratar na Marinha.</p>
<p>O medo é percebido, ainda em 1895, pelo silêncio da imprensa local, enquanto o jornal <em>Cidade do Rio</em> anuncia, a 19 de maio de 1895, que o comendador Manoel Francisco Correia manda rezar na Igreja da Glória a missa de um ano de falecimento do Barão.</p>
<p>Em 23 de agosto de 1895 termina oficialmente a Revolução Federalista com a assinatura da chamada Paz de Pelotas, agora no governo Prudente de Moraes, que sucede o Marechal Floriano e inaugura a chamada “política do café com leite”.</p>
<p>Nesse mesmo ano, Vicente Machado elege-se senador, sem livrar-se da sombra de Xavier da Silva. Mas a história soube poupá-lo de maiores responsabilidades.</p>
<p>Apenas em 1937, David Carneiro publicará <em>Os fuzilamentos de 1894, no Paraná</em>, primeiro relato minucioso sobre os crimes ocorridos após a invasão do Paraná, iniciando oficialmente uma corrente favorável à inocência de Vicente Machado e Floriano Peixoto.</p>
<p>Antes do fim do século XIX, o conselheiro Jesuíno Marcondes receberá notícias de Curitiba: novas festas. Agora, os casamentos, especialmente entre primos, serão a alegria das famílias. A vida segue atenuando as certezas.</p>
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