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		<title>Cidadãos lideram esforços após fortes terremotos na Venezuela</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/07/16/cidadaos-lideram-esforcos-apos-fortes-terremotos-na-venezuela/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciana Alvim]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 20:06:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Até 6 de julho foram confirmadas 3.342 mortes e 16.740 feridos, além de 16 mil desabrigados, de acordo com o Ministério da Informação do país.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Esforços liderados pelos cidadãos preenchem as lacunas deixadas pelo Estado após as consequências dos terremotos na Venezuela.</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:LCF-24-_Ground_Zero_(9782103).jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/07/Venezuela_Ground_Zero_9782103-800x533.jpg" alt="Venezuelan citizens search through building destruction in La Guaira, Venezuela on June 29, 2026. Photo via Wikimedia Commons/US Marine Corps, public domain." width="800" height="533" /></a><p class="wp-caption-text">Cidadãos venezuelanos buscam sobreviventes nos escombros dos prédios destruídos em La Guaíra, Venezuela, em 29 de junho de 2026.<a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:LCF-24-_Ground_Zero_(9782103).jpg">Foto</a> via Wikimedia Commons/US Marine Corps, domínio público.</p></div>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Às 18h04 do horário local, no dia 24 de junho de 2026, a Venezuela vivenciou <a href="https://www.bbc.com/news/live/c621z18wznet?post=asset:9384c63d-dfdd-4f44-8b6f-8ae6b355bfd6#post" target="_blank" rel="noopener">seu maior evento sísmico em um século</a>: um terremoto de magnitude 7,2, seguido, 39 segundos depois, por outro de magnitude 7,5.</span></p>
<p>Até 6 de julho<a href="https://www.reuters.com/world/americas/death-toll-venezuela-quakes-rises-3342-2026-07-05/"> foram confirmadas</a> 3.342 mortes e <a href="https://www.reuters.com/world/americas/death-toll-venezuela-quakes-rises-3342-2026-07-05/">16.740 feridos,</a> além de 16 mil desabrigados, de acordo com o Ministério da Informação do país. O número não oficial de pessoas desaparecidas chega a 41 mil, e pelo menos 58 mil edifícios <a href="https://www.wired.com/story/satellite-images-damage-caused-by-venezuela-earthquakes/">foram severamente danificados</a>, como mostram imagens de satélite divulgadas pela NASA.</p>
<p>Embora seus epicentros estivessem a 160 quilômetros de distância, os <a href="https://www.pbs.org/newshour/science/the-2-earthquakes-that-struck-venezuela-are-known-as-a-doublet-heres-what-to-know-about-them">“doublets”</a>, terremotos duplos (também ocorridos na <a href="https://globalvoices.org/2023/03/01/syria-from-the-jaws-of-death-to-the-embrace-of-fate/">Síria e na Turquia em 2023</a>), abalaram o coração do país sul-americano. Caracas, a capital da Venezuela, e sua cidade vizinha <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/La_Guaira_(state)">La Guaira</a>, um estado costeiro situado a 40 minutos de Caracas, próximo ao Mar do Caribe, foram as mais afetadas. O principal aeroporto internacional do país e o porto também estão localizados em La Guaira, assim como várias residências e casas de veraneio. Conforme <a href="https://data.humdata.org/dataset/cod-ps-ven">o censo mais recente</a>, de 2011, aproximadamente 5 milhões de pessoas viviam na área combinada.</p>
<p>O litoral norte da Venezuela está próximo de placas tectônicas situadas no Mar do Caribe e no continente sul-americano. A área de Caracas-La Guaira já passou por sua cota de desastres naturais, incluindo <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/1967_Caracas_earthquake">outro terremoto em 1967</a> e <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Vargas_tragedy">grandes inundações em 1999</a>. Apesar disto, os cientistas consideram <a href="https://www.science.org/content/article/venezuela-s-double-earthquake-struck-faults-scientists-had-flagged?__cf_chl_f_tk=c5WMzWH8h9I9FTpB0uy_rCtvStKiBaNLhKJ8D..gy3U-1783053582-1.0.1.1-3pkN70b1wtLGz9Kp3iGF3daT8dqKXlskBOgp55PJ8oI">a atual infraestrutura sísmica venezuelana</a> praticamente inexistente. Mas desta vez, entretanto, os celulares Android <a href="https://www.nytimes.com/interactive/2026/06/27/world/americas/venezuela-earthquakes-android-alerts.html?unlocked_article_code=1.t1A.-8rC.LdCUZrt7OO_h&amp;smid=url-share">alertaram muitos venezuelanos</a> pouco antes dos terremotos atingirem a área.</p>
<p>O dia 24 de junho foi um <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Public_holidays_in_Venezuela">feriado nacional</a> na Venezuela; por isso, escolas e estabelecimentos comerciais estavam fechados. Quando os terremotos atingiram o país, muitos aguardavam para assistir aos jogos da Copa do Mundo ou simplesmente passavam o dia tranquilamente com suas famílias. Agora, muitos deles estão envolvidos nas buscas por seus familiares ou organizando iniciativas comunitárias de ajuda que reúnem equipes numerosas de voluntários internacionais. <span style="font-size: 1.25rem;">A reconstrução das áreas danificadas custará pelo menos US$ 6,7 bilhões (equivalentes a 6% do PIB da Venezuela), segundo uma </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.undp.org/latin-america/press-releases/venezuela-faces-us67-billion-economic-losses-earthquakes-undp-estimates" target="_blank" rel="noopener">estimativa preliminar</a><span style="font-size: 1.25rem;"> do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">A tragédia agravou uma </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.rescue.org/press-release/venezuela-irc-launches-emergency-response-twin-earthquakes" target="_blank" rel="noopener">severa crise humanitária já existente</a><span style="font-size: 1.25rem;">, que complica — </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://civil-protection-humanitarian-aid.ec.europa.eu/where/latin-america-and-caribbean/venezuela_en" target="_blank" rel="noopener">outros problemas</a><span style="font-size: 1.25rem;"> que </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.thenewhumanitarian.org/analysis/2026/01/14/humanitarian-crisis-response-venezuela-analysis-post-maduro" target="_blank" rel="noopener">permaneceram inalterados</a><span style="font-size: 1.25rem;"> após a intervenção norte-americana de 6 de janeiro de 2026 — um sistema público de saúde falido e serviços de resposta a emergências mal equipados.</span> <span style="font-size: 1.25rem;">Tem havido um </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.instagram.com/p/DaOPQTkEvK6/?hl=en&amp;img_index=1" target="_blank" rel="noopener">crescente criticismo</a><span style="font-size: 1.25rem;"> quanto à “</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.reuters.com/world/americas/aftershock-hits-caracas-rescue-efforts-enter-critical-hours-venezuela-2026-06-29/" target="_blank" rel="noopener">lentidão</a><span style="font-size: 1.25rem;">” da resposta do governo interino venezuelano à tragédia.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">A presidente em exercício, Delcy Rodríguez, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.dw.com/en/venezuela-leader-rejects-criticism-for-earthquake-response/a-77812839" target="_blank" rel="noopener">justifica o atraso </a><span style="font-size: 1.25rem;">como</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.dw.com/en/venezuela-leader-rejects-criticism-for-earthquake-response/a-77812839" target="_blank" rel="noopener"> uma narrativa fabricada</a><span style="font-size: 1.25rem;"> por laboratórios de propaganda e disse, em 3 de julho: “Nós não esperamos nem por um dia, dois dias ou três dias.</span> Nós agimos imediatamente.”</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">A administração de Rodríguez tem tomado medidas controversas, tais como exigir <a href="https://en.ultimasnoticias.com.ve/mas-vida/activan-centro-de-registro-de-voluntariados-en-el-poliedro-de-caracas/" target="_blank" rel="noopener">o registro obrigatório junto ao governo de Caracas</a> de todos os voluntários que estão nas zonas afetadas, incluindo os socorristas, e impor uma <a href="https://www.freepressunlimited.org/en/current/supporting-independent-journalism-venezuela-after-earthquakes" target="_blank" rel="noopener">restrição à cobertura </a>da imprensa local e internacional.</span></p>
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<p><script async src="//platform.instagram.com/en_US/embeds.js"></script></p>
<h3>Cidadãos, os primeiros a responder</h3>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Os sobreviventes locais foram os primeiros a pegar ferramentas, como machados, e até a usar as próprias mãos para </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.bbc.com/news/articles/cp8l451420zo" target="_blank" rel="noopener">buscar</a><span style="font-size: 1.25rem;"> seus entes queridos, como se viu nos escombros dos prédios em La Guaira e Caracas.</span> <span style="font-size: 1.25rem;">Outros usaram incessantemente o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.tiktok.com/@malvy_17/video/7656281597469068564" target="_blank" rel="noopener">Tiktok</a><span style="font-size: 1.25rem;">, o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.instagram.com/p/DaISMTJMTzf/?hl=en" target="_blank" rel="noopener">Instagram</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://x.com/vesinfiltro/status/2070175396381737160" target="_blank" rel="noopener">X, recentemente desbloqueado,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> para encontrar desaparecidos, postar pedidos de ajuda para o resgate de pessoas e pedir suprimentos.</span></p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Muitos continuaram <a href="https://abcnews.com/International/wireStory/spotless-uniforms-stalled-cranes-inside-venezuelas-faltering-quake-134365993" target="_blank" rel="noopener">trabalhando arduamente</a> ao redor dos prédios desabados, <a href="https://abcnews.com/International/wireStory/spotless-uniforms-stalled-cranes-inside-venezuelas-faltering-quake-134365993" target="_blank" rel="noopener">muito além</a> da &#8220;janela de sobrevivência de 72 horas&#8221;, período em que os especialistas em resgates dizem ser possível encontrar sobreviventes.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">O trabalho profissional de busca e salvamento </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.instagram.com/p/DaOrvqoO_xY/?hl=en" target="_blank" rel="noopener">também continuou</a><span style="font-size: 1.25rem;">, a cargo de equipes venezuelanas, e, a partir de 25 de junho, nas áreas mais afetadas, por equipes de mais de 30 países, incluindo Argentina, Chile, Itália, Jordânia, México, Catar, Espanha e Estados Unidos.</span> Histórias de resgate bem-sucedidas — tais como a <a href="https://www.youtube.com/watch?v=t4l2yRDcxDs">retirada</a> de Dayana Patiño e de seu bebê recém-nascido, Juan David, de 8 dias, após 32 horas sob os escombros — foram amplamente celebradas nas redes sociais nacionais e internacionais.</p>
<p>De acordo com os números divulgados pelo governo até dia 3 de julho, os esforços de voluntários e equipes de resgate <a href="https://www.dw.com/en/venezuela-death-toll-nears-2000-as-rescue-hopes-fade/a-77778620">resultaram no salvamento</a> de pelo menos 6 mil pessoas nas áreas afetadas.</p>
<p>Entretanto, pelo menos um episódio envolvendo oficiais venezuelanos prejudicou os esforços das equipes de busca e resgate. <a href="https://www.instagram.com/francisco.lermanda/?hl=en">Francisco Lermanda</a>, que trabalha com o grupo de voluntários Topos de Chile, <a href="https://www.instagram.com/reels/DaNsx8ouQud/">denunciou</a> que os militares ativos nas áreas de regate de La Guaira pediram incessantemente para que se identificassem. “Nós temos ordens para verificar seus documentos, porque vocês podem ser espiões dos ianques ou dos chilenos”, teriam dito as autoridades a Lermanda, um experiente socorrista .</p>
<h3>Solidariedade sem fronteiras</h3>
<p>Após o desastre, a tecnologia tem conectado as pessoas e atuado como catalisador da reconstrução. <span style="font-size: 1.25rem;">Após confirmar que seus pais estavam salvos em Los Teques, uma cidade perto de Caracas, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://es.globalvoices.org/author/elias-haig/" target="_blank" rel="noopener">Elías Haig</a><span style="font-size: 1.25rem;">, um colaborador venezuelano da Global Voices, que reside nos Estados Unidos para seus estudos universitários, decidiu fazer algo por seu país de origem.</span></p>
<p>“Pensei: vão precisar localizar os desaparecidos”, disse Haig à Global Voices por WhatsApp. “Criar um centro de informações centralizado, com os <a href="https://bloqueos.vesinfiltro.org">bloqueios de acesso à internet ainda </a>ativos pelo governo, era impossível. Também vamos ver informações falsas”.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">O estudante começou a trabalhar imediatamente, produzindo uma </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://terremotovenezuela2026.vercel.app/" target="_blank" rel="noopener">página com inteligência de fontes abertas</a><span style="font-size: 1.25rem;"> (</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://terremotovenezuela2026.vercel.app/" target="_blank" rel="noopener">OSINT)</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e capacidades adicionais de IA  para compilar informações confirmadas sobre pessoas desaparecidas.</span> Ele a retirou do ar em 25 de junho e encaminhou seus relatórios para <a href="http://desaparecidosterremotovenezuela.com/">grandes plataformas online</a>, também desenvolvidas de forma independente.</p>
<div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/07/Elias-Haig-terremotos-venezuela-800x362.jpeg" alt="Terremotovenezuela2026, developed by Global Voices contributor Elias Haig, compiled missing persons reports in the immediate aftermath of the Venezuelan earthquakes. Screenshot used with permission. " width="800" height="362" /><p class="wp-caption-text">Terremotovenezuela2026, desenvolvido pelo colaborador do Global Voices Elias Haig, compilou relatos de pessoas desaparecidas logo após o terremoto na Venezuela. Captura de tela usada sob permissão.</p></div>
<p>“Farei qualquer coisa para agregar valor, sem obstruir nada”, acrescentou Haig. Atualmente, ele está arrecadando fundos com a ajuda de amigos locais. <span style="font-size: 1.25rem;">Em outras iniciativas globais, muitos dos oito milhões de venezuelanos que vivem na diáspora estão </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.caracaschronicles.com/2026/06/25/key-information-about-venezuelas-state-of-emergency/" target="_blank" rel="noopener">canalizando esforços de ajuda</a><span style="font-size: 1.25rem;"> para organizações não governamentais locais confiáveis, oferecendo voluntariamente, de forma remota, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.sismoayudave.com/" target="_blank" rel="noopener">avaliação estrutural</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://sosucv.umiasalud.com/" target="_blank" rel="noopener">assistência médica e psicológica</a><span style="font-size: 1.25rem;"> às pessoas afetadas.</span></p>
<h3>&#8220;Nós devemos continuar&#8221;</h3>
<div style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/07/Caritas-Volunteers-Venezuela--600x600.jpeg" alt="Volunteer-led collection and distribution points are a common sight across Caracas and other Venezuelan cities after the twin earthquakes. Photo by Estefanía Salazar, used with permission. " width="600" height="600" /><p class="wp-caption-text">Pontos de coleta e entrega liderados por voluntários são vistos por toda Caracas e outras cidades venezuelanas após os terremotos duplos. Foto de Estefanía Salazar, usada sob permissão.</p></div>
<p>Múltiplos esforços liderados por voluntários podem ser vistos por toda Venezuela, na forma de pontos de coleta de doações, abrigos para refugiados e mais.</p>
<p><a href="https://caritasvenezuela.org/">A Caritas</a>, uma renomada organização sem fins lucrativos global filiada à Igreja Católica, é uma das principais redes de distribuição que está atualmente canalizando ajuda nas áreas afetadas na Venezuela. Muitos cidadãos, incluindo residentes que vivem fora das áreas afetadas, têm vindo à sede da organização em Caracas para entregar suas doações ou se inscrever como voluntários para o que especialistas estimam ser um esforço <a href="https://www.wfp.org/stories/wfp-ramps-food-and-other-assistance-venezuela-earthquake-response">de longo prazo</a>.</p>
<p>Do lado de fora da sede da Caritas, uma longa fila de caminhões e carros esperavam para entregar as doações. Lá estava um grupo vindo de El Tigre — uma cidade localizada perto dos campos petrolíferos, a seis horas de distância, no leste da Venezuela, que não sofreu maiores danos.</p>
<p>“Nós devemos continuar”, disse José Rivero, o jovem motorista, que, em um espaço de três dias, tinha feito voluntariamente três viagens de ida e volta entre El Tigre e Caracas, usando o caminhão de sua família para distribuir roupas e medicamentos coletados por sua igreja. Suas palavras ecoam a voz de muitos nesta nação assolada pelo desastre.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/estefania-salazar/' class='user-link'>Estefanía Salazar</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/luciana-alvim/' class='user-link'>Luciana Alvim</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/07/06/citizens-lead-relief-efforts-after-major-twin-quakes-in-venezuela/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/07/Venezuela_Ground_Zero_9782103-400x300.jpg" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Brasil: As ações nas periferias que buscam ampliar espaços de educação ambiental</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/07/10/brasil-as-acoes-nas-periferias-que-buscam-ampliar-espacos-de-educacao-ambiental/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Agência Mural]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 21:00:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Juventude]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
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					<description><![CDATA[A Mural conta sobre quatro coletivos que atuam com a população local para mitigar os impactos das questões climáticas e promover a educação ambiental diretamente nos territórios]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Coletivos em São Paulo criam hortas comunitárias e educam sobre lixo em busca de soluções climáticas</em></big></p><div id="attachment_122539" style="width: 766px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122539" class="wp-image-122539 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Jovens-junto-com-Priscila-colhem-na-horta-comunitaria-do-cursinho.-Reproducao_-Marcus-Vinicius-768x1024-1-e1779318346951.webp" alt="Jovens posam com alimentos colhidos em horta comunitária" width="766" height="568" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Jovens-junto-com-Priscila-colhem-na-horta-comunitaria-do-cursinho.-Reproducao_-Marcus-Vinicius-768x1024-1-e1779318346951.webp 766w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Jovens-junto-com-Priscila-colhem-na-horta-comunitaria-do-cursinho.-Reproducao_-Marcus-Vinicius-768x1024-1-e1779318346951-400x297.webp 400w" sizes="(max-width: 766px) 100vw, 766px" /><p id="caption-attachment-122539" class="wp-caption-text"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Jovens, junto com Priscila, colhem na horta comunitária do cursinho. Foto: </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Marcus Vinícius/Utilizada com permissão</span></span></span></span></span></span></span></span></p></div>
<p><em><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Este texto, de autoria de Felipe Barbosa, Gabrielly Souza, Thauane Blanche e Thila Moura, foi publicado originalmente em 22 de abril de 2026, </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://agenciamural.org.br/especiais/as-acoes-nas-periferias-que-buscam-ampliar-espacos-de-educacao-ambiental/?swcfpc=1"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">no site da Agência Mural.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> Ele faz parte do projeto Planeta Território &#8211; Tecnologias de Letramento Climático, realizado pelo Território da Notícia em parceria com o ICS – Instituto Clima e Sociedade. O artigo é reproduzido aqui sob acordo de parceria com o Global Voices, com edições.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></em></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Coletivos e organizações das periferias de São Paulo e da região metropolitana transformam realidades locais ao unir educação ambiental, mobilização comunitária e soluções práticas para enfrentar a crise climática. Áreas antes destinadas ao descarte de lixo viraram hortas comunitárias que hoje abastecem famílias. Há ainda projetos de combate ao desmatamento e ao loteamento clandestino. </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A Agência Mural selecionou quatro coletivos que atuam junto à população local para mitigar os impactos das mudanças climáticas e promover a educação ambiental em seus territórios.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<h4 id="Plantandoecolhendo" class="wp-block-heading"><strong><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Plantando e colhendo</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></strong></h4>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">No Jardim Lapena, na zona leste de São Paulo, um ponto de descarte irregular de lixo se tornou uma horta comunitária que alimenta dezenas de famílias.<strong><span style="color: #ff0000;"> </span></strong>Foi ali que Maria Edilene, 39, fundou o </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://www.instagram.com/coletivo_das_marias/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Coletivo das Marias</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">. </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“O maior prazer que tenho é falar é que não foi o poder público que acabou com o lixo”, afirma ela.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A mudança começou há cerca de 14 anos, quando Maria se deparou com o acúmulo de <span style="color: #000000;">sacos de lixo</span> na frente de casa. </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Incomodada com a exposição dos filhos e de outras crianças a materiais tóxicos, mau cheiro, ratos e insetos, ela decidiu agir. “Me recusava a criar meus filhos com o lixo”, conta.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Sozinha, começou a limpar o espaço e mobilizou outros moradores. Inicialmente, sete vizinhos se somaram ao mutirão. </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Maria passou a cultivar chás no local, prática que remete à origem nordestina. O que começou de forma intuitiva se consolidou, com o tempo, como uma ação de educação ambiental. “Na época, nem sabia que era esse o nome, mas as pessoas foram se conscientizando”, diz.<br />
</span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<div id="attachment_122529" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122529" class="wp-image-122529 size-large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Maria-Edilene-01_insta_coletivo-das-marias-1-e1776890103684-1024x753-1-800x588.webp" alt="Mulher segura alface produzida em horta comunitária" width="800" height="588" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Maria-Edilene-01_insta_coletivo-das-marias-1-e1776890103684-1024x753-1-800x588.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Maria-Edilene-01_insta_coletivo-das-marias-1-e1776890103684-1024x753-1-400x294.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Maria-Edilene-01_insta_coletivo-das-marias-1-e1776890103684-1024x753-1.webp 1024w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-122529" class="wp-caption-text">Maria Edilene com um pé de alface da horta comunitária. Foto: Coletivo das Marias/Usada com permissão</p></div>
<p>Com o avanço do trabalho ao longo dos anos, a área se transformou em uma horta comunitária, com cultivo de hortaliças como alface, cenoura, beterraba e rabanete, além de plantas medicinais, conhecidas como “farmácia viva”.</p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Toda a produção é agroecológica, sem uso de agrotóxicos, respeitando o tempo da natureza e a polinização realizada por abelhas, pássaros e borboletas.</span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O espaço abastece diretamente 72 famílias, que participam de um sistema de compostagem comunitária &#8211; processo biológico que transforma resíduos orgânicos (restos de alimentos, cascas, folhas) em adubo natural. A partir do cadastro, os moradores contribuem com resíduos orgânicos, que são pesados e monitorados e, em troca, têm acesso aos alimentos da horta.</span></span></span></span></span></span></p>
<div class="box-explicacao px-4 pt-3 pb-2 my-4">
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Para Nathalia Souza, 30 anos, agricultora local, o trabalho representa uma mudança de perspectiva. “Nunca imaginei que sairia do Nordeste para trabalhar com a terra [em São Paulo]. Hoje, consigo ver o mundo de outra forma”, afirma.</span></p>
</div>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A proximidade com a família, a redução dos deslocamentos e o contato com a terra estão entre os principais ganhos. <span style="font-size: 1.25rem;">“</span>Aprendi a me comunicar com a natureza. Isso mudou minha rotina, minha alimentação e a forma como eu me vejo<span style="font-size: 1.25rem;">”</span>, completa.</span></span></span></span></span></span></p>
<figure class="wp-block-image my-5 "><picture></picture><figcaption class="legenda-credito mx-auto text-start">
<div id="attachment_122531" style="width: 1024px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122531" class="wp-image-122531 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Nathalia-Souza-02_insta_coletivo-das-marias-1024x1003-1.webp" alt="Mulher com bicicleta e verduras " width="1024" height="1003" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Nathalia-Souza-02_insta_coletivo-das-marias-1024x1003-1.webp 1024w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Nathalia-Souza-02_insta_coletivo-das-marias-1024x1003-1-400x392.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Nathalia-Souza-02_insta_coletivo-das-marias-1024x1003-1-613x600.webp 613w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Nathalia-Souza-02_insta_coletivo-das-marias-1024x1003-1-919x900.webp 919w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><p id="caption-attachment-122531" class="wp-caption-text"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Nathalia, agricultora, faz entregas de verduras de bicicleta. Foto: </span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Coletivo das Marias/Uso com permissão</span></span></span></span></p></div>
</figcaption></figure>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O Coletivo das Marias também conta com parcerias, como o </span></span></span></span></span></span><a href="https://www.instagram.com/ciclolog_/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ciclolog</span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, organização de mobilidade e comunicação ambiental, responsável pelo projeto </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Bike Horta</span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">. A iniciativa promove a coleta de resíduos orgânicos por meio de bicicletas. Famílias e escolas recebem baldes para o descarte de restos de alimentos, que são recolhidos três vezes por semana e levados à composteira.</span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“A parceria com a horta começou em 2021, com apoio aos mutirões e à comunicação local”, conta Everton Silva, 35, coordenador da Ciclolog.</span></span></span></span></span></span></p>
<figure></figure>
<figure class="wp-block-image my-5 "><picture></picture><figcaption class="legenda-credito mx-auto text-start"></figcaption></figure>
<h4 id="Tirandoolixo" class="wp-block-heading"><strong><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Tirando o lixo</span></span></span></span></span></span></strong></h4>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span style="font-size: 1.25rem;">A 5 quilômetros de onde fica o Coletivo das Marias, vive Ionilton Gomes de Aragão, 56, conhecido como Aragão, na comunidade Santa Inês, no distrito de </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://agenciamural.org.br/sua-quebrada/zona-leste/sao-miguel-paulista/" target="_blank" rel="noopener">São Miguel Paulista</a><span style="font-size: 1.25rem;">.</span> Ele está no bairro há 50 anos e acompanha de perto as transformações no território.</span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“Morar em um lugar limpo, organizado e iluminado melhora a autoestima”, afirma o criador do </span></span></span></span></span></span><a href="https://www.instagram.com/varrevila/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Varre Vila</span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">. </span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O projeto é uma iniciativa de educação ambiental voltada à participação popular. Eles colocam caçambas identificadas para lixo orgânico e reciclável em diversos pontos dos bairros. Cerca de 34 toneladas de resíduos são retiradas por mês.</span></span></span></span></span></span></p>
<p>A manutenção é feita pelos próprios moradores. “Ainda não atingimos 100% do bairro, mas grande parte já entende a importância das nossas ações. Por isso, seguimos com essa educação ambiental contínua”, afirma Aragão.</p>
<div id="attachment_122533" style="width: 819px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122533" class="wp-image-122533 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/01_Aragao-explicando-sobre-o-ponto-certo-da-rua-Dr.-Fernandes-Albanesa-para-as-pessoas-que-vieram-fazer-turismo-na-vila-Santa-Ines-com-o-Sesc-de-Itaquera-1-819x1024-1.webp" alt="Homem idoso aponta para lixeiras que separam lixo reciclável e orgânico diante de grupo de pessoas" width="819" height="1024" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/01_Aragao-explicando-sobre-o-ponto-certo-da-rua-Dr.-Fernandes-Albanesa-para-as-pessoas-que-vieram-fazer-turismo-na-vila-Santa-Ines-com-o-Sesc-de-Itaquera-1-819x1024-1.webp 819w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/01_Aragao-explicando-sobre-o-ponto-certo-da-rua-Dr.-Fernandes-Albanesa-para-as-pessoas-que-vieram-fazer-turismo-na-vila-Santa-Ines-com-o-Sesc-de-Itaquera-1-819x1024-1-320x400.webp 320w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/01_Aragao-explicando-sobre-o-ponto-certo-da-rua-Dr.-Fernandes-Albanesa-para-as-pessoas-que-vieram-fazer-turismo-na-vila-Santa-Ines-com-o-Sesc-de-Itaquera-1-819x1024-1-480x600.webp 480w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/01_Aragao-explicando-sobre-o-ponto-certo-da-rua-Dr.-Fernandes-Albanesa-para-as-pessoas-que-vieram-fazer-turismo-na-vila-Santa-Ines-com-o-Sesc-de-Itaquera-1-819x1024-1-720x900.webp 720w" sizes="auto, (max-width: 819px) 100vw, 819px" /><p id="caption-attachment-122533" class="wp-caption-text"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Aragão explica sobre o ponto de coletas. Foto: Diego Monteiro/Uso com permissão</span></span></span></span></p></div>
<figure class="wp-block-image my-5 "><picture></picture><figcaption class="legenda-credito mx-auto text-start"></figcaption></figure>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“É quase um clamor: cuide e ajude a cuidar do lugar onde você mora, trabalha e vive. Se a população não estiver junto, não funciona”, ressalta.</span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O bairro conta com ações de conscientização sobre o descarte de resíduos, um cuidado essencial em uma região que enfrenta enchentes e alagamentos frequentes.</span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“Recebemos depoimentos de moradores de que, após as enchentes, a água tem escoado mais rápido e sem lixo boiando nas ruas”, diz Aragão.</span></span></span></span></span></span></p>
<figure></figure>
<figure class="wp-block-image my-5 "><picture></picture><figcaption class="legenda-credito mx-auto text-start"></figcaption></figure>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Apesar da trajetória consolidada, a iniciativa enfrenta desafios de financiamento. </span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“A atuação é importante porque caminha para mudança de comportamento da população em relação ao descarte irregular de resíduos”, completa. </span></span></span></span></span></span></p>
<h4 id="Buscandosoluçõesemrede" class="wp-block-heading"><strong><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Soluções em rede</span></span></span></span></span></span></strong></h4>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Para além de regiões mais urbanizadas, territórios onde o meio ambiente está fortemente presente também enfrentam desafios de preservação. Na região sudoeste da Grande São Paulo, cidades como </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Embu das Artes</span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Cotia </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">e </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Itapecerica da Serra</span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, possuem 60% do território em <a href="https://www.sema.df.gov.br/areas-de-protecao-de-mananciais-apm-plano-e-diagnostico">Área de Proteção aos Mananciais (APMs)</a> e inserido na <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Mata_Atl%C3%A2ntica">Mata Atlântica</a>.</span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Rodolfo Almeida, 43, diz que é uma tarefa árdua atuar na região. Ele é ambientalista e conselheiro da </span></span></span></span></span></span><a href="https://www.instagram.com/seaembu/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">SEAE (Sociedade Ecológica de Embu)</span></span></span></span></span></span></a>,<span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span style="color: #ff0000;"><span style="color: #000000;"> ONG que atua há 54 anos na defesa ambiental dos três municípios.</span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p>A SEAE trabalha com projetos socioambientais em escolas e comunidades locais e conta com mais de 100 membros permanentes. A entidade tem projetos educativos para conscientizar o público sobre a importância da preservação das áreas de mananciais. “Aquele rio ou nascente tão perto de casa precisa ser cuidado com o mesmo zelo que a água em nossas casas”, explica Rodolfo.</p>
<figure></figure>
<p>O projeto “Observando Rios”, iniciativa em parceria com a ONG <a href="https://www.sosma.org.br/">SOS Mata Atlântica</a>, leva as comunidades às margens dos rios e ensina a avaliar o estado dos cursos d&#39;água.</p>
<p>Já o “<a href="https://www.cotiaguarapiranga.com.br/">Conecta Cotia-Guarapiranga</a>” é um guia de campo tecnológico que mapeia fontes de água e matas, a fim de orientar o monitoramento desses recursos naturais e o desenvolvimento de planos de conservação ambiental mais eficazes.</p>
<figure class="wp-block-image my-5 ">
<p><div id="attachment_122537" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122537" class="wp-image-122537 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/2-Observando-os-Rios-e1776890139274-1024x657-1.webp" alt="Pessoas caminham ao lado de um córrego" width="1024" height="657" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/2-Observando-os-Rios-e1776890139274-1024x657-1.webp 1024w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/2-Observando-os-Rios-e1776890139274-1024x657-1-400x257.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/2-Observando-os-Rios-e1776890139274-1024x657-1-800x513.webp 800w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><p id="caption-attachment-122537" class="wp-caption-text">Pessoas participam do projeto &#8220;Observando os rios&#8221;. Foto: SEAE/Uso com permissão</p></div></figure>
<p>A Bacia do Guarapiranga abastece mais de 4 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo, mas é afetada pelo desmatamento, por ocupações irregulares e por contaminação por esgoto não tratado.</p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Uma das análises mais recentes do projeto “Observando Rios” classificou a água do córrego Ribeirão da Ressaca, nos bairros Ressaca e Caputera, no limite entre Embu, Cotia e Itapecerica, como “ruim” (alto nível de poluição e imprópria para consumo). </span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“Os indicadores evidenciam a falta de ações educativas e atuação política para garantir um saneamento eficiente”, avalia </span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Rodolfo.</span></span></span></span></span></p>
<h4 id="Dentrodasescolas" class="wp-block-heading"><strong><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Dentro das escolas</span></span></span></span></strong></h4>
<p class="wp-block-heading">A educação ambiental também é um dos objetivos da ambientalista Adriana Abelhão, 59, vice-presidente da Preservar Ambiental, em Itapecerica da Serra. A ONG nasceu em 2009, com foco na luta contra o desmatamento no bairro de Itaquaciara, alvo de loteamentos clandestinos e de construções irregulares de galpões e aterros. Ela também busca meios de levar o tema ambiental à comunidade.</p>
<p>“Cada vez mais moradores de cidades próximas nos procuram para orientações sobre denúncias ambientais e projetos de educação ambiental”, conta Adriana. “Desde a moradora que ama a árvore de sua rua e quer protegê-la, representantes da causa animal, até grupos de moradores que se organizam para enfrentar agressões de grande porte contra o meio ambiente”.</p>
<div id="attachment_122538" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122538" class="wp-image-122538 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Adriana-Abelhao-fala-da-importancia-da-educacao-ambiental-nos-territorios-1-1024x576-1.webp" alt="Mulher fala ao microfone em uma sala de aula" width="1024" height="576" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Adriana-Abelhao-fala-da-importancia-da-educacao-ambiental-nos-territorios-1-1024x576-1.webp 1024w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Adriana-Abelhao-fala-da-importancia-da-educacao-ambiental-nos-territorios-1-1024x576-1-400x225.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Adriana-Abelhao-fala-da-importancia-da-educacao-ambiental-nos-territorios-1-1024x576-1-800x450.webp 800w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><p id="caption-attachment-122538" class="wp-caption-text"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Adriana Abelhão explica a estudantes sobre a importância da educação ambiental nos territórios. Foto: Preservar Ambiental/Uso com permissão</span></span></span></span></p></div>
<figure class="wp-block-image my-5 "><picture></picture><figcaption class="legenda-credito mx-auto text-start"></figcaption></figure>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Na educação ambiental, o grupo atua em quatro escolas estaduais com o projeto Conexão Natureza, voltado a alunos e professores. </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“Tratamos de temas como mudanças climáticas, mananciais, saneamento básico, resíduos sólidos e soluções baseadas na natureza. São dois anos de trabalho e 4 meses em cada uma das 4 escolas parceiras”, conta o ambientalista.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<h4><strong><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Educando para o plantar</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></strong></h4>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">No Cursinho Comunitário dos Pimentas, uma parte significativa dos alimentos consumidos por alunos e voluntários é cultivada no próprio local. </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span>Situado em <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Guarulhos">Guarulhos</a>, na Grande São Paulo, o espaço reúne 130 jovens e 20 voluntários, com idades entre 18 e 23 anos. O espaço possui uma área verde, com iniciativas como pomar, hortas alimentares e medicinais.</p>
<p>O cursinho mantém ainda um meliponário de abelhas nativas da Mata Atlântica e promove a reciclagem dos materiais entregues pela comunidade. Esses itens são comercializados pelos voluntários, e a renda obtida contribui para apoiar estudantes aprovados em universidades no interior ou em outros estados.</p>
<p>Ex-aluno e hoje voluntário, o biólogo Marcus Vinícius, 27, destaca que o curso se tornou um polo de oportunidades em uma região com poucos equipamentos ambientais. <span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“</span>É um trabalho coletivo, feito por muitas mãos. A gente colhe diariamente os resultados<span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">”</span>, diz.</p>
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<div id="attachment_122541" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122541" class="wp-image-122541 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Estudantes-do-cursinho-comunitario-cuidando-das-arvores-e-plantas-em-vasos.-Reproducao_-Marcus-Vinicius-1024x768-1.webp" alt="Pessoas trabalham em horta" width="1024" height="768" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Estudantes-do-cursinho-comunitario-cuidando-das-arvores-e-plantas-em-vasos.-Reproducao_-Marcus-Vinicius-1024x768-1.webp 1024w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Estudantes-do-cursinho-comunitario-cuidando-das-arvores-e-plantas-em-vasos.-Reproducao_-Marcus-Vinicius-1024x768-1-400x300.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Estudantes-do-cursinho-comunitario-cuidando-das-arvores-e-plantas-em-vasos.-Reproducao_-Marcus-Vinicius-1024x768-1-800x600.webp 800w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><p id="caption-attachment-122541" class="wp-caption-text"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Estudantes do cursinho cuidando das árvores e plantas em vasos. Foto: </span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Marcus Vinicius/ Uso com permissão</span></span></span></span></p></div>
</div>
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<div class="imagem">
<p>A gerente ambiental e a professora voluntária Priscila Narcizio, 35, conta que os alunos chegam curiosos, se envolvem com as atividades e vêm com entrega para aplicar o que aprenderam.</p>
<p>“Eles replicam práticas em casa, como composteiras simples e coleta de água da chuva, e ainda unidos com a família. A gente vê esse retorno no dia a dia”, avalia.</p>
</div>
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<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/agenciamural/' class='user-link'>Agência Mural</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Estudantes-do-cursinho-comunitario-cuidando-das-arvores-e-plantas-em-vasos.-Reproducao_-Marcus-Vinicius-1024x768-1-400x300.webp" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>O Dia Internacional do Reggae celebra a música icônica da Jamaica, com foco no ativismo e na justiça climática.</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/07/08/o-dia-internacional-do-reggae-celebra-a-musica-iconica-da-jamaica-com-foco-no-ativismo-e-na-justica-climatica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando Baumgarten]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 13:44:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Boas Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
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					<description><![CDATA[O Dia Internacional do Reggae (DIR) completou 31 anos com apelos para um “reorientação” – e talvez um renascimento – da música reggae como veículo de ativismo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>“A música reggae é um espírito”</em></big></p><div id="attachment_837836" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.canva.com/pro/"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-837836" class="wp-image-source-837836 size-large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/07/GV-800x600.jpg" alt="Image of a microphone with music notes creating a heart around it, against the backdrop of a red, green and gold reggae flag. Image via Canva Pro. " width="800" height="600" /></a><p id="caption-attachment-837836" class="wp-caption-text"><span dir="auto">Imagem em destaque via </span><a href="https://www.canva.com/pro/"><span dir="auto">Canva Pro</span></a>,<span dir="auto"> usada sob permissão.</span></p></div>
<p><a href="https://www.ireggaeday.com/pt"><span dir="auto">O Dia Internacional do Reggae</span></a><span dir="auto"> (DIR) celebra seu 31º aniversário com o tema “Um Amor, uma voz, um dia”. A data clama por uma “reorientação” – e talvez um renascimento – da música reggae como veículo de ativismo.</span></p>
<p><span dir="auto">Como parte das comemorações, a equipe do DIR anunciou a segunda vencedora anual </span><a href="https://www.instagram.com/p/DLk3fvpx-p5/"><span dir="auto">do Prêmio Humanitário Winnie Mandela</span></a><span dir="auto">, que este ano foi a primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, por sua poderosa defesa da justiça climática:</span></p>
<blockquote><p>The award honours individuals whose life’s work reflects the values of love, justice and truth long championed by Reggae music.</p>
<p>Prime Minister Mottley’s bold leadership on climate justice has shifted global discourse and given voice to the world’s most vulnerable. Her tireless advocacy, particularly for Small Island Developing States, stands as a powerful call to action. Her message is clear. Her stance is unwavering. Her voice, global.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>O prêmio homenageia pessoas cuja trajetória de vida reflete os valores do amor, da justiça e da verdade, que a música reggae defende há muito tempo.</p>
<p>A liderança ousada da primeira-ministra Mottley em prol da justiça climática mudou o discurso global e deu voz aos mais vulneráveis do mundo. Sua defesa incansável, especialmente para os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, representa um poderoso apelo à ação. Sua mensagem é clara. Sua postura é inabalável. Sua voz, global.</p></blockquote>
<p><span dir="auto">O 30º aniversário, comemorado em 2024, incluiu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6976_NFtv3M&amp;t=148s"><span dir="auto">shows de drones</span></a><span dir="auto"> e outros eventos na capital da Jamaica, designada </span><a href="https://citiesofmusic.net/city/kingston/"><span dir="auto">Cidade da Música pela UNESCO</span></a><span dir="auto"> em 2015.</span></p>
<p><a href="https://www.instagram.com/internationalreggaeday/"><span dir="auto">O Dia Internacional do Reggae</span></a><span dir="auto"> foi reconhecido em todo o mundo, desde a glamorosa cidade de Las Vegas, onde uma nova atração, “Bob Marley Hope Road”, foi oficialmente inaugurada:</span></p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">The Welcome to Las Vegas sign is glowing in reggae colors for International Reggae Day and the grand opening of <a href="https://twitter.com/BMHopeRoad?ref_src=twsrc%5Etfw">@BMHopeRoad</a> at Mandalay Bay! <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><a href="https://twitter.com/CommishJGibson?ref_src=twsrc%5Etfw">@CommishJGibson</a> and Shacia Päyne Marley lit the sign to honor Bob Marley’s legacy and welcome this vibrant new attraction to the Strip. <a href="https://t.co/wHgOXjm4pU">pic.twitter.com/wHgOXjm4pU</a></p>
<p>— Clark County Nevada (@ClarkCountyNV) <a href="https://twitter.com/ClarkCountyNV/status/1940109166552736215?ref_src=twsrc%5Etfw">July 1, 2025</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>O letreiro “Welcome to Las Vegas” está iluminado com as cores do reggae para comemorar o Dia Internacional do Reggae e a inauguração da <a href="https://twitter.com/BMHopeRoad?ref_src=twsrc%5Etfw">@BMHopeRoad</a> no Mandalay Bay! <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> <a href="https://twitter.com/CommishJGibson?ref_src=twsrc%5Etfw">@CommishJGibson</a> e Shacia Päyne Marley acenderam o letreiro para homenagear o legado de Bob Marley e dar as boas-vindas a essa nova e vibrante atração na Strip. <a href="https://t.co/wHgOXjm4pU">pic.twitter.com/wHgOXjm4pU</a>                                                                                                                                                                                                                          — Condado de Clark, Nevada (@ClarkCountyNV) <a href="https://twitter.com/ClarkCountyNV/status/1940109166552736215?ref_src=twsrc%5Etfw">1º de julho de 2025</a></p></blockquote>
<p><span dir="auto">… e também em Nairobi, no Quênia:</span></p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">To commemorate international Reggae day <a href="https://twitter.com/HomeboyzRadio?ref_src=twsrc%5Etfw">@HomeboyzRadio</a> wamepiga vibes the whole day nakwambia.</p>
<p>Wazito Sana wale. <a href="https://t.co/UFeBXCPbJ2">pic.twitter.com/UFeBXCPbJ2</a></p>
<p>— Mr. BeyondPrescription (@_Kivunja) <a href="https://twitter.com/_Kivunja/status/1940082727874961521?ref_src=twsrc%5Etfw">July 1, 2025</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Para comemorar o Dia Internacional do Reggae, a <a href="https://twitter.com/HomeboyzRadio?ref_src=twsrc%5Etfw">@HomeboyzRadio</a> tocou músicas o dia inteiro, posso garantir.</p>
<p>Muito bom, pessoal. <a href="https://t.co/UFeBXCPbJ2">pic.twitter.com/UFeBXCPbJ2</a></p>
<p>— Mr. BeyondPrescription (@_Kivunja) <a href="https://twitter.com/_Kivunja/status/1940082727874961521?ref_src=twsrc%5Etfw">1º de julho de 2025</a></p></blockquote>
<p><span dir="auto">A música reggae também teve um impacto duradouro nos músicos da Malásia:</span></p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">Sasi The Don: from Segambut to the world</p>
<p>In conjunction with International Reggae Day, FMT Lifestyle speaks with the popular artiste to learn more about his musical journey.</p>
<p>Story by: Sheela Vijyan<br />
Shot by: Fauzi Yunus &amp; Muhammad Akif Irfan<br />
Presented by: Theevya Ragu<br />
Edited… <a href="https://t.co/aZLdHG4ieE">pic.twitter.com/aZLdHG4ieE</a></p>
<p>— Free Malaysia Today (@fmtoday) <a href="https://twitter.com/fmtoday/status/1939995638714048702?ref_src=twsrc%5Etfw">July 1, 2025</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Sasi The Don: de Segambut para o mundo</p>
<p>Por ocasião do Dia Internacional do Reggae, a FMT Lifestyle conversa com o popular artista para saber mais sobre sua trajetória musical.</p>
<p>Matéria por: Sheela Vijyan<br />
Filmagem por: Fauzi Yunus e Muhammad Akif Irfan<br />
Apresentado por: Theevya Ragu<br />
Editado… <a href="https://t.co/aZLdHG4ieE">pic.twitter.com/aZLdHG4ieE</a></p>
<p>— Free Malaysia Today (@fmtoday) <a href="https://twitter.com/fmtoday/status/1939995638714048702?ref_src=twsrc%5Etfw">July 1, 2025</a></p></blockquote>
<p><span dir="auto">A Biblioteca Pública de Greensboro, na Carolina do Norte, também entrou na onda:</span></p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">Your Greensboro Public Library card gives you access to Freegal Music, a FREE music service. <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<p>Start listening today <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/27a1.png" alt="➡" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> <a href="https://t.co/HNRHMDeKD9">https://t.co/HNRHMDeKD9</a></p>
<p>International Reggae Day has been celebrated on July 1 in Kingston, Jamacia&#39;s capital, since 1994. [Source: <a href="https://t.co/TANkdeQZyh">https://t.co/TANkdeQZyh</a>] <a href="https://t.co/L1K5WL50ou">pic.twitter.com/L1K5WL50ou</a></p>
<p>— Greensboro Public Library (@GSOLibrary) <a href="https://twitter.com/GSOLibrary/status/1940108166370333098?ref_src=twsrc%5Etfw">July 1, 2025</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Seu cartão da Biblioteca Pública de Greensboro dá acesso ao Freegal Music, um serviço de música GRATUITO. <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<p>Comece a ouvir hoje mesmo <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/27a1.png" alt="➡" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><a href="https://t.co/HNRHMDeKD9"> https://t.co/HNRHMDeKD9</a></p>
<p>O Dia Internacional do Reggae é comemorado em 1º de julho em Kingston, capital da Jamaica, desde 1994. [Fonte: <a href="https://www.ireggaeday.com/pt/about-us">https://t.co/TANkdeQZyh] </a> <a href="https://t.co/L1K5WL50ou">pic.twitter.com/L1K5WL50ou </a>                                                               Biblioteca Pública de Greensboro (@GSOLibrary) <a href="https://twitter.com/GSOLibrary/status/1940108166370333098?ref_src=twsrc%5Etfw">1º de julho de 2025</a></p></blockquote>
<p><span dir="auto">De volta à Jamaica, as estações de rádio locais, em particular a popular Irie FM, sediada em Ocho Rios, que </span><a href="https://iriefm.net/us/"><span dir="auto">entrou oficialmente no ar</span></a><span dir="auto"> como uma estação de reggae em 1990 e &#8220;continua a manter o gênero em destaque&#8221;, dedicaram-se ao Dia Internacional do Reggae. </span><span style="font-size: 1.25rem;">A estação </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://iriefm.net/kingston-night-market-to-honour-mutabaruka-and-other-industry-stalwarts-as-part-of-international-reggae-day-celebrations/" target="_blank" rel="noopener">homenageou</a><span style="font-size: 1.25rem;"> o poeta </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Mutabaruka" target="_blank" rel="noopener">Mutabaruka</a><span style="font-size: 1.25rem;">, que apresenta um programa na emissora, ao lado de outros veteranos do reggae, em um evento ao vivo na zona nobre de Kingston, um dos muitos programados na cidade para o dia 1º de julho.</span></p>
<p><span dir="auto">A Irie FM descreveu eloquentemente a música reggae como “um espírito… Isso não é apenas som, é alma&#8221;.</span></p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">“Reggae music is a spirit.”<br />
It moves through generations, whispers through struggle, and dances in our joy.<br />
This isn’t just sound, it’s soul.<br />
Happy International Reggae Day from Irie FM.<a href="https://twitter.com/hashtag/InternationalReggaeDay?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#InternationalReggaeDay</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/ReggaeIsASpirit?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#ReggaeIsASpirit</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/IrieFM?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#IrieFM</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/OneLove?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#OneLove</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/RootsRockReggae?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#RootsRockReggae</a> <a href="https://t.co/400CUsQto9">pic.twitter.com/400CUsQto9</a></p>
<p>— IG: iriefmofficial (@IRIE_FM) <a href="https://twitter.com/IRIE_FM/status/1940092871022969006?ref_src=twsrc%5Etfw">July 1, 2025</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>“A música reggae é um espírito.”<br />
Ela atravessa gerações, sussurra em meio às lutas e dança em nossa alegria.<br />
Não se trata apenas de som, é a alma.<br />
Feliz Dia Internacional do Reggae da Irie FM. <a href="https://twitter.com/hashtag/InternationalReggaeDay?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#InternationalReggaeDay</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/ReggaeIsASpirit?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#ReggaeIsASpirit</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/IrieFM?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#IrieFM</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/OneLove?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#OneLove</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/RootsRockReggae?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#RootsRockReggae</a> <a href="https://t.co/400CUsQto9">pic.twitter.com/400CUsQto9</a></p>
<p>— IG: iriefmofficial (@IRIE_FM) <a href="https://twitter.com/IRIE_FM/status/1940092871022969006?ref_src=twsrc%5Etfw">1º de julho de 2025</a></p></blockquote>
<p><span dir="auto">A editora da Universidade das Índias Ocidentais, por sua vez, divulgou detalhes de seus muitos títulos de reggae:</span></p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Celebrate <a href="https://twitter.com/hashtag/InternationalReggaeDay?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#InternationalReggaeDay</a> with our recommended reads!</p>
<p>Explore reggae’s roots, revolution &amp; global influence.</p>
<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f4da.png" alt="📚" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> <a href="https://t.co/thyfY5pC2W">https://t.co/thyfY5pC2W</a></p>
<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f30d.png" alt="🌍" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> One Love. One Voice. One Day.<a href="https://twitter.com/hashtag/UWIPress?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#UWIPress</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/OneLove?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#OneLove</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/ReggaeDay?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#ReggaeDay</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/ReggaeHistory?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#ReggaeHistory</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/IRD2025?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#IRD2025</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/CaribbeanCulture?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#CaribbeanCulture</a> <a href="https://t.co/RAIhmEQmto">pic.twitter.com/RAIhmEQmto</a></p>
<p>— UWIPRESS (@UWIPRESS) <a href="https://twitter.com/UWIPRESS/status/1940047741776011652?ref_src=twsrc%5Etfw">July 1, 2025</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Comemore o <a href="https://twitter.com/hashtag/InternationalReggaeDay?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#DiaInternacionaldoReggae</a> com nossas recomendações de leitura!</p>
<p>Explore as raízes, a revolução e a influência global do reggae.</p>
<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f4da.png" alt="📚" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> <a href="https://t.co/thyfY5pC2W">https://t.co/thyfY5pC2W</a></p>
<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f30d.png" alt="🌍" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Um Amor. Uma Voz. Um Dia.<a href="https://twitter.com/hashtag/UWIPress?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw"> #UWIPress</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/OneLove?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#OneLove</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/ReggaeDay?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#ReggaeDay</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/ReggaeHistory?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#ReggaeHistory</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/IRD2025?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#IRD2025</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/CaribbeanCulture?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#CaribbeanCulture</a> <a href="https://t.co/RAIhmEQmto">pic.twitter.com/RAIhmEQmto</a></p>
<p>— UWIPRESS (@UWIPRESS) <a href="https://twitter.com/UWIPRESS/status/1940047741776011652?ref_src=twsrc%5Etfw">1º de julho de 2025</a></p></blockquote>
<p><span dir="auto">A fundadora do DIR, </span><a href="https://jamaica-gleaner.com/article/entertainment/20220508/andrea-davis-protector"><span dir="auto">Andrea Davis</span></a><span dir="auto"> , foi entrevistada em um programa matinal de televisão na Jamaica, enquanto em alguns países, organizações de direitos humanos e da sociedade civil se concentraram no poder da música reggae para gerar mudanças positivas. Esta entidade polonesa tuitou:</span></p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">International Reggae Day, which takes place every year on 1 July, is a worldwide celebration of Jamaica’s gift to the world, reggae music.<a href="https://twitter.com/hashtag/ReggaeDay?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#ReggaeDay</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/MusicAgainstRacism?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#MusicAgainstRacism</a><a href="https://t.co/V5YbPcLSJc">https://t.co/V5YbPcLSJc</a> <a href="https://t.co/EerxFvC8NM">pic.twitter.com/EerxFvC8NM</a></p>
<p>— NEVER AGAIN/NIGDY WIĘCEJ (@StowNIGDYWIECEJ) <a href="https://twitter.com/StowNIGDYWIECEJ/status/1940068069486800923?ref_src=twsrc%5Etfw">July 1, 2025</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>O Dia Internacional do Reggae, comemorado todos os anos em 1º de julho, é uma celebração mundial do presente que a Jamaica deu ao mundo: a música reggae. <a href="https://twitter.com/hashtag/ReggaeDay?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#ReggaeDay</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/MusicAgainstRacism?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#MúsicaContraORacismo</a> <a href="https://t.co/V5YbPcLSJc">https://t.co/V5YbPcLSJc</a> <a href="https://t.co/EerxFvC8NM">pic.twitter.com/EerxFvC8NM</a></p>
<p>— NEVER AGAIN/NIGDY WIĘCEJ (@StowNIGDYWIECEJ) 1º de julho de 2025</p></blockquote>
<p><span dir="auto">Com foco nas mudanças climáticas e no meio ambiente este ano — e inspirado pela vencedora do Prêmio Nobel da Paz, </span><a href="https://www.nobelprize.org/prizes/peace/2004/maathai/facts/"><span dir="auto">Wangari Maathai</span></a> — o Dia Internacional do Reggae também está incentivando seus seguidores a “plantar uma árvore do reggae” em apoio ao <a href="https://trilliontrees.org/"><span dir="auto">desafio de um trilhão de árvores</span></a><span dir="auto"> das Nações Unidas.</span></p>
<p><span dir="auto">A música reggae sempre teve um poder global, com mensagens que ressoam internacionalmente. No passado, inspirou o ativismo, fato destacado na celebração de 2024, incluindo </span><a href="https://www.dancehallmag.com/2024/06/05/news/international-reggae-day-2024-to-highlight-importance-of-reggae-in-dismantling-apartheid.html"><span dir="auto">o papel que a música desempenhou</span></a><span dir="auto"> na luta contra o apartheid.</span></p>
<div class="entry-container">
<div class="entry">
<p><span dir="auto">O tema de 2025, que enfatiza o meio ambiente e o ativismo, pode ser visto como uma reafirmação das mensagens universais de amor, união e paz que a música reggae sempre representou. Talvez a indústria musical jamaicana, em geral, e os artistas populares da atualidade aceitem o desafio de continuar a abraçar esse “espírito do reggae”.</span></p>
</div>
</div>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/emma-lewis/' class='user-link'>Emma Lewis</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/fernando-binda-baumgarten/' class='user-link'>Fernando Baumgarten</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2025/07/01/international-reggae-day-celebrates-jamaicas-iconic-music-by-refocusing-on-activism-and-climate-justice/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/07/GV-400x300.jpg" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>A coroa digital: recuperando a dignidade humana na era da IA</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/07/04/a-coroa-digital-recuperando-a-dignidade-humana-na-era-da-ia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juliana Stroebel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Jul 2026 22:27:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Ideias]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Fundamentar a IA no direito à vida, igualdade, liberdade de expressão, bens essenciais e privacidade garante que ela espelhe nossos valores mais elevados, ao invés de ampliar nossos preconceitos antigos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Uma abordagem pautada em cinco direitos irrenunciáveis</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/6_Rebecca-Horizontal-800x450.webp" alt="Ilustração de uma mulher sentada de pernas cruzadas, com vários objetos atribuídos a cada braço: uma pomba da paz, um megafone, uma balança, uma câmera e uma planta. Imagem de Sabeen Yameen para APC, usada sob permissão." width="800" height="450" /><p class="wp-caption-text">Imagem de Sabeen Yameen para APC, usada sob permissão.</p></div>
<p><em><strong>Por Rebecca Ryakitimbo</strong></em></p>
<p><em>Este artigo faz parte da série &#8220;Não pergunte para a IA, pergunte a um colega&#8221;, uma colaboração entre a Global Voices, a Associação para a Comunicação Progressiva e a GenderIT. A série tem como objetivo reforçar a importância da divulgação do conhecimento entre as pessoas, como vem sendo feito há décadas. Você pode acompanhar a série em <span draggable="true"><a href="http://APC.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">APC.org</a></span>, <span draggable="true"><a href="http://GenderIT.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">GenderIT.org</a></span> e <span draggable="true"><a href="https://globalvoices.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">globalvoices.org</a></span>. Este artigo também faz parte da série especial de abril de 2026 da Global Voices, “<span draggable="true"><a href="https://globalvoices.org/special/human-perspectives-on-ai/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Perspectivas humanas sobre AI</a></span>”. Você pode apoiar esta cobertura fazendo uma doação <span draggable="true"><a href="https://globalvoices.org/2026/04/03/support-our-first-global-voices-spotlight-issue-human-perspectives-on-ai/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui</a></span>.</em></p>
<p>A IA, como qualquer outra tecnologia, é criada para as pessoas e para ser utilizada por elas. Do ponto de vista dos direitos humanos, a ideia mais próxima que molda minha visão sobre a IA vem de um conceito que meu professor de educação cívica me ensinou: democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo. Da mesma forma, a IA guiada pelos direitos humanos deve incorporar esses princípios e ser &#8220;do povo, pelo povo e para o povo&#8221;. Essa abordagem garante que a tecnologia apoie a dignidade humana, a liberdade e o bem-estar, em vez de prejudicá-los. Coloca o ser humano no seu âmago e reflete as realidades da vida humana.</p>
<p>A IA centrada no ser humano deve incorporar a humanidade como base para a qual os sistemas são projetados, desenvolvidos, utilizados e governados. Independentemente de quem seja a pessoa, onde more, em que acredite ou como opte por viver sua vida, a IA deve tratar a todos com justiça e dignidade. Com isso em mente, há várias maneiras importantes pelas quais podemos criar e promover uma abordagem da IA baseada nos direitos humanos.</p>
<h3>Os direitos humanos na prática</h3>
<p>Com referência às normas e à prática dos direitos humanos, sou fascinada pela forma como a ideia de &#8220;direitos humanos&#8221; se desenvolveu ao longo do tempo. Na antiguidade, as primeiras leis de direitos humanos foram criadas para impedir que os que estavam no poder maltratassem os outros. <span style="box-sizing: border-box;"><span style="box-sizing: border-box;">Um dos primeiros exemplos é o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cilindro_de_Ciro" target="_blank" rel="noopener">Cilindro de Ciro</a> (539 a.C.), que relata como o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ciro_II" target="_blank" rel="noopener">rei Ciro, o Grande,</a> libertou os escravos e declarou que as pessoas tinham liberdade para escolher sua própria religião.</span> Durante a Idade Média, outro marco surgiu com a</span> <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Magna_Carta">Magna Carta</a> na Inglaterra, quando os rebeldes forçaram o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_de_Inglaterra">rei João</a> a aceitar que ninguém, nem mesmo o rei, estava acima da lei. Isso introduziu o importante conceito de devido processo legal. No século XVIII, filósofos como <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Locke">John Locke</a> defendiam que as pessoas têm direitos naturais simplesmente por serem humanas, e não porque os governantes lhes concedam esses direitos. Essas ideias influenciaram a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Declara%C3%A7%C3%A3o_de_Independ%C3%AAncia_dos_Estados_Unidos">Declaração de Independência dos Estados Unidos</a> (1776), que proclama que todos os homens são criados iguais, e a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Declara%C3%A7%C3%A3o_dos_Direitos_do_Homem_e_do_Cidad%C3%A3o">Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão</a> da França (1789), que reconhece os indivíduos como cidadãos e não como súditos de um rei.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Após os horrores da Segunda Guerra Mundial, foi adotada a </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Declara%C3%A7%C3%A3o_Universal_dos_Direitos_Humanos" target="_blank" rel="noopener">Declaração Universal dos Direitos Humanos</a><span style="font-size: 1.25rem;"> (DUDH), em 1948.</span> Posteriormente, inspirou dois tratados vinculantes: o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Pacto_Internacional_dos_Direitos_Civis_e_Pol%C3%ADticos">Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos</a> (PIDCP) e o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Pacto_Internacional_dos_Direitos_Econ%C3%B4micos,_Sociais_e_Culturais">Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais</a> (PIDESC), conhecidos coletivamente como a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Carta_Internacional_dos_Direitos_Humanos">Carta Internacional dos Direitos Humanos</a>, que continua a moldar as leis e as sociedades até hoje.</p>
<p>Os direitos humanos são e continuam sendo a base sobre a qual outras leis, incluindo as constituições dos países, são elaboradas e exercem uma influência crescente sobre como a IA deve ser desenvolvida e regulamentada. Podemos e devemos abordar a regulamentação da IA considerando os direitos fundamentais que defendemos há séculos. Aqui, apresento uma visão geral dessa abordagem, considerando cinco direitos inalienáveis:</p>
<h3>O direito à vida e à liberdade, centrado no ser humano</h3>
<p>Para que a IA respeite os direitos humanos, ela deve proteger os direitos à vida e à liberdade, sem jamais ignorar o aspecto da interação humana. Isso inclui colocar a urgência humana como fator-chave, mas também contar com supervisão humana. Este aspecto condena o uso da IA na militarização, dado o seu poder de perpetuar atos desumanos, incluindo o genocídio. A IA precisa ser desenvolvida, utilizada e governada de modo a adotar amplamente uma abordagem de segurança holística que proteja a vida e a <span style="font-size: 1.25rem;">liberd</span>ade das pessoas.</p>
<h3>O direito à igualdade, à justiça algorítmica e ao combate ao preconceito</h3>
<p>O direito de ser tratado da mesma forma que todas as outras pessoas, independentemente de raça, gênero ou religião. Embora a IA trate todos de forma igualitária, há desequilíbrios de poder em sua concepção que precisam ser abordados. <span style="box-sizing: border-box;">Isso começa com os dados que treinam os modelos de IA para acessar e utilizar infraestruturas habilitadas para IA, como capacidade computacional e <em>frameworks</em>.</span> Desenvolvedores de IA, órgãos reguladores ou partes interessadas precisam estar cientes dos vieses sistêmicos e estruturais presentes em seus conjuntos de dados, que podem levar à exclusão de determinados grupos demográficos da sociedade, e devem procurar combatê-los por meio de abordagens inclusivas e orientadas à justiça.Uma maneira de fazer isso é realizar auditorias tendenciosas nos dados de treinamento, desenvolver ciclos de feedback e documentar o processo para incorporar os princípios de uma IA ética e responsável, que seja explicável, transparente e justa.</p>
<h3>O direito à liberdade de expressão</h3>
<p>Esse direito costuma estar em risco na era das redes sociais impulsionadas por IA, dos mecanismos de busca e da inteligência artificial generativa. Os usuários têm o direito de saber por que determinadas informações lhes são apresentadas e por que outras são ocultadas, mas, muitas vezes, isso não ocorre. <span style="font-size: 1.25rem;"><span style="box-sizing: border-box;">Com os <span style="font-size: 1.25rem;">principais idiomas dominando as plataformas, enquanto outros são deixados de lado, a liberdade de expressão é</span> cada vez mais<span style="font-size: 1.25rem;"> limitada e até mesmo bloqueada por robôs e algoritmos.</span></span> </span><span style="font-size: 1.25rem;"><span style="box-sizing: border-box;"><span style="font-size: 1.25rem;">A IA também vem sendo frequentemente utilizada para restringir a liberdade de expressão, com o aumento de </span><em>bots</em><span style="font-size: 1.25rem;"> e </span><em>trolls</em><span style="font-size: 1.25rem;"> online.</span></span> Ela precisa ser desenvolvida com a crença de que as pessoas têm o direito de se expressar.</span></p>
<h3>O direito aos bens essenciais, ao acesso equitativo e à alocação de recursos</h3>
<p>A IA pode otimizar a forma como distribuímos alimentos, gerenciamos redes de energia e prestamos atendimento médico à distância. A IA centrada no ser humano garante que esses benefícios não vão apenas para as nações ou indivíduos mais ricos. A principal questão a se perguntar atualmente é se a IA está sendo utilizada para tornar os itens essenciais mais econômicos e acessíveis ou se está criando uma divisão digital em que apenas aqueles com tecnologia de alta velocidade obtêm os melhores serviços? Para garantir a equidade, o design inclusivo deve estar no centro de como a IA é construída, utilizada e governada.</p>
<h3>O direito à privacidade, à soberania de dados e ao consentimento</h3>
<p>A IA é construída com dados, mas deve haver limites para a quantidade e para os dados que pode utilizar. É preciso priorizar técnicas de minimização de dados, como a privacidade diferencial, na qual se adiciona ruído aos dados para que os indivíduos não possam ser identificados. Ou o aprendizado federado, em que se treina a IA no próprio dispositivo sem que os dados saiam dele. Devemos lutar para que os usuários tenham o direito de serem esquecidos pela IA. Devemos lembrar que a privacidade é um direito fundamental; sem ela, não podemos ter liberdade de expressão ou de reunião. Sem que a privacidade faça parte da IA, corremos o risco de vigilância em massa e até de roubo de identidade.</p>
<p>Se um sistema de IA violar qualquer um desses cinco direitos, deve haver uma via legal para se buscar reparação. Ao fundamentar a IA no direito à vida, à igualdade, à liberdade de expressão, aos bens essenciais e à privacidade, garantimos que sirva como um espelho de nossos valores mais elevados, em vez de uma ampliação de nossos preconceitos mais antigos. Somos nós, seres humanos, que conferimos à IA um propósito e um caráter de urgência. A luta pelos direitos humanos sempre foi sobre transferir o poder de poucos para muitos e, hoje, o campo é digital com ferramentas como a IA.</p>
<div class="notes"><em>Rebecca Ryakitimbo é tecnóloga e pesquisadora feminista que trabalha na interseção de IA, dados de linguagem,  justiça de gênero e equidade digital. Liderou iniciativas orientadas à comunidade, como a Community-Based Wildlife Network, participou de programas de bolsas de estudo com a Google, a Mozilla, o Stimson Center e a Internet Society, e apoia espaços tecnológicos feministas, como a African Women School of AI e a conferência Gendering AI, da qual é curadora. Como parte da iniciativa Redes Locais (LocNet), liderada pela APC e Rhizomatica, ela apoia iniciativas de conectividade centradas na comunidade, facilitando comunidades de prática e realizando pesquisas sobre conectividade centrada na comunidade e serviços locais, com o objetivo de promover ecossistemas digitais equitativos e liderados localmente.</em></div>
<div><span style="color: #999999;"><em>Sabeen Yameen é arquiteta e artista de Karachi, no Paquistão. Ela se inspira no encanto e fantasia que se escondem nos momentos cotidianos e comuns. Exerce a profissão de forma independente em Lahore e também trabalha como designer e animadora para o Miss O and Friends, uma plataforma social segura para meninas.</em></span></div>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/guest-contributor/' class='user-link'>Guest Contributor</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/juliana-stroebel/' class='user-link'>Juliana Stroebel</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/04/29/the-digital-crown-reclaiming-human-dignity-in-the-age-of-ai/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Nações melanésias prometem conectar e expandir áreas marinhas protegidas</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/06/24/nacoes-melanesias-prometem-conectar-e-expandir-areas-marinhas-protegidas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Ferreira Wittaker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 19:31:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Fiji]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
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		<category><![CDATA[Vanuatu]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
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					<description><![CDATA["Essa iniciativa representa um passo ousado e oportuno, ao reconhecer que nossos oceanos não terminam em fronteiras nacionais, e que nossas responsabilidades administrativas devem se estender além delas".]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>O projeto se tornará a maior área marinha transfronteiriça protegida.</em></big></p><div id="attachment_854244" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Coral_reefs_in_papua_new_guinea.JPG"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-854244" class="wp-image-source-854244 size-featured_image_large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/06/Coral_reefs_in_papua_new_guinea-800x450.jpg" alt="Coral reefs in Papua New Guinea." width="800" height="450" /></a><p id="caption-attachment-854244" class="wp-caption-text">Recifes de coral em Papua Nova Guiné. Foto por Brocken Inaglory. Wikimedia Commons. <a href=" https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/deed.en"> CC BY-SA 3.0</a>-</p></div>
<p><em>Esta publicação faz parte da série Spotlight da Global Voices de maio de 2026, intitulada <a href="https://globalvoices.org/special/positive-action-on-climate/">&#8220;Crises globais, soluções locais.&#8221;</a> Esta série trará histórias de resistência e ações climáticas bem-sucedidas, conhecimentos sobre como as comunidades do Sul Global estão lutando contra crises, análises sobre o que isto pode significar para gerações futuras e muito mais. Você pode apoiar essa cobertura fazendo uma doação <a href="https://globalvoices.org/2026/04/16/support-the-global-voices-spotlight-positive-action-on-climate/">aqui</a>.</em></p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Papua-Nova Guiné, Fiji e Vanuatu <a href="https://info.gov.pg/2026-melanesian-ocean-summit-strengthens-ocean-protection/" target="_blank" rel="noopener">concordaram</a> em ampliar e <a href="https://pina.com.fj/2026/05/14/pact-signed-melanesian-committed-to-protect-sustainably-manage-the-pacific-ocean/" target="_blank" rel="noopener">conectar</a> suas áreas marinhas protegidas, afirmando o compromisso de priorizar a saúde do oceano e do meio ambiente.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Essa iniciativa foi anunciada durante a </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://x.com/ForumSEC/status/2054118197021007887" target="_blank" rel="noopener">Primeira</a><span style="font-size: 1.25rem;"> Cúpula Oceânica da Melanésia, realizada em maio de 2026, em Port Moresby, capital da Papua-Nova Guiné.</span> A Melanésia é uma sub-região do Pacífico.</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">A rede de <a href="https://www.abc.net.au/pacific/programs/pacificbeat/ocean-summit/106677662?utm_content=facebook" target="_blank" rel="noopener">reservas marinhas</a> é chamada de &#8220;Corredor Oceânico Melanésio de Reservas&#8221;, que cria uma frente unificada de governança oceânica melanésia, com o objetivo de proteger de forma absoluta nossos frágeis ecossistemas marinhos, ao mesmo tempo em que empodera o sustento econômico e cultural de nossas comunidades costeiras&#8221;.</span></p>
<p>O MOCOR é o exemplo mais recente de uma resposta ao impacto severo das mudanças climáticas. Historicamente, a região tem produzido baixas emissões de carbono, mas, mesmo assim, tem sofrido consequências extremas da crise climática e muitas de suas comunidades estão sob ameaça devido à elevação do nível das águas e à destruição dos recifes de coral.</p>
<p>As reservas marinhas interconectadas cobrirão pelo menos 6 milhões de km², e espera-se que o projeto se torne a <a href="https://islandsbusiness.com/news-break/vanuatu-fiji-and-png-launch-the-worlds-largest-transboundary-marine-protected-area/">maior</a> área marinha transfronteiriça protegida.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">A Área Marinha Protegida de Manus Ocidental, na Papua-Nova Guiné</span><span style="font-size: 1.25rem;">,</span><span style="font-size: 1.25rem;"> deve </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.pacificislandtimes.com/post/papua-new-guinea-plans-largest-marine-sanctuary-in-melanesia" target="_blank" rel="noopener">cobrir</a><span style="font-size: 1.25rem;"> mais de 214 mil km² de oceano no Mar de Bismarck, que, segundo o governo, corresponde a quase o tamanho do Reino Unido.</span> Representa 9% da zona econômica exclusiva do país.</p>
<p>Vanuatu diz que destinará 70 mil <span style="font-size: 1.25rem;">km²</span> da Área Marinha Protegida de Torba, que tem o  tamanho da Irlanda, ao MOCOR. Ela corresponde a cerca de 10% de sua zona econômica exclusiva.</p>
<p>Fiji <a href="https://www.postcourier.com.pg/fiji-pm-calls-for-ocean-protection-togeth">prometeu destinar</a> 15% de suas águas ao MOCOR neste ano e pretende ampliar  esta área no decorrer dos próximos cinco anos.</p>
<p>O primeiro-ministro de Vanuatu, Jotham Napat, destacou a importância de proteger o oceano. &#8220;Não estamos sacrificando nosso oceano para salvá-lo. Estamos escolhendo a proteção em vez da extração e a longa memória de nossos ancestrais em vez dos interesses de curto prazo dos outros&#8221;, disse ele.</p>
<p>O primeiro-ministro de Fiji, Sitiveni Rabuka, <a href="https://www.pmoffice.gov.fj/melanesian-ocean-summit-plenary-1-ocean-leaders-pledges-commitments-and-ambitions-national-address/">lembrou</a> aos demais líderes do Pacífico que o dever de cuidar dos mares não deveria ser limitado por fronteiras.</p>
<blockquote><p>This initiative represents a bold and timely step forward, recognizing that our oceans do not end at national boundaries, and that our stewardship responsibilities must therefore extend across them.</p>
<p>MOCOR is more than a conservation initiative. It is a platform for Melanesian integration.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Essa iniciativa representa um passo ousado e oportuno, reconhecendo que nossos oceanos não terminam em fronteiras nacionais, e que nossas responsabilidades administrativas devem se estender além delas.</p>
<p>O MOCOR é mais do que uma iniciativa de conservação. É uma plataforma para a integração melanésia.</p></blockquote>
<p>Enric Sala, explorador residente da <em>National Geographic,</em> <a href="https://news.nationalgeographic.org/leaders-promise-to-connect-underwater-wilderness-through-a-corridor-of-ocean-reserves-across-melanesia/">enalteceu</a> a criação do MOCOR. &#8220;Com essa nova e ousada iniciativa, os líderes da Melanésia estão se comprometendo a proteger 30% de um dos ambientes marinhos mais diversos e importantes do planeta&#8221;, disse ele.</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Enquanto isso, a Rede do Pacífico sobre Globalização (PANG) deu as boas-vindas ao MOCOR e incitou os líderes do Pacífico a transformarem os compromissos regionais em legislações nacionais vinculantes, considerando uma moratória regional sobre mineração em águas profundas, o que dividiu a comunidade do Pacífico, pois alguns governos indicaram que permitirão a exploração e a <a href="https://globalvoices.org/2022/07/05/the-tide-is-rising-against-deep-sea-mining/" target="_blank" rel="noopener">extração</a> de minerais em águas profundas, apesar do custo ambiental potencialmente desastroso.</span></p>
<p>Outro destaque da <span style="font-size: 1.25rem;">Cúpula Oceânica da Melanésia</span> foi o lançamento simbólico de uma &#8220;mensagem na garrafa&#8221; contendo o juramento dos povos do Pacífico. Abaixo, um <a href="https://pina.com.fj/2026/05/13/melanesian-ocean-summit-message-in-a-bottle/">trecho</a> do juramento:</p>
<blockquote><p>To the technocrats out there, to those of you who in haste for profit of today’s generation, squandering the prospect of young Moana’s generation.</p>
<p>Together, we stand not just as nations but as guardians.</p>
<p>Guardians of a shared ocean that feeds our people, carries our stories, and connects every island across our Pacific Ocean.</p>
<p>The ocean does not belong to us. We belong to the ocean.</p>
<p>One people. One ocean. One future. Wansolwara.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p> Aos tecnocratas mundo afora, a vocês que na pressa de obter lucros para a  geração de hoje, acabam desperdiçando as perspectivas da jovem geração Moana.</p>
<p>Juntos, nos erguemos não só como nações, mas como guardiões.</p>
<p>Guardiões de um oceano compartilhado que alimenta nossos povos, carrega nossas histórias e conecta cada ilha do Oceano Pacífico.</p>
<p>O oceano não nos pertence. Nós pertencemos ao oceano.</p>
<p>Um povo. Um oceano. Um futuro. Wansolwara.</p></blockquote>
<p>As nações melanésias concordaram em se reunir novamente em dois anos para revisar e ampliar seu compromisso de proteger o oceano.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/mong/' class='user-link'>Mong Palatino</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/gabriel-ferreira-wittaker/' class='user-link'>Gabriel Ferreira Wittaker</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/06/10/melanesian-nations-vow-to-connect-and-expand-marine-protected-areas/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/06/Coral_reefs_in_papua_new_guinea-400x300.jpg" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Câmeras com IA estão vigiando as ruas em Daca, Bangladesh</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/06/18/cameras-com-ia-estao-vigiando-as-ruas-em-daca-bangladesh/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Isabela Torezan]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 19:12:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bangladesh]]></category>
		<category><![CDATA[Bengali (bangla)]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
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		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Sul da Ásia]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
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					<description><![CDATA[Mais de 1.000 processos foram gerado em 10 dias quando Bangladesh iniciou um sistema de fiscalização de trânsito com IA. Entretanto, o destino dos riquixás elétricos permanece incerto.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>&#8220;Também é necessária uma reforma completa de todo o sistema de gerenciamento dos transportes&#8221;</em></big></p><div style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-atypeek-5650141-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-atypeek-5650141-1200x675.jpg" alt="Duas câmeras de segurança em um poste. Imagem representativa pelo usuário Atypeek Dgn via Pexel. Usada com uma licença do Pexels." width="1200" height="675" /></a><p class="wp-caption-text">Duas câmeras de segurança em um poste. <a href="https://www.pexels.com/photo/surveillance-cameras-against-blue-sky-5650141/"> Imagem representativa</a> do usuário Atypeek Dgn via Pexels. Usada sob <a href="https://www.pexels.com/license/">licença do Pexels</a>.</p></div>
<p>Durante anos, havia uma rotina familiar para aqueles que desrespeitavam as leis de trânsito em Daca, Bangladesh: uma breve discussão com o guarda de trânsito, uma ou duas palavras de defesa, às vezes, um suborno discreto. Outras vezes, os motoristas simplesmente escapavam despercebidos. Esses dias podem estar chegando ao fim.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Desde 7 de maio de 2026, câmeras de trânsito com inteligência artificial (IA) <a href="https://www.bssnews.net/special-stories/388739">estão em funcionamento</a> </span><span style="font-size: 1.25rem;">nas principais ruas de Daca.</span> Instaladas pela <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Dhaka_Metropolitan_Police" target="_blank" rel="noopener">Polícia Metropolitana de Daca (PMD)</a> nos principais entroncamentos e cruzamentos, essas câmeras funcionam com um software oficialmente denominado &#8220;<a href="https://dmp.gov.bd/road-transport-act-2018/">Sistema de detecção de infrações </a><a href="https://dmp.gov.bd/road-transport-act-2018/">baseado em IA</a><a href="https://dmp.gov.bd/road-transport-act-2018/"> à Lei de Transporte Rodoviário de 2018</a>&#8220;. Quando um motorista desrespeita as regras, uma notificação é enviada ao smartphone do dono do veículo em algumas horas.</p>
<p>Isso marca a primeira vez que Bangladesh implementou um sistema de fiscalização digital de trânsito completamente automatizado, que registra ocorrências sem qualquer envolvimento humano.</p>
<h3>Como o sistema de câmeras de IA funciona</h3>
<p>Quando um veículo passa por um sinal vermelho, um sinal de parar ou bloqueia a pista da esquerda, uma câmera com IA escaneia automaticamente a placa do carro e abre um processo na hora. O software grava alguns segundos de vídeo, consulta a base de dados da <a href="https://bsp.brta.gov.bd/?lan=en" target="_blank" rel="noopener">Autoridade de Transporte Rodoviário de Bangladesh</a> (ATRB) para identificar o proprietário do veículo e envia uma notificação para o endereço registrado.</p>
<p>Em outras palavras, se um motorista passar no sinal vermelho ou dirigir na contramão, as provas da infração e a respectiva notificação formal serão enviadas ao proprietário do veículo. Quem recebe uma notificação também pode ver o vídeo da infração online.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">O ex-diretor da Divisão Especial da Polícia, Golam Rasul, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://sarabangla.net/news/national/post-1156416/" target="_blank" rel="noopener">escreveu em um post no Facebook</a><span style="font-size: 1.25rem;">: &#8220;Durante o dia, você pode conseguir escapar de uma multa ao falar com um agente de trânsito, ligar para alguém ou, se você é bastante ousado, dar o nome de algum tio influente.</span> Mas essa câmera com IA não pensa, não tem sentimentos, não tem piedade e não se assusta facilmente. Ela só conhece duas coisas: as leis e a placa do seu carro&#8221;.</p>
<p>A PMD <a href="https://www.tbsnews.net/bangladesh/dmp-launches-9-digital-platforms-ai-traffic-enforcement-system-1425331" target="_blank" rel="noopener">confirmou</a> que as câmeras estão ativas nos cinco principais cruzamentos e que outras estão sendo instaladas em áreas adicionais.</p>
<h3>Mais de 1.000 casos em 10 dias, outros milhares esperados</h3>
<p>De acordo com a <a href="https://www.dhakatribune.com/bangladesh/dhaka/410418/ai-cameras-installed-at-6-key-points-in-capital" target="_blank" rel="noopener">Polícia Metropolitana de Daca </a>(PMD), os sofisticados sinais de trânsito e notificações eletrônicas geraram cerca de 1.000 processos de trânsito desde o seu lançamento em 7 de maio. Em seis meses, a PMD tem o objetivo de tornar a fiscalização totalmente automatizada em Daca, eliminando a necessidade de gerar processos manuais por fiscais e agentes de trânsito. Qualquer infração às leis de trânsito ou de transporte motor, em qualquer local da cidade, vai gerar uma atuação e uma multa automática. A PMD anunciou planos de instalar câmeras em pelo menos 500 pontos da capital nos próximos seis meses.</p>
<p>Há <a href="https://www.facebook.com/FintechIbrahim/posts/%E0%A6%8F%E0%A6%96%E0%A6%A8-%E0%A6%AE%E0%A6%BE%E0%A6%AE%E0%A6%B2%E0%A6%BE-%E0%A6%B9%E0%A6%AC%E0%A7%87-%E0%A6%B8%E0%A6%B0%E0%A6%BE%E0%A6%B8%E0%A6%B0%E0%A6%BF-%E0%A6%9A%E0%A6%BE%E0%A6%B2%E0%A6%95%E0%A7%87%E0%A6%B0-%E0%A6%A1%E0%A7%8D%E0%A6%B0%E0%A6%BE%E0%A6%87%E0%A6%AD%E0%A6%BF%E0%A6%82-%E0%A6%B2%E0%A6%BE%E0%A6%87%E0%A6%B8%E0%A7%87%E0%A6%A8%E0%A7%8D%E0%A6%B8%E0%A7%87-%E0%A6%B2%E0%A6%BE%E0%A6%87%E0%A6%B8%E0%A7%87%E0%A6%A8%E0%A7%8D%E0%A6%B8-%E0%A6%AC%E0%A6%BE%E0%A6%A4%E0%A6%BF%E0%A6%B2%E0%A7%87%E0%A6%B0-%E0%A6%A8%E0%A6%A4%E0%A7%81%E0%A6%A8-%E0%A6%95%E0%A6%A0%E0%A7%8B%E0%A6%B0-%E0%A6%A8%E0%A6%BF%E0%A7%9F%E0%A6%AE-%EF%B8%8F/1286681453449204/" target="_blank" rel="noopener">outro detalhe</a> que vale a pena saber: independentemente de quem esteja dirigindo o carro quando um erro for cometido, o processo será instaurado em nome do proprietário do veículo. Se você estiver dirigindo seu próprio carro ou tiver emprestado para outro motorista, os pontos de punição serão descontados da carteira de motorista do dono do veículo. <span style="font-size: 1.25rem;">De acordo com as </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.banglatribune.com/others/945140/%E0%A6%A8%E0%A6%BF%E0%A7%9F%E0%A6%AE-%E0%A6%AD%E0%A6%BE%E0%A6%99%E0%A6%B2%E0%A7%87-%E0%A6%A1%E0%A7%8D%E0%A6%B0%E0%A6%BE%E0%A6%87%E0%A6%AD%E0%A6%BF%E0%A6%82-%E0%A6%B2%E0%A6%BE%E0%A6%87%E0%A6%B8%E0%A7%87%E0%A6%A8%E0%A7%8D%E0%A6%B8%E0%A7%87-%E0%A6%AA%E0%A7%9F%E0%A7%87%E0%A6%A8%E0%A7%8D%E0%A6%9F-%E0%A6%95%E0%A6%BE%E0%A6%9F%E0%A6%BE-%E0%A6%95%E0%A7%8B%E0%A6%A8" target="_blank" rel="noopener">regras da ATRB</a><span style="font-size: 1.25rem;">, todo motorista tem 12 pontos iniciais em sua carteira; quando esses pontos se esgotam, a carteira é cancelada.</span></p>
<h3>Reações variadas em grupos de trânsito no Facebook</h3>
<p>Os grupos <a href="https://www.facebook.com/groups/TrafficAlert.BD" target="_blank" rel="noopener">Traffic Alert</a> (mais de 447.000 inscritos) e <a href="https://www.facebook.com/groups/traffic.updates.bd/">Dhaka Traffic Update</a> (37.300 inscritos) no Facebook estão em polvorosa desde que as câmeras começaram a funcionar.</p>
<p>Muitos estão realmente satisfeitos. <a href="https://www.khoborsangjog.com/science-tech/112135/%E0%A6%B8%E0%A7%9C%E0%A6%95%E0%A7%87-%E0%A6%B6%E0%A7%83%E0%A6%99%E0%A7%8D%E0%A6%96%E0%A6%B2%E0%A6%BE-%E0%A6%AB%E0%A7%87%E0%A6%B0%E0%A6%BE%E0%A6%A4%E0%A7%87-%E0%A6%8F%E0%A6%86%E0%A6%87-%E0%A6%95%E0%A7%8D%E0%A6%AF%E0%A6%BE%E0%A6%AE%E0%A7%87%E0%A6%B0%E0%A6%BE">Osman Gani</a>, que trabalha como motorista particular, disse: &#8220;As pessoas costumavam não se importar com os cintos de segurança, mas agora que as infrações geram processos automaticamente, todo mundo é obrigado a obedecer. Quando os motoristas seguem as regras, as ruas ficam muito mais seguras&#8221;.</p>
<p>Mas também há muitas críticas. No grupo Dhaka Traffic Alert, um usuário chamado Ismail Hossain <a href="https://www.facebook.com/groups/TrafficAlert.BD/posts/26862122676811396/" target="_blank" rel="noopener">escreveu</a>:</p>
<blockquote><p>AI cameras are catching ordinary people’s cars at signals… fine. But what about local buses picking up passengers in the middle of the road? Rickshaws going the wrong way? Buses belching black smoke without fitness certificates? Transport blocking the road with no designated stops? When does the camera become ‘automatic’ for them? If there’s a law, it should apply to everyone. Catching only private cars and bikes doesn’t make a ‘smart traffic’ system. If the biggest troublemakers on the road are ignored, people won’t question just the AI — they’ll question the entire system.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>As câmeras com IA estão multando os carros de pessoas comuns nos semáforos&#8230; legal. Mas e os ônibus locais que pegam passageiros no meio da rua? Riquixás que vão no sentido errado? Ônibus que soltam fumaça preta sem certificado de inspeção técnica? O transporte público que bloqueia as ruas sem pontos de parada definidos? Quando a câmera vai ser &#8220;automática&#8221; para eles? Se existe uma lei, deveria ser aplicada a todo mundo. Flagar apenas os carros particulares e bicicletas não faz o sistema de trânsito ser &#8220;inteligente&#8221;. Se os maiores causadores de confusão nas ruas são ignorados, as pessoas não vão questionar só a IA – elas vão questionar todo o sistema.</p></blockquote>
<p>Outro usuário, Omar Faruk, levantou uma <a href="https://www.facebook.com/groups/TrafficAlert.BD/posts/26911280815228915/" target="_blank" rel="noopener">preocupação diferente:</a> &#8220;Os pedestres também não obedecem aos sinais. Quando os veículos têm sinal verde, os pedestres ainda cruzam, o que obriga os carros à frente a avançar um centímetro e depois parar. Se a câmera pegar esses carros, por que o proprietário deveria levar a culpa?&#8221;</p>
<p>Em uma observação mais encorajadora, um usuário chamado BrilliantAlligator9993 <a href="https://www.facebook.com/groups/TrafficAlert.BD/posts/26869349522755378" target="_blank" rel="noopener">divulgou uma foto</a> tirada às 5h15 em Banglamotor e Karwan Bazar, mostrando motoristas realmente obedecendo ao semáforo no início da manhã. A legenda dizia: &#8220;Que bom ver que as pessoas realmente escutaram e estão obedecendo ao semáforo. Quero mesmo ver como a PMD vai lidar com os ônibus, caminhões-tanque de gás natural e autorriquixás&#8221;.</p>
<p>O surgimento de golpistas também está preocupando as pessoas. <span style="box-sizing: border-box;">Eles l<a href="https://thefinancialexpress.com.bd/national/police-warn-vehicle-owners-drivers-against-video-case-fraud" target="_blank" rel="noopener">igam para os proprietários</a> de veículos, alegam falsamente que foram flagrados infringindo as leis de trânsito e pedem dinheiro.</span> A PMD alertou o público de que a multa jamais deve ser paga a um indivíduo, apenas por meio de canais bancários oficiais.</p>
<p>Outro incidente viralizou por um breve período: uma foto que circulava na internet parecia mostrar uma câmera com IA roubada de um trecho de rua de 90 metros. A conta  Voice of Gen-Z, no X, postou:</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="bn">দেশের বিভিন্ন স্থানে লাগানো অত্যাধুনিক এআই ক&#x200d;্যামেরাগুলো চুরি করে নিয়ে যাচ্ছে একটি মহল।</p>
<p>এটি ঢাকার ৩০০ ফিট সড়কের একটি ক&#x200d;্যামেরার দৃশ&#x200d;্য। পুরো সিস্টেম খুলে নিয়ে গেছে। <a href="https://t.co/KMFsyF9OOL">pic.twitter.com/KMFsyF9OOL</a></p>
<p>— Voice of Gen-Z (@VoGen_Z) <a href="https://x.com/VoGen_Z/status/2053776398662471880?ref_src=twsrc%5Etfw">May 11, 2026</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Algumas pessoas estão removendo e  levando embora as novas câmeras com IA instaladas em todo o país. Esta imagem mostra o local onde havia uma câmera; todo o sistema foi roubado.</p></blockquote>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Mais </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.facebook.com/dailysunbangla/videos/%E0%A6%86%E0%A6%B8%E0%A6%B2%E0%A7%87%E0%A6%87-%E0%A6%95%E0%A6%BF-%E0%A6%8F%E0%A6%86%E0%A6%87-%E0%A6%95%E0%A7%8D%E0%A6%AF%E0%A6%BE%E0%A6%AE%E0%A7%87%E0%A6%B0%E0%A6%BE-%E0%A6%9A%E0%A7%81%E0%A6%B0%E0%A6%BF-%E0%A6%B9%E0%A7%9F%E0%A7%87%E0%A6%9B%E0%A6%BF%E0%A6%B2ai-camera-traffic-dhaka-dmp-dailysun/1616897079538700/" target="_blank" rel="noopener">tarde, soube-se</a><span style="font-size: 1.25rem;"> que a câmera não tinha sido roubada, mas que havia caído e  quebrado devido a ventos fortes.</span> O objeto em questão, inclusive, era um semáforo, não uma câmera com IA.</p>
<h3>Riquixás elétricos: a pergunta que a IA não pode responder</h3>
<div style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Crowd_in_shopping_before_Eid-ul-Fitr_03.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/Crowd_in_shopping_before_Eid-ul-Fitr_03-1-1200x675.jpg" alt="Riquixás são uma grande causa do engarrafamento em Dhaka. Imagem via Wikimedia Commons por Towhidul. CC BY-SA 4.0." width="1200" height="675" /></a><p class="wp-caption-text">Riquixás são uma grande causa do engarrafamento em Daca <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Crowd_in_shopping_before_Eid-ul-Fitr_03.jpg">Imagem</a> via Wikimedia Commons por Towhidul. <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/deed.en">CC BY-SA 4.0</a>.</p></div>
<p>O maior desafio para as câmeras com IA em Daca pode não ser os motoristas que desobedecem às regras, mas sim os veículos que o sistema simplesmente não consegue ver.</p>
<div class="factbox">
<h4>Leia mais: <a href="https://globalvoices.org/2024/12/27/how-to-stop-battery-operated-rickshaws-from-causing-new-problems-on-dhakas-roads/">Como impedir que riquixás elétricos causem novos problemas nas ruas de Daca</a></h4>
</div>
<p>Riquixás não registrados, manuais e elétricos, e<a href="https://en.ittefaq.com.bd/13661/dhaka%E2%80%99s-battery-rickshaw-anarchy-crackdown-or" target="_blank" rel="noopener">nchem as ruas</a> e avenidas da cidade em grande número, operando completamente fora da lei, sem registro nem placas. Todo o mecanismo do sistema de câmeras com IA depende da leitura das placas e da busca no banco de dados da ATRB. Um veículo sem placa é, na prática, invisível para a câmera.</p>
<p>A PMD e o governo ainda não ofereceram nenhuma explicação clara sobre como esses veículos serão controlados pelo novo sistema. A pergunta continua surgindo nos grupos de trânsito no Facebook e, até agora, permanece sem resposta.</p>
<p>O professor B M Mainul Hossain, diretor do Instituto de Tecnologia da Informação (ITI) na Universidade de Daca, disse à Global Voices por telefone:</p>
<blockquote><p>The success of this initiative will depend on a few key things: system transparency, the right to appeal, and above all, a clear policy on unregistered vehicles. AI cameras are undoubtedly an option to explore towards restoring order on Dhaka’s roads. But technology alone is not enough. What&#39;s also needed is a comprehensive reform of the entire transport management system.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>O sucesso dessa iniciativa vai depender de algumas coisas importantes: transparência do sistema, direito de recorrer e, acima de tudo, uma política clara sobre veículos não registrados. Sem dúvida, as câmeras com IA são uma opção para restaurar a ordem nas ruas de Daca. Mas a tecnologia sozinha não é suficiente. O que também é necessário é uma reforma completa de todo o sistema de gerenciamento dos transportes.</p></blockquote>
<p>As ruas de Daca agora são vigiadas por IA. A verdadeira pergunta é se essa vigilância vai ser justa e se vai olhar para todo mundo da mesma forma.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/hasive/' class='user-link'>Nurunnaby Chowdhury</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/isabela-torezan/' class='user-link'>Isabela Torezan</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/06/03/ai-cameras-are-surveilling-the-roads-in-dhaka-bangladesh/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-atypeek-5650141-400x300.jpg" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Podcast: O coração de Emma está dividido entre Jamaica e Inglaterra</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/06/14/podcast-o-coracao-de-emma-esta-dividido-entre-jamaica-e-inglaterra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando Baumgarten]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2026 22:02:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Caribe]]></category>
		<category><![CDATA[Etnia e Raça]]></category>
		<category><![CDATA[Europa Ocidental]]></category>
		<category><![CDATA[Global Voices Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[Jamaica]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=122914</guid>

					<description><![CDATA[Para mim, meu coração está metade na Inglaterra e metade na Jamaica e, provavelmente, sempre será assim.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>“Converso com eles num&#8230; nível de pessoa para pessoa.”</em></big></p><div id="attachment_834397" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-834397" class="size-featured_image_large wp-image-source-834397" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/05/Where-are-you-really-from-podcast-image-800x450.png" alt="" width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-834397" class="wp-caption-text"><span dir="auto">Imagem feita no Canva Pro por Ameya Nagarajan para Global Voices, usada sob permissão.</span></p></div>

<p><em><span dir="auto">“ </span><a href="https://globalvoices.org/special/where-are-you-really-from/"><span dir="auto">De onde você REALMENTE </span></a><a href="https://globalvoices.org/special/where-are-you-really-from/">é </a> ?<span dir="auto">” é uma série de podcasts da Global Voices que surgiu a partir de um painel na cúpula da Global Voices em dezembro de 2024, no Nepal, onde membros da comunidade contaram suas experiências ao lidar com as percepções de outras pessoas sobre as diversas e complexas histórias de suas origens. Em cada episódio, convidamos nossos participantes a refletir sobre as suposições que estão por trás da pergunta: “Mas de onde você realmente é ?” e como respondem.</span></em></p>
<p><em><span dir="auto">O podcast é apresentado por Akwe Amosu, que trabalha no setor de direitos humanos, após uma carreira anterior em jornalismo; ele também é coach e poeta. </span></em></p>
<p><em><span dir="auto">A transcrição deste episódio foi editada para maior clareza.</span></em></p>
<p><strong><span dir="auto">Akwe Amosu (AA): Olá e bem-vindos ao &#8220;De onde você realmente é?&#8221;, um podcast que explora identidades. Eu sou Akwe Amosu e hoje converso com Emma Lewis. Bem-vinda, Emma.</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">Emma Lewis (EL):</span></strong><span dir="auto"> Muito obrigada. É um prazer estar aqui.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: Emma, ​​por que as pessoas te fazem essa pergunta?</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> Depende de onde eu estiver, claro. As pessoas me fazem essa pergunta porque ouvem minha voz e associam a pergunta ao meu sotaque. E na Jamaica, onde moro, parece bem britânico. Então, as pessoas brincam comigo sobre o meu &#8220;britânico&#8221; e tudo mais, apesar de eu viver aqui há 38 anos. E quando conto isso, a reação é um pouco diferente. Elas dizem algo como: &#8220;Ah, então você é jamaicana&#8221;. Essa é uma reação comum. Acho que as pessoas me perguntam porque ficam um pouco confusas. Elas têm a impressão de que eu moro aqui há muito tempo. Mas eu não sou jamaicana. Acho que ainda tenho essa aura britânica ao meu redor.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: Você parece ser da Jamaica, mas não tem o sotaque daqui.</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> Certo. É isso aí.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: Como você se sente ao ser questionada sobre isso? E como se sente em relação às pessoas que querem entender isso?</span></strong></p>
<p><span dir="auto"><strong style="font-size: 1.25rem;">EL:</strong><span style="font-size: 1.25rem;"> Acho que às vezes entendo que perguntem: &#8220;De onde você é?&#8221;, e às vezes as pessoas perguntam porque realmente não sabem ou só para terem algo a dizer.</span> Não me incomoda. Em outras palavras, não me importo. Não me incomoda porque é uma forma de conhecer as pessoas. Embora, curiosamente, eu raramente faça essa pergunta a outras pessoas. Simplesmente não a faço. Creio que não tem importância.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: Gostaria de saber mais sobre isso, mas antes de perguntar, adoraria saber qual é a sua resposta preferida. Por exemplo, se alguém pergunta: &#8220;De onde você é?&#8221; ou &#8220;De onde você é de verdade? Você não parece ser jamaicana&#8221;, o que você gosta de responder?</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> Gosto de dizer que nasci em Londres, no Reino Unido, e que moro aqui há&#8230; quase quarenta anos. Então, sou britânica e jamaicana em muitos aspectos. Digo isso e entendem porque talvez nossa ilha seja peculiar, mas com a migração para dentro e fora da ilha, há muitas pessoas que podem dizer que têm um pé em cada país, ou que têm família aqui e ali, e assim por diante. Então não é um conceito difícil para elas entenderem.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: O que você acha que se passa na mente de alguém que quer fazer essa pergunta? O que está por trás da pergunta?</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> Acho que, como eu disse, é uma forma de te conhecer. E acho que também depende do contexto, mas creio que seja uma forma de saber de onde você vem para que possam continuar a conversa em um certo nível, se é que você me entende. Então, às vezes, não é só conversa fiada. Sinto que há um propósito específico.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: E você se sente completamente confortável com isso? Quer dizer, você se sente bem com a investigação até descobrir a sua origem?</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> Sim, na verdade não me incomoda. Devo dizer que, como acontece com tanta frequência, já me acostumei. No começo, era meio desconcertante porque as pessoas pensavam que eu era turista. E se eu for a um resort turístico, obviamente, pareço turista para todos, então é outra história. E isso é muito estranho e desconfortável às vezes.</span></p>
<div id="attachment_840023" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-840023" class="wp-image-source-840023 size-featured_image_large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/07/Emma-Lewis-800x450.jpg" alt="Emma by the sea at Black river. " width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-840023" class="wp-caption-text"><span dir="auto">Emma à beira-mar em Black River. Foto de Neville Lewis. Usada sob permissão.</span></p></div>
<p><strong><span dir="auto">AA: Então, voltando àquele ponto que você mencionou sobre não se fazer essa pergunta, por que você acha que isso acontece?</span></strong></p>
<p><span dir="auto"><strong style="font-size: 1.25rem;">EL:</strong><span style="font-size: 1.25rem;"> Porque sinto que isso não define necessariamente quem são as pessoas.</span> Quer dizer, é parte de quem são, mas talvez não seja sempre o mais importante. E eu também quero conhecer todos em um nível diferente. Então, tento descobrir mais sobre quem são. Não gosto de fazer essa pergunta porque converso de forma interpessoal, não de uma pessoa inglesa para outra jamaicana ou de uma inglesa para outra americana. Eu converso de ser humano para ser humano.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: Sim, faz todo o sentido. Mas tenho uma curiosidade: quando você quer saber algo sobre alguém que conhece e quer aprender mais, qual é, para você, a maneira certa de fazer essa pergunta?</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> Ah, perguntar algo relacionado à experiência deles. Por exemplo, eu poderia dizer: &#8220;Então você morou em Roma por um tempo&#8221; ou algo assim, porque o assunto surgiria na conversa, em vez de perguntar logo de cara: &#8220;De onde você é?&#8221;. E, novamente, acho que as pessoas podem se sentir um pouco desconfortáveis quando essa pergunta é feita diretamente. Então, se o assunto surge na conversa e nas experiências de cada um de nós, eu tento encaixar a pergunta e descobrir mais dessa forma.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: Então, o importante é o que eles fazem e não de onde vêm.</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> Sim, sim, exatamente. E onde eles estão agora. Quer dizer, eles podem estar aqui na Jamaica, e eu preferiria saber o que estão fazendo aqui e agora, em vez de voltar ao passado e dizer: &#8220;Ah, bem, minha avó era inglesa&#8221;, ou algo do tipo. E é assim que eu encaro a situação.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: Há algo que você gostaria de acrescentar sobre toda essa questão de identidade?</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> Sim. Quer dizer, para mim, identidade tem a ver, em parte, com o lugar. Bem, meu marido e eu tivemos uma experiência interessante no ano passado, quando visitamos o Reino Unido e ficamos por lá por um bom tempo. Ele nasceu aqui na Jamaica, mas nós dois crescemos na Inglaterra. E foi bem interessante porque, estranhamente, eu não me sentia tão inglesa quando estava lá; tampouco me sentia tão britânica quando estava aqui. Aliás, uma pessoa me perguntou: &#8220;Ah, você é australiana?&#8221; E eu respondi que não. E, de novo, estavam tentando identificar meu sotaque, que as pessoas aqui acham bem britânico, mas, quando vou para lá, percebem algo diferente.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: Você pode ouvir algo diferente.</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> Sim. Foi bem estranho. E começamos a perceber, então, que nosso coração, quer dizer, nossa identidade, é onde está o nosso coração. E meu coração está na Jamaica. Vivo aqui há tanto tempo, no mesmo lugar. E é um conforto. É um conforto total. Mas a outra parte de mim ainda é britânica. E quando vou para lá, absorvo todas essas pequenas coisas culturais e me sinto muito feliz. </span><span dir="auto"><span style="box-sizing: border-box;">Escrevi <a href="https://petchary.substack.com/p/i-have-two-homes" target="_blank" rel="noopener">em meu artigo</a> que existem duas partes: o coração tem duas metades. Para mim, meu coração está metade na Inglaterra e metade na Jamaica e, provavelmente, sempre será assim. Onde quer que eu more, será a mesma coisa, acho.</span> Simples assim.</span></p>
<p><strong><span dir="auto">AA: Obrigada, Emma.</span></strong></p>
<p><strong><span dir="auto">EL:</span></strong><span dir="auto"> De nada.</span></p>
<div class="factbox">
<div class="factbox">
<h4><span dir="auto">Ouça outros episódios aqui:  </span><a href="https://globalvoices.org/special/where-are-you-really-from/"><span dir="auto">De onde você REALMENTE é?</span></a></h4>
</div>
</div>

<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/akwe-amosu/' class='user-link'>Akwe Amosu</a>, <a href='https://globalvoices.org/author/emma-lewis/' class='user-link'>Emma Lewis</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/fernando-binda-baumgarten/' class='user-link'>Fernando Baumgarten</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2025/08/08/podcast-emmas-heart-is-half-in-jamaica-and-half-in-england/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
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		<title>Como as “táticas de medo” da extrema direita afetam garotas que buscam abortar legalmente no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isabela Torezan]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 12:21:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[Ativistas pró-escolha dizem que bloquear a resolução no Congresso espalharia desinformação sobre acesso ao aborto legal.Em um vídeo postado por Chris Tonietto no começo de novembro de 2025 no Instagram, a... ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Ativistas pró-escolha dizem que bloquear a resolução no Congresso espalharia desinformação sobre acesso ao aborto legal.</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/Nicole-800x600-1.png" alt="Ilustração de uma silhueta de uma mulher grávida em frente a uma porta com uma cruz vermelha." width="800" height="600" /><p class="wp-caption-text">Ilustração por Noor, usada sob permissão</p></div>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Em um vídeo postado por <a href="https://www.instagram.com/p/DQsbTWVjyAh/?hl=en" target="_blank" rel="noopener">Chris Tonietto</a> no começo de novembro de 2025 no Instagram, a deputada federal celebrou <a href="https://www.camara.leg.br/noticias/1219967-camara-aprova-projeto-que-cancela-diretrizes-sobre-aborto-em-criancas-e-adolescentes-vitimas-de-estupro" target="_blank" rel="noopener">o voto que impôs um freio</a> à resolução que, segundo ela, &#8220;facilitava o aborto até nove meses de gravidez para garotas menores de idade que foram vítimas de violência, sem o conhecimento ou consentimento dos pais&#8221;.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">A </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-258-de-23-de-dezembro-de-2024-605843803" target="_blank" rel="noopener">resolução</a><span style="font-size: 1.25rem;"> em questão foi </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://conectas.org/noticias/o-que-diz-nova-resolucao-que-garante-direitos-de-criancas-e-adolescentes-vitimas-de-violencia-sexual/" target="_blank" rel="noopener">publicada</a><span style="font-size: 1.25rem;"> pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.gov.br/mdh/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselho-nacional-dos-direitos-da-crianca-e-do-adolescente-conanda/conanda" target="_blank" rel="noopener">Conanda</a><span style="font-size: 1.25rem;">), parte do Ministério dos Direitos Humanos, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-01/publicada-resolucao-que-garante-direitos-menores-vitimas-de-estupro" target="_blank" rel="noopener">após decisão judicial</a><span style="font-size: 1.25rem;"> em janeiro de 2025.</span> <span style="box-sizing: border-box;">Não houve modificação de nenhuma legislação existente; apenas estabelece protocolos para que profissionais de saúde os sigam, a fim de <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-mulher/saude-sexual-e-reprodutiva/interrupcao-gestacional-prevista-em-lei" target="_blank" rel="noopener">garantir o acesso de menores ao aborto legal,</a> um direito<a href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10624811/artigo-128-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940" target="_blank" rel="noopener"> já garantido pelo artigo 128 do Código Penal brasileiro.</a></span><a href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10624811/artigo-128-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940" target="_blank" rel="noopener"> </a></p>
<p>Como autora da proposta do decreto legislativo contra a resolução, Tonietto divulgou na l<a href="https://www.instagram.com/p/DQsbTWVjyAh/?hl=en" target="_blank" rel="noopener">egenda de seu vídeo</a> que bloquear a proposta iria &#8220;proteger a vida&#8221; e &#8220;defender a democracia brasileira&#8221;.</p>
<p>&#8220;Nós acabamos de evitar o retrocesso civilizacional que estava sendo promovido&#8221;, disse ela aos seus seguidores após a aprovação do potencial bloqueio.</p>
<p>Apesar das celebrações de políticos de direita, a proposta ainda precisa passar pelo Senado para que a suspensão seja efetiva – a maioria da casa agora é de direita e centro-direita. <a href="https://www.instagram.com/p/DQsbTWVjyAh/?hl=en" target="_blank" rel="noopener">Uma frente parlamentar mista &#8220;contra o aborto e a favor da vida&#8221; </a>foi criada em 2023, reunindo 172 deputados e 10 senadores, tendo Tonietto como  coordenadora.</p>
<p>Em resposta por e-mail à Global Voices, Tonietto disse que sua proposta era uma &#8220;crítica legal legítima a um ato infralegal que excede sua jurisdição&#8221;.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">De acordo com o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.camara.leg.br/noticias/1219967-camara-aprova-projeto-que-cancela-diretrizes-sobre-aborto-em-criancas-e-adolescentes-vitimas-de-estupro" target="_blank" rel="noopener">site da Câmara</a><span style="font-size: 1.25rem;">, entre outros pontos, a proposta se referia à resolução que não exigiria registro policial obrigatório para garotas menores de idade que buscam abortar uma gravidez resultante de violência sexual.</span> <span style="box-sizing: border-box;">No Brasil, 14 anos é a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Idade_de_consentimento_no_Brasil#:~:text=A%20idade%20de%20consentimento%20no,12.015%2F2009%2C%20artigo%203%C2%BA." target="_blank" rel="noopener">idade legal de consentimento,</a> o que significa que garotas com menos de 14 anos têm o direito legal de interromper uma gravidez.</span> No entanto, barreiras como estigma, falta de informação, serviços limitados e treinamento inadequado dos profissionais de saúde frequentemente dificultam o acesso a um aborto seguro.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">A resolução do Conanda foi uma resposta às </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.gov.br/mulheres/pt-br/central-de-conteudos/noticias/2025/novembro/nota-sobre-o-pdl-3-2025-que-susta-diretrizes-do-conanda" target="_blank" rel="noopener">altas taxas de gravidez em meninas menores de 14 anos</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e à baixa adesão ao aborto legal, disse a presidente do Conanda, Deila Martins.</span> Quase 14 mil garotas com idades entre 10 e 14 anos engravidaram em 2023, mas apenas 154 tiveram acesso ao aborto legal, ou seja, 1,1 %, <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-05/meninas-maes-passam-de-14-mil-e-so-11-tiveram-acesso-aborto-legal" target="_blank" rel="noopener">informa a Agência Brasil</a>.</p>
<p>Os políticos que se opõem ao documento também criticaram o protocolo proposto para casos em que a vítima e seu guardião legal discordam sobre o aborto. Argumentando que a resolução estabelece &#8220;um mecanismo de decisão que não está previsto na lei brasileira&#8221;, Tonietto disse à Global Voices que a resolução &#8220;substitui a regra geral de autonomia familiar&#8221;.</p>
<p>Mas Martins defende o protocolo que busca proteger a autonomia de menores grávidas vítimas de abuso sexual. &#8220;Na maioria das vezes, mais de 60% dos abusadores, e em alguns territórios, quase 80%, são da família da vítima&#8221;, disse Martins à Global Voices, citando pais, mães, tios e padrinhos como violentadores e cúmplices. &#8220;Não se pode exigir o consentimento dos pais, pois isso revitimiza a vítima e frequentemente impede a criança de exercer seu direito ao aborto.&#8221;</p>
<p>Tonietto não respondeu a uma pergunta sobre a prevalência de abusadores familiares e a revitimização em um documento enviado à Global Voices.</p>
<p>Este é o exemplo mais recente de como a  extrema direita brasileira usa o aborto para impulsionar sua agenda. <span style="font-size: 1.25rem;">Ao utilizar ferramentas democráticas, como projetos de lei e blocos legislativos como plataformas, os políticos de direita, na última década, têm defendido o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=2425262&amp;filename=PL%201904/2024" target="_blank" rel="noopener">reconhecimento jurídico do feto,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> espalhado informações falsas sobre uma condição médica não reconhecida chamada &#8220;</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://apublica.org/2025/09/vereadores-do-pl-uniao-e-mdb-tentam-aprovar-leis-sobre-sindrome-pos-aborto/" target="_blank" rel="noopener">síndrome do pós-aborto</a><span style="font-size: 1.25rem;">&#8221; e ameaçado vítimas de violência sexual que buscam seus direitos de aborto com </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.camara.leg.br/noticias/1071458-projeto-de-lei-preve-pena-de-homicidio-simples-para-aborto-apos-22-semanas-de-gestacao/#:~:text=Direitos%20Humanos-,Projeto%20de%20lei%20prev%C3%AA%20pena%20de%20homic%C3%ADdio%20simples,ap%C3%B3s%2022%20semanas%20de%20gesta%C3%A7%C3%A3o&amp;text=O%20Projeto%20de%20Lei%201904,de%20gravidez%20resultante%20de%20estupro." target="_blank" rel="noopener">a criminalização.</a></p>
<h3>Como a desinformação mobiliza o eleitorado</h3>
<div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/1000263032-800x451.jpg" alt="Um grupo de mulheres reunidas em uma escadaria na frente de um prédio segura fotos de políticos. Algumas delas também seguram bandeiras verdes e roxas." width="800" height="451" /><p class="wp-caption-text">Durante um protesto no Rio de Janeiro, mulheres exibiram fotos de políticos que votaram para bloquear a resolução do Conanda. Foto de Nicole Froio, usada sob permissão.</p></div>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Embora a história dos ataques ao aborto legal no Brasil seja extensa, a onda atual começou em 2007, quando deputados federais <a href="https://catarinas.info/web-stories/por-que-o-estatuto-do-nascituro-nunca-virou-lei-relembre-o-historico-do-pl-inconstitucional/" target="_blank" rel="noopener">propuseram uma lei</a> que alteraria o Código Penal brasileiro para classificar o <a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2022/12/o-que-e-o-estatuto-do-nascituro-e-como-o-projeto-pode-anular-direito-ao-aborto-legal-no-brasil-clblabvp30086017vcmezfhcg.html" target="_blank" rel="noopener">aborto como crime hediondo</a>, banindo o direito em todos os casos e também proibindo o congelamento, o descarte e o comércio de embriões humanos.</span></p>
<p>A lei não foi aprovada, mas serviu de modelo para a legislação antiescolha e para movimentos políticos que buscam reduzir direitos relativos ao aborto legal. <span style="font-size: 1.25rem;">Atualmente, a </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-mulher/saude-sexual-e-reprodutiva/interrupcao-gestacional-prevista-em-lei" target="_blank" rel="noopener">lei brasileira autoriza</a><span style="font-size: 1.25rem;"> o aborto em três casos: quando a gravidez resulta de estupro, quando a gravidez representa risco à vida da mulher e em casos de </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.cdc.gov/birth-defects/about/anencephaly.html" target="_blank" rel="noopener">anencefalia</a><span style="font-size: 1.25rem;">.</span></p>
<p>Durante o governo de extrema direita do ex-presidente <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Jair_Bolsonaro" target="_blank" rel="noopener">Jair Bolsonaro</a>, servidores públicos federais foram <a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2022/12/09/pgr-arquiva-damares.htm" target="_blank" rel="noopener">acusados</a> de <a href="http://chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1934185">tentar impedir que uma garota de 10 anos tivesse acesso a serviços de aborto</a>, enquanto o Conanda passou por uma diminuição de seus membros e enfrentou tentativas de impedir suas reuniões. &#8220;Ele cortou os fundos para reuniões presenciais [durante a pandemia]&#8221;, Martin relembra.</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Apesar da <a href="https://pt.globalvoices.org/2023/01/31/lula-volta-a-um-pais-dividido-em-retorno-historico-como-presidente-do-brasil/" target="_blank" rel="noopener">eleição de um governo de esquerda em 2022</a>, com <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_In%C3%A1cio_Lula_da_Silva" target="_blank" rel="noopener">Luiz Inácio Lula da Silva</a>, os ataques aos direitos de aborto constitucionalmente protegidos continuaram.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">A falsa narrativa de que Lula era a favor do aborto foi </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63265227" target="_blank" rel="noopener">explorada por seus oponentes</a><span style="font-size: 1.25rem;"> para atrair eleitores cristãos, tornando-se uma questão central durante a campanha.</span> No entanto, meses depois da eleição, ele apoiou o aborto como <a href="https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/noticia/2022/04/06/lula-sobre-aborto-deveria-ser-transformado-numa-questao-de-saude-publica-e-todo-mundo-ter-direito.ghtml" target="_blank" rel="noopener">questão de saúde pública</a>. <span style="box-sizing: border-box;">Enquanto isso, o líder evangélico <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Silas_Malafaia" target="_blank" rel="noopener">Silas Malafaia</a> o chamou de &#8220;<a href="https://www.youtube.com/watch?v=YhSKNfdFGQM" target="_blank" rel="noopener">imbecil e idiota&#8221;</a> e defendeu, em seu canal no YouTube, o reconhecimento jurídico do feto.</span> <span style="font-size: 1.25rem;">Em uma tentativa de apaziguar os evangélicos poucas semanas antes da eleição, Lula publicou uma </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2022/noticia/2022/10/19/lula-se-reune-com-liderancas-de-igrejas-evangelicas-em-sao-paulo.ghtml" target="_blank" rel="noopener">carta aberta,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> na qual se comprometia a não expandir os direitos ao aborto.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">De acordo com um </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://azmina.com.br/reportagens/projetos-leis-impoem-retrocessos-direitos-reprodutivos/" target="_blank" rel="noopener">relatório publicado em 2024</a><span style="font-size: 1.25rem;"> pela organização de notícias </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://azmina.com.br/" target="_blank" rel="noopener">AzMinas</a><span style="font-size: 1.25rem;">, projetos de lei que buscam restringir os direitos ao aborto legal no Brasil têm aumentado nos âmbitos municipal, estadual e federal.</span> <span style="font-size: 1.25rem;">Em um </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://azmina.com.br/reportagens/vereadores-pelo-pais-tentam-barrar-o-acesso-ao-aborto-legal/" target="_blank" rel="noopener">relatório de 2025</a><span style="font-size: 1.25rem;">,  aponta-se que, de 2017 a 2024, foram apresentados 103 projetos desse tipo no país.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Estes projetos frequentemente criam incerteza legal para profissionais de saúde, pois interferem com seu trabalho e aumentam o estigma em torno do aborto legal&#8221;, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://azmina.com.br/reportagens/vereadores-pelo-pais-tentam-barrar-o-acesso-ao-aborto-legal/" target="_blank" rel="noopener">escreveu, na época,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> a jornalista feminista da AzMinas, Maria Paula Monteiro.</span><span style="font-size: 1.25rem;">&#8220;</span>É um ataque para enfraquecer os direitos reprodutivos.&#8221;</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">De acordo com um </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://netlab.eco.ufrj.br/en/post/protect-our-children-pl-1904-leads-debate-on-abortion-in-2024" target="_blank" rel="noopener">relatório do NetLab,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> de maio de 2025, um laboratório de pesquisa da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o aborto tem sido um tema central na intensificação da polarização política no Brasil.</span> O relatório revela que ele foi usado em &#8220;campanhas de desinformação e como justificativa para ataques à opinião institucional, legislativa e pública&#8221; em 2024, ano em que ocorreram <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_municipais_no_Brasil_em_2024" target="_blank" rel="noopener">eleições municipais no país</a>. O relatório destaca mensagens de WhatsApp que afirmavam que o aborto e seus defensores estavam diretamente ligados ao diabo. &#8220;O aborto é entendido como um símbolo de uma batalha espiritual e política, na qual os valores cristãos estão em risco&#8221;, conclui.</p>
<p>De acordo com a legislação brasileira, legisladores municipais e prefeitos não têm o poder de legislar sobre direitos relacionados ao aborto; ainda assim, a condenação moral ajuda a conquistar votos.</p>
<p>O <a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=2849640&amp;filename=PDL%203/2025" target="_blank" rel="noopener">texto enviado por Tonietto</a> diz que os protocolos do Conanda forçam &#8220;uma submissão quase compulsória ao procedimento de aborto&#8221; e invertem as conclusões médicas atuais sobre os riscos à saúde de uma gravidez precoce, afirmando que o aborto &#8220;pode causar sérios riscos à vida da mulher grávida que, sob a legislação atual, não pode tomar suas próprias decisões&#8221;.</p>
<p>Embora Tonietto use a palavra &#8220;mulher&#8221; em sua proposta, a resolução do Conanda diz respeito a meninas grávidas. De acordo com a <a href="https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/adolescent-pregnancy" target="_blank" rel="noopener">Organização Mundial da Saúde (OMS)</a>, mães adolescentes com idades entre 10 e 19 anos enfrentam maiores riscos de eclâmpsia, endometrite puerperal e infecções sistêmicas do que mulheres entre 20 e 24 anos. <span style="font-size: 1.25rem;">Além disso, a </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/adolescent-pregnancy" target="_blank" rel="noopener">OMS alerta</a><span style="font-size: 1.25rem;"> que bebês de mulheres adolescentes estão mais sujeitos a baixo peso ao nascer, a parto prematuro e a condições neonatais graves.</span></p>
<p>Para a presidente do Conanda, esse movimento pode acarretar a falta de proteção às meninas vítimas de violência sexual, favorecendo abusadores e pedófilos. &#8220;Querem continuar a tradição de silêncio e de invisibilidade em torno desse problema&#8221;, ela diz.</p>
<h3>Efeitos reais</h3>
<div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/1000263041-scaled-e1772644687808-800x569.jpg" alt="Manifestantes seguram um cartaz dizendo:, ‘Evangélicas em defesa da vida de meninas e mulheres. CRIANÇA NÃO É MÃE!!!&quot;. Foto de Nicole Froio, usada com permissão." width="800" height="569" /><p class="wp-caption-text">Manifestantes seguram um cartaz com a frase: &#8220;Evangélicas em defesa da vida de meninas e mulheres. CRIANÇA NÃO É MÃE&#8221;. Foto de Nicole Froio, usada sob permissão.</p></div>
<p>Os defensores temem que o caos criado pelos apoiadores da suspensão fará com que  menos meninas procurem os serviços de que precisam. &#8220;Nós já estamos recebendo mensagens de profissionais de saúde e de outros parceiros que pensam que o aborto legal para menores foi proibido&#8221;, disse Laura Molinari à Global Voices. Ela é diretora executiva da <a href="https://www.instagram.com/nempresanemmorta/?hl=en" target="_blank" rel="noopener">Nem Presa Nem Morta</a>, uma campanha que defende a descriminalização do aborto legal e seguro.</p>
<p>Este é o tipo de barreira de acesso que a resolução do Conanda buscou superar: a desinformação. Molinari aponta que espalhar desinformação por meio de ações políticas é uma tática comum da direita. &#8220;A confusão em si é benéfica para eles.&#8221;</p>
<p>O acesso ao aborto para menores vítimas de abuso sexual é precário, com poucos  profissionais de saúde habilitados a prestar esse serviço, e também faltam protocolos unificados para atender essas vítimas. <span style="font-size: 1.25rem;">Apenas 4% das cidades do Brasil têm instalações para realizar abortos legais, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2025-04/barreiras-travam-aborto-legal-no-brasil-diz-instituto-ligado-a-oms" target="_blank" rel="noopener">conforme dados enviados pelo Instituto O&#39;Neill</a><span style="font-size: 1.25rem;"> à Suprema Corte — </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2025-04/barreiras-travam-aborto-legal-no-brasil-diz-instituto-ligado-a-oms" target="_blank" rel="noopener">88 clínicas públicas</a><span style="font-size: 1.25rem;"> em 55 cidades —, o que representa uma barreira geográfica significativa para a maioria da população.</span></p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Em 2024, quando um <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2025/10/15/proibicao-de-aborto-a-partir-da-22a-semana-de-gestacao-avanca-na-cdh" target="_blank" rel="noopener">projeto de lei</a> procurou alterar o Código Penal para equiparar o aborto ao assassinato se realizado após a vigésima segunda semana de gravidez, a enfermeira especialista em saúde Lígia Maria, que presta serviços de aborto em um hospital público em Brasília, notou um número significativo de pacientes que perguntavam se seriam condenadas criminalmente pelo procedimento.</span></p>
<p>O hospital de Maria já havia sido alvo de assédio e ameaças por prestar esses serviços. &#8220;Agora, nós estamos preocupados com pacientes que não procuram os serviços de aborto por causa dessa desinformação&#8221;, disse Maria. &#8220;Nós nos preocupamos com o fato de elas nem sequer virem fazer perguntas.&#8221;</p>
<p>Em 2025, o movimento para bloquear a resolução provocou protestos em diversas regiões do país. Os manifestantes disseram que os políticos a favor eram &#8220;pedófilos&#8221; e &#8220;inimigos das crianças&#8221;, reavaliando os efeitos do bloqueio como prejudiciais aos direitos das crianças.</p>
<p>Lígia Maria, no entanto, acredita que a reação pode mascarar a ineficácia real da tentativa de bloqueio. Ela também enfatiza que o resultado deveria ter sido visto como um chamado a reconhecer o papel do Conanda na defesa dos direitos das crianças, e não uma vitória dos conservadores.&#8221;Parece que estamos dando munição à extrema direita ao confirmarmos sua afirmação de vitória&#8221;, ela disse.</p>
<div class='gv-promo-card-container'><article class='gv-promo-card'><div class='gv-promo-card-image'><img  loading="lazy" decoding="async" class='featured-image ' alt='Noor Logo' src='https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/NOOR_MAGENTA.webp' /></div><div class='gv-promo-card-text'></p>
<h4>Feminist Justice Fellowship</h4>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Produzido pelo Feminist Journalist Fellowship, este artigo faz parte de uma série que destaca o trabalho de nossas parceiras, desenvolvido em colaboração com a Global Voices e a </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="http://wearenoor.org" target="_blank" rel="noopener">Noor</a><span style="font-size: 1.25rem;">.</span> </div></article></div>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/nicole-froio/' class='user-link'>Nicole Froio</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/isabela-torezan/' class='user-link'>Isabela Torezan</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/03/07/how-far-right-fear-tactics-affect-girls-seeking-legal-abortion-in-brazil/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/Nicole-800x600-1-400x300.png" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Construída para todos? Inteligência artificial e a comunidade LGBTQ+</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/06/07/construida-para-todos-inteligencia-artificial-e-a-comunidade-lgbtq/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marcos Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2026 08:00:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bélgica]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[Europa Ocidental]]></category>
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		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[“Muitos problemas podem ser rastreados até os dados usados para treinar modelos, que muitas vezes estão repletos de estereótipos e equívocos sobre as pessoas LGBTQ+,”]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Grande parte das informações disponíveis aos modelos sobre a comunidade LGBTQ+ é influenciada por estereótipos</em></big></p><div id="attachment_846454" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-846454" class="wp-image-846454 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/pexels-painted-face-rainbow-colors.jpg" alt="Face painted in rainbow colours. Photo by Alexander Grey on Pexels" width="800" height="533" /><p id="caption-attachment-846454" class="wp-caption-text"><a href="https://www.pexels.com/photo/person-with-body-painting-1209843/">Foto</a> por <a href="https://www.pexels.com/@mccutcheon/">Alexander Grey</a> no <a href="https://www.pexels.com/">Pexels</a></p></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A cada ano que passa, a inteligência artificial (IA) parece estar cada vez mais incorporada no nosso dia a dia. Ao redor do mundo, as pessoas estão se familiarizando com as particularidades dessa inovação. Elas também estão começando a ver suas potenciais vantagens. Recentemente, uma pesquisa global conduzida pela Ipsos, uma empresa de pesquisa de mercado, revelou que </span><a href="https://www.ipsos.com/sites/default/files/ct/news/documents/2024-06/Ipsos-AI-Monitor-2024-final-APAC.pdf"><span style="font-weight: 400;">55% dos entrevistados</span></a><span style="font-weight: 400;"> sentiram que as soluções baseadas em IA oferecem mais benefícios do que desvantagens. Resultados como esse deixam claro que, apesar da ansiedade em torno dessa tecnologia, o público continua intrigado com o que ela pode fazer. As empresas notaram essa percepção e estão vendendo seus produtos enfatizando sua eficiência e usabilidade. Dada a forma como o investimento privado em IA </span><a href="https://hai.stanford.edu/ai-index/2025-ai-index-report/economy"><span style="font-weight: 400;">aumentou</span></a><span style="font-weight: 400;"> na última década, as evidências sugerem que os consumidores compraram esse discurso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, nem todos estão convencidos. Membros da comunidade lésbica, gay, bissexual, transgênero e queer+ (LGBTQ+) têm prestado mais atenção às desvantagens associadas à IA</span><span style="font-weight: 400;">. Muitos problemas podem ser rastreados até os dados usados para treinar modelos, que muitas vezes estão repletos de estereótipos e equívocos sobre as pessoas LGBTQ+. No entanto, os impactos &#8220;offline&#8221; da IA podem ser igualmente alarmantes. A incorporação da tecnologia em sistemas projetados especificamente para identificar e vigiar os membros da comunidade, por exemplo, é uma das primeiras coisas a vir à mente. Do desenvolvimento à implantação, essas questões ilustram como as ferramentas aprimoradas por IA costumam ser mais prejudiciais do que úteis para a comunidade LGBTQ+. Sem medidas de proteção adequadas para o uso dessa tecnologia, muitos podem achar que ela é consideravelmente mais perigosa do que eficaz. </span><b><br />
</b><b></b></p>
<h3>Digitalizando estereótipos estabelecidos</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Para entender como a IA pode afetar negativamente os indivíduos LGBTQ+, é importante começar pelos dados que alimentam os modelos. A “</span><a href="https://www.wired.com/story/artificial-intelligence-lgbtq-representation-openai-sora/"><span style="font-weight: 400;">Wired</span></a><span style="font-weight: 400;">” destacou que, quando solicitadas a retratar membros da comunidade, as ferramentas populares de geração de imagem produziram resultados redutivos. Por exemplo, a ferramenta <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Midjourney">Midjourney</a> frequentemente retratava mulheres lésbicas como figuras austeras com inúmeras tatuagens. Dados extraídos da internet podem ser os culpados por essas representações extremamente simplistas (e ofensivas) da vida queer. Grande parte das informações disponíveis aos modelos sobre a comunidade LGBTQ+ é influenciada por estereótipos. Como resultado, ferramentas como a Midjourney estão extremamente propensas a reproduzir essas visões enviesadas em suas imagens. Embora métodos alternativos, como a rotulagem de dados aprimorada (<a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Labeled_data">data labeling</a>), possam aumentar a precisão do modelo, podem ser insuficientes devido à grande quantidade de conteúdo depreciativo encontrado online. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Retratos falhos da comunidade LGBTQ+ por modelos de IA não são um problema isolado. Na verdade, muitas das ferramentas de IA que dominam o mercado geram resultados distorcidos em relação a esse grupo. Em um relatório que avalia os pressupostos orientadores que definem os grandes modelos de linguagem (LLMs), a </span><a href="https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000388971"><span style="font-weight: 400;">Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO)</span></a><span style="font-weight: 400;"> identificou que as ferramentas amplamente utilizadas, como a Lhama 2 da Meta e o GPT-2 da OpenAI, são moldadas por atitudes heteronormativas. De acordo com a pesquisa, esses LLMs criaram conteúdo negativo sobre pessoas gays em mais da metade do tempo de suas simulações. As descobertas da UNESCO não apenas ressaltam a homofobia generalizada no treinamento de dados consumidos por soluções proeminentes de IA generativa; elas também mostram a incapacidade dos principais desenvolvedores de abordar efetivamente essa questão de amplo impacto.</span></p>
<h3>Reforço da vigilância pública</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">O dano que a IA pode impor sobre indivíduos LGBTQ+ não se limita ao espaço digital. Sistemas que utilizam a IA, os quais supostamente detectam o gênero daqueles que frequentam espaços públicos, tem chamado muita atenção. A </span><a href="https://www.forbidden-colours.com/wp-content/uploads/2024/01/240130-Report-on-LGBTIQ-AI.pdf"><span style="font-weight: 400;">Forbidden Colours</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma ONG belga pela defesa dos direitos LGBTQ+, enfatizou os desdobramentos problemáticos das ferramentas de IA para o &#8220;reconhecimento automático de gênero&#8221; (AGR). As soluções AGR analisam conteúdo audiovisual, como imagens de câmeras de segurança, para tirar conclusões sobre o gênero de uma pessoa, utilizam-se de elementos como suas características faciais e padrões vocais. Esses sistemas de ponta são inerentemente problemáticos. Como afirma a organização, é impossível detectar como uma pessoa compreende seu gênero estudando exclusivamente como ela se parece ou fala. Nesse sentido, construir soluções que classifiquem os indivíduos usando essas características arbitrárias é, na melhor das hipóteses, equivocado e, na pior, perigoso.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de falhas evidentes, os sistemas AGR têm seus defensores. Particularmente, os governos expressamente antagônicos à comunidade LGBTQ+ adotaram essas ferramentas, com muitos justificando suas decisões em nome da segurança pública. </span><span style="font-weight: 400;">Por exemplo, o “</span><a href="https://www.politico.eu/article/hungary-eu-watchlist-facial-recognition-surveillance-lgbtq-pride/"><span style="font-weight: 400;">Politico Europe</span></a><span style="font-weight: 400;">” informou como o primeiro-ministro húngaro </span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Viktor_Orb%C3%A1n"><span style="font-weight: 400;">Viktor Orbán</span></a><span style="font-weight: 400;"> sancionou o uso de monitoramento biométrico habilitado por IA em eventos locais do Orgulho LGBTQ+. O político de extrema-direita afirmou que tais medidas protegeriam as crianças das pautas LGBTQ+. Na verdade, a medida permite que o governo e seus aliados na lei vigiem artistas, ativistas e cidadãos comuns nesses eventos. Embora essa política esteja sendo revista pelas instituições da União Europeia, sua implementação serve como um forte lembrete de como a IA pode ser usada para intimidar líderes LGBTQ+ que se mobilizam para a mudança.</span></p>
<h3>Alterando a equação</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os membros da comunidade LGBTQ+, as compensações relacionadas à IA são íngremes. Embora essa tecnologia inovadora possa ter pontos positivos para a população em geral, ela apresenta desafios específicos que podem impactar desproporcionalmente usuários queer. Ferramentas comuns, tais como geradores de imagens e textos, foram encontradas circulando narrativas prejudiciais recorrentes sobre a vida LGBTQ+, que são difíceis de eliminar. Fora do mundo digital, a implantação da IA em espaços offline também apresenta riscos significativos. Sua incorporação aos sistemas de vigilância, muitas vezes com o objetivo explícito de rotular os gêneros daqueles pegos na armadilha, coloca-se como uma afronta à privacidade individual. Reunidos, esses exemplos demonstram como muitas das ferramentas de IA que remodelaram nossas experiências do dia a dia não foram projetadas com todos os tipos de pessoas em mente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Líderes de todos os setores devem tomar medidas para reverter essa tendência. Começando por parcerias entre desenvolvedores e partes interessadas na comunidade LGBTQ+. A colaboração construtiva pode ajudar a garantir que os dados de treinamento usados pelos modelos de IA reflitam com mais precisão as realidades vividas por pessoas queer. Também deve incluir garantias robustas para evitar o uso indevido de IA na vigilância da comunidade. Sistemas equipados com recursos de detecção de gênero devem ser estritamente proibidos, pois eles reduzem o direito de um indivíduo à privacidade. </span><span style="font-weight: 400;">Criticamente, </span><span style="font-weight: 400;"><span style="box-sizing: border-box;"><a href="https://www.openglobalrights.org/risks-limitations-artificial-intelligence-sexual-gender-diverse-community/" target="_blank" rel="noopener">a contribuição de indivíduos LGBTQ+ deve ser solicitada </a>em todas as fases de desenvolvimento de uma ferramenta</span>. Essa cooperação não apenas reduziria os inúmeros danos apresentados pela IA, mas também aumentaria a probabilidade de os membros dessa comunidade começarem a ver a tecnologia como um valor agregado.</span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/aaronspitler/' class='user-link'>Aaron Spitler</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/marcos-henrique-santiago-celestino/' class='user-link'>Marcos Henrique</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2025/11/18/built-for-all-artificial-intelligence-and-the-lgbtq-community/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/pexels-painted-face-rainbow-colors-400x300.jpg" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Lixo como recurso: como comunidades em Moçambique transformam resíduos em soluções climáticas</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/06/02/lixo-como-recurso-como-comunidades-em-mocambique-transformam-residuos-em-solucoes-climaticas-e-meios-de-subsistencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tirso Sitoe]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 18:00:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
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					<description><![CDATA[Comunidades moçambicanas estão a transformar lixo em arte, renda e ativismo ambiental, usando reciclagem, música e criatividade para enfrentar desigualdades urbanas e desafios climáticos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Transformando lixo em resistência, criatividade e soluções climáticas nas comunidades moçambicanas</em></big></p><div id="attachment_122725" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122725" class="wp-image-122725 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-tomfisk-4454065-scaled.jpg" alt="Foto tirada por Tom Fisk. Banten, Indonésia" width="2560" height="1709" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-tomfisk-4454065-scaled.jpg 2560w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-tomfisk-4454065-400x267.jpg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-tomfisk-4454065-800x534.jpg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-tomfisk-4454065-1536x1026.jpg 1536w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-tomfisk-4454065-2048x1367.jpg 2048w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-tomfisk-4454065-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><p id="caption-attachment-122725" class="wp-caption-text"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Foto tirada por Tom Fisk. Banten, Indonésia: <a href="https://www.pexels.com/pt-br/foto/escavadeira-draga-lixo-plastico-4454065/">Pexels</a>.</span></span></p></div>
<p><em>Esta publicação faz parte da série de Destaques do Global Voices de maio de 2026, “<a href="https://globalvoices.org/special/positive-action-on-climate/">Crise global, soluções locais</a>”. Esta série trará histórias de resistência e ações climáticas bem-sucedidas, perspectivas sobre como as comunidades do Sul Global estão enfrentando a crise, análises sobre o que isso pode significar para as gerações futuras e muito mais. Você pode apoiar esta cobertura fazendo uma doação <a href="https://globalvoices.org/2026/04/16/support-the-global-voices-spotlight-positive-action-on-climate/">aqui</a>.</em></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Num contexto marcado pela rápida urbanização, sistemas frágeis de gestão de resíduos, desemprego juvenil e crescente vulnerabilidade climática, artistas, ativistas, músicos e empreendedores comunitários em </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Moçambique,</span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> vem desenvolvendo respostas locais para enfrentar uma crise ambiental. Através da reciclagem, da arte, da música e da educação ambiental, esses atores buscam desafiar a percepção tradicional do lixo e demonstrar que aquilo que é descartado pode ser </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">transformado em ferramentas de sobrevivência, expressão artística, crítica social e resistência climática</span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Em cidades como </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Maputo"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Maputo</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, os resíduos sólidos tornaram-se parte visível da paisagem urbana. Garrafas plásticas entopem sistemas de drenagem durante períodos de chuva intensa, pneus usados ​​acumulam-se em contentores e espaços vazios, enquanto lixeiras informais continuam a crescer em bairros periféricos num contexto em que na </span></span><a href="https://www.dw.com/pt-002/um-mundo-%C3%A0-parte-a-lixeira-de-hulene/g-18137565"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">lixeira do Hulene</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> se vive um</span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> mundo à parte.</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Apesar dos esforços municipais, </span></span><a href="https://www.dw.com/pt-002/crise-do-lixo-em-maputo-mun%C3%ADcipes-sofrem-com-falta-de-recolha/a-67934635"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">a recolha e gestão de resíduos continuam a ser insuficientes em várias zonas urbanas </span></span></a></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">é</span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> neste </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">cenário, que as iniciativas comunitárias como </span></span><a href="https://noticias.mmo.co.mz/2025/07/escolas-primarias-de-maputo-recebem-ecopontos-para-promover-educacao-ambiental.html"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ecopontos</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> que surgiram como alternativas para enfrentar desafios ambientais e sociais ao mesmo tempo.</span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<h3><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Pneus descartados transformados em oportunidade</span></span></span></span></span></span></span></span></h3>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Para </span></span><a href="https://mozavibe.co.mz/pt_PT/tag/vania-goncalo/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Vania Gonçalo</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> , ativista ambiental, o reaproveitamento de pneus começou como resposta a um problema que observava diariamente nas ruas da cidade de Maputo. </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Em 2019, decidi criar uma iniciativa voltada para a reutilização de pneus descartados, depois de perceber que, embora o debate ambiental em Moçambique fosse fortemente centrado no plástico, os pneus também representavam um problema ambiental significativo. </span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A partir daí, Vania começou a recolher pneus abandonados em bairros, estradas e contentores de lixo. Após a coleta, os materiais passam por processos de lavagem, desinfecção e transformação. Os pneus são convertidos em mesas, puffs, vasos, casas para animais domésticos e outros objetos decorativos. </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O processo combina criatividade, sustentabilidade e empreendedorismo. Dependendo da estrutura do pneu, diferentes técnicas são utilizadas com tecidos, madeira, cordas, esponjas, tintas e outros materiais reciclados. Para Gonçalo, o projeto vai além da reciclagem. Trata-se também de sensibilizar jovens e comunidades sobre responsabilidade ambiental. </span></span></span></span></span></span></span></span>Afirma:</p>
<blockquote><p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Queríamos mostrar à sociedade que aquilo que é jogado fora ainda pode ser reutilizado e transformado em algo valioso e</span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> em muitos bairros, os pneus são simplesmente queimados ou abandonados. Queríamos mostrar que é possível reutilizá-los sem necessidade de maquinaria cara ou processos industriais.</span></span></span></span></span></span></span></span></p></blockquote>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A iniciativa também revela desigualdades urbanas relacionadas com o lixo. Em bairros periféricos, os pneus usados ​​frequentemente ganham novos usos informativos, como brinquedos para crianças, assentos improvisados ​​ou estruturas para pequenos parques comunitários. Já em zonas centrais da cidade, são geralmente tratados apenas como resíduos administrados.</span></span></span></span></p>
<div id="attachment_122776" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122776" class="wp-image-122776 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.48.20.webp" alt="Atelier de costura de Vânia Gonçalo em Maputo, Moçambique, em 2021. Foto: Herman Macamo &amp; Tirso Sitoe/Uso autorizado" width="1280" height="960" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.48.20.webp 1280w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.48.20-400x300.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.48.20-800x600.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.48.20-1200x900.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /><p id="caption-attachment-122776" class="wp-caption-text">Atelier de costura de Vânia Gonçalo em Maputo, Moçambique, em 2021. Foto: Herman Macamo &amp; Tirso Sitoe/Uso autorizado</p></div>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Segundo Gonçalo, o reaproveitamento de resíduos também pode contribuir para debates sobre políticas públicas ambientais. </span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Além da produção de objetos reciclados, organizações ativistas de formação para jovens sobre reutilização de resíduos sólidos, empreendedorismo e educação ambiental. </span></span></span></span>Explica:</p>
<blockquote><p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Antes de criar políticas sobre pneus, precisamos de mais estudos científicos sobre os impactos ambientais desses resíduos. Mas futuramente isso pode influenciar políticas públicas de coleta e reaproveitamento.</span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> O trabalho não é apenas ambiental. Também cria oportunidades de renda. Quanto mais pessoas envolvidas na reutilização de resíduos, menos lixo teremos no meio ambiente.</span></span></span></span></p></blockquote>
<h3><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ar</span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">te,</span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> memória e crítica social</span></span></span></span></h3>
<div id="attachment_122777" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122777" class="wp-image-122777 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.08.webp" alt="Atelier de design de Mudungaze em Maputo, Moçambique, em 2021. Foto: Herman Macamo &amp; Tirso Sitoe/Uso autorizado" width="1280" height="960" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.08.webp 1280w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.08-400x300.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.08-800x600.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.08-1200x900.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /><p id="caption-attachment-122777" class="wp-caption-text">Atelier de design de Mudungaze em Maputo, Moçambique, em 2021. Foto: Herman Macamo &amp; Tirso Sitoe/Uso autorizado</p></div>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Para o artista moçambicano </span></span><a href="https://revistacanjere.com.br/mudungaze-e-colaborador-da-revista-canjere/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Mudungaze</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> , o lixo também possui significado político e cultural. </span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Utilizando materiais industriais descartados, sucata e objetos encontrados nas ruas, o artista cria máscaras e obras contemporâneas inspiradas em referências culturais africanas e nas dinâmicas urbanas de Maputo. O seu trabalho combina atualização com reflexões sobre identidade africana, colonialismo, memória cultural e desigualdades globais ao que chamou de</span></span></span></span><a href="https://opais.co.mz/mudungaze-expoe-mascaras-africanas/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> Máscaras africanas</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> .</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Segundo Mudungaze, parte da sua motivação, surge a necessidade de recuperar referências culturais africanas historicamente marginalizadas. </span></span></span></span>Mudungaze explica:</p>
<blockquote><p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Queria trazer a identidade africana para uma arte urbana contemporânea, usando objetos que as pessoas encontram no dia a dia, num contexto em que as pessoas foram e</span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> nsinadas durante muito tempo, que muitas práticas culturais africanas foram atrasadas ou inferiores. Hoje várias dessas ideias regressaram do Ocidente como algo moderno.</span></span></span></span></p></blockquote>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Grande parte dos materiais utilizados pelo artista vem de resíduos industriais, associados a grandes empresas e produtos importados. </span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Mudungaze contou que tentou estabelecer parcerias com empresas para reaproveitamento de materiais descartados, mas encontrou pouca abertura institucional. Ao colocar resíduos abandonados e transformar em peças, expostas em galerias e espaços culturais, o artista também desenvolve uma crítica sutil sobre desigualdades urbanas, gestão de resíduos e elitização da arte.</span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“Nós não produzimos a maior parte deste lixo, mas sofremos as consequências ambientais dele,”</span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> afirma.</span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Essa tensão entre centro urbano e periferia, também atravessa a cena artística moçambicana. Grande parte das galerias e centros culturais, continuam concentrados na zona central e capital Maputo, dificultando o acesso de artistas e públicos periféricos. Como alternativa, Mudungaze criou um espaço independente fora dos circuitos culturais tradicionais. As redes sociais também passaram a desempenhar um papel importante na divulgação do seu trabalho. Por isso ele afirma que, </span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“Hoje as plataformas digitais permitem mostrar nosso trabalho para além das galerias físicas, explicadas.”</span></span></span></span></p>
<h3><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Rap, ativismo ambiental e mobilização digital</span></span></span></span></h3>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">As questões ambientais também são encontradas no espaço da música. </span></span><a href="https://www.dw.com/pt-002/stand-up-beira-a-m%C3%BAsica-de-apoio-%C3%A0s-v%C3%ADtimas-do-ciclone-idai/a-48354064"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Para o rapper e ativista Osvaldo Iko MC,</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> o </span></span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Hip-hop"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">hip-hop</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> pode funcionar como ferramenta de consciencialização social e ambiental. Influenciado pelo rap consciente e pelas tradições de intervenção social dentro da música, Osvaldo começou a incorporar temas ambientais nas suas letras, depois de observar o crescimento do descarte inadequado de resíduos em espaços públicos. </span></span></span></span></p>
<div id="attachment_122778" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122778" class="wp-image-122778 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.141.webp" alt="Sala de imagem de Osvaldo Iko MC em Maputo, Moçambique, em 2021. Foto: Herman Macamo &amp; Tirso Sitoe/Uso autorizado" width="1280" height="960" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.141.webp 1280w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.141-400x300.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.141-800x600.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.141-1200x900.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /><p id="caption-attachment-122778" class="wp-caption-text">Sala de imagem de Osvaldo Iko MC em Maputo, Moçambique, em 2021. Foto: Herman Macamo &amp; Tirso Sitoe/Uso autorizado</p></div>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">As </span></span><a href="https://www.facebook.com/1515240705225304/videos/o-rap-do-lets-do-it/1673794972703209/?locale=hi_IN&amp;_rdr"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">suas músicas</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> abordam temas como poluição plástica, descarte incorreto de resíduos, saneamento urbano e responsabilidade coletiva. Segundo o artista, os resíduos espalhados pela cidade revelam, não apenas problemas ambientais, mas também desigualdades sociais e fragilidades educativas.</span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A crise ambiental também é um problema social e cultural. Se as pessoas não foram formadas em responsabilidade ambiental, o problema vai continuar.</span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> O lixo ocupa os espaços públicos, isso também reflete problemas sociais, desigualdades e falhas na responsabilidade coletiva”, explica.</span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Através da música, campanhas ambientais, produção de conteúdos digitais e iniciativas de mapeamento de resíduos, Osvaldo procura envolver públicos frequentemente afastados dos debates formais sobre meio ambiente.</span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A música chega a todo lado — nos transportes, nos mercados, nas casas, nas ruas. Pode ajudar a criar consciência e mudar comportamentos”, afirma.</span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O ativismo digital também se tornou parte importante do seu trabalho. Com uso de fotografias, geolocalização e plataformas digitais, ativistas ambientais têm locais documentados de acumulação de lixo e problemas ambientais em diferentes pontos do país. Segundo Osvaldo, as redes sociais ajudam a ampliar a visibilidade das questões ambientais moçambicanas e a conectar ativistas locais com debates globais sobre mudanças climáticas. </span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ao mesmo tempo, o rapper defende que a responsabilidade ambiental não deve recair apenas sobre os municípios.</span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Estas tecnologias permitem educar, documentar e mobilizar comunidades.</span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> Existe uma tendência de culpar apenas as instituições públicas, mas a responsabilidade ambiental também pertence aos cidadãos”, afirma.</span></span></span></span></p>
<h3><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Entre vulnerabilidade climática e sobrevivência urbana</span></span></span></span></h3>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Moçambique continua entre os países mais </span></span><a href="https://www.dw.com/pt-002/altera%C3%A7%C3%B5es-clim%C3%A1ticas-nos-palop/a-73077434"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">vulneráveis ​​às mudanças climáticas, ciclones</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> , inundações, falhas nos sistemas de drenagem e gestão ambiental afectando particularmente comunidades urbanas com infraestruturas precárias e serviços limitados de gestão de resíduos. Em cidades como Maputo, </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Beira_(Mo%C3%A7ambique)"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Beira</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> e </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Nampula"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Nampula</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> , os resíduos sólidos descartados são suficientemente modestos para o enchimento de canais de drenagem e agravamento das cheias, durante períodos de chuva intensa.</span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Para muitos artistas e ativistas, a reciclagem e a reutilização de resíduos não representam apenas iniciativas ambientais ou artísticas. São também estratégias de sobrevivência, adaptação climática e resistência comunitária. Apesar da falta de financiamento estável, apoio institucional e infraestruturas adequadas, estas iniciativas continuam a crescer através de redes comunitárias, criatividade e mobilização colectiva.</span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ao transformar resíduos em arte, mobiliário, campanhas educativas e ferramentas de mobilização social, as comunidades moçambicanas demonstram como soluções locais podem contribuir para enfrentar os desafios globais. Num país onde as mudanças climáticas e a desigualdade urbana se cruzam diariamente, o lixo deixou de ser apenas lixo. Para muitos jovens, artistas e ativistas, tornou-se recurso, ferramenta de resistência e possibilidade de futuro.</span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/tirso-sitoe/' class='user-link'>Tirso Sitoe</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-tomfisk-4454065-400x300.jpg" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Nossa geração continuará resistindo às restrições impostas pelo Talibã às mulheres e meninas</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/06/01/nossa-geracao-continuara-resistindo-as-restricoes-impostas-pelo-taliba-as-mulheres-e-meninas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciana Alvim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 18:19:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Afeganistão]]></category>
		<category><![CDATA[Ásia Central e Cáucaso]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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		<category><![CDATA[Inglês]]></category>
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		<category><![CDATA[Mulheres e Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Persa]]></category>
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					<description><![CDATA[Os anos de 2020 e 2021 foram os mais gratificantes da minha vida; eu havia encontrado meu caminho e estava prestes a atingir todos os meus objetivos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>No Afeganistão, a educação se tornou uma forma de resistência contra a opressão</em></big></p><div id="attachment_850929" style="width: 1436px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-850929" class="wp-image-source-850929 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/Screenshot-2026-03-25-122412.webp" alt="Afghan girls taking a university exam." width="1436" height="752" /><p id="caption-attachment-850929" class="wp-caption-text">Estudantes afegãs fazendo prova na universidade. Captura de tela do vídeo <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ontd6nuvj-g">‘Estudantes afegãs fazendo uma prova na universidade duas semanas após o ataque à sala de </a><span style="box-sizing: border-box;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ontd6nuvj-g" target="_blank" rel="noopener">aula’</a></span> do canal do Youtube <a href="https://www.youtube.com/@AFP">AFP News Agency</a>. Uso justo.</p></div>
<p><em>Este artigo foi escrito por Fareshtah em 2025. Foi publicado com o seu consentimento em uma cobertura especial que conta as histórias de jovens mulheres e meninas do Afeganistão após a tomada do poder pelo Talibã em agosto de 2021.</em></p>
<p>Eu já sou bem familiarizada com o termo “guerra entre o Talibã e o governo&#8221; porque tenho testemunhado os acordos e conflitos entre estes dois lados desde a minha infância. Nosso destino tem sido instável devido às decisões e ações de ambos os lados.</p>
<p>Eu nasci no último ano do primeiro regime do Talibã (1996–2001) na província central de Ghor, no Afeganistão. Felizmente, tive a oportunidade de estudar após a queda deste primeiro regime. Eu ainda me lembro do primeiro dia de aula na escola; vestia um uniforme preto com um véu branco. Foi um dia muito especial!</p>
<p>Ainda não havia ingressado na universidade quando ficamos sabendo das notícias sobre o <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/United_States–Taliban_deal">acordo de paz entre os Estados Unidos e o Talibã</a> em fevereiro de 2020, e esperávamos pela paz e por um futuro melhor.</p>
<p>Finalmente, após ser admitida nos exames de aptidão, entrei na universidade. Os anos de 2020 e 2021 foram os mais gratificantes da minha vida; eu havia encontrado meu caminho e estava prestes a atingir todos os meus objetivos.</p>
<p>Estudava Sharia e Ciências Islâmicas e queria me tornar uma advogada bem-sucedida, então me matriculei em um curso de dois anos de técnicas jurídicas na Fundação Ásia e no Ministério da Educação Superior.</p>
<p>Enquanto isso, a guerra entre o Talibã e as forças do governo se intensificava. A situação de segurança estava piorando e, devido a ondas de calor extremas, as aulas de  técnicas eram ministradas tanto on-line quanto presencialmente.</p>
<p>Eu via as notícias sobre o colapso das províncias, uma após a outra, mas estava focada nos meus objetivos e em como alcançá-los. Em 13 de agosto de 2021, a guerra já havia chegado aos portões de Herat, nossa cidade natal. No dia seguinte, tentei me conectar à aula on-line em meu quarto, quando meu irmão abriu a porta e disse: &#8220;Deixa isso, está tudo acabado&#8221;.</p>
<h3>O fim dos meus sonhos</h3>
<p>Com a queda de Herat, não houve exames, apresentações nem notícias sobre as aulas ou a continuidade do curso. Todas as minhas esperanças se esvaneceram de repente diante dos meus olhos, como se tivessem sido um sonho e alguém tivesse me acordado com um golpe pesado.</p>
<p>Este golpe foi tão duro que me tirou a capacidade de falar e de chorar. Eu sentia que minha alma havia sido separada do meu corpo e que tudo o que me restava era um corpo sem vida.</p>
<p>Meu coração doía com o desejo de continuar na universidade e nas aulas de técnicas jurídicas, mas, em completo desespero, eu não conseguia fazer nada a não ser chorar.</p>
<p>Após alguns meses, as universidades particulares reabriram, mas não havia sinal de que as públicas iriam reabrir. Seis meses depois, as universidades públicas finalmente reabriram. Estudei intensivamente nos três últimos semestres e terminei minha tese. Eu deveria defender minha tese em um sábado (24 de dezembro) e me graduar em uma cerimônia na segunda-feira (26 de dezembro).</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Entretanto, na terça-feira, 20 de dezembro de 2022, <a href="https://www.savethechildren.org/us/charity-stories/taliban-ban-girls-education-female-ngo-workers" target="_blank" rel="noopener">foi emitido um decreto</a> que proibia as mulheres de frequentar as universidades.</span></p>
<p>Eu contactei meu professor, e ele disse: “Vamos, defenda sua tese porque você já se formou&#8221;.</p>
<p>Na manhã de sábado, fui feliz para a universidade porque eu tinha conseguido o direito de defender minha tese, mas ainda triste porque tantas outras estudantes tiveram que abandonar o curso.</p>
<p>Quando cheguei, um membro do Talibã bloqueou o portão e se recusou a me deixar descer do riquixá que eu havia utilizado para chegar ao local.</p>
<p>Finalmente, consegui descer e corri em direção ao portão da universidade, mas o tal membro ficou parado à minha frente, com uma arma.</p>
<p>Eu o ignorei e tentei me aproximar do portão. Ele pegou a alça da bolsa do meu notebook, puxou-a violentamente e disse: &#8220;Você não entende o que eu estou falando? Devo explodir o seu cérebro?&#8221;!</p>
<p>Ele atirou para o alto e um zumbido desagradável e estranho ecoou nos meus ouvidos.</p>
<p>Alguém que passava por ali veio na minha direção e disse: &#8220;Irmã, por favor, vá embora&#8221;. Ele era um dos guardas da universidade que eu conhecia. Saí dali e fui à editora Shame Danesh Publishing House. Assim que entrei, explodi de raiva e chorei muito. Minhas lágrimas eram um oceano que não secava.</p>
<p>Nem me importei se as pessoas me viram chorar enquanto saía de lá. Eu estava andando de volta para casa, aos prantos, quando ouvi meu celular tocar.</p>
<p>Era o meu pai, e ele perguntou: &#8220;Você terminou a defesa da sua tese? Como foi?&#8221;. Chorando, quase sem fôlego, eu lhe contei o ocorrido. Ele me confortou, contou sobre as privações e torturas que havia sofrido e me aconselhou a ser paciente e a perseverar.</p>
<h3>Mudando minhas metas</h3>
<p>Cheguei em casa, dormi um pouco e comecei a pesquisar sobre cursos on-line e oportunidades educacionais, mas, como não encontrei nenhuma boa oportunidade, passei a ler livros.</p>
<p>Eu participava de um grupo de leitura para mulheres duas vezes por semana. Nós líamos livros diferentes, mas desta vez eu realmente precisava de um livro sobre ajuda emocional e psicológica.</p>
<p>Visitei o grupo e vi o nome do livro: &#8220;<em>O morro dos ventos uivantes</em>&#8220;. A leitura dele me deu motivação para recomeçar e me ajudou a me sentir renovada. Quase um ano após concluir o bacharelado, consegui defender minha tese online.</p>
<p>Mas eu não tinha mais o mesmo entusiasmo, porque meus objetivos tinham sido completamente desviados do caminho original. Teria que estabelecer novas metas. Eu comecei a estudar, pesquisar e participar de programas de estudo online.</p>
<p>Iniciei meus cursos de computação e inglês on-line, mas, após alguns meses, foram cancelados devido às restrições do Talibã e, desde então, não soube mais nada sobre eles.</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Foi promulgado um decreto que permitia às meninas frequentar cursos educacionais, e também me matriculei em um curso presencial, mas rapidamente descumpriram a promessa e o curso foi <a href="https://reliefweb.int/report/afghanistan/impacts-talibans-ban-womens-work-and-education" target="_blank" rel="noopener">novamente banido</a>.</span></p>
<p>Nos últimos três anos, tenho participado de vários programas, treinamentos e conferências on-line porque meu emprego ideal não está disponível no momento.</p>
<p>Eu me dei conta de que a raiz de todos estes problemas é a falta de consciência. Há mais de dois anos, tenho lecionado em escolas on-line para meninas que não têm tido acesso à educação;  também comecei a lecionar cursos sobre a cultura islâmica na universidade.</p>
<p>Quero lutar contra a injustiça e a ignorância do meu modo. Seja ao transferir um pouco do meu conhecimento ao ler uma linha de um livro, por meio da escrita, ou até mesmo ao enraizar a esperança e ver suas sementes florescerem no meu coração e nos corações dos meus semelhantes.</p>
<p>Espero por um futuro melhor e mais brilhante para o meu país. Nossa geração, que sofreu esta injustiça e ignorância, nunca dará à luz uma criança que se submeta ao opressor e ao ignorante. Não se permitirá que, pela terceira vez na história, uma experiência tão amarga se repita.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/gv-central-asia-and-caucasus/' class='user-link'>GV Central Asia and Caucasus</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/luciana-alvim/' class='user-link'>Luciana Alvim</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/03/30/our-generation-will-continue-resisting-the-talibans-restrictions-on-women-and-girls/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/Screenshot-2026-03-25-122412-400x300.webp" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Brasil: Um alerta sobre como a IA e os deepfakes podem se tornar um “risco excessivo” para mulheres e meninas</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/05/27/brasil-um-alerta-sobre-como-a-ia-e-os-deepfakes-podem-se-tornar-um-risco-excessivo-para-mulheres-e-meninas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juliana Stroebel]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 15:28:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Lei]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres e Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma nota técnica do Internetlab aborda os avanços das tecnologias de geração de imagens e os riscos de violência de gênero na internet, assim como a responsabilidade das plataformas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Organização alerta para a necessidade de regulamentação face aos casos de violência de gênero no país</em></big></p><div id="attachment_852061" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-852061" class="wp-image-source-852061 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/Untitled-design-1.webp" alt="Image shows a person's silhouette and several avatars coming out of an algorithm type of sphere " width="800" height="600" data-wp-editing="1" /><p id="caption-attachment-852061" class="wp-caption-text">Imagem criada no Canva para a Global Voices.</p></div>
<p><em>Esta publicação faz parte da série especial de abril de 2026 da Global Voices, &#8220;<a href="https://globalvoices.org/special/human-perspectives-on-ai/">Perspectivas humanas sobre IA</a>&#8220;. Esta série oferecerá percepções de como a IA está sendo utilizada nos países de maioria global, como seu uso e implementação estão afetando as comunidades individuais, o que esse experimento de IA pode significar para as gerações futuras e muito mais. Você pode apoiar esta cobertura fazendo uma doação <a href="https://globalvoices.org/2026/04/03/support-our-first-global-voices-spotlight-issue-human-perspectives-on-ai/">aqui</a>.</em></p>
<p>Em novembro de 2023, um grupo de pais de uma escola do Rio de Janeiro <a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2023/11/01/alunos-de-colegio-na-barra-sao-suspeitos-de-usar-inteligencia-artificial-para-fazer-montagens-de-colegas-nuas-e-compartilhar.ghtml"><span style="text-decoration: underline;">denunciou à polícia</span></a> que adolescentes estavam criando e compartilhando nudes geradas por Inteligência Artificial (IA) com fotos de outros colegas de classe. Menos de um ano depois, em setembro de 2024, no <a href="https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2024/09/25/cms-investiga-exposicao-alunas-pornografia.ghtml">estado da Bahia</a>, outro grupo de adolescentes também foi suspeito de utilizar IA para criar imagens de teor sexual de outros colegas, enquanto no <a href="https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/noticia/2024/09/25/alunos-sao-expulsos-apos-usar-inteligencia-artificial-para-criar-nudes-falsos-de-professora-e-colegas-em-escola-particular-de-cuiaba.ghtml">estado do Mato Grosso</a>, os alunos foram expulsos após compartilharem imagens feitas com IA, com rosto de uma professora e colegas, em grupos de pornografia nas mídias sociais.</p>
<p>Esses são alguns casos recentes relatados na mídia brasileira e mencionados em uma nota técnica publicada pelo <a href="https://internetlab.org.br/pt/sobre/">centro de pesquisa independente Internetlab</a> no início de abril de 2026. O <a href="https://internetlab.org.br/pt/noticias/como-enfrentar-a-misoginia-na-internet-internetlab-apresenta-recomendacoes-para-o-enfrentamento-da-violencia-digital-contra-meninas-e-mulheres/">documento tem como objetivo discutir</a> &#8220;formas de combater a violência on-line contra meninas e mulheres no Brasil&#8221; e contribuir com discussões regulatórias no contexto atual do país.</p>
<p>Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, somente em 2025, o Brasil registrou <a href="https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2026/03/nota-tecnica-dia-mulher-2026.pdf">1.568 feminicídios</a>, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior e o maior número registrado desde a assinatura <a href="https://pt.globalvoices.org/2015/03/27/brasil-aprova-a-lei-do-feminicidio-mas-nao-ha-consenso-quanto-a-sua-eficacia-no-combate-a-violencia-de-genero/">da lei que tipifica esse tipo de crime</a>, há 10 anos. O aumento nos casos de violência de gênero relatados no noticiário <a href="https://pt.globalvoices.org/2025/12/19/brasileiros-vao-as-ruas-para-denunciar-crise-de-violencia-contra-mulheres/">levou a protestos</a> no final de 2025. E a quantidade crescente de conteúdo misógino on-line pode estar &#8220;alimentando a violência&#8221;, <a href="https://x.com/dw_espanol/status/2046279406474391838?s=20">segundo reportagem da Deutsche Welle</a>.</p>
<p>Para Clarice Tavares, diretora de pesquisa do Internetlab e uma das autoras da nota técnica, em entrevista à Global Voices, os casos de violência de gênero on-line e off-line fazem parte da mesma estrutura misógina, coexistindo e sendo codependentes uns dos outros. &#8220;Estamos passando por um momento complexo de crescimento da violência contra a mulher, e precisamos de políticas públicas que analisem esses contextos, em suas especificidades&#8221;, analisa.</p>
<p>Ao falar sobre IA e questões de gênero, Tavares observa que os bancos de dados utilizados para alimentar as plataformas podem ter viés, o que influencia os resultados. O Internetlab optou por analisar a violência relacionada à IA na nota técnica, explica ela, devido ao seu impacto mais amplo e à possibilidade de abordá-la por meio de regulamentação adequada.</p>
<p>Entre outros pontos, <a href="https://internetlab.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Os-caminhos-de-combate-a-violencia-digital-contra-mulheres-e-meninas-no-Brasil.pdf">o documento do Internetlab</a> aponta para os riscos associados a &#8220;<em>deepfakes</em> de conteúdo sexual não consensual&#8221; e defende que a possibilidade de tal ocorrência seja classificada como &#8220;risco excessivo&#8221;, observando que &#8220;essas tecnologias afetam mulheres e meninas desproporcionalmente&#8221;:</p>
<blockquote><p>Uma pesquisa conduzida pela <a href="https://www.securityhero.io/state-of-deepfakes/#deepfake-porn-survey">Security Hero</a> demonstrou que deepfakes sexualmente explícitas representam 98% de todos os vídeos de <em>deepfake</em> online, e que 99% das pessoas alvo desses conteúdos eram mulheres. A pesquisa também indicou um aumento de 464% do número de <em>deepfakes</em> sexuais entre 2022 e 2023.</p></blockquote>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Embora Tavares afirme que os problemas não são exclusivos de uma plataforma, ela aponta o <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Grok_sexual_deepfake_scandal" target="_blank" rel="noopener">Grok</a>, a IA incorporada do X, como a ponta do iceberg, expondo um problema mais amplo já disseminado on-line.<br />
</span></p>
<blockquote><p>I think this case calls for attention, since the AI that made it possible to create this sort of content was already part of its own social media, which helped to amplify the reach of such content. It was very much on the surface. I think it&#39;s a systemic issue, but <a href="https://apublica.org/2026/01/grok-tire-a-roupa-dela-ecossistema-de-violencia-dos-deepfakes/">Grok’s case</a> made it impossible not to discuss it or worry about the current state of things. It was evident there had been several flaws in the tools and the platforms that allowed these things to happen on such a large scale.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Acredito que esse caso chama a atenção, pois a IA que possibilitou a criação desse tipo de conteúdo já fazia parte de sua própria mídia social, o que ajudou a ampliar o alcance desse conteúdo. Era muito superficial. Acredito que seja uma questão sistêmica, mas o caso do Grok fez com que fosse impossível não discutir o assunto ou não nos preocuparmos com a situação atual. Era evidente que havia várias falhas nas ferramentas e nas plataformas que permitiam que essas coisas acontecessem em uma escala tão grande.</p></blockquote>
<h3>O que diz a lei no Brasil?</h3>
<p>Na última década, o Brasil teve avanços na legislação sobre direitos na internet. No ano passado, 11 anos após a assinatura do <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Marco_Civil_da_Internet">Marco Civil da Internet</a> (lei que funciona como <a href="https://pt.globalvoices.org/2014/03/30/defensores-do-marco-civil-comemoram-a-aprovacao-da-constituicao-da-internet/">uma constituição dos direitos civis para a internet</a>), o <a href="https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-define-parametros-para-responsabilizacao-de-plataformas-por-conteudos-de-terceiros/">Supremo Tribunal Federal (STF) votou considerando</a> um de seus artigos parcialmente inconstitucional. O <a href="https://www.jota.info/stf/do-supremo/ao-vivo-stf-julgamento-do-artigo-19-do-marco-civil-da-internet">Artigo 19</a> regulamentava a responsabilidade civil das plataformas pelo conteúdo publicado por terceiros (usuários). A maioria dos juízes entendeu que, no cenário atual, a norma não era mais suficiente para proteger os direitos fundamentais e a democracia.</p>
<p>&#8220;Ainda há um longo caminho para entendermos como essa decisão será operacionalizada. Um novo regulamento sobre a responsabilidade das plataformas estabeleceu normas sobre o modo como elas devem funcionar até que seja aprovada uma legislação regulatória mais robusta. As plataformas agora têm mais obrigações com a moderação de conteúdo, de modo que a decisão estabeleceu um novo paradigma para pensarmos na responsabilidade e nas obrigações das mesmas&#8221;, diz Tavares.</p>
<p>No contexto da violência de gênero on-line, ela também enfatiza a importância de se ter uma definição legal e um conceito do que é entendido como misoginia para colocar em prática a decisão da Suprema Corte. &#8220;Queremos adaptar essa decisão às políticas públicas já existentes, à legislação referente à violência de gênero a esse novo cenário de violência digital&#8221;, explica.</p>
<p>A <a href="https://internetlab.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Os-caminhos-de-combate-a-violencia-digital-contra-mulheres-e-meninas-no-Brasil.pdf">análise do Internetlab menciona</a> um aumento no número de projetos de lei propostos com o objetivo de criminalizar o comportamento misógino e o chamado <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/entenda-o-que-sao-redpill-e-outros-termos-de-odio-contra-mulheres">movimento &#8220;redpill&#8221; (pílula vermelha, na tradução)</a> e <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Machosfera">&#8220;machosfera&#8221;</a>, mas observa que, embora sejam um passo importante para enfrentar o problema, ter a criminalização como a principal e única solução pode limitar a eficácia das estratégias de prevenção e reparação das vítimas.</p>
<p>Sua recomendação em relação à IA inclui, por exemplo, a criação de diretrizes curriculares sobre alfabetização digital para desenvolver uma análise crítica de como funcionam os algoritmos, as plataformas, as ferramentas de inteligência artificial e outros elementos do ecossistema digital.</p>
<p>Relativamente às plataformas, a nota recomenda a adoção de medidas de segurança desde a fase inicial de concepção dos seus projetos (<a href="https://www.weforum.org/projects/safety-by-design-sbd/"><em>safety by design</em></a>), &#8220;para impedir a criação e a divulgação desse tipo de conteúdo&#8221;, que tem como alvo principal mulheres e crianças. Os <em>deepfakes</em> de conteúdo sexual não consensual devem ser considerados um &#8220;risco excessivo&#8221;, com seu uso e aplicação proibidos, e devem ser estabelecidas regras relativas à responsabilidade e às obrigações das plataformas digitais e dos agentes de IA.</p>
<p>Uma estimativa da Movember Foundation, uma organização de saúde masculina, <a href="https://www.unwomen.org/en/articles/explainer/what-is-the-manosphere-and-why-should-we-care">aponta</a> que dois terços dos homens jovens se envolvem regularmente com influenciadores de masculinidade on-line. Um <a href="https://www.unwomen.org/en/articles/explainer/what-is-the-manosphere-and-why-should-we-care">artigo publicado</a> pela ONU Mulheres diz que &#8220;os especialistas estão descobrindo que a popularidade da linguagem extrema na &#8216;machosfera&#8217; não apenas normaliza a violência contra mulheres e meninas, mas também tem vínculos crescentes com a radicalização e ideologias extremistas&#8221;.</p>
<p>Com a aproximação do período eleitoral no Brasil e com relatos de <a href="https://iclnoticias.com.br/videos-ia-pastores-agredindo-mulheres-pt-tse/">vídeos gerados por inteligência artificial que mostram violência contra eleitoras</a>, Tavares acredita que há novas camadas a serem consideradas em relação à violência política de gênero. &#8220;Com a produção de vídeos ou até mesmo com chatbots como Gemini, ChatGPT ou Claude, o que estamos vendo é que [a IA] provavelmente será uma ferramenta utilizada como meio de acesso a informações, e pode haver preconceitos de gênero, reproduzindo a violência de gênero e a violência política de gênero. Ainda estamos tentando entender o impacto que isso pode e terá daqui para frente.&#8221;</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/fernanda-canofre/' class='user-link'>Fernanda Canofre</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/juliana-stroebel/' class='user-link'>Juliana Stroebel</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/04/28/brazil-a-warning-on-how-ai-and-deepfakes-can-become-an-excessive-risk-to-women-and-girls/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Brasil abre investigação sobre o impacto de inteligência artificial do Google no setor jornalístico</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/05/19/brasil-abre-investigacao-sobre-o-impacto-de-inteligencia-artificial-do-google-no-setor-jornalistico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando Baumgarten]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2026 13:19:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia e Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[O conselheiro Diogo Thomson considerou que a introdução da IA generativa “alterou significativamente a dinâmica do acesso, da visibilidade e da monetização do conteúdo jornalístico no ambiente digital”.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Órgão governamental investiga ferramenta de IA que utiliza conteúdo jornalístico sem compensação para empresas de mídia</em></big></p><div id="attachment_852155" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-852155" class="size-full wp-image-source-852155" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/Untitled-design-2.webp" alt="A computer screen open on Google and a background of newspaper pages" width="800" height="600" /><p id="caption-attachment-852155" class="wp-caption-text"><span dir="auto">Imagem criada com elementos do Canva pela Global Voices usada sob permissão.</span></p></div>
<p><span dir="auto">O </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_Administrativo_de_Defesa_Econ%C3%B4mica"><span dir="auto">Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)</span></a><span dir="auto"> , vinculado ao Ministério da Justiça do Brasil, </span><a href="http://www.gov.br/cade/en/matters/news/cade2019s-tribunal-recommends-the-opening-of-an-investigation-into-google-regarding-the-use-of-journalistic-content"><span dir="auto">aprovou a abertura de processo administrativo</span></a><span dir="auto"> para investigar o uso da </span><a href="https://www.portaldosjornalistas.com.br/entidades-jornalisticas-apoiam-decisao-do-cade-para-investigar-google/"><span dir="auto">Inteligência Artificial (IA) generativa da Google</span></a><span dir="auto"> em conteúdo jornalístico para criar resumos automatizados de termos pesquisados ​​(</span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/AI_Overviews"><span dir="auto">AI Overviews</span></a><span dir="auto">), o que poderia afetar o tráfego orgânico de plataformas jornalísticas, sua monetização e engajamento.</span></p>
<p><span dir="auto">Este é o capítulo mais recente de um caso que </span><a href="https://www.gov.br/cade/en/matters/news/cade-deepens-investigation-on-google2019s-practices-and-welcomes-submission-of-contributions" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">começou em 2019</span></a><span dir="auto"> para “investigar o suposto uso ilegal de conteúdo de notícias de terceiros nas plataformas Google Search e Google News”. No ano passado, o conselho </span><a href="https://www.gov.br/cade/en/matters/news/cade-deepens-investigation-on-google2019s-practices-and-welcomes-submission-of-contributions" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">convidou atores da sociedade civil</span></a><span dir="auto">, como sindicatos, associações e ONGs, a apresentarem suas análises técnicas e factuais antes de prosseguir com a discussão.</span></p>
<p><span dir="auto">O Cade </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_Administrativo_de_Defesa_Econ%C3%B4mica"><span dir="auto">tem como objetivo</span></a><span dir="auto"> “orientar, monitorar, prevenir e investigar o abuso de poder econômico, atuando na prevenção e na repressão”. Na prática, ele funciona de maneira semelhante à </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Comiss%C3%A3o_Federal_do_Com%C3%A9rcio"><span dir="auto">Comissão Federal de Comércio (FTC)</span></a><span dir="auto"> dos Estados Unidos, como órgão regulador de concorrência.</span></p>
<p><span dir="auto">O presidente interino </span><span dir="auto">e conselheiro Diogo Thomson, que votou a favor da abertura de investigações, </span><a href="https://www.gov.br/cade/en/matters/news/cade2019s-tribunal-recommends-the-opening-of-an-investigation-into-google-regarding-the-use-of-journalistic-content" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">considerou</span></a><span dir="auto"> que a inserção de funções de IA generativa “alterou significativamente a dinâmica de acesso, visibilidade e monetização do conteúdo jornalístico no ambiente digital” nos</span><span dir="auto"> últimos anos. Nesse contexto, ele </span><span dir="auto">ponderou a possibilidade</span> <span dir="auto">de a relação entre o Google e as empresas jornalísticas “assumir características de dependência estrutural”, uma vez que os veículos de comunicação dependem cada vez mais dos mecanismos de busca para alcançar seu público.</span></p>
<p>Conforme relatado no <a href="https://www.gov.br/cade/en/matters/news/cade2019s-tribunal-recommends-the-opening-of-an-investigation-into-google-regarding-the-use-of-journalistic-content">próprio site do Cade</a>, Thomson também questionou se tal conduta “poderia constituir um possível abuso de posição dominante com fins de exploração, caracterizado pela extração e apropriação de valor econômico proveniente de conteúdo produzido por terceiros, sem remuneração proporcional, em um contexto de assimetria e ausência de medidas alternativas eficazes”.</p>
<p><span dir="auto">Outra comissária, </span><a href="https://cdn.cade.gov.br/Portal/assuntos/noticias/2026/Opinion_GAB5_GoogleNews_EN.pdf"><span dir="auto">Camila Cabral Pires Alves</span></a><span dir="auto"> , que também votou a favor da investigação, salientou que “o Google utiliza [o material] sem autorização prévia das empresas que produzem o conteúdo jornalístico”, </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/23/cade-reabre-investigacao-contra-google-por-uso-de-conteudo-produzido-por-ia.ghtml"><span dir="auto">segundo o portal de notícias online G1</span></a><span dir="auto">.</span></p>
<p><span dir="auto">O site </span><a href="https://nucleo.jor.br/english/2026-04-23-google-faces-accountability-over-ai-use-of-journalism-in-brazil/"><span dir="auto">Núcleo explicou</span></a><span dir="auto"> o que a investigação deve examinar daqui para frente:</span></p>
<blockquote><p>One of the measures in the administrative proceedings will be distinguishing between the traditional excerpts shown by Google (known as snippets) and the AI Overviews summaries. Another point to be examined is the zero-click issue, when users simply read a summary and do not click on reference links, cutting off traffic referrals to news outlets — something critically important for journalism.</p>
<p>Perhaps even more pointed will be the attempt to estimate the value Google retains from digital advertising compared to the editorial costs news outlets bear to produce journalism. That is one of the key breakthroughs of this proceeding, it will effectively put numbers on something the company has never disclosed.</p>
<p>Lastly, CADE will require Google to disclose all of its tests — not just the <span dir="auto">“</span>selective” conclusions that favor its case.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><span dir="auto">Uma das medidas nos processos administrativos será a distinção entre os trechos tradicionais exibidos pelo Google (conhecidos como <em>snippets</em>) e os resumos do AI Overviews. Outro ponto a ser examinado é a questão do “zero clique”, quando os usuários simplesmente leem um resumo e não clicam nos links de referência, interrompendo o tráfego para os veículos de notícias — algo crucial para o jornalismo.</span></p>
<p>Talvez ainda mais relevante seja a tentativa de estimar o valor que o Google retém com a publicidade digital, em comparação com os custos editoriais que os veículos de comunicação arcam para produzir jornalismo. Esse é um dos principais avanços deste processo, pois irá efetivamente quantificar algo que a empresa nunca divulgou.</p>
<p>Por fim, o CADE exigirá que o Google divulgue todos os seus testes — e não apenas as conclusões “seletivas” que favorecem sua causa.</p></blockquote>
<p><span dir="auto">Organizações jornalísticas apoiaram a decisão do Cade. A Ajor (Associação de Jornalismo Digital) </span><a href="http://ajor.org.br/cade-takes-the-right-step-in-investigating-ais-impact-on-journalism/"><span dir="auto">emitiu um comunicado </span></a><span dir="auto">classificando-a como “um passo correto na investigação do impacto da IA ​​no jornalismo”.</span></p>
<blockquote><p>A balanced relationship between digital platforms and journalism organizations is fundamental to the flourishing of journalism committed to the public interest. By ensuring a fair competitive environment, Cade directly advances that goal. The decision also underscores the urgency of developing remuneration models that recognize journalism’s social function in combating disinformation and that address the appropriation, by digital platforms, of the content and economic value generated by this work.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>O equilíbrio nas relações entre plataformas digitais e organizações de jornalismo é fundamental para que floresça um jornalismo comprometido com o interesse público. Ao assegurar um ambiente de concorrência justa, o Cade contribui diretamente para esse objetivo. A decisão também reforça a urgência de avançar em modelos de remuneração que reconheçam a função social do jornalismo no combate à desinformação e enfrentem a apropriação, por plataformas digitais, do conteúdo e do valor econômico gerado por esse trabalho.</p></blockquote>
<p><span dir="auto">Marcelo Rech, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), </span><a href="https://www.portaldosjornalistas.com.br/entidades-jornalisticas-apoiam-decisao-do-cade-para-investigar-google/"><span dir="auto">considerou</span></a><span dir="auto"> a decisão um marco histórico, afirmando:</span></p>
<blockquote><p>Com o resultado do julgamento, o Cade demonstra que está na linha de frente de uma preocupação que não se limita a uma mera questão econômica. O tema de fundo é a sustentabilidade da informação de qualidade, do jornalismo que atende, sem substitutos, as comunidades locais e a pluralidade de visões, o que é fundamental em sociedades democráticas.</p></blockquote>
<p><span dir="auto">Em resposta a uma declaração </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/23/cade-reabre-investigacao-contra-google-por-uso-de-conteudo-produzido-por-ia.ghtml"><span dir="auto">publicada pelo G1</span></a><span dir="auto">, um dos principais veículos de notícias digitais do Brasil, o Google afirmou que a decisão “refletiu uma compreensão equivocada sobre o funcionamento de seus produtos e o valor que eles agregam aos editores de notícias”:</span></p>
<blockquote><p>Em um mundo onde as preferências dos usuários estão evoluindo, o AI Overviews foi projetado para mostrar links para uma ampla variedade de resultados, criando novas oportunidades para que sites relevantes e conteúdos diversos sejam descobertos. Temos um compromisso com a web aberta e continuamos enviando bilhões de cliques para websites diariamente. Seguiremos dialogando com o CADE para esclarecer quaisquer dúvidas sobre o nosso produto</p></blockquote>
<p><span dir="auto">Em </span><span dir="auto">2025, o conselheiro Gustavo Augusto Freitas de Lima, relator do caso,  </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/cade-relator-recomenda-arquivar-caso-do-google-julgamento-e-suspenso-apos-pedido-de-vista/#goog_rewarded" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">recomendou o arquivamento da investigação</span></a><span dir="auto">. Ele argumentou que a busca também poderia servir como “publicidade gratuita” para empresas de mídia e que o Cade não tinha autoridade para definir a remuneração dessas empresas, já que sua função era analisar práticas anticoncorrenciais. Lima também questionou como proibir o Google de indexar notícias poderia contribuir para a disseminação de desinformação e notícias falsas, e como isso funcionaria em conjunto com outras plataformas como Facebook e WhatsApp.</span></p>
<p><span dir="auto">Desde então, Lima </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/23/cade-reabre-investigacao-contra-google-por-uso-de-conteudo-produzido-por-ia.ghtml"><span dir="auto">ajustou sua posição para se alinhar à visão de Thomson</span></a><span dir="auto">, considerando o papel da IA ​​no contexto atual.</span></p>
<p>O G1 <a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/23/cade-reabre-investigacao-contra-google-por-uso-de-conteudo-produzido-por-ia.ghtml">relata</a> que o processo agora investigará a conduta da Google e seus efeitos sobre a indústria jornalística. Isso pode levar a sanções administrativas por infração econômica. O Cade ainda não divulgou o prazo para a conclusão da investigação.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/gv-brasil/' class='user-link'>Global Voices Brazil</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/fernando-binda-baumgarten/' class='user-link'>Fernando Baumgarten</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/05/11/brazil-opens-investigation-on-google-over-its-ais-impact-on-the-journalism-industry/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Sobre nós</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/05/15/sobre-nos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mariana Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 14:38:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Informes]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
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					<description><![CDATA[A Rising Voices visa a expandir os benefícios e o alcance da mídia cidadã, conectando ativistas digitais do mundo todo e apoiando suas melhores ideias.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-medium wp-image-source-19586" src="https://rising.globalvoices.org/files/2022/01/rvABOUT-400x321.png" alt="" width="400" height="321" /><b>Rising Voices é uma iniciativa de divulgação da Global Voices que tem como objetivo trazer à conversação global vozes de comunidades novas e de falantes de línguas indígenas ou em extinção, oferecendo treinamentos, recursos, microfinanciamentos e mentorias a comunidades locais sub-representadas que desejam contar sua própria história digital usando ferramentas de mídia participativas.</b></p>
<p>A Global Voices foi fundada em 2004 por um grupo de blogueiros internacionais pioneiros que começaram a agregar, selecionar e amplificar a conversação global on-line – dando visibilidade a pessoas e lugares ignorados por outros meios de comunicação. Entretanto, ao longo dos anos, ficou claro que algumas regiões, línguas e demografias eram melhor representadas do que outras na conversação global on-line. <span style="font-size: 1.25rem;">A Rising Voices teve início em 2007, graças ao apoio da fundação </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="http://www.knightfoundation.org/grants/20060899/" target="_blank" rel="noopener">Knight News Challenge Award</a><span style="font-size: 1.25rem;">, com o intuito de mitigar essa lacuna na participação.</span></p>
<p>Embora as pessoas ao redor do mundo estejam mais conectadas à internet do que nunca, ainda há necessidade de apoiar essas comunidades para que se beneficiem das ferramentas e redes disponíveis. A Rising Voices oferece apoio por meio de:</p>
<ul>
<li>microfinanciamentos e mentoria</li>
<li>expansão de network com foco no ativismo digital de línguas indígenas</li>
<li>divulgação de recursos midiáticos voltados à cidadania</li>
<li>projetos de treinamento específicos para comunidades marginalizadas e sub-representadas</li>
</ul>
<p>Com uma conexão direta com a comunidade Global Voices, também buscamos amplificar essas novas vozes por meio da nossa extensa rede, para que possam atingir públicos locais e globais.</p>
<h3><span id="Team">Equipe</span></h3>
<div class='gv-promo-card-container'><article class='gv-promo-card-compact gv-promo-card gv-user-promo-card'><div class='gv-promo-card-image'><a href='https://rising.globalvoices.org/blog/author/eduardoavila/'><img  loading="lazy" decoding="async" class='featured-image ' alt='' src='https://secure.gravatar.com/avatar/803969a8b031bd2062f21d19b65c935e?s=600&amp;d=https%3A%2F%2Fsecure.gravatar.com%2Favatar%2F8e260ee2e3f5cc5dc3afb6050463ead3%3Fs%3D600&amp;r=G' /></a></div><div class='gv-promo-card-text'><h3 class='post-title user-display-name'><a href='https://rising.globalvoices.org/blog/author/eduardoavila/' class='user-link'>Eddie Avila</a></h3><div class='user-info'><span class='user-title'>Rising Voices Director</span></div></div></article></div>
<p><strong>Divulgação:</strong></p>
<ul>
<li>Marco Martínez</li>
<li>Subhashish Panigrahi</li>
</ul>
<p><strong>Campanhas:</strong></p>
<ul>
<li>Yanne C</li>
</ul>
<p><strong>Mentores da comunidade:</strong></p>
<ul>
<li>Lorenzo Itza</li>
<li>Sasil Sánchez</li>
<li>Cecilia Tuyuc</li>
<li>Leonardi Fernández</li>
<li>Neima Paz</li>
</ul>
<p><strong>Editorial e comunicações:</strong></p>
<ul>
<li>Ameya Nagarajan</li>
<li>María Alvarez Malvido</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><span id="Team">Projetos</span></h3>
<div class='gv-promo-card-container'><article class='gv-promo-card-compact gv-promo-card gv-user-promo-card'><div class='gv-promo-card-image'><a href='https://rising.globalvoices.org/blog/author/belenfebrescordero/'><img  loading="lazy" decoding="async" class='featured-image ' alt='' src='https://secure.gravatar.com/avatar/9a365986c075b26af3402c859252c4f7?s=600&amp;d=https%3A%2F%2Fsecure.gravatar.com%2Favatar%2F8e260ee2e3f5cc5dc3afb6050463ead3%3Fs%3D600&amp;r=G' /></a></div><div class='gv-promo-card-text'><h3 class='post-title user-display-name'><a href='https://rising.globalvoices.org/blog/author/belenfebrescordero/' class='user-link'>Belen Febres-Cordero</a></h3><div class='user-info'><span class='user-title'>Curriculum Developer</span></div></div></article></div>
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<p>A Rising Voices teve início em 2007 pelo diretor fundador <a href="https://rising.globalvoicesonline.org/blog/author/admin/">David Sasaki</a>.</p>
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		<title>Uma nova rede pretende dar apoio e proteção digital a comunicadoras negras na América Latina</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/05/12/uma-nova-rede-pretende-dar-apoio-e-protecao-digital-a-comunicadoras-negras-na-america-latina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rede JP]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 19:40:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Ativismo Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Etnia e Raça]]></category>
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		<category><![CDATA[Mídia e Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres e Gênero]]></category>
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					<description><![CDATA["O espaço digital não é neutro, tem poder, tem cor, gênero e recorte de impacto numa sociedade. Promover essas redes é construir e preservar os direitos humanos também”, diz jornalista]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Iniciativa online quer reunir perfis de mulheres negras para colaboração, cursos e acolhimento social</em></big></p><div id="attachment_122477" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122477" class="wp-image-122477 size-large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/redejp-800x600.webp" alt="Sete mulheres negras aparecem de mãos dadas numa sala, com um telão no fundo e atrás de uma mesa. Aparecem cada uma com um estilo de vestimenta e todas de penteados distintos, com tranças, turbantes, uma de cabelo preso e outras de cabelo solto de distintos comprimentos: de curto a longo. Todas sorriem para a câmera a acenam aos espectadores." width="800" height="600" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/redejp-800x600.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/redejp-400x300.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/redejp.webp 1024w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-122477" class="wp-caption-text">Representantes da Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (REPCONE) no evento &#8220;Resistir É Comunicar&#8221;, na Universidade de Brasília. Da esquerda para a direita: Marcelle Chagas, Juliana Cezar Nunes, Nathália Purificação, Jacira Silva, Waleska Barbosa, Dione Souza e Adriane Caitano. Foto: Artur Ribeiro/Usada com permissão</p></div>
<div class="yj6qo"><em style="font-size: 1.25rem;">Este artigo é escrito por Kelvyn Araujo, da <a href="https://redejpcomunicacao.org/">Rede de Jornalistas Pretos Pela Diversidade na Comunicação</a>, e publicado aqui em acordo de parceria com Global Voices.</em></div>
<div class="yj6qo"><span style="font-size: 1.25rem; color: #ff0000;"> </span></div>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Os principais alvos da violência política online, no Brasil, são mulheres negras, pessoas LGBTQIA+, periféricas, defensores de direitos humanos, ocupando cargos políticos e ativistas. </span><span style="font-size: 1.25rem;">Isso é o que aponta uma </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-08/violencia-digital-contra-mulheres-atinge-niveis-alarmantes">pesquisa realizada pelo Instituto Marielle Franco</a><span style="font-size: 1.25rem;">, divulgada em agosto de 2025. A organização leva o nome da </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://globalvoices.org/2024/11/06/brazil-what-is-next-after-the-conviction-of-marielle-francos-killers/">vereadora assassinada</a><span style="font-size: 1.25rem;"> no Rio de Janeiro em 2018 — uma </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://ponte.org/onde-tiver-uma-mulher-preta-e-lesbica-tem-um-pedacinho-de-marielle-franco-diz-ativista/">mulher negra, bissexual</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e atuante no cenário político.</span></p>
<p>Em meio à polarização crescente no país e pensando nos reflexos do machismo e racismo também nos veículos de comunicação, a <a href="https://redejpcomunicacao.org/">Rede Jornalistas Pretos pela Diversidade na Comunicação (Rede JP)</a> lançou a <a href="https://redejpcomunicacao.org/repcone/">Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (Repcone)</a>, uma iniciativa online que reúne perfis de mulheres negras para colaboração, cursos e acolhimento social.</p>
<p>O projeto tem apoio de organizações como o<a href="https://institutoazmina.org.br/"> Instituto AzMina</a>, <a href="https://institutoelas.com.br/">Instituto Elas,</a> a <a href="https://ananadv.com.br/">Associação Nacional de Advocacia Negra (Anan)</a>, <a href="https://sankofapsicologia.com/?srsltid=AfmBOor3EnSjQPtPeiFppbJhGmWlbbOQCqAVBuCgfUOGqrk2Q5WZC2i3">Instituto Sankofa de Psicologia e Educação</a>, além da <a href="https://www.mozillafoundation.org/pt-BR/">Mozilla Foundation</a>, e conta com mais de 50 participantes do Brasil, da Argentina e do Peru, entre profissionais de jornalismo, educação e direitos humanos.</p>
<p>Formada em setembro de 2025, a Repcone inclui atividades como um curso voltado à segurança digital e social, redirecionamento de assistência jurídica para casos que envolvem comunicadoras negras, atendimento psicossocial e articulação de atividades e ações no Brasil e no exterior. O trabalho do curso culminou ainda em um e-book: a Cartilha de Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras, que <a href="https://redejpcomunicacao.org/cartilha-de-protecao-digital-a-comunicadoras-negras/">pode ser baixada gratuitamente na página da rede.</a></p>
<p>“Trabalho com jornalistas latinas e posso afirmar que os ataques massivos via redes sociais, após publicar matérias sobre questões raciais ou de gênero, também ocorrem fora do país, na Colômbia, no Peru. São diversos os relatos. Esta é uma realidade coordenada e que tem atingido mulheres em diversas partes do mundo”, diz Denise Mota, coordenadora de projetos da Rede JP na América Latina e da <a href="https://redejpcomunicacao.org/rede-de-periodistas-afrolatinos/">Red de Periodistas Afrolatinos</a>.</p>
<p>Para Sofía Carrillo, jornalista e ativista no Peru, “a construção destes espaços reúne uma posição profundamente política.” “O espaço digital não é neutro, tem poder, tem cor, gênero e recorte de impacto numa sociedade. Promover essas redes é construir e preservar os direitos humanos também”, avalia ela.</p>
<p>No Brasil, onde <a href="https://www.gov.br/igualdaderacial/pt-br/composicao/secretaria-de-gestao-do-sistema-nacional-de-promocao-da-igualdade-racial/diretoria-de-avaliacao-monitoramento-e-gestao-da-informacao/hub-igualdade-racial/populacao#:~:text=A%20popula%C3%A7%C3%A3o%20negra%20%C3%A9%20considerada,IBGE%20de%20Recupera%C3%A7%C3%A3o%20Autom%C3%A1tica%20%2D%20SIDRA.">56% da população</a> se reconhece como preta ou parda (as identificações do Censo que somadas <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/diversidade/noticia/2025/06/04/negro-pardo-ou-preto-quando-usar-cada-termo-entenda-a-definicao-e-os-debates.ghtml">formam a população negra do país</a>), <a href="https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/minoria-negra-no-jornalismo-brasileiro-expoe-racismo-como-heranca-preservada/">apenas 20% dos jornalistas</a> em redações se autoidentificam assim, de acordo com <a href="https://www.poder360.com.br/brasil/so-20-dos-jornalistas-sao-negros-nas-redacoes-brasileiras/">a pesquisa Perfil Racial da Imprensa Brasileira</a> de 2021. O número é três vezes menor do que o de profissionais autodeclarados brancos. Mais da metade das mulheres ouvidas no levantamento (52,3%) disseram ter sido vítimas de misoginia e racismo alguma vez.</p>
<h3>Abrindo espaços</h3>
<p>Luciana Barreto, jornalista e apresentadora da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/TV_Brasil">TV Brasil</a>, autora do livro <a href="https://pallaseditora.com.br/produto/discursos-de-odio-contra-negros-nas-redes-sociais/?srsltid=AfmBOoq4fGBct5EJBgnTbrDeBxXitbzAfp1ulpqqFUNSc0JuZ7NHjNx5">“Discursos de ódio contra negros nas redes sociais” (Pallas, 2023)</a>, defende que a construção de espaços voltados à comunicação e às mulheres negras no ambiente digital requer um entendimento amplo, tanto por parte de profissionais quanto da sociedade.</p>
<p>No início de 2025, ela se tornou alvo de ataques racistas após criticar uma fala de Alejandro Domínguez, presidente da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Confedera%C3%A7%C3%A3o_Sul-Americana_de_Futebol">Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol)</a>. Enquanto clubes brasileiros <a href="https://www.espn.com.br/futebol/palmeiras/artigo/_/id/14882510/caso-racismo-luighi-palmeiras-clubes-brasileiros-se-manifestam-cbf-cobrara-punicao">cobravam medidas</a> mais rigorosas da confederação após um <a href="https://ge.globo.com/futebol/times/palmeiras/noticia/2025/03/07/quem-e-luighi-vitima-de-ato-racista-ja-fez-gol-no-maracana-e-e-amuleto-de-abel-no-palmeiras.ghtml">episódio de racismo</a> contra um jogador de futebol brasileiro, de 18 anos, e aventavam a possibilidade de não participar de competições oficiais, Domínguez <a href="https://ge.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/2025/03/18/presidente-da-conmebol-faz-analogia-com-macaco-libertadores-sem-brasileiros-seria-como-tarzan-sem-a-chita.ghtml">respondeu</a> que a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Copa_Libertadores_da_Am%C3%A9rica">Copa Libertadores da América</a> sem brasileiros seria como “Tarzan sem a Chita”. Uma referência ao <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Tarzan">personagem que é um homem branco e vive entre macacos</a>.</p>
<p>Como jornalista negra, Barreto falou sobre sua experiência e como se sentiu ao perceber a fragilidade dela e de outras mulheres no contexto de ataques no ambiente digital, <a href="https://www.youtube.com/live/UCLv2XrK81I?si=4Lnxn4vlHvGqAYPQ">em uma transmissão online de lançamento da Repcone:</a></p>
<blockquote><p>Eu vivia todos os dias cercada disso, o que inspirou o livro. No jornal, não só eu era alvo, mas jornalistas amigas minhas, artistas ou mulheres em posição de poder, estavam sofrendo ataques coordenados de ódio. Antes de construir esses espaços de fortalecimento junto a vocês, como um todo, importantíssimos, e de fazer o livro, é necessário uma compreensão do espaço que estamos: eu queria entender qual era o objetivo do hater e o que que a gente podia fazer para dar apoio a estas mulheres. Vi pessoas muito fortes ficarem frágeis diante de ataques. Temos essa imagem de referência, de fortaleza, mas a que custo? Essas mulheres também estão fragilizadas.</p></blockquote>
<h3>Acolhimento e reconhecimento</h3>
<div style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://temperaturakelvyn.wordpress.com/wp-content/uploads/2025/09/copia-de-copia-de-design-sem-nome_20250903_185634_0000.png?w=1024" alt="Captura de tela do evento de lançamento da REPCONE, que contou com especialistas e comunicadoras convidadas. (De Cima-Baixo, Esquerda-Direita): Kátia Brasil (jornalista, Amazônia Real), Luciana Barreto, Eliane Almeida (jornalista, Rede Jornalistas Pretos), Wesley Santana (advogado, Associação Nacional de Advocacia Negra), Marcelle Chagas, Sofía Carrillo, Angela Chukunzira e Denise Mota." width="1024" height="1024" /><p class="wp-caption-text">Captura de tela do evento de lançamento da REPCONE, que contou com especialistas e comunicadoras convidadas. (De Cima-Baixo, Esquerda-Direita): Kátia Brasil (Amazônia Real), Luciana Barreto, Eliane Almeida (Rede Jornalistas Pretos), Wesley Santana (Associação Nacional de Advocacia Negra), Marcelle Chagas, Sofía Carrillo, Angela Chukunzira e Denise Mota. Imagem: Rede JP/Usada com permissão</p></div>
<p>Para <a href="https://platform.coop/people/angela-chukunzira/">Angela Chukunzira</a>, pesquisadora, socióloga e ativista do Quênia, bolsista de tecnologia e sociedade na Mozilla Foundation, espaços como a Repcone ainda são “incipientes” e precisam de incentivo. Ela avalia:</p>
<blockquote><p>Precisamos criar redes comunitárias, para garantir que essas mulheres [alvo de ataques] estejam trabalhando em colaboração para levantar essas questões [segurança digital]. Trabalho com isso e sei o quanto essas questões ganham um nível de complexidade muito maior quando envolvem racismo e colonialismo. A verdade é que o isolamento alimenta a nossa vulnerabilidade. Por isso, redes de apoio são importantes.</p></blockquote>
<p>A importância do programa se mostrou ainda em dados coletados por meio de relatos de 40 participantes da rede: 71% relataram sofrer, ter sofrido ou testemunhado diretamente ataques nas redes de racismo e misoginia; 76,47% nunca haviam integrado um programa similar antes, enquanto 83% tinham nenhum ou baixo conhecimento sobre ativismo em rede na comunicação digital afrofeminina.</p>
<p>Sofia Carrillo diz que o acolhimento ajuda a criar espaços de identificação e pertencimento entre essas mulheres. “É extremamente benéfico construir esse legado<del> </del>de percepção, termos a capacidade de lembrar de espaços coletivos afro-femininos, que ainda são poucos na comunicação.”</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/rede-jp/' class='user-link'>Rede JP</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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