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	<title>Global Voices em Português</title>
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	<description>O Global Voices agrega, organiza e amplifica a conversação global na rede - jogando luz nos lugares e pessoas que o resto da mídia geralmente ignora.</description>
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		<title>Subindo um Everest virtual com a ajuda de uma playlist da comunidade Global Voices</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariana Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 May 2026 13:28:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
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					<description><![CDATA[Ao longo de três dias, Nate Matias, integrante da GV, pedalou uma elevação de praticamente 10.000 metros para ajudar a arrecadar dinheiro para a Global Voices.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Nossa comunidade fez uma playlist para ajudar Nate a pedalar uma distância igual a do Everest</em></big></p><p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-featured_image_large wp-image-source-840643" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/07/Everest-Roam-800x450.png" alt="" width="800" height="450" /></p>
<p>Ao longo de três dias, Nate Matias, integrante da comunidade Global Voices (GV), pedalou uma elevação de quase 10 mil metros para ajudar a arrecadar fundos para a organização. <span style="font-size: 1.25rem;">É uma longa distância e, para ajudá-lo nesse trajeto, membros da comunidade montaram uma </span><em style="font-size: 1.25rem;">playlist</em><span style="font-size: 1.25rem;"> para que ele a escutasse ao longo do caminho.</span></p>
<p>Aqui está a <a href="https://open.spotify.com/playlist/6d1pMLUrZM0EkG5L6W4Bzf"><em>playlist</em> completa da comunidade</a>, feita especialmente para a jornada de Matias!</p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Climbing a virtual Everest with the Global Voices Community Playlist" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/6d1pMLUrZM0EkG5L6W4Bzf?utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>Pedimos o contexto das músicas escolhidas para alguns membros da comunidade. Aqui estão suas histórias:</p>
<h3>“<em>Jerusalém</em>” de Fairouz e Ziad Rahbani</h3>
<p><iframe title="FAIROUZ - El Qods /Jerusalem  1967 فيروز - القدس زهرة المدائن" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/h4XHLFrussY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><a href="https://globalvoices.org/author/elisa-marvena/">Elisa Marvena</a> recomendou a música &#8220;Jerusalém&#8221;, que tem muitas versões, porém, a que recomenda é cantada pela artista libanesa Fairouz, e explica o que a música significa pra ela:</p>
<p>&#8220;É difícil mensurar o impacto do legado de <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Fairuz">Fairouz</a> na música e na cultura do SWANA (Sudoeste Asiático e Norte da África). Embora seja uma libanesa cristã nascida na década de 1930, sua música e imagem atravessam identidades geográficas, nacionais, geracionais, étnicas, religiosas e de classe social.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Com a contribuição de diversos compositores e produtores, sobretudo de seu filho </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Ziad_Rahbani" target="_blank" rel="noopener">Ziad Rahbani, </a><span style="font-size: 1.25rem;">produtor, compositor, pianista, dramaturgo e comentarista político libanês, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://pt.globalvoices.org/2026/04/14/morre-compositor-dramaturgo-e-satirista-politico-libanes-ziad-rahbani-a-voz-de-uma-geracao-se-cala/" target="_blank" rel="noopener">falecido em julho de 2025</a><span style="font-size: 1.25rem;">, também incorporou estilos musicais variados.</span> Porém, essa música em específico é um hino — uma canção de amor a Al Quds, a cidade de Jerusalém.</p>
<p>Por meio de versos poéticos e metáforas, a música aborda o luto, a destituição, a resistência e a libertação. Você nem precisa entender a língua para compreender a profundidade do sentimento ou chorar ao ouvi-la. Eu sempre me arrepio. Entretanto, das <a href="https://www.youtube.com/watch?v=LtE7YoVbqwU">duas</a> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=-Gs4mdGYGJc">versões</a> que sugeri [para a <em>playlist</em>], nenhuma é interpretada pela própria Fairouz, mas sinto que ambas fazem jus a ela.&#8221;</p>
<h3 class="style-scope ytd-watch-metadata">“<em>Zamilou</em>” de Bu Kolthoum  | بو كلثوم &#8211; زمّلوا</h3>
<p><iframe title="Bu Kolthoum - Zamilou | بو كلثوم - زمّلوا" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/k9T0SuZ-xFg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><a href="https://community.globalvoices.org/author/laraalmalakeh/">Lara AlMalakeh</a> sugeriu essa música feita por uma cantora de <em>rap</em> síria em 2018, que está se popularizando nos Países Baixos. Lara explica o que seu trabalho significa para as mulheres:</p>
<p>&#8220;Então, a música é de uma cantora de <em>rap</em> síria que se refugiou nos Países Baixos e adotou o nome artístico Bou Kulthoum (derivado da cultura árabe). Essa música sobre o empoderamento feminino fala da força e do impacto que elas têm, mas, nas sociedades árabes, são frequentemente menosprezadas.</p>
<p>É por isso que amo essa música e sempre apoio Bou Kulthoum, que luta para ser reconhecida pela indústria.&#8221;</p>
<h3>O álbum “<em>Ibérica y Latina</em>” de Gaélica</h3>
<p><iframe title="Gaélica - Ibérica &amp; Latina" width="650" height="488" src="https://www.youtube.com/embed/jBgJovKwh54?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><a href="https://globalvoices.org/author/estefania-salazar/">Estefanía Salazar</a> sugeriu um álbum fabuloso, tão diverso quanto a comunidade GV!</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">&#8220;</span><em style="font-size: 1.25rem;">Ibérica y Latina</em><span style="font-size: 1.25rem;">&#8221; (2005) é uma trilha instrumental divertida, composta pela banda venezuelana Gaélica, que mistura elementos musicais da Ilha da Madeira (Portugal), da província da Galícia (Espanha) e das Américas, presentes na cultura venezuelana.</span> Ela realmente transmite uma energia de &#8216;levante e brilhe&#8217;. Não perca nada a partir do minuto 3:10.</p>
<p>A história real é essa: esses elementos vêm da fusão de sons locais e das comunidades madeirense e galega que migraram para a Venezuela após a Segunda Guerra Mundial. Isso reflete a mistura que pode existir em qualquer lugar — tanto no âmbito cultural quanto no musical. No álbum, é possível ouvir gaitas, e sim, na Galícia se usam gaitas (algo que vem da influência celta).</p>
<p>Na primeira vez, ouvi como se fosse um despertador — é uma das músicas mais alegres que já ouvi de manhã!&#8221;</p>
<h3>Uma seleção de <em>hits</em> inspirados no ritmo caribenho</h3>
<p><iframe loading="lazy" title="Buju Banton ft. Nadine Sutherland - What Am I Gonna Do | Official Music Video" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/C0IKuoPitrM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><a href="https://globalvoices.org/author/candice-stewart/">Candice Stewart</a>, uma colaboradora frequente da equipe caribenha da GV, montou uma lista de músicas para ajudar a energizar Nate em sua jornada.</p>
<p>&#8220;Podem me chamar de &#8216;<a href="https://jamaicanpatwah.com/term/Selecta/5863">selecta</a>&#8216; ou de DJ. Hahaha. Minhas seleções para a <em>playlist</em> do Nate têm inspiração no coração do Caribe, especialmente na minha terra natal, a Jamaica, e no meu outro amor, Trinidad e Tobago, além de alguns sucessos de artistas de toda a região. Essa seleção foi apurada para levar Nate a uma jornada: músicas que oferecem bênçãos, orientação e proteção, enquanto ele dá seu primeiro passo rumo ao Everest; músicas que ensinam paciência, perseverança e entusiasmo; e músicas que manifestam a vitória e a mentalidade de campeão.</p>
<p>Desde a base espiritual de ‘<em>23rd Psalm’,</em> de Buju Banton ft. Morgan Heritage, e ‘<em>Lord Watch Over Our Shoulders</em>’, de Garnett Silk, até a chama motivacional de ‘<em>Far From Finished</em>,’ de Voice, e ‘<em>Winning Right Now</em>’, de Agent Sasco, cada música tem uma intenção. Há também os hinos encorajadores, como ‘<em>Shake The Place’</em>, de Machel Montano e Destra Garcia, ‘<em>Cocoa Tea’</em>, de Kes, ‘<em>What Am I Gonna Do’</em>, de Buju Banton ft Nadine Sutherland, e ‘<em>Come Home’, </em>de Nailah Blackman e Skinny Fabulous, que irão despertar o ânimo festivo de Nate e manter seu espírito motivado.&#8221;</p>
<h3>“<em>Active</em>” de Asake e Travis Scott</h3>
<p><iframe loading="lazy" title="Asake, Travis Scott - Active (Official Video)" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/JRF_sdTXpGw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Por último, a colaboradora <a href="https://globalvoices.org/author/pamela-ephraim/">Pamela Ephraim</a> escolheu uma música esportiva e eletrizante, com um misto de expressões das línguas yoruba e pidgin, para motivar Nate até a linha de chegada.</p>
<p>&#8220;Escolhi essa música com ritmo <em>Afrobeats</em> eletrizante porque o mais importante é estar animado, confiante e prosperar. Asake canta repetidamente &#8216;<em>Oh man, I’m active</em>&#8216; (Ah, cara, estou ativo). É uma afirmação clara de que está em seu melhor momento. <span style="font-size: 1.25rem;">A letra destaca força, empenho e presença, usando expressões da língua yoruba e pidgin, como </span><em style="font-size: 1.25rem;">kampe </em><span style="font-size: 1.25rem;">(forte ou fortalecido), para ressaltar sua resiliência.&#8221;</span></p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Além de uma <em>playlist</em> variada, membros da comunidade Global Voices no Nepal criaram outra <a href="https://open.spotify.com/playlist/3CYeUWype1ilFC9j2y9cFn" target="_blank" rel="noopener">com destaque para músicas nepalesas, </a>como forma de honrar as raízes do país na competição de ciclismo.</span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/sydney-allen/' class='user-link'>Sydney Allen</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/mariana-lopes/' class='user-link'>Mariana Lopes</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2025/08/05/climbing-a-virtual-everest-with-the-global-voices-community-playlist/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Sociedade civil questiona decreto que pode bloquear acesso à redes de telecomunicações em Moçambique</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/30/sociedade-civil-questiona-decreto-que-pode-bloquear-acesso-a-redes-de-telecomunicacoes-em-mocambique/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tirso Sitoe]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 01:06:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
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					<description><![CDATA[O decreto sobre telecomunicações em Moçambique levanta preocupações sobre possíveis restrições a direitos fundamentais, incluindo liberdade de expressão e acesso à informação em contextos de tensão política]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Governo alega que medida &#8216;protege a sociedade&#8217;, mas organizações veem risco à liberdade de expressão</em></big></p><div id="attachment_121649" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-121649" class="wp-image-121649 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-scaled.jpeg" alt="Protestos pós-eleições em Maputo, Moçambique, em 2025." width="2560" height="1706" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-scaled.jpeg 2560w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-400x267.jpeg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-800x533.jpeg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-1536x1024.jpeg 1536w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-2048x1365.jpeg 2048w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><p id="caption-attachment-121649" class="wp-caption-text"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Protestos pós-eleições em Maputo, Moçambique, em 2025. Foto: Wilson Thole/Uso autorizado</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p></div>
<p data-start="592" data-end="1055"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Organizações da sociedade civil em Moçambique, como o </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><a href="https://cddmoz.org/?lang=en"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD)</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">,</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> submeteram um </span></span></span></span></span></span><a href="https://cddmoz.org/wp-content/uploads/2026/02/Conselho-Constitucional-deve-declarar-inconstitucional-decreto-que-institucionaliza-o-bloqueio-das-redes-de-telecomunicacoes-em-Mocambique.pdf"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">documento</span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> ao </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Provedor_de_Justi%C3%A7a_(Mo%C3%A7ambique)"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Provedor de Justiça</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> contestando a constitucionalidade do </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://mznews.co.mz/executivo-mocambicano-aprova-decreto-que-permite-bloqueio-da-internet-em-caso-de-manifestacoes/"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Decreto n.º 48/2025, de dezembro de 2025</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, que estabelece mecanismos de controlo e possíveis bloqueios do acesso às redes de telecomunicações no país.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span> </span></p>
<p>Segundo o <a href="https://moz24h.co.mz/lei-da-comunicacao-levanta-suspeitas-de-censura-e-ameaca-liberdade-de-imprensa-em-mocambique/">portal Moz24h</a>, a preocupação entre jornalistas e especialistas é que <span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">a medida possa ameaçar direitos como a </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">liberdade de expressão, o acesso à informação e à comunicação, sobretudo em contextos de mobilização social ou tensão política</span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">. </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O questionamento surge num contexto ainda quente para o país dos conflitos <a href="https://pt.globalvoices.org/2025/01/30/manifestacoes-em-mocambique-pos-eleicoes-inspiram-protestos-contra-a-crise-socioeconomica-em-angola/">após as eleições de 2024</a> &#8212; <a href="https://www.dw.com/pt-002/manifesta%C3%A7%C3%B5es-p%C3%B3s-eleitorais-provocaram-411-mortes/a-74435946">dados da Plataforma Decide</a>, até outubro de 2025, apontaram 411 mortos e cerca de 7.200 detidos.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<header class="sgeegmk"></header>
<p data-start="592" data-end="1055"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ativistas e organizações cívicas argumentam </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">que o decreto pode permitir </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://www.dw.com/pt-002/mo%C3%A7ambique-governo-pode-bloquear-telecomunica%C3%A7%C3%B5es-em-caso-de-risco/a-75513767"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">restrições ao acesso à internet e às plataformas digitais</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> — ferramentas cada vez mais centrais para a circulação de informação, organização de protestos e participação cívica. O texto aprovado permite ao Estado suspender os serviços de telecomunicações por até 48 horas, sem necessidade de ordem judicial, reporta a <a href="https://www.dw.com/pt-002/mo%C3%A7ambique-governo-pode-bloquear-telecomunica%C3%A7%C3%B5es-em-caso-de-risco/a-75513767">Deutsche Welle</a>.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ainda segundo </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">organizações da sociedade civil, </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><a href="https://cddmoz.org/wp-content/uploads/2026/01/Legalizacao-do-bloqueio-das-redes-de-telecomunicacoes-e-um-retrocesso-democratico-e-uma-afronta-aos-direitos-humanos.pdf"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">o decreto concede amplos poderes às autoridades</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> para intervir nas redes de telecomunicações sob justificativas relacionadas à segurança nacional ou à manutenção da ordem pública.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ao recorrer ao Provedor de Justiça, as organizações solicitam uma análise sobre a compatibilidade do decreto com a Constituição da República de Moçambique e com os compromissos internacionais que reforçam o país em matéria de direitos humanos e liberdade de expressão.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Em março de 2026, o </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://mznews.co.mz/governo-insiste-que-bloqueio-de-telecomunicacoes-visa-proteger-a-sociedade-em-momentos-criticos/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">ministro das Comunicações e Transformação Digital</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a>, Américo Muchanga, negou</span></span><span style="color: #000000;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> que a medida fosse uma restrição de direitos. Ele a defendeu como forma de proteger a sociedade em momentos críticos, reforçando</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> a capacidade do Estado de gerir situações de crise e de proteger infraestruturas críticas de telecomunicações.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<h4 data-section-id="y6jw7l" data-start="2341" data-end="2374"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Especialistas divergem na leitura </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></h4>
<p data-start="2376" data-end="2488"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Especialistas consultados </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span style="color: #000000;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">pelo GV</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> sobre o decreto apresentam interpretações diferentes sobre seus possíveis impactos.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p>Um <span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">pesquisador, que pediu para não ser identificado por questões de segurança, lembra que várias democracias do mundo possuem</span></span></span></span></span></span></span></span> <span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">mecanismos legais que permitem restrições temporárias às comunicações.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> Para o pesquisador, contextos políticos onde manifestações sociais são frequentemente interpretadas como ameaças à estabilidade podem tornar a aplicação desse tipo de legislação particularmente sensível. Ele pontua:</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<blockquote>
<p data-start="2376" data-end="2488"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O que foi feito neste decreto é tentativa de legalizar toda e qualquer ação que o governo possa ter em uma situação de protesto social. Na França existe, no Brasil existe, nos Estados Unidos existem. Em qualquer parte em que exista alguma democracia, que chamamos a dita democracia consolidada, existem dispositivos estatais, governamentais, que limitam o acesso às comunicações, quando se entende que eles violam o direito de outras pessoas ou imposições em causa do próprio Estado. Não é o decreto o problema. O problema é como pode ser aplicado. O nosso problema é que não há tolerância. Tudo aquilo que parece ser protesto é visto como tentativa de subversão, tentativa de colocar em causa a ordem. É um problema histórico de governança e questão central na interpretação também do próprio decreto.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
</blockquote>
<p data-start="3057" data-end="3346"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Já o ativista e jornalista </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://4vesreportermoz.com/equipa-de-trabalho/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Nadio Taimo</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> ressalta que o decreto surge num momento em que o espaço cívico digital em Moçambique enfrenta pressões crescentes. Segundo ele, o acesso à internet tornou-se fundamental para a circulação de informação e para o exercício da liberdade de expressão. Taimo observa que muitos órgãos de comunicação social migraram para plataformas digitais devido aos costumes da imprensa tradicional, tornando o ambiente online um espaço importante para divulgação de notícias, debate público e mobilização social. Nesse contexto, possíveis bloqueios de acesso à internet poderiam significativamente limitar </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">o acesso à informação.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span style="color: #ff0000;"><strong> </strong></span></span></span></span></span></p>
<blockquote>
<p data-start="3057" data-end="3346"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> Já temos uma expansão, uma onda crescente de jornais eletrônicos. Já não imprimimos jornais, devido aos custos. Migramos para a era </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">digital, logo, há aqui um bloqueio de acesso à informação, e até o próprio espaço de opinião, de promoção da liberdade de expressão, pode ser limitado. Os órgãos de comunicação social são todos, a maior parte deles, do governo, e controlados, e nos é fechado o espaço cívico, o espaço físico, nas ruas, quando nos proíbem de realizar marchas. </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
</blockquote>
<p data-start="3708" data-end="3980"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O ativista acrescenta ainda que o decreto pode formalizar práticas que, segundo organizações da sociedade civil, já ocorreram anteriormente em momentos de tensão política:</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
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<p data-start="3708" data-end="3980"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Este documento é apenas uma formalização de uma intenção política de bloqueio da internet, que já vinha sendo aplicada, só que não havia uma formalização legal.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
</blockquote>
<h4>Casos antecedentes: protestos e controlo</h4>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O debate sobre o controlo das telecomunicações em Moçambique também está ligado a episódios anteriores de mobilização social. Em </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://pt.globalvoices.org/2010/09/01/mocambique-maputo-em-alerta-com-revolta/"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">fevereiro de 2008</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">  e</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://pt.globalvoices.org/2010/09/05/mocambique-inquietacao-violenta-frustracao-em-maputo/"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> setembro de 2010</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">protestos populares nas cidades de Maputo e Matola foram desencadeados pelo aumento do custo de vida, especialmente dos preços do transporte e de bens essenciais. Durante essas manifestações, telefones móveis e mensagens de texto foram amplamente utilizados para mobilizar e coordenar as ações. Em resposta, o governo da época promoveu medidas mais rigorosas de regulação das comunicações, incluindo a obrigatoriedade do registo de</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://pt.globalvoices.org/2014/04/02/governo-de-mocambique-quer-criminalizar-mensagens-telefonicas-e-publicacoes-insultuosas-na-internet/"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> cartões SIM</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> para todos os utilizadores.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p>Novos protestos voltaram a ocorrer em<a href="https://www.voaportugues.com/a/mozambique--disturbances-maputo/1537522.html"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> novembro de 2012</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, impulsionados principalmente por jovens que contestavam o aumento das tarifas do transporte semi-coletivo urbano, conhecidos como</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://www.folhademaputo.co.mz/pt/noticias/nacional/chapa-100-mais-caro-a-partir-de-segunda-feira/"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> chapa-100</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span style="color: #000000; font-size: 1.25rem;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">. </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A rápida intervenção das forças policiais em locais de maior concentração de manifestantes impediu que os protestos se expandissem.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p>Esses episódios ocorreram <span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">em momentos marcantes de reivindicação social da juventude moçambicana no </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_da_Independ%C3%AAncia_de_Mo%C3%A7ambique"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">período pós-independência</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a> (1975)<span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, refletindo frustrações relacionadas com desigualdades econômicas, desemprego e aumento do custo de vida num contexto de liberalização econômica. Nesse cenário, a cultura urbana também desempenhou um papel importante na expressão do descontentamento social. Artistas como o rapper </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://pt.globalvoices.org/2023/03/21/mocambique-morte-de-rapper-e-activista-provoca-actos-de-manifestacao-e-repressao-policial/"><span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Azagaia</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> tornaram-se vozes influentes entre os jovens, com canções de crítica social amplamente difundidas em manifestações e plataformas digitais.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<h4 data-section-id="1jf9xca" data-start="5630" data-end="5676"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Tendência regional de bloqueios de internet</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></h4>
<p data-start="5678" data-end="5893"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O debate em Moçambique não é uma situação isolada. <a href="https://www.southernafricalitigationcentre.org/regulamentacao-das-comunicacoes-ameaca-encerramento-da-internet/">Organizações internacionais</a> de monitoramento digital documentaram diversos casos de interrupção da internet em países africanos nos últimos anos, frequentemente associados a processos eleitorais, manifestações populares ou conflitos internos. Em </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://www.dw.com/pt-002/protestos-em-angola-corte-da-internet-levanta-suspeitas-de-censura/a-73381952"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Angola</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> e </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://www.diarioeconomico.co.mz/2025/12/10/mundo/africa/guine-bissau-comando-militar-ameaca-fechar-comunicacao-social-que-noticiar-desobediencia-civil/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Guiné-Bissau</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, por exemplo, o bloqueio ou a restrição do acesso à internet tem sido utilizado por governos durante períodos de instabilidade política.  </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Organizações de direitos humanos e grupos de defesa da liberdade digital argumentam que os bloqueios limitam o acesso à informação, dificultam o trabalho de jornalistas e restringem a participação cívica, e especialistas em governança digital alertam que tais medidas podem ter impactos significativos não apenas no debate público, mas também nos meios de </span></span></span></span></span></span><a href="https://www.southernafricalitigationcentre.org/regulamentacao-das-comunicacoes-ameaca-encerramento-da-internet/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">subsistência</span></span></span></span></span></span></a> da população civil.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Apesar da entrada em vigor do decreto referido, em Moçambique, ainda não se registou a sua aplicação prática, o que dificulta avaliar os efeitos que ele poderá ter nas mãos do governo. Paralelamente, o Conselho Constitucional </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">ainda não se manifestou sobre o posicionamento das organizações da sociedade civil</span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> quanto</span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> a uma eventual inconstitucionalidade do diploma, o que contribui para um cenário de incerteza jurídica e institucional.  </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/tirso-sitoe/' class='user-link'>Tirso Sitoe</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-400x300.jpeg" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Como Bad Bunny apresentou a crise energética de Porto Rico para o resto do mundo</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/28/como-bad-bunny-apresentou-a-crise-energetica-de-porto-rico-para-o-resto-do-mundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kelly Teotonio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 13:13:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Caribe]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Porto Rico (EUA)]]></category>
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					<description><![CDATA[O sistema elétrico de Porto Rico sofreu diversas crises desde o furacão Maria em 2017, o qual destruiu parte da rede e provocou o maior apagão da história moderna dos Estados Unidos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Para milhões, um visual marcante, mas para os porto-riquenhos, é apenas um reflexo de sua realidade.</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G6FuWd4wNd8"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/Screenshot-2026-03-18-at-10.16.05-AM-800x447.png" alt="Captura de tela da apresentação do Bad Bunny no show de intervalo do Super Bowl LX. Foto: NFL Youtube. Usada com autorização." width="800" height="447" /></a><p class="wp-caption-text">Captura de tela da apresentação do Bad Bunny no show de intervalo da Apple Music do Super Bowl LX. Foto: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=G6FuWd4wNd8&amp;list=RDG6FuWd4wNd8&amp;start_radio=1">NFL YouTube. </a>Uso justo.</p></div>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Os shows durante o intervalo do Super Bowl sempre são um grande espetáculo, mas o artista porto-riquenho <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Bad_Bunny" target="_blank" rel="noopener">Bad Bunny</a> fez algo incomum no <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Super_Bowl_LX_halftime_show" target="_blank" rel="noopener">Super Bowl LX</a>: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=G6FuWd4wNd8" target="_blank" rel="noopener">deu uma aula</a> sobre distribuição de energia ao transformar a infraestrutura elétrica em uma coreografia perfeitamente sincronizada.</span></p>
<p>Enquanto o cantor apresentava sua canção “<a href="https://www.youtube.com/watch?v=bULgFtLuBc8&amp;list=RDbULgFtLuBc8&amp;start_radio=1">El Apagón</a>” (“O apagão”), dançarinos vestidos de eletricistas escalavam postes elétricos e faíscas saíam dos cabos de energia. Para milhões de pessoas, foi um momento visual impressionante. Porém, para os porto-riquenhos, <a href="https://globalvoices.org/2017/09/25/puerto-rico-trapped-between-colonialism-and-hurricanes/">refletiu</a> a realidade do dia a dia: uma rede elétrica frágil e apagões sucessivos que, por anos, têm <a href="https://globalvoices.org/2016/09/28/puerto-rican-unity-a-bright-spot-in-the-darkness-of-an-archipelago-wide-blackout/">definido o estilo de vida</a> dos moradores da ilha.</p>
<p>Conforme <a href="https://san.com/cc/why-did-bad-bunny-climb-a-utility-pole-a-deep-dive-into-puerto-ricos-power-grid/">relatou</a> Diana Hernández, professora e codiretora do Laboratório de Oportunidades Energéticas da Universidade de Columbia, para a plataforma jornalística Straight Arrow News:&#8221;Para quem talvez tenha esquecido, ao escalar postes de energia elétrica, Bad Bunny deu voz e visibilidade a uma situação persistente sobre o que significa ser impotente em Porto Rico, no sentido mais literal possível&#8221;.</p>
<p>Mesmo sem citar termos como &#8220;<a href="https://globalvoices.org/special/sids-nations/">mudanças climáticas</a>&#8220;, a apresentação ilustrou um momento de comunicação sobre a energia, que milhões puderam entender imediatamente, em nível local e global:</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">The production on the Bad Bunny halftime show was off the charts. From the cane fields to the broken power lines, it was rich in symbolism and Puerto Rican pride. And pounded to a relentless beat. <a href="https://twitter.com/hashtag/SuperBowl?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#SuperBowl</a></p>
<p>— Tom Harrington (@cbctom) <a href="https://twitter.com/cbctom/status/2020673290449060154?ref_src=twsrc%5Etfw">February 9, 2026</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>A produção do show de Bad Bunny durante o intervalo foi fora de série. Desde as plantações de cana até as fiações danificadas, foi rico em simbolismo e orgulho porto-riquenho. E ao ritmo de uma batida implacável. #SuperBowl</p></blockquote>
<p>Devido à natureza urgente e extensa do problema, a ciência climática e a comunicação resultantes sobre a situação costumam estar <a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/sd.70852">associadas</a> ao aumento da ansiedade existencial. <span style="font-size: 1.25rem;">No entanto, iniciativas como o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://climatecommunication.yale.edu/" target="_blank" rel="noopener">Programa Yale sobre Comunicação das Mudanças Climáticas</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.amazon.com/Climate-Action-Kids-Introduction-Introductions/dp/1647554470" target="_blank" rel="noopener">livros infantis,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> como o do escritor nova-iorquino Ian Hunt, buscam abordar o problema em nível sistêmico.</span></p>
<h3>Sobrecarga de rede</h3>
<p>O sistema elétrico de Porto Rico sofreu diversas crises desde a <a href="https://pt.globalvoices.org/2017/10/19/autoridades-encobrem-a-devastacao-e-o-numero-de-mortos-em-porto-rico/">devastação da ilha pelo furacão Maria</a> em 2017. A tempestade destruiu a maior parte da rede de distribuição e provocou o maior apagão da história moderna dos Estados Unidos, deixando várias comunidades sem energia por quase um ano. Depois de quase nove anos, interrupções no fornecimento de energia ainda são rotineiras.</p>
<p><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.eia.gov/todayinenergy/detail.php?id=65925" target="_blank" rel="noopener">Dados oficiais do governo</a><span style="font-size: 1.25rem;"> mostram que, entre 2021 e 2024, os usuários porto-riquenhos passaram por 27 horas de interrupção de eletricidade por ano — sem incluir interrupções causadas por tempestades —, bem acima da média em todo o território dos EUA.</span> Somente em 2024, os moradores registraram mais 70 horas sem energia, incluindo interrupções causadas por tempestades.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Entretanto, os preços da energia elétrica continuam sendo os mais altos dos Estados Unidos, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://findenergy.com/pr/" target="_blank" rel="noopener">variando</a><span style="font-size: 1.25rem;"> entre US$ 0,24 e US$ 0,49 por quilowatt-hora nos últimos anos, o que está significativamente acima da média do continente.</span> Isso <a href="https://www.eia.gov/states/RQ/analysis">reflete</a> décadas de investimento precário, infraestrutura desatualizada e uma rede exposta a riscos naturais, mas os números sozinhos não mostram o que ocorre na prática: alimentos estragados, <a href="https://healthresponsealliance.org/updated-apr-18-spotrep-puerto-rico-island-wide-power-outage">aparelhos de diálise paralisados</a>, estabelecimentos fechados e crianças que usam lanternas para concluir seus deveres escolares.</p>
<h3>Decadência dos sistemas de energia</h3>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">O sistema de energia de Porto Rico depende fortemente de usinas termelétricas que utilizam combustíveis fósseis, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://openinframap.org/stats/area/Puerto%2520Rico/plants" target="_blank" rel="noopener">localizadas</a><span style="font-size: 1.25rem;"> no sul da ilha.</span> A energia deve percorrer grandes distâncias por territórios montanhosos para chegar às populações do norte. Esses corredores de transmissão são bastante vulneráveis a furacões, deslizamentos de terra e eventos climáticos extremos.</p>
<p>Enquanto isso, o relatório da Sociedade Americana de Engenheiros Civis sobre a infraestrutura de Porto Rico (2019) classificou o sistema elétrico com a <a href="https://2021.infrastructurereportcard.org/state-item/puerto-rico/">nota F</a>, citando equipamentos deteriorados, redundância insuficiente e planejamento limitado de resiliência. <span style="font-size: 1.25rem;">O especialista em energia, Cecilio Ortiz García, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.nytimes.com/interactive/2018/05/06/us/puerto-rico-power-grid-hurricanes.html%23:~:text=The%2520Corroding%2520Grid,on%2520the%2520island%2520was%2520out." target="_blank" rel="noopener">descreveu o sistema</a><span style="font-size: 1.25rem;"> sem rodeios: &#8220;A rede elétrica que o furacão Maria encontrou já estava à beira do colapso&#8221;.</span></p>
<p>Desde então, as mudanças climáticas intensificaram ainda mais os riscos. <span style="box-sizing: border-box;">O aumento da temperatura do oceano contribui para a formação de tempestades mais intensas e outros furacões, como o <a href="https://socialbites.ca/news/hurricane-fiona-puerto-rico-struggles-with-power-outages-flooding-and-shelters" target="_blank" rel="noopener">Fiona em 2022</a>, que, mais uma vez, provocou cortes de luz.</span> Em um sistema já enfraquecido por décadas de financiamento escasso, até mesmo perturbações menores podem gerar um efeito em cascata entre os habitantes.</p>
<h3>Desafios no investimento</h3>
<p>Em 2021, Porto Rico <a href="https://ieefa.org/resources/puerto-rico-grid-privatization-flaws-highlighted-first-two-months-operation">transferiu o gerenciamento da sua rede de transmissão e distribuição </a><span style="box-sizing: border-box;">para</span> a LUMA Energy, um consórcio norte-americano e canadense, com o  intuito de modernizar as operações. No entanto, a tentativa de privatização <a href="https://spectrum.ieee.org/the-privatization-of-puerto-rico-power-grid-mired-in-controversy">tem gerado controvérsias</a>.</p>
<p>Moradores locais protestam contra quedas de energia frequentes e aumentos na conta de luz, enquanto críticos apontam que as melhorias na confiabilidade têm sido lentas. Por outro lado, <span style="font-size: 1.25rem;">apoiadores do projeto </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.cbsnews.com/news/hurricane-maria-luma-energy-power-grid/" target="_blank" rel="noopener">rebatem</a><span style="font-size: 1.25rem;"> dizendo que  reconstruir um sistema inteiro requer tempo e investimentos contínuos.</span></p>
<p>As restrições financeiras complicam ainda mais a situação. <span style="box-sizing: border-box;">A Autoridade de Energia Elétrica de Porto Rico (PREPA) <a href="https://finance.yahoo.com/news/puerto-ricos-prepa-urged-tough-160320696.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAAApRY2kte3ACGgwfnCt7sVoWk_Dbsd86JEkJuygpMiBHYnqjFoRAr1H7zAlxxGZucWuhtKJzjbcqeyopx1rYys0ESFF5PwUcqIP3kJTzfPL-RpPANvfEbVWzHMMg3wPTRLyMgnIH6CIaE0oO-Fp1rnMqEFg9Y-tS414u0AuA5BYM" target="_blank" rel="noopener">tem dívidas de bilhões de dólares</a>, o que dificulta o financiamento para realizar as extensas melhorias em sua infraestrutura.</span> A assistência federal também tem sido instável. <span style="font-size: 1.25rem;">Em 2023, o Departamento de Energia dos EUA </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.energy.gov/gdo/puerto-rico-energy-resilience-fund" target="_blank" rel="noopener">lançou</a><span style="font-size: 1.25rem;"> o Fundo de Resiliência Energética de Porto Rico no valor de US$ 1 bilhão, com o objetivo de expandir sistemas de energia solar em telhados e de armazenamento em baterias para famílias em situação de vulnerabilidade, mas as últimas notícias </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://time.com/7381685/puerto-rico-power-outages-renewable-energy/" target="_blank" rel="noopener">indicaram</a><span style="font-size: 1.25rem;"> que parte dos recursos foi adiada ou redirecionada.</span></p>
<p>Apesar dos desafios, a transformação está em curso e os sistemas de energia solar em telhados e de armazenamento em baterias estão se expandindo em Porto Rico. Desde o segundo semestre de 2025, a ilha <a href="https://ieefa.org/resources/rooftop-solar-puerto-rico-reaches-10-grid-reliability-continues-wane">instalou</a> mais de um gigawatt de capacidade em energia solar, suprindo uma grande parcela da demanda energética.</p>
<h3>As comunidades se mobilizam</h3>
<p>Há também iniciativas criadas pela própria comunidade. Em Adjuntas, cidade localizada na região montanhosa, a organização sem fins lucrativos Casa Pueblo tornou-se <a href="https://www.france24.com/en/live-news/20250725-puerto-rico-s-community-owned-solar-power-alternative-to-frequent-blackouts">pioneira</a> na implementação de microredes solares, permitindo que comunidades locais e empresas continuem operando mesmo diante de uma falha na rede central. O dono de um pequeno negócio local descreveu a mudança como:&#8221;Agora eu tenho estabilidade, não fico sem energia e posso continuar trabalhando&#8221;.</p>
<p>Os engenheiros têm defendido cada vez mais a abordagem de rede &#8220;de cima para baixo&#8221;, construindo resiliência por meio de sistemas de distribuição da energia que conectam residências, bairros e até redes maiores. Para as regiões insulares mais sujeitas a furacões e condições climáticas severas, esses sistemas proporcionam descarbonização e segurança energética.</p>
<h3>Cultura popular como comunicação sobre mudanças climáticas</h3>
<p>É por isso que essa apresentação de Bad Bunny foi tão importante. A comunicação sobre mudanças climáticas frequentemente depende de estatísticas, debates políticos e projeções de riscos futuros. Ainda que importantes, essas informações podem parecer abstratas, mas, no contexto cultural, são vistas de outra forma.</p>
<p>Apenas colocando os &#8220;linieros&#8221; – trabalhadores que reparam os fios de energia dos postes de Porto Rico – como foco de uma apresentação global, Bad Bunny tornou visível a infraestrutura da ilha e suas falhas. Os postes se tornaram adereços de palco e os apagões, letras de canções.</p>
<p>Como <a href="https://san.com/cc/why-did-bad-bunny-climb-a-utility-pole-a-deep-dive-into-puerto-ricos-power-grid/">observou</a> Hernández, o momento representou &#8220;a ascensão do poder, apesar de todos os desafios e, realmente, contra todas as expectativas&#8221;. Os milhões de pessoas que assistiram ao Super Bowl de repente viram o que normalmente se escondia: os sistemas físicos que fazem as sociedades funcionar e as consequências quando falham.</p>
<p>No entanto, o futuro energético de Porto Rico <a href="https://www.canarymedia.com/articles/distributed-energy-resources/puerto-ricos-energy-future-distributed-solar-or-centralized-grid">ainda é incerto</a>. São contínuos debates sobre privatização, dependência de combustíveis fósseis, transformações renováveis e sobre o quão rápido deve ser essa transição para que a ilha possa ter sistemas de energia mais resilientes. Mas o show durante o intervalo do jogo revelou algo inesperado: a infraestrutura pode atrair atenção cultural. A rede elétrica, geralmente invisível ao público, aos poucos se tornou foco de uma discussão global.</p>
<p>A crise de rede elétrica de Porto Rico <a href="https://time.com/article/2026/03/17/cuba-economic-energy-crisis-trump-us-explainer/">não é única</a>. No mundo todo, sistemas de energia enfrentam uma grande pressão por causa das mudanças climáticas, das infraestruturas antigas e do aumento da demanda. A diferença é que muitas dessas redes não tiveram um momento no Super Bowl. O Bad Bunny não deu um discurso ao público sobre mudanças climáticas ou política energética. Em vez disso, ele mostrou como a vulnerabilidade funciona e, às vezes, é a mensagem mais poderosa de todas.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/vishalmanve/' class='user-link'>Vishal Yashoda</a>, <a href='https://globalvoices.org/author/ashmi-guevara/' class='user-link'>Ashmi Guevara</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/kelly-teotonio-de-sousa/' class='user-link'>Kelly Teotonio</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/03/22/how-bad-bunny-brought-the-issue-of-puerto-ricos-power-grid-into-world-view/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Entre a algoritmização dos territórios e a monocultura de dados: Há caminhos para uma IA que respeite direitos e a vida?</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/23/entre-a-algoritmizacao-dos-territorios-e-a-monocultura-de-dados-ha-caminhos-para-uma-ia-que-respeite-direitos-e-a-vida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Global Voices Lusofonia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 18:00:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ativismo Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Ideias]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[O conhecimento empírico do território, lapidado ao longo de séculos e repassado de geração em geração por comunidades tradicionais, é sumariamente descartado como obsoleto.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Quem controla essas ferramentas, a serviço de quem elas operam e quais existências elas apagam?</em></big></p><div id="attachment_122373" style="width: 2503px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122373" class="wp-image-122373 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT.webp" alt="" width="2503" height="1375" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT.webp 2503w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT-400x220.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT-800x439.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT-1536x844.webp 1536w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT-2048x1125.webp 2048w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT-1200x659.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 2503px) 100vw, 2503px" /><p id="caption-attachment-122373" class="wp-caption-text">Por Paula Vilar para a APC. Usado com permissão.</p></div>
<p><em><strong>Por Mariana Tamari</strong></em></p>
<p><em>Este artigo faz parte da série “Não pergunte à IA, pergunte a um par” — uma colaboração entre o Global Voices, a Association for Progressive Communications e o GenderIT. A série visa reafirmar a importância do compartilhamento de conhecimento entre as pessoas, tal como tem sido feito há décadas. Você pode acompanhar a série em <i><a title="http://apc.org" href="http://apc.org/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=http://apc.org/&amp;source=gmail&amp;ust=1776226110374000&amp;usg=AOvVaw339x24XenKRKq6iLYURWU9"><u>APC.org</u></a>, <a title="http://genderit.org" href="http://genderit.org/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=http://genderit.org/&amp;source=gmail&amp;ust=1776226110374000&amp;usg=AOvVaw2HBjbb3ESoSkOKIeqyV7nu"><u>GenderIT.org</u></a> e <a title="https://globalvoices.org" href="https://globalvoices.org/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://globalvoices.org/&amp;source=gmail&amp;ust=1776226110374000&amp;usg=AOvVaw2151VZ530FoqmIG7kD0Qr2"><u>globalvoices.org</u></a></i>. Ela também integra a série de destaque do Global Voices de abril de 2026, “<a href="https://globalvoices.org/special/human-perspectives-on-ai/">Perspectivas humanas sobre a IA</a>”. Você pode apoiar esta cobertura fazendo uma doação <a href="https://globalvoices.org/2026/04/03/support-our-first-global-voices-spotlight-issue-human-perspectives-on-ai/">aqui</a>.</em></p>
<p>A pergunta “O que pode ser feito para criar e promover uma abordagem de direitos humanos para a inteligência artificial?” nos leva, em geral, a circular por campos abstratos e universalistas de princípios éticos, marcos regulatórios e da inovação per se. Mas, quando essa séria da APC e Global Voices me trouxe o desafio de construir um artigo para respondê-la a partir das minhas experiências enquanto pesquisadora, achei que era preciso ancorá-la em realidades concretas, onde a inteligência artificial, a automação e a digitalização já estão sendo implantadas nos territórios, e seus impactos são sentidos por corpos, biomas e comunidades específicas.</p>
<p>Foi essa necessidade de materializar o debate que me conduziu ao caminho da pesquisa-ação que construí, em co-autoria com Joana Varon, na Coding Rights, para o <a href="https://www.tramas.digital/">Projeto Tramas</a>, da Coalizão Feminista Decolonial pela Justiça Digital e Ambiental. Ao longo dessa investigação, compreendemos que o questionamento sobre uma IA orientada por direitos humanos deixa de ser especulativo e passa a ser urgente e situado. Quem controla essas ferramentas, a serviço de quem elas operam e quais existências elas apagam?</p>
<p>Quando voltamos nosso olhar para as tendências e narrativas que moldam hoje a grande indústria do agronegócio, somos imediatamente transportadas para uma realidade que se assemelha a um distópico roteiro de ficção científica. Longe da imagem tradicional do agricultor com uma enxada nas mãos, trabalhando em comunhão com a terra, o campo gerido pelas gigantes do setor é formado por milhares de hectares praticamente sem pessoas e sem diversidade agrícola.</p>
<p>O agronegócio digitalizado é masculino e patriarcal, em contraposição ao imaginário da agricultura tradicional e familiar, em que a reprodução da vida era cuidadosa e delicadamente cultivada pela Natureza. Ele é hiperconectado, asséptico e dominado por maquinários pesados que lembram naves espaciais ou tanques de guerra. Esse é o agronegócio orquestrado pela simbiose predatória entre as maiores empresas de tecnologia do mundo, os gigantescos conglomerados do agronegócio e os vultosos capitais do mercado financeiro. Trata-se de uma aliança poderosa entre as <a href="https://tramas.digital/pt/casos/matopiba/">Big Tech, as Big Agro e o Big Money</a>.</p>
<h3>Desvendando falsas narrativas</h3>
<p>Ao investigar os impactos brutais da digitalização da monocultura brasileira e o emaranhado econômico e de poder dentro dela, surgem questionamentos críticos a esse modelo. Diante de um cenário onde as inserções da tecnologia digital, da inteligência artificial e da conectividade se impõem de maneira tão inevitável e enquanto força de expulsão territorial, o que pode e deve ser feito para criar e promover uma abordagem dos avanços da tecnologia digital e da IA que sejam ancoradas na defesa de direitos?</p>
<p>Para lidar com essa contradição é necessário expor a máscara sobre o discurso dessa indústria. A narrativa hegemônica, vendida em grandes feiras e eventos de tecnologia do setor, exalta as chamadas &#8220;agricultura de precisão&#8221; ou a “digitalização da agricultura”. Enxames de sensores espalhados pela terra, monitoramento remoto, automação de frotas e complexos modelos preditivos baseados em inteligência artificial são comercializados como soluções tecnológicas mágicas para todos os desastres provocados pela própria monocultura, da degradação acelerada do solo, às infestações de pragas derivadas da falta de diversidade até a escassez de mão de obra.</p>
<p>No universo paralelo criado pelo setor corporativo, o iminente colapso climático simplesmente não existe. O futuro prometido é sempre de controle e fartura, garantido pela tecnologia digital e pela precisão que apenas a IA pode oferecer. A grande promessa da aliança entre as Big Agro com as Big Tech é de que vastas extensões de terra monocultivadas fiquem ao alcance de um toque na tela do celular, com colheitadeiras e tratores colossais sendo operados remotamente, convertendo a gestão da vida em um frio jogo de videogame.</p>
<p>É exatamente neste ponto do discurso que reside a fratura mais grave contra direitos fundamentais. A digitalização irrestrita consolida um modelo onde não prevalece mais a presença humana em contato íntimo, direto e respeitoso com a terra. O conhecimento empírico do território, lapidado ao longo de séculos e repassado de geração em geração por comunidades tradicionais, é sumariamente descartado como obsoleto. Presenciamos uma mutação ontológica avassaladora, em que nossas relações de trabalho, nossos laços comerciais, nossos afetos e as nossas interações com a natureza alteram-se estruturalmente e passam a se resumir a uma quantidade imensa e humanamente ingerenciável de dados.</p>
<p>Toda a complexidade dos biomas e daqueles que os habitam é extraída, mastigada e processada em algoritmos de inteligência artificial e armazenados em uma obscura ”nuvem&#8221; tecnológica. Essa infraestrutura invisível dita todas as soluções e caminhos para maximizar os negócios da monocultura. O efeito dessa digitalização generalizada é o apagamento brutal das existências consideradas indesejadas pelo capital. Nessa narrativa, as comunidades tradicionais e os históricos conflitos por terra praticamente desaparecem sob as imagens distantes de satélite. Aldeias, vilas ribeirinhas ou territórios quilombolas não são computados pelos monitores dos operadores remotos. Por serem invisíveis aos algoritmos treinados para enxergar apenas commodities, essas populações são ignoradas pelo poder público, que se deslumbra com a modernidade e delega sua governança ao digital.</p>
<h3>Impactos nas realidades vividas</h3>
<p>Essa invisibilidade programada é materializada em violência e espoliação nas áreas rurais do país, como no caso da região do Cerrado do Matopiba no Brasil (área que compreende parte do estados brasileiros do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que atualmente constitui a <a href="https://tramas.digital/pt/casos/matopiba/#tecnologias-regenerativas-como-saida">principal fronteira de expansão agrícola do país</a>. Ali, a chegada das “inovações” tecnológicas e das narrativas do agro digitalizado ditam o tom violento da expulsão que se soma a conflitos agrários históricos.</p>
<p>O caso da comunidade tradicional da Gleba Tauá, no norte do Tocantins, exemplifica o peso dessa aliança (dados da região do Matopiba e da Gleba Tauá foram obtidos em colaboração de pesquisa com Antônia Laudeci Oliveira Moraes). Famílias que ocupam o território há quase um século vêem seus lares sendo estrangulados pelas novas tecnologias de expulsão manipuladas por <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Grilagem_de_terras">grileiros</a>. A digitalização da gestão fundiária, impulsionada por mecanismos auto declaratórios, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), institucionaliza a <a href="https://tramas.digital/pt/casos/matopiba/%2523o-cadastro-ambiental-rural-brasileiro-da-regularizacao-ambiental-a-grilagem-digital">grilagem digital</a>. Na região do Matopiba, a digitalização dos registros via CAR sobrepõe cadastros irregulares que geram uma disputa fundiária digital, invisibilizando as ocupações tradicionais no território e abrindo caminho para o desmatamento massivo do Cerrado. Como satélites e sistemas de validação automatizada são incapazes de distinguir entre a posse histórica de comunidades tradicionais e a invasão recente promovida pelo desmatamento ilegal, grandes latifundiários utilizam a plataforma digital para registrar terras públicas e coletivas como suas propriedades privadas. O resultado é a formação de um &#8220;<a href="https://oglobo.globo.com/brasil/especial/brasil-ficticio-propriedade-de-terra-autodeclarada-excede-area-do-pais-em-um-para.ghtml">Brasil Fictício</a>&#8220;, no qual o cadastro algorítmico gera ativos financeiros no mercado, legitimando o cerco às comunidades e encobrindo o desmatamento.</p>
<p>E, quando o apagamento promovido pelas bases de dados não é suficiente para demover as comunidades de seus direitos, a tecnologia revela sua face armada. Drones comercializados sob o pretexto da sustentabilidade e precisão têm sido utilizados como instrumentos de terror. Aparelhos não tripulados rondam as propriedades agroecológicas de forma intimidadora, pulverizando nuvens de agrotóxicos sobre as casas, fontes de água e hortas dos pequenos produtores. Os camponeses são sobrevoados por essas ferramentas tecnológicas que disseminam medo, encurralando e expulsando.</p>
<h3>Como integrar tecnologias sem violar direitos?</h3>
<p>Quando vemos a imposição desse modelo codificado como progresso inquestionável sobre os territórios, somos levadas a nos perguntar como a tecnologia digital, baseada em dados e na Inteligência Artificial, pode ser integrada ao campo de maneira a respeitar e garantir direitos?</p>
<p>O primeiro passo é abandonar a falácia da neutralidade tecnológica e algorítmica e questionar a arquitetura de poder subjacente aos sistemas. O cerne do debate sobre os direitos humanos na era digital deve estar focado em desvelar para que serve e, principalmente, quem controla essas ferramentas. Uma IA que respeita direitos e promove avanços para a humanidade deve ser pensada com transparência e governança descentralizada. Encobrir processos de grilagem, espalhar medo, desumanizar as relações ou otimizar o extermínio socioambiental não devem ser ações admissíveis. As infraestruturas tecnológicas públicas devem ser redesenhadas para incorporar a participação coletiva, garantindo que sejam utilizadas para mapear e proteger as territorialidades sociais e a diversidade, e não para apagá-las sob um manto verde padronizado via satélite.</p>
<p>Além disso, forjar uma abordagem baseada em direitos exige a desconstrução dos  tecnosolucionismos. Precisamos compreender que as respostas da sustentabilidade da vida e a defesa da biodiversidade não virão das Big Tech ou das Big Agro. Estas devem estar sob constante escrutínio do poder público e da sociedade civil. Temos que reconhecer a validade superior das tecnologias regenerativas, agroecológicas e ancestrais<a href="https://oo02.apc.org/9.2.1-dafd037d86e2d65efa57febbf6bcb2cd/web-apps/apps/documenteditor/main/index.html?_dc=9.2.1-8&amp;lang=en&amp;customer=ONLYOFFICE&amp;type=desktop&amp;frameEditorId=iframeEditor&amp;isForm=false&amp;parentOrigin=https://share2.apc.org&amp;uitheme=theme-system&amp;fileType=docx#_ftn9" name="_ftnref9">[9]</a>. O agronegócio altamente tecnológico marginaliza essas práticas, mas são as roças tradicionais, as densas redes de troca entre comunidades, de sementes crioulas e a leitura ancestral do clima pelos camponeses que efetivamente cumprem a função de preservar a justiça socioambiental e de garantir a segurança alimentar. Soluções como frotas de drones ou predições calcadas em big data são violentas e, na maioria das vezes, servem apenas para garantir o lucro do agronegócio em detrimento da manutenção da diversidade e da vida.</p>
<p>O caminho para uma IA centrada no ser humano exige que a humanidade recupere a essência da cooperação. A escritora feminista de ficção científica Ursula K. Le Guin, em sua &#8220;Teoria da Bolsa da Ficção&#8221;, fala como a grande tecnologia de sobrevivência não deveria ser a arma que fere, conquista e pulveriza veneno do céu, mas sim o recipiente humano que coleta sementes, tece redes de cuidado mútuo e preserva conhecimentos. É preciso abandonar a lógica da dominação patriarcal fria e distópica para que a IA não seja o algoz do nosso futuro. O desenvolvimento de uma IA que garanta direitos e preserve a vida precisa estar submetido de forma inegociável à justiça socioambiental, assumindo a premissa ancestral de que na grande teia tecnológica da existência não somos manipuladores isolados no topo de uma cadeia, como pregava Nêgo Bispo, o pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos. Temos que ter sempre em mente que &#8220;a terra dá, a terra quer&#8221;.</p>
<p><em>Algumas referências deste artigo não puderam ser incorporadas ao site do Global Voices. Você pode consultá-las <a href="https://www.apc.org/pt-br/blog/entre-algoritmizacao-dos-territorios-e-monocultura-de-dados-ha-caminhos-para-uma-ia-que">no site da Association for Progressive Communication</a>.</em></p>
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<p><span style="color: #808080;"><em>Mariana Tamari é jornalista e pesquisadora na intersecção entre política, feminismos, tecnologia e justiça socioambiental. Sócia-fundadora da Agência Mira, uma consultoria de comunicação política estratégica, anteriormente atuou como co-diretora executiva da Coding Rights, onde liderou pesquisas, projetos, operações institucionais e equipe multidisciplinar. Antes disso, ocupou cargos como oficial de programa regional na ARTIGO 19 Brasil, Fundação Rosa Luxemburgo e Cisco Networking Academy. Foi também diretora de parcerias na Mapeo &#8211; IA e Big Data. Com formação em jornalismo, trabalhou como repórter na Folha de S.Paulo e Agência Reuters de Notícias e colaborou com inúmeros veículos de comunicação no Brasil, como Revista A Rede, Brasil de Fato, Carta Capital entre outros.</em></span></p>
<p><span style="color: #808080;"><em>Paula Villar nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, no ano de 1992. Se formou em psicologia e fez uma pós-graduação em psicologia hospitalar. Apesar de desenhar desde muito cedo, foi somente na pandemia de COVID-19 que Paula resolveu trocar de profissão, se dedicando assim as artes digitais e o ativismo. Além disso, também trabalha com outros materiais, como tinta à óleo, desenhos realistas de lápis e tinta nanquim.</em></span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/coletivo-editorial/' class='user-link'>Global Voices Lusofonia</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT-400x300.webp" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Perdidos na tradução: como os modelos de IA impactam comunidades linguísticas com poucos recursos</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/22/perdidos-na-traducao-como-os-modelos-de-ia-impactam-comunidades-linguisticas-com-poucos-recursos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando Baumgarten]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Apr 2026 21:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Inglês]]></category>
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		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia e Jornalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Se a situação permanecer inalterada, as comunidades de falantes não anglófonos continuarão a perder terreno na corrida para desbloquear o potencial da IA.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>&#8220;A predominância de conteúdo em inglês na internet influenciou o desenvolvimento das ferramentas atuais no mercado.&#8221;</em></big></p><div id="attachment_850598" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-850598" class="wp-image-source-850598 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/zhendong-wang-ZMsywu80JcM-unsplash.webp" alt="Speech bubbles in many non-ENglish languages. Photo by Zhendong Wang on Unsplash." width="800" height="533" /><p id="caption-attachment-850598" class="wp-caption-text"><a href="https://unsplash.com/photos/a-group-of-colorful-speech-bubbles-on-a-wooden-wall-ZMsywu80JcM"><span dir="auto">Imagem</span></a><span dir="auto"> de </span><a href="https://unsplash.com/@tonybear2"><span dir="auto">Zhendong Wang</span></a><span dir="auto">. Usada sob permissão. Uso livre sob <a href="https://unsplash.com/license">a licença </a></span><a href="https://unsplash.com/"><span dir="auto">Unsplash</span></a><span dir="auto">. </span></p></div>
<p><em>Este post faz parte da série especial de abril de 2026 da Global Voices, &#8220;<a href="https://globalvoices.org/special/human-perspectives-on-ai/">Perspectivas humanas sobre IA</a>&#8220;. Esta série oferecerá insights sobre como a IA está sendo usada nos países de maioria global, como seu uso e implementação estão afetando comunidades individuais, o que esse experimento com IA pode significar para as gerações futuras e muito mais. Você pode apoiar esta cobertura fazendo uma doação <a href="https://globalvoices.org/2026/04/03/support-our-first-global-voices-spotlight-issue-human-perspectives-on-ai/">aqui</a>.</em></p>
<p><span dir="auto">As empresas que desenvolvem produtos que utilizam inteligência artificial (IA) os têm apresentado e vendido como uma forma de oferecer vantagens aos consumidores. A realidade é que inúmeros potenciais clientes fora do Norte Global estão sendo deixados para trás. </span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Um artigo de 2025, publicado pelo </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://hai.stanford.edu/policy/mind-the-language-gap-mapping-the-challenges-of-llm-development-in-low-resource-language-contexts" target="_blank" rel="noopener">Instituto de Inteligência Artificial Centrada no Ser Humano (HAI) de Stanford,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> observou que muitos dos grandes modelos de linguagem  (LLMs, na sigla em inglês) frequentemente apresentam baixo desempenho em idiomas além do inglês.</span> <span style="box-sizing: border-box;">Os pesquisadores chamaram a atenção sobre como os LLMs disponíveis ao público, incluindo aqueles desenvolvidos em parte por empresas como <a href="https://huggingface.co/google-bert/bert-base-multilingual-cased" target="_blank" rel="noopener">Google</a> e <a href="https://huggingface.co/docs/transformers/en/model_doc/xlm-roberta" target="_blank" rel="noopener">Meta</a>, geram respostas inadequadas para usuários da maioria global.</span> Como resultado, esses indivíduos precisam se contentar com ferramentas de IA tendenciosas e pouco confiáveis, o que reforça a ideia de que as grandes empresas consideram suas necessidades como algo secundário.</p>
<p>Os falantes de línguas com poucos recursos, ou seja, aquelas que não dispõem de dados suficientes para treinar adequadamente soluções baseadas em IA, não têm conseguido aproveitar os benefícios dessa inovação. A predominância de conteúdo em inglês na internet moldou significativamente o desenvolvimento das ferramentas disponíveis no mercado, o que, por sua vez, criou uma barreira de acesso para os não anglófonos interessados em IA em todo o mundo.</p>
<p><span dir="auto">Aplicações com recursos de IA também produzem resultados que refletem normas e valores de um grupo seleto da comunidade internacional; tentativas de lidar com esse problema, ao gerar dados em línguas com poucos recursos, por vezes, têm causado mais danos do que benefícios. Se a situação atual permanecer inalterada, as comunidades não anglófonas continuarão a perder terreno na corrida para desbloquear o potencial da IA.</span></p>
<h3><span dir="auto">Perpetuando a exclusão digital</span></h3>
<p><span dir="auto">A falta de dados adequados em idiomas com poucos recursos não é uma preocupação apenas dos engenheiros de IA. Pessoas comuns, que fazem parte da maioria global, perderão os inúmeros benefícios da tecnologia devido a essa lacuna gritante. O jornal </span><em><a href="https://www.nytimes.com/2024/07/26/technology/ai-language-gap.html"><span dir="auto">The New York Times</span></a></em><span dir="auto"> destacou que a concentração do setor de IA em países mais ricos, como os Estados Unidos, exacerbou esse problema. A infraestrutura já consolidada em polos como o Vale do Silício, somada ao grande volume de dados de que dispõem as empresas nessas regiões, acabou favorecendo o Norte Global. Como consequência, milhões de pessoas que falam línguas como curdo e suaíli acabam sendo <a href="https://restofworld.org/2023/chatgpt-problems-global-language-testing/">deixadas em segundo plano</a>, assim como os mercados expressivos que representam.</span><span dir="auto"> Sem os mesmos recursos que seus pares, os falantes de idiomas não anglófonos podem continuar sendo negligenciados no futuro por empresas focadas em IA.</span></p>
<p><span dir="auto">As implicações dessa disparidade linguística são muito abrangentes. Enquanto aqueles do mundo anglófono já se acostumaram a usar IA para uma variedade de tarefas, os indivíduos de comunidades linguísticas com poucos recursos não tiveram a mesma oportunidade. </span><span dir="auto"><span style="box-sizing: border-box;">Como aponta a <a href="https://www.wired.com/story/chatgpt-non-english-languages-ai-revolution/" target="_blank" rel="noopener">Wired</a>, os usuários da maioria global podem descobrir que recorrer a um modelo de linguagem como o ChatGPT para obter respostas é, na melhor das hipóteses, pouco útil e, na pior, inútil.</span> Solicitar que o modelo redija um e-mail em tâmil, por exemplo, pode resultar em um rascunho confuso e cheio de erros em inglês. Esses usuários podem concluir que ferramentas de IA falhas causam mais problemas do que benefícios. À medida que a IA se torna mais onipresente em diversos setores e disciplinas, falantes de outros idiomas podem se ver obrigados a navegar em uma economia cada vez mais interconectada e monolíngue.</span></p>
<h3><span dir="auto">Marginalizando culturas diversas</span></h3>
<p><span dir="auto">A preferência da IA ​​pelo inglês também impacta comunidades linguísticas com poucos recursos de maneiras que vão além de questões financeiras. Especificamente, a visão de mundo revelada nas respostas geradas por ferramentas de IA amplamente utilizadas espelha a perspectiva dos anglófonos do Hemisfério Norte. </span><a href="https://www.theatlantic.com/technology/archive/2024/04/generative-ai-low-resource-languages/678042/#selection-647.0-955.770"><span dir="auto">A revista <em>The Atlantic</em></span></a><span dir="auto"><em> </em>chamou a atenção para esse padrão, observando que isto exemplifica como crenças de países com muitos recursos passam a ser vistas como universais. Perspectivas não anglófonas são frequentemente excluídas em razão de sua baixa  representatividade nos dados utilizados para treinamento de soluções de IA. Indivíduos dessas comunidades podem se sentir prejudicados por desenvolvedores de IA renomados, especialmente diante de suas promessas de que a tecnologia será </span><a href="https://openai.com/index/built-to-benefit-everyone/"><span dir="auto">um trunfo para a humanidade</span></a><span dir="auto">. Embora as ferramentas criadas por esses gigantes do setor só tendam a se tornar mais sofisticadas, as atitudes refletidas em seus resultados provavelmente permanecerão as mesmas.</span></p>
<p>Alguns na área de IA ​​têm procurado corrigir esse desequilíbrio criando mais materiais digitais em idiomas com poucos recursos. Os resultados desses esforços estão longe do ideal. A <a href="https://www.technologyreview.com/2025/09/25/1124005/ai-wikipedia-vulnerable-languages-doom-spiral/">MIT Technology Review</a> examinou o quanto desse conteúdo, extraído da web para aprimorar produtos como os LLMs (grandes modelos de linguagem), está repleto de erros. Isso ocorre porque os próprios sites usados ​​para aprimorar as capacidades multilíngues de uma IA apresentam erros decorrentes de tradução automática. Em alguns casos, indivíduos bem-intencionados, buscando reduzir a lacuna linguística, estão por trás deles. No entanto, muitos não possuem a expertise necessária para avaliar a precisão do próprio trabalho. Seus conteúdos permanecem na web inalterados, tornando-se dados que a IA usa para aprimorar sua &#8220;fluência&#8221;. Nesse estágio, as comunidades linguísticas com poucos recursos podem concluir que o estrago já está feito.</p>
<h3><span dir="auto">Mudando a conversa</span></h3>
<p><span dir="auto">Apesar dessas preocupações, as empresas de IA no Hemisfério Norte estão avançando a toda velocidade para dominar esse setor lucrativo. Vale a pena parar e considerar as consequências mais amplas de suas ações. Por exemplo, comunidades linguísticas com poucos recursos têm sido aparentemente negligenciadas pelos desenvolvedores de produtos, o que as coloca em desvantagem em relação aos anglófonos. Relatórios do setor também mostram como surgiu uma hierarquia cultural que privilegia aqueles no mundo anglófono e como o desmantelamento desse sistema em expansão deve ser aprofundado com cautela e intenção. Em conjunto, essas tendências ressaltam que a filosofia de &#8220;agir rápido e quebrar paradigmas&#8221;, que definiu o setor de tecnologia por anos, permanece viva e forte na era da IA. Tanto no passado quanto no presente, as populações anglófonas lidarão com as repercussões.</span></p>
<div class="entry-container">
<div class="entry">
<p><span dir="auto">É possível adotar medidas para promover a igualdade de oportunidades. Tudo começa trabalhando lado a lado com as comunidades que têm sido marginalizadas na pressa de desenvolver a IA. Os grandes desenvolvedores devem buscar parcerias colaborativas com comunidades de línguas de poucos recursos para combater essa desigualdade crescente. Integrar as contribuições dessas populações no desenvolvimento de soluções, como os LLMs, e, ao mesmo tempo, revisar os resultados para garantir que sejam precisos e autênticos deve ser prioridade para as empresas que desejam fazer a diferença. Além disso, poderiam unir forças com </span><a href="https://www.masakhane.io/"><span dir="auto">líderes comunitários de IA</span></a><span dir="auto"> determinados a criar ferramentas mais adequadas às necessidades dos falantes de línguas com poucos recursos. Ao adotar essa abordagem culturalmente sensível, a IA pode ser desenvolvida e aprimorada de modo que beneficie a maioria, e não apenas alguns.</span></p>
</div>
</div>
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</div>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/aaronspitler/' class='user-link'>Aaron Spitler</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/fernando-binda-baumgarten/' class='user-link'>Fernando Baumgarten</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/04/08/lost-in-translation-how-ai-models-impact-low-resource-language-communities/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/zhendong-wang-ZMsywu80JcM-unsplash-400x300.webp" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Na República Democrática do Congo, árvores urbanas são reservatórios naturais de CO₂ que merecem mais atenção</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/17/na-republica-democratica-do-congo-arvores-urbanas-sao-reservatorios-naturais-de-co%e2%82%82-que-merecem-mais-atencao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Ferreira Wittaker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 13:04:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[República Democrática do Congo]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=122187</guid>

					<description><![CDATA[Árvores urbanas não são apenas decorações paisagísticas. Elas são sequestradoras de carbono naturais, capazes de neutralizar emissões de dióxido de carbono (CO₂) relacionadas às atividades humanas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Novo estudo mostra que 1,759 toneladas de biomassa estão guardadas acima do solo nas árvores urbanas de Bunia.</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://fr.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/Design-sans-titre11-800x450.png" alt="Overview of Bunia. Screenshot from the video “By early 2026, the city of Bunia will have a modern airport built in international standards” on the Today TV YouTube channel" width="800" height="450" /><p class="wp-caption-text">Vista aérea de Bunia. Captura de tela do vídeo &#8220;Até o começo de 2026, a cidade de Bunia terá um aeroporto moderno construído com padrões internacionais&#8221; do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=skHKoWfLia8">canal no Youtube da HK Today TV</a>.</p></div>
<p><em style="font-size: 1.25rem;">Este artigo foi publicado inicialmente em 8 de março de 2026, no site </em><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://greenafia.com" target="_blank" rel="noopener"><em>www.greenafia.com</em></a><em style="font-size: 1.25rem;">.</em><em> A Global Voices republicou este artigo como parte de um acordo de parceria com <a href="https://greenafia.com/climat-et-villes-africaines-une-etude-montre-que-les-arbres-urbains-de-bunia-capturent-jusqua-124-kg-de-co%E2%82%82-par-arbre/">GreenAfia</a>.</em></p>
<p>Árvores plantadas em grandes cidades são parte essencial da solução para as mudanças climáticas. <span style="font-size: 1.25rem;">Embora sejam tradicionalmente consideradas menos importantes do que as </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.weforum.org/stories/2025/06/forests-old-growth-trees-protection/#:~:text=A%20new%20World%20Resources%20Institute,Image:%20WRI" target="_blank" rel="noopener">florestas primárias</a><span style="font-size: 1.25rem;">, um estudo de outubro de 2025 mostra que elas desempenham um papel significativo nos esforços de conservação, despertando o interesse de cientistas da República Democrática do Congo (RDC).</span></p>
<p>Um <a href="https://www.researchgate.net/publication/396727508_Estimation_du_stock_de_carbone_et_potentiel_de_la_biodiversite_ligneuse_a_sequestrer_le_carbone_en_milieux_urbains_Cas_de_la_ville_de_Bunia_en_province_de_l'Ituri_RDC">estudo científico</a> conduzido na província de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Bunia">Bunia</a>, em Ituri, no nordeste da RDC, demonstrou que árvores urbanas não são apenas decorações paisagísticas. Elas são sequestradoras naturais de carbono, capazes de neutralizar uma porção significativa das emissões de dióxido de carbono (CO₂) associadas às atividades humanas.</p>
<h3>Cidades como sequestradoras de carbono</h3>
<p>Ao contrário dos muitos estudos em florestas naturais, nos centros urbanos africanos praticamente não há políticas climáticas devido à falta de dados confiáveis. <span style="font-size: 1.25rem;">Para remediar esta falta, pesquisadores da </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://uni-bu.ac.cd/" target="_blank" rel="noopener">Universidade de Bunia</a><span style="font-size: 1.25rem;"> catalogaram 2.311 árvores distribuídas em 21 terrenos de um hectare, em três comunidades de Bunia: </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://fr.wikipedia.org/wiki/Mbunya_(Bunia)" target="_blank" rel="noopener">Mbunya</a><span style="font-size: 1.25rem;">, Nyakasanza e Shari.</span></p>
<p>Usando métodos não destrutivos baseados no diâmetro, na altura e na densidade da madeira das árvores, o time estimou a biomassa e a reserva de carbono sem derrubar nenhuma árvore.</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Os números deste <a href="https://www.researchgate.net/publication/396727508_Estimation_du_stock_de_carbone_et_potentiel_de_la_biodiversite_ligneuse_a_sequestrer_le_carbone_en_milieux_urbains_Cas_de_la_ville_de_Bunia_en_province_de_l%27Ituri_RDC" target="_blank" rel="noopener">estudo</a> falam por si mesmos: 1.759 toneladas de biomassa estocada acima do solo por árvores urbanas em Bunia; 8.795 toneladas de carbono sequestrado, o que equivale a 2.374 toneladas de CO₂ removidas da atmosfera.</span></p>
<p>Uma árvore urbana em Bunia guarda, em média, 380 kg de carbono, o que equivale a quase 124 kg de CO₂ absorvido. Em um hectare urbano, a média de carbono guardado é de 47,6 toneladas, cifra comparável a algumas áreas florestais degradadas.</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Em Bunia, se uma árvore urbana pode compensar até 124 kg de CO₂, ela adquire um valor de carbono entre um e quatro dólares no <a href="https://www.climatepartner.com/fr/connaissances/glossaire/marche-volontaire-du-carbone" target="_blank" rel="noopener">mercado voluntário de carbono</a> (mecanismo de troca de créditos de carbono que permite que empresas e indivíduos compensem suas pegadas de carbono voluntariamente), o que prova que as cidades congolesas podem transformar suas árvores em verdadeiros ativos climáticos.</span></p>
<h3>Nem todas as espécies têm o mesmo papel</h3>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Uma das maiores contribuições do estudo foi a identificação das espécies mais capazes de sequestro de carbono: <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Eucalyptus_globulus" target="_blank" rel="noopener"><em>Eucalyptus globulus</em></a><em> </em>(61% de carbono sequestrado); <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Mangifera_indica" target="_blank" rel="noopener"><em>Mangifera indica</em></a> (mangueira), 14%; <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Persea_americana" target="_blank" rel="noopener"><em>Persea americana</em></a> (abacateiro), 9%; <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Grev%C3%ADlea-robusta" target="_blank" rel="noopener"><em>Grevillea robusta, </em></a>7%; e <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A1ssia-de-si%C3%A3o" target="_blank" rel="noopener"><em>Senna siamea, </em></a><em>5%</em><em>.</em></span></p>
<p>Estas descobertas mostram que a escolha das espécies é importante. Algumas, devido à densidade de sua madeira e crescimento acelerado, desempenham um papel climático desproporcional em relação à sua quantidade.</p>
<p>Este estudo muda muita coisa, especialmente no desenvolvimento de políticas urbanas, pois as cidades congolesas agora podem incluir árvores urbanas como infraestruturas climáticas, assim como sistemas viários e de drenagem. Plantar ou preservar algumas árvores é, portanto,  uma estratégia de mitigação climática mensurável.</p>
<p>Em termos de uso da terra e reflorestamento, o estudo fornece uma base científica para selecionar quais espécies priorizar, evitar plantas decorativas de baixo impacto no carbono e focar em programas de arborização urbana que utilizem espécies com forte desempenho climático.</p>
<p>Bunia também pode atrair a atenção de elaboradores de políticas que definem a estrutura de financiamento climático. Com dados locais, cidades como Bunia podem buscar projetos-piloto de créditos de carbono urbanos, financiamentos para adaptação e mitigação climáticas e aprimorar a gestão ecológica dos espaços verdes.</p>
<p>O estudo mostra que a luta contra as mudanças climáticas não se dá apenas nas grandes florestas da Bacia do Congo, mas também nas ruas, campos, escolas e distritos urbanos, onde cada árvore conta. Mas, mais importante, cada seleção de espécies, cada política de preservação ou destruição tem um preço mensurável.</p>
<div class="factbox">
<h4>Leia mais em: <a title="En RDC, le média Green Afia fait de l'éducation verte sa mission" href="https://fr.globalvoices.org/2025/03/25/294238/" rel="bookmark">Green Afia Magazine makes environmental education its core mission: An interview with Hervé Mukulu</a></h4>
</div>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (Français) by</span> <a href='https://fr.globalvoices.org/author/greenafia/' class='user-link'>Green Afia</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/laura-dunne/' class='user-link'>Laura Marie</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/gabriel-ferreira-wittaker/' class='user-link'>Gabriel Ferreira Wittaker</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://fr.globalvoices.org/2026/03/03/300720/'>Veja o post original (Français)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://fr.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/Design-sans-titre11-400x300.png" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Morre compositor, dramaturgo e satirista político libanês, Ziad Rahbani: A voz de uma geração se cala</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/14/morre-compositor-dramaturgo-e-satirista-politico-libanes-ziad-rahbani-a-voz-de-uma-geracao-se-cala/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mariana Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 16:11:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Inglês]]></category>
		<category><![CDATA[Líbano]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio e Norte da África]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Mão]]></category>
		<category><![CDATA[The Bridge]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
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					<description><![CDATA[Para muitos, Ziad Rahbani foi o primeiro contato com a política em um país e uma região assolados por guerras, ocupações e violência sectarista.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Agradecemos pela música, pelas palavras, pelas risadas e por dar voz à nossa juventude</em></big></p><div id="attachment_840469" style="width: 1902px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-840469" class="wp-image-source-840469 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/07/Screenshot-2025-07-27-at-8.01.20 p.m.png" alt="" width="1902" height="1224" /><p id="caption-attachment-840469" class="wp-caption-text">Ziad Rahbani (centro), no palco, com seu antigo amigo e colaborador, Joseph Sakr (à esquerda), que morreu em 1997. Captura de um <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ugx9LD08tRQ">vídeo</a> do <a href="http://youtube.com">Youtube</a> do canal <a href="https://www.youtube.com/@ALJadeedNewslb">Al Jadeed News</a>. Uso justo.</p></div>
<p><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Ziad_Rahbani">Ziad Rahbani</a>, icônico compositor, dramaturgo e satirista político libanês, morreu nesse sábado, dia 16 de julho, em Beirute, deixando a região em ruínas e uma geração em luto. Mais do que uma figura cultural, Ziad era um símbolo de rebelião, inteligência e crítica <span style="font-weight: 400;">— um artista com músicas, peças e uma personalidade que inspiraram milhões de pessoas no mundo todo.</span></p>
<p>Nascido em 1956, filho da lendária cantora libanesa <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Fairuz">Fairuz</a> e do compositor <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Assi_Rahbani">Assi Rahbani</a>, Ziad criou um espaço singular tanto na música quanto na política. Desde jovem, ele desafiou convenções, tornando-se uma voz da esquerda árabe que questionava a autoridade, a religião, o sectarismo e os absurdos do poder.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/OrJeU9S1uWA?si=DhbWbah2CypitRgz" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>As peças teatrais, as músicas e os esquetes de rádio de Rahbani não eram apenas entretenimento; ensinavam, provocavam e desafiavam. Para muitos, Ziad Rahbani foi o primeiro contato com a política em um país e uma região assolados por guerras, ocupações e violência sectarista. Por meio de sarcasmo e sinceridade, entre acordes de piano e jogos de palavras, Rahbani introduziu gerações aos ideais esquerdistas de rebelião, crítica e imaginação coletiva.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/AF_Mp32XV_E?si=L5lC4ksepsyrPWrL" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Milhões ao redor do mundo árabe ainda conseguem recitar diálogos inteiros das peças de Rahbani, letras de suas músicas ou citações de seus programas de rádio, frequentemente gravados por ele mesmo, que ainda são comentários relevantes até hoje.</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Seu arquivo artístico, tanto na música quanto no teatro, é rico, poderoso e à frente do seu tempo, combinando jazz, bossa nova e funk com estilos musicais da tradição árabe, além de letras provocativas, criando um estilo único — chamado de &#8220;jazz oriental&#8221; — que influenciou muitos que vieram depois dele.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/qxIZDpShHC0?si=ZllnVVyzzV4W6eEK" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>O legado de Rahbani continua sendo uma prova viva das reviravoltas políticas, sociais e emocionais das últimas cinco décadas, com todas as suas contradições.</p>
<p>Hoje, ele nos deixa em um momento em que a região está mais colonizada, reprimida e fragmentada do que nunca, e ainda mais distante do que ele sonhava como um jovem comunista na década de 1970, dedicado à liberação palestina e às revoluções proletárias.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/xVUO_KCIXkI?si=gPMzsAeRFEk-mMtK" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Sua perda arrasa uma geração que passou por inúmeros ciclos de transformações e  derrotas políticas, violência e alienação, muitas vezes com a música e as peças de Rahbani como pano de fundo de suas esperanças e desilusões.</p>
<p>No dia 28 de julho, uma multidão acompanhou seu sepultamento, marchando em sua homenagem pelo <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Hamra,_Beirut">distrito de Hamra</a>, em Beirute, no bairro onde viveu, trabalhou e passou seus últimos momentos, e que um dia incorporou o espírito da resistência e da esquerda:</p>
<p><iframe loading="lazy" style="border: none; overflow: hidden;" src="https://www.facebook.com/plugins/video.php?height=476&amp;href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2F100052688238179%2Fvideos%2F643189638799295%2F&amp;show_text=false&amp;width=267&amp;t=0" width="267" height="476" frameborder="0" scrolling="no" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Essa é uma homenagem a um homem simples que carregou o peso de sonhos, derrotas e contradições de uma geração inteira com astúcia, cinismo e inovação.</p>
<p>Enquanto os enlutados da região relembram a figura imponente na música, na política e no teatro, seus sentimentos voltam-se à sua mãe, a inigualável Fairuz. Sua voz <span style="font-weight: 400;">— provavelmente a mais conhecida no mundo árabe — nas músicas escritas por seu filho permanecerá um dos sons mais bonitos da música árabe.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/a1mm6Is2BDo?si=vxAbZmBQO1nsDf6J" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Adeus, Ziad. Agradecemos pela música, pelas palavras, pelas risadas e por dar voz à nossa juventude.</p>
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<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/walidhouri/' class='user-link'>Walid El Houri</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/mariana-lopes/' class='user-link'>Mariana Lopes</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2025/07/28/lebanese-composer-playwright-and-political-satirist-ziad-rahbani-dies-the-voice-of-a-generation-gone-silent/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/07/Screenshot-2025-07-27-at-8.01.20%E2%80%AFp.m-400x300.png" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Da dignidade menstrual à segurança digital: como o feminismo popular está redefinindo a justiça de gênero</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/13/da-dignidade-menstrual-a-seguranca-digital-como-o-feminismo-popular-esta-redefinindo-a-justica-de-genero/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juliana Stroebel]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 18:35:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres e Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Nigéria]]></category>
		<category><![CDATA[Paquistão]]></category>
		<category><![CDATA[Paraguai]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sul da Ásia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=121933</guid>

					<description><![CDATA[Qual a conexão entre absorventes em uma escola nigeriana, reunião de coalizão no Paquistão e workshop sobre segurança digital no Paraguai? Cada qual aborda uma barreira que limita a participação das mulheres.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Das escolas, aos tribunais e ao ciberespaço, as feministas estão redefinindo a justiça de gênero</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/pexels-tosin-olowoleni-2148141635-34162720-800x534.jpg" alt="Meninas segurando cartazes pedindo justiça menstrual." width="800" height="534" /><p class="wp-caption-text">Meninas segurando cartazes pedindo justiça menstrual em uma escola na Nigéria. <a href="https://www.pexels.com/photo/african-schoolgirls-promoting-period-awareness-34162720/">Imagem</a> de <a href="https://www.pexels.com/">Pexels</a>. U<a href="https://www.pexels.com/license/">so livre</a>.</p></div>
<p><b><i>Por Clarisse Sih e Bibbi Abruzzini,</i></b> <a href="https://www.forus-international.org/en/"><i><span style="font-weight: 400;">Forus</span></i></a></p>
<p>Em uma escola de ensino médio no sul da Nigéria, uma adolescente menstruou durante o horário de aula. Ela não tinha absorventes. A professora a mandou para casa.</p>
<p>Para Udoka Anita Ikebua, na época, uma jovem recém-formada designada por esta escola ao serviço nacional, aquele momento se tornou um divisor de águas. &#8220;No século XXI&#8221;, ela recorda ter pensado: &#8220;Como uma garota ainda não tem acesso a algo tão básico?&#8221;.</p>
<p>Foi assim que a iniciativa da Ikebua evoluiu para uma das vitórias mais significativas da justiça menstrual na Nigéria: em março de 2025, o estado de Bauchi aprovou o <a href="https://home.bauchistate.gov.ng/just-in-bauchi-assembly-passes-bill-for-the-establishment-of-free-sanitary-pads-in-schools-correctional-facilities/">primeiro projeto de lei do país que estabelece bancos de absorventes higiênicos gratuitos em escolas públicas</a> e centros de detenção — uma mudança da política de caridade para uma política baseada em direitos.</p>
<p>Transformações semelhantes estão ocorrendo em diversos continentes. No Paquistão, defensoras feministas estão reformulando a proteção social como infraestrutura democrática. No Paraguai, ativistas de direitos digitais estão contestando a normalização da violência de gênero.</p>
<p>Suas lutas podem parecer diferentes — falta de acesso a produtos de higiene menstrual, reforma política, abuso digital — mas estão unidas por uma verdade mais profunda: a justiça de gênero hoje é inseparável da segurança econômica, da segurança digital e da responsabilidade institucional.</p>
<h3>Nigéria: Desde a doação de absorventes até a reforma das políticas públicas</h3>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Ikebua fundou o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.facebook.com/PADaGirlfoundation/" target="_blank" rel="noopener">Project Pad A Girl</a><span style="font-size: 1.25rem;"> após testemunhar, em primeira mão, como a menstruação interrompia a educação das meninas.</span> Inicialmente, a solução parecia simples: distribuir absorventes. Mas ela logo percebeu os limites da caridade. &#8220;Se eu der um absorvente hoje&#8221;, explica ela, &#8220;o que acontece no próximo mês?&#8221;.</p>
<p>Meninas sem acesso a produtos sanitários durante a menstruação geralmente recorrem ao uso de lenço de papel, trapos, folhas ou simplesmente ficam em casa. Os professores às vezes mandavam as alunas embora se manchassem seus uniformes.</p>
<p>A solução inovadora surgiu com a criação de bancos de absorventes: caixas permanentes de suprimentos de emergência, localizadas nas escolas e abastecidas com produtos menstruais a cada período letivo. As meninas que começam a menstruar durante o horário escolar podem acessar discretamente os suprimentos no escritório de orientação e permanecer na sala de aula.</p>
<div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/pexels-tosin-olowoleni-2148141635-34162722-800x534.webp" alt="Alunas nigerianas segurando cartazes pedindo justiça menstrual." width="800" height="534" /><p class="wp-caption-text">Alunas nigerianas segurando cartazes que pedem justiça menstrual. <a href="https://www.pexels.com/photo/empowering-youth-menstrual-health-awareness-34162722/">Imagem</a> de <a href="https://www.pexels.com/">Pexels</a>. <a href="https://www.pexels.com/license/">Uso livre</a>.</p></div>
<p>O impacto foi imediato: melhora na frequência, redução do estigma e sensação de segurança.</p>
<p>“A ideia de que, se vier minha menstruação, estarei segura — isso muda tudo”, diz Ikebua.</p>
<p>Um aspecto importante do Projeto Pad A Girl é a inclusão intencional de meninos em sessões de educação menstrual para acabar com o estigma. “Já que vocês não têm vergonha dos seus corpos”, diz Ikebua aos alunos do sexo masculino, “vocês não devem fazer uma garota ter vergonha do corpo dela”.</p>
<p>A legislação de Bauchi expandiu ainda mais esse modelo para incluir instalações correcionais, nas quais as mulheres encarceradas geralmente dependem de trapos e enfrentam riscos sérios de higiene. Ao introduzir absorventes higiênicos reutilizáveis projetados para durar meses, a iniciativa centra a dignidade e a sustentabilidade.</p>
<p>“Trata-se de serem vistas — mesmo por trás dos muros da prisão”, explica Ikebua.</p>
<p>No entanto, os desafios permanecem. Os produtos menstruais estão sujeitos a um imposto sobre o valor agregado, e os defensores estão pressionando para sua revogação. Mas o progresso é lento em uma legislatura dominada por homens. &#8220;Às vezes, quando você leva isso a eles, realmente não entendem&#8221;, admite Ikebua.</p>
<h3>Paquistão: Proteção social como infraestrutura feminista</h3>
<p>Para Marium Amjad Khan, gerente de programa da <a href="https://www.pda.net.pk/">Aliança de Desenvolvimento do Paquistão</a>, o feminismo não é uma teoria abstrata. Tudo começou ao ver como o futuro das meninas era decidido antes que elas tivessem chance de sonhar.</p>
<p>&#8220;Uma vez que você vê a desigualdade&#8221;, diz ela, &#8220;não pode deixar de vê-la&#8221;.</p>
<p>Trabalhando tanto em nível de base quanto no âmbito de políticas públicas, Khan concentra-se em temas como casamento infantil, violência doméstica, direitos à saúde sexual e reprodutiva e governança educacional. Mas, cada vez mais, ela enfatiza a proteção social — sistemas econômicos que determinam se as mulheres podem resistir às crises.</p>
<div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/31643770142_14c7912a7b_k-800x531.webp" alt="Escoteiras no Baluchistão, no Paquistão, seguram cartazes com os dizeres “Mãos fortes acabam com a violência contra mulheres e meninas”. Imagem do Flickr da ONU Mulheres" width="800" height="531" /><p class="wp-caption-text">Escoteiras no Baluchistão, no Paquistão, seguram cartazes com os dizeres “Mãos fortes acabam com a violência contra mulheres e meninas”. Imagem do <a href="https://www.flickr.com/photos/unwomen/31643770142">Flickr da ONU Mulheres</a> (<a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/deed.en">CC BY-NC-ND 2.0).</a></p></div>
<p>Sem segurança econômica, a participação democrática é frágil. As mulheres que sofrem com a pobreza, o não pagamento por serviços de assistência ou os impactos climáticos têm menos condições de se organizar, defender suas causas ou concorrer a cargos públicos. &#8220;As leis estão apenas começando&#8221;, explica Amjad. &#8220;A verdadeira mudança acontece quando as comunidades começam a acreditar que as meninas merecem a infância, que as mulheres merecem segurança.&#8221;</p>
<p>O Paquistão aprovou uma legislação importante nos últimos anos, mas a implementação continua desigual. Um desafio central, observa ela, é a conscientização: muitas comunidades não conhecem seus direitos. As alianças, portanto, são essenciais. A <a href="https://www.pda.net.pk/">Aliança de Desenvolvimento do Paquistão</a> reúne mais de 115 organizações da sociedade civil, amplificando as vozes coletivas nos espaços políticos. &#8220;Quando as comunidades falam juntas, os responsáveis pelas políticas ouvem&#8221;, postula Khan. &#8220;Eles têm que fazer isso.&#8221;</p>
<p>Em um contexto de redução do ambiente propício à sociedade civil, a solidariedade feminista global oferece um reforço.</p>
<p>&#8220;Quando o espaço diminui em um país, as redes internacionais nos lembram que não estamos sozinhas.&#8221;</p>
<p>Para Khan, a liderança feminista não consiste em ser a voz mais alta; trata-se de criar espaço para outras vozes.</p>
<h3>Paraguai: Violência digital é real</h3>
<div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/1024px-Taller_Justicia_transformativa_y_violencia_digital_por_Alex_Arguelles_comun.al_y_Grecia_Macias_R3D_6-800x534.webp" alt="Um workshop sobre violência digital no Paraguai. " width="800" height="534" /><p class="wp-caption-text">Oficina sobre justiça transformativa e violência digital, ministrada por Alex Argüelles e Grecia Macías. <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Taller_Justicia_transformativa_y_violencia_digital_por_Alex_Arg%C3%BCelles_%28comun.al%29_y_Grecia_Mac%C3%ADas_%28R3D%29_6.jpg">Imagem</a> via <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/Main_Page">Wikimedia Commons</a>. Licença <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0">CC BY-SA 4.0.</a></p></div>
<p>Enquanto a dignidade menstrual e a proteção social operam em espaços físicos, no Paraguai, a luta se desenrola on-line.</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">A <a href="https://www.tedic.org/" target="_blank" rel="noopener">TEDIC</a>, uma organização de direitos digitais, lidera a campanha <a href="https://www.tedic.org/en/la-violencia-digital-es-real/" target="_blank" rel="noopener">“La violencia digital es real”</a> (A violência digital é real) para contestar a ideia de que o abuso on-line é, de alguma forma, menos grave do que o dano offline.</span></p>
<p>“Uma mensagem na internet pode custar a alguém o seu trabalho, a sua segurança, a sua paz”, explica a líder do projeto, Jazmín Ruiz Díaz.</p>
<p>Durante anos, a internet foi tratada como neutra, um espaço que naturalmente promoveria a igualdade. Em vez disso, as desigualdades foram amplificadas.</p>
<p><a href="https://violenciadigital.tedic.org/en/b/litigios-estrategicos/belen-case/">O caso emblemático da TEDIC é o de Belén Whittingslow</a>, uma estudante que acusou um influente professor universitário de assédio por meio de mensagens explícitas. O caso foi arquivado por se tratar de um &#8220;namoro&#8221;. Posteriormente, ela foi criminalizada e forçada a buscar refúgio no exterior. O professor não enfrentou consequências legais.</p>
<p>O caso ilustra a natureza da violência digital em camadas, como o poder, as instituições e as plataformas que se cruzam. Além dos ataques individuais, os ativistas enfrentaram assédio on-line coordenado que tentou silenciar sua defesa e desacreditar seu trabalho. As respostas institucionais e as limitações dos sistemas de moderação das plataformas complicaram ainda mais a situação, revelando como lacunas na responsabilização e na regulamentação podem permitir que o abuso on-line persista. Dessa forma, a experiência destaca que a violência digital não é apenas um ataque pessoal, mas também uma questão estrutural moldada por dinâmicas de poder social, respostas institucionais e governança de plataformas digitais.</p>
<p>Ruiz Díaz também observa que os perpetradores não são apenas trolls anônimos. Esses atores podem variar desde redes de assédio coordenadas e fábricas de trolls apoiadas pelo Estado até as próprias plataformas, nas quais sistemas de moderação opacos e preconceitos algorítmicos têm sido amplamente criticados. Investigações e relatos da mídia documentaram casos em que ataques on-line contra mulheres jornalistas, políticas e ativistas são amplificados por redes organizadas, enquanto as respostas das plataformas permanecem inconsistentes.</p>
<p>Por meio de sua iniciativa <a href="https://www.tedic.org/en/curso-libres-y-segures-en-internet/">Free and Safe on the Internet</a>, a TEDIC oferece treinamento em segurança digital para ativistas, comunidades LGBTQ+ e grupos da sociedade civil. O trabalho é lento, incremental — “um trabalho de formigas”, diz Ruiz Díaz — mas necessário.</p>
<p>Com o surgimento de novas tecnologias, surgem também novas formas de causar danos. <em>Deepfakes</em>, manipulação não consensual de imagens, tecnologias de vigilância e ferramentas de IA intensificaram os riscos.</p>
<p>“O ciberespaço não está separado da realidade”, enfatiza Ruiz Díaz. &#8220;A violência on-line tem efeitos reais em corpos e mentes.&#8221;</p>
<p>Sua abordagem requer uma ação coordenada de governos, empresas de tecnologia e sociedade civil. Mas também requer cuidado comunitário.</p>
<p>&#8220;A saída é coletiva&#8221;, diz ela, &#8220;e a alegria também é uma forma de resistência&#8221;.</p>
<h3>Redefinindo a justiça de gênero</h3>
<p>O que conecta uma caixa de absorventes em uma escola nigeriana, uma reunião de coalizão no Paquistão e um workshop sobre segurança digital no Paraguai? Cada uma delas aborda uma barreira estrutural que limita a participação das mulheres na educação, na governança e na vida pública digital.</p>
<p>A dignidade menstrual afeta a retenção escolar e as oportunidades econômicas de longo prazo. A proteção social molda a capacidade de ação política. A segurança digital determina quem pode falar livremente.</p>
<p>Essas não são preocupações periféricas. São pilares da democracia.</p>
<p>Desde as salas de aula até os tribunais e o ciberespaço, as feministas de base estão redefinindo a justiça de gênero — não como um reconhecimento simbólico, mas como uma transformação sistêmica.</p>
<p>E, assim, estão remodelando as instituições que governam a vida cotidiana.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/forus/' class='user-link'>Forus</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/juliana-stroebel/' class='user-link'>Juliana Stroebel</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/03/12/from-menstrual-dignity-to-digital-safety-how-grassroots-feminists-are-redefining-gender-justice/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/pexels-tosin-olowoleni-2148141635-34162720-400x300.jpg" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Camaronenses recorrem a redes solares privadas em resposta a cortes de eletricidade prolongados</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/08/camaronenses-recorrem-a-redes-solares-privadas-em-resposta-a-cortes-de-eletricidade-prolongados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gisele Soares]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 18:07:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[Camarões]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Em Mile 4, área de New Council, em Bamenda, região Noroeste de Camarões, moradores recorrem cada vez mais à energia solar para enfrentar as falhas elétricas prolongadas e imprevisíveis.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Geração reduzida em grandes estações hidrelétricas e usinas termelétricas contribuíram para o fornecimento de energia reduzido</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/wing-light-cloud-sky-sun-technology-1287672-pxhere.com_-800x526.webp" alt="Solar panels." width="800" height="526" /><p class="wp-caption-text">Painéis solares. Imagem de <a href="https://pxhere.com/en/photo/1287672">PHere</a>. Uso livre. <a href="https://creativecommons.org/publicdomain/zero/1.0/">CC0 1.0</a></p></div>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Em Mile 4, área de New Council, em Bamenda, região noroeste de Camarões, moradores recorrem cada vez mais à energia solar para enfrentar as falhas elétricas prolongadas e </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.bareta.news/bamenda-residents-react-to-biyas-electricity-renationalisation-as-power-crisis-deepens/" target="_blank" rel="noopener">imprevisíveis,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> à medida que a </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.ebsco.com/research-starters/power-and-energy/cameroons-energy-sector-crisis" target="_blank" rel="noopener">crise elétrica</a><span style="font-size: 1.25rem;"> do país se intensifica.</span> <span style="font-size: 1.25rem;">Durante os últimos dois anos, residentes dessa parte da cidade afirmam que têm sofrido com a eletricidade inconstante ou completamente ausente na rede nacional gerenciada pela </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://eneocameroon.cm/index.php/en/component/content/article?id=3294&amp;Itemid=746%5C" target="_blank" rel="noopener">Eneo Cameroon</a><span style="font-size: 1.25rem;">, empresa responsável pela produção, distribuição e venda de energia elétrica em Camarões.</span></p>
<p>Autoridades atribuíram a interrupção de energia em larga escala a fatores técnicos e hídricos. Em janeiro de 2025, o <a href="https://minee.cm/en/">ministro de Recursos Hídricos e Energia</a> explicou que a geração reduzida em grandes usinas hidrelétricas, incluindo Songloulou, Edea e Memve&#39;ele, e a paralisação de algumas usinas termelétricas contribuíram para o fornecimento de energia reduzido, resultando em racionamentos e frequentes apagões na rede interconectada.</p>
<p>Em meados de janeiro de 2026, <a href="https://cameroonnewsagency.com/bamenda-mile-4-inhabitants-say-continuous-power-outage-killing-businesses/#google_vignette">frustrados </a>com os atrasos recorrentes na restauração da eletricidade estável, os moradores de New Council contribuíram do próprio bolso para comprar um transformador comunitário. O investimento pretendia melhorar o acesso durante os apagões prolongados. Apesar disso, o fornecimento de energia continua intermitente, levando muitos residentes a adotar sistemas solares descentralizados em suas casas como alternativa. Godwin Benyella, morador de Nkwen em Mile 4, afirmou:</p>
<blockquote><p>I’ve been using solar energy to power up my household since 2020. It helps us whenever there are frequent power outages. The solar has definitely attracted neighbors’ [attention] and even pushed them to get their own.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Eu venho usando a energia solar para abastecer a minha casa desde 2020. Isso nos ajuda quando há apagões frequentes. Os painéis definitivamente atraíram a atenção dos vizinhos e até os influenciou a comprarem os seus próprios.</p></blockquote>
<p>A estrutura solar de Benyella, composta por seis painéis e duas baterias, custa cerca de 1,5 milhão de francos CFA (R$ 13,5 mil). O técnico dele cobrou 75 mil CFA pela instalação. Benyella contou que o sistema abastece a sua televisão, a geladeira (escassamente) e o liquidificador, mas observou que utensílios pesados, como ferros e máquinas de lavar, não podem ser ligados sem equipamentos adicionais.</p>
<p>No mercado principal de Bamenda, painéis solares são facilmente encontrados, o que reflete a crescente demanda. Martin, um vendedor que importa painéis e baterias, descreveu as condições mutáveis do mercado:</p>
<blockquote><p>At first 100 Watts cost 120k [CFA francs]. But now with 20k [CFA francs] you can have a 100 watt panel, we who have our small shops in town no longer make profit because most people travel to Douala and buy directly from the manufacturers.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Antes, 100 Watts custavam 120 mil CFA. Mas agora com 20 mil CFA você pode ter um painel de 100 watts, nós que temos nossos pequenos negócios na cidade não temos mais lucro porque a maioria das pessoas viaja para Douala e compra diretamente dos fabricantes.</p></blockquote>
<p>Ele observou que, apesar de a energia solar ter se tornado um “bom investimento”, o aumento da competição com fornecedores de grande porte diminuiu os preços e esmagou os revendedores de pequeno porte. Um tour pela área de Council mostra que a maioria das casas tem um, dois ou até seis painéis solares no teto, comprados no mercado local e instalados por técnicos da vizinhança.</p>
<p>Os técnicos que instalam esses painéis nas casas relatam que a energia solar é cada vez mais utilizada à medida que a credibilidade da rede elétrica diminui. Nelson, um eletricista, explicou o funcionamento básico dos sistemas residenciais:</p>
<blockquote><p>Solar panels capture sunlight and convert it into direct current electricity. An inverter then kicks in to convert the DC power into alternating current, which is what your house uses. Any excess energy can be stored in batteries. It’s a clean, sustainable way to power your home.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Os painéis solares capturam a luz solar e convertem em corrente direta de eletricidade. Depois, o inversor entra em funcionamento para converter a corrente direta em alternada, que é o que a sua casa usa. Qualquer excesso de energia pode ser armazenado em baterias. É uma maneira limpa e sustentável de abastecer uma casa.</p></blockquote>
<p>Ele acrescentou que a luz solar consistente e intensa em Bamenda torna a energia solar particularmente adequada e que muitos moradores estão instalando sistemas para suplementar ou substituir o serviço de rede pouco confiável.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Kigha Paul Tabo, engenheiro e diretor de tecnologia da </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://share.google/BOFcjwXYYvuv6Do7y" target="_blank" rel="noopener">Solar Bright Future Company,</a><span style="font-size: 1.25rem;">  um especialista em energia solar há muitos anos, descreveu as tendências mais abrangentes em relação às necessidades energéticas.</span> Ele disse que as campanhas de conscientização e a redução de preços tornaram a energia solar mais acessível, especialmente nas áreas rurais de Bamenda e na região Noroeste. Durante os últimos cinco a sete anos, ele observou que muitos clientes domésticos adotaram a energia solar, uma vez que o alcance da rede nacional diminuiu em algumas áreas devido a danos estruturais e desafios de manutenção. Ele também ressaltou os esforços para desenvolver minigeneradores solares capazes de abastecer um único cômodo, Tabo disse:</p>
<blockquote><p>Many families are embracing the shift. Solar is better and cheaper than generators, it may be expensive to install but far cheaper to maintain daily than buying fuel for a generator.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Muitas famílias estão adotando a mudança. Energia solar é melhor e mais barata que geradores, mesmo sendo cara para instalar, é muito mais barata para manter diariamente do que comprar combustível para um gerador.</p></blockquote>
<p>Ele reconheceu as restrições de acesso, incluindo os altos custos iniciais de instalação, a falta de vendedores licenciados, bem como a falta de habilidades dos instaladores informais, e encorajou os residentes a comprarem produtos com garantia para aproveitarem melhor os benefícios das instalações de painéis solares.</p>
<p>A energia solar em Mile 4 não substitui por completo a eletricidade da rede. Os sistemas solares básicos fornecem luz, refrigeração e carregamento de dispositivos, mas têm capacidade limitada sem bancos de bateria e painéis maiores. Entretanto, a adoção crescente de energia solar reflete respostas práticas às falhas recorrentes da rede e tem contribuído para a descentralização da energia nas residências da comunidade. Em bairros estudantis, como os campus da Universidade Bambili, os universitários dizem que as falhas elétricas frequentes prejudicam seus estudos, pois é desafiador estudar no escuro. Munaseh Courage, estudante do quarto ano na Universidade de Bamenda, contou à Global Voices:</p>
<blockquote><p>You cannot even make plans to study because you are not sure when there will be light, having phones go off also makes one miss important assessments announced on the class forum.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Não podemos nem fazer planos para estudar porque não temos certeza quando vai ter luz, e se os telefones descarregam também perdemos avaliações importantes anunciadas no fórum da classe.</p></blockquote>
<p>Além dos estudantes, as interrupções nos últimos anos têm afetado os negócios e as instituições que operam na cidade. A <a href="https://abakwaeh.org/electricity-crisis-threatens-special-needs-children/">Fundação de Reabilitação Luc Menora</a> (LMF), localizada em Bamenda, Camarões, que cuida de crianças com deficiência, tem enfrentado esse problema.</p>
<p>“Ainda hoje, essa missão permanece gravemente ameaçada. A fundação enfrenta uma crise energética que está reduzindo as oportunidades para essas crianças”, relataram em um comunicado após uma reunião de avaliação. Também disseram que pretendem migrar para uma rede solar para proporcionar melhor apoio aos jovens com quem trabalham.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">No âmbito nacional, os oficiais do governo reconhecem desafios persistentes no fornecimento de eletricidade em diversas regiões, incluindo as servidas pela </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://arsel-cm.org/subcategory/2/en/electricity-transmission-segment" target="_blank" rel="noopener">Southern Interconnected Grid</a><span style="font-size: 1.25rem;">, que abrange o Noroeste e o Sudoeste.</span> O ministro de Recursos Hídricos e Energia afirmou que o governo tomou medidas para fortalecer o setor elétrico, incluindo a aquisição da maior parte da ENEO por parte do Estado, com a meta anunciada de melhorar a confiabilidade da rede de distribuição e atender à crescente demanda. O ministro também exigiu a melhoria da cobrança e a redução de fraudes para viabilizar a sustentabilidade do sistema.</p>
<p>A expansão do uso de energia solar em Mile 4 reflete uma adaptação local à instabilidade do sistema elétrico, com residências investindo em sistemas de energia descentralizados e renováveis que garantem o acesso básico à eletricidade, apesar das interrupções persistentes da rede.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/cynthia-ebot-takang/' class='user-link'>Cynthia Ebot Takang</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/gisele-soares/' class='user-link'>Gisele Soares</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/03/07/solar-energy-use-expands-in-bamenda-cameroon-as-residents-respond-to-prolonged-power-cuts/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/wing-light-cloud-sky-sun-technology-1287672-pxhere.com_-400x300.webp" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Desde Gaza até o Líbano e o Irã: a banalização da barbárie</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/08/desde-gaza-ate-o-libano-e-o-ira-a-banalizacao-da-barbarie/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Doralice Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 13:06:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra & Conflito]]></category>
		<category><![CDATA[Inglês]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Mão]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[The Bridge]]></category>
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					<description><![CDATA[A destruição de Gaza não ficou confinada ao território. Como era previsível, tornou-se um precedente, moldando as guerras no Líbano e no Irã à medida que o direito internacional se desgasta sob o peso da indignação seletiva.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>O declínio do direito internacional, diante dos olhos do mundo</em></big></p><div id="attachment_850544" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-850544" class="wp-image-source-850544 size-featured_image_large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/KX4BCRY6KJKHFGRDJQOQEIACRY-800x450.webp" alt="Drone footage shows rows of fresh graves in Minab, Iran, where over 150 schoolgirls were killed by a US air strike. Screenshot from video published on Facebook by Reuters. Fair use" width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-850544" class="wp-caption-text">Imagens de drone mostram fileiras de covas recém-abertas em Minab, no Irã, onde mais de 150 alunas foram mortas em um ataque aéreo atribuído aos Estados Unidos. Captura de tela do <a href="https://www.facebook.com/watch/?v=1396890721754543">vídeo</a> publicado no Facebook pela <a href="https://www.facebook.com/Reuters">Reuters</a>. Uso justo.</p></div>
<p>Por dois anos, enquanto o <a href="https://www.ohchr.org/en/press-releases/2025/09/israel-has-committed-genocide-gaza-strip-un-commission-finds">genocídio</a> em Gaza se desenrolava ao vivo diante dos olhos do mundo, nós alertamos. Durante décadas, <a href="https://www.aljazeera.com/opinions/2023/10/17/the-mask-is-off-gaza-has-exposed-the-hypocrisy-of-international-law">documentamos</a> a hipocrisia que sustenta o direito internacional e a indignação seletiva que define as respostas globais aos conflitos, que apenas servem para alimentá-los. Hoje, esses alertas já não são teóricos — eles estão se concretizando em tempo real em toda a Ásia Ocidental, à medida que os crimes de guerra normalizados em Gaza agora servem de modelo para novos cenários de destruição no Líbano e no Irã.</p>
<h3>Gaza como precedente</h3>
<p data-start="26" data-end="476">A guerra genocida de Israel em Gaza nunca foi um episódio isolado. Foi a expressão extrema de uma doutrina que vem se desenvolvendo há décadas e foi viabilizada por anos de impunidade. A chamada “<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Doutrina_Dahiya">doutrina Dahyieh</a>” de Israel, aplicada na capital libanesa durante a guerra de 2006, consistia explicitamente na destruição da infraestrutura civil — ou “<a href="https://www.ohchr.org/en/documents/thematic-reports/ahcr6143add3-domicide-mass-destruction-housing-and-civilian">domicídio</a>” — como forma de pressionar os governos por meio da punição coletiva da população civil. Essa doutrina, cujo nome vem do subúrbio ao sul de Beirute conhecido como “Dahyieh” (tradução literal, “subúrbio”), estabeleceu um precedente perigoso: a punição coletiva de populações civis poderia ser apresentada publicamente como uma estratégia militar legítima, sem que houvesse consequências.</p>
<p>Gaza representou a versão extrema dessa <a href="https://www.theguardian.com/commentisfree/2023/dec/05/israel-disproportionate-force-tactic-infrastructure-economy-civilian-casualties">abordagem</a>. Agora, com as guerras no Líbano e no Irã conduzidas pelos Estados Unidos e por Israel, vemos o mesmo padrão se repetir. As táticas são familiares, a retórica é consistente e a resposta internacional — ou a sua ausência — segue um viés previsível.</p>
<h3>Um padrão perigoso</h3>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">O Líbano tornou-se, em 2024, o segundo grande cenário desse conflito e, agora, em 2026, espelha o modelo aplicado em Gaza, mas com algumas adaptações regionais.</span> O deslocamento de populações de Dahyieh, do sul do Líbano e do vale do Bekaa — <a href="https://english.elpais.com/international/2026-03-11/nearly-800000-people-displaced-by-war-against-iran-and-lebanon.html">cerca de 1 milhão de pessoas</a> — segue a mesma estratégia de engenharia demográfica vista em Gaza: forçar populações civis, nesse caso, predominantemente a comunidade xiita, a fugir e, em seguida, destruir o território, incluindo infraestrutura e moradias, além de <a href="https://theconversation.com/lebanons-orchards-have-been-burnt-wildlife-habitat-destroyed-by-israeli-strikes-raising-troubling-international-law-questions-271577">contaminar</a> o solo de modo que a vida deixe de ser possível.</p>
<p>Os profissionais de saúde no Líbano têm enfrentado ataques <a href="https://www.who.int/news/item/22-11-2024-lebanon--a-conflict-particularly-destructive-to-health-care">deliberados</a>, e há relatos de hospitais sendo ameaçados e obrigados a evacuar. Isso ecoa o ataque <a href="https://www.palestine-studies.org/sites/default/files/attachments/policypapers/Layth%20Malhis%20ENG%20180.pdf">sistemático</a> à infraestrutura de <a href="https://globalvoices.org/2025/04/07/across-war-zones-targeting-healthcare-has-become-a-strategy-not-an-accident/">saúde</a> em Gaza, onde ambulâncias, equipes médicas e hospitais passaram a ser alvos frequentes. <span style="font-size: 1.25rem;">Os </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.middleeastmonitor.com/20260307-israeli-strike-wounds-unifil-peacekeepers-in-southern-lebanon/" target="_blank" rel="noopener">ataques</a><span style="font-size: 1.25rem;"> israelenses contra as forças de paz das Nações Unidas no sul do Líbano representam outra escalada perigosa, minando o direito internacional humanitário e as proteções conferidas às missões de paz, que, novamente, tiveram poucas consequências para os responsáveis.</span></p>
<p>No Irã, ataques contra a infraestrutura civil provocaram desastres ambientais de proporções catastróficas. O <a href="https://www.theguardian.com/world/2026/mar/10/bombing-of-irans-oil-infrastructure-to-have-major-environmental-fallout-experts-warn">bombardeio</a> de instalações de armazenamento de petróleo em Teerã e outras cidades iranianas desencadeou crises ambientais que afetarão gerações. Esses ataques a infraestruturas civis — como <a href="https://responsiblestatecraft.org/desalination-plant-attacks-iran-war/">usinas de dessalinização</a>, instalações petrolíferas, meios de comunicação e serviços públicos, entre muitos outros — constituem claras violações do direito internacional humanitário e, ainda assim, recebem pouca ou nenhuma resposta efetiva contra os agressores.</p>
<p>O artigo 54 do Protocolo Adicional I às Convenções de Genebra <a href="https://ihl-databases.icrc.org/en/ihl-treaties/api-1977/article-54">proíbe explicitamente</a> ataques a bens indispensáveis à sobrevivência da população civil, incluindo alimentos, colheitas, rebanhos, instalações de água potável e sistemas de irrigação.</p>
<h3>A retórica do terror</h3>
<p>Talvez o mais perturbador tenha sido a retórica pública de autoridades dos Estados Unidos e de Israel. Uma <a href="https://truthsocial.com/@realDonaldTrump/posts/116202054617775180">publicação</a> recente do presidente dos EUA, Donald Trump, na plataforma Truth Social, ameaçou ao afirmar que “os EUA eliminarão alvos facilmente destruíveis, tornando praticamente impossível que o Irã volte a se reconstruir como nação — morte, fogo e fúria cairão sobre eles”. Declarações como essas não representam apenas retórica inflamada, mas ameaças explícitas de punição coletiva.</p>
<p>Isso não é um caso isolado; ouvimos esse tipo de discurso de outras autoridades, como o secretário de Defesa, Pete Hegseth, ao<a href="https://www.instagram.com/p/DVlhw9wCKn3/"> afirmar</a> que “os únicos que precisam se preocupar são os iranianos, que acham que vão continuar vivos”. Ou ainda do senador norte-americano pela Carolina do Sul, Lindsey Graham, um dos conselheiros mais próximos de Trump e firme apoiador de Israel, que declarou: “Devastamos Berlim, devastamos Tóquio. Estávamos errados ao lançar uma bomba atômica para acabar com o reinado de terror japonês? … Se eu fosse Israel, provavelmente teria feito o mesmo”.<span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p>A isso somam-se inúmeras declarações <a href="https://www.ohchr.org/en/press-releases/2025/09/israel-has-committed-genocide-gaza-strip-un-commission-finds">documentadas</a> de autoridades israelenses, que anunciam abertamente a intenção de cometer genocídio e, mais recentemente, afirmam <a href="https://www.aljazeera.com/news/2026/3/5/israels-smotrich-threatens-beirut-suburbs-amid-evacuation-orders">de forma explícita</a> a intenção de repetir os crimes cometidos em Gaza, desta vez em Beirute e Teerã.</p>
<p data-start="1356" data-end="1861">Essas declarações públicas não são meros blefes. Elas funcionam como um aviso prévio de violações pretendidas. Quando as autoridades anunciam suas intenções de tornar as condições de vida insuportáveis para um grupo de pessoas, estão, na prática, admitindo planos que violam os princípios fundamentais do direito internacional e que se enquadram literalmente na definição de <a href="https://www.un.org/en/genocide-prevention/definition">genocídio</a>, incluindo “infligir deliberadamente ao grupo condições de vida calculadas para provocar sua destruição física, total ou parcial”. Vimos isso repetidas vezes em Gaza, depois no Líbano e, agora, também no Irã, com autoridades israelenses e norte-americanas alardeando os crimes que pretendem cometer antes mesmo de executá-los.</p>
<h3>Indignação seletiva</h3>
<p>Enquanto <a href="https://www.politico.eu/article/eu-react-iran-us-israel-crisis/">condenações</a> ao Irã e ao Hezbollah são feitas com previsível regularidade, acompanhadas de <a href="https://www.reuters.com/world/middle-east/eu-envoys-approve-sanctions-19-iranian-officials-entities-over-rights-violations-2026-03-11/">sanções</a> e <a href="https://www.reuters.com/world/europe/france-will-send-two-warships-red-sea-macron-says-2026-03-09/">mobilização militar</a>, há um silêncio ensurdecedor em relação aos agressores que não apenas deram início ao conflito em curso, mas também cujos crimes de guerra são incomparavelmente maiores e certamente mais letais. Isso inclui o <a href="https://www.theguardian.com/world/2026/mar/11/iran-war-missile-strike-elementary-school">assassinato</a> de mais de 175 iranianos, a maioria eram meninas em idade escolar, no primeiro dia de ataques dos Estados Unidos. A indignação seletiva da comunidade internacional expõe a hipocrisia que sustenta a chamada “<a href="https://theconversation.com/what-is-the-rules-based-order-how-this-global-system-has-shifted-from-liberal-origins-and-where-it-could-be-heading-next-250978">ordem internacional baseada em regras</a>” e apenas reforça, para aqueles que não se sentem protegidos por ela, a necessidade de buscar outros meios de se defender.</p>
<p>O que torna esse duplo padrão ainda mais evidente é o cálculo econômico por trás desse silêncio. Ao que parece, o que realmente importa é manter o Estreito de Ormuz <a href="https://www.lemonde.fr/en/international/article/2026/03/09/macron-announces-france-and-allies-preparing-joint-mission-to-reopen-strait-of-hormuz_6751248_4.html">aberto</a>, para que o petróleo continue a fluir e o dinheiro continue a circular. As vidas de civis no Líbano e no Irã — e, aliás, em toda a região — acabam sendo tratadas como secundárias diante de interesses econômicos.</p>
<h3>O fim da fachada do Direito Internacional</h3>
<p data-start="47" data-end="539">O que estamos testemunhando não é apenas uma escalada do conflito; é a morte do direito internacional como um limite significativo, ainda que limitado, ao poder dos Estados mais fortes. Quando crimes de guerra são anunciados de antemão e cometidos abertamente, quando o deslocamento de civis se torna um objetivo declarado e quando a destruição ambiental é tratada como dano colateral, já não estamos mais em uma zona cinzenta do direito, mas em um mundo em que a força se impõe como lei.</p>
<p data-start="541" data-end="688">A incapacidade da comunidade internacional de agir, sua condenação seletiva e sua cumplicidade econômica apontam para essa mesma conclusão.</p>
<p>A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a alta representante para Assuntos Externos e Política de Segurança, Kaja Kallas, <a href="https://www.euronews.com/my-europe/2026/03/09/von-der-leyen-and-kallas-call-on-europe-to-adapt-to-chaotic-coercive-world-order">reconheceram</a> abertamente o colapso da ordem jurídica internacional ao pedirem que a Europa se adapte a uma “ordem mundial caótica e coercitiva” em meio ao “aumento das violações do direito internacional”. Em um discurso em março de 2026, von der Leyen admitiu que “não podemos resolver todos os problemas globais nem conciliar perfeitamente nossos valores e interesses em todas as ocasiões”, sinalizando, na prática, a aceitação de uma realidade pós-direito internacional por parte da União Europeia.</p>
<p>Essa admissão de impotência ocorre no momento em que a própria União Europeia assume uma responsabilidade significativa pela destruição atual. Ao longo de décadas de apaziguamento em relação às políticas de ocupação israelenses, de silêncio cúmplice diante da punição coletiva em Gaza e de priorização da segurança energética sobre os direitos humanos, o bloco contribuiu ativamente para a normalização dos crimes de guerra que agora se repetem no Líbano e no Irã.</p>
<p>Os interesses estratégicos do bloco, incluindo a manutenção do acesso ao petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz, têm, de forma consistente, se sobreposto ao compromisso declarado com o direito internacional, fazendo com que o apelo de von der Leyen por “adaptação” seja menos um reconhecimento das circunstâncias externas e mais uma admissão do próprio papel da União Europeia na erosão da estrutura jurídica que afirma defender.</p>
<p>Em um <a href="https://www.state.gov/releases/office-of-the-spokesperson/2026/02/secretary-of-state-marco-rubio-at-the-munich-security-conference">discurso</a> recente durante a Conferência de Segurança de Munique, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, instou seus aliados europeus a “não se deixarem paralisar pela culpa e pela vergonha” em relação à sua “cultura e herança”, defendendo o retorno à “era de dominação do Ocidente”. Rubio prosseguiu: “Foi isso que fizemos juntos antes, e é isso que o presidente Trump e os Estados Unidos querem fazer novamente agora, com vocês”. O discurso não foi recebido com indignação diante do apelo à retomada de um dos séculos mais brutais de colonialismo e escravidão da história humana, mas sim com uma ovação de pé por parte dos líderes europeus presentes.</p>
<h3>Um futuro de atrocidades normalizadas</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">A menos que haja uma mudança profunda na consciência global e na vontade política — quando as pessoas nos países que produzem as armas mais avançadas do mundo e promovem guerras no exterior passem a reagir não porque o preço do combustível aumentou, mas porque financiar crimes de guerra cometidos em seu nome é errado —, é de se esperar que esse padrão continue.</span></p>
<p>A normalização desses crimes de guerra tem criado um precedente perigoso — ou a retomada da tradição de colonialismo brutal — que pode se aplicar em qualquer lugar, a qualquer momento, mais uma vez. Quando Estados poderosos podem agir com impunidade, anunciar suas intenções de cometer atrocidades e, em seguida, levá-las adiante sem consequências, todo o arcabouço do direito internacional perde o sentido, ainda que seja mera fachada.</p>
<p>O alerta feito há dois anos — de que Gaza seria o modelo de um futuro sombrio para o mundo inteiro — não foi exagero. Foi uma observação factual sobre o rumo que estávamos seguindo. Hoje, esse futuro não está apenas mais próximo; ele já chegou.</p>
<p>A questão já não é se essas ações constituem crimes de guerra; há evidências suficientes para essa conclusão. A questão é se o mundo finalmente reunirá coragem para reconhecer a verdade e responsabilizar os poderosos, ao aplicar sanções aos responsáveis e adotar medidas concretas para pressioná-los, ou se continuará no caminho da cumplicidade, marcado pelo silêncio e pela indignação seletiva.</p>
<p>A resposta determinará não apenas o destino do Líbano, do Irã e da Palestina, mas também o futuro de um planeta abalado pela pressão da destruição causada pelo próprio ser humano.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/walidhouri/' class='user-link'>Walid El Houri</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/doralice-silva/' class='user-link'>Doralice Silva</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/03/12/from-gaza-to-lebanon-and-iran-the-normalization-of-atrocity/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Nigéria enfrenta riscos climáticos crescentes com o aumento de secas, ondas de calor e inundações</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/03/31/nigeria-enfrenta-riscos-climaticos-crescentes-com-o-aumento-de-secas-ondas-de-calor-e-inundacoes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juliana Stroebel]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 12:50:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[Desastre]]></category>
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					<description><![CDATA[Em 2022, a Nigéria foi o terceiro país com maior número de deslocamentos internos na África, devido, principalmente, a conflitos e inundações, um desastre induzido por alterações climáticas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>As mudanças climáticas continuam sendo um dos fatores por trás da crescente gravidade dos desastres naturais</em></big></p><div id="attachment_849550" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-849550" class="wp-image-849550 size-featured_image_large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/Nigeria_Landscape_18-800x450.jpg" alt="Vista aérea da paisagem da Nigéria. " width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-849550" class="wp-caption-text">Vista aérea da paisagem da Nigéria. <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Nigeria_Landscape_18.jpg">Imagem</a> de <a title="User:MediaMOF" href="https://commons.wikimedia.org/wiki/User:MediaMOF">MediaMOF</a> via <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/Main_Page">Wikimedia Commons</a> (<a href="https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/deed.en">CC BY-SA 4.0 Deed</a>).</p></div>
<p><strong>Por Adanna Omeye</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu estava andando na calçada e minha pele brilhava, não devido a qualquer creme, mas sim pelos raios do sol que nela se refletiam. O suor rolou pelo meu rosto. E a única razão pela qual eu não chorei foi que meu corpo teria gerado ainda mais calor. A luz do sol, às 15h, em Abuja, Nigéria, naquela terça-feira à tarde, era insuportável e eu me senti verdadeiramente desamparada. Mas e quanto às outras </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Norte_(Nig%C3%A9ria)"><span style="font-weight: 400;">regiões do norte</span></a><span style="font-weight: 400;">? Se as temperaturas estão sufocantes na zona centro-norte, imagine a intensidade nas regiões áridas e semiáridas ainda mais ao norte, perto do deserto do Saara. Como nós, que vivemos em zonas afetadas pelo calor, podemos lidar com as condições climáticas aparentemente cada vez piores?</span></p>
<h3>Implicações climáticas na localização da Nigéria</h3>
<div id="attachment_849772" style="width: 659px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-849772" class="wp-image-849772 size-large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/West_Africa_map-659x600.gif" alt="Mapa mostrando a Nigéria e seus vizinhos." width="659" height="600" /><p id="caption-attachment-849772" class="wp-caption-text">Mapa mostrando a Nigéria e seus vizinhos. <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:West_Africa_map.gif">Imagem</a> via <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/Main_Page">Wikimedia Commons</a> (<a href="https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0">CC BY-SA 4.0</a>).</p></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A Nigéria, um país conhecido por</span> <a href="https://nairametrics.com/2024/12/31/nigeria-ranked-6th-in-global-population-with-235-million-people/"><span style="font-weight: 400;">sua população jovem</span></a><span style="font-weight: 400;">, faz fronteira com Camarões, Chade, Níger, Benim e o </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Oceano_Atl%C3%A2ntico"><span style="font-weight: 400;">Oceano Atlântico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Embora essas fronteiras facilitem o comércio e a conectividade étnica, também têm implicações climáticas. O volume de precipitação varia significativamente entre as regiões. </span><span style="font-weight: 400;"><span style="box-sizing: border-box;">Os <a href="https://www.withinnigeria.com/piece/2024/11/22/rainy-season-in-nigeria-climate-humidity-rainfall-growing-season/" target="_blank" rel="noopener">estados do sudeste da Nigéria registram os níveis mais altos</a>, enquanto os do nordeste, os mais baixos.</span> O sul recebe fortes chuvas com regularidade devido ao</span> <a href="https://unfccc.int/resource/docs/natc/nignc1.pdf"><span style="font-weight: 400;">aumento das massas de ar do Oceano Atlântico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e aos</span> <a href="https://www.austintommy.com.ng/2019/01/01/climate-of-nigeria/#gsc.tab=0"><span style="font-weight: 400;">efeitos orográficos das Terras Altas dos Camarões</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-size: 1.25rem;">Enquanto isso, o norte recebe pouca chuva porque está relativamente longe do Oceano Atlântico e é afetado por </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://unfccc.int/resource/docs/natc/nignc1.pdf" target="_blank" rel="noopener">ventos secos do deserto do Saara</a><span style="font-size: 1.25rem;">,</span><span style="font-size: 1.25rem;"> o deserto mais quente da Terra, que se estende até a Nigéria, atravessando o Chade e o Níger.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Nigéria é amplamente caracterizada por um </span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Climate_of_Nigeria"><span style="font-weight: 400;">clima tropical</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;"><span style="box-sizing: border-box;">Entre 234 países, ocupa o 41º lugar em temperatura média anual, com 27,3 °C (81,1 °F) registrados entre <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_average_yearly_temperature" target="_blank" rel="noopener">1991 e 2020</a>.</span> Embora o aumento das temperaturas contribua para a seca nas regiões do norte, as chuvas extremas também podem causar impactos devastadores em vidas e propriedades, particularmente no sul. Ainda que a Nigéria não esteja entre os 10 países com o maior risco de inundação do mundo, sua exposição continua a ser significativa, com pontuações de risco de enchentes que variam de</span><span style="font-size: 1.25rem;"> </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.misereor.org/fileadmin/user_upload_misereororg/publication/en/worldriskreport-2025.pdf" target="_blank" rel="noopener">31,62 a 100,00</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e níveis de exposição a enchentes que variam de 40,97 a 100,00, de acordo com estimativas do Relatório Global de Riscos.<br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><span style="font-size: 1.25rem;">Em 2025, a Nigéria </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.misereor.org/fileadmin/user_upload_misereororg/publication/en/worldriskreport-2025.pdf" target="_blank" rel="noopener">ocupou o 60º lugar entre 193 países</a><span style="font-size: 1.25rem;"> no Índice de Risco Global, um relatório métrico que determina a intensidade e a frequência de riscos ambientais, como inundações, terremotos, tsunamis, ciclones costeiros e fluviais, secas e o aumento do nível do mar.</span> Embora esses fenômenos sejam parcialmente impulsionados pela ação humana, também estão se intensificando devido ao agravamento das mudanças climáticas. Em 2024, a Nigéria</span><span style="font-weight: 400;"><span style="box-sizing: border-box;"> <a href="https://weltrisikobericht.de/download/4145/?tmstv=1725790430" target="_blank" rel="noopener">ocupou o 61º lugar</a>, o que indica que a situação está piorando, tanto na gravidade dos desastres quanto na preparação institucional. Ainda que a Nigéria não enfrente todos os perigos listados, aqueles que  afetam o país ocorrem em níveis extremos. Tais perigos afetam a população e a economia.<br />
</span></span></p>
<h3>Mudanças climáticas e seus efeitos adversos</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">As mudanças climáticas têm efeitos de longo alcance nas vidas humanas, o que, por sua vez, afetam os padrões de vida e a produtividade econômica. </span><span style="font-weight: 400;"><span style="box-sizing: border-box;">Em 2022, a Nigéria registrou a <a href="https://worldmigrationreport.iom.int/what-we-do/world-migration-report-2024-chapter-3/africa" target="_blank" rel="noopener">terceira maior taxa de deslocamento interno na África</a>, devido principalmente a conflitos e inundações.</span> Embora os desastres ambientais sejam causas menos comuns de migração interna, permanecem significativos em certos estados. </span><span style="font-weight: 400;"><span style="box-sizing: border-box;">Por exemplo, a região <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/North_Central_(Nigeria)" target="_blank" rel="noopener">centro-norte</a> e noroeste da Nigéria representaram <a href="https://www.theenergymix.com/nigeria-confronts-growing-climate-risks-with-rising-droughts-heatwaves-and-flooding/#:~:text=Subscribe%20Today-,Adverse%20Effects%20of%20Climate%20Change,%2C%20and%20Kaduna%20(12%25)." target="_blank" rel="noopener">7% da migração decorrente de desastres climáticos</a>.</span> Dados desagregados revelam <a href="https://dtm.iom.int/sites/g/files/tmzbdl1461/files/reports/Nigeria%20-%20IDP%20ATLAS%20-%20NWNC%20R16%20February%202025_.pdf">porcentagens particularmente altas em alguns estados</a>: </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Kogi_(estado)">Kogi</a> (90%),</span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Catsina_(estado)"> Katsina</a> (15%), <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Nassaraua_(estado)">Nasarawa</a> (14%), <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cano_(estado)">Kano</a> (12%) e <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Kaduna_(cidade)">Kaduna</a> (12%).</span></p>
<p>A crise climática <a href="https://www.misereor.org/fileadmin/user_upload_misereororg/publication/en/worldriskreport-2025.pdf"><span style="font-weight: 400;">continua sendo o principal fator responsável pelo aumento da gravidade dos desastres naturais</span></a>. Entre todos os desastres, as inundações são as mais frequentes na Nigéria.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os desastres climáticos também podem afetar negativamente os meios de subsistência da população. A agricultura, que representou mais de </span><a href="https://businessday.ng/business-economy/article/top-10-sectors-that-drove-nigerias-q3-gdp/"><span style="font-weight: 400;">31% do PIB</span></a> no terceiro trimestre de 2025, continua sendo um componente fundamental da economia nigeriana. Os impactos na capacidade humana e nos meios de subsistência afetam diretamente a produção, a disponibilidade de alimentos e o emprego. O resultado é o aumento da dependência das importações, o declínio dos padrões de vida e a redução das oportunidades de emprego. <a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.nigeriarights.gov.ng/files/North-East%20Project/2nd%20Dashboard%202025.pdf">As mulheres são afetadas de forma desproporcional</a>,<span style="font-weight: 400;"> pois constituem uma parcela significativa do setor agrícola da Nigéria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um exemplo típico é o </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cano_(estado)"><span style="font-weight: 400;">estado de Kano</span></a><span style="font-weight: 400;">, um centro comercial e agrícola do norte, conhecido pela produção de amendoim, painço, feijão-frade, milho, sorgo e arroz. </span><span style="box-sizing: border-box;">As inundações de 2024 causaram danos a mais de <a href="https://productivity.gov.ng/wp-content/uploads/2025/07/Year-2024-Agricultural-Productivity-Survey-APS-National-Report_.pdf" target="_blank" rel="noopener">25% da produção agrícola esperada no estado</a>.</span> O desastre resultou em 26 mortes, 50 feridos e na destruição de mais de mil casas. <span style="font-weight: 400;"><span style="font-size: 1.25rem;">Entre junho e setembro de 2024, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://productivity.gov.ng/wp-content/uploads/2025/07/Year-2024-Agricultural-Productivity-Survey-APS-National-Report_.pdf" target="_blank" rel="noopener">as inundações na Nigéria causaram 280 mortes</a><span style="font-size: 1.25rem;">, 2.504 feridos, 122.330 casas destruídas, danos em 17 mil acres de terras agrícolas e o deslocamento de aproximadamente 641.500 pessoas.</span><br />
</span></p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Outros desastres climáticos na Nigéria incluem <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Drought_in_Nigeria" target="_blank" rel="noopener">secas</a> e <a href="https://dailytrust.com/heatwave-in-nigeria-then-and-now-a-critical-analysis" target="_blank" rel="noopener">ondas de calor</a>, que são mais graves nas regiões do norte.</span></p>
<h3>O caminho a seguir</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dos impactos devastadores da crise climática, os nigerianos estão encontrando maneiras de mitigar seus efeitos. Diversas soluções inovadoras foram adotadas. Por exemplo, a </span><a href="https://www.playgreenquest.com/">Green Quest</a><span style="font-weight: 400;">, fundada por Grace James, é uma plataforma de gamificação e ação comunitária que capacita as comunidades a lidar com inundações por meio de educação, engajamento e práticas sustentáveis. Embora o governo também esteja intervindo com políticas colaborativas e iniciativas infraestruturais, é preciso fazer mais para reduzir o risco e o sofrimento. A inovação é crucial, e o envolvimento pessoal de todos pode gerar, coletivamente, resultados positivos substanciais.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Os resultados da </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.uea.ac.uk/groups-and-centres/climatic-research-unit" target="_blank" rel="noopener">Unidade de Pesquisa Climática</a><span style="font-size: 1.25rem;"> (CRU) indicam que 2024 foi o ano mais quente já registrado mundialmente, conforme análise comparativa </span><span style="font-size: 1.25rem;">dos dados de 1850 a 2024.</span><span style="font-size: 1.25rem;"> O relatório afirma:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Each of the last four decades has been successively warmer than any decade that preceded it since 1850. Human influence has warmed the climate at a rate that is unprecedented in at least the last 2,000 years.</span></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Cada uma das últimas quatro décadas foi sucessivamente mais quente do que qualquer década anterior desde 1850. A influência humana aqueceu o clima a um ritmo sem precedentes nos últimos 2.000 anos, pelo menos.</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;"><span style="font-size: 1.25rem;">Várias atividades, como o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://thedocs.worldbank.org/en/doc/bd2432bbb0e514986f382f61b14b2608-0400072025/original/Global-Gas-Flaring-Tracker-Report-July-2025.pdf" target="_blank" rel="noopener">aumento da queima de gás</a><span style="font-size: 1.25rem;">, </span><span style="box-sizing: border-box;"><a href="https://businessday.ng/life/article/group-raises-alarm-over-surge-in-oil-spill-in-niger-delta/" target="_blank" rel="noopener">derramamentos de óleo</a><span style="font-size: 1.25rem;">, </span><a href="https://1p5ndc-pathways.climateanalytics.org/countries/nigeria/v8/current-situation" target="_blank" rel="noopener">emissões de carbono</a><span style="font-size: 1.25rem;"> de veículos de transporte, </span><a href="https://1p5ndc-pathways.climateanalytics.org/countries/nigeria/v8/current-situation" target="_blank" rel="noopener">emissões agrícolas,</a> entre outras<span style="font-size: 1.25rem;">, contribuíram para as mudanças climáticas na Nigéria.<br />
</span></span></span></p>
<p>Infelizmente, a radiação solar intensa é algo a que muitas vezes nos adaptamos, mas as mudanças climáticas, incluindo seus efeitos como inundações e secas, devem ser abordadas para que as gerações futuras possam evitar seus efeitos extremos. A atividade humana tem contribuído significativamente para os efeitos extremos nas mudanças climáticas, mas os seres humanos também têm o poder de implementar soluções. Todos devem unir forças para concretizar a mudança que desejamos ver no mundo.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/guest-contributor/' class='user-link'>Guest Contributor</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/juliana-stroebel/' class='user-link'>Juliana Stroebel</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/02/17/nigeria-confronts-growing-climate-risks-with-rising-droughts-heatwaves-and-flooding/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/Nigeria_Landscape_18-400x300.jpg" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Miragem de mármore: fachada de recordes em Asgabate contradiz realidade do Turcomenistão</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/03/26/miragem-de-marmore-fachada-de-recordes-em-asgabate-contradiz-realidade-do-turcomenistao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gisele Soares]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 14:16:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Ásia Central e Cáucaso]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento]]></category>
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					<description><![CDATA[O regime usa essa "Cidade Branca" como uma ferramenta visual para projetar poder e estabilidade para o mundo exterior, mascarando o profundo isolamento do país]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Fachadas de mármore disfarçam filas por pão e escassez de água, a realidade por trás do brilho de Asgabate</em></big></p><div style="width: 850px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/1-1.png" alt="A panoramic view of Ashgabat’s white marble skyline." width="850" height="576" /><p class="wp-caption-text">Uma vista panorâmica do horizonte com mármore branco de Asgabate. Foto: John Pavelka de <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/File:View_of_Ashgabat_(42376779291).jpg">Wikimedia Commons</a>.<a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/deed.en"> CC BY 2.0</a></p></div>
<p>A capital do Turcomenistão, Asgabate, não se sente como uma capital habitável, mas como um set de filmagens de alto orçamento em que os atores desapareceram. Em 2013, a cidade assegurou o seu lugar no <a href="https://www.guinnessworldrecords.com/world-records/highest-density-of-white-marble-clad-buildings">Guinness</a>, o livro dos recordes, pela maior densidade de construções revestidas de mármore branco — impressionantes 543 estruturas envoltas em 4,5 milhões de metros quadrados da pedra italiana brilhante.</p>
<p>Sob o sol implacável da Ásia Central, a cidade ofusca — uma paisagem monocromática de torres marfins e estátuas folheadas a ouro que projetam uma imagem de perfeição absoluta e inabalável. <a href="https://youtu.be/67Nhnuilz9I?si=P5Wf5AFRE5ThgAJk">Vídeos da superfície</a> revelam uma cidade que é a imagem perfeita, mas estranhamente desprovida do caos que é tipicamente encontrado em uma capital nacional.</p>
<p>Entretanto, essa escolha estética é mais do que mera arquitetura; é um manifesto estatal. O regime do presidente <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Serdar_Berdimuhamedow">Serdar Berdimuhamedow</a>, uma ditadura de fato, usa essa “Cidade Branca” como uma ferramenta visual para projetar poder e estabilidade para o mundo exterior, mascarando o profundo isolamento do país e seus problemas econômicos. Criando um ambiente extenso e esterilizado de “perfeição”, o governo tenta manufaturar uma narrativa de prosperidade nacional, mesmo quando <a href="https://youtu.be/bhYPntlncKs?si=X1JoFyQtLJle58hM&amp;t=0m22s">as próprias ruas se mantêm silenciosas</a> e desconectadas das pessoas para quem elas supostamente foram construídas.</p>
<h3><strong>O paradoxo de US$ 14 bilhões</strong></h3>
<p>A transformação urbana de Asgabate veio com uma etiqueta de preço impressionante, estimada em <a href="https://www.uniladtech.com/news/tech-news/turkmenistan-14-billion-city-of-the-dead-empty-ashgabat-808108-20250611">mais de US$ 14 bilhões</a>. Esse titanismo financeiro é movido pelo “Ouro Azul”, as <a href="https://globalnewsview.org/en/archives/18852">reservas de gás natural</a> do Turcomenistão, a quarta maior do mundo. Enquanto o governo recebe <a href="https://www.eurasian-research.org/publication/turkmenistan-russia-energy-cooperation-in-the-context-of-natural-gas-trading/">85% de sua receita</a> de exportações para China, Rússia, e potencialmente Europa, essa riqueza raramente chega à população.</p>
<div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/1024px-Ashgabat-Garashsyzlyk_Av-800x370.jpg" alt="White marble residential complexes along the Garyşsyzlyk Avenue in Ashghabat. Photo: Bayram A via Wikimedia Commons. CC BY-SA 4.0." width="800" height="370" /><p class="wp-caption-text">Complexos residenciais de mármore branco ao longo da Avenida Garyşsyzlyk em Asgabate. Foto: Bayram A via <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Ashgabat#/media/File:Ashgabat-Garashsyzlyk_Av,.jpg">Wikimedia Commons</a>. <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/deed.en">CC BY-SA 4.0</a>.</p></div>
<p>Ao invés disso, ela é canalizada em projetos vaidosos. Desde a <a href="https://www.guinnessworldrecords.com/news/2012/5/turkmenistan-builds-largest-indoor-ferris-wheel-42157.html">maior roda gigante interna</a> do mundo até <a href="https://www.youngpioneertours.com/top-5-coolest-buildings-in-turkmenistan/">o maior estádio em forma de cavalo do mundo</a>, as prioridades do governo são claras. Essa obsessão com grandeza, data desde o primeiro presidente do país, o falecido <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Saparmyrat_Ny%C3%BDazow">Saparmurat Niyazov</a>, quem famosamente <a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/asia-pacific/3554626.stm">encomendou que um castelo de gelo</a> fosse construído no meio do deserto. Hoje, esse legado continua baixo um sistema rígido onde o estado reclama aproximadamente <a href="https://www.aljazeera.com/news/2017/2/13/gurbanguly-berdymukhamedov-wins-poll-with-98-of-vote">99% dos votos</a> enquanto mantém <a href="https://www.hrw.org/news/2020/09/23/turkmenistan-denial-inaction-worsen-food-crisis">uma taxa de desemprego estimada em 60%</a>.</p>
<p>O resultado é a “Cidade dos Mortos”: uma capital recordista em que somente <a href="https://www.google.com/search?q=https://iwpr.net/global-voices/turkmenistan-no-residence-rights-no-job">cidadãos legalmente registrados</a> podem habitar, deixando os novos distritos <a href="https://youtu.be/mpd4Wd7hNqQ?si=CDO5Vc9MVJ_C19gQ&amp;t=7m35s">assustadoramente vazios</a>.</p>
<h3><strong>A escassez por trás do brilho</strong></h3>
<p>Enquanto Asgabate ostenta o recorde para a <a href="https://www.guinnessworldrecords.com/world-records/most-fountain-pools-in-a-public-place">maior quantidade de fontes de água em local público</a>, fluindo dia e noite em celebração ao poder estatal, o resto do país sofre com a seca. O Turcomenistão encara hoje uma <a href="https://www.atlanticcouncil.org/blogs/new-atlanticist/turkmenistans-deepening-water-crisis-could-have-far-reaching-regional-consequences/">crise hidrológica e humanitária</a> que vem piorando.</p>
<p>A sobrevivência da nação depende do rio Amu Darya, uma artéria vital que está rapidamente recuando devido à dupla pressão da mudança climática e da má administração regional. Nas províncias rurais, água é um luxo em vias de desaparecer, e ainda assim, na capital, se mantém como um brinquedo decorativo usado no luxo dos parques artificiais da “Cidade Branca”.</p>
<div style="width: 500px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/3.png" alt="The Oghuz Khan and Sons fountain complex." width="500" height="750" /><p class="wp-caption-text">O complexo de fontes de Oghuz Khan e Filhos. Foto: <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Ashgabat_Fountain#/media/File:Ashgabat_IMG_5820_(25838312100).jpg">Wikimedia Commons</a>. License <a class="mw-mmv-license" href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0" target="_blank" rel="noopener">CC BY 2.0</a></p></div>
<p>Essa disparidade se extende a uma crise crise alimentar que vem piorando. Apesar de suas fachadas de mármore e riqueza gerados do gás natural, o Turcomenistão <a href="https://www.hrw.org/news/2020/09/23/turkmenistan-denial-inaction-worsen-food-crisis">importa 60% dos alimentos</a>. A família turcomena média está presa em um ciclo de hiperinflação e escassez, frequentemente gastando entre <a href="https://www.hrw.org/news/2020/09/23/turkmenistan-denial-inaction-worsen-food-crisis">70 e 80% de sua renda total</a> em necessidades básicas. Filas por pão se tornaram algo do cotidiano. Cidadãos esperam por horas diante de lojas geridas pelo Estado pela chance de comprar farinha ou óleo subsidiados, para serem dispensados quando os estoques acabam.</p>
<p>Enquanto <a href="https://www.hronikatm.com/2018/11/v-dashoguze-stanovitsya-vse-bolshe-lyudey-prosyashhih-milostyinyu-i-royushhihsya-v-musornyih-bakah/">implorar e vasculhar</a> por comida tem se tornado cada vez mais comum nas províncias, a mídia controlada pelo governo transmite uma realidade paralela de abundância. Paradoxalmente, mesmo enquanto os cidadãos lutam para comer, o regime <a href="https://www.google.com/search?q=https://labourmission.org/en/news/turkmenistan-to-make-it-more-difficult-for-people-to-get-subsidized-food/">planeja fechar os sistemas de alimentação subsidiada</a>, alegando que a população é próspera o suficiente para navegar um “mercado livre”.</p>
<p>Esse negligenciamento sistêmico é emparelhado com exploração; milhares de trabalhadores do setor público, incluindo professores e médicos, são <a href="https://www.ppleacademicjournal.com/blog-2-1/how-the-worst-dictatorship-youve-never-heard-of-has-escaped-international-scrutiny">forçados a trabalhos manuais nos campos de algodão</a> a cada temporada para sustentar as cotas agrícolas do regime. O mármore de Asgabate é, em um sentido muito literal, construído sobre a terra seca e o trabalho faminto do seu povo.</p>
<h3><strong>O microscópio físico e digital</strong></h3>
<p>Essa discrepância gritante entre a brilhante capital revestida de mármore e a população lutando para equilibrar as contas se mantém incontestável devido ao mandato totalitário <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Turkmenistan">estabelecido em 1991</a>, quando o país conquistou a independência da União Soviética. O Turcomenistão é uma das <a href="https://freedomhouse.org/country/turkmenistan">sociedades mais fechadas</a> na Terra, equiparada em seu isolamento e restrições talvez somente com a Coreia do Norte.</p>
<p>O <a href="https://www.rferl.org/a/1099325.html">Ministério de Segurança Nacional (KNB, polícia secreta) monitora</a> cada movimento digital, e <a href="https://www.hrw.org/world-report/2024/country-chapters/turkmenistan">usar VPN é um crime passível de punição</a>. Informações são estritamente racionadas;<a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/asia-pacific/4307583.stm"> publicações e bibliotecas estrangeiras</a> foram sistematicamente fechadas, substituídas por propagandas governamentais como o <a href="https://www.theguardian.com/world/2006/mar/21/books.booksnews">Ruhnama</a> — um guia espiritual escrito pelo ex-ditador, Niyazov, que já foi leitura obrigatória para entrevistas de trabalho e provas de direção.</p>
<div style="width: 500px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/4.png" alt="The Arch of Neutrality, featuring a gold-plated statue of the former president." width="500" height="703" /><p class="wp-caption-text">O Arco da Neutralidade, juntamente com uma estátua do ex-presidente banhada a ouro. Foto de: <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Neutrality_Monument">Wikimedia Commons</a>. Licença <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/deed.en">CC BY-SA 4.0</a>.</p></div>
<p>A vigilância também é física e altamente sexista. Mulheres foram <a href="https://www.rferl.org/a/turkmenistan-restrictions-women-appearance-travel/31834476.html">demitidas de cargos governamentais</a> por usar maquiagem, cílios postiços, ou roupas “ocidentais”, ao invés das vestimentas <a href="https://central-asia.guide/turkmenistan/turkmen-culture/turkmen-clothing/">tradicionais</a>. Jovens são <a href="https://www.hrw.org/world-report/2024/country-chapters/turkmenistan">detidos e forçados a se barbearem</a> caso suas barbas sejam consideradas “muito radicais”. Até viagens são instrumentalizadas; o Estado mantém um <a href="https://www.hrw.org/report/2024/11/11/its-i-live-cage/turkmen-authorities-denial-passports-turkmen-citizens-turkiye">extenso cadastro de restrição</a> de cidadãos que estão proibidos de deixar o país, efetivamente prendendo-lhes dentro do país.</p>
<p>Aqueles que ousam desafiar essa narrativa “desaparecem”. A campanha <a href="https://nhc.no/en/enforced-disappearances-in-turkmen-prisons-must-be-stopped/">“Provem que eles estão vivos!”</a> documenta mais de 120 casos de <a href="https://www.ohchr.org/en/special-procedures/wg-disappearances/about-enforced-disappearance">desaparecimentos forçados</a>, incluindo o ex-Ministro de Relações Exteriores <a href="https://provetheyarealive.org/the-disappeared/75-shikhmuradov-boris/">Boris Shikhmuradov</a> e a jornalista <a href="https://www.hrw.org/news/2018/08/09/turkmenistan-un-blames-government-activists-death">Ogulsapar Muradova</a>, cujo corpo apresentava sinais claros de tortura ao ser retornado. Em prisões como a <a href="https://www.rferl.org/a/turkmenistan-tortured-by-hunger-prison-kyarizov/27408793.html">Ovadan-Depe</a>, a dissidência é silenciada através de isolamento e fome, longe das fontes brilhantes.</p>
<p>Para o observador internacional, Asgabate funciona como uma “Theresienstadt” moderna — a <a href="https://trace.tennessee.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=2820&amp;context=utk_gradthes">cidade que Adolf Hitler usava para enganar inspetores da Cruz Vermelha</a> — uma fachada para esconder um interior decadente. Similarmente, Asgabate é uma obra prima do desvio de atenção, um lugar onde a grandiosidade arquitetônica é instrumentalizada para esconder uma nação com uma <a href="https://freedomhouse.org/country/turkmenistan/freedom-world/2025">nota de liberdade 1 em uma escala de 100</a>.</p>
<p>A tragédia da “Miragem de Mármore” é que é um projeto de vaidade construído sobre uma base de escassez. À medida que a mudança climática acelera e o rio Amu Daya continua a diminuir, os exuberantes parques cheios de fontes da capital se tornarão mais difíceis de justificar. É uma história de advertência para o século XXI: um regime pode importar os melhores materiais da Itália e da Turquia, mas não pode importar uma alma para uma cidade que se mantém <a href="https://www.theguardian.com/world/2015/may/25/horse-turkmenistan-president-statute-berdymukhamedov">vazia pelo medo</a>.</p>
<p>Enfim, a grandeza de uma nação não pode ser medida pelas toneladas de mármore que ela importa ou pela altura recordista dos seus monumentos. A verdadeira prosperidade é encontrada no bem-estar, segurança alimentícia e liberdade digital dos indivíduos que caminham pelas suas ruas. Asgabate pode brilhar sob o sol, mas sem a base de direitos humanos e dignidade, permanece um monumento frágil e vazio ao excesso.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/areeha-tuniogmail-com/' class='user-link'>Areeha Tunio</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/gisele-soares/' class='user-link'>Gisele Soares</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/02/28/the-marble-mirage-ashgabats-record-breaking-facade-compared-to-turkmenistans-reality/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>“A luz nos prega peças”: O fotógrafo trinitário Marlon Rouse de “Objetos sagrados, frutos da terra”</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/03/24/a-luz-nos-prega-pecas-o-fotografo-trinitario-marlon-rouse-de-objetos-sagrados-frutos-da-terra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Maria Peixoto Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2026 19:28:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[Caribe]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Fotos]]></category>
		<category><![CDATA[Ideias]]></category>
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		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[The Bridge]]></category>
		<category><![CDATA[Trindade e Tobago]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
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					<description><![CDATA[A ousada exploração de Rouse rejeita a linguagem familiar do apetite, da abundância e da hospitalidade, e favorece a indagação e até o distanciamento. As fotos consideram a fruta como um organismo e não como um produto.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>&#8216;Minha fotografia trata da investigação&#8230;da sociedade, das pessoas, das coisas e da luz&#8217;</em></big></p><div id="attachment_848180" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rouseworks.com/sacred-objects"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-848180" class="wp-image-848180 size-large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/Caraili-1-800x534.jpg" alt="Photographer Marlon Rouse's “Caraili,” part of his series “Sacred Objects — The Fruit of the Land.” Caraili is a type of bitter melon that originated in Africa. In Trinidad and Tobago, it is often sautéed with onion, garlic, and scotch bonnet pepper." width="800" height="534" /></a><p id="caption-attachment-848180" class="wp-caption-text">&#8220;Caraili&#8221;, do fotógrafo Marlon Rouse, parte da série &#8220;Objetos sagrados: o fruto da terra&#8221;. O caraili (<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Mel%C3%A3o-de-s%C3%A3o-caetano">Momordica charantia</a>) é um tipo de melão amargo originário da África. Em Trinidad e Tobago, refoga-se com cebola, alho e pimenta scotch bonnet. Direitos do autor: <a href="https://rouseworks.com/sacred-objects">Marlon Rouse</a>, usada com autorização.</p></div>
<p>Depois de uma carreira como fotógrafo de mídias impressas, <a href="https://rouseworks.com/about">Marlon Rouse</a> teve a rara oportunidade de aprender que as imagens se tornam mais poderosas quando servem à uma história. O ritmo acelerado do ambiente jornalístico também afiou seu julgamento editorial; quando ele diversificou sua área, já havia desenvolvido um profundo apreço por todos os aspectos da fotografia e passou a ser procurado para todos os tipos de trabalhos corporativos — incluindo o campo especializado da fotografia de alimentos — até a arte do retrato.</p>
<p>“Minha fotografia é sobre investigação”, ele me diz em um e-mail, “da sociedade, das pessoas e da luz. Uma foto faz colapsar nossa realidade neste objeto bidimensional fora da ‘verdade’ e exorta uma interpretação específica da experiência de vida e dos vieses do espectador.” Ele acha muito interessante a questão do “como vemos&#8230; e por quê?”.</p>
<p>Não há dúvida de que Rouse vê as coisas de maneira diferente, o que fica evidente em suas primeiras <a href="https://www.rouseworks.com/about">fotografias de moda</a>, e em sua <a href="https://lyndersaydigital.com/bd/archive/12_files/BitDepth822.html">contribuição</a> aos registros publicados do “expressivo e eclético” <a href="https://es.globalvoices.org/2014/03/01/guia-rapida-del-carnaval-de-trinidad-y-tobago/">carnaval de Trinidade e Tobago</a>. Em 2025, ele continuou a expandir seus limites e começou a publicar uma série de imagens de frutas na sua página do Facebook, criando um <a href="https://rouseworks.com/sacred-objects">espaço dedicado</a> a isso em seu site. Longe da típica estética apetitosa da “cesta de comida caribenha”, as fotos são meditativas, quase anatômicas.</p>
<div id="attachment_848181" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rouseworks.com/sacred-objects"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-848181" class="wp-image-848181 size-large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/Fivefinger2-800x543.jpg" alt="«Five Finger» (Cinco dedos), del fotógrafo Marlon Rouse, parte de su serie «Sacred Objects — The Fruit of the Land» (Objetos sagrados: el fruto de la tierra). Cuando se corta una carambola (Averrhoa carambola) en sección transversal, se asemeja a una estrella o a los dedos de una mano. Derechos de autor: Marlon Rouse, utilizado con permiso." width="800" height="543" /></a><p id="caption-attachment-848181" class="wp-caption-text">“Cinco dedos” do fotógrafo Marlon Rouse, parte de sua série “Objetos sagrados: o fruto da terra”. Quando cortada, a carambola apresenta um corte transversal. (<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Carambola">Averrhoa carambola</a>), parece uma estrela ou os dedos de uma mão. <a href="https://rouseworks.com/sacred-objects">Direitos do autor</a>: Marlon Rouse, usada com autorização.</p></div>
<p>No Natal, tradicionalmente uma época do ano em que os caribenhos se reúnem para saborear suas comidas favoritas da estação — muitas delas à base de frutas —, a ousada exploração de Rouse rejeita a linguagem familiar do apetite, da abundância e da hospitalidade, favorecendo a investigação e até mesmo o distanciamento. Em vez de seduzir o espectador, as fotos são um convite para considerar a fruta como um organismo, mais do que um produto.</p>
<div id="attachment_848186" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rouseworks.com/sacred-objects"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-848186" class="wp-image-848186 size-large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/Sorrel-800x534.jpg" alt="«Sorrel», del fotógrafo Marlon Rouse, parte de su serie «Objetos sagrados: el fruto de la tierra». La sorrel (Hibiscus sabdariffa) se utiliza para elaborar una bebida navideña picante y dulce muy popular en Trinidad y Tobago. Derechos de autor: Marlon Rouse, utilizada con permiso." width="800" height="534" /></a><p id="caption-attachment-848186" class="wp-caption-text">“Flor da Jamaica”, do fotógrafo Marlon Rouse, parte de sua série “Objetos sagrados: o fruto da terra”. A flor da Jamaica (<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Hibiscus_sabdariffa">Hibiscus sabdariffa</a>) é usada para preparar uma bebida natalina picante e doce, muito popular em Trinidade e Tobago. <a href="https://rouseworks.com/sacred-objects">Direitos do autor</a>: Marlon Rouse, usada com autorização.</p></div>
<p>Ao tornar as imagens menos sobre desejo e mais sobre forma, estrutura e processo, Rouse consegue criar uma série de naturezas mortas xenobiológicas, nas quais seus objetos são abordados como espécimes, observados sob condições laboratoriais. Ele usa uma combinação de luz, enquadramento e escala para evocar seções transversais, espécimes e formas de vida desconhecidas.</p>
<div id="attachment_848188" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rouseworks.com/sacred-objects"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-848188" class="wp-image-848188 size-large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/Rambutan-800x534.jpg" alt="«Rambután», del fotógrafo Marlon Rouse, parte de su serie «Objetos sagrados: el fruto de la tierra». El rambután (Nephelium lappaceum) es una fruta tropical originaria del sudeste asiático similar al lichi. Derechos de autor: Marlon Rouse, utilizado con permiso." width="800" height="534" /></a><p id="caption-attachment-848188" class="wp-caption-text">“Rambután”, do fotógrafo Marlon Rouse, parte de sua série “Objetos sagrados: o fruto da terra”. O rambutão (<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Rambut%C3%A3o">Nephelium lappaceum</a>) é uma fruta tropical originária do Sudeste Asiático semelhante à lichia. <a href="https://rouseworks.com/sacred-objects">Direitos do autor</a>: Marlon Rouse, usada com autorização.</p></div>
<p>Você nunca viu frutas caribenhas como estas. As abstrações anatômicas enfatizam a estrutura, as fibras e os padrões, misturando os limites entre pesquisa e arte, mesmo quando ele remove quaisquer sinais culturais que possam indicar consumo ou conforto. Em vez disso, ele reposiciona a fruta como matéria, criaturas da biologia que exigem uma consideração mais próxima e contemplativa.</p>
<div id="attachment_848190" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rouseworks.com/sacred-objects"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-848190" class="wp-image-848190 size-large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/Roucou-800x534.jpg" alt="«Roucou», del fotógrafo Marlon Rouse, parte de su serie «Objetos sagrados: el fruto de la tierra». El roucou (Bixa orellana) es originario de América Central y del Sur. Además de utilizarlo para cocinar, las tribus indígenas usaban el extracto pigmentado de la fruta para pintarse el cuerpo. Derechos de autor: Marlon Rouse, utilizado con permiso." width="800" height="534" /></a><p id="caption-attachment-848190" class="wp-caption-text">“Achiote”, do fotógrafo Marlon Rouse, parte de sua série “Objetos sagrados: o fruto da terra”. O achiote (<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Anato">Bixa orellana</a>) é originário da América Central e da América do Sul. Além de usá-lo para cozinhar, as tribos indígenas usavam o extrato pigmentado da fruta para pintar o corpo. <a href="https://rouseworks.com/sacred-objects">Direitos do autor</a>: Marlon Rouse, usados com autorização.</p></div>
<p>Rouse atribui o resultado surpreendente a “ser seduzido pela luz&#8230; quando o que se apresenta nos afeta e, às vezes, transcende para algo de outro mundo”. Como um verdadeiro artista, ele é muito atraído pelo mundo da introspecção. “Eu insisto em representar nossa terra e região, desafiando as versões obsoletas e clichês aos quais estamos acostumados”, explica, “um conceito colonial ao qual continuamos submetidos”.</p>
<div id="attachment_848192" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rouseworks.com/sacred-objects"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-848192" class="wp-image-848192 size-large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/Jackfruit-800x534.jpg" alt="«Jackfruit», del fotógrafo Marlon Rouse, parte de su serie «Sacred Objects — The Fruit of the Land» (Objetos sagrados: el fruto de la tierra). El jackfruit (Artocarpus heterophyllus) está emparentado con el árbol del pan, un alimento básico en el Caribe. Derechos de autor: Marlon Rouse, utilizado con permiso." width="800" height="534" /></a><p id="caption-attachment-848192" class="wp-caption-text">“Yaca”, do fotógrafo Marlon Rouse, parte de sua série “Objetos sagrados: o fruto da terra”. A <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Jaca">jaca</a> (Artocarpus heterophyllus) tem parentesco com a fruta-pão, um alimento básico no Caribe. <a href="https://rouseworks.com/sacred-objects"> Direitos do autor</a>: Marlon Rouse, usados com autorização.</p></div>
<p>Quando se trata especificamente de suas imagens de frutas, ele se deparou com o termo “objetos sagrados” ao ler sobre o poeta <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/W._H._Auden">W. H. Auden</a>. Ele diz que as fotos são uma investigação de sua juventude e como essas memórias o influenciam agora — uma espécie de autorrepresentação. “Não me lembro de ter prestado muita atenção à [fruta local] naquela época, mas havia muitas”, diz ele, acrescentando que agora, uma observação mais atenta, sob uma luz moderna, trouxe à tona a questão do potencial não percebido. “Isso é algo em que penso muito”, admite Rouse. Ele diz que as fotos equivalem a uma “declaração de ser, a uma via de mão dupla”.</p>
<p>Ele também acha interessante como sua percepção mudou com o tempo: “Há questões de discriminação, idealização, cor e forma, juntamente com a questão da estética”. Pessoalmente, ele acha as imagens melancólicas. “Apesar de uma luz às vezes glamorosa, há uma ambiguidade sobre o estado de espírito. As imagens também podem ser muito clínicas, com aspirações de serem admiráveis, ilustrações de sucesso. A luz nos prega peças.&#8221;</p>
<div id="attachment_848194" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rouseworks.com/sacred-objects"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-848194" class="wp-image-848194 size-large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/Chennettte-800x534.jpg" alt="Fotógrafo Marlon Rouse, «Chennette», parte de su serie «Objetos sagrados: el fruto de la tierra». La chennette (Melicoccus bijugatus) es originaria de América del Sur y Central, y de algunas zonas del Caribe. La pulpa suave que rodea la semilla tiene un sabor dulce, pero ácido, similar al de los cítricos. Derechos de autor: Marlon Rouse, utilizado con permiso." width="800" height="534" /></a><p id="caption-attachment-848194" class="wp-caption-text">“Limoncillo” do fotógrafo Marlon Rouse, parte de sua série “Objetos sagrados: o fruto da terra”. O limoncillo (<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Mamoncillo">Melicoccus bijugatus</a>) é originário da América do Sul e América Central, de algumas zonas do Caribe. A polpa macia que envolve a semente tem um sabor doce, mas ácido, semelhante ao dos cítricos. <a href="https://rouseworks.com/sacred-objects">Direitos do autor</a>: Marlon Rouse, usados com autorização.</p></div>
<p>Ao criar as imagens, Rouse descobriu que cada objeto individual exigia uma luz específica, “um humor sugerido ou refletido&#8230; uma dança entre memória e descoberta”. Ele também acha interessante que esse tipo de inspeção de natureza morta nunca tenha sido feito antes e que algumas frutas retratadas fossem novas até mesmo para os moradores locais. Ainda assim, ele considera o projeto uma “celebração, uma oportunidade para contemplar a história e a forma, uma oportunidade para descobrir o que há de estranho nos objetos familiares”.</p>
<div id="attachment_848196" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rouseworks.com/sacred-objects"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-848196" class="wp-image-848196 size-large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/Tamarind-800x534.jpg" alt="«Tamarindo», del fotógrafo Marlon Rouse, parte de su serie «Objetos sagrados: el fruto de la tierra». El tamarindo (Tamarindus indica) es originario de África. Su pulpa ácida y dulce se utiliza de múltiples maneras para realzar los platos locales. Derechos de autor: Marlon Rouse, utilizado con permiso." width="800" height="534" /></a><p id="caption-attachment-848196" class="wp-caption-text">“Tamarindo”, do fotógrafo Marlon Rouse, parte de sua série “Objetos sagrados: o fruto da terra”. O tamarindo (<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Tamarindus">Tamarindus indica</a>) é originário da África. Sua polpa ácida e doce é usada de várias maneiras para realçar os pratos locais. <a href="https://rouseworks.com/sacred-objects">Direitos de autor</a>: Marlon Rouse, usados com autorização.</p></div>
<p>Rouse está “quase obcecado” em buscar um significado alternativo, um processo que ele descreve como “afastar-se do óbvio e aproximar-se de algo&#8230; em algum lugar&#8230; mais abstrato”. Ele não é um fotógrafo que tenha publicado muito de seu trabalho artístico pessoal — além do fato de que continua tentando se entender, ele diz que também teme que o trabalho se torne sem propósito: “A sociedade aqui não ajuda a garantir um ponto de apoio, então devo encontrar o meu. É difícil ser específico. Prefiro que as coisas fiquem por dizer, em aberto”.</p>
<p>De qualquer forma, ele espera fazer um livro com sua arte fotográfica em algum momento, mas diz que em Trinidade e Tobago, a fotografia segue um “caminho subestimado e pouco apreciado, apesar da insistência frequente de imagens para mídias sociais e mais tradicionais”. Ele acredita que a fotografia, mais do que pura utilidade, “tem muito a percorrer em Trinidade. O resto do mundo está anos-luz à frente na apreciação de seu valor artístico”.</p>
<p>Enquanto isso, Rouse procura seguir em frente e ver aonde a luz o levará a seguir. Veja a galeria completa <a href="https://rouseworks.com/sacred-objects">aqui</a>.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/janine-mendes-franco/' class='user-link'>Janine Mendes-Franco</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Español) by</span> <a href='https://es.globalvoices.org/author/gabriela-garcia-calderon-orbe/' class='user-link'>Gabriela García Calderón Orbe</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/ana-maria-peixoto-lima/' class='user-link'>Ana Maria Peixoto Lima</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2025/12/25/the-light-plays-tricks-on-us-trinidadian-photographer-marlon-rouses-sacred-objects-fruit-of-the-land/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/12/Caraili-1-400x300.jpg" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Recriando a beleza e o humor: Marc Dennis fala sobre como transformar obras-primas em diálogos vivos</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/03/23/recriando-a-beleza-e-o-humor-marc-dennis-fala-sobre-como-transformar-obras-primas-em-dialogos-vivos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mônica Couto Valadares]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 14:31:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América do Norte]]></category>
		<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[“Eu costumo misturar minhas pinturas com meu senso de humor, ou como os outros diriam, meu senso de sarcasmo, sagacidade ou ironia.”]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>‘Meu credo como pintor sempre foi cativar o olhar e seduzir a mente’</em></big></p><div id="attachment_845670" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-845670" class="wp-image-845670 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/10/marc-dennis-he-loves-me-he-loves-me-not_2019_oil_on_linen_56x74_inches.jpg" alt="Marc Dennis, He loves me, he loves me not (The transfiguration of snow white), 2019, oil on linen, 56x74 inches" width="800" height="551" data-wp-editing="1" /><p id="caption-attachment-845670" class="wp-caption-text">Marc Dennis, &#8216;<em>Ele me ama, Ele não me ama</em>’ (A transfiguração da Branca de Neve), 2019. Óleo sobre linho, 142 × 187 cm (56 × 74 in). Foto: cortesia do artista.</p></div>
<p><span style="font-weight: 400;">No verão passado, durante uma visita à casa de um amigo em Savannah, na Geórgia, minha atenção foi imediatamente capturada pelo que parecia ser a icônica <em>Betty</em> de <a href="https://www.gerhard-richter.com/en/art/paintings/photo-paintings/children-52/betty-7668">Gerhard Richter</a> — exceto que nessa versão, um gato estava na metade de um salto na composição. O trabalho do artista americano <a href="https://marcdennis.com/about.html">Marc Dennis</a> se destacava pela sua estranheza sutil e provocação silenciosa em meio a uma coleção de arte contemporânea notável .</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aquele encontro despertou meu interesse pela atividade de Dennis. Nossa conversa surge desse momento de identificação, do encontro com um artista que, ao celebrar o ato de ver, nos lembra que a mais alta vocação da arte talvez seja despertar a admiração pelo dia a dia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><span style="font-size: 1.25rem;">Nascido em 1974 em Danvers, Massachusetts, Marc Dennis se formou em Belas Artes pela </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://tyler.temple.edu/" target="_blank" rel="noopener">Tyler</a><span style="font-size: 1.25rem;"> Escola de Arte e Arquitetura, na Universidade de Temple, na Filadélfia, e obteve seu mestrado na </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.utexas.edu/" target="_blank" rel="noopener">Universidade do Texas,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> em Austin.</span> Residindo em Manhattan, com um estúdio também em Montclair, Nova Jersey, Dennis construiu uma carreira diferenciada que une a superioridade clássica à perspicácia contemporânea. Suas pinturas já ganharam destaque nas revistas <em><a href="https://www.artnews.com/art-news/artists/after-two-decades-as-an-art-world-outlier-marc-denniss-time-has-come-1234681469/">ArtNews</a></em>, <a href="https://artinamericaguide.com/event/marc-dennis-love-in-the-time-of-corona/"><em>Art in</em> <em>America</em></a>, <a href="https://www.vulture.com/2023/09/three-jews-and-a-painting.html"><em>Vulture</em></a> e na revista <a href="https://whitehotmagazine.com/articles/master-paintings-at-gavlak-gallery/5650"><em>Whitehot</em></a> de Arte Contemporânea, entre outras. Em entrevistas anteriores, ele falou sobre como suas memórias de infância, viagens e o fascínio precoce pela natureza moldaram sua visão artística.</span></p>
<p><div id="attachment_845758" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-845758" class="size-full wp-image-845758" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/Marc-Dennis_Richters-Cat_2021_48-x-38-inches_oil-on-linen_72dpi.jpg" alt="Marc Dennis, “&lt;em&gt;Richter’s Cat&lt;/em&gt;,” 2021, oil on linen, 34 x 27 inches [≈ 86 × 68 cm]. Picture courtesy of the artist." width="800" height="1012" /><p id="caption-attachment-845758" class="wp-caption-text">Marc Dennis, ‘<em>O gato de Richter</em>,’ 2021. Óleo sobre linho, 86 × 68 cm (34 × 27 in). Foto: cortesia do artista.</p></div><span style="font-weight: 400;">O trabalho de Dennis está enraizado no hiperrealismo: pinturas meticulosamente executadas que fazem referência aos grandes mestres ao mesmo tempo em que misturam humor, ironia e tensão moderna. Em sua arte, o humor funciona tanto como crítica quanto encanto; animais, flores e gestos lúdicos, como o de um gato pulando através de um <a href="https://www.britannica.com/biography/Caravaggio">Caravaggio,</a> introduzem um senso de vitalidade nos ícones solenes da história da arte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As pinturas de Dennis são acessíveis, porém intimistas, convidando os espectadores a um diálogo entre a maestria e a alegria. No mundo da arte contemporânea, muitas vezes distante da emoção do público, sua admiração pela vida, natureza, animais e risadas cria obras que são ao mesmo tempo sofisticadas e profundamente humanas. Ao mesclar obras-primas com novos elementos extravagantes, ele oferece ao público um motivo para fazer uma pausa, sorrir e reimaginar o que a história da arte pode significar atualmente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesta entrevista para a Global Voices, Dennis fala sobre sua última exposição, a evolução da sua série <em>Flores</em>, sua aproximação ao hiperrealismo e ao humor e como eventos atuais moldam sua criatividade e seus pensamentos sobre o sucesso e o papel da arte na era da IA.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Abaixo, trechos da entrevista: </span></i></p>
<p><div id="attachment_845759" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-845759" class="wp-image-845759 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/22Three-Jews-Walk-Into-a-Bar-2023-oil-on-linen-80-x-60-inches-.jpg" alt="Marc Dennis, &quot;&lt;em&gt;Three Jews Walk Into a Bar,&lt;/em&gt;” 2023, oil on linen, 80 x 60 inches [≈ 203 × 152 cm], Picture courtesy of the artist." width="800" height="981" /><p id="caption-attachment-845759" class="wp-caption-text">Marc Dennis, ‘<em>Três judeus entram em um bar’</em>, 2023. Óleo sobre linho, 203 × 152 cm (80 x 60 in). Foto: cortesia do artista.</p></div><strong style="font-size: 1.25rem;">Omid Memarian (OM):  Em &#8220;</strong><em style="font-size: 1.25rem;"><strong>Três judeus entram em um bar</strong></em><strong style="font-size: 1.25rem;">&#8220;</strong><span style="font-size: 1.25rem;">,</span><strong style="font-size: 1.25rem;"> </strong><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.vulture.com/2023/09/three-jews-and-a-painting.html" target="_blank" rel="noopener"><strong>Jerry Saltz</strong></a><strong style="font-size: 1.25rem;"> escreveu que suas figuras hassídicas &#8220;ocupam todo o espaço… como se estivessem olhando não para o passado, mas para o futuro&#8221;. </strong><span style="box-sizing: border-box;"><strong>Qual é a sua filosofia ao cooptar obras célebres, como &#8220;</strong><em><strong>Um bar no Folies-Bergère</strong></em><strong>&#8220;</strong>,<strong> de Manet, e qual diálogo você espera despertar em suas pinturas, a história da arte ocidental e questões de identidade?</strong></span><strong> </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong style="font-size: 1.25rem;">Marc Dennis (MD)</strong><span style="font-size: 1.25rem;">: Minhas intenções como artista quase sempre têm sido criar um espaço na pintura para que os espectadores se encaixem, de modo que não apenas vejam as obras, mas também sejam, de certa forma, participantes ativos nessa experiência.</span> Eu chamo isto de &#8220;primeiro plano invisível&#8221;. Quanto ao cânone da arte ocidental, minhas obras integram antigos mestres a cenários contemporâneos, para destacar o relacionamento entre a arte clássica, o meio ambiente e o clima em que vivemos no mundo atual. Minha intenção geral é reconceitualizar o passado e o presente juntos para criar algo novo.</span></p>
<p><div id="attachment_845760" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-845760" class="wp-image-845760 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/22Three-Jews-Walk-Into-a-Bar-2023-oil-on-linen-60-x-58-inches-.jpg" alt="Marc Dennis, &quot;Three Jews Walk Into a Bar,” 2023, oil on linen, 60 x 58 inches [152 × 147 cm], Picture courtesy of the artist." width="800" height="848" /><p id="caption-attachment-845760" class="wp-caption-text">Marc Dennis, ‘<em>Três judeus entram em um bar</em>’, 2023. Óleo sobre linho, 152 × 147 cm (60 × 58 in). Foto: cortesia do artista.</p></div><strong>OM:  Sua infância, viagens e experiências de vida devem ter moldado sua sensibilidade visual e as histórias que você conta.</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong style="font-size: 1.25rem;">MD</strong><span style="font-size: 1.25rem;">: Minhas próprias memórias de infância, assim como as que estou construindo com meus filhos (agora adolescentes), são cruciais para o meu desenvolvimento contínuo como artista.</span> Eu confio profundamente em minhas memórias porque estão entrelaçadas à minha personalidade. Eu me recordo de inúmeras lições e experiências da escola de arte — do meu fantástico e intenso interesse pelos Antigos Mestres, enquanto muitos dos meus colegas de classe estavam interessados apenas na arte contemporânea, em experimentar uma ampla variedade de materiais, apenas para ser direcionado às pinturas a óleo e às metodologias dos Antigos Mestres.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também morei em Roma, como parte de um programa no exterior, oferecido pela Escola de Arte Tyler da Universidade de Temple, onde fiquei impressionado ao ver tantas obras que me marcaram visualmente e me seduziram mentalmente. </span><span style="font-size: 1.25rem;">Foi uma experiência que me levou a compreender não apenas as técnicas de pintura de </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.caravaggio.org/#google_vignette" target="_blank" rel="noopener">Caravaggio</a><span style="font-size: 1.25rem;">, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.nga.gov/artists/1818-raphael" target="_blank" rel="noopener">Rafael</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.nationalgallery.org.uk/artists/titian" target="_blank" rel="noopener">Ticiano</a><span style="font-size: 1.25rem;"> (durante minha estadia de um mês em Veneza), mas também a interpretar uma narrativa mais antiga em novos termos.</span></p>
<p><div id="attachment_845761" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-845761" class="size-full wp-image-845761" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/This-Must-Be-the-Placer-2025-oil-on-linen-51.75-x-41-inches-.jpg" alt="Marc, Dennis, “This Must Be the Placer,” 2025, oil on linen, 51.75 x 41 inches [≈ 131 × 104 cm], Picture courtesy of the artist." width="800" height="1019" /><p id="caption-attachment-845761" class="wp-caption-text">Marc, Dennis, ‘<em>Este deve ser o </em><span style="box-sizing: border-box;"><em>lugar</em>’,</span> 2025. Óleo sobre linho, 131 × 104 cm (51.75 × 41 in). Foto: cortesia do artista.</p></div><strong>OM: O hiperrealismo exige precisão, controle e atenção aos detalhes de forma extraordinária. Por que você escolheu essa técnica em detrimento das outras (abstração, expressionismo, etc.)? </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>MD</strong>: Eu sempre fui fascinado por animais, árvores, plantas, flores, etc., basicamente pelas formas da natureza, desde criança. Eu queria desenhar muitas coisas — desde lagartos e sapos até plantas e flores, esquilos e zebras — e meu objetivo era retratá-las da forma mais autêntica e realista possível, para que os espectadores pudessem reconhecê-las e identificá-las imediatamente com o meu tema. Eu, na verdade, trabalhei arduamente no formato, modelo, importância, tonalidade etc., para captar tudo o que via, e isso, naturalmente, me direcionou para o hiperrealismo, como um estilo para expressar a beleza da natureza com precisão em meu trabalho. Ainda é importante para mim fazer as coisas certas antes de tomar liberdades. Além do mais, eu não sou um fotorrealista e não confio totalmente em fotografias como referência ou inspiração e, para mim, ter liberdade criativa e ultrapassar limites é muito importante.</span></p>
<p><strong style="font-size: 1.25rem;">OM: Especificamente para a série &#8220;</strong><em style="font-size: 1.25rem;"><strong>Três judeus entram em um bar</strong></em><strong style="font-size: 1.25rem;">&#8220;, qual foi a sua ideia por trás da justaposição de figuras hassídicas à obra &#8220;<em>Um bar no Folies-Bergère</em>&#8220;</strong><span style="font-size: 1.25rem;">,</span><strong style="font-size: 1.25rem;"> de Manet?</strong><strong> Como você idealizou as composições? Como você vê a tensão entre os códigos rituais e religiosos das figuras hassídicas e a modernidade secular representada por Manet e quais reações você espera provocar? </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong style="font-size: 1.25rem;">MD</strong><span style="font-size: 1.25rem;">: Há mais de 20 anos, tenho pesquisado e ensinado sobre o Holocausto, com foco nos trabalhos artísticos realizados pelos prisioneiros nos </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://encyclopedia.ushmm.org/content/en/article/nazi-camps" target="_blank" rel="noopener">campos de concentração nazistas</a><span style="font-size: 1.25rem;">.</span> Durante minha pesquisa, surgiram conceitos de humor judaico desde antes da Segunda Guerra Mundial até o pós-Holocausto, quando muitos judeus vieram para os EUA e se tornaram comediantes de stand-up ou de Hollywood. O humor está enraizado em nosso DNA. E para ser honesto, eu acredito que também posso ser engraçado, bem, às vezes, com certeza! Eu queria criar um conjunto de obras que fosse, para todos os efeitos, um mergulho profundo na minha ancestralidade e árvore genealógica, e o humor é uma grande parte disso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu pensei que a premissa ou a infraestrutura da minha ideia seria a piada mais antiga do mundo — um rabino, um padre e um monge budista entram em um bar… ou um rabino, um pastor e um imã entram em um bar … ou, bem, você entendeu — três, seja lá quem for, entram em um bar. Eu optei por três judeus, uma vez que o trabalho é sobre mim, e escolhi o quadro mais famoso de um bar como cenário! É o ouro da comédia! &#8220;Ouro, Jerry, ouro!&#8221; Se você sabe, você sabe. Eu diria que essa série &#8220;<em>Três judeus entram em um bar</em>&#8221; foi &#8220;muito, muito, muito boa.&#8221; Novamente, se você sabe, sabe.</span></p>
<p><div id="attachment_845966" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-845966" class="size-full wp-image-845966" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/MDEN054-Marc-Dennis-Giottos-Fly-01.jpeg" alt="Marc Dennis, “Giotto’s Fy,” 2024, oil on linen, 72 x 96 inches" width="800" height="610" /><p id="caption-attachment-845966" class="wp-caption-text">Marc Dennis, “Giotto’s Fy,” 2024, óleo sobre linho, 72 x 96 inches [182.88 × 243.84 cm]. Foto: cortesia do artista.</p></div><strong>OM: Jerry Saltz <a href="https://www.vulture.com/2023/09/three-jews-and-a-painting.html">descreve a exposição</a> como &#8220;uma piada, tudo bem. Mas ela é engraçada?” Ele também diz que não necessariamente gosta das pinturas, mas não consegue deixar de pensar nelas. Qual a sua reação a tal ambivalência na crítica? Como você processa elogios, críticas ou respostas contraditórias, sobretudo quando elas focam na vertente estética em relação à ideológica?</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>MD</strong>: Eu respeito todas as opiniões; afinal, nenhum artista consegue controlar as reações ao seu trabalho, mas, em vez disso, deve orientar ou sugerir uma resposta específica — e mesmo isso é um exagero. Meu trabalho está aberto à interpretações, e a reação de Jerry foi autêntica e realmente sincera. Ele é uma pessoa íntegra como eu e não precisa &#8220;gostar&#8221; do trabalho; o fato de Jerry admitir que não consegue parar de pensar no meu trabalho é realmente ótimo e um elogio, visto de uma perspectiva à parte — e, a propósito, é uma maneira muito judaica de ver as coisas. Respondendo à sua pergunta de forma mais ampla, eu adoro elogios e aprecio quem permanece por um tempo observando meu trabalho. No contexto geral, sem trocadilhos, tudo se resume ao que aprendemos enquanto crescíamos, seja com nossos pais ou avós … e isso é: se você não tem nada de bom para falar, não diga nada. Apenas siga em frente.</span></p>
<p><strong>OM: Considerando os acontecimentos atuais — sociais, políticos, religiosos e culturais — há algo acontecendo ultimamente que tenha influência direta em seu trabalho? Como você considera que o seu processo criativo responde a esses acontecimentos ou resiste a eles?</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong style="font-size: 1.25rem;">MD</strong><span style="font-size: 1.25rem;">: Estamos vivendo momentos cada vez mais controversos, e é importante para mim, como artista judeu, representar não apenas a minha herança, mas também a minha compreensão contemporânea do judaísmo, pois isso não vejo repercutir.</span> No que diz respeito às mudanças climáticas, algo que penso muito a respeito, estou certo de que algumas das minhas obras abordam a constante destruição de nosso lindo planeta. Veja bem, nem sempre tenho consciência do que vai surgir nas minhas obras. Frequentemente, as pessoas veem coisas que não me ocorreram e isso é um elemento muito importante e divertido nas reações à minha arte. </span><span style="font-size: 1.25rem;">Adoro ouvir o que os outros veem e sentem sobre as minhas obras</span><span style="font-size: 1.25rem;">.</span></p>
<p><div id="attachment_845765" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-845765" class="wp-image-845765 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/Ever-After-2025-oil-on-linen-50.75-x-41.75-inches-.jpg" alt="Marc Dennis, “Ever After,” 2025, oil on linen, 50.75 x 41.75 inches [≈ 128 × 106 cm], Picture courtesy of the artist." width="800" height="978" /><p id="caption-attachment-845765" class="wp-caption-text">Marc Dennis, ‘<em>Para sempre,</em>’ 2025. Óleo sobre linho, 128 × 106 cm (50.75 × 41.75 in). Foto: cortesia do artista.</p></div><strong>OM: O que significa para você, como artista, &#8220;ter sucesso&#8221;? É visibilidade, reconhecimento, recompensa financeira ou algo mais profundo? E no seu caso, após &#8220;duas décadas sendo uma exceção no mundo da arte&#8221;, como disse um crítico, como mudou a sua compreensão do sucesso?</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>MD</strong>: O sucesso sempre foi relativo para mim em cada fase da minha carreira, mesmo quando eu era criança e desenhava pássaros e lagartos à beira da piscina durante os quatro anos em que vivi em Porto Rico. Se eu tinha um objetivo em mente, eu o perseguia e dava o meu melhor para alcançá-lo. Fiz muitas obras de arte mal-sucedidas ao longo da minha vida. Assim como fiz muitas obras de arte bem-sucedidas e sou hoje a mesma pessoa que eu era quando criança. Dou o meu melhor no tempo que me é dado e sinto que ainda farei o meu melhor trabalho. Eu abordo cada quadro determinado que seja melhor do que o anterior. Até aqui, tudo bem.</span></p>
<p><strong>OM: A questão da IA e da arte é cada vez mais urgente. Como você vê os avanços na IA (geração de imagens, ferramentas que simulam estilo ou composição) impactando artistas que trabalham com hiperrealismo, com habilidade manual e técnica magistral?</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>MD</strong>: Minha resposta a isso é simples e não penso muito sobre esse assunto, mas tenho quase certeza, pelo que conheço sobre os Antigos Mestres, de que se <a href="https://www.mos.org/leonardo/artist.html">Leonardo da Vinci,</a> <a href="https://hyperallergic.com/1019280/the-intense-intimacy-of-caravaggio-palazzo-barberini/">Caravaggio</a> e Vermeer estivessem aqui hoje, eles estariam usando a IA. E se eu não estou enganado, <a href="https://www.johannesvermeer.org/">Vermeer</a> e da Vinci tinham mais de 300 esboços catalogados em seus arquivos sobre formas de construir uma câmera obscura. Em essência, a tecnologia sempre foi abraçada pelos criativos! Então é isso.</span></p>
<p><div id="attachment_845768" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-845768" class="size-full wp-image-845768" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/In-Our-Wolrd-2024-oil-on-linen-52-x-38-inches-.jpg" alt="Marc Dennis, “In Our World,” 2024, oil on linen, 52 x 38 inches [≈ 132 × 96 cm], Picture courtesy of the artist." width="800" height="1091" /><p id="caption-attachment-845768" class="wp-caption-text">Marc Dennis, ‘<em>Em nosso </em><span style="box-sizing: border-box;"><em>mundo</em>’,</span> 2024. Óleo sobre linho, 132 × 96 cm (52 x 38 in). Foto: cortesia do artista.</p></div><strong>OM: Entre as suas obras mais famosas estão as naturezas mortas hiperrealistas, os buquês de flores e os trabalhos figurativos/retratos. Você poderia escolher algumas de suas obras favoritas (antigas ou atuais) e nos dizer o que as torna especiais para você?</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>MD</strong>: Hah! Que pergunta. Não é como perguntar a mim qual é o meu filho preferido, porque meus filhos são igualmente preferidos, mas algumas das minhas obras me tocam de maneira diferente. Resumindo, minhas obras favoritas são aquelas que crio em meu estúdio, que retomam meus temas clássicos de naturezas mortas, buquês de flores e referências à história da arte, de forma fresca e emocionante. Essas obras novas poderão ser vistas nas próximas feiras:<span style="box-sizing: border-box;"> <a href="https://www.artbasel.com/miami-beach/" target="_blank" rel="noopener">Art Basel Miami Beach</a> e <a href="https://artsoflife.org/untitled-art-names-over-140-exhibitors-for-upcoming-miami-beach-edition/" target="_blank" rel="noopener">Untitled in South Beach, Miami,</a> em dezembro de 2025, e <a href="https://artsg.com/" target="_blank" rel="noopener">Art Singapore</a> em janeiro de 2026.</span> <span style="box-sizing: border-box;">Falando de 2026, meu trabalho mais recente também estará em duas exposições individuais: <a href="https://anatebgi.com/" target="_blank" rel="noopener">Anat Ebgi Gallery</a> em Los Angeles, programada para abrir em fevereiro de 2026, coincidindo com a <a href="https://www.frieze.com/fairs/frieze-los-angeles" target="_blank" rel="noopener">Frieze</a> em LA, e a <a href="https://www.harpersgallery.com/" target="_blank" rel="noopener">Harper’s Gallery</a>, Nova Iorque, programada para abrir na primeira semana de setembro de 2026, coincidindo com o <a href="https://www.thearmoryshow.com/" target="_blank" rel="noopener">The Armory Show</a> na cidade de Nova Iorque.</span> Marquem nas suas agendas.</span></p>
<p><div id="attachment_845770" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-845770" class="wp-image-845770 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/marc-dennis-where-the-sun-hits-the-water_2021_oil_on_linen_60x57_inches-1.jpg" alt="Marc Dennis, &quot;Where the Sun Hits the Water&quot;, 2021, oil on linen, 60x57 inches [≈ 152 × 144 cm], Picture courtesy of the artist." width="800" height="833" /><p id="caption-attachment-845770" class="wp-caption-text">Marc Dennis, ‘<em>Onde o sol toca a </em><span style="box-sizing: border-box;"><em>água</em>’,</span> 2021. Óleo sobre linho, 152 × 144 cm (60 × 57 in). Foto cortesia do artista.</p></div><strong>OM: A pintura tem uma longa história de incorporar beleza e poder. Em suas pinturas, como você equilibra ou cria tensão entre esses dois elementos; como a beleza serve ao poder ou como o poder subverte a beleza? </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>MD</strong>: Meu credo como pintor sempre foi impressionar os olhos e seduzir a mente. Eu não penso muito sobre a beleza e o poder; eu confio no meu instinto. As descobertas médicas sobre as biosferas instintivas e a ideia de que o instinto tem cérebro ou mente própria são precisas, pelo menos na minha opinião. Isso era para ser meio engraçado, mas é válido em grande medida, uma vez que confio muito no meu instinto para orientar minha produção criativa.</span></p>
<p><strong>OM: A série <em>Flores</em> é impressionante por sua exuberância e uma atração quase hipnotizante. O que o atrai nas flores como tema? </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>MD</strong>: A universalidade das flores como uma conexão com momentos significativos da vida humana tem sido um interesse constante para mim desde sempre, desde quando eu prendi um ramalhete na minha lapela no baile de formatura até a experiência de ver flores em casamentos, funerais, bar e bat mitzvahs, batismos, Dia dos Namorados, nascimentos, mortes, etc. — a lista é infinita. Como um artista que visitou museus desde que eu era estudante de artes, sempre me senti atraído pelas pinturas de “<a href="https://www.theartstory.org/definition/memento-mori-vanitas/">Memento Mori</a>” e “<a href="https://www.thecollector.com/vanitas-dutch-master-paintings/">Vanitas</a>”, e esse interesse só cresce. No fundo do meu coração, acredito que o mundo precisa de mais flores.</span></p>
<p><div id="attachment_845773" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-845773" class="wp-image-845773 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/22Caravaggios-Cat-2021-oil-on-linen-32-x-34-inches-.jpg" alt="Marc Dennis, &quot;Caravaggio's Cat,” 2021, oil on linen, 32 x 34 inches [≈ 81 × 86 cm], Picture courtesy of the artist." width="800" height="693" /><p id="caption-attachment-845773" class="wp-caption-text">Marc Dennis, ‘<em>O gato de Caravaggio</em>,’ 2021. Óleo sobre linho, 81 × 86 cm (32 X 34 in). Foto: cortesia do artista.</p></div><strong>OM: Em uma de suas obras conhecidas, você pintou um gato pulando por cima de uma pintura de Caravaggio, intitulada &#8220;<em>Uma cesta de frutas</em>.&#8221; Qual foi a ideia por trás daquele gesto de disrupção lúdica? O que você acha que acontece quando você adiciona humor, ironia ou até mesmo uma pitada de caos à conversa com obras-primas canônicas?</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>MD</strong>: Como eu disse, posso ser engraçado e frequentemente misturo minhas pinturas com meu senso de humor, ou, como os outros diriam, com meu senso de sarcasmo, sagacidade ou ironia. Não importa o caso, eu gosto do meu senso de humor e de deixá-lo transparecer de tempos em tempos. Para essa pintura em especial, pensei em um gato de estimação atrapalhando Caravaggio enquanto ele trabalhava, provavelmente no porão de alguém, e o gato decidiu fazer o que os gatos costumam fazer, e o resultado foi a pintura de um gato pulando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um breve momento no tempo que traz um sorriso ao rosto. Algo muito importante para mim como ser humano. Não há força maior do que o amor, que sempre vem acompanhado de sorrisos e risadas.</span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/omid-memarian/' class='user-link'>Omid Memarian</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/monica-couto-valadares/' class='user-link'>Mônica Couto Valadares</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2025/11/04/reimagining-beauty-and-humor-marc-dennis-on-turning-masterpieces-into-living-conversations/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>No Burundi, o cultivo de chá está em conflito com a proteção dos chimpanzés</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/03/16/no-burundi-o-cultivo-de-cha-esta-em-conflito-com-a-protecao-dos-chimpanzes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciana Alvim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 15:42:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[Animal Rights]]></category>
		<category><![CDATA[Burúndi]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento]]></category>
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		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia e Jornalismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=121426</guid>

					<description><![CDATA[Na República do Burundi, o cultivo de chá está em conflito com a proteção de espécies ameaçadas, chimpanzés.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Alguns trabalhadores do parque colhem a comida dos chimpanzés, especialmente os morangos silvestres.</em></big></p><div id="attachment_300367" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-300367" class="wp-image-300367 size-featured_image_large" src="https://fr.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/Capture-decran-2026-02-03-103310-800x450.png" alt="" width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-300367" class="wp-caption-text">Captura da imagem do canal do YouTube do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=O2SFjhIZ9ko">OBPE Burundi</a></p></div>
<p><em>Este artigo de <a href="https://www.ibihe.org/author/arhur/">Arthur Bizimana</a>, originalmente publicado por <a href="https://www.ibihe.org/de-500-a-200-comment-les-plantations-de-the-contribuent-au-declin-des-chimpanzes-de-kibira/">Ibihe.org,</a>  faz parte de uma série de quatro investigações realizadas com o apoio do Pulitzer Center. Ele é republicado sob um acordo de parceria com a Global Voices.</em></p>
<p>Na <a href="https://fr.wikipedia.org/wiki/Burundi">República do Burundi</a>, a produção de chá em larga escala entra em conflito com a proteção de espécies ameaçadas, como a dos chimpanzés. Um complexo de cultivo de chá que se estende ao longo do limite do <a href="https://bi.chm-cbd.net/fr/protected-areas/parc-nati-kibira">Parque de Kibira</a>, o mais importante dos três parques nacionais do Burundi, no noroeste do país, é onde está sendo construída a <a href="https://www.agenceecofin.com/hydroelectricite/2106-109550-projet-approuve-une-electricite-100-decarbonee-pour-1-2-million-de-burundais">usina hidrelétrica de Mpanda.</a></p>
<p>Esta região está sendo atolada pela migração por projetos de desenvolvimento oriundos de comunidades locais, empresas produtoras e algumas instituições estatais, como a<a href="https://www.otb.co.bi/"> Organização dos Produtores de Chá de Burundi</a> (OTB), a <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/REGIDESO_Burundi">Autoridade de Produção e de Distribuição de Água e de Eletricidade do Burundi</a> (REGIDESO), o <a href="https://isabu.bi/">Instituto de Ciências Agronômicas do Burundi</a> (ISABU) e a Direção de Planejamento Agrícola e Pecuária (DPAE). Estas ações humanas são a causa da <a href="https://ejoheza.bi/fr/at185/Le_co%C3%BBt_du_th%C3%A9_:_comment_le_Burundi_sa">perda e da migração da vida selvagem</a>.</p>
<p>Séverin Bagayuwitunze, 62 anos, nativo da região do noroeste do país, descreve um quadro assustador:</p>
<blockquote><p>On rencontrait des chimpanzés, des gorilles, des phacochères quand la forêt était encore dense, mais maintenant, ils ont disparu. On peut traverser le secteur Rwegura du parc national de Kibira sans rencontrer un seul chimpanzé.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Antes, quando a floresta ainda era densa, havia chimpanzés, gorilas, javalis,  mas, atualmente, eles desapareceram. Hoje, pode-se atravessar o setor Rwegura do Parque Nacional de Kibira sem encontrar um só chimpanzé.</p></blockquote>
<p>Seja em Teza ou em Rwegura, nos dois setores do Parque Nacional de Kibira, os chimpanzés são raros. Pascal, um morador que vive perto do parque, relata :</p>
<blockquote><p>La dernière fois que j’ai vu un chimpanzé dans le parc de Kibira, c’était en 2018. Depuis, nous les rencontrons occasionnellement.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>A última vez que eu vi um chimpanzé no Parque de Kibira foi em 2018. Depois disso, nós os vemos ocasionalmente.</p></blockquote>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Segundo alguns estudos, o parque é hoje o habitat natural de mais de <a href="https://orbi.uliege.be/bitstream/2268/163195/1/PAN20-2-_16%20copy.pdf" target="_blank" rel="noopener">200 chimpanzés, em comparação com os 500</a> que viviam ali antes do desmatamento.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Em outubro de 2019, a </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://unfccc.int/sites/default/files/resource/Burundi%20TNC_FINAL.pdf" target="_blank" rel="noopener">Terceira Comunicação Nacional sobre Mudanças Climáticas</a><span style="font-size: 1.25rem;"> alertou sobre a perda de habitat natural dos chimpanzés entre 2009 e 2019. Estima-se que Kibira tenha perdido entre</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://unfccc.int/sites/default/files/resource/Burundi%20TNC_FINAL.pdf" target="_blank" rel="noopener"> 10.000</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://unfccc.int/sites/default/files/resource/Burundi%20TNC_FINAL.pdf" target="_blank" rel="noopener"> 12.000</a><span style="font-size: 1.25rem;"> hectares de cobertura arbórea.</span> Seis anos após sua publicação, os níveis de desmatamento permanecem desconhecidos.</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Em seu artigo científico « <a href="https://orbi.uliege.be/bitstream/2268/169089/1/R%C3%A9sum%C3%A9Tabledesmati%C3%A8res.pdf" target="_blank" rel="noopener">Chimpanzé (Pan troglodytes schweinfurthii), densidade e abundância de sua população dentro do Parque Nacional de Kibira, no Burundi</a> » publicado pela Universidade de Liége em 2013, <a href="https://www.researchgate.net/profile/Dismas-Hakizimana" target="_blank" rel="noopener">Dismas Hakizimana</a>, pesquisador e professor da Universidade do Burundi, e <a href="https://popups.uliege.be/2984-0317/index.php?id=162" target="_blank" rel="noopener">Marie-Claude Huynen</a>, pesquisadora e professora da Universidade de Liége, afirmam:</span></p>
<blockquote><p>Leur habitat étant menacé, certains chimpanzés y ont laissé la vie et les rescapés ont déserté les secteurs de Kibira notamment Rwegura, Teza et Musigati. Ils se sont réfugiés dans le secteur Mabayi directement contigu au <a href="https://fr.wikipedia.org/wiki/Parc_national_de_Nyungwe">Parc National de Nyungwe</a>/National Nyungwe Park (NNP) au Rwanda où ils recherchent la sécurité alimentaire et physique.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>O habitat deles está ameaçado, alguns chimpanzés perderam suas vidas e os sobreviventes abandonaram as regiões de Kibira, especialmente Rwegura, Teza e Musigati. Eles buscaram refúgio em Mabayi, uma região adjacente ao <a href="https://fr.wikipedia.org/wiki/Parc_national_de_Nyungwe">Parque Nacional Nyungwe</a>, em Ruanda, onde procuram por comida e segurança física.</p></blockquote>
<h3>Presença humana nociva</h3>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">A sucursal da </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.otb.co.bi/" target="_blank" rel="noopener">Organização dos Produtores de Chá de Burundi</a><span style="font-size: 1.25rem;">, localizada nos altos planaltos desta região, emprega mais de</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.researchgate.net/profile/Monica-Schuster/publication/327700662_Introduction_de_mecanismes_d%27agriculture_sous-contrat_dans_la_filiere_the_au_Burundi/links/5b9faa29299bf13e6038918c/Introduction-de-mecanismes-dagriculture-sous-contrat-dans-la-filiere-the-au-Burundi.pdf?origin=publication_detail&amp;_tp=eyJjb250ZXh0Ijp7ImZpcnN0UGFnZSI6InB1YmxpY2F0aW9uIiwicGFnZSI6InB1YmxpY2F0aW9uRG93bmxvYWQiLCJwcmV2aW91c1BhZ2UiOiJwdWJsaWNhdGlvbiJ9fQ&amp;__cf_chl_tk=LD0hwIniKPLDDXnCG4mGV5ZzKYh1i48MxroB3IQogsQ-1757533136-1.0.1.1-KJPWCeJ1u3dMcQaCojKoWnfQzO5larFZbePoVS68onU" target="_blank" rel="noopener"> 1.000</a><span style="font-size: 1.25rem;"> assalariados e</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.researchgate.net/profile/Monica-Schuster/publication/327700662_Introduction_de_mecanismes_d%27agriculture_sous-contrat_dans_la_filiere_the_au_Burundi/links/5b9faa29299bf13e6038918c/Introduction-de-mecanismes-dagriculture-sous-contrat-dans-la-filiere-the-au-Burundi.pdf?origin=publication_detail&amp;_tp=eyJjb250ZXh0Ijp7ImZpcnN0UGFnZSI6InB1YmxpY2F0aW9uIiwicGFnZSI6InB1YmxpY2F0aW9uRG93bmxvYWQiLCJwcmV2aW91c1BhZ2UiOiJwdWJsaWNhdGlvbiJ9fQ&amp;__cf_chl_tk=LD0hwIniKPLDDXnCG4mGV5ZzKYh1i48MxroB3IQogsQ-1757533136-1.0.1.1-KJPWCeJ1u3dMcQaCojKoWnfQzO5larFZbePoVS68onU" target="_blank" rel="noopener"> entre 7.500</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.researchgate.net/profile/Monica-Schuster/publication/327700662_Introduction_de_mecanismes_d%27agriculture_sous-contrat_dans_la_filiere_the_au_Burundi/links/5b9faa29299bf13e6038918c/Introduction-de-mecanismes-dagriculture-sous-contrat-dans-la-filiere-the-au-Burundi.pdf?origin=publication_detail&amp;_tp=eyJjb250ZXh0Ijp7ImZpcnN0UGFnZSI6InB1YmxpY2F0aW9uIiwicGFnZSI6InB1YmxpY2F0aW9uRG93bmxvYWQiLCJwcmV2aW91c1BhZ2UiOiJwdWJsaWNhdGlvbiJ9fQ&amp;__cf_chl_tk=LD0hwIniKPLDDXnCG4mGV5ZzKYh1i48MxroB3IQogsQ-1757533136-1.0.1.1-KJPWCeJ1u3dMcQaCojKoWnfQzO5larFZbePoVS68onU" target="_blank" rel="noopener"> 8.000</a><span style="font-size: 1.25rem;"> trabalhadores diaristas na coleta de folhas verdes, no processamento, nas plantações de chá, na comunicação e na exploração florestal.</span> Léonidas Nzigiyimpa, ecologista, observa que:</p>
<blockquote><p>Ces ouvriers produisent un grand bruit sonore nuisant à l’habitat des chimpanzés, espèce phare de Kibira. Ils jettent les restes des nourritures, les sachets… En gros, ils polluent l’habitat des chimpanzés.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Esses trabalhadores produzem um ruído alto que é prejudicial ao habitat dos chimpanzés, uma espécie rara de Kibira. Eles jogam fora restos de comida, sacolas&#8230; Resumindo, eles poluem o habitat dos chimpanzés.</p></blockquote>
<p>Durante a manutenção dos campos, alguns trabalhadores entram ilegalmente no interior do parque. Nzigiyimpa destaca:</p>
<blockquote><p>Les entrées et sorties ne sont pas régulées et restent largement incontrôlées. Ils cueillent la nourriture des chimpanzés, notamment les fraises sauvages.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>As entradas e saídas não são reguladas e permanecem sem controle. Eles colhem a comida dos chimpanzés, especialmente os morangos silvestres.</p></blockquote>
<p><a href="https://minamataconvention.org/fr/node/3657">Berchmans Hatungimana</a>, diretor-geral do <a href="https://obpe.bi/">Escritório Burundinês para a Proteção do Meio Ambiente</a><i>,</i> tem uma perspectiva semelhante.</p>
<p>No percurso da rota número um, ao longo do parque nacional, a população local exerce o comércio de frutas silvestres comestíveis, como morangos, para ganhar a vida. Pascal, que mora perto do parque, relata:</p>
<blockquote><p>Nous avions atteint un stade où nous cueillions des fruits qui ne sont pas mûrs. Nous les conservions dans un lieu sûr et attendions qu’ils soient mûrs. Maintenant, ce commerce est quasi-inexistant. Les fraises sauvages ont presque disparu. Même les arbousiers ne portent plus leurs fruits.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Nós chegamos a um ponto em que colhemos frutas que ainda não estão maduras. Hoje em dia, este comércio está praticamente inexistente. Os morangos silvestres estão quase desaparecendo. Os morangueiros não dão mais frutos.</p></blockquote>
<p>Os habitantes locais também praticam caça e colocam armadilhas para capturar animais do parque, denuncia o ecologista Nzigiyimpa. Segundo o professor Richard Habonayo, conferencista da Universidade do Burundi, esta situação faz com que os chimpanzés temam a presença dos humanos e mantenham distância.</p>
<p>Diante desta situação, <a href="https://minamataconvention.org/fr/node/3657">Berchmans Hatungimana</a> disse :</p>
<blockquote><p>Nous avons des employés qui gardent le parc de Kibira 24 heures sur 24 pendant toute l’année. S’il advient qu’un ouvrier entre illégalement dans le parc et outrepasse les lois de la protection du parc, il est arrêté et livré à la société qui l’emploie pour qu’il soit puni conformément à la loi.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Nós temos vigias que guardam o Parque de Kibira 24 horas por dia, durante todo o ano. Se um trabalhador entrar no parque ilegalmente e ultrapassar as leis de proteção do parque, ele é preso e levado ao seu empregador para que seja punido conforme a lei.</p></blockquote>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Um estudo conduzido pela ONG </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.equatorinitiative.org/2024/12/05/conservation-et-communaute-de-changement-3c/" target="_blank" rel="noopener">Conservação e Mudanças na Comunidade</a><span style="font-size: 1.25rem;"> (3C), citado por seu representante legal, Léonidas Nzigiyimpa, indica que o número de armadilhas aumentou ao longo do tempo, à medida que as atividades de desenvolvimento se intensificam e a população cresce ao redor do parque.</span> Ele explica :</p>
<blockquote><p>Outre les activités humaines, les plantations de thé constituent une barrière pour les chimpanzés dans leurs mouvements quotidiens de recherche de nourriture, car elles sont serrées et enchevêtrée. Elles coupent également la communication entre elles (différentes familles de chimpanzé) et limitent les femelles à retrouver les mâles issus d’une autre famille afin de s’accoupler et de se reproduire. Or, la reproduction des chimpanzés est lente. Cela limite la multiplication de la population des chimpanzés et contribue à réduire les effectifs.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Além das atividades humanas, as plantações de chá constituem uma barreira para os chimpanzés em suas atividades diárias para encontrar comida, pois estão ficando sem espaço e confusos. Eles também cortaram a comunicação entre eles (diferentes famílias de chimpanzés) e isso tem restringido as fêmeas de encontrar machos de outras famílias para se acasalar e reproduzir. A reprodução de chimpanzés é lenta. Isso tudo limita a multiplicação da sua população e contribui para a redução do seu número.</p></blockquote>
<p>Nzigiyimpa afirma que os chimpanzés são os construtores das florestas e contribuem para a manutenção do equilíbrio ecológico. Ele alerta que se os chimpanzés desaparecerem, outros tipos de vegetação também seguirão o mesmo caminho.</p>
<h3>Associar as comunidades locais</h3>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Segundo o professor Habonayo, a pobreza é um dos fatores que levam a comunidade local, em particular a comunidade de <a href="https://fr.wikipedia.org/wiki/Twa_de_la_r%C3%A9gion_des_Grands_Lacs" target="_blank" rel="noopener">Batwa</a>, muito presente na região <a href="https://fr.wikipedia.org/wiki/Afrique_des_Grands_Lacs" target="_blank" rel="noopener">dos Grandes Lagos,</a> a explorar os recursos florestais.</span></p>
<p>Para melhorar suas condições de vida e deixar de depender das florestas para sobreviver, o governo deve implementar projetos geradores de renda para estas comunidades.</p>
<p>Além disso, o professor Habonayo recomenda investir na formação e no desenvolvimento das capacidades locais de gestão de recursos florestais. Ele salienta:</p>
<blockquote><p>Il est impossible de protéger le parc de Kibira sans associer les communautés locales. On doit leur faire comprendre qu’elles ont une grande place dans la protection de sa biodiversité, qu’elle soit faunique ou florique.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>É impossível proteger o Parque de Kibira sem a participação das comunidades locais. Temos que compreender que elas têm um grande papel na proteção de sua biodiversidade, tanto na fauna como na flora.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (Français) by</span> <a href='https://fr.globalvoices.org/author/ibihe/' class='user-link'>Ibihé</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/luciana-alvim/' class='user-link'>Luciana Alvim</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://fr.globalvoices.org/2026/02/04/300355/'>Veja o post original (Français)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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