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	<title>Global Voices em Português</title>
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	<description>O Global Voices agrega, organiza e amplifica a conversação global na rede - jogando luz nos lugares e pessoas que o resto da mídia geralmente ignora.</description>
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		<title>Brasil abre investigação sobre o impacto de inteligência artificial do Google no setor jornalístico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Baumgarten]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2026 13:19:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[O conselheiro Diogo Thomson considerou que a introdução da IA generativa “alterou significativamente a dinâmica do acesso, da visibilidade e da monetização do conteúdo jornalístico no ambiente digital”.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Órgão governamental investiga ferramenta de IA que utiliza conteúdo jornalístico sem compensação para empresas de mídia</em></big></p><div id="attachment_852155" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-852155" class="size-full wp-image-source-852155" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/Untitled-design-2.webp" alt="A computer screen open on Google and a background of newspaper pages" width="800" height="600" /><p id="caption-attachment-852155" class="wp-caption-text"><span dir="auto">Imagem criada com elementos do Canva pela Global Voices usada sob permissão.</span></p></div>
<p><span dir="auto">O </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_Administrativo_de_Defesa_Econ%C3%B4mica"><span dir="auto">Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)</span></a><span dir="auto"> , vinculado ao Ministério da Justiça do Brasil, </span><a href="http://www.gov.br/cade/en/matters/news/cade2019s-tribunal-recommends-the-opening-of-an-investigation-into-google-regarding-the-use-of-journalistic-content"><span dir="auto">aprovou a abertura de processo administrativo</span></a><span dir="auto"> para investigar o uso da </span><a href="https://www.portaldosjornalistas.com.br/entidades-jornalisticas-apoiam-decisao-do-cade-para-investigar-google/"><span dir="auto">Inteligência Artificial (IA) generativa da Google</span></a><span dir="auto"> em conteúdo jornalístico para criar resumos automatizados de termos pesquisados ​​(</span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/AI_Overviews"><span dir="auto">AI Overviews</span></a><span dir="auto">), o que poderia afetar o tráfego orgânico de plataformas jornalísticas, sua monetização e engajamento.</span></p>
<p><span dir="auto">Este é o capítulo mais recente de um caso que </span><a href="https://www.gov.br/cade/en/matters/news/cade-deepens-investigation-on-google2019s-practices-and-welcomes-submission-of-contributions" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">começou em 2019</span></a><span dir="auto"> para “investigar o suposto uso ilegal de conteúdo de notícias de terceiros nas plataformas Google Search e Google News”. No ano passado, o conselho </span><a href="https://www.gov.br/cade/en/matters/news/cade-deepens-investigation-on-google2019s-practices-and-welcomes-submission-of-contributions" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">convidou atores da sociedade civil</span></a><span dir="auto">, como sindicatos, associações e ONGs, a apresentarem suas análises técnicas e factuais antes de prosseguir com a discussão.</span></p>
<p><span dir="auto">O Cade </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_Administrativo_de_Defesa_Econ%C3%B4mica"><span dir="auto">tem como objetivo</span></a><span dir="auto"> “orientar, monitorar, prevenir e investigar o abuso de poder econômico, atuando na prevenção e na repressão”. Na prática, ele funciona de maneira semelhante à </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Comiss%C3%A3o_Federal_do_Com%C3%A9rcio"><span dir="auto">Comissão Federal de Comércio (FTC)</span></a><span dir="auto"> dos Estados Unidos, como órgão regulador de concorrência.</span></p>
<p><span dir="auto">O presidente interino </span><span dir="auto">e conselheiro Diogo Thomson, que votou a favor da abertura de investigações, </span><a href="https://www.gov.br/cade/en/matters/news/cade2019s-tribunal-recommends-the-opening-of-an-investigation-into-google-regarding-the-use-of-journalistic-content" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">considerou</span></a><span dir="auto"> que a inserção de funções de IA generativa “alterou significativamente a dinâmica de acesso, visibilidade e monetização do conteúdo jornalístico no ambiente digital” nos</span><span dir="auto"> últimos anos. Nesse contexto, ele </span><span dir="auto">ponderou a possibilidade</span> <span dir="auto">de a relação entre o Google e as empresas jornalísticas “assumir características de dependência estrutural”, uma vez que os veículos de comunicação dependem cada vez mais dos mecanismos de busca para alcançar seu público.</span></p>
<p>Conforme relatado no <a href="https://www.gov.br/cade/en/matters/news/cade2019s-tribunal-recommends-the-opening-of-an-investigation-into-google-regarding-the-use-of-journalistic-content">próprio site do Cade</a>, Thomson também questionou se tal conduta “poderia constituir um possível abuso de posição dominante com fins de exploração, caracterizado pela extração e apropriação de valor econômico proveniente de conteúdo produzido por terceiros, sem remuneração proporcional, em um contexto de assimetria e ausência de medidas alternativas eficazes”.</p>
<p><span dir="auto">Outra comissária, </span><a href="https://cdn.cade.gov.br/Portal/assuntos/noticias/2026/Opinion_GAB5_GoogleNews_EN.pdf"><span dir="auto">Camila Cabral Pires Alves</span></a><span dir="auto"> , que também votou a favor da investigação, salientou que “o Google utiliza [o material] sem autorização prévia das empresas que produzem o conteúdo jornalístico”, </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/23/cade-reabre-investigacao-contra-google-por-uso-de-conteudo-produzido-por-ia.ghtml"><span dir="auto">segundo o portal de notícias online G1</span></a><span dir="auto">.</span></p>
<p><span dir="auto">O site </span><a href="https://nucleo.jor.br/english/2026-04-23-google-faces-accountability-over-ai-use-of-journalism-in-brazil/"><span dir="auto">Núcleo explicou</span></a><span dir="auto"> o que a investigação deve examinar daqui para frente:</span></p>
<blockquote><p>One of the measures in the administrative proceedings will be distinguishing between the traditional excerpts shown by Google (known as snippets) and the AI Overviews summaries. Another point to be examined is the zero-click issue, when users simply read a summary and do not click on reference links, cutting off traffic referrals to news outlets — something critically important for journalism.</p>
<p>Perhaps even more pointed will be the attempt to estimate the value Google retains from digital advertising compared to the editorial costs news outlets bear to produce journalism. That is one of the key breakthroughs of this proceeding, it will effectively put numbers on something the company has never disclosed.</p>
<p>Lastly, CADE will require Google to disclose all of its tests — not just the <span dir="auto">“</span>selective” conclusions that favor its case.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><span dir="auto">Uma das medidas nos processos administrativos será a distinção entre os trechos tradicionais exibidos pelo Google (conhecidos como <em>snippets</em>) e os resumos do AI Overviews. Outro ponto a ser examinado é a questão do “zero clique”, quando os usuários simplesmente leem um resumo e não clicam nos links de referência, interrompendo o tráfego para os veículos de notícias — algo crucial para o jornalismo.</span></p>
<p>Talvez ainda mais relevante seja a tentativa de estimar o valor que o Google retém com a publicidade digital, em comparação com os custos editoriais que os veículos de comunicação arcam para produzir jornalismo. Esse é um dos principais avanços deste processo, pois irá efetivamente quantificar algo que a empresa nunca divulgou.</p>
<p>Por fim, o CADE exigirá que o Google divulgue todos os seus testes — e não apenas as conclusões “seletivas” que favorecem sua causa.</p></blockquote>
<p><span dir="auto">Organizações jornalísticas apoiaram a decisão do Cade. A Ajor (Associação de Jornalismo Digital) </span><a href="http://ajor.org.br/cade-takes-the-right-step-in-investigating-ais-impact-on-journalism/"><span dir="auto">emitiu um comunicado </span></a><span dir="auto">classificando-a como “um passo correto na investigação do impacto da IA ​​no jornalismo”.</span></p>
<blockquote><p>A balanced relationship between digital platforms and journalism organizations is fundamental to the flourishing of journalism committed to the public interest. By ensuring a fair competitive environment, Cade directly advances that goal. The decision also underscores the urgency of developing remuneration models that recognize journalism’s social function in combating disinformation and that address the appropriation, by digital platforms, of the content and economic value generated by this work.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>O equilíbrio nas relações entre plataformas digitais e organizações de jornalismo é fundamental para que floresça um jornalismo comprometido com o interesse público. Ao assegurar um ambiente de concorrência justa, o Cade contribui diretamente para esse objetivo. A decisão também reforça a urgência de avançar em modelos de remuneração que reconheçam a função social do jornalismo no combate à desinformação e enfrentem a apropriação, por plataformas digitais, do conteúdo e do valor econômico gerado por esse trabalho.</p></blockquote>
<p><span dir="auto">Marcelo Rech, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), </span><a href="https://www.portaldosjornalistas.com.br/entidades-jornalisticas-apoiam-decisao-do-cade-para-investigar-google/"><span dir="auto">considerou</span></a><span dir="auto"> a decisão um marco histórico, afirmando:</span></p>
<blockquote><p>Com o resultado do julgamento, o Cade demonstra que está na linha de frente de uma preocupação que não se limita a uma mera questão econômica. O tema de fundo é a sustentabilidade da informação de qualidade, do jornalismo que atende, sem substitutos, as comunidades locais e a pluralidade de visões, o que é fundamental em sociedades democráticas.</p></blockquote>
<p><span dir="auto">Em resposta a uma declaração </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/23/cade-reabre-investigacao-contra-google-por-uso-de-conteudo-produzido-por-ia.ghtml"><span dir="auto">publicada pelo G1</span></a><span dir="auto">, um dos principais veículos de notícias digitais do Brasil, o Google afirmou que a decisão “refletiu uma compreensão equivocada sobre o funcionamento de seus produtos e o valor que eles agregam aos editores de notícias”:</span></p>
<blockquote><p>Em um mundo onde as preferências dos usuários estão evoluindo, o AI Overviews foi projetado para mostrar links para uma ampla variedade de resultados, criando novas oportunidades para que sites relevantes e conteúdos diversos sejam descobertos. Temos um compromisso com a web aberta e continuamos enviando bilhões de cliques para websites diariamente. Seguiremos dialogando com o CADE para esclarecer quaisquer dúvidas sobre o nosso produto</p></blockquote>
<p><span dir="auto">Em </span><span dir="auto">2025, o conselheiro Gustavo Augusto Freitas de Lima, relator do caso,  </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/cade-relator-recomenda-arquivar-caso-do-google-julgamento-e-suspenso-apos-pedido-de-vista/#goog_rewarded" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">recomendou o arquivamento da investigação</span></a><span dir="auto">. Ele argumentou que a busca também poderia servir como “publicidade gratuita” para empresas de mídia e que o Cade não tinha autoridade para definir a remuneração dessas empresas, já que sua função era analisar práticas anticoncorrenciais. Lima também questionou como proibir o Google de indexar notícias poderia contribuir para a disseminação de desinformação e notícias falsas, e como isso funcionaria em conjunto com outras plataformas como Facebook e WhatsApp.</span></p>
<p><span dir="auto">Desde então, Lima </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/23/cade-reabre-investigacao-contra-google-por-uso-de-conteudo-produzido-por-ia.ghtml"><span dir="auto">ajustou sua posição para se alinhar à visão de Thomson</span></a><span dir="auto">, considerando o papel da IA ​​no contexto atual.</span></p>
<p>O G1 <a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/23/cade-reabre-investigacao-contra-google-por-uso-de-conteudo-produzido-por-ia.ghtml">relata</a> que o processo agora investigará a conduta da Google e seus efeitos sobre a indústria jornalística. Isso pode levar a sanções administrativas por infração econômica. O Cade ainda não divulgou o prazo para a conclusão da investigação.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/gv-brasil/' class='user-link'>Global Voices Brazil</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/fernando-binda-baumgarten/' class='user-link'>Fernando Baumgarten</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/05/11/brazil-opens-investigation-on-google-over-its-ais-impact-on-the-journalism-industry/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Sobre nós</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/05/15/sobre-nos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mariana Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 14:38:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Informes]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
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					<description><![CDATA[A Rising Voices visa a expandir os benefícios e o alcance da mídia cidadã, conectando ativistas digitais do mundo todo e apoiando suas melhores ideias.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" class="alignright size-medium wp-image-source-19586" src="https://rising.globalvoices.org/files/2022/01/rvABOUT-400x321.png" alt="" width="400" height="321" /><b>Rising Voices é uma iniciativa de divulgação da Global Voices que tem como objetivo trazer à conversação global vozes de comunidades novas e de falantes de línguas indígenas ou em extinção, oferecendo treinamentos, recursos, microfinanciamentos e mentorias a comunidades locais sub-representadas que desejam contar sua própria história digital usando ferramentas de mídia participativas.</b></p>
<p>A Global Voices foi fundada em 2004 por um grupo de blogueiros internacionais pioneiros que começaram a agregar, selecionar e amplificar a conversação global on-line – dando visibilidade a pessoas e lugares ignorados por outros meios de comunicação. Entretanto, ao longo dos anos, ficou claro que algumas regiões, línguas e demografias eram melhor representadas do que outras na conversação global on-line. <span style="font-size: 1.25rem;">A Rising Voices teve início em 2007, graças ao apoio da fundação </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="http://www.knightfoundation.org/grants/20060899/" target="_blank" rel="noopener">Knight News Challenge Award</a><span style="font-size: 1.25rem;">, com o intuito de mitigar essa lacuna na participação.</span></p>
<p>Embora as pessoas ao redor do mundo estejam mais conectadas à internet do que nunca, ainda há necessidade de apoiar essas comunidades para que se beneficiem das ferramentas e redes disponíveis. A Rising Voices oferece apoio por meio de:</p>
<ul>
<li>microfinanciamentos e mentoria</li>
<li>expansão de network com foco no ativismo digital de línguas indígenas</li>
<li>divulgação de recursos midiáticos voltados à cidadania</li>
<li>projetos de treinamento específicos para comunidades marginalizadas e sub-representadas</li>
</ul>
<p>Com uma conexão direta com a comunidade Global Voices, também buscamos amplificar essas novas vozes por meio da nossa extensa rede, para que possam atingir públicos locais e globais.</p>
<h3><span id="Team">Equipe</span></h3>
<div class='gv-promo-card-container'><article class='gv-promo-card-compact gv-promo-card gv-user-promo-card'><div class='gv-promo-card-image'><a href='https://rising.globalvoices.org/blog/author/eduardoavila/'><img   decoding="async" class='featured-image ' alt='' src='https://secure.gravatar.com/avatar/803969a8b031bd2062f21d19b65c935e?s=600&amp;d=https%3A%2F%2Fsecure.gravatar.com%2Favatar%2F8e260ee2e3f5cc5dc3afb6050463ead3%3Fs%3D600&amp;r=G' /></a></div><div class='gv-promo-card-text'><h3 class='post-title user-display-name'><a href='https://rising.globalvoices.org/blog/author/eduardoavila/' class='user-link'>Eddie Avila</a></h3><div class='user-info'><span class='user-title'>Rising Voices Director</span></div></div></article></div>
<p><strong>Divulgação:</strong></p>
<ul>
<li>Marco Martínez</li>
<li>Subhashish Panigrahi</li>
</ul>
<p><strong>Campanhas:</strong></p>
<ul>
<li>Yanne C</li>
</ul>
<p><strong>Mentores da comunidade:</strong></p>
<ul>
<li>Lorenzo Itza</li>
<li>Sasil Sánchez</li>
<li>Cecilia Tuyuc</li>
<li>Leonardi Fernández</li>
<li>Neima Paz</li>
</ul>
<p><strong>Editorial e comunicações:</strong></p>
<ul>
<li>Ameya Nagarajan</li>
<li>María Alvarez Malvido</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><span id="Team">Projetos</span></h3>
<div class='gv-promo-card-container'><article class='gv-promo-card-compact gv-promo-card gv-user-promo-card'><div class='gv-promo-card-image'><a href='https://rising.globalvoices.org/blog/author/belenfebrescordero/'><img   decoding="async" class='featured-image ' alt='' src='https://secure.gravatar.com/avatar/9a365986c075b26af3402c859252c4f7?s=600&amp;d=https%3A%2F%2Fsecure.gravatar.com%2Favatar%2F8e260ee2e3f5cc5dc3afb6050463ead3%3Fs%3D600&amp;r=G' /></a></div><div class='gv-promo-card-text'><h3 class='post-title user-display-name'><a href='https://rising.globalvoices.org/blog/author/belenfebrescordero/' class='user-link'>Belen Febres-Cordero</a></h3><div class='user-info'><span class='user-title'>Curriculum Developer</span></div></div></article></div>
<h3>Colaboradores Antigos</h3>
<p>A Rising Voices teve início em 2007 pelo diretor fundador <a href="https://rising.globalvoicesonline.org/blog/author/admin/">David Sasaki</a>.</p>
<h3><strong>Junte-se à Comunidade</strong></h3>
<p>Caso queira mais informações sobre os nossos projetos, por favor, <a href="https://rising.globalvoicesonline.org/contact/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">entre em contato</a>.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://rising.globalvoices.org/blog/author/admin/' class='user-link'>David Sasaki</a>, <a href='https://rising.globalvoices.org/blog/author/eduardoavila/' class='user-link'>Eddie Avila</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/mariana-lopes/' class='user-link'>Mariana Lopes</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://rising.globalvoices.org/about/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Uma nova rede pretende dar apoio e proteção digital a comunicadoras negras na América Latina</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/05/12/uma-nova-rede-pretende-dar-apoio-e-protecao-digital-a-comunicadoras-negras-na-america-latina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rede JP]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 19:40:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Ativismo Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Etnia e Raça]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia e Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres e Gênero]]></category>
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					<description><![CDATA["O espaço digital não é neutro, tem poder, tem cor, gênero e recorte de impacto numa sociedade. Promover essas redes é construir e preservar os direitos humanos também”, diz jornalista]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Iniciativa online quer reunir perfis de mulheres negras para colaboração, cursos e acolhimento social</em></big></p><div id="attachment_122477" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122477" class="wp-image-122477 size-large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/redejp-800x600.webp" alt="Sete mulheres negras aparecem de mãos dadas numa sala, com um telão no fundo e atrás de uma mesa. Aparecem cada uma com um estilo de vestimenta e todas de penteados distintos, com tranças, turbantes, uma de cabelo preso e outras de cabelo solto de distintos comprimentos: de curto a longo. Todas sorriem para a câmera a acenam aos espectadores." width="800" height="600" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/redejp-800x600.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/redejp-400x300.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/redejp.webp 1024w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-122477" class="wp-caption-text">Representantes da Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (REPCONE) no evento &#8220;Resistir É Comunicar&#8221;, na Universidade de Brasília. Da esquerda para a direita: Marcelle Chagas, Juliana Cezar Nunes, Nathália Purificação, Jacira Silva, Waleska Barbosa, Dione Souza e Adriane Caitano. Foto: Artur Ribeiro/Usada com permissão</p></div>
<div class="yj6qo"><em style="font-size: 1.25rem;">Este artigo é escrito por Kelvyn Araujo, da <a href="https://redejpcomunicacao.org/">Rede de Jornalistas Pretos Pela Diversidade na Comunicação</a>, e publicado aqui em acordo de parceria com Global Voices.</em></div>
<div class="yj6qo"><span style="font-size: 1.25rem; color: #ff0000;"> </span></div>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Os principais alvos da violência política online, no Brasil, são mulheres negras, pessoas LGBTQIA+, periféricas, defensores de direitos humanos, ocupando cargos políticos e ativistas. </span><span style="font-size: 1.25rem;">Isso é o que aponta uma </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-08/violencia-digital-contra-mulheres-atinge-niveis-alarmantes">pesquisa realizada pelo Instituto Marielle Franco</a><span style="font-size: 1.25rem;">, divulgada em agosto de 2025. A organização leva o nome da </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://globalvoices.org/2024/11/06/brazil-what-is-next-after-the-conviction-of-marielle-francos-killers/">vereadora assassinada</a><span style="font-size: 1.25rem;"> no Rio de Janeiro em 2018 — uma </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://ponte.org/onde-tiver-uma-mulher-preta-e-lesbica-tem-um-pedacinho-de-marielle-franco-diz-ativista/">mulher negra, bissexual</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e atuante no cenário político.</span></p>
<p>Em meio à polarização crescente no país e pensando nos reflexos do machismo e racismo também nos veículos de comunicação, a <a href="https://redejpcomunicacao.org/">Rede Jornalistas Pretos pela Diversidade na Comunicação (Rede JP)</a> lançou a <a href="https://redejpcomunicacao.org/repcone/">Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (Repcone)</a>, uma iniciativa online que reúne perfis de mulheres negras para colaboração, cursos e acolhimento social.</p>
<p>O projeto tem apoio de organizações como o<a href="https://institutoazmina.org.br/"> Instituto AzMina</a>, <a href="https://institutoelas.com.br/">Instituto Elas,</a> a <a href="https://ananadv.com.br/">Associação Nacional de Advocacia Negra (Anan)</a>, <a href="https://sankofapsicologia.com/?srsltid=AfmBOor3EnSjQPtPeiFppbJhGmWlbbOQCqAVBuCgfUOGqrk2Q5WZC2i3">Instituto Sankofa de Psicologia e Educação</a>, além da <a href="https://www.mozillafoundation.org/pt-BR/">Mozilla Foundation</a>, e conta com mais de 50 participantes do Brasil, da Argentina e do Peru, entre profissionais de jornalismo, educação e direitos humanos.</p>
<p>Formada em setembro de 2025, a Repcone inclui atividades como um curso voltado à segurança digital e social, redirecionamento de assistência jurídica para casos que envolvem comunicadoras negras, atendimento psicossocial e articulação de atividades e ações no Brasil e no exterior. O trabalho do curso culminou ainda em um e-book: a Cartilha de Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras, que <a href="https://redejpcomunicacao.org/cartilha-de-protecao-digital-a-comunicadoras-negras/">pode ser baixada gratuitamente na página da rede.</a></p>
<p>“Trabalho com jornalistas latinas e posso afirmar que os ataques massivos via redes sociais, após publicar matérias sobre questões raciais ou de gênero, também ocorrem fora do país, na Colômbia, no Peru. São diversos os relatos. Esta é uma realidade coordenada e que tem atingido mulheres em diversas partes do mundo”, diz Denise Mota, coordenadora de projetos da Rede JP na América Latina e da <a href="https://redejpcomunicacao.org/rede-de-periodistas-afrolatinos/">Red de Periodistas Afrolatinos</a>.</p>
<p>Para Sofía Carrillo, jornalista e ativista no Peru, “a construção destes espaços reúne uma posição profundamente política.” “O espaço digital não é neutro, tem poder, tem cor, gênero e recorte de impacto numa sociedade. Promover essas redes é construir e preservar os direitos humanos também”, avalia ela.</p>
<p>No Brasil, onde <a href="https://www.gov.br/igualdaderacial/pt-br/composicao/secretaria-de-gestao-do-sistema-nacional-de-promocao-da-igualdade-racial/diretoria-de-avaliacao-monitoramento-e-gestao-da-informacao/hub-igualdade-racial/populacao#:~:text=A%20popula%C3%A7%C3%A3o%20negra%20%C3%A9%20considerada,IBGE%20de%20Recupera%C3%A7%C3%A3o%20Autom%C3%A1tica%20%2D%20SIDRA.">56% da população</a> se reconhece como preta ou parda (as identificações do Censo que somadas <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/diversidade/noticia/2025/06/04/negro-pardo-ou-preto-quando-usar-cada-termo-entenda-a-definicao-e-os-debates.ghtml">formam a população negra do país</a>), <a href="https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/minoria-negra-no-jornalismo-brasileiro-expoe-racismo-como-heranca-preservada/">apenas 20% dos jornalistas</a> em redações se autoidentificam assim, de acordo com <a href="https://www.poder360.com.br/brasil/so-20-dos-jornalistas-sao-negros-nas-redacoes-brasileiras/">a pesquisa Perfil Racial da Imprensa Brasileira</a> de 2021. O número é três vezes menor do que o de profissionais autodeclarados brancos. Mais da metade das mulheres ouvidas no levantamento (52,3%) disseram ter sido vítimas de misoginia e racismo alguma vez.</p>
<h3>Abrindo espaços</h3>
<p>Luciana Barreto, jornalista e apresentadora da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/TV_Brasil">TV Brasil</a>, autora do livro <a href="https://pallaseditora.com.br/produto/discursos-de-odio-contra-negros-nas-redes-sociais/?srsltid=AfmBOoq4fGBct5EJBgnTbrDeBxXitbzAfp1ulpqqFUNSc0JuZ7NHjNx5">“Discursos de ódio contra negros nas redes sociais” (Pallas, 2023)</a>, defende que a construção de espaços voltados à comunicação e às mulheres negras no ambiente digital requer um entendimento amplo, tanto por parte de profissionais quanto da sociedade.</p>
<p>No início de 2025, ela se tornou alvo de ataques racistas após criticar uma fala de Alejandro Domínguez, presidente da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Confedera%C3%A7%C3%A3o_Sul-Americana_de_Futebol">Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol)</a>. Enquanto clubes brasileiros <a href="https://www.espn.com.br/futebol/palmeiras/artigo/_/id/14882510/caso-racismo-luighi-palmeiras-clubes-brasileiros-se-manifestam-cbf-cobrara-punicao">cobravam medidas</a> mais rigorosas da confederação após um <a href="https://ge.globo.com/futebol/times/palmeiras/noticia/2025/03/07/quem-e-luighi-vitima-de-ato-racista-ja-fez-gol-no-maracana-e-e-amuleto-de-abel-no-palmeiras.ghtml">episódio de racismo</a> contra um jogador de futebol brasileiro, de 18 anos, e aventavam a possibilidade de não participar de competições oficiais, Domínguez <a href="https://ge.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/2025/03/18/presidente-da-conmebol-faz-analogia-com-macaco-libertadores-sem-brasileiros-seria-como-tarzan-sem-a-chita.ghtml">respondeu</a> que a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Copa_Libertadores_da_Am%C3%A9rica">Copa Libertadores da América</a> sem brasileiros seria como “Tarzan sem a Chita”. Uma referência ao <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Tarzan">personagem que é um homem branco e vive entre macacos</a>.</p>
<p>Como jornalista negra, Barreto falou sobre sua experiência e como se sentiu ao perceber a fragilidade dela e de outras mulheres no contexto de ataques no ambiente digital, <a href="https://www.youtube.com/live/UCLv2XrK81I?si=4Lnxn4vlHvGqAYPQ">em uma transmissão online de lançamento da Repcone:</a></p>
<blockquote><p>Eu vivia todos os dias cercada disso, o que inspirou o livro. No jornal, não só eu era alvo, mas jornalistas amigas minhas, artistas ou mulheres em posição de poder, estavam sofrendo ataques coordenados de ódio. Antes de construir esses espaços de fortalecimento junto a vocês, como um todo, importantíssimos, e de fazer o livro, é necessário uma compreensão do espaço que estamos: eu queria entender qual era o objetivo do hater e o que que a gente podia fazer para dar apoio a estas mulheres. Vi pessoas muito fortes ficarem frágeis diante de ataques. Temos essa imagem de referência, de fortaleza, mas a que custo? Essas mulheres também estão fragilizadas.</p></blockquote>
<h3>Acolhimento e reconhecimento</h3>
<div style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://temperaturakelvyn.wordpress.com/wp-content/uploads/2025/09/copia-de-copia-de-design-sem-nome_20250903_185634_0000.png?w=1024" alt="Captura de tela do evento de lançamento da REPCONE, que contou com especialistas e comunicadoras convidadas. (De Cima-Baixo, Esquerda-Direita): Kátia Brasil (jornalista, Amazônia Real), Luciana Barreto, Eliane Almeida (jornalista, Rede Jornalistas Pretos), Wesley Santana (advogado, Associação Nacional de Advocacia Negra), Marcelle Chagas, Sofía Carrillo, Angela Chukunzira e Denise Mota." width="1024" height="1024" /><p class="wp-caption-text">Captura de tela do evento de lançamento da REPCONE, que contou com especialistas e comunicadoras convidadas. (De Cima-Baixo, Esquerda-Direita): Kátia Brasil (Amazônia Real), Luciana Barreto, Eliane Almeida (Rede Jornalistas Pretos), Wesley Santana (Associação Nacional de Advocacia Negra), Marcelle Chagas, Sofía Carrillo, Angela Chukunzira e Denise Mota. Imagem: Rede JP/Usada com permissão</p></div>
<p>Para <a href="https://platform.coop/people/angela-chukunzira/">Angela Chukunzira</a>, pesquisadora, socióloga e ativista do Quênia, bolsista de tecnologia e sociedade na Mozilla Foundation, espaços como a Repcone ainda são “incipientes” e precisam de incentivo. Ela avalia:</p>
<blockquote><p>Precisamos criar redes comunitárias, para garantir que essas mulheres [alvo de ataques] estejam trabalhando em colaboração para levantar essas questões [segurança digital]. Trabalho com isso e sei o quanto essas questões ganham um nível de complexidade muito maior quando envolvem racismo e colonialismo. A verdade é que o isolamento alimenta a nossa vulnerabilidade. Por isso, redes de apoio são importantes.</p></blockquote>
<p>A importância do programa se mostrou ainda em dados coletados por meio de relatos de 40 participantes da rede: 71% relataram sofrer, ter sofrido ou testemunhado diretamente ataques nas redes de racismo e misoginia; 76,47% nunca haviam integrado um programa similar antes, enquanto 83% tinham nenhum ou baixo conhecimento sobre ativismo em rede na comunicação digital afrofeminina.</p>
<p>Sofia Carrillo diz que o acolhimento ajuda a criar espaços de identificação e pertencimento entre essas mulheres. “É extremamente benéfico construir esse legado<del> </del>de percepção, termos a capacidade de lembrar de espaços coletivos afro-femininos, que ainda são poucos na comunicação.”</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/rede-jp/' class='user-link'>Rede JP</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Não existe conexão que não seja humana: por que é vital valorizar a criatividade humana na era da IA</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/05/12/nao-existe-conexao-que-nao-seja-humana-por-que-e-vital-valorizar-a-criatividade-humana-na-era-da-ia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Isabela Torezan]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 15:22:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Ideias]]></category>
		<category><![CDATA[Inglês]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[A IA não tem "criatividade", não "pensa" nem "conecta". Ela só consegue repetir o que já foi treinada e o que foi produzido por humanos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>A linguagem antropomorfizadora que usamos prioriza engajamento em vez da utilidade.</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/3_There-is-no-connection-but-human_Ibrahim-Kizza-1-800x450.webp" alt="Jovens conversando embaixo de uma árvore com livros enquanto celulares as encorajam a deixar o contato pessoal. Imagem por Ibrahim Kizza para a Associação para s Comunicação Progressiva (APC), usada com permissão." width="800" height="450" /><p class="wp-caption-text">Imagem por Ibrahim Kizza para a Associação para a Comunicação Progressiva, (<a href="https://www.apc.org/en">APC</a>), usada sob permissão.</p></div>
<p><em>Este artigo faz parte da série &#8220;Não pergunte para a IA, pergunte a um colega&#8221;, uma colaboração entre a Global Voices, a Associação para a Comunicação Progressiva e a GenderIT. A série tem como objetivo reforçar a importância da divulgação do conhecimento entre as pessoas, como vem sendo feito há décadas. Você pode acompanhar a série em <a title="http://apc.org" href="http://apc.org/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=http://apc.org/&amp;source=gmail&amp;ust=1776226110374000&amp;usg=AOvVaw339x24XenKRKq6iLYURWU9"><u>APC.org</u></a>, <a title="http://genderit.org" href="http://genderit.org/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=http://genderit.org/&amp;source=gmail&amp;ust=1776226110374000&amp;usg=AOvVaw2HBjbb3ESoSkOKIeqyV7nu"><u>GenderIT.org</u></a> e <a title="https://globalvoices.org" href="https://globalvoices.org/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://globalvoices.org/&amp;source=gmail&amp;ust=1776226110374000&amp;usg=AOvVaw2151VZ530FoqmIG7kD0Qr2"><u>globalvoices.org</u></a>.</em></p>
<p>Desde o início da empolgação em torno da IA, depois que a OpenAI <a href="https://www.forbes.com/sites/bernardmarr/2023/05/19/a-short-history-of-chatgpt-how-we-got-to-where-we-are-today/" target="_blank" rel="noopener">disponibilizou</a> seu ChatGPT para bilhões de usuários ao redor do mundo em novembro de 2022 (na época, sem nenhum tipo de regulanentação, estruturas éticas ou mecanismos de proteção), já ouvimos <a href="https://edition.cnn.com/2025/12/30/tech/how-ai-changed-world-predictions-2026-vis" target="_blank" rel="noopener">inúmeras previsões</a> sobre como a IA mudaria tudo para os humanos: o trabalho humano seria substituído; a criatividade humana não seria mais necessária; a conexão humana seria muito melhor com chatbots; os governos iriam aplicar algoritmos rigorosos de IA que eliminariam o viés humano nos serviços sociais; teríamos a ciência inovadora disponível em apenas alguns anos e muito mais.</p>
<p>Após mais de três anos, como o surgimento da IA generativa mudou para nós? Ela trouxe <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0001691825009503" target="_blank" rel="noopener">perturbações desnecessárias e danosas</a> ao nosso sistema de educação, deu a alguns programadores <a href="https://www.nytimes.com/2026/03/12/magazine/ai-coding-programming-jobs-claude-chatgpt.html" target="_blank" rel="noopener">mais ferramentas</a> para escrever códigos e tem sido usada quase sem supervisão humana <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ruxpknMIQl8&amp;t=3s">na guerra</a>.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Estamos em 2026 e as empresas de IA ainda </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://hbr.org/2025/11/ai-companies-dont-have-a-profitable-business-model-does-that-matter" target="_blank" rel="noopener">não têm modelos de negócios lucrativos</a><span style="font-size: 1.25rem;"> nem conseguem oferecer propostas significativas sobre como usar seus produtos.</span> Ainda assim, as pessoas ligadas à IA — CEOs, diretores financeiros, diretores de pesquisa e até mesmo diretores de ética — continuam nos vendendo sua visão mágica e antropomorfizada de seus modelos. Notem que a maioria dessas empresas é ligada à &#8220;geração anterior&#8221; de oligarcas da tecnologia: a Google está desenvolvendo o <a href="https://gemini.google.com/" target="_blank" rel="noopener">Gemini</a>; a Microsoft investiu na <a href="https://blogs.microsoft.com/blog/2025/11/18/microsoft-nvidia-and-anthropic-announce-strategic-partnerships/" target="_blank" rel="noopener">Antrophic</a> e na <a href="https://blogs.microsoft.com/blog/2025/10/28/the-next-chapter-of-the-microsoft-openai-partnership/" target="_blank" rel="noopener">Open AI</a>; a Meta, do Mark Zuckerberg, tem a sua própria <a href="https://www.llama.com/" target="_blank" rel="noopener">Llama</a>; o Elon Musk não apenas comprou e destruiu o Twitter como também tem a famosa IA Grok, usada para <a href="https://www.eldiario.es/tecnologia/10-dias-porno-machista-costar-caro-elon-musk-no-cuestion-bikini-burka-consentimiento_1_12893071.html" target="_blank" rel="noopener">produção de pornografia</a>; e o Jeff Bezos está investindo não em uma <a href="https://finance.yahoo.com/news/7-ai-startups-backed-jeff-150016298.html" target="_blank" rel="noopener">mas em sete</a> empresas de IA, incluindo a <a href="https://finance.yahoo.com/news/7-ai-startups-backed-jeff-150016298.html" target="_blank" rel="noopener">Perplexity AI</a> e a start-up de IA holandesa <a href="https://www.reuters.com/business/amazons-bezos-leads-new-investment-ai-data-company-toloka-2025-05-07/" target="_blank" rel="noopener">Toloka</a>.</p>
<h3>As narrativas de IA das empresas de tecnologia são intencionalmente enganosas</h3>
<p>Pesquisadores e jornalistas <a href="https://theconversation.com/digital-brains-that-think-and-feel-why-do-we-personify-ai-models-and-are-these-metaphors-actually-helpful-265883" target="_blank" rel="noopener">já trabalharam</a> para mostrar como as narrativas em torno da IA <a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s00146-024-02087-8" target="_blank" rel="noopener">são construídas</a> e como isso configura não apenas a nossa ansiedade e interpretações equivocadas sobre a IA, mas também o pânico dos governos quanto a &#8220;ficar para trás na corrida da IA&#8221;.</p>
<p>Quando a OpenAI introduziu o ChatGPT, ele foi descrito como <a href="https://journal.media-culture.org.au/index.php/mcjournal/article/view/3004?trk=public_post_comment-text" target="_blank" rel="noopener">&#8220;treinado&#8221;</a> em um vasto &#8220;corpus&#8221; de dados, com uma &#8220;rede neural&#8221; capaz de gerar &#8220;linguagem natural&#8221;. Esta terminologia, embora tecnicamente fundamentada, também enquadrou o sistema em <a href="https://journal.media-culture.org.au/index.php/mcjournal/article/view/3004?trk=public_post_comment-text" target="_blank" rel="noopener">termos humanizados</a>, sugerindo algo mais do que mera inteligência &#8220;artificial&#8221;.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Ao mesmo tempo, os erros do sistema foram classificados como &#8220;</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.nature.com/articles/s41599-024-03811-x" target="_blank" rel="noopener">alucinações</a><span style="font-size: 1.25rem;">&#8220;, um termo que evoca a imaginação ou o pensamento mágico e também pertence ao campo humano.</span> Mas isso não são alucinações, são erros reais que modelos construídos com probabilidade estatística cometem. E eles cometem muitos desses erros: alguns pesquisadores <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ruxpknMIQl8&amp;t=3s" target="_blank" rel="noopener">estimam que os modelos</a> estão errados em 25 a 30% dos casos.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Apesar disso, o efeito combinado dessa terminologia, a empolgação em torno dela e as próprias preocupações de Altman, amplamente divulgadas, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://futurism.com/artificial-intelligence/sam-altman-ai-labor" target="_blank" rel="noopener">sobre a IA avançada</a><span style="font-size: 1.25rem;"> moldaram a percepção do público em direção diferente.</span> Juntos, contribuem para um entendimento da IA generativa como algo dinâmico, expansivo e difícil de controlar, às vezes até mesmo descrita como uma <a href="https://www.theguardian.com/technology/2024/dec/27/godfather-of-ai-raises-odds-of-the-technology-wiping-out-humanity-over-next-30-years" target="_blank" rel="noopener">ameaça potencial</a> à existência da humanidade.</p>
<h3>Outro exemplo de humanização dos chatbots vem da Anthropic</h3>
<p>Recentemente, a Anthropic, empresa de IA fundada por ex-pesquisadores da OpenAI, lançou um documento intitulado <a href="https://www.anthropic.com/constitution" target="_blank" rel="noopener">Constituição do Claude</a>. <span style="font-size: 1.25rem;">Nele, como a acadêmica de  Direito Luisa Jarovsky </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.luizasnewsletter.com/p/claudes-strange-constitution" target="_blank" rel="noopener">observa</a><span style="font-size: 1.25rem;">, a Anthropic se baseia bastante no enquadramento antropomórfico, o que pode ser lido como um relato pretensioso, controverso e legalmente questionável sobre a natureza e o papel social dos sistemas de IA.</span></p>
<p>Por exemplo, o documento estabelece:&#8221;Nós incentivamos o Claude a abordar sua própria existência com curiosidade e abertura, em vez de abordá-la com base na visão humana ou em concepções anteriores à IA&#8221;.</p>
<p>Essa linguagem apresenta o modelo como uma entidade quase consciente, capaz de refletir e &#8220;abordar sobre sua própria existência&#8221;.</p>
<p>Sob a perspectiva de governança, afirma Jarovsky, a Constituição do Claude representa um <a href="https://www.luizasnewsletter.com/p/claudes-strange-constitution" target="_blank" rel="noopener">desenvolvimento preocupante.</a> Ameaça subordinar valores humanos, normas legais e direitos ao atribuir um status moral e filosófico indevido aos sistemas de IA.</p>
<p>Por fim, os próprios modelos de LLM <a href="https://theconversation.com/digital-brains-that-think-and-feel-why-do-we-personify-ai-models-and-are-these-metaphors-actually-helpful-265883" target="_blank" rel="noopener">são desenvolvidos para produzir</a> textos em primeira pessoa, informais e em tom de conversa, enquanto as vozes sintéticas são feitas para reproduzir o som humano. Inclusive, diz Caleb Sponheim, um ex-neurocientista computacional, esses sistemas produzem respostas cheias de amenidades desnecessárias, <a href="https://arxiv.org/abs/2310.13548" target="_blank" rel="noopener">concordâncias bajuladoras </a>e linguagem antropomorfizadora que prioriza o engajamento em vez da utilidade.</p>
<p>Além disso, uma das autoras do documento, a filósofa da Anthropic, Dra. Amanda Askell, disse que ela estava &#8220;<a href="https://www.wsj.com/tech/ai/anthropic-amanda-askell-philosopher-ai-3c031883" target="_blank" rel="noopener">construindo a personalidade do Claude&#8221;.</a></p>
<h3>A IA não é sua amiga</h3>
<p><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.techpolicy.press/author/emily-m-bender/" target="_blank" rel="noopener">Emily Bender</a><span style="font-size: 1.25rem;">, professora de linguística na Universidade de Washington, e </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.techpolicy.press/author/nanna-inie" target="_blank" rel="noopener">Nanna Inie</a><span style="font-size: 1.25rem;">, professora assistente na Universidade de TI de Copenhague, declaram: &#8220;A IA não é sua amiga. Nem é uma tutora inteligente, uma ouvinte empática ou uma assistente útil. Ela não pode &#8216;inventar fatos&#8217; e não comete &#8216;erros&#8217;.&#8221;</span>Ela não responde às suas perguntas de verdade&#8221;.</p>
<p>Ela não tem &#8220;criatividade&#8221;, não &#8220;pensa&#8221; nem &#8220;conecta&#8221;. Ela só consegue repetir o que já foi treinada e o que foi produzido por humanos. <span style="box-sizing: border-box;">A IA generativa não escreve, não desenha nem pinta: ela gera padrões estatisticamente próximos; trata-se de <a href="https://dl.acm.org/doi/abs/10.1145/3630106.3659040" target="_blank" rel="noopener">sistemas de automação probabilística</a>, o que os torna fundamentalmente diferentes da cognição ou da criatividade humanas.</span> Sim, eles provavelmente podem ser ferramentas úteis em algumas ocupações.</p>
<p>Mas, para entender isso, nós temos que mudar a linguagem em torno dos modelos de IA e a própria tecnologia. Os jornalistas e a mídia precisam parar de repetir o roteiro de marketing das empresas de tecnologia, e os políticos precisam parar de priorizar a urgência imaginária em vez da segurança e dos direitos humanos.</p>
<p>Então, a <a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s00146-020-00966-4">resposta</a> à questão: &#8220;Por que é vital valorizar a criatividade e a conexão humana na era da IA?&#8221; é que não existe outra criatividade ou conexão além da humana, não importa o que as empresas de tecnologia estejam tentando nos vender.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="contributors"><em>Daria Dergacheva é uma pesquisadora de mídia e comunicação, seu foco é governança de plataformas e de IA, autoritarismo digital e estudos sobre propaganda e desinformação. Ela tem trajetória no jornalismo e, atualmente, é editora da Global Voices para a Europa Central e o Leste Europeu, além de autora freelance e pesquisadora de tecnologia e as regiões do mundo da Maioria Global.</em><em> </em></div>
<p><span style="color: #999999;"><em>Ibrahim Kizza é um artista visual, designer e ilustrador cujo trabalho explora a conexão, a identidade e a cultura humana. Suas ilustrações são caracterizadas por composições marcantes, cores expressivas e um forte foco narrativo, frequentemente voltado à experiência de vida de pessoas negras. Trabalhando por meio de espaços editoriais e digitais, ele cria arte e ilustrações que equilibram simplicidade e profundidade emocional, usando contraste e simbolismo para comunicar ideias complexas com clareza. Para esse projeto, Ibrahim desenvolve uma resposta visual à tensão entre a conexão humana e a artificial, reforçando o valor da experiência vivida e da criatividade coletiva em um mundo cada vez mais automatizado. Além da ilustração, seus interesses incluem design, esportes e filmes, que continuam a informar sua linguagem visual e narrativa.</em></span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/daria-dergacheva/' class='user-link'>Daria Dergacheva</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/isabela-torezan/' class='user-link'>Isabela Torezan</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/04/16/there-is-no-connection-but-human-why-it-is-vital-to-value-human-creativity-in-the-age-of-ai/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/3_There-is-no-connection-but-human_Ibrahim-Kizza-1-400x300.webp" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Aprender sob árvores na era da IA: o paradoxo da educação em Moçambique</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/05/04/aprender-sob-arvores-na-era-da-ia-o-paradoxo-da-educacao-em-mocambique/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tirso Sitoe]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 May 2026 13:50:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[Ativismo Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Moçambique]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Moçambique enfrenta um paradoxo educacional: enquanto se debate o uso de inteligência artificial, milhares de alunos ainda aprendem ao ar livre, sem infraestrutura básica nem acesso à internet]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>IA e desigualdade educacional num país onde milhares de alunos ainda aprendem ao ar livre</em></big></p><div id="attachment_122515" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122515" class="size-full wp-image-122515" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/School_7175864900.webp" alt="some classes of the school are conducted under the trees as there is not enough classrooms available Photo taken by Rahul Ingle, May 2012" width="960" height="720" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/School_7175864900.webp 960w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/School_7175864900-400x300.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/School_7175864900-800x600.webp 800w" sizes="auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px" /><p id="caption-attachment-122515" class="wp-caption-text"><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:School_(7175864900).jpg">Photo</a> taken by Rahul Ingle, May 2012.This file is licensed under the <a class="extiw" title="w:en:Creative Commons" href="https://en.wikipedia.org/wiki/en:Creative_Commons">Creative Commons</a> <a class="extiw" title="creativecommons:by/2.0/deed.en" href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/deed.en">Attribution 2.0 Generic</a> license.</p></div>
<p><em><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Este post faz parte da série especial de abril de 2026 da Global Voices, “ </span></span><a href="https://globalvoices.org/special/human-perspectives-on-ai/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Perspectivas humanas sobre IA</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> ”. Esta série oferece insights sobre como a IA está sendo usada em países de maioria globais, como seu uso e implementação estão afetando comunidades individuais, o que esse experimento com IA pode significar para as gerações futuras e muito mais.Você pode apoiar esta cobertura fazendo uma doação <a href="https://globalvoices.org/2026/04/03/support-our-first-global-voices-spotlight-issue-human-perspectives-on-ai/">aqui</a>.</span></span></em></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Em muitas comunidades de </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Mo%C3%A7ambique"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Moçambique</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, o processo de ensino e aprendizagem ainda </span></span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/42533107"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">acontece sob árvores</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, em pátios improvisados ​​ou em estruturas frágeis que mal protegem do sol e da chuva. A chamada sala de aula ao ar livre não é uma escolha pedagógica inovadora, mas, na maioria das vezes, a expressão de uma deficiência estrutural: falta de infraestruturas, deficiência de materiais e que tinha um déficit estimado em cerca de </span></span><a href="https://aimnews.org/2025/01/28/sector-da-educacao-com-um-defice-de-12-mil-professores-para-2025/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">12 mil professores em 2025</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> .</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Durante a época chuvosa, a situação agravou-se. Em várias regiões, o calendário letivo precisa ser ajustado para responder ao impacto das </span></span><a href="https://www.dw.com/pt-002/chuvas-em-mo%C3%A7ambique-%C3%A9-preciso-repensar-calend%C3%A1rio-escolar/a-76032971"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">características naturais, como chuvas intensas</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, que interromperam as aulas e dificultaram a continuidade do ensino entre janeiro e março de cada ano.</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">É neste cenário que surge a pergunta: qual é o lugar da inteligência artificial (IA) num sistema educativo que, em muitas zonas do país, ainda luta pelo básico?</span></span></p>
<h3><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A escola sem paredes e o grau da conectividade</span></span></h3>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Nos distritos rurais de províncias como </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cabo_Delgado_(prov%C3%ADncia)"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Cabo Delgado</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Nampula"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Nampula</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> e </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Zamb%C3%A9zia"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Zambézia</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> é comum, encontrar turmas com alunos a estudar sob as árvores e a </span></span><a href="https://www.correiodamanhacanada.com/mocambique-avalia-mudancas-para-se-evitar-alunos-a-estudar-debaixo-das-arvores/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ministra da Educação</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, Samaria Tovela, tem avaliado o ajuste de horários, pois, enquanto durante a </span></span><a href="https://www.rfi.fr/pt/mocambique/20181125-epoca-chuvosa-e-calamidades-em-mocambique"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">época chuvosa</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> , as aulas são frequentemente interrompidas; no período de calor intenso, a concentração torna-se um desafio constante. Sem quadros adequados, sem manuais suficientes e, muitas vezes, com um único </span></span><a href="https://opais.co.mz/qualidade-do-ensino-em-mocambique-ainda-enfrenta-grandes-desafios-alerta-paulino-fumo/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">professor responsável por várias turmas</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, o processo de ensino-aprendizagem torna-se irregular e profundamente desigual quando um </span></span><a href="https://mznews.co.mz/nampula-mais-de-um-milhao-de-alunos-aprendem-a-ler-e-a-escrever-no-chao/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">milhão de alunos aprende a ler e escrever no chão</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">.</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Este cenário evidencia um problema central: a aprendizagem depende de condições mínimas que ainda não estão garantidas. Ao mesmo tempo, um dos maiores obstáculos à introdução de tecnologias como a IA em contextos rurais africanos é a falta de conectividade. Em Moçambique, cerca de </span></span><a href="https://aimnews.org/2024/06/19/cerca-de-73-da-populacao-mocambicana-nao-tem-acesso-a-servicos-de-internet/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">73% da população não tem acesso à internet</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, segundo dados de 2024 do Ministério dos Transportes e Comunicações.</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">As desigualdades regionais colocam iniciativas limitadas, apesar de </span></span><a href="https://www.noticiasaominuto.com/tech/2854164/fraco-acesso-a-internet-dificulta-ensino-a-distancia-em-mocambique"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">alguns progressos registados nos últimos anos.</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> Essa limitação afeta diretamente o potencial de soluções como ensino à distância ou plataformas digitais de aprendizagem.</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Língua, cultura e papel do Estado e das parcerias</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Outro desafio crítico é a dimensão linguística e cultural. Em África, com mais de </span></span><a href="https://pt.smartling.com/blog/african-languages-lab-empowers-low-resource-languages-with-ai"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">2.000 idiomas falados, apenas uma fração</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> — cerca de 49 — está representada em plataformas digitais como o serviço de tradução do Google. A integração de línguas nativas de Moçambique, como </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_macua"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Emakhuwa</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_tsonga"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Xichangana</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> ou </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_lomu%C3%A9"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Elomwe</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, em ferramentas educativas digitais, poderia aumentar significativamente a compreensão e o envolvimento dos alunos, sobretudo nos primeiros anos de escolaridade. No entanto, a aplicação dessas soluções levanta questões práticas em contextos onde o acesso à tecnologia ainda é limitado.</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ainda que a esmagadora maioria da população moçambicana fale uma língua bantu com mais frequência em </span></span><a href="https://www.mozcensus.com/theme_of_mozambique/facts-sheets/ThematicStudies-2017/Padrao_LinguisticoVFprint-02-02-24.pdf"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">casa (81,7%) e parte não saiba falar a língua portuguesa (41,9%)</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, na comunicação social e, sobretudo, na comunicação na/para a saúde, continua-se a privilegiar o uso da língua portuguesa em detrimento das línguas bantu, as línguas das massas, uma forma de exclusão social. Iniciativas emergentes, porém, mostram que este caminho é possível. </span></span><a href="https://mittechreview.com.br/ia-idiomas-africanos-lelapa-ai/?srsltid=AfmBOorHN67qlfdeSrbrLkAIF1QLuOpEqmd1bAIBqcRTMum1dyEZAao4"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Em Joanesburgo</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, por exemplo, startups tecnológicas estão a desenvolver soluções de IA adaptadas a idiomas africanos</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<h3><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Entre o potencial e os riscos</span></span></h3>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ferramentas offline, conteúdos pré-carregados e assistentes pedagógicos digitais são algumas das soluções possíveis, para enfrentar deficiências e limitações do sistema educativo e, Moçambique ainda </span></span><a href="https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000392743"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">não dispõe de políticas específicas</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, para integrar inteligência artificial, embora o Estado possa desempenhar um papel central para integrar tecnologia no cotidiano de alunos e professores. Isso passa ainda por investir na formação de professores, garantir infraestruturas básicas, incluindo acesso à energia, fortalecer parcerias com universidades, startups e organizações internacionais.</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Falar de inteligência artificial em salas de aula ao ar livre pode parecer, à primeira vista, uma contradição, mas é precisamente nesses contextos que a tecnologia precisa ser pensada com criatividade e responsabilidade, não como substituta do essencial, mas como complemento estratégico.</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A prioridade continua clara: construir escolas, formar professores e garantir materiais básicos. A questão é como integrar uma tecnologia desenvolvida sem desigualdades profundas, respeitando os contextos locais e colocando o aluno e o professor no centro das decisões. Num país onde ainda se aprende sob árvores, o futuro da educação dependerá não apenas da tecnologia disponível, mas das escolhas políticas e sociais que definem quem tem acesso ao conhecimento e em que condições.</span></span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/tirso-sitoe/' class='user-link'>Tirso Sitoe</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Subindo um Everest virtual com a ajuda de uma playlist da comunidade Global Voices</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/05/02/subindo-um-everest-virtual-com-a-ajuda-de-uma-playlist-da-comunidade-global-voices/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mariana Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 May 2026 13:28:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Caribe]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Esportes]]></category>
		<category><![CDATA[Jamaica]]></category>
		<category><![CDATA[Líbano]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio e Norte da África]]></category>
		<category><![CDATA[Síria]]></category>
		<category><![CDATA[Trindade e Tobago]]></category>
		<category><![CDATA[Venezuela]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
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					<description><![CDATA[Ao longo de três dias, Nate Matias, integrante da GV, pedalou uma elevação de praticamente 10.000 metros para ajudar a arrecadar dinheiro para a Global Voices.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Nossa comunidade fez uma playlist para ajudar Nate a pedalar uma distância igual a do Everest</em></big></p><p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-featured_image_large wp-image-source-840643" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/07/Everest-Roam-800x450.png" alt="" width="800" height="450" /></p>
<p>Ao longo de três dias, Nate Matias, integrante da comunidade Global Voices (GV), pedalou uma elevação de quase 10 mil metros para ajudar a arrecadar fundos para a organização. <span style="font-size: 1.25rem;">É uma longa distância e, para ajudá-lo nesse trajeto, membros da comunidade montaram uma </span><em style="font-size: 1.25rem;">playlist</em><span style="font-size: 1.25rem;"> para que ele a escutasse ao longo do caminho.</span></p>
<p>Aqui está a <a href="https://open.spotify.com/playlist/6d1pMLUrZM0EkG5L6W4Bzf"><em>playlist</em> completa da comunidade</a>, feita especialmente para a jornada de Matias!</p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Climbing a virtual Everest with the Global Voices Community Playlist" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/6d1pMLUrZM0EkG5L6W4Bzf?utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>Pedimos o contexto das músicas escolhidas para alguns membros da comunidade. Aqui estão suas histórias:</p>
<h3>“<em>Jerusalém</em>” de Fairouz e Ziad Rahbani</h3>
<p><iframe loading="lazy" title="FAIROUZ - El Qods /Jerusalem  1967 فيروز - القدس زهرة المدائن" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/h4XHLFrussY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><a href="https://globalvoices.org/author/elisa-marvena/">Elisa Marvena</a> recomendou a música &#8220;Jerusalém&#8221;, que tem muitas versões, porém, a que recomenda é cantada pela artista libanesa Fairouz, e explica o que a música significa pra ela:</p>
<p>&#8220;É difícil mensurar o impacto do legado de <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Fairuz">Fairouz</a> na música e na cultura do SWANA (Sudoeste Asiático e Norte da África). Embora seja uma libanesa cristã nascida na década de 1930, sua música e imagem atravessam identidades geográficas, nacionais, geracionais, étnicas, religiosas e de classe social.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Com a contribuição de diversos compositores e produtores, sobretudo de seu filho </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Ziad_Rahbani" target="_blank" rel="noopener">Ziad Rahbani, </a><span style="font-size: 1.25rem;">produtor, compositor, pianista, dramaturgo e comentarista político libanês, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://pt.globalvoices.org/2026/04/14/morre-compositor-dramaturgo-e-satirista-politico-libanes-ziad-rahbani-a-voz-de-uma-geracao-se-cala/" target="_blank" rel="noopener">falecido em julho de 2025</a><span style="font-size: 1.25rem;">, também incorporou estilos musicais variados.</span> Porém, essa música em específico é um hino — uma canção de amor a Al Quds, a cidade de Jerusalém.</p>
<p>Por meio de versos poéticos e metáforas, a música aborda o luto, a destituição, a resistência e a libertação. Você nem precisa entender a língua para compreender a profundidade do sentimento ou chorar ao ouvi-la. Eu sempre me arrepio. Entretanto, das <a href="https://www.youtube.com/watch?v=LtE7YoVbqwU">duas</a> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=-Gs4mdGYGJc">versões</a> que sugeri [para a <em>playlist</em>], nenhuma é interpretada pela própria Fairouz, mas sinto que ambas fazem jus a ela.&#8221;</p>
<h3 class="style-scope ytd-watch-metadata">“<em>Zamilou</em>” de Bu Kolthoum  | بو كلثوم &#8211; زمّلوا</h3>
<p><iframe loading="lazy" title="Bu Kolthoum - Zamilou | بو كلثوم - زمّلوا" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/k9T0SuZ-xFg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><a href="https://community.globalvoices.org/author/laraalmalakeh/">Lara AlMalakeh</a> sugeriu essa música feita por uma cantora de <em>rap</em> síria em 2018, que está se popularizando nos Países Baixos. Lara explica o que seu trabalho significa para as mulheres:</p>
<p>&#8220;Então, a música é de uma cantora de <em>rap</em> síria que se refugiou nos Países Baixos e adotou o nome artístico Bou Kulthoum (derivado da cultura árabe). Essa música sobre o empoderamento feminino fala da força e do impacto que elas têm, mas, nas sociedades árabes, são frequentemente menosprezadas.</p>
<p>É por isso que amo essa música e sempre apoio Bou Kulthoum, que luta para ser reconhecida pela indústria.&#8221;</p>
<h3>O álbum “<em>Ibérica y Latina</em>” de Gaélica</h3>
<p><iframe loading="lazy" title="Gaélica - Ibérica &amp; Latina" width="650" height="488" src="https://www.youtube.com/embed/jBgJovKwh54?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><a href="https://globalvoices.org/author/estefania-salazar/">Estefanía Salazar</a> sugeriu um álbum fabuloso, tão diverso quanto a comunidade GV!</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">&#8220;</span><em style="font-size: 1.25rem;">Ibérica y Latina</em><span style="font-size: 1.25rem;">&#8221; (2005) é uma trilha instrumental divertida, composta pela banda venezuelana Gaélica, que mistura elementos musicais da Ilha da Madeira (Portugal), da província da Galícia (Espanha) e das Américas, presentes na cultura venezuelana.</span> Ela realmente transmite uma energia de &#8216;levante e brilhe&#8217;. Não perca nada a partir do minuto 3:10.</p>
<p>A história real é essa: esses elementos vêm da fusão de sons locais e das comunidades madeirense e galega que migraram para a Venezuela após a Segunda Guerra Mundial. Isso reflete a mistura que pode existir em qualquer lugar — tanto no âmbito cultural quanto no musical. No álbum, é possível ouvir gaitas, e sim, na Galícia se usam gaitas (algo que vem da influência celta).</p>
<p>Na primeira vez, ouvi como se fosse um despertador — é uma das músicas mais alegres que já ouvi de manhã!&#8221;</p>
<h3>Uma seleção de <em>hits</em> inspirados no ritmo caribenho</h3>
<p><iframe loading="lazy" title="Buju Banton ft. Nadine Sutherland - What Am I Gonna Do | Official Music Video" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/C0IKuoPitrM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><a href="https://globalvoices.org/author/candice-stewart/">Candice Stewart</a>, uma colaboradora frequente da equipe caribenha da GV, montou uma lista de músicas para ajudar a energizar Nate em sua jornada.</p>
<p>&#8220;Podem me chamar de &#8216;<a href="https://jamaicanpatwah.com/term/Selecta/5863">selecta</a>&#8216; ou de DJ. Hahaha. Minhas seleções para a <em>playlist</em> do Nate têm inspiração no coração do Caribe, especialmente na minha terra natal, a Jamaica, e no meu outro amor, Trinidad e Tobago, além de alguns sucessos de artistas de toda a região. Essa seleção foi apurada para levar Nate a uma jornada: músicas que oferecem bênçãos, orientação e proteção, enquanto ele dá seu primeiro passo rumo ao Everest; músicas que ensinam paciência, perseverança e entusiasmo; e músicas que manifestam a vitória e a mentalidade de campeão.</p>
<p>Desde a base espiritual de ‘<em>23rd Psalm’,</em> de Buju Banton ft. Morgan Heritage, e ‘<em>Lord Watch Over Our Shoulders</em>’, de Garnett Silk, até a chama motivacional de ‘<em>Far From Finished</em>,’ de Voice, e ‘<em>Winning Right Now</em>’, de Agent Sasco, cada música tem uma intenção. Há também os hinos encorajadores, como ‘<em>Shake The Place’</em>, de Machel Montano e Destra Garcia, ‘<em>Cocoa Tea’</em>, de Kes, ‘<em>What Am I Gonna Do’</em>, de Buju Banton ft Nadine Sutherland, e ‘<em>Come Home’, </em>de Nailah Blackman e Skinny Fabulous, que irão despertar o ânimo festivo de Nate e manter seu espírito motivado.&#8221;</p>
<h3>“<em>Active</em>” de Asake e Travis Scott</h3>
<p><iframe loading="lazy" title="Asake, Travis Scott - Active (Official Video)" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/JRF_sdTXpGw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Por último, a colaboradora <a href="https://globalvoices.org/author/pamela-ephraim/">Pamela Ephraim</a> escolheu uma música esportiva e eletrizante, com um misto de expressões das línguas yoruba e pidgin, para motivar Nate até a linha de chegada.</p>
<p>&#8220;Escolhi essa música com ritmo <em>Afrobeats</em> eletrizante porque o mais importante é estar animado, confiante e prosperar. Asake canta repetidamente &#8216;<em>Oh man, I’m active</em>&#8216; (Ah, cara, estou ativo). É uma afirmação clara de que está em seu melhor momento. <span style="font-size: 1.25rem;">A letra destaca força, empenho e presença, usando expressões da língua yoruba e pidgin, como </span><em style="font-size: 1.25rem;">kampe </em><span style="font-size: 1.25rem;">(forte ou fortalecido), para ressaltar sua resiliência.&#8221;</span></p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Além de uma <em>playlist</em> variada, membros da comunidade Global Voices no Nepal criaram outra <a href="https://open.spotify.com/playlist/3CYeUWype1ilFC9j2y9cFn" target="_blank" rel="noopener">com destaque para músicas nepalesas, </a>como forma de honrar as raízes do país na competição de ciclismo.</span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/sydney-allen/' class='user-link'>Sydney Allen</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/mariana-lopes/' class='user-link'>Mariana Lopes</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2025/08/05/climbing-a-virtual-everest-with-the-global-voices-community-playlist/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/07/Everest-Roam-400x300.png" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Sociedade civil questiona decreto que pode bloquear acesso à redes de telecomunicações em Moçambique</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/30/sociedade-civil-questiona-decreto-que-pode-bloquear-acesso-a-redes-de-telecomunicacoes-em-mocambique/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tirso Sitoe]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 01:06:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[Ativismo Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Censorship]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Lei]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de Expressão]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia e Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Moçambique]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=121265</guid>

					<description><![CDATA[O decreto sobre telecomunicações em Moçambique levanta preocupações sobre possíveis restrições a direitos fundamentais, incluindo liberdade de expressão e acesso à informação em contextos de tensão política]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Governo alega que medida &#8216;protege a sociedade&#8217;, mas organizações veem risco à liberdade de expressão</em></big></p><div id="attachment_121649" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-121649" class="wp-image-121649 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-scaled.jpeg" alt="Protestos pós-eleições em Maputo, Moçambique, em 2025." width="2560" height="1706" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-scaled.jpeg 2560w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-400x267.jpeg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-800x533.jpeg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-1536x1024.jpeg 1536w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-2048x1365.jpeg 2048w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><p id="caption-attachment-121649" class="wp-caption-text"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Protestos pós-eleições em Maputo, Moçambique, em 2025. Foto: Wilson Thole/Uso autorizado</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p></div>
<p data-start="592" data-end="1055"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Organizações da sociedade civil em Moçambique, como o </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><a href="https://cddmoz.org/?lang=en"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD)</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">,</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> submeteram um </span></span></span></span></span></span><a href="https://cddmoz.org/wp-content/uploads/2026/02/Conselho-Constitucional-deve-declarar-inconstitucional-decreto-que-institucionaliza-o-bloqueio-das-redes-de-telecomunicacoes-em-Mocambique.pdf"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">documento</span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> ao </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Provedor_de_Justi%C3%A7a_(Mo%C3%A7ambique)"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Provedor de Justiça</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> contestando a constitucionalidade do </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://mznews.co.mz/executivo-mocambicano-aprova-decreto-que-permite-bloqueio-da-internet-em-caso-de-manifestacoes/"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Decreto n.º 48/2025, de dezembro de 2025</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, que estabelece mecanismos de controlo e possíveis bloqueios do acesso às redes de telecomunicações no país.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span> </span></p>
<p>Segundo o <a href="https://moz24h.co.mz/lei-da-comunicacao-levanta-suspeitas-de-censura-e-ameaca-liberdade-de-imprensa-em-mocambique/">portal Moz24h</a>, a preocupação entre jornalistas e especialistas é que <span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">a medida possa ameaçar direitos como a </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">liberdade de expressão, o acesso à informação e à comunicação, sobretudo em contextos de mobilização social ou tensão política</span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">. </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O questionamento surge num contexto ainda quente para o país dos conflitos <a href="https://pt.globalvoices.org/2025/01/30/manifestacoes-em-mocambique-pos-eleicoes-inspiram-protestos-contra-a-crise-socioeconomica-em-angola/">após as eleições de 2024</a> &#8212; <a href="https://www.dw.com/pt-002/manifesta%C3%A7%C3%B5es-p%C3%B3s-eleitorais-provocaram-411-mortes/a-74435946">dados da Plataforma Decide</a>, até outubro de 2025, apontaram 411 mortos e cerca de 7.200 detidos.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<header class="sgeegmk"></header>
<p data-start="592" data-end="1055"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ativistas e organizações cívicas argumentam </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">que o decreto pode permitir </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://www.dw.com/pt-002/mo%C3%A7ambique-governo-pode-bloquear-telecomunica%C3%A7%C3%B5es-em-caso-de-risco/a-75513767"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">restrições ao acesso à internet e às plataformas digitais</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> — ferramentas cada vez mais centrais para a circulação de informação, organização de protestos e participação cívica. O texto aprovado permite ao Estado suspender os serviços de telecomunicações por até 48 horas, sem necessidade de ordem judicial, reporta a <a href="https://www.dw.com/pt-002/mo%C3%A7ambique-governo-pode-bloquear-telecomunica%C3%A7%C3%B5es-em-caso-de-risco/a-75513767">Deutsche Welle</a>.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ainda segundo </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">organizações da sociedade civil, </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><a href="https://cddmoz.org/wp-content/uploads/2026/01/Legalizacao-do-bloqueio-das-redes-de-telecomunicacoes-e-um-retrocesso-democratico-e-uma-afronta-aos-direitos-humanos.pdf"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">o decreto concede amplos poderes às autoridades</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> para intervir nas redes de telecomunicações sob justificativas relacionadas à segurança nacional ou à manutenção da ordem pública.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ao recorrer ao Provedor de Justiça, as organizações solicitam uma análise sobre a compatibilidade do decreto com a Constituição da República de Moçambique e com os compromissos internacionais que reforçam o país em matéria de direitos humanos e liberdade de expressão.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Em março de 2026, o </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://mznews.co.mz/governo-insiste-que-bloqueio-de-telecomunicacoes-visa-proteger-a-sociedade-em-momentos-criticos/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">ministro das Comunicações e Transformação Digital</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a>, Américo Muchanga, negou</span></span><span style="color: #000000;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> que a medida fosse uma restrição de direitos. Ele a defendeu como forma de proteger a sociedade em momentos críticos, reforçando</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> a capacidade do Estado de gerir situações de crise e de proteger infraestruturas críticas de telecomunicações.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<h4 data-section-id="y6jw7l" data-start="2341" data-end="2374"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Especialistas divergem na leitura </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></h4>
<p data-start="2376" data-end="2488"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Especialistas consultados </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span style="color: #000000;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">pelo GV</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> sobre o decreto apresentam interpretações diferentes sobre seus possíveis impactos.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p>Um <span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">pesquisador, que pediu para não ser identificado por questões de segurança, lembra que várias democracias do mundo possuem</span></span></span></span></span></span></span></span> <span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">mecanismos legais que permitem restrições temporárias às comunicações.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> Para o pesquisador, contextos políticos onde manifestações sociais são frequentemente interpretadas como ameaças à estabilidade podem tornar a aplicação desse tipo de legislação particularmente sensível. Ele pontua:</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<blockquote>
<p data-start="2376" data-end="2488"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O que foi feito neste decreto é tentativa de legalizar toda e qualquer ação que o governo possa ter em uma situação de protesto social. Na França existe, no Brasil existe, nos Estados Unidos existem. Em qualquer parte em que exista alguma democracia, que chamamos a dita democracia consolidada, existem dispositivos estatais, governamentais, que limitam o acesso às comunicações, quando se entende que eles violam o direito de outras pessoas ou imposições em causa do próprio Estado. Não é o decreto o problema. O problema é como pode ser aplicado. O nosso problema é que não há tolerância. Tudo aquilo que parece ser protesto é visto como tentativa de subversão, tentativa de colocar em causa a ordem. É um problema histórico de governança e questão central na interpretação também do próprio decreto.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
</blockquote>
<p data-start="3057" data-end="3346"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Já o ativista e jornalista </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://4vesreportermoz.com/equipa-de-trabalho/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Nadio Taimo</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> ressalta que o decreto surge num momento em que o espaço cívico digital em Moçambique enfrenta pressões crescentes. Segundo ele, o acesso à internet tornou-se fundamental para a circulação de informação e para o exercício da liberdade de expressão. Taimo observa que muitos órgãos de comunicação social migraram para plataformas digitais devido aos costumes da imprensa tradicional, tornando o ambiente online um espaço importante para divulgação de notícias, debate público e mobilização social. Nesse contexto, possíveis bloqueios de acesso à internet poderiam significativamente limitar </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">o acesso à informação.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span style="color: #ff0000;"><strong> </strong></span></span></span></span></span></p>
<blockquote>
<p data-start="3057" data-end="3346"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> Já temos uma expansão, uma onda crescente de jornais eletrônicos. Já não imprimimos jornais, devido aos custos. Migramos para a era </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">digital, logo, há aqui um bloqueio de acesso à informação, e até o próprio espaço de opinião, de promoção da liberdade de expressão, pode ser limitado. Os órgãos de comunicação social são todos, a maior parte deles, do governo, e controlados, e nos é fechado o espaço cívico, o espaço físico, nas ruas, quando nos proíbem de realizar marchas. </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
</blockquote>
<p data-start="3708" data-end="3980"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O ativista acrescenta ainda que o decreto pode formalizar práticas que, segundo organizações da sociedade civil, já ocorreram anteriormente em momentos de tensão política:</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
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<p data-start="3708" data-end="3980"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Este documento é apenas uma formalização de uma intenção política de bloqueio da internet, que já vinha sendo aplicada, só que não havia uma formalização legal.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
</blockquote>
<h4>Casos antecedentes: protestos e controlo</h4>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O debate sobre o controlo das telecomunicações em Moçambique também está ligado a episódios anteriores de mobilização social. Em </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://pt.globalvoices.org/2010/09/01/mocambique-maputo-em-alerta-com-revolta/"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">fevereiro de 2008</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">  e</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://pt.globalvoices.org/2010/09/05/mocambique-inquietacao-violenta-frustracao-em-maputo/"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> setembro de 2010</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">protestos populares nas cidades de Maputo e Matola foram desencadeados pelo aumento do custo de vida, especialmente dos preços do transporte e de bens essenciais. Durante essas manifestações, telefones móveis e mensagens de texto foram amplamente utilizados para mobilizar e coordenar as ações. Em resposta, o governo da época promoveu medidas mais rigorosas de regulação das comunicações, incluindo a obrigatoriedade do registo de</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://pt.globalvoices.org/2014/04/02/governo-de-mocambique-quer-criminalizar-mensagens-telefonicas-e-publicacoes-insultuosas-na-internet/"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> cartões SIM</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> para todos os utilizadores.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p>Novos protestos voltaram a ocorrer em<a href="https://www.voaportugues.com/a/mozambique--disturbances-maputo/1537522.html"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> novembro de 2012</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, impulsionados principalmente por jovens que contestavam o aumento das tarifas do transporte semi-coletivo urbano, conhecidos como</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://www.folhademaputo.co.mz/pt/noticias/nacional/chapa-100-mais-caro-a-partir-de-segunda-feira/"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> chapa-100</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span style="color: #000000; font-size: 1.25rem;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">. </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A rápida intervenção das forças policiais em locais de maior concentração de manifestantes impediu que os protestos se expandissem.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p>Esses episódios ocorreram <span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">em momentos marcantes de reivindicação social da juventude moçambicana no </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_da_Independ%C3%AAncia_de_Mo%C3%A7ambique"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">período pós-independência</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a> (1975)<span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, refletindo frustrações relacionadas com desigualdades econômicas, desemprego e aumento do custo de vida num contexto de liberalização econômica. Nesse cenário, a cultura urbana também desempenhou um papel importante na expressão do descontentamento social. Artistas como o rapper </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://pt.globalvoices.org/2023/03/21/mocambique-morte-de-rapper-e-activista-provoca-actos-de-manifestacao-e-repressao-policial/"><span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Azagaia</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> tornaram-se vozes influentes entre os jovens, com canções de crítica social amplamente difundidas em manifestações e plataformas digitais.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<h4 data-section-id="1jf9xca" data-start="5630" data-end="5676"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Tendência regional de bloqueios de internet</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></h4>
<p data-start="5678" data-end="5893"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O debate em Moçambique não é uma situação isolada. <a href="https://www.southernafricalitigationcentre.org/regulamentacao-das-comunicacoes-ameaca-encerramento-da-internet/">Organizações internacionais</a> de monitoramento digital documentaram diversos casos de interrupção da internet em países africanos nos últimos anos, frequentemente associados a processos eleitorais, manifestações populares ou conflitos internos. Em </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://www.dw.com/pt-002/protestos-em-angola-corte-da-internet-levanta-suspeitas-de-censura/a-73381952"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Angola</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> e </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://www.diarioeconomico.co.mz/2025/12/10/mundo/africa/guine-bissau-comando-militar-ameaca-fechar-comunicacao-social-que-noticiar-desobediencia-civil/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Guiné-Bissau</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, por exemplo, o bloqueio ou a restrição do acesso à internet tem sido utilizado por governos durante períodos de instabilidade política.  </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Organizações de direitos humanos e grupos de defesa da liberdade digital argumentam que os bloqueios limitam o acesso à informação, dificultam o trabalho de jornalistas e restringem a participação cívica, e especialistas em governança digital alertam que tais medidas podem ter impactos significativos não apenas no debate público, mas também nos meios de </span></span></span></span></span></span><a href="https://www.southernafricalitigationcentre.org/regulamentacao-das-comunicacoes-ameaca-encerramento-da-internet/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">subsistência</span></span></span></span></span></span></a> da população civil.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Apesar da entrada em vigor do decreto referido, em Moçambique, ainda não se registou a sua aplicação prática, o que dificulta avaliar os efeitos que ele poderá ter nas mãos do governo. Paralelamente, o Conselho Constitucional </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">ainda não se manifestou sobre o posicionamento das organizações da sociedade civil</span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> quanto</span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> a uma eventual inconstitucionalidade do diploma, o que contribui para um cenário de incerteza jurídica e institucional.  </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/tirso-sitoe/' class='user-link'>Tirso Sitoe</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Como Bad Bunny apresentou a crise energética de Porto Rico para o resto do mundo</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/28/como-bad-bunny-apresentou-a-crise-energetica-de-porto-rico-para-o-resto-do-mundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kelly Teotonio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 13:13:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Caribe]]></category>
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					<description><![CDATA[O sistema elétrico de Porto Rico sofreu diversas crises desde o furacão Maria em 2017, o qual destruiu parte da rede e provocou o maior apagão da história moderna dos Estados Unidos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Para milhões, um visual marcante, mas para os porto-riquenhos, é apenas um reflexo de sua realidade.</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G6FuWd4wNd8"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/Screenshot-2026-03-18-at-10.16.05-AM-800x447.png" alt="Captura de tela da apresentação do Bad Bunny no show de intervalo do Super Bowl LX. Foto: NFL Youtube. Usada com autorização." width="800" height="447" /></a><p class="wp-caption-text">Captura de tela da apresentação do Bad Bunny no show de intervalo da Apple Music do Super Bowl LX. Foto: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=G6FuWd4wNd8&amp;list=RDG6FuWd4wNd8&amp;start_radio=1">NFL YouTube. </a>Uso justo.</p></div>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Os shows durante o intervalo do Super Bowl sempre são um grande espetáculo, mas o artista porto-riquenho <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Bad_Bunny" target="_blank" rel="noopener">Bad Bunny</a> fez algo incomum no <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Super_Bowl_LX_halftime_show" target="_blank" rel="noopener">Super Bowl LX</a>: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=G6FuWd4wNd8" target="_blank" rel="noopener">deu uma aula</a> sobre distribuição de energia ao transformar a infraestrutura elétrica em uma coreografia perfeitamente sincronizada.</span></p>
<p>Enquanto o cantor apresentava sua canção “<a href="https://www.youtube.com/watch?v=bULgFtLuBc8&amp;list=RDbULgFtLuBc8&amp;start_radio=1">El Apagón</a>” (“O apagão”), dançarinos vestidos de eletricistas escalavam postes elétricos e faíscas saíam dos cabos de energia. Para milhões de pessoas, foi um momento visual impressionante. Porém, para os porto-riquenhos, <a href="https://globalvoices.org/2017/09/25/puerto-rico-trapped-between-colonialism-and-hurricanes/">refletiu</a> a realidade do dia a dia: uma rede elétrica frágil e apagões sucessivos que, por anos, têm <a href="https://globalvoices.org/2016/09/28/puerto-rican-unity-a-bright-spot-in-the-darkness-of-an-archipelago-wide-blackout/">definido o estilo de vida</a> dos moradores da ilha.</p>
<p>Conforme <a href="https://san.com/cc/why-did-bad-bunny-climb-a-utility-pole-a-deep-dive-into-puerto-ricos-power-grid/">relatou</a> Diana Hernández, professora e codiretora do Laboratório de Oportunidades Energéticas da Universidade de Columbia, para a plataforma jornalística Straight Arrow News:&#8221;Para quem talvez tenha esquecido, ao escalar postes de energia elétrica, Bad Bunny deu voz e visibilidade a uma situação persistente sobre o que significa ser impotente em Porto Rico, no sentido mais literal possível&#8221;.</p>
<p>Mesmo sem citar termos como &#8220;<a href="https://globalvoices.org/special/sids-nations/">mudanças climáticas</a>&#8220;, a apresentação ilustrou um momento de comunicação sobre a energia, que milhões puderam entender imediatamente, em nível local e global:</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">The production on the Bad Bunny halftime show was off the charts. From the cane fields to the broken power lines, it was rich in symbolism and Puerto Rican pride. And pounded to a relentless beat. <a href="https://twitter.com/hashtag/SuperBowl?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#SuperBowl</a></p>
<p>— Tom Harrington (@cbctom) <a href="https://twitter.com/cbctom/status/2020673290449060154?ref_src=twsrc%5Etfw">February 9, 2026</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>A produção do show de Bad Bunny durante o intervalo foi fora de série. Desde as plantações de cana até as fiações danificadas, foi rico em simbolismo e orgulho porto-riquenho. E ao ritmo de uma batida implacável. #SuperBowl</p></blockquote>
<p>Devido à natureza urgente e extensa do problema, a ciência climática e a comunicação resultantes sobre a situação costumam estar <a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/sd.70852">associadas</a> ao aumento da ansiedade existencial. <span style="font-size: 1.25rem;">No entanto, iniciativas como o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://climatecommunication.yale.edu/" target="_blank" rel="noopener">Programa Yale sobre Comunicação das Mudanças Climáticas</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.amazon.com/Climate-Action-Kids-Introduction-Introductions/dp/1647554470" target="_blank" rel="noopener">livros infantis,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> como o do escritor nova-iorquino Ian Hunt, buscam abordar o problema em nível sistêmico.</span></p>
<h3>Sobrecarga de rede</h3>
<p>O sistema elétrico de Porto Rico sofreu diversas crises desde a <a href="https://pt.globalvoices.org/2017/10/19/autoridades-encobrem-a-devastacao-e-o-numero-de-mortos-em-porto-rico/">devastação da ilha pelo furacão Maria</a> em 2017. A tempestade destruiu a maior parte da rede de distribuição e provocou o maior apagão da história moderna dos Estados Unidos, deixando várias comunidades sem energia por quase um ano. Depois de quase nove anos, interrupções no fornecimento de energia ainda são rotineiras.</p>
<p><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.eia.gov/todayinenergy/detail.php?id=65925" target="_blank" rel="noopener">Dados oficiais do governo</a><span style="font-size: 1.25rem;"> mostram que, entre 2021 e 2024, os usuários porto-riquenhos passaram por 27 horas de interrupção de eletricidade por ano — sem incluir interrupções causadas por tempestades —, bem acima da média em todo o território dos EUA.</span> Somente em 2024, os moradores registraram mais 70 horas sem energia, incluindo interrupções causadas por tempestades.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Entretanto, os preços da energia elétrica continuam sendo os mais altos dos Estados Unidos, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://findenergy.com/pr/" target="_blank" rel="noopener">variando</a><span style="font-size: 1.25rem;"> entre US$ 0,24 e US$ 0,49 por quilowatt-hora nos últimos anos, o que está significativamente acima da média do continente.</span> Isso <a href="https://www.eia.gov/states/RQ/analysis">reflete</a> décadas de investimento precário, infraestrutura desatualizada e uma rede exposta a riscos naturais, mas os números sozinhos não mostram o que ocorre na prática: alimentos estragados, <a href="https://healthresponsealliance.org/updated-apr-18-spotrep-puerto-rico-island-wide-power-outage">aparelhos de diálise paralisados</a>, estabelecimentos fechados e crianças que usam lanternas para concluir seus deveres escolares.</p>
<h3>Decadência dos sistemas de energia</h3>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">O sistema de energia de Porto Rico depende fortemente de usinas termelétricas que utilizam combustíveis fósseis, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://openinframap.org/stats/area/Puerto%2520Rico/plants" target="_blank" rel="noopener">localizadas</a><span style="font-size: 1.25rem;"> no sul da ilha.</span> A energia deve percorrer grandes distâncias por territórios montanhosos para chegar às populações do norte. Esses corredores de transmissão são bastante vulneráveis a furacões, deslizamentos de terra e eventos climáticos extremos.</p>
<p>Enquanto isso, o relatório da Sociedade Americana de Engenheiros Civis sobre a infraestrutura de Porto Rico (2019) classificou o sistema elétrico com a <a href="https://2021.infrastructurereportcard.org/state-item/puerto-rico/">nota F</a>, citando equipamentos deteriorados, redundância insuficiente e planejamento limitado de resiliência. <span style="font-size: 1.25rem;">O especialista em energia, Cecilio Ortiz García, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.nytimes.com/interactive/2018/05/06/us/puerto-rico-power-grid-hurricanes.html%23:~:text=The%2520Corroding%2520Grid,on%2520the%2520island%2520was%2520out." target="_blank" rel="noopener">descreveu o sistema</a><span style="font-size: 1.25rem;"> sem rodeios: &#8220;A rede elétrica que o furacão Maria encontrou já estava à beira do colapso&#8221;.</span></p>
<p>Desde então, as mudanças climáticas intensificaram ainda mais os riscos. <span style="box-sizing: border-box;">O aumento da temperatura do oceano contribui para a formação de tempestades mais intensas e outros furacões, como o <a href="https://socialbites.ca/news/hurricane-fiona-puerto-rico-struggles-with-power-outages-flooding-and-shelters" target="_blank" rel="noopener">Fiona em 2022</a>, que, mais uma vez, provocou cortes de luz.</span> Em um sistema já enfraquecido por décadas de financiamento escasso, até mesmo perturbações menores podem gerar um efeito em cascata entre os habitantes.</p>
<h3>Desafios no investimento</h3>
<p>Em 2021, Porto Rico <a href="https://ieefa.org/resources/puerto-rico-grid-privatization-flaws-highlighted-first-two-months-operation">transferiu o gerenciamento da sua rede de transmissão e distribuição </a><span style="box-sizing: border-box;">para</span> a LUMA Energy, um consórcio norte-americano e canadense, com o  intuito de modernizar as operações. No entanto, a tentativa de privatização <a href="https://spectrum.ieee.org/the-privatization-of-puerto-rico-power-grid-mired-in-controversy">tem gerado controvérsias</a>.</p>
<p>Moradores locais protestam contra quedas de energia frequentes e aumentos na conta de luz, enquanto críticos apontam que as melhorias na confiabilidade têm sido lentas. Por outro lado, <span style="font-size: 1.25rem;">apoiadores do projeto </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.cbsnews.com/news/hurricane-maria-luma-energy-power-grid/" target="_blank" rel="noopener">rebatem</a><span style="font-size: 1.25rem;"> dizendo que  reconstruir um sistema inteiro requer tempo e investimentos contínuos.</span></p>
<p>As restrições financeiras complicam ainda mais a situação. <span style="box-sizing: border-box;">A Autoridade de Energia Elétrica de Porto Rico (PREPA) <a href="https://finance.yahoo.com/news/puerto-ricos-prepa-urged-tough-160320696.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAAApRY2kte3ACGgwfnCt7sVoWk_Dbsd86JEkJuygpMiBHYnqjFoRAr1H7zAlxxGZucWuhtKJzjbcqeyopx1rYys0ESFF5PwUcqIP3kJTzfPL-RpPANvfEbVWzHMMg3wPTRLyMgnIH6CIaE0oO-Fp1rnMqEFg9Y-tS414u0AuA5BYM" target="_blank" rel="noopener">tem dívidas de bilhões de dólares</a>, o que dificulta o financiamento para realizar as extensas melhorias em sua infraestrutura.</span> A assistência federal também tem sido instável. <span style="font-size: 1.25rem;">Em 2023, o Departamento de Energia dos EUA </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.energy.gov/gdo/puerto-rico-energy-resilience-fund" target="_blank" rel="noopener">lançou</a><span style="font-size: 1.25rem;"> o Fundo de Resiliência Energética de Porto Rico no valor de US$ 1 bilhão, com o objetivo de expandir sistemas de energia solar em telhados e de armazenamento em baterias para famílias em situação de vulnerabilidade, mas as últimas notícias </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://time.com/7381685/puerto-rico-power-outages-renewable-energy/" target="_blank" rel="noopener">indicaram</a><span style="font-size: 1.25rem;"> que parte dos recursos foi adiada ou redirecionada.</span></p>
<p>Apesar dos desafios, a transformação está em curso e os sistemas de energia solar em telhados e de armazenamento em baterias estão se expandindo em Porto Rico. Desde o segundo semestre de 2025, a ilha <a href="https://ieefa.org/resources/rooftop-solar-puerto-rico-reaches-10-grid-reliability-continues-wane">instalou</a> mais de um gigawatt de capacidade em energia solar, suprindo uma grande parcela da demanda energética.</p>
<h3>As comunidades se mobilizam</h3>
<p>Há também iniciativas criadas pela própria comunidade. Em Adjuntas, cidade localizada na região montanhosa, a organização sem fins lucrativos Casa Pueblo tornou-se <a href="https://www.france24.com/en/live-news/20250725-puerto-rico-s-community-owned-solar-power-alternative-to-frequent-blackouts">pioneira</a> na implementação de microredes solares, permitindo que comunidades locais e empresas continuem operando mesmo diante de uma falha na rede central. O dono de um pequeno negócio local descreveu a mudança como:&#8221;Agora eu tenho estabilidade, não fico sem energia e posso continuar trabalhando&#8221;.</p>
<p>Os engenheiros têm defendido cada vez mais a abordagem de rede &#8220;de cima para baixo&#8221;, construindo resiliência por meio de sistemas de distribuição da energia que conectam residências, bairros e até redes maiores. Para as regiões insulares mais sujeitas a furacões e condições climáticas severas, esses sistemas proporcionam descarbonização e segurança energética.</p>
<h3>Cultura popular como comunicação sobre mudanças climáticas</h3>
<p>É por isso que essa apresentação de Bad Bunny foi tão importante. A comunicação sobre mudanças climáticas frequentemente depende de estatísticas, debates políticos e projeções de riscos futuros. Ainda que importantes, essas informações podem parecer abstratas, mas, no contexto cultural, são vistas de outra forma.</p>
<p>Apenas colocando os &#8220;linieros&#8221; – trabalhadores que reparam os fios de energia dos postes de Porto Rico – como foco de uma apresentação global, Bad Bunny tornou visível a infraestrutura da ilha e suas falhas. Os postes se tornaram adereços de palco e os apagões, letras de canções.</p>
<p>Como <a href="https://san.com/cc/why-did-bad-bunny-climb-a-utility-pole-a-deep-dive-into-puerto-ricos-power-grid/">observou</a> Hernández, o momento representou &#8220;a ascensão do poder, apesar de todos os desafios e, realmente, contra todas as expectativas&#8221;. Os milhões de pessoas que assistiram ao Super Bowl de repente viram o que normalmente se escondia: os sistemas físicos que fazem as sociedades funcionar e as consequências quando falham.</p>
<p>No entanto, o futuro energético de Porto Rico <a href="https://www.canarymedia.com/articles/distributed-energy-resources/puerto-ricos-energy-future-distributed-solar-or-centralized-grid">ainda é incerto</a>. São contínuos debates sobre privatização, dependência de combustíveis fósseis, transformações renováveis e sobre o quão rápido deve ser essa transição para que a ilha possa ter sistemas de energia mais resilientes. Mas o show durante o intervalo do jogo revelou algo inesperado: a infraestrutura pode atrair atenção cultural. A rede elétrica, geralmente invisível ao público, aos poucos se tornou foco de uma discussão global.</p>
<p>A crise de rede elétrica de Porto Rico <a href="https://time.com/article/2026/03/17/cuba-economic-energy-crisis-trump-us-explainer/">não é única</a>. No mundo todo, sistemas de energia enfrentam uma grande pressão por causa das mudanças climáticas, das infraestruturas antigas e do aumento da demanda. A diferença é que muitas dessas redes não tiveram um momento no Super Bowl. O Bad Bunny não deu um discurso ao público sobre mudanças climáticas ou política energética. Em vez disso, ele mostrou como a vulnerabilidade funciona e, às vezes, é a mensagem mais poderosa de todas.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/vishalmanve/' class='user-link'>Vishal Yashoda</a>, <a href='https://globalvoices.org/author/ashmi-guevara/' class='user-link'>Ashmi Guevara</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/kelly-teotonio-de-sousa/' class='user-link'>Kelly Teotonio</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/03/22/how-bad-bunny-brought-the-issue-of-puerto-ricos-power-grid-into-world-view/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/Screenshot-2026-03-18-at-10.16.05-AM-400x300.png" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Entre a algoritmização dos territórios e a monocultura de dados: Há caminhos para uma IA que respeite direitos e a vida?</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/23/entre-a-algoritmizacao-dos-territorios-e-a-monocultura-de-dados-ha-caminhos-para-uma-ia-que-respeite-direitos-e-a-vida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Global Voices Lusofonia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 18:00:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ativismo Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[O conhecimento empírico do território, lapidado ao longo de séculos e repassado de geração em geração por comunidades tradicionais, é sumariamente descartado como obsoleto.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Quem controla essas ferramentas, a serviço de quem elas operam e quais existências elas apagam?</em></big></p><div id="attachment_122373" style="width: 2503px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122373" class="wp-image-122373 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT.webp" alt="" width="2503" height="1375" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT.webp 2503w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT-400x220.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT-800x439.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT-1536x844.webp 1536w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT-2048x1125.webp 2048w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT-1200x659.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 2503px) 100vw, 2503px" /><p id="caption-attachment-122373" class="wp-caption-text">Por Paula Vilar para a APC. Usado com permissão.</p></div>
<p><em><strong>Por Mariana Tamari</strong></em></p>
<p><em>Este artigo faz parte da série “Não pergunte à IA, pergunte a um par” — uma colaboração entre o Global Voices, a Association for Progressive Communications e o GenderIT. A série visa reafirmar a importância do compartilhamento de conhecimento entre as pessoas, tal como tem sido feito há décadas. Você pode acompanhar a série em <i><a title="http://apc.org" href="http://apc.org/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=http://apc.org/&amp;source=gmail&amp;ust=1776226110374000&amp;usg=AOvVaw339x24XenKRKq6iLYURWU9"><u>APC.org</u></a>, <a title="http://genderit.org" href="http://genderit.org/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=http://genderit.org/&amp;source=gmail&amp;ust=1776226110374000&amp;usg=AOvVaw2HBjbb3ESoSkOKIeqyV7nu"><u>GenderIT.org</u></a> e <a title="https://globalvoices.org" href="https://globalvoices.org/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://globalvoices.org/&amp;source=gmail&amp;ust=1776226110374000&amp;usg=AOvVaw2151VZ530FoqmIG7kD0Qr2"><u>globalvoices.org</u></a></i>. Ela também integra a série de destaque do Global Voices de abril de 2026, “<a href="https://globalvoices.org/special/human-perspectives-on-ai/">Perspectivas humanas sobre a IA</a>”. Você pode apoiar esta cobertura fazendo uma doação <a href="https://globalvoices.org/2026/04/03/support-our-first-global-voices-spotlight-issue-human-perspectives-on-ai/">aqui</a>.</em></p>
<p>A pergunta “O que pode ser feito para criar e promover uma abordagem de direitos humanos para a inteligência artificial?” nos leva, em geral, a circular por campos abstratos e universalistas de princípios éticos, marcos regulatórios e da inovação per se. Mas, quando essa séria da APC e Global Voices me trouxe o desafio de construir um artigo para respondê-la a partir das minhas experiências enquanto pesquisadora, achei que era preciso ancorá-la em realidades concretas, onde a inteligência artificial, a automação e a digitalização já estão sendo implantadas nos territórios, e seus impactos são sentidos por corpos, biomas e comunidades específicas.</p>
<p>Foi essa necessidade de materializar o debate que me conduziu ao caminho da pesquisa-ação que construí, em co-autoria com Joana Varon, na Coding Rights, para o <a href="https://www.tramas.digital/">Projeto Tramas</a>, da Coalizão Feminista Decolonial pela Justiça Digital e Ambiental. Ao longo dessa investigação, compreendemos que o questionamento sobre uma IA orientada por direitos humanos deixa de ser especulativo e passa a ser urgente e situado. Quem controla essas ferramentas, a serviço de quem elas operam e quais existências elas apagam?</p>
<p>Quando voltamos nosso olhar para as tendências e narrativas que moldam hoje a grande indústria do agronegócio, somos imediatamente transportadas para uma realidade que se assemelha a um distópico roteiro de ficção científica. Longe da imagem tradicional do agricultor com uma enxada nas mãos, trabalhando em comunhão com a terra, o campo gerido pelas gigantes do setor é formado por milhares de hectares praticamente sem pessoas e sem diversidade agrícola.</p>
<p>O agronegócio digitalizado é masculino e patriarcal, em contraposição ao imaginário da agricultura tradicional e familiar, em que a reprodução da vida era cuidadosa e delicadamente cultivada pela Natureza. Ele é hiperconectado, asséptico e dominado por maquinários pesados que lembram naves espaciais ou tanques de guerra. Esse é o agronegócio orquestrado pela simbiose predatória entre as maiores empresas de tecnologia do mundo, os gigantescos conglomerados do agronegócio e os vultosos capitais do mercado financeiro. Trata-se de uma aliança poderosa entre as <a href="https://tramas.digital/pt/casos/matopiba/">Big Tech, as Big Agro e o Big Money</a>.</p>
<h3>Desvendando falsas narrativas</h3>
<p>Ao investigar os impactos brutais da digitalização da monocultura brasileira e o emaranhado econômico e de poder dentro dela, surgem questionamentos críticos a esse modelo. Diante de um cenário onde as inserções da tecnologia digital, da inteligência artificial e da conectividade se impõem de maneira tão inevitável e enquanto força de expulsão territorial, o que pode e deve ser feito para criar e promover uma abordagem dos avanços da tecnologia digital e da IA que sejam ancoradas na defesa de direitos?</p>
<p>Para lidar com essa contradição é necessário expor a máscara sobre o discurso dessa indústria. A narrativa hegemônica, vendida em grandes feiras e eventos de tecnologia do setor, exalta as chamadas &#8220;agricultura de precisão&#8221; ou a “digitalização da agricultura”. Enxames de sensores espalhados pela terra, monitoramento remoto, automação de frotas e complexos modelos preditivos baseados em inteligência artificial são comercializados como soluções tecnológicas mágicas para todos os desastres provocados pela própria monocultura, da degradação acelerada do solo, às infestações de pragas derivadas da falta de diversidade até a escassez de mão de obra.</p>
<p>No universo paralelo criado pelo setor corporativo, o iminente colapso climático simplesmente não existe. O futuro prometido é sempre de controle e fartura, garantido pela tecnologia digital e pela precisão que apenas a IA pode oferecer. A grande promessa da aliança entre as Big Agro com as Big Tech é de que vastas extensões de terra monocultivadas fiquem ao alcance de um toque na tela do celular, com colheitadeiras e tratores colossais sendo operados remotamente, convertendo a gestão da vida em um frio jogo de videogame.</p>
<p>É exatamente neste ponto do discurso que reside a fratura mais grave contra direitos fundamentais. A digitalização irrestrita consolida um modelo onde não prevalece mais a presença humana em contato íntimo, direto e respeitoso com a terra. O conhecimento empírico do território, lapidado ao longo de séculos e repassado de geração em geração por comunidades tradicionais, é sumariamente descartado como obsoleto. Presenciamos uma mutação ontológica avassaladora, em que nossas relações de trabalho, nossos laços comerciais, nossos afetos e as nossas interações com a natureza alteram-se estruturalmente e passam a se resumir a uma quantidade imensa e humanamente ingerenciável de dados.</p>
<p>Toda a complexidade dos biomas e daqueles que os habitam é extraída, mastigada e processada em algoritmos de inteligência artificial e armazenados em uma obscura ”nuvem&#8221; tecnológica. Essa infraestrutura invisível dita todas as soluções e caminhos para maximizar os negócios da monocultura. O efeito dessa digitalização generalizada é o apagamento brutal das existências consideradas indesejadas pelo capital. Nessa narrativa, as comunidades tradicionais e os históricos conflitos por terra praticamente desaparecem sob as imagens distantes de satélite. Aldeias, vilas ribeirinhas ou territórios quilombolas não são computados pelos monitores dos operadores remotos. Por serem invisíveis aos algoritmos treinados para enxergar apenas commodities, essas populações são ignoradas pelo poder público, que se deslumbra com a modernidade e delega sua governança ao digital.</p>
<h3>Impactos nas realidades vividas</h3>
<p>Essa invisibilidade programada é materializada em violência e espoliação nas áreas rurais do país, como no caso da região do Cerrado do Matopiba no Brasil (área que compreende parte do estados brasileiros do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que atualmente constitui a <a href="https://tramas.digital/pt/casos/matopiba/#tecnologias-regenerativas-como-saida">principal fronteira de expansão agrícola do país</a>. Ali, a chegada das “inovações” tecnológicas e das narrativas do agro digitalizado ditam o tom violento da expulsão que se soma a conflitos agrários históricos.</p>
<p>O caso da comunidade tradicional da Gleba Tauá, no norte do Tocantins, exemplifica o peso dessa aliança (dados da região do Matopiba e da Gleba Tauá foram obtidos em colaboração de pesquisa com Antônia Laudeci Oliveira Moraes). Famílias que ocupam o território há quase um século vêem seus lares sendo estrangulados pelas novas tecnologias de expulsão manipuladas por <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Grilagem_de_terras">grileiros</a>. A digitalização da gestão fundiária, impulsionada por mecanismos auto declaratórios, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), institucionaliza a <a href="https://tramas.digital/pt/casos/matopiba/%2523o-cadastro-ambiental-rural-brasileiro-da-regularizacao-ambiental-a-grilagem-digital">grilagem digital</a>. Na região do Matopiba, a digitalização dos registros via CAR sobrepõe cadastros irregulares que geram uma disputa fundiária digital, invisibilizando as ocupações tradicionais no território e abrindo caminho para o desmatamento massivo do Cerrado. Como satélites e sistemas de validação automatizada são incapazes de distinguir entre a posse histórica de comunidades tradicionais e a invasão recente promovida pelo desmatamento ilegal, grandes latifundiários utilizam a plataforma digital para registrar terras públicas e coletivas como suas propriedades privadas. O resultado é a formação de um &#8220;<a href="https://oglobo.globo.com/brasil/especial/brasil-ficticio-propriedade-de-terra-autodeclarada-excede-area-do-pais-em-um-para.ghtml">Brasil Fictício</a>&#8220;, no qual o cadastro algorítmico gera ativos financeiros no mercado, legitimando o cerco às comunidades e encobrindo o desmatamento.</p>
<p>E, quando o apagamento promovido pelas bases de dados não é suficiente para demover as comunidades de seus direitos, a tecnologia revela sua face armada. Drones comercializados sob o pretexto da sustentabilidade e precisão têm sido utilizados como instrumentos de terror. Aparelhos não tripulados rondam as propriedades agroecológicas de forma intimidadora, pulverizando nuvens de agrotóxicos sobre as casas, fontes de água e hortas dos pequenos produtores. Os camponeses são sobrevoados por essas ferramentas tecnológicas que disseminam medo, encurralando e expulsando.</p>
<h3>Como integrar tecnologias sem violar direitos?</h3>
<p>Quando vemos a imposição desse modelo codificado como progresso inquestionável sobre os territórios, somos levadas a nos perguntar como a tecnologia digital, baseada em dados e na Inteligência Artificial, pode ser integrada ao campo de maneira a respeitar e garantir direitos?</p>
<p>O primeiro passo é abandonar a falácia da neutralidade tecnológica e algorítmica e questionar a arquitetura de poder subjacente aos sistemas. O cerne do debate sobre os direitos humanos na era digital deve estar focado em desvelar para que serve e, principalmente, quem controla essas ferramentas. Uma IA que respeita direitos e promove avanços para a humanidade deve ser pensada com transparência e governança descentralizada. Encobrir processos de grilagem, espalhar medo, desumanizar as relações ou otimizar o extermínio socioambiental não devem ser ações admissíveis. As infraestruturas tecnológicas públicas devem ser redesenhadas para incorporar a participação coletiva, garantindo que sejam utilizadas para mapear e proteger as territorialidades sociais e a diversidade, e não para apagá-las sob um manto verde padronizado via satélite.</p>
<p>Além disso, forjar uma abordagem baseada em direitos exige a desconstrução dos  tecnosolucionismos. Precisamos compreender que as respostas da sustentabilidade da vida e a defesa da biodiversidade não virão das Big Tech ou das Big Agro. Estas devem estar sob constante escrutínio do poder público e da sociedade civil. Temos que reconhecer a validade superior das tecnologias regenerativas, agroecológicas e ancestrais<a href="https://oo02.apc.org/9.2.1-dafd037d86e2d65efa57febbf6bcb2cd/web-apps/apps/documenteditor/main/index.html?_dc=9.2.1-8&amp;lang=en&amp;customer=ONLYOFFICE&amp;type=desktop&amp;frameEditorId=iframeEditor&amp;isForm=false&amp;parentOrigin=https://share2.apc.org&amp;uitheme=theme-system&amp;fileType=docx#_ftn9" name="_ftnref9">[9]</a>. O agronegócio altamente tecnológico marginaliza essas práticas, mas são as roças tradicionais, as densas redes de troca entre comunidades, de sementes crioulas e a leitura ancestral do clima pelos camponeses que efetivamente cumprem a função de preservar a justiça socioambiental e de garantir a segurança alimentar. Soluções como frotas de drones ou predições calcadas em big data são violentas e, na maioria das vezes, servem apenas para garantir o lucro do agronegócio em detrimento da manutenção da diversidade e da vida.</p>
<p>O caminho para uma IA centrada no ser humano exige que a humanidade recupere a essência da cooperação. A escritora feminista de ficção científica Ursula K. Le Guin, em sua &#8220;Teoria da Bolsa da Ficção&#8221;, fala como a grande tecnologia de sobrevivência não deveria ser a arma que fere, conquista e pulveriza veneno do céu, mas sim o recipiente humano que coleta sementes, tece redes de cuidado mútuo e preserva conhecimentos. É preciso abandonar a lógica da dominação patriarcal fria e distópica para que a IA não seja o algoz do nosso futuro. O desenvolvimento de uma IA que garanta direitos e preserve a vida precisa estar submetido de forma inegociável à justiça socioambiental, assumindo a premissa ancestral de que na grande teia tecnológica da existência não somos manipuladores isolados no topo de uma cadeia, como pregava Nêgo Bispo, o pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos. Temos que ter sempre em mente que &#8220;a terra dá, a terra quer&#8221;.</p>
<p><em>Algumas referências deste artigo não puderam ser incorporadas ao site do Global Voices. Você pode consultá-las <a href="https://www.apc.org/pt-br/blog/entre-algoritmizacao-dos-territorios-e-monocultura-de-dados-ha-caminhos-para-uma-ia-que">no site da Association for Progressive Communication</a>.</em></p>
<hr />
<p><span style="color: #808080;"><em>Mariana Tamari é jornalista e pesquisadora na intersecção entre política, feminismos, tecnologia e justiça socioambiental. Sócia-fundadora da Agência Mira, uma consultoria de comunicação política estratégica, anteriormente atuou como co-diretora executiva da Coding Rights, onde liderou pesquisas, projetos, operações institucionais e equipe multidisciplinar. Antes disso, ocupou cargos como oficial de programa regional na ARTIGO 19 Brasil, Fundação Rosa Luxemburgo e Cisco Networking Academy. Foi também diretora de parcerias na Mapeo &#8211; IA e Big Data. Com formação em jornalismo, trabalhou como repórter na Folha de S.Paulo e Agência Reuters de Notícias e colaborou com inúmeros veículos de comunicação no Brasil, como Revista A Rede, Brasil de Fato, Carta Capital entre outros.</em></span></p>
<p><span style="color: #808080;"><em>Paula Villar nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, no ano de 1992. Se formou em psicologia e fez uma pós-graduação em psicologia hospitalar. Apesar de desenhar desde muito cedo, foi somente na pandemia de COVID-19 que Paula resolveu trocar de profissão, se dedicando assim as artes digitais e o ativismo. Além disso, também trabalha com outros materiais, como tinta à óleo, desenhos realistas de lápis e tinta nanquim.</em></span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/coletivo-editorial/' class='user-link'>Global Voices Lusofonia</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT-400x300.webp" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Perdidos na tradução: como os modelos de IA impactam comunidades linguísticas com poucos recursos</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/22/perdidos-na-traducao-como-os-modelos-de-ia-impactam-comunidades-linguisticas-com-poucos-recursos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando Baumgarten]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Apr 2026 21:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Inglês]]></category>
		<category><![CDATA[Língua]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia e Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Se a situação permanecer inalterada, as comunidades de falantes não anglófonos continuarão a perder terreno na corrida para desbloquear o potencial da IA.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>&#8220;A predominância de conteúdo em inglês na internet influenciou o desenvolvimento das ferramentas atuais no mercado.&#8221;</em></big></p><div id="attachment_850598" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-850598" class="wp-image-source-850598 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/zhendong-wang-ZMsywu80JcM-unsplash.webp" alt="Speech bubbles in many non-ENglish languages. Photo by Zhendong Wang on Unsplash." width="800" height="533" /><p id="caption-attachment-850598" class="wp-caption-text"><a href="https://unsplash.com/photos/a-group-of-colorful-speech-bubbles-on-a-wooden-wall-ZMsywu80JcM"><span dir="auto">Imagem</span></a><span dir="auto"> de </span><a href="https://unsplash.com/@tonybear2"><span dir="auto">Zhendong Wang</span></a><span dir="auto">. Usada sob permissão. Uso livre sob <a href="https://unsplash.com/license">a licença </a></span><a href="https://unsplash.com/"><span dir="auto">Unsplash</span></a><span dir="auto">. </span></p></div>
<p><em>Este post faz parte da série especial de abril de 2026 da Global Voices, &#8220;<a href="https://globalvoices.org/special/human-perspectives-on-ai/">Perspectivas humanas sobre IA</a>&#8220;. Esta série oferecerá insights sobre como a IA está sendo usada nos países de maioria global, como seu uso e implementação estão afetando comunidades individuais, o que esse experimento com IA pode significar para as gerações futuras e muito mais. Você pode apoiar esta cobertura fazendo uma doação <a href="https://globalvoices.org/2026/04/03/support-our-first-global-voices-spotlight-issue-human-perspectives-on-ai/">aqui</a>.</em></p>
<p><span dir="auto">As empresas que desenvolvem produtos que utilizam inteligência artificial (IA) os têm apresentado e vendido como uma forma de oferecer vantagens aos consumidores. A realidade é que inúmeros potenciais clientes fora do Norte Global estão sendo deixados para trás. </span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Um artigo de 2025, publicado pelo </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://hai.stanford.edu/policy/mind-the-language-gap-mapping-the-challenges-of-llm-development-in-low-resource-language-contexts" target="_blank" rel="noopener">Instituto de Inteligência Artificial Centrada no Ser Humano (HAI) de Stanford,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> observou que muitos dos grandes modelos de linguagem  (LLMs, na sigla em inglês) frequentemente apresentam baixo desempenho em idiomas além do inglês.</span> <span style="box-sizing: border-box;">Os pesquisadores chamaram a atenção sobre como os LLMs disponíveis ao público, incluindo aqueles desenvolvidos em parte por empresas como <a href="https://huggingface.co/google-bert/bert-base-multilingual-cased" target="_blank" rel="noopener">Google</a> e <a href="https://huggingface.co/docs/transformers/en/model_doc/xlm-roberta" target="_blank" rel="noopener">Meta</a>, geram respostas inadequadas para usuários da maioria global.</span> Como resultado, esses indivíduos precisam se contentar com ferramentas de IA tendenciosas e pouco confiáveis, o que reforça a ideia de que as grandes empresas consideram suas necessidades como algo secundário.</p>
<p>Os falantes de línguas com poucos recursos, ou seja, aquelas que não dispõem de dados suficientes para treinar adequadamente soluções baseadas em IA, não têm conseguido aproveitar os benefícios dessa inovação. A predominância de conteúdo em inglês na internet moldou significativamente o desenvolvimento das ferramentas disponíveis no mercado, o que, por sua vez, criou uma barreira de acesso para os não anglófonos interessados em IA em todo o mundo.</p>
<p><span dir="auto">Aplicações com recursos de IA também produzem resultados que refletem normas e valores de um grupo seleto da comunidade internacional; tentativas de lidar com esse problema, ao gerar dados em línguas com poucos recursos, por vezes, têm causado mais danos do que benefícios. Se a situação atual permanecer inalterada, as comunidades não anglófonas continuarão a perder terreno na corrida para desbloquear o potencial da IA.</span></p>
<h3><span dir="auto">Perpetuando a exclusão digital</span></h3>
<p><span dir="auto">A falta de dados adequados em idiomas com poucos recursos não é uma preocupação apenas dos engenheiros de IA. Pessoas comuns, que fazem parte da maioria global, perderão os inúmeros benefícios da tecnologia devido a essa lacuna gritante. O jornal </span><em><a href="https://www.nytimes.com/2024/07/26/technology/ai-language-gap.html"><span dir="auto">The New York Times</span></a></em><span dir="auto"> destacou que a concentração do setor de IA em países mais ricos, como os Estados Unidos, exacerbou esse problema. A infraestrutura já consolidada em polos como o Vale do Silício, somada ao grande volume de dados de que dispõem as empresas nessas regiões, acabou favorecendo o Norte Global. Como consequência, milhões de pessoas que falam línguas como curdo e suaíli acabam sendo <a href="https://restofworld.org/2023/chatgpt-problems-global-language-testing/">deixadas em segundo plano</a>, assim como os mercados expressivos que representam.</span><span dir="auto"> Sem os mesmos recursos que seus pares, os falantes de idiomas não anglófonos podem continuar sendo negligenciados no futuro por empresas focadas em IA.</span></p>
<p><span dir="auto">As implicações dessa disparidade linguística são muito abrangentes. Enquanto aqueles do mundo anglófono já se acostumaram a usar IA para uma variedade de tarefas, os indivíduos de comunidades linguísticas com poucos recursos não tiveram a mesma oportunidade. </span><span dir="auto"><span style="box-sizing: border-box;">Como aponta a <a href="https://www.wired.com/story/chatgpt-non-english-languages-ai-revolution/" target="_blank" rel="noopener">Wired</a>, os usuários da maioria global podem descobrir que recorrer a um modelo de linguagem como o ChatGPT para obter respostas é, na melhor das hipóteses, pouco útil e, na pior, inútil.</span> Solicitar que o modelo redija um e-mail em tâmil, por exemplo, pode resultar em um rascunho confuso e cheio de erros em inglês. Esses usuários podem concluir que ferramentas de IA falhas causam mais problemas do que benefícios. À medida que a IA se torna mais onipresente em diversos setores e disciplinas, falantes de outros idiomas podem se ver obrigados a navegar em uma economia cada vez mais interconectada e monolíngue.</span></p>
<h3><span dir="auto">Marginalizando culturas diversas</span></h3>
<p><span dir="auto">A preferência da IA ​​pelo inglês também impacta comunidades linguísticas com poucos recursos de maneiras que vão além de questões financeiras. Especificamente, a visão de mundo revelada nas respostas geradas por ferramentas de IA amplamente utilizadas espelha a perspectiva dos anglófonos do Hemisfério Norte. </span><a href="https://www.theatlantic.com/technology/archive/2024/04/generative-ai-low-resource-languages/678042/#selection-647.0-955.770"><span dir="auto">A revista <em>The Atlantic</em></span></a><span dir="auto"><em> </em>chamou a atenção para esse padrão, observando que isto exemplifica como crenças de países com muitos recursos passam a ser vistas como universais. Perspectivas não anglófonas são frequentemente excluídas em razão de sua baixa  representatividade nos dados utilizados para treinamento de soluções de IA. Indivíduos dessas comunidades podem se sentir prejudicados por desenvolvedores de IA renomados, especialmente diante de suas promessas de que a tecnologia será </span><a href="https://openai.com/index/built-to-benefit-everyone/"><span dir="auto">um trunfo para a humanidade</span></a><span dir="auto">. Embora as ferramentas criadas por esses gigantes do setor só tendam a se tornar mais sofisticadas, as atitudes refletidas em seus resultados provavelmente permanecerão as mesmas.</span></p>
<p>Alguns na área de IA ​​têm procurado corrigir esse desequilíbrio criando mais materiais digitais em idiomas com poucos recursos. Os resultados desses esforços estão longe do ideal. A <a href="https://www.technologyreview.com/2025/09/25/1124005/ai-wikipedia-vulnerable-languages-doom-spiral/">MIT Technology Review</a> examinou o quanto desse conteúdo, extraído da web para aprimorar produtos como os LLMs (grandes modelos de linguagem), está repleto de erros. Isso ocorre porque os próprios sites usados ​​para aprimorar as capacidades multilíngues de uma IA apresentam erros decorrentes de tradução automática. Em alguns casos, indivíduos bem-intencionados, buscando reduzir a lacuna linguística, estão por trás deles. No entanto, muitos não possuem a expertise necessária para avaliar a precisão do próprio trabalho. Seus conteúdos permanecem na web inalterados, tornando-se dados que a IA usa para aprimorar sua &#8220;fluência&#8221;. Nesse estágio, as comunidades linguísticas com poucos recursos podem concluir que o estrago já está feito.</p>
<h3><span dir="auto">Mudando a conversa</span></h3>
<p><span dir="auto">Apesar dessas preocupações, as empresas de IA no Hemisfério Norte estão avançando a toda velocidade para dominar esse setor lucrativo. Vale a pena parar e considerar as consequências mais amplas de suas ações. Por exemplo, comunidades linguísticas com poucos recursos têm sido aparentemente negligenciadas pelos desenvolvedores de produtos, o que as coloca em desvantagem em relação aos anglófonos. Relatórios do setor também mostram como surgiu uma hierarquia cultural que privilegia aqueles no mundo anglófono e como o desmantelamento desse sistema em expansão deve ser aprofundado com cautela e intenção. Em conjunto, essas tendências ressaltam que a filosofia de &#8220;agir rápido e quebrar paradigmas&#8221;, que definiu o setor de tecnologia por anos, permanece viva e forte na era da IA. Tanto no passado quanto no presente, as populações anglófonas lidarão com as repercussões.</span></p>
<div class="entry-container">
<div class="entry">
<p><span dir="auto">É possível adotar medidas para promover a igualdade de oportunidades. Tudo começa trabalhando lado a lado com as comunidades que têm sido marginalizadas na pressa de desenvolver a IA. Os grandes desenvolvedores devem buscar parcerias colaborativas com comunidades de línguas de poucos recursos para combater essa desigualdade crescente. Integrar as contribuições dessas populações no desenvolvimento de soluções, como os LLMs, e, ao mesmo tempo, revisar os resultados para garantir que sejam precisos e autênticos deve ser prioridade para as empresas que desejam fazer a diferença. Além disso, poderiam unir forças com </span><a href="https://www.masakhane.io/"><span dir="auto">líderes comunitários de IA</span></a><span dir="auto"> determinados a criar ferramentas mais adequadas às necessidades dos falantes de línguas com poucos recursos. Ao adotar essa abordagem culturalmente sensível, a IA pode ser desenvolvida e aprimorada de modo que beneficie a maioria, e não apenas alguns.</span></p>
</div>
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<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/aaronspitler/' class='user-link'>Aaron Spitler</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/fernando-binda-baumgarten/' class='user-link'>Fernando Baumgarten</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/04/08/lost-in-translation-how-ai-models-impact-low-resource-language-communities/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/zhendong-wang-ZMsywu80JcM-unsplash-400x300.webp" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Na República Democrática do Congo, árvores urbanas são reservatórios naturais de CO₂ que merecem mais atenção</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/17/na-republica-democratica-do-congo-arvores-urbanas-sao-reservatorios-naturais-de-co%e2%82%82-que-merecem-mais-atencao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Ferreira Wittaker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 13:04:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[República Democrática do Congo]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
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					<description><![CDATA[Árvores urbanas não são apenas decorações paisagísticas. Elas são sequestradoras de carbono naturais, capazes de neutralizar emissões de dióxido de carbono (CO₂) relacionadas às atividades humanas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Novo estudo mostra que 1,759 toneladas de biomassa estão guardadas acima do solo nas árvores urbanas de Bunia.</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://fr.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/Design-sans-titre11-800x450.png" alt="Overview of Bunia. Screenshot from the video “By early 2026, the city of Bunia will have a modern airport built in international standards” on the Today TV YouTube channel" width="800" height="450" /><p class="wp-caption-text">Vista aérea de Bunia. Captura de tela do vídeo &#8220;Até o começo de 2026, a cidade de Bunia terá um aeroporto moderno construído com padrões internacionais&#8221; do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=skHKoWfLia8">canal no Youtube da HK Today TV</a>.</p></div>
<p><em style="font-size: 1.25rem;">Este artigo foi publicado inicialmente em 8 de março de 2026, no site </em><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://greenafia.com" target="_blank" rel="noopener"><em>www.greenafia.com</em></a><em style="font-size: 1.25rem;">.</em><em> A Global Voices republicou este artigo como parte de um acordo de parceria com <a href="https://greenafia.com/climat-et-villes-africaines-une-etude-montre-que-les-arbres-urbains-de-bunia-capturent-jusqua-124-kg-de-co%E2%82%82-par-arbre/">GreenAfia</a>.</em></p>
<p>Árvores plantadas em grandes cidades são parte essencial da solução para as mudanças climáticas. <span style="font-size: 1.25rem;">Embora sejam tradicionalmente consideradas menos importantes do que as </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.weforum.org/stories/2025/06/forests-old-growth-trees-protection/#:~:text=A%20new%20World%20Resources%20Institute,Image:%20WRI" target="_blank" rel="noopener">florestas primárias</a><span style="font-size: 1.25rem;">, um estudo de outubro de 2025 mostra que elas desempenham um papel significativo nos esforços de conservação, despertando o interesse de cientistas da República Democrática do Congo (RDC).</span></p>
<p>Um <a href="https://www.researchgate.net/publication/396727508_Estimation_du_stock_de_carbone_et_potentiel_de_la_biodiversite_ligneuse_a_sequestrer_le_carbone_en_milieux_urbains_Cas_de_la_ville_de_Bunia_en_province_de_l'Ituri_RDC">estudo científico</a> conduzido na província de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Bunia">Bunia</a>, em Ituri, no nordeste da RDC, demonstrou que árvores urbanas não são apenas decorações paisagísticas. Elas são sequestradoras naturais de carbono, capazes de neutralizar uma porção significativa das emissões de dióxido de carbono (CO₂) associadas às atividades humanas.</p>
<h3>Cidades como sequestradoras de carbono</h3>
<p>Ao contrário dos muitos estudos em florestas naturais, nos centros urbanos africanos praticamente não há políticas climáticas devido à falta de dados confiáveis. <span style="font-size: 1.25rem;">Para remediar esta falta, pesquisadores da </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://uni-bu.ac.cd/" target="_blank" rel="noopener">Universidade de Bunia</a><span style="font-size: 1.25rem;"> catalogaram 2.311 árvores distribuídas em 21 terrenos de um hectare, em três comunidades de Bunia: </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://fr.wikipedia.org/wiki/Mbunya_(Bunia)" target="_blank" rel="noopener">Mbunya</a><span style="font-size: 1.25rem;">, Nyakasanza e Shari.</span></p>
<p>Usando métodos não destrutivos baseados no diâmetro, na altura e na densidade da madeira das árvores, o time estimou a biomassa e a reserva de carbono sem derrubar nenhuma árvore.</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Os números deste <a href="https://www.researchgate.net/publication/396727508_Estimation_du_stock_de_carbone_et_potentiel_de_la_biodiversite_ligneuse_a_sequestrer_le_carbone_en_milieux_urbains_Cas_de_la_ville_de_Bunia_en_province_de_l%27Ituri_RDC" target="_blank" rel="noopener">estudo</a> falam por si mesmos: 1.759 toneladas de biomassa estocada acima do solo por árvores urbanas em Bunia; 8.795 toneladas de carbono sequestrado, o que equivale a 2.374 toneladas de CO₂ removidas da atmosfera.</span></p>
<p>Uma árvore urbana em Bunia guarda, em média, 380 kg de carbono, o que equivale a quase 124 kg de CO₂ absorvido. Em um hectare urbano, a média de carbono guardado é de 47,6 toneladas, cifra comparável a algumas áreas florestais degradadas.</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Em Bunia, se uma árvore urbana pode compensar até 124 kg de CO₂, ela adquire um valor de carbono entre um e quatro dólares no <a href="https://www.climatepartner.com/fr/connaissances/glossaire/marche-volontaire-du-carbone" target="_blank" rel="noopener">mercado voluntário de carbono</a> (mecanismo de troca de créditos de carbono que permite que empresas e indivíduos compensem suas pegadas de carbono voluntariamente), o que prova que as cidades congolesas podem transformar suas árvores em verdadeiros ativos climáticos.</span></p>
<h3>Nem todas as espécies têm o mesmo papel</h3>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Uma das maiores contribuições do estudo foi a identificação das espécies mais capazes de sequestro de carbono: <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Eucalyptus_globulus" target="_blank" rel="noopener"><em>Eucalyptus globulus</em></a><em> </em>(61% de carbono sequestrado); <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Mangifera_indica" target="_blank" rel="noopener"><em>Mangifera indica</em></a> (mangueira), 14%; <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Persea_americana" target="_blank" rel="noopener"><em>Persea americana</em></a> (abacateiro), 9%; <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Grev%C3%ADlea-robusta" target="_blank" rel="noopener"><em>Grevillea robusta, </em></a>7%; e <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A1ssia-de-si%C3%A3o" target="_blank" rel="noopener"><em>Senna siamea, </em></a><em>5%</em><em>.</em></span></p>
<p>Estas descobertas mostram que a escolha das espécies é importante. Algumas, devido à densidade de sua madeira e crescimento acelerado, desempenham um papel climático desproporcional em relação à sua quantidade.</p>
<p>Este estudo muda muita coisa, especialmente no desenvolvimento de políticas urbanas, pois as cidades congolesas agora podem incluir árvores urbanas como infraestruturas climáticas, assim como sistemas viários e de drenagem. Plantar ou preservar algumas árvores é, portanto,  uma estratégia de mitigação climática mensurável.</p>
<p>Em termos de uso da terra e reflorestamento, o estudo fornece uma base científica para selecionar quais espécies priorizar, evitar plantas decorativas de baixo impacto no carbono e focar em programas de arborização urbana que utilizem espécies com forte desempenho climático.</p>
<p>Bunia também pode atrair a atenção de elaboradores de políticas que definem a estrutura de financiamento climático. Com dados locais, cidades como Bunia podem buscar projetos-piloto de créditos de carbono urbanos, financiamentos para adaptação e mitigação climáticas e aprimorar a gestão ecológica dos espaços verdes.</p>
<p>O estudo mostra que a luta contra as mudanças climáticas não se dá apenas nas grandes florestas da Bacia do Congo, mas também nas ruas, campos, escolas e distritos urbanos, onde cada árvore conta. Mas, mais importante, cada seleção de espécies, cada política de preservação ou destruição tem um preço mensurável.</p>
<div class="factbox">
<h4>Leia mais em: <a title="En RDC, le média Green Afia fait de l'éducation verte sa mission" href="https://fr.globalvoices.org/2025/03/25/294238/" rel="bookmark">Green Afia Magazine makes environmental education its core mission: An interview with Hervé Mukulu</a></h4>
</div>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (Français) by</span> <a href='https://fr.globalvoices.org/author/greenafia/' class='user-link'>Green Afia</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/laura-dunne/' class='user-link'>Laura</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/gabriel-ferreira-wittaker/' class='user-link'>Gabriel Ferreira Wittaker</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://fr.globalvoices.org/2026/03/03/300720/'>Veja o post original (Français)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://fr.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/Design-sans-titre11-400x300.png" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Morre compositor, dramaturgo e satirista político libanês, Ziad Rahbani: A voz de uma geração se cala</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/14/morre-compositor-dramaturgo-e-satirista-politico-libanes-ziad-rahbani-a-voz-de-uma-geracao-se-cala/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mariana Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 16:11:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Inglês]]></category>
		<category><![CDATA[Líbano]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio e Norte da África]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Mão]]></category>
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					<description><![CDATA[Para muitos, Ziad Rahbani foi o primeiro contato com a política em um país e uma região assolados por guerras, ocupações e violência sectarista.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Agradecemos pela música, pelas palavras, pelas risadas e por dar voz à nossa juventude</em></big></p><div id="attachment_840469" style="width: 1902px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-840469" class="wp-image-source-840469 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/07/Screenshot-2025-07-27-at-8.01.20 p.m.png" alt="" width="1902" height="1224" /><p id="caption-attachment-840469" class="wp-caption-text">Ziad Rahbani (centro), no palco, com seu antigo amigo e colaborador, Joseph Sakr (à esquerda), que morreu em 1997. Captura de um <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ugx9LD08tRQ">vídeo</a> do <a href="http://youtube.com">Youtube</a> do canal <a href="https://www.youtube.com/@ALJadeedNewslb">Al Jadeed News</a>. Uso justo.</p></div>
<p><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Ziad_Rahbani">Ziad Rahbani</a>, icônico compositor, dramaturgo e satirista político libanês, morreu nesse sábado, dia 16 de julho, em Beirute, deixando a região em ruínas e uma geração em luto. Mais do que uma figura cultural, Ziad era um símbolo de rebelião, inteligência e crítica <span style="font-weight: 400;">— um artista com músicas, peças e uma personalidade que inspiraram milhões de pessoas no mundo todo.</span></p>
<p>Nascido em 1956, filho da lendária cantora libanesa <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Fairuz">Fairuz</a> e do compositor <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Assi_Rahbani">Assi Rahbani</a>, Ziad criou um espaço singular tanto na música quanto na política. Desde jovem, ele desafiou convenções, tornando-se uma voz da esquerda árabe que questionava a autoridade, a religião, o sectarismo e os absurdos do poder.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/OrJeU9S1uWA?si=DhbWbah2CypitRgz" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>As peças teatrais, as músicas e os esquetes de rádio de Rahbani não eram apenas entretenimento; ensinavam, provocavam e desafiavam. Para muitos, Ziad Rahbani foi o primeiro contato com a política em um país e uma região assolados por guerras, ocupações e violência sectarista. Por meio de sarcasmo e sinceridade, entre acordes de piano e jogos de palavras, Rahbani introduziu gerações aos ideais esquerdistas de rebelião, crítica e imaginação coletiva.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/AF_Mp32XV_E?si=L5lC4ksepsyrPWrL" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Milhões ao redor do mundo árabe ainda conseguem recitar diálogos inteiros das peças de Rahbani, letras de suas músicas ou citações de seus programas de rádio, frequentemente gravados por ele mesmo, que ainda são comentários relevantes até hoje.</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Seu arquivo artístico, tanto na música quanto no teatro, é rico, poderoso e à frente do seu tempo, combinando jazz, bossa nova e funk com estilos musicais da tradição árabe, além de letras provocativas, criando um estilo único — chamado de &#8220;jazz oriental&#8221; — que influenciou muitos que vieram depois dele.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/qxIZDpShHC0?si=ZllnVVyzzV4W6eEK" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>O legado de Rahbani continua sendo uma prova viva das reviravoltas políticas, sociais e emocionais das últimas cinco décadas, com todas as suas contradições.</p>
<p>Hoje, ele nos deixa em um momento em que a região está mais colonizada, reprimida e fragmentada do que nunca, e ainda mais distante do que ele sonhava como um jovem comunista na década de 1970, dedicado à liberação palestina e às revoluções proletárias.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/xVUO_KCIXkI?si=gPMzsAeRFEk-mMtK" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Sua perda arrasa uma geração que passou por inúmeros ciclos de transformações e  derrotas políticas, violência e alienação, muitas vezes com a música e as peças de Rahbani como pano de fundo de suas esperanças e desilusões.</p>
<p>No dia 28 de julho, uma multidão acompanhou seu sepultamento, marchando em sua homenagem pelo <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Hamra,_Beirut">distrito de Hamra</a>, em Beirute, no bairro onde viveu, trabalhou e passou seus últimos momentos, e que um dia incorporou o espírito da resistência e da esquerda:</p>
<p><iframe loading="lazy" style="border: none; overflow: hidden;" src="https://www.facebook.com/plugins/video.php?height=476&amp;href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2F100052688238179%2Fvideos%2F643189638799295%2F&amp;show_text=false&amp;width=267&amp;t=0" width="267" height="476" frameborder="0" scrolling="no" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Essa é uma homenagem a um homem simples que carregou o peso de sonhos, derrotas e contradições de uma geração inteira com astúcia, cinismo e inovação.</p>
<p>Enquanto os enlutados da região relembram a figura imponente na música, na política e no teatro, seus sentimentos voltam-se à sua mãe, a inigualável Fairuz. Sua voz <span style="font-weight: 400;">— provavelmente a mais conhecida no mundo árabe — nas músicas escritas por seu filho permanecerá um dos sons mais bonitos da música árabe.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/a1mm6Is2BDo?si=vxAbZmBQO1nsDf6J" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Adeus, Ziad. Agradecemos pela música, pelas palavras, pelas risadas e por dar voz à nossa juventude.</p>
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<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/walidhouri/' class='user-link'>Walid El Houri</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/mariana-lopes/' class='user-link'>Mariana Lopes</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2025/07/28/lebanese-composer-playwright-and-political-satirist-ziad-rahbani-dies-the-voice-of-a-generation-gone-silent/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/07/Screenshot-2025-07-27-at-8.01.20%E2%80%AFp.m-400x300.png" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Da dignidade menstrual à segurança digital: como o feminismo popular está redefinindo a justiça de gênero</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/13/da-dignidade-menstrual-a-seguranca-digital-como-o-feminismo-popular-esta-redefinindo-a-justica-de-genero/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juliana Stroebel]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 18:35:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres e Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Nigéria]]></category>
		<category><![CDATA[Paquistão]]></category>
		<category><![CDATA[Paraguai]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sul da Ásia]]></category>
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					<description><![CDATA[Qual a conexão entre absorventes em uma escola nigeriana, reunião de coalizão no Paquistão e workshop sobre segurança digital no Paraguai? Cada qual aborda uma barreira que limita a participação das mulheres.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Das escolas, aos tribunais e ao ciberespaço, as feministas estão redefinindo a justiça de gênero</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/pexels-tosin-olowoleni-2148141635-34162720-800x534.jpg" alt="Meninas segurando cartazes pedindo justiça menstrual." width="800" height="534" /><p class="wp-caption-text">Meninas segurando cartazes pedindo justiça menstrual em uma escola na Nigéria. <a href="https://www.pexels.com/photo/african-schoolgirls-promoting-period-awareness-34162720/">Imagem</a> de <a href="https://www.pexels.com/">Pexels</a>. U<a href="https://www.pexels.com/license/">so livre</a>.</p></div>
<p><b><i>Por Clarisse Sih e Bibbi Abruzzini,</i></b> <a href="https://www.forus-international.org/en/"><i><span style="font-weight: 400;">Forus</span></i></a></p>
<p>Em uma escola de ensino médio no sul da Nigéria, uma adolescente menstruou durante o horário de aula. Ela não tinha absorventes. A professora a mandou para casa.</p>
<p>Para Udoka Anita Ikebua, na época, uma jovem recém-formada designada por esta escola ao serviço nacional, aquele momento se tornou um divisor de águas. &#8220;No século XXI&#8221;, ela recorda ter pensado: &#8220;Como uma garota ainda não tem acesso a algo tão básico?&#8221;.</p>
<p>Foi assim que a iniciativa da Ikebua evoluiu para uma das vitórias mais significativas da justiça menstrual na Nigéria: em março de 2025, o estado de Bauchi aprovou o <a href="https://home.bauchistate.gov.ng/just-in-bauchi-assembly-passes-bill-for-the-establishment-of-free-sanitary-pads-in-schools-correctional-facilities/">primeiro projeto de lei do país que estabelece bancos de absorventes higiênicos gratuitos em escolas públicas</a> e centros de detenção — uma mudança da política de caridade para uma política baseada em direitos.</p>
<p>Transformações semelhantes estão ocorrendo em diversos continentes. No Paquistão, defensoras feministas estão reformulando a proteção social como infraestrutura democrática. No Paraguai, ativistas de direitos digitais estão contestando a normalização da violência de gênero.</p>
<p>Suas lutas podem parecer diferentes — falta de acesso a produtos de higiene menstrual, reforma política, abuso digital — mas estão unidas por uma verdade mais profunda: a justiça de gênero hoje é inseparável da segurança econômica, da segurança digital e da responsabilidade institucional.</p>
<h3>Nigéria: Desde a doação de absorventes até a reforma das políticas públicas</h3>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Ikebua fundou o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.facebook.com/PADaGirlfoundation/" target="_blank" rel="noopener">Project Pad A Girl</a><span style="font-size: 1.25rem;"> após testemunhar, em primeira mão, como a menstruação interrompia a educação das meninas.</span> Inicialmente, a solução parecia simples: distribuir absorventes. Mas ela logo percebeu os limites da caridade. &#8220;Se eu der um absorvente hoje&#8221;, explica ela, &#8220;o que acontece no próximo mês?&#8221;.</p>
<p>Meninas sem acesso a produtos sanitários durante a menstruação geralmente recorrem ao uso de lenço de papel, trapos, folhas ou simplesmente ficam em casa. Os professores às vezes mandavam as alunas embora se manchassem seus uniformes.</p>
<p>A solução inovadora surgiu com a criação de bancos de absorventes: caixas permanentes de suprimentos de emergência, localizadas nas escolas e abastecidas com produtos menstruais a cada período letivo. As meninas que começam a menstruar durante o horário escolar podem acessar discretamente os suprimentos no escritório de orientação e permanecer na sala de aula.</p>
<div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/pexels-tosin-olowoleni-2148141635-34162722-800x534.webp" alt="Alunas nigerianas segurando cartazes pedindo justiça menstrual." width="800" height="534" /><p class="wp-caption-text">Alunas nigerianas segurando cartazes que pedem justiça menstrual. <a href="https://www.pexels.com/photo/empowering-youth-menstrual-health-awareness-34162722/">Imagem</a> de <a href="https://www.pexels.com/">Pexels</a>. <a href="https://www.pexels.com/license/">Uso livre</a>.</p></div>
<p>O impacto foi imediato: melhora na frequência, redução do estigma e sensação de segurança.</p>
<p>“A ideia de que, se vier minha menstruação, estarei segura — isso muda tudo”, diz Ikebua.</p>
<p>Um aspecto importante do Projeto Pad A Girl é a inclusão intencional de meninos em sessões de educação menstrual para acabar com o estigma. “Já que vocês não têm vergonha dos seus corpos”, diz Ikebua aos alunos do sexo masculino, “vocês não devem fazer uma garota ter vergonha do corpo dela”.</p>
<p>A legislação de Bauchi expandiu ainda mais esse modelo para incluir instalações correcionais, nas quais as mulheres encarceradas geralmente dependem de trapos e enfrentam riscos sérios de higiene. Ao introduzir absorventes higiênicos reutilizáveis projetados para durar meses, a iniciativa centra a dignidade e a sustentabilidade.</p>
<p>“Trata-se de serem vistas — mesmo por trás dos muros da prisão”, explica Ikebua.</p>
<p>No entanto, os desafios permanecem. Os produtos menstruais estão sujeitos a um imposto sobre o valor agregado, e os defensores estão pressionando para sua revogação. Mas o progresso é lento em uma legislatura dominada por homens. &#8220;Às vezes, quando você leva isso a eles, realmente não entendem&#8221;, admite Ikebua.</p>
<h3>Paquistão: Proteção social como infraestrutura feminista</h3>
<p>Para Marium Amjad Khan, gerente de programa da <a href="https://www.pda.net.pk/">Aliança de Desenvolvimento do Paquistão</a>, o feminismo não é uma teoria abstrata. Tudo começou ao ver como o futuro das meninas era decidido antes que elas tivessem chance de sonhar.</p>
<p>&#8220;Uma vez que você vê a desigualdade&#8221;, diz ela, &#8220;não pode deixar de vê-la&#8221;.</p>
<p>Trabalhando tanto em nível de base quanto no âmbito de políticas públicas, Khan concentra-se em temas como casamento infantil, violência doméstica, direitos à saúde sexual e reprodutiva e governança educacional. Mas, cada vez mais, ela enfatiza a proteção social — sistemas econômicos que determinam se as mulheres podem resistir às crises.</p>
<div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/31643770142_14c7912a7b_k-800x531.webp" alt="Escoteiras no Baluchistão, no Paquistão, seguram cartazes com os dizeres “Mãos fortes acabam com a violência contra mulheres e meninas”. Imagem do Flickr da ONU Mulheres" width="800" height="531" /><p class="wp-caption-text">Escoteiras no Baluchistão, no Paquistão, seguram cartazes com os dizeres “Mãos fortes acabam com a violência contra mulheres e meninas”. Imagem do <a href="https://www.flickr.com/photos/unwomen/31643770142">Flickr da ONU Mulheres</a> (<a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/deed.en">CC BY-NC-ND 2.0).</a></p></div>
<p>Sem segurança econômica, a participação democrática é frágil. As mulheres que sofrem com a pobreza, o não pagamento por serviços de assistência ou os impactos climáticos têm menos condições de se organizar, defender suas causas ou concorrer a cargos públicos. &#8220;As leis estão apenas começando&#8221;, explica Amjad. &#8220;A verdadeira mudança acontece quando as comunidades começam a acreditar que as meninas merecem a infância, que as mulheres merecem segurança.&#8221;</p>
<p>O Paquistão aprovou uma legislação importante nos últimos anos, mas a implementação continua desigual. Um desafio central, observa ela, é a conscientização: muitas comunidades não conhecem seus direitos. As alianças, portanto, são essenciais. A <a href="https://www.pda.net.pk/">Aliança de Desenvolvimento do Paquistão</a> reúne mais de 115 organizações da sociedade civil, amplificando as vozes coletivas nos espaços políticos. &#8220;Quando as comunidades falam juntas, os responsáveis pelas políticas ouvem&#8221;, postula Khan. &#8220;Eles têm que fazer isso.&#8221;</p>
<p>Em um contexto de redução do ambiente propício à sociedade civil, a solidariedade feminista global oferece um reforço.</p>
<p>&#8220;Quando o espaço diminui em um país, as redes internacionais nos lembram que não estamos sozinhas.&#8221;</p>
<p>Para Khan, a liderança feminista não consiste em ser a voz mais alta; trata-se de criar espaço para outras vozes.</p>
<h3>Paraguai: Violência digital é real</h3>
<div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/1024px-Taller_Justicia_transformativa_y_violencia_digital_por_Alex_Arguelles_comun.al_y_Grecia_Macias_R3D_6-800x534.webp" alt="Um workshop sobre violência digital no Paraguai. " width="800" height="534" /><p class="wp-caption-text">Oficina sobre justiça transformativa e violência digital, ministrada por Alex Argüelles e Grecia Macías. <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Taller_Justicia_transformativa_y_violencia_digital_por_Alex_Arg%C3%BCelles_%28comun.al%29_y_Grecia_Mac%C3%ADas_%28R3D%29_6.jpg">Imagem</a> via <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/Main_Page">Wikimedia Commons</a>. Licença <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0">CC BY-SA 4.0.</a></p></div>
<p>Enquanto a dignidade menstrual e a proteção social operam em espaços físicos, no Paraguai, a luta se desenrola on-line.</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">A <a href="https://www.tedic.org/" target="_blank" rel="noopener">TEDIC</a>, uma organização de direitos digitais, lidera a campanha <a href="https://www.tedic.org/en/la-violencia-digital-es-real/" target="_blank" rel="noopener">“La violencia digital es real”</a> (A violência digital é real) para contestar a ideia de que o abuso on-line é, de alguma forma, menos grave do que o dano offline.</span></p>
<p>“Uma mensagem na internet pode custar a alguém o seu trabalho, a sua segurança, a sua paz”, explica a líder do projeto, Jazmín Ruiz Díaz.</p>
<p>Durante anos, a internet foi tratada como neutra, um espaço que naturalmente promoveria a igualdade. Em vez disso, as desigualdades foram amplificadas.</p>
<p><a href="https://violenciadigital.tedic.org/en/b/litigios-estrategicos/belen-case/">O caso emblemático da TEDIC é o de Belén Whittingslow</a>, uma estudante que acusou um influente professor universitário de assédio por meio de mensagens explícitas. O caso foi arquivado por se tratar de um &#8220;namoro&#8221;. Posteriormente, ela foi criminalizada e forçada a buscar refúgio no exterior. O professor não enfrentou consequências legais.</p>
<p>O caso ilustra a natureza da violência digital em camadas, como o poder, as instituições e as plataformas que se cruzam. Além dos ataques individuais, os ativistas enfrentaram assédio on-line coordenado que tentou silenciar sua defesa e desacreditar seu trabalho. As respostas institucionais e as limitações dos sistemas de moderação das plataformas complicaram ainda mais a situação, revelando como lacunas na responsabilização e na regulamentação podem permitir que o abuso on-line persista. Dessa forma, a experiência destaca que a violência digital não é apenas um ataque pessoal, mas também uma questão estrutural moldada por dinâmicas de poder social, respostas institucionais e governança de plataformas digitais.</p>
<p>Ruiz Díaz também observa que os perpetradores não são apenas trolls anônimos. Esses atores podem variar desde redes de assédio coordenadas e fábricas de trolls apoiadas pelo Estado até as próprias plataformas, nas quais sistemas de moderação opacos e preconceitos algorítmicos têm sido amplamente criticados. Investigações e relatos da mídia documentaram casos em que ataques on-line contra mulheres jornalistas, políticas e ativistas são amplificados por redes organizadas, enquanto as respostas das plataformas permanecem inconsistentes.</p>
<p>Por meio de sua iniciativa <a href="https://www.tedic.org/en/curso-libres-y-segures-en-internet/">Free and Safe on the Internet</a>, a TEDIC oferece treinamento em segurança digital para ativistas, comunidades LGBTQ+ e grupos da sociedade civil. O trabalho é lento, incremental — “um trabalho de formigas”, diz Ruiz Díaz — mas necessário.</p>
<p>Com o surgimento de novas tecnologias, surgem também novas formas de causar danos. <em>Deepfakes</em>, manipulação não consensual de imagens, tecnologias de vigilância e ferramentas de IA intensificaram os riscos.</p>
<p>“O ciberespaço não está separado da realidade”, enfatiza Ruiz Díaz. &#8220;A violência on-line tem efeitos reais em corpos e mentes.&#8221;</p>
<p>Sua abordagem requer uma ação coordenada de governos, empresas de tecnologia e sociedade civil. Mas também requer cuidado comunitário.</p>
<p>&#8220;A saída é coletiva&#8221;, diz ela, &#8220;e a alegria também é uma forma de resistência&#8221;.</p>
<h3>Redefinindo a justiça de gênero</h3>
<p>O que conecta uma caixa de absorventes em uma escola nigeriana, uma reunião de coalizão no Paquistão e um workshop sobre segurança digital no Paraguai? Cada uma delas aborda uma barreira estrutural que limita a participação das mulheres na educação, na governança e na vida pública digital.</p>
<p>A dignidade menstrual afeta a retenção escolar e as oportunidades econômicas de longo prazo. A proteção social molda a capacidade de ação política. A segurança digital determina quem pode falar livremente.</p>
<p>Essas não são preocupações periféricas. São pilares da democracia.</p>
<p>Desde as salas de aula até os tribunais e o ciberespaço, as feministas de base estão redefinindo a justiça de gênero — não como um reconhecimento simbólico, mas como uma transformação sistêmica.</p>
<p>E, assim, estão remodelando as instituições que governam a vida cotidiana.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/forus/' class='user-link'>Forus</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/juliana-stroebel/' class='user-link'>Juliana Stroebel</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/03/12/from-menstrual-dignity-to-digital-safety-how-grassroots-feminists-are-redefining-gender-justice/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/pexels-tosin-olowoleni-2148141635-34162720-400x300.jpg" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Camaronenses recorrem a redes solares privadas em resposta a cortes de eletricidade prolongados</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/08/camaronenses-recorrem-a-redes-solares-privadas-em-resposta-a-cortes-de-eletricidade-prolongados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gisele Soares]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 18:07:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[Camarões]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Em Mile 4, área de New Council, em Bamenda, região Noroeste de Camarões, moradores recorrem cada vez mais à energia solar para enfrentar as falhas elétricas prolongadas e imprevisíveis.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Geração reduzida em grandes estações hidrelétricas e usinas termelétricas contribuíram para o fornecimento de energia reduzido</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/wing-light-cloud-sky-sun-technology-1287672-pxhere.com_-800x526.webp" alt="Solar panels." width="800" height="526" /><p class="wp-caption-text">Painéis solares. Imagem de <a href="https://pxhere.com/en/photo/1287672">PHere</a>. Uso livre. <a href="https://creativecommons.org/publicdomain/zero/1.0/">CC0 1.0</a></p></div>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Em Mile 4, área de New Council, em Bamenda, região noroeste de Camarões, moradores recorrem cada vez mais à energia solar para enfrentar as falhas elétricas prolongadas e </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.bareta.news/bamenda-residents-react-to-biyas-electricity-renationalisation-as-power-crisis-deepens/" target="_blank" rel="noopener">imprevisíveis,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> à medida que a </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.ebsco.com/research-starters/power-and-energy/cameroons-energy-sector-crisis" target="_blank" rel="noopener">crise elétrica</a><span style="font-size: 1.25rem;"> do país se intensifica.</span> <span style="font-size: 1.25rem;">Durante os últimos dois anos, residentes dessa parte da cidade afirmam que têm sofrido com a eletricidade inconstante ou completamente ausente na rede nacional gerenciada pela </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://eneocameroon.cm/index.php/en/component/content/article?id=3294&amp;Itemid=746%5C" target="_blank" rel="noopener">Eneo Cameroon</a><span style="font-size: 1.25rem;">, empresa responsável pela produção, distribuição e venda de energia elétrica em Camarões.</span></p>
<p>Autoridades atribuíram a interrupção de energia em larga escala a fatores técnicos e hídricos. Em janeiro de 2025, o <a href="https://minee.cm/en/">ministro de Recursos Hídricos e Energia</a> explicou que a geração reduzida em grandes usinas hidrelétricas, incluindo Songloulou, Edea e Memve&#39;ele, e a paralisação de algumas usinas termelétricas contribuíram para o fornecimento de energia reduzido, resultando em racionamentos e frequentes apagões na rede interconectada.</p>
<p>Em meados de janeiro de 2026, <a href="https://cameroonnewsagency.com/bamenda-mile-4-inhabitants-say-continuous-power-outage-killing-businesses/#google_vignette">frustrados </a>com os atrasos recorrentes na restauração da eletricidade estável, os moradores de New Council contribuíram do próprio bolso para comprar um transformador comunitário. O investimento pretendia melhorar o acesso durante os apagões prolongados. Apesar disso, o fornecimento de energia continua intermitente, levando muitos residentes a adotar sistemas solares descentralizados em suas casas como alternativa. Godwin Benyella, morador de Nkwen em Mile 4, afirmou:</p>
<blockquote><p>I’ve been using solar energy to power up my household since 2020. It helps us whenever there are frequent power outages. The solar has definitely attracted neighbors’ [attention] and even pushed them to get their own.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Eu venho usando a energia solar para abastecer a minha casa desde 2020. Isso nos ajuda quando há apagões frequentes. Os painéis definitivamente atraíram a atenção dos vizinhos e até os influenciou a comprarem os seus próprios.</p></blockquote>
<p>A estrutura solar de Benyella, composta por seis painéis e duas baterias, custa cerca de 1,5 milhão de francos CFA (R$ 13,5 mil). O técnico dele cobrou 75 mil CFA pela instalação. Benyella contou que o sistema abastece a sua televisão, a geladeira (escassamente) e o liquidificador, mas observou que utensílios pesados, como ferros e máquinas de lavar, não podem ser ligados sem equipamentos adicionais.</p>
<p>No mercado principal de Bamenda, painéis solares são facilmente encontrados, o que reflete a crescente demanda. Martin, um vendedor que importa painéis e baterias, descreveu as condições mutáveis do mercado:</p>
<blockquote><p>At first 100 Watts cost 120k [CFA francs]. But now with 20k [CFA francs] you can have a 100 watt panel, we who have our small shops in town no longer make profit because most people travel to Douala and buy directly from the manufacturers.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Antes, 100 Watts custavam 120 mil CFA. Mas agora com 20 mil CFA você pode ter um painel de 100 watts, nós que temos nossos pequenos negócios na cidade não temos mais lucro porque a maioria das pessoas viaja para Douala e compra diretamente dos fabricantes.</p></blockquote>
<p>Ele observou que, apesar de a energia solar ter se tornado um “bom investimento”, o aumento da competição com fornecedores de grande porte diminuiu os preços e esmagou os revendedores de pequeno porte. Um tour pela área de Council mostra que a maioria das casas tem um, dois ou até seis painéis solares no teto, comprados no mercado local e instalados por técnicos da vizinhança.</p>
<p>Os técnicos que instalam esses painéis nas casas relatam que a energia solar é cada vez mais utilizada à medida que a credibilidade da rede elétrica diminui. Nelson, um eletricista, explicou o funcionamento básico dos sistemas residenciais:</p>
<blockquote><p>Solar panels capture sunlight and convert it into direct current electricity. An inverter then kicks in to convert the DC power into alternating current, which is what your house uses. Any excess energy can be stored in batteries. It’s a clean, sustainable way to power your home.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Os painéis solares capturam a luz solar e convertem em corrente direta de eletricidade. Depois, o inversor entra em funcionamento para converter a corrente direta em alternada, que é o que a sua casa usa. Qualquer excesso de energia pode ser armazenado em baterias. É uma maneira limpa e sustentável de abastecer uma casa.</p></blockquote>
<p>Ele acrescentou que a luz solar consistente e intensa em Bamenda torna a energia solar particularmente adequada e que muitos moradores estão instalando sistemas para suplementar ou substituir o serviço de rede pouco confiável.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Kigha Paul Tabo, engenheiro e diretor de tecnologia da </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://share.google/BOFcjwXYYvuv6Do7y" target="_blank" rel="noopener">Solar Bright Future Company,</a><span style="font-size: 1.25rem;">  um especialista em energia solar há muitos anos, descreveu as tendências mais abrangentes em relação às necessidades energéticas.</span> Ele disse que as campanhas de conscientização e a redução de preços tornaram a energia solar mais acessível, especialmente nas áreas rurais de Bamenda e na região Noroeste. Durante os últimos cinco a sete anos, ele observou que muitos clientes domésticos adotaram a energia solar, uma vez que o alcance da rede nacional diminuiu em algumas áreas devido a danos estruturais e desafios de manutenção. Ele também ressaltou os esforços para desenvolver minigeneradores solares capazes de abastecer um único cômodo, Tabo disse:</p>
<blockquote><p>Many families are embracing the shift. Solar is better and cheaper than generators, it may be expensive to install but far cheaper to maintain daily than buying fuel for a generator.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Muitas famílias estão adotando a mudança. Energia solar é melhor e mais barata que geradores, mesmo sendo cara para instalar, é muito mais barata para manter diariamente do que comprar combustível para um gerador.</p></blockquote>
<p>Ele reconheceu as restrições de acesso, incluindo os altos custos iniciais de instalação, a falta de vendedores licenciados, bem como a falta de habilidades dos instaladores informais, e encorajou os residentes a comprarem produtos com garantia para aproveitarem melhor os benefícios das instalações de painéis solares.</p>
<p>A energia solar em Mile 4 não substitui por completo a eletricidade da rede. Os sistemas solares básicos fornecem luz, refrigeração e carregamento de dispositivos, mas têm capacidade limitada sem bancos de bateria e painéis maiores. Entretanto, a adoção crescente de energia solar reflete respostas práticas às falhas recorrentes da rede e tem contribuído para a descentralização da energia nas residências da comunidade. Em bairros estudantis, como os campus da Universidade Bambili, os universitários dizem que as falhas elétricas frequentes prejudicam seus estudos, pois é desafiador estudar no escuro. Munaseh Courage, estudante do quarto ano na Universidade de Bamenda, contou à Global Voices:</p>
<blockquote><p>You cannot even make plans to study because you are not sure when there will be light, having phones go off also makes one miss important assessments announced on the class forum.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Não podemos nem fazer planos para estudar porque não temos certeza quando vai ter luz, e se os telefones descarregam também perdemos avaliações importantes anunciadas no fórum da classe.</p></blockquote>
<p>Além dos estudantes, as interrupções nos últimos anos têm afetado os negócios e as instituições que operam na cidade. A <a href="https://abakwaeh.org/electricity-crisis-threatens-special-needs-children/">Fundação de Reabilitação Luc Menora</a> (LMF), localizada em Bamenda, Camarões, que cuida de crianças com deficiência, tem enfrentado esse problema.</p>
<p>“Ainda hoje, essa missão permanece gravemente ameaçada. A fundação enfrenta uma crise energética que está reduzindo as oportunidades para essas crianças”, relataram em um comunicado após uma reunião de avaliação. Também disseram que pretendem migrar para uma rede solar para proporcionar melhor apoio aos jovens com quem trabalham.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">No âmbito nacional, os oficiais do governo reconhecem desafios persistentes no fornecimento de eletricidade em diversas regiões, incluindo as servidas pela </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://arsel-cm.org/subcategory/2/en/electricity-transmission-segment" target="_blank" rel="noopener">Southern Interconnected Grid</a><span style="font-size: 1.25rem;">, que abrange o Noroeste e o Sudoeste.</span> O ministro de Recursos Hídricos e Energia afirmou que o governo tomou medidas para fortalecer o setor elétrico, incluindo a aquisição da maior parte da ENEO por parte do Estado, com a meta anunciada de melhorar a confiabilidade da rede de distribuição e atender à crescente demanda. O ministro também exigiu a melhoria da cobrança e a redução de fraudes para viabilizar a sustentabilidade do sistema.</p>
<p>A expansão do uso de energia solar em Mile 4 reflete uma adaptação local à instabilidade do sistema elétrico, com residências investindo em sistemas de energia descentralizados e renováveis que garantem o acesso básico à eletricidade, apesar das interrupções persistentes da rede.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/cynthia-ebot-takang/' class='user-link'>Cynthia Ebot Takang</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/gisele-soares/' class='user-link'>Gisele Soares</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/03/07/solar-energy-use-expands-in-bamenda-cameroon-as-residents-respond-to-prolonged-power-cuts/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Desde Gaza até o Líbano e o Irã: a banalização da barbárie</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/08/desde-gaza-ate-o-libano-e-o-ira-a-banalizacao-da-barbarie/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Doralice Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 13:06:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[A destruição de Gaza não ficou confinada ao território. Como era previsível, tornou-se um precedente, moldando as guerras no Líbano e no Irã à medida que o direito internacional se desgasta sob o peso da indignação seletiva.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>O declínio do direito internacional, diante dos olhos do mundo</em></big></p><div id="attachment_850544" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-850544" class="wp-image-source-850544 size-featured_image_large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/KX4BCRY6KJKHFGRDJQOQEIACRY-800x450.webp" alt="Drone footage shows rows of fresh graves in Minab, Iran, where over 150 schoolgirls were killed by a US air strike. Screenshot from video published on Facebook by Reuters. Fair use" width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-850544" class="wp-caption-text">Imagens de drone mostram fileiras de covas recém-abertas em Minab, no Irã, onde mais de 150 alunas foram mortas em um ataque aéreo atribuído aos Estados Unidos. Captura de tela do <a href="https://www.facebook.com/watch/?v=1396890721754543">vídeo</a> publicado no Facebook pela <a href="https://www.facebook.com/Reuters">Reuters</a>. Uso justo.</p></div>
<p>Por dois anos, enquanto o <a href="https://www.ohchr.org/en/press-releases/2025/09/israel-has-committed-genocide-gaza-strip-un-commission-finds">genocídio</a> em Gaza se desenrolava ao vivo diante dos olhos do mundo, nós alertamos. Durante décadas, <a href="https://www.aljazeera.com/opinions/2023/10/17/the-mask-is-off-gaza-has-exposed-the-hypocrisy-of-international-law">documentamos</a> a hipocrisia que sustenta o direito internacional e a indignação seletiva que define as respostas globais aos conflitos, que apenas servem para alimentá-los. Hoje, esses alertas já não são teóricos — eles estão se concretizando em tempo real em toda a Ásia Ocidental, à medida que os crimes de guerra normalizados em Gaza agora servem de modelo para novos cenários de destruição no Líbano e no Irã.</p>
<h3>Gaza como precedente</h3>
<p data-start="26" data-end="476">A guerra genocida de Israel em Gaza nunca foi um episódio isolado. Foi a expressão extrema de uma doutrina que vem se desenvolvendo há décadas e foi viabilizada por anos de impunidade. A chamada “<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Doutrina_Dahiya">doutrina Dahyieh</a>” de Israel, aplicada na capital libanesa durante a guerra de 2006, consistia explicitamente na destruição da infraestrutura civil — ou “<a href="https://www.ohchr.org/en/documents/thematic-reports/ahcr6143add3-domicide-mass-destruction-housing-and-civilian">domicídio</a>” — como forma de pressionar os governos por meio da punição coletiva da população civil. Essa doutrina, cujo nome vem do subúrbio ao sul de Beirute conhecido como “Dahyieh” (tradução literal, “subúrbio”), estabeleceu um precedente perigoso: a punição coletiva de populações civis poderia ser apresentada publicamente como uma estratégia militar legítima, sem que houvesse consequências.</p>
<p>Gaza representou a versão extrema dessa <a href="https://www.theguardian.com/commentisfree/2023/dec/05/israel-disproportionate-force-tactic-infrastructure-economy-civilian-casualties">abordagem</a>. Agora, com as guerras no Líbano e no Irã conduzidas pelos Estados Unidos e por Israel, vemos o mesmo padrão se repetir. As táticas são familiares, a retórica é consistente e a resposta internacional — ou a sua ausência — segue um viés previsível.</p>
<h3>Um padrão perigoso</h3>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">O Líbano tornou-se, em 2024, o segundo grande cenário desse conflito e, agora, em 2026, espelha o modelo aplicado em Gaza, mas com algumas adaptações regionais.</span> O deslocamento de populações de Dahyieh, do sul do Líbano e do vale do Bekaa — <a href="https://english.elpais.com/international/2026-03-11/nearly-800000-people-displaced-by-war-against-iran-and-lebanon.html">cerca de 1 milhão de pessoas</a> — segue a mesma estratégia de engenharia demográfica vista em Gaza: forçar populações civis, nesse caso, predominantemente a comunidade xiita, a fugir e, em seguida, destruir o território, incluindo infraestrutura e moradias, além de <a href="https://theconversation.com/lebanons-orchards-have-been-burnt-wildlife-habitat-destroyed-by-israeli-strikes-raising-troubling-international-law-questions-271577">contaminar</a> o solo de modo que a vida deixe de ser possível.</p>
<p>Os profissionais de saúde no Líbano têm enfrentado ataques <a href="https://www.who.int/news/item/22-11-2024-lebanon--a-conflict-particularly-destructive-to-health-care">deliberados</a>, e há relatos de hospitais sendo ameaçados e obrigados a evacuar. Isso ecoa o ataque <a href="https://www.palestine-studies.org/sites/default/files/attachments/policypapers/Layth%20Malhis%20ENG%20180.pdf">sistemático</a> à infraestrutura de <a href="https://globalvoices.org/2025/04/07/across-war-zones-targeting-healthcare-has-become-a-strategy-not-an-accident/">saúde</a> em Gaza, onde ambulâncias, equipes médicas e hospitais passaram a ser alvos frequentes. <span style="font-size: 1.25rem;">Os </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.middleeastmonitor.com/20260307-israeli-strike-wounds-unifil-peacekeepers-in-southern-lebanon/" target="_blank" rel="noopener">ataques</a><span style="font-size: 1.25rem;"> israelenses contra as forças de paz das Nações Unidas no sul do Líbano representam outra escalada perigosa, minando o direito internacional humanitário e as proteções conferidas às missões de paz, que, novamente, tiveram poucas consequências para os responsáveis.</span></p>
<p>No Irã, ataques contra a infraestrutura civil provocaram desastres ambientais de proporções catastróficas. O <a href="https://www.theguardian.com/world/2026/mar/10/bombing-of-irans-oil-infrastructure-to-have-major-environmental-fallout-experts-warn">bombardeio</a> de instalações de armazenamento de petróleo em Teerã e outras cidades iranianas desencadeou crises ambientais que afetarão gerações. Esses ataques a infraestruturas civis — como <a href="https://responsiblestatecraft.org/desalination-plant-attacks-iran-war/">usinas de dessalinização</a>, instalações petrolíferas, meios de comunicação e serviços públicos, entre muitos outros — constituem claras violações do direito internacional humanitário e, ainda assim, recebem pouca ou nenhuma resposta efetiva contra os agressores.</p>
<p>O artigo 54 do Protocolo Adicional I às Convenções de Genebra <a href="https://ihl-databases.icrc.org/en/ihl-treaties/api-1977/article-54">proíbe explicitamente</a> ataques a bens indispensáveis à sobrevivência da população civil, incluindo alimentos, colheitas, rebanhos, instalações de água potável e sistemas de irrigação.</p>
<h3>A retórica do terror</h3>
<p>Talvez o mais perturbador tenha sido a retórica pública de autoridades dos Estados Unidos e de Israel. Uma <a href="https://truthsocial.com/@realDonaldTrump/posts/116202054617775180">publicação</a> recente do presidente dos EUA, Donald Trump, na plataforma Truth Social, ameaçou ao afirmar que “os EUA eliminarão alvos facilmente destruíveis, tornando praticamente impossível que o Irã volte a se reconstruir como nação — morte, fogo e fúria cairão sobre eles”. Declarações como essas não representam apenas retórica inflamada, mas ameaças explícitas de punição coletiva.</p>
<p>Isso não é um caso isolado; ouvimos esse tipo de discurso de outras autoridades, como o secretário de Defesa, Pete Hegseth, ao<a href="https://www.instagram.com/p/DVlhw9wCKn3/"> afirmar</a> que “os únicos que precisam se preocupar são os iranianos, que acham que vão continuar vivos”. Ou ainda do senador norte-americano pela Carolina do Sul, Lindsey Graham, um dos conselheiros mais próximos de Trump e firme apoiador de Israel, que declarou: “Devastamos Berlim, devastamos Tóquio. Estávamos errados ao lançar uma bomba atômica para acabar com o reinado de terror japonês? … Se eu fosse Israel, provavelmente teria feito o mesmo”.<span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p>A isso somam-se inúmeras declarações <a href="https://www.ohchr.org/en/press-releases/2025/09/israel-has-committed-genocide-gaza-strip-un-commission-finds">documentadas</a> de autoridades israelenses, que anunciam abertamente a intenção de cometer genocídio e, mais recentemente, afirmam <a href="https://www.aljazeera.com/news/2026/3/5/israels-smotrich-threatens-beirut-suburbs-amid-evacuation-orders">de forma explícita</a> a intenção de repetir os crimes cometidos em Gaza, desta vez em Beirute e Teerã.</p>
<p data-start="1356" data-end="1861">Essas declarações públicas não são meros blefes. Elas funcionam como um aviso prévio de violações pretendidas. Quando as autoridades anunciam suas intenções de tornar as condições de vida insuportáveis para um grupo de pessoas, estão, na prática, admitindo planos que violam os princípios fundamentais do direito internacional e que se enquadram literalmente na definição de <a href="https://www.un.org/en/genocide-prevention/definition">genocídio</a>, incluindo “infligir deliberadamente ao grupo condições de vida calculadas para provocar sua destruição física, total ou parcial”. Vimos isso repetidas vezes em Gaza, depois no Líbano e, agora, também no Irã, com autoridades israelenses e norte-americanas alardeando os crimes que pretendem cometer antes mesmo de executá-los.</p>
<h3>Indignação seletiva</h3>
<p>Enquanto <a href="https://www.politico.eu/article/eu-react-iran-us-israel-crisis/">condenações</a> ao Irã e ao Hezbollah são feitas com previsível regularidade, acompanhadas de <a href="https://www.reuters.com/world/middle-east/eu-envoys-approve-sanctions-19-iranian-officials-entities-over-rights-violations-2026-03-11/">sanções</a> e <a href="https://www.reuters.com/world/europe/france-will-send-two-warships-red-sea-macron-says-2026-03-09/">mobilização militar</a>, há um silêncio ensurdecedor em relação aos agressores que não apenas deram início ao conflito em curso, mas também cujos crimes de guerra são incomparavelmente maiores e certamente mais letais. Isso inclui o <a href="https://www.theguardian.com/world/2026/mar/11/iran-war-missile-strike-elementary-school">assassinato</a> de mais de 175 iranianos, a maioria eram meninas em idade escolar, no primeiro dia de ataques dos Estados Unidos. A indignação seletiva da comunidade internacional expõe a hipocrisia que sustenta a chamada “<a href="https://theconversation.com/what-is-the-rules-based-order-how-this-global-system-has-shifted-from-liberal-origins-and-where-it-could-be-heading-next-250978">ordem internacional baseada em regras</a>” e apenas reforça, para aqueles que não se sentem protegidos por ela, a necessidade de buscar outros meios de se defender.</p>
<p>O que torna esse duplo padrão ainda mais evidente é o cálculo econômico por trás desse silêncio. Ao que parece, o que realmente importa é manter o Estreito de Ormuz <a href="https://www.lemonde.fr/en/international/article/2026/03/09/macron-announces-france-and-allies-preparing-joint-mission-to-reopen-strait-of-hormuz_6751248_4.html">aberto</a>, para que o petróleo continue a fluir e o dinheiro continue a circular. As vidas de civis no Líbano e no Irã — e, aliás, em toda a região — acabam sendo tratadas como secundárias diante de interesses econômicos.</p>
<h3>O fim da fachada do Direito Internacional</h3>
<p data-start="47" data-end="539">O que estamos testemunhando não é apenas uma escalada do conflito; é a morte do direito internacional como um limite significativo, ainda que limitado, ao poder dos Estados mais fortes. Quando crimes de guerra são anunciados de antemão e cometidos abertamente, quando o deslocamento de civis se torna um objetivo declarado e quando a destruição ambiental é tratada como dano colateral, já não estamos mais em uma zona cinzenta do direito, mas em um mundo em que a força se impõe como lei.</p>
<p data-start="541" data-end="688">A incapacidade da comunidade internacional de agir, sua condenação seletiva e sua cumplicidade econômica apontam para essa mesma conclusão.</p>
<p>A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a alta representante para Assuntos Externos e Política de Segurança, Kaja Kallas, <a href="https://www.euronews.com/my-europe/2026/03/09/von-der-leyen-and-kallas-call-on-europe-to-adapt-to-chaotic-coercive-world-order">reconheceram</a> abertamente o colapso da ordem jurídica internacional ao pedirem que a Europa se adapte a uma “ordem mundial caótica e coercitiva” em meio ao “aumento das violações do direito internacional”. Em um discurso em março de 2026, von der Leyen admitiu que “não podemos resolver todos os problemas globais nem conciliar perfeitamente nossos valores e interesses em todas as ocasiões”, sinalizando, na prática, a aceitação de uma realidade pós-direito internacional por parte da União Europeia.</p>
<p>Essa admissão de impotência ocorre no momento em que a própria União Europeia assume uma responsabilidade significativa pela destruição atual. Ao longo de décadas de apaziguamento em relação às políticas de ocupação israelenses, de silêncio cúmplice diante da punição coletiva em Gaza e de priorização da segurança energética sobre os direitos humanos, o bloco contribuiu ativamente para a normalização dos crimes de guerra que agora se repetem no Líbano e no Irã.</p>
<p>Os interesses estratégicos do bloco, incluindo a manutenção do acesso ao petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz, têm, de forma consistente, se sobreposto ao compromisso declarado com o direito internacional, fazendo com que o apelo de von der Leyen por “adaptação” seja menos um reconhecimento das circunstâncias externas e mais uma admissão do próprio papel da União Europeia na erosão da estrutura jurídica que afirma defender.</p>
<p>Em um <a href="https://www.state.gov/releases/office-of-the-spokesperson/2026/02/secretary-of-state-marco-rubio-at-the-munich-security-conference">discurso</a> recente durante a Conferência de Segurança de Munique, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, instou seus aliados europeus a “não se deixarem paralisar pela culpa e pela vergonha” em relação à sua “cultura e herança”, defendendo o retorno à “era de dominação do Ocidente”. Rubio prosseguiu: “Foi isso que fizemos juntos antes, e é isso que o presidente Trump e os Estados Unidos querem fazer novamente agora, com vocês”. O discurso não foi recebido com indignação diante do apelo à retomada de um dos séculos mais brutais de colonialismo e escravidão da história humana, mas sim com uma ovação de pé por parte dos líderes europeus presentes.</p>
<h3>Um futuro de atrocidades normalizadas</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">A menos que haja uma mudança profunda na consciência global e na vontade política — quando as pessoas nos países que produzem as armas mais avançadas do mundo e promovem guerras no exterior passem a reagir não porque o preço do combustível aumentou, mas porque financiar crimes de guerra cometidos em seu nome é errado —, é de se esperar que esse padrão continue.</span></p>
<p>A normalização desses crimes de guerra tem criado um precedente perigoso — ou a retomada da tradição de colonialismo brutal — que pode se aplicar em qualquer lugar, a qualquer momento, mais uma vez. Quando Estados poderosos podem agir com impunidade, anunciar suas intenções de cometer atrocidades e, em seguida, levá-las adiante sem consequências, todo o arcabouço do direito internacional perde o sentido, ainda que seja mera fachada.</p>
<p>O alerta feito há dois anos — de que Gaza seria o modelo de um futuro sombrio para o mundo inteiro — não foi exagero. Foi uma observação factual sobre o rumo que estávamos seguindo. Hoje, esse futuro não está apenas mais próximo; ele já chegou.</p>
<p>A questão já não é se essas ações constituem crimes de guerra; há evidências suficientes para essa conclusão. A questão é se o mundo finalmente reunirá coragem para reconhecer a verdade e responsabilizar os poderosos, ao aplicar sanções aos responsáveis e adotar medidas concretas para pressioná-los, ou se continuará no caminho da cumplicidade, marcado pelo silêncio e pela indignação seletiva.</p>
<p>A resposta determinará não apenas o destino do Líbano, do Irã e da Palestina, mas também o futuro de um planeta abalado pela pressão da destruição causada pelo próprio ser humano.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/walidhouri/' class='user-link'>Walid El Houri</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/doralice-silva/' class='user-link'>Doralice Silva</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/03/12/from-gaza-to-lebanon-and-iran-the-normalization-of-atrocity/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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