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		<title>AÇÃO: De olho no julgamento mais perigoso da Europa contra ativistas climáticos </title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/noticias/acao-de-olho-no-julgamento-mais-perigoso-da-europa-contra-ativistas-climaticos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Farias Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 10:23:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[ação]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[julagmento]]></category>
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		<category><![CDATA[Valência]]></category>
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					<description><![CDATA[AÇÃO &#124; 40 ativistas da Greenpeace abriram um olho gigante em Valência, Espanha, onde está prestes a realizar-se o julgamento mais perigoso de que há memória na Europa contra um protesto climático pacífico: 11 ativistas da Greenpeace poderão ser condenados a até 5 anos de prisão por um protesto não violento contra os combustíveis fósseis, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>AÇÃO | 40 ativistas da Greenpeace abriram um olho gigante em Valência, Espanha, onde está prestes a realizar-se o julgamento mais perigoso de que há memória na Europa contra um protesto climático pacífico: 11 ativistas da Greenpeace poderão ser condenados a até 5 anos de prisão por um protesto não violento contra os combustíveis fósseis, os principais causadores das alterações climáticas. Se isto acontecer, Espanha tornar-se-á um dos poucos países onde ativistas da Greenpeace foram encarcerados, após o vergonhoso precedente da Rússia de Putin em 2013.</strong></p>

<p>&nbsp;</p>

<div id="attachment_2736" class="wp-caption alignnone" style="max-width: 740px;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-2736 size-medium" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px-730x486.jpg" alt="" width="730" height="486" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px-730x486.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px-500x333.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px-768x512.jpg 768w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px.jpg 800w" sizes="(max-width: 730px) 100vw, 730px" /><p class="wp-caption-text wp-caption-media">Ativistas da Greenpeace seguram duas faixas com o lema «Activism is not a crime» (O ativismo não é um crime) em frente ao Hemisfèric de Valência. 21 de setembro de 2026.</p></div>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
<p>Uma íris de 26 metros de diâmetro, desdobrada sobre a cúpula do edifício do Hemisfèric, evidencia o alarme dos movimentos sociais perante o aumento da repressão contra defensores ambientais e dos direitos humanos: esta é a acusação mais grave contra ativistas climáticos na UE!</p>



<p>&nbsp;</p>

<h3 class="wp-block-heading"><strong>Os factos</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Os factos remontam a outubro de 2021, quando o nosso navio <em>Esperanza</em> entrou no porto de Sagunto (Valência, Espanha) para denunciar a chegada de um navio vindo dos EUA carregado com um dos combustíveis fósseis mais perigosos para o clima: o metano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após várias horas de resistência pacífica, a Guarda Civil abordou o nosso navio, cortou as âncoras e levou-nos para o porto.</p>

<p>&nbsp;</p>

<h3 class="wp-block-heading"><strong>O nunca visto desde a Rússia de Putin</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Agora, após cinco anos de incerteza, o Ministério Público pede uma pena de 5 anos para 11 pessoas por um alegado crime de perturbação da ordem pública agravada. Se forem condenados, Espanha tornar-se-á um dos poucos países onde ativistas da Greenpeace foram encarcerados: a última vez que se viu algo semelhante foi na Rússia em 2013, quando 30 ativistas foram detidos numa prisão siberiana durante meses após serem sequestrados pelo exército de Putin em águas internacionais, também por protestarem contra os combustíveis fósseis. Naquela ocasião, sem julgamento.</p>

<div id="attachment_2736" class="wp-caption alignnone" style="max-width: 740px;"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-2736" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px-730x486.jpg" alt="" width="730" height="486" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px-730x486.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px-500x333.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px-768x512.jpg 768w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px.jpg 800w" sizes="(max-width: 730px) 100vw, 730px" /><p class="wp-caption-text wp-caption-media">Ativistas da Greenpeace seguram duas faixas com o lema «Activism is not a crime» (O ativismo não é um crime) em frente ao Hemisfèric de Valência. 21 de setembro de 2026.</p></div>
<!-- /wp:post-content -->

<!-- wp:paragraph /-->
<p>&nbsp;</p>
<!-- wp:heading {"level":3} -->
<h3 class="wp-block-heading"><strong>Amnistia Internacional e relatores da ONU acompanham o caso</strong></h3>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O caso é tão preocupante que a Amnistia Internacional está a acompanhar o processo, e o Relator Especial das Nações Unidas sobre os defensores do ambiente, Michel Forst, desloca-se nestes dias a Valência para ouvir os ativistas, assistir ao julgamento na qualidade de observador e apresentar as suas diretrizes sobre o direito ao protesto ambiental pacífico e à desobediência civil.</p>
<div id="attachment_2735" class="wp-caption alignnone" style="max-width: 740px;"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-2735" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBG_Low-res-with-credit-line-800px-730x486.jpg" alt="" width="730" height="486" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBG_Low-res-with-credit-line-800px-730x486.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBG_Low-res-with-credit-line-800px-500x333.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBG_Low-res-with-credit-line-800px-768x512.jpg 768w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBG_Low-res-with-credit-line-800px.jpg 800w" sizes="(max-width: 730px) 100vw, 730px" /><p class="wp-caption-text wp-caption-media">Ativistas da Greenpeace a prepararem-se para desdobrar a faixa com um olho em cima do edifício do Hemisfèric, em Valência. 21 de setembro de 2026. Foto de Pedro Armestre.</p></div>
<div id="attachment_2738" class="wp-caption alignnone" style="max-width: 740px;"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-2738" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBH_Low-res-with-credit-line-800px-730x486.jpg" alt="" width="730" height="486" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBH_Low-res-with-credit-line-800px-730x486.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBH_Low-res-with-credit-line-800px-500x333.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBH_Low-res-with-credit-line-800px-768x512.jpg 768w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBH_Low-res-with-credit-line-800px.jpg 800w" sizes="auto, (max-width: 730px) 100vw, 730px" /><p class="wp-caption-text wp-caption-media">Ativistas a desdobrar a faixa gigante no Hemisfèric de Valência. 21 de setembro de 2026. Foto de Virginia Rabal.</p></div>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph /-->
<p>&nbsp;</p>
<!-- wp:heading {"level":3} -->
<h3 class="wp-block-heading"><strong>Enquanto isso, o planeta está em chamas</strong></h3>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O paradoxo é que isto ocorre justamente no ano em que o nosso planeta quebrou todos os limites de temperatura alguma vez registados, com ondas de calor que causam dezenas de milhares de mortes só na Europa, incêndios que devastam milhares de hectares, oceanos transformados num caldo, secas históricas que drenaram os grandes rios europeus e uma perda galopante de biodiversidade. E, ao mesmo tempo, o grupo de pessoas de ultra-ricas e empresas multimilionárias saqueiam os nossos recursos em benefício próprio.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Enquanto eles planeiam os seus refúgios na Nova Zelândia ou em Marte, as pessoas que se arriscam todos os dias para enfrentar a injustiça podem perder cinco anos das suas vidas atrás das grades.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>O mundo está a observar. Não nos vão calar. O ativismo não é um crime.</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Preços dos transportes públicos atingem novos máximos em metade das capitais europeias</title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/noticias/precos-dos-transportes-publicos-atingem-novos-maximos-em-metade-das-capitais-europeias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Farias Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 08:55:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Emergência Climática]]></category>
		<category><![CDATA[Lisboa]]></category>
		<category><![CDATA[mobilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Passe Ferroviário Verde]]></category>
		<category><![CDATA[portugal]]></category>
		<category><![CDATA[transportes]]></category>
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					<description><![CDATA[&#160; Lisboa, 17 de setembro de 2026 &#8211; Os preços dos passes de transportes públicos aumentaram significativamente em 14 capitais europeias nos últimos três anos, revela um novo relatório da Greenpeace Central and Eastern Europe (CEE), que analisou a disponibilidade e a acessibilidade dos passes mensais e anuais de transporte público nos 27 países da [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Portugal sobe nove posições no ranking europeu, do 17.º para o 8.º lugar, impulsionado pela introdução do Passe Ferroviário Verde</strong></li>



<li><strong>Lisboa sobe três lugares e ocupa agora a 12.ª posição entre as capitais analisadas</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
<p><strong>Lisboa, 17 de setembro de 2026</strong> &#8211; Os preços dos passes de transportes públicos aumentaram significativamente em 14 capitais europeias nos últimos três anos, revela um <a href="https://greenpeace.at/uploads/2026/09/greenpeace-climate-ticket-ranking-2026.pdf">novo relatório da Greenpeace Central and Eastern Europe (CEE)</a>, que analisou a disponibilidade e a acessibilidade dos passes mensais e anuais de transporte público nos 27 países da União Europeia, Reino Unido, Suíça e Noruega, bem como nas respetivas capitais. [1]</p>



<p class="wp-block-paragraph">As capitais mais caras são Londres (162 euros por mês), Amesterdão (107 euros) e Paris (77 euros). [2] Desde 2023, o maior aumento no preço dos passes de longa duração foi registado em Nicósia (+67%), seguindo-se Amesterdão (+55%), Madrid (+50%), Bratislava (+32%), Berlim (+29%) e Viena (+26%). Os preços aumentaram também significativamente em Copenhaga (+18%), Bucareste (+17%), Vilnius (+10%), Bruxelas (+10%), Londres (+10%), Estocolmo (+9%), Paris (+8%) e Helsínquia (+5%).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Greenpeace analisou igualmente a acessibilidade e disponibilidade de passes nacionais universais de transporte público, que permitem utilizar comboios e outros transportes públicos por um preço fixo e acessível. Apenas oito dos 30 países analisados disponibilizam algum tipo de “passe climático”. No entanto, na Alemanha e na Áustria, os preços destes passes aumentaram quase 30% desde a sua introdução.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na União Europeia, os bilhetes de transporte público estão sujeitos, em média, a uma taxa de IVA de 11%, superior à aplicada a vários bens e serviços essenciais. [3] Sete países aumentaram mesmo o IVA aplicado aos bilhetes de transporte público desde 2023.</p>
<p>&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Portugal sobe do 17.º para o 8.º lugar</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Portugal é, a par da Eslovénia, um dos países que mais melhorou desde a primeira análise realizada pela Greenpeace, em 2023. Com <strong>56 pontos em 100</strong>, o país subiu nove posições no ranking, passando do 17.º para o <strong>8.º lugar</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o relatório, esta evolução deve-se à introdução do <strong>Passe Ferroviário Verde</strong>, disponível apenas para residentes em Portugal, que custa 20 euros por mês e é válido na maioria dos serviços ferroviários do país, podendo ser adquirido por períodos de 30, 60 ou 90 dias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O relatório assinala, contudo, que o passe está limitado ao transporte ferroviário. Refere ainda que, a 21 de agosto, o Governo português anunciou que, a partir da terceira semana de setembro, o Passe Ferroviário Verde passaria a abranger todos os serviços urbanos da CP em Lisboa e no Porto e, posteriormente, a Linha da Fertagus, mantendo-se o preço de 20 euros mensais. O título não prevê descontos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portugal obteve ainda pontuação pela aplicação da taxa reduzida de <strong>IVA de 6% aos transportes públicos</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lisboa também melhorou a sua posição. A capital portuguesa obteve <strong>83,86 pontos em 100 e ocupa o 12.º lugar</strong>, uma subida de três posições face ao ranking anterior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Excluindo as cidades onde os transportes públicos são gratuitos para toda a população, <strong>Lisboa é a única cidade analisada onde os jovens entre os 4 e os 23 anos, inclusive, podem viajar gratuitamente</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os residentes em Lisboa com 65 ou mais anos podem igualmente viajar gratuitamente, enquanto outros passageiros seniores beneficiam de um desconto de 50%. Desde 2025, as pessoas desempregadas de longa duração elegíveis beneficiam de um desconto de 25% e as pessoas com deficiência elegíveis de um desconto de 50%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O preço do passe mensal regular em Lisboa <strong>manteve-se inalterado desde 2023</strong>. Segundo o relatório, o alargamento dos apoios sociais contribuiu para a subida de três posições da capital portuguesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Para Toni Melajoki Roseiro </strong>“A subida de Portugal neste ranking mostra que boas políticas públicas fazem a diferença. O Passe Ferroviário Verde foi um passo importante, mas um passe acessível não chega se a rede não permitir às pessoas deixar o carro em casa. <strong>O Diretor da Greenpeace Portugal</strong> afirma que ´O país precisa de transportes públicos mais frequentes, acessíveis e verdadeiramente integrados em todo o território. Essa é uma escolha que melhora a vida das pessoas, reduz desigualdades e, ao mesmo tempo, corta emissões e a nossa dependência dos combustíveis fósseis.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já<strong> Ana Farias Fonseca, Coordenadora de Campanhas da Greenpeace Portugal,</strong> acrescenta que “A Greenpeace apela aos governos nacionais e locais para que introduzam “passes climáticos” acessíveis para os transportes públicos, como forma de reduzir os custos para as famílias, combater o aumento das emissões dos transportes rodoviário e aéreo dependentes do petróleo e reduzir a dependência da União Europeia dos combustíveis fósseis, vulnerável às oscilações de preços e às perturbações das cadeias globais de abastecimento.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">A organização apela também à Comissão Europeia para que apoie os esforços nacionais para a criação destes passes, tendo em vista a introdução de um futuro <strong>passe climático europeu</strong>, e para que condicione instrumentos de financiamento, como o Fundo Social em matéria de Clima, à implementação de passes climáticos, estabelecendo também metas de acessibilidade económica para os Estados-Membros.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Herwig Schuster, especialista em transportes da Greenpeace Central and Eastern Europe, afirma: </strong>“Numa altura em que as famílias enfrentam o aumento do custo de vida e a Europa sofre com níveis recorde de calor e seca, é inaceitável que os transportes públicos continuem fora do alcance de tantas pessoas. Os transportes rodoviário e aéreo são os principais responsáveis pelo consumo de petróleo na Europa, mas os governos continuam a tornar os comboios limpos menos acessíveis do que deveriam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As perturbações em torno do Estreito de Ormuz, bem como as guerras no Médio Oriente e na Ucrânia, expuseram a vulnerabilidade da Europa aos choques nos preços dos combustíveis fósseis e às perturbações das cadeias globais de abastecimento. Se os nossos governos levam a sério a soberania energética, a segurança e a ação climática, têm de reduzir a sua dependência do petróleo. Introduzir passes climáticos acessíveis para os transportes públicos é uma das formas mais rápidas de reduzir as emissões, diminuir a dependência dos combustíveis fósseis e apoiar o dia a dia das pessoas.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Numa nota positiva, os preços dos passes de transporte público de longa duração diminuíram desde 2023 em quatro capitais europeias: Dublin (-42,5%), Oslo (-11,5%), Berna (-6,6%) e Budapeste (-5,8%), mantendo-se ao mesmo nível em outras 12 capitais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde 2023, mais dois países — Espanha e Eslovénia — introduziram alguma forma de passe nacional de transporte público. Ainda assim, apenas oito dos 30 países europeus analisados [4] oferecem transportes públicos gratuitos ou passes universais de longa duração a preços acessíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Luxemburgo, Malta e Eslovénia obtêm os melhores resultados, enquanto Finlândia, Grécia e Noruega apresentam os piores desempenhos no que diz respeito à acessibilidade económica e disponibilidade dos passes nacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os transportes representam uma parcela significativa das despesas das famílias europeias. O aumento dos gastos com combustíveis fósseis e com as necessidades de mobilidade reduz, assim, os recursos disponíveis para outras despesas não relacionadas com energia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os transportes são o único setor da União Europeia onde as emissões de gases com efeito de estufa estão a aumentar, sobretudo devido aos veículos movidos a combustíveis derivados do petróleo e à aviação. São também o principal responsável pelo consumo de petróleo: <strong>65% do petróleo utilizado nos transportes na União Europeia</strong> é referido no relatório como indicador da forte dependência do setor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os governos europeus, apesar das crises energética, climática e do custo de vida, têm demorado a introduzir medidas que respondam aos desafios da mobilidade e dos transportes. Para a Greenpeace, num contexto de instabilidade geopolítica e de sucessivos choques energéticos, a falta de ação nesta área não representa apenas uma falha das políticas climáticas e sociais, mas também das políticas económicas e de segurança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Notas aos jornalistas:</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>[1]</strong> A Greenpeace analisou os preços, a disponibilidade e a inclusão dos passes de transporte público de longa duração &#8211; mensais e anuais &#8211; em 30 países europeus (os 27 Estados-Membros da União Europeia, Noruega, Reino Unido e Suíça) e nas respetivas capitais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram considerados oito critérios. Cinco aplicados aos países: (1) disponibilidade de passes mensais e anuais permanentes; (2) preço dos passes de longa duração; (3) abrangência dos passes, incluindo alcance regional e meios de transporte incluídos, como autocarros, elétricos, metro e comboios; (4) inclusão, através de reduções de preço para grupos vulneráveis; e (5) IVA aplicado aos bilhetes de transporte público.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Três critérios adicionais incidiram especificamente sobre as capitais: (6) disponibilidade de passes de longa duração; (7) respetivo preço; e (8) descontos destinados a grupos vulneráveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base num sistema de pontuação de <strong>0 a 100 pontos</strong> aplicado a cada critério, foram elaborados os rankings dos países e das capitais. Para tornar comparáveis os preços entre diferentes moedas e países, estes foram ajustados ao índice do nível de preços e às taxas de câmbio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Greenpeace realizou a primeira análise das capitais e países europeus em 2023. O novo relatório permite acompanhar as alterações verificadas desde então nos preços e na disponibilidade dos passes de transporte público.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>[2]</strong> Os preços apresentados resultam do ajustamento dos preços locais ao Índice do Nível de Preços (<em>Price Level Index</em> – PLI) de cada país.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>[3]</strong> Em seis países da União Europeia, a taxa normal de IVA &#8211; a mais elevada aplicada no respetivo país &#8211; incide tanto sobre os transportes públicos como sobre bens de luxo: Roménia, Bulgária, Estónia, Eslováquia, Croácia e Hungria.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>[4]</strong> Luxemburgo, Malta, Eslovénia, Áustria, Alemanha, Hungria, Espanha e Suíça.</p>



<h3 class="wp-block-heading"> </h3>
<h3 class="wp-block-heading"><strong>Contactos para entrevistas:</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Ana Farias Fonseca, Coordenadora de Campanhas e Mobilização da Greenpeace Portugal:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="mailto:afarias@greenpeace.org">afarias@greenpeace.org</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">913 913 343</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Contactos internacionais:</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Herwig Schuster, </strong>Especialista em transportes, Greenpeace Central and Eastern Europe<br />herwig.schuster@greenpeace.org<br />+43 664 4319214</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Marianne Lämmel, </strong>Responsável de Comunicação Europeia, Greenpeace Central and Eastern Europe<br />marianne.laemmel@greenpeace.org<br />+43 664 881 72206</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ONDE O ATIVISMO NOS LEVA</title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/noticias/onde-o-ativismo-nos-leva/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Catarina Canelas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Sep 2026 11:21:00 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://www.greenpeace.pt/?post_type=post_news&#038;p=2715</guid>

					<description><![CDATA[Neste verão, três voluntários da Greenpeace Portugal fizeram as malas e rumaram a Toledo, em Espanha, para participar no Campamento El Piélago, um encontro que juntou ativistas e voluntários em quatro dias de aprendizagem, partilha e contacto com a natureza. Ângelo Alves, Beatriz Coutinho e Maria António Gaspar (Sunua) contam-nos, na primeira pessoa, como foi [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Neste verão, três voluntários da Greenpeace Portugal fizeram as malas e rumaram a Toledo, em Espanha, para participar no Campamento El Piélago, um encontro que juntou ativistas e voluntários em quatro dias de aprendizagem, partilha e contacto com a natureza. Ângelo Alves, Beatriz Coutinho e Maria António Gaspar (Sunua) contam-nos, na primeira pessoa, como foi a experiência.</strong><strong>&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="2100" height="1400" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/CRZ02379-2100x1400.jpg" alt="" class="wp-image-2718" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/CRZ02379-2100x1400.jpg 2100w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/CRZ02379-730x487.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/CRZ02379-500x333.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/CRZ02379-768x512.jpg 768w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/CRZ02379-1536x1024.jpg 1536w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/CRZ02379-2048x1365.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 2100px) 100vw, 2100px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">“Tudo começou com um email: “Queres mudar o mundo este verão?”. E nós, em bom espírito Greenpeace, saltámos logo à oportunidade! Então lá fomos rumo a Madrid, de mochilas às costas e o passe do autocarro no bolso. Lá, juntámo-nos aos colegas espanhóis e seguimos num novo autocarro até ao nosso destino final: Campamento El Piélago, Toledo!&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chegámos sem saber bem o que nos esperava. Durante quatro dias, vivemos em cabanas no meio da natureza, rodeados pelo constante canto dos pássaros. Entre workshops e conversas, passámos os dias debaixo dos carvalhos, muitas vezes com as vacas a passear por perto. Falámos de tudo um pouco: ecologismo e justiça climática, habitação, antirracismo, feminismo e identidades queer e muito mais, através dos testemunhos e experiências de colegas de diferentes coletivos. Conhecemos percursos e histórias muito diferentes das nossas e percebemos que, apesar das diferenças linguísticas, culturais ou pessoais, havia muito mais a unir-nos do que a separar-nos. Voltámos para casa com novas ideias e ferramentas que certamente nos ajudarão a ser cada vez melhores ativistas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, claro, porque o ativismo também é diversão, tivemos direito a concertos, cinema ao ar livre e muitos momentos de convívio. Com pouca rede e sem wi-fi, desconectámos do exterior e conectámos uns com os outros. Entre passeios pelos arredores de El Piélago, mantas partilhadas no cinema, risos, conversas e alguma dança para espantar o frio, fomos criando memórias que não vamos esquecer tão cedo!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi só na despedida que percebemos o quanto aqueles quatro dias já nos faziam falta. Regressamos recheados de conhecimentos, memórias de bons momentos passados e a certeza de que, juntos, chegamos mais longe!”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ângelo Alves, Beatriz&nbsp; Coutinho, Maria António Gaspar (Sunua), voluntários da Greenpeace Portugal</strong></p>
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		<item>
		<title>Do SDR em Portugal ao Tratado Global dos Plásticos (porque reciclar não chega)</title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/noticias/do-sdr-em-portugal-ao-tratado-global-dos-plasticos-porque-reciclar-nao-chega/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Farias Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Sep 2026 13:23:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Modelo socioeconómico]]></category>
		<category><![CDATA[Plásticos]]></category>
		<category><![CDATA[plásticos]]></category>
		<category><![CDATA[portugal]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.greenpeace.pt/?post_type=post_news&#038;p=2710</guid>

					<description><![CDATA[A implementação do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR)/Volta, em abril, marca um momento histórico para a gestão de resíduos e para a economia circular em Portugal. Após anos de avanços e recuos, testemunhar a implementação de um sistema comprovado de recolha de embalagens é motivo de celebração. No entanto, como qualquer transformação estrutural, o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A implementação do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR)/Volta, em abril, marca um momento histórico para a gestão de resíduos e para a economia circular em Portugal. Após anos de avanços e recuos, testemunhar a implementação de um sistema comprovado de recolha de embalagens é motivo de celebração. No entanto, como qualquer transformação estrutural, o arranque revelou falhas práticas e conceptuais que não podem ser ignoradas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Greenpeace Portugal acompanhou de perto este início através de uma ação de recolha de dados promovida pela Rede de Voluntariado em diversas cidades do país durante 3 meses (de Lisboa ao Porto, passando por Évora, Abrantes e Braga). O objetivo foi testar a experiência real dos cidadãos no terreno e perceber o que está a funcionar e o que precisa de ser corrigido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das constatações mais imediatas e preocupantes da Rede de Voluntariado no terreno foi a <strong>falta de acessibilidade física às máquinas de depósito.</strong> Em múltiplos locais, as máquinas foram instaladas a alturas ou em plataformas que as tornam inacessíveis a pessoas em cadeiras de rodas ou com mobilidade reduzida. Um sistema de gestão de resíduos que cobra uma taxa a todos os consumidores tem de ser universal e garantir a igualdade de acesso, deixar cidadãos de fora por falhas de <em>design</em> e instalação é inaceitável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A par da acessibilidade, os registos dos voluntários apontam outras fragilidades logísticas do quotidiano:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Localização e sinalética</strong>: Muitas máquinas foram colocadas em pontos afastados da entrada principal dos estabelecimentos, como pisos inferiores de parques de estacionamento ou locais (“EcoSpots”) mal sinalizados.</li>



<li><strong>Dificuldades no reembolso</strong>: Identificou-se alguma confusão nos métodos de devolução. A associação frequente do reembolso a aplicações ou cartões de fidelização de grandes superfícies cria confusão, penalizando, por exemplo, jovens sem cartão ou cidadãos que pagam em dinheiro e não encontram alternativa de devolução em numerário no local.</li>



<li><strong>Operacionalidade e rejeições</strong>: Registaram-se situações pontuais de máquinas encravadas ou cheias, bem como rejeição recorrente de embalagens válidas na primeira tentativa de leitura.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A nível sistémico, as críticas mais profundas prendem-se com as escolhas legislativas do modelo. A <strong>exclusão do vidro</strong> do sistema de depósito, criticada por várias organizações ambientalistas, priva Portugal de alavancar o verdadeiro potencial da reutilização de garrafas. A isto soma-se a <a href="https://www.publico.pt/2026/04/29/azul/noticia/sistema-volta-metas-recolha-embalagens-afinal-descem-40-2026-2172730">revisão em alta da tolerância de metas de recolha</a> e o aparecimento de lacunas de mercado, como o <a href="https://sic.pt/sic-radical/noticias/2026-05-20-marca-portuguesa-lanca-garrafas-de-agua-de-31-litros-que-evita-taxa-da-volta--de-10-centimos--32caaad6?fbclid=IwVERDUAR7v81leHRuA2FlbQIxMABzcnRjBmFwcF9pZAwzNTA2ODU1MzE3MjgAAR6msrCKgJnrNH20uKZoD4tulU2kvtnSCkrHPEiqPm_ipaBfTwmX_TkLokf71A_aem_fvuzlASF1WweaktWSvmjHg#Echobox=1779287934">lançamento de garrafas de 3,1 litros</a> para contornar a taxa de 10 cêntimos aplicada até aos 3 litros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar destas falhas, a Greenpeace Portugal reconhece o potencial  do SDR/Volta . Os números de adesão falam por si: <a href="https://www.publico.pt/2026/07/10/azul/noticia/sistema-volta-recolheu-555-milhoes-embalagens-tres-meses-2181141">mais de 55,5 milhões de embalagens recolhidas nos primeiros três meses de funcionamento</a> mostram que a população portuguesa está recetiva, empenhada e pronta para adotar novos hábitos ecológicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os constrangimentos iniciais fazem parte do processo de adaptação de qualquer grande infraestrutura nacional e, por isso, estas falhas são corrigíveis desde que haja vontade política, fiscalização rigorosa e abertura por parte das entidades gestoras para ouvir a sociedade civil.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Contudo, é fundamental colocar este sistema na perspetiva correta: a reciclagem e a recolha de embalagens de uso único são abordagens necessárias, mas não resolvem por si só a crise global do plástico. </strong>Vivemos sufocados por uma produção desmedida de plástico descartável que contamina os oceanos, destrói ecossistemas e ameaça a saúde humana. É certo que o SDR é parte da solução para esta questão, mas precisamos de resolver o problema na origem.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>É por isso que a Greenpeace defende que o verdadeiro ponto de viragem passa pela aprovação de um Tratado Global dos Plásticos juridicamente vinculativo</strong>. Este Tratado deve fixar metas globais de redução drástica da produção primária de plástico e proibir os plásticos de uso único desnecessários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O SDR/Volta é um bom ponto de partida, mas a luta contra a poluição por plástico é global. Junta-te a nós e faz a diferença:<a href="http://greenpeace.pt/peticoes/plasticos."> assina a petição da Greenpeace pelo Tratado Global dos Plásticos</a> e exige um futuro melhor.<a href="https://www.greenpeace.pt/como-ajudar/peticoes/plasticos/?utm_source=gemini">&nbsp;</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ana Farias Fonseca, Coordenadora de Campanhas e Mobilização da Greenpecae Portugal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Relatório da UNEP sobre a ultrapassagem dos 1,5 °C deve ser um apelo urgente à ação climática</title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/noticias/relatorio-da-unep-sobre-a-ultrapassagem-dos-15-c-deve-ser-um-apelo-urgente-a-acao-climatica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Catarina Canelas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Sep 2026 11:42:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Clima]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.greenpeace.pt/?post_type=post_news&#038;p=2699</guid>

					<description><![CDATA[O Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) alertou que a temperatura global irá ultrapassar os 1,5 °C, provavelmente já nos próximos anos, atingindo níveis que irão agravar os impactos dos fenómenos meteorológicos extremos e intensificar os riscos das alterações climáticas. É por isso que a Greenpeace exige que os governos respondam com urgência, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) alertou que a temperatura global irá ultrapassar os 1,5 °C, provavelmente já nos próximos anos, atingindo níveis que irão agravar os impactos dos fenómenos meteorológicos extremos e intensificar os riscos das alterações climáticas. É por isso que a Greenpeace exige que os governos respondam com urgência, acelerando a transição para o abandono dos combustíveis fósseis e pondo fim à destruição das florestas, de forma a minimizar esta ameaça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar desta ultrapassagem temporária, mantém-se o compromisso global de limitar o aquecimento a 1,5 °C, tal como estabelecido no Acordo de Paris, reafirmado pelo <a href="https://www.icj-cij.org/case/187">Tribunal Internacional de Justiça </a>e adotado pela <a href="https://digitallibrary.un.org/record/4118331?ln=zh_CN&amp;v=pdf">Assembleia Geral das Nações Unidas.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.unep.org/news-and-stories/press-release/unep-world-set-cross-15degc-global-warming-can-still-limit-adapt-and">O novo relatório da UNEP</a>, <em>Limiting Overshoot</em> [Limitar a Ultrapassagem], apresenta uma trajetória designada por “ultrapassagem, pico e descida”, destinada a minimizar os impactos da ultrapassagem, permitir a adaptação aos mesmos e, posteriormente, regressar aos 1,5 °C. No entanto, mesmo no melhor cenário, em que os governos implementem plenamente e vão além dos atuais e futuros planos de ação climática, a UNEP afirma que o aumento da temperatura chegará ainda aos 1,8 °C antes de começar a descer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A UNEP sublinha que “não existem bons resultados se permanecermos acima dos 1,5 °C” e que devemos concentrar-nos em tornar esta ultrapassagem tão pequena e tão curta quanto possível. Isso dependerá das decisões tomadas hoje: uma ação climática rápida em todos os setores é simultaneamente “necessária e viável” para manter o aquecimento tão próximo quanto possível dos 1,5 °C até 2100.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="533" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP1SWD3Y_Low-res-800px.jpg" alt="" class="wp-image-2700" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP1SWD3Y_Low-res-800px.jpg 800w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP1SWD3Y_Low-res-800px-730x486.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP1SWD3Y_Low-res-800px-500x333.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP1SWD3Y_Low-res-800px-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Com uma linha vermelha simbólica entre a aldeia de Lützerath e a mina de lenhite a céu aberto de Garzweiler, na Renânia do Norte-Vestefália, ativistas da Greenpeace protestam contra a destruição da aldeia pela empresa de carvão RWE.<br></em>© Greenpeace</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que significa, na prática, ultrapassar os 1,5 °C?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2015, na conferência das Nações Unidas sobre o clima COP21, em Paris, cerca de 200 governos comprometeram-se a desenvolver esforços para limitar o aquecimento global a 1,5 °C e mantê-lo bem abaixo dos 2 °C até 2100.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora, em <a href="https://climate.copernicus.eu/global-climate-highlights-2024">2024, a temperatura média global tenha ultrapassado este objetivo pela primeira vez</a>, atingindo 1,6 °C acima dos níveis pré-industriais, isso não significou uma ultrapassagem de longo prazo do limite de 1,5 °C. Um único ano é apenas um indicador. O que importa é a tendência de longo prazo, medida através do <a href="https://www.un.org/en/climatechange/science/climate-issues/degrees-matter">aumento da temperatura ao longo de décadas </a>e não de meses ou anos isolados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, o termo <em>overshoot</em> &#8211; ultrapassagem &#8211; é cada vez mais utilizado para descrever<a href="https://www.carbonbrief.org/overshoot-exploring-the-implications-of-meeting-1-5c-climate-goal-from-above"> trajetórias futuras da temperatura</a> em que os 1,5 °C são temporariamente excedidos, seguindo-se posteriormente uma descida. As trajetórias de “ultrapassagem, pico e descida” fazem parte do novo conjunto de<a href="https://wcrp-cmip.org/explainer-scenarios-for-cmip7/"> cenários globais de emissões </a>que servirá de base aos próximos relatórios científicos sobre o clima do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), o organismo científico das Nações Unidas para o clima.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que diz o relatório da UNEP sobre evitar a ultrapassagem dos 1,5 °C?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a UNEP, &#8220;a ação global para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa tem sido demasiado lenta para impedir que as temperaturas ultrapassem os <a href="https://www.nature.com/articles/s41558-025-02246-9">1,5 °C “nos próximos anos</a>”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que diz respeito ao orçamento global de carbono, a partir de 2026 só poderão ser emitidas cerca de mais 130 Gt de CO₂ para termos sequer 50% de probabilidade de limitar o aquecimento global a 1,5 °C. Para permanecer dentro deste orçamento, as emissões de CO₂ teriam de diminuir continuamente em relação aos níveis de 2025 até chegarem a zero em pouco mais de seis anos, o que revela o enorme fosso existente entre os atuais níveis de emissões e aquilo que é necessário alcançar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, após décadas de “ação insuficiente”, a UNEP identifica três desafios para limitar a ultrapassagem da temperatura:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Reduzir as emissões e enfrentar os impactos;</li>



<li>Limitar o pico do aquecimento e gerir os riscos climáticos;</li>



<li>Manter a trajetória de descida das temperaturas e intensificar os esforços de adaptação.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A UNEP apela a uma resposta global que integre estas três fases interligadas. Primeiro, uma resposta imediata para abrandar a subida da temperatura, através de reduções profundas das emissões e de medidas urgentes destinadas a proteger as populações vulneráveis. Em segundo lugar, uma fase de resposta e contenção, centrada no reforço da resiliência climática. E, por último, uma terceira fase focada na construção de resiliência a longo prazo, com emissões líquidas negativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para isso, acrescenta a UNEP, são necessárias cooperação multilateral, financiamento climático e uma implementação eficaz das políticas governamentais, de modo a acelerar a transição para o abandono dos combustíveis fósseis, expandir as energias renováveis, reduzir as emissões de metano e proteger os solos, as florestas e os oceanos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais são as consequências de ultrapassar os 1,5 °C?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A UNEP alerta que, se continuarmos a adiar a ação, poderemos perder a possibilidade de regressar aos 1,5 °C e enfrentar “um mundo danificado sem precedentes”. Os impactos da ultrapassagem dos 1,5 °C seriam vastos e diversos, afetando os ecossistemas, os sistemas humanos e os sistemas económicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As sucessivas ondas de calor e os incêndios florestais que marcaram os chamados <a href="https://www.greenpeace.org/international/story/85664/why-the-unep-1-5c-overshoot-report-must-be-an-urgent-call-to-action-on-climate-change/">desastres naturais de 2026 </a>estão precisamente entre os impactos para os quais temos vindo a ser alertados. Num mundo que ultrapasse os 1,5 °C, este tipo de fenómenos tornar-se-á mais provável e poderá tornar-se mais grave nos próximos anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os impactos na criosfera estarão na linha da frente: perda de gelo marinho e de habitats no Ártico, perda de glaciares, degelo e degradação do permafrost. Estes efeitos terão consequências nos ecossistemas e nas comunidades a jusante que dependem sazonalmente da água proveniente do degelo.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="515" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU2CJJ_Low-res-800px.jpg" alt="" class="wp-image-2701" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU2CJJ_Low-res-800px.jpg 800w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU2CJJ_Low-res-800px-730x470.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU2CJJ_Low-res-800px-500x322.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU2CJJ_Low-res-800px-768x494.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>O glaciar Blomstrandbreen, em Ny-Ålesund, Svalbard.<br></em>© Christian Åslund / Greenpeace</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A perda de biodiversidade nos ecossistemas marinhos e terrestres, provocada pelas alterações no uso do solo e pela acidificação dos oceanos, terá repercussões na saúde humana e na segurança alimentar e hídrica, ao mesmo tempo que as cidades e as infraestruturas ficarão sob uma “pressão crescente” devido a fenómenos extremos e a outros impactos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A UNEP alertou ainda que alguns Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS) e cidades costeiras de baixa altitude poderão ficar parcial ou totalmente submersos devido à subida do nível do mar. Esta situação poderá colocar em causa a própria continuidade desses Estados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo isto, entre muitos outros impactos, obrigará as sociedades a adaptarem-se constantemente, levantando questões de justiça, poder e legitimidade política.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quão próximos estamos de ultrapassar o limite dos 1,5 °C?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://wmo.int/news/media-centre/new-report-suggests-more-global-temperature-records-ahead">A Organização Meteorológica Mundial (OMM) </a>alertou que é muito provável que a temperatura global ultrapasse temporariamente os 1,5 °C durante pelo menos um ano entre 2026 e 2030. A organização considera também provável que a média dos cinco anos entre 2026 e 2030 ultrapasse os 1,5 °C.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A UNEP afirma agora que o aquecimento global provocado pela atividade humana está a aproximar-se dos 1,4 °C e que as temperaturas globais têm aumentado cerca de 0,25 °C por década, havendo estudos recentes que apontam para um ritmo ainda mais acelerado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o IPCC, cada cinco anos de emissões elevadas acrescentam 0,1 °C ao pico de aquecimento. Mantendo-se estas tendências, o aquecimento global poderá atingir os 1,5 °C dentro de poucos anos, aproximadamente no final desta década.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ultrapassar os 1,5 °C poderá desencadear pontos de não retorno irreversíveis?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Existe a possibilidade de alguns dos impactos de uma ultrapassagem dos 1,5 °C serem irreversíveis, mesmo que, posteriormente, as temperaturas globais voltem a descer. O risco de atingir pontos de não retorno aumenta quanto mais elevada for a temperatura global e quanto mais tempo permanecermos acima dos 1,5 °C. Por isso, é fundamental limitar esta subida tanto quanto possível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as alterações irreversíveis está a possível desestabilização — isto é, o degelo e colapso — das grandes camadas de gelo da Antártida Ocidental e da Gronelândia, a degradação da floresta amazónica e a perturbação da Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC), o sistema de correntes oceânicas que ajuda a regular o clima ao transportar águas superficiais quentes para norte e águas profundas frias para sul.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São alterações que “remodelariam o mundo para sempre” e que poderão ocorrer abruptamente ou acumular-se ao longo do tempo, alerta a UNEP. Mesmo uma descida da temperatura global poderá coexistir com a continuação de alguns impactos, como a subida do nível do mar, o aquecimento dos oceanos, as perdas na criosfera e alterações regionais na precipitação, nas secas e nos fenómenos meteorológicos extremos.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="599" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU4UBO_Low-res-800px.jpg" alt="" class="wp-image-2702" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU4UBO_Low-res-800px.jpg 800w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU4UBO_Low-res-800px-730x547.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU4UBO_Low-res-800px-500x374.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU4UBO_Low-res-800px-768x575.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Durante uma atividade de campo com líderes Kayapó, a Greenpeace Brasil lançou uma campanha global em defesa da Amazónia, juntando forças com outras organizações em todo o mundo.<br></em>© Samara Souza / Greenpeace</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Colocar a equidade e a justiça no centro da resposta global às alterações climáticas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O relatório da UNEP reconhece claramente que a equidade e a justiça devem ocupar um lugar central nas estratégias destinadas a proteger as pessoas mais vulneráveis das alterações climáticas e a garantir uma transição justa para as comunidades e os trabalhadores, no âmbito dos esforços para assegurar um futuro habitável para todos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em última análise, os países desenvolvidos têm uma responsabilidade histórica e capacidade para agir “mais e mais depressa”. Devem garantir que uma transição justa para o abandono dos combustíveis fósseis permite que todas as comunidades beneficiem das energias renováveis e que ninguém seja prejudicado durante essa transição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como explica a Greenpeace International no seu <a href="https://www.greenpeace.org/static/planet4-international-stateless/2026/04/e4040a7b-a-just-transition-away-from-fossil-fuels.pdf">documento de orientação política,</a> uma transição justa é muito mais do que simplesmente substituir carvão, petróleo e gás por energias renováveis. É uma oportunidade para transformar os sistemas energético, de transportes, industrial e outros, tornando-os mais seguros e acessíveis, reduzindo as desigualdades, protegendo os ecossistemas e transferindo poder das elites e das empresas multimilionárias para as pessoas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Que medidas de mitigação climática são necessárias e qual é a importância da adaptação?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Embora o relatório da UNEP sublinhe a necessidade urgente de ação climática para limitar a ultrapassagem dos 1,5 °C, reconhece também que alguns impactos são inevitáveis e que será necessária uma combinação de mitigação — ação climática — e adaptação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mitigação e adaptação estão “fundamentalmente interligadas”, afirma a UNEP. A mitigação determinará a dimensão e a duração dos futuros riscos climáticos, enquanto a adaptação continua a ser essencial porque os impactos já estão a acontecer e algum aquecimento adicional é inevitável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mitigação determina o percurso e o destino; a adaptação determina quem consegue lá chegar. Os compromissos em matéria de financiamento, solidariedade duradoura e governação inclusiva devem estar estabelecidos muito antes de atingirmos o pico de aquecimento, em vez de serem improvisados em plena situação de crise.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="533" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU9SGQ_Low-res-800px.jpg" alt="" class="wp-image-2703" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU9SGQ_Low-res-800px.jpg 800w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU9SGQ_Low-res-800px-730x486.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU9SGQ_Low-res-800px-500x333.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU9SGQ_Low-res-800px-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Uma extensa linha de fogo atravessa uma floresta de pinheiros sob uma coluna de fumo escuro durante um incêndio florestal em Marcheprime, Gironda, França.<br></em>© Astrid Lagougine / Greenpeace</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Se ultrapassarmos os 1,5 °C, como podemos regressar a esse limite?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Atingir emissões líquidas zero &#8211; situação em que as emissões de CO₂ são compensadas pela remoção de CO₂ &#8211; é necessário para travar o aquecimento, juntamente com reduções profundas das emissões de metano e de outros poluentes climáticos de curta duração. É essencial agir cedo para limitar o pico de temperatura porque, quanto mais a temperatura subir, maior será a quantidade de CO₂ que terá de ser removida da atmosfera.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Reduções profundas das emissões de metano são igualmente vitais, uma vez que este gás contribui com cerca de 0,5 °C para o atual aquecimento global. Embora a UNEP reconheça os desafios associados à redução das emissões de metano, é evidente que não conseguiremos arrefecer o planeta enquanto a produção pecuária industrial continuar a expandir-se sem controlo, impulsionando emissões de metano com um elevado potencial de aquecimento, a desflorestação, a poluição da água potável e a extinção de espécies.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a análise da UNEP, será também necessário algum nível de remoção de dióxido de carbono (CDR). No entanto, a maioria das estratégias de CDR continua envolta em grande incerteza quanto à sua eficácia, capacidade de expansão, permanência, durabilidade, potenciais impactos adversos e aceitação social.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que é preciso fazer agora para evitar ou limitar a ultrapassagem dos 1,5 °C?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A caminho da Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro, e da conferência das Nações Unidas sobre o clima COP31, em novembro, os governos têm de reconhecer as conclusões deste relatório e demonstrar a intenção de acelerar uma transição justa. O limite de 1,5 °C é uma obrigação jurídica, política e moral. E o que importa agora é aquilo que fazemos hoje e amanhã, porque cada fração de grau conta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As ações essenciais a tomar agora são:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Reduzir de forma imediata e profunda as emissões, no âmbito de uma transição justa para o abandono dos combustíveis fósseis;</li>



<li>Proteger os oceanos e as florestas;</li>



<li>Proteger as pessoas mais vulneráveis e aquelas que têm menor responsabilidade pelas alterações climáticas.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Um clima estável no futuro exige mudança hoje.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Jasper Inventor</strong> é Diretor-Adjunto de Programas da Greenpeace International.<br><strong>Dr. Jerry Jose</strong> é Cientista Sénior da Unidade Científica da Greenpeace International (Universidade de Exeter, Reino Unido).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Inundação no Nepal: uma catástrofe humanitária e um alerta que não pode ser ignorado num mundo em sobreaquecimento</title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/meios-de-comunicacao/comunicados/inundacao-no-nepal-uma-catastrofe-humanitaria-e-um-alerta-que-nao-pode-ser-ignorado-num-mundo-em-sobreaquecimento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Catarina Canelas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 12:52:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Emergência Climática]]></category>
		<category><![CDATA[Nepal]]></category>
		<category><![CDATA[Tibete]]></category>
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					<description><![CDATA[A Greenpeace Sul da Ásia manifesta a sua profunda tristeza e solidariedade para com todas as pessoas afetadas pelas cheias catastróficas e pelo deslizamento de terras em Bhotekoshi, no distrito de Rasuwa, no Nepal. O nosso pensamento está com aqueles que perderam familiares e amigos, com quem continua desesperadamente à espera de notícias dos seus, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A Greenpeace Sul da Ásia manifesta a sua profunda tristeza e solidariedade para com todas as pessoas afetadas pelas cheias catastróficas e pelo deslizamento de terras em Bhotekoshi, no distrito de Rasuwa, no Nepal. O nosso pensamento está com aqueles que perderam familiares e amigos, com quem continua desesperadamente à espera de notícias dos seus, com as comunidades cujas casas e meios de subsistência foram destruídos e com todas as pessoas que trabalham no resgate de sobreviventes e na prestação de assistência.<br></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1040" height="693" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/2a2b45a3-nepal-floods.jpeg" alt="" class="wp-image-2691" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/2a2b45a3-nepal-floods.jpeg 1040w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/2a2b45a3-nepal-floods-730x486.jpeg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/2a2b45a3-nepal-floods-500x333.jpeg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/2a2b45a3-nepal-floods-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 1040px) 100vw, 1040px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Moradores observam casas parcialmente submersas em águas lamacentas após as cheias repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot, no Nepal, a 26 de agosto de 2026. Uma enorme inundação atingiu o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, a 26 de agosto, danificando estradas e infraestruturas elétricas, enquanto as autoridades procuravam avaliar a dimensão da destruição. © Prakash MATHEMA / AFP via Getty Images</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Centenas de pessoas estão desaparecidas e inúmeras casas foram destruídas. A dimensão e a rapidez desta catástrofe são assustadoras, sobretudo porque ocorre pouco mais de um ano depois de outra inundação devastadora ter atingido a mesma região. À medida que a crise climática se agrava, as comunidades na linha da frente enfrentam um risco crescente de serem atingidas por uma nova catástrofe quando ainda estão a tentar recuperar da anterior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que começou em Langtang Himal não termina ali. As cheias no Nepal ameaçam também centenas de comunidades situadas a jusante, incluindo na Índia. Os estados de Bihar e Uttar Pradesh estão agora em alerta máximo, uma vez que enfrentam cheias destrutivas quase todos os anos devido à sua proximidade com o Nepal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prioridade imediata tem de ser salvar vidas, encontrar as pessoas que continuam desaparecidas e garantir que as comunidades afetadas têm acesso a abrigo seguro, alimentos, água potável, cuidados de saúde e outros bens essenciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As equipas de resgate, as comunidades locais e as autoridades estão a trabalhar em condições extremamente difíceis. Com estradas e pontes danificadas e o fornecimento de eletricidade interrompido, chegar às comunidades afetadas e prestar a assistência essencial continua a ser um enorme desafio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Greenpeace apela à mobilização de todos os recursos disponíveis para a resposta de emergência e para a recuperação, com especial atenção às comunidades mais vulneráveis e às pessoas cujas casas, meios de subsistência e acesso a serviços essenciais foram afetados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os cientistas afirmam que ainda é demasiado cedo para determinar exatamente que papel desempenhou o aquecimento global neste episódio específico. No entanto, as investigações preliminares apontam para o colapso de um glaciar como causa, e a tendência mais ampla é inequívoca: <strong>um mundo em aquecimento está a aumentar o risco de catástrofes deste tipo.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://carbonmajors.org/">O aquecimento global, impulsionado sobretudo pelas emissões provenientes de combustíveis fósseis de apenas 32 empresas</a>, está a transformar rapidamente os Himalaias. Mesmo que seja possível limitar o aquecimento médio global a 1,5 °C, prevê-se que mais de um terço do volume de gelo dos glaciares da vasta região Hindu Kush-Himalaias desapareça ao longo deste século.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os glaciares estão a recuar, a neve e o gelo estão a derreter, o permafrost está a descongelar e as encostas das montanhas estão a tornar-se menos estáveis. Estas alterações estão a criar um ambiente mais perigoso, no qual cheias catastróficas, deslizamentos de terras e avalanches como esta têm maior probabilidade de ocorrer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada fração adicional de grau de aquecimento aumenta o perigo, enquanto as comunidades que menos contribuíram para causar a crise climática são aquelas que suportam os maiores custos humanos e financeiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses custos não devem recair sobre estas famílias, comunidades e governos de países que lutam para recuperar de uma catástrofe após outra. <strong>Não se trata simplesmente de </strong><a href="https://www.greenpeace.org/international/story/85518/natural-disasters-2026-heat-fires-oil-gas-climate-renewables/?_gl=1*163qv4p*_up*MQ..*_ga*OTYzMTk1OTc0LjE3ODc4MjgyODA.*_ga_94MRTN8HG4*czE3ODc4MjgyNzkkbzEkZzAkdDE3ODc4MjgyNzkkajYwJGwwJGgxMTE1MDgzNzU4"><strong>catástrofes naturais</strong></a><strong>.</strong> A crise climática tem sido impulsionada, em larga medida, pela <a href="https://www.ipcc.ch/report/ar6/wg3/downloads/report/IPCC_AR6_WGIII_SPM.pdf">extração</a> e queima de combustíveis fósseis, enquanto, ano após ano, as grandes petrolíferas internacionais registam lucros históricos e somos nós que pagamos o preço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os governos têm de responder a catástrofes como esta não apenas através da ajuda de emergência, mas também tomando medidas para prevenir as próximas: eliminando rapidamente os combustíveis fósseis, acelerando a transição global para as energias renováveis e a eletrificação, investindo na adaptação e na resiliência e fazendo com que os grandes poluidores contribuam para os custos dos danos que as suas atividades ajudaram a provocar.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>O novo Regulamento Europeu de Embalagens: um tímido passo em frente</title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/noticias/o-novo-regulamento-europeu-de-embalagens-um-timido-passo-em-frente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Catarina Canelas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 11:11:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Plásticos]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[embalagens]]></category>
		<category><![CDATA[plásticos]]></category>
		<category><![CDATA[regulamento europeu]]></category>
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					<description><![CDATA[A partir de hoje, aplica-se o novo Regulamento Europeu de Embalagens, um marco alcançado após anos de luta ambientalista, que uniformiza as regras a nível comunitário. Representa avanços importantes, como a proibição de plásticos desnecessários em frutas e legumes com menos de 1,5 kg, a eliminação de embalagens monodose na hotelaria e restauração e restrições [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A partir de hoje, aplica-se o novo Regulamento Europeu de Embalagens, um marco alcançado após anos de luta ambientalista, que uniformiza as regras a nível comunitário. Representa avanços importantes, como a proibição de plásticos desnecessários em frutas e legumes com menos de 1,5 kg, a eliminação de embalagens monodose na hotelaria e restauração e restrições à presença de substâncias tóxicas PFAS nas embalagens alimentares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, apesar de constituir um passo na direção certa, é uma resposta insuficiente perante a verdadeira dimensão da crise global de poluição por plástico.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="533" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/GP0STTZSC_Low-res-800px.jpg" alt="" class="wp-image-2634" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/GP0STTZSC_Low-res-800px.jpg 800w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/GP0STTZSC_Low-res-800px-730x486.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/GP0STTZSC_Low-res-800px-500x333.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/GP0STTZSC_Low-res-800px-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A intensa pressão das empresas petroquímicas e do lobby das embalagens conseguiu enfraquecer o texto inicialmente proposto em Bruxelas, impondo prazos excessivamente longos, que adiam algumas metas obrigatórias para os próximos anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, foi introduzida uma<strong> “cláusula de escape”</strong> que permite aos Estados-membros pedir uma isenção da obrigação de criar um sistema de depósito e reembolso caso atinjam, em 2026, uma taxa de recolha seletiva igual ou superior a 80% das embalagens abrangidas e apresentem à Comissão Europeia um plano que garanta uma taxa de 90% até 2029.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="2100" height="1179" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/04/IMG_2237-2100x1179.jpg" alt="" class="wp-image-2192" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/04/IMG_2237-2100x1179.jpg 2100w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/04/IMG_2237-730x410.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/04/IMG_2237-500x281.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/04/IMG_2237-768x431.jpg 768w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/04/IMG_2237-1536x862.jpg 1536w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/04/IMG_2237-2048x1150.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 2100px) 100vw, 2100px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em Portugal, no entanto, o Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) já é uma realidade. <a href="https://www.greenpeace.pt/noticias/portugal-e-o-sistema-de-deposito-e-reembolso-sdr-finalmente-uma-realidade/">Entrou em funcionamento a 10 de abril de 2026 </a>e abrange embalagens de bebidas de utilização única integradas no sistema. Por cada embalagem abrangida é cobrado um depósito de 10 cêntimos, que é devolvido ao consumidor quando entrega a embalagem num ponto de recolha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O período de transição terminou a 9 de agosto. A partir de agora, as bebidas abrangidas pelo SDR só podem ser comercializadas em embalagens integradas no sistema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As metas estão também definidas: recolher 70% das embalagens colocadas no mercado até ao final de 2026, 80% até ao final de 2027 e 90% até ao final de 2029.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A implementação do SDR é um passo importante para aumentar a recolha e a reciclagem das embalagens de bebidas em Portugal. Mas não resolve, por si só, o problema do plástico descartável. Recuperar mais embalagens depois de utilizadas é essencial, mas é igualmente necessário reduzir a quantidade de embalagens de utilização única que colocamos no mercado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também não podemos permitir que nos enganem com falsas alternativas ecológicas cujo único objetivo é manter intacto o modelo de negócio do “usar e deitar fora”.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="600" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/GP0STSKK6_Low-res-800px.jpg" alt="" class="wp-image-2635" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/GP0STSKK6_Low-res-800px.jpg 800w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/GP0STSKK6_Low-res-800px-730x548.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/GP0STSKK6_Low-res-800px-500x375.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/GP0STSKK6_Low-res-800px-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Substituir o plástico por tabuleiros descartáveis de papel, cartão, madeira ou bioplásticos continua a implicar consumo de matérias-primas, água e energia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A verdadeira sustentabilidade não passa por mudar apenas o material de que é feito o resíduo, mas por transformar o modelo, apostando na redução, na reutilização e em recipientes retornáveis, laváveis e reutilizáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O novo regulamento europeu representa um avanço e Portugal deu um passo importante com a entrada em funcionamento do SDR. Mas é preciso ir mais longe. A resposta à crise do plástico não pode limitar-se a recolher e reciclar melhor aquilo que produzimos. É necessário reduzir a produção de plástico, acabar com embalagens desnecessárias e abandonar progressivamente a cultura do descartável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É isso que a Greenpeace exige também a nível global: um Tratado Global sobre Plásticos forte e juridicamente vinculativo, que reduza obrigatoriamente em pelo menos 75% a produção de plástico virgem até 2040, acabe com o plástico de utilização única desnecessário, elimine substâncias químicas perigosas e acelere a transição para sistemas de reutilização e recarga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É tempo de agir com coragem e fechar, de uma vez por todas, a torneira do plástico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PELO OCEANO E PELA SAÚDE: QUEREMOS O FIM DA ERA DO PLÁSTICO!</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.greenpeace.pt/como-ajudar/peticoes/plasticos/">ASSINA A PETIÇÃO DA GREENPEACE</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Projeto Face-to-Face</title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/quem-somos/trabalha-connosco/face-to-face/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carmen Taberné Cabanillas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 10:11:22 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://www.greenpeace.pt/?page_id=2618</guid>

					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Onda de calor: os animais e as plantas também estão a “cozer”</title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/noticias/onda-de-calor-os-animais-e-as-plantas-tambem-estao-a-cozer/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Catarina Canelas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Aug 2026 10:01:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.greenpeace.pt/?post_type=post_news&#038;p=2588</guid>

					<description><![CDATA[O verão em Espanha já não é o que era. As ondas de calor extremo deixaram de ser uma anomalia para se tornarem uma realidade dura e sufocante que se repete ano após ano. No entanto, enquanto os seres humanos procuram refúgio, os nossos ecossistemas travam uma batalha desesperada pela sobrevivência. Quando falamos de calor [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O verão em Espanha já não é o que era. As ondas de calor extremo deixaram de ser uma anomalia para se tornarem uma realidade dura e sufocante que se repete ano após ano. No entanto, enquanto os seres humanos procuram refúgio, os nossos ecossistemas travam uma batalha desesperada pela sobrevivência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando falamos de calor extremo, há muitos aspetos a considerar. A saúde humana é fortemente afetada, mas a saúde da nossa flora e da nossa fauna também.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A fauna urbana enfrenta temperaturas letais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é preciso imaginar os glaciares do Polo Norte a derreterem: temos exemplos muito mais perto de nós.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Basta olhar para os telhados. Durante o verão, várias espécies da fauna urbana sofrem tanto como nós com o calor intenso. Os ninhos de andorinhões, andorinhas e pardais, instalados sob telhados de chapa ou cimento, atingem temperaturas letais. Devido ao stress térmico, muitas crias saltam do ninho antes de saber voar.<br></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1600" height="1120" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image3.png" alt="" class="wp-image-2591" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image3.png 1600w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image3-730x511.png 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image3-500x350.png 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image3-768x538.png 768w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image3-1536x1075.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">É provável que já tenhas encontrado uma cria de ave caída no passeio. Se quiseres ajudá-la, recolhe-a cuidadosamente, coloca-a numa caixa de cartão, deixa-a o mais tranquila possível e leva-a a um centro de recuperação de fauna.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muito importante: nunca lhe dês água diretamente no bico. As aves têm, atrás da língua, uma abertura chamada glote, que comunica diretamente com o sistema respiratório (os sacos aéreos). Se a água entrar por essa via, podem afogar-se facilmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A base da cadeia alimentar colapsa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com temperaturas muito elevadas, as abelhas deixam de recolher néctar porque passam o dia à procura de água para levar à colmeia e a bater as asas para ventilá-la, evitando que a cera derreta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O calor extremo faz também com que as plantas sequem prematuramente e fiquem sem néctar nem frutos. Sem insetos e sem plantas, a cadeia alimentar começa a colapsar desde a sua base.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1200" height="801" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image5.png" alt="" class="wp-image-2592" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image5.png 1200w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image5-730x487.png 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image5-500x334.png 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image5-768x513.png 768w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>As cidades tornam-se refúgio para a fauna</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O calor extremo seca fontes e linhas de água naturais, empurrando, por vezes, corços, raposas ou javalis para zonas urbanas em busca de água, aumentando o número de atropelamentos e de conflitos entre pessoas e animais.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1999" height="1333" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image6.jpg" alt="" class="wp-image-2593" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image6.jpg 1999w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image6-730x487.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image6-500x333.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image6-768x512.jpg 768w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image6-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1999px) 100vw, 1999px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Espécies que não conseguem fugir</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nalguns casos, como acontece com os anfíbios, o desaparecimento rápido das charcas temporárias devido à seca provoca a morte de rãs e sapos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No fundo do mar, os organismos que vivem fixos ao substrato também não conseguem migrar para águas mais frias. Gorgónias, corais e esponjas sofrem necroses e mortalidade em massa quando a temperatura da água permanece elevada durante longos períodos.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1600" height="1062" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image4.png" alt="" class="wp-image-2594" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image4.png 1600w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image4-730x485.png 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image4-500x332.png 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image4-768x510.png 768w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image4-1536x1020.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A tropicalização pode soar bem, mas é um problema</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">À medida que a temperatura da água aumenta, os peixes deslocam-se para águas mais frias, mais a norte ou para maiores profundidades. Um dos exemplos mais evidentes é o do atum-rabilho, que está a trocar as águas das Baleares pelas do mar Cantábrico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O aquecimento da água favorece também a chegada de espécies invasoras de origem tropical e promove a proliferação das medusas, cujas gónadas são estimuladas pela água quente, acelerando a sua reprodução e o crescimento das populações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, em anos de pouca chuva, a água do mar perde a barreira de água doce proveniente dos rios, aumentando a salinidade. Assim, as medusas encontram menos obstáculos para chegar às praias.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1280" height="720" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image2-1.png" alt="" class="wp-image-2595" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image2-1.png 1280w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image2-1-730x411.png 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image2-1-500x281.png 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image2-1-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Florestas submersas… e em risco</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A posidónia, uma verdadeira joia do Mediterrâneo, armazena CO₂, trava a erosão das praias e serve de berçário e refúgio para mais de mil espécies. No entanto, está a ser fortemente afetada pelas elevadas temperaturas da água.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se estas condições persistirem, estes prados marinhos poderão morrer, deixando as praias mais desprotegidas perante tempestades e temporais.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1279" height="853" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image7.png" alt="" class="wp-image-2596" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image7.png 1279w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image7-730x487.png 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image7-500x333.png 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/image7-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 1279px) 100vw, 1279px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">No norte, as florestas de algas vermelhas, adaptadas a águas frias, estão a recuar devido ao stress térmico, deixando dezenas de espécies de peixes e crustáceos sem alimento nem locais para desovar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O calor extremo não é apenas aquilo que sentimos quando saímos à rua. Está a transformar a identidade das nossas florestas, prados e mares, colocando em risco inúmeras espécies e também setores económicos que dependem da boa saúde destes ecossistemas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E agora, o que fazemos? Para além de nos protegermos do calor, é urgente agir contra as alterações climáticas, responsáveis pelo aumento da frequência e da intensidade dos fenómenos extremos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Maria Jose Caballero de la Vega,  Responsável de Campanhas da Greenpeace Espanha</strong></p>
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		<title>Antes que tudo seja cinza</title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/noticias/antes-que-tudo-seja-cinza/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Toni Melajoki]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 11:04:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Crescer com raízes divididas deu-me o privilégio de aprender a ler o mundo através das árvores. Parte da minha infância foi moldada pelas vastas, densas e silenciosas florestas da Finlândia, onde a natureza impõe uma escala de paciência e respeito absoluto. Mas o meu mapa afetivo completou-se em Portugal: nas serras esculpidas de Fafe, com [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Crescer com raízes divididas deu-me o privilégio de aprender a ler o mundo através das árvores. Parte da minha infância foi moldada pelas vastas, densas e silenciosas florestas da Finlândia, onde a natureza impõe uma escala de paciência e respeito absoluto. Mas o meu mapa afetivo completou-se em Portugal: nas serras esculpidas de Fafe, com o seu verde vigoroso e o pulsar granítico do Norte, e na envolvência quase mística da Serra de Sintra, onde o Atlântico abraça uma canópia densa e sussurrante. Foi no meio destes três ecossistemas tão distintos que aprendi a respirar e a compreender que uma floresta viva é o maior escudo que temos para proteger o futuro. Hoje, quando olho para o panorama florestal português, o sentimento é de profunda tristeza. Aqueles trilhos que na minha infância significavam biodiversidade, frescura e equilíbrio, transformaram-se, em grande parte do país, numa bomba-relógio de combustível pronta a arder. O fumo que rasga os céus de Portugal todos os verões não é apenas consequência da fatalidade meteorológica e climática, embora agrave o problema. Estamos na linha da frente da emergência climática. Na Península Ibérica, as secas prolongadas e as ondas de calor já não são exceções: são o novo normal alimentado por indústrias fósseis que continuam a lucrar enquanto o planeta sobreaquece. Contudo, o clima extremo apenas acende o rastilho que nós próprios plantámos. O verdadeiro drama português reside no desordenamento da paisagem.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="600" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/INCENDIO-1.jpg" alt="" class="wp-image-2573" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/INCENDIO-1.jpg 800w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/INCENDIO-1-730x548.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/INCENDIO-1-500x375.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/INCENDIO-1-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption class="wp-element-caption">Testeira, Vila Real. Cimeira do Alvão Dam. Alvão Mountain Range / Vila Real. A fire affected 6,000 hectares during the first half of August. Approximately 1,500 hectares were within Alvão Natural Park. Affected villages: Grama and Sirarelhos. The fire spread over 14 kilometers between Mascoselo (Mondim de Basto) and Samardã (Vila Pouca de Aguiar). </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O abandono crónico do mundo rural abriu espaço e à proliferação descontrolada de matagais e para a expansão massiva de monoculturas industriais, com o eucalipto à cabeça, desenhada para alimentar o lucro rápido das celuloses, em detrimento da segurança coletiva e do bem comum. Substituímos a complexidade rica de uma floresta biodiversa por autênticos &#8220;desertos verdes&#8221;, contínuos e altamente inflamáveis. A Sintra da minha infância, com o seu microclima húmido e vulnerável, ou as encostas de Fafe, enfrentam hoje uma pressão humana e ambiental sem precedentes porque perdemos a capacidade de gerir o território com uma visão de largo prazo. Perante isto, a resposta política tem sido lamentavelmente reativa. Existe uma obsessão pelo combate que secundariza a prevenção estrutural. Investem-se verdadeiras fortunas públicas em meios de extinção &#8211; aviões, helicópteros, viaturas pesadas -, o que, embora honre o esforço heróico dos operacionais no terreno, equivale a tentar apagar um vulcão com baldes de água. Politicamente, o combate é mediático e visível; o sucesso da prevenção é silencioso e invisível. Uma faixa de gestão de combustível bem executada ou o restauro de uma linha de água com espécies autóctones não geram títulos de jornal, mas salvam vidas e ecossistemas.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="600" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/INCENDIOO-2.jpg" alt="" class="wp-image-2574" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/INCENDIOO-2.jpg 800w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/INCENDIOO-2-730x548.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/INCENDIOO-2-500x375.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/INCENDIOO-2-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption class="wp-element-caption">Trancoso / Satao, Viseu. Portugal. October 05, 2025. This Greenpeace report analyses the evolution of the risk of forest fires in Portugal since 1867. It identifies how rural depopulation, an ageing population, the spread of eucalyptus plantations, land fragmentation and climate change have contributed to increasing the country’s vulnerability. The document also highlights the role of droughts and heatwaves in the spread of fires and warns of the growing human impact of these disasters, reflected in the rise in mortality in urban-forest interface areas.
Este relatório da Greenpeace analisa a evolução do risco de incêndios florestais em Portugal desde 1867. Identifica como o abandono rural, o envelhecimento da população, a expansão do eucalipto, a fragmentação da propriedade e as alterações climáticas contribuíram para aumentar a vulnerabilidade do território. O documento destaca ainda o papel das secas e das ondas de calor na propagação dos incêndios e alerta para o crescente impacto humano destas catástrofes, refletido no aumento da mortalidade em áreas de interface urbano-florestal.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">É precisamente por isso que a Greenpeace Portugal lançou, em parceria com o Centro de Estudos de Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra, um relatório inédito no nosso país. Pela primeira vez, uma análise reúne dados dos últimos 80 anos, permitindo olhar para o fogo em Portugal, não como uma sucessão de tragédias isoladas, mas como resultado de escolhas políticas, económicas e territoriais, acumuladas ao longo de décadas. Não o fizemos para acrescentar mais um documento à longa lista de diagnósticos esquecidos, mas para mostrar, com base científica, que o país já sabe demasiado para continuar a agir como se nada pudesse ser feito. O problema não está apenas no fogo que chega todos os verões; está no modo como deixámos o território preparado para arder.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="543" height="800" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/INCENDIO-3.jpg" alt="" class="wp-image-2575" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/INCENDIO-3.jpg 543w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/07/INCENDIO-3-500x737.jpg 500w" sizes="auto, (max-width: 543px) 100vw, 543px" /><figcaption class="wp-element-caption">Blazing forest fire, silhouetted tree in front of flames.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">É aqui que Portugal tem de escolher. Ou continua a gastar milhões a correr atrás das chamas, verão após verão, ou começa finalmente a investir na paisagem antes dela arder. Na Greenpeace defendemos que essa escolha passa por travar a expansão do eucaliptal não gerido, concluir o cadastro da propriedade e apoiar uma verdadeira reconversão do território, com florestas mais diversas, resilientes e adaptadas ao clima que já temos. Passa também por garantir que quem mais contribui para a crise climática e para modelos intensivos de exploração do território, ajuda a financiar a adaptação do país e o restauro ecológico das nossas serras. E passa, sobretudo, por valorizar quem ainda cuida da terra: pastores, pequenos agricultores e comunidades locais que conservam a água, protegem a biodiversidade e reduzem naturalmente o combustível florestal. Não podemos permitir que as próximas gerações cresçam a achar que o destino das florestas portuguesas é transformarem-se em cinza. De Sintra a Fafe, passando pelas memórias de resiliência que trago do Norte da Europa, o diagnóstico é claro: proteger a floresta é proteger a nossa biodiversidade e a nossa própria sobrevivência. Mas para isso, o poder político tem de deixar de investir apenas em apagar os fogos do presente e começar, finalmente, a plantar o futuro, antes que enfrentemos incêndios que já não conseguimos apagar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Toni Melajoki Roseiro, Diretor da Greenpeace Portugal</strong></p>
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