<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7618549246885125437</id><updated>2024-11-08T07:38:36.000-08:00</updated><title type='text'>inGyn</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ingyn.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7618549246885125437/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ingyn.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>raul pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14502438315123224560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>4</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7618549246885125437.post-6806392612746723492</id><published>2011-02-26T06:03:00.003-08:00</published><updated>2011-02-26T06:03:53.431-08:00</updated><title type='text'>Quando ia pelo caminho de</title><content type='html'>Quando ia pelo caminho de&lt;br /&gt;saibro com a misteriosa carta&lt;br /&gt;na mão, teve uma estranha&lt;br /&gt;sensação. Imaginava-se como&lt;br /&gt;um boneco que, por artes mágicas, se tivesse tornado vivo.&lt;br /&gt;Não era estranho que estivesse no mundo e pudesse tomar parte naquela aventura?&lt;br /&gt;Sherekan saltou elegantemente pelo caminho de saibro&lt;br /&gt;e desapareceu por entre os&lt;br /&gt;espessos arbustos. Um gato&lt;br /&gt;vivo, desde a ponta dos bigodes brancos até à cauda ondulante na extremidade do corpo. Também ele estava no&lt;br /&gt;jardim, mas certamente não&lt;br /&gt;estava tão consciente disso&lt;br /&gt;como Sofia.&lt;br /&gt;Depois de ter pensado um&lt;br /&gt;pouco acerca do facto de&lt;br /&gt;existir, começou também a&lt;br /&gt;pensar que não estaria ali&lt;br /&gt;sempre.&lt;br /&gt;&quot;Neste momento estou no&lt;br /&gt;mundo&quot;, pensou, &quot;mas um dia&lt;br /&gt;terei desaparecido&quot;.&lt;br /&gt;Haveria uma vida após a&lt;br /&gt;morte? O gato também não tinha a mínima consciência deste problema.&lt;br /&gt;A avó paterna de Sofia&lt;br /&gt;tinha morrido recentemente.&lt;br /&gt;Quase todos os dias, há mais&lt;br /&gt;de meio ano, Sofia pensava&lt;br /&gt;no quanto sentia a sua falta.&lt;br /&gt;Não era injusto que a vida&lt;br /&gt;tivesse sempre um fim?&lt;br /&gt;Sofia parou no caminho de&lt;br /&gt;saibro, cismando. Procurou&lt;br /&gt;concentrar-se no facto de&lt;br /&gt;existir, procurando assim esquecer que não existiria sempre. Mas isso era de todo impossível. Quando se concentrava no pensamento da sua&lt;br /&gt;existência, emergia imediatamente a ideia do fim da vida.&lt;br /&gt;O contrário era igualmente&lt;br /&gt;verdadeiro: só quando se&lt;br /&gt;apercebia que um dia teria&lt;br /&gt;desaparecido, compreendia&lt;br /&gt;claramente que a vida era infinitamente valiosa. Era como as duas faces da mesma&lt;br /&gt;moeda, uma moeda que ela virava constantemente. E quanto maior e mais clara era uma&lt;br /&gt;face da moeda, maior e mais&lt;br /&gt;clara se tornava também a outra. A vida e a morte eram&lt;br /&gt;duas faces do mesmo problema.&lt;br /&gt;Não podemos imaginar que&lt;br /&gt;vivemos sem pensar que temos&lt;br /&gt;de morrer, dizia para consigo. Do mesmo modo, é impossível reflectir sobre o facto&lt;br /&gt;que temos de morrer sem sentirmos simultaneamente que&lt;br /&gt;viver é algo maravilhoso.&lt;br /&gt;Sofia lembrou-se que a&lt;br /&gt;avó, no dia em que soubera da&lt;br /&gt;sua doença, dissera algo semelhante. - Só agora tomo&lt;br /&gt;consciência de como a vida é&lt;br /&gt;rica - dissera ela.&lt;br /&gt;Não era triste que a maior&lt;br /&gt;parte das pessoas tivesse que&lt;br /&gt;ficar doente para reconhecer&lt;br /&gt;que a vida era bela? Talvez&lt;br /&gt;tivesse bastado receber uma&lt;br /&gt;carta misteriosa!&lt;br /&gt;Decidiu verificar se teria&lt;br /&gt;chegado algo mais. Sofia&lt;br /&gt;correu para o portão e espreitou para dentro da caixa&lt;br /&gt;do correio. Ficou espantada quando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13&lt;br /&gt;encontrou um envelope totalmente idêntico. Mas, será&lt;br /&gt;que verificara, quando retirou a primeira carta, se a&lt;br /&gt;caixa estava, de facto, vazia?&lt;br /&gt;Naquele envelope também&lt;br /&gt;estava escrito o seu nome.&lt;br /&gt;Abriu-o e retirou uma folha&lt;br /&gt;branca, igual à primeira.&lt;br /&gt;“De onde vem o mundo”? -&lt;br /&gt;estava escrito.&lt;br /&gt;Não fazia ideia. Ninguém&lt;br /&gt;sabe tal coisa! E, no entanto, Sofia achou esta pergunta legítima. Pela primeira&lt;br /&gt;vez na sua vida pensou que&lt;br /&gt;era quase impossível viver&lt;br /&gt;num mundo sem perguntar pela&lt;br /&gt;sua origem.&lt;br /&gt;Sofia tinha ficado tão&lt;br /&gt;perturbada com a misteriosa&lt;br /&gt;carta que decidiu ir para a&lt;br /&gt;sua toca. A toca de Sofia&lt;br /&gt;era um esconderijo. Só ia&lt;br /&gt;para lá quando estava muito&lt;br /&gt;irritada, muito triste ou&lt;br /&gt;muito contente. Nesse dia&lt;br /&gt;estava confusa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa vermelha ficava no&lt;br /&gt;meio de um extenso jardim.&lt;br /&gt;Havia aí muitos canteiros,&lt;br /&gt;groselheiras e diversas árvores de fruto, um grande relvado com um baloiço e inclusivamente um pequeno caramanchão que o avô construíra&lt;br /&gt;para a avó, quando a sua primeira filha morreu, poucas&lt;br /&gt;semanas após o nascimento. A&lt;br /&gt;pobre criança chamava-se Marie. Na lápide do seu túmulo&lt;br /&gt;estava escrito: &quot;A pequena&lt;br /&gt;Marie veio ao nosso encontro, acenou-nos e foi-se embora&quot;.&lt;br /&gt;Num canto do jardim, por&lt;br /&gt;detrás das framboeseiras, havia uma espessa moita que não&lt;br /&gt;produzia nem flores nem bagas. Na realidade, tratava-se de uma velha sebe, que&lt;br /&gt;fazia fronteira com o bosque,&lt;br /&gt;e que tinha crescido até se&lt;br /&gt;transformar numa moita impenetrável porque, nos últimos&lt;br /&gt;vinte anos, ninguém cuidara&lt;br /&gt;dela. A avó contara que durante a guerra, altura em que&lt;br /&gt;as galinhas corriam livremente pelo jardim, a sebe tinha&lt;br /&gt;tornado um pouco mais difícil&lt;br /&gt;a caça às galinhas, levada a&lt;br /&gt;cabo pelas raposas.&lt;br /&gt;Para os outros, a velha&lt;br /&gt;sebe era tão inútil como as&lt;br /&gt;coelheiras antigas, que ficavam um pouco mais à frente no&lt;br /&gt;jardim. Mas ninguém conhecia&lt;br /&gt;o segredo de Sofia. Tanto&lt;br /&gt;quanto Sofia se conseguia&lt;br /&gt;lembrar, tinha descoberto uma&lt;br /&gt;estreita passagem através da&lt;br /&gt;sebe. Quando a atravessava&lt;br /&gt;de gatas, atingia rapidamente&lt;br /&gt;um grande espaço, que era o&lt;br /&gt;seu esconderijo. Aí, podia&lt;br /&gt;estar completamente segura de&lt;br /&gt;que ninguém a encontraria.&lt;br /&gt;Com os envelopes na mão,&lt;br /&gt;Sofia atravessou o jardim&lt;br /&gt;correndo e rastejou com o&lt;br /&gt;apoio dos braços através da&lt;br /&gt;sebe. A toca era tão grande,&lt;br /&gt;que quase podia ficar de pé,&lt;br /&gt;mas decidiu sentar-se numas&lt;br /&gt;raízes grossas. De dentro&lt;br /&gt;conseguia ver para o exterior, através de dois orifícios minúsculos, por entre&lt;br /&gt;ramos e folhas. Apesar de&lt;br /&gt;nenhuma destas aberturas ser&lt;br /&gt;maior do que uma moeda, ela&lt;br /&gt;tinha o panorama&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14&lt;br /&gt;de todo o jardim. Quando era&lt;br /&gt;mais pequena, observava divertida a mãe ou o pai à sua&lt;br /&gt;procura, no meio das árvores.&lt;br /&gt;Para Sofia, o jardim tinha sido sempre um mundo à&lt;br /&gt;parte. Sempre que ouvira falar do jardim do Éden na&lt;br /&gt;história da Criação, lembrava-se da sua toca e de como&lt;br /&gt;era estar lá sentada e observar o seu próprio pequeno paraíso.&lt;br /&gt;&quot;De onde vem o mundo?&quot;&lt;br /&gt;Não, ela não o sabia.&lt;br /&gt;Sofia sabia obviamente que a&lt;br /&gt;Terra era apenas um pequeno&lt;br /&gt;planeta no universo imenso.&lt;br /&gt;Mas de onde vinha o universo?&lt;br /&gt;Era possível pensar que o&lt;br /&gt;universo tivesse existido&lt;br /&gt;sempre; sendo assim, não precisava de procurar a resposta&lt;br /&gt;para a pergunta sobre a sua&lt;br /&gt;origem. Mas poderia alguma&lt;br /&gt;coisa ser eterna? Qualquer&lt;br /&gt;coisa nela recusava esta&lt;br /&gt;ideia. Tudo o que existe tem&lt;br /&gt;que ter um começo. Por isso,&lt;br /&gt;o universo tinha de ter surgido de outra coisa.&lt;br /&gt;Mas se o universo tivesse&lt;br /&gt;surgido subitamente de uma&lt;br /&gt;outra coisa, então também&lt;br /&gt;esta outra coisa teria de ter&lt;br /&gt;surgido, a dada altura, de&lt;br /&gt;uma outra. Sofia compreendeu&lt;br /&gt;que apenas diferia o problema. Afinal, alguma coisa teria de ter surgido do nada a&lt;br /&gt;certa altura. Mas seria isso&lt;br /&gt;possível? Este pensamento&lt;br /&gt;não seria tão impossível como&lt;br /&gt;o de o mundo ter sempre existido?&lt;br /&gt;Na aula de religião,&lt;br /&gt;aprendiam que Deus tinha&lt;br /&gt;criado o mundo, e Sofia procurou então tranquilizar-se&lt;br /&gt;com a ideia de que essa era,&lt;br /&gt;no fundo, a melhor solução&lt;br /&gt;para o problema. No entanto,&lt;br /&gt;começou de novo a pensar.&lt;br /&gt;Podia facilmente aceitar que&lt;br /&gt;Deus tivesse criado o universo, mas o que se passava&lt;br /&gt;pensando em Deus? Será que&lt;br /&gt;se tinha criado a si mesmo do&lt;br /&gt;nada? De novo, algo nela&lt;br /&gt;discordava deste pensamento.&lt;br /&gt;Apesar de Deus poder criar&lt;br /&gt;todas as coisas, dificilmente&lt;br /&gt;se poderia criar a si mesmo,&lt;br /&gt;antes de ter um &quot;ele mesmo&quot;,&lt;br /&gt;com o qual pudesse criar.&lt;br /&gt;Restava apenas uma possibilidade: Deus existira sempre. Mas ela já pusera de&lt;br /&gt;parte essa possibilidade.&lt;br /&gt;Tudo o que existia tinha de&lt;br /&gt;ter um começo.&lt;br /&gt;- Que diabo!&lt;br /&gt;Abriu de novo os envelopes.&lt;br /&gt;- Quem és tu?&lt;br /&gt;- De onde vem o mundo?&lt;br /&gt;Que perguntas terríveis!&lt;br /&gt;E de onde vinham ambas as&lt;br /&gt;cartas? Isso era igualmente&lt;br /&gt;misterioso.&lt;br /&gt;Quem é que arrancara Sofia à realidade quotidiana e&lt;br /&gt;a confrontara subitamente com&lt;br /&gt;os grandes enigmas do universo?&lt;br /&gt;Pela terceira vez, Sofia&lt;br /&gt;foi à caixa do correio. Só&lt;br /&gt;nesta altura é que o carteiro&lt;br /&gt;tinha trazido a correspondência diária. Sofia retirou um</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ingyn.blogspot.com/feeds/6806392612746723492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ingyn.blogspot.com/2011/02/quando-ia-pelo-caminho-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7618549246885125437/posts/default/6806392612746723492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7618549246885125437/posts/default/6806392612746723492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ingyn.blogspot.com/2011/02/quando-ia-pelo-caminho-de.html' title='Quando ia pelo caminho de'/><author><name>raul pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14502438315123224560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7618549246885125437.post-4828707386471817703</id><published>2011-02-26T06:03:00.001-08:00</published><updated>2011-02-26T06:03:20.907-08:00</updated><title type='text'>Saltou do banco e, com a</title><content type='html'>Saltou do banco e, com a&lt;br /&gt;estranha carta na mão, dirigiu-se para o quarto de banho. Colocou-se em frente do&lt;br /&gt;espelho, e olhou-se fixamente&lt;br /&gt;nos olhos.&lt;br /&gt;- Eu sou Sofia Amundsen - disse.&lt;br /&gt;A rapariga do espelho nem&lt;br /&gt;sequer respondeu com uma careta. Aquilo que Sofia fizesse, ela fá-lo-ia exactamente da mesma forma. Sofia&lt;br /&gt;procurava adiantar-se em relação ao espelho com um movimento muito rápido, mas a outra era igualmente rápida.&lt;br /&gt;- Quem és tu? - perguntou Sofia.&lt;br /&gt;De novo não recebeu nenhuma resposta, mas por um breve&lt;br /&gt;momento não soube se tinha&lt;br /&gt;sido ela ou o seu reflexo no&lt;br /&gt;espelho a fazer a pergunta.&lt;br /&gt;Sofia tocou com o indicador no nariz reflectido no&lt;br /&gt;espelho e disse:&lt;br /&gt;- Tu és eu.&lt;br /&gt;Não recebendo resposta alguma, inverteu a frase:&lt;br /&gt;- Eu sou tu.&lt;br /&gt;Sofia Amundsen nunca estivera particularmente satisfeita com a sua figura. Ouvia frequentemente dizer que&lt;br /&gt;tinha uns belos olhos de&lt;br /&gt;amêndoa, mas as pessoas diziam-no, sem dúvida, porque o&lt;br /&gt;seu nariz era demasiado pequeno e a boca um pouco grande. Além disso, as orelhas&lt;br /&gt;estavam demasiado junto aos&lt;br /&gt;olhos. Mas o mais grave eram&lt;br /&gt;os cabelos lisos, difíceis de&lt;br /&gt;tratar. Por vezes, o pai&lt;br /&gt;passava a mão pelos seus cabelos e chamava-lhe &quot;a rapariga dos cabelos de linho&quot;,&lt;br /&gt;referindo-se a uma composição&lt;br /&gt;de Claude Debussy. Para&lt;br /&gt;ele era fácil dizê-lo, visto&lt;br /&gt;que não estava condenado para&lt;br /&gt;toda vida a ter cabelos compridos e negros, completamente lisos. Nos cabelos de&lt;br /&gt;Sofia nem o gel nem os&lt;br /&gt;sprays faziam efeito.&lt;br /&gt;Por vezes, achava-se tão&lt;br /&gt;estranha que se perguntava se&lt;br /&gt;não seria disforme de nascença. A sua mãe tinha-lhe falado num parto difícil. Mas&lt;br /&gt;seria possível o nascimento&lt;br /&gt;determinar, de facto, a figura de cada um?&lt;br /&gt;Não era estranho que ela&lt;br /&gt;não soubesse quem era? Não&lt;br /&gt;era absurdo não poder decidir&lt;br /&gt;nada quanto à sua figura?&lt;br /&gt;Tinha simplesmente nascido&lt;br /&gt;consigo. Podia escolher os&lt;br /&gt;seus amigos, mas não se escolhera a si mesma. Nunca tinha decidido que queria ser&lt;br /&gt;um ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que era um ser humano?&lt;br /&gt;Sofia observou de novo a&lt;br /&gt;rapariga do espelho.&lt;br /&gt;- Vou mas é fazer os meus&lt;br /&gt;trabalhos de biologia - disse, como que desculpando-se.&lt;br /&gt;Em seguida, estava à entrada&lt;br /&gt;da casa.&lt;br /&gt;- Não, prefiro ir para o&lt;br /&gt;jardim - pensou.&lt;br /&gt;- Bichano, bichano, bichano!&lt;br /&gt;Sofia enxotou o gato para&lt;br /&gt;a escada e fechou a porta.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ingyn.blogspot.com/feeds/4828707386471817703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ingyn.blogspot.com/2011/02/saltou-do-banco-e-com.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7618549246885125437/posts/default/4828707386471817703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7618549246885125437/posts/default/4828707386471817703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ingyn.blogspot.com/2011/02/saltou-do-banco-e-com.html' title='Saltou do banco e, com a'/><author><name>raul pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14502438315123224560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7618549246885125437.post-450412259455812537</id><published>2011-02-26T06:02:00.001-08:00</published><updated>2011-02-26T06:02:59.171-08:00</updated><title type='text'>Nesse dia havia apenas uma</title><content type='html'>Nesse dia havia apenas uma&lt;br /&gt;pequena carta na grande caixa&lt;br /&gt;do correio, e era para Sofia.&lt;br /&gt;&quot;Sofia Amundsen&quot;, estava&lt;br /&gt;escrito no pequeno envelope.&lt;br /&gt;&quot;Klõverveien 3&quot;. Era tudo,&lt;br /&gt;sem remetente. A carta nem&lt;br /&gt;sequer tinha selo.&lt;br /&gt;Imediatamente após ter fechado o portão, Sofia abriu&lt;br /&gt;o envelope. Encontrou uma&lt;br /&gt;pequena folha, que não era&lt;br /&gt;maior do que o respectivo envelope. Na folha estava escrito: “quem és tu”?&lt;br /&gt;Mais nada. Não havia assinatura, apenas estas três&lt;br /&gt;palavras escritas à mão, seguidas de um grande ponto de&lt;br /&gt;interrogação.&lt;br /&gt;Observou uma vez mais o&lt;br /&gt;envelope. Sim, a carta era&lt;br /&gt;de facto para si, mas quem é&lt;br /&gt;que a tinha posto na caixa do&lt;br /&gt;correio?&lt;br /&gt;Sofia apressou-se a abrir&lt;br /&gt;a porta da casa vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como de costume, o gato&lt;br /&gt;Sherekan saiu furtivamente&lt;br /&gt;dos arbustos, saltou para o&lt;br /&gt;patamar e enfiou-se em casa,&lt;br /&gt;antes de Sofia fechar a porta.&lt;br /&gt;- Bichano, bichano, bichano!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, por algum motivo, a&lt;br /&gt;mãe de Sofia estava zangada,&lt;br /&gt;dizia que a sua casa parecia&lt;br /&gt;uma feira de animais. Uma&lt;br /&gt;feira de animais era uma colecção de animais diversos e,&lt;br /&gt;na realidade, Sofia estava&lt;br /&gt;bastante satisfeita com a sua&lt;br /&gt;colecção. No início, tinha&lt;br /&gt;recebido um aquário com os&lt;br /&gt;peixes dourados Caracolinho&lt;br /&gt;Dourado, Capuchinho Vermelho e Diabrete. Mais tarde,&lt;br /&gt;foi a vez dos periquitos Tom&lt;br /&gt;e Jerry, a tartaruga Govinda e finalmente o gato amarelo Sherekan. Todos aqueles&lt;br /&gt;animais eram uma espécie de&lt;br /&gt;compensação pelo facto de a&lt;br /&gt;sua mãe chegar tarde a casa e&lt;br /&gt;de o seu pai estar quase sempre a viajar.&lt;br /&gt;Sofia atirou a mala da escola para um canto e pôs um&lt;br /&gt;prato com comida de gato para&lt;br /&gt;Sherekan. Depois, foi sentar-se num banco da cozinha,&lt;br /&gt;com a misteriosa carta na&lt;br /&gt;mão.&lt;br /&gt;Quem és tu?&lt;br /&gt;Se ela soubesse! Era obviamente Sofia Amundsen,&lt;br /&gt;mas quem era Sofia Amundsen? Ainda não tinha descoberto totalmente.&lt;br /&gt;E se tivesse outro nome?&lt;br /&gt;Anne Knutsen, por exemplo.&lt;br /&gt;Seria então uma outra pessoa?&lt;br /&gt;Subitamente, lembrou-se de&lt;br /&gt;que o seu pai inicialmente&lt;br /&gt;lhe gostaria de ter dado o&lt;br /&gt;nome Synnõve. Sofia procurava imaginar como seria se&lt;br /&gt;cumprimentasse alguém e se se&lt;br /&gt;apresentasse como Synnõve&lt;br /&gt;Amundsen - mas não, não&lt;br /&gt;conseguia. Imaginava sempre&lt;br /&gt;uma outra pessoa.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ingyn.blogspot.com/feeds/450412259455812537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ingyn.blogspot.com/2011/02/nesse-dia-havia-apenas-uma.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7618549246885125437/posts/default/450412259455812537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7618549246885125437/posts/default/450412259455812537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ingyn.blogspot.com/2011/02/nesse-dia-havia-apenas-uma.html' title='Nesse dia havia apenas uma'/><author><name>raul pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14502438315123224560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7618549246885125437.post-3018987972232280993</id><published>2011-02-26T06:00:00.000-08:00</published><updated>2011-02-26T06:02:27.443-08:00</updated><title type='text'>O JARDIM DO ÉDEN</title><content type='html'>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;“...algo teria de surgir a certa altura do nada...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofia Amundsen regressava da escola. Percorrera com Jorunn o primeiro troço do caminho. Tinham conversado sobre robôs. Para Jorunn, o cérebro humano era um computador complexo. Sofia não estava de acordo. Um homem deveria ser algo mais do que uma máquina.&lt;br /&gt;No supermercado, despediram-se. Sofia morava no extremo de um extenso bairro de vivendas e o caminho que tinha de percorrer para a escola era quase o dobro do de Jorunn. A sua casa parecia ficar no fim do mundo, porque atrás do jardim já não havia casas, apenas floresta.&lt;br /&gt;Meteu para Kõveveien. No fim da rua, havia uma curva estreita, a que chamavam a&lt;br /&gt;&quot;Curva do Capitão&quot;, e onde quase só ao fim-de-semana se viam pessoas.&lt;br /&gt;Era o começo de Maio.&lt;br /&gt;Nalguns jardins, os narcisos&lt;br /&gt;formavam coroas de flores sob&lt;br /&gt;as árvores de fruto. As bétulas tinham uma fina penugem&lt;br /&gt;verde.&lt;br /&gt;Não era estranho que nessa&lt;br /&gt;estação do ano tudo começasse&lt;br /&gt;a crescer e a desenvolver-se?&lt;br /&gt;Porque é que essa massa de&lt;br /&gt;plantas verdes podia nascer&lt;br /&gt;da terra inanimada logo que o&lt;br /&gt;tempo ficava mais quente e os&lt;br /&gt;últimos vestígios de neve tinham desaparecido?&lt;br /&gt;Sofia espreitou para a&lt;br /&gt;caixa do correio antes de&lt;br /&gt;abrir o portão do jardim.&lt;br /&gt;Geralmente havia muita publicidade e alguns envelopes&lt;br /&gt;grandes para a sua mãe. Sofia&lt;br /&gt;colocava sempre um monte&lt;br /&gt;de cartas na mesa da cozinha,&lt;br /&gt;indo depois para o quarto fazer os trabalhos de casa.&lt;br /&gt;Para o seu pai chegavam&lt;br /&gt;por vezes cartas do banco,&lt;br /&gt;mas ele também não era um pai&lt;br /&gt;comum. O pai de Sofia era&lt;br /&gt;capitão num petroleiro e estava fora quase todo o ano.&lt;br /&gt;Quando regressava a casa&lt;br /&gt;por poucas semanas, deambulava de chinelos pela casa, e&lt;br /&gt;cuidava de Sofia e da mãe de&lt;br /&gt;uma forma enternecedora. No&lt;br /&gt;entanto, quando estava em&lt;br /&gt;viagem, podia parecer muito&lt;br /&gt;distante&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ingyn.blogspot.com/feeds/3018987972232280993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ingyn.blogspot.com/2011/02/o-jardim-do-eden.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7618549246885125437/posts/default/3018987972232280993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7618549246885125437/posts/default/3018987972232280993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ingyn.blogspot.com/2011/02/o-jardim-do-eden.html' title='O JARDIM DO ÉDEN'/><author><name>raul pessoa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14502438315123224560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>