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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-1486164929251670727</atom:id><lastBuildDate>Sun, 15 Jan 2012 17:15:55 +0000</lastBuildDate><category>Poesia</category><category>Texto</category><category>Conto</category><category>Crônica</category><title>Adrian Lincoln</title><description /><link>http://heroilocal.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Adrian L.)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>14</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/rss+xml" href="http://feeds.feedburner.com/HeroiLocal" /><feedburner:info uri="heroilocal" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1486164929251670727.post-6168771093901380243</guid><pubDate>Fri, 14 Oct 2011 14:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-14T07:47:26.438-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Texto</category><title>A LINGUAGEM COMO SOL E A PALAVRA COMO FLOR.</title><description>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: right; text-indent: 35.45pt;"&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: right; text-indent: 35.45pt;"&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Adrian Lincoln *&lt;span style="background: white;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;

&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: right; text-indent: 35.45pt;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;
&lt;span style="background: white; color: #333333; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Há muitas variações de todas as línguas no mundo de
hoje, e arrisco mesmo a dizer que isso sempre ocorreu durante os tempos, desde
os mais primórdios. A bíblia hebraica já proclamava que Deus trouxe as feras da
terra e as aves do ar para Adão nomeá-las. E então, “tudo o que Adão chamou a
toda alma vivente, isso foi o seu nome” (GENESIS II, 19-20). Já nos clássicos
gregos, especulações linguísticas também se encontram. Os pré-socráticos
exploraram a&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&amp;nbsp;&lt;i&gt;&lt;span style="background: white;"&gt;motivação&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;&lt;span style="background: white;"&gt;dos signos: se um nome tinha uma conexão inerente à
coisa por ele apontada ou se esta conexão era mera convenção social.
Aristóteles definia as palavras faladas como “símbolos ou signos de aflições ou
impressões da alma” enquanto “as palavras escritas são os signos das faladas” –
uma visão depois criticada pela filosofia contemporânea do filósofo
franco-argelino Derrida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;
&lt;span style="background: white; color: #333333; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;
As diversas variações da língua acontecem conosco mesmo no dia-a-dia: não se
fala do mesmo modo num jantar rotineiro em família como se fala numa
apresentação em sala de aula; o narrador de trailers de filme de terror não
fala daquele jeito assombroso ao ninar sua filha para dormir. A língua é vária.
E não só temporalmente a linguagem é assim, mas como localmente também.&amp;nbsp;
Pessoas do norte falam de um jeito, do sul falam de outro, em variantes de uma
língua cuja regra correta e pura simplesmente não existe. São línguas satélites
dum sol de mentira, mas cuja iluminação é mais do que potente. Não raro se vê
as pessoas acusando umas às outras de “falar errado”, “escrever errado”, e não
se perguntando o que é e quem pode dizer o que é definitivamente “errado”? Não
erro eu ao escrever certo para determinada parcela da população, mas
estranhamente demais para outra? Meu leitor é sempre crítico, bem alimentado, e
capaz de referenciar inferências? Meu pai que fala “armoçar” é culpado de algum
crime gramatical e deve cumprir pena na prisão dos dicionários? Sou eu perfeito
gramaticalmente que posso e devo julgá-lo a tal sentença? Riem as calhandras de
outras de sua espécie que não gorjeiam corretamente?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;
&lt;span style="background: white; color: #333333; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;É claro que o relativismo não é absoluto: qualquer
língua e qualquer código já contam com sua gramática e ou regras intrínsecas, e
também podem nos ajudar assim como nos unir. Diria até que a&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&amp;nbsp;&lt;span style="background: white;"&gt;gramática é uma espécie de heroína
que nos ensina a escrever “bem” em determinados momentos. Qualquer um pode não
violar suas regras básicas e se tornar um gênio: Períodos curtos, parágrafos
alinhados, um primeiro introduzindo, uns desenvolvendo, outro concluindo, não
repetir muito a mesma palavra, colocar as vírgulas, concordar, simples e claro.
Está aí, pronto. Escrito antes de ser escrito. E somos todos, então, mega
inteligentes. Quão doce é a gramática para conosco, não é mesmo? Dá sem pedir
como as árvores não reclamam seus frutos de volta e o mar não se dorme e sempre
embala o vento e reflete o céu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;
&lt;span style="background: white; color: #333333; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Sim, é, muitas vezes, pela linguagem e suas normas
que podemos dominar as coisas do mundo, mesmo amenizar as distâncias,
emocionarmos, transformarmos as palavras em atos, entendermo-nos uns aos
outros. Porém, lembremo-nos sempre: as normas não são as mesmas para todos, o
código correto para alguns difere do que é correto para outros. Derrida
escreveria que “nada floresce na areia ou entre os paralelepípedos, a não ser
as palavras&lt;i&gt;”,&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="background: white; color: #333333; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;porém não mencionou que o que faz tais terrenos
inférteis brotar é esse sol de mentira, que é a linguagem perfeita e
inexistente, cujos raios verdadeiros atingem de uma forma o concreto e de outro
a terra bruta. E assim o faz infinitamente, fazendo que nasçam, dependendo da
superfície, arranjos muito diferentes de palavras, tão diferentes entre si que
quando vistos por outros jardineiros, não acostumados a eles, são considerados
errados e esquisitos. Mas quem é capaz de dizer que tais arranjos não dão um
belo buquê de ideias?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;
&lt;span style="background: white; color: #333333; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;* O autor é
mestrando em Linguagem e professor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;
&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;-Publicado impresso e virtual em&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.pontagrossaturismo.com.br/"&gt;&lt;span style="color: #009eb8; text-decoration: none; text-underline: none;"&gt;http://www.pontagrossaturismo.com.br/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="background: white;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1486164929251670727-6168771093901380243?l=heroilocal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/HeroiLocal/~3/UkIt6K5g4n4/linguagem-como-sol-e-palavra-como-flor.html</link><author>noreply@blogger.com (Adrian L.)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://heroilocal.blogspot.com/2011/10/linguagem-como-sol-e-palavra-como-flor.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1486164929251670727.post-2739065091344653177</guid><pubDate>Fri, 05 Feb 2010 02:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-14T07:05:26.557-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><title>E no fim não haverá fim</title><description>Quando descolar-se o sol do céu e choverem as estrelas da noite para longe de tudo que é esperança, estarei ainda na carona de Tua vigília, oh, Alma Santa!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Poderá mesmo a empresa do horror mutilar-me os sonhos e poderá o lado cruel de cada indivíduo sufocar-me de abraços frios, que não me tornarei um servo da estaca da ruindade e da mágoa venenosa que lentamente estraga os filhos da terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ainda que esteja no deserto da miséria, jamais tomarei da poção corrupta que caminha dentro da pátera, pois transborda do suco da discórdia e dos rios odiosos que inundam os espíritos humanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Posso mesmo chorar as culpas humanas, mas não as condenarei, ainda que a tristeza aguda me agulhe o peito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois sei que meu ato é Tua vontade e minha palavra é Tua voz, e que toda gota do meu rosto é para o cálice de Teu amor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Adrian Lincoln)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1486164929251670727-2739065091344653177?l=heroilocal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/HeroiLocal/~3/X9yKkVcNgQk/e-no-fim-nao-havera-fim.html</link><author>noreply@blogger.com (Adrian L.)</author><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://heroilocal.blogspot.com/2010/02/e-no-fim-nao-havera-fim.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1486164929251670727.post-2804510026476210654</guid><pubDate>Wed, 25 Nov 2009 09:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-14T07:05:44.993-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><title>À Maria - A descrição.</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;blockquote&gt;
“Está caído no alto, contrariando as leis das coisas que caem, e se estende sobre nós seja dia seja noite nos doando de si mesmo belezas infinitas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes chora em água com a gente, ou se fecha pálido porque outro entre nós sente-se fechado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E acompanha todos os seres e todas as coisas e carrega para eles todas as pesadas luzes do universo. É lá ainda que habitam os que nos morreram, as mães mortas, os filhos não nascidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E é para lá que olham os vivos quando desesperados ou mesmo esperançosos, para lá que abrem os braços numa tentativa de abraçar e ter para si toda paz que ele promete ser.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, minha mãe, defini o céu, mas não consegui te mostrar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adrian L.&lt;/blockquote&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1486164929251670727-2804510026476210654?l=heroilocal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/HeroiLocal/~3/17tO_5bvrkI/maria-descricao.html</link><author>noreply@blogger.com (Adrian L.)</author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://heroilocal.blogspot.com/2009/11/maria-descricao.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1486164929251670727.post-1246519075570001287</guid><pubDate>Sun, 08 Nov 2009 16:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-21T05:45:30.685-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><title>Nota de Falecimento</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;blockquote&gt;
Nota de falecimento: Deixou-nos ao meio-dia desta terça-feira, dia 27 de outubro, a TV da sala. Tinha doze anos, viúva da nossa antena antiga, sem filhos, doadora de órgãos, faleceu de causas naturais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com ela passamos muitos momentos juntos. Lembro-me do dia que chegou e rapidamente ocupou seu lugar fixo na sala, sendo mais um membro da família, mais uma voz nas decisões. Mostrava-nos os preços mais baratos, aconselhava sobre alimentação saudável, e pedia com gentileza que levássemos ou não o guarda-chuva caso fôssemos sair. Quantas vezes, na hora do jornal, papai sozinho tinha longas discussões com ela, sempre fazendo as pazes depois, quando ela sorrindo mostrava o time do coração dele ganhando. Também sempre era ela que ajudava mamãe ensinando das suas receitas milagrosas para um jantar diferente para nos distrair os gostos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela era tão querida que, quando percebia desavenças entre os irmãos, logo arranjava os capítulos finais da novela para juntar a família toda na sala. E muitas vezes ainda ela nos colocava para dormir, contando alguma história fantástica e então se desligando sozinha para que a luz que brilhasse mais fosse a luz própria dos nossos sonhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vez ou outra ela brincava de sair do ar como quem brinca de fazer falta, mas logo voltava e voltava com tanta saudade que se mostrava por completa, até mesmo ficava nua.  Éramos íntimos. Foi para ela e somente para ela que chorei e tantas vezes chorei quando o fim do filme era muito triste. Ela conhecia o que me comovia e o que me enchia a boca de sorriso e conhecia estas coisas de todos nós. Sempre soubemos no fundo que era ela quem nos assistia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pela manhã, sabendo que a manhã é a infância do dia, ela nos mostrava desenhos e divertia os olhos de criança que ainda todos carregamos. À tarde, entretia toda a gente com alguma série longa ou uma brincadeira jovem e cheia de vida. À noite, trazia temas adultos, e na alta madrugada passava os filmes que nunca queríamos que acabassem. Ao meio-dia, era a vez do jornal em que passavam as tristezas faladas, os acidentes de carro e as notas de falecimento. E a nota dela própria, coitada, ela não conseguiu mostrar, mas nós vimos ao vivo ela morta, indo para o paraíso das televisões e lá, com certeza, ela irá se encontrar com a nossa velha antena por quem era apaixonada e conversarão eternamente e para sempre o diálogo das imagens. Pena que o céu não passe em nenhum canal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Descanse em paz, Philips Smart.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adrian L., seu fiel telespectador.&lt;/blockquote&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Publicado impresso e virtual em:&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.revistapontoevirgula.com.br/noticia.php?id=29"&gt;http://www.revistapontoevirgula.com.br/noticia.php?id=29&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
- Também em:&amp;nbsp;&lt;a href="http://unicentro.br/agora/jornal/2011/ed05.pdf"&gt;http://unicentro.br/agora/jornal/2011/ed05.pdf&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1486164929251670727-1246519075570001287?l=heroilocal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/HeroiLocal/~3/nmiloAucKJQ/nota-de-falecimento-adrian-l.html</link><author>noreply@blogger.com (Adrian L.)</author><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://heroilocal.blogspot.com/2009/11/nota-de-falecimento-adrian-l.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1486164929251670727.post-2837272695667924261</guid><pubDate>Mon, 26 Oct 2009 06:09:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-14T07:06:08.864-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><title>Quando</title><description>Quando eu era criança, Deus era melhor&lt;br /&gt;
Alongava a novidade&lt;br /&gt;
E nenhuma coisa tinha um fim&lt;br /&gt;
Nem o mundo nem nenhuma vida&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deus era mais eterno&lt;br /&gt;
E o medo que eu tinha era do escuro&lt;br /&gt;
E não do homem&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O noticiário era mais tranqüilo&lt;br /&gt;
E as tragédias de verdade nunca aconteciam&lt;br /&gt;
E não era tão vergonhoso ir até a casa do vizinho ver televisão&lt;br /&gt;
Ou emprestar copos de comida&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu tinha os corações que desejava&lt;br /&gt;
Justamente por não desejar coração nenhum&lt;br /&gt;
E eu não era tão ridículo&lt;br /&gt;
Nem tão feio como me dizem por aí&lt;br /&gt;
E nem sempre era o último a ser escolhido&lt;br /&gt;
Nas brincadeiras de escolha&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pequenas tristezas aconteciam&lt;br /&gt;
E eram porque não se tinha o brinquedo&lt;br /&gt;
Não porque não se tinha uma pessoa&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu não era tão corcunda&lt;br /&gt;
E nem me importava se tinha só um par de sapatos&lt;br /&gt;
Porque eu não olhava tanto para eles&lt;br /&gt;
Como faço hoje quando caminho&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deus amenizava a minha estupidez&lt;br /&gt;
Porque colocava graça na bobeira burra&lt;br /&gt;
De toda pequena pessoa quando boba&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As coisas eram mais iguais&lt;br /&gt;
E mesmo o garoto monstro da quinta casa era feliz&lt;br /&gt;
Mesmo o amor paraplégico ainda era amor&lt;br /&gt;
Mesmo a luz de velas ainda era luz&lt;br /&gt;
Mesmo todos eram o coração do mundo&lt;br /&gt;
E não só poucos alguns&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando eu era criança, Deus era melhor&lt;br /&gt;
Porque talvez também fosse Ele mais criança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adrian L.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1486164929251670727-2837272695667924261?l=heroilocal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/HeroiLocal/~3/O8LNEA_9rBo/quando.html</link><author>noreply@blogger.com (Adrian L.)</author><thr:total>3</thr:total><feedburner:origLink>http://heroilocal.blogspot.com/2009/10/quando.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1486164929251670727.post-8144261846252602257</guid><pubDate>Fri, 18 Sep 2009 08:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-14T07:06:22.903-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><title>Do mar</title><description>Ano passado, eu fui pela primeira vez à praia, e foi quando entendi por que Deus separou o mar do céu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;
O mar é grande&lt;br /&gt;
A água gigante&lt;br /&gt;
O mar nunca pára&lt;br /&gt;
Não dorme&lt;br /&gt;
Fica lá, acordado&lt;br /&gt;
Inundado de movimento&lt;br /&gt;
Movimenta mas não vai embora&lt;br /&gt;
E é bom por isso&lt;br /&gt;
Fica ali&lt;br /&gt;
Sempre sendo&lt;br /&gt;
Para nós ou para ninguém.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adrian L.&lt;/blockquote&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1486164929251670727-8144261846252602257?l=heroilocal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/HeroiLocal/~3/OrN1pxyQYsI/do-mar.html</link><author>noreply@blogger.com (Adrian L.)</author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://heroilocal.blogspot.com/2009/09/do-mar.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1486164929251670727.post-7492542854672290242</guid><pubDate>Mon, 24 Aug 2009 18:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-14T07:06:34.737-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><title>Exista,</title><description>Na nossa cidade não deviam existir tardes tão sozinhas&lt;br /&gt;
Nem esquinas cheias de acidentes fatais&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na nossa cidade não devia existir a hora triste&lt;br /&gt;
Depois de uma derrota nossa para o mundo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na nossa cidade não deviam existir amores negados&lt;br /&gt;
Nem ruas desertas com casas mudas&lt;br /&gt;
Nem aquele tempo que se leva para dormir&lt;br /&gt;
Que enche o quarto de dúvidas&lt;br /&gt;
E nos dá aquela pequena vontade de morrer&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No nosso bairro não devia existir a rua de cima&lt;br /&gt;
Que sempre ganha os campeonatos de jogo&lt;br /&gt;
Nem o céu com tantas nuvens cortando&lt;br /&gt;
A nossa conversa com o sol&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No nosso bairro não devia existir a gargalhada alta&lt;br /&gt;
Das prostitutas que riem de mim&lt;br /&gt;
Nem tanta cor na paisagem&lt;br /&gt;
Que a gente vê mas não tem&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na nossa rua não devia existir o vizinho tão melhor&lt;br /&gt;
Nem os dias de mais frio do que roupas&lt;br /&gt;
Nem mais fome que comida&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na nossa rua não deviam existir os amigos que não moram mais&lt;br /&gt;
Nem este festival de mães mortas&lt;br /&gt;
Que abaixaram para sempre a cabeça dos filhos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na nossa rua não devia existir caminhar na calçada&lt;br /&gt;
Com esperança de algo que não se sabe o quê&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na nossa rua não devia existir a saudade&lt;br /&gt;
Da infância que foi há anos ou ontem&lt;br /&gt;
Nem muros tão altos com cachorros lá dentro&lt;br /&gt;
Que se a bola cai não tem como pegar&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na nossa rua não devia existir a doença de lembrar&lt;br /&gt;
Nem o telefone público&lt;br /&gt;
Que transforma o abraço em palavra...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na nossa rua não deviam existir tantas palavras&lt;br /&gt;
Fazendo procissão por tudo que há&lt;br /&gt;
Nem a gente brincando de tristeza&lt;br /&gt;
Tarde da noite quando já é a hora do soninho&lt;br /&gt;
E não de existir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Adrian L.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1486164929251670727-7492542854672290242?l=heroilocal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/HeroiLocal/~3/9Y70v3l7g24/exista.html</link><author>noreply@blogger.com (Adrian L.)</author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://heroilocal.blogspot.com/2009/08/exista.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1486164929251670727.post-3013310994315848436</guid><pubDate>Fri, 31 Jul 2009 20:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-14T07:06:51.455-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><title>Das ausências - Adrian Lincoln</title><description>&lt;a href="javascript:void(0);" target="_blank"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Sempre a declaração sai perfeita para o próprio reflexo nos espelhos dos quartos vazios.&lt;br /&gt;
Sempre o discurso sai melhor para a platéia invisível que mora nas paredes e cujos aplausos são mudos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De ausências, digo que precisamos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro momento depois que o amigo foi embora e o céu que é ele se inicia em nós&lt;br /&gt;
Primeiro dia sem o corredor das escolas,&lt;br /&gt;
Primeiro toque que a mão quer e não encontra o que tocar&lt;br /&gt;
E é aí que a maquinaria da saudade funciona.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É da ausência do que sabemos que existe&lt;br /&gt;
Da ausência que já é em si a promessa da presença...&lt;br /&gt;
Que brotam os botões apertados da falta&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois é apenas sem que desejamos estar com.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ainda que toque o que realmente é doído&lt;br /&gt;
Ainda que seja triste por demais&lt;br /&gt;
Devo me perguntar:&lt;br /&gt;
Em quantos lugares estão agora minhas ausências?&lt;br /&gt;
Em quais lugares eu não estou?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adrian Lincoln&lt;br /&gt;
&lt;a href="javascript:void(0);" target="_blank"&gt;http://recantodasletras.uol.com.b&lt;wbr&gt;&lt;/wbr&gt;r/poesiasdesaudade/1726820&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1486164929251670727-3013310994315848436?l=heroilocal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/HeroiLocal/~3/qQ5HXwz-cBE/das-ausencias-adrian-lincoln.html</link><author>noreply@blogger.com (Adrian L.)</author><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://heroilocal.blogspot.com/2009/07/das-ausencias-adrian-lincoln.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1486164929251670727.post-4836561866017223154</guid><pubDate>Sat, 18 Jul 2009 16:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-14T07:07:02.635-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><title>Adrian Lincoln -  (O hospício dos certos)</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;blockquote&gt;
Andar ando com os acostumados à derrota,&lt;br /&gt;
Com os habitantes invisíveis da sarjeta dos ignorados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sou amigo dos corcundas perdedores, dos desajustados não notados,&lt;br /&gt;
Horríveis desconhecidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caminho com os homens-aberrações que saem se escondendo pelas esquinas quadradas,&lt;br /&gt;
Humilhados pelas alegrias casuais, tão inalcançáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faço parte da equipe dos humanos feios, dos azarados tímidos, dos covardes chorosos nestes dias chorosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Andar ando com os ausentes,&lt;br /&gt;
Moradores sozinhos da casa da angústia, não percebidos, não presentes, ruins de se olharem.&lt;br /&gt;
Camuflados entre as paredes de cor oca,  tão fracassados em ser.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sou dos ridículos pobres, piada das prostitutas, piada dos jogadores, piadas.&lt;br /&gt;
Vencidos por qualquer pequeno estalo, rejeitados de amores, traídos em centenas, mal arrumados, mal acabados,&lt;br /&gt;
Deselegantes palhaços sem harmonia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esquecidos facilmente, não lembrados pelas emoções, não convidados às festas cretinas dos prazeres escuros em que o nascimento da manhã seguinte não importa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aqueles que as histórias não carregam, que as saudades não apontam,&lt;br /&gt;
E o hálito dos acasos não sussurra paixão alguma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que a voz é um lamento e a canção uma despedida.&lt;br /&gt;
Que a miséria é normal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sou transformador de suas quase palavras, e sou um destes.&lt;br /&gt;
Exército fraquíssimo de soldados medrosos, a vergonha das raças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dos que vivem na margem da página onde nada consegue se escrever, se mostrar, se falar,&lt;br /&gt;
Eu sou o grito.&lt;br /&gt;
Um maldito de um grito escrito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adrian Lincoln (O hospício dos certos).&lt;/blockquote&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1486164929251670727-4836561866017223154?l=heroilocal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/HeroiLocal/~3/m92CZayQhbM/adrian-lincoln-o-hospicio-dos-certost.html</link><author>noreply@blogger.com (Adrian L.)</author><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://heroilocal.blogspot.com/2009/07/adrian-lincoln-o-hospicio-dos-certost.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1486164929251670727.post-2376694160842065553</guid><pubDate>Fri, 12 Jun 2009 01:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-14T07:07:18.040-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><title>Final</title><description>&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CADRIAN%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CADRIAN%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CADRIAN%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;
 &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face  {font-family:"Cambria Math";  panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4;  mso-font-charset:1;  mso-generic-font-family:roman;  mso-font-format:other;  mso-font-pitch:variable;  mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;} @font-face  {font-family:Calibri;  panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4;  mso-font-charset:0;  mso-generic-font-family:swiss;  mso-font-pitch:variable;  mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-unhide:no;  mso-style-qformat:yes;  mso-style-parent:"";  margin-top:0cm;  margin-right:0cm;  margin-bottom:10.0pt;  margin-left:0cm;  line-height:115%;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:11.0pt;  font-family:"Calibri","sans-serif";  mso-ascii-font-family:Calibri;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-font-family:Calibri;  mso-fareast-theme-font:minor-latin;  mso-hansi-font-family:Calibri;  mso-hansi-theme-font:minor-latin;  mso-bidi-font-family:"Times New Roman";  mso-bidi-theme-font:minor-bidi;  mso-fareast-language:EN-US;} .MsoChpDefault  {mso-style-type:export-only;  mso-default-props:yes;  mso-ascii-font-family:Calibri;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-font-family:Calibri;  mso-fareast-theme-font:minor-latin;  mso-hansi-font-family:Calibri;  mso-hansi-theme-font:minor-latin;  mso-bidi-font-family:"Times New Roman";  mso-bidi-theme-font:minor-bidi;  mso-fareast-language:EN-US;} .MsoPapDefault  {mso-style-type:export-only;  margin-bottom:10.0pt;  line-height:115%;} @page Section1  {size:612.0pt 792.0pt;  margin:72.0pt 72.0pt 72.0pt 72.0pt;  mso-header-margin:36.0pt;  mso-footer-margin:36.0pt;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;} --&gt; 
&lt;/style&gt;Final
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Versa dentro de mim a conversa que só se ouve sem ouvidos
&lt;br /&gt;
Leciona o ruim dos dias, e destaca as consoantes tristes.
&lt;br /&gt;
E por quê?
&lt;br /&gt;
Depois que os milênios não estiverem mais aqui e o espírito passar por todos os seus funerais
&lt;br /&gt;
Ainda no cemitério do céu serei
&lt;br /&gt;
Professor da angústia e exemplo da derrota?
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Confiro a ti, outro qualquer que por ser outro faz de mim eu,
&lt;br /&gt;
Como fosse o poeta absoluto que me criou,
&lt;br /&gt;
A invenção do meu crime.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sou o culpado aí de serem as fraquezas quase normais
&lt;br /&gt;
E do ridículo do choro no final das histórias
&lt;br /&gt;
Da aberração dos momentos risonhos
&lt;br /&gt;
E da humilhação pálida dos pedidos,
&lt;br /&gt;
(E quantas vezes já não me humilhei pedindo
&lt;br /&gt;
Pelo que for. Beijo ou água ou algum qualquer sim do mundo.
&lt;br /&gt;
Qualquer sim daqueles que concordam com a gente).
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Escreve no caderninho da minha alma a voz de não sei quem.
&lt;br /&gt;
E todo mundo sabe,
&lt;br /&gt;
Choro palavras
&lt;br /&gt;
Que escorrem pelo meu rosto
&lt;br /&gt;
E mancham o papel
&lt;br /&gt;
Numa ordem feia de se ver.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E é que de súbito me aparecem
&lt;br /&gt;
Todos os humanos que já nasceram e que nascerão em toda a história da terra
&lt;br /&gt;
E mais ainda os não bem formados, natimortos, destruídos pela guerra das células
&lt;br /&gt;
E me olham e me apontam.
&lt;br /&gt;
Em alguma hora que foge do meu relógio.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E me ocupam em saber de todas as suas curiosidades e de todos os seus dias e noites
&lt;br /&gt;
E os conheço por completo um a um.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ao me saberem... todos eles se amarguram.
&lt;br /&gt;
De se aperceberem da verdade dos sozinhos
&lt;br /&gt;
De se aperceberem da falta de vitórias para contar.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os abortados têm de mim pena
&lt;br /&gt;
Reis insistem-me como bobo da corte,
&lt;br /&gt;
As donzelas do além moderno matriculam-se em outras paixões.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E se vão embora todos e sinto de uma só vez o remorso de todas as despedidas possíveis.
&lt;br /&gt;
Agora é de todos os seres de todos os tempos que tenho saudade.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saudade de tantas outras saudades
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O teatro nervoso de toda a realidade vai perdendo as forças
&lt;br /&gt;
Ao passo que em mim tudo emudece
&lt;br /&gt;
E quem eternamente arremessa meu coração para que pulse parece já não mais estar lá.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adrian Lincoln
&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1486164929251670727-2376694160842065553?l=heroilocal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/HeroiLocal/~3/Z9DKATSlSsI/final.html</link><author>noreply@blogger.com (Adrian L.)</author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://heroilocal.blogspot.com/2009/06/final.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1486164929251670727.post-5934711407183388533</guid><pubDate>Sun, 07 Jun 2009 00:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-14T07:09:19.093-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Poesia</category><title>Poemas para quem amo - Adrian Lincoln</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
"Poemas para quem amo", livro eternamente incompleto, e que por toda minha vida devo escrever, ficará aqui.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faltam alguns textos (e sempre faltarão), mas alguns são meramente por problemas burocráticos, logo estarão todas as pessoas-poemas aqui, e quem sabe, um dia no futuro, se o futuro vier e a palavra durar, não os publicarei ainda também em forma sólida.&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
-_-&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
ADRIAN LINCOLN&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;POEMAS PARA QUEM AMO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Prefácio:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deus estampou um céu acima de toda a gente, e não importa… seja maior, menor, bobo ou belo, coisa, bicho ou ato, chuva que se vê ou vento invisível… seja mesmo o que for, o céu está sempre a nos olhar de forma igual fazendo iguais todos nós...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E assim nos faz também eternamente próximos… pois é esse próprio céu que nos une.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Livro:&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Amanda Neme&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Amanda é alta e bela como nunca quis ser&lt;br /&gt;
É dela uma beleza que é humilde...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois nem sabe ela que é ela quem ilumina o dia&lt;br /&gt;
Como um sol que sorri,&lt;br /&gt;
Que também não sabe por que sorri...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Amanda e sol são parecidos,&lt;br /&gt;
Despercebidos amarelos, belos,&lt;br /&gt;
Bons sem motivos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela sem querer desfila quando anda&lt;br /&gt;
E é pra ela, quando passa, assim simples&lt;br /&gt;
Que o mundo todo se faz em passarela.&lt;br /&gt;
------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Amauri José&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Em todo o tempo ama o amigo; e na angústia nasce o irmão"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Amauri José morreu comigo na sarjeta às três horas da manhã.&lt;br /&gt;
E as sirenes nem ligaram, estúpidas que são.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tantas vezes isso aconteceu que se tornou incontável, claro se soubéssemos contar.&lt;br /&gt;
Tantas vezes isso aconteceu que aprendemos a nascer na manhã seguinte.&lt;br /&gt;
E mesmo entristecidos com as aparências, bendizíamos quem quer que fosse.&lt;br /&gt;
E ainda o fazemos, nos despejando todo dia pelas ruas acolhedoras ou não.&lt;br /&gt;
Para as pessoas merecedoras ou não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Amauri José é o melhor amigo dos melhores amigos.&lt;br /&gt;
Eterno companheiro do sonho sonoro e tantos outros.&lt;br /&gt;
Um grande cara&lt;br /&gt;
Eis um abraço.&lt;br /&gt;
------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Amelu Nunes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o que faz com seu corpo essa dançarina a não ser mostrar aquilo que já dança em sua alma?&lt;br /&gt;
Pois é o eterno nascer do movimento e assim a vitória para sempre contra tudo que é pausado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E grita com a seqüência dos atos que a dança parada dos dias pode ser sempre a mesma, mas jamais se deve permitir que isso contamine o ritmo das emoções.&lt;br /&gt;
É o que essa dançarina não permite quando conversa a conversa dos gestos, quando sorri com os braços, quando chora pelos pés.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arrasta-se, derruba-se e enche todos os olhos da beleza que é uma paisagem que se move.&lt;br /&gt;
E não é a insônia agitada de todos os olhos o verdadeiro palco em que a dança realmente acontece?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, dançarina, todo olhar é teu palco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E estivesse sozinha, fosse só, fosse ninguém a ver, ainda assim, dançarina, é o mundo em si também tua platéia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porque tudo é ritmo.&lt;br /&gt;
Seja a música dos próprios sapatos a baterem no chão,&lt;br /&gt;
Seja o barulhinho que inventa e que única sabe e única acompanha,&lt;br /&gt;
Seja o passeio curto do coração dentro do peito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo dança.&lt;br /&gt;
No corpo que é o templo da arte do movimento.&lt;br /&gt;
-------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ana Amélia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ana ama todos&lt;br /&gt;
E pra todos que ama&lt;br /&gt;
Ela existe&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E assim,&lt;br /&gt;
Existindo tanto,&lt;br /&gt;
Ana é duas, é dez e-&lt;br /&gt;
Não se basta- é mil&lt;br /&gt;
Única pra cada um&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E assim,&lt;br /&gt;
Existindo tanto&lt;br /&gt;
E pra tantos&lt;br /&gt;
Ela me escapa&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como se escapa logo&lt;br /&gt;
Uma borboleta rara&lt;br /&gt;
De uma rua urbana&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ana ama todos&lt;br /&gt;
E&lt;br /&gt;
Ana...&lt;br /&gt;
Também me ama.&lt;br /&gt;
----------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Carolina Molina&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;E não há saudade mais bela do que aquela que a tua própria falta causou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois quando não está comigo, Carolina,&lt;br /&gt;
Eu te procuro nas palavras e nas imagens, estas funcionárias da lembrança, escrevendo o teu nome e olhando para a fotografia que meus olhos tiraram de você.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu te procuro, pois sem você, reconheço-me incompleto, desfalcado de mim mesmo.&lt;br /&gt;
Eu te procuro e te procuro... E te encontro...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E te encontro, Carolina, sorrindo um sim ao meu sim.&lt;br /&gt;
E assim,&lt;br /&gt;
Com teus olhos refletindo em nenhum dos outros olhos a não ser nos meus,&lt;br /&gt;
Sinto-me completo&lt;br /&gt;
E sem receio em dizer que, passem uma ou mil primaveras, meu amor será todo e para sempre teu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
----------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Liriane Maria Ferreira Clarindo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lene, mãe da minha adolescência&lt;br /&gt;
Mostrou-me como&lt;br /&gt;
quão tudo é exato...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E é por isso que, hoje,&lt;br /&gt;
Vejo uma regência&lt;br /&gt;
Na dança dos dias&lt;br /&gt;
E nos fatos da vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mulher arrumada, Dona do Direito...&lt;br /&gt;
Seus passos e seus fatos&lt;br /&gt;
Estão sempre a florescer&lt;br /&gt;
Na lógica correta do nosso Deus justo.&lt;br /&gt;
--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Luam Gabriel&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luam Cabreiro, que mesmo em vôo altaneiro&lt;br /&gt;
É, por todas as ruas, companheiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu amigo sem data...&lt;br /&gt;
Meu irmão sem idade...   -----------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Lucélia Clarindo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Que os russos me desculpem,&lt;br /&gt;
Mas quem me revelou que o mundo é azul foi a minha irmã!"&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lucélia... Contava-me histórias pra dormir&lt;br /&gt;
Que não eram pra dormir e sim pra sonhar&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E assim foi contando a minha vida até que&lt;br /&gt;
Deu-me os verbos pra que eu continuasse&lt;br /&gt;
E se absteve em silêncio como um deus humilde&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mostrou-me como da miséria fazer fábula&lt;br /&gt;
E a presentear os outros com palavras,&lt;br /&gt;
Já que não somos mesmo de muitas posses&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que a falta que nos fazem os que faltam&lt;br /&gt;
Nunca deixe de fazer falta pois é a falta&lt;br /&gt;
A estrutura, ainda que ausente, da presença...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando sua voz estava mais perto dos meus olhos&lt;br /&gt;
Era de manhã, e eu amo a manhã&lt;br /&gt;
A manhã é a infância do dia.&lt;br /&gt;
------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Luciane Lopes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciane fez do próprio coração&lt;br /&gt;
Uma caixa de guardar saudades&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E não se importa se dói tirá-las de lá de vez em quando&lt;br /&gt;
Para nos ver alegres de espanto com as suas lembranças&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Escreveu três meninas&lt;br /&gt;
Que são dela a cara e aquele jeito de sempre&lt;br /&gt;
De quem não tem muito jeito&lt;br /&gt;
Com os silêncios da vida&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da vida, Luciane leu a bula.&lt;br /&gt;
Sabe de cor o sol&lt;br /&gt;
E o fala para mim quando chove&lt;br /&gt;
Também sabe de cor o poema bonito&lt;br /&gt;
Do idioma moderno da infância&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E assim decora o dia&lt;br /&gt;
Da minha alma tantas vezes criança&lt;br /&gt;
-------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Verena Luisa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verena tinge o cabelo&lt;br /&gt;
Troca de cabeça&lt;br /&gt;
E logo é outra,&lt;br /&gt;
Mas ainda é Verena&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Compra um par de óculos&lt;br /&gt;
Sintoniza outra cor nos olhos&lt;br /&gt;
E muda um tantão,&lt;br /&gt;
Mas ainda é Verena&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Viaja pro norte&lt;br /&gt;
Mora no sul&lt;br /&gt;
Vai pelo céu&lt;br /&gt;
Vai pela terra&lt;br /&gt;
Corre&lt;br /&gt;
Cai&lt;br /&gt;
Finge que não dói&lt;br /&gt;
Cada dia uma,&lt;br /&gt;
E ainda é Verena&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vira cantora,&lt;br /&gt;
Vira professora&lt;br /&gt;
Vira presente&lt;br /&gt;
Vira versinho&lt;br /&gt;
Vira palavra&lt;br /&gt;
Vira poesia&lt;br /&gt;
E percebo:&lt;br /&gt;
É bobeira minha&lt;br /&gt;
Querer guardá-la no papel&lt;br /&gt;
Dentro da gaveta&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verena é sempre Verena&lt;br /&gt;
E não cabe num poema.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1486164929251670727-5934711407183388533?l=heroilocal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/HeroiLocal/~3/aF0fnrHTt68/poemas-para-quem-amo-adrian-lincoln.html</link><author>noreply@blogger.com (Adrian L.)</author><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://heroilocal.blogspot.com/2009/06/poemas-para-quem-amo-adrian-lincoln.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1486164929251670727.post-460022649469565716</guid><pubDate>Fri, 17 Apr 2009 20:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-14T07:17:02.464-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><title>Filhos da Puta</title><description>&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;
Filhos da Puta&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Sim, certas coisas são lógicas, Deus colocou na forma das coisas seus nomes, uma pedra só poderia ser pedra, uma águia só poderia ter este nome, águia, o Moisés aqui do lado da minha casa tem cara de Moisés mesmo. O que eu realmente não sei o porquê é o fato de Deus privilegiar certos filhos da puta, estes que só de a gente olhar já se sabe: “Sim, são filhos da puta”.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Filhos da puta não estão apenas marcando impedimentos errados, mas sim se espalham por toda parte; aqui na rua tem uns dez que eu consegui contar rápido. Opa, mais um, onze. E apesar da alcunha, eles sempre estão de algum modo em um posto melhor que você. O típico filho da puta é um filho terrível, só causa problema, porém ganha um carro do pai bem antes que você consegue sonhar em dirigir. São eles traidores, bobos, infantis, mas são geralmente os escolhidos pelas garotas, às quais chamávamos de legais e bonitas, isso até sabermos de tal escolha, depois, são elas também parte do grande time. E são muito felizes, isso, filhos da puta são felizes, invejosamente felizes.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Os dentes dos filhos da puta não doem, não, nunca. Eles chegam atrasados e o pessoal acha engraçado e lhes dá um aumento. Filhos da puta leem os livros pela metade, sabem mais ou menos as ideias, mas são eles que tiram 10 nos testes, são eles os preferidos dos professores, são eles que conseguirão a vaga para qualquer coisa a que você concorra. Filhos da puta em concurso de frases farão algo como “Tal companhia apavora!” e tirarão o primeiro lugar, deixando a sua frase tão bem pensada, elaborada, e com uma ideia bem sacada fora da lista dos prêmios. Deus deve mesmo gostar dos filhos da puta.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
E é assim tanta injustiça para com a gente, os filhos da mãe mesmo, que nos perguntamos se vale a pena, se vale manter-se como um carpinteiro do universo, tentando remendar as coisas, não deixar as pessoas em má situação, não ofender, não brigar, não tirar proveito, ser justo, doar sangue, a vida, o coração e o telefone. É, de que vale calar-se ao perceber uma pessoa contando algo que você já sabe apenas para não quebrar o entusiasmo da novidade? Um filho da puta não ligaria, quebraria, humilharia e talvez nem perceberia que assim fazia.  Filhos da puta são egoístas por natureza, já nascem assim. &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
E de tanto perderem, aqueles que não nasceram filhos da puta se cansam, cansam de nunca ganharem o que for que disputem, cansam de dar tudo o que podem e nunca ser o suficiente ou ser mais do que o suficiente. Cansam das desculpas das filosofias esperançosas, cansam de sempre se reconhecerem nos personagens sofridos dos livros, de chorarem no final dos filmes ou de se sentirem tão sentimentais e fracos ao som das músicas mais lentas. E cansados, eles se aposentam do cargo de compreensivos e tentam aos poucos se tornarem também filhos da puta.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
E assim os filhos da puta aumentam, sem noção, desesperadamente. Acontece aí como uma corrida para ser filho da puta e viver as coisas em vez de só observá-las. Ser feliz através da distração que só um filho da puta conseguiria ter, não se importar com nada, machucar os outros, não respeitar ninguém e, o melhor, perceber ainda que existem aqueles que são como se era e que é a sua felicidade agora que os irrita profundamente.    &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Sim, sendo filho da puta ganharemos as vagas, os aumentos, os concursos de frase e seremos nós, então, os queridinhos do chefe, os preferidos do papai, e, finalmente, os escolhidos pelas garotas filhas da puta. &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Talvez, devido ao nosso passado não tão glorioso, não sejamos assim facilmente reconhecidos como filhos da puta, mas o importante é que agora somos alguma coisa, e temos o aval de Deus. &lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
Logo, cabe a nós, sortudos, casarmos e termos mais e mais filhos, e, seguindo a cartilha dos pais, darmos aos nossos filhos o que nós não pudemos ter: o direito de já nascerem filhos da puta.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;
&lt;span style="font-family: 'courier new'; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;
&lt;span style="font-family: 'courier new'; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;
&lt;span style="font-family: 'courier new'; font-style: italic;"&gt;Adrian Lincoln&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1486164929251670727-460022649469565716?l=heroilocal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/HeroiLocal/~3/1Dxsj1268Ew/filhos-da-puta.html</link><author>noreply@blogger.com (Adrian L.)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://heroilocal.blogspot.com/2009/04/filhos-da-puta.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1486164929251670727.post-8404910457724520547</guid><pubDate>Sat, 13 Sep 2008 15:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-14T07:10:15.551-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Conto</category><title>O Céu na Terra</title><description>&lt;div id="a8q4" style="font-family: arial; line-height: 150%; margin-bottom: 0.19in; text-align: center;"&gt;
&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; O Céu na Terra&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify" id="a8q40" style="font-family: arial; line-height: 150%; margin-bottom: 0.19in; margin-top: 0.19in;"&gt;
&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; O que se sabia era que Vô Zé havia feito tudo na vida de mais extraordinário. Tudo de mais legal. Criado as palavras. Trabalhado com Deus, caçoado do Diabo. Inventado as cores e visitado a Disneylândia antes de nascer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify" id="a8q41" style="font-family: arial; line-height: 150%; margin-bottom: 0in; margin-top: 0.19in;"&gt;
&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; Vô Zé não falava, não ouvia, não se mexia há muito tempo. De tudo a mãe ajudava. Eu só sabia das histórias que, aliás, nem sei como sabia. Eu tinha dois anos e meio e o pouco tempo de vida me chegava legal com a novidade constante das coisas que se apresentavam a todo o momento. Nesse dia-a-dia de descobertas, eu e as outras crianças da minha idade enquanto brincávamos na areia ou na gangorra do parquinho, aproveitávamos e conversávamos muito sobre a existência ou não de algum elo entre as coisas que parecem ser vivas. Daninho, o que conseguia ir mais alto na balança, achava que as pedras viviam também e já era outra discussão. Ito, o melhor na construção de castelos de areia, achava que não. E só. “Não existe e não há abraço que sufoque a solidão das idéias próprias” era a máxima do futuro arquiteto. Eu dizia “para o Vó Zé, já que a gente existe, e a gente é mais de um, também existe a distância e para ele tudo é distante de tudo, mas às vezes a distância se distrai e é quando a gente consegue estar realmente perto um do outro”. “Preciso encontrar alguém que me distraia dessa forma” disse Daninho. “Mas será mesmo?”, Ito. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify" id="a8q42" style="font-family: arial; line-height: 150%; margin-bottom: 0in; margin-top: 0.19in;"&gt;
&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; Vô Zé lá de vez em quando olhava para nós, eu era o que mais era visto, pois morava com ele, Daninho dizia que também, que o Vô Zé o seguiu com o olhar por uns 10 segundos. Ito nunca tinha sido acompanhado pelos olhos do velho. Vô Zé era velho, tinha 100 anos exatos, e isso fazia tempo já que eu lembre. Não tinha aniversário para ele, Vô Zé tinha nascido num dia em que ele tirou do calendário depois de uns tempos, não se sabe bem o porquê. Vô Zé agora era parado como o silêncio e parecia que para ele todos os dias eram o mesmo dia. Não sei se era o cansaço de estar sempre inventando as sensações e assim estar cansado de senti-las, ou se era uma falta de retorno de boas emoções de tudo aquilo que não era ele para com ele, seja vivo, morto, ou abstrato. Sei que éramos loucos para ver o Vô Zé comendo, pois ninguém de nós tinha visto ainda nenhum movimento exceto o dos olhos do Vô Zé, e comer todo mundo come e daí se mexe. Uma vez até, na hora da papinha, Daninho e Ito não aceitaram o aviãozinho carregado de verduras picadas, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify" id="a8q43" style="font-family: arial; line-height: 150%; margin-bottom: 0in; margin-top: 0.19in; page-break-before: always;"&gt;
&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; e apontaram para o Vô Zé. Mas não aconteceu nada. Por mais que os dois chorassem bastante, nenhuma mãe entendeu o que significavam lágrimas, pequenas mãos apontando e bocas fechadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify" id="a8q44" style="font-family: arial; line-height: 150%; margin-bottom: 0in; margin-top: 0.19in;"&gt;
&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; Ito declamou um poema pessimista sobre a imprecisão da linguagem dos símbolos infantis que eu apenas me recordo do título: “Língua Mãe”. E Daninho fez comentários sobre, “Antes de nascer, Vô Zé brincou no carrossel e um cavalinho o atropelou. Você, Ito, antes de nascer, deve ter criado o inferno, o que se for verdade, faz pouco tempo que essa opção existe, talvez todo imperador tirano tenha ido para o céu”. Eu queria falar, entrar na discussão, mas eu era o único que ainda mamava e fazia isso naquela hora, e era muito bom mamar. Tinha sido do Vô Zé a idéia de que a mulher teria alimento para seu filho, Vô Zé gostava das mulheres, foi ele quem brigou com Deus e deu para elas mais uma perna, antes disso todas as mulheres usavam muletas. E com a boca branca, eu tive uma idéia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify" id="a8q45" style="font-family: arial; line-height: 150%; margin-bottom: 0in; margin-top: 0.19in;"&gt;
&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; Era sabido, sabe-se se lá como, que Vô Zé tinha trabalhado num cemitério de flores, por muito tempo, um tempo bom, talvez o melhor tempo do Vô Zé. Daninho achava genial, em particular, essa idéia de Vô Zé, “Fico pensando no primeiro humano a admirar uma flor e com o tempo ver sua beleza se despedaçando até que apenas sobrasse uma semente, e, por respeito e pesar, atuar como um coveiro, enterrando esse corpo último da flor e aí se espantar ao perceber que da morte se germinou nova e eternamente o grão da vida”. Vô Zé tinha sido isso, um coveiro de flores. Vô Zé dizia que as pessoas se soubessem da verdade inteira seriam todas jardineiras. Eu, nunca entendi bem isso. Ito dizia que era “algo relacionado com a máquina de fazer mentira que todos alimentam quando fingem que seus corações falam”. Daninho achava que era sobre “não precisar mais buscar os mistérios plantados em nosso amor pelas coisas erradas”. Levar o Vô Zé até o seu antigo cemitério, essa era minha idéia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify" id="a8q46" style="font-family: arial; line-height: 150%; margin-bottom: 0in; margin-top: 0.19in;"&gt;
&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; “Quem sabe lá ele não se sinta mais feliz?” falei. Daninho, “Ou ao menos diferente?”. Ito ficou em pé, caiu, ficou em pé, tirou a chupeta da boca e declarou “Deus meu, mas que é que ocorre que todo mundo quer ser feliz, virou regra? Obrigação? Fim maquiavélico justificando os meios? Ah, se o fará feliz, pode assassinar o sonho alheio. Ah, se te faz bem, corra atrás do que você quer, se você é feliz sendo assim, seja. Felicidades, feliz ano novo, feliz páscoa, feliz natal, que feliz o quê? Irracional e egoísta essa busca incessante e infernal pela felicidade, uma maratona vazia cheia de perdedores com o troféu opaco da felicidade falsa”. Eu e Daninho concordamos, “É, é verdade” dissemos juntos. Um minuto de silêncio, e ressaltei a idéia de Daninho, “Ou diferente! Vô Zé pensa assim, ele sempre falava que a pior rotina é a rotina dos sentimentos, e que a dança surda dos dias pode ser sempre a mesma, mas não devemos deixar que isso contamine o ritmo das nossas emoções”. Todos consentimos enquanto nos encantávamos com um homem que passava montando um cavalo, eu e Ito achamos que aquilo era um só ser, Daninho que explicou que se tratava de um animal chamado cavalo e um ser humano em cima dele, “Meu tio tem um desses, mas é maior”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify" id="a8q47" style="font-family: arial; line-height: 150%; margin-bottom: 0in; margin-top: 0.19in;"&gt;
&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; Numa madrugada saímos, nos encontramos no quintal, repassamos o plano ainda não passado e fomos a executá-lo. Cordas de brinquedos velhos amarradas à cadeira de rodas, com muito esforço conseguimos um embalo, passamos a rampa que tinha sido feita pelo próprio Vô Zé, anos antes numa tarde em que ele escolheu que não mais ia se mexer quando tivesse 100 anos, e caímos no mundo. “Vamos caçar flores!” gritou Ito. Eu e Daninho estranhamos porém também gritamos “É!”. Chegamos à rua e a rua era realmente grande. Daninho, “Será que tem fim?”. Eu, “Deve ter um começo.” Ito, “Não, não tem”. Era uma super descida, ficamos com muito medo, nos dependuramos na cadeira, e fizemos o pleonasmo. Lá embaixo, recuperamos o fôlego e olhamos as estrelas e falei “Vô Zé tem uma de estimação, é o sol, por isso ele fica rodeando a terra, vem todo dia só para ver o Vô Zé”, “Queria ter uma e dedicar à pessoa que no futuro vai me distrair”, disse Daninho. Ito notou que Vô Zé tinha acordado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify" id="a8q48" style="font-family: arial; line-height: 150%; margin-bottom: 0in; margin-top: 0.19in;"&gt;
&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; “Olha ele olhando para lá”. Seguimos o olhar e adentramos a floresta, fomos cansando, e temendo todo e qualquer barulho da noite. Mas nos acostumamos depois, “Até parece música” disse Daninho. Vô Zé gostava de música, a gente sabia que ele tinha tido um conjunto musical quando antes e que seus colegas músicos parece que ainda eram vivos, deveriam também ter 100 anos cada. Foi nesse conjunto que Vô Zé pensou em inventar o grito das guitarras e das pessoas e depois os barulhos do mundo. E na floresta era como uma sinfonia executada pelas árvores cheias de ruídos que eram realmente enormes, pilares do templo da floresta e a luz da lua era um holofote que entrecortava tudo e iluminava o rosto do Vô Zé, parecia até que o verde tinha se alegrado ao ver o velho homem de cadeira de rodas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify" id="a8q49" style="font-family: arial; line-height: 150%; margin-bottom: 0in; margin-top: 0.19in;"&gt;
&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; Caminhamos muito, e decidimos dormir um pouco, era ruim sem alguém para nos ninar, porém o fizemos, contei a história de que Vô Zé tinha uma flor aérea, uma não, várias. Ficamos cheios de curiosidade sobre e então adormecemos e sonhamos os sonhos de criança. Quando o sol acordou, a gente também. Caminhamos mais, nós com nossos pequenos passos e Vô Zé com seus pés de roda. E era um super gigante trecho mesmo, encontramos um outro bebê que nos ajudou a atravessar um pequeno córrego, Mourinho que tinha fugido de casa, nós tínhamos ouvido mesmo falar sobre uma criança com cabelo enrolado que havia desaparecido. Contei-lhe sobre nossa viagem e que Vô Zé também tinha sido como nós, que à idade tenra já tinha o pensamento viajado e sabia falar a língua das imagens que Deus monta e ninguém se apercebe mesmo que olhem com admiração por fins de tarde inteiros. Mourinho se entusiasmou muito e prometeu uma visita. Indo embora, Daninho perguntou “Mas por que de fugir?”, “Eu vou voltar” Mourinho respondeu. E então, fomos, caminhamos mais muitas horas para o jardim e uma hora distraída, Daninho percebeu que já estávamos nele, “É aqui!”. E irradiamos todos de alegria. Havia tantas flores, tantas mais tantas que eram todas. Só Vô Zé sabia a quantidade exata porque ele tinha descoberto o fim dos números. E no meio de todas aquelas infinitas cores e cheiros, eu me perguntei sobre as flores aéreas e Daninho disse “Mas, é claro!”. E Ito disse “Mas, é lógico!”. E eu não disse nada. E Ito e Daninho apontando para o meio do jardim falaram juntos: “Lá estão as flores aéreas!”. E ali eu entendi. “Sim, flores aéreas” disse e olhei para as várias flores que habitavam o céu. E Daninho disse o que todos nós pensávamos: “São borboletas, borboletas são flores que voam”. Olhamos para o Vô Zé que derramava uma lágrima do olho direito. E era uma mistura naquele momento, como se o silêncio visitasse a casa da voz e a voz visitasse a casa das cores e as cores saíssem à rua das amarguras e das alegrias e dessas se retirassem pedaços grandes de todos os sentimentos possíveis, uma abstração que a gente sentia física. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify" id="a8q410" style="font-family: arial; line-height: 150%; margin-bottom: 0.19in; margin-top: 0.19in;"&gt;
&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; Eu e Daninho chorávamos muito, mas não nos jogamos para trás ou rolamos no chão como sempre fazíamos, era uma confusão de sentimentos, era doído de verdade, um ruim no coração ao mesmo tempo em que uma segurança, uma segurança parecida com a vaga lembrança que tínhamos da época em que vivíamos no ventre e ainda não sabíamos o que haveria depois dele. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify" id="a8q411" style="font-family: arial; line-height: 150%; margin-bottom: 0.19in; margin-top: 0.19in;"&gt;
&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; Ito, segurando o choro e olhando para o Vô Zé, disse “Chora o homem sobre a sua própria obra, que mais poderia? Pois, que são suas obras senão suas tentativas de distrair a distância eterna estabelecida desde que simplesmente nascemos cada um? E mesmo com a obra magnífica, o homem ainda só tem motivos ao pranto porque só admiram-na e não a ele. A obra sente falta de seu pai, mas não sentem nada por ele aqueles que louvam apenas a criação e não o criador. Ah, homem, anda a perder para os nomes, separam-te mesmo das tuas palavras, dizem e mostram que você não as é... E é como alguém que ama a luz do sol e não o próprio sol. E um dia, por assim tão sozinho, o sol vai embora ou mesmo pára de falar a voz da luz”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify" id="a8q412" style="font-family: arial; line-height: 150%; margin-bottom: 0in; margin-top: 0.19in;"&gt;
&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; Vô Zé morreu nesse dia, aos 100 anos de idade. As flores rasteiras o enterraram enquanto o céu começava a chorar em chuva. Nós voltamos para casa e crescemos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify" id="a8q413" style="font-family: arial; line-height: 150%; margin-bottom: 0in; margin-top: 0.19in;"&gt;
&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;
&lt;span style="font-family: arial; font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;
&lt;div id="a8q419" style="font-family: arial; line-height: 150%; margin-bottom: 0in; margin-top: 0.19in; text-align: right;"&gt;
&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; Adrian Lincoln&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="right" face="arial" id="a8q419" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0in; margin-top: 0.19in;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
Link no Google docs &lt;a href="http://docs.google.com/View?docid=dwd8tsw_15f6k5qscp"&gt;aqu&lt;/a&gt;i.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1486164929251670727-8404910457724520547?l=heroilocal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/HeroiLocal/~3/n5NokplRwlA/texto-meu.html</link><author>noreply@blogger.com (Adrian L.)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://heroilocal.blogspot.com/2008/09/texto-meu.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1486164929251670727.post-6941579155109707545</guid><pubDate>Mon, 09 Jul 2007 15:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-14T07:09:46.820-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônica</category><title>Cheio</title><description>&lt;div style="color: #663300; text-align: justify;"&gt;
&lt;blockquote&gt;
CHEIO&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estava farto da blasfêmia contra Deus e farto dos que jogam a favor Dele e dos mornos que um dia, graças a Deus, serão vomitados. Estava farto da música triste, desses hinos da angústia que nos lembram de toda dor acumulada, desses perdedores pessimistas que as escutam todo dia e toda hora sentem-se aspirados a fazer algo novo transformando-se em otimistas odiáveis. Farto dos reunidos alegres nessas esquinas sujas ou nessas casas acesas que celebram e celebram sem jeito, apenas para sentirem-se numa patética emoção da confusão. Farto das mães falecendo, dos acidentes de carro, desses episódios fúnebres que guiam tudo. Farto do tempo, dessa pancada a cada segundo, da dança parada dos dias. Farto da velhice... Dessa velhice que tenta ser moderna e compreender os dilemas e problemas atuais, querendo ser vida e não morte. Farto! Farto da juventude no seu sonho ardente de ser erudita, de amar o velho. Farto dos jovens enterrando-se um a um numa terra infértil de ignorância. Farto do amor injusto das mulheres, estes seres de cabelos compridos e mente curta e coração burro. Farto dessas putas velhas que se riem nos bares. Farto dos homens que são de todos, os animais mais falsos, farto! Farto do Homem. Farto dos prodígios que nos afrontam sem saber coisa alguma sobre nada, dos rebeldes que rasgam suas roupas para nos chocar porque não conseguem fazer o mesmo com as palavras. Farto das palavras! Mentirosas e metidas à besta. Farto dos ecléticos, dos sectários, dos negros, dos brancos, dos coloridos. Farto dos carnívoros que comem a si mesmo todo dia, dos vegetarianos babacas que se auto promovem regurgitando sempre as mesmas idéias verdes. Farto dos adjetivos. Farto do ser e do não-ser. Farto. Estava farto de si mesmo. Farto da mesa farta. Farto da vida, das vidas bobas, do bêbado, do sóbrio, do poeta louco, do gênio. Farto! Farto! Estava farto!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E eu acho mesmo era... Porque fartava alguém.&lt;/blockquote&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="color: black; text-align: right;"&gt;
&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Adrian Lincoln&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="color: #666666;"&gt;Texto publicado no Jornal Da Manhã de Ponta Grossa, Paraná; Clique&lt;span style="color: #006600;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.jornaldamanhapg.com.br/?destino=materia_u&amp;amp;ID=2344" style="color: #006600;"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt; para ir à matéria.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1486164929251670727-6941579155109707545?l=heroilocal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/HeroiLocal/~3/BWElM4O6q8I/da-srie-texto-cheio.html</link><author>noreply@blogger.com (Adrian L.)</author><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://heroilocal.blogspot.com/2007/07/da-srie-texto-cheio.html</feedburner:origLink></item></channel></rss>

