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	<title>Search Results for &#8220;belo monte&#8221; &#8211; Global Voices em Português</title>
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		<title>Search Results for &#8220;belo monte&#8221; &#8211; Global Voices em Português</title>
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		<title>Campanha de arrecadação de fundos: Escalando um Everest virtual com a Comunidade Global Voices</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2025/08/15/campanha-de-arrecadacao-de-fundos-escalando-um-everest-virtual-com-a-comunidade-global-voices/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando Baumgarten]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Aug 2025 14:29:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
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					<description><![CDATA[O passeio está arrecadando fundos para a Global Voices em apoio à sua missão.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Em três dias, pedalarei o equivalente a 10.000 metros de altitude, tudo por uma boa causa.</em></big></p><p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-huge wp-image-840243" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2025/07/everestroam-1200x851.png" alt="" width="1200" height="851" /></p>
<div class="factbox alignright">
<p><span style="font-weight: 400;">Minha tentativa de escalar o Everest Roam de bicicleta é a mais recente de uma série de jornadas de compreensão que empreendi enquanto lidava com uma doença respiratória que alterou amplamente minha capacidade de viajar. Em 2022, pedalei uma &#8220;<a href="https://natematias.medium.com/pilgrimage-for-a-million-lives-80e233a2cc55">Peregrinação por um Milhão de Vidas</a>&#8220;, 300 quilômetros, representando 30 centímetros para cada morte por COVID. Em 2023, Ivan Sigal e eu <a href="https://natematias.com/portfolio/2023-06-01-cycling-central-valley/">pedalamos pelo Vale Central da Califórnia</a> seguindo os passos da Marcha dos Trabalhadores Rurais de 1966 para aprender sobre o futuro da alimentação e do meio ambiente. Em 2024, criei a Maple Bicycle Adventure para <a href="https://natematias.medium.com/maple-syrup-time-845bc7045754">buscar esperança em crises que parecem impossivelmente grandes para mudar</a> . E neste verão, pedalei pela Grande Divisão, do Colorado a Utah, para <a href="http://natematias.medium.com/seeing-the-power-and-the-glory-in-digital-technology-f23244512091">repensar o verdadeiro poder da relação das pessoas com a tecnologia.</a></span></p>
</div>
<p>Em um mundo de conflito e competição, cultivar a compreensão entre as diferenças humanas é difícil, necessário e tão belo. Neste verão, estou subindo de bicicleta o equivalente ao Monte Everest em uma jornada de conexão e compreensão. Enquanto isso, convido você a acompanhar e <a href="https://pt.globalvoices.org/donate/">doar para ajudar a Global Voices a atingir sua meta de arrecadar US$ 250.000 para dar continuidade às cruciais reportagens, traduções e apoio transfronteiriços a comunidades sub-representadas, que vêm realizando há 20 anos. </a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O ciclismo de resistência adora desafios, e um dos seus maiores desafios é <a href="https://everesting.com/rules-roam/">o Everest Roam</a> , onde os ciclistas sobem mais de 10.000 metros de altitude (32.809 pés) em menos de 36 horas, percorrendo uma distância mínima de 400 km (248 milhas). Nos meus sonhos mais loucos eu adoraria ganhar um dólar por cada metro nessa subida de 10.000 metros.</p>
<p><em><strong>Observação:</strong> se você for doar por meio do widget abaixo, mencione na seção de comentários que é para a campanha do Everest!</em></p>
<p><center><script src="https://donorbox.org/widget.js" type="text/javascript"></script><iframe src="https://donorbox.org/embed/a&gt;" width="100%" style="max-width:500px; min-width:310px;" seamless="seamless" id="dbox-form-embed" name="donorbox" frameborder="0" scrolling="no" allowpaymentrequest></iframe></center><center></center>Para muitos ciclistas, a ideia do Everest é uma abstração — uma referência lendária para a realização pessoal. Mas o Everest é mais do que um número. É um lugar que ficou famoso por seu papel em um século de aventuras e explorações, um eco de uma época em que os ocidentais buscavam fama conquistando a natureza. Nos últimos anos, a mídia ocidental começou a cobrir o Everest com mais profundidade e cor — contando as histórias de alpinistas sherpas locais bem-sucedidos e descrevendo <a href="https://globalvoices.org/2015/03/07/why-the-roof-of-the-world-is-covered-in-st/">o desafio de manter o ecossistema</a> em meio ao florescimento do turismo de aventura. Mas há muito mais nas comunidades e culturas adjacentes à montanha mais alta do mundo do que é apresentado nos filmes IMAX.</p>
<p>O Nepal e o Vale de Katmandu entraram pela primeira vez em foco na minha vida através de um grupo de amigos nepaleses da faculdade. Tendo se mudado para os Estados Unidos durante a Guerra Civil do Nepal, eles descreveram o desafio de viver uma vida pacífica e segura em uma época de conflito e turbulência. Meus amigos me apresentaram aos momos, ao kheer e a outras comidas nepalesas. Também aprendi a jogar <a href="https://kathmandupost.com/art-culture/2021/09/09/bagh-chal-a-native-board-game-on-the-brink-of-extinction">Bagh-Chal</a>, um antigo jogo nepalês de tigres e cabras que ensina os jogadores a pensar sobre poder assimétrico, força e não violência. Sou muito grato pela generosidade desses amigos. Eles me mostraram como ser um convidado, um anfitrião e um amigo em uma sociedade cujos principais roteiros nos levam a voltar a câmera para nós mesmos.</p>
<p>Apesar da curiosidade que sempre tive pela cultura nepalesa, não sei se algum dia conseguirei visitar o Nepal. Minha deficiência respiratória faz com que <a href="https://kathmandupost.com/climate-environment/2024/12/12/kmc-to-launch-awareness-drive-on-air-pollution">a poluição do ar em Katmandu, a capital</a>, seja garantia de uma visita ao hospital (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Hifu4Kujp5Q">o AQI atingiu 333 em abril deste ano</a>). No entanto, enquanto tento o Everest Roam Challenge, a comunidade Global Voices está generosamente criando uma playlist de 30 horas com música, história, cultura e análises sobre o país, que me ajudará a me conectar mais profundamente enquanto pedalo com as comunidades que eles chamam de lar.</p>
<p><a href="https://globalvoices.org/about/">A Global Voices</a> é uma comunidade internacional e multilíngue de escritores, tradutores e ativistas dos direitos humanos que usa o poder da internet para contar histórias que promovem a compreensão além das fronteiras. Há mais de quinze anos, a comunidade Global Voices me inspirou com maneiras de combinar minha paixão pela tecnologia e pela compreensão humana. Por meio da comunidade GV, encontrei meu orientador de doutorado, oportunidades para minhas primeiras pesquisas e uma rede de pessoas íntegras que me incentivaram, desafiaram e ajudaram a ver o mundo com mais cores. Atualmente, faço parte do conselho da Friends of Global Voices, com sede nos Estados Unidos. A GV tem uma forte comunidade sul-asiática, e estou animado para compartilhar a playlist deles!</p>
<p>Facilitar uma comunidade global colaborativa que trabalha em dezenas de idiomas não é uma tarefa fácil; exige muita gestão, trabalho editorial, coordenação e tecnologia. Os fundos que arrecadamos para a Global Voices por meio do Everest Roam Challenge ajudarão a empresa a continuar conectando pessoas além das fronteiras em prol do bem comum.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Portanto, se você se preocupa com nossa capacidade coletiva de compreender nossos semelhantes e enfrentar os desafios globais de nossos tempos, convido você a acompanhar minha pedalada e fazer uma doação para a Global Voices.</span></p>
<p><b>Detalhes do passeio </b>:</p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1">Duração do passeio: 1 a 3 de agosto
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="2"><span style="font-weight: 400;">Datas alternativas em caso de mau tempo: 10 a 12 de agosto</span></li>
</ul>
</li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1">Plano de rota (rascunho atual): <a href="https://www.komoot.com/pt-br/tour/2413523819">FLX Everest Roam (no Komoot)</a>. Objetivos orientadores:
<ul>
<li aria-level="2">Subir muitas das mais belas e icônicas estradas e colinas de cascalho na área entre Ithaca e Watkins Glen, NY</li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="2"><span style="font-weight: 400;">Minimizar as repetições de subida</span></li>
</ul>
</li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Distância: 400km, 300 miles </span></li>
<li aria-level="1">Inclinação máxima: 20%</li>
<li aria-level="1">Prazo: 36 horas</li>
</ul>
<p><b>Como acompanhar o passeio:</b></p>
<p>Como estarei ocupado pedalando, a equipe da Global Voices entrará em contato, postará atualizações e compartilhará mídias da minha jornada. Você pode acompanhá-las aqui:</p>
<div class="factbox">
<h4>Instagram:<a href="https://www.instagram.com/globalvoicesonline/" target="_blank" rel="noopener"> @globalvoicesonline</a></h4>
<h4>Bluesky: <a href="https://bsky.app/profile/globalvoices.org" target="_blank" rel="noopener">@globalvoices.org</a></h4>
<h4>Mastodon: <a href="https://mstdn.social/@globalvoices" target="_blank" rel="noopener">@globalvoices</a></h4>
<h4>Facebook: <a href="https://facebook.com/globalvoicesonline/" target="_blank" rel="noopener">@globalvoicesonline</a></h4>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/jnathanmatias/' class='user-link'>J. Nathan Matias</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/fernando-binda-baumgarten/' class='user-link'>Fernando Baumgarten</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2025/07/24/fundraiser-climbing-a-virtual-everest-with-the-global-voices-community/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Os fascinantes fantasmas e monstros do folclore jamaicano</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2024/11/07/os-fascinantes-fantasmas-e-monstros-do-folclore-jamaicano/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dominique Andrade]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Nov 2024 14:32:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Caribe]]></category>
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					<description><![CDATA[Os jamaicanos não “compreendem” muito bem o Halloween, mas o folclore da ilha é repleto de histórias de “duppies” (fantasmas ou espíritos) e monstros, muitos deles com origem em elementos africanos preservados.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Experiências sobrenaturais provocam arrepios</em></big></p><div id="attachment_823354" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.flickr.com/photos/adamcohn/50435004012/in/photolist-2jQGe61-2jQLzyG-2jQKGJQ-2jQKFLT-2jQLxhn-2jQLy1w-2jQG6nA-2jQKDsQ-2jQGaxz-2jQKGpb-2jQG8Qw-2jQKF2X-2jQG7yU-2jQLwuf-dvQY6x"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-823354" class="size-large wp-image-823354" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/10/50435004012_9001d06b99_k-800x533.jpg" alt="" width="800" height="533" /></a><p id="caption-attachment-823354" class="wp-caption-text">Fachada da Igreja Duppy, Mile Gully, Jamaica. <a href="https://www.flickr.com/photos/adamcohn/50435004012/in/photolist-2jQGe61-2jQLzyG-2jQKGJQ-2jQKFLT-2jQLxhn-2jQLy1w-2jQG6nA-2jQKDsQ-2jQGaxz-2jQKGpb-2jQG8Qw-2jQKF2X-2jQG7yU-2jQLwuf-dvQY6x">Foto</a> por <a href="https://www.flickr.com/photos/adamcohn/">Adam Cohn</a> no Flickr, <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/">CC BY-NC-ND 2.0</a>.</p></div>
<p>Em geral, jamaicanos não “compreendem” muito bem o Halloween. Este evento sazonal<span style="box-sizing: border-box;">, popular nos Estados Unidos e em partes da Europa, <a href="https://www.history.com/topics/halloween/history-of-halloween" target="_blank" rel="noopener">tem suas origens</a> na tradição celta, que marca o fim do seu ano, o antigo festival de <a href="https://www.newgrange.com/samhain.htm" target="_blank" rel="noopener">Samhain</a>, que remonta ao século 8 e até mais longe, aos tempos da Roma antiga.</span> Em algum momento, o costume se <a href="https://www.brandeis.edu/spiritual-life/resources/guide-to-observances/halloween.html">fundiu</a> às crenças cristãs associadas ao Dia de Todos os Santos (1º de novembro, também conhecido como All Hallows&#8217; Day) e Dia de Todas as Almas (2 de novembro).</p>
<p>Entretanto, a aversão jamaicana ao Halloween parece ser influenciada não apenas por diferenças culturais, assim como o Dia dos Namorados, que muitas vezes é considerado mais um &#8220;americanismo&#8221; importado e comercializado, mas pelas crenças cristãs em particular.</p>
<p>Um jamaicano reclama:</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">What does Halloween have to do with Jamaica? Unu foreign minded bad</p>
<p>— Aurelius (@noslickting) <a href="https://twitter.com/noslickting/status/1850531794942112079?ref_src=twsrc%5Etfw">October 27, 2024</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>O que o Halloween tem a ver com a Jamaica? Vocês são muito influenciados por ideias estrangeiras.</p></blockquote>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">Líderes da igreja fundamentalista e seus seguidores, em particular </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.jamaicaobserver.com/2024/10/27/spooky-split/" target="_blank" rel="noopener">veem o Halloween</a><span style="font-size: 1.25rem;"> como um evento “satânico”, ao passo que sacerdotes como o Padre Sean Major Campbell têm outra visão: “Tentar combater a celebração do Halloween é o mesmo que impor suas crenças religiosas aos out</span><span style="font-size: 1.25rem;">ros.</span> A igreja deveria dedicar tempo promovendo os direitos iguais e a justiça para todos&#8221;.</p>
<p>No entanto, jovens jamaicanos começaram a entender a ocasião como um evento divertido, com festas temáticas e fantasias. Promotores de festas também veem esse momento como uma oportunidade de ganhar dinheiro; um evento recente chamado &#8220;Scream&#8221; foi reportado como um grande sucesso:</p>
<blockquote class="twitter-tweet" data-media-max-width="560">
<p dir="ltr" lang="en">Anyways…cheers to another successful staging of the Region’s biggest Halloween Festival <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f383.png" alt="🎃" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />…</p>
<p>Vibes was unmatched… majority of the patrons in costumes? <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f979.png" alt="🥹" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> <a href="https://t.co/CFg544zxDY">https://t.co/CFg544zxDY</a> <a href="https://t.co/jzVRYmn095">pic.twitter.com/jzVRYmn095</a></p>
<p>— Jhevvv (@Jhevvvv) <a href="https://twitter.com/Jhevvvv/status/1850314999312310568?ref_src=twsrc%5Etfw">October 26, 2024</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation">
<p dir="ltr" lang="en">Enfim…viva mais uma edição bem-sucedida do maior festival de Halloween da região <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f383.png" alt="🎃" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />…</p>
<p>A vibe estava incomparável… a maioria do público estava fantasiada? <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f979.png" alt="🥹" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p></blockquote>
<p>Seja como for, o folclore jamaicano é repleto de histórias de “duppies” (fantasmas ou espíritos) e monstros assustadores. Muitas delas têm sua origem não na tradição cristã, mas em elementos africanos preservados, incluindo a <a href="https://ecda.northeastern.edu/home/about-exhibits/obeah-narratives-exhibit/what-is-obeah/">Obeah.</a></p>
<p>Um dos personagens mais assustadores é o Rolling Calf, que às vezes se manifesta como <a href="https://abookofcreatures.com/2017/05/29/rolling-calf/">um metamorfo</a>, o espírito de uma pessoa especialmente má, como um assassino ou até mesmo um torturador. Com olhos vermelhos flamejantes, ele roda (vagueia) pelas estradas do interior, à noite, arrastando uma corrente barulhenta, e às vezes é descrito como meio-humano, meio-animal, geralmente um bode ou uma vaca.</p>
<p>Muitas destas figuras medonhas das lendas jamaicanas têm sido comemoradas através da arte e da música popular. O Rolling Calf, por exemplo, é o <a href="https://www.youtube.com/watch?app=desktop&amp;v=jnCEaO9Pxm0">tema do poema</a> de <a href="https://globalvoices.org/2018/09/10/jamaica-finds-new-appreciation-for-beloved-cultural-icon-and-language-activist-miss-lou/">Louise Bennett-Coverley</a> (Miss Lou), enquanto outros duppies míticos como o Blackheart Man, que viaja pela ilha à procura do coração das vítimas e era frequentemente usado como um alerta para as crianças tomarem cuidado com estranhos, foi imortalizado em uma <a href="https://www.youtube.com/watch?v=u6z5qTXrsAM">canção de Bunny Wailer</a>. Alguns sugerem que esta figura predatória ainda <a href="https://jamaica-gleaner.com/article/letters/20150317/beware-blackheart-man">é relevante</a>, e ainda é temida, atualmente.</p>
<p>O artista contemporâneo e contador de histórias Richard Nattoo, por sua vez, <a href="https://www.facebook.com/plugins/post.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fdjsinista1%2Fposts%2Fpfbid094DUaGJy64F3d5cT3ADRfsN43NSvQ4f23Az9ghCsz4LnudMCk3wXRbRZo5zQDdyWl&amp;show_text=true&amp;width=500">retratou</a>, recentemente, a personagem <a href="https://raquelbahadoorsingh.wordpress.com/river-mumma/">River Mumma</a> em uma série de pinturas:</p>
<p><iframe style="border: none; overflow: hidden;" src="https://www.facebook.com/plugins/post.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fdjsinista1%2Fposts%2Fpfbid094DUaGJy64F3d5cT3ADRfsN43NSvQ4f23Az9ghCsz4LnudMCk3wXRbRZo5zQDdyWl&amp;show_text=true&amp;width=500" width="500" height="250" frameborder="0" scrolling="no" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<blockquote class="translation"><p>Havia algo errado com a energia do Barco Brown. Quando River Mumma se ergueu sobre a água, ela floresceu seus cabelos e invocou a Noite e a Lua Vermelha, pois estava prestes a se tornar Crocodilo e arrastar o barco para o fundo. No entanto, foi nesse momento que ela viu metade de um cajá-manga passar flutuando e sentiu que fosse uma oferta do Andarilho. Ela parou e decidiu lidar com seu desconforto de outra maneira.</p>
<div dir="auto">River Mumma II</div>
<div dir="auto">99cm x 127cm</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">Aquarela, Caneta e Tinta, Acrílico, Água do Salt River, Rio Grande e Benta River na Jamaica<br />
Exibido em Whispers in the Night @eclecticacontemporary</div>
</blockquote>
<p>Ela é um tipo de sereia que assombra uma área em particular nos arredores da Flat Bridge sobre Rio Cobre, na Jamaica e atrai as pessoas para dentro das profundezas do rio. <a href="https://panmedia.com.jm/blog/2014-10/4-popular-myths-about-flat-bridge">A antiga ponte</a>, construída por africanos escravizados no século 18, curiosamente, tem sido o local de muitos acidentes de carro. A River Mumma também é o tema de <a href="https://www.encyclopedia.com/arts/educational-magazines/river-mumma-wants-out">um poema</a> de Lorna Goodison.</p>
<p>Uma das lendas mais conhecidas da ilha é a de <a href="https://boroughsofthedead.com/white-witch-rose-hall/">Annie Palmer</a>, a &#8220;Bruxa Branca de Rose Hall&#8221;. A casa em Montego Bay onde ela supostamente fez seus atos malignos se tornou uma das maiores atrações turísticas da ilha. A história evoluiu de um <a href="https://www.amazon.com/White-Witch-Rosehall-Herbert-Lisser-ebook/dp/B09FKDDBRQ/ref=sr_1_4?dib=eyJ2IjoiMSJ9.v8BcWNZGrCuxYcclSeCmvih2az8EK_g7uk4vy1wT2dt57wVR92ZQFqol5iRHU0dim_US9D65gU2NiFkBtmXXdeAT_LMXgp7PJTTGo9fnvI3roP1f3goxoqp5qUTozcNp.lrBIs8Dhxw2e7FjqK3YUhqr_-vCa-ejw8NNRslRMcbo&amp;dib_tag=se&amp;qid=1730318111&amp;refinements=p_27%3AHerbert+G.+De+Lisser&amp;s=books&amp;sr=1-4&amp;text=Herbert+G.+De+Lisser">romance popular do século 20</a>, e os fatos históricos não confirmam sua veracidade, mas a narrativa um tanto sinistra se tornou uma típica “história de duppies”, reencenada quase que diariamente para os turistas:</p>
<blockquote class="twitter-tweet" data-media-max-width="560">
<p dir="ltr" lang="en">MORE NIGHTS!!!! Rose Hall Greathouse Haunted Night Tour is now offered 4 nights per week. Learn more about the White Witch of Rose Hall and how she reigned with terror during 18th century Jamaica. <a href="https://twitter.com/hashtag/Whitewitchawaits?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#Whitewitchawaits</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/idareyou?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#idareyou</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/experiencethemagicatrosehall?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#experiencethemagicatrosehall</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/montegobay?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#montegobay</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/caribbean?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#caribbean</a> <a href="https://t.co/L1RKdFgLUn">pic.twitter.com/L1RKdFgLUn</a></p>
<p>— Rose Hall Jamaica (@rosehalljamaica) <a href="https://twitter.com/rosehalljamaica/status/1517549266599915520?ref_src=twsrc%5Etfw">April 22, 2022</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation">
<p dir="ltr" lang="en">MAIS NOITES!!!! A Tour Noite Assombrada no Casarão Rose Hall agora está disponível 4 noites por semana. Descubra mais sobre a Bruxa Branca de Rose Hall e como ela reinou com terror na Jamaica durante o século 18.</p>
</blockquote>
<p>Então, enquanto muitos rejeitam a tradição do Halloween, os jamaicanos ainda acreditam em <em>duppies</em>?</p>
<p>Não muito tempo atrás, um incidente dramático virou notícia nos jornais locais: moradores de Spanish Town foram convencidos de que um <em>duppy,</em> ou talvez algum tipo de <em>poltergeist,</em> <a href="https://www.wattpad.com/82632714-our-haunted-world-jamaica-the-caribbean">estava atirando pedras</a> contra uma casa, supostamente instigado pela presença de um garoto de 11 anos. Na mesma cidade, houve <a href="https://jamaica-star.com/article/news/20190726/angry-duppy-throwing-stones-spanish-town#slideshow-0">outra história</a> envolvendo uma alfaiataria e mais pedras sendo arremessadas, desta vez por seu falecido dono enfurecido.</p>
<p>Outras experiências sobrenaturais são regularmente relatadas, especialmente no popular tabloide <em>Jamaica Star</em>. Essas experiências frequentemente envolvem contos sobre <a href="https://jamaica-star.com/article/news/20190913/duppy-transforms-bird">metamorfose</a> e, supostamente, <em>duppies</em> são até <a href="https://jamaica-star.com/article/news/20191010/duppy-caught-video">capturados em vídeo</a>.</p>
<p>A história da Igreja Duppy também <a href="https://www.youtube.com/watch?v=3iyeXm18HZI">provoca arrepios</a> nos jamaicanos. As ruínas da Igreja Anglicana de São Jorge ficam em uma densa área florestal em Mile Gully, na paróquia de Manchester; sua<span style="box-sizing: border-box;"> congregação, <a href="https://jamaica-gleaner.com/gleaner/20120331/news/news3.html" target="_blank" rel="noopener">segundo relatos, a abandonou</a> por causa das</span> assombrações. Muitas histórias envolvem a igreja, e motoristas de táxi têm medo de parar lá, especialmente à noite. Dizem que se você passar pela igreja à noite, pode ouvir o órgão tocando:</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">Duppy Church near Mile Gully, Manchester, Jamaica. <a href="https://t.co/DTqBQk7rNt">pic.twitter.com/DTqBQk7rNt</a></p>
<p>— Photo Jamaica (@PhoJa01) <a href="https://twitter.com/PhoJa01/status/1640860104957341701?ref_src=twsrc%5Etfw">March 28, 2023</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation">
<p dir="ltr" lang="en">Igreja Duppy próxima a Mile Gully, Manchester, Jamaica.</p>
</blockquote>
<p>Independentemente de os jamaicanos acreditarem ou não em fantasmas, há histórias mais do que suficientes para serem contadas no Halloween.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/emma-lewis/' class='user-link'>Emma Lewis</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/dominique-andrade/' class='user-link'>Dominique Andrade</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2024/10/31/the-fascinating-ghosts-and-monsters-of-jamaicas-folklore/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/10/50435004012_9001d06b99_k-400x300.jpg" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>Marijeta Mojasevic: de vítima de derrame à ativista pelos direitos das pessoas com deficiência</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2024/07/09/marijeta-mojasevic-de-vitima-de-derrame-a-ativista-pelos-direitos-das-pessoas-com-deficiencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bárbara Pereira Peixer]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jul 2024 20:57:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Inglês]]></category>
		<category><![CDATA[Juventude]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Montenegro]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres e Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=112473</guid>

					<description><![CDATA["Quero que [os jovens] mudem o seu ponto de vista e que aceitem as pessoas com deficiência como membros da mesma sociedade, como amigos e colegas"]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>&#8220;A dor crônica tornou-se minha amiga inseparável, meu inimigo inevitável&#8221;</em></big></p><div id="attachment_811758" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-811758" class="wp-image-811758 size-large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/04/For-Stories-3-800x450.png" alt="" width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-811758" class="wp-caption-text">Colagem de Giovana Fleck usando um cartaz dos direitos das pessoas com deficiência na Leadership Conference on Civil and Human Rights, usada sob permissão, e uma foto de Marijeta Mojasevic, cortesia de Mojasevic.</p></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Este artigo, escrito por Clarisse Sih e Bibbi Abruzzini, faz parte da <a href="https://www.forus-international.org/pt/custom-page-detail/76297-marchwithus">campanha #MarchaComNós</a>, um mês de histórias de ativistas pela justiça de gênero mundo afora.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acordar temendo pela própria vida devido a um problema neurológico é uma situação pela qual ninguém deseja passar. Certamente, Marijeta Mojasevic nunca pensou que poderia sofrer um derrame, e mesmo se acontecesse, não achou que seria aos 17 anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mojasevic nasceu em Berane, Montenegro, em 1988. Ela estava no ensino médio quando sofreu o primeiro derrame.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Você vai em uma excursão escolar e acorda em um quarto de hospital. Naquele momento, eu disse a mim mesma que não queria estar ali. Lembro-me do rapaz que estava na emergência comigo. Estávamos mal. Mais tarde, infelizmente, ele faleceu”, relembra Marijeta. </span></p>
<p><b>&#8220;Tudo está diferente; eu estou diferente&#8221;</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Meio ano depois, ela sofreu outro derrame. Após o primeiro derrame, que aconteceu quando tinha 15 anos, os vasos sanguíneos do cérebro ficaram danificados e, durante o derrame posterior, ficaram permanentemente impossibilitados de transportar oxigênio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela precisou abandonar a escola por um ano e meio, continuando seus estudos a partir de um novo ângulo: com visão dupla, medicação forte e </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Hemiparesia"><span style="font-weight: 400;">hemiparesia</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma debilidade que afeta um lado inteiro do corpo.</span> <a href="https://www.efna.net/memories-of-hard-times-can-brighten-your-way/"><span style="font-weight: 400;">Mas esses são apenas uma parte de seus problemas.</span></a><span style="font-weight: 400;">  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“O meu sistema neurológico foi arruinado e nunca ficará bom de novo. A dor crônica se tornou minha amiga inseparável, meu inimigo inevitável. Precisei aceitar que nunca mais andaria direito, nunca usaria minha mão direita do mesmo jeito, nem veria normalmente.” </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mojasevic publicou recentemente trechos do seu diário pessoal</span> <a href="https://mozdaniudar.org/wp/2019/05/14/odlomci-iz-mog-dnevnika-prica-hrabre-devojke-koja-je-prebrodila-2-mozdana-udara/"><span style="font-weight: 400;">de antes e depois do derrame.</span></a><span style="font-weight: 400;">  </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><strong><i>Segunda-feira, 2 de setembro de 2002</i></strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Querido diário,</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Hoje é o começo do ano letivo e todas as outras coisas se tornaram irrelevantes. Só a escola é importante. Eu estava um pouco indecisa se deveria te escrever porque sei como o meu irmão era reclamão. Da primeira vez rasguei algumas páginas por medo, mas dessa vez não vou. A Diana se apaixonou pelo Aleksander e, segundo ela, a Mia também. Ele até que é gatinho. Devo dizer, o Martin é tão querido comigo. Preciso descobrir se ele ainda gosta de mim. Angel está com um corte de cabelo horrível e dizem que o meu orientador vai se alistar no exército. O que eu vou fazer sem ele!!!</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Te amo! Da sua Maki.</span></i></p>
<p><strong><i>Sexta-feira, 11 de abril de 2003</i></strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Querido diário,</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Em primeiro lugar, peço perdão por não te escrever. Em segundo, eu estou frita. A competição de física é amanhã e eu estou muito nervosa. Eu fiz diversas atividades e sinto que conheço o assunto (o que já é alguma coisa), mas esse medo de palco vai me matar. Acho que não vou dormir esta noite!</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Da sua física.</span></i></p>
<p><strong><i>Segunda-feira, 28 de julho de 2003</i></strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Querido diário,</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Tive uma crise de choro na noite passada. Algo se quebrou dentro de mim e, não sei, eu estava muito mal. Estou tão… tão deprimida. Tudo está diferente. Eu estou diferente&#8230; e todos à minha volta também. E tudo isso me incomoda muito. O relacionamento deles. E a escola, estou com muito medo, mas espero que fique tudo bem. Bem, estou te dizendo, tudo está de alguma forma&#8230; diferente.</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Da sua M.</span></i></p>
<p><strong><i>Quinta-feira, 18 de setembro de 2003</i></strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Querido diário,</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Hoje é meu aniversário. Não vou comemorar, porque não é hora para isso. Não é hora para nada. Isso é certo para você. Estou muito mal. Tento ser a mesma de antes, mas não dá. A escola é horrível. Tudo é diferente e idiota. A sociedade, os professores, tudo. Eu me sinto idiota e solitária. Mas isso foi há muito tempo. Não consigo descrever o que me irrita, mas a lista é grande. Esta não sou mais eu. É outra pessoa. E eu sinto falta da antiga eu! Pronto, estou chorando. Patética e ridícula, não é? Acho que Deus deveria ter me levado. Eu não fui feita para passar por isso. Não fui.</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela assinou a última anotação no diário como NINGUÉM. Sua transformação foi rápida e inevitável. Ainda assim, quase invisível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Eu perdi a maioria das minhas amizades por conta do estigma e do preconceito que cercam a deficiência. Eu fiz novos amigos, meus bens mais preciosos. Como uma conselheira da juventude, tento mostrar aos jovens as razões para não terem medo da diversidade, e a deficiência é uma forma de diversidade&#8221;, diz Marijeta. </span></p>
<p><b>A vida com deficiência</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Montenegro, assim como em muitos países nos Bálcãs e além, somente nos últimos anos</span><a href="https://master-mne.me/neophodna-veca-podrska-osobama-sa-invaliditetom/"><span style="font-weight: 400;"> desenvolveu um sistema de apoio a pessoas com deficiências,</span></a><span style="font-weight: 400;"> Mojasevic já é mãe, assistente social, conselheira da juventude e ativista pelos direitos das pessoas com deficiência. Ela foi incluída na </span><a href="https://www.bbc.com/serbian/lat/balkan-67511860"><span style="font-weight: 400;">lista das 100 pessoas mais influentes da BBC</span></a>, entre os poucos nomes dos Bálcãs deste ano<span style="font-weight: 400;">. Seu foco principal são os jovens, que geralmente se interessam pelos seus <em>workshops</em> “A vida com deficiência”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;No ano passado, eu estava trabalhando com um grupo de jovens da nona série. Lembro-me daquele dia porque eles queriam que eu ficasse por mais tempo e queriam aprender mais. Foi um momento poderoso. Eu quero mudar o ponto de vista deles e quero que as pessoas com deficiência sejam aceitas como parte da mesma sociedade, como amigos e colegas.” </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mojasevic também é embaixadora da </span><a href="https://oneneurology.net/"><span style="font-weight: 400;">OneNeurology</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma iniciativa que visa tornar as doenças neurológicas uma prioridade para a saúde pública mundial. Existem mais de 400 distúrbios neurológicos. Entre os que vivem com transtornos neurológicos, 92% dizem se sentir afetados pelo estigma relacionado aos distúrbios que possuem.</span></p>
<p><b>A dimensão de gênero na saúde</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas este estigma também carrega o componente gênero. Se a</span> <a href="https://www.concern.net/news/why-is-gender-equality-important"><span style="font-weight: 400;">igualdade de gênero salva vidas</span></a><span style="font-weight: 400;">, o contrário também é verdade:</span> a <a href="https://www.concern.net/news/gender-inequalities-we-need-to-address"><span style="font-weight: 400;">desigualdade de gênero destrói vidas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso se aplica, sobretudo, na área da saúde, onde o preconceito de gênero é endêmico e potencialmente mortal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“As relações de poder entre gêneros são a raiz do problema da desigualdade e estão entre os determinantes sociais da saúde. Elas definem se as pessoas têm suas necessidades de saúde reconhecidas, se têm [uma] voz ou um mínimo controle sobre suas vidas e sua saúde, se podem fazer valer seus direitos”, segundo o relatório </span><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span><a href="https://eurohealth.ie/wp-content/uploads/2012/02/Unequal-Unfair-Ineffective-and-Inefficient-Gender-Inequity-in-Health.pdf"><span style="font-weight: 400;">Desigual, injusto, ineficaz e ineficiente — A desigualdade de gênero na saúde: porque ela existe e como podemos mudá-la</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8220;,</span><span style="font-weight: 400;"> da Women and Gender Equity Knowledge Network, a Comissão sobre Determinante Sociais da Saúde da OMS.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O relatório destaca o impacto negativo da desigualdade de gênero na saúde física e mental de milhões de indivíduos em todo o mundo, afetando tanto as mulheres e meninas quanto homens e meninos. Os pesquisadores sugerem diversas abordagens para fazer uma mudança, incluindo a reforma de leis e políticas para defender os direitos das mulheres, desafiando normas e estereótipos de gênero nocivos e abordando riscos e vulnerabilidades para a saúde específicos de cada gênero.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, isso não é tudo. É preciso aumentar a conscientização e o acesso à saúde para as mulheres, corrigir o desequilíbrio de gênero em pesquisas e promover a igualdade de gênero nas organizações e, ao mesmo tempo, apoiar os grupos de defesa das mulheres por responsabilização. </span></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/guest-contributor/' class='user-link'>Guest Contributor</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/barbara-pereira-peixer/' class='user-link'>Bárbara Pereira Peixer</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2024/05/02/marijeta-mojasevics-journey-from-stroke-survivor-to-disability-rights-activist/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2024/04/For-Stories-3-400x300.png" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>Neville Garrick, o artista jamaicano que capturou o legado de Bob Marley em seus desenhos, morre aos 73 anos</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2023/11/29/neville-garrick-o-artista-jamaicano-que-capturou-o-legado-de-bob-marley-em-seus-desenhos-morre-aos-73-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernanda Lorenzo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Nov 2023 12:41:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Caribe]]></category>
		<category><![CDATA[Inglês]]></category>
		<category><![CDATA[Jamaica]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=109018</guid>

					<description><![CDATA[Garrick foi famoso principalmente por projetar as capas vibrantes dos mais aclamados álbuns do ícone do reggae. No entanto, sua vida teve muitos outros aspectos, como a devoção pelo movimento rastafári, ativismo político e criatividade.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>&#8220;Foi a primeira vez que um artista jamaicano teve qualquer controle sobre as capas de seus álbuns&#8221;</em></big></p><div id="attachment_801477" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-801477" class="size-large wp-image-801477" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/11/GV-3-800x600.jpg" alt="" width="800" height="600" /><p id="caption-attachment-801477" class="wp-caption-text">Em sentido horário, do canto superior esquerdo: &#8220;Catch a Fire&#8221;, &#8220;Rastaman Vibration&#8221;, &#8220;Exodus&#8221; e &#8220;Uprising&#8221;, de Bob Marley and the Wailers. Artes feitas por Neville Garrick. Uso permitido.</p></div>
<p>A família de Neville Garrick, o artista gráfico jamaicano e designer dos álbuns de reggae mais emblemáticos, <a href="https://www.facebook.com/naomigarrick/posts/pfbid0anbPn4frfs4ZtDzGkMWpzLLSZDnUCiGPfoXQDsU1uE1LSBnyn9GrgHm16WfG357Zl">anunciou</a> em 15 de novembro que ele havia <a href="https://jamaica.loopnews.com/content/neville-garrick-renowned-visual-designer-has-died#">falecido</a> em Los Angeles, após uma “breve, mas corajosa luta contra o câncer”. Amigo próximo e diretor de arte de Bob Marley, Garrick foi famoso principalmente por projetar as capas vibrantes dos mais aclamados álbuns do ícone do reggae. No entanto, sua vida teve muitos outros aspectos, como a devoção pelo <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_rastaf%C3%A1ri">movimento rastafári</a>, seu ativismo político e criatividade.</p>
<p>A filha de Garrick, Naomi <a href="https://www.jamaicaobserver.com/latest-news/neville-garrick-award-winning-art-director-for-bob-marley-has-died/">declarou</a>:</p>
<blockquote><p>Words cannot adequately express the loss that we currently feel as a family to lose our beloved Neville. He was a master storyteller, history keeper, poignant artist, author, speaker, proud Kingston College and UCLA graduate and for us father, Grandpa, ‘Poppy’, provider, and friend. Our hearts are broken as we come to terms with this loss. Neville in his own words ‘coloured the music’ but for us, he coloured our lives. Our hope is that his work will continue to be enjoyed and celebrated around the world.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Palavras não podem expressar claramente o que sentimos como família nesse momento com a perda do nosso querido Neville. Ele foi um grande contador e guardião de histórias, artista comovente, autor, palestrante, graduado orgulhosamente pelo Kingston College e pela UCLA e, para nós, pai, avô, &#8216;Poppy&#8217;, provedor e amigo. Nossos corações estão partidos à medida que aceitamos essa perda. Neville em suas próprias palavras &#8216;coloriu a música&#8217;, mas para nós, ele coloriu as nossas vidas. Esperamos que seu trabalho continue a ser apreciado e celebrado em todo o mundo.</p></blockquote>
<p><span style="font-size: 1.25rem;">A filha de Marley, Cedella, que é  CEO do Grupo de empresas Bob Marley, publicou uma simples mensagem </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.instagram.com/p/Czq4hM1OHSK/">no Instagram</a><span style="font-size: 1.25rem;"> com uma fotografia mostrando Garrick em modo reflexivo: &#8220;Voe para casa, tio Neville&#8221;.</span></p>
<p>A Fundação Bob Marley <a href="https://www.facebook.com/watch/?ref=saved&amp;v=1050085962692200">publicou</a> uma montagem de fotos no Facebook com a seguinte mensagem:</p>
<blockquote><p>Bob’s art director and good friend Neville Garrick passed away and is on his journey home. Condolences to his children, family and friends. His life will be remembered through his voice and his art. The legacy lives on. RASTAFARI</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>O diretor de arte de Bob e grande amigo Neville Garrick faleceu e segue sua jornada para casa. Condolências aos seus filhos, família e amigos. Sua vida será lembrada através de sua voz e sua arte. O legado continua vivo. RASTAFÁRI</p></blockquote>
<p>Junior Marvin, do The Wailers, declarou:</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">Neville Garrick R.I.P. <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f64f-1f3fd.png" alt="🙏🏽" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Smiling with Bob &amp; Others right now. <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f451.png" alt="👑" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><br />
Jah Guide &amp; Bless.<br />
Condolences to Family &amp; Friends <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f1ef-1f1f2.png" alt="🇯🇲" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f49a.png" alt="💚" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f9e1.png" alt="🧡" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f496.png" alt="💖" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f30d.png" alt="🌍" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f30f.png" alt="🌏" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f30e.png" alt="🌎" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/262e.png" alt="☮" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1fa87.png" alt="🪇" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f3a8.png" alt="🎨" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f3a8.png" alt="🎨" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f3a8.png" alt="🎨" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f3ac.png" alt="🎬" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f308.png" alt="🌈" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f308.png" alt="🌈" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f308.png" alt="🌈" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f308.png" alt="🌈" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f308.png" alt="🌈" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f308.png" alt="🌈" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><a href="https://twitter.com/hashtag/nevillegarrick?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#nevillegarrick</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/bobmarley?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#bobmarley</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/bobmarleyandthewailers?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#bobmarleyandthewailers</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/smile?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#smile</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/artist?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#artist</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/color?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#color</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/love?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#love</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/jah?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#jah</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/rasta?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#rasta</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/joy?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#joy</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/music?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#music</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/family?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#family</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/freedom?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#freedom</a> <a href="https://t.co/UJMfQUGp9c">pic.twitter.com/UJMfQUGp9c</a></p>
<p>— Junior Marvin ♬ The Legendary Wailers (@JuniorMarvin09) <a href="https://twitter.com/JuniorMarvin09/status/1724822530274263271?ref_src=twsrc%5Etfw">November 15, 2023</a></p></blockquote>
<blockquote><p>Neville Garrick descanse em paz. Sorrindo com Bob e Outros agora. Que Jah Guie e Abençoe. Condolências à Família e Amigos.</p></blockquote>
<p>Filha de Jimmy Cliff, a produtora musical Odessa Chambers, prestou homenagem ao &#8220;tio&#8221; Neville:</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">. “Design is fine … History is mine”… Walk Good Uncle <a href="https://twitter.com/hashtag/NevilleGarrick?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#NevilleGarrick</a></p>
<p>Dear friend to both of my parents. <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f5a4.png" alt="🖤" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f64f-1f3fe.png" alt="🙏🏾" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f54a.png" alt="🕊" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> <a href="https://t.co/nficlWc9b9">pic.twitter.com/nficlWc9b9</a></p>
<p>— oDessa (@oblessa) <a href="https://twitter.com/oblessa/status/1724819425725907389?ref_src=twsrc%5Etfw">November 15, 2023</a></p></blockquote>
<blockquote><p>&#8216;O design é bom&#8230; A história é minha&#8230;&#8217; Boa caminhada, tio #NevilleGarrick. Querido amigo dos meus pais.</p></blockquote>
<p>O primeiro-ministro Andrew Holness também prestou homenagem:</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">I extend condolences to the family and friends of Neville Garrick. His departure leaves a void not only in the artistic community but also in the hearts of those who admired and cherished him. <a href="https://t.co/KT0v0EhEBQ">pic.twitter.com/KT0v0EhEBQ</a></p>
<p>— Andrew Holness (@AndrewHolnessJM) <a href="https://twitter.com/AndrewHolnessJM/status/1724809490850254952?ref_src=twsrc%5Etfw">November 15, 2023</a></p></blockquote>
<blockquote><p>Estendo minhas condolências à família e amigos de Neville Garrick. Sua partida deixa um vazio não só na comunidade artística, mas também no coração daqueles que o admiravam e estimavam.</p></blockquote>
<p>Garrick ingressou nas aulas de arte em uma distinta escola para meninos, o Kingston College, aos 14 anos. Ele frequentou a Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) por quatro anos com uma bolsa de estudos de futebol, chegando às finais da Associação Atlética Universitária Nacional em 1971 e 1972. Durante seus dias na universidade, foi editor da revista estudantil da UCLA de estudantes negros, a <a href="https://nommomagazine.com/">Nommo</a>, e começou a criar cartazes políticos; um de seus primeiros foi para <a href="https://www.instagram.com/p/CzqexAoLvli/">Angela Davis</a>.</p>
<p>Como calouro, em 1970, ele e outros seis artistas embarcaram em um projeto de mural retratando as lutas e conquistas dos afro-americanos nos Estados Unidos na UCLA. O mural foi restaurado e <a href="https://newsroom.ucla.edu/stories/the-black-experience-reexperienced">reapresentado</a> ao público em 2014. Como estudante, Garrick também começou a pintar (e vender pinturas) com temas africanos, conforme declarou em uma <a href="https://www.eyemagazine.com/feature/article/reputations-neville-garrick">entrevista de 2001:</a> &#8220;Eu estava envolvido em todo tipo de manifestação estudantil no campus. Eu costumava fazer cartazes para os protestos, com o punho cerrado e tudo mais&#8221;.</p>
<p>Em homenagem a Garrick, um usuário do &#8220;X&#8221; (antigo Twitter) escreveu:</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">We lost a good one yesterday. Neville Garrick was an award winning artist responsible for creating many of the album covers for his good friend, Bob Marley. While attending UCLA, he painted this mural in the early 70’s. It was wallpapered over, recently. uncovered. RIP RASTA<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f3cc-1f3fe-200d-2640-fe0f.png" alt="🏌🏾‍♀️" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f64f-1f3fd.png" alt="🙏🏽" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> <a href="https://t.co/R8QiMFh5tH">pic.twitter.com/R8QiMFh5tH</a></p>
<p>— Elder Marques Johnson (@olskool888) <a href="https://twitter.com/olskool888/status/1724841582468415890?ref_src=twsrc%5Etfw">November 15, 2023</a></p></blockquote>
<blockquote><p>Perdemos um bom homem ontem. Neville Garrick foi um artista premiado, responsável por criar muitas capas de álbuns para seu grande amigo Bob Marley. Enquanto frequentava a UCLA, pintou este mural no início dos anos 1970. Ele foi tampado e recentemente descoberto. RIP RASTA.</p></blockquote>
<p>Ao retornar para a Jamaica, Garrick trabalhou por um ano como diretor artístico de um jornal local, <a href="https://nljdigital.nlj.gov.jm/collections/show/34#?c=0&amp;m=0&amp;s=0&amp;cv=0&amp;xywh=0%2C-90%2C523%2C534">o Daily News</a>, antes de se demitir para se juntar à gravadora <a href="https://www.tuffgong.com/">Tuff Gong Records</a>. Foi por meio dos esportes que Garrick conheceu Bob Marley; o jogador de futebol jamaicano <a href="https://www.kctimes.org/articles.aspx?articleid=1752&amp;kcedtn=1033">Alan &#8220;Skill&#8221; Cole</a> apresentou-o a Marley (um grande fã de futebol) e assim a <a href="https://www.youtube.com/watch?app=desktop&amp;v=qAMD5sYrHjE">amizade</a> deles começou.</p>
<p>Garrick descreveu Marley como um &#8220;irmão mais velho&#8221;, que era mais esperto do que ele, pois vinha de uma origem diferente. Ele começou a passar um tempo na então casa de Marley, no número 56 da Hope Street, em Kingston <span style="font-size: 1.25rem;">– </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://www.bobmarleymuseum.com/">hoje Museu Bob Marley</a><span style="font-size: 1.25rem;"> – onde muitas partidas de futebol </span><a style="font-size: 1.25rem;" href="https://artsandculture.google.com/story/56-hope-road-bob-marley-legend/7AXB-bSsqEK5IQ?hl=en">eram disputadas</a><span style="font-size: 1.25rem;">.</span></p>
<p>Garrick tornou-se diretor de arte da gravadora Tuff Gong de Bob Marley, criando <a href="https://www.instagram.com/stories/highlights/17858070310526750/?hl=en">capas</a> para alguns dos álbuns mais famosos do músico, incluindo &#8220;Exodus&#8221; e &#8220;Rastaman Vibration&#8221;. Continuou a fazer capas de álbuns fascinantes para outros músicos rastafáris durante os anos 1970 e 1980, incluindo <a href="https://globalvoices.org/2021/03/02/reggae-icon-bunny-wailer-last-of-the-original-wailers-passes-away/">Bunny Wailer</a>, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Burning_Spear">Burning Spear</a>, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Peter_Tosh">Peter Tosh</a> e <a href="https://globalvoices.org/2023/10/14/reggae-ambassador-and-founding-member-of-legendary-jamaican-band-third-world-michael-ibo-cooper-passes-away/">Steel Pulse</a>.</p>
<p>Sua primeira capa foi para o álbum &#8220;<a href="https://www.discogs.com/release/4012183-Judy-Mowatt-Mellow-Mood">Mellow Mood</a>&#8221; (1975) de Judy Mowatt, membro do &#8220;I Threes&#8221;, grupo do vocal de apoio de Marley. Uma de suas <a href="https://vprecordsofficial.bandcamp.com/album/none-a-jah-jah-children">primeiras criações</a> (incluindo uma fotografia do imperador Haile Selassie I quando criança) foi para a banda Ras Michael and the Sons of Negus. No entanto, sobre seu trabalho com a gravadora Island Records de Marley e Chris Blackwell, Garrick disse: &#8220;Foi a primeira vez que um artista jamaicano teve qualquer controle sobre as capas de seus álbuns&#8221;.</p>
<p>No início deste ano, Garrick informou que &#8220;Rastaman Vibration&#8221; havia sido <a href="https://www.billboard.com/photos/best-album-covers-of-all-time-6715351/78-ramones-cover-1976-billboard-1240/">reconhecido</a> pela revista Billboard por ser o número 22 das melhores capas de 100 álbuns de todos os tempos.</p>
<p>No entanto, Garrick não desenhou apenas capas de álbuns; ele foi responsável pelos cenários e iluminação inspiradores e deslumbrantes, com temas e cores rastafári, do festival de música <a href="https://reggaesunsplashpreservationsociety.org/">Reggae Sunsplash</a>, realizado pela primeira vez em 1978 em Montego Bay. O festival tornou-se <a href="https://jamaica-gleaner.com/gleaner/20100613/arts/arts4.html#slideshow-1">muito popular</a> durante a década de 1980, e foi um grande impulso para o turismo, exportado internacionalmente e gravado em álbuns e vídeos. Em seu auge, o festival percorreu os Estados Unidos, Europa, Extremo Oriente e América do Sul.</p>
<p>Em certa ocasião, Garrick <a href="https://www.facebook.com/iamnevillegarrick/posts/pfbid0uoqLsR194YPfHnaf9rTh2bmdXWUKV6Zp5yGjovSsKPyBE4qvpdJ39z3y221JktAgl">descreveu</a> o trabalho visionário que fez, no Reggae Sunsplash e nas turnês de Marley no exterior de 1981 a 1988, observando: &#8220;Meu cenário mais famoso é o de Sua Majestade Imperial, o imperador Haile Selassie I da Etiópia, que enfeitava o palco atrás de Bob Marley de 1976 a 1980 viajando pelo mundo&#8221;.</p>
<p>Em 1999, Garrick produziu um livro de suas fotografias, &#8220;<a href="https://www.abebooks.com/9780764908941/Rastas-Pilgrimage-Ethiopian-Faces-Places-0764908944/plp">A Rasta&#39;s Pilgrimage: Ethiopian Faces and Places&#8221;.</a> Ele também escreveu a introdução do livro de Chris Morrow &#8220;<a href="https://www.abebooks.com/9780811826167/Stir-Reggae-Album-Cover-Art-0811826163/plp">Stir It Up: Reggae Album Cover Art</a>&#8220;. E falando sobre suas fotografias, Garrick disse em uma <a href="https://www.eyemagazine.com/feature/article/reputations-neville-garrick">entrevista</a> à revista Eye em 2001: &#8220;Você pode ser ótimo tecnicamente, mas se não tem visão, então você só vai ter uma fotografia tecnicamente ótima. Isso não vai inspirar ninguém&#8221;.</p>
<p>Em 2016, Garrick <a href="https://www.youtube.com/watch?v=yXlS-G9l97A">compartilhou memórias</a> do famoso show &#8220;<a href="https://www.freedomleaf.com/bob-marley-one-love-peace-concert/">One Love&#8221;</a> de Bob Marley de 1978 e, em 2022, a <a href="https://www.youtube.com/watch?v=dLi7x6b6dFI">Associação da Indústria de Reggae da Jamaica</a> (JARIA) concedeu-lhe o Prêmio de Design de Álbum da Fundação Gregory Isaacs. O prêmio celebrou suas contribuições significativas, que tiveram um impacto positivo no desenvolvimento e promoção do reggae.</p>
<p>Em 6 de agosto, sua filha Naomi <a href="https://www.instagram.com/p/CyiiKMNuTA3/?hl=en">recebeu</a> em seu nome a Ordem de Distinção, Comendador de Classe (CD), um prêmio nacional por sua contribuição para a música, arte e cultura jamaicanas.</p>
<p>Garrick mais tarde serviu como diretor da <a href="https://bobmarleyfoundation.org/">Fundação Bob Marley</a> e projetou uma ampliação para o <a href="https://www.bobmarleymuseum.com/">Museu Bob Marley</a> em Kingston. Seu último projeto com a família Marley foi como assessor histórico na <a href="https://www.bobmarleymuseum.com/open-casting-for-bob-marley-biopic/">cinebiografia de Bob Marley</a> &#8220;One Love&#8221;, da Paramount Films, que tem lançamento previsto para fevereiro de 2024.</p>
<p>Um usuário do X publicou:</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">RIP Neville Garrick, Artist Extraordinaire.<br />
Sad you didn&#39;t see your brainchild, the Bob Marley movie, hit the big screen. I can never forget your many visits to JBC in those days.<br />
Rebel with a cause.<br />
RIP. <a href="https://t.co/pZs2wvjBSb">pic.twitter.com/pZs2wvjBSb</a></p>
<p>— Brushie 2 String (@2Brushie) <a href="https://twitter.com/2Brushie/status/1724760750739120448?ref_src=twsrc%5Etfw">November 15, 2023</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>RIP Neville Garrick, artista extraordinário.<br />
É triste você não ter visto sua criação, o filme de Bob Marley, nas telonas. Nunca esquecerei das suas muitas visitas à JBC naqueles dias.<br />
Rebelde com uma causa.<br />
RIP.</p></blockquote>
<p>Outro acrescentou:</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">As a kid, I used to stare at Bob Marley &amp; The Wailers album covers in the basement&#8230; Rest in Peace, Neville Garrick. <a href="https://t.co/RilAxp9HaX">pic.twitter.com/RilAxp9HaX</a></p>
<p>— StarcasM (@StarcasM85) <a href="https://twitter.com/StarcasM85/status/1724790213413880002?ref_src=twsrc%5Etfw">November 15, 2023</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Quando criança, eu olhava para as capas dos álbuns de Bob Marley &amp; The Wailers no porão&#8230; Descanse em Paz, Neville Garrick.</p></blockquote>
<p>A cantora Nadine Sutherland publicou:</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">Glad we spoke earlier in the year. A brave warrior accepting that your time to ascend was close. From my early days at Tuff Gong, all you&#39;ve shown me was love and respect. Light, Peace and Progress to your spirit Neville Garrick. Wat a meet up in Zion.</p>
<p>Pic collage &#8211; <a href="https://twitter.com/wcchen?ref_src=twsrc%5Etfw">@wcchen</a> <a href="https://t.co/DYmAxAe90l">pic.twitter.com/DYmAxAe90l</a></p>
<p>— NadineSutherland (@Nadinesutherlan) <a href="https://twitter.com/Nadinesutherlan/status/1724766685612142792?ref_src=twsrc%5Etfw">November 15, 2023</a></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Fico feliz por termos conversado no início do ano. Um bravo guerreiro aceitando que sua hora de ascender estava próxima. Desde os meus primeiros dias no Tuff Gong, tudo o que você me mostrou foi amor e respeito. Luz, Paz e Progresso ao seu espírito Neville Garrick. Que reunião em Zion!</p></blockquote>
<p>Na época de sua morte, Garrick estava trabalhando em &#8220;Colour the Music&#8221;, um documentário com seu filho Nesta, que narrava sua carreira. Ele também estava terminando uma série de obras pintadas à mão para celebrar a cultura negra.</p>
<p>Nunca tendo acreditado em &#8220;arte pela arte&#8221;, ele <a href="https://www.kctimes.org/articles.aspx?articleid=3028&amp;kcedtn=1045">observou</a>:</p>
<blockquote><p>I won’t compromise my concept. If entertainment doesn’t contain information, then I don’t want anything to do with it.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Não vou comprometer meu conceito. Se o entretenimento não contém informação, não quero ter nada a ver com isso.</p></blockquote>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/emma-lewis/' class='user-link'>Emma Lewis</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/fernanda-svartman-lorenzo/' class='user-link'>Fernanda Lorenzo</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2023/11/16/neville-garrick-the-jamaican-artist-who-captured-bob-marleys-legacy-in-his-designs-passes-away-at-age-73/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2023/11/GV-3-400x300.jpg" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>COVID-19 na Itália: o compromisso dos profissionais de saúde e da solidariedade civil para derrotar o vírus</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2020/04/02/covid-19-na-italia-o-compromisso-dos-profissionais-de-saude-e-da-solidariedade-civil-para-derrotar-o-virus/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Simone Alauk]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2020 16:33:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Desastre]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Esforços Humanitários]]></category>
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		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=85233</guid>

					<description><![CDATA[Nos casos mais graves, a infecção pode causar pneumonia, síndrome respiratória aguda grave, insuficiência renal e até a morte.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>O coronavírus já fez muitas vítimas, mesmo entre os profissionais de saúde que estão na linha de frente</em></big></p><div style="width: 1181px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://cdnb.artstation.com/p/assets/images/images/024/963/457/large/franco-rivolli-italylowmarchio.jpg?1584105124" alt="Coronavirus, dottoressa che culla l'Italia, immagine di Franco Rivolli" width="1181" height="1654" /><p class="wp-caption-text">Imagem simbólica do ilustrador Franco Rivolli, compartilhada pelos Carabinieri. Uma médica, de máscara e com as asas atrás da bata, protege a febril Itália em seus braços. Fonte: <a href="https://www.artstation.com/artwork/RYv9dD">Artstation</a>.</p></div>
<p>A ilustração do artista Franco Rivolli, publicada pelos Carabinieri <strong>(Forças Armadas da Itália)</strong>, tornou-se viral nas redes sociais italianas. Representa um médico com  máscara segurando a Itália como um bebê, febril e envolto na bandeira da nação. As asas nos seus ombros representam os trabalhadores da saúde como anjos da guarda de seus pacientes e do país. A ilustração nasceu do desejo de agradecimento aos médicos, enfermeiros e profissionais de saúde, que estão na vanguarda da luta contra a epidemia do novo coronavírus, que está colocando o país de joelhos.</p>
<p>A <a href="https://it.wikipedia.org/wiki/Pandemia_di_COVID-19_del_2019-2020">pandemia da COVID-19 de 2019-2020</a> chegou na Itália nas últimas semanas. É uma doença respiratória, <a href="https://it.wikipedia.org/wiki/COVID-19">COVID-19,</a> causada pelo coronavírus <a href="https://it.wikipedia.org/wiki/SARS-CoV-2">SARS-CoV-2</a>, que pode evoluir para uma grave pneumonia. Não é uma simples gripe que aflige apenas os idosos com doenças. Pode evoluir para uma pneumonia intersticial bilateral. Como explica o <a href="http://www.salute.gov.it/portale/malattieInfettive/dettaglioFaqMalattieInfettive.jsp?lingua=italiano&amp;id=228">Ministério da Saúde</a>, os sintomas mais comuns são febre, fadiga e tosse seca. Alguns pacientes podem ter dores musculares, congestão nasal, corrimento nasal, dor de garganta ou diarreia. Nos casos mais graves, a infecção pode causar pneumonia, síndrome respiratória aguda grave, insuficiência renal e até a morte.</p>
<blockquote><p><strong>Mappe e aggiornamenti sul COVID-19 in Italia e nel mondo<br />
</strong></p>
<p>Il 30 gennaio 2020 l’Organizzazione Mondiale della Sanità ha dichiarato che questa epidemia rappresenta un’emergenza internazionale di salute pubblica. L’OMS in data 11 marzo 2020 ha dichiarato che il COVID-19 può essere definito pandemico. L’OMS pubblica ogni giorno un <a href="http://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/situation-reports/" data-versionurl="http://web.archive.org/web/20200327185418/http://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/situation-reports/" data-versiondate="2020-03-27T18:54:18+00:00" data-amber-behavior="">aggiornamento epidemiologico</a>. Qui gli aggiornamenti: <a href="http://www.salute.gov.it/portale/nuovocoronavirus/dettaglioContenutiNuovoCoronavirus.jsp?lingua=italiano&amp;id=5338&amp;area=nuovoCoronavirus&amp;menu=vuoto" data-versionurl="http://web.archive.org/web/20200327185113/http://www.salute.gov.it/portale/nuovocoronavirus/dettaglioContenutiNuovoCoronavirus.jsp?lingua=italiano&amp;id=5338&amp;area=nuovoCoronavirus&amp;menu=vuoto" data-versiondate="2020-03-27T18:51:14+00:00" data-amber-behavior="">Situazione nel mondo</a> e <a href="http://www.salute.gov.it/portale/nuovocoronavirus/dettaglioContenutiNuovoCoronavirus.jsp?lingua=italiano&amp;id=5351&amp;area=nuovoCoronavirus&amp;menu=vuoto" data-versionurl="http://web.archive.org/web/20200320143417/http://www.salute.gov.it/portale/nuovocoronavirus/dettaglioContenutiNuovoCoronavirus.jsp?lingua=italiano&amp;id=5351&amp;area=nuovoCoronavirus&amp;menu=vuoto" data-versiondate="2020-03-20T14:34:18+00:00" data-amber-behavior="down popup">Situazione in Italia</a>.</p>
<p>L’<a href="https://systems.jhu.edu/" data-versionurl="http://web.archive.org/web/20200327185624/https://systems.jhu.edu/" data-versiondate="2020-03-27T18:56:25+00:00" data-amber-behavior="">Università Johns Hopkins</a> ha creato una<a href="https://www.arcgis.com/apps/opsdashboard/index.html#/bda7594740fd40299423467b48e9ecf6" data-versionurl="http://web.archive.org/web/20200327184613/https://www.arcgis.com/apps/opsdashboard/index.html" data-versiondate="2020-03-27T18:46:13+00:00" data-amber-behavior=""> mappa online della diffusione del COVID-19 </a>che riporta gli aggiornamenti mondiali, aggiornati con i dati delle autorità sanitarie mondiali.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><strong>Mapas e atualizações sobre a COVID-19 na Itália e no mundo</strong></p>
<p>Em 30 de Janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou esta epidemia como sendo uma emergência de saúde pública internacional. A OMS declarou em 11 de Março de 2020 que a COVID-19 pode ser definida como uma pandemia. A OMS publica todos os dias uma <a href="http://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/situation-reports/">atualização epidemiológica</a>. Aqui estão as atualizações da <a href="http://www.salute.gov.it/portale/nuovocoronavirus/dettaglioContenutiNuovoCoronavirus.jsp?lingua=italiano&amp;id=5338&amp;area=nuovoCoronavirus&amp;menu=vuoto">situação no mundo</a> e a <a href="http://www.salute.gov.it/portale/nuovocoronavirus/dettaglioContenutiNuovoCoronavirus.jsp?lingua=italiano&amp;id=5351&amp;area=nuovoCoronavirus&amp;menu=vuoto">situação na Itália</a>.</p>
<p>A <a href="https://systems.jhu.edu/">Universidade de Johns Hopkins</a> criou um <a href="https://www.arcgis.com/apps/opsdashboard/index.html#/bda7594740fd40299423467b48e9ecf6"> mapa on-line da difusão da COVID-19 </a>que informa as atualizações com dados das autoridades sanitárias mundiais.</p></blockquote>
<h3>As áreas mais afetadas da Itália: Lombardia, da Comuna de Codogno às províncias de Bérgamo e Bréscia</h3>
<p>Até 20 de março de 2020, no momento em que escrevo, há mais de <strong>275 mil casos</strong><b> </b>da COVID-19 no mundo,<b> cerca de 11.400 mortos e 88.256 recuperados.</b></p>
<p>Acompanhe os dados da Protecção Civil Italiana, <a href="https://www.open.online/2020/03/20/coronavirus-bollettino-protezione-civile-20-marzo/">atualizado em 20 de março de 2020</a>, sobre a progressão da epidemia do <strong>coronavírus na Itália:</strong></p>
<ul>
<li>Em um único dia, 20 de Março de 2020: 4.670 novas infecções, 627 mortos e 689 recuperações</li>
<li>Atualmente no total: 47.021 infecções (das quais 37.860 são positivas), 4.032 mortes e 5.129 recuperações</li>
<li>No total: 16.020 pacientes hospitalizados com sintomas (dos quais 2.655 em terapia intensiva), 19.185 pessoas isoladas em casa em todo o país.</li>
</ul>
<div style="width: 589px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://www.ansa.it/webimages/img_700/2020/3/18/4a5b5c1e80909b151ce8f6b55deb4f0b.JPG" alt="Esercito trasporta bare da Bergamo in altre regioni" width="589" height="352" /><p class="wp-caption-text">Cerca de trinta caminhões do exército transportam 130 caixões de Bergamo para crematórios em outras regiões da Itália. Fonte:<a href="http://www.ansa.it/lombardia/notizie/2020/03/18/coronavirus-colonna-mezzi-militari-a-bergamo-con-feretri_3b4e3a18-8467-4185-ad72-2939cc607f66.html"> Ansa.</a></p></div>
<p>Exatamente um mês atrás, em 20 de fevereiro de 2020, o primeiro caso registrado de COVID-19 na Itália: um homem de 38 anos, jovem, saudável e atlético de <a href="https://it.wikipedia.org/wiki/Codogno">Codogno</a>, na província de Pavia. Após sua admissão na terapia intensiva, identificado como &#8220;paciente um&#8221; na Lombardia e, posteriormente, os outros casos positivos.  <strong>Annalisa Malara, 38 anos,</strong> anestesista do Hospital Codogno, diagnosticou o primeiro caso na Itália. Mas infelizmente, o &#8220;paciente zero&#8221; é desconhecido, também porque o &#8220;paciente número um&#8221; nunca esteve na China. Muitas pessoas, tanto residentes como não residentes, foram provavelmente infectadas num bar da cidade. A cidade foi, portanto, declarada como<strong> zona vermelha</strong>. O vírus, então, afetou principalmente a cidade e a província de <a href="https://it.wikipedia.org/wiki/Bergamo">Bérgamo</a> (<a href="https://www.open.online/2020/03/20/coronavirus-bollettino-protezione-civile-20-marzo/">5.154 contágios até 20 março de 2020</a>) e a província de <a href="https://it.wikipedia.org/wiki/Brescia">Bréscia</a>.</p>
<p>Em 13 de março de 2020, o jornalista David Carretta publicou um <a href="https://twitter.com/davcarretta/status/1238791068071661568?s=20">video</a> onde observa a página do obituário no domingo, 9 de fevereiro de 2020 (antes da propagação do vírus), e depois que o vírus começou a ser propagado. O jornal publicou o obituário com dez páginas no 13 de Março de 2020.</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="en">Bergamo daily newspaper <a href="https://t.co/N3ECABz8dr">pic.twitter.com/N3ECABz8dr</a></p>
<p>— David Carretta (@davcarretta) <a href="https://twitter.com/davcarretta/status/1238791068071661568?ref_src=twsrc%5Etfw">March 14, 2020</a></p></blockquote>
<blockquote class="twitter-tweet translation">
<p dir="ltr" lang="en">Jornal Diário de Bergamo <a href="https://t.co/N3ECABz8dr">pic.twitter.com/N3ECABz8dr</a></p>
</blockquote>
<p>A província de Bréscia é a segunda província mais afetada depois de Bérgamo: <a href="https://www.open.online/2020/03/20/coronavirus-bollettino-protezione-civile-20-marzo/">4.648 contágios até 20 de março de 2020</a>.</p>
<p>O <strong>impacto econômico</strong> do surto da COVID-19 no norte é enorme. Lombardia e Vêneto são, de fato, as regiões italianas com maior <a href="https://www.regione.lombardia.it/wps/portal/istituzionale/HP/lombardia-notizie/DettaglioNews/2018/03-marzo/26-31/lombardia-speciale-pil">PIB per capita, acima da média da União Europeia</a>. O conselheiro para o Bem-Estar da Região, <a href="https://www.consiglio.regione.lombardia.it/wps/portal/crl/home/istituzione/I-Consiglieri/elenco-consiglieri/Dettaglio-consigliere/consiglieri-X-Legislatura/giulio-gallera/giulio-gallera">Giulio Gallera</a>, anunciou um projeto para criar um hospital com 500 leitos de terapia intensiva para pacientes com coronavírus na antiga <a href="https://it.wikipedia.org/wiki/Fieramilanocity">Feira de Milão</a>.</p>
<h3 style="text-align: left;">Hospitais em colapso, falta de camas e médicos em risco por poucos equipamentos de proteção pessoal</h3>
<p>Os enfermeiros fizeram um apelo desesperado à população, dizendo que estão exaustos e que não há mais tempo. Todos devem ficar dentro de casa para terminar a epidemia. Assistam aqui o comovente <a href="https://www.youtube.com/watch?v=NhMSeiI9Yi4">vídeo</a>:</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Coronavirus, appello INFERMIERI: &quot;Non c&#039;è più tempo&quot;" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/NhMSeiI9Yi4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Médicos Sem Fronteiras <a href="https://www.medicisenzafrontiere.it/news-e-storie/news/coronavirus-aiuti-personale-medico/">denuncia</a> a falta de equipamento de proteção:</p>
<blockquote><p>Secondo gli ultimi dati dell’Istituto Superiore di Sanità, circa 1.700 operatori sanitari in Italia, pari all’8% dei casi totali di coronavirus nel paese, sono stati contagiati mentre assistevano giorno e notte il crescente numero di pazienti gravi, che richiedono degenze lunghe e cure specialistiche in terapia intensiva.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>De acordo com os últimos dados do Istituto Superiore di Sanità, cerca de 1.700 profissionais de saúde na Itália, o equivalente a 8% do total de casos de coronavírus no país, foram infectados enquanto assistiam dia e noite ao crescente número de pacientes graves, que necessitam de longas estadias e tratamento especializado de cuidados intensivos.</p></blockquote>
<div style="width: 1000px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://www.confindustriadm.it/wp-content/uploads/2019/04/industria-dispositivi-medici.jpg" alt="Industria dispositivi medici" width="1000" height="710" /><p class="wp-caption-text">Na Itália, 66% do mercado  de empresas do setor de dispositivos médicos é dirigido pelo Serviço Nacional de Saúde e representa 7,4% da despesa total, o que corresponde a cerca de 190 euros per capita, um valor inferior à média dos principais países europeus. Fonte: <a href="https://www.confindustria.it/home/centro-studi">Centro studi Confindustria.</a></p></div>
<blockquote><p>In Italia, dove stiamo supportando quattro ospedali nel lodigiano, la carenza di dispositivi di protezione nonostante tutti gli sforzi delle autorità sanitarie è allarmante e lascia il personale medico in prima linea pericolosamente esposto al virus. […] Anche in ospedali europei di altissimo livello vediamo medici e infermieri sopraffatti, che accolgono fino a 80 ambulanze al giorno, mentre la drammatica carenza di dispositivi di protezione – per cui alcuni indossano la stessa mascherina per 12 ore – li pone ad alto rischio di contrarre il virus.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Na Itália, estamos apoiando quatro hospitais em Lodigiano. A falta de equipamento de proteção, apesar de todos os esforços das autoridades sanitárias, é alarmante e deixa o pessoal médico na linha da frente exposto ao vírus. [&#8230;] Mesmo em grandes <a style="background-color: #eeeeee;" href="https://www.medicisenzafrontiere.it/news-e-storie/news/coronavirus-aiuti-personale-medico/">hospitais europeus  </a><span style="background-color: #eeeeee;">ve</span><span style="background-color: #eeeeee;">mos médicos e enfermeiros sobrecarregados, recebendo até 80 ambulâncias por dia e a dramática falta de equipamento de proteção  <strong>(em razão disso, alguns usam a mesma máscara durante 12 hora, correndo risco de serem contaminados pelo vírus.</strong></span></p></blockquote>
<p>O coronavírus já fez muitas vítimas, mesmo entre os profissionais de saúde que estão na linha de frente:</p>
<p><strong>Roberto Stella, 67 anos,</strong> médico de família e presidente da Ordem dos Médicos de Varese, <a href="https://www.enpam.it/2020/covid-19-morto-roberto-stella-prima-vittima-sul-lavoro/">foi a primeira vítima no trabalho</a>. Infectado pelo coronavírus na clínica Busto Arsizio, morreu em 11 de março de 2020, após uma semana em terapia intensiva. A primeira médica do sexo feminino a contrair o vírus é <b>Chiara Filipponi</b>, <strong>57 anos,</strong> anestesista de Portogruaro: já doente, ela foi contagiada em outro hospital.</p>
<p>No dia 2 de março morreu<b> Ivo Ciles</b>i<strong>, 62 anos,</strong> psicopedagogista e terapeuta. A situação dele piorou em apenas três dias. No dia 14 de março morreu <strong>Diego Bianco, 46 anos,</strong> por uma súbita crise respiratória nove dias depois dos primeiros sintomas. Em 17 de março de 2020 morreu <strong>Mario Giovita, 65 anos,</strong> o primeiro médico de família infectado com o Coronavirus, em Bérgamo, onde há pelo menos 100 médicos contagiados. Em 18 de março de 2020 morreu <strong>Marcello Natali, 57 anos,</strong> secretário da <a href="http://www.fimmg.org/">Federação Italiana de Médicos de Família </a>de Lodi, após entubação na UTI com pneumonia bilateral grave.</p>
<p>Em 19 de março de 2020, l&#39;ANSA (Agenzia Nazionale Stampa Associata &#8211;  principal agência de notícias italiana) relatou:</p>
<blockquote><p>Altri cinque medici sono deceduti […] sono ben le 13 vittime del tragico bilancio tra i camici bianchi. Le ultime vittime sono <strong>Luigi Ablondi</strong>, ex direttore generale dell&#39;Ospedale di Crema, <strong>Giuseppe Finzi</strong>, medico ospedaliero di Cremona, e <strong>Antonino Buttafuoco</strong>, medico di base di Bergamo. Altri due medici sono morti a Como: <strong>Giuseppe Lanati</strong>, pneumologo, e <strong>Luigi Frusciante</strong>, medico di famiglia, entrambi in pensione ma operativi.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Cinco outros médicos morreram [&#8230;] são as 13 vítimas do trágico equilíbrio entre os casacos brancos. As últimas vítimas são <strong>Luigi Ablondi,</strong> ex-gerente geral do Hospital de Crema; <strong>Giuseppe Finzi,</strong> médico hospitalar em Cremona, e <strong>Antonino Buttafuoco,</strong> médico generalista em Bérgamo. Dois outros médicos morreram: <strong>Giuseppe Lanati,</strong> pneumologista, e <strong>Luigi Frusciante,</strong> médico de família, ambos aposentados, mas estavam trabalhando.</p></blockquote>
<p><span class="st">Nino Cartabelotta, publicou um <a href="https://twitter.com/RobertoBurioni/status/1240037289641873422?s=20">tuíte do médico Burioni:</a><br />
</span></p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="es">Problema sério. <a href="https://t.co/kUkMIKG7Gm">https://t.co/kUkMIKG7Gm</a></p>
<p>— Roberto Burioni (@RobertoBurioni) <a href="https://twitter.com/RobertoBurioni/status/1240037289641873422?ref_src=twsrc%5Etfw">17 de Março, 2020</a></p></blockquote>
<p>As infecções entre médicos, enfermeiros, carabineiros, polícia e outras pessoas na linha da frente contra o coronavírus são muitas. <span class="st">O<a href="https://it.wikipedia.org/wiki/Istituto_nazionale_per_l%27assicurazione_contro_gli_infortuni_sul_lavoro"> INAI </a>(Instituto Nacional da Segurança do trabalho) informou:</span> “<a href="https://www.quotidianosanita.it/lavoro-e-professioni/articolo.php?articolo_id=82742"> o contágio do pessoal de saúde é classificado como acidente de trabalho&#8221;.</a></p>
<div style="width: 558px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://www.repstatic.it/content/localirep/img/rep-milano/2020/03/12/190225808-28724d9c-507c-4699-8c91-173b9fd7133a.jpg" alt="" width="558" height="335" /><p class="wp-caption-text">Lorenzo Norsa, médico da unidade de hepatologia e gastroenterologia pediátrica e transplante do <a href="http://www.asst-pg23.it/section/2392/Lorenzo_Norsa">Hospital de Bergamo </a>, trabalha agora na ala Covid-19 e vê a sua mulher em vídeo chamada que, infectada em quarentena, acaba de dar à luz. Imagem de tela do perfil de Loreno Norsa no Facebook.</p></div>
<h3>Hashtags e mobilizações civis: #iorestoacasa, #iorestoincorsia #ioescoperdonare e doações para hospitais italianos com #sostienieniunospedale</h3>
<p>O  <a href="https://www.slideshare.net/Palazzo_Chigi/dpcm-9-marzo-2020">Decreto de 9 março 2020</a>, denominado como o <a href="http://www.governo.it/it/articolo/decreto-iorestoacasa-domande-frequenti-sulle-misure-adottate-dal-governo/14278">Decreto &#8220;Vou ficar em casa&#8221;</a> contém diretrizes para todo o território italiano, válidos até 3 de Abril de 2020. A proibição de viajar é válida em toda a Itália, exceto por razões de saúde, necessidade ou trabalho. Você deve preencher uma <a href="https://www.interno.gov.it/sites/default/files/allegati/modulo-autodichiarazione-17.3.2020.pdf">autorização com o motivo do deslocamento, declarando o porque não está sujeito às medidas de quarentena. </a>A polícia mantém suas equipes na verificação de <a href="https://www.interno.gov.it/it/coronavirus-i-dati-dei-servizi-controllo">controle para contenção do vírus.</a></p>
<p>Na primeira semana de março, as doações de sangue caíram em média 10% em toda a Itália e o perigo é que a situação se agrave. Uma redução prolongada nas doações &#8220;<strong>coloca em risco os 1.800 pacientes que precisam de transfusões todos os dias&#8221;</strong>. Por meio da hashstag <strong>#ioescoperdonare</strong>, queremos incitar os cidadãos a doar sangue. Todos os italianos devem respeitar o confinamento para não frustrar os esforços do pessoal médico em toda o país, publicado sob a hashtag<strong> #iorestoincorsia</strong>:</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="it">Lo facciamo soprattutto per loro, ricordatevelo.<br />
Perché se si ammalano loro siamo fottuti. <a href="https://twitter.com/hashtag/iostoacasa?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#iostoacasa</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/iorestoacasa?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#iorestoacasa</a> ?<a href="https://twitter.com/hashtag/iorestoincorsia?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#iorestoincorsia</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/turestaacasa?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#turestaacasa</a> ?<br />
Con questo io cerco di farmi forza perché vorrei solo piangere un po&#8217;.<a href="https://twitter.com/hashtag/coronvirusitalia?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#coronvirusitalia</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/pandemia?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#pandemia</a> <a href="https://t.co/nd4XsBGiQ7">pic.twitter.com/nd4XsBGiQ7</a></p>
<p>— MartinaElisabethAsch (@AschMartina) <a href="https://twitter.com/AschMartina/status/1237850154587131906?ref_src=twsrc%5Etfw">March 11, 2020</a></p></blockquote>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="it">THE REAL AVENGERS<br />
(con tanti saluti alla Marvel)<a href="https://twitter.com/hashtag/iorestoincorsia?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#iorestoincorsia</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/Turestaacasa?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#Turestaacasa</a> <a href="https://t.co/Kw0rwNmT5q">pic.twitter.com/Kw0rwNmT5q</a></p>
<p>— matteo grandi (@matteograndi) <a href="https://twitter.com/matteograndi/status/1238728121802784768?ref_src=twsrc%5Etfw">March 14, 2020</a></p></blockquote>
<p>A foto da<strong> enfermeira Alessia Bonari</strong> se tornou viral, junto com sua forte mensagem: &#8220;Eu devo fazer a minha parte, você faça a sua&#8221;.</p>
<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/B9gmYPLJFt_/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:650px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);">
<div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/B9gmYPLJFt_/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> </p>
<div style=" display: flex; flex-direction: row; align-items: center;">
<div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;"></div>
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<div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 100px;"></div>
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<div style="display:block; height:50px; margin:0 auto 12px; width:50px;"><svg width="50px" height="50px" viewBox="0 0 60 60" version="1.1" xmlns="https://www.w3.org/2000/svg" xmlns:xlink="https://www.w3.org/1999/xlink"><g stroke="none" stroke-width="1" fill="none" fill-rule="evenodd"><g transform="translate(-511.000000, -20.000000)" fill="#000000"><g><path d="M556.869,30.41 C554.814,30.41 553.148,32.076 553.148,34.131 C553.148,36.186 554.814,37.852 556.869,37.852 C558.924,37.852 560.59,36.186 560.59,34.131 C560.59,32.076 558.924,30.41 556.869,30.41 M541,60.657 C535.114,60.657 530.342,55.887 530.342,50 C530.342,44.114 535.114,39.342 541,39.342 C546.887,39.342 551.658,44.114 551.658,50 C551.658,55.887 546.887,60.657 541,60.657 M541,33.886 C532.1,33.886 524.886,41.1 524.886,50 C524.886,58.899 532.1,66.113 541,66.113 C549.9,66.113 557.115,58.899 557.115,50 C557.115,41.1 549.9,33.886 541,33.886 M565.378,62.101 C565.244,65.022 564.756,66.606 564.346,67.663 C563.803,69.06 563.154,70.057 562.106,71.106 C561.058,72.155 560.06,72.803 558.662,73.347 C557.607,73.757 556.021,74.244 553.102,74.378 C549.944,74.521 548.997,74.552 541,74.552 C533.003,74.552 532.056,74.521 528.898,74.378 C525.979,74.244 524.393,73.757 523.338,73.347 C521.94,72.803 520.942,72.155 519.894,71.106 C518.846,70.057 518.197,69.06 517.654,67.663 C517.244,66.606 516.755,65.022 516.623,62.101 C516.479,58.943 516.448,57.996 516.448,50 C516.448,42.003 516.479,41.056 516.623,37.899 C516.755,34.978 517.244,33.391 517.654,32.338 C518.197,30.938 518.846,29.942 519.894,28.894 C520.942,27.846 521.94,27.196 523.338,26.654 C524.393,26.244 525.979,25.756 528.898,25.623 C532.057,25.479 533.004,25.448 541,25.448 C548.997,25.448 549.943,25.479 553.102,25.623 C556.021,25.756 557.607,26.244 558.662,26.654 C560.06,27.196 561.058,27.846 562.106,28.894 C563.154,29.942 563.803,30.938 564.346,32.338 C564.756,33.391 565.244,34.978 565.378,37.899 C565.522,41.056 565.552,42.003 565.552,50 C565.552,57.996 565.522,58.943 565.378,62.101 M570.82,37.631 C570.674,34.438 570.167,32.258 569.425,30.349 C568.659,28.377 567.633,26.702 565.965,25.035 C564.297,23.368 562.623,22.342 560.652,21.575 C558.743,20.834 556.562,20.326 553.369,20.18 C550.169,20.033 549.148,20 541,20 C532.853,20 531.831,20.033 528.631,20.18 C525.438,20.326 523.257,20.834 521.349,21.575 C519.376,22.342 517.703,23.368 516.035,25.035 C514.368,26.702 513.342,28.377 512.574,30.349 C511.834,32.258 511.326,34.438 511.181,37.631 C511.035,40.831 511,41.851 511,50 C511,58.147 511.035,59.17 511.181,62.369 C511.326,65.562 511.834,67.743 512.574,69.651 C513.342,71.625 514.368,73.296 516.035,74.965 C517.703,76.634 519.376,77.658 521.349,78.425 C523.257,79.167 525.438,79.673 528.631,79.82 C531.831,79.965 532.853,80.001 541,80.001 C549.148,80.001 550.169,79.965 553.369,79.82 C556.562,79.673 558.743,79.167 560.652,78.425 C562.623,77.658 564.297,76.634 565.965,74.965 C567.633,73.296 568.659,71.625 569.425,69.651 C570.167,67.743 570.674,65.562 570.82,62.369 C570.966,59.17 571,58.147 571,50 C571,41.851 570.966,40.831 570.82,37.631"></path></g></g></g></svg></div>
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<p style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/p/B9gmYPLJFt_/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">A post shared by Alessia Bonari (@alessiabonari_)</a></p>
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</blockquote>
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<p>Para a emergência, o governo italiano atribuiu 25 mil milhões de euros com o<strong> Decreto Cura Itália</strong>, como <a href="https://youtu.be/LHg-SrBJRfQ">declarado</a> pelo <a href="https://it.wikipedia.org/wiki/Giuseppe_Conte">primeiro ministro Giuseppe Conti</a>. Depois do <a href="https://www.gazzettaufficiale.it/eli/id/2020/03/11/20A01605/sg">decreto de 11 março de 2020</a>, o governo italiano implementou uma manobra econômica extraordinária, com apoio econômico e uma injeção de liquidez no sistema produtivo. O pacote inclui um plano extraordinário para a emergência sanitária e aumento dos postos de cuidados intensivos na Lombardia: acordos com clínicas privadas, dois hospitais militares de campanha, requisitos hoteleiros para pacientes isolados, 400 contratações do INAIL, incluindo 100 gerentes médicos, 320 médicos e enfermeiros militares, um ano de retenção para trabalhadores de saúde do Exército, recrutamento de agentes de saúde do estrangeiro com procedimentos simplificados, bônus de 1.000 euros para babás e um excedente salarial para o pessoal hospitalar pelas horas extras trabalhadas.</p>
<p>A arrecadação de fundos para a área social ocorre com a hashtag <strong>#sostieniunospedale</strong>. Roberto Burioni, <a href="https://it.wikipedia.org/wiki/Roberto_Burioni">médico italiano, divulgador acadêmico e científico</a>, atualiza todos dias o <a href="https://www.medicalfacts.it/2020/03/16/coronavirus-il-diario-della-speranza-il-nuovo-reparto-dellospedale-san-raffaele-di-milano/">andamento dos trabalhos da nova ala do Hospital San Raffaele de Milão, </a>realizado graças a <a href="http://www.ansa.it/canale_lifestyle/notizie/people/2020/03/09/coronavirus-ferragni-fedez-donazione-a-san-raffaele-milano_c525fc40-a4e4-41b0-9d87-6986d53815c6.html">arrecadação de fundos iniciada pela famosa influenciadora Chiara Ferragni e seu marido, o cantor Fedez</a>, que já receberam <a href="https://www.gofundme.com/f/coronavirus-terapia-intensiva">doações de mais de 4 milhões de euros dos seus seguidores em mais de 56 países </a>no mundo. Ele postou um vídeo do trabalho em andamento, quase concluído:</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Coronavirus: il diario della speranza, il nuovo reparto dell’ospedale San Raffaele di Milano" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/mGHecAbs9YE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>No site <a href="https://italianonprofit.it/donazioni-coronavirus/">Italia non-profit</a> há a &#8220;lista de hospitais para doar diretamente e campanhas de arrecadação de fundos autorizadas pelos centros de saúde&#8221;. Dentre os muitos hospitais citados, os da Lombardia: Hospital San Raffaele em Milão, Hospital Sacco em Milão, Policlínico de Milão, Hospitais em Lodi e Lodigiano, Hospital Papa João XIII em Bérgamo e Spedali Civili em Bréscia. O Hospital Papa João XIII de Bérgamo é um dos mais afetados pela emergência na Lombardia.<a href="http://www.asst-pg23.it/2020/03/_emergenza_coronavirus_come_aiutarci/">Os fundos</a> serão utilizados para a compra de: ventiladores, dispositivos de ventilação não invasivos, monitoramento hemodinâmico, fones de ouvido, batas e óculos descartáveis.</p>
<p>As regiões mais afetadas, como Lombardia, Vêneto, Emília Romagna e Piemonte, receberam centenas de doações de vários milhões de euros para serem utilizadas no fortalecimento dos departamentos de terapia intensiva dos hospitais ou para a construção de novos, de <a href="http://www.ansa.it/sito/notizie/cronaca/2020/03/18/coronavirus-scatta-solidarieta-per-litalia-pioggia-di-donazioni-dal-papa-allnba_9ebbf130-cd45-4409-b098-8e16f3e3f4f8.html">muitas empresas privadas italianas (setor alimentar, bancário, gigantes da moda) até a doação do papa Francisco e da NBA internacional.</a></p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (Italiano) by</span> <a href='https://it.globalvoices.org/author/cristina-bufi/' class='user-link'>Cristina Bufi Poecksteiner</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/simone-alauk/' class='user-link'>Simone Alauk</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://it.globalvoices.org/2020/03/emergenza-covid-19-in-italia-limpegno-di-medici-infermieri-sanitari-e-la-solidarieta-civile-per-sconfiggere-il-virus/'>Veja o post original (Italiano)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://it.globalvoices.org/wp-content/uploads/2020/03/i7vwnttln4-italia-malata-curata-da-infermiere-e-dottori-riusciranno-i-nostri-eroi_a-369x300.jpg" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
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		<title>Com problema de visão, Dona Edite declama em São Paulo as poesias que conhece de memória</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2020/03/11/com-problema-de-visao-dona-edite-declama-em-sao-paulo-as-poesias-que-conhece-de-memoria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Agência Mural]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Mar 2020 16:46:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boas Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres e Gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[A perda da visão não atrapalhou o amor dela pela literatura. Hoje, Edite se apresenta em saraus graças as poesias que aprende em áudio]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Edite aprende em áudio poesias que apresenta em saraus</em></big></p><div id="attachment_83919" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-83919" class="wp-image-83919 size-large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2019/11/crédito_-Gisele-Alexandre-1600x1200-800x600.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2019/11/crédito_-Gisele-Alexandre-1600x1200-800x600.jpg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2019/11/crédito_-Gisele-Alexandre-1600x1200-400x300.jpg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2019/11/crédito_-Gisele-Alexandre-1600x1200.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-83919" class="wp-caption-text">Dona Edite nasceu em Minas Gerais e veio para São Paulo na infância (Imagem: Gisele Alexandre/Agência Mural)</p></div>
<p><em>Este texto é de autoria de Gisele Alexandre. É publicado aqui via parceria de conteúdo entre o Global Voices e a Agência Mural.</em></p>
<p>Quando cheguei na casa de Edite Marques da Silva, 77, no bairro de Piraporinha, zona sul de São Paulo, ela já me esperava sentada no sofá da sala, toda arrumada e com um belo sorriso.</p>
<p>Estava pronta para, logo depois da entrevista, cumprir com a agenda de toda terça-feira: ir ao <a href="http://cooperifa.com.br/?page_id=9">Sarau da Cooperifa</a> (movimento cultural com 18 anos de atividade). Nem a tempestade que se aproximava seria obstáculo para cumprir a rotina semanal.</p>
<p>Dona Edite começou a começou a perder a visão, por consequência do diabetes no final dos anos anos 1970, o que não afastou o prazer pela leitura. Desde 2006, ela frequenta o Sarau da Cooperifa, onde tem lugar cativo no bar do Zé Batidão, um dos principais encontros da periferia de São Paulo, maior cidade da América Latina.</p>
<p>Ela conta com a ajuda das irmãs Izabel (Zazá) e Cleonice, da sobrinha Assucena e de um walkman (aquele aparelho portátil para reprodução e gravação de áudio com fita cassete, popular nos anos 1990). É por meio dele que Dona Edite tem a possibilidade de ler/ouvir diversos livros e poesias. Parte do que escuta, decora para declamar no sarau.</p>
<p>“Na Cooperifa é como se eu chegasse ali e um monte de gente lesse para mim”, conta. A sobrinha, Assucena, costuma ler para Edite e gravar alguns dos textos. Edite não lê em <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Braille">braille</a> (sistema de escrita tátil para quem tem problemas de visão), mas garante tudo com a memória. “Comecei a ouvir e tentar decorar o que eu gosto”, explica.</p>
<p>Os saraus são encontros que reúnem artistas e moradores. Neles, o microfone é aberto para quem quiser apresentar sua arte. Foi esse o caminho que fez com que Edite conhecesse a literatura das periferias.</p>
<p>“Antes eu tinha o costume de ler autores que já morreram ou que eu não conhecia. Na Cooperifa, tem escritores e poetas que tem vez que eu choro quando escuto algumas poesias, porque tem tudo a ver com a vida da gente”, completa ela.</p>
<p>Filha de um carpinteiro de Minas Gerais com uma dona de casa nascida na Bahia, Dona Edite, como é conhecida por todos, sempre teve paixão pela leitura. Recorda como os pais davam importância para a educação dos filhos, algo que não era comum entre as famílias dos anos 1950, principalmente onde nasceu, Pirapora (MG), a 900 km de São Paulo.</p>
<p>“Só consegui concluir o primário na minha cidade. Quando terminei o meu pai morreu e não adiantava mais sonhar com o estudo. Eu precisava ajudar minha mãe”, lembra.</p>
<p>Até os 11 anos, a família tinha uma situação financeira equilibrada, mas tudo mudou com a morte do pai, aos 49 anos. Como ninguém sabia gerenciar a carpintaria, a mãe precisou arranjar outra atividade para sustentar a casa. Ela fazia doces e os filhos ajudavam nas vendas.</p>
<p>A vida ficou mais difícil em Minas Gerais. Dos 13 filhos, apenas seis chegaram à vida adulta. No final, ela e alguns irmãos migraram para São Paulo à procura de emprego.</p>
<h3><strong>Dona Edite declama “Autor da vida”, De Paulo Roberto Gafke</strong></h3>
<p><iframe loading="lazy" title="As poesias de Dona Edite" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/Na-9CasBpwA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Em 1961, uma das irmãs mais velhas, formada em enfermagem, morreu vítima de uma hepatite infecciosa. No mesmo ano, Dona Edite chegou a São Paulo para trabalhar em uma empresa de manufatura de peças para televisões e rádios.</p>
<p>“Eu achava que eu era muito importante. Todo aparelhinho [eletrônico] que eu abria tinha peças e eu dizia que ‘passou pela minha mão’”, conta.</p>
<p>Em São Paulo, Dona Edite voltou a estudar. Ela concluiu o ensino médio e trabalhou em quatro empresas metalúrgicas. Até que a diabetes, doença com a qual foi diagnosticada nos anos 1960, começou a lhe tirar a visão.</p>
<p>“Tratei muito tempo da diabetes, nunca descuidei. Mas tive a infelicidade de ter retinopatia, que é uma doença que ataca a visão”, conta.</p>
<p>Dona Edite se lembra que começou a sentir a perda de visão em 1979 e, dois anos depois, passou por uma cirurgia que melhorou bastante o quadro. No entanto, a doença voltou a se agravar e os médicos a alertaram que aos poucos ela perderia a visão.</p>
<h3><b>Reaprendendo a viver</b></h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>Dona Edite sempre foi independente e comunicativa. Participou de grupos de formação e outras temáticas organizados pela igreja católica. Quando começou a perder a visão e precisou da ajuda de outras pessoas, sentiu dificuldade, mas nunca deixou de fazer as coisas que gostava.</p>
<p>Ela lembra que durante dois anos e meio fez terapia no HC (Hospital das Clínicas), três vezes por semana, no início dos anos 1990. Era difícil enxergar os letreiros dos ônibus, mas não faltava às consultas com a psicóloga.</p>
<p>“A doutora Sueli falou pra mim que eu não era a única pessoa a perder a visão e que eu tinha tudo para me arrumar dentro da minha existência e procurar outro caminho”, diz.</p>
<div id="attachment_83920" style="width: 400px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-83920" class="size-medium wp-image-83920" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2019/11/Daniel-Fagundes-que-contar-a-vida-de-Dona-Edite-em-um-filme-documentário.-crédito_-Gisele-Alexandre-400x300.jpg" alt="" width="400" height="300" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2019/11/Daniel-Fagundes-que-contar-a-vida-de-Dona-Edite-em-um-filme-documentário.-crédito_-Gisele-Alexandre-400x300.jpg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2019/11/Daniel-Fagundes-que-contar-a-vida-de-Dona-Edite-em-um-filme-documentário.-crédito_-Gisele-Alexandre-800x600.jpg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2019/11/Daniel-Fagundes-que-contar-a-vida-de-Dona-Edite-em-um-filme-documentário.-crédito_-Gisele-Alexandre.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /><p id="caption-attachment-83920" class="wp-caption-text">O cineasta Daniel Fagundes quer contar a vida de Dona Edite em um filme documentário (Imagem: Gisele Alexandre/Agência Mural)</p></div>
<p>Depois que teve alta na terapia do hospital, passou a frequentar outros espaços como o  Centro de Convivência e Cooperativa (Cecco) do Guarapiranga e a Casa de Cultura de Santo Amaro e de M’Boi Mirim, na zona sul.</p>
<p>Dona Edite lembra de um evento em que viu uma senhora declamando “As mãos”, de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cora_Coralina">Cora Coralina</a>, poesia que atualmente ela declama nos saraus. “Pedi a poesia e enchi a paciência da Zazá (irmã) pra ler pra mim. Depois de um tempo eu sabia ela de cor”, conta.</p>
<p>A primeira apresentação em público foi em meados dos anos 1990 durante uma celebração de Natal, quando Dona Edite declamou exatamente este poema. Depois disso, a voz dela nunca mais parou de ser ouvida nos saraus da zona sul.</p>
<p>A história de Dona Edite se tornará um filme, graças a um projeto idealizado por Daniel Fagundes, cineasta e educador popular da zona sul. Ele é filho de um casal de amigos de Dona Edite e acompanhou toda a trajetória dela.</p>
<p>Para se tornar realidade, o documentário “O olhar de Edite” está com uma <a href="https://benfeitoria.com/olhardeedite?ref=benfeitoria-pesquisa-projetos">campanha de financiamento coletivo</a> até dia 28 de novembro, para angariar recursos financeiros para a gravação. O valor será usado para gravar com Dona Edite e a família na cidade natal, Pirapora (MG), além da edição e finalização do filme.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/agenciamural/' class='user-link'>Agência Mural</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2019/11/cr%C3%A9dito_-Gisele-Alexandre-1600x1200-400x300.jpg" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>Antigos focos de resistência política, lojas de livros usados da República Tcheca estão desaparecendo lentamente</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2019/10/02/antigos-focos-de-resistencia-politica-lojas-de-livros-usados-da-republica-tcheca-estao-desaparecendo-lentamente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alexis Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Oct 2019 21:23:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Censorship]]></category>
		<category><![CDATA[Eslovaco]]></category>
		<category><![CDATA[Eslováquia]]></category>
		<category><![CDATA[Europa Oriental e Central]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de Expressão]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[República Tcheca]]></category>
		<category><![CDATA[Tcheco]]></category>
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					<description><![CDATA[Os poucos "antikvariát" sobreviventes se transformaram em museus de nostalgia.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><big class='tagline'><em>Os poucos &#8220;antikvariát&#8221; sobreviventes se transformaram em museus de nostalgia.</em></big></p><div id="attachment_685672" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-685672" class="wp-image-685672 size-large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2019/09/AntiHoles-800x600.jpg" alt="" width="800" height="600" /><p id="caption-attachment-685672" class="wp-caption-text">Uma loja <em>antikvariát</em> em Praga. Para mantê-la, o dono cuida da loja durante o dia e trabalha como vigilante durante a noite. Foto de Filip Noubel, usada com permissão.</p></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Na <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Rep%C3%BAblica_Socialista_da_Tchecoslov%C3%A1quia">Tchecoslováquia comunista</a>, as autoridades viam os livros como instrumentos fundamentais para difundir os valores socialistas entre a população. Após 1948, as editoras privadas foram <a href="https://www.czechlit.cz/en/resources/links-2/antiquarian-bookshops/">fechadas</a> ou confiscadas pelo estado e, a partir de então, só tinham autorização para vender e publicar títulos aprovados pelo partido. Muitos livros da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Rep%C3%BAblica_da_Checoslov%C3%A1quia">Primeira República</a> da Tchecoslováquia foram proibidos, junto com outros títulos considerados críticos ao comunismo.</span></p>
<div id="attachment_685683" style="width: 320px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-685683" class="wp-image-685683 size-medium" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2019/09/antikv02-320x400.jpg" alt="" width="320" height="400" /><p id="caption-attachment-685683" class="wp-caption-text">Ambiente típico de um <em>antikvariát</em> de Praga que permanece praticamente inalterado desde os anos 1980. Foto de Filip Noubel, usada com permissão</p></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas havia uma brecha no sistema: as autoridades permitiam a existência de </span><em><a href="https://cs.wikipedia.org/wiki/Antikvari%C3%A1t"><span style="font-weight: 400;">antikvariát</span></a></em>,<span style="font-weight: 400;"> lojas que vendiam livros usados, gravuras de arte e discos. Essas lojas ajudaram indivíduos a limpar suas bibliotecas particulares &#8212; normalmente o gerente de um <em>antikvariát</em> comprava livros de quem desejava se livrar dos volumes. Livros anteriores a 1948 e outros títulos &#8220;indesejáveis&#8221; acabavam nessas livrarias e passavam a circulavam em uma espécie de mercado clandestino.</span></p>
<p>Sempre que encontravam livros proibidos, os gerentes dos <em>antikvariát</em> passavam a informação para os amigos e vendiam os livros à socapa, apenas para clientes de confiança. Uma cultura <em>underground</em> começou a se desenvolver e logo as pessoas passaram a visitar os <em>antikvariát</em> não só para comprar livros, mas também para se reunir com pessoas de ideias semelhantes.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Karel Stránský, um homem de aproximadamente 50 anos, que por décadas trabalhou em lojas de livros usados em Praga, relembra o ambiente de um <em>antikvariát </em>durante o regime comunista:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">To byla úžasná příležitost. Když ses skamarádil s antikvářem, tak ses dostal k jedinečným knížkám. Byli tam zaměstnáni a zároveň se i kolem toho motali zajímaví lidé. To byl ráj. Jeden můj kamarád třeba viděl ve výloze antikvariátu knížku od Ivana Klímy, tak tam stál dvě hodiny před otvíračkou, aby si to koupil. Bylo to úžasné místo setkání. Mohl ses dát do řeči s člověkem u jednoho regálu o nějaké knížce, a on ti třeba řekl, to mám doma, to ti můžu půjčit. Cenově to bylo dostupný. Nebyli závislí na zisku, byl to totiž státní podnik a antikváři pobírali fixní mzdu.</span></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><span style="font-weight: 400;">Era uma oportunidade fantástica. Quem conhecia o gerente, tinha acesso a livros raros. Os funcionários e os clientes costumam ser pessoas interessantes. Era o paraíso. Lembro que um amigo uma vez viu na vitrine de um <em>antikvariát</em> um romance de <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Ivan_Kl%C3%ADma">Ivan Klíma</a>, proibido na época. Ele esperou por duas horas até a loja abrir para garantir a compra do livro. Era um lugar muito interessante para conhecer pessoas. Você podia começar um papo ao pé de uma estante e a outra pessoa diria: &#8220;Tenho esse livro em casa, posso te emprestar&#8221;. Os livros eram acessíveis. As pessoas não dependiam da renda, era uma empresa estatal e as pessoas tinham salário fixo.</span></p></blockquote>
<h3><strong>Como a internet está simultaneamente salvando e destruindo a cultura do <em>antikvariát</em> </strong></h3>
<p>Com a queda da censura comunista em 1989, o mercado <em>underground</em> perdeu o sentido. Nas décadas seguintes, à medida que o acesso a internet ficou mais viável, donos de <em>antikvariát </em>também começaram a abrir lojas on-line. Stránský lembra:</p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Vše se uvolnilo, <a href="https://www.svkkl.cz/en/ctenar/clanek/2080">i cizinci měli zájem</a> o naše zboží. Třeba Japonci kupovali ve velkém dětské knihy s ilustracemi, do Japonska jsme občas posílali i tři banánovky knížek. To se rozjel internetový obchod, a třeba dvě třetiny zisku přinášel kamenný krám a zbylou třetinu prodej přes internet. Antikvářům se dost dařilo.</span></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><span style="font-weight: 400;">Tudo foi liberado. Havia <a href="https://www.svkkl.cz/en/ctenar/clanek/2080">interesse dos estrangeiros</a>, por exemplo, clientes japoneses compravam livros infantis ilustrados e nós enviávamos três caixas de livros para o Japão. Aí, veio a internet e dois terços das vendas passaram a ser feitos na loja e um terço, em vendas on-line. Alguns <em>antikvariát</em> realmente cresceram nessa época.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas aí veio a crise financeira de 2008, que <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Economia_da_Rep%C3%BAblica_Checa">atingiu a República Tcheca</a> com força por volta de 2010. Stránský explica: </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Spousta antikvářů zavřela kamenný obchody, aby neplatili drahý nájem, pronajali si levný sklad a prodávali jenom přes internet. To byly jenom výdejny, nikoliv antikvariát, kde se dají potkávat lidi. . </span></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Muita gente abandonou as lojas físicas para evitar pagar aluguel. Mantinham um local de depósito barato e vendiam tudo on-line. Transformaram-se em meros fornecedores e não havia mais <em>antikvariát</em> onde as pessoas pudessem interagir.</p></blockquote>
<div id="attachment_685701" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-685701" class="wp-image-685701 size-large" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2019/09/antikvar1a1-800x600.jpg" alt="" width="800" height="600" /><p id="caption-attachment-685701" class="wp-caption-text">Um dos maiores <em>antikvariát</em> de Praga que virou um depósito e onde os livros não estão mais fisicamente acessíveis, mas podem ser comprados on-line. Foto de Filip Noubel, usada com permissão.</p></div>
<p>Hoje, praticamente toda a compra e venda de livros usados na República Tcheca acontece na internet. Segundo Stránský, tudo mudou de modo definitivo com o lançamento do site <a href="https://muj-antikvariat.cz/"><span style="font-weight: 400;">Můj antikvariát</span></a>  (&#8220;Meu antikvariát&#8221; em Tcheco), o maior mercado direto on-line de livros usados do país, onde tanto lojas quanto indivíduos podem negociar. Atualmente, o site oferece mais de 2 milhões de títulos.</p>
<p>Algumas lojas remanescentes usam as redes sociais para encontrar clientes. A loja Staroknih (que significa &#8220;livros antigos&#8221;), da Eslováquia, anuncia títulos raros no Instagram. O post abaixo mostra um conto eslovaco publicado em 1923.</p>
<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/BxSMBjbAmFa/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:650px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);">
<div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/BxSMBjbAmFa/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> </p>
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<div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 144px;"></div>
</div>
<p></a></p>
<p style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/p/BxSMBjbAmFa/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">A post shared by Staroknih (@staroknih)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//platform.instagram.com/en_US/embeds.js"></script></p>
<h3><strong>Um símbolo de nostalgia</strong></h3>
<p>Conforme a <a href="https://www.radio.cz/en/section/business/czech-republic-takes-top-spot-in-europe-in-internet-sales">indústria do varejo migra para o comércio on-line</a>, as lojas físicas de <em>antikvariát</em> estão se tornando raras. Hoje são símbolos de um passado cultuado apenas por um número cada vez menor de adeptos. O francês Alain Soubigou, especialista em história Tcheca, afirma em uma <a href="https://www.radio.cz/fr/rubrique/histoire/les-antikvariat-adresses-incontournables-des-amoureux-des-livres-a-prague">entrevista</a> à Rádio Internacional Tcheca que o número de lojas em Praga está diminuindo:</p>
<blockquote><p>Sur la vingtaine d’antikvariát que j’avais l’habitude de fréquenter dans les années 1990, il n’en subsiste plus qu’une demi-douzaine, mais avec des fonds intéressants et avec lesquels j’ai conservé des liens de sympathie qui leur font mettre de côté des livres qui pourraient m’intéresser.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Das mais de vinte lojas de <em>antikvariát</em> que eu costumava visitar nos anos 1990 só meia dúzia ainda funciona, mas têm acervos interessantes e como mantenho um relacionamento próximo com essas lojas, separam os livros que me interessam.</p></blockquote>
<p>Ironicamente, a loja que ele menciona no fim da entrevista hoje está fechada.</p>
<p>A nostalgia pela cultura do <em>antikvariát</em> chegou à cultura popular. A música &#8220;Antikvariát&#8221;, do lendário grupo pop tcheco <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Tata_Bojs">Tata Bojs</a> é um belo <a href="https://www.karaoketexty.cz/texty-pisni/tata-bojs/antikvariat-643316">exemplo</a>:</p>
<blockquote><p><span class="para_1lyrics_col1">Já tě vítám<br />
V antikvariátě svém<br />
Já tě vítám<br />
V koutku světa zapadlém</span></p>
<div class="para_row"><span class="para_1lyrics_col1">Tohle je můj antikvariát<br />
Je tu všechno, co mám rád<br />
Desky, knížky, mapy, noty<br />
Chybíš tomu už jenom ty</span></div>
</blockquote>
<blockquote class="translation"><p><span style="font-weight: 400;">Te dou as boas-vindas<br />
</span><span style="font-weight: 400;">Ao meu <em>antikvariát</em><br />
</span>Te dou as boas-vindas<br />
<span style="font-weight: 400;">Num cantinho esquecido do mundo</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este é o meu <em>antikvariát</em><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Aqui tenho tudo que gosto<br />
</span><span style="font-weight: 400;">Discos, livros, mapas, partituras<br />
</span><span style="font-weight: 400;">Só falta você </span></p></blockquote>
<p><iframe loading="lazy" title="Tata Bojs - Antikvariát (oficiální video)" width="650" height="366" src="https://www.youtube.com/embed/eOp8ME0jvDo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Também perguntei a Stránský sobre sua melhor lembrança dos tempos dos <em>antikvariát</em>:</p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Obsluhoval jsem kambodžského krále, koupil tehdy spoustu knih o Praze a tanci.</span></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Servi ao rei do Cambodja, ele comprou um monte de livros sobre Praga e dança.</p></blockquote>
<div id="attachment_685808" style="width: 400px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-685808" class="wp-image-685808 size-medium" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2019/09/DSC_3169-1-400x267.jpg" alt="" width="400" height="267" /><p id="caption-attachment-685808" class="wp-caption-text">Karel Stránský lembra da era de ouro dos antikvariát. Foto de Soňa Pokorná, usada com permissão.</p></div>
<p>De fato, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Norodom_Sihamoni">Norodom Sihamoni,</a> o atual rei do Cambodja, cresceu e estudou dança clássica na antiga Tchecoslováquia, mas Stránský também está fazendo um trocadilho: um dos livros mais procurados nos <em>antikvariát</em> de antigamente era o romance de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Bohumil_Hrabal">Bohumil Hrabal</a>, &#8220;Obsluhoval jsem anglického krále&#8221; (&#8220;Eu servi ao rei da Inglaterra&#8221;), que fora proibido assim como a maior parte da obra do escritor.</p>
<p>Stránský conclui reconhecendo que é a influência da nostalgia que continua a levar as pessoas a esses lugares:</p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Za komunistů to bylo exkluzivní místo, pak se to změnilo na fabriku. Já tam pořád chodím, protože žiju postaru. Knihy přes internet nekupuju. Do antikvariátu jdu s tím, že hledám něco konkrétního, ale pak najdu něco jiného a to mě na tom baví. Myslím si, že takoví lidé ještě jsou. Antikvariát, když funguje, tak lidi tam chodí dál, protože to má pořád své kouzlo, i v dnešní době. </span></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>No regime comunista era um lugar exclusivo, depois viraram fábricas. Ainda frequento porque sou um cara das antigas, e não gosto de navegar na internet. Vou procurar uma coisa e encontro outra, e é disso que eu gosto. Acredito que ainda existem pessoas assim por aí. Quando surge um <em>antikvariát</em>, as pessoas vão lá porque é um lugar mágico.</p></blockquote>
<p>O Centro Literário Tcheco reuniu uma <a href="https://www.czechlit.cz/en/resources/links-2/antiquarian-bookshops/">lista</a> com os melhores <em>antikvariát</em> na República Tcheca.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/filip-noubel/' class='user-link'>Filip Noubel</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/alexis-peixoto/' class='user-link'>Alexis Peixoto</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2019/09/18/once-hotbeds-of-political-resistance-czech-secondhand-bookstores-are-slowly-disappearing/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2019/09/AntiHoles-400x300.jpg" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>Operação resgate: a nova medida do Governo para &#8220;educar&#8221; os angolanos</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2018/11/01/operacao-resgate-a-nova-medida-do-governo-para-educar-os-angolanos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dércio Tsandzana]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Nov 2018 16:58:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Migração e Imigração]]></category>
		<category><![CDATA[Português]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://pt.globalvoices.org/?p=79247</guid>

					<description><![CDATA[Sem data para o seu fim, a operação vai levar o tempo que for necessário.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_79272" style="width: 737px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2018/11/Screenshot_2018-11-01-Seny-Cherinda.png"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-79272" class="size-full wp-image-79272" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2018/11/Screenshot_2018-11-01-Seny-Cherinda.png" alt="" width="737" height="418" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2018/11/Screenshot_2018-11-01-Seny-Cherinda.png 737w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2018/11/Screenshot_2018-11-01-Seny-Cherinda-400x227.png 400w" sizes="auto, (max-width: 737px) 100vw, 737px" /></a><p id="caption-attachment-79272" class="wp-caption-text">Venda/comércio ambulante em Angola | Foto Simião Hossi (2018)</p></div>
<p>Com entrada em vigor prevista para o dia 6 de Novembro, o Governo de Angola acaba de lançar uma campanha designada &#8221;Operação Resgate&#8221;. Sem data para o seu fim, a referida operação vai levar o tempo que for necessário.</p>
<p>Segundo as autoridades, a mesma visa repor autoridade do Estado, a ética e a postura dos cidadãos em torno dos bens públicos, pois é necessário que a população perceba a intervenção das autoridades em prol do seu bem-estar.</p>
<p>Ademais, a campanha visa baixar consideravelmente os níveis de crimes no país, <a href="https://www.dw.com/pt-002/angola-opera%C3%A7%C3%A3o-resgate-ter%C3%A1-car%C3%A1ter-repressivo-e-pedag%C3%B3gico/a-46059442" target="_blank" rel="noopener">segundo informou o comissário-geral da polícia angolana</a>. Para ele, o facto de o país estar a viver uma situação económica, financeira e social difícil tal não deve representar o aumento de níveis criminais:</p>
<blockquote><p>Não podemos permitir isso e temos de garantir maior estabilidade, sossego, tranquilidade e paz para os cidadãos. Queremos resgatar a autoridade do Estado que, por vezes, dilui-se na confusão. Queremos resgatar a ordem, o civismo, a dignidade.</p></blockquote>
<p>Igualmente, sabe-se que a campanha visa combater a <a href="https://www.dw.com/pt-002/luanda-zungueiras-sofrem-violência-por-parte-de-agentes-de-fiscalização/a-45061165">venda ambulante desordenada</a>, a venda ilegal de aparelhos de comunicação nas ruas ou mercado e a insalubridade pública fazem parte também as ações a serem desenvolvidas em toda Angola.</p>
<p><strong>O flagelo da imigração ilegal em Angola</strong></p>
<p>Apesar das justificativas das autoridades angolanas, importa referir que o país vive momentos de instabilidade demográfica causada por um elevado fluxo de imigração ilegal.</p>
<p>Sobre este tópico, sabe-se que paralelamente está a decorrer desde 25 de Setembro deste ano a <a href="https://www.dw.com/pt-002/angola-esclarece-equívocos-sobre-repatriamento-de-congoleses-ilegais-no-país/a-45974589">&#8220;Operação Transparência&#8221;</a>, em sete províncias angolanas Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico, Bié, Malanje, Uíje e Zaire, que visa o combate à <a href="https://www.dw.com/pt-002/congoleses-expulsos-da-lunda-norte-vocês-enxotaram-me-do-vosso-país/a-45958925">imigração ilegal</a> e à exploração indevida de diamantes.</p>
<p>A <a href="https://www.dw.com/pt-002/angola-esclarece-equ%C3%ADvocos-sobre-repatriamento-de-congoleses-ilegais-no-pa%C3%ADs/a-45974589" target="_blank" rel="noopener">operação</a> já registou o &#8220;repatriamento voluntário&#8221; de mais de 380.000 cidadãos estrangeiros, a apreensão de mais de um milhão de dólares, 17.000 quilates de diamantes, 51 armas de fogo e o encerramento de centenas de casas de compra e venda de diamantes e 91 cooperativas.</p>
<p>O debate sobre a imigração não é novo em Angola, a avaliar pelo dilema por que passam muitos cidadãos a Repúbica Democrática do Congo naquele país.</p>
<p>Por exemplo, em Março do presente ano, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) criticou o governo de Angola por ter forçado 530 refugiados a retornarem para a RDC.</p>
<p>Recentemente, as autoridades congolesas afirmaram que pretendiam também expulsar os angolanos ilegais naquele país, <a href="https://www.dw.com/pt-002/congoleses-expulsos-da-lunda-norte-voc%C3%AAs-enxotaram-me-do-vosso-pa%C3%ADs/a-45958925" target="_blank" rel="noopener">após queixas de vários congoloses</a> que foram expulsos de Angola.</p>
<p><strong>Operação divide opiniões dos angolanos</strong></p>
<p><a href="https://www.facebook.com/domingosdasneves/posts/10156668735594192" target="_blank" rel="noopener">Domingos das Neves</a>, Professor na Universidade Católica de Angola, diz que a operação devia ter outros objectivos, que passam por melhorar a vida dos angolanos:</p>
<div id="js_u" class="_5pbx userContent _3ds9 _3576" data-ad-preview="message" data-ft="{&quot;tn&quot;:&quot;K&quot;}">
<blockquote><p>“OPERAÇÃO RESGATE”!</p>
<p>O resgate maior do Estado seria o de proporcionar condições para garantir empregos e trabalhos dignos para a multidão de jovens desempregados, licenciados (ou não), técnicos ou analfabetos, pois que todos precisam, pelo menos, sobreviver com um mínimo de dignidade. E, nada melhor do que viver com o fruto do próprio suor. Isso sim, seria o verdadeiro resgate da autoridade do Estado, que é uma entidade de bem!</p></blockquote>
<p>Em resposta, <a href="https://www.facebook.com/domingosdasneves/posts/10156668735594192?comment_id=10156668741404192&amp;comment_tracking=%7B%22tn%22%3A%22R4%22%7D" target="_blank" rel="noopener">Gilberto Muatye Alberto Fernando</a>, jornalista e residente em Luanda, apoiou a colocação do Professor Universitário:</p>
<blockquote><p><span data-ft="{&quot;tn&quot;:&quot;K&quot;}"><span class="UFICommentBody">E sendo o Estado uma entidade de bem, com tudo aquilo que foi dito neste post, a operação resgate seria uma solução e não um problema&#8230; só que temos o hábito de querer precipitar as coisas, não acautelamos o mínimo para que as pessoas tenham dignidade e depois queremos organização&#8230; onde é que já se viu organização com fome?</span></span></p></blockquote>
<p>Porém, há <a href="https://www.facebook.com/domingosdasneves/posts/10156668735594192?comment_id=10156668789189192&amp;comment_tracking=%7B%22tn%22%3A%22R%22%7D" target="_blank" rel="noopener">quem tenha opinião diferente</a>, dizendo mesmo que é preciso que os cidadãos desempenhem as suas actividades de forma organizada:</p>
<blockquote><p><span class=" UFICommentActorAndBody"><span data-ft="{&quot;tn&quot;:&quot;K&quot;}"><span class="UFICommentBody">Acho pertinente sua reflexão amigo <a class="profileLink" dir="ltr" href="https://www.facebook.com/domingosdasneves?hc_location=ufi" target="_blank" rel="noopener" data-hovercard="/ajax/hovercard/hovercard.php?id=502529191&amp;extragetparams=%7B%22hc_location%22%3A%22ufi%22%7D">Domingos Das Neves</a>.Mas enquanto as condições de vida mínimas desejadas não chegam,podemos indo arrumar a nossa casa.Podemos ser pobres e limpos.A venda e o amontoados de lixo em qualquer esquina não tem a ver com a pobreza más sim com o espírito do deixa andar.Assim cresceram desordenadamente muitos bairros.</span></span></span></p></blockquote>
<div id="attachment_79273" style="width: 737px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2018/11/Screenshot_2018-11-01-Seny-Cherinda1.png"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-79273" class="size-full wp-image-79273" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2018/11/Screenshot_2018-11-01-Seny-Cherinda1.png" alt="" width="737" height="433" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2018/11/Screenshot_2018-11-01-Seny-Cherinda1.png 737w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2018/11/Screenshot_2018-11-01-Seny-Cherinda1-400x235.png 400w" sizes="auto, (max-width: 737px) 100vw, 737px" /></a><p id="caption-attachment-79273" class="wp-caption-text">Venda/comércio ambulante em Angola | Foto Simião Hossi (2018)</p></div>
<blockquote><p><span class=" UFICommentActorAndBody"><span data-ft="{&quot;tn&quot;:&quot;K&quot;}"><span class="UFICommentBody _1n4g">Tirar os pobres da rua para irem para o mercado que fica nos bairros pobres onde os clientes compram uma cenoura e não um Kg por não terem dinheiro. Os mercados infelizmente não sustentam todos porque o interior do bairro onde estão é o principal vendedor. Por isso não estão a RESOLVER nada. Quando disse esconder referia-me àquela imagem de quem varre o lixo, mas não lhe dá uma solução definitiva, pois o coloca debaixo do tapete e por isso ele ficará para sempre visível e sem ser resolvido.</span></span></span></p></blockquote>
<p>No mesmo diapasão foi o jornalista, <a href="https://www.facebook.com/alberto.dossantos.733076/posts/1063236757172321" target="_blank" rel="noopener">Alberto dos Santos Ovni,</a> lembrando que as pessoas enveradam por estas práticas por conta da pobreza no país:</p>
<blockquote><p>Operação Resgate<br />
Senhor Presidente da República<br />
Senhor Ministro do Interior</p>
<p>A zunga ou venda ambulante, as oficinas sem cobertura, as bancadas do jovem que repara telefone junto a via pública, o jovem que exerce o seu serviço de moto táxi vulgo kupapatas, o taxista que nos leva dos Mulenvos, Papá Simão, Bananeira, Caroango, beco da morte, do Calauenda, da Belo Monte, Maiombe, Pedreira, Vidrul, da Fubu, Mundial entre outros bairros da nossa /vossa capital Luanda onde os transportes públicos não chegam por falta de estradas em condições para chegarmos ao centro da cidade e sermos tratados em hospitais, porque o plasmódio fez de nós o seu hospedeiro&#8230; Isto não é sinónimo de retirar a autoridade do Estado é simplesmente sinónimo de ‘‘POBREZA&#8221;.<br />
Por favor deixem a mamá zungueira em paz!</p></blockquote>
<p>Luaty Beirão, rapper e activista social, foi ainda mais peremptório contra a campanha das autoridades angolanas:</p>
<blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr">
<p dir="ltr" lang="pt">E o <a href="https://twitter.com/joaomelo_ao?ref_src=twsrc%5Etfw">@joaomelo_ao</a> nem tem um pouco de vergonha de ser porta-voz desta descrição escandalosa? Resgatem a vossa própria humanidade primeiro porque há muito que se extraviou na luxúria e opróbrio de tempos que hoje fingem não terem vivido. <a href="https://t.co/QGv8GwK9ZT">https://t.co/QGv8GwK9ZT</a></p>
<p>— Luaty Beirão (@LuatyBeirao) <a href="https://twitter.com/LuatyBeirao/status/1057699689624231936?ref_src=twsrc%5Etfw">31 octobre 2018</a></p></blockquote>
</div>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/dercio-tsandzana/' class='user-link'>Dércio Tsandzana</a>, <a href='https://pt.globalvoices.org/author/simaohossi/' class='user-link'>Simão Hossi</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2018/11/Screenshot_2018-11-01-Seny-Cherinda1-400x300.png" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>Aumentam as preocupações na África sobre as últimas polêmicas declarações políticas do presidente Trump</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2017/12/27/aumentam-as-preocupacoes-na-africa-sobre-as-ultimas-polemicas-declaracoes-politicas-do-presidente-trump/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Global Voices Lusofonia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Dec 2017 15:25:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[Burquina Fasso]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
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					<description><![CDATA["Este não é um comportamento muito diplomático. Por um outro lado, vem de um homem cuja visão e política são limitadas pela sua falta de conhecimento sobre o mundo exterior."]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_636633" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Jerusalem#/media/File:Israel-2007-Jerusalem-Temple_Mount-Al-Aqsa_Mosque_01.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-636633" class="wp-image-636633 size-full" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2017/12/Israel-2007-Jerusalem-Temple_Mount-Al-Aqsa_Mosque_01-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" /></a><p id="caption-attachment-636633" class="wp-caption-text">Israel, 2007, Monte do Templo em Jerusalém, Mesquita de Al-Aqs por Andrew Shiva CC BY-SA 4.0</p></div>
<p>Em 6 de dezembro de 2017, o presidente Donald Trump <a href="https://www.npr.org/2017/12/06/568920307/president-trump-announces-the-u-s-will-recognize-jerusalem-as-the-capital-of-isr">declarou que os EUA agora reconhecem Jerusalém</a> como capital do Estado de Israel, desencadeando uma reação massiva pelo mundo com sua decisão polêmica, incluindo o continente africano, onde muitos estão preocupados com as consequências dessa declaração.</p>
<p>A União Africana reagiu ao emitir <a href="http://www.peaceau.org/fr/article/declaration-de-l-union-africaine-sur-la-decision-americaine-de-reconnaitre-jerusalem-comme-capitale-de-l-etat-d-israel">uma declaração</a> que questiona o direito dessa mudança e <span style="font-weight: 400;">reitera</span> a solidariedade dos africanos com a Palestina. Em paralelo, Egito e Senegal <a href="http://afrique.lepoint.fr/actualites/jerusalem-le-senegal-et-l-egypte-expriment-leur-desapprobation-a-la-decision-de-trump-07-12-2017-2178078_2365.php">apelaram ao</a> <a href="http://afrique.lepoint.fr/actualites/jerusalem-le-senegal-et-l-egypte-expriment-leur-desapprobation-a-la-decision-de-trump-07-12-2017-2178078_2365.php">Conselho de Segurança das</a> <a href="http://afrique.lepoint.fr/actualites/jerusalem-le-senegal-et-l-egypte-expriment-leur-desapprobation-a-la-decision-de-trump-07-12-2017-2178078_2365.php">Nações Unidas</a> compartilhando suas preocupações sobre as consequências dessa decisão.</p>
<p>Foram organizados protestos em solidariedade com a Palestina no Egito, Tunísia e Marrocos.</p>
<p>Kari Ben Said, escritor do jornal tunisiano <em>La Presse</em>, relatou que múltiplos protestos se formaram em toda Tunísia.</p>
<blockquote><p>Trump donne aujourd’hui l’occasion aux peuples arabes et musulmans de reprendre conscience de l’enjeu d’une telle décision. Par ces manœuvres, le président des Etats-Unis prône implicitement l’expulsion des Palestiniens de leurs terres et réveille en conséquence la rage des peuples arabes. En témoigne la mobilisation spontanée, hier, de centaines de jeunes étudiants et lycéens sur la principale avenue de Tunis, l’Avenue Habib-Bourguiba.. Les manifestations hostiles à la décision de Donald Trump et de son Administration ont également eu lieu dans plusieurs autres gouvernorats de la Tunisie. Dans toutes les villes, ce sont les jeunes qui se sont mobilisés plus que les adultes. Les mêmes scènes se sont répétées à Sidi Bouzid, à Tozeur, à Kébili, à Gafsa et dans d’autres régions de la Tunisie. Dans toutes ces manifestations, le drapeau palestinien a été l’invité d’honneur et hissé à bout de bras.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Trump tem dado ao mundo árabe e muçulmano a oportunidade de reavaliar os riscos dessa decisão. Por meio desta atitude, o presidente dos Estados Unidos implicitamente argumenta a favor da expulsão dos palestinos de suas terras e consequentemente irrompe a raiva nos países árabes. As mobilizações espontâneas que aconteceram nesta semana são provas da tamanha raiva: centenas de jovens universitários e estudantes do ensino médio protestaram na principal via tunisiana, a Avenida Habib-Bourguiba [&#8230;] Outros protestos agressivos contra a decisão de Trump e da sua administração foram realizados em muitas outras províncias da Tunísia. Em todas as cidades, o número de jovens mobilizados ultrapassa o de adultos. O mesmo aconteceu em Sidi Bouzid, Tozeur, Kébili, Gafsa e em outras regiões do país. Durante os protestos, a bandeira da Palestina era carregada com orgulho no ombro de muitos.</p></blockquote>
<p>Na Mauritânia, Dia Cheikh Tidiane, diretor editorial do site de notícias <em>Rénovateur</em>, <a href="http://afrique.le360.ma/mauritanie/politique/2017/12/07/17038-mauritanie-reactions-hostiles-la-decision-de-trump-sur-jerusalem-17038">não consegue entender</a> esta decisão:</p>
<blockquote><p>C&#39;est le comportement très peu diplomatique d’un homme dont la vision et la politique sont faussées par une méconnaissance totale du monde extérieur. Une ignorance qui explique le fait qu’il souffle sur les braises du vieux conflit du Moyen-Orient</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Esse não é um comportamento muito diplomático. Por outro lado, vem de um homem cuja visão e política são limitadas pela sua falta de conhecimento sobre o mundo exterior. Uma ignorância que explica seu sopro nas brasas do velho conflito no Oriente Médio.</p></blockquote>
<p>Na África-subsaariana, o sentimento de incompreensão também é dominante. Muitos perguntam sobre a legitimidade dessa decisão e o seu impacto na estabilidade do Oriente Médio. <a href="http://www.lobservateur.bf/index.php/editorial/item/7064-trump-reconnait-jerusalem-comme-capitale-d-israel-il-a-donc-ose-franchir-le-jourdain">Hugues Richard Sama, um colunista do site de notícias burquinense <em>L&#39;Observateur</em></a>, analisa a razão que pode estar atrás dessa declaração:</p>
<blockquote><p><span class="relative block pt05 pb1 font-grey-blue">Au nom de la paix, Trump doit partir avant de commettre des dégâts plus désastreux. Il y a comme une forme de folie et d&#39;irresponsabilité chez le chef de l&#39;exécutif américain dont on se demande parfois s&#39;il maîtrise les enjeux internationaux. Quand bien même les États-Unis auraient toujours soutenu leur protégé israélien, ils l&#39;ont toujours fait avec une dose d&#39;intelligence, de realpolitik. Et voici que ce septuagénaire aux cheveux peroxydés sorti d&#39;on ne sait quelle planète, parachuté de sa Trump Tower dont il n&#39;aurait jamais dû descendre, vient de briser un tabou et de rompre un consensus qui, même fragile, avait au moins le mérite d&#39;exister </span></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Pelo bem da paz, Trump deve ir antes de cometer algum dano devastador. Existe um toque de loucura e irresponsabilidade nesse líder americano, cujo entendimento sobre as relações internacionais é muitas vezes questionado. Ainda que os Estados Unidos tenham sempre apoiado Israel, seu protegido, eles sempre o fizeram com uma dose de inteligência, da realpolitik. Agora, esse septuagenário de cabelo oxigenado, do planeta sabe-se lá qual, salta de paraquedas da sua Trump Tower de onde nunca deveria ter saído, quebra um tabu e um consenso que, mesmos fragilizados, tiveram seu mérito de existir.</p></blockquote>
<p>O Senegal foi um dos primeiros países a oficializar uma reação ao anúncio de Trump. Historicamente, o Senegal sempre demonstrou solidariedade com a causa palestina. De fato, o grupo Solidário Senegal-Palestina já existe há algumas décadas e afirma sua preferência na solução dos dois Estados.</p>
<p>Madieye Mbodj, que coordenou essa coletiva, condena firmemente a decisão do presidente Trump:</p>
<blockquote><p>Si nous laissons Donald Trump violer des résolutions internationales, qui dénonçaient justement la colonisation israélienne, y compris l’occupation de Jérusalem, nous pensons que ce serait une grave violation des droits du peuple palestinien, mais surtout, une incitation à la guerre.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>Se deixarmos Donald Trump violar as resoluções internacionais, que denunciam claramente a colonização e a ocupação de Jerusalém pelos israelenses, pensamos que será uma violação séria dos direitos palestinos e, sobretudo, uma incitação à guerra.</p></blockquote>
<p>Por último, no Quênia, Doutor Monda, professor de Ciências Políticas, tenta avaliar as razões e consequências dessa decisão:</p>
<blockquote><p>Cette décision fait le jeu des éléments de la coalition conservatrice menée par le Likoud en Israël. M. Trump cherche sans doute à renforcer sa base électorale et à élargir ses alliés dans la communauté juive américaine en Amérique à l&#39;approche de l&#39;élection présidentielle de 2020. Cependant, cette initiative pourrait se retourner contre lui parce qu&#39;il a tendance à changer brusquement de position sur des questions d&#39;actualité. Cela met également les alliés américains comme le Kenya dans une position précaire. J&#39;aurais aimé que Trump se rappelle les réflexions d&#39;un autre président américain sur la politique étrangère, Thomas Jefferson qui est résumée dans cette citation: “Un esprit de justice et de consensus à l&#39;amiable est de notre devoir et aussi dans notre intérêt et devrait être encouragé avec toutes les nations”</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p>A decisão beneficia apenas os elementos da ala de direita da coligação Likud em Israel. Apesar de Trump ter seus olhos voltados em fortalecer a sua base e expandir os seus aliados da comunidade judaica norte-americana para a corrida presidencial nas eleições de 2020, esta decisão pode ser um tiro pela culatra devido a sua propensão em trocar de posições de forma repentina nos assuntos importantes. Isto também deixa os aliados americanos, como o Quênia, em uma situação precária.</p>
<p>Eu gostaria que ele tivesse lido as ideias de um outro presidente americano sobre a política externa.</p>
<p>O pensamento de Thomas Jefferson é resumido nessa citação: &#8216;Um espírito de justiça e um acolhimento amigável é nosso dever e interesse para cultivar com todas as nações.&#8217;</p></blockquote>
<p>Enquanto as preocupações do continente focam, no momento, no anúncio de Jerusalém, alguns também têm <a href="http://www.jeuneafrique.com/501974/politique/l-organisation-de-la-cooperation-islamique-proclame-jerusalem-est-capitale-de-la-palestine/">expressado suas preocupações</a> sobre o impacto desta decisão no continente. A recente <a href="http://www.africanews.com/2017/09/27/au-shocked-at-chad-s-inclusion-on-us-travel-ban-ndjamena-fires-threat//">proibição de viagem imposta ao Chade</a> é um exemplo das decisões inexplicáveis que têm diretamente impactado a África.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (Français) by</span> <a href='https://fr.globalvoices.org/author/lova-rakoto/' class='user-link'>Rakotomalala</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/maysun/' class='user-link'>Maysun Hassanaly</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/coletivo-editorial/' class='user-link'>Global Voices Lusofonia</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://fr.globalvoices.org/2017/12/11/219095/'>Veja o post original (Français)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Projeto de capacitação em jornalismo comunitário fortalece cidadania participativa na Jamaica</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2017/10/18/projeto-de-capacitacao-em-jornalismo-comunitario-fortalece-cidadania-participativa-na-jamaica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Flávia Villela]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Oct 2017 20:22:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Caribe]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Inglês]]></category>
		<category><![CDATA[Jamaica]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia e Jornalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[O Caribe precisa de jornalistas investigativos de peso. Um projeto de jornalismo comunitário na Jamaica assumiu esse desafio de capacitar futuro jornalistas investigativos para a região.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_631526" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-631526" class="size-large wp-image-631526" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2017/10/GROUP-800x534.jpg" alt="" width="800" height="534" /><p id="caption-attachment-631526" class="wp-caption-text">Alunos do workshop de jornalismo investigativo, acompanhados de suas famílias e apoiadores, durante a cerimônia de formatura. Foto feita pela Ação de Integridade Nacional, publicada com autorização.</p></div>
<p>O jornalismo investigativo na Jamaica — e no Caribe como um todo — nunca prosperou de verdade, por vários motivos: falta de recursos é um fator frequente, além da existência de um ambiente midiático cauteloso demais e nada estimulante. Entretanto, um recente projeto de capacitação tem conseguido diminuir esse déficit e empoderar cidadãos a exigirem responsabilidades por parte das autoridades. A iniciativa é fruto de colaboração entre o programa de desenvolvimento comunitário <a href="https://www.facebook.com/USAIDCOMETII/">COMET II, financiado pelo USAID</a>, o grupo de anticorrupção da Ação de Integridade Nacional [<a href="https://www.facebook.com/NIAJamaica/?ref=br_rs">National Integrity Action]</a> e a organização independente <a href="https://www.facebook.com/18DegreesNorthTV/posts/1362754100448482">Global Reporters for the Caribbean [Repórteres Globais para o Caribe].</a></p>
<p>O Global Voices conversou com a coordenadora do programa, Kate Chappell, o chefe do grupo COMET II, Ian McKnight e o coordenador da Sociedade Civil para a Ação de Integridade Nacional (NIA, sigla em inglês), Omar Lewis. Eles falaram sobre os êxitos e desafios do projeto, bem como seu potencial impacto no jornalismo jamaicano.</p>
<p><strong>Global Voices (GV): Parabéns aos recém-formados! Qual o objetivo da capacitação, o que vocês esperavam alcançar?</strong></p>
<blockquote><p><strong>Kate Chappell (KC):</strong> We wanted to give them the basic skills — researching, interviewing, filling Access to Information requests, and writing news articles. We hoped they would all be able to continue to do the same work in their communities. In a larger sense, we wanted to give a voice to those who would otherwise have none.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><span style="background-color: #ffffff;"><strong>Kate Chappell (KC): </strong>A ideia era dar noções básicas de como fazer uma pesquisa, uma entrevista, preencher formulários de pedidos de acesso à informação, bem como aprender um pouco sobre produção de textos jornalísticos. Nossa expectativa era que todos dessem continuidade a esse trabalho em suas comunidades. De forma mais abrangente, queríamos dar voz àqueles que, em geral, não a têm.</span></p></blockquote>
<blockquote><p><strong style="background-color: #ffffff;">Omar Lewis (OL): </strong><span style="background-color: #ffffff;">National Integrity Action (NIA) aims to improve the capacity of everyday citizens to play an active role in collecting, reporting, analysing and disseminating news and information — and being directly involved in governance matters by holding their elected representatives, service providers, and others in positions of influence and authority to account. NIA&#39;s mission is to build a social movement for change — an empowered and informed citizenry actively participating in Jamaica&#39;s system of governance.</span></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><strong>Omar Lewis (OL): </strong>A Ação de Integridade Nacional (NIA) tem como objetivo desenvolver a capacidade dos cidadãos de desempenharem um papel ativo na coleta, no relato, na análise e na disseminação da notícia e da informação — e também de estarem diretamente envolvidos nos assuntos governamentais ao fiscalizarem seus representantes legislativos, servidores e outros agentes públicos com influência e autoridade para que estes ajam com responsabilidade. A missão da NIA é construir um movimento social para a mudança — uma cidadania empoderada e informada, participativa no sistema de governança da Jamaica.</p></blockquote>
<div id="attachment_631544" style="width: 521px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-631544" class="size-large wp-image-631544" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2017/10/IAN-521x600.jpg" alt="" width="521" height="600" /><p id="caption-attachment-631544" class="wp-caption-text">Chefe do grupo COMET II, Ian McKnight. Foto de Emma Lewis, publicada com autorização.</p></div>
<blockquote><p><strong>Ian McKnight: (IMK):</strong>USAID COMET II has a mandate to work at community level to ensure that ultimately, communities are safe and secure places for its members. Community journalists are seen as key to helping to preserve a culture of lawfulness. They will identify issues facing communities and propose strategies to solve them. They will utilise traditional and non-traditional means so to do. They must investigate what the behind-stories are. Who is to be held accountable?</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><strong> (IMK): </strong>USAID COMET II tem a missão de trabalhar com a comunidade para garantir um ambiente seguro e agradável para seus moradores. Jornalistas comunitários são peças-chave na preservação da cultura de legalidade e justiça. Eles identificam problemas enfrentados pela comunidade e propõem estratégias para solucioná-los. Podem utilizar meios convencionais e não convencionais para isso. Precisam investigar os bastidores das histórias. Quem precisa prestar contas à sociedade?</p></blockquote>
<p><strong>GV: Em que sentido esse workshop tem abordagem diferente que se vê em workshops de jornalismo convencionais?</strong></p>
<div id="attachment_631542" style="width: 800px" class="wp-caption alignright"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-631542" class="size-large wp-image-631542" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2017/10/OMAR-800x534.jpg" alt="" width="800" height="534" /><p id="caption-attachment-631542" class="wp-caption-text">Coordenador da Sociedade Civil para a Ação da Integridade Nacional (NIA), Omar Lewis. Foto de divulgação da NIA.</p></div>
<blockquote><p><strong>OL:</strong> These community residents had little or no formal media training. Participants who received the weekend of training in community investigative journalism were placed in groups with a mentor (a professional journalist), who helped them create actual investigative stories, based on selected activities within their own communities, in the three to four-month period following the training. We hope that with this kind of ‘on the job’ training, the trainees’ interest will be further piqued and they will continue the learning process.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><strong>OL: </strong>Moradores dessas comunidades tiveram pouco ou nenhum tipo de formação sobre mídia e comunicação. Os participantes da oficina de jornalismo investigativo comunitário, que ocorreu em um fim de semana, foram divididos em grupos com um instrutor cada (um jornalista profissional), que os ajudou a criar pautas baseadas em certas atividades dentro de suas comunidades, no período de três a quatro meses após o curso. A expectativa é que, com esse tipo de tarefa, os alunos serão instigados a continuar o processo de aprendizado.</p></blockquote>
<div id="attachment_631530" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-631530" class="size-large wp-image-631530" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2017/10/ZB-800x534.jpg" alt="" width="800" height="534" /><p id="caption-attachment-631530" class="wp-caption-text">Journalista Zahra Burton (18 Degrees North) discursa durante a cerimônia de formatura. Foto cedida pela Ação de Integridade Nacional, publicada com permissão.</p></div>
<blockquote><p><strong>KC:</strong> We took a long-term view. We didn&#39;t want to just have a weekend of training and then it would not be put into practice. We had two full days of lectures and special presenters. The <a href="https://www.facebook.com/MOCAJamaicagov/">Major Organised Crime and Anti-Corruption Agency (MOCA)</a> talked about corruption in local government. Independent journalist Zahra Burton (host of 18 Degrees North, former Bloomberg News reporter and founder of Global Reporters Caribbean) talked about ‘how to dig in’, determine sources and find information. Broadcast journalist Dennis Brooks talked about social media and journalism. Civil society activist Jeanette Calder talked about accountability. There was a session on climate change and disaster preparedness and training in television production and video production using your phone. Each group had a story they were to research, for which they had filed an Access to Information request. The mentors walked the group members every step of the way in assembling an investigative piece.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><strong>KC: </strong>Tivemos uma visão de longo prazo. Não queríamos apenas dar um curso de um final de semana que não seria colocado em prática. Tivemos dois dias inteiros de palestras e oradores especiais. Um representante da Agência de Combate à Corrupção e aos Principais Crimes Organizados  [<a href="https://www.facebook.com/MOCAJamaicagov/">Major Organised Crime and Anti-Corruption Agency (MOCA)]</a> falou sobre corrupção no governo local. A jornalista independente Zahra Burton (fundadora do site de notícias <a href="https://www.18degreesnorth.tv/">18 Degrees North</a>, ex-repórter da agência de notícias Bloomberg e fundadora da Repórteres Globais para o Caribe) falou sobre como &#8216;cavar uma notícia&#8217;, escolher suas fontes e chegar até a informação que se busca. O jornalista de radiodifusão Dennis Brooks fez uma palestra sobre redes sociais e jornalismo. A ativista social Jeanette Calder falou sobre prestação de contas públicas, transparência e ética por parte do Poder Público. Houve uma aula sobre mudança climática e preparação para situações de desastres, além de práticas de produção televisiva e de vídeo com uso do celular. Cada grupo ficou responsável por investigar uma história e cada um preencheu uma solicitação de Acesso à Informação. Os orientadores instruíram passo a passo os integrantes dos grupos na preparação do material investigativo.</p></blockquote>
<blockquote><p><strong>IMK: </strong> Our journalists do not belong to a commercial entity. They are not answerable to any group except to their community. They are not voices of the politicians. Ultimately, theirs is the task to transform community through their craft. This training built on the basic skills of journalism and was afforded ONLY to those who had previously done work and exhibited the aptitude.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><strong>IMK: </strong>Nossos jornalistas não pertencem a uma entidade comercial. Não respondem a nenhum grupo a não ser a sua comunidade. Não representam políticos. Basicamente, a tarefa deles é transformar a comunidade onde vivem por meio desse ofício. Essa capacitação focou nas habilidades básicas de jornalismo e foi oferecida SOMENTE para aqueles que já haviam desenvolvido trabalho similar e demonstrado alguma aptidão para essa prática.</p></blockquote>
<p><strong>GV: Vocês têm um perfil dos participantes da oficina? Eles focaram em temas tanto urbanos como rurais?</strong></p>
<blockquote><p><strong>KC:</strong> Twenty-seven completed the training. They ranged in age from early 20s to some in their 40s. They came from both urban and rural areas, as did the stories we researched.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><strong>KC: </strong>Ao todo, 27 terminaram o curso. As idades variam entre 20 e 40 anos. Eles vêm de áreas urbanas e rurais e as histórias que investigamos também são de ambas as áreas.</p></blockquote>
<blockquote><p><strong>OL:</strong> They were drawn from groups trained by NIA and COMET II in Social Auditing or as Integrity Ambassadors.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><strong>OL: </strong>Eles foram escolhidos a partir de grupos que já participavam de projetos do NIA e do COMET II como Auditores Sociais ou como Embaixadores pela Integridade.</p></blockquote>
<p><strong>GV: Quais foram as pautas escolhidas?</strong></p>
<blockquote><p><strong>KC:</strong> They produced ten reports on topics such as the impact of dredging Kingston Harbour on the environment and on local fishermen (<a href="http://www.jamaicaobserver.com/news/fishermen-complain-of-losses-from-kingston-harbour-dredging_111754?profile=1338&amp;template=MobileArticle">the article was published</a> in the Jamaica Observer newspaper); a lively radio discussion with political representatives and health officials on the poor state of roads in a rural community, which residents blamed for the death of a teenager from an asthma attack; the absence of promised Domestic Violence Coordinators at police stations and whether they have, in fact, received full training, based on the experiences of women who have reported to police stations (report to be aired on community radio station <a href="http://www.rootsfmja.com/">Roots FM</a>); the problem of over-fishing in Montego Bay; and a <a href="http://www.jamaicaobserver.com/news/when-the-unwelcomed-neighbour-is-the-church_111032?profile=1373">noisy church</a> that is in breach of regulations but is making residents’ lives a misery. One critical topic — the report will run in the <a href="http://westernmirror.com/">Western Mirror</a> — is on residents’ reluctance to report crime in the high-crime area around Montego Bay, the lack of trust and the fear.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><strong>KC: </strong>Foram produzidas dez reportagens sobre assuntos como: o impacto da dragagem do Porto de Kingston Harbour para o meio ambiente e os pescadores locais (<a href="http://www.jamaicaobserver.com/news/fishermen-complain-of-losses-from-kingston-harbour-dredging_111754?profile=1338&amp;template=MobileArticle">a matéria foi publicada </a>no jornal Jamaica Observer); um debate ao vivo no rádio com políticos e autoridades na área da saúde sobre a condições precárias das estradas em uma comunidade rural, que os moradores afirmam ter sido a causa da morte de um adolescente após um ataque de asma; a ausência de coordenadores para lidar com violência doméstica nas delegacias de polícia. Além disso, foi questionado se esses profissionais haviam sido, de fato, capacitados efetivamente considerando as experiências de mulheres que prestaram queixa na delegacia (matéria que foi ao ar na estação de rádio comunitária <a href="http://www.rootsfmja.com">Roots FM</a>); o problema da pesca predatória na Baía de Montego; e da <a href="http://www.jamaicaobserver.com/news/when-the-unwelcomed-neighbour-is-the-church_111032?profile=1373">igreja barulhenta </a>que desrespeita a lei e está tornando a vida dos vizinhos um pesadelo. Também foi abordado um assunto fundamental — a reportagem será publicada no <a href="http://westernmirror.com">Western Mirror</a> — sobre a relutância de moradores em denunciar crimes na região com alto índice de criminalidade, ao redor da Baía de Montego, devido ao medo de represálias e a falta de confiança nas autoridades.</p></blockquote>
<div id="attachment_631533" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-631533" class="size-large wp-image-631533" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2017/10/DENNIS-800x534.jpg" alt="" width="800" height="534" /><p id="caption-attachment-631533" class="wp-caption-text">Instrutor e jornalista televisivo Dennis Brooks (Nationwide News Network) apresenta um dos artigos publicados. Foto cedida pela Ação de Integridade Nacional, publicação autorizada.</p></div>
<p><strong>GV: Como vocês definem jornalismo investigativo e o que isso representa para a Jamaica nos dias de hoje? O que esperam com essa iniciativa?</strong></p>
<blockquote><p><strong>KC: </strong> I&#39;m sure there are formal definitions out there, but through this training, and in the Jamaican context, this is what I have come up with: Investigative journalism is both a tool and a skill set that enables citizens (both professional journalists and the untrained) to hold authorities to account. It enables people to look back at promises made and to see if they have been kept. It sheds light on those who do not use their positions of authority properly. Ideally, it can be a way of shaking out the corruption that accumulates among those in power. I would like to see journalists in Jamaica empowered to do more investigative journalism. This means they need more resources and to be supported by the community. Political partisanship is often prohibitive to quality investigative journalism in this country, and that needs to stop. People need to realise that a healthy, free and fair press is essential to a well-functioning democracy, in which all citizens have equal representation. Investigative journalism is extremely expensive and time-consuming, so I would like to see a dedicated fund for such an endeavour, perhaps not initiated by the government, but by the private sector or citizens.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><strong>KC: </strong>Tenho certeza de que há definições formais e padronizadas, mas no contexto do curso e da realidade jamaicana, acho que é possível dizer que jornalismo investigativo é ao mesmo tempo uma ferramenta e um conjunto de habilidades que possibilita aos cidadãos (tanto os jornalistas profissionais, como os leigos) cobrar das autoridades transparência e responsabilidade com ética. Ajuda as pessoas a lembrarem das promessas feitas pelos políticos e verificarem se estas foram cumpridas. Joga luz sobre aqueles que não desempenham seu cargo ou posição de autoridade apropriadamente. Espera-se que esse tipo de jornalismo remova a corrupção que se acumula entre aqueles que detêm o poder. Gostaria de ver jornalistas na Jamaica empoderados para fazerem mais jornalismo investigativo. Para isso, eles precisam de mais recursos e de apoio de suas comunidades. Partidarismo político frequentemente prejudica a legitimidade do jornalismo investigativo em nosso país e isso precisa acabar. As pessoas precisam compreender que uma imprensa saudável, livre e justa é essencial para uma democracia eficiente, na qual todos os cidadãos são igualmente representados. Jornalismo investigativo é extremamente caro e demorado, requer tempo, então seria bom que houvesse um fundo específico para essa empreitada, talvez não por iniciativa do governo, mas do setor privado ou dos próprios cidadãos.</p></blockquote>
<div id="attachment_631535" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-631535" class="size-large wp-image-631535" src="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2017/10/ZAHRA-800x534.jpg" alt="" width="800" height="534" /><p id="caption-attachment-631535" class="wp-caption-text">Zahra Burton com seu certificado de conclusão do workshop de jornalismo comunitário durante a cerimônia de graduação. Foto da National Integrity Action, publicada com autorização.</p></div>
<blockquote><p><strong>OL:</strong> In essence, I see investigative journalism as based on evidence-based research, whereby we would call the powerful to account and expose corruption, whereby we protect and preserve our democracy.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><strong>OL: </strong>Essencialmente, vejo o jornalismo investigativo como algo baseado em evidência e pesquisa, seja para identificar e expor casos de corrupção, seja para proteger e preservar nossa democracia.</p></blockquote>
<blockquote><p><strong>IMK:</strong> Journalists who are prepared to go beyond the surface, resist the temptation to just produce and present a piece JUST for the sensation of it. It will contribute to development. Today, we need persons like these who are not afraid to call out authorities and say who is responsible.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><strong>IMK:</strong>  Jornalistas que estão dispostos a ir além da superfície, resistem à tentação de produzir e apresentar uma matéria SOMENTE por apresentar. Sair do superficial contribui para o desenvolvimento. Hoje, precisamos de pessoas que não têm medo de ir atrás das autoridades e apontar os responsáveis pelo erro ou má conduta.</p></blockquote>
<p><strong>GV: Poderiam citar um dos maiores desafios desse projeto?</strong></p>
<blockquote><p><strong>KC:</strong> Participants did not understand how much work this would be. They told us so, many times, and in plain language. This is an oversight on our part and it is also a function of the fact that we are used to the endless time it takes to produce an investigative journalistic piece. We took it for granted, so we did not relay it to participants. They were struggling to meet our demands as well as keep up with their lives &#8212; <span style="background-color: #ededed;">school, work, families, etc. We have learned this lesson for next time.</span></p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><strong>KC: </strong>Os participantes não faziam ideia do trabalho que teriam pela frente. Eles mesmos disseram isso, tantas vezes, e de maneira bastante clara. Esse foi um erro da nossa parte e deve-se também ao fato de que estamos acostumados a gastar muito tempo investigando e produzindo matérias jornalísticas. Subestimamos esse esforço como se fosse algo corriqueiro também para os alunos. E eles tiveram muita dificuldade de atender às nossas exigências e ao mesmo tempo cumprir com suas obrigações do dia a dia — escola, trabalho, família etc. Aprendemos essa lição para uma próxima vez.</p></blockquote>
<p><strong>GV: A sensação é de que vocês alcançaram os objetivos que haviam determinado ou ainda é muito cedo para saber?</strong></p>
<blockquote><p><strong>OL:</strong> The training and post-training activities so far have been successful. However, we will not be able to consider the entire process a success until we see how the community journalists perform going forward. Will they continuously seek to use their new craft&#8230;or will they disappear into oblivion, failing to add to the voices of those demanding change in Jamaica?</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><strong>OL: </strong>As atividades durante o curso e após o seu término até o momento têm sido exitosas. No entanto, não conseguiremos avaliar todo o processo até vermos se esses jornalistas comunitários seguirão adiante. Continuarão a utilizar as ferramentas que aprenderam&#8230;ou deixarão esse conhecimento para trás, falhando em se unir às vozes daqueles que exigem mudanças na Jamaica?</p></blockquote>
<blockquote><p><strong>KC:</strong> I feel we exceeded our goals. We produced nine high-quality pieces that met all our objectives (a tenth is in production): holding authorities to account, providing meaningful information and shedding light on an issue that would probably otherwise not receive any attention. We also empowered citizens to look at their communities in a new way, to feel that they can ask questions, get answers, and demand action. In at least one case, a story prompted a response from the Member of Parliament, who called me to ask to participate in the radio show and then called afterwards, promising to follow up and take action on a long-standing issue in the community.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><strong>KC: </strong>Acho que superamos nossos objetivos. Produzimos nove matérias de alta qualidade que atenderam às nossas expectativas (a décima ainda está sendo produzida): poder cobrar transparência e satisfação das autoridades, produzir informação aprofundada e significativa e lançar luz sobre um assunto que de outra forma não receberia atenção da mídia. Além disso empoderamos cidadãos a enxergarem suas comunidades com outros olhos, a sentir que podem fazer perguntas e obter repostas. Temos pelo menos um exemplo de matéria que resultou em uma resposta de um membro do Parlamento, que me ligou pedindo para participar do programa de rádio e voltou a ligar depois do programa, prometendo acompanhar o caso e tomar providências para resolver um problema de longa data na comunidade.</p></blockquote>
<blockquote><p><strong>IMK:</strong> To have had the majority of the pieces already published and broadcast is success on its own. Communities are already reaping some of the benefits. We will continue to train journalists in this specialist skill. We will support them to do their jobs well.</p></blockquote>
<blockquote class="translation"><p><strong>IMK: </strong>Só o fato de termos a maioria das matérias publicada e transmitida já representa uma vitória. Os comitês já estão colhendo os frutos desse trabalho. Continuaremos a treinar pessoas nessa especialidade. E daremos o suporte necessário para que desempenhem um bom trabalho.</p></blockquote>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Written (English) by</span> <a href='https://globalvoices.org/author/emma-lewis/' class='user-link'>Emma Lewis</a></div><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Translated (Português) by</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/flavia-villela/' class='user-link'>Flávia Villela</a></div></div><span class='source-link'><a href='https://globalvoices.org/2017/10/08/building-journalists-with-integrity-and-impact-a-community-journalism-project-takes-shape-in-jamaica/'>Veja o post original (English)</a></span></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2017/10/GROUP-400x300.jpg" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>Licença de Belo Monte é novamente suspensa</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2017/09/22/licenca-de-belo-monte-e-novamente-suspensa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ISA]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Sep 2017 13:10:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
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					<description><![CDATA[As obras estão paralisadas até que a hidrelétrica regularize as moradias construídas para abrigar as centenas de famílias despejadas em Altamira, no Pará.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_69312" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-69312" class="wp-image-69312 size-featured_image_large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2017/09/altamira-gv-e1506085328890-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-69312" class="wp-caption-text">Vista do Reassentamento Urbano Coletivo (RUC) Jatobá, em Altamira. Foto: Aaron Vincent Elkaim/ISA, publicada com permissão</p></div>
<p><em>Esta matéria, escrita por Isabel Harari, foi <a href="https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/licenca-de-belo-monte-e-novamente-suspensa">originalmente</a> publicada no site do Instituto Socioambiental (ISA), com quem o Global Voices mantém uma parceria de republicação.</em></p>
<p>Quase dois anos após a emissão da Licença de Operação (LO), a hidrelétrica de Belo Monte continua enfrentando denúncias de violações aos direitos socioambientais.</p>
<p>Na última quarta feira (13), o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) <a href="http://www.mpf.mp.br/regiao1/sala-de-imprensa/noticias-r1/trf1-ordena-adequacao-das-casas-destinadas-aos-atingidos-por-belo-monte-em-altamira">suspendeu</a> a Licença de Instalação (LI) por conta das más condições dos Reassentamentos Urbanos Coletivos (RUCs), moradias feitas para abrigar as centenas de famílias despejadas por conta de Belo Monte.</p>
<div class="field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden">
<div class="field-items">
<div class="field-item even">
<p>As denúncias das condições das moradias não são novidade. As irregularidades começaram em 2012, quando a Norte Energia, concessionária de Belo Monte, prometeu casas de alvenaria de três tamanhos diferentes, de acordo com número de familiares. No entanto, todas as famílias foram reassentadas em casa de mesmo tamanho e de concreto. A distância dos locais de trabalho e estudo e a precariedade das construções &#8212; buracos e rachaduras nas casas &#8212; já são realidades cotidianas e vêm sendo sistematicamente denunciadas pelos órgãos públicos.</p>
<p>Com a suspensão, ficam paralisadas todas as obras de instalação da hidrelétrica, que tinha previsão para conclusão de seu potencial pleno até 2019. Não obstante a empresa concessionária, a Norte Energia, nega-se a reconhecer os efeitos jurídicos da decisão. Em nota, afirma que “tal decisão não gera efeitos uma vez que se refere à LI (Licença de Instalação)”.</p>
<h2>Suspensão atrás de suspensão</h2>
<p>A Norte Energia já possui a Licença de Operação (LO) desde novembro de 2015, que substitui em sua integralidade os termos da LI. A LO traz novas condicionantes que consubstanciam a irregularidade ambiental do empreendimento. A usina contabiliza quatro decisões judiciais que ordenam a suspensão também de sua LO.</p>
<p>A mais recente, de abril de 2017, foi adotada pela Corte Especial do TRF1 e suspendeu as atividades da empresa até que o sistema de esgoto de Altamira fosse regularizado, o que ainda não aconteceu. A decisão foi <a href="https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/licenca-de-operacao-de-belo-monte-e-suspensa-em-decisao-historica">histórica</a>, pois foi a primeira vez que o TRF1 derrubou uma suspensão de segurança no caso Belo Monte, que permitia que a empresa continuasse com as obras mesmo sem se verificar o atendimento das condicionante.</p>
<p>No entanto, nenhuma das mencionadas decisões foi efetivamente executada. A concessionária Norte Energia continua produzindo e vendendo energia, desafiando e desacatando as decisões judiciais vigentes.</p>
<p>Na prática, como a empresa não cumpriu a decisão de abril deste ano, a LO permanece anulada e a suspensão da LI, na última quarta feira, tem validade jurídica. As atividades de instalação estão planejadas para terminar apenas em 2019 com a colocação da última turbina.</p>
</div>
</div>
</div>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/socioambiental/' class='user-link'>ISA</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2017/09/altamira-gv-e1506085328890-400x300.jpg" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>Suspeitas de fraude minam eleições em Angola</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2017/08/22/suspeitas-de-fraude-minam-eleicoes-em-angola/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dércio Tsandzana]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Aug 2017 20:54:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Ativismo Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de Expressão]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
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					<description><![CDATA[Angolanos vêem a eleição com ceticismo e nas redes sociais têm relatado possíveis manobras das autoridades que podem vir a manipular o resultado do pleito.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_68373" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.flickr.com/photos/carsten_tb/34043692914/in/photolist-ThHRHV-mvZWMa-UwgBj6-5fxJiS-V9PwVX-TSjPQE-mUMM62-nd6oFg-muxBfy-8x84CQ-8x86Sw-63Gorf-5ftnjp-8x2sVt-8x651x-8x7dcC-uFXbpz-wcptJk-UwgBde"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-68373" class="size-featured_image_large wp-image-68373" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2017/08/34043692914_e4dfe88e9e_b-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" /></a><p id="caption-attachment-68373" class="wp-caption-text">José Eduardo dos Santos, presidente de Angola desde 1978, deve deixar o cargo após as eleições deste ano. Foto: carsten_tb/Flickr, CC BY-NC-ND 2.0</p></div>
<p>Em menos de 24 horas serão realizadas eleições gerais em Angola, a primeira em 38 anos em que José Eduardo dos Santos, actual Presidente, não será candidato pelo Movimento Popular pela Libertação de Angola, partido dominante da política angolana desde 1975.</p>
<p>Desde 2010 não se realizam eleições presidenciais, sendo o Presidente e o Vice-Presidente, os cabeças-de-lista do partido que obter maioria nas eleições legislativas.</p>
<p>A lista do MPLA é encabeçada este ano pelo ex-ministro da defesa General João Lourenço. Do lado da oposição, concorrem a União Nacional para a Independência Total de Angola (<span class="st">UNITA) e a coligação Convergência Ampla de Salvação de Angola (CASA-CE).<br />
</span></p>
<p>No <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_gerais_de_Angola_de_2012">último</a> pleito, em 2012, o MPLA obteve mais de 70% dos votos, seguido da UNITA, com 18%. Para este ano, muitos angolanos apresentam algum cepticismo e nas redes sociais têm relatado possíveis manobras das autoridades que podem vir a manipular o resultado do pleito.</p>
<p>A <a href="https://www.facebook.com/lumessu/photos/a.450547345301453.1073741828.450538621968992/472341463122041/?type=3" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Jiku</a>, uma plataforma de monitoria independente das eleições, denunciou um caso de um cidadão que apesar de ter se registrado não consta nas bases de dados dos eleitores.</p>
<blockquote><p>Freitas José Cassule, eleitor nº: 81288, grupo: 60221; fez a prova de vida a 06/12/2016 às 11:41:31 na tenda de registo do Curtume 7039, Cazenga. Possui comprovativo de prova de vida feita.</p>
<p>No entanto, o seu nome não consta em nenhuma lista de eleitores de de assembleia alguma. Solicitou as Brigadas de Atualização Electrónica e segundo estes, a base de dados retorna ausência de prova de vida.</p></blockquote>
<p>Outro <a href="https://www.facebook.com/lumessu/photos/a.450547345301453.1073741828.450538621968992/472368433119344/?type=3">caso</a> é a mudança, aparentemente sem explicação, do local de votação de uma cidadã da capital Luanda:</p>
<blockquote><p>Cidadã moradora no Cassenda, Luanda, Rua 13, fez a actualização do seu registo em Setembro de 2016 no seu local de trabalho. Escolheu votar no Colégio Maralu, no Cassenda próximo da sua casa e assim dizia o recibo de actualização do registo entregue pelos registadores.</p>
<p>Entretanto, nas mensagens que a CNE vai enviando aos eleitores, foi informada que irá votar na rua Revolução de Outubro, no Catinton, distância de um táxi.</p></blockquote>
<p><a href="https://www.facebook.com/migueldimass/posts/1289625794480464" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Mablala Pinto,</a> da União Nacional dos Revolucionários Angolanos-UNRA, denunciou a existência de cartões de eleitores alheios:</p>
<blockquote><p>SOS!<br />
Foi encontrado agora no belomonte, Cacuaco, uma pasta jogado perto da maratona onde contem inúmeros cartões de eleitor. Ja se vai entregar a policia exactamemte numa esquadra próxma. Ja começou a obra de má fé! Também vamos levar ate a rádio para ser publicado ou noticiado as identidades.</p></blockquote>
<p>Para além desses factos, os membros da <a href="https://www.facebook.com/lumessu/videos/472243753131812/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Comissão Nacional de Eleições</a> (CNE) se multiplicam em protestos:<br />
<iframe loading="lazy" style="border: none; overflow: hidden;" src="https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Flumessu%2Fvideos%2F472243753131812%2F&amp;show_text=0&amp;width=560" width="560" height="308" frameborder="0" scrolling="no" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><a href="https://www.facebook.com/simahoss/posts/1825231097494927" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Hossi Sonjamba</a>, activista angolano, faz apelo para que a CNE honre com os seus compromissos:</p>
<blockquote><p>Eu espero que a CNE &#8211; <a class="_58cn" href="https://www.facebook.com/hashtag/comiss%C3%A3o?source=feed_text&amp;story_id=1825231097494927" data-ft="{&quot;tn&quot;:&quot;*N&quot;,&quot;type&quot;:104}"><span class="_5afx"><span class="_58cl _5afz">#</span><span class="_58cm">Comissão</span></span></a> <a class="_58cn" href="https://www.facebook.com/hashtag/nacional?source=feed_text&amp;story_id=1825231097494927" data-ft="{&quot;tn&quot;:&quot;*N&quot;,&quot;type&quot;:104}"><span class="_5afx"><span class="_58cl _5afz">#</span><span class="_58cm">Nacional</span></span></a> <a class="_58cn" href="https://www.facebook.com/hashtag/eleitoral?source=feed_text&amp;story_id=1825231097494927" data-ft="{&quot;tn&quot;:&quot;*N&quot;,&quot;type&quot;:104}"><span class="_5afx"><span class="_58cl _5afz">#</span><span class="_58cm">Eleitoral</span></span></a>, possa honrar com os seus compromissos, pagando os <a class="_58cn" href="https://www.facebook.com/hashtag/brigadistas?source=feed_text&amp;story_id=1825231097494927" data-ft="{&quot;tn&quot;:&quot;*N&quot;,&quot;type&quot;:104}"><span class="_5afx"><span class="_58cl _5afz">#</span><span class="_58cm">Brigadistas</span></span></a>, <a class="_58cn" href="https://www.facebook.com/hashtag/membros?source=feed_text&amp;story_id=1825231097494927" data-ft="{&quot;tn&quot;:&quot;*N&quot;,&quot;type&quot;:104}"><span class="_5afx"><span class="_58cl _5afz">#</span><span class="_58cm">Membros</span></span></a> das <a class="_58cn" href="https://www.facebook.com/hashtag/assembleias?source=feed_text&amp;story_id=1825231097494927" data-ft="{&quot;tn&quot;:&quot;*N&quot;,&quot;type&quot;:104}"><span class="_5afx"><span class="_58cl _5afz">#</span><span class="_58cm">Assembleias</span></span></a> de Votos e transportar os <a class="_58cn" href="https://www.facebook.com/hashtag/cidad%C3%A3os?source=feed_text&amp;story_id=1825231097494927" data-ft="{&quot;tn&quot;:&quot;*N&quot;,&quot;type&quot;:104}"><span class="_5afx"><span class="_58cl _5afz">#</span><span class="_58cm">Cidadãos</span></span></a> <a class="_58cn" href="https://www.facebook.com/hashtag/eleitores?source=feed_text&amp;story_id=1825231097494927" data-ft="{&quot;tn&quot;:&quot;*N&quot;,&quot;type&quot;:104}"><span class="_5afx"><span class="_58cl _5afz">#</span><span class="_58cm">Eleitores</span></span></a> que eles dispersaram propositadamente e por engano nas suas respectivas mesas de voto!</p></blockquote>
<p>Como <a href="http://noticias.sapo.tl/portugues/lusa/artigo/22829349.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">observadores</a>, destaca-se a existência de equipas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, União Europeia e União Africana.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/dercio-tsandzana/' class='user-link'>Dércio Tsandzana</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
		<media:content url="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2017/08/34043692914_e4dfe88e9e_b-400x300.jpg" medium="image" width='270' height='202'	/>	</item>
		<item>
		<title>Uma empresa canadense quer construir a maior mina de ouro do Brasil &#8212; no coração da Amazônia</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2017/03/31/uma-empresa-canadense-quer-construir-a-maior-mina-de-ouro-do-brasil-no-coracao-da-amazonia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ISA]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Mar 2017 16:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Weblog]]></category>
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					<description><![CDATA[Esta é uma compilação de duas matérias produzidas pelo Instituto Socioambiental (ISA), organização não governamental brasileira de defesa do meio ambiente e direitos indígenas. Esta versão foi editada para o... ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_65008" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-65008" class="wp-image-65008 size-featured_image_large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2017/03/canoadabyebye-1-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-65008" class="wp-caption-text">Pôr-do-sol durante a canoada Bye Bye Xingu, ação ativista promovida por indígenas e ribeirinhos, com apoio do ISA, na Volta Grande do Xingu em 2016. Foto: Lilo Clareto/ISA, publicada com permissão.</p></div>
<p><em>Esta é uma compilação de <a href="https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/justica-derruba-licenca-de-mineradora-no-xingu">duas</a> <a href="https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/avanca-destruicao-do-rio-xingu">matérias</a> produzidas pelo Instituto Socioambiental (ISA), organização não governamental brasileira de defesa do meio ambiente e direitos indígenas. Esta versão foi editada para o Global Voices e publicada com permissão.</em></p>
<p>Uma empresa canadense planeja construir aquela que será a maior mina de ouro a céu aberto do Brasil, localizada no coração da floresta amazônica, às margens do Rio Xingu. No entanto, ativistas, ONGs e grupos de defesa de direitos indígenas estão travando uma batalha pela terra.</p>
<p>A Belo Sun Mining Corp, sediada em Toronto, no Canadá, está por trás do projeto Volta Grande Gold Project, que planeja extrair 600 toneladas de ouro ao longo de 12 anos. A mina deve deixar montanhas de rejeito com aproximadamente duas vezes o volume do Pão de Açúcar. Uma comunidade de 300 famílias, que vive da terra nas localidades da Vila da Ressaca, Galo e Ouro Verde, terão que ser relocadas caso o projeto avance.</p>
<p>No início de fevereiro, a Secretaria de Meio Ambiente Estadual do Pará (Semas) concedeu à empresa, que iniciou as pesquisas no território ainda em 2008, a Licença de Instalação, mas esta foi derrubada duas semanas depois pela Justiça do Pará, que acatou liminar da Defensoria Pública do Estado (DPE).</p>
<p>No <a href="http://www.xinguvivo.org.br/wp-content/uploads/2017/02/DECIS%C3%83O-DA-CP-BELO-SUN.pdf">texto</a>, o juiz Álvaro José da Silva Souza atesta que a empresa comprou terras públicas federais e vai encaminhar ao Ministério Público Federal (MPF) pedido para investigação do crime de grilagem. As terras em questão compõem a Gleba Ituna, destinada pela União na década de 1980 para assentamento da reforma agrária.</p>
<p>O juiz também alega que a empresa nada fez, em três anos desde a emissão da Licença Prévia e mesmo com a recente Licença de Instalação, para realocar de forma digna os ribeirinhos impactados. “Entendo ser completamente desarrazoado e injustificável que até o presente momento as famílias ainda estejam à mercê da própria sorte”, diz o texto. O juiz deu um prazo de 180 dias para que a empresa apresente um plano de realocação dos ribeirinhos impactados, garantindo o livre acesso das famílias às terras durante esse período.</p>
<p>A área prevista para a mina já foi duramente afetada por outro empreendimento, a <a href="https://pt.globalvoices.org/2016/11/03/belo-monte-um-ano-depois-ribeirinhos-e-indigenas-refletem-sobre-as-consequencias-da-barragem-no-xingu/">usina hidrelétrica de Belo Monte</a>, que está em fase de testes desde o fim de 2015. A barragem reduziu em 80% a vazão da água em um trecho de 100 quilômetros do Rio Xingu, além de ter causado mortandade de peixes, piora da qualidade de água e alterações drásticas no modo de vida das populações indígenas e ribeirinhas desde o início de sua construção, em 2011.</p>
<p>O empreendimento é visto como uma bomba-relógio ambiental, com potencial de causar uma tragédia das dimensões do rompimento da barragem da Samarco &#8212; empresa da BHP Billiton e Vale &#8212; em Mariana (MG), no final de 2015, que despejou bilhões de litros de rejeitos no Rio Doce, <a href="http://www.telegraph.co.uk/business/2016/10/15/one-year-on-brazil-battles-to-rebuild-after-the-samarco-mining-d/">deixando dezenove mortos e 700 desabrigados</a>.</p>
<p>Uma nota técnica emitida pela Belo Sun em 2012 tratando das preocupações levantadas em uma audiência pública sobre o projeto foi assinada pelo mesmo engenheiro que havia atestado a segurança da barragem de Mariana quatro meses antes do rompimento. Em novembro de 2016, ele e outros 20 executivos foram <a href="http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/10/1824611-procuradoria-denuncia-21-pessoas-por-homicidio-em-tragedia-de-mariana.shtml">denunciados por homicídio pelo Ministério Público Federal</a>.</p>
<h3><strong>Consulta às populações indígenas</strong></h3>
<p>As comunidades indígenas diretamente afetadas não foram consultadas sobre o projeto, como determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil.</p>
<p>Apenas seis dias após a emissão da Licença de Instalação, no início de fevereiro, a mineradora divulgou em seu <a href="http://belosun.com/news/releases/index.php?&amp;content_id=91">site</a>, apenas em inglês, um plano detalhado das atividades, que se estendem por 120 quilômetros ao longo do Rio Xingu. Se efetivado, o projeto vai impactar diretamente ao menos quatro Terras Indígenas: a TI Paquiçamba, dos Juruna, TI Ituna/Itata, dos isolados, a TI Arara da Volta Grande, dos Arara, e a TI Trincheira Bacajá, dos Xicrin. A legislação prevê que o licenciamento dessa porção seja feito no âmbito federal, pelo Ibama, pois atinge diretamente as Terras Indígenas.</p>
<div id="attachment_65005" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-65005" class="wp-image-65005 size-large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2017/03/planodepesq-800x566.png" alt="" width="800" height="566" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2017/03/planodepesq-800x566.png 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2017/03/planodepesq-400x283.png 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2017/03/planodepesq.png 900w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-65005" class="wp-caption-text">Plano de pesquisa da Belo Sun Mining Corp, mostrando as Terras Indígenas adjacentes. Montado pelo ISA.</p></div>
<p>Ainda não houve nenhuma consulta aos povos que poderão ser impactados se o projeto avançar. “Do jeito que está ali no mapa parece que não existe indígena ali. Pra Belo Sun não tem ninguém ali”, denuncia Mukuka Xicrin, presidente da Associação Instituto Bepotire (Ibkrin).</p>
<p>A concessão da Licença de Instalação também atropelou parecer da Fundação Nacional do Índio (Funai), que exige a revisão dos estudos sobre o componente indígena, pois entende que aquele apresentado pela Belo Sun é insuficiente.</p>
<p>A Defensoria Pública da União (DPU) e a Defensoria Pública do Pará também haviam ingressado com duas ações para impedir a Licença. O Ministério Público Federal (MPF) enviou à Secretaria de Meio Ambiente do Pará uma <a href="http://www.mpf.mp.br/pa/sala-de-imprensa/noticias-pa/mpf-recomenda-que-secretaria-de-meio-ambiente-do-pa-nao-conceda-licenca-a-belo-sun">recomendação</a> contra a medida, sendo que já haviam duas outras ações anteriores movidas pelo MPF contra o empreendimento.</p>
<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/socioambiental/' class='user-link'>ISA</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Belo Monte, um ano depois: ribeirinhos e indígenas refletem sobre as consequências da barragem no Xingu</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2016/11/03/belo-monte-um-ano-depois-ribeirinhos-e-indigenas-refletem-sobre-as-consequencias-da-barragem-no-xingu/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ISA]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Nov 2016 11:06:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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		<category><![CDATA[Mídia Cidadã]]></category>
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					<description><![CDATA[Reportagem de Isabel Harari, publicado originalmente no medium do Instituto Socioambiental, com quem o Global Voices mantém uma parceria de conteúdo. As comportas de Belo Monte, segunda maior usina hidrelétrica do Brasil e... ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="section-inner layoutSingleColumn">
<div id="attachment_63445" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-63445" class="wp-image-63445 size-featured_image_large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2016/10/raimunda-800x450.jpeg" alt="raimunda" width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-63445" class="wp-caption-text">Raimunda Gomes da Silva, que vivia em uma das ilhas fluviais do Xingu inundadas pelo reservatório artificial. Foto: Isabel Harari/ISA</p></div>
<p class="graf graf--p graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p"><em>Reportagem de Isabel Harari, <a href="https://medium.com/@socioambiental/belo-monte-o-que-fizeram-de-n%C3%B3s-37c4c90b4805#.gak4u2820">publicado originalmente no medium do Instituto Socioambiental</a>, com quem o Global Voices mantém uma parceria de conteúdo.</em></p>
<p class="graf graf--p graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p">As comportas de Belo Monte, segunda maior usina hidrelétrica do Brasil e quarta maior do mundo em capacidade instalada, foram fechadas em novembro do ano passado, dando início ao enchimento do reservatório da barragem na Amazônia &#8212; e transformando para sempre as vidas das populações indígenas e ribeirinhas que vivem ao seu redor. Dificuldade de navegar em trechos do rio, desaparecimento de locais de pesca, aumento de pragas e morte de peixes são alguns dos impactos relatados por estas populações.</p>
</div>
<p class="graf graf--p graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p">“Viver hoje do Rio Xingu é impossível, não tenho chance nenhuma. As pessoas viviam bem, e hoje vegetam, não é vida digna”, comenta Raimunda Gomes da Silva, ao passar pelos pedrais da Volta Grande, trecho do Rio Xingu duramente afetado pela barragem.</p>
<p class="graf graf--p graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p">Raimunda vivia com seu marido, João, em uma das ilhas fluviais do Xingu que foram alagadas pelo reservatório artificial da usina. Ambos viviam da pesca e da roça. Hoje ela habita uma casa no bairro Airton Senna II, periferia de Altamira, cidade de 100 mil habitantes &#8212; a maior nas redondezas da usina.</p>
<div class="section-inner layoutSingleColumn">
<p class="graf graf--p graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p">Desde o fechamento das comportas, cerca de 80% do volume do Xingu foi desviado do seu leito natural por um canal artificial até o reservatório. O volume de água deixa de passar pela Volta Grande, trecho do Rio Xingu de cerca de 100 quilômetros que banha duas Terras Indígenas, <a class="markup--anchor markup--p-anchor" href="https://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4302" rel="nofollow" data-href="https://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4302">Arara da Volta Grande</a> e <a class="markup--anchor markup--p-anchor" href="https://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3788" rel="nofollow" data-href="https://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3788">Paquiçamba</a>, pertencente aos povos Arara e Juruna. Também habitam ali centenas de famílias ribeirinhas.</p>
<div id="attachment_63443" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-63443" class="wp-image-63443 size-featured_image_large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2016/10/belomonte-800x450.jpeg" alt="belomonte" width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-63443" class="wp-caption-text">Ilhas queimadas e desmatadas foram parcialmente submersas pelo lago artificial. Foto: Isabel Harari/ISA</p></div>
<p class="graf graf--p graf--startsWithDoubleQuote graf-after--p">“O maior problema é a falta d’água. Pra baixo falta e pra cima sobra. A sobra de cima não presta e a debaixo faz falta pra vida. Muita água pra cima mas toda comprometida, com problemas, com resíduos, com morte dos peixes, morte de árvores que foram submersas. E pra baixo precisando de água, tem um pouco ainda, mas não é o suficiente”, diz Raimunda.</p>
<figure id="4c8e" class="graf graf--figure graf--layoutOutsetRowContinue is-partialWidth graf-after--figure">
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<div class="section-inner layoutSingleColumn">
<p id="9058" class="graf graf--p graf-after--pullquote">Hoje ela faz planos para sua nova morada, que chama de “terra prometida”: um terreno localizado a 350 metros do rio, adquirido com a indenização da Norte Energia. Para ela, ainda distante, mas ao menos próximo ao rio. “Eu vou estar lá, de frente, olhando… Não vou ver ele sorrindo nem correndo livre, pelo contrário, vou ver ele agonizando, mas quero que ele veja que eu não o esqueci”.</p>
</div>
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</div>
<h3 class="section-inner sectionLayout--outsetRow" data-paragraph-count="3">Sem rio e sem peixe</h3>
<p class="graf graf--p graf-after--p">Entre fevereiro e abril deste ano, o Ibama multou a concessionária Norte Energia em <a class="markup--anchor markup--p-anchor" href="http://www.ibama.gov.br/publicadas/ibama-multa-norte-energia-em-r-35-milhoes-por-mortandade-de-peixes-em-belo-monte" rel="nofollow" data-href="http://www.ibama.gov.br/publicadas/ibama-multa-norte-energia-em-r-35-milhoes-por-mortandade-de-peixes-em-belo-monte">R$ 35,3 milhões</a> pela morte de 16,2 toneladas de peixes durante o enchimento do reservatório, que levou três meses.</p>
<p class="graf graf--p graf-after--p">Foram três multas consecutivas &#8212; de R$ 27,5 pela morte dos peixes, R$ 7,5 por descumprimento de uma das condicionantes da licença e R$ 510 mil por ter apresentado informações falsas sobre a contratação de trabalhadores para resgate dos peixes  A multa de R$ 27,5 milhões foi a maior aplicada à concessionária desde o início da construção de Belo Monte.</p>
<div id="attachment_63441" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-63441" class="wp-image-63441 size-featured_image_large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2016/10/peixe-800x450.jpeg" alt="peixe" width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-63441" class="wp-caption-text">Acari, peixe muito comum na região, cego e com parasitas. Foto: Torkjell Leira/ISA</p></div>
<p class="graf graf--p graf-after--p">Mas a morte de peixes não é o único problema enfrentado pelas populações do Xingu. Desde o início da construção de Belo Monte, por conta de iluminação artificial de canteiros de obras ou uso de explosivos, os indígenas da Volta Grande relatam comprometimento &#8212; e alguns casos extinção &#8212; de importante pontos de pesca.</p>
<p class="graf graf--p graf-after--p">Com o barramento definitivo do rio e a diminuição da vazão do Xingu, os impactos se intensificaram. “A gente levava uma hora pra chegar aos locais de pesca e agora demoramos o dobro. Tem local que a gente não tem mais acesso porque a água diminuiu muito e não dá mais pra passar”, relata o indígena Natanael Juruna.</p>
<p class="graf graf--p graf-after--p">A pesca é a principal atividade de subsistência dos Juruna, conforme o <a class="markup--anchor markup--p-anchor" href="https://www.socioambiental.org/sites/blog.socioambiental.org/files/nsa/arquivos/atlas-pesca-bm.pdf" rel="nofollow" data-href="https://www.socioambiental.org/sites/blog.socioambiental.org/files/nsa/arquivos/atlas-pesca-bm.pdf">Atlas dos Impactos da UHE Belo Monte sobre a pesca</a>. Segundo dados de um monitoramento independente realizado pelos Juruna em parceria com o ISA e a Universidade Federal do Pará, a produção de pescados anual dos Juruna é de 4.469 kg, sendo 98% para alimentação própria e 2% para comercialização. O peixe representa 55% de suas refeições.</p>
<div id="attachment_63442" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-63442" class="wp-image-63442 size-featured_image_large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2016/10/belomonte2-800x450.jpeg" alt="belomonte2" width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-63442" class="wp-caption-text">Navegação fica difícil em trechos do rio por conta da diminuição da vazão da água. Foto: Isabel Harari/ISA</p></div>
<div class="section-inner sectionLayout--outsetRow" data-paragraph-count="3">
<figure id="f78a" class="graf graf--figure graf--layoutOutsetLeft graf-after--blockquote">
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<figure id="2421" class="graf graf--figure graf--iframe graf-after--p">
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<p id="d512" class="graf graf--p graf-after--p">A captura dos peixes está intimamente ligada aos ciclos de cheia e vazão do rio. Tanto o pacu como a matrinxã, por exemplo, se alimentam de frutos provenientes das áreas alagadas, ambientes que deixarão de existir com a alteração da vazão do rio.</p>
<figure id="6614" class="graf graf--figure graf--layoutOutsetLeft graf-after--p">
<div class="aspectRatioPlaceholder is-locked">
<p id="d512" class="graf graf--p graf-after--p">“Sem peixe nós não sobreviveremos. O nosso povo sempre viveu do peixe nesta região. Eu fico triste quando ouço que o peixe vai acabar. Nós vivemos do peixe, do rio, por isso somos os Yudja [outro nome para designar Juruna], que quer dizer “os donos do rio”, e nós sempre sobrevivemos do rio, que pra nós é tudo. Enquanto existir o Xingu nós estamos lutando. Vamos até o fim. Quando ele morrer a gente morre junto”, diz Gilliard Juruna, cacique da aldeia Mïratu, localizada na Terra Indígena Paquiçamba.</p>
<figure id="95d6" class="graf graf--figure graf--layoutOutsetLeft graf-after--p">
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<div class="section-inner sectionLayout--fullWidth">
<h3 id="08cc" class="graf graf--h4 graf-after--figure">Pragas</h3>
<p id="672f" class="graf graf--p graf-after--h4">Ribeirinhos e indígenas relatam que a quantidade de mosquitos, chamados por eles de carapanãs, aumentou consideravelmente desde a instalação da usina, comprometendo suas atividades de  pesca, coleta de produtos florestais e roça.</p>
<figure id="1aa0" class="graf graf--figure graf--layoutOutsetLeft graf-after--blockquote">
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<div class="section-inner layoutSingleColumn">
<p id="b2f3" class="graf graf--p graf-after--figure">Para Bel Juruna, outra liderança da aldeia Miratu, é preocupante a alta quantidade de repelente de insetos que as comunidades têm usado diariamente: “Agora a gente tem que viver andando com bomba de veneno, tendo que respirar veneno, mas é a única forma que temos de ficar um pouco livre dos insetos, mesmo dentro da própria casa. Pode intoxicar as crianças, as pessoas, e os problemas do veneno não aparecem na hora”.</p>
<h3 id="b9a8" class="graf graf--p graf-after--p"><strong>Transposição</strong></h3>
<div id="attachment_63440" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-63440" class="wp-image-63440 size-featured_image_large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2016/10/transposicao-800x450.jpeg" alt="transposicao" width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-63440" class="wp-caption-text">Mecanismo de transposição dos barcos. Funcionários da Norte Energia filmaram durante todo a passagem. Foto: Isabel Harari/ISA</p></div>
<p class="graf graf--p graf-after--p">A navegação também foi prejudicada com a diminuição da vazão no Xingu. Em determinado trecho do rio, é preciso descer da embarcação e utilizar o transporte terrestre provido pela Norte Energia. “A gente ficou totalmente arrasado porque é um transtorno passar por aquela transposição, a nossa embarcação ter que passar por ali. Isso no nosso rio, que a gente tinha total liberdade de ir e vir”, aponta Bel.</p>
<p id="1a30" class="graf graf--p graf-after--p">Funcionários da Norte Energia aplicam um questionário aos que atravessam o trecho: nome, sobrenome, telefone, endereço, o que se leva na embarcação e, segundo Bel, até a renda. “O que tem a ver perguntar a nossa renda? Agora a gente tem que dar satisfação do quanto a gente ganha pra Norte Energia?&#8221; desabafa.</p>
</div>
<div class="section-inner sectionLayout--outsetRow" data-paragraph-count="3">
<h3 id="1023" class="graf graf--h4 graf-after--figure">Falta de diálogo</h3>
<p id="9305" class="graf graf--p graf-after--h4">Uma das condicionantes da licença de instalação de Belo Monte obrigava a Norte Energia a discutir, um ano antes de barrar o rio, propostas de monitoramento, mitigação e compensação dos seus impactos com as comunidades afetadas, tanto indígenas como ribeirinhas. Até o momento, segundo as comunidades, o empreendedor apresentou essas informações apenas ao Ibama, o órgão licenciador.</p>
<p id="d88e" class="graf graf--p graf-after--p">O monitoramento da qualidade da água, por exemplo, é realizado por empresas contratadas pela Norte Energia. Alguns indígenas participam da coleta de informações junto às empresas terceirizadas como monitores, mas até agora não tiveram acesso aos resultados.</p>
</div>
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<h3 id="a719" class="graf graf--h4 graf-after--p">Canoada</h3>
<div id="attachment_63437" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-63437" class="wp-image-63437 size-featured_image_large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2016/10/canoada2-800x450.jpeg" alt="canoada2" width="800" height="450" /><p id="caption-attachment-63437" class="wp-caption-text">Uma das cinco canoas que percorreram a Volta Grande do Xingu durante a canoada. Foto: Marcelo Salazar/ISA</p></div>
<figure id="dc31" class="graf graf--figure graf--layoutOutsetLeft graf-after--h4">
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<div class="section-inner layoutSingleColumn">
<p id="7e95" class="graf graf--p graf-after--figure">A Canoada Bye Bye Xingu, ação ativista realizada pela Associação Indígena Yudja Miratu da Volta Grande do Xingu (Aymix) e pelo ISA, busca chamar atenção para os problemas que os povos e comunidades do Xingu enfrentam desde a instalação da usina.</p>
<p class="graf graf--p graf-after--figure">A 3a edição da Canoada, realizada entre os dias 3 e 9 de setembro, aconteceu após o fechamento das comportas do Xingu. As mudanças no cenário são impactantes. Com a seca do rio, a travessia de 112 quilômetros se tornou mais difícil e a paisagem deslumbrante se mistura com cenas de ilhas alagadas, desmatadas e peixes doentes.</p>
<p>“É uma experiência sentir junto com os indígenas e ribeirinhos as consequências da instalação da usina, as belezas e as dores da região. Quem participa da canoada e ouve as populações afetadas, sente as picadas de carapanã, vê os peixes e árvores morrendo, volta convencido de que o modelo de desenvolvimento para o país não pode ser o de construção de barragens como Belo Monte”, afirma Marcelo Salazar, do ISA.</p>
<p id="b441" class="graf graf--p graf-after--blockquote">A canoada é também uma experiência que ajuda os índios a refletir sobre outras alternativas socioeconômicas para as comunidades que dependiam do comércio do pescado. Os indígenas e ribeirinhos têm a possibilidade de gerar renda com esse tipo de atividade, seja atuando como como guias, alugando canoas ou vendendo produtos de roça e artesanato.</p>
<h3 id="4fe7" class="graf graf--h4 graf-after--figure">&#8220;Laboratório macabro&#8221;</h3>
<p id="d261" class="graf graf--p graf-after--h4">Nos próximos anos, a Norte Energia fará uma série de testes para determinar qual será a quantidade de água destinada à geração de energia e o quanto será liberado para a Volta Grande. Ou seja, até 2019, ano em que todas as turbinas vão estar funcionando, a concessionária vai “abrir e fechar a torneira” da barragem, atendendo disposições estabelecidas pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Ibama.</p>
<div id="attachment_63439" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-63439" class="wp-image-63439 size-featured_image_large" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2016/10/belomonte3-800x450.jpeg" alt="belomonte3" width="800" height="450" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2016/10/belomonte3-800x450.jpeg 800w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2016/10/belomonte3-400x225.jpeg 400w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2016/10/belomonte3.jpeg 1400w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><p id="caption-attachment-63439" class="wp-caption-text">Os participantes da canoada acompanharam de perto as mudanças no rio e nos modos de vida das populações que vivem em suas margens. Foto: Roberta Simonetti/ISA</p></div>
</div>
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<figure id="4c8e" class="graf graf--figure graf--layoutOutsetRowContinue is-partialWidth graf-after--figure">
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<p id="af85" class="graf graf--p graf--startsWithDoubleQuote graf-after--blockquote">“O que está sendo experimentado é qual é a vazão mínima para manter a vida no local e que vida essa vazão mínima consegue manter. É um grande experimento humano e com a natureza, de testar a vida da natureza e do homem que vive naquela região pra ver se vai dar certo. É um laboratório macabro que está sendo feito com essas pessoas que vivem na região”, alerta Marcelo Salazar, do ISA.</p>
</div>
<h3 id="133f" class="graf graf--h4 graf-after--blockquote"><strong class="markup--strong markup--h4-strong">Mineradora é nova ameaça para a Volta Grande</strong></h3>
<p id="c3a3" class="graf graf--p graf-after--h4">A maior mina de exploração de ouro a céu aberto no Brasil pode ser instalada na Volta Grande, agravando ainda mais a situação do Xingu. O grupo canadense Belo Sun Mineração vêm realizando pesquisas na região desde 2008 e a estimativa da empresa é que poderão ser extraídas 600 toneladas de ouro em 12 anos. Ainda não há previsão para o início da operação, embora o projeto já possua uma Licença Prévia emitida pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará.</p>
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<div class="progressiveMedia js-progressiveMedia graf-image is-canvasLoaded is-imageLoaded" data-image-id="1*L4nEo6RA9KPOc3ZwOu3U5Q.png" data-width="900" data-height="812" data-action="zoom" data-action-value="1*L4nEo6RA9KPOc3ZwOu3U5Q.png" data-scroll="native"><img decoding="async" class="progressiveMedia-image js-progressiveMedia-image" src="https://d262ilb51hltx0.cloudfront.net/max/600/1*L4nEo6RA9KPOc3ZwOu3U5Q.png" data-src="https://d262ilb51hltx0.cloudfront.net/max/600/1*L4nEo6RA9KPOc3ZwOu3U5Q.png" /></div>
</div>
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<p id="66db" class="graf graf--p graf-after--p">A mina encontra-se no município de Senador José Porfírio, próximo da Vila da Ressaca, comunidade de 300 famílias que depende da roça, pesca e do garimpo artesanal para sobreviver. Se a obra for consolidada, as 300 famílias terão que ser reassentadas.</p>
<p id="4d21" class="graf graf--p graf-after--figure">Em 2014, a Justiça Federal suspendeu o licenciamento ambiental do projeto de mineração até que a Belo Sun entregasse os estudos de impactos nas populações indígenas. A empresa conseguiu derrubar a decisão, mas os índios querem ser consultados sobre o empreendimento antes que o licenciamento avance. Também foi determinada uma atualização do Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) para que este contemple a acumulação de impactos com a usina de Belo Monte, que não foram considerados nos estudos anteriores.</p>
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<figure id="2232" class="graf graf--figure graf--layoutOutsetRowContinue is-partialWidth graf-after--figure"></figure>
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<div class='gv-rss-footer'><strong><div class='text-credits-container'><div class='text-credits-section'><span class='credit-label'>Escrito por</span> <a href='https://pt.globalvoices.org/author/socioambiental/' class='user-link'>ISA</a></div></div></strong></div>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Mais um socioambientalista é assassinado na Amazônia</title>
		<link>https://pt.globalvoices.org/2016/10/17/mais-um-socioambientalista-e-assassinado-na-amazonia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ISA]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Oct 2016 14:55:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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<div id="attachment_63391" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-63391" class="size-full wp-image-63391" src="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2016/10/luisalberto-amazonia.jpg" alt="Luiz Alberto Araújo, secretário de meio ambiente de Altamira, assassinado a tiros no dia 13/10. Foto: Prefeitura de Altamira, uso permitido." width="700" height="438" srcset="https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2016/10/luisalberto-amazonia.jpg 700w, https://pt.globalvoices.org/wp-content/uploads/2016/10/luisalberto-amazonia-400x250.jpg 400w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /><p id="caption-attachment-63391" class="wp-caption-text">Luiz Alberto Araújo, secretário de meio ambiente de Altamira, assassinado a tiros no dia 13/10. Foto: Prefeitura de Altamira, uso permitido.</p></div>
<p><em>Está matéria, escrita por Letícia Leite, foi <a href="https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/mais-um-socioambientalista-e-assassinado-na-amazonia">publicada originalmente</a> no site do Instituto Socioambiental. É reproduzida aqui via parceria de conteúdo.</em></p>
<p>Uma dupla de assassinos, numa moto, executou, na última quinta-feira (13/10), o secretário de Meio Ambiente de Altamira, estado do Pará, Luís Alberto Araújo, 54 anos. Segundo a Polícia Civil, a execução ocorreu diante dos seus familiares, quando chegavam ao condomínio em que moram, no bairro de Buritis, na periferia da cidade. Os assassinos fugiram em direção ao município de Brasil Novo e ainda não há informações sobre sua identidade ou dos mandantes.</p>
<p>O assassinato engrossa a alarmante contabilidade dos assassinatos de militantes socioambientais na Amazônia, sem paralelos em outros lugares do mundo.</p>
<p>Araújo também foi secretário de Meio Ambiente em São Felix do Xingu, também no Pará, onde liderou um pacto para promover o cadastramento ambiental da quase totalidade das propriedades rurais. Por isso, acabou se indispondo com grileiros e desmatadores ilegais, que passaram a ameaçá-lo.</p>
<p>Em Altamira, Araújo conduziu os esforços pela instalação do saneamento urbano e o licenciamento do aterro sanitário da cidade. Também conseguiu implantar o cadastro ambiental em áreas tradicionalmente resistentes, fazendo diferença na luta contra as altas taxas de desmatamento. Sua gestão foi marcada pela isenção e seriedade na aplicação da legislação ambiental.</p>
<p>“Altamira perde um excelente gestor, sempre disposto a reivindicar o cumprimento das condicionantes socioambientais pelos responsáveis da construção da usina de Belo Monte e a prestar apoio às populações ribeirinhas e a outros segmentos afetados”, lembra Rodrigo Junqueira, coordenador do Programa Xingu do ISA. Junqueira afirma que é fundamental que os governos federal e estadual façam esforços para investigar o crime e punir os responsáveis.</p>
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