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	<title>Global Voices em Português</title>
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	<description>O Global Voices agrega, organiza e amplifica a conversação global na rede - jogando luz nos lugares e pessoas que o resto da mídia geralmente ignora.</description>
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		<title>Global Voices em Português</title>
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		<title>Apresentando o kobudo, artes marciais tradicionais do Japão</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/08/05/apresentando-o-kobudo-artes-marciais-tradicionais-do-japao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gisele Soares]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2026 10:30:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[O Kobudo rejeita padronização, recompensa eficiência e prioriza flexibilidade, preparando os praticantes para qualquer situação. O que também explica porque só tem demonstrações, e não competições de combate real.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>‘Budo não é apenas treinamento físico; é uma porta de entrada para entender a cultura japonesa.’</em></big></p><div style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/IMG_7316-1200x900.webp" alt="Kobudo demonstration" width="1200" height="900" /><p class="wp-caption-text">A 49ª Demonstração de Kobudo na Nippon Budokan. Foto tirada por Jo Carter. Usada com permissão.<span style="color: #111111; font-family: Georgia, Times, 'Times New Roman', serif; font-size: 1.25rem;"> </span></p></div>
<p>Hoje em dia, a maioria das artes marciais é consumida principalmente como evento esportivo. Competições durante as Olimpíadas ou outros eventos têm regras rigorosas que definem os sistemas de pontuação e priorizam medidas que garantem a segurança dos participantes. No judô, as torções nas articulações só são permitidas nos cotovelos. Na esgrima, os participantes não podem atacar a parte de trás da cabeça do oponente.</p>
<p>Ao assistir a versões ludificadas de artes marciais, é fácil esquecer que nas práticas originais, essas técnicas emergiram e foram desenvolvidas para machucar os adversários.</p>
<p>Quais são as artes marciais originais? Alguns exemplos são o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Kalari_payattu">kalaripayattu</a> indiano, o <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Kung_fu_(term)">kung fu</a> chinês ou o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Bokator">bokator</a> cambojano. No Japão, há várias escolas de artes marciais clássicas que praticam técnicas ancestrais até hoje. Essas escolas, chamadas de <em>kobudo</em>, foram estabelecidas antes da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Restaura%C3%A7%C3%A3o_Meiji">Restauração Meiji</a> (em 1868).</p>
<p>Como sugerem as palavras <em>ko</em> (古/ancestral ou tradicional) e <em>budo</em> (武道/ artes marciais ou a modo marcial), o kobudo se orgulha de tradições de longa data.</p>
<p>Em primeiro de fevereiro, a <strong>Global Voices</strong> assistiu à 49ª Demonstração Japonesa de Kobudo no Nippon Budokan, um dos maiores eventos de artes marciais do Japão, para ver essas técnicas ancestrais em ação.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Nós entrevistamos especialistas em escolas de artes marciais para aprender o verdadeiro significado do kobudo e explorar como os instrutores preservam valores tradicionais em um ambiente contemporâneo.</span></p>
<h3>Eficiência no combate</h3>
<div style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0BLu3JTjlrE"><img decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/IMG_7801-1200x555.webp" alt="Hontai Yoshin Ryu" width="1200" height="555" /></a><p class="wp-caption-text">Uma performance de Hontai Yoshin Ryu. Captura de tela do canal do Youtube de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=0BLu3JTjlrE">Hanasuke55</a>. Uso justo.</p></div>
<p>Sensei Kyoichi Inoue, o <em>soke</em> (instrutor principal) da <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Hontai_Y%C5%8Dshin-ry%C5%AB">Hontai Yoshin-ryu</a> — uma escola tradicional de artes marciais japonesa fundada em 1660 — nota que a maior diferença entre o kobudo e outras artes marciais é que o kobudo não possui regras sobre onde golpear.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseando-se em sua extensa experiência no judô e no kendo, ele contou à Global Voices (GV):<br />
</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">古武道は全身の致命傷になる部分を狙います。現代武道は主にルールの中で戦うスポーツとして発達したので、古武道とは変化した部分も多いと思います。</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">相手を殺そうと思ったら、硬い頭蓋骨や防具に守られているところよりも、防具に守られていない動脈が通っているところを狙えばいいんです。</span></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><span style="font-weight: 400;">O kobudo mira pontos letais ao longo do corpo inteiro. Desde que as artes marciais modernas evoluíram como esportes praticados com um conjunto de regras, muitos aspectos mudaram em relação ao kobudo. Se o nosso objetivo é matar um oponente, ao invés de golpear o crânio duro ou áreas protegidas por armaduras, seria eficiente simplesmente mirar em áreas sensíveis e expostas onde passam as principais artérias.</span></p></blockquote>
<p>A escola demonstrou diversas técnicas, incluindo tanto combates sem armas quanto armados. Essas técnicas diversas simbolizam a personalidade do kobudo: rejeitar padronização, recompensar eficiência, e priorizar flexibilidade, preparando os praticantes para qualquer situação. Isso também explica por que o kobudo só tem demonstrações, e não competições de combate real, diferentemente de outros esportes baseados em lutas: é extremamente perigoso.</p>
<h3>O modo marcial e o <em>bushido</em></h3>
<p>Enquanto o perigo inerente ao kobudo pode sugerir um foco na violência, a tradição é ancorada por valores centenários que transcendem a mera brutalidade. Shojitsuken Rikata Ichi-ryu Katchu Battojutsu, uma escola de artes marciais estabelecida durante o final do período Sengoku (meados do século XV até o final do século XVI), se mantém como um testemunho dessa herança. Os seus praticantes utilizam armaduras autênticas e longas espadas reais ao estilo Sengoku, preservando o caráter ancestral do <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Buxido"><em>bushido</em></a> (a tradição dos guerreiros japoneses/Bushi) — transformando uma arte letal em uma prática disciplinada de honra e etiqueta.</p>
<div style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/IMG_7790-1200x555.webp" alt="Shojitsuken Rikata Ichi-ryu" width="1200" height="555" /><p class="wp-caption-text">Shojitsuken Rikata Ichi-ryu (Sensei Kanzaki demonstrando o ato do “todome wo sasu”) Captura de tela do canal do Youtube de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=0BLu3JTjlrE">Hanasuke55</a> . Uso justo</p></div>
<p>Durante a exibição no Nippon Budokan, representantes da escola Shojitsuken Rikata Ichi-ryu demonstraram o penúltimo movimento do <em>todome-wo-sasu</em> (とどめを刺す/ dar o golpe final). Esse é um ato poderoso decorrente da filosofia cultural japonesa ao redor da mortalidade, na qual a desonra na batalha era pior do que a morte.</p>
<p>O representante da escola, Sensei Masaru Kanzaki, explicou essa filosofia única:</p>
<blockquote><p>我々は相手を「一刀両断」にし、必ずとどめを刺すことを定めています。これには武士道の精神が深く関わっています。武士は相手の名誉を重んじます。斬った相手をのたうち回らせて苦しませるのではなく、速やかにとどめを刺して楽にしてあげる。これは切腹の際の「介錯」と同じ考え方です。名誉を保ったまま逝かせるという、武士の情けなのです。</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Nós buscamos o <em>itto ryodan</em> (一刀両断/partir em dois) e somos estritamente ensinados a desferir um golpe final. Isso é profundamente enraizado no espírito do <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Buxido">bushido</a> [o código moral do samurai]. Este é o mesmo princípio do <em>kaishaku</em> — um ato para por fim à própria vida com o <em>seppuku</em> [um ritual suicida para limpar a vergonha]. Um guerreiro bushi respeita a honra do oponente. Ao invés de deixar um inimigo ferido para contorcer-se em agonia, você encerra o sofrimento dele rapidamente.</p></blockquote>
<p>Essa filosofia soa muito similar, mas é fundamentalmente diferente do conceito ocidental do <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Golpe_de_miseric%C3%B3rdia"><em>golpe de misericórdia</em></a>, o ato para libertar o oponente de uma dor desesperadora sob o conceito cristão de misericórdia.</p>
<p>Sob a tradição do bushido, não há desgraça maior do que ter uma morte “conturbada”. Era esperado que um guerreiro mantivesse a compostura até mesmo na morte; contorcer-se ou gritar de agonia era completamente mal-visto. Significava perder o espírito de disciplina que os guerreiros passam a vida cultivando.</p>
<p>Enquanto outras culturas do leste asiático valorizam morrer por seus princípios, a idealização específica de encontrar beleza no ato da morte em si é uma sensibilidade unicamente japonesa. A famosa metáfora das cerejeiras em flor de vida breve simboliza o ideal bushi: viver vibrantemente e morrer sem hesitação.</p>
<h3>Praticando a tradição</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Atualmente, 75 escolas são afiliadas à Associação Nihon Kobudo. A cada ano, cerca de metade das escolas membros se revezam em demonstrações públicas. Esse ano, 36 escolas participaram. Haruhiko Hata, o chefe da Divisão Promocional da Nippon Budokan, disse à GV que o local funciona como um hub para que as escolas de artes marciais japonesas exponham os resultados dos seus treinamentos e, assim, preservem a tradição.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um grande desafio para essas escolas é atrair jovens para praticar e estudar a arte marcial ancestral e a sua filosofia.<br />
</span></p>
<div style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0BLu3JTjlrE"><img decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/IMG_7796-1200x555.webp" alt="Yoshin-ryu Naginata jutsu" width="1200" height="555" /></a><p class="wp-caption-text">Yoshin-ryu Naginata jutsu. Captura de tela do canal do Youtube de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=0BLu3JTjlrE">Hanasuke55</a>. Uso justo.</p></div>
<p><a href="https://budojapan.com/guide/dojyo102/">Yoshin-ryu Naginatajutsu</a>, uma escola que tem sido liderada por sokes mulheres nos últimos anos, por exemplo, se tornou mais flexível em adaptar sua cultura para atrair os jovens japoneses. A soke da escola, Takako Koyama, diz:</p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">今回の大会の時に、演武者が髪を染めるか、染めないかという話になりました。でも、国際化の時代ですから、外国人も日本人も、自然体で生きていくべきだと思います。門下生の子たちには、今日はメイクを濃いめにしてくださいって言ったんですよ。写真に撮られるから。 </span></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Para essa demonstração, houve uma discussão sobre se os praticantes deveriam pintar seus cabelos de volta ao preto ou não. Mas nós vivemos em uma época internacional. Não importa se você é estrangeiro ou japonês, eu acredito que você deve viver como o seu eu natural. Na verdade, eu disse aos meus alunos para usarem suas maquiagens um pouco mais carregadas hoje — já que eu sabia que estariam batendo fotos deles.</p></blockquote>
<p>Diferente de outras escolas de budo, Yoshin-ryu Naginatajutsu foi fundada há cerca de 400 anos para ensinar a damas da corte, servindo à autodefesa do palácio. A escola tem seguido a convenção de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Yoshin-ryu">Yoshin-ryu</a> (a escola do Coração de Salgueiro), uma das escolas de artes marciais japonesas mais influentes, fundada em 1642 durante o período Edo, e usa o <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Furisode"><em>furisode</em></a> (kimono de mangas longas) como traje de combate. Soke Koyama explica que a vestimenta tradicional oferece uma vantagem tática, já que pode disfarçar os movimentos e melhorar a eficiência ao estilo salgueiro — um estilo de combate-chave de Yoshin-ryu.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas escolas também recebem aprendizes entusiastas do exterior. Dentre as escolas que entrevistamos, Hontai Yoshin-ryu tem filiais em oito países. Entre os praticantes nesta demonstração, estavam os senseis Frederic Roncioni e Sami Mechmech, da Bélgica.<br />
</span></p>
<div style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0BLu3JTjlrE"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/IMG_7797-1200x555.webp" alt="Foreign budo" width="1200" height="555" /></a><p class="wp-caption-text">Praticante estrangeiro (Hontai Yoshin ryu. À esquerda está Sr. Roncioni, à direita está Sr. Mechmech) Captura de tela do canal do Youtube de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=0BLu3JTjlrE">Hanasuke55</a>. Uso justo.</p></div>
<p>O sensei Frederic, líder da filial belga da Hontai Yoshin-ryu, começou sua jornada budo há 40 anos em seu país. O professor dele passou um ano no Japão estudando Hontai Yoshin-ryu e, ao retornar em 1990, passou a ensiná-lo. Desde então, eles têm viajado para o Japão pelo menos uma vez por ano — às vezes duas ou três — para aprofundar o treinamento.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele contou à GV:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">If you want to truly understand Japanese budo, you need to study Japan’s general culture, not just the fighting techniques. To gain a full perspective of any martial art, you must understand the culture from which it emerged. Budo is not just physical training; it is a profound gateway to understanding Japanese culture as a whole.</span></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><span style="font-weight: 400;">Se você quer entender verdadeiramente o budo japonês, você precisa estudar a cultura geral do Japão, não apenas as técnicas de combate. Para ter uma perspectiva completa de qualquer arte marcial, você deve entender a cultura da qual ela surgiu. Budo não é apenas treinamento físico; é uma profunda porta de entrada para compreender a cultura japonesa como um todo.</span></p></blockquote>
<p>A jornada do Kobudo começou muito antes de nascermos e continuará sua caminhada em direção ao futuro, não permanecendo estática, mas se misturando cuidadosamente com a cultura japonesa contemporânea.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/jo-carter/' class='user-link'>Jo Carter</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/gisele-soares/' class='user-link'>Gisele Soares</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/03/16/introducing-kobudo-japans-traditional-martial-arts/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Como a IA está beneficiando o regime ditatorial na África</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/08/03/como-a-ia-esta-beneficiando-o-regime-ditatorial-na-africa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mônica Couto Valadares]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Aug 2026 11:47:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
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					<description><![CDATA[Um estudo feito em março de 2026 identificou que onze governos africanos haviam gasto mais de US$ 2 bilhões de dólares em sistemas de vigilância baseados em inteligência artificial]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Um mapeamento mostra câmeras onde partidos da oposição se organizam, não onde a criminalidade comum é maior</em></big></p><div id="attachment_853280" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-853280" class="wp-image-source-853280 size-huge" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Dictator_illustration-1200x813.webp" alt="Illustration of a dictator " width="1200" height="813" /><p id="caption-attachment-853280" class="wp-caption-text">Ilustração mostrando um ditador usando vigilância e controle automatizado para vigiar, observar e reprimir cidadãos. Ilustração por Khalid Bencherif. Usada com permissão.</p></div>
<p><strong>Por Khalid Bencherif</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Nas moedas, nos selos, nas capas dos livros, em faixas, cartazes e embalagens de maço de cigarro — em todo lugar. Sempre os olhos te observando e a voz te envolvendo. Dormindo ou acordado, trabalhando ou comendo, em lugares fechados ou ao ar livre, no banho ou na cama — sem saída. Nada era seu, exceto os poucos centímetros cúbicos dentro do seu crânio</span>.” – George Orwell, “1984.”</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Orwell não poderia imaginar que, mais cedo ou mais tarde, até mesmo aqueles poucos centímetros cúbicos dentro de um crânio poderiam ser disputados em um continente já flagelado pela corrupção e tirania. Isso importa ainda mais em um continente onde a corrupção, a impunidade e o interesse do poder executivo vieram muito antes da inteligência artificial</span><span style="font-weight: 400;">. E onde a adoção da IA <a href="https://cipesa.org/2025/09/state-of-internet-freedom-in-africa-report/">avança</a> mais rápido do que o desenvolvimento de estruturas legais que respeitem os direitos humanos.</span></p>
<h3>A África corre por ferramentas inteligentes de tirania</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">No passado, a tirania na África exigia prisões, informantes, polícia secreta e repressão visível. Hoje, cada vez mais isso chega na forma de softwares, financiado por crédito, embrulhado na linguagem da modernização e vendido como uma melhoria para a segurança pública.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><span style="font-size: 1.25rem;">Um </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.ids.ac.uk/publications/smart-city-surveillance-in-africa-mapping-chinese-ai-surveillance-across-11-countries/" target="_blank" rel="noopener">estudo</a><span style="font-size: 1.25rem;"> de março de 2026, realizado pelo Instituto de Estudos do Desenvolvimento (IDS) e pela Rede Africana de Direitos Digitais, constatou que 11 governos africanos gastaram, em conjunto, mais de US$ </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://iafrica.com/ai-surveillance-spending-tops-2-billion-across-11-african-nations-raising-rights-concerns/" target="_blank" rel="noopener">2 bilhões</a><span style="font-size: 1.25rem;"> em sistemas de vigilância operados por IA.</span> Só a Nigéria foi responsável por mais de US$ 470 milhões. O kit inclui CCTV de alta definição, leitores de placas, reconhecimento facial, camadas de identificação biométrica e uma sala de controle onde as informações são reunidas. Grande parte disso é fornecida ou financiada por <a href="https://www.theguardian.com/global-development/2026/mar/12/invasive-ai-led-mass-surveillance-in-africa-violating-freedoms-warn-experts">empresas e bancos chineses</a>, enquanto outros sistemas vêm <a href="https://english.noonpost.com/p/why-is-israel-supplying-africa-with">principalmente de empresas israelenses</a>.</span></p>
<div id="attachment_853283" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-853283" class="size-featured_image_large wp-image-source-853283" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Africa_AI_surviellance-800x450.webp" alt="Statistics about AI powered surveillance " width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-853283" class="wp-caption-text">Dados estatísticos sobre a vigilância alimentada por IA. Pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento. Usado com permissão<span style="font-weight: 400;">.</span></p></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A justificativa comum dada pelos governos africanos é que adquirir esse equipamento é necessário para combater o crime, porém, os números de criminalidade não estão diminuindo. Os pesquisadores da IDS, ao examinar as instalações em várias cidades, encontraram <a href="https://www.biometricupdate.com/202603/smart-city-projects-in-11-african-countries-reveal-major-digital-authoritarianism-risks">poucas evidências de que as câmeras reduzem a criminalidade</a>, e as evidências realmente mostram que as câmeras se concentram em bairros onde partidos de oposição se organizam, onde houve protestos e onde a imprensa tem “causado problemas” para os regimes no poder.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A infraestrutura de informação das ditaduras na África não é nova, nem está começando do zero. Na maioria dos países africanos, o Estado há tempos tem apetite por dados. Registros de comunicações, impostos, contas bancárias e relatórios administrativos têm sido coletados há décadas e usados com pouca restrição legal, mesmo onde as proteções existem no papel. A novidade é o mecanismo. A IA transformou os arquivos dormentes em arquivos consultáveis. Um nome, um canal, um padrão de viagem, um histórico de transações agora aparecem em segundos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até a KGB, a polícia secreta da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_Sovi%C3%A9tica">União Soviética</a>, como Yuval Noah Harari <a href="https://bigthinkmedia.substack.com/p/what-happens-when-intelligence-outgrows">apontou</a>, não tinha pessoas suficientes para ler milhões de relatórios sobre milhões de cidadãos todos os dias</span><span style="font-weight: 400;">. A poeira no arquivo era, em si, uma forma de liberdade. A IA dissipa essa poeira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vigilância online viabilizada pela IA nas cidades africanas é muito mais barata graças aos modelos abertos de IA chineses e ferramentas inteligentes de Israel, pois raramente precisa punir alguém. As tecnologias de vigilância em massa — câmeras, programas de celular, redes locais de internet — não precisam prender ninguém. Elas só precisam que os cidadãos saibam que estão lá. A consciência de estar sendo vigiado impede a maioria das ações antes mesmo que elas comecem.<br />
</span></p>
<h3>A lista de alvos</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo movimento de mudança no continente começou da mesma maneira. Um grupo de pessoas decide que o risco de ser visto em público é menor que o risco de permanecer em silêncio. Elas se reúnem. Elas postam. As imagens circulam. Às vezes o governo cai. Às vezes ele se mantém. O cálculo, em ambos os casos, gira em torno de um único momento, quando estranhos se tornam visíveis uns aos outros e ao mundo, como um movimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atualização muda esse cálculo na origem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vigilância viabilizada pela IA não é uma rede neutra estendida sobre uma cidade. Ela é configurada com base em uma lista-alvo, e essa lista é política. O mapeamento do IDS mostra câmeras concentradas onde partidos de oposição se organizam, não aonde crimes comuns têm taxa mais elevada.<br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O efeito é preventivo: ele suprime a dissidência antes que ela se forme. O reconhecimento facial em um ponto de ônibus não precisa prender o organizador; só precisa deixar claro que se organizar não é mais anônimo, e que ser identificado tem um custo. Por exemplo, um protesto planejado para domingo e identificado no sábado — por meio de metadados, publicações nas mídias sociais, análise de redes e reconhecimento facial — raramente precisa ser disperso pela polícia. Os organizadores já sabem que foram vistos e sabem o que isso pode custar: prisão, acusações apresentadas posteriormente em tribunal ou até mesmo ser banido de ocupar cargos públicos. Frequentemente, os protestos simplesmente não se formam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A lógica se resume a um ciclo: o algoritmo sinaliza uma pessoa como sendo o provável organizador, e esse sinal é tratado como prova de que o evento teria ocorrido; dessa forma, a pessoa não pode ser inocente, pois o alarme em si é uma evidência. Em um país com um sistema judicial fraco e um serviço de segurança politizado, isso se transforma em uma máquina que trata intenção como culpa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os rastros digitais ampliam a lista de alvos. Através dos vestígios que os usuários deixam online e das comunicações controladas pelo Estado, este pode construir um perfil de cada cidadão e depois pesquisar por indícios de deslealdade. Não pelo que a pessoa tenha feito, mas pelo que curtiu, para quem ligou ou mandou mensagem, em qual manifestação o celular estava próximo, qual hashtag anti-governo eles compartilharam. A constatação mais discreta e desconfortável do relatório do Atlantic Council <a href="https://www.atlanticcouncil.org/in-depth-research-reports/report/biometrics-and-digital-identity-in-africa/">diz respeito</a> a essa integração dos bancos de dados administrativos em algo mais abrangente, um índice de fidelidade, construído a partir de registros que foram introduzidos, separadamente, por razões diferentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A consequência é que a reforma morre cedo. A <a href="https://cipesa.org/about-us/about-cipesa/">CIPESA</a> (Colaboração em Política Internacional TIC para a África Oriental e Austral) <a href="https://cipesa.org/2025/09/state-of-internet-freedom-in-africa-report/">documenta o efeito inibidor</a> em 14 países: um retrocesso considerável na liberdade de expressão, reunião e mídia independente em locais onde a arquitetura de vigilância foi construída sem garantias baseadas em direitos. O cidadão que teria participado de uma manifestação, publicado em redes sociais, se juntado a um comitê ou apresentado uma denúncia, agora avalia e fica em casa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do norte ao sul da África, um novo tipo de atmosfera cotidiana se estabelece. A semente da mudança é abortada, não em uma cela, mas em um quarto, por uma pessoa que entendeu que o banco de dados memoriza e que o algoritmo não distingue entre opinião expressa e opinião sustentada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É isso que a modernização protege de forma mais eficiente. Não é a capacidade do Estado de punir. É a capacidade de tornar a punição desnecessária. Foucault <a href="https://foucault.info/documents/foucault.disciplineAndPunish.panOpticism/">chamou isso</a> de panóptico: um conceito no qual o detento, sem saber ao certo se a torre de vigilância estava ocupada, aprende a vigiar a si mesmo.<br />
</span></p>
<h3>Os que se recusam</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora a vigilância por IA esteja se tornando uma ferramenta poderosa para regimes autoritários, há pequenos contraesforços, com poucos recursos, correndo contra um ciclo de aquisição que já entregou as câmeras e conectou os bancos de dados. Vários jornalistas e organizações estão documentando abusos, movendo ações judiciais em casos-teste e pressionando por uma governança de IA baseada em direitos. Civis especialistas em tecnologia estão utilizando essa mesma ferramenta contra o Estado, incluindo a verificação de fatos em conteúdos gerados automaticamente, monitorando discurso de ódio, observando eleições e oferecendo ferramentas abertas, seguras e inteligentes para jornalistas e ativistas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, essa simetria é ilusória. A infraestrutura, o processamento, os dados de capacitação, os contratos com fornecedores e o talento técnico estão todos nas mãos do Estado e de seus fornecedores estrangeiros. Eles não estão com o cidadão africano, que luta todos os dias pelo seu pão. Um aplicativo de tecnologia civil pode monitorar alguns casos de corrupção, mas não consegue se equiparar à sala de controle.</span></p>
<h3>Os poucos centímetros cúbicos</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">A ditadura de Orwell precisava de um ministério, de uma guerra, de um informante atrás de cada porta. A nova versão africana parece precisar somente de um contrato de empréstimo para a compra de infraestrutura de IA, e uma população que tenha sido convencida de que tudo isso é para seu benefício.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O historiador Yuval Noah Harari <a href="https://www.cfhu.org/news/hus-yuval-noah-harari-still-time-to-stop-rule-by-computer-algorithms/">alertou</a> que a combinação de sensores biométricos, reconhecimento facial e de voz “torna possível, pela primeira vez na história, que um governo ditatorial monitore todos os cidadãos o tempo todo” e pode fabricar regimes totalitários “muito, muito piores do que qualquer coisa que vimos no século XX.” Esse alerta geralmente é direcionado a Pequim. Porém, Pequim e Tel Aviv estão começando a exportar essas ferramentas para a África</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O medo no continente não é que a IA transforme cada Estado africano numa ditadura. O medo é que a IA esteja reduzindo o custo da capacidade autoritária e elevando seu limite máximo — a uma velocidade sem precedentes, justamente no momento em que o apetite dos regimes corruptos está crescendo e as garantias legais e institucionais destinadas a contê-los são tênues ou ausentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Certamente, a IA pode ser uma alavanca para o desenvolvimento e o bem-estar na África; para serviços públicos, para inovação e também para a expressão. Porém, sem a infraestrutura subjacente da democracia e da imprensa livre, ela se torna um pesadelo.</span></p>
<div class="notes"><em>Khalid Bencherif é um jornalista freelancer premiado, nascido no Marrocos e que mora em Berlim, especializado em cobrir questões ambientais e políticas no Norte da África. Ele recebeu o Prêmio Michael Elliott 2022 de Excelência por reportagem na África, concedido pelo Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ). Essa matéria foi viabilizada graças ao apoio do <a href="https://www.icfj.org/our-work/michael-elliott-award-excellence-african-storytelling">Prêmio Michael Elliott</a> do Centro Internacional para Jornalistas, que está comemorando seu décimo aniversário.</em></div>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/guest-contributor/' class='user-link'>Guest Contributor</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/monica-couto-valadares/' class='user-link'>Mônica Couto Valadares</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/05/22/how-ai-is-upgrading-african-dictatorship/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Estados de emergência e os desafios para o desenvolvimento no Caribe</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/08/02/estados-de-emergencia-e-os-desafios-para-o-desenvolvimento-no-caribe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Ferreira Wittaker]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2026 11:29:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Caribe]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento]]></category>
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					<description><![CDATA[Cidadãos comuns também podem querer garantias de que essas medidas continuem proporcionais, com responsabilidade e ligadas ao interesse público]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>As condições de segurança também estão conectadas ao sustento e a confiança pública nas instituições</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/07/GV-800x600.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/07/GV-800x600.jpg" alt="The logo of the Trinidad and Tobago Police Service (TTPS), taken at the TTPS building on Duke Street in Port of Spain. &lt;a href=" width="800" height="600" /></a><p class="wp-caption-text">O logotipo do Serviço Policial de Trinidad e Tobago (TTPS), imagem capturada no prédio do TTPS em Duke Street em Port of Spain, <a href="https://www.flickr.com/photos/markmorgantrinidad/7969343294/">Foto</a> por Mark Morgan no <a href="https://www.flickr.com/">Flickr</a> (<a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/deed.en">CC BY 2.0</a>).</p></div>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Quando o estado de emergência </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://printery.gov.tt/e-gazette/2025/Legal%20Notices/Legal_Notice_No._247_of_2025.pdf" target="_blank" rel="noopener">foi declarado</a><span style="font-size: 1.25rem;"> em Trinidad e Tobago, a discussão pública, compreensivelmente, centrou-se na segurança.</span> As questões imediatas eram familiares: as medidas irão reduzir a violência, interromper a atividade criminal e criar uma sensação maior de segurança para as comunidades afetadas pela criminalidade?</p>
<p>Sob regulamentações de emergência, <a href="https://laaa.org.tt/news-and-events/188-your-rights-under-the-state-of-emergency">poderes adicionais</a> são concedidos ao Estado, incluindo expansão de autoridade para busca e apreensão sem apresentar acusações. Essas medidas foram introduzidas como respostas a ameaças sérias à segurança pública e sua efetividade geralmente é analisada através de resultados de segurança, como ações de imposição da lei, prisões e mudanças no nível de criminalidade. As implicações dessas medidas, porém, se <a href="https://www.guardian.co.tt/news/what-the-new-state-of-emergency-regulations-mean-for-you-6.2.2528856.42ae9b1e9d">estendem além</a> da resposta imediata de segurança. Estados de emergência também influenciam o modo como instituições operam, comunidades funcionam e pessoas navegam em suas vidas diárias durante períodos de incerteza.</p>
<p>Não são apenas aqueles envolvidos em atos criminosos que podem questionar ou se opor a como os poderes de emergência são usados; cidadãos comuns também podem querer garantias de que essas medidas continuem proporcionais, com responsabilidade e ligadas ao interesse público. É onde a segurança do cidadão cruza com o desenvolvimento — as condições que dão forma à segurança também estão conectadas ao sustento e à confiança pública nas instituições.</p>
<h3>Efeitos da insegurança no dia a dia</h3>
<p>Para algumas comunidades, a insegurança é vivenciada através de decisões diárias em vez de estatísticas criminais. Preocupações com a segurança podem, por exemplo, levar um pequeno comerciante a reconsiderar seu horário de funcionamento ou que organizações comunitárias a ajustar seus programas. Moradores também podem alterar suas rotinas dependendo de como se sentem ao se deslocarem por certas áreas. Tais experiências são muitas vezes menos visíveis do que medidas de segurança oficiais, mas elas influenciam a vida econômica e social das comunidades.</p>
<p>Pelo Caribe, há muito tempo pesquisas exploram a relação entre o crime, a insegurança e os resultados de desenvolvimento. O Fundo Monetário Internacional (FMI) <a href="https://www.imf.org/en/news/articles/2017/11/13/na111417-crime-and-youth-unemployment-in-the-caribbean">apontou</a> que o crime e a violência podem afetar investimentos, atividades econômicas e oportunidades de emprego, especialmente em contextos onde os jovens encaram caminhos limitados até o emprego estável.</p>
<p>Esse relacionamento cria um ambiente difícil para políticas. Governos devem responder a ameaças imediatas enquanto também abordam as condições mais abrangentes que permitem que a insegurança persista.</p>
<h3>Um desafio para todo o Caribe</h3>
<p>A experiência de Trinidad e Tobago reflete uma <a href="https://caricom.org/statement-from-the-caribbean-community-on-crime-and-violence/">discussão regional recorrente</a> sobre como os estados respondem à violência. Na Jamaica, estados de emergência <a href="https://globalvoices.org/2022/11/23/will-more-states-of-emergency-in-jamaica-curtail-gang-related-crime/">formam parte</a> dos <a href="https://globalvoices.org/2021/11/20/once-more-jamaicans-debate-whether-states-of-emergency-are-an-effective-crime-fighting-tool-or-a-band-aid/">esforços para abordar</a> desafios sérios de <a href="https://globalvoices.org/specialcoverage/2010-special-coverage/jamaica-state-of-emergency-2010/">segurança</a>. Autoridades apontaram uma redução de crimes violentos em áreas específicas, enquanto organizações por direitos e grupos comunitários <a href="https://www.theguardian.com/world/2025/may/12/jamaica-murders-fatal-police-shootings?">levantaram preocupações</a> sobre os <a href="https://www.amnesty.org/en/documents/act30/001/2002/en/">efeitos maiores</a> dessas medidas sobre as comunidades afetadas.</p>
<p>A experiência regional sugere que a violência raramente resulta de um único fator. O Relatório de Desenvolvimento Humano Regional de 2025 do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas <a href="https://www.undp.org/latin-america/regional-human-development-report-2025">destaca o relacionamento</a> entre a segurança do cidadão, desigualdade, exclusão e oportunidades sociais e econômicas limitadas. O relatório argumenta que respostas eficazes requerem intervenções de segurança e medidas que abordem fatores subjacentes da insegurança. Para os governos, isso cria um equilíbrio entre a resposta rápida a ameaças imediatas e o foco em estratégias de longo prazo.</p>
<p>Outra consideração é como as medidas de emergência influenciam as relações entre cidadãos e instituições. Em comunidades afetadas pela violência, a presença maior de segurança pode trazer garantias e demonstrar que as autoridades estão respondendo às preocupações públicas. Ao mesmo tempo, a maneira como essas medidas são implementadas pode influenciar a percepção pública de equidade, transparência e responsabilidade.</p>
<p>A confiança é uma parte importante da governança efetiva. Quando as respostas de segurança são vistas como intervenções temporárias conectadas a melhorias mais abrangentes da segurança pública e do bem-estar da comunidade, elas podem reforçar os laços de convicção nas instituições. Quando as medidas são experiências isoladas sem melhorias visíveis nas condições do dia a dia, seu impacto pode ser mais limitado. Isso é particularmente relevante em espaços onde os moradores já enfrentam desafios relacionados a emprego, educação, serviços públicos e insegurança econômica.</p>
<p>O uso de medidas de emergência também <a href="https://www.jamaicaobserver.com/2020/01/23/soe-costing-the-country-almost-half-a-billion-dollars/#google_vignette">levanta questões</a> sobre como os recursos e a atenção são <a href="https://www.guardian.co.tt/news/young-questions-500m-police-overtime-bill-6.2.2605586.aa0c9b25aa">realocados</a>. Intervenções de segurança costumam ser pensadas para abordar ameaças imediatas; porém, reduzir a violência ao longo do tempo requer investimento constante em áreas como educação, empregos, infraestrutura comunitária, e iniciativas de prevenção direcionadas e baseadas em evidências.</p>
<p>Há valor em conectar respostas de segurança e estratégias de desenvolvimento. Na Colômbia, por exemplo, esforços para abordar a violência foram acompanhados por investimentos em transporte público, educação e infraestrutura urbana — particularmente em comunidades que viveram longos períodos de exclusão. Projetos como <a href="https://www.wri.org/insights/urban-transformations-medellin-metrocable-connects-people-more-ways-one">o Metrocable</a> e o desenvolvimento de espaços públicos melhoraram a conexão e o acesso a serviços, demonstrando como o investimento social pode contribuir para resultados de segurança mais abrangentes.</p>
<p>Na Jamaica, como parte de uma abordagem mais ampla para a melhoria da segurança, o <a href="https://jis.gov.jm/government/agencies/citizen-security-justice-programme-csjp/">Programa de Segurança do Cidadão e Justiça</a> (CSJP), que <a href="https://jis.gov.jm/communities-to-be-served-despite-ending-of-csjp/">terminou em 2020</a>, focava em combinar iniciativas de prevenção da violência, engajamento da juventude e fortalecimento institucional. Trinidad e Tobago buscou algo similar através de seu <a href="https://www.undp.org/trinidad-and-tobago/publications/citizen-security-programme-final-report">Programa de Segurança do Cidadão</a>, que <a href="https://trinidadexpress.com/news/local/will-the-citizens-security-programme-be-retained/article_5499c003-60f6-5a57-9505-d21ebcc1d785.html">terminou em 2017</a>, reforçando a necessidade de esforços para prevenção da violência, pensados para contextos locais e não tratados como uma solução única.</p>
<p>Estes casos demonstram que respostas à insegurança são muitas vezes mais sustentáveis quando as medidas de segurança são apoiadas por investimentos que melhoram as condições sociais e econômicas.</p>
<h3>Além da emergência</h3>
<p>Para Trinidad e Tobago, o <a href="https://www.guardian.co.tt/news/govt-heading-to-parliament-on-wednesday-to-extend-soe-6.2.2601355.055b6ffe5a">estado de emergência em andamento</a> reflete a urgência em abordar a violência e as questões de segurança pública. Ao mesmo tempo, ele levanta questões maiores sobre como políticas de segurança se encaixam dentro de uma abordagem de desenvolvimento a longo prazo.</p>
<p>O impacto destas medidas irá refletir não somente nas estatísticas criminais, mas também em como as comunidades se recuperam, na saúde das operações de seus negócios e se as instituições irão ou não manter a já frágil confiança pública.</p>
<p>Entender esses efeitos maiores é importante porque as decisões de segurança dão forma ao ambiente no qual as comunidades se desenvolvem e  respondem a desafios futuros.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/kwasi-cudjoe/' class='user-link'>Kwasi Cudjoe</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/gabriel-ferreira-wittaker/' class='user-link'>Gabriel Ferreira Wittaker</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/07/12/states-of-emergency-and-the-caribbeans-development-challenge/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Lei do Camboja pode tornar cidadãos apátridas por “prejudicarem a segurança nacional”</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/08/01/lei-do-camboja-pode-tornar-cidadaos-apatridas-por-prejudicarem-a-seguranca-nacional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Isabela Torezan]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Aug 2026 11:43:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Camboja]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Inglês]]></category>
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					<description><![CDATA[“Eu sei como é fácil para aqueles no poder usarem as palavras 'traidor' e 'inimigo' para destruir a esperança e semear o medo”]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>A nova lei é uma ferramenta para promover nacionalismo ou uma arma para silenciar a dissidência?</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.facebook.com/photo?fbid=857741653053461&amp;set=pcb.857745443053082"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/07/Mother-Nature-800x450.jpg" alt="Ativistas do Mãe Natureza " width="800" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">A detenção persistente de jovens ativistas do Mãe Natureza evidencia o uso das leis e processos legais como armas para sufocar a oposição. <a href=" https://www.facebook.com/photo?fbid=857741653053461&amp;set=pcb.857745443053082"> Foto</a> do post no Facebook do Mãe Natureza</p></div>
<p><em>Este post também é parte da série Spotlight de julho de 2026 da Global Voices, &#8220;<a href="https://globalvoices.org/special/statelessness-spotlight/">Statelessness</a>&#8220;. Essa série oferece insights sobre o problema da apatridia e como ela prejudica a liberdade de ir e vir, oportunidades educacionais, acesso político e mais. Você pode apoiar essa cobertura doando <a href="https://globalvoices.org/2026/06/17/support-global-voices-spotlight-statelessness/">aqui</a>.</em></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">O Camboja acrescentou uma emenda à sua Constituição e promulgou uma nova lei em julho de 2025, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://cambodianess.com/article/national-assembly-approves-controversial-citizenship-law-despite-civil-society-opposition" target="_blank" rel="noopener">possibilitando</a><span style="font-size: 1.25rem;"> que as autoridades revoguem a cidadania khmer daqueles que cometam traição, conspirarem com poderes estrangeiros ou prejudiquem a segurança nacional.</span> O governo disse que a lei vai fortalecer o nacionalismo em meio aos <a href="https://globalvoices.org/2025/07/31/displaced-residents-and-concerned-citizens-appeal-for-peace-amid-the-cambodia-thailand-border-conflict/" target="_blank" rel="noopener">conflitos de fronteira</a> do país com a Tailândia, mas críticos e oponentes disseram que é a última medida autoritária com o objetivo de suprimir a oposição.</p>
<p>Em 27 de junho de 2025, o ex-primeiro-ministro e presidente em exercício do Senado,  Hun Sen, propôs uma emenda para permitir a revogação da cidadania cambojana a acusados de conspirar com forças estrangeiras. Isso foi aprovado pelo Conselho Constitucional em 2 de julho de 2025, pela Assembleia Nacional em 11 de julho e pelo Senado em 15 de julho de 2025. <span style="font-size: 1.25rem;">O projeto de emenda à Lei de Cidadania foi </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.hrw.org/news/2025/09/01/cambodia-revised-law-endangers-citizenship" target="_blank" rel="noopener">promulgado</a><span style="font-size: 1.25rem;"> em 25 de agosto, e o &#8220;Sub-decreto para Implementar a Lei de Nacionalidade&#8221; foi </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.hrw.org/news/2026/01/23/cambodia-finalizes-process-to-arbitrarily-strip-citizenship" target="_blank" rel="noopener">publicado</a><span style="font-size: 1.25rem;"> em 22 de janeiro de 2026.</span></p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Em resumo, a Constituição emendada agora <a href="https://cambojanews.com/constitution-amended-to-permit-cambodian-citizenship-stripping/" target="_blank" rel="noopener">permite</a> que oficiais revoguem a cidadania daqueles julgados culpados de “cometer traição, conspirar com países estrangeiros ou serem condenados pela corte por vários crimes, incluindo traição ou insultar o rei.”</span></p>
<p>O primeiro-ministro Hun Manet, filho do presidente do Senado Hun Sen, <a href="https://pressocm.gov.kh/en/archives/112767?utm" target="_blank" rel="noopener">disse</a> em um discurso que cidadãos obedientes à lei não têm nada a temer em relação às emendas.</p>
<blockquote><p>If you are a patriot and are determined to your last breath not to act against Cambodian interests, please do not worry. But if you have a plan to conspire with a foreign country to destroy Cambodian interests, then you should be [concerned]. And, if you are like that, you should not remain a Cambodian.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Se você é um patriota e está determinado até o seu último suspiro a não agir contra os interesses cambojanos, por favor não se preocupe. Mas se você tem planos de conspirar com um país estrangeiro para destruir os interesses cambojanos, então você deveria (se preocupar). E, se você é assim, não deveria mais ser cambojano.</p></blockquote>
<p>Seus apoiadores no Parlamento <a href="https://cambojanews.com/lawmakers-clear-path-to-strip-citizenship/" target="_blank" rel="noopener">insistiram</a> que as emendas ressaltam o valor do nacionalismo e a necessidade de “proteger a nação.”</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Mas, em uma declaração conjunta, cerca de 50 organizações da sociedade civil <a href="https://cchrcambodia.org/en/publications/press-releases/drop-amendments-to-nationality-law-don-t-strip-citizenship-of-cambodians" target="_blank" rel="noopener">alertaram</a> que poderiam ser usadas para perseguir ativistas e defensores dos direitos humanos e <a href="https://ngocedaw.org/wp-content/uploads/2025/08/ENG-Joint-Statement-Drop-Amend-nationality-law.pdf" target="_blank" rel="noopener">legalizar</a> a apatridia.</span></p>
<blockquote><p>We risk becoming stateless, rightless, and prisoners in our own homeland. The potential for abuse in the implementation of this vaguely worded law to target people on the basis of their ethnicity, political opinions, speech, and activism is simply too high to accept. The government has many powers, but they should not have the power to arbitrarily decide who is and is not a Cambodian.</p>
<p>The process is so vaguely worded that anyone merely accused of affecting national security or sovereignty can lose their Cambodian citizenship, even if it is the only citizenship they have. In addition, anyone convicted of misdemeanours affecting ‘national security’ can also be stripped of their citizenship.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Estamos correndo o risco de nos tornarmos apátridas, sem direitos, e prisioneiros em nossa própria terra natal. O potencial de abuso na implementação dessa lei de texto vago para perseguir pessoas com base em sua etnia, opiniões políticas, discurso, e ativismo é simplesmente muito alto para ser aceito. O governo tem muitos poderes, mas ele não deveria ter o poder de arbitrariamente decidir quem é e quem não é um cambojano.</p>
<p>A lei é tão vaga em sua redação que qualquer um meramente acusado de afetar a segurança nacional ou soberania pode perder sua cidadania cambojana, mesmo se for a única cidadania que essa pessoa tem. Além disso, qualquer um condenado por delitos afetando a ‘segurança nacional’ pode ser privado de sua nacionalidade.</p></blockquote>
<p>Uma declaração de grupos de direitos humanos, em setembro de 2025, <a href="https://www.licadho-cambodia.org/pressrelease.php?perm=550" target="_blank" rel="noopener">destacou</a> as graves consequências de <a href="https://www.licadho-cambodia.org/pressrelease.php?perm=550" target="_blank" rel="noopener">retirar</a> a cidadania de indivíduos.</p>
<blockquote><p>The removal of citizenship in Cambodia carries harsh and significant consequences. It erases the foundation of the person’s right to own land, to access healthcare, to go to school, to marry, to work legally, to participate in politics, and to travel in and out of the country.</p>
<p>These amendments risk arbitrarily stripping Cambodians of their nationality and fundamental rights, with a far-reaching chilling effect on freedom of expression.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>A remoção da cidadania no Camboja carrega consequências severas e significativas. Isso apaga a fundação do direitos da pessoa a possuir terra, acessar serviços de saúde, estudar, se casar, trabalhar legalmente, participar na política, e sair e entrar no país.</p>
<p>Essas emendas arriscam arbitrariamente tirar a nacionalidade e direitos fundamentais dos cambojanos, com um efeito assustador e de longo alcance na liberdade de expressão.</p></blockquote>
<p>O <em>position paper</em> (documento que apresenta um posicionamento) do Movimento Khmer para a Democracia <a href="https://khmermovementfordemocracy.org/wp-content/uploads/2025/08/General-Comment-of-the-Draft-Law-on-Nationality-1.pdf" target="_blank" rel="noopener">mencionou</a> como a nova lei pode normalizar a apatridia.</p>
<blockquote><p>Another major gap is the absence of explicit protection against statelessness. International law prohibits rendering individuals stateless, yet the draft law does not guarantee that revocation will only apply to those who hold dual nationality. As a result, Cambodians with only Cambodian citizenship could lose all legal identity and rights.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Outra grande brecha é a ausência de proteção explícita contra a apatridia. A lei internacional proíbe tornar indivíduos apátridas, e mesmo assim o projeto de lei não garante que a revogação vai se aplicar somente àqueles que tem dupla nacionalidade. Como resultado, cambojanos que tem apenas a cidadania cambojana poderiam perder toda a identidade legal e direitos.</p></blockquote>
<p>Em resposta, as autoridades apontaram que outros países têm leis similares, incluindo o Reino Unido, Canadá e muitos <a href="https://cmsny.org/publications/unmaking-citizens/" target="_blank" rel="noopener">países europeus</a>. Mas grupos da sociedade civil destacaram como o governo cambojano tem um histórico de abuso das leis e dos processos judiciais para silenciar críticas e oposição.  Em uma entrevista com o CambojaNews, o presidente da ONG Adhoc, Ny Sokha, <a href="https://cambojanews.com/thumbs-down-on-proposal-to-strip-khmer-citizenship-risk-of-being-abused/" target="_blank" rel="noopener">resumiu</a> a preocupação sobre como a lei pode causar danos a críticos e rivais políticos.</p>
<blockquote><p>We have observed that institutions which have the authority to impose punishments on political groups have yet to make truly independent decisions. We are concerned that if this draft law is passed, certain groups will be powerless to defend themselves, as our judicial system is still not strong.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Nós notamos que instituições com autoridade para impor punições a grupos políticos devem tomar decisões verdadeiramente independentes. Nossa preocupação é que, se esse projeto de lei passar, certos grupos ficarão impotentes para se defender, uma vez que nosso sistema judiciário ainda não é forte o bastante.</p></blockquote>
<p>Nos últimos anos, o partido no poder foi <a href="https://globalvoices.org/2023/12/04/from-hun-sen-to-hun-manet-the-worrying-state-of-free-speech-in-cambodia/" target="_blank" rel="noopener">acusado</a> de usar as leis e as cortes como armas para forçar o <a href="https://www.dw.com/en/cambodian-press-freedom-under-attack/a-71639204" target="_blank" rel="noopener">fechamento de veículos de mídia</a>, <a href="https://www.bbc.com/news/world-asia-42006828" target="_blank" rel="noopener">desfazer partidos da oposição</a> e prender jovens ativistas, incluindo a detenção de <a href="https://globalvoices.org/2024/12/10/free-yourselves-from-fear-cambodian-youth-activists-fight-for-environmental-justice/">jovens ativistas</a> do Mother Nature (Mãe Natureza), um grupo em defesa de direitos ambientais focado em fortalecer as proteções ao meio ambiente no Camboja.</p>
<p>Em uma entrevista com a Radio Free Asia, Vann Dara, ex-líder provincial que agora vive exilada na Austrália, <a href="https://www.rfa.org/english/cambodia/2025/07/07/cambodia-citizenship-amendment-proposed/?utm" target="_blank" rel="noopener">contou</a> que perdeu seu passaporte em 2020 e se tornou apátrida devido à sua posição crítica contra o governo de Hun Sen.</p>
<blockquote><p>I’ve never done anything to harm my country. I only helped the people. I didn’t cut down forests, sell land, gems, or minerals. Yet Hun Sen hunts me down, abuses and arrests us without fault, and even strips us of citizenship and passports.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Eu nunca fiz nada para prejudicar meu país. Eu apenas ajudei as pessoas. Eu não desmatei florestas, vendi terras, pedras preciosas, ou minerais. Mesmo assim, Hun Sen me caça, abusa e nos prende sem razão, e até mesmo tira nossa cidadania e passsaportes.</p></blockquote>
<p>A política exilada Mu Sochua <a href="https://thediplomat.com/2025/07/cambodias-citizenship-bill-is-a-dangerous-weapon-in-a-dictators-hands/" target="_blank" rel="noopener">acrescentou</a> que, com base em sua experiência, as emendas representam uma séria ameaça às liberdades civis das pessoas.</p>
<blockquote><p>For me, this is not an abstract debate. It is deeply personal. I know what it means to lose your birth place and the identity attached. I know how easily words like ‘traitor’ and ‘enemy’ can be wielded by those in power to crush hope and sow fear. I also know silence, from the international community, often emboldens further repression.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Para mim, isso não é um debate abstrato. É profundamente pessoal. Eu sei o que significa perder seu local de nascença e sua identidade juntos. Eu sei como é fácil para aqueles no poder usarem as palavras ‘traidor’ and ‘inimigo’ para destruir a esperança e semear o medo. Eu também sei que o silêncio, da comunidade internacional, frequentemente estimula mais repressão.</p></blockquote>
<p>As tensões na fronteira entre Tailândia e Camboja persistem, e o partido no poder, liderado por Hun Manet e seu pai, continua a consolidar o controle político criminalizando a dissidência. Outra <a href="https://constitutionnet.org/news/voices/amending-article-33-cambodian-constitution-loyalty-nationalism-and-citizenship-stripping?utm" target="_blank" rel="noopener">tática legal</a> que eles agora podem utilizar é ameaçar revogar a cidadania de críticos e rivais políticos, refletindo a deterioração do espaço cívico do país.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/mong/' class='user-link'>Mong Palatino</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/isabela-torezan/' class='user-link'>Isabela Torezan</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/07/19/cambodian-law-can-render-citizens-stateless-for-undermining-national-security/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/07/Mother-Nature-400x300.jpg" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Brasil: Decisão na Justiça joga luz à história de mulher sem documentos e ‘sem-pátria’</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/07/31/brasil-decisao-na-justica-joga-luz-a-historia-de-mulher-sem-documentos-e-sem-patria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[MigraMundo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Jul 2026 11:19:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Bolívia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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		<category><![CDATA[Mulheres e Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Refugiados]]></category>
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					<description><![CDATA[Depois de 40 anos sem documentos e identidade oficial, mulher nascida na Bolívia conseguiu regularizar situação migratória e abrir processo de reconhecimento como apátrida]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>País passou a ter reconhecimento formal da condição de apátrida a partir de 2017</em></big></p><div id="attachment_123156" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-123156" class="wp-image-123156 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/07/Untitled-design-7.webp" alt="Mulher de costas diante de um mapa da América do Sul e de um diagrama que mostra um pessoa em busca de documentos" width="800" height="600" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/07/Untitled-design-7.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/07/Untitled-design-7-400x300.webp 400w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-123156" class="wp-caption-text">Arte criada no Canva Pro por Global Voices</p></div>
<p><em>Esse texto, escrito por Gustavo Cavalcante e com a colaboração de Rodrigo Borges Delfim, foi publicado originalmente no <a href="https://migramundo.com/como-uma-decisao-da-justica-de-ms-ajuda-a-chamar-atencao-para-questao-da-apatridia-no-brasil-e-no-mundo/">site MigraMundo</a>, em 29 de maio de 2026. Ele é republicado aqui em acordo de parceria com o Global Voices, com edições.</em></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><i>Esse post faz parte da série Spotlight do Global Voices de julho de 2026: “</i><a href="https://globalvoices.org/special/statelessness-spotlight"><i>Statelessness</i></a><i>.” Essa série aborda questões relacionadas à apatridia e como ela afeta a vida de indivíduos em sua liberdade de ir e vir, oportunidades educacionais, acesso a políticas e mais. Você pode apoiar essa cobertura doando</i><em><a href="https://globalvoices.org/2026/06/17/support-global-voices-spotlight-statelessness/"> aqui</a>.</em></span></p>
<p>Maria* tinha entre sete e oito anos quando uma mulher brasileira apareceu para buscá-la em <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Cruz_de_la_Sierra">Santa Cruz de la Sierra</a>, na Bolívia, e levá-la ao Brasil, sem que ela carregasse consigo qualquer documento ou registro oficial de sua existência, nem fosse notada por quaisquer autoridades dos países ao cruzar a fronteira.</p>
<p>“Nunca mais voltei. Desde aquele dia eu fiquei em uma casa de um, em uma casa de outro e fiquei rodando. O Brasil inteiro eu já rodei. Trabalhava pela comida, morava na rua. Eu morei na rua porque a pessoa me maltratava, me batia”, <a href="https://direitoshumanos.dpu.def.br/apos-mais-de-40-anos-sem-existir-oficialmente-mulher-apatrida-consegue-na-justica-direito-a-residencia-no-brasil/">contou ela à Justiça</a> brasileira, mais de 40 anos depois.</p>
<p>O relato de Maria foi feito durante uma audiência judicial. Em maio de 2026, uma decisão da 1ª Vara Federal de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Corumb%C3%A1">Corumbá, no estado de Mato Grosso do Sul</a>, região Centro-Oeste do Brasil, reconheceu seu direito à residência no Brasil por reunião familiar, já que ela teve três filhos brasileiros, e instaurou o procedimento de reconhecimento formal da condição de apátrida. A Justiça determinou que a União e a Polícia Federal adotem medidas para garantir sua regularização migratória, sem que sejam necessários documentos considerados impossíveis de obter diante da própria condição de inexistência civil.</p>
<p>Segundo dados divulgados pela <a href="https://direitoshumanos.dpu.def.br/apos-mais-de-40-anos-sem-existir-oficialmente-mulher-apatrida-consegue-na-justica-direito-a-residencia-no-brasil/">Defensoria Pública da União (DPU)</a>, que a representou, Maria passou grande parte da vida à margem de direitos considerados básicos para a maioria da população. Sem certidão de nascimento, carteira de identidade ou passaporte, ela trabalhou informalmente, criou os filhos, sempre enfrentando obstáculos para acessar serviços públicos, como matricular as crianças na escola ou solicitar benefícios previdenciários após a morte do companheiro.</p>
<p>Ainda segundo a Defensoria, enquanto vive da renda de bolos vendidos nas ruas de Corumbá, ela faz tratamento contra o câncer, após o diagnóstico de um nódulo na mama. Os planos dela hoje incluem ir à escola para aprender a escrever e ser batizada na igreja, porém, ambas as instituições exigem documento de identidade.</p>
<p>O juiz federal Rubens Petrucci Júnior <a href="https://direitoshumanos.dpu.def.br/apos-mais-de-40-anos-sem-existir-oficialmente-mulher-apatrida-consegue-na-justica-direito-a-residencia-no-brasil/">definiu o caso dizendo</a> que a Justiça se deparava ali com alguém que “para o Estado brasileiro e para o boliviano, simplesmente não existe”. A frase sintetiza uma condição que vai além da burocracia documental e revela um processo profundo de invisibilidade jurídica e social.</p>
<h3>Cenário do Brasil</h3>
<p>O caso de Maria não é único no Brasil. Em junho de 2023, o <a href="https://migramundo.com/apatrida/">MigraMundo contou a história</a> de Andrimana Buyoya Habizimana, o Abin, que nasceu no Burundi e por questões diversas não teve direito à cidadania local, sendo reconhecido como apátrida pelo governo brasileiro após anos de luta e de residência no país. Ele vive atualmente em <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Natal_(Rio_Grande_do_Norte)">Natal, no Rio Grande do Norte</a>.</p>
<p>De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública compartilhados com o Global Voices, entre 2018 e abril de 2025, 58 processos de condição de apatridia foram analisados no Brasil. Destes, 33 pessoas foram reconhecidas como apátridas, 17 tiveram o caso indeferido e 8 foram encaminhados a outros desfechos (arquivados, extintos ou revogados).</p>
<p>O ministério diz ainda que, atualmente, há 8 processos em análise no país, e não há estimativa oficial do número de pessoas que podem estar em situação de apatridia no Brasil sem registro nos canais oficiais.</p>
<p>Ainda de acordo com informações do governo brasileiro, entre os países de origem das pessoas reconhecidas como apátridas estão Alemanha, Angola, Arábia Saudita, Argentina, Bolívia, Brasil, Burundi, China, Cuba, Egito, Estados Unidos, Guiana Francesa, Holanda, Itália, Japão, Jordânia, Kuwait, Líbano, Palestina, Paraguai, Peru, Rússia, Síria, Suriname, Tibet, Uruguai e Venezuela.</p>
<p>O Brasil passou a ter procedimento próprio para tratar de casos de apatridia com a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Migra%C3%A7%C3%A3o">Lei de Migração, de 2017</a>, e uma portaria interministerial de 2018. Antes disso, diz o governo, ainda que o país fosse parte da <a href="https://www.acnur.org/fileadmin/Documentos/portugues/BDL/Convencao_sobre_o_Estatuto_dos_Apatridas_de_1954.pdf">Convenção sobre o Estatuto dos Apátridas de 1954</a>, “não havia, na legislação migratória, um procedimento administrativo específico e estruturado para o reconhecimento formal da condição de apátrida nos moldes atuais”. Ainda assim, alguns casos, <a href="https://migramundo.com/apatrida/">como Abin</a>, recorriam à Justiça.</p>
<h3>O que é ser apátrida?</h3>
<p>Segundo a <a href="https://www.acnur.org/br/sobre-o-acnur/quem-ajudamos/apatridas">definição da Organização das Nações Unidas</a>, o apátrida é aquele que não tem sua nacionalidade reconhecida por nenhum Estado. Tal situação ocorre por diversas razões relacionadas, principalmente, a algum tipo de discriminação judiciária, política, religiosa ou social contra minorias. Embora pareça uma questão restrita ao campo diplomático, os impactos da apatridia atravessam o cotidiano de forma profunda e permanente.</p>
<p>A apatridia é considerada uma das formas mais severas de invisibilidade institucional contemporânea. Sem reconhecimento legal, tais pessoas passam a viver em um limbo jurídico no qual direitos básicos deixam de ser garantias universais e passam a depender de exceções administrativas ou de decisões judiciais.</p>
<p>As causas variam conforme o contexto político e histórico de cada país. Entre os principais fatores estão conflitos entre legislações nacionais, discriminação contra minorias étnicas ou religiosas, mudanças territoriais, dissolução de Estados e falhas nos sistemas de registro civil. Crianças nascidas em regiões de conflito, por exemplo, frequentemente ficam sem certidão de nascimento, tornando-se vulneráveis à exclusão documental.</p>
<p>Segundo a Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), ao menos<a href="https://www.unhcr.org/about-unhcr/who-we-protect/stateless-people"> 4,5 milhões de pessoas são apátridas no mundo</a>. Embora esse dado ajude a dimensionar a gravidade do fenômeno, o próprio órgão das Nações Unidas admite que a dimensão real da apatridia é significativamente maior.</p>
<p>A estimativa histórica utilizada por organismos internacionais aponta que o número verdadeiro pode chegar a<a href="https://www.statelesshub.org/theme/data-and-statistics"> 15 milhões de pessoas</a>, justamente porque muitos governos não possuem mecanismos adequados para identificar populações sem cidadania ou sequer produzem estatísticas oficiais sobre o tema, o que gera um ciclo vicioso de invisibilidade e de falta de ações para lidar com a questão.</p>
<p>Entre os casos mais emblemáticos de apátridas estão os <a href="https://globalvoices.org/2026/07/21/sold-as-brides-lost-at-sea-the-trafficking-of-stateless-rohingya-girls/">rohingyas</a>, minoria muçulmana perseguida em Mianmar e privada de cidadania local há décadas. Há ainda populações conhecidas como Bidun, presentes em países do Golfo Pérsico e historicamente excluídas dos sistemas nacionais.</p>
<p>O ACNUR diz que, em algumas regiões, a ausência de documentação também aumenta o risco de exploração laboral, tráfico humano e violência institucional.</p>
<h3>Respostas globais e locais</h3>
<p>Nos últimos anos, organismos multilaterais intensificaram campanhas para tentar reduzir o problema, como a “#IBelong”, liderada pelo ACNUR, que já auxiliou mais de 550 mil pessoas a obter ou confirmar uma nacionalidade. Alguns países passaram a revisar suas legislações e a criar mecanismos de reconhecimento documental. Em 2024, por exemplo, a Tailândia anunciou medidas para acelerar a concessão de cidadania a centenas de milhares de pessoas sem nacionalidade reconhecida.</p>
<p>Além de ser integrante das duas Convenções Internacionais das Nações Unidas sobre a Apatridia – Convenção sobre o Estatuto dos Apátridas de 1954 e a <a href="https://www.acnur.org/fileadmin/Documentos/portugues/BDL/Convencao_para_a_Reducao_dos_Casos_de_Apatridia_de_1961.pdf">Convenção para a Redução dos Casos de Apatridia de 1961</a> – o Brasil aprovou, em 2007, a <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc54.htm">Emenda Constitucional nº 54</a>, que solucionou o problema dos chamados <a href="https://www.indexlaw.org/index.php/rdb/article/view/2693">“brasileirinhos apátridas”</a> – filhos de brasileiros nascidos no exterior que não conseguiam adquirir a nacionalidade.</p>
<p>Em 2018, o país reconheceu oficialmente seus <a href="https://www.acnur.org/br/noticias/historias/maha-e-souad-mamo-sao-primeiras-pessoas-reconhecidas-como-apatridas-pelo-brasil">primeiros casos de apátridas</a> sob a nova legislação vigente: as <a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45738226">irmãs Maha e Souad Mamo</a>, nascidas no Líbano e filhas de sírios, que viviam sem nacionalidade reconhecida devido a conflitos entre legislações nacionais e discriminação religiosa. O caso foi <a href="https://www.acnur.org/br/noticias/historias/maha-e-souad-mamo-sao-primeiras-pessoas-reconhecidas-como-apatridas-pelo-brasil">divulgado pelo ACNUR</a>. As duas receberam naturalização brasileira em cerimônia considerada histórica pela agência.</p>
<p>Maha contou sua <a href="https://www.acnur.org/br/noticias/comunicados-imprensa/conheca-historia-de-maha-mamo-mulher-que-viveu-por-trinta-anos-sem">história no livro</a> “Maha Mamo &#8211; a luta de uma apátrida pelo direito de existir”, publicado no Brasil em 2020.</p>
<p><em>*Um nome fictício foi usado para preservar sua identidade. </em></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/migramundo/' class='user-link'>MigraMundo</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Trabalhadores migrantes nos Estados do Golfo: Eles vieram para construir cidades, não para serem enterrados nelas</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/07/29/trabalhadores-migrantes-nos-estados-do-golfo-eles-vieram-para-construir-cidades-nao-para-serem-enterrados-nelas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciana Alvim]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2026 23:05:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra & Conflito]]></category>
		<category><![CDATA[Inglês]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio e Norte da África]]></category>
		<category><![CDATA[Qatar]]></category>
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					<description><![CDATA[“Quando os mísseis cruzam as fronteiras e drones dominam as manchetes, nações poderosas falam a língua da estratégia. Trabalhadores comuns falam a língua da sobrevivência.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>A tragédia do conflito moderno não está limitada aos campo de batalhas. Sua sombra vai além das fronteiras</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/06/960px-Migrant_Workers-in-Dubai-800x600.webp" alt="Migrant workers on a building in Bur Dubai, UAE, March 21, 2023. " width="800" height="600" /><p class="wp-caption-text">Trabalhadores migrantes construindo um edifício em Bur, Dubai, UAE, 21 de março de 2023. <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Migrant_Worker.jpg">Foto</a> por Gaurav Dhwaj Khadka na <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/Main_Page">Wikimedia Commons</a> (<a href="https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/deed.en">CC-SA 4.0</a> ).</p></div>
<p><strong>Por Noorudeen Veetykadan</strong></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Em março deste ano, a vida no Golfo passou a parecer frágil, fora do normal.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Novos alertas interrompiam eventos comuns. Rumores se espalhavam mais rápido que as confirmações. Mísseis, drones, espaço aéreo fechado e tensões políticas de repente se tornaram parte das conversas do dia a dia. Para muitas famílias que vivem na região, especialmente os migrantes longe de seus países de origem, a incerteza se assentou silenciosamente no cotidiano. </span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Até rotinas simples mudaram. As pessoas saíam de casa com mais cautela. Pais seguiam as notícias mais de perto. Ligações para casa se tornaram mais longas, suaves, pesadas.</span></p>
<p><span class="tm7">Da janela do nosso apartamento em Doha, eu costumava ver trabalhadores se reunindo em pequenos grupos depois de longas jornadas de trabalho. Homens com seus uniformes desbotados, rostos marcados pelo calor, poeira e exaustão. Alguns sentavam nas calçadas. Alguns se encostavam silenciosamente nos muros das construções. Outros descansavam sentados no meio-fio antes de voltarem às suas moradias superlotadas, após passarem o dia construindo uma cidade a qual eles nunca pertencerão.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Minha filha mais nova, Maryam, os observava cuidadosamente.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">“Eles não estão cansados depois de trabalharem o dia todo?”, ela perguntou.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">“Eles sentem falta de suas famílias?”</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Depois, após escutar fragmentos de conversas sobre conflito e incerteza, suas perguntas se tornaram mais profundas.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">“Estes trabalhadores, seguranças, entregadores de comida estão seguros do lado de fora?”</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Eu nem sempre tinha as respostas.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Mas as perguntas dela ficaram na minha mente.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">As crianças notam o que os adultos costumam ignorar. Elas veem o entregador esperando no semáforo. A faxineira varrendo corredores vazios em edifícios silenciosos. O segurança parado sozinho do lado de fora mesmo depois da meia-noite. O mundo delas ainda não foi dividido entre categorias de importância e invisibilidade. </span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">E talvez seja por isso que as perguntas dela me inquietavam.</span></p>
<p>Porque por trás de cada capacete de construção, de cada bicicleta de entregador, de todo uniforme de manutenção no Golfo, geralmente existe uma outra história acontecendo em algum outro lugar longe daqui. Como a de uma mãe esperando por uma ligação, uma esposa carregando todas as responsabilidades sozinha, crianças recebendo o amor dos pais através de uma chamada de vídeo, e a família inteira dependendo da transferência de dinheiro.</p>
<p><span class="tm7">A maioria dos trabalhadores migrantes não deixa seus países buscando uma vida de luxo. Eles buscam alívio.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Alívio de dívidas.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Do desemprego.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Da fome.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Do lento sufoco da pobreza.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Eles vêm de vilas e cidades pequenas de toda a Ásia e da África onde as oportunidades são escassas e a sobrevivência demanda sacrifício. Eles trazem consigo fotos em suas carteiras gastas e promessas em seus corações cansados. Alguns sonham em educar uma filha. Alguns esperam construir uma casa modesta. Outros simplesmente querem que seus pais possam envelhecer sem insegurança financeira.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Eles vêm ao Golfo para construir.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Para levantar torres desde a areia.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Para abrir estradas como fitas pelo deserto.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Para limpar as janelas de prédios de vidro que tocam as nuvens.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Para dar conforto aos lares dos outros enquanto vivem longe dos seus.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Mas muitos nunca imaginaram que também poderiam se tornar vítimas de conflitos que nunca foram seus.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Em bombardeios recentes na região, muitos trabalhadores migrantes estavam entre os que perderam a vida. Alguns morreram em silêncio, sem manchetes grandes o suficiente para contarem suas histórias. Poucas linhas nos noticiários. Uma breve menção às baixas. E o mundo seguiu em frente.</span></p>
<p>Mas em algum lugar distante, famílias não seguiram adiante. Uma mãe entrou em colapso ao saber que seu filho, que cruzou oceanos para ajudá-la, agora retornaria em um caixão. Uma esposa olhando fixamente para o telefone em silêncio, esperando por uma chamada que nunca mais virá. Crianças muito novas para entender geopolítica, de repente, aprenderam o significado de uma ausência permanente.</p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Para muitas famílias migrantes, o trabalhador não é apenas um provedor. Ele é a ponte que mantém toda a família fora da pobreza. Um salário, frequentemente, alimenta pais, educa irmãos, paga dívidas, sustenta crianças e famílias inteiras espalhadas por vários continentes. </span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Quando este trabalhador morre, não é somente uma vida que se vai.</span></p>
<p><span class="tm7">Mas várias.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">E o que faz a tragédia ainda mais pesada é a ironia cruel.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Estes trabalhadores vieram para construir cidades, não para serem enterrados nelas.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Eles vieram trazendo ferramentas, não armas.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Sonhos, não perigo.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Esperança, não ódio.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Ainda assim, em momentos de conflito, eles se tornam as pessoas mais vulneráveis sob o mesmo céu. Quando mísseis cruzam fronteiras e drones dominam o noticiário, nações poderosas falam a língua da estratégia. Trabalhadores comuns falam a língua da sobrevivência. Entregadores ainda trafegam por ruas inseguras. Trabalhadores da construção ainda escalam andaimes sob céus inquietos. Seguranças ainda ficam parados durante longos turnos enquanto seus familiares em casa assistem aterrorizados às notícias e imaginam se seus entes queridos estão a salvo.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">O mundo costuma falar sobre guerras através de mapas, cálculos militares e discursos políticos. Mas pessoas comuns experienciam o conflito de maneira diferente.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">O conflito chega através do sono interrompido.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">De telefonemas ansiosos.</span></p>
<p>De uma mãe atualizando as notícias com as mãos tremendo.</p>
<p><span class="tm7">De crianças fazendo perguntas que os adultos não sabem responder.</span></p>
<p><span class="tm7">De trabalhadores fingindo calma enquanto carregam um medo invisível.</span></p>
<p><span class="tm7">A tragédia do conflito moderno não é limitada aos campos de batalha. Ela viaja muito além das fronteiras. Ela entra silenciosamente nas cozinhas, nas salas de aula, nos locais de trabalho e nas conversas de família. Até em lugares não tocados diretamente pela violência se começa a sentir o peso emocional da incerteza.</span></p>
<p><span class="tm7">E nestes momentos, os trabalhadores migrantes se tornam as testemunhas mais invisíveis de todas.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Eles constroem cidades às quais nunca pertencerão totalmente.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Eles fortalecem economias que talvez nunca saibam seus nomes.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Eles passam sua juventude construindo torres, estradas, aeroportos, shoppings e estádios, enquanto suas famílias continuam vivendo a milhares de quilômetros de distância. </span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Ainda assim, quando a incerteza chega, eles continuam sendo os mais expostos, mais frágeis economicamente, emocionalmente isolados e socialmente invisíveis.</span></p>
<p><span class="tm7">As perguntas de Maryam me lembraram algo simples, mas desconfortável: a empatia geralmente sobrevive mais naturalmente nas crianças do que nos adultos. Adultos se distraem com política, nacionalidade, religião e ideologia. Crianças ainda veem seres humanos primeiro.</span></p>
<p><span class="tm7">Um trabalhador não é uma nacionalidade para elas.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Um entregador não é alguém no fundo do cenário. </span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Um segurança não é invisível.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Eles são simplesmente pessoas que podem estar cansadas, solitárias, preocupadas ou com medo. </span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Talvez o mundo fosse diferente se mais de nós aprendêssemos a ver as pessoas como as crianças as veem. </span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Não pelos passaportes.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Não por suas profissões.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Não pelo poder.</span></p>
<p>Mas através de uma vulnerabilidade humana compartilhada.</p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Os céus sobre o Golfo podem eventualmente se aquietar de novo. Novos ciclos continuarão. As manchetes mudarão. Mas em algum lugar, há lares que nunca irão se recuperar totalmente desses conflitos. </span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Lares onde crianças crescerão com fotografias no lugar de pais.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Lares onde pais idosos continuarão esperando pelos passos de quem nunca retornará.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Lares onde sonhos não concluídos ficarão silenciosamente ao lado de malas fechadas.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Então, isso também é um tributo&#8230;</span></p>
<p><span class="tm7">Aos trabalhadores que deixaram seus lares carregando esperança em malas pequenas e responsabilidade dentro de corações pesados.</span></p>
<p><span class="tm7">Aos homens que misturaram concreto debaixo do sol escaldante, que limparam torres nas quais eles nunca poderiam se dar ao luxo de entrar, entregaram comida enquanto perdiam as refeições junto às suas famílias e passavam sua juventude inteira construindo cidades para os outros.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Para aqueles que cruzaram os mares para construir vidas, mas voltaram apenas como memória. </span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Que eles nunca sejam reduzidos à estatísticas enterradas sob manchetes políticas.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Que o seu trabalho seja lembrado com dignidade.</span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">Que o seu sacrifício seja contado com humanidade. </span></p>
<p class="tm6"><span class="tm7">E que o mundo nunca se esqueça desta verdade dolorosa: </span></p>
<p class="tm6"><em><span class="tm7">Eles vieram para construir cidades, não para serem enterrados nelas.</span></em></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/guest-contributor/' class='user-link'>Guest Contributor</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/luciana-alvim/' class='user-link'>Luciana Alvim</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/06/08/migrant-workers-in-the-gulf-states-they-came-to-build-cities-not-to-be-buried-in-them/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/06/960px-Migrant_Workers-in-Dubai-400x300.webp" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Cidadãos lideram esforços após fortes terremotos na Venezuela</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/07/16/cidadaos-lideram-esforcos-apos-fortes-terremotos-na-venezuela/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciana Alvim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 20:06:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Desastre]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Esforços Humanitários]]></category>
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		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Venezuela]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
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					<description><![CDATA[Até 6 de julho foram confirmadas 3.342 mortes e 16.740 feridos, além de 16 mil desabrigados, de acordo com o Ministério da Informação do país.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Esforços liderados pelos cidadãos preenchem as lacunas deixadas pelo Estado após as consequências dos terremotos na Venezuela.</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:LCF-24-_Ground_Zero_(9782103).jpg"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/07/Venezuela_Ground_Zero_9782103-800x533.jpg" alt="Venezuelan citizens search through building destruction in La Guaira, Venezuela on June 29, 2026. Photo via Wikimedia Commons/US Marine Corps, public domain." width="800" height="533" /></a><p class="wp-caption-text">Cidadãos venezuelanos buscam sobreviventes nos escombros dos prédios destruídos em La Guaíra, Venezuela, em 29 de junho de 2026.<a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:LCF-24-_Ground_Zero_(9782103).jpg">Foto</a> via Wikimedia Commons/US Marine Corps, domínio público.</p></div>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Às 18h04 do horário local, no dia 24 de junho de 2026, a Venezuela vivenciou <a href="https://www.bbc.com/news/live/c621z18wznet?post=asset:9384c63d-dfdd-4f44-8b6f-8ae6b355bfd6#post" target="_blank" rel="noopener">seu maior evento sísmico em um século</a>: um terremoto de magnitude 7,2, seguido, 39 segundos depois, por outro de magnitude 7,5.</span></p>
<p>Até 6 de julho<a href="https://www.reuters.com/world/americas/death-toll-venezuela-quakes-rises-3342-2026-07-05/"> foram confirmadas</a> 3.342 mortes e <a href="https://www.reuters.com/world/americas/death-toll-venezuela-quakes-rises-3342-2026-07-05/">16.740 feridos,</a> além de 16 mil desabrigados, de acordo com o Ministério da Informação do país. O número não oficial de pessoas desaparecidas chega a 41 mil, e pelo menos 58 mil edifícios <a href="https://www.wired.com/story/satellite-images-damage-caused-by-venezuela-earthquakes/">foram severamente danificados</a>, como mostram imagens de satélite divulgadas pela NASA.</p>
<p>Embora seus epicentros estivessem a 160 quilômetros de distância, os <a href="https://www.pbs.org/newshour/science/the-2-earthquakes-that-struck-venezuela-are-known-as-a-doublet-heres-what-to-know-about-them">“doublets”</a>, terremotos duplos (também ocorridos na <a href="https://globalvoices.org/2023/03/01/syria-from-the-jaws-of-death-to-the-embrace-of-fate/">Síria e na Turquia em 2023</a>), abalaram o coração do país sul-americano. Caracas, a capital da Venezuela, e sua cidade vizinha <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/La_Guaira_(state)">La Guaira</a>, um estado costeiro situado a 40 minutos de Caracas, próximo ao Mar do Caribe, foram as mais afetadas. O principal aeroporto internacional do país e o porto também estão localizados em La Guaira, assim como várias residências e casas de veraneio. Conforme <a href="https://data.humdata.org/dataset/cod-ps-ven">o censo mais recente</a>, de 2011, aproximadamente 5 milhões de pessoas viviam na área combinada.</p>
<p>O litoral norte da Venezuela está próximo de placas tectônicas situadas no Mar do Caribe e no continente sul-americano. A área de Caracas-La Guaira já passou por sua cota de desastres naturais, incluindo <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/1967_Caracas_earthquake">outro terremoto em 1967</a> e <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Vargas_tragedy">grandes inundações em 1999</a>. Apesar disto, os cientistas consideram <a href="https://www.science.org/content/article/venezuela-s-double-earthquake-struck-faults-scientists-had-flagged?__cf_chl_f_tk=c5WMzWH8h9I9FTpB0uy_rCtvStKiBaNLhKJ8D..gy3U-1783053582-1.0.1.1-3pkN70b1wtLGz9Kp3iGF3daT8dqKXlskBOgp55PJ8oI">a atual infraestrutura sísmica venezuelana</a> praticamente inexistente. Mas desta vez, entretanto, os celulares Android <a href="https://www.nytimes.com/interactive/2026/06/27/world/americas/venezuela-earthquakes-android-alerts.html?unlocked_article_code=1.t1A.-8rC.LdCUZrt7OO_h&amp;smid=url-share">alertaram muitos venezuelanos</a> pouco antes dos terremotos atingirem a área.</p>
<p>O dia 24 de junho foi um <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Public_holidays_in_Venezuela">feriado nacional</a> na Venezuela; por isso, escolas e estabelecimentos comerciais estavam fechados. Quando os terremotos atingiram o país, muitos aguardavam para assistir aos jogos da Copa do Mundo ou simplesmente passavam o dia tranquilamente com suas famílias. Agora, muitos deles estão envolvidos nas buscas por seus familiares ou organizando iniciativas comunitárias de ajuda que reúnem equipes numerosas de voluntários internacionais. <span style="font-size: 1.25rem;">A reconstrução das áreas danificadas custará pelo menos US$ 6,7 bilhões (equivalentes a 6% do PIB da Venezuela), segundo uma </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.undp.org/latin-america/press-releases/venezuela-faces-us67-billion-economic-losses-earthquakes-undp-estimates" target="_blank" rel="noopener">estimativa preliminar</a><span style="font-size: 1.25rem;"> do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">A tragédia agravou uma </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.rescue.org/press-release/venezuela-irc-launches-emergency-response-twin-earthquakes" target="_blank" rel="noopener">severa crise humanitária já existente</a><span style="font-size: 1.25rem;">, que complica — </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://civil-protection-humanitarian-aid.ec.europa.eu/where/latin-america-and-caribbean/venezuela_en" target="_blank" rel="noopener">outros problemas</a><span style="font-size: 1.25rem;"> que </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.thenewhumanitarian.org/analysis/2026/01/14/humanitarian-crisis-response-venezuela-analysis-post-maduro" target="_blank" rel="noopener">permaneceram inalterados</a><span style="font-size: 1.25rem;"> após a intervenção norte-americana de 6 de janeiro de 2026 — um sistema público de saúde falido e serviços de resposta a emergências mal equipados.</span> <span style="font-size: 1.25rem;">Tem havido um </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.instagram.com/p/DaOPQTkEvK6/?hl=en&amp;img_index=1" target="_blank" rel="noopener">crescente criticismo</a><span style="font-size: 1.25rem;"> quanto à “</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.reuters.com/world/americas/aftershock-hits-caracas-rescue-efforts-enter-critical-hours-venezuela-2026-06-29/" target="_blank" rel="noopener">lentidão</a><span style="font-size: 1.25rem;">” da resposta do governo interino venezuelano à tragédia.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">A presidente em exercício, Delcy Rodríguez, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.dw.com/en/venezuela-leader-rejects-criticism-for-earthquake-response/a-77812839" target="_blank" rel="noopener">justifica o atraso </a><span style="font-size: 1.25rem;">como</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.dw.com/en/venezuela-leader-rejects-criticism-for-earthquake-response/a-77812839" target="_blank" rel="noopener"> uma narrativa fabricada</a><span style="font-size: 1.25rem;"> por laboratórios de propaganda e disse, em 3 de julho: “Nós não esperamos nem por um dia, dois dias ou três dias.</span> Nós agimos imediatamente.”</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">A administração de Rodríguez tem tomado medidas controversas, tais como exigir <a href="https://en.ultimasnoticias.com.ve/mas-vida/activan-centro-de-registro-de-voluntariados-en-el-poliedro-de-caracas/" target="_blank" rel="noopener">o registro obrigatório junto ao governo de Caracas</a> de todos os voluntários que estão nas zonas afetadas, incluindo os socorristas, e impor uma <a href="https://www.freepressunlimited.org/en/current/supporting-independent-journalism-venezuela-after-earthquakes" target="_blank" rel="noopener">restrição à cobertura </a>da imprensa local e internacional.</span></p>
<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DaOPQTkEvK6/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:650px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);">
<div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/DaOPQTkEvK6/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> </p>
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<div style="display:block; height:50px; margin:0 auto 12px; width:50px;"><svg width="50px" height="50px" viewBox="0 0 60 60" version="1.1" xmlns="https://www.w3.org/2000/svg" xmlns:xlink="https://www.w3.org/1999/xlink"><g stroke="none" stroke-width="1" fill="none" fill-rule="evenodd"><g transform="translate(-511.000000, -20.000000)" fill="#000000"><g><path d="M556.869,30.41 C554.814,30.41 553.148,32.076 553.148,34.131 C553.148,36.186 554.814,37.852 556.869,37.852 C558.924,37.852 560.59,36.186 560.59,34.131 C560.59,32.076 558.924,30.41 556.869,30.41 M541,60.657 C535.114,60.657 530.342,55.887 530.342,50 C530.342,44.114 535.114,39.342 541,39.342 C546.887,39.342 551.658,44.114 551.658,50 C551.658,55.887 546.887,60.657 541,60.657 M541,33.886 C532.1,33.886 524.886,41.1 524.886,50 C524.886,58.899 532.1,66.113 541,66.113 C549.9,66.113 557.115,58.899 557.115,50 C557.115,41.1 549.9,33.886 541,33.886 M565.378,62.101 C565.244,65.022 564.756,66.606 564.346,67.663 C563.803,69.06 563.154,70.057 562.106,71.106 C561.058,72.155 560.06,72.803 558.662,73.347 C557.607,73.757 556.021,74.244 553.102,74.378 C549.944,74.521 548.997,74.552 541,74.552 C533.003,74.552 532.056,74.521 528.898,74.378 C525.979,74.244 524.393,73.757 523.338,73.347 C521.94,72.803 520.942,72.155 519.894,71.106 C518.846,70.057 518.197,69.06 517.654,67.663 C517.244,66.606 516.755,65.022 516.623,62.101 C516.479,58.943 516.448,57.996 516.448,50 C516.448,42.003 516.479,41.056 516.623,37.899 C516.755,34.978 517.244,33.391 517.654,32.338 C518.197,30.938 518.846,29.942 519.894,28.894 C520.942,27.846 521.94,27.196 523.338,26.654 C524.393,26.244 525.979,25.756 528.898,25.623 C532.057,25.479 533.004,25.448 541,25.448 C548.997,25.448 549.943,25.479 553.102,25.623 C556.021,25.756 557.607,26.244 558.662,26.654 C560.06,27.196 561.058,27.846 562.106,28.894 C563.154,29.942 563.803,30.938 564.346,32.338 C564.756,33.391 565.244,34.978 565.378,37.899 C565.522,41.056 565.552,42.003 565.552,50 C565.552,57.996 565.522,58.943 565.378,62.101 M570.82,37.631 C570.674,34.438 570.167,32.258 569.425,30.349 C568.659,28.377 567.633,26.702 565.965,25.035 C564.297,23.368 562.623,22.342 560.652,21.575 C558.743,20.834 556.562,20.326 553.369,20.18 C550.169,20.033 549.148,20 541,20 C532.853,20 531.831,20.033 528.631,20.18 C525.438,20.326 523.257,20.834 521.349,21.575 C519.376,22.342 517.703,23.368 516.035,25.035 C514.368,26.702 513.342,28.377 512.574,30.349 C511.834,32.258 511.326,34.438 511.181,37.631 C511.035,40.831 511,41.851 511,50 C511,58.147 511.035,59.17 511.181,62.369 C511.326,65.562 511.834,67.743 512.574,69.651 C513.342,71.625 514.368,73.296 516.035,74.965 C517.703,76.634 519.376,77.658 521.349,78.425 C523.257,79.167 525.438,79.673 528.631,79.82 C531.831,79.965 532.853,80.001 541,80.001 C549.148,80.001 550.169,79.965 553.369,79.82 C556.562,79.673 558.743,79.167 560.652,78.425 C562.623,77.658 564.297,76.634 565.965,74.965 C567.633,73.296 568.659,71.625 569.425,69.651 C570.167,67.743 570.674,65.562 570.82,62.369 C570.966,59.17 571,58.147 571,50 C571,41.851 570.966,40.831 570.82,37.631"></path></g></g></g></svg></div>
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<p><script async src="//platform.instagram.com/en_US/embeds.js"></script></p>
<h3>Cidadãos, os primeiros a responder</h3>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Os sobreviventes locais foram os primeiros a pegar ferramentas, como machados, e até a usar as próprias mãos para </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.bbc.com/news/articles/cp8l451420zo" target="_blank" rel="noopener">buscar</a><span style="font-size: 1.25rem;"> seus entes queridos, como se viu nos escombros dos prédios em La Guaira e Caracas.</span> <span style="font-size: 1.25rem;">Outros usaram incessantemente o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.tiktok.com/@malvy_17/video/7656281597469068564" target="_blank" rel="noopener">Tiktok</a><span style="font-size: 1.25rem;">, o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.instagram.com/p/DaISMTJMTzf/?hl=en" target="_blank" rel="noopener">Instagram</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://x.com/vesinfiltro/status/2070175396381737160" target="_blank" rel="noopener">X, recentemente desbloqueado,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> para encontrar desaparecidos, postar pedidos de ajuda para o resgate de pessoas e pedir suprimentos.</span></p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Muitos continuaram <a href="https://abcnews.com/International/wireStory/spotless-uniforms-stalled-cranes-inside-venezuelas-faltering-quake-134365993" target="_blank" rel="noopener">trabalhando arduamente</a> ao redor dos prédios desabados, <a href="https://abcnews.com/International/wireStory/spotless-uniforms-stalled-cranes-inside-venezuelas-faltering-quake-134365993" target="_blank" rel="noopener">muito além</a> da &#8220;janela de sobrevivência de 72 horas&#8221;, período em que os especialistas em resgates dizem ser possível encontrar sobreviventes.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">O trabalho profissional de busca e salvamento </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.instagram.com/p/DaOrvqoO_xY/?hl=en" target="_blank" rel="noopener">também continuou</a><span style="font-size: 1.25rem;">, a cargo de equipes venezuelanas, e, a partir de 25 de junho, nas áreas mais afetadas, por equipes de mais de 30 países, incluindo Argentina, Chile, Itália, Jordânia, México, Catar, Espanha e Estados Unidos.</span> Histórias de resgate bem-sucedidas — tais como a <a href="https://www.youtube.com/watch?v=t4l2yRDcxDs">retirada</a> de Dayana Patiño e de seu bebê recém-nascido, Juan David, de 8 dias, após 32 horas sob os escombros — foram amplamente celebradas nas redes sociais nacionais e internacionais.</p>
<p>De acordo com os números divulgados pelo governo até dia 3 de julho, os esforços de voluntários e equipes de resgate <a href="https://www.dw.com/en/venezuela-death-toll-nears-2000-as-rescue-hopes-fade/a-77778620">resultaram no salvamento</a> de pelo menos 6 mil pessoas nas áreas afetadas.</p>
<p>Entretanto, pelo menos um episódio envolvendo oficiais venezuelanos prejudicou os esforços das equipes de busca e resgate. <a href="https://www.instagram.com/francisco.lermanda/?hl=en">Francisco Lermanda</a>, que trabalha com o grupo de voluntários Topos de Chile, <a href="https://www.instagram.com/reels/DaNsx8ouQud/">denunciou</a> que os militares ativos nas áreas de regate de La Guaira pediram incessantemente para que se identificassem. “Nós temos ordens para verificar seus documentos, porque vocês podem ser espiões dos ianques ou dos chilenos”, teriam dito as autoridades a Lermanda, um experiente socorrista .</p>
<h3>Solidariedade sem fronteiras</h3>
<p>Após o desastre, a tecnologia tem conectado as pessoas e atuado como catalisador da reconstrução. <span style="font-size: 1.25rem;">Após confirmar que seus pais estavam salvos em Los Teques, uma cidade perto de Caracas, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://es.globalvoices.org/author/elias-haig/" target="_blank" rel="noopener">Elías Haig</a><span style="font-size: 1.25rem;">, um colaborador venezuelano da Global Voices, que reside nos Estados Unidos para seus estudos universitários, decidiu fazer algo por seu país de origem.</span></p>
<p>“Pensei: vão precisar localizar os desaparecidos”, disse Haig à Global Voices por WhatsApp. “Criar um centro de informações centralizado, com os <a href="https://bloqueos.vesinfiltro.org">bloqueios de acesso à internet ainda </a>ativos pelo governo, era impossível. Também vamos ver informações falsas”.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">O estudante começou a trabalhar imediatamente, produzindo uma </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://terremotovenezuela2026.vercel.app/" target="_blank" rel="noopener">página com inteligência de fontes abertas</a><span style="font-size: 1.25rem;"> (</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://terremotovenezuela2026.vercel.app/" target="_blank" rel="noopener">OSINT)</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e capacidades adicionais de IA  para compilar informações confirmadas sobre pessoas desaparecidas.</span> Ele a retirou do ar em 25 de junho e encaminhou seus relatórios para <a href="http://desaparecidosterremotovenezuela.com/">grandes plataformas online</a>, também desenvolvidas de forma independente.</p>
<div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/07/Elias-Haig-terremotos-venezuela-800x362.jpeg" alt="Terremotovenezuela2026, developed by Global Voices contributor Elias Haig, compiled missing persons reports in the immediate aftermath of the Venezuelan earthquakes. Screenshot used with permission. " width="800" height="362" /><p class="wp-caption-text">Terremotovenezuela2026, desenvolvido pelo colaborador do Global Voices Elias Haig, compilou relatos de pessoas desaparecidas logo após o terremoto na Venezuela. Captura de tela usada sob permissão.</p></div>
<p>“Farei qualquer coisa para agregar valor, sem obstruir nada”, acrescentou Haig. Atualmente, ele está arrecadando fundos com a ajuda de amigos locais. <span style="font-size: 1.25rem;">Em outras iniciativas globais, muitos dos oito milhões de venezuelanos que vivem na diáspora estão </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.caracaschronicles.com/2026/06/25/key-information-about-venezuelas-state-of-emergency/" target="_blank" rel="noopener">canalizando esforços de ajuda</a><span style="font-size: 1.25rem;"> para organizações não governamentais locais confiáveis, oferecendo voluntariamente, de forma remota, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.sismoayudave.com/" target="_blank" rel="noopener">avaliação estrutural</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://sosucv.umiasalud.com/" target="_blank" rel="noopener">assistência médica e psicológica</a><span style="font-size: 1.25rem;"> às pessoas afetadas.</span></p>
<h3>&#8220;Nós devemos continuar&#8221;</h3>
<div style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/07/Caritas-Volunteers-Venezuela--600x600.jpeg" alt="Volunteer-led collection and distribution points are a common sight across Caracas and other Venezuelan cities after the twin earthquakes. Photo by Estefanía Salazar, used with permission. " width="600" height="600" /><p class="wp-caption-text">Pontos de coleta e entrega liderados por voluntários são vistos por toda Caracas e outras cidades venezuelanas após os terremotos duplos. Foto de Estefanía Salazar, usada sob permissão.</p></div>
<p>Múltiplos esforços liderados por voluntários podem ser vistos por toda Venezuela, na forma de pontos de coleta de doações, abrigos para refugiados e mais.</p>
<p><a href="https://caritasvenezuela.org/">A Caritas</a>, uma renomada organização sem fins lucrativos global filiada à Igreja Católica, é uma das principais redes de distribuição que está atualmente canalizando ajuda nas áreas afetadas na Venezuela. Muitos cidadãos, incluindo residentes que vivem fora das áreas afetadas, têm vindo à sede da organização em Caracas para entregar suas doações ou se inscrever como voluntários para o que especialistas estimam ser um esforço <a href="https://www.wfp.org/stories/wfp-ramps-food-and-other-assistance-venezuela-earthquake-response">de longo prazo</a>.</p>
<p>Do lado de fora da sede da Caritas, uma longa fila de caminhões e carros esperavam para entregar as doações. Lá estava um grupo vindo de El Tigre — uma cidade localizada perto dos campos petrolíferos, a seis horas de distância, no leste da Venezuela, que não sofreu maiores danos.</p>
<p>“Nós devemos continuar”, disse José Rivero, o jovem motorista, que, em um espaço de três dias, tinha feito voluntariamente três viagens de ida e volta entre El Tigre e Caracas, usando o caminhão de sua família para distribuir roupas e medicamentos coletados por sua igreja. Suas palavras ecoam a voz de muitos nesta nação assolada pelo desastre.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/estefania-salazar/' class='user-link'>Estefanía Salazar</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/luciana-alvim/' class='user-link'>Luciana Alvim</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/07/06/citizens-lead-relief-efforts-after-major-twin-quakes-in-venezuela/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Brasil: As ações nas periferias que buscam ampliar espaços de educação ambiental</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/07/10/brasil-as-acoes-nas-periferias-que-buscam-ampliar-espacos-de-educacao-ambiental/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Agência Mural]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 21:00:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Juventude]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
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					<description><![CDATA[A Mural conta sobre quatro coletivos que atuam com a população local para mitigar os impactos das questões climáticas e promover a educação ambiental diretamente nos territórios]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Coletivos em São Paulo criam hortas comunitárias e educam sobre lixo em busca de soluções climáticas</em></big></p><div id="attachment_122539" style="width: 766px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122539" class="wp-image-122539 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Jovens-junto-com-Priscila-colhem-na-horta-comunitaria-do-cursinho.-Reproducao_-Marcus-Vinicius-768x1024-1-e1779318346951.webp" alt="Jovens posam com alimentos colhidos em horta comunitária" width="766" height="568" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Jovens-junto-com-Priscila-colhem-na-horta-comunitaria-do-cursinho.-Reproducao_-Marcus-Vinicius-768x1024-1-e1779318346951.webp 766w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Jovens-junto-com-Priscila-colhem-na-horta-comunitaria-do-cursinho.-Reproducao_-Marcus-Vinicius-768x1024-1-e1779318346951-400x297.webp 400w" sizes="auto, (max-width: 766px) 100vw, 766px" /><p id="caption-attachment-122539" class="wp-caption-text"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Jovens, junto com Priscila, colhem na horta comunitária do cursinho. Foto: </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Marcus Vinícius/Utilizada com permissão</span></span></span></span></span></span></span></span></p></div>
<p><em><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Este texto, de autoria de Felipe Barbosa, Gabrielly Souza, Thauane Blanche e Thila Moura, foi publicado originalmente em 22 de abril de 2026, </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://agenciamural.org.br/especiais/as-acoes-nas-periferias-que-buscam-ampliar-espacos-de-educacao-ambiental/?swcfpc=1"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">no site da Agência Mural.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> Ele faz parte do projeto Planeta Território &#8211; Tecnologias de Letramento Climático, realizado pelo Território da Notícia em parceria com o ICS – Instituto Clima e Sociedade. O artigo é reproduzido aqui sob acordo de parceria com o Global Voices, com edições.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></em></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Coletivos e organizações das periferias de São Paulo e da região metropolitana transformam realidades locais ao unir educação ambiental, mobilização comunitária e soluções práticas para enfrentar a crise climática. Áreas antes destinadas ao descarte de lixo viraram hortas comunitárias que hoje abastecem famílias. Há ainda projetos de combate ao desmatamento e ao loteamento clandestino. </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A Agência Mural selecionou quatro coletivos que atuam junto à população local para mitigar os impactos das mudanças climáticas e promover a educação ambiental em seus territórios.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<h4 id="Plantandoecolhendo" class="wp-block-heading"><strong><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Plantando e colhendo</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></strong></h4>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">No Jardim Lapena, na zona leste de São Paulo, um ponto de descarte irregular de lixo se tornou uma horta comunitária que alimenta dezenas de famílias.<strong><span style="color: #ff0000;"> </span></strong>Foi ali que Maria Edilene, 39, fundou o </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://www.instagram.com/coletivo_das_marias/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Coletivo das Marias</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">. </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“O maior prazer que tenho é falar é que não foi o poder público que acabou com o lixo”, afirma ela.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A mudança começou há cerca de 14 anos, quando Maria se deparou com o acúmulo de <span style="color: #000000;">sacos de lixo</span> na frente de casa. </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Incomodada com a exposição dos filhos e de outras crianças a materiais tóxicos, mau cheiro, ratos e insetos, ela decidiu agir. “Me recusava a criar meus filhos com o lixo”, conta.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Sozinha, começou a limpar o espaço e mobilizou outros moradores. Inicialmente, sete vizinhos se somaram ao mutirão. </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Maria passou a cultivar chás no local, prática que remete à origem nordestina. O que começou de forma intuitiva se consolidou, com o tempo, como uma ação de educação ambiental. “Na época, nem sabia que era esse o nome, mas as pessoas foram se conscientizando”, diz.<br />
</span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<div id="attachment_122529" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122529" class="wp-image-122529 size-large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Maria-Edilene-01_insta_coletivo-das-marias-1-e1776890103684-1024x753-1-800x588.webp" alt="Mulher segura alface produzida em horta comunitária" width="800" height="588" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Maria-Edilene-01_insta_coletivo-das-marias-1-e1776890103684-1024x753-1-800x588.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Maria-Edilene-01_insta_coletivo-das-marias-1-e1776890103684-1024x753-1-400x294.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Maria-Edilene-01_insta_coletivo-das-marias-1-e1776890103684-1024x753-1.webp 1024w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-122529" class="wp-caption-text">Maria Edilene com um pé de alface da horta comunitária. Foto: Coletivo das Marias/Usada com permissão</p></div>
<p>Com o avanço do trabalho ao longo dos anos, a área se transformou em uma horta comunitária, com cultivo de hortaliças como alface, cenoura, beterraba e rabanete, além de plantas medicinais, conhecidas como “farmácia viva”.</p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Toda a produção é agroecológica, sem uso de agrotóxicos, respeitando o tempo da natureza e a polinização realizada por abelhas, pássaros e borboletas.</span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O espaço abastece diretamente 72 famílias, que participam de um sistema de compostagem comunitária &#8211; processo biológico que transforma resíduos orgânicos (restos de alimentos, cascas, folhas) em adubo natural. A partir do cadastro, os moradores contribuem com resíduos orgânicos, que são pesados e monitorados e, em troca, têm acesso aos alimentos da horta.</span></span></span></span></span></span></p>
<div class="box-explicacao px-4 pt-3 pb-2 my-4">
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Para Nathalia Souza, 30 anos, agricultora local, o trabalho representa uma mudança de perspectiva. “Nunca imaginei que sairia do Nordeste para trabalhar com a terra [em São Paulo]. Hoje, consigo ver o mundo de outra forma”, afirma.</span></p>
</div>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A proximidade com a família, a redução dos deslocamentos e o contato com a terra estão entre os principais ganhos. <span style="font-size: 1.25rem;">“</span>Aprendi a me comunicar com a natureza. Isso mudou minha rotina, minha alimentação e a forma como eu me vejo<span style="font-size: 1.25rem;">”</span>, completa.</span></span></span></span></span></span></p>
<figure class="wp-block-image my-5 "><picture></picture><figcaption class="legenda-credito mx-auto text-start">
<div id="attachment_122531" style="width: 1024px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122531" class="wp-image-122531 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Nathalia-Souza-02_insta_coletivo-das-marias-1024x1003-1.webp" alt="Mulher com bicicleta e verduras " width="1024" height="1003" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Nathalia-Souza-02_insta_coletivo-das-marias-1024x1003-1.webp 1024w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Nathalia-Souza-02_insta_coletivo-das-marias-1024x1003-1-400x392.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Nathalia-Souza-02_insta_coletivo-das-marias-1024x1003-1-613x600.webp 613w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Nathalia-Souza-02_insta_coletivo-das-marias-1024x1003-1-919x900.webp 919w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><p id="caption-attachment-122531" class="wp-caption-text"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Nathalia, agricultora, faz entregas de verduras de bicicleta. Foto: </span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Coletivo das Marias/Uso com permissão</span></span></span></span></p></div>
</figcaption></figure>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O Coletivo das Marias também conta com parcerias, como o </span></span></span></span></span></span><a href="https://www.instagram.com/ciclolog_/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ciclolog</span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, organização de mobilidade e comunicação ambiental, responsável pelo projeto </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Bike Horta</span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">. A iniciativa promove a coleta de resíduos orgânicos por meio de bicicletas. Famílias e escolas recebem baldes para o descarte de restos de alimentos, que são recolhidos três vezes por semana e levados à composteira.</span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“A parceria com a horta começou em 2021, com apoio aos mutirões e à comunicação local”, conta Everton Silva, 35, coordenador da Ciclolog.</span></span></span></span></span></span></p>
<figure></figure>
<figure class="wp-block-image my-5 "><picture></picture><figcaption class="legenda-credito mx-auto text-start"></figcaption></figure>
<h4 id="Tirandoolixo" class="wp-block-heading"><strong><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Tirando o lixo</span></span></span></span></span></span></strong></h4>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span style="font-size: 1.25rem;">A 5 quilômetros de onde fica o Coletivo das Marias, vive Ionilton Gomes de Aragão, 56, conhecido como Aragão, na comunidade Santa Inês, no distrito de </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://agenciamural.org.br/sua-quebrada/zona-leste/sao-miguel-paulista/" target="_blank" rel="noopener">São Miguel Paulista</a><span style="font-size: 1.25rem;">.</span> Ele está no bairro há 50 anos e acompanha de perto as transformações no território.</span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“Morar em um lugar limpo, organizado e iluminado melhora a autoestima”, afirma o criador do </span></span></span></span></span></span><a href="https://www.instagram.com/varrevila/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Varre Vila</span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">. </span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O projeto é uma iniciativa de educação ambiental voltada à participação popular. Eles colocam caçambas identificadas para lixo orgânico e reciclável em diversos pontos dos bairros. Cerca de 34 toneladas de resíduos são retiradas por mês.</span></span></span></span></span></span></p>
<p>A manutenção é feita pelos próprios moradores. “Ainda não atingimos 100% do bairro, mas grande parte já entende a importância das nossas ações. Por isso, seguimos com essa educação ambiental contínua”, afirma Aragão.</p>
<div id="attachment_122533" style="width: 819px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122533" class="wp-image-122533 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/01_Aragao-explicando-sobre-o-ponto-certo-da-rua-Dr.-Fernandes-Albanesa-para-as-pessoas-que-vieram-fazer-turismo-na-vila-Santa-Ines-com-o-Sesc-de-Itaquera-1-819x1024-1.webp" alt="Homem idoso aponta para lixeiras que separam lixo reciclável e orgânico diante de grupo de pessoas" width="819" height="1024" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/01_Aragao-explicando-sobre-o-ponto-certo-da-rua-Dr.-Fernandes-Albanesa-para-as-pessoas-que-vieram-fazer-turismo-na-vila-Santa-Ines-com-o-Sesc-de-Itaquera-1-819x1024-1.webp 819w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/01_Aragao-explicando-sobre-o-ponto-certo-da-rua-Dr.-Fernandes-Albanesa-para-as-pessoas-que-vieram-fazer-turismo-na-vila-Santa-Ines-com-o-Sesc-de-Itaquera-1-819x1024-1-320x400.webp 320w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/01_Aragao-explicando-sobre-o-ponto-certo-da-rua-Dr.-Fernandes-Albanesa-para-as-pessoas-que-vieram-fazer-turismo-na-vila-Santa-Ines-com-o-Sesc-de-Itaquera-1-819x1024-1-480x600.webp 480w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/01_Aragao-explicando-sobre-o-ponto-certo-da-rua-Dr.-Fernandes-Albanesa-para-as-pessoas-que-vieram-fazer-turismo-na-vila-Santa-Ines-com-o-Sesc-de-Itaquera-1-819x1024-1-720x900.webp 720w" sizes="auto, (max-width: 819px) 100vw, 819px" /><p id="caption-attachment-122533" class="wp-caption-text"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Aragão explica sobre o ponto de coletas. Foto: Diego Monteiro/Uso com permissão</span></span></span></span></p></div>
<figure class="wp-block-image my-5 "><picture></picture><figcaption class="legenda-credito mx-auto text-start"></figcaption></figure>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“É quase um clamor: cuide e ajude a cuidar do lugar onde você mora, trabalha e vive. Se a população não estiver junto, não funciona”, ressalta.</span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O bairro conta com ações de conscientização sobre o descarte de resíduos, um cuidado essencial em uma região que enfrenta enchentes e alagamentos frequentes.</span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“Recebemos depoimentos de moradores de que, após as enchentes, a água tem escoado mais rápido e sem lixo boiando nas ruas”, diz Aragão.</span></span></span></span></span></span></p>
<figure></figure>
<figure class="wp-block-image my-5 "><picture></picture><figcaption class="legenda-credito mx-auto text-start"></figcaption></figure>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Apesar da trajetória consolidada, a iniciativa enfrenta desafios de financiamento. </span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“A atuação é importante porque caminha para mudança de comportamento da população em relação ao descarte irregular de resíduos”, completa. </span></span></span></span></span></span></p>
<h4 id="Buscandosoluçõesemrede" class="wp-block-heading"><strong><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Soluções em rede</span></span></span></span></span></span></strong></h4>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Para além de regiões mais urbanizadas, territórios onde o meio ambiente está fortemente presente também enfrentam desafios de preservação. Na região sudoeste da Grande São Paulo, cidades como </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Embu das Artes</span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Cotia </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">e </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Itapecerica da Serra</span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, possuem 60% do território em <a href="https://www.sema.df.gov.br/areas-de-protecao-de-mananciais-apm-plano-e-diagnostico">Área de Proteção aos Mananciais (APMs)</a> e inserido na <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Mata_Atl%C3%A2ntica">Mata Atlântica</a>.</span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Rodolfo Almeida, 43, diz que é uma tarefa árdua atuar na região. Ele é ambientalista e conselheiro da </span></span></span></span></span></span><a href="https://www.instagram.com/seaembu/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">SEAE (Sociedade Ecológica de Embu)</span></span></span></span></span></span></a>,<span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span style="color: #ff0000;"><span style="color: #000000;"> ONG que atua há 54 anos na defesa ambiental dos três municípios.</span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p>A SEAE trabalha com projetos socioambientais em escolas e comunidades locais e conta com mais de 100 membros permanentes. A entidade tem projetos educativos para conscientizar o público sobre a importância da preservação das áreas de mananciais. “Aquele rio ou nascente tão perto de casa precisa ser cuidado com o mesmo zelo que a água em nossas casas”, explica Rodolfo.</p>
<figure></figure>
<p>O projeto “Observando Rios”, iniciativa em parceria com a ONG <a href="https://www.sosma.org.br/">SOS Mata Atlântica</a>, leva as comunidades às margens dos rios e ensina a avaliar o estado dos cursos d&#39;água.</p>
<p>Já o “<a href="https://www.cotiaguarapiranga.com.br/">Conecta Cotia-Guarapiranga</a>” é um guia de campo tecnológico que mapeia fontes de água e matas, a fim de orientar o monitoramento desses recursos naturais e o desenvolvimento de planos de conservação ambiental mais eficazes.</p>
<figure class="wp-block-image my-5 ">
<p><div id="attachment_122537" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122537" class="wp-image-122537 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/2-Observando-os-Rios-e1776890139274-1024x657-1.webp" alt="Pessoas caminham ao lado de um córrego" width="1024" height="657" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/2-Observando-os-Rios-e1776890139274-1024x657-1.webp 1024w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/2-Observando-os-Rios-e1776890139274-1024x657-1-400x257.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/2-Observando-os-Rios-e1776890139274-1024x657-1-800x513.webp 800w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><p id="caption-attachment-122537" class="wp-caption-text">Pessoas participam do projeto &#8220;Observando os rios&#8221;. Foto: SEAE/Uso com permissão</p></div></figure>
<p>A Bacia do Guarapiranga abastece mais de 4 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo, mas é afetada pelo desmatamento, por ocupações irregulares e por contaminação por esgoto não tratado.</p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Uma das análises mais recentes do projeto “Observando Rios” classificou a água do córrego Ribeirão da Ressaca, nos bairros Ressaca e Caputera, no limite entre Embu, Cotia e Itapecerica, como “ruim” (alto nível de poluição e imprópria para consumo). </span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“Os indicadores evidenciam a falta de ações educativas e atuação política para garantir um saneamento eficiente”, avalia </span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Rodolfo.</span></span></span></span></span></p>
<h4 id="Dentrodasescolas" class="wp-block-heading"><strong><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Dentro das escolas</span></span></span></span></strong></h4>
<p class="wp-block-heading">A educação ambiental também é um dos objetivos da ambientalista Adriana Abelhão, 59, vice-presidente da Preservar Ambiental, em Itapecerica da Serra. A ONG nasceu em 2009, com foco na luta contra o desmatamento no bairro de Itaquaciara, alvo de loteamentos clandestinos e de construções irregulares de galpões e aterros. Ela também busca meios de levar o tema ambiental à comunidade.</p>
<p>“Cada vez mais moradores de cidades próximas nos procuram para orientações sobre denúncias ambientais e projetos de educação ambiental”, conta Adriana. “Desde a moradora que ama a árvore de sua rua e quer protegê-la, representantes da causa animal, até grupos de moradores que se organizam para enfrentar agressões de grande porte contra o meio ambiente”.</p>
<div id="attachment_122538" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122538" class="wp-image-122538 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Adriana-Abelhao-fala-da-importancia-da-educacao-ambiental-nos-territorios-1-1024x576-1.webp" alt="Mulher fala ao microfone em uma sala de aula" width="1024" height="576" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Adriana-Abelhao-fala-da-importancia-da-educacao-ambiental-nos-territorios-1-1024x576-1.webp 1024w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Adriana-Abelhao-fala-da-importancia-da-educacao-ambiental-nos-territorios-1-1024x576-1-400x225.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Adriana-Abelhao-fala-da-importancia-da-educacao-ambiental-nos-territorios-1-1024x576-1-800x450.webp 800w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><p id="caption-attachment-122538" class="wp-caption-text"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Adriana Abelhão explica a estudantes sobre a importância da educação ambiental nos territórios. Foto: Preservar Ambiental/Uso com permissão</span></span></span></span></p></div>
<figure class="wp-block-image my-5 "><picture></picture><figcaption class="legenda-credito mx-auto text-start"></figcaption></figure>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Na educação ambiental, o grupo atua em quatro escolas estaduais com o projeto Conexão Natureza, voltado a alunos e professores. </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“Tratamos de temas como mudanças climáticas, mananciais, saneamento básico, resíduos sólidos e soluções baseadas na natureza. São dois anos de trabalho e 4 meses em cada uma das 4 escolas parceiras”, conta o ambientalista.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<h4><strong><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Educando para o plantar</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></strong></h4>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">No Cursinho Comunitário dos Pimentas, uma parte significativa dos alimentos consumidos por alunos e voluntários é cultivada no próprio local. </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span>Situado em <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Guarulhos">Guarulhos</a>, na Grande São Paulo, o espaço reúne 130 jovens e 20 voluntários, com idades entre 18 e 23 anos. O espaço possui uma área verde, com iniciativas como pomar, hortas alimentares e medicinais.</p>
<p>O cursinho mantém ainda um meliponário de abelhas nativas da Mata Atlântica e promove a reciclagem dos materiais entregues pela comunidade. Esses itens são comercializados pelos voluntários, e a renda obtida contribui para apoiar estudantes aprovados em universidades no interior ou em outros estados.</p>
<p>Ex-aluno e hoje voluntário, o biólogo Marcus Vinícius, 27, destaca que o curso se tornou um polo de oportunidades em uma região com poucos equipamentos ambientais. <span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“</span>É um trabalho coletivo, feito por muitas mãos. A gente colhe diariamente os resultados<span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">”</span>, diz.</p>
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<div id="attachment_122541" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122541" class="wp-image-122541 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Estudantes-do-cursinho-comunitario-cuidando-das-arvores-e-plantas-em-vasos.-Reproducao_-Marcus-Vinicius-1024x768-1.webp" alt="Pessoas trabalham em horta" width="1024" height="768" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Estudantes-do-cursinho-comunitario-cuidando-das-arvores-e-plantas-em-vasos.-Reproducao_-Marcus-Vinicius-1024x768-1.webp 1024w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Estudantes-do-cursinho-comunitario-cuidando-das-arvores-e-plantas-em-vasos.-Reproducao_-Marcus-Vinicius-1024x768-1-400x300.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Estudantes-do-cursinho-comunitario-cuidando-das-arvores-e-plantas-em-vasos.-Reproducao_-Marcus-Vinicius-1024x768-1-800x600.webp 800w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><p id="caption-attachment-122541" class="wp-caption-text"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Estudantes do cursinho cuidando das árvores e plantas em vasos. Foto: </span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Marcus Vinicius/ Uso com permissão</span></span></span></span></p></div>
</div>
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<p>A gerente ambiental e a professora voluntária Priscila Narcizio, 35, conta que os alunos chegam curiosos, se envolvem com as atividades e vêm com entrega para aplicar o que aprenderam.</p>
<p>“Eles replicam práticas em casa, como composteiras simples e coleta de água da chuva, e ainda unidos com a família. A gente vê esse retorno no dia a dia”, avalia.</p>
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<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/agenciamural/' class='user-link'>Agência Mural</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>O Dia Internacional do Reggae celebra a música icônica da Jamaica, com foco no ativismo e na justiça climática.</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/07/08/o-dia-internacional-do-reggae-celebra-a-musica-iconica-da-jamaica-com-foco-no-ativismo-e-na-justica-climatica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando Baumgarten]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 13:44:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[O Dia Internacional do Reggae (DIR) completou 31 anos com apelos para um “reorientação” – e talvez um renascimento – da música reggae como veículo de ativismo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>“A música reggae é um espírito”</em></big></p><div id="attachment_837836" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.canva.com/pro/"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-837836" class="wp-image-source-837836 size-large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/07/GV-800x600.jpg" alt="Image of a microphone with music notes creating a heart around it, against the backdrop of a red, green and gold reggae flag. Image via Canva Pro. " width="800" height="600" /></a><p id="caption-attachment-837836" class="wp-caption-text"><span dir="auto">Imagem em destaque via </span><a href="https://www.canva.com/pro/"><span dir="auto">Canva Pro</span></a>,<span dir="auto"> usada sob permissão.</span></p></div>
<p><a href="https://www.ireggaeday.com/pt"><span dir="auto">O Dia Internacional do Reggae</span></a><span dir="auto"> (DIR) celebra seu 31º aniversário com o tema “Um Amor, uma voz, um dia”. A data clama por uma “reorientação” – e talvez um renascimento – da música reggae como veículo de ativismo.</span></p>
<p><span dir="auto">Como parte das comemorações, a equipe do DIR anunciou a segunda vencedora anual </span><a href="https://www.instagram.com/p/DLk3fvpx-p5/"><span dir="auto">do Prêmio Humanitário Winnie Mandela</span></a><span dir="auto">, que este ano foi a primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, por sua poderosa defesa da justiça climática:</span></p>
<blockquote><p>The award honours individuals whose life’s work reflects the values of love, justice and truth long championed by Reggae music.</p>
<p>Prime Minister Mottley’s bold leadership on climate justice has shifted global discourse and given voice to the world’s most vulnerable. Her tireless advocacy, particularly for Small Island Developing States, stands as a powerful call to action. Her message is clear. Her stance is unwavering. Her voice, global.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>O prêmio homenageia pessoas cuja trajetória de vida reflete os valores do amor, da justiça e da verdade, que a música reggae defende há muito tempo.</p>
<p>A liderança ousada da primeira-ministra Mottley em prol da justiça climática mudou o discurso global e deu voz aos mais vulneráveis do mundo. Sua defesa incansável, especialmente para os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, representa um poderoso apelo à ação. Sua mensagem é clara. Sua postura é inabalável. Sua voz, global.</p></blockquote>
<p><span dir="auto">O 30º aniversário, comemorado em 2024, incluiu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6976_NFtv3M&amp;t=148s"><span dir="auto">shows de drones</span></a><span dir="auto"> e outros eventos na capital da Jamaica, designada </span><a href="https://citiesofmusic.net/city/kingston/"><span dir="auto">Cidade da Música pela UNESCO</span></a><span dir="auto"> em 2015.</span></p>
<p><a href="https://www.instagram.com/internationalreggaeday/"><span dir="auto">O Dia Internacional do Reggae</span></a><span dir="auto"> foi reconhecido em todo o mundo, desde a glamorosa cidade de Las Vegas, onde uma nova atração, “Bob Marley Hope Road”, foi oficialmente inaugurada:</span></p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">The Welcome to Las Vegas sign is glowing in reggae colors for International Reggae Day and the grand opening of <a href="https://twitter.com/BMHopeRoad?ref_src=twsrc%5Etfw">@BMHopeRoad</a> at Mandalay Bay! <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><a href="https://twitter.com/CommishJGibson?ref_src=twsrc%5Etfw">@CommishJGibson</a> and Shacia Päyne Marley lit the sign to honor Bob Marley’s legacy and welcome this vibrant new attraction to the Strip. <a href="https://t.co/wHgOXjm4pU">pic.twitter.com/wHgOXjm4pU</a></p>
<p>— Clark County Nevada (@ClarkCountyNV) <a href="https://twitter.com/ClarkCountyNV/status/1940109166552736215?ref_src=twsrc%5Etfw">July 1, 2025</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>O letreiro “Welcome to Las Vegas” está iluminado com as cores do reggae para comemorar o Dia Internacional do Reggae e a inauguração da <a href="https://twitter.com/BMHopeRoad?ref_src=twsrc%5Etfw">@BMHopeRoad</a> no Mandalay Bay! <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> <a href="https://twitter.com/CommishJGibson?ref_src=twsrc%5Etfw">@CommishJGibson</a> e Shacia Päyne Marley acenderam o letreiro para homenagear o legado de Bob Marley e dar as boas-vindas a essa nova e vibrante atração na Strip. <a href="https://t.co/wHgOXjm4pU">pic.twitter.com/wHgOXjm4pU</a>                                                                                                                                                                                                                          — Condado de Clark, Nevada (@ClarkCountyNV) <a href="https://twitter.com/ClarkCountyNV/status/1940109166552736215?ref_src=twsrc%5Etfw">1º de julho de 2025</a></p></blockquote>
<p><span dir="auto">… e também em Nairobi, no Quênia:</span></p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">To commemorate international Reggae day <a href="https://twitter.com/HomeboyzRadio?ref_src=twsrc%5Etfw">@HomeboyzRadio</a> wamepiga vibes the whole day nakwambia.</p>
<p>Wazito Sana wale. <a href="https://t.co/UFeBXCPbJ2">pic.twitter.com/UFeBXCPbJ2</a></p>
<p>— Mr. BeyondPrescription (@_Kivunja) <a href="https://twitter.com/_Kivunja/status/1940082727874961521?ref_src=twsrc%5Etfw">July 1, 2025</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Para comemorar o Dia Internacional do Reggae, a <a href="https://twitter.com/HomeboyzRadio?ref_src=twsrc%5Etfw">@HomeboyzRadio</a> tocou músicas o dia inteiro, posso garantir.</p>
<p>Muito bom, pessoal. <a href="https://t.co/UFeBXCPbJ2">pic.twitter.com/UFeBXCPbJ2</a></p>
<p>— Mr. BeyondPrescription (@_Kivunja) <a href="https://twitter.com/_Kivunja/status/1940082727874961521?ref_src=twsrc%5Etfw">1º de julho de 2025</a></p></blockquote>
<p><span dir="auto">A música reggae também teve um impacto duradouro nos músicos da Malásia:</span></p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">Sasi The Don: from Segambut to the world</p>
<p>In conjunction with International Reggae Day, FMT Lifestyle speaks with the popular artiste to learn more about his musical journey.</p>
<p>Story by: Sheela Vijyan<br />
Shot by: Fauzi Yunus &amp; Muhammad Akif Irfan<br />
Presented by: Theevya Ragu<br />
Edited… <a href="https://t.co/aZLdHG4ieE">pic.twitter.com/aZLdHG4ieE</a></p>
<p>— Free Malaysia Today (@fmtoday) <a href="https://twitter.com/fmtoday/status/1939995638714048702?ref_src=twsrc%5Etfw">July 1, 2025</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Sasi The Don: de Segambut para o mundo</p>
<p>Por ocasião do Dia Internacional do Reggae, a FMT Lifestyle conversa com o popular artista para saber mais sobre sua trajetória musical.</p>
<p>Matéria por: Sheela Vijyan<br />
Filmagem por: Fauzi Yunus e Muhammad Akif Irfan<br />
Apresentado por: Theevya Ragu<br />
Editado… <a href="https://t.co/aZLdHG4ieE">pic.twitter.com/aZLdHG4ieE</a></p>
<p>— Free Malaysia Today (@fmtoday) <a href="https://twitter.com/fmtoday/status/1939995638714048702?ref_src=twsrc%5Etfw">July 1, 2025</a></p></blockquote>
<p><span dir="auto">A Biblioteca Pública de Greensboro, na Carolina do Norte, também entrou na onda:</span></p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">Your Greensboro Public Library card gives you access to Freegal Music, a FREE music service. <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<p>Start listening today <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/27a1.png" alt="➡" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> <a href="https://t.co/HNRHMDeKD9">https://t.co/HNRHMDeKD9</a></p>
<p>International Reggae Day has been celebrated on July 1 in Kingston, Jamacia&#39;s capital, since 1994. [Source: <a href="https://t.co/TANkdeQZyh">https://t.co/TANkdeQZyh</a>] <a href="https://t.co/L1K5WL50ou">pic.twitter.com/L1K5WL50ou</a></p>
<p>— Greensboro Public Library (@GSOLibrary) <a href="https://twitter.com/GSOLibrary/status/1940108166370333098?ref_src=twsrc%5Etfw">July 1, 2025</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Seu cartão da Biblioteca Pública de Greensboro dá acesso ao Freegal Music, um serviço de música GRATUITO. <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<p>Comece a ouvir hoje mesmo <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/27a1.png" alt="➡" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><a href="https://t.co/HNRHMDeKD9"> https://t.co/HNRHMDeKD9</a></p>
<p>O Dia Internacional do Reggae é comemorado em 1º de julho em Kingston, capital da Jamaica, desde 1994. [Fonte: <a href="https://www.ireggaeday.com/pt/about-us">https://t.co/TANkdeQZyh] </a> <a href="https://t.co/L1K5WL50ou">pic.twitter.com/L1K5WL50ou </a>                                                               Biblioteca Pública de Greensboro (@GSOLibrary) <a href="https://twitter.com/GSOLibrary/status/1940108166370333098?ref_src=twsrc%5Etfw">1º de julho de 2025</a></p></blockquote>
<p><span dir="auto">De volta à Jamaica, as estações de rádio locais, em particular a popular Irie FM, sediada em Ocho Rios, que </span><a href="https://iriefm.net/us/"><span dir="auto">entrou oficialmente no ar</span></a><span dir="auto"> como uma estação de reggae em 1990 e &#8220;continua a manter o gênero em destaque&#8221;, dedicaram-se ao Dia Internacional do Reggae. </span><span style="font-size: 1.25rem;">A estação </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://iriefm.net/kingston-night-market-to-honour-mutabaruka-and-other-industry-stalwarts-as-part-of-international-reggae-day-celebrations/" target="_blank" rel="noopener">homenageou</a><span style="font-size: 1.25rem;"> o poeta </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Mutabaruka" target="_blank" rel="noopener">Mutabaruka</a><span style="font-size: 1.25rem;">, que apresenta um programa na emissora, ao lado de outros veteranos do reggae, em um evento ao vivo na zona nobre de Kingston, um dos muitos programados na cidade para o dia 1º de julho.</span></p>
<p><span dir="auto">A Irie FM descreveu eloquentemente a música reggae como “um espírito… Isso não é apenas som, é alma&#8221;.</span></p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">“Reggae music is a spirit.”<br />
It moves through generations, whispers through struggle, and dances in our joy.<br />
This isn’t just sound, it’s soul.<br />
Happy International Reggae Day from Irie FM.<a href="https://twitter.com/hashtag/InternationalReggaeDay?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#InternationalReggaeDay</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/ReggaeIsASpirit?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#ReggaeIsASpirit</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/IrieFM?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#IrieFM</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/OneLove?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#OneLove</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/RootsRockReggae?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#RootsRockReggae</a> <a href="https://t.co/400CUsQto9">pic.twitter.com/400CUsQto9</a></p>
<p>— IG: iriefmofficial (@IRIE_FM) <a href="https://twitter.com/IRIE_FM/status/1940092871022969006?ref_src=twsrc%5Etfw">July 1, 2025</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>“A música reggae é um espírito.”<br />
Ela atravessa gerações, sussurra em meio às lutas e dança em nossa alegria.<br />
Não se trata apenas de som, é a alma.<br />
Feliz Dia Internacional do Reggae da Irie FM. <a href="https://twitter.com/hashtag/InternationalReggaeDay?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#InternationalReggaeDay</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/ReggaeIsASpirit?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#ReggaeIsASpirit</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/IrieFM?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#IrieFM</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/OneLove?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#OneLove</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/RootsRockReggae?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#RootsRockReggae</a> <a href="https://t.co/400CUsQto9">pic.twitter.com/400CUsQto9</a></p>
<p>— IG: iriefmofficial (@IRIE_FM) <a href="https://twitter.com/IRIE_FM/status/1940092871022969006?ref_src=twsrc%5Etfw">1º de julho de 2025</a></p></blockquote>
<p><span dir="auto">A editora da Universidade das Índias Ocidentais, por sua vez, divulgou detalhes de seus muitos títulos de reggae:</span></p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Celebrate <a href="https://twitter.com/hashtag/InternationalReggaeDay?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#InternationalReggaeDay</a> with our recommended reads!</p>
<p>Explore reggae’s roots, revolution &amp; global influence.</p>
<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f4da.png" alt="📚" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> <a href="https://t.co/thyfY5pC2W">https://t.co/thyfY5pC2W</a></p>
<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f30d.png" alt="🌍" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> One Love. One Voice. One Day.<a href="https://twitter.com/hashtag/UWIPress?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#UWIPress</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/OneLove?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#OneLove</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/ReggaeDay?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#ReggaeDay</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/ReggaeHistory?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#ReggaeHistory</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/IRD2025?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#IRD2025</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/CaribbeanCulture?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#CaribbeanCulture</a> <a href="https://t.co/RAIhmEQmto">pic.twitter.com/RAIhmEQmto</a></p>
<p>— UWIPRESS (@UWIPRESS) <a href="https://twitter.com/UWIPRESS/status/1940047741776011652?ref_src=twsrc%5Etfw">July 1, 2025</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Comemore o <a href="https://twitter.com/hashtag/InternationalReggaeDay?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#DiaInternacionaldoReggae</a> com nossas recomendações de leitura!</p>
<p>Explore as raízes, a revolução e a influência global do reggae.</p>
<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f4da.png" alt="📚" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> <a href="https://t.co/thyfY5pC2W">https://t.co/thyfY5pC2W</a></p>
<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f30d.png" alt="🌍" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Um Amor. Uma Voz. Um Dia.<a href="https://twitter.com/hashtag/UWIPress?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw"> #UWIPress</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/OneLove?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#OneLove</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/ReggaeDay?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#ReggaeDay</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/ReggaeHistory?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#ReggaeHistory</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/IRD2025?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#IRD2025</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/CaribbeanCulture?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#CaribbeanCulture</a> <a href="https://t.co/RAIhmEQmto">pic.twitter.com/RAIhmEQmto</a></p>
<p>— UWIPRESS (@UWIPRESS) <a href="https://twitter.com/UWIPRESS/status/1940047741776011652?ref_src=twsrc%5Etfw">1º de julho de 2025</a></p></blockquote>
<p><span dir="auto">A fundadora do DIR, </span><a href="https://jamaica-gleaner.com/article/entertainment/20220508/andrea-davis-protector"><span dir="auto">Andrea Davis</span></a><span dir="auto"> , foi entrevistada em um programa matinal de televisão na Jamaica, enquanto em alguns países, organizações de direitos humanos e da sociedade civil se concentraram no poder da música reggae para gerar mudanças positivas. Esta entidade polonesa tuitou:</span></p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">International Reggae Day, which takes place every year on 1 July, is a worldwide celebration of Jamaica’s gift to the world, reggae music.<a href="https://twitter.com/hashtag/ReggaeDay?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#ReggaeDay</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/MusicAgainstRacism?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#MusicAgainstRacism</a><a href="https://t.co/V5YbPcLSJc">https://t.co/V5YbPcLSJc</a> <a href="https://t.co/EerxFvC8NM">pic.twitter.com/EerxFvC8NM</a></p>
<p>— NEVER AGAIN/NIGDY WIĘCEJ (@StowNIGDYWIECEJ) <a href="https://twitter.com/StowNIGDYWIECEJ/status/1940068069486800923?ref_src=twsrc%5Etfw">July 1, 2025</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>O Dia Internacional do Reggae, comemorado todos os anos em 1º de julho, é uma celebração mundial do presente que a Jamaica deu ao mundo: a música reggae. <a href="https://twitter.com/hashtag/ReggaeDay?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#ReggaeDay</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/MusicAgainstRacism?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#MúsicaContraORacismo</a> <a href="https://t.co/V5YbPcLSJc">https://t.co/V5YbPcLSJc</a> <a href="https://t.co/EerxFvC8NM">pic.twitter.com/EerxFvC8NM</a></p>
<p>— NEVER AGAIN/NIGDY WIĘCEJ (@StowNIGDYWIECEJ) 1º de julho de 2025</p></blockquote>
<p><span dir="auto">Com foco nas mudanças climáticas e no meio ambiente este ano — e inspirado pela vencedora do Prêmio Nobel da Paz, </span><a href="https://www.nobelprize.org/prizes/peace/2004/maathai/facts/"><span dir="auto">Wangari Maathai</span></a> — o Dia Internacional do Reggae também está incentivando seus seguidores a “plantar uma árvore do reggae” em apoio ao <a href="https://trilliontrees.org/"><span dir="auto">desafio de um trilhão de árvores</span></a><span dir="auto"> das Nações Unidas.</span></p>
<p><span dir="auto">A música reggae sempre teve um poder global, com mensagens que ressoam internacionalmente. No passado, inspirou o ativismo, fato destacado na celebração de 2024, incluindo </span><a href="https://www.dancehallmag.com/2024/06/05/news/international-reggae-day-2024-to-highlight-importance-of-reggae-in-dismantling-apartheid.html"><span dir="auto">o papel que a música desempenhou</span></a><span dir="auto"> na luta contra o apartheid.</span></p>
<div class="entry-container">
<div class="entry">
<p><span dir="auto">O tema de 2025, que enfatiza o meio ambiente e o ativismo, pode ser visto como uma reafirmação das mensagens universais de amor, união e paz que a música reggae sempre representou. Talvez a indústria musical jamaicana, em geral, e os artistas populares da atualidade aceitem o desafio de continuar a abraçar esse “espírito do reggae”.</span></p>
</div>
</div>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/emma-lewis/' class='user-link'>Emma Lewis</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/fernando-binda-baumgarten/' class='user-link'>Fernando Baumgarten</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2025/07/01/international-reggae-day-celebrates-jamaicas-iconic-music-by-refocusing-on-activism-and-climate-justice/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/07/GV-400x300.jpg" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>A coroa digital: recuperando a dignidade humana na era da IA</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/07/04/a-coroa-digital-recuperando-a-dignidade-humana-na-era-da-ia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juliana Stroebel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Jul 2026 22:27:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Ideias]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Fundamentar a IA no direito à vida, igualdade, liberdade de expressão, bens essenciais e privacidade garante que ela espelhe nossos valores mais elevados, ao invés de ampliar nossos preconceitos antigos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Uma abordagem pautada em cinco direitos irrenunciáveis</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/6_Rebecca-Horizontal-800x450.webp" alt="Ilustração de uma mulher sentada de pernas cruzadas, com vários objetos atribuídos a cada braço: uma pomba da paz, um megafone, uma balança, uma câmera e uma planta. Imagem de Sabeen Yameen para APC, usada sob permissão." width="800" height="450" /><p class="wp-caption-text">Imagem de Sabeen Yameen para APC, usada sob permissão.</p></div>
<p><em><strong>Por Rebecca Ryakitimbo</strong></em></p>
<p><em>Este artigo faz parte da série &#8220;Não pergunte para a IA, pergunte a um colega&#8221;, uma colaboração entre a Global Voices, a Associação para a Comunicação Progressiva e a GenderIT. A série tem como objetivo reforçar a importância da divulgação do conhecimento entre as pessoas, como vem sendo feito há décadas. Você pode acompanhar a série em <span draggable="true"><a href="http://APC.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">APC.org</a></span>, <span draggable="true"><a href="http://GenderIT.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">GenderIT.org</a></span> e <span draggable="true"><a href="https://globalvoices.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">globalvoices.org</a></span>. Este artigo também faz parte da série especial de abril de 2026 da Global Voices, “<span draggable="true"><a href="https://globalvoices.org/special/human-perspectives-on-ai/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Perspectivas humanas sobre AI</a></span>”. Você pode apoiar esta cobertura fazendo uma doação <span draggable="true"><a href="https://globalvoices.org/2026/04/03/support-our-first-global-voices-spotlight-issue-human-perspectives-on-ai/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui</a></span>.</em></p>
<p>A IA, como qualquer outra tecnologia, é criada para as pessoas e para ser utilizada por elas. Do ponto de vista dos direitos humanos, a ideia mais próxima que molda minha visão sobre a IA vem de um conceito que meu professor de educação cívica me ensinou: democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo. Da mesma forma, a IA guiada pelos direitos humanos deve incorporar esses princípios e ser &#8220;do povo, pelo povo e para o povo&#8221;. Essa abordagem garante que a tecnologia apoie a dignidade humana, a liberdade e o bem-estar, em vez de prejudicá-los. Coloca o ser humano no seu âmago e reflete as realidades da vida humana.</p>
<p>A IA centrada no ser humano deve incorporar a humanidade como base para a qual os sistemas são projetados, desenvolvidos, utilizados e governados. Independentemente de quem seja a pessoa, onde more, em que acredite ou como opte por viver sua vida, a IA deve tratar a todos com justiça e dignidade. Com isso em mente, há várias maneiras importantes pelas quais podemos criar e promover uma abordagem da IA baseada nos direitos humanos.</p>
<h3>Os direitos humanos na prática</h3>
<p>Com referência às normas e à prática dos direitos humanos, sou fascinada pela forma como a ideia de &#8220;direitos humanos&#8221; se desenvolveu ao longo do tempo. Na antiguidade, as primeiras leis de direitos humanos foram criadas para impedir que os que estavam no poder maltratassem os outros. <span style="box-sizing: border-box;"><span style="box-sizing: border-box;">Um dos primeiros exemplos é o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cilindro_de_Ciro" target="_blank" rel="noopener">Cilindro de Ciro</a> (539 a.C.), que relata como o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ciro_II" target="_blank" rel="noopener">rei Ciro, o Grande,</a> libertou os escravos e declarou que as pessoas tinham liberdade para escolher sua própria religião.</span> Durante a Idade Média, outro marco surgiu com a</span> <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Magna_Carta">Magna Carta</a> na Inglaterra, quando os rebeldes forçaram o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_de_Inglaterra">rei João</a> a aceitar que ninguém, nem mesmo o rei, estava acima da lei. Isso introduziu o importante conceito de devido processo legal. No século XVIII, filósofos como <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Locke">John Locke</a> defendiam que as pessoas têm direitos naturais simplesmente por serem humanas, e não porque os governantes lhes concedam esses direitos. Essas ideias influenciaram a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Declara%C3%A7%C3%A3o_de_Independ%C3%AAncia_dos_Estados_Unidos">Declaração de Independência dos Estados Unidos</a> (1776), que proclama que todos os homens são criados iguais, e a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Declara%C3%A7%C3%A3o_dos_Direitos_do_Homem_e_do_Cidad%C3%A3o">Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão</a> da França (1789), que reconhece os indivíduos como cidadãos e não como súditos de um rei.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Após os horrores da Segunda Guerra Mundial, foi adotada a </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Declara%C3%A7%C3%A3o_Universal_dos_Direitos_Humanos" target="_blank" rel="noopener">Declaração Universal dos Direitos Humanos</a><span style="font-size: 1.25rem;"> (DUDH), em 1948.</span> Posteriormente, inspirou dois tratados vinculantes: o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Pacto_Internacional_dos_Direitos_Civis_e_Pol%C3%ADticos">Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos</a> (PIDCP) e o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Pacto_Internacional_dos_Direitos_Econ%C3%B4micos,_Sociais_e_Culturais">Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais</a> (PIDESC), conhecidos coletivamente como a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Carta_Internacional_dos_Direitos_Humanos">Carta Internacional dos Direitos Humanos</a>, que continua a moldar as leis e as sociedades até hoje.</p>
<p>Os direitos humanos são e continuam sendo a base sobre a qual outras leis, incluindo as constituições dos países, são elaboradas e exercem uma influência crescente sobre como a IA deve ser desenvolvida e regulamentada. Podemos e devemos abordar a regulamentação da IA considerando os direitos fundamentais que defendemos há séculos. Aqui, apresento uma visão geral dessa abordagem, considerando cinco direitos inalienáveis:</p>
<h3>O direito à vida e à liberdade, centrado no ser humano</h3>
<p>Para que a IA respeite os direitos humanos, ela deve proteger os direitos à vida e à liberdade, sem jamais ignorar o aspecto da interação humana. Isso inclui colocar a urgência humana como fator-chave, mas também contar com supervisão humana. Este aspecto condena o uso da IA na militarização, dado o seu poder de perpetuar atos desumanos, incluindo o genocídio. A IA precisa ser desenvolvida, utilizada e governada de modo a adotar amplamente uma abordagem de segurança holística que proteja a vida e a <span style="font-size: 1.25rem;">liberd</span>ade das pessoas.</p>
<h3>O direito à igualdade, à justiça algorítmica e ao combate ao preconceito</h3>
<p>O direito de ser tratado da mesma forma que todas as outras pessoas, independentemente de raça, gênero ou religião. Embora a IA trate todos de forma igualitária, há desequilíbrios de poder em sua concepção que precisam ser abordados. <span style="box-sizing: border-box;">Isso começa com os dados que treinam os modelos de IA para acessar e utilizar infraestruturas habilitadas para IA, como capacidade computacional e <em>frameworks</em>.</span> Desenvolvedores de IA, órgãos reguladores ou partes interessadas precisam estar cientes dos vieses sistêmicos e estruturais presentes em seus conjuntos de dados, que podem levar à exclusão de determinados grupos demográficos da sociedade, e devem procurar combatê-los por meio de abordagens inclusivas e orientadas à justiça.Uma maneira de fazer isso é realizar auditorias tendenciosas nos dados de treinamento, desenvolver ciclos de feedback e documentar o processo para incorporar os princípios de uma IA ética e responsável, que seja explicável, transparente e justa.</p>
<h3>O direito à liberdade de expressão</h3>
<p>Esse direito costuma estar em risco na era das redes sociais impulsionadas por IA, dos mecanismos de busca e da inteligência artificial generativa. Os usuários têm o direito de saber por que determinadas informações lhes são apresentadas e por que outras são ocultadas, mas, muitas vezes, isso não ocorre. <span style="font-size: 1.25rem;"><span style="box-sizing: border-box;">Com os <span style="font-size: 1.25rem;">principais idiomas dominando as plataformas, enquanto outros são deixados de lado, a liberdade de expressão é</span> cada vez mais<span style="font-size: 1.25rem;"> limitada e até mesmo bloqueada por robôs e algoritmos.</span></span> </span><span style="font-size: 1.25rem;"><span style="box-sizing: border-box;"><span style="font-size: 1.25rem;">A IA também vem sendo frequentemente utilizada para restringir a liberdade de expressão, com o aumento de </span><em>bots</em><span style="font-size: 1.25rem;"> e </span><em>trolls</em><span style="font-size: 1.25rem;"> online.</span></span> Ela precisa ser desenvolvida com a crença de que as pessoas têm o direito de se expressar.</span></p>
<h3>O direito aos bens essenciais, ao acesso equitativo e à alocação de recursos</h3>
<p>A IA pode otimizar a forma como distribuímos alimentos, gerenciamos redes de energia e prestamos atendimento médico à distância. A IA centrada no ser humano garante que esses benefícios não vão apenas para as nações ou indivíduos mais ricos. A principal questão a se perguntar atualmente é se a IA está sendo utilizada para tornar os itens essenciais mais econômicos e acessíveis ou se está criando uma divisão digital em que apenas aqueles com tecnologia de alta velocidade obtêm os melhores serviços? Para garantir a equidade, o design inclusivo deve estar no centro de como a IA é construída, utilizada e governada.</p>
<h3>O direito à privacidade, à soberania de dados e ao consentimento</h3>
<p>A IA é construída com dados, mas deve haver limites para a quantidade e para os dados que pode utilizar. É preciso priorizar técnicas de minimização de dados, como a privacidade diferencial, na qual se adiciona ruído aos dados para que os indivíduos não possam ser identificados. Ou o aprendizado federado, em que se treina a IA no próprio dispositivo sem que os dados saiam dele. Devemos lutar para que os usuários tenham o direito de serem esquecidos pela IA. Devemos lembrar que a privacidade é um direito fundamental; sem ela, não podemos ter liberdade de expressão ou de reunião. Sem que a privacidade faça parte da IA, corremos o risco de vigilância em massa e até de roubo de identidade.</p>
<p>Se um sistema de IA violar qualquer um desses cinco direitos, deve haver uma via legal para se buscar reparação. Ao fundamentar a IA no direito à vida, à igualdade, à liberdade de expressão, aos bens essenciais e à privacidade, garantimos que sirva como um espelho de nossos valores mais elevados, em vez de uma ampliação de nossos preconceitos mais antigos. Somos nós, seres humanos, que conferimos à IA um propósito e um caráter de urgência. A luta pelos direitos humanos sempre foi sobre transferir o poder de poucos para muitos e, hoje, o campo é digital com ferramentas como a IA.</p>
<div class="notes"><em>Rebecca Ryakitimbo é tecnóloga e pesquisadora feminista que trabalha na interseção de IA, dados de linguagem,  justiça de gênero e equidade digital. Liderou iniciativas orientadas à comunidade, como a Community-Based Wildlife Network, participou de programas de bolsas de estudo com a Google, a Mozilla, o Stimson Center e a Internet Society, e apoia espaços tecnológicos feministas, como a African Women School of AI e a conferência Gendering AI, da qual é curadora. Como parte da iniciativa Redes Locais (LocNet), liderada pela APC e Rhizomatica, ela apoia iniciativas de conectividade centradas na comunidade, facilitando comunidades de prática e realizando pesquisas sobre conectividade centrada na comunidade e serviços locais, com o objetivo de promover ecossistemas digitais equitativos e liderados localmente.</em></div>
<div><span style="color: #999999;"><em>Sabeen Yameen é arquiteta e artista de Karachi, no Paquistão. Ela se inspira no encanto e fantasia que se escondem nos momentos cotidianos e comuns. Exerce a profissão de forma independente em Lahore e também trabalha como designer e animadora para o Miss O and Friends, uma plataforma social segura para meninas.</em></span></div>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/guest-contributor/' class='user-link'>Guest Contributor</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/juliana-stroebel/' class='user-link'>Juliana Stroebel</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/04/29/the-digital-crown-reclaiming-human-dignity-in-the-age-of-ai/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Nações melanésias prometem conectar e expandir áreas marinhas protegidas</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/06/24/nacoes-melanesias-prometem-conectar-e-expandir-areas-marinhas-protegidas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Ferreira Wittaker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 19:31:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Fiji]]></category>
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					<description><![CDATA["Essa iniciativa representa um passo ousado e oportuno, ao reconhecer que nossos oceanos não terminam em fronteiras nacionais, e que nossas responsabilidades administrativas devem se estender além delas".]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>O projeto se tornará a maior área marinha transfronteiriça protegida.</em></big></p><div id="attachment_854244" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Coral_reefs_in_papua_new_guinea.JPG"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-854244" class="wp-image-source-854244 size-featured_image_large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/06/Coral_reefs_in_papua_new_guinea-800x450.jpg" alt="Coral reefs in Papua New Guinea." width="800" height="450" /></a><p id="caption-attachment-854244" class="wp-caption-text">Recifes de coral em Papua Nova Guiné. Foto por Brocken Inaglory. Wikimedia Commons. <a href=" https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/deed.en"> CC BY-SA 3.0</a>-</p></div>
<p><em>Esta publicação faz parte da série Spotlight da Global Voices de maio de 2026, intitulada <a href="https://globalvoices.org/special/positive-action-on-climate/">&#8220;Crises globais, soluções locais.&#8221;</a> Esta série trará histórias de resistência e ações climáticas bem-sucedidas, conhecimentos sobre como as comunidades do Sul Global estão lutando contra crises, análises sobre o que isto pode significar para gerações futuras e muito mais. Você pode apoiar essa cobertura fazendo uma doação <a href="https://globalvoices.org/2026/04/16/support-the-global-voices-spotlight-positive-action-on-climate/">aqui</a>.</em></p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Papua-Nova Guiné, Fiji e Vanuatu <a href="https://info.gov.pg/2026-melanesian-ocean-summit-strengthens-ocean-protection/" target="_blank" rel="noopener">concordaram</a> em ampliar e <a href="https://pina.com.fj/2026/05/14/pact-signed-melanesian-committed-to-protect-sustainably-manage-the-pacific-ocean/" target="_blank" rel="noopener">conectar</a> suas áreas marinhas protegidas, afirmando o compromisso de priorizar a saúde do oceano e do meio ambiente.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Essa iniciativa foi anunciada durante a </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://x.com/ForumSEC/status/2054118197021007887" target="_blank" rel="noopener">Primeira</a><span style="font-size: 1.25rem;"> Cúpula Oceânica da Melanésia, realizada em maio de 2026, em Port Moresby, capital da Papua-Nova Guiné.</span> A Melanésia é uma sub-região do Pacífico.</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">A rede de <a href="https://www.abc.net.au/pacific/programs/pacificbeat/ocean-summit/106677662?utm_content=facebook" target="_blank" rel="noopener">reservas marinhas</a> é chamada de &#8220;Corredor Oceânico Melanésio de Reservas&#8221;, que cria uma frente unificada de governança oceânica melanésia, com o objetivo de proteger de forma absoluta nossos frágeis ecossistemas marinhos, ao mesmo tempo em que empodera o sustento econômico e cultural de nossas comunidades costeiras&#8221;.</span></p>
<p>O MOCOR é o exemplo mais recente de uma resposta ao impacto severo das mudanças climáticas. Historicamente, a região tem produzido baixas emissões de carbono, mas, mesmo assim, tem sofrido consequências extremas da crise climática e muitas de suas comunidades estão sob ameaça devido à elevação do nível das águas e à destruição dos recifes de coral.</p>
<p>As reservas marinhas interconectadas cobrirão pelo menos 6 milhões de km², e espera-se que o projeto se torne a <a href="https://islandsbusiness.com/news-break/vanuatu-fiji-and-png-launch-the-worlds-largest-transboundary-marine-protected-area/">maior</a> área marinha transfronteiriça protegida.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">A Área Marinha Protegida de Manus Ocidental, na Papua-Nova Guiné</span><span style="font-size: 1.25rem;">,</span><span style="font-size: 1.25rem;"> deve </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.pacificislandtimes.com/post/papua-new-guinea-plans-largest-marine-sanctuary-in-melanesia" target="_blank" rel="noopener">cobrir</a><span style="font-size: 1.25rem;"> mais de 214 mil km² de oceano no Mar de Bismarck, que, segundo o governo, corresponde a quase o tamanho do Reino Unido.</span> Representa 9% da zona econômica exclusiva do país.</p>
<p>Vanuatu diz que destinará 70 mil <span style="font-size: 1.25rem;">km²</span> da Área Marinha Protegida de Torba, que tem o  tamanho da Irlanda, ao MOCOR. Ela corresponde a cerca de 10% de sua zona econômica exclusiva.</p>
<p>Fiji <a href="https://www.postcourier.com.pg/fiji-pm-calls-for-ocean-protection-togeth">prometeu destinar</a> 15% de suas águas ao MOCOR neste ano e pretende ampliar  esta área no decorrer dos próximos cinco anos.</p>
<p>O primeiro-ministro de Vanuatu, Jotham Napat, destacou a importância de proteger o oceano. &#8220;Não estamos sacrificando nosso oceano para salvá-lo. Estamos escolhendo a proteção em vez da extração e a longa memória de nossos ancestrais em vez dos interesses de curto prazo dos outros&#8221;, disse ele.</p>
<p>O primeiro-ministro de Fiji, Sitiveni Rabuka, <a href="https://www.pmoffice.gov.fj/melanesian-ocean-summit-plenary-1-ocean-leaders-pledges-commitments-and-ambitions-national-address/">lembrou</a> aos demais líderes do Pacífico que o dever de cuidar dos mares não deveria ser limitado por fronteiras.</p>
<blockquote><p>This initiative represents a bold and timely step forward, recognizing that our oceans do not end at national boundaries, and that our stewardship responsibilities must therefore extend across them.</p>
<p>MOCOR is more than a conservation initiative. It is a platform for Melanesian integration.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Essa iniciativa representa um passo ousado e oportuno, reconhecendo que nossos oceanos não terminam em fronteiras nacionais, e que nossas responsabilidades administrativas devem se estender além delas.</p>
<p>O MOCOR é mais do que uma iniciativa de conservação. É uma plataforma para a integração melanésia.</p></blockquote>
<p>Enric Sala, explorador residente da <em>National Geographic,</em> <a href="https://news.nationalgeographic.org/leaders-promise-to-connect-underwater-wilderness-through-a-corridor-of-ocean-reserves-across-melanesia/">enalteceu</a> a criação do MOCOR. &#8220;Com essa nova e ousada iniciativa, os líderes da Melanésia estão se comprometendo a proteger 30% de um dos ambientes marinhos mais diversos e importantes do planeta&#8221;, disse ele.</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Enquanto isso, a Rede do Pacífico sobre Globalização (PANG) deu as boas-vindas ao MOCOR e incitou os líderes do Pacífico a transformarem os compromissos regionais em legislações nacionais vinculantes, considerando uma moratória regional sobre mineração em águas profundas, o que dividiu a comunidade do Pacífico, pois alguns governos indicaram que permitirão a exploração e a <a href="https://globalvoices.org/2022/07/05/the-tide-is-rising-against-deep-sea-mining/" target="_blank" rel="noopener">extração</a> de minerais em águas profundas, apesar do custo ambiental potencialmente desastroso.</span></p>
<p>Outro destaque da <span style="font-size: 1.25rem;">Cúpula Oceânica da Melanésia</span> foi o lançamento simbólico de uma &#8220;mensagem na garrafa&#8221; contendo o juramento dos povos do Pacífico. Abaixo, um <a href="https://pina.com.fj/2026/05/13/melanesian-ocean-summit-message-in-a-bottle/">trecho</a> do juramento:</p>
<blockquote><p>To the technocrats out there, to those of you who in haste for profit of today’s generation, squandering the prospect of young Moana’s generation.</p>
<p>Together, we stand not just as nations but as guardians.</p>
<p>Guardians of a shared ocean that feeds our people, carries our stories, and connects every island across our Pacific Ocean.</p>
<p>The ocean does not belong to us. We belong to the ocean.</p>
<p>One people. One ocean. One future. Wansolwara.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p> Aos tecnocratas mundo afora, a vocês que na pressa de obter lucros para a  geração de hoje, acabam desperdiçando as perspectivas da jovem geração Moana.</p>
<p>Juntos, nos erguemos não só como nações, mas como guardiões.</p>
<p>Guardiões de um oceano compartilhado que alimenta nossos povos, carrega nossas histórias e conecta cada ilha do Oceano Pacífico.</p>
<p>O oceano não nos pertence. Nós pertencemos ao oceano.</p>
<p>Um povo. Um oceano. Um futuro. Wansolwara.</p></blockquote>
<p>As nações melanésias concordaram em se reunir novamente em dois anos para revisar e ampliar seu compromisso de proteger o oceano.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/mong/' class='user-link'>Mong Palatino</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/gabriel-ferreira-wittaker/' class='user-link'>Gabriel Ferreira Wittaker</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/06/10/melanesian-nations-vow-to-connect-and-expand-marine-protected-areas/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Câmeras com IA estão vigiando as ruas em Daca, Bangladesh</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/06/18/cameras-com-ia-estao-vigiando-as-ruas-em-daca-bangladesh/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Isabela Torezan]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 19:12:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bangladesh]]></category>
		<category><![CDATA[Bengali (bangla)]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[Mais de 1.000 processos foram gerado em 10 dias quando Bangladesh iniciou um sistema de fiscalização de trânsito com IA. Entretanto, o destino dos riquixás elétricos permanece incerto.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>&#8220;Também é necessária uma reforma completa de todo o sistema de gerenciamento dos transportes&#8221;</em></big></p><div style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-atypeek-5650141-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-atypeek-5650141-1200x675.jpg" alt="Duas câmeras de segurança em um poste. Imagem representativa pelo usuário Atypeek Dgn via Pexel. Usada com uma licença do Pexels." width="1200" height="675" /></a><p class="wp-caption-text">Duas câmeras de segurança em um poste. <a href="https://www.pexels.com/photo/surveillance-cameras-against-blue-sky-5650141/"> Imagem representativa</a> do usuário Atypeek Dgn via Pexels. Usada sob <a href="https://www.pexels.com/license/">licença do Pexels</a>.</p></div>
<p>Durante anos, havia uma rotina familiar para aqueles que desrespeitavam as leis de trânsito em Daca, Bangladesh: uma breve discussão com o guarda de trânsito, uma ou duas palavras de defesa, às vezes, um suborno discreto. Outras vezes, os motoristas simplesmente escapavam despercebidos. Esses dias podem estar chegando ao fim.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Desde 7 de maio de 2026, câmeras de trânsito com inteligência artificial (IA) <a href="https://www.bssnews.net/special-stories/388739">estão em funcionamento</a> </span><span style="font-size: 1.25rem;">nas principais ruas de Daca.</span> Instaladas pela <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Dhaka_Metropolitan_Police" target="_blank" rel="noopener">Polícia Metropolitana de Daca (PMD)</a> nos principais entroncamentos e cruzamentos, essas câmeras funcionam com um software oficialmente denominado &#8220;<a href="https://dmp.gov.bd/road-transport-act-2018/">Sistema de detecção de infrações </a><a href="https://dmp.gov.bd/road-transport-act-2018/">baseado em IA</a><a href="https://dmp.gov.bd/road-transport-act-2018/"> à Lei de Transporte Rodoviário de 2018</a>&#8220;. Quando um motorista desrespeita as regras, uma notificação é enviada ao smartphone do dono do veículo em algumas horas.</p>
<p>Isso marca a primeira vez que Bangladesh implementou um sistema de fiscalização digital de trânsito completamente automatizado, que registra ocorrências sem qualquer envolvimento humano.</p>
<h3>Como o sistema de câmeras de IA funciona</h3>
<p>Quando um veículo passa por um sinal vermelho, um sinal de parar ou bloqueia a pista da esquerda, uma câmera com IA escaneia automaticamente a placa do carro e abre um processo na hora. O software grava alguns segundos de vídeo, consulta a base de dados da <a href="https://bsp.brta.gov.bd/?lan=en" target="_blank" rel="noopener">Autoridade de Transporte Rodoviário de Bangladesh</a> (ATRB) para identificar o proprietário do veículo e envia uma notificação para o endereço registrado.</p>
<p>Em outras palavras, se um motorista passar no sinal vermelho ou dirigir na contramão, as provas da infração e a respectiva notificação formal serão enviadas ao proprietário do veículo. Quem recebe uma notificação também pode ver o vídeo da infração online.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">O ex-diretor da Divisão Especial da Polícia, Golam Rasul, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://sarabangla.net/news/national/post-1156416/" target="_blank" rel="noopener">escreveu em um post no Facebook</a><span style="font-size: 1.25rem;">: &#8220;Durante o dia, você pode conseguir escapar de uma multa ao falar com um agente de trânsito, ligar para alguém ou, se você é bastante ousado, dar o nome de algum tio influente.</span> Mas essa câmera com IA não pensa, não tem sentimentos, não tem piedade e não se assusta facilmente. Ela só conhece duas coisas: as leis e a placa do seu carro&#8221;.</p>
<p>A PMD <a href="https://www.tbsnews.net/bangladesh/dmp-launches-9-digital-platforms-ai-traffic-enforcement-system-1425331" target="_blank" rel="noopener">confirmou</a> que as câmeras estão ativas nos cinco principais cruzamentos e que outras estão sendo instaladas em áreas adicionais.</p>
<h3>Mais de 1.000 casos em 10 dias, outros milhares esperados</h3>
<p>De acordo com a <a href="https://www.dhakatribune.com/bangladesh/dhaka/410418/ai-cameras-installed-at-6-key-points-in-capital" target="_blank" rel="noopener">Polícia Metropolitana de Daca </a>(PMD), os sofisticados sinais de trânsito e notificações eletrônicas geraram cerca de 1.000 processos de trânsito desde o seu lançamento em 7 de maio. Em seis meses, a PMD tem o objetivo de tornar a fiscalização totalmente automatizada em Daca, eliminando a necessidade de gerar processos manuais por fiscais e agentes de trânsito. Qualquer infração às leis de trânsito ou de transporte motor, em qualquer local da cidade, vai gerar uma atuação e uma multa automática. A PMD anunciou planos de instalar câmeras em pelo menos 500 pontos da capital nos próximos seis meses.</p>
<p>Há <a href="https://www.facebook.com/FintechIbrahim/posts/%E0%A6%8F%E0%A6%96%E0%A6%A8-%E0%A6%AE%E0%A6%BE%E0%A6%AE%E0%A6%B2%E0%A6%BE-%E0%A6%B9%E0%A6%AC%E0%A7%87-%E0%A6%B8%E0%A6%B0%E0%A6%BE%E0%A6%B8%E0%A6%B0%E0%A6%BF-%E0%A6%9A%E0%A6%BE%E0%A6%B2%E0%A6%95%E0%A7%87%E0%A6%B0-%E0%A6%A1%E0%A7%8D%E0%A6%B0%E0%A6%BE%E0%A6%87%E0%A6%AD%E0%A6%BF%E0%A6%82-%E0%A6%B2%E0%A6%BE%E0%A6%87%E0%A6%B8%E0%A7%87%E0%A6%A8%E0%A7%8D%E0%A6%B8%E0%A7%87-%E0%A6%B2%E0%A6%BE%E0%A6%87%E0%A6%B8%E0%A7%87%E0%A6%A8%E0%A7%8D%E0%A6%B8-%E0%A6%AC%E0%A6%BE%E0%A6%A4%E0%A6%BF%E0%A6%B2%E0%A7%87%E0%A6%B0-%E0%A6%A8%E0%A6%A4%E0%A7%81%E0%A6%A8-%E0%A6%95%E0%A6%A0%E0%A7%8B%E0%A6%B0-%E0%A6%A8%E0%A6%BF%E0%A7%9F%E0%A6%AE-%EF%B8%8F/1286681453449204/" target="_blank" rel="noopener">outro detalhe</a> que vale a pena saber: independentemente de quem esteja dirigindo o carro quando um erro for cometido, o processo será instaurado em nome do proprietário do veículo. Se você estiver dirigindo seu próprio carro ou tiver emprestado para outro motorista, os pontos de punição serão descontados da carteira de motorista do dono do veículo. <span style="font-size: 1.25rem;">De acordo com as </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.banglatribune.com/others/945140/%E0%A6%A8%E0%A6%BF%E0%A7%9F%E0%A6%AE-%E0%A6%AD%E0%A6%BE%E0%A6%99%E0%A6%B2%E0%A7%87-%E0%A6%A1%E0%A7%8D%E0%A6%B0%E0%A6%BE%E0%A6%87%E0%A6%AD%E0%A6%BF%E0%A6%82-%E0%A6%B2%E0%A6%BE%E0%A6%87%E0%A6%B8%E0%A7%87%E0%A6%A8%E0%A7%8D%E0%A6%B8%E0%A7%87-%E0%A6%AA%E0%A7%9F%E0%A7%87%E0%A6%A8%E0%A7%8D%E0%A6%9F-%E0%A6%95%E0%A6%BE%E0%A6%9F%E0%A6%BE-%E0%A6%95%E0%A7%8B%E0%A6%A8" target="_blank" rel="noopener">regras da ATRB</a><span style="font-size: 1.25rem;">, todo motorista tem 12 pontos iniciais em sua carteira; quando esses pontos se esgotam, a carteira é cancelada.</span></p>
<h3>Reações variadas em grupos de trânsito no Facebook</h3>
<p>Os grupos <a href="https://www.facebook.com/groups/TrafficAlert.BD" target="_blank" rel="noopener">Traffic Alert</a> (mais de 447.000 inscritos) e <a href="https://www.facebook.com/groups/traffic.updates.bd/">Dhaka Traffic Update</a> (37.300 inscritos) no Facebook estão em polvorosa desde que as câmeras começaram a funcionar.</p>
<p>Muitos estão realmente satisfeitos. <a href="https://www.khoborsangjog.com/science-tech/112135/%E0%A6%B8%E0%A7%9C%E0%A6%95%E0%A7%87-%E0%A6%B6%E0%A7%83%E0%A6%99%E0%A7%8D%E0%A6%96%E0%A6%B2%E0%A6%BE-%E0%A6%AB%E0%A7%87%E0%A6%B0%E0%A6%BE%E0%A6%A4%E0%A7%87-%E0%A6%8F%E0%A6%86%E0%A6%87-%E0%A6%95%E0%A7%8D%E0%A6%AF%E0%A6%BE%E0%A6%AE%E0%A7%87%E0%A6%B0%E0%A6%BE">Osman Gani</a>, que trabalha como motorista particular, disse: &#8220;As pessoas costumavam não se importar com os cintos de segurança, mas agora que as infrações geram processos automaticamente, todo mundo é obrigado a obedecer. Quando os motoristas seguem as regras, as ruas ficam muito mais seguras&#8221;.</p>
<p>Mas também há muitas críticas. No grupo Dhaka Traffic Alert, um usuário chamado Ismail Hossain <a href="https://www.facebook.com/groups/TrafficAlert.BD/posts/26862122676811396/" target="_blank" rel="noopener">escreveu</a>:</p>
<blockquote><p>AI cameras are catching ordinary people’s cars at signals… fine. But what about local buses picking up passengers in the middle of the road? Rickshaws going the wrong way? Buses belching black smoke without fitness certificates? Transport blocking the road with no designated stops? When does the camera become ‘automatic’ for them? If there’s a law, it should apply to everyone. Catching only private cars and bikes doesn’t make a ‘smart traffic’ system. If the biggest troublemakers on the road are ignored, people won’t question just the AI — they’ll question the entire system.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>As câmeras com IA estão multando os carros de pessoas comuns nos semáforos&#8230; legal. Mas e os ônibus locais que pegam passageiros no meio da rua? Riquixás que vão no sentido errado? Ônibus que soltam fumaça preta sem certificado de inspeção técnica? O transporte público que bloqueia as ruas sem pontos de parada definidos? Quando a câmera vai ser &#8220;automática&#8221; para eles? Se existe uma lei, deveria ser aplicada a todo mundo. Flagar apenas os carros particulares e bicicletas não faz o sistema de trânsito ser &#8220;inteligente&#8221;. Se os maiores causadores de confusão nas ruas são ignorados, as pessoas não vão questionar só a IA – elas vão questionar todo o sistema.</p></blockquote>
<p>Outro usuário, Omar Faruk, levantou uma <a href="https://www.facebook.com/groups/TrafficAlert.BD/posts/26911280815228915/" target="_blank" rel="noopener">preocupação diferente:</a> &#8220;Os pedestres também não obedecem aos sinais. Quando os veículos têm sinal verde, os pedestres ainda cruzam, o que obriga os carros à frente a avançar um centímetro e depois parar. Se a câmera pegar esses carros, por que o proprietário deveria levar a culpa?&#8221;</p>
<p>Em uma observação mais encorajadora, um usuário chamado BrilliantAlligator9993 <a href="https://www.facebook.com/groups/TrafficAlert.BD/posts/26869349522755378" target="_blank" rel="noopener">divulgou uma foto</a> tirada às 5h15 em Banglamotor e Karwan Bazar, mostrando motoristas realmente obedecendo ao semáforo no início da manhã. A legenda dizia: &#8220;Que bom ver que as pessoas realmente escutaram e estão obedecendo ao semáforo. Quero mesmo ver como a PMD vai lidar com os ônibus, caminhões-tanque de gás natural e autorriquixás&#8221;.</p>
<p>O surgimento de golpistas também está preocupando as pessoas. <span style="box-sizing: border-box;">Eles l<a href="https://thefinancialexpress.com.bd/national/police-warn-vehicle-owners-drivers-against-video-case-fraud" target="_blank" rel="noopener">igam para os proprietários</a> de veículos, alegam falsamente que foram flagrados infringindo as leis de trânsito e pedem dinheiro.</span> A PMD alertou o público de que a multa jamais deve ser paga a um indivíduo, apenas por meio de canais bancários oficiais.</p>
<p>Outro incidente viralizou por um breve período: uma foto que circulava na internet parecia mostrar uma câmera com IA roubada de um trecho de rua de 90 metros. A conta  Voice of Gen-Z, no X, postou:</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="bn">দেশের বিভিন্ন স্থানে লাগানো অত্যাধুনিক এআই ক&#x200d;্যামেরাগুলো চুরি করে নিয়ে যাচ্ছে একটি মহল।</p>
<p>এটি ঢাকার ৩০০ ফিট সড়কের একটি ক&#x200d;্যামেরার দৃশ&#x200d;্য। পুরো সিস্টেম খুলে নিয়ে গেছে। <a href="https://t.co/KMFsyF9OOL">pic.twitter.com/KMFsyF9OOL</a></p>
<p>— Voice of Gen-Z (@VoGen_Z) <a href="https://x.com/VoGen_Z/status/2053776398662471880?ref_src=twsrc%5Etfw">May 11, 2026</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Algumas pessoas estão removendo e  levando embora as novas câmeras com IA instaladas em todo o país. Esta imagem mostra o local onde havia uma câmera; todo o sistema foi roubado.</p></blockquote>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Mais </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.facebook.com/dailysunbangla/videos/%E0%A6%86%E0%A6%B8%E0%A6%B2%E0%A7%87%E0%A6%87-%E0%A6%95%E0%A6%BF-%E0%A6%8F%E0%A6%86%E0%A6%87-%E0%A6%95%E0%A7%8D%E0%A6%AF%E0%A6%BE%E0%A6%AE%E0%A7%87%E0%A6%B0%E0%A6%BE-%E0%A6%9A%E0%A7%81%E0%A6%B0%E0%A6%BF-%E0%A6%B9%E0%A7%9F%E0%A7%87%E0%A6%9B%E0%A6%BF%E0%A6%B2ai-camera-traffic-dhaka-dmp-dailysun/1616897079538700/" target="_blank" rel="noopener">tarde, soube-se</a><span style="font-size: 1.25rem;"> que a câmera não tinha sido roubada, mas que havia caído e  quebrado devido a ventos fortes.</span> O objeto em questão, inclusive, era um semáforo, não uma câmera com IA.</p>
<h3>Riquixás elétricos: a pergunta que a IA não pode responder</h3>
<div style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Crowd_in_shopping_before_Eid-ul-Fitr_03.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Crowd_in_shopping_before_Eid-ul-Fitr_03-1-1200x675.jpg" alt="Riquixás são uma grande causa do engarrafamento em Dhaka. Imagem via Wikimedia Commons por Towhidul. CC BY-SA 4.0." width="1200" height="675" /></a><p class="wp-caption-text">Riquixás são uma grande causa do engarrafamento em Daca <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Crowd_in_shopping_before_Eid-ul-Fitr_03.jpg">Imagem</a> via Wikimedia Commons por Towhidul. <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/deed.en">CC BY-SA 4.0</a>.</p></div>
<p>O maior desafio para as câmeras com IA em Daca pode não ser os motoristas que desobedecem às regras, mas sim os veículos que o sistema simplesmente não consegue ver.</p>
<div class="factbox">
<h4>Leia mais: <a href="https://globalvoices.org/2024/12/27/how-to-stop-battery-operated-rickshaws-from-causing-new-problems-on-dhakas-roads/">Como impedir que riquixás elétricos causem novos problemas nas ruas de Daca</a></h4>
</div>
<p>Riquixás não registrados, manuais e elétricos, e<a href="https://en.ittefaq.com.bd/13661/dhaka%E2%80%99s-battery-rickshaw-anarchy-crackdown-or" target="_blank" rel="noopener">nchem as ruas</a> e avenidas da cidade em grande número, operando completamente fora da lei, sem registro nem placas. Todo o mecanismo do sistema de câmeras com IA depende da leitura das placas e da busca no banco de dados da ATRB. Um veículo sem placa é, na prática, invisível para a câmera.</p>
<p>A PMD e o governo ainda não ofereceram nenhuma explicação clara sobre como esses veículos serão controlados pelo novo sistema. A pergunta continua surgindo nos grupos de trânsito no Facebook e, até agora, permanece sem resposta.</p>
<p>O professor B M Mainul Hossain, diretor do Instituto de Tecnologia da Informação (ITI) na Universidade de Daca, disse à Global Voices por telefone:</p>
<blockquote><p>The success of this initiative will depend on a few key things: system transparency, the right to appeal, and above all, a clear policy on unregistered vehicles. AI cameras are undoubtedly an option to explore towards restoring order on Dhaka’s roads. But technology alone is not enough. What&#39;s also needed is a comprehensive reform of the entire transport management system.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>O sucesso dessa iniciativa vai depender de algumas coisas importantes: transparência do sistema, direito de recorrer e, acima de tudo, uma política clara sobre veículos não registrados. Sem dúvida, as câmeras com IA são uma opção para restaurar a ordem nas ruas de Daca. Mas a tecnologia sozinha não é suficiente. O que também é necessário é uma reforma completa de todo o sistema de gerenciamento dos transportes.</p></blockquote>
<p>As ruas de Daca agora são vigiadas por IA. A verdadeira pergunta é se essa vigilância vai ser justa e se vai olhar para todo mundo da mesma forma.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/hasive/' class='user-link'>Nurunnaby Chowdhury</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/isabela-torezan/' class='user-link'>Isabela Torezan</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/06/03/ai-cameras-are-surveilling-the-roads-in-dhaka-bangladesh/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-atypeek-5650141-400x300.jpg" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Podcast: O coração de Emma está dividido entre Jamaica e Inglaterra</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/06/14/podcast-o-coracao-de-emma-esta-dividido-entre-jamaica-e-inglaterra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando Baumgarten]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2026 22:02:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Caribe]]></category>
		<category><![CDATA[Etnia e Raça]]></category>
		<category><![CDATA[Europa Ocidental]]></category>
		<category><![CDATA[Global Voices Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[Jamaica]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=122914</guid>

					<description><![CDATA[Para mim, meu coração está metade na Inglaterra e metade na Jamaica e, provavelmente, sempre será assim.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>“Converso com eles num&#8230; nível de pessoa para pessoa.”</em></big></p><div id="attachment_834397" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-834397" class="size-featured_image_large wp-image-source-834397" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/05/Where-are-you-really-from-podcast-image-800x450.png" alt="" width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-834397" class="wp-caption-text"><span dir="auto">Imagem feita no Canva Pro por Ameya Nagarajan para Global Voices, usada sob permissão.</span></p></div>

<p><em><span dir="auto">“ </span><a href="https://globalvoices.org/special/where-are-you-really-from/"><span dir="auto">De onde você REALMENTE </span></a><a href="https://globalvoices.org/special/where-are-you-really-from/">é </a> ?<span dir="auto">” é uma série de podcasts da Global Voices que surgiu a partir de um painel na cúpula da Global Voices em dezembro de 2024, no Nepal, onde membros da comunidade contaram suas experiências ao lidar com as percepções de outras pessoas sobre as diversas e complexas histórias de suas origens. Em cada episódio, convidamos nossos participantes a refletir sobre as suposições que estão por trás da pergunta: “Mas de onde você realmente é ?” e como respondem.</span></em></p>
<p><em><span dir="auto">O podcast é apresentado por Akwe Amosu, que trabalha no setor de direitos humanos, após uma carreira anterior em jornalismo; ele também é coach e poeta. </span></em></p>
<p><em><span dir="auto">A transcrição deste episódio foi editada para maior clareza.</span></em></p>
<p><strong><span dir="auto">Akwe Amosu (AA): Olá e bem-vindos ao &#8220;De onde você realmente é?&#8221;, um podcast que explora identidades. Eu sou Akwe Amosu e hoje converso com Emma Lewis. Bem-vinda, Emma.</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">Emma Lewis (EL):</span></strong><span dir="auto"> Muito obrigada. É um prazer estar aqui.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: Emma, ​​por que as pessoas te fazem essa pergunta?</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> Depende de onde eu estiver, claro. As pessoas me fazem essa pergunta porque ouvem minha voz e associam a pergunta ao meu sotaque. E na Jamaica, onde moro, parece bem britânico. Então, as pessoas brincam comigo sobre o meu &#8220;britânico&#8221; e tudo mais, apesar de eu viver aqui há 38 anos. E quando conto isso, a reação é um pouco diferente. Elas dizem algo como: &#8220;Ah, então você é jamaicana&#8221;. Essa é uma reação comum. Acho que as pessoas me perguntam porque ficam um pouco confusas. Elas têm a impressão de que eu moro aqui há muito tempo. Mas eu não sou jamaicana. Acho que ainda tenho essa aura britânica ao meu redor.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: Você parece ser da Jamaica, mas não tem o sotaque daqui.</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> Certo. É isso aí.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: Como você se sente ao ser questionada sobre isso? E como se sente em relação às pessoas que querem entender isso?</span></strong></p>
<p><span dir="auto"><strong style="font-size: 1.25rem;">EL:</strong><span style="font-size: 1.25rem;"> Acho que às vezes entendo que perguntem: &#8220;De onde você é?&#8221;, e às vezes as pessoas perguntam porque realmente não sabem ou só para terem algo a dizer.</span> Não me incomoda. Em outras palavras, não me importo. Não me incomoda porque é uma forma de conhecer as pessoas. Embora, curiosamente, eu raramente faça essa pergunta a outras pessoas. Simplesmente não a faço. Creio que não tem importância.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: Gostaria de saber mais sobre isso, mas antes de perguntar, adoraria saber qual é a sua resposta preferida. Por exemplo, se alguém pergunta: &#8220;De onde você é?&#8221; ou &#8220;De onde você é de verdade? Você não parece ser jamaicana&#8221;, o que você gosta de responder?</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> Gosto de dizer que nasci em Londres, no Reino Unido, e que moro aqui há&#8230; quase quarenta anos. Então, sou britânica e jamaicana em muitos aspectos. Digo isso e entendem porque talvez nossa ilha seja peculiar, mas com a migração para dentro e fora da ilha, há muitas pessoas que podem dizer que têm um pé em cada país, ou que têm família aqui e ali, e assim por diante. Então não é um conceito difícil para elas entenderem.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: O que você acha que se passa na mente de alguém que quer fazer essa pergunta? O que está por trás da pergunta?</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> Acho que, como eu disse, é uma forma de te conhecer. E acho que também depende do contexto, mas creio que seja uma forma de saber de onde você vem para que possam continuar a conversa em um certo nível, se é que você me entende. Então, às vezes, não é só conversa fiada. Sinto que há um propósito específico.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: E você se sente completamente confortável com isso? Quer dizer, você se sente bem com a investigação até descobrir a sua origem?</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> Sim, na verdade não me incomoda. Devo dizer que, como acontece com tanta frequência, já me acostumei. No começo, era meio desconcertante porque as pessoas pensavam que eu era turista. E se eu for a um resort turístico, obviamente, pareço turista para todos, então é outra história. E isso é muito estranho e desconfortável às vezes.</span></p>
<div id="attachment_840023" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-840023" class="wp-image-source-840023 size-featured_image_large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/07/Emma-Lewis-800x450.jpg" alt="Emma by the sea at Black river. " width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-840023" class="wp-caption-text"><span dir="auto">Emma à beira-mar em Black River. Foto de Neville Lewis. Usada sob permissão.</span></p></div>
<p><strong><span dir="auto">AA: Então, voltando àquele ponto que você mencionou sobre não se fazer essa pergunta, por que você acha que isso acontece?</span></strong></p>
<p><span dir="auto"><strong style="font-size: 1.25rem;">EL:</strong><span style="font-size: 1.25rem;"> Porque sinto que isso não define necessariamente quem são as pessoas.</span> Quer dizer, é parte de quem são, mas talvez não seja sempre o mais importante. E eu também quero conhecer todos em um nível diferente. Então, tento descobrir mais sobre quem são. Não gosto de fazer essa pergunta porque converso de forma interpessoal, não de uma pessoa inglesa para outra jamaicana ou de uma inglesa para outra americana. Eu converso de ser humano para ser humano.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: Sim, faz todo o sentido. Mas tenho uma curiosidade: quando você quer saber algo sobre alguém que conhece e quer aprender mais, qual é, para você, a maneira certa de fazer essa pergunta?</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> Ah, perguntar algo relacionado à experiência deles. Por exemplo, eu poderia dizer: &#8220;Então você morou em Roma por um tempo&#8221; ou algo assim, porque o assunto surgiria na conversa, em vez de perguntar logo de cara: &#8220;De onde você é?&#8221;. E, novamente, acho que as pessoas podem se sentir um pouco desconfortáveis quando essa pergunta é feita diretamente. Então, se o assunto surge na conversa e nas experiências de cada um de nós, eu tento encaixar a pergunta e descobrir mais dessa forma.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: Então, o importante é o que eles fazem e não de onde vêm.</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> Sim, sim, exatamente. E onde eles estão agora. Quer dizer, eles podem estar aqui na Jamaica, e eu preferiria saber o que estão fazendo aqui e agora, em vez de voltar ao passado e dizer: &#8220;Ah, bem, minha avó era inglesa&#8221;, ou algo do tipo. E é assim que eu encaro a situação.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: Há algo que você gostaria de acrescentar sobre toda essa questão de identidade?</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> Sim. Quer dizer, para mim, identidade tem a ver, em parte, com o lugar. Bem, meu marido e eu tivemos uma experiência interessante no ano passado, quando visitamos o Reino Unido e ficamos por lá por um bom tempo. Ele nasceu aqui na Jamaica, mas nós dois crescemos na Inglaterra. E foi bem interessante porque, estranhamente, eu não me sentia tão inglesa quando estava lá; tampouco me sentia tão britânica quando estava aqui. Aliás, uma pessoa me perguntou: &#8220;Ah, você é australiana?&#8221; E eu respondi que não. E, de novo, estavam tentando identificar meu sotaque, que as pessoas aqui acham bem britânico, mas, quando vou para lá, percebem algo diferente.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: Você pode ouvir algo diferente.</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> Sim. Foi bem estranho. E começamos a perceber, então, que nosso coração, quer dizer, nossa identidade, é onde está o nosso coração. E meu coração está na Jamaica. Vivo aqui há tanto tempo, no mesmo lugar. E é um conforto. É um conforto total. Mas a outra parte de mim ainda é britânica. E quando vou para lá, absorvo todas essas pequenas coisas culturais e me sinto muito feliz. </span><span dir="auto"><span style="box-sizing: border-box;">Escrevi <a href="https://petchary.substack.com/p/i-have-two-homes" target="_blank" rel="noopener">em meu artigo</a> que existem duas partes: o coração tem duas metades. Para mim, meu coração está metade na Inglaterra e metade na Jamaica e, provavelmente, sempre será assim. Onde quer que eu more, será a mesma coisa, acho.</span> Simples assim.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: Obrigada, Emma.</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> De nada.</span></p>
<div class="factbox">
<div class="factbox">
<h4><span dir="auto">Ouça outros episódios aqui:  </span><a href="https://globalvoices.org/special/where-are-you-really-from/"><span dir="auto">De onde você REALMENTE é?</span></a></h4>
</div>
</div>

<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/akwe-amosu/' class='user-link'>Akwe Amosu</a>, <a href='https://globalvoices.org/author/emma-lewis/' class='user-link'>Emma Lewis</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/fernando-binda-baumgarten/' class='user-link'>Fernando Baumgarten</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2025/08/08/podcast-emmas-heart-is-half-in-jamaica-and-half-in-england/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
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		<title>Como as “táticas de medo” da extrema direita afetam garotas que buscam abortar legalmente no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isabela Torezan]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 12:21:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
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					<description><![CDATA[Ativistas pró-escolha dizem que bloquear a resolução no Congresso espalharia desinformação sobre acesso ao aborto legal.Em um vídeo postado por Chris Tonietto no começo de novembro de 2025 no Instagram, a... ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Ativistas pró-escolha dizem que bloquear a resolução no Congresso espalharia desinformação sobre acesso ao aborto legal.</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/Nicole-800x600-1.png" alt="Ilustração de uma silhueta de uma mulher grávida em frente a uma porta com uma cruz vermelha." width="800" height="600" /><p class="wp-caption-text">Ilustração por Noor, usada sob permissão</p></div>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Em um vídeo postado por <a href="https://www.instagram.com/p/DQsbTWVjyAh/?hl=en" target="_blank" rel="noopener">Chris Tonietto</a> no começo de novembro de 2025 no Instagram, a deputada federal celebrou <a href="https://www.camara.leg.br/noticias/1219967-camara-aprova-projeto-que-cancela-diretrizes-sobre-aborto-em-criancas-e-adolescentes-vitimas-de-estupro" target="_blank" rel="noopener">o voto que impôs um freio</a> à resolução que, segundo ela, &#8220;facilitava o aborto até nove meses de gravidez para garotas menores de idade que foram vítimas de violência, sem o conhecimento ou consentimento dos pais&#8221;.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">A </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-258-de-23-de-dezembro-de-2024-605843803" target="_blank" rel="noopener">resolução</a><span style="font-size: 1.25rem;"> em questão foi </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://conectas.org/noticias/o-que-diz-nova-resolucao-que-garante-direitos-de-criancas-e-adolescentes-vitimas-de-violencia-sexual/" target="_blank" rel="noopener">publicada</a><span style="font-size: 1.25rem;"> pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.gov.br/mdh/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselho-nacional-dos-direitos-da-crianca-e-do-adolescente-conanda/conanda" target="_blank" rel="noopener">Conanda</a><span style="font-size: 1.25rem;">), parte do Ministério dos Direitos Humanos, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-01/publicada-resolucao-que-garante-direitos-menores-vitimas-de-estupro" target="_blank" rel="noopener">após decisão judicial</a><span style="font-size: 1.25rem;"> em janeiro de 2025.</span> <span style="box-sizing: border-box;">Não houve modificação de nenhuma legislação existente; apenas estabelece protocolos para que profissionais de saúde os sigam, a fim de <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-mulher/saude-sexual-e-reprodutiva/interrupcao-gestacional-prevista-em-lei" target="_blank" rel="noopener">garantir o acesso de menores ao aborto legal,</a> um direito<a href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10624811/artigo-128-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940" target="_blank" rel="noopener"> já garantido pelo artigo 128 do Código Penal brasileiro.</a></span><a href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10624811/artigo-128-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940" target="_blank" rel="noopener"> </a></p>
<p>Como autora da proposta do decreto legislativo contra a resolução, Tonietto divulgou na l<a href="https://www.instagram.com/p/DQsbTWVjyAh/?hl=en" target="_blank" rel="noopener">egenda de seu vídeo</a> que bloquear a proposta iria &#8220;proteger a vida&#8221; e &#8220;defender a democracia brasileira&#8221;.</p>
<p>&#8220;Nós acabamos de evitar o retrocesso civilizacional que estava sendo promovido&#8221;, disse ela aos seus seguidores após a aprovação do potencial bloqueio.</p>
<p>Apesar das celebrações de políticos de direita, a proposta ainda precisa passar pelo Senado para que a suspensão seja efetiva – a maioria da casa agora é de direita e centro-direita. <a href="https://www.instagram.com/p/DQsbTWVjyAh/?hl=en" target="_blank" rel="noopener">Uma frente parlamentar mista &#8220;contra o aborto e a favor da vida&#8221; </a>foi criada em 2023, reunindo 172 deputados e 10 senadores, tendo Tonietto como  coordenadora.</p>
<p>Em resposta por e-mail à Global Voices, Tonietto disse que sua proposta era uma &#8220;crítica legal legítima a um ato infralegal que excede sua jurisdição&#8221;.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">De acordo com o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.camara.leg.br/noticias/1219967-camara-aprova-projeto-que-cancela-diretrizes-sobre-aborto-em-criancas-e-adolescentes-vitimas-de-estupro" target="_blank" rel="noopener">site da Câmara</a><span style="font-size: 1.25rem;">, entre outros pontos, a proposta se referia à resolução que não exigiria registro policial obrigatório para garotas menores de idade que buscam abortar uma gravidez resultante de violência sexual.</span> <span style="box-sizing: border-box;">No Brasil, 14 anos é a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Idade_de_consentimento_no_Brasil#:~:text=A%20idade%20de%20consentimento%20no,12.015%2F2009%2C%20artigo%203%C2%BA." target="_blank" rel="noopener">idade legal de consentimento,</a> o que significa que garotas com menos de 14 anos têm o direito legal de interromper uma gravidez.</span> No entanto, barreiras como estigma, falta de informação, serviços limitados e treinamento inadequado dos profissionais de saúde frequentemente dificultam o acesso a um aborto seguro.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">A resolução do Conanda foi uma resposta às </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.gov.br/mulheres/pt-br/central-de-conteudos/noticias/2025/novembro/nota-sobre-o-pdl-3-2025-que-susta-diretrizes-do-conanda" target="_blank" rel="noopener">altas taxas de gravidez em meninas menores de 14 anos</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e à baixa adesão ao aborto legal, disse a presidente do Conanda, Deila Martins.</span> Quase 14 mil garotas com idades entre 10 e 14 anos engravidaram em 2023, mas apenas 154 tiveram acesso ao aborto legal, ou seja, 1,1 %, <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-05/meninas-maes-passam-de-14-mil-e-so-11-tiveram-acesso-aborto-legal" target="_blank" rel="noopener">informa a Agência Brasil</a>.</p>
<p>Os políticos que se opõem ao documento também criticaram o protocolo proposto para casos em que a vítima e seu guardião legal discordam sobre o aborto. Argumentando que a resolução estabelece &#8220;um mecanismo de decisão que não está previsto na lei brasileira&#8221;, Tonietto disse à Global Voices que a resolução &#8220;substitui a regra geral de autonomia familiar&#8221;.</p>
<p>Mas Martins defende o protocolo que busca proteger a autonomia de menores grávidas vítimas de abuso sexual. &#8220;Na maioria das vezes, mais de 60% dos abusadores, e em alguns territórios, quase 80%, são da família da vítima&#8221;, disse Martins à Global Voices, citando pais, mães, tios e padrinhos como violentadores e cúmplices. &#8220;Não se pode exigir o consentimento dos pais, pois isso revitimiza a vítima e frequentemente impede a criança de exercer seu direito ao aborto.&#8221;</p>
<p>Tonietto não respondeu a uma pergunta sobre a prevalência de abusadores familiares e a revitimização em um documento enviado à Global Voices.</p>
<p>Este é o exemplo mais recente de como a  extrema direita brasileira usa o aborto para impulsionar sua agenda. <span style="font-size: 1.25rem;">Ao utilizar ferramentas democráticas, como projetos de lei e blocos legislativos como plataformas, os políticos de direita, na última década, têm defendido o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=2425262&amp;filename=PL%201904/2024" target="_blank" rel="noopener">reconhecimento jurídico do feto,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> espalhado informações falsas sobre uma condição médica não reconhecida chamada &#8220;</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://apublica.org/2025/09/vereadores-do-pl-uniao-e-mdb-tentam-aprovar-leis-sobre-sindrome-pos-aborto/" target="_blank" rel="noopener">síndrome do pós-aborto</a><span style="font-size: 1.25rem;">&#8221; e ameaçado vítimas de violência sexual que buscam seus direitos de aborto com </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.camara.leg.br/noticias/1071458-projeto-de-lei-preve-pena-de-homicidio-simples-para-aborto-apos-22-semanas-de-gestacao/#:~:text=Direitos%20Humanos-,Projeto%20de%20lei%20prev%C3%AA%20pena%20de%20homic%C3%ADdio%20simples,ap%C3%B3s%2022%20semanas%20de%20gesta%C3%A7%C3%A3o&amp;text=O%20Projeto%20de%20Lei%201904,de%20gravidez%20resultante%20de%20estupro." target="_blank" rel="noopener">a criminalização.</a></p>
<h3>Como a desinformação mobiliza o eleitorado</h3>
<div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/1000263032-800x451.jpg" alt="Um grupo de mulheres reunidas em uma escadaria na frente de um prédio segura fotos de políticos. Algumas delas também seguram bandeiras verdes e roxas." width="800" height="451" /><p class="wp-caption-text">Durante um protesto no Rio de Janeiro, mulheres exibiram fotos de políticos que votaram para bloquear a resolução do Conanda. Foto de Nicole Froio, usada sob permissão.</p></div>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Embora a história dos ataques ao aborto legal no Brasil seja extensa, a onda atual começou em 2007, quando deputados federais <a href="https://catarinas.info/web-stories/por-que-o-estatuto-do-nascituro-nunca-virou-lei-relembre-o-historico-do-pl-inconstitucional/" target="_blank" rel="noopener">propuseram uma lei</a> que alteraria o Código Penal brasileiro para classificar o <a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2022/12/o-que-e-o-estatuto-do-nascituro-e-como-o-projeto-pode-anular-direito-ao-aborto-legal-no-brasil-clblabvp30086017vcmezfhcg.html" target="_blank" rel="noopener">aborto como crime hediondo</a>, banindo o direito em todos os casos e também proibindo o congelamento, o descarte e o comércio de embriões humanos.</span></p>
<p>A lei não foi aprovada, mas serviu de modelo para a legislação antiescolha e para movimentos políticos que buscam reduzir direitos relativos ao aborto legal. <span style="font-size: 1.25rem;">Atualmente, a </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-mulher/saude-sexual-e-reprodutiva/interrupcao-gestacional-prevista-em-lei" target="_blank" rel="noopener">lei brasileira autoriza</a><span style="font-size: 1.25rem;"> o aborto em três casos: quando a gravidez resulta de estupro, quando a gravidez representa risco à vida da mulher e em casos de </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.cdc.gov/birth-defects/about/anencephaly.html" target="_blank" rel="noopener">anencefalia</a><span style="font-size: 1.25rem;">.</span></p>
<p>Durante o governo de extrema direita do ex-presidente <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Jair_Bolsonaro" target="_blank" rel="noopener">Jair Bolsonaro</a>, servidores públicos federais foram <a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2022/12/09/pgr-arquiva-damares.htm" target="_blank" rel="noopener">acusados</a> de <a href="http://chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1934185">tentar impedir que uma garota de 10 anos tivesse acesso a serviços de aborto</a>, enquanto o Conanda passou por uma diminuição de seus membros e enfrentou tentativas de impedir suas reuniões. &#8220;Ele cortou os fundos para reuniões presenciais [durante a pandemia]&#8221;, Martin relembra.</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Apesar da <a href="https://pt.globalvoices.org/2023/01/31/lula-volta-a-um-pais-dividido-em-retorno-historico-como-presidente-do-brasil/" target="_blank" rel="noopener">eleição de um governo de esquerda em 2022</a>, com <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_In%C3%A1cio_Lula_da_Silva" target="_blank" rel="noopener">Luiz Inácio Lula da Silva</a>, os ataques aos direitos de aborto constitucionalmente protegidos continuaram.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">A falsa narrativa de que Lula era a favor do aborto foi </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63265227" target="_blank" rel="noopener">explorada por seus oponentes</a><span style="font-size: 1.25rem;"> para atrair eleitores cristãos, tornando-se uma questão central durante a campanha.</span> No entanto, meses depois da eleição, ele apoiou o aborto como <a href="https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/noticia/2022/04/06/lula-sobre-aborto-deveria-ser-transformado-numa-questao-de-saude-publica-e-todo-mundo-ter-direito.ghtml" target="_blank" rel="noopener">questão de saúde pública</a>. <span style="box-sizing: border-box;">Enquanto isso, o líder evangélico <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Silas_Malafaia" target="_blank" rel="noopener">Silas Malafaia</a> o chamou de &#8220;<a href="https://www.youtube.com/watch?v=YhSKNfdFGQM" target="_blank" rel="noopener">imbecil e idiota&#8221;</a> e defendeu, em seu canal no YouTube, o reconhecimento jurídico do feto.</span> <span style="font-size: 1.25rem;">Em uma tentativa de apaziguar os evangélicos poucas semanas antes da eleição, Lula publicou uma </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2022/noticia/2022/10/19/lula-se-reune-com-liderancas-de-igrejas-evangelicas-em-sao-paulo.ghtml" target="_blank" rel="noopener">carta aberta,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> na qual se comprometia a não expandir os direitos ao aborto.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">De acordo com um </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://azmina.com.br/reportagens/projetos-leis-impoem-retrocessos-direitos-reprodutivos/" target="_blank" rel="noopener">relatório publicado em 2024</a><span style="font-size: 1.25rem;"> pela organização de notícias </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://azmina.com.br/" target="_blank" rel="noopener">AzMinas</a><span style="font-size: 1.25rem;">, projetos de lei que buscam restringir os direitos ao aborto legal no Brasil têm aumentado nos âmbitos municipal, estadual e federal.</span> <span style="font-size: 1.25rem;">Em um </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://azmina.com.br/reportagens/vereadores-pelo-pais-tentam-barrar-o-acesso-ao-aborto-legal/" target="_blank" rel="noopener">relatório de 2025</a><span style="font-size: 1.25rem;">,  aponta-se que, de 2017 a 2024, foram apresentados 103 projetos desse tipo no país.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Estes projetos frequentemente criam incerteza legal para profissionais de saúde, pois interferem com seu trabalho e aumentam o estigma em torno do aborto legal&#8221;, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://azmina.com.br/reportagens/vereadores-pelo-pais-tentam-barrar-o-acesso-ao-aborto-legal/" target="_blank" rel="noopener">escreveu, na época,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> a jornalista feminista da AzMinas, Maria Paula Monteiro.</span><span style="font-size: 1.25rem;">&#8220;</span>É um ataque para enfraquecer os direitos reprodutivos.&#8221;</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">De acordo com um </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://netlab.eco.ufrj.br/en/post/protect-our-children-pl-1904-leads-debate-on-abortion-in-2024" target="_blank" rel="noopener">relatório do NetLab,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> de maio de 2025, um laboratório de pesquisa da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o aborto tem sido um tema central na intensificação da polarização política no Brasil.</span> O relatório revela que ele foi usado em &#8220;campanhas de desinformação e como justificativa para ataques à opinião institucional, legislativa e pública&#8221; em 2024, ano em que ocorreram <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_municipais_no_Brasil_em_2024" target="_blank" rel="noopener">eleições municipais no país</a>. O relatório destaca mensagens de WhatsApp que afirmavam que o aborto e seus defensores estavam diretamente ligados ao diabo. &#8220;O aborto é entendido como um símbolo de uma batalha espiritual e política, na qual os valores cristãos estão em risco&#8221;, conclui.</p>
<p>De acordo com a legislação brasileira, legisladores municipais e prefeitos não têm o poder de legislar sobre direitos relacionados ao aborto; ainda assim, a condenação moral ajuda a conquistar votos.</p>
<p>O <a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=2849640&amp;filename=PDL%203/2025" target="_blank" rel="noopener">texto enviado por Tonietto</a> diz que os protocolos do Conanda forçam &#8220;uma submissão quase compulsória ao procedimento de aborto&#8221; e invertem as conclusões médicas atuais sobre os riscos à saúde de uma gravidez precoce, afirmando que o aborto &#8220;pode causar sérios riscos à vida da mulher grávida que, sob a legislação atual, não pode tomar suas próprias decisões&#8221;.</p>
<p>Embora Tonietto use a palavra &#8220;mulher&#8221; em sua proposta, a resolução do Conanda diz respeito a meninas grávidas. De acordo com a <a href="https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/adolescent-pregnancy" target="_blank" rel="noopener">Organização Mundial da Saúde (OMS)</a>, mães adolescentes com idades entre 10 e 19 anos enfrentam maiores riscos de eclâmpsia, endometrite puerperal e infecções sistêmicas do que mulheres entre 20 e 24 anos. <span style="font-size: 1.25rem;">Além disso, a </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/adolescent-pregnancy" target="_blank" rel="noopener">OMS alerta</a><span style="font-size: 1.25rem;"> que bebês de mulheres adolescentes estão mais sujeitos a baixo peso ao nascer, a parto prematuro e a condições neonatais graves.</span></p>
<p>Para a presidente do Conanda, esse movimento pode acarretar a falta de proteção às meninas vítimas de violência sexual, favorecendo abusadores e pedófilos. &#8220;Querem continuar a tradição de silêncio e de invisibilidade em torno desse problema&#8221;, ela diz.</p>
<h3>Efeitos reais</h3>
<div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/1000263041-scaled-e1772644687808-800x569.jpg" alt="Manifestantes seguram um cartaz dizendo:, ‘Evangélicas em defesa da vida de meninas e mulheres. CRIANÇA NÃO É MÃE!!!&quot;. Foto de Nicole Froio, usada com permissão." width="800" height="569" /><p class="wp-caption-text">Manifestantes seguram um cartaz com a frase: &#8220;Evangélicas em defesa da vida de meninas e mulheres. CRIANÇA NÃO É MÃE&#8221;. Foto de Nicole Froio, usada sob permissão.</p></div>
<p>Os defensores temem que o caos criado pelos apoiadores da suspensão fará com que  menos meninas procurem os serviços de que precisam. &#8220;Nós já estamos recebendo mensagens de profissionais de saúde e de outros parceiros que pensam que o aborto legal para menores foi proibido&#8221;, disse Laura Molinari à Global Voices. Ela é diretora executiva da <a href="https://www.instagram.com/nempresanemmorta/?hl=en" target="_blank" rel="noopener">Nem Presa Nem Morta</a>, uma campanha que defende a descriminalização do aborto legal e seguro.</p>
<p>Este é o tipo de barreira de acesso que a resolução do Conanda buscou superar: a desinformação. Molinari aponta que espalhar desinformação por meio de ações políticas é uma tática comum da direita. &#8220;A confusão em si é benéfica para eles.&#8221;</p>
<p>O acesso ao aborto para menores vítimas de abuso sexual é precário, com poucos  profissionais de saúde habilitados a prestar esse serviço, e também faltam protocolos unificados para atender essas vítimas. <span style="font-size: 1.25rem;">Apenas 4% das cidades do Brasil têm instalações para realizar abortos legais, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2025-04/barreiras-travam-aborto-legal-no-brasil-diz-instituto-ligado-a-oms" target="_blank" rel="noopener">conforme dados enviados pelo Instituto O&#39;Neill</a><span style="font-size: 1.25rem;"> à Suprema Corte — </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2025-04/barreiras-travam-aborto-legal-no-brasil-diz-instituto-ligado-a-oms" target="_blank" rel="noopener">88 clínicas públicas</a><span style="font-size: 1.25rem;"> em 55 cidades —, o que representa uma barreira geográfica significativa para a maioria da população.</span></p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Em 2024, quando um <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2025/10/15/proibicao-de-aborto-a-partir-da-22a-semana-de-gestacao-avanca-na-cdh" target="_blank" rel="noopener">projeto de lei</a> procurou alterar o Código Penal para equiparar o aborto ao assassinato se realizado após a vigésima segunda semana de gravidez, a enfermeira especialista em saúde Lígia Maria, que presta serviços de aborto em um hospital público em Brasília, notou um número significativo de pacientes que perguntavam se seriam condenadas criminalmente pelo procedimento.</span></p>
<p>O hospital de Maria já havia sido alvo de assédio e ameaças por prestar esses serviços. &#8220;Agora, nós estamos preocupados com pacientes que não procuram os serviços de aborto por causa dessa desinformação&#8221;, disse Maria. &#8220;Nós nos preocupamos com o fato de elas nem sequer virem fazer perguntas.&#8221;</p>
<p>Em 2025, o movimento para bloquear a resolução provocou protestos em diversas regiões do país. Os manifestantes disseram que os políticos a favor eram &#8220;pedófilos&#8221; e &#8220;inimigos das crianças&#8221;, reavaliando os efeitos do bloqueio como prejudiciais aos direitos das crianças.</p>
<p>Lígia Maria, no entanto, acredita que a reação pode mascarar a ineficácia real da tentativa de bloqueio. Ela também enfatiza que o resultado deveria ter sido visto como um chamado a reconhecer o papel do Conanda na defesa dos direitos das crianças, e não uma vitória dos conservadores.&#8221;Parece que estamos dando munição à extrema direita ao confirmarmos sua afirmação de vitória&#8221;, ela disse.</p>
<div class='gv-promo-card-container'><article class='gv-promo-card'><div class='gv-promo-card-image'><img  loading="lazy" decoding="async" class='featured-image ' alt='Noor Logo' src='https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/NOOR_MAGENTA.webp' /></div><div class='gv-promo-card-text'></p>
<h4>Feminist Justice Fellowship</h4>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Produzido pelo Feminist Journalist Fellowship, este artigo faz parte de uma série que destaca o trabalho de nossas parceiras, desenvolvido em colaboração com a Global Voices e a </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="http://wearenoor.org" target="_blank" rel="noopener">Noor</a><span style="font-size: 1.25rem;">.</span> </div></article></div>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/nicole-froio/' class='user-link'>Nicole Froio</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/isabela-torezan/' class='user-link'>Isabela Torezan</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/03/07/how-far-right-fear-tactics-affect-girls-seeking-legal-abortion-in-brazil/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/Nicole-800x600-1-400x300.png" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Construída para todos? Inteligência artificial e a comunidade LGBTQ+</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/06/07/construida-para-todos-inteligencia-artificial-e-a-comunidade-lgbtq/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marcos Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2026 08:00:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bélgica]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[Europa Ocidental]]></category>
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		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[“Muitos problemas podem ser rastreados até os dados usados para treinar modelos, que muitas vezes estão repletos de estereótipos e equívocos sobre as pessoas LGBTQ+,”]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Grande parte das informações disponíveis aos modelos sobre a comunidade LGBTQ+ é influenciada por estereótipos</em></big></p><div id="attachment_846454" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-846454" class="wp-image-846454 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/pexels-painted-face-rainbow-colors.jpg" alt="Face painted in rainbow colours. Photo by Alexander Grey on Pexels" width="800" height="533" /><p id="caption-attachment-846454" class="wp-caption-text"><a href="https://www.pexels.com/photo/person-with-body-painting-1209843/">Foto</a> por <a href="https://www.pexels.com/@mccutcheon/">Alexander Grey</a> no <a href="https://www.pexels.com/">Pexels</a></p></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A cada ano que passa, a inteligência artificial (IA) parece estar cada vez mais incorporada no nosso dia a dia. Ao redor do mundo, as pessoas estão se familiarizando com as particularidades dessa inovação. Elas também estão começando a ver suas potenciais vantagens. Recentemente, uma pesquisa global conduzida pela Ipsos, uma empresa de pesquisa de mercado, revelou que </span><a href="https://www.ipsos.com/sites/default/files/ct/news/documents/2024-06/Ipsos-AI-Monitor-2024-final-APAC.pdf"><span style="font-weight: 400;">55% dos entrevistados</span></a><span style="font-weight: 400;"> sentiram que as soluções baseadas em IA oferecem mais benefícios do que desvantagens. Resultados como esse deixam claro que, apesar da ansiedade em torno dessa tecnologia, o público continua intrigado com o que ela pode fazer. As empresas notaram essa percepção e estão vendendo seus produtos enfatizando sua eficiência e usabilidade. Dada a forma como o investimento privado em IA </span><a href="https://hai.stanford.edu/ai-index/2025-ai-index-report/economy"><span style="font-weight: 400;">aumentou</span></a><span style="font-weight: 400;"> na última década, as evidências sugerem que os consumidores compraram esse discurso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, nem todos estão convencidos. Membros da comunidade lésbica, gay, bissexual, transgênero e queer+ (LGBTQ+) têm prestado mais atenção às desvantagens associadas à IA</span><span style="font-weight: 400;">. Muitos problemas podem ser rastreados até os dados usados para treinar modelos, que muitas vezes estão repletos de estereótipos e equívocos sobre as pessoas LGBTQ+. No entanto, os impactos &#8220;offline&#8221; da IA podem ser igualmente alarmantes. A incorporação da tecnologia em sistemas projetados especificamente para identificar e vigiar os membros da comunidade, por exemplo, é uma das primeiras coisas a vir à mente. Do desenvolvimento à implantação, essas questões ilustram como as ferramentas aprimoradas por IA costumam ser mais prejudiciais do que úteis para a comunidade LGBTQ+. Sem medidas de proteção adequadas para o uso dessa tecnologia, muitos podem achar que ela é consideravelmente mais perigosa do que eficaz. </span><b><br />
</b><b></b></p>
<h3>Digitalizando estereótipos estabelecidos</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Para entender como a IA pode afetar negativamente os indivíduos LGBTQ+, é importante começar pelos dados que alimentam os modelos. A “</span><a href="https://www.wired.com/story/artificial-intelligence-lgbtq-representation-openai-sora/"><span style="font-weight: 400;">Wired</span></a><span style="font-weight: 400;">” destacou que, quando solicitadas a retratar membros da comunidade, as ferramentas populares de geração de imagem produziram resultados redutivos. Por exemplo, a ferramenta <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Midjourney">Midjourney</a> frequentemente retratava mulheres lésbicas como figuras austeras com inúmeras tatuagens. Dados extraídos da internet podem ser os culpados por essas representações extremamente simplistas (e ofensivas) da vida queer. Grande parte das informações disponíveis aos modelos sobre a comunidade LGBTQ+ é influenciada por estereótipos. Como resultado, ferramentas como a Midjourney estão extremamente propensas a reproduzir essas visões enviesadas em suas imagens. Embora métodos alternativos, como a rotulagem de dados aprimorada (<a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Labeled_data">data labeling</a>), possam aumentar a precisão do modelo, podem ser insuficientes devido à grande quantidade de conteúdo depreciativo encontrado online. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Retratos falhos da comunidade LGBTQ+ por modelos de IA não são um problema isolado. Na verdade, muitas das ferramentas de IA que dominam o mercado geram resultados distorcidos em relação a esse grupo. Em um relatório que avalia os pressupostos orientadores que definem os grandes modelos de linguagem (LLMs), a </span><a href="https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000388971"><span style="font-weight: 400;">Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO)</span></a><span style="font-weight: 400;"> identificou que as ferramentas amplamente utilizadas, como a Lhama 2 da Meta e o GPT-2 da OpenAI, são moldadas por atitudes heteronormativas. De acordo com a pesquisa, esses LLMs criaram conteúdo negativo sobre pessoas gays em mais da metade do tempo de suas simulações. As descobertas da UNESCO não apenas ressaltam a homofobia generalizada no treinamento de dados consumidos por soluções proeminentes de IA generativa; elas também mostram a incapacidade dos principais desenvolvedores de abordar efetivamente essa questão de amplo impacto.</span></p>
<h3>Reforço da vigilância pública</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">O dano que a IA pode impor sobre indivíduos LGBTQ+ não se limita ao espaço digital. Sistemas que utilizam a IA, os quais supostamente detectam o gênero daqueles que frequentam espaços públicos, tem chamado muita atenção. A </span><a href="https://www.forbidden-colours.com/wp-content/uploads/2024/01/240130-Report-on-LGBTIQ-AI.pdf"><span style="font-weight: 400;">Forbidden Colours</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma ONG belga pela defesa dos direitos LGBTQ+, enfatizou os desdobramentos problemáticos das ferramentas de IA para o &#8220;reconhecimento automático de gênero&#8221; (AGR). As soluções AGR analisam conteúdo audiovisual, como imagens de câmeras de segurança, para tirar conclusões sobre o gênero de uma pessoa, utilizam-se de elementos como suas características faciais e padrões vocais. Esses sistemas de ponta são inerentemente problemáticos. Como afirma a organização, é impossível detectar como uma pessoa compreende seu gênero estudando exclusivamente como ela se parece ou fala. Nesse sentido, construir soluções que classifiquem os indivíduos usando essas características arbitrárias é, na melhor das hipóteses, equivocado e, na pior, perigoso.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de falhas evidentes, os sistemas AGR têm seus defensores. Particularmente, os governos expressamente antagônicos à comunidade LGBTQ+ adotaram essas ferramentas, com muitos justificando suas decisões em nome da segurança pública. </span><span style="font-weight: 400;">Por exemplo, o “</span><a href="https://www.politico.eu/article/hungary-eu-watchlist-facial-recognition-surveillance-lgbtq-pride/"><span style="font-weight: 400;">Politico Europe</span></a><span style="font-weight: 400;">” informou como o primeiro-ministro húngaro </span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Viktor_Orb%C3%A1n"><span style="font-weight: 400;">Viktor Orbán</span></a><span style="font-weight: 400;"> sancionou o uso de monitoramento biométrico habilitado por IA em eventos locais do Orgulho LGBTQ+. O político de extrema-direita afirmou que tais medidas protegeriam as crianças das pautas LGBTQ+. Na verdade, a medida permite que o governo e seus aliados na lei vigiem artistas, ativistas e cidadãos comuns nesses eventos. Embora essa política esteja sendo revista pelas instituições da União Europeia, sua implementação serve como um forte lembrete de como a IA pode ser usada para intimidar líderes LGBTQ+ que se mobilizam para a mudança.</span></p>
<h3>Alterando a equação</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os membros da comunidade LGBTQ+, as compensações relacionadas à IA são íngremes. Embora essa tecnologia inovadora possa ter pontos positivos para a população em geral, ela apresenta desafios específicos que podem impactar desproporcionalmente usuários queer. Ferramentas comuns, tais como geradores de imagens e textos, foram encontradas circulando narrativas prejudiciais recorrentes sobre a vida LGBTQ+, que são difíceis de eliminar. Fora do mundo digital, a implantação da IA em espaços offline também apresenta riscos significativos. Sua incorporação aos sistemas de vigilância, muitas vezes com o objetivo explícito de rotular os gêneros daqueles pegos na armadilha, coloca-se como uma afronta à privacidade individual. Reunidos, esses exemplos demonstram como muitas das ferramentas de IA que remodelaram nossas experiências do dia a dia não foram projetadas com todos os tipos de pessoas em mente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Líderes de todos os setores devem tomar medidas para reverter essa tendência. Começando por parcerias entre desenvolvedores e partes interessadas na comunidade LGBTQ+. A colaboração construtiva pode ajudar a garantir que os dados de treinamento usados pelos modelos de IA reflitam com mais precisão as realidades vividas por pessoas queer. Também deve incluir garantias robustas para evitar o uso indevido de IA na vigilância da comunidade. Sistemas equipados com recursos de detecção de gênero devem ser estritamente proibidos, pois eles reduzem o direito de um indivíduo à privacidade. </span><span style="font-weight: 400;">Criticamente, </span><span style="font-weight: 400;"><span style="box-sizing: border-box;"><a href="https://www.openglobalrights.org/risks-limitations-artificial-intelligence-sexual-gender-diverse-community/" target="_blank" rel="noopener">a contribuição de indivíduos LGBTQ+ deve ser solicitada </a>em todas as fases de desenvolvimento de uma ferramenta</span>. Essa cooperação não apenas reduziria os inúmeros danos apresentados pela IA, mas também aumentaria a probabilidade de os membros dessa comunidade começarem a ver a tecnologia como um valor agregado.</span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/aaronspitler/' class='user-link'>Aaron Spitler</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/marcos-henrique-santiago-celestino/' class='user-link'>Marcos Henrique</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2025/11/18/built-for-all-artificial-intelligence-and-the-lgbtq-community/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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