<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648</id><updated>2025-11-14T13:00:24.035-03:00</updated><category term="joão-antônio realidade"/><title type='text'>Grupo Trema</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default?alt=atom'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default?alt=atom&amp;start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>70</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-6969652949483750635</id><published>2007-10-25T11:10:00.000-03:00</published><updated>2007-10-25T12:03:14.191-03:00</updated><title type='text'>Baixa gastronomia no Ilustrada...</title><content type='html'>A caderno de cultura do maior jornal do Brasil é um saco. Isso eu penso a um tempo, lendo vez por outra as capas do Ilustrada, da Folha de SP, que cheiram muito pouco a rua. Arte, arte e arte. De fazer careta. Não por acaso, o melhor do caderno definitivamente é a coluna social - isso mesmo! - da Mônica Bergamo. Entre um casamento e um jantar da &lt;em&gt;high society&lt;/em&gt;, lê-se sempre alguma coisa interessante, como da vez em que a coluna toda foi uma reportagem em pequenos parágrafos (formato de reportagem curioso) sobre os trabalhadores das futuras linhas de metrô de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma. Hoje, li algo que, se não empolga pela profundida ou pelo texto, vale registro pela pauta e por onde saiu. No meio de um monte de referências musicais do vindouro Tim Festival, a &quot;baixa gastronomia&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;Fome de bola&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Roteiro da baixa gastronomia em estádios destaca tropeiro do Mineirão e sanduíche de pernil de SP&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LUCAS NEVES&lt;br /&gt;MARCO AURÉLIO CANÔNICO&lt;br /&gt;DA REPORTAGEM LOCAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que o futebol, dentro das quatro linhas, é dado a metáforas culinárias, do frango engolido pelo arqueiro desavisado ao chocolate aplicado no adversário. Mas se, na arquibancada, bate a fome no torcedor, o que os estádios têm a oferecer? Na reta final do Campeonato Brasileiro, a Folha foi às arenas dos líderes apurar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas barracas que margeiam o Mineirão (dividido pelo terceiro colocado, Cruzeiro, e pelo Atlético-MG), o protocolar churrasquinho não é páreo para a &quot;pièce de résistance&quot; do &quot;cardápio&quot;, o tropeiro -que leva feijão com farinha de mandioca, arroz, bacon, lingüiça, pernil, torresmo, couve, ovo, salsa e cebolinha. Da Barraca da Jaq, saem de 80 a 100 porções por jogo. &quot;Os atleticanos é que gastam. Cruzeirense é chorão!&quot;, atiça Jaqueline Ferraz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já dentro do estádio, a clientela fiel é a azul, segundo a cozinheira Neusa Madeira, que chega a cozinhar 40 kg de feijão por partida. &quot;Cruzeirense compra mais. O atleticano nem olha para trás se o time perde.&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tropeiro faz sucesso também entre os visitantes. &quot;Os corintianos comem muito. E os paranaenses falam que, se fosse para lá, ganharia muito dinheiro&quot;, diz Ivanir Ferreira, da barraca em frente ao portão 13.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem bate ponto ali é o vigilante Sérgio Fernandes, 28, que alfineta a concorrência. &quot;Comi o lá de dentro [do Mineirão] uma vez e estava &quot;envenenado&quot;.&quot; O advogado Marcelo Coura, 29, discorda: &quot;Hoje, não almocei para vir comer o tropeirão. O de dentro é sagrado.&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pernil paulistano&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em volta do Morumbi (casa do líder, São Paulo), num &quot;centro gastronômico&quot; de 18 barracas, só se vê uma imagem: a da chapa em que repousa um enorme pernil de porco, base do sanduíche que é o hit dos estádios paulistanos. &quot;O povo não muda: sanduíche de pernil é a comida do estádio. Temos de calabresa também, mas não gostam tanto&quot;, diz dona Maria, da Barraca do Orlando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um cliente pede um sanduíche, o pernil é fatiado e a seus pedaços são acrescidos tomate, repolho e cebola picados, além de um molho de limão com alho e, por fim, shoyu.A mistura é saboreada por gente como o gráfico Luiz Carlos Souza, 38, abordado quando dizia a um amigo ir ao estádio mais pela comida do que pelo jogo em si. &quot;O sabor da chapa usada não tem igual&quot;, explicou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro da arena, o Habib&#39;s (patrocinador do time) é a única lanchonete licenciada e oferece quibe, esfihas e torta de queijo e goiabada. Há também picolés Kibon e amendoins de todo tipo (japonês, doce, descascado), que vendedores gaiatos anunciam como &quot;Viagra&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malícia pouco vista nos arredores do Palestra Itália (do vice-líder Palmeiras), onde espetinhos e sanduíches de pernil e calabresa disputam a preferência com a oferta mais &quot;substancial&quot; dos botecos (macarrão, pizza e carnes à parmegiana), degustada e aprovada pelo estudante André Bambino, 18. &quot;Dá para almoçar em casa e fazer o segundo tempo aqui.&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No interior do estádio, o grupo Dias detém o monopólio da comercialização de alimentos (hambúrgueres, cachorros-quentes, pipoca, salgadinhos e churros). Com negócios também no Morumbi e no Pacaembu, o sócio-proprietário, Renato Dias, não se compromete: &quot;Torço para qualquer time&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Codorna no Maracanã&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Embora nenhum time carioca esteja no topo da tabela, a reportagem abriu uma exceção e visitou o Maracanã em nome da tradição do estádio. Pois foi uma decepção: o local deixa a desejar no quesito &quot;junk food&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao redor do estádio, vans vendem cachorro-quente com batata palha e ovo de codorna -mas sem o purê que acompanha o lanche em SP. Barraquinhas com amendoim e coquinho (pedaços de coco) doces também pipocam aqui e ali, além dos churrasquinhos -a calabresa dá lugar ao salsichão.Dentro do estádio, biscoitos de polvilho e o mate gelado são a pedida -que, cá para nós, está longe de encher barrigas cariocas ou visitantes.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/6969652949483750635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/6969652949483750635?isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/6969652949483750635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/6969652949483750635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/10/culinria-baixa-no-ilustrada.html' title='Baixa gastronomia no Ilustrada...'/><author><name>Pedro Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01231140355236584352</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-1446255846152409881</id><published>2007-09-26T19:33:00.000-03:00</published><updated>2007-09-29T08:43:43.455-03:00</updated><title type='text'>Notícia de fim de semana...</title><content type='html'>Domingão de sol, dia de praia! Praia nada.. dia de correr no parque. Parque do Cocó. Eu não, claro. Mas tinha gente da família que se inscreveu naquele negócio lá do Iguatemi. Até a Daniela Cicarelli ia pra lá também. Vou levar a câmera, é sempre bom &quot;exercitar&quot; a fotografia. Ainda mais em um evento promovido pelo Iguatemi. Ainda mais numa corrida dentro do Cocó. Ainda mais com um nome desses: &quot;Corrida Iguatemi - entre em ação com a natureza&quot; Enfim... Cheguei meio com vergonha, né? Câmera guardadinha e tal. Só tirei mesmo antes da concentração pra umas fotos bobas de família mesmo. Bem, já que tô com a câmera na mão, vou esperar agora a largada. Pode ser que eu consiga uma foto da Cicarelli. &quot;Faltam 2 minutos pra começar a corrida!&quot; O locutor deu o sinal e... ação:&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgCcGwOuzG_lKk_V01QbPUDEc1Ud2Ga-b0MLAV21Lkv7nMhFtvnMKt5rKmU-pHGokRdOeQkSJPvSaZ2PAHtC7eaT6S75Jf3Nkr1YNrO3QvF24DkJfh13uzcOT4jzbtb-YZmHmeYCQ/s1600-h/IMG_2365blog.jpg&quot;&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhVGyhqK1-kbjd3NFs1_kSCMXIKVRA1ai0R-th3wKotzQ-9MyMX3H3acYkZk_txse0wZqjHghi_FPXlKI01fPAqHHmj7-mpIjdCNZQLXUuKE0SYJcJB26lECBqj1cQz0yKyYBGzMg/s1600-h/IMG_2365blog.jpg&quot;&gt;&lt;img id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5114653435743686322&quot; style=&quot;FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhVGyhqK1-kbjd3NFs1_kSCMXIKVRA1ai0R-th3wKotzQ-9MyMX3H3acYkZk_txse0wZqjHghi_FPXlKI01fPAqHHmj7-mpIjdCNZQLXUuKE0SYJcJB26lECBqj1cQz0yKyYBGzMg/s320/IMG_2365blog.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-size:0;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;cinco jovens pelados entraram no meio da pista e gritando palavras de ordem em prol do verde. Até que começou a juntar gente no começo, não tirando a roupa, mas gritando também junto a eles.&lt;br /&gt;Fiquei extasiada. Massa, saí na maior despretensão do mundo e me acontece uma manifestação bem na minha frente e quando eu to com a câmera na mão.&lt;br /&gt;É agora!!! No meio da muvuca eu nem pensava. Só o branco na cabeça. É engraçado, eu não sei se acontece com todo mundo, mas nas situações em que eu mais preciso ficar calma eu esqueço até &lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgCcGwOuzG_lKk_V01QbPUDEc1Ud2Ga-b0MLAV21Lkv7nMhFtvnMKt5rKmU-pHGokRdOeQkSJPvSaZ2PAHtC7eaT6S75Jf3Nkr1YNrO3QvF24DkJfh13uzcOT4jzbtb-YZmHmeYCQ/s1600-h/IMG_2365blog.jpg&quot;&gt;&lt;/a&gt;quanto é 2+2.&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi1eWlhHNW7lZVstx6_vyM65TylifcWE9qdBumOH0zMPp20nU-tZL1xZG_-t1tTS92VxljUffykDEx6mcAU_yzpkrpQNFzCC2DdRVEaCsVqYw6e9ZqiQcki3eIpj4T65q_KZBSY7A/s1600-h/IMG_2376blog.jpg&quot;&gt;&lt;img id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5114648853013581426&quot; style=&quot;FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi1eWlhHNW7lZVstx6_vyM65TylifcWE9qdBumOH0zMPp20nU-tZL1xZG_-t1tTS92VxljUffykDEx6mcAU_yzpkrpQNFzCC2DdRVEaCsVqYw6e9ZqiQcki3eIpj4T65q_KZBSY7A/s320/IMG_2376blog.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;A segurança chegou em 3 segundos. Aí eu já até pensava um pouco: &quot;vão bater, vão bater...&quot; Pensado e feito. Foi aí que minha mão não queria mais me obedecer. O coração há tempos já tinha vida própria. Foi gente pra todo lado. Um encontro lógico: de um lado gente que esperava apanhar, de outro gente doida pra bater.&lt;br /&gt;Não teve nenhum.. &quot;olha, eu te conheço minha senhora.... tu tá encrencada..vamo acabar com isso aê, hein? Tenho nada a ver com isso..cumpro ordens só...&quot; Nada! No mais teve um &quot;Isso é uma manifestação. Deixa! Isso é uma manifestação. Deixa!&quot;&lt;br /&gt;Na hora do cacete mesmo, teve gente que se assustou. Ainda deu pra ouvir um &quot;gente, tão batendo, tão batendo, gente!!&quot; Pra vê se o povo aderia...pelo menos pra socorrer! O cearense é tão hospitaleiro... deu pra ouvir as respostas também &quot;ô coisa ridícula...&quot;&quot;isso é um absurdo.. !&quot; &quot;ai, que horrível..tinha que ser preso!&quot; &lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh_J9q_Z2zNChLgq15yG3a0cU9BYgVSwIBUIi0IzLGCpfFqDpfLUakvoKhS9rwFffdSYg4NiL5ZpwbO9y0khOH6BDgOoAbkKRw7-DVCNl3I9OZZtWn3I5m60oHCgPC9J1j5sRHSLA/s1600-h/IMG_2382blog.jpg&quot;&gt;&lt;img id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5114648857308548738&quot; style=&quot;FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh_J9q_Z2zNChLgq15yG3a0cU9BYgVSwIBUIi0IzLGCpfFqDpfLUakvoKhS9rwFffdSYg4NiL5ZpwbO9y0khOH6BDgOoAbkKRw7-DVCNl3I9OZZtWn3I5m60oHCgPC9J1j5sRHSLA/s320/IMG_2382blog.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pra finalizar o domingão de sol, estavam presentes na corrida os principais jornais impressos de Fortaleza, Tv Jangadeiro, Tv Diário e Tv Verdes Mares. Não vi nem nota no Diário. Não sei se por incompetência minha de não ter achado, ou eles não publicaram nada mesmo. E no &lt;a href=&quot;http://www.opovo.com.br/opovo/esportes/731494.html&quot;&gt;O Povo, além de um relez parágrafo que mal dizia nada sobre a manifestação&lt;/a&gt;, o repórter responsável pela notícia fez o favor de nem ao menos dar a informação certa. Colocou o Nome do S.O.S. Cocó no meio. E o pessoal nem tinha nada a ver com a história. O pessoal responsável pelo ato era do Crítica Radical, Bloco Verde, Frente Popular Ecológica e indivíduos independentes. Enfim... a segurança do shopping calou a boca dos manifestantes, na porrada, pra alegria das senhoras e senhores de família abismados com a ação.&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEirFTHQZoFAKIfAnX7csq9Kw_ulAIKxvTComs3sGImNm77skdOYOnzekn56krenPjW0765B_M_xxLVXVn0bn-bxcYvRz9XsbPHR-QkhacgDqrLj3u9uVCuQ68EfI9SXd-_-wea3QA/s1600-h/IMG_2443blog.jpg&quot;&gt;&lt;img id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5114648865898483346&quot; style=&quot;FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 321px; CURSOR: hand; HEIGHT: 212px&quot; height=&quot;229&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEirFTHQZoFAKIfAnX7csq9Kw_ulAIKxvTComs3sGImNm77skdOYOnzekn56krenPjW0765B_M_xxLVXVn0bn-bxcYvRz9XsbPHR-QkhacgDqrLj3u9uVCuQ68EfI9SXd-_-wea3QA/s320/IMG_2443blog.jpg&quot; width=&quot;328&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt; Essas pessoas que se indignaram com o acontecimento talvez estejam esperando ficar pronto aquele espigão que estão terminando de construir dentro do mangue, para que enfim eles possam desfrutar do verde! Mas antes, vamos ver a Daniela Cicarelli correr. &quot;Faltam 2 minutos pra começar a corrida!&quot; E dessa vez começou. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Outras fotos:&lt;/strong&gt; &lt;a href=&quot;http://www.flickr.com/photos/mariliacamelo&quot;&gt;www.flickr.com/photos/mariliacamelo&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='' href='http://www.flickr.com/photos/mariliacamelo' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/1446255846152409881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/1446255846152409881?isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/1446255846152409881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/1446255846152409881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/09/notcia-de-fim-de-semana.html' title='Notícia de fim de semana...'/><author><name>Marília Camelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17762986663742151452</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhVGyhqK1-kbjd3NFs1_kSCMXIKVRA1ai0R-th3wKotzQ-9MyMX3H3acYkZk_txse0wZqjHghi_FPXlKI01fPAqHHmj7-mpIjdCNZQLXUuKE0SYJcJB26lECBqj1cQz0yKyYBGzMg/s72-c/IMG_2365blog.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-3917946071590416188</id><published>2007-09-04T14:55:00.001-03:00</published><updated>2007-09-04T15:22:21.184-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjfCrVC5VlzdQJgcd-tXRMZW7V1QCKG8onINFjl4HCodZS-ykiZWfotXFT74wVUXzVwb6VRpWHD4ol4qrl8ohQBjEbDyWh0FxJgpry19aLAXUsCAzVKilYS5H0Dsx5vq5pcdxLo/s1600-h/pia3.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjfCrVC5VlzdQJgcd-tXRMZW7V1QCKG8onINFjl4HCodZS-ykiZWfotXFT74wVUXzVwb6VRpWHD4ol4qrl8ohQBjEbDyWh0FxJgpry19aLAXUsCAzVKilYS5H0Dsx5vq5pcdxLo/s400/pia3.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5106409467105207330&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;font-size:130%;&quot; &gt;Janelas e portas ficam abertas, deixando passar o forte cheiro&lt;/span&gt; empurrado pelos ventiladores à rua. Wellington e Helson afastam-se, com medo do formol respingar-lhes, ao mergulho do corpo número 4. Antes, conjuntamente, deitaram número 4 em uma maca branca de metal, já velha, correram-na pelo vasto piso branco do anfiteatro Saraiva Leão no Departamento de Morfologia da UFC, até chegarem ao tanque de formol disposto na extremidade do anfiteatro. Existem outros três tanques, um ao lado, outros dois na parede &lt;st1:personname productid=&quot;em frente. Os&quot; st=&quot;on&quot;&gt;em frente. Os&lt;/st1:personname&gt; dois procederam assim com mais cinco corpos: número 1, número 2, número 3, número 5 e número 6. Todos corpos inteiros. Homens, velhos, magros – apenas um forte – com seus internos expostos. Serviram para aula de dissecação do professor Erivan.&lt;/p&gt;    &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;No Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), nove gavetas das quatro geladeiras esperam corpos abaixo de 20º negativos, por suas famílias. Suas características foram anunciadas em jornais e outros meios. O cadáver espera por 30 dias. Será dono do seu destino o parente de primeiro grau que reclamar o morto neste período. É ele quem irá autorizar ou não a necropsia do corpo. Sem pista da morte, a necropsia começará pelo cérebro, parte mais perecível do corpo, depois descerá todos os seus órgãos até encontrar a patologia. Sendo definida ou indefinida a causa do falecimento, o cadáver receberá seu primeiro e último documento póstumo: atestado de óbito. Agora, para o Estado, além de morto de fato, ele é um morto civil. Para o defunto, indiferente. Entretanto, o óbito à família será importante para algumas regalias: seguro de vida ou funerário. Com a documentação da morte do corpo, a família terá que optar pelo destino do cadáver: enterrá-lo ou doá-lo a alguma instituição de ensino. A maioria prefere enterrá-lo. Sendo quase 90% das famílias sobreviventes por mês com menos de um salário mínimo, o morto será enterrado em vala comum. &lt;/p&gt;    &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Se ninguém, em 30 dias, der conta da falta do morto, ele será da União. É uma espécie de “usucapião” de corpos. Esses cadáveres aleatoriamente terão a partir de então dois encaminhamentos: o sepultamento em vala comum ou qualquer instituição de ensino para servirem de material de estudo.&lt;/p&gt;    &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Wellington tem 43 anos&lt;/span&gt;. Fez curso no Senat (Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte) de Radiologia, depois estudou para a área de Enfermagem. Não agüentou a carreira. “Era muito duro conviver com a parte de pediatria do hospital.”. Estagiou nos finais de semana no IML para tentar concurso que acabou não conseguindo por chegar atrasado na prova. Acha melhor onde está agora, como técnico de anatomia e necropsia no Departamento de Morfologia da UFC. Com ressalva que no departamento não se faz necropsia. Em três meses de trabalho já tratou de seis corpos do SVO que receberam a segunda opção.&lt;/p&gt;    &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O companheiro de trabalho de Wellington, Helson, é formado em Veterinária. “A anatomia do ser humano é basicamente igual a dos animais.” Há dois anos e meio no trabalho do departamento, Helson nunca cuidou de uma mulher. “As mulheres têm mais vinculo familiar, por isto é difícil que não reclamem seu corpo no SVO”.&lt;span style=&quot;&quot;&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O corpo do SVO vem vestido e congelado. Alguns com blocos de gelo entre os membros. Em temperatura natural os técnicos esperam o descongelamento. Depois despem o cadáver e dão-lhe banho apenas com água. Em seguida cortam seus pêlos com navalha e, para os cabelos grandes, tesoura. Não existe rigor nisto, os corpos em sua maioria permanecem com parte dos cabelos e da barba. Não cortam as unhas. Para formolizar o corpo, injeta-se de três a seis litros de água com 10% de formol pelas veias carótida ou femoral. Uma bomba de pressão encube a volta da circulação no cadáver. Depois, no tanque, o corpo fica submergido por 30 dias. Cabem em média cinco corpos em um tanque. Por vezes é preciso colocar um peso sob o corpo para ele não subir. Neste tanque está a imagem mais constrangedora e áspera da sala de depósito do departamento. “É porque nesses corpos você vê seu semelhante, por estarem inteiros.”, explica Helson.&lt;/p&gt;    &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Os corpos inteiros vão sendo descaracterizados&lt;/span&gt; com o decorrer das aulas de dissecação. O cadáver número 1, perdeu a tatuagem do peito: “Mafis ou Mefis”, não lembra direito Helson. Peles, nervos, membros e órgãos vão sendo tirados. &lt;span style=&quot;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Por fim se tornam partes do corpo humano. Neste processo estão três “troncos”. Um homem velho magro de cavanhaque branco e ralo com pênis intacto é um deles.&lt;/p&gt;    &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A seleção das partes acontece como qualquer outra: o que é melhor fica. Para as não selecionadas, como o pulmão danificado pelo fumo, preto com buracos, resta um contêiner preto ao lado dos garrafões de formol. Dentro, pedaços indefinidos do corpo humano. Semestralmente, já com &lt;st1:metricconverter productid=&quot;200 a&quot; st=&quot;on&quot;&gt;200 a&lt;/st1:metricconverter&gt; 300 quilos, o que está no contêiner é enterrado em vala comum junto aos cadáveres do SVO e do IML. Pedaços de corpos com formol são muito resistentes, mas mesmo assim existem bactérias para os putrefazerem.&lt;/p&gt;    &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;As partes boas para estudo são serradas dos corpos. Ficam dividas pela sala de depósito. Os órgãos ficam em tambores coloridos e nomeados. Os rins ficam no tambor amarelo, os pulmões em tambor azul, os corações no vermelho. Membros ficam num tanque de formol igual aos do anfiteatro. Para maior didática dos alunos, Helson explica que veias, artérias ou nervos são pintados com corantes ou tintas. Exatamente como João Bruno, estudante de medicina, fez com as veias de uma perna. 50 horas de trabalho, entre pintar e tirar gorduras ou partes não importantes para o estudo. &lt;/p&gt;    &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Bruno respeita muito os corpos&lt;/span&gt;, quer implantar um minuto de silêncio no começo das aulas no departamento. Helson, evangélico, e Wellington, católico, ex-participante do grupo de jovens, não rezam pelos corpos. Helson por que acredita que devemos rezar por eles enquanto vivos. Assume a mesma conduta com sua família. Wellington porque nunca atinou sobre a idéia. “Taí nunca pensei nisto. Rezo pelos meus familiares, mas por eles nunca pensei.”&lt;/p&gt;    &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Existem treze corpos inteiros, dois sem dissecação, três “troncos” e dois bebês inteiros no Departamento de Morfologia para 450 alunos. Quantidade insuficiente para o professor Alan Marcos. Ele não doaria seu corpo para estudos. O professor Saraiva Leão, médico e escritor, que dá nome ao anfiteatro também não doou seu corpo. “Em 20 anos de carreira nunca ouvi dos colegas algo sobre isto”, o professor Allan prefere doar para transplantes. A última doação foi em 1986. Um homem de Santa Catarina. Ele pôs no testamento a doação do corpo, como morreu em Fortaleza, seu corpo foi doado para o departamento. Helson e Wellington não doariam seus corpos. O último porque segue a mesma filosofia do professor. Helson porque acha “drástico” o que fazem com o corpo. “Se fosse para optar, eles não aceitariam (...) É imposto”.&lt;/p&gt;    &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Nos 13 meses de SVO, 2.183 corpos passaram. Muitos deles morreram na própria casa, sozinhos ou perto da família. A maioria com mais de 60 anos. Órgãos sexagenários não servem mais para transplantes. Desses corpos apenas 8 foram para o Departamento de Morfologia. O professor Allan Marcos solicitará no SVO para o próximo ano mais 6 corpos não reclamados pela família que servirão para a próxima turma de dissecação do professor Erivan. &lt;/p&gt;  &lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;por &lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Bruno Xavier&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/3917946071590416188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/3917946071590416188?isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/3917946071590416188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/3917946071590416188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/09/janelas-e-portas-ficam-abertas-deixando.html' title=''/><author><name>Pedro Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01231140355236584352</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjfCrVC5VlzdQJgcd-tXRMZW7V1QCKG8onINFjl4HCodZS-ykiZWfotXFT74wVUXzVwb6VRpWHD4ol4qrl8ohQBjEbDyWh0FxJgpry19aLAXUsCAzVKilYS5H0Dsx5vq5pcdxLo/s72-c/pia3.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-194084709928464037</id><published>2007-08-19T21:32:00.000-03:00</published><updated>2007-08-21T16:42:50.703-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="joão-antônio realidade"/><title type='text'>Quem é o dedo duro?</title><content type='html'>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://www.freewebs.com/grupotrema/Dedoduro/dedoduro.html&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjJyZ1lzeX5jTvi2mDNbzROinmMODPI3G_mVbvW7-H0-C7W5EQbIXWEIKuIVzAUw6CPTBlPadMz-3jco80ySQ_WNDQdhP-1lMXID_FyYaRP47sy0-eROfxPo8ldHtE8XTuKsSCO/s400/banner2.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5101153758574765058&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Em julho de 1968 gloriosa revolução de 1964 se consolidava rumo a efetivação dos direitos inalienáveis de seus generais. Faltava pouco para Costa e Silva baixar o pau de vez e instaurar o AI-5. Nas bancas, chegava a edição número 28 da &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Revista Realidade&lt;/span&gt;,  ao custo de NCr$ 1,50 (cruzados novos), estampando uma foto de Luís Travassos na capa, presidente da União Nacional dos Estudantes e pivô de uma disputa política ferrenha dentro da entidade contra outro militante estudantil, José Dirceu. Trazia ainda, entre outras reportagens, o relato do repórter  José Hamilton Ribeiro, convalescendo em uma maca de hospital no Vietnam, depois de ter uma de suas pernas arrancada por uma mina enquanto acompanhava um esquadrão estadounidense durante a cobertura da guerra internacional que movimentava aqueles anos. A Revista Realidade chegava ao ápice de seu jornalismo que no próximo ano começaria a declinar, perdendo espaço dentro da Editora Abril para a, na época recém-criada, &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Revista Veja&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa mesma edição, sob o tema &quot;Polícia&quot;, o escritor João Antônio publicava seu segundo texto na revista, depois de passagem, em dois anos de carreira, pelo &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Jornal do Brasil&lt;/span&gt;, pela revista feminina &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Cláudia&lt;/span&gt; e pelo jornal &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Última Hora&lt;/span&gt;. João Antônio não negava querer viver só da literatura, mas na falta, seguia desenvolvendo um jornalismo intimamente ligado a sua ficção, apesar da forte motivação de subsistência. Na reportagem &quot;Quem é o dedo duro?&quot;,  seguia um dos temas caros a ele, a margilinalidade, sempre com um faro para os &quot;tipos&quot; brasileiros e seu linguajar, costurando tudo com descrições sucintas e uma narrativa precisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reportagem, além de sua temática impressionante (o trabalho informal de um delator trabalhando para a polícia carioca no meio da malandragem), inquieta pela forma onisciente de narrar de João Antônio que não apresenta nem as circuntância em que encontrou o personagem principal, Zé Peteleco. As fotos também esquentam as orelhas. Cheiram a um ensaio ilustrativo, mas aquele dedo do fotógrafo na última imagem só se justificaria em um publicação como Realidade pela pressa ou coisa do tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo TR.E.M.A. disponibiliza fotos e texto desta reportagem na íntegra. Uma faceta intrigante do mundo anônimo que se esgueira diante de nossos olhos narrada por um discreto cagüeta jornalístico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.freewebs.com/grupotrema/Dedoduro/dedoduro.html&quot;&gt;Quem é o dedo duro?&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/194084709928464037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/194084709928464037?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/194084709928464037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/194084709928464037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/08/quem-o-dedo-duro.html' title='Quem é o dedo duro?'/><author><name>Pedro Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01231140355236584352</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjJyZ1lzeX5jTvi2mDNbzROinmMODPI3G_mVbvW7-H0-C7W5EQbIXWEIKuIVzAUw6CPTBlPadMz-3jco80ySQ_WNDQdhP-1lMXID_FyYaRP47sy0-eROfxPo8ldHtE8XTuKsSCO/s72-c/banner2.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-7644154361161480018</id><published>2007-07-23T12:19:00.000-03:00</published><updated>2007-07-25T09:13:27.896-03:00</updated><title type='text'>Prestação de contas</title><content type='html'>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;A gente anda sumido, longe de “casa”, dos leitores e leitoras, do carinho, do assédio, das páginas dos cadernos de cultura. São os projetos. Tem documentário e revistas sobre os terminais de ônibus – esse coletivo. Tem os individuais, sobre os quais não cabe falar. Apenas que eles, os tais projetos, coletivos e individuais, nos consomem quase todo o tempo, restando-nos apenas algumas poucas horas livres. Nas quais a gente prefere a&lt;em&gt; first life&lt;/em&gt; e pretere a &lt;em&gt;second&lt;/em&gt;. A vida em carne, osso e sêmen, que, além das coisas mais banais do cotidiano, inclui viagens, avaliações, reuniões de formatura, de pauta, de família e até mesmo funerais. E, como não poderiam faltar, encontros em mesas de bar. Na melhor tradição “esquerda festiva”, a gente faz, sim, reuniões nas casas mais tradicionais e também nos inferninhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero dizer com isso que o tempo anda escasso, que nos falta um tantinho de organização e que, logo mais, a qualquer momento, a coisa vai engrenar por aqui. Que os textos, prometidos para daqui a pouco, voltarão à cena, que o caldo vai engrossar e a chapa, esquentar. Do contrário...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do contrário prometo escrever novamente declinando novas desculpas para as nossas graves e imperdoáveis faltas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto, o que acham de ver – no caso de alguns, rever – filmes antigos? A gente tem uma prateleira cheia deles de pé num cômodo que, de tão freqüentado, passou a ser como que uma segunda casa. &lt;a href=&quot;http://overmundo.com.br/&quot;&gt;Lá&lt;/a&gt; publicamos nossos últimos trabalhos, muitos dos quais totalmente inéditos em nosso próprio espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Seguem – para deleite do (a) leitor (a) e enquanto a gente permanece sumido, escondido atrás das cortinas da sala-de-estar, algumas coisinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudações!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:Verdana;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:Verdana;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:Verdana;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overmundo.com.br/perfis/pedro-rocha-grupo-trema&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Pedro Rocha&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overmundo.com.br/overblog/o-segredo-de-nossa-senhora-de-fatima&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;font-size:85%;&quot;&gt;&lt;em&gt;O segredo de Nossa Senhora de Fátima&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overmundo.com.br/overblog/a-praca-da-se-nao-dorme&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;font-size:85%;&quot;&gt;&lt;em&gt;A Praça da Sé não dorme&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overmundo.com.br/overblog/filho-nao-se-acoite-maishttp://www.overmundo.com.br/overblog/filho-nao-se-acoite-mais&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;font-size:85%;&quot;&gt;&lt;em&gt;Filho, não se açoite mais&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overmundo.com.br/perfis/angelica-feitosa-grupo-trema&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Angélica Feitosa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overmundo.com.br/overblog/literatura-cor-de-rosa&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;font-size:85%;&quot;&gt;&lt;em&gt;Literatura cor-de-rosa&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overmundo.com.br/perfis/colaboracoes_publicadas.php?autor=1526&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Raquel Gonçalves&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overmundo.com.br/overblog/um-natal-na-labuta&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;font-size:85%;&quot;&gt;&lt;em&gt;Um Natal na labuta&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overmundo.com.br/perfis/henrique-araujo-grupo-trema&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Henrique Araújo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overmundo.com.br/overblog/a-terra-e-redonda&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;font-size:85%;&quot;&gt;&lt;em&gt;A terra é Redonda&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overmundo.com.br/overblog/prece-sob-o-juazeiro&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;font-size:85%;&quot;&gt;&lt;em&gt;Prece sob o juazeiro&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overmundo.com.br/overblog/a-doce-embriaguez-da-lembranca&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;font-size:85%;&quot;&gt;&lt;em&gt;A doce embriaguez da lembrança&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overmundo.com.br/perfis/tiago-coutinho-grupo-trema&quot;&gt;&lt;strong&gt;Tiago Coutinho&lt;/strong&gt; &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;http://www.overmundo.com.br/overblog/a-entrada-de-paulo-na-historia&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;font-size:85%;&quot;&gt;&lt;em&gt;A entrada de Paulo na história&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/7644154361161480018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/7644154361161480018?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/7644154361161480018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/7644154361161480018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/07/prestao-de-contas.html' title='Prestação de contas'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-2348884582490547122</id><published>2007-07-08T19:54:00.001-03:00</published><updated>2007-07-08T20:08:54.162-03:00</updated><title type='text'>Três instantâneos</title><content type='html'>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Terça-feira, 14h00&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Felipão e Forró Moral&lt;/em&gt; enche as ruas da aldeia, em Caucaia. O som vem de uma casa próxima, de alvenaria, telhado vermelho e cercada com arame farpado. Roupas colorem o varal, que cruza o quintal da casa como cordões de bandeirolas, muito comuns durante os festejos que marcam o mês de junho em todo o nordeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encostadas umas às outras, cinco ou seis bicicletas. Segue, à sombra da mangueira, a roda de conversa, encontro semanal que reúne representantes das doze comunidades espalhadas no município. Discute-se muito, os índios têm, de modo geral, uma agenda política apertada. Dificilmente consegue-se espaço nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Distraída, a índia costura. De quando em quando, levanta a cabeça das linhas com que vai dando forma a uma manta para, no instante seguinte, voltar a enovelar-se nos próprios pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cachorro, branco e magro, revira-se na areia. Parece gostar do sol. Duas crianças aproximam-se. São irmãos, foram batizados com nomes “bíblicos”: Ismael e outro. Estão nus, a barriga inchada à mostra. Têm muitas feridas nos pés e nos braços. Divertem-se sozinhos com varetas e uma tira de câmara de ar. Empunham arco e flecha de brincadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querem ser fotografados. Imagina que sim, que devem, como o cachorro magro e branco, gostar de ser fotografados. Eles sorriem, posam para fotos. Na segunda, ele pede para que empunhem, sorridentes, os arcos. Eles gostam, não o deixam ir embora. Ele vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sábado, 12h00&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois pedaços de madeira lado a lado, uma carcaça de geladeira, muitos fios, buzina. Na proa do carro, duas caixas de som presas com barbante. Cuidadoso, ele manobra o carro. Veste camisa de botão encardida, bermuda rasgada, boné do Ceará. Calça chinelo de dedo. Há pouco, despejara alguns quilos de ferro, plástico e papelão sobre o prato enferrujado da balança. Enfiou os trocados no bolso, deu marcha à ré.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua, parado entre o homem e o lixo da cidade, o menino. Sem camisa, usando calção azul, pede: “Acende o farol!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meio-dia, a luz amarela das lâmpadas fraqueja. “Toca a buzina.” O som estridente parece animá-lo. O menino cede passagem. O homem encara-o, sem cumprimentá-lo, e vai embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Qualquer dia da semana, manhã, tarde ou noite&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entra, estende uma nota de dois reais, recebe o troco. Cambaleia até a poltrona, desaba. Silêncio, o veículo quase vazio. Enquanto segue viagem, as faixas intermitentes da avenida aos poucos grudadas umas às outras, numa única e dormente faixa branca, pode concentrar-se em nada, em ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sobe, vem do escuro. É noite, quase nove horas, devia estar em casa, a mãe talvez desesperada, o pai quem sabe aflito. Muito criança. Doze anos, se tanto. Usa o cabelo solto, que se avoluma no alto da cabeça. Veste uma camiseta apertada, dois números abaixo do seu. Calça chinelinha de dedo. Nas canelas, uma e outra cicatriz. Carrega uma caixa colorida. Não sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na caixa, bombons, pirulitos, chiclete. Muita coisa doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não queria estragar os dentes. Ignorou-a. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/2348884582490547122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/2348884582490547122?isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/2348884582490547122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/2348884582490547122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/07/trs-instantneos.html' title='Três instantâneos'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-2470582096204218115</id><published>2007-07-04T11:10:00.001-03:00</published><updated>2007-07-05T12:53:06.703-03:00</updated><title type='text'>Saia do anonimato!</title><content type='html'>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj49PPHkxkkPSUe6HqNymxiqJBacSLBSHBj190HaEKdHDJf6nGuYHXHCHG1bVVcYct5XmhlFVzvoX-1Yp5HlRuc_6Au7DplU0gppndj-mHoQCazvyjfq-XSge-RrUfzy4USM0mZ/s1600-h/saidoanonimato.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj49PPHkxkkPSUe6HqNymxiqJBacSLBSHBj190HaEKdHDJf6nGuYHXHCHG1bVVcYct5XmhlFVzvoX-1Yp5HlRuc_6Au7DplU0gppndj-mHoQCazvyjfq-XSge-RrUfzy4USM0mZ/s400/saidoanonimato.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5083344169220342706&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Você já teve sua história contada pelo TR.E.M.A. ou mesmo já foi um dos cidadãos do O Povo e ainda continua nesse cinzento anonimato, perdido entre essa multidão disforme, trepidando em movimentos peristálticos até ser expelido em um fim de tarde grosso intestinal? Você é dos que já tentaram de tudo para sair desse marasmo midiático e o mais que conseguem é entregar panfletos na Santos Dumont com Barão de Studart sob uma árvore de espoja com quase meio metro que lhe enfeita a cabeça feito um chifre tomado por trepadeiras? Ou mesmo o mais longe que você chegou foi carregar um daqueles bonecos carnavalescos gigantes e ficar pinotando em frente a Ortobom da Antônio Sales com a Virgílio Távora vendo sua vida derreter em pleno pico das três da tarde, enquanto os carros passam ar-condicionados e você mal pode coçar o ovo? Não desanime! Com o Curso de Recepção de Eventos e Interpretação Publicitária você dominará as técnicas mais sofisticadas em matéria de sorrisos &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;delivery&lt;/span&gt;. E mais! aprenderá os diversos &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;templates&lt;/span&gt; faciais para os mais famosos conceitos publicitários, incluindo o clássico &quot;atitude&quot;. E mais! Se você for um dos 100 primeiros a ligar, você ainda leva como brinde o nosso exclusivo e elegante &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;template&lt;/span&gt; facial &quot;quero te chupar&quot;*.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(255, 0, 0);font-size:130%;&quot; &gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;SAIA DO ANONIMATO! &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Mude sua história! &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;3246.0498&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:78%;&quot;&gt;* vide foto 4: modelo de pele branca e batom vermelho.&lt;br /&gt;** clique em cima da foto para ampliá-la.&lt;br /&gt;*** panfleto recebido  em uma tarde ensolarada na esquina entre a Rui Barbosa com Heráclito Graça.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/2470582096204218115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/2470582096204218115?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/2470582096204218115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/2470582096204218115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/07/voc-j-teve-sua-histria-contada-pelo-tr.html' title='Saia do anonimato!'/><author><name>Pedro Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01231140355236584352</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj49PPHkxkkPSUe6HqNymxiqJBacSLBSHBj190HaEKdHDJf6nGuYHXHCHG1bVVcYct5XmhlFVzvoX-1Yp5HlRuc_6Au7DplU0gppndj-mHoQCazvyjfq-XSge-RrUfzy4USM0mZ/s72-c/saidoanonimato.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-2597095707141509196</id><published>2007-05-08T20:24:00.000-03:00</published><updated>2007-05-08T21:24:09.173-03:00</updated><title type='text'>Piratas internéticos</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhSNTwEvxun2Qfskg_eTlYV32cYB2ynN7pgW7bhr7hw2LAF4UF57UiXNOVb3tCasVOuY1DGAatQvXGISSnBG7zWUaSmwkhRdmnfohWq0TjAUmAVtNts2-JGTJ7pU19wEVOX9ykQ/s1600-h/corsarioTxt.jpg&quot;&gt;&lt;img id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5062336202536650978&quot; style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhSNTwEvxun2Qfskg_eTlYV32cYB2ynN7pgW7bhr7hw2LAF4UF57UiXNOVb3tCasVOuY1DGAatQvXGISSnBG7zWUaSmwkhRdmnfohWq0TjAUmAVtNts2-JGTJ7pU19wEVOX9ykQ/s320/corsarioTxt.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;font-size:85%;&quot;&gt;&lt;em&gt;“... No entanto, devo lhes advertir que somos corsários rebelados a receber ordem de ninguém. Nem a nós mesmo somos muito fiéis. Não temos rota, carta geográfica ou destino. E só o horizonte, apenas o horizonte, nos força a seguir adiante. &quot;&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;Ayla Andrade&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;font-size:85%;&quot;&gt;Havia um tesouro guardado sob as barbas do rei, que dormia o azedo sono dos impunes, aqui e ali arrotando e soltando puns travestidos da mais alta cultura. Ele, o rei, guardava-os apenas para si. Fosse por egoísmo ou apenas ignorância mesmo, sequer dava-se ao trabalho de afixar um quadro, folhear um livro ou ouvir uma canção. O reino em questão, cujas dimensões nenhum de seus súditos jamais fora capaz de adivinhar, encerrava-se numa enseada. De frente para o mar, o rei acordava todos os dias, ainda de cara inchada e remelento, e agradecia a si mesmo por ser tão poderoso e bom. E, de quebra, belo. Claro que nem todos compartilhavam da sua opinião. Aliás, mesmo entre aqueles que compunham o séquito que o servia diuturnamente, havia os que o consideravam um grande bundão. E também um sacana filho-da-puta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas histórias sempre têm um “até que”. Com esta não seria diferente. Um dia qualquer, se domingo, segunda ou quarta-feira ninguém sabe, um navio cujas velas eram temidas por todos os sete mares ancorou em águas de Sua Realeza. A ação foi rápida. Em menos de dois dias, pilhadas as riquezas do reino guardadas à sete chaves em muitos vãos do castelo, os tripulantes – certamente piratas – rumaram novamente em direção ao navio. Embarcaram às pressas as muitas caixas com as jóias reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repetiram a ação por seis ou mais reinos, atacando sempre em datas ocasionais; eventualmente, festivas. No final, o volume de ouro e bens culturais acumulado assustou os próprios piratas, que trataram de distribuir tudo entre os mesmos povos antes miseráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, passaram-se muitos anos até que novos assaltos corressem o mundo. Nesse intervalo, lendas e contos narrados oralmente começaram a se espalhar através de distintos povoados. Eles, os corsários, haviam sido enviados por deuses do sol e da lua em resposta aos clamores há muito entoados. Afinal, principalmente hoje, sabe-se o quanto foi enxovalhado o poviléu naqueles idos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, à calmaria se seguiram ondas de dez ou vinte ou trinta metros. Sim, novas e cada vez mais fortes tempestades sacudiram a rotina dos reinos. Ao longe, porém, navio algum se via: agora tripulavam-se os “bites”, categoria ainda desconhecida da maioria. Navegavam-se outros mares, que, a essa altura, não se resumiam a sete, mas a alguns milhares deles, interligados através de um negócio muito bacana chamado internet. Decididos a dar continuidade à pilhagem dos tesouros reais (ainda hoje muito cultivados e sempre bastante concentrados em mãos de tão poucos), eles, os piratas corsários, criaram um site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acessem: &lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;http://www.corsario.art.br/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;font-size:85%;&quot;&gt;www.corsario.art.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;font-size:85%;&quot;&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/2597095707141509196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/2597095707141509196?isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/2597095707141509196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/2597095707141509196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/05/piratas-internticos.html' title='Piratas internéticos'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhSNTwEvxun2Qfskg_eTlYV32cYB2ynN7pgW7bhr7hw2LAF4UF57UiXNOVb3tCasVOuY1DGAatQvXGISSnBG7zWUaSmwkhRdmnfohWq0TjAUmAVtNts2-JGTJ7pU19wEVOX9ykQ/s72-c/corsarioTxt.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-7100107104434087485</id><published>2007-04-18T12:15:00.000-03:00</published><updated>2007-04-18T12:23:50.381-03:00</updated><title type='text'>Impressões do Antônio Bezerra</title><content type='html'>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;font-size:85%;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Por Raquel Gonçalves&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira percepção: ainda está bem movimentado. Isso não dura mais que 20 minutos e as plataformas começam as esvaziar. Uma exposição tirada do arquivo do Nirez me chama atenção. Quem diria? 87 anos depois a praça do Leões está completamente diferente. Óbvio. Mas mudou para melhor, pelo menos na foto. A copa de um grande arvoredo sombreou toda a praça em 2007. As pichações não são visíveis na fotografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só consegui contar três ratos correndo sobre o calçamento do terminal. Já o zigue-zague das baratas não me deixava relaxar. Não sei quem tinha mais medo: elas de serem pisadas ou eu de pisá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao tomar meu café com um sanduíche de queijo percebo alguém vorazmente tentando saciar uma fome que mais me pareia insana. Um caldo de carne gorduroso e com bastante osso. Ele chupava o sabor do osso deixando escorrer no canto da boca o desejo de devorar aquele prato. O movimento de suas duas mãos lambuzadas dentro do prato e a incontinência de seus olhos deixaram sutis sinais da química que percorria no seu sangue. “Dá pra sair um copo d’água?” A moça do balcão entregou e ele bebeu de um gole só. Sua piração não deixou que esperasse o outro caldo que havia pedido e penso que já nem mais lembrava. Andou firme, em direção ao primeiro banco que viu e deitou com o braço sobre os olhos, mesmo com o tic nervoso da “perna que não parava de balançar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na fila do Jardim Guanabara-Nova Assunção se concentra o maior número de pessoas. A maioria homens. Consegui contar somente duas mulheres usuárias dentro do terminal em determinado momento. Confesso que me senti um pouco ameaçada pelos olhares masculinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma moça branca, de cabelos lisos, bem vestida, de sacola na mão me parece nervosa e agoniada com a demora do Conjunto Ceará–Antonio Bezerra. Contei mais de uma hora ela sentada na mesma posição esperando o ônibus. Não vejo o seu destino final quando ela, impaciente, levanta-se, anda em nossa direção, cruza nosso banco e desaparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um carro da polícia, alguns bêbados, três ratos, poucas mulheres, milhares de baratas, trabalhadores, um cheirador de pó, garçons, um louco, um casal homossexual, um cana de botas que mais parece um morto dentro do banco sentado numa cadeira escondida atrás do caixa eletrônico....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa foi a madrugada do dia 11 de abril no terminal do Antonio Bezerra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/7100107104434087485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/7100107104434087485?isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/7100107104434087485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/7100107104434087485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/04/impresses-do-antnio-bezerra.html' title='Impressões do Antônio Bezerra'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-1720654718887257062</id><published>2007-03-28T11:30:00.000-03:00</published><updated>2007-03-28T11:43:16.709-03:00</updated><title type='text'>[série epistolar]</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgk8xURyfmZ_LyR9YlMPw2g0l6qITh18LF-TCSDY2PeRrYttb626_Uy3lX8qrMYdKcnYe9t0tvIM1WZl59YKrR3quMbgHNV7lOavB5hatAs-Sd_BptKhICZyEeOIDmZntGYPxbx/s1600-h/Jackson-Pollock-Yellow--Gray--Black-1948-br--Silkscreen-print--133796.jpg&quot;&gt;&lt;img id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5046983954451076850&quot; style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgk8xURyfmZ_LyR9YlMPw2g0l6qITh18LF-TCSDY2PeRrYttb626_Uy3lX8qrMYdKcnYe9t0tvIM1WZl59YKrR3quMbgHNV7lOavB5hatAs-Sd_BptKhICZyEeOIDmZntGYPxbx/s320/Jackson-Pollock-Yellow--Gray--Black-1948-br--Silkscreen-print--133796.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;font-size:130%;&quot;&gt;Aí vai minha resposta que não é bem resposta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;em&gt;Caro Henrique,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;font-size:130%;&quot;&gt;você já parou pra se perguntar para que servem as faixas de pedestres? Eis que estive cismado com isso hoje, após um carro ter parado para eu passar com osinal verde. Foi estranho. Pensei ter acontecido algo quando vi o automóvel parado. Continuamos parados, eu e ele. Apenas o sinal em movimento para fechar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de alguns segundos atravessei a rua, e ele se foi. Nunca havia percebido utilidade nas faixas da cidade. Elas ficam ali estancadas debaixo dos sinais e os transeuntes só a usam quando o vermelho obriga. Por muito, pensei serem apenas faixas de enfeites para dar um pouco de brilho nas noites iluminadas pelas casas dos mosquitos. Quando chove à noite, também, as faixas ficam bonitas, molhadas pelo caldo frio do asfalto, dá vontade de pedir pra nunca mais parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suponho que o motorista seja estrangeiro. Não consegui ver a placa. Mas quem não é estrangeiro nessa Fortaleza de calor, de contrastes e de fascínios. Eu mesmo me sinto descolado em vários cantos dessa cidade, ao mesmo tempo em que gosto de pertencer a ela. É algo interessante. A imagem parada de uma galinha esfolada em público me choca. As cores populares ganham um ar &lt;em&gt;cult &lt;/em&gt;porque foi fotografado pelo Celso de Oliveira. E que olhar colorido, parece até de mentira. É interessante. Gosto de imagens grandes e cheias espalhadas pelas paredes de um centro cultural. Não precisa de cerca para torná-las inalcançáveis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:Arial;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;font-size:130%;&quot;&gt;E fico pensando o quanto nós conseguimos dialogar em nossa cidade com a sabedoria popular e o ar arrogante dos intelectuais pensantes. E passeando por uma cidade mais antiga, percebo o quanto nós vivemos disso. Toda a nossa Fortaleza, o nosso Ceará se sustenta em cima de um olhar épico-romântico sobre a sabedoria popular, seja contemporâneo ou não. É bonito. São tantas crenças, tantos chavões, tantos mitos, tantos emigrantes e imigrantes. Fortaleza é um cenário de passagem eterna, nem que seja apenas no desejo. As pessoas que aqui ficam sonham em ir para longe. As pessoas de fora, imaginam que a beleza de um reflexo solar no suor pingado da orelha é inodora. Os que se vão – e não são poucos – sentem saudade, mas não voltam, ficam a proferir saudades compartilhadas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:Arial;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;font-size:130%;&quot;&gt;Tão confusa essa minha cidade. Ela me expulsa a todo instante. Sinto sempre uma vontade enorme de voltar, mesmo sem nunca ter partido. Mas admiro essa cidade, mesmo tendo que esperar os sinais fecharem para eu atravessar a rua. Para só depois esperar pelo ônibus que nunca chega, muito menos vazio. Esperar pelo progresso. Esperar pela civilização. Esperar pelo reconhecimento. Esperar é nosso verbo. É sem dúvida um lugar incrível, no sentido literal da palavra. Fortaleza é uma farsa construída apenas nas bocas de seus moradores. Ela não existe. Ela já nasceu como uma metáfora que aos poucos se transformou numa hipérbole e pela sua repetição dita saudável já se tornou uma grande ironia. Ela reúne todas as figuras, principalmente a anáfora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:Arial;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;font-size:130%;&quot;&gt;Já não agüento mais. Para não ficar cafona, me disperso. Semana que vem estarei no Benfica, e de lá mando notícias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;font-size:130%;&quot;&gt;Abraço grande,Tiago&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/1720654718887257062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/1720654718887257062?isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/1720654718887257062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/1720654718887257062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/03/srie-epistolar_28.html' title='[série epistolar]'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgk8xURyfmZ_LyR9YlMPw2g0l6qITh18LF-TCSDY2PeRrYttb626_Uy3lX8qrMYdKcnYe9t0tvIM1WZl59YKrR3quMbgHNV7lOavB5hatAs-Sd_BptKhICZyEeOIDmZntGYPxbx/s72-c/Jackson-Pollock-Yellow--Gray--Black-1948-br--Silkscreen-print--133796.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-3650165154417875841</id><published>2007-03-24T11:22:00.000-03:00</published><updated>2007-04-05T09:18:31.246-03:00</updated><title type='text'>[série epistolar]</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjwoIlyOuWe6WWtjzWkb78uuyOkNzT8QpOENFxPFJnToTZ5LMiPzVhf5wYN4_fCiEa0ppx1U3Dyc0dB5dTnIqjuWsAc7iJUf1J3Z6XKHQ1qWLL6IDNZduo1_vmnCwEVflp4-prb/s1600-h/pollock.stenographic&quot;&gt;&lt;img id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5045500083438883826&quot; style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjwoIlyOuWe6WWtjzWkb78uuyOkNzT8QpOENFxPFJnToTZ5LMiPzVhf5wYN4_fCiEa0ppx1U3Dyc0dB5dTnIqjuWsAc7iJUf1J3Z6XKHQ1qWLL6IDNZduo1_vmnCwEVflp4-prb/s320/pollock.stenographic&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;em&gt;Aos amigos e amigas,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou notícias. Hoje é segunda-feira, 19, dia de São José. Fez sol na cidade, sim, muito calor. Na rua, lama. Ela esquenta e evapora rapidamente. À tarde, apenas algumas poças. Os meninos já podem jogar bola novamente. Ao menos até a próxima chuva, quando tudo volta a se encher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou morando entre cães e gatos e vizinhas histéricas. Em frente, uma oficina de materiais recicláveis. Estão padronizando os carros da oficina. Antes, eram todos diferentes, cores e formatos. Menos os homens e mulheres que empurram das cinco da manhã às cinco da tarde. Esses, continuam os mesmos. Hoje, à exceção de um mais sofisticado (carrega som e se serve de um toldo para fazer sombra), todos foram pintados de marrom e numerados. Batem ponto, inclusive. Para as crianças da rua Mansidão, os carrinhos e os cacarecos que trazem na barriga são a grande atração. Muito ferro retorcido pode se converter num fantástico brinquedo nas mãos de um garoto. Da vela de um carro, fazem um míssil. Que pode atingir as casas e apartamentos mais distantes, sossegados do outro lado da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro grande barato para a criançada: uma velha louca que corre e grita, as mãos carregadas de sacolas, e cai no chão. Ela é pequena e muito enrugada; quando cai, encaracola-se ainda mais. Nessas ocasiões, chega a ficar horas sentada com a cabeça enfiada entre as pernas, chorando e babando. Todos passam por ela; ninguém liga. Curiosamente, eu tenho medo, e fico apenas olhando de longe. É um medo de criança, duro de morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus caros, tantas coisas a dizer... e não apenas da geografia urbana, da passagem do tempo ou dos últimos programas de televisão; ou, ainda, daquilo que ontem foi notícia nos jornais daqui. Como escrevo depois de muito tempo, e para pessoas que me cativaram, a vontade era de dizer outras coisas. Na verdade, queria falar do sub, e acabo esbarrando no raso que sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio disso tudo, me permito um desabafo. Sabem as pessoas, essas que nos cercam? De uns tempos pra cá, têm me enchido. O suficiente para pretender deixar tudo, estudos e trabalho, e voar para o interior, criar galinhas, cuidar dos patos, lavrar a terra. Mas não sou lavrador. Escrevo. E escrever não ganha a vida. Por isso vou ficando e ficando, vendo os meninos forjarem traves com os tijolos e garrafas de plástico, esfolarem parte dos dedos num chute que, em vez da bola murcha, acerta a pedra que se ergue traiçoeira do calçamento. Esses meninos... Também esfolei muitos dedos na infância. Mas ganhei outras coisas nessas mesmas ruas de lama e pedras. Tanto tempo depois, vejo o saldo. Que não se mesura, apenas suspeita-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo rapidamente da saúde, mental e física. Estive muito mal, em falso no mundo. Como uma mesa sem duas de suas quatro pernas. Também dores de barriga, digo, no estômago, e mais um bocado de outras tantas coisas que nem sei se vale realmente a pena. Mas eu digo. Acho que vão entender, ou não, por isso digo. Meus amigos, fiquemos em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que estejam todos muito bem. Espero. Porque esperar é, às vezes, a única coisa que podemos fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Henrique Araújo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/3650165154417875841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/3650165154417875841?isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/3650165154417875841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/3650165154417875841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/03/srie-epistolar.html' title='[série epistolar]'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjwoIlyOuWe6WWtjzWkb78uuyOkNzT8QpOENFxPFJnToTZ5LMiPzVhf5wYN4_fCiEa0ppx1U3Dyc0dB5dTnIqjuWsAc7iJUf1J3Z6XKHQ1qWLL6IDNZduo1_vmnCwEVflp4-prb/s72-c/pollock.stenographic" height="72" width="72"/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-117146978389183898</id><published>2007-02-14T13:04:00.000-03:00</published><updated>2007-02-15T08:56:40.719-03:00</updated><title type='text'>A grande sacada dos Salles</title><content type='html'>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/1600/766072/dossie_destaque.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/320/652614/dossie_destaque.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;Outubro de 2006. Nas bancas, descomunal, uma nova revista. Espanto, mal cabia na bolsa ou na mochila. De antemão, incômoda, mesmo se carregada, à moda das bíblias, debaixo do braço. Religiosamente. Do título, exceção feita às informações de natureza geográfica, pouco ou nada se sabia. Nem mesmo os seus criadores, Walter e João Moreira Salles. “Porque sim” era a resposta que davam quando indagados acerca dos motivos do nome: &lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;http://revistapiaui.com.br&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;Piauí&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;. Regionalismo, polissemia, iconoclastia – nada disso. Apenas o desejo de fazer troça. Com tudo e todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na capa da edição inaugural de 26,5 centímetros de largura por 35 de altura, o gracejo que logo se converteria em digital: um pingüim de geladeira. Sobre a cabeça do pequeno animal, uma boina verde-oliva encimada por uma estrela. Vermelha. No rastro da brincadeira, pequenos e cotidianos surtos de uma “esquerda” que se esqueceu de dobrar a esquina e acabou dando com a cara no muro. Que caiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decorridos trinta dias da aparição do pingüim de &lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;http://revistapiaui.com.br&quot; target=&quot;window&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;Piauí&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt; – lançada durante a última Festa Literária Internacional de Parati, a Flip –, nova heresia. Habitando a capa da edição de novembro, Bart Simpson – cujo rosto estampava-se numa camiseta vestida por um nada simpático Che. Nos meses seguintes, outros temas e cores mais ou menos polêmicos ganhariam suas páginas, por cujo espaço também desfilaria um grupo de aparentes desocupados, muitos dos quais com amplo histórico de atividade jornalística. Sempre confundem jornalismo com falta do que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natação, línguas indígenas na iminência do desaparecimento, homens e mulheres anônimos, famosos e muito famosos. Maratonas de samba, partos que se transformaram em aventura, além das famosas seções dedicadas a questões de natureza diversa, abarcando de tudo um pouco. Esquinas literárias. Horóscopo às avessas. E diários. Em retalhos, fiapos de vidas que se apresentam entre o riso e a cólera: a escritora radicada em NY, o médico plantonista, o ascensorista. Uma miríade de assuntos pouco recorrentes em sites de pesquisa na Internet. À exceção de Lili Marinho, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No &lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;http://revistapiaui.com.br&quot; target=&quot;window&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;site&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt; da revista, novas novidades a cada mês. Além de todo o conteúdo disponível para acesso, figura uma singela edição. &lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;http://www.revistapiaui.com.br/anteriores.htm&quot; target=&quot;window&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;O número Zero de Piauí&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;, em formato PDF, traz oito textos que, por uma razão ou outra, deixaram de entrar no primeiro número da revista. Um dado que, por si só, desperta a curiosidade do já arrebatado e abestado leitor. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/117146978389183898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/117146978389183898?isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/117146978389183898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/117146978389183898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/02/grande-sacada-dos-salles.html' title='A grande sacada dos Salles'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-117011642132617559</id><published>2007-01-29T21:17:00.000-03:00</published><updated>2007-01-30T13:21:14.876-03:00</updated><title type='text'>Perfis</title><content type='html'>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;font-size:85%;color:#666666;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Por Henrique Araújo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;O nome dele é Francisco, tem 30 anos, três filhos e uma carteira de índio. “Tapeba”, diz o documento emitido pela Funai e exibido com orgulho. Palmilha, a cada dois dias, a distâcia que separa a aldeia Ponte da casa de um amigo que mora no Icaraí, em Caucauia, na Região Metropolitana de Fortaleza. “Sem tomar café nem comer nada, me larguei na estrada às cinco da manhã”, conta, gabola. Claro, modo de dizer. O que ele tem mesmo é orgulho, não apenas de ser índio e, dentre os poucos que ainda restam, tapeba. O consolo vem mesmo é da capacidade de ir seguindo, à revelia da sorte e da indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na estradinha asfaltada, Francisco aguardava à sombra do extenso muro. Do lado de dentro, um grande jardim e uma área de lazer excepcionalmente arborizada. Um pé suspenso, outro servindo de apoio ao corpo extenuado, Chico, em meio a tanta poeira, viu o Santana verde aproximar-se devagar. Meia dúzia de palavras depois, e ele retornava para a aldeia onde o aguardavam a esposa e três crias – uma de três meses, uma de 6 anos e outra de 9. “Hoje tá difícil de conseguir alguma coisa”, comenta ao acaso. O motorista do Santana aproveita a deixa de Chico – foi assim que ele se dirigiu ao homem de pele escura – e costura a sua própria cantilena. Os três conversam, escutam e lamentam. Mais lamentam, cada qual a seu modo, do que conversam ou escutam. A miséria de Chico, entretanto, é magnética como os olhos azuis de Maria Sharapova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de Chico, ainda no Icaraí, em frente a um condomínio a poucos metros da praia, o Santana verde encosta na calçada. São 12h30, e o homem de aparência exótica estica o pescoço para fora da janela e pergunta, cansado, o preço da passagem cobrada nos ônibus que seguiam para Fortaleza. Minutos depois, os dois conversam no veículo já em movimento. “Comprei esse carro apenas pra fazer lotação”, confessa o motorista, que mora no Tabapuá, bairro de Caucaia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anos sob o viaduto que corta a avenida Mister Hull, ao lado do terminal do Antônio Bezerra, disputando passageiros “à tapa”, cobrindo viagens ao seco interior do Estado e retornando com alguns gatos-pingados. Um pouco antes, mototaxista. Chegou a comprar duas vagas, mas desistiu do negócio. “Não sou morredouro, saio logo antes do fim”, explica-se o homem de bigode ralo e barba de três dias. Agora, empreendia viagens, ganhava o suficiente para viver e adquirir, a prazo, um computador novo. “R$ 2,4 mil, faz tudo. Comprei mesmo com uma única intenção”. Da porta do Santana, o motorista retira um feixe de CDs de bandas e cantores famosos. Os discos, cerca de trinta, eram envoltos por capas impressas em preto e branco. “Tenho agora de comprar uma multifuncional e uma moto. Depois, é sair pelo mundo vendendo CDs”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Largar antes do fim, ser imorredouro, ir adiante. Às cinco, sem café-da-manhã. “É assim que tem sido, mas a gente tem que ir em frente. Quando escuto histórias como essa do índio, dou graças a Deus por ter este carro velho mesmo, de ganhar, todo dia, meus vinte ou trinta reais”, consola-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico descera há bem pouco, sem pagar, deixando para trás um rastro de não sei que sentimento. Era uma vida injusta com todos. Ainda no carro, o membro da aldeia Ponte, filho do cacique e homem de pernas muito bem aprumadas havia apontado até onde, há muitos anos, se estendiam as terras indígenas em Caucaia. Dos dois lados da BR-222, largas faixas de uma terra parda, hoje ocupadas por construções diversas e muitos postos de gasolina. “Aquele ali não foi pra frente, foi impedido. Mas tem o vizinho, que conseguiu autorização. Não entendo é como um consegue e o outro, não, já que é tudo terra do índio”, questiona-se Chico, que hoje vive do artesanato tapeba. Naquela manhã, porém, os cordões feitos com sementes não haviam garantido nada para o almoço, e o peixe que, na sacola, exalava um odor apurado, lhe tinha sido dado por um homem qualquer. “Quando ganhei dele, ainda de manhã, estava bem fresco, duro. Agora, parece que amoleceu”. Chico, porém, insiste em permanecer duro. Pedra. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/117011642132617559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/117011642132617559?isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/117011642132617559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/117011642132617559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/01/perfis.html' title='Perfis'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-116968426642425961</id><published>2007-01-24T21:11:00.000-03:00</published><updated>2007-01-25T13:35:42.286-03:00</updated><title type='text'>Os vagamundos</title><content type='html'>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/1600/727089/ilustres.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/320/106951/ilustres.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;font-size:85%;&quot;&gt;Então era sair pelas ruas, as ruas do centro da cidade, e conversar; andar e conversar. Circular. E ouvir as histórias que, ao fingido acaso, lhe brotassem enquanto caminhavam todos através do rebuliço citadino de Fortaleza, varando sombras e estacando em praças. Então era bulinar as memórias do menino, saber-lhe a vida em pormenores e tantos outros porquês que a gente acaba esquecendo para lembrar depois, e, a partir do mosaico, reconstruir-lhe a vida – eis a proposta. Mais o gancho jornalístico: lançamento de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;A Crônica Reporteira de João do Rio&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, ocorrido na última sexta-feira, 19.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que segue, pois, é matéria de memória afixada em papel jornal, sim; memória pessoal e coletiva, afetiva e profissional. Ronaldo, não o famoso, mas o nosso de cada dia – o mesmo que, anos antes, aboletou-se sobre a vida de um carioca de espírito e obra imorredouros –, caminha e, no caminhar, forma um arco sobre si mesmo. No entorno do homem, jornalismo, literatura e, liga a embaralhar tudo isso, João do Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A entrevista, alinhavada por Pedro Rocha em parceria com a jornalista Ana Mary C. Cavalcante, mais um punhado de textos da lavra do primeiro deram o ar da graça num caderno especial do jornal &lt;a href=&quot;http://opovo.com.br&quot; target=&quot;window&quot;&gt;O Povo&lt;/a&gt;, há dois domingos. Os links seguem, logo ao fim do texto, e nos trazem as impressões de Ronaldo Salgado, jornalista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), acerca da vida e obra de João do Rio, famigerado jornalista carioca sobre cujas costas pesam os louros da criação de um fazer jornalístico moderno, arejado ainda que enfiado num alvo e engomado terno branco. O trajeto escolhido para a conversa ao pé-do-ouvido não poderia ter sido outro: como ponto de partida e de chegada, a praça do Ferreira. Entre o fim e o começo, a General Tibúrcio ou praça dos Leões, o Mercado Central e o Passeio Público. Costurando tudo isso, as impressões de um hedonista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ótima leitura!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://opovo.com.br/opovo/vidaearte/661970.html&quot; target=&quot;window&quot;&gt;O cronista da Belle Époque&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://opovo.com.br/opovo/vidaearte/661968.html&quot; target=&quot;window&quot;&gt;Ronaldo, seu vagabundo!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://opovo.com.br/opovo/vidaearte/661978.html&quot; target=&quot;window&quot;&gt;Os morros e os salões do Rio de Janeiro&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://opovo.com.br/opovo/vidaearte/661971.html&quot; target=&quot;window&quot;&gt;Paulo Barreto na barriga de João do Rio&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/116968426642425961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/116968426642425961?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116968426642425961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116968426642425961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/01/os-vagamundos.html' title='Os vagamundos'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-116569164042120609</id><published>2006-12-09T15:35:00.000-03:00</published><updated>2006-12-11T10:20:59.206-03:00</updated><title type='text'>Covas e Tilápias</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/1600/770219/l??pide.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/320/688219/l%3F%3Fpide.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt; por henrique araújo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/1600/22888/Img_0066.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/320/322845/Img_0066.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;De bicicleta, chegam, juntamente com o cheiro-verde e o pimentão, as tilápias. Vinham embrulhadas em sacolas pardas e custaram, segundo o ajudante-de-coveiro, R$ 6 cada uma. Encostado a uma lápide, sob a qual dormem &quot;um enforcado e um envenenado&quot;, José Ferreira dos Santos, 73 anos, protesta: antes tivesse depositado o dinheiro no banco, para render. O ajudante, àquela hora esfomeado, ofende-se e rasga a desrespeitar José Ferreira, chamando-o de “velho doido”. “A gente morre, e o dinheiro fica pra quem, velho?”, perguntava exasperado enquanto descia da bicicleta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/1600/373743/Img_0059.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/320/601818/Img_0059.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;Adriana tem 35 anos e é natural de Fortaleza. Diariamente, pouco antes das dez horas da manhã, sai de casa, no bairro Vila Velha, e apanha o ônibus que a deixa a poucos metros de onde o marido, Francisco Cunha dos Santos, trabalha. “Venho fazer o almoço e acabo tendo de esperar até ele terminar. Quando tem muito trabalho, a gente dorme aqui mesmo”, diz. Ao lado da saleta onde Paulo César de Sousa, o administrador, atualiza o cadastro dos proprietários de lotes, Adriana e o marido aninham-se após cada jornada diária. O cômodo é estreito, e as baratas, segundo Paulo, são ali os grandes inimigos a serem batidos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;Naquela manhã, Adriana recebe os dois carás das mãos do ajudante-de-coveiro. O procedimento é conhecido de todos: primeiro, retiram-se as guelras e as vísceras da “mistura”; em seguida, após descamá-los, Adriana os deposita numa bacia com água pela metade, na qual ficam durante alguns minutos antes de receberem duas boas mãos de sal. Dali, o próximo destino é, certamente, a panela.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/1600/476199/peixe.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/320/43517/peixe.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;Enquanto a água da torneira escorre na bacia, tornando cada vez mais branca a carne do peixe, Adriana conversa. Não tem filhos, mas os espera para breve. Da profissão do marido, coveiro há 23 anos, apenas uma reclamação: não tem folgas. Cunha abre covas de sol a sol e, quando novembro está próximo, o expediente estende-se madrugada adentro, sem hora para terminar, tantos são, além dos próprios enterros, os pedidos para reparos na capela do cemitério e nas lápides. O dia-a-dia do casal é, portanto, intramuros – não os de seu domicílio, mas os do cemitério. Não tem lazer, horas de folga e os momentos de total intimidade são como agulhas encontradas no palheiro. A solução para parte dos problemas que enfrentam, segundo Adriana, seria muito simples. Um carro resolveria tudo, suspira a morena. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;Distante, Francisco Cunha dos Santos, 41 anos, prepara a argamassa com que irá alisar um dos mais de mil e oitocentos jazigos que, desordenadamente, povoam o espaço do cemitério Santo Antônio, na periferia de Fortaleza. Além de sepultar, Cunha, como é que conhecido dos vivos e mortos, também é pedreiro e faz, na maior parte do dia, pequenos reparos nos túmulos pertencentes às famílias que podem pagar pelo serviço. O que ganha, para variar, não cobre as despesas, e, do carro que corta veloz os sonhos de Adriana, Cunha admite: não pode comprar sequer o pneu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;“Se a gente economizasse, Cunha, dava até pra comprar”, insiste Adriana, ao pé do fogareiro arranjado entre duas lápides que fazem as vezes de mesa. “Nem o pneu a gente pode comprar”, silencia o marido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Cavando as memórias&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/1600/58227/corredor.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/320/517327/corredor.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;Ainda sobre a lápide dos dois homens mortos de forma trágica, seu Ferreira talvez estranhe: embora tenha a barriga cortada por duas hérnias, o “caboclinho”, apelido de infância de Cunha, surpreende pelo vigor e coragem. Uma imagem bastante diferente daquela de trinta anos atrás. Vindo de Itapipoca, município do interior cearense, tangido pela seca de 1958, seu Ferreira foi trabalhar na construção civil. Conheceu a mulher pouco tempo depois e logo se casou. Do matrimônio, quatro filhos, dois dos quais calharam de ser coveiros: Cunha no Santo Antônio e o irmão, no cemitério do Mucuripe. Hoje, o pai de Cunha é aposentado, mas ainda faz “biscates” no cemitério, vigiando túmulos de famílias mais abastadas. “Não posso mais trabalhar, já passei por seis operações, todas mal-sucedidas”, brinca seu Ferreira, o “velho doido”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;Quanto ao filho, não esconde a admiração. E, para confirmar, conta uma história da época em que moravam no Pirambu: “Ele era muito magro, vivia doente. Nasceu de sete meses, gastei muito dinheiro com ele. Chegava o povo e dizia: esse aí não se cria, não”, relembra seu Ferreira, pai de Cunha e pedreiro por profissão. O que se segue, ele conta às gargalhadas. “Até que um dia eu ganhei um peba de um amigo, coveiro no São João Batista. Levei pra casa, engordei o animal. Quando fui abater, tive que sangrar; quando vi, o menino tinha enchido um copo com o sangue do bicho e bebido todo. Pensei que fosse morrer, mas começou foi a engordar”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style=&quot;FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/320/489008/fogareiro.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;Segundo o pai, caboclinho aprendeu a profissão ainda criança, quando tinha dez anos. Desde então, não saiu mais do cemitério. O primeiro morto a ser sepultado pelo filho foi como o último: apenas um corpo de homem ou mulher a ser coberto de terra. Perguntado, Cunha relembra: “O primeiro está duas lápides adiante”, diz apontando com a mão esquerda o exato local. Vexame, apenas quando lhe pediram para enterrar um homem ao lado de outro que fora levado para lá havia pouco tempo. Ao abrir a lápide, o coveiro percebeu, da pior maneira possível, que o defunto ainda estava “fresco”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;“E o médico da prefeitura ainda tem coragem de dizer que esse trabalho não é insalubre. Da próxima vez que ele vier aqui, vou jogar um pedaço do morto em cima dele”, desafia Cunha. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;Antes do meio-dia, macarrão escorrido, arroz cheirando na panela, o peixe fica pronto. Apesar da falta de espaço, Adriana esmera-se na cozinha, caprichando sempre. Cunha interrompe a conversa e o trabalho na lápide para provar mais uma vez do tempero da esposa. De um jazigo próximo, improvisa-se a mesa para o almoço; Cunha faz da bacia onde Adriana lavara os peixes o seu prato. Olha com prazer as tilápias estiradas na bacia. Sequer lembra daquilo que o p&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;ai &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;tinha recomendado ao ajudante: que depositasse o dinheiro no banco, para render.&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/116569164042120609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/116569164042120609?isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116569164042120609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116569164042120609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/12/covas-e-tilpias_09.html' title='Covas e Tilápias'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-116540941599271178</id><published>2006-12-06T09:39:00.000-03:00</published><updated>2006-12-07T20:27:20.960-03:00</updated><title type='text'>Cadeira com rodas chega à Parangaba</title><content type='html'>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/1600/268097/Parangaba_web.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/400/786680/Parangaba_web.jpg&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:78%;&quot;&gt;&lt;em&gt;Texto: Tiago Coutinho&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:78%;&quot;&gt;&lt;em&gt;Foto: Tiago Régis&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, Lorena dorme na casa da mãe. Na mesma noite, a rádio Cidade toca uma música que agrada Paulo. Ele não pode ficar muito distraído. Se bobear, a galera entra pelo portão sem pagar. Aí, ele se fode. É chamado atenção. O terminal da Parangaba não possui muros. De dentro, dá até pra vê os anúncios do show de forró que acontecerá em breve. Lá o vento sopra mais forte e carrega consigo, às vezes, pessoas com a intenção de burlar a segurança. Paulo precisa pregar os olhos nos dois portões principais. Um para cada olho. O suficiente. Nos finais de semana, principalmente, alguns bebos chatos perturbam para entrar. Ele precisa dizer não. Está no emprego há pouco mais de dois meses. Precisa garantir os 464 reais, os vale-transportes e os vale-refeições. E manter a casa, onde mora com Lorena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lorena dorme, ou não. Talvez, perto dos trilhos, a noite esteja mais animada do que os ritmos dos fones de ouvido de Paulo. Nos trilhos. Nas trilhas. Os esquemas, as paradas. Já faz um ano que aquela história aconteceu. Há uns três meses, esteve no Fórum Clovis Beviláqua e viu que sua ficha tava limpa. Ficou orgulhoso. A história parece estar resolvida. Foi tão rápido. E tanta coisa aconteceu no pequeno tempo de um ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Leandro. 18 anos. Negro. Casado com Lorena. Cursa o segundo ano do segundo grau no colégio Eduardo Campos, no bairro morro do ouro, perto da sua casa. Nas terças e nas quintas-feiras, bate um racha com os amigos na escola. A aula termina mais cedo. Vigia o terminal de ônibus da Parangaba. Trabalha um dia sim e outro não das 23h às 5h. Mora no Beco da Rapousa, perto do Jacarecanga, perto do Hiper Mercantil, onde tem uns trilhos; perto do Liceu do Ceará, onde vai fazer cursinho pro vestibular. Quer cursar Administração. Deseja ter um bom emprego. Ouviu dizer que na Fanor pode estudar de graça por causa do Prouni. Vai se informar melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para chegar ao emprego, ele anda até a Francisco Sá. Pega o clube dos regatas e segue direto. Rumo ao terminal. No caminho, os fones não saem do ouvido. Gosta de reggae, pop rock e hip hop. Curte Racionais e MV Bill. Nas noites em que está fora de casa, Lorena, sua esposa, com medo de dormir sozinha, vai pra casa da mãe. Espera Paulo chegar de manhã. Tomam café da manhã juntos. Eles se amam.O olhar dele ao falar dela não nega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão juntos há quase quatro anos. Ela tem 15. Ele, 18. Sempre moraram pertos. As famílias se conhecem. Quando quiseram dormir juntos, as mães não deixaram. Paulo não podia dormir na casa de Lorena. Lorena não podia passar a noite na casa de Paulo. Saíram de casa. Arrumaram uma casinha ali mesmo, pelas bandas do Beco da Rapousa. As mães ajudam nas contas. E eles podem dormir juntos, tranqüilos. Mas não todas as noites. Noite sim, noite não. Paulo trabalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias desses, Paulo terminou de ler um livro alugado na biblioteca do seu colégio. Gostou. Chamava-se &quot;O Pensamento&quot;. Era a história de um cara que contava sua própria vida. Desde o comecinho, quando era moleque e freqüentava à escola. Depois procurava um emprego, uma mulher. Era isso. A vida do cara.- E, você, Paulo, não quer escrever sua história também? Escreve aí, cara...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não! Só tem coisa que não presta. – E enrolava nos dedos os fios que seguram oseu rádio. Olhos atentos para o chão – Eu fazia coisas erradas.&lt;br /&gt;- Que coisas?&lt;br /&gt;- Coisas erradas. Drogas...&lt;br /&gt;- Você consumia?&lt;br /&gt;- Consumia e vendia. E roubava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez mais, enrolava nos dedos os fios de um lado para o outro. Girava de um lado para outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contato era a galera de depois da passarela, ali perto dos trilhos do Hiper Mercantil da Bezerra de Menezes. Lá tem umas paradas certas. Os caras encomendam uns modelos de celular. É só ir atrás e trazer que a grana ta garantida. Primeiro só no grito. Um canivete talvez. Depois veio o toca fita, um 38, seqüestro a mão armada, até atirar nas pernas de alguém que tentou reagir e quis correr. A mãe ameaçou colocá-lo para fora de casa por causa do silêncio. Ele não dizia de onde conseguia o dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha maconha, tinha pó. Tinha umas vendas pelos lados da Praça da Lagoa. A Lorena não gostava. Ele negava. Mas ela sabia que o acontecia. Todo mundo sabia. Até que veio o vacilo pra confirmar. A Febem pegou duas vezes e soltou. Na terceira, ficou 48 dias. Apanhou sem motivo. Ficou na tranca esperando sem camisa uma vaga em uma das celas. Depois saiu. Viu que o esquema era sério. Já faz um ano. Se arrepende. Tem vergonha de escrever, mas talvez goste de contar com o motivo de superação e orgulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo conta a história. Edvaldo, do lado de fora, tenta entrar de graça no terminal. Não pode! Deixar eu entrar, aí, mah... Edvaldo desiste. Senta na calçada. Escuta a história de Paulo. A tensão arma o cenário. E o radinho balança ainda mais forte entre os dedos de Paulo. É Febem, né? – interrompe Edvaldo. É! Eu, graças a Deus, nunca fui pegue. Já tou com 17 anos. Edvaldo pergunta se Paulo conhece uns amigos dele. Parece que sim. A cuspida constante marca cada fala. Edvaldo tem uma mulher e uma filha. Para sustento, vende bombom. Quer entrar naquela noite de graça no terminal. Mas o terminal só tem vendedor de bombom cadastrado. São 48. Quando abriram as vagas pro da Parangaba, ele perdeu a chance. Mas parece que morreu um cara há pouco, e ele vai entrar nesse esquema. Edvaldo senta na calçada. Eles conversam. Paulo no banco, dentro do terminal.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/116540941599271178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/116540941599271178?isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116540941599271178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116540941599271178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/12/cadeira-com-rodas-chega-parangaba.html' title='Cadeira com rodas chega à Parangaba'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-116165093281419332</id><published>2006-10-23T21:15:00.000-03:00</published><updated>2006-10-23T22:07:26.640-03:00</updated><title type='text'>Sob o teto de benjamins</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/sem%20t??tulo.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/sem%20t%3F%3Ftulo.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;font-size:85%;color:#666666;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Texto: Henrique Araújo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;&quot;&gt;O homem, ou mulher, cochilava&lt;/span&gt; debaixo dos benjamins pendurado ao pescoço de Raquel, a escritora, enquanto, num banco próximo, seu Galdino, elegantemente vestido para um início de manhã, mergulhado nas próprias lembranças, respondia as perguntas de um estudante. Noutra quina da praça, o Valdeci, senhor apequenado e tímido que cuida da General Tibúrcio juntamente com outros três idosos participantes do projeto Encanto das Praças – e que, por isso, recebe a bagatela de R$ 150 da prefeitura de Fortaleza –, acendia um cigarro na brasa do outro. A poucos metros, o amigo falante de seu Valdeci dava informações a um grupo de estudantes de jornalismo. Ele, no seu cantinho, apenas observava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Seu Valdeci, o que foi aquele prédio torto ali?”, perguntava apontando a construção inclinada para a esquerda e cuja pintura descascava em muitos pontos. “Pergunte ao outro, o Francisco, que ele sabe. Eu não sei”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ali, meu filho, funcionou o comitê do PMDB, eu trabalhei por lá durante muito tempo, hoje só tem um vigia que vive colocando a molecada pra correr do prédio”, explicava um Francisco solícito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;&quot;&gt;Enquanto os vendedores vendiam&lt;/span&gt;, os engraxates engraxavam, os devotos rezavam e os vagabundos vagabundeavam, o estudante ouvia atento seu Galdino. Haviam chegado à praça quase juntos, ele, atrasado para a aula de campo; Francisco Galdino Neto, na hora exata. À distância, o professor-orientador apenas farejava – esperava que, posteriormente, um dos alunos escrevesse sobre o episódio da estátua. Ou sobre qualquer outra coisa, desde que escrevesse. Afinal, diria dali a dois dias, já em sala de aula, não é possível que alguém chegue numa praça e, depois de três horas sentado num banco, simplesmente afirme não haver histórias para relatar. Ali, por exemplo, estava uma: a da estátua de Raquel de Queiroz confortando um provável coração em frangalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da Praça General Tibúrcio ou Dos Leões, sobressai-se a imagem pré-estabelecida: prostituição e insegurança. Naquela terça ou quarta-feira, porém, não se viam as meninas – ou, pelo menos, nenhuma que correspondesse ao perfil que se espera de uma “mulher da vida” – e, das quatro esquinas da praça, pelo menos uma estava ostensivamente ocupada por viaturas da Guarda Municipal de Fortaleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hoje tem até um policiamento por aqui. Acho que já é o projeto do governador eleito, o tal da ronda do quarteirão. Deve ser isso”, estranha seu Galdino. E, num movimento de memória cuja razão espanta, relembra também o nome dos guardas que por ali se abancavam nos idos de 1940. “Eram dois, um chamado Cordeiro Neto e outros dois, Cosme e Damião. Aliás, tinha só dois não. Eram uns quatro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;&quot;&gt;Era, sem sombra de dúvida, terça-feira&lt;/span&gt;. O mês, outubro. Fazia sol, o tempo abafado nesta época do ano. Em seguida, uma chuvinha fina. Na praça, a passarinhada dava o seu show particular. Em bandos, papagaios, ou louros, azucrinavam o juízo de uns; para outros, amainavam o ruído do trânsito ainda lerdo na avenida Sena Madureira, umas das quatro que demarcam um dos quadriláteros mais prenhes de memórias, individuais e coletivas, no Centro. Em verdade, se aquele miolo de cidade fosse uma penteadeira, certamente a Praça dos Leões ocuparia, ao lado da Praça do Ferreira, lugar de destaque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito de uma pergunta que lhe fizera o menino-repórter, seu Galdino, sem pressa, enfia a mão no bolso traseiro da calça rigorosamente engomada. Entre os documentos, salta à mão o registro da habilitação, exibido com orgulho. “Preciso de lente pra nada, sei dirigir muito bem. O médico é que não recomenda”, confessa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;Antes disso, já havia dito da peleja que fora a vida, as idas e vindas entre Cascavel e Fortaleza, o casamento, à beira de completar sessenta anos, com Maria Margarida M. Galdino e o tal do pega-pinto do Mundico, a dois quarteirões de onde estavam agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nos finais de semana, a diversão era vir até aqui, engraxar os sapatos com o Jacques – à época, o único engraxate nas redondezas – e depois apanhar o bonde ali na esquina. Sim, ali mesmo ao lado do prédio da assembléia. É. Por ali passava uma linha de bonde. Dali seguíamos até a Praia de Iracema. Chegando lá, era tomar banho e voltar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;&quot;&gt;“E o pega-pinto?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sim, era uma mistura que o Mundico, dono de uma lanchonete aqui perto, fazia e dava pra gente”. Ajudava, de acordo com seu Galdino, a fazer descer garganta adentro “meio-pão sem manteiga”. Depois, era ir embora. Eis o barato de outrora: praia de Iracema e pega-pinto do Mundico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;&quot;&gt;Aos 82 anos&lt;/span&gt; e morando no bairro Edson Queiroz, seu Galdino enfrenta a distância e, de ônibus, desembarca na Praça dos Leões diariamente. Procura, sem pestanejar, um banco. Dali a pouco chegarão os amigos de dominó, cerca de quatro ou cinco rapazes, contemporâneos seus, que varrem a manhã encurvados sobre uma tábua gasta pelo arrastado das pedras. Valdeci, agora decidido a falar, atesta: “Eles jogam todo dia aqui, a manhã inteira”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E jogam mesmo. Ao erguer a cabeça do bloco – o maldito bloco de notas –, encontra seu Galdino, já de pé, lhe estendendo a mão. Cumprimentam-se: viesse mais vezes, que estavam ali quase todos os dias, dizia o senhor. O “quase”, claro, é um baita eufemismo – a verdade é que, dia sim, dia sim, os meninos levantam vôo de seus lares, largando os seus e, dentes na fresca, reúnem-se em torno do tabuleiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;&quot;&gt;Convite aceito, o de seu Galdino&lt;/span&gt;. O menino-repórter, triste por lhe faltarem tantos capítulos da história interrompida sabe-se lá em que ponto, fazia cálculos para os próximos dias. Acaso lhe sobrasse algum tempo,voltaria à praça. Não pela estátua da Raquel, de resto deslocada entre feras – o Gal e os felinos. Mas, à cata dos capítulos que Galdino ainda lhe devia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já distantes, a trupe de jogadores inveterados de dominó se prepara. Armam o ringue. Começam a partida. Logo caem respingos de uma chuvinha que deixa qualquer um esbaforido com o mormaço subindo e, sem pedir licença, invadindo as narinas de quem ali estava. Era o jeito mudar, banco era o que não faltava. Foram arranjar-se ao lado de umas plantinhas espinhosas. Escorregasse a perna do banco e, de costas, seria o adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A postos, começa, finalmente, o game. Em pouco, seu Galdino dispara com três vitórias consecutivas, mas logo é alcançado. No encalço, o páreo mais duro, senhor empertigado e metido a galanteador. A sorte, pelo visto, lhe vira as costas, e permanece cinco ou mais partidas sem vencer. Àquela altura, todos, à exceção do mais novo entre eles, emparelham-se com mais de seis pontos cada um quando, as pernas estalando de dor, o menino-repórter desiste de assistir e vai embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;&quot;&gt;Antes, tivera o cuidado&lt;/span&gt; de anotar expressões, pensamentos e lances da vida mirabolante de seu Galdino, que prefere não contar. Ou, por outra, achou por bem aguardar. Afinal, são, como gosta de dizer o amigo, mais de 60 anos “pastorando vento” na praça dos Leões ou General Tibúrcio. Quando de posse do retrato inteiro, e não apenas dos pedaços, diz como foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho, esbarra nos colegas de sala. Fulano enfiara-se na igreja: o pároco tinha permitido a visitação extemporânea. De modo que, encimados na torre, tinham visto a praça coberta de benjamins e, ao lado, após terem procedido às mesmas explicações – a saber, de que eram estudantes e outras coisas –, conseguiram permissão para subir ao último andar do velho Hotel Brasil. De lá, descortinaram boa parte do centro de Fortaleza e o mar e o céu azul que doía na vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;&quot;&gt;Em baixo, o menino-repórter&lt;/span&gt;. Ele, sim, tinha voado pra longe nas memórias de um velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*** &lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#666666;&quot;&gt;the end&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/116165093281419332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/116165093281419332?isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116165093281419332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116165093281419332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/10/sob-o-teto-de-benjamins.html' title='Sob o teto de benjamins'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-116163308390664959</id><published>2006-10-23T16:40:00.000-03:00</published><updated>2006-10-23T16:51:23.923-03:00</updated><title type='text'>Duas boas notícias</title><content type='html'>Doze dias sem um post... O que diriam desse blog os teóricos, ou não, da comunicação online e sua dinâmica? Melhor não saber. O certo é que depois de um longo planejamento com direito a viagem e tudo, o TR.E.M.A. começa a juntar as coisas. Notícia boa que pode daqui há alguns dias começar a dar fim a essa intermitência crônica da qual padece esse blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa! O grupo conseguiu ter dois projetos aprovados no Edital das Artes da Funcet e em 2007 não terá que tirar dinheiro do bolso para pagar as passagens de ônibus para a série Cadeira com Rodas, seja escrevendo ou gravando.... Depois a gente apresenta melhor as coisas pra quem ainda insiste em passar aqui em frente e vê se está aberto ou se ainda fechado para balanço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um abraço galera,&lt;br /&gt;pedro rocha</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/116163308390664959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/116163308390664959?isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116163308390664959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116163308390664959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/10/duas-boas-notcias.html' title='Duas boas notícias'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-116061831589789830</id><published>2006-10-11T22:52:00.000-03:00</published><updated>2006-10-20T10:59:45.970-03:00</updated><title type='text'>O avesso do farol</title><content type='html'>&lt;div align=&quot;left&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/n543214102006165743.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/n543214102006165743.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color:#999999;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;color:#666666;&quot;&gt;Texto: Henrique Araújo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;&lt;em&gt;“Farol é fruto de uma decisão política afinada com a criação de instrumentos que possibilitem o encontro de diferentes grupos sociais e territoriais. Projeta-se sobre a cidade polifônica, lugar da humanidade plena, do cruzamento de distintos espaços e tempos, da troca de narrativas que dão sentido à vida e das inúmeras formas de reinventá-la”.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style=&quot;font-family:arial;&quot;&gt;E por aí vai...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;strong&gt;À guisa de lead (ou parágrafo introdutório contendo as informações mais relevantes para o leitor)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Lançada pela Prefeitura Municipal de Fortaleza no começo de outubro, a revista Farol tenciona, segundo entrevistas que pipocaram, paradoxalmente, nos cadernos de cultura dos principais jornais da cidade, fazer incidir seu cone de luz sobre essa zona em penumbra que é a periferia de Fortaleza e demais grotões de miséria encravados nas chamadas “áreas nobres”. Não uma luz permeada de néon. Absolutamente. A luz a que se propõe Farol é de natureza diversa. São cinqüenta páginas de texto e imagens belíssimos. Publicação bimestral e gratuita, seus mais de 20 mil exemplares deverão alcançar, por força da mobilização das comunidades, os mais variados rincões de Fortaleza. De sua leitura, um alento. Exceto quando os textos enveredam, aqui e ali, por caminhos estilística e semanticamente cor-de-rosa, motivados pela busca desenfreada em captar a tal da “alma encantadora das ruas”. É quando percebemos o calcanhar de Aquiles do jornalismo, muitas vezes, raso de reflexões e exageradamente preocupado em humanizar, textualmente, os personagens que retrata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, ânimo para estudantes de jornalismo. Quero crer que sim, que a revisa representa a possibilidade de uma outra prática jornalística, mesmo limitada à meia-dúzia de pressupostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueci de responder alguma questão seminal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Aqui tem início o texto propriamente dito&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tem gente que faz isto: pára e pensa no sentido das coisas, para que servem, como nasceram. Diante da revista, matutei: farol serve pra quê? Acertou quem respondeu orientar, dar sentido de direção, etc. A revista também cumpre esse papel, mas não apenas isso. Afinal, onde podemos encontrar o tal farol? Defronte ao mar, à faixa litorânea, mesmo que, com o passar das eras, tenha perdido importância, tornando-se anacrônico. Daí, veio a conclusão: Farol desvirtua o farol, construção cuja razão de ser é orientar a navegação no mar. A resposta é, a bem dizer, ordinária: ao invés de se voltar para a faixa litorânea – a faixa que, bem-entendido, amiúde ocupa os espaços nos meios de comunicação –, Farol projeta seu cone de luz Fortaleza adentro, iluminando-a e, dessa forma, trazendo à baila a periferia da cidade. Farol bizarro, mas necessário. É o que dizem; e eu confirmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite de lançamento no entorno do Farol do Mucuripe. Farol Velho, diga-se. Comunidade presente, participante. No palco, mistura boa: capoeira, rap e o cancioneiro popular encarnado na Caninha Verde, presente igualmente nas páginas da revista. A gente chega, aproxima-se. Ao fundo, uma massa líquida clareada pela noite de lua. Sobre nossas cabeças, o farol. Nas mãos de moleques brincantes, revistas. Algumas amarrotadas feito qualquer papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O andar no meio de tantas pessoas favorece o surgimento de alguns pensamentos. A cidade, a relação com a cidade, é a mesma que se tem com as gentes: dia a dia, azeita-se, estreita-se. Ou, pelo contrário, deteriora-se, até alcançar a ruptura. Assim tem sido. Nunca tinha ido ao farol novo – muito menos ao velho, onde estávamos agora. Surpreso, gostosamente surpreso. É bonito, imponente até. Nova iluminação, as sombras dos meninos e meninas projetada contra os muros do farol. Quem viu isso? Eleuda de Carvalho. Ao lado, escutei. A dobra no olhar, é o que Eleuda sempre busca. E acha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revista em punho, após alguns minutos, vamos embora. A vontade de ler é maior. Um pouco invejosos, confesso. Mas inveja boa, se é que há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas depois, no conforto de casa. Abro a revista novamente. Nas páginas, o areial do campo do América. Não apenas o campo, mas o que viceja no entorno, nas casinhas caiadas cujo sossego interior é freqüentemente invadido por... bolas. Dessas de couro com parte dos interstícios emergindo entre as costuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda no campo, uma foto destaca-se – ou eu a destaco entre as demais: dois meninos assistem à partida entre o Azul e o Vermelho, final de campeonato. Os times arranjados ali mesmo na comunidade. No centro do campinho, dão início à peleja com um toque na bola. Ao fundo, encostado a uma das traves, um vira-latas ergue a perna traseira direita e, sem-cerimônia, espirra o seu jato de urina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina, ao fim da revista, sorri encantada com algo que nos escapa. Entretida com o milho, espraia os dentes muito brancos. A boca é toda bagaço de milho verde cozido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;em&gt;“Farol quer contar histórias de vida atemporais, operar com um conceito de cultura ligado à vida e não apenas às manifestações artísticas consagradas, apostar na volta da grande reportagem feita de narrativas”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Entre os dois instantes flagrados por fotógrafos de Farol, muita coisa a rolar: o Passeio Público por ele mesmo – a repórter faz as vezes de Chico Xavier e, incorporando o lugar, deixa às claras o que lá sucede. O logradouro emerge, portanto, cheio de vida das páginas. O mesmo acontece com a Comunidade das Quadras e os personagens nela implicados; idem com o bairro do Mucuripe, seus pescadores, suas histórias, suas mulheres. E tantas outras narrativas, histórias que não sabemos porque ninguém se interessou em contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;em&gt;“Quem faz a revista acredita, assim como o escritor Ítalo Calvino, que as palavras têm que lutar sem descanso contra a dureza e impermeabilidade da paisagem urbana e que cabe a elas retirar peso do mundo, construindo imagens de leveza”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Farol busca, grosso modo, “desafinar o coro dos contentes”. Ou, por outra, afinar o dos descontentes, enfeixando-os e contribuindo para o bom-funcionamento da engrenagem dos movimentos sociais. (Mais outras tantas coisas que não falo por preguiça). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/116061831589789830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/116061831589789830?isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116061831589789830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116061831589789830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/10/o-avesso-do-farol.html' title='O avesso do farol'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-116018276378137250</id><published>2006-10-06T21:45:00.000-03:00</published><updated>2006-10-07T16:39:18.093-03:00</updated><title type='text'>Num quintal indígena</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/DSC09029.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/DSC09029.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/DSC09010.jpg&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Texto e fotos: Raquel Gonçalves&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;FONT-WEIGHT: bold&quot;&gt;Capítulo 2&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma sábado se segue e o sacrifício da labuta às 8 da manhã se mistura com o tesão de estar ali, simplesmente ouvindo. A casa cheia de meninos parece me convidar para entrar até o quintal, onde Do Carmo e Neide, sua mãe, lavavam roupas. “Bom Dia!”. “Hoje Do Carmo não pode sair não, porque tem que me ajudar aqui”. “Fique tranqüila, hoje eu vim só pra conversar com vocês mesmo, não foi para pescar no mangue não”. “Ah, finalmente concertamos o barco, só de ‘picha’ foi 60 reais, ainda teve 20 do serviço do homi, semana que vem a gente vai pescar de barco.” Picha é o material que eles usam para remendar as fendas nos barcos de madeira, segundo Neide, é tipo o mesmo material que se usa pra fazer asfalto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele quintal me remetia a um cenário recorrente. Um fogãozinho artesanal a lenha com uma panela de feijão em cima; um tanque/caixa-d’água, de onde se enchia as duas únicas bacias para lavar a roupa; uma tábua de madeira se fazia de banco, onde sentei e ninei o pequeno Ivo. A banheira de plástico de Ivo agora era bacia de lavar roupa também. E assim se seguiu o bate papo naquela manhã nublada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Objetivo? Simplesmente ouvir e tentar sentir um pouquinho do ser humano naquelas pessoas. “Ontem a Liduína, que é uma moça que sempre ajuda a gente, deu um fogão para Neguinha e uma cama de casal pra mim. Ela mora longe, lá no Araturi, perto do Metrópole, mas a gente foi buscar. Foi eu, Neguinha, Ivo e meu cunhado pra ajudar a trazer a carroça com as coisas. Saímos 11 horas da manhã e só chegamos de noite” Do Carmo estava entusiasmada com sua cama nova. “Aí eu dei minha cama de solteira para Neguinha. Minha cama nova é grande, quase não cabe no quarto.” Espírito de luta. Do Carmo contou do dia anterior longo e cansativo. Em suas palavras o que predominava não era o cansaço, mas sim a alegria de seus novos pertences. Mesmo quando falamos de carroça humana. Lavava roupa, intercalava com os cuidados do filho Ivo, olhava o feijão.Tudo ao mesmo tempo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Do Carmo passa aí a escova na minha chinela nova que a mulher me deu”. Gritou Neide lá de dentro. As árvores do quintal sombreava o lugar onde conversávamos, já que o sol esquentava e despontava lentamente entre as nuvens. Neide foi lá dentro fazer alguma coisa e ficamos só. Do Carmo e eu. “Eu tou querendo comprar um terreninho pra morar eu e Ivo, mas mamãe na quer não. Quando eu disse que ia ela começou a chorar, pedindo para eu ficar. Ela é muito apegada ao meu menino” “Tu não gosta daqui não, de morar com tua mãe?” “Gosto, a gente se dá bem, mas mamãe não deixa eu sair de casa as vezes. Ela não deixa eu ir pro Icaraí, por exemplo, tem medo que eu vá, diz que é perigoso. Eu nunca conheci a praia, queria ir. Nunca fui lá. Às vezes quero ir na casa das minhas irmãs também.” “Quanto é um terreninho?” “Eu vou receber um dinheiro aí por causa do Ivo, aí dá pra comprar uma casinha já pronta lá perto do Centro Cultural. Sempre que nasce uma criança, vovó assina uns papéis lá, aí gente ganha um dinheirinho”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Histórias e mais histórias iam se seguindo entre roupas, crianças e feijão. Ivo fez xixi em cima de mim. Peguei a caneca, afundei no tanque e me lavei. “Sua calça é desse tecido aí, seca rápido” disse a irmã de Do Carmo, Guga, 10 anos. “Você não sabe o que aconteceu ontem. Veio um velho aqui em casa querendo comprar um sapo que ele tinha visto aqui no quintal. Sapo grande, enorme. Queria pagar cinco reais no sapo. Aí eu peguei e fui procurar o sapo, mas ele tinha ido embora, sumiu. Mamãe acha que é pra fazer macumba. Eles colocam o nome de alguém dentro da boca do sapo e costuram” “Credo, vocês não ficaram com medo não?” “Não, eu queria era vender o sapo.” &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/DSC09021.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;br /&gt;Lá vem Neide com linha, agulha e umas roupas na mão para costurar no quintal, batendo papo com a gente. “Como é que foi a pesca essa semana, Neide?” “Pesquei de segunda a quinta, agora que meu filho saiu do hospital. Aquele lá que eu te contei semana passada, da diabetes. Peguei quarenta cordas de caranguejo. Fui vender no sábado e no domingo lá no Conjunto Ceará. Cada corda a dois reais. Deu um dinheirinho, mas a gente cansa muito. Antes era de monte. A gente entrava no rio, aqui mesmo na beira, pegava facinho de 5 a 6 kg de camarão, os caranguejo eram grande, agora, a gente passa o dia e a noite pescando para pegar 2kg de camarão.” Do Carmo entrou na conversa falando do calote do homem do Mercado Central. “Ah mãe, o Rogério, o homem lá dos colares não pagou tudo não. Ele só pagou a metade, 30 reais pelos colares da gente.” A venda de colar é a atividade que atualmente compete com a pesca. Catar semente para realizar o trabalho artesanal da construção dos colares ficou mais rentável do que afundar o pé na lama, mas nessas condições de desonestidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobrinho Igor veio correndo lá de dentro com um chapéu de palha cheio de santinhos políticos. “Nossa quantos santinhos... você vai votar em quem Do Carmo?” sem pestanejar, “eu vou votar no Lula, porque se não a gente perde o bolsa escola. Pra deputado nas eleições passada a gente daqui de casa votou no Dourado, índio Tapeba daqui mesmo, mas ele não ganhou. Esse ano a gente vai votar no Cláudio, que é também índio, vamos ver se ele ganha”. No quintal, Igor e Guga oras brincavam com a pilha de santinhos de vários candidatos, oras brigavam. Coisas de criança. “Eu já tirei todos os meus documentos. Eu que escrevi em tudinho: CPF, título, RG. Neguinha não tem nenhum, só o registro de nascimento.” A educação é meio precária na escola da região. “Na escola a professora passa de 3 a 4 dias sem vir dá aula.” Do Carmo está na 5º série, mas não parece muito empolgada com os estudos não. Sua mãe mesmo disse “Do Carmo não vai pra aula porque não quer”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo que parece Deus ter esquecido aquele lugar, há uma serenidade incrível na vida cotidiana daquelas pessoas que só pode existir pela presença dele mesmo. Apesar das dificuldades, a simplicidade transmite muitas alegrias nas pequenas coisas. “Você acredita em Deus, Do Carmo?” “Acredito, eu rezo todo dia quando vou dormir. Eu peço um bocado de coisas. Aqui na comunidade de 15 em 15 dias vem um padre celebrar uma missa pra batizar as crianças e pra rezar. Geralmente é dia de sábado. Passa uma mulher aqui nas casas chamando pra gente ir lá.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No curto caminho da casa de Do Carmo até a casa da mulher onde tem a missa, o bar está sempre cheio de gente jogando sinuca, bebendo cachaça e escutando forró. Em frente ao orelhão da vila, lá está. Algumas cadeiras de plástico, um altar improvisado e umas 20 pessoas, talvez esperando a bênção de Deus.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/116018276378137250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/116018276378137250?isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116018276378137250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116018276378137250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/10/num-quintal-indgena.html' title='Num quintal indígena'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115984347224855117</id><published>2006-10-02T23:19:00.000-03:00</published><updated>2006-10-03T10:28:41.196-03:00</updated><title type='text'>A todos que &#39;mariscam&#39; sonhos</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/abre.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/abre.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;FONT-STYLE: italic; TEXT-ALIGN: rightfont-family:georgia;&quot; &gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;Com a ansiedade de um filho que está para nascer....&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;Um produto maturado pelo grupo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;e produzido pela sede do corpo feminino Tr.e.m.a.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;Ta&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;lvez funcione&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;o teaser publicitário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;Na cautela de seus passos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;Seguimos rumo ao desconhecido,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;Passamos por lamas e lixo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;Chegamos nós ao ventre da fatídica imutável realidade?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;O mangue vive dentro desse seio indígena&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;FONT-STYLE: italic;font-family:verdana;&quot; &gt;Por Raquel Gonçalves&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Em uma de nossas tentativas de planejamento, devaneios, surtos burocrático e anseios o grupo Tr.e.m.a. pensou em explorar, inicialmente, a macro temática do mangue e a relação de sua biodiversidade com os seres humanos e com urbano. Daí surgiu a idéia da vivência com as marisqueiras da comunidade indígena Tapeba, na Caucaia. O trabalho com a temática acabou se perdendo imerso em tantos projetos que o grupo tentou abarcar, porém a idéia da vivência com essas mulheres não saiu da nossa cabeça desde o dia em que nos decidimos por abraçar esta causa. As marisqueiras viraram pauta. E ai fomos nós, Angélica e eu, com um pretexto de fazer uma grande reportagem, em busca de um novo mundo que nos era desconhecido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;O resultado no papel não consegue transmitir os momentos reais em que estivemos em contato com essas mulheres, mas tentam remontar as suas vidas fazendo-as falar por si só de seus desejos, problemas, sonhos, anseios e medos mostrando muito além da função que desempenham. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;A nossa preocupação com a naturalidade, com o não-direcionamento dos encontros, dos diálogos nos acompanharam em todas as visitas. A identificação de “jornalistas/pesquisadoras” ainda demonstra uma barreira a ser superada em muitas e muitas entrevistas e contatos que ainda virão pela frente... Mas acredito que seja possível adquirir essa naturalidade da relação que surge com esses novos contatos, mesmo com essa identificação inicialmente assombrosa. A comunicação ‘forçada e forjada’ nos entristece, principalmente quando percebemos que existe tanto isso dentro do jornalismo. Vamos tentando burlar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;Das impressões primeiras... estranhamento e curiosidade. Constatações: miséria e perrengue. Mulheres que antes tinham a sustentabilidade do mangue e viviam somente da mariscagem, hoje se mostram desapontada com o rendimento da atividade. Elas buscam alternativas e encontram várias formas de ir tocando o barco. Da Maria Castoré, que abandonou a atividade por problemas no joelho, à “Maicon”, filho de quatro meses da adolescente/mulher Neguinha, 16 anos, o mangue vive em todos que por ele passam, partilhando sonhos e dores nesse espaço ambíguo de (des)harmonia.&lt;span style=&quot;font-size:+0;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size:+0;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size:+0;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;Capítulo 1: &lt;span style=&quot;FONT-WEIGHT: bold&quot;&gt;Entre lama, mariscos e conversas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;FONT-WEIGHT: bold&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;&lt;o:p style=&quot;FONT-STYLE: italic; FONT-FAMILY: verdana&quot;&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style=&quot;FONT-STYLE: italic;font-family:verdana;&quot; &gt;Por Angélica Feitosa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ao longo do caminho, na estrada, o feminino prevalece. Cada uma com suas cordas cheias com o crustáceo vivo, cinzento, se mexendo. Numa mão. Na outra, pelo menos um menino se agarra. A cada carro que passa, elas estendem a mão. Não gritam, não falam, simplesmente oferecem. Poucos param. Seguindo a estrada, logo se avista a placa imponentemente erguida com o nome da tribo, os Tapeba, e a inscrição do Governo do Estado. Mais a frente, surge o Centro Cultural, todo de palha e madeira, imitando uma oca. Tudo muito bonito e organizado. “São artigos produzidos pelos próprios índios”, alguém avisa. Os artigos são diversos: colares, cocás, saias de palha. Ao lado da grande oca, uma pequena cerca guarda as plantas medicinais, também cultivadas pelos índios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;A vista do Centro Cultural causa uma ilusão. Quando se avista a oca, acredita-se o que vai se encontrar são os estereótipos indígenas: pessoas nuas ou pouco vestidas, de cocá, arco e flecha em suas casas de palha onde vivem várias famílias, vivendo em comunidade, onde tudo é de todos. O de todos para os índios, em Caucaia, município da Região Metropolitana de Fortaleza, é, na verdade, muito pouco. O extrativismo permanece, mas o arco e a flecha, que talvez nunca tenha existido nessa região, dão lugar ao fojo e a rede. As casas de tijolo cru, doadas pelo antigo prefeito, o Domingão, logo frustram quem esperava encontrar atrações exóticas. São iguais as de muitas famílias “brancas”. Não têm saneamento e os “gatos” levam luz. “A gente já chamou a Coelce, ninguém vem, o jeito que a gente encontrou foi esse”, explica Raimunda Teixeira, índia de 62 anos, oito filhos, 30 netos e 20 bisnetos. A simpática senhora hoje é funcionária pública no Posto de Saúde Vítor Tapeba, que atende a comunidade indígena às quartas-feiras. Mas até bem pouco tempo Raimunda era Marisqueira. Gosta tanto da antiga profissão que de fez em quando ainda vai ao mangue colher seus mariscos.&lt;span style=&quot;font-size:+0;&quot;&gt; &lt;/span&gt;“Mas vocês procuram uma que ainda cata o caranguejo, né? Está aí a minha neta, Maria do Carmo”.&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/Do%20carmo.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;MARGIN: 10pt 10pt 10px 10px; CURSOR: pointer&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/Do%20carmo.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A timidez não permite que Maria do Carmo, 17 anos, olhe nos olhos. No diálogo inicial, a menina é monossilábica. Frases completas saem apenas quando vai brincar com o filho Ivo, de quatro meses.&lt;span style=&quot;font-size:+0;&quot;&gt; &lt;/span&gt;“O pai não é Tapeba não”, avisa. Também não namora mais ele. “Mas ele ajuda”, ameniza. Ivo não mama, por isso quando Do Carmo vai pescar, o menino fica com a mãe, ou com as irmãs. Quando não pesca, a garota confecciona colares, para vender em Fortaleza, principalmente no Mercado Central, na Jurema, bairro de Caucaia, na rua (Centro) também. Menos no Centro Cultural Tapeba.&lt;span style=&quot;font-size:+0;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Aliás, a fonte de renda da maioria do povo da comunidade é a pesca e a confecção de colares. Todo mundo faz e se aprende de pequeno. “A gente pode ir pescar com você? Mas não é só para tomar banho de rio não. A gente quer pescar mesmo”, nos oferecemos. “Podemos marcar qualquer dia?”. “Uhum. Vocês ligam antes, não é?”. A conversa é interrompida pela irmã da Maria do Carmo. “Você ganhou no bingo”. Bingo? É, todas as tardes é o bingo que movimenta a aldeia. “Você aposta 25 centavos e pode ganhar até cinco reais”, explica a vencedora. “Meu lazer é jogar bingo aqui mesmo, é como eu me divirto por aqui.”&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;No dia que chega, Maria do Carmo nos recebe em sua casa. O shortinho curto, a blusa nadador e o balde com as armadilhas para pesca. Os fojos são umas armadilhas feitas com uma lata de óleo e um pedacinho de pau, amarrados com um cordão de borracha. Como isca, uma folhinha de qualquer árvore do mangue. Tanta folha fora, porque o caranguejo entra na lata?. “Ele é curioso”, explica Neguinha. Cada fojo pega um caranguejo. Maria do Carmo leva uns 50 toda vida que vai pescar, o que dá para cinco cordas, vendidas cada uma a R$ 2,00. Tem também o gereré que é específico para pegar siri. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/neguinha%20e%20maiccon.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;MARGIN: 10pt 10px 10px 10pt; CURSOR: pointer&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/neguinha%20e%20maiccon.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;Acompanham-nos até o mangue Neguinha, Francisca de Batismo, de 17 anos, índia de pele morena marcada pelos os traços Tapeba, olhos cor de mel e cabelos assanhados. Nos braços, o filho Michael (lê-se Maicon) um mês mais jovem que o Ivo. Irmã e sobrinho de Do Carmo “Eu queria que o nome dele fosse um nome indígena, mas a minha sogra jogou uma praga. Disse que se o nome dele não fosse Maicon, ele ia morrer. Maicon quer dizer Michael”, conta a mãe orgulhosa. Sempre que pesca, Neguinha carrega o Michael. Não o deixa com outros em casa de jeito nenhum! Nem com a mãe, nem com a sogra. Às vezes com o marido. Para onde vai leva o menino gordinho e corado, tudo pelo leite materno. Mas não é por ciúmes do filho que Neguinha não o larga.&lt;span style=&quot;font-size:+0;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Ela, na verdade, teme que a Caipora leve o menino. Isso mesmo, o ser folclórico fumante e de assobio alto e fino. Neguinha jura que, quando a mãe estava grávida dela, a caipora deu-lhe uma carreira e só escapou porque entrou em casa. “Ela quer levar embora menino dentro e fora da barriga”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;A conversa se desenrola na uma hora de caminhada até o outro lado da margem do rio, onde Do Carmo considera o melhor para a pesca. No caminho, o cheiro forte do mangue vai se intensificando à medida que se adentra. &lt;span style=&quot;font-size:+0;&quot;&gt;&lt;/span&gt;A lama cobre toda a canela, se entranha nas unhas. Maria do Carmo, à frente, mostra toda a intimidade com o lugar. Sigo devagar, com receio do cheiro forte, os pedaços de pau que ferem o pé, dos respingos do barro gerado sobre as cochas e os braços. Uma infinidade de mariscos cruza o caminho. São siris, caranguejos e o curioso mão-no-olho, que parece com o caranguejo, embora menor, e tem uma enorme pata que cobre metade do que seria o rosto. Tivemos uma verdadeira aula de a céu aberto. “Tá vendo esse bicho aí? É a Maria Farofa, se você comer você fica bebinha”, explica Do Carmo. A matéria prima para a feitoria do artesanato estava ali, por toda parte: sementes, folhas, palha. “É com essa planta aqui que a gente faz o cocar e a saia do índio, ela chama ‘Ôi de Paia’, continua Neguinha.&lt;span style=&quot;font-size:+0;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size:+0;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;Atoleiro na lama do mangue, água na metade da canela, espaços vazios, sem vegetação pela antiga salina, escombros de velhas casas Tapeba. “Ta vendo esse descampado aqui? Às vezes a nossa tribo vem dançar o Toré aqui, bem próximo da natureza. Eu adoro”, conta Do Carmo. Finalmente o rio. De longe, a vegetação do mangue, com suas plantas tortas, raízes à mostra. De perto, a imundície. Uma grande quantidade de lixo se amontoa na margem. Uma espécie de cemitério de chinelos, claro, sem os pares. Sacos plásticos, garrafas, roupas velhas e tudo mais que se possa imaginar. Para nossa surpresa, um copo do Mac Donald’s. Reflexo da ação de vários anos, da própria comunidade. O lixo, às vezes os índios queimam, às vezes jogam no rio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;Na chegada, Maria do Carmo arruma cuidadosamente as armadilhas. Um pouco distante de nós. Os caranguejos se assustam com os homens. O próximo passo é catar as pixuletas. Hein? Mariscos compridos, acinzentados, com duas conchas que protegem o animal dentro. Com a ajuda de uma canoa se chega à croa, banco de areia, seco pelo esvaziar do rio. As pixuletas são rápidas. Maria do Carmo tem agilidade, com uma pá corta a terra até ver os buraquinhos feitas pelo caminho dos mariscos. Enfia a mão e puxa o bicho gosmento, que rapidamente entra na sua proteção. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:+0;&quot;&gt;&lt;/span&gt;As duas aprenderam a pescar com a mãe, Neide, filha da índia Raimunda. “Minha mãe trazia a gente pequenininha pra ensinar a catar o caranguejo”, conta Do Carmo. O pai? Morreu de cirrose. A rotina dela inclui, além da pesca e da feitura dos colares, as aulas do supletivo do primeiro grau, na escola da comunidade. “Eu gosto de ser tapeba. Mesmo que pudesse, não sairia daqui não”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;A intimidade delas com o lugar nos dá inveja. Elas permanecem no trabalho e continuam cuidadosamente, a zelar pelo que já foi pescado. Alguns Aratus já passeiam no fundo do balde perdidos entre nossas peças de roupas que ocupavam o mesmo espaço dos crustáceos ainda vivos. Como num desabafar Do Carmo diz “Por mim eu morava aqui, no meio dos matos. Sozinha eu não tinha coragem não, mas assim... Se viessem umas três casinhas eu tinha. Lá onde moro (Vila da Ponte) é muita zoada, fica perto da pista e as vezes tem muita briga por lá”. Uma faculdade? “Pode ser, a que estudasse a pesca”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;Enquanto pesca no rio, Do Carmo sonha com o mar. “Nunca fui à praia, já vi o mar de dentro do rio das Barra, quando vou pescar de barco, mas a praia mesmo, não sei nem como é”. Um estalo. “Eita, o fojo bateu!”, avisa Do Carmo. A zoada do pau batendo na lata confirma que algum ser caiu na arapulca. E pode ser qualquer coisa, não é só caranguejo não. Até rato Maria do Carmo já pegou. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;Neguinha me espera no caminho de volta. O lameiro, o cheiro forte. A conversa se desenrola ao som do rinchado de catarro de Michael e dos galhos quebrados pelos pés que insistem em passar por ali. Neguinha confessa que sua condição indígena não traz tanto orgulho assim. “As pessoas ficam fazendo hora, chamando nós de índio, perguntando pelo arco e flecha ou então gritam assim: cuidado com as fechas. Eu não gosto. Quando me perguntam se eu sou Tapeba, eu minto, digo que não sou”. “Ela já furou o marido com uma faca”, cochicha Do Carmo. O motivo? Ele não quer que Neguinha saia de casa, quando ela sai, a briga está feita. “Ele quis me bater e eu meti faca nele”, confirma corajosamente. Quando o assunto é namorados, a agora falante Do Carmo desconversa. Volta a ser monossilábica. Quem sabe na próxima visita. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;TEXT-ALIGN: justify&quot;&gt;&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/fecha.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/fecha.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:+0;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115984347224855117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/115984347224855117?isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115984347224855117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115984347224855117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/10/todos-que-mariscam-sonhos.html' title='A todos que &#39;mariscam&#39; sonhos'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115858662892941673</id><published>2006-09-18T10:23:00.000-03:00</published><updated>2006-09-18T10:37:09.026-03:00</updated><title type='text'>livros artesanais</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/hex0.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/hex0.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family:georgia;font-size:85%;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;Oficina de livros artesanais elaborados com material recolhido por catadores das ruas de Fortaleza. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;De 21 de setembro a 01 de outubro, no Ateliê de Artes do &lt;a href=&quot;http://www.dragaodomar.org.br/&quot;&gt;Dragão do Mar&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;Informações e inscrições: 34887601/ &lt;/span&gt;&lt;a onclick=&quot;return top.js.OpenExtLink(window,event,this)&quot; href=&quot;mailto:literatura@dragaodomar.org.br&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;literatura@dragaodomar.org.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem vai fazer é essa galera aqui:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A &lt;/em&gt;&lt;a href=&quot;http://www.eloisacartonera.com.ar/eloisa/home.html&quot;&gt;&lt;em&gt;Editora Eloisa Cartonera&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; é um projeto artístico-social-comunitário, sem fins lucrativos, que produz livros artesanais utilizando papelão recolhido nas ruas de Buenos Aires. Jovens artistas trabalham conjuntamente com catadores de papel capacitando-os e estimulando suas próprias potencialidades através da literatura e das artes plásticas. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em Fortaleza, Eloísa Cartonera se instala no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura através da coordenação do poeta argentino Cristian De Nápoli e do poeta mato-grossense Douglas Diegues, trabalhando a partir de material reciclável recolhido nas ruas da cidade. Ambos já publicaram pelo projeto, e se propuseram a organizar, como primeiro número de Eloisa Cartonera neste lado do país, uma antologia de jovens poetas cearenses trans-traduzidos para o portuñol.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pode crê. Isso é Território de Expressão no e do Mundo Anônimo.&lt;/strong&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115858662892941673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/115858662892941673?isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115858662892941673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115858662892941673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/09/livros-artesanais.html' title='livros artesanais'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115832728385014484</id><published>2006-09-15T10:16:00.000-03:00</published><updated>2006-09-15T11:47:42.406-03:00</updated><title type='text'>Tiozinho do pijama</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/pijama.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/pijama.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Bem... Foi sempre um problema para a gente conceituar esse tal&lt;em&gt; mundo anônimo&lt;/em&gt; do qual a gente se proclamou como um dos espaços de expressão dentro dele. Anônimo. Algo que flerta com a questão da &lt;em&gt;invisibilidade pública&lt;/em&gt;, tanto a partir dos meios de comunicação, quanto na sociabilidade diária. Pessoas que em níveis de hierarquias arraigados de nossa sociedade - que indicam leituras (ou não-leituras) de fenótipos em questão de segundos - são relegadas ao plano instrumental, não como sujeitos, mas como funções...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que isso tem a ver com o título: &lt;a href=&quot;http://www.overmundo.com.br/overblog/seja-chique-e-gaste-pouco-por-tiozinho-do-pijama&quot;&gt;tiozinho do pijama&lt;/a&gt;. Eu também não sei ao certo, mas contar boas histórias é sempre uma ótima forma de prestar carinho ao ser humano. O certo é que o tal tiozinho do pijama conseguiu subverter a ordem hierárquica que dita até os modos de vestir com uma saída sensacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mundo Anômimo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, totalmente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pedro rocha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;ps: quem lê esse blog, pode dá um alô ai nos comentários. É que a gente tá desconfiando que só o grupo e a Marília lê isso&lt;/em&gt; &lt;em&gt;aqui. Ah! Tem a Débora também.&lt;/em&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115832728385014484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/115832728385014484?isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115832728385014484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115832728385014484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/09/tiozinho-do-pijama.html' title='Tiozinho do pijama'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115807563187144756</id><published>2006-09-12T09:26:00.000-03:00</published><updated>2006-09-12T12:48:29.036-03:00</updated><title type='text'>A Diarista</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/vap01_natalia.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/vap01_natalia.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Salve, Salve Natalia Viana, jornalista da Caros Amigos, de olhar e texto sinceros. Na reportagem &lt;em&gt;O trabalho e os dias&lt;/em&gt;, que o TR.E.M.A. foi catar na seção &lt;em&gt;Vale a pena ler de novo&lt;/em&gt; &lt;a href=&quot;http://www.carosamigos.com.br&quot;&gt;no site da revista&lt;/a&gt;, ela veste os dias de mulheres sujeitas ao subemprego em São Paulo, lugar em que homens e mulheres são copos jogados diariamente do alto de um precipício, estilhaçados, para mais na frente juntar seus cacos. Humilhação social meu caro. Um martelo de cima pra baixo a lhe achatarem numa estera rolante. Rumo ao que não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foda...&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;pedro rocha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;ps: para ler a matéria é só ir na seção Vale a pena ler de novo e apertar em arquivo, la embaixo, depois da entrevista com Paulo Mendes da Rocha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;ps2: aqui nesse mesmo blog, já digitalizamos e disponibilizamos uma reportagem de Xico Sá sobre os Homens-sanduíche. &lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;http://grupotrema.blogspot.com/2006/06/xico-s-ensanduichado.html#links&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;Aqui está.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115807563187144756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/115807563187144756?isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115807563187144756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115807563187144756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/09/diarista.html' title='A Diarista'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115741507849396242</id><published>2006-09-04T21:09:00.000-03:00</published><updated>2006-09-04T21:47:57.256-03:00</updated><title type='text'>Fractais, jornalismo e outras nóias</title><content type='html'>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;Nasceu, viveu, procriou – ou não – e morreu. Teve trinta amantes, quinze filhos reconhecidos legalmente e tantos outros bastardos. Foi molestado, daí ter feito o que fez. Cuspiram-lhe na cara, daí ter dado o troco na hora certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ano um ao último suspiro; do primeiro gozo, da primeira puta à luta contra o vício – pelo menos é o que almejam abarcar onze entre dez projetos biográficos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;“Na verdade, a biografia que vende é uma biografia do tipo linear, baseada naquilo que o Pierre Bourdieu chamou de ilusão biográfica. A ilusão de conseguir apreender a história de uma vida com causa e conseqüência, com começo meio e fim.” E, todos sabemos, nem sempre as coisas acontecem assim, com data marcada e set de filmagens à guarda dos grandes acontecimentos de nossas vidas. Nossas bestas vidas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:trebuchet ms;&quot;&gt;Mas, afinal, por que gostamos tanto de biografias? Por que nos esbaldamos lendo sobre a vida e/ou obra de gente que só ouvimos falar – às vezes muito bem, outras nem tanto. Por fim, e mais espantosamente ainda, o que têm em comum a Física Quântica e a forma do relato biográfico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resposta à última pergunta: muita coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto às demais, dêem um clique &lt;a href=&quot;http://diariodonordeste.globo.com/default.asp&quot; target=&quot;window&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt; e leiam a entrevista concedida a Tiago Coutinho por Felipe Pena, jornalista e professor adjunto da Universidade Federal Fluminense (UFF).&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115741507849396242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/20903648/115741507849396242?isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115741507849396242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115741507849396242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/09/fractais-jornalismo-e-outras-nias.html' title='Fractais, jornalismo e outras nóias'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>