<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-27544227</atom:id><lastBuildDate>Mon, 04 Mar 2024 05:29:36 +0000</lastBuildDate><title>Jornal Cornélio</title><description>Tudo o que penso de mim mesmo e também aquilo que outros pensam sobre a vida e a realidade mas, na verdade, diz respeito à totalidade de meu eu. Tem também literatura, crônicas, grandes autores, autores baixinhos, mulheres, gays, verdades literárias e mentiras reais.</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Unknown)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>88</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-8326468960234834657</guid><pubDate>Thu, 31 Dec 2009 20:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-31T18:39:30.454-02:00</atom:updated><title></title><description>Estamos no final do ano. É o momento ideal para mandar para o inferno tudo aquilo que te deu problemas. No caso não me refiro a pessoas, contextos, objetos, coisas, economia etc. Quando falo em mandar para o inferno é mandar para o inferno a si mesmo. Metaforicamente também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos fazer um exercício de filme de terror. FEche os olhos e viaje para o inferno. Olhe a paisagem ao redor e veja se ela te agrada. Procure o demo em pessoa e mande um beijinho. Veja se ele gosta. Acene e veja se sua mão continua no lugar. Sinta o clima e toque a pele que solta de sua carne pútrida. Dê um salto e aproveite a dor dos tendões e ossos esmigalhando sob o próprio peso. Respire fundo e conheça a dor de milhoes de agulhas perfurando teus pulmões. Sorria uma vez mais e diga pra si mesmo, enquanto tem lingua, que a vida é uma bosta. E fica tranquilo pois teu corpo se desfaz e logo se recompõe para mais uma sessão. Pois é assim mesmo. Aqui como no inferno o corpo é o mesmo, a dor é a mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Final de ano, último dia também dá pra fazer uma visita ao paraíso. Não vou me perder em descrições pois é mais do mesmo. O corpo é que se rejubila e segue em eterno gozo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Céu e inferno, mais do mesmo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui estamos com o corpo, com a diferença que temos a opção deprazer ou dor. Chega a ser patetica a situação.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2009/12/estamos-no-final-do-ano.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-6423548381412171125</guid><pubDate>Tue, 14 Jul 2009 14:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-14T11:17:43.524-03:00</atom:updated><title></title><description>Dentro em breve estarei voltando a postar. preciso apenas organziar alguns aspectos do que deve ser feito. Abraços.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2009/07/dentro-em-breve-estarei-voltando-postar.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-7113807198526873960</guid><pubDate>Thu, 17 Jul 2008 18:57:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-17T15:57:15.988-03:00</atom:updated><title></title><description>Meu corpo são dois corpos sensíveis ao variar do amarelo do ipê ao vermelho nacarado do ácer outonal e linfa com o odor das patas do jaguar enquanto os bastonetes de meus olhos me dizem que desfaleço sempre ao confessar ser incapaz de ver o negror do coração de meu mais profundo amor e paixão pois flutua montados sobre artérias salgadas e veias doces e articulações escavadas no granito e ossos compostos de mil milhões de granículos vulcânicos e carne rescendendo ao sabor de carvalhos e perobas e células divididas em mil folhas sendo as folhas dos galhos de meus pulmões as mais delicadas e feito nuvens oscilantes de tranqüilidade sobre o oceano de meus desatinos ou talvez minhas unhas sejam apenas a fúria descontrolada e cinza a pairar solene sobre os Himalaias de um sonho de angústia e melancolia por meus dois corpos estarem se decompondo ao ritmo de meu espírito que não mais se reconhece como sendo um apesar do pulsar febril de meu coração escamoso abissal a continuar a piscar na distância infinita da estrela azul de teu olhar que nunca verdadeiramente será meu apesar d’eu sonhar um dia com o casamento da eterna natureza de deus com a finita veleidade de meu existir.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2008/07/meu-corpo-so-dois-corpos-sensveis-ao.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-4141065951342422239</guid><pubDate>Sat, 10 May 2008 19:33:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-05-10T16:34:34.882-03:00</atom:updated><title></title><description>um amigo olhou para o ladoe procurou ao redor algo que lhe desse conforto. Sem encontrar, abaixou os olhos e foi para o chão, onde uma fila de formigas carregava um gafanhoto morto - talvez caçado, talvez penas morto como tantos mortos. Com a ponta dos dedos, mexeu no cadáver e pensou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;talvez a vida seja isso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e levantou-se e desistiu de procurar. Acendeu um cigarro e tossiu espasmódico. Estava gripado e com dor de garganta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- por que eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jogou o tubete albino para longe e esfregou a palma da mão no reboco úmido e viu que o muro podia ser melhor, assim como podia ser melhor tanto de sua vida e quem sabe sua morte. Abaixou-se, pegou o cigarro e voltou a fumar. Cada trago um peneumotórax, cada suspiro uma avalanche de pigarro e de desgosto por ser quem era e quem podia ser não se manifestava. Desceu a rua até a esquina e esperou que o sinal abrisse. Dois carros observavam-se. Um deles loira, o outro moreno. Cada qual perdido em pensamentos mundanos. Um vislumbrava a família aguardando o almoço recé-comprado, outro repensava as horas que havia passado deitado em uma cama desconhecida e agora se arrependia pois havia esquecido a chave do apartamento em algum lugar entre a recepção e o quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde estou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu o acusava de estar longe demais de si mesmo e ainda mais da vida que objetivou desde que era uma criança. Um dia acordou e viu que o berço não mais existia e que uma forte chuva que durava uma semana havia desistido de ser céu e tornara-se enxurrada no meio fio. Com os olhos mansos apoiou as mãos no beiral da janela e viu que a rua estava brilhando diamante e as pedras de paralelepípedo nunca estiveram tão belas. Correu para o quarto de sua mãe e pediu licença e pediu para dormir um pouco com ela que havia trabalhado a madrugada inteira. Sob as cobertas, com as cortinas fechadas, não mais havia sol ou chuva ou brilho ou dia exuberante, apenas o calor do corpo da mãe e a sensação de que a segurança da vida estava além da belexa ou mesmo de toda a força de uma existência paupatada em desígnios naturais. Sua vida se regia pelo sentimento de amor que naquele momento estava na sua mãe e que com o passar dos anos migrou para outras mulheres até que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não deve ser assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessou a rua antes que o sinal abrisse e deixou bravo o carro loira e o moreno e correu para o ponto de táxi e pediu que o endereço fosse um nunca antes sido e desceu do automóvel com o peito arfante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você ainda me aceita?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sombras de mim, ocultas em um corpo que amo e nas noites e nos dias e nos brilhos que se ocultam até que uma chuva alumbrada surja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor que não desaparece até que consumido por ele mesmo, coração faminto e desesperado.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2008/05/um-amigo-olhou-para-o-ladoe-procurou-ao.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-6225835758499578431</guid><pubDate>Thu, 01 Nov 2007 19:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-01T17:19:23.953-02:00</atom:updated><title></title><description>Não acredito que Lúcifer tenha caído pela sede de poder. Se ele caiu, o segundo mais poderoso nas escalas do céu prateado, deve ter sido pelo amor nutrido a Ele. Como amar e não desejar e, ao se perceber dominado pelo desejo, não querer ser o objeto do seu amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus fez tombar a horda celeste quando se viu amado e incapaz de retribuir o amor sentido. Maldito deus de impiedade e possessão!&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2007/11/no-acredito-que-lcifer-tenha-cado-pela.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-1774500245105136116</guid><pubDate>Thu, 01 Nov 2007 19:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-01T17:12:40.802-02:00</atom:updated><title></title><description>Hoje, mais tarde, vou acender uma vela a todos os caídos e mesmo que assim me seja o destino vou orar pela esperança e pela possibilidade de todos se saberem fortes e capazes de se levantar e caminhar rumo a uma nova escuridão, tão profunda que apenas o hálito dos fortes é capaz de iluminar e refazer como novo solarium perfeito e sem desculpas bem-aventuradas.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2007/11/hoje-mais-tarde-vou-acender-uma-vela.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-310253285910417075</guid><pubDate>Thu, 01 Nov 2007 19:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-01T17:10:23.728-02:00</atom:updated><title></title><description>Demorei, mas finalmente consegui. Estou mandando deus para a puta-que-o-pariu. Para o fundo daquele buraco negro (o cu do universo), de onde nunca deveria ter saído. esse deus que me diz o que deve e o que não deve, que criou servos ao invés de senhores, não me serve mais (se é que algum dia serviu, a não ser como apoio para a minha cupidez e cvardia). deus nõ me serve mais de desculpa!&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2007/11/demorei-mas-finalmente-consegui.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-6536305656827161684</guid><pubDate>Thu, 01 Nov 2007 19:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-01T17:03:32.738-02:00</atom:updated><title></title><description>Como é possível existir uma vida de dúvidas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo covarde em tempo integral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como resolver a questão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duvidando e tomando decisões baseadas em valores claros (e caso não existam valores claros, estar pronto para assumir o erro).&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2007/11/como-possvel-existir-uma-vida-de-dvidas.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-4029944838395106791</guid><pubDate>Mon, 01 Oct 2007 21:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-10-01T18:31:28.661-03:00</atom:updated><title></title><description>Gente demais está escrevendo e contando sua vida como se suas vidas fossem motivo de curiosidade de tantos mais. Um dragão de cordas frouxas para cada palavra de comiserção dita em tons de cinza em u blog ou em um livro curto demais para ser considerado romance. Assim é a vida que se conta. Curta demais. Nunca uma novea, jamais um romance, poucas vezes um corto, quando muito, um poema torto que se inunda de sentimento quando percebemos o vazio com que os anos se inflaram e, no momento do adeus das frases sem ponto e virgulas, nada ficou. Meu deus, para onde vou que nã há meios de desviar o caminho?&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2007/10/gente-demais-est-escrevendo-e-contando.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-5034929246165505398</guid><pubDate>Fri, 01 Jun 2007 21:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-06-01T18:00:43.448-03:00</atom:updated><title></title><description>Chovendo. Sensei na única cadeira, da única mesa incapaz de ser molhada pelas gotas finas. Muitas gotas finas e frias que, de tanto rspigarem nas poças recém-formadas, acabaram por molhar meus sapatos e a barra da calça. Finalmente levantei e fui até a sala fechada. Vidros na parede esquerda e meus olhos procurando algo no cinza. Pensei em um filme, nas fotografias mal tiradas e no reflexo.Duas imagens sobrepostas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(alguém diz na mesa ao lado que a mulher do saci é a mais feliz de todas, se leva um é na bunda quem cai é o marido e eu penso que a mula-sem-cabeça é a mulher mais feliz por nunca levar chifre)&lt;br /&gt;acendo o charuto - já havia acendido - e vou dando bafoiradas aos pares. Uma para o vento; outra para meu paladar. A lígua escorrendo envolta pela fumaça aprisionada e a ferida na parte de dentro da boca ardendo. Poderia ser grave; ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você entende o que significa o estado de torpor? Aquele momento derrisório, onde alma e espírito desabam sobre si mesmos e nos damos contas que não apenas o que nos cerca é volátil - o que eu já sabia desde a infância, quando descobri a miopia - mas tudo, inclusive este selfo que se manifesta nos sentimentos afogados de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(alguém na mesa ao lado comenta que abundância é um palavrão que ofende mulheres de bom gosto e mal senso pra alimentos; eu penso que a idade está me engordando)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo a caixa de fósforos para uma garota de olhos alegres e rosto chupado. Algo aconteceu entre a ginástica e o acordar que a tornou assim, patética, mas por isso mesmo capaz de um estranho tipo de beleza. Como todas. Todas essas meninas com jeito de sapatilhas - e não são todas? - de mãos dadas e beijos e abraços e discrições e a terna vontade de chamar a atenção ou de mostrar a felicidade incinerante que povoa seus corações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando apago o charuto, aperto-o com firmeza no cinzeiro de cobre e espero que mais nada reste das folhas compostas e de mim, na sala repleta de mais mulheres e mais sorrisos e mais rostos chupados e abundantes formas de incapaz beleza, fica o cheiro forte de quem deveria ter partido antes e ficou um instante a mais, pra mais uma baforada, pra mais fumaça, pra ter certeza que a diluição de si é total na tarde que esvai.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2007/06/chovendo.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-8400757525286432964</guid><pubDate>Fri, 01 Jun 2007 19:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-06-01T16:25:51.382-03:00</atom:updated><title></title><description>Um carro enorme, maior a cada instante e o instante se quebra em milhares de instantes e então constato que é verdade. O momento final é o mais longo de todas as existências que me padeceram&lt;br /&gt;(volta e meia parece que as coisas andam sem se mover. Como o tempo de querer e o tempo de dormir. Uma somatória de medos e descansos. Cada instante tem um nome e cada nome uma missão. Parece que é assim)&lt;br /&gt;É isso, eu me escuto de corpo estatelado e pernas curvadas em uma dobra impossível e assim eu sei que nunca mais vou caminhar &lt;br /&gt;(olhando pelo teto de vidro encontro nuvens escuras e outras névoas que me dizem que nada daquilo que tenho, tenho realmente. Associado a tanto, consigo entender que as palavras perdem o sentido. E é exatamente isso. As coisas perdem o sentido. Finalmente vejo que tudo o que faço tem muito pouco sentido)&lt;br /&gt;Alguém que eu vejo distante - poucos metros - acena e dita um riso que me preenche o peito e avisa à namorada amada que tudo aquilo que foi dito na noite anterior não foi verdade e que agora apenas é motivo de riso e eles riem tanto que sinto que devo rir se tiver tempo antes do pára-choque acertar meu queixo&lt;br /&gt;(nada de cansaço, nada de desânimo ou depressão. Apenas cosntato que as coisas perderam o brilho e que por isso mesmo, tudo tem mais brilho. Algo tão fulgurante que ofusca meu entender e perco a vontade de seguir adiante apenas por seguir. É preciso um objetivo. E é isso que estou à procura. Um objetivo)&lt;br /&gt;E havia tanta coisa entre minha carne e meu osso antes do som de tudo se espatifanto e tornando-se cacos de mim entre as migalhas de minha consci~encia e ela sorri e o beija antes de perceber o som dos freios e da borracha queimando o asfalto&lt;br /&gt;(Meu dus, como eu não queria morrer nunca mais...)&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2007/06/um-carro-enorme-maior-cada-instante-e-o.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-4701373374055868051</guid><pubDate>Tue, 29 May 2007 20:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-05-29T17:46:00.145-03:00</atom:updated><title></title><description>Sampaio, o cartunista, se pergunta o motivo que leva os sapos serem carecas e as perecas, cabeludas. Bom, a reposta pode ser a longa língua do anfíbio ou, menos dualista, o nicho de mercado representado pela peruca verde e impermeável.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2007/05/sampaio-o-cartunista-se-pergunta-o.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-480597626741158104</guid><pubDate>Tue, 29 May 2007 20:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-05-29T17:44:50.747-03:00</atom:updated><title></title><description>Uma pequena amostra de minha voracidade consumista é como ando pelas ruas e, sem olhar vitrines ou bundas passageiras, sei que nada mudou no reino da brasilidade e, mesmo assim, minha carteira resume meu sequisapiu a dez reais e alguns centavos de fome por bolinhos de bacalhau.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2007/05/uma-pequena-amostra-de-minha-voracidade.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-5509148670334176802</guid><pubDate>Fri, 30 Mar 2007 16:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-03-30T13:02:20.159-03:00</atom:updated><title></title><description>Não sinto sono e não estou cansado. Acendo um charuto e não  estou embriagado. Tiro a camisa e as cicatrizes não desapareceram.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2007/03/no-sinto-sono-e-no-estou-cansado.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-4328181144546540424</guid><pubDate>Wed, 28 Mar 2007 22:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-03-28T19:06:10.443-03:00</atom:updated><title></title><description>Tantas lembranças me fazem lembrar que tudo o que se acumula não traz peso às minhas costas mas ainda assim me faz curvar tanto que meu nariz toca o cheiro úmido da terra e me escorro no ranho que me dita que eu ainda tenho em mim algo de imprestável, de doente e de lamentável que um dia você acusou de ter mais que apenas ter e de ser e por isso a acusação te parecia mais ofensiva pois entre ter e ser estava a infinita leveza do imponderável feito o destino do qual não se escapa e no fim da jornada afundamos na terra úmida para eu sozinho ser carcomido pelos vermes brancos feito sementes de goiaba e aquele pano de prato – lembra-se? – ao lado da estante caída e dos livros espalhados ao redor do fogão e, sabe de uma coisa? Até hoje não entendo porque ficavam os livros também no congelador, refrigerando páginas de poesia ardente de todos os amores e todos os desesperos que você foi acumulando em sua vida e experimentando e me pondo medo pois tuas experiências deviam ser mais legais que as minhas e isso as tornava mais atrativas para uma repetição, um retorno ao passado onde eu não estava e você era mais feliz e mesmo assim eu queria tanto estar lá apenas para observar o corpo de teu corpo descendente na esteira do colchão para o cobertor e o edredom de ursinho que um dia tua mãe sussurrou em meu ouvido eu jamais poderia tocar ou sentir ou me esconder pois minha carne era veneno para ursinho e para teus olhos tão profundos e cheios de vigor quanto aquela fonte no meio da cidade, onde minhas mãos e meu sexo podiam afundar até se dar conta que nunca mais queria estar fora do mundo afogado de teus líquidos úmidos os quais meu nariz tocava e minha língua podia sentir aquilo que você tanto dizia – pare, por favor, pare antes que meu amor desapareça na loucura de te querer mais do que quero tua imagem e se eu quiser teus ossos, teus músculos, posso esquecer teu espírito e, assim, quando nos afastarmos o que restará de ti para eu mastigar e desejar?&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2007/03/tantas-lembranas-me-fazem-lembrar-que.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-116802381757536208</guid><pubDate>Fri, 05 Jan 2007 19:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-01-05T17:03:37.583-02:00</atom:updated><title></title><description>1. &lt;br /&gt;Ano novo, novas possibilidades (olhos abertos e narizes atentos pois muita coisa vai girar nas pás desse ventilador);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. &lt;br /&gt;Novidades, enfim... ou será que não?&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2007/01/1.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-116626390444696360</guid><pubDate>Sat, 16 Dec 2006 10:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2006-12-16T08:11:44.463-02:00</atom:updated><title>conclusões</title><description>Simples, quando você quiser preservar alguém da dor, não preserve. Quando quiser mentir, minta, mas cubra as pistas que levam à verdade. Quando tiver certeza que a vida vai ser melhor de outro modo, assuma de uma vez. Quando quiser acusar alguém, faça as acusações corretas, pelos motivos corretos, e não invente motivos paralelos para justificar escolhas já feitas e não admitidas. Gostar não significa amar. Amar está mais perto do ódio e da vingança, por isso, armas em punho e tiros no alvo. Não desperdice munição (referindo-se ao ponto anterior). Se pego em uma mentira, mesmo que pelos melhores motivos, diga isso mesmo, foi pelos melhores motivos. Mesmo o amor passa, então, mantenha os negócios em dia. Romper laços é uma arte, o que não significa que podem se originar tragédias e grandes comédias. Perdoar é divino - quão poucos deuses caminham sobre a terra! Continue o trabalho (qualquer que seja) e receba os resultados dos seus esforços (de preferência dinheiro). Acenda cigarros na brasa do anterior. Vingue-se da dor que sentiu. Decida-se pelo novo e desista do velho (principalmente aquele que te magoou). Se ouvir um foda-se, responda - mas mantenha a classe e continue as negociações. Coloque imagens em locais estratégicos, que te permitam ser descoberto e, sem parecer inescrupuloso ou sacana. Tenha certeza de que, se o outro cometeu crime maior, ou equivalente, nada que ele diga realmente poderá te ferir. A raiva passa, assim como o rancor. Cuide bem do seu amor, que um dia acaba. Cuide bem do seu amor, que um dia ele parte. Cuide bem do seu amor, que um dia esse dia chega. Lembre-se que dói, mas passa. E o principal, deus não existe, assim como o diabo, então, sua alma está preservada e tudo o que você fez pensando em perder ou mantê-lo, está certo. Se existe ou existiu algo chamado amor, apesar de todas as idiotices cometidas e todas as dores, dará certo (o problema é quando e se vale realmente a pena esperar). Normalmente, não se espera.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2006/12/concluses.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-116369282349881023</guid><pubDate>Thu, 16 Nov 2006 15:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2006-11-16T14:00:23.586-02:00</atom:updated><title>NEGÓCIOS E OS VÁRIOS VALORES ENVOLVIDOS</title><description>Quando um supermercado anuncia que é honesto, o faz por comprometimento com princípios ou para vender mais? Um político que se diz honesto é honesto por princípios ou para angariar votos? Anunciar as próprias qualidades, quando se tem como resultado o lucro não dá crédito ao negociante. Certamente a arte do comerciante é obter lucro. Os mecanismos para se conseguir o lucro passam pela estratégia. Estratégias de curto prazo precindem de princípios ou valores. Estratégias de médio e longo prazo já necessitam de princípios e valores. O tempo determina se esses princípios e valores existem para além da questão lucro. &lt;br /&gt;A vaca anuncia a todo o curral que tem o leite com mais índice de gordura. Todos os bezerros ficam invejosos do filho da vaca. Os touros sonham na próxima monta poderem ter como parceiro a vaca do leite mais gordo. As demais vacas ficam enciumadas. No final do mês, a vaca é levade para longe. Um ano depois, um dos touros ouve do porco, que ouviu da galinha, que ouviu do pero, que ouviu de uma pomba caseira, que a vaca está morando em um laboratório, cedendo seus óvulos e que nunca amis terá que parir ou ser montada por qualquer touro que seja. &lt;br /&gt;O que o parágrafo anterior tem a ver com o primeiro parágrafo?&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2006/11/negcios-e-os-vrios-valores-envolvidos.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-116353721912963935</guid><pubDate>Tue, 14 Nov 2006 20:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2006-11-14T18:47:34.956-02:00</atom:updated><title>Fiat Lux e o vale-tudo</title><description>&quot;O que não me mata, me fortalece&quot;, é uma frase popular de Frederico Nietzche. Pois é. Ando assistindo lutas de vale-tudo (mma) e elas me dizem que nem sempre é assim. Paulão Filho não foi morto e não saiu fortalecido. É a frase de efeito. Nem sempre o que não nos mata nos fortalece. Muitas vezes, o que não nos mata, nos deixa mais próximos da morte. Nos acovarda. Transforma o guerreiro em coberta furada em inverno rigoroso. Malditos dilemas. Malditas frases. Quem já apanhou sabe. Quando o sangue faz gosto na língua, tudo aquilo que nos ensinaram fica distante e a vontade de se enrodilhar feito um feto abandonado se confunde com o desejo de revide. Malditas frases de efeito. Melhor não reagir. Melhor não criar expectativas e se assumir como o compadre da sorte que, nos bons dias, tem sua companhia, nos dias nublados, procura abrigo cada um por si. O que não me mata, me atormenta pelo resto dos meus dias. Melhor seria ter morrido de uma vez a assumir tamanha miséria. Renascer. Talvez seja isso. Como diz Buda, &quot;agora você renasceu e tudo o que é passado deixa de fazer sentido&quot;. É preciso sinceridade pra ser assim. Talvez por isso chamem de iluminação.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2006/11/fiat-lux-e-o-vale-tudo.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-116353152517816199</guid><pubDate>Tue, 14 Nov 2006 19:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2006-11-14T17:12:05.213-02:00</atom:updated><title>A arte da guerra aplicada ao relacionamento pessoal</title><description>Um amigo acabou de se separar da mulher (quer dizer, não sei se vão realmente se separar. Ela colocou ele pra fora de casa). Estamos conversando. Ele me diz que é foda, sente o peito apertado. Eu respondo que é assim mesmo. Poucas pessoas estão preparadas pra enfrentar a situação. Hoje em dia, a maioria tenta evitar confrontos. Mas é a Arte da guerra. Nos momentos de paz, deve-se treinar os exércitos e fundir novas armas pois o novo confrito se não é iminente, a informações não são corretas. Relacionamentos. A arte da Guerra. Alguém ainda vai escrever um livro a respeito (se é que não escreveu). Mas, na falta de algo melhor, eu mesmo digo (ainda que não sabendo exatamente do que falo). O bom soldado obedece ao general. Mas quem é o general no relacionamento? Para o casal, o relacionamento é mais um embate singular. Não envolve grandes massas (claro, tem a família dos envolvidos, os amigos, mas eles mais se assemelham a reinos próximos, que temem ou anseiam pelo resultado). Embate singular, assim é o relacionamento. Aquele que tem a melhor técnica pode vencer, mas, se o outroi souber alguns conceitos de defesa, e protelar o resultado, então é o melhor condicionamento físico que vence (sem falar no condicionamento mental). Paciência é condicionamento físico; paciência é condicionamento mental. Técnica é a coerência e a capacidade de argumentar e agir de acordo. A arte do guerra aplicada ao combate singular que é a vida do casal. E mesmo assim não sei mais o que dizer ao meu amigo. E ainda tem a filha envolvida. Realmente é foda.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2006/11/arte-da-guerra-aplicada-ao.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-116351968210123438</guid><pubDate>Tue, 14 Nov 2006 15:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2006-11-14T13:54:42.133-02:00</atom:updated><title>Adeus às armas</title><description>Hoje eu me dei conta de que as pessoas envelhecem e, na consideração geral, deixam de pertencer ao grupo à qual estavam reconhecidos. Estudar, trabalhar, competir no mercado e, quando o corpo parece cansado e a idade chega, e parece que você não mais tem condições d ecompetir de igual pra igual, adeus. O velho soldado se aposenta e, não sendo general, é declinado de sua patente para ser um mero civil, tolo em suas preocupações para com sua gente.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2006/11/adeus-s-armas.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-116302155072130930</guid><pubDate>Wed, 08 Nov 2006 21:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2006-11-11T19:01:02.726-02:00</atom:updated><title>NOISEORQUE</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Por Wilson Sagae&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mermão, vou te falar o que é a cena rock novaiorquina. Sabe a casa da tua tia-avó, quando ela faz aniversário é você obrigado a ir? Pois é isso aí. Um monte de gente que parece conhecida, que deveria ser conhecida, mas não é. Falando de coisas que você já ouviu milhares de vezes e, mesmo assim, eles insistem em dizer. Deu pra entender? New York virou terreno fértil pro cliché. De Manhatan ao Blooklin, da quinta à qüinquagésima avenida, é tudo cheiro de grana mofada nas carteiras preservativas, prontas a comprar a roupa da moda, a idéia da moda, o som da moda, o caixão da moda, o cheiro da moda – se é que você me entende...&lt;br /&gt;(Hilly Cristal morreu, man. Depois que fecharam o CBGB é como o Papai Noel. Uma sombra que você vê em determinados momentos. Com a desvantagem de que esses momentos não ocorrerem com tanta freqüência quanto o natal)&lt;br /&gt;O prédio que era o boteco mais manêro do punk rock virou um condomínio de luxo. Um lugar que nem eu, nem você, vamos nunca pôr os pés. E não é só o CBGB que foi pro vinagre. O Fez, no East Village também pediu a conta. E olha que foi lá que tocou gente como Jeff Buckley e Johnny Cash. Outro que deu pra trás na fórmula um da corrida imobiliária foi o Luna Lounge, no Lower East Side. Era nesse buraco de cucarachas que o Interpol tocava antes de ser o queridinho das revistas de comportamento rebelde adolescente – se é que você me entende.&lt;br /&gt;(o que a gente tem hoje na crista no bueiro que virou a big apple é o Tv On the Radio, Yeah Yeah Yeahs, Professor Murder, Akron Family e por aí vai. Nem vou citar o resto porque, provavelmente, se você não for um maluco pelo rock indie ou um suicida da comunicação muda, não vai saber do que estou falando)&lt;br /&gt;Tudo certo, mano? Ta entendendo onde eu quero chegar? Lixo, no geral, lixo. E o mais revoltante é que eu sou um cara que nasceu e cresceu ouvindo bateria e guitarras estourando os tímpanos (salve 23% a menos de audição no ouvido direito). Ver e ouvir isso acontecendo é como entregar de bandeja minha juventude e gritar pelo mundo que me caparam e eu não berrei em protesto.&lt;br /&gt;Pois é. Mas nem tudo vira bosta. Ou merda, se quiserem os puristas da escatologia. De vez em quando aparece algo que dá um vento na cara. Uma brisa marinha que escapa de Conney Island. No último final de ano, antes do CBGB fechar as portas, antes do fatídico protesto em que a Patti Smith apareceu com o cabelo mais branco que o abominável homem das neves, fui de gaiato até a bodega fazer minha homenagem. Paguei, entrei e fui até o bar (uma merda depois que proibiram o cigarro e a bebida mais consumida virou o cointreau – se é que você me entende). Não sei dizer que horas eram porque eu, além de ter perdido meu relógio no aeroporto (os caras da alfândega encrencaram com a correia de metal. Affff). Bebi uma cerveja e fiquei olhando pro chão imundo e prá cara das pessoas. Festa de final de ano, ou deveria ser festa de ano novo. Final de ano, vamos chamar assim pelo horário. Tenho certeza que ainda não tinha passado da meia-noite.&lt;br /&gt;Tomei quatro ou quinze cervejas e fui até o banheiro. Amigo, se você não foi ao banheiro de um boteco de noiseorque você não sabe o que é porcaria. E não estou falando só da descarga encrencada ou do chão mar tomado de urina. As paredes e as portas são tão rabiscadas, e por tantos nomes conhecidos e nem tanto, que você pensa que ali está a árvore genealógica dada origem pelo May Flower. É tanta gente, falando tanta merda que você entende que só ali mesmo, no banheiro, é possível suportar.&lt;br /&gt;Tranquei a porta e acendi um cigarro e finalmente respirei. Enquanto fazia o serviço, achei um recado da Laurie Anderson pra alguma outra namorada. Tinha também uma assinatura que, penso eu, devia ser do Bruce Springsteen. Todos pessoas que começaram ali a carreira. Além, claro, do Talking Heads, Televisions, Ramones, New York Dools, Strokes, The Killers. Só que destes não vi nenhum sinal.&lt;br /&gt;Joguei o cigarro no vaso e voltei pro salão. Nada gigante. Pequeno, até. No palco, estava uma banda que tinha um vocalista que me lembrou alguém. BMR. Black Market Radio. Nome manêro e um som interessante. Algo como um grunge revisitado. Muitos riffs e melodias poderosas. Se eu não estivesse na vigésima trinta e dez cervejas, diria algo mais poético e melancólico, mas – se é que você me entende – fico no du cacete.&lt;br /&gt;O povo pulando e o som rolando e – vejam vocês – notei que o baterista é a cara do Reembrandt. O pintor holandês. Aquele que ilumina as imagens como se o dedo de deus menino fizesse a mistura de tintas. Um aspecto que deve ser mencionado.&lt;br /&gt;De repente, não mais que de repente, uma dona qualquer caiu do meu lado e pediu ajuda. Claro, como bom cavalheiro fiquei na minha. Deixei que outro se dispusesse. Noiseorque é noiseorque e não adianta. Ninguém deu nem tchuns. Acabei cedendo e estendi a mão. A louca aceitou e&lt;br /&gt;- Sabe que o baixista mixou o disco do Lenny Kravitz?&lt;br /&gt;devolvi a groupie de jardim da infância ao chão. Caramba, sabe-se-lá se ela ia, a seguir, me pedir um gole da cerveja. Cevada só se divide com o vaso sanitário e, benzadeus, só porque é inevitável e se eu fizesse na pilastra preta seria jogado pra fora. Sem querer parecer deslumbrado, eu estava gostando do show.&lt;br /&gt;E foi aí que eu descobri as horas. Alguém berrou que era ano novo e todos fizeram um instante de silêncio e explodiram os berros e abraços e beijos (não, a louca não veio pra cima de mim. Nesse momento ela estava na beira do palco implorando por um beijo do vocalista)&lt;br /&gt;- Chris, Chris Cornell, please.&lt;br /&gt;Foi aí que eu percebi. Quando o vocalista catou o microfone e berrou que a banda era o Black Market Radio e ele era o Peter Cornell. O irmão do cara do Soundgarden. Voz parecida, cara idem.&lt;br /&gt;Meia-noite e dez minutos, a banda tocando. Foi du cacete. Seria melhor se eu lembrasse com mais clareza o que aconteceu depois. Mas, infelizmente, tudo o que eu sei é de mim acordando e vendo uma loira descabelada ao meu lado. No som estéreo tocando uma música que acho que ouvi na madrugada que tinha passado. Enfim, Nova Iorque ainda tem esperanças.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2006/11/noiseorque.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-116163285911908622</guid><pubDate>Mon, 23 Oct 2006 19:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2006-11-06T20:56:12.013-02:00</atom:updated><title>agenda da semana</title><description>Tomar aulas de tiro com Hunter Thompson&lt;br /&gt;Tomar um porre com Bukowski&lt;br /&gt;Ver os gays jogando vôlei na praia nudista de Sydney&lt;br /&gt;Convidar a Dolores Duran para o encontro semanal das meninas&lt;br /&gt;Ir a Timbuktu&lt;br /&gt;Pedir o café da manhã num barquinho no Tahiti&lt;br /&gt;Comer, com fé, baiacu em Tókio&lt;br /&gt;Andar, sem véu, pela medina de Fez&lt;br /&gt;Viajar de carro de Milão a Viena ouvindo Edelweis&lt;br /&gt;Visitar a casa de Karen Blixen no Quênia&lt;br /&gt;Ir a um Kentuchy Derby e levar uma piteira bem chique&lt;br /&gt;Seguir os passos de Butch Cassidy e Sundance Kid pelos penhascos andinos&lt;br /&gt;Visitar as geleiras da Geórgia do Sul num veleiro&lt;br /&gt;Beijar o mais bonito homem disponível na prefeitura de Paris e fotografar minha versão de baiser de l&#39;hotel de Ville&lt;br /&gt;Perder uma fortuna num cassino em Monte Carlo, uma fortuna alheia, bien sur&lt;br /&gt;Sentar num café em Nova York e mandar um texto lindo pelo e-mail para o editor chato&lt;br /&gt;Transar com o jovem Clint Eastwood&lt;br /&gt;Ir a um baile na sala dos espelhos de Versaille&lt;br /&gt;Filar um café na casa do Gabo&lt;br /&gt;Subir de saias, feito Frida, as pirâmides Maias&lt;br /&gt;Tomar um payote na Colômbia&lt;br /&gt;Tomar um daime em Manaus&lt;br /&gt;Fumar um bag na Jamaica&lt;br /&gt;Cruzar à cavalo e de chapéu de cowboy a fronteira Texas/ México&lt;br /&gt;Passear de motinho por Roma&lt;br /&gt;Sentar descalça e com os pés na água na Torre de Belém, pensando &quot;que audácia desses portugas&quot;&lt;br /&gt;Assistir Cavalleria Rusticana no Scala de Milão, vestida de Armani, claro&lt;br /&gt;Correr pelos terraços de prédios de Berlin, ouvindo Heroes no i-pod&lt;br /&gt;Fazer top less em Tenerife&lt;br /&gt;Dirigir pelas Highlands da Escócia&lt;br /&gt;Comer grilo em Pequin&lt;br /&gt;Achar um bom restaurante, morrendo de fome, entre os luminosos de Taiwan&lt;br /&gt;Pescar com o Marcelo Gleiser na casa dele em New Hempshire&lt;br /&gt;Pichar a base de granito do cupido do Picadilly Circus&lt;br /&gt;Pedir o sofá da Bjork emprestado&lt;br /&gt;Fazer xixi em sanitários de ouro em Dubai&lt;br /&gt;Deitar na grama e nos braços de um belo homem, morrendo de frio e olhando a aurora boreal nos céus da Suécia&lt;br /&gt;Encontrar o Alasdair Grey e dizer: cara, que viagem!&lt;br /&gt;Olhar para as pirâmides no Egito e dizer: cara, o Paulo Coelho é muito ruim mesmo.&lt;br /&gt;Bater o martelinho ao final de um péssimo dia na Dow Jones e dizer, mui discretamente ao microfone: meninos, fo-deu!&lt;br /&gt;Encontrar a Jennifer Lopes e dizer: finalmente alguém com a bunda maior do que a minha!&lt;br /&gt;Colocar a cabeça pra fora da janela num trem bala&lt;br /&gt;Dar o telefone errado para o caído do Iggy Pop&lt;br /&gt;Ser presa transando no Central Park&lt;br /&gt;Falar em japonês para o Ken Watanabe como ele é lindo&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2006/10/agenda-da-semana.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-115876793410517131</guid><pubDate>Wed, 20 Sep 2006 15:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-01-22T00:08:19.313-02:00</atom:updated><title>lancelot e guinevere</title><description>Eu poderia te falar de como me ver sozinha no mundo sem pais nem filhos nem família nem ninguém teve um efeito devastador em minha vida mas prefiro te contar apenas de como essa súbita sensação me provocou um imenso e delicioso sentimento de liberdade e esta trouxe consigo uma enorme carga de responsabilidade e parece que não posso cometer erros nem desviar-me de meu curso então me escondo em minha lucidez, gosto de gente e suas histórias, gosto de viver nelas o caminho inseguro que não me permito tomar e quando em minha própria vida um súbito novo amor aparece ainda que com um certo receio e resistência não vejo outra opção senão dar-lhe atenção. Por isso me és tão caro: porque és incomum. Apaixonei-me por ti ou pela idéia que faço de ti ou terá sido por mim? Já não importa; o desequilíbrio químico, as descargas de endorfina adrenalina ocitocina que me provocas já são suficientes para tirar-me de meu mundo sisudo e cometer todos os erros de uma só vez se for necessário. Não vives mais nas madrugadas de tua cidade, vives em mim, vives em algum lugar entre tudo o que tento esconder e meus mais altos ideais heróicos: és Lady Guinevere e Sir Lancelot juntos e já não importa o que digas ou faças: és meu; posso colocar-te no trono imperial japonês ou na vala comum das vítimas da peste a depender de meus humores e já nem me causas ciúmes pois me tens inteira e tens de mim o que tenho de melhor: minha imaginação. E quando cometer teus erros erga a cabeça e lembres-te que em algum lugar há um mundo meu onde podes ser o que quiseres e sempre podes voltar atrás e consertar tudo e onde sempre é possível escolher diferente e fazer bem e melhor e não consigo pensar em nada mais sensual e mais romântico do que nós porque agora ainda que seja somente em mim, somos um só. E me basta.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2006/09/lancelot-e-guinevere.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27544227.post-115862168971012758</guid><pubDate>Mon, 18 Sep 2006 23:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2006-09-18T20:21:29.720-03:00</atom:updated><title>um baixista</title><description>Nunca entendi todo o foguetório em torno dos guitarristas mas concordo que eles acabam sempre assumindo o centro das atenções, que estão sempre a tocar cheios de pose, fazendo caras e bocas, procurando sempre alcançar as notas mais impossíveis, as combinações mais inusitadas, o ineditismo, a novidade. Dever ser esse mesmo o problema deles: o compromisso com a performance. Isso nunca dá certo.&lt;br /&gt;Repare no baixista.&lt;br /&gt;Ah! um baixista deve ser algo muito agradável de se ter sob os lençóis. Ele sempre é um cara discreto. O baixo fala pelo seu nome. É baixo. Quer coisa mais interessante do que um homem que não precisa gritar para se fazer ouvir e entender?&lt;br /&gt;Baixo tem tudo a ver com o ritmo. Tem um não sei quê de forte, de resistente, constante. Aquele som grave e pulsante parece acompanhar o ritmo natural do corpo e parece assim não precisar fazer força alguma para nos colocar no mesmo ritmo dele. Acontece.&lt;br /&gt;Ando imaginando um homem assim, um baixista. Ele certamente me dirá como devo me mover. Imagino um homem de mãos grandes e fortes, capaz de manter o ritmo por muito tempo e o melhor de tudo, capaz de manter minha ilusão de que fui eu quem o escolheu, mesmo estando eu aqui, a esperar sua próxima nota.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;http://jornalcornelio.blogspot.com/atom.xml &lt;/div&gt;</description><link>http://jornalcornelio.blogspot.com/2006/09/um-baixista.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item></channel></rss>