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	<title>Inter-Esse</title>
	
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		<title>Sobre Livros e Bibliografias… duvidosas</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 13:08:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>G. Ferreira</dc:creator>
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 No caderno “mais!”, do jornal Folha de São Paulo da semana passada, o professor e jornalista Marcelo Gleiser cita e incensa os livros do escritor americano Dan Brown (aquele do Código Da Vinci e outros da mesma lavra). A princípio, nada contra a referência (ruim), mas ela me remete a um problema que julgo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify"><a href="http://www.gabrielferreira.com.br/wp-content/uploads/2009/11/lostsymbol.jpg"><img title="lostsymbol" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; margin: 0px 10px 5px 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="175" alt="lostsymbol" src="http://www.gabrielferreira.com.br/wp-content/uploads/2009/11/lostsymbol_thumb.jpg" width="117" align="left" border="0" /></a> No caderno “mais!”, do jornal Folha de São Paulo da semana passada, o professor e jornalista Marcelo Gleiser cita e incensa os livros do escritor americano Dan Brown (aquele do Código Da Vinci e outros da mesma lavra). A princípio, nada contra a referência (ruim), mas ela me remete a um problema que julgo mais grave.</p>
<p align="justify">De tempos pra cá, pode-se notar um crescimento no interesse (que catapulta Dan Brown e seus asseclas) por livros que tentam mesclar ficção e realidade em assuntos como filosofia, religião, teologia, história medieval etc.&#160; Não há como não lembrar também de outro que, embora seja Prêmio Nobel (ahn, bons tempos em que só grandes sujeitos eram laureados…), não faz lá coisas muito diferentes: José Saramago e seu <em>Caim. </em>Novamente, nada conta a ficção. O problema está na <em>meta básis eis allo génos</em>, ou passagem para outro gênero, como diz Aristóteles. De fato, consumidores deste tipo de livro têm uma curiosidade que se pode dizer sincera sobre tais assuntos. Contudo, fazem uma passagem de nível absurdamente nociva e, por que não dizer, irritante. <a href="http://www.gabrielferreira.com.br/wp-content/uploads/2009/11/caimsaramago.jpg"><img title="caimsaramago" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; margin: 0px 0px 5px 10px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="184" alt="caimsaramago" src="http://www.gabrielferreira.com.br/wp-content/uploads/2009/11/caimsaramago_thumb.jpg" width="123" align="right" border="0" /></a></p>
<p align="justify">Jamais, em tempo algum, Dan Brown seria citado entre <em>scholars </em>como bibliografia para estudos&#160;&#160; medievais ou sobre história da Igreja. Saramago nunca seria lembrado como biblista pelos devaneios que comete em seu <em>Caim</em> ou, ainda, em seu <em>O Evangelho segundo Jesus Cristo, </em>por exegetas que se dedicam durante uma vida a estudar tais temas a sério; ainda, <em>Quando Nietzsche chorou</em> não deve ser bibliografia obrigatória para se entender o pensador alemão. O que ocorre é a materialização atual da intuição platônica de que poetas (e aqui, romancistas) iludem e conduzem ao erro sob o verniz da bela forma, do entretenimento ou da falsa erudição. É cada vez mais frequente nas discussões, repudiar estudiosos em favor de diletantes vomitadores de best-sellers. Agora são estes as autoridades últimas.</p>
<p align="justify"><a href="http://www.gabrielferreira.com.br/wp-content/uploads/2009/11/nietzschechorou.jpg"><img title="nietzschechorou" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; margin: 0px 10px 0px 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="189" alt="nietzschechorou" src="http://www.gabrielferreira.com.br/wp-content/uploads/2009/11/nietzschechorou_thumb.jpg" width="126" align="left" border="0" /></a> Para além da queda de qualidade cada vez mais sensível nestes debates, é notável que começa a se desenvolver um processo medonho de regressão da reflexão (como Adorno previra em relação à audição por conta da música popular). E note-se que este movimento não ocorre apenas entre os que se abrigam sob aquele tipo de bibliografia: os detratores também rebaixam o nível do debate, seja tomando esse tipo de literatura como índice da posição religiosa, por exemplo (e ignorando tudo o que há de sério neste campo) ou fazendo uso, como “contra-argumento” de livros de mesmo calibre (penso aqui em Dawkins, por exemplo), Hoje em dia, “””refuta-se””” Santo Anseimo com Richard Dawkins; o <em>Proslógion</em> com <em>God’s delusion</em>*. </p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">E voltamos a um tipo de incômodo que sinto há anos. Ninguém aceitaria morar numa casa construída por mim caso eu apresentasse como credenciais, anos e anos brincando de <em>Lego</em> quando pequeno. Ou ainda, alguém aceitaria que eu abrisse sua cabeça em caso de um tumor, já que coleciono leituras sobre as maravilhas do cérebro? </p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">* Apenas para explicitação, que se note que o argumento anselmiano é bastante diferente daquele que Descartes apresenta em suas <em>Meditações</em>, que ganha o predicado “ontológico”. </p>
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		<title>Luiz Felipe Pondé – A Cruz</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 15:59:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>G. Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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A cruz


Essa proibição cospe na cara de 2.000 anos de história de uma grande parte da humanidade


&#160;
ANOS ATRÁS, em Paris, o historiador Jacques Le Goff me falava da sua preocupação com o destino da cultura ocidental. Para ele, o Ocidente poderia perder sua identidade como resultado de sua própria produção cultural.
Outros intelectuais também partilhariam de [...]]]></description>
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<p align="justify"><b><font size="4">A cruz</font></b></p>
<div align="justify">
<hr noshade="noshade" size="2" /></div>
<p align="justify"><b><i>Essa proibição cospe na cara de 2.000 anos de história de uma grande parte da humanidade</i></b><i></i></p>
<div align="justify">
<hr noshade="noshade" size="2" /></div>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">ANOS ATRÁS, em Paris, o historiador Jacques Le Goff me falava da sua preocupação com o destino da cultura ocidental. Para ele, o Ocidente poderia perder sua identidade como resultado de sua própria produção cultural.</p>
<p align="justify">Outros intelectuais também partilhariam de suas inquietações. Entre eles, o antropólogo Lévi-Strauss, morto semana passada. Le Goff se inquietava porque parte das agonias da cultura ocidental teria sido fruto dos &quot;achados&quot; da história e da antropologia e seus frutos, as filosofias e políticas relativistas do século 20.</p>
<p align="justify">O relativismo existe desde os sofistas gregos e tem em Protágoras seu ícone máximo de então. Mas o que é &quot;relativismo&quot;? Em Protágoras é: &quot;O homem é a medida de todas as coisas&quot; (versão curta). Isto quer dizer que tudo é criação humana: a moral, a religião, enfim, as verdades de cada cultura. Sentados num bar, diríamos: &quot;Cada um é cada um&quot;.</p>
<p align="justify">A história contemporânea acentuou essa versão das coisas quando afirmou que as épocas têm suas concepções de mundo específicas e que não podemos dizer que uma época seja melhor do que a outra. A antropologia, por sua vez (e aqui entra Lévi-Strauss), afirmou que as culturas não podem ser comparadas umas com as outras sem cometermos o pecado de não percebermos que cada cultura seria um sistema fechado em si mesmo, onde um comportamento só poderia ser julgado pelos valores morais da própria cultura.</p>
<p align="justify">Por exemplo, matar bebês pode ser um horror moral acima do equador e uma obrigação sublime abaixo do equador. É comum remeter a Lévi-Strauss a descoberta da &quot;dignidade intrínseca&quot; de cada cultura, e que não se deve julgar uma cultura usando valores de outras.</p>
<p align="justify">Não há dúvida que essa atitude é essencial para a antropologia. O problema começaria quando pensamos no impacto do relativismo no próprio Ocidente que o inventou. Dito de outra forma: o relativismo se transformou numa militância política e moral apenas no Ocidente. Enquanto os ocidentais estariam sofrendo de uma &quot;indigestão&quot; devido à assimilação do relativismo, as &quot;outras&quot; culturas, estudadas pelos próprios ocidentais, permaneceriam no seu repouso não contaminado pelo relativismo. Trocando em miúdos: muçulmanos podem permanecer acreditando em seu paraíso com virgens, índios em seus espíritos da floresta, enfim, apenas os ocidentais deveriam &quot;relativizar&quot; seu Deus e suas &quot;verdades&quot;.</p>
<p align="justify">Sendo os cientistas sociais, os filósofos, os professores e os jornalistas maciçamente ocidentais, seriam as crianças deles que deveriam ser educadas duvidando da validade universal de seu mundo. Aí entra a inquietação de Le Goff: o Ocidente poderia se dissolver como identidade à medida que relativizaria a si mesmo, enquanto as &quot;outras&quot; culturas seriam poupadas da crítica relativista, porque indiferentes à angústia relativista ocidental e, também, porque contam com a simpatia do Ocidente nessa indiferença e na defesa de sua &quot;dignidade intrínseca&quot;.</p>
<p align="justify">A verdade é que os homens são sempre contraditórios e, ainda que eu não saiba se Lévi-Strauss de fato partilhava da mesma angustia de Le Goff, algumas pessoas afirmam que ele admirava seu avô Rabino e que julgava os racionalistas ateus uns chatos e preferiria aqueles que acreditam em Deus. Pode ser boato, mas isso faria dele um homem mais interessante do que alguns que engoliram o relativismo assim como quem come pão e vai ao circo.</p>
<p align="justify">Um exemplo da &quot;indigestão&quot; causada pelo relativismo no Ocidente é o recente caso dos crucifixos nas escolas italianas. Aparentemente uma mãe se queixou de que o filho se sentia &quot;desrespeitado&quot; porque, não sendo cristão, tinha que frequentar uma sala de aula com uma cruz na parede. A partir daí, teriam decidido pela proibição do crucifixo nas escolas.</p>
<p align="justify">Essa decisão é ridícula porque a cruz é um símbolo, seja eu cristão ou não, das raízes do próprio Ocidente, naquilo que ele mais preza: amor ao próximo, generosidade e justiça, enfim, um Deus que morre de amor. Nós contemporâneos somos ignorantes de um modo gritante acerca do cristianismo, confundindo-o com alguns de seus momentos mais infelizes e cruéis (toda cultura é infeliz e cruel de alguma forma). Essa proibição cospe na cara de 2.000 anos de história de uma grande parte da humanidade, e os ignorantes que a realizaram deveriam ser obrigados a pedir desculpa aos cristãos.</p>
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		<title>Artigo Pastoreando – 8</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 15:16:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>G. Ferreira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#160;
Padeceu sob Pôncio Pilatos: foi crucificado, morto e sepultado
&#160;

O quarto artigo do Símbolo Apostólico sintetiza diversos aspectos fundamentais da nossa fé na&#160; medida em que reúne elementos fundamentais da nossa Salvação.
Em primeiro lugar, há uma indicação de natureza histórica: O julgamento e a condenação de Nosso Senhor Jesus Cristo tem uma determinada localização na história [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center">&#160;</p>
<p align="center"><b>Padeceu sob Pôncio Pilatos: foi crucificado, morto e sepultado</b></p>
<p align="center">&#160;</p>
<p><b></b></p>
<p align="justify"><a href="http://www.gabrielferreira.com.br/wp-content/uploads/2009/11/crucificacaotintoretto.jpg"><img title="crucificacao tintoretto" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; margin: 0px 10px 5px 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="264" alt="crucificacao tintoretto" src="http://www.gabrielferreira.com.br/wp-content/uploads/2009/11/crucificacaotintoretto_thumb.jpg" width="343" align="left" border="0" /></a>O quarto artigo do Símbolo Apostólico sintetiza diversos aspectos fundamentais da nossa fé na&#160; medida em que reúne elementos fundamentais da nossa Salvação.</p>
<p align="justify">Em primeiro lugar, há uma indicação de natureza histórica: O julgamento e a condenação de Nosso Senhor Jesus Cristo tem uma determinada localização na história humana, a saber, foi na época em que Pôncio Pilatos governava a Judéia. Contudo, a importância da presença de Cristo em nossa história a ultrapassa infinitamente. Ele vem ao encontro da humanidade no tempo para nos remir de uma falta supratemporal, ou seja, de nossa ofensa infinita a Deus. Como nos diz São Tomás de Aquino, Cristo ofereceu-se em sacrifício em nosso favor por duas razões: a primeira, para ser o remédio para o pecado e, a segunda, para servir de exemplo para como deve ser a nossa própria vida, a saber, de total entrega a Deus Pai. Assim, para exaurir nossa culpa, foi necessário que a própria Segunda Pessoa da Trindade se oferecesse em sacrifício por nós. Do mesmo modo que em Adão &#8211; primeiro homem &#8211; todo o gênero humano pecou, em Cristo &#8211; novo Adão &#8211; todos fomos justificados. </p>
<p align="justify">Uma vez morto, e morto verdadeiramente, o Senhor foi sepultado conforme os costumes judaicos. Contudo, aquilo que é o centro do artigo não pode deixar de ser outro que não a Cruz.</p>
<p align="justify">O Senhor foi crucificado, isto é, padeceu de uma forma violentíssima para que, ao contemplarmos o horror de sua morte, pudéssemos também nos escandalizarmos com nossos pecados. Devemos ver então, no Crucificado, todas as virtudes humanas em sua máxima expressão, bem como o amor de Deus para conosco em todo seu esplendor. É também de Seu lado ferido que nasce a Igreja, como nos lembra São João Crisóstomo, que nos ensina a reconhecer na água que dele escorre, o santo Batismo que nos assimila ao Senhor, e no Seu preciosíssimo Sangue, a Eucaristia, fonte e ápice de toda a vida eclesial. Contemplemos o Senhor na Cruz, o Deus que se esvazia por nós e adoremos o mistério que nos salva.</p>
<p align="right">Um abraço.   <br />Gabriel Ferreira</p>
<p align="right">&#160;</p>
<p align="justify"><strong>P.S.:</strong>&#160; Veja uma das mais fortes crucificações, a de Tintoretto, em imagem de alta definição <strong><a href="http://www.wga.hu/html/t/tintoret/3b/1albergo/2/4cruci.html" target="_blank">aqui</a></strong>.</p>
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		<title>Fragmentos sobre o Indivíduo e a massa</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 02:30:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>G. Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[Erros]]></category>
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		<description><![CDATA[&#160;
“Há uma concepção da vida segundo a qual onde está a multidão, está também a verdade; a&#160; verdade está na necessidade de ter por ela a multidão. Mas há ainda outra; para ela, por toda a parte onde se encontre a multidão, também lá se encontra a a mentira, de tal modo que – para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify"><a href="http://www.gabrielferreira.com.br/wp-content/uploads/2009/10/daumierqueremosbarrabs.jpg"><img title="Honoré Daumier - Queremos Barrabás" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; margin: 0px 10px 5px 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="412" alt="Honoré Daumier - Queremos Barrabás" src="http://www.gabrielferreira.com.br/wp-content/uploads/2009/10/daumierqueremosbarrabs_thumb.jpg" width="329" align="left" border="0" /></a>“Há uma concepção da vida segundo a qual onde está a multidão, está também a verdade; a&#160; verdade está na necessidade de ter por ela a multidão. Mas há ainda outra; para ela, por toda a parte onde se encontre a multidão, também lá se encontra a a mentira, de tal modo que – para levar, por um instante, a questão ao extremo – se todos os Indivíduos determinassem, cada um separadamente e em silêncio, a verdade, não obstante, se se reunissem em multidão (que assumiria então um significado decisivo qualquer, pelo voto, pela algazarra, pelo falar), imediatamente se teria a mentira. Porque ‘a multidão’ é a mentira.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">(…) Onde, pois, existe a multidão, onde ela adquire uma importância decisiva, aí não se trabalha, não se vive, não se tende para o fim supremo, mas unicamente para este ou aquele fim terreno; porque, para o eterno – o decisivo –, só pode haver trabalho onde se encontre um único homem; e tornar-se este único, que todos podem ser, é querer aceitar a ajuda de Deus –‘a multidão’ é a mentira.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">(…) Considera tu o mais sublime dos exemplos, imagina Cristo – e toda a humanidade, todos os homens nascidos e por nascer; supõe ainda que a situação é a do Indivíduo só com Cristo num meio solitário, avançando para ele e cuspindo-lhe no rosto; nunca nasceu nem nascerá o homem que tenha essa coragem ou essa impudência; e esta atitude é a verdade. Mas, quando estiveram em multidão, tiveram essa coragem – terrível mentira!</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">(…) Porque não é necessária uma grande arte para ganhar a multidão; basta um pouco de talento, uma certa dose de mentira e algum conhecimento das paixões humanas. Mas nenhum testemunho da Verdade – e cada um de nós, tu e eu, deveríamos sê-lo – deve misturar a sua voz com a da multidão.”</p>
<p align="right"><strong></strong></p>
<p align="right"><strong>KIERKEGAARD, S. <em>Sobre a dedicatória ‘ao indivíduo’</em> IN: KIERKEGAARD, S. <em>Ponto de vista explicativo da minha obra de escritor</em>.</strong></p>
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		<title>Como a Igreja Católica construiu o Ocidente</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 21:50:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>G. Ferreira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#160;
Thomas E. Woods é autor de um livro assaz interessante cujo título é o mesmo do post. Abaixo, o playlist da série de programas exibidos pela rede católica de TV americana, EWTN, na qual o autor desenvolve suas teses. É uma série absolutamente indispensável.
Aproveite.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>&#160;</p>
<p align="justify"><strong>Thomas E. Woods</strong> é autor de <strong><a href="http://www.quadrante.com.br/" target="_blank">um livro assaz interessante</a></strong> cujo título é o mesmo do post. Abaixo, o playlist da série de programas exibidos pela rede católica de TV americana, EWTN, na qual o autor desenvolve suas teses. É uma série absolutamente indispensável.</p>
<p align="justify">Aproveite.</p>
<p>&#160;</p>
<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/p/ADB3FCFC2C47A724&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/p/ADB3FCFC2C47A724&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Os tais dos valores – Luiz Felipe Pondé</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 00:41:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>G. Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
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RECEBI MUITOS e-mails por conta da &#34;Vovó das Havaianas&#34;, a coluna de 5 de outubro, onde comentei o comercial &#34;maldito&#34; da &#34;vovó que gosta de sexo&#34;. Mas, afinal, por que se ofender com isso?
A queixa dos ofendidos, em situações como essa, normalmente cai sobre essa coisa de que, hoje em dia, se fala tanto quanto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">RECEBI MUITOS e-mails por conta da &quot;Vovó das Havaianas&quot;, a coluna de 5 de outubro, onde comentei o comercial &quot;maldito&quot; da &quot;vovó que gosta de sexo&quot;. Mas, afinal, por que se ofender com isso?</p>
<p align="justify">A queixa dos ofendidos, em situações como essa, normalmente cai sobre essa coisa de que, hoje em dia, se fala tanto quanto se fala em cabala da Vila Madalena, energias, aquecimento global e outros clichês, isso é, os tais dos &quot;valores&quot;.    <br />Frases como &quot;hoje não existem valores&quot; soam tão ridículas como &quot;sofro porque os unicórnios estão sendo extintos&quot;. Quando alguém começa falando &quot;porque a crise dos valores hoje em dia&#8230;&quot;, eu já sei que o resto é blábláblá. Por acaso alguém acha que o mundo já foi melhor? Há 500 anos existiam &quot;valores&quot; mais válidos? Respondo: não, o mundo nunca foi bom. E mais: se há 500 anos havia &quot;valores&quot; mais válidos é porque simplesmente havia menos opções na vida. Muitas opções, muita mistura, muitas viagens, muita gente diferente, muita terapia&#8230;    <br />muita incerteza. A própria ideia de &quot;escolha de valores&quot; implica num &quot;mercado de valores&quot;.    <br />Todo mundo se acha &quot;progressista&quot;, &quot;emancipado&quot;, &quot;ético&quot;, adora dizer que gosta de mudanças morais, mas contanto que o mundo caiba em sua salinha de TV. O relativismo só serve para se achar índio fofinho.</p>
<p align="justify">Quer deixar alguém com vergonha: mande ele ou ela elencar a lista de &quot;valores&quot; que julga certa (não vale coisas do tipo &quot;não matarás&quot; porque essa ideia é de Moisés&#8230;). Ninguém é repressor, mas todo mundo tem seu chicotinho à mão. O moralismo barato nunca esteve tanto em voga. Falando mal da propaganda me sinto como um agente do bem enfrentando os demônios do mundo. Mas todo mundo quer que a economia gire, o dinheiro circule e venha parar em suas mãos. Para isso acontecer, tem de ter consumo. Ah, como é difícil esse mundo de gente grande.    <br />Ouvi dizer que umas 200 leis andam por aí querendo controlar a propaganda. Ouvi também falar de uma lei que obriga a ter, nas fotos, algo como &quot;esta foto não é real&quot; a fim de libertar as meninas da beleza &quot;artificial&quot;. Alguém pode me explicar o que vem a ser a &quot;beleza natural&quot;?</p>
<p align="justify">Ninguém pode controlar o modo como se &quot;forma&quot; o padrão de beleza sem se tornar um fascista. Pois bem, aí está o photoshop ético. Ridículo, como aliás todo esse furor legislativo. A ideia de uma propaganda &quot;construtiva&quot; em termos de &quot;valores&quot; é de inspiração fascista. Quem vai dizer quais são os &quot;valores construtivos&quot;?</p>
<p align="justify">Se tomarmos por evidência o que as pessoas falam, todas têm ótimos &quot;valores&quot;, ninguém corrompe ninguém, ninguém trai ninguém, ninguém mente para ninguém, todo mundo ensina aos filhos o bem. Veja a pesquisa recente publicada no caderno Mais! desta Folha (dia 4 passado): segundo a pesquisa, nós vivemos numa Escandinávia, todo mundo é muito ético.    <br />Aliás, sobre essa bobagem da Escandinávia ser vista como modelo ético, recomendo a leitura do romance do dinamarquês Christian Junguersen &quot;A Exceção&quot; (ed. Intrínseca). Nesse maravilhoso livro, um grupo de mulheres que trabalham num centro em Copenhague de combate e investigação de genocídios (olha só: elas são do bem!) se põe a perseguir e destruir uma delas, apenas porque as outras pensam que ela é suburbana, careta e tem uma família &quot;Doriana&quot;.</p>
<p align="justify">Ninguém fala a verdade quando é perguntado sobre &quot;valores&quot;. Óbvio que não: seria como ficar nu em público. A tendência a projetar uma autoimagem de gigante ético é tão normal quanto cobrir as partes íntimas do corpo. É mais ou menos como se perguntar: é verdade que sua mãe é amante do vizinho? Ela é, mas você não vai contar.</p>
<p align="justify">Por exemplo, uma reunião de pais numa escola é um desfile de pessoas que são absolutamente seguras quanto aos &quot;valores&quot; que passam para os filhos. Mentira. Pura piada. Quando muito, os pais veem os filhos à noite. Só não terceirizam os filhos quem não tem dinheiro ou mulheres sem inquietações profissionais ou libertárias, ou seja, as &quot;coitadas&quot; que as outras acham que são &quot;apenas mães&quot;.</p>
<p align="justify">Se dependesse desses &quot;santos&quot;, o mundo já estaria salvo só de ouvi-los cantar o hino aos &quot;valores de seus filhos&quot;. A vida cotidiana se dá aos pedaços, aos trancos e barrancos, com fragmentos de consciência e a custa de muito esforço. Ninguém sabe com certeza o que está fazendo, quando está fazendo, em meio a tudo que faz ao mesmo tempo, o tempo todo.    <br />Enfim, suspeito que esse papo de &quot;valores&quot; serve para evitarmos falar de coisas mais sérias.</p>
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		<title>Cardeal Ratzinger sobre a Teologia da Libertação</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Oct 2009 16:59:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>G. Ferreira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Catolicismo]]></category>
		<category><![CDATA[Debate]]></category>
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		<category><![CDATA[Teologia da Libertação]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;
Em 1984, o então Cardeal Joseph Ratzinger escreveu um artigo denominado “Algumas&#160; observações preliminares sobre a teologia da libertação”. Abaixo, transcrevemos o artigo tal como publicado em RATZINGER-MESSORI, A fé em crise: o Cardeal Ratzinger se interroga, EPU, 1985, p. 135-145.
A análise, como era de se esperar, é absolutamente brilhante e espero que seja de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#160;</p>
<p align="justify"><a href="http://www.gabrielferreira.com.br/wp-content/uploads/2009/10/cardinaleratzinger.jpg"><img title="cardinaleratzinger" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; margin: 0px 10px 0px 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="244" alt="cardinaleratzinger" src="http://www.gabrielferreira.com.br/wp-content/uploads/2009/10/cardinaleratzinger_thumb.jpg" width="172" align="left" border="0" /></a>Em 1984, o então Cardeal Joseph Ratzinger escreveu um artigo denominado “Algumas&#160; observações preliminares sobre a teologia da libertação”. Abaixo, transcrevemos o artigo tal como publicado em RATZINGER-MESSORI, <em>A fé em crise: o Cardeal Ratzinger se interroga</em>, EPU, 1985, p. 135-145.</p>
<p align="justify">A análise, como era de se esperar, é absolutamente brilhante e espero que seja de grande importância para a reflexão dos que a leiam. Aqueles que se dispuserem podem iniciar uma discussão e deixar comentários neste post.</p>
<p align="justify">PS: Ainda sobre o tema, creio ser de fundamental importância ler também a <strong><a href="http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20061126_notification-sobrino_po.html" target="_blank">análise e crítica da Congregação para a Doutrina da Fé sobre umas das principais obras do Pe. Jon Sobrino, SJ</a></strong>, um dos articuladores principais da TL</p>
<p align="center"><strong></strong></p>
<p align="center"><strong>*&#160; *&#160; *</strong></p>
<p align="center"><strong></strong></p>
<p align="justify">Para esclarecer a minha tarefa e a alinha intenção, com relação ao tema, parecem-me necessárias algumas observações preliminares:</p>
<p align="justify">A teologia da libertação é fenômeno extraordinariamente Complexo. É possível formar-se um conceito da teologia da libertação segundo o qual ela vai das posições mais radicalmente marxistas até aquelas que propõem o lugar apropriado da necessária responsabilidade do cristão para com os pobres e os oprimidos no contexto de uma carreta teologia eclesial, como fizeram os documentos do CELAM, de Medellin a Puebla.    <br />_________________</p>
<p align="justify">1) O presente número já estava impresso quando foi publicado o documento da Santa Sé sabre a Teologia da Libertação. Será objeto de estudos no próximo número.    <br />Neste nosso texto, usaremos o conceito “teologia da libertação” em sentido mais restrito: sentido que compreende apenas aqueles teólogos que, de algum modo, fizeram própria a opção fundamental marxista. Mesmo aqui existem, nos particulares, muitas diferenças que é impossível aprofundar nesta reflexão geral. Neste contexto posso apenas tentar pôr em evidência algumas linhas fundamentais que, sem desconhecer as diversas matrizes, são muito difundidas e exercem certa influência mesmo onde não existe teologia da libertação em sentido estrito.</p>
<p align="justify">2) Com a análise do fenômeno da teologia da libertação torna-se manifesto um perigo fundamental paro a fé da Igreja. Sem dúvida, é preciso ter presente que um erro não pode existir se não contém um núcleo de verdade. De fato, um erro é tanto mais perigoso quanto maior for a proporção do núcleo de verdade assumida. Além disso, o erro não se poderia apropriar daquela parte de verdade, se essa verdade fosse suficientemente vivida e testemunhada ali onde é o seu lugar, isto é, na fé da Igreja. Por isso, ao lado da demonstração do erro e do perigo da teologia da libertação, é preciso sempre acrescentar a pergunta: que verdade se esconde no erro e como recupera-la plenamente? </p>
<p align="justify">3) A teologia da libertação é um fenômeno universal sob três pontos de vista:    </p>
<p>a) Essa teologia não pretende constituir-se como um novo tratado teológico ao lado dos outros já existentes; não pretende, por exemplo, elaborar novos aspectos da ética social da Igreja. Ela se concebe, antes, como uma nova hermenêutica da fé cristã, quer dizer, como nova forma de compreensão e de realização do cristianismo na sua totalidade. Por isto mesmo muda todas as formas da vida eclesial: a constituição eclesiástica, a liturgia, a catequese, as opções morais;    </p>
<p>b) A teologia da libertação tem certamente o seu centro de gravidade na América Latina, mas não é, de modo algum, fenômeno exclusivamente latino-americano. Não se pode pensá-la sem a influência determinante de teólogos europeus e também norte-americanos. Além do mais, existe também na Índia, no Sri Lanka, nas Filipinas, em Taiwan, na África &#8211; embora nesta última esteja em primeiro plano a busca de uma “teologia africana”. A união dos teólogos do Terceiro Mundo é fortemente caracterizada pela atenção prestada aos temas da teologia da libertação;     </p>
<p>c) A teologia da libertação supera os limites confessionais. Um dos mais conhecidos representantes da teologia da libertação, Hugo Assman, era sacerdote católico e ensina hoje como professor em uma Faculdade protestante, mas continua a se apresentar com o pretensão de estar acima das fronteiras confessionais. A teologia da libertação procura criar, já desde as suas premissas, uma nova universalidade em virtude da qual as separações clássicas da Igreja devem perder a sua Importância,    </p>
<p> <b></b>
<p align="justify"><b>I. O Conceito de Teologia da Libertação e os Pressupostos de sua Gênese</b></p>
<p> <strong></strong>
<p align="justify">Essas observações preliminares, entretanto, já nos introduziram no núcleo do tema. Deixam aberta, porém, a questão principal: o que é propriamente o teologia da libertação? Em uma primeira tentativa de resposta, podemos dizer: a teologia da libertação pretende dar nova interpretação global do Cristianismo; explica o Cristianismo como uma práxis de libertação e pretende constituir-se, ela mesma, um guia para tal práxis. Mas assim como, segundo essa teologia, toda realidade é política, também a libertação é um conceito político e o guia rumo à libertação deve ser um guia para a ação política.</p>
<p align="justify">“Nada resta fora do empenho político. Tudo existe com uma colocação política” (Gutierrez). Uma teologia que não seja “prática (o que significa dizer “essencialmente política”) é considerada “idealista” e condenada como irreal ou como veículo de conservação dos opressores no poder, Para um teólogo que tenha aprendido a sua teologia na tradição clássica e que tenha aceitado a sua vocação espiritual, é difícil imaginar que seriamente se possa esvaziar a realidade global do Cristianismo em um esquema de práxis sócio-político de libertação. A coisa é, entretanto, mais difícil, já que os teólogos da libertação continuam a usar grande parte da linguagem ascética e dogmática da Igreja em clave nova, de tal modo que aqueles que lêem e que escutam partindo de outra visão, podem ter a impressão de reencontrar o patrimônio antigo com o acréscimo apenas de algumas afirmações um pouco estranhas mas que, unidos a tanta religiosidade, não poderiam ser tão perigosas. Exatamente a radicalidade da teologia da libertação faz com que a sua gravidade não seja avaliada de modo suficiente; não entra em nenhum esquema de heresia até hoje existente, A sua colocação, já de partida, situa-se fora daquilo que pode ser colhido pelos tradicionais sistemas de discussão. Por isto tentarei abordar a orientação fundamental da teologia da libertação em duas etapas: primeiramente é necessário dizer algo acerca dos pressupostos que a tornaram possível; a seguir, desejo aprofundar alguns dos conceitos base que permitem conhecer algo da estrutura da teologia da libertação. Como se chegou a esta orientação completamente nova do pensamento teológico, que se exprime na leolog1a da libertação? Vejo principalmente três: fatores que a tornaram possível.    </p>
<p align="justify">1) Após o Concílio, produziu-se uma situação teológica nova:</p>
<p align="justify">a) Surgiu a opinião de que a tradição teológica existente até então não era mais aceitável e, por conseguinte, se deviam procurar, o partir da Escritura e dos sinais dos tempos, orientações teológicas e espirituais totalmente novas;</p>
<p align="justify">b) A idéia de abertura ao mundo e de compromisso no mundo transformou-se freqüentemente em uma fé ingênua nas ciências; uma fé que acolheu as ciências humanas como um novo evangelho, sem querer ,reconhecer os seus limites e problemas próprios. A psicologia, a sociologia e a interpretação marxista da história foram considerados como cientificamente seguras e, a seguir, como instâncias não mais contestáveis do pensamento cristão;</p>
<p align="justify">c) A critica da tradição por parte da exegese evangélica moderna, especialmente o de Bultmann e da sua escola, tornou-se uma, instância teológica inamovível que barrou a estrada às formas até então válidas da teologia, encorajando assim também novas construções.</p>
<p align="justify">2) A situação teológica assim transformada coincidiu com uma situação da historia espiritual também ela modificada. Ao final da fase de reconstrução após a segunda guerra mundial, fase que coincidiu pouco mais ou menos com o término do Concilio, produziu-se no mundo ocidental um sensível vazio de significado, ao qual a filosofia existencialista ainda em voga não estava em condições de dar alguma resposta. Nesta situação, as diferentes formas do neo-marxismo transformaram-se em um impulso moral e, ao mesmo tempo, em uma promessa de significado que parecia quase irresistível à juventude universal. O marxismo, com as acentuações religiosas de Bloch e as filosofias dotadas de rigor científico de Adorno, Harkheimer, Habernas e Marcuse, ofereceram modelos de ação com os quais alguns pensadores acreditavam poder responder ao desafio da miséria no mundo e, ao mesmo tempo, poder atualizar o sentido correto da mensagem bíblica. </p>
<p align="justify">3) O desafio moral da pobreza e da opressão não se podia mais ignorar, no momento em que a Europa e a América do Norte atingiam uma opulência até então desconhecida. Este desafio exigia evidentemente nova respostas, que não se podiam encontrar na tradição existente até aquele momento. A situação teológica e filosófica mudada convidava expressamente a buscar o resposta em um cristianismo que se deixasse regular pelos modelos da esperança, aparentemente fundados cientificamente, das filosofias marxistas,</p>
<p align="justify"><b>II. A Estrutura Gnoseológica Fundamental do Teologia do Libertação</b></p>
<p> <strong></strong>
<p align="justify">Esta resposta se apresenta totalmente diversa nas formas particulares de teologia da libertação, teologia da evolução, teologia política, etc. Não pode, pois, ser apresentada globalmente, Existem, no entanto, alguns conceitos fundamentais que se repetem continuamente nas diferentes variações e exprimem comuns intenções de fundo. Antes de passar aos conceitos fundamentais do conteúdo, é necessário fazer uma observação a cerca dos elementos estruturais do teologia da libertação. Paro tal, podemos retomar o que já afirmamos acerca da situação teológica mudada após o Concilio. Como já disse, leu-se a exegese de Bultmann e da sua escola como um enunciado da “ciência” sobre Jesus, ciência que devia obviamente ser considerado como válida. O “Jesus histórico” de Bultmann, entretanto, apresentava-se separado por um abismo (o próprio Bultmann fala de Graben, fosso) do Cristo da fé. Segundo Bultmann, Jesus pertence aos pressupostos do Novo Testamento, permanecendo. porém, encerrado no mundo do judaísmo. O resultado final dessa exegese consistiu em abalar a credibilidade histórica dos Evangelhos: o Cristo da tradição eclesial e o Jesus histórico apresentado pela ciência pertencem evidentemente a dois mundos diferentes. A figura de Jesus foi erradicada da sua colocação na tradição por ação da ciência, considerada como instância suprema; deste modo, por um lado, a tradição pairava como algo de irreal no vazio, e, por outro, devia-se procurar para a figura de Jesus uma nova interpretação e um novo significado. Bultmann, portanto, adquiriu importância não tanto pelas suas afirmações positivas quanto pelo resultado negativo da sua crítica: o núcleo da fé, a cristologia, permaneceu aberto a novas interpretações porque os seus enunciados originais tinham desaparecido, na medida em que eram considerados historicamente insustentáveis. Ao mesmo tempo desautorizava-se o magistério da Igreja, na medida em que o consideravam preso a uma teoria cientificamente insustentável e, portanto, sem valor como instância cognoscitiva sobre Jesus. Os seus anunciados podiam ser considerados somente como definições frustadas de uma posição cientificamente superada.</p>
<p align="justify">Além disso, Bultmann foi importante para o desenvolvimento posterior de uma segunda palavra-chave. Ele trouxe à moda o antigo conceito de hermenêutica, conferindo-lhe uma dinâmica nova. Na palavra “hermenêutica” encontra expressão a idéia de que uma compreensão real dos textos históricos não acontece através de uma mera interpretação histórica; mas toda interpretação histórica inclui certas decisões preliminares. A hermenêutica tem a função de “atualizar”, em conexão com a determinação de dado histórico. Nela, segundo o terminologia clássica, se trata de um “fusão dos horizontes” entre “então” [“naquele tempo”] e o “hoje”. Por conseguinte, ela suscita a pergunta: o que significa o então (“naquele tempo”), nos dias de hoje? O próprio Bultmann respondeu a esta pergunta servindo-se da filosofia de Heidegger e interpretou, deste modo, a Bíblia em sentido existencialista. Tal resposta, hoje, não apresenta mais algum interesse; neste sentido Bultmann foi superado pela exegese atual. Mas permaneceu a separação entre a figura de Jesus da tradição clássica e a idéia de que se pode e se deve transferir essa figura ao presente, através de uma nova hermenêutica.    </p>
<p>A este ponto, surge o segundo elemento, já mencionado, da nossa situação: o novo clima filosófico dos anos sessenta. A análise marxista do história e da sociedade foi considerada, nesse ínterim, conto a única dotada de caráter “cientifico”, isto significa que o mundo é interpretado à luz do esquema da luta de classes e que a única escolha possível é entre capitalismo e marxismo. Significa, além disso, que toda a realidade é política e que deve ser justificada politicamente. O conceito bíblico do “pobre” oferece o ponto de partida para a confusão entre a imagem bíblica da história e a dialética marxista; esse conceito é interpretado com a idéia de proletariado em sentido marxista e justifica também o marxismo como hermenêutica legitima para a compreensão da Bíblia. Ora, Segundo essa compreensão, existem, e só podem existir, duas opções; pai isso, contradizer essa interpretação da Bíblia não é senão expressão do esforço da classe dominante para conservar o próprio poder, Gutierrez afirma: “A luta de classes é um dado de fato e a neutralidade acerca desse ponto é absolutamente impossível”. A partir dai, torna-se impossível até a intervenção do magistério eclesiástico: no caso em que este se opusesse a tal interpretação do Cristianismo demonstraria apenas estar ao lado dos ricos e dos dominadores e contra os pobres e os sofredores, isto é, contra o próprio Jesus, e, na dialético da história, aliar-se-ia à parte negativo. </p>
<p align="justify">Essa decisão, aparentemente “científica” e “hermeneuticamente” indiscutível, determina por si o rumo da ulterior interpretação do Cristianismo, seja quatro às instancias interpretativas, seja quatro aos conteúdos interpretados. No que diz respeito as instâncias interpretativas, os conceitos decisivos são: povo, comunidade, experiência, história. Se até então a Igreja, isto é, a Igreja Católica na Sua totalidade, que, transcendendo tempo e espaço, abrange os leigos (sensus fidei) e a hierarquia (magistério), fora a instância hermenêutica fundamental, hoje tornou-se a “comunidade” tal instância. A vivência e as experiências da comunidade determinam agora a compreensão e a interpretação da Escritura. De novo pode-se dizer, aparentemente de maneira muito científica, que a figura de Jesus, apresentada nos Evangelhos, constitui uma síntese de acontecimentos e interpretações da experiência de comunidades particulares, onde no entanto a interpretação é muito mais importante do que o acontecimento, que, em si, não é mais determinável. Essa síntese original de acontecimento e interpretação pode ser dissolvida e reconstruída sempre de novo: a comunidade “interpreta” com a sua “experiência” os acontecimentos e encontra assim sua “práxis”. Esta idéia, podemos encontra-la em modo um tanto diverso do conceito de povo, com o qual se transformou a acentuação conciliar da idéia de “povo de Deus” em mito marxista. As experiências do “povo” explicam a Escritura. “Povo” torna-se assim um conceito aposto ao de “hierarquia” e em antítese a todas as instituições indicadas como forças da opressão. </p>
<p align="justify">Afinal, é “povo” quem participa da “lula de classes”; a “igreja popular” acontece em oposição à Igreja hierárquica. Por fim, o conceito de “história” torna-se instância hermenêutica decisiva. A opinião, considerada cientificamente segura e irrefutável, de que a Bíblia raciocine em termos exclusivamente de história da salvação, e portanto de maneira anti-metafísica. permite a fusão do horizonte bíblico com a idéia marxista da história que procede dialeticamente como autêntica portadora de salvação; a história é o autêntica revelação e portanto a verdadeira instância hermenêutica da interpretação bíblica. Tal dialético é apoiado, algumas vezes, pela pneumatologia. Em todo caso, também esta última, no magistério que insiste em verdades permanentes, vê uma instância inimiga do progresso, dado que pensa “metafisicamente” e assim contradiz a “história”. Pode-se dizer que o conceito de história absorve o conceito de Deus e de revelação. A “historicidade” da Bíblia deve justificar o seu papel absolutamente predominante e, portanto, deve legitimar, ao mesmo tempo, a passagem para a filosofia materialista-marxista, na qual a história assumiu a função de Deus.</p>
<p align="justify"><b>III. Conceitos Fundamentais da Teologia da Libertação</b></p>
<p> <strong></strong>
<p align="justify">Com isto, chegamos aos conceitos fundamentais do conteúdo da nova interpretação do Cristianismo. Uma vez que os contextos nos quais aparecem os diversos conceitos são diferentes, gostaria de citar alguns deles, sem a pretensão de esquematiza-los. Comecemos pela nova interpretação da fé, da esperança e da caridade. Com relação a fé, por exemplo, J. Sobrinho afirma: a experiência que Jesus tem de Deus é radicalmente histórica. “A sua fé converte-se em fidelidade”. Por isso Sobrinho substitui fundamentalmente o fé pela “fidelidade à história” (fidelidad a la historia, 143-144). Jesus é fiel à profunda convicção de que o mistério da vida do homem &#8230; é realmente o último &#8230; (144). Aqui produz-se aquela fusão entre Deus e história que dá a Sobrinho a possibilidade de conservar para Jesus a fórmula de Calcedônia, ainda que com um sentido completamente mudado; pode-se ver como os critérios clássicos da ortodoxia não são aplicáveis à análise dessa teologia, Ignacio Ellacuria, na capa do livro sobre este assunto, afirma: Sobrinho “diz de novo &#8230; que Jesus é Deus, acrescentando, porém, imediatamente, que o Deus verdadeiro é somente aquele que se revela historicamente em Jesus e nos pobres, que continuam a sua presença. Somente quem mantém unidas essas duas afirmações, é ortodoxo &#8230;“. </p>
<p align="justify">A esperança é interpretada como “confiança no futuro” e como trabalho pelo futuro; com isso elo é subordinado novamente ao predomínio da história das classes.    </p>
<p>“Amor” consiste na “opção pelos pobres”, isto é, coincide com a opção pela luta de classes. Os teólogos da libertação sublinham com força, diante do “falso universalismo”, a parcialidade e o carater partidário da opção cristã; tomar partido é, segundo eles, requisito fundamental de uma correta hermenêutica dos testemunhos bíblicos. Na minha opinião, aqui se pode reconhecer muito claramente a mistura entre uma verdade fundamental do Cristianismo e uma opção fundamental não cristã, que torna o conjunto tão sedutor: o sermão da montanha é, na verdade, a escolha por parte de Deus a favor dos pobres. Mas a interpretação dos pobres no sentido da dialética marxista da histórla e a interpretação da escolha partidária no sentido da lula de classes é um salto “eis allo genos” (grego: para outro gênero), no qual as coisas contrarias se apresentam como idênticas. </p>
<p align="justify">O conceito fundamental da pregação de Jesus é o de “reino de Deus”. Este conceito encontra-se também no centro das teologia da libertação, lido porém no contexto da hermenêutica marxista. Segundo J. Sobrinho, o reino não deve ser compreendido espiritualmente, nem universalmente, no sentido de uma reserva escatogicamente abstrata. Deve ser compreendido em forma partidária e voltado para a práxis. Somente a partir da práxis de Jesus, e não teoricamente, é possível definir o que seria o reino: trabalhar na realidade histórica que nos circunda para transformá-la no reino (166). Aqui ocorre mencionar também uma idéia fundamental de certa teologia pós-conciliar que impulsionou nessa direção. Muitos apregoaram que, segundo o Concílio, se deveriam superar todas as formas de dualismo: o dualismo de corpo e alma, de natural e sobrenatural, de imanência e transcendência, de presente e futuro. Após o desmantelamento desses duolismos, resta apenas a possibilidade de trabalhar por um reino que se realize nesta história e em sua realidade político-econômica.     </p>
<p>Mas justamente dessa forma deixou-se de trabalhar pelo homem de hoje e se começou a destruir o presente, a favor de um futuro hipotético: assim produziu-se imediatamente o verdadeiro dualismo.</p>
<p align="justify">Neste contexto gostaria de mencionar também a interpretação, impressionante e definitivamente espantosa, que Sobrinho dá da morte e da ressurreição. Antes do mais, ele estabelece, contra as concepções universalistas, que a ressurreição é, em primeiro lugar, uma esperança para aqueles que são crucificados; estes constituem a maioria dos homens: todos aqueles milhões aos quais a injustiça estrutural se impõe como uma lenta crucifixão (176 e seguintes). O crente, no entanto, participa também do senhorio de Jesus sobre a história, através da edificação do reino, isto é, na luta pela justiça e pela libertação integral, na transformação das estruturas injustas em estruturas mais humanas. Esse senhorio sobre o história é exercitado ao se repetir o gesto dê Deus que ressuscita Jesus, isto é, dando novamente vida aos crucificados da história (181). O homem assumiu o gesto de Deus e aqui a transformação total da mensagem bíblica se manifesta de maneiro quase trágica, se se pensa em como essa tentativa de imitação de Deus se desenvolveu e se desenvolve ainda. </p>
<p align="justify">Gostaria de citar apenas alguns outros conceitos: o êxodo se transforma em uma imagem central da história da salvação; o mistério pascal é entendido como um símbolo revolucionário e, portanto, a Eucaristia é interpretada como uma festa de libertação no sentido de uma esperança político-messiânica e da sua práxis. A palavra redenção é substituída geralmente por libertação, a qual, por sua vez, é compreendida, no contexto da história e da luta de Classes, como processo de libertação que avança, por fim, é fundamental também a acentuação da práxis: a verdade não deve ser compreendido em sentido metafísico; trata-se de “idealismo”. A verdade realiza-se na história e na práxis, A ação é a verdade. Por conseguinte, também as idéias que se usam para ação, em última instância são intercambiáveis. A única coisa decisiva é a práxis. A práxis torna-se, assim, o única .e verdadeira ortodoxia. Desta forma justifica-se um enorme afastamento dos textos bíblicos: a crítica histórica liberta da interpretação tradicional, que aparece como não-científica. Com relação ó tradição, atribui-se importância ao máximo rigor cientifico na linha de Buftmann. Mas os conteúdos da Bíblia, determinados historicamente, não podem, por sua vez, ser vinculantes de modo absoluto. O instrumento para a interpretação não é, em última análise, a pesquisa histórica, mas, sim, a hermenêutica da história, experimentada na comunidade, isto é, nos grupos políticos, sobretudo dado que a maior parte dos próprios conteúdos bíblicos deve ser considerada como produto de tal hermenêutica comunitária.</p>
<p align="justify">Quando se tenta fazer um julgamento geral, deve-se dizer que, quando alguém procura compreender as opções fundamentais da teologia da libertação não pode negar que o conjunto contém uma lógica quase incontestável. Comi as premissas da critica bíblica e da hermenêutica fundada na experiência, de um lado, e da análise marxista da história, de outro, conseguiu-se criar uma visão de conjunto do cristianismo que parece responder plenamente tanto às exigências da ciência, quanto aos desafios morais dos nossos tempos. E, portanto, impõe-se aos homens de modo imediato o tarefa de fazer do Cristianismo um instrumento da transformação concreta do mundo, o que pareceria uni-lo a todas as forças progressistas da nossa época. Pode-se, pois, compreender como esta nova interpretação do Cristianismo atraia sempre mais teólogos, sacerdotes e religiosos, especialmente no contexto dos problemas do terceiro mundo. Subtrair-se a ela deve necessariamente aparecer aos olhos deles como uma evasão da realidade, como uma renúncia à razão e à moral. Porém, de outra parte, quando se pensa o quanto seja radical a interpretação do Cristianismo que dela deriva, torna-se ainda mais urgente o problema do que se possa e se deva fazer frente a ela.</p>
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		<title>Acerbo Nimis – sobre o ensino do catecismo</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 18:06:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>G. Ferreira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Abaixo, um dos mais preciosos documentos do Magistério sobre a necessidade e a importância da catequese.
&#160;
&#160;

CARTA ENCÍCLICA ACERBO NIMIS

&#160;
 

Sobre o Ensino do Catecismo.
aos Veneráveis Irmãos Patriarcas, Primazes, Arcebispos, Bispos     e Mais Ordinários em Paz e Comunhão com a Santa Sé Apostólica:     Sobre o Ensino do Catecismo.
PAPA [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><b></b></p>
<p align="justify">Abaixo, um dos mais preciosos documentos do Magistério sobre a necessidade e a importância da catequese.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="center"><b></b></p>
<p align="center"><font size="4"><b>CARTA ENCÍCLICA</b> <b>ACERBO NIMIS</b></font></p>
<p align="center"><strong></strong></p>
<p align="center">&#160;</p>
<p align="center"><a href="http://www.gabrielferreira.com.br/wp-content/uploads/2009/10/image.png"><img title="image" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="200" alt="image" src="http://www.gabrielferreira.com.br/wp-content/uploads/2009/10/image_thumb.png" width="176" border="0" /></a> </p>
<p align="center"><b><i></i></b></p>
<p align="center"><b><i>Sobre o Ensino do Catecismo.</i></b></p>
<p align="center"><b><i>aos Veneráveis Irmãos Patriarcas, Primazes, Arcebispos, Bispos</i></b>     <br /><b><i>e Mais Ordinários em Paz e Comunhão com a Santa Sé Apostólica:</i></b>     <br /><b><i>Sobre o Ensino do Catecismo.</i></b></p>
<p align="center"><b>PAPA PIO X</b></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">Veneráveis Irmãos<b>:</b></p>
<p align="justify">Saúde e Bênção Apostólica<b>.</b></p>
<p align="justify"><strong></strong></p>
<p><b>1.</b>&#160; Pelos inescrutáveis desígnios de Deus fomos elevados de nossa pequenez ao cargo de Supremo Pastor do Rebanho de Cristo<b>,</b> em dias bem críticos e amargos<b>,</b> pois o antigo inimigo anda em redor deste Rebanho e lhe arma laços em tão pérfida astúcia<b>,</b> que hoje<b>,</b> principalmente<b>,</b> parece haver<b>-</b>se cumprido aquela profecia do Apóstolo aos anciãos da Igreja de Éfeso<b>:</b> <b>“</b><i>Sei que</i><b>&#8230;</b> <i>vos hão de assaltar lobos vorazes</i><b>,</b> <i>que não pouparão o Rebanho</i><b>”</b> <b>(</b>At 20<b>,</b>29<b>).</b> Dos males que afligem a Religião não há quem<b>,</b> animado de zelo pela Glória divina<b>,</b> deixe de investigar as causas e razões<b>,</b> acontecendo que<b>,</b> como as encontra cada qual diversas<b>,</b> proponha diferentes meios<b>,</b> de acordo com a sua opinião pessoal<b>,</b> para defender e restaurar o Reino de Deus na Terra<b>.</b> Não proscrevemos<b>,</b> Veneráveis Irmãos<b>,</b> os pareceres alheios<b>,</b> mas estamos com os que pensam que esta depressão e debilidade das almas<b>,</b> de que derivam os maiores males<b>,</b> provêm<b>,</b> principalmente<b>,</b> da ignorância das Coisas Divinas<b>.</b> Esta opinião concorda inteiramente com o que o Deus mesmo declarou pelo Profeta Oséias<b>:</b> <b>“</b><i>Não há conhecimento de Deus na Terra</i><b>.</b> <i>A maldição e a mentira</i><b>,</b> <i>e o homicídio e o roubo e o adultério tudo inundaram</i><b>;</b> <i>o sangue junta-se ao sangue e por causa disto a Terra se cobrirá de luto e todos os seus moradores desfalecerão</i><b>” (</b>Os 4<b>,</b>1<b>-</b>3<b>).</b>     <br /><b></b></p>
<p><b>Necessidade da Instrução</b></p>
<p align="justify"><b>2.</b>&#160; Quão fundadas são<b>,</b> desgraçadamente<b>,</b> estas lamentações<b>,</b> hoje<b>,</b> que existe tão crescido número de pessoas<b>,</b> entre o Povo Cristão<b>,</b> que ignoram totalmente as coisas que é mister conhecer para conseguir a Salvação Eterna<b>!</b> Ao dizer <b>–</b> Povo Cristão <b>–</b> não nos referimos somente à plebe<b>,</b> ou às classes inferiores <b>–</b> às quais servem de escusa o acharem<b>-</b>se com freqüência submetidas a homens tão duros que lhes não deixam tempo nem para cuidar de si mesmas<b>,</b> nem das coisas que se referem à sua alma <b>–</b> mas e principalmente falamos daqueles aos quais não falta entendimento nem cultura e até se mostram dotados de profana erudição<b>,</b> apesar de que em coisas de Religião vivem da maneira mais temerária e imprudente que imaginar se possa<b>.</b> Dificílimo seria ponderar a espessura das trevas que os envolvem e <b>–</b> o que mais triste é <b>–</b> a tranqüilidade com que nelas permanecem<b>!</b> De Deus<b>,</b> Soberano Autor e Moderador de todas as coisas<b>,</b> e da Sabedoria da Fé Cristã não se preocupam<b>,</b> de forma que verdadeiramente nada sabem da Encarnação do Verbo de Deus<b>,</b> nem da Perfeita Restauração do Gênero Humano<b>,</b> por Ele consumada<b>;</b> nada sabem acerca da Graça<b>,</b> principal auxílio para alcançar os Bens Eternos<b>;</b> nada<b>,</b> acerca do Augusto Sacrifício nem dos Sacramentos<b>,</b> mediante os quais conseguimos e conservamos a Graça<b>.</b> Quanto ao pecado<b>,</b> não conhecem sua malícia nem o opróbrio que consigo traz<b>,</b> de sorte que não põem o menor cuidado em evitá<b>-</b>lo ou expiá<b>-</b>lo<b>,</b> e chegam ao Dia Extremo em disposição tal que<b>,</b> para não os deixar sem qualquer Esperança de Salvação<b>,</b> o Sacerdote se vê constrangido a aproveitar os derradeiros instantes de vida para sumariamente lhes ensinar Religião<b>,</b> ao invés de empregá<b>-</b>los principalmente, conforme conviria<b>,</b> em movê<b>-</b>los a afetos de Caridade<b>;</b> isto quando não sucede que o moribundo sofra de tão culpável ignorância que tenha por inútil o auxílio do Sacerdote e resolva tranqüilamente franquear os Umbrais da Eternidade sem haver prestado a Deus conta dos seus pecados<b>.</b> Por isso<b>,</b> o Nosso Predecessor Bento XIV justamente escreveu<b>:</b> <b>“</b><i>Afirmamos que a maior parte dos</i> <i>condenados às penas eternas padece sua perpétua desgraça por ignorar os Mistérios da Fé</i><b>,</b> <i>que necessariamente se devem conhecer e crer<b>,</b> para ser contado no número dos eleitos</i><b>”</b> <b>(</b>Instit<b>.</b>&#160; XXVII<b>,</b> 18<b>).</b></p>
<p><b>3.</b>&#160; Sendo assim<b>,</b> Veneráveis Irmãos<b>,</b> que há de surpreendente<b>,</b> pergunto<b>,</b> em que a corrupção dos costumes e sua depravação sejam tão grandes e cresçam diariamente<b>,</b> não digo nas nações bárbaras<b>,</b> mas até nos próprios Povos que ostentam o nome de Cristãos<b>?</b> Com razão dizia o Apóstolo São Paulo<b>,</b> escrevendo aos Efésios<b>:</b> “<i>A fornicação e toda espécie de impureza ou avareza nem sequer se nomeie entre vós</i><b>,</b> <i>como convém a Santos</i><b>;</b> <i>nem palavras torpes</i><b>,</b> <i>nem chocarrices</i><b>”</b> <b>(</b>Ef 5<b>,</b>3<b>-</b>4<b>).</b> Como fundamento deste Pudor e Santidade<b>,</b> com os quais se moderam as paixões<b>,</b> determinou a Ciência das Coisas Divinas<b>:</b> <b>“</b><i>E assim</i><b>,</b> <i>cuidai</i><b>,</b> <i>irmãos</i><b>,</b> <i>em andar com Prudência</i><b>;</b> <i>não como insensatos</i><b>,</b> <i>mas como circunspectos</i><b>&#8230;</b> <i>Portanto</i><b>,</b> <i>não sejais imprudentes</i><b>,</b> <i>mas considerai qual é a Vontade de Deus</i><b>”</b> <b>(</b>Ef 5<b>,</b> 15<b>.</b>17<b>).</b>     <br />Sentença justa<b>;</b> porque a vontade humana apenas conserva algum resto daquele amor à honestidade e à retidão<b>,</b> inspirados ao homem por Deus<b>,</b> seu Criador<b>,</b> amor que o impelia para um bem<b>,</b> não velado por sombras<b>,</b> mas claramente visto<b>.</b> Mas<b>,</b> depravada pela corrupção do pecado original e esquecida de Deus<b>,</b> seu Gerador<b>,</b> a vontade humana inclina<b>-</b>se a amar a vaidade e a procurar a mentira<b>.</b> Extraviada e cega pelas más paixões<b>,</b> necessita de um guia que lhe mostre o caminho para que retome as Veredas da Justiça<b>,</b> que desgraçadamente abandonou<b>.</b> Este guia<b>,</b> que não é preciso buscar fora do homem<b>,</b> e de que a natureza o proveu<b>,</b> é a própria razão<b>;</b> mas se à razão falta aquela luz<b>,</b> irmã sua<b>,</b> que é a Ciência das Coisas Divinas<b>,</b> sucederá que um cego guiará outro cego e ambos cairão no abismo<b>.</b> O Santo Rei Davi<b>,</b> glorificando a Deus por esta Luz da Verdade que havia infundido na razão humana<b>,</b> dizia<b>:</b> <b>“</b><i>A luz do Vosso rosto</i><b>,</b> <i>Senhor</i><b>,</b> <i>está impressa em nós</i><b>”.</b> E indicava o efeito desta comunicação da Luz<b>,</b> acrescentando<b>:</b> <b>“</b><i>Infundistes a alegria em meu coração</i><b>”</b> <b>(</b>Sl 4<b>,</b> 6<b>-</b>7<b>).</b>     <br /><b></b></p>
<p><b>Efeitos das Doutrina Cristã</b></p>
<p align="justify"><b>4.</b>&#160; Descobre<b>-</b>se facilmente que assim é<b>,</b> porque<b>,</b> de fato<b>,</b> a Doutrina Cristã nos faz conhecer a Deus e o que chamamos suas Infinitas Perfeições<b>,</b> quiçá mais fundamente que as forças naturais<b>.</b> E de que forma<b>?</b> Mandando<b>-</b>nos ao mesmo tempo reverenciar a Deus por obrigação de <b>“</b>Fé<b>”,</b> que se refere à razão<b>;</b> por dever de <b>“</b>Esperança<b>”,</b> que se refere à vontade<b>,</b> e por dever de <b>“</b>Caridade<b>”,</b> que se refere ao coração<b>,</b> com o qual torna o homem inteiramente submetido a Deus<b>,</b> seu Criador e Moderador<b>.</b> De igual forma só a Doutrina Cristã estabelece o homem na posse de sua eminente dignidade natural como filho do Pai Celestial<b>,</b> que está nos Céus<b>,</b> e que o fez à Sua imagem e semelhança para viver eternamente feliz com Ele<b>.</b> Mas desta mesma dignidade e do conhecimento que dela se deve ter<b>,</b> deduz Cristo que os homens devem amar<b>-</b>se como irmãos e viver na Terra como convém aos Filhos da Luz<b>,</b> <b>“</b><i>não em glutonerias e embriaguez</i><b>,</b> <i>não em desonestidades e dissoluções</i><b>,</b> <i>não em contendas e emulações</i><b>”</b> (Rm 13<b>,</b>13<b>).</b> Manda<b>-</b>nos<b>,</b> outrossim<b>,</b> que nos entreguemos às Mãos de Deus<b>,</b> que é quem cuida de nós<b>;</b> que socorramos os pobres<b>,</b> façamos o bem a nossos inimigos e prefiramos os Bens Eternos da alma aos perecedores bens temporais<b>.</b> E<b>,</b> mesmo sem esmiuçar tudo<b>,</b> não é<b>,</b> porventura<b>,</b> a Doutrina de Cristo que recomenda e prescreve ao homem soberbo aquela humildade que é o verdadeiro manancial de Sua Glória<b>?</b> <b>“</b><i>Todo aquele</i><b>,</b> <i>pois</i><b>,</b> <i>que se humilhar</i><b>,</b> <i>esse será o maior no Reino dos Céus</i><b>”</b> <b>(</b>Mt 18<b>,</b>4<b>).</b> Nesta Celestial Doutrina nos é ensinada igualmente a Prudência de Espírito<b>,</b> que serve para nos proteger da prudência da carne<b>;</b> a Justiça<b>,</b> por meio da qual damos a cada um o que lhe pertence<b>;</b> a Fortaleza<b>,</b> que nos torna capaz de sofrer e padecer tudo generosamente por Deus e pela Bem<b>-</b>aventurança Eterna<b>;</b> enfim<b>,</b> a Temperança<b>,</b> que nos torna amável a Pobreza por Amor de Deus<b>,</b> e que em meio de nossas humilhações faz com que nos gloriemos na Cruz<b>.</b> De maneira que pela Sabedoria Cristã não somente recebe nossa inteligência a Luz que nos permite alcançar a Verdade<b>,</b> mas até a vontade fica empolgada daquele Amor que nos conduz a Deus e a Ele nos une mediante o exercício da Virtude<b>.</b></p>
<p><b>5.</b>&#160; Longe estamos de afirmar que a malícia da alma e a corrupção dos costumes não possam co<b>-</b>existir com a consciência da Religião<b>.</b> Prouvera a Deus que os fatos demonstrassem o contrário<b>.</b> Mas compreendemos que quando e espírito está envolto pelas espessas trevas da ignorância<b>,</b> não se pode capacitar nem da retidão da vontade nem dos bons costumes<b>,</b> porque se<b>,</b> caminhando com olhos abertos<b>,</b> pode o homem apartar<b>-</b>se do bom caminho<b>,</b> o que sofre de cegueira está em perigo iminente de desviar<b>-</b>se<b>.</b> Acrescente<b>-</b>se que em quem não está de todo apagado o archote da Fé<b>,</b> resta ainda uma Esperança de que se emende e se cure da corrupção dos costumes<b>;</b> mas quando a ignorância se junta à depravação<b>,</b> já não resta possibilidade de remédio<b>,</b> mas está aberto o caminho da ruína<b>.</b>     <br /><b></b></p>
<p><b>O Primeiro Ministério.</b></p>
<p align="justify"><b>6.&#160; </b>Posto que da ignorância da Religião procedem tão graves danos<b>,</b> e<b>,</b> de outro lado<b>,</b> são tão grandes a necessidade e a utilidade da Doutrina Religiosa<b>,</b> desde que, desconhecendo<b>-</b>a<b>,</b>&#160; em vão se esperaria que alguém cumprisse as obrigações de Cristão<b>,</b> convém saber agora a quem compete preservar as almas desta perniciosa ignorância e instruí<b>-</b>las em tão indispensável Ciência<b>.</b> O que<b>,</b> Veneráveis Irmãos<b>,</b> não oferece dificuldade alguma<b>,</b> porque essa transcendente missão recai sobre os Pastores de Almas<b>.</b> Estes<b>,</b> efetivamente<b>,</b> acham<b>-</b>se obrigados por preceito do próprio Cristo a conhecer e apascentar as ovelhas que lhes foram confiadas<b>.</b> Apascentar é<b>,</b> antes do mais<b>,</b> doutrinar<b>.</b> <b>“</b><i>Eu vos darei Pastores segundo o Meu Coração</i><b>,</b> <i>que vos apascentarão com a Ciência e com a Doutrina</i><b>”</b> <b>(</b>Jr 3<b>,</b>15<b>).</b>     <br />Assim falava Jeremias<b>,</b> inspirado por Deus<b>;</b> pelo que dizia o Apóstolo São Paulo<b>:</b> <b>“</b><i>Cristo não me enviou para Batizar</i><b>,</b> <i>mas para pregar</i><b>”</b> <b>(</b>1Cor 1<b>,</b>17<b>).</b> Advertindo assim que o principal Ministério de quantos exercem<b>,</b> em certo sentido<b>,</b> o governo da Igreja<b>,</b> consiste em ensinar aos fiéis a Doutrina Sagrada<b>.</b></p>
<p><b>7.</b>&#160; Inútil se nos afigura aduzir novas provas da excelência deste Ministério e da estima que merece de Deus<b>.</b> Certo é que Deus exalta grandemente a Piedade que nos move a procurar o alívio das humanas misérias<b>;</b> mas<b>,</b> quem negará que muito acima dela devem ser colocados o zelo e o trabalho mediante os quais o entendimento recebe o ensino e os conselhos referentes<b>,</b> não às necessidades terrenas<b>,</b> mas aos Bens Celestiais<b>?</b> Nada pode ser mais grato a Jesus Cristo<b>,</b> Salvador das almas<b>,</b> que pelo Profeta Isaías disse de Si Mesmo<b>:</b> <b>“</b><i>Fui enviado para Evangelizar os pobres</i><b>”</b> <b>(</b>Lc 4<b>,</b>18<b>).</b>     <br />Importa muito<b>,</b> Veneráveis Irmãos<b>,</b> insistir para que todos os Sacerdotes compreendam bem que ninguém tem maior obrigação e dever mais imperioso<b>.</b> Porque<b>,</b> quem negará que no Sacerdote hão de unir<b>-</b>se a Ciência e a Santidade de Vida<b>?</b> <b>“</b><i>Nos lábios do Sacerdote deve estar o depósito da Ciência</i><b>”</b> <b>(</b>Ml 2<b>,</b>7<b>).</b> E<b>,</b> com efeito<b>,</b> a Igreja o exige rigorosamente de quantos aspiram a ingressar no Sacerdócio<b>.</b> E por que isto<b>?</b> Porque o Povo Cristão espera receber do sacerdote o ensinamento da Divina Lei e porque Deus o destina para propagá<b>-</b>la<b>.</b> <b>“</b><i>De sua boca se há de aprender a Lei</i><b>,</b> <i>pois que ele é o Anjo do Senhor dos Exércitos</i><b>”</b> <b>(</b>Ml 2<b>,</b>7<b>).</b> Por isso<b>,</b> nas Ordens Sacras<b>,</b> o Bispo diz<b>,</b> dirigindo<b>-</b>se aos que vão ser elevados ao Sacerdócio<b>:</b> <b>“</b><i>Que vossa Doutrina seja remédio espiritual para o Povo de Deus</i><b>,</b> <i>e os cooperadores de nossa Ordem sejam prudentes</i><b>,</b> <i>para que</i><b>,</b> <i>meditando dia e noite acerca da Lei</i><b>,</b> <i>creiam no que leram e ensinem</i> <i>aquilo em que acreditam</i><b>”</b> <b>(</b>Pontif<b>.</b> Romano<b>).</b>     <br />Se não há Sacerdote algum a quem não correspondam estas obrigações<b>,</b> quais não serão as daqueles que pelo nome e autoridade que ostentam e por sua mesma dignidade têm a seu cargo e como que por compromisso a Cura das Almas<b>?</b> Estes devem ser colocados de algum modo nas fileiras dos Pastores e Doutores que Jesus Cristo deu aos fiéis <b>“</b>para que não sejam como meninos flutuantes<b>,</b> e levados<b>,</b> ao sabor de todo vento de doutrina<b>,</b> pela malignidade dos homens, pela astúcia dos que induzem ao erro<b>,</b> mas<b>,</b> praticando a Verdade na Caridade<b>,</b> cresçamos em todas as coisas naquele que é a Cabeça<b>,</b> o Cristo<b>”</b> <b>(</b>Ef 4<b>,</b> 14<b>-</b>15<b>).</b>     <br /><b></b></p>
<p><b>Disposições da Igreja.</b></p>
<p align="justify"><b>8.&#160; </b>Por isso<b>,</b> o Sacrossanto Concílio de Trento<b>,</b> falando dos Pastores de Almas<b>,</b> julgou que a primeira e a maior de suas obrigações era a de ensinar o Povo Cristão <b>(</b>Sess<b>.</b>V<b>,</b> c<b>.</b> 2 de Refor<b>.;</b> XXII<b>,</b> c<b>.</b> 8<b>;</b> sess<b>.</b> XXIV<b>.</b> c<b>.</b> 4 e 7 de Refor<b>.).</b> Dispôs<b>,</b> em conseqüência<b>,</b> que ao menos nos Domingos e Festas Solenes dessem ao Povo Instrução Religiosa<b>,</b> e durante os Santos Tempos de Avento e Quaresma diariamente ou ao menos três vezes por semana<b>.</b> Mas não só isto<b>,</b> porque acrescenta o Concílio que os Párocos estão obrigados<b>,</b> ao menos nos Domingos e Dias de Festa<b>,</b> a ensinar<b>,</b> por si ou por outros<b>,</b> aos meninos as Verdades da Fé e a Obediência que devem a Deus e a seus pais<b>;</b> e lhes manda<b>,</b> outrossim<b>,</b> que<b>,</b> quando tenham de administrar algum Sacramento<b>,</b> instruam em sua virtude os que o vão receber<b>,</b> explicando<b>-</b>o por meio de Pregações em língua vulgar<b>.</b></p>
<p><b>9.</b>&#160; Em sua Constituição <b>“</b>Etsi Minime<b>”,</b> Nosso Predecessor Bento XIV resumiu estas prescrições e as determinou claramente<b>,</b> dizendo<b>:</b> <b>“</b>Duas obrigações impõe principalmente o Concílio de Trento aos Pastores de almas<b>:</b> uma, que todos os Dias de Festa falem ao Povo acerca das Coisas Divinas<b>;</b> outra<b>,</b> que ensinem aos meninos e aos ignorantes os Elementos da Lei Divina e da Fé<b>”.</b> Este Sapientíssimo Pontífice distingue justamente o duplo Ministério<b>,</b> a saber<b>,</b> a Pregação<b>,</b> que habitualmente se chama Explicação do Evangelho<b>,</b> e o Ensino da Doutrina Cristã<b>.</b> Não faltarão<b>,</b> porventura<b>,</b> Sacerdotes que<b>,</b> movidos do desejo de poupar<b>-</b>se trabalho<b>,</b> crêem que com as Homilias satisfazem a obrigação de ensinar o Catecismo<b>.</b> Quem quer que reflita descobrirá a erronia desta opinião<b>;</b> porque a Pregação do Evangelho está destinada aos que já possuem os Elementos da Fé e vem a ser como o pão que se deve dar aos adultos<b>;</b> mas<b>,</b> pelo contrário<b>,</b> o Ensino do Catecismo é aquele alimento de que São Pedro queria que todos o desejassem avidamente com simplicidade<b>,</b> como meninos recém<b>-</b>nascidos<b>.</b> Este Ofício de Catequista consiste em<a name="_ftnref1_3799"></a><a href="http://www.recados.aarao.nom.br/%22http:/www.recados.aarao.nom.br/%27http:/www.recados.aarao.nom.br/%22">[1]</a><i> </i>escolher algumas Verdades relativas à Fé e aos Bons Costumes Cristãos e expô<b>-</b>las e explicá<b>-</b>las em todos os seus aspectos<b>.</b> E como o fim do ensino é a Perfeição da Vida<b>,</b> o Catequista há de comparar o que Deus manda obrar e o que os homens realmente fazem<b>,</b> depois do que<b>,</b> e havendo extraído oportunamente algum exemplo da Sagrada Escritura<b>,</b> da História da Igreja ou das Vidas dos Santos<b>,</b> há de aconselhar o seu auditório e como que indicar<b>-</b>lhe a dedo a norma a que se deve ajustar a vida<b>,</b> e terminará exortando os presentes a fugir dos vícios e a praticar a Virtude<b>.</b>     <br /><b></b></p>
<p><b>Instrução Popular.</b></p>
<p align="justify"><b>10.</b>&#160; Não ignoramos<b>,</b> em verdade<b>,</b> que o Ofício de Ensinar a Doutrina Cristã não é grato a muitos<b>,</b> que o estimam em pouco e acaso impróprio para conseguir o elogio popular<b>;</b> isto posto<b>,</b> entendemos que semelhante juízo pertence aos que se deixam levar pela leviandade mais do que pela Verdade<b>.</b> Não negamos certamente a aprovação devida aos Oradores Sacros que<b>,</b> movidos do sincero desejo da Glória Divina<b>,</b> se empregam na defesa e reivindicação da Fé ou em fazer o Panegírico dos Santos<b>;</b> mas seu labor requer outra preliminar<b>,</b> a dos Catequistas<b>,</b> pois<b>,</b> faltando esta<b>,</b> não há fundamento e em vão se fadigam os que edificam a casa<b>.</b> Assaz freqüente é que floridos discursos<b>,</b> recebidos com aplauso por nutridas assembléias<b>,</b> somente sirvam para agradar ao ouvido e não comovam as almas<b>.</b> Em troca<b>,</b> o Ensino Catequético<b>,</b> ainda que simples e humilde<b>,</b> merecem que se lhe apliquem estas palavras que Deus inspirou a Isaías<b>:</b> <b>“</b><i>Do mesmo modo que a chuva e a neve descem do Céu e a ele não retornam</i><b>,</b> <i>mas empapam a terra e a penetram e fecundam</i><b>,</b> <i>a fim de que produzam semente para semear e pão para comer</i><b>,</b> <i>assim será a Palavra que sai da minha boca</i><b>:</b> <i>não tornará a mim vazia</i><b>,</b> <i>mas obrará tudo aquilo que Eu quero e executará felizmente aquelas coisas para que Eu a enviei</i><b>”</b> <b>(</b>Is 55<b>,</b>10<b>-</b>11<b>).</b> O mesmo juízo se há de formular daqueles Sacerdotes que<b>,</b> para melhor exporem as Verdades da Religião<b>,</b> publicam eruditos volumes<b>,</b> motivo pelo qual são dignos<b>,</b> certamente<b>,</b> de copiosos elogios<b>;</b> mas<b>,</b> sem embargo<b>,</b> quão reduzido é o número dos que consultam as obras deste gênero e destas tiram os frutos que corresponderiam aos desejos do autor<b>!</b> Mas o Ensino da Doutrina Cristã<b>,</b> se feito como se deve fazê<b>-</b>lo<b>,</b> nunca é inútil para os que o escutam<b>.</b></p>
<p align="justify"><b>11.</b>&#160; Convém repeti<b>-</b>lo<b>,</b> para inflamar o zelo dos Ministros do Senhor<b>;</b> já é crescidíssimo<b>,</b> e aumenta cada dia mais<b>,</b> o número dos que tudo ignoram em matéria de Religião<b>,</b> ou têm de Deus e da Fé Cristã conceito tal<b>,</b> que<b>,</b> em plena Luz da Verdade Católica<b>,</b> lhes permite viver como pagãos<b>.</b> Ai<b>!</b> Quão grande é o número<b>,</b> não diremos de meninos<b>,</b> mas de adultos e até de anciãos<b>,</b> encurvados pela idade<b>,</b> que ignoram absolutamente os principais Mistérios da Fé<b>,</b> e<b>,</b> ouvindo falar de cristo, respondem<b>:</b> <b>“</b><i>Quem é Ele</i><b>&#8230;</b> <i>para que eu creia</i> <i>n</i><b>’</b><i>Ele</i><b>?”</b> <b>(</b>Jo 9<b>,</b>36<b>).</b> Daí o terem por lícito forjar e manter ódio contra o próximo<b>,</b> fazer contratos iníquos<b>,</b> explorar negócios infames<b>,</b> fazer empréstimos usurários e constituir<b>-</b>se réus de outras prevaricações semelhantes<b>.</b> Daí que<b>,</b> ignorantes da Lei de Cristo <b>–</b> que não somente proíbe toda ação torpe<b>,</b> mas também todo pensamento voluntário e o desejo de cometê<b>-</b>la <b>–</b> muitos que<b>,</b> seja lá pelo que for<b>,</b> quase se abstêm dos prazeres vergonhosos<b>,</b> alimentam em suas almas, que carecem de Princípios Religiosos<b>,</b> os pensamentos mais perversos<b>,</b> e tornam o número de suas iniqüidades maior que o dos cabelos de sua cabeça<b>.</b> E deve<b>-</b>se repetir que estes vícios não se encontram somente entre a gente do Campo e o Povo Baixo das Cidades<b>,</b> mas também<b>,</b> e acaso com maior freqüência<b>,</b> entre homens de outra categoria<b>,</b> inclusive entre os que se invaidecem de seu saber e<b>,</b> apoiados em uma vã erudição<b>,</b> pretendem ridicularizar a Religião e <b>“</b><i>blasfemar de tudo quanto não conhecem</i><b>”</b> <b>(</b>Jd 10).</p>
<p align="justify"><b>12.</b> Se é coisa vã esperar colheita de terra que não foi semeada<b>,</b> como se pode esperar gerações adornadas de boas obras<b>,</b> se oportunamente não foram instruídas na Doutrina Cristã<b>?</b> Donde justamente inferimos que<b>,</b> se a Fé enlanguesce em nossos dias a ponto de que em muitos sujeitos parece morta<b>,</b> é que se tem cumprido descuidadamente<b>,</b> ou se omitiu de todo<b>,</b> a obrigação de ensinar as Verdades contidas no Catecismo<b>.</b> Inútil será dizer<b>,</b> para encontrar escusa<b>,</b> que a Fé nos foi dada gratuitamente e conferida a cada um no Batismo<b>.</b> Porque<b>,</b> certamente<b>,</b> quando fomos batizados em Jesus Cristo <b>,</b> fomos enriquecidos com a posse da Fé<b>;</b> mas esta divina semente não chega a <b>“</b><i>crescer</i><b>&#8230;</b> <i>e lançar grandes ramos</i><b>”</b> <b>(</b>Mc 4<b>,</b>32<b>)</b> se fica abandonada a si mesma e à sua nativa Virtude<b>.</b> Tem o homem<b>,</b> desde que vem a este mundo<b>,</b> a faculdade de entender<b>;</b> mas esta faculdade necessita da excitação da palavra materna para converter<b>-</b>se em ato<b>,</b> como se costuma dizer nas escolas<b>.</b> Isto<b>,</b> precisamente<b>,</b> acontece ao homem Cristão<b>,</b> que<b>,</b> ao renascer pela água e pelo Espírito Santo<b>,</b> traz como que em germe a Fé<b>;</b> necessita<b>,</b> porém<b>,</b> do ensinamento da Igreja para que esta Fé possa nutrir<b>-</b>se<b>,</b> desenvolver<b>-</b>se e dar fruto<b>.</b> Pelo que escrevia o Apóstolo<b>:</b> <b>“</b><i>A Fé provém do ouvir e o ouvir depende da Pregação da Palavra de Cristo</i><b>”</b> <b>(</b>Rm 10<b>,</b>17<b>).</b> E<b>,</b> para mostrar a necessidade do ensino<b>,</b> acrescentou<b>:</b> <b>“</b><i>Como ouvirão falar</i><b>,</b> <i>se não há quem lhes pregue</i><b>?”</b> <b>(</b>Rm 10<b>,</b>14<b>).</b></p>
<p><b>Normas.</b>     </p>
<p><b>13.</b>&#160; Se<b>,</b> pelo que até aqui foi exposto<b>,</b> já se pode ver qual a importância da Instrução Religiosa do Povo<b>,</b> devemos fazer quanto nos seja possível a fim de que o Ensino da Sagrada Doutrina<b>,</b> que<b>,</b> servindo<b>-</b>nos das palavras do Nosso Predecessor Bento XIV<b>,</b> é a instituição mais útil para a Glória de Deus e a Salvação das Almas <b>(</b>Const<b>.</b> Etsi Minime<b>,</b> 13<b>),</b> se mantenha sempre florescente ou<b>,</b> onde tenha sido descuidada<b>,</b> se restaure<b>.</b> Assim<b>,</b> pois<b>,</b> Veneráveis Irmãos<b>,</b> querendo cumprir esta grave obrigação do Apostolado Supremo e fazer que em toda parte se observem em matéria tão importante as mesmas práticas<b>,</b> em virtude de Nossa Suprema Autoridade<b>,</b> estabelecemos para todas as Dioceses as seguintes disposições<b>,</b> que deverão ser rigorosamente observadas e cumpridas<b>:</b></p>
<p align="justify"><b>14. I.</b>&#160; Todos os Párocos<b>,</b> e em geral quantos Sacerdotes exercem a Cura de Almas<b>,</b> hão de instruir com respeito ao Catecismo<b>,</b> durante uma hora inteira<b>,</b> todos os Domingos e Dias de Festa do ano<b>,</b> sem exceptuar nenhum<b>,</b> a todos os meninos e meninas naquilo que devem crer e praticar para alcançar a Salvação Eterna<b>.</b></p>
<p align="justify"><b>15. II.</b>&#160; Os mesmos hão de preparar as meninas e meninos<b>,</b> em época fixa do ano<b>,</b> e mediante Instrução que há de durar vários dias<b>,</b> a receber dignamente os Sacramentos da Penitência e Confirmação<b>.</b></p>
<p align="justify"><b>16. III.</b>&#160; Além disso<b>,</b> hão de preparar com especial cuidado aos jovenzinhos e jovenzinhas<b>,</b> para que<b>,</b> santamente<b>,</b> se aproximem pela primeira vez da Sagrada Mesa<b>,</b> valendo<b>-</b>se para este fim de oportunas Instruções e Exortações<b>,</b> durante todos os dias da Quaresma<b>,</b> e<b>,</b> se for necessário<b>,</b> durante vários outros depois da Páscoa<b>.</b></p>
<p align="justify"><b>17. IV.</b>&#160; Em todas as Paróquias se erigirá canonicamente a Associação que vulgarmente se denomina Congregação da Doutrina Cristã <b>[</b><i>Cf</i><b>.</b> <i>CD</i><b>,</b> <i>30</i><b>],</b> com a qual<b>,</b> principalmente onde aconteça ser escasso o número de Sacerdotes<b>,</b> terão os Párocos auxiliares do Estado Secular para o Ensino do Catecismo<b>,</b> os quais se ocuparão neste Ministério<b>,</b> tanto por zelo da Glória de Deus<b>,</b> como para lucrar as Santas Indulgências que os romanos Pontífices têm enriquecido essa Associação<b>.</b></p>
<p align="justify"><b>18. V.</b>&#160; Nas grandes cidades<b>,</b> principalmente onde haja Faculdades maiores<b>,</b> Liceus e Colégios<b>,</b> fundem<b>-</b>se Escolas de Religião<b>,</b> para instruir nas Verdades da Fé e nas práticas da Vida Cristã a Juventude que freqüenta as Escolas Públicas em que se não menciona as Coisas de Religião<b>.</b></p>
<p align="justify"><b>19. VI.</b>&#160; Porque nestes tempos de desordem a Idade Madura não está menos que a Infância necessitada de Instrução Religiosa<b>,</b> os Párocos e quantos Sacerdotes tenham Cura de Almas<b>,</b> além da costumada Homilia sobre o Santo Evangelho, que hão de fazer todos os Dias de Festa<b>,</b> na Missa Paroquial<b>,</b> escolham a hora mais oportuna para o comparecimento dos fiéis <b>–</b> exceptuando a destinada à Doutrina dos meninos <b>–</b> e façam Instruções Catequísticas aos adultos<b>,</b> em forma simples e acomodadas às suas inteligências<b>,</b> devendo para isso acomodar<b>-</b>se ao Catecismo do Concílio de Trento<b>;</b> de tal modo que no espaço de quatro ou cinco anos expliquem quanto se refere ao Símbolo<b>,</b> aos Sacramentos<b>,</b> ao Decálogo<b>,</b> à Oração e aos Mandamentos da Igreja<b>.</b></p>
<p align="justify"><b>20. VII.</b> Todas as coisas<b>,</b> Veneráveis Irmãos<b>,</b> mandamos e estabelecemos em virtude de Nossa Autoridade Apostólica<b>.</b> Agora<b>,</b> obrigação vossa é procurar<b>,</b> cada qual em sua própria Diocese<b>,</b> que estas prescrições se cumpram inteiramente e sem tardança<b>.</b> Velai<b>,</b> pois<b>,</b> e<b>,</b> com a autoridade que vos é peculiar<b>,</b> procurai que nossos mandamentos não caiam em olvido ou <b>–</b> o que seria igual <b>–</b> se cumpram com negligência e frouxidão<b>.</b> Para evitar esta falta<b>,</b> haveis de empregar as recomendações mais assíduas e imperativas aos Párocos<b>,</b> a fim de que não expliquem o Catecismo sem preparação<b>,</b> mas preparando<b>-</b>se antes com esmero<b>,</b> de modo que não falem a linguagem da sabedoria humana<b>,</b> senão que <b>“</b><i>com simplicidade de coração e sinceridade</i> <i>diante de Deus</i><b>”</b> <b>(</b>2Cor 1<b>,</b>12<b>)</b> sigam o exemplo de Cristo<b>,</b> que, embora expusesse <b>“</b><i>coisas que estavam ocultas desde a criação do mundo</i><b>”</b> <b>(</b>Mt 12<b>,</b>34<b>),</b> sem embargo <b>“</b><i>as dizia todas ao povo por meio de Parábolas</i><b>”</b> ou exemplos<b>,</b> <b>“</b><i>e sem Parábolas não lhes pregava</i><b>”</b> <b>(</b>Mt 12<b>,</b>34<b>).</b> Sabemos também que o mesmo fizeram os Apóstolos<b>,</b> ensinados por Jesus Cristo<b>,</b> e deles dizia São Gregório Magno<b>:</b> <b>“</b>Puseram todo cuidado em pregar aos povos ignorantes coisas simples e acessíveis<b>,</b> e não coisas altas e árduas<b>”</b> <b>(</b>Moral<b>.</b> lib<b>.</b> 17<b>,</b> c<b>.</b> 26<b>).</b> E<b>,</b> em Coisas de Religião<b>,</b> uma grande parte de homens de nosso tempo deve ser considerada ignorante<b>.</b></p>
<p align="justify"><b>     <br />O Trabalho do Ensino.</b></p>
<p align="justify"><b>21.</b> Não quiséramos que alguém<b>,</b> em razão desta mesma simplicidade que convém observar<b>,</b> imaginasse que o Ensino Catequístico não requeira trabalho nem meditação<b>;</b> pelo contrário<b>,</b> são de maior necessidade que em qualquer outra<b>.</b> É mais fácil achar um Orador que fale com abundância e brilho, que um Catequista cujas explicações mereçam elogios em tudo<b>. </b>Todos <b>,</b> portanto<b>,</b> hão de ter em conta que<b>,</b> por grande que seja a facilidade de conceitos e de expressão de que sejam naturalmente dotados<b>,</b> nenhum falará da Doutrina Cristã com proveito espiritual dos adultos e dos meninos<b>,</b> se antes não se preparou com estudos e séria meditação<b>.</b> Enganam<b>-</b>se os que<b>,</b> fiando<b>-</b>se na inexperiência e aviltamento intelectual do Povo<b>,</b> julgam<b>-</b>se poderem proceder negligentemente nesta matéria<b>.</b> O contrário é que é a verdade<b>;</b> quanto mais seja a incultura do auditório<b>,</b> maior zelo e cuidado se requerem para lograr que as Verdades mais sublimes<b>,</b> tão elevadas sobre o entendimento da generalidade dos homens<b>,</b> penetrem na inteligência dos ignorantes<b>,</b> os quais<b>,</b> não menos que os sábios<b>,</b> necessitam conhecê<b>-</b>las para alcançar a Eterna Bem<b>-</b>Aventurança<b>.</b></p>
<p align="justify"><b>22.</b>&#160; Seja<b>-</b>nos permitido<b>,</b> Veneráveis Irmãos<b>,</b> dizer-vos ao terminar esta Carta<b>,</b> o que disse Moisés<b>:</b> <b>“</b><i>Aquele que seja do Senhor</i><b>,</b> <i>reúna<b>-</b>se comigo</i><b>”</b> <b>(</b>Ex 32<b>,</b>26<b>).</b> Rogamo<b>-</b>vos e suplicamos que observeis quão grandes são os estragos que produz nas almas a só ignorância das Coisas Divinas<b>.</b> Talvez muitas outras obras úteis e dignas de elogio se encontrem estabelecidas por vós nas vossas Dioceses<b>,</b> para bem de vossos respectivos rebanhos<b>;</b> mas<b>,</b> com preferência a todas elas<b>,</b> e com todo o empenho<b>,</b> todo o zelo e toda a constância que vos sejam possíveis<b>,</b> haveis de cuidar esmeradamente de que o conhecimento da Doutrina Cristã chegue a penetrar na mente e no coração de todos<b>.</b> <b>“</b>Comunique cada qual ao próximo <b>–</b> repetimos com o Apóstolo São Pedro <b>–</b> <i>a graça segundo a recebeu</i><b>,</b> <i>como bons dispensadores dos dons de Deus</i><b>,</b> <i>os quais são multiformes</i><b>”</b> <b>(</b>1Pe 4<b>,</b>10<b>).</b></p>
<p align="justify">Que<b>,</b> mediante a intercessão da Imaculada e Bem<b>-</b>Aventurada Virgem<b>,</b> vosso zelo e piedosa indústria se excitem com a Bênção Apostólica<b>,</b> que amorosamente vos concedemos<b>,</b> a vós<b>,</b> a vosso Clero e ao Povo que vos está confiado<b>,</b> e seja testemunha de Nosso afeto e primícias dos Divinos Dons<b>.</b></p>
<p align="right">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; </p>
<p align="right">&#160; Dado em Roma<b>,</b></p>
<p align="right">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; junto de São Pedro<b>,</b></p>
<p align="right">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; no dia 15 de Abril do ano de 1905<b>,</b></p>
<p align="right">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; segundo de Nosso Pontificado<b>.</b></p>
<p align="right"><b>&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; PIO, PAPA X</b></p>
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		<title>Artigo Pastoreando – 7</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 01:42:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>G. Ferreira</dc:creator>
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Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria

 O terceiro artigo do Símbolo dos Apóstolos traz a matéria de fé referente ao advento da Encarnação de nosso Senhor Jesus Cristo. É importante notar que, assim como chama atenção São Tomás de Aquino, o cristão não crê simplesmente em Deus ou em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><b></b></p>
<p align="justify"><b>Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria</b></p>
<p align="justify"><strong></strong></p>
<p align="justify"><a href="http://www.gabrielferreira.com.br/wp-content/uploads/2009/10/El_Greco__Anunciao.jpg"><img title="El_Greco_-_Anunciação" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; margin: 0px 10px 5px 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="378" alt="El_Greco_-_Anunciação" src="http://www.gabrielferreira.com.br/wp-content/uploads/2009/10/El_Greco__Anunciao_thumb.jpg" width="252" align="left" border="0" /></a> O terceiro artigo do Símbolo dos Apóstolos traz a matéria de fé referente ao advento da Encarnação de nosso Senhor Jesus Cristo. É importante notar que, assim como chama atenção São Tomás de Aquino, o cristão não crê simplesmente em Deus ou em Seu Filho, mas deve crer que o próprio Verbo de Deus, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade se fez homem e armou sua tenda entre nós (Jo 1, 14) para nossa Salvação.</p>
<p align="justify">O Filho de Deus fez-se então, verdadeiro homem sem que fosse perdida sua natureza divina. Cremos então que Jesus Cristo é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. Contra os erros que apareceram sobre esta verdade de fé, a Igreja sempre afirmou que em Cristo co-existem sem confusão nem mistura as duas naturezas, ou seja, em tal admirável união permanecem resguardadas as ações e propriedades de ambas as naturezas.</p>
<p align="justify">O artigo afirma também que a Encarnação é fruto da ação da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo. Contudo, sabemos que em toda obra de Deus &#8211; desde a Criação até o fim dos tempos &#8211; está presente a Trindade toda inteira. Como devemos compreender esta afirmação, então? A Escritura sempre põe em relevo certas propriedades de Deus atribuindo-as ora a uma das Pessoas, ora a Outra. Ao Pai é atribuído o poder supremo sobre todas as coisas, ao Filho a Sabedoria e ao Santo Espírito, o Amor. Como a Encarnação é a expressão máxima do Amor de Deus pelo mundo, a Encarnação é apontada como ação do Espírito Santo (cf. Lc 1, 35).</p>
<p align="justify">Neste artigo também afirmamos a virgindade de Maria Santíssima. Devemos sempre ter em mente que os atributos e graças de Maria são sempre por conta de sua Santíssima maternidade. Ao professarmos a virgindade de Maria cremos que Deus, assim como criou do nada tudo o que existe, fecundou sobrenaturalmente a Santíssima Virgem sem o auxílio ou concorrência de nada para além de Sua Vontade. O Cristo é, assim, verdadeiramente o novo Adão, que inaugura de novo a humanidade unida com Deus agora em Aliança indissolúvel. Jesus Cristo é, portanto, verdadeiramente Deus que assume em tudo a condição humana, exceto o pecado para a Ele tudo reconduzir (Ef. 1, 10) nEle fazer novas todas as coisas (Ap. 21, 5). </p>
<p align="justify">Contemplemos o Mistério da Encarnação pedindo a Deus que possamos nos aproximar cada vez mais de seu Amor.</p>
<p align="right">&#160;</p>
<p align="right">Um abraço.</p>
<p align="right">Gabriel Ferreira</p>
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		<title>Religiões evoluídas???</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 00:21:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>G. Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Catolicismo]]></category>
		<category><![CDATA[Erros]]></category>
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Há alguns padres que deveriam simplesmente se calar. Não querer ensinar nem oralmente nem por escrito. Alguns padres são um mau exemplo, sobretudo no Ano Sacerdotal.
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">Há alguns padres que deveriam simplesmente se calar. Não querer ensinar nem oralmente nem por escrito. Alguns padres são um mau exemplo, sobretudo no <strong><a href="http://www.annussacerdotalis.org/" target="_blank">Ano Sacerdotal</a>.</strong></p>
<p align="justify">Embora eu esteja preparando um post maior sobre outro assunto, não pude deixar de escrever algumas coisas sobre um texto que, embora seja do dia 1º de setembro, só li hoje. Refiro-me ao artigo <em><strong><a href="http://catolicanet.com/?system=news&amp;action=read&amp;id=54464&amp;eid=301" target="_blank">Religiões evoluídas</a>,</strong></em> do Padre José Fernandes de Oliveira, o Pe. Zezinho, scj. O texto do presbítero está naquela categoria de escritos com tantos erros que fica difícil escolher por onde começar a crítica.</p>
<p align="justify">A tese central – simplesmente medonha &#8211; do padre é que, analogamente ao que aconteceu com os avanços tecnológicos e científicos, há nas religiões um movimento em direção ao progresso. Assim, se houve um progresso em relação aos meios de transporte (bigas, carroças e carros)</p>
<blockquote><p align="justify">Acontece o mesmo com as religiões. Primeiro vieram as religiões politeístas, depois as monoteístas, embora haja quem prove o contrário. Segundo eles , primeiro viveu-se o monoteísmo que acabou em politeísmo. Seja como for, vieram as novas versões.</p>
</blockquote>
<p align="justify">E ainda:</p>
<blockquote><p align="justify">E apareceram as que achavam as certas, as melhores, as eleitas, as únicas. Depois veio o ecumenismo que é uma forma inteligente de crer e discordar sem ofender. Nenhuma se achou igual à outra. Todas aprenderam a conviver e, finalmente, descobriram que a melhor religião é aquela que ensina os fiéis a dialogarem.</p>
</blockquote>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">Segundo o padre, tal evolução chegará, enfim ao estado em que</p>
<blockquote><p align="justify">Entre as melhores está aquela que mais defende a vida, mais cuida dos sofredores, mais ensina a compreender, mais dialoga e mais aberta está para com o mundo e com todos. Nenhuma delas é moderna o suficiente, mas as que mais dialogarem serão evidentemente as mais avançadas e modernas. As religiões ditatoriais, impositivas, mágicas, cheias de garantias, curas, promessas e milagres ainda existirão, mas serão como as máquinas antigas sem peças de reposição, porque terá acontecido uma forma moderna de crer: o diálogo com Deus e com todas as vidas que nos cercam.</p>
</blockquote>
<p align="justify">Se a insanidade do sacerdote não ficou evidente, vamos aos comentários:</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify"><strong>1. Evolução? </strong>Tanto a comparação com os avanços tecnológicos quanto a própria idéia de progresso das crenças são extremamente infelizes. Basta perguntar, como diz Chesterton, em direção a que estamos evoluindo. Caso não haja um paradigma fixo em relação ao qual o progresso possa ser medido, simplesmente isso não pode ser dito progresso. Deste ponto de vista, o próprio processo de industrialização pode ser altamente questionável como progresso do ponto de vista ético, por exemplo. Quando a questão é em relação ao Cristianismo, sobretudo dito por um padre, fica bizarro.</p>
<p align="justify">A não ser que São Paulo seja um tolo, Jesus Cristo é a plenitude dos tempos (Gal. 4,4). A importação de um positivismo comteano para o domínio da religião conduz, se não necessariamente ao menos principalmente, a que “the statue of Humanity will have as its pedestal the altar of God” (Comte citado por Henri de Lubac, <em>The drama of atheism humanism</em>, p. 172). É portanto em Cristo que se dá a Nova e Eterna Aliança em relação à qual nenhuma evolução se faz necessária. Contudo, note que, a aceitar o argumento chestertoniano, o padre só pode continuar dizendo que um dia chegaremos a uma religião evoluída se ele tem em mente outro <em>télos</em> (finalidade) ao qual devemos nos aproximar o que, obviamente, deve abandonar o “antigo” paradigma.</p>
<p align="justify"><strong></strong></p>
<p align="justify"><strong>2. Qual evolução? </strong>Em resumo, a religião mais evoluída será aquela mais moderna, segundo o padre. Por modernidade religiosa o sacerdote parece entender a profusão de diálogo, uma compreensão mais aberta do mundo (???) e que, ponto crucial que é o pressuposto de todos os outros, que abandone a pretensão de ser a certa, a eleita, a melhor e a única.</p>
<p align="justify">Devemos começar dizendo que, em ao menos um ponto ele acerta, a saber, a denominação daquilo que prega como “modernismo”. É exatamente a tese (herética) de fundo que já em 1907, em sua monumental <strong><a href="http://www.gabrielferreira.com.br/index.php/o-que-e-o-catolicismo/" target="_blank">Pascendi Dominici Gregis</a></strong>, São Pio X chamava “modernismo”. Para tal postura, no que diz respeito às fórmulas religiosas</p>
<blockquote><p align="justify">(…) Não é portanto de nenhum modo lícito afirmar que elas exprimem uma verdade absoluta; portanto, como símbolos, são meras imagens de verdade, e portanto devem adaptar-se ao sentimento religioso. (…) Assim, pois temos o caminho aberto à íntima evolução do dogma. </p>
<p align="justify">Eis aí um acervo de sofismas, que subvertem e destroem toda a religião!</p>
</blockquote>
<p align="justify">Aquilo que, em resumo, afirma o Pe. Zezinho é que uma religião é tanto melhor quanto abre mão de ser a correta. Dito de outro modo, a religião mais evoluída é aquela que abriu mão da Verdade e se abre para o mundo, o que dá na mesma, o que para nós equivale a abrir mão do Cristo que se apresenta como a própria Verdade (Jo 14, 6). </p>
<p align="justify">Dessa forma, o padre só faz confirmar a leitura cada vez mais secularizada que o próprio clero faz da Igreja. Ela deve se adequar ao invés de se opor posto que ela já não veicula mais um discurso objetivo e verdadeiro sobre o real. Cabe então a ela, se quiser sobreviver “no mundo”, conformar-se ao “espírito do tempo” mesmo que isto lhe custe a Verdade. No fundo, o que ocorre é uma migração semântica da Verdade, que se traslada do Cristo para a <em>dóxa</em> do tempo (o que, ao longo da flutuação cada vez mais rápida do que a história toma por verdadeiro e correto, assemelha-se mais a uma promiscuidade semântica).</p>
<p align="justify">Em suma, o alerta de São Pio X ecoa ainda hoje carregado de sentido:</p>
<blockquote><p align="justify">E o que exige que sem demora falemos, é antes de tudo que os fautores do erro já não devem ser procurados entre inimigos declarados; mas, o que é muito para sentir e recear, se ocultam no próprio seio da Igreja, tornando-se destarte tanto mais nocivos quanto menos percebidos.</p>
</blockquote>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">São Pio X, ora pro nobis!</p>
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