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	<description>O Global Voices agrega, organiza e amplifica a conversação global na rede - jogando luz nos lugares e pessoas que o resto da mídia geralmente ignora.</description>
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		<title>Como as “táticas de medo” da extrema direita afetam garotas que buscam abortar legalmente no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isabela Torezan]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 12:21:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
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					<description><![CDATA[Ativistas pró-escolha dizem que bloquear a resolução no Congresso espalharia desinformação sobre acesso ao aborto legal.Em um vídeo postado por Chris Tonietto no começo de novembro de 2025 no Instagram, a... ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Ativistas pró-escolha dizem que bloquear a resolução no Congresso espalharia desinformação sobre acesso ao aborto legal.</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/Nicole-800x600-1.png" alt="Ilustração de uma silhueta de uma mulher grávida em frente a uma porta com uma cruz vermelha." width="800" height="600" /><p class="wp-caption-text">Ilustração por Noor, usada sob permissão</p></div>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Em um vídeo postado por <a href="https://www.instagram.com/p/DQsbTWVjyAh/?hl=en" target="_blank" rel="noopener">Chris Tonietto</a> no começo de novembro de 2025 no Instagram, a deputada federal celebrou <a href="https://www.camara.leg.br/noticias/1219967-camara-aprova-projeto-que-cancela-diretrizes-sobre-aborto-em-criancas-e-adolescentes-vitimas-de-estupro" target="_blank" rel="noopener">o voto que impôs um freio</a> à resolução que, segundo ela, &#8220;facilitava o aborto até nove meses de gravidez para garotas menores de idade que foram vítimas de violência, sem o conhecimento ou consentimento dos pais&#8221;.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">A </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-258-de-23-de-dezembro-de-2024-605843803" target="_blank" rel="noopener">resolução</a><span style="font-size: 1.25rem;"> em questão foi </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://conectas.org/noticias/o-que-diz-nova-resolucao-que-garante-direitos-de-criancas-e-adolescentes-vitimas-de-violencia-sexual/" target="_blank" rel="noopener">publicada</a><span style="font-size: 1.25rem;"> pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.gov.br/mdh/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselho-nacional-dos-direitos-da-crianca-e-do-adolescente-conanda/conanda" target="_blank" rel="noopener">Conanda</a><span style="font-size: 1.25rem;">), parte do Ministério dos Direitos Humanos, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-01/publicada-resolucao-que-garante-direitos-menores-vitimas-de-estupro" target="_blank" rel="noopener">após decisão judicial</a><span style="font-size: 1.25rem;"> em janeiro de 2025.</span> <span style="box-sizing: border-box;">Não houve modificação de nenhuma legislação existente; apenas estabelece protocolos para que profissionais de saúde os sigam, a fim de <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-mulher/saude-sexual-e-reprodutiva/interrupcao-gestacional-prevista-em-lei" target="_blank" rel="noopener">garantir o acesso de menores ao aborto legal,</a> um direito<a href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10624811/artigo-128-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940" target="_blank" rel="noopener"> já garantido pelo artigo 128 do Código Penal brasileiro.</a></span><a href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10624811/artigo-128-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940" target="_blank" rel="noopener"> </a></p>
<p>Como autora da proposta do decreto legislativo contra a resolução, Tonietto divulgou na l<a href="https://www.instagram.com/p/DQsbTWVjyAh/?hl=en" target="_blank" rel="noopener">egenda de seu vídeo</a> que bloquear a proposta iria &#8220;proteger a vida&#8221; e &#8220;defender a democracia brasileira&#8221;.</p>
<p>&#8220;Nós acabamos de evitar o retrocesso civilizacional que estava sendo promovido&#8221;, disse ela aos seus seguidores após a aprovação do potencial bloqueio.</p>
<p>Apesar das celebrações de políticos de direita, a proposta ainda precisa passar pelo Senado para que a suspensão seja efetiva – a maioria da casa agora é de direita e centro-direita. <a href="https://www.instagram.com/p/DQsbTWVjyAh/?hl=en" target="_blank" rel="noopener">Uma frente parlamentar mista &#8220;contra o aborto e a favor da vida&#8221; </a>foi criada em 2023, reunindo 172 deputados e 10 senadores, tendo Tonietto como  coordenadora.</p>
<p>Em resposta por e-mail à Global Voices, Tonietto disse que sua proposta era uma &#8220;crítica legal legítima a um ato infralegal que excede sua jurisdição&#8221;.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">De acordo com o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.camara.leg.br/noticias/1219967-camara-aprova-projeto-que-cancela-diretrizes-sobre-aborto-em-criancas-e-adolescentes-vitimas-de-estupro" target="_blank" rel="noopener">site da Câmara</a><span style="font-size: 1.25rem;">, entre outros pontos, a proposta se referia à resolução que não exigiria registro policial obrigatório para garotas menores de idade que buscam abortar uma gravidez resultante de violência sexual.</span> <span style="box-sizing: border-box;">No Brasil, 14 anos é a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Idade_de_consentimento_no_Brasil#:~:text=A%20idade%20de%20consentimento%20no,12.015%2F2009%2C%20artigo%203%C2%BA." target="_blank" rel="noopener">idade legal de consentimento,</a> o que significa que garotas com menos de 14 anos têm o direito legal de interromper uma gravidez.</span> No entanto, barreiras como estigma, falta de informação, serviços limitados e treinamento inadequado dos profissionais de saúde frequentemente dificultam o acesso a um aborto seguro.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">A resolução do Conanda foi uma resposta às </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.gov.br/mulheres/pt-br/central-de-conteudos/noticias/2025/novembro/nota-sobre-o-pdl-3-2025-que-susta-diretrizes-do-conanda" target="_blank" rel="noopener">altas taxas de gravidez em meninas menores de 14 anos</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e à baixa adesão ao aborto legal, disse a presidente do Conanda, Deila Martins.</span> Quase 14 mil garotas com idades entre 10 e 14 anos engravidaram em 2023, mas apenas 154 tiveram acesso ao aborto legal, ou seja, 1,1 %, <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-05/meninas-maes-passam-de-14-mil-e-so-11-tiveram-acesso-aborto-legal" target="_blank" rel="noopener">informa a Agência Brasil</a>.</p>
<p>Os políticos que se opõem ao documento também criticaram o protocolo proposto para casos em que a vítima e seu guardião legal discordam sobre o aborto. Argumentando que a resolução estabelece &#8220;um mecanismo de decisão que não está previsto na lei brasileira&#8221;, Tonietto disse à Global Voices que a resolução &#8220;substitui a regra geral de autonomia familiar&#8221;.</p>
<p>Mas Martins defende o protocolo que busca proteger a autonomia de menores grávidas vítimas de abuso sexual. &#8220;Na maioria das vezes, mais de 60% dos abusadores, e em alguns territórios, quase 80%, são da família da vítima&#8221;, disse Martins à Global Voices, citando pais, mães, tios e padrinhos como violentadores e cúmplices. &#8220;Não se pode exigir o consentimento dos pais, pois isso revitimiza a vítima e frequentemente impede a criança de exercer seu direito ao aborto.&#8221;</p>
<p>Tonietto não respondeu a uma pergunta sobre a prevalência de abusadores familiares e a revitimização em um documento enviado à Global Voices.</p>
<p>Este é o exemplo mais recente de como a  extrema direita brasileira usa o aborto para impulsionar sua agenda. <span style="font-size: 1.25rem;">Ao utilizar ferramentas democráticas, como projetos de lei e blocos legislativos como plataformas, os políticos de direita, na última década, têm defendido o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=2425262&amp;filename=PL%201904/2024" target="_blank" rel="noopener">reconhecimento jurídico do feto,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> espalhado informações falsas sobre uma condição médica não reconhecida chamada &#8220;</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://apublica.org/2025/09/vereadores-do-pl-uniao-e-mdb-tentam-aprovar-leis-sobre-sindrome-pos-aborto/" target="_blank" rel="noopener">síndrome do pós-aborto</a><span style="font-size: 1.25rem;">&#8221; e ameaçado vítimas de violência sexual que buscam seus direitos de aborto com </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.camara.leg.br/noticias/1071458-projeto-de-lei-preve-pena-de-homicidio-simples-para-aborto-apos-22-semanas-de-gestacao/#:~:text=Direitos%20Humanos-,Projeto%20de%20lei%20prev%C3%AA%20pena%20de%20homic%C3%ADdio%20simples,ap%C3%B3s%2022%20semanas%20de%20gesta%C3%A7%C3%A3o&amp;text=O%20Projeto%20de%20Lei%201904,de%20gravidez%20resultante%20de%20estupro." target="_blank" rel="noopener">a criminalização.</a></p>
<h3>Como a desinformação mobiliza o eleitorado</h3>
<div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/1000263032-800x451.jpg" alt="Um grupo de mulheres reunidas em uma escadaria na frente de um prédio segura fotos de políticos. Algumas delas também seguram bandeiras verdes e roxas." width="800" height="451" /><p class="wp-caption-text">Durante um protesto no Rio de Janeiro, mulheres exibiram fotos de políticos que votaram para bloquear a resolução do Conanda. Foto de Nicole Froio, usada sob permissão.</p></div>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Embora a história dos ataques ao aborto legal no Brasil seja extensa, a onda atual começou em 2007, quando deputados federais <a href="https://catarinas.info/web-stories/por-que-o-estatuto-do-nascituro-nunca-virou-lei-relembre-o-historico-do-pl-inconstitucional/" target="_blank" rel="noopener">propuseram uma lei</a> que alteraria o Código Penal brasileiro para classificar o <a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2022/12/o-que-e-o-estatuto-do-nascituro-e-como-o-projeto-pode-anular-direito-ao-aborto-legal-no-brasil-clblabvp30086017vcmezfhcg.html" target="_blank" rel="noopener">aborto como crime hediondo</a>, banindo o direito em todos os casos e também proibindo o congelamento, o descarte e o comércio de embriões humanos.</span></p>
<p>A lei não foi aprovada, mas serviu de modelo para a legislação antiescolha e para movimentos políticos que buscam reduzir direitos relativos ao aborto legal. <span style="font-size: 1.25rem;">Atualmente, a </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-mulher/saude-sexual-e-reprodutiva/interrupcao-gestacional-prevista-em-lei" target="_blank" rel="noopener">lei brasileira autoriza</a><span style="font-size: 1.25rem;"> o aborto em três casos: quando a gravidez resulta de estupro, quando a gravidez representa risco à vida da mulher e em casos de </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.cdc.gov/birth-defects/about/anencephaly.html" target="_blank" rel="noopener">anencefalia</a><span style="font-size: 1.25rem;">.</span></p>
<p>Durante o governo de extrema direita do ex-presidente <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Jair_Bolsonaro" target="_blank" rel="noopener">Jair Bolsonaro</a>, servidores públicos federais foram <a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2022/12/09/pgr-arquiva-damares.htm" target="_blank" rel="noopener">acusados</a> de <a href="http://chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1934185">tentar impedir que uma garota de 10 anos tivesse acesso a serviços de aborto</a>, enquanto o Conanda passou por uma diminuição de seus membros e enfrentou tentativas de impedir suas reuniões. &#8220;Ele cortou os fundos para reuniões presenciais [durante a pandemia]&#8221;, Martin relembra.</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Apesar da <a href="https://pt.globalvoices.org/2023/01/31/lula-volta-a-um-pais-dividido-em-retorno-historico-como-presidente-do-brasil/" target="_blank" rel="noopener">eleição de um governo de esquerda em 2022</a>, com <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_In%C3%A1cio_Lula_da_Silva" target="_blank" rel="noopener">Luiz Inácio Lula da Silva</a>, os ataques aos direitos de aborto constitucionalmente protegidos continuaram.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">A falsa narrativa de que Lula era a favor do aborto foi </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63265227" target="_blank" rel="noopener">explorada por seus oponentes</a><span style="font-size: 1.25rem;"> para atrair eleitores cristãos, tornando-se uma questão central durante a campanha.</span> No entanto, meses depois da eleição, ele apoiou o aborto como <a href="https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/noticia/2022/04/06/lula-sobre-aborto-deveria-ser-transformado-numa-questao-de-saude-publica-e-todo-mundo-ter-direito.ghtml" target="_blank" rel="noopener">questão de saúde pública</a>. <span style="box-sizing: border-box;">Enquanto isso, o líder evangélico <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Silas_Malafaia" target="_blank" rel="noopener">Silas Malafaia</a> o chamou de &#8220;<a href="https://www.youtube.com/watch?v=YhSKNfdFGQM" target="_blank" rel="noopener">imbecil e idiota&#8221;</a> e defendeu, em seu canal no YouTube, o reconhecimento jurídico do feto.</span> <span style="font-size: 1.25rem;">Em uma tentativa de apaziguar os evangélicos poucas semanas antes da eleição, Lula publicou uma </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2022/noticia/2022/10/19/lula-se-reune-com-liderancas-de-igrejas-evangelicas-em-sao-paulo.ghtml" target="_blank" rel="noopener">carta aberta,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> na qual se comprometia a não expandir os direitos ao aborto.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">De acordo com um </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://azmina.com.br/reportagens/projetos-leis-impoem-retrocessos-direitos-reprodutivos/" target="_blank" rel="noopener">relatório publicado em 2024</a><span style="font-size: 1.25rem;"> pela organização de notícias </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://azmina.com.br/" target="_blank" rel="noopener">AzMinas</a><span style="font-size: 1.25rem;">, projetos de lei que buscam restringir os direitos ao aborto legal no Brasil têm aumentado nos âmbitos municipal, estadual e federal.</span> <span style="font-size: 1.25rem;">Em um </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://azmina.com.br/reportagens/vereadores-pelo-pais-tentam-barrar-o-acesso-ao-aborto-legal/" target="_blank" rel="noopener">relatório de 2025</a><span style="font-size: 1.25rem;">,  aponta-se que, de 2017 a 2024, foram apresentados 103 projetos desse tipo no país.</span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Estes projetos frequentemente criam incerteza legal para profissionais de saúde, pois interferem com seu trabalho e aumentam o estigma em torno do aborto legal&#8221;, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://azmina.com.br/reportagens/vereadores-pelo-pais-tentam-barrar-o-acesso-ao-aborto-legal/" target="_blank" rel="noopener">escreveu, na época,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> a jornalista feminista da AzMinas, Maria Paula Monteiro.</span><span style="font-size: 1.25rem;">&#8220;</span>É um ataque para enfraquecer os direitos reprodutivos.&#8221;</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">De acordo com um </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://netlab.eco.ufrj.br/en/post/protect-our-children-pl-1904-leads-debate-on-abortion-in-2024" target="_blank" rel="noopener">relatório do NetLab,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> de maio de 2025, um laboratório de pesquisa da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o aborto tem sido um tema central na intensificação da polarização política no Brasil.</span> O relatório revela que ele foi usado em &#8220;campanhas de desinformação e como justificativa para ataques à opinião institucional, legislativa e pública&#8221; em 2024, ano em que ocorreram <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_municipais_no_Brasil_em_2024" target="_blank" rel="noopener">eleições municipais no país</a>. O relatório destaca mensagens de WhatsApp que afirmavam que o aborto e seus defensores estavam diretamente ligados ao diabo. &#8220;O aborto é entendido como um símbolo de uma batalha espiritual e política, na qual os valores cristãos estão em risco&#8221;, conclui.</p>
<p>De acordo com a legislação brasileira, legisladores municipais e prefeitos não têm o poder de legislar sobre direitos relacionados ao aborto; ainda assim, a condenação moral ajuda a conquistar votos.</p>
<p>O <a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=2849640&amp;filename=PDL%203/2025" target="_blank" rel="noopener">texto enviado por Tonietto</a> diz que os protocolos do Conanda forçam &#8220;uma submissão quase compulsória ao procedimento de aborto&#8221; e invertem as conclusões médicas atuais sobre os riscos à saúde de uma gravidez precoce, afirmando que o aborto &#8220;pode causar sérios riscos à vida da mulher grávida que, sob a legislação atual, não pode tomar suas próprias decisões&#8221;.</p>
<p>Embora Tonietto use a palavra &#8220;mulher&#8221; em sua proposta, a resolução do Conanda diz respeito a meninas grávidas. De acordo com a <a href="https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/adolescent-pregnancy" target="_blank" rel="noopener">Organização Mundial da Saúde (OMS)</a>, mães adolescentes com idades entre 10 e 19 anos enfrentam maiores riscos de eclâmpsia, endometrite puerperal e infecções sistêmicas do que mulheres entre 20 e 24 anos. <span style="font-size: 1.25rem;">Além disso, a </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/adolescent-pregnancy" target="_blank" rel="noopener">OMS alerta</a><span style="font-size: 1.25rem;"> que bebês de mulheres adolescentes estão mais sujeitos a baixo peso ao nascer, a parto prematuro e a condições neonatais graves.</span></p>
<p>Para a presidente do Conanda, esse movimento pode acarretar a falta de proteção às meninas vítimas de violência sexual, favorecendo abusadores e pedófilos. &#8220;Querem continuar a tradição de silêncio e de invisibilidade em torno desse problema&#8221;, ela diz.</p>
<h3>Efeitos reais</h3>
<div style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/1000263041-scaled-e1772644687808-800x569.jpg" alt="Manifestantes seguram um cartaz dizendo:, ‘Evangélicas em defesa da vida de meninas e mulheres. CRIANÇA NÃO É MÃE!!!&quot;. Foto de Nicole Froio, usada com permissão." width="800" height="569" /><p class="wp-caption-text">Manifestantes seguram um cartaz com a frase: &#8220;Evangélicas em defesa da vida de meninas e mulheres. CRIANÇA NÃO É MÃE&#8221;. Foto de Nicole Froio, usada sob permissão.</p></div>
<p>Os defensores temem que o caos criado pelos apoiadores da suspensão fará com que  menos meninas procurem os serviços de que precisam. &#8220;Nós já estamos recebendo mensagens de profissionais de saúde e de outros parceiros que pensam que o aborto legal para menores foi proibido&#8221;, disse Laura Molinari à Global Voices. Ela é diretora executiva da <a href="https://www.instagram.com/nempresanemmorta/?hl=en" target="_blank" rel="noopener">Nem Presa Nem Morta</a>, uma campanha que defende a descriminalização do aborto legal e seguro.</p>
<p>Este é o tipo de barreira de acesso que a resolução do Conanda buscou superar: a desinformação. Molinari aponta que espalhar desinformação por meio de ações políticas é uma tática comum da direita. &#8220;A confusão em si é benéfica para eles.&#8221;</p>
<p>O acesso ao aborto para menores vítimas de abuso sexual é precário, com poucos  profissionais de saúde habilitados a prestar esse serviço, e também faltam protocolos unificados para atender essas vítimas. <span style="font-size: 1.25rem;">Apenas 4% das cidades do Brasil têm instalações para realizar abortos legais, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2025-04/barreiras-travam-aborto-legal-no-brasil-diz-instituto-ligado-a-oms" target="_blank" rel="noopener">conforme dados enviados pelo Instituto O&#39;Neill</a><span style="font-size: 1.25rem;"> à Suprema Corte — </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2025-04/barreiras-travam-aborto-legal-no-brasil-diz-instituto-ligado-a-oms" target="_blank" rel="noopener">88 clínicas públicas</a><span style="font-size: 1.25rem;"> em 55 cidades —, o que representa uma barreira geográfica significativa para a maioria da população.</span></p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Em 2024, quando um <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2025/10/15/proibicao-de-aborto-a-partir-da-22a-semana-de-gestacao-avanca-na-cdh" target="_blank" rel="noopener">projeto de lei</a> procurou alterar o Código Penal para equiparar o aborto ao assassinato se realizado após a vigésima segunda semana de gravidez, a enfermeira especialista em saúde Lígia Maria, que presta serviços de aborto em um hospital público em Brasília, notou um número significativo de pacientes que perguntavam se seriam condenadas criminalmente pelo procedimento.</span></p>
<p>O hospital de Maria já havia sido alvo de assédio e ameaças por prestar esses serviços. &#8220;Agora, nós estamos preocupados com pacientes que não procuram os serviços de aborto por causa dessa desinformação&#8221;, disse Maria. &#8220;Nós nos preocupamos com o fato de elas nem sequer virem fazer perguntas.&#8221;</p>
<p>Em 2025, o movimento para bloquear a resolução provocou protestos em diversas regiões do país. Os manifestantes disseram que os políticos a favor eram &#8220;pedófilos&#8221; e &#8220;inimigos das crianças&#8221;, reavaliando os efeitos do bloqueio como prejudiciais aos direitos das crianças.</p>
<p>Lígia Maria, no entanto, acredita que a reação pode mascarar a ineficácia real da tentativa de bloqueio. Ela também enfatiza que o resultado deveria ter sido visto como um chamado a reconhecer o papel do Conanda na defesa dos direitos das crianças, e não uma vitória dos conservadores.&#8221;Parece que estamos dando munição à extrema direita ao confirmarmos sua afirmação de vitória&#8221;, ela disse.</p>
<div class='gv-promo-card-container'><article class='gv-promo-card'><div class='gv-promo-card-image'><img fetchpriority="high"  decoding="async" class='featured-image ' alt='Noor Logo' src='https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/NOOR_MAGENTA.webp' /></div><div class='gv-promo-card-text'></p>
<h4>Feminist Justice Fellowship</h4>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Produzido pelo Feminist Journalist Fellowship, este artigo faz parte de uma série que destaca o trabalho de nossas parceiras, desenvolvido em colaboração com a Global Voices e a </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="http://wearenoor.org" target="_blank" rel="noopener">Noor</a><span style="font-size: 1.25rem;">.</span> </div></article></div>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/nicole-froio/' class='user-link'>Nicole Froio</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/isabela-torezan/' class='user-link'>Isabela Torezan</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/03/07/how-far-right-fear-tactics-affect-girls-seeking-legal-abortion-in-brazil/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/Nicole-800x600-1-400x300.png" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Construída para todos? Inteligência artificial e a comunidade LGBTQ+</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/06/07/construida-para-todos-inteligencia-artificial-e-a-comunidade-lgbtq/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marcos Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2026 08:00:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bélgica]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[Europa Ocidental]]></category>
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		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[“Muitos problemas podem ser rastreados até os dados usados para treinar modelos, que muitas vezes estão repletos de estereótipos e equívocos sobre as pessoas LGBTQ+,”]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Grande parte das informações disponíveis aos modelos sobre a comunidade LGBTQ+ é influenciada por estereótipos</em></big></p><div id="attachment_846454" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-846454" class="wp-image-846454 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/pexels-painted-face-rainbow-colors.jpg" alt="Face painted in rainbow colours. Photo by Alexander Grey on Pexels" width="800" height="533" /><p id="caption-attachment-846454" class="wp-caption-text"><a href="https://www.pexels.com/photo/person-with-body-painting-1209843/">Foto</a> por <a href="https://www.pexels.com/@mccutcheon/">Alexander Grey</a> no <a href="https://www.pexels.com/">Pexels</a></p></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A cada ano que passa, a inteligência artificial (IA) parece estar cada vez mais incorporada no nosso dia a dia. Ao redor do mundo, as pessoas estão se familiarizando com as particularidades dessa inovação. Elas também estão começando a ver suas potenciais vantagens. Recentemente, uma pesquisa global conduzida pela Ipsos, uma empresa de pesquisa de mercado, revelou que </span><a href="https://www.ipsos.com/sites/default/files/ct/news/documents/2024-06/Ipsos-AI-Monitor-2024-final-APAC.pdf"><span style="font-weight: 400;">55% dos entrevistados</span></a><span style="font-weight: 400;"> sentiram que as soluções baseadas em IA oferecem mais benefícios do que desvantagens. Resultados como esse deixam claro que, apesar da ansiedade em torno dessa tecnologia, o público continua intrigado com o que ela pode fazer. As empresas notaram essa percepção e estão vendendo seus produtos enfatizando sua eficiência e usabilidade. Dada a forma como o investimento privado em IA </span><a href="https://hai.stanford.edu/ai-index/2025-ai-index-report/economy"><span style="font-weight: 400;">aumentou</span></a><span style="font-weight: 400;"> na última década, as evidências sugerem que os consumidores compraram esse discurso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, nem todos estão convencidos. Membros da comunidade lésbica, gay, bissexual, transgênero e queer+ (LGBTQ+) têm prestado mais atenção às desvantagens associadas à IA</span><span style="font-weight: 400;">. Muitos problemas podem ser rastreados até os dados usados para treinar modelos, que muitas vezes estão repletos de estereótipos e equívocos sobre as pessoas LGBTQ+. No entanto, os impactos &#8220;offline&#8221; da IA podem ser igualmente alarmantes. A incorporação da tecnologia em sistemas projetados especificamente para identificar e vigiar os membros da comunidade, por exemplo, é uma das primeiras coisas a vir à mente. Do desenvolvimento à implantação, essas questões ilustram como as ferramentas aprimoradas por IA costumam ser mais prejudiciais do que úteis para a comunidade LGBTQ+. Sem medidas de proteção adequadas para o uso dessa tecnologia, muitos podem achar que ela é consideravelmente mais perigosa do que eficaz. </span><b><br />
</b><b></b></p>
<h3>Digitalizando estereótipos estabelecidos</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Para entender como a IA pode afetar negativamente os indivíduos LGBTQ+, é importante começar pelos dados que alimentam os modelos. A “</span><a href="https://www.wired.com/story/artificial-intelligence-lgbtq-representation-openai-sora/"><span style="font-weight: 400;">Wired</span></a><span style="font-weight: 400;">” destacou que, quando solicitadas a retratar membros da comunidade, as ferramentas populares de geração de imagem produziram resultados redutivos. Por exemplo, a ferramenta <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Midjourney">Midjourney</a> frequentemente retratava mulheres lésbicas como figuras austeras com inúmeras tatuagens. Dados extraídos da internet podem ser os culpados por essas representações extremamente simplistas (e ofensivas) da vida queer. Grande parte das informações disponíveis aos modelos sobre a comunidade LGBTQ+ é influenciada por estereótipos. Como resultado, ferramentas como a Midjourney estão extremamente propensas a reproduzir essas visões enviesadas em suas imagens. Embora métodos alternativos, como a rotulagem de dados aprimorada (<a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Labeled_data">data labeling</a>), possam aumentar a precisão do modelo, podem ser insuficientes devido à grande quantidade de conteúdo depreciativo encontrado online. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Retratos falhos da comunidade LGBTQ+ por modelos de IA não são um problema isolado. Na verdade, muitas das ferramentas de IA que dominam o mercado geram resultados distorcidos em relação a esse grupo. Em um relatório que avalia os pressupostos orientadores que definem os grandes modelos de linguagem (LLMs), a </span><a href="https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000388971"><span style="font-weight: 400;">Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO)</span></a><span style="font-weight: 400;"> identificou que as ferramentas amplamente utilizadas, como a Lhama 2 da Meta e o GPT-2 da OpenAI, são moldadas por atitudes heteronormativas. De acordo com a pesquisa, esses LLMs criaram conteúdo negativo sobre pessoas gays em mais da metade do tempo de suas simulações. As descobertas da UNESCO não apenas ressaltam a homofobia generalizada no treinamento de dados consumidos por soluções proeminentes de IA generativa; elas também mostram a incapacidade dos principais desenvolvedores de abordar efetivamente essa questão de amplo impacto.</span></p>
<h3>Reforço da vigilância pública</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">O dano que a IA pode impor sobre indivíduos LGBTQ+ não se limita ao espaço digital. Sistemas que utilizam a IA, os quais supostamente detectam o gênero daqueles que frequentam espaços públicos, tem chamado muita atenção. A </span><a href="https://www.forbidden-colours.com/wp-content/uploads/2024/01/240130-Report-on-LGBTIQ-AI.pdf"><span style="font-weight: 400;">Forbidden Colours</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma ONG belga pela defesa dos direitos LGBTQ+, enfatizou os desdobramentos problemáticos das ferramentas de IA para o &#8220;reconhecimento automático de gênero&#8221; (AGR). As soluções AGR analisam conteúdo audiovisual, como imagens de câmeras de segurança, para tirar conclusões sobre o gênero de uma pessoa, utilizam-se de elementos como suas características faciais e padrões vocais. Esses sistemas de ponta são inerentemente problemáticos. Como afirma a organização, é impossível detectar como uma pessoa compreende seu gênero estudando exclusivamente como ela se parece ou fala. Nesse sentido, construir soluções que classifiquem os indivíduos usando essas características arbitrárias é, na melhor das hipóteses, equivocado e, na pior, perigoso.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de falhas evidentes, os sistemas AGR têm seus defensores. Particularmente, os governos expressamente antagônicos à comunidade LGBTQ+ adotaram essas ferramentas, com muitos justificando suas decisões em nome da segurança pública. </span><span style="font-weight: 400;">Por exemplo, o “</span><a href="https://www.politico.eu/article/hungary-eu-watchlist-facial-recognition-surveillance-lgbtq-pride/"><span style="font-weight: 400;">Politico Europe</span></a><span style="font-weight: 400;">” informou como o primeiro-ministro húngaro </span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Viktor_Orb%C3%A1n"><span style="font-weight: 400;">Viktor Orbán</span></a><span style="font-weight: 400;"> sancionou o uso de monitoramento biométrico habilitado por IA em eventos locais do Orgulho LGBTQ+. O político de extrema-direita afirmou que tais medidas protegeriam as crianças das pautas LGBTQ+. Na verdade, a medida permite que o governo e seus aliados na lei vigiem artistas, ativistas e cidadãos comuns nesses eventos. Embora essa política esteja sendo revista pelas instituições da União Europeia, sua implementação serve como um forte lembrete de como a IA pode ser usada para intimidar líderes LGBTQ+ que se mobilizam para a mudança.</span></p>
<h3>Alterando a equação</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os membros da comunidade LGBTQ+, as compensações relacionadas à IA são íngremes. Embora essa tecnologia inovadora possa ter pontos positivos para a população em geral, ela apresenta desafios específicos que podem impactar desproporcionalmente usuários queer. Ferramentas comuns, tais como geradores de imagens e textos, foram encontradas circulando narrativas prejudiciais recorrentes sobre a vida LGBTQ+, que são difíceis de eliminar. Fora do mundo digital, a implantação da IA em espaços offline também apresenta riscos significativos. Sua incorporação aos sistemas de vigilância, muitas vezes com o objetivo explícito de rotular os gêneros daqueles pegos na armadilha, coloca-se como uma afronta à privacidade individual. Reunidos, esses exemplos demonstram como muitas das ferramentas de IA que remodelaram nossas experiências do dia a dia não foram projetadas com todos os tipos de pessoas em mente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Líderes de todos os setores devem tomar medidas para reverter essa tendência. Começando por parcerias entre desenvolvedores e partes interessadas na comunidade LGBTQ+. A colaboração construtiva pode ajudar a garantir que os dados de treinamento usados pelos modelos de IA reflitam com mais precisão as realidades vividas por pessoas queer. Também deve incluir garantias robustas para evitar o uso indevido de IA na vigilância da comunidade. Sistemas equipados com recursos de detecção de gênero devem ser estritamente proibidos, pois eles reduzem o direito de um indivíduo à privacidade. </span><span style="font-weight: 400;">Criticamente, </span><span style="font-weight: 400;"><span style="box-sizing: border-box;"><a href="https://www.openglobalrights.org/risks-limitations-artificial-intelligence-sexual-gender-diverse-community/" target="_blank" rel="noopener">a contribuição de indivíduos LGBTQ+ deve ser solicitada </a>em todas as fases de desenvolvimento de uma ferramenta</span>. Essa cooperação não apenas reduziria os inúmeros danos apresentados pela IA, mas também aumentaria a probabilidade de os membros dessa comunidade começarem a ver a tecnologia como um valor agregado.</span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/aaronspitler/' class='user-link'>Aaron Spitler</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/marcos-henrique-santiago-celestino/' class='user-link'>Marcos Henrique</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2025/11/18/built-for-all-artificial-intelligence-and-the-lgbtq-community/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/11/pexels-painted-face-rainbow-colors-400x300.jpg" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Lixo como recurso: como comunidades em Moçambique transformam resíduos em soluções climáticas</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/06/02/lixo-como-recurso-como-comunidades-em-mocambique-transformam-residuos-em-solucoes-climaticas-e-meios-de-subsistencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tirso Sitoe]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 18:00:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Governança]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
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					<description><![CDATA[Comunidades moçambicanas estão a transformar lixo em arte, renda e ativismo ambiental, usando reciclagem, música e criatividade para enfrentar desigualdades urbanas e desafios climáticos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Transformando lixo em resistência, criatividade e soluções climáticas nas comunidades moçambicanas</em></big></p><div id="attachment_122725" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122725" class="wp-image-122725 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-tomfisk-4454065-scaled.jpg" alt="Foto tirada por Tom Fisk. Banten, Indonésia" width="2560" height="1709" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-tomfisk-4454065-scaled.jpg 2560w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-tomfisk-4454065-400x267.jpg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-tomfisk-4454065-800x534.jpg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-tomfisk-4454065-1536x1026.jpg 1536w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-tomfisk-4454065-2048x1367.jpg 2048w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/pexels-tomfisk-4454065-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><p id="caption-attachment-122725" class="wp-caption-text"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Foto tirada por Tom Fisk. Banten, Indonésia: <a href="https://www.pexels.com/pt-br/foto/escavadeira-draga-lixo-plastico-4454065/">Pexels</a>.</span></span></p></div>
<p><em>Esta publicação faz parte da série de Destaques do Global Voices de maio de 2026, “<a href="https://globalvoices.org/special/positive-action-on-climate/">Crise global, soluções locais</a>”. Esta série trará histórias de resistência e ações climáticas bem-sucedidas, perspectivas sobre como as comunidades do Sul Global estão enfrentando a crise, análises sobre o que isso pode significar para as gerações futuras e muito mais. Você pode apoiar esta cobertura fazendo uma doação <a href="https://globalvoices.org/2026/04/16/support-the-global-voices-spotlight-positive-action-on-climate/">aqui</a>.</em></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Num contexto marcado pela rápida urbanização, sistemas frágeis de gestão de resíduos, desemprego juvenil e crescente vulnerabilidade climática, artistas, ativistas, músicos e empreendedores comunitários em </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Moçambique,</span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> vem desenvolvendo respostas locais para enfrentar uma crise ambiental. Através da reciclagem, da arte, da música e da educação ambiental, esses atores buscam desafiar a percepção tradicional do lixo e demonstrar que aquilo que é descartado pode ser </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">transformado em ferramentas de sobrevivência, expressão artística, crítica social e resistência climática</span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Em cidades como </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Maputo"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Maputo</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, os resíduos sólidos tornaram-se parte visível da paisagem urbana. Garrafas plásticas entopem sistemas de drenagem durante períodos de chuva intensa, pneus usados ​​acumulam-se em contentores e espaços vazios, enquanto lixeiras informais continuam a crescer em bairros periféricos num contexto em que na </span></span><a href="https://www.dw.com/pt-002/um-mundo-%C3%A0-parte-a-lixeira-de-hulene/g-18137565"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">lixeira do Hulene</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> se vive um</span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> mundo à parte.</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Apesar dos esforços municipais, </span></span><a href="https://www.dw.com/pt-002/crise-do-lixo-em-maputo-mun%C3%ADcipes-sofrem-com-falta-de-recolha/a-67934635"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">a recolha e gestão de resíduos continuam a ser insuficientes em várias zonas urbanas </span></span></a></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">é</span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> neste </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">cenário, que as iniciativas comunitárias como </span></span><a href="https://noticias.mmo.co.mz/2025/07/escolas-primarias-de-maputo-recebem-ecopontos-para-promover-educacao-ambiental.html"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ecopontos</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> que surgiram como alternativas para enfrentar desafios ambientais e sociais ao mesmo tempo.</span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<h3><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Pneus descartados transformados em oportunidade</span></span></span></span></span></span></span></span></h3>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Para </span></span><a href="https://mozavibe.co.mz/pt_PT/tag/vania-goncalo/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Vania Gonçalo</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> , ativista ambiental, o reaproveitamento de pneus começou como resposta a um problema que observava diariamente nas ruas da cidade de Maputo. </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Em 2019, decidi criar uma iniciativa voltada para a reutilização de pneus descartados, depois de perceber que, embora o debate ambiental em Moçambique fosse fortemente centrado no plástico, os pneus também representavam um problema ambiental significativo. </span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A partir daí, Vania começou a recolher pneus abandonados em bairros, estradas e contentores de lixo. Após a coleta, os materiais passam por processos de lavagem, desinfecção e transformação. Os pneus são convertidos em mesas, puffs, vasos, casas para animais domésticos e outros objetos decorativos. </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O processo combina criatividade, sustentabilidade e empreendedorismo. Dependendo da estrutura do pneu, diferentes técnicas são utilizadas com tecidos, madeira, cordas, esponjas, tintas e outros materiais reciclados. Para Gonçalo, o projeto vai além da reciclagem. Trata-se também de sensibilizar jovens e comunidades sobre responsabilidade ambiental. </span></span></span></span></span></span></span></span>Afirma:</p>
<blockquote><p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Queríamos mostrar à sociedade que aquilo que é jogado fora ainda pode ser reutilizado e transformado em algo valioso e</span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> em muitos bairros, os pneus são simplesmente queimados ou abandonados. Queríamos mostrar que é possível reutilizá-los sem necessidade de maquinaria cara ou processos industriais.</span></span></span></span></span></span></span></span></p></blockquote>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A iniciativa também revela desigualdades urbanas relacionadas com o lixo. Em bairros periféricos, os pneus usados ​​frequentemente ganham novos usos informativos, como brinquedos para crianças, assentos improvisados ​​ou estruturas para pequenos parques comunitários. Já em zonas centrais da cidade, são geralmente tratados apenas como resíduos administrados.</span></span></span></span></p>
<div id="attachment_122776" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122776" class="wp-image-122776 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.48.20.webp" alt="Atelier de costura de Vânia Gonçalo em Maputo, Moçambique, em 2021. Foto: Herman Macamo &amp; Tirso Sitoe/Uso autorizado" width="1280" height="960" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.48.20.webp 1280w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.48.20-400x300.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.48.20-800x600.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.48.20-1200x900.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /><p id="caption-attachment-122776" class="wp-caption-text">Atelier de costura de Vânia Gonçalo em Maputo, Moçambique, em 2021. Foto: Herman Macamo &amp; Tirso Sitoe/Uso autorizado</p></div>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Segundo Gonçalo, o reaproveitamento de resíduos também pode contribuir para debates sobre políticas públicas ambientais. </span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Além da produção de objetos reciclados, organizações ativistas de formação para jovens sobre reutilização de resíduos sólidos, empreendedorismo e educação ambiental. </span></span></span></span>Explica:</p>
<blockquote><p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Antes de criar políticas sobre pneus, precisamos de mais estudos científicos sobre os impactos ambientais desses resíduos. Mas futuramente isso pode influenciar políticas públicas de coleta e reaproveitamento.</span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> O trabalho não é apenas ambiental. Também cria oportunidades de renda. Quanto mais pessoas envolvidas na reutilização de resíduos, menos lixo teremos no meio ambiente.</span></span></span></span></p></blockquote>
<h3><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ar</span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">te,</span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> memória e crítica social</span></span></span></span></h3>
<div id="attachment_122777" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122777" class="wp-image-122777 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.08.webp" alt="Atelier de design de Mudungaze em Maputo, Moçambique, em 2021. Foto: Herman Macamo &amp; Tirso Sitoe/Uso autorizado" width="1280" height="960" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.08.webp 1280w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.08-400x300.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.08-800x600.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.08-1200x900.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /><p id="caption-attachment-122777" class="wp-caption-text">Atelier de design de Mudungaze em Maputo, Moçambique, em 2021. Foto: Herman Macamo &amp; Tirso Sitoe/Uso autorizado</p></div>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Para o artista moçambicano </span></span><a href="https://revistacanjere.com.br/mudungaze-e-colaborador-da-revista-canjere/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Mudungaze</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> , o lixo também possui significado político e cultural. </span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Utilizando materiais industriais descartados, sucata e objetos encontrados nas ruas, o artista cria máscaras e obras contemporâneas inspiradas em referências culturais africanas e nas dinâmicas urbanas de Maputo. O seu trabalho combina atualização com reflexões sobre identidade africana, colonialismo, memória cultural e desigualdades globais ao que chamou de</span></span></span></span><a href="https://opais.co.mz/mudungaze-expoe-mascaras-africanas/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> Máscaras africanas</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> .</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Segundo Mudungaze, parte da sua motivação, surge a necessidade de recuperar referências culturais africanas historicamente marginalizadas. </span></span></span></span>Mudungaze explica:</p>
<blockquote><p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Queria trazer a identidade africana para uma arte urbana contemporânea, usando objetos que as pessoas encontram no dia a dia, num contexto em que as pessoas foram e</span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> nsinadas durante muito tempo, que muitas práticas culturais africanas foram atrasadas ou inferiores. Hoje várias dessas ideias regressaram do Ocidente como algo moderno.</span></span></span></span></p></blockquote>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Grande parte dos materiais utilizados pelo artista vem de resíduos industriais, associados a grandes empresas e produtos importados. </span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Mudungaze contou que tentou estabelecer parcerias com empresas para reaproveitamento de materiais descartados, mas encontrou pouca abertura institucional. Ao colocar resíduos abandonados e transformar em peças, expostas em galerias e espaços culturais, o artista também desenvolve uma crítica sutil sobre desigualdades urbanas, gestão de resíduos e elitização da arte.</span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“Nós não produzimos a maior parte deste lixo, mas sofremos as consequências ambientais dele,”</span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> afirma.</span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Essa tensão entre centro urbano e periferia, também atravessa a cena artística moçambicana. Grande parte das galerias e centros culturais, continuam concentrados na zona central e capital Maputo, dificultando o acesso de artistas e públicos periféricos. Como alternativa, Mudungaze criou um espaço independente fora dos circuitos culturais tradicionais. As redes sociais também passaram a desempenhar um papel importante na divulgação do seu trabalho. Por isso ele afirma que, </span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">“Hoje as plataformas digitais permitem mostrar nosso trabalho para além das galerias físicas, explicadas.”</span></span></span></span></p>
<h3><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Rap, ativismo ambiental e mobilização digital</span></span></span></span></h3>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">As questões ambientais também são encontradas no espaço da música. </span></span><a href="https://www.dw.com/pt-002/stand-up-beira-a-m%C3%BAsica-de-apoio-%C3%A0s-v%C3%ADtimas-do-ciclone-idai/a-48354064"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Para o rapper e ativista Osvaldo Iko MC,</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> o </span></span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Hip-hop"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">hip-hop</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> pode funcionar como ferramenta de consciencialização social e ambiental. Influenciado pelo rap consciente e pelas tradições de intervenção social dentro da música, Osvaldo começou a incorporar temas ambientais nas suas letras, depois de observar o crescimento do descarte inadequado de resíduos em espaços públicos. </span></span></span></span></p>
<div id="attachment_122778" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122778" class="wp-image-122778 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.141.webp" alt="Sala de imagem de Osvaldo Iko MC em Maputo, Moçambique, em 2021. Foto: Herman Macamo &amp; Tirso Sitoe/Uso autorizado" width="1280" height="960" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.141.webp 1280w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.141-400x300.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.141-800x600.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2021-08-25-at-10.44.141-1200x900.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /><p id="caption-attachment-122778" class="wp-caption-text">Sala de imagem de Osvaldo Iko MC em Maputo, Moçambique, em 2021. Foto: Herman Macamo &amp; Tirso Sitoe/Uso autorizado</p></div>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">As </span></span><a href="https://www.facebook.com/1515240705225304/videos/o-rap-do-lets-do-it/1673794972703209/?locale=hi_IN&amp;_rdr"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">suas músicas</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> abordam temas como poluição plástica, descarte incorreto de resíduos, saneamento urbano e responsabilidade coletiva. Segundo o artista, os resíduos espalhados pela cidade revelam, não apenas problemas ambientais, mas também desigualdades sociais e fragilidades educativas.</span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A crise ambiental também é um problema social e cultural. Se as pessoas não foram formadas em responsabilidade ambiental, o problema vai continuar.</span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> O lixo ocupa os espaços públicos, isso também reflete problemas sociais, desigualdades e falhas na responsabilidade coletiva”, explica.</span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Através da música, campanhas ambientais, produção de conteúdos digitais e iniciativas de mapeamento de resíduos, Osvaldo procura envolver públicos frequentemente afastados dos debates formais sobre meio ambiente.</span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A música chega a todo lado — nos transportes, nos mercados, nas casas, nas ruas. Pode ajudar a criar consciência e mudar comportamentos”, afirma.</span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O ativismo digital também se tornou parte importante do seu trabalho. Com uso de fotografias, geolocalização e plataformas digitais, ativistas ambientais têm locais documentados de acumulação de lixo e problemas ambientais em diferentes pontos do país. Segundo Osvaldo, as redes sociais ajudam a ampliar a visibilidade das questões ambientais moçambicanas e a conectar ativistas locais com debates globais sobre mudanças climáticas. </span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ao mesmo tempo, o rapper defende que a responsabilidade ambiental não deve recair apenas sobre os municípios.</span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Estas tecnologias permitem educar, documentar e mobilizar comunidades.</span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> Existe uma tendência de culpar apenas as instituições públicas, mas a responsabilidade ambiental também pertence aos cidadãos”, afirma.</span></span></span></span></p>
<h3><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Entre vulnerabilidade climática e sobrevivência urbana</span></span></span></span></h3>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Moçambique continua entre os países mais </span></span><a href="https://www.dw.com/pt-002/altera%C3%A7%C3%B5es-clim%C3%A1ticas-nos-palop/a-73077434"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">vulneráveis ​​às mudanças climáticas, ciclones</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> , inundações, falhas nos sistemas de drenagem e gestão ambiental afectando particularmente comunidades urbanas com infraestruturas precárias e serviços limitados de gestão de resíduos. Em cidades como Maputo, </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Beira_(Mo%C3%A7ambique)"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Beira</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> e </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Nampula"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Nampula</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> , os resíduos sólidos descartados são suficientemente modestos para o enchimento de canais de drenagem e agravamento das cheias, durante períodos de chuva intensa.</span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Para muitos artistas e ativistas, a reciclagem e a reutilização de resíduos não representam apenas iniciativas ambientais ou artísticas. São também estratégias de sobrevivência, adaptação climática e resistência comunitária. Apesar da falta de financiamento estável, apoio institucional e infraestruturas adequadas, estas iniciativas continuam a crescer através de redes comunitárias, criatividade e mobilização colectiva.</span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ao transformar resíduos em arte, mobiliário, campanhas educativas e ferramentas de mobilização social, as comunidades moçambicanas demonstram como soluções locais podem contribuir para enfrentar os desafios globais. Num país onde as mudanças climáticas e a desigualdade urbana se cruzam diariamente, o lixo deixou de ser apenas lixo. Para muitos jovens, artistas e ativistas, tornou-se recurso, ferramenta de resistência e possibilidade de futuro.</span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/tirso-sitoe/' class='user-link'>Tirso Sitoe</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Nossa geração continuará resistindo às restrições impostas pelo Talibã às mulheres e meninas</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/06/01/nossa-geracao-continuara-resistindo-as-restricoes-impostas-pelo-taliba-as-mulheres-e-meninas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciana Alvim]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 18:19:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Afeganistão]]></category>
		<category><![CDATA[Ásia Central e Cáucaso]]></category>
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					<description><![CDATA[Os anos de 2020 e 2021 foram os mais gratificantes da minha vida; eu havia encontrado meu caminho e estava prestes a atingir todos os meus objetivos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>No Afeganistão, a educação se tornou uma forma de resistência contra a opressão</em></big></p><div id="attachment_850929" style="width: 1436px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-850929" class="wp-image-source-850929 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/Screenshot-2026-03-25-122412.webp" alt="Afghan girls taking a university exam." width="1436" height="752" /><p id="caption-attachment-850929" class="wp-caption-text">Estudantes afegãs fazendo prova na universidade. Captura de tela do vídeo <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ontd6nuvj-g">‘Estudantes afegãs fazendo uma prova na universidade duas semanas após o ataque à sala de </a><span style="box-sizing: border-box;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ontd6nuvj-g" target="_blank" rel="noopener">aula’</a></span> do canal do Youtube <a href="https://www.youtube.com/@AFP">AFP News Agency</a>. Uso justo.</p></div>
<p><em>Este artigo foi escrito por Fareshtah em 2025. Foi publicado com o seu consentimento em uma cobertura especial que conta as histórias de jovens mulheres e meninas do Afeganistão após a tomada do poder pelo Talibã em agosto de 2021.</em></p>
<p>Eu já sou bem familiarizada com o termo “guerra entre o Talibã e o governo&#8221; porque tenho testemunhado os acordos e conflitos entre estes dois lados desde a minha infância. Nosso destino tem sido instável devido às decisões e ações de ambos os lados.</p>
<p>Eu nasci no último ano do primeiro regime do Talibã (1996–2001) na província central de Ghor, no Afeganistão. Felizmente, tive a oportunidade de estudar após a queda deste primeiro regime. Eu ainda me lembro do primeiro dia de aula na escola; vestia um uniforme preto com um véu branco. Foi um dia muito especial!</p>
<p>Ainda não havia ingressado na universidade quando ficamos sabendo das notícias sobre o <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/United_States–Taliban_deal">acordo de paz entre os Estados Unidos e o Talibã</a> em fevereiro de 2020, e esperávamos pela paz e por um futuro melhor.</p>
<p>Finalmente, após ser admitida nos exames de aptidão, entrei na universidade. Os anos de 2020 e 2021 foram os mais gratificantes da minha vida; eu havia encontrado meu caminho e estava prestes a atingir todos os meus objetivos.</p>
<p>Estudava Sharia e Ciências Islâmicas e queria me tornar uma advogada bem-sucedida, então me matriculei em um curso de dois anos de técnicas jurídicas na Fundação Ásia e no Ministério da Educação Superior.</p>
<p>Enquanto isso, a guerra entre o Talibã e as forças do governo se intensificava. A situação de segurança estava piorando e, devido a ondas de calor extremas, as aulas de  técnicas eram ministradas tanto on-line quanto presencialmente.</p>
<p>Eu via as notícias sobre o colapso das províncias, uma após a outra, mas estava focada nos meus objetivos e em como alcançá-los. Em 13 de agosto de 2021, a guerra já havia chegado aos portões de Herat, nossa cidade natal. No dia seguinte, tentei me conectar à aula on-line em meu quarto, quando meu irmão abriu a porta e disse: &#8220;Deixa isso, está tudo acabado&#8221;.</p>
<h3>O fim dos meus sonhos</h3>
<p>Com a queda de Herat, não houve exames, apresentações nem notícias sobre as aulas ou a continuidade do curso. Todas as minhas esperanças se esvaneceram de repente diante dos meus olhos, como se tivessem sido um sonho e alguém tivesse me acordado com um golpe pesado.</p>
<p>Este golpe foi tão duro que me tirou a capacidade de falar e de chorar. Eu sentia que minha alma havia sido separada do meu corpo e que tudo o que me restava era um corpo sem vida.</p>
<p>Meu coração doía com o desejo de continuar na universidade e nas aulas de técnicas jurídicas, mas, em completo desespero, eu não conseguia fazer nada a não ser chorar.</p>
<p>Após alguns meses, as universidades particulares reabriram, mas não havia sinal de que as públicas iriam reabrir. Seis meses depois, as universidades públicas finalmente reabriram. Estudei intensivamente nos três últimos semestres e terminei minha tese. Eu deveria defender minha tese em um sábado (24 de dezembro) e me graduar em uma cerimônia na segunda-feira (26 de dezembro).</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Entretanto, na terça-feira, 20 de dezembro de 2022, <a href="https://www.savethechildren.org/us/charity-stories/taliban-ban-girls-education-female-ngo-workers" target="_blank" rel="noopener">foi emitido um decreto</a> que proibia as mulheres de frequentar as universidades.</span></p>
<p>Eu contactei meu professor, e ele disse: “Vamos, defenda sua tese porque você já se formou&#8221;.</p>
<p>Na manhã de sábado, fui feliz para a universidade porque eu tinha conseguido o direito de defender minha tese, mas ainda triste porque tantas outras estudantes tiveram que abandonar o curso.</p>
<p>Quando cheguei, um membro do Talibã bloqueou o portão e se recusou a me deixar descer do riquixá que eu havia utilizado para chegar ao local.</p>
<p>Finalmente, consegui descer e corri em direção ao portão da universidade, mas o tal membro ficou parado à minha frente, com uma arma.</p>
<p>Eu o ignorei e tentei me aproximar do portão. Ele pegou a alça da bolsa do meu notebook, puxou-a violentamente e disse: &#8220;Você não entende o que eu estou falando? Devo explodir o seu cérebro?&#8221;!</p>
<p>Ele atirou para o alto e um zumbido desagradável e estranho ecoou nos meus ouvidos.</p>
<p>Alguém que passava por ali veio na minha direção e disse: &#8220;Irmã, por favor, vá embora&#8221;. Ele era um dos guardas da universidade que eu conhecia. Saí dali e fui à editora Shame Danesh Publishing House. Assim que entrei, explodi de raiva e chorei muito. Minhas lágrimas eram um oceano que não secava.</p>
<p>Nem me importei se as pessoas me viram chorar enquanto saía de lá. Eu estava andando de volta para casa, aos prantos, quando ouvi meu celular tocar.</p>
<p>Era o meu pai, e ele perguntou: &#8220;Você terminou a defesa da sua tese? Como foi?&#8221;. Chorando, quase sem fôlego, eu lhe contei o ocorrido. Ele me confortou, contou sobre as privações e torturas que havia sofrido e me aconselhou a ser paciente e a perseverar.</p>
<h3>Mudando minhas metas</h3>
<p>Cheguei em casa, dormi um pouco e comecei a pesquisar sobre cursos on-line e oportunidades educacionais, mas, como não encontrei nenhuma boa oportunidade, passei a ler livros.</p>
<p>Eu participava de um grupo de leitura para mulheres duas vezes por semana. Nós líamos livros diferentes, mas desta vez eu realmente precisava de um livro sobre ajuda emocional e psicológica.</p>
<p>Visitei o grupo e vi o nome do livro: &#8220;<em>O morro dos ventos uivantes</em>&#8220;. A leitura dele me deu motivação para recomeçar e me ajudou a me sentir renovada. Quase um ano após concluir o bacharelado, consegui defender minha tese online.</p>
<p>Mas eu não tinha mais o mesmo entusiasmo, porque meus objetivos tinham sido completamente desviados do caminho original. Teria que estabelecer novas metas. Eu comecei a estudar, pesquisar e participar de programas de estudo online.</p>
<p>Iniciei meus cursos de computação e inglês on-line, mas, após alguns meses, foram cancelados devido às restrições do Talibã e, desde então, não soube mais nada sobre eles.</p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Foi promulgado um decreto que permitia às meninas frequentar cursos educacionais, e também me matriculei em um curso presencial, mas rapidamente descumpriram a promessa e o curso foi <a href="https://reliefweb.int/report/afghanistan/impacts-talibans-ban-womens-work-and-education" target="_blank" rel="noopener">novamente banido</a>.</span></p>
<p>Nos últimos três anos, tenho participado de vários programas, treinamentos e conferências on-line porque meu emprego ideal não está disponível no momento.</p>
<p>Eu me dei conta de que a raiz de todos estes problemas é a falta de consciência. Há mais de dois anos, tenho lecionado em escolas on-line para meninas que não têm tido acesso à educação;  também comecei a lecionar cursos sobre a cultura islâmica na universidade.</p>
<p>Quero lutar contra a injustiça e a ignorância do meu modo. Seja ao transferir um pouco do meu conhecimento ao ler uma linha de um livro, por meio da escrita, ou até mesmo ao enraizar a esperança e ver suas sementes florescerem no meu coração e nos corações dos meus semelhantes.</p>
<p>Espero por um futuro melhor e mais brilhante para o meu país. Nossa geração, que sofreu esta injustiça e ignorância, nunca dará à luz uma criança que se submeta ao opressor e ao ignorante. Não se permitirá que, pela terceira vez na história, uma experiência tão amarga se repita.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/gv-central-asia-and-caucasus/' class='user-link'>GV Central Asia and Caucasus</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/luciana-alvim/' class='user-link'>Luciana Alvim</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/03/30/our-generation-will-continue-resisting-the-talibans-restrictions-on-women-and-girls/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/Screenshot-2026-03-25-122412-400x300.webp" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Brasil: Um alerta sobre como a IA e os deepfakes podem se tornar um “risco excessivo” para mulheres e meninas</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/05/27/brasil-um-alerta-sobre-como-a-ia-e-os-deepfakes-podem-se-tornar-um-risco-excessivo-para-mulheres-e-meninas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juliana Stroebel]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 15:28:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Lei]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres e Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma nota técnica do Internetlab aborda os avanços das tecnologias de geração de imagens e os riscos de violência de gênero na internet, assim como a responsabilidade das plataformas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Organização alerta para a necessidade de regulamentação face aos casos de violência de gênero no país</em></big></p><div id="attachment_852061" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-852061" class="wp-image-source-852061 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/Untitled-design-1.webp" alt="Image shows a person's silhouette and several avatars coming out of an algorithm type of sphere " width="800" height="600" data-wp-editing="1" /><p id="caption-attachment-852061" class="wp-caption-text">Imagem criada no Canva para a Global Voices.</p></div>
<p><em>Esta publicação faz parte da série especial de abril de 2026 da Global Voices, &#8220;<a href="https://globalvoices.org/special/human-perspectives-on-ai/">Perspectivas humanas sobre IA</a>&#8220;. Esta série oferecerá percepções de como a IA está sendo utilizada nos países de maioria global, como seu uso e implementação estão afetando as comunidades individuais, o que esse experimento de IA pode significar para as gerações futuras e muito mais. Você pode apoiar esta cobertura fazendo uma doação <a href="https://globalvoices.org/2026/04/03/support-our-first-global-voices-spotlight-issue-human-perspectives-on-ai/">aqui</a>.</em></p>
<p>Em novembro de 2023, um grupo de pais de uma escola do Rio de Janeiro <a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2023/11/01/alunos-de-colegio-na-barra-sao-suspeitos-de-usar-inteligencia-artificial-para-fazer-montagens-de-colegas-nuas-e-compartilhar.ghtml"><span style="text-decoration: underline;">denunciou à polícia</span></a> que adolescentes estavam criando e compartilhando nudes geradas por Inteligência Artificial (IA) com fotos de outros colegas de classe. Menos de um ano depois, em setembro de 2024, no <a href="https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2024/09/25/cms-investiga-exposicao-alunas-pornografia.ghtml">estado da Bahia</a>, outro grupo de adolescentes também foi suspeito de utilizar IA para criar imagens de teor sexual de outros colegas, enquanto no <a href="https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/noticia/2024/09/25/alunos-sao-expulsos-apos-usar-inteligencia-artificial-para-criar-nudes-falsos-de-professora-e-colegas-em-escola-particular-de-cuiaba.ghtml">estado do Mato Grosso</a>, os alunos foram expulsos após compartilharem imagens feitas com IA, com rosto de uma professora e colegas, em grupos de pornografia nas mídias sociais.</p>
<p>Esses são alguns casos recentes relatados na mídia brasileira e mencionados em uma nota técnica publicada pelo <a href="https://internetlab.org.br/pt/sobre/">centro de pesquisa independente Internetlab</a> no início de abril de 2026. O <a href="https://internetlab.org.br/pt/noticias/como-enfrentar-a-misoginia-na-internet-internetlab-apresenta-recomendacoes-para-o-enfrentamento-da-violencia-digital-contra-meninas-e-mulheres/">documento tem como objetivo discutir</a> &#8220;formas de combater a violência on-line contra meninas e mulheres no Brasil&#8221; e contribuir com discussões regulatórias no contexto atual do país.</p>
<p>Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, somente em 2025, o Brasil registrou <a href="https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2026/03/nota-tecnica-dia-mulher-2026.pdf">1.568 feminicídios</a>, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior e o maior número registrado desde a assinatura <a href="https://pt.globalvoices.org/2015/03/27/brasil-aprova-a-lei-do-feminicidio-mas-nao-ha-consenso-quanto-a-sua-eficacia-no-combate-a-violencia-de-genero/">da lei que tipifica esse tipo de crime</a>, há 10 anos. O aumento nos casos de violência de gênero relatados no noticiário <a href="https://pt.globalvoices.org/2025/12/19/brasileiros-vao-as-ruas-para-denunciar-crise-de-violencia-contra-mulheres/">levou a protestos</a> no final de 2025. E a quantidade crescente de conteúdo misógino on-line pode estar &#8220;alimentando a violência&#8221;, <a href="https://x.com/dw_espanol/status/2046279406474391838?s=20">segundo reportagem da Deutsche Welle</a>.</p>
<p>Para Clarice Tavares, diretora de pesquisa do Internetlab e uma das autoras da nota técnica, em entrevista à Global Voices, os casos de violência de gênero on-line e off-line fazem parte da mesma estrutura misógina, coexistindo e sendo codependentes uns dos outros. &#8220;Estamos passando por um momento complexo de crescimento da violência contra a mulher, e precisamos de políticas públicas que analisem esses contextos, em suas especificidades&#8221;, analisa.</p>
<p>Ao falar sobre IA e questões de gênero, Tavares observa que os bancos de dados utilizados para alimentar as plataformas podem ter viés, o que influencia os resultados. O Internetlab optou por analisar a violência relacionada à IA na nota técnica, explica ela, devido ao seu impacto mais amplo e à possibilidade de abordá-la por meio de regulamentação adequada.</p>
<p>Entre outros pontos, <a href="https://internetlab.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Os-caminhos-de-combate-a-violencia-digital-contra-mulheres-e-meninas-no-Brasil.pdf">o documento do Internetlab</a> aponta para os riscos associados a &#8220;<em>deepfakes</em> de conteúdo sexual não consensual&#8221; e defende que a possibilidade de tal ocorrência seja classificada como &#8220;risco excessivo&#8221;, observando que &#8220;essas tecnologias afetam mulheres e meninas desproporcionalmente&#8221;:</p>
<blockquote><p>Uma pesquisa conduzida pela <a href="https://www.securityhero.io/state-of-deepfakes/#deepfake-porn-survey">Security Hero</a> demonstrou que deepfakes sexualmente explícitas representam 98% de todos os vídeos de <em>deepfake</em> online, e que 99% das pessoas alvo desses conteúdos eram mulheres. A pesquisa também indicou um aumento de 464% do número de <em>deepfakes</em> sexuais entre 2022 e 2023.</p></blockquote>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Embora Tavares afirme que os problemas não são exclusivos de uma plataforma, ela aponta o <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Grok_sexual_deepfake_scandal" target="_blank" rel="noopener">Grok</a>, a IA incorporada do X, como a ponta do iceberg, expondo um problema mais amplo já disseminado on-line.<br />
</span></p>
<blockquote><p>I think this case calls for attention, since the AI that made it possible to create this sort of content was already part of its own social media, which helped to amplify the reach of such content. It was very much on the surface. I think it&#39;s a systemic issue, but <a href="https://apublica.org/2026/01/grok-tire-a-roupa-dela-ecossistema-de-violencia-dos-deepfakes/">Grok’s case</a> made it impossible not to discuss it or worry about the current state of things. It was evident there had been several flaws in the tools and the platforms that allowed these things to happen on such a large scale.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Acredito que esse caso chama a atenção, pois a IA que possibilitou a criação desse tipo de conteúdo já fazia parte de sua própria mídia social, o que ajudou a ampliar o alcance desse conteúdo. Era muito superficial. Acredito que seja uma questão sistêmica, mas o caso do Grok fez com que fosse impossível não discutir o assunto ou não nos preocuparmos com a situação atual. Era evidente que havia várias falhas nas ferramentas e nas plataformas que permitiam que essas coisas acontecessem em uma escala tão grande.</p></blockquote>
<h3>O que diz a lei no Brasil?</h3>
<p>Na última década, o Brasil teve avanços na legislação sobre direitos na internet. No ano passado, 11 anos após a assinatura do <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Marco_Civil_da_Internet">Marco Civil da Internet</a> (lei que funciona como <a href="https://pt.globalvoices.org/2014/03/30/defensores-do-marco-civil-comemoram-a-aprovacao-da-constituicao-da-internet/">uma constituição dos direitos civis para a internet</a>), o <a href="https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-define-parametros-para-responsabilizacao-de-plataformas-por-conteudos-de-terceiros/">Supremo Tribunal Federal (STF) votou considerando</a> um de seus artigos parcialmente inconstitucional. O <a href="https://www.jota.info/stf/do-supremo/ao-vivo-stf-julgamento-do-artigo-19-do-marco-civil-da-internet">Artigo 19</a> regulamentava a responsabilidade civil das plataformas pelo conteúdo publicado por terceiros (usuários). A maioria dos juízes entendeu que, no cenário atual, a norma não era mais suficiente para proteger os direitos fundamentais e a democracia.</p>
<p>&#8220;Ainda há um longo caminho para entendermos como essa decisão será operacionalizada. Um novo regulamento sobre a responsabilidade das plataformas estabeleceu normas sobre o modo como elas devem funcionar até que seja aprovada uma legislação regulatória mais robusta. As plataformas agora têm mais obrigações com a moderação de conteúdo, de modo que a decisão estabeleceu um novo paradigma para pensarmos na responsabilidade e nas obrigações das mesmas&#8221;, diz Tavares.</p>
<p>No contexto da violência de gênero on-line, ela também enfatiza a importância de se ter uma definição legal e um conceito do que é entendido como misoginia para colocar em prática a decisão da Suprema Corte. &#8220;Queremos adaptar essa decisão às políticas públicas já existentes, à legislação referente à violência de gênero a esse novo cenário de violência digital&#8221;, explica.</p>
<p>A <a href="https://internetlab.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Os-caminhos-de-combate-a-violencia-digital-contra-mulheres-e-meninas-no-Brasil.pdf">análise do Internetlab menciona</a> um aumento no número de projetos de lei propostos com o objetivo de criminalizar o comportamento misógino e o chamado <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/entenda-o-que-sao-redpill-e-outros-termos-de-odio-contra-mulheres">movimento &#8220;redpill&#8221; (pílula vermelha, na tradução)</a> e <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Machosfera">&#8220;machosfera&#8221;</a>, mas observa que, embora sejam um passo importante para enfrentar o problema, ter a criminalização como a principal e única solução pode limitar a eficácia das estratégias de prevenção e reparação das vítimas.</p>
<p>Sua recomendação em relação à IA inclui, por exemplo, a criação de diretrizes curriculares sobre alfabetização digital para desenvolver uma análise crítica de como funcionam os algoritmos, as plataformas, as ferramentas de inteligência artificial e outros elementos do ecossistema digital.</p>
<p>Relativamente às plataformas, a nota recomenda a adoção de medidas de segurança desde a fase inicial de concepção dos seus projetos (<a href="https://www.weforum.org/projects/safety-by-design-sbd/"><em>safety by design</em></a>), &#8220;para impedir a criação e a divulgação desse tipo de conteúdo&#8221;, que tem como alvo principal mulheres e crianças. Os <em>deepfakes</em> de conteúdo sexual não consensual devem ser considerados um &#8220;risco excessivo&#8221;, com seu uso e aplicação proibidos, e devem ser estabelecidas regras relativas à responsabilidade e às obrigações das plataformas digitais e dos agentes de IA.</p>
<p>Uma estimativa da Movember Foundation, uma organização de saúde masculina, <a href="https://www.unwomen.org/en/articles/explainer/what-is-the-manosphere-and-why-should-we-care">aponta</a> que dois terços dos homens jovens se envolvem regularmente com influenciadores de masculinidade on-line. Um <a href="https://www.unwomen.org/en/articles/explainer/what-is-the-manosphere-and-why-should-we-care">artigo publicado</a> pela ONU Mulheres diz que &#8220;os especialistas estão descobrindo que a popularidade da linguagem extrema na &#8216;machosfera&#8217; não apenas normaliza a violência contra mulheres e meninas, mas também tem vínculos crescentes com a radicalização e ideologias extremistas&#8221;.</p>
<p>Com a aproximação do período eleitoral no Brasil e com relatos de <a href="https://iclnoticias.com.br/videos-ia-pastores-agredindo-mulheres-pt-tse/">vídeos gerados por inteligência artificial que mostram violência contra eleitoras</a>, Tavares acredita que há novas camadas a serem consideradas em relação à violência política de gênero. &#8220;Com a produção de vídeos ou até mesmo com chatbots como Gemini, ChatGPT ou Claude, o que estamos vendo é que [a IA] provavelmente será uma ferramenta utilizada como meio de acesso a informações, e pode haver preconceitos de gênero, reproduzindo a violência de gênero e a violência política de gênero. Ainda estamos tentando entender o impacto que isso pode e terá daqui para frente.&#8221;</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/fernanda-canofre/' class='user-link'>Fernanda Canofre</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/juliana-stroebel/' class='user-link'>Juliana Stroebel</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/04/28/brazil-a-warning-on-how-ai-and-deepfakes-can-become-an-excessive-risk-to-women-and-girls/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Brasil abre investigação sobre o impacto de inteligência artificial do Google no setor jornalístico</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/05/19/brasil-abre-investigacao-sobre-o-impacto-de-inteligencia-artificial-do-google-no-setor-jornalistico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando Baumgarten]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2026 13:19:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia e Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[O conselheiro Diogo Thomson considerou que a introdução da IA generativa “alterou significativamente a dinâmica do acesso, da visibilidade e da monetização do conteúdo jornalístico no ambiente digital”.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Órgão governamental investiga ferramenta de IA que utiliza conteúdo jornalístico sem compensação para empresas de mídia</em></big></p><div id="attachment_852155" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-852155" class="size-full wp-image-source-852155" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/Untitled-design-2.webp" alt="A computer screen open on Google and a background of newspaper pages" width="800" height="600" /><p id="caption-attachment-852155" class="wp-caption-text"><span dir="auto">Imagem criada com elementos do Canva pela Global Voices usada sob permissão.</span></p></div>
<p><span dir="auto">O </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_Administrativo_de_Defesa_Econ%C3%B4mica"><span dir="auto">Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)</span></a><span dir="auto"> , vinculado ao Ministério da Justiça do Brasil, </span><a href="http://www.gov.br/cade/en/matters/news/cade2019s-tribunal-recommends-the-opening-of-an-investigation-into-google-regarding-the-use-of-journalistic-content"><span dir="auto">aprovou a abertura de processo administrativo</span></a><span dir="auto"> para investigar o uso da </span><a href="https://www.portaldosjornalistas.com.br/entidades-jornalisticas-apoiam-decisao-do-cade-para-investigar-google/"><span dir="auto">Inteligência Artificial (IA) generativa da Google</span></a><span dir="auto"> em conteúdo jornalístico para criar resumos automatizados de termos pesquisados ​​(</span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/AI_Overviews"><span dir="auto">AI Overviews</span></a><span dir="auto">), o que poderia afetar o tráfego orgânico de plataformas jornalísticas, sua monetização e engajamento.</span></p>
<p><span dir="auto">Este é o capítulo mais recente de um caso que </span><a href="https://www.gov.br/cade/en/matters/news/cade-deepens-investigation-on-google2019s-practices-and-welcomes-submission-of-contributions" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">começou em 2019</span></a><span dir="auto"> para “investigar o suposto uso ilegal de conteúdo de notícias de terceiros nas plataformas Google Search e Google News”. No ano passado, o conselho </span><a href="https://www.gov.br/cade/en/matters/news/cade-deepens-investigation-on-google2019s-practices-and-welcomes-submission-of-contributions" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">convidou atores da sociedade civil</span></a><span dir="auto">, como sindicatos, associações e ONGs, a apresentarem suas análises técnicas e factuais antes de prosseguir com a discussão.</span></p>
<p><span dir="auto">O Cade </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_Administrativo_de_Defesa_Econ%C3%B4mica"><span dir="auto">tem como objetivo</span></a><span dir="auto"> “orientar, monitorar, prevenir e investigar o abuso de poder econômico, atuando na prevenção e na repressão”. Na prática, ele funciona de maneira semelhante à </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Comiss%C3%A3o_Federal_do_Com%C3%A9rcio"><span dir="auto">Comissão Federal de Comércio (FTC)</span></a><span dir="auto"> dos Estados Unidos, como órgão regulador de concorrência.</span></p>
<p><span dir="auto">O presidente interino </span><span dir="auto">e conselheiro Diogo Thomson, que votou a favor da abertura de investigações, </span><a href="https://www.gov.br/cade/en/matters/news/cade2019s-tribunal-recommends-the-opening-of-an-investigation-into-google-regarding-the-use-of-journalistic-content" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">considerou</span></a><span dir="auto"> que a inserção de funções de IA generativa “alterou significativamente a dinâmica de acesso, visibilidade e monetização do conteúdo jornalístico no ambiente digital” nos</span><span dir="auto"> últimos anos. Nesse contexto, ele </span><span dir="auto">ponderou a possibilidade</span> <span dir="auto">de a relação entre o Google e as empresas jornalísticas “assumir características de dependência estrutural”, uma vez que os veículos de comunicação dependem cada vez mais dos mecanismos de busca para alcançar seu público.</span></p>
<p>Conforme relatado no <a href="https://www.gov.br/cade/en/matters/news/cade2019s-tribunal-recommends-the-opening-of-an-investigation-into-google-regarding-the-use-of-journalistic-content">próprio site do Cade</a>, Thomson também questionou se tal conduta “poderia constituir um possível abuso de posição dominante com fins de exploração, caracterizado pela extração e apropriação de valor econômico proveniente de conteúdo produzido por terceiros, sem remuneração proporcional, em um contexto de assimetria e ausência de medidas alternativas eficazes”.</p>
<p><span dir="auto">Outra comissária, </span><a href="https://cdn.cade.gov.br/Portal/assuntos/noticias/2026/Opinion_GAB5_GoogleNews_EN.pdf"><span dir="auto">Camila Cabral Pires Alves</span></a><span dir="auto"> , que também votou a favor da investigação, salientou que “o Google utiliza [o material] sem autorização prévia das empresas que produzem o conteúdo jornalístico”, </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/23/cade-reabre-investigacao-contra-google-por-uso-de-conteudo-produzido-por-ia.ghtml"><span dir="auto">segundo o portal de notícias online G1</span></a><span dir="auto">.</span></p>
<p><span dir="auto">O site </span><a href="https://nucleo.jor.br/english/2026-04-23-google-faces-accountability-over-ai-use-of-journalism-in-brazil/"><span dir="auto">Núcleo explicou</span></a><span dir="auto"> o que a investigação deve examinar daqui para frente:</span></p>
<blockquote><p>One of the measures in the administrative proceedings will be distinguishing between the traditional excerpts shown by Google (known as snippets) and the AI Overviews summaries. Another point to be examined is the zero-click issue, when users simply read a summary and do not click on reference links, cutting off traffic referrals to news outlets — something critically important for journalism.</p>
<p>Perhaps even more pointed will be the attempt to estimate the value Google retains from digital advertising compared to the editorial costs news outlets bear to produce journalism. That is one of the key breakthroughs of this proceeding, it will effectively put numbers on something the company has never disclosed.</p>
<p>Lastly, CADE will require Google to disclose all of its tests — not just the <span dir="auto">“</span>selective” conclusions that favor its case.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><span dir="auto">Uma das medidas nos processos administrativos será a distinção entre os trechos tradicionais exibidos pelo Google (conhecidos como <em>snippets</em>) e os resumos do AI Overviews. Outro ponto a ser examinado é a questão do “zero clique”, quando os usuários simplesmente leem um resumo e não clicam nos links de referência, interrompendo o tráfego para os veículos de notícias — algo crucial para o jornalismo.</span></p>
<p>Talvez ainda mais relevante seja a tentativa de estimar o valor que o Google retém com a publicidade digital, em comparação com os custos editoriais que os veículos de comunicação arcam para produzir jornalismo. Esse é um dos principais avanços deste processo, pois irá efetivamente quantificar algo que a empresa nunca divulgou.</p>
<p>Por fim, o CADE exigirá que o Google divulgue todos os seus testes — e não apenas as conclusões “seletivas” que favorecem sua causa.</p></blockquote>
<p><span dir="auto">Organizações jornalísticas apoiaram a decisão do Cade. A Ajor (Associação de Jornalismo Digital) </span><a href="http://ajor.org.br/cade-takes-the-right-step-in-investigating-ais-impact-on-journalism/"><span dir="auto">emitiu um comunicado </span></a><span dir="auto">classificando-a como “um passo correto na investigação do impacto da IA ​​no jornalismo”.</span></p>
<blockquote><p>A balanced relationship between digital platforms and journalism organizations is fundamental to the flourishing of journalism committed to the public interest. By ensuring a fair competitive environment, Cade directly advances that goal. The decision also underscores the urgency of developing remuneration models that recognize journalism’s social function in combating disinformation and that address the appropriation, by digital platforms, of the content and economic value generated by this work.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>O equilíbrio nas relações entre plataformas digitais e organizações de jornalismo é fundamental para que floresça um jornalismo comprometido com o interesse público. Ao assegurar um ambiente de concorrência justa, o Cade contribui diretamente para esse objetivo. A decisão também reforça a urgência de avançar em modelos de remuneração que reconheçam a função social do jornalismo no combate à desinformação e enfrentem a apropriação, por plataformas digitais, do conteúdo e do valor econômico gerado por esse trabalho.</p></blockquote>
<p><span dir="auto">Marcelo Rech, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), </span><a href="https://www.portaldosjornalistas.com.br/entidades-jornalisticas-apoiam-decisao-do-cade-para-investigar-google/"><span dir="auto">considerou</span></a><span dir="auto"> a decisão um marco histórico, afirmando:</span></p>
<blockquote><p>Com o resultado do julgamento, o Cade demonstra que está na linha de frente de uma preocupação que não se limita a uma mera questão econômica. O tema de fundo é a sustentabilidade da informação de qualidade, do jornalismo que atende, sem substitutos, as comunidades locais e a pluralidade de visões, o que é fundamental em sociedades democráticas.</p></blockquote>
<p><span dir="auto">Em resposta a uma declaração </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/23/cade-reabre-investigacao-contra-google-por-uso-de-conteudo-produzido-por-ia.ghtml"><span dir="auto">publicada pelo G1</span></a><span dir="auto">, um dos principais veículos de notícias digitais do Brasil, o Google afirmou que a decisão “refletiu uma compreensão equivocada sobre o funcionamento de seus produtos e o valor que eles agregam aos editores de notícias”:</span></p>
<blockquote><p>Em um mundo onde as preferências dos usuários estão evoluindo, o AI Overviews foi projetado para mostrar links para uma ampla variedade de resultados, criando novas oportunidades para que sites relevantes e conteúdos diversos sejam descobertos. Temos um compromisso com a web aberta e continuamos enviando bilhões de cliques para websites diariamente. Seguiremos dialogando com o CADE para esclarecer quaisquer dúvidas sobre o nosso produto</p></blockquote>
<p><span dir="auto">Em </span><span dir="auto">2025, o conselheiro Gustavo Augusto Freitas de Lima, relator do caso,  </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/cade-relator-recomenda-arquivar-caso-do-google-julgamento-e-suspenso-apos-pedido-de-vista/#goog_rewarded" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span dir="auto">recomendou o arquivamento da investigação</span></a><span dir="auto">. Ele argumentou que a busca também poderia servir como “publicidade gratuita” para empresas de mídia e que o Cade não tinha autoridade para definir a remuneração dessas empresas, já que sua função era analisar práticas anticoncorrenciais. Lima também questionou como proibir o Google de indexar notícias poderia contribuir para a disseminação de desinformação e notícias falsas, e como isso funcionaria em conjunto com outras plataformas como Facebook e WhatsApp.</span></p>
<p><span dir="auto">Desde então, Lima </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/23/cade-reabre-investigacao-contra-google-por-uso-de-conteudo-produzido-por-ia.ghtml"><span dir="auto">ajustou sua posição para se alinhar à visão de Thomson</span></a><span dir="auto">, considerando o papel da IA ​​no contexto atual.</span></p>
<p>O G1 <a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/23/cade-reabre-investigacao-contra-google-por-uso-de-conteudo-produzido-por-ia.ghtml">relata</a> que o processo agora investigará a conduta da Google e seus efeitos sobre a indústria jornalística. Isso pode levar a sanções administrativas por infração econômica. O Cade ainda não divulgou o prazo para a conclusão da investigação.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/gv-brasil/' class='user-link'>Global Voices Brazil</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/fernando-binda-baumgarten/' class='user-link'>Fernando Baumgarten</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/05/11/brazil-opens-investigation-on-google-over-its-ais-impact-on-the-journalism-industry/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Sobre nós</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/05/15/sobre-nos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mariana Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 14:38:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Informes]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
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					<description><![CDATA[A Rising Voices visa a expandir os benefícios e o alcance da mídia cidadã, conectando ativistas digitais do mundo todo e apoiando suas melhores ideias.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright size-medium wp-image-source-19586" src="https://rising.globalvoices.org/files/2022/01/rvABOUT-400x321.png" alt="" width="400" height="321" /><b>Rising Voices é uma iniciativa de divulgação da Global Voices que tem como objetivo trazer à conversação global vozes de comunidades novas e de falantes de línguas indígenas ou em extinção, oferecendo treinamentos, recursos, microfinanciamentos e mentorias a comunidades locais sub-representadas que desejam contar sua própria história digital usando ferramentas de mídia participativas.</b></p>
<p>A Global Voices foi fundada em 2004 por um grupo de blogueiros internacionais pioneiros que começaram a agregar, selecionar e amplificar a conversação global on-line – dando visibilidade a pessoas e lugares ignorados por outros meios de comunicação. Entretanto, ao longo dos anos, ficou claro que algumas regiões, línguas e demografias eram melhor representadas do que outras na conversação global on-line. <span style="font-size: 1.25rem;">A Rising Voices teve início em 2007, graças ao apoio da fundação </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="http://www.knightfoundation.org/grants/20060899/" target="_blank" rel="noopener">Knight News Challenge Award</a><span style="font-size: 1.25rem;">, com o intuito de mitigar essa lacuna na participação.</span></p>
<p>Embora as pessoas ao redor do mundo estejam mais conectadas à internet do que nunca, ainda há necessidade de apoiar essas comunidades para que se beneficiem das ferramentas e redes disponíveis. A Rising Voices oferece apoio por meio de:</p>
<ul>
<li>microfinanciamentos e mentoria</li>
<li>expansão de network com foco no ativismo digital de línguas indígenas</li>
<li>divulgação de recursos midiáticos voltados à cidadania</li>
<li>projetos de treinamento específicos para comunidades marginalizadas e sub-representadas</li>
</ul>
<p>Com uma conexão direta com a comunidade Global Voices, também buscamos amplificar essas novas vozes por meio da nossa extensa rede, para que possam atingir públicos locais e globais.</p>
<h3><span id="Team">Equipe</span></h3>
<div class='gv-promo-card-container'><article class='gv-promo-card-compact gv-promo-card gv-user-promo-card'><div class='gv-promo-card-image'><a href='https://rising.globalvoices.org/blog/author/eduardoavila/'><img  loading="lazy" decoding="async" class='featured-image ' alt='' src='https://secure.gravatar.com/avatar/803969a8b031bd2062f21d19b65c935e?s=600&amp;d=https%3A%2F%2Fsecure.gravatar.com%2Favatar%2F8e260ee2e3f5cc5dc3afb6050463ead3%3Fs%3D600&amp;r=G' /></a></div><div class='gv-promo-card-text'><h3 class='post-title user-display-name'><a href='https://rising.globalvoices.org/blog/author/eduardoavila/' class='user-link'>Eddie Avila</a></h3><div class='user-info'><span class='user-title'>Rising Voices Director</span></div></div></article></div>
<p><strong>Divulgação:</strong></p>
<ul>
<li>Marco Martínez</li>
<li>Subhashish Panigrahi</li>
</ul>
<p><strong>Campanhas:</strong></p>
<ul>
<li>Yanne C</li>
</ul>
<p><strong>Mentores da comunidade:</strong></p>
<ul>
<li>Lorenzo Itza</li>
<li>Sasil Sánchez</li>
<li>Cecilia Tuyuc</li>
<li>Leonardi Fernández</li>
<li>Neima Paz</li>
</ul>
<p><strong>Editorial e comunicações:</strong></p>
<ul>
<li>Ameya Nagarajan</li>
<li>María Alvarez Malvido</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><span id="Team">Projetos</span></h3>
<div class='gv-promo-card-container'><article class='gv-promo-card-compact gv-promo-card gv-user-promo-card'><div class='gv-promo-card-image'><a href='https://rising.globalvoices.org/blog/author/belenfebrescordero/'><img  loading="lazy" decoding="async" class='featured-image ' alt='' src='https://secure.gravatar.com/avatar/9a365986c075b26af3402c859252c4f7?s=600&amp;d=https%3A%2F%2Fsecure.gravatar.com%2Favatar%2F8e260ee2e3f5cc5dc3afb6050463ead3%3Fs%3D600&amp;r=G' /></a></div><div class='gv-promo-card-text'><h3 class='post-title user-display-name'><a href='https://rising.globalvoices.org/blog/author/belenfebrescordero/' class='user-link'>Belen Febres-Cordero</a></h3><div class='user-info'><span class='user-title'>Curriculum Developer</span></div></div></article></div>
<h3>Colaboradores Antigos</h3>
<p>A Rising Voices teve início em 2007 pelo diretor fundador <a href="https://rising.globalvoicesonline.org/blog/author/admin/">David Sasaki</a>.</p>
<h3><strong>Junte-se à Comunidade</strong></h3>
<p>Caso queira mais informações sobre os nossos projetos, por favor, <a href="https://rising.globalvoicesonline.org/contact/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">entre em contato</a>.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://rising.globalvoices.org/blog/author/admin/' class='user-link'>David Sasaki</a>, <a href='https://rising.globalvoices.org/blog/author/eduardoavila/' class='user-link'>Eddie Avila</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/mariana-lopes/' class='user-link'>Mariana Lopes</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://rising.globalvoices.org/about/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://rising.globalvoices.org/files/2022/01/rvABOUT-400x300.png" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Uma nova rede pretende dar apoio e proteção digital a comunicadoras negras na América Latina</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/05/12/uma-nova-rede-pretende-dar-apoio-e-protecao-digital-a-comunicadoras-negras-na-america-latina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rede JP]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 19:40:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Ativismo Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Etnia e Raça]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia e Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres e Gênero]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=119356</guid>

					<description><![CDATA["O espaço digital não é neutro, tem poder, tem cor, gênero e recorte de impacto numa sociedade. Promover essas redes é construir e preservar os direitos humanos também”, diz jornalista]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Iniciativa online quer reunir perfis de mulheres negras para colaboração, cursos e acolhimento social</em></big></p><div id="attachment_122477" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122477" class="wp-image-122477 size-large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/redejp-800x600.webp" alt="Sete mulheres negras aparecem de mãos dadas numa sala, com um telão no fundo e atrás de uma mesa. Aparecem cada uma com um estilo de vestimenta e todas de penteados distintos, com tranças, turbantes, uma de cabelo preso e outras de cabelo solto de distintos comprimentos: de curto a longo. Todas sorriem para a câmera a acenam aos espectadores." width="800" height="600" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/redejp-800x600.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/redejp-400x300.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/redejp.webp 1024w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-122477" class="wp-caption-text">Representantes da Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (REPCONE) no evento &#8220;Resistir É Comunicar&#8221;, na Universidade de Brasília. Da esquerda para a direita: Marcelle Chagas, Juliana Cezar Nunes, Nathália Purificação, Jacira Silva, Waleska Barbosa, Dione Souza e Adriane Caitano. Foto: Artur Ribeiro/Usada com permissão</p></div>
<div class="yj6qo"><em style="font-size: 1.25rem;">Este artigo é escrito por Kelvyn Araujo, da <a href="https://redejpcomunicacao.org/">Rede de Jornalistas Pretos Pela Diversidade na Comunicação</a>, e publicado aqui em acordo de parceria com Global Voices.</em></div>
<div class="yj6qo"><span style="font-size: 1.25rem; color: #ff0000;"> </span></div>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Os principais alvos da violência política online, no Brasil, são mulheres negras, pessoas LGBTQIA+, periféricas, defensores de direitos humanos, ocupando cargos políticos e ativistas. </span><span style="font-size: 1.25rem;">Isso é o que aponta uma </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-08/violencia-digital-contra-mulheres-atinge-niveis-alarmantes">pesquisa realizada pelo Instituto Marielle Franco</a><span style="font-size: 1.25rem;">, divulgada em agosto de 2025. A organização leva o nome da </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://globalvoices.org/2024/11/06/brazil-what-is-next-after-the-conviction-of-marielle-francos-killers/">vereadora assassinada</a><span style="font-size: 1.25rem;"> no Rio de Janeiro em 2018 — uma </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://ponte.org/onde-tiver-uma-mulher-preta-e-lesbica-tem-um-pedacinho-de-marielle-franco-diz-ativista/">mulher negra, bissexual</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e atuante no cenário político.</span></p>
<p>Em meio à polarização crescente no país e pensando nos reflexos do machismo e racismo também nos veículos de comunicação, a <a href="https://redejpcomunicacao.org/">Rede Jornalistas Pretos pela Diversidade na Comunicação (Rede JP)</a> lançou a <a href="https://redejpcomunicacao.org/repcone/">Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (Repcone)</a>, uma iniciativa online que reúne perfis de mulheres negras para colaboração, cursos e acolhimento social.</p>
<p>O projeto tem apoio de organizações como o<a href="https://institutoazmina.org.br/"> Instituto AzMina</a>, <a href="https://institutoelas.com.br/">Instituto Elas,</a> a <a href="https://ananadv.com.br/">Associação Nacional de Advocacia Negra (Anan)</a>, <a href="https://sankofapsicologia.com/?srsltid=AfmBOor3EnSjQPtPeiFppbJhGmWlbbOQCqAVBuCgfUOGqrk2Q5WZC2i3">Instituto Sankofa de Psicologia e Educação</a>, além da <a href="https://www.mozillafoundation.org/pt-BR/">Mozilla Foundation</a>, e conta com mais de 50 participantes do Brasil, da Argentina e do Peru, entre profissionais de jornalismo, educação e direitos humanos.</p>
<p>Formada em setembro de 2025, a Repcone inclui atividades como um curso voltado à segurança digital e social, redirecionamento de assistência jurídica para casos que envolvem comunicadoras negras, atendimento psicossocial e articulação de atividades e ações no Brasil e no exterior. O trabalho do curso culminou ainda em um e-book: a Cartilha de Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras, que <a href="https://redejpcomunicacao.org/cartilha-de-protecao-digital-a-comunicadoras-negras/">pode ser baixada gratuitamente na página da rede.</a></p>
<p>“Trabalho com jornalistas latinas e posso afirmar que os ataques massivos via redes sociais, após publicar matérias sobre questões raciais ou de gênero, também ocorrem fora do país, na Colômbia, no Peru. São diversos os relatos. Esta é uma realidade coordenada e que tem atingido mulheres em diversas partes do mundo”, diz Denise Mota, coordenadora de projetos da Rede JP na América Latina e da <a href="https://redejpcomunicacao.org/rede-de-periodistas-afrolatinos/">Red de Periodistas Afrolatinos</a>.</p>
<p>Para Sofía Carrillo, jornalista e ativista no Peru, “a construção destes espaços reúne uma posição profundamente política.” “O espaço digital não é neutro, tem poder, tem cor, gênero e recorte de impacto numa sociedade. Promover essas redes é construir e preservar os direitos humanos também”, avalia ela.</p>
<p>No Brasil, onde <a href="https://www.gov.br/igualdaderacial/pt-br/composicao/secretaria-de-gestao-do-sistema-nacional-de-promocao-da-igualdade-racial/diretoria-de-avaliacao-monitoramento-e-gestao-da-informacao/hub-igualdade-racial/populacao#:~:text=A%20popula%C3%A7%C3%A3o%20negra%20%C3%A9%20considerada,IBGE%20de%20Recupera%C3%A7%C3%A3o%20Autom%C3%A1tica%20%2D%20SIDRA.">56% da população</a> se reconhece como preta ou parda (as identificações do Censo que somadas <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/diversidade/noticia/2025/06/04/negro-pardo-ou-preto-quando-usar-cada-termo-entenda-a-definicao-e-os-debates.ghtml">formam a população negra do país</a>), <a href="https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/minoria-negra-no-jornalismo-brasileiro-expoe-racismo-como-heranca-preservada/">apenas 20% dos jornalistas</a> em redações se autoidentificam assim, de acordo com <a href="https://www.poder360.com.br/brasil/so-20-dos-jornalistas-sao-negros-nas-redacoes-brasileiras/">a pesquisa Perfil Racial da Imprensa Brasileira</a> de 2021. O número é três vezes menor do que o de profissionais autodeclarados brancos. Mais da metade das mulheres ouvidas no levantamento (52,3%) disseram ter sido vítimas de misoginia e racismo alguma vez.</p>
<h3>Abrindo espaços</h3>
<p>Luciana Barreto, jornalista e apresentadora da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/TV_Brasil">TV Brasil</a>, autora do livro <a href="https://pallaseditora.com.br/produto/discursos-de-odio-contra-negros-nas-redes-sociais/?srsltid=AfmBOoq4fGBct5EJBgnTbrDeBxXitbzAfp1ulpqqFUNSc0JuZ7NHjNx5">“Discursos de ódio contra negros nas redes sociais” (Pallas, 2023)</a>, defende que a construção de espaços voltados à comunicação e às mulheres negras no ambiente digital requer um entendimento amplo, tanto por parte de profissionais quanto da sociedade.</p>
<p>No início de 2025, ela se tornou alvo de ataques racistas após criticar uma fala de Alejandro Domínguez, presidente da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Confedera%C3%A7%C3%A3o_Sul-Americana_de_Futebol">Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol)</a>. Enquanto clubes brasileiros <a href="https://www.espn.com.br/futebol/palmeiras/artigo/_/id/14882510/caso-racismo-luighi-palmeiras-clubes-brasileiros-se-manifestam-cbf-cobrara-punicao">cobravam medidas</a> mais rigorosas da confederação após um <a href="https://ge.globo.com/futebol/times/palmeiras/noticia/2025/03/07/quem-e-luighi-vitima-de-ato-racista-ja-fez-gol-no-maracana-e-e-amuleto-de-abel-no-palmeiras.ghtml">episódio de racismo</a> contra um jogador de futebol brasileiro, de 18 anos, e aventavam a possibilidade de não participar de competições oficiais, Domínguez <a href="https://ge.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/2025/03/18/presidente-da-conmebol-faz-analogia-com-macaco-libertadores-sem-brasileiros-seria-como-tarzan-sem-a-chita.ghtml">respondeu</a> que a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Copa_Libertadores_da_Am%C3%A9rica">Copa Libertadores da América</a> sem brasileiros seria como “Tarzan sem a Chita”. Uma referência ao <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Tarzan">personagem que é um homem branco e vive entre macacos</a>.</p>
<p>Como jornalista negra, Barreto falou sobre sua experiência e como se sentiu ao perceber a fragilidade dela e de outras mulheres no contexto de ataques no ambiente digital, <a href="https://www.youtube.com/live/UCLv2XrK81I?si=4Lnxn4vlHvGqAYPQ">em uma transmissão online de lançamento da Repcone:</a></p>
<blockquote><p>Eu vivia todos os dias cercada disso, o que inspirou o livro. No jornal, não só eu era alvo, mas jornalistas amigas minhas, artistas ou mulheres em posição de poder, estavam sofrendo ataques coordenados de ódio. Antes de construir esses espaços de fortalecimento junto a vocês, como um todo, importantíssimos, e de fazer o livro, é necessário uma compreensão do espaço que estamos: eu queria entender qual era o objetivo do hater e o que que a gente podia fazer para dar apoio a estas mulheres. Vi pessoas muito fortes ficarem frágeis diante de ataques. Temos essa imagem de referência, de fortaleza, mas a que custo? Essas mulheres também estão fragilizadas.</p></blockquote>
<h3>Acolhimento e reconhecimento</h3>
<div style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://temperaturakelvyn.wordpress.com/wp-content/uploads/2025/09/copia-de-copia-de-design-sem-nome_20250903_185634_0000.png?w=1024" alt="Captura de tela do evento de lançamento da REPCONE, que contou com especialistas e comunicadoras convidadas. (De Cima-Baixo, Esquerda-Direita): Kátia Brasil (jornalista, Amazônia Real), Luciana Barreto, Eliane Almeida (jornalista, Rede Jornalistas Pretos), Wesley Santana (advogado, Associação Nacional de Advocacia Negra), Marcelle Chagas, Sofía Carrillo, Angela Chukunzira e Denise Mota." width="1024" height="1024" /><p class="wp-caption-text">Captura de tela do evento de lançamento da REPCONE, que contou com especialistas e comunicadoras convidadas. (De Cima-Baixo, Esquerda-Direita): Kátia Brasil (Amazônia Real), Luciana Barreto, Eliane Almeida (Rede Jornalistas Pretos), Wesley Santana (Associação Nacional de Advocacia Negra), Marcelle Chagas, Sofía Carrillo, Angela Chukunzira e Denise Mota. Imagem: Rede JP/Usada com permissão</p></div>
<p>Para <a href="https://platform.coop/people/angela-chukunzira/">Angela Chukunzira</a>, pesquisadora, socióloga e ativista do Quênia, bolsista de tecnologia e sociedade na Mozilla Foundation, espaços como a Repcone ainda são “incipientes” e precisam de incentivo. Ela avalia:</p>
<blockquote><p>Precisamos criar redes comunitárias, para garantir que essas mulheres [alvo de ataques] estejam trabalhando em colaboração para levantar essas questões [segurança digital]. Trabalho com isso e sei o quanto essas questões ganham um nível de complexidade muito maior quando envolvem racismo e colonialismo. A verdade é que o isolamento alimenta a nossa vulnerabilidade. Por isso, redes de apoio são importantes.</p></blockquote>
<p>A importância do programa se mostrou ainda em dados coletados por meio de relatos de 40 participantes da rede: 71% relataram sofrer, ter sofrido ou testemunhado diretamente ataques nas redes de racismo e misoginia; 76,47% nunca haviam integrado um programa similar antes, enquanto 83% tinham nenhum ou baixo conhecimento sobre ativismo em rede na comunicação digital afrofeminina.</p>
<p>Sofia Carrillo diz que o acolhimento ajuda a criar espaços de identificação e pertencimento entre essas mulheres. “É extremamente benéfico construir esse legado<del> </del>de percepção, termos a capacidade de lembrar de espaços coletivos afro-femininos, que ainda são poucos na comunicação.”</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/rede-jp/' class='user-link'>Rede JP</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/redejp-400x300.webp" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Não existe conexão que não seja humana: por que é vital valorizar a criatividade humana na era da IA</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/05/12/nao-existe-conexao-que-nao-seja-humana-por-que-e-vital-valorizar-a-criatividade-humana-na-era-da-ia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Isabela Torezan]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 15:22:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Ideias]]></category>
		<category><![CDATA[Inglês]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[A IA não tem "criatividade", não "pensa" nem "conecta". Ela só consegue repetir o que já foi treinada e o que foi produzido por humanos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>A linguagem antropomorfizadora que usamos prioriza engajamento em vez da utilidade.</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/3_There-is-no-connection-but-human_Ibrahim-Kizza-1-800x450.webp" alt="Jovens conversando embaixo de uma árvore com livros enquanto celulares as encorajam a deixar o contato pessoal. Imagem por Ibrahim Kizza para a Associação para s Comunicação Progressiva (APC), usada com permissão." width="800" height="450" /><p class="wp-caption-text">Imagem por Ibrahim Kizza para a Associação para a Comunicação Progressiva, (<a href="https://www.apc.org/en">APC</a>), usada sob permissão.</p></div>
<p><em>Este artigo faz parte da série &#8220;Não pergunte para a IA, pergunte a um colega&#8221;, uma colaboração entre a Global Voices, a Associação para a Comunicação Progressiva e a GenderIT. A série tem como objetivo reforçar a importância da divulgação do conhecimento entre as pessoas, como vem sendo feito há décadas. Você pode acompanhar a série em <a title="http://apc.org" href="http://apc.org/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=http://apc.org/&amp;source=gmail&amp;ust=1776226110374000&amp;usg=AOvVaw339x24XenKRKq6iLYURWU9"><u>APC.org</u></a>, <a title="http://genderit.org" href="http://genderit.org/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=http://genderit.org/&amp;source=gmail&amp;ust=1776226110374000&amp;usg=AOvVaw2HBjbb3ESoSkOKIeqyV7nu"><u>GenderIT.org</u></a> e <a title="https://globalvoices.org" href="https://globalvoices.org/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://globalvoices.org/&amp;source=gmail&amp;ust=1776226110374000&amp;usg=AOvVaw2151VZ530FoqmIG7kD0Qr2"><u>globalvoices.org</u></a>.</em></p>
<p>Desde o início da empolgação em torno da IA, depois que a OpenAI <a href="https://www.forbes.com/sites/bernardmarr/2023/05/19/a-short-history-of-chatgpt-how-we-got-to-where-we-are-today/" target="_blank" rel="noopener">disponibilizou</a> seu ChatGPT para bilhões de usuários ao redor do mundo em novembro de 2022 (na época, sem nenhum tipo de regulanentação, estruturas éticas ou mecanismos de proteção), já ouvimos <a href="https://edition.cnn.com/2025/12/30/tech/how-ai-changed-world-predictions-2026-vis" target="_blank" rel="noopener">inúmeras previsões</a> sobre como a IA mudaria tudo para os humanos: o trabalho humano seria substituído; a criatividade humana não seria mais necessária; a conexão humana seria muito melhor com chatbots; os governos iriam aplicar algoritmos rigorosos de IA que eliminariam o viés humano nos serviços sociais; teríamos a ciência inovadora disponível em apenas alguns anos e muito mais.</p>
<p>Após mais de três anos, como o surgimento da IA generativa mudou para nós? Ela trouxe <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0001691825009503" target="_blank" rel="noopener">perturbações desnecessárias e danosas</a> ao nosso sistema de educação, deu a alguns programadores <a href="https://www.nytimes.com/2026/03/12/magazine/ai-coding-programming-jobs-claude-chatgpt.html" target="_blank" rel="noopener">mais ferramentas</a> para escrever códigos e tem sido usada quase sem supervisão humana <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ruxpknMIQl8&amp;t=3s">na guerra</a>.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Estamos em 2026 e as empresas de IA ainda </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://hbr.org/2025/11/ai-companies-dont-have-a-profitable-business-model-does-that-matter" target="_blank" rel="noopener">não têm modelos de negócios lucrativos</a><span style="font-size: 1.25rem;"> nem conseguem oferecer propostas significativas sobre como usar seus produtos.</span> Ainda assim, as pessoas ligadas à IA — CEOs, diretores financeiros, diretores de pesquisa e até mesmo diretores de ética — continuam nos vendendo sua visão mágica e antropomorfizada de seus modelos. Notem que a maioria dessas empresas é ligada à &#8220;geração anterior&#8221; de oligarcas da tecnologia: a Google está desenvolvendo o <a href="https://gemini.google.com/" target="_blank" rel="noopener">Gemini</a>; a Microsoft investiu na <a href="https://blogs.microsoft.com/blog/2025/11/18/microsoft-nvidia-and-anthropic-announce-strategic-partnerships/" target="_blank" rel="noopener">Antrophic</a> e na <a href="https://blogs.microsoft.com/blog/2025/10/28/the-next-chapter-of-the-microsoft-openai-partnership/" target="_blank" rel="noopener">Open AI</a>; a Meta, do Mark Zuckerberg, tem a sua própria <a href="https://www.llama.com/" target="_blank" rel="noopener">Llama</a>; o Elon Musk não apenas comprou e destruiu o Twitter como também tem a famosa IA Grok, usada para <a href="https://www.eldiario.es/tecnologia/10-dias-porno-machista-costar-caro-elon-musk-no-cuestion-bikini-burka-consentimiento_1_12893071.html" target="_blank" rel="noopener">produção de pornografia</a>; e o Jeff Bezos está investindo não em uma <a href="https://finance.yahoo.com/news/7-ai-startups-backed-jeff-150016298.html" target="_blank" rel="noopener">mas em sete</a> empresas de IA, incluindo a <a href="https://finance.yahoo.com/news/7-ai-startups-backed-jeff-150016298.html" target="_blank" rel="noopener">Perplexity AI</a> e a start-up de IA holandesa <a href="https://www.reuters.com/business/amazons-bezos-leads-new-investment-ai-data-company-toloka-2025-05-07/" target="_blank" rel="noopener">Toloka</a>.</p>
<h3>As narrativas de IA das empresas de tecnologia são intencionalmente enganosas</h3>
<p>Pesquisadores e jornalistas <a href="https://theconversation.com/digital-brains-that-think-and-feel-why-do-we-personify-ai-models-and-are-these-metaphors-actually-helpful-265883" target="_blank" rel="noopener">já trabalharam</a> para mostrar como as narrativas em torno da IA <a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s00146-024-02087-8" target="_blank" rel="noopener">são construídas</a> e como isso configura não apenas a nossa ansiedade e interpretações equivocadas sobre a IA, mas também o pânico dos governos quanto a &#8220;ficar para trás na corrida da IA&#8221;.</p>
<p>Quando a OpenAI introduziu o ChatGPT, ele foi descrito como <a href="https://journal.media-culture.org.au/index.php/mcjournal/article/view/3004?trk=public_post_comment-text" target="_blank" rel="noopener">&#8220;treinado&#8221;</a> em um vasto &#8220;corpus&#8221; de dados, com uma &#8220;rede neural&#8221; capaz de gerar &#8220;linguagem natural&#8221;. Esta terminologia, embora tecnicamente fundamentada, também enquadrou o sistema em <a href="https://journal.media-culture.org.au/index.php/mcjournal/article/view/3004?trk=public_post_comment-text" target="_blank" rel="noopener">termos humanizados</a>, sugerindo algo mais do que mera inteligência &#8220;artificial&#8221;.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Ao mesmo tempo, os erros do sistema foram classificados como &#8220;</span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.nature.com/articles/s41599-024-03811-x" target="_blank" rel="noopener">alucinações</a><span style="font-size: 1.25rem;">&#8220;, um termo que evoca a imaginação ou o pensamento mágico e também pertence ao campo humano.</span> Mas isso não são alucinações, são erros reais que modelos construídos com probabilidade estatística cometem. E eles cometem muitos desses erros: alguns pesquisadores <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ruxpknMIQl8&amp;t=3s" target="_blank" rel="noopener">estimam que os modelos</a> estão errados em 25 a 30% dos casos.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Apesar disso, o efeito combinado dessa terminologia, a empolgação em torno dela e as próprias preocupações de Altman, amplamente divulgadas, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://futurism.com/artificial-intelligence/sam-altman-ai-labor" target="_blank" rel="noopener">sobre a IA avançada</a><span style="font-size: 1.25rem;"> moldaram a percepção do público em direção diferente.</span> Juntos, contribuem para um entendimento da IA generativa como algo dinâmico, expansivo e difícil de controlar, às vezes até mesmo descrita como uma <a href="https://www.theguardian.com/technology/2024/dec/27/godfather-of-ai-raises-odds-of-the-technology-wiping-out-humanity-over-next-30-years" target="_blank" rel="noopener">ameaça potencial</a> à existência da humanidade.</p>
<h3>Outro exemplo de humanização dos chatbots vem da Anthropic</h3>
<p>Recentemente, a Anthropic, empresa de IA fundada por ex-pesquisadores da OpenAI, lançou um documento intitulado <a href="https://www.anthropic.com/constitution" target="_blank" rel="noopener">Constituição do Claude</a>. <span style="font-size: 1.25rem;">Nele, como a acadêmica de  Direito Luisa Jarovsky </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.luizasnewsletter.com/p/claudes-strange-constitution" target="_blank" rel="noopener">observa</a><span style="font-size: 1.25rem;">, a Anthropic se baseia bastante no enquadramento antropomórfico, o que pode ser lido como um relato pretensioso, controverso e legalmente questionável sobre a natureza e o papel social dos sistemas de IA.</span></p>
<p>Por exemplo, o documento estabelece:&#8221;Nós incentivamos o Claude a abordar sua própria existência com curiosidade e abertura, em vez de abordá-la com base na visão humana ou em concepções anteriores à IA&#8221;.</p>
<p>Essa linguagem apresenta o modelo como uma entidade quase consciente, capaz de refletir e &#8220;abordar sobre sua própria existência&#8221;.</p>
<p>Sob a perspectiva de governança, afirma Jarovsky, a Constituição do Claude representa um <a href="https://www.luizasnewsletter.com/p/claudes-strange-constitution" target="_blank" rel="noopener">desenvolvimento preocupante.</a> Ameaça subordinar valores humanos, normas legais e direitos ao atribuir um status moral e filosófico indevido aos sistemas de IA.</p>
<p>Por fim, os próprios modelos de LLM <a href="https://theconversation.com/digital-brains-that-think-and-feel-why-do-we-personify-ai-models-and-are-these-metaphors-actually-helpful-265883" target="_blank" rel="noopener">são desenvolvidos para produzir</a> textos em primeira pessoa, informais e em tom de conversa, enquanto as vozes sintéticas são feitas para reproduzir o som humano. Inclusive, diz Caleb Sponheim, um ex-neurocientista computacional, esses sistemas produzem respostas cheias de amenidades desnecessárias, <a href="https://arxiv.org/abs/2310.13548" target="_blank" rel="noopener">concordâncias bajuladoras </a>e linguagem antropomorfizadora que prioriza o engajamento em vez da utilidade.</p>
<p>Além disso, uma das autoras do documento, a filósofa da Anthropic, Dra. Amanda Askell, disse que ela estava &#8220;<a href="https://www.wsj.com/tech/ai/anthropic-amanda-askell-philosopher-ai-3c031883" target="_blank" rel="noopener">construindo a personalidade do Claude&#8221;.</a></p>
<h3>A IA não é sua amiga</h3>
<p><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.techpolicy.press/author/emily-m-bender/" target="_blank" rel="noopener">Emily Bender</a><span style="font-size: 1.25rem;">, professora de linguística na Universidade de Washington, e </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.techpolicy.press/author/nanna-inie" target="_blank" rel="noopener">Nanna Inie</a><span style="font-size: 1.25rem;">, professora assistente na Universidade de TI de Copenhague, declaram: &#8220;A IA não é sua amiga. Nem é uma tutora inteligente, uma ouvinte empática ou uma assistente útil. Ela não pode &#8216;inventar fatos&#8217; e não comete &#8216;erros&#8217;.&#8221;</span>Ela não responde às suas perguntas de verdade&#8221;.</p>
<p>Ela não tem &#8220;criatividade&#8221;, não &#8220;pensa&#8221; nem &#8220;conecta&#8221;. Ela só consegue repetir o que já foi treinada e o que foi produzido por humanos. <span style="box-sizing: border-box;">A IA generativa não escreve, não desenha nem pinta: ela gera padrões estatisticamente próximos; trata-se de <a href="https://dl.acm.org/doi/abs/10.1145/3630106.3659040" target="_blank" rel="noopener">sistemas de automação probabilística</a>, o que os torna fundamentalmente diferentes da cognição ou da criatividade humanas.</span> Sim, eles provavelmente podem ser ferramentas úteis em algumas ocupações.</p>
<p>Mas, para entender isso, nós temos que mudar a linguagem em torno dos modelos de IA e a própria tecnologia. Os jornalistas e a mídia precisam parar de repetir o roteiro de marketing das empresas de tecnologia, e os políticos precisam parar de priorizar a urgência imaginária em vez da segurança e dos direitos humanos.</p>
<p>Então, a <a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s00146-020-00966-4">resposta</a> à questão: &#8220;Por que é vital valorizar a criatividade e a conexão humana na era da IA?&#8221; é que não existe outra criatividade ou conexão além da humana, não importa o que as empresas de tecnologia estejam tentando nos vender.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="contributors"><em>Daria Dergacheva é uma pesquisadora de mídia e comunicação, seu foco é governança de plataformas e de IA, autoritarismo digital e estudos sobre propaganda e desinformação. Ela tem trajetória no jornalismo e, atualmente, é editora da Global Voices para a Europa Central e o Leste Europeu, além de autora freelance e pesquisadora de tecnologia e as regiões do mundo da Maioria Global.</em><em> </em></div>
<p><span style="color: #999999;"><em>Ibrahim Kizza é um artista visual, designer e ilustrador cujo trabalho explora a conexão, a identidade e a cultura humana. Suas ilustrações são caracterizadas por composições marcantes, cores expressivas e um forte foco narrativo, frequentemente voltado à experiência de vida de pessoas negras. Trabalhando por meio de espaços editoriais e digitais, ele cria arte e ilustrações que equilibram simplicidade e profundidade emocional, usando contraste e simbolismo para comunicar ideias complexas com clareza. Para esse projeto, Ibrahim desenvolve uma resposta visual à tensão entre a conexão humana e a artificial, reforçando o valor da experiência vivida e da criatividade coletiva em um mundo cada vez mais automatizado. Além da ilustração, seus interesses incluem design, esportes e filmes, que continuam a informar sua linguagem visual e narrativa.</em></span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/daria-dergacheva/' class='user-link'>Daria Dergacheva</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/isabela-torezan/' class='user-link'>Isabela Torezan</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/04/16/there-is-no-connection-but-human-why-it-is-vital-to-value-human-creativity-in-the-age-of-ai/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Aprender sob árvores na era da IA: o paradoxo da educação em Moçambique</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/05/04/aprender-sob-arvores-na-era-da-ia-o-paradoxo-da-educacao-em-mocambique/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tirso Sitoe]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 May 2026 13:50:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[Ativismo Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Moçambique enfrenta um paradoxo educacional: enquanto se debate o uso de inteligência artificial, milhares de alunos ainda aprendem ao ar livre, sem infraestrutura básica nem acesso à internet]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>IA e desigualdade educacional num país onde milhares de alunos ainda aprendem ao ar livre</em></big></p><div id="attachment_122515" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122515" class="size-full wp-image-122515" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/School_7175864900.webp" alt="some classes of the school are conducted under the trees as there is not enough classrooms available Photo taken by Rahul Ingle, May 2012" width="960" height="720" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/School_7175864900.webp 960w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/School_7175864900-400x300.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/School_7175864900-800x600.webp 800w" sizes="auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px" /><p id="caption-attachment-122515" class="wp-caption-text"><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:School_(7175864900).jpg">Photo</a> taken by Rahul Ingle, May 2012.This file is licensed under the <a class="extiw" title="w:en:Creative Commons" href="https://en.wikipedia.org/wiki/en:Creative_Commons">Creative Commons</a> <a class="extiw" title="creativecommons:by/2.0/deed.en" href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/deed.en">Attribution 2.0 Generic</a> license.</p></div>
<p><em><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Este post faz parte da série especial de abril de 2026 da Global Voices, “ </span></span><a href="https://globalvoices.org/special/human-perspectives-on-ai/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Perspectivas humanas sobre IA</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> ”. Esta série oferece insights sobre como a IA está sendo usada em países de maioria globais, como seu uso e implementação estão afetando comunidades individuais, o que esse experimento com IA pode significar para as gerações futuras e muito mais.Você pode apoiar esta cobertura fazendo uma doação <a href="https://globalvoices.org/2026/04/03/support-our-first-global-voices-spotlight-issue-human-perspectives-on-ai/">aqui</a>.</span></span></em></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Em muitas comunidades de </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Mo%C3%A7ambique"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Moçambique</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, o processo de ensino e aprendizagem ainda </span></span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/42533107"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">acontece sob árvores</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, em pátios improvisados ​​ou em estruturas frágeis que mal protegem do sol e da chuva. A chamada sala de aula ao ar livre não é uma escolha pedagógica inovadora, mas, na maioria das vezes, a expressão de uma deficiência estrutural: falta de infraestruturas, deficiência de materiais e que tinha um déficit estimado em cerca de </span></span><a href="https://aimnews.org/2025/01/28/sector-da-educacao-com-um-defice-de-12-mil-professores-para-2025/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">12 mil professores em 2025</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> .</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Durante a época chuvosa, a situação agravou-se. Em várias regiões, o calendário letivo precisa ser ajustado para responder ao impacto das </span></span><a href="https://www.dw.com/pt-002/chuvas-em-mo%C3%A7ambique-%C3%A9-preciso-repensar-calend%C3%A1rio-escolar/a-76032971"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">características naturais, como chuvas intensas</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, que interromperam as aulas e dificultaram a continuidade do ensino entre janeiro e março de cada ano.</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">É neste cenário que surge a pergunta: qual é o lugar da inteligência artificial (IA) num sistema educativo que, em muitas zonas do país, ainda luta pelo básico?</span></span></p>
<h3><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A escola sem paredes e o grau da conectividade</span></span></h3>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Nos distritos rurais de províncias como </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cabo_Delgado_(prov%C3%ADncia)"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Cabo Delgado</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Nampula"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Nampula</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> e </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Zamb%C3%A9zia"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Zambézia</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> é comum, encontrar turmas com alunos a estudar sob as árvores e a </span></span><a href="https://www.correiodamanhacanada.com/mocambique-avalia-mudancas-para-se-evitar-alunos-a-estudar-debaixo-das-arvores/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ministra da Educação</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, Samaria Tovela, tem avaliado o ajuste de horários, pois, enquanto durante a </span></span><a href="https://www.rfi.fr/pt/mocambique/20181125-epoca-chuvosa-e-calamidades-em-mocambique"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">época chuvosa</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> , as aulas são frequentemente interrompidas; no período de calor intenso, a concentração torna-se um desafio constante. Sem quadros adequados, sem manuais suficientes e, muitas vezes, com um único </span></span><a href="https://opais.co.mz/qualidade-do-ensino-em-mocambique-ainda-enfrenta-grandes-desafios-alerta-paulino-fumo/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">professor responsável por várias turmas</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, o processo de ensino-aprendizagem torna-se irregular e profundamente desigual quando um </span></span><a href="https://mznews.co.mz/nampula-mais-de-um-milhao-de-alunos-aprendem-a-ler-e-a-escrever-no-chao/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">milhão de alunos aprende a ler e escrever no chão</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">.</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Este cenário evidencia um problema central: a aprendizagem depende de condições mínimas que ainda não estão garantidas. Ao mesmo tempo, um dos maiores obstáculos à introdução de tecnologias como a IA em contextos rurais africanos é a falta de conectividade. Em Moçambique, cerca de </span></span><a href="https://aimnews.org/2024/06/19/cerca-de-73-da-populacao-mocambicana-nao-tem-acesso-a-servicos-de-internet/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">73% da população não tem acesso à internet</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, segundo dados de 2024 do Ministério dos Transportes e Comunicações.</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">As desigualdades regionais colocam iniciativas limitadas, apesar de </span></span><a href="https://www.noticiasaominuto.com/tech/2854164/fraco-acesso-a-internet-dificulta-ensino-a-distancia-em-mocambique"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">alguns progressos registados nos últimos anos.</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> Essa limitação afeta diretamente o potencial de soluções como ensino à distância ou plataformas digitais de aprendizagem.</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Língua, cultura e papel do Estado e das parcerias</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Outro desafio crítico é a dimensão linguística e cultural. Em África, com mais de </span></span><a href="https://pt.smartling.com/blog/african-languages-lab-empowers-low-resource-languages-with-ai"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">2.000 idiomas falados, apenas uma fração</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> — cerca de 49 — está representada em plataformas digitais como o serviço de tradução do Google. A integração de línguas nativas de Moçambique, como </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_macua"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Emakhuwa</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_tsonga"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Xichangana</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> ou </span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_lomu%C3%A9"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Elomwe</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, em ferramentas educativas digitais, poderia aumentar significativamente a compreensão e o envolvimento dos alunos, sobretudo nos primeiros anos de escolaridade. No entanto, a aplicação dessas soluções levanta questões práticas em contextos onde o acesso à tecnologia ainda é limitado.</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ainda que a esmagadora maioria da população moçambicana fale uma língua bantu com mais frequência em </span></span><a href="https://www.mozcensus.com/theme_of_mozambique/facts-sheets/ThematicStudies-2017/Padrao_LinguisticoVFprint-02-02-24.pdf"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">casa (81,7%) e parte não saiba falar a língua portuguesa (41,9%)</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, na comunicação social e, sobretudo, na comunicação na/para a saúde, continua-se a privilegiar o uso da língua portuguesa em detrimento das línguas bantu, as línguas das massas, uma forma de exclusão social. Iniciativas emergentes, porém, mostram que este caminho é possível. </span></span><a href="https://mittechreview.com.br/ia-idiomas-africanos-lelapa-ai/?srsltid=AfmBOorHN67qlfdeSrbrLkAIF1QLuOpEqmd1bAIBqcRTMum1dyEZAao4"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Em Joanesburgo</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, por exemplo, startups tecnológicas estão a desenvolver soluções de IA adaptadas a idiomas africanos</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<h3><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Entre o potencial e os riscos</span></span></h3>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ferramentas offline, conteúdos pré-carregados e assistentes pedagógicos digitais são algumas das soluções possíveis, para enfrentar deficiências e limitações do sistema educativo e, Moçambique ainda </span></span><a href="https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000392743"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">não dispõe de políticas específicas</span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, para integrar inteligência artificial, embora o Estado possa desempenhar um papel central para integrar tecnologia no cotidiano de alunos e professores. Isso passa ainda por investir na formação de professores, garantir infraestruturas básicas, incluindo acesso à energia, fortalecer parcerias com universidades, startups e organizações internacionais.</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Falar de inteligência artificial em salas de aula ao ar livre pode parecer, à primeira vista, uma contradição, mas é precisamente nesses contextos que a tecnologia precisa ser pensada com criatividade e responsabilidade, não como substituta do essencial, mas como complemento estratégico.</span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A prioridade continua clara: construir escolas, formar professores e garantir materiais básicos. A questão é como integrar uma tecnologia desenvolvida sem desigualdades profundas, respeitando os contextos locais e colocando o aluno e o professor no centro das decisões. Num país onde ainda se aprende sob árvores, o futuro da educação dependerá não apenas da tecnologia disponível, mas das escolhas políticas e sociais que definem quem tem acesso ao conhecimento e em que condições.</span></span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/tirso-sitoe/' class='user-link'>Tirso Sitoe</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/05/School_7175864900-400x300.webp" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Subindo um Everest virtual com a ajuda de uma playlist da comunidade Global Voices</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/05/02/subindo-um-everest-virtual-com-a-ajuda-de-uma-playlist-da-comunidade-global-voices/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mariana Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 May 2026 13:28:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Caribe]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Esportes]]></category>
		<category><![CDATA[Jamaica]]></category>
		<category><![CDATA[Líbano]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio e Norte da África]]></category>
		<category><![CDATA[Síria]]></category>
		<category><![CDATA[Trindade e Tobago]]></category>
		<category><![CDATA[Venezuela]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
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					<description><![CDATA[Ao longo de três dias, Nate Matias, integrante da GV, pedalou uma elevação de praticamente 10.000 metros para ajudar a arrecadar dinheiro para a Global Voices.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Nossa comunidade fez uma playlist para ajudar Nate a pedalar uma distância igual a do Everest</em></big></p><p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-featured_image_large wp-image-source-840643" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/07/Everest-Roam-800x450.png" alt="" width="800" height="450" /></p>
<p>Ao longo de três dias, Nate Matias, integrante da comunidade Global Voices (GV), pedalou uma elevação de quase 10 mil metros para ajudar a arrecadar fundos para a organização. <span style="font-size: 1.25rem;">É uma longa distância e, para ajudá-lo nesse trajeto, membros da comunidade montaram uma </span><em style="font-size: 1.25rem;">playlist</em><span style="font-size: 1.25rem;"> para que ele a escutasse ao longo do caminho.</span></p>
<p>Aqui está a <a href="https://open.spotify.com/playlist/6d1pMLUrZM0EkG5L6W4Bzf"><em>playlist</em> completa da comunidade</a>, feita especialmente para a jornada de Matias!</p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Climbing a virtual Everest with the Global Voices Community Playlist" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/6d1pMLUrZM0EkG5L6W4Bzf?utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>Pedimos o contexto das músicas escolhidas para alguns membros da comunidade. Aqui estão suas histórias:</p>
<h3>“<em>Jerusalém</em>” de Fairouz e Ziad Rahbani</h3>
<p><iframe loading="lazy" title="FAIROUZ - El Qods /Jerusalem  1967 فيروز - القدس زهرة المدائن" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/h4XHLFrussY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><a href="https://globalvoices.org/author/elisa-marvena/">Elisa Marvena</a> recomendou a música &#8220;Jerusalém&#8221;, que tem muitas versões, porém, a que recomenda é cantada pela artista libanesa Fairouz, e explica o que a música significa pra ela:</p>
<p>&#8220;É difícil mensurar o impacto do legado de <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Fairuz">Fairouz</a> na música e na cultura do SWANA (Sudoeste Asiático e Norte da África). Embora seja uma libanesa cristã nascida na década de 1930, sua música e imagem atravessam identidades geográficas, nacionais, geracionais, étnicas, religiosas e de classe social.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Com a contribuição de diversos compositores e produtores, sobretudo de seu filho </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Ziad_Rahbani" target="_blank" rel="noopener">Ziad Rahbani, </a><span style="font-size: 1.25rem;">produtor, compositor, pianista, dramaturgo e comentarista político libanês, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://pt.globalvoices.org/2026/04/14/morre-compositor-dramaturgo-e-satirista-politico-libanes-ziad-rahbani-a-voz-de-uma-geracao-se-cala/" target="_blank" rel="noopener">falecido em julho de 2025</a><span style="font-size: 1.25rem;">, também incorporou estilos musicais variados.</span> Porém, essa música em específico é um hino — uma canção de amor a Al Quds, a cidade de Jerusalém.</p>
<p>Por meio de versos poéticos e metáforas, a música aborda o luto, a destituição, a resistência e a libertação. Você nem precisa entender a língua para compreender a profundidade do sentimento ou chorar ao ouvi-la. Eu sempre me arrepio. Entretanto, das <a href="https://www.youtube.com/watch?v=LtE7YoVbqwU">duas</a> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=-Gs4mdGYGJc">versões</a> que sugeri [para a <em>playlist</em>], nenhuma é interpretada pela própria Fairouz, mas sinto que ambas fazem jus a ela.&#8221;</p>
<h3 class="style-scope ytd-watch-metadata">“<em>Zamilou</em>” de Bu Kolthoum  | بو كلثوم &#8211; زمّلوا</h3>
<p><iframe loading="lazy" title="Bu Kolthoum - Zamilou | بو كلثوم - زمّلوا" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/k9T0SuZ-xFg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><a href="https://community.globalvoices.org/author/laraalmalakeh/">Lara AlMalakeh</a> sugeriu essa música feita por uma cantora de <em>rap</em> síria em 2018, que está se popularizando nos Países Baixos. Lara explica o que seu trabalho significa para as mulheres:</p>
<p>&#8220;Então, a música é de uma cantora de <em>rap</em> síria que se refugiou nos Países Baixos e adotou o nome artístico Bou Kulthoum (derivado da cultura árabe). Essa música sobre o empoderamento feminino fala da força e do impacto que elas têm, mas, nas sociedades árabes, são frequentemente menosprezadas.</p>
<p>É por isso que amo essa música e sempre apoio Bou Kulthoum, que luta para ser reconhecida pela indústria.&#8221;</p>
<h3>O álbum “<em>Ibérica y Latina</em>” de Gaélica</h3>
<p><iframe loading="lazy" title="Gaélica - Ibérica &amp; Latina" width="650" height="488" src="https://www.youtube.com/embed/jBgJovKwh54?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><a href="https://globalvoices.org/author/estefania-salazar/">Estefanía Salazar</a> sugeriu um álbum fabuloso, tão diverso quanto a comunidade GV!</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">&#8220;</span><em style="font-size: 1.25rem;">Ibérica y Latina</em><span style="font-size: 1.25rem;">&#8221; (2005) é uma trilha instrumental divertida, composta pela banda venezuelana Gaélica, que mistura elementos musicais da Ilha da Madeira (Portugal), da província da Galícia (Espanha) e das Américas, presentes na cultura venezuelana.</span> Ela realmente transmite uma energia de &#8216;levante e brilhe&#8217;. Não perca nada a partir do minuto 3:10.</p>
<p>A história real é essa: esses elementos vêm da fusão de sons locais e das comunidades madeirense e galega que migraram para a Venezuela após a Segunda Guerra Mundial. Isso reflete a mistura que pode existir em qualquer lugar — tanto no âmbito cultural quanto no musical. No álbum, é possível ouvir gaitas, e sim, na Galícia se usam gaitas (algo que vem da influência celta).</p>
<p>Na primeira vez, ouvi como se fosse um despertador — é uma das músicas mais alegres que já ouvi de manhã!&#8221;</p>
<h3>Uma seleção de <em>hits</em> inspirados no ritmo caribenho</h3>
<p><iframe loading="lazy" title="Buju Banton ft. Nadine Sutherland - What Am I Gonna Do | Official Music Video" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/C0IKuoPitrM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><a href="https://globalvoices.org/author/candice-stewart/">Candice Stewart</a>, uma colaboradora frequente da equipe caribenha da GV, montou uma lista de músicas para ajudar a energizar Nate em sua jornada.</p>
<p>&#8220;Podem me chamar de &#8216;<a href="https://jamaicanpatwah.com/term/Selecta/5863">selecta</a>&#8216; ou de DJ. Hahaha. Minhas seleções para a <em>playlist</em> do Nate têm inspiração no coração do Caribe, especialmente na minha terra natal, a Jamaica, e no meu outro amor, Trinidad e Tobago, além de alguns sucessos de artistas de toda a região. Essa seleção foi apurada para levar Nate a uma jornada: músicas que oferecem bênçãos, orientação e proteção, enquanto ele dá seu primeiro passo rumo ao Everest; músicas que ensinam paciência, perseverança e entusiasmo; e músicas que manifestam a vitória e a mentalidade de campeão.</p>
<p>Desde a base espiritual de ‘<em>23rd Psalm’,</em> de Buju Banton ft. Morgan Heritage, e ‘<em>Lord Watch Over Our Shoulders</em>’, de Garnett Silk, até a chama motivacional de ‘<em>Far From Finished</em>,’ de Voice, e ‘<em>Winning Right Now</em>’, de Agent Sasco, cada música tem uma intenção. Há também os hinos encorajadores, como ‘<em>Shake The Place’</em>, de Machel Montano e Destra Garcia, ‘<em>Cocoa Tea’</em>, de Kes, ‘<em>What Am I Gonna Do’</em>, de Buju Banton ft Nadine Sutherland, e ‘<em>Come Home’, </em>de Nailah Blackman e Skinny Fabulous, que irão despertar o ânimo festivo de Nate e manter seu espírito motivado.&#8221;</p>
<h3>“<em>Active</em>” de Asake e Travis Scott</h3>
<p><iframe loading="lazy" title="Asake, Travis Scott - Active (Official Video)" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/JRF_sdTXpGw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Por último, a colaboradora <a href="https://globalvoices.org/author/pamela-ephraim/">Pamela Ephraim</a> escolheu uma música esportiva e eletrizante, com um misto de expressões das línguas yoruba e pidgin, para motivar Nate até a linha de chegada.</p>
<p>&#8220;Escolhi essa música com ritmo <em>Afrobeats</em> eletrizante porque o mais importante é estar animado, confiante e prosperar. Asake canta repetidamente &#8216;<em>Oh man, I’m active</em>&#8216; (Ah, cara, estou ativo). É uma afirmação clara de que está em seu melhor momento. <span style="font-size: 1.25rem;">A letra destaca força, empenho e presença, usando expressões da língua yoruba e pidgin, como </span><em style="font-size: 1.25rem;">kampe </em><span style="font-size: 1.25rem;">(forte ou fortalecido), para ressaltar sua resiliência.&#8221;</span></p>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Além de uma <em>playlist</em> variada, membros da comunidade Global Voices no Nepal criaram outra <a href="https://open.spotify.com/playlist/3CYeUWype1ilFC9j2y9cFn" target="_blank" rel="noopener">com destaque para músicas nepalesas, </a>como forma de honrar as raízes do país na competição de ciclismo.</span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/sydney-allen/' class='user-link'>Sydney Allen</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/mariana-lopes/' class='user-link'>Mariana Lopes</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2025/08/05/climbing-a-virtual-everest-with-the-global-voices-community-playlist/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/07/Everest-Roam-400x300.png" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Sociedade civil questiona decreto que pode bloquear acesso à redes de telecomunicações em Moçambique</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/30/sociedade-civil-questiona-decreto-que-pode-bloquear-acesso-a-redes-de-telecomunicacoes-em-mocambique/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tirso Sitoe]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 01:06:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[Ativismo Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Censorship]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Lei]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de Expressão]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia e Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Moçambique]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=121265</guid>

					<description><![CDATA[O decreto sobre telecomunicações em Moçambique levanta preocupações sobre possíveis restrições a direitos fundamentais, incluindo liberdade de expressão e acesso à informação em contextos de tensão política]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Governo alega que medida &#8216;protege a sociedade&#8217;, mas organizações veem risco à liberdade de expressão</em></big></p><div id="attachment_121649" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-121649" class="wp-image-121649 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-scaled.jpeg" alt="Protestos pós-eleições em Maputo, Moçambique, em 2025." width="2560" height="1706" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-scaled.jpeg 2560w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-400x267.jpeg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-800x533.jpeg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-1536x1024.jpeg 1536w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-2048x1365.jpeg 2048w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2025-05-28-at-16.05.03-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><p id="caption-attachment-121649" class="wp-caption-text"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Protestos pós-eleições em Maputo, Moçambique, em 2025. Foto: Wilson Thole/Uso autorizado</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p></div>
<p data-start="592" data-end="1055"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Organizações da sociedade civil em Moçambique, como o </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><a href="https://cddmoz.org/?lang=en"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD)</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">,</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> submeteram um </span></span></span></span></span></span><a href="https://cddmoz.org/wp-content/uploads/2026/02/Conselho-Constitucional-deve-declarar-inconstitucional-decreto-que-institucionaliza-o-bloqueio-das-redes-de-telecomunicacoes-em-Mocambique.pdf"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">documento</span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> ao </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Provedor_de_Justi%C3%A7a_(Mo%C3%A7ambique)"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Provedor de Justiça</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> contestando a constitucionalidade do </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://mznews.co.mz/executivo-mocambicano-aprova-decreto-que-permite-bloqueio-da-internet-em-caso-de-manifestacoes/"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Decreto n.º 48/2025, de dezembro de 2025</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, que estabelece mecanismos de controlo e possíveis bloqueios do acesso às redes de telecomunicações no país.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span> </span></p>
<p>Segundo o <a href="https://moz24h.co.mz/lei-da-comunicacao-levanta-suspeitas-de-censura-e-ameaca-liberdade-de-imprensa-em-mocambique/">portal Moz24h</a>, a preocupação entre jornalistas e especialistas é que <span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">a medida possa ameaçar direitos como a </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">liberdade de expressão, o acesso à informação e à comunicação, sobretudo em contextos de mobilização social ou tensão política</span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">. </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O questionamento surge num contexto ainda quente para o país dos conflitos <a href="https://pt.globalvoices.org/2025/01/30/manifestacoes-em-mocambique-pos-eleicoes-inspiram-protestos-contra-a-crise-socioeconomica-em-angola/">após as eleições de 2024</a> &#8212; <a href="https://www.dw.com/pt-002/manifesta%C3%A7%C3%B5es-p%C3%B3s-eleitorais-provocaram-411-mortes/a-74435946">dados da Plataforma Decide</a>, até outubro de 2025, apontaram 411 mortos e cerca de 7.200 detidos.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<header class="sgeegmk"></header>
<p data-start="592" data-end="1055"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ativistas e organizações cívicas argumentam </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">que o decreto pode permitir </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://www.dw.com/pt-002/mo%C3%A7ambique-governo-pode-bloquear-telecomunica%C3%A7%C3%B5es-em-caso-de-risco/a-75513767"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">restrições ao acesso à internet e às plataformas digitais</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> — ferramentas cada vez mais centrais para a circulação de informação, organização de protestos e participação cívica. O texto aprovado permite ao Estado suspender os serviços de telecomunicações por até 48 horas, sem necessidade de ordem judicial, reporta a <a href="https://www.dw.com/pt-002/mo%C3%A7ambique-governo-pode-bloquear-telecomunica%C3%A7%C3%B5es-em-caso-de-risco/a-75513767">Deutsche Welle</a>.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ainda segundo </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">organizações da sociedade civil, </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><a href="https://cddmoz.org/wp-content/uploads/2026/01/Legalizacao-do-bloqueio-das-redes-de-telecomunicacoes-e-um-retrocesso-democratico-e-uma-afronta-aos-direitos-humanos.pdf"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">o decreto concede amplos poderes às autoridades</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> para intervir nas redes de telecomunicações sob justificativas relacionadas à segurança nacional ou à manutenção da ordem pública.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Ao recorrer ao Provedor de Justiça, as organizações solicitam uma análise sobre a compatibilidade do decreto com a Constituição da República de Moçambique e com os compromissos internacionais que reforçam o país em matéria de direitos humanos e liberdade de expressão.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Em março de 2026, o </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://mznews.co.mz/governo-insiste-que-bloqueio-de-telecomunicacoes-visa-proteger-a-sociedade-em-momentos-criticos/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">ministro das Comunicações e Transformação Digital</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a>, Américo Muchanga, negou</span></span><span style="color: #000000;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> que a medida fosse uma restrição de direitos. Ele a defendeu como forma de proteger a sociedade em momentos críticos, reforçando</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> a capacidade do Estado de gerir situações de crise e de proteger infraestruturas críticas de telecomunicações.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<h4 data-section-id="y6jw7l" data-start="2341" data-end="2374"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Especialistas divergem na leitura </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></h4>
<p data-start="2376" data-end="2488"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Especialistas consultados </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span style="color: #000000;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">pelo GV</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> sobre o decreto apresentam interpretações diferentes sobre seus possíveis impactos.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p>Um <span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">pesquisador, que pediu para não ser identificado por questões de segurança, lembra que várias democracias do mundo possuem</span></span></span></span></span></span></span></span> <span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">mecanismos legais que permitem restrições temporárias às comunicações.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> Para o pesquisador, contextos políticos onde manifestações sociais são frequentemente interpretadas como ameaças à estabilidade podem tornar a aplicação desse tipo de legislação particularmente sensível. Ele pontua:</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<blockquote>
<p data-start="2376" data-end="2488"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O que foi feito neste decreto é tentativa de legalizar toda e qualquer ação que o governo possa ter em uma situação de protesto social. Na França existe, no Brasil existe, nos Estados Unidos existem. Em qualquer parte em que exista alguma democracia, que chamamos a dita democracia consolidada, existem dispositivos estatais, governamentais, que limitam o acesso às comunicações, quando se entende que eles violam o direito de outras pessoas ou imposições em causa do próprio Estado. Não é o decreto o problema. O problema é como pode ser aplicado. O nosso problema é que não há tolerância. Tudo aquilo que parece ser protesto é visto como tentativa de subversão, tentativa de colocar em causa a ordem. É um problema histórico de governança e questão central na interpretação também do próprio decreto.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
</blockquote>
<p data-start="3057" data-end="3346"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Já o ativista e jornalista </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://4vesreportermoz.com/equipa-de-trabalho/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Nadio Taimo</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> ressalta que o decreto surge num momento em que o espaço cívico digital em Moçambique enfrenta pressões crescentes. Segundo ele, o acesso à internet tornou-se fundamental para a circulação de informação e para o exercício da liberdade de expressão. Taimo observa que muitos órgãos de comunicação social migraram para plataformas digitais devido aos costumes da imprensa tradicional, tornando o ambiente online um espaço importante para divulgação de notícias, debate público e mobilização social. Nesse contexto, possíveis bloqueios de acesso à internet poderiam significativamente limitar </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">o acesso à informação.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span style="color: #ff0000;"><strong> </strong></span></span></span></span></span></p>
<blockquote>
<p data-start="3057" data-end="3346"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> Já temos uma expansão, uma onda crescente de jornais eletrônicos. Já não imprimimos jornais, devido aos custos. Migramos para a era </span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">digital, logo, há aqui um bloqueio de acesso à informação, e até o próprio espaço de opinião, de promoção da liberdade de expressão, pode ser limitado. Os órgãos de comunicação social são todos, a maior parte deles, do governo, e controlados, e nos é fechado o espaço cívico, o espaço físico, nas ruas, quando nos proíbem de realizar marchas. </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
</blockquote>
<p data-start="3708" data-end="3980"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O ativista acrescenta ainda que o decreto pode formalizar práticas que, segundo organizações da sociedade civil, já ocorreram anteriormente em momentos de tensão política:</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<blockquote>
<p data-start="3708" data-end="3980"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Este documento é apenas uma formalização de uma intenção política de bloqueio da internet, que já vinha sendo aplicada, só que não havia uma formalização legal.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
</blockquote>
<h4>Casos antecedentes: protestos e controlo</h4>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O debate sobre o controlo das telecomunicações em Moçambique também está ligado a episódios anteriores de mobilização social. Em </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://pt.globalvoices.org/2010/09/01/mocambique-maputo-em-alerta-com-revolta/"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">fevereiro de 2008</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">  e</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://pt.globalvoices.org/2010/09/05/mocambique-inquietacao-violenta-frustracao-em-maputo/"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> setembro de 2010</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">protestos populares nas cidades de Maputo e Matola foram desencadeados pelo aumento do custo de vida, especialmente dos preços do transporte e de bens essenciais. Durante essas manifestações, telefones móveis e mensagens de texto foram amplamente utilizados para mobilizar e coordenar as ações. Em resposta, o governo da época promoveu medidas mais rigorosas de regulação das comunicações, incluindo a obrigatoriedade do registo de</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://pt.globalvoices.org/2014/04/02/governo-de-mocambique-quer-criminalizar-mensagens-telefonicas-e-publicacoes-insultuosas-na-internet/"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> cartões SIM</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> para todos os utilizadores.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p>Novos protestos voltaram a ocorrer em<a href="https://www.voaportugues.com/a/mozambique--disturbances-maputo/1537522.html"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> novembro de 2012</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, impulsionados principalmente por jovens que contestavam o aumento das tarifas do transporte semi-coletivo urbano, conhecidos como</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://www.folhademaputo.co.mz/pt/noticias/nacional/chapa-100-mais-caro-a-partir-de-segunda-feira/"><span dir="auto"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> chapa-100</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span style="color: #000000; font-size: 1.25rem;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">. </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">A rápida intervenção das forças policiais em locais de maior concentração de manifestantes impediu que os protestos se expandissem.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p>Esses episódios ocorreram <span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">em momentos marcantes de reivindicação social da juventude moçambicana no </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_da_Independ%C3%AAncia_de_Mo%C3%A7ambique"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">período pós-independência</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a> (1975)<span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, refletindo frustrações relacionadas com desigualdades econômicas, desemprego e aumento do custo de vida num contexto de liberalização econômica. Nesse cenário, a cultura urbana também desempenhou um papel importante na expressão do descontentamento social. Artistas como o rapper </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://pt.globalvoices.org/2023/03/21/mocambique-morte-de-rapper-e-activista-provoca-actos-de-manifestacao-e-repressao-policial/"><span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Azagaia</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> tornaram-se vozes influentes entre os jovens, com canções de crítica social amplamente difundidas em manifestações e plataformas digitais.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<h4 data-section-id="1jf9xca" data-start="5630" data-end="5676"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Tendência regional de bloqueios de internet</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></h4>
<p data-start="5678" data-end="5893"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">O debate em Moçambique não é uma situação isolada. <a href="https://www.southernafricalitigationcentre.org/regulamentacao-das-comunicacoes-ameaca-encerramento-da-internet/">Organizações internacionais</a> de monitoramento digital documentaram diversos casos de interrupção da internet em países africanos nos últimos anos, frequentemente associados a processos eleitorais, manifestações populares ou conflitos internos. Em </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://www.dw.com/pt-002/protestos-em-angola-corte-da-internet-levanta-suspeitas-de-censura/a-73381952"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Angola</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> e </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span><a href="https://www.diarioeconomico.co.mz/2025/12/10/mundo/africa/guine-bissau-comando-militar-ameaca-fechar-comunicacao-social-que-noticiar-desobediencia-civil/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Guiné-Bissau</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></a><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">, por exemplo, o bloqueio ou a restrição do acesso à internet tem sido utilizado por governos durante períodos de instabilidade política.  </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Organizações de direitos humanos e grupos de defesa da liberdade digital argumentam que os bloqueios limitam o acesso à informação, dificultam o trabalho de jornalistas e restringem a participação cívica, e especialistas em governança digital alertam que tais medidas podem ter impactos significativos não apenas no debate público, mas também nos meios de </span></span></span></span></span></span><a href="https://www.southernafricalitigationcentre.org/regulamentacao-das-comunicacoes-ameaca-encerramento-da-internet/"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">subsistência</span></span></span></span></span></span></a> da população civil.</span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">Apesar da entrada em vigor do decreto referido, em Moçambique, ainda não se registou a sua aplicação prática, o que dificulta avaliar os efeitos que ele poderá ter nas mãos do governo. Paralelamente, o Conselho Constitucional </span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;">ainda não se manifestou sobre o posicionamento das organizações da sociedade civil</span></span></span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> quanto</span></span></span></span><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"><span dir="auto" style="vertical-align: inherit;"> a uma eventual inconstitucionalidade do diploma, o que contribui para um cenário de incerteza jurídica e institucional.  </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/tirso-sitoe/' class='user-link'>Tirso Sitoe</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Como Bad Bunny apresentou a crise energética de Porto Rico para o resto do mundo</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/28/como-bad-bunny-apresentou-a-crise-energetica-de-porto-rico-para-o-resto-do-mundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kelly Teotonio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 13:13:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Caribe]]></category>
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					<description><![CDATA[O sistema elétrico de Porto Rico sofreu diversas crises desde o furacão Maria em 2017, o qual destruiu parte da rede e provocou o maior apagão da história moderna dos Estados Unidos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Para milhões, um visual marcante, mas para os porto-riquenhos, é apenas um reflexo de sua realidade.</em></big></p><div style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G6FuWd4wNd8"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/Screenshot-2026-03-18-at-10.16.05-AM-800x447.png" alt="Captura de tela da apresentação do Bad Bunny no show de intervalo do Super Bowl LX. Foto: NFL Youtube. Usada com autorização." width="800" height="447" /></a><p class="wp-caption-text">Captura de tela da apresentação do Bad Bunny no show de intervalo da Apple Music do Super Bowl LX. Foto: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=G6FuWd4wNd8&amp;list=RDG6FuWd4wNd8&amp;start_radio=1">NFL YouTube. </a>Uso justo.</p></div>
<p><span style="box-sizing: border-box;">Os shows durante o intervalo do Super Bowl sempre são um grande espetáculo, mas o artista porto-riquenho <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Bad_Bunny" target="_blank" rel="noopener">Bad Bunny</a> fez algo incomum no <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Super_Bowl_LX_halftime_show" target="_blank" rel="noopener">Super Bowl LX</a>: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=G6FuWd4wNd8" target="_blank" rel="noopener">deu uma aula</a> sobre distribuição de energia ao transformar a infraestrutura elétrica em uma coreografia perfeitamente sincronizada.</span></p>
<p>Enquanto o cantor apresentava sua canção “<a href="https://www.youtube.com/watch?v=bULgFtLuBc8&amp;list=RDbULgFtLuBc8&amp;start_radio=1">El Apagón</a>” (“O apagão”), dançarinos vestidos de eletricistas escalavam postes elétricos e faíscas saíam dos cabos de energia. Para milhões de pessoas, foi um momento visual impressionante. Porém, para os porto-riquenhos, <a href="https://globalvoices.org/2017/09/25/puerto-rico-trapped-between-colonialism-and-hurricanes/">refletiu</a> a realidade do dia a dia: uma rede elétrica frágil e apagões sucessivos que, por anos, têm <a href="https://globalvoices.org/2016/09/28/puerto-rican-unity-a-bright-spot-in-the-darkness-of-an-archipelago-wide-blackout/">definido o estilo de vida</a> dos moradores da ilha.</p>
<p>Conforme <a href="https://san.com/cc/why-did-bad-bunny-climb-a-utility-pole-a-deep-dive-into-puerto-ricos-power-grid/">relatou</a> Diana Hernández, professora e codiretora do Laboratório de Oportunidades Energéticas da Universidade de Columbia, para a plataforma jornalística Straight Arrow News:&#8221;Para quem talvez tenha esquecido, ao escalar postes de energia elétrica, Bad Bunny deu voz e visibilidade a uma situação persistente sobre o que significa ser impotente em Porto Rico, no sentido mais literal possível&#8221;.</p>
<p>Mesmo sem citar termos como &#8220;<a href="https://globalvoices.org/special/sids-nations/">mudanças climáticas</a>&#8220;, a apresentação ilustrou um momento de comunicação sobre a energia, que milhões puderam entender imediatamente, em nível local e global:</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">The production on the Bad Bunny halftime show was off the charts. From the cane fields to the broken power lines, it was rich in symbolism and Puerto Rican pride. And pounded to a relentless beat. <a href="https://twitter.com/hashtag/SuperBowl?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#SuperBowl</a></p>
<p>— Tom Harrington (@cbctom) <a href="https://twitter.com/cbctom/status/2020673290449060154?ref_src=twsrc%5Etfw">February 9, 2026</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>A produção do show de Bad Bunny durante o intervalo foi fora de série. Desde as plantações de cana até as fiações danificadas, foi rico em simbolismo e orgulho porto-riquenho. E ao ritmo de uma batida implacável. #SuperBowl</p></blockquote>
<p>Devido à natureza urgente e extensa do problema, a ciência climática e a comunicação resultantes sobre a situação costumam estar <a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/sd.70852">associadas</a> ao aumento da ansiedade existencial. <span style="font-size: 1.25rem;">No entanto, iniciativas como o </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://climatecommunication.yale.edu/" target="_blank" rel="noopener">Programa Yale sobre Comunicação das Mudanças Climáticas</a><span style="font-size: 1.25rem;"> e </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.amazon.com/Climate-Action-Kids-Introduction-Introductions/dp/1647554470" target="_blank" rel="noopener">livros infantis,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> como o do escritor nova-iorquino Ian Hunt, buscam abordar o problema em nível sistêmico.</span></p>
<h3>Sobrecarga de rede</h3>
<p>O sistema elétrico de Porto Rico sofreu diversas crises desde a <a href="https://pt.globalvoices.org/2017/10/19/autoridades-encobrem-a-devastacao-e-o-numero-de-mortos-em-porto-rico/">devastação da ilha pelo furacão Maria</a> em 2017. A tempestade destruiu a maior parte da rede de distribuição e provocou o maior apagão da história moderna dos Estados Unidos, deixando várias comunidades sem energia por quase um ano. Depois de quase nove anos, interrupções no fornecimento de energia ainda são rotineiras.</p>
<p><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.eia.gov/todayinenergy/detail.php?id=65925" target="_blank" rel="noopener">Dados oficiais do governo</a><span style="font-size: 1.25rem;"> mostram que, entre 2021 e 2024, os usuários porto-riquenhos passaram por 27 horas de interrupção de eletricidade por ano — sem incluir interrupções causadas por tempestades —, bem acima da média em todo o território dos EUA.</span> Somente em 2024, os moradores registraram mais 70 horas sem energia, incluindo interrupções causadas por tempestades.</p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Entretanto, os preços da energia elétrica continuam sendo os mais altos dos Estados Unidos, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://findenergy.com/pr/" target="_blank" rel="noopener">variando</a><span style="font-size: 1.25rem;"> entre US$ 0,24 e US$ 0,49 por quilowatt-hora nos últimos anos, o que está significativamente acima da média do continente.</span> Isso <a href="https://www.eia.gov/states/RQ/analysis">reflete</a> décadas de investimento precário, infraestrutura desatualizada e uma rede exposta a riscos naturais, mas os números sozinhos não mostram o que ocorre na prática: alimentos estragados, <a href="https://healthresponsealliance.org/updated-apr-18-spotrep-puerto-rico-island-wide-power-outage">aparelhos de diálise paralisados</a>, estabelecimentos fechados e crianças que usam lanternas para concluir seus deveres escolares.</p>
<h3>Decadência dos sistemas de energia</h3>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">O sistema de energia de Porto Rico depende fortemente de usinas termelétricas que utilizam combustíveis fósseis, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://openinframap.org/stats/area/Puerto%2520Rico/plants" target="_blank" rel="noopener">localizadas</a><span style="font-size: 1.25rem;"> no sul da ilha.</span> A energia deve percorrer grandes distâncias por territórios montanhosos para chegar às populações do norte. Esses corredores de transmissão são bastante vulneráveis a furacões, deslizamentos de terra e eventos climáticos extremos.</p>
<p>Enquanto isso, o relatório da Sociedade Americana de Engenheiros Civis sobre a infraestrutura de Porto Rico (2019) classificou o sistema elétrico com a <a href="https://2021.infrastructurereportcard.org/state-item/puerto-rico/">nota F</a>, citando equipamentos deteriorados, redundância insuficiente e planejamento limitado de resiliência. <span style="font-size: 1.25rem;">O especialista em energia, Cecilio Ortiz García, </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.nytimes.com/interactive/2018/05/06/us/puerto-rico-power-grid-hurricanes.html%23:~:text=The%2520Corroding%2520Grid,on%2520the%2520island%2520was%2520out." target="_blank" rel="noopener">descreveu o sistema</a><span style="font-size: 1.25rem;"> sem rodeios: &#8220;A rede elétrica que o furacão Maria encontrou já estava à beira do colapso&#8221;.</span></p>
<p>Desde então, as mudanças climáticas intensificaram ainda mais os riscos. <span style="box-sizing: border-box;">O aumento da temperatura do oceano contribui para a formação de tempestades mais intensas e outros furacões, como o <a href="https://socialbites.ca/news/hurricane-fiona-puerto-rico-struggles-with-power-outages-flooding-and-shelters" target="_blank" rel="noopener">Fiona em 2022</a>, que, mais uma vez, provocou cortes de luz.</span> Em um sistema já enfraquecido por décadas de financiamento escasso, até mesmo perturbações menores podem gerar um efeito em cascata entre os habitantes.</p>
<h3>Desafios no investimento</h3>
<p>Em 2021, Porto Rico <a href="https://ieefa.org/resources/puerto-rico-grid-privatization-flaws-highlighted-first-two-months-operation">transferiu o gerenciamento da sua rede de transmissão e distribuição </a><span style="box-sizing: border-box;">para</span> a LUMA Energy, um consórcio norte-americano e canadense, com o  intuito de modernizar as operações. No entanto, a tentativa de privatização <a href="https://spectrum.ieee.org/the-privatization-of-puerto-rico-power-grid-mired-in-controversy">tem gerado controvérsias</a>.</p>
<p>Moradores locais protestam contra quedas de energia frequentes e aumentos na conta de luz, enquanto críticos apontam que as melhorias na confiabilidade têm sido lentas. Por outro lado, <span style="font-size: 1.25rem;">apoiadores do projeto </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.cbsnews.com/news/hurricane-maria-luma-energy-power-grid/" target="_blank" rel="noopener">rebatem</a><span style="font-size: 1.25rem;"> dizendo que  reconstruir um sistema inteiro requer tempo e investimentos contínuos.</span></p>
<p>As restrições financeiras complicam ainda mais a situação. <span style="box-sizing: border-box;">A Autoridade de Energia Elétrica de Porto Rico (PREPA) <a href="https://finance.yahoo.com/news/puerto-ricos-prepa-urged-tough-160320696.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAAApRY2kte3ACGgwfnCt7sVoWk_Dbsd86JEkJuygpMiBHYnqjFoRAr1H7zAlxxGZucWuhtKJzjbcqeyopx1rYys0ESFF5PwUcqIP3kJTzfPL-RpPANvfEbVWzHMMg3wPTRLyMgnIH6CIaE0oO-Fp1rnMqEFg9Y-tS414u0AuA5BYM" target="_blank" rel="noopener">tem dívidas de bilhões de dólares</a>, o que dificulta o financiamento para realizar as extensas melhorias em sua infraestrutura.</span> A assistência federal também tem sido instável. <span style="font-size: 1.25rem;">Em 2023, o Departamento de Energia dos EUA </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.energy.gov/gdo/puerto-rico-energy-resilience-fund" target="_blank" rel="noopener">lançou</a><span style="font-size: 1.25rem;"> o Fundo de Resiliência Energética de Porto Rico no valor de US$ 1 bilhão, com o objetivo de expandir sistemas de energia solar em telhados e de armazenamento em baterias para famílias em situação de vulnerabilidade, mas as últimas notícias </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://time.com/7381685/puerto-rico-power-outages-renewable-energy/" target="_blank" rel="noopener">indicaram</a><span style="font-size: 1.25rem;"> que parte dos recursos foi adiada ou redirecionada.</span></p>
<p>Apesar dos desafios, a transformação está em curso e os sistemas de energia solar em telhados e de armazenamento em baterias estão se expandindo em Porto Rico. Desde o segundo semestre de 2025, a ilha <a href="https://ieefa.org/resources/rooftop-solar-puerto-rico-reaches-10-grid-reliability-continues-wane">instalou</a> mais de um gigawatt de capacidade em energia solar, suprindo uma grande parcela da demanda energética.</p>
<h3>As comunidades se mobilizam</h3>
<p>Há também iniciativas criadas pela própria comunidade. Em Adjuntas, cidade localizada na região montanhosa, a organização sem fins lucrativos Casa Pueblo tornou-se <a href="https://www.france24.com/en/live-news/20250725-puerto-rico-s-community-owned-solar-power-alternative-to-frequent-blackouts">pioneira</a> na implementação de microredes solares, permitindo que comunidades locais e empresas continuem operando mesmo diante de uma falha na rede central. O dono de um pequeno negócio local descreveu a mudança como:&#8221;Agora eu tenho estabilidade, não fico sem energia e posso continuar trabalhando&#8221;.</p>
<p>Os engenheiros têm defendido cada vez mais a abordagem de rede &#8220;de cima para baixo&#8221;, construindo resiliência por meio de sistemas de distribuição da energia que conectam residências, bairros e até redes maiores. Para as regiões insulares mais sujeitas a furacões e condições climáticas severas, esses sistemas proporcionam descarbonização e segurança energética.</p>
<h3>Cultura popular como comunicação sobre mudanças climáticas</h3>
<p>É por isso que essa apresentação de Bad Bunny foi tão importante. A comunicação sobre mudanças climáticas frequentemente depende de estatísticas, debates políticos e projeções de riscos futuros. Ainda que importantes, essas informações podem parecer abstratas, mas, no contexto cultural, são vistas de outra forma.</p>
<p>Apenas colocando os &#8220;linieros&#8221; – trabalhadores que reparam os fios de energia dos postes de Porto Rico – como foco de uma apresentação global, Bad Bunny tornou visível a infraestrutura da ilha e suas falhas. Os postes se tornaram adereços de palco e os apagões, letras de canções.</p>
<p>Como <a href="https://san.com/cc/why-did-bad-bunny-climb-a-utility-pole-a-deep-dive-into-puerto-ricos-power-grid/">observou</a> Hernández, o momento representou &#8220;a ascensão do poder, apesar de todos os desafios e, realmente, contra todas as expectativas&#8221;. Os milhões de pessoas que assistiram ao Super Bowl de repente viram o que normalmente se escondia: os sistemas físicos que fazem as sociedades funcionar e as consequências quando falham.</p>
<p>No entanto, o futuro energético de Porto Rico <a href="https://www.canarymedia.com/articles/distributed-energy-resources/puerto-ricos-energy-future-distributed-solar-or-centralized-grid">ainda é incerto</a>. São contínuos debates sobre privatização, dependência de combustíveis fósseis, transformações renováveis e sobre o quão rápido deve ser essa transição para que a ilha possa ter sistemas de energia mais resilientes. Mas o show durante o intervalo do jogo revelou algo inesperado: a infraestrutura pode atrair atenção cultural. A rede elétrica, geralmente invisível ao público, aos poucos se tornou foco de uma discussão global.</p>
<p>A crise de rede elétrica de Porto Rico <a href="https://time.com/article/2026/03/17/cuba-economic-energy-crisis-trump-us-explainer/">não é única</a>. No mundo todo, sistemas de energia enfrentam uma grande pressão por causa das mudanças climáticas, das infraestruturas antigas e do aumento da demanda. A diferença é que muitas dessas redes não tiveram um momento no Super Bowl. O Bad Bunny não deu um discurso ao público sobre mudanças climáticas ou política energética. Em vez disso, ele mostrou como a vulnerabilidade funciona e, às vezes, é a mensagem mais poderosa de todas.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/vishalmanve/' class='user-link'>Vishal Yashoda</a>, <a href='https://globalvoices.org/author/ashmi-guevara/' class='user-link'>Ashmi Guevara</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/kelly-teotonio-de-sousa/' class='user-link'>Kelly Teotonio</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/03/22/how-bad-bunny-brought-the-issue-of-puerto-ricos-power-grid-into-world-view/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/Screenshot-2026-03-18-at-10.16.05-AM-400x300.png" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Entre a algoritmização dos territórios e a monocultura de dados: Há caminhos para uma IA que respeite direitos e a vida?</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/23/entre-a-algoritmizacao-dos-territorios-e-a-monocultura-de-dados-ha-caminhos-para-uma-ia-que-respeite-direitos-e-a-vida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Global Voices Lusofonia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 18:00:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ativismo Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Ideias]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[O conhecimento empírico do território, lapidado ao longo de séculos e repassado de geração em geração por comunidades tradicionais, é sumariamente descartado como obsoleto.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Quem controla essas ferramentas, a serviço de quem elas operam e quais existências elas apagam?</em></big></p><div id="attachment_122373" style="width: 2503px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-122373" class="wp-image-122373 size-full" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT.webp" alt="" width="2503" height="1375" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT.webp 2503w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT-400x220.webp 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT-800x439.webp 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT-1536x844.webp 1536w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT-2048x1125.webp 2048w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT-1200x659.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 2503px) 100vw, 2503px" /><p id="caption-attachment-122373" class="wp-caption-text">Por Paula Vilar para a APC. Usado com permissão.</p></div>
<p><em><strong>Por Mariana Tamari</strong></em></p>
<p><em>Este artigo faz parte da série “Não pergunte à IA, pergunte a um par” — uma colaboração entre o Global Voices, a Association for Progressive Communications e o GenderIT. A série visa reafirmar a importância do compartilhamento de conhecimento entre as pessoas, tal como tem sido feito há décadas. Você pode acompanhar a série em <i><a title="http://apc.org" href="http://apc.org/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=http://apc.org/&amp;source=gmail&amp;ust=1776226110374000&amp;usg=AOvVaw339x24XenKRKq6iLYURWU9"><u>APC.org</u></a>, <a title="http://genderit.org" href="http://genderit.org/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=http://genderit.org/&amp;source=gmail&amp;ust=1776226110374000&amp;usg=AOvVaw2HBjbb3ESoSkOKIeqyV7nu"><u>GenderIT.org</u></a> e <a title="https://globalvoices.org" href="https://globalvoices.org/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://globalvoices.org/&amp;source=gmail&amp;ust=1776226110374000&amp;usg=AOvVaw2151VZ530FoqmIG7kD0Qr2"><u>globalvoices.org</u></a></i>. Ela também integra a série de destaque do Global Voices de abril de 2026, “<a href="https://globalvoices.org/special/human-perspectives-on-ai/">Perspectivas humanas sobre a IA</a>”. Você pode apoiar esta cobertura fazendo uma doação <a href="https://globalvoices.org/2026/04/03/support-our-first-global-voices-spotlight-issue-human-perspectives-on-ai/">aqui</a>.</em></p>
<p>A pergunta “O que pode ser feito para criar e promover uma abordagem de direitos humanos para a inteligência artificial?” nos leva, em geral, a circular por campos abstratos e universalistas de princípios éticos, marcos regulatórios e da inovação per se. Mas, quando essa séria da APC e Global Voices me trouxe o desafio de construir um artigo para respondê-la a partir das minhas experiências enquanto pesquisadora, achei que era preciso ancorá-la em realidades concretas, onde a inteligência artificial, a automação e a digitalização já estão sendo implantadas nos territórios, e seus impactos são sentidos por corpos, biomas e comunidades específicas.</p>
<p>Foi essa necessidade de materializar o debate que me conduziu ao caminho da pesquisa-ação que construí, em co-autoria com Joana Varon, na Coding Rights, para o <a href="https://www.tramas.digital/">Projeto Tramas</a>, da Coalizão Feminista Decolonial pela Justiça Digital e Ambiental. Ao longo dessa investigação, compreendemos que o questionamento sobre uma IA orientada por direitos humanos deixa de ser especulativo e passa a ser urgente e situado. Quem controla essas ferramentas, a serviço de quem elas operam e quais existências elas apagam?</p>
<p>Quando voltamos nosso olhar para as tendências e narrativas que moldam hoje a grande indústria do agronegócio, somos imediatamente transportadas para uma realidade que se assemelha a um distópico roteiro de ficção científica. Longe da imagem tradicional do agricultor com uma enxada nas mãos, trabalhando em comunhão com a terra, o campo gerido pelas gigantes do setor é formado por milhares de hectares praticamente sem pessoas e sem diversidade agrícola.</p>
<p>O agronegócio digitalizado é masculino e patriarcal, em contraposição ao imaginário da agricultura tradicional e familiar, em que a reprodução da vida era cuidadosa e delicadamente cultivada pela Natureza. Ele é hiperconectado, asséptico e dominado por maquinários pesados que lembram naves espaciais ou tanques de guerra. Esse é o agronegócio orquestrado pela simbiose predatória entre as maiores empresas de tecnologia do mundo, os gigantescos conglomerados do agronegócio e os vultosos capitais do mercado financeiro. Trata-se de uma aliança poderosa entre as <a href="https://tramas.digital/pt/casos/matopiba/">Big Tech, as Big Agro e o Big Money</a>.</p>
<h3>Desvendando falsas narrativas</h3>
<p>Ao investigar os impactos brutais da digitalização da monocultura brasileira e o emaranhado econômico e de poder dentro dela, surgem questionamentos críticos a esse modelo. Diante de um cenário onde as inserções da tecnologia digital, da inteligência artificial e da conectividade se impõem de maneira tão inevitável e enquanto força de expulsão territorial, o que pode e deve ser feito para criar e promover uma abordagem dos avanços da tecnologia digital e da IA que sejam ancoradas na defesa de direitos?</p>
<p>Para lidar com essa contradição é necessário expor a máscara sobre o discurso dessa indústria. A narrativa hegemônica, vendida em grandes feiras e eventos de tecnologia do setor, exalta as chamadas &#8220;agricultura de precisão&#8221; ou a “digitalização da agricultura”. Enxames de sensores espalhados pela terra, monitoramento remoto, automação de frotas e complexos modelos preditivos baseados em inteligência artificial são comercializados como soluções tecnológicas mágicas para todos os desastres provocados pela própria monocultura, da degradação acelerada do solo, às infestações de pragas derivadas da falta de diversidade até a escassez de mão de obra.</p>
<p>No universo paralelo criado pelo setor corporativo, o iminente colapso climático simplesmente não existe. O futuro prometido é sempre de controle e fartura, garantido pela tecnologia digital e pela precisão que apenas a IA pode oferecer. A grande promessa da aliança entre as Big Agro com as Big Tech é de que vastas extensões de terra monocultivadas fiquem ao alcance de um toque na tela do celular, com colheitadeiras e tratores colossais sendo operados remotamente, convertendo a gestão da vida em um frio jogo de videogame.</p>
<p>É exatamente neste ponto do discurso que reside a fratura mais grave contra direitos fundamentais. A digitalização irrestrita consolida um modelo onde não prevalece mais a presença humana em contato íntimo, direto e respeitoso com a terra. O conhecimento empírico do território, lapidado ao longo de séculos e repassado de geração em geração por comunidades tradicionais, é sumariamente descartado como obsoleto. Presenciamos uma mutação ontológica avassaladora, em que nossas relações de trabalho, nossos laços comerciais, nossos afetos e as nossas interações com a natureza alteram-se estruturalmente e passam a se resumir a uma quantidade imensa e humanamente ingerenciável de dados.</p>
<p>Toda a complexidade dos biomas e daqueles que os habitam é extraída, mastigada e processada em algoritmos de inteligência artificial e armazenados em uma obscura ”nuvem&#8221; tecnológica. Essa infraestrutura invisível dita todas as soluções e caminhos para maximizar os negócios da monocultura. O efeito dessa digitalização generalizada é o apagamento brutal das existências consideradas indesejadas pelo capital. Nessa narrativa, as comunidades tradicionais e os históricos conflitos por terra praticamente desaparecem sob as imagens distantes de satélite. Aldeias, vilas ribeirinhas ou territórios quilombolas não são computados pelos monitores dos operadores remotos. Por serem invisíveis aos algoritmos treinados para enxergar apenas commodities, essas populações são ignoradas pelo poder público, que se deslumbra com a modernidade e delega sua governança ao digital.</p>
<h3>Impactos nas realidades vividas</h3>
<p>Essa invisibilidade programada é materializada em violência e espoliação nas áreas rurais do país, como no caso da região do Cerrado do Matopiba no Brasil (área que compreende parte do estados brasileiros do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que atualmente constitui a <a href="https://tramas.digital/pt/casos/matopiba/#tecnologias-regenerativas-como-saida">principal fronteira de expansão agrícola do país</a>. Ali, a chegada das “inovações” tecnológicas e das narrativas do agro digitalizado ditam o tom violento da expulsão que se soma a conflitos agrários históricos.</p>
<p>O caso da comunidade tradicional da Gleba Tauá, no norte do Tocantins, exemplifica o peso dessa aliança (dados da região do Matopiba e da Gleba Tauá foram obtidos em colaboração de pesquisa com Antônia Laudeci Oliveira Moraes). Famílias que ocupam o território há quase um século vêem seus lares sendo estrangulados pelas novas tecnologias de expulsão manipuladas por <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Grilagem_de_terras">grileiros</a>. A digitalização da gestão fundiária, impulsionada por mecanismos auto declaratórios, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), institucionaliza a <a href="https://tramas.digital/pt/casos/matopiba/%2523o-cadastro-ambiental-rural-brasileiro-da-regularizacao-ambiental-a-grilagem-digital">grilagem digital</a>. Na região do Matopiba, a digitalização dos registros via CAR sobrepõe cadastros irregulares que geram uma disputa fundiária digital, invisibilizando as ocupações tradicionais no território e abrindo caminho para o desmatamento massivo do Cerrado. Como satélites e sistemas de validação automatizada são incapazes de distinguir entre a posse histórica de comunidades tradicionais e a invasão recente promovida pelo desmatamento ilegal, grandes latifundiários utilizam a plataforma digital para registrar terras públicas e coletivas como suas propriedades privadas. O resultado é a formação de um &#8220;<a href="https://oglobo.globo.com/brasil/especial/brasil-ficticio-propriedade-de-terra-autodeclarada-excede-area-do-pais-em-um-para.ghtml">Brasil Fictício</a>&#8220;, no qual o cadastro algorítmico gera ativos financeiros no mercado, legitimando o cerco às comunidades e encobrindo o desmatamento.</p>
<p>E, quando o apagamento promovido pelas bases de dados não é suficiente para demover as comunidades de seus direitos, a tecnologia revela sua face armada. Drones comercializados sob o pretexto da sustentabilidade e precisão têm sido utilizados como instrumentos de terror. Aparelhos não tripulados rondam as propriedades agroecológicas de forma intimidadora, pulverizando nuvens de agrotóxicos sobre as casas, fontes de água e hortas dos pequenos produtores. Os camponeses são sobrevoados por essas ferramentas tecnológicas que disseminam medo, encurralando e expulsando.</p>
<h3>Como integrar tecnologias sem violar direitos?</h3>
<p>Quando vemos a imposição desse modelo codificado como progresso inquestionável sobre os territórios, somos levadas a nos perguntar como a tecnologia digital, baseada em dados e na Inteligência Artificial, pode ser integrada ao campo de maneira a respeitar e garantir direitos?</p>
<p>O primeiro passo é abandonar a falácia da neutralidade tecnológica e algorítmica e questionar a arquitetura de poder subjacente aos sistemas. O cerne do debate sobre os direitos humanos na era digital deve estar focado em desvelar para que serve e, principalmente, quem controla essas ferramentas. Uma IA que respeita direitos e promove avanços para a humanidade deve ser pensada com transparência e governança descentralizada. Encobrir processos de grilagem, espalhar medo, desumanizar as relações ou otimizar o extermínio socioambiental não devem ser ações admissíveis. As infraestruturas tecnológicas públicas devem ser redesenhadas para incorporar a participação coletiva, garantindo que sejam utilizadas para mapear e proteger as territorialidades sociais e a diversidade, e não para apagá-las sob um manto verde padronizado via satélite.</p>
<p>Além disso, forjar uma abordagem baseada em direitos exige a desconstrução dos  tecnosolucionismos. Precisamos compreender que as respostas da sustentabilidade da vida e a defesa da biodiversidade não virão das Big Tech ou das Big Agro. Estas devem estar sob constante escrutínio do poder público e da sociedade civil. Temos que reconhecer a validade superior das tecnologias regenerativas, agroecológicas e ancestrais<a href="https://oo02.apc.org/9.2.1-dafd037d86e2d65efa57febbf6bcb2cd/web-apps/apps/documenteditor/main/index.html?_dc=9.2.1-8&amp;lang=en&amp;customer=ONLYOFFICE&amp;type=desktop&amp;frameEditorId=iframeEditor&amp;isForm=false&amp;parentOrigin=https://share2.apc.org&amp;uitheme=theme-system&amp;fileType=docx#_ftn9" name="_ftnref9">[9]</a>. O agronegócio altamente tecnológico marginaliza essas práticas, mas são as roças tradicionais, as densas redes de troca entre comunidades, de sementes crioulas e a leitura ancestral do clima pelos camponeses que efetivamente cumprem a função de preservar a justiça socioambiental e de garantir a segurança alimentar. Soluções como frotas de drones ou predições calcadas em big data são violentas e, na maioria das vezes, servem apenas para garantir o lucro do agronegócio em detrimento da manutenção da diversidade e da vida.</p>
<p>O caminho para uma IA centrada no ser humano exige que a humanidade recupere a essência da cooperação. A escritora feminista de ficção científica Ursula K. Le Guin, em sua &#8220;Teoria da Bolsa da Ficção&#8221;, fala como a grande tecnologia de sobrevivência não deveria ser a arma que fere, conquista e pulveriza veneno do céu, mas sim o recipiente humano que coleta sementes, tece redes de cuidado mútuo e preserva conhecimentos. É preciso abandonar a lógica da dominação patriarcal fria e distópica para que a IA não seja o algoz do nosso futuro. O desenvolvimento de uma IA que garanta direitos e preserve a vida precisa estar submetido de forma inegociável à justiça socioambiental, assumindo a premissa ancestral de que na grande teia tecnológica da existência não somos manipuladores isolados no topo de uma cadeia, como pregava Nêgo Bispo, o pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos. Temos que ter sempre em mente que &#8220;a terra dá, a terra quer&#8221;.</p>
<p><em>Algumas referências deste artigo não puderam ser incorporadas ao site do Global Voices. Você pode consultá-las <a href="https://www.apc.org/pt-br/blog/entre-algoritmizacao-dos-territorios-e-monocultura-de-dados-ha-caminhos-para-uma-ia-que">no site da Association for Progressive Communication</a>.</em></p>
<hr />
<p><span style="color: #808080;"><em>Mariana Tamari é jornalista e pesquisadora na intersecção entre política, feminismos, tecnologia e justiça socioambiental. Sócia-fundadora da Agência Mira, uma consultoria de comunicação política estratégica, anteriormente atuou como co-diretora executiva da Coding Rights, onde liderou pesquisas, projetos, operações institucionais e equipe multidisciplinar. Antes disso, ocupou cargos como oficial de programa regional na ARTIGO 19 Brasil, Fundação Rosa Luxemburgo e Cisco Networking Academy. Foi também diretora de parcerias na Mapeo &#8211; IA e Big Data. Com formação em jornalismo, trabalhou como repórter na Folha de S.Paulo e Agência Reuters de Notícias e colaborou com inúmeros veículos de comunicação no Brasil, como Revista A Rede, Brasil de Fato, Carta Capital entre outros.</em></span></p>
<p><span style="color: #808080;"><em>Paula Villar nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, no ano de 1992. Se formou em psicologia e fez uma pós-graduação em psicologia hospitalar. Apesar de desenhar desde muito cedo, foi somente na pandemia de COVID-19 que Paula resolveu trocar de profissão, se dedicando assim as artes digitais e o ativismo. Além disso, também trabalha com outros materiais, como tinta à óleo, desenhos realistas de lápis e tinta nanquim.</em></span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/coletivo-editorial/' class='user-link'>Global Voices Lusofonia</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content height="202" medium="image" url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/04/7_MonocultureOfData_PaulaVillar_Data-centers-APC-PNG-PT-400x300.webp" width="270"/>	</item>
		<item>
		<title>Perdidos na tradução: como os modelos de IA impactam comunidades linguísticas com poucos recursos</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2026/04/22/perdidos-na-traducao-como-os-modelos-de-ia-impactam-comunidades-linguisticas-com-poucos-recursos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando Baumgarten]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Apr 2026 21:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Inglês]]></category>
		<category><![CDATA[Língua]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia e Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Se a situação permanecer inalterada, as comunidades de falantes não anglófonos continuarão a perder terreno na corrida para desbloquear o potencial da IA.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>&#8220;A predominância de conteúdo em inglês na internet influenciou o desenvolvimento das ferramentas atuais no mercado.&#8221;</em></big></p><div id="attachment_850598" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-850598" class="wp-image-source-850598 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2026/03/zhendong-wang-ZMsywu80JcM-unsplash.webp" alt="Speech bubbles in many non-ENglish languages. Photo by Zhendong Wang on Unsplash." width="800" height="533" /><p id="caption-attachment-850598" class="wp-caption-text"><a href="https://unsplash.com/photos/a-group-of-colorful-speech-bubbles-on-a-wooden-wall-ZMsywu80JcM"><span dir="auto">Imagem</span></a><span dir="auto"> de </span><a href="https://unsplash.com/@tonybear2"><span dir="auto">Zhendong Wang</span></a><span dir="auto">. Usada sob permissão. Uso livre sob <a href="https://unsplash.com/license">a licença </a></span><a href="https://unsplash.com/"><span dir="auto">Unsplash</span></a><span dir="auto">. </span></p></div>
<p><em>Este post faz parte da série especial de abril de 2026 da Global Voices, &#8220;<a href="https://globalvoices.org/special/human-perspectives-on-ai/">Perspectivas humanas sobre IA</a>&#8220;. Esta série oferecerá insights sobre como a IA está sendo usada nos países de maioria global, como seu uso e implementação estão afetando comunidades individuais, o que esse experimento com IA pode significar para as gerações futuras e muito mais. Você pode apoiar esta cobertura fazendo uma doação <a href="https://globalvoices.org/2026/04/03/support-our-first-global-voices-spotlight-issue-human-perspectives-on-ai/">aqui</a>.</em></p>
<p><span dir="auto">As empresas que desenvolvem produtos que utilizam inteligência artificial (IA) os têm apresentado e vendido como uma forma de oferecer vantagens aos consumidores. A realidade é que inúmeros potenciais clientes fora do Norte Global estão sendo deixados para trás. </span></p>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Um artigo de 2025, publicado pelo </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://hai.stanford.edu/policy/mind-the-language-gap-mapping-the-challenges-of-llm-development-in-low-resource-language-contexts" target="_blank" rel="noopener">Instituto de Inteligência Artificial Centrada no Ser Humano (HAI) de Stanford,</a><span style="font-size: 1.25rem;"> observou que muitos dos grandes modelos de linguagem  (LLMs, na sigla em inglês) frequentemente apresentam baixo desempenho em idiomas além do inglês.</span> <span style="box-sizing: border-box;">Os pesquisadores chamaram a atenção sobre como os LLMs disponíveis ao público, incluindo aqueles desenvolvidos em parte por empresas como <a href="https://huggingface.co/google-bert/bert-base-multilingual-cased" target="_blank" rel="noopener">Google</a> e <a href="https://huggingface.co/docs/transformers/en/model_doc/xlm-roberta" target="_blank" rel="noopener">Meta</a>, geram respostas inadequadas para usuários da maioria global.</span> Como resultado, esses indivíduos precisam se contentar com ferramentas de IA tendenciosas e pouco confiáveis, o que reforça a ideia de que as grandes empresas consideram suas necessidades como algo secundário.</p>
<p>Os falantes de línguas com poucos recursos, ou seja, aquelas que não dispõem de dados suficientes para treinar adequadamente soluções baseadas em IA, não têm conseguido aproveitar os benefícios dessa inovação. A predominância de conteúdo em inglês na internet moldou significativamente o desenvolvimento das ferramentas disponíveis no mercado, o que, por sua vez, criou uma barreira de acesso para os não anglófonos interessados em IA em todo o mundo.</p>
<p><span dir="auto">Aplicações com recursos de IA também produzem resultados que refletem normas e valores de um grupo seleto da comunidade internacional; tentativas de lidar com esse problema, ao gerar dados em línguas com poucos recursos, por vezes, têm causado mais danos do que benefícios. Se a situação atual permanecer inalterada, as comunidades não anglófonas continuarão a perder terreno na corrida para desbloquear o potencial da IA.</span></p>
<h3><span dir="auto">Perpetuando a exclusão digital</span></h3>
<p><span dir="auto">A falta de dados adequados em idiomas com poucos recursos não é uma preocupação apenas dos engenheiros de IA. Pessoas comuns, que fazem parte da maioria global, perderão os inúmeros benefícios da tecnologia devido a essa lacuna gritante. O jornal </span><em><a href="https://www.nytimes.com/2024/07/26/technology/ai-language-gap.html"><span dir="auto">The New York Times</span></a></em><span dir="auto"> destacou que a concentração do setor de IA em países mais ricos, como os Estados Unidos, exacerbou esse problema. A infraestrutura já consolidada em polos como o Vale do Silício, somada ao grande volume de dados de que dispõem as empresas nessas regiões, acabou favorecendo o Norte Global. Como consequência, milhões de pessoas que falam línguas como curdo e suaíli acabam sendo <a href="https://restofworld.org/2023/chatgpt-problems-global-language-testing/">deixadas em segundo plano</a>, assim como os mercados expressivos que representam.</span><span dir="auto"> Sem os mesmos recursos que seus pares, os falantes de idiomas não anglófonos podem continuar sendo negligenciados no futuro por empresas focadas em IA.</span></p>
<p><span dir="auto">As implicações dessa disparidade linguística são muito abrangentes. Enquanto aqueles do mundo anglófono já se acostumaram a usar IA para uma variedade de tarefas, os indivíduos de comunidades linguísticas com poucos recursos não tiveram a mesma oportunidade. </span><span dir="auto"><span style="box-sizing: border-box;">Como aponta a <a href="https://www.wired.com/story/chatgpt-non-english-languages-ai-revolution/" target="_blank" rel="noopener">Wired</a>, os usuários da maioria global podem descobrir que recorrer a um modelo de linguagem como o ChatGPT para obter respostas é, na melhor das hipóteses, pouco útil e, na pior, inútil.</span> Solicitar que o modelo redija um e-mail em tâmil, por exemplo, pode resultar em um rascunho confuso e cheio de erros em inglês. Esses usuários podem concluir que ferramentas de IA falhas causam mais problemas do que benefícios. À medida que a IA se torna mais onipresente em diversos setores e disciplinas, falantes de outros idiomas podem se ver obrigados a navegar em uma economia cada vez mais interconectada e monolíngue.</span></p>
<h3><span dir="auto">Marginalizando culturas diversas</span></h3>
<p><span dir="auto">A preferência da IA ​​pelo inglês também impacta comunidades linguísticas com poucos recursos de maneiras que vão além de questões financeiras. Especificamente, a visão de mundo revelada nas respostas geradas por ferramentas de IA amplamente utilizadas espelha a perspectiva dos anglófonos do Hemisfério Norte. </span><a href="https://www.theatlantic.com/technology/archive/2024/04/generative-ai-low-resource-languages/678042/#selection-647.0-955.770"><span dir="auto">A revista <em>The Atlantic</em></span></a><span dir="auto"><em> </em>chamou a atenção para esse padrão, observando que isto exemplifica como crenças de países com muitos recursos passam a ser vistas como universais. Perspectivas não anglófonas são frequentemente excluídas em razão de sua baixa  representatividade nos dados utilizados para treinamento de soluções de IA. Indivíduos dessas comunidades podem se sentir prejudicados por desenvolvedores de IA renomados, especialmente diante de suas promessas de que a tecnologia será </span><a href="https://openai.com/index/built-to-benefit-everyone/"><span dir="auto">um trunfo para a humanidade</span></a><span dir="auto">. Embora as ferramentas criadas por esses gigantes do setor só tendam a se tornar mais sofisticadas, as atitudes refletidas em seus resultados provavelmente permanecerão as mesmas.</span></p>
<p>Alguns na área de IA ​​têm procurado corrigir esse desequilíbrio criando mais materiais digitais em idiomas com poucos recursos. Os resultados desses esforços estão longe do ideal. A <a href="https://www.technologyreview.com/2025/09/25/1124005/ai-wikipedia-vulnerable-languages-doom-spiral/">MIT Technology Review</a> examinou o quanto desse conteúdo, extraído da web para aprimorar produtos como os LLMs (grandes modelos de linguagem), está repleto de erros. Isso ocorre porque os próprios sites usados ​​para aprimorar as capacidades multilíngues de uma IA apresentam erros decorrentes de tradução automática. Em alguns casos, indivíduos bem-intencionados, buscando reduzir a lacuna linguística, estão por trás deles. No entanto, muitos não possuem a expertise necessária para avaliar a precisão do próprio trabalho. Seus conteúdos permanecem na web inalterados, tornando-se dados que a IA usa para aprimorar sua &#8220;fluência&#8221;. Nesse estágio, as comunidades linguísticas com poucos recursos podem concluir que o estrago já está feito.</p>
<h3><span dir="auto">Mudando a conversa</span></h3>
<p><span dir="auto">Apesar dessas preocupações, as empresas de IA no Hemisfério Norte estão avançando a toda velocidade para dominar esse setor lucrativo. Vale a pena parar e considerar as consequências mais amplas de suas ações. Por exemplo, comunidades linguísticas com poucos recursos têm sido aparentemente negligenciadas pelos desenvolvedores de produtos, o que as coloca em desvantagem em relação aos anglófonos. Relatórios do setor também mostram como surgiu uma hierarquia cultural que privilegia aqueles no mundo anglófono e como o desmantelamento desse sistema em expansão deve ser aprofundado com cautela e intenção. Em conjunto, essas tendências ressaltam que a filosofia de &#8220;agir rápido e quebrar paradigmas&#8221;, que definiu o setor de tecnologia por anos, permanece viva e forte na era da IA. Tanto no passado quanto no presente, as populações anglófonas lidarão com as repercussões.</span></p>
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<p><span dir="auto">É possível adotar medidas para promover a igualdade de oportunidades. Tudo começa trabalhando lado a lado com as comunidades que têm sido marginalizadas na pressa de desenvolver a IA. Os grandes desenvolvedores devem buscar parcerias colaborativas com comunidades de línguas de poucos recursos para combater essa desigualdade crescente. Integrar as contribuições dessas populações no desenvolvimento de soluções, como os LLMs, e, ao mesmo tempo, revisar os resultados para garantir que sejam precisos e autênticos deve ser prioridade para as empresas que desejam fazer a diferença. Além disso, poderiam unir forças com </span><a href="https://www.masakhane.io/"><span dir="auto">líderes comunitários de IA</span></a><span dir="auto"> determinados a criar ferramentas mais adequadas às necessidades dos falantes de línguas com poucos recursos. Ao adotar essa abordagem culturalmente sensível, a IA pode ser desenvolvida e aprimorada de modo que beneficie a maioria, e não apenas alguns.</span></p>
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<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/aaronspitler/' class='user-link'>Aaron Spitler</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/fernando-binda-baumgarten/' class='user-link'>Fernando Baumgarten</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2026/04/08/lost-in-translation-how-ai-models-impact-low-resource-language-communities/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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