<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/atom10full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" gd:etag="W/&quot;CE4MSH8zfyp7ImA9WxBTGU0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852</id><updated>2009-12-15T18:49:49.187Z</updated><title>Geração de 60</title><subtitle type="html" /><link rel="http://schemas.google.com/g/2005#feed" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/posts/default" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://geracaode60.blogspot.com/" /><link rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><link rel="next" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false&amp;v=2" /><author><name>Sofia Galvão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15699338974316145917</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version="7.00" uri="http://www.blogger.com">Blogger</generator><openSearch:totalResults>1552</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/atom+xml" href="http://feeds.feedburner.com/GeraoDe60" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com" /><entry gd:etag="W/&quot;CE4MSH8yfyp7ImA9WxBTGU0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-166854949975493988</id><published>2009-12-15T18:48:00.000Z</published><updated>2009-12-15T18:49:49.197Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-12-15T18:49:49.197Z</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Europa" /><title>I. Ignomínia no Séc. XX</title><content type="html">&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;No&lt;/em&gt; século e não do século. Não se trata de liminarmente condenar o século XX. Teve muitos méritos. Sob o ponto de vista material, apesar das queixas, umas vezes justas, outras piegas, nunca tanta gente viveu tão bem. Sob o ponto de vista da maturação sentimental colectiva, nunca houve época com momentos de vivência colectiva mais humana, mais respeitadora da fragilidade alheia, mais repressiva da brutalidade. Nunca tanta gente poude passear na rua sabendo que o simples facto de ser pessoa, noutros casos, cidadão, lhe dava direitos, imunidades, protecção. Não vejo como condenar estes factos. Bem pelo contrário, são conquistas do século XX, colhendo a sua origem noutras épocas é certo (que imensa banalidade) mas representando-se na sua maior excelência no século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o século XX sofreu de doenças bem graves, duas das quais a cegueira voluntária e a brutalidade justificada teoricamente. Os intelectuais, e não os piores de entre eles, justificaram uma ou outra ou ambas das formas mais cruéis, mais indiferentes ao ser humano, ao auto-respeito mesmo, que alguma vez se viram na História. Hitler é um monstro sem paralelo, dizem. Mas o suave japonês que faz as suas poesias enquanto tortura um soldado inglês, ou que atira uma bomba ao enfermeiro australiano que o tenta socorrer, mais não é que a manifestação de uma cultura requintada, apenas com valores diferentes dos nossos. Como o marxismo é uma forma de humanismo, os crimes que o comunismo cometeu são apenas erros e não podem ser cotejados com os dos nazis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O soldado que está ser torturado, o pára-quedista inglês que de acordo com as leis internacionais deveria ser considerado prisioneiro de guerra e é qualificado pelo senhor imperador do Japão como criminoso de guerra. Daí que lhe arranquem os olhos, o torturem e acabem com a vida dele para terminar o prato com uma decapitação. Que diria o soldado inglês? Qualquer coisa como: “É sempre bom saber que não é um bárbaro qualquer que me está a fazer isto, mas uma cultura requintada”. Suponho que os seus sofrimentos deveriam ser reduzidos a muito pouca coisa por saber que participava de uma experiência cultural, que simultaneamente lhe alargava os horizontes e lhe diminuía a visão. Consolador. O soldado inglês perceberia finalmente que pertencia a uma cultura bárbara porque não conhecia o refinamento de tais receitas que, como é bem sabido, requerem uma imaginação imensa. Carece-se de uma boa dose de imaginação para saber como fazer sofrer um ser humano, de uma determinada dose de bagagem cultural, parece. Como se os olhos, as unhas, e outras partes do corpo humano não estivessem à vista de qualquer oligofrénico, e acções como pressionar, retirar, cortar, esmagar fossem o resultado de uma elaboração teórica superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O camponês ucraniano que morre à fome por força das frustrações de um poeta falhado chamado Estaline, rodeado de acólitos não menos medíocres, também se deveria sentir consolado por estar a participar de uma dieta que tem um fundamento teórico humanista. Ingrato seria se não percebesse a natureza metafísica e abissalmente diferente da sua fome em relação à dos campos de concentração nazis. Reconheçamos que o seu estômago não veria diferença nenhuma, mas todos nós sabemos como o estômago dos europeus é particularmente bárbaro e pouco disposto a reconhecer a grandeza das verdades escatológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que crime, que cegueira foi esta? Que cegueira é esta que se continua perpetuando assim de forma criminosa? Como podem as pessoas diferenciar o sofrimento de uns ou de outros? A resposta parece-me dever-se encontrar em vários factores. Por um lado, um pensamento profunda e insidiosamente racista que invadiu o Ocidente no século XX. Os crimes nazis são particularmente hediondos porque ocorrem na Europa. Se ocorressem fora desse continente já seriam tidos como naturais, como mera expressão de culturas diferentes (África) ou mesmo como sinal de requinte civilizacional (Ásia). Auto-flagelação. Mas também porque em última análise se consideram mais válidas as vidas de europeus que as dos outros povos. Que estranha mistura de auto-flagelação e de auto-exaltação. Por outro lado, há evidentemente poderes económicos interessados na feitura de filmes, livros, programas televisivos sobre uma matérias e menos sobre outras. Não se trata de uma teoria da conspiração, trata-se de uma defesa mais ou menos organizada de interesses próprios. Basta ver as poucas coisas que se fizeram sobre os ciganos, aristocratas, homossexuais e comunistas mortos pelo mesmo sistema. Em terceiro lugar, esquecemo-nos muitas vezes que há uma real comunhão de natureza (não de identidade sempre, mas sempre de comunhão) entre os fenómenos do nazismo, do comunismo e da expansão imperial japonesa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-166854949975493988?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/166854949975493988/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=166854949975493988" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/166854949975493988?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/166854949975493988?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/6gcXv1S7LPI/i-ignominia-no-sec-xx.html" title="I. Ignomínia no Séc. XX" /><author><name>Alexandre Brandão da Veiga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09798655630336833574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="11901042091126794380" /></author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/12/i-ignominia-no-sec-xx.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;AkECSXY5fyp7ImA9WxNaE08.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-8877609000863578537</id><published>2009-11-27T13:29:00.000Z</published><updated>2009-11-27T13:31:08.827Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-11-27T13:31:08.827Z</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Matemática" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Europa" /><title>II. Zio Petros e la congettura di Goldbach, Apostolos Doxiadis, Bompiani, 2001</title><content type="html">&lt;div align="justify"&gt;Uma história não contada directamente pelo livro é o pano de fundo cultural. A teoria dos números que impera no seu tempo é de matriz francesa (os Hadamard e quejandos) que por sua vez vem de origem alemã. A França de entre guerras, mais que qualquer outra, conhecia e era tocada pela cultura alemã. Na matemática, na física (a relatividade, a física quântica), na filosofia (Husserl e Heidegger, o neokantismo), na literatura (Thomas Mann, o expressionismo), no cinema... Em quase todos os campos a admiração francesa, e sobretudo o conhecimento francês em relação à cultura alemã, poucas vezes foram tão intensos. E no entanto, entraram em guerra. Por isso o adágio “é o desconhecimento que provoca o medo e as guerras” mostra-se mais uma vez francamente ingénuo. Por vezes é por conhecermos o vizinho que o odiamos. Por vezes apesar da admiração que lhe temos a repulsa fala mais forte. Talvez a guerra não tenha antídoto porque provavelmente não é um veneno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Petros Papachristos é um dos muitos exemplos de homens de inteligência superior que não tiveram a bênção de rasgar um horizonte relevante, estando perto dele. Para cada Josué há frequentemente vários Moisés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Significativo também por outra via: a do impacto do teorema de Gödel no modo de produção da matemática. A forma como encara a possível veracidade deste teorema mostra como a certeza da matemática era ainda um fetiche para a sua geração. De tal forma que um teorema que demonstrasse limites da razão poderia ser destruidor, quando em boa verdade é terapêutico. Mas afinal Gödel acreditava em fantasmas e talvez nos tivesse habituado a viver com eles como uma segunda natureza. O desespero de Papachristos mostra como se pode praticar com maestria uma ciência sem ter grande conhecimento dos seus pressupostos. Muitos cientistas criaram obra relevante, mesmo estando assentes em mitos científicos. Boa parte da química e da História, ou mesmo a biologia, foram criados por pessoas que padeciam de um cientismo ingénuo, o que não lhes retirou mérito à obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que haja proposições indecidíveis (relativamente a um sistema lógico, a indecidibilidade é sempre relativa), convenhamos, apenas mostra que temos de começar por algum lado, que se chega a um ponto em que a premissa por definição é infundamentada. Que o sistema lógico em relação ao qual as premissas são indecidíveis é fruto de uma tradição, sem dúvida rica no seu conteúdo, mas uma tradição, é coisa que também Papachristos não percebeu. Que a formação da objectividade não seja mérito puro de cada indivíduo, mas de interacções individuais e de uma tradição (em parte Popper percebeu-o, mas não deu toda a devida ênfase à importância que a tradição tem para a matemática, como para qualquer cultura) só mostra que Papachristos vivia os fundamentos da matemática como um fetiche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucas vezes vejo contar a história de um matemático como um drama pessoal. Matemáticos com vida trágica (se infeliz é outra história), Galois dá bom exemplo disso. Muitos outros têm vida opaca e esses são uma grande parte. Os matemáticos não têm tendência confessional, salvo quando são grandes também noutras áreas (como Leibniz, esse grande injustiçado que espera ainda quem lhe faça a biografia, e Pascal). Se quisermos saber algo mais de Gauss ou Hilbert ficam-nos algumas anedotas, mas pouco que nos releve o seu percurso vital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Petros Papachristos dá-nos o exemplo contrário, talvez por nos ter ficado não o teorema, mas o testemunho. A tendência cristalizadora da formulação matemática obnubila a tragédia pessoal, o suor e o esforço. É essa em parte a dádiva que recebemos da matemática. A polidez de quem nos dá o presente sem nos remeter para o preço ou a dificuldade de o obter. Mas alguns conseguem ver no diamante a tragédia das árvores pressionadas até ao insuportável apenas para reluzirem sob outra forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.ibs.it/code/9788845248610/doxiadis-apostolos/zio-petros-congettura.html&lt;br /&gt;http://www.anobii.com/books/01fa8e43872491aeb4/&lt;br /&gt;http://www.math.it/libri/ziopetros.htm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Brandão da Veiga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-8877609000863578537?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/8877609000863578537/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=8877609000863578537" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/8877609000863578537?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/8877609000863578537?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/VVF9cFT5LHg/ii-zio-petros-e-la-congettura-di.html" title="II. Zio Petros e la congettura di Goldbach, Apostolos Doxiadis, Bompiani, 2001" /><author><name>Alexandre Brandão da Veiga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09798655630336833574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="11901042091126794380" /></author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/11/ii-zio-petros-e-la-congettura-di.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CUcBR3s_eip7ImA9WxNaEkk.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-6091590791835742826</id><published>2009-11-26T13:42:00.003Z</published><updated>2009-11-26T13:44:16.542Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-11-26T13:44:16.542Z</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Matemática" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Europa" /><title>I. Zio Petros e la congettura di Goldbach, Apostolos Doxiadis , Bompiani, 2001</title><content type="html">&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_37xgby_2SEk/Sw6F8KRZGjI/AAAAAAAAAG4/umgaELLeWqw/s1600/Zio+Petros.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 308px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408407471114492466" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_37xgby_2SEk/Sw6F8KRZGjI/AAAAAAAAAG4/umgaELLeWqw/s400/Zio+Petros.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lugar comum diz que a História é contada pelos vencedores e sobre os vencedores. Observação a ser tomada com cuidado. A ser verdade isso, os romanos e os gregos foram vencedores com o cristianismo, porque os ditos bárbaros que dominaram a Europa cuidaram mais da sua memória que da memória barbara. A ser verdade, o povo judeu é povo de vencedores, porque a sua História foi preservada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ânsia de aproveitamento que existe na nossa época, a frase pode ser invertida apenas para ser verdadeira. Sobra História? Logo fala de vencedores, ou pelo menos é feita por vencedores. Mas se assim for, o lugar comum não explica nada, apenas carece de explicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que é bem mais comum falar de sucesso que de fracassos, pelo menos na História da cultura. O filósofo que não acabou o seu livro, o escritor que o deixou a meio, é menos comum que sejam lembrados. Nem sempre é assim, mas geralmente é assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do tio Petros Papachristos é particularmente entusiasmante por causa disso. Para os anais oficiais é lembrança de um falhado, de alguém que não fez História, nem em nota de pé de página. O sobrinho que conta a história sabe bem fazê-lo com um belo sentido da narrativa. Nem matemático, embora com formação matemática, nem escritor, porque de formação gestor, consegue trazer-nos à vista um tio dele com uma vida particularmente curiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda lição que retenho. A tendência é a de se achar que as ciências estão cada vez mais técnicas, os métodos de demonstração cada vez mais complexos. Na teoria dos números os alemães, e depois os franceses, estabeleceram padrões de demonstração analítica extremamente complexos, profundos, e ricos de consequências. Mas sempre houve quem não desesperasse e procurasse métodos de demonstração elementares. Muitos dos teoremas mais profundos são de demonstração simples, alias com muitas demonstrações simples (basta pensar no teorema fundamental da trigonometria). E não deixam de ser profundos por esse facto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre me pareceram demagógicos um discurso e o seu contrário. Uns dizem que as coisas profundas são sempre simples, outros dizem que são sempre difíceis. Nenhum tem razão. É natural que uma mesma verdade tenha diversos caminhos, cada um com o seu sentido. E que diversas verdades de igual importância tenham caminhos fáceis umas, muito árduos outras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-6091590791835742826?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/6091590791835742826/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=6091590791835742826" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/6091590791835742826?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/6091590791835742826?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/otCaLgO39Q0/i-zio-petros-e-la-congettura-di.html" title="I. Zio Petros e la congettura di Goldbach, Apostolos Doxiadis , Bompiani, 2001" /><author><name>Alexandre Brandão da Veiga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09798655630336833574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="11901042091126794380" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_37xgby_2SEk/Sw6F8KRZGjI/AAAAAAAAAG4/umgaELLeWqw/s72-c/Zio+Petros.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/11/i-zio-petros-e-la-congettura-di.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkABQno6eSp7ImA9WxNbFEU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-7848265777368082923</id><published>2009-11-17T19:03:00.000Z</published><updated>2009-11-17T19:05:53.411Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-11-17T19:05:53.411Z</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Europa" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="cristianismo" /><title>No Gesù</title><content type="html">&lt;div align="justify"&gt;Não tenho por hábito descrever episódios da minha vida pessoal. Não por a achar desinteressante mas suspeito que não o será para mim tanto quanto o poderá ser para os outros. Mas de vez em quando podemos abrir excepções, porque em boa verdade não é de nós que falamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto particularmente de Roma. Por mais razões que as que podem ser vertidas num texto curto. É das raras cidades onde se pode ir pobre e rico, só e acompanhado, habituada que está eremitas e imperadores. As cidades burguesas têm os seus fascínios, mas apenas se fruem plenamente quando se tem dinheiro e se vai em boa companhia. Roma é ao mesmo tempo popular e aristocrática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O turista comum encontra em Roma locais extraordinários. Mas tive a sorte de conhecer alguns locais que não estão ao acesso do turista comum e apenas me posso sentir grato por isso. Um deles foi o Gesù.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Centro histórico dos jesuítas, mas isso qualquer turista sabe. Coisa diferente é conhecer o ambiente que nele se vive. E muitos são os aspectos que impressionam de forma permanente quem teve o privilégio (a palavra não é forte) de o visitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar tem um sabor particular encontramo-nos a falar em sala cujas paredes têm frescos de Andrea del Pozzo ou retratos de Matteo Ricci. Ou ver o quarto de Santo Inácio de Loyola que é mantido com uma intimidade reverenciosa, sem idolatria. Mistura de riqueza e austeridade a que os jesuítas nos habituaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A biblioteca é evidentemente impressionante em muitos aspectos. Pela primeira vez encontrei a Patrologia Latina e a Grega do Migne em edição completa. Mas também o raro Tixeront, que poucos coleccionadores se podem orgulhar de ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando entrei na biblioteca a primeira coisa que me mostraram foi um corão na língua original aberto. Estava a ser estudado por um dos alunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me acompanhava disse: como vês aqui estuda-se o corão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu apenas respondi: que surpresa, eu sei que foram os jesuítas quem abriu a cultura europeia ao mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em boa verdade fui injusto, porque tendo sido a Europa a fazê-lo seria mais correcto dizer que foram os jesuítas que abriram a cultura do mundo ao mundo. Não seria de surpreender ver jesuítas a estudar o corão, os Vedas ou obras pali do budismo antigo. Como pessoas efectivamente cultas, os jesuítas não são multiculturais. Têm uma só cultura e não várias, porque vasta e profunda. Numa época em que impera a fraude intelectual é consolador ver gente que estuda com seriedade antes de opinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de todos os episódios que se passaram no Gesù um impressionou-me mais que todos. Um amigo meu estava lá hospedado e por isso eu combinava encontrar-me com ele à porta do Gesù. Ele várias vezes tinha dito que eu batesse à porta mas sempre preferi não o fazer. É casa de estudo e de oração e por isso sempre preferi não os incomodar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das vezes que estava à espera à porta, um conjunto de cinco alunos do Gesù entrou. Não me conheciam de parte nenhuma. Presumiram que eu estaria à espera de alguém que lá vivesse e nem me perguntaram se eu esperava alguém do Gesù. Convidaram-me imediatamente para entrar com um sorriso nos lábios. E insistiram. Eu agradeci e disse que esperava lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O episódio é curto e parece ser pouco significativo. Mas foi das experiências mais acolhedoras que tive de Roma. Um estranho que nunca se viu, presume-se que é benevolente. Convida-se para nossa casa sem perguntar quem é e ao que vem. Não só na nossa casa, mas numa casa conhecida pela sua discreção e recolhimento. E recebido com um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vejo os bem pensantes falar de abertura ao mundo, aos outros (essa entidade impessoal) e a outras culturas, lembro-me com frequência desse episódio no Gesû. Do privilégio de ter entrado e do privilégio de, mesmo estando à porta, ser bem recebido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Brandão da Veiga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-7848265777368082923?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/7848265777368082923/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=7848265777368082923" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/7848265777368082923?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/7848265777368082923?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/MLTQqDOXfC0/no-gesu.html" title="No Gesù" /><author><name>Alexandre Brandão da Veiga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09798655630336833574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="11901042091126794380" /></author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/11/no-gesu.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DUIHQnw9cSp7ImA9WxNbE08.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-5519573156902968962</id><published>2009-11-15T22:55:00.004Z</published><updated>2009-11-15T23:25:33.269Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-11-15T23:25:33.269Z</app:edited><title>Erm, alguém pensou no acrónimo?</title><content type="html">A imprensa de hoje traz notícias sobre um movimento de apoio a Gonçalo Amaral, com a sua primeira iniciativa a ser uma petição em defesa da liberdade de expressão do ex-inspector do caso Maddie. É bom ver actividade cívica, mas só uma pequena dúvida: os organizadores do movimento "Cidadãos Apoiam Gonçalo Amaral" não pensaram muito no nome (e acrónimo resultante), certo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-5519573156902968962?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/5519573156902968962/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=5519573156902968962" title="6 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/5519573156902968962?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/5519573156902968962?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/CNCsyeN2MZg/erm-alguem-pensou-no-acronimo.html" title="Erm, alguém pensou no acrónimo?" /><author><name>Carlos Jalali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08705415498624791887</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="10835796897242420937" /></author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">6</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/11/erm-alguem-pensou-no-acronimo.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;D0UER3Y_fip7ImA9WxNVEUs.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-8982569409527023676</id><published>2009-10-21T22:29:00.003Z</published><updated>2009-10-21T22:46:46.846Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-10-21T22:46:46.846Z</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Indo-europeu" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Europa" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="cristianismo" /><title>Batendo em Caim</title><content type="html">&lt;div align="justify"&gt;Não é a obra mas a declaração que releva. Quando o autor obra pela declaração evitemos pois de obrar como ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é a blasfémia que se demarca. Blasfemo profundo só quem é profundo. A raspagem superficial fica na fundura que lhe é possível.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que é argumentado é bem diverso: é que existem imoralidades no Livro, uma pouca vergonha. Pena que Marcião o tenha já dito há 1800 anos e que seja precisa toda a armadura das novas tecnologias para o que antes era uma intuição se tornasse em mera inépcia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lê o autor hebreu, grego, aramaico? Não, fica-se pelas edições paulistas, meritórias, mas mera versão popular. É que o autor faz parte do povo e daí retira toda a sua legitimidade cientifica. Ser povo passa a ser teorema coroado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que é condenado? O que existe em todas as fontes de base das civilizações. Acabemos com os gregos então. Poucas vergonhas. O pai Agamémnon mata a filha Ifigénia, a mulher Clitemnestra mata o marido e depois o filho Orestes mata a mãe e o seu amante Egisto. Pouca vergonha realmente. Isto para já não falar do filho que foi para a cama com a mãe. como bem se sabe de outros mexericos, uma pouca vergonha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É que é a aldeia que agora sindica a urbe, o cura com seu dedinho apontado que anatemiza, bane e expulsa. E faz muito bem. Uma pouca vergonha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É contra toda a grande cultura que temos que lutar, porque toda ela tem na base poucas vergonhas como estas. E faz muito bem, É uma vergonha termos de nos confrontar com a grande cultura, pode-se dar o caso de nos salientar a mediocridade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A blasfémia ocupa-me pouco, salvo quando é grande. Porque a grande desperta, a pequena enfada. Marcião já havia dito o mesmo, que após 1800 anos alguém seja algo mais original.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sejamos claros: obra moral apenas aquela em que ninguém mata ninguém, ninguém trai ninguém, em que é tudo bonzinho e dá beijinhos. Abaixo Homero, Ésquilo um porcalhão, Eurípides um tarado. Coinjunto de pervertidos. Sem dúvida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isto porque o autor de tom sacerdotal revela assim a sua fonte principal, plena de moralidade e bons costumes. Revelemo-la, tenhamos essa coragem. Em vez de Homero, dos Setenta e das suas imoralidades, algo de bem mais moral: o Sítio do Pica-Pau Amarelo. Mas sem o Saci Pererê, que é malandro e nem sempre bom menino. E um pouco de telenovela mexicana mas sem os maus da fita que só desdouram a coisa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Curvemo-nos pois pela sapiência. O estilete de Arquimedes foi vencido pelo lápis do merceeiro. E é justo. A época revela-se: quer-se moral e cheia de bons costumes, desde que isso esconda a realidade do ser humano. Tem razão o autor: a verdade é para se esconder. É grande demais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-8982569409527023676?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/8982569409527023676/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=8982569409527023676" title="12 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/8982569409527023676?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/8982569409527023676?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/ga9LlFKU_0Y/batendo-em-caim.html" title="Batendo em Caim" /><author><name>Alexandre Brandão da Veiga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09798655630336833574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="11901042091126794380" /></author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">12</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/10/batendo-em-caim.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;C0cGRnszcSp7ImA9WxNXGU0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-3247199051564048641</id><published>2009-10-07T07:35:00.000Z</published><updated>2009-10-07T07:37:07.589Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-10-07T07:37:07.589Z</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Indo-europeu" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Europa" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="cristianismo" /><title>Aprender a viver</title><content type="html">&lt;div align="justify"&gt;Apanhemos outro dos lugares comuns: “eu não preciso de mestres, aprende-se com a vida”. Como é uma das minhas ocupações andar a caçar espécimes antropológicos que pululam inconscientes no nosso século, mais uma vez tenho de tentar compreender o que realmente significa uma frase destas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez a glória contestada seria a de uma sociedade cristã, medieval, Ancien Régime, ou quando muito burguesa, baseada no tão afamado patriarcado judaico-cristão. Estes lugares comuns já foram corridos em anteriores núpcias, por isso nem perco tempo com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é a de saber se é aqui que realmente se encontra o fundamento da necessidade de mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podíamos ir algo mais longe e lembrar que é sobretudo entre os animais mais inteligentes que existem períodos de aprendizagem guiados por um mestre (tipicamente os pais, mas podendo ser outros membros do grupo, como se passa com os elefantes ou os primatas). E que por isso mais uma vez o lugar comum mostra apenas uma nostalgia do nosso passado réptil, tanto quando o fascínio pelas iguanas, sáurios e rastejantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderá não ser injusto, mas é forçosamente incompleto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sempre algo arriscado generalizar, mas a verdade é que as grandes correntes de pensamento da antiguidade são escolas de vida. Em algumas existe uma perspectiva meramente técnica na aparência, como em algumas escolas retóricas e sofísticas, mas inequivocamente o projecto das escolas filosóficas é sempre mais que intelectual. São escolas de vida. Com mestres. Não se aprendem apenas conceitos e métodos. Aprende-se a viver. Um estóico quer viver de modo diverso de um cínico. Um platónico tem atitude de vida diversa de um epicurista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O budismo estabelece-se igualmente como escola de vida, sobretudo na sua vertente mais antiga e próxima do original, a Theravada. Existe um mestre por excelência, o Buda. Com o confucionismo passa-se o mesmo. O guru hindu tem o mesmo papel. Epicteto, Epicuro, Pitágoras são outros bons exemplos disso. E com Cristo há algo mais que uma escola porque é toda uma vida que está presente como exemplo, e factos de uma vida, mas existe igualmente um mestre e uma palavra que é transmitida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cristianismo antigo conforma-se a partir do século II como uma escola e entre o século II e o V o movimento é em grande medida o da luta entre o professor, o teólogo, e o bispo pelo magistério. No século IV já não encontramos nem Tertulianos, nem Orígenes. E constroem-se não templos, mas basílicas, não tanto casas onde habita Deus, como o templo antigo, mas locais onde se reúnem pessoas, como as basílicas, locais de troca de experiências de vida por excelência, e igualmente de troca de bens e de ensinamentos. A igreja vê-se como uma escola e fala das outras correntes como heréticas, ou seja, seitas, escolas de pensamento diversas (o conceito de heresia é grego antes de cristão, apesar da marca que o cristianismo lhe deu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retenhamos algumas ideias principais. A ideia de escola e de mestre não é nem europeia, nem patriarcal, nem cristã, nem burguesa. A ideia de escola associa-se sempre a sociedades organizadas e tanto mais é desenvolvida quanto mais complexa é a sociedade. Existem mestres, existem escolas, aprende-se com pessoas. O lugar comum trai-se como mais uma forma de fascínio do primitivismo, como tantos outros na nossa época. É verdade, mas ainda insuficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É evidente que se pode invocar o argumento de que a própria ideia de escola de vida fomenta o totalitarismo, e a falta de liberdade e sentido crítico. Não me parece. Aristóteles não era um submisso por estar na academia, a própria academia evolui para um pensamento bem diverso do de Platão, Pedro e Tiago tinham personalidades bem diversas e o cristianismo não se tornou um movimento estéril seja intelectual seja vivencialmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem ataca a existência de mestres e de escolas de vida lança o ataque a alvo errado e pelos motivos errados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia passa por ridículo alguém pretender ser mestre da vida ou querer sequer ter um. Aprender, aprende-se com a vida, com as experiências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que está por detrás do lugar comum da fauna?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum ser humano sabe da vida, ou pelo menos é capaz de a ensinar. Não existe conhecimento sobre a vida. Aprende-se de forma impessoal com base em experiências e vivências. No fundo os seres humanos são tontinhos em compreensão ou em transmissão. O ser humano é impotente mais uma vez, para uma ou outra coisa ou para ambas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aprendizagem é impessoal no fundo. Se um ser humano nos dá ensinamento não é por o saber formular ou ter a capacidade de ensinamento, mas apenas porque nos serviu como espectáculo. O sorriso do selvagem numa savana ou o médico que salva vidas no meio de uma cidade pobre são dados como mestres da vida. Não pelo que ensinam ou sabem ensinar, mas pelo simples facto de se nos terem sido apresentados como espectáculo. Os acontecimentos ensinam-nos, as situações ensinam-nos, quando muitos os nossos estados mentais nos ensinam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na construção deste tipo de argumento existe um mundo composto de uma massa impessoal à nossa volta e dos nossos estados mentais. É um mundo despovoado, ermo, sem pessoas, que vê quem afirma tal coisa. Um mundo primitivo e réptil talvez. Mas sobretudo um mundo deserto, em que as pessoas nunca assumem o seu papel de pessoas, centros de vida autónomos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso quem afirma que não existem mestres nem escolas de vida julga falar em nome da liberdade, mas fala apenas a favor da estepe mongólica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vistos os fundamentos, quais são os efeitos? O aumento dos grupos sectários, de cursos de motivação, de educação sexual, seitas, procura de religiões exóticas. Tendo esvaziado da sua paisagem o ser humano e o ser humano próximo, procura-se o humano em todo o lado no longínquo, no estranho, no distante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tipo desta criatura é santo António, o do deserto e não o de Lisboa. As tentações perseguem-no, mas a finalidade desconhece-a. Por isso santo António é muito mais actual do que se julga. O fascínio, a proximidade que muitos sentem com o surrealismo da obra de Bosch não é superficial. A diferença é que Bosch e António tinham fito e obra, ambas faltando a quem estudamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A insatisfação – e a alegria alvar, que é a mesma coisa – que se retira destas soluções mostra apenas que quem criou o deserto à sua volta carece de tal forma de sociedade que até com formigas está disposto a associar-se. Torna-se por isso bem menos livre e mais seguidor que quem acusa de o ser. Entre a sua liberdade e a prisão de Aristóteles ou de São Pedro que cada um saiba melhor escolher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Brandão da Veiga&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-3247199051564048641?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/3247199051564048641/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=3247199051564048641" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/3247199051564048641?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/3247199051564048641?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/ltCCl_i-GBE/aprender-viver.html" title="Aprender a viver" /><author><name>Alexandre Brandão da Veiga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09798655630336833574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="11901042091126794380" /></author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/10/aprender-viver.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DEIFQHc_fSp7ImA9WxNXFkU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-116036656599739537</id><published>2009-10-04T19:40:00.002Z</published><updated>2009-10-04T20:01:51.945Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-10-04T20:01:51.945Z</app:edited><title>Trovas antigas II</title><content type="html">Não pensava aqui voltar tão cedo, nem continuar com o &lt;em&gt;Enquiridion&lt;/em&gt;, de Epicteto, nem tratar deste tema, que é a morte. Inspirado, no entanto, por este &lt;a href="http://www.etudogentemorta.com/2009/10/959/"&gt;post&lt;/a&gt;, escrito neste novo blog - que certamente irá dar que falar -, assim aproveito para saudar alguns velhos amigos, que connosco aqui viveram e morreram e agora morrem, com bravura, noutro lado. &lt;br /&gt;Que morram bem, que é, talvez, o que, na vida, temos de mais importante para fazer. Ave, Pedro Norton e Manuel Fonseca; ave,  Vasco Grilo e Pedro Marta Santos; ave, Eugénia Vasconcellos: aqueles que (também) vão morrer, vos saúdam!&lt;br /&gt;No entanto, é bom lembrar que «não são as coisas o que atormenta os homens, mas os princípios e as opiniões que os homens formam sobre elas. A morte, por exemplo, não é terrível. Se o fosse, assim teria parecido a Sócrates. Aquilo que faz com que a morte se torne horrível é o terror que sentimos a partir da opinião que formámos dela.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EPICTETO, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Enquiridion&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, 5&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-116036656599739537?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/116036656599739537/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=116036656599739537" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/116036656599739537?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/116036656599739537?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/7F6mAuxJseo/trovas-antigas-ii.html" title="Trovas antigas II" /><author><name>Gonçalo Pistacchini Moita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03988918415932911840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09564188063342466912" /></author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/10/trovas-antigas-ii.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CUQCQHg9eyp7ImA9WxNXFUo.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-6096366541372924193</id><published>2009-10-03T12:22:00.005Z</published><updated>2009-10-03T12:36:01.663Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-10-03T12:36:01.663Z</app:edited><title>Trovas Antigas I</title><content type="html">&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_pr_D-kySIoY/SsdDF8QGSOI/AAAAAAAAAOE/LP6NUYWl6uk/s1600-h/Enquiridion.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 278px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5388349248524142818" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_pr_D-kySIoY/SsdDF8QGSOI/AAAAAAAAAOE/LP6NUYWl6uk/s400/Enquiridion.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Começo com este pequeno texto extraído do &lt;em&gt;Enquiridion&lt;/em&gt;, ou &lt;em&gt;Manual de Epicteto&lt;/em&gt;, escrito por um seu aluno, Lúcio Flávio Arrio, no princípio do século I da nossa era, uma pequena série de pequenas transcrições de textos antigos cuja aplicação à realidade de hoje não deixa de nos impressionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Sentaram alguém num lugar melhor que o teu num jantar ou numa cerimónia? Saudaram-no a ele primeiro e ouviram o seu conselho, e não o teu? Se essas coisas são boas, deverias alegrar-te por aquele a quem aconteceram; se são más não deverias afligir-te, porque não te aconteceram a ti. Lembra-te que, se para adquirir coisas exteriores, que estão fora do teu controle, não utilizas os mesmos meios que os outros, também não podes esperar que te considerem merecedor de uma recompensa igual à que eles tiveram. Como poderia alguém que não vai a casa dos grandes deste mundo, que não participa nas suas celebrações e não os lisonjeia, obter o mesmo que aqueles que fazem todas estas coisas?&lt;br /&gt;Serás injusto e avarento, portanto, se não estás disposto a pagar o preço pelo qual estes favores são vendidos e queres recebê-los de graça. Qual é o preço de uma alface? Digamos que custa uma moeda. Ora, se alguém paga este preço e leva a sua alface, enquanto tu não o pagas e ficas sem ela, de modo nenhum foste enganado. Porque, tal como ele tem a alface, tu tens ainda a tua moeda, a qual não gastaste. Do mesmo modo, se não foste convidado para o banquete de uma pessoa, é porque não pagaste o preço que corresponde ao seu jantar. E ele vende-se por adulações e por reverências. Paga, pois, o preço, se isso te convém. Agora, se pretendes não pagar o preço e ainda assim receber os seus benefícios, nesse caso és um avarento e um imbecil. Julgas que, ao perderes esse banquete, não obténs nada em troca? Muito pelo contrário. Obténs o não ter elogiado a quem não queres elogiar e não teres tido que suportar os insultos que esse desgraçado dispensa àqueles que o visitam.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EPICTETO, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Enquiridion&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, 25 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-6096366541372924193?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/6096366541372924193/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=6096366541372924193" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/6096366541372924193?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/6096366541372924193?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/RVaXBz9bLXg/trovas-antigas-i.html" title="Trovas Antigas I" /><author><name>Gonçalo Pistacchini Moita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03988918415932911840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09564188063342466912" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_pr_D-kySIoY/SsdDF8QGSOI/AAAAAAAAAOE/LP6NUYWl6uk/s72-c/Enquiridion.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/10/trovas-antigas-i.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;Ck8AQXw-eCp7ImA9WxNQGUU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-140278066871372799</id><published>2009-09-25T15:46:00.003Z</published><updated>2009-09-26T16:00:40.250Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-09-26T16:00:40.250Z</app:edited><title>Pittsburgh, Portugal</title><content type="html">Sim, é verdade que estes dias são decisivos para o futuro imediato de Portugal. Mas esse futuro não se joga unicamente no dia 27 de Setembro, nas urnas – joga-se também estes dias, em Pittsburgh. E talvez, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;just maybe…&lt;/span&gt; Pittsburgh tenha mais impacto no nosso futuro económico que o resultado das legislativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos anos, vários autores têm salientado a assimetria que existe entre a globalização de certas arenas (economia, informação, conhecimento, cultura, ambiente…) e a globalização das instituições democráticas, levando-os a defender a necessidade de mecanismos democráticos (também) a nível global. E nessa linha, que tal esta citação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O desenvolvimento da tecnologia (…) resultou em algo equivalente à contracção do nosso planeta. A interligação económica gerou um grau de interdependência sem precedentes nos destinos das nações… A única esperança de protecção reside (…) numa via supranacional.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu autor? Albert Einstein.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-140278066871372799?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/140278066871372799/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=140278066871372799" title="5 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/140278066871372799?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/140278066871372799?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/-JFd-1a6rn8/pittsburgh-portugal.html" title="Pittsburgh, Portugal" /><author><name>Carlos Jalali</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08705415498624791887</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="10835796897242420937" /></author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">5</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/09/pittsburgh-portugal.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkEBQHk8eip7ImA9WxNQF0U.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-6771517189053507672</id><published>2009-09-24T09:13:00.005Z</published><updated>2009-09-24T09:30:51.772Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-09-24T09:30:51.772Z</app:edited><title>Quem semeia ventos...</title><content type="html">&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_pr_D-kySIoY/Srs7vO1xxbI/AAAAAAAAAN8/5GhzOPBedww/s1600-h/adamastor.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384963462075106738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_pr_D-kySIoY/Srs7vO1xxbI/AAAAAAAAAN8/5GhzOPBedww/s400/adamastor.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Depois de ter &lt;a href="http://geracaode60.blogspot.com/2009/09/ah-querem-sondagens.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; apresentado as nossas sondagens para estas eleições, não queria deixar de comentar as intenções de voto hoje anunciadas pelo, assim chamado, «barómetro» TSF/Marktest, o qual antevê uma vitória do PS.&lt;br /&gt;Ora, o que quero dizer, de um modo muito simples e claro, é que os resultados deste barómetro me parecem bastante acertados.&lt;br /&gt;Não nos devemos esquecer, porém, que um barómetro é um instrumento fabricado para medir a pressão – neste caso, eleitoral –, sendo que uma das conclusões que daqui devemos retirar é que a violência da pressão que tem sido exercida pelo PS nos meios de comunicação de massas (nos últimos anos e, especialmente agora, durante esta campanha eleitoral) não tem correspondência numérica ao nível das intenções de voto.&lt;br /&gt;Mantenhamos, portanto, a calma. No domingo, em princípio, teremos eleições livres – isto é, não sujeitas a pressões –, o que fará, assim o espero, com que muitos dos 37% de portugueses que se afirmam indecisos deixem de ter medo e vão votar.&lt;br /&gt;Veremos então, à noite, como estará a pressão atmosférica na sede de campanha do PS. Desconfio que haverá uma nova tempestade, igual àquela que se seguiu às eleições europeias, com ventos capazes de, num ápice, destruir todos estes cenários.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-6771517189053507672?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/6771517189053507672/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=6771517189053507672" title="6 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/6771517189053507672?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/6771517189053507672?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/-wi_G6ZS0ns/quem-semeia-ventos.html" title="Quem semeia ventos..." /><author><name>Gonçalo Pistacchini Moita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03988918415932911840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09564188063342466912" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_pr_D-kySIoY/Srs7vO1xxbI/AAAAAAAAAN8/5GhzOPBedww/s72-c/adamastor.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">6</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/09/quem-semeia-ventos.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkAESXc8eip7ImA9WxNQFUk.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-6605425568578094220</id><published>2009-09-21T14:50:00.000Z</published><updated>2009-09-21T14:51:48.972Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-09-21T14:51:48.972Z</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Matemática" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Europa" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ciência" /><title>Pessimista Grothendieck?</title><content type="html">&lt;div align="justify"&gt;Grothendieck é conhecido por ter mau feito. Mas quando é um grande matemático a dizer isto, poderá não ser verdade, mas faz pensar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.lacitoyennete.com/magazine/retro/grothendiecka.php"&gt;http://www.lacitoyennete.com/magazine/retro/grothendiecka.php&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;« Or, dans les deux décennies écoulées l'éthique du métier scientifique (tout au moins parmi des mathématiciens) s'est dégradée à un degré tel que le pillage pur et simple entre confrères (et surtout aux dépens de ceux qui ne sont pas en position de pouvoir se défendre) est devenu quasiment une règle générale, et qu'il est en tout cas toléré par tous, y compris dans les cas les plus flagrants et les plus iniques. »&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://people.math.jussieu.fr/~leila/grothendieckcircle/biographic.php"&gt;http://people.math.jussieu.fr/~leila/grothendieckcircle/biographic.php&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Brandão da Veiga&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-6605425568578094220?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/6605425568578094220/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=6605425568578094220" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/6605425568578094220?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/6605425568578094220?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/GUhffdKiWA4/pessimista-grothendieck.html" title="Pessimista Grothendieck?" /><author><name>Alexandre Brandão da Veiga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09798655630336833574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="11901042091126794380" /></author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/09/pessimista-grothendieck.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;D0YDR3g6eyp7ImA9WxNQE0o.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-1085121206899078760</id><published>2009-09-19T11:13:00.003Z</published><updated>2009-09-19T15:46:16.613Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-09-19T15:46:16.613Z</app:edited><title>Ah Querem Sondagens !?</title><content type="html">Ah querem sondagens? Então tomem lá esta, feita pelo Centro de Sondagens e de Estudos de Opinião da EuroPalpite para o &lt;span style="color:#000000;"&gt;geracaode60.blogspot.com&lt;/span&gt;. A ficha técnica é igual às outras e a margem de erro é de 0,00 %. Dia 27 cá estaremos para o confirmar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;PSD&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; - &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;36%&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;-&lt;strong&gt; &lt;span style="color:#000000;"&gt;38%&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;&lt;strong&gt;PS&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; - &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;32%&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; - &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;34%&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;CDS-PP&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; - &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;9%&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; - &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;11%&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;BE&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; -&lt;strong&gt; &lt;span style="color:#000000;"&gt;9%&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; - &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;11%&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;CDU&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; - &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;7%&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; - &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;9%&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;MEP&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; - &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;1%&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; - &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;3%&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-1085121206899078760?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/1085121206899078760/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=1085121206899078760" title="6 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/1085121206899078760?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/1085121206899078760?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/ewcR-JqjYqQ/ah-querem-sondagens.html" title="Ah Querem Sondagens !?" /><author><name>Gonçalo Pistacchini Moita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03988918415932911840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09564188063342466912" /></author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">6</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/09/ah-querem-sondagens.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DUQCQ34_fCp7ImA9WxNQEko.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-3229254207344849256</id><published>2009-09-18T11:58:00.005Z</published><updated>2009-09-18T12:36:02.044Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-09-18T12:36:02.044Z</app:edited><title>Asfixia Democrática ou Morte por Estrangulamento !?</title><content type="html">&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_pr_D-kySIoY/SrN2UE29tcI/AAAAAAAAANs/VK0wyKYV8_8/s1600-h/Corda_para_se_enforcar.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5382776066911614402" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 209px; CURSOR: hand; HEIGHT: 314px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_pr_D-kySIoY/SrN2UE29tcI/AAAAAAAAANs/VK0wyKYV8_8/s400/Corda_para_se_enforcar.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; No dia 11 de Setembro deste mês a notícia era a de um empate técnico nas intenções de voto entre o PS e o PSD. De acordo com essa sondagem, realizada pelo Centro de Sondagens e Estudos de Opinião da Universidade Católica Portuguesa, o PS registaria, naquela data, cerca de 37% dos votos, o PSD andaria à volta dos 35% (o que, consideradas a margem de erro e o número expresso de indecisos, levava à afirmação do dito empate técnico), o Bloco de Esquerda 11%, a CDU 8% e o CDS-PP 6%.&lt;br /&gt;Ontem, porém, passados apenas 6 dias, a notícia era a de que estava definitivamente desfeito o referido empate, pois que o PS aumentava de um modo estatisticamente muito significativo a sua vantagem relativamente ao PSD. Uma nova sondagem, realizada pelo mesmo pelo Centro de Sondagens e Estudos de Opinião da Universidade Católica Portuguesa, dava já por adquirida a vantagem do PS, que arrecadaria agora 38% das intenções de voto, enquanto o PSD desceria para os 32%. O Bloco de Esquerda subiria para os 12% e a CDU e o CDS-PP encontrar-se-iam empatados, cada um com 7% das intenções de voto.&lt;br /&gt;Não ponho de modo nenhum em causa a honestidade e a competência da maioria dos nossos conhecidos Centros de Sondagens, embora julgue que a surpresa que todos reconheceram, por exemplo, nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, e o aproveitamento político de que sabem que são alvo, deveria merecer-lhes um cada vez maior cuidado. Caso contrário, o descrédito em que as sondagens começaram já a cair fará dos seus próprios Centros as óbvias primeiras vítimas.&lt;br /&gt;O que quero aqui notar, porém, não é a isenção e a humildade que devem cada vez mais exigir-se a todas estas sondagens e estudos de opinião. O que verdadeiramente me preocupa, neste momento, é o condicionamento mediático da opinião pública por meio da opinião publicada, de que esta notícia é mais um notório exemplo.&lt;br /&gt;Com efeito, esta extraordinária mudança de opinião vem implícita e/ou explicitamente justificada, na maioria dos jornais, com o facto desta sondagem se ter realizado durante os dias 11 e 14 de Setembro e o debate televisivo entre Manuela Ferreira Leite e José Sócrates ter acontecido no dia 12, sugerindo, portanto, uma relação de causa e efeito entre os dois acontecimentos.&lt;br /&gt;Ora, tendo eu visto o referido debate entre Manuela Ferreira Leite e José Sócrates, francamente não percebo como é que ele possa ter determinado qualquer mudança decisiva e muito menos a favor do PS. Digo isto já tendo em conta o que disseram muitos conhecidos comentadores políticos, logo após o referido debate e independentemente do que nele realmente se passou. Aliás, tal como já disse a propósito das sondagens, a influência destes &lt;em&gt;opinion-makers&lt;/em&gt; só poderá exercer-se eficazmente enquanto mantiver algum contacto com a realidade, caso contrário eles deixarão de ser credíveis (veja-se, por exemplo, o caso de Luís Delgado, o qual, chamado para comentar, na TSF, as sondagens que davam um empate técnico entre o PSD e o PS, concluía que, a despeito do que diziam as sondagens, o que ele sentia (&lt;em&gt;sic&lt;/em&gt;) é que Manuela Ferreira Leite tinha já perdido a sua oportunidade de vir a ganhar estas eleições ! ).&lt;br /&gt;Poderia perguntar-se, portanto, se não houve, nestes mesmos dias, quaisquer outros acontecimentos importantes e significativos que possam ter influenciado, ou vir a influenciar, a intenção dos votos dos cidadãos? O facto mais significativo, porém, é que ninguém faz essa pergunta. Os meios de comunicação para as massas difundem acriticamente a notícia que, sem esforço, lhes chega às mãos, através da qual há alguém que espera que o povo, no próximo dia 27, apaticamente vote onde mais lhe interessa, ou convém.&lt;br /&gt;Porque, feita a pergunta, imediatamente se percebem duas coisas: a primeira é que, neste mesmo período, muitos casos houve e/ou havia que poderiam negativamente influenciar as intenções de voto no PS; a segunda é que esses casos ou não são notícia ou, quando chegam a sê-lo, não têm eco.&lt;br /&gt;Não falo já dos chamados casos Sócrates, a cuja família veio agora juntar-se mais um primo, cuja eventual relação com a investigação sobre o Freeport se tornou pública no meio do episódio de encerramento do telejornal da TVI...&lt;br /&gt;Mas falo da inauguração do novo hospital de Seia pela Ministra da Saúde, após a qual foram imediatamente retiradas algumas camas da unidade de cuidados continuados, caso de que nunca mais se ouviu falar.&lt;br /&gt;Falo de tantas outras inaugurações que vão sendo feitas Portugal a fora e que, no seguimento deste caso (que revela um padrão consistente com o que já antes tinha acontecido, por exemplo, com a distribuição dos computadores Magalhães nas escolas), talvez merecessem uma maior e melhor investigação.&lt;br /&gt;Falo da confusão evidente entre a imagem do Governo e a imagem do PS (veja-se o portal do Governo e compare-se a sua imagem com a dos cartazes do Partido), de que já resultou, por exemplo, a incorporação indevida de imagens filmadas pelo Ministério da Educação (que mostravam crianças recebendo o computador Magalhães na sua escola) no tempo de Antena do PS, ou a utilização de um depoimento de Carlos Pimenta (fora do seu contexto e sem que ninguém lho tivesse pedido) num comício de campanha do PS.&lt;br /&gt;Falo dos anúncios sobre o cheque dentista que repetidamente passam na televisão a mando do Ministério da Saúde e da sua Direcção-Geral, ou dos anúncios sobre o extraordinário apoio dado pelo Governo às pequenas e médias empresas, que repetidamente passam nas rádios a mando do Ministério da Economia e da Inovação, os quais de ninguém merecem um só comentário ou opinião.&lt;br /&gt;Falo das obras nas Escolas agora anunciadas pela Ministra da Educação. Estão essas obras realmente a acontecer, ou não passam de um mero anúncio? E nas Escolas onde realmente estão a ser feitas obras, deveriam as mesmas realizar-se neste momento, ou apenas estão a ser feitas agora por razões eleitorais, deste modo prejudicando o funcionamento das escolas e, obviamente, os próprios alunos?&lt;br /&gt;Muitas outras perguntas poderiam fazer-se. Tantas outras coisas deveriam investigar-se. O facto, porém, é que nada se pergunta ou investiga. A informação vai sendo prestada à população de acordo com casos que chegam já devidamente elaborados à redacção dos jornais, à razão de um por dia, desviando a atenção das pessoas para outras questões, mas condicionando a sua opinião: ontem foi o pagamento de votos nas eleições das secções do PSD; hoje é o caso do conluio de Cavaco Silva por intermédio de um seu assessor; amanhã, já se verá.&lt;br /&gt;Este evidente estrangulamento da mais elementar liberdade de expressão não se deve, obviamente, aos jornalistas, mas ao estado de decadência gritante a que chegou o nosso País, que sobrevive, com dificuldade, em dependência directa do Estado: assim acontece com os bancos, com as empresas, com as instituições e, claro está, também com os jornais e com as televisões. Dependência esta aumentada por um Governo que, neste aspecto, revelou uma eficácia na utilização do aparelho do Estado sem qualquer termo de comparação em Portugal desde o 25 de Abril.&lt;br /&gt;No entanto, também os políticos não podem afastar-se mais que um tanto da realidade, sob pena de deixarem de ser credíveis… A maioria das pessoas, com efeito, não pode dar-se ao luxo de se afastar da realidade, pois que diariamente vive e se confronta com ela. Sobretudo em tempos de crise, por isso, a realidade tende a impor-se, forçando o povo a escolher entre o que é verdadeiro e o que é falso, entre aquilo que é real e pode fazer-se e aquilo que é ilusório e pode apenas imaginar-se. Ora, o povo português, chamado a decidir, demonstrou sempre o seu bom senso. Acredito – e espero – que voltará a fazê-lo agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-3229254207344849256?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/3229254207344849256/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=3229254207344849256" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/3229254207344849256?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/3229254207344849256?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/yKT7M3tL5YU/asfixia-democratica-ou-morte-por_18.html" title="Asfixia Democrática ou Morte por Estrangulamento !?" /><author><name>Gonçalo Pistacchini Moita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03988918415932911840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09564188063342466912" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_pr_D-kySIoY/SrN2UE29tcI/AAAAAAAAANs/VK0wyKYV8_8/s72-c/Corda_para_se_enforcar.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/09/asfixia-democratica-ou-morte-por_18.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CkQMR3g8fCp7ImA9WxNRGUk.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-1583686139298952497</id><published>2009-09-14T14:27:00.003Z</published><updated>2009-09-14T14:59:46.674Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-09-14T14:59:46.674Z</app:edited><title>A matrioska</title><content type="html">&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_6JIpFZ1QooU/Sq5UBaw7SVI/AAAAAAAAAIY/50vihAjvGTA/s1600-h/Pel-abrazos-rotos.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 140px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_6JIpFZ1QooU/Sq5UBaw7SVI/AAAAAAAAAIY/50vihAjvGTA/s200/Pel-abrazos-rotos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381330988095457618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Abrazos Rotos" de Almodovar tem o fascínio de um realizador pela sua musa. &lt;br /&gt;Este é um filme de tributo ao cinema, a começar por si próprio. Almodovar dá-se ao luxo de recriar " Mulheres à beira de um ataque de nervos". Cita e mostra imagens de filmes e actrizes do nosso imaginário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora nunca o refira, tem Vertigo, tem a Dama de Xangai, tem Viridiana. Filmes em que os realizadores filmaram o seu próprio desejo. Tem a obsessão de um realizador pela sua criatura, mediada pela câmara.&lt;br /&gt;No filme, o marido e amante cimento vê também o objecto do seu desejo através de uma película.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penélope Cruz é essa criatura morena, a que o realizador manda colocar a peruca loura, o objecto de todas as fantasias. Penélope não cozinha,não mata, não canta, como em Volver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma pena. A volúpia chã assentava-lhe melhor do que esta sofistificação recém adquirida. Para esta, falta-lhe aquele toque de medo que só um realizador perverso seria capaz de infundir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele ar ligeiramente demente que vemos na Rita Hayworth na "Dama de Xangai" tem que se lhe diga. Orson Welles não lhe pôs uma peruca. Cortou-lhe o cabelo e pintou-o de louro. E ela deixou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-1583686139298952497?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/1583686139298952497/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=1583686139298952497" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/1583686139298952497?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/1583686139298952497?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/Ly0VtK0RgKM/matrioska.html" title="A matrioska" /><author><name>Sofia Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11836520601041716329</uri><email>sofiavrocha@hotmail.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="04812369383425205178" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_6JIpFZ1QooU/Sq5UBaw7SVI/AAAAAAAAAIY/50vihAjvGTA/s72-c/Pel-abrazos-rotos.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/09/matrioska.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;Ck8CR307fyp7ImA9WxNRE0g.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-3780408322719580739</id><published>2009-09-07T19:13:00.000Z</published><updated>2009-09-07T19:14:26.307Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-09-07T19:14:26.307Z</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="arrogância" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="grosseria" /><title>Arrogância e grosseria</title><content type="html">&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não cito nomes. Mantenho a minha regra de não imortalizar medíocres. Interessa-me o fenómeno mais que os seus espécimes exemplificadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê-se hoje em dia muitas vezes a acusação de arrogância sobretudo em relação a políticos. A visão que as pessoas têm da arrogância parece-me algo distorcida. E frequentemente injusta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conceito é dos mais estranhos e deixou-me perplexo bastante tempo. Quando se pensa em arrogância vem-nos a imagem de alguém que puxa para si alguma coisa. O problema é que de origem esta vem do verbo “rogo, as, are aui, atum” e este não indica um movimento para si, mas de nós para outrem. Um movimento para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro passo não nos ajuda. Olhemos para o prefixo. Se arrogar viesse de “ab-rogare” a coisa estaria resolvida. Alguém lançando para a frente puxa para si (”ab”) porque tira “de”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mais uma vez surge aqui um problema. É que o prefixo é “ad”, de aqui para lá, de nós para outrem. Ab-rogar é o herdeiro português de “ab-rogare”. E significa bem revogar, desfazer, pedir para tirar, tirar o que se tinha posto. Mas o prefixo é outro, é “ad”. Que mais uma vez significa de nós para outro. Péssima situação a nossa. Continua o mistério. “Rogare” é sempre algo que se atira para fora de nós, e ainda por cima reforçado por “ad”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem comum de que quem se arroga puxa algo para si parece falsa, então. Duplamente falsa, porque o movimento para fora é duplo, o de “ad” e o de “rogare”. Continua a perplexidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ma o Direito Romano criou uma expressão “arrogare sibi”, arrogar para si. Eis a solução. Por isso ainda hoje em dia o verbo em português mantém a reflectividade. Não usamos o verbo arrogar, mas “arrogar-se”. Um movimento para a frente duplamente forte. E apenas para o voltar para si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O arrogante é como o pescador que lança com força a rede para depois a agarrar e a puxar para si de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estando resolvida a questão etimológica, ficamo-nos com o problema moral. Porque desagrada o arrogante? É assim tão ilegítima a arrogância?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me parece que seja assim tão ilegítima a arrogância.  Alguém que demarca as suas terras apenas para exercer os seus direitos pode não ser paradigma do absoluto cristão, mas está no seu direito. Sem mais não pode ser condenado por isso. Sejam as suas terras um minifúndio ou um império.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É evidente que a arrogância desagrada aos outros. Sobretudo quando é legítima. A ilegítima suscita o ridículo, a revolta, mas não tanto do desagrado.  É evidente que Carlos Magno era desagradável para o rei dos Lombardos. Alexandre foi agastante para os seus generais. Beethoven desagradou a muitos. E Mozart estava longe de ser um santo para com quem o rodeava. Para já não falar desses grandes arrogantes que eram Churchill e De Gaulle, que tanto irritaram medíocres que os rodeavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arrogância legítima é até a que deixa mais dor em quem a circunda. Não apenas ser pequeno, mas ter a nossa pequenez lembrada por terceiros, é doloroso. Mas essa dor diz mais sobre a pequenez de quem a  sente que sobre a ilegitimidade de quem a provoca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema da nossa época é o de não cultivar o sentido da propriedade, a noção da correcção da linguagem. As palavras são usadas debalde.  Alguém as larga fora do campo adequado e todos as usam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A demonstração negativa levou-nos tempo, mas foi necessária. Tantos usam incorrectamente a palavra “arrogância” que se tornou evidente que é dela que se trata. Mas existe arrogância legítima, já o vimos. E a arrogância tem cura, nem que seja pela sua satisfação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é de arrogância que se trata, mas de grosseria. A grosseria está nos genes, cultiva-se em família, aperfeiçoa-se com o convívio. Passando o paradoxo: o grosseiro afina-se. Julga-se determinado e é apenas impulsivo, julga-se interveniente mas apenas o marca a inconveniência. Que as pessoas andem agastadas com a arrogância não percebo. Que a grosseria as repugne só aplaudo. Desde que não padeçam do mesmo vício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Brandão da Veiga&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-3780408322719580739?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/3780408322719580739/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=3780408322719580739" title="6 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/3780408322719580739?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/3780408322719580739?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/6QoeZpHC7Vo/arrogancia-e-grosseria.html" title="Arrogância e grosseria" /><author><name>Alexandre Brandão da Veiga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09798655630336833574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="11901042091126794380" /></author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">6</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/09/arrogancia-e-grosseria.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CUMDR3s5fip7ImA9WxNSGUU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-1977233226868948991</id><published>2009-09-03T12:10:00.005Z</published><updated>2009-09-03T13:11:16.526Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-09-03T13:11:16.526Z</app:edited><title>Não sejam quotas!</title><content type="html">&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SMfz7vmbv2Q/Sp-yqNWdqPI/AAAAAAAAADM/M3X99mo3EKo/s1600-h/guerra-mulheres-02.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377212918311790834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_SMfz7vmbv2Q/Sp-yqNWdqPI/AAAAAAAAADM/M3X99mo3EKo/s400/guerra-mulheres-02.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Aparentemente, é a primeira vez que a Lei das Quotas se aplica às listas das Legislativas e das Autárquicas. Este artifício - tão humilhante para as mulheres como injusto para alguns homens - passa como um sinal de civilização, de equilíbrio, de harmonia entre os géneros. Na realidade, é mais uma amostra da abstracção legislativa, tão própria da esquerda que assim tenta criar um Mundo Novo menos admirável do que o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;voluntarismo&lt;/span&gt; que os anima.&lt;br /&gt;Pergunte-se a qualquer Mulher que nada deva nada senão ao esforço do seu trabalho e/ou às suas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;características&lt;/span&gt; pessoais o que sente quando a colocam num determinado lugar. Pergunte-se a um Homem, que se vê ultrapassado por pessoas cuja mais valia é o género? E questione-se a sociedade em geral sobre os sinais que está a dar em relação a esta verdadeira &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;subalternização&lt;/span&gt; das Mulheres.&lt;br /&gt;Estava quieta de férias quando me chegou, através do jornal, a notícia de que seria o terceiro nome candidato à Assembleia Municipal de Lisboa da Coligação «Lisboa com Sentido» que une o PSD ao PP, ao &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;PPM&lt;/span&gt; e ao &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;MPT&lt;/span&gt;. Não se trata aqui de analisar um assunto pessoal - não apanho a simpática boleia do Gonçalo Moita dois &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;posts&lt;/span&gt; atrás - mas a simples dúvida, legítima, que todos podemos ter sobre a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;obrigatoriedade&lt;/span&gt; de dar «o terceiro lugar» a «uma» mulher deve ser discutida.&lt;br /&gt;Não fui achada sobre o número. Não o discuti antes pelas mesmas razões que não o faria agora. Aceitei candidatar-me sem cuidar de saber se era Mulher ou em que lugar seria colocada. Não penso na minha condição feminina, nem a considero, quando estou a trabalhar ou quando alinho numa causa. Era o que faltava. Para mais, em Democracia, os deputados são todos iguais, tal como os votos que os elegem. Mas não deixa de me incomodar «ter» o número 3, legal, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;discricionário&lt;/span&gt; no género e não no ser. Aceito-o por todas as razões menos a das quotas e, no entanto, é por isso que ali está um nome feminino...&lt;br /&gt;Incomodam-me os socialistas que assim questionam o mérito de todas, rigorosamente todas, as milhares de mulheres que se candidatam a 27 de Setembro e a 11 de Outubro de 2009. E, ainda mais me irritam por me motivarem a escrever estas linhas que parecem procurar legitimar uma posição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-1977233226868948991?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/1977233226868948991/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=1977233226868948991" title="10 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/1977233226868948991?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/1977233226868948991?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/hgJ6sZVKJPw/nao-sejam-quotas.html" title="Não sejam quotas!" /><author><name>Inez Dentinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00167801555429518446</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="12554312117575796158" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_SMfz7vmbv2Q/Sp-yqNWdqPI/AAAAAAAAADM/M3X99mo3EKo/s72-c/guerra-mulheres-02.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">10</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/09/nao-sejam-quotas.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEMAQHY-eSp7ImA9WxNSF04.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-4103274568038901257</id><published>2009-08-31T15:12:00.005Z</published><updated>2009-08-31T15:27:21.851Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-08-31T15:27:21.851Z</app:edited><title>Papalvos</title><content type="html">&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_855lnY1QRlg/SpvqCgPp2DI/AAAAAAAAAKo/9qfb9z5Do1E/s1600-h/2005710123458_wLisboaSaldanha-1%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376147908933048370" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 219px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_855lnY1QRlg/SpvqCgPp2DI/AAAAAAAAAKo/9qfb9z5Do1E/s320/2005710123458_wLisboaSaldanha-1%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; O Presidente da Câmara de Lisboa mandou repavimentar algumas ruas da cidade, em vésperas de eleições e à pressa. Será que ele acha que somos todos papalvos? Ele não sabe que queremos muito mais do que isso? Por exemplo, onde estão as árvores da Av. da República depois das mais recentes obras do Metro? Será que os xxx milhões gastos vão dar para as replantar? Estas da foto ainda sobrevivem. Mas há um candidato à Câmara que também já prometeu arrancá-las.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-4103274568038901257?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/4103274568038901257/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=4103274568038901257" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/4103274568038901257?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/4103274568038901257?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/LbIJEX-6wok/papalvos.html" title="Papalvos" /><author><name>Pedro Lains</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12434516615762784276</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="02285497612767069559" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_855lnY1QRlg/SpvqCgPp2DI/AAAAAAAAAKo/9qfb9z5Do1E/s72-c/2005710123458_wLisboaSaldanha-1%5B1%5D.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/08/papalvos.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEINSXk7eSp7ImA9WxNSF04.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-968507991777967875</id><published>2009-08-31T15:03:00.002Z</published><updated>2009-08-31T15:29:58.701Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-08-31T15:29:58.701Z</app:edited><title>Alguém sabe da Inez Dentinho?</title><content type="html">Desculpem-me o alarme, talvez sem fundamento, mas o facto é que estou preocupado. Há já alguns dias informou-nos &lt;a href="http://geracaode60.blogspot.com/2009/08/o-cubiculo-e-o-horizonte.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; a Inez Dentinho que estava fechada num elevador da Assembleia da República com dois deputados socialistas, os quais discutiam, revoltados, os "lugares" em que tinham sido colocados pelo seu partido nas respectivas listas de deputados, lugares esses que, à primeira vista, poderiam não garantir-lhes o cumprimento daquele sonho antigo de afincadamente lutarem pelo bem comum.&lt;br /&gt;Desde aí, no entanto, nada mais se soube dela. Ora, como sou amigo - e admirador - da Inez Dentinho e, ao mesmo tempo, conhecedor da veemência própria da sua argumentação, pergunto se há alguém que, desde então, a tenha visto, ou, de algum modo, saiba onde está, na medida em que estou neste momento preocupado com a saúde e com o destino dos referidos candidatos socialistas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-968507991777967875?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/968507991777967875/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=968507991777967875" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/968507991777967875?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/968507991777967875?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/c6DOAg-dL9o/alguem-sabe-da-inez-dentinho.html" title="Alguém sabe da Inez Dentinho?" /><author><name>Gonçalo Pistacchini Moita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03988918415932911840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09564188063342466912" /></author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/08/alguem-sabe-da-inez-dentinho.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;D0QCSXc_fSp7ImA9WxNSE0U.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-9046375404013555585</id><published>2009-08-27T15:01:00.002Z</published><updated>2009-08-27T15:02:48.945Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-08-27T15:02:48.945Z</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="cinema" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="imaginação" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="poder" /><title>Limites do Controlo de Jim Jarmush</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_w6tB5DdlOTk/Spaf9Go_CPI/AAAAAAAAAGI/pat265ubABc/s1600-h/limitesdocontrole_1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 172px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_w6tB5DdlOTk/Spaf9Go_CPI/AAAAAAAAAGI/pat265ubABc/s320/limitesdocontrole_1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374659077416618226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É um filme abstracto em que a metáfora sobre o real permanece ela mesma num plano abstracto. Uma espécie de teoria, um filme branco, em que as personagens têm uma caracterização baseada num factor de identificação e não numa representação de uma alma: loura, guitarra, moléculas, mexicano, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os planos estão muitas vezes estabelecidos e são as personagens que entram neles enquadrando-se nas suas marcações: como se as personagens fatalmente tivessem os movimentos pré-determinados por uma realidade aprisionante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um criminoso profissional (Isaach Bankolé) tem de matar o poder. O poder, representado por Bill Murray, está solidamente protegido numa casa inexpugnável cheia de sistemas de segurança e guardas no meio do deserto andaluz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A missão do profissional é-lhe confiada por personagens sinistras que falam por metáforas num aeroporto: “O universo não tem arestas. Use as suas capacidades e a sua imaginação.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De terra em terra segundo indicações que lhe chegam por personagens que se aproximam dele e com ele trocam senhas, frases feitas, e caixas de fósforos dentro das quais um papel com uma cifra é metodicamente engolido pelo criminoso depois de lido. De paragem em paragem a cena repete-se como um ritual até chegar ao objectivo final. Cada testemunho-pista é-lhe comunicado com conselhos que o profissional não atende, não deve atender, para não se distrair e não divergir do seu objectivo. Estóico, ou obstinado, nada o distrai, nada o demove da sua finalidade. Diz-lhe a nudez que não lhe arranca um comentário ao seu rabo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— No sex, no drugs, how can you stand it? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tese ao longo do filme que vai sendo explicada ao criminoso profissional é a de que as moléculas que estruturam a realidade vão procurando novos arranjos que alteram essa mesma realidade e que a fonte que provoca essa alteração é a imaginação, outras personagens dizem-lhe que “aqueles que se julgam superiores aos outros, devem ir ao cemitério” ou que “la vida no vale nada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concentradamente, o criminoso estuda a entrada na mansão e, inesperadamente aparece já lá dentro. Dentro da mansão inexpugnável superando misteriosamente os sofisticados sistemas de segurança e as suas redundâncias:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—How did you get in here?- pergunta Bill Murray, o poder.&lt;br /&gt;— I used my imagination.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poder surge como um poder abstracto. Bill Murray chefia uma organização que não é um governo, uma polícia, nem nada de concreto: é um poder em si mesmo, o poder da realidade tal como é entendida, tal como é conformadamente vivida, um status quo que é um poder total e avassalador por ser o quadro mental em que o mundo está organizado e porque a sua existência é, por si mesma, uma forma de pressão sobre os indivíduos quase intransponível. A única forma de a aniquilar é pelo uso da imaginação, a imaginação que promove novos re-arranjos sobre a matéria existente e que desse modo promoveria a extrapolação dos limites do poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui Jim Jarmush não vai além de um cientismo banal que vê o mundo como uma combinação de forças de atracção e repulsão que geram diferentes formas de organização mas sempre dentro  da mesma noção de limite que pretende extrapolar. Ilusões de um desejo de mudança motivado por uma indolente insatisfação e um tédio sem esperança. Uma imaginação sem asas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-9046375404013555585?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/9046375404013555585/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=9046375404013555585" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/9046375404013555585?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/9046375404013555585?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/wv_2LpS5_3w/limites-do-controlo-de-jim-jarmush.html" title="Limites do Controlo de Jim Jarmush" /><author><name>João Luís Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05505065807117833161</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="17869811202062185078" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_w6tB5DdlOTk/Spaf9Go_CPI/AAAAAAAAAGI/pat265ubABc/s72-c/limitesdocontrole_1.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/08/limites-do-controlo-de-jim-jarmush.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;C0IHQnk-fip7ImA9WxNSFks.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-7363044462495755416</id><published>2009-08-27T02:49:00.002Z</published><updated>2009-08-30T19:45:33.756Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-08-30T19:45:33.756Z</app:edited><title>Sinédoque Nova Iorque de Charlie Kaufman</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_w6tB5DdlOTk/SpX0lCXdT_I/AAAAAAAAAGA/kLwaF4PTC0k/s1600-h/5910648.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 182px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_w6tB5DdlOTk/SpX0lCXdT_I/AAAAAAAAAGA/kLwaF4PTC0k/s320/5910648.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374470647464153074" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O encenador Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman) estreia com extraordinário sucesso “A morte de um caixeiro viajante”. Porém, no dia da estreia, logo pela manhã, diz a si próprio que se sente mal. Um mau estar que se agrava com um pequeno acidente doméstico (uma ruptura de canos) que o obriga a ser cosido na testa. Vai-se, então, revelando um personagem profundamente perturbado que, de doença em doença, reais ou imaginadas mas sempre reflectidas na degradação do seu corpo – tremores, pústulas, descontrolo de funções – o vão fazendo deslizar de uma realidade estável para uma espécie de loucura em que o tempo, ou os tempos psicológicos, se começam a sobrepor e dissolver.&lt;br /&gt;Para ampliar o seu estado de crescente alienação e descontrolo físico e emocional, recebe um prémio de 500.000€ o que lhe permite investir num projecto totalmente novo, uma obra inovadora cuja concepção e encenação simultâneas resultam numa espécie de psicodrama em que as personagens são os próprios actores enquanto pessoas comuns. Imagina, assim, uma aguarela urbana num velho e desactivado armazém de proporções gigantes onde Nova Iorque é recriada e cada um expõe (não representa) o seu eu, o seu destino individual, uniformizando o valor artístico (negando-o) em nome de uma verdade que dispensasse qualquer artifício artístico, qualquer representação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A desagregação da vida de Caden começa pelo seu corpo, passa para a sua alma (psique) e agrava-se no desmembramento da sua família. Convidada a expor em Berlim, Adele Lack está a terminar os últimos dois quadros miniaturas e falha a estreia de Caden. De madrugada, quando Caden regressa a casa, encontra a mulher, pedrada, a conversar com Marie (Jennifer Jason Leigh) com uma cumplicidade que o perturbou. No dia seguinte, após assistir à peça, Adele informa Caden que irá para Berlim com a filha Olive e com Marie porque precisa de se afastar temporariamente dele. A partir de então, Adele, não mais responde aos seus telefonemas. Abandonado e cada vez mais só, Caden desenvolve uma relação de insucessos com a rapariga da bilheteira do Teatro, Hazel, que ele vai iniciando na literatura e simbolicamente com “O Processo” de Kafka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, a encenação da peça prolonga-se no tempo, passam os anos (décadas) e o processo vai-se transformando. Primeiro, a vida de cada um é representada por cada um, não como representação mas como vivência; depois, a vida de cada um passa a ser representada por outro que tenha desse que representa uma presença e uma consciência superior ao que o próprio tem de si mesmo. A intenção mimética passa para uma substituição do ser mimetizado, libertando-o de si próprio, como se cada pessoa se pudesse libertar de si mesma por alguém que fosse mais ela do que ela própria. Neste jogo de espelhos a morte, presença constante do universo de Caden, acaba por deixar de ser o motivo para cada um se procurar conhecer a si mesmo e a conhecer o seu destino próprio, para passar a ser um grande dissolvente de diferenças e de destinos reduzindo tudo ao mesmo sem distinção nem individualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se a morte é a grande interrogação e o grande medo que atravessa as angústias de Caden, outras mortes são anunciadas. Desde logo a morte da Arte: do teatro – pela substituição da representação pela vida–, na pintura – pela impossibilidade de se verem as pinturas da, entretanto consagrada Adele, que exigia a utilização de óculos para poder ver cada um dos quadros. Mais trágico é o destino de Olive (a filha que Caden não pôde mais ver) entregue a Marie por Adele e que a tatuou com flores por todo o corpo e a exibia ou fazia com que se exibisse como sendo a sua obra de arte (o mito da obra viva e verdadeira) que resulta numa forma de morte pela redução do corpo a uma matéria manipulável. Simbolicamente, a morte de Olive resulta de uma infecção gerada pela doença de uma das flores tatuadas que no momento final da morte de Olive se desprende e cai como uma folha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo de Caden inicia-se simultaneamente com o seu retumbante sucesso, com o seu mal estar e com o abandono da sua mulher e filha. O retumbante sucesso condu-lo a uma megalomania –  a mega produção – que é uma fuga para uma alienação crescente e obsessiva que o faz sobrepor o tempo e a realidade. Caden deixa de concatenar os seus pensamentos e as suas percepções do real. A sua obsessão é recuperar a filha. Não se trata, pois, de um processo de memória mas de paragem do tempo. Caden ficou refém da perda da filha e, mais do que isso, ficou refém daquela espécie de “violação” a que Olive foi sujeita por Marie com a concordância da louca Adele, que a possui e transforma num objecto seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre todos, este sentimento de perda de alguém porque outro o transforma em objecto e lhe retira a alma própria sujeitando-o a uma “modelação” caprichosa, egoísta e viciosa, para seu prazer, é talvez o mais humanamente arrasador do filme. Porque se trata de matar a inocência e a pureza. Caden passa a insuportável experiência de imaginar, e de ver por fim, o ser que ama com o mais puro amor sendo manipulado, iludido e usado como objecto de prazer egoísta. Podia ser entre amantes, mas Charlie Kaufman dá essa experiência na relação com a filha Olive e nela resume a sensação bloqueante de que Caden padece e de que não se consegue libertar senão pela morte. Neste particular o filme reentra na realidade pela porta do amor, que parece ausente em todos os processos doentios ou simplesmente egocêntricos das personagens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-7363044462495755416?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/7363044462495755416/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=7363044462495755416" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/7363044462495755416?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/7363044462495755416?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/V7XVW3mplSU/sinedoque-nova-iorque-de-charlie.html" title="Sinédoque Nova Iorque de Charlie Kaufman" /><author><name>João Luís Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05505065807117833161</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="17869811202062185078" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_w6tB5DdlOTk/SpX0lCXdT_I/AAAAAAAAAGA/kLwaF4PTC0k/s72-c/5910648.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/08/sinedoque-nova-iorque-de-charlie.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;D0cAR3g4eSp7ImA9WxNSEkU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-8718433565626944796</id><published>2009-08-26T10:55:00.004Z</published><updated>2009-08-26T11:10:46.631Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-08-26T11:10:46.631Z</app:edited><title>Poderemos bem ser outra coisa...</title><content type="html">Descobriu a minha irmã este excerto de uma acta da sessão de 8 de Abril de 1970 da Assembleia Nacional, onde o meu avô materno discursava em prol de um assunto pelo qual, durante a sua vida, muito fez. Transcrevo aqui o seu discurso, o qual, por um lado, me enche de orgulho, por nele rever o empenho e a seriedade que aprendi se deve ter na política (que nada tem a ver com meras frases que tantas vezes se apregoam), mas, por outro, de tristeza, por reparar que a única constância deste nosso país é, de facto, e há muito tempo, o seu coerente adiamento e o seu competente esquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Diário das Sessões da Assembleia Nacional&lt;br /&gt;8 DE ABRIL DE 1970&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sr. Alberto Meirelles:-Sr. Presidente: Antes de mais, uma palavra de agradecimento ao Sr. Presidente do Conselho pelo pronto seguimento dado à sugestão por mim feita nesta Assembleia, relativa à alteração do regime de dispensa de comparência do funcionalismo público na Semana Santa. É consolador verificar que entre tantas e tão fundas preocupações da governação pública, a voz de um apagado Deputado foi ouvida e imediatamente atendida.&lt;br /&gt;Porque o que pedia era razoável, sem dúvida. Mas quantas vezes se pensa e diz que não vale a pena pedir nada ao Governo, deste lugar, pois é clamar no deserto.&lt;br /&gt;Que não é assim, mostra-o a compreensiva e pronta decisão do Governo neste pequeno problema que me coube tratar. Em 3.9.64, ao intervir no debate do aviso prévio dos Deputados Prof. Nunes de Oliveira, Dr. Olívio de Carvalho e José Alberto de Carvalho, sobre problemas de educação - que foi um dos mais altos e fecundos trabalhos da VIII Legislatura (e continuo a lamentar que as intervenções então feitas não tenham sido ainda reunidas em volume como o mereciam a todos os títulos) - tratei, entre outros temas, o da criação de um curso superior de Enologia em Portugal. A ele reverto hoje, propondo-me apontar seguidamente outro aspecto afinal Intimamente conexo do problema, o do reconhecimento da profissão e título de enólogo. Portugal é o quarto país produtor de vinho na Europa e o quinto no Mundo. E o vinho e seus derivados constituem um valor relevante no produto agrícola nacional e mais ainda na exportação. Pois, não obstante, e por paradoxal que pareça, não existe em Portugal nem um curso específico de Enologia, nem está reconhecida oficialmente a profissão de enólogo. Sem dúvida que no instituto Superior de Agronomia se professa a cadeira de Enologia, criada em 1955, e de justiça é render homenagem à brilhante plêiade de cultores desse ramo da ciência entre nós, lembrando, por todos, a memória do Prof. Luís Cincinato da Costa, que foi membro desta Câmara.&lt;br /&gt;Também nas escolas de regentes agrícolas o estudo da vinificação faz parte do programa escolar.&lt;br /&gt;Simplesmente, trata-se de cadeiras isoladas num curso de vasta temática e amplitude, como é o de Agronomia, que não forma especialistas, nem como tais os reconhece, embora naturalmente venham a ser os agrónomos e os regentes agrícolas os elementos mais destacados da actividade enológica, mercê dos estudos, experiência e profissionalismo de alguns que vêm a dedicar-se a este ramo de actividade. De há muito que a formação cientifica dos enólogos se autonomizou nos países grandes produtores, como a França, Itália, Espanha, Argentina, Alemanha, etc. Referirei apenas, por brevidade, o panorama do ensino enológico em França, que é consabidamente não só o primeiro produtor mundial de vinhos e derivados, como o principal e mais vasto foco de estudos e formação enológica.&lt;br /&gt;O ensino específico da enologia, ao nível superior, professa-se em França em pelo menos, cinco Universidades, as de Montpellier, Bordéus, Dijon, Reims e Toulouse, ora integrado nas respectivas Faculdades de Ciências, ora constituindo uma Escola Superior de Enologia (Montpellier) ou um Instituto Superior de Enologia em Bordéus, onde avulta o seu eminente director, Prof. Ribèreau-Gayon, doutor honoris causa pela Universidade Técnica de Lisboa, e que tão grande influência tem tido na formação e aperfeiçoamento de especialistas portugueses.&lt;br /&gt;Mas em Portugal quem desejar cursar enologia tem de se deslocar ao estrangeiro, normalmente a França, para aí frequentar, à sua custa, as Faculdades ou institutos superiores, como alguns tantos que conheço, sem possibilidade ou esperança sequer de lhes ser oficialmente reconhecida a qualificação e o título de licenciatura. Não faz, realmente, sentido. E muito mais, se tivermos em conta não só o volume da nossa produção vinícola, como o valor e potencialidade da sua exportação, e as posições que vamos ocupando no mercado mundial com uma gama variada e válida de produtos vínicos, desde o vinho do Porto, que é grande carta, nacional, ao prestigioso Madeira, aos originais e típicos vinhos verdes, ao excelente Dão, aos vinhos de Colares, Carcavelos e Setúbal de Pinhel, Bairrada e Lamego, até aos surpreendentes vinhos do Algarve, que vêm sendo inteligentemente valorizados no contexto turístico da zona. Mercê da eficaz actividade das adegas cooperativas, vão-se afinando produtos que outrora não apresentavam qualidade.&lt;br /&gt;Mas, a par dos vinhos, não devemos esquecer o valor de algumas aguardentes vínicas e bagaceiras de alta qualidade, com relevo, que me será desculpado, para as excepcionais possibilidades das derivadas dos vinhos verdes, que podem ombrear com os mais requintados e prestigiosos produtos similares do mercado mundial.&lt;br /&gt;Pois, não obstante termos tudo isto, continuamos na situação inexplicável de não formarmos nem diplomarmos técnicos enólogos, nem ao nível médio nem ao nível universitário.&lt;br /&gt;Esta é grave lacuna que urge remediar prontamente no planeamento escolar, e por isso de novo e esperançadamente trago à Câmara o problema. Não apenas por ser do Porto e Deputado pelo seu distrito me inclinei a sugerir em 1964 que se localizasse aí o curso de enologia, a criar. Além do mais, serviria zonas de grande densidade populacional, o Entre Douro e Minho e Aveiro, ambas com grande peso na produção vinícola. Afora isso, o Porto é cabeça de duas grandes regiões vitivinícolas &amp;amp; sede de dois organismos: o Instituto do Vinho do Porto e a Comissão de Viticultura da Comissão dos Vinhos Verdes, ambos com laboratórios próprios oficializados, de reconhecido nível técnico, e dedicados também à investigação aplicada. No distrito do Porto localizam-se importantes empresas armazenistas e exportadores de vinhos, sendo de salientar as prestigiosas firmas exportadoras de vinho do Porto, das quais algumas têm simultaneamente grande relevo no comércio de vinhos de mesa e aguardentes preparadas. Por outro lado, na Universidade do Porto professam-se estudos de Química nas Faculdades de Ciências, Farmácia, Medicina e Engenharia em nível médio no Instituto Industrial. E nos já referidos laboratórios do Instituto do Vinho do Porto e da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes trabalham técnicos de alto mérito e larga experiência profissional, alguns com valiosos estudos de investigação que os acreditem no mundo da ciência enológica. Por tudo isto, continuo a pensar que o Porto poderia e deveria ser, sem favor ou desprimor, a sede dos estudos enológicos a nível universitário, que se impõe criar sem delongas.&lt;br /&gt;Vozes: - Muito bem!&lt;br /&gt;O Orador: - Recentemente, o Governo enviou à Câmara Corporativa o projecto de proposta de lei, que tem o n.º 5/X, acerca da criação do ensino politécnico, destinado a conferir preparação técnica qualificada para o desempenho de actividades profissionais de índole especializada, que não exijam habilitação universitária, e em que se prevê o funcionamento de cursos relativos às indústrias alimentares agrícolas. Nestes, certamente se poderá e deverá incluir o destinado à formação de técnicos enológicos ao nível não universitário ou superior.&lt;br /&gt;Mas, não obstante a possibilidade agora entrevista do enquadramento no ensino politécnico do curso médio do Enologia, de grande utilidade, certamente, a formação de enólogos ao nível universitário é, segundo creio, uma necessidade indiscutível em Portugal. Intimamente conexa com a criação do curso de Enologia, apresenta-se como necessidade premente o reconhecimento oficial da profissão e actividade de enólogo. Em recente artigo publicado no Boletim do Grémio dos Armazenistas de Vinhos, que tem sido muito comentado e aplaudido na imprensa, aponta-se o problema com desassombro e realismo: «o que é incontroverso é que continua lamentavelmente a faltar um mínimo de profissionalização responsável na enologia em estrutura escalonada num país com a responsabilidade de produção, comercialização e expansão como o nosso. E acrescenta: «no âmbito das actividades representadas por este Grémio, a ausência de assistência técnica responsável continua a ser notória. A maior parte dos interessados nem sequer possui um laboratório rudimentar ou não ultrapassa nas suas determinações analíticas a graduação alcoólica e a acidez volátil aparente. Naturalmente que isto provoca por parte das empresas uma tendência ou para a irresponsabilidade, consciente ou inconsciente, ou para a necessidade deliberada de lhe fazer face; as condições de concorrência não podem, portanto, deixar de reflectir fortes, permanentes e preocupantes anomalias.»&lt;br /&gt;E lembrando algumas conclusões do 1.º Colóquio Nacional de Vitivinicultura e ainda das Jornadas Vitivinicultura, em que se preconizou a presença obrigatória de técnicos enólogos nas empresas do sector, conclui: «isto só será realmente possível se, para além do mais, a profissionalização responsável da enologia, em estrutura escalonada e de aplicação obrigatória, vier a ser rapidamente um facto. E pode sê-lo, desde que o sector chame a si, através dos seus meios, essa iniciativa, como propõe o Grémio dos Armazenistas de Vinhos, em apelo aos múltiplos organismos da actividade.» De qualquer forma, o que é «indispensável e urgente» é o reconhecimento, regulamentação e estruturação da profissão enológica em Portugal. O problema envolve dificuldades e melindres e carece de estudo reflectido.&lt;br /&gt;Mas parece aceitável nas suas linhas gerais o sistema adoptado em França na Lei de 19 de Marco de 1955, pela qual se criou o título de enólogo qualificado para as operações de preparação e conservação de vinhos, com diploma passado conjuntamente pelos Ministérios da Educação e da Agricultura aos candidatos que tenham obtido aprovação nas Universidades ou estabelecimentos de ensino superior do ramo. Na mesma lei se cria a Comissão Consultiva Permanente de Enologia, encarregada de dar parecer sobre todas as questões que interessem à formação e exercício da profissão de enólogo, e ainda de decidir sobre a equivalência dos títulos, prevendo-se um regime transitório de cinco anos para que possam obter o título todos os diplomados que provem ter efectuado um estágio ou ter praticado a profissão de enólogo durante, pelo menos, três anos, e bem assim pessoas que, embora não diplomadas, tenham habilitações ou cultura científica e técnica julgadas suficientes pela Comissão Consultiva. Este, em linhas gerais, o sistema francês que me parece adequado à solução pronta da carência de técnicos enólogos, que se impõe remediar urgentemente.&lt;br /&gt;Valerá a pena referir ainda que na União Internacional dos Enólogos, organismo que mantém fecunda actividade, promovendo regularmente congressos e reuniões internacionais, estão inscritos 3.169 técnicos, dos quais 1.000 argentinos. 745 franceses, 732 italianos e 600 espanhóis. Portugueses estão inscritos apenas 9, o que constitui lamentável índice.&lt;br /&gt;E termino sem ter, evidentemente, esgotado o assunto, objecto, aliás, de longa entrevista que concedi ao técnico enólogo Nobre da Veiga, incansável paladino da estruturação da profissão, publicada na revista Lavoura Portuguesa, de Março de 1965, com um apelo aos Srs. Ministros da Educação Nacional e da Economia e Secretários de Estado da Agricultura e do Comércio para que:&lt;br /&gt;1) Seja criado um curso de enologia a nível universitário, independentemente da eventual integração do correspondente curso médio no ensino politécnico;&lt;br /&gt;2) Seja reconhecida, estruturada e definida urgentemente qualificação profissional de enólogo.&lt;br /&gt;Com isto se porá fim à estranha situação de, na era tecnológica, não haver ensino específico nem reconhecimento oficial da profissão de preparadores e técnicos de conservação de vinhos e derivados, exactamente neste abençoado «país das uvas».&lt;br /&gt;Vozes - Muito bem !&lt;br /&gt;O orador foi cumprimentado.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-8718433565626944796?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/8718433565626944796/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=8718433565626944796" title="11 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/8718433565626944796?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/8718433565626944796?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/I2vPgMUk2rE/poderemos-bem-ser-outra-coisa.html" title="Poderemos bem ser outra coisa..." /><author><name>Gonçalo Pistacchini Moita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03988918415932911840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="09564188063342466912" /></author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">11</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/08/poderemos-bem-ser-outra-coisa.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CkAHSHoyfSp7ImA9WxNSEkw.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-1849120346279825345</id><published>2009-08-25T14:25:00.003Z</published><updated>2009-08-25T14:32:19.495Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-08-25T14:32:19.495Z</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Indo-europeu" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Europa" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="cristianismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="dogma" /><title>II. Em nome do dogma</title><content type="html">&lt;div align="justify"&gt;No caso do cristianismo o dogma é enunciado sobretudo em duas línguas: grego e latim. &lt;em&gt;Theotokos&lt;/em&gt; e Mãe de Deus não se colam totalmente bem, hipóstases e pessoas igualmente. E por isso uma correcta interpretação do dogma recusa o fetichismo das palavras. A enunciação é rigorosa, mas é enunciação, e por isso com os seus limites. Usa uma língua pré-existente, com as suas conotações, a variação dos seus campos semânticos, as cargas que o contexto histórico e social lhes deu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso quem não gosta de dogmas, desde que devidamente entendidos, pode cair muitas vezes no feiticismo da palavra. Precisamente o que despreza assume nele uma importância indevida. Acha-a incapaz, mas cola-se a ela, o que é movimento só aparentemente paradoxal. Vemos exemplos disso nas traduções literais de produtos químicos que alguns ecologistas extremos fazem, na tendência para a interpretação literal de que padecem (um exemplo foi a infeliz frase de um presidente americano algo destituído que falou em “cruzada” contra o terrorismo, quando em inglês americano “cruzada” no contexto nada tem de conotação religiosa, mas significando esforço dirigido e obstinado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cristianismo nem sempre teve esta consciência da vibração da palavra do dogma em duas línguas. E os equívocos surgiram de uma parte e de outra. Seria por isso desonesto desconsiderar que também houve feiticismo do lado das ortodoxias ocidental e oriental. Mas esta é uma tendência histórica variável, embora muito durável. Já quem nega ao dogma, visando em suma o dogma cristão, e todos eles, recusa esta vibração das palavras e a necessidade de diálogo que impeça o feiticismo da palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dogma enuncia-se fora do texto sagrado. Pressupõe uma instituição humana dotada de poderes de enunciação, seja o concílio, seja o papa (essa discussão não é determinante aqui). Este simples facto tem várias implicações que nunca são salientadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar há enunciações essenciais que não são textos sagrados. Em segundo lugar essa enunciação separa claramente o discurso sobre o sagrado dos restantes: do poético, do filosófico, do científico. Sob o ponto de vista das mentalidades a enunciação de dogmas teve por isso um efeito fundamental para a separação da Igreja e do Estado. A lei não enuncia dogmas, o dogma não se confunde com a lei. Em terceiro lugar, existe uma instância autónoma que decide sobre o essencial do sagrado. Este é mais um contributo para a separação das esferas. O &lt;em&gt;qadi&lt;/em&gt; muçulmano ou o tribunal ateniense não enunciam dogmas. O pretor romano tutela a religião oficial do Estado romano. Uma sociedade sem dogmas tende sempre para a juridificação da religião. No paraíso grego em que não havia dogmas nem clero é o tribunal cível que condena Anaxágoras e Sócrates por impiedade. São as instituições civis que garantem o respeito da religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este aspecto é importante, porque mostra que a ausência de dogmas não impede a perseguição religiosa, apenas a torna mais aleatória. Os limites do proibido e do permitido são mais fluidos. O dogma é assim o antecessor da garantia constitucional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem achar que apenas navego em elucubrações, apenas pergunto: será um acaso que a separação entre o Estado e a Igreja tenha sido conseguida apenas no espaço cristão? A existência do dogma cria essa possibilidade, dá instrumentos de linguagem para a separação e pressupõe instituições com autonomia nessa matéria que permitem uma autonomia do religioso. É que a maior tentação foi sempre a do poder político deglutir o religioso, mais que o contrário. O religioso aparece como justificação de um poder político antecedente. Numa perspectiva de longo prazo, não foi tanto o Estado que se libertou da Igreja, mas a Igreja que se libertou do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nome do dogma, porque o dogma carece de nomes, de palavras. Porque o dogma dá nome a uma enunciação sagrada. E porque pelo nome do dogma também as fronteiras do sagrado foram delimitadas, e assim, as da liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Brandão da Veiga&lt;br /&gt;&lt;a href="http://geracaode60.blogspot.com/2009/03/escrever-sobre-esta-linha-de-texto-o.html"&gt;I Em nome da matemática&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://geracaode60.blogspot.com/2009/03/ii-em-nome-da-matematica.html"&gt;II Em nome da matemática&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://geracaode60.blogspot.com/2009/03/iii-em-nome-da-matematica.html"&gt;III Em nome da matemática&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-1849120346279825345?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/1849120346279825345/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=1849120346279825345" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/1849120346279825345?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/1849120346279825345?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/seHjdmSJUhE/ii-em-nome-do-dogma.html" title="II. Em nome do dogma" /><author><name>Alexandre Brandão da Veiga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09798655630336833574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="11901042091126794380" /></author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/08/ii-em-nome-do-dogma.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;AkEGQ3c8cSp7ImA9WxNSEU8.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-2095300428497899781</id><published>2009-08-24T15:42:00.000Z</published><updated>2009-08-24T15:43:42.979Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-08-24T15:43:42.979Z</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Indo-europeu" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Europa" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="cristianismo" /><title>I. Em nome do dogma</title><content type="html">&lt;div align="justify"&gt;Nada tenho contra os lugares comuns pelo simples facto de serem comuns. Mais uma vez o que considero confrangedor é que sejam tão disparatados na nossa época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apanhemos na rua mais um: “eu não gosto de dogmas, de quaisquer dogmas, não acredito nisso”. E depois tipicamente a mesma criatura elogia as religiões sem dogma, a grega, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repare-se: o interlocutor não afirma que não acredita neste ou naquele dogma, mas nos dogmas em geral. Temos pois de ver o que é estruturalmente um dogma, para ver do que ele não gosta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dogma é uma enunciação em palavras de uma verdade que se considera fundamental, decisiva. Historicamente no caso do cristianismo os dogmas foram enunciados em duas línguas: grego e latim. O dogma enuncia-se fora do texto sagrado. O texto sagrado encerra a verdade revelada ou enunciada. Mas o dogma, para o ser, constrói-se fora desse texto. E é mais que mera exegese. Precisamente por ser mais que mera glosa é formulado em termos francamente estranhos ao texto sagrado e que por isso repõem o seu sentido, revela-o de forma evidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que detesta pois quem detesta os dogmas, todos eles?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar não acredita que nada do que é essencial ou decisivo seja enunciável por palavras. Se os recusa a todos é porque acha que nada do que é essencial pode ser veiculado pela palavra. A palavra passa a ser assim mero instrumento lúdico, mera fonação sem grande importância, ou pelo menos importância decisiva. Por isso quando usa a palavra, se a acha mole e impotente, também nós devemos achar a sua mole e impotente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta conclusão liga-se com outro lugar comum da nossa época: uma imagem vale mais que mil palavras. Sempre achei que dependia da imagem e dependia das palavras. Por imagem posso eficazmente pedir um copo de água. Mas duvidosamente posso transmitir de forma eficaz pensamentos abstractos. Apenas por mediação da palavra posso perceber numa imagem esse pensamento. Quem vê um ícone pode ver uma imagem bonita. Pode mesmo intuir parte do seu significado religioso. Duvidosamente percebe as teorias anti-iconoclastas que estão na base do modo de elaboração dos ícones. Mas o lugar comum revela o espírito fragmentado que subjaz ao argumento. Quem o afirma vive num mundo em que não acredita muito que as várias faculdades do ser humano possam colaborar entre si. Os vários sentidos e as várias expressões do ser humano colaboram entre si, podem reforçar-se mutuamente. Para ele existe apenas mensagem em escombros, pedaços que não se entreajudam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O horror ao dogma está ligado igualmente ao desprezo da racionalidade. Sempre me pareceu que uma razão pobre era presunçosa e invoca títulos que não merece e de que é incapaz de manter o sustento. Uma razão rica conhece as suas fragilidades e lida com elas. O horror puro e simples da racionalidade é mais panfleto que modo de construção, no melhor dos casos, tanto quanto a idolatria da razão. O horror à palavra enunciada é sempre a anunciação de uma impotência: a comunicação racional é ineficaz, é o que nos afirmam, abatida, inepta para o essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-2095300428497899781?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/2095300428497899781/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=2095300428497899781" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/2095300428497899781?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/2095300428497899781?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/oD6CpUdqFY8/i-em-nome-do-dogma.html" title="I. Em nome do dogma" /><author><name>Alexandre Brandão da Veiga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09798655630336833574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="11901042091126794380" /></author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/08/i-em-nome-do-dogma.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkQCQng5eSp7ImA9WxJaGUQ.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-14157382126842852.post-8487724599887126875</id><published>2009-08-11T12:31:00.003Z</published><updated>2009-08-11T12:39:23.621Z</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-08-11T12:39:23.621Z</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Indo-europeu" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Europa" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="internet" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="cristianismo" /><title>Incólumes e sitiados</title><content type="html">&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_37xgby_2SEk/SoFk8mOzQ8I/AAAAAAAAAGw/Zt1DwLRf_3Q/s1600-h/250px-Pasquino+inclumes+sitiados.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368683223019897794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 333px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_37xgby_2SEk/SoFk8mOzQ8I/AAAAAAAAAGw/Zt1DwLRf_3Q/s400/250px-Pasquino+inclumes+sitiados.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Pasquino&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na caça aos lugares comuns encontro por vezes um, muitas vezes implícito: antigamente (em tempo que nunca se define) havia mais respeito, e havia pessoas que eram apenas respeitadas, sem polémica. Hoje em dia as pessoas são mais agressivas. A crítica é mais feroz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Internet é um bom exemplo dessa agressividade. Quando vejo críticas, geralmente anónimas, a algumas das participações na Internet, antes de sequer perceber o que dizem, espanto-me com a violência com que o fazem. Que instintos estão dormentes, que raivas apenas prontas para actuar se guardam por essas cabeças que andam no mundo? E são curiosamente aqueles que em público defendem um amor liofilizado, uma espécie de cristianismo industrializado sob forma mais ou menos laica, que mais praticam este desporto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive uma professora romena que dizia com tom marcial “Os jovens são uns selvagens. Do que precisam as pessoas é de amorrrr” (os seus “rr” rolavam asperamente). Tratava-se no caso de uma mulher inteligente e culta, embora de uma aproximação amorosa ao ser humano de algo difícil entendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que de uma forma ou de outra temos sempre alguma ideia de que houve épocas que mantiveram pessoas incólumes. Épocas de maior respeito. Perante esta comparação, muitos outros se sentem sitiados, e a discussão pública parece muitas vezes a de soldados que gritam entre castelos assediados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será assim? Houve uma época em que Homero foi respeitado sem limites? Talvez. Mas se a interpretação alegórica das suas obras começa logo no século VI. A.C., quer apenas dizer que o sentido literal suscitava críticas, ou pelo menos dúvidas. E eis senão quando aparece o obsceno, o blasfemador por excelência, esse Platão que quer destroçar Homero, que o desvirtua, que chama "daimon" o que Hesíodo chamava de deus, que pretende mesmo reprimir a poesia. Horror dos horrores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ao menos Platão era unânime, estaria incólume às críticas. Mas não. Desde os retóricos da sua época até o seu mais feroz crítico, Heraclito o filólogo (não o filosofo), Platão é acusado de ser ímpio, blasfemo. Nem o pobre Platão teve paz. Crisipo era homem de bílis acentuada mas estaria incólume. Ora pois não. Que vêm os epicuristas para lhe descobrir as lacunas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eis que aparece Cristo, o único homem que nunca há memória de ter agredido fisicamente ninguém, e ainda hoje em dia desperta ódios cuja origem tem explicação, mas não justiça. Einstein, o incólume? Eis que no fim da vida foi objecto de respeito, mas de condescendência igualmente. Leibniz objecto de chacota pelos “filósofos” do século XVIII. Freud objecto de desprezo e gozo hoje em dia sobretudo pelas pessoas das neurociências, mas igualmente das ciências ditas exactas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não interessa agora analisar quais dos juízos são justos ou não. Apenas me importa mostrar até que ponto em nenhuma época houve pessoas absolutamente incólumes, assim como sitiados, se os houve, nem todos ficaram sem saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também a crítica anónima não é de agora. A diferença é que a Internet traz para o registo escrito esse anonimato de forma pública. Anónimos sempre existiram, e geralmente para criticar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das mais saborosas sátiras de Horácio mostra um seu escravo que aproveita a liberdade das saturnais para o criticar. &lt;em&gt;Fair play&lt;/em&gt; do escritor, que deixa para a posteridade a memória de ter sido enxovalhado, sentido de humor da sua parte. Se o escravo tem nome e se dele se guardou memória não foi mérito seu mas de Horácio. Mas teve a coragem de dar a cara, de dar o seu nome, mesmo que valesse pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O anónimo que comenta acidamente na Internet não é o descendente do escravo de Horácio. Esse ao menos aceitou os riscos de dar a cara. O seu antepassado está alhures. No escravo que discutia nas tabernas de Roma, ou no servente que vagueava pela &lt;em&gt;Via del Corso&lt;/em&gt; em Roma e em direcção à &lt;em&gt;Piazza del Popolo&lt;/em&gt; passava pela &lt;em&gt;Via del Babuino&lt;/em&gt; e deixava na estátua de &lt;em&gt;Pasquino&lt;/em&gt;, o antepassado do nosso Pasquim, bilhetes obscenos, por vezes com graça, mas sempre... anónimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Brandão da Veiga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14157382126842852-8487724599887126875?l=geracaode60.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://geracaode60.blogspot.com/feeds/8487724599887126875/comments/default" title="Enviar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="https://www.blogger.com/comment.g?blogID=14157382126842852&amp;postID=8487724599887126875" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/8487724599887126875?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/14157382126842852/posts/default/8487724599887126875?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/GeraoDe60/~3/75l0amrWNBo/incolumes-e-sitiados.html" title="Incólumes e sitiados" /><author><name>Alexandre Brandão da Veiga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09798655630336833574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty name="OpenSocialUserId" value="11901042091126794380" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_37xgby_2SEk/SoFk8mOzQ8I/AAAAAAAAAGw/Zt1DwLRf_3Q/s72-c/250px-Pasquino+inclumes+sitiados.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total><feedburner:origLink>http://geracaode60.blogspot.com/2009/08/incolumes-e-sitiados.html</feedburner:origLink></entry></feed>
