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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2enclosuresfull.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-5898932</atom:id><lastBuildDate>Sun, 08 Nov 2009 19:04:56 +0000</lastBuildDate><title>Janer Cristaldo</title><description /><link>http://cristaldo.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Karim Blair)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>2370</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><itunes:owner><itunes:email>noreply@blogger.com</itunes:email></itunes:owner><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:subtitle></itunes:subtitle><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" href="http://feeds.feedburner.com/JanerCristaldo" type="application/rss+xml" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com" /><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-5009435089613628950</guid><pubDate>Sun, 08 Nov 2009 19:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-08T15:04:56.231-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;LA FAVORITA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou em Barcelona. Ontem a festa foi em Madri, no La Favorita, bar onde os garçons sao cantores líricos. Come-se ao som de árias das óperas mais prestigiosas. Terminamos, clientes e garçons, cantando o "Libiamo", da Traviata. Com direito a um Cielito Lindo para encerrar os trabalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fascinante. Com um detalhe deplorável. Comida fria e ruim. O remédio foi compensar com dois Riojas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-5009435089613628950?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/11/la-favorita-estou-em-barcelona.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-8322879666254391092</guid><pubDate>Sat, 07 Nov 2009 18:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-07T14:10:44.115-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;SOBRE FÉ E CIÊNCIA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Dawkins, em seu livro &lt;strong&gt;Deus, um Delírio&lt;/strong&gt;, defende que a probabilidade da não-existência é maior do que a da existência. Defende mas não prova. Ele não se dá conta de que o argumento é um libelo pela existência de Deus. Ora, se a probabilidade de Deus existir é menor que a de ele não existir, significa que Ele existe com certeza, pois Deus, por definição, é infinito. Além do mais, é visível a simpatia dele, Dawkins, pelo deísmo, segundo o qual Deus existe, é o criador do universo, mas abstém-se de nele interferir. Outro libelo em favor das religiões.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Argumento pela existência de qual deus? Apolo, Shiva, Thor ou Jeová? Particularmente prefiro o Monstro de Espaguete Voador, também deus dileto de Dawkins. Sua “não-existência”, bem como a dos deuses gregos, hindus, nórdicos e semitas não pode ser provada, logo... Logo nada, não há corolário aqui. Se houvesse, todos que não pudessem provar a “não-existência” Dele – o Monstro de Espaguete Voador - estariam reforçando a idéia de que sem dúvida ele existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dawkins, suponho, acredita na natureza. Daí o chamar de deísta é uma grande distância. Ultimamente muitos teístas buscam arrimo nesse argumento. Costumam dizer que deus é o universo, as matas, está em cada árvore e em cada animal. Ora, em árvores, animais e universo nós, ateus, também cremos. Ocorre que definir tudo isso como “deus” é brincar com palavras, brincar com semântica. Crer em deus significa crer numa consciência organizada (por vezes com traços antropomórficos), que percebe a si mesma e pode se coordenar. Dito isso, acho difícil imaginar que minha cachorra, por exemplo, saiba que controla o universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de um universo absurdo, entretanto, resta apenas delirar. Deus é um delírio, mas um delírio que funciona como placebo até para os mais inteligentes. Em um universo absurdo como este em que vivemos é difícil condenar alguém por ceder a isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;abraço,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raphael Piaia&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-8322879666254391092?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/11/sobre-fe-e-ciencia-dawkins-em-seu-livro.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-7952608505306533352</guid><pubDate>Fri, 06 Nov 2009 10:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-06T06:45:36.403-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;JUNTO AL MUSEO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem sempre interessado em cultura, hospedei-me desta vez junto a um museu. É só atravessar a rua e estou em uma das maiores instituiçoes culturais de Madri, el Museo de Jamón, rede de restaurantes onde impera o presunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se ser uma idéia do acervo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.museodeljamon.com/establecimientos/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o almoço com a Primeira-Namorada será na café subterrâneo do café El Oriente, onde el Rey costuma receber os estadistas que o visitam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Le voilà: http://www.cafedeoriente.es/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-7952608505306533352?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/11/junto-al-museo-homem-sempre-interessado.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-4559346139462071658</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2009 19:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-04T16:20:20.097-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;RUMO AO PAÍS MAIS&lt;br /&gt;LINDO DO MUNDO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bueno, leitores, estou partindo para mais uma campereada. Blogueiro também tem direito a férias. Mais algumas horas e estarei voando rumo a Madri. Nos próximos 30 dias, terei dificuldades em escrever um texto decente. Uma boa crônica exige um certo vagar, coisa que não terei nesta viagem. Turismo é trabalho, e trabalho duro. Saio do hotel lá pelas dez da matina, especialmente quando estou na Espanha. Porque em Madri  ou Barcelona, antes da dez, a cidade está morta. E só volto depois da meia-noite. Porque antes da meia-noite madriles e catalães estão percorrendo freneticamente as ruas de suas cidades. Em Madri, mesmo com temperaturas abaixo de zero, à uma da madrugada multidões percorrem suas ruas. A pé. Para onde vão, não sei. Mas vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou voltar às cidades que adoro na Espanha, Madri e Barcelona. Já devo ter contado: ando com um problema para viajar nas últimas décadas. Quero conhecer outras terras, outras paisagens e não consigo. Na hora de fazer as malas, rumo inevitavelmente para Madri, Roma ou Paris. Com uma extensão a Bruxelas, só para curtir um bar que adoro, o Metropole. Cheio de mármores, madeiras e lustres, vale bem uma viagem. Como Barcelona fica a meio caminho, ano sim, ano não, vou visitar as Ramblas. Como cidade, Barcelona é muito mais linda que Madri. Tem mar, montanha e passeios magníficos. Como espírito, prefiro Madri, onde passei um dos melhores anos de minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Madri, fiz curso no ICI, Instituto Cultural Iberoamericano, ligado à Universidade Complutense. Seis meses jogados fora. Tínhamos uma carga horária pesada, cinco horas de aula por dia, e a obrigação de redigir uma tese ao final do semestre. As teses, com apresentação, réplica e tréplica, eram defendidas em no máximo dez minutos. Ou seja, era uma farsa. Como nunca gostei de teatro, me recusei à farsa. Fui o único aluno, em trinta anos de curso, a não apresentar a tal de “tese”. Escrevi carta aos diretores do curso, onde dizia mais ou menos o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhores, quando vamos estudar no exterior, defendemos duas teses. Uma é aquela acadêmica, que nem mesmo a banca lê em sua íntegra, e que fica pegando poeira no silêncio das bibliotecas. A segunda é a que defendemos no convívio com colegas, nos bares e restaurantes de Madri, nos vilarejos e cidades da Espanha. Na leitura diária dos jornais do país, no contato com seu povo, com sua gastronomia, sua música e seus vinhos. A primeira tese, me recuso a defendê-la, por inútil. A segunda, eu a defendi com brio nas bodegas de Madri, Barcelona, Santiago, Toledo, Segovia, Ávila, Cuenca, Ronda, Salamanca. Esta segunda tese será importante para meu trabalho e vida futura. Ao ICI, muchas gracias. Y buena salud a Ustedes y todos sus familiares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última frase não é gratuita. Quando morei em Madri, constava do formulário de pedido de permanência à polícia. Soube mais tarde que, depois de minha carta, os diretores do curso reformularam a exigência da malsinada tesina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois vou para lá de novo, continuar a defesa da segunda tese. Desta vez, ficarei na Espanha. Quero mostrar Barcelona à Primeira-Namorada, que ela ainda não conhece. Mais Tenerife e Lanzarote. Estas viagens sempre me doem um pouco, pois passei dias lindos com a Baixinha nessas paragens. Mas é dor suportável, que evoca aqueles dias felizes. Seja como for, estes também estão sendo. Ficarei na Espanha, com uma rápida incursão a Lisboa. Para sentir um cheirinho de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estou com saudades de meus leitores. Tentarei escrever. Tentarei. Não sei se vai dar. Se não, até dezembro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-4559346139462071658?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/11/rumo-ao-pais-mais-lindo-do-mundo-bueno.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-7387407580433418789</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2009 18:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-04T14:32:41.637-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;DESPAUTÉRIOS DO CLÔDE&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cria fama e deita-te na cama, dizem as gentes. Depois de criar fama, você pode afirmar qualquer bobagem e passa por sábio. Morreu sábado passado o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss. (A &lt;strong&gt;Folha de São Paulo&lt;/strong&gt;, muito didática, julgando que todos seus leitores são analfabetos, adverte: pronuncia-se Clôde Lêvi Strôss).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois o Clôde escreveu: "Caminhamos para uma civilização em escala mundial. Nela, provavelmente, aparecerão as diferenças. Não pertenço mais a esse mundo. O mundo que eu conheci, o mundo que eu amei, tinha 1,5 bilhão de pessoas. O mundo atual tem 6 bilhões de humanos. Não é mais o meu."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho idéia de quantos habitantes tinha o mundo em que nasci. Mas fosse 1,5 bilhão, três ou quatro bilhões, tanto faz como tanto fez. Este mundo de hoje, algumas inovações à parte, continua sendo o mesmo em que nasci. Porque ninguém vê um, dois, três, quatro ou seis bilhões de pessoas. Nos só vemos quem está por perto. A pressão demográfica não nos atinge. Muito menos um intelectual que vive em Paris. Com ares de pitonisa, o Clôde profere uma imensa bobagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É espantoso que um jornal como a &lt;strong&gt;Folha&lt;/strong&gt; publique, como atestado de grande sabedoria, um tal despautério.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-7387407580433418789?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/11/despauterios-do-clode-cria-fama-e-deita.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-888016943543848819</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2009 18:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-04T14:20:31.414-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;CONTINENTE PUÑETERO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leio na coluna de Mônica Bergamo, na &lt;strong&gt;Folha de São Paulo&lt;/strong&gt;, que a família de Carlos Marighella inaugura hoje a série de homenagens que serão prestadas ao líder guerrilheiro pelos 40 anos de seu assassinato. Às 11 horas, Clara Charf, companheira de Marighella, seu filho, Carlos Augusto, e a neta, Maria Marighella, vão distribuir flores e ler um manifesto na altura do número 806 da alameda Casa Branca, onde ele foi morto em emboscada preparada pelos órgãos de repressão. Às 19 horas, a Câmara concederá a ele o título de cidadão paulistano. No próximo dia 7, será aberta a exposição "Marighella Vive", no Memorial da Resistência de São Paulo, com fotos, documentos, cartas e poemas do líder guerrilheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos a cinco dias da comemoração dos vinte anos da queda do muro de Berlim. Em dezembro,terão decorrido 18 anos após o desmoronamento da União Soviética. O que significou - obsolescência à parte como Cuba e Coréia do Norte - a morte do comunismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Brasil não tem cura. Ainda hoje, há quem preste homenagem a assassinos e terroristas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-888016943543848819?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/11/continente-punetero-leio-na-coluna-de.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-6233163979672850245</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2009 15:43:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-04T11:45:54.086-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;TWITTER&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por obra e graça da Primeira-Namorada, estou no Twitter:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://twitter.com/janer_cristaldo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui a pouco, estou voando com ela rumo ao mais lindo país do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-6233163979672850245?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/11/twitter-por-obra-e-graca-da-primeira.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-3330880331961686589</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2009 14:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-04T10:21:27.823-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;FÉ E FUTEBOL&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me escreve Rafael Moreira Furtado &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Janer, uma pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso parecer meio simplista, mas não poderia a fé e a ciência conviverem juntas, porém separadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explico: o sujeito pode manter sua fé, mas a partir do momento que ele põe os pés dentro de uma universidade, que é um templo dedicado ao saber humano (assim presumo...), precisa se desfazer de toda e qualquer verdade absoluta, pelo menos durante o perído em que estiver ali dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço uma analogia ao jogador de futebol: pode ser torcedor fanático do Internacional, mas está jogando pelo Grêmio. Então dentro do mato terá que se matar pelo Grêmio, até mesmo quando jogar contra o Internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível? Grande abraço,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, Rafael, religião e futebol em muito se parecem. O mundo está cheio de católicos que se dizem católicos sem entender nada de catolicismo, só porque acham que a alguma religião devem pertencer. Da mesma forma como alguém é gremista ou colorado. A verdade é que, de modo geral, quem se dedica a estudar as religiões a fundo são os ateus. Por isso somos ateus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso que propões, resta ainda uma pergunta: e quando o fulano sai da universidade? Ele se desfaz do saber ali adquirido para preservar sua fé?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-3330880331961686589?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/11/fe-e-futebol-me-escreve-rafael-moreira.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-8796957294893524408</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2009 13:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-04T10:05:00.294-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;FÉ E CIÊNCIA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me escreve Francisco José de Queiroz Pinheiro;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bom dia, Janer,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sobre o assunto de hoje tenho uma pequena mas fundamental discordância: para ensinar uma teoria científica não é preciso crer nela, basta conhecê-la. Uma teoria científica é apenas uma proposição explicativa de algum fenômeno estudado, por isso nem do proponente se exige que acredite ou deixe de acreditar em qualquer coisa, a começar de sua proposição. Exige-se apenas que apresente as evidências em favor de sua tese. Por isso mesmo, o próprio Darwin não se viu obrigado a rejeitar sua fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teorias que dizem que as religiões são a causa dos males do mundo são extremamente questionáveis, em especial as que apontam a fé como obstáculo à ciência. Para mim, as concepções céticas da realidade, como o ateísmo, são muito mais prejudiciais à ampliação do conhecimento do que o sentimento de fé, que impulsiona as pessoas em direção a objetos transcendentes, a literatura, a ciência, a filosofia entre eles.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, a ciência ainda não conseguiu reunir provas da existência ou não-existência de Deus. Dawkins, em seu livro &lt;strong&gt;Deus, um Delírio&lt;/strong&gt;, defende que a probabilidade da não-existência é maior do que a da existência. Defende mas não prova. Ele não se dá conta de que o argumento é um libelo pela existência de Deus. Ora, se a probabilidade de Deus existir é menor que a de ele não existir, significa que Ele existe com certeza, pois Deus, por definição, é infinito. Além do mais, é visível a simpatia dele, Dawkins, pelo deísmo, segundo o qual Deus existe, é o criador do universo, mas abstém-se de nele interferir. Outro libelo em favor das religiões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, se Deus existe, Ele não está sujeito, por definição, a nenhuma lei de não-interferência. No mínimo já pré-definiu todas as trajetórias, como defendiam Newton e o Marquês de La Place.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com todo o respeito, Francisco.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu caro Francisco José:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou ateu, mas jamais discuto a existência ou não existência de Deus. É discussão inútil. Quem tem fé tem fé e contra a fé não existem argumentos. Discuto, isto sim, - e gosto de discutir - as características daquele deus horrendo que a Bíblia nos mostra. E que faria um favor à humanidade se não existisse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-8796957294893524408?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/11/sobre-deus-me-escreve-francisco-jose-de.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-7978902082098197493</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2009 04:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-04T10:09:13.032-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;COMO PODE ORIENTAR UMA TESE&lt;br /&gt;UM PROFESSOR QUE CRÊ EM DEUS?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leio nos jornais pesquisa que mostra conflito de biólogos evangélicos. Eles querem ser professores de ciência, mas não acreditam na teoria da evolução; muitos dizem que vão ensinar o que aprenderam na faculdade. Ora, pretender conciliar ciência com fé  é inútil. Pois os crentes são infensos à razão. Para começar, o problema não é apenas de evangélicos, mas de todo aquele que crê que o mundo tenha sido criado por um demiurgo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já comentei, há alguns anos, o caso de Kurt Wise, um geólogo americano que hoje dirige o Centro para Pesquisas no Brian College, em Dayton, Tenesse. O caso é narrado por Richard Dawkins. Comentei também o filme &lt;strong&gt;E o vento será tua herança&lt;/strong&gt;, que retoma uma discussão - em verdade, um processo - de 1925, quando o promotor William Jennings Bryan, na mesma cidade de Dayton, acusou de darwinismo o professor de ciências John Scopes. O Bryan College deriva do promotor Bryan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wise era um cientista altamente qualificado e promissor e sua educação religiosa exigia que ele acreditasse que a Terra tinha menos de 10 mil anos de idade. O conflito entre sua religião e sua ciência fez com que tomasse uma decisão. Sem conseguir suportar a tensão - conta-nos Dawkins - atacou o problema com uma tesoura. Pegou uma Bíblia e a percorreu, retirando literalmente todos os versículos que teriam de ser eliminados se a visão científica do mundo fosse verdadeira. Concluiu então:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Por mais que eu tentasse, e mesmo com o benefício das margens intactas ao longo das páginas das Escrituras, vi que era impossível pegar a Bíblia sem que ela se partisse ao meio. Tive de tomar uma decisão entre a evolução e as Escrituras. Ou as Escrituras eram verdade e a evolução estava errada ou a evolução era verdade e eu tinha de jogar a Bíblia fora. Foi ali, naquela noite, que aceitei a Palavra de Deus e rejeitei tudo que a contradissesse, incluindo a evolução. Assim, com grande tristeza, lancei ao fogo todos os meus sonhos e as minhas esperanças na ciência”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre a fé e o bom senso, o cientista preferiu a fé. É uma opção. Em princípio, não tenho nada contra quem acredita em deuses. Tenho convivido com uma amiga muita querida, que adoro desde três décadas, catolícissima até o fundo da alma. Tudo bem, o que importa é a gente se gostar. O problema é que a fé em Deus – supõe-se que falamos daquele deus bíblico – não consegue explicar o mundo. Biólogo que pretenda explicá-lo a partir da Bíblia, terá de renegar a ciência. Foi o que fez Wise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF) mostra os conflitos vividos por estudantes evangélicos que querem se tornar professores de ciências. A maioria deles duvida da veracidade da teoria da evolução, de Charles Darwin, mas garante que não vai ensinar nas escolas que Deus criou o homem e o mundo. Estes estão renegando sua fé. É espantoso que discussões do início do século passado ainda persistam na universidade brasileira, em pleno século XXI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luis Fernando Marques Dorvillé, biólogo com mestrado em zoologia do Museu Histórico Nacional,  achava que ninguém, dentro de uma universidade, seria capaz de contestar sem base científica o que para a ciência é verdade absoluta. Mas o aumento da incidência de alunos evangélicos nos cursos de Biologia instaurou a polêmica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a notícia, uma questão passou a afligir Dorvillé: como é que alguém pode ensinar ciências sem acreditar na teoria de Darwin? Seu assombro foi tamanho que ele passou os últimos oito anos entrevistando alunos para sua tese de doutorado na UFF. O levantamento mostra que dos 245 matriculados no curso de Biologia da Uerj, em São Gonçalo, 23% são evangélicos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em meus debates internéticos, tenho discutido com pessoas de todas as crenças, desde católicos e evangélicos a espíritas e muçulmanos. Alguns deles são professores universitários, para meu pasmo. Para começar, não consigo entender como um universitário – falo dos alunos – possa crer em Deus. O pior é que dialogo com doutores que crêem em Deus. Pergunta que se impõe: como pode orientar uma tese – ensaio balizado pela lógica e pela razão - um professor que crê em superstições?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meu ver, esta é a maior evidência do fracasso do ensino universitário. Se alguém sai de uma universidade crendo em Deus, a universidade de nada lhe serviu. Mas almas constituem mistério. O que importa é se querer bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um pedido de perdão à minha amiga adorada, de cuja alminha ainda não encontrei o fundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-7978902082098197493?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/11/como-pode-orientar-uma-tese-um.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-789439180849844182</guid><pubDate>Tue, 03 Nov 2009 20:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-03T16:05:08.144-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;A CULTURAS DIFERENTES,&lt;br /&gt;O CRIME É PERMISSÍVEL&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabo de ler reportagem no &lt;strong&gt;Estadão&lt;/strong&gt;, de Felipe Recondo, com uma manchete no mínimo curiosa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JUÍZES IGNORAM CULTURA DE ÍNDIOS AO JULGÁ-LOS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na linha fina, leio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em Mato Grosso do Sul há indígenas presos por ter relações sexuais com menores de idade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao texto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Uma vistoria no presídio de segurança máxima de Dourados, em Mato Grosso do Sul, revelou uma realidade considerada grave pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ): índios da região são acusados e condenados por práticas que, muitas vezes, não são consideradas criminosas em sua cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A metade dos índios presos nessa unidade é acusada de manter relações sexuais com menores de idade. Pelas leis dos brancos, a conduta é tipificada como estupro presumido, com pena de até 12 anos de prisão. Pelas regras dos índios, algo considerado normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa diferença cultural não é levada em consideração pelos juízes do Estado. Mesmo quando a suposta vítima diz que está casada por livre e espontânea vontade, o índio acaba condenado, com base no Código Penal.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, o repórter assumiu que há leis para brancos e para índios no Brasil. Que índio pode ter relações com crianças. Branco não pode. Há quase duas décadas, escrevi artigo na &lt;strong&gt;Zero Hora&lt;/strong&gt;, de Porto Alegre, intitulado “O território já está dividido”. Pelo jeito está mesmo. Pois quando em um território existem legislações distintas, é porque existem distintas nações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escreve o repórter: &lt;em&gt;Alguns dos índios presos nem sequer sabem do que estão sendo acusados. "O maior problema que enfrentamos é o julgamento do índio como se ele fosse do nosso meio e compreendesse todo o nosso ordenamento jurídico", afirma o procurador da República Emerson Kalif Siqueira.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os brancos, o discurso é outro: a ninguém é lícito ignorar a lei. Como se um pobre mortal pudesse ter ciência do cipoal de leis deste país acometido por uma fúria legiferante. Continua a reportagem: &lt;em&gt;Segundo o Estatuto do Índio, os juízes devem atenuar as penas de índios condenados por infrações penais, e sua aplicação deverá levar em conta o grau de integração cultural dos acusados.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentei, ainda há pouco, o assassinato de crianças sistematicamente praticados por tribos indígenas no país. A Igreja Católica, que luta contra o aborto por considerá-lo um assassinato, nada diz contra os bugres que se reservam o direito de matar filhos de mães solteiras, os recém-nascidos portadores de deficiências físicas ou mentais. Gêmeos também podem ser sacrificados. Algumas etnias acreditam que um representa o bem e o outro o mal e, assim, por não saber quem é quem, eliminam os dois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras crêem que só os bichos podem ter mais de um filho de uma só vez. Há motivos mais fúteis, como casos de índios que mataram os que nasceram com simples manchas na pele – essas crianças, segundo eles, podem trazer maldição à tribo. Os rituais de execução consistem em enterrar vivos, afogar ou enforcar os bebês. Geralmente é a própria mãe quem deve executar a criança, embora haja casos em que pode ser auxiliada pelo pajé. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prática do infanticídio já foi detectada em pelo menos 13 etnias, como os ianomâmis, os tapirapés e os madihas. Só os ianomâmis, em 2004, mataram 98 crianças. Os kamaiurás matam entre 20 e 30 por ano. Mas entre os sacerdotes que vociferam contra o aborto, você não encontra um só que denuncie estes assassinatos. E tudo isto sob os olhares complacentes da Funai, que considera que os brancos não devem interferir nas culturas indígenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que o repórter do &lt;strong&gt;Estadão&lt;/strong&gt; está afirmando, no fundo, é que índio tanto pode praticar pedofilia como matar à vontade. Faz parte de suas tradições culturais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-789439180849844182?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/11/culturas-diferentes-o-crime-e.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-1383346558851771795</guid><pubDate>Tue, 03 Nov 2009 19:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-03T16:05:58.246-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;O TERRITÓRIO JÁ ESTÁ DIVIDIDO *&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de independência dos Estados do sul brasileiro é vista como um sonho separatista de gaúchos saudosos da República do Piratini. O Ministério do Exército afirma que separatismo é barbárie, anomalia cívica, ruptura da unidade nacional. A finada URSS se parte em cacos, a antiga Iugoslávia também, a própria Rússia tem sua unidade questionada: Estônia, Letônia e Lituânia se independentizaram praticamente sem sangue. A Tchecoslováquia cindiu-se em paz, o Canadá quer divorciar-se de si mesmo, a Itália também. Mas esse nosso dinossauro informe, cujo cérebro verde-amarelo nunca conseguiu comandar os próprios membros em nome de uma identidade nacional que jamais foi definida, deve permanecer um só. É o que dizem os que militam pela preservação dos fósseis. Esta tarefa típica de ecologistas está sendo assumida agora por militares, que começam a ranger os dentes ante a uma pacífica iniciativa dos gaúchos. Que também já foi projeto de paulistas, diga-se de passagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ninguém manifesta – ou prefere não manifestar – é que o Brasil já deixou de constituir uma unidade territorial. Por um punhado de linhas na imprensa internacional, Collor de Mello entregou a dez mil aborígenes que, existindo há milênios, não conseguiram emergir de uma cultura ágrafa, um território equivalente a três Bélgicas, uma para cada três mil índios. Uma recente edição da revista Geografia já tem um chamado de capa sobre “o país dos ianomâmis”. Que ninguém se iluda: os latifúndios entregues de mão beijada àqueles autóctones que sequer chegaram aos preâmbulos de uma gramática, não pertencem mais ao Brasil. Os ianomâmis, que vivem do ócio e da devastação da floresta amazônica, podem ter um país para uso próprio. Gaúcho, catarinense, paulista, gente que trabalha e produz, não pode sequer pensar no assunto. É crime contra a segurança nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estupro também é crime, exceto quando cometido por índios. Paulinho Paiakan, o cacique caiapó, saudado pela imprensa americana como “o homem que pode salvar a humanidade” estuprou uma menina com a cumplicidade de sua mulher e permanece livre como um passarinho em seu feudo. O processo se arrasta há quase um ano e Paulinho – são simpáticos os diminutivos! – avisou: se for condenado, não sai de sua reserva. Ameaçou inclusive fazer rolar o sangue dos brancos, em caso de condenação. E pensávamos que limpeza étnica é estratégia de sérvios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A “nação” caiapó, que já faturou US$ 10 milhões nos últimos dez anos exportando madeira de mogno para a Europa, não só não aceita o sistema judiciário nacional, como ainda alberga e protege o estuprador. Se bem me recordo de minhas aulas de Direito, albergar criminoso também constitui crime. Exceto no país caiapó, onde as leis são outras e estupro não é crime. O grave em tudo isto não é propriamente o estupro, crime comum capitulado no Código Penal. Temos agora um cidadão brasileiro, com carisma de salvador da humanidade, que diz com todas as letras que não aceita a lei do país onde vive. Jamais ouvi pronunciamento de autoridade nenhuma condenando esta rebelião civil. Não tenho notícias de que o Ministério do Exército tenha se preocupado com estes senhores que, com todas as letras, negam os sistemas legislativo e judiciário nacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal surge a idéia do separatismo, que está longe de ser nova no Rio Grande do Sul, não falta quem fale em racismo e preconceito. Por alusão, evidentemente, aos nordestinos e nortistas, indesejados na nova comunidade. Aliás, depois das exéquias da finada luta de classes, racista é o novo insulto que substitui burguês. O que, no caso brasileiro, é duplo equívoco. Em primeiro lugar, nordestino jamais constituiu raça diferente da branca. Segundo, se constituísse, a ninguém se pode obrigar a dela gostar. O mínimo – e também o máximo – eticamente exigível é respeitá-la. Gostar ou não de alguém é questão de foro íntimo. Respeito é obrigação de todo ser humano em relação ao outro, ou voltamos à lei da selva. O bíblico “amai-vos uns aos outros” pode ser uma ordem para os cristãos. Ocorre que vivemos em país que não deve obediência nenhuma a Roma. Curiosamente, ninguém acusa de racismo tchecos ou eslovacos, lituanos, letônios ou estônios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a preconceito, é mais uma dessas palavras manipuladas pela mídia sem respeito nenhum a seu significado. Se, sem jamais ter visto ou ouvido falar de nordestinos, em relação a eles tenho uma atitude adversa, trata-se evidentemente de um “pré-conceito”. (Exemplo cabal de preconceito é o nutrido em relação ao Iéti. Jamais foi visto de perto e já recebeu a pecha de “abominável homem das neves”). Mas depois de um Collor de Mello, P.C. Farias ou de um Inocêncio Poços de Oliveira Artesiano, temos um pós-conceito. Ao ser acusado de escavar poços em suas terras utilizando serviços de uma instituição pública, o presidente do Congresso, eventual presidente da República, declarou que isto é normal e que muitos outros deputados fazem o mesmo. Sulistas, nada temos contra o Nordeste que trabalha. Nosso rechaço é contra o Nordeste dos aguatenentes, estes gordos carrapatos que sugam o magro dorso do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em bom português: quando autoridades civis e militares se dizem preocupadas com a unidade do território nacional, este há muito já está dividido. Um país para cada tribo indígena é bom, digno e justo. Um projeto de país para os sulistas é um atentado à Constituição. A chancelaria brasileira endossou a fragmentação da União Soviética, Iugoslávia e Tchecoslováquia. Mas Brasil não pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Militares não são pagos para mandar, mas para servir. As Forças Armadas devem atender aos desejos nacionais. Quando militares se opõem às aspirações civis, temos ditadura, e da última ninguém tem saudades. Em país civilizado, militar não manda. Obedece. Se o país quer cindir-se, faça-se um plebiscito. A menos que alguém prefira o método iugoslavo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Publicado em 26/06/93, no jornal &lt;strong&gt;Zero Hora&lt;/strong&gt;, Porto Alegre&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-1383346558851771795?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/11/o-territorio-ja-esta-dividido-ideia-de.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-1657188630838690489</guid><pubDate>Mon, 02 Nov 2009 01:28:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-01T21:29:33.002-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;PALENQUE ANDE&lt;br /&gt;IR A RASCARSE&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda há pouco, eu falava do &lt;strong&gt;Martín Fierro&lt;/strong&gt;, este poema maior do continente. Bueno, leio na &lt;strong&gt;Folha de São Paulo&lt;/strong&gt; que parte da festa oferecida em homenagem ao jovem ministro do STF, José Antonio Dias Toffoli, após a sua posse, no último dia 23, em Brasília, foi patrocinada pela Caixa Econômica Federal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), que organizou a homenagem em parceria com outras entidades da magistratura, pediu R$ 50 mil à Caixa Econômica, a título de patrocínio para a festa. Questionado pela &lt;strong&gt;Folha&lt;/strong&gt;, o banco confirma que, do valor pedido, repassou R$ 40 mil. A comemoração, para 1.500 pessoas, aconteceu no Marina Hall, casa de eventos numa área de 5 mil metros quadrados às margens do lago Paranoá, ponto nobre da capital federal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não lembrar dos conselhos do viejo Vizcacha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hacete amigo del juez,&lt;br /&gt;no le des de que quejarse;&lt;br /&gt;pues siempre es bueno tener, &lt;br /&gt;palenque ande ir a rascarse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-1657188630838690489?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/11/palenque-ande-ir-rascarse-ainda-ha.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-6624640968582824289</guid><pubDate>Sun, 01 Nov 2009 05:23:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-01T01:24:53.012-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;ESTÃO FALTANDO&lt;br /&gt;DUAS COISAS MAIS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hugo Chávez, o presidente da Venezuela, sugeriu ontem que Lula deveria permanecer no cargo, questionando por que alguém que desfruta de mais de 80% de aprovação precisa deixar o governo. "Lula veio como Cristo anunciando o Evangelho. Só faltou o cabelo comprido. O Evangelho significa boa nova", disse Chávez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu diria que faltam ainda duas coisas mais, que a mim proporcionariam sumo prazer. A coroa de espinhos e a cruz. Quem quiser ser Cristo, que suba o Calvário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-6624640968582824289?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/11/estao-faltando-duas-coisas-mais-hugo.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-4748381873903718868</guid><pubDate>Sat, 31 Oct 2009 04:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-31T10:09:07.975-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;TALEBAN DA UNIBAN&lt;br /&gt;TÊM MEDO DE COXAS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de citar uma frase que Roberto Arlt, considerado o Dostoievski argentino, coloca na boca de um de seus personagens:: “A revolução, a faremos com os jovens. São estúpidos e entusiastas”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em minha vida, encontrei não poucos jovens maduros e sensatos e tive imenso prazer em confraternizar com eles. Mas, no geral, tenho de concordar com Arlt. E vou mais longe: estúpidos, entusiastas e senis. Prova disto é o recente episódio ocorrido em São Bernardo do Campo, no campus da Universidade Bandeirantes de São Paulo (Uniban). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma estudante do primeiro ano de Turismo quase foi linchada por uma multidão de estudantes no prédio onde estuda, por estar usando um minivestido. O fato ocorreu na semana passada e ganhou repercussão nesta semana pelo site YouTube, onde foram publicados vídeos que registraram o episódio. Leio na &lt;strong&gt;Folha de São Paulo&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pu-taaa! Pu-taaa! Pu-taaa! Cerca de 700 alunos da Uniban, Universidade Bandeirante de São Paulo, campus de São Bernardo, pararam as aulas do noturno para perseguir, xingar, tocar, fotografar, ameaçar de estupro, cuspir. Tudo isso contra uma aluna do primeiro ano do curso de turismo, 20 anos, 1,70 metro, cabelos loiríssimos esticados e olhos verdes, que compareceu à escola em um microvestido rosa-choque, pernas nuas com pelinhos oxigenados à vista, salto 15, maquiagem de balada, na quinta-feira da semana passada (22). Michele Vedras (nome fictício inventado por ela em um blog) só conseguiu sair da escola sob escolta de cinco soldados da PM, duas mulheres inclusive, que tiveram de usar spray de pimenta para conter os mais exaltados e abrir caminho entre a massa. Vídeos do ataque circulam pela rede, um deles intitulado "A Puta da Uniban". (...) Presos na sala de aula, a turma e o professor ouviam os estudantes lá fora gritando. "Solta ela, professor! Deixa pra nós. Vamos estuprar!"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas em que país estamos? Certamente não é neste Brasil, onde a minissaia vige desde os anos 60 e fio dental nas praias não escandaliza mais ninguém. Mulher pelada está nas capas de todas as revistas, expostas publicamente nas bancas de jornais. O que gera efeitos curiosos. Os membros da Opus Dei, a organização aquela à qual pertence um dos líderes do PSDB, Geraldo Alckmin, quando andam pelas ruas trocam de calçada ao ver um quiosque. Para não ver as mulheres peladas. Malucos religiosos, entende-se. Mas... universitários? Em um campus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em minhas universidades, lá nos anos 60 – isto é, há meio século - vivi cercado de minissaias e ninguém se espantava com isto. Quando professor, nos anos 80, minhas aluninhas não se furtavam de exibir o fundo de suas coxas aos professores. Eu lecionava na UFSC, onde muitos professores eram filhotes de padres, que das mulheres mantiveram distância em suas juventudes. Os ex-seminaristas subiam pelas paredes. Eu, que com mulheres sempre mantive um bom convívio, nem ligava. Para perplexidade de minhas discípulas. Certo dia, em plena aula, uma delas perguntou: “o professor não se comove quando mostramos as coxas?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comoção nenhuma. “Estou aqui para dar aulas, não para olhar calcinhas – respondi -. Vocês podem mostrar o que quiserem, isso não perturba minha aula. Agora, se for lá em casa...” Semana seguinte, algumas atrevidas estavam lá em casa. Mas isto já é outra história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou perplexo. Que a União e Estados caloteiem seus credores, que senadores e deputados e governadores roubem, que ministros sejam corruptos, que acadêmicos transformem seus estudos no Exterior em turismo pago pelo contribuinte, com isto já estamos acostumados. Faz parte do cotidiano da nação. Mas é insólito que universitários quase estuprem uma colega só porque ela mostra as coxas. Segundo uma universitária entrevistada pela &lt;strong&gt;Folha&lt;/strong&gt;, os colegas da moça tentavam enfiar o aparelho celular no meio de suas pernas, para tirar fotos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o assalto ao erário, com a extorsão do contribuinte, com a corrupção de “nossos” representantes, já me acostumei. (Ponho nossos entre aspas porque meus representantes não são. Já faz quase três décadas que não voto). Mas por essa eu não esperava. Que isso aconteça na Arábia Saudita, no Dubai, no Afeganistão, no Paquistão, até que entendo. Foi em Riad, creio, que a mulher de um diplomata brasileiro foi esbofeteada pela Polícia Moral por ter entrado em um shopping com o rosto descoberto. O Itamaraty, tão valente quando se trata de defender Chávez ou Zelaya, nem chiou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo até no Vaticano. Mas no Vaticano, apenas impediriam a entrada da moça. Nem cardeais nem bispos nem a Guarda Suíça tentariam enfiar celulares entre as pernas de uma turista de minissaia. O Vaticano, com todo seu obscurantismo, consegue ser mais moderno que os universitários da Uniban. A atitude destes alunos é típica dos taleban. Daqueles baitas machos que não temem explodir-se em nome de Alá, mas que se mijam de medo ao ver o rosto de uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os universitários da Uniban, pelo jeito, têm medo de coxas. Logo das coxas, esse território tão lindo e harmonioso de uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de estúpidos, são senis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-4748381873903718868?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/10/taleban-da-uniban-tem-medo-de-coxas.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-2747308778496412525</guid><pubDate>Sat, 31 Oct 2009 00:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-30T20:59:15.329-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;NORMALIDADE DAS GENTES,&lt;br /&gt;SEGUNDO O PRESIDENTE&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Supremo Apedeuta andou dizendo que não é fácil enfrentar a violência. "Se fosse fácil teria resolvido em 2006, em 2005 e em 2004. Não é fácil quando se lida com gente anormal. O bandido é anormal. Nós somos normais. Temos que mostrar ao mundo que o Estado brasileiro e a parte boa da sociedade brasileira tem mais força que o crime organizado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe perguntar-se o que Lula entende por bandido. Pelo jeito, são aqueles pobres diabos do tráfico de droga, que por mais fortuna que façam, sempre correm o risco de serem presos pela polícia ou assassinados por bandos rivais. É claro que Lula não se referia a corruptos como José Sarney, Zé Dirceu, Antônio Palocci, Jader Barbalho, Edir Macedo. Estes são gente fina, que merecem os afagos presidenciais. Quando lida com eles – e os defende – Lula está lidando com gente normal. Aqui tampouco se trata de crime organizado. É crime institucionalizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, normal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-2747308778496412525?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/10/normalidade-das-gentes-segundo-o.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-1514004772508213410</guid><pubDate>Fri, 30 Oct 2009 04:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-30T08:28:16.863-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;A FALTA QUE NOS&lt;br /&gt;FAZ UM NAPOLEÃO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre 9 de fevereiro e 9 de março de 1807, Napoleão Bonaparte constituiu na França um sinédrio – conselho judeu de 71 membros – que sucedeu à Assembléia de Notáveis, que tinha por função oficializar as medidas de secularização em matéria de decisões doutrinárias, do ponto de vista da lei judaica. Ao sinédrio e aos notáveis, o imperador fez doze perguntas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. É lícito aos judeus casar-se com várias mulheres?&lt;br /&gt;2. O divórcio é permitido pela lei judaica? O divórcio é válido sem que seja pronunciado pelos tribunais e em virtude de leis contrárias ao Código francês?&lt;br /&gt;3. Uma judia pode casar-se com um cristão e uma cristã com um judeu? Ou a lei pretende que os judeus se casem apenas entre eles?&lt;br /&gt;4. Aos olhos dos judeus, os franceses são irmãos ou são estrangeiros?&lt;br /&gt;5. Em um ou outro caso, quais são as relações que a lei judiaprescreve para com os franceses que não são de sua religião?&lt;br /&gt;6. Os judeus nascidos na França e tratados pela lei como cidadãos franceses vêem a França como sua pátria? Sentem a obrigação de defendê-la?  Sentem-se obrigados de obedecer às leis e de seguir todas as disposições do Código Civil?&lt;br /&gt;7. Quem nomeia os rabinos?&lt;br /&gt;8. Qual jurisdição de polícia exercem os rabinos entre os judeus? Qual polícia judiciária é exercida entre eles?&lt;br /&gt;9. Estas formas de eleição, esta jurisdição de polícia são desejadas por suas leis ou apenas consagradas pelo uso?&lt;br /&gt;10. Há profissões que são proibidas pela lei dos judeus?&lt;br /&gt;11. A lei dos judeus os proíbe de praticar usura com seus irmãos?&lt;br /&gt;12. Ela proíbe ou permite praticar usura com estrangeiros? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A França vivia então um problema, as queixas permanentes dos departamentos do Leste contra os créditos dos judeus. Napoleão queria saber se os judeus que tinham nacionalidade francesa eram franceses ou estrangeiros que viviam sonhando com as colinas de Sion. É uma boa pergunta a se fazer aos judeus que vivem hoje no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leio no noticiário on line que a Justiça brasileira ordenou ao Ministério da Educação que marque outro dia - que não o sábado - para que 21 alunos de um colégio judaico de São Paulo façam o Enem. A prova está marcada para 5 e 6 de dezembro - sábado e domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábado é o shabat, dia em que os judeus descansam. Do pôr do sol da sexta ao pôr do sol do sábado, não trabalham, não dirigem e não escrevem. Mais ainda: não acendem fogões, não ligam computadores, não portam qualquer objeto. Nem mesmo guarda-chuva. Aqui em meu bairro, majoritariamente judeu, quando chove aos sábados, os filhos de Israel, apesar de  bem trajados, vestem capas de plástico, dessas que se compram a cinco reais nas bancas de jornais. Guarda-chuva tem de segurar. Não pode. Capa não precisa segurar. Então pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo que seus alunos perderiam o Enem, o colégio Iavne apresentou a ação judicial. Na primeira instância, a Justiça não viu motivo para mudar a data. O colégio recorreu. E o Tribunal Regional Federal deu razão à escola. O juiz Mairan Maia escreveu que o MEC deveria permitir que a prova fosse resolvida pelos alunos do Iavne "em dia compatível com o exercício da fé". Seria um exame com "o mesmo grau de dificuldade. Ninguém será privado de direitos por motivos de crença religiosa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estes senhores pensam que estão? Em Israel, onde o shabat é sagrado? Neste Brasil laico, nem mesmo o domingo, dia sagrado para os católicos desde Constantino, é dia em que qualquer atividade seja interditada. Israel é um Estado teocrático e os judeus brasileiros estão querendo impor seus dogmas a um Estado laico. A decisão do juiz Mairan Maia abre portas para que os muçulmanos exijam não fazer vestibular nas sextas-feiras, seu dia sagrado. Mais um pouco, e teremos vestibular em datas diferentes para católicos, judeus e muçulmanos. E também para os seguidores da Igreja Adventista, que descansam nos sábados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está faltando um Napoleão nestes trópicos, para bem dividir as águas. Os judeus com cidadania brasileira precisam decidir se respeitam as regras do país onde escolheram viver ou se preferem seguir regras escritas na Judéia há cinco mil anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-1514004772508213410?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/10/falta-que-nos-faz-um-napoleao-entre-9.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-839177473745510983</guid><pubDate>Thu, 29 Oct 2009 13:23:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-30T00:02:34.778-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;NO PAÍS ONDE ROUBAR &lt;br /&gt;JÁ NÃO MAIS É CRIME&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi, mês passado, que Michèle Alliot-Marie, ministra da Justiça na França, anunciou  no canal Europe 1 que depositaria junto às Cortes uma medida que restabeleceria  a possibilidade de dissolver as seitas por estelionato. O que estava em jogo era a cientologia, a religião criada em 1952 por um escritor de ficção científica, L. Ron Hubbard. Segundo a Cientologia, há 75 milhões de anos, vários planetas se reuniram numa confederação das galáxias, governada por um líder do mal chamado Xenu. Como os planetas estavam com problemas de superpopulação, Xenu mandou bilhões de seus habitantes para Terra, onde foram mortos com bombas de hidrogênio.  Seus espíritos - chamados de "thetans" - são os seres humanos. Famosa em Hollywood, a seita tem entre seus adeptos atores como John Travolta, Tom Cruise, Michael Jackson, Juliette Lewis, Anne Archer e Lisa-Marie Presley. Na França, a seita teria 45 mil adeptos. No mundo, seriam 12 milhões. Em países como Espanha, Japão e Canadá, tem o status de associação religiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ocasião do pronunciamento da ministra, a Milivudes (Missão Inter-ministerial de Luta contra os Desvios Sectários) afirmava que uma modificação da lei, ocorrida em 12 de maio passado, não permitia mais a um magistrado a dissolução de seitas, o que suspenderia o risco de dissolução da Cientologia, perseguida por fraude em Paris. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentei, na época, que a idéia da ministra da Justiça não era exatamente brilhante. Há uns vinte séculos, judeus e romanos tentaram dissolver uma seita de malucos, que falavam de um deus três-em-um, de uma mãe virgem, de um judeu que ressuscitou dos mortos e vigarices outras. Os judeus até conseguiram mandar o líder para a cruz, o que foi feito pelos ocupantes romanos da Galiléia. De nada adiantou. Dissolver seitas não é boa idéia. Produz mártires. E nunca faltam malucos que adoram o martírio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os juízes acabaram optando por melhor estratégia. Leio no &lt;strong&gt;Estadão&lt;/strong&gt; que a Igreja da Cientologia foi condenada por fraude pela Justiça francesa e deverá pagar uma multa de mais de 630 mil euros (R$ 1,6 milhão), mas continua autorizada a existir no país - onde, diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, no qual ela surgiu, é considerada uma seita. O Tribunal Correcional de Paris considerou que uma "multa muito pesada" era "mais oportuna" do que a proibição de suas atividades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A multa recaiu sobre as duas principais estruturas da cientologia na França, a Associação Espiritual da Igreja da Cientologia Celebrity Centre (Asescc) e sua livraria, a Scientologie Espace Librairie (SEL). A Asescc terá de pagar 400 mil euros, e a SEL, 200 mil euros. Os outros 30 mil euros serão pagos por um dos principais dirigentes da seita no país, Alain Rosenberg, também condenado a 2 anos de prisão, mas em liberdade condicional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros três responsáveis foram condenados a penas de 10 a 18 meses em liberdade condicional e multas de 5 mil euros a 20 mil euros por extorsão. Dois outros foram condenados a multas de 1 mil euros e 2 mil euros por "exercício ilegal da atividade farmacêutica".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os condenados são acusados de ter se aproveitado da vulnerabilidade de quatro antigos adeptos e extorquido deles dezenas de milhares de euros. A sentença é mais branda do que a proposta em junho pela promotoria, que pedia a dissolução das principais estruturas e a condenação dos responsáveis, além de multa de 4 milhões euros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;em&gt;affaire&lt;/em&gt; começou em dezembro de 1998. Uma mulher depositou queixa, considerando ter sido vítima de fraude pela cientologia. Abordada alguns meses antes em Paris por cientólogos para um teste de personalidade gratuita, ela despendeu ao final 30 mil euros por cursos, compra de livros, medicamentos e de um “eletropsicômetro”, aparelho elétrico capaz de “medir as variações do estado mental da pessoa pelas modificações da corrente elétrica”. O dispositivo mede as trocas na resistência elétrica da pele do analisado, fazendo passar 1/2 volt através de um par de tubos, de chapa de zinco, cheios de uma solução química, apoiados na pele para medir as ondas e gravá-las, enquanto se ouve o analisado. Cá entre nós, alguém precisa ser muito obtuso para investir 30 mil euros na adesão a uma vigarice que mais se assemelha a roteiro de Guerra nas Estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, cá abaixo dos trópicos, os ditos pastores neopentecostais continuam extorquindo impunemente dinheiro e bens de pobres de espírito. Pior ainda, de pobres de posses também. Minha faxineira me conta histórias de pessoas humildes que chegaram a vender o único imóvel que possuíam para encher as burras dos Macedos, Soares e Malafaias da vida. Por falar nisso, ainda há pouco, na emissão do Silas Malafaia, assisti a entrevista com um pastor americano. Dizia o rotundo senhor que o dízimo mínimo admissível, por mês, seria de 900 dólares. Ora, quantos crentes neste Brasil pobre podem arcar com tal contribuição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, pelo jeito, arcam. Os pastores constroem não só templos suntuosos, mas também mansões suntuosas para seu uso. Uma sobrinha, que trabalha em uma empresa de helicópteros, me conta que R. R. Soares acaba de comprar seu terceiro helicóptero. De Dom Pedrito, a cidadezinha onde me criei, recebo a notícia de que comprou o único cinema da cidade. A propósito, há alguns anos, Edir Macedo tentou comprar um estádio de futebol em Lisboa. Mas os lusos acharam o puchero um tanto gordo e não permitiram a alienação do estádio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Templo é dinheiro. Se na França os juízes já começam a punir severamente os vigaristas que exploram as angústias humanas, entre nós eles se sentem como peixes dentro d’água. Afinal, se um ex-presidente rouba, se seus filhos roubam, se senadores roubam, se deputados roubam e todos permanecem impunes, só podemos concluir que o roubo foi descriminalizado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-839177473745510983?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/10/no-pais-onde-roubar-ja-nao-mais-e-crime.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-8003616341645444479</guid><pubDate>Wed, 28 Oct 2009 23:28:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-30T10:34:27.399-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;DEUS É FEIO E&lt;br /&gt;FEDE A SANGUE&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me escreve o André:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Janer,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que tal uma coluna sobre o porquê de chorarmos quando diante de tanta beleza? Afinal por que choramos? Não consigo definir, mas tenho a impressão que o choro diante de coisas belas ocorre por sentirmos uma conexão forte com o que é admirado. E essa conexão vem de onde? Seria por que somos parte do mesmo pó cósmico e a beleza das cataratas nos faz lembrar como somos parte do todo? Sei que você não acredita em Deus, mas seria essa conexão com o planeta um sinal de que estamos ligados a algo maior e invisível?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beleza é algo relativo, meu caro André. O que a mim pode parecer belo, a um outro pode parecer feio. Se choramos diante do que é belo, é porque o que a nós parece belo nos comove. Que somos parte do mesmo pó cósmico, disso não tenho dúvidas. Daí a achar que a beleza nos comove porque somos parte do todo, vai uma longa distância. Que se torna ainda maior quando se supõe que esta conexão com o planeta é sinal de que estamos ligados a algo maior e invisível, o tal de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, se  é que estamos falando do  deus da ficção bíblica, odeia a beleza. Por que o bom Jeová destruiu quase a totalidade do gênero humano, isso sem falar nos animais? Jeová extermina todo o gênero humano porque os filhos dos deuses haviam descoberto que as filhas dos homens eram belas e com elas se cruzaram. Só porque os filhos dos deuses admiravam a beleza, Jeová destrói toda a humanidade, exceto Noé e os seus. Os animais, que nada tinham a ver com o peixe, foram juntos. (Falar nisso, sorte tiveram os peixes. Dilúvio não mata peixe). É o ódio hebraico à beleza que determina o genocídio do Gênesis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus é feio. Além disso, fede a sangue. Que era seu templo, senão um açougue a céu aberto? Os sacrifícios de animais - bois, carneiros, cabritos, pombas - só podiam ser feitos no templo de Jerusalém. Claro que o melhor da carne ia para os sacerdotes. Estes sacrifícios só acabam com a segunda destruição do templo pelos romanos, em 70 D.C.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Se me comovo com a beleza, isto nada tem a ver com Deus. Sem ir mais longe, porque Deus não existe. Esta comoção, já a comentei em minhas crônicas. Entrar lentamente de trem em Paris, vendo cruzar na janela aqueles tetos e chaminés que sempre repousaram nalgum escaninho de nossa memória. Ouvir o chiado dos próprios pés numa viela noturna e silente em Veneza. Quebrar pela primeira vez a crosta de um mar congelado rumo ao Ártico. Perfurar pela primeira vez um deserto branco, pleno de neve e silêncio, para cair finalmente, também pela primeira vez, numa densa noite ao meio-dia. Penetrar em um fiorde em uma meia-noite clara como dia. Atravessar as pontes sobre o Neva nas noites brancas de São Petersburgo. Ouvir o silêncio da noite gelada, no pico de uma montanha enluarada no Sahara. É um silêncio estridente, que fere os ouvidos acostumados aos ruídos urbanos, só entrecortado pelas escassas palavras dos tuaregues contando lendas ao redor de uma fogueira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os deuses houveram por bem conceder-me a ventura dessas paragens, hoje tudo isto adquiriu um ar de déjà vu. Certo dia, atravessando o Pont Saint Michel, minha mulher me alertou: notaste que aquilo ali à direita é a Notre Dame? Eu sequer a havia visto. Residira quatro anos em Paris e já não mais a via. Se hoje deploro a condição de quem ainda não passou por estes momentos mágicos, ao mesmo tempo a invejo. Este deslumbramento, eu o perdi para sempre. Com as cataratas, foi distinto. Eu jamais as havia visto. Mais uma vez, me acometeu a dita síndrome de Stendhal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ante as urbes prodigiosas, os viajores do século XIX sofriam uma reação física semelhante a dos peregrinos perplexos ao nelas entrarem. Os visitantes caíam de joelhos em Florença, Roma e Atenas. No caso dos peregrinos, recorria-se à histeria e à doença de San Vito para explicar as convulsões. O mesmo não se diria de hordas mais sensíveis. Em 1817, quando ia entrar na igreja de Santa Croce, em Florença, Stendhal foi tomado por uma espécie de pasmo, teve o pulso acelerado e lhe tremeram as pernas... isso só de antever o que veria lá dentro. A esta experiência, que o escritor francês narra em sua correspondência, convencionou-se chamar de síndrome de Stendhal, a perturbadora agitação do viajante ante a contemplação da beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta crise acometeu-me em Cuenca, quando a beleza das cidades da Espanha já começava a saturar-me. Subindo a encosta do penhasco, ao olhar para o alto vi os prédios inclinados que pendiam sobre minha cabeça. Aos poucos, fui perdendo o sentido da verticalidade. Para não cair, olhava só para baixo. Ao chegar, de pernas bambas, à frágil ponte que varava o abismo, não consegui mais manter-me em pé. Sentei no chão e enrolei-me em posição fetal. Crianças saltitavam sobre o vazio, sem medo algum ou espanto. Haviam nascido ali. Para minha satisfação, vi outros estrangeiros apoiando-se nas paredes de rocha para não cair. Isto também só se vive uma vez. Dia seguinte, após tomar um bom vinho na sacada de uma das casas colgadas, enveredei pela ponte e saltitei como as crianças. Vencera Cuenca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto às cataratas, perdi o filé. No dia em que visitaria o lado argentino, consta que o mais deslumbrante, caiu um toró danado, com direito até mesmo a granizo. Melhor assim. Terei de voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma: nada a ver com aquele assassino e genocida asqueroso cultuado por judeus e cristãos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-8003616341645444479?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/10/deus-e-feio-e-fede-sangue-me-escreve-o.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-9185745217201694590</guid><pubDate>Tue, 27 Oct 2009 15:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-27T11:34:07.832-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;JOSÉ HERNÁNDEZ E RAMIRO BARCELLOS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Alexandre Kich, recebo: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Grande Janer,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Uma vez pensei sobre quando escreverias sobre o Antônio Chimango? Ai está. Nada para mim existiu de mais bonito em termos de poesia provocativa do que a descoberta do &lt;strong&gt;Antônio Chimango&lt;/strong&gt; na biblioteca de meu ex-colégio no 1° ano do falecido 2° Grau. Falei com dezenas de professores de Letras gaúchos sobre o poemeto campestre e ninguém sabia de sua existência. Poucos professores de História associam seus versos à conturbada vida política gaúcha sob o mando de Borges.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Para mim, o &lt;strong&gt;Antônio Chimango&lt;/strong&gt; é um tapa debochado na cara não somente dos autocrata guasca, ali encarnado em Borges de Medeiros, mas em tempos de messianismo centralista em Brasília e ressurreição do populismo facínora latino-americano com Chávez, um deboche de todos esses homens que metidos em fardas e escondidos sob uma ideologia homicida nos querem tirar a liberdade individual. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O Positivismo asfixiante dos chimangos não morreu, ele encarnou por incrível que pareça na cor maragata do petismo. Grande Hernández. Grande Ramiro Barcellos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Meu caro Kich,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;como estou de pé no estribo, a mala já nos tentos para mais uma campereada, vou  ficar devendo. Mas um dia ainda volto ao assunto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-9185745217201694590?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/10/jose-hernandez-e-ramiro-barcellos-de.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-162972095596226876</guid><pubDate>Mon, 26 Oct 2009 15:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-26T11:05:13.451-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;SOBRE A CULTURA PLATINA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Luiz Melendez, de Rio Grande, RS, recebo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Caro Cristaldo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;concordo em tudo que você falou nos posts sobre Martin Fierro. De fato é uma vergonha a classe culta aqui do Rio Grande ter virado as costas ao Prata. E não só no que diz respeito à literatura, mas também à música. Para se conseguir algum cd de qualquer milongueiro argentino ou uruguaio é necessário importar via EUA ou Europa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais no que se refere aos livros. Espera-se até sete meses para receber um livro editado ali na Argentina ou no Uruguai. Vivemos aqui numa ditadura regida pela dupla RBS-Globo, a qual só prioriza uma subcultura, tanto a local quanto a do eixo São Paulo-Rio-Salvador, como você bem sabe. O pior de tudo é que os "gaúchos" (gaúchos de mídia) ainda se orgulham da indigência em que estamos. Não sei qual a sua opinião sobre os autores "gaúchos" mais conhecidos. Para mim o padrão criado pelo Erico Verissimo, o paradigma sobre o qual ninguém pode discordar sob pena de ser massacrado, apenas empobreceu a literatura rio-grandense. Eu nunca encontrei grande coisa nas obras dele. Posso estar enganado, mas nada nele me parece original; apenas uma seleção de lugares comuns, de chavões e personagens previsíveis. Espero que a coisa mude, mas me parece difícil.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um abraço&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu caro Melendez:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve uma conspiração muito bem definida, desde o início do século passado, para separar a dita cultura brasileira da cultura platina. O Erico nunca soube o que era o gaúcho. Homem urbano, farmacêutico de profissão, ele enviava cartas a Antero Marques e Aureliano Figueiredo Pinto, interrogando sobre as coisas de campo. O grande poema gaúcho, &lt;strong&gt;Antônio Chimango&lt;/strong&gt;, foi proibido pelos áulicos de Borges de Medeiros. O grande romance, &lt;strong&gt;Memórias do Coronel Falcão&lt;/strong&gt;, fora recomendado às traças: durante três décadas e meia, esta obra de Aureliano Figueiredo Pinto permaneceu inédita, pois os donos da cultura gaúcha, arrinconados em Porto Alegre, o consideravam eivado de espanholismos. Escrito em 1937, só foi publicado em 1973. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que os gaúchos pretendam ignorar a cultura uruguaia ou argentina, há algo de hernandiano até mesmo nos gaúchos estereotipados do Erico. Não poderia ser diferente, já que gaúchos do Brasil e Argentina estão mais próximos entre si, tanto pelo meio geográfico como pela cultura, do que um rio-grandense e um nordestino, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que é o &lt;strong&gt;Antonio Chimango&lt;/strong&gt; senão uma onda distante, mas concêntrica, provocada pelo &lt;strong&gt;Martín Fierro&lt;/strong&gt;? Também nas canções de Teixeirinha como na poesia produzida pelos poetas ligados ao movimento tradicionalista, lá está a caricatura contemporânea do gaúcho de Hernández. Até mesmo em manifestações literárias mais populares, encontramos o dedo do poeta argentino. Circula subterraneamente no Rio Grande do Sul um conhecido poema pornográfico, “Comendo éguas e outros bichos”. Vejamos uma de suas coplas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ò poetas que cantais&lt;br /&gt;velhas cópulas eqüinas&lt;br /&gt;olvidando outras vaginas&lt;br /&gt;que numa escala crescente&lt;br /&gt;vos deram gozos candentes&lt;br /&gt;no lupanar das campinas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos a reprodução rítmica exata de uma sextilha do Martín Fierro, com os versos rimando no esquema ABBCCB. Sabemos que esta pérola da fescenina gaúcha foi criada coletivamente por poetas tradicionalistas, que não gostam muito de citar Hernández. Mas a influência é inegável:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui me pongo a cantar&lt;br /&gt;al compás de la vigüela,&lt;br /&gt;que el hombre que lo desvela&lt;br /&gt;una pena estrordinaria,&lt;br /&gt;como la ave solitaria&lt;br /&gt;con el cantar se consuela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, este poema argentino - mas também nosso -, que tanto mexe com a alma do homem da fronteira rio-grandense, começou a ser escrito por José Hernández em Santana do Livramento. Não por acaso, o poema maior que a América Latina legou à literatura universal é praticamente desconhecido nos cursos de Letras do país. Mas já fiz palestra em uma “Semana Martín Fierro” ... em Berlim. Onde Hernández foi comparado a Homero. E já o ouvi declamado nas ilhas Canárias, geografia que nada tem a ver com a pampa onde perambulava Fierro. Em Paris, um dos professores que participou de minha defesa de tese, Paul Verdevoye, o traduziu ao francês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, há alguns anos, ministrei um curso sobre o poema de Hernández, em Passo Fundo, durante a VII Jornada Nacional de Literatura. Nesta cidade, famosa por suas tradições gaúchas, meus alunos praticamente desconheciam Fierro. Está na hora, parece-me, de a universidade gaúcha esquecer um pouco as confusas teorias literárias geradas às margens do Sena e olhar com mais carinho para a riqueza cultural do Plata.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-162972095596226876?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/10/sobre-cultura-platina-de-luiz-melendez.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-4817253726287564660</guid><pubDate>Sat, 24 Oct 2009 12:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-24T08:40:48.012-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;EM FOZ!&lt;br /&gt;SEM VOZ&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visitei as cataratas. Chorei. A beleza, quando excessiva, me faz chorar. Não tenho palavras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-4817253726287564660?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/10/em-foz-sem-voz-visitei-as-cataratas.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-9141096471294583831</guid><pubDate>Fri, 23 Oct 2009 17:09:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-23T13:20:04.677-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;PAUSA PARA POESIA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do &lt;strong&gt;Martín Fierro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguno me hable de penas,&lt;br /&gt;porque yo penando vivo,&lt;br /&gt;y naides se muestre altivo&lt;br /&gt;aunque en el estribo esté,&lt;br /&gt;que suele quedarse a pie&lt;br /&gt;el gaucho más alvertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junta esperiencia en la vida&lt;br /&gt;hasta pa dar y prestar&lt;br /&gt;quien la tiene que pasar&lt;br /&gt;entre sufrimiento y llanto;&lt;br /&gt;porque nada enseña tanto&lt;br /&gt;como el sufrir y el llorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viene el hombre ciego al mundo,&lt;br /&gt;cuartiándoló la esperanza,&lt;br /&gt;y a poco andar ya lo alcanzan&lt;br /&gt;las desgracias a empujones.&lt;br /&gt;¡La pucha, que trae liciones&lt;br /&gt;el tiempo com sus mudanzas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yo he conocido esta tierra&lt;br /&gt;en que el paisano vivía&lt;br /&gt;y su ranchito tenía&lt;br /&gt;y sus hijos y mujer...&lt;br /&gt;Era una delicia el ver&lt;br /&gt;cómo pasaba sus días.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entonces... cuando el lucero&lt;br /&gt;brillaba en el cielo santo,&lt;br /&gt;y los gallos con su canto&lt;br /&gt;nos decían que el día llegaba&lt;br /&gt;a la cocina rumbiaba&lt;br /&gt;el gaucho... que era un encanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y sentao junto al jogón&lt;br /&gt;a esperar que venga el día.&lt;br /&gt;Al cimarrón le prendía&lt;br /&gt;hasta ponerse rechoncho,&lt;br /&gt;mientras su china dormía&lt;br /&gt;tapadita con su poncho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y apenas la madrugada&lt;br /&gt;empezaba a coloriar,&lt;br /&gt;los pájaros a cantar&lt;br /&gt;y las gallinas a apiarse,&lt;br /&gt;era cosa de largarse&lt;br /&gt;cada cual a trabajar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este se ata las espuelas,&lt;br /&gt;se sale el otro cantando,&lt;br /&gt;uno busca un pellón blando,&lt;br /&gt;éste un lazo, otro un rebenque,&lt;br /&gt;y los pingos relinchando&lt;br /&gt;los llaman dende el palenque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El que era pion domador&lt;br /&gt;enderezaba al corral,&lt;br /&gt;ande estaba el animal&lt;br /&gt;bufidos que se las pela...&lt;br /&gt;y, más malo que su agüela,&lt;br /&gt;se hacía astillas el bagual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y allí el gaucho inteligente&lt;br /&gt;en cuanto el potro enriendó,&lt;br /&gt;los cueros le acomodó,&lt;br /&gt;y se le sentó en seguida,&lt;br /&gt;que el hombre muestra en la vida&lt;br /&gt;la astucia que Dios le dió.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y en las playas corcoviando&lt;br /&gt;pedazos se hacía el sotreta&lt;br /&gt;mientras él por las paletas&lt;br /&gt;le jugaba las lloronas&lt;br /&gt;y al ruido de las caronas&lt;br /&gt;salía haciéndosé gambetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¡Ah tiempos!... ¡Si era un orgullo&lt;br /&gt;ver jinetiar un paisano!&lt;br /&gt;Cuando era gaucho baquiano,&lt;br /&gt;aunque el potro se boliase,&lt;br /&gt;no había uno que no parase&lt;br /&gt;con el cabresto en la mano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y mientras domaban unos,&lt;br /&gt;otros al campo salían,&lt;br /&gt;y la hacienda recogían,&lt;br /&gt;las manadas repuntaban,&lt;br /&gt;y ansí sin sentir pasaban&lt;br /&gt;entretenidos el día.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y verlos al cáir la noche&lt;br /&gt;en la cocina riunidos,&lt;br /&gt;con el juego bien prendido&lt;br /&gt;y mil cosas que contar,&lt;br /&gt;platicar muy divertidos&lt;br /&gt;hasta después de cenar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y con el buche bien lleno&lt;br /&gt;era cosa superior&lt;br /&gt;irse en brazos del amor&lt;br /&gt;a dormir como la gente,&lt;br /&gt;pa empezar al día siguiente&lt;br /&gt;las fáinas del día anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ricuerdo... ¡qué maravilla!&lt;br /&gt;cómo andaba la gauchada&lt;br /&gt;siempre alegre y bien montada&lt;br /&gt;y dispuesta pa el trabajo;&lt;br /&gt;pero hoy en el día... ¡barajo!&lt;br /&gt;No se la ve de aporriada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El gaucho más infeliz&lt;br /&gt;tenía tropilla de un pelo;&lt;br /&gt;no le faltaba un consuelo&lt;br /&gt;y andaba la gente lista...&lt;br /&gt;Tendiendo al campo la vista,&lt;br /&gt;no vía sino hacienda y cielo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuando llegaban las yerras,&lt;br /&gt;¡cosa que daba calor&lt;br /&gt;tanto gaucho pialador&lt;br /&gt;y tironiador sin yel!&lt;br /&gt;¡Ah tiempos... pero si en él&lt;br /&gt;se ha visto tanto primor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquello no era trabajo,&lt;br /&gt;más bien era una junción,&lt;br /&gt;y después de un güen tirón&lt;br /&gt;en que uno se daba maña,&lt;br /&gt;pa darle un trago de caña&lt;br /&gt;solía llamarlo el patrón.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pues siempre la mamajuana&lt;br /&gt;vivia bajo la carreta;&lt;br /&gt;y aquel que no era chancleta,&lt;br /&gt;en cuanto el goyete vía,&lt;br /&gt;sin miedo se le prendía&lt;br /&gt;como güerfano a la teta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¡Y que jugadas se armaban&lt;br /&gt;cuando estábamos riunidos!&lt;br /&gt;Siempre íbamos prevenidos,&lt;br /&gt;pues en tales ocasiones&lt;br /&gt;a ayudarles a los piones&lt;br /&gt;caiban muchos comedidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eran los días del apuro&lt;br /&gt;y alboroto pa el hembraje,&lt;br /&gt;pa preparar los potajes&lt;br /&gt;y osequiar bien a la gente,&lt;br /&gt;y ansí, pues, muy grandemente&lt;br /&gt;pasaba siempre el gauchaje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venía la carne con cuero,&lt;br /&gt;la sabrosa carbonada,&lt;br /&gt;mazamorra bien pisada,&lt;br /&gt;los pasteles y el güen vino...&lt;br /&gt;pero ha querido el destino&lt;br /&gt;que todo aquello acabara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaba el gaucho en su pago&lt;br /&gt;con toda siguridá,&lt;br /&gt;pero aura... ¡barbaridá!&lt;br /&gt;la cosa anda tan fruncida,&lt;br /&gt;que gasta el pobre la vida&lt;br /&gt;en juir de la autoridá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pués si usté pisa en su rancho&lt;br /&gt;y si el alcalde lo sabe&lt;br /&gt;lo caza lo mesmo que ave&lt;br /&gt;aunque su mujer aborte...&lt;br /&gt;No hay tiempo que no se acabe&lt;br /&gt;ni tiento que no se corte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y al punto dése por muerto&lt;br /&gt;si el alcalde lo bolea,&lt;br /&gt;pués áhi no más se le apea&lt;br /&gt;con una felpa de palos.&lt;br /&gt;Y después dicen que es malo&lt;br /&gt;el gaucho si los pelea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y el lomo le hinchan a golpes,&lt;br /&gt;y le rompen la cabeza,&lt;br /&gt;y luego con ligereza,&lt;br /&gt;ansí lastimao y todo,&lt;br /&gt;lo amarran codo con codo&lt;br /&gt;y pa el cepo lo enderiezan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Áhi comienzan sus desgracias,&lt;br /&gt;áhi principia el pericón;&lt;br /&gt;porque ya no hay salvación,&lt;br /&gt;y que usté quiera o no quiera,&lt;br /&gt;lo mandan a la frontera&lt;br /&gt;o lo echan a un batallón.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ansí empezaron mis males&lt;br /&gt;lo mesmo que los de tantos.&lt;br /&gt;Si gustan... en otros cantos&lt;br /&gt;les diré lo que he sufrido.&lt;br /&gt;Después que uno está perdido&lt;br /&gt;no lo salvan ni los santos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-9141096471294583831?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/10/pausa-para-poesia-do-martin-fierro.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-2975476584680714695</guid><pubDate>Thu, 22 Oct 2009 11:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-30T10:41:56.078-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;MEUS AMIGOS MARXISTAS (V)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Como dizia, Sábato recidivou. Em &lt;strong&gt;Abbadón, El Exterminador&lt;/strong&gt;, publicado em 1974, sabe-se lá porque, faz a apologia de um dos maiores assassinos da América Latina, aliás seu conterrâneo. O celerado vira um santo. Falo de Ernesto Guevara, o Che, um dos responsáveis pelo maior desastre do continente no século passado, a revolução cubana. Ao elaborar minha tese sobre a obra de Sábato, considerei que na ficção vale tudo, inclusive transfigurar um personagem histórico. Daí resultou um capítulo desastrado de meu ensaio, que reproduzo a seguir.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Hoje, penso diferente. Considero que um escritor não tem o direito de canonizar um assassino frio. Foi mais ou menos o que Jorge Amado fez com Luís Carlos Prestes, em &lt;strong&gt;O Cavaleiro da Esperança&lt;/strong&gt;. E mesmo com Stalin, que endeusou na mais repulsiva de todas suas obras, &lt;strong&gt;O Mundo da Paz&lt;/strong&gt;. Neruda, Aragón e tantos outros fizeram o mesmo. Sábato, que denunciou com veêmencia o stalinista, acabou por construir um altar ao mais operoso stalinista da América Latina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pensei inclusive em retirar o capítulo que dedico ao Che em minha tese. Mas considerei que não seria honesto publicar um trabalho que não aquele aprovado na Sorbonne Nouvelle. Escrevi, escrito está. Le voilà:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um outro Ernesto&lt;/strong&gt; – Recusando a luta contra Deus, escrevia Camus, o homem se engaja no tempo, na revolução, movimento que mata homens e princípios. Movimento este que terá, na pessoa de um outro Ernesto, também argentino, sua encarnação no continente latino-americano. Como Camus, Sábato não acredita na troca de funções, o escravo substituindo o senhor: "se temos de construir uma nova sociedade não há de ser sobre a base de uma mudança tão-somente econômica, mas de uma nova atitude frente ao homem". Gato escaldado pelo stalinismo, sempre prudente face às Revoluções que logo se tornam "revoluções", Sábato não hesita em saudar em Ernesto Guevara a esperança de uma América Latina independente. A calorosa correspondência entre estes dois Ernestos (anexos 2 e 3) revela uma admiração recíproca. Estamos imersos nos anos 60. (Vista de 1994, a carta do Che padece de um romantismo atroz, e por isso merece registro. Fidel, o Libertador, mostra sua face de tirano. Ante a Cuba atual, dos marielitos e balseros, Guevara revela estar navegando em um mundo onírico).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários críticos acusaram Sábato de ter compromissos com a ditadura militar argentina, pelo fato de ter-se recusado ao exílio. Cabe lembrar o discurso proferido na Universidade de Paris, alguns dias após a morte do Che. Sábato vê no guerrilheiro o homem que encontrou a morte combatendo não somente pela elevação do nível de vida dos povos miseráveis, mas também por um ideal mais valioso, pelo ideal de um Homem Novo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Assim acabou a vida do comandante Guevara. Indefeso, após sofrer horas intermináveis com muitas balas em seu corpo enfermo, sem médico, com a asma que agravava de modo insuportável sua dor. Houve um latino-americano suficientemente covarde para aproximar-se daquele corpo dorido, com a suficiente coragem para sacar o revólver diante de seus olhos, dirigi-lo ao coração e disparar esse balaço miseravelmente histórico. Jamais saberemos o que disse Ernesto Guevara nesses momentos, mas podemos imaginar que seu olhar foi muito triste. Não por sua esperada morte, mas pelo fato de ter-lhe sido dada de tal forma e por um boliviano. Não por um ranger dos Estados Unidos, mas por alguém que de certa forma era seu próprio irmão".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A data é inerente à obra. O discurso foi proferido em novembro de 1967, em meio ao clima emocional criado pela morte de Guevara. Vista de hoje, quando milhares de pessoas arriscam a vida no mar em balsas improvisadas para fugir da ilha, Cuba talvez fornecesse a Sábato uma visão distinta da obra do Che. Seja como for, a admiração do escritor pelo guerrilheiro está em &lt;strong&gt;Abbadón, el Exterminador&lt;/strong&gt;. Através do relato de Nepomuceno, o "Palito", Marcelo Carranza ouve a saga do Che. O personagem Palito seria um companheiro de armas do guerrilheiro. Sábato mescla história e ficção. Boa parte de seu relato está baseado no diário de campanha de Inti Peredo. Em carta de despedida a Fidel, diz Guevara:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Outras terras do mundo reclamam o concurso de meus modestos esforços. Posso fazer o que te está negado por tua responsabilidade à frente de Cuba e chegou a hora de separarmo-nos. Deixo aqui o mais puro de minhas esperanças de construtor e o mais querido entre meus seres queridos. Libero Cuba de qualquer responsabilidade, salvo a que emana de seu exemplo. Se a hora definitiva me chegar sob outros céus, meu último pensamento será para ti, Fidel".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Abbadón&lt;/strong&gt; traz ainda a transcrição de um outro trecho de carta, esta endereçada a seus pais, que evidencia o caráter romântico e quixotesco do empreendimento do guerrilheiro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Queridos velhos: sinto outra vez sob meus talões o costilhar do Rocinante, volto à estrada com minha adarga no braço. Há coisa de dez anos, escrevi-lhes outra carta de despedida. Segundo recordo, lamentava-me de não ser melhor soldado e melhor médico. O segundo já não interessa, médico não sou dos piores... Pode ser que esta seja a definitiva. Não a busco, mas está dentro do cálculo lógico. Se é assim, vai um último abraço. Sempre os quis muito, só que não soube expressar meu carinho. Sou extremamente rígido em minhas ações e creio que às vezes não me entenderam. Por outro lado, não era fácil entender-me. Creiam-me, pelo menos hoje".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Che teve sorte. Morreu como herói. Seria interessante imaginar sua reação face ao encarceramento de opositores e à fuga, em 1980, de quase duzentos mil cubanos para os Estados Unidos. De qualquer forma, Sábato toma como personagem uma espécie de mito, a figura do guerrilheiro não coincidindo necessariamente com o homem Guevara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A evocação de Palito mostra um homem que acredita mais no moral e na disciplina que no poder das armas. Um guerrilheiro deve manter a decisão de combater seus ideais até a morte. Esta disciplina não é a dos quartéis, mas a de "homens que sabem pelo que lutam e que sabem que isso é grande e justo". À noite, segundo o relato de Palito, Che dava um curso de francês:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não é uma questão de dar tiros, dizia, só de dar tiros. Algum dia vocês terão de ser dirigentes, se triunfarmos nesta guerrilha. O dirigente, dizia, tem de ter não só coragem, tem que se desenvolver ideologicamente, tem de ser capaz de análises rápidas e de decisões justas, tem de ser capaz de fidelidade e disciplina. Mas, principalmente, dizia, tem de constituir o exemplo de homem que queremos em uma sociedade justa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palito confessa não compreender muito bem o que Che queria dizer "homem novo". Deduzia que deveria ser mais ou menos como o Che: "com espírito de sacrifício pelos outros, com coragem e ao mesmo com compaixão e..." O companheiro de armas de Guevara hesita. Mas acaba fazendo uma descrição quase evangélica do Che:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Dizia que não se podia lutar por um mundo melhor sem isso, sem amor pelo homem e que isso era uma causa sagrada, não uma simples questão de palavras, que a cada dia, a cada hora, tinha-se de prová-lo. Muitas vezes o vimos tratar sem rancor soldados que pouco antes haviam atirado para matar, como curava suas feridas, mesmo gastando os medicamentos que para nós eram escassos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um episódio narrado por Palito nos conduz ao Camus de Os Justos. Che havia ordenado uma emboscada e devia comandar o ataque. Mas o primeiro caminhão passa e nele havia dois soldados adormecidos ao lado de porcos. Che não ataca. É preciso ser uma espécie de santo leigo – acusação aliás feita a Camus – para nutrir esta ternura pelo inimigo que não pensaria duas vezes para apertar o gatilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Naquela noite, ao redor do fogo, nos explicou que uma atitude como aquela talvez pudesse ser considerada como uma debilidade e que debilidades daquele tipo em certos momentos poderiam ser fatais para a guerrilha. Mas ali surgiu de novo o homem novo. Matar de tocaia dois soldados indefesos, adormecidos e inocentes, porque afinal de contas combatiam recebendo ordens, seria realmente uma debilidade. Seria possível criar o homem novo pelo qual lutávamos sobre a base de atrocidades como aquela? Seria possível se chegar a fins nobres por meios ignóbeis?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta romântica defesa da guerrilha, Sábato deixa entrever que seria legítimo matar os dois soldados caso estivessem acordados, mesmo sendo inocentes. Dos diários do Che e Inti Peredo, o autor passa às notícias da imprensa cotidiana. Eis-nos de novo reenviados às páginas policiais. Desta vez não mais se trata de uma crônica policial, mas da realidade política da América Latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            "Calcula-se que o comandante Ernesto Che Guevara deve cair de um momento a outro, pois está rodeado há vários dias por um círculo de ferro. Aqui, a terra e as picaduras transformam a pele de qualquer ser humano em um manto de miséria. A vegetação inextricável, seca e coberta de espinilhos, torna impossível qualquer deslocamento, mesmo de dia, a não ser pelos arroios estreitamente vigiados. Não é possível entender como os guerrilheiros podem suportar este cerco de sede, fome e horror. 'Este homem não sairá vivo', diz um oficial".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim inexorável. Prisioneiro e ferido, Che encoraja, na ficção de Sábato, o soldado que deve executá-lo: "Não me atrevia a disparar. Nesse momento vi o Che muito grande, enorme. Seus olhos brilhavam intensamente. Senti que vinha por cima de mim e senti uma tontura. Esteja tranqüilo – me disse –. Aponte bem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábato tem profundo desprezo pelas esquerdas festivas. Em seu vocabulário, as gauches caviar. Admira quem não hesita em abandonar uma situação confortável para lutar. No mesmo livro, comentando a célebre afirmação de que a literatura é inútil enquanto há uma criança no mundo morrendo de fome, Sábato-personagem explica sua visão do Che:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não negou a medicina. Abandonou-a. Deixou que outros fizessem medicina. Além disso, declarou: o dever de um autêntico revolucionário é fazer a revolução. Um sapateiro é sapateiro enquanto faz sapatos, do contrário é um mistificador. Devemos admitir, no entanto, que a revolução não se faz só com fuzis. Faz-se também com livros, começando pelos que escreveram, como Marx ou Bakunin".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As letras ou o fuzil. Nestes dois Ernestos, vemos pessoas que tudo jogaram – seus empregos, uma situação confortável e mesmo suas vidas – em uma aposta pelo homem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-2975476584680714695?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/10/meus-amigos-marxistas-v-como-dizia.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5898932.post-530096045883426545</guid><pubDate>Wed, 21 Oct 2009 04:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-21T18:01:25.149-04:00</atom:updated><title /><description>&lt;strong&gt;FIERRO, DE RELANCINA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma definição muito pessoal de gaúcho. Se interpelar alguém com os primeiros versos de &lt;strong&gt;Martín Fierro&lt;/strong&gt; e se meu interlocutor não continuar a sextilha, não é gaúcho. Pode ser até rio-grandense, mas gaúcho não é. Não se pode confundir este personagem ligado à pampa e ao cavalo, com seres urbanos nascidos no asfalto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em algum final de noite dos anos 90 em Paris, encontrei uma uruguaia que vivia na Noruega, em Oslo, e se dizia gaúcha. Dei o santo:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aqui me pongo a cantar&lt;br /&gt;al compás de la vigüela,&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ela deu a senha: &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;que el hombre que lo desvela&lt;br /&gt;una pena estrordinaria,&lt;br /&gt;como la ave solitaria&lt;br /&gt;con el cantar se consuela.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era gaúcha, sem dúvida alguma. O mesmo eu não poderia afirmar das centenas de pessoas que encontrei em meus dias de Porto Alegre. Pois o poema maior que o continente latino-americano deu à literatura universal, de um modo geral, é desconhecido pelos habitantes da capital de um Estado que se pretende gaúcho. &lt;br /&gt;Alguns anos antes da reunificação alemã, estive em Berlim Ocidental, em plena "Semana Martín Fierro". Era hóspede de uma estudante de Letras de origem italiana, nascida no Rio Grande do Sul. Ela não sabia se José Hernández era açougueiro ou alfaiate. Quando soube que o poema começara a ser escrito no exílio do senador argentino em Santana do Livramento, achou que eu delirava. Foi consultar uma enciclopédia literária alemã, lá estaria a verdade. Pois lá estava a verdade: os dicionaristas concediam várias páginas a nosso vizinho e o comparavam – nada mais, nada menos – a Homero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Paris, quando defendia uma tese de doutorado em Literatura Comparada, tive a honra de ter no júri M. Paul Verdevoye. A parte de ser um dos grandes divulgadores da literatura latino-americana na Europa, era o tradutor do poema de Hernández ao francês. Tradução a meu ver inviável. Mas - diz-se entre tradutores - se traduzir é impossível, traduzir também é necessário:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ici je m'mets a chanter&lt;br /&gt;aux accords de ma guitare.&lt;br /&gt;L’homme que tient éveillé&lt;br /&gt;une peine extrardinaire,&lt;br /&gt;comme l’oiseau solitaire,&lt;br /&gt;en chantant peut s’consoler.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E já que estamos falando do impossível, não resisto à tentação de reproduzir o esforço de Folco Testena. Por inusitado que soe, a tradução italiana parece ser uma das mais próximas do poema de Hernández:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Incomincio qui a cantare&lt;br /&gt;pizzicando la mandola.&lt;br /&gt;L'uomo, si anche di una sola&lt;br /&gt;pena in cuor sente il rovello,&lt;br /&gt; come solitario augello&lt;br /&gt;con il canto si consola.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tive ainda um outro reencontro com estes versos de minha infância lá no outro lado do Atlântico. Em Las Palmas de Gran Canaria, encontrei um professor universitário, arabista de renome, cuja pedra de toque era o conhecimento do poema argentino. Naquela ilha vulcânica, batida pelos ventos da África, tão estranha à pampa gaúcha, o homem deslumbrava platéias canarinas recitando a saga de Fierro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gaúcho de Livramento, nasci embalado pelas sextilhas hernandianas. Nas madrugadas lá da Linha, na fronteira seca entre Uruguai e Brasil, antes de buscar as vacas em meio à cerração, sempre se tomava um mate ao redor do fogo no galpão. Enquanto eu chorava com a fumaça de algum cavaco de madeira verde, meu pai recitava as coplas de Fierro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamavam-no de Canário. Não era homem de Letras. Se lhe perguntassem onde ficava a Europa, meu pai diria sem vacilar: “é lá pras bandas de Passo Fundo”. No que não deixava de ter razão. Vista de um homem postado em Livramento, a Europa fica sem dúvida para os lados de Passo Fundo. No entanto, conhecia de cor centenas de versos de Fierro. Não sei se ouvira falar de Hernández. E aqui se revela o milagre da grande arte: como no Quixote, o personagem acaba por matar o autor. Fierro, para os gaúchos da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, era um índio vago que por ali havia passado, sempre lutando para defender seu pelego. Talvez até mesmo estivesse vivo, sempre fugindo de “la polecía”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Hernández, nuestro vecino, terá sido um dos raros poetas a sentir, ainda em vida, a ventura de ter sido morto pelo personagem que criou. Antes mesmo da publicação da segunda parte do poema, já era conhecido como Martín Fierro: “Soy un padre al cual le ha dado su nombre su hijo”, costumava dizer. Ao morrer, um jornal de La Plata deu-lhe a honra deste necrológio:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ha muerto el senador Martín Fierro&lt;/strong&gt;   &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Deslumbrados pelos brilhos teóricos emanados de Paris ou Moscou, os donos da cultura no Rio Grande do Sul, intelectuais porto-alegrenses que nada conheciam do homem do campo, ajoelharam-se em direção ao norte e deram as costas para o Prata. Pelo que ouvi em minhas universidades, raros são os acadêmicos que têm notícias deste poema maior da América Latina. A intelligentsia - ou talvez melhor disséssemos burritzia - da capital, arrinconada nos CTGs, preferiu criar uma caricatura, o “centauro dos pampas”, esse personagem ridículo e fanfarrão que nada tem a ver com o gaúcho, originalmente um pobre diabo do campo, esquecido, humilhado e massacrado pelo poder central. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os rio-grandenses não são nada originais quando ignoram Martín Fierro, esta atitude é nacional. Ao norte do rio Uruguai, raras pessoas o conhecem. Em Florianópolis, ao propor um curso sobre o poema, os PhDeuses que me cercavam julgaram que eu estava falando grego. Hoje, em São Paulo, tenho fascinado não poucos amigos recitando as coplas de Hernández. Jamais haviam ouvido falar do homem ou da obra. Em algum momento da estruturação da literatura rio-grandense, almofadinhas da capital impuseram fronteiras culturais onde não há fronteiras: na pampa brasileira, uruguaia e argentina, geografia homogênea que produz o mesmo tipo de homem e o mesmo modo de sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os mesmos argumentos com que Hernández foi expulso de nossa literatura, foi abafada a obra de outro grande escritor gaúcho, Aureliano Figueiredo Pinto. “Memórias do Coronel Falcão”, romance escrito em 1937 e só publicado postumamente em 1973, foi jogado às gavetas pelos donos da cultura de então, por “conter espanholismos”. Ora, se fossemos cortar do vernáculo todos os estrangeirismos adquiridos pelo português através dos séculos, ainda estaríamos falando galego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas volto ao poema nascido nesta geografia de fronteira, esquecido e desprezado pelos intelectuais brasileiros, mas com prestígio nos mais importantes centros culturais do Ocidente. Em seu poema, em um castelhano rude e estropeado, Hernández canta valores eternos, pouco considerados neste século dominado por ideologias: o valor pessoal, a coragem física, a amizade, a confraternização no infortúnio. Mexe com a alma de todo homem livre o encontro de Fierro com o sargento Cruz. Quando a “polecía” o cerca,  Fierro a enfrenta com a coragem da fera acuada. Cruz, que tinha a missão de aprisionar Fierro, troca de banda:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tal vez en el corazón&lt;br /&gt;lo tocó un santo bendito&lt;br /&gt;a un gaucho, que pegó el grito&lt;br /&gt;y dijo: “¡Cruz no consiente&lt;br /&gt;que se cometa el delito&lt;br /&gt;de matar ansí un valiente!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não será fácil encontrar, na literatura universal, momento tão dramático de admiração mútua por dois homens que jamais se haviam visto e que, além disso, lutavam em campos contrários. As lutas de Fierro com o negro, com os índios e com a polícia sempre encantaram qualquer encontro que reunisse dois ou mais gaúchos. A luta com um negro em um baile é um dos momentos mais citados do poema: Fierro, embriagado - con la mamúa -, vê chegar ao baile um negro com uma negra na garupa do cavalo:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Al ver llegar la morena&lt;br /&gt;Que no hacia caso de naides,&lt;br /&gt;Le dije con la mamúa&lt;br /&gt;"Va...ca...yendo gente al baile".&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;La negra entendió la cosa&lt;br /&gt;Y no tardó en contestarme -&lt;br /&gt;Mirandomé como a un perro -&lt;br /&gt;"Más vaca será su madre"&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Y dentró al baile muy tiesa&lt;br /&gt;Con más cola que una zorra,&lt;br /&gt;Haciendo blanquear los dientes&lt;br /&gt;Lo mismo que mazamorra.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"Negra linda"... dije yo -&lt;br /&gt;"Me gusta pa la carona"-&lt;br /&gt;Y me puse a talariar&lt;br /&gt;Esta coplita fregona:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"A los blancos hizo Dios,&lt;br /&gt;A los mulatos San Pedro,&lt;br /&gt;A los negros hizo el Diablo&lt;br /&gt;para tisón del infierno".&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí à luta com o negro é um passo e Fierro acaba por matá-lo. Desata as rédeas de seu cavalo e entra na noite da pampa. “Esforcei-me” - escreve Hernández - “sem saber se o consegui, em apresentar um tipo que personificasse o caráter de nossos gaúchos, concentrando o modo de ser, de sentir, de pensar e de expressar-se que lhes é peculiar; dotando-o com todos os jogos de sua imaginação cheia de imagens e de colorido, com todos os ímpetos de sua altivez, imoderados até o crime, e com todos os impulsos e arrebatamentos, filhos de uma natureza que a educação não poluiu”.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Hernández também canta a luta do indivíduo contra a adversidade, a solidão do gaúcho ante o verde da pampa, a rebelião do paisano contra as determinações da urbe. Fugindo do poder federal, Fierro, com seu súbito amigo Cruz, ao final do poema, se enfurna no deserto. É sofrida a travessia da fronteira pelos dois desertores:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Y cuando la habian pasao,&lt;br /&gt;una madrugada clara,&lt;br /&gt;le dijo Cruz que mirara&lt;br /&gt;las últimas poblaciones;&lt;br /&gt;y a Fierro dos lagrimones&lt;br /&gt;le rodaron por la cara.&lt;br /&gt;Y siguiendo el fiel del rumbo&lt;br /&gt;se entraron en el desierto.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Estes “dos lagrimones” prometem, é claro, uma “Vuelta”, onde um Hernández mais maduro e filosófico, dará arremate ao poema. Temos então novos vultos, cada vez melhor delineados, entre estes o velhaco Viscacha, e Picardia, o filho do sargento Cruz. Se a obra começara como poema, assume agora novos personagens e sua característica definitiva de romance narrado em estrofes. Os conselhos do velho Viscacha, antes de chegar nos salões de Buenos Aires, terão aquecido as noites de muito peão de estância - o que restou do gaúcho - em torno a um fogo de chão:&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;El primer cuidao del hombre&lt;br /&gt;es defender el pellejo;&lt;br /&gt;lleváte de mi consejo,&lt;br /&gt;fijáte bien lo que hablo:&lt;br /&gt;el diablo sabe por diablo&lt;br /&gt;pero más sabe por viejo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Hacéte amigo del juez,&lt;br /&gt;no le dés de qué quejarse;&lt;br /&gt;y cuando quiera enojarse&lt;br /&gt;vos te debés encojer,&lt;br /&gt;pues siempre es güeno tener&lt;br /&gt;palenque ande ir a rascarse.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nunca le llevés la contra&lt;br /&gt;porque él manda la gavilla;&lt;br /&gt;allí sentao en su silla&lt;br /&gt;ningún güey le sale bravo:&lt;br /&gt;a uno le dá con el clavo&lt;br /&gt;y a otro con la cantramilla.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No andés cambiando de cueva,&lt;br /&gt;hacé las que hace el ratón:&lt;br /&gt;conserváte en el rincón&lt;br /&gt;en que empesó tu esistencia:&lt;br /&gt;vaca que cambia querencia&lt;br /&gt;se atrasa en la parición.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Y menudiando los tragos&lt;br /&gt;aquel viejo como cerro,&lt;br /&gt;“No olvidés, me decía, Fierro,&lt;br /&gt;que el hombre no debe crer,&lt;br /&gt;en lágrimas de muger&lt;br /&gt;ni en la renguera del perro.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“No te debés afligir&lt;br /&gt;aunque el mundo se desplome:&lt;br /&gt;lo que más precisa el hombre&lt;br /&gt;tener, sigún yo discurro,&lt;br /&gt;es la memoria del burro&lt;br /&gt;que nunca olvida ande come.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A naides tengás envidia;&lt;br /&gt;es muy triste el envidiar;&lt;br /&gt;cuando veás a otro ganar&lt;br /&gt;a estorbarlo no te metas:&lt;br /&gt;cada lechón en su teta&lt;br /&gt;es el modo de mamar.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Si buscás vivir tranquilo&lt;br /&gt;dedicáte a solteriar;&lt;br /&gt;mas si te querés casar,&lt;br /&gt;con esta alvertencia sea:&lt;br /&gt;que es muy difícil guardar&lt;br /&gt;prenda que otros codicean.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nesta segunda parte do poema, Fierro trova com um moreno. Não por coincidência, seu adversário de payada é irmão do negro que há anos matara em uma pulperia. Neste nosso Brasil 97, a definição de lei proposta pelo contendor de Fierro, há mais de século, é de uma atualidade surpreendente:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;La ley es tela de araña,&lt;br /&gt;en mi inorancia lo esplico:&lt;br /&gt;no la tema el hombre rico,&lt;br /&gt;nunca la tema el que mande,&lt;br /&gt;pues la rompe el bicho grande&lt;br /&gt;y sólo enrieda los chicos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Es la ley como la lluvia:&lt;br /&gt;nunca puede ser pareja;&lt;br /&gt;el que la aguanta se queja,&lt;br /&gt;pero el asunto es sencillo,&lt;br /&gt;la ley es como el cuchillo:&lt;br /&gt;no ofiende a quien lo maneja.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Le suelen llamar espada,&lt;br /&gt;y el nombre le viene bien;&lt;br /&gt;los que la gobiernan ven&lt;br /&gt; a dónde han de dar el tajo:&lt;br /&gt;le cai al que se halla abajo&lt;br /&gt;y corta sin ver a quien.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Este poema universal, tão próximo de nós - sejamos gaúchos ou apenas nascidos no Rio Grande do Sul - e ao mesmo tempo tão distante, é o cerne da reflexão que proponho hoje em uma mesa redonda em Cascavel, Paraná.           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Yo sé el corazón que tiene&lt;br /&gt;el que con gusto me escucha.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5898932-530096045883426545?l=cristaldo.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://cristaldo.blogspot.com/2009/10/fierro-de-relancina-tenho-uma-definicao.html</link><author>noreply@blogger.com (Janer)</author></item><language>en-us</language><media:rating>nonadult</media:rating></channel></rss>
