<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-4159844909133794171</atom:id><lastBuildDate>Wed, 06 Aug 2008 04:48:57 +0000</lastBuildDate><title>Feito de Papel e Caneta</title><description/><link>http://feitodepapelecaneta.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Frederico Blahnik)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>10</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4159844909133794171.post-8459215695584676516</guid><pubDate>Thu, 03 Jul 2008 16:53:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-03T10:08:25.127-07:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Pessoal</category><title>26.01.1981</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Quando eu era uma imaculada criança de pele e ossos interrogativos, eu já era acostumado a lidar com a ansiedade e a tristeza. A tristeza sempre foi madrasta do tempo obrigando-o a ser sempre criança. E o tempo irado com a existência das coisas mal entendidas sempre ostentava faces cortantes que me tornavam sempre carente de sangue ou de algum amor platônico inesquecível. Mas nunca tive nada mesmo. Pode até não ser culpa do tempo, mas sinto que na maioria das vezes nunca temos o que realmente queremos. Sempre temos a impressão de que temos apenas as coisas que não gostaríamos de ter e por isso cuidamos tão mal das coisas que estão ao nosso redor. A parte que nos pertence é sempre a menor parte de todas. Na verdade somos potencialmente ingratos a todas as coisas e nós mesmos. �?s vezes me amo de verdade. �?s vezes me destruo. Basta um único pensamento errado e todas as paredes que me protegem me destroem e depois me abandonam. E do outro lado da rua estranhos fazem uma festinha pra mim, mas nem fui convidado por que é uma festa surpresa e está agradável demais sem a minha presença. E não me incomodo com isso. Nem eu nem minha sombra que de tão gentil é leve e não tem peso de vida. Talvez a minha sombra seja a porta secreta que um dia se abrirá a outra realidade. A uma outra vida com corações de luzes. Uma vida delicada como as lanternas vermelhas japonesas. Adoro lanternas vermelhas japonesas. São um luxo luminoso para poucos habitantes do universo.&lt;/div&gt;</description><link>http://feitodepapelecaneta.blogspot.com/2008/07/26011981.html</link><author>noreply@blogger.com (Frederico Blahnik)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4159844909133794171.post-2342615525497785237</guid><pubDate>Mon, 23 Jun 2008 01:09:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-22T18:10:29.367-07:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Pessoal</category><title>16.01.1981</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Vou brincar vivo ou morto. Estou tão inseguro hoje. Vejo apenas o que vejo. As gotas de chuva correm solitariamente do céu para o chão sempre em linha reta. Sempre em ritmo suicida. Qualquer dia desses não serei mais do que um nome esquecido em uma lápide grosseira de cemitério. Pensei em cortar os pulsos, mas não o fiz. Minha doxomania aguda escreveu em mim a seguinte frase: "me amo mais do que a mim mesmo e isso é o suficiente em qualquer parte do mundo". E em uma distração de pensamentos a noite chegou após uma longa chuva de inverno. Onde dormirei está noite? Onde meus miolos desejam estar? Onde todas as pessoas do mundo desejam que eu esteja agora? Enterrado? Vou resolver isso como se fosse um peixe num deserto em busca de toda a areia do mundo. Como a areia que se move sexualmente com o vento do deserto. E em meus sonhos não existe lugar mais calmo e inabitado como a cabeça de uma múmia que esqueceu de existir depois de centenas de anos de intensa letargia artística.&lt;/div&gt;</description><link>http://feitodepapelecaneta.blogspot.com/2008/06/16011981.html</link><author>noreply@blogger.com (Frederico Blahnik)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4159844909133794171.post-8076424849455444107</guid><pubDate>Sun, 15 Jun 2008 10:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-15T03:52:11.904-07:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Pessoal</category><title>11.01.1981</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Em um mundo tão estranho forjei minha aparência externa. Esforçava-me ao máximo para não ser rejeitado ou devorado por todas as coisas vivas e por todos os conflitos da alma que sempre me pede e me implora por um pouco mais de luxo. Empenhava-me ao máximo num processo de humanização que me mortificava reinventando todos os meus passos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quem está em mim? perguntam-me. Todos nós... respondo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A voluptuosidade de se estar vivo pode ser comparada a uma alegria voluntária que é a mesma de se encontrar o que se estava procurando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quero criar algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estou pensando em criar um espaço vital para obrigar uma inteligência artificial. Preciso ocupar minha mente com alguma coisa senão acabo por terminar louco de pedra. Deixe-me ir diretamente aos fatos: vou brincar de inventar. Reinventar-me. Mas preciso ir além de uma simples invenção. Quero manifestar em palavras a voz vociferante que mantém tudo em seu lugar. Quero expressar o dono da ordem desossada das minas de prata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sou minha subconsciência concentrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quero representar movimentos em perfeita e em total simetria. Irei desornar as salas preciosas. Isso mesmo! Agora sei que a melhor parte é aquela que não posso ter. Sou tão circular que não tenho meio e fim. E essa falta de gravidade entre as coisas que me apóiam me dizem e repetem que não pode haver prazer melhor do que negar a aceitar as coisas que você mais deseja em vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acordei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não. Foi tudo apenas um susto. Depois o sangue voltou a circular novamente. Tudo mesmo. E então uma trilha sonora passou a me acompanhar durante uma longa caminhada por um vale distante, cheio de luzes e sombras. A trilha sonora é antiga e sai de um violino de ouro. E ele se toca sozinho. Se ainda fosse criança eu estaria amedrontado por estar bem no centro de uma realidade desconhecida. Sinto-me apaixonado por essa canção que me lembra coisas luminosas. �? como se cada nota me obrigasse a permanecer em uma estrada de imagens eternamente tatuadas em meu inconsciente. Estou percebendo o faço comigo. Estou forjando lembranças. Deixo que cada lembrança presa ao passado me impulsione ao futuro e assim vou saltando sobre cada hora, minuto e segundo que se descolam do centro da terra. E assim o medo das sombras se desfaz por que já me acostumei a elas. &lt;/div&gt;</description><link>http://feitodepapelecaneta.blogspot.com/2008/06/11011981.html</link><author>noreply@blogger.com (Frederico Blahnik)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4159844909133794171.post-6982381901947852305</guid><pubDate>Sat, 14 Jun 2008 01:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-13T18:28:55.551-07:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Pessoal</category><title>01.01.1981 [�?ltima Parte]</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       Sou primo distante do Frankstein e me sinto complemente retalhado. Preciso sentir-me e retiro de meu corpo pequenos pedaços de mim. Estão vivos. E são muito maiores do que eu posso ser inteiramente. Não posso revelar que vivo personagens opostos onde eu sou o apoio eterno entre a vida e a morte e ao mesmo tempo nego o que sou para proteger-me. Vou pensar mais e vou dizer o que eu quero agora: eu quero ser tato puro e quero ter mãos feitas apenas de ossos e nervos. Eu supostamente não deveria estar aqui. Em frente ao completo estranho que em que me transformei, esperando obter de qualquer forma um pouco de carinho sólido e frio. Mas a verdade é que a minha alma mendiga tudo. Talvez seja necessidade de preencher o espaço que sobra e se multiplica... imensidões de mim. Não há sentimento suficiente no mundo e a minha busca nem começou ainda. Onde está o que procuro? Procuro algo que está bem na superfície ou algo que está imerso em profundezas rochosas e oceânicas? Quero o nome disso. Quero o nome de quem possui o que quero. Todos os dias caminho entre centenas de pessoas pela calçada, mas nenhuma delas tem o que quero. Nenhuma delas é o que eu preciso ter. Os estranhos possuem o poder de nada possuírem e eu me sinto extremante estranho.&lt;/div&gt;</description><link>http://feitodepapelecaneta.blogspot.com/2008/06/01011981-ltima-parte.html</link><author>noreply@blogger.com (Frederico Blahnik)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4159844909133794171.post-3825492531288037549</guid><pubDate>Fri, 13 Jun 2008 12:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-13T05:37:49.276-07:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Pessoal</category><title>01.01.1981 [Part VI]</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       Minha vida segue uma força constante... mas tudo em um segundo. Tudo é extremamente semelhante a cada segundo. Meu semblante possui a simetria perfeita da monotonia. E todo esse excesso de essência que está preso dentro de mim, me torna cada vez mais inacessível. Não existem mãos capazes de me tocar e nem pensamentos que me alcancem. Minha casa é o meu único abrigo. Existe uma tempestade lá fora e os estrondos sonoros da existência além de minha própria, me assombram. Ficarei sozinho em casa para sempre. Mesmo que tenha que ser assim, com tudo em pedaços irreconhecíveis dos gritos de temor que dei quando dei por conta que eu estava sendo apenas o que eu não queria ser.&lt;br /&gt;        Eu estou me arrastando em um beco escuro. Vou tentar ser um pouco mais claro: sinto que estou em pedaços invisíveis. Não posso tocar o que foi quebrado, pois não sinto espaço suficiente dentro de mim. Se pudesse, tentaria unir esses pedaços novamente. Mas não posso. O meu esforço apenas resultaria em uma tentativa medíocre de unificar aquilo o que não se pode ver com os olhos. E isso me causa uma repugnância tremendamente intensa. Sinto meu corpo arder de tanto frio e as cores de tudo o que vejo se retraem como as minhas pupilas quando olho para o sol ardente. Quero todas as coisas perdidas do mundo. Quero entender de onde eu vim. Não compreendo nada e continuo seguindo um caminho marcado apenas com marcas de sapatos que estão na terra seca de vida. Tão seca de sabedoria quanto eu. Estou sofrendo com a secura do estágio final sem ter sequer começado o primeiro. Esses estágios são aspectos vitais cujo entendimento nunca será revelado (((segredo bem guardado))).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feitodepapelecaneta.blogspot.com/2008/06/01011981-part-vi.html</link><author>noreply@blogger.com (Frederico Blahnik)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4159844909133794171.post-8397270287506891046</guid><pubDate>Thu, 12 Jun 2008 07:08:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-12T00:11:53.566-07:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Pessoal</category><title>01.01.1981 [Part V]</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As coisas vêem e voltam, e todas elas são uma repetição ilimitada do que eu já vi. Sinto os olhos cansados e extremamente abertos esperando... E o mundo gira e eu fico tonto e começo a vomitar. E às vezes me pergunto o que seria de mim se não fosse a minha persistência em continuar vivendo. Pode até ser que esteja me preocupando a toa, mas as perguntas surgem por dentro como se estivesse pedindo para respirar. Elas querem ter vida própria as minha custas. São parasitas mentais. Isso me deixa meio... Como vou dizer? A sensação que esses sentimentos causam em mim são como se fossem um plano de auto destruição ultra secreto. Sinto isso. Parece absurdo afirmar tal coisa. Eu mesmo reluto em acreditar em tudo o que eu digo. Fico surpreendido com a minha ignorância interna. Conheço-me superficialmente e sou incapaz de afirmar com segurança se o que sinto está presente dentro ou fora de mim. Como assim? A pergunta não se cala. Provavelmente eu diria: Não tenho resposta. Mas estaria mentindo. Quando descobrimos algo muito suspeito, como o que pensamos que sentimos, é preferível guardar tal descoberta em segredo. ((guardado entre quatro paredes)) Toda vez que me revelo algo, é como se essa coisa recém nascida me escandalizasse. Isso eu não quero. Quero que o segredo seja guardado como ouro em cofre. Ouro puro e sem forma. Sem tamanho ou peso. Ele tem apenas cor de ouro porque é segredo quente e solitário. Somente quem o vê é capaz de entendê-lo sem questionar a sua validade.&lt;br /&gt;       Nem tudo permanece assim por muito tempo. Essa deformidade caótica. Seja lá o que for isso, sei que a eternidade é apenas uma vida nesse mundo. Não quero afirmar nada, mas sempre caio nessa armadilha. �?s vezes me acho humano de mais e acabo por dizer o que não devo. E existem milhares de coisas que eu supostamente não deveria fazer também. Pecar, por exemplo. Isso é mau, isso é muito mau. O pecado de nascer humano é um acontecimento, um fato inquestionável e intocável. Esmago-o com as mãos e vejo toda a sua tinta cair no chão. Mas não tem som algum. Pensei que todo o processo tivesse algum barulho estranho que o caracterizasse. Não houve nada além do silencio pesado e úmido dos meus órgãos internos. Para mim esse é o tipo de coisa que sempre deixa um rastro de perguntas. São tão azucrinantes. E elas me molestam descaradamente. Curiosamente elas possuem os mesmos antecedentes das marcas de dedo que surgem nos meus óculos despercebidamente. Quando menos espero, elas estão lá. Tanto as marcas de dedo quanto às perguntas sem respostas possuem o mesmo formato digital pequeno e gorduroso sobre uma superfície transparentemente duvidosa. A razão pela qual tudo ocorre em total escândalo? Cada um tem a sua. Vivo porque ainda respiro e acordo todos os dias comigo mesmo e essa é uma realidade indivisível. Todos os dias, tudo de novo.&lt;/div&gt;</description><link>http://feitodepapelecaneta.blogspot.com/2008/06/01011981-part-v.html</link><author>noreply@blogger.com (Frederico Blahnik)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4159844909133794171.post-4158785687513932122</guid><pubDate>Sun, 08 Jun 2008 05:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-07T22:16:19.678-07:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Pessoal</category><title>01.01.1981 [Part IV]</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Sou uma obra prima de Deus e, no entanto permaneço tão insignificante quanto o que eu acho que sei. Sou um pensamento reprimido a zilhões de anos. Sou lava quente que está dentro da terra esperando para ser expelida com toda a força do mundo. O escarro da vida saindo do forno. Isso tudo é tão antigo. Então posso pensar assim: eu que já existia antes mesmo das bactérias e dos primeiros dinossauros e eu era uma forma oculta e esférica de mim. Eu era uma dor em espera. Uma esfera em forma de cabeça. Estava adormecido como uma pedra que não quer falar. Estava pesado, pesando, pensando. Quando acordei? Não sei. Acho que não estava acordado quando isso aconteceu. E se aconteceu, quero ver o quadro emoldurado do momento da criação e embaixo da obra quero que esteja escrito: o som de mim afundando em uma piscina de cacos de vidro. Seria perfeito se não fosse trágico. Mas, o que poderia ser mais trágico? A morte ou uma vida impregnada de muita dor? Não posso dar minha opinião. Simplesmente não votaria em nenhuma dessas alternativas. Acho que a morte cessaria a busca pela razão. E isso, eu busco há tempos. E a dor, ela seria apenas mais uma entre a coleção que tenho. Quero um dia lembrar de tudo e encontrar algum mérito em tudo o que vivi. Celebrar o filme secreto da agonizante espera do dia de nascer de novo.&lt;br /&gt;       Peço demais. Sei disso. Mas não me importo com o que as pessoas pensam a meu respeito. O quero precisa ser meu e de mais ninguém. Deixar com que outras pessoas saibam o que quero seria uma divisão injusta de tudo o que possuo. Nasci de uma solidão perpétua e viúva do mundo. Quero permanecer assim. Um órfão. Descobri que dentro de mim existem muitas forças que não suportariam ou sequer admitiriam a presença insolúvel de outra pessoa que por ser outra ao cubo, acabaria sendo uma ofensa a pouca coragem existencial que me foi dada. Admito o egoísmo exagerado. Só falo de mim. Sei que não sou lá grande coisa. E daí? Não exteriorizo quase nada como os outros animais racionais. Duvido que exista algum que não esteja precisando de reparos. Existe? Não posso recorrer a ninguém que possa mudar o eu sou...&lt;br /&gt;       Na verdade, tudo só existe quando está pronto, não é? Ou não? Bem, acho que sim.&lt;br /&gt;Parece que estou sendo dramático demais. Não estaria dizendo tudo isso se pelo menos tivesse uma pista para desvendar a verdadeira identidade do universo de todos nós. Isso mesmo. Não estaria me acusando dessa forma se soubesse como é saber todas aquelas reações químicas ocorrem por dentro dele. Preciso condenar esse inevitável prazer que sinto em culpar-me. Preciso manter-me ileso de todos esses golpes profundamente secos que são a minha raiva disfarçada de medo. Gostaria que tudo terminasse por aqui. Sinto que por enquanto é inevitável parar. Eu me divido e cada divisão minha é uma extensão da realidade que nego prazerosamente. Sou um pecador.&lt;br /&gt;       O que eu preciso neste instante de solidão é encontrar alguma semelhança entre o que eu chamo de mim e o mundo extremamente sólido em que eu vivo sem ser parte real e contável dele. Sou ordinário demais. Sou semelhante ao capim que nasce na beira da calçada tirando a beleza das linhas retas. Não possuo beleza alguma. Sou incapaz de ser uma linha reta. Nunca pude imaginar que essa ausência de beleza me fosse fazer tanta falta um dia. Nossa! Eu morri. Fui enterrado em um tumulo sem lápide e ninguém sabe que sou. E com em um filem de terror me tornaria um zumbi ambulante. Sou um frasco com um rotulo em branco. Ninguém seria capaz de me identificar se por acaso esbarrasse comigo na calçada. Sou tão anônimo quanto uma formiga que morre esmagada por um sapato gigante vindo do céu. Que culpa ela tem de ter nascido formiga? Talvez minha angustia gire em torno disso tudo porque tudo é uma existência infinita do que nós não temos conhecimento. Quem será o dono do pé gigante que ira me esmagar com a delicadeza igualada a uma gota d'água que se choca contra a terra? (((&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gritos abafados&lt;/span&gt;))) Quem? Em qual momento da minha existência serei incapaz de suportar tanto peso? Mas, por que ser esmagado? Aaaahhhhh!!! Não quero! (((&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Meu Deus estou preso aqui&lt;/span&gt;))) Calma. Peço calma para repensar meus atos. A morte é tão indiscreta. Quem vai ser o dono do pé gigante? Alguém virá mascarado de anjo e por motivos desconhecidos me colocará ao mesmo nível esmagador negativo de um buraco no chão? Por que? Poxa vida! Sinto que tudo isso é exaustivamente eu e nada mais.&lt;/div&gt;</description><link>http://feitodepapelecaneta.blogspot.com/2008/06/01011981-part-iv.html</link><author>noreply@blogger.com (Frederico Blahnik)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4159844909133794171.post-4768864793739201191</guid><pubDate>Sat, 07 Jun 2008 12:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-07T05:41:59.813-07:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Pessoal</category><title>01.01.1981 [Part III]</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Loucura ardente. Parece chumbo incandescente sobre meus olhos. O calor é inevitável assim como preciso de argumentos convincentes. Estou à procura de razões implícitas. Razões que me guiem de vez para o motivo que me fez cometer um crime. Espero que ninguém nunca saiba o que aconteceu. Nunca. Durante muito tempo esse desejo imóvel permaneceu flutuando por sobre o meu ser. Era quase uma profecia. Sim. Porem sem nenhuma conexão bíblica. Deus apenas me observa com uma visão esférica do tamanho do mundo. Foi tudo um acontecimento especialmente interno. Quase uma doença. Quase um câncer. Era um desejo que no início não possuía forma. E depois se tornou  uma coisa quase esférica que se confundia entre meus órgãos. Quero dizer: ele se camuflava. Procurava disfarçar-se como podia para se esquivar de mim. Sempre se desviando do meu olhar de vítima. Sou vítima. Mas ao contrário das vitimas convencionais, tenho sempre minhas mãos sujas de sangue. Fui dominado. Essa figura aparentemente e infinitamente esférica me usou. Não percebia a viagem que estava fazendo. Acho que estava saindo de mim para morar em outras terras. Era tudo rápido demais. Alguém por favor me ajude preciso de uma injeção de não sei o que para aliviar essa dor. Acho que vou chorar. Não encontrei lugar algum que fosse capaz de me abrigar. Sou incabível em um corpo por causa da minha alma tão pequena. Se ela ao menos possuísse uma cor que fosse. Se ela ao menos fosse azul... Mas essa transparência. Transparência invisível do melhor vidro do mundo. Inquebrável, indobrável e intocável apenas me diminuem e me desclassificam cada vez mais.&lt;br /&gt;       Nada ameniza o interior árido que surgiu antes mesmo da minha existência em forma de ossos, ferro velho e lixo hospitalar. Não existe água onde eu vivo. E eu sou a única planta viva sobrevivente. O capim verde que nasce entre as pedras. A flor do cactos. O sonho bom de quem dorme em paz.&lt;br /&gt;       E talvez sonhando eu possa visualizar onde eu estou. O que aconteceu? Vejo apenas respostas que não quero decodificar? Diga me o que sou eu. Você foi um mero acontecimento que brotou do que chamamos de falta de imaginação, um acidente malabarístico altamente psicológico. Então sou isso? Não. Dessa vez a verdade não me estremecerá. Seguirei sendo o que sou. Ossos, ferro velho e lixo hospitalar. E me sentirei como qualquer outra pessoa, mesmo não possuindo essa habilidade. Guardo o sentimento estranho de que sei exatamente o que quero, mas apenas não encontro o local que possa me vender tal coisa. Não é de comer, nem de beber. Embora eu sinta muita fome de tudo. Agora sei e sinto que estou quase abandonado. Sou um cachorro de rua. Um vira latas. Tenho muitas caras e bocas. Sigo meus instintos quando necessário. O meu latido assusta um pouco, mas não é capaz de me garantir um lar. Fui expulso de casa e sequer olhei para trás. Gostaria que alguém fizesse algo por mim. Não teria como retribuir uma ajuda alheia. Sou animal demais e poderia morder sem querer a mão que me oferecesse ajuda.&lt;br /&gt;       Nunca me darei por satisfeito pelo que sou. Sou? Sou o quê? Um cachorro latindo no meio da rua? Espere. Sei o que sou. Meu nome é o mesmo de todos que vivem no mundo. Sou Daniel, ou João, ou Paulo, ou José, ou Lucas, ou Mateus, ou Gabriel, ou Tiago, ou Raimundo, ou Pedro, ou mil vezes aqueles que respiram uma identidade e depois morrem. Então, devo ser alguma coisa, não é? Sou burro demais. Será que sou de plástico? Oops! Melhor não pensar nisso. Certamente sou feito de alguma coisa que como o que eu sou também não possui uma identificação especifica. Sou matéria galáctica. Apenas isso. A única coisa de verdade que tenho. Uma leve impressão invisível no canto da nuca que diz: fabricado por Deus.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feitodepapelecaneta.blogspot.com/2008/06/01011981-part-iii.html</link><author>noreply@blogger.com (Frederico Blahnik)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4159844909133794171.post-4517060227268980771</guid><pubDate>Thu, 05 Jun 2008 10:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-05T03:32:14.055-07:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Pessoal</category><title>01.01.1981 [Part II]</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi por pouco. Acho que foi. Bastou uma distração momentânea da carne e eu nasci. Meu corpo se materializou aos poucos tomando forma de idéias de carne e osso. Muito osso, pedaços de ferro velho e lixo hospitalar. Sou uma idéia. Nada tenho a repartir com ninguém que possa ser capaz de aliviar-me o peso sonoro conectado em ambas as partes do meu cérebro. Quero demais e sou apenas ossos, ferro velho e lixo hospitalar.&lt;br /&gt;       Se um dia passasse a procurar por algo, procuraria encontrar algum tipo de leveza comestível. Algum prazer em não sei o quê. Acho que não estou sendo o suficientemente claro. Vou começar do começo. Primeiro quero lembrar meu nome. Sei que ele está em algum lugar. Provavelmente está escondido. Se eu o disser ele passará a ser do conhecimento de todos.  Tenho medo que saibam que existo e tenho um nome. Meu nome talvez seja a minha única salvação em busca da minha identidade. Mas, como seria se eu não tivesse um nome? Eu desapareceria como uma criança que nasce morta... então, por medo da morte quero todos os nomes. A partir de hoje terei todos os nomes. Continuarei com o mesmo gosto por dentro mas por fora serei a imagem de qualquer superfície humana. Ainda bem que ter todos os nomes do mundo não é pecado. Se fosse um pecado, talvez eu queimasse 10 eternidades pra cada nome de pessoa humana no mundo. Minha mãe me deu um nome quando nasci, e era o mesmo nome do meu avô eu morreu de câncer e de lembranças do passado. Meu nome era grande demais e já havia morrido com meu avô a milhares de anos. Agora que tenho todos os nomes do mundo e ao mesmo tempo não sou ninguém de verdade, livro-me da extensão e aparência me incomodavam em meu nome, minha antiga identidade. Apesar de sentir uma apenas uma leve mudança sobre o que aconteceu, eu prefiro me perguntar logo como um ser humano poderia tentar ser normal com um nome tão impessoal e distante? Gostaria tanto de ser comum. Gostaria de me chamar Francisco ou João. Talvez até me chamasse Raimundo. Mas aquele nome, meu antigo nome era um peso sonoro em forma de nome. Desconfio que ele tenha surgido antes de alguma coisa que não sei bem o que é. Mas temo que esse nome tenha nascido de algum erro de calculo. Isso mesmo. Ele possuía a aparência de uma soma errada de letras onde elas se contradiziam em relação à realidade. Sinto que não pensaram em mim um instante sequer. Por um lado não pedi esse nome, mas por outro lado era meu. Uma situação assim me fez pensar que somos a soma errada de algo que ainda está por vir. Talvez sejamos algo como o produto da soma de zero mais zero. :-) . Nossa, eu sou um serviço de utilidade publica. Será que mereço comer pão todos os dias? Ou será que não mereço mais respirar o meu ar gratuito de todas as manhãs? Devo parar, pois sinto o meu calo doer em proporções quilométricas... Essa dor é uma recompensa por eu apenas sente dor quem está vivo...&lt;br /&gt;       Pois é, nem lembro mais onde foi que eu parei de falar e sobre o que eu estava falando. O que? Se eu estava falando a meu respeito? Pode até ser. Mas... só poderei ir até onde a minha racionalidade alcança. A racionalidade que somente os animais humanos possuem. Possuem? Não sei ao certo se o que digo soa como sinos em uma torre que de tão alta mal pode se ouvir que nelas existem sinos soam sonoros sons sonoros e solitários. Talvez o que saiba de mim seja algo parecido com as tentativas de medir um eu metricamente sonoro como um tambor que recebe pancadas rítmicas e repetitivas. Tum dum tum dum tum dum. Meu cérebro se expande assim e se reproduz e se repete. Repetir é a mortificante seiva da vida. E viver é como uma raiz que nunca alcança o solo no tempo certo. Penso assim: sou um grito de alerta. Mas, para quem devo gritar? Grito para quem quiser ouvir. Não. Grito apenas para ouvidos mudos e bocas surdas. O incomum me oprime e a ele devo tudo o que tenho tudo que deixei de ter. Choro pelas migalhas de um pão que ninguém comeu ainda. Como seriam gritos de alerta? Acho que eles seriam trêmulos e avermelhados de tanto sangue quente. E os gritos ajudariam a fazer correr em minhas veias o pouco sangue que ainda me resta. Restos sanguíneos correndo em restos de veias que estão em um resto de corpo que nasceu em um resto do mundo que se localiza bem no pó da galáxia. Do pó ao pó. Cheiro um pouco de pó e dentro de mim inicia-se uma galáxia imaginaria. Passo a cultivar uma galáxia terrestre com planetas solitários e comprimidos. Planetas desconsolados por girarem em torno de si mesmos sem ter brilho algum. Então fecho os olhos e para visualizar o sol. Ele gira infinitamente em torno de si mesmo rodeado pelo vácuo total da solidão distante.O sol é sempre bom na medida certa. Perto demais queima, longe demais congela. O que digamos não seja lá grande coisa levando em consideração que existem bilhões de estrelas na mesma situação. Estou na mesma situação girando mentalmente em torno de mim mesmo. Será que sou uma estrela?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feitodepapelecaneta.blogspot.com/2008/06/01011981-part-ii.html</link><author>noreply@blogger.com (Frederico Blahnik)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-4159844909133794171.post-8432481438319777500</guid><pubDate>Wed, 04 Jun 2008 22:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-05T03:28:27.243-07:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>Pessoal</category><title>01.01.1981 [Part I]</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       Tudo nasce em mim como se estivesse sem voz. Não sei direito. Toda a excitação da existência parece estar envolvida por uma maquiagem tremula e oca. Nunca terei certeza disso ou do aconteceu antes de mim. Eu gostaria de ter certeza nas coisas e em todas as coisas. Uma certeza que moldasse e solidificasse em forma de exclamação qualquer tipo de dúvida. Uma certeza sábia que agisse por si mesma com o único propósito pressentir a aproximação indevida da dúvida em forma de ganchos com pontos. Quero uma certeza que seja uma entidade viva dentro de mim consumindo o espaço desértico que tenho por dentro. Acredito que tudo seria menos perigoso se se fosse possível contar com a ajuda da certeza. Seria sim. Posso até imaginá-la bem no meio de tudo. Centralizada e internalizada como uma rainha deve ser. Dizendo sim e não. �??Isso pode e isso não pode�??. Ela estaria exaltando a si mesma como quem quer vender alguma coisa. Ou agiria de uma forma mais sensata, calma e observante como as estrelas que morrem em galáxias distantes e se tornam enormes buracos negros consumindo qualquer coisa que esteja próxima transformando-a em milhões de pedaços. Tornando o que atormenta o seu  mundo interior infinitamente pequeno. E eu estaria apenas a observar e a perceber que as coisas se transformam e que um dia eu seja a incerteza que tira o sono de alguém.&lt;br /&gt;       Certeza, certeza, certeza é muito melhor que ter pão na mesa. Pensei sem querer. Meus pensamentos escapam de mim com um certo alívio como quem escapa da morte. Apesar da minha ânsia por certeza, ela não é tudo o que eu quero, eu quero muito mais, mas seria bom se eu pudesse ter uma quantia razoável de certeza sobrando dentro de algum frasco escondido ou esquecido e empoeirado em algum armário solto pela casa. Certamente esse frasco teria muita utilidade caso eu me encontrasse em um momento de emergência comigo mesmo. Aquele tipo de emergência que somente um sobrevivente de guerra sabe o que é. Pena que somente um fraco dessa porção milagrosa não seria o suficiente para decifrar a pouca sanidade esverdeada e distorcida que vejo na obscura superfície do meu rosto. No meu sorriso estranhamente feio e informal. Afinal de contas, onde está a beleza de um sorriso sem dono? Parece estranho dizer isso, mas acho que em um determinado momento que se encaixa em outro momento, percebi que havia surgido em mim o primeiro contato com a loucura que é a mais real das sensações. Mas prefiro dizer que loucura pra mim é apenas um sentimento que se torna cada vez mais constante com o passar de cada Natal e Ano Novo.&lt;br /&gt;       Um dia estava eu na frente do espelho do banheiro e me vi em todas as pessoas do mundo. Olhei novamente. A situação já era outra e eu havia perdido o controle. Queria uma resposta. Minha casa me engolia pelo espelho do banheiro e minha boca ensandecida ria sozinha como se estivéssemos dentro da melhor piada do mundo. Não fiz nada. Não me estiquei um braço em nenhuma direção. Estava vendo-a sorrir. Passei, então, a analisar o movimento desorganizado da boca. Percebi que a boca estava morrendo e não mexia mais corretamente os músculos cansados na minha face. Acabou movimentando uns aqui outros ali e conseqüentemente ignorou a existência de outros músculos importantes. O resultado de tudo foi um sorriso-desastre sem personalidade alguma que poderia estar preso em qualquer parte do corpo. Quando me deparei com minha boca no espelho, vi apenas um sorriso distorcido. Uma boca com traços profundamente abstratos e magneticamente incompatíveis entre si. Tudo aquilo era eu. Era a minha imagem viajando na velocidade da luz em direção ao espelho que estava diante dos meus olhos. Pisquei os olhos e a boca continuava lá, toda borrada por tropeçar na própria na própria ignorância de tentar falsificar sua existência multiplamente ignorada. A boca queria ser feliz sozinha e era burra demais para notar que lhe faltava segurança no que estava fazendo. Não quis ver que lhe faltava um pouco de tudo antes que ela mesma tentasse pensar em sua existência sem um corpo privado. Boca obtusa! Nunca mais tentará provar do prazer que traz a felicidade porque somente agora ela percebeu falhará na tentativa continuamente como na primeira e última vez em que tentou mostrar algum tipo de capacidade humana que não possuía e nem deveria possuir. Imagino que tenha sido apenas uma experiência infeliz que não se repetirá novamente. Digo isso porque fiquei com raiva da boca e ao mesmo tempo sinto compaixão por ela. Ela não pode sentir o que sinto quando procuro encontrar um pouco de humanidade em mim.&lt;br /&gt;       Acho que apenas sou feliz quando estou dormindo. Deve ser porque o sono é a morte em doses noturnas de amostra grátis revelando o que sinto em relação aos tentáculos emotivos que me envolvem. Gosto de dormir e isso me deixa feliz. Hoje quando acordei em mim, pensei: eu me repito como ecos infinitos em um quarto vazio e escuro que se prolonga infinitamente ao longo de minha vida. E sem pestanejar muito, sigo rastros e misteriosas pistas que surgem de mim para dentro de mim, provavelmente quando troco de pele. E todas essas coisas surgem assustadas do nada que está tatuado por dentro. Pode até parecer estranho, mas não sei dizer precisamente quem ou o quê realmente sou. Mas a verdade é essa mesmo, nasci chorando por que o mundo me assustou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feitodepapelecaneta.blogspot.com/2008/06/01011981.html</link><author>noreply@blogger.com (Frederico Blahnik)</author></item></channel></rss>