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		<title>Portal Libertarianismo</title>
		<description><![CDATA[O Portal Libertarianismo é uma iniciativa de indivíduos independentes para tonar disponível material sobre libertarianismo em língua portuguesa.]]></description>
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			<title>Milton Friedman</title>
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			<description><![CDATA[<div class="feed-description"><p style="text-align: center;"><strong><img alt="friedman milton 0" src="http://www.libertarianismo.org/images/pensadores/friedman_milton_0.jpg" height="125" width="90" /></strong></p>
<p><strong>&nbsp;</strong></p>
<p><strong></strong>A ocorrência da Grande Depressão dos anos 30 foi creditada ao livre mercado e trouxe consigo uma vasta expansão da interferência governamental na economia. Qualquer um que porventura se mostrasse favorável à retração dos poderes governamentais teria, necessariamente, de enfrentar a questão: “E a Grande Depressão?”. Sem as leis daquela época, temia-se, teríamos novamente altos índices de desemprego, monopólios crônicos e imensa desigualdade.</p>
<p>O Prêmio Nobel Milton Friedman contribuiu mais do que qualquer outra pessoa para a mudança do pensamento a respeito destas questões. Ele agrupou sólida evidência documental demonstrando que a Grande Depressão ocorreu devido à contração da oferta monetária em um terço entre 1929 e 1933, embora um banco central (o Federal Reserve) tivesse o poder de impedir tal catástrofe. A Grande Depressão foi causada por uma falha de governo. Ademais, Friedman demonstrou que “a inflação é sempre e em todo lugar um fenômeno monetário”. Ele afirmou com veemência o fato de que a sintonia fina do governo está mais sujeita a sair pela culatra: quando os responsáveis pelo banco central se dão conta de que a economia está se encaminhando para uma recessão ou depressão e inflam a oferta monetária, é provável que os efeitos venham a ser sentidos depois de a economia já ter se recuperado, piorando a inflação subsequente. Por outro lado, quando os responsáveis pelo banco central perceberem que a inflação é um problema e contraírem a oferta monetária, é provável que os efeitos sejam sentidos justamente quando a economia estiver desacelerando-se, piorando assim a próxima recessão ou depressão. Friedman deixou claro que o governo é a maior fonte de instabilidade na economia.</p>
<p>Enquanto outros defensores da liberdade fizeram a sua parte ao influenciar uma área específica de políticas públicas, Friedman teve impacto em diversas áreas. Ele ajudou a conduzir à era do livre-comércio internacional; apoiou iniciativas eleitorais visando a limitar impostos e o gasto governamental; inspirou o movimento pela liberdade de escolha na educação, utilizando cupons-educação que permitiriam aos mais pobres escapar das escolas públicas; pronunciou-se corajosamente contra a proibição das drogas; e ajudou a lutar contra os esforços do Presidente Clinton em tomar um oitavo da economia americana através de seu plano de serviço de saúde gerido pelo governo. Friedman orgulhava-se ainda de ter ajudado a acabar com o alistamento militar obrigatório nos EUA.</p>
<p>Friedman ganhou influência por conta de seus feitos acadêmicos, por ter lecionado na Universidade de Chicago por trinta anos, por colunas que escreveu na <em>Newsweek</em> por dezoito anos, por livros populares que venderam mais de um milhão de cópias, por dúzias de artigos em <em>The Wall Street Journal</em>, <em>Reader’s Digest</em>, <em>Harper’s</em>, <em>The New York Times Magazine</em>, e outras publicações, bem como incontáveis discursos, debates e entrevistas para a TV. Milton e sua esposa Rose mostraram como contar a história da liberdade na televisão, alcançando milhões por todo o mundo com seu documentário de dez partes intitulado <em>Free to Choose</em>.</p>
<p>Embora Friedman tenha em diversas oportunidades incentivado políticos a buscarem soluções de livre mercado, ele nunca teve interesse em eleger-se a um cargo público. Controvérsias passaram a persegui-lo, entretanto, quando foi noticiado que economistas chilenos egressos da Universidade de Chicago estariam aconselhando o ditador chileno Augusto Pinochet. O seu regime militar veio como resposta à inflação galopante causada pelo marxista Salvador Allende, da mesma maneira como outros regimes militares vieram como resposta a inflações galopantes em outros lugares; os economistas chilenos defensores do livre mercado incentivaram uma política de liberdade econômica, incluindo cortes de gastos, diminuições nos impostos, livre-comércio e privatização. Estas políticas trouxeram prosperidade e geraram pressão por liberdade política, que pôs fim ao regime militar. Ironicamente, quando Friedman ofereceu conselhos de livre mercado à China comunista durante suas visitas em 1980 e 1988 ninguém reclamou.</p>
<p>Friedman demonstrou uma energia contagiante por toda sua vida. Recuperou-se de uma operação cardíaca em 1972 para fazer campanha por limites nos gastos do estado da Califórnia, escreveu dois livros e voltou a jogar tênis depois de um ataque cardíaco em 1984, além de andar de skate com mais de oitenta anos com seu neto Patri. Conforme escreveu a Playboy quando publicou uma entrevista com ele, “o fato de que idéias econômicas outrora consideradas impossíveis e ultrapassadas começam a ser levadas a sério novamente é prova de que os incansáveis esforços de Milton Friedman e o vigor de suas idéias tiveram resultados”. O <em>New York Times</em> afirmou efusivamente que “em economia, ele é certamente o pensador mais irrepreensível, audacioso, franco, provocativo e inventivo nos Estados Unidos – e, mesmo medindo 1m60cm, ele pode ser maior que todos os seus colegas de profissão”.</p>
<p>George Stigler, amigo e colega de Friedman, afirmou, “Ele tem uma mente extraordinariamente lúcida. Sua habilidade para pensar rápido e conduzir-se com total propriedade no calor de um debate fazem dele um debatedor formidável, tanto pessoalmente como escrevendo. Ele é um magnífico trabalhador empírico, pronto para isolar o que ele crê serem os elementos essenciais de um problema, e para efetuar análises engenhosamente apoiadas em dados empíricos. Finalmente, ele tem um talento especial para encolerizar seus oponentes intelectuais, que dedicaram muita energia e conhecimento fazendo propaganda de seu trabalho”.</p>
<p>Milton Friedman nasceu no dia 31 de julho de 1912, na Barbey Street, número 502, no bairro do Brooklyn, Nova York. Ele foi o quarto filho de Jeno Saul Friedman e Sarah Ethel Landan, ambos de Beregszasz, Carpato-Rutênia, região que fazia parte do Império Áustro-Húngaro e atualmente pertence à Ucrânia. Sarah trabalhou como costureira em duras condições. Quando Milton tinha pouco mais de um ano, a família se mudou para Rahway, New Jersey, cerca de 30 quilômetros de Nova York, onde seu pai havia iniciado uma fábrica de tecidos. “Só o que eu sei”, relembra Friedman, “é que ele nunca ganhou muito dinheiro”. Seu pai morreu aos quarenta e nove anos devido a problemas cardíacos.</p>
<p>Milton entrou para a Rutgers University em 1928. “Minha intenção originalmente era estudar matemática”, explicou ele em sua autobiografia <em>Two Lucky People</em> [“<em>Duas pessoas de sorte </em>”] (escrita junto com sua esposa). “O único trabalho remunerado que eu sabia que usava matemática era o de atuário, então me informei a respeito e planejava tornar-me atuário”. Ele mudou seu campo de estudos da matemática para a economia por causa de dois profesores: Arthur F. Burns, que estava completando sua dissertação de doutorado na Columbia University, e Homer Jones, que completava sua dissertação de doutorado na Universidade de Chicago. Burns, recorda Friedman, “injetou uma paixão pela integridade científica, precisão e cuidado que muito influenciou meu trabalho científico”.</p>
<p>Jones conduziu Friedman à Universidade de Chicago após sua graduação na Rutgers por ter lhe conseguido uma bolsa de 300 dólares. Na aula de teoria do preço, ministrada por Jacob Viner, os estudantes sentavam-se em ordem alfabética, e Friedman sentava perto da pequena e animada Rose Director. Ela havia nascido na última semana de dezembro de 1911, a mais jovem de cinco crianças, em Charterisk, um vilarejo russo hoje parte da Ucrânia. Ela cresceu em uma casa sem eletricidade nem água corrente. Seu pai, que era agricultor, tinha irmãs e primos que haviam imigrado para os EUA, e isso o motivou a fazer o mesmo. Ele começou como caixeiro-viajante, logo em seguida abrindo um armazém, ganhando assim dinheiro suficiente para trazer sua família para junto dele e do resto de seus parentes em Portland, Oregon. Felizmente eles chegaram logo antes do início da Primeira Guerra Mundial; imigrar viria a tornar-se quase impossível depois. Aaron, irmão mais velho de Rose, estudou na Universidade de Yale e foi para a Universidade de Chicago completar seu mestrado. Rose permaneceu perto de casa, estudando no Reed College, mas transferiu-se para a Chicago dois anos depois.</p>
<p>Ela decidiu fazer doutorado em economia, e trabalhou como assistente de Frank Knight, enquanto Milton trabalhava como assistente de outro professor de economia, Henry Schultz. O primeiro artigo publicado por Milton foi co-produzido por Schultz, uma crítica ao “método de medição das elasticidades da demanda de dados orçamentários do professor Pigou”. Uma vez que A.C. Pigou, um dos mais respeitados economistas de sua época, lecionava na Universidade de Cambridge, Milton enviou o artigo para ser publicado no <em>Economic Journal</em> daquela universidade, sendo rejeitado pelo seu editor, John Maynard Keynes. O artigo foi publicado posteriormente no <em>Quarterly Journal of Economics</em> da Universidade Harvard, em novembro de 1934. Friedman tinha vinte e dois anos.</p>
<p>Henry Simons, outro economista de Chicago, teve grande influência sobre Friedman. Em 1934, Simons escreveu <em>A Positive Program for Laissez Faire</em> [“<em>Um programa positivo para o livre mercado</em>”], um panfleto distribuído pela Universidade de Chicago no qual enfatizava que as pessoas geralmente compartilham de objetivos comuns, como a promoção da prosperidade, e que as grandes diferenças de opinião estão na maneira mais eficaz de alcançar tais objetivos. Friedman convenceu milhões partindo desta mesma abordagem ao fazer uma defesa prática da capacidade de indivíduos privados em mercados competitivos de resolverem seus problemas melhor do que burocratas. Simons advertia que a “liberdade política só pode sobreviver em um sistemas econômicos efetivamente competitivos”, e este se tornou uma questão fundamental para Friedman. Simons acreditava que uma contração monetária fora primordialmente a responsável por trazer a Grande Depressão, e Friedman documentou esta tese. Por outro lado, Simons apoiava a nacionalização de estradas de ferro, imposto de renda progressivo, e outras políticas às quais Friedman se opunha.</p>
<p>Quando a Universidade de Columbia ofereceu-lhe uma bolsa maior (estudos e moradia) que a recebida por ele em Chicago, Friedman foi para lá fazer seu doutorado.</p>
<p>Em setembro de 1937, o futuro Prêmio Nobel Simon Kuznets convidou Friedman para trabalhar no Departamento Nacional de Pesquisa Econômica, aonde ele passou a estudar profissionais autônomos: advogados, contadores, engenheiros, dentistas e médicos. Este trabalho foi a base da sua dissertação de doutorado e primeiro livro, <em>Income from Independent Professional Practice</em> [“Renda da prática profissional autônoma”], com co-autoria de Kuznets. Embora o manuscrito tenha sido finalizado em 1941, sua publicação foi adiada por 4 anos devido à controvérsia em torno da alegação contida no livro de que as barreiras de entrada à profissão médica mantidas pelo governo mantinham a renda dos médicos artificialmente alta.</p>
<p>Nesta mesma época, Milton e Rose casaram-se em Nova York, onde planejavam viver, em 25 de junho de 1938. Sua filha Janet nasceu em 1943, e seu filho David dois anos depois.</p>
<p>De 1941 a 1943, Friedman trabalhou no Divisão de Pesquisas sobre Impostos do Departamento do Tesouro, quando os gastos governamentais subiram rapidamente, devido à Segunda Guerra Mundial. Até então, as pessoas calculavam seus impostos devidos e pagavam-nos em prestações trimestrais no ano seguinte. Friedman analisou propostas de que os empregadores descontassem os impostos na fonte, e este sistema entrou em vigor em 1943. Ele veio a arrepender-se disso, pois o desconto na fonte foi uma daquelas medidas “temporárias” dos tempos da guerra que se tornaram permanentes.</p>
<p>Em setembro de 1946, Friedman começou a lecionar na Universidade de Chicago, onde permaneceu por três décadas. Seu ensaio mais citado, <em>The Methodology of Positive Economics</em> [“A metodologia da economia positiva”], publicado em 1953, sustentou que ao se fazer afirmações a respeito de determinado fenômeno, elas devem ser verificadas através de algum tipo de observação. O teste primordial da análise econômica é a correção das suas previsões.</p>
<p>Em <em>A Theory of the Consumption Function</em> [“Uma teoria da função de consumo”] (1957), Friedman explicou que as pessoas decidem gastar e poupar de acordo com suas expectativas de ganhos futuros, e não de acordo com os gastos governamentais. Seu trabalho, junto com os dados desenvolvidos por Simon Kuznets e outros, desbancou a alegação keynesiana chave de que o gasto governamental era essencial à prosperidade. Seu trabalho econômico mais importante foi <em>A Monetary History of the United States, 1867-1860</em> [“Uma história monetária dos Estados Unidos”] (1963), com co-autoria de Anna Jacobson Schwartz. Neste trabalho foram agrupadas evidências esmagadoras demonstrando que mudanças na oferta monetária explicam melhor os ciclos de crescimento e retração. Em especial, a idéia predominante era de que a quebra da bolsa de Nova York em 1929 havia causado a Grande Depressão, mas Friedman e Schwartz demonstraram que sua ocorrência resultou de o FED não ter evitado a contração da oferta monetária em um terço entre 1929 e 1933.</p>
<p>O Prêmio Nobel Robert Lucas, escrevendo no <em>The Journal of Monetary Economics</em>, refletiu sobre o livro depois de trinta anos: “Ele contou uma história coerente de eventos importantes, e contou-a muito bem… Trata-se de uma maravilhosa pesquisa histórica sobre a oferta monetária e seus componentes, desde 1867, detalhadamente documentada e agradavelmente apresentada… Tamanho presente à profissão merece vida longa, talvez até a imortalidade”. Em relação à alegação de que flutuações monetárias explicariam os principais eventos econômicos, Lucas acrescenta: “Devo dizer que considero o argumento de <em>A Monetary History</em> completamente convincente… Seu diagnóstico do declínio econômico de 1929-33 é persuasivo e, de fato, incontestado pelos diagnósticos alternativos mais sérios, continuando a impressionar-me profundamente o seu sucesso em explicar os notáveis eventos ocorridos nestes 4 anos”.</p>
<p><a href="http://www.libertarianismo.org/index.php/academia/arquivonovo/253-biografia/1024-friedrich-a-von-hayek">F. A. Hayek</a>, cujo livro “<a href="http://www.libertarianismo.org/index.php/biblioteca/35-friedrich-a-hayek/92-o-caminho-da-servidao">O caminho da servidão</a>” foi lançado em 1944, fez muito para estimular o desejo de Friedman em influenciar a opinião pública para a liberdade. O primeiro trabalho popular em políticas públicas escrito por Friedman, <em>Roofs or Ceilings? </em> [“Telhados ou tetos? “], com co-autoria de George Stigler, foi um livreto atacando o controle dos preços de aluguéis, publicado pela Foundation for Economic Education (FEE) em 1946. Friedman foi um dos membros originais da Sociedade Mont Pelerin, iniciada por Hayek em abril de 1947. “Lá estava eu”, Friedman recorda-se, “um jovem e ingênuo americano do interior, conhecendo pessoas de todo o mundo, todas dedicadas aos mesmos princípios liberais a que nos dedicávamos; todos cercados de inimigos em seus países, ainda, dentre os acadêmicos, alguns já famosos internacionalmente, outros destinados a tornar-se; fazendo amizades que enriqueceram nossas vidas, e participando da fundação de uma sociedade que teve papel importante na preservação e no fortalecimento das idéias liberais”.<br /><br /></p>
<p>Em 1956, o William Volker Charities Fund organizou uma série de palestras com Milton Friedman sobre princípios gerais e questões importantes de políticas públicas, como desemprego, monopólios, discriminação racial, seguridade social e comércio internacional. Rose Friedman editou as palestras em um livro, <a href="http://www.libertarianismo.org/index.php/biblioteca/43-milton-friedman/391-capitalismo-e-liberdade">Capitalismo e Liberdade</a>, publicado pela Universidade de Chicago em 1962. Friedman recomendou a abolição de subsídios agrícolas, tarifas, cotas de importação, controle de aluguéis, salário mínimo, moradia subsidiada, licenciamento profissional, seguridade social, monopólio estatal dos correios, alistamento militar obrigatório e muitas agências regulatórias. O livro acabou vendendo cerca de 500 mil cópias. “Ficamos sabendo que o livro foi contrabandeado para a União Soviética e serviu de base para uma edição pirata”, relataram os Friedman. “Sabemos que uma versão pirata polonesa foi publicada no começo dos anos 80. Desde a queda do Muro de Berlim, o livro foi traduzido para o sérvio-croata, o chinês, o polonês e o estoniano, e existem outras ainda pendentes”.</p>
<p>Em 1962 e 1963, os Friedman viajaram pelo mundo, visitando um total de 21 países. Milton relatou na <em>Harper’s</em>: “Onde quer que encontrássemos qualquer considerável elemento de liberdade individual, alguma beleza na vida comum do homem comum, alguma medida de verdadeiro progresso material e de conforto ao seu dispor e uma esperança viva em um progresso ainda maior no futuro – lá também encontramos o mercado privado funcionando como o principal meio de organização da atividade econômica. Onde quer que os mercados fossem amplamente suprimidos e o Estado tomasse o controle das atividades econômicas dos seus cidadãos… Nestes lugares, o homem comum se encontrava politicamente algemado, tinha um baixo padrão de vida, e se encontrava desprovido de qualquer sentimento de controle sobre seu próprio destino”.</p>
<p>Os Friedman então decidiram que queriam passar os verões em Vermont e em 1965 compraram cerca de 50 hectares de terra com vista para o Lago Fairlee. Contruíram uma casa em formato hexagonal com uma lareira no centro, design inspirado pela Freedom School, estabelecida por Rober Lefevre em Colorado Springs, Colorado, onde Friedman havia dado aulas dois anos antes. A casa foi nomeada Capitaf, em referência ao título em inglês de seu livro Capitalismo e Liberdade (eles esperavam que os royalties pagassem pela casa). Foi lá que Friedman desenvolveu grande parte de seu trabalho até 1980, quando eles se mudaram de vez para a Califórnia.</p>
<p>Em 1966, os editores da Newsweek decidiram parar de publicar a coluna <em>Business Tides</em> [“Marés dos negócios”], que vinha sendo escrita pelo jornalista liberal Henry Hazlitt havia duas décadas, e decidiram tentar revezar sua titularidade entre três economistas: Friedman, o esquerdista Paul Samuelson e o centrista Henry Wallich. O espaço limitado da revista forçou Friedman a expressar sua visão de maneira simples e concisa como nunca antes. “Meu estilo de escrita melhorou não apenas nas colunas, mas em tudo o mais que eu escrevia, melhorando também a minha coerência em defender uma posição”, refletiu. Houve três coletâneas das suas colunas na Newsweek: <em>An Economist’s Protest</em> [“O protesto de um economista”] (1972), <em>There’s No Such a Thing as a Free Lunch</em> [“Não existe almoço grátis”] (1975), e <em>Bright Promises, Dismal Performances</em> [“Promessas brilhantes, péssimas performances”] (1983). Sua produção de artigos populares continuou depois da Newsweek: oitenta e dois editoriais e cartas ao editor em jornais como <em>The Wall Street Journal</em>, <em>The New York Times</em>, <em>The Washington Post</em>, <em>San Francisco Chronicle</em>, dentre outras publicações.</p>
<p>Ter recebido o Prêmio Nobel em 1976 foi um grande destaque na carreira de Milton Friedman, mas o que Rose chamou de “o empreendimento mais empolgante de nossas vidas” partiu de uma sugestão de Robert J. Chitestester, presidente da WQLN, rede de TV pública de Erie, Pensilvânia. Mesmo sendo um Democrata “de esquerda”, Chitester ganhou uma cópia de <em>Capitalismo e liberdade</em> e achou o livro bastante persuasivo. Ele propôs que Friedman realizasse uma série de palestras sobre tópicos que pudessem ser transformados em um documentário para a TV, acompanhado de um livro. Em 26 de julho de 1977, Friedman concordou em embarcar no projeto.</p>
<p>Chitester levantou cerca de 2,8 milhões de dólares para a produção e promoção de um documentário de dez partes, um sucesso notável uma vez que executivos de empresas em geral não tinham interesse em patrocinar programas sobre questões políticas, nem mesmo liberdade econômica. Além do mais, ele tinha que garantir a potenciais apoiadores que, se o show viesse a ser produzido, seria de fato televisionado. Embora executivos e produtores da PBS fossem abertamente hostis às idéias de Friedman, eles haviam sido criticados por televisionar o documentário <em>Age of Uncertainty </em> [“Era da incerteza”], do socialista John Keneth Galbraith, e decidiram equilibrar as coisas televisionando o documentário de Friedman.</p>
<p>Documentários da mais alta qualidade técnica eram feitos na Grã-Bretanha, e Ralph Harris, diretor do Institute for Economic Affairs, de Londres, recomendou Anthony Jay, que havia deixado a burocracia da BBC para tornar-se parceiro de uma empresa de produção televisiva chamada Video Arts. Jay sugeriu que cada programa deveria consistir em trinta minutos de documentário e trinta minutos de discussão, já que este formato seria muito mais barato que filmar um documentário de uma hora com cenas pelo mundo afora. “Quem protege o consumidor?” seria o programa-piloto para resolver problemas de produção e fornecer um exemplo para conseguir fundos. Foi filmado em San Francisco, Sacramento e Washington, D.C. Friedman usou suas próprias palavras sem um roteiro. O título sugerido para o programa-piloto foi <em>Free to Choose</em> [“Livre para escolher”], e os Friedman consideraram-no um título adequado para a série.</p>
<p>Em uma das cenas mais memoráveis, Friedman fala enquanto caminha por entre as pilhas do Registro Federal (lista de novas regulamentações) organizadas em ordem cronológica. Há apenas um ou dois volumes por ano dos anos 30, de maneira que os telespectadores podem ver toda a sua figura. Então nos anos 40 o número de regulamentações foi aumentando cada vez mais, e a pilha de cada ano já lhe cobre as pernas. Os anos 60 trouxeram consigo uma explosão de regulamentações, fazendo com que as pilhas sejam tão altas que Friedman não pode mais ser visto.</p>
<p>A primeira parte de <em>Free to Choose</em> foi exibida em janeiro de 1980 em mais de 196 estações da PBS (72% de todas elas). <em>Free to Choose</em> teria atraído uma audiência maior do que a de Masterpiece Theater, um dos programas mais populares da PBS. A série foi televisionada em seguida para mais de uma dúzia de países com e sem legendas; teria sido também contrabandeada para a China comunista e para a União Soviética, dentre outros lugares. A Encyclopedia Britannica lançou edições em 16mm da série e vendeu-as por 3 mil dólares o conjunto. Em 1987, os Friedman compraram os direitos de reprodução por 25 mil dólares e conseguiram a sua distribuição do vídeo por 110 dólares.</p>
<p>“O livro <em>Liberdade de escolher</em>, que escrevemos para acompanhar o vídeo, é… o [nosso] único livro baseado quase que completamente no inglês falado, em lugar do escrito. Em parte por esta razão, ele vendeu mais cópias do que qualquer outro livro que tenhamos escrito”, relembra Friedman. Quando <em>Liberdade de escolher</em> chegou às livrarias, foi logo alçado ao posto de livro de não-ficção mais-vendido do ano de 1980. Mais de 400 mil cópias de capa-dura foram vendidas, e a edição em brochura alcançou mais de um milhão de vendas. O livro foi traduzido para dezessete línguas.</p>
<p>Ao longo dos anos, Friedman colaborou com diversas campanhas pela liberdade. Em1969, o Presidente Nixon, defensor de longa data do alistamento militar obrigatório, indicou Friedman como um dos quinze membros da Comissão Consultiva sobre a proposta de alistamento voluntário. Friedman ajudou a alcançar uma recomendação unânime para a voluntariedade do serviço militar, e a sua obrigatoriedade acabou em 27 de janeiro de 1973.</p>
<p>Em 1971, depois de o governo dos EUA ter abandonado seus esforços para controlar as taxas de câmbio, Friedman alertou a Leo Malamed, presidente da Bolsa de Valores de Chicago, sobre a chegada da era do câmbio flutuante. Em junho de 1972, a Bolsa de Valores de Chicago abriu o Mercado Monetário Internacional, que expandiu dramaticamente o fluxo de trocas de moedas.</p>
<p>Friedman foi o precursor do movimento pela escolha educacional. Em 1955 ele havia escrito <em>The Role of Government in Education</em> [“O papel do governo na educação”], artigo que se tornou a base do capítulo VI de Capitalismo e Liberdade. Apenas os pais que pagam mensalidades duas vezes – impostos que sustentam as escolas públicas mais as mensalidades de escolas privadas – costumavam ter alguma escolha real, disse ele, e propôs que “pais que optem por mandar seus filhos a escolas privadas receberiam uma soma igual aos custos estimados da educação em uma escola pública”. Eles estabeleceram a Milton and Rose D. Friedman Foundation para promover a privatização das escolas públicas.</p>
<p>Em seu discurso presidencial na Associação Econômica Americana (1967) e em outros lugares, Friedman desafiou a doutrina Keynesiana de que a inflação curaria desemprego. Seu ponto de vista foi confirmado durante os anos 70, quando muitos países sofreram estagflação – alta inflação e alto desemprego simultaneamente. Friedman colocou pressão em governos para que parassem de inflar a oferta monetária, e aqueles que seguiram seus conselhos abriram caminho para uma extraordinária prosperidade sem inflação.</p>
<p>Friedman promoveu iniciativas eleitorais para limitar gastos governamentais e impostos, começando em 1973 quando ele participou de uma tour de discursos com Ronald Reagan, então governador da Califórnia. Ele auxiliou Lewis K. Uhler, assistente de Reagan, a estabelecer o Comitê Nacional de Limitação de Impostos, que fez campanha por uma emenda constitucional limitando os gastos governamentais. Mais recentemente, iniciativas eleitorais demonstraram ser a estratégia mais eficaz para a limitação do poder governamental.</p>
<p>Friedman é considerado o maior defensor da liberdade no século XX. Ele levou à mídia mais do que ninguém o debate sobre várias questões, por mais de 50 anos. Sua influência se estendeu pelo mundo. Ele nunca pôde se esquecer que judeus e outras minorias perseguidas encontraram refúgio nos mercados livres. Era muito agradecido porque seus pais e os pais de sua esposa vieram para os Estados Unidos. Valorizava este fato por que houve propriedade privada razoavelmente segura, uma universidade independente que pôde contratar indivíduos como ele, com idéias heterodoxas – e ele pôde falar e escrever livremente. Ele inspirou milhões a ajudar a carregar a tocha da liberdade em sua próxima volta.</p></div>]]></description>
			<category>Biografias</category>
			<pubDate>Tue, 31 Jul 2012 06:00:00 +0000</pubDate>
		</item>
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			<title>Mary Wollstonecraft</title>
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			<description><![CDATA[<div class="feed-description"><p style="text-align: center;"><img alt="wollstonecraft" src="http://www.libertarianismo.org/images/pensadores/wollstonecraft.jpg" height="125" width="90" /></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Na Europa Ocidental do século XVIII, as mulheres solteiras tinham pouca proteção da lei e as casadas perdiam sua identidade legal. Mulheres não podiam contratar advogados, assinar contratos, herdar propriedades, votar ou ter direitos sobre seus filhos.</p>
<p style="text-align: justify;">William Blackstone, professor de direito de Oxford, escreveu o seguinte em sua influente obra <em>Commentaries on the Laws of England</em> (1758) [“Comentários sobre as leis da Inglaterra”]: “Para a lei, o marido e a esposa são uma única pessoa; isto é, a própria existência legal da mulher é suspendida durante o casamento ou, ao menos, ela é incorporada e agregada à pessoa legal do marido, sob cuja proteção, cuidado e influência ela fará todas as coisas da sua vida”.</p>
<p style="text-align: justify;">Então veio Mary Wollstonecraft, cheia de coragem e ardor, provocando polêmicas com seu livro <em>A Vindication of the Rights of Woman</em> (1792) [“Uma defesa dos direitos da mulher”], em que afirmava que tanto os homens quanto as mulheres são seres humanos dotados de direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à busca pela felicidade. Falava que as mulheres deviam receber educação, ter o direito de abrir negócios, seguir carreiras profissionais e, se quisessem, de votar. “Falo da emancipação e do aprimoramento de todo o gênero”, ela declarava. “Deixem as mulheres partilharem dos direitos que elas passarão a repetir as virtudes dos homens; pois elas se aperfeiçoarão ao se libertarem”.</p>
<p style="text-align: justify;">Wollstonecraft inspirava as pessoas porque falava com o coração. Embora fosse razoavelmente bem educada, fazia uso primordialmente da sua própria experiência de vida tumultuada. Ela dizia que “há um defeito original na minha mente, pois as mais cruéis das experiência não foram suficientes para erradicar essa minha tendência boba em valorizar – e esperar encontrar – ternura romântica”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela ousou fazer o que nenhuma mulher fizera: seguir uma carreira como escritora profissional em tempo integral, tratando de assuntos sérios, sem o patrocínio de nenhum aristocrata. “Serei a primeira de um novo tipo”, ela afirmou. Foi uma luta dura, pois as mulheres tradicionalmente eram louvadas por suas habilidades domésticas, e não por sua inteligência. Wollstonecraft desenvoleveu seus talentos enquanto vivia com uma renda minguada. Vestia-se com simplicidade, raramente comia carne e, quando tomava vinho, era em uma um xícara de chá, pois não podia pagar por um copo inteiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Seus contemporâneos observavam sua presença provocante – magra, de altura média, olhos encantadores, cabelos castanhos, e voz suave. “Mary não chegava a ser de uma beleza estonteante, mas era encantadoramente graciosa”, disse um admirador germânico. “Seu rosto, tão expressivo, tinha um tipo de beleza que ia além das características mais comuns. Havia algo de encantador em seu olhar, em sua voz, em seus gestos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mary Wollstonecraft nasceu no dia 27 de abril de 1759. Foi o segundo filho – e a primeira menina – de Elizabeth Dixon, que viera de Ballyshannon, na Irlanda. Seu pai, Edward John Wollstonecraft, era um fabricante de tecidos. Ele decidira se tornar um fazendeiro aristocrata quando recebeu uma herança de seu pai, que fora um grande produtor de tecidos e empreendedor imobiliário, mas a agricultura entraria em crise. A família teve que se mudar sete vezes ao longo de dez anos, enquanto suas finanças se deterioravam. Edward bebia muito e Mary freqüentemente precisava proteger sua mãe dos seus arroubos violentos. Seu relacionamento com seus irmãos era turbulento.</p>
<p style="text-align: justify;">A educação formal de Mary foi bastante limitada, mas um de seus amigos de Hoxton, uma cidade nos arreadores de Londres, tinha uma biblioteca respeitável, e Mary dedicou um tempo considerável a explorá-la. Por meio desses amigos, ela conheceu Fanny Blood, que era dois anos mais velha que ela e sabia costurar, desenhar, pintar aquarelas e tocar piano. Ela inspirou Mary a assumir a responsabilidade de cultivar sua mente.</p>
<p style="text-align: justify;">Estimulada pelos problemas financeiros da família, Mary decidiu que encontraria um meio de seguir o próprio caminho. Ela aproveitou as oportunidades comumente abertas às moças pobres e inteligentes. Aos dezenove anos, conseguiu um emprego como empregada na casa de uma viúva rica que terminou por se mostrar uma chefe difícil.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Juventude</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Três anos depois, em 1781, Mary tentou fundar uma escola em Islington, ao norte de Londres, mas não conseguiu. Em seguida, com Fanny e suas irmãs, Eliza e Everina, Mary abriu outra escola perto de Newington Green que, depois de um sucesso inicial, também faliu. Ela passou então a trabalhar como governanta de uma família irlandesa, e viu com os próprios olhos o ócio dos aristocratas donos de terras. A essas experiências desanimadoras se somou a morte de Fanny Blood por tuberculose. Depois da morte de sua mãe em 1782, foi ela – e não seu irmão mais velho – que assumiu prioritariamente a responsabilidade de cuidar do seu instável pai.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso, por causa da sua experiência com a escola de Newington, Wollstonecraft conhece vários dos Dissidentes Ingleses da região, cujas crenças religiosas os excluíam da Igreja Anglicana, que era financiada pelo Estado. Entre os Dissidentes estava Richard Price, pastor e estudioso da filosofia moral, que matinha contato com <a href="http://www.libertarianismo.org/index.php/academia/arquivonovo/253-biografia/1042-thomas-jefferson">Thomas Jefferson</a>, Benjamin Franklin, o marquês de Condorcet e outros pensadores radicais da época. Wollstonecraft também conheceu o cientista Joseph Priestley, o professor John Wewlett e Sarah Burgh, a viúva do autor radical James Burgh. Embora Wollstonecraft mativesse sua fé na Igreja Anglicana, ela adotou uma postura independente, tornando-se uma boa amiga dessas pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">Os Dissidentes Ingleses faziam campanha por reformas no confortável sistema político britânico. A Câmara dos Lordes era composta por aristocratas que herdavam seus cargos. A Câmara dos Comuns era escolhida pelos pouquíssimos homens de posse – cerca de quinze mil, cerca de 0,5% dos homens adultos ingleses – que determinavam o resultado das eleições. O Ato de Prova excluía a participação dos não-anglicanos na política. Além disso, desde 1678 nenhuma cidade ganhara direito de ser representada politicamente, o que significa que cidades como Birmingham e Manchester, os dínamos da revolução industrial, estavam excluídas do sistema político.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>A influência de Joseph Johnson</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Hewlett encorajou Wollstonecraft a escrever um panfleto sobre educação e enviá-lo a Joseph Johnson, o editor radical que era dono de uma livraria que ficava no pátio da St. Paul’s Cathedral. Ele era reconhecido como um empreendedor de visão, que lançara inúmeros autores desconhecidos, como o poeta e pintor William Blake. Johnson publicara obras de Joseph Priestley e de poetas como William Cowper e William Wordsworth, assim como também textos dos Unitários.</p>
<p style="text-align: justify;">A sugestão de Hewlett se mostrou providencial, pois, como explicou Claire Tomalin, biógrafa de Wollstonecraft, “Mary estava mais uma vez sem lar, emprego ou referência; ela não tinha nada pelo que viver, e estava endividada com várias pessoas. Ela não tinha perspectivas de casamento; estava com 28 anos e tinha um rosto que parecia estar permanentemente marcado por linhas de tristeza e seriedade ao redor dos seus olhos ferozes… Sua característica mais notável era sua recusa em se voltar para as técnicas usadas pelas mulheres que se viam em tal situação para tornar a vida mais tolerável: bajulação, docilidade, resignação frente a vontade dos homens, dos seus superiores, de Deus, ou de todos os três”.</p>
<p style="text-align: justify;">Johnson disse a Wollstonecraft que ela tinha talento e que poderia ter sucesso caso trabalhasse duro. Ela publicou seu panfleto em 1786 com o título <em>Thoughts on the Education of Daughters</em> [“Reflexões sobre a educação das filhas”]. As vendas foram mínimas, mas o trabalho lançou a carreira literária de Wollstonecraft. Ela mandou seu pagamento para a família Blood, que então estava empobrecida, e redobrou seus esforços. Escreveu: “Preciso forçar minha inteligência para alcançar independência e tornar-me útil. Para facilitar essa tarefa, preciso encher minha mente de conhecimento – o tempo de semear está passando”.</p>
<p style="text-align: justify;">A partir de 1788, Johnson passou a arranjar-lhe trabalho com freqüência. Ele traduzia livros do francês e do alemão para o inglês, trabalhava como editora assistante e escritora do seu novo periódico, The Analytical Review, com o qual contribuiu até sua morte, escrevendo cerca de duzentos artigos sobre ficção, educação, sermões, diários de viagem e livros infantis.</p>
<p style="text-align: justify;">Johnson era um bom homem. Ajudou Wollstonecraft a encontrar um lugar para morar, adiantou-lhe dinheiro quando ela precisou, negociou com seus credores, ajudou-lhe a lidar com o estado caótico de seu pai, e cuidou dela durante seus períodos de depressão. “Você é meu único amigo”, ela lhe confidenciou, “a única pessoa com quem tenho intimidade; eu nunca tive um pai ou irmão, e você foi os dois para mim…”</p>
<p style="text-align: justify;">Wollstonecraft conheçou outros radicais que freqüentavam a companhia de Johnson, como William Blake, Henry Fuseli, um pintor suíço, e Thomas Christie, sócio de Johnson na editora. Em certa ocasião, ele conheceu o filósofo William Godwin e Thomas Paine, o inglês que ajudara a inspirar a revolução americana ao escrever <em>Common Sense</em> [“Bom senso”]. Wollstonecraft dominou a conversa. Godwin lembrou que “eu a ouvia com muita freqüência, enquanto queria ouvir Paine”.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>A Revolução Francesa</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">O estouro da Revolucão Francesa, em julho de 1789, detonou controvérsias explosivas. Em novembro, Richard Price deu uma palestra na <em>Society for Commemorating the Glorious Revolution of 1688</em> [“Sociedade pela comemoração da Revolução Gloriosa de 1688”], defendendo o direito do povo francês de se rebelar e sugerindo que o povo inglês deveria ter o direito de escolher seus dirigentes – um óbvio ataque à monarquia hereditária. Edmund Burke, um parlamentar conhecido por ter defendido a Revolução Americana, ficou alarmado. Burke escreveu “Reflections on the Revolution in France (November 1790),” [Reflexões sobre a revolução na França”], um livro retoricamente brilhante que atacava os direitos naturais e defendia a monarquia e a aristocracia.</p>
<p style="text-align: justify;">As idéias de Burke e suas críticas a Price deixaram Wollstonecraft indignada. Utilizando as idéias de John Locke e Richard Price, ela rapidamente publicou <em>A Vindication of the Rights of Men</em> [“Uma defesa dos direitos do homem”], uma das primeiras das quase trinta réplicas a Burke. Embora seu panfleto fosse repetitivo e desorganizado, e Wollstonecraft tivesse exagerado em seus ataques à Burke ao chamá-lo de vaidoso, insensível e desprovido de princípios – ela causou algum impacto. Ela censurou Burke por não ter olhos para a pobreza: “Percebo que, para a miséria chamar sua atenção, ela precisaria se vestir de palhaço…” Ela denunciou as injustiças da constituição britânica, que evoluíra “dos dias negros da ignorância, quando as mentes dos homens estavam amarradas pelos mais grotescos dos preconceitos e pelas mais imorais das superstições”. Ela frisou a prática aristocrática de transmitir as riquezas ao filho mais velho: “a única segurança de propriedade autorizada pela natureza e sancionada pela razão é o direito do homem de usufruir das aquisões que adquiriu com seus talentos e esforços, e de cedê-los a quem quer que escolha…”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela atacou o poder arbitrário do governo: “Assegurar a propriedade! Eis, em poucas palavras, a definição inglesa da liberdade… Mas, calma! – é apenas a propriedade do rico que é protegida; o homem que vive do seu suor não possui um refúgio da opressão; os fortes podem invadir seus domínios – desde quando o castelo do pobre foi sagrado? – e os malfeitores podem arrancá-lo da família que depende do seu trabalho para a subsistência… Não posso deixar de expressar minha surpresa por vocês terem esquecido de avisar aos franceses, ao recomendar a nossa forma de governo como modelo, do costume de forçar arbitrariamente os homens a se alistarem na marinha”.</p>
<p style="text-align: justify;">O artigo de Wollstonecrat – como, aliás, todas as outras respostas a Burke – ficaram em segundo plano depois da publicação da poderosa réplica de Thomas Paine, <em>The Rights of Man</em> [“Os direitos do homem”], mas ela estabeleceu sua reputação como uma autora que valia a pena ler.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Uma defesa dos direitos das mulheres</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Ela presumira que, quando os revolucionários falavam em “homem”, eles estavam usando uma abreviação para toda a humanidade. Mas então, no dia dez de setembro de 1791, o antigo bispo de Autin defendeu que as escolas estatais deveriam terminar na oitava série para as garotas, mas fossem adiante para os rapazes. Isso deixou claro para Wollstoencraft que, apesar de toda a conversa sobre direitos iguais, os revolucionários franceses não tinham a intenção de ajudar as mulheres de nenhum modo significativo. Ela começou então a planejar seu livro mais famoso <em>A Vindication of the Rights of Woman</em> [“Uma defesa dos direitos das mulheres”]. Ele passou mais de três meses escrevendo, terminando-o no dia 3 de janeiro de 1792. Johnson o publicou em três volumes.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela desprezava a classe dos governantes. Escreveu que “os impostos que recaem mesmo sobre as necessidades da vida possibilitam que um tribo infinita de príncipes e princesas preguiçosas desfilem com um pompa estúpida em frente às multidões, que chegam quase a adorar o mesmo desfile que lhes custa tão caro”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele citava especificamente as leis que “fazem de um homem e sua esposa uma unidade absurda; e então, pela simples transição de considerar apenas ele como responsável, ela é reduzida a um nada…. como um ser pode ser generoso se não tem nada que é seu? Ou virtuoso se não é livre?”</p>
<p style="text-align: justify;">Wollstonecraft lançou uma das primeiras reivindicações pelo sufrágio feminino: “Eu realmente acredito que as mulheres devem ter representantes, ao invés de serem governadas arbitrariamente, sem que possam participar diretamente de parte alguma das deliberações do governo.”</p>
<p style="text-align: justify;">Wollstonecraft atacou aqueles que, como o coletivista Jean-Jacques Rousseau, queriam manter as mulheres submissas. Ele escrevera que “a educação das mulheres deve ser pensada em relação aos homens; em como nos agradar, nos ser úteis, nos fazer amá-las e prezá-las; em como educar-nos quando jovens e cuidar de nós quando crescermos; em como nos aconselhar, nos consolar, e como tornar nossas vidas fáceis e agradáveis; estes são os deveres constantes das mulheres, e é isso que elas devem aprender na infância.”</p>
<p style="text-align: justify;">Wollstonecraft acreditava que a educação poderia ser a salvação das mulheres: “o exercício do entendimento é necessário; não há outro fundamento para a independência de caráter. Eu afirmo explicitamente que elas devem se sujeitar somente à autoridade da razão, ao invés de serem humildes escravas da opinião”. Ela insistia que as mulheres deveriam estudar assuntos sérios, como leitura, escrita, aritmética, botânica, história natural e filosofia moral; ela recomendava também exercícios físicos vigorosos para auxiliar o estímulo da mente.</p>
<p style="text-align: justify;">É verdade que ela tinha uma fé ingênua em que se poderia confiar nos mesmos governos que limitavam a liberdade das mulheres para administrar as escolas que iriam erguê-las. As escolas estatais do século vinte se mostrariam catastróficas tanto para as mulheres como para os homens, formando inúmeras pessoas a um custo altíssimo sem lhes dar as habilidades mais fundamentais.</p>
<p style="text-align: justify;">Wollstonecraft defendeu a eliminação dos obstáculos ao sucesso das mulheres. Ela afirmava que “a liberdade é a mãe da virtude; se as mulheres forem naturalmente escravas, e não puderem respirar o revigorante ar da liberdade, então elas deverão ser eternamente desprezadas como seres exóticos, como belas falhas da natureza”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela antevia um futuro em que as mulheres seriam livres para seguir virtualmente qualquer oportunidade profissional. “Embora eu considere que as mulheres comuns são chamadas a desempenhar os papéis de esposas e mães, por motivos intelectuais e religiosos, não posso deixar de lamentar que as mulheres de um tipo superior não tenham à sua disposição um caminho que as leve a ambicionar um grau maior de utilidade e independência. (…) Quantas mulheres desperdiçaram desse modo a vida, vítimas da infelicidade, quando poderiam ter atuado como médicas, dirigido fazendas, administrado comércios, erguendo-se por meio do próprio esforço, ao invés de baixarem o rosto, encharcadas com o orvalho da sensibilidade”.</p>
<p style="text-align: justify;">Com “Uma defesa dos direitos das mulheres’’ Wollstonecraft entrou em uma categoria própria. Ela foi além de Catherine Macaulay, sua contemporânea que escrevera apaixonadamente sobre a educação das mulheres. As literatas, mulheres como Hannah More, Elizabeth Montagu, and Hester Chapone, que alcançaram bastante sucesso explorando ao máximo as posições subordinadas aberta às mulheres, se opuseram a Wollstonecraft. Uma sucessão de escritoras – Fanny Burney, Clara Reeve, Charlotte Smith, e Elizabeth Inchbald, por exemplo – haviam retratado mulheres que alcançavam uma estatura moral heróica, mas nem sempre louvavam as mulheres por suas inteligências.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira edição de <em>A Vindication of the Rights of Woman</em> [“Uma defesa dos direitos das mulheres”] se esgotou no primeiro ano, e Johnson lançou uma segunda. Uma edição americana e traduções para o francês e o alemão vieram em seguida.</p>
<p style="text-align: justify;">Wollstronecraft atravessou o Canal da Mancha para ver a revolução francesa com os próprios olhos. Ela foi recebida por expatriados como Joel Barlow, patriota americano, Helen Maria Williams, poeta inglesa, e Thomas Paine. Ela se alinhou com os liberais girondinos que, assim como o marquês de Condorcet, defendiam os direitos das mulheres e uma limitação constitucional ao governo. No entanto, ela ficou horrorizado com a rapidez com que os totalitários jacobinos tomaram o poder e lançaram o reinado do Terror.</p>
<p style="text-align: justify;">Wollstonecraft sonhava com o dia em que os homens e as mulheres tratariam um ao outro como iguais. “O homem que se contenta em viver com uma companheira bela e útil, mas sem cérebro, perdeu o gosto por satisfações mais refinadas em favor das gratificações voluptuosas. Ele nunca sentiu a tranqüila satisfação, que refresca o coração como um orvalho divino, de ser amado por alguém que pode lhe entender”.</p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente, aplicar essas idéias à sua própria vida foi dificílimo. Ela ficou atraída por Henry Fuseli, um gênio excêntrico, mas ele era um homem casado e a deixou de lado depois de um demorado flerte. Quando ainda estava na França, ela se apaixonou por Gilbert Imlay, um aventureiro americano, que estava sempre em busca do esquema que lhe deixasse rico. Eles tiveram uma filha, Fanny, mas ele perdeu o interesse pelas duas e as abandonou. Wollstonecraft tentou se suicidar duas vezes. Depois da segunda tentativa, ao ser retirada do Tâmisa, ela recobrou sua força de vontade: “Parece que me é impossível deixar de existir, ou que este espírito ativo e incansável – igualmente aberto às alegrias e tristezas – seja apenas poeira organizada. Certamente algo reside nesse coração que não é perecível – e a vida é mais que um sonho”.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto se recuperava do desespero de ter sido abandonada por Imlay, ela tirou três meses de férias com Fanny na Escandinávia, quando escreveu uma das suas obras mais tocantes, <em>Letters Written During a Short Residence in Sweden, Norway and Denmark </em> [“Cartas escritas durante uma curta estadia na Suécia, Noruega e Dinamarca”]. As cartas estavam endereçadas ao anônimo pai americano da sua filha. Elas consistiam em um diário de viagens entrelaçados de comentários sobre política, filosofia e sua vida pessoal. Depois de ter testemunhado o Terror francês, ela maneirou suas esperanças por transformações sociais. “Um afeto ardente pela raça humana produz personalidades entusiasticamente dispostas a provocar alterações prematuras nas leis e governos. Para torná-las úteis e duradouras, essas transformações precisam crescer de cada solo particular, e serem frutos do gradual amadurecimento do espírito de uma nação, e não o resultado forçado de uma fermentação artificial. Ao longo do livro, Wollstonecraft se esforça para lidar com a tristeza de ter perdido Imlay, transmitindo uma ternura e uma franqueza que tocam o coração. William Godwin viria a observar que “se já foi feito um livro calculado para fazer um homem se apaixonar por sua autora, parece-me que foi este”.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Relacionamento com William Godwin</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Wollstonecraft decidiu se aproximar de Godwin, entrando em contato com ele no dia 14 de abril de 1796. Ele tinha um testa larga, olhos fundos e uma voz fina. “Ele aparentava ter um charme que seus inimigos não conseguiam perceber e que seus amigos não conseguiam definir, mas que tinha uma influência real sobre aqueles que se tornavam seus amigos íntimos”, relatou George Woodcock, seu biógrafo.</p>
<p style="text-align: justify;">Como Wollstonecraft, ele também fundara uma escola, mas suas idéias eram radicais demais, e o empreendimento falhou. Sua carreira literária começara com uma insossa biografia política, um livro de sermões e algumas romances comerciais. Então, George Robinson, um editor londrino, ofereceu a Godwin um pagamento adiantado para que ele pudesse elaborar sua filosofia. O resultado foi <em>Enquiry Concerning Political Justice</em> (1793) [“Investigação sobre a justiça política”], em que ele descreveu sua visão de uma sociedade harmoniosa sem leis ou guerras. O livro estabeleceu-o como o pensador radical mais proeminente da Inglaterra.</p>
<p style="text-align: justify;">Godwin se opôs corajosamente à campanha do governo inglês de supressão das <em>Corresponding Societies</em>, que eram os clubes de debate interessados em idéias revolucionárias. Godwin escreveu cartas abertas apoiando seus participantes; ele argumentava que a campanha do governo era ilegal, já que nenhum dos acusados cometera nenhuma ato revolucionário violento. Esses escritos conquistaram a simpatia geral do público para os acusados e as acusações terminaram por ser abandonadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Na época que Wollstonecraft e Godwin reestabeleceram contato, ele era um solteirão de 42 anos de idade, interessado em Amelia Alderson, filha de um médico. Mas ele ficou intrigado com Wollstonecraf, apesar da sua impressão inicial de que falava demais. Ele a convidou para um jantar na semana seguinte, do qual participariam James Mackintosh e Dr. Samuel Parr, ambos autores de respostas às “Reflexões sobre a revolução na França” de Burke.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de ter sido rejeitado por Alderson, Godwin se tornou mais receptivo à Wollstonecraft, e sua paixão terminou por envolvê-lo. “Foi uma amizade que se derreteu em amor”, ele comentaria. Mas Wollstonecraft estava assombrada pelo medo de outra traição. Godwin a assegurou que ele ansiava por uma relação entre iguais, e sua paixão reacendeu-se. Ela escreveu-lhe dizendo que “sentia uma tranqüilidade sublime em seus braços”. Em dezembro, ela já estava grávida. Tanto Wollstonecraft e Godwin criticavam o casamento como um veículo de exploração, mas, ainda assim, ataram os laços no dia 29 de maio de 1797. Ela estava exultante por ter finalmente encontrado seu verdadeiro amor.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela entrou em trabalho de parto no começo da manhã do dia trinta de agosto de 1797. Depois das onze horas daquela noite, sua filha nascera: Mary, que viria a ser Mary Shelley, autora de <em>Frankenstein</em>. Por um instante, as coisas pareceram estar bem, mas três horas depois, a senhora Blenkinsop avisou Godwin de que a placenta ainda não saíra do útero. Quanto mais tempo a placenta demorasse a sair, maior o risco de infecção. Godwin chamou o Dr. Poignand, que conseguir retirar a placenta. Wollstonecraft relatou que o procedimento foi a experiência mais dolorosa da sua vida.</p>
<p style="text-align: justify;">No domingo seguinte, ela começou a sentir calafrios, um sinal perigoso de infecção. Médicos trouxeram vinho para aliviar a dor e tentaram outras medidas para estimular seu corpo a expelir os restos de placenta. Wollstonecraft continuou a piorar, morrendo na manhã do domingo do dia 10 de setembro de 1797. Godwin ficou tão abalado que não participou do funeral, que ocorreu na St. Pancras Church, onde eles tinham se casado há apenas cinco meses atrás. Ela foi enterrada no cemitério da igreja.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Influência póstuma</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Pouco depois do seu falecimento, seu leal editor, Joseph Johnson, publicou a edição que Godwin preparou chamada de <em>Posthumous Works of the Author of a Vindication of the Rights of Woman</em> [“As obras póstumas da autora de ‘Uma defesa dos direitos das mulheres’”], em conjunto com um sincero livro de memórias de Godwin sobre ela. Embora Godwin acreditasse que revelar tudo sobre ela aumentaria sua reputação, na verdade o livro detonou uma tempestade de controvérsias, e sua inquieta vida se tornou uma desculpa fácil para menosprezar suas idéias.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, como Virginia Woolf viria a observar décadas depois, “ainda ouvimos suas voz e podemos rastrear sua influência mesmo agora, entre os vivos”. As americanas que entraram em uma cruzada por direitos iguais – Margaret Fuller, Lucretia Mott e Elizabeth Cady Stanton – foram todas inspiradas por “Uma defesa dos direitos das mulheres”.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos últimos anos, o movimento feminista ficou associado ao tratamento preferencial das mulheres e ao ódio pelos homens. Hoje, felizmente, as pessoas estão redescobrindo Mary Wollstonecraft, que estabeleceu a raiz individualista da igualdade de direitos para as mulheres. Ela assumiu responsabilidade pela própria vida, educou-se, mostrou como uma mulher pode alcançar sucesso com sua inteligência; ela chamou todos – homens e mulheres – a realizar o próprio potencial; ela falou em defesa de liberdades econômicas essenciais; ela exigiu justiça; ela defendeu relações baseadas em respeito mútuo e amor.</p></div>]]></description>
			<category>Biografias</category>
			<pubDate>Sun, 08 Apr 2012 21:38:27 +0000</pubDate>
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			<title>Rose Wilder Lane</title>
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			<description><![CDATA[<div class="feed-description"><p style="text-align: center;"><img alt="wilder lane new 0" src="http://www.libertarianismo.org/images/pensadores/wilder_lane_new_0.jpg" height="125" width="90" /></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">No início dos anos 40, tiranos oprimiam ou ameaçavam povos em todos os continentes. Intelectuais ocidentais ocultavam <a href="http://www.libertarianismo.org/index.php/academia/artigosnovo/1241-o-socialismo-e-egoista">assassinos em massa</a>, como Joseph Stalin, e governos ocidentais expandiam seus poderes ao estilo soviético de planejamento central. Cinquenta milhões de pessoas foram mortas na guerra travada na Europa, na África e na Ásia. Os Estados Unidos, aparentemente a última esperança para a liberdade, também foram arrastados para dentro dela.</p>
<p style="text-align: justify;">Autores americanos consagrados que defendiam a liberdade eram uma raça em extinção. O crítico literário <a href="http://www.libertarianismo.org/index.php/academia/arquivonovo/253-biografia/1038-h-l-mencken">H. L. Mencken</a> havia se afastado da política para escrever suas memórias, enquanto outros, como o escritor <a href="http://www.libertarianismo.org/index.php/academia/arquivonovo/253-biografia/1041-albert-jay-nock">Albert Jay Nock</a> e o jornalista Garet Garrett, estavam cheios de pessimismo. Em meio ao pior dos tempos, Rose Wilder Lane ousou declarar que o coletivismo era um mal. Ela se levantou em defesa dos direitos naturais, a única filosofia que oferecia uma base moral para se opor à tirania em todos os lugares, e celebrou o antigo e vigoroso individualismo. Ela previu um futuro em que as pessoas poderiam ser livres de novo, e expressou-o com exuberante otimismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Lane era uma estrangeira que veio de um território que não era ainda parte dos Estados Unidos e iniciou uma carreira antes de muitas mulheres terem direitos iguais. Tornou-se uma das escritoras&nbsp;<em>freelance</em>&nbsp;de maior sucesso em sua época. Viajou a trabalho pela Europa Oriental e aos 78 anos se tornou correspondente de guerra no Vietnã. Publicou textos em&nbsp;<em>American Mercury,&nbsp;Cosmopolitan,&nbsp;Country Gentleman,&nbsp;Good Housekeeping,&nbsp;Harper’s,&nbsp;Ladies’ Home Journal,&nbsp;McCall’s,Redbook,&nbsp;Saturday Evening Post,&nbsp;Sunset, Woman’s Day</em>, e outras revistas. Produziu roteiros para o apresentador de rádio Lowell Thomas, cuja especialidade eram aventuras de viagens exóticas, e escreveu biografias de Charles Chaplin, Henry Ford e Jack London. Seu romance&nbsp;<em>Let the Hurricane Roar</em>&nbsp;[“Deixe o furacão rugir”] (1933) foi um best-seller que permaneceu em catálogo por quatro décadas e foi adaptado para a televisão como&nbsp;<em>Young Pioneers</em>&nbsp;[“Jovens pioneiros”]. Seu livro&nbsp;<em>The Discovery of Freedom</em>&nbsp;[“A descoberta da liberdade”](1943), ainda disponível, ajudou a inspirar o moderno movimento libertário. Ela atingiu seu maior impacto quando transformou as histórias contadas por sua mãe na adorada série de livros&nbsp;<em>Little House</em>&nbsp;[“Casinha”], tratando temas como responsabilidade individual, auto-confiança, cortesia, coragem e amor. Muitas pessoas consideram-na a melhor série de livros infantis já escrita.</p>
<p style="text-align: justify;">Referindo-se a Lande e suas compatriotas, a jornalista Isabel Paterson e a romancista Ayn Rand, John Chamberlain, editor da&nbsp;Fortune, escreveu admiradamente que “com um olhar desdenhoso para a comunidade empresarial masculina, elas decidiram reacender a fé em uma filosofia americana mais antiga. Não havia nenhuma economista dentre elas. E nenhuma delas era uma Ph.D”. Albert Jay Nock declarou que “elas fazem com que nós escritores homens nos pareçamos com dinheiro Confederado [N.T.: sem valor]. Elas não se descuidam nem perdem tempo – cada tiro vai direto ao ponto”.</p>
<p style="text-align: justify;">O biógrafo William Holtz notou que a filosofia política foi “o principal interesse de Lane durante metade de sua vida adulta. Ela era uma figura importante na transmissão do persistente fio de pensamento libertário em nosso país, e muitos daqueles que respeitam e amavam-na formavam na verdade um tipo de camaradagem entre guerreiros contra o Estado. (…) Altamente autodidata, sempre uma leitora voraz e variada e, por temperamento, uma pensadora independente, ela acreditava em poucas coisas simplesmente por fé, testado idéias instintivamente contra sua própria experiência”.</p>
<p style="text-align: justify;">Lane uma vez descreveu a si mesma como uma “rechonchuda mulher de meia-idade, do Meio-Oeste, de classe média, com cabelos brancos e gostos simples. Eu gosto de pipoca amanteigada, amendoim salgado, pão e leite”. Ela tinha dentes feios, seu casamento fracassara, ela trabalhava para ajudar seus pais idosos, e em certa época durante os anos 30 ela se encontrava tão mal financeiramente que sua eletricidade foi cortada. Ainda assim, ela se elevou com eloquência ao ajudar a reviver os princípios libertários da Revolução Americana, e inspirou milhões.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela nasceu Rose Wilder, em 5 de dezembro de 1886, perto de De Smet, Território de Dakota. Seu pai, Almanzo Wilder, e sua mãe, Laura Ingalls, eram fazendeiros pobres, devastados pela seca, pelas tempestades de granizo e outras calamidades. Por muitos anos, a família viveu em uma cabana sem janelas e perdeu muitas refeições. Nomearam sua filha em razão das rosas selvagens que floresciam na pradaria.</p>
<p style="text-align: justify;">“Nós não gostávamos de disciplina,” recordou-se Rose, “então sofremos até que nos disciplinássemos. Vimos muitas coisas e muitas oportunidades que desejávamos ardentemente mas pelas quais não podíamos pagar, então nós não as comprávamos, ou o fazíamos às custas de um estupendo e desgostoso esforço e auto-negação, já que as dívidas eram mais difíceis de aguentar do que as privações. Nós éramos honestos, não porque a pecaminosa natureza humana assim o quisesse, mas porque as consequências da desonestidade eram excessivamente dolorosas. Estava claro que se sua palavra não fosse tão boa quanto uma promissória assinada por você, sua promissória não era tão boa e você não valia nada. … Nós aprendemos que é impossível conseguir algo em troca de nada”.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando Rose tinha quatro anos, sua família desistiu de Dakota e se mudou para Mansfield, Missouri, onde poderiam plantar maçãs. Ela passou a frequentar uma escola de quatro salas e paredes de tijolos vermelhos que tinha duas prateleiras de livros, e descobriu as maravilhas de Charles Dickens, Jane Austen e Edward Gibbon. Seu principal suporte foi a famosa&nbsp;Readers&nbsp;[“Leitores”], compilada por William Holmes McGuffey, presidente do Cincinnati College, que transmitia lições morais conforme ensinava os fundamentos da leitura e expunha mentes jovens a muitos grandes autores da civilização Ocidental. Mas ela deixou a escola no nono ano e decidiu que deveria ver o mundo além do interior de Missouri. Ela tomou um trem até Kansas City e conseguiu um emprego como telefonista na Western Union durante o turno da noite. Passava a maior parte de seu tempo livre lendo. Em 1908, foi a San Francisco para um trabalho pela Western Union. Lá ela teve um romance com o vendedor de mídia Gillette Lane, com quem se casou em março de 1909. Ficou grávida, mas teve um parto prematuro ou um aborto espontâneo. Ela não pôde mais engravidar depois disso.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1915 seu casamento já havia acabado, mas através das conexões de Gillette em jornais, Rose teve seu início como jornalista. Para o&nbsp;San Francisco Bulletin, um jornal operário radical, ela começou a escrever uma coluna para mulheres, passando para um perfil diário de 1.500 palavras sobre personalidades, e escrevendo um romance autobiográfico em série na revista&nbsp;Sunset.</p>
<p style="text-align: justify;">Por algum motivo ela se tornou uma socialista cristã, e uma fã do socialista Eugene Debs. Então a Revolução Bolchevique cativou sua imaginação e ela abraçou o comunismo. Enquanto estava em Nova York, onde ela esperava lançar-se em uma carreira como escritora&nbsp;freelancer, conheceu o divulgador comunista John Reed e o escritor comunista Max Eastman.</p>
<p style="text-align: justify;">Em março de 1920, a Cruz Vermelha convidou-a para viajar pela Europa e noticiar os seus esforços humanitários, para que potenciais doadores – de cujo apoio eles dependiam – soubessem do bem queestavam fazendo. Vivendo em Paris, viajou para Viena, Berlim, Praga, Varsóvia, Budapeste, Roma, Sarajevo, Dubrovnik, Tirana, Trieste, Atenas, Cairo, Damasco, Bagdá e Constantinopla. Lane imaginava que a Europa fosse a grande esperança para a civilização, mas em vez disso ela teve que fugir de bandido<br />s, encontrou corrupção burocrática, resistiu à inflação acelerada e testemunhou os horrores da guerra civil e as sombras obscuras de tiranias cruéis.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando Lane visitou a União Soviética, os Bolcheviques estavam no poder havia quatro anos. Ela esperava que os camponeses estivessem radiantes com o comunismo, mas conforme ela relatou depois, “Meu anfitrião me surpreendeu pela força com que dizia não gostar do novo governo. (…) Sua reclamação era de que o governo interferia nos assuntos da vila. Ele protestou contra a crescente burocracia que estava afastando mais e mais homens do trabalho produtivo. Ele previu caos e sofrimento como resultados da centralização do poder econômico em Moscou”. “Eu deixei a União Soviética não sendo mais uma comunista”, ela continuou, “pois eu acreditava na liberdade pessoal. Como todos os americanos, eu subestimei o valor da liberdade individual em meio à qual eu havia nascido. Ela era tão necessária e inevitável quanto o ar que eu respirava; era o elemento natural no qual seres humanos vivem. A idéia de que eu poderia perdê-la nunca havia me ocorrido. E eu não poderia conceber que multidões de seres humanos estivessem dispostos a viver sem ela”.</p>
<p style="text-align: justify;">Após seu retorno aos Estados Unidos em novembro de 1923, sua carreira floresceu conforme ela passou a escrever para revistas famosas e a publicar romances sobre a vida de pioneiro. A famosa atriz Helen Hayes protagonizou o romance de Lane&nbsp;Let the Hurricane Roar&nbsp;no rádio. Não obstante, Lane ficou economicamente devastada durante a Grande Depressão. Em 1931 ela lamentou, “Tenho quarenta e quatro anos. Devo US$ 8.000,00. Tenho US$ 502,70 no banco. (…) Nada do que eu pretendia jamais foi realizado”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1936, Lane escreveu “Credo”, um artigo para o&nbsp;<em>Saturday Evening Post</em>. Três anos depois, Leonard Read, gerente geral da Câmara de Comércio de Los Angeles, ajudou a criar a editora por ele nomeada<em> Pamphleteers</em> [“Panfleteiros”], que relançou o artigo de Lane como&nbsp;Give Me Liberty&nbsp;[“<a href="http://www.libertarianismo.org/index.php/biblioteca/234-rose-wilder-lane/1074-quero-liberdade">Quero Liberdade”</a>]. “Eu comecei a entender aos poucos”, escreveu ela, “que sou dotada de liberdade inalienável pelo Criador assim como sou dotada da minha própria vida; que a minha liberdade é inseparável da minha vida”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1942, um editor da <em>John Day Company</em> pediu que Lane escrevesse um livro sobre a liberdade. Ela começou o trabalho em um estacionamento para trailers no Texas durante uma viagem pelo Sudoeste e chegou a pelo menos dois rascunhos em sua casa em Danbury, Connecticut.&nbsp;<em>The Discovery of Freedom: Man’s Struggle Against Authority</em>&nbsp;[“A descoberta da liberdade: a luta do homem contra a autoridade”], publicado em janeiro de 1943, narrava a luta épica de pessoas comuns que desafiam governantes para criar suas famílias, produzir comida, construir indústrias, comerciar, e melhorar a vida humana de incontáveis maneiras. Ela foi lírica a respeito da Revolução Americana, que ajudou a garantir liberdade e libertou uma energia fenomenal para o progresso humano. “Por que os homens morreram de fome por seis mil anos?” perguntou. “Por que eles caminharam e carregaram bens e outros homens sobre suas costas, por seis mil anos, e subitamente, em um século, apenas em um sexto da superfície da Terra, eles fizeram navios a vapor, ferrovias, motores, aviões, e agora estão pela Terra nas mais estupendas alturas? Por que famílias viveram em por milênios em choupanas sem telhados, janelas ou chaminés, então, em oito anos e apenas nestes Estados Unidos, passaram a ter assoalhos, chaminés, janelas de vidro como algo certo, e consideram luz elétrica, vasos sanitários de porcelana e cortinas como necessidades mínimas?”</p>
<p style="text-align: justify;">Ela atribuiu estes desenvolvimentos dramáticos à liberdade. Ela saudou as proteções constitucionais “proibindo o governo americano de expropriar ou realizar buscas na pessoa de um americano sem um devido processo legal; de aprisioná-lo sem julgamento; de julgá-lo em segredo ou sem deixá-lo convocar testemunhas em sua defesa; de julgá-lo duas vezes pelo mesmo crime; de puni-lo por crime cometido por outra pessoa; de recusar-lhe julgamento por júri ou negar-lhe o direito a apelação; de torturá-lo; ou negar-lhe seu direito de associação, ou seu direito a peticionar o governo, ou seu direito de ter armas, ou seu direito de possuir propriedade”.</p>
<p style="text-align: justify;">Lane ficou insatisfeita com o livro e recusou permissão para republicá-lo. Ela nunca chegou a completar outra edição. Apenas mil cópias do livro foram imprimidas durante sua vida. Apesar disso,&nbsp;<em>The Discovery of Freedom</em>&nbsp;teve grande impacto, circulando como um clássico&nbsp;underground. Ele ajudou a inspirar o início de várias organizações voltadas à promoção da liberdade durante os anos 40 e 50, dentre elas, a Foundation for Economic Education, de Leonard Read, o Institute for Humane Studies, de F. A. Harper, e a Freedom School, de Robert M. Lefevre.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora&nbsp;<em>The Discovery of Freedom</em>&nbsp;tenha sido um documento fundador do moderno movimento libertário, Lane talvez tivesse um chamado mais forte por detrás das cenas. Em 1930, Laura Ingalls Wilder, sua mãe, lhe deu um manuscrito sobre sua juventude de Wisconsin para Kansas e Dakota. Lane excluiu o material sobre Wisconsin, dedicando-se a dois rascunhos do resto, esboçando a história e seus personagens. Isto veio a se tornar um manuscrito de cem páginas provisoriamente intitulado&nbsp;<em>Pioneer Girl</em>&nbsp;[“Garota pioneira”], que ela enviou ao seu agente literário, Carl Brandt. O material de Wisconsin tornou-se uma história de vinte páginas, “<em>When Grandma Was a Little Girl</em>” [“Quando vovó era uma garotinha”], um texto possível para um livro de figuras para criança. Um editor sugeriu que a história fosse expandida para um livro destinado a jovens leitores.</p>
<p style="text-align: justify;">Lane contou as novidades a sua mãe, e já que o manuscrito original havia sido amplamente reescrito além, ela explicou, “são as histórias do seu pai, retiradas do longo manuscrito&nbsp;<em>Pioneer Girl</em>, e conectadas, como você verá”. Lane especificou o tipo de material de que necessitava, acrescentando, “Se você achar mais fácil escrever em primeira pessoa, faça-o assim. Eu vou mudar para a terceira pessoa depois”. Lane garantiu a sua mãe que a colaboração permaneceria um segredo de família: “Eu nunca disse que tinha escrito o manuscrito na minha própria máquina de escrever”. Em 27 de maio de 1931 o livro estava terminado, e Lane enviou-o aos editores. A Harper Brothers lançou-o em 1932 como&nbsp;<em>Little House in the Big Woods</em>[“A casinha na grande floresta”], e se tornou um marco na literatura infantil.</p>
<p style="text-align: justify;">Em janeiro de 1933, Wilder terminou o manuscrito de&nbsp;<em>Farmer Boy</em>&nbsp;[“Garoto fazendeiro”], sobre lembranças da infância de Almanzo. Os editores rejeitaram-no, presumivelmente por ser apenas uma crônica sobre o trabalho na fazenda. Mas Lane passou um mês transformando-o em uma história com personagens mais realistas, e a Harper Brothers comprou-o. No ano seguinte, Wilder entregou a Lane um manuscrito sobre sua vida em Kansas, e ela passou cinco semanas reescrevendo-o como&nbsp;Little House on the Prairie&nbsp;[“Casinha na pradaria”].</p>
<p style="text-align: justify;">A série “<em>Little House</em>” começou a gerar renda suficiente para os Wilder, um alívio para Lane, cujo objetivo era oferecer-lhes segurança financeira. Wilder expandiu parte de&nbsp;<em>Pioneer Girl&nbsp;</em>em outro manuscrito e entregou-lhe a Lane em 1936. “Eu escrevi os porquês da história como eu a escrevi”, explicou Wilder. “Mas você sabe que o seu julgamento é melhor que o meu, então o que você decidir é o que valerá”. Lane passou dois meses reescrevendo-o e enviou um rascunho a seu agente literário, requisitando melhores termos para o contrato. Este se tornou&nbsp;On the Banks of Plum Creek&nbsp;[“À beira do riacho Plum”]. Lane passou a maior parte de 1939 reescrevendo o manuscrito de&nbsp;<em>By the Shores of Silver Lake</em>&nbsp;[“Às margens do lago Silver”].&nbsp;<em>The Long Winter</em>&nbsp;[“O longo inverno”] apareceu em 1940,&nbsp;<em>Little Town on the Prairie</em>&nbsp;[“Cidadezinha na pradaria”] em 1941 e&nbsp;<em>These Happy Golden Years</em>&nbsp;[“Os felizes anos dourados”] em 1942.</p>
<p style="text-align: justify;">Os livros retratavam uma família muito próxima na fronteira americana durante os anos 1870 e 1880: o discretamente corajoso Pai (Charles Ingalls), que realizava uma quantidade estupenda de trabalhos, construindo casas, plantando, criando animais de fazenda e ajudando aos vizinhos; Mãe (Caroline Ingalls), que tomava conta das crianças e mantinha uma vida civilizada mesmo nas condições mais primitivas; e as crianças, Mary, Laura, Carrie e Grace. A família passou por dificuldade após dificuldade: lobos famintos, invernos brutais, índios hostis, colheitas destruídas por gafanhotos, ferozes fogos nas pradarias, escarlatina e a doença que cegou Mary. A família nunca teve muito dinheiro, mas teve uma vida maravilhosa juntos.</p>
<p style="text-align: justify;">Pai era o grande herói das histórias.&nbsp;On the Banks of Plum Creek&nbsp;contou como, após gafanhotos terem devorado o trigo e o feno que ele havia plantado em Minnesota, ele caminhou por mais de trezentos quilômetros em direção ao leste em suas botas remendadas para conseguir dinheiro cuidando da colheita de outras pessoas. Em outra ocasião, caminhando para casa de volta da cidade, ele foi pego em meio a uma súbita nevasca e se perdeu, mas sobreviveu por três dias dentro de um buraco até que a nevasca terminasse. A qualquer hora, Pai renovava os ânimos de todos quando pegava sua rabeca e enchia a casa de música.</p>
<p style="text-align: justify;">Os leitores podiam ver as maravilhas da imaginação criativa: “Primeiro, alguém pensou em uma ferrovia. Então alguns observadores vieram até aquele campo vazio, e marcaram e mediram uma ferrovia que não estava lá; era apenas uma estrada de ferro que alguém havia imaginado. Então os arados vieram para romper o gramado da pradaria, e as escavadeiras vieram para escavar a terra, e os caminhoneiros com seus caminhões para levá-la. E todos eles diziam que estavam trabalhando na ferrovia, mas ainda assim não havia nenhuma ferrovia lá. Não havia nada lá além de cortes nas elevações da pradaria, trechos do caminho da ferrovia que eram apenas sulcos de terra curtos e estreitos, apontando para o oeste através da terra gramada”(<em>By the Shores of Silver Lake</em>).</p>
<p style="text-align: justify;">O seu individualismo se manifestava em alto e bom som: “Todos sabiam que ninguém era igual a ninguém. Você poderia medir um tecido com uma fita métrica, ou a distância em milhas, mas não poderia juntar pessoas e medi-las com nenhuma régua. Idéias e caráter não dependiam de nada a não ser da própria pessoa. Algumas pessoas não tinham aos sessenta o juízo que outras tinham aos dezesseis”(<em>The Long Winte</em>r).</p>
<p style="text-align: justify;">Os livros demonstraram o espírito da liberdade: “Os políticos vêm em bandos, e, dona, se existe uma peste pior que os gafanhotos são os políticos” (<em>The Long Winter</em>). Em&nbsp;<em>Little Town on the Prairie</em>, Rose descreveu o pensamento de sua mãe da seguinte maneira: “Americanos são livres. Isto significa que eles devem obedecer a suas próprias consciências. Nenhum rei manda no Pai; ele tem que mandar em si mesmo. Por que (ela pensava), quando eu for um pouco mais velha, Pai e Mãe não vão mais me dizer o que fazer, e não há mais ninguém com o direito de me dar ordens. Eu vou ter que ser boa”.</p>
<p style="text-align: justify;">Extremamente leal a sua mãe, Lane não quis nenhum crédito pela série “<em>Little House</em>”, e sua importância não foi documentada até que o professor de inglês William Holtz produziu a biografia&nbsp;<em>The Ghost in the Little House</em>&nbsp;[“O fantasma na casinha”] (1993). “Em 1972”, lembra ele, “minha esposa e eu começamos a ler&nbsp;<em>Little House in the Big Woods</em>&nbsp;para nossas filhas. O apelo do livro foi imediato, e nós fomos atrás de outros livros de Laura Ingalls Wilder. Eles eram aquele raro feito em literatura infantil, livros para crianças que ao mesmo tempo atraíam o interesse de adultos; e nós achamos vivas e persuasivas as suas imagens sobre devoção familiar, trabalho duro e disciplinado, e luta otimista contra as adversidades. (…) Como professor de literatura, fiquei mais e mais interessado pela configuração de todo um conjunto de circunstâncias. (…) [Laura estava] em seus sessenta antes que seus livros aparecessem, e sem nenhuma distinção literária anterior a este súbito surgimento, ela passou ao imaginário como uma&nbsp;<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Grandma_Moses">Grandma Moses</a>&nbsp;literária, um talento natural se abrindo para a vida depois de obscuridade nas montanhas de Missouri. (…) A história contada de Laura Ingalls, da infância ao casamento, era (…) apresentada com tão alto grau de finish literário – no ritmo, no equilíbrio, na estrutura, na caracterização, nos diálogos, no impacto dramático, tudo isso confinado em um estilo e ponto de vista enganadoramente simples – como a alcançar o retrato de um personagem fictício e um mundo imaginário de poder singular. A impressão da autora Laura Ingalls Wilder como um gênio ingênuo era muito forte…”.</p>
<p style="text-align: justify;">“Para valorizar a contribuição de Rose Wilder Lane aos livros de sua mãe, deve-se simplesmente ler os manuscritos de sua mãe e comparará-los com as versões finais. O que Rose conseguiu foi nada menos do que reescrever linha por linha narrativas trabalhadas e subdesenvolvidas”. Holtz observou que um espírito animado permeia todos os livros da série “<em>Little House</em>”, exceto&nbsp;<em>First Four Years</em>[“Quatro primeiros anos”] (1971), publicado postumamente, “o único livro de Laura Ingalls Wilder que não passou pela mão de Rose Wilder Lane”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1974, a NBC começou a adaptar os livros para&nbsp;<em>Little House on the Prairie</em>&nbsp;[“Casinha na pradaria”], uma série de televisão altamente popular que foi ao ar por nove anos. O presidente Ronald Regan afirmou que&nbsp;Little House&nbsp;era seu programa de televisão favorito. Os programas foram vistos em centenas de países e os acordos de reprodução garantiram que os programas continuarão sendo reproduzidos pelos próximos 25 anos. A Time-Life Video vende hoje os quarenta e oito programas mais populares. Michael Landon escreveu e dirigiu muitos dos programas, e estrelou como Charles Ingalls, o pai de Laura.</p>
<p style="text-align: justify;">O último sopro de Lane foi&nbsp;<em>Woman’s Day Book of American Needlework</em>&nbsp;[“Livro diário feminino do bordado americano”], que transformou em um hino à liberdade. “O bordado americano fala”, escreveu ela, “que os americanos vivem em uma sociedade sem classes. Essa república é o único país que não tem um bordado camponês. (…) As mulheres americanas (…) descartaram panos de fundo, bordas e molduras. Elas fizeram com que os detalhes criassem o todo, e firmaram cada detalhe em um espaço sem limites, sozinho, independente, completo. (…) Havia rendas em todas as casas, ninguém das classes mais baixas fazia rendas para pessoas das classes mais altas. Aqueles(as) americanos eram um povo livre, imaginativo, criativo e ousado; eles gostavam de suavidade e mudança. A renda americana demonstra que eles eram o povo que iria desenvolver rápidos veleiros, navios a vapor e aviões”.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre&nbsp;patchwork, escreveu: “lembremos, também, que ‘quando a Liberdade de sua altura montanhosa desfraldou seu estandarte ao ar’, aquele estandarte era um modelo de&nbsp;patchwork&nbsp;com treze listras, vermelhas e bancas, e um remendo azul que contava com treze estrelas e agora conta com cinquenta. Aquele estandarte foi erguido pelos pobres e famintos que haviam vindo, ou sido trazidos como gado, de todos os cantos do Velho Mundo para viver nos limites de um ambiente selvagem. Recordemos que aqui eles encontraram liberdade e lutaram para defendê-la e preservá-la, e que em liberdade eles construíram nosso país com suas mãos e seu ânimo inabalável”.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora Lane tenha permanecido ativa por toda sua vida –&nbsp;Woman’s Day&nbsp;mandou-a ao Vietnã como correspondente em 1965 – ela estimava muito a vida no campo em<br />sua casa em Danbury, Connecticut. Em 29 de novembro de 1966 ela cozinhou pão para vários dias e subiu para o segundo andar de sua casa para dormir e nunca acordou. Tinha setenta e nove anos. Roger MacBride, seu amigo próximo e herdeiro literário, co-criador da séria de televisão&nbsp;Little House, levou suas cinzas para Mansfield, Missouri, e enterrou-as junto de sua mãe e seu pai. Na sua discreta lápide foram gravadas palavras de Thomas Paine: “Um exército de princípios penetrará onde um exército de soldados não pode penetrar. Nem o Canal da Mancha nem o Reno impedirão seu avanço. Ele marchará no horizonte do mundo e o conquistará”.</p>
<p style="text-align: justify;">MacBride fez muito para preservar o legado de Lane. Ele autorizou uma nova edição de&nbsp;<em>The Discovery of Freedom</em>&nbsp;em 1972. No ano seguinte editou&nbsp;<em>The Lady and the Tycoon: The Best of Letters Between Rose Wilder Lane and Jasper Crane</em>&nbsp;[“A senhora e o magnata: o melhor das cartas entre Rose Wilder Lane e Jasper Crane”] (1977). Para jovens adultos, lançou&nbsp;<em>Rose Wilder Lane, Her Story&nbsp;</em>[“Rose Wilder Lane, sua história”], a primeira de suas história sobre como ela cresceu, e muito no estilo e no espírito da séria “Little House”. Estes foram seguidos por&nbsp;<em>Little Farm in the Ozarks</em>&nbsp;[“Casinha nas montanhas”] (1994) e&nbsp;<em>In the Land of the Big Red Apple</em>&nbsp;[“Na terra da grande maçã vermelha”] (1995). Vivendo em Miami, MacBride sofreu um ataque cardíaco fatal em 5 de março de 1995, aos sessenta e cinco anos, mas sua filha Abigail MacBride Allen supervisionou a publicação dos manuscritos não-publicados de seu pai, começando com<em>&nbsp;The Other Side of the Hill&nbsp;</em>[“O outro lado da colina”] (1995),&nbsp;<em>Little Town in the Ozarks</em>&nbsp;[“Cidadezinha nas montanhas”] (1996),&nbsp;<em>New Dawn on Rocky Ridge</em>&nbsp;[“Novo amanhecer em Rocky Ridge”] (1997),&nbsp;<em>On the Banks of the Bayou&nbsp;</em>[“Às margens do Bayou”] (1998), <em>Bachelor Girl</em>&nbsp;[“Garota solteira”] (1999). Os livros remetem à época em que Rose tinha dezessete anos, quando ela foi em busca de seus sonhos.</p></div>]]></description>
			<category>Biografias</category>
			<pubDate>Sun, 08 Apr 2012 21:39:04 +0000</pubDate>
		</item>
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			<title>Ayn Rand</title>
			<link>http://www.libertarianismo.org/index.php/academia/arquivonovo/253-biografia/933-ayn-rand</link>
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			<description><![CDATA[<div class="feed-description"><p style="text-align: center;"><img alt="rand" src="http://www.libertarianismo.org/images/pensadores/rand.png" height="125" width="90" /></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Ayn Rand, conhecida principalmente por seus romances filosóficos&nbsp;<em>The Fountainhead</em>&nbsp;[A nascente] (1943) e<em> Atlas Shrugged</em> [<a href="http://www.submarino.com.br/produto/7297920/livro-box-a-revolta-de-atlas-3-volumes-">A Revolta de Atlas</a>] (1957), fez mais do que qualquer outra pessoa para desenvolver um argumento moral convincente a favor do individualismo, da liberdade, e do livre mercado, e conquistou milhões de pessoas com a filosofia dos direitos naturais, que havia saído de moda mais de um século antes. Ela construiu uma visão ética, econômica e política coerente. Em uma pesquisa feita pela biblioteca do Congresso americano e o Book-of-the-Month Club (empresa de venda de livros por correspondência), A Revolta de Atlas foi escolhido o segundo livro que mais influenciou a vida das pessoas, perdendo apenas para a Bíblia. Rand escreveu muito mais - ficção e não-ficção. Aproximadamente 20 milhões de cópias de seus livros já foram vendidas, e novas coleções de suas obras e livros sobre ela continuam a ser lançados.</p>
<p style="text-align: justify;">Nascida na Rússia, Rand falava inglês com um sotaque forte e não parecia totalmente à vontade sendo o centro das atenções, mas aproveitou ao máximo a fama. Apareceu na televisão com entrevistadores famosos como Mike Wallace e Phil Donahue, e a revista Playboy <a href="http://www.libertarianismo.org/index.php/academia/objetivismonovo/226-ayn-rand-na-revista-playboy">publicou </a>uma entrevista com ela.</p>
<p style="text-align: justify;">Rand explicava as coisas com uma clareza fora do comum. Escreveu, por exemplo: "Qual é o princípio básico, essencial, crucial, que diferencia a liberdade da escravidão? É o princípio da ação voluntária&nbsp;<em>versus</em>&nbsp;a coerção física ou por ameaças [...] A questão&nbsp;<em>não</em>&nbsp;é a escravidão por uma "boa" causa&nbsp;versus&nbsp;a escravidão por uma causa "ruim"; a questão&nbsp;não&nbsp;é a ditadura de uma gangue "boa" contra a ditadura de uma gangue "má". A questão é liberdade versus ditadura [...] Se defendemos a liberdade, devemos defender os direitos individuais do homem; se defendemos os direitos individuais do homem, devemos defender seu direito à sua própria vida, à sua própria liberdade, e à busca de sua própria felicidade [...] Sem direitos de propriedade, nenhum outro direito é possível. Uma vez que o homem precisa sustentar sua vida através de seu próprio trabalho, o homem que não tem direito ao produto de seu trabalho não tem meios de sustentar sua vida." E ela discordava dos defensores da liberdade que esperavam ganhar influência apenas com a economia de mercado: "A maioria das pessoas sabe, de uma forma vaga e incômoda, que há algo de errado com a teoria econômica marxista [...] A raiz da tragédia moderna é filosófica e moral. As pessoas não estão aderindo ao coletivismo porque aceitaram a má teoria econômica, elas estão aceitando a má teoria econômica porque aderiram ao coletivismo."</p>
<p style="text-align: justify;">É verdade que Rand perdia a paciência com aqueles que não conseguiam compreendê-la, e com compatriotas que se desviavam de suas opiniões. Talvez isso se devesse em parte ao fato de que ela havia passado muitos anos lutando para <a href="http://www.libertarianismo.org/index.php/academia/artigosnovo/1250-ayn-rand-sovietologista">escapar</a> da Rússia, estabelecer-se em Hollywood, superar rejeições de editoras e suportar críticas duras.</p>
<p style="text-align: justify;">A biógrafa Barbara Branden descreveu Rand na época de sua chegada aos EUA, aos vinte e um anos: "Enquadrado por cabelo curto e liso, seu rosto quadrado tinha a forma enfatizada pela mandíbula firme, uma boca grande e sensual sempre tensa, e olhos enormes, negros e intensos. Parecia o rosto de uma mártir, uma inquisidora ou uma santa. Seus olhos tinham uma paixão simultaneamente emocional e intelectual - como se pudessem queimar quem os olhasse." Ao longo da vida de Rand, o tabagismo e os hábitos sedentários tiveram suas consequências, mas ela ainda era inesquecível.</p>
<p style="text-align: justify;">Rand nasceu em 5 de fevereiro de 1905, em São Petersburgo, com o nome Alissa Rosenbaum. Seu pai, Fronz Rosenbaum, havia emergido da pobreza para a classe média como farmacêutico. Sua mãe, Anna, era extrovertida e acreditava em exercícios físicos vigorosos e vida social intensa, mas Alissa não se interessava por nenhuma dessas coisas. Depois da escola, ela estudava francês e alemão em casa. Inspirada por uma série publicada em uma revista, ela começou a escrever histórias, e aos nove anos decidiu ser escritora.</p>
<p style="text-align: justify;">A vida confortável dos Rosenbaum acabou quando o czar entrou na Primeira Guerra Mundial. A guerra devastou a economia da nação, e, em um período de um ano, mais de um milhão de russos foram mortos ou feridos. Os bolcheviques tomaram o poder.</p>
<p style="text-align: justify;">A Revolução Russa inspirou Rosenbaum a criar histórias sobre indivíduos heróicos que combatiam reis ou ditadores comunistas. Também nesta época ela descobriu o romancista Victor Hugo, cujo estilo dramático e heróis grandiosos capturaram sua imaginação. "Fiquei fascinada com a visão da vida de Hugo", ela lembrou. "Era alguém escrevendo algo de importante. Eu senti que este era o tipo de escritora que eu queria ser, mas eu não sabia quanto tempo isso levaria."</p>
<p style="text-align: justify;">Na Universidade de Petrogrado, ela teve aulas com o rígido filósofo aristotélico Nicholas Lossky, que, conforme demonstrou o pesquisador Chris Sciabarra, teve grande influência em seu pensamento. Ela leu peças de Friedrich Schiller (que amava) e William Shakespeare (que odiava), filosofia de Friedrich Nietzsche (pensador provocador) e romances de Fiódor Dostoiévsky (bons enredos). Filmes estrangeiros a cativavam. Teve seu primeiro romance com um homem chamado Leo, que arriscava sua vida para esconder membros da oposição clandestina aos Bolcheviques.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1925, os Rosenbaum receberam uma carta de parentes que haviam emigrado para Chicago mais de três décadas antes, para escapar do anti-semitismo russo. Alissa queria desesperadamente conhecer os EUA, e os parentes concordaram em pagar sua passagem e se responsabilizar por ela. Milagrosamente, as autoridades soviéticas concederam-lhe um passaporte, para uma visita de seis meses. Em 10 de fevereiro de 1926, ela embarcou no navio De Grasse e chegou a Nova York com cinquenta dólares.</p>
<p style="text-align: justify;">Alissa logo se juntou a seus parentes num apartamento apertado em Chicago. Ela assistia a muitos filmes e trabalhava com sua máquina de escrever, em geral começando por volta da meia-noite (o que dificultava o sono dos outros). Ela adotou um novo nome, Ayn (de uma escritora finlandesa que ela nunca tinha lido, mas ela gostava do som) e um novo sobrenome, Rand (de sua máquina de escrever Remington Rand). A biógrafa Branden diz que Rand pode ter mudado de nome para proteger sua família de possíveis represálias do regime soviético.</p>
<p style="text-align: justify;">Determinada a se tornar roteirista de cinema, ela se mudou pra Los Angeles e trabalhou como figurante no estúdio de Cecil B. DeMille. E se apaixonou por um ator alto, bonito e de olhos azuis chamado Frank O'Connor. Eles se casaram em 15 de abril de 1929. Rand não tinha mais que se preocupar em voltar para a União Soviética, e pediu cidadania americana.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o estúdio de DeMille fechou, Rand começou a fazer trabalhos temporários. Finalmente, em 1935, ela experimentou o sucesso pela primeira vez: sua peça <em>Night of January 16th</em>&nbsp;[Noite de 16 de janeiro], sobre um industrial cruel e uma poderosa mulher sendo julgada por seu assassinato, ficou em cartaz na Broadway por 283 performances. Em 1936, seu romance<em>&nbsp;We the Living</em>&nbsp;[<a href="http://www.libertarianismo.org/index.php/academia/artigosnovo/1250-ayn-rand-sovietologista">Nós, os Vivos</a>], sobre a luta pela liberdade na Rússia soviética, foi publicado. A editora Macmillan imprimiu três mil cópias, mas o livro não fez sucesso. A propaganda boca-a-boca levantou um pouco as vendas após mais ou menos um ano, mas a editora havia destruído as chapas, e o livro saiu de catálogo. Rand havia ganhado apenas US$ 100 em royalties.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1937, enquanto se esforçava para resolver a trama de&nbsp;A Nascente, Rand escreveu um conto lírico e futurista,&nbsp;<em>Anthem</em>&nbsp;[Hino], sobre um indivíduo contra a tirania coletivista.&nbsp;Anthem&nbsp;é uma audaciosa afirmação de liberdade, que vai muito além de romances anti-totalitários mais famosos, como&nbsp;Admirável mundo novo (1932), de Aldous Huxley,&nbsp;<em>O zero e o infinito</em>&nbsp;(1941), de Arthur Koestler, e&nbsp;<a href="http://www.libertarianismo.org/index.php/biblioteca/190-george-orwell/785-a-revolucao-dos-bichos">A Revolução dos Bichos</a>&nbsp;(1945) e&nbsp;<a href="http://www.libertarianismo.org/index.php/biblioteca/190-george-orwell/784-1984">1984</a>&nbsp;(1949), de George Orwell. Em&nbsp;<em>Anthem</em>, um homem redescobre a palavra "Eu". Ele explica: "Minha felicidade não é um meio para nenhum fim. Ela é o fim. Ela é seu próprio objetivo. Ela é seu próprio propósito. Tampouco eu sou um meio para qualquer fim que outros possam desejar realizar. Eu não sou um instrumento para seu uso. Eu não sou um servo de suas necessidades." O agente literário de Rand vendeu a obra para uma editora britânica, mas não conseguiu encontrar quem o publicasse nos Estados Unidos. Cerca de sete anos mais tarde, o gerente geral da Câmara de Comércio de Los Angeles, Leonard Read, fez uma visita a Rand e O'Connor, que viviam em Nova York, e comentou que alguém deveria escrever um livro defendendo o individualismo. Rand falou sobre<em>&nbsp;Anthem</em>, e a pequena editora de Read, a Pamphleteers, lançou uma edição americana em 1946. Desde então, cerca de 2,5 milhões de cópias foram vendidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Rand havia terminado a trama de&nbsp;A Nascente&nbsp;em 1938, após quase quatro anos de trabalho, e começado a escrever. O herói, o arquiteto Howard Roark, expressava sua visão do homem ideal. Ele lutava contra os coletivistas ao seu redor para defender a integridade de suas ideias, mesmo que isso significasse dinamitar um prédio porque seu desenho foi alterado, em violação de seu contrato. Ele defendeu sua ação dizendo, em parte: "Os grandes criadores - os pensadores, os artistas, os cientistas, os inventores - enfrentaram sozinhos os homens de seu tempo. Toda nova grande ideia encontrou oposição. Toda nova grande invenção foi combatida. O primeiro motor foi considerado uma tolice. O avião foi considerado impossível. O tear mecânico foi considerado maléfico. A anestesia foi considerada pecaminosa. Mas os homens de visão original seguiram em frente. Eles lutaram, eles sofreram, e eles pagaram o preço. Mas venceram."</p>
<p style="text-align: justify;">Vender&nbsp;A Nascente&nbsp;foi difícil. O editor de Rand na Macmillan mostrou interesse e ofereceu um adiantamento de US$250, mas ela insistiu que a empresa concordasse em gastar ao menos US$1200 em publicidade, então a Macmillan retirou a oferta. Até 1940, uma dúzia de editores haviam visto capítulos completos e rejeitado o livro. Um editor influente disse que a obra jamais venderia, e até o agente literário de Rand se voltou contra o livro. Suas economias haviam caído a apenas US$700.</p>
<p style="text-align: justify;">Rand sugeriu que o manuscrito parcial fosse oferecido à Bobbs-Merrill, uma editora de Indianápolis que havia publicado&nbsp;<em>The Red Decade</em>&nbsp;[A Década Vermelha], do jornalista anticomunista Eugene Lyons. Os editores da Bobbs-Merrill em Indianápolis recusaram&nbsp;A Nascente, mas o editor da empresa em Nova York, Archibald Ogden, amou o livro e ameaçou demitir-se se a editora não o aceitasse. Eles assinaram um contrato em dezembro de 1941, pagando a Rand um adiantamento de US$1000. Com dois terços do livro ainda por escrever, ela se esforçou para completá-lo dentro do prazo, que terminava em 1º de janeiro de 1943.</p>
<p style="text-align: justify;">Rand se viu em uma disputa amigável com sua amiga Isabel Paterson, a jornalista de temperamento esquentado e às vezes sem tato que estava trabalhando para completar&nbsp;<em>The God of the Machine</em>&nbsp;[O deus da máquina]. Paterson escreveu romances e cerca de mil e duzentas colunas em jornais, mas foi <em>The God of the Machine</em> que solidificou sua reputação. O livro dispara um ataque poderoso ao coletivismo, e explica a extraordinária dinâmica do livre-mercado. Paterson era dezenove anos mais velha do que Rand, e durante diversos anos cruciais foi sua mentora. O professor de inglês Stephen Cox, da Universidade da Califórnia (San Diego), acredita que, com Paterson, Rand teve "o que pode ter sido o relacionamento intelectual mais íntimo de sua vida." Rand e Paterson se conheceram quando Paterson estava revisando críticas de livros que havia escrito para o jornal <em>New York Herald Tribune</em>. Ela apresentou a Rand muitos livros sobre história, economia, e filosofia política, ajudando-a a sofisticar sua visão de mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">A Nascente&nbsp;foi publicado em maio de 1943, o mesmo mês em que saiu&nbsp;<em>The God of the Machine</em>. Da concepção à publicação haviam se passado nove anos. Paterson promoveu o livro em diversas colunas no <em>Herald Tribune</em>.&nbsp;A Nascente&nbsp;recebeu muito mais atenção do que&nbsp;<em>We the Living</em>, mas a maioria dos críticos ou o atacou ou o descreveu incorretamente como um livro sobre arquitetura. Uma das críticas mais surpreendentes veio do jornal The New York Times, em que Lorine Pruette escreveu: "A srta. Rand tomou uma posição contra o coletivismo - Ela escreveu um hino em louvor do indivíduo."</p>
<p style="text-align: justify;">Rand ficou emocionada ao receber uma carta do famoso arquiteto Frank Lloyd Wright. "Li cada palavra de&nbsp;A Nascente", escreveu. "Sua tese é grande? O indivíduo é a&nbsp;Nascente&nbsp;de toda Sociedade de valor. A Liberdade do Indivíduo é o único objeto legítimo do governo: a Consciência Individual é o grande inviolável." Embora Roark não tivesse sido inspirado em Wright, há relatos de que o arquiteto guardava uma cópia de&nbsp;A Nascente&nbsp;ao lado de sua cama em Taliesin West, no Arizona. (Ele projetou uma casa para Rand, que nunca foi construída porque ela e seu marido decidiram ficar em Nova York. O desenho continua na coleção Wright.)</p>
<p style="text-align: justify;">Por algum tempo, as vendas do livro foram lentas. Mas a propaganda boca-a-boca gerou um interesse crescente, e a editora pediu uma série de reimpressões, quase sempre pequenas, em parte por causa da escassez de papel nos tempos de guerra. O livro ganhou impulso e chegou às listas dos mais vendidos. Dois anos após a publicação, 100.000 cópias haviam sido vendidas, e, em 1948, 400.000 cópias. Veio então a edição da <em>New American Library</em>, e&nbsp;A Nascente chegou a vender mais de 6 milhões de exemplares.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia em que a Warner Brothers concordou em pagar a Rand US$50.000 pelos direitos cinematográficos de&nbsp;A Nascente, ela e O'Connor fizeram uma extravagância e saíram para um jantar de 65 centavos cada um na lanchonete do bairro. Rand brigou para preservar a integridade do roteiro, e, em grande parte, teve sucesso, embora algumas de suas falas preferidas tenham sido cortadas. O filme, estrelado por Gary Cooper, Patricia Neal, e Raymond Massey, estreou em julho de 1949 e levou o livro mais uma vez às listas dos mais vendidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo após a primeira publicação do livro, Rand havia dito à sua amiga Isabel Paterson que estava desapontada com a forma como o público o havia recebido. Paterson incentivou Rand a escrever um livro de não-ficção, dizendo que ela tinha o dever&nbsp;de divulgar mais suas opiniões. Mas Rand se rebelou contra a ideia de que devia algo às outras pessoas. "E se eu entrasse em greve?", ela perguntou. "E setodas&nbsp;as mentes criadoras do mundo entrassem em greve?" Essa se tornou a ideia central de sua última grande obra, que recebeu o título provisório&nbsp;A greve.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao longo dos catorze anos que Rand dedicou ao livro, a maior parte deles em seu apartamento em Nova York, cada elemento da história se tornou superlativo. A história apresenta o mais famoso herói de Rand, o misterioso John Galt, físico e inventor que organiza uma greve das pessoas mais produtivas contra os cobradores de impostos e outros exploradores. O livro também apresenta Dagny Taggart, a primeira mulher ideal de Rand, que encontra seu par em Galt. Um amigo comentou que o título original poderia fazer muitas pessoas pensarem que o livro era sobre sindicatos, então ela o abandonou. O'Connor a incentivou a usar o nome de um dos capítulos como título do livro:&nbsp;Atlas Shrugged&nbsp;[A Revolta de Atlas].</p>
<p style="text-align: justify;">O livro está cheio de ideias provocadoras. Por exemplo, o empresário do cobre Francisco d'Anconia, conversando com o empresário do aço Hank Rearden, expressa a visão de Rand sobre o sexo: "A escolha sexual de um homem é o resultado de suas convicções fundamentais. Diga-me o que um homem acha sexualmente atraente, e eu te direi toda a sua filosofia de vida. Mostre-me a mulher com quem ele dorme e eu te direi o que ele pensa de si mesmo." Anconia fala sobre a <a href="http://www.libertarianismo.org/index.php/academia/objetivismonovo/32-o-dinheiro">moralidade do dinheiro</a>: "O dinheiro se baseia no axioma de que cada homem é dono de sua mente e de seu trabalho? O dinheiro exige que todos reconheçam que os homens devem trabalhar em seu próprio benefício, não em seu detrimento, para seu ganho, não para sua perda. A ligação comum entre todos os homens não é a troca de sofrimento, mas a troca de bens." Rearden defende suas conquistas da seguinte forma: "Eu ganhei meu dinheiro por meu próprio esforço, em trocas livres e com o consentimento voluntário de todos os homens com quem fiz negócios [...] Eu me recuso a pedir desculpas pelo meu talento [...]&nbsp;Eu me recuso a pedir desculpas pelo meu sucesso." E da transmissão de rádio de John Galt para os opressores vem esta poderosa frase: "Estamos em greve contra o dogma de que buscar a própria felicidade é errado."</p>
<p style="text-align: justify;">As ideias de Rand ainda eram extremamente polêmicas, mas as vendas de&nbsp;A Nascente&nbsp;haviam impressionado as editoras, e várias das maiores se interessaram por A Revolta de Atlas. Bennett Cerf, sócio da Random House, deu muito apoio ao lançamento, e Rand recebeu um adiantamento de US$50.000 sobre royalties de 15%, uma primeira impressão de no mínimo setenta e cinco mil cópias, e um orçamento de US$25.000 para divulgação. O livro foi publicado em 10 de outubro de 1957.</p>
<p style="text-align: justify;">A maioria dos críticos foi selvagem. O socialista da velha guarda Granville Hicks fez um escândalo no<em> New York Times</em>, e outros ficaram igualmente ofendidos pelos ataques de Rand ao coletivismo. Mas a crítica mais histérica de todas veio da conservadora <em>National Review</em>, em que Whittaker Chambers, presumivelmente ofendido pelas críticas de Rand à religião, comparou-a a um nazista ordenando "Para a câmara de gás [...] vá!?" No entanto, a propaganda boca-a-boca foi mais forte do que os detratores, e as vendas começaram a subir, acabando por passar dos 4,5 milhões de cópias.</p>
<p style="text-align: justify;">Com&nbsp;A Revolta de Atlas, Rand havia realizado seus sonhos, e entrou em depressão. Ela não tinha mais um imenso projeto para absorver suas prodigiosas energias, e passou a se apoiar cada vez mais em seu discípulo intelectual canadense, Nathaniel Branden, com quem ela teve um relacionamento íntimo. Para servir ao interesse cada vez maior do público por Rand e ajudar a reanimá-la, ele fundou o Nathaniel Branden Institute (NBI), que oferecia seminários, vendia gravações de palestras e começou a editar publicações sobre a filosofia de Rand, chamada <a href="http://www.libertarianismo.org/index.php/academia/objetivismonovo/712-o-que-e-objetivismo">Objetivismo</a>. Branden às vezes era um guardião implacável da ortodoxia objetivista, mas tinha uma habilidade notável para promover os ideais do individualismo e do livre-mercado. Estima-se que vinte e cinco mil pessoas tenham participado dos cursos do NBI.</p>
<p style="text-align: justify;">Os bons tempos continuaram até 23 de agosto de 1968, quando Branden contou a Rand que tinha um caso com outra mulher. Rand o repudiou publicamente, e os dois romperam relações, mas os motivos só foram totalmente revelados dezoito anos depois, quando a ex-esposa de Branden, Barbara, escreveu uma biografia de Rand. Nathaniel Branden se tornou um autor de sucesso escrevendo sobre auto-estima.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante este período, Rand começou a escrever não-ficção. <em>For a New Intellectual&nbsp;</em>[Por um novo intelectual] (1961) reuniu trechos selecionados de sua filosofia, de&nbsp;<em>We the Living</em>,&nbsp;<em>Anthem</em>,&nbsp;A Nascente, e A Revolta de Atlas. Ela editou e publicou os periódicos&nbsp;<em>The Objectivist Newsletter</em>&nbsp;(1962-1966),&nbsp;<em>The Objectivist</em> (1966-1971) e&nbsp;<em>The Ayn Rand Letter</em>&nbsp;(1971-1976). Alguns de seus ensaios, junto com ensaios de Nathaniel Branden, Alan Greenspan e Robert Hessen, foram republicados na coletânea&nbsp;<em>Capitalism: The Unknown Ideal</em>&nbsp;[Capitalismo: O Ideal Desconhecido] (1962). Rand tinha talento para a polêmica, e deu a uma coletânea de seus ensaios o título&nbsp;The Virtue of Selfishness&nbsp;[<a href="http://www.libertarianismo.org/index.php/biblioteca/29-ayn-rand/60-a-virtude-do-egoismo">A Virtude do Egoísmo</a>] (1964). Seus escritos sobre cultura foram reunidos em&nbsp;<em>The Romantic Manifesto</em>&nbsp;[O Manifesto Romântico] (1969). Indignada com a revolta dos jovens contra o capitalismo, ela lançou outro livro de ensaios,&nbsp;<em>The New Left: the Anti-Industrial Revolution</em>&nbsp;[A nova esquerda: a revolução anti-industrial] (1971).</p>
<p style="text-align: justify;">Após a morte de Frank O'Connor em novembro de 1979, Rand se tornou mais reservada, praticamente inconsciente de que suas ideias inspiravam milhões de pessoas. Mesmo assim, ela fez duas aparições no programa de entrevistas de Phil Donahue, transmitido para todos os Estados Unidos. No ano seguinte, sabendo que Rand amava trens, James U. Blanchard III, empresário do ramo de metais preciosos, providenciou um vagão particular para que ela viajasse de Nova York até New Orleans, onde, em 21 de novembro de 1981, quatro mil pessoas aplaudiram seu discurso <em>The Sanction of the Victims</em> [A sanção das vítimas]. Ela falou sobre como os empresários têm a função vital de transformar novo conhecimento em melhores produtos e serviços. No entanto, geralmente são desprezados como capitalistas gananciosos, e - o que é pior - financiam as universidades, estúdios de Hollywood e outras instituições que fazem propaganda pela supressão da liberdade. Ela exortou os empresários a defender a moralidade da liberdade.</p>
<p style="text-align: justify;">O coração de Rand começou a ceder em dezembro, e ela faleceu em seu apartamento no número 120 da rua 34, em Manhattan, em 6 de março de 1982. Foi enterrada ao lado de O'Connor em Valhalla, Nova York, com 200 pessoas jogando flores em seu caixão. Tinha 77 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde então os editores estiveram ocupados com novos títulos relacionados a Rand. Seu colega mais próximo, Leonard Peikoff, fundador do Ayn Rand Institute, lançou&nbsp;<em>Philosophy: Who Needs It</em>&nbsp;[Filosofia: quem precisa dela] (1982), material em grande parte extraído de<em>&nbsp;The Ayn Rand Letter; The Early Ayn Rand: A Selection from Her Unpublished Fiction</em>&nbsp;(1984) [Ayn Rand no início: uma seleção de ficção inédita]; e&nbsp;<em>The Voice of Reason: Essays on Objectivist Thought</em>&nbsp;[A voz da razão: ensaios sobre o pensamento objetivista] (1988). O diretor executivo do Ayn Rand Institute, Michael S. Berliner, editou&nbsp;<em>Letters of Ayn Rand</em>&nbsp;[Cartas de Ayn Rand] (1995), e o acadêmico David Harriman editou<em>&nbsp;Journals of Ayn Rand</em>&nbsp;[Diários de Ayn Rand] (1997). Depois vieram&nbsp;<em>Marginalia&nbsp;</em>(1998),&nbsp;<em>The Ayn Rand Column</em>&nbsp;(1998) &nbsp;e <em>Art of Fiction</em>&nbsp;[A arte da ficção] (2000).</p>
<p style="text-align: justify;">Em uma comemoração dos cinquenta anos da publicação de&nbsp;A Nascente, o professor de inglês Stephen Cox observou que: "O desafio corajoso de Rand às ideias estabelecidas se torna ainda mais corajoso quando aliado à sua disposição a enunciar suas premissas individualistas nos termos mais claros e a defender suas implicações mais radicais."</p>
<p style="text-align: justify;">O quadragésimo aniversário de A Revolta de Atlas, em outubro de 1997, foi celebrado por um evento de um dia inteiro patrocinado pelo Cato Institute e pelo Institute for Objectivist Studies."?A mensagem de A Revolta de Atlas," declarou David Kelley, diretor executivo do Institute for Objectivist Studies, "é que o capitalismo permite, recompensa e celebra o que há de melhor na natureza humana. E o socialismo, ou qualquer outra forma de coletivismo, não é apenas ineficiente, é imoral. É uma expressão degradante de inveja, malícia, da sede de poder dos poucos que governam e do medo da liberdade dos muitos que se submetem."</p>
<p style="text-align: justify;">Os livros de Rand continuam a vender aproximadamente 300.000 cópias por ano. Embora tenha causado um impacto maior nos Estados Unidos, ela tem leitores por todo o mundo.&nbsp;A Revolt foi publicaa de Atlas do em alemão e português. Existem edições de&nbsp;A nascente&nbsp;em francês, alemão, norueguês, sueco, russo e português.&nbsp;<em>We the Living</em>&nbsp;teve edições em francês, alemão, grego, italiano e russo. Traduções de&nbsp;<em>Anthem</em>&nbsp;para o francês e o norueguês estão sendo preparadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Houve uma enxurrada de livros sobre Rand. A biografia escrita por Barbara Branden,&nbsp;<em>The Passion of Ayn Rand</em>&nbsp;[A paixão de Ayn Rand], saiu em 1986. Nathaniel Branden contou sua história em&nbsp;<em>Judgement Day</em>&nbsp;[Dia do julgamento] (1989). Peikoff escreveu&nbsp;<em>Objectivism: the Philosophy of Ayn Rand</em>&nbsp;[Objetivismo: a filosofia de Ayn Rand] (1991). No mesmo ano, saiu&nbsp;<em>The Ideas of Ayn Rand</em>&nbsp;[As ideias de Ayn Rand], do empresário de Los Angeles Ronald E. Merrill.&nbsp;<em>Ayn Rand, the Russian Radical</em>&nbsp;[Ayn Rand, a radical russa], do acadêmico Chris Matthews Sciabarra, publicado em 1995, situa suas ideias no contexto da filosofia russa. Segundo a revista Newsweek, "Ela está em toda parte".</p>
<p style="text-align: justify;">O documentário&nbsp;<em>Ayn Rand: A Sense of Life</em>, de Michael Paxton, lançado em 1997, foi indicado ao Oscar. Em maio de 1999, o canal de televisão Showtime transmitiu o filme&nbsp;<em>The Passion of Ayn Rand</em>, com Helen Mirren no papel de Rand, Peter Fonda como Frank O'Connor, Eric Stoltz como Nathaniel Branden e Julie Delpy como Barbara Branden.</p>
<p style="text-align: justify;">Ayn Rand veio do nada para combater um mundo corrupto e coletivista. Ela defendeu obstinadamente suas crenças, afirmando o imperativo moral da liberdade e demonstrando que tudo é possível.</p></div>]]></description>
			<category>Biografias</category>
			<pubDate>Sun, 08 Apr 2012 21:39:40 +0000</pubDate>
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