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		<title>Greenpeace alerta: ao ritmo atual, a meta de proteger 30% só será atingida daqui a 265 anos</title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/meios-de-comunicacao/comunicados/greenpeace-alerta-ao-ritmo-atual-a-meta-de-proteger-30-so-sera-atingida-daqui-a-265-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Catarina Canelas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 09:54:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Novo relatório propõe uma rede de santuários marinhos no Atlântico para proteger espécies ameaçadas e inverter esta tendência.&#160; Lisboa, 19 de outubro de 2026 &#8211; Um novo relatório da Greenpeace mostra que uma rede interligada de santuários marinhos no alto-mar do Atlântico poderia proteger rotas migratórias essenciais para as tartarugas-de-couro e abranger mais de 35% [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Novo relatório propõe uma rede de santuários marinhos no Atlântico para proteger espécies ameaçadas e inverter esta tendência.&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lisboa, 19 de outubro de 2026</strong> &#8211; <a href="https://www.greenpeace.org/static/planet4-international-stateless/2026/10/6aa7852b-greenpeace-international-well-connected-atlantic-30x30-english.pdf">Um novo relatório da Greenpeace </a>mostra que uma rede interligada de santuários marinhos no alto-mar do Atlântico poderia proteger rotas migratórias essenciais para as tartarugas-de-couro e abranger mais de 35% das zonas de risco associadas à pesca industrial.[1]</p>



<p class="wp-block-paragraph">O relatório é divulgado no dia em que começa, na Arménia, a 17.ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica (COP17), durante a qual será feita a primeira avaliação oficial dos progressos alcançados relativamente às metas globais acordadas. Entre estas está o compromisso de<strong> proteger 30% dos oceanos até 2030</strong>, considerado pelos cientistas o mínimo necessário para dar aos ecossistemas marinhos uma oportunidade de recuperação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os governos têm de agir urgentemente para reduzir a distância entre os compromissos assumidos e as medidas efetivamente implementadas. O novo relatório da Greenpeace revela que, ao ritmo atual, serão necessários 265 anos para garantir a proteção integral de 30% dos oceanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Este relatório demonstra que sabemos quais são as áreas do oceano que precisam de proteção urgente e que existem soluções concretas para as proteger. O que falta é vontade política para transformar os compromissos internacionais em ações concretas”,<strong> defende Toni Melajoki Roseiro.</strong> “O Mar dos Sargaços, uma das regiões identificadas, é um exemplo claro do que está em causa. Trata-se de um ecossistema fundamental para a biodiversidade do Atlântico, cuja proteção a Greenpeace Portugal tem vindo a defender. O nosso país tem a oportunidade e a responsabilidade de assumir um papel de liderança neste processo. É tempo de o Governo passar das palavras à ação e trabalhar para que o Mar dos Sargaços seja um dos primeiros santuários marinhos criados ao abrigo do Tratado Global dos Oceanos”,<strong> conclui o diretor da Greenpeace Portugal</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ana Farias Fonseca, Coordenadora de Campanhas e Mobilização do Greenpeace Portugal acrescenta:</strong> “A COP17 representa uma oportunidade crítica que os governos têm de aproveitar para acelerar a tomada de decisões e recuperar o tempo perdido. Não podemos aceitar um ritmo político que adiaria por séculos a proteção do oceano, do qual toda a vida na Terra depende. É por isso que apelamos à participação de todas as pessoas na nossa petição, exigindo que o Governo português assuma uma liderança firme na criação de santuários marinhos no alto-mar, em particular no Mar dos Sargaços, junto aos Açores. A força do envolvimento e ação de todas as pessoas é indispensável para pressionar os decisores a agir com a urgência que a situação exige.”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lukas Meus, responsável pela campanha dos oceanos da Greenpeace Internacional, afirma: </strong>“Este relatório revela a lentidão dos progressos feitos pelos governos na proteção dos oceanos. A criação de redes de santuários marinhos em alto-mar ajudaria os países a cumprir as metas globais de proteção dos oceanos e a compensar a falta de avanços até agora. Se não agirem, corremos o risco de chegar a um ponto em que já não haverá animais para proteger.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma rede interligada de santuários marinhos totalmente protegidos permitiria que espécies migratórias extraordinárias, como as baleias e as tartarugas, estivessem protegidas ao longo das suas deslocações, sem a ameaça de morrerem devido à pesca industrial ou de serem atingidas por navios de carga. Só assim poderão deslocar-se, alimentar-se e reproduzir-se em segurança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os representantes dos governos reunidos na Arménia têm de chegar a acordo sobre soluções ambiciosas que permitam recuperar o tempo perdido. A rede de santuários que propomos é precisamente o tipo de solução que os governos têm de implementar urgentemente se quiserem ter alguma possibilidade de cumprir as metas de proteção da biodiversidade.”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O relatório demonstra a importância de criar santuários marinhos totalmente protegidos, onde a pesca industrial seria proibida e o tráfego marítimo reduzido.</strong> Muitas das atuais áreas marinhas protegidas continuam a permitir práticas de pesca industrial destrutivas, comprometendo a sua eficácia na conservação da biodiversidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As tartarugas-de-couro estão entre os vertebrados marinhos mais ameaçados do planeta e encontram-se classificadas como vulneráveis na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).[2] Atualmente, não existem áreas totalmente protegidas ou com um elevado nível de proteção no alto-mar do Atlântico, deixando esta espécie exposta à ameaça da pesca industrial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O novo relatório da Greenpeace Internacional revela que, em 2025, os navios de pesca industrial passaram cerca de 1,6 milhões de horas a pescar no alto-mar do Atlântico, o equivalente a mais de 180 anos de atividade piscatória ininterrupta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Atualmente, apenas 3,5% dos oceanos do planeta estão totalmente protegidos ou beneficiam de um elevado nível de proteção contra atividades humanas destrutivas.[3]</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A rede proposta no novo relatório, intitulado <em>Well Connected</em>, abrangeria mais de 31% do alto-mar do Atlântico, ligando várias zonas de especial importância para a biodiversidade em águas internacionais. Permitiria ainda proteger quase 45% das zonas de risco de colisão entre navios e baleias-de-bossa, reduzindo significativamente esta ameaça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No relatório, a Greenpeace Internacional identifica 17 locais que devem ser transformados em santuários marinhos totalmente protegidos ao abrigo do Tratado Global dos Oceanos. Esta medida permitiria aumentar significativamente a área sob proteção e abranger regiões onde as espécies migratórias enfrentam maiores ameaças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os locais identificados encontram-se áreas marinhas protegidas já existentes, cujo nível de proteção teria de ser reforçado, bem como novas zonas que estão a ser estudadas pelos governos. Em conjunto, formariam uma rede de santuários marinhos protegidos que abrangeria mais de 31% do alto-mar do Atlântico.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Notas para os jornalistas:</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>[1] </strong><a href="https://www.greenpeace.org/static/planet4-international-stateless/2026/10/6aa7852b-greenpeace-international-well-connected-atlantic-30x30-english.pdf"><strong>Relatório </strong><strong><em>Well Connected</em></strong><strong>, Greenpeace Internacional</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.iucnredlist.org/species/6494/43526147"><strong>[2]</strong><strong> Classificação da tartaruga-de-couro na Lista Vermelha da UICN&nbsp;</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://mpatlas.org/mpaguide/"><strong>[3]</strong><strong> Marine Conservation Institute – MPA Atlas</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Contactos para entrevistas e mais esclarecimentos:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Catarina Canelas, Coordenadora de Comunicação da Greenpeace Portugal <a href="mailto:ccanelas@greenpeace.org">ccanelas@greenpeace.org</a> / 913 913 323</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ana Farias Fonseca, Coordenadora de Campanhas e Mobilização da Greenpeace Portugal <a href="mailto:ana.farias@greenpeace.org">ana.farias@greenpeace.org</a> / 913 913 343</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Informação adicional sobre o relatório:</strong></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>O relatório cruza as rotas migratórias das tartarugas-de-couro e das baleias-de-bossa no Atlântico com as zonas de maior risco de captura acidental e de colisão com navios, respetivamente, permitindo identificar as principais áreas de perigo para estas espécies.</li>



<li>São identificados 17 locais para a criação de santuários marinhos. Um deles abrange todas as áreas atualmente protegidas no alto-mar do Atlântico, que necessitam de passar a beneficiar de proteção integral. Cinco zonas &#8211; <strong>Mar dos Sargaços</strong>, Convergência Canárias-Guiné, Banana Hole, Elevação de Walvis e Zona de Fratura Equatorial do Atlântico &#8211; já estão a ser estudadas para proteção por governos, cientistas e organizações não governamentais. Dos restantes 11 locais identificados, oito já estão classificados como Áreas Marinhas Ecológica ou Biologicamente Significativas (EBSA).</li>



<li>O relatório utiliza o termo «santuário marinho» em conformidade com os padrões de proteção integral ou elevada definidos pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), recomendando a proibição da pesca industrial nestas áreas.</li>



<li>A criação de grandes redes de santuários marinhos permitirá proteger zonas essenciais de alimentação e reprodução, não apenas para baleias e tartarugas, mas também para mais de 800 outras espécies migratórias. A sobrevivência destas espécies depende de corredores migratórios seguros ao longo de todo o seu percurso, e não apenas de pequenas áreas protegidas isoladas.</li>



<li>Apenas 3,5% dos oceanos estão atualmente totalmente protegidos ou beneficiam de um elevado nível de proteção. Faltam, por isso, 26,5 pontos percentuais para atingir a meta dos 30%. Nos 34 anos decorridos desde a Cimeira da Terra do Rio de Janeiro, em 1992, quando os países acordaram pela primeira vez estabelecer redes de áreas marinhas protegidas para salvaguardar a biodiversidade marinha, a cobertura global de áreas totalmente protegidas ou com elevado nível de proteção aumentou, em média, apenas 0,1 ponto percentual por ano. A este ritmo, a comunidade internacional demoraria cerca de 265 anos a atingir os 30% de proteção dos oceanos.</li>
</ul>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>COP17 da CDB: o que significa proteger 30% do planeta?</title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/noticias/cop17-da-cdb-o-que-significa-proteger-30-do-planeta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Catarina Canelas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 14:50:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ao longo da costa do sul da Tailândia, nos distritos vizinhos de Chana e Thepa, há um nome para o troço de mar que começa logo depois da praia: Talae Na Baan, o “Mar à Porta de Casa”. O nome diz muito sobre a relação das comunidades de pesca artesanal que ali vivem com as [&#8230;]]]></description>
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<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="800" height="534" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0SU3SPU_Low-res-800px.jpg" alt="" class="wp-image-2787" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0SU3SPU_Low-res-800px.jpg 800w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0SU3SPU_Low-res-800px-730x487.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0SU3SPU_Low-res-800px-500x334.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0SU3SPU_Low-res-800px-768x513.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Greenpeace Thailand volunteers, coastal communities, government agencies, and partner organizations conduct a research sampling to improve its knowledge of the community-led marine protected areas (MPAs) development . <br><br>Sediment sampling includes (Macro and MeioBenthos), Zooplankton and juvenile fish, and evidence of overfishing. The findings will be utilized for further community engagement and the establishment of a collaborative networks involving communities, academics, and the government to create effective community- led MPAs.<br><br>The research is part of a month-long Rainbow Warrior ship tour under its Ocean Justice campaign, calling for the protection of marine biodiversity  and ocean justice.</em><br><br></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo da costa do sul da Tailândia, nos distritos vizinhos de Chana e Thepa, há um nome para o troço de mar que começa logo depois da praia: <em>Talae Na Baan</em>, o “Mar à Porta de Casa”. O nome diz muito sobre a relação das comunidades de pesca artesanal que ali vivem com as águas que as acompanham há gerações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mar põe comida na mesa e garante rendimento, mas também faz parte das histórias familiares, das memórias e do sentimento de pertença. Esta relação funciona nos dois sentidos: as comunidades criaram zonas onde a pesca é proibida, construíram recifes artificiais tradicionais <em>Zung-Kor</em>, que servem de abrigo à vida marinha, estabeleceram bancos de caranguejos para ajudar as populações a recuperar e monitorizam a saúde dos ecossistemas costeiros.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="800" height="537" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP1SWQ7R_Low-res-800px.jpg" alt="" class="wp-image-2788" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP1SWQ7R_Low-res-800px.jpg 800w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP1SWQ7R_Low-res-800px-730x490.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP1SWQ7R_Low-res-800px-500x336.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP1SWQ7R_Low-res-800px-768x516.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>The local people of Chana (Chana Rak Thin movement) walked to the Government House in Bangkok to ask the government to uphold their promise to pause the industrial project until environmental impact assessment is completed</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Khairiyah «Yah» Rahmanyah, filha de um pescador de Ban Suan Gong, em Chana, conhece bem esta relação. Cresceu com o mar a marcar quase todas as dimensões da sua vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">«A casa onde vivo, a roupa que uso, os meus sapatos, o uniforme da escola, as propinas, até a bicicleta e os brinquedos que tenho: tudo vem do mar. Toda a felicidade da minha vida, as boas memórias, cada história que me tornou na pessoa que sou, tudo vem do mar.»</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, Yah é uma jovem líder e comunicadora ambiental do movimento Chana Rak Thin. Cresceu a lutar ao lado da sua comunidade para proteger a costa do desenvolvimento industrial. Entre as ameaças estiveram um projeto de gasoduto, que punha em risco os ecossistemas locais e levou à detenção do seu pai após um protesto pacífico, e planos mais recentes para construir um porto de águas profundas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma paisagem muito diferente conta uma história semelhante. Na Amazónia brasileira, famílias Apurinã do Território Indígena Caititu, no estado do Amazonas, recorrem à agrofloresta para recuperar terrenos degradados, cultivar alimentos e plantas medicinais e manter vivo o conhecimento tradicional. Também aqui, a proteção da biodiversidade está profundamente ligada às pessoas que vivem no território e aos conhecimentos, direitos e modos de vida que o moldaram.<br></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="800" height="533" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0SU6MSZ_Low-res-800px.jpg" alt="" class="wp-image-2789" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0SU6MSZ_Low-res-800px.jpg 800w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0SU6MSZ_Low-res-800px-730x486.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0SU6MSZ_Low-res-800px-500x333.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0SU6MSZ_Low-res-800px-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption class="wp-element-caption">G<em>reenpeace Brazil conducted an aerial survey in the Amazon region to monitor deforestation and forest fires. The flight documented cattle ranches, deforested areas, and environmental destruction. Influencers were invited to join the survey, helping amplify the urgency of protecting the forest by sharing their experience and reactions.<br><br>O Greenpeace Brasil realizou um sobrevoo na região amazônica para monitorar desmatamento e focos de incêndio. Durante o voo, foram registradas fazendas de gado, áreas desmatadas e sinais de destruição ambiental. Influenciadores participaram da atividade, ampliando o alcance da mensagem ao compartilhar suas experiências e impressões sobre a importância de proteger a floresta.</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Chana e Caititu são lugares muito diferentes, mas levam-nos a uma pergunta que o mundo enfrenta agora à escala global: o que significa, na prática, proteger a natureza?</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>30×30: para lá dos números</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2022, os governos adotaram o Quadro Mundial para <a href="https://www.cbd.int/doc/decisions/cop-15/cop-15-dec-04-en.pdf">a Biodiversidade de Kunming-Montreal (KMGBF)</a>, que inclui o compromisso de proteger e conservar pelo menos 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta até 2030, bem como de assegurar a recuperação efetiva de pelo menos 30% dos ecossistemas degradados até ao mesmo ano. Em conjunto, estas metas 30×30 significam muito mais do que a área abrangida.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="534" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0SU70R7_Low-res-800px.jpg" alt="" class="wp-image-2791" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0SU70R7_Low-res-800px.jpg 800w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0SU70R7_Low-res-800px-730x487.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0SU70R7_Low-res-800px-500x334.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0SU70R7_Low-res-800px-768x513.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Greenpeace visited Caititu Indigenous Land, home of the Apurinã people in Lábrea, Amazonas, to document how Indigenous-led solutions protect the Amazon and its peoples. The mission was to expose the impacts of deforestation, cattle expansion, and wildfires — and to highlight practices that ensure forest conservation, well-being, and income generation.<br><br>O Greenpeace visitou a Terra Indígena Caititu, território do povo Apurinã em Lábrea (AM), para registrar como as soluções lideradas pelos povos indígenas protegem a Amazônia e suas populações. A missão foi expor os impactos do desmatamento, da expansão agropecuária e das queimadas — e evidenciar práticas que garantem conservação da floresta, bem viver e geração de renda.</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">No caso da conservação, isto significa que as áreas devem ser efetivamente conservadas e geridas, representativas do ponto de vista ecológico, interligadas e governadas de forma equitativa. Implica reconhecer, quando aplicável, os territórios indígenas e tradicionais, bem como reconhecer e respeitar os direitos dos Povos Indígenas e das comunidades locais. No caso da recuperação, significa ajudar os ecossistemas degradados a regenerarem-se de formas que reforcem a biodiversidade, a integridade ecológica e as funções dos ecossistemas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em ambos os casos, o financiamento de acesso direto é essencial para apoiar a conservação e a recuperação lideradas pelas comunidades e deve ser reconhecido como uma condição necessária para a aplicação bem-sucedida das metas para 2030 do KMGBF.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quatro anos depois, o desafio é transformar a promessa em realidade</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Este mês de outubro, os governos reúnem-se na Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade &#8211; a COP17 da CDB &#8211; em Yerevan, na Arménia, para fazer um balanço coletivo dos progressos na aplicação do quadro mundial para a biodiversidade. A conferência acontece num momento decisivo: a meio do caminho entre o acordo alcançado em 2022 e o prazo de 2030 para cumprir as suas 23 metas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso da meta 30×30, uma questão essencial é saber se estes compromissos vão garantir proteção e recuperação efetivas, e não apenas números num mapa. As áreas protegidas e conservadas têm de manter ecossistemas saudáveis e funcionais; os ecossistemas degradados precisam de ser efetivamente recuperados. Ambas as metas dependem do respeito pelos direitos e pela liderança dos Povos Indígenas e das comunidades locais. Haverá financiamento suficiente para apoiar a proteção e a conservação?</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="532" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0STXOXY_Low-res-800px-2.jpg" alt="" class="wp-image-2793" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0STXOXY_Low-res-800px-2.jpg 800w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0STXOXY_Low-res-800px-2-730x485.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0STXOXY_Low-res-800px-2-500x333.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/10/GP0STXOXY_Low-res-800px-2-768x511.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Portrait of Rosishae Lhemlhor at Suan Kong Beach. <br>Rosishae Lhemlhor  is part of  “Tao Kai,” a female fishers group in the coastal community in Chana, Songkhla, Thailand. <br>The group was formed with the aim to develop the community&#8217;s product, especially seafood, and to help improve the local economy, as well as lead the community in using sustainable fishing practices.</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Chana e Thepa mostram o que está em causa. As comunidades já gerem e recuperam os seus ecossistemas costeiros e procuram o reconhecimento formal das áreas que protegem. No entanto, sem um reconhecimento jurídico mais forte, estas zonas continuam vulneráveis ao desenvolvimento industrial. Cumprir a meta 30×30 significa, por isso, não só reconhecer as soluções lideradas pelas comunidades, mas também garantir que os seus direitos e sistemas de governação sejam reconhecidos e protegidos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que significa proteger na prática</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">No Território Indígena Caititu, as famílias Apurinã mostram outra dimensão do que pode significar proteger a biodiversidade. Caititu situa-se na fronteira de uma das principais frentes de desflorestação da Amazónia e está rodeado por uma pressão crescente da pecuária, do agronegócio, dos incêndios e da especulação fundiária. Ainda assim, grande parte da floresta mantém-se de pé e conserva, em larga medida, as suas funções ecológicas. Nas zonas degradadas, as comunidades recorrem à agrofloresta para ajudar a floresta a recuperar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 21 aldeias, existem atualmente 37 sistemas agroflorestais que combinam culturas como mandioca, banana, açaí, cupuaçu e plantas medicinais com a recuperação da floresta. Uma brigada indígena de combate aos incêndios ajuda a proteger o território durante a estação seca, enquanto mulheres e pessoas mais velhas transmitem às gerações mais jovens os seus conhecimentos sobre plantas, cultivo e práticas de cura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">«Com os Sistemas Agroflorestais, garantimos alimento e riqueza para as nossas mesas. O nosso conhecimento sobre o cultivo e os usos medicinais das plantas saiu reforçado», afirma Maria dos Anjos Apurinã, conhecida como a «Rainha dos Sistemas Agroflorestais».</p>



<p class="wp-block-paragraph">Caititu e Chana mostram o enorme valor acrescentado que a gestão dos ecossistemas sob controlo indígena e comunitário pode ter na prática. E já estão a surgir soluções semelhantes em várias partes do mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em todo o mundo, os Povos Indígenas e as comunidades locais já lideram soluções para proteger e recuperar os ecossistemas e a biodiversidade. O novo <strong>Mapa de Soluções Comunitárias Reais</strong> da Greenpeace é uma plataforma interativa que reúne algumas destas experiências e mostra como os direitos, a liderança comunitária, o apoio financeiro e ecossistemas saudáveis podem caminhar lado a lado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto os governos trabalham para tornar a meta 30×30 uma realidade, estas soluções merecem ser reconhecidas, apoiadas e servir de inspiração.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://maps.greenpeace.org/maps/gpint/solutions-storymaps/"><strong>Explore o Mapa de Soluções Comunitárias Reais</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Jaqueline Sordi, responsável de Comunicação da campanha de Florestas Tropicais da Greenpeace International.</em></strong></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Grandes cidades europeias (Lisboa incluída) correm o risco de ficar presas ao aquecimento a gás</title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/meios-de-comunicacao/comunicados/grandes-cidades-europeias-lisboa-incluida-correm-o-risco-de-ficar-presas-ao-aquecimento-a-gas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Catarina Canelas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Oct 2026 11:03:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[clima e energia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.greenpeace.pt/?post_type=post_releases&#038;p=2770</guid>

					<description><![CDATA[Greenpeace European Unit6 de outubro de 2026 Bruxelas &#8211; Estocolmo, Paris e Viena lideram um novo ranking de 15 grandes cidades europeias, que avalia a transição para abandonar o aquecimento a combustíveis fósseis. O estudo foi encomendado pela Greenpeace Central and Eastern Europe. O relatório surge numa altura em que os decisores políticos da União [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Greenpeace European Unit</strong><strong><br></strong><strong>6 de outubro de 2026</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Bruxelas</strong> &#8211; Estocolmo, Paris e Viena lideram um novo ranking de<a href="https://greenpeace.at/uploads/2026/10/gas-free-cities_--european-urban-heat-transition-report.pdf"> 15 grandes cidades europeias</a>, que avalia a transição para abandonar o aquecimento a combustíveis fósseis. O estudo foi encomendado pela Greenpeace Central and Eastern Europe.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O relatório</strong> surge numa altura em que os decisores políticos da União Europeia debatem as principais políticas para o futuro energético do bloco. Com a aproximação da época de aquecimento e a previsão de subida dos preços do gás, o relatório mostra que muitas cidades europeias continuam a investir em infraestruturas de gás e a manter a dependência do gás fóssil. Destaca também os benefícios concretos para as cidades e os seus habitantes onde a eliminação do aquecimento fóssil está mais avançada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Greenpeace apela à UE para que deixe de procurar <a href="https://www.politico.eu/article/eu-and-canada-to-announce-sweeping-new-partnership-pact/">novos acordos</a> para importar mais gás e se comprometa, em vez disso, a eliminar progressivamente o gás fóssil até 2035. A organização pede também à UE que desenvolva mecanismos de apoio para ajudar as cidades e os governos locais a acelerar a transição para energias renováveis acessíveis e descentralizadas, protegendo os habitantes de custos incomportáveis. O relatório aponta oportunidades nos planos da UE para a segurança energética, no novo orçamento e nas regras de governação da energia e da ação climática.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O gás fóssil alimenta fenómenos meteorológicos extremos, aumenta o custo de vida e ameaça a independência da Europa. O facto de tantas grandes cidades europeias continuarem a ter dificuldade em abandonar o aquecimento a gás deveria servir de alerta aos decisores políticos. A transição europeia para abandonar o gás fóssil será ganha ou perdida, em grande medida, a nível local. As cidades e os governos locais têm de acelerar essa transição, o que só será possível com um plano claro da UE para eliminar o gás fóssil e com apoio regulatório e financeiro direto, tanto da UE como dos governos nacionais”,<strong> afirmou Eszter Matyas, responsável pela campanha de energia da Greenpeace Central and Eastern Europe.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Estocolmo, Paris e Viena lideram o ranking, com um planeamento sólido a longo prazo, grandes investimentos em redes de aquecimento e fortes medidas de proteção social. Copenhaga e Amesterdão são classificadas como cidades em progresso: registam avanços claros, mas continuam muito dependentes das infraestruturas de gás fóssil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No grupo intermédio &#8211; Budapeste, Praga, Berlim, Varsóvia e Bruxelas &#8211; os resultados são variados. Algumas cidades têm melhor desempenho na governação; outras apresentam melhores resultados concretos. Todas, porém, estão condicionadas por planos de transição incompletos. No fundo do ranking, Atenas, Roma e Bucareste enfrentam lacunas fundamentais: elevada dependência dos combustíveis fósseis, planeamento incompleto para toda a cidade e mecanismos de execução frágeis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ranking mostra que, nas cidades analisadas, a principal falha já não está na ambição, mas na execução. Entre as prioridades para abandonar o aquecimento fóssil sem transferir os custos e os riscos para os habitantes, a Greenpeace destaca: definir uma data para eliminar este tipo de aquecimento; transformar os planos de aquecimento urbano em projetos concretos, com orçamentos e prazos; impedir a instalação de novas caldeiras a combustíveis fósseis; e dar prioridade às habitações ineficientes e às famílias em situação de pobreza energética.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O relatório reúne ainda estudos de caso que mostram benefícios concretos de projetos de renovação e de energias renováveis nas cidades analisadas. Projetos de bombas de calor, isolamento e energia solar em Paris, Viena e Madrid reduziram as faturas energéticas dos habitantes. Em Berlim e Amesterdão, centrais de conversão de eletricidade em calor e caldeiras elétricas ligadas a sistemas de armazenamento têm demonstrado resistência a choques nos preços dos combustíveis e no abastecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estocolmo e Copenhaga mostram como o aquecimento renovável pode reduzir a dependência das importações de combustíveis fósseis e reforçar a segurança energética. Em Varsóvia, o encerramento de uma caldeira a gás local reduziu a poluição atmosférica causada por óxidos de azoto (NOx) e partículas. A renovação dos edifícios também pode melhorar o conforto térmico, como mostram projetos em Paris e Berlim.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Relatório completo:</strong> <a href="https://greenpeace.at/uploads/2026/10/gas-free-cities_--european-urban-heat-transition-report.pdf"><em>Cidades sem gás? Ranking europeu da transição do aquecimento urbano</em> </a>&#8211; um ranking de 15 cidades europeias sobre a eliminação do aquecimento fóssil, as infraestruturas, a execução e a justiça social, da autoria do Dr. Mehmet Börühan Bulut e encomendado pela Greenpeace Central and Eastern Europe.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Contactos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Dr. Eszter Matyas, responsável pela campanha de energia da Greenpeace Central and Eastern Europe:<br>+36 304 09 06 89 · eszter.matyas@greenpeace.org</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gabinete de imprensa da Greenpeace EU:<br>+32 (0)2 274 1911 · pressdesk.eu@greenpeace.org</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para notícias de última hora e comentários sobre assuntos da UE: <a href="https://bsky.app/profile/greenpeace.eu">Bluesky</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Greenpeace é uma rede global independente de campanhas que trabalha para mudar atitudes e comportamentos, proteger e conservar o ambiente e promover a paz. Não aceita donativos de governos, da União Europeia, de empresas ou de partidos políticos. A Greenpeace tem mais de três milhões de apoiantes e 26 organizações nacionais e regionais independentes, com escritórios em mais de 55 países.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Registo de Transparência da UE:</strong> 9832909575-41</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sentença histórica: Absolvição dos 11 ativistas acusados na sequência de um protesto pacífico contra um navio metaneiro em Sagunto</title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/meios-de-comunicacao/comunicados/sentenca-historica-absolvicao-dos-11-ativistas-acusados-na-sequencia-de-um-protesto-pacifico-contra-um-navio-metaneiro-em-sagunto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Catarina Canelas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2026 09:24:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[justiça social]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.greenpeace.pt/?post_type=post_releases&#038;p=2764</guid>

					<description><![CDATA[Valência, 6 de outubro de 2026 &#8211; A Greenpeace aplaude a decisão proferida pela magistrada do Juízo n.º 8 da Secção Penal do Tribunal de Instância de Valência, que absolve os 11 ativistas da Greenpeace acusados de um crime de perturbação agravada da ordem pública, por uma ação realizada no porto de Sagunto (Valência), em [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Valência, 6 de outubro de 2026 &#8211; A Greenpeace aplaude a decisão proferida pela magistrada do Juízo n.º 8 da Secção Penal do Tribunal de Instância de Valência, que absolve os 11 ativistas da Greenpeace acusados de um crime de perturbação agravada da ordem pública, por uma ação realizada no porto de Sagunto (Valência), em 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A sentença considera que nos factos não se verificam «atos de violência ou intimidação suscetíveis de alterar gravemente a paz pública nos termos exigidos pelo tipo legal», conclusão corroborada em julgamento pelas testemunhas, tanto da acusação como da defesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Eva Saldaña, diretora executiva da Greenpeace Espanha e Portugal, declarou:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">«Hoje respiramos com enorme alívio e alegria, mas também com a convicção intacta de que nunca devíamos ter chegado até aqui. Esta sentença é a vitória de 11 pessoas corajosas que suportaram cinco anos de incerteza injusta por se terem levantado pacificamente contra os combustíveis fósseis que nos estão literalmente a matar. Mas esta absolvição não é apenas uma vitória para a Greenpeace: é uma vitória coletiva que trava a criminalização do ativismo e reforça o direito ao protesto num momento crítico para a democracia. O protesto pacífico é uma ferramenta imprescindível para defender os nossos direitos e o nosso futuro. Hoje, a justiça confirma que a dignidade não se criminaliza. Continuaremos a erguer a voz e a agir sempre que for necessário.»</p>



<p class="wp-block-paragraph">A sentença foi recebida com emoção pelos ativistas, que finalmente podem descansar após mais de cinco anos de processo e incerteza, perante um julgamento que nunca devia ter acontecido. O Ministério Público pedia inicialmente uma pena de cinco anos de prisão, que posteriormente reduziu para dois anos e seis meses por cada ativista. A organização continuava a discordar dessa posição, uma vez que os factos não constituíam qualquer crime e o processo atentava diretamente contra o direito ao protesto pacífico e contra as liberdades de toda a sociedade. Além disso, a Greenpeace já pagou sanções económicas abusivas no valor de 160 mil euros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Relatora Especial da ONU para o direito à liberdade de reunião pacífica e de associação, Gina Romero, também saudou a notícia, congratulando-se com o sentido da sentença e recordando que continuará atenta a todas as estratégias que prejudiquem o direito ao protesto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Inés Díaz, responsável pela área jurídica da Greenpeace, destaca:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">«A sentença confirma aquilo que defendemos há cinco anos: protestar pacificamente não é crime. Esta decisão deve estabelecer um critério inequívoco: o direito fundamental ao protesto não pode ceder perante os meros incómodos ou transtornos que o seu exercício legítimo possa causar. Os tribunais e a polícia devem garantir esse direito, não dificultá-lo. Por isso, esperamos que o Ministério Público não recorra da sentença e permita que esta decisão transite em julgado.»</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Declarações em vídeo de Inés Díaz:</strong><a href="https://media.greenpeace.org/Detail/27MZIFJHZSTHS"> AQUI</a><br><strong>Imagens do julgamento</strong>: <a href="https://media.greenpeace.org/Detail/27MZIFJH2N138">AQUI</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>AÇÃO: De olho no julgamento mais perigoso da Europa contra ativistas climáticos </title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/noticias/acao-de-olho-no-julgamento-mais-perigoso-da-europa-contra-ativistas-climaticos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Farias Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 10:23:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[ação]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[julagmento]]></category>
		<category><![CDATA[olho]]></category>
		<category><![CDATA[protesto]]></category>
		<category><![CDATA[Sagunto]]></category>
		<category><![CDATA[Valência]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.greenpeace.pt/?post_type=post_news&#038;p=2732</guid>

					<description><![CDATA[AÇÃO &#124; 40 ativistas da Greenpeace abriram um olho gigante em Valência, Espanha, onde está prestes a realizar-se o julgamento mais perigoso de que há memória na Europa contra um protesto climático pacífico: 11 ativistas da Greenpeace poderão ser condenados a até 5 anos de prisão por um protesto não violento contra os combustíveis fósseis, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>AÇÃO | 40 ativistas da Greenpeace abriram um olho gigante em Valência, Espanha, onde está prestes a realizar-se o julgamento mais perigoso de que há memória na Europa contra um protesto climático pacífico: 11 ativistas da Greenpeace poderão ser condenados a até 5 anos de prisão por um protesto não violento contra os combustíveis fósseis, os principais causadores das alterações climáticas. Se isto acontecer, Espanha tornar-se-á um dos poucos países onde ativistas da Greenpeace foram encarcerados, após o vergonhoso precedente da Rússia de Putin em 2013.</strong></p>

<p>&nbsp;</p>

<div id="attachment_2736" class="wp-caption alignnone" style="max-width: 740px;"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-2736 size-medium" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px-730x486.jpg" alt="" width="730" height="486" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px-730x486.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px-500x333.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px-768x512.jpg 768w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px.jpg 800w" sizes="auto, (max-width: 730px) 100vw, 730px" /><p class="wp-caption-text wp-caption-media">Ativistas da Greenpeace seguram duas faixas com o lema «Activism is not a crime» (O ativismo não é um crime) em frente ao Hemisfèric de Valência. 21 de setembro de 2026.</p></div>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
<p>Uma íris de 26 metros de diâmetro, desdobrada sobre a cúpula do edifício do Hemisfèric, evidencia o alarme dos movimentos sociais perante o aumento da repressão contra defensores ambientais e dos direitos humanos: esta é a acusação mais grave contra ativistas climáticos na UE!</p>



<p>&nbsp;</p>

<h3 class="wp-block-heading"><strong>Os factos</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Os factos remontam a outubro de 2021, quando o nosso navio <em>Esperanza</em> entrou no porto de Sagunto (Valência, Espanha) para denunciar a chegada de um navio vindo dos EUA carregado com um dos combustíveis fósseis mais perigosos para o clima: o metano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após várias horas de resistência pacífica, a Guarda Civil abordou o nosso navio, cortou as âncoras e levou-nos para o porto.</p>

<p>&nbsp;</p>

<h3 class="wp-block-heading"><strong>O nunca visto desde a Rússia de Putin</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Agora, após cinco anos de incerteza, o Ministério Público pede uma pena de 5 anos para 11 pessoas por um alegado crime de perturbação da ordem pública agravada. Se forem condenados, Espanha tornar-se-á um dos poucos países onde ativistas da Greenpeace foram encarcerados: a última vez que se viu algo semelhante foi na Rússia em 2013, quando 30 ativistas foram detidos numa prisão siberiana durante meses após serem sequestrados pelo exército de Putin em águas internacionais, também por protestarem contra os combustíveis fósseis. Naquela ocasião, sem julgamento.</p>

<div id="attachment_2736" class="wp-caption alignnone" style="max-width: 740px;"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-2736" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px-730x486.jpg" alt="" width="730" height="486" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px-730x486.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px-500x333.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px-768x512.jpg 768w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADDX_Low-res-with-credit-line-800px.jpg 800w" sizes="auto, (max-width: 730px) 100vw, 730px" /><p class="wp-caption-text wp-caption-media">Ativistas da Greenpeace seguram duas faixas com o lema «Activism is not a crime» (O ativismo não é um crime) em frente ao Hemisfèric de Valência. 21 de setembro de 2026.</p></div>
<!-- /wp:post-content -->

<!-- wp:paragraph /-->
<p>&nbsp;</p>
<!-- wp:heading {"level":3} -->
<h3 class="wp-block-heading"><strong>Amnistia Internacional e relatores da ONU acompanham o caso</strong></h3>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O caso é tão preocupante que a Amnistia Internacional está a acompanhar o processo, e o Relator Especial das Nações Unidas sobre os defensores do ambiente, Michel Forst, desloca-se nestes dias a Valência para ouvir os ativistas, assistir ao julgamento na qualidade de observador e apresentar as suas diretrizes sobre o direito ao protesto ambiental pacífico e à desobediência civil.</p>
<div id="attachment_2735" class="wp-caption alignnone" style="max-width: 740px;"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-2735" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBG_Low-res-with-credit-line-800px-730x486.jpg" alt="" width="730" height="486" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBG_Low-res-with-credit-line-800px-730x486.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBG_Low-res-with-credit-line-800px-500x333.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBG_Low-res-with-credit-line-800px-768x512.jpg 768w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBG_Low-res-with-credit-line-800px.jpg 800w" sizes="auto, (max-width: 730px) 100vw, 730px" /><p class="wp-caption-text wp-caption-media">Ativistas da Greenpeace a prepararem-se para desdobrar a faixa com um olho em cima do edifício do Hemisfèric, em Valência. 21 de setembro de 2026. Foto de Pedro Armestre.</p></div>
<div id="attachment_2738" class="wp-caption alignnone" style="max-width: 740px;"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-2738" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBH_Low-res-with-credit-line-800px-730x486.jpg" alt="" width="730" height="486" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBH_Low-res-with-credit-line-800px-730x486.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBH_Low-res-with-credit-line-800px-500x333.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBH_Low-res-with-credit-line-800px-768x512.jpg 768w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SUADBH_Low-res-with-credit-line-800px.jpg 800w" sizes="auto, (max-width: 730px) 100vw, 730px" /><p class="wp-caption-text wp-caption-media">Ativistas a desdobrar a faixa gigante no Hemisfèric de Valência. 21 de setembro de 2026. Foto de Virginia Rabal.</p></div>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph /-->
<p>&nbsp;</p>
<!-- wp:heading {"level":3} -->
<h3 class="wp-block-heading"><strong>Enquanto isso, o planeta está em chamas</strong></h3>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O paradoxo é que isto ocorre justamente no ano em que o nosso planeta quebrou todos os limites de temperatura alguma vez registados, com ondas de calor que causam dezenas de milhares de mortes só na Europa, incêndios que devastam milhares de hectares, oceanos transformados num caldo, secas históricas que drenaram os grandes rios europeus e uma perda galopante de biodiversidade. E, ao mesmo tempo, o grupo de pessoas de ultra-ricas e empresas multimilionárias saqueiam os nossos recursos em benefício próprio.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Enquanto eles planeiam os seus refúgios na Nova Zelândia ou em Marte, as pessoas que se arriscam todos os dias para enfrentar a injustiça podem perder cinco anos das suas vidas atrás das grades.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>O mundo está a observar. Não nos vão calar. O ativismo não é um crime.</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Preços dos transportes públicos atingem novos máximos em metade das capitais europeias</title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/noticias/precos-dos-transportes-publicos-atingem-novos-maximos-em-metade-das-capitais-europeias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Farias Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 08:55:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Emergência Climática]]></category>
		<category><![CDATA[Lisboa]]></category>
		<category><![CDATA[mobilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Passe Ferroviário Verde]]></category>
		<category><![CDATA[portugal]]></category>
		<category><![CDATA[transportes]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.greenpeace.pt/?post_type=post_news&#038;p=2724</guid>

					<description><![CDATA[&#160; Lisboa, 17 de setembro de 2026 &#8211; Os preços dos passes de transportes públicos aumentaram significativamente em 14 capitais europeias nos últimos três anos, revela um novo relatório da Greenpeace Central and Eastern Europe (CEE), que analisou a disponibilidade e a acessibilidade dos passes mensais e anuais de transporte público nos 27 países da [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Portugal sobe nove posições no ranking europeu, do 17.º para o 8.º lugar, impulsionado pela introdução do Passe Ferroviário Verde</strong></li>



<li><strong>Lisboa sobe três lugares e ocupa agora a 12.ª posição entre as capitais analisadas</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
<p><strong>Lisboa, 17 de setembro de 2026</strong> &#8211; Os preços dos passes de transportes públicos aumentaram significativamente em 14 capitais europeias nos últimos três anos, revela um <a href="https://greenpeace.at/uploads/2026/09/greenpeace-climate-ticket-ranking-2026.pdf">novo relatório da Greenpeace Central and Eastern Europe (CEE)</a>, que analisou a disponibilidade e a acessibilidade dos passes mensais e anuais de transporte público nos 27 países da União Europeia, Reino Unido, Suíça e Noruega, bem como nas respetivas capitais. [1]</p>



<p class="wp-block-paragraph">As capitais mais caras são Londres (162 euros por mês), Amesterdão (107 euros) e Paris (77 euros). [2] Desde 2023, o maior aumento no preço dos passes de longa duração foi registado em Nicósia (+67%), seguindo-se Amesterdão (+55%), Madrid (+50%), Bratislava (+32%), Berlim (+29%) e Viena (+26%). Os preços aumentaram também significativamente em Copenhaga (+18%), Bucareste (+17%), Vilnius (+10%), Bruxelas (+10%), Londres (+10%), Estocolmo (+9%), Paris (+8%) e Helsínquia (+5%).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Greenpeace analisou igualmente a acessibilidade e disponibilidade de passes nacionais universais de transporte público, que permitem utilizar comboios e outros transportes públicos por um preço fixo e acessível. Apenas oito dos 30 países analisados disponibilizam algum tipo de “passe climático”. No entanto, na Alemanha e na Áustria, os preços destes passes aumentaram quase 30% desde a sua introdução.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na União Europeia, os bilhetes de transporte público estão sujeitos, em média, a uma taxa de IVA de 11%, superior à aplicada a vários bens e serviços essenciais. [3] Sete países aumentaram mesmo o IVA aplicado aos bilhetes de transporte público desde 2023.</p>
<p>&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Portugal sobe do 17.º para o 8.º lugar</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Portugal é, a par da Eslovénia, um dos países que mais melhorou desde a primeira análise realizada pela Greenpeace, em 2023. Com <strong>56 pontos em 100</strong>, o país subiu nove posições no ranking, passando do 17.º para o <strong>8.º lugar</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o relatório, esta evolução deve-se à introdução do <strong>Passe Ferroviário Verde</strong>, disponível apenas para residentes em Portugal, que custa 20 euros por mês e é válido na maioria dos serviços ferroviários do país, podendo ser adquirido por períodos de 30, 60 ou 90 dias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O relatório assinala, contudo, que o passe está limitado ao transporte ferroviário. Refere ainda que, a 21 de agosto, o Governo português anunciou que, a partir da terceira semana de setembro, o Passe Ferroviário Verde passaria a abranger todos os serviços urbanos da CP em Lisboa e no Porto e, posteriormente, a Linha da Fertagus, mantendo-se o preço de 20 euros mensais. O título não prevê descontos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portugal obteve ainda pontuação pela aplicação da taxa reduzida de <strong>IVA de 6% aos transportes públicos</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lisboa também melhorou a sua posição. A capital portuguesa obteve <strong>83,86 pontos em 100 e ocupa o 12.º lugar</strong>, uma subida de três posições face ao ranking anterior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Excluindo as cidades onde os transportes públicos são gratuitos para toda a população, <strong>Lisboa é a única cidade analisada onde os jovens entre os 4 e os 23 anos, inclusive, podem viajar gratuitamente</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os residentes em Lisboa com 65 ou mais anos podem igualmente viajar gratuitamente, enquanto outros passageiros seniores beneficiam de um desconto de 50%. Desde 2025, as pessoas desempregadas de longa duração elegíveis beneficiam de um desconto de 25% e as pessoas com deficiência elegíveis de um desconto de 50%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O preço do passe mensal regular em Lisboa <strong>manteve-se inalterado desde 2023</strong>. Segundo o relatório, o alargamento dos apoios sociais contribuiu para a subida de três posições da capital portuguesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Para Toni Melajoki Roseiro </strong>“A subida de Portugal neste ranking mostra que boas políticas públicas fazem a diferença. O Passe Ferroviário Verde foi um passo importante, mas um passe acessível não chega se a rede não permitir às pessoas deixar o carro em casa. <strong>O Diretor da Greenpeace Portugal</strong> afirma que ´O país precisa de transportes públicos mais frequentes, acessíveis e verdadeiramente integrados em todo o território. Essa é uma escolha que melhora a vida das pessoas, reduz desigualdades e, ao mesmo tempo, corta emissões e a nossa dependência dos combustíveis fósseis.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já<strong> Ana Farias Fonseca, Coordenadora de Campanhas da Greenpeace Portugal,</strong> acrescenta que “A Greenpeace apela aos governos nacionais e locais para que introduzam “passes climáticos” acessíveis para os transportes públicos, como forma de reduzir os custos para as famílias, combater o aumento das emissões dos transportes rodoviário e aéreo dependentes do petróleo e reduzir a dependência da União Europeia dos combustíveis fósseis, vulnerável às oscilações de preços e às perturbações das cadeias globais de abastecimento.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">A organização apela também à Comissão Europeia para que apoie os esforços nacionais para a criação destes passes, tendo em vista a introdução de um futuro <strong>passe climático europeu</strong>, e para que condicione instrumentos de financiamento, como o Fundo Social em matéria de Clima, à implementação de passes climáticos, estabelecendo também metas de acessibilidade económica para os Estados-Membros.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Herwig Schuster, especialista em transportes da Greenpeace Central and Eastern Europe, afirma: </strong>“Numa altura em que as famílias enfrentam o aumento do custo de vida e a Europa sofre com níveis recorde de calor e seca, é inaceitável que os transportes públicos continuem fora do alcance de tantas pessoas. Os transportes rodoviário e aéreo são os principais responsáveis pelo consumo de petróleo na Europa, mas os governos continuam a tornar os comboios limpos menos acessíveis do que deveriam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As perturbações em torno do Estreito de Ormuz, bem como as guerras no Médio Oriente e na Ucrânia, expuseram a vulnerabilidade da Europa aos choques nos preços dos combustíveis fósseis e às perturbações das cadeias globais de abastecimento. Se os nossos governos levam a sério a soberania energética, a segurança e a ação climática, têm de reduzir a sua dependência do petróleo. Introduzir passes climáticos acessíveis para os transportes públicos é uma das formas mais rápidas de reduzir as emissões, diminuir a dependência dos combustíveis fósseis e apoiar o dia a dia das pessoas.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Numa nota positiva, os preços dos passes de transporte público de longa duração diminuíram desde 2023 em quatro capitais europeias: Dublin (-42,5%), Oslo (-11,5%), Berna (-6,6%) e Budapeste (-5,8%), mantendo-se ao mesmo nível em outras 12 capitais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde 2023, mais dois países — Espanha e Eslovénia — introduziram alguma forma de passe nacional de transporte público. Ainda assim, apenas oito dos 30 países europeus analisados [4] oferecem transportes públicos gratuitos ou passes universais de longa duração a preços acessíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Luxemburgo, Malta e Eslovénia obtêm os melhores resultados, enquanto Finlândia, Grécia e Noruega apresentam os piores desempenhos no que diz respeito à acessibilidade económica e disponibilidade dos passes nacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os transportes representam uma parcela significativa das despesas das famílias europeias. O aumento dos gastos com combustíveis fósseis e com as necessidades de mobilidade reduz, assim, os recursos disponíveis para outras despesas não relacionadas com energia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os transportes são o único setor da União Europeia onde as emissões de gases com efeito de estufa estão a aumentar, sobretudo devido aos veículos movidos a combustíveis derivados do petróleo e à aviação. São também o principal responsável pelo consumo de petróleo: <strong>65% do petróleo utilizado nos transportes na União Europeia</strong> é referido no relatório como indicador da forte dependência do setor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os governos europeus, apesar das crises energética, climática e do custo de vida, têm demorado a introduzir medidas que respondam aos desafios da mobilidade e dos transportes. Para a Greenpeace, num contexto de instabilidade geopolítica e de sucessivos choques energéticos, a falta de ação nesta área não representa apenas uma falha das políticas climáticas e sociais, mas também das políticas económicas e de segurança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Notas aos jornalistas:</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>[1]</strong> A Greenpeace analisou os preços, a disponibilidade e a inclusão dos passes de transporte público de longa duração &#8211; mensais e anuais &#8211; em 30 países europeus (os 27 Estados-Membros da União Europeia, Noruega, Reino Unido e Suíça) e nas respetivas capitais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram considerados oito critérios. Cinco aplicados aos países: (1) disponibilidade de passes mensais e anuais permanentes; (2) preço dos passes de longa duração; (3) abrangência dos passes, incluindo alcance regional e meios de transporte incluídos, como autocarros, elétricos, metro e comboios; (4) inclusão, através de reduções de preço para grupos vulneráveis; e (5) IVA aplicado aos bilhetes de transporte público.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Três critérios adicionais incidiram especificamente sobre as capitais: (6) disponibilidade de passes de longa duração; (7) respetivo preço; e (8) descontos destinados a grupos vulneráveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base num sistema de pontuação de <strong>0 a 100 pontos</strong> aplicado a cada critério, foram elaborados os rankings dos países e das capitais. Para tornar comparáveis os preços entre diferentes moedas e países, estes foram ajustados ao índice do nível de preços e às taxas de câmbio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Greenpeace realizou a primeira análise das capitais e países europeus em 2023. O novo relatório permite acompanhar as alterações verificadas desde então nos preços e na disponibilidade dos passes de transporte público.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>[2]</strong> Os preços apresentados resultam do ajustamento dos preços locais ao Índice do Nível de Preços (<em>Price Level Index</em> – PLI) de cada país.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>[3]</strong> Em seis países da União Europeia, a taxa normal de IVA &#8211; a mais elevada aplicada no respetivo país &#8211; incide tanto sobre os transportes públicos como sobre bens de luxo: Roménia, Bulgária, Estónia, Eslováquia, Croácia e Hungria.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>[4]</strong> Luxemburgo, Malta, Eslovénia, Áustria, Alemanha, Hungria, Espanha e Suíça.</p>



<h3 class="wp-block-heading"> </h3>
<h3 class="wp-block-heading"><strong>Contactos para entrevistas:</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Ana Farias Fonseca, Coordenadora de Campanhas e Mobilização da Greenpeace Portugal:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="mailto:afarias@greenpeace.org">afarias@greenpeace.org</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">913 913 343</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Contactos internacionais:</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Herwig Schuster, </strong>Especialista em transportes, Greenpeace Central and Eastern Europe<br />herwig.schuster@greenpeace.org<br />+43 664 4319214</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Marianne Lämmel, </strong>Responsável de Comunicação Europeia, Greenpeace Central and Eastern Europe<br />marianne.laemmel@greenpeace.org<br />+43 664 881 72206</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ONDE O ATIVISMO NOS LEVA</title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/noticias/onde-o-ativismo-nos-leva/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Catarina Canelas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Sep 2026 11:21:00 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://www.greenpeace.pt/?post_type=post_news&#038;p=2715</guid>

					<description><![CDATA[Neste verão, três voluntários da Greenpeace Portugal fizeram as malas e rumaram a Toledo, em Espanha, para participar no Campamento El Piélago, um encontro que juntou ativistas e voluntários em quatro dias de aprendizagem, partilha e contacto com a natureza. Ângelo Alves, Beatriz Coutinho e Maria António Gaspar (Sunua) contam-nos, na primeira pessoa, como foi [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Neste verão, três voluntários da Greenpeace Portugal fizeram as malas e rumaram a Toledo, em Espanha, para participar no Campamento El Piélago, um encontro que juntou ativistas e voluntários em quatro dias de aprendizagem, partilha e contacto com a natureza. Ângelo Alves, Beatriz Coutinho e Maria António Gaspar (Sunua) contam-nos, na primeira pessoa, como foi a experiência.</strong><strong>&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="2100" height="1400" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/CRZ02379-2100x1400.jpg" alt="" class="wp-image-2718" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/CRZ02379-2100x1400.jpg 2100w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/CRZ02379-730x487.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/CRZ02379-500x333.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/CRZ02379-768x512.jpg 768w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/CRZ02379-1536x1024.jpg 1536w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/CRZ02379-2048x1365.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 2100px) 100vw, 2100px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">“Tudo começou com um email: “Queres mudar o mundo este verão?”. E nós, em bom espírito Greenpeace, saltámos logo à oportunidade! Então lá fomos rumo a Madrid, de mochilas às costas e o passe do autocarro no bolso. Lá, juntámo-nos aos colegas espanhóis e seguimos num novo autocarro até ao nosso destino final: Campamento El Piélago, Toledo!&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chegámos sem saber bem o que nos esperava. Durante quatro dias, vivemos em cabanas no meio da natureza, rodeados pelo constante canto dos pássaros. Entre workshops e conversas, passámos os dias debaixo dos carvalhos, muitas vezes com as vacas a passear por perto. Falámos de tudo um pouco: ecologismo e justiça climática, habitação, antirracismo, feminismo e identidades queer e muito mais, através dos testemunhos e experiências de colegas de diferentes coletivos. Conhecemos percursos e histórias muito diferentes das nossas e percebemos que, apesar das diferenças linguísticas, culturais ou pessoais, havia muito mais a unir-nos do que a separar-nos. Voltámos para casa com novas ideias e ferramentas que certamente nos ajudarão a ser cada vez melhores ativistas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, claro, porque o ativismo também é diversão, tivemos direito a concertos, cinema ao ar livre e muitos momentos de convívio. Com pouca rede e sem wi-fi, desconectámos do exterior e conectámos uns com os outros. Entre passeios pelos arredores de El Piélago, mantas partilhadas no cinema, risos, conversas e alguma dança para espantar o frio, fomos criando memórias que não vamos esquecer tão cedo!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi só na despedida que percebemos o quanto aqueles quatro dias já nos faziam falta. Regressamos recheados de conhecimentos, memórias de bons momentos passados e a certeza de que, juntos, chegamos mais longe!”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ângelo Alves, Beatriz&nbsp; Coutinho, Maria António Gaspar (Sunua), voluntários da Greenpeace Portugal</strong></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Do SDR em Portugal ao Tratado Global dos Plásticos (porque reciclar não chega)</title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/noticias/do-sdr-em-portugal-ao-tratado-global-dos-plasticos-porque-reciclar-nao-chega/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Farias Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Sep 2026 13:23:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Modelo socioeconómico]]></category>
		<category><![CDATA[Plásticos]]></category>
		<category><![CDATA[plásticos]]></category>
		<category><![CDATA[portugal]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.greenpeace.pt/?post_type=post_news&#038;p=2710</guid>

					<description><![CDATA[A implementação do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR)/Volta, em abril, marca um momento histórico para a gestão de resíduos e para a economia circular em Portugal. Após anos de avanços e recuos, testemunhar a implementação de um sistema comprovado de recolha de embalagens é motivo de celebração. No entanto, como qualquer transformação estrutural, o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A implementação do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR)/Volta, em abril, marca um momento histórico para a gestão de resíduos e para a economia circular em Portugal. Após anos de avanços e recuos, testemunhar a implementação de um sistema comprovado de recolha de embalagens é motivo de celebração. No entanto, como qualquer transformação estrutural, o arranque revelou falhas práticas e conceptuais que não podem ser ignoradas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Greenpeace Portugal acompanhou de perto este início através de uma ação de recolha de dados promovida pela Rede de Voluntariado em diversas cidades do país durante 3 meses (de Lisboa ao Porto, passando por Évora, Abrantes e Braga). O objetivo foi testar a experiência real dos cidadãos no terreno e perceber o que está a funcionar e o que precisa de ser corrigido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das constatações mais imediatas e preocupantes da Rede de Voluntariado no terreno foi a <strong>falta de acessibilidade física às máquinas de depósito.</strong> Em múltiplos locais, as máquinas foram instaladas a alturas ou em plataformas que as tornam inacessíveis a pessoas em cadeiras de rodas ou com mobilidade reduzida. Um sistema de gestão de resíduos que cobra uma taxa a todos os consumidores tem de ser universal e garantir a igualdade de acesso, deixar cidadãos de fora por falhas de <em>design</em> e instalação é inaceitável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A par da acessibilidade, os registos dos voluntários apontam outras fragilidades logísticas do quotidiano:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Localização e sinalética</strong>: Muitas máquinas foram colocadas em pontos afastados da entrada principal dos estabelecimentos, como pisos inferiores de parques de estacionamento ou locais (“EcoSpots”) mal sinalizados.</li>



<li><strong>Dificuldades no reembolso</strong>: Identificou-se alguma confusão nos métodos de devolução. A associação frequente do reembolso a aplicações ou cartões de fidelização de grandes superfícies cria confusão, penalizando, por exemplo, jovens sem cartão ou cidadãos que pagam em dinheiro e não encontram alternativa de devolução em numerário no local.</li>



<li><strong>Operacionalidade e rejeições</strong>: Registaram-se situações pontuais de máquinas encravadas ou cheias, bem como rejeição recorrente de embalagens válidas na primeira tentativa de leitura.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A nível sistémico, as críticas mais profundas prendem-se com as escolhas legislativas do modelo. A <strong>exclusão do vidro</strong> do sistema de depósito, criticada por várias organizações ambientalistas, priva Portugal de alavancar o verdadeiro potencial da reutilização de garrafas. A isto soma-se a <a href="https://www.publico.pt/2026/04/29/azul/noticia/sistema-volta-metas-recolha-embalagens-afinal-descem-40-2026-2172730">revisão em alta da tolerância de metas de recolha</a> e o aparecimento de lacunas de mercado, como o <a href="https://sic.pt/sic-radical/noticias/2026-05-20-marca-portuguesa-lanca-garrafas-de-agua-de-31-litros-que-evita-taxa-da-volta--de-10-centimos--32caaad6?fbclid=IwVERDUAR7v81leHRuA2FlbQIxMABzcnRjBmFwcF9pZAwzNTA2ODU1MzE3MjgAAR6msrCKgJnrNH20uKZoD4tulU2kvtnSCkrHPEiqPm_ipaBfTwmX_TkLokf71A_aem_fvuzlASF1WweaktWSvmjHg#Echobox=1779287934">lançamento de garrafas de 3,1 litros</a> para contornar a taxa de 10 cêntimos aplicada até aos 3 litros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar destas falhas, a Greenpeace Portugal reconhece o potencial  do SDR/Volta . Os números de adesão falam por si: <a href="https://www.publico.pt/2026/07/10/azul/noticia/sistema-volta-recolheu-555-milhoes-embalagens-tres-meses-2181141">mais de 55,5 milhões de embalagens recolhidas nos primeiros três meses de funcionamento</a> mostram que a população portuguesa está recetiva, empenhada e pronta para adotar novos hábitos ecológicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os constrangimentos iniciais fazem parte do processo de adaptação de qualquer grande infraestrutura nacional e, por isso, estas falhas são corrigíveis desde que haja vontade política, fiscalização rigorosa e abertura por parte das entidades gestoras para ouvir a sociedade civil.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Contudo, é fundamental colocar este sistema na perspetiva correta: a reciclagem e a recolha de embalagens de uso único são abordagens necessárias, mas não resolvem por si só a crise global do plástico. </strong>Vivemos sufocados por uma produção desmedida de plástico descartável que contamina os oceanos, destrói ecossistemas e ameaça a saúde humana. É certo que o SDR é parte da solução para esta questão, mas precisamos de resolver o problema na origem.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>É por isso que a Greenpeace defende que o verdadeiro ponto de viragem passa pela aprovação de um Tratado Global dos Plásticos juridicamente vinculativo</strong>. Este Tratado deve fixar metas globais de redução drástica da produção primária de plástico e proibir os plásticos de uso único desnecessários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O SDR/Volta é um bom ponto de partida, mas a luta contra a poluição por plástico é global. Junta-te a nós e faz a diferença:<a href="http://greenpeace.pt/peticoes/plasticos."> assina a petição da Greenpeace pelo Tratado Global dos Plásticos</a> e exige um futuro melhor.<a href="https://www.greenpeace.pt/como-ajudar/peticoes/plasticos/?utm_source=gemini">&nbsp;</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ana Farias Fonseca, Coordenadora de Campanhas e Mobilização da Greenpecae Portugal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Relatório da UNEP sobre a ultrapassagem dos 1,5 °C deve ser um apelo urgente à ação climática</title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/noticias/relatorio-da-unep-sobre-a-ultrapassagem-dos-15-c-deve-ser-um-apelo-urgente-a-acao-climatica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Catarina Canelas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Sep 2026 11:42:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Clima]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.greenpeace.pt/?post_type=post_news&#038;p=2699</guid>

					<description><![CDATA[O Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) alertou que a temperatura global irá ultrapassar os 1,5 °C, provavelmente já nos próximos anos, atingindo níveis que irão agravar os impactos dos fenómenos meteorológicos extremos e intensificar os riscos das alterações climáticas. É por isso que a Greenpeace exige que os governos respondam com urgência, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) alertou que a temperatura global irá ultrapassar os 1,5 °C, provavelmente já nos próximos anos, atingindo níveis que irão agravar os impactos dos fenómenos meteorológicos extremos e intensificar os riscos das alterações climáticas. É por isso que a Greenpeace exige que os governos respondam com urgência, acelerando a transição para o abandono dos combustíveis fósseis e pondo fim à destruição das florestas, de forma a minimizar esta ameaça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar desta ultrapassagem temporária, mantém-se o compromisso global de limitar o aquecimento a 1,5 °C, tal como estabelecido no Acordo de Paris, reafirmado pelo <a href="https://www.icj-cij.org/case/187">Tribunal Internacional de Justiça </a>e adotado pela <a href="https://digitallibrary.un.org/record/4118331?ln=zh_CN&amp;v=pdf">Assembleia Geral das Nações Unidas.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.unep.org/news-and-stories/press-release/unep-world-set-cross-15degc-global-warming-can-still-limit-adapt-and">O novo relatório da UNEP</a>, <em>Limiting Overshoot</em> [Limitar a Ultrapassagem], apresenta uma trajetória designada por “ultrapassagem, pico e descida”, destinada a minimizar os impactos da ultrapassagem, permitir a adaptação aos mesmos e, posteriormente, regressar aos 1,5 °C. No entanto, mesmo no melhor cenário, em que os governos implementem plenamente e vão além dos atuais e futuros planos de ação climática, a UNEP afirma que o aumento da temperatura chegará ainda aos 1,8 °C antes de começar a descer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A UNEP sublinha que “não existem bons resultados se permanecermos acima dos 1,5 °C” e que devemos concentrar-nos em tornar esta ultrapassagem tão pequena e tão curta quanto possível. Isso dependerá das decisões tomadas hoje: uma ação climática rápida em todos os setores é simultaneamente “necessária e viável” para manter o aquecimento tão próximo quanto possível dos 1,5 °C até 2100.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="533" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP1SWD3Y_Low-res-800px.jpg" alt="" class="wp-image-2700" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP1SWD3Y_Low-res-800px.jpg 800w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP1SWD3Y_Low-res-800px-730x486.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP1SWD3Y_Low-res-800px-500x333.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP1SWD3Y_Low-res-800px-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Com uma linha vermelha simbólica entre a aldeia de Lützerath e a mina de lenhite a céu aberto de Garzweiler, na Renânia do Norte-Vestefália, ativistas da Greenpeace protestam contra a destruição da aldeia pela empresa de carvão RWE.<br></em>© Greenpeace</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que significa, na prática, ultrapassar os 1,5 °C?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2015, na conferência das Nações Unidas sobre o clima COP21, em Paris, cerca de 200 governos comprometeram-se a desenvolver esforços para limitar o aquecimento global a 1,5 °C e mantê-lo bem abaixo dos 2 °C até 2100.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora, em <a href="https://climate.copernicus.eu/global-climate-highlights-2024">2024, a temperatura média global tenha ultrapassado este objetivo pela primeira vez</a>, atingindo 1,6 °C acima dos níveis pré-industriais, isso não significou uma ultrapassagem de longo prazo do limite de 1,5 °C. Um único ano é apenas um indicador. O que importa é a tendência de longo prazo, medida através do <a href="https://www.un.org/en/climatechange/science/climate-issues/degrees-matter">aumento da temperatura ao longo de décadas </a>e não de meses ou anos isolados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, o termo <em>overshoot</em> &#8211; ultrapassagem &#8211; é cada vez mais utilizado para descrever<a href="https://www.carbonbrief.org/overshoot-exploring-the-implications-of-meeting-1-5c-climate-goal-from-above"> trajetórias futuras da temperatura</a> em que os 1,5 °C são temporariamente excedidos, seguindo-se posteriormente uma descida. As trajetórias de “ultrapassagem, pico e descida” fazem parte do novo conjunto de<a href="https://wcrp-cmip.org/explainer-scenarios-for-cmip7/"> cenários globais de emissões </a>que servirá de base aos próximos relatórios científicos sobre o clima do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), o organismo científico das Nações Unidas para o clima.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que diz o relatório da UNEP sobre evitar a ultrapassagem dos 1,5 °C?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a UNEP, &#8220;a ação global para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa tem sido demasiado lenta para impedir que as temperaturas ultrapassem os <a href="https://www.nature.com/articles/s41558-025-02246-9">1,5 °C “nos próximos anos</a>”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que diz respeito ao orçamento global de carbono, a partir de 2026 só poderão ser emitidas cerca de mais 130 Gt de CO₂ para termos sequer 50% de probabilidade de limitar o aquecimento global a 1,5 °C. Para permanecer dentro deste orçamento, as emissões de CO₂ teriam de diminuir continuamente em relação aos níveis de 2025 até chegarem a zero em pouco mais de seis anos, o que revela o enorme fosso existente entre os atuais níveis de emissões e aquilo que é necessário alcançar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, após décadas de “ação insuficiente”, a UNEP identifica três desafios para limitar a ultrapassagem da temperatura:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Reduzir as emissões e enfrentar os impactos;</li>



<li>Limitar o pico do aquecimento e gerir os riscos climáticos;</li>



<li>Manter a trajetória de descida das temperaturas e intensificar os esforços de adaptação.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A UNEP apela a uma resposta global que integre estas três fases interligadas. Primeiro, uma resposta imediata para abrandar a subida da temperatura, através de reduções profundas das emissões e de medidas urgentes destinadas a proteger as populações vulneráveis. Em segundo lugar, uma fase de resposta e contenção, centrada no reforço da resiliência climática. E, por último, uma terceira fase focada na construção de resiliência a longo prazo, com emissões líquidas negativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para isso, acrescenta a UNEP, são necessárias cooperação multilateral, financiamento climático e uma implementação eficaz das políticas governamentais, de modo a acelerar a transição para o abandono dos combustíveis fósseis, expandir as energias renováveis, reduzir as emissões de metano e proteger os solos, as florestas e os oceanos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais são as consequências de ultrapassar os 1,5 °C?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A UNEP alerta que, se continuarmos a adiar a ação, poderemos perder a possibilidade de regressar aos 1,5 °C e enfrentar “um mundo danificado sem precedentes”. Os impactos da ultrapassagem dos 1,5 °C seriam vastos e diversos, afetando os ecossistemas, os sistemas humanos e os sistemas económicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As sucessivas ondas de calor e os incêndios florestais que marcaram os chamados <a href="https://www.greenpeace.org/international/story/85664/why-the-unep-1-5c-overshoot-report-must-be-an-urgent-call-to-action-on-climate-change/">desastres naturais de 2026 </a>estão precisamente entre os impactos para os quais temos vindo a ser alertados. Num mundo que ultrapasse os 1,5 °C, este tipo de fenómenos tornar-se-á mais provável e poderá tornar-se mais grave nos próximos anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os impactos na criosfera estarão na linha da frente: perda de gelo marinho e de habitats no Ártico, perda de glaciares, degelo e degradação do permafrost. Estes efeitos terão consequências nos ecossistemas e nas comunidades a jusante que dependem sazonalmente da água proveniente do degelo.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="515" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU2CJJ_Low-res-800px.jpg" alt="" class="wp-image-2701" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU2CJJ_Low-res-800px.jpg 800w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU2CJJ_Low-res-800px-730x470.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU2CJJ_Low-res-800px-500x322.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU2CJJ_Low-res-800px-768x494.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>O glaciar Blomstrandbreen, em Ny-Ålesund, Svalbard.<br></em>© Christian Åslund / Greenpeace</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A perda de biodiversidade nos ecossistemas marinhos e terrestres, provocada pelas alterações no uso do solo e pela acidificação dos oceanos, terá repercussões na saúde humana e na segurança alimentar e hídrica, ao mesmo tempo que as cidades e as infraestruturas ficarão sob uma “pressão crescente” devido a fenómenos extremos e a outros impactos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A UNEP alertou ainda que alguns Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS) e cidades costeiras de baixa altitude poderão ficar parcial ou totalmente submersos devido à subida do nível do mar. Esta situação poderá colocar em causa a própria continuidade desses Estados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo isto, entre muitos outros impactos, obrigará as sociedades a adaptarem-se constantemente, levantando questões de justiça, poder e legitimidade política.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quão próximos estamos de ultrapassar o limite dos 1,5 °C?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://wmo.int/news/media-centre/new-report-suggests-more-global-temperature-records-ahead">A Organização Meteorológica Mundial (OMM) </a>alertou que é muito provável que a temperatura global ultrapasse temporariamente os 1,5 °C durante pelo menos um ano entre 2026 e 2030. A organização considera também provável que a média dos cinco anos entre 2026 e 2030 ultrapasse os 1,5 °C.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A UNEP afirma agora que o aquecimento global provocado pela atividade humana está a aproximar-se dos 1,4 °C e que as temperaturas globais têm aumentado cerca de 0,25 °C por década, havendo estudos recentes que apontam para um ritmo ainda mais acelerado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o IPCC, cada cinco anos de emissões elevadas acrescentam 0,1 °C ao pico de aquecimento. Mantendo-se estas tendências, o aquecimento global poderá atingir os 1,5 °C dentro de poucos anos, aproximadamente no final desta década.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ultrapassar os 1,5 °C poderá desencadear pontos de não retorno irreversíveis?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Existe a possibilidade de alguns dos impactos de uma ultrapassagem dos 1,5 °C serem irreversíveis, mesmo que, posteriormente, as temperaturas globais voltem a descer. O risco de atingir pontos de não retorno aumenta quanto mais elevada for a temperatura global e quanto mais tempo permanecermos acima dos 1,5 °C. Por isso, é fundamental limitar esta subida tanto quanto possível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as alterações irreversíveis está a possível desestabilização — isto é, o degelo e colapso — das grandes camadas de gelo da Antártida Ocidental e da Gronelândia, a degradação da floresta amazónica e a perturbação da Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC), o sistema de correntes oceânicas que ajuda a regular o clima ao transportar águas superficiais quentes para norte e águas profundas frias para sul.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São alterações que “remodelariam o mundo para sempre” e que poderão ocorrer abruptamente ou acumular-se ao longo do tempo, alerta a UNEP. Mesmo uma descida da temperatura global poderá coexistir com a continuação de alguns impactos, como a subida do nível do mar, o aquecimento dos oceanos, as perdas na criosfera e alterações regionais na precipitação, nas secas e nos fenómenos meteorológicos extremos.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="599" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU4UBO_Low-res-800px.jpg" alt="" class="wp-image-2702" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU4UBO_Low-res-800px.jpg 800w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU4UBO_Low-res-800px-730x547.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU4UBO_Low-res-800px-500x374.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU4UBO_Low-res-800px-768x575.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Durante uma atividade de campo com líderes Kayapó, a Greenpeace Brasil lançou uma campanha global em defesa da Amazónia, juntando forças com outras organizações em todo o mundo.<br></em>© Samara Souza / Greenpeace</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Colocar a equidade e a justiça no centro da resposta global às alterações climáticas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O relatório da UNEP reconhece claramente que a equidade e a justiça devem ocupar um lugar central nas estratégias destinadas a proteger as pessoas mais vulneráveis das alterações climáticas e a garantir uma transição justa para as comunidades e os trabalhadores, no âmbito dos esforços para assegurar um futuro habitável para todos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em última análise, os países desenvolvidos têm uma responsabilidade histórica e capacidade para agir “mais e mais depressa”. Devem garantir que uma transição justa para o abandono dos combustíveis fósseis permite que todas as comunidades beneficiem das energias renováveis e que ninguém seja prejudicado durante essa transição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como explica a Greenpeace International no seu <a href="https://www.greenpeace.org/static/planet4-international-stateless/2026/04/e4040a7b-a-just-transition-away-from-fossil-fuels.pdf">documento de orientação política,</a> uma transição justa é muito mais do que simplesmente substituir carvão, petróleo e gás por energias renováveis. É uma oportunidade para transformar os sistemas energético, de transportes, industrial e outros, tornando-os mais seguros e acessíveis, reduzindo as desigualdades, protegendo os ecossistemas e transferindo poder das elites e das empresas multimilionárias para as pessoas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Que medidas de mitigação climática são necessárias e qual é a importância da adaptação?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Embora o relatório da UNEP sublinhe a necessidade urgente de ação climática para limitar a ultrapassagem dos 1,5 °C, reconhece também que alguns impactos são inevitáveis e que será necessária uma combinação de mitigação — ação climática — e adaptação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mitigação e adaptação estão “fundamentalmente interligadas”, afirma a UNEP. A mitigação determinará a dimensão e a duração dos futuros riscos climáticos, enquanto a adaptação continua a ser essencial porque os impactos já estão a acontecer e algum aquecimento adicional é inevitável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mitigação determina o percurso e o destino; a adaptação determina quem consegue lá chegar. Os compromissos em matéria de financiamento, solidariedade duradoura e governação inclusiva devem estar estabelecidos muito antes de atingirmos o pico de aquecimento, em vez de serem improvisados em plena situação de crise.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="533" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU9SGQ_Low-res-800px.jpg" alt="" class="wp-image-2703" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU9SGQ_Low-res-800px.jpg 800w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU9SGQ_Low-res-800px-730x486.jpg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU9SGQ_Low-res-800px-500x333.jpg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/09/GP0SU9SGQ_Low-res-800px-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Uma extensa linha de fogo atravessa uma floresta de pinheiros sob uma coluna de fumo escuro durante um incêndio florestal em Marcheprime, Gironda, França.<br></em>© Astrid Lagougine / Greenpeace</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Se ultrapassarmos os 1,5 °C, como podemos regressar a esse limite?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Atingir emissões líquidas zero &#8211; situação em que as emissões de CO₂ são compensadas pela remoção de CO₂ &#8211; é necessário para travar o aquecimento, juntamente com reduções profundas das emissões de metano e de outros poluentes climáticos de curta duração. É essencial agir cedo para limitar o pico de temperatura porque, quanto mais a temperatura subir, maior será a quantidade de CO₂ que terá de ser removida da atmosfera.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Reduções profundas das emissões de metano são igualmente vitais, uma vez que este gás contribui com cerca de 0,5 °C para o atual aquecimento global. Embora a UNEP reconheça os desafios associados à redução das emissões de metano, é evidente que não conseguiremos arrefecer o planeta enquanto a produção pecuária industrial continuar a expandir-se sem controlo, impulsionando emissões de metano com um elevado potencial de aquecimento, a desflorestação, a poluição da água potável e a extinção de espécies.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a análise da UNEP, será também necessário algum nível de remoção de dióxido de carbono (CDR). No entanto, a maioria das estratégias de CDR continua envolta em grande incerteza quanto à sua eficácia, capacidade de expansão, permanência, durabilidade, potenciais impactos adversos e aceitação social.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que é preciso fazer agora para evitar ou limitar a ultrapassagem dos 1,5 °C?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A caminho da Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro, e da conferência das Nações Unidas sobre o clima COP31, em novembro, os governos têm de reconhecer as conclusões deste relatório e demonstrar a intenção de acelerar uma transição justa. O limite de 1,5 °C é uma obrigação jurídica, política e moral. E o que importa agora é aquilo que fazemos hoje e amanhã, porque cada fração de grau conta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As ações essenciais a tomar agora são:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Reduzir de forma imediata e profunda as emissões, no âmbito de uma transição justa para o abandono dos combustíveis fósseis;</li>



<li>Proteger os oceanos e as florestas;</li>



<li>Proteger as pessoas mais vulneráveis e aquelas que têm menor responsabilidade pelas alterações climáticas.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Um clima estável no futuro exige mudança hoje.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Jasper Inventor</strong> é Diretor-Adjunto de Programas da Greenpeace International.<br><strong>Dr. Jerry Jose</strong> é Cientista Sénior da Unidade Científica da Greenpeace International (Universidade de Exeter, Reino Unido).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Inundação no Nepal: uma catástrofe humanitária e um alerta que não pode ser ignorado num mundo em sobreaquecimento</title>
		<link>https://www.greenpeace.pt/meios-de-comunicacao/comunicados/inundacao-no-nepal-uma-catastrofe-humanitaria-e-um-alerta-que-nao-pode-ser-ignorado-num-mundo-em-sobreaquecimento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Catarina Canelas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 12:52:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Emergência Climática]]></category>
		<category><![CDATA[Nepal]]></category>
		<category><![CDATA[Tibete]]></category>
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					<description><![CDATA[A Greenpeace Sul da Ásia manifesta a sua profunda tristeza e solidariedade para com todas as pessoas afetadas pelas cheias catastróficas e pelo deslizamento de terras em Bhotekoshi, no distrito de Rasuwa, no Nepal. O nosso pensamento está com aqueles que perderam familiares e amigos, com quem continua desesperadamente à espera de notícias dos seus, [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">A Greenpeace Sul da Ásia manifesta a sua profunda tristeza e solidariedade para com todas as pessoas afetadas pelas cheias catastróficas e pelo deslizamento de terras em Bhotekoshi, no distrito de Rasuwa, no Nepal. O nosso pensamento está com aqueles que perderam familiares e amigos, com quem continua desesperadamente à espera de notícias dos seus, com as comunidades cujas casas e meios de subsistência foram destruídos e com todas as pessoas que trabalham no resgate de sobreviventes e na prestação de assistência.<br></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1040" height="693" src="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/2a2b45a3-nepal-floods.jpeg" alt="" class="wp-image-2691" srcset="https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/2a2b45a3-nepal-floods.jpeg 1040w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/2a2b45a3-nepal-floods-730x486.jpeg 730w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/2a2b45a3-nepal-floods-500x333.jpeg 500w, https://www.greenpeace.pt/wp-content/uploads/2026/08/2a2b45a3-nepal-floods-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 1040px) 100vw, 1040px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Moradores observam casas parcialmente submersas em águas lamacentas após as cheias repentinas em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot, no Nepal, a 26 de agosto de 2026. Uma enorme inundação atingiu o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, a 26 de agosto, danificando estradas e infraestruturas elétricas, enquanto as autoridades procuravam avaliar a dimensão da destruição. © Prakash MATHEMA / AFP via Getty Images</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Centenas de pessoas estão desaparecidas e inúmeras casas foram destruídas. A dimensão e a rapidez desta catástrofe são assustadoras, sobretudo porque ocorre pouco mais de um ano depois de outra inundação devastadora ter atingido a mesma região. À medida que a crise climática se agrava, as comunidades na linha da frente enfrentam um risco crescente de serem atingidas por uma nova catástrofe quando ainda estão a tentar recuperar da anterior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que começou em Langtang Himal não termina ali. As cheias no Nepal ameaçam também centenas de comunidades situadas a jusante, incluindo na Índia. Os estados de Bihar e Uttar Pradesh estão agora em alerta máximo, uma vez que enfrentam cheias destrutivas quase todos os anos devido à sua proximidade com o Nepal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prioridade imediata tem de ser salvar vidas, encontrar as pessoas que continuam desaparecidas e garantir que as comunidades afetadas têm acesso a abrigo seguro, alimentos, água potável, cuidados de saúde e outros bens essenciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As equipas de resgate, as comunidades locais e as autoridades estão a trabalhar em condições extremamente difíceis. Com estradas e pontes danificadas e o fornecimento de eletricidade interrompido, chegar às comunidades afetadas e prestar a assistência essencial continua a ser um enorme desafio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Greenpeace apela à mobilização de todos os recursos disponíveis para a resposta de emergência e para a recuperação, com especial atenção às comunidades mais vulneráveis e às pessoas cujas casas, meios de subsistência e acesso a serviços essenciais foram afetados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os cientistas afirmam que ainda é demasiado cedo para determinar exatamente que papel desempenhou o aquecimento global neste episódio específico. No entanto, as investigações preliminares apontam para o colapso de um glaciar como causa, e a tendência mais ampla é inequívoca: <strong>um mundo em aquecimento está a aumentar o risco de catástrofes deste tipo.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://carbonmajors.org/">O aquecimento global, impulsionado sobretudo pelas emissões provenientes de combustíveis fósseis de apenas 32 empresas</a>, está a transformar rapidamente os Himalaias. Mesmo que seja possível limitar o aquecimento médio global a 1,5 °C, prevê-se que mais de um terço do volume de gelo dos glaciares da vasta região Hindu Kush-Himalaias desapareça ao longo deste século.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os glaciares estão a recuar, a neve e o gelo estão a derreter, o permafrost está a descongelar e as encostas das montanhas estão a tornar-se menos estáveis. Estas alterações estão a criar um ambiente mais perigoso, no qual cheias catastróficas, deslizamentos de terras e avalanches como esta têm maior probabilidade de ocorrer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada fração adicional de grau de aquecimento aumenta o perigo, enquanto as comunidades que menos contribuíram para causar a crise climática são aquelas que suportam os maiores custos humanos e financeiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses custos não devem recair sobre estas famílias, comunidades e governos de países que lutam para recuperar de uma catástrofe após outra. <strong>Não se trata simplesmente de </strong><a href="https://www.greenpeace.org/international/story/85518/natural-disasters-2026-heat-fires-oil-gas-climate-renewables/?_gl=1*163qv4p*_up*MQ..*_ga*OTYzMTk1OTc0LjE3ODc4MjgyODA.*_ga_94MRTN8HG4*czE3ODc4MjgyNzkkbzEkZzAkdDE3ODc4MjgyNzkkajYwJGwwJGgxMTE1MDgzNzU4"><strong>catástrofes naturais</strong></a><strong>.</strong> A crise climática tem sido impulsionada, em larga medida, pela <a href="https://www.ipcc.ch/report/ar6/wg3/downloads/report/IPCC_AR6_WGIII_SPM.pdf">extração</a> e queima de combustíveis fósseis, enquanto, ano após ano, as grandes petrolíferas internacionais registam lucros históricos e somos nós que pagamos o preço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os governos têm de responder a catástrofes como esta não apenas através da ajuda de emergência, mas também tomando medidas para prevenir as próximas: eliminando rapidamente os combustíveis fósseis, acelerando a transição global para as energias renováveis e a eletrificação, investindo na adaptação e na resiliência e fazendo com que os grandes poluidores contribuam para os custos dos danos que as suas atividades ajudaram a provocar.</p>
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