<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6041685</id><updated>2026-10-01T10:12:07.282+01:00</updated><category term="actualidades"/><category term="Seia"/><category term="Serra da estrela"/><category term="Corrupção generalizada"/><category term="Turismo"/><category term="Ciência e Conhecimento"/><category term="Analfabetismo e Mediocridade"/><category term="InJUSTIÇA portuguesa"/><category term="Saúde e Genocídio português"/><category term="Os meus textos"/><category term="Ensino"/><category term="isto só la vai a rir..."/><category term="jornalismo televisivo"/><category term="Humor"/><category term="Produção Audio-Visual"/><category term="História VERDADEIRA"/><category term="jornalismo"/><category term="PDI"/><category term="PDP"/><category term="Propaganda"/><category term="Desporto"/><category term="Música"/><category term="Incêndios"/><title type='text'>João Tilly - O raciocínio lógico ao serviço do Espírito Crítico</title><subtitle type='html'>O raciocínio lógico ao serviço do espírito crítico</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://joaotilly.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaotilly.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false'/><author><name>João Tilly</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13937534335255943729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>2138</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6041685.post-7431315305779679485</id><published>2022-12-05T00:54:00.001+00:00</published><updated>2022-12-05T00:59:11.388+00:00</updated><title type='text'>TV - TillyVisão </title><content type='html'>&lt;iframe allow=&quot;autoplay; fullscreen;&quot; allowfullscreen class=&quot;jmvplayer&quot; frameborder=&quot;0&quot; src=&quot;https://player.jmvstream.com/avj/jovCeeIIGMriEgpdSywQ16qfCAP0Bi&quot; width=&quot;640&quot; height=&quot;360&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;script type=&quot;text/javascript&quot; src=&quot;https://player.jmvstream.com/pseudoPip.min.js&quot;&gt;&lt;/script&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaotilly.blogspot.com/feeds/7431315305779679485/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/6041685/7431315305779679485?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/7431315305779679485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/7431315305779679485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaotilly.blogspot.com/2022/12/tv-tillyvisao.html' title='TV - TillyVisão '/><author><name>João Tilly</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13937534335255943729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6041685.post-6058469666972359896</id><published>2021-02-10T01:31:00.001+00:00</published><updated>2021-02-10T01:31:19.131+00:00</updated><title type='text'>Pedro Álvares Cabral, o navegador apagado da História</title><content type='html'>Pedro Álvares Cabral, o navegador apagado da História


Pedro Álvares Cabral (PAC) foi um dos mais célebres nomes portugueses. Mas também um dos mais desconhecidos.&amp;nbsp;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Não se sabe onde nasceu nem quando nasceu. Tal como acontece com Vasco da Gama.
Aceita-se que s sua data provável de nascimento rondará os anos de 1467 ou 1468, mas não há nenhuma razão para dizer isto.



Sabemos é que em 1500 foi nomeado Comandante-Mor da Armada que partiu para a India. A segunda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas a grande Armada. Que teve uma história triste e que - como sempre - não é contada aos portugueses nos manuais escolares. mais uma vez, para se saber ao certo o que aconteceu é preciso consultar as obras volumosas - e caríssimas - dos historiadores e dos especialistas. Aqui estou mais umam vez a levar a verdade do que aconteceu aos meus leitores. E vão compilando porque as tretas que nos contaram na Escola são mais qie muitas e raras vezes a ideia com que ficamos é sequer aproximada da realidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Documentada e verificada e publicada. mas lá está: não divulgada. o que se divulga são lendas e tretas.


O que sabe o leitor sobre a expedição de Pedo Álvares Cabral?
Faça uma PAUSA de 1 minuto AQUI e tente recordar-se. Tente puxar pela sua cultura geral.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;O leitor provavelmente sabe de duas, uma:
1 - Que PAC ia para a Índia e enganou-se, como aconteceu com Colombo.
2 - Que PAC ia para o Brasil (porque já se sabia que o Brasil existia) por causa da astúcia de D. João II no Tratado de Tordesilhas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;Pois então continue agora a leitura e perceba o que se SABE que aconteceu.


PAC era um homem enorme. Abriram-lhe a sepultura em Santarém e percebeu-se que era um gigante.
&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era também um fidalgo. Já o pai dele tinha sido um grande fidalgo.
O seu pai era o Alcaide-Mor do Castelo de Belmonte. E era também o Senhor de todas essas Terras.


O pai era um homem rico. Diz-se que o Pedro também era rico. Mas isso não é verdade.
Ele tinha 10 irmãos e nem sequer era o mais velho.
&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como nesse tempo os Bens iam todos para o primogénito, PAC não era rico. Era pobre. Era um fidalgo sem fortuna.


Antes da data de partida da frota, em 1500, tudo o que sabe sobre PAC é o seguinte: ele prestou serviços ao Rei D. João II, que morreu em 1495. Mas não sabemos de que serviços se tratou.
&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele prestou serviços e o seu irmão também. Portanto, os dois prestaram serviços ao Rei.
E o Rei, talvez em 1494, deu aos 2 irmãos um pagamento por isso. &lt;br /&gt;Estabeleceu-lhes um tença de 26 mil reais, por ano, para os dois. Isto era, na época, uma tença pequena.
Serviços no valor de 26 mil reais apenas, a dividir por dois, não se deve ter tratado de grande coisa. Ou de algo de grande responsabilidade, como os serviços de que imcumbiu Estêvão da Gama, o pai de Vasco da Gama. Que, como já vimos, eram serviços de espionagem em África.
&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Sabemos que D. João II se servia muito dos seus homens para pequenos serviços, às vezes de espionagem, portanto. Mas neste caso nada sabemos e uma hipótese provável é que ele tenha sido um dos homens de confiança que acompanhavam o D. João II no “Esquadrão dos Ginetes” - Um grupo de Cavalaria composto por homens fidalgos e comandado por um fidalgo importante: Fernão Martins de Mascarenhas. Os seus guarda costas, por assim dizer.
&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que conhecemos sobre os ginetes é que eram cavaleiros de grande estatura, guerreiros fortes e audazes, e que tinham por missão proteger o corpo do Rei.
Porque D. João II andava sempre com medo que alguém o atacasse.
&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dos ginetes do Príncipe Perfeito (cognome de D. João II) foi Afonso de Albuquerque, futuro vice Rei das Indias. E ambos - PAC e Afonso de Albuquerque - passaram a ser homens de confiança do Rei seguinte. O cunhado e primo de D. João II - D. Manuel.
&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, PAC terá sido guarda-costas do Rei.

O certo é que em 1500 o Rei o nomeia comandante de uma grande Armada que vai partir para a India.
Tinha chegado há pouco tempo o que restava da frota do Vasco da Gama, que tinha partido com 3 navios e voltou ao Tejo apenas com um; e de cerca de 300 homens que tinha levado consigo, regressaram poucas dezenas. Morreram quase todos.
Mas tinha regressado com esta notícia gloriosa: Portugal já conhece o caminho marítimo para a India! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse facto ultrapassou os revezes da viagem.
E também já se sabia que aquilo lá na India não era fácil. Vasco da Gama tinha voltado com as mãos a abanar e sem conseguir fazer qualquer negócio com o Samorim, por causa do poder que os muçulmanos tinham sobre o comércio das especiarias e a rota da seda.
Eram os pilotos muçulmanos quem, a partir do Mediterrâneo e do Mar Vermelho, transportavam as especiaria até às grandes cidades Italianas. Génova, Pádua, Veneza, Florença. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois caravanas faziam o transporte por terra até à Europa. E eles tinham o mau feitio de não gostar de concorrência.


Pois agora, D. Manuel resolvia enviar uma grande Armada. Com Vasco da Gama, para a descoberta, foram apenas 3 navios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora, para esta viagem de negócios e demonstração de força - para intimidação dos muçulmanos - o Rei envia 13 naus.


As 13 naus de Pedro Álvares Cabral


As 13 naus estão bem representadas nos livros do tempo. Não se sabe ao certo quantas pessoas iam nos 13 navios mas os números oscilam entre 1200 e 1500 homens.


E diz o cronista que era tudo gente escolhida, gente com muito bom aspecto, gente muito bem vestida, porque o Rei sabia que se iriam encontrar com Reis orientais de grande luxo. E por isso escolheu o melhor que tinha para enviar à India.
&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;A Armada reúne-se em Belém a um domingo. Corria o dia 8 de maio de 1500.
Diz o João de Barros que &quot;o mar nem parecia mar. Parecia um campo em flor com a flor daquela juventude&quot;.
Iam todos vestidos de forma festiva. Iam todos partir para aquela grande aventura, para a India. E a moldura era um mar de multidão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos aqueles campos à volta do Restelo estavam apinhados de gente. O rei D. Manuel estava presente.
Foi uma festa grandiosa, a daquele domingo, em que PAC parte para a India, à frente daquela brilhantíssima Armada.
Nunca o Tejo tinha visto partir uma Armada tão bonita e engalanada!
&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bela armada Sai do Tejo, navegam durante 13 dias sempre com ventos favoráveis, e aportam em CaboVerde. Mas nessa altura dá-se a primeiro revés.

Durante a noite - nunca ninguém soube como - um dos 13 navios desapareceu.
Tinham-no visto à noite, mas de manhã já lá não estava.
Nunca mais se soube dele.
Não se sabe se foi uma “ponta” de vento que o levou para longe, mas parece pouco provável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que o navio e os cento e tal homens que lá iam dentro nunca mais apareceram.
Foi a primeira grande perda. mas haveria mais.


Continuaram a navegação e, na semana da Páscoa, em 22 de Abril, vêem ao longe Terra. Era um monte &quot;muito alto e redondo&quot;. E como estavam na semana da Páscoa, chamaram-lhe Monte Pascoal.
&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;h4 style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&amp;nbsp;Chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil
&lt;/h4&gt;Passado pouco tempo estavam ancorados à vista de uma terra que eles julgavam que seria uma ilha, porque ninguém sabia que ali havia um Continente. Para eles era uma ilha. Chamaram-lhe uma Ilha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram aí uma semana e meia. Havia um escrivão de bordo chamado Pêro Vaz de Caminha que, durante esses dias em que esteve descansado, escreveu uma carta minuciosa ao Rei D. Manuel. PAC escreveu outra, cada um dos capitães de navio escreveu outra, o médico que ia a bordo - Mestre João - escreveu outra...
Portanto vêm muitas cartas para Lisboa... mas perdeu-se quase tudo.
&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Conhece-se a carta de Mestre João e de Pêro Vaz de Caminha de que adiante vos falarei.


A rota de Pedro Álvares Cabral


Ali dessa costa, que era o Brasil, eles continuam a viagem para a India. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessam o Atlântico e, quando se aproximam da Costa de África, ao largo de Moçambique, cai sobre eles uma tempestade inacreditável!



O céu fez-se negro, as ondas eram imensas e durante 20 dias eles não sabiam se eram mortos ou vivos.
&quot;Os navios eram atirados às alturas parecendo que chegavam ao céu, de repente vagas imensas parece que se afundavam&quot;. E, durante 20 dias seguidos, eles apenas rezavam e entregavam as almas ao Criador.
Todos acreditaram as suas vidas tinham chegado ao fim... mas então a tempestade passou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mas da brilhante esquadra de 13 garbosas naus que tinha saído do Tejo já só havia 6 navios. Os outros tinham ido todos ao fundo com mais de 700 portugueses de quem nada mais se soube. Incluindo a nau de Bartolomeu Dias, um dos capitães que tinha sido o primeiro a dobrar o cabo da Boa Esperança.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Imagine-se a tragédia.

Como se tal desventura não fosse suficiente, os 6 navios que escaparam tinham os mastros partidos, as madeiras estaladas, as velas completamente rotas e em frangalhos.


E é com estes 6 navios desmantelados que PAC consegue chegar a Sofala, depois a Melinde, e finalmente no dia 13 de Setembro a Calecute. Que era a cidade em que tinha estado Vasco da Gama e em que PAC esperava carregar os seus navios com a preciosa carga das especiarias.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mas também aqui em Calecute as coisas correram muito mal.&amp;nbsp; PAC manda fundar uma Feitoria - entreposto comercial - para vender os produtos portugueses e comprar especiarias. Mas fez aquilo muito mal. Em vez de construir uma fortaleza, PAC decide ocupar uma casa sem protecção que existia na praia. O que lhe seria fatal.


Depois deixou-se enganar por várias vezes e por várias vezes tomou decisões erradas, para não dizer catastróficas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;O caso foi o seguinte: passavam-se semanas e PAC não conseguia comprar nada, ninguém lhe vendia nada. Claro, pois se os muçulmanos tinham o mercado na mão, eles trabalhavam para que ninguém nos vendesse nada.
E neste impasse passaram-se 3 meses. PAC estava desesperado.


A certa altura disseram-lhe que estavam a chegar uns navios carregados de elefantes e que o Samorim iria adorar receber um elefante de presente. PAC pensou que com esse gesto conseguiria abrir as portas do comércio das especiarias e manda atacar o navio alegadamente carregado de elefantes.


Os soldados bombardeiam o navio e mataram apenas um elefante. O único que lá vinha.
Os nossos mareantes puderam comer bifes de elefante mas nada mais se ganhou com o ataque. O navio também não trazia especiarias. E não era à procura de elefantes que nós lá estávamos.


Mais tarde recebeu nova informação de que estavam a chegar outros navios carregados de especiarias. E Cabral, sem ter quem lhas vendesse, optou por roubá-las.
PAC manda atacar esses navios. Mas acontece que eles não traziam especiarias nenhumas.
Eles traziam apenas mantimentos para a cidade de Calecute. Foi um erro tremendo.


Porque esse assalto disparatado fez levantar toda aquela gente em armas contra nós. E centenas assaltam a feitoria, onde estavam apenas 60 portugueses sem defesa. Os homens do Samorim caíram sobre eles e mataram-nos quase todos. Poucos escaparam.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cabral, completamente desorientado, não sabe o que fazer. No dia seguinte, resolve bombardear a cidade desde o mar, como represália. Mas é claro que deixou de ter condições para continuar em Calecute.


O que resta da nossa Armada empreende, pois, a viagem de regresso. Na viagem, ainda consegue completar o carregamento de especiarias noutras duas cidades, mas tudo aquilo tinha corrido pessimamente e a verdade é que quando ele regressa a Lisboa traz menos de metade dos navios, da carga e dos homens.
A maioria tinha morrido naquela desgraçada aventura.


O Rei D. Manuel nunca mais entregou nenhuma missão a Cabral, que acabou por terminar a sua vida praticamente esquecido em Santarém.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;Ali está o túmulo, que faz mais o elogio da esposa do que o dele.
Diz que a esposa, que era D. Isabel de Castro, proveniente da mais alta nobreza, foi Camareira-Mor da Infanta D. Maria depois da morte do marido. E nada mais.

PAC tinha sido um homem célebre mas foi propositadamente apagado da História.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;Talvez por isso, enquanto, por exemplo, sabemos todo o percurso de vida de Vasco da Gama (que voltou a ser chamado para corrigir as asneiras de PAC, no ano seguinte e, mais tarde, para colocar ordem na bandalheira e corrupção em que se tinha tornado o comércio das especiarias e que acabou por morrer na Índia), de PAC acabamos por não saber praticamente mais nada.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi votado ao ostracismo e apagado da História.

É certo que lhe cabe a Glória enorme de ter descoberto uma das grandes Nações do tempo contemporâneo: O Brasil. E quem a descobriu foi - por acidente ou não (e pessoalmente penso que sim) - Pedro Álvares Cabral.
Ultimamente há uma corrente - e nomeadamente no aniversário dos 500 anos da Descoberta, em 2000, isso ficou bastante patente - que defende que o Brasil não foi descoberto mas sim &quot;Achado&quot;.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;Um dos Grandes Feitos de que os portugueses se podem orgulhar é o de terem trazido o Brasil das profundezas de uma civilização primitiva em que estava mergulhado (uma das tribos que existia era inclusivamente canibal) à luz brilhante da civilização europeia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;Curiosidade: a obra do Dr. Jaime Cortezão - A expedição de Cabral em 1500 - é um livro muito bem redigido. E ilustra PAC na sua capa. Mas esse retrato é falso. Não há qualquer retrato de PAC em parte nenhuma - nem sequer o que se lhe atribui nos Jerónimos - porque D. Manuel decidiu esquecê-lo e varrê-lo da História.


O que, apesar de tudo, não conseguiu.
Porque realmente foi PAC quem, na Páscoa de 1500, pela primeira vez aportou às praias da Vera Cruz no sítio de Porto Seguro.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E isso nunca pôde ser apagado.&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaotilly.blogspot.com/feeds/6058469666972359896/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/6041685/6058469666972359896?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/6058469666972359896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/6058469666972359896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaotilly.blogspot.com/2021/02/pedro-alvares-cabral-o-navegador.html' title='Pedro Álvares Cabral, o navegador apagado da História'/><author><name>João Tilly</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13937534335255943729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6041685.post-6442976716921739715</id><published>2020-10-05T07:38:00.002+01:00</published><updated>2020-10-05T07:51:29.546+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh8zAFAIEnQkBCYO_L2d095QinRafTt70q-Rn6TiiLcF5ZTkjUsPqp7psVdnrgLfwpWMH3tisZNsVDIiXDfW2_5JOomdoiS3gIOiI_hNSo_S0g1oVmfRBW2Pw-rhlQng7ZW6SLx/&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; data-original-height=&quot;786&quot; data-original-width=&quot;962&quot; height=&quot;240&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh8zAFAIEnQkBCYO_L2d095QinRafTt70q-Rn6TiiLcF5ZTkjUsPqp7psVdnrgLfwpWMH3tisZNsVDIiXDfW2_5JOomdoiS3gIOiI_hNSo_S0g1oVmfRBW2Pw-rhlQng7ZW6SLx/&quot; width=&quot;294&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #1c1e21; font-family: Georgia, serif; font-size: 40px;&quot;&gt;Os últimos anos da monarquia&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;_39k2&quot; style=&quot;background-color: white; color: #1c1e21; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: 12px; margin: 0px auto; padding: 40px 0px; position: relative;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;_2yud clearfix&quot; style=&quot;color: #1d2129; font-family: inherit; margin: 0px auto; width: 700px; zoom: 1;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;lfloat&quot; style=&quot;float: left; font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;_2yuf&quot; style=&quot;background-image: url(&amp;quot;https://scontent.flis8-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-1/cp0/p50x50/69105332_2623447697686728_2897943137601191936_n.jpg?_nc_cat=110&amp;amp;_nc_sid=bbed71&amp;amp;_nc_eui2=AeHvzP6XAz536_2mThsDQ-hUYu_k7lijsDZi7-TuWKOwNhpx1XJYCZZPDAxT8QNJmM8ynqv_20nC2UuS-qy0BT39&amp;amp;_nc_ohc=E_y0sxuOnq8AX_n_XAo&amp;amp;_nc_ht=scontent.flis8-1.fna&amp;amp;_nc_tp=27&amp;amp;oh=c7087f32da4e01e3076571a296dd39b8&amp;amp;oe=5FA212B4&amp;quot;); background-size: 24px 24px; border-radius: 13px; box-shadow: rgba(0, 0, 0, 0.15) 0px 0px 1px 1px inset; filter: invert(1) hue-rotate(180deg); float: left; 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direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;_4yxo _4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic; font-weight: 600;&quot;&gt;Querem ouvir falar de falências de bancos? Pensam que isso é só de agora? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;_4yxo _4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic; font-weight: 600;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Estamos no Reinado de D. Luis. &lt;br /&gt;É um longo reinado. O Rei morre em 1889 na Cidadela de Cascais. &lt;br /&gt;D. Luis preside simbolicamente à vida nacional mas não interfere no governo. &lt;br /&gt;Esta ideia pode levar-nos a pensar que este reinado é um período apagado. Mas isso é errado. No último quartel do sec 19, Portugal dá muitos saltos em frente no sentido do seu desenvolvimento.  &lt;br /&gt;Eis alguns destes factos que fazem de Portugal um país mais civilizado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;1870&lt;/span&gt; é inaugurado o cabo submarino que liga Portugal à Inglaterra. Uma novidade tecnológica de que poucos países dispõem.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;No ano seguinte, em &lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;1871&lt;/span&gt;, dá-se o célebre problema que apaixona Lisboa. As Conferências do Casino. Eram conferências democráticas que o governo proibiu. Essa proibição provocou um alarido e um protesto dos meios anti-monárquicos. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;Em &lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;1872&lt;/span&gt; funda-se em Lisboa a Fraternidade Operária. A força operária está a surgir. Com o desenvolvimento da Indústria surge uma força social e proletária nova: os operários. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;1873&lt;/span&gt; - 1º Inquérito Parlamentar sobre a Emigração. A emigração é um cancro nacional. As fazendas do Minho ficam abandonadas porque os lavradores vão em catadupa para o Brasil. É um problema grave este, o da emigração do final do sec 19. E o parlamento dedica-lhe um Inquérito que ainda hoje fornece muitos dados importantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda em &lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;1873&lt;/span&gt; funda-se o Partido Republicano Federal. É federal porque esta é uma tese  ibérica: um só partido para dois países. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;1875&lt;/span&gt; - a Fundação do Partido Operário Socialista. O primeiro Partido Socialista português. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;1876&lt;/span&gt; -  a famosa 1ª Crise dos bancos - os grandes bancos portugueses vão à falência e nalguns casos - como no caso do banco Lusitano - são falências pouco claras. Porque os bancos fecham, as fortunas ficam... e, tal como hoje, não se percebe bem como as coisas aconteceram. De qualquer maneira é o grande movimento de capitais de Portugal para o Brasil e do Brasil para Portugal que provoca essa superabundância de dinheiro. Mas ao mesmo tempo dão-se essas falências de bancos em série.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;A crise não impede, no entanto, o governo de continuar com as suas obras públicas.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;Em &lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;1877&lt;/span&gt; é construída a ponte Maria Pia, uma grande ponte metálica que liga o Porto a Gaia. Passa a ser possível viajar directamente de Lisboa ao Porto. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;Em &lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;1878&lt;/span&gt; faz-se o primeiro censo da população. Verifica-se que os portugueses não chegam ainda a 5 milhões. Apesar disso continua a hemorragia da emigração. No Brasil, o trabalho de assentamento da ferrovia em todos  estados é predominantemente realizado por trabalhadores portugueses. O nativo brasileiro não aceita trabalhar e o brasileiro civilizado também não aceita esse tipo de trabalho. E isso aumenta imenso a emigração portuguesa. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;É nesse mesmo ano &lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;(1878)&lt;/span&gt; que é eleito pelo Porto o primeiro deputado republicano. &lt;br /&gt;O ilustre Rodrigo de Freitas. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;No ano seguinte, &lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;1879&lt;/span&gt;,&lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt; &lt;/span&gt;faz-se o 1º Congresso Socialista em Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;1880&lt;/span&gt; acontece o 3ª Centenário da morte de Camões.  As comemorações foram objecto de grandes festejos nacionais, que o Partido Republicano praticamente dirigiu. E isso permitiu mostrar a grande influência, nos meios intelectuais, nos meios escolares, nas Universidades das ideias republicanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse mesmo ano, &lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;1980&lt;/span&gt;, aparece mais um grande jornal republicano - o Século. Um jornal de grande expansão claramente republicano e que iria durar muito tempo. Praticamente até ao 25 de Abril. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;Em &lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;1884&lt;/span&gt; dá-se um facto extremamente importante para nós. &lt;br /&gt;Na Conferência de Berlim, os delegados portugueses conseguem que as grandes potências que dividem a África entre si, reconheçam os direitos de Portugal às nossas posições africanas. Angola e Moçambique são reconhecidas como possessões portuguesas. &lt;br /&gt;Nesse mesmo ano, mais um facto interno mas muito revelador. Na Póvoa de Sta. Iria funda-se a primeira grande fábrica de adubos para a agricultura. É a agricultura que muda. &lt;br /&gt;Substituindo a velha agricultura tradicional adubada de forma natural passa agora a ter lugar uma agricultura científica com adubos fabricados na Póvoa de Sta iria. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;As indústrias, no aspecto técnico, exigem cada vez mais uma mão de obra mais qualificada e é nessa altura que o ministro Emídio Navarro organiza em Portugal o Ensino Técnico. Que depois sofreu várias modificações mas que permaneceu fundamentalmente o que foi criado por Emídio Navarro. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;Em &lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;1887&lt;/span&gt; o grupo Comunista-Anarquista de Lisboa publica a sua Declaração de Princípios. &lt;br /&gt;É claro que estamos ainda muito longe da forma moderna de Comunismo, porque não era possível uma ligação Comunista-Anarquista. Mas essa Declaração de Princípios faz sensação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano seguinte, &lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;1888&lt;/span&gt;, mais um grande passo em frente. Cria-se a primeira fábrica portuguesa de tintas e vernizes. Uma Indústria química que não existia em Portugal &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;_4yxo _4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic; font-weight: 600;&quot;&gt;A Ideia Nova&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Morto D. Luiz, sucede-lhe no trono o seu filho mais velho, D. Carlos. Um príncipe que estava aureolado por uma atmosfera de prestígio. Dizia-se que o novo rei era um ilustre cientista, um bom artista, um diplomata exímio nas suas relações internacionais... Portanto ele sobe ao trono numa maré de Esperança e acredita-se muito que esse Homem vai salvar a monarquia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a &quot;Ideia Nova&quot; - uma frase criada por Oliveira Martins - uma nova Monarquia em que haja um Chefe que mande, um César. Mas que este líder supremo seja ajudado por todas as forças políticas nacionais. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;Esta palavra &lt;span class=&quot;_4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic;&quot;&gt;NOVA&lt;/span&gt; será usada mais tarde por Sidónio País, na República &lt;span class=&quot;_4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic;&quot;&gt;NOVA.&lt;/span&gt; E depois com Salazar, no Estado &lt;span class=&quot;_4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic;&quot;&gt;NOVO.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Mas a novidade é sempre a mesma: arranjar uma forma mais musculada de exercer o Poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class=&quot;_4yxo _4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic; font-weight: 600;&quot;&gt;O Rotativismo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;O sistema político que estava enraízado desde há muitos anos era o &lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;Rotativismo,&lt;/span&gt; que não permitia essa Ideia Nova. O Rotativismo consistia no seguinte: havia 2 grandes partidos: o Progressista e o Regenerador, equivalentes em força política. E o Rei, quando lhe parecia que um dos partidos já estava cansado, gasto, sem fôlego, demitia o governo e arranjava um governo novo. E depois marcava eleições. E as eleições davam sempre a maioria ao governo novo. Tal foi denunciado com muito espírito por João de Deus.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;_4yxo _4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic; font-weight: 600;&quot;&gt;O Caciquismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ora isto é um bocado esquisito: o Rei escolhia o governo, as eleições confirmavam-no, mas a explicação estava numa realidade importante: o &lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;Caciquismo&lt;/span&gt;. Quem dirigia a política nas aldeias, nos concelhos eram os &lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;caciques&lt;/span&gt;, gente influente que dominavam o povo pela economia, pela autoridade. Eram centenas ou mesmo milhares os que mandavam votar neste ou naquele partido. &lt;br /&gt;É claro: os caciques viviam dos favores que os governos lhes faziam, portanto votavam sempre pelo governo, qualquer que fosse esse governo. &lt;br /&gt;O Rei determinava um governo novo... e pronto. As eleições confirmavam o governo novo. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;_4yxo _4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic; font-weight: 600;&quot;&gt;As dissidências - João Franco e José Maria Alpoim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Este sistema do rotativismo funcionou ainda nos primeiros anos do reinado de D. Carlos. Mas entretanto surgem as dissidências, que tornam impossível a continuação do rotativismo. A primeira foi a dissidência Regeneradora, chefiada por &lt;span class=&quot;_4yxo _4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic; font-weight: 600;&quot;&gt;João Franco.&lt;/span&gt; Depois vem a dissidência Progressista, dirigida por &lt;span class=&quot;_4yxo _4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic; font-weight: 600;&quot;&gt;José Maria Alpoim&lt;/span&gt;. Com estas dissidências, em vez de 2 partidos passa a haver 4. Além disso, o pequeno Partido Republicano agora já tem deputados. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;Ora, com cinco partidos é impossível fazer a rotação, porque qualquer que seja o partido escolhido ele terá contra si os restantes quatro. E portanto não faz maioria. Ainda não existia a geringonça.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;_4yxo _4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic; font-weight: 600;&quot;&gt;O Ultimatum&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mas o início do reinado de D. Carlos coincide com um acontecimento dramático para Portugal: o ULTIMATUM Inglês. De 1890. &lt;br /&gt;Portugal tinha conseguido organizar e instalar grandes colónias em Angola, na parte ocidental de África; e em Moçambique, na parte oriental de África. &lt;br /&gt;E, por iniciativa da Sociedade de Geografia de Lisboa, surge um plano - O Mapa Cor de Rosa - que consiste em unir as duas colónias ocupando militar e administrativamente as regiões que se situavam no centro de África entre elas. Portanto, de Angola a Moçambique passaria a ser tudo uma grande colónia portuguesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class=&quot;_4yxo _4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic; font-weight: 600;&quot;&gt;Do Cabo ao Cairo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Simplesmente os Ingleses tinham um outro plano: Do Cabo ao Cairo.  &lt;br /&gt;Uma super colónia Inglesa que vinha desde o Cabo, no Sul, até ao Cairo, no Egipto. &lt;br /&gt;E é claro que a existência do Mapa Cor de Rosa impedia o projecto futuro Inglês &lt;span class=&quot;_4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic;&quot;&gt;Do&lt;/span&gt; &lt;span class=&quot;_4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic;&quot;&gt;Cabo ao Cairo&lt;/span&gt;. Portanto, os Ingleses enviaram-nos um Ultimatum para retirarmos imediatamente. &lt;br /&gt;Ora o governo não tinha outra solução senão ceder. Não era possível entrar em guerra com a Inglaterra, claro. &lt;br /&gt;Mas o partido Republicano tirou disso um grande partido, acusando o governo de não ser capaz de defender os interesses portugueses em África. E até acusando o Rei de cumplicidade com a Inglaterra, para se dar aquele resultado terrível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class=&quot;_4yxo _4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic; font-weight: 600;&quot;&gt;A Primeira Revolução Republicana: o 31 de janeiro de 1891&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O Ultimatum emocionou profundamente o país. E deu um grande alento ao partido Republicano, que queria “salvar” Portugal e a África. &lt;br /&gt;É na sequência dessa emoção pública que se dá no Porto a primeira Revolução Republicana. A revolução de 31 de janeiro de 1891. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma revolução de sargentos, organizada por jornalistas e que termina tragicamente em fuzilamentos pela guarda municipal, por uma falha de informação. Mais um engano. Disseram aos sargentos que a guarda estava do lado deles mas afinal não estava. E isso provocou muitas vítimas, muito sangue. O que alarmou a consciência burguesa que não gostava de violência. &lt;br /&gt;E, durante algum tempo, o partido Republicano desceu a sua popularidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class=&quot;_4yxo _4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic; font-weight: 600;&quot;&gt;A popularidade da família Real e o Franquismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Durante esse mesmo tempo, a Família Real, aproveitando o comboio, fazia viagens ao interior sob grandes ovações. A Família Real em toda a parte era recebida com carinho e entusiasmo extraordinários. Parecia que estavam criadas as condições para a tal Ideia Nova. E na realidade, em 1906, o rei D. Carlos acaba com a Rotatividade dos partidos e entrega o governo a &lt;span class=&quot;_4yxo&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-weight: 600;&quot;&gt;João Franco&lt;/span&gt;, o chefe da Dissidência Regeneradora / Liberal.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;Todos os outros partidos ficaram contra o Rei, chamam a esse acto &lt;span class=&quot;_4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic;&quot;&gt;a ditadura Franquista&lt;/span&gt;. Não é tecnicamente uma ditadura, uma vez que foram marcadas novas eleições dentro do prazo admitido pela Constituição. &lt;br /&gt;Mas o &lt;span class=&quot;_4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic;&quot;&gt;franquismo&lt;/span&gt; cria um período, entre 1906 e 1908, de grande excitação, de indignação popular contra o governo, que é acusado de estar a estrangular a Monarquia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class=&quot;_4yxo _4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic; font-weight: 600;&quot;&gt;O Regicídio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É nessa atmosfera unânime contra o governo que se dá o atentado do 1º de Fevereiro de 1908, no Terreiro do Paço, quando a família Real regressava de Vila Viços. &lt;br /&gt;Um conjunto de atiradores republicanos aguardava, em vários pontos do Terreiro do Paço, o coche Real. E todos atiraram sobre a carruagem, matando o Rei D. Carlos e o Príncipe Real D. Luis Filipe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso apareceram várias versões e teses de que eram só dois os atiradores, o Buíça e o Costa. Mas isso é falso. &lt;br /&gt;O atentado demorou semanas a preparar e não tem sequer nada a ver com o decreto que D. Carlos assinou na véspera como se tentou dizer. mais uma mistificação. &lt;br /&gt;Tratou-se de uma organização poderosa, que trabalhou durante semanas e que funcionou em pleno. E mataram o Rei.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;_4yxo _4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic; font-weight: 600;&quot;&gt;O período Pós - D. Carlos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A morte de D. Carlos vem privar a monarquia do seu principal alicerce. Morto o Rei, a monarquia ficava numa situação muito frágil. Tão frágil que o primeiro decreto depois do regicídio manda libertar todos os presos políticos republicanos que estavam na cadeia. &lt;br /&gt;Como sempre, o único castigado pelo regicídio acaba por ser o chefe do governo, João Franco, que foi intimado a sair de Portugal. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;É surpreendente isto. Então matam o Rei e o culpado é o chefe do governo? &lt;br /&gt;Isto representa a desorientação e o ambiente de pânico que se estabeleceu entre os monárquicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se estuda esta época fica-se com a idéia de que estamos num país com uma Monarquia sem monárquicos; e com os republicanos sem República. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;Chama-se um novo chefe do governo... quem há-de ser? Chama-se o Almirante Ferreira do Amaral que era um homem de prestígio e que não pertence a partido nenhum - isto mostra o desprestígio dos partidos. &lt;br /&gt;O que é necessário, para Ferreira do Amaral, é acalmar os ânimos da população.&lt;br /&gt;Os ânimos estão muito exaltados com a morte do Rei, há muita agitação, é preciso acalmar a opinião pública para se continuar a governar. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;_4yxo _4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic; font-weight: 600;&quot;&gt;A Revolução Republicana&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Neste clima de contemporização com o partido Republicano e com o crime que acabava de ser cometido, passam-se os anos de 1908 e 1909. &lt;br /&gt;E no dia 3 de Outubro de 1910 rebenta em Lisboa a revolução Republicana.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;O plano da revolução tinha sido estabelecido por oficiais permanentes e contava com a intervenção das unidades militares da guarnição de Lisboa. E, além disso, com a colaboração da Carbonária. A base do partido Republicano estava ligada à Carbonária, isso é um facto. &lt;br /&gt;A carbonária era uma organização clandestina, armada, que colocava bombas e desestabilizava a população e a autoridade. Algo parecido com uma organização de guerrilha terrorista dos nossos dias. &lt;br /&gt;Simplesmente este plano falhou porque as tropas das guarnições, com excepção do Quartel de Marinheiros, não saiu dos quartéis. A revolução chegou a parecer falhada. &lt;br /&gt;O papel fundamental - que era o da tropa - não apareceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comandante, o director do movimento, o Almirante Reis, julgando tudo perdido, suicidou-se. mas precipitou-se porque os Carbonários que se tinham juntado na rotunda não se renderam. E resolveram resistir até ao fim. &lt;br /&gt;Assim aguentaram todo o dia 4 de Outubro, sujeitos ao fogo monárquico. E na manhã do dia 5, o cruzador Vasco da Gama e o cruzador Adamastor aderiram à Revolução e começaram a bombardear o palácio real. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa altura levam o Rei (D. Manuel II) para Mafra. E daí para a Ericeira, onde ele embarca para Inglaterra, de onde nunca mais voltou. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;_4yxo _4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic; font-weight: 600;&quot;&gt;O equívoco que faz vencer a Revolução.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;As condições da proclamação são estranhas. &lt;br /&gt;Não há um acto de rendição. O que se passou foi que o embaixador alemão se vestiu solenemente com casaca e chapéu alto, e dirigiu-se no automóvel à rotunda com uma bandeira branca, a bandeira da paz, para pedir um armistício. Mas isto porque a artilharia já estava a fazer vítimas e ele queria reunir, na delegação alemã, os súbditos alemães que residiam em Lisboa.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;A população na Avenida viu passar um carro solene, com um senhor de chapéu alto e com uma bandeira branca, e concluiu que seria o governo a render-se!&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;Se o governo se rendeu, vem tudo para a rua, numa algazarra imensa. &lt;br /&gt;- Viva a República! Viva a República! &lt;br /&gt;E a República proclamou-se assim espontaneamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O directório do partido Republicano entrou na Câmara Municipal, que já estava dominada completamente pelos republicanos - a vereação era toda republicana - e do alto da janela anunciaram a proclamação da República.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;_2cuy _3dgx _2vxa&quot; style=&quot;box-sizing: border-box; direction: ltr; font-family: inherit; margin: 0px auto 28px; overflow-wrap: break-word; white-space: pre-wrap; width: 700px;&quot;&gt;Os membros do governo eram fundamentalmente os membros do directório do partido Republicano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, com a soma de dois enganos sucessivos, se implantou a República... à força, mas com o apoio do povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class=&quot;_4yxo _4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic; font-weight: 600;&quot;&gt;Epílogo: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class=&quot;_4yxp&quot; style=&quot;font-family: inherit; font-style: italic;&quot;&gt;“Nem apitos nem Ó da Guarda! Nem Aqui d´El Rei!&lt;br /&gt;Viva a República! É o único grito que chama a polícia e nos livra dos malfeitores!”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaotilly.blogspot.com/feeds/6442976716921739715/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/6041685/6442976716921739715?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/6442976716921739715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/6442976716921739715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaotilly.blogspot.com/2020/10/os-ultimos-anos-da-monarquia-joao-tilly.html' title=''/><author><name>João Tilly</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13937534335255943729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh8zAFAIEnQkBCYO_L2d095QinRafTt70q-Rn6TiiLcF5ZTkjUsPqp7psVdnrgLfwpWMH3tisZNsVDIiXDfW2_5JOomdoiS3gIOiI_hNSo_S0g1oVmfRBW2Pw-rhlQng7ZW6SLx/s72-c" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6041685.post-3500898981181194407</id><published>2020-08-17T23:44:00.002+01:00</published><updated>2020-10-05T07:37:26.085+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p&gt;
		
	
	
		&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 2&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;Edição para os apoiantes do canal João Tilly no Youtube&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;“A troca do Rei”
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;Capítulo 1 – O Nascimento do Rei
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Exterior do castelo de Guimarães numa noite de Invernia no longínquo ano de
1111. Pôs-se uma tempestade impressionante que lança sobre as paredes da
fortaleza toneladas de àgua e vento. Uma chuvada copiosa e oblíqua
entrecortada com relâmpagos sem fim pintam toda a paisagem de um imenso
branco mortiço e medonho.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O super monarca Afonso VI, filho do Grande Fernando Magno, intitula-se o
Imperador das Hispânias: Castela, Leão e Galiza. Mas será isso verdade?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Não.&lt;br /&gt;
Uma vasta região do Centro e Sul da Península continua sob o domínio dos
muçulmanos que em 711 invadiram a Península Ibérica. Para os expulsar
definitivamente, Afonso VI precisa do contributo dos modernos guerreiros
estrangeiros que possuem uma tecnologia bélica superior: os Templários.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Para o conseguir, Afonso VI casa as suas duas filhas com dois grandes
guerreiros oriundos da Borgonha com ligações ao Papa e aos Templários.
Urraca, a legítima, casa com Raimundo; e Teresa, a bastarda, com Henrique.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Esta história começa com uma dessas duas filhas: a não legítima. A D. Teresa.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;No corredor coberto com uma longa passadeira, 10 archotes ardem de cada
lado, espaçados e presos às paredes. Arcas de madeira nobre e austera servem
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;1
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 3&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;de cadeiras colocadas de 10 em 10 metros de um dos lados. E veem-se
armaduras com o mesmo espaçamento do outro.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Henrique de Borgonha, nervoso e impaciente, caminha de um lado para o
outro. Ouvem-se os trovões lá fora.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Que tempo miserável! Tinha que calhar logo hoje...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O escudeiro tenta acalmá-lo.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Calma, Meu Senhor. Tudo há de correr pelo melhor... Deus não permitirá que...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O escudeiro é interrompido pelo choro de um bebé.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Já nasceu! Deus é grande! Exclama o Fidalgo. E de imediato ajoelha,
benzendo-se inclinando a cabeça. Um momento depois, levanta-se de um salto:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E Teresa? Como está a minha Senhora??
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Henrique corre para a porta do quarto, mas é travado por uma jovem aia
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Meu Senhor: não podeis entrar ainda!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Henrique recua.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Mas D. Teresa está bem? Como está a minha mulher?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Está bem! Não cuideis. Mãe e filho estão bem com a Graça de D...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Filho! É um rapaz! Exclama D. Henrique, cheio de alegria!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E ajoelha novamente a agradecer.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Obrigado, meu Deus! Dais-me um varão logo no primeiro filho! Afinal a
tempestade foi minha amiga!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Mas logo algo lhe parece estranho. Há um grande silêncio. Dentro do quarto não
se ouve uma voz. Não é normal.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;2
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 4&quot;&gt;
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				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Henrique corre novamente para a porta do quarto e esmurra-a
insistentemente.&lt;br /&gt;
- Então? Que se passa? Deixai-me entrar e ver o meu filho!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;De lá de dentro vem uma voz trémula:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- S... só um momento, Meu Senhor. Está quase pronto...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Henrique, estranhando:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Mas porquê todo este silêncio? Porque não vos rides e cantais? É um varão!
Porque não cantais de alegria?!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;A porta abre-se lentamente. Ao fundo do quarto, à esquerda da cama com as
respectivas cortinas (dossel) uma velha parteira olha fixamente o chão. Teresa,
a mãe, tem um olhar ausente, como que ainda não consciente de que já nasceu
o seu filho.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;A aia mais velha tem um bebé ao colo, enrolado num cobertor enquanto lhe limpa
a face com um pano suave. O bebé tenta chorar.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Aia! Dai-me o menino! O meu filho!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;A aia passa cuidadosamente o recém-nascido para os braços do pai. A criança
ainda tem vestígios do parto.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Oh que Ventura a minha! Que tesouro! O meu filho! Será o Rei de Portucale!
Aia: tirai-lhe o cobertor. Deixai-mo ver completo!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;A aia, visivelmente atrapalhada:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Meu Senhor: tendes muito tempo para isso. Não o deixemos apanhar frio. Pode
apanhar o mal.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Sim... tendes razão. Agasalhai-o, sim. Amanhã ou depois confirmarei.
E, voltando-se rapidamente:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;3
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 5&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Mas asseguraste-te que era MESMO um Rapaz!? Não me estais a mentir?
- Não, Meu Senhor! Seria lá capaz disso! É um rapaz sim que vos afianço com
estes dois olhos que o viram. Eu vos garanto que é um varão!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- E a Senhora D. Teresa? Não fala... parece ausente...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Não, meu Senhor. Está apenas abalada. É o primeiro filho. Muitas nem
aguentam. Deixai-a repousar.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Está bem. Amanhã voltarei para ver o meu filho inteiro e confirmar com os meus
olhos a ventura que Deus me deu...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Henrique sai do quarto. As aias olham uma para a outra desalentadas e a
velha parteira dirige-se a elas:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Foi a vontade de Deus. O menino sobreviverá, apesar de tudo.
D. Teresa olha fixamente o teto do quarto, sem expressão.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;No dia seguinte na sala de jantar, D. Henrique está sentado a uma das
cabeceiras. Uma imensa lareira atrás de si exibe uma armadura de cada lado.
Por cima da lareira uma tapeçaria com cenas de caça. Sobre a mesa, com doze
metros de comprimento e dois de largura, estão colocados três castiçais de doze
velas espaçados regularmente. Aos pés de D. Henrique, dois majestosos galgos.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Escudeiro! Manda a aia vir trazer-me o meu filho. Quero vê-lo antes de partir!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O escudeiro sai e passados alguns momentos regressa com a Aia jovem que
traz um bebé nos braços.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Senhor, o menino estava a dormir. Não achais melhor que o deixeis descansar
que logo após voltardes da caçada ele estará mais desperto...?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Nada disso. Quero ver agora e já o meu filho que Deus me deu e ver como ele
é perfeitinho e completo. O Futuro Rei desta que há de ser uma Grande Nação...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;A aia jovem, envergonhada:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;4
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 6&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Bem se o desejais tanto... ele aqui está.
Henrique toma o menino nos braços.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Mas ele está vestido como ontem! Retirai-lhe a roupa que eu quero ver de que
é feito o futuro Rei!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;A aia, muito a medo, desenrola o cobertor até que por fim o menino fica
completamente nu, revelando o seu corpo inteiro.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;É Homem sim! Olha aqui, Aia!... mas... espera lá... As pernas do menino são
pequeníssimas! Isto é normal, Aia?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;A jovem aia, balbuciando:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Meu Senhor, eu... eu não tenho ainda muita experiência com recém-nascidos...
ainda só vi nascer dois ou três, mas acho que sim...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Henrique, abanando a cabeça:&lt;br /&gt;
- Não pode ser. Escudeiro: Chama a parteira!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O Escudeiro sai da sala e poucos momentos depois aparece acompanhado pela
velha parteira.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Parteira: explica-me! Isto é normal? As pernas do meu filho mal se veem... o
que é isto??
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Meu Senhor... eu não sei bem...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Não sabes??? Tu que já trouxeste ao mundo centenas de crianças, não sabes?
Tu que já viste nascer e morrer tanta gente? Diz-me a verdade já, velha!
- Bem, meu Senhor... (e desata a chorar) eu não tive a culpa! Sei que me vai
mandar matar mas eu não tive culpa. O parto até correu bem, a criança nasceu
com facilidade... mas acontece que... que...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Henrique (espumando de raiva):
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;5
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 7&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Acontece o quê? Fala ou eu juro-te por Deus que não voltarás a ver nascer o
Sol!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Meu Senhor (irrompendo em choro) mas eu não tive a culpa... eu não fiz nada...
a criança nasceu assim normalmente...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Henrique (cada vez mais alterado):
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Assim??? Mas assim como?? O que tem o meu filho? Diz-me, mulher, ou eu
juro que...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O vosso filho nasceu “&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-style: italic;&quot;&gt;tolheito&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;” das pernas. Jamais conseguirá andar... nem
sequer montar...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Henrique, chocado e incrédulo:&lt;br /&gt;
- Quê? Que me dizes? O futuro Rei não vai conseguir caminhar?
Velha parteira (chorando):
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Não, Vossa senhoria. Eu já vi nascer muitos assim com as perninhas “&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-style: italic;&quot;&gt;tolheitas&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;”.
São pequenas demais e nem sequer são iguais. Não ganharão carne nem força.
Vosso filho jamais poderá caminhar pelo seu próprio pé...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E, em convulsão, atira-se de joelhos às pernas de D. Henrique que continuava
incrédulo a olhar para o infinito.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Mas a culpa não foi minha! Por favor, poupai-me! Eu não fiz nada de errado e
Deus é minha testemunha que eu não fiz nada de errado!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Henrique, por seu lado, tinha ficado estático. Hirto. Olhos baços, sem
expressão. O Escudeiro, assustado:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Senhor: estais bem?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Henrique interrompe o choro da velha que se ajoelhava a seus pés suplicando
misericórdia. E com voz grave e cava pergunta:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;6
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 8&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Velha: ouve-me. Não há nada a fazer? Nunca viste nenhum menino assim
nascido ficar curado?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Senhor: se vos disser que sim estarei a mentir e Deus castigar-me-á. Só um
Milagre de Nosso Senhor poderá curar este menino.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E logo a seguir, esperançosa:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Mas Senhor: animai-vos! O menino não morrerá, meu Senhor... ele vai viver...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O Quê?? Ele vai viver?? Pois antes morresse! Que vou eu fazer com um filho
aleijado? Que Rei pode ser um Rei aleijado? Nenhum! Ouviste, velha estúpida?
Nenhum!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E agarra a velha içando-a no ar...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Nenhum Rei no Mundo temente a Deus pode ser um aleijado! E este vai ser.
Para que serve um Rei assim? Mais valia...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E, visivelmente transtornado, retira a espada da bainha...
A Velha parteira suplica:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Meu Senhor! Parai! Passareis a Vida eterna no Inferno! Não desperdiceis a
Vossa Alma que é eterna! Por Amor de Cristo Nosso Senhor!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E suplicava, chorando e tentando proteger a criança que se encontrava
novamente nos braços da ama.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Meu Deus! Meu Deus! Por que dás esta tortura? O menino vai crescer e será
sempre um &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-style: italic;&quot;&gt;tolhido&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;. Como poderá governar? Desesperava D. Henrique.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E voltando as costas, sai da sala, atirando com a espada para um canto,
enquanto o escudeiro, assustadíssimo, sai correndo atrás de si, e os pagens se
escapam cada um para seu lado.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;A velha parteira ergue os olhos rasos de lágrimas como que implorando um
milagre aos Céus. E a aia, a seu lado, chorando com o menino ao colo...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;7
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 9&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Na Idade Média quem decide tudo é Deus. Para o bem e para o mal. A população
não podia senão resignar-se com os desígnios do Altíssimo. Mas esta era a
maior machadada que se poderia ter abatido sobre um Nobre francês, educado
segundo os mais modernos padrões do Conhecimento Científico da época e que
tinha vindo há pouco tempo para o Condado Portucalense a convite de seu
sogro. E que, no fundo, nutria o secreto desejo de ver o seu filho coroado Rei de
uma Nova Nação que estava a formar-se e para a qual ele tinha inclusivamente
encontrado o nome: Portucale.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Com um filho deficiente – portanto impossibilitado de vir a constituir-se um Rei
que se exigia forte guerreiro e hábil cavaleiro, todos os seus planos estavam a ir
por água abaixo.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Havia que fazer alguma coisa porque nem uma nova criança resolveria o
problema. Enquanto este primogénito estivesse vivo ele seria sempre o futuro
Rei, nascesse quem nascesse a seguir. Mas um Rei “&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-style: italic;&quot;&gt;tolheito&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;” que nunca poderia
ganhar o respeito dos seus súbditos.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;A menos que... o destino estivesse a preparar mais algum golpe de teatro que
pudesse resolver este aparentemente irresolúvel problema.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O que viria, realmente, a acontecer.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;8
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 10&quot;&gt;
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				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;Capítulo 2 – Egas Moniz e a Educação de Afonso Henriques
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
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				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Floresta Densa de Guimarães. Em plena caçada. Hermígio Moniz, o velho
Senhor de Riba Douro, faz parar o seu cavalo junto de D. Henrique que, na
margem de um ribeiro olhava, especado, a sua imagem na água.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Os seus companheiros de caça mantinham respeitosamente uma certa
distância, garantindo-lhe assim uma relativa privacidade.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Henrique: os caminhos do Senhor são duros e tortuosos. Só ele sabe por que
nos faz passar por certas provações.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Desmonta do cavalo colocando-lhe a mão no ombro:&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Henrique: não te esqueças do que prometeste ao meu Irmão.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Henrique roda a cabeça devagar no sentido de Hermígio e balbucia quase
impercetivelmente:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E achas que ele vai manter o seu pedido, depois... depois de ver a criança? A
criança aleijada?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Os Mistérios do Senhor podem ser insondáveis mas os de Egas são
inexistentes. Mantem o que combinaste, Henrique, meu querido Irmão-em-
Armas, que o meu outro Irmão, o de sangue, cumprirá a sua parte.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E remata, dando-lhe uma palmada nas costas:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- E agora vamos a eles! Daqui a pouco cai a noite e os javalis já pensam que
estamos doentes!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Os cavaleiros partem a todo o galope pela floresta adentro. A caçada é
retomada, o galope frenético, as flechas voadoras, a perseguição dos cavaleiros
a javalis e veados. D. Henrique cai em pleno ribeiro atingido por um ramo de
uma árvore enquanto perseguia uma cria de javali. Gargalhada geral e boa
disposição.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;9
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 11&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Cai a noite. O grupo de caçadores retorna ao Castelo. Um pagem segura o
cavalo de D. Henrique enquanto o informa:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Meu Senhor: lá dentro à espera de V. Senhoria está D. Egas de Riba Douro.
Quer falar com V. Senhoria antes da ceia.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Henrique, apreensivo, não responde. Desmonta do cavalo e dirige-se para a
entrada da Torre de Menagem enquanto os escudeiros cerram a porta principal
do castelo.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Os pagens abrem a porta da Torre e, ao entrar, D. Henrique depara
imediatamente com o seu grande Amigo e irmão de Hermígio, Egas Moniz, da
mais alta fidalguia de Riba Douro, Tarouca, Lamego e Ucanha.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Egas, meu Irmão!&lt;br /&gt;
- Henrique, irmão meu!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E lançam-se nos braços um do outro, ambos mordendo os lábios para conter as
lágrimas.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Estava em Salzedas (Mosteiro de Tarouca) quando a notícia chegou. Vim
imediatamente. Cavalguei toda a noite...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Não esperava outra coisa de ti, Egas.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E logo num tom mais grave:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Já soubeste?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Sim. E exigi ver com os meus olhos. Não leves a mal mas tinha que ver para
crer.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Sim, Claro. A maior ventura seguida da maior desgraça...&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Irmão Henrique: os mistérios de Deus...&lt;br /&gt;
- Já sei, já sei. É o que sempre diz teu irmão Hermígio. Está lá fora... vai vê-lo.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;10
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 12&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Não, meu irmão. Hermígio pode esperar. Esta conversa, não. Como sabes,
pedi – por via da muita estima que te tenho - aquilo que te pedi. E tu concedeste.
Agora venho reclamar o teu penhor.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Egas, meu irmão. Bem sei o que te prometi. Mas nenhum de nós poderia prever
o que a Fortuna nos reservava. A criança nunca vai poder andar. Nunca será Rei
nem sequer Conde de Portucale... Agradeço-te do coração mas estás
desobrigado do teu pedido.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Como, Henrique??? Só por cima do meu cadáver! Venho reclamar a tua
promessa. Não me importo que Deus assim tenha decidido. Venho reclamar o
que combinamos. Mal a criança atinja os dois anos de idade, esteja como estiver,
será por mim educada para ser Conde, Rei ou Papa. O Amor que lhe darei é o
mesmo quer tenha pernas e braços ou não. É-me igual! Portanto é isto o que te
venho aqui dizer: ao perfazer dois anos a criança passará a ser educada por
mim tal como acordámos mal se soube que vinha a caminho. E eu não abdico
de ser o seu Aio.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Egas! Aio?? Por Amor do Altíssimo! Como é que a melhor linhagem de Riba
Douro pode vir a ser aio de um fedelho? Eu, que sou estrangeiro, é que devia
ser aio dos teus filhos. Tu pertences à melhor casta da nobreza de Entre Douro
e Minho! E a mais antiga também.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Chama-lhe o que quiseres, irmão. Mas o teu rebento será por mim educado tal
como tínhamos acertado os dois e também com Sua Senhoria D. Teresa Vossa
esposa. E disso não abdico.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Egas (condescendendo): nem eu esperava outra coisa. Rezemos, pois, por um
Milagre e que Deus tenha compaixão daquela pobre criatura e se digne fazer um
grande Gesto. Pelo menos que ela possa manter-se de pé. No cavalo teremos
que a cingir com algum engenho à sela. Tenho Esperança que será possível
mantê-lo no dorso de um cavalo sem cair. Havemos de o conseguir!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Claro, Irmão. Juntos e com a Graça de Deus... Juntos havemos de conseguir.
E agora vamos ver o nosso outro Irmão.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;11
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 13&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Um forte abraço une uma vez mais D. Henrique e D. Egas Moniz.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E mais uma vez o carácter e a integridade de Egas Moniz levam a melhor sobre
o preconceito medieval instituído. Deficiente ou não, o futuro Rex de Portucale
havia de ser educado por si.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O destino, mais à frente, iria dar uma volta de 180 graus ao futuro desta criança.
Mas, por enquanto, nenhum dos dois o poderia imaginar.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;12
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 14&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;Capítulo 3 – A partida e a morte do Conde D. Henrique
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Exterior do Castelo de Guimarães. Ano de 1112
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Raia a Aurora. Os cavaleiros, cerca de 100, aguardam pelo Conde D. Henrique
já do lado de fora das muralhas. Nos aposentos de D. Teresa, D. Henrique
despede-se da esposa, D. Teresa de Leão, que se encontra de pé à sua frente.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Senhora minha: está na hora. Esta campanha não demorará mais de um mês.
Tenho que defender Vossa Irmã do seu infame segundo marido, Afonso, que
cerca Astorga, agora Terra Nossa. Por muito que me custe, sangue é sangue e
Terra é Terra. E não darei de barato o que tanto nos custou a conquistar.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Ide, meu Senhor. Realmente o meu novo cunhado não é de fiar. Mas Deus
não permitirá que ele leve a melhor.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Com um beijo na mão de sua esposa e outro na testa da criança que dormia ao
colo da aia, D. Henrique retira-se dos aposentos, atravessa o corredor, sai para
a praça interior da fortificação, monta o seu nervoso ginete, que o escudeiro
muito a custo tentava segurar, e levanta o braço para os serviçais que,
amontoados na praça, gritam:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Viva D. Henrique e seus Bravos Cavaleiros! Boa Ventura!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Meus fiéis serviçais! Dentro de uma lua, com a Benção de Deus Pai, aqui
estarei para vos contar as façanhas desta nova Batalha e da Libertação de nossa
Cidade Astorga. Até lá, querendo Deus, Nosso Senhor!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Viva D. Henrique! Que vá com Deus e Boa Ventura!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Henrique abandona a praça com um último aceno e, já fora de portas, exorta
os seus cavaleiros:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Meus Bravos! O nosso Bom Deus e minha cunhada D. Urraca pedem-nos que
façamos Justiça à traição de Afonso I, seu infeliz esposo. Vamos dar-lhes batalha
forte e, com a Graça de Deus Nosso Pai, venceremos e reporemos a Justiça em
Astorga!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;13
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 15&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Por Cristo e D. Henrique! Por Cristo e D. Henrique!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E os cem cavaleiros partem a galope para o cerco de Astorga deixando atrás de
si os ecos dos gritos vibrantes e dos cascos dos cavalos envolvidos numa núvem
de poeira.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Passam 4 dias na viagem. D. Henrique e os seus cavaleiros chegam a Astorga.
É noite cerrada. Milhares de archotes cercam o castelo. Tudo em redor são
acampamentos. Ouvem-se os risos das mulheres da vida, os berros dos
bêbedos, as gargalhadas dos jovens. De dentro da fortificação, no entanto, nem
um som. Nem uma luz.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Astorga está cercada há já um mês completo pelas tropas de Afonso I, o segundo
marido de D. Urraca. O casal que se zangava e reconciliava alternadamente. E
de cada vez que tal acontecia, um novo cerco, uma nova escaramuça, uma nova
batalha.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Madrugada alta, com os sitiantes dormindo e aproveitando um denso nevoeiro,
D. Henrique e os seus cem cavaleiros aproximam-se do flanco da fortaleza. Ao
sinal combinado, outros cem cavaleiros saem da fortificação pela porta principal
erguida depois de untada com azeite e banha para evitar o ruído.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;As duas alas de cavalaria precipitam-se em conjunto sobre o acampamento
principal onde o rei traidor Afonso I dormia um bem regado sono.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;-Alarme! Tocam as trombetas dos vigias! Os sitiantes estremunhados
precipitam-se para as armas... mas é tarde demais. Os cavaleiros de D. Henrique
e de D. Urraca estão a cair sobre eles sem piedade.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Uma surtida de surpresa a meio da madrugada!... à boa maneira Templária.
Ninguém ali o esperaria. A noite era usada tradicionalmente pelos sitiados para
fazer saídas curtas para conseguirem algum mantimento ou para enviar
mensageiros isolados. Nunca para fazer a guerra.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O Rei ainda consegue escapar, em trajes menores, protegido pelos seus
escudeiros. Mas quem fica é dizimado. A cavalaria organizada não dá hipóteses
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;14
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 16&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;à infantaria confusa. As tendas são queimadas, os fugitivos esmagados ou
passados à espada.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Quem consegue fugir, salva-se. Quem ficou a dar batalha foi esmagado. Por fim,
quarenta a cinquenta peões ajoelham depondo as armas. A batalha terminara
em poucos minutos. O Rei escapou. Mas ficou sem metade das tropas.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Hurra! Hurra! Por D. Henrique! Hurra! Hurra! Por D. Urraca!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Henrique e o Condestável de D. Urraca desmontam e abraçam-se. Os
vencedores percorrem o acampamento despojando os soldados caídos dos seus
valores. As peças valiosas encontradas dentro da tenda real são trazidas a
Henrique e ao Condestável. Este obsequia D. Henrique com esse valioso saque.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O saque é vosso, por direito e Valor.&lt;br /&gt;
D. Henrique agradece. Realmente, a Tradição medieval manda que quem ajuda
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;a ganhar um Sítio leva a melhor parte do saque.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Graças, Condestável. Assim o farei por Honra de Deus e de meu filho Afonso
cujo nome não desmerece o deste impostor!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E, por entre o júbilo das tropas vencedoras, Henrique e o Condestável de Leão
montam e regressam para o castelo.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Por um breve instante olham para trás e confirmam a destruição total dos
acampamentos sitiantes, consumidos pelo fogo e pilhados pelas tropas aliadas.
Dezenas, ou mesmo centenas, são os corpos jazendo que estão a ser
despojadas dos seus pertences pelos escudeiros dos cavaleiros vencedores.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Nessa mesma noite, retemperadas as forças, decorre um banquete com música
e dança e muita alegria na sala principal.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Manda a tradição que os vencedores confraternizem durante uma semana em
banquetes, danças e folguedos após a vitória numa batalha (ou cerco, neste
caso). Mas D. Henrique queria voltar o mais depressa possível para a sua
Esposa e filho.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;15
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 17&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Condestável: Esta é a última noite que descansaremos em tua Casa porque
amanhã cedo quero voltar para PortuCale.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Meu Senhor! Tão cedo? Nem 3 noites aqui passastes. Olhai que os Vossos
homens estão a adorar a estadia!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E lança o olhar para um grupo de jovens que se divertia com outro grupo de
donzelas.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Bem o sei... mas tenho saudades do meu filho. Quero ver se ele melhorou das
pernas.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O Condestável, já um pouco bêbedo, responde:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Meu Senhor: que Deus te ouça. Não quero tirar-te esperanças mas essa
doença não costuma ter cura...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Henrique dá um murro na mesa e levanta-se de um salto, como para protestar,
mas cambaleia por um segundo e vai cair sobre a mesa quando é agarrado pelo
cavaleiro a seu lado
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O Condestável, rindo:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Então, Meu Senhor? O que se passa? O hidromel de Astorga é forte demais
para os Portucalenses? Ah! Ah! Ah!?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Henrique retorna a si, claramente confuso, sem perceber o que se estava a
passar
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Onde estou? O que se passou?
O Cavaleiro que o ampara elucida:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Parece que Monseigneur não aprecia as qualidades do nosso hidromel. Este é
a sério. Não é amansado pela brisa marítima! Ah! Ah! Ah!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Henrique senta-se de novo, ajudado pelo cavaleiro e diz:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;16
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 18&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Mas eu não estou bem. Bebo desde criança e não seriam 6 copos que me
poriam assim. Vejo tudo a rodopiar...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Monseigneur: pensei que estaríeis a folgar mas agora vejo que estais a arder
em febre!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E o Condestável ordena:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Homens! Levai D. Henrique para dentro. É muita emoção junta. Ele tem que
descansar.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;De imediato dois escudeiros, um de cada lado, amparam e conduzem D.
Henrique aos seus aposentos.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Quatro semanas volvidas, no castelo de Guimarães, Egas Moniz passeia com
D. Teresa, com o seu escudeiro e as duas aias.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Senhora Minha: sabeis novas de V. marido e senhor D. Henrique?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Ainda não e já estou em cuidados. A última coisa que me disse foi que voltaria
num mês e já passaram quase dois...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Não há de ter acontecido nada de maior senão a esta hora já o saberíamos...
Nisto, um vigia grita da amurada:&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Três cavaleiros aproximam-se a Norte!&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Quem são? Consegues distinguir estandartes? Pergunta Egas Moniz.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Não está levantado ainda.... espere... agora sim... Mas não conheço. É
vermelho com um ramo verde ao centro...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- É um ramo de carvalho. Vêm de Astorga! – exclama o Senhor de Riba Douro.
- De Astorga? Aflige-se D. Teresa. E o meu Senhor não vem com eles???&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Não vislumbro o Senhor D. Henrique.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;17
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 19&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Egas Moniz ordena que se abram os portões. Os 3 cavaleiros entram no castelo
e desmontam. O do centro dirige-se a D. Teresa e, com uma vénia, entrega-lhe
um colar e 2 braceiras.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Teresa (aflita):
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Deus Meu! Henrique! São do meu senhor! Onde está ele??
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O cavaleiro de Astorga, com voz grave:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Senhora Minha, vosso Esposo e Senhor D. Henrique foi chamado por Deus...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Teresa, desesperada:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Não!!! Mataram-no??
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Não, senhora minha. Ninguém o conseguiria. Vosso esposo foi o mais valoroso
guerreiro no desmantelamento do cerco... e nem ferido ficou.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Nem ferido??? Então... então como perdi o meu Senhor?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Acontece que nem três dias eram passados desde a heróica Vitória e Vosso
Senhor foi acometido de forte febre. E a ela não resistiu mais do que uma
semana.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Teresa (suplicando):
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Meu Deus! Por que me levaste o meu Senhor?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Os melhores físicos de Astorga
estiveram sempre a seu lado. Mandámos vir um a que chamam milagreiro de
Carrión. Mas nem esse lhe valeu.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Teresa, suplicando:&lt;br /&gt;
- Meu Deus! Perdoai a este pobre pecador!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;18
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 20&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Mas fique V. Senhoria ciente que ele não sofreu. Entrou em delírio nos últimos
dias e só falava em V. Senhoria e no seu filho. E repetia: “Ele vai ser Rei! Ele vai
ser Rei!” Não percebemos bem o que queria dizer com isso...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Teresa, recompondo-se:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Deixai. Eu sei o que ele queria dizer. Mas porquê? Isto só pode ser mais uma
provação de Deus Todo Poderoso.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E, resignando-se:&lt;br /&gt;
- Teremos que a aceitar. É a sua Vontade...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;V. Senhoria: nós viemos à frente. O corpo de Sua Senhoria chegará
provavelmente amanhã por esta hora.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Sim. Entrai. Ponde-vos à vontade. Aias: preparai um banho quente e comida
forte para estes gentis cavaleiros. A malfadada notícia que nos trazem não pode
ser confundida com o seu empenho e denodo. Ide!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E as aias entram com os cavaleiros para uma dependência contigua às
muralhas. Nisto chega Egas Moniz
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Senhora: estou destroçado.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Bem o sei, meu Bom Amigo. A Ventura não nos tem sorrido mas temos que
nos resignar. É esta a vontade de Deus...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;... cujos mistérios são insondáveis.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Que mais nos reservará o Divino?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Senhora: a partir deste momento, aconteça o que acontecer – e agora por
maioria de razão! – eu quero educar o Vosso filho. Será menos uma
preocupação para vós; e acreditai que dele cuidarei como se de filho meu se
tratasse.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Eu sei, Bom amigo... eu sei... mas ele nem 2 anos ainda fez...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;19
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 21&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Senhora: Dada esta inesperada fatalidade e uma vez que a criança, por infeliz
sina, não mais verá o seu querido Pai, peço autorização para o levar comigo logo
após as exéquias de Vosso Esposo.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Não sei que te responda, bom Amigo. Foi promessa de meu falecido esposo e
terá que ser cumprida. E mais agora que - como infelizmente bem o dizes – ele
não mais verá o seu Pai...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Senhora Minha: Tendes, a partir de agora, um Condado inteiro para gerir;
terras, montes e vales a perder de vista e populações aos milhares para cuidar.
Deixai-me aliviar-vos, ao menos, de uma tarefa que sei ser capaz de levar a bom
Porto. E eu me comprometo a trazer-vos o Infante Afonso Henriques anualmente
à vossa presença para que nunca se esqueça de sua Querida Mãe.
- Está bem, Meu Amigo. Agora deixai-me por momentos. Preciso ficar só.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Com certeza, Senhora. Deus e a Alma desse grande Homem que foi o vosso
Esposo vos acompanhe agora e sempre.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Teresa encaminha-se cambaleando para dentro do palácio Ducal.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Egas observa-a meditando nas duras provações a que o Senhor a está a
submeter. Primeiro, o filho &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-style: italic;&quot;&gt;tolhido&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;. Agora, fica viúva ainda na flor da idade... Que
mais desgraças lhe reservará o destino?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Castelo de Guimarães. O funeral de D. Henrique. Todos os residentes do Castelo
e ainda o Condestável de Astorga, D. Urraca e a sua comitiva estão presentes.
O Arcebispo de Braga, D. Maurício Burdino, que viria a ser o Anti Papa Gregório
VIII, preside às exéquias num latim irrepreensível. O corpo viajara muitas milhas
para ser enterrado. Mas não na Terra em que nasceu nem naquela que o viu
morrer. Henrique, um francês, um viajante pela Hispânia, lutara em muitas
frentes. E faria aqui a sua última viagem.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span color=&quot;rgb(23.137260%, 23.137260%, 23.137260%)&quot; style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-style: italic;&quot;&gt;... “memento, homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris”... &lt;/span&gt;&lt;span color=&quot;rgb(23.137260%, 23.137260%, 23.137260%)&quot; style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Lembra-te,
Homem, que és pó e ao pó hás de voltar.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span color=&quot;rgb(23.137260%, 23.137260%, 23.137260%)&quot; style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O corpo desce às catacumbas da Igreja no meio do choro gemido das mulheres
e do absoluto silêncio dos homens. A pedra tumular é colocada com um som
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;20
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 22&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span color=&quot;rgb(23.137260%, 23.137260%, 23.137260%)&quot; style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;arrepiantemente cavo. Um a um, todos saem da Igreja. Egas Moniz dirige-se a
D. Teresa:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			&lt;div class=&quot;section&quot; style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
					&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
						&lt;p&gt;&lt;span color=&quot;rgb(23.137260%, 23.137260%, 23.137260%)&quot; style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span color=&quot;rgb(23.137260%, 23.137260%, 23.137260%)&quot; style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Senhora minha: é hora de partir. Vosso filho está já na liteira. Ide despedir-vos
dele e tomai para Vós os próximos dias para descansardes e recuperardes desta
tão grande tragédia.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
						&lt;p&gt;&lt;span color=&quot;rgb(23.137260%, 23.137260%, 23.137260%)&quot; style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;D. Teresa dirige-se à liteira e beija longamente a criança que está preste a partir
para Salzedas e para o mosteiro de S. João. São as Terras de Riba Douro, as
Terras de Ucanha, actual Tarouca, distrito de Viseu.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
						&lt;p&gt;&lt;span color=&quot;rgb(23.137260%, 23.137260%, 23.137260%)&quot; style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;A liteira parte com a comitiva de Egas Moniz. D. Teresa fica especada, os braços
caídos a ver a liteira afastar-se. Dentro dela vai o futuro Rei de Portugal. Um Rei
que nunca poderá erguer-se nas suas próprias pernas.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;/div&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span color=&quot;rgb(23.137260%, 23.137260%, 23.137260%)&quot; style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Meu Deus (murmura): o que reservarás para o futuro deste meu frágil e infeliz
menino? Seja o que for, por favor não o deixeis morrer... mesmo que nunca
venha a andar. Mesmo que nunca venha a montar a cavalo... mesmo que nunca
venha a ser Rei. Será sempre o meu filho.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Mas nem a mais fértil imaginação se aproximaria do que o futuro reservava ao
seu querido filho.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;21
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 23&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;Capítulo 4 – A Visão de Santa Maria, a Igreja de Rates e o desastre de
Chaves
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Torre de Ucanha. Tarouca. Meio dia. Passaram-se 6 anos. A criança, o Infante
Afonso filho de Henrique tem agora 7 anos. É uma criança extremamente
inteligente. Aprende tudo com muita rapidez. É muito desenvolto na oralidade e
rápido nas respostas. Já conhece o pequeno Império de Riba Douro. Conhece
as aldeias e vilas, os rios, os vales, as plantas e os animais. É um verdadeiro
menino-prodígio... mas não anda. Nem sequer consegue manter-se em pé. As
suas pernas continuam dobradas e sem músculos. Para se equilibrar sobre um
potro, um escudeiro de Egas Moniz arranjou um sistema composto de duas varas
verticais fixadas uma de cada lado da sela, às quais o menino se segura com as
mãos. Mas apenas consegue segurar-se se o animal se mover devagar. A passo.
A trote, ele acaba sempre por cair. E o galope é impensável.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Não adianta, Pêro. Caio sempre. Não consigo dar uma volta completa à praça
de Britiande...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Não desespereis, Senhoria Menino - responde-lhe o fiel escudeiro Pêro de
Ucanha. Com o tempo tudo se há de resolver... tende confiança!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Confiança? (desanimado). Pêro: cada vez estou pior e menos tempo aguento
em cima do potro. Cada vez tenho que fazer mais força e canso-me cada vez
mais...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Eu sei, Meu Senhor Menino mas a Vida é mesmo assim. Temos que lutar com
perseverança contra as nossas próprias limitações. Reparai: vós tendes 7 anos
e sabeis ler editais e escrever o vosso nome. Eu tenho quase 30, ninguém me
ganha a montar e a subir a uma torre... mas não distingo uma letra. Cada um é
para o que nasce...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Pois sim, bom Pêro. Mas de que me serve saber ler e escrever se não consigo
andar, correr e nem sequer montar? Passarei o resto da minha vida sentado
numa cadeira? De cada vez que quiser levantar-me tereis que me ajudar e
transportar para qualquer lado, até para a latrina? Não quero um futuro desses
para mim!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;22
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 24&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Meu Amo: a Vida muitas vezes mostra-nos caminhos que não vemos e
Venturas que não esperamos. É preciso ter confiança em Deus, Nosso Senhor.
Ele lá terá as suas razões e, querendo, nos indicará o melhor desses caminhos.
Temos apenas que aguardar esse chamamento com esperança e alegria...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Pois sim, bom Pêro. Assim farei. Aguardarei que esse caminho se abra à minha
frente.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Nisto, ouve-se a voz ao longe:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Infante Afonso! Afonso Henriques! E Pêro! Vinde aqui!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Afonso e o escudeiro apressam-se. Era o Senhor D. Egas Moniz. Afonso,
montado, segura-se com uma mão a uma das varas da sela e com a outra agarra
com força a mão de Pêro que corre a seu lado.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Afonso! Pêro! Preparai-vos. Vamos partir!&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Partir, meu Amo? Para onde, se posso ousar perguntar-vos?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Pêro! Afonso! Esta noite tive uma epifania. Vi a imagem de Nossa Senhora que
me acordava. Dizia:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- D. Egas... D. Egas... dormes?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- E Vós quem sois? - perguntei.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- “Sou a Virgem que mando que vás a Rates e caves nesse lugar e encontrarás
uma igreja que em outro tempo foi começada em meu nome e uma imagem
minha. Coloca o menino sobre o Altar e vereis que fica sarado. Para o
fortaleceres ainda mais leva-o a banhos às termas de Chaves. Quando voltares
o menino será forte e são. E o meu Filho quer por ele destruir os inimigos da Fé”.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Portanto vamos rápido chamar seis cavaleiros e aparelhar a liteira e vamos para
Rates e a seguir para Chaves. O menino vai ficar curado!!!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Graças a Deus! Vede, Senhor Menino! O caminho de que vos falava!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;23
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 25&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Deus te oiça, bom Pêro... Deus te oiça...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Os preparativos para a Viagem milagrosa iniciam-se em Britiande. Cavaleiros e
escudeiros armam-se, mulheres trazem mantimentos, aparelha-se a liteira a dois
cavalos robustos e nessa mesma tarde se inicia a viagem que pode mudar o
destino do futuro Rei e de um novo País. Poucas horas após a comitiva de
Britiande saía com destino ao Futuro...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Três dias de viagem foram suficientes para que a comitiva chegasse a Rates.
Mas aqui surge um novo contratempo: os escudeiros procuram descobrir,
perguntando à população local, o lugar onde em tempos terá existido uma
ermida, uma igreja, uma capela... mas acontece que já ninguém o sabia dizer.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;De facto, o templo original datava do sec. IV, do tempo da romanização, ainda
antes da chegada dos povos bárbaros e posteriormente dos muçulmanos. Oito
séculos depois nada tinha resistido. Nenhum vestígio era conhecido. E agora?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Senhor: corremos tudo; batemos a todas as portas, perguntámos a todos os
camponeses e mestrais. A Lenda é conhecida mas o local onde em tempos se
levantou a Igreja... já não. Sinto muito.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Não desistiremos, Pêro. Amanhã, querendo Deus, a acharemos. Esta noite
ficamos por aqui. Cavaleiros: para a albergaria! Escudeiros: montem
acampamento no cimo daquele monte. A noite está calma e bom tempo. Basta
uma sentinela. A Deus vos encomendo.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;A Deus encomendamos Vossas Mercês, Cavaleiros! - Responderam os
escudeiros.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O resto da noite foi calmo. Mas Egas Moniz estava apreensivo. Não contava com
mais este contratempo. Como era possível que ninguém – mesmo ninguém! -
conhecesse o local onde há oito séculos se erigira a Igreja em Honra de Nossa
Senhora?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Como iria ele descobrir o que há oitocentos anos se perdeu? Estava nestes
pensamentos quando o sono o tomou.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;24
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 26&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;No dia seguinte, mal a manhã clareou, D. Egas e os seus cavaleiros acordam e
preparam-se para partir.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Companheiros: uma coisa é certa. Não vamos voltar para trás nem seguir para
Chaves sem termos esta etapa cumprida. Havemos de descobrir a igreja nem
que escavemos os cumes de todos os montes!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O Escudeiro Pêro de Ucanha, acabado de chegar, anuncia:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Meu Senhor: julgo não será necessário tal trabalho. Acho que descobrimos o
local!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Que dizes, Pêro? Tens a certeza?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Meu Senhor: ontem ordenaste-nos que fizéssemos acampamento naquele
monte a Sul. Pois bem: esta manhã, fazendo o reconhecimento do local,
encontrei isto sob uma fraga!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E desenrola um pano, mostrando uma imagem de Nossa Senhora esculpida em
Pedra.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Grande Pêro! Tens razão! Só pode ser ali. A Imagem já a temos e a igreja a
escavaremos. Vamos, companheiros!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E partem a galope para o acampamento no cimo do monte. À chegada, Egas
Moniz exorta os seus Homens:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Cavaleiros e escudeiros: a Igreja tem que estar por aqui. Nossa Senhora
ordenou-me que escavasse até a encontrar. Procurem o ponto mais alto deste
monte e começaremos por aí!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E os homens, cada um por seu lado, dirigem-se de imediato ao cabeço mais
elevado, que claramente se distinguia do resto da serrania. E ali começaram a
cavar. Pouco tempo depois um dos escudeiros dá o sinal:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Meus Amos e Senhores: descobri algo grande!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;25
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 27&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Os restantes escudeiros e cavaleiros precipitam-se para o local e deparam com
um grande bloco de mármore não polido, enterrado a cerca de 2 metros de
profundidade. Escavam em redor e em breve descobrem o que parece ser uma
mesa de mármore branco. Egas Moniz exclama:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;É o Altar! Descobrimos o Altar!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E tal como ordenado pela Virgem, sem mais delongas, sentam o Infante sobre o
Altar e, espalhados em redor, os sete cavaleiros e outros tantos escudeiros
rezam com fervor pedindo a Deus que lhes conceda a Graça Maior a que
poderiam almejar: a primeira parte do processo da Cura do menino.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Depois da fervorosa oração, os Homens aproximam-se da criança, levantam-na
do Altar e tentam colocá-la no chão para verificarem se algum progresso tinha
sido atingido.. E a verdade é que por Milagre ou por simples sugestão, o Infante
Afonso de Henriques consegue equilibrar-se... embora encostado ao Altar. Mas
era já um progresso de qualquer forma! Egas Moniz exorta:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Vede! Ele equilibra-se! Um Bom sinal! É um Sinal Divino! Vamos de imediato
para Chaves. As termas trarão a cura definitiva para o nosso Infante!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E o acampamento é levantado, a liteira de novo aparelhada, o menino nela
deitado e a comitiva parte para as termas, as Aquae Flaviae do tempo de
Trajano. As águas milagrosas que (se acreditava) podiam curar a maioria das
maleitas.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;A Viagem durou apenas dois dias. E ao anoitecer do segundo, a majestosa e
duplamente milenar Ponte Romana já se recortava no horizonte. Egas Moniz
dirige-se aos seus homens:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Meus Senhores: eis-nos chegados à última parte da nossa Missão. Com a
Graça de Deus, amanhã por esta hora teremos o Infante completamente são e
pronto para assumir as suas responsabilidades na condução dos destinos do
Condado mal atinja a maioridade dos 14 anos. Que Deus nos acompanhe até
ao Fim desta campanha.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;26
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 28&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Cavaleiros e Escudeiros respondem em uníssono:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Amen!&lt;br /&gt;
E a comitiva segue até à entrada da Ponte. Do lado oposto está também a
entrar um rebanho numeroso conduzido por um pastor e o seu filho. Egas dá
instruções à comitiva:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- É já noite. Não percamos mais tempo. Avancemos. Eles recuam.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Mas acontece que os pastores já não conseguem segurar o rebanho que se
precipita para a ponte. A comitiva de Britiandes também. A meio da ponte o
rebanho cruza-se com os cavaleiros. Os cães de parte a parte desatam a ladrar
e ameaçam envolver-se numa batalha sangrenta. As ovelhas e as cabras berram
assustadas, os cães ladram e rosnam de forma ensurdecedora.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Cavaleiros e escudeiros estão treinados para a guerra e não se assustam. Mas
os cavalos, sim. Envolvidos por cães em luta e ovelhas em debandada,
espetados nas pernas e no ventre pelos cornos do gado desabrido e sem
nenhum espaço para fugir, os cavalos empinam-se, relinchando, os olhos
raiados de sangue e esbugalhados de pânico provocado por uma situação de
grande perigo sem espaço de fuga, que para eles é completamente nova.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Os cães a ladrar, o rebanho em estampida, os cavalos a relinchar e a empinar-
se nas patas traseiras. Incluindo os que transportam a liteira...
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O caos durou breves minutos. Os escudeiros não tiveram outro remédio senão
passar a fio de espada os cães do pastor que, desesperado, lançava as mãos à
cabeça.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Sem contendores, os cães da comitiva do Senhor de Riba Douro acabaram por
acalmar. E com eles o rebanho e os cavalos. A paz voltou. Egas Moniz ordena:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Pêro: vai ver do Infante&lt;br /&gt;
Pêro de Ucanha dirige-se à liteira, abre-a e sofre o maior choque da sua vida.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;27
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 29&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Rapidamente olha em volta, assegurando-se de que mais ninguém está a ver,
cerra a cortina novamente e corre a chamar Egas Moniz.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Meu Amo! Meu Amo! - em voz baixa ao seu ouvido - Vinde aqui. Vinde rápido.
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Que se passa?&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Vinde, meu Amo (aflito). Vinde aqui. Vinde ver com os Vossos próprios olhos!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E conduz D. Egas para a liteira. Egas Moniz abre-a e... ela está vazia!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Mas... mas... onde está o...?
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O Escudeiro sussurrando angustiado:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Chiu, Meu Amo. Reparai... está aqui o colar de seu Pai... o menino só pode ter
sido atirado ao rio pelo escoicinhar dos cavalos. Perdemos o Infante!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;O Tâmega tem um caudal imenso. Seria impossível resgatar fosse o que fosse
da corrente. Menos ainda por parte de cavaleiros equipados com armaduras.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Egas Moniz olha em redor. A noite estava bréu. Lua Nova.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Ninguém, no meio daquela confusão imensa de cães a ladrar, ovelhas a balir e
cavalos a relinchar, parecia ter notado que o Menino desaparecera. Havia que
pensar rapidamente. E agir de forma mais veloz ainda.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Egas Moniz dirige-se ao filho do pastor, levanta-o do chão e transporta-o ao colo
tapando-lhe a boca para o impedir de gritar enquanto bradava:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Calma, meu Infante! Onde vós já íeis! O perigo já passou! Que alegria ver que
conseguistes descer da liteira! Estais quase curado da maleita! Que grande
milagre se está a preparar! Louvada seja Nossa Senhora que em boa hora me
apareceu em sonhos! Mas agora voltemos para dentro que se faz tarde.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Vamos embora, Homens!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;28
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 30&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E metendo-o na liteira, deixa-o à guarda de Pêro de Ucanha com ordens de não
o deixar gritar e de ninguém se aproximar.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;A seguir dirige-se ao pobre pastor que, ainda atarantado, corria de um lado para
o outro tentando recolher o gado, já que tinha perdido os seus cães, e diz-lhe:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Bom Homem: presta muita atenção ao que te vou dizer. Se queres viver e que
o teu filho também viva, toma esta bolsa de moedas de oiro e diz ao povo que o
teu filho caiu ao rio. Tu ficarás bem e ele muito melhor. Pode vir a ser Rei. De
qualquer modo não tens escolha. Ou aceitas esta oferta neste momento ou
morres tu e morre ele em seguida trespassados pelas nossas espadas!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Perante tal falta de alternativa o infeliz pastor não teve outro remédio senão
aceitar o saco de moedas, incrédulo mas resignado, e nem tempo teve para
chorar a perda do filho que não mais iria ver e do qual nem se quer se despediu.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Nessa noite ninguém mais viu o seu filho exceto D. Egas Moniz e seu fiel
escudeiro.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Durante a noite cortaram-lhe o cabelo curto, como usava o infante, deram-lhe
banho, vestiram-lhe as suas roupas e colocaram-lhe alguns dos adereços que o
infante usava e lhe tinham sido oferecidos por seu pai, D. Henrique, como o colar
achado na liteira.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Explicam-lhe, para o acalmar, que iria viver num palácio e que até poderia vir a
ser Rei. E que o pai o tinha vendido. A criança chorou toda a noite mas deram-
lhe muita comida boa e guloseimas e ele acabou por se acalmar.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;No dia seguinte pela madrugada, antes do sol nascer, Egas Moniz e seu fiel
escudeiro dirigiram-se às termas a sós e apenas acompanhados do filho do
pastor.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Quando os escudeiros se preparavam para os acordar já eles voltavam das
Termas. E Egas Moniz diz-lhes:
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Companheiros: olhai o Milagre! – e apontava para o filho do pastor, uma criança
perfeitamente saudável que caminhava com desenvoltura.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;29
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
		&lt;/div&gt;
		&lt;div class=&quot;page&quot; title=&quot;Page 31&quot;&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;- Correi, Infante... e saltai!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E o filho do pastor corria e saltava perante o espanto geral. Os cavaleiros
ajoelharam.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Vede o Grande Milagre de Nossa Senhora! – continuou Egas Moniz. Fizemos
tudo o que ela mandou. E ela recompensou-nos com a Cura do infante! Rezemos
agora todos, irmãos, agradecendo a Nossa Senhora esta Grande Ventura....
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Arial&#39;; font-size: 12pt; font-weight: 700;&quot;&gt;Epílogo
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;E foi a partir desse dia que Portugal perdeu um infante deficiente e ganhou um
enérgico Rei. Um Rei que em breve iria desafiar a sua “própria mãe” na batalha
de S. Mamede.
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;Mas notai que afinal... D. Teresa não era, realmente, sua Mãe. O que explica
essa e muitas outras batalhas em que este menino pastor guerreiro participou e
venceu. Um pastor que, por um golpe de sorte, iria no futuro criar o seu próprio
país. E o seu próprio reino: o Reino de Portugal!
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;ArialMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;FIM&lt;br /&gt;
João Tilly 6/2020
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
			&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
				&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
					&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;TimesNewRomanPSMT&#39;; font-size: 12pt;&quot;&gt;30
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
				&lt;/div&gt;
			&lt;/div&gt;
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autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture&quot; allowfullscreen=&quot;&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;315&quot; src=&quot;https://www.youtube.com/embed/AhprHtND6d8&quot; width=&quot;560&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaotilly.blogspot.com/feeds/3143256798389026579/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/6041685/3143256798389026579?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/3143256798389026579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/3143256798389026579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaotilly.blogspot.com/2019/11/a-censura-brutal-dos-grupos-de-censura.html' title='A CENSURA BRUTAL dos grupos de Censura do facebook'/><author><name>João Tilly</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13937534335255943729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://img.youtube.com/vi/AhprHtND6d8/default.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6041685.post-471312816501881294</id><published>2019-01-21T05:55:00.000+00:00</published><updated>2019-01-21T05:56:50.383+00:00</updated><title type='text'>Histórias de Golpes de Estado portugueses</title><content type='html'>1383. No dia em que o Mestre de Avis matou o conde Andeiro, no actual Limoeiro, num golpe teatral muito bem urdido, houve mais gente que morreu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O bispo de Lisboa que era Castelhano, o padre de Guimarães e um tabelião de Silves, por exemplo, foram atirados da Sé de Lisboa, onde se esconderam, &quot;afundo&quot; como tão cinematográficamente escreve Fernão Lopes. Que aqui se reproduz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem conseguir ler esta crónica compreenderá o grau de selvajaria que a turba aquela época assumia.&lt;br /&gt;
As crianças eram convidadas a participar na morte e no desfile do bispo nu... Até que os seus restos mortais fossem comidos pelos cães.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo isto era considerado normal no séc XIV.&lt;br /&gt;
Coisas completamente absurdas para a nossa actual idiossincrasia e Civilização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas cuidado porque os nossos atos actuais e as campanhas a que impensadamente aderimos com toda a naturalidade serão, daqui a décadas (já nem digo séculos) considerados igualmente selvagens e anti civilizacionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A História - mesmo que muito falsificada e até contada ao contrário, como a nossa - ensina muito a quem com ela quiser aprender.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaotilly.blogspot.com/feeds/471312816501881294/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/6041685/471312816501881294?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/471312816501881294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/471312816501881294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaotilly.blogspot.com/2019/01/historias-de-golpes-de-estado.html' title='Histórias de Golpes de Estado portugueses'/><author><name>João Tilly</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13937534335255943729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6041685.post-4782082884041924107</id><published>2019-01-18T18:20:00.000+00:00</published><updated>2019-01-18T18:20:35.911+00:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Corrupção generalizada"/><title type='text'>Cada um tem o Bernardino que merece. Jerónimo de Sousa nos seus piores dias</title><content type='html'>Não podendo negar as evidências, triste e penoso é ver um Jerónimo de Sousa balbuciante, nos seus piores dias, por causa dos pagamentos injustificados que o camarada Bernardino1 tem feito ao seu não menos camarada genro Bernardino2.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E com isto se destrói o mito de que apenas a direita é corrupta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não.&lt;br /&gt;
Infelizmente a Esquerda Bloquista Caviar Roblesiana, o Centro Direita BPN Duarte Lima e o Centro Esquerda Sócrates Armando Vara também.&lt;br /&gt;
Neste país não há quem tenha algum poder que não se deixe corromper.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É caso para dizer que cada&amp;nbsp; um tem o Bernardino que merece.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaotilly.blogspot.com/feeds/4782082884041924107/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/6041685/4782082884041924107?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/4782082884041924107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/4782082884041924107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaotilly.blogspot.com/2019/01/cada-um-tem-o-bernardino-que-merece.html' title='Cada um tem o Bernardino que merece. Jerónimo de Sousa nos seus piores dias'/><author><name>João Tilly</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13937534335255943729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6041685.post-1548530609982436117</id><published>2019-01-18T11:24:00.001+00:00</published><updated>2019-01-18T11:27:11.848+00:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="isto só la vai a rir..."/><title type='text'>Cerimónias de adjudicação de obras</title><content type='html'>No princípio faziam-se as obras e pronto. Usavam-se.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Estado Novo começaram a inaugurá-las. Mas apenas as maiores. E não por Salazar. Pelo Corta-fitas. O Américo Tomás, presidente da República.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na DemoCretinaCia percebeu-se que se podiam inaugurar mais coisas e até na mesma obra. Vai daí, numa primeira fase começam a inaugurar-se todas. Por mais macarrónicas ou ridículas que fossem.&lt;br /&gt;
Desde fontanários a parques de merendas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais recentemente, na CorruptoCracia, iniciaram-se as inaugurações do lançamento da Primeira Pedra. Que muitas vezes não passavam disso.&lt;br /&gt;
Mas era mais uma festa para povão consumir embasbacado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, a PropaCostaGanda inaugura até as adjudicações.&lt;br /&gt;
Já nem sequer se chega à primeira pedra.&lt;br /&gt;
Não há pedra nenhuma mas inaugura-se na mesma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quê?&lt;br /&gt;
A simples assinatura de um contrato - que será denunciado 30 vezes e cujo empreireiro abrirá falência já a seguir - da tal suposta &quot;obra&quot; que um dia se inaugurará outra vez.&lt;br /&gt;
Ou duas ou três.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seguir que inventará a PropaCostaGanda?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porventura inaugurará a &quot;Luz&quot; da ideia da obra que lhe ocorreu durante a noite.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaotilly.blogspot.com/feeds/1548530609982436117/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/6041685/1548530609982436117?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/1548530609982436117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/1548530609982436117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaotilly.blogspot.com/2019/01/cerimonias-de-adjudicacao-de-obras.html' title='Cerimónias de adjudicação de obras'/><author><name>João Tilly</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13937534335255943729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6041685.post-6236185397989632584</id><published>2019-01-18T08:36:00.002+00:00</published><updated>2019-01-18T08:36:38.305+00:00</updated><title type='text'>Mais uma avalanche de propaganda sobre a descida do IRS</title><content type='html'>Apenas 3 dias após se ter percebido que o anunciado aumento das pensões - quase diariamente propagandeado ao longo de todo o ano de 2018 - afinal se revelou um corte, eis que a propa(Costa)ganda volta ao ataque exactamente com a mesma receita:&lt;br /&gt;
O IRS vai baixar em 2019.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vai ser todo o ano de bombardeio com esta (velha) propaganda. Até que a própria comunicação que passa 364 dias a anunciar baixas no IRS no fim do ano trará em manchete a notícia oposta:&lt;br /&gt;
Afinal o IRS em 2019 aumentou!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo com a mesma naturalidade e a mesma cara de pau!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o povo tudo aceita. Andará mais 364 dias &quot;enganado&quot; até ler, nos nesmos jornais, ouvir nas mesmas rádios e ver nas mesmas TVs que afinal tudo quanto esses media lhe foram garantindo diariamente era falso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fazer o quê?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo não se importa que lhe insultem a Inteligência todos os dias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E isso é a sorte grande para a classe política mais pantomimeira do mundo.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaotilly.blogspot.com/feeds/6236185397989632584/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/6041685/6236185397989632584?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/6236185397989632584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/6236185397989632584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaotilly.blogspot.com/2019/01/mais-uma-avalanche-de-propaganda-sobre.html' title='Mais uma avalanche de propaganda sobre a descida do IRS'/><author><name>João Tilly</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13937534335255943729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6041685.post-92460972476844354</id><published>2019-01-18T08:19:00.000+00:00</published><updated>2019-01-18T08:19:22.806+00:00</updated><title type='text'>Afinal os comunistas são tão honestos como os outros</title><content type='html'>Este caso surpreendente do presidente da câmara comunista de Loures que paga aos 20 mil euros de cada vez ao genro de Jerónimo de Sousa pela mudança de umas lâmpadas, vem mostrar aos mais incautos que os comunistas são tão honestos como aqueles que eles criticam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentro de 2 anos não ficará pedra sobre pedra no edifício em ruina da corrupção partidária nacional.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaotilly.blogspot.com/feeds/92460972476844354/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/6041685/92460972476844354?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/92460972476844354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/92460972476844354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaotilly.blogspot.com/2019/01/afinal-os-comunistas-sao-tao-honestos.html' title='Afinal os comunistas são tão honestos como os outros'/><author><name>João Tilly</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13937534335255943729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6041685.post-6091167147635318035</id><published>2019-01-18T08:17:00.000+00:00</published><updated>2019-01-18T08:17:15.986+00:00</updated><title type='text'>O negócio da gripe está a correr mal</title><content type='html'>Apesar de todos os incentivos, alertas e convites diários para ligar para a linha SOS 24, a verdade é que 81% dos portugueses não faz nada disso.&lt;br /&gt;
E apenas 6% se dirige ao Hospital. A esmagadora maioria não recorre ao SNS.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Imaginem agora se a afluência duplicasse. E subia apenas para 12%...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se mesmo assim isto é um caos...</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaotilly.blogspot.com/feeds/6091167147635318035/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/6041685/6091167147635318035?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/6091167147635318035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/6091167147635318035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaotilly.blogspot.com/2019/01/o-negocio-da-gripe-esta-correr-mal.html' title='O negócio da gripe está a correr mal'/><author><name>João Tilly</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13937534335255943729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6041685.post-2434043619811294626</id><published>2019-01-18T03:40:00.000+00:00</published><updated>2019-01-18T03:41:23.124+00:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="isto só la vai a rir..."/><title type='text'>Rui Rio: Uma vitória derrotada</title><content type='html'>Rio acaba de ter a vitória mais amarga da sua carreira. 76 contra 50.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas do outro lado estava apenas um militante. Que não é deputado, não pertence ao Conselho Nacional, não ocupa cargo nenhum no partido.&lt;br /&gt;
E mesmo assim obrigou o Presidente do partido a convocar um conselho nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para mim, Montenegro é um derrotado que termina vencedor; enquanto Rio foi um vencedor queqacabou errotado.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaotilly.blogspot.com/feeds/2434043619811294626/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/6041685/2434043619811294626?isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/2434043619811294626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/2434043619811294626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaotilly.blogspot.com/2019/01/rui-rio-uma-vitoria-derrotada.html' title='Rui Rio: Uma vitória derrotada'/><author><name>João Tilly</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13937534335255943729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6041685.post-9001391465397080776</id><published>2019-01-18T02:25:00.002+00:00</published><updated>2019-01-18T02:26:22.379+00:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="isto só la vai a rir..."/><title type='text'>Voto secreto por uma questão de transparência!</title><content type='html'>A tudo se chega se a vida dura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ver membros do Conselho Nacional do PSD exigir o voto secreto &quot;por uma questão de transparência&quot; é algo a que eu nunca imaginaria assistir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas até isto já vi. Hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só me falta ver exigir-se que os concursos que governo e câmaras municipais lancem no futuro passem a ser totalmente secretos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E pela mesma razão: a de transparência. 😀</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joaotilly.blogspot.com/feeds/9001391465397080776/comments/default' title='Enviar feedback'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/6041685/9001391465397080776?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/9001391465397080776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6041685/posts/default/9001391465397080776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joaotilly.blogspot.com/2019/01/voto-secreto-por-uma-questao-de.html' title='Voto secreto por uma questão de transparência!'/><author><name>João Tilly</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13937534335255943729</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>